Mulher e o Pagode da Bahia

Joiciane dos Santos Gomes¹ Tiago Santos Silva² Resumo A Bahia é berço de uma infinidade de arte, expressada das mais variadas formas, sendo o Pagode uma delas. Esse ritmo é uma expressão cultural que atrai pessoas de diversas classes sociais. É sabido que estar no mundo é produzir e vivenciar cultura. O pagode é um produto cultural legitimado que constrói identidades sociais, crenças e valores, criando uma demarcação cultural. Neste artigo buscou-se compreender no universo das letras de pagode, qual o discurso predominante, identificando como a “figura” feminina é descrita e traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento, compreendendo os estereótipos e sua influência no cotidiano das mesmas. Notou-se que o discurso produzido é genuinamente masculino e que as mulheres são a representação do desejado e símbolo do pecaminoso. Considerando que a sua sexualidade é objeto de apreciação das letras de pagode, o que pensam as mulheres inseridas neste movimento? Obter esta resposta foi uma das motivações desse estudo. Palavras-Chave: Bahia; Pagode; Mulher; Estereótipos. Abstract Bahia is home to a infinity of art, expressed in more different forms, and the “Pagode” of them. This rhythm is a cultural expression that attracts people from different social classes. It is known being in the world is produce and to live culture. “Pagode” is a legitimate cultural product that builds social identities, beliefs and values, creating a cultural demarcation. This article sought to understand the universe of “pagode” lyrics, which identifies the dominant speech as the "figure" of women is described, drawing a profile of women who are embedded in the movement, including stereotypes and their influence on the daily lives of these people. It was noted that the speech is genuinely produced by men and women are a representation of the desired, but also a symbol of sinful. Their sexuality is the object of appreciation on “pagode” lyrics, but what do women inserted in this movement think about? Get this answer was one of the motivations for this study. Keywords: Bahia; “Pagode”; Women; Stereotypes.

1. Introdução A música na Bahia sempre esteve presente no cotidiano da população como já dizia Nizan Guanães (2010) na sua música: We Are Carnaval “... o baiano é: um povo a mais de mil ele tem Deus no seu coração e o diabo no quadril”. Atualmente temos uma diversidade de ritmos descendentes principalmente da música negra, do samba, da chula, dos tambores africanos. A Bahia é sinônima de ritmos, cores, movimentos e através da música encontra¹ Graduada em Contabilidade pela UNEB, MBA em Planejamento Tributário pela UNIFACS, Auditora, e-mail: joicy_anne@yahoo.com.br ² Graduado em Administração pela FSLF, MBA em Recursos Humanos pela UNIFACS, Analista de Recursos Humanos, e-mail: tiago.adm.rh@gmail.com

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pensamentos estão presentes também nas letras de pagode que é uma expressão do modo que vivemos refletindo sobre nossas crenças. sons regionais. funk. Para Clebemilton Nascimento (2009. seja pelo Olodum. traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento popularmente conhecido como pagodão e compreender os estereótipos e sua influência no cotidiano dessas pessoas. auto-afirmações. além disso. valores e ideais. O pagode na Bahia. rap e hip hop. Referencial Teórico A partir da década de 1980 surgiu uma nova “onda” que invadiu a periferia de Salvador. 2. foi assim com a tropicália.]”. Sonhos. Esse contexto leva-nos a questionar: Como a “figura” feminina é descrita nas letras de música de pagode? O objetivo desse estudo é compreender o universo das letras de pagode. o universo chamado de axé music e recentemente a explosão do pagode baiano. 50). músicas eletrônicas.. dançar e se divertir com esse novo som. O pagode foi criado nos bairros 2 . A forma de viver e se relacionar dizem muito sobre quem somos e no que acreditamos.. Com o crescimento da representação baiana no espaço fonográfico as mais variadas classes brasileiras passaram a “curtir”. trazendo novos ritmos e sons. qual o discurso predominante identificando como a “figura” feminina é descrita.se a forma de estabelecer relação com outras culturas e de difundir pensamentos e ideologias. Nesse sentido acredita-se que exista uma inversão de valores. que com o carnaval transcende do Brasil para o mundo. Sabe-se que o pagode como expressão de massa está presente na vida de boa parte da sociedade baiana. nasceu na periferia de Salvador e é instrumento de entretenimento e lazer da camada empobrecida além de representar para aqueles envolvidos no movimento uma forma de inserção na sociedade elitista. os novos baianos. p. mescla inovação tecnológica. Nesse período a música oriunda da periferia começa a ocupar destaque na sociedade baiana. tornando-se elemento marcante da cultura social. Compreendemos o pagode como gênero musical oriundo do samba tradicional misturado a cantigas de rodas e cantos de terreiros de candomblé. baixa estima e dominação do gênero masculino. Analisando as letras de música de pagode nota-se a presença constante da “figura” da mulher seja com palavras de duplo sentido e/ou afirmações que denigrem a sua imagem. desejos. As músicas de origem baiana são denominadas axé music nos demais estados brasileiros contrariando a cultura local. A percussão começa a ascender na música baiana. bandas de axé music e bandas de pagodes. “o pagode baiano é um gênero híbrido oriundo do samba que mescla a tradição do Recôncavo baiano [. expressão genuinamente popular.

Pagodart (1998). A grande explosão do pagode baiano se deu com o sucesso do grupo É o tchan na década de 90. 2000).. criadas nas ruas e festas populares. nos tradicionais ensaios geralmente nos finais de semana e que com o crescimento do público foi aderido por outras classes. Fantasmão (2007). O grupo gerou uma série de polêmicas. O Troco (2008) e Caldeirão (2010). Buscou-se as letras de música tendo como temática a mulher e por isso focou-se nas bandas: Oz Bambaz. com batuques e danças. p. suas performances envolviam música. 2009. programas de televisão e shows. Para Guerreiro (2000) o sucesso do “É o Tchan” está ligado ao jogo coreográfico. A música do “É o Tchan” não é apenas um produto de massa. Carla Perez foi uma das grandes revelações da banda em virtude de ter aparência branca.. Parangolé (1998) Saiddy Bamba (1998). quebrando assim alguns paradigmas sociais. Podemos dizer também que o pagode é uma evolução das músicas dos terreiros de candomblé. loura e dançava como uma negra. com base no próprio samba de roda do Recôncavo. no desfrute corporal das danças. mas sim o resultado de processos diálogos de negociação da cultura e da sociedade (BAKHTIN. Guig Ghetto (2001). a saber: Harmonia do Samba (1993).periféricos de Salvador. Oz Bambaz (2001). idealizada pelo ex-jogador de futebol Edilson Ferreira. duas dançarinas e um dançarino que transformaram o samba em um produto de grande repercussão pela mídia. 3 . Como estratégia investiu-se em grande produção de eventos buscando a máxima união do público e grupos diferentes abrindo espaço para outros artistas e bandas de expressões regionais (DIAS. 1988). criando assim o que Jesús Martin-Barbero (2008) denominou demarcações culturais. o pagode encontrou espaço em emissoras rádios que em sua maioria aluga sua programação aos empresários de bandas e as produtoras (VELOSO. Com a abertura mercadológica para esse gênero musical surgiram inúmeras bandas. Black Style e O Troco. 57). Além disso. mas foi uma “explosão” que ultrapassou as fronteiras brasileiras invadindo o mercado internacional. a banda mantém a mesma linha sonora do Pagodart e Parangolé. Psirico (2003). Nesse sentido: As letras do É o tchan chamavam a atenção pelo apelo explícito à sensualidade. 2010). Para Ari Lima (1999) o pagode é uma decorrência do samba que ganhou autonomia do estilo há pouco tempo. Black Style (2006). dança e teatralidade e a intensa participação do público em apresentações e festas. Uma banda formada por dois vocalistas. onde essa matriz africana é incorporada a esse som. O grupo Oz Bambaz foi formado por parte da antiga banda Raça Pura e alguns músicos do bairro do Engenho Velho da Federação em Salvador. (NASCIMENTO.

quer é pirraçar/ É de cima pra baixo. o macho é governante.A banda Black Style foi influenciada pelo funk e hip hop carioca e mistura esses sons com o pagode baiano produzindo o denominado pagofunk. constituindo e ajudando a construir as identidades sociais. ou a posição superior no ato sexual” (BOURDIEU. Desse modo pode o movimento ser visto 4 . fonte de satisfação sexual. neste ato sua necessidade fisiológica foi satisfeita. as vilas do Recôncavo e os quintais de Salvador. etc. estando o homem no comando. Ruth Sabat (2005.97). É formada por Mário Brasil (ex-Swing do p) que vem como cantor e outros músicos de bandas conhecidas como: Thimbahia. que se confirma na expressão “fique quieta”. é de cima pra baixo/ Relaxa/ Fique quieta/ Calma. Formada por jovens negro-mestiços. associado ao masculino. p. 17). a banda O Troco vem crescendo a cada dia. A música referida acima foi aquela divulgada através do youtube onde além de levar o nome da banda. 93) define que: “estar no mundo é estar produzindo cultura e estar sendo produzida por ela”. por exemplo. p. p. Nesse contexto pode-se citar a mais recente música lançada pela banda Black Style que diz: “Eu tô afim. 1989. Em seguida fica evidente a posição que os personagens assumem. não dá pra mim. Observa-se um “movimento para o alto sendo. a do superior para o inferior. Nesse sentido pode-se dizer que as letras das músicas de pagode retratam a cultura da qual fazem parte seus compositores como autores ou participantes. Percebe-se que “a relação do macho face à fêmea é naturalmente. “é de cima pra baixo” é a materialização da submissão da mulher frente o poder de dominação masculina. 16). as relações sociais e os sistemas de conhecimento e crenças” (MAGALHAES. p. expressando movimentos eróticos que repercutiu principalmente na população baiana pelo papel social exercido de educadora. Existe: “uma prática tanto de representação quanto de significação do mundo. tendo sua “explosão” com a famosa música: Todo Enfiado. os atuais compositores de pagode aproveitaram a brecha da sociedade e através das ondas do rádio nos reapresentaram evidentemente reformatadas. que como conseqüência foi demitida. calma/ Que eu encaixo. 2010). O refrão termina com a realização sexual do homem. 2001.” (OS HAWAIANOS. ela não tá. O vídeo apresentava a mesma dançando ao lado da banda. a fêmea. O discurso produzido da imagem da mulher na análise das letras das bandas acima citada é predominantemente expressada por um olhar masculino. 1989. Para Moura (1996). expôs a professora de ensino infantil. como a ereção. Nascida em setembro de 2008. O discurso é produção e reprodução da visão masculina e nota-se na primeira frase da música a mulher sendo descrita como objeto do desejo masculino. o Rodo. moradores da Fazenda Grande (subúrbio de Salvador) começou a ganhar popularidade em 2006. o súdito” (VIEZZER.

ou no meio do mato/ estilo cachorra. Nessa canção percebe-se o que Moura (1996. A seguir traz-se o depoimento de uma jovem a respeito do pagode que neste ato ela define como swingueira: Swingueira. p.2). no cinema.]” (OZ BAMBAZ.. 2010). incita desejos e é pura sensualidade.1). pois torna nacionalmente conhecido o universo da periferia. “a vivência livre da sexualidade ainda não é vista”. Nesse sentido pode-se dizer que há relação entre letra e sociedade. onde as expressões tornam-se inseridas na cultura. 2007. com ataques constantes à figura feminina. Pode-se pensar que: Ao mesmo em que a "mulher fatal" é desejada e ostensivamente representada em diversos meios pelo homem.]. de informação e de expressão entre indivíduos da espécie humana”. Muitos admiradores do movimento dizem que a empolgação é com o ritmo (a batida) sendo o discurso insignificante. ganham salários inferiores aos dos homens e sua sexualidade ainda é questionada.positivamente como instrumento de inserção da população empobrecida. pois “a linguagem não apenas reflete o que existe. ela fica de quatro/ ela é dog (dog. significações que os sujeitos começam a comungar trazendo novas identidades coletivas. Sou apaixonada pela batida forte que me leva e envolve. para sustentar uma masculinidade forjada (que ele sequer percebe). 2009.8). Por isso essa mulher aparece desejada e desqualificada ao mesmo tempo.. dog.. 2003 apud LOPES. p. Se isso é bom? Sei lá. é um som que mexe com a libido. Mas se deixar levar pela batida é gostoso demais! (SANTANA. Existe uma função social nessas letras que dialoga com valores. 2009 p. em pleno século XXI. Confesso que sou apaixonada por ela. Para Tarallo (1997. O fato é que. 7) “podem ser chamados de sociolingüistas todos aqueles que entendem por língua um veículo de comunicação. envolvendo ideologias. p. MATOS... (LEIRO.. ela é depreciada por também representar aquilo que não pode ser pertencido e que também expõe fragilidade e limitações humanas sexuais. p.. pra ela não é problema/ no carro. há muito que se conquistar. Não há como ficar parado. mas ela própria cria o existente” (GOELLNER. A letra da música Ela é Dog cantada pelos Oz Bambaz diz: “toda noite ela quer fazer esquema/ pega um. 5 . dog) / she is dog [.. A mulher ainda ocupa poucos cargos de liderança nas organizações e muitas vezes para alcançar o topo incorporam um personagem masculinizado. Para Veloso (2010) a música baiana que está sendo produzida atualmente revela uma completa inversão de valores musicais e morais. Não que eu ache as letras super interessantes. declara: “As letras trazem gozações [. Cultua-se a mulher gostosa e escarnece-se da mulher por demais oferecida”. os cantores super inteligentes e o som acalentador. pega geral. 58).

6). Foucault (1998) discute que em toda reflexão moral sobre o comportamento sexual. das décadas de 1920 e 1930. 2002. “como um direito que a mulher conquistou a partir das lutas feministas” (MATSUNAGA. e vocês se tornarão como deuses. escrita e feita em virtude do mesmo. Maria porque você encontrou graça diante de Deus. acreditava que a mulher deveria continuar sendo a dona efetiva do lar. sendo assim. Conforme texto da Bíblia (1993) a serpente era mais sagaz que todos os animais que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse para a mulher: Deus sabe que. no dia em que vocês comerem o fruto. é pensada. 15). e dará a ele o nome de Jesus. (RAMOS. As lutas traçadas pelo movimento feminista objetivavam a valorização da mulher como ser pensante. a descoberta da pílula anticoncepcional entre outros. em sua essência. depois o deu também ao marido que estava com ela. o autor também diz que a moral é definida por homens. Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite. Ele será grande. “subverter o equilíbrio das nações e masculinizar a mulher”. que em determinado momento da história é aquela que descobriu e apresentou o pecado (o proibido). o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. No sexto mês. Tais discursos. As 6 . Eis que você vai ficar grávida. p. contraditórios encontram-se embasados também numa definição religiosa da imagem da mulher. O anjo disse: Não tenha medo. conclamando-a para que tivesse o direito de pensar e concorrer mais diretamente para o aperfeiçoamento moral da sociedade. reafirmava a principal função da mulher como mantenedora do lar. Pegou o fruto e comeu. as mulheres são adstritas. Por outro lado o movimento feminista dito anarquista pretendia segundo Bárbara Heller apud Ramos (2002. 1993). 2007. 15). prometida em casamento a um homem chamado José. p. E em outro é apresentada como a virgem pura e iluminada. ao homem. Uma das linhas do feminismo. foram grandes vitórias desse movimento. os olhos de vocês vão se abrir.pela sociedade brasileira. e também ele comeu. autônomo e capaz de produzir e participar da história da sociedade como agente ativo. Rompendo com os pensamentos citados acima e com as grandes transformações sociais surgiram movimentos que buscaram “quebrar” o paradigma instituído. p. era uma delícia aos olhos e desejável para adquirir discernimento. terá um filho. conhecedores do bem e do mal. Lutando veementemente pelo direito do voto e pela educação. e será chamado Filho do Altíssimo (BÍBLIA. Foi a uma virgem. A conquista pelo direito do voto. escolhida para gerar o Salvador do mundo (Jesus). Nesse sentido percebe-se que a mulher brasileira ainda é retratada como sensual por natureza e que convive com representações sociais de sua sexualidade incongruente.

A amostra foi composta por 150 questionários aplicados no mês de outubro de 2010 nos movimentos (ensaios e shows) das bandas de pagode: Oz Bambaz. p. Como fonte de dados buscou-se 7 . conformando a construção da representação da mulher e sua identidade “sexual” em aspectos conservadores de uma ordem social estabelecida pelo: “patriarcalismo”. O Troco e Saiddy Bamba. pela “religião”. Caldeirão.divergências entre as diferentes linhas de pensamento do movimento. Black Style e o Troco. Buscamos através deste feito. e a vivência desta sexualidade sendo regida pelos valores tradicionais. Após décadas de luta do movimento feminista percebe-se ainda hoje uma visão tradicional e machista quando o assunto é liberdade sexual da mulher. onde tivemos um mediador que fez as perguntas e obteve todas as respostas requeridas. Desejou-se produzir uma idéia concreta dessa população tendo ênfase na análise da “figura” feminina no universo do pagode. De acordo com Babbie (1999) o levantamento survey examina uma amostra de população. O survey foi supervisionado. As letras de pagodes muitas vezes remontam uma imagem deturpada da mulher e criando assim uma nova forma de viver (cultura). Nesse sentido confrontamos os dados para obtenção da análise. Portanto observa-se que mesmo com toda luta a mulher ainda vive em um modelo social representado pela dominação do gênero masculino. Através dessa abordagem busca-se compreender o discurso por traz do ritmo. Já os dados secundários foram: vídeos e documentos sobre o assunto. 6). da batida e o que ele representa enquanto difusor da cultura baiana. que não sabiam direito o que queriam” (p. (MATSUNAGA. 2007. seja o precursor da “imagem que se tornou pública de que o movimento feminista seria de uma minoria de mulheres masculinizadas e estéreis. Como dados primários utilizaram-se: questionários e observação direta. 16). seja de forma direta ou com palavras em duplo-sentido. captar a opinião desse público para identificar um possível perfil. Procedimentos Metodológicos Utilizou-se como estratégia metodológica a pesquisa de levantamento survey que tem como objetivo estabelecer a incidência de determinadas características e sua distribuição. talvez. Black Style. 3. Entendemos que a sexualidade ainda continua sendo um forte “tabu”. Dentre as citadas constatou-se uma maior incidência de músicas fazendo referência depredatória a imagem da mulher na análise das letras das bandas OZ Bambaz.

e as próprias festas (ensaios e shows) de pagode e onde tivemos como foco mulheres entre 17 e 30 anos. O nível fundamental representou-se por 14% e o nível superior 7%. As solteiras por sua vez. Nesse universo 94% são solteiras e apenas 6% são casadas. Figura 02. Constata-se uma maior incidência da faixa etária de 20 até 29 anos. letras de músicas. A figura 03 apresenta os bairros ou municípios onde residem as entrevistadas.o nível de escolaridade mudará. nutrição e pedagogia. expressaram serem “livres para curtição”. Foi constatado também que 61% das entrevistadas trabalham com carteira assinada. Os cursos citados com maior freqüência foram: administração. 11% informalmente e 28% não trabalham (figura 6). enfermagem.67% das entrevistadas. Determinou-se (figura 07) que 6% ganhavam 8 . Construída Pelos Autores.além da revisão na literatura. visto que 21% das entrevistadas estão estudando algum curso superior. No quesito idade observou-se que as mulheres que freqüentam esses ambientes têm geralmente entre 17 e 39 anos. Construída Pelos Autores. sendo 8 com apenas 1 filho. 4.67%. Esses dois bairros foram as maiores representações na amostra. seguido da Federação com 16. Figura 03. mas pessoas dos mais variados bairros e classes sociais. Para tratamento dos dados realizou-se análise de estatística. conforme demonstrado na figura 01 acima. Construída Pelos Autores. Analisou-se também que em quatro e/ou cinco anos – se concluírem no tempo pré-determinado para o curso . Resultados A aplicação do questionário a 150 mulheres em ensaios e shows das bandas descritas acima. Apenas 21. Residentes de Brotas constatou-se 28. 14 com 2 filhos e 8 com 3 filhos.34% possuem filhos. gerou-se os seguintes resultados: Figura 01. Identifica-se claramente conforme discutido no referencial teórico que o pagode conquista não apenas a periferia de Salvador. A figura 02 comprova que o nível médio (antigo segundo grau) é o mais dominante com 58% de representação da amostra.

até R$ 509. Figura 06.00 até R$ 700. Construída Pelos Autores. Construída Pelos Autores. 9 .00.00 e 5% acima de R$ 901. Figura 07. 55% declararam ter renda entre R$ 510.00.00 até 900.00. 6% entre R$ 701.

Figura 10. pois elas não assumem incorporar o estereótipo da piriguete – presença constante nas letras de pagode – este fato confirma-se em pequenas amostras quando declarou-se que: “curtem e não sentem-se cachorras. as letras em sua maioria não causam constrangimento ou qualquer tipo de desconforto. Para as mulheres inseridas no movimento. ditando padrões de beleza. A baixa estima provocada pela letra das músicas está visivelmente retratada no resultado da pergunta representada pela figura 09. Verificou-se.. descrevendo suas ações. Construída Pelos Autores. Porém. conforme afirma Leiro (2009) que a mulher aparece desejada (para satisfazer a sexualidade masculina) e desqualificada ao mesmo tempo e é esse aviltamento que causa baixa estima. nota-se que as respostas mais freqüentes em relação ao discurso presente nas músicas: não incomoda. 25% e 14% respectivamente: não incomoda. não dando ênfase ao que se canta. Construída Pelos Autores. machismo e é instrumento para denegrir as mulheres. Já 36% que declararam não se incomodar com as expressos relaciona-se com o discurso de Santana (2009) que diz que a batida que envolve e leva. por outro lado 33% das entrevistadas disseram que “a música diz tudo” e é sim apologia à violência e 27% relataram 10 . Construída Pelos Autores.. porém com o consentimento da mesma. piriguetes” que na verdade “é apenas uma música”. denigre a imagem e o machismo. 09 e 10 apresentadas abaixo: Figura 08. Comparando os gráficos acima sobre análise das letras. Figura 09. seus movimentos. essa posição se inverte quando elas escutam a letra dissociada do ritmo. Verificou-se que algumas letras descrevem uma relação de violência do homem para com a mulher. conforme figuras 08. Podemos dizer que 14% que declararam a existência do machismo concordam com o que Viezzer (1989) e Bourdieu (1989) expressaram como a idéia de macho governante (posição superior) e fêmea súdita.” nesse sentido de 15 mulheres entrevistadas estabeleceu-se que: 40% acreditam que a música não tem poder de influenciar a violência contra a mulher. 31%.Aplicando questões relativas às letras de pagode. denigre a imagem (mulher) e o machismo. causa baixa estima. sintetizou-se o seguinte percentual: 36%. ver: “mas você só pede porradinha e dor. neste momento. que de uma maneira ou de outra relatam a mulher seja: definindo-a. causa baixa estima. onde a mulher é definida como cachorra. as palavras provocam o que elas descrevem como baixa estima.

mais liberais. em sua maioria. Observa-se a inexistência de bandas formadas pelas mesmas. valor e ideais dos que comungam com movimento. enfim. pois representa e demonstra o viver de um determinado grupo social. ou seja. a batida. isso é. como elemento de curtição. outras 40% afirmaram que as mulheres não precisam dessas definições para obterem liberdade e 20% acreditam que com as músicas. crença. 11 . são agentes passivos nessa cultura. espaço da paquera e do encontro. Notou-se neste contexto o que Leiro (2009) defende ao citar que as músicas de pagode. bem como compositoras. Através do resultado do questionário aplicado pode-se traçar um perfil das mulheres que curtem o pagodão.que mesmo que a música incentive a violência. Antagonicamente um percentual muito pequeno acredita que o pagode proporciona mais liberdade. O pagode hoje é um produto cultural legitimado. Percebe-se que as mesmas mulheres que afirmam sentirem-se execrada pelo discurso. Considerações Finais O presente estudo teve como objetivo de compreender o universo das letras de pagode. Em relação as expressões utilizadas nas músicas para referir-se ás mulheres. traçar um perfil das mulheres que estão inseridas no movimento popularmente conhecido como pagodão e compreender os estereótipos e sua influência no cotidiano dessas pessoas. ela (pagodeira) empresta seu corpo para reproduzir as ações ordenadas nas músicas. qual o discurso predominante identificando como a “figura” feminina é descrita. ou seja. piriguetes. A participação torna-se ativa apenas nas danças quando é explorado o sensualismo feminino. Constatou-se que a maioria das entrevistadas não se incomoda com o descrito nas músicas. apanhar ou não “depende da mulher” e/ou como uma entrevistada descreveu “se bater apanha”. Notou-se que a mulher está presente no pagode. o ato estar relacionando principalmente a postura que a mulher assume. seja por sua super valorização ou degradação. de 10 entrevistadas constatou-se que: 40% disseram que as expressões cachorra. tornando-as mais desejadas pelo homem e mais “poderosas”. depreciam a mulher para sustentar uma masculinidade forjada. A letra das músicas é expressão do pensamento. ao ouvirem as letras em companhia do ritmo esquecem o que ele representa e assumem o swing. contudo as mesmas não o constroem. canhão são palavras difamatórias que denigrem a imagem da mulher. as mulheres sentem-se mais soltas. isso porque a mulher torna-se foco para muitas bandas. de entretenimento. 5. Em contra-ponto vê-se que sociedade cria estereótipos sobre esse público que é fruto do desconhecimento sobre essa cultura.

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