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Noçoes de SIG

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2 Noções de Sistemas de Informação Geográfica

Iana Alexandra Alves Rufino Iana Daya Cavalcante Facundo

2.1 Cartografia Digital
2.1.1 Cartografia
Ciência de organização de cartas terrestres, marítimas e aéreas de qualquer espécie, abrangendo todas as operações, desde os levantamentos iniciais do terreno até a impressão definitiva das mesmas. Pode ser considerada uma metodologia científica que se destina a expressar fatos e fenômenos observados na superfície da terra através de simbologia própria. A razão principal da relação interdisciplinar forte entre Cartografia e Geoprocessamento é o espaço geográfico. Cartografia preocupa-se em apresentar um modelo de representação de dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico. Geoprocessamento representa a área do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais, fornecidas pelos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), para tratar os processos que ocorrem no espaço geográfico, ou seja, a informação geográfica. Isto estabelece de forma clara a relação interdisciplinar entre Cartografia e Geoprocessamento (Figura 2.1).

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2.1.2 Mapa
Representação gráfica da Terra nos seus aspectos naturais ou artificiais. Os fenômenos do mundo real podem ser representados por diversos tipos de dados, que são: dados temáticos (por ex: tipos de solo), dados cadastrais (por ex: cadastro urbano e rural), dados de redes (por ex: rede de esgoto e logradouros), dados de modelos numéricos (por ex: dados geofísicos e topográficos) e dados do tipo imagens (por ex: foto aérea e

Figura 2.1. Relações interdisciplinares entre SIG e outras áreas (Maguire et al., 1991) de satélite). Estes dados estão cartografados nos respectivos tipos de mapas, portanto cabem algumas definições do que são mapas. Um Mapa utiliza os dados do mundo real, sendo que: • são modelos simplificados da realidade; • utilizam uma representação, normalmente em escala, de uma seleção de entidades abstratas relacionadas com a superfície da Terra; • são modelos de dados que se interpõe entre a realidade e a base de dados de um SIG.

2.1.3 Sistemas de Coordenadas
A representação da superfície da Terra que é curva para uma superfície plana (folhas de papel ou monitor de vídeo) apresenta várias dificuldades. Uma delas é a definição exata da forma e das dimensões da terra que é o objetivo da 50

Figura 2. suas medidas decrescem até o limite de -180° (Figura 2. Já num modelo elipsoidal os meridianos são elipses definidas pelas interseções. Partindo do equador em direção aos pólos temse vários planos paralelos ao equador. contada sobre um plano paralelo ao equador.2).geodésia. Meridiano de origem (também conhecido como inicial ou fundamental) é aquele que passa pelo antigo observatório britânico de Greenwich.4). Nele. Paralelos. cujos tamanhos vão diminuindo até que se reduzam a pontos nos pólos Norte (+90°) e Sul (-90°). escolhido convencionalmente como a origem (0°) das longitudes sobre a superfície terrestre e como base para a contagem dos fusos horários.Num modelo esférico os meridianos são círculos máximos cujos planos contêm o eixo de rotação ou eixo dos pólos. 51 . Figura 2. dos planos que contêm o eixo de rotação. Tanto no modelo esférico como no modelo elipsoidal os paralelos são círculos cujo plano é perpendicular ao eixo dos pólos (Figura 2. Meridianos. Sistema de coordenadas geográficas É o sistema de coordenadas mais antigo.3). O Equador é o paralelo que divide a Terra em dois hemisférios (Norte e Sul) e é considerado como o pararelo de origem (0°). contada sobre o plano do meridiano que passa no lugar (Figura 2.3. cada ponto da superfície terrestre é localizado na interseção de um meridiano com um paralelo. A oeste. Isto se faz através de um sistema de coordenadas. Longitude de um lugar qualquer da superfície terrestre é a distância angular entre o lugar e o meridiano inicial ou de origem. um ponto representado no mapa corresponda a um homólogo na superfície terrestre. Para representar a superfície da Terra é necessário estabelecer um sistema tal que. com o elipsóide. A leste de Greenwich os meridianos são medidos por valores crescentes até + 180°. Latitude é a distância angular entre o lugar e o plano do Equador.2.

4. como exemplo.Figura 2. baseia-se na escolha de dois eixos perpendiculares. Coordenadas planas. que é estabelecida como base para a localização de qualquer ponto do plano.4 Projeções Cartográficas Todos os mapas são representações aproximadas da superfície terrestre. Por isso os mapas preservam certas características ao mesmo tempo em que alteram outras. que representa. também conhecido por sistema de coordenadas cartesianas. Latitude e longitude. Os valores de x e y são referenciados conforme a figura mostrada a seguir.1. cuja interseção é denominada origem. as coordenadas de um ponto na projeção UTM. Sistema de coordenadas planas ou cartesianas O sistema de coordenadas planas. A elaboração de um mapa requer um método que estabeleça uma relação entre os pontos da 52 . Figura 2.5. Nesse sistema de coordenadas um ponto é representado por dois números reais: um correspondente à projeção sobre o eixo x (horizontal) e outro correspondente à projeção sobre o eixo y (vertical). 2. Isto ocorre porque não se pode passar de uma superfície curva para uma superfície plana sem que haja deformações.

existem duas linhas aproximadamente retas. representadas em verdadeira grandeza. • a escala aumenta com a distância em relação ao meridiano central. Para se obter essa correspondência. para minimizar as variações de escala dentro do fuso. • aplica-se ao meridiano central de cada fuso um fator de redução de escala igual a 0. classificam-se as projeções em: planas ou azimutais. que compreende a elaboração de cartas topográficas. 1:100. Projeção UTM . Em seguida. a seguir. • a Terra é dividida em 60 fusos de 6° de longitude. A 90o deste. a escala torna-se infinita. Relacionam-se. distantes cerca de 1o37' do meridiano central. utilizam-se os sistemas de projeções cartográficas.6). já que seu eixo mantém-se sempre perpendicular ao meridiano central de cada fuso. uma a leste e outra a oeste.000. cilíndricas. Classificação das projeções Analisam-se os sistemas de projeções cartográficas pelo tipo de superfície de projeção adotada e grau de deformação. O cilindro transverso adotado como superfície de projeção assume 60 posições diferentes.9996. desenvolve-se o cilindro num plano."Universal Transverse Mercator" O mapeamento sistemático do Brasil.000. Em todas as projeções cilíndricas normais (eixo do cilindro 53 .Quanto ao tipo de superfície de projeção adotada. um cone ou um poliedro tangente ou secante à Terra. Como conseqüência. suas principais características: • a superfície de projeção é um cilindro transverso e a projeção é conforme. um cilindro.superfície da Terra e seus correspondentes no plano de projeção do mapa. Neste tipo de projeção usa-se um cilindro tangente ou secante à superfície da Terra como superfície de projeção (Figura 2. cônicas e poliédricas.000). o equador e os meridianos situados a 90 o do meridiano central são representados por retas. • os outros meridianos e os paralelos são curvas complexas. é feito na projeção UTM (1:250. segundo se represente a superfície curva da Terra sobre um plano. • o meridiano central da região de interesse. 1:50.

os meridianos e os paralelos são representados por retas perpendiculares. . Figura 2. o meridiano central de uma carta ao milionésimo. A longitude de origem (meridiano de referência para posicionar o eixo y do sistema de coordenadas) para a projeção UTM corresponde ao meridiano central de um fuso (a cada 6° define-se um fuso). A projeção é conforme ou isogonal quando mantêm os ângulos ou as formas de pequenas feições.6.000 para o Brasil. Projeção UTM A definição de longitude de origem depende da projeção utilizada pelo usuário.7 Distribuição das cartas 1: 1.000.7 apresenta a distribuição das cartas 1: 1.000.coincidente com o eixo de rotação da Terra). 54 .000 para o Brasil. Figura 2. Convém lembrar que a manutenção dos ângulos acarreta uma distorção no tamanho dos objetos no mapa. A Figura 2. ou seja.

A latitude de origem costuma ser o equador para a maior parte das projeções.5 Computação Gráfica na Cartografia O uso da computação gráfica na cartografia.1 mostra algumas das projeções cartográficas mais importantes e suas características principais. software e mão de obra. 55 .1.A latitude de origem corresponde a um paralelo de referência escolhido para posicionar o eixo x do sistema de coordenadas planas ou de projeção. 2. Tabela 2.1 – Projeções cartográficas. na década de 70 era limitado pelos altos custos dos equipamentos. A Tabela 2. à falta de profissionais com conhecimento em cartografia e computação aos altos preços dos mapeamentos digitais devido ao custo do equipamento.

Esta transcrição era executada com auxílio de mesas digitalizadoras. Com o desenvolvimento da computação gráfica foi possível a adaptação dos restituidores analógicos para produção de cartas de forma on-line evitandose a passagem pela mesa digitalizadora. e a solução destes erros por 56 . visíveis e identificáveis nas fotografias e compatíveis com a escala da planta. Novamente esbarramos na qualidade das cartas existentes e seu estado de apresentação muitas vezes degenerado fazendo com que as imperfeições apresentadas atrapalhem a manipulação do produto. tornando-a uma imagem. As funções de entrada de dados continuam a demandar uma fração desproporcionada dos recursos para a implantação de um SIG. Processos manuais são bastante propensos a erros. A vetorização que não é uma operação simples e não totalmente automática veio permitir que esta imagem fosse transformada em um arquivo vetorial somente com as informações necessárias ao usuário. porém. demorado e o material obtido é freqüentemente desatualizado. porém apresenta todas as imperfeições da carta. Este processo ainda é muito utilizado quando se faz uso de mapas existentes. descontinuidade entre as cartas.Nos anos 80. grande número de informações que requerem uma análise maior nas interpretações dos elementos a serem transferidos. O que distingue os vários enfoques com relação à entrada de dados é o grau de automatização alcançado. um cursor e um computador com um software que interpreta o sinal emitido pelo cursor sobre a mesa. tornando assim um trabalho minucioso. em níveis de informações. O processo consiste em uma mesa que possui uma malha magnética. Hoje com o scanner de alta precisão já podemos trabalhar com sistemas computacionais que permitem o uso das imagens das aerofotos com maior eficácia e precisão dando assim uma melhor performance no desenvolvimento dos trabalhos cartográficos associando as ortofotos digitais e os arquivos vetores o que permite uma dinâmica maior na análise das informações de um mapa. a computação gráfica fez que surgissem softwares que permitiam a transcrição de mapas para o meio digital. O scanner consiste em um aparelho que copia a carta na íntegra. No final dos anos 80 surgiu o scanner e a vetorização. A restituição on line é realizada em estereorestituidores e devem ser representados todos os elementos naturais e artificiais. apesar da sofisticação dos dispositivos e software disponíveis. apresenta vários inconvenientes em geral como a má qualidade das cartas e mapas existentes. Seu custo é às vezes um impedimento para a adoção de SIG em organizações.

Com o desenvolvimento simultâneo. A digitalização por processos mais automatizados (digitalização semi-automática e automática) é economicamente interessante e vai se tornar cada vez mais viável. propriedades. na 57 . no entanto.1. telecomunicações Saneamento  Altimetria/hipsometria Toponímia Limites Informações auxiliares (legendas.1 O que é Geoprocessamento? A coleta de informações sobre a distribuição geográfica de recursos minerais.) Cadastro Apoio básico e suplementar – pontos de controle Referências cartográficas e gerais       2.procedimentos automáticos é lenta e custosa.2. à medida em que cresce o custo de mão-de-obra e decresce o custo de equipamentos e software. 2.6 Padrão Usual dos Mapeamentos Geralmente para uma boa organização do mapa são estabelecidos os níveis de informação (ou camadas) de acordo com as seguintes categorias usuais:      Sistema Viário – transportes Sistema hidrográfico Hipsografia Vegetação Detalhes planimétricos-antrópicos (surgiram pela mão do homem) o o o Urbanos ou rurais Energia. dados cartográficos. isto era feito apenas em documentos e mapas em papel. etc.2 Geoprocessamento 2. convenções. isto impedia uma análise que combinasse diversos mapas e dados. animais e plantas sempre foi uma parte importante das atividades das sociedades organizadas. Até recentemente.

ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados georeferenciados. Transportes. Nesse contexto. As ferramentas computacionais para Geoprocessamento. rurais e ambientais. cartografia. Análise de Recursos Naturais. da tecnologia de Informática. Pode-se dizer. Devido a sua ampla gama de aplicações. “Se onde é importante para seu negócio. chamadas de Sistemas de Informação Geográfica (SIG). o Geoprocessamento apresenta um 58 . Para esclarecer ainda mais o assunto. Como suporte para análise espacial de fenômenos . Comunicações. Tornam ainda possível automatizar a produção de documentos cartográficos. Num país de dimensão continental como o Brasil. energia e telefonia). permitem realizar análises complexas. apresentamos mais a frente algumas definições de SIG. floresta.Combinação de informações espaciais. que inclui temas como agricultura. de forma genérica. tornou-se possível armazenar e representar tais informações em ambiente computacional. com uma grande carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os problemas urbanos. Sempre que o onde aparece. Estas três visões do SIG são antes convergentes que conflitantes e refletem a importância relativa do tratamento da informação geográfica dentro de uma instituição. haverá uma oportunidade para considerar a adoção de um SIG. Energia e Planejamento Urbano e Regional. há pelo menos três grandes maneiras de utilizar um SIG:   Como ferramenta para produção de mapas .  Como um banco de dados geográficos - com funções de armazenamento e recuperação de informação espacial. cadastro urbano e redes de concessionárias (água. então Geoprocessamento é sua ferramenta de trabalho”. o termo Geoprocessamento denota a disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira crescente as áreas de Cartografia.geração e visualização de dados espaciais. dentre as questões e problemas que precisam ser resolvidos por um sistema informatizado.segunda metade deste século. abrindo espaço para o aparecimento do Geoprocessamento.

“acima de”). 2. os conceitos de espaço geográfico (um locus absoluto. 1991). A informação geográfica apresenta uma natureza dual: um dado geográfico possui uma localização geográfica (expressa como coordenadas em um espaço geográfico) e atributos descritivos (que podem ser representados num banco de dados convencional). sobre a qual ocorrem os fenômenos geográficos. Deste modo. Tabela 2. O espaço geográfico define-se. em função de suas coordenadas. 59 . principalmente se baseado em tecnologias de custo relativamente baixo. Alguns exemplos dos processos de análise espacial.2. Sendo um espaço localizável.2 (adaptada de Maguire et al. Dados espaciais. De forma intuitiva.2 O que são dados espaciais? Sem dúvida a utilização de dados espaciais em um SIG está na capacidade destes sistemas em realizar análises. A noção de informação espacial está relacionada à existência de objetos com propriedades. pertinência). Estas relações incluem conceitos topológicos (vizinhança.. estão apresentados na Tabela 2. portanto. típicos de um SIG. dependente das relações entre objetos) são duas formas complementares de conceituar o objeto de estudo do Geoprocessamento. existente em si mesmo) e informação espacial (um locus relativo.enorme potencial.2. o espaço geográfico é possível de ser cartografado. que incluem sua localização no espaço e sua relação com outros objetos. em que o conhecimento seja adquirido localmente. sua altitude e sua posição relativa. pode-se definir o termo “espaço geográfico” como uma coleção de localizações na superfície da Terra. métricos (distância) e direcionais (“ao norte de”.

planejador. mas também através de sua localização espacial. interrelacionadas com base no que lhes é fundamentalmente comum – a localização geográfica. Entrada e integração de dados. em que todas as informações disponíveis sobre um determinado assunto estão ao seu alcance. especificamente. Funções de consulta e análise espacial. pode-se indicar que um SIG tem os seguintes componentes (Figura 2.  Armazenamento e recuperação de dados (organizados sob a forma de um banco de dados geográficos). Percebe-se freqüentemente dificuldades de 60 . engenheiro) uma visão inédita de seu ambiente de trabalho. Estrutura geral de Sistemas de Informação Geográfica Muitas pessoas quando falam em SIG referem-se.8. oferecem ao administrador (urbanista. localizados na superfície terrestre e representados numa projeção cartográfica. Visualização e plotagem. Numa visão abrangente. ao software e não à tecnologia. Para que isto seja possível.2. Figura 2.3 Estrutura de um SIG O termo Sistemas de Informação Geográfica é aplicado para sistemas que realizam o tratamento computacional de dados geográficos e recuperam informações não apenas com base em suas características alfanuméricas. a geometria e os atributos dos dados num SIG devem estar georreferenciados.8):     Interface com usuário. isto é.

dados. Assim. usuários e as metodologias de análise. conhecer o mundo real no ambiente de sua atuação.9. dentre outros. criar protótipos de projetos. gerar informações.comunicação entre profissionais que se utilizam da mesma nomenclatura para se referir a conceitos diferentes. Software: Os Softwares de SIG são softwares específicos para o tratamento e manipulação dos dados espaciais. O técnico/usuário deverá usar as informações. A Figura 2. restituidores aerofotogramétricos. instrumentos topográficos eletrônicos e GPS. constituído de módulos e executa as mais diversas funções.9 ilustra estes componentes. É constituído de técnicos que usam a tecnologia do Geoprocessamento para dar suporte à tomada de decisão nas atividades do dia-a-dia e nos projetos de desenvolvimento.10 ilustra alguns desses equipamentos/instrumentos. é necessário explicar os principais componentes de um SIG. Figura 2. Hardware: São os equipamentos que constituem a plataforma computacional (computadores e periféricos de entrada e de saída) definida para o projeto. para um entendimento mais completo. buscar soluções. no qual o software é apenas um desses componentes. A Figura 2. Os outros elementos a serem definidos são: hardware. Componentes do SIG Recursos Humanos: Ë o componente mais importante de um SIG. além de câmeras digitais. É desenvolvido em níveis sofisticados. São exemplos deste 61 . Metodologias: Consistem do conjunto de procedimentos que devem ser estabelecidos e executados durante o desenvolvimento do projeto. simular problemas.

11 ilustra o principal conceito do software de SIG. representando constelações de dados brutos ou de informações temáticas que compartilham atributos geográficos comuns. Figura 2. A Figura 2. o SPRING e o MGE. o ArcGIS. Exemplos do hardware de SIG • Softwares que permitem a integração entre bancos de dados alfanuméricos (tabelas) e gráficos (mapas) para o processamento. Tomemos as principais como exemplo: • Softwares destinados ao processamento de dados referenciados espacialmente e empregados na manipulação de dados de diversas fontes. os Softwares de SIG possuem várias definições. análise e saída de dados georreferenciados. • Conjunto de overlays de uma determinada região geográfica. a sobreposição de camadas ou cruzamento de informações. 62 . dentre outros. Assim como os SIG.10. possibilitando a recuperação e o cruzamento de informações bem como a realização dos mais diversos tipos de análise espacial.tipo de software o Mapinfo Professional. o IDRISI.

por inexperiência. Na grande maioria dos casos. 63 . Assim consideramos relevante estabelecer a diferença entre as duas tecnologias. num sistema de Geoprocessamento.Figura 2. os dados têm poucas simetrias e regularidades que possam ser reproduzidas. Diferente dos sistemas CAD. uma das características básicas e gerais de um SIG é a sua capacidade de tratar as relações espaciais entre objetos geográficos (topologia). que podem se modeladas. Em contraste. os dados estão sempre georreferenciados. Os modelos CAD tratam os dados como desenhos eletrônicos em coordenadas do papel. espaciais ou georreferenciados se diferenciam dos demais tipos de dados por possuírem além do tributo alfanumérico (descrição do fenômeno) a sua localização sobre a superfície terrestre. isto é. localizados na superfície terrestre. Os dados geográficos. existem muitas vezes regularidades nos objetos (como sólidos de revolução). Dados: São elementos fundamentais para o SIG. pertinência) de um mapa é uma das características básicas que fazem distinguir um SIG de um CAD. Um sistema CAD é uma ferramenta para capturar desenhos em algum formato legível por uma máquina. muitos técnicos utilizam sistemas CAD (Compute Aided Design) como SIG. proximidade. o que impõe uma distorção relativa às coordenadas geográficas. Nas aplicações CAD. Mais ainda. Representação esquemática de um software de SIG Muitos problemas no uso de ferramentas de geoprocessamento decorrem do fato de que. os dados estão numa projeção cartográfica. com o uso de técnicas como a da geometria construtiva dos sólidos. Armazenara a topologia (vizinhança.11.

são inseridos no sistema por digitalização ou. Estes dados. como por exemplo. a maior parte dos sistemas armazenam estes tipos de mapas na forma vetorial (pontos. de forma mais automatizada. valores nominais e ordinais. expressa de forma qualitativa. linhas ou polígonos). como por exemplo.12. no espaço de atributos. Para permitir uma representação e análise mais acurada do espaço geográfico.5 a 10%.1. como os mapas de pedologia e a aptidão agrícola de uma região.4. as classes de um mapa de declividade (0 a 5% .12 (mapa de vegetação e mapa de declividade) são exemplos de dados temáticos. Neste caso. Mapas em SIG 2. Mapas Temáticos Dados temáticos descrevem a distribuição espacial de uma grandeza geográfica.4. a partir de classificação de imagens. No caso de valores ordinais. Mapas temáticos medem. etc). Exemplos de medida nominal (mapa de vegetação) e medida ordinal (mapa de classes de declividade). as classes do mapa representam intervalos (escala) de valores. Um mapa temático pode também ser armazenado no formato matricial ("raster"). um mapa de vegetação (ver Figura). Os valores nominais (lista de valores) representam classes de um mapa temático. obtidos a partir de levantamento de campo. Os dados apresentados na Figura 2. a área correspondente ao mapa é dividida em células de 64 . A topologia construída é do tipo arco-nó-região: arcos se conectam entre si através de nós (pontos inicial e final) e arcos que circundam uma área definem um polígono (região).2. Figura 2.

para um mesmo grau de exatidão.) e que podem ter representações gráficas diferentes em mapas de escalas distintas (Figura 2.3.2. população etc. A parte gráfica dos mapas cadastrais é armazenada em forma de coordenadas vetoriais.tamanho fixo. Não é usual representar estes dados na forma matricial.4. As operações de álgebra de mapas são mais facilmente realizadas no formato matricial. o espaço de armazenamento requerido por uma representação matricial é substancialmente maior. 2. Figura 2. valor do PIB. linhas ou polígonos.4. 2. Mapas Cadastrais (mapas de objetos) Um mapa cadastral permite a representação de elementos gráficos (objetos geográficos) por pontos. No entanto. o conceito de "rede" denota as informações associadas aos seguintes tipos de dados: 65 . Já os atributos estão armazenados normalmente num sistema gerenciador de banco de dados.13). com a topologia associada. Exemplo de mapa cadastral (países da América do Sul).13. A escolha entre a representação matricial e a vetorial para um mapa temático depende do objetivo em vista. Para a produção de cartas e em operações onde se requer maior exatidão. Cada célula terá um valor qualitativo correspondente ao tema naquela localização espacial. a representação vetorial é mais adequada. sendo que estes possuem atributos descritivos e podem estar associados a várias representações gráficas. Por exemplo. os países da América do Sul são elementos do espaço geográfico que possuem atributos (nome do país. Mapas de Redes Em Geoprocessamento.

usualmente denotada por segmentação 66 . Usualmente. dando origem a particionamentos que não refletem a realidade e que dificultam a realização de análises e simulações. merecem destaques. redes de drenagem (bacias hidrográficas) e rodovias.14. A topologia de redes constitui um grafo. segmentação dinâmica. luz e telefone.Rodovias. será preciso atualizar esta informação. como água.14. Este tipo de dado é muito utilizado em serviços de utilidade pública. sem ter que redigitalizar todas as coordenadas de localização da estrada. Esta capacidade. com topologia arco-nó: os atributos de arcos incluem o sentido de fluxo e os atributos dos nós sua impedância (custo de percorrimento). Além disso. Por exemplo. onde se deseja gerar uma base cartográfica contínua a partir de informações dispersas em vários mapas. ao se asfaltar parte de uma estrada de terra. porém as informações gráficas são armazenadas em coordenadas vetoriais. como ilustra a Figura 2. Figura 2.Serviços de utilidade pública. as redes (elétrica.Redes de drenagem (bacias hidrográficas). outros fatores como integração de dados. que possuem uma localização geográfica bem definida e atributos descritivos. Elementos de uma Rede. como água. A integração de dados é necessária para aplicações como redes. linguagem de visualização e capacidade de adaptação. de telefonia e de água e esgoto) estão interligadas em toda a malha urbana. telefone. . luz. presentes no banco de dados. .. que armazena informações sobre recursos que fluem entre localizações geográficas distintas. Mapas de redes também tratam de objetos. Outro aspecto necessário para aplicações de redes é a capacidade de definir diferentes cortes lógicos de uma rede sem ter de duplicar (ou repetir) a estrutura topológica da rede. Poucos sistemas conseguem armazená-las de forma contínua.

por exemplo. pode-se perguntar: "Se injetarmos uma dada percentagem de cloro na caixa d'água de um bairro.4. Mapas numéricos O termo modelo numérico de terreno (ou MNT) é utilizado para denotar a representação quantitativa de uma grandeza que varia continuamente no espaço. de variáveis geofísicas e  Apresentação tridimensional (em combinação com outras variáveis).  Análise geoquímicas. pois cada usuário tem necessidades distintas. também podem ser utilizados para modelar unidades geológicas.15. Comumente associados à altimetria. Análises de corte-aterro para projeto de estradas e barragens.  Cômputo de mapas de declividade e exposição para apoio a análises de geomorfologia e erodibilidade.dinâmica. qual a concentração final nas casas?" Deste modo. No caso de um sistema telefônico. como teor de minerais. permite separar os diferentes níveis de informação relativos a uma mesma rede. Entre os usos de modelos numéricos de terreno. o que pode levar vários anos.4. que descrevem a variação contínua da superfície. como aeromagnetismo. Isto impõe uma característica básica para esta aplicação: os sistemas devem ser versáteis e maleáveis. Já para uma rede de água. em um referencial qualquer. uma questão pode ser: "quais são todos os telefones servidos por uma dada caixa terminal?". um sistema de modelagem de redes só terá utilidade para o cliente depois de devidamente adaptado para as suas necessidades.1986):   Armazenamento de dados de altimetria para gerar mapas topográficos. Um exemplo de MNT é apresentado na Figura 2. O 67 . ou propriedades do solo ou subsolo. O pacote mínimo disponível nos sistemas comerciais consiste tipicamente de cálculo de caminho ótimo e alocação de recursos. com atributos denotados por z. Este pacote básico é insuficiente para a realização da maioria das aplicações. Um MNT pode ser definido como um modelo matemático que reproduz uma superfície real a partir de algoritmos e de um conjunto de pontos (x. y). 2. podem-se citar (Burrough.

 grades regulares: matriz de elementos com espaçamento fixo. Isolinhas de um MNT Figura 2. A grade triangular é uma estrutura topológica vetorial do tipo arco-nó. sendo necessário recorrer a técnicas de realce. usualmente. fotografias aéreas ou "scanners" aerotransportados. Armazenadas como matrizes.processo de aquisição de uma grandeza com variação espacial produz.16): Figura 2. utilizando a triangulação de Delaunay (sujeita à restrições). para a região de Manaus (AM).4. os objetos geográficos estão representados em cada elemento da imagem. 4 (Verde) e 5 (Vermelha) do satélite TM-Landsat. As grades regulares são obtidas por interpolação das amostras ou. podese construir dois tipos de representação (veja a Figura 2.  grades triangulares: a grade é formada por conexão entre amostras. onde é associado o valor estimado da grandeza na posição geográfica de cada ponto da grade. 2. A partir destas amostras. Pela natureza do processo de aquisição de imagens. Imagens Obtidas por satélites.16. um conjunto de amostras pontuais. cada elemento de imagem (denominado "pixel") tem um valor proporcional à energia eletromagnética refletida ou emitida pela área da superfície terrestre correspondente. Grades regulares e triangulares.15. A Figura 2. alternativamente. as imagens representam formas de captura indireta de informação espacial. 68 . geradas por restituidores com saída digital. que forma um conjunto de recortes irregulares no espaço.17 mostra uma composição colorida falsa cor das bandas 3 (associada a cor Azul). fotointerpretação e de classificação para individualizá-los.5.

a área da superfície terrestre observada instantaneamente por cada sensor (resolução espacial) e o intervalo entre duas passagens do satélite pelo mesmo ponto (resolução temporal). com 5(foto aérea). 2. com resoluções diferentes.Características importantes de imagens de satélite são: o número de bandas imageadas no espectro eletromagnético (resolução espectral).17. A Figura 2. Imagens.5 Análise Espacial e Suas Aplicações 69 . 20 (Spot) e 30 (Landsat) metros de resolução.18.18 apresenta as imagens de três sensores diferentes. da esquerda p/ direita. Exemplo de Imagem(Composição colorida TM Figura 2. Figura Landsat) 2.

” (Burrough. além da implementação. que apenas o domínio da área de conhecimento da aplicação seja suficiente para a implementação. Quanto melhor se conhecer o problema. jogo.. Isso não significa. mais chance de sucesso na implementação do sistema.. Principles of Geographical Information System for Land Resources Assesment. 1986).O objetivo geral do Geoprocessamento é fornecer ferramentas para que os diferentes usuários determinem a evolução espacial e temporal de um fenômeno geográfico e as interrelações entre diferentes fenômenos. Claredon Press. o hospital.? o (objeto... ou seja a análise espacial. análise.. Alguns exemplos típicos de análise espacial de um SIG são:  Localização: Onde está.? para (a universidade.? em (estudo.o último evento) Estas terras eram produtivas há cinco anos?  Roteamento: Qual o melhor caminho. jogo.? desde (1990. o hotel. fenômeno. A aplicação é o componente mais importante dos SIGs.6 Referências Bibliográficas BURROUGH.evento. a manutenção do sistema..etc) Qual a população atingida pela enchente?  Tendência: O que mudou.etc) Qual a distribuição das zonas de baixa precipitação na Paraíba?  Modelos: O que acontece se. 2..etc) Em que área está acontecendo a queimada?  Condição: O que está. análise.? em (estudo.? O que acontecerá se não chover nos próximos dias? “A eficiência do sistema depende do conhecimento que o usuário tem do problema implementado. A. etc) Qual o melhor caminho para chegar até o local do acidente?  Padrões: Qual o padrão... É através do conhecimento do problema a ser resolvido que todo o sistema é desenvolvido. obviamente. 1986. P. É perigosa e enganosa a implementação de um sistema sem a explícita definição da aplicação. já que visões de disciplinas diferentes terão que se juntar na equipe técnica para garantir. 70 . dos dados e dos tipos de análise a serem desenvolvidos.... Oxford.

dpi..br (Junho.D. In: Maguire. Apostila de curso – GIS BRASIL 99 – V Congresso e Feira para Usuários de Geoprocessamento da América Latina. M. 71 . Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda. (eds) Geographical Information Systems: Principles and Applications. Rhind. Fundamentos de Geoprocessamento. 1999. F. – Instituto de Pesquisas Espaciais. Salvador. MAGUIRE. pp. GÓES.ESRI – Environmental Systems Research Institute. 9-20. INPE 2000). Apostila de Curso. Apostila de Curso.. TOSTES. New York: John Wiley and Sons. 1991. Cartografia Digital. Introdução ao ArcView GIS. 1996. K. IDOETA I. Disponível em: www. D.. Goodchild. Autocad Map – Explorando as ferramentas de mapeamento. 2000. São Paulo. An Overview and Definition of GIS.inpe. 2000. D.

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