Mulher e o Pagode da Bahia

Joiciane dos Santos Gomes¹ Tiago Santos Silva² Resumo A Bahia é berço de uma infinidade de arte, expressada das mais variadas formas, sendo o Pagode uma delas. Esse ritmo é uma expressão cultural que atrai pessoas de diversas classes sociais. É sabido que estar no mundo é produzir e vivenciar cultura. O pagode é um produto cultural legitimado que constrói identidades sociais, crenças e valores, criando uma demarcação cultural. Neste artigo buscou-se compreender no universo das letras de pagode, qual o discurso predominante, identificando como a “figura” feminina é descrita e traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento, compreendendo os estereótipos e sua influência no cotidiano das mesmas. Notou-se que o discurso produzido é genuinamente masculino e que as mulheres são a representação do desejado e símbolo do pecaminoso. Considerando que a sua sexualidade é objeto de apreciação das letras de pagode, o que pensam as mulheres inseridas neste movimento? Obter esta resposta foi uma das motivações desse estudo. Palavras-Chave: Bahia; Pagode; Mulher; Estereótipos. Abstract Bahia is home to a infinity of art, expressed in more different forms, and the “Pagode” of them. This rhythm is a cultural expression that attracts people from different social classes. It is known being in the world is produce and to live culture. “Pagode” is a legitimate cultural product that builds social identities, beliefs and values, creating a cultural demarcation. This article sought to understand the universe of “pagode” lyrics, which identifies the dominant speech as the "figure" of women is described, drawing a profile of women who are embedded in the movement, including stereotypes and their influence on the daily lives of these people. It was noted that the speech is genuinely produced by men and women are a representation of the desired, but also a symbol of sinful. Their sexuality is the object of appreciation on “pagode” lyrics, but what do women inserted in this movement think about? Get this answer was one of the motivations for this study. Keywords: Bahia; “Pagode”; Women; Stereotypes.

1. Introdução A música na Bahia sempre esteve presente no cotidiano da população como já dizia Nizan Guanães (2010) na sua música: We Are Carnaval “... o baiano é: um povo a mais de mil ele tem Deus no seu coração e o diabo no quadril”. Atualmente temos uma diversidade de ritmos descendentes principalmente da música negra, do samba, da chula, dos tambores africanos. A Bahia é sinônima de ritmos, cores, movimentos e através da música encontra¹ Graduada em Contabilidade pela UNEB, MBA em Planejamento Tributário pela UNIFACS, Auditora, e-mail: joicy_anne@yahoo.com.br ² Graduado em Administração pela FSLF, MBA em Recursos Humanos pela UNIFACS, Analista de Recursos Humanos, e-mail: tiago.adm.rh@gmail.com

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desejos. qual o discurso predominante identificando como a “figura” feminina é descrita. sons regionais. baixa estima e dominação do gênero masculino. dançar e se divertir com esse novo som. A forma de viver e se relacionar dizem muito sobre quem somos e no que acreditamos. pensamentos estão presentes também nas letras de pagode que é uma expressão do modo que vivemos refletindo sobre nossas crenças. Referencial Teórico A partir da década de 1980 surgiu uma nova “onda” que invadiu a periferia de Salvador. seja pelo Olodum. auto-afirmações. Nesse período a música oriunda da periferia começa a ocupar destaque na sociedade baiana. p. trazendo novos ritmos e sons. os novos baianos. além disso. Com o crescimento da representação baiana no espaço fonográfico as mais variadas classes brasileiras passaram a “curtir”. valores e ideais. tornando-se elemento marcante da cultura social. “o pagode baiano é um gênero híbrido oriundo do samba que mescla a tradição do Recôncavo baiano [. A percussão começa a ascender na música baiana. O pagode na Bahia. o universo chamado de axé music e recentemente a explosão do pagode baiano. 50). que com o carnaval transcende do Brasil para o mundo. foi assim com a tropicália. rap e hip hop. Esse contexto leva-nos a questionar: Como a “figura” feminina é descrita nas letras de música de pagode? O objetivo desse estudo é compreender o universo das letras de pagode.]”. Analisando as letras de música de pagode nota-se a presença constante da “figura” da mulher seja com palavras de duplo sentido e/ou afirmações que denigrem a sua imagem. expressão genuinamente popular.. Nesse sentido acredita-se que exista uma inversão de valores. bandas de axé music e bandas de pagodes. As músicas de origem baiana são denominadas axé music nos demais estados brasileiros contrariando a cultura local. Compreendemos o pagode como gênero musical oriundo do samba tradicional misturado a cantigas de rodas e cantos de terreiros de candomblé. funk. músicas eletrônicas. Sabe-se que o pagode como expressão de massa está presente na vida de boa parte da sociedade baiana. nasceu na periferia de Salvador e é instrumento de entretenimento e lazer da camada empobrecida além de representar para aqueles envolvidos no movimento uma forma de inserção na sociedade elitista. Sonhos. Para Clebemilton Nascimento (2009. O pagode foi criado nos bairros 2 . mescla inovação tecnológica.. 2.se a forma de estabelecer relação com outras culturas e de difundir pensamentos e ideologias. traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento popularmente conhecido como pagodão e compreender os estereótipos e sua influência no cotidiano dessas pessoas.

Guig Ghetto (2001). A música do “É o Tchan” não é apenas um produto de massa. 57). Nesse sentido: As letras do É o tchan chamavam a atenção pelo apelo explícito à sensualidade. a saber: Harmonia do Samba (1993). Pagodart (1998). Uma banda formada por dois vocalistas. Como estratégia investiu-se em grande produção de eventos buscando a máxima união do público e grupos diferentes abrindo espaço para outros artistas e bandas de expressões regionais (DIAS. A grande explosão do pagode baiano se deu com o sucesso do grupo É o tchan na década de 90. mas foi uma “explosão” que ultrapassou as fronteiras brasileiras invadindo o mercado internacional. duas dançarinas e um dançarino que transformaram o samba em um produto de grande repercussão pela mídia. Black Style (2006). p. Com a abertura mercadológica para esse gênero musical surgiram inúmeras bandas. suas performances envolviam música. Além disso. idealizada pelo ex-jogador de futebol Edilson Ferreira. Para Ari Lima (1999) o pagode é uma decorrência do samba que ganhou autonomia do estilo há pouco tempo. criadas nas ruas e festas populares. O grupo gerou uma série de polêmicas. Black Style e O Troco. no desfrute corporal das danças. a banda mantém a mesma linha sonora do Pagodart e Parangolé.periféricos de Salvador. dança e teatralidade e a intensa participação do público em apresentações e festas. programas de televisão e shows. (NASCIMENTO. mas sim o resultado de processos diálogos de negociação da cultura e da sociedade (BAKHTIN. 2009. nos tradicionais ensaios geralmente nos finais de semana e que com o crescimento do público foi aderido por outras classes. Parangolé (1998) Saiddy Bamba (1998). onde essa matriz africana é incorporada a esse som. loura e dançava como uma negra. 1988). Buscou-se as letras de música tendo como temática a mulher e por isso focou-se nas bandas: Oz Bambaz. 2000). O Troco (2008) e Caldeirão (2010). Psirico (2003). Podemos dizer também que o pagode é uma evolução das músicas dos terreiros de candomblé. Carla Perez foi uma das grandes revelações da banda em virtude de ter aparência branca.. 3 . Para Guerreiro (2000) o sucesso do “É o Tchan” está ligado ao jogo coreográfico. criando assim o que Jesús Martin-Barbero (2008) denominou demarcações culturais. 2010).. O grupo Oz Bambaz foi formado por parte da antiga banda Raça Pura e alguns músicos do bairro do Engenho Velho da Federação em Salvador. com base no próprio samba de roda do Recôncavo. Oz Bambaz (2001). Fantasmão (2007). com batuques e danças. o pagode encontrou espaço em emissoras rádios que em sua maioria aluga sua programação aos empresários de bandas e as produtoras (VELOSO. quebrando assim alguns paradigmas sociais.

por exemplo. associado ao masculino. como a ereção. constituindo e ajudando a construir as identidades sociais. 16). o macho é governante. os atuais compositores de pagode aproveitaram a brecha da sociedade e através das ondas do rádio nos reapresentaram evidentemente reformatadas. a do superior para o inferior. expressando movimentos eróticos que repercutiu principalmente na população baiana pelo papel social exercido de educadora. a fêmea. p. que se confirma na expressão “fique quieta”. 2010). 93) define que: “estar no mundo é estar produzindo cultura e estar sendo produzida por ela”. Em seguida fica evidente a posição que os personagens assumem. o súdito” (VIEZZER. não dá pra mim. a banda O Troco vem crescendo a cada dia. 1989. Nascida em setembro de 2008.” (OS HAWAIANOS. Percebe-se que “a relação do macho face à fêmea é naturalmente. ela não tá. O vídeo apresentava a mesma dançando ao lado da banda. É formada por Mário Brasil (ex-Swing do p) que vem como cantor e outros músicos de bandas conhecidas como: Thimbahia. as relações sociais e os sistemas de conhecimento e crenças” (MAGALHAES. etc. ou a posição superior no ato sexual” (BOURDIEU. Nesse contexto pode-se citar a mais recente música lançada pela banda Black Style que diz: “Eu tô afim. o Rodo. “é de cima pra baixo” é a materialização da submissão da mulher frente o poder de dominação masculina. Ruth Sabat (2005. 17). Para Moura (1996). tendo sua “explosão” com a famosa música: Todo Enfiado. calma/ Que eu encaixo. A música referida acima foi aquela divulgada através do youtube onde além de levar o nome da banda. Desse modo pode o movimento ser visto 4 . p. p. O discurso produzido da imagem da mulher na análise das letras das bandas acima citada é predominantemente expressada por um olhar masculino. neste ato sua necessidade fisiológica foi satisfeita. expôs a professora de ensino infantil. O refrão termina com a realização sexual do homem. estando o homem no comando. 1989. Nesse sentido pode-se dizer que as letras das músicas de pagode retratam a cultura da qual fazem parte seus compositores como autores ou participantes. que como conseqüência foi demitida. 2001. é de cima pra baixo/ Relaxa/ Fique quieta/ Calma.97). fonte de satisfação sexual. moradores da Fazenda Grande (subúrbio de Salvador) começou a ganhar popularidade em 2006. as vilas do Recôncavo e os quintais de Salvador. Formada por jovens negro-mestiços. O discurso é produção e reprodução da visão masculina e nota-se na primeira frase da música a mulher sendo descrita como objeto do desejo masculino. Existe: “uma prática tanto de representação quanto de significação do mundo. p. quer é pirraçar/ É de cima pra baixo.A banda Black Style foi influenciada pelo funk e hip hop carioca e mistura esses sons com o pagode baiano produzindo o denominado pagofunk. Observa-se um “movimento para o alto sendo.

Cultua-se a mulher gostosa e escarnece-se da mulher por demais oferecida”. pra ela não é problema/ no carro. Pode-se pensar que: Ao mesmo em que a "mulher fatal" é desejada e ostensivamente representada em diversos meios pelo homem. 2009. para sustentar uma masculinidade forjada (que ele sequer percebe). dog) / she is dog [. p. pois “a linguagem não apenas reflete o que existe. 7) “podem ser chamados de sociolingüistas todos aqueles que entendem por língua um veículo de comunicação..8). ganham salários inferiores aos dos homens e sua sexualidade ainda é questionada. envolvendo ideologias. onde as expressões tornam-se inseridas na cultura. significações que os sujeitos começam a comungar trazendo novas identidades coletivas. incita desejos e é pura sensualidade. Para Veloso (2010) a música baiana que está sendo produzida atualmente revela uma completa inversão de valores musicais e morais. Para Tarallo (1997. (LEIRO. 58). p. 2009 p. Se isso é bom? Sei lá. Existe uma função social nessas letras que dialoga com valores. Muitos admiradores do movimento dizem que a empolgação é com o ritmo (a batida) sendo o discurso insignificante. p. Nesse sentido pode-se dizer que há relação entre letra e sociedade. em pleno século XXI. mas ela própria cria o existente” (GOELLNER. 2007. Sou apaixonada pela batida forte que me leva e envolve. declara: “As letras trazem gozações [.. de informação e de expressão entre indivíduos da espécie humana”. 2010).1). pega geral. A mulher ainda ocupa poucos cargos de liderança nas organizações e muitas vezes para alcançar o topo incorporam um personagem masculinizado. O fato é que. Nessa canção percebe-se o que Moura (1996. Não que eu ache as letras super interessantes. ela é depreciada por também representar aquilo que não pode ser pertencido e que também expõe fragilidade e limitações humanas sexuais. no cinema. 5 .positivamente como instrumento de inserção da população empobrecida. Confesso que sou apaixonada por ela. pois torna nacionalmente conhecido o universo da periferia.]” (OZ BAMBAZ. há muito que se conquistar..]. é um som que mexe com a libido. MATOS. com ataques constantes à figura feminina... 2003 apud LOPES. A seguir traz-se o depoimento de uma jovem a respeito do pagode que neste ato ela define como swingueira: Swingueira.. Não há como ficar parado. ou no meio do mato/ estilo cachorra. “a vivência livre da sexualidade ainda não é vista”. p. Mas se deixar levar pela batida é gostoso demais! (SANTANA. Por isso essa mulher aparece desejada e desqualificada ao mesmo tempo. ela fica de quatro/ ela é dog (dog. os cantores super inteligentes e o som acalentador. A letra da música Ela é Dog cantada pelos Oz Bambaz diz: “toda noite ela quer fazer esquema/ pega um.. dog.2)..

e também ele comeu. “como um direito que a mulher conquistou a partir das lutas feministas” (MATSUNAGA. depois o deu também ao marido que estava com ela. Ele será grande. no dia em que vocês comerem o fruto. contraditórios encontram-se embasados também numa definição religiosa da imagem da mulher. é pensada. p. foram grandes vitórias desse movimento. Por outro lado o movimento feminista dito anarquista pretendia segundo Bárbara Heller apud Ramos (2002. ao homem. Foi a uma virgem. A conquista pelo direito do voto. “subverter o equilíbrio das nações e masculinizar a mulher”. As lutas traçadas pelo movimento feminista objetivavam a valorização da mulher como ser pensante. Eis que você vai ficar grávida. 2007. Rompendo com os pensamentos citados acima e com as grandes transformações sociais surgiram movimentos que buscaram “quebrar” o paradigma instituído.6). 1993). No sexto mês.pela sociedade brasileira. 2002. p. Lutando veementemente pelo direito do voto e pela educação. reafirmava a principal função da mulher como mantenedora do lar. que em determinado momento da história é aquela que descobriu e apresentou o pecado (o proibido). autônomo e capaz de produzir e participar da história da sociedade como agente ativo. (RAMOS. terá um filho. das décadas de 1920 e 1930. e dará a ele o nome de Jesus. em sua essência. conhecedores do bem e do mal. E em outro é apresentada como a virgem pura e iluminada. acreditava que a mulher deveria continuar sendo a dona efetiva do lar. a descoberta da pílula anticoncepcional entre outros. escrita e feita em virtude do mesmo. e vocês se tornarão como deuses. sendo assim. Conforme texto da Bíblia (1993) a serpente era mais sagaz que todos os animais que o Senhor Deus tinha feito. 15). o autor também diz que a moral é definida por homens. Pegou o fruto e comeu. Ela disse para a mulher: Deus sabe que. Uma das linhas do feminismo. os olhos de vocês vão se abrir. escolhida para gerar o Salvador do mundo (Jesus). 15). As 6 . prometida em casamento a um homem chamado José. e será chamado Filho do Altíssimo (BÍBLIA. era uma delícia aos olhos e desejável para adquirir discernimento. p. Maria porque você encontrou graça diante de Deus. o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. O anjo disse: Não tenha medo. Nesse sentido percebe-se que a mulher brasileira ainda é retratada como sensual por natureza e que convive com representações sociais de sua sexualidade incongruente. conclamando-a para que tivesse o direito de pensar e concorrer mais diretamente para o aperfeiçoamento moral da sociedade. Foucault (1998) discute que em toda reflexão moral sobre o comportamento sexual. Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite. Tais discursos. as mulheres são adstritas.

3. Através dessa abordagem busca-se compreender o discurso por traz do ritmo. Black Style. (MATSUNAGA. pela “religião”. 16). Buscamos através deste feito. p. seja o precursor da “imagem que se tornou pública de que o movimento feminista seria de uma minoria de mulheres masculinizadas e estéreis. 6). Como fonte de dados buscou-se 7 . Procedimentos Metodológicos Utilizou-se como estratégia metodológica a pesquisa de levantamento survey que tem como objetivo estabelecer a incidência de determinadas características e sua distribuição. captar a opinião desse público para identificar um possível perfil. Após décadas de luta do movimento feminista percebe-se ainda hoje uma visão tradicional e machista quando o assunto é liberdade sexual da mulher. Nesse sentido confrontamos os dados para obtenção da análise. talvez. seja de forma direta ou com palavras em duplo-sentido. A amostra foi composta por 150 questionários aplicados no mês de outubro de 2010 nos movimentos (ensaios e shows) das bandas de pagode: Oz Bambaz.divergências entre as diferentes linhas de pensamento do movimento. da batida e o que ele representa enquanto difusor da cultura baiana. 2007. e a vivência desta sexualidade sendo regida pelos valores tradicionais. Dentre as citadas constatou-se uma maior incidência de músicas fazendo referência depredatória a imagem da mulher na análise das letras das bandas OZ Bambaz. As letras de pagodes muitas vezes remontam uma imagem deturpada da mulher e criando assim uma nova forma de viver (cultura). conformando a construção da representação da mulher e sua identidade “sexual” em aspectos conservadores de uma ordem social estabelecida pelo: “patriarcalismo”. Desejou-se produzir uma idéia concreta dessa população tendo ênfase na análise da “figura” feminina no universo do pagode. Como dados primários utilizaram-se: questionários e observação direta. O survey foi supervisionado. que não sabiam direito o que queriam” (p. De acordo com Babbie (1999) o levantamento survey examina uma amostra de população. Já os dados secundários foram: vídeos e documentos sobre o assunto. Portanto observa-se que mesmo com toda luta a mulher ainda vive em um modelo social representado pela dominação do gênero masculino. Entendemos que a sexualidade ainda continua sendo um forte “tabu”. O Troco e Saiddy Bamba. Caldeirão. Black Style e o Troco. onde tivemos um mediador que fez as perguntas e obteve todas as respostas requeridas.

4. letras de músicas. 11% informalmente e 28% não trabalham (figura 6). Determinou-se (figura 07) que 6% ganhavam 8 . Apenas 21. Residentes de Brotas constatou-se 28. seguido da Federação com 16. Analisou-se também que em quatro e/ou cinco anos – se concluírem no tempo pré-determinado para o curso . visto que 21% das entrevistadas estão estudando algum curso superior. Figura 02.67%. conforme demonstrado na figura 01 acima. Para tratamento dos dados realizou-se análise de estatística. expressaram serem “livres para curtição”. Esses dois bairros foram as maiores representações na amostra. Figura 03. Identifica-se claramente conforme discutido no referencial teórico que o pagode conquista não apenas a periferia de Salvador. Os cursos citados com maior freqüência foram: administração. gerou-se os seguintes resultados: Figura 01. Resultados A aplicação do questionário a 150 mulheres em ensaios e shows das bandas descritas acima. enfermagem. 14 com 2 filhos e 8 com 3 filhos.além da revisão na literatura. Construída Pelos Autores. As solteiras por sua vez. mas pessoas dos mais variados bairros e classes sociais. Nesse universo 94% são solteiras e apenas 6% são casadas. e as próprias festas (ensaios e shows) de pagode e onde tivemos como foco mulheres entre 17 e 30 anos. Constata-se uma maior incidência da faixa etária de 20 até 29 anos. No quesito idade observou-se que as mulheres que freqüentam esses ambientes têm geralmente entre 17 e 39 anos. A figura 03 apresenta os bairros ou municípios onde residem as entrevistadas.67% das entrevistadas. nutrição e pedagogia. Construída Pelos Autores. Foi constatado também que 61% das entrevistadas trabalham com carteira assinada. sendo 8 com apenas 1 filho.34% possuem filhos.o nível de escolaridade mudará. A figura 02 comprova que o nível médio (antigo segundo grau) é o mais dominante com 58% de representação da amostra. O nível fundamental representou-se por 14% e o nível superior 7%. Construída Pelos Autores.

00 até R$ 700. Figura 07.00.00 e 5% acima de R$ 901. Construída Pelos Autores. Figura 06. 9 . Construída Pelos Autores.00.00. 6% entre R$ 701. 55% declararam ter renda entre R$ 510.até R$ 509.00 até 900.

nota-se que as respostas mais freqüentes em relação ao discurso presente nas músicas: não incomoda. Para as mulheres inseridas no movimento. não dando ênfase ao que se canta. ditando padrões de beleza. 31%. Comparando os gráficos acima sobre análise das letras. A baixa estima provocada pela letra das músicas está visivelmente retratada no resultado da pergunta representada pela figura 09. machismo e é instrumento para denegrir as mulheres. as letras em sua maioria não causam constrangimento ou qualquer tipo de desconforto.. que de uma maneira ou de outra relatam a mulher seja: definindo-a. Verificou-se que algumas letras descrevem uma relação de violência do homem para com a mulher. causa baixa estima. piriguetes” que na verdade “é apenas uma música”.” nesse sentido de 15 mulheres entrevistadas estabeleceu-se que: 40% acreditam que a música não tem poder de influenciar a violência contra a mulher. conforme afirma Leiro (2009) que a mulher aparece desejada (para satisfazer a sexualidade masculina) e desqualificada ao mesmo tempo e é esse aviltamento que causa baixa estima. Figura 10. porém com o consentimento da mesma. sintetizou-se o seguinte percentual: 36%. Construída Pelos Autores. pois elas não assumem incorporar o estereótipo da piriguete – presença constante nas letras de pagode – este fato confirma-se em pequenas amostras quando declarou-se que: “curtem e não sentem-se cachorras. Já 36% que declararam não se incomodar com as expressos relaciona-se com o discurso de Santana (2009) que diz que a batida que envolve e leva. Podemos dizer que 14% que declararam a existência do machismo concordam com o que Viezzer (1989) e Bourdieu (1989) expressaram como a idéia de macho governante (posição superior) e fêmea súdita. Porém. as palavras provocam o que elas descrevem como baixa estima. seus movimentos. 25% e 14% respectivamente: não incomoda. 09 e 10 apresentadas abaixo: Figura 08. neste momento. Verificou-se. essa posição se inverte quando elas escutam a letra dissociada do ritmo. Figura 09. por outro lado 33% das entrevistadas disseram que “a música diz tudo” e é sim apologia à violência e 27% relataram 10 . ver: “mas você só pede porradinha e dor.Aplicando questões relativas às letras de pagode. Construída Pelos Autores. conforme figuras 08. descrevendo suas ações. causa baixa estima. Construída Pelos Autores. denigre a imagem (mulher) e o machismo. onde a mulher é definida como cachorra.. denigre a imagem e o machismo.

traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento popularmente conhecido como pagodão e compreender os estereótipos e sua influência no cotidiano dessas pessoas. 5. Considerações Finais O presente estudo teve como objetivo de compreender o universo das letras de pagode. o ato estar relacionando principalmente a postura que a mulher assume. crença.que mesmo que a música incentive a violência. espaço da paquera e do encontro. ela (pagodeira) empresta seu corpo para reproduzir as ações ordenadas nas músicas. em sua maioria. piriguetes. A participação torna-se ativa apenas nas danças quando é explorado o sensualismo feminino. A letra das músicas é expressão do pensamento. Em relação as expressões utilizadas nas músicas para referir-se ás mulheres. bem como compositoras. Observa-se a inexistência de bandas formadas pelas mesmas. pois representa e demonstra o viver de um determinado grupo social. valor e ideais dos que comungam com movimento. de 10 entrevistadas constatou-se que: 40% disseram que as expressões cachorra. Através do resultado do questionário aplicado pode-se traçar um perfil das mulheres que curtem o pagodão. isso porque a mulher torna-se foco para muitas bandas. como elemento de curtição. Notou-se neste contexto o que Leiro (2009) defende ao citar que as músicas de pagode. tornando-as mais desejadas pelo homem e mais “poderosas”. são agentes passivos nessa cultura. a batida. 11 . apanhar ou não “depende da mulher” e/ou como uma entrevistada descreveu “se bater apanha”. isso é. depreciam a mulher para sustentar uma masculinidade forjada. outras 40% afirmaram que as mulheres não precisam dessas definições para obterem liberdade e 20% acreditam que com as músicas. ao ouvirem as letras em companhia do ritmo esquecem o que ele representa e assumem o swing. Notou-se que a mulher está presente no pagode. ou seja. O pagode hoje é um produto cultural legitimado. qual o discurso predominante identificando como a “figura” feminina é descrita. as mulheres sentem-se mais soltas. Constatou-se que a maioria das entrevistadas não se incomoda com o descrito nas músicas. Antagonicamente um percentual muito pequeno acredita que o pagode proporciona mais liberdade. canhão são palavras difamatórias que denigrem a imagem da mulher. seja por sua super valorização ou degradação. enfim. contudo as mesmas não o constroem. Percebe-se que as mesmas mulheres que afirmam sentirem-se execrada pelo discurso. ou seja. Em contra-ponto vê-se que sociedade cria estereótipos sobre esse público que é fruto do desconhecimento sobre essa cultura. de entretenimento. mais liberais.

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