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Apostila de Metodologia da Pesquisa Científica

Apostila de Metodologia da Pesquisa Científica

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Sections

  • INTRODUÇÃO
  • 1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR
  • 1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO
  • 1.3 A LEITURA
  • 1.4 O ESTUDO DO TEXTO
  • 1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA
  • 1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO
  • A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
  • 2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
  • 2.1 A CIÊNCIA
  • 2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS
  • 2.2.1 Os Métodos de Abordagem
  • 2.2.1.1 O Método Dedutivo
  • 2.2.1.2 O Método Indutivo
  • 2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo
  • 2.2.1.4 O Método Dialético
  • 2.2.1.5 O Método Fenomenológico
  • 2.2.2 Os Métodos de Procedimentos
  • 2.2.2.1 O Método Histórico
  • 2.2.2.2 O Método Comparativo
  • 2.2.2.3 O Método Estatístico
  • 2.2.2.4 O Método de Estudo de Caso
  • 2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • 3 PESQUISA CIENTÍFICA
  • 3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS
  • 3.1.1 Classificação quanto à natureza
  • 3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema
  • 3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais
  • 3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos
  • 3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • 3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica
  • 3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO
  • 3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu
  • 3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu
  • 4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
  • 4.1 INTRODUÇÃO
  • 4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
  • 4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
  • 2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico
  • 3.1 REVISÃO DE LITERATURA
  • 3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS
  • 4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis
  • 4.3.1.2 Correlação entre variáveis
  • 4.4.5.1 Coleta documental
  • 4.4.5.2 Questionário
  • 4.4.5.3 Entrevistas
  • 4.4.5.4 Observação
  • 4.4.5.5 Análise de conteúdo
  • 4.4.6.1 Escalas para medir atitudes
  • 4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos
  • 5.1 PLANILHA DE CUSTOS
  • 5.2 CRONOGRAMA
  • 5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS
  • a) categorização dos dados,
  • 5.1.1 Categorização dos dados
  • 5.1.2 Codificação dos dados
  • 5.1.3 Tabulação dos dados
  • 5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas
  • 5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas
  • 5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS
  • 5.2.1 Análise estatística
  • 5.2.2 Avaliação das generalizações
  • 5.2.3 Interpretação dos dados
  • 4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
  • 4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação
  • 4.4.2 Considerações finais
  • 5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
  • 5.1 INTRODUÇÃO
  • 5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
  • 5.4 MONTAGEM DO TCC
  • 5.4.1 Considerações finais
  • REFERÊNCIAS
  • Apêndice B - Elementos textuais obrigatórios da DM
  • Apêndice C - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e TCC
  • Apêndice D - Elementos textuais obrigatórios do TCC
  • Apêndice G – Modelo de Ficha

METODOLOGIA DA PESQUISA

ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

2



3




MARIA DAS GRAÇAS VILLELA RODRIGUES



METODOLOGIA DA PESQUISA
ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

2ª Edição

Colaboração e ampliação:
José Fernando Chagas Madeira
Luiz Eduardo Possídio Santos
Clayton Amaral Domingues

Rio de Janeiro
EsAO
2005


4
© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues

Diagramação:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Revisão:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)



Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
Avenida Duque de Caxias, 2071
Rio de Janeiro/ RJ - CEP 21615-220
R 696 Rodrigues, Maria das Graças Villela.
Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos, trabalhos
acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das
Graças Villela Rodrigues. colaboração e ampliação José Fernando
Chagas Madeira, Luiz Eduardo Possídio Santos, Clayton Amaral
Domingues - 2. ed - Rio de Janeiro: EsAO, 2005.
127 p.; il. ; 30 cm.
ISBN 85 - 98116 - 01 - 7
1. Pesquisa – Metodologia.I Título.
CDD 001.4


5
SUMÁRIO


PREFÁCIO............................................................................................ 11
INTRODUÇÃO...................................................................................... 13
UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO........................................................... 15
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA.................................... 16
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR...................................... 16
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO................................................................... 17
1.3 A LEITURA............................................................................................ 18
1.4 O ESTUDO DO TEXTO........................................................................ 19
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA....................................................... 21
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO............................................................ 22
UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO................. 25
2 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO............................................... 26
2.1 A CIÊNCIA............................................................................................ 26
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS.................................................................... 28
2.2.1 Os Métodos de Abordagem............................................................... 29
2.2.1.1 O Método Dedutivo............................................................................... 30
2.2.1.2 O Método Indutivo................................................................................. 30
2.2.1.3 O Método Hipotético Dedutivo.............................................................. 31
2.2.1.4 O Método Dialético................................................................................ 31
2.2.1.5 O Método Fenomenológico................................................................... 32
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos......................................................... 32
2.2.1.1 O Método Histórico............................................................................... 32
2.2.1.2 O Método Comparativo......................................................................... 33
2.2.1.3 O Método Estatístico............................................................................. 33
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso............................................................... 34
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 34


6

UD III - PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA..............................................

35
3 PESQUISA CIENTÍFICA...................................................................... 36
3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS............................ 36
3.1.1 Classificação quanto à natureza....................................................... 37
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema............ 37
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais....................................... 37
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos......................... 38
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 41
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica.......................... 41
3.2.2 Neveis de Pós-graduação na EsAO.................................................. 41
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu......................................... 42
3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu............................................ 42
UD IV - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU..... 45
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU............................................... 46
4 1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 46
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 47
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO......................... 49
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 49
2 REFERENCIAL CONCEITUAL........................................................ 50
2.1 TEMA.............................................................................................. 50
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 51
2.2.1 Antecedentes do Problema....................................................... 53
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 53
2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico. 53
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 56
2.3 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 56
2.4 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 57
3 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................... 57


7
3.1 REVISÃO DE LITERATURA........................................................... 58
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS................................................ 58
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO.................................................. 59
4.1 OBJETIVO...................................................................................... 60
4.1.1 Objetivo geral............................................................................. 60
4.1.2.Objetivos específicos................................................................ 62
4.2 HIPÓTESE...................................................................................... 63
4.3 VARIÁVEIS..................................................................................... 65
4.3.1 Definição conceitual das variáveis........................................... 66
4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis................................................ 67

4.3.1.2 Correlação entre variáveis........................................................
68
4.3.2 Definição operacional das variáveis........................................ 69
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................... 71
4.4.1 População................................................................................... 71
4.4.2 Amostra....................................................................................... 72
4.4.3 Método de pesquisa................................................................... 72
4.4.4 Tipo de pesquisa........................................................................ 73
4.4.5 Técnica de pesquisa.................................................................. 74
4.4.5.1 Coleta documental.................................................................... 74
4.4.5.2 Questionário.............................................................................. 75
4.4.5.3 Entrevistas................................................................................ 79
4.4.5.4 Observação............................................................................... 80
4.4.5.5 Análise de conteúdo.................................................................. 81
4.4.6 Instrumentos.............................................................................. 82
4.4.6.1 Escalas para medir atitudes...................................................... 83
4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos...................................................... 86
4.4.7 Análise dos dados..................................................................... 88
5 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 88


8

5.1 PLANILHA DE CUSTOS ................................................................
89
5.2 CRONOGRAMA.............................................................................. 89
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 89
5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ................................................... 90
5.1.1 Categorização dos dados.......................................................... 90
5.1.2 Codificação dos dados.............................................................. 91
5.1.3 Tabulação dos dados................................................................ 92
5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas............................................ 92
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas.............................................. 93
5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................... 94
5.2.1 Análise estatística...................................................................... 95
5.2.2 Avaliação das generalizações.................................................. 95
5.2.3 Interpretação dos dados........................................................... 96
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................... 97
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO............................ 98
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação............................................................ 99
4.4.2 Considerações finais.......................................................................... 100
UD V - PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.......................................... 101
5 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU......................... 102
5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 102
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 102
5.3 A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO....... 104
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 105
2 CONCEITOS E MÉTODOS.............................................................. 105
2.1 TEMA.............................................................................................. 105
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 106
2.2.1 Antecedentes do Problema ...................................................... 107
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 108
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 108


9
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO.............................................................. 109
2.4.OBJETIVOS.................................................................................... 110
2.4. 1 Objetivo Geral............................................................................ 110
2.4. 2 Objetivos Específicos............................................................... 110
2.5 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 111
2.6 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 112
3 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 113
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 113
4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES.............................................. 114
5.4 MONTAGEM DO TCC.......................................................................... 114
5.4.2 Considerações finais.......................................................................... 115
REFERÊNCIAS.................................................................................... 117

Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e DM......................................................................................

120
Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM......................... 121

Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e TCC....................................................................................
122
Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC....................... 123

Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos, Materiais
e Serviços.............................................................................................
124

Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de
Pesquisa...............................................................................................

125
Apêndice G – Modelo de Ficha............................................................ 126



10

11
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO
A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação
no âmbito da EsAO. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição, a fim de atualizar
algumas partes e incluir novos conceitos, em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em
vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências
Militares.
Neste sentido, aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora, coube aos
colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I, e adequar o item “A prática do
fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações
Militares. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência,
e aos Métodos Científicos, incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares.
Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica,
segundos suas classificações quanto à natureza, a forma de abordagem do problema, aos
objetivos gerais e aos procedimentos técnicos, procurando-se destacar através de conceitos e
exemplos, as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto
sensu. A partir deste momento, o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos
programas, os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V.
A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores, de forma que o leitor
pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado.
Neste sentido a estrutura da dissertação, com seus referenciais, foi inicialmente apresentada
em forma de fluxograma, passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa, e
seu(s) referenciais afetos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V, onde os
conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados.
Foram ainda criados novos Apêndices ao livro, de forma que o leitor pudesse verificar
as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa, nos projetos
de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa, bem como apresentados em forma de mídia
digital (CD), exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases.


DOMINGUES, C. A.; MADEIRA, J. F. C.; SANTOS, L. E. P.


12

13
INTRODUÇÃO


Os programas de pós-graduação, conduzidos pelas instituições de
ensino de nível superior, exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos,
dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos
correspondentes. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema
relevante de determinada área, obedecendo à metodologia própria para iniciação
científica, preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras
ortográficas e gramaticais da língua portuguesa.
Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos
Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a
elaboração de projetos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e dissertações,
facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento.
Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à
metodologia da pesquisa, seguindo orientações de renomados autores brasileiros
que descrevem claramente o assunto, inferindo conceitos próprios da metodologia
em Ciências Militares.
A seguir, serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de
pesquisa científica afetos às Ciências Militares, passando a apresentação de um
raciocínio lógico e coerente, necessário à construção de projetos de pesquisa nos
níveis stricto sensu e lato sensu.
Finalmente, este manual esclarece como o resultado final da pesquisa,
realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa, será descrito em
forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação
de Mestrado (no nível stricto sensu).


14

15




TÉCNICAS DE ESTUDO
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO
1.3 A LEITURA
1.4 O ESTUDO DO TEXTO
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO



16
1 METODOLOGIA DA PESQUISA

A palavra Metodologia vem do grego; meta que significa ao largo; odos,
caminho; logos, discurso, estudo. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos
disponíveis e suas utilizações. Corresponde a um conjunto de procedimentos que
auxiliam na obtenção do conhecimento.
De acordo com Minayo (1999), entende-se por metodologia o caminho do
pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Neste sentido, a
metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. Já
a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência, buscando questionar e
construir a realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza
frente à realidade do mundo. Embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula
pensamento e ação. Ou seja, nada pode ser intelectualmente um problema, se não
tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da
investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente
condicionadas.

1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR

A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui
características investigativas, relacionadas com a busca de caminhos necessários à
obtenção de conhecimentos, auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na
sistematização dos conteúdos. Esta instrumentação é importante para o trabalho
científico, porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a
formação de um compromisso científico frente à realidade empírica, buscando o
conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a
reflexão científica.
Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação
superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos, levando
em conta o estímulo ao pensamento produtivo, ao conhecimento sistemático, à
criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. A Metodologia estrutura-se,

17
portanto, de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções
que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes.

1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO

O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico
aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. Para tanto, é importante que
os alunos adquiram hábitos de estudo, buscando informações a respeito de
procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas.
A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados
muito importantes para o aprendizado. Severino (1991) destaca como elementos
principais à leitura e a escrita, pois para aprender, é necessário ler ou ouvir as
mensagens que nos são transmitidas; como, também, é necessário registrar por
escrito o conteúdo, para posteriormente retomar a essa mensagem, pensá-la e/ou
reescrevê-la. Adverte, ainda, que o ensino superior exige dos universitários
maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade
didática rigorosa, crítica e criativa, bem como um projeto de trabalho intelectual
individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui
basicamente na bibliografia especializada.
Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade
de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas
necessidades de aprendizagem. É necessário que o estudante utilize, com a devida
freqüência, as bibliotecas disponíveis. A leitura de livros indicados na bibliografia do
curso, de revistas especializadas, de jornais e outras fontes de consulta facilita a
apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto, oferecendo
outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte.
A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço
disciplinar, uma programação das atividades de estudo, uma divisão adequada do
tempo que propiciem a periodicidade de leituras, a participação em seminários,
palestras, etc. O ensino superior requer, além do estudo habitual, a participação em
eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos
conhecimentos. A auto-atividade didática é, portanto, imprescindível e deve
estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance.

18
Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o
espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos, aprimorando-os
como seres ativos e participantes da história.
A proposta deve ser a de aprender, isto é, não adianta apenas uma série de
informações, é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. As atividades de
estudo como a leitura analítica, o estudo da documentação e a elaboração de
trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. Estas atividades são
desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho, utilizando técnicas de
leitura, condensação de textos, etc.

1.3 A LEITURA

Ler é assimilar idéias, interagir com o autor, absorvendo o sentido da
mensagem, conhecer, interpretar, decifrar, ampliar os conhecimentos e aprofundar o
saber em determinado campo cultural ou científico. Segundo Salvador (1980), ler é
"distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e, depois, optar
pelos mais representativos e mais sugestivos”.
Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras, sendo necessário
que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto, que é aquela que corresponde a
tudo aquilo que o autor quer comunicar. Para tanto, a utilização de técnicas de
sublinhamento, resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do
texto através das idéias de cada parágrafo, auxiliando o leitor no entendimento do
pensamento do autor no contexto da obra.
Ao ler um texto, devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo
informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários
enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser
percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem.
Posteriormente, devemos identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias
que articulam o entendimento final do texto.
É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário,
possibilitando ao leitor progredir cientificamente; adquirir experiência, melhorar a
comunicação e, principalmente, a redação. A leitura amplia e desperta a inteligência
para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento, clareando as idéias,

19
permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas, e fornecendo
opções de soluções para os problemas de pesquisa, de acordo com os modelos
teóricos de outros autores/pesquisadores.
A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação
científica. É importante consultar os autores, os livros e as revistas, que possam
fornecer as informações necessárias. Devemos examinar sumariamente os
componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. Verificar o nome do
autor, seu currículo, ler a orelha do livro, o sumário, a documentação ou as citações
ao pé das páginas. Investigar a referência, assim como verificar a editora, a data, a
edição e ler rapidamente o prefácio. A convergência desses vários elementos nos
ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse.

1.4 O ESTUDO DO TEXTO

Segundo Galliano (1986), há várias maneiras de se estudar um texto, mas
todas dependem sempre do propósito do estudo. Assim, um estudo profundo,segue
sempre um processo semelhante, um método. Devemos recordar que não se estuda
um texto como quem lê um romance, por puro entretenimento. Os textos de estudo,
mormente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego da
razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disciplina
intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo.
Assim, o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas, sendo
necessário para o desenvolvimento deste, o domínio de algumas técnicas que vão
contribuir para o entendimento do autor e da obra, quais sejam: sublinhar, resumir
e esquematizar.
Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra, as
palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. Dentre as normas para
sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias
principais e os detalhes importantes. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir
das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. Ao final,
deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O
texto fica condensado como em um telegrama, mas continua com o mesmo sentido.

20
É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal
e com um único traço os pormenores importantes. Assinalar com linha vertical, à
margem do texto, as passagens mais significativas; ou fazer um retângulo. Os
pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à
margem do texto. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para
sublinhar.
Após sublinhar o texto, é necessário condensar as idéias destacadas. O leitor
deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto, a que mais se
identifique com o propósito de sua leitura. De acordo com a forma de apresentação
do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou
esquema.
O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É
a apresentação concisa e, freqüentemente, seletiva do texto, destacando-se os
elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da
obra. É útil quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se
estudou e a conclusão a que se chegou. Segundo Galliano (1986), resumir por
escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil
consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade, como a
defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação, e quando
se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa.
Para tanto, é necessário observar algumas normas para se fazer um bom
resumo, tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo; esclarecer os
pontos obscuros; e sublinhar as palavras desconhecidas. É preciso ser breve, porém
compreensível. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à
margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”), usar aspas e
fazer referência completa à fonte. Juntar, principalmente ao final, idéias
integradoras, referências bibliográficas e críticas, pertinentes e oportunas, de caráter
pessoal.
O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu
escrito. Para Galliano (1986), o esquema é a representação gráfica e sintética do
que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica
que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que, mediante divisões e
subdivisões represente a hierarquia das palavras, frases, parágrafos-chave que,

21
destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias
sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.
Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom
esquema, uma delas é a fidelidade ao texto, captando e compreendendo o tema do
autor, destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto.
Por fim, o esquema deve:
a) ser claro, simples e distribuído organicamente;
b) subordinar as idéias e fatos;
c) ter estrutura lógica, mantendo um sistema uniforme;
d) ser flexível e funcional para o uso; e
e) destacar o propósito da leitura, facilitando a captação do conteúdo e
permitindo uma melhor reflexão sobre o texto.

1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

Para auxiliar a transposição da leitura, é necessário que o leitor faça uma
análise do texto. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do
leitor e do fim a que se destina. Os textos de estudo de caráter científico, por
exemplo, requerem, por parte de quem analisa, um método de abordagem e certa
disciplina intelectual.
Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que
abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise
textual, análise temática e análise interpretativa.
A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a
finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. O leitor deve assinalar os
vocábulos desconhecidos, os pontos que requerem posterior esclarecimento e as
dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. É importante
esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários, enciclopédias, manuais,
enfim, às obras de referência que se façam necessárias.
Ao terminar esta análise, o leitor passa a ler com o objetivo de compreender
profundamente o texto. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai
processar a leitura para apreender o conteúdo, sem discutir com o texto, sem
debater os conceitos ou idéias; a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia

22
central. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor,
as idéias secundárias, os temas complementares, enfim, a estrutura de sustentação
do texto. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece, com
segurança, o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto.
A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a
inferir e interpretar o que foi apreendido. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor
deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica
e/ou filosófica recorrendo, se necessário, a outras fontes, complementando-as
sempre que o estudo assim exigir.
Ao terminar a análise interpretativa, o nível de conhecimento do leitor ter-se-á
consolidado e ampliado. E para continuar desenvolvendo este conhecimento,
Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao
confronto da discussão em seminários, grupos de estudo, ou reuniões com colegas.
Para ele, o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e
inabaláveis podem revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor,
estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de
análises.
Concluindo adequadamente a leitura de um texto, o leitor mais experiente,
passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. São nessas condições que
ocorre a transposição da leitura. É através da ampliação dos aspectos que a
análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos
relevantes que o leitor pode ir além, ultrapassar a leitura e produzir o
conhecimento; o que é muito importante, na medida em que o leitor/pesquisador
necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de
determinadas conclusões.

1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso
que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita:
a) conhecer a origem do problema;
b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema;
c) avaliar as soluções já experimentadas;

23
d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo;
e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível
solução para o problema pesquisado.
Segundo Eco (1989), a situação ideal seria dispor de todos os livros de que
se tem necessidade. Entretanto, verifica-se que essa condição ideal é muito rara,
mesmo para um estudioso profissional. Assim, o armazenamento das informações
coletadas em bibliotecas, repartições públicas, centros culturais, sites de busca na
Internet, etc, poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de
computador.
É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na
fase de coleta de informações, pois auxiliam no registro de resumos, opiniões,
citações, enfim, tudo o que possa servir como embasamento para a redação do
texto do trabalho de pesquisa.
Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração
dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação
final da pesquisa, revertendo em ganho de tempo.
A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G), que deverá ser
preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa, isto é, no
início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. A ficha é composta pelas
seguintes partes: cabeçalho, referências, resumo da obra, citações,
contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de
interesse.
O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a
identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa, o tema, o nome do
postulante, a data do fichamento e o número referência da ficha.
O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas
da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e
Dissertações), isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação.
O campo destinado ao resumo da obra, embora simples, deve permitir ao
pesquisador identificar quais são os assuntos tratados, bem como as principais
conclusões do autor.
O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas
ou indiretas, tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu
raciocínio lógico, durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz

24
tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. As
citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do
pensamento de outros autores, elas devem conter subsídios que lhe permitirão a
sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC)
O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo
deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor, visando facilitar a
construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho; anote quantas
idéias puder acerca do que foi lido e estudado, este é o melhor momento para
apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao
problema de estudo.
O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter
tabelas, gráficos, figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o
entendimento do leitor acerca do seu trabalho.

25



A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
2.1 A CIÊNCIA
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS
2.2.1 Os Métodos de Abordagem
2.2.1.1 O Método Dedutivo
2.2.1.2 O Método Indutivo
2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo
2.2.1.4 O Método Dialético
2.2.1.5 O Método Fenomenológico
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos
2.2.1.1 O Método Histórico
2.2.1.2 O Método Comparativo
2.2.1.3 O Método Estatístico
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


26
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que
os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades
mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas.
O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o
objeto, o sujeito e uma relação entre os dois. O conhecimento se dá quando o
sujeito apreende o objeto e, relacionando-se com ele, forma uma imagem.
Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo
do conhecimento, faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento
ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico.
Segundo Galliano (1986), o conhecimento vulgar (senso comum) também
denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao
acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral
resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação
metódica ou verificação sistemática, e por isso, carece de caráter científico. Pode
também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das
tradições de uma coletividade.
Ao contrário, o conhecimento científico é uma aquisição intencional,
consciente e sistemática; é um processo que chegou ao máximo de seu
desenvolvimento com a aplicação do método científico. De acordo com Galliano
(1986), o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da
realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para
descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.

2.1 A CIÊNCIA

Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de
conceitos que são permanentemente ampliados, uma vez que suas idéias não são
definitivas.
O conceito apresentado por Ander-Egg (1978), define ciência como um
conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente,

27
sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma
natureza.
Para Trujillo (1974), ciência é uma sistematização de conhecimentos, um
conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de
certos fenômenos que se deseja estudar. Um conjunto de atitudes e atividades
racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser
submetido à verificação.
Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por
objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o
auxílio da linguagem matemática), leis que regem os fenômenos.
Neste sentido, o conhecimento deve ser:
a) objetivo, porque descreve a realidade independente dos caprichos do
pesquisador;
b) racional, porque se vale, sobretudo, da razão e não da sensação ou
impressões, para chegar a seus resultados;
c) sistemático, porque se preocupa em construir sistemas de idéias
organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades
cada vez mais amplas;
d) geral, porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de
leis e normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo;
e) verificável, porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das
informações; e
f) falível, porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados
pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar.
Segundo Gil (1999), há conhecimentos que não pertencem à ciência, tais
como: o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico. A partir
destas características torna-se possível, em boa parte dos casos, distinguir entre o
que é ciência e o que não é.
Segundo Lakatos e Marconi (2000), não existe um consenso na apresentação
da classificação das ciências; o que é ciência para alguns autores, ainda permanece
como ramo de estudo para outros, e vice-versa. Mas, baseando-se em Bunge
(1976), as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências
factuais.

28
As ciências formais se encarregam do estudo das idéias, dividindo-se em
lógica e matemática. Por não terem relação com algo encontrado na realidade, não
podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas,
utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. Os resultados
alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses.
As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos, dividindo-se em
naturais e sociais. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em
conseqüência, recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou
refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam,
comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, são provisórias.
A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a
demonstração (formal) é completa e final, ao passo que a verificação (factual) é
incompleta e, por este motivo ela é temporária.
Parra Filho (2000), ao referir-se à classificação atual dos vários campos da
ciência, ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias, devido a
sua constante evolução. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao
mesmo tempo a variedade do conhecimento humano, assinala o domínio próprio de
cada ciência, patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem
em que as ciências devem ser estudadas. De acordo com este autor, Ciência
Militar e Defesa, estão no campo das ciências sociais.

2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS

Para que um conhecimento possa ser considerado científico, faz-se
necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua
verificação, ou seja, determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento.
Assim, Gil (1999), define método científico como um conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento.
Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método
relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os
primórdios da humanidade.

29
Nas ciências militares, assim como em outras ciências, o método é
fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de
acordo com a proposta de trabalho do pesquisador.
A adoção de um ou de outro método depende, portanto:
a) da natureza do objeto de pesquisa;
b) dos recursos materiais disponíveis;
c) do nível de abrangência do estudo; e
d) sobretudo, do pesquisador.
Neste sentido, vários sistemas de classificação podem ser adotados.
Segundo Gil (1999), que apresenta uma classificação semelhante a outros autores
como Trujillo, Ferrari (1982), e Lakatos (1992), há dois grandes grupos: os métodos
de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica; e os
métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a
serem empregados.

2.2.1 Os Métodos de Abordagem

Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos
que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da sociedade; são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de
abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua
investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas
generalizações.
Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo, indutivo,
hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Cada um deles vincula-se a
uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o
conhecimento da realidade. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo, o
indutivo ao empirismo, o hipotético-dedutivo ao neopositivismo, o dialético ao
materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia.




30
2.2.1.1 O Método Dedutivo

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que
pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O
raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por
intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral
para o particular) para chegar a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira, logicamente decorrente das
duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993).
Veja um exemplo de raciocínio dedutivo:
Premissa maior As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão O 121°R C Mec tem grande mobilidade
Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo.
A dedução pressupõe o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da
conjectura, que serão testados pela observação e/ou experimentação.

2.2.1.2 O Método Indutivo

Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta os
princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de
observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à
elaboração de generalizações (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um
exemplo de raciocínio indutivo:
Observação 1 O 121°R C Mec tem grande mobilidade.
Observação 2 O 122°R C Mec tem grande mobilidade.
... ...
Observação n O 123°R C Mec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°, 122°,...123°R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade.
Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo.

31
Segundo Wricht (apud HEGENBERG, 1976, p. 174), a indução pode ser
caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade, relativamente a certo
número de elementos de uma dada classe, permite concluir que o mesmo será
verdade, relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. Se em
especial, a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não
examinados, diz-se que a indução leva a uma generalização.
O método indutivo propõe que, em primeiro lugar, está a observação dos
fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. Há, portanto, uma inversão de
procedimentos em relação ao método dedutivo.

2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo

Proposto por Popper, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da
seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o
problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são
formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas
as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se
procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao
contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30).
O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos, acerca da qual se formulam hipóteses, e pelo processo de influência
dedutiva, testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela
hipótese.

2.2.1.4 O Método Dialético

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se
transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É
um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Admite que os fatos
não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc.
O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre

32
na natureza e na sociedade. O conceito de dialética equivale a uma argumentação
que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão.

2.2.1.5 O Método Fenomenológico

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem
indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência, tal como ela é. A
realidade é construída e entendida como o compreendido, o interpretado, o
comunicado pelo resultado da pesquisa. Então, a realidade não é única: existem
tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é
reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL,
1999; TRIVIÑOS, 1992).

2.2.2 Os Métodos de Procedimentos

Segundo Lakatos (2000), os métodos de procedimentos seriam etapas mais
concretas da investigação, com a finalidade mais restrita em termos de explicação
geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude mais concreta em
relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular.
Gil (1999), expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos
técnicos a serem utilizados, proporcionariam ao investigador os meios adequados
para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.
Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999), referindo-se à
conceituação de método, enquanto conjunto de procedimentos suficientemente
gerais, para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica.
Assim, os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências
sociais, são: histórico, comparativo, estatístico e estudo de caso.

2.2.2.1 O Método Histórico

O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos, processos e
intuições passadas, procurando identificar e explicar as origens contemporâneas.
Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir

33
de uma perspectiva histórica. E a partir da análise, evolução e comparação histórica
se podem traçar perspectivas.

2.2.2.2 O Método Comparativo

O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos,
classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades
entre eles. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o
estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.
O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre
os vários grupos e fenômenos sociais, mediante a comparação que irá estabelecer
as semelhanças e/ou as diferenças.

2.2.2.3 O Método Estatístico

Segundo Gil (1999), o método estatístico fundamenta-se na aplicação da
teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação
em ciências sociais. As explicações obtidas mediante a utilização do método
estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de
boa probabilidade de serem verdadeiras. Mediante a utilização de testes estatísticos,
torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de
determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido.
O método estatístico, apesar das dificuldades para medir os fenômenos,
auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos
fatos que, reduzidos a números, permitem o estabelecimento de relações e
correlações existentes entre eles, prestando-se tanto para que sejam inferidas como
para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. É também
utilizado quando, pela variedade e complexidade dos fenômenos, torna-se
impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem
uma quantificação.
Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção
de dados, mas sim, como define Fisher, a estatística é a matemática aplicada à
análise dos dados numéricos de observação, pois, tão importante quanto o aspecto
qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo, com as suas possíveis

34
utilizações; daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais.
Quando, a partir de uma amostragem ou de um caso particular, são definidas
algumas generalizações, tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal
fenômeno.

2.2.2.4 O Método de Estudo de Caso

O método de estudo de caso ou método monográfico permite, mediante a
análise de casos isolados ou de pequenos grupos, entender determinados fatos.
De acordo com Gil (1999), este método parte do princípio de que o estudo de
um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros, ou
mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos,
instituições, grupos, comunidades etc.

2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme o método escolhido pelo pesquisador, utiliza-se um ou outro
procedimento de coleta de dados. O procedimento de coleta de dados requer do
pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa, ou seja, como irá proceder
para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. O
delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e
das circunstâncias em que serão coletados os dados, e as formas de controle das
variáveis envolvidas no problema.

35



PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA
3 PESQUISA CIENTÍFICA
3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS
3.1.1 Classificação quanto à natureza
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica
3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO



36
3 PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa, num sentido amplo, é um conjunto de atividades voltadas para a
busca de um determinado conhecimento. Neste sentido, qualquer trabalho escolar
que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado
um trabalho de pesquisa.
Segundo Gil (1999), pode-se definir pesquisa como um processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico. A pesquisa tem um caráter
pragmático; é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método
científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.
De acordo com Barros e Lehfeld (2000), a pesquisa científica é o produto de
uma investigação, cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante
a utilização de procedimentos científicos. Consiste em investigar a realidade,
utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. Aplicar atentamente os
sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Observar e
examinar atentamente, sondar, inquirir, ouvir com atenção, ler e analisar
documentos.
Para a EsAO, a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente
organizadas, baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos; realizada com o
objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário, administrativo ou de
instrução; e relatada através de um discurso autêntico, coerente e lógico, ausente de
contradições.

3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de
classificação serão apresentadas a seguir, levando em consideração: a natureza, a
forma de abordagem do problema, os objetivos gerais e os procedimentos
técnicos.



37
3.1.1 Classificação quanto à natureza

Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos,
úteis para o avanço da ciência, sem uma aplicação prática prevista inicialmente.
Envolve verdades e interesses universais.
Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham
aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. Envolve
verdades e interesses locais.

3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema

Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável, isto é, que
é possível traduzir em números as opiniões e as informações para, posteriormente,
classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas
(percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação,
análise de regressão, etc.).
Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo
real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação
dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural
é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É
descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente.

3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais

Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. É usada para
conhecer variáveis que são desconhecidas completamente, e cuja informação será
básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que
alcance o verdadeiro conhecimento da variável. A pesquisa exploratória tem como
principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em
vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para

38
estudos posteriores. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas
e operacionalizáveis. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira
etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada
população/fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. É utilizada
para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um
problema, obtendo desta maneira uma visão mais completa. Para este tipo de
pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável
ou das variáveis que influenciam o problema. Algumas pesquisas descritivas vão
além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo
determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou
contribuem para a ocorrência dos fenômenos, aprofundando o conhecimento da
realidade por explicar a razão, o “porquê” das coisas. Uma pesquisa explicativa pode
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação dos fatores que
determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou
detalhado. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente
explicativas em ciências sociais.

3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos

Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,
constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, atualmente, de material
disponibilizado na Internet. Dependendo da pesquisa, percebe-se que muitas são
desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, tais como:
livros de leitura corrente, livros de referência, dicionários, enciclopédias, impressos
diversos, publicações periódicas, revistas e jornais etc.
A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente;
principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo
espaço. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos, pois não há

39
outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados
bibliográficos.
Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não
receberam tratamento analítico. As fontes, consideradas documentais, podem ser
documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas,
tais como: associações científicas, igrejas, sindicatos etc. Incluem-se outros
inúmeros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações,
memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. Há documentos também, que de
alguma forma já foram analisados, tais como relatórios de pesquisa, relatórios de
empresas, tabelas estatísticas, etc, que podem ser incluídos no rol da pesquisa, em
face da sua importância documental.
Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo,
selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. De
modo geral, o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica
em determinados campos do conhecimento. Contudo, em boa parte dos casos, a
pesquisa experimental torna-se inviável, quando se trata de objetos sociais, por
exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas.
Quando os objetos em estudo são entidades físicas, tais como porções de
líquidos, bactérias ou ratos, não se identificam grandes limitações quanto à
possibilidade de experimentação. Quando, porém, se trata de experimentar com
objetos sociais, ou seja, com pessoas, grupos ou instituições, as limitações tornam-
se bastante evidentes. Considerações éticas e humanas impedem que a
experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais, razão pela qual os
procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número
de situações.
Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que
possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer.
Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de
pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise
quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da
população estudada. Antes da pesquisa de campo, seleciona-se mediante
procedimentos, uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de

40
investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a
totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida por
meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística, v.1).
Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores
sociais, pois proporcionam: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez
na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo, permite
que os dados sejam agrupados em tabelas, possibilitando a sua visualização e
análise por quantificação.
Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um
ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado
conhecimento. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas
complexos, auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema.
Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é
suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal,
possibilitando avançar na pesquisa.
Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos
ocorridos. A pesquisa ex-post-facto, é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou
situações se desenvolveram espontaneamente. Não se trata rigorosamente de um
experimento, posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. Todavia, os
procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos
experimentos propriamente ditos. Neste tipo de pesquisa são tomadas como
experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre
elas como se estivessem submetidas a controle.
Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte
das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Segundo Thiollent (1985), esta
pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo.
Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre
pesquisadores e membros das situações investigadas. A pesquisa participante,
segundo Thiollent (1985), assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação
entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Há autores que
empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação
geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional,

41
técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre
ciência popular e ciência dominante.

3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas
exigências científicas. Para que seu estudo seja considerado científico você deve
obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetividade. É
desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos:
a) a existência de uma pergunta que se deseja responder;
b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; e
c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida.

3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica

Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e
desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica.
Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas
que devem ser executadas na investigação de um fenômeno, que inclui a escolha
do tema; a exploração do problema; a construção de um modelo de análise e
solução do problema; a coleta e a tabulação de dados; a apresentação dos
resultados; a análise e discussão dos resultados; a elaboração das conclusões
e recomendações; e a divulgação de resultados.

3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO

Após compreender os conceitos de metodologia, ciência, métodos de
pesquisa e tipos de pesquisa científica, é importante que o discente entenda alguns
princípios que regem os programas de pós-graduação. Ao término desta Unidade
Didática, espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de
pós-graduação que melhor lhe convier. Para tanto, serão apresentados alguns
conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu.


42
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu

O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado
acerca de determinado tema, exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo.
Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de
Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica, fazendo jus, caso
aprovado, ao grau de Mestre em Operações Militares.
Como veículo da execução do programa de mestrado, a apresentação de
dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de
atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das
atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.
Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível
maior de conhecimento a respeito do tema, de tal forma que seja possível o
levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto.

3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu

O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado
tema, exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em
relação ao mesmo. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um
Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica,
fazendo jus, caso aprovado, ao grau de Aperfeiçoamento em Operações
Militares.
Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de
um conhecimento compatível com o tema em estudo, de tal forma que seja possível
descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações
de causas ou conseqüências do problema analisado. O trabalho deverá constituir-se
em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados
durante o CAO, evidenciando pesquisa científica. Observe que o TCC pode ser
concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado.
O Quadro 3 apresenta, de uma maneira geral, as principais diferenças entre
os níveis de Pós-Graduação, por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um
mesmo tema.


43

Nível Lato Sensu Stricto Sensu
Tema
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Delimitação do
tema
Sessões cardiopulmonares de treinamento
físico militar na preparação do Sd EV
para o TAF.
Uma comparação entre os efeitos
fisiológicos produzidos pela corrida
intervalada e pela corrida contínua,
voltados para a performance de Sd EV no
TAF.
Antecedentes do
problema
O pesquisador sente a necessidade de
pesquisar acerca de como os diversos
tipos de treinamento cardiopulmonar
poderiam otimizar a performance
cardiopulmonar do Sd EV.
Estudos comparativos têm indicado que a
corrida intervalada provoca mudanças
fisiológicas que a corrida contínua não é
capaz de realizar.
Problema
Como melhorar a performance
cardiopulmonar de Sd EV, visando uma
preparação para o TAF?
Que método de treinamento produz
maiores benefícios fisiológicos voltados
para o TAF?
Aprofundamento
exigido
Abordagem genérica de todas as sessões
de treinamento cardiopulmonar, capazes
de melhorar a performance do militar,
concluindo acerca de suas vantagens e
desvantagens.
Abordagem profunda e detalhada da
fisiologia do exercício, para comparar os
efeitos dos treinamentos, concluindo
acerca de qual produz maiores benefícios
fisiológicos voltados para o TAF.
Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica.

A Tabela 1 apresenta algumas características que, genericamente, permitem
distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de
Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Tabela 1- Principais diferenças entre a DM e o TCC
Características DM TCC
Quanto ao programa de pós-graduação stricto sensu lato sensu
Formulação do problema sim sim
Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor
Formulação de questões de estudo não sim
Formulação de hipóteses sim não
Variáveis duas ou mais pelo menos uma
Testes de variáveis sim não
Aprofundamento do conhecimento. maior menor
Pesquisa de campo sim não
Análise estatística sim não
Defesa perante Banca Examinadora sim não
Fonte: Os autores.

A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de
aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. Caso opte pelo
programa stricto sensu (Mestrado), siga para a Unidade Didática IV. Se optar
pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento), siga para a Unidade Didática V.

44


45



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU

4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
4 1 INTRODUÇÃO
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 REVISÃO DE LITERATURA
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
5.1 PLANILHA DE CUSTOS
5.2 CRONOGRAMA
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO




46
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

4.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de
dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a
normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR
14724:2002.
É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório
final de uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente
planejada e aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade
traduzir um perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre
ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados, visando atender os interesses
do postulante e da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para
que o postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente
alinhados, o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir
relacionadas:
Escolha do Tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado;
Depósito da Dissertação de Mestrado; e
Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e
executado, apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca
do que foi pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada
fase.



47
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA.
O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas, que são
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
AS 7 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1ª Etapa Seção 1
Introdução
- Visão Geral
Seção 2
- Tema
- Problema
- Justificativa
A pergunta de partida
Referencial
Conceitual
- Contribuição
2ª Etapa Seção 3
A exploração do problema

Revisão de
Literatura


Entrevistas
exploratórias


Referencial
Teórico
Apresentação dos
pressupostos teóricos
que irão sustentar a
tese formulada.
3ª Etapa Seção 4
- Objetivos
- Hipóteses
- Variáveis
Referencial
Metodológico
- Procedimentos
metodológicos
- Cronograma
A construção de um modelo de
análise e solução do problema

Referencial
Operativo*
- Planilha de custos
4ª Etapa Seção 5
A coleta dos dados
5ª Etapa
Análise dos dados
Apresentação e Análise
dos Resultados
6ª Etapa Seção 6
Conclusões

Conclusões e Recomendações
7ª Etapa
Redação do relatório final de pesquisa
(Montagem da Dissertação de Mestrado)

DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA
(fase presencial do CAO)

*O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B)

Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.


48
A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. A pergunta de partida irá desencadear uma breve
revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com
apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar, das justificativas
para se empreender um estudo científico para resolvê-lo, e das contribuições que
esta pesquisa poderá produzir. Depois de reunidos, o Tema, o Problema, as
Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual.
Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a) a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b) a pergunta de partida deve ser reformulada.
Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª
Etapa), por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de
entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo), bem como ,
uma maneira de se testar, metodologicamente, esta solução (Referencial
Metodológico). Após serem convenientemente organizados, os resultados da
exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico
Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a
construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa), onde
serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo, a(s) hipótese(s), as variáveis, e os
procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução
formulada. Estando definida a hipótese, o postulante passa: a estabelecer os
objetivos da pesquisa, que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou
rejeição da hipótese; a definir as suas variáveis; a estabelecer os procedimentos
metodológicos a serem seguidos; e, somente durante a elaboração do projeto de
pesquisa, a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos.
Após convenientemente organizados, o(s) objetivo(s) de estudo, a(s)
hipótese(s), as variáveis, e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado
Referencial Metodológico. O cronograma de trabalho e a planilha de custos
constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa.
Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s), deve-se realizar a
Coleta de Dados (4ª Etapa), que consiste na execução do que foi planejado no
Referencial Metodológico. Segue-se a esta, a Análise dos Dados (5ª Etapa), que

49
culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados, onde
os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a
fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca
da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. Durante esta etapa, pode-se
verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados, ou até mesmo
de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não
tenha ficado claro durante a análise.
Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (6ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa, verificando
se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m), ou não, o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (7ª Etapa), quando todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega da Dissertação de Mestrado, para que, no momento determinado, seja
executada a defesa perante a Banca Examinadora.

4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final da DM, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa e na DM. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve ser breve, visando preparar o leitor para a questão
funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão
clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de
pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão
panorâmica acerca do assunto pesquisado.

50
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. Pode-se redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride.

2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da
problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado;
o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente
dito e os seus alcances e limites); a justificativa da importância de execução da
pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do
conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema.
De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Encontrar um objeto que mereça ser investigado
cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da
pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores
externos, quanto aos fatores internos (pessoais).
É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e
esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para
desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o
pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta
bibliográfica.
Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger

51
uma determinada parcela de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está
relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu
orientador. Para a escolha do tema, deve-se levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Para um maior aprofundamento nas
questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para
Trabalhos Acadêmicos”. Após a definição do tema, deve-se levantar e a analisar
as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende
resolver através da pesquisa científica que irá empreender, apresentando os
antecedentes do problema, a formulação do problema e os alcance e limites.
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução.
Mas... você sabe o que é um problema científico?
Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). Segundo
o dicionário Aurélio, um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de
discussão, em qualquer domínio do conhecimento.
Abordaremos brevemente algumas questões que, intuitivamente, nos fazem
pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica, mas que, na

52
verdade, se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor, isto é
não são problemas científicos.

Problemas de engenharia
Alguns problemas, ditos “de engenharia”, indagam acerca de como fazer as
coisas, eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas
são, suas causas e conseqüências. A ciência pode fornecer sugestões e inferências
acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia, mas não responder
diretamente a eles.
Exemplos:
1. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução?
2. Como melhorar a produtividade da Seção?
3. Como se confecciona um determinado documento?

Problemas de valor
Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. Tais
questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má, desejável ou indesejável,
certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra. São problemas cuja resposta
depende de opinião, e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que
são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação, nível escolar, moral,
ética, etc...), não se constituindo, portanto, em problemas científicos.
Exemplos:
1. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução?
2. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada?
3. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8?

Problema científico
Pode-se dizer que um problema é de natureza científica, quando envolve
variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à
manipulação).
Exemplos
1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?
2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

53
3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

2.2.1 Antecedentes do Problema (Proposta, Projeto e DM)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema do problema, portanto, pressupõe a apresentação do que já está
disponível a respeito dele. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de
alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a
provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis, torna-se necessário
identificar como surgiu o problema, mencionando autores que já pesquisaram a
respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. As experiências
anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste
referencial como ponto de partida para o início da pesquisa.

2.2.2 Formulação do Problema (Proposta, Projeto e DM)

O problema deve ser formulado como uma pergunta. Esta é a maneira mais
fácil e direta de formulá-lo, além de facilitar a sua identificação e a confecção do
relatório final. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um
tema, que por si só não constitui um problema específico.

2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico

A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento
de certas regras práticas para a formulação de um problema científico, tais como:
a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial;
b) ser claro e preciso;
c) ser empírico (testável) e não fruto de valores; percepções pessoais e/ou
senso comum (“achismos”);
d) ser suscetível de solução, ou seja, suas variáveis devem permitir
observação ou manipulação;
e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis);

54
f.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não
como resposta; e
g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética.
A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos
mencionados na seção secundária 2.2.

Problema 1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?

O problema 1, tem início na observação de que existe pouca interação entre
os alunos na execução de trabalhos em grupo, e isto pode diminuir o rendimento
escolar.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela
literatura e por especialistas em ensino);
b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares; e
c) verificar se, após a aplicação das técnicas, houve alteração no rendimento
escolar.
Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de
técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a
população estudada). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese
de estudo.

Problema 2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono
dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada
ou realização de tarefas complexas.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para
buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela
literatura e por especialistas em neurofisiologia);

55
b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono
(um grupo em privação total de sono, um grupo que poderá dormir apenas 4 horas
por noite, e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite); e
c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes
cognitivos, apresentadas pelos diferentes grupos testados, após a aplicação dos
tratamentos.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho
cognitivo de militares (para a população estudada). Note que a afirmação em
negrito consiste em uma hipótese de estudo.

Problema 3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente
elogiados tem um desempenho produtivo otimizado, e que militares que são
freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de
suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e
os punidos freqüentemente;
b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar
seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo, e aplicar um teste
correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus
desempenho produtivo; e
c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a
produtividade dos militares (para a população estudada). Note que a afirmação
em negrito consiste em uma hipótese de estudo.
Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a
resolução do problema, ou do levantamento de indícios que permitam que outros
pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema
pesquisado.

56
As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da
revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema, e devem
pré-dizer uma solução para o problema de estudo, respondendo à pergunta inicial
que originou o problema de pesquisa.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e DM)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir a sua realização.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto, o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
Ainda que a definição do problema seja clara, precisa e concisa, faz-se
necessário especificar o alcance da investigação, relatando os aspectos do
problema a serem incluídos, e aqueles que devem ficar de fora.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que
não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa,
procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua
importância relativa. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade
e da relevância da pesquisa proposta.

57
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente do projeto de dissertação . É onde se
apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que justifica,
academicamente, a realização de uma pesquisa. É a existência de um problema real
que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. O investigador
deve estabelecer, convincentemente, que a problemática exposta merece uma
solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, nos seus resultados.
É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e
como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?

3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos”
que embasarão a questão a ser estudada, a formulação do modelo de análise e

58
solução do problema, e conseqüentemente, a construção da(s) hipótese(s) de
estudo, valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas
ou indiretas). O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à
compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo,
evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do
pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o
aprofundamento nas questões que envolvem o problema, transformando a pergunta
de partida na questão central da investigação. Este procedimento tem fundamental
importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a
formulação de hipóteses.

3.1 REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última
palavra no assunto); proceder a uma revisão teórica; desenvolver uma revisão
empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. A revisão de literatura é
fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de
pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). Uma boa revisão de
literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser
estudado.
Neste momento o pesquisador deve procurar responder, dentre outras, às
seguintes questões:
O que já foi publicado sobre o assunto?
Quem já escreveu a respeito?
Que aspectos já foram abordados?
Quais as lacunas existentes na literatura?
Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese?

3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS

As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do
pesquisador sobre o tema. O pesquisador, ao invés de procurar validar as suas

59
próprias idéias, deve ter uma atitude filosófica, ou seja, procurar adquirir novas
informações, e verificar outros pontos de vista em relação ao problema, a fim de
complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto, o que irá
corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema
de pesquisa e de como solucioná-lo. Nesta fase, é desejável apresentar-se o
resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas,
testemunhas ou interessados no tema pesquisado, enfim, com pessoas que
possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da
revisão de literatura. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o
assunto; caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento
adquirido.
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
ampliarão os conhecimentos sobre o tema, permitindo avaliar se a pergunta de
partida foi bem definida. Através desta avaliação, a pergunta de partida poderá ser
mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um
reinício da pesquisa.
O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem
necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema, cada uma
com seu título. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia
utilizada nas subdivisões.

4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende
realizar a pesquisa e solucionar o problema. A metodologia deve ser exposta de
modo suficientemente claro e detalhado, para que o leitor seja capaz de reproduzir,
se necessário for, o aspecto essencial do estudo.
Nessa etapa, devem ser especificados os procedimentos necessários para se
chegar aos participantes da pesquisa, obter as informações de interesse e analisá-
las. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados,
indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico.
A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo, como a
escolha do espaço da pesquisa, a seleção do grupo de pesquisa, o estabelecimento

60
dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo,
como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados.
Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na
realização do trabalho e evitar problemas sérios, que poderiam ser parcialmente
previstos antes da coleta e da análise dos dados. É comum, por exemplo, a previsão
de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas.
Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica, pois o
pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo, a hipótese,
a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados, e os
procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação
tais como: o método, tipo e técnica de pesquisa adotado; a população (ou universo)
e a amostra (sfc); os instrumentos de coletas de dados; e o modelo de análise dos
dados.

4.1 OBJETIVOS (Proposta, Projeto e DM)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação, devendo ser apresentados: o objetivo geral, que
descreve a finalidade principal da investigação, e os objetivos específicos, que
descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema.

4.1.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e DM)

Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa, isto
é, deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. Os
objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. O
objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar, e os objetivos específicos
explicitarão os detalhes, constituindo os desdobramentos do objetivo geral.
Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que
indique uma ação passível de mensuração. Tomando por base o problema 2. (A
privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente

61
apresentado, listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na
formulação dos objetivos:
a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar, arrolar,
definir, enunciar, inscrever, registrar, relatar, repetir, sublinhar e nomear.
Ex.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos
mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.
b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever,
discutir, esclarecer, examinar, explicar, expressar, identificar, localizar, traduzir e
transcrever.
Ex.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela
privação de sono.
c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar, demonstrar,
empregar, ilustrar, interpretar, inventariar, manipular, praticar, traçar e usar;
Ex.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de
minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares
em operações continuadas.
d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar, classificar,
comparar, constatar, criticar, debater, diferenciar, distinguir, examinar, provar,
investigar, verificar e experimentar.
Ex.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas.
e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular, compor,
constituir, coordenar, reunir, organizar e esquematizar.
Ex.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a
manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações
continuadas.
f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar, avaliar,
eliminar, escolher, estimar, julgar, preferir, selecionar, validar e valorizar.
Ex.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono.

62
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo, e isto é feito através de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa.

4.1.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas,
das quais depende a consumação do objetivo final. Indicam o que se tem de
alcançar para chegar ao objetivo geral. Devem ser redigidos com o verbo no
infinitivo. Os objetivos específicos tentam descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e mensuradas.
A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a
serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas.
Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/
ações operacionais afetadas pela privação de sono”, listaremos a seguir alguns
exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em
privação de sono, para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à
privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas.
b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN, um questionário a
ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva, onde os mesmos deverão
apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da
atenção seletiva, do estado de alerta e vigília, bem como da execução de tarefas de
cunho cognitivo.
c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência,
confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o
parecer dos especialistas;
d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas
pela privação de sono.


63
4.2 HIPÓTESES (Proposta, Projeto e DM)

Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa, e ter realizado a revisão
de literatura, o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis
soluções para o problema de pesquisa. Segundo Laville, (1999, p.123), este é um
dos principais momentos do itinerário de pesquisa.
Quando uma pessoa confronta-se com um problema, trata de adivinhar,
sugerir ou especular uma resposta. Esta resposta sugerida chama-se hipótese.
Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente, uma especulação ou uma
conjectura sobre as diferenças, as relações e as causas do problema. Assim sendo,
ela é a base para o raciocínio do problema, é o ponto de partida para se encontrar
um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. É uma
suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas, que justificam sua
pertinência/validade.
A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente
proposto, derivando diretamente de sua definição. É uma conjectura a respeito da
relação entre as variáveis do problema, ou seja, é uma possível resposta ao
problema, que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou
desconsideração (que pode ser total ou parcial). A desconsideração total significa
que a hipótese não procede, o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa.
Portanto, este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela
careça de importância. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira.
Segundo Viegas (1999), as hipóteses pressupõem, em primeiro lugar, a
existência de causas e, em seguida, que elas possam ser conhecidas e deduzidas
logicamente. Sob a ótica da Matemática, a hipótese é algo aceito ou suposto para
continuar a argumentação. Epistemologicamente, é algo a ser verificado.
Segundo Fachin (2001), não se conhecem normas específicas para a
elaboração das hipóteses, contudo, salienta que além do conhecimento bibliográfico
sobre o assunto, o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como
orientação no decorrer da pesquisa científica, a fim de não conduzir o seu estudo à
mera divagação e à acumulação de dados superficiais.
Gil (1999), afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas
disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação.

64
Caso este procedimento não seja possível, recomenda reformular a hipótese para
ajustar-se às técnicas disponíveis.
Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também
chamada de hipótese de estudo, de trabalho ou de investigação) que é a afirmação
da suposição indicada; e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou
estatística) que indica a negação da suposição.
A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa, devendo ser
expressa de forma clara, concisa e gramaticalmente correta. Normalmente o
pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros, ou antecipe
um relacionamento entre as variáveis, oferecendo uma conjectura sobre as relações
entre duas ou mais variáveis. Deve ser enunciada de modo que se possa comprová-
la, isto é, afirmar se é verdadeira ou falsa. Diferentemente do problema, ela deve ser
redigida na forma afirmativa.
A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar
a confiabilidade dos resultados, e significa que não há diferenças entre tratamentos
e/ou nenhuma relação entre as variáveis, confirmando que qualquer diferença ou
relacionamento observado entre as variáveis, é devido ao acaso e não ao
tratamento realizado. Segundo Thomas & Nelson (2002, p. 62), a hipótese nula não
é usualmente a hipótese de pesquisa, sendo utilizada quando existem evidências de
que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes.
Tomando por base o problema 2. “A privação de sono altera o
desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo
geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas”, listaremos a seguir exemplos
de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa.
H1: O desempenho cognitivo de militares, expostos a 48 horas de
privação de sono, diminui durante operações continuadas. Note que esta
hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema.
H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos
cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono
durante 48 h de operações continuadas. Note que esta hipótese de pesquisa
também é uma resposta ao problema.

65
No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico, caso quiséssemos
comprovar H1, teríamos que demonstrar que H2 é falsa, logo dizemos que H2 é a
hipótese nula de H1
Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa, poder-se-ia formular,
dentre outras, as seguintes hipóteses:
H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo
de militares em operações continuadas.
H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de
decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas.
H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do
Comandante de PELOPES em operações continuadas
H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem
à patrulha em operações continuadas
É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo
problema. Logicamente, o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em
que o problema estiver inserido. Desta forma, é imprescindível identificar e definir os
conceitos que facilitem a compreensão da problemática; o que será feito por meio
das variáveis que compõe o problema de pesquisa.

4.3 VARIÁVEIS (Proposta, Projeto e DM)

A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou
diferentes aspectos, segundo casos particulares ou circunstâncias, estando sujeita à
medição. Constitui-se no elemento central da investigação. Qualquer que seja o
problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação
das variáveis, isto é, a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e
que se pretende explicar. Para tanto, é necessário apresentar uma definição
conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da
investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as
mensuráveis, através de suas dimensões, componentes e indicadores).



66
4.3.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta, Projeto e DM)

Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e
enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. Definir
significa exprimir o que uma coisa é, explicar o significado de um termo a partir de
sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido; explicar o
que se entende pela variável apresentada, abordando como este conceito poderá
ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados.
Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono
prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”
podemos verificar a existência de duas variáveis distintas:
a) variável I: “Privação de sono”; e
b) variável II: “Desempenho cognitivo”.
Note que o termo “militares” está relacionado à população que será
investigada, e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o
ambiente/contexto em que o estudo será abordado.
Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo, deve-se atentar para a
objetividade e pontualidade das informações, de modo a ser preciso na definição
evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis
significam no contexto do trabalho. O exemplo abaixo é uma das possíveis
definições das variáveis de estudo supracitadas:

Variável I: Privação de sono

No contexto desta pesquisa, esta variável pode ser entendida como uma
situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados,
assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo, medido em
horas; podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação
total de sono”, conforme as situações comumente encontradas em combate
continuado.



67
Variável II: Desempenho cognitivo.

Para a presente pesquisa, desempenho cognitivo deve ser entendido como o
resultado obtido pelos sujeitos, em testes cognitivos que exijam atenção sustentada,
memória, atenção seletiva e raciocínio lógico; dimensões do desempenho cognitivo
elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de
situação, planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.

Quanto à forma de medição, as variáveis classificam-se em quantitativas e
qualitativas.
As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por
números ou medidas.
Ex.: diâmetros, número de soldados, altura, peso, idade, etc...
As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por
categorias, modalidades ou atributos.
Ex.: cor, sexo, conceito militar (liderança, zelo, responsabilidade, ...), escalas
de medição (E, MB, B, R, I), etc...
Como dito anteriormente, um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as
relações entre as variáveis, isto é, como uma influencia a outra (relação de
causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno
(correlação).

4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis

Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de
dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras
variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. Quanto ao aspecto
relacionamento, as variáveis podem ser classificadas em: independente,
dependente e interveniente.
A variável independente é aquela que, manipulada, causa ou contribui para
a ocorrência de algum efeito na variável dependente.

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A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em
função da variável independente.
A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis
dependentes e independentes, alterando de alguma forma a influência esperada
entre elas, devendo ser meticulosamente controlada, para que se possa estabelecer
a relação de causa/efeito hipotetizada.
Ex.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque
modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). Parece lógico que
o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono.
Neste exemplo, deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que
poderiam contaminar o estudo, tais como: a alimentação fornecida (alimentos
pesados induzem ao sono), esforço físico exigido (um esforço mal controlado
poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação
de sono), formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem
formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas
dimensões do desempenho cognitivo) etc...

4.3.1.2 Correlação entre variáveis

No caso das correlações, temos uma variação interdependente, ou seja as
variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra, e vice-versa.
Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 20-
20), espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que
o militar percorrer um determinada distância), menor deva ser a intensidade (tempo
para a realização de cada repetição), neste caso dizemos que existe uma correlação
negativa entre as variáveis, pois quando o volume aumenta, a intensidade diminui, e
vice-versa.
Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico, verifica-
se que quanto maior for a intensidade, maior deverá ser o intervalo para a
recuperação, neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as
variáveis, pois quando uma aumenta, a outra também aumenta, e quanto uma
diminui a outra também diminui, e vice-versa.

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Existem diversos testes estatísticos, para determinar a existência e a força da
correlação entre as variáveis, que são utilizados na comprovação de hipóteses de
estudo.

4.3.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM)

Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de
mensuração. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores.
As dimensões são características que permitem que a variável seja medida,
enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão.
Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades
passíveis de mensuração, ou seja, em elementos empiricamente observáveis que
constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável.
Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos
indicadores elencados em suas respectivas dimensões.
Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma
variável é apresentada nos quadros 4 e 5. Note que as variáveis “privação de
sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que
permitem as suas respectivas mensurações.
O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Privação total de sono
O pelotão A deverá
permanecer 48 horas sem
dormir
Privação parcial de sono
O pelotão B deverá dormir
entre 01:00hs e 05:00hs
Privação
de sono
Tempo de
privação
Sono normal
O pelotão C poderá dormir
entre 22:00hs e 05:00hs
Quadro 4 – Definição operacional da variável I - Privação de Sono.



70
Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através
da dimensão tempo de privação, o que permitiu sua mensuração.
Nota-se também que a variabilidade desta variável, ocorre em função do
tempo que cada pelotão poderá dormir, o que reflete a privação de sono.
O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho
cognitivo.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Atenção
Desempenho na oficina
de patrulha de
reconhecimento
(Observação em um PO)
Relatório a respeito
dos eventos que
foram apresentados
no terreno*
Pergunta 1 e 2 do
questionário**
Desempenho na oficina
de criptografia e
decriptografia
Número de acertos
na criptografia e
decriptografia de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 4
do questionário **
Desempenho na oficina
de autenticação de
mensagens
Número de acertos
na autenticação de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 5
do questionário**
Raciocínio
lógico
Desempenho na oficina
de locação de pontos
Número de acertos
na locação de
pontos por diversos
processos*
Pergunta 1, 3 , 6 e 7
do questionário**
Desempenho
cognitivo
Memória
Desempenho na oficina
de mensageiro
A cada início de
oficina será
distribuída uma
mensagem
alfanumérica que
deverá ser decorada
e apresentada ao
término da mesma*
Pergunta 1 e 8 do
questionário**
* Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser
descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.
Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão.
** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos.
Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo.


71
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária deve-se definir onde, quando e como será realizada
a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa);
amostra (e método de amostragem, sfc); método de pesquisa; tipo de pesquisa;
e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema;
instrumentos de coleta de dados; bem como o modelo de análise (forma como se
pretende tabular e analisar os dados).

4.4.1 População (Proposta, Projeto e DM)

Uma população ou universo, no sentido geral, é um conjunto de elementos
com pelo menos uma característica comum. Essa característica deve delimitar,
inequivocamente, quais elementos pertencem ou não à população.
Assim, por exemplo, podemos estar interessados em realizar uma pesquisa
sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. Logo, a população física
que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares
existentes no Comando Militar do Leste. Embora pareça extremamente simples, na
verdade, ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos
interessa. Será ela constituída apenas por aqueles que, atualmente, estão na ativa?
Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva?
Além disso, é preciso definir a característica comum que distingue
perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa
(Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou
do Efetivo Variável?).
Uma vez perfeitamente caracterizada a população, o passo seguinte será o
levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em
questão. Grande parte das vezes, porém, não é conveniente, ou mesmo possível,
realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população.
Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população, isto é, a uma
amostra proveniente dessa população.


72
4.4.2 Amostra (Projeto e DM)

A amostra é um subconjunto, necessariamente finito de uma população, no
qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo
estatístico desejado. É intuitivo que, quanto maior a amostra, mais precisas e mais
confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. Levando esse raciocínio
ao extremo, conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame
completo de toda a população, o que se denomina censo ou recenseamento.
A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. Segundo
Gil (1999), esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a
amplitude do universo, o nível de confiança estabelecido, o erro máximo permitido e
a percentagem com que o fenômeno ocorre.
O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa
Científica, para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção
da amostra e do método de amostragem
O quadro 6 apresenta, resumidamente, a quantidade de elementos (n) que
deverá conter uma amostra, de acordo com a população estudada (N), considerando
uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional, e 5%
probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso,
isto é, que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis.
N n N n N n N n
10 10 80 66 350 183 4000 351
20 19 90 73 400 196 5000 357
30 28 100 80 450 207 6000 361
40 36 150 108 500 217 7000 364
50 44 200 131 1000 277 8000 367
60 52 250 152 2000 322 9000 368
70 59 300 169 3000 341 10000 370
Quadro 6 - Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N).

4.4.3 Método de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método
de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do
problema de pesquisa. É necessário que, de acordo com os conceitos apresentados
na UD II deste Manual, o pesquisador justifique a opção pelo método adotado.

73
Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a
adequação do método de pesquisa utilizado; portanto, antes de escolher um
método, deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a
abordagem e o raciocínio que se pretende empreender.
O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
De Abordagem (lógicos)
Dedutivo
Indutivo
Hipotético-dedutivo
Dialético
Fenomenológico Método
De Procedimentos (técnicos)
Comparativo
Histórico
Estudo de caso
Estatístico
Quadro 7 - Resumo dos principais métodos de pesquisa científica.

4.4.4 Tipo de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza, à forma de
abordagem, ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. Nesta subseção o
pesquisador deve justificar, obrigatoriamente, sua opção pelo (s) tipo (s) de
pesquisa(s) adotado(s), quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos
técnicos, de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual.
O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Quanto à natureza
Básica (Pura)
Aplicada
Quanto à forma de abordagem
Quantitativa
Qualitativa
Quanto ao objetivo geral
Exploratória
Descritiva
Explicativa
Bibliográfica
Documental
Tipo
Quanto aos procedimentos
técnicos
Experimental
Levantamento (de campo)
Estudo de caso
Ex-post facto
Pesquisa-ação
Pesquisa participante
Quadro 8 - Resumo dos principais tipos de pesquisa científica.

74
4.4.5 Técnica de Pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente
ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. Segundo Martins e Lintz (2000)
existem diversos instrumentos de medida, tais como: coleta documental,
questionário/formulário, entrevista, observação, análise de conteúdo e escalas
para medir atitudes.
O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa
científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Técnica Quanto à obtenção de dados
Coleta documental
Questionário/Formulário
Entrevista
Observação
Análise de conteúdo
Escalas para medir atitudes
Quadro 9 - Resumo das principais técnicas de pesquisa científica.

4.4.5.1 Coleta documental

A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de
pesquisa, sendo utilizada durante a revisão de literatura, na construção do
Referencial Teórico, e se for o caso, durante a etapa de coleta de dados (vide
pesquisa bibliográfica e pesquisa documental, na UD III deste Manual).
Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais
(reportagens, editoriais, discursos, enunciados de políticas governamentais, cartas,
e-mail, etc...) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do
fenômeno.
Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G),
seguindo a seguinte ordem:
a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha;
b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo;
c) anexar à descrição do material, notas (comentários) sobre a natureza e a
fonte de cada documento; e
d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos.

75
A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material, permitindo um
fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados, em função do problema e dos
objetivos de estudo.
Mesmo após esta organização, o material continuará bruto e não permitirá
ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão,
sendo necessário, portanto, a utilização dos princípios da análise de conteúdo
(conforme o item 4.4.5.5.)

4.4.5.2 Questionário

Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de
perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou
descrever. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas
abertas, fechadas e/ou mistas, devendo ser respondido por escrito sem a
necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e
lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário, esta técnica
recebe o nome de formulário).
As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder
livremente, usando linguagem própria. Possibilitam investigações mais precisas e
profundas, porém apresentam alguns inconvenientes, pois dificultam o processo de
tabulação, o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. Sua análise
é difícil, complexa, cansativa e demorada, sendo necessário o estabelecimento de
critérios para a codificação de respostas similares, porém apresenta a grande
vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento
do informante acerca do que foi questionado.
Ex.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão
“memória” da variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta
aberta conforme o quadro 10:
Pergunta 8. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos
relativos à segurança na posição e no deslocamento. Cite abaixo todos os aspectos
que o senhor puder lembrar sobre este assunto:
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.

76
As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a
pergunta através de respostas pré-definidas. Este tipo de pergunta facilita
sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados, embora restrinja a liberdade
das respostas, tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.
As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de
respostas disponíveis para o informante, conforme o quadro 11:

Pergunta Quanto às respostas Exemplo
Dicotômicas Admitem somente duas respostas
( ) Sim
( ) Não
Tricotômicas Admitem três respostas
( ) Sim
( ) Não sei
( ) Não
Múltipla escolha
Apresentam uma série de
possíveis respostas
( ) Excelente
( ) Muito Bom
( ) Bom
( ) Regular
( ) Insuficiente
Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas.

Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, podem ser formuladas diferentes tipos de
perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo:
Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor sentiu sono?
a.( ) Sim
b.( ) Não
Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica
Pergunta x (aos especialistas). Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono
contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por
noite”:
a.( ) Concordo
b.( ) Não concordo nem discordo
c.( ) Discordo
Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica


77

Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar :
a.( ) Permaneci o tempo todo atento
b.( ) Tive pequenos lapsos de atenção
c.( ) Tive grandes lapsos de atenção
d.( ) Foi impossível permanecer atento
Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

Pergunta X (aos especialistas). Com relação ao tempo mínimo de sono
necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em
operações militares continuadas com 7 dias de duração, o senhor recomendaria:
a.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas
b.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas
c.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas
d.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas
e.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas
Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas.
Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa,
contribuição ou parecer do informante, além da resposta fechada padrão. Esta forma
de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma
manifestação/complemento por parte do informante. Conforme o Exemplo abaixo:
Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta mista que pretendia
medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de
alerta, conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida
para os outros indicadores apresentados no quadro 5):

78
Pergunta 1. Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar que a privação de
sono prejudicou seu desempenho em que nível:
a.(
)
A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção, eu
estava totalmente alerta
b.(
)
A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção, eu tive
mínima dificuldade em permanecer alerta
c.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção, eu tive
pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta
d.(
)
A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção, eu tive
lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta
e.(
)
A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção, eu tive
grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta
f. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono
g.(
)
A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui permanecer acordado
O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue
interessante.
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________ .
Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista

Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário.
Todavia, é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua
elaboração:
a) redigir perguntas preferencialmente fechadas;
b) permitir ao questionado complementar sua resposta, se assim desejar;
c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis;
d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema.
e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise
de dados.
f) elaborar perguntas claras, concretas e precisas;

79
g) elaborar perguntas que não induzam às respostas, e que evitem penetrar
na intimidade das pessoas.
h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e
informação, que lhe permita responder as perguntas.
i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário
j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas
k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável, e assim obter
indicadores de consistência para os resultados colhidos
O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste, isto
permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não
tenham sido bem entendidas/estruturadas.
O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos:
a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos
resultados);
b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa); e
c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro).
Verificadas as falhas, deve-se reformular o questionário, conservando,
modificando, ampliando, eliminando itens, explicando melhor alguns ou modificando
a redação de outros.

4.4.5.3 Entrevistas

A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas,
"face a face", em que uma delas formula questões e a outra responde. Seu objetivo
básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e
situações, com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.
Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente
definido as entrevistas são denominadas estruturadas. Contrariamente, através das
entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas, o pesquisador busca obter
informações, dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva.
Segundo Martins e Lintz (2000), o pesquisador deve planejar a entrevista,
delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; buscando algum
conhecimento prévio sobre o entrevistado; atentando para os itens que o
entrevistado deseja esclarecer, sem, contudo, manifestar suas opiniões. Deve ainda,

80
criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista; obtendo a
confiança do entrevistado; ouvindo mais do que falando; evitando divagações; e
registrando os dados e as informações durante a entrevista.

4.4.5.4 Observação

A técnica de observação é um instrumento de medida, sob algum aspecto,
imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica, pois ela tanto pode
conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de
forma independente e/ou exclusiva. A observação é o exame minucioso, um olhar
preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes; é a
captação clara do objeto examinado.
A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um
objetivo formulado de pesquisa, é sistematicamente planejada, registrada e ligada a
proposições mais gerais e, em vez de ser apresentada como conjunto de
curiosidades interessantes, é submetida a verificações e a controles de validade
e precisão.
Segundo Richardson (1999), a observação apresenta muitas nuances em
face de sua flexibilidade, pois seu objeto de estudo, bem como o objetivo da
pesquisa que a utiliza, determina seu tipo e sua metodologia. Portanto, há
momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela
forma de observação; o preparo do seu desenvolvimento; o desempenho de seu
emprego; e o seu registro.
Segundo ele, a observação é classificada, tradicionalmente, como um método
qualitativo de investigação. Vale destacar que ela é também quantificável, estando
na dependência, sob este aspecto, da direção que lhe for dada na pesquisa. Para
que a observação seja quantificável, não se deve apenas olhar e ver o fenômeno
objeto de estudo, mas também estabelecer, previamente, algumas condições para
seu desenvolvimento, dentre as quais: saber o que observar e como quantificar.
De acordo com Martins e Lintz (2000), o pesquisador precisará da permissão
dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com
elementos que avaliam, inspecionam e supervisionam atividades. Seu principal
problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. Estar
consciente do que se deseja levantar é básico, pois, do contrário, não se consegue

81
ganhar a confiança, tampouco elementos que permitam análises e reflexões
coerentes.
A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza,
profundidade e singularidade das descrições obtidas. Para eles, esse é o grande
desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas, sob o
risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e,
geralmente, especulativo.
O pesquisador deve ter cuidado com as impressões, vagas sensações, e
projeções psicológicas que são características próprias do senso comum;
distanciada, portanto, da ciência.

4.4.5.5 Análise de conteúdo

A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as
variáveis de maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Buscam-se inferências
confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto, a partir dos
discursos escritos e orais de seus autores. A análise de conteúdo pode ser aplicada
virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa, livros, poemas,
conversas, discursos, cartas, regulamentos, rádio, televisão etc. O pesquisador pode
analisar, por exemplo, a personalidade de alguém, avaliando seus escritos; ou
avaliar as intenções, pela análise dos conteúdos das mensagens; pode desvendar
as ideologias dos dispositivos legais, descrever tendências no conteúdo das
comunicações, auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões, ou
determinados objetivos etc (LAVILLE, 1999, p. 214).
Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser
observadas.
a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a
ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental),
b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado, das palavras e frases
que o compõem, procurar-lhes o sentido, captar-lhes as intenções, comparar,
avaliar, descartar o acessório, reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das
idéias principais, sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico.
c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra, o
tema, a frase, os símbolos, etc;

82
d) agrupar as unidades segundo algum critério;
e) definir as categorias ou unidades de medida, e
f) proceder o tratamento estatístico conveniente.
Um discurso pode, por exemplo, ser classificado como otimista ou pessimista,
liberal ou conservador. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente
excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes, conforme o item
4.4.6.1).
Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências.
Através de interpretação inferencial dos quadros de referência, os conteúdos
manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação.
Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações, a
análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico
adequado para a construção e embasamento das categorias de análises.

4.4.6 Instrumentos (Projeto e DM)

Segundo Richardson (1999), ao iniciar um trabalho de pesquisa o
pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das
técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo.
Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados,
sendo descrito, detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado; “para
que” servirá cada item/fase do instrumento; bem como, a que indicador das
dimensões das variáveis está relacionado. O instrumento (questionário, entrevista...)
deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem alguns procedimentos que devem
ser observados para a construção de um instrumento de medida. O pesquisador
deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever, revisar o significado e a
definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida
operacionalmente. Em outras palavras, o pesquisador deve:
a) definir como as variáveis serão medidas, ou descritas;
b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s); e
c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados.

83
Particularmente em relação às entrevistas, questionários e formulários,
existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação
dos questionamentos, são as escalas para medir atitudes.

4.4.6.1 Escalas para medir atitudes

As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição
aprendida pelo sujeito para responder consistentemente, de maneira favorável ou
desfavorável, acerca de um objeto ou representação simbólica.
A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao
objeto, símbolo ou situação que lhe é apresentada.
Ex.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável, provavelmente
eu não participarei de bailes carnavalescos.
As atitudes são indicadores de condutas. Elas possuem diversas
propriedades; entre elas, destacam-se a direção (positiva ou negativa) e a
intensidade (alta ou baixa), e tais propriedades constituem o objeto das medições.
Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o
escalonamento tipo Likert, o diferencial semântico, a escala de importância e a
escala de avaliação.

4.4.6.1.1 Escalonamento tipo Likert

O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis
Likert no início dos anos trinta. Consiste em um conjunto de itens apresentados em
forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem
suas reações, escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. A cada
ponto, associa-se um valor numérico. Assim, o sujeito obtém uma pontuação para
cada item. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável, ou
desfavorável, em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está
sendo avaliada.
Ex.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser
medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”; a partir
deste objeto e desta afirmação, solicita-se que as pessoas externem suas reações.

84
As alternativas de respostas, pontos da escala, indicam o quanto se está de
acordo com a afirmação correspondente. Podem ser utilizadas muitas variações da
escala tipo Likert. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala.

Escala de concordância Escala de afirmação
( ) concordo totalmente ( ) sim
( ) concordo ( ) provavelmente sim
( ) nem concordo, nem discordo ( ) indeciso
( ) discordo ( ) provavelmente não
( ) discordo totalmente ( ) definitivamente não
Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert

As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável
(negativa). A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de
respostas. Comumente, quando as afirmações são positivas, utilizam-se os valores
em ordem decrescente de um a cinco pontos
O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e
negativas.

Afirmações
O serviço militar é um dever de todo o cidadão! Não deve haver serviço militar obrigatório!
5 concordo totalmente 1 concordo totalmente
4 concordo 2 concordo
3 nem concordo, nem discordo 3 nem concordo, nem discordo
2 discordo 4 discordo
1 discordo totalmente 5 discordo totalmente
Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert

Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros
valores observando, é claro, o sentido das afirmações. Uma pontuação é
considerada alta, ou baixa, segundo o número de itens, ou afirmações. Se uma
escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco, a pontuação
mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. Nesse caso, as atitudes
favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta,
enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem duas formas básicas para aplicar
uma escala tipo Likert. A primeira é auto-administrada, ou seja, entrega-se a escala

85
ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou
resposta. A segunda maneira é a entrevista ou formulário, em que o entrevistador lê
as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. Para
se chegar à versão final de uma escala Likert, é preciso realizar algumas sessões de
pré – teste, a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado.

4.4.6.1.2 Diferencial semântico

A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood, Suci e
Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado
conceito. Atualmente, porém, consiste em uma série de adjetivos extremos que
qualificam um objeto de atitude, ante a qual solicita-se a reação do respondente. Isto
é, o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos
bipolares, indicadores de valorização, potência ou atividade.
Ex.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar, os entrevistados deveriam
colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a
um. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai
decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1). A apuração da
atitude favorável, ou desfavorável, é semelhante à utilizada na escala Likert,
somando-se os pontos de cada par de adjetivos. Para chegar à versão final de uma
escala de diferencial semântico, será preciso realizar algumas sessões de pré–teste,
ou piloto, com um conjunto de respondentes, a fim de se proceder às correções e
ajustes necessários.
O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos
inerentes ao Serviço Militar Obrigatório.

Conceito favorável +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável
justo injusto
barato caro
seguro perigoso
útil inútil
responsável irresponsável
educa deseduca
Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico.


86
4.4.6.1.3 Escala de importância

A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes.
Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum
atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao
mesmo padrão de pontuação.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao
entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas
efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser
levantadas as opções apresentadas no quadro 20.
Escala de importância Pontuação
( ) Extremamente importante 5 Extremamente importante
( ) Muito importante 4 Muito importante
( ) Importante 3 Importante
( ) Pouco importante 2 Pouco importante
( ) Sem importância 1 Sem importância
Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação

A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia
algum atributo.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de
armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de
acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21.
Escala de avaliação Pontuação
( ) Excelente 5 Excelente
( ) Muito bom 4 Muito bom
( ) Bom 3 Bom
( ) Regular 2 Regular
( ) Insuficiente 1 Insuficiente
Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos

Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a
sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o

87
instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste
(estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da
amostra ou população (n=30), com a intenção de:
a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões;
b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e
c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual
Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”).
Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais
poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma
entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas
durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma
diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas.
Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento,
tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente
confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar.
A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do
instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado),
aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras
palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de
interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento.
Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste
poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população.
Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as
recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que
possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta
forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não
se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação
de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa.
Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de
interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos
pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se
úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou
espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas
explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes".

88
Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo
do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação
quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto
uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir
avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de
variáveis quantitativas e vice-versa).
Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis.
Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis
e das situações.
Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de
instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e
adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da
investigação.

4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM)

Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e
analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados
serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos
que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos,
etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística
a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de
hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão
generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos
resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85).

5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão
dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de
dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão refere-
se às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da
investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de
Pesquisa).

89
O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste
referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e
de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do
projeto.

5.1 PLANILHA DE CUSTOS

A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a
apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na
investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos
dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência,
telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com
transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de
responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os
recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável.

5.2 CRONOGRAMA

O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o
planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando
as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal,
trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a
necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário.

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM)

Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados
obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito
dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem
apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e
discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase
experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa
simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso
não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação.

90
A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prende-
se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido mais amplo
dos resultados através da interpretação dos dados.

5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos
(vide o Cap 2 do Manual de Estatística, v.1) uma vez que permitem um fácil e rápido
acesso à informação, facilitando a análise dos resultados.
Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento
de pesquisa), será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos,
podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os
resultados da pesquisa. Atualmente, com o advento da informática, é natural que se
utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e
cálculos estatísticos, tabelas, quadros e gráficos.
A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de
apresentação e análise, é possível afirmar que, em boa parte das pesquisas sociais,
são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos
resultados:
a) categorização dos dados,
b) codificação dos dados; e
c) tabulação dos dados.

5.1.1 Categorização dos dados

Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas, faz-se
necessário organizá-las. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas
semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.
Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados, devem atender
a algumas regras básicas, assim definidas por Selltiz et al. (1967, p. 441):
a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de
classificação (favorável/neutro/desfavorável; E/MB/B/R/I, grau de escolaridade,

91
etc...), permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um
pequeno número de categorias;
b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas
as repostas); e
c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma
mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria).

5.1.2 Codificação dos dados

De acordo com Gil (1999), a codificação é o processo pelo qual os dados
brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. Pode ser
feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.
A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são
constituídos por perguntas fechadas, cujas alternativas são associadas a códigos
impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da
técnica da observação sistemática. Segundo Gil (1999), a forma mais prática de
proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no
espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente, como
aparece quadro 22.

Item Categoria Código Item Categoria Código
1. Sexo: 3. Escolaridade
Masculino ( )01 Nunca foi à escola ( )06
Feminino ( )02 1º grau incompleto ( )07
1º grau completo ( )08
2. Idade: 2º grau incompleto ( )09
de 18 a 20 anos ( )03 2º grau completo ( )10
de 21 a 23 anos ( )04 Superior incompleto ( )11
mais de 23 anos ( )05 Superior completo ( )12
Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da
categoria a que pertence o dado a ser tabulado.


92

Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório:
Nr Respostas dos informantes: Código
1 “Penso que não serve pra nada, só ocupa o tempo do cidadão.” D
2 “Não tenho nada a dizer, pois não servi.” O
3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade.” F
4 “Penso que deveria ser voluntário, pois atrapalha os estudos.” D
5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina.” F
6 ”Lá se aprende a ser cidadão.” F
7 ”Tem seus prós e contras.” N
8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo; acho válido.” F
F 4
N 1
D 2
TOTAIS
O 1
Código Descrição
F Parecer favorável
N Parecer neutro
D Parecer desfavorável
LEGENDA
O Não respondeu, não soube responder ou respondeu outra coisa.
Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

5.1.3 Tabulação dos dados

A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias
categorias de análise. A tabulação pode ser simples ou cruzada. A tabulação
simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto. A
tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente
em dois ou mais conjuntos de categorias.

5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas

Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16), aplicada a 90 cadetes (30
de cada pelotão), é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de
distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo:



93
Tabela 2 - Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Respostas*
f % f % f %
a 0 0,00 0 0,00 10 33,33
b 0 0,00 0 0,00 15 50,00
c 1 3,33 2 6,67 5 16,67
d 3 10,00 4 13,33 0 0,00
e 4 13,33 12 40,00 0 0,00
f 15 50,00 10 33,33 0 0,00
g 7 23,33 2 6,67 0 0,00
Total 30 99,99 30 100,00 30 100,00
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.
Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 01 (quadro 16)
Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.
Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das
categorias das variáveis de estudo. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.
Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
0 0
1
3
4
15
7
0 0
2
4
12
10
2
10
15
5
0 0 0 0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
a b c d e f g
Respostas à pergunta 1
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas
No caso das perguntas abertas, deve-se estabelecer uma forma de agrupar
as respostas, de acordo com um gabarito, escala, ou categorias de respostas
(favoráveis, desfavoráveis ou neutras), para que seja possível quantificar as
respostas obtidas pelo instrumento adotado.
Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10), poder-se-ia estabelecer um
gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e
segurança no deslocamento (de 4 a 6), para a obtenção de uma média de acertos

94
dos estagiários de cada pelotão, possibilitando uma comparação intergrupos dos
efeitos da privação de sobre a memória, conforme a tabela 3.
Tabela 3 - Itens memorizados após a ordem a patrulha.
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Itens verificados*
f % f % f %
1 18 60,00 25 83,33 28 93,33
2 18 60,00 23 76,67 25 83,33
3 17 56,67 23 76,67 25 83,33
4 18 60,00 26 13,33 30 100,00
5 16 53,33 18 60,00 23 76,67
6 19 63,33 23 76,67 29 96,67
Total Média 106 58,89 138 76,67 160 88,89
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.

Legenda:
¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 08 (quadro 10)
A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3:
Itens memorizados após a ordem à patrulha
18 18
17
18
16
19
25
23 23
26
18
23
28
25 25
30
23
29
0
5
10
15
20
25
30
35
1 2 3 4 5 6
Itens a serem memorizados
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.

5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise
estatística, uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos
dados coletados, à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da
hipótese de estudo. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de
um raciocínio lógico que embasará as conclusões.


95
5.2.1 Análise estatística

Após a tabulação dos dados, procede-se à sua análise estatística. Esta deve
ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência
estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística).
Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa, deve-se passar à sua
descrição que, geralmente, é feita para atender a objetivos como:
a) caracterizar o que é típico no grupo;
b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo;
c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência
central (média, mediana e moda) e em relação a outras variáveis; e
d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas.
A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os
procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de
estatística, que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa.
Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas,
ou não, entre as características de determinada variável, somente descrever estas
diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. É necessário
verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou
uma variável independente), e, para isto, existem vários testes estatísticos capazes
de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma
abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do
capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística).

5.2.2 Avaliação das generalizações

Segundo Gil (1999), a avaliação das generalizações obtidas com os dados
em pesquisas sociais, na maioria dos casos refere-se a amostras, mas o interesse
dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi
selecionada a amostra. Segundo ele, para tratar as questões desta natureza
procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças
reais entre as populações representadas pelas amostras.
Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas
amostras tenham sido devidas ao acaso, foram criadas várias técnicas estatísticas

96
conhecidas como testes de significância. Existe uma grande variedade de testes
de significância. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio
do tipo de distribuição, do nível de mensuração alcançado e do formato das
tabelas. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não
paramétricos. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um
desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística
(uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser
encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de
Estatística).

5.2.3 Interpretação dos dados

Segundo Gil (1999), não existem normas que indiquem os procedimentos a
serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações
acerca dos cuidados, que devem tomar os pesquisadores, para que a interpretação
não comprometa a pesquisa. O que se diz a respeito da interpretação, em pesquisa
social, refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria.
Goode e Hatt (1969), enfatizam a importância da teoria para o
estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre
proposições. Dizem que, mediante uma teoria, é possível se verificar que por trás
dos dados existe uma série complexa de observações, um grupo de suposições
sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições
sobre a atuação de cada grupo.
Gil (1999), diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias
suficientemente confirmadas, lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos
materiais”. Mas, quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de
comprovação, as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de
adequação à realidade, o que pode servir para inibir a realização de investigações
apropriadas.
Em resumo, deve-se procurar, sempre que possível, analisar os dados
obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. A análise
deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e
confrontar dados e provas, a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s).


97
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM)

Segundo Laville (1999), ao concluir, o pesquisador deve voltar ao início da
pesquisa, lembrando sumariamente o problema inicial, as intenções da pesquisa e o
trabalho realizado.
Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a
seguir, para se redigir as conclusões e recomendações, é adequado sumariar alguns
procedimentos que devem ser observados ao escrever, conforme listado abaixo:
a) relembrar o objetivo geral da pesquisa;
b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles
fossem, mas o que são), relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses;
c) sintetizar os resultados, procurando explicá-los e interpretá-los de acordo
com a teoria;
d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram
confirmadas ou rejeitadas;
e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia;
f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas; e/ou
g) sugerir, para futuras pesquisas, assuntos ou tópicos relacionados que
deixaram de ser investigados.
A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e a análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara
e ordenada, as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto. Não devem ser apresentadas idéias novas que
não constem do desenvolvimento, e não é recomendável a apresentação de
descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados
comprometidos e/ou passíveis de novas discussões.
Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas,
destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a
necessidade de novas verificações.
Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações, de
ordem prática, de intervenções na natureza ou na sociedade, de acordo com as

98
conclusões da pesquisa”, ou seja, consistem na apresentação de idéias (propostas),
obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. Por sua vez, as
sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa, inclusive levantando novas
hipóteses, abrindo caminho a outros pesquisadores”, ou seja, apresentam idéias
para a realização de novos estudos.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, devem ser escritas somente
se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema, auxiliando o aprimoramento de novos estudos
sobre o tema.

4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados, logo, é necessário
preocupar-se com a sua apresentação formal. Como as pesquisas diferem entre si,
não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. Contudo, é possível
definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente
aparecem nos projetos de pesquisa. Os aspectos relativos à estrutura do texto, ao
estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo
pesquisador no momento da redação.
A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um
documento denominado dissertação. Este documento deve seguir as normas da
ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais.
Foi definido neste manual, um esquema de dissertação capaz de abranger a
maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. É importante
reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente
desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. Desta forma, uma estrutura
viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação
está esquematizada no Anexo B.


99
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação

Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a
“comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor, e, se
necessário, refazê-los, passo a passo, pois, cartesianamente, só serão aceitas
idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar.
O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e
acessível capaz de prender a atenção do leitor, acadêmico ou leigo, mantendo um
saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular, entre o rigor
científico e o bom senso.
Todavia, mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática, é preciso observar
as diferenças entre a linguagem literária, com a qual os escritores escrevem com
o coração, ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário, e a
linguagem científica, com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade,
chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica.
Na literatura, busca-se a criatividade e a imaginação do autor. Cobram-se
atitudes éticas valorativas e engajamento político. Na redação científica, busca-se a
objetividade, a isenção do autor, a fidelidade ao fato, a descrição, a neutralidade
sem posicionamentos subjetivos, ideológicos ou éticos.
Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da
imaginação do leitor. Segundo Barrass (1991), o pesquisador deve seguir um
caminho árduo, convencendo os leitores com base em provas, apoiando-se em
verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas.
Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador
em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Em textos técnicos, o
pesquisador trata o tema como quem está de fora, descrevendo o que se passa. Em
português, logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e
a partícula apassivadora se, com verbos impessoais, essenciais ou acidentais, e
com a voz passiva. Convém escrever “conclui-se”, ou “cabe concluir”, ou “é lícito
supor que” utilizando-se assim, a linguagem impessoal.
Segundo Viegas (1999), de um texto literário, espera-se brilho, elegância e
originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas
características prevalecendo a clareza, a correção e a sobriedade.
A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e
pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. A obra
científica também deve atrair o leitor, mas o faz pela clareza da argumentação e pelo

100
conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio.
Em resumo, o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador, e de
trabalho para trabalho, porém, é possível identificar algumas características comuns
que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica:
a) o texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-se que a seqüência
seja desviada com considerações;
b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em
considerações e opiniões pessoais;
c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade, para não originar
interpretações diversas, utilizando-se vocabulário sem verbosidade, sem expressões
com duplo sentido, evitando palavras supérfluas, repetições e detalhes prolixos;
d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir, em
especial no que se refere a registros de observações, medições e análises;
e) indicar com precisão como, quando e onde os dados foram obtidos;
f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos
e advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o modo e o lugar como, por
exemplo, os advérbios recentemente, provavelmente, lentamente, antigamente; e
g) por fim, as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e
ordenada, partindo de frases simples, expostas com poucas palavras, contendo uma
única idéia que envolva completamente a frase.

4.4.2 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

101



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU

5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
5 1 INTRODUÇÃO
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
5.3 A ESTRUTURA DO TCC
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVOS
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES
5.4 MONTAGEM DO TCC



102
5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

5.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos
de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de
Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
através da NBR 14724:2002.
É importante compreender, neste momento, que o TCC é o relatório final de
uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e
aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade traduzir um
perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre ambos e a linha
de pesquisa à qual estão vinculados, visando atender os interesses do postulante e
da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para que o
postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados, o
programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas:
Escolha do tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Depósito do TCC; e
Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e, devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado,
apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca do que foi
pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase.

5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA

O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas, que são

103
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (o TCC).
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

AS 5 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DO TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO
1ª Etapa Seção 1
Pergunta de partida Introdução - Visão geral
3ª Etapa Seção 2
2ª Etapa - Tema
- Problema
A exploração do problema - Questões de estudo
Revisão de literatura - Objetivos
- Justificativa
Entrevistas exploratórias
Conceitos e
Métodos
- Contribuição

- Cronograma
Pesquisa Bibliográfica
Referencial
Operativo* - Planilha de custos
Pesquisa Documental Seção 3

Pesquisa de Campo (sfc)

Apresentação e Análise
dos Resultados
4ª Etapa Seção 4
Conclusões Conclusões e Recomendações
5ª Etapa


Redação do relatório de pesquisa
(Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso)

ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
(fase presencial do CAO)


* O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa


A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de
literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que
envolve o seu tema. Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do
problema (2ª Etapa), por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e
de entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema, e uma série de raciocínios lógicos.
Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo, dos

104
objetivos a serem atingidos, das justificativas (“porquês”) para se empreender um
estudo científico, e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Depois de
reunidos, o Tema, o Problema, as Questões de Estudo, os Objetivos, as
Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e
Métodos.
Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a. a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b. a pergunta de partida deve ser reformulada.
Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o
problema, deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita, que pode ser de
natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). Esta etapa também pode ser
chamada Coleta, Apresentação e Análise de Dados, na qual os resultados da
coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de
Apresentação e Análise dos Resultados, de forma a fornecerem subsídios que
permitam alcançar as respostas às questões de estudo, cumprindo os objetivos
traçados na seção Conceitos e Métodos, e permitindo ao pesquisador organizar
logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão.
Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (4ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa,
respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração do TCC, é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (5ª Etapa), onde todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega à Comissão de Avaliação.

5.3 A ESTRUTURA DO TCC

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final do TCC, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa ou no TCC. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que

105
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da
questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma
visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema
de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma
visão panorâmica acerca do assunto pesquisado.
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.

2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que
envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua
delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema
propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo,
o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de
execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área
específica do conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser
investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em

106
função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos
interesses acadêmicos.
O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do
pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo
Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é
necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes
de consulta bibliográfica.
Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger
uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato
sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende
vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve
passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido
(para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o
impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”).

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver
através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

107
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados
“pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração
das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se
utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas),
mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do
caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando
divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa
aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a
pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a
colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância
no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das
questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
(sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se
a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial
poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada,
exigindo um reinício da pesquisa.





108
2.2.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC)

A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser
escrito na forma interrogativa. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo,
além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo
pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na
UD IV, a partir da página 53).
Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do
problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores
resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado.
Nesta fase da pesquisa, a pergunta inicial transforma-se em problema
científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte
para os antecedentes do problema). Desta forma, torna-se necessário questionar-se
acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa, são as
chamadas questões de estudo, tratadas no item 2.3.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir sua realização. Ainda que a definição do problema seja
clara, precisa e concisa, faz-se necessário especificar o alcance da investigação,
relatando os aspectos do problema que foram incluídos, e os limites, ou seja,
aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa, e o campo de ação
que não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.

109
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta, Projeto e TCC)

As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho
que leve ao melhor conhecimento acerca do problema, o que é fundamental para se
chegar a uma solução para o mesmo. A adoção das questões de estudo se dá em
substituição ao processo de formulação de hipóteses, ainda desconhecido e muitas
vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV).
Em síntese, as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução
do problema de pesquisa. Quando solucionadas, cada questão de estudo fornecerá
uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e
solução do problema.
Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Um
objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar; uma
questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.
Ex.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM.”, poderiam ser elaboradas as seguintes
questões de estudo:
a) como ocorre o processo de envelhecimento?
b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento?
c) como ocorre o processo de formação do stress?
d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo?
e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório?
f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na
preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento?


110
2.4 OBJETIVO (Proposta, Projeto e TCC)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação.

2.4.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e TCC)

Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o
estudo, isto é, sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. O objetivo geral
deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo
pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV, a
partir da página 60).
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. Isto é feito por meio de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa. Estes, por sua vez, pretendem
buscar a solução para cada uma das questões de estudo, e conseqüentemente do
problema de pesquisa como um todo.
Para as questões de estudo descritas no item 2.3, poder-se-ia enunciar o
objetivo geral de estudo da seguinte forma:
Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as
influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM.

2.4.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e
representam as metas a serem seguidas, das quais depende a consumação do
objetivo final, ou seja, indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral
de pesquisa. Os objetivos específicos procuram descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e ou mensuradas.

111
Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM”, listaremos a seguir alguns exemplos de
objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de
estudo:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais
conceitos relativos ao processo de envelhecimento, alterações fisiológicas
decorrentes do processo de envelhecimento, processo de formação do stress;
desempenho cognitivo, e processo decisório (verifique a correlação com as questões
de estudo);
b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento
físico, psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a
manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho
cognitivo durante o processo de envelhecimento;
c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento;
d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do
processo de envelhecimento;
e) descrever como ocorre o processo de formação do stress;
f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo;
g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo
decisório; e
h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode
auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento.
Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos, é possível verificar sua
estreita relação com as questões de estudo.

2.5 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da
pesquisa, procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a

112
sua importância relativa. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da
necessidade e da relevância da pesquisa proposta.
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente, do projeto de dissertação . É a parte
onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que
justifica, academicamente, a realização de uma pesquisa para que se possa
equacionar uma solução para o mesmo. O investigador deve estabelecer,
convincentemente, que a problemática exposta merece uma solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação, uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, e nos seus resultados.
Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado
e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?


113
3. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

Este referencial está descrito na UD IV página 88.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC)

Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos
resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo,sfc). Os
dados fornecem informações a respeito das questões de estudo, e podem ser
apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias, fornecendo o
embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa.
A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que, na apresentação, o pesquisador
prende-se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido
mais amplo.
Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso
autêntico, coerente e lógico. A estrutura abaixo representa ma das possíveis
organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as
questões de estudo apresentadas na subseção 2.3:
3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO
5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS
7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO
8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO
9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR
10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS
Obs.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2
CONCEITOS E MÉTODOS (3, 4, 5, ...), neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES”
receberia o número 11.
É comum, embora não obrigatório, a utilização de conclusões parciais ao
longo das seções de apresentação e análise dos resultados. Este procedimento
facilita a leitura do trabalho, e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as
estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa.

114
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC)

Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa;
explicitar se os objetivos foram atingidos, se as questões de estudo foram
respondidas e se o problema de estudo foi resolvido; ressaltar a contribuição da
pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, e/ou ainda, sugerir assuntos relacionados, que deixaram de ser
investigados, para servirem de base para as pesquisas futuras.
A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara e
ordenada, as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto.
As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento.
Dependendo da extensão, as conclusões podem ser subdivididas em várias
subseções, tendo em vista manter a objetividade e a clareza.
Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos
(tabelas e gráficos) apareçam na conclusão, tampouco resultados comprometidos e
passíveis de novas discussões. Um dos cuidados que se deve ter, diz respeito à
extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Estes tanto
podem ser verdadeiros, como gerarem erros em virtude de generalização
precipitada do pesquisador, o que fatalmente compromete os resultados da
investigação.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, somente devem ser escritas
se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema.

5.4 MONTAGEM DO TCC

A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento
denominado Trabalho de Conclusão de Curso. Este documento deve seguir as

115
normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, os
elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós-
textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). Uma estrutura viável que envolve a
apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no
Apêndice D.
Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de
abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os
relatórios finais. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram
desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa.
Com relação ao estilo de redação, deve-se observar as recomendações
constantes da subseção “4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da
página 99.

5.4.1 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

116

117


REFERÊNCIAS

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Atlas, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro. NBR14724:
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro,
2002.
BARROS, Aidil J.da S; LEHFELD, Neide A de S. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Makron, 2000.
CERVO, Amado L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall,
2002.
COSTA, A. F. G. da. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. Rio de Janeiro:
Unitec, 1998.
COSTA, Sérgio F. Método Científico: Os caminhos da investigação. São Paulo:
Harbra, 2001.
DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Pesquisa e construção de conhecimento, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1997.
DENCKER, Ada de F. M., VIÁ, S. C. Pesquisa empírica em ciências humanas. São
Paulo: Futura, 2001.
FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. São Paulo: Atlas, 1996.

118
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GOODE, William J., HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. São Paulo:
Nacional, 1969.
HEGENBERG, Leônidas. Etapas da investigação científica. São Paulo: E.P.U.:
EDUSP, 1976. 2 v.
KERLINGER, F.N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento
conceitual. São Paulo: EPU / Edusp, 1979.
LAKATOS, E. M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. São
Paulo: Atlas, 1996.
____. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2001.
____. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1999.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber. Porto Alegre: Ed. da UFMG, 1999.
MARTINS, G. de A. Manual para elaboração de monografias e dissertações. São
Paulo: Atlas, 1996.
MINAYO, M. C. de S. (Org.). Pesquisa social. Petrópolis: Vozes, 1999.
OLIVEIRA, C. dos S. Metodologia científica, planejamento e técnicas de
pesquisa.São Paulo: Ed. LTR, 2000.
PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, J. A; Metodologia científica. São Paulo: Futura,
2000.
RICHARDSON, Roberto Jarry; Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo:
Atlas, 1999.

119
RODRIGUES, M. das G. Informe de metodologia da pesquisa. Brasília: Ed. do Autor,
2000.
SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2000.
SCOTT, Patrick B. Introducción a la investigación y evaluación educativa.
Guatemala: Ed. da USAC, 1997.
SELLTIZ, Claire et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder,
1967.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Cortez, 2000.
SILVA, Edna Lúcia da, Menezes, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e
elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2001.
QUIVY, R., CAMPENHOUDT, L. V. Manual de investigação em ciências sociais.
Lisboa : Gradativa, 1998.
TACHIZAWA, T; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. Rio de Janeiro:
FGV, 2001.
THOMAS, J. R., NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed.
Porto Alegre: ARTMED, 2002.
TRIVINOS, A. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 1996.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração.
São Paulo: Atlas, 2000.

120
Apêndice A - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e DM.
ELEMENTOS Prop Proj DM
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 REFERENCIAL CONCEITUAL X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 JUSTIFICATIVA X X X
2.4 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL TEÓRICO X X X
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO X X X
4.1 OBJETIVO X X X
4.2 HIPÓTESE X X X
4.3 VARIÁVEIS X X X
4.3.1 Definição conceitual das variáveis X X X
4.3.2 Definição operacional das variáveis X X X
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS X X X
4.4.1 População X X X
4.4.2 Amostra X X X
4.3.3 Método de pesquisa X X X
4.3.4 Tipo de pesquisa X X X
4.4.5 Técnica de pesquisa X X X
4.4.6 Instrumentos X X X
4.4.7 Análise dos dados X X X
5 REFERENCIAL OPERATIVO X
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X
TEXTUAIS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase

121
Apêndice B - Elementos textuais obrigatórios da DM.

1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.3.1 Definição conceitual das variáveis
4.3.2 Definição operacional das variáveis
4.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.3.1 População Método de pesquisa
4.3.2 Amostra
4.4.3 Método de pesquisa
4.3.4 Tipo de pesquisa
4.4.5 Técnica de pesquisa
4.4.6 Instrumentos
4.4.7 Análise dos dados
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

122
Apêndice C - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e TCC.
ELEMENTOS Prop Proj TCC
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 CONCEITOS E MÉTODOS X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO X X X
2.4 OBJETIVO X X X
2.5 JUSTIFICATIVA X X X
2.6 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL OPERATIVO X
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X X
TEXTUAIS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase



123
Apêndice D - Elementos textuais obrigatórios do TCC.

1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVO
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


124
Apêndice E - Exemplo de Planilha de Custos.
Itens do
Orçamento
Elemento do
Orçamento
Especificações do
Elemento de Despesa
Quantidade
Solicitada
Valor
Unitário
Valor
Total
Gravador 1 200 200
Máquina fotográfica 1 100 100
Grampeador 1 11 11
Perfurador de papel 1 9 9
Microcomputador 1 2.000 2000
Capital
Equipamento
e material
permanente
Impressora 1 600 600
Caixa com 10 disquetes
HP
1 12 12
Fita para vídeo TDK 2 8 16
Fita cassete 90 2 5 10
Caneta esferográfica. 10 1 10
Papel A4 500 10
Rolo de filme 2 8 16
Material de
Consumo
Cartucho de tinta para
impressora
1 80 80
Fotocópias 100 20
Digitação 90 2 180
Remuneração
serviço
pessoal
Encadernação 1 1 20
Correios 150
Revelação de filmes e
montagem de slides
2 40 80
Custeio
Outros
serviços e
encargos
Outras Despesas 200
T O T A L 3724,00


125
Apêndice F - Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.
Atividade Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago
Início do projeto 11 -
Revisão
1
do referencial conceitual
feito na proposta de projeto
25 -
Revisão
1
do referencial teórico feito
na proposta de projeto
X 15
Revisão
1
do referencial metodológico
feito na proposta de projeto
X 22
Revisão
2
do projeto para revisão do
Orientador
29
Elaboração e apresentação dos
instrumentos
6
Elaboração da análise a ser utilizada 8
Revisão
2
do projeto de pesquisa pelo
Orientador
11
Revisão do projeto X X 08
Apresentação do projeto de pesquisa
e dos fichamentos
09
Preparação das Seções iniciais da DM
para a Qualificação
3

X X 22
Qualificação das Seções iniciais da
DM
3

23 a 25
Coleta de dados X X X 15
Tabulação dos dados
4.
X X X 22
Apresentação e análise dos resultados X X X 25
Conclusões 27
Redação parcial das seções do
trabalho
X X X X X X X X X X 01
Revisão do trabalho X X X X 01
Entrega do trabalho pronto 02

Fase de confecção do Projeto de Pesquisa
Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM)
Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios.
Obs.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO.

1
Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do
aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto.
2
Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o
seu orientador, podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.
3
Somente para a DM
4
Obrigatório para a DM e, se for o caso, para o TCC

126
Apêndice G – Modelo de Ficha.

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
DEP - DFA
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES
LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR
TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE
DAS OM
POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf
FICHA Nr: 001 DATA: 22 de janeiro de 2004.
REFERÊNCIA (obrigatório)
BRASIL. Exército. Estado-Maior. C 20-20: Treinamento Físico Militar. 3. ed.
Brasília,DF,2002.
RESUMO DA OBRA (obrigatório)
O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s), apresentar o
foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. É importante manter sempre em mente
que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa, isto é, devem
apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado.
Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo, que têm relação
com a sua pesquisa. Cite as idéias com suas próprias palavras.
CITAÇÕES (opcional)
Página Texto

As citações podem ser redigidas na forma direta, quando as frases são
transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada, ou na forma
indireta, quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas
palavras.
Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. Seja
oportuno, isto é, não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação
que pretende colher agora. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é
facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias, portanto, as citações devem
tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em
estudo.
1-1
Exemplo “ilustrativo”:
“São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico
ideal, as quais vão desde a falta de tempo, em face das inúmeras outras atividades
prioritárias da OM, até a carência, ou mesmo inexistência, de áreas, instalações e
materiais apropriados.” (BRASIL, 2002 p. 1-1). (citação direta: transcrição “ipse
litteris” do manual)
O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos

127
padrões de atividade física, que poderiam afetar a manutenção da
operacionalidade das OM ... (comentário oportuno do pesquisador)
1-2
Exemplo “ilustrativo”:
Segundo BRASIL, 2002 (p. 1-2) o treinamento físico militar deve estar
voltado para a operacionalidade, a fim de atender aos interesses da Força e ao
cumprimento da sua missão institucional, portanto... (citação indireta: reedição do
pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador)
Veja a seguir o que consta originalmente no manual:
“O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender
fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão
institucional.” (BRASIL, 2002 p. 1-2).
3-3
Exemplo “ilustrativo”:
“O treinamento regular e orientado provoca, naturalmente, diversas
adaptações no funcionamento do organismo humano. Estas adaptações trazem
benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho
profissional.” (BRASIL, 2002 p. 3-3).
CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório)
Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa.

Exemplo “ilustrativo”:
A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de
desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em
combate.
Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a
uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares
incorporados nas diferentes organizações militares.

(acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa)
RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional)
Página Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc)
3-5 Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE)
B1 Anexo B - Programa Anual de TFM OM Não Operacional - 4 Sessões Semanais
E1 Anexo E - Programa Anual de TFM OM Operacional - 4 Sessões Semanais


128

2

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3

ISBN 85 .4 Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais Avenida Duque de Caxias.2. 30 cm.CEP 21615-220 4 .Rio de Janeiro: EsAO. il. CDD 001. ed . colaboração e ampliação José Fernando Chagas Madeira.I Título. 2071 Rio de Janeiro/ RJ .. Pesquisa – Metodologia. Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos.7 1.© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues Diagramação: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Revisão: José Fernando Chagas Madeira – Maj Com Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB Clayton Amaral Domingues – Cap Art Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) R 696 Rodrigues. Clayton Amaral Domingues . Luiz Eduardo Possídio Santos. trabalhos acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das Graças Villela Rodrigues. 2005. Maria das Graças Villela.98116 . .01 . 127 p.

.....1....................... 2........... 2......................................2.................................... UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO..........1.......1 2................3 O Método Estatístico.............................................................1................................................................................................. 2........ A LEITURA..... 11 13 15 16 16 17 18 19 21 22 25 26 26 28 29 30 30 31 31 32 32 32 33 33 34 34 5 2..1...................................................1...................... O ESTUDO DO TEXTO..... 2................4 O Método Dialético...........4 O Método de Estudo de Caso..........................2.....................................3 1. A DINÂMICA DE ESTUDO....5 1........2..................2....................... 2.2.......................................... A CIÊNCIA.....2 O Método Comparativo................................................... UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO..............................................2.....................................2 1................3 O Método Hipotético Dedutivo.......................... 2 2.................................................................1 1.......................... 2......................2. A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR............ 2... A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA.1............................................. A PRÁTICA DO FICHAMENTO..............1......................1 O Método Histórico..................................................................................2................................................................1.................................................... 2......................5 O Método Fenomenológico...............................2.......................................................2 Os Métodos de Procedimentos.......................4 1..... 1 1...SUMÁRIO PREFÁCIO....................................................................................................... Os Métodos de Abordagem......................... 2........................................................................ .2 O Método Indutivo.............1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO..........................................................................6 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA.............................1 O Método Dedutivo............................... 2..1........ MÉTODOS CIENTÍFICOS....................... INTRODUÇÃO....2......................2.............2 2...................3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................

.......1 3.1..................................................... Classificação quanto à forma de abordagem do problema....................................... Classificação quanto aos procedimentos técnicos.... 1 INTRODUÇÃO........................................... 2...1 3...................... 35 36 36 37 37 37 38 41 41 41 42 42 45 46 46 47 49 49 50 50 51 53 53 53 56 56 57 57 6 3.........2...........1.......... AS ETAPAS DA PESQUISA.......2..................................... 2... 2 REFERENCIAL CONCEITUAL.......2. ................ Classificação quanto aos objetivos gerais......................2 PESQUISA CIENTÍFICA................... Pesquisa científica versus metodologia científica......................................................... 4 41 4...........................3 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU.........................................................................2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu............... UD IV ...................................1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu. 2..............3 3.........4 CONTRIBUIÇÃO............................................UD III ...2 Formulação do Problema...................................2 3................................................................... 2..................................1 Regras básicas para a formulação de um problema científico.......2.........4 3............2.......................................1 TEMA.. 3 REFERENCIAL TEÓRICO....................................1 3.....PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU........2 4.............................. 2.......................... CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS......3 JUSTIFICATIVA...................3 Alcances e Limites..................................... 2............... CONSIDERAÇÕES FINAIS....................... Neveis de Pós-graduação na EsAO.............................................. Classificação quanto à natureza...... A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO.......... 2...1......... INTRODUÇÃO..........................2.......2...2................2.........................................................................................................PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA.......... 3...............2 3..2 PROBLEMA......2...........................................................................................2................................................ 2..1 Antecedentes do Problema..................................................1................ 3 3...........

..... 4........................1.......5............ 4...................... 4......................3......4........2 Questionário.... 4....................4.............. 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO..........................1 Relacionamento entre variáveis.3 VARIÁVEIS.................... 4...........................................................4......4 Tipo de pesquisa........4................................................................6 Instrumentos.......................1 REVISÃO DE LITERATURA............................... 4......4.......................... 4..........3.........1 Escalas para medir atitudes.................... 4..............................2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS...4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................ 5 REFERENCIAL OPERATIVO.............1.................... 3.................................5 Análise de conteúdo....................................................1 Coleta documental......................................... 58 58 59 60 60 62 63 65 66 67 68 69 71 71 72 72 73 74 74 75 79 80 81 82 83 86 88 88 7 .. 4.................................6..........................................5........... 4.... 4.............. 4................ 4.........2 HIPÓTESE...4 Observação....................................................4......................................................................................2 Correlação entre variáveis.........................2 Definição operacional das variáveis................. 4.........................3 Entrevistas...... 4........................4........ 4.............................................................................................3...........1...................................... 4..4........................................................................................ Pré-teste dos instrumentos....................................2 Amostra.......4...............................................1 População.. 4....6.....................5...................4..................5......................3......1 Definição conceitual das variáveis.............5 Técnica de pesquisa...........4.................1................. 4.........Objetivos específicos.........4...........2........4............... 4........................................4.2.....................1 OBJETIVO................5..............1 Objetivo geral........................................7 Análise dos dados................ 4........................................................................................................................... 4......... 4.........3 Método de pesquisa....3................ 4...........................

.........................2 Codificação dos dados........3 Alcances e Limites....................2..........4........1 Tabulação de perguntas fechadas..................................................................... 5.................................................... 2........................... 5.................. Considerações finais...................... 1 INTRODUÇÃO............................................3............................ 5.............................2 PROBLEMA......................... AS ETAPAS DA PESQUISA......................................................................................................3................ 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..... 2 CONCEITOS E MÉTODOS.......................................................................................4 4...............................1.......1 PLANILHA DE CUSTOS ..................PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.....2...2.. Quanto ao Estilo de Redação....................2..............................2.. 89 89 89 90 90 91 92 92 93 94 95 95 96 97 98 99 100 UD V .......... 5..........3 Interpretação dos dados................................1..............................1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS .......... 5............................................................................................. 5................1...................1.....2 5...............................1 4............ 108 2..............................2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................4.................. 4...........2 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO......................................2. 102 102 102 104 105 105 105 106 2.............1 5............................. A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO................ 2.................. 5............................................................1 Análise estatística............2 Formulação do Problema................3 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU................................... 5..........................................................1 Categorização dos dados........ 108 8 ............................2 Avaliação das generalizações. INTRODUÇÃO............1.......................................................................................... 101 5 5........................ 107 2......3 Tabulação dos dados..... 5...............2 Tabulação de perguntas abertas.......................2 CRONOGRAMA.............................. 5.................. 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES............................................1 Antecedentes do Problema ............ 5.............5......1 TEMA...

........................................... 1 Objetivo Geral................. 111 2............... 2...................................... 109 110 2..................................4.................................................. Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC.............6 CONTRIBUIÇÃO.....4.......... 113 113 114 114 115 117 Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta...... Materiais 124 e Serviços........................................................ 110 2................... 110 2.................................OBJETIVOS................................ Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.. 4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES...................................................................4............................................ Considerações finais....4....... 2 Objetivos Específicos........... 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS........ 125 Apêndice G – Modelo de Ficha.................... 123 Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos......................................................................... 126 9 .......................................................................... 121 Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta.................................... 5.................................... Projeto de 122 Pesquisa e TCC..................................................................................................2................................................... 120 Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM............ 112 3 REFERENCIAL OPERATIVO..........................................................5 JUSTIFICATIVA............................................................................................................... REFERÊNCIAS................ Projeto de Pesquisa e DM..............................................................................2 MONTAGEM DO TCC......................4 5........................................................3 QUESTÕES DE ESTUDO........................

10 .

Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência. onde os conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados. bem como apresentados em forma de mídia digital (CD). DOMINGUES. aos objetivos gerais e aos procedimentos técnicos. e aos Métodos Científicos. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição. C. procurando-se destacar através de conceitos e exemplos. as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. J. A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores. e seu(s) referenciais afetos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V. incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares.. C. em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências Militares. exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases. L. a fim de atualizar algumas partes e incluir novos conceitos.. e adequar o item “A prática do fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares. segundos suas classificações quanto à natureza. coube aos colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I. com seus referenciais. MADEIRA. de forma que o leitor pudesse verificar as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa. A partir deste momento. de forma que o leitor pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado. P. Neste sentido.PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação no âmbito da EsAO. Neste sentido a estrutura da dissertação. passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa. a forma de abordagem do problema. E. 11 . nos projetos de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa. os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V. Foram ainda criados novos Apêndices ao livro. Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica. A. aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora. SANTOS. foi inicialmente apresentada em forma de fluxograma. o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos programas. F.

12 .

obedecendo à metodologia própria para iniciação científica. facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento. necessário à construção de projetos de pesquisa nos níveis stricto sensu e lato sensu. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema relevante de determinada área. inferindo conceitos próprios da metodologia em Ciências Militares. exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos. trabalhos acadêmicos e dissertações. seguindo orientações de renomados autores brasileiros que descrevem claramente o assunto. conduzidos pelas instituições de ensino de nível superior. serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de pesquisa científica afetos às Ciências Militares. 13 . Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a elaboração de projetos de pesquisa. Finalmente. será descrito em forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação de Mestrado (no nível stricto sensu). realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa. passando a apresentação de um raciocínio lógico e coerente. preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras ortográficas e gramaticais da língua portuguesa. A seguir. Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à metodologia da pesquisa. este manual esclarece como o resultado final da pesquisa.INTRODUÇÃO Os programas de pós-graduação. dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos correspondentes.

14 .

3 A LEITURA 1.4 O ESTUDO DO TEXTO 1.TÉCNICAS DE ESTUDO 1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA 1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR 1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO 15 .2 A DINÂMICA DE ESTUDO 1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA 1.

buscando o conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a reflexão científica. Já a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. se não tiver sido. Neste sentido.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui características investigativas. ao conhecimento sistemático. As questões da investigação estão. relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. meta que significa ao largo. à criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. Corresponde a um conjunto de procedimentos que auxiliam na obtenção do conhecimento. entende-se por metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. a pesquisa vincula pensamento e ação. A Metodologia estrutura-se. porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a formação de um compromisso científico frente à realidade empírica.1 METODOLOGIA DA PESQUISA A palavra Metodologia vem do grego. Embora seja uma prática teórica. caminho. em primeiro lugar. levando em conta o estímulo ao pensamento produtivo. Esta instrumentação é importante para o trabalho científico. Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos. discurso. logos. relacionadas com a busca de caminhos necessários à obtenção de conhecimentos. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis e suas utilizações. odos. buscando questionar e construir a realidade. 1. estudo. um problema da vida prática. portanto. nada pode ser intelectualmente um problema. De acordo com Minayo (1999). a metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. Ou seja. 16 . auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na sistematização dos conteúdos.

é necessário ler ou ouvir as mensagens que nos são transmitidas. Para tanto. Severino (1991) destaca como elementos principais à leitura e a escrita. ainda. também. a participação em seminários. Adverte. crítica e criativa. de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes. as bibliotecas disponíveis. É necessário que o estudante utilize. de jornais e outras fontes de consulta facilita a apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto. apoiado em material didático e científico que se constitui basicamente na bibliografia especializada. para posteriormente retomar a essa mensagem. é importante que os alunos adquiram hábitos de estudo. como. pois para aprender. oferecendo outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte. A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço disciplinar. bem como um projeto de trabalho intelectual individualizado.portanto. que o ensino superior exige dos universitários maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados muito importantes para o aprendizado. A leitura de livros indicados na bibliografia do curso. uma programação das atividades de estudo. O ensino superior requer. pensá-la e/ou reescrevê-la. buscando informações a respeito de procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas. é necessário registrar por escrito o conteúdo. Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas necessidades de aprendizagem. uma divisão adequada do tempo que propiciem a periodicidade de leituras. além do estudo habitual. A auto-atividade didática é. portanto. a participação em eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos conhecimentos. de revistas especializadas. 1. 17 . com a devida freqüência. imprescindível e deve estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance. palestras. etc.2 A DINÂMICA DE ESTUDO O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade.

a redação. devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental. A leitura amplia e desperta a inteligência para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento. é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. ler é "distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e.3 A LEITURA Ler é assimilar idéias. aprimorando-os como seres ativos e participantes da história. devemos identificar. As atividades de estudo como a leitura analítica. ampliar os conhecimentos e aprofundar o saber em determinado campo cultural ou científico. que pode ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem. A proposta deve ser a de aprender. as idéias secundárias que articulam o entendimento final do texto. interagir com o autor. vários enunciados. principalmente. Estas atividades são desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho. interpretar. nos diversos parágrafos.Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos. Ao ler um texto. Posteriormente. de modo articulado. 1. etc. sendo necessário que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto. Para tanto. 18 . utilizando técnicas de leitura. É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário. o estudo da documentação e a elaboração de trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. auxiliando o leitor no entendimento do pensamento do autor no contexto da obra. isto é. A maioria das frases possui uma palavra-chave. possibilitando ao leitor progredir cientificamente. resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do texto através das idéias de cada parágrafo. melhorar a comunicação e. condensação de textos. conhecer. não adianta apenas uma série de informações. depois. que é aquela que corresponde a tudo aquilo que o autor quer comunicar. optar pelos mais representativos e mais sugestivos”. Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras. ao qual se subordinam. absorvendo o sentido da mensagem. adquirir experiência. Segundo Salvador (1980). a utilização de técnicas de sublinhamento. clareando as idéias. decifrar.

Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra. mas continua com o mesmo sentido. seu currículo. Verificar o nome do autor. Devemos examinar sumariamente os componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. o sumário. um estudo profundo. E isso pressupõe uma certa disciplina intelectual. que possam fornecer as informações necessárias. O texto fica condensado como em um telegrama. Devemos recordar que não se estuda um texto como quem lê um romance. requerem sempre o emprego da razão reflexiva por parte de quem estuda. há várias maneiras de se estudar um texto. de acordo com os modelos teóricos de outros autores/pesquisadores. Dentre as normas para sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias principais e os detalhes importantes. Assim.segue sempre um processo semelhante. mormente aqueles de cunho científico ou filosófico. o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas.4 O ESTUDO DO TEXTO Segundo Galliano (1986). as palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. Os textos de estudo. Ao final. Assim. 19 . ler a orelha do livro. sendo necessário para o desenvolvimento deste. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. um método. A convergência desses vários elementos nos ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse. a documentação ou as citações ao pé das páginas. A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação científica. resumir e esquematizar. a data. Investigar a referência. e fornecendo opções de soluções para os problemas de pesquisa. o domínio de algumas técnicas que vão contribuir para o entendimento do autor e da obra.permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas. É importante consultar os autores. os livros e as revistas. quais sejam: sublinhar. deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. mas todas dependem sempre do propósito do estudo. 1. por puro entretenimento. assim como verificar a editora. um método de abordagem para o objeto do estudo. a edição e ler rapidamente o prefácio.

as principais idéias do autor da obra. e sublinhar as palavras desconhecidas. resumir por escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade. Segundo Galliano (1986). a que mais se identifique com o propósito de sua leitura. O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. pertinentes e oportunas. 20 . principalmente ao final. idéias integradoras. recordar o essencial do que se estudou e a conclusão a que se chegou. porém compreensível. frases. Para Galliano (1986). usar aspas e fazer referência completa à fonte. Assinalar com linha vertical. é necessário observar algumas normas para se fazer um bom resumo. É preciso ser breve. tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo. à margem do texto. em rápida leitura. ou fazer um retângulo. seletiva do texto. Os pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à margem do texto. mediante divisões e subdivisões represente a hierarquia das palavras. freqüentemente. parágrafos-chave que. Após sublinhar o texto. destacando-se os elementos de maior interesse e importância. O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu escrito.É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal e com um único traço os pormenores importantes. É a apresentação concisa e. o esquema é a representação gráfica e sintética do que se leu. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à margem do texto. Para tanto. De acordo com a forma de apresentação do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou esquema. referências bibliográficas e críticas. e quando se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para sublinhar. as passagens mais significativas. Juntar. como a defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação. O leitor deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”). É útil quando se necessita. esclarecer os pontos obscuros. isto é. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que. é necessário condensar as idéias destacadas. de caráter pessoal.

às obras de referência que se façam necessárias. Os textos de estudo de caráter científico. os pontos que requerem posterior esclarecimento e as dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. o esquema deve: a) ser claro. sem debater os conceitos ou idéias. Ao terminar esta análise. análise temática e análise interpretativa.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA Para auxiliar a transposição da leitura. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do leitor e do fim a que se destina. sem discutir com o texto. O leitor deve assinalar os vocábulos desconhecidos.destacados após várias leituras. É importante esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários. por parte de quem analisa. A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. simples e distribuído organicamente. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai processar a leitura para apreender o conteúdo. b) subordinar as idéias e fatos. devem apresentar ligações entre as idéias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido. a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia 21 . facilitando a captação do conteúdo e permitindo uma melhor reflexão sobre o texto. d) ser flexível e funcional para o uso. uma delas é a fidelidade ao texto. um método de abordagem e certa disciplina intelectual. c) ter estrutura lógica. mantendo um sistema uniforme. captando e compreendendo o tema do autor. 1. enfim. Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise textual. manuais. por exemplo. e e) destacar o propósito da leitura. enciclopédias. destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto. requerem. o leitor passa a ler com o objetivo de compreender profundamente o texto. é necessário que o leitor faça uma análise do texto. Por fim. Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom esquema.

a estrutura de sustentação do texto. Concluindo adequadamente a leitura de um texto. 1. A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. enquanto outras ganharão maior vigor. Ao terminar a análise interpretativa. o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica e/ou filosófica recorrendo. o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e inabaláveis podem revelar sua fragilidade. c) avaliar as soluções já experimentadas. passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece. b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema. as idéias secundárias. o nível de conhecimento do leitor ter-se-á consolidado e ampliado. ao confronto da discussão em seminários. se necessário.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita: a) conhecer a origem do problema. Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal. complementando-as sempre que o estudo assim exigir. o que é muito importante. o leitor mais experiente. ou reuniões com colegas. São nessas condições que ocorre a transposição da leitura. na medida em que o leitor/pesquisador necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de determinadas conclusões. É através da ampliação dos aspectos que a análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos relevantes que o leitor pode ir além. os temas complementares.central. a outras fontes. ultrapassar a leitura e produzir o conhecimento. seu juízo crítico. grupos de estudo. O leitor passa a inferir e interpretar o que foi apreendido. 22 . enfim. com segurança. E para continuar desenvolvendo este conhecimento. Para ele. estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de análises. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor.

no início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. sites de busca na Internet. verifica-se que essa condição ideal é muito rara. etc. e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível solução para o problema pesquisado. tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu raciocínio lógico. que deverá ser preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa. opiniões. Segundo Eco (1989). centros culturais. o nome do postulante. deve permitir ao pesquisador identificar quais são os assuntos tratados. o tema. É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na fase de coleta de informações. mesmo para um estudioso profissional. A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G). Assim. revertendo em ganho de tempo. a data do fichamento e o número referência da ficha. pois auxiliam no registro de resumos. O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações). poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de computador. contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de . isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação. embora simples. O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa. citações. A ficha é composta pelas seguintes interesse. repartições públicas. bem como as principais conclusões do autor. isto é. Entretanto. citações. tudo o que possa servir como embasamento para a redação do texto do trabalho de pesquisa.d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo. referências. o armazenamento das informações coletadas em bibliotecas. resumo da obra. O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas ou indiretas. durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz 23 partes: cabeçalho. Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação final da pesquisa. O campo destinado ao resumo da obra. a situação ideal seria dispor de todos os livros de que se tem necessidade. enfim.

visando facilitar a construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho. anote quantas idéias puder acerca do que foi lido e estudado. este é o melhor momento para apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao problema de estudo. O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter tabelas. figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o entendimento do leitor acerca do seu trabalho. gráficos. elas devem conter subsídios que lhe permitirão a sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC) O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor. 24 . As citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do pensamento de outros autores.tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa.

2.2 2.2.2.1.1 O Método Dedutivo 2.2 O Método Indutivo 2.2.1 2.3 O Método Hipotético-Dedutivo 2.1.5 O Método Fenomenológico 2.2.1.1 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A CIÊNCIA MÉTODOS CIENTÍFICOS Os Métodos de Abordagem 2.2.2.2 O Método Comparativo 2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 25 .1.2.4 O Método Dialético 2.1.1 O Método Histórico 2.1.A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO 2 2.1.2.1.4 O Método de Estudo de Caso 2.2.2 Os Métodos de Procedimentos 2.1.3 O Método Estatístico 2.2.

o sujeito e uma relação entre os dois. sem observação metódica ou verificação sistemática. uma vez que suas idéias não são definitivas. De acordo com Galliano (1986). Pode também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das tradições de uma coletividade. obtidos metodicamente. Segundo Galliano (1986). é um processo que chegou ao máximo de seu desenvolvimento com a aplicação do método científico. O conceito apresentado por Ander-Egg (1978). certos ou prováveis. carece de caráter científico. analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas. e por isso. O conhecimento se dá quando o sujeito apreende o objeto e. o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da realidade. O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o objeto. o conhecimento científico é uma aquisição intencional. define ciência como um conjunto de conhecimentos racionais. Em geral resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto. ao acaso. faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico. baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. relacionando-se com ele. forma uma imagem. 2.1 A CIÊNCIA Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de conceitos que são permanentemente ampliados. consciente e sistemática. o conhecimento vulgar (senso comum) também denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana. Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo do conhecimento. Ao contrário. 26 . Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos.

b) racional. c) sistemático. Segundo Lakatos e Marconi (2000). distinguir entre o que é ciência e o que não é. leis que regem os fenômenos. o religioso e. o filosófico. e f) falível. 27 . e vice-versa. d) geral. da razão e não da sensação ou impressões. porque descreve a realidade independente dos caprichos do pesquisador. não existe um consenso na apresentação da classificação das ciências. porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das informações. há conhecimentos que não pertencem à ciência. ciência é uma sistematização de conhecimentos. em certa acepção. sobretudo. porque se preocupa em construir sistemas de idéias organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades cada vez mais amplas.sistematizados e verificáveis. Neste sentido. Para Trujillo (1974). o conhecimento deve ser: a) objetivo. tais como: o conhecimento vulgar. mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o auxílio da linguagem matemática). Um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado. reconhece sua própria capacidade de errar. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. ainda permanece como ramo de estudo para outros. Segundo Gil (1999). porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis e normas gerais. em boa parte dos casos. e) verificável. baseando-se em Bunge (1976). que explicam todos os fenômenos de certo tipo. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. Mas. as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências factuais. porque se vale. A partir destas características torna-se possível. para chegar a seus resultados. Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por objetivo formular. capaz de ser submetido à verificação. porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados pelo homem. o que é ciência para alguns autores.

utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. 28 . em conseqüência. ao referir-se à classificação atual dos vários campos da ciência. A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a demonstração (formal) é completa e final. As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos. ou seja. por este motivo ela é temporária. Por não terem relação com algo encontrado na realidade. dividindo-se em lógica e matemática. comprovam ou refutam hipóteses que. faz-se necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua verificação. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam. De acordo com este autor. ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias. 2. ao passo que a verificação (factual) é incompleta e. determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento.As ciências formais se encarregam do estudo das idéias. devido a sua constante evolução. em sua maioria.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS Para que um conhecimento possa ser considerado científico. dividindo-se em naturais e sociais. Gil (1999). Ciência Militar e Defesa. não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. são provisórias. Assim. define método científico como um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento. Os resultados alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses. assinala o domínio próprio de cada ciência. Parra Filho (2000). estão no campo das ciências sociais. recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou refutar suas hipóteses. patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem em que as ciências devem ser estudadas. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao mesmo tempo a variedade do conhecimento humano. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e. Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os primórdios da humanidade.

e Lakatos (1992). A adoção de um ou de outro método depende. o hipotético-dedutivo ao neopositivismo. Neste sentido. e d) sobretudo. Segundo Gil (1999). que apresenta uma classificação semelhante a outros autores como Trujillo. são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de abstração. e os métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem empregados. o método é fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de acordo com a proposta de trabalho do pesquisador. o indutivo ao empirismo. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo.2.1 Os Métodos de Abordagem Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da natureza e da sociedade. dialético e fenomenológico. portanto: a) da natureza do objeto de pesquisa. hipotético-dedutivo. 29 . vários sistemas de classificação podem ser adotados. 2. c) do nível de abrangência do estudo. há dois grandes grupos: os métodos de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica. das regras de explicação dos fatos e da validade de suas generalizações. b) dos recursos materiais disponíveis. que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação. Cada um deles vincula-se a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade.Nas ciências militares. do pesquisador. indutivo. Ferrari (1982). assim como em outras ciências. o dialético ao materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia. Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo.

2 O Método Indutivo Método proposto pelos empiristas Bacon.. Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo. Hobbes. Veja um exemplo de raciocínio indutivo: Observação 1 Observação 2 . . Usa o silogismo. O 121° R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec. Observação n Conclusão O 121° R C Mec tem grande mobilidade.1 O Método Dedutivo Método proposto pelos racionalistas Descartes. logicamente decorrente das duas primeiras. Considera que o conhecimento é fundamentado na experiência. retirar uma terceira. 2.. do problema e da conjectura. .. que serão testados pela observação e/ou experimentação.2. MARCONI. 1993).1. em primeiro lugar. O 121° R C Mec tem grande mobilidade Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo.. Veja um exemplo de raciocínio dedutivo: Premissa maior Premissa menor Conclusão As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade. Locke e Hume. A dedução pressupõe o aparecimento. Premissa menor O 121° 122° .2. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL. Spinoza e Leibniz que pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta.123° R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec.. a partir de duas premissas.1. denominada de conclusão (GIL. não levando em conta os princípios preestabelecidos. construção lógica para. O 123° R C Mec tem grande mobilidade. LAKATOS. O 122° R C Mec tem grande mobilidade. A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade.. LAKATOS. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral para o particular) para chegar a uma conclusão.2.. 1993). 1999. 1999. 30 . MARCONI. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas.

da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre 31 . etc. 2. na qual as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. a indução pode ser caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade. diz-se que a indução leva a uma generalização. 2. está a observação dos fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. em primeiro lugar. permite concluir que o mesmo será verdade. relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. e pelo processo de influência dedutiva. O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese. Das hipóteses formuladas. deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. p.2. o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno.30). a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não examinados. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema. testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela hipótese.3 O Método Hipotético-Dedutivo Proposto por Popper. relativamente a certo número de elementos de uma dada classe. procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL.1. 174).2. Admite que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social. são formuladas conjecturas ou hipóteses.4 O Método Dialético Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel. portanto. ao contrário.1. econômico. O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca. uma inversão de procedimentos em relação ao método dedutivo. político. 1976. p. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. 1999. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses.Segundo Wricht (apud HEGENBERG. surge o problema. Se em especial. no método hipotético-dedutivo. acerca da qual se formulam hipóteses. Há. O método indutivo propõe que.

5 O Método Fenomenológico Preconizado por Husserl. com a finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. o comunicado pelo resultado da pesquisa. 2. tal como ela é.1.2. A realidade é construída e entendida como o compreendido.na natureza e na sociedade. os métodos de procedimentos seriam etapas mais concretas da investigação. são: histórico. processos e intuições passadas. referindo-se à conceituação de método. o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. estatístico e estudo de caso. Preocupa-se com a descrição direta da experiência. O conceito de dialética equivale a uma argumentação que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão. comparativo.2. 1992).2 Os Métodos de Procedimentos Segundo Lakatos (2000). expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem utilizados. Pressupõem uma atitude mais concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular. 2.2. os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências sociais.2. Assim. Então. a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações.1 O Método Histórico O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos. enquanto conjunto de procedimentos suficientemente gerais. Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999). procurando identificar e explicar as origens contemporâneas. Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir 32 . proporcionariam ao investigador os meios adequados para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais. para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL. Gil (1999). TRIVIÑOS. o interpretado. 2. 1999.

Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.3 O Método Estatístico Segundo Gil (1999). prestando-se tanto para que sejam inferidas como para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. bem como a margem de erro de um valor obtido. tão importante quanto o aspecto qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo. pois. fenômenos ou fatos. mas sim. mediante a comparação que irá estabelecer as semelhanças e/ou as diferenças.2 O Método Comparativo O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos. em termos numéricos. torna-se possível determinar. O método estatístico. o método estatístico fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação em ciências sociais. evolução e comparação histórica se podem traçar perspectivas. classes. O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre os vários grupos e fenômenos sociais.de uma perspectiva histórica.2. com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles. reduzidos a números. como define Fisher. É também utilizado quando. Mediante a utilização de testes estatísticos. torna-se impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem uma quantificação. permitem o estabelecimento de relações e correlações existentes entre eles. 2. E a partir da análise. a estatística é a matemática aplicada à análise dos dados numéricos de observação. As explicações obtidas mediante a utilização do método estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras. mas dotadas de boa probabilidade de serem verdadeiras. auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos fatos que. Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção de dados.2.2. com as suas possíveis 33 . apesar das dificuldades para medir os fenômenos. pela variedade e complexidade dos fenômenos.2. a probabilidade de acerto de determinada conclusão. 2.

utilizações. como irá proceder para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. são definidas algumas generalizações. mediante a análise de casos isolados ou de pequenos grupos. ou mesmo de todos os casos semelhantes. utiliza-se um ou outro procedimento de coleta de dados. Quando. comunidades etc. ou seja. tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal fenômeno. 34 . instituições.4 O Método de Estudo de Caso O método de estudo de caso ou método monográfico permite. grupos. daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais. entender determinados fatos. Esses casos podem ser indivíduos. e as formas de controle das variáveis envolvidas no problema. De acordo com Gil (1999).3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme o método escolhido pelo pesquisador. este método parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros. 2. O delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e das circunstâncias em que serão coletados os dados.2.2. 2. a partir de uma amostragem ou de um caso particular. O procedimento de coleta de dados requer do pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa.

2.1.1.2 PESQUISA CIENTÍFICA CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Classificação quanto à natureza Classificação quanto à forma de abordagem do problema Classificação quanto aos objetivos gerais Classificação quanto aos procedimentos técnicos CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa científica versus metodologia científica Níveis de Pós-graduação na EsAO 35 .2 3.1 3.1 3.1 3.3 3.2 3.1.4 3.2.PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA 3 3.1.

administrativo ou de instrução. pode-se definir pesquisa como um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS Existem várias formas de classificar as pesquisas. Aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. De acordo com Barros e Lehfeld (2000).3 PESQUISA CIENTÍFICA Pesquisa. qualquer trabalho escolar que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado um trabalho de pesquisa. ouvir com atenção. sondar. levando em consideração: a natureza. baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos. Consiste em investigar a realidade. ausente de contradições. 36 . Observar e examinar atentamente. num sentido amplo. e relatada através de um discurso autêntico. As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir. coerente e lógico. a forma de abordagem do problema. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. realizada com o objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário. A pesquisa tem um caráter pragmático. é um conjunto de atividades voltadas para a busca de um determinado conhecimento. Segundo Gil (1999). inquirir. 3. é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente organizadas. os objetivos gerais e os procedimentos técnicos. a pesquisa científica é o produto de uma investigação. cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante a utilização de procedimentos científicos. utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. ler e analisar documentos. Para a EsAO. Neste sentido.

3. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem.1 Classificação quanto à natureza Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos. É usada para conhecer variáveis que são desconhecidas completamente. Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito.1. e cuja informação será básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que alcance o verdadeiro conhecimento da variável.3 Classificação quanto aos objetivos gerais Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. que é possível traduzir em números as opiniões e as informações para. Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. mediana. sem uma aplicação prática prevista inicialmente. desvio-padrão. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. É descritiva. moda. isto é. isto é. posteriormente.1.). média. tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para 37 . A pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver. esclarecer e modificar conceitos e idéias. Envolve verdades e interesses universais. um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave.1. etc.3. úteis para o avanço da ciência. análise de regressão.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável. classificá-las e analisá-las. 3. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. Envolve verdades e interesses locais. coeficiente de correlação.

enciclopédias.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado. revistas e jornais etc. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou detalhado. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis.. percebe-se que muitas são desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. constituído principalmente de livros. 1967). principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. 1967). pois não há 38 .estudos posteriores. impressos diversos. tais como: livros de leitura corrente. dicionários. publicações periódicas. pretendendo determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al.1. Para este tipo de pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável ou das variáveis que influenciam o problema.. livros de referência. obtendo desta maneira uma visão mais completa. atualmente. Dependendo da pesquisa. A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. o “porquê” das coisas. aprofundando o conhecimento da realidade por explicar a razão. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais. ou o estabelecimento de relações entre variáveis. de material disponibilizado na Internet. É utilizada para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um problema. Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população/fenômeno. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos. 3. Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. artigos de periódicos e.

etc. As fontes. Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para. bactérias ou ratos. podem ser documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas. quando se trata de objetos sociais. que podem ser incluídos no rol da pesquisa. consideradas documentais. mediante análise quantitativa. boletins etc. não se identificam grandes limitações quanto à possibilidade de experimentação. tais como relatórios de pesquisa. obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. se trata de experimentar com objetos sociais. gravações. Incluem-se outros inúmeros documentos como cartas pessoais. definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. Considerações éticas e humanas impedem que a experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais. por exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas. uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de 39 . tais como: associações científicas. seleciona-se mediante procedimentos. diários. em face da sua importância documental. com pessoas. a pesquisa experimental torna-se inviável. porém. Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. tabelas estatísticas. grupos ou instituições. fotografias. ou seja. Quando. as limitações tornamse bastante evidentes. razão pela qual os procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número de situações. relatórios de empresas. ofícios. Contudo.outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados bibliográficos. tais como porções de líquidos. memorandos. Antes da pesquisa de campo. Há documentos também. não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo. em boa parte dos casos. De modo geral. selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo. sindicatos etc. Quando os objetos em estudo são entidades físicas. o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica em determinados campos do conhecimento. igrejas. regulamentos. que de alguma forma já foram analisados. Na maioria dos levantamentos. Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer. em seguida.

A pesquisa ex-post-facto. educacional. posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo. Todavia. Segundo Thiollent (1985). 40 . possibilitando avançar na pesquisa. levando em consideração a margem de erro. Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos ocorridos. Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores sociais. assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigativas.investigação. economia e rapidez na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos. Todavia. v. esta pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo. permite que os dados sejam agrupados em tabelas.1). Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal. é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou situações se desenvolveram espontaneamente. Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimas. pois proporcionam: conhecimento direto da realidade. auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema. possibilitando a sua visualização e análise por quantificação. A pesquisa participante. Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos. Neste tipo de pesquisa são tomadas como experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre elas como se estivessem submetidas a controle. de caráter social. a pesquisa-ação geralmente supõe uma forma de ação planejada. segundo Thiollent (1985). os procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos experimentos propriamente ditos. Não se trata rigorosamente de um experimento. que é obtida por meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística. de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento.

2 Níveis de Pós-graduação na EsAO Após compreender os conceitos de metodologia. b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta. 3. a construção de um modelo de análise e solução do problema. e a divulgação de resultados. a análise e discussão dos resultados. é importante que o discente entenda alguns princípios que regem os programas de pós-graduação. a apresentação dos resultados. espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de pós-graduação que melhor lhe convier.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas exigências científicas.1 Pesquisa científica versus metodologia científica Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica. originalidade e objetividade. Para tanto. É desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos: a) a existência de uma pergunta que se deseja responder.técnico ou outro.2. envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante. 41 . métodos de pesquisa e tipos de pesquisa científica. e c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. serão apresentados alguns conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu. Ao término desta Unidade Didática. por sua vez. a elaboração das conclusões e recomendações. Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas que devem ser executadas na investigação de um fenômeno. A pesquisa participante. consistência. 3. Para que seu estudo seja considerado científico você deve obedecer aos critérios de coerência.2. a exploração do problema. 3. a coleta e a tabulação de dados. ciência. que inclui a escolha do tema.

42 . evidenciando pesquisa científica.2. Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de um conhecimento compatível com o tema em estudo. O trabalho deverá constituir-se em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados durante o CAO. 3. Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível maior de conhecimento a respeito do tema. a apresentação de dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.3. ao grau de Aperfeiçoamento em Operações Militares. fazendo jus. exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo.2. Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica. exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em relação ao mesmo. de tal forma que seja possível o levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto.2. ao grau de Mestre em Operações Militares. por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um mesmo tema.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado acerca de determinado tema.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado tema. Observe que o TCC pode ser concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado. de tal forma que seja possível descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações de causas ou conseqüências do problema analisado. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica. caso aprovado.2. caso aprovado. O Quadro 3 apresenta. as principais diferenças entre os níveis de Pós-Graduação. de uma maneira geral. fazendo jus. Como veículo da execução do programa de mestrado.

Estudos comparativos têm indicado que a corrida intervalada provoca mudanças fisiológicas que a corrida contínua não é capaz de realizar. siga para a Unidade Didática IV. capazes de melhorar a performance do militar. Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica. genericamente. Como melhorar a performance cardiopulmonar de Sd EV. Se optar pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento). siga para a Unidade Didática V. Tabela 1. para comparar os efeitos dos treinamentos. permitem distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).Nível Tema Delimitação tema do Lato Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Sessões cardiopulmonares de treinamento físico militar na preparação do Sd EV para o TAF. A Tabela 1 apresenta algumas características que. visando uma preparação para o TAF? Abordagem genérica de todas as sessões de treinamento cardiopulmonar. 43 . A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho.Principais diferenças entre a DM e o TCC Características DM TCC stricto sensu lato sensu Quanto ao programa de pós-graduação Formulação do problema sim sim Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor Formulação de questões de estudo não sim Formulação de hipóteses sim não Variáveis duas ou mais pelo menos uma Testes de variáveis sim não Aprofundamento do conhecimento. Que método de treinamento produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF? Abordagem profunda e detalhada da fisiologia do exercício. voltados para a performance de Sd EV no TAF. Stricto Sensu Treinamento cardiopulmonar e performance de militares Uma comparação entre os efeitos fisiológicos produzidos pela corrida intervalada e pela corrida contínua. maior menor Pesquisa de campo sim não Análise estatística sim não Defesa perante Banca Examinadora sim não Fonte: Os autores. concluindo acerca de qual produz maiores benefícios fisiológicos voltados para o TAF. concluindo acerca de suas vantagens e desvantagens. Antecedentes do O pesquisador sente a necessidade de pesquisar acerca de como os diversos problema Problema Aprofundamento exigido tipos de treinamento cardiopulmonar poderiam otimizar a performance cardiopulmonar do Sd EV. Caso opte pelo programa stricto sensu (Mestrado).

44 .

2 CRONOGRAMA 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 4.1 PLANILHA DE CUSTOS 5.2 HIPÓTESE 4.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4 1 INTRODUÇÃO 4.2 PROBLEMA 2.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 45 .3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.3 VARIÁVEIS 4.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 5.1 REVISÃO DE LITERATURA 3.3 JUSTIFICATIVA 2.1 OBJETIVO 4.1 TEMA 2.2 AS ETAPAS DA PESQUISA 4.

O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. Para que o postulante. 46 .4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 4. Depósito da Dissertação de Mestrado. Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir relacionadas: Escolha do Tema. e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A). bem como economizar tempo e recursos preciosos. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado. o orientador. visando atender os interesses do postulante e da Escola. e entre ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados. e Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora. e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e executado. Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado. entre o postulante e o seu orientador. Apresentação do Projeto de Pesquisa. É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório final de uma pesquisa científica. apresentando ainda os resultados. Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa. Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002.

Cronograma .2 AS ETAPAS DA PESQUISA.Justificativa .Variáveis .Objetivos .Procedimentos metodológicos . 47 . que são traduzidas em referenciais.Hipóteses .Problema .Visão Geral .4. O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas.Tema . DISSERTAÇÃO DE MESTRADO AS 7 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa SEÇÕES DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Seção 1 Seção 2 Introdução .Contribuição Apresentação dos pressupostos teóricos que irão sustentar a tese formulada. . cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).Planilha de custos A pergunta de partida Referencial Conceitual Seção 3 2ª Etapa A exploração do problema Revisão de Literatura 3ª Etapa Entrevistas exploratórias Referencial Teórico Seção 4 A construção de um modelo de análise e solução do problema Referencial Metodológico Referencial Operativo* 4ª Etapa Seção 5 A coleta dos dados 5ª Etapa Análise dos dados 6ª Etapa Seção 6 Apresentação e Análise dos Resultados Conclusões 7ª Etapa Conclusões e Recomendações Redação do relatório final de pesquisa (Montagem da Dissertação de Mestrado) DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA *O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B) (fase presencial do CAO) Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.

metodologicamente. a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos. uma maneira de se testar. prosseguindo no estudo. Segue-se a esta. os resultados da exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa). o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa). O cronograma de trabalho e a planilha de custos constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa. o Problema. bem como . Estando definida a hipótese. o(s) objetivo(s) de estudo. e das contribuições que esta pesquisa poderá produzir. onde serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo. que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou rejeição da hipótese. ou b) a pergunta de partida deve ser reformulada. a Análise dos Dados (5ª Etapa). Após convenientemente organizados. somente durante a elaboração do projeto de pesquisa. as variáveis. procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa. Na seqüência. que consiste na execução do que foi planejado no Referencial Metodológico. Depois de reunidos. o postulante passa: a estabelecer os objetivos da pesquisa. a(s) hipótese(s). as Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual. Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a) a pergunta de partida está bem elaborada. com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo). A partir daí. das justificativas para se empreender um estudo científico para resolvê-lo. A pergunta de partida irá desencadear uma breve revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar. esta solução (Referencial Metodológico).A pesquisa se inicia com a definição do tema. as variáveis. a(s) hipótese(s). a estabelecer os procedimentos metodológicos a serem seguidos. e os procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução formulada. o Tema. e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado Referencial Metodológico. e. que 48 . é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa). Após serem convenientemente organizados. a definir as suas variáveis. Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s). deve-se realizar a Coleta de Dados (4ª Etapa). por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias.

49 . seja executada a defesa perante a Banca Examinadora. Durante esta etapa.culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados. situando-o no tempo e no espaço.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO A seguir. quando o autor deve apresentar. ao lado do título de cada seção. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que deve constar no corpo do trabalho. 4. Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (6ª Etapa). na seção Conclusões e Recomendações. Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (7ª Etapa). e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados. 1 INTRODUÇÃO (Proposta. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. pode-se verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. quando todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. para que. onde os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. no Projeto de Pesquisa e na DM. fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. executando-se a sua impressão e a entrega da Dissertação de Mestrado. visando preparar o leitor para a questão funcional do trabalho. no momento determinado. sendo referenciadas. verificando se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m). o problema de pesquisa. Projeto e DM) Esta seção primária deve ser breve. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho. serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final da DM. ou até mesmo de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não tenha ficado claro durante a análise. ou não.

Projeto e DM) Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores externos. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações.Segundo Martins (2000). a justificativa da importância de execução da pesquisa. as possibilidades. e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do conhecimento em questão. que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride. quanto aos fatores internos (pessoais).1 TEMA (Proposta. é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica. para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa. Delimitar um tema significa eleger 50 . 2. tema é o assunto que se deseja estudar e pesquisar. devendo ser apresentados: o tema selecionado. o problema (antecedentes do problema. a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática. De acordo com Lakatos e Marconi (1999). segundo Dencker (1998). pois. Pode-se redigir uma introdução inicial. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. 2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta. o porquê da escolha do tema. Projeto e DM) Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo. É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento. a formulação do problema propriamente dito e os seus alcances e limites). Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. Encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. qual a contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e desenvolvimento do trabalho empreendido.

seu conhecimento a respeito. intuitivamente. e f) no estudo da literatura especializada. você sabe o que é um problema científico? Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). na 51 .. deve-se levar em conta a relevância e a atualidade do problema. um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão. a formulação do problema e os alcance e limites. Segundo Barros & Lehfeld (1999). Após a definição do tema. b) na vida profissional. deve-se levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido 2. Projeto e DM) Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende resolver através da pesquisa científica que irá empreender. nos fazem pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica. a definição do tema pode surgir com base: a) na observação do cotidiano. estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico. Segundo o dicionário Aurélio. Para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para Trabalhos Acadêmicos”. e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. d) em contato e/ou relacionamento com especialistas. mas que. Em primeiro lugar.2 PROBLEMA (Proposta. sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido. A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu orientador. em qualquer domínio do conhecimento. Mas. c) em programas de pesquisa.. e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema. apresentando os antecedentes do problema. Para a escolha do tema. isto porque objetiva buscar a sua solução. Abordaremos brevemente algumas questões que.uma determinada parcela de um assunto.

indagam acerca de como fazer as coisas. e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução? 2. em problemas científicos. Tais questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má.). A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? 52 . ou se é melhor ou pior que outra. moral. nível escolar. ética. mas não responder diretamente a eles. certa ou errada. Exemplos: 1. se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor. São problemas cuja resposta depende de opinião. Como melhorar a produtividade da Seção? 3. suas causas e conseqüências. isto é não são problemas científicos. etc.. Exemplos 1.verdade. não se constituindo. Como se confecciona um determinado documento? Problemas de valor Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução? 2.. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? 2. portanto. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8? Problema científico Pode-se dizer que um problema é de natureza científica. eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas são. desejável ou indesejável. A ciência pode fornecer sugestões e inferências acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia. ditos “de engenharia”. quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à manipulação). Problemas de engenharia Alguns problemas. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada? 3. Exemplos: 1.

2. 2. um breve histórico de como surgiu o problema do problema. suas variáveis devem permitir observação ou manipulação. As experiências anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste referencial como ponto de partida para o início da pesquisa. c) ser empírico (testável) e não fruto de valores. d) ser suscetível de solução. ou seja. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? 2. tais como: a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial. que por si só não constitui um problema específico. e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis). pressupõe a apresentação do que já está disponível a respeito dele.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento de certas regras práticas para a formulação de um problema científico.2. mencionando autores que já pesquisaram a respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. ou seja. Esta é a maneira mais fácil e direta de formulá-lo.2. Projeto e DM) Os antecedentes indicam a origem. torna-se necessário identificar como surgiu o problema. portanto. percepções pessoais e/ou senso comum (“achismos”).2.3.2 Formulação do Problema (Proposta. além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis. Projeto e DM) O problema deve ser formulado como uma pergunta. 53 . 2. b) ser claro e preciso.1 Antecedentes do Problema (Proposta. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um tema.

54 . A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o rendimento escolar? O problema 1. Logo. tem início na observação de que existe pouca interação entre os alunos na execução de trabalhos em grupo. Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a população estudada). é perfeitamente possível: a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela literatura e por especialistas em neurofisiologia). b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares.2. Problema 2.f. e isto pode diminuir o rendimento escolar. houve alteração no rendimento escolar. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares? O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada ou realização de tarefas complexas. A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos mencionados na seção secundária 2. e c) verificar se.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não como resposta. Logo. é perfeitamente possível: a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela literatura e por especialistas em ensino). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. e g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética. após a aplicação das técnicas. Problema 1.

55 . e aplicar um teste correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus desempenho produtivo. Problema 3. após a aplicação dos tratamentos. ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado. Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do militar? O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente elogiados tem um desempenho produtivo otimizado. e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese de estudo. Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho cognitivo de militares (para a população estudada). apresentadas pelos diferentes grupos testados. Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poderse-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a produtividade dos militares (para a população estudada). b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo. e c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes cognitivos. e c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis. Logo. é perfeitamente possível: a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e os punidos freqüentemente. Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a resolução do problema.b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono (um grupo em privação total de sono. um grupo que poderá dormir apenas 4 horas por noite. e que militares que são freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações.

precisa e concisa. com relação ao domínio de conhecimentos necessários. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo. 2. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. faz-se necessário especificar o alcance da investigação. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa. A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua importância relativa.2. 56 .3 JUSTIFICATIVA (Proposta. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que não foi possível abarcar. A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas.3 Alcance e Limites (Projeto e DM) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço. a quem está dirigida. e devem pré-dizer uma solução para o problema de estudo. 2. e aqueles que devem ficar de fora. respondendo à pergunta inicial que originou o problema de pesquisa. o universo de conhecimento a respeito do assunto. especificada e reduzida de modo a permitir a sua realização.As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema. Ainda que a definição do problema seja clara. Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação. relatando os aspectos do problema a serem incluídos.

Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. academicamente. A existência de um problema é o que justifica. Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. Em outras palavras. convincentemente. Para tanto. Para tanto. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta. Projeto e DM) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação uma vez concluída. a realização de uma pesquisa. a formulação do modelo de análise e 57 . Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos. É a existência de um problema real que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. a importância de uma investigação está na sua originalidade.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. na medida que o faz avançar. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a questão a ser estudada. que a problemática exposta merece uma solução. O investigador deve estabelecer. Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê. É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. É onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. nos seus resultados. conseqüentemente do projeto de dissertação . isto é.

desenvolver uma revisão empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. 3. bem como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o aprofundamento nas questões que envolvem o problema. evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.solução do problema. transformando a pergunta de partida na questão central da investigação.1 REVISÃO DE LITERATURA A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última palavra no assunto). e conseqüentemente.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do pesquisador sobre o tema. valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas ou indiretas). ao invés de procurar validar as suas 58 . Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental). às seguintes questões: O que já foi publicado sobre o assunto? Quem já escreveu a respeito? Que aspectos já foram abordados? Quais as lacunas existentes na literatura? Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese? 3. O pesquisador. dentre outras. Neste momento o pesquisador deve procurar responder. Este procedimento tem fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a formulação de hipóteses. proceder a uma revisão teórica. Uma boa revisão de literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser estudado. a construção da(s) hipótese(s) de estudo. A revisão de literatura é fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo.

a seleção do grupo de pesquisa. Nessa etapa. procurar adquirir novas informações. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia utilizada nas subdivisões. O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema. testemunhas ou interessados no tema pesquisado. permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. Através desta avaliação. indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico. A metodologia deve ser exposta de modo suficientemente claro e detalhado. e verificar outros pontos de vista em relação ao problema. 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta. caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento adquirido. devem ser especificados os procedimentos necessários para se chegar aos participantes da pesquisa. enfim. é desejável apresentar-se o resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas. exigindo um reinício da pesquisa. cada uma com seu título. A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo. A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias ampliarão os conhecimentos sobre o tema. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o assunto. Projeto e DM) Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende realizar a pesquisa e solucionar o problema. deve ter uma atitude filosófica. o estabelecimento 59 . obter as informações de interesse e analisálas. o aspecto essencial do estudo. se necessário for. a pergunta de partida poderá ser mantida. ou seja.próprias idéias. a fim de complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto. redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados. para que o leitor seja capaz de reproduzir. como a escolha do espaço da pesquisa. com pessoas que possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da revisão de literatura. Nesta fase. o que irá corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema de pesquisa e de como solucioná-lo.

deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida.dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo. e o modelo de análise dos dados. e os procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação tais como: o método. Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que indique uma ação passível de mensuração. que descreve a finalidade principal da investigação. Projeto e DM) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação. os instrumentos de coletas de dados. isto é.1 Objetivo Geral (Proposta. a hipótese. que poderiam ser parcialmente previstos antes da coleta e da análise dos dados. 4. como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados. a população (ou universo) e a amostra (sfc). devendo ser apresentados: o objetivo geral. constituindo os desdobramentos do objetivo geral. É comum. Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica. a previsão de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas. pois o pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo. Projeto e DM) Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa. por exemplo. (A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente 60 . Os objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. e os objetivos específicos. Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na realização do trabalho e evitar problemas sérios. O objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar.1. Tomando por base o problema 2.1 OBJETIVOS (Proposta. 4. que descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema. tipo e técnica de pesquisa adotado. e os objetivos específicos explicitarão os detalhes. a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados.

ilustrar. enunciar. e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular. Ex. estimar.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. registrar. demonstrar. avaliar. Ex. traçar e usar. esclarecer. examinar. selecionar. definir. interpretar. provar. preferir. constituir. organizar e esquematizar. Ex. reunir. compor. Ex. investigar. constatar. distinguir.apresentado. coordenar. explicar. discutir.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela privação de sono. examinar. Ex. Ex. c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar. b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever. verificar e experimentar. listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na formulação dos objetivos: a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar. arrolar. criticar. comparar. classificar. escolher.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. identificar. praticar. f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar. inscrever. inventariar. d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar. traduzir e transcrever. julgar.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. repetir. debater. expressar. manipular. sublinhar e nomear. 61 .: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono. relatar. localizar. validar e valorizar. eliminar. empregar. diferenciar.

c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência.Se o objetivo geral indica uma direção a seguir.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas. A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema: a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em privação de sono. 62 . esclarecem. Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono”. das quais depende a consumação do objetivo final. Os objetivos específicos tentam descrever. d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas pela privação de sono. o que será obtido em cada passo da pesquisa. do estado de alerta e vigília. bem como da execução de tarefas de cunho cognitivo. um questionário a ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva. Devem ser redigidos com o verbo no infinitivo. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa.1. para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas. nos termos mais claros possíveis. confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o parecer dos especialistas. e isto é feito através de metas intermediárias que redefinem. onde os mesmos deverão apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da atenção seletiva. referindo-se às características que podem ser observadas e mensuradas. Indicam o que se tem de alcançar para chegar ao objetivo geral. b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN. 4.

A desconsideração total significa que a hipótese não procede. a hipótese é algo aceito ou suposto para continuar a argumentação. contudo. a fim de não conduzir o seu estudo à mera divagação e à acumulação de dados superficiais. o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa. Quando uma pessoa confronta-se com um problema. Segundo Laville. este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela careça de importância. ou seja. o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis soluções para o problema de pesquisa. Esta resposta sugerida chama-se hipótese. que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou desconsideração (que pode ser total ou parcial). afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação. em primeiro lugar. é o ponto de partida para se encontrar um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. as hipóteses pressupõem. É uma suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas. A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente proposto. Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente.4. p. Segundo Viegas (1999). ela é a base para o raciocínio do problema. este é um dos principais momentos do itinerário de pesquisa. uma especulação ou uma conjectura sobre as diferenças. o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como orientação no decorrer da pesquisa científica. Projeto e DM) Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa. Sob a ótica da Matemática. não se conhecem normas específicas para a elaboração das hipóteses. (1999. é uma possível resposta ao problema. Epistemologicamente. trata de adivinhar. É uma conjectura a respeito da relação entre as variáveis do problema. Assim sendo. sugerir ou especular uma resposta. em seguida. a existência de causas e. derivando diretamente de sua definição. salienta que além do conhecimento bibliográfico sobre o assunto. Gil (1999). que justificam sua pertinência/validade. e ter realizado a revisão de literatura. é algo a ser verificado. Segundo Fachin (2001). Significa apenas que a hipótese não é verdadeira.123). que elas possam ser conhecidas e deduzidas logicamente.2 HIPÓTESES (Proposta. 63 . Portanto. as relações e as causas do problema.

devendo ser expressa de forma clara. A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa. ela deve ser redigida na forma afirmativa. recomenda reformular a hipótese para ajustar-se às técnicas disponíveis. sendo utilizada quando existem evidências de que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes. a hipótese nula não é usualmente a hipótese de pesquisa. Diferentemente do problema. listaremos a seguir exemplos de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa. expostos a 48 horas de privação de sono. Note que esta hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema. H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono durante 48 h de operações continuadas. 64 . ou antecipe um relacionamento entre as variáveis. A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar a confiabilidade dos resultados.Caso este procedimento não seja possível. é devido ao acaso e não ao tratamento realizado. oferecendo uma conjectura sobre as relações entre duas ou mais variáveis. e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou estatística) que indica a negação da suposição. afirmar se é verdadeira ou falsa. concisa e gramaticalmente correta. diminui durante operações continuadas. Segundo Thomas & Nelson (2002. H1: O desempenho cognitivo de militares. isto é. confirmando que qualquer diferença ou relacionamento observado entre as variáveis. e significa que não há diferenças entre tratamentos e/ou nenhuma relação entre as variáveis. de trabalho ou de investigação) que é a afirmação da suposição indicada. “A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”. Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também chamada de hipótese de estudo. Note que esta hipótese de pesquisa também é uma resposta ao problema. 62). Deve ser enunciada de modo que se possa comprovála. Normalmente o pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros. p. Tomando por base o problema 2.

as seguintes hipóteses: H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas. logo dizemos que H2 é a hipótese nula de H1 Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa. dentre outras. Constitui-se no elemento central da investigação. isto é. estando sujeita à medição. é imprescindível identificar e definir os conceitos que facilitem a compreensão da problemática. o que será feito por meio das variáveis que compõe o problema de pesquisa. Logicamente. Desta forma. o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em que o problema estiver inserido. Projeto e DM) A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou diferentes aspectos. componentes e indicadores). teríamos que demonstrar que H2 é falsa. H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas. H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do Comandante de PELOPES em operações continuadas H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem à patrulha em operações continuadas É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo problema. através de suas dimensões. Para tanto.No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico. 65 . segundo casos particulares ou circunstâncias. a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e que se pretende explicar. Qualquer que seja o problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação das variáveis.3 VARIÁVEIS (Proposta. poder-se-ia formular. é necessário apresentar uma definição conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as mensuráveis. caso quiséssemos comprovar H1. 4.

conforme as situações comumente encontradas em combate continuado. abordando como este conceito poderá ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados. Note que o termo “militares” está relacionado à população que será investigada.4. de modo a ser preciso na definição evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis significam no contexto do trabalho. esta variável pode ser entendida como uma situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados. e b) variável II: “Desempenho cognitivo”. 66 .3. O exemplo abaixo é uma das possíveis definições das variáveis de estudo supracitadas: Variável I: Privação de sono No contexto desta pesquisa. Definir significa exprimir o que uma coisa é. podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação total de sono”. deve-se atentar para a objetividade e pontualidade das informações. e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o ambiente/contexto em que o estudo será abordado. Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta. assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo. explicar o que se entende pela variável apresentada. medido em horas. Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas” podemos verificar a existência de duas variáveis distintas: a) variável I: “Privação de sono”. explicar o significado de um termo a partir de sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido. Projeto e DM) Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada.

número de soldados. planejamentos e condutas durante operações militares continuadas. sexo. modalidades ou atributos.3. R. 67 .. As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por categorias.: diâmetros. como uma influencia a outra (relação de causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno (correlação).. dependente e interveniente. escalas de medição (E. isto é.. Quanto à forma de medição. um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as relações entre as variáveis.. desempenho cognitivo deve ser entendido como o resultado obtido pelos sujeitos. dimensões do desempenho cognitivo elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de situação.). Como dito anteriormente. Ex. causa ou contribui para a ocorrência de algum efeito na variável dependente. Para a presente pesquisa. altura. manipulada. etc. 4. peso.1... Ex. em testes cognitivos que exijam atenção sustentada. . atenção seletiva e raciocínio lógico. etc.Variável II: Desempenho cognitivo. B. Quanto ao aspecto relacionamento.1 Relacionamento entre variáveis Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por números ou medidas.: cor. conceito militar (liderança. responsabilidade. as variáveis podem ser classificadas em: independente. idade. zelo. I). as variáveis classificam-se em quantitativas e qualitativas. A variável independente é aquela que. memória. MB.

pois quando uma aumenta. pois quando o volume aumenta. Ex. verificase que quanto maior for a intensidade.A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em função da variável independente. formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas dimensões do desempenho cognitivo) etc.1. devendo ser meticulosamente controlada. neste caso dizemos que existe uma correlação negativa entre as variáveis. maior deverá ser o intervalo para a recuperação.2 Correlação entre variáveis No caso das correlações. e vice-versa. a outra também aumenta.3. Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico. a intensidade diminui.. 68 . ou seja as variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra. e vice-versa. Neste exemplo. espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que o militar percorrer um determinada distância). para que se possa estabelecer a relação de causa/efeito hipotetizada. Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 2020). deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que poderiam contaminar o estudo. alterando de alguma forma a influência esperada entre elas. neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as variáveis. e vice-versa. 4. esforço físico exigido (um esforço mal controlado poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação de sono). tais como: a alimentação fornecida (alimentos pesados induzem ao sono). A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis dependentes e independentes.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). e quanto uma diminui a outra também diminui. Parece lógico que o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono. menor deva ser a intensidade (tempo para a realização de cada repetição).. temos uma variação interdependente.

Note que as variáveis “privação de sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que permitem as suas respectivas mensurações. ou seja. Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma variável é apresentada nos quadros 4 e 5. que são utilizados na comprovação de hipóteses de estudo.Privação de Sono.3.Existem diversos testes estatísticos. Variável Dimensão Indicadores O Privação total de sono Privação de sono Tempo de privação Privação parcial de sono Forma de medição pelotão A deverá permanecer 48 horas sem dormir O pelotão B deverá dormir entre 01:00hs e 05:00hs O pelotão C poderá dormir entre 22:00hs e 05:00hs Sono normal Quadro 4 – Definição operacional da variável I . 4. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores. O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono. Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos indicadores elencados em suas respectivas dimensões. em elementos empiricamente observáveis que constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável. 69 . As dimensões são características que permitem que a variável seja medida.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM) Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de mensuração. para determinar a existência e a força da correlação entre as variáveis. enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão. Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades passíveis de mensuração.

6 e 7 do questionário** A cada início de oficina será distribuída uma mensagem Desempenho na oficina alfanumérica que Memória de mensageiro deverá ser decorada e apresentada ao término da mesma* Pergunta 1 e 8 do questionário** * Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa. O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho cognitivo. Variável Dimensão Indicadores 70 . o que permitiu sua mensuração. Nota-se também que a variabilidade desta variável. ** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos. Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo. Forma de medição Relatório a respeito Desempenho na oficina dos eventos que de patrulha de foram apresentados Atenção reconhecimento no terreno* (Observação em um PO) Pergunta 1 e 2 do questionário** Número de acertos na criptografia e Desempenho na oficina decriptografia de de criptografia e mensagens* decriptografia Perguntas 1. 3 . 3 e 5 Desempenho do questionário** cognitivo Número de acertos na locação de Desempenho na oficina pontos por diversos de locação de pontos processos* Pergunta 1. 3 e 4 do questionário ** Número de acertos Desempenho na oficina na autenticação de Raciocínio de autenticação de mensagens* lógico mensagens Perguntas 1. ocorre em função do tempo que cada pelotão poderá dormir.Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através da dimensão tempo de privação. Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão. o que reflete a privação de sono.

Projeto e DM) Nesta seção secundária deve-se definir onde. é um conjunto de elementos com pelo menos uma característica comum. amostra (e método de amostragem. método de pesquisa. Projeto e DM) Uma população ou universo. quais elementos pertencem ou não à população. inequivocamente. ou mesmo possível. bem como o modelo de análise (forma como se pretende tabular e analisar os dados). podemos estar interessados em realizar uma pesquisa sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. instrumentos de coleta de dados. quando e como será realizada a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa). Será ela constituída apenas por aqueles que. a uma amostra proveniente dessa população. a população física que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares existentes no Comando Militar do Leste. é preciso definir a característica comum que distingue perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa (Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou do Efetivo Variável?).4. Uma vez perfeitamente caracterizada a população. não é conveniente. o passo seguinte será o levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em questão. isto é. Essa característica deve delimitar. Embora pareça extremamente simples. Assim. 4. estão na ativa? Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva? Além disso.1 População (Proposta. Grande parte das vezes. ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos interessa. Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população. na verdade. tipo de pesquisa. por exemplo. atualmente. 71 .4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta.4. sfc). realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população. Logo. no sentido geral. porém. e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema.

4. que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis.4. Levando esse raciocínio ao extremo.4. A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção da amostra e do método de amostragem O quadro 6 apresenta. o erro máximo permitido e a percentagem com que o fenômeno ocorre. Projeto e DM) Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do problema de pesquisa. Segundo Gil (1999). e 5% probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso. no qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo estatístico desejado. 72 . resumidamente.3 Método de pesquisa (Proposta. É intuitivo que. esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a amplitude do universo. o que se denomina censo ou recenseamento.4. de acordo com a população estudada (N). O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica. quanto maior a amostra. isto é. o pesquisador justifique a opção pelo método adotado. mais precisas e mais confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. de acordo com os conceitos apresentados na UD II deste Manual. conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame completo de toda a população.2 Amostra (Projeto e DM) A amostra é um subconjunto. É necessário que. N 10 20 30 40 50 60 70 n 10 19 28 36 44 52 59 N 80 90 100 150 200 250 300 n 66 73 80 108 131 152 169 N 350 400 450 500 1000 2000 3000 n 183 196 207 217 277 322 341 N 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 n 351 357 361 364 367 368 370 Quadro 6 . a quantidade de elementos (n) que deverá conter uma amostra. necessariamente finito de uma população. o nível de confiança estabelecido. considerando uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional.Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N).

4. de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual. . à forma de abordagem.Resumo dos principais métodos de pesquisa científica. Projeto e DM) A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza. O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica. 4.4 Tipo de pesquisa (Proposta. O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica. obrigatoriamente. Pesquisa Classificação Quanto à natureza Quanto à forma de abordagem Quanto ao objetivo geral Tipo Quanto aos procedimentos técnicos Modalidade Básica (Pura) Aplicada Quantitativa Qualitativa Exploratória Descritiva Explicativa Bibliográfica Documental Experimental Levantamento (de campo) Estudo de caso Ex-post facto Pesquisa-ação Pesquisa participante 73 Quadro 8 . antes de escolher um método.Resumo dos principais tipos de pesquisa científica. sua opção pelo (s) tipo (s) de pesquisa(s) adotado(s).Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a adequação do método de pesquisa utilizado. deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a abordagem e o raciocínio que se pretende empreender. quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos técnicos. Nesta subseção o pesquisador deve justificar. Pesquisa Classificação De Abordagem (lógicos) Método De Procedimentos (técnicos) Modalidade Dedutivo Indutivo Hipotético-dedutivo Dialético Fenomenológico Comparativo Histórico Estudo de caso Estatístico Quadro 7 . ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. portanto.

entrevista. discursos. questionário/formulário.5 Técnica de Pesquisa (Proposta. e d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos. editoriais. tais como: coleta documental.Resumo das principais técnicas de pesquisa científica. seguindo a seguinte ordem: a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha. enunciados de políticas governamentais. e-mail.1 Coleta documental A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de pesquisa. O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa científica. Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais (reportagens. na UD III deste Manual). sendo utilizada durante a revisão de literatura.. etc.4. Projeto e DM) As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. durante a etapa de coleta de dados (vide pesquisa bibliográfica e pesquisa documental.) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do fenômeno. 4. 74 . Pesquisa Classificação Modalidade Coleta documental Questionário/Formulário Entrevista Observação Análise de conteúdo Escalas para medir atitudes Técnica Quanto à obtenção de dados Quadro 9 .. cartas. notas (comentários) sobre a natureza e a fonte de cada documento. na construção do Referencial Teórico. c) anexar à descrição do material. Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G).4. e se for o caso.4. b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo. observação.5. análise de conteúdo e escalas para medir atitudes. Segundo Martins e Lintz (2000) existem diversos instrumentos de medida.

As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder livremente. a utilização dos princípios da análise de conteúdo (conforme o item 4. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas abertas.) 4. 75 .5. Ex. complexa.5. em função do problema e dos objetivos de estudo. pois dificultam o processo de tabulação. devendo ser respondido por escrito sem a necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário. sendo necessário o estabelecimento de critérios para a codificação de respostas similares. Possibilitam investigações mais precisas e profundas. porém apresentam alguns inconvenientes. permitindo um fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados.4. cansativa e demorada. Cite abaixo todos os aspectos que o senhor puder lembrar sobre este assunto: ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão “memória” da variável “desempenho cognitivo”. fechadas e/ou mistas.A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material. esta técnica recebe o nome de formulário).4. o material continuará bruto e não permitirá ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão. formulou-se uma pergunta aberta conforme o quadro 10: Pergunta 8. o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. usando linguagem própria.2 Questionário Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou descrever. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos relativos à segurança na posição e no deslocamento. porém apresenta a grande vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento do informante acerca do que foi questionado. sendo necessário. portanto.5. Mesmo após esta organização. Sua análise é difícil.

embora restrinja a liberdade das respostas. tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.( ) Não concordo nem discordo c. o senhor sentiu sono? a. podem ser formuladas diferentes tipos de perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo: Pergunta 1 (aos testados).( ) Discordo Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica 76 . Durante a execução da tarefa.As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a pergunta através de respostas pré-definidas.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”. As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de respostas disponíveis para o informante.( ) Concordo b. Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por noite”: a.( ) Sim b.( ) Não Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica Pergunta x (aos especialistas). ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( Ex. conforme o quadro 11: Pergunta Dicotômicas Tricotômicas Quanto às respostas Admitem somente duas respostas Admitem três respostas Exemplo ) Sim ) Não ) Sim ) Não sei ) Não ) Excelente ) Muito Bom ) Bom ) Regular ) Insuficiente Múltipla escolha Apresentam uma série de possíveis respostas Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas. Este tipo de pergunta facilita sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados.

( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas b. conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida para os outros indicadores apresentados no quadro 5): 77 . formulou-se uma pergunta mista que pretendia medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de alerta.Pergunta 1 (aos testados).( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas d. Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas e. o senhor recomendaria: a. o senhor pode afirmar : a. Durante a execução da tarefa. Esta forma de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma manifestação/complemento por parte do informante. além da resposta fechada padrão.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da variável “desempenho cognitivo”.( ) Tive grandes lapsos de atenção d.( ) Permaneci o tempo todo atento b. contribuição ou parecer do informante.( ) Foi impossível permanecer atento Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha Pergunta X (aos especialistas).( ) Tive pequenos lapsos de atenção c. Conforme o Exemplo abaixo: Ex.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas. Com relação ao tempo mínimo de sono necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em operações militares continuadas com 7 dias de duração.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas c.

Pergunta 1. eu tive lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção.( ) A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção. se assim desejar. 78 . b) permitir ao questionado complementar sua resposta.( ) e.( ) A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção.( ) b. Todavia. o senhor pode afirmar que a privação de sono prejudicou seu desempenho em que nível: a. eu tive mínima dificuldade em permanecer alerta c. Durante a execução da tarefa. Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário. d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema. e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise de dados. eu estava totalmente alerta A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção. eu tive pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta d. concretas e precisas. c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis. ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ . f) elaborar perguntas claras.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção. eu tive grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta f. eu praticamente não consegui permanecer acordado O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue interessante. é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua elaboração: a) redigir perguntas preferencialmente fechadas. eu praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono g.( ) A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção.

o pesquisador deve planejar a entrevista. e c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro). h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e informação.5. Seu objetivo básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e situações. b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa). em que uma delas formula questões e a outra responde. deve-se reformular o questionário. atentando para os itens que o entrevistado deseja esclarecer. através das entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas. explicando melhor alguns ou modificando a redação de outros. Deve ainda.3 Entrevistas A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas.g) elaborar perguntas que não induzam às respostas. com base nas suposições e conjecturas do pesquisador. que lhe permita responder as perguntas. delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado. e assim obter indicadores de consistência para os resultados colhidos O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste. manifestar suas opiniões. sem. O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos: a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos resultados). "face a face". contudo. dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva. i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável. 4. Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente definido as entrevistas são denominadas estruturadas. modificando. buscando algum conhecimento prévio sobre o entrevistado. Contrariamente. conservando. o pesquisador busca obter informações. Segundo Martins e Lintz (2000).4. ampliando. eliminando itens. 79 . Verificadas as falhas. e que evitem penetrar na intimidade das pessoas. isto permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não tenham sido bem entendidas/estruturadas.

não se deve apenas olhar e ver o fenômeno objeto de estudo. inspecionam e supervisionam atividades. bem como o objetivo da pesquisa que a utiliza. é sistematicamente planejada. um olhar preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes.4. determina seu tipo e sua metodologia. Estar consciente do que se deseja levantar é básico. como um método qualitativo de investigação. não se consegue 80 . A observação é o exame minucioso. é a captação clara do objeto examinado. é submetida a verificações e a controles de validade e precisão. previamente. há momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela forma de observação. a observação é classificada. 4.criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista. pois seu objeto de estudo. do contrário. tradicionalmente. o desempenho de seu emprego. Portanto. pois ela tanto pode conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de forma independente e/ou exclusiva. da direção que lhe for dada na pesquisa. sob algum aspecto. Segundo Richardson (1999). Segundo ele. imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica. De acordo com Martins e Lintz (2000). e registrando os dados e as informações durante a entrevista. o pesquisador precisará da permissão dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com elementos que avaliam. pois. registrada e ligada a proposições mais gerais e. algumas condições para seu desenvolvimento. Seu principal problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. e o seu registro. o preparo do seu desenvolvimento. estando na dependência. a observação apresenta muitas nuances em face de sua flexibilidade. dentre as quais: saber o que observar e como quantificar. ouvindo mais do que falando. sob este aspecto.5. em vez de ser apresentada como conjunto de curiosidades interessantes. Para que a observação seja quantificável. A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um objetivo formulado de pesquisa.4 Observação A técnica de observação é um instrumento de medida. evitando divagações. mas também estabelecer. Vale destacar que ela é também quantificável. obtendo a confiança do entrevistado.

conversas. a partir dos discursos escritos e orais de seus autores. 81 . sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico. A análise de conteúdo pode ser aplicada virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa.5 Análise de conteúdo A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as variáveis de maneira objetiva. cartas. discursos. distanciada. captar-lhes as intenções. o tema. pela análise dos conteúdos das mensagens. Buscam-se inferências confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto. profundidade e singularidade das descrições obtidas. da ciência. comparar. pode desvendar as ideologias dos dispositivos legais. livros. O pesquisador pode analisar. reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das idéias principais. avaliar. televisão etc. geralmente. a frase. ou avaliar as intenções. 1999. a personalidade de alguém. descartar o acessório. vagas sensações. tampouco elementos que permitam análises e reflexões coerentes. especulativo. sob o risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e. e projeções psicológicas que são características próprias do senso comum. etc. por exemplo. avaliando seus escritos. auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões. p. sistemática e quantitativa. das palavras e frases que o compõem. b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado. c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra. Para eles. poemas. O pesquisador deve ter cuidado com as impressões. procurar-lhes o sentido.ganhar a confiança. ou determinados objetivos etc (LAVILLE. rádio. Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser observadas. esse é o grande desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas. descrever tendências no conteúdo das comunicações. portanto. 4. os símbolos. A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza. a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental).5. 214).4. regulamentos.

bem como. os conteúdos manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação. Segundo Martins e Lintz (2000). ou descritas. o pesquisador deve: a) definir como as variáveis serão medidas. sendo descrito. detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado. ser classificado como otimista ou pessimista. conforme o item 4.1). entrevista..6. Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações. Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados.4. Um discurso pode. a que indicador das dimensões das variáveis está relacionado. existem alguns procedimentos que devem ser observados para a construção de um instrumento de medida. e c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados. b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s).6 Instrumentos (Projeto e DM) Segundo Richardson (1999). a análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico adequado para a construção e embasamento das categorias de análises. ao iniciar um trabalho de pesquisa o pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo. Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências. e) definir as categorias ou unidades de medida. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes. e f) proceder o tratamento estatístico conveniente. O pesquisador deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever. Em outras palavras.. 82 . revisar o significado e a definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida operacionalmente. por exemplo. Através de interpretação inferencial dos quadros de referência. liberal ou conservador. O instrumento (questionário. “para que” servirá cada item/fase do instrumento.) deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.4. 4.d) agrupar as unidades segundo algum critério.

a partir deste objeto e desta afirmação. a escala de importância e a escala de avaliação.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável. 4. entre elas. Ex. solicita-se que as pessoas externem suas reações. 83 . em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está sendo avaliada. associa-se um valor numérico.6. Consiste em um conjunto de itens apresentados em forma de afirmações. A cada ponto. Elas possuem diversas a propriedades. o diferencial semântico. provavelmente eu não participarei de bailes carnavalescos.4. símbolo ou situação que lhe é apresentada. As atitudes são indicadores de condutas.1 Escalonamento tipo Likert O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis Likert no início dos anos trinta. ante os quais se pede aos sujeitos que externem suas reações. Assim. questionários e formulários. e tais propriedades constituem o objeto das medições. escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. são as escalas para medir atitudes. acerca de um objeto ou representação simbólica.1. A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao objeto. Ex. existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação dos questionamentos.1 Escalas para medir atitudes As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição aprendida pelo sujeito para responder consistentemente. o sujeito obtém uma pontuação para cada item.Particularmente em relação às entrevistas. ou desfavorável. Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o escalonamento tipo Likert. ou juízos.4. de maneira favorável ou desfavorável. destacam-se a direção (positiva ou negativa) e intensidade (alta ou baixa). O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”. 4.6.

Afirmações 1 2 3 4 5 5 4 3 2 1 O serviço militar é um dever de todo o cidadão! concordo totalmente concordo nem concordo. utilizam-se os valores em ordem decrescente de um a cinco pontos O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e negativas. pontos da escala. nem discordo discordo discordo totalmente Não deve haver serviço militar obrigatório! concordo totalmente concordo nem concordo. Comumente. segundo o número de itens. nem discordo discordo discordo totalmente Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros valores observando. A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de respostas. entrega-se a escala 84 . é claro. Nesse caso. Escala de concordância concordo totalmente concordo nem concordo. Podem ser utilizadas muitas variações da escala tipo Likert. a pontuação mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta.As alternativas de respostas. quando as afirmações são positivas. as atitudes favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta. ou seja. o sentido das afirmações. ou afirmações. existem duas formas básicas para aplicar uma escala tipo Likert. Uma pontuação é considerada alta. enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez. indicam o quanto se está de acordo com a afirmação correspondente. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala. nem discordo discordo discordo totalmente Escala de afirmação sim provavelmente sim indeciso provavelmente não definitivamente não ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável (negativa). A primeira é auto-administrada. ou baixa. Se uma escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco. Segundo Martins e Lintz (2000).

1. é preciso realizar algumas sessões de pré – teste.6. Conceito favorável justo barato seguro útil responsável educa +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável injusto caro perigoso inútil irresponsável deseduca Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico. Para chegar à versão final de uma escala de diferencial semântico. o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos bipolares. a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado. potência ou atividade. Isto é. 4. com um conjunto de respondentes.ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou resposta. somando-se os pontos de cada par de adjetivos. consiste em uma série de adjetivos extremos que qualificam um objeto de atitude. é semelhante à utilizada na escala Likert. será preciso realizar algumas sessões de pré–teste. Ex. ou piloto. ante a qual solicita-se a reação do respondente. O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos inerentes ao Serviço Militar Obrigatório.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar. a fim de se proceder às correções e ajustes necessários. ou desfavorável. Suci e Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado conceito. indicadores de valorização. A segunda maneira é a entrevista ou formulário. Atualmente. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1).4. em que o entrevistador lê as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. porém. 85 . Para se chegar à versão final de uma escala Likert. os entrevistados deveriam colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a um.2 Diferencial semântico A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood. A apuração da atitude favorável.

4.4.6.1.3 Escala de importância A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes. Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao mesmo padrão de pontuação. Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser levantadas as opções apresentadas no quadro 20. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de importância Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância 5 4 3 2 1 Pontuação Extremamente importante Muito importante Importante Pouco importante Sem importância

Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia algum atributo. Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Escala de avaliação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente 5 4 3 2 1 Pontuação Excelente Muito bom Bom Regular Insuficiente

Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o 86

instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste (estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da amostra ou população (n=30), com a intenção de: a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões; b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”). Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas. Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento, tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar. A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado), aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento. Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população. Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa. Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes". 87

Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de variáveis quantitativas e vice-versa). Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis. Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis e das situações. Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da investigação. 4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM) Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos, etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85). 5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão referese às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de Pesquisa). 88

O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do projeto. 5.1 PLANILHA DE CUSTOS A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência, telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável. 5.2 CRONOGRAMA O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal, trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário. 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM) Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação. 89

90 . quadros e gráficos. v. A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de apresentação e análise. tabelas.1) uma vez que permitem um fácil e rápido acesso à informação. Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos (vide o Cap 2 do Manual de Estatística. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.1 Categorização dos dados Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas. em boa parte das pesquisas sociais. assim definidas por Selltiz et al. podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os resultados da pesquisa. com o advento da informática. E/MB/B/R/I. 5.A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente relacionados. e c) tabulação dos dados. b) codificação dos dados. é possível afirmar que. procura um sentido mais amplo dos resultados através da interpretação dos dados. ao passo que na análise. é natural que se utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e cálculos estatísticos. Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento de pesquisa). 5. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prendese unicamente aos dados.1. devem atender a algumas regras básicas. (1967. 441): a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de classificação (favorável/neutro/desfavorável. grau de escolaridade. p. Atualmente. será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos. são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos resultados: a) categorização dos dados. faz-se necessário organizá-las. facilitando a análise dos resultados.

Pode ser feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados. como aparece quadro 22. cujas alternativas são associadas a códigos impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da técnica da observação sistemática. Sexo: 3.. Item Categoria Masculino Feminino 2. b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas as repostas).). A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da categoria a que pertence o dado a ser tabulado.etc. a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados.1. e c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria). Escolaridade Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados. a forma mais prática de proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente. Segundo Gil (1999). Idade: de 18 a 20 anos de 21 a 23 anos mais de 23 anos ( )03 ( )04 ( )05 Código Item ( )01 ( )02 Categoria Nunca foi à escola 1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo Superior incompleto Superior completo Código ( )06 ( )07 ( )08 ( )09 ( )10 ( )11 ( )12 1. permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um pequeno número de categorias..2 Codificação dos dados De acordo com Gil (1999). 91 . 5. A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são constituídos por perguntas fechadas.

” O 3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade. 5.Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório: Nr Respostas dos informantes: Código 1 “Penso que não serve pra nada. A tabulação pode ser simples ou cruzada. LEGENDA 5. é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo: 92 .” N 8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo. aplicada a 90 cadetes (30 de cada pelotão).” D 2 “Não tenho nada a dizer.1 Tabulação de perguntas fechadas Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16).” F 4 “Penso que deveria ser voluntário.” F F 4 N 1 TOTAIS D 2 O 1 Código F N D O Descrição Parecer favorável Parecer neutro Parecer desfavorável Não respondeu.1. pois atrapalha os estudos. A tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente em dois ou mais conjuntos de categorias.” F 6 ”Lá se aprende a ser cidadão. só ocupa o tempo do cidadão.” D 5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina. A tabulação simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto.3. não soube responder ou respondeu outra coisa.1. Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.” F 7 ”Tem seus prós e contras. acho válido.3 Tabulação dos dados A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias categorias de análise. pois não servi.

00 10 33.00 0 0.00 30 100.33 2 6. Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10). 5. Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das categorias das variáveis de estudo. * de acordo com a pergunta 01 (quadro 16) Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.00 0 0.33 12 40.67 5 16.00 f 15 50.00 0 0. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.00 Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Fonte: os autores deste Manual ² privação parcial de sono (02hs de sono) Obs. ou categorias de respostas (favoráveis.00 4 13. poder-se-ia estabelecer um gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e segurança no deslocamento (de 4 a 6).1. desfavoráveis ou neutras).3.00 10 33. Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção 16 14 12 10 8 6 4 2 0 15 12 10 5 00 a 00 b 1 2 3 10 7 4 0 c d e 4 2 0 f 0 g 0 Pel A Pel B Pel C 15 Respostas à pergunta 1 Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.: A pontuação máxima de possível ³ sono normal (07hs de sono) Respostas* é 6X30 = 180 itens. para que seja possível quantificar as respostas obtidas pelo instrumento adotado.00 15 50.00 c 1 3.99 30 100.67 d 3 10.33 b 0 0. deve-se estabelecer uma forma de agrupar as respostas.33 2 6.67 0 0. de acordo com um gabarito.00 Total 30 99.00 e 4 13. escala.Tabela 2 .00 g 7 23.Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % a 0 0.2 Tabulação de perguntas abertas No caso das perguntas abertas.33 0 0.33 0 0. para a obtenção de uma média de acertos 93 .

33 28 93.89 Fonte: os autores deste Manual Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono) Itens verificados* Obs.33 30 100.00 26 13. 94 .67 29 96.00 25 83. 5.33 4 18 60.33 3 17 56.67 25 83. uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos dados coletados.00 5 16 53.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise estatística.67 160 88.: A pontuação máxima de possível é 6X30 = 180 itens. Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³ f % f % f % 1 18 60.33 23 76.67 6 19 63. à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da hipótese de estudo.Itens memorizados após a ordem a patrulha.00 23 76.67 Total Média 106 58.33 18 60. conforme a tabela 3.67 25 83.89 138 76. * de acordo com a pergunta 08 (quadro 10) ² privação parcial de sono (02hs de sono) ³ sono normal (07hs de sono) A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3: Itens memorizados após a ordem à patrulha 35 30 25 20 15 10 5 0 1 2 3 4 5 6 Itens a serem memorizados 18 25 28 23 18 30 25 17 23 25 18 26 16 18 23 19 23 29 Pel A Pel B Pel C Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.dos estagiários de cada pelotão. possibilitando uma comparação intergrupos dos efeitos da privação de sobre a memória. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de um raciocínio lógico que embasará as conclusões.67 23 76.00 23 76.33 2 18 60. Tabela 3 .

Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas amostras tenham sido devidas ao acaso. A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de estatística. Segundo ele.2.2. Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas. que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa. geralmente. para tratar as questões desta natureza procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças reais entre as populações representadas pelas amostras. c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência central (média. b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo.5. foram criadas várias técnicas estatísticas 95 . procede-se à sua análise estatística. a avaliação das generalizações obtidas com os dados em pesquisas sociais. Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa. existem vários testes estatísticos capazes de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística). É necessário verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou uma variável independente). 5. é feita para atender a objetivos como: a) caracterizar o que é típico no grupo. na maioria dos casos refere-se a amostras. para isto. mediana e moda) e em relação a outras variáveis. Esta deve ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística). mas o interesse dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi selecionada a amostra. e d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas. ou não. deve-se passar à sua descrição que.2 Avaliação das generalizações Segundo Gil (1999). somente descrever estas diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. e.1 Análise estatística Após a tabulação dos dados. entre as características de determinada variável.

analisar os dados obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. não existem normas que indiquem os procedimentos a serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações acerca dos cuidados. sempre que possível. é possível se verificar que por trás dos dados existe uma série complexa de observações. 96 . Mas. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística (uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de Estatística). quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de comprovação. O que se diz a respeito da interpretação. Existe uma grande variedade de testes de significância. Goode e Hatt (1969). enfatizam a importância da teoria para o estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre proposições. a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s). Gil (1999). lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos materiais”. mediante uma teoria.conhecidas como testes de significância. para que a interpretação não comprometa a pesquisa. Em resumo. um grupo de suposições sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições sobre a atuação de cada grupo. Dizem que. A análise deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e confrontar dados e provas. deve-se procurar.2. diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias suficientemente confirmadas. as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de adequação à realidade. que devem tomar os pesquisadores.3 Interpretação dos dados Segundo Gil (1999). do nível de mensuração alcançado e do formato das tabelas. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio do tipo de distribuição. em pesquisa social. o que pode servir para inibir a realização de investigações apropriadas. refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria. 5. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não paramétricos.

c) sintetizar os resultados. assuntos ou tópicos relacionados que deixaram de ser investigados. de forma clara e ordenada. as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto. o pesquisador deve voltar ao início da pesquisa. conforme listado abaixo: a) relembrar o objetivo geral da pesquisa. as intenções da pesquisa e o trabalho realizado. para futuras pesquisas. e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. O pesquisador deve incluir. A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a apresentação e a análise dos resultados. Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas. Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a seguir. Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações. Não devem ser apresentadas idéias novas que não constem do desenvolvimento. para se redigir as conclusões e recomendações. de acordo com as 97 .6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM) Segundo Laville (1999). f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas. mas o que são). lembrando sumariamente o problema inicial. é adequado sumariar alguns procedimentos que devem ser observados ao escrever. relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses. d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram confirmadas ou rejeitadas. de intervenções na natureza ou na sociedade. e não é recomendável a apresentação de descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados comprometidos e/ou passíveis de novas discussões. destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a necessidade de novas verificações. b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles fossem. e/ou g) sugerir. ao concluir. procurando explicá-los e interpretá-los de acordo com a teoria. de ordem prática.

ao estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo pesquisador no momento da redação. apresentam idéias para a realização de novos estudos.conclusões da pesquisa”. abrindo caminho a outros pesquisadores”. Desta forma. obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. logo. 98 . Este documento deve seguir as normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais. devem ser escritas somente se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. ou seja. 4. Não são obrigatórias e. Por sua vez.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. as sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa. A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um documento denominado dissertação. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro. elementos textuais e elementos pós-textuais. É importante reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. é possível definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente aparecem nos projetos de pesquisa. inclusive levantando novas hipóteses. Foi definido neste manual. não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. um esquema de dissertação capaz de abranger a maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. consistem na apresentação de idéias (propostas). Como as pesquisas diferem entre si. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. Contudo. uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação está esquematizada no Anexo B. auxiliando o aprimoramento de novos estudos sobre o tema. Os aspectos relativos à estrutura do texto. ou seja. é necessário preocupar-se com a sua apresentação formal.

4. Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da imaginação do leitor. e com a voz passiva. refazê-los.4. A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. mantendo um saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular. entre o rigor científico e o bom senso. a linguagem impessoal. é preciso observar as diferenças entre a linguagem literária. com a qual os escritores escrevem com o coração. a isenção do autor. mas o faz pela clareza da argumentação e pelo 99 . Na literatura. a fidelidade ao fato. elegância e originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas características prevalecendo a clareza. essenciais ou acidentais. busca-se a objetividade. só serão aceitas idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar.1 Quanto ao Estilo de Redação Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a “comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor. o pesquisador trata o tema como quem está de fora. acadêmico ou leigo. a descrição. logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e a partícula apassivadora se. pois. o pesquisador deve seguir um caminho árduo. a correção e a sobriedade. Na redação científica. ou “cabe concluir”. a neutralidade sem posicionamentos subjetivos. ou “é lícito supor que” utilizando-se assim. passo a passo. Segundo Viegas (1999). espera-se brilho. cartesianamente. se necessário. Segundo Barrass (1991). mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática. Em português. Todavia. A obra científica também deve atrair o leitor. Cobram-se atitudes éticas valorativas e engajamento político. ideológicos ou éticos. O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e acessível capaz de prender a atenção do leitor. convencendo os leitores com base em provas. busca-se a criatividade e a imaginação do autor. Convém escrever “conclui-se”. com verbos impessoais. de um texto literário. descrevendo o que se passa. com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade. e. e a linguagem científica. ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário. chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica. Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. apoiando-se em verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas. Em textos técnicos.

notas de rodapé. porém. Em resumo. para não originar interpretações diversas. os advérbios recentemente. a disposição do texto em si. as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e ordenada. e de trabalho para trabalho. por exemplo. repetições e detalhes prolixos. utilizando-se vocabulário sem verbosidade. evitando palavras supérfluas. f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos e advérbios que não explicitem exatamente o tempo. b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em considerações e opiniões pessoais. o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador. referências. tabelas e figuras. 100 . deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. provavelmente. medições e análises. sem expressões com duplo sentido.2 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO. partindo de frases simples. Da mesma forma. as citações. a organização das partes e titulações. contendo uma única idéia que envolva completamente a frase. também expressas no manual citado. As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). textuais e pós-textuais. antigamente. o modo e o lugar como. em especial no que se refere a registros de observações. d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir. c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade. evitando-se que a seqüência seja desviada com considerações.conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio. expostas com poucas palavras. lentamente. a paginação. e g) por fim.4. as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. e) indicar com precisão como. quando e onde os dados foram obtidos. é possível identificar algumas características comuns que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica: a) o texto deve ser escrito em linguagem direta. 4. bem como os elementos pré-textuais.

2 AS ETAPAS DA PESQUISA 5.4 OBJETIVOS 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.3 A ESTRUTURA DO TCC 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 1 INTRODUÇÃO 5.6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa) 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES 5.2 PROBLEMA 2.5 JUSTIFICATIVA 2.1 TEMA 2.4 MONTAGEM DO TCC 101 .

e Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação. Depósito do TCC. e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado. 5. as análises e as conclusões acerca do que foi pesquisado. neste momento.5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5. o orientador. e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e aprovada antes de ser realizada.1 INTRODUÇÃO O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14724:2002. visando atender os interesses do postulante e da Escola. Para que o postulante. É importante compreender. e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados. e. que o TCC é o relatório final de uma pesquisa científica. Tais providências têm por finalidade traduzir um perfeito sincronismo. bem como economizar tempo e recursos preciosos.2 AS ETAPAS DA PESQUISA O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas. Apresentação do Projeto de Pesquisa. que são 102 . Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação da EsAO. devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C). entre o postulante e o seu orientador. não será difícil perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de Pesquisa. apresentando ainda os resultados. Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase. e entre ambos e a linha de pesquisa à qual estão vinculados. o programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas: Escolha do tema.

é formulada uma pergunta de partida (1ª Etapa). cujos elementos constitutivos formam as seções do relatório final da pesquisa científica (o TCC).Justificativa .Cronograma .Tema .Contribuição . com o objetivo de colher subsídios que permitam formular uma possível solução para o problema.traduzidas em referenciais. A partir daí. e uma série de raciocínios lógicos. por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e de entrevistas exploratórias. dos 103 . o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª Etapa). procurando destacar os aspectos do tema que serão abordados na pesquisa. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO AS 5 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 1ª Etapa 3ª Etapa 2ª Etapa SEÇÕES DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Seção 1 Seção 2 Pergunta de partida Introdução . Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que envolve o seu tema.Problema .Planilha de custos A exploração do problema Revisão de literatura Entrevistas exploratórias Pesquisa Bibliográfica Pesquisa Documental Pesquisa de Campo (sfc) 4ª Etapa Conceitos e Métodos Referencial Operativo* Seção 3 Apresentação e Análise dos Resultados Seção 4 Conclusões 5ª Etapa Conclusões e Recomendações (Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso) Redação do relatório de pesquisa ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO (fase presencial do CAO) * O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa A pesquisa se inicia com a definição do tema. Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo. Na seqüência.Questões de estudo .Visão geral .Objetivos .

as Questões de Estudo. Apresentação e Análise de Dados. os Objetivos. ao lado do título de cada seção. das justificativas (“porquês”) para se empreender um estudo científico. na seção Conclusões e Recomendações. e permitindo ao pesquisador organizar logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão. serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que compõem a estrutura final do TCC. na qual os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de Apresentação e Análise dos Resultados. que pode ser de natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). Encerrando o processo de elaboração do TCC. quando o autor deve apresentar. ou b. 5.objetivos a serem atingidos. é realizada a Redação do Relatório de Pesquisa (5ª Etapa). respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa. prosseguindo no estudo. sendo referenciadas. Depois de reunidos.3 A ESTRUTURA DO TCC A seguir. Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o problema. a pergunta de partida está bem elaborada. Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das Conclusões (4ª Etapa). onde todo o trabalho deve ser organizado e formatado de acordo com as Normas da ABNT. deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita. e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. os principais aspectos verificados durante a pesquisa. Esta etapa também pode ser chamada Coleta. a pergunta de partida deve ser reformulada. cumprindo os objetivos traçados na seção Conceitos e Métodos. Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões: a. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que 104 . no Projeto de Pesquisa ou no TCC. a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto. de forma a fornecerem subsídios que permitam alcançar as respostas às questões de estudo. o Tema. executando-se a sua impressão e a entrega à Comissão de Avaliação. o Problema. as Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e Métodos.

deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens referenciados.
1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão panorâmica acerca do assunto pesquisado. Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e

desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial, que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.
2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo, o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área específica do conhecimento em questão. 2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC) Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja

estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em 105

função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos interesses acadêmicos. O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta bibliográfica. Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que pretendo abordar?” A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida. Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano; b) na vida profissional; c) em programas de pesquisa; d) em contato e/ou relacionamento com especialistas; e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e f) no estudo da literatura especializada.

A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido (para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”). 2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC) Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

106

Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados “pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração

das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas), mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico. Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).

A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias (sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um reinício da pesquisa.

107

Nesta fase da pesquisa. A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que não serão abordadas. aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação. a quem está dirigida. 108 . precisa e concisa. especificada e reduzida de modo a permitir sua realização. ou seja. Duas limitações são: o tamanho da amostra e a duração do estudo.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC) A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço. 2.2. Desta forma. além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na UD IV. a pergunta inicial transforma-se em problema científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte para os antecedentes do problema). Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado.2. e o campo de ação que não foi possível abarcar. são as chamadas questões de estudo. e os limites.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC) A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser escrito na forma interrogativa.3. definindo a exclusividade da pesquisa. o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve ser especificado de forma a tornar acessível à investigação. tratadas no item 2. torna-se necessário questionar-se acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa. faz-se necessário especificar o alcance da investigação. relatando os aspectos do problema que foram incluídos. A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa. a partir da página 53).2. Ainda que a definição do problema seja clara. Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo.

”. poderiam ser elaboradas as seguintes questões de estudo: a) como ocorre o processo de envelhecimento? b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento? c) como ocorre o processo de formação do stress? d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo? e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório? f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento? 109 . Em síntese. cada questão de estudo fornecerá uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e solução do problema.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM. as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução do problema de pesquisa. Projeto e TCC) As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho que leve ao melhor conhecimento acerca do problema. A adoção das questões de estudo se dá em substituição ao processo de formulação de hipóteses. Um objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar.A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do pesquisador. ainda desconhecido e muitas vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV). Ex. e da existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a realização da pesquisa. Quando solucionadas. 2. com relação ao domínio de conhecimentos necessários. Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. uma questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta. o que é fundamental para se chegar a uma solução para o mesmo.

110 . Para as questões de estudo descritas no item 2. e conseqüentemente do problema de pesquisa como um todo.3.1 Objetivo Geral (Proposta. faz-se necessário construir um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. por sua vez. poder-se-ia enunciar o objetivo geral de estudo da seguinte forma: Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM. delimitam e decompõem a trajetória a ser seguida em objetivos específicos de pesquisa. Projeto e TCC) Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como problema de investigação.2. Projeto e TCC) Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o estudo. das quais depende a consumação do objetivo final. a partir da página 60). nos termos mais claros possíveis.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM) Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e representam as metas a serem seguidas. Se o objetivo geral indica uma direção a seguir. pretendem buscar a solução para cada uma das questões de estudo. 2. O objetivo geral deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV. isto é.4.4. indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral de pesquisa. ou seja. esclarecem. 2.4 OBJETIVO (Proposta. sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. Estes. o que será obtido em cada passo da pesquisa. referindo-se às características que podem ser observadas e ou mensuradas. Isto é feito por meio de metas intermediárias que redefinem. Os objetivos específicos procuram descrever.

e) descrever como ocorre o processo de formação do stress. processo de formação do stress. listaremos a seguir alguns exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de estudo: a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais conceitos relativos ao processo de envelhecimento. procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a 111 . e h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório. psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. desempenho cognitivo. Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos.Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM”. é possível verificar sua estreita relação com as questões de estudo. 2. f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo. c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa. b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento físico.5 JUSTIFICATIVA (Proposta. alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento. d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento. e processo decisório (verifique a correlação com as questões de estudo).

A contribuição deverá demonstrar ao leitor a serventia dos resultados a serem colhidos. que a problemática exposta merece uma solução. Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. e nos seus resultados. uma vez concluída.sua importância relativa. Para tanto. a importância de uma investigação está na sua originalidade. Uma pesquisa é relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento. o pesquisador deve perguntar-se: O tema é relevante? Procurando responder por quê. Projeto e TCC) Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da investigação. do projeto de dissertação . Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir para o conhecimento de problemas significativos. convincentemente. a realização de uma pesquisa para que se possa equacionar uma solução para o mesmo. isto é. A existência de um problema é o que justifica. Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da elaboração da proposta e. O investigador deve estabelecer. conseqüentemente.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta. Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta? Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo? 2. Em outras palavras. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da necessidade e da relevância da pesquisa proposta. o pesquisador deve perguntar-se: Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar? A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo? Quem será o real beneficiário da investigação? 112 . academicamente. É a parte onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. Para tanto. na medida que o faz avançar.

embora não obrigatório.. procura um sentido mais amplo. 5. ao passo que na análise. Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso autêntico. Este procedimento facilita a leitura do trabalho. . a utilização de conclusões parciais ao longo das seções de apresentação e análise dos resultados. 4. coerente e lógico. 113 . A estrutura abaixo representa ma das possíveis organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as questões de estudo apresentadas na subseção 2.sfc). o pesquisador prende-se unicamente aos dados. na apresentação. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa) Este referencial está descrito na UD IV página 88.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2 CONCEITOS E MÉTODOS (3. Os dados fornecem informações a respeito das questões de estudo. fornecendo o embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa.3.). 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC) Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo.3: 3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO 4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO 5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS 7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO 8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO 9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR 10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS Obs.. e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa. A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente relacionados. e podem ser apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias. Alguns autores ressaltam que. É comum. neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES” receberia o número 11.

4 MONTAGEM DO TCC A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento denominado Trabalho de Conclusão de Curso. somente devem ser escritas se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem minimizar as causas do problema. se as questões de estudo foram respondidas e se o problema de estudo foi resolvido. para servirem de base para as pesquisas futuras. Não são obrigatórias e. As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento. O pesquisador deve incluir. 5. São ações propostas que podem ser utilizadas no futuro. Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) apareçam na conclusão. Estes tanto podem ser verdadeiros. A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a apresentação e análise dos resultados. tampouco resultados comprometidos e passíveis de novas discussões. o que fatalmente compromete os resultados da investigação. Dependendo da extensão. julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. diz respeito à extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Um dos cuidados que se deve ter. as conclusões podem ser subdivididas em várias subseções. as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo da discussão em torno do assunto. explicitar se os objetivos foram atingidos. Este documento deve seguir as 114 .4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC) Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa. e/ou ainda. como gerarem erros em virtude de generalização precipitada do pesquisador. que deixaram de ser investigados. de forma clara e ordenada. As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações. sugerir assuntos relacionados. tendo em vista manter a objetividade e a clareza. ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). tabelas e figuras.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da página 99. Com relação ao estilo de redação. as normas e as orientações constantes das Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e observadas. referências.normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais.4. a paginação. Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os relatórios finais. deve-se observar as recomendações constantes da subseção “4. Uma estrutura viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no Apêndice D. a disposição do texto em si. bem como os elementos pré-textuais. Da mesma forma.4. a organização das partes e titulações. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa. deverão ser consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação gráfica do texto. 5. notas de rodapé. que foram detalhados no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.1 Considerações finais Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação. textuais e pós-textuais. as citações. os elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós- textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). 115 . também expressas no manual citado.

116 .

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Ada de F. BARROS. M. FACHIN. COSTA. São Paulo: Harbra. F. Aidil J. de. São Paulo: Futura. 2001.apresentação. 1997. G. Fundamentos de metodologia. M. São Paulo: Atlas. 2001. COSTA. Fundamentos de metodologia científica. Introdução à metodologia da ciência. A. Neide A de S. NBR14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos . O. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. A. DENCKER. 1996. Amado L. Rio de Janeiro.. Pesquisa empírica em ciências humanas. VIÁ. LEHFELD. 117 .Pesquisa e construção de conhecimento. S. 2002. São Paulo: Atlas. São Paulo: Prentice Hall. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas. BERVIAN. P. CERVO. da. 1998. Rio de Janeiro. 1997. ____. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa.da S. Método Científico: Os caminhos da investigação. 2002. 2000. Metodologia científica. DEMO. P. 1996. M.REFERÊNCIAS ANDRADE. Sérgio F. C. Rio de Janeiro: Unitec. São Paulo: Makron.

Metodologia científica. Roberto Jarry. 1999. 1976. 1996. William J. Metodologia científica. 1999. 1996. de A. Leônidas. MARTINS. Metodologia do trabalho científico. E. 2000. Porto Alegre: Ed. 1969.N. 118 . HEGENBERG. C.Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.). São Paulo: Atlas. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento conceitual. São Paulo: Futura. São Paulo: Atlas. 1999. GOODE. São Paulo: EPU / Edusp. LAKATOS. de S. HATT. 1999. da UFMG. M. São Paulo: E. C.GIL. dos S. LTR. LAVILLE. KERLINGER. Etapas da investigação científica. Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. (Org. São Paulo: Atlas. 1996.: EDUSP.. MINAYO. Paul K. A. 2000. planejamento e técnicas de pesquisa.P. SANTOS. Manual para elaboração de monografias e dissertações. de A. F. Domingos. Pesquisa social. DIONNE. 2001. J. C. RICHARDSON. São Paulo: Atlas.U. C. Fundamentos de metodologia científica.. São Paulo: Atlas. Métodos em pesquisa social. M. PARRA FILHO. 1979. OLIVEIRA.São Paulo: Ed. Técnicas de pesquisa. M. São Paulo: Nacional. Como elaborar projetos de pesquisa. J. 2 v. ____. A. G. 1999. Petrópolis: Vozes. MARCONI. ____. São Paulo: Atlas.. ____. A construção do saber.

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4.3.1 População 4.4 Tipo de pesquisa 4.1 Definição conceitual das variáveis 4.3 JUSTIFICATIVA 2.2.3.2 HIPÓTESE 4.5 Técnica de pesquisa 4.2.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.3.3 Método de pesquisa 4.4.2 Definição operacional das variáveis 4.2 Formulação do Problema 2.7 Análise dos dados 5 REFERENCIAL OPERATIVO 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) Prop X Proj X X DM X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PRÉ-TEXTUAIS TEXTUAIS X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X PÓS-TEXTUAIS X X X X X X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase 120 .4.1 OBJETIVO 4.2 PROBLEMA 2. Projeto de Pesquisa e DM.3 Alcances e Limites 2.1 TEMA 2.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.2 Amostra 4.4.3 VARIÁVEIS 4.3.2. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.6 Instrumentos 4.4.Apêndice A .Elementos Constitutivos da Proposta.1 Antecedentes do Problema 2.

5 Técnica de pesquisa 4.1 Definição conceitual das variáveis 4.7 Análise dos dados 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 121 .1 OBJETIVO 4.2.3 Método de pesquisa 4.2 Definição operacional das variáveis 4.4.1 População Método de pesquisa 4.3.3 JUSTIFICATIVA 2.4 Tipo de pesquisa 4.1 Antecedentes do Problema 2.6 Instrumentos 4.4.2 PROBLEMA 2.4.2 Formulação do Problema 2.2 HIPÓTESE 4. 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL CONCEITUAL 2.Elementos textuais obrigatórios da DM.1 TEMA 2.2.2 Amostra 4.2.3.3.4 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL TEÓRICO 4 REFERENCIAL METODOLÓGICO 4.3.3 Alcances e Limites 2.3 VARIÁVEIS 4.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.4.Apêndice B .3.

2 PROBLEMA 2. ELEMENTOS Capa Lombada Folha de rosto Errata Folha de aprovação Dedicatória Agradecimentos PRÉ-TEXTUAIS Epígrafe Resumo na língua vernácula Lista de ilustrações Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de siglas Lista de símbolos Sumário 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.2.2. Projeto de Pesquisa e TCC.3 Alcances e Limites TEXTUAIS 2.2 Formulação do Problema 2.6 CONTRIBUIÇÃO 3 REFERENCIAL OPERATIVO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Referências Glossário PÓS-TEXTUAIS Apêndice(s) Anexo(s) Índice(s) X X Obrigatório Opcional Não faz parte desta fase Prop X Proj X X TCC X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 122 .3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.1 Antecedentes do Problema 2.Elementos Constitutivos da Proposta.4 OBJETIVO 2.Apêndice C .2.1 TEMA 2.5 JUSTIFICATIVA 2.

6 CONTRIBUIÇÃO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 123 .2 PROBLEMA 2.Apêndice D .3 QUESTÕES DE ESTUDO 2.4 OBJETIVO 2.3 Alcances e Limites 2.1 TEMA 2.1 Antecedentes do Problema 2.2.2.5 JUSTIFICATIVA 2.Elementos textuais obrigatórios do TCC. 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E MÉTODOS 2.2.2 Formulação do Problema 2.

Apêndice E . Itens do Elemento do Orçamento Orçamento Especificações do Elemento de Despesa Gravador Máquina fotográfica Capital Equipamento Grampeador e material permanente Perfurador de papel Microcomputador Impressora Caixa com 10 disquetes HP Fita para vídeo TDK Fita cassete 90 Material de Consumo Caneta esferográfica.00 124 .Exemplo de Planilha de Custos.000 600 12 8 5 1 Valor Total 200 100 11 9 2000 600 12 16 10 10 10 16 80 20 180 20 150 80 200 3724. Papel A4 Rolo de filme Custeio Cartucho de tinta para impressora Fotocópias Remuneração serviço Digitação pessoal Encadernação Correios Outros serviços e encargos Revelação de filmes e montagem de slides Outras Despesas T O T A L 2 40 Quantidade Valor Solicitada Unitário 1 1 1 1 1 1 1 2 2 10 500 2 1 100 90 1 2 1 8 80 200 100 11 9 2.

para o TCC 1 125 . se for o caso. Apresentação e análise dos resultados Conclusões Redação trabalho parcial das seções do 2 1 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago 11 25 X X 15 22 29 6 8 11 X X 08 09 X X 22 23 a 25 X X X X X X X X X 15 22 25 27 X X X X X X X X X X X X X X 01 01 02 Revisão do trabalho Entrega do trabalho pronto Fase de confecção do Projeto de Pesquisa Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM) Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios. Atividade Início do projeto Revisão do referencial conceitual feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial teórico feito na proposta de projeto Revisão1 do referencial metodológico feito na proposta de projeto Revisão2 do projeto para revisão do Orientador Elaboração e apresentação dos instrumentos Elaboração da análise a ser utilizada Revisão do projeto de pesquisa pelo Orientador Revisão do projeto Apresentação do projeto de pesquisa e dos fichamentos Preparação das Seções iniciais da DM para a Qualificação3 Qualificação das Seções iniciais da DM3 Coleta de dados Tabulação dos dados4. podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO.Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa. Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto. 2 Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o seu orientador.Apêndice F . 3 Somente para a DM 4 Obrigatório para a DM e. Obs.

não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação que pretende colher agora. 1-1). devem apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado. (citação direta: transcrição “ipse litteris” do manual) O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos 126 . ou na forma indireta.Apêndice G – Modelo de Ficha. RESUMO DA OBRA (obrigatório) O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s). Cite as idéias com suas próprias palavras. Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. que têm relação com a sua pesquisa. em face das inúmeras outras atividades prioritárias da OM. até a carência. Seja oportuno. quando as frases são transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada. Estado-Maior.” (BRASIL. as quais vão desde a falta de tempo. apresentar o foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. C 20-20: Treinamento Físico Militar.DF. ed. MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP DFA ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE DAS OM POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf FICHA Nr: 001 REFERÊNCIA (obrigatório) DATA: 22 de janeiro de 2004. É importante manter sempre em mente que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa. portanto. Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo. ou mesmo inexistência. isto é. isto é. as citações devem tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em estudo. 2002 p. BRASIL.2002. Exemplo “ilustrativo”: 1-1 “São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico ideal. instalações e materiais apropriados. 3. Exército. de áreas. Brasília. CITAÇÕES (opcional) Página Texto As citações podem ser redigidas na forma direta. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias. quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas palavras.

. 3-3 CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório) Exemplo “ilustrativo”: A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em combate. 1-2). 2002 (p.. 1-2) o treinamento físico militar deve estar voltado para a operacionalidade. (acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa) RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional) Página 3-5 B1 E1 Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc) Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE) Anexo B ..Programa Anual de TFM OM Não Operacional . Exemplo “ilustrativo”: “O treinamento regular e orientado provoca.padrões de atividade física. Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares incorporados nas diferentes organizações militares.Programa Anual de TFM OM Operacional .4 Sessões Semanais Anexo E . diversas adaptações no funcionamento do organismo humano. Estas adaptações trazem benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho profissional.” (BRASIL. (citação indireta: reedição do pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador) Veja a seguir o que consta originalmente no manual: “O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão institucional. 2002 p.. que poderiam afetar a manutenção operacionalidade das OM . Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa. (comentário oportuno do pesquisador) Exemplo “ilustrativo”: da 1-2 Segundo BRASIL.4 Sessões Semanais 127 .” (BRASIL. naturalmente. portanto. a fim de atender aos interesses da Força e ao cumprimento da sua missão institucional. 2002 p. 3-3).

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