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WWF - BRASIL

CPS 715.2004

RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RDS
ANÁLISE DA CATEGORIA DE MANEJO E PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO

CONSULTORES Lucila Pinsard Vianna Renato Rivaben de Sales

COLABORADORES Henrique Gomes – RDS Iratapuru (AP) Raimundo Marinho – RDS Mamirauá (AM) Thelma Dias – RDS Ponta do Tubarão (RN)

Brasília, Abril de 2006

ÍNDICE 1. Apresentação 2. Aspectos metodológicos 3. Histórico da inclusão da categoria RDS no SNUC 4. A RDS segundo o SNUC 5. Estudos de caso: Os processos de criação, implantação e gestão de 3 RDS 6. Interpretações e polêmicas sobre a Categoria de Manejo RDS 7. Propostas e Recomendações para Regulamentação da categoria RDS 8. Bibliografia consultada 9. Versão Resumida 10. Anexos 10.1 Oficina 10.1.1 Estenotipia 10.2 Entrevistas
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1. APRESENTAÇÃO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Esta categoria de manejo é definida como uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. Estas UCs têm por objetivo básico, conforme o Art. 20, parágrafo 1 da Lei 9.985 (SNUC) “preservar a natureza e. ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente , desenvolvido por estas populações”. Ainda segundo a Lei do SNUC, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público, devendo as áreas particulares incluídas em seus limites serem desapropriadas, quando necessário. A posse e os usos das áreas ocupadas pelas populações tradicionais deveriam, segundo o Art. 23 da referida lei, ser regulados por contrato, o qual, por sua vez, deveria ser regulamentado em ato normativo posterior. No entanto, a regulamentação específica da Lei do SNUC, promulgada por meio do Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002, além de não tratar da regulação da posse e usos das áreas de reservas de uso sustentável (RDS e Reservas Extrativistas), não dispôs sobre a regulamentação específica de qualquer outra categoria de manejo, fazendo com que importantes aspectos jurídicos e sócioambientais referentes às unidades de conservação ficassem a descoberto , notadamente as de uso sustentável. No caso particular de RDS, as indefinições decorrentes desta situação têm determinado que variados órgãos executores do SNUC apresentem diversas interpretações sobre esta categoria, resultando em diferentes práticas no que se refere aos processos de criação, implantação e gestão destas unidades de conservação. No mais, a falta de regulamentação específica tem acarretado também em conflitos de interesses entre populações locais, proprietários rurais e empresários que passaram a conviver em áreas sob as normas de um regime legal específico, passível de variadas interpretações jurídicas. Neste contexto, e considerando também que vários estados da Federação têm criado novas RDS em áreas onde ocorrem propriedades privadas, como forma de não onerar seus orçamentos com desapropriações de terras, torna-se urgente e necessária a proposição de princípios e diretrizes legais que subsidiem a regulamentação desta categoria de manejo, inclusive para que seu conceito e objetivos não sejam desgastados em função de interpretações e aplicações equivocadas. Entre os pontos que merecem maior atenção em uma futura regulamentação podem ser citados, a título de exemplo: - As condições sócio-ambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS; - O papel das comunidades locais na criação, implementação e gestão das RDS; - A conveniência de se proceder à desapropriação total da área; - Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores; 2

- A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista; - A definição das atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS, enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. Como forma de propor maiores esclarecimentos sobre esses pontos, ensejando à formulação de um documento que subsidie o Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos executores do SNUC no processo de regulamentação da categoria RDS, a equipe responsável pelo presente trabalho realizou consultas a diplomas legais e documentos pertinentes e procurou entrevistar o maior número possível de técnicos e representantes de entidades com atuações relacionadas ao SNUC. Além disso, foram contemplados três estudos de caso que subsidiassem as análises: as RDS amazônicas de Mamirauá (AM) e Rio Iratapuru (AP) e a RDS costeira da Ponta do Tubarão (RN). Após a pesquisa, foi elaborada uma proposta de regulamentação para a RDS para ser discutida na Oficina Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável, realizada em fevereiro de 2006, com a participação de gestores públicos, pesquisadores, Ongs e associações de classe. As colaborações advindas da oficina foram incorporadas à proposta final de regulamentação. Este relatório é composto por: descrição metodológica do trabalho realizado, resultados das pesquisas, levantamentos e entrevistas realizadas, análise da legislação, proposta de regulamentação e anexos com as entrevistas, roteiros utilizados e documentos da oficina. A seguir constam os aspectos metodológicos utilizados neste trabalho. 2. ASPECTOS METODOLÓGICOS O trabalho foi composto por 3 linhas de atuação: pesquisa bibliográfica e documentos legais pertinentes, estudo de caso de 3 RDS e entrevistas com gestores, pesquisadores e Ongs. A escolha das 3 RDS – Mamirauá, Iratapuru e Ponta Tubarão - definidas como estudo de caso teve os seguintes critérios: RDS Mamirauá - “inspiradora” da categoria RDS tal como incluída no SNUC, a RDS Mamirauá é considerada um exemplo e modelo para RDS. Sua longa história nos relata o processo de consolidação desta categoria, bem como desvenda suas lacunas e possibilidades. RDS Iratapuru - inspirado na RDS Mamirauá, o governo do estado do Amapá criou, um ano depois (1997), a RDS do Rio Iratapuru. Assim como Mamirauá, a RDS do Rio Iratapuru é pioneira, criada antes mesmo de haver discussões acerca da inclusão desta categoria no SNUC. Neste sentido, Iratapuru também pode ser considerada exemplo e modelo de RDS, pois a história de 8 anos de sua existencia revela a realidade da implantação desta categoria de manejo de unidade de conservação. RDS Ponta Tubarão – é a única unidade de conservação desta categoria existente fora da região amazônica e abriga parcelas de diversos ecossistemas da região nordeste, o que lhe confere especificidade a ser investigada. Além disso, foi criada a partir de sérios conflitos de interesses entre moradores locais e grupos empresariais, representando um exemplo de resistência à tentativa de implantação de atividades econômicas concorrentes com as tradicionalmente desenvolvidas. Além do levantamento de dados secundários, foram realizadas pesquisas expeditas em cada uma das RDS por meio da colaboração de pesquisadores locais. As entrevistas seguiram roteiros específicos, pré-estabelecidos (em anexo), e foram registradas em fitas. As informações obtidas, assim como as impressões dos pesquisadores, foram encaminhadas pela Internet e correio convencional. 3

O público alvo da pesquisa expedita foi composto por diferentes atores sociais que se relacionam direta ou indiretamente com a RDS. Para cada uma das três reservas foram realizadas entrevistas com pelo menos um representante dos seguintes segmentos: • Moradores da unidade que tenham participado ativamente de sua criação e/ou façam parte atualmente de uma organização que represente os interesses das comunidades locais. • Moradores que não tenham se envolvido diretamente com a criação da reserva e que não estejam acompanhando diretamente as atividades para sua gestão. • Proprietários de imóvel do interior da RDS, cujas atividades e interesses não necessariamente se coadunem com os objetivos da unidade. • Moradores do entorno imediato da RDS. • Responsáveis pela gestão da reserva. • ONGs envolvidas com as reservas. • Autoridades municipais locais. • Instituto de pesquisas. É necessário ressaltar que a pesquisa expedita não foi determinante na análise sobre a situação atual das reservas e sobre o entendimento ou aceitação dessa categoria de unidade de conservação por parte dos segmentos mais diretamente envolvidos. Dada a natureza desse trabalho e suas limitações de tempo e recursos, as informações coletadas tiveram caráter de checagem rápida e indicativa das análises dos dados obtidos por meio da prestação de informações de agentes locais, da consulta ao material bibliográfico e de entrevistas institucionais, os quais, em boa parte, já trataram de temas relacionados ao envolvimento dos atores locais com as reservas. Para cada um dos segmentos foi elaborado um roteiro específico, tratando das questões mais afeitas a seus interesses e objetivos (ver em anexo). Ao todo foram realizadas 42 entrevistas com segmentos envolvidos nas 3 RDs em questão : moradores do interior e entorno das ucs; proprietários de imóveis; responsáveis pela gestão da RDS; órgãos públicos; sociedade civil organizada; institutos de pesquisa. As informações locais, obtidas a partir do trabalho de pesquisador contratado, tiveram o seguinte foco: • • • • • Identificação de instituições vinculadas ao assunto e de pessoas a serem entrevistadas Levantamento de bibliografia específica Levantamento de outros documentos pertinentes Repasse de suas experiências com as reservas Apoio às análises dos dados coletados e dos documentos disponíveis

Paralelamente, foram entrevistados representantes de Órgãos Executores do SNUC, Organizações da Sociedade Civil e Instituições de Ensino e Pesquisa. O objetivo dessa atividade consistiu na obtenção de informações sobre a categoria de manejo de unidade de conservação RDS. A intenção foi registrar opiniões, entendimento e grau de conhecimento dos entrevistados sobre a categoria RDS. Foram realizadas 10 entrevistas com especialistas, representantes de órgãos públicos, institutos de pesquisa, movimentos sociais e ONGs; As entrevistas foram iniciadas excepcionalmente em novembro de 2004, em função da ocorrência da I Conferência das Populações Tradicionais do Estado do Amazonas, unidade da federação que detém a 4

maior extensão de áreas transformadas em RDS. Após estas entrevistas, os roteiros específicos passaram por um processo de aprimoramento. As analises efetuadas a partir da sistematização dos levantamentos e das entrevistas focaram os processos de criação, implantação e gestão de cada RDS, apreensão do conceito da categoria, impactos da criação da RDS e representação desta categoria. Além disso, foi realizada uma avaliação dos dispositivos legais sobre a categoria e análise dos dados à luz do SNUC e sua regulamentação. Finalmente, foi formulada uma proposta preliminar de regulamentação para a categoria RDS. Esta proposta foi apresentada na Oficina Diálogos sobre RDS, realizada em fevereiro de 2006. Finalmente, à luz da discussão realizada na Oficina, este relatório apresenta uma proposta final para subsidiar regulamentação da RDS. 3. HISTÓRICO DA INCLUSÃO DA CATEGORIA RDS NO SNUC DO PONTO DE VISTA DOS ATORES ENTREVISTADOS PARA ESSE TRABALHO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Mas a categoria já existia desde 1996, quando foi criada a primeira RDS pelo governo do estado do Amazonas: RDS de Mamirauá. No ano seguinte, inspirado na RDS Mamirauá, o governo do estado do Amapá criou a RDS do Rio Iratapuru. A incorporação desta categoria ao SNUC foi um dos muitos pontos da discussão que se prolongou por dez anos para a elaboração do instrumento legal que viabilizasse o sistema. Um de seus resultados acabou sendo o reconhecimento “pelo ordenamento jurídico, da essencialidade do território para as populações tradicionais e de sua importância para a própria construção da identidade coletiva das mesmas” (Santilli, 2004, p.140). Este processo de reconhecimento iniciou-se com o movimento pela criação das Reservas Extrativistas – Resex – categoria de unidade de conservação que, em certa medida, inspirou a RDS. Santilli descreve o surgimento desta categoria de manejo: “A proposta de RESEX surgiu no contexto da luta pela reforma agrária e a partir de mobilizações sociais e políticas realizadas inicialmente pelos seringueiros do vale do rio Acre, especialmente no município de Xapuri, no Acre, sob liderança de Chico Mendes (...). O objetivo geral das Resex é conciliar a solução dos conflitos pela posse de terra com a gestão sustentável de recursos naturais, fazendo convergir políticas públicas que tendem a atuar de forma divergente: reforma agrária e meio ambiente “.(2004, p.142) Na década de 80 os seringueiros passaram a se organizar e reivindicar a criação das Resex, vista como estratégia que os possibilitaria continuar a coletar a seringa, colher a castanha, pescar, caçar e utilizar os mais variados recursos da floresta e de suas águas. Assim, como relata Santilli, “a proposta de criação de RESEX – desenvolvida pelo movimento social dos seringueiros visando promover o casamento entre conservação ambiental e reforma agrária – passou a ser considerado por cientistas e formuladores de políticas publicas como uma via de desenvolvimento sustentável e socialmente eqüitativo para a Amazônia. “ (2204. p.33). Por sua vez, a Política Nacional do Meio Ambiente, lei nº 7804/89, já contemplava as reservas extrativistas, mas sua criação e implantação foram regulamentadas pelo Decreto nº 98897/90, que 5

define as Resex como “espaços territoriais destinados à exploração auto-sustentável e conservação dos recursos naturais renováveis por população extrativista”. As primeiras reservas extrativistas foram criadas no ano de 1990. A partir de 1992, esta categoria – concebida para contemplar a realidade dos seringueiros da Amazônia – passou a ser criada para designar unidades de conservação em outros biomas, habitadas por outros tipos de populações tradicionais, como por exemplo, pescadores artesanais. HISTÓRICO das RDS À época da discussão do substitutivo de Fernando Gabeira (1995), um dos relatores do projeto de lei do SNUC, foram acrescentadas novas categorias de unidades de conservação, todas de uso sustentável. Entre elas podemos citar as Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Ecológico- Culturais. No entanto, para a grande maioria de especialistas em áreas protegidas entrevistados para este trabalho, a categoria RDS, tal qual está disposta no SNUC, foi diretamente inspirada no modelo de Mamirauá, sendo seus criadores e gestores (Sociedade Civil Mamirauá e, posteriormente, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) os principais articuladores para a inclusão desta categoria no SNUC. Esta informação está presente em vários depoimentos dos entrevistados: “A principio o que havia sido previsto no SNUC sobre categoria de unidade de conservação relacionado à população eram as Resex. Em função da criação da RDS de Mamirauá, as pessoas vinculadas àquela Unidade de Conservação fizeram a proposta durante a discussão do SNUC. Mamirauá foi a primeira RDS existente. Teve muita polêmica, pois esta categoria podia ser uma repetição da Resex, mas acabou entrando no SNUC.” “Foi por causa de Mamirauá, que era estação ecológica estadual, e se tornou RDS antes do SNUC, que esta categoria entrou para o SNUC”. “Acredito que houve motivações pela experiência positiva da RDS de Mamirauá (AM)”. Por outro lado, há quem tenha chamado a atenção para a categoria Reserva Ecológico- Cultural, proposta também inspirada nas Resex, muito semelhante à proposta da RDS. A Reserva Ecológico-Cultural foi uma proposta do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas e Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB), da Universidade de São Paulo, coordenado pelo professor Antonio Carlos Diegues. Em 1991 a proposta de criação desta categoria foi encaminhada para as discussões no CONSEMA e aprovada para compor a proposta do estado para o SNUC. Sua definição era “área natural, que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais, e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica”. Um dos entrevistados menciona aspectos desta história: “A discussão da categoria RDS, cuja proposição é praticamente idêntica à proposta da Reserva Ecológico - Cultural, começa apenas a partir de 1993 e, de fato, acontece a partir de 1994”.

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. deverá ser um mecanismo para resolver situações em que há necessidade de proteção de ecossistemas importantes. Uma das entrevistadas. apesar de viverem basicamente da exploração de diversos recursos naturais. Segundo Santilli isto ocorreu “graças.Cultural. que pretendiam conservar o hábitat de espécies da fauna ameaçada de extinção do ambiente de várzea de Mamirauá. Neste sentido. cuja herança cultural a conservar e proteger é valiosa”. a proposta visa reconhecer os ocupantes tradicionais como parte do ecossistema (já que desenvolvem atividades tradicionais adaptadas ao ecossistema). p. que aliava conservação ambiental com participação de comunidades locais com sucesso. foi proposta uma área de proteção integral. Mesmo assim. Por exemplo. “Este modelo foi construído adaptado às questões sociais locais de Mamirauá.120). a nível federal. A justificativa para criação da Reserva Ecológico-Cultural dispunha: “Não existe. Já a RDS foi formulada por iniciativa de pesquisadores.. no entanto. principalmente. Reserva Ecológico-Cultural. não são necessariamente extrativistas vegetais. o que não está contemplado na proposta da Resex”. com exceção das reservas extrativistas.. descrita acima. foi respeitado a organização que já havia e o que queria a comunidade”... à experiência da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá” (2004. a categoria Reserva Ecológico . o contexto da Mata Atlântica. a definição atual da RDS é a mesma definição da Reserva Ecológico . que vivenciou a criação da RDS de Mamirauá. relata que a categoria foi uma resposta social às demandas locais. a proposta pretendia contemplar outras populações tradicionais que não as extrativistas.(. Assim.Cultural. em áreas habitadas por populações tradicionais”. Na versão final do SNUC. (. A formatação legal foi em função da organização das populações..) “A categoria de unidade de conservação proposta.(. em parte.) “Esta proposta abrange populações tradicionais que. “E como havia pesquisadores biólogos envolvidos. A entrevistada afirma ainda que houve a percepção do interesse de financiadores para criação da unidade de conservação e o nome foi pensado para identificar a proposta de conciliar conservação com desenvolvimento social. uma categoria de unidade de conservação que contemple especificamente as populações tradicionais. A proposta foi fruto do processo de diálogo com as comunidades locais e ribeirinhas e do estabelecimento de parceria buscando conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento social. cujas atividades não se centram no extrativismo.Mas as motivações para estas propostas foram diferentes. preocupados com a conservação da área. Grande parte das culturas tradicionais brasileiras tem no extrativismo vegetal somente uma das atividades que compõem seu calendário de atividades econômicas”.). Alguns entrevistados colocam este ponto de vista: 7 . Não foi criado nada novo.. Considerava que as Resex atendiam plenamente as populações da Amazônia. pesou para que a proposta de RDS fosse incorporada pela SNUC em detrimento da proposta de Reserva Ecológico .Cultural foi excluída e a RDS permaneceu. estão muito centradas no extrativismo vegetal como atividade principal e até como modo de vida. na proposta final da RDS incluída no SNUC procurou-se mesclar as propostas originais das duas categorias. Enquanto a RDS foi pensada para a Amazônia.. que resultou na Lei nº 9985/2000.). mas não contemplavam as populações tradicionais de outros biomas. Sem dúvida. a Reserva Ecológico-Cultural é uma proposta que nasceu no sudeste e pensada para contemplar. que. a experiência já em curso em Mamirauá.(.

RDS. São as seguintes as Reservas de Desenvolvimento Sustentável estaduais já criadas até o momento: Rio Iratapuru (AP). Amanã. Desta maneira. p. e RDS continuou. provavelmente pelo Márcio Ayres ou por alguém liderado por ele. Não dava para ser RESEX. e no final.148). porque eles teriam benefício com o projeto de Mamirauá. Mamirauá e Piagaçu-Purus (AM). incluindo índios. que previa uma mescla de domínio público com pequenas propriedades dos moradores locais. Veredas do Peruaçu (MG). com população nativa. 2004. o fato de que a maioria das RDS existentes até o momento encontra-se na região amazônica. “procurando conciliar as reivindicações por reforma agrária nos moldes amazônicos com a defesa do meio ambiente. que diferentemente da proposta da Reserva Ecológico-Cultural. se conseguiu incluir essa categoria. a preocupação em atender populações tradicionais não extrativistas de outros Biomas. e não raro abrigando populações extrativistas. por algum lobby bem feito. porém. arquipélago de Marajó (PA). que desde sua criação abriga propriedades particulares e tem sido fator decisivo para criação recente de algumas RDS. (2004. A categoria RDS entrou para ajustar esta unidade. que é idêntico. o componente social certamente pesou mais sobre as propostas e concepções que orientaram a sua formulação inicial. Mas pode ler o texto e comparar. a este respeito. porém. com liderança do Márcio Ayres. que era Mamirauá. Com área de 65 mil hectares. da Lei do SNUC). Tal disposição também remete ao modelo de Mamirauá. antes de se fechar a proposta do SNUC. p. Essas duas propostas acabaram sendo misturadas”. por exemplo. Mamirauá era uma Estação Ecológica que não poderia funcionar como tal e ele inventou um novo nome. coloca que “No caso das Resex. “ “E eu acho que essa história de RDS foi uma solução de última hora para algumas pressões que até então eram separadas. A única RDS federal foi criada recentemente. Cujubim. em casos que o poder público não tem interesse ou recursos para a desapropriação de áreas privadas. as Resex eram muito restritas porque só pensava no extrativismo e tinha obrigatoriedade de domínio público. Chama atenção. naquele caso. a RDS prevê a “possibilidade de só fazer a desapropriação das áreas particulares incluídas em seus limites quando necessária” (artigo 20. ela propiciou. por meio de seus objetivos gerais. parágrafo 2º. Foi uma discussão liderada pelo Diegues que dizia que. E fizeram a proposta da Reserva Ecológico-Cultural. a concepção das RDS nasceu de proposta de pesquisadores.149). Alcobaça e Pucuruí-Aratão (PA) e Ponta do Tubarão (RN). sobretudo para o litoral sudeste.” (Santilli. mas não tinha uma proposta de definição muito clara. Enquanto a Resex é fruto da mobilização social e política iniciada pelo movimento dos seringueiros. A RDS 8 . a categoria Reserva Ecológico-Cultural continuou fazendo parte do sistema e só foi retirada nos últimos meses. Uma das entrevistadas também discorre sobre este ponto: “A categoria RDS foi incluída no SNUC para ajeitar a situação de Mamirauá. e não ficou definido o que seria. Durante o processo de discussão da RDS não houve manifestação das populações indígenas. que era uma estação ecológica estadual. que incorpora também a sustentabilidade social”. porque era uma população de pescadores que não se vêem como extrativistas. Há que se destacar.“Na discussão do SNUC em Brasília. Santilli. em junho de 2005 . Do outro lado tinha uma realidade que era uma área super conhecida. Várias coisas avançaram e recuaram durante a discussão de dez anos do SNUC. e no caso das RDS o componente ambiental (a preocupação com a conservação da diversidade biológica) foi a mola propulsora das iniciativas para a proteção da área. a RDS de ItatupãBaquiá abriga 7 comunidades de pescadores no município de Gurupá. ainda que o nome desta categoria tenha origem numa proposta de conservação para uma área na Amazônia.

com reflexos negativos à própria conservação ambiental e aos direitos das famílias locais ou tradicionais. contou em seu histórico de consultas públicas com a discussão sobre a categoria que mais conviria à situação local. Mesmo autoridades estaduais. O fato da categoria RDS ter sido concebida a partir do modelo de Mamirauá. declaram ter se posicionado contra a inclusão desta categoria no SNUC. Transformou-se em RDS em função do entendimento. a qual foi criada por demandas notadamente conservacionistas de pesquisadores. não garantem a resolução de conflitos entre grupos de interesse e não podem ser plenamente implementadas se os proprietários de terras não concordarem com seus objetivos ou com as normas e diretrizes de seus instrumentos operacionais. Por parte do órgão gestor estadual. em favor das RDS. No entanto. processos de desapropriação. responsáveis hoje pela criação de RDS. atividade considerada extrativista na lei do SNUC. Tal posicionamento fundamenta-se. atualmente argumentam que têm apoiado a criação de RDS como única forma de se proteger áreas naturais e populações humanas ameaçadas. devido à falta de vontade política e de recursos financeiros para a implantação de processos de desapropriação de imóveis nessas áreas. as RDS. segundo os representantes de movimentos sociais. ao contrário das Resex. como o Conselho Nacional dos Seringueiros. embora a principal ocupação dos moradores seja a pesca. por permitirem a ocorrência de propriedades privadas. descaracterizaria esta categoria enquanto instrumento de resolução de conflitos sócio-econômicos e fundiários. segundo eles. caso se optasse por outra categoria que não APA e RDS. em função.não foi demanda da população. mais aberta. além de comprometer a auto-determinação das sociedades locais ou tradicionais. ou modelos mais aprimorados desta categoria. 9 . Resex e RDS. como o zoneamento e o plano de manejo da área. Relacionada a essa questão. Além disto. em função da falta de interesse político em desapropriar áreas privadas e/ou incentivar o fortalecimento de organizações comunitárias localizadas nas áreas alvo de proteção ambiental. A proposta da RDS veio ao encontro da idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. tida como símbolo da capacidade de organização e mobilização das populações consideradas tradicionais. pelos atores envolvidos. tendo sido cogitadas APA. é também interessante destacar que alguns entrevistados têm o entendimento de que as RDS são assemelhadas às APAS. pesou também na decisão o fato de a situação fundiária ser bastante complexa. no fato de que vários governos estaduais estariam preterindo a criação de Resex. alguns especialistas e representantes de movimentos sociais crêem que a inclusão da categoria RDS na lei do SNUC acarretou no enfraquecimento da importância da categoria Resex. envolvendo áreas privadas e. Ponta do Tubarão (RN). por considerarem que não incentivava a mobilização e organização social. conseqüentemente. de não resolver a questão fundiária.” A única RDS não amazônica criada até o momento. A categoria APA também foi descartada por ser considerada pouco eficaz para a proteção da área. de que o perfil sócio-econômico da população não se encaixava enquanto extrativista. constantemente ameaçada de invasão por grupos empresariais. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. Ou seja.

o SNUC. desenvolvido por estas populações. Dessa forma. em bases sustentáveis.985 de 18 de julho de 2000. 4º o SNUC aponta como objetivos: IV . respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente. conservação da natureza constitui-se no manejo do uso humano da natureza. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. não só a conservação da biodiversidade. a restauração e a recuperação do ambiente natural. como também a conservação da sócio-diversidade (Santilli.promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. para que possa produzir o maior benefício. a manutenção. as RDS são áreas naturais que abrigam populações tradicionais. 2004): O Art. entre os objetivos do SNUC. bem como valorizar. desempenhando papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da biodiversidade. assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais. que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) é a proposta de contemplar a interface entre a diversidade biológica e cultural. Neste contexto propício. compreendendo a preservação. preocupado em criar categorias de manejo de unidades de conservação especificamente destinadas a abrigar as populações tradicionais . 10 . mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras. cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais. assim como devem estar adaptados às condições ecológicas locais.4. Por sua vez. artigo 20). a definição e o principal objetivo desta categoria de unidade de conservação restringem sua aplicação aos casos em que populações consideradas tradicionais propiciam a conservação dos ecossistemas locais por meio da utilização de sistemas patrimoniais e sustentáveis de exploração de recursos ambientais. Em seu parágrafo primeiro. populações tradicionais. A RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL SEGUNDO O SNUC Uma das inovações da lei federal nº 9. De acordo com o próprio SNUC. às atuais gerações. o referido artigo define o objetivo básico desta categoria de unidade de conservação: preservar a natureza e. por exemplo. Podemos identificar. Para compreendermos esta afirmação temos que analisar os seguintes termos: conservação. instituiu uma nova categoria de manejo denominada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Segundo a lei do SNUC (capítulo III. Esses dois enunciados merecem alguns destaques iniciais: • • As RDS devem ser áreas que abrigam populações tradicionais que dependem de sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais para sua existência. a utilização sustentável. uso sustentável é assim disposto no inciso XI do mesmo capítulo: exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos. garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral. ao mesmo tempo. Estes sistemas devem ser resultado de um processo histórico de construção.proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais. XIII . conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente. inciso II do Capítulo I. uso sustentável.

o principal esteio de sua economia e de sua reprodução sócio-cultural. o que implicaria uma relação com o mercado. sociais e culturais. mesmo que no escopo da lei do SNUC tenha sido vetado o inciso que ensejava conceituar populações tradicionais1.161) Entre as considerações sobre este tema constam. • pela importância dada à unidade familiar. No entanto. Santilli (2004) coloca que “ainda que alguns antropólogos apontem as dificuldades geradas pela forte tendência a associações com concepções de imobilidade histórica e atraso econômico e consideram o conceito ‘problemático’ em face da forma diversificada e desigual com que os segmentos sociais se inserem na Amazônia sócioambiental. Além disso. uma RDS tem o papel de conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo desenvolvidas pelas populações tidas como tradicionais. de forma que puderam obter e gerar conhecimentos sobre o meio e seus recursos. os ciclos e os recursos naturais renováveis com os quais se constrói um modo de vida. Esse conhecimento é transferido por oralidade de geração em geração. variadas e. manutenção. afirmam que tais populações podem ser caracterizadas: • pela dependência da relação de simbiose entre a natureza. populações tradicionais residentes. em bases sustentáveis.”(p. compreendendo ações de preservação. 1 11 . a categoria ‘populações tradicionais’ tem sido reconhecida em sua dimensão política e estratégica. (p. o direito ainda dá os primeiros passos na formulação de uma definição – jurídica – de ‘populações tradicionais’.mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos de forma socialmente justa e economicamente viável. ainda que a produção de mercadorias possa estar mais ou menos desenvolvida. movimentos sociais e administradores públicos. ainda que alguns membros individuais possam ter-se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra de seus antepassados. acarretando na ocorrência de diversas interpretações entre ambientalistas. que em obra publicada pelo Ministério do Meio Ambiente. que se reflete na elaboração de estratégias de uso e de manejo dos recursos naturais. Entretanto. Devido à falta de consenso entre os diversos segmentos da sociedade que discutiram a lei do SNUC por mais de dez anos. que são comumente confundidas pela doutrina e pelos aplicadores da lei. • pela noção de território ou espaço onde o grupo social se reproduz econômica e socialmente. • pelo conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos. que se tratam de grupos humanos residindo há algumas gerações nas áreas ou ecossistemas objetos de proteção. com significações distintas. Analisando conjuntamente os dois conceitos. no caso. • pela moradia e ocupação do território por várias gerações. principalmente das populações abrigadas pela unidade de conservação. • pela reduzida acumulação de capital. as de Diegues e Arruda (2001). doméstica ou comunal e às relações de parentesco ou compadrio para o exercício das atividades econômicas. populações locais e populações residentes. contraditórias considerações sobre o conceito de populações tradicionais já foram traçadas. conforme disposto em seu objetivo principal. não raro. utilização sustentável e recuperação do ambiente natural em bases socialmente justas e viáveis em longo prazo. 124) e acrescenta: “a lei do SNUC e o decreto que a regulamentou utilizam termos distintos. São elas: populações tradicionais. tem-se que as atividades permitidas em uma RDS devem contemplar os benefícios às atuais e futuras gerações. Quanto ao termo populações tradicionais. fazendo de sua exploração. por exemplo. • pela importância das atividades de subsistência. pode-se pressupor pelos demais enunciados referentes à categoria RDS.

os referidos autores ressalvam que há sérias limitações em tais definições já que. os autores utilizam a noção de ‘sociedades tradicionais’ para definir “grupos humanos diferenciados sob o ponto de vista cultural. e no que se refere mais especificamente às políticas ambientais. cujo produtor e sua família dominam todo o processo até o produto final. será difícil encontrá-las hoje em dia. entendidos aqui como obstáculos para a implementação plena das metas dessas unidades. dificultando a análise dessas sociedades e culturas como fluxos socioculturais dinâmicos e em permanente transformação”. todas as culturas e sociedades têm uma ‘tradição’. relacionando a categoria “populações tradicionais” ao uso de técnicas de baixo impacto e formas eqüitativas de organização social: Quem são as populações tradicionais? O emprego do termo “populações tradicionais” é propositalmente abrangente. aquicultores em escala industrial. • pela tecnologia utilizada. e • pela auto-identificação ou identificação por outros de pertencer a uma cultura distinta Dessa forma. empresários em geral e seus empregados. de tal modo que as duas dimensões são quase inseparáveis”.• pela importância das simbologias. roceiros. seria mera tautologia. . as tipologias permitem sua utilização em determinados contextos sóciopolíticos. de caiçaras. pescadores artesanais em geral. servidores públicos. Por outro lado. Definir as populações tradicionais pela adesão à tradição seria contraditório com os conhecimentos antropológicos atuais. de forma empírica. adaptados a nichos ecológicos específicos”. sertanejos. Essa noção refere-se tanto a povos indígenas quanto a segmentos da população nacional2. o conceito dos povos tradicionais serviu como forma de aproximação entre sócioambientalistas e os distintos grupos que historicamente mostraram ter formas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. Num contexto ambientalista. comerciantes. que é relativamente simples. pesca e atividades extrativistas. para depois afirmar que são ecologicamente sustentáveis. ora ensejando a reivindicação e/ou a garantia dos direitos de comunidades ditas tradicionais. que reproduzem historicamente seu modo de vida. veranistas. que desenvolveram modos particulares de existência. Sobre esta questão. mitos e rituais associados à caça. madeireiros. grupos extrativistas em geral e indígenas. Há uma reduzida divisão técnica e social do trabalho. Segundo os autores citados. sitiantes. Assim. jangadeiros. Defini-las como populações que têm baixo impacto sobre o ambiente. Contraporiam-se a esses os fazendeiros. quilombolas. Os antropólogos Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida discorrem sobre populações tradicionais. ora negando ou suprimindo esses mesmos direitos. Noutro contexto ambientalista. de impacto limitado sobre o meio ambiente. tendem a apresentar rigidez simplificadora. de forma mais ou menos isolada. o conceito surgiu a partir da necessidade dos preservacionistas em lidar com todos os grupos sociais residentes ou usuários das unidades de conservação de proteção integral. • pelo fraco poder político. sobressaindo o artesanal. sua abrangência não deve ser confundida com confusão conceitual. a rigor. com base na cooperação social e relações próprias com a natureza. Se definirmos como populações que estão fora da esfera do mercado. No mais. Little (2002) menciona que a “sociogênese do conceito de povos tradicionais e seus subseqüentes usos políticos e sociais se deu para englobar um conjunto de grupos sociais que defendem seus respectivos territórios frente à usurpação por parte do Estado-Nação e outros grupos sociais vinculados a este. Contudo. donos de empresas de beneficiamento de recursos naturais. que em geral reside nos grupos de poder dos centros urbanos. o conceito de povos tradicionais contém tanto uma dimensão empírica quanto uma dimensão política. as comunidades tradicionais se constituiriam. ribeirinhos. baseadas num conjunto de ‘traços culturais’ empíricos. “Além disso. 2 12 . assim gerando formas de co-gestão de território. tipologias como essas.

o fulcro da questão se situa na forma ainda pouco democrática como as áreas protegidas têm sido criadas. M. p. um órgão do IBAMA. 2001. comprometeram-se a prestar serviços ambientais.) Vianna (1996). acima de tudo. afirma que a cristalização de posicionamentos antagônicos entre as partes diretamente interessadas tem dificultado o entendimento sobre a necessidade das ações de proteção de ecossistemas importantes e/ou ameaçados e impedido que as populações locais sejam as principais beneficiárias dos processos de criação e implantação das unidades de conservação. movimentos sociais e administradores de órgãos públicos das três esferas do poder. Além disso. [. mesmo que ciências como a antropologia possam subsidiar o deslindamento das contradições relacionadas ao tratamento conceitual dado às comunidades tradicionais. Instituto Socioambiental.C & Almeida. Populações tradicionais e conservação ambiental : In Capobianco.B. majoritariamente formada por antropólogos. Trata-se de uma categoria pouco habitada. a categoria congregava seringueiros e castanheiros da Amazônia. por sua vez. outro exemplo demonstra a dificuldade de enquadramento legal das populações consideradas tradicionais: a assessoria técnico-científica da recém criada Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Populações Tradicionais3. a expressão “populações tradicionais” está na fase inicial de sua vida. a falta de definição mais clara sobre populações tradicionais no quadro legal do Sistema Nacional pode determinar também que para Reservas Extrativistas (Resex) e RDS as populações locais sejam submetidas a avaliações formuladas de acordo com interesses e posicionamentos ideológicos de grupos ambientalistas. Em texto preparatório (2005) para o Primeiro Encontro Nacional das Populações Tradicionais está 3 [. a presença de instituições com legitimidade para fazer cumprir suas leis. João Paulo Ribeiro et al (orgs) Biodiversidade na Amazônia Brasileira: avaliação e ações prioritárias para a conservação. Para começar. da mesma forma. Ainda sobre esta questão. O que todos estes grupos possuem em comum é o fato que tiveram pelo menos uma parte de história de baixo impacto ambiental e de que têm no presente interesses em manter ou em recuperar o controle sobre o território que exploram. reservando-as a populações consideradas tradicionais. liderança social e. conclui que.184-193.(Cunha. estão dispostos a uma negociação: em troca do controle sobre o território. de um histórico de exclusão de populações de áreas selecionadas prioritariamente para a preservação ambiental.] Já podemos afirmar que as populações tradicionais são grupos que conquistam ou estão lutando para conquistar (através de meios práticos e simbólicos) uma identidade pública que inclui algumas e não necessariamente todas as seguintes características: o uso de técnicas ambientais de baixo impacto. Desde então expandiu-se.No momento. E. tem existência administrativa: o Centro Nacional de Populações Tradicionais. ao tratar de conflitos entre órgãos gestores de unidades de conservação de proteção integral e populações locais. portanto. São Paulo: estação Liberdade.. abrangendo outros grupos. quando o SNUC passa a contemplar as unidades de uso sustentável. uso sustentável e repartição de benefícios.. por fim. mas já conta com alguns membros e candidatos à entrada. a questão.. colaborando para o equacionamento dos conflitos entre elas e os tomadores de decisão das políticas conservacionistas. Mesmo que a referida autora esteja tratando de unidades de proteção integral e.] Decreto Federal de 27 de dezembro de 2004. volta à pauta. traços culturais que são seletivamente reafirmados e re-elaborados. que vão de coletores de berbigão de Santa Catarina a babaçueiras do sul do Maranhão e quilombolas do Tocantins. acabou optando por não definir rigidamente um conceito para esses grupos humanos. Ou seja. conforme anteriormente mencionado.. No início. formas eqüitativas de organização social. 13 . M W.

por sua vez. o documento afirma também que alguns critérios básicos devem ser criados para nortear o conceito. face a face. Há de se ter também consenso. normas e formas de reconstruir a natureza”. sendo imprescindível que seus membros se manifestem coletivamente favoráveis a tal pertencimento. não importando se pertencentes à fauna ou à flora. apenas com duas diferenças: 1) as RDS devem obrigatoriamente abrigar em suas áreas segmentos destas populações. não se refere apenas aos conhecimentos ou práticas em si. aquelas que assim se autodefinem e sejam consoantes com os objetivos da ação governamental. nota-se que também para essa última categoria o enunciado refere-se a populações tradicionais. Comparando-se as definições de RDS e de Resex (Reservas Extrativistas) de acordo com o que está disposto no SNUC. artigo18). porém. de forma sucinta. que extrativismo é um sistema de exploração baseado na coleta e extração. Desta forma. que é capaz de agir coletivamente a partir destas interações e que compartilha um patrimônio e um pacote de recursos. dentre eles o território. formas de produção e de utilização de recursos. responsável pelo CNPT. da importância de cada atividade para a subsistência e reprodução sócio-cultural das comunidades. sobre os quais são estabelecidos direitos coletivos. Por outro lado. a pesca. sendo conceituada comunidade “como grupo que interage diretamente. regras. festas. Cabe. O inciso XII. centro responsável pela criação e administração das unidades de uso sustentável federais. sem especificar se devem ou não residir na área delimitada4 e 2) para as Resex é sublinhado que as populações têm também que ter sua subsistência baseada no extrativismo (Capítulo III.registrado que “não cabe ao Estado a definição de quem são as Comunidades Tradicionais. concluem que “a tradição é um processo em evolução e um laboratório coletivo: os conhecimentos são materializados em dispositivos de ação. assessor da presidência do IBAMA. inclusive para os moradores locais. Nesse sentido. Tal situação torna difícil a valoração. constituindo a autodefinição como ato de reconhecimento dessa adesão”. como a pequena agricultura. mas a maneira de produzi-los e utilizá-los”. o que diferenciaria uma reserva e outra no que se refere ao perfil da população residente na área seria o fato de que para Resex a principal atividade econômica seria a exploração de recursos naturais renováveis. de recursos naturais renováveis. quanto para consumo local. Por fim. uso dos recursos naturais e costumes (aspectos religiosos. é recorrente entre sociedades rurais do país. arquitetura e outros). sendo inicialmente listados: formas de organização social. destacar que a RDS estadual de Iratapuru (AP) é um exemplo desta categoria em que os usuários residem somente na área de entorno da unidade. a existência de estratégias econômicas baseadas no consórcio de variadas atividades. 4 14 . tanto para comercialização da produção.985/2000. a caça e o extrativismo. o grupo de assessores da Comissão estabeleceu que populações tradicionais devem ter como uma de suas características o fato de viverem em comunidades. mas a elas próprias. definir o público alvo das ações governamentais. representam em determinadas sociedades um papel fundamental para a garantia da qualidade de vida das famílias locais. vínculo com território. de modo sustentável. O tradicional. culinária. dispõe. condição não constante no enunciado sobre RESEX. No entanto. que dispõe que estas unidades são destinadas ao uso sustentável por populações tradicionais. Tal diferença foi apontada por Paulo Oliveira. e por isso mesmo menos valorizadas pelos segmentos urbanos. Capítulo I da lei nº 9. Mesmo as atividades que não geram renda. e conseqüentemente. notadamente as localizadas em regiões onde ainda ocorrem ecossistemas em bom estado de conservação.

Levando-se em conta que a pesca pode ser considerada atividade extrativista. Em recente encontro promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado do Amazonas5. para as situações em que os locais são definidos como agricultores. 23º desta lei e em regulamentação específica.985/2000.340/2002. Outras disposições do SNUC definem distintivamente cada categoria de reserva de uso sustentável. apenas menciona. mesmo que em boa parte dos casos a produção fosse apenas voltada para o consumo local. se necessário.. conseqüentemente. e a posse e o uso dos recursos naturais é coletivo e compartilhado” (p. Porém. em seu artigo 13º. o que não deixa de ser um dilema para as próprias comunidades. Inspiradas no modelo de terra indígenas. é que. Por sua vez. de acordo com o que dispõe a lei.33). as reservas extrativistas se baseiam no conceito de que são bens de domínio da União (de forma que evite a sua venda e lhes dê garantias de que só gozam os bens públicos) (. Neste quesito. conforme se dispuser no regulamento desta lei. embora as comunidades sejam identificadas. há anos. não haveria problemas quanto ao seu enquadramento. que o contrato de concessão de direito real de uso e o termo de compromisso firmados com populações tradicionais das Resex e RDS devem estar de acordo com o Plano de Manejo. para os casos em que os moradores são identificados como extrativistas de recursos florestais. 5 15 . restariam dúvidas sobre sua principal base de subsistência e. está disposto que a Resex é de domínio público. § 1º do Artigo 18º da lei 9. a questão que se coloca para a criação de uma RDS ou de uma Resex com habitantes em seu interior. há que se julgar também se ela é predominantemente extrativista ou não.). há diversos casos na costa brasileira em que atividades vinculadas ao turismo são. artesãos ou pequenos agricultores apontaram o pescado como principal recurso para a manutenção da qualidade de vida de suas comunidades. a principal ocupação dos moradores locais. extrativistas de recursos haliêuticos. de acordo com a conceituação do SNUC. elegeram a pesca como a principal atividade econômica. entre elas a questão fundiária. O referido artigo 23º determina que a posse e o uso das áreas ocupadas pelas populações tradicionais nas RESEX e RDS serão reguladas por contrato.Assim. além do enquadramento de determinada população como tradicional ou não. realizada em novembro de 2004.. Portanto. como pescadores artesanais e. sobre as opções para a eventual implantação de uma unidade de uso sustentável em sua área de atuação econômica. Santilli coloca que “Uma idéia chave da proposta de criação de RESEX é a titularidade coletiva e compartilhada sobre os direitos de uso dos recursos naturais nelas existentes. portanto. devendo ser revistos. I Conferência Estadual das Populações Tradicionais do Estado do Amazonas. De forma similar. e se auto-identifiquem. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas. grande parte dos indivíduos definidos como extrativistas vegetais. que regulamenta a lei. que congregou por volta de duzentos representantes de comunidades residentes em áreas de floresta. o decreto 4. com uso concedido às populações extrativistas tradicionais conforme o disposto no art. No capítulo III.

340/2002 dispõe que o Plano de Manejo das unidades de uso sustentável deve ser aprovado em resolução do conselho deliberativo. Tal situação. Por outro lado. conservação da biodiversidade como objetivo primordial. Outro exemplo. indicativos mais precisos para tanto. 16 . que apresenta a maior parte de sua área. Esta é uma interpretação muito comum entre especialistas. atividade considerada impactante e inadequada pelo órgão gestor (IDEMA / RN) e pelo conselho gestor deliberativo da unidade. ou na sua regulamentação. Ou seja. de mais dois milhões de hectares. sem que conste na lei.Cabe aqui destacar que o mesmo decreto 4. não concordar em acatar as regras de um futuro plano de manejo. qual seja. estudado mais detidamente para este trabalho. requerido legalmente para o caso de Resex. sem o ônus da desapropriação de terras. conforme observado nas entrevistas realizadas para esse trabalho. o que difere em termos fundiários as duas categorias é que para as RDS a lei pode ser interpretada como aberta à possibilidade de sua área contar com propriedades privadas. por sua vez. de antemão. comprometendo. e/ou estejam em desacordo com seu zoneamento e plano de manejo. o termo de compromisso que subsidiaria a elaboração e a efetiva implantação do plano de manejo da unidade. não contempla o disposto na legislação. Um exemplo desta situação é a RDS de Cujubim. Para o caso das RDS. desapropriadas. só desapropriadas quando necessário. remetendo à mesma situação descrita acima para as Resex. a questão da concessão de direito real de uso fica comprometida. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser. a lei do SNUC . Pela lógica do SNUC. cinco empresários. dado que raramente os proprietários dos grandes imóveis têm sido consultados sobre a criação das unidades ou concordem em submeter suas práticas produtivas aos objetivos das RDS. essa ambigüidade legal. que se dizem proprietários de imóveis no interior da RDS. § 2º. é de se alertar que se as famílias residentes detiverem títulos das terras. determina que a área da unidade é de domínio público. presume-se que será necessária a desapropriação em casos de imóveis cujas formas de uso e ocupação sejam incompatíveis às características e aos objetivos desta categoria. formada por latifúndios. e que também declaram. em seu artigo 20º. tem determinado que várias RDS estejam sendo criadas como forma de se contemplar áreas habitadas e utilizadas por populações humanas inseridas ou contíguas a imóveis particulares . Neste caso. havendo uma série de pessoas jurídicas e físicas que declaram ser proprietárias de terras na área da reserva. aberta pelo referido § 2º do artigo 20 da lei do SNUC. estudiosos e gestores públicos. cujos proprietários não concordam em se submeter às normas decorrentes da implantação da RDS. em que a situação fundiária é bastante complexa e polêmica. criada pelo Governo do Estado do Amazonas. No entanto. o § 3º do artigo 20 dispõe que o uso das áreas ocupadas pelas populações tradicionais será regulado de acordo com a o disposto no artigo desta lei e em regulamentação específica. de acordo com o que dispõe a lei. é a RDS da Ponta do Tubarão / RN. conseqüentemente. no caso de Resex e RDS. quando necessário. Além disto. entraram com ações na justiça reivindicando a implantação de empreendimentos de carcinocultura na área. após prévia aprovação do órgão executor (Inciso I do artigo 12).

Ou seja. de uso sustentável e de amortecimento e corredores ecológicos. está disposto na lei nº 9. desde que sujeitas ao zoneamento. inclusive com substituição da cobertura vegetal. que é deliberativo. que mineração. agricultura.Com relação a esta questão. refletido na composição e funcionamento do conselho. segundo a legislação. Dessa forma. é apenas disposto que as atividades desenvolvidas deverão obedecer a quatro condições. Mas. sendo a preservação da natureza considerada apenas uma condição para assegurar o uso sustentável . admitem maior diversidade de atividades. a competência pelas decisões sobre quais atividades serão aceitas na área. desde que compatível com interesses locais e prevista no plano de manejo. a melhor relação entre os moradores com o meio e a educação ambiental. que para essas últimas a visitação pública6 e a pesquisa são permitidas. Por outro lado. atividades adequadas a uma RDS. 6 Desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o plano de manejo da área. fica subentendido neste último inciso. as RDS. a legislação do SNUC é também bastante imprecisa. diferente do que está disposto para RESEX. o grau de mobilização e de organização da população residente na RDS. o § 6º do art. inclusive de espécies madeireiras.885/2000. às limitações legais e ao plano de manejo da área. o § 7º do mesmo artigo dispõe que a os recursos madeireiros só poderão ser explorados em bases sustentáveis e em situações especiais. 20 prevê zona de proteção integral na RDS. do que as Resex. ensejando variadas interpretações: partindo mais uma vez da analogia entre RDS e RESEX. quanto profissional ( § 3º e 6º do artigo 18. principalmente. • Deve ser considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação e • É admitida a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis. incluindo aquelas potencialmente com maior impacto sobre o ambiente. ao contrário das atividades de exploração de recursos minerais e a caça. Assim. se analisarmos os objetivos inscritos no SNUC destas duas categorias (artigos 18 e 20). por estas populações. 17 . conquanto seus resultados subsidiem a conservação da natureza. Para as RDS. aliado ao histórico de cada uma delas. conferindo ao órgão gestor da unidade e. • A pesquisa científica é permitida e incentivada. e a capacidade de articulação do órgão gestor que irão definir se as atividades da unidade irão beneficiar a população local e a plena conservação do meio natural. chama atenção o fato de que é possível interpretar que a RDS tem por objetivo privilegiar a preservação da natureza em si. o que não é previsto nas RESEX: “o plano de manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável definirá as zonas de proteção integral. tanto amadorística. serão. podem eventualmente ser admitidas. e será aprovado pelo Conselho Deliberativo”. segundo o § 5º do artigo 20 da lei do SNUC: • A visita pública é permitida e incentivada. Corroborando esta interpretação. a seu conselho gestor. complementares às demais atividades desenvolvidas na RESEX. conquanto submetidas à legislação vigente e às normas da própria reserva. essencialmente. pecuária e exploração vegetal. dos recursos naturais da unidade. enquanto a Resex tem o de “proteger os meios de vida e cultura dessas populações”. conforme regulamento e o plano de manejo da unidade. capítulo III).

uma consideração sobre o inciso III do referido § 5º do artigo 20 da lei do SNUC. de uso sustentável. Com tantas responsabilidades – plano de manejo. de forma que eles possam efetivamente administrá-la e fiscalizá-la. que expressa preocupação com capacidade de suporte das RDS: quando é disposto que deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação. também merecem destaque: Diferente do que disposto legalmente para as Resex. aprovadas pelo conselho gestor (§ 6º. implantação e gestão de Resex. que diferenciam uma categoria da outra. artigo 20). zoneamento. também para esta situação. de acordo com a própria portaria 51-N e demais atos normativos vigentes. No entanto. o qual define as regras para a regularização fundiária na unidade e eleva as pessoas diretamente interessadas na criação das Resex ao papel de principais responsáveis pela administração da área. gestão da área.como o uso sustentável e economicamente viável dos 18 . foi o primeiro instrumento legal a detalhar os procedimentos para criação. condição para pertencer ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação. esta distinção expressa nos objetivos das Resex e RDS é mais um fator a ser considerado na definição de uma categoria de manejo para uma determinada área a ser protegida. a proteção aos ecossistemas passa. hipoteticamente. Para tanto. Esta exigência tinha a função de tornar explícito. sobre a regulamentação de Resex. o qual dispõe. No entanto. de amortecimento e corredores ecológicos. subentende-se que o número de moradores deve manter uma relação satisfatória com as dimensões da área. para as RDS. de abaixo-assinados dos moradores requerendo a unidade e se comprometendo pela sua administração. o conhecimento dos moradores sobre as conseqüências da implantação da unidade e seu compromisso pelo seu funcionamento. a referida portaria exigia que os processos para criação de Resex fossem precedidos pelo encaminhamento. suas áreas e normas sejam satisfatórias para a conservação ambiental e para a manutenção ou melhoria de qualidade de vida das populações locais. favorecendo a ocorrência de conflitos e de situações de desobediência à legislação e aos atos normativos específicos. dela tirando os recursos necessários para sua sobrevivência e reprodução sócio cultural em bases sustentáveis. aos órgãos ambientais responsáveis.897/90. Isto é. não constando. Cabe ainda em relação a esse tema. Duas outras questões. de forma análoga. reforçando o conceito de Contrato de Concessão de Direito Real de Uso. quando da assinatura da lei do SNUC tal dispositivo foi suprimido. principalmente pela obrigatoriedade de implantação de uma zona de exclusão de atividades econômicas. inclusive juridicamente. as reservas de uso sustentável podem hoje ser criadas sem o aval dos moradores da área e 2) não há garantias formais de que seus moradores irão se comprometer com as normas estabelecidas para esta categoria de unidade de conservação após sua criação. cabe principalmente ao conselho deliberativo da unidade a responsabilidade para que as zonas estabelecidas.Embora toda categoria tenha por objetivo primordial a conservação da natureza. capacidade de suporte. a também ser garantida pelo zoneamento da área. principalmente o decreto federal 98. os planos de manejo das RDS terão que definir zonas de proteção integral. A portaria IBAMA 51-N. de 11 de maio de 1994. como zoneamento e planos de manejo. conservação – e com tantos desafios . conforme descrito acima. ensejando duas situações: 1) paradoxalmente. pela primeira vez.

ESTUDOS DE CASO: OS PROCESSOS DE CRIAÇÃO. independentemente das propostas técnicas prévias. Mazagão. na região sul do estado do Amapá. Conservation International. cabendo nas consultas públicas apenas as discussões sobre a localização. a proposta para que a definição de categoria de cada nova unidade de conservação seja levada à discussão no processo de consulta pública. além de contemplar os direitos das populações locais. 5. 2004). MMA. esta consideração remete ao posicionamento de Vianna (op. WWF Brasil. inclusive. Secretaria de Turismo. torna-se no mínimo incoerente o fato de que as mesmas não precisem ser consultadas para a decretação da área. a melhor definição sobre a categoria mais adequada para cada situação. em publicação recente. sobre as diferenças legais entre reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável. propicia também. quando menciona que a criação das unidades de conservação deve ser precedida e pautada por um processo democrático que contemple a efetiva participação de todos os segmentos interessados. decreto estadual nº 1777 de 09 de julho de 1999 (dispõe sobre a criação do Conselho Consultivo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru). IMPLANTAÇÃO E GESTÃO DE TRÊS RDS ESTADUAIS. inclusive entre as instâncias executoras do SNUC. Fundo Brasileiro para a Biodiversidade. 19 . que teriam somente o papel de subsidiar as discussões (pp. Fundação Orsa Número de funcionários da UC: não há funcionário local. Tal procedimento. Pedra Branca do Amaparí. Sobre esse aspecto. Fontes principais de recursos : Governo do estado do Amapá (Secretaria do Meio Ambiente. Tal processo seria mais eficaz se. o enquadramento da área alvo de proteção em uma das categorias dispostas no SNUC fosse tema para discussão e negociação no processo de consulta pública para criação de nova unidade de conservação.Secretaria de Educação) Natura. mesmo porque também é recorrente a falta de maior compreensão. The Nature Conservancy e Instituto Internacional de Educação do Brasil apresentaram. a lei e o decreto que estabelecem o SNUC excluem esta possibilidade. a Diretoria de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente. no caso das unidades de uso sustentável. Área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru – 806. principal articulador para implantação do SNUC. RDS DO RIO IRATAPURU – AMAPÁ DADOS GERAIS: Nome como a unidade é conhecida na região: Reserva do Iratapuru Data de criação da RDS: 11 de dezembro de 1997 Responsável pela RDS: Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Amapá Atos normativos da RDS: Lei estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997 (criação da RDS). secretaria de Ciência e tecnologia. Finalmente. o Ibama e ONGs ambientalistas como WWF-Brasil. No entanto.cit.).recursos naturais – sobre os ombros das populações residentes nas RDS. dimensão e limites da área a ser protegida.38 & 39 do Caderno Gestão Participativa do SNUC – Série Áreas Protegidas do Brasil. FFEM.184 ha Municípios abrangidos: Laranjal do Jarí.

Um contexto político que expressa a preocupação com o fortalecimento das populações tradicionais pelas instituições públicas do estado. Ao mesmo tempo PDSA objetivou preservar a natureza e respeitar a cultura local. s/data). assegurando a permanência das comunidades tradicionais nas áreas que habitam e melhorando suas condições de vida (GEA. complexa cadeia funcional. andiroba (caraoa guianensis aubl). p. zinco. prata. embora seja questionado o reassentamento de algumas famílias quando da delimitação da unidade. Na região ainda estão alojados depósitos de manganês. 2001). ouro e ferro e têm favorabilidade à mineralização de cobre. dispõe sobre os critérios de 20 . a freqüência de essências de alto valor econômico. cipó titica (heteropsis jemniane) e na área de várzea o camu-camu (myrciaria dúbia). no seu artigo 20. a castanha do Brasil. promovendo mudanças na cadeia produtiva da castanha a fim de possibilitar a inserção. chumbo. o desenvolvimento industrial. platina. Acrescente-se ainda que a ação do governo de apoio ao extrativismo . como por exemplo: segundo o Código de Proteção Ambiental do Amapá “compete ao Poder Publico definir. 1999 in Barbosa. s/data). Além disso. com a instalação de pequenas unidades de transformação dos produtos oriundos do extrativismo e o desenvolvimento sustentável (Ruellan. afluente do rio Jarí. em escala industrial. definida com o resultado do equilíbrio entre os aspectos econômicos. (Brito. tinha por orientação priorizar também esta região na implementação de suas ações. A intenção maior do Governo do Estado do Amapá (GEA) com este programa foi a auto-suficiência na produção de alimentos. favorecendo resultados positivos na implantação da RDS. a formação estrutural de alto porte. O relevo é altamente acidentado – região de depressão da Amazônia setentrional e planalto de bacia sedimentar do Amazonas. em função da gravidade dos problemas ambientais predominantes na região.HISTORICO DE CRIAÇÃO: A RDS Iratapuru protege predominantemente floresta tropical úmida densa de terra firme: 80% da área da RDS (6925km²) é de floresta com domínio da castanha do Brasil (bertholletia excelsa H & B lecythidaceae). em prol da sua valorização e da sua modernização pretendeu proteger os recursos florestais do Estado. como por exemplo. A criação da RDS do Rio Iratapuru aconteceu no contexto do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA – instituído por meio do decreto estadual n 2453 de 14 de agosto de 1995) que “tem a sustentabilidade econômica como uma de suas principais diretrizes. A região sul do estado do Amapá foi priorizada para a aplicação de ações do PDSA. 2000 in Barbosa. nióbio e tântalo. sociais e ambientais das atividades produtivas” Brito (2001. com impactos profundos sobre a sustentabilidade dos recursos naturais e na qualidade de vida das populações humanas residentes. 2001). Possivelmente o estoque de castanha do Brasil dessa reserva transcende em muito as estimativas existentes. embora tenha provocado o reassentamento forçado de algumas famílias para área fora dos limites da reserva no processo de sua criação. (ZEE. Há espécies de grande valor econômico. implantar e administrar espaços territoriais a serem especialmente protegidos. 2001). Esta preocupação está intrinsecamente ligada à conservação no estado do Amapá. etc. A mesma lei. com grandes desníveis. O PDSA tinha o foco no fortalecimento das cooperativas e na melhoria dos meios de produção. o Programa de Proteção das Florestas Tropicais – PPG7. inclusive Unidades de Conservação. Esse ambiente caracteriza-se ainda pela sua riqueza em biodiversidade. bem como indicadores de mineralização de estanho. dos produtos regionais. Neste contexto a RDS do Rio Iratapuru foi criada. objetivando a efetiva proteção de amostras representativas de todos os ecossistemas e da diversidade biológica do estado e proteção de populações tradicionais” (artigo 19). copaíba (copaifera reticulata ducke). A RDS localiza-se na bacia hidrográfica do rio Iratapuru.9). dentre outras (ZEE.

está o fato da área estar regularizada e ser de domínio público. considera este uma das condições de sucesso da RDS. ficou fora dos limites da RDS. Convenção Climática. resumidamente. já que não tem que se desapropriada. Os considerandos arrolados no projeto de lei que justificam a criação da RDS são. o alerta da comunidade científica quanto à perda da biodiversidade principalmente nas regiões tropicais e suas conseqüências globais. Estas justificativas também estão presentes na lei de criação da RDS. expedido em Macapá em 16 de maio de 1997. Capítulo 15 da Agenda 21. Dentre as características ambientais que justificaram a criação da RDS está o fato de que na época haviam poucas áreas protegidas de terra firme no estado. No Amapá. por estarem numa área de propriedade da Jarí celulose. A categoria RDS adquiriu ali o sentido de inovação em termos de proposta de ocupação e uso territorial” (segundo ofício n 047/97 – Gabinete-SEMA. os seguintes: Convenção sobre Diversidade Biológica. as unidades de conservação do Amapá são vistas como instrumentos de valorização dos recursos naturais e humanos. quer seja por viabilizar a implementação da UC. se por um lado as UCs de uso sustentável na Amazônia tem um caráter de garantir acesso à terra. endêmicas. quanto a gestão da época em que foi criada a unidade de conservação. o incentivo a pesquisas cientificas e tecnológicas em matéria ambiental. lazer.classificação dos espaços territoriais especialmente protegidos. a criação da RDS do Rio Iratapuru foi considerada como “uma das ações institucionais que mais incorporavam as diretrizes do PDSA. o manejo de recursos da flora e da fauna. a proteção de populações tradicionais. apontado por praticamente todos. o desenvolvimento de atividades de educação ambiental. além do apoio das prefeituras e das populações usuárias moradores do entorno. no Zoneamento Ecológico Econômico do Estado (ZEE) os castanhais são apontados como “espaços juridicamente diferenciados com implicação no processo de gerenciamento destes recursos. Além disso. a proteção de espécies raras. vulneráveis ou em perigo de extinção. Os critérios são: proteção de ecossistemas. A área é cercada por unidades de conservação e este era o único espaço sem proteção alguma. o programa de desenvolvimento sustentável do Amapá – PDSA e o capítulo VI do título III do código de proteção ao meio ambiente do estado do Amapá.” O curioso é perceber que. Assim. 2001). tornando-a do Estado) tanto a atual da gestão da secretaria do meio ambiente. in Barbosa. Esta visão se deve ao fato de que na época a área da RDS caracterizava-se pela pressão migratória exercida sobre a exploração desorganizada da castanha e do minério. Entre as justificativas para criação da unidade de conservação. a manutenção da diversidade biológica. Em relação à propriedade da área ser pública (a discriminatória da TERRAP apontou a área como devoluta. além do acesso aos recursos naturais. A valorização dessas áreas vem sendo objeto de decisão em nível federal e estadual voltada à proteção dos recursos naturais e das populações tradicionais. quer seja porque assim há maior controle sobre a área. a principal beneficiária da unidade de conservação. cultura e turismo ecológico. neste caso isto não se confirma: a comunidade de São Francisco. necessidade de garantir a utilização econômica sustentável dos componentes da biodiversidade interesse do GEA em sensibilizar a população para a problemática do clima (efeito estufa) 21 .

Na verdade. com mais direitos que as demais. Em 2001 a população total estava estimada em 150 famílias As vilas estão em área pertencente à Jarí Celulose. o incentivo e apoio dos poderes publicas executivos e legislativos do município de Laranjal do Jarí. além d governo estadual. “a gente queria que criasse a RDS e queríamos que fosse proibido o uso dessa área por outras pessoas”. houve várias reuniões para discutir a criação da RDS.que o sul do Amapá é área prioritária para o Programa piloto para a Proteção das Florestas tropicais do Brasil – PPG7 /sub-programa política de recursos naturais que a porcentagem de 8% de proteção por unidade de conservação no Estado do domínio da Floresta Amazônica Densa é insuficiente que a situação fundiária da área esta regularizada. apesar de terem participado do processo de criação da mesma. só participam quando para resolver esse negócio da castanha. envolvendo as prefeituras e as comunidades do entorno. “Como estavam os representantes do Iratapuru. Seis comunidades são descrita por Brito (2001) vivendo no entorno da RDS do Rio Iratapuru: São Franscisco de Iratapuru. Retiro. Foi articulada uma coisa que seriam todas as comunidades beneficiadas. É unânime a percepção de que todas as comunidades foram chamadas a participar. a RDS não possui qualquer infra-estrutura administrativa até o presente momento). As reuniões foram promovidas pelo governo do estado: “Através da diretoria da cooperativa que chamava para as reuniões as vezes também vinha gente do governo. já que é a única que coleta nos castanhais. só a Vila de São Francisco foi beneficiada. Cachoeira de Santo Antonio.”. pelo rio Iratapuru.” “Quem chamou a comunidade naquela época foi um pessoal de fora. 22 . o parecer do Zoneamento Ecológico Econômica do Amapá – ZEE/AP. São Militão. Primeiro começou foi o governo agora está por conta deles ai da Amapaz. mas depois . Não há comunidades residindo no interior da RDS. o interesse das populações tradicionais extrativistas que ocupam a área Segundo depoimentos de todos os entrevistados pelo projeto. discriminada e inscrita como propriedade do Estado. mas as pessoas não vão. Entretanto a Comunidade de São Francisco de Iratapuru é a que fica mais próxima dos limites da RDS e tornou-se a guardiã da mesma ( o estado está ausente do local. da Cachoeira. além de ser privilegiada com todos os recursos e iniciativas relacionadas à unidade de conservação. Padaria e São Militão e outros nós sugerimos que fosse criada uma reserva para todas essa comunidades fossem incluídas. dentre estas comunidades. SITUAÇÃO ATUAL A RDS tem apenas uma entrada de acesso.”A reclamação maior é de que no processo de criação da RDS todos foram consultados e participaram. Não houve acordo formal. apenas São Francisco. Alguns entrevistados entretanto reconhecem. São José e Padaria. mas nós não assinamos nada que eu me lembre. Padaria e Santo Antonio. Houve uma audiência publica. mas no final só ficou o Iratapurú do lado de dentro”. Ai eles chamam para a reunião. “Nós participamos da reunião para a criação.” Mas as comunidades ditas do entorno se ressentem de não terem sido beneficiadas pela criação da RDS. age como se fosse comunidade moradora do interior da RDS. todas localizam-se no entorno da unidade de conservação. “Não participou quem não quis. que foi no Laranjal na quadra de esportes.

transpareceram serem iniciativas com pouca participação da população local. A RDS tem tido. inclusive. as ações. a RDS não esta totalmente demarcada. estão sendo cumpridos (excetuando a recreação/ecoturismo).”. “ Nos não temos o conhecimento do que é que vai ser feito. porque para que – e normatizar ação e atuação de cada ator presente na RDS Embora na agenda positiva do estado do Amapá (formulada na década de 90) conste como uma das prioridades se ação no tema unidades de conservação a demarcação do perímetro da RDS do Rio Iratapuru. não são integradas ou articuladas. Isso é um ponto importante porque se nós soubéssemos nós poderíamos reivindicar. e não em função de ações efetivas de gestão.o pessoal vem coletar açaí nativo. moradores da Vila de São Francisco de Iratapuru. quando a gente reivindica com relação a invasão para a pescaria . Parece que há a expectativa de que a gestão seja feita pelo governo. Um dos objetivos do seminário foi justamente o de definir o papel de cada instituição na RDS – o que. e muitos não se sentem representados por ela. Entretanto. Agora não temos contato com o atual técnico da SEMA em Laranjal do Jarí.”. nem todos os moradores de São Francisco são membros da COMARU. O governo do Estado não tem cumprido seu papel de articulador das ações. “A SEMA que cuida da gestão da reserva. educação ambiental”. considera que a COMARU tem função exclusivamente relacionada às atividades produtivas e está incentivando a criação de um conselho comunitário que representaria os moradores no conselho gestor. A Sema possui a responsabilidade de fiscalizar. Não somos informados de nada que acontece na RDS. diversos parceiros e investimentos de diferentes fontes nacionais e internacionais. Quando faz alguma prestação trabalho para a implementação da RDS existe muito pouca participação nossa. A COMARU – Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru – foi que demandou a criação da unidade de conservação e tem sido ela a interlocutora para todas ações e iniciativas relacionadas à RDS. os objetivos de gestão da unidade de conservação. As falas apontam para a pouca participação dos moradores: “Acho que gestão tem que partir do órgão do governo”. após 8 anos de criação da RDS. A comunidade já teve participação mas hoje em dia não tem mais. Entretanto. A atual diretoria. inclusive. Então a nossa participação é muito pouca hoje em dia. É a única organização formal da população local. Chama atenção o fato de os moradores entrevistados não terem conhecimento da implementação da reserva.” A ausência da SEMA na região foi comentada por vários entrevistados. em certa medida.A população usa apenas 5% da área da RDS para extrair produtos da floresta. Antigamente a safra do açaí era o ano todo agora a gente chega lá o pessoal já pegou estragou a maior parte. Ai a SEMA faz reuniões com relação a isso mas na verdade não acontece nada. Ficou claro durante o mesmo seminário que a comunidade estava conhecendo os resultados de algumas ações que vinham sendo desenvolvidas há algum tempo no local apenas naquele momento. Houve reclamação de que a SEMA não informa o que está acontecendo: “Sempre o pessoal da SEMA vem mas. até o momento. embora os fiscais efetivos sejam os associados da COMARU. geralmente o trabalho já vem de lá pra cá feito e a comunidade faz acatar. Por estes motivos. ao longo da sua existência. A safra começa agora e em julho já não tem mais. praticas produtivas. e tampouco se pautam por alguma diretriz do órgão gestor. Muitas delas. Então os planos para a RDS já chegam prontos de lá a comunidade aceita porque sabe que é bom. conforme expresso no “I Seminário sobre plano de manejo da RDS do Rio Iratapuru”. Um dos instrumentos de gestão que mais tem sido cumprido na RDS do Rio Iratapuru é “Cooperação internacional para promover a pesquisa cientifica. Se nós 23 . “Quando nos trabalhávamos com Wilis ( antigo técnico da SEMA) nós tínhamos muita informação e o gerenciamento era mostrado para a gente.

Esta Vila. de um técnico para ficar permanentemente na Vila de São Francisco do Iratapurú. “como é o caso do representante da Prefeitura Municipal de Laranjal do JARÍ.” Recentemente a SEMA iniciou o processo de elaboração do plano de manejo da reserva com a realização do “I Seminário sobre plano de manejo da RDS do Rio Iratapuru”. Atente-se ainda para a pouca compreensão sobre o significado do plano de manejo pelos participantes. que. Afinal. expresso no artigo 6º. sequer tenham sido convidados. embora ele estivesse funcionando na ocasião. O Conselho Gestor não está funcionando. Os idealizadores do seminário não levaram em consideração as atividades /ritmo da comunidade. grande parte da comunidade de São Francisco não tinha conhecimento do Conselho Gestor. “Agora este pessoal de cima nunca vão e depois ficam falando por fora. que. 24 .48).48) fragilizando a representatividade do conselho gestor. no interior da RDS não há moradores. a lei não deixa claro quem são estes moradores. Além disso. houve baixa presença da comunidade. As ongs apontadas não necessariamente representam esta população. não está presente de forma explícita a participação da população local diretamente afetada pela RDS. Entretanto. e tem a perspectiva de contratação. depois querem do jeito deles. Também esta sendo planejado a construção de uma casa da SEMA (com recursos da Conservação Internacional do Brasil) e a instalação de aparelho de radiofonia. tem sido a comunidade contemplada pelas ações relacionadas à RDS. que declarou não saber do que se tratava” (op. conforme colocado anteriormente. As demais comunidades estão marginalizadas deste processo. Interessante notar que na constituição do conselho gestor. e no entorno há algumas comunidades (o numero de comunidades varia tanto nos documentos quanto nos discursos dos entrevistados) entre elas a Vila de São Francisco do Iratapuru. A comunidade de São Francisco é representada pela COMARU. em sua pesquisa. Esta afirmação esteve presente também em entrevista com o responsável governamental pela gestão da RDS. embora tenham sido envolvidas e consultadas na ocasião da criação da RDS. O artigo 5º (Lei estadual nº 0392/97) define que os atores sociais envolvidos direta ou indiretamente na criação e implantação da RDS como responsáveis pelo manejo e gerenciamento da RDS.cit. A iniciativa do seminário também foi um avanço para a organização da gestão da RDS. já que o poder público se propôs ser o elo articulador das diferentes ações e parceiras em andamento na unidade de conservação. O mecanismo de gestão que viabiliza a participação dos atores e segmentos envolvidos na RDS é o conselho gestor.”. Entretanto. ainda. “os poucos que participam não comunicam aos demais as decisões tomadas nas reuniões” (Barbosa. A autora acrescenta ainda que os representantes municipais não tinham participação efetiva no conselho gestor. Grande parte dos moradores de São Francisco estavam puxando castanha rio acima. com apoio da Conservation International. embora a intenção tenha sido discutir com a comunidade estas ações e a proposta do plano de manejo.soubéssemos dos projetos e se ele fosse viável aqui para a comunidade seria muito bom para incluir também o que a gente precisa. 2001. p. descreve. talvez. 2001. Pareceu haver uma confusão sobre plano de manejo da unidade de conservação e plano de uso dos recursos. não havia nenhum representante de moradores das demais comunidades de entorno da RDS. Eles não percebem as coisas porque não vão na reunião para saber como é e como não é. Questiona a representatividade e legitimidade das decisões. p. Barbosa. sendo os moradores os principais atores. pois além deste desconhecimento.

abrindo espaço para a entrada dos marreteiros ou atravessadores ao longo do Iratapuru. A caça e a pesca são muito comuns na comunidade.55) A biodiversidade local é utilizada pela comunidade para consumo próprio: alimentação. As vezes um pega castanha do outro e não pode abrir porque outro reclama”. Exploram também “ (. que. “Regularizar as colocações porque isso ainda não existe. já que no local teriam maiores possibilidades de acesso aos serviços de saúde e à escola. construção de casas. poderiam fazer parte do conselho gestor. os atravessadores não forneciam a mesma assistência . 2001). já que o mesmo tem a responsabilidade de analisar e deliberar sobre todas as matérias pertinentes à RDS. p. inclusive. e para comercialização: castanha do Brasil ( bertolletia excelsa). 2001. pelos descendentes diretos dos trabalhadores vindos do Pará e do Nordeste.(Barbosa. tratamento de doenças. principalmente de subsistência (roça) . e em menor escala a copaíba (copaifera spp). conforme colocado acima. criar um posto aqui dentro pois se a reserva é do governo e ela deveria cuidar melhor.) o cumaru. Algumas pessoas trabalhavam no garimpo. implantada ali pelo governo do estado na ocasião. “Demarcar a reserva e incluir as nossas comunidades nos projetos.” (Batista 2001.. na sua grande maioria. Estabeleceram-se a 300 metros do rio Jarí em busca de melhores condições de vida e trabalho. a pequena criação de animais. CARACTERÍSTICAS DA OCUPAÇÃO DA VILA DE SÃO FRANCISCO DO IRATAPURU: A comunidade de São Francisco do Iratapuru.” Uma prioridade comum apontada pelos entrevistados é a presença efetiva da SEMA na unidade de conservação: “Acho que a Sema deveria fiscalizar melhor. “O que acho que falta é um projeto que trabalhe as outros produtos da mata como a seringa. a madeira porque depois da época da castanha nós não temos outra atividade”.”. p. esta atividade 25 . os moradores estão iniciando um processo de organização de um conselho comunitário. embarcações e confecção de instrumentos e artefatos. gripe. é composta. Chama a atenção também o fato de que há inúmeras ongs sócio ambientalistas atuando na RDS. a figura deste tipo de organização não está prevista na lei de criação da RDS. o alimento mais apreciado e valorizado na comunidade (segundo Brito. breu branco (protium pallidum).. que é uma fruta que a gente vai ver se vende pra fazer remédio pra pneumonia. Os pescadores que pescam no lago tiram um bocado de Piranha e tucunaré que aqui tem muito e deixam sempre um monte de tucunarezinho que largam na beira do rio e fazem o maior estrago. e que teria assento no Conselho Gestor. Quanto às prioridades de gestão da RDS. para o estabelecimento da venda ou da troca de produtos do extrativismo floresta por mercadorias.No caso da RDS do Rio Iratapuru.55) A formação atual da vila de São Francisco de Iratapuru iniciou-se com a concentração de 6 famílias vindas do alto Iratapuru para a foz do rio. na área de saúde e de favores diversos. “ este deslocamento ocorreu devido à retirada dos patrões e o conseqüente desmantelamento do sistema de aviamento. a agricultura. que representaria toda a comunidade de São Francisco. fornecida anteriormente pelos patrões. Há cerca de 10 anos iniciaram seu deslocamento em direção à foz do rio.”. bem como empresas privadas.” (Batista 2001. “Queria regularizar a situação das propriedades do entorno da reserva porque a gente mora aqui”. os moradores apontaram as seguintes: “o escoamento da produção”.”. “Depois que criaram a reserva proibiram o marisco para vender e a caça. a caça e a pesca. “estas famílias exerciam originalmente o extrativismo de produtos florestais.. Porém. “Acho que o que deveria ser feito é incluir esta área à RDS desde a cachoeira das Panelas até aqui. Inicialmente esta população de ribeirinhos viviam à margem do Iratapuru e dos seus afluentes.”A carne de caça é. como atores sociais envolvidos. localizada na região do Jarí. Mas. o cacau.

A COMARU foi fundada em 1995. farinha. Apesar de coletarem outros produtos da floresta. planta mandioca . Também criam pequenos animais. E ainda tem a possibilidade de produzir óleo de copaíba. As demais comunidades do entorno da RDS do Rio Iratapuru não tem qualquer tipo de organização formal . a Secretaria de Meio Ambiente do Amapá. medicinais e ornamentais. possibilitavam mais espaço disponível em volta das casas para a formação deste quintal. Esta prática era mais comum quando moravam mais afastados. o contrato também prevê a implementação de um projeto de desenvolvimento sustentável comunitário para a população de Iratapuru e a associação da imagem do estado do Amapá na venda dos perfumes. Já o breu branco foi objeto de contrato firmado entre o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) do Ministério do Meio Ambiente. planta banana. mandioca. utilizado para desenvolver uma linha de perfumes. pracaxi. uxi e explorar o camu camu. hortaliças e condimentos ao redor das casas. além do biscoito. “Fazemos roça pra sustento. denominado propriedade. Por depoimentos recolhidos por Barbosa. A agricultura em pequena escala complementam as necessidades de subsistência da comunidade. as moradias anteriores. beneficiamento e comercialização da castanha do Brasil. milho feijão. arroz. responsável pela gestão da reserva. esta vila tornou-se o símbolo de “desenvolvimento sustentável” do sul do estado do Amapá. Os proprietários têm status na comunidade e algumas vezes viram patrões. Em comparação às demais vilas da região pode-se considerar a Vila de São Francisco como próspera: a maioria dos moradores possuem bens como embarcações motores e motoserras e devido ao preço alto da castanha . A principal atividade econômica da RDS é o extrativismo. para uso desta matéria prima com repartição de benefícios. ORGANIZAÇÃO SOCIAL A Vila de São Francisco do Iratapuru está organizada em torno da COMARU – Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru . Além disso. como desdobramento da construção de uma pequena usina de beneficiamento da castanha do Brasil. 26 . óleo e sabão da castanha. intencionado beneficiar 18 famílias diretamente e 15 indiretamente. ficam regularizados os trabalhos da Natura com o breu branco (Protium pallidum) fornecido pela comunidade da Reserva Estadual de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru. O termo designa uma organização espacial estabelecida pela comunidade: a família que explora a área permanentemente por alguns períodos de safra sucessivos permite ao explorador o status de proprietário. e a Comunidade do São Francisco do Iratapuru. controlando a produção de seus castanhais. Este termo não se refere à questão fundiária. Produzem a amêndoa desidratada. a montante de onde se localizam hoje. visto que as colocações localizam-se em terras de domínio do Estado. A pesca supre as necessidades alimentares da comunidade (os rios Iratapuru e Jarí são muito piscosos). macaxeira”. Com isso. planta cana.necessita inclusive de monitoramento). mas não para vender” . órgão que licencia o uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais no país.“Faz uma rocinha. pela iniciativa de 22 moradores de São Francisco do Iratapuru . Plantam árvores frutíferas. 2001. O contrato garante a repartição de benefícios pelo uso correto da biodiversidade brasileira. por meio da COMARU. Nas entrevistas ficou claro que há uma norma estabelecida pela comunidade para regular a apropriação do espaço de coleta da castanha. apenas a castanha do Brasil é beneficiada. localizadas nas colocações.

embora nem todos os castanheiros moradores desta comunidade sejam associados. Por exemplo. 27 . que deixarem de ser apenas coletores de castanhas para se transformar em fabricantes de produtos derivados das amêndoas. Ações deste tipo são investimentos na melhoria das condições de trabalho e na qualidade de vida das famílias moradores da Vila de São Francisco. como o PD/A ( MMA) e FUNBIO. A criação da RDS do Rio Iratapuru trouxe investimentos para a área. A organização interna da Vila é controversa. a COMARU se beneficiou das ações do PDSA. Como dito anteriormente. por meio de parcerias com instituições governamentais e não governamentais e organismos internacionais.5% de seu lucro da venda dos produtos obtidos a partir das matérias primas adquiridas na RDS para a comunidade. Foi adquirida através de projetos a quantia de um milhão de reais em um período de 10 anos para a cooperativa se estabelecesse e criasse a estrutura que possui atualmente. A cooperativa há tempos recebe assistência de diversas entidades governamentais e não governamentais. Todas as negociações com agentes externos são feitas através da cooperativa. Inúmeros projetos para implementação de benfeitorias e oportunidades junto à comunidade de São Francisco injetaram recursos na comunidade desde a criação da COMARU e principalmente após a criação da RDS. foi a COMARU quem demandou a criação da unidade de conservação e desde então tem sido ela a interlocutora para todas ações e iniciativas relacionadas à RDS. abrangendo várias cooperativas com atividades agroextrativistas no sul do estado. o projeto Castanha do Brasil. Na época do governo de Capiberipe toda produção de biscoito de castanha era comprada pelo governo por um preço acima do mercado para serem distribuídas na merenda escolar como forma de subsidio a produção. Ela é a organização dos castanheiros da Vila de São Francisco do Iratapuru. Atualmente recebe investimentos da empresa Natura a qual possui um contrato para a compra de óleo de castanha e todos os esforços da cooperativa estão voltados para cumprir este contrato. com os seguintes eixos estratégicos: propriedade da terra. Citam a COMARU. Colaborou também na obtenção de recursos financeiros para desenvolvimento de projetos. Houve quem justificasse a pequena participação dos moradores no Seminário organizado pela SEMA devido ao fato de o vincularem a uma evento da cooperativa.A Cooperativa tem um histórico que se confunde com a própria história da RDS. A Natura financiou a reconstrução da fabrica incendiada e por ano libera 0. mas desavenças estão presentes em diferentes falas: “Estão organizado pela cooperativa mas tem gente que nem vende a castanha para a cooperativa e não participa das reuniões. educação. agricultura. e muitos sequer a reconhecem como representante de seus interesses. entre outros. tornando-a a representante e interlocutora da comunidade junto ao órgão gestor da RDS e agentes externos presentes. beneficiamento de produtos florestais não madeireiros. Entre eles. Inclusive no estatuto da COMARU não consta nenhuma cláusula que se refere à RDS. Afora a Vila de São Francisco. Mas a COMARU além de realizar sua função empreendedora também se coloca como representação da Comunidade e seus diretores tomam para si decisões que vão além de suas atribuições.” CONSEQÜÊNCIAS DA CRIAÇÃO DA RDS A criação da RDS acarretou a ampliação das atividades da COMARU e conseqüentemente ocorreu uma significativa melhora na qualidade de vida dos moradores da comunidade de São Francisco do Iratapuru. todos reconhecem que as demais comunidades não estão organizadas.

como resultado da orientação da RDS . senão. que a cita em todos os documentos de divulgação do governo. CONSIDERAÇÕES: O processo de implementação desta RDS não representa a realidade da criação e implementação das unidades de conservação neste país.” A RDS é a presença do estado na região. Com o manejo da Floresta a gente tenha uma renda melhor e que além destas pessoas que nos ajudam venham outras pessoas para contribuir para o nosso crescimento. que é um projeto novo. 28 . estava cheio de garimpeiros ai pra dentro. Hoje nós temos que zelar por essa natureza. teve apoio significativo do governo do estado para o fortalecimento da população usuária dos recursos da reserva.”. “Eu espero que a RDS tivesse um prédio da SEMA com um funcionário”. A RDS é uma vitrine para o GEA.”. a RDS tem sido alvo de aportes significativos de recursos nacionais e internacionais. As comunidades que habitam a floresta estão envolvidas com o extrativismo da castanha-do-brasil. “Na região Sul encontra-se a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru com seu ecossistema rico em biodiversidade e habitado por populações tradicionais. Novamente houve quem demonstrasse interesse na maior presença da SEMA na unidade de conservação. que tenha trabalho e transporte. A RDS do Iratapuru foi criada para manter o equilíbrio ecológico e proporcionar a exploração sustentável dos recursos naturais da região.” Os depoimentos apontam ainda a segurança e as oportunidades que a criação da RDS trouxe para a comunidade. transformada com a implantação da fábrica. farinha e principalmente no biscoito.” Outros apontaram para a possibilidade de diversificar os produtos coletados: “Poder explorar outros recursos como o breu. Hoje em dia as pessoas moram aqui na vila. ai nossa vida melhora. portanto o lixo é trazido de volta. quer seja de formação quer seja de parcerias:“Bons. com aportes financeiro significativos para agregar valor à produção e fortalecimento da organização social.”. para o ecoturismo.” Há também a consciência de garantir estoque pesqueiro: “Existem uma família que não esta preocupada com o meio ambiente e estão realmente degradando porque eles trazem pescadores lá de Laranjal para caçar e pescar com malhadeira proibida e nós que temos que pescar para o nosso sustento não usamos malhadeira.”Que a gente possa trabalhar e que nosso produto seja valorizado. Agora nós temos isso quase como uma ordem aqui e tem que ser cumprida. por exemplo. É tanto peixe que a gente pega!”. “Foi muito bom porque a gente agora tem mais segurança e a RDS proporcionou a vinda de pessoas do governo e da Natura e FFEM que nos ajudam a crescer.Quando foi formada a RDS eu tive muita orientação para minha vida”. Além disso. A RDS do Rio Iratapuru. Antigamente era uma viagem de 3 a 4 horas para chegar na casa de alguém.”A RDS trouxe muita gente pra cá que ajudou na nossa instrução.Os depoimentos sobre as conseqüências da criação da RDS retratam a unidade de conservação como um fator de mudança para o entendimento da temática ambiental uma apropriação da população local. o cuidado com a destinação do lixo: “A criação da RDS trouxe muita orientação para nós. a pesca pra vender. eu pretendo plantar castanheiras para a conservação da natureza e pela preservação de meu trabalho porque vivemos da natureza. “Espero que a situação seja regularizada. em óleo. a Copaíba.” O futuro das próximas gerações também está associado à idéia de conservação: “o que eu faço. Antigamente não havia preocupação em não deixar lixo nos barracos para cima no rio. Citaram por exemplo . desde sua criação.Nós temos que pensar também nos nossos filhos.”. porque não entra gente de fora para tirar a castanha e nem pescar. Os informativos turísticos do Estado também citam a RDS como um atrativo.

Estas comunidades têm direito de se 29 . é um elo de união de grande parte dos membros da comunidade. nesse processo com a Natura.A RDS do Rio Iratapuru pode ser considerada uma unidade de sucesso já que cumpre os objetivos de conservação e melhoria da qualidade de vida da população local. em parte devido ao fato de que algumas famílias desalojadas da área da RDS quando de sua criação. Infere-se que há pouca participação (efetiva) da comunidade e de seus representantes nas discussões e tomadas de decisão. deve ser motivo de reflexão e referencia para definição da capacidade de suporte do local. As famílias novas que moram na parte de cima são excluídas de algumas decisões e poucos participam das reuniões da comunidade. Precisa-se buscar uma melhor transparência. a comunidade e ao segmento gestor responsável pela a área. Um aspecto favorável à gestão participativa presente na RDS é a COMARU. A comunidade apresenta-se dividida entre as famílias tradicionalmente moradoras do local e aquelas que recentemente se estabeleceram. demonstram que é restrito a um pequeno grupo de pessoas. o segundo no Brasil com este caráter. Falta uma instituição que represente a comunidade na gestão da RDS. que foi objeto de contrato pioneiro de acesso ao recurso da biodiversidade. gerando repartição de benefícios para a comunidade. que apesar das desavenças existentes. As comunidades de fato passaram a agregar valor nas suas atividades a partir da criação da RDS. Deveria também definir critérios de acesso à RDS. também provocou grande visibilidade para a RDS. alguns pontos devem ser considerados: Falta de participação efetiva da comunidade na COMARU. Os moradores entrevistados não têm conhecimento da implementação da reserva. do saber local. seja em relação à cooperativa. Esta divisão é percebida quando se nota que os atuais diretores da COMARU pertencem às famílias antigas. “ajudando a conservar a biodiversidade e fortalecendo as populações tradicionais locais”. Pelas entrevistas realizadas com os moradores das assim chamadas comunidades de entorno da reserva foi possível perceber uma marginalização com relação ao uso dos recursos da RDS e a falta de informação a respeito da demarcação e objetivos da reserva. O contrato firmado com a Natura. O plano de manejo deveria estar atento às necessidades territoriais da população e definir o modelo de monitoramento das variáveis sociais e ambientais que condicionam o padrão de ocupação na área afim de responder à evolução das necessidade territoriais ao longo do tempo. pelas condições de serviços e acesso à recursos presentes no local. A Natura também fatura com o marketing de ser parceira de unidade de conservação de desenvolvimento sustentável. é a valorização do conhecimento tradicional.” A chegada de novos moradores também é um fator de preocupação mencionado pelos entrevistados. Ainda assim. Não há controle de entrada de novas pessoas. e desdobramento da criação da RDS. Ataques verbais são comuns entre os dois lados. O fato de que a Vila de São Francisco vem se tornando um pólo de atração migratória. A inexistência do conselho gestor compromete a gestão da RDS. O relatório do “I Seminário sobre Plano de Manejo da RDS do Rio Iratapuru” aponta que “Em relação à socialização das informações produzidas e atuação na reserva. Falta de integração entre os diferentes setores do GEA para as ações na RDS. Outro fato interessante. Duvidas como essa: O que está sendo discutido com a comunidade? O que os parceiros estão desenvolvendo? Por que estão fazendo/ que mandou e/ou autorizou fazer? Parece exemplificar como vem sendo feito o controle.

HISTÓRICO DA CRIAÇÃO Originalmente Mamirauá foi decretada em 1990. por meio de processos participativos.411. de 16 de julho de 1996 Inicio de implantação da RDS: 1991/ 1992: Projeto Mamirauá. A proposta de criação da unidade de conservação foi formulada pelo biólogo José Márcio Ayres e visava proteger o hábitat dos primatas uacari-branco e macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta. tendo a cidade de Tefé com principal referência urbana. ameaçados de extinção.124. Fontes principais de orçamento: Gov. IPAAM. Esta categoria. Brasileiro. categoria de manejo que até então não existia.411. na confluência dos rios Solimões. mostrava-se incompatível com o modelo de gestão participativa que se pretendia implantar. A área em que residem pertence à empresa Jarí ( Grupo Orsa) e as atividades de extrativismo são realizadas sem nenhuma autorização ou acordo com a mesma. assim como responsáveis. Cooperação . A sociedade civil Mamirauá foi criada em 1992 Responsável pela RDS: Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá .1996 Área da RDS Mamirauá: 1.386 de 09 março de 1990 (criação da Estação Ecológica Mamirauá). de 16 de julho de 1996 (criação da RDS Mamirauá). como proprietários dos recursos naturais. decreto estadual 12. encontram-se marginalizadas do processo de implantação da unidade de conservação. EU). Hoje são em torno de 137 funcionários. A Comunidade de São Francisco sente-se no direito de uso da RDS. ao mesmo tempo em que promovesse a proteção de grandes áreas de florestas tropicais. pelo Governador do Estado do Amazonas ( decreto n° 12836/90). A intenção foi legalizar e viabilizar a permanência e o envolvimento das comunidades locais na gestão de seus recursos naturais. Numero de funcionários da UC: Os Funcionários são do Instituto responsável pela Unidade.000 hectares. Internacional (Grã-Bretanha). Estação Ecológica. No entanto. entre técnicos e operacionais. A proposta da categoria caracterizava-se pela conjugação de três dimensões: preservação do patrimônio natural. plano de manejo da RDS Mamirauá . Localização: Situada a 600 quilômetros a oeste de Manaus. RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ DADOS GERAIS: Nome como a unidade é conhecida na região: Reserva Mamirauá Data de criação da RDS: Lei estadual Número 2. o fato de ser uma reserva estadual facilitou que o desenvolvimento das propostas de trabalho fosse “tolerado” pela Secretaria de Meio Ambiente Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas.124.000 ha (1990). como Estação Ecológica Estadual. criado em 1999 Atos normativos da RDS: lei estadual Número 2. entretanto. PRÓ-MANEJO. Embora tenham sido envolvidas no processo de criação da RDS. Em 1996 Mamirauá foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável. É importante ressaltar. segundo depoimentos. pesquisas sobre biodiversidade e combate à pobreza pela promoção de ações de desenvolvimento sustentado. que estas comunidades não possuem organização alguma. com uma área de 1. ONG’s Internacionais (WCS.beneficiar das ações que vem ocorrendo na RDS.IDSM. Japurá e Auati-Paraná. 30 .

Entretanto. “A organização de um sistema para participação comunitária foi facilitada pela existência não só do movimento de preservação de lagos mencionado anteriormente como também pelo fato das comunidades já terem uma organização política formada e terem uma prática de discussão democrática de seus problemas desenvolvida desde o final da década de 1960 pelo movimento de Educação de Base (MEB) . A Sociedade Civil Mamirauá e posteriormente o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.“O envolvimento de populações humanas em unidades de conservação: a experiencia de Mamirauá. sócio economia e participação comunitária (levantamentos sócio-econômicos. muitas comunidades já possuíam uma liderança política eleita pelos moradores. p.38. outro fator que contribuiu decisivamente para a organização da população foi a presença de movimentos sociais (movimento de pescadores. SCM . Da mesma forma. acaba se refletindo nas disposições para RDS inseridas na lei do SNUC. Mamirauá teve um aporte significativo de recursos nacionais e internacionais. experiencias inovadores e a nova legislação (SNUC). anfíbios e mamíferos aquáticos). 31 . João Paulo & Ramos. dispersão de sementes). organização sócio-produtiva. empreendido pelos pesquisadores do Projeto Mamirauá. São Paulo: Instituto Socioambeintal.Mamirauá: Plano de Manejo. Segundo Deborah Lima. por exemplo. apesar da demanda para a criação da unidade ter se baseado em aspectos notadamente ecológicos. E é esta demanda predominantemente ecológica que. fato inédito na história das unidades de conservação deste país. Sobre este aspecto. Resultado do processo dialógico e da avançada organização comunitária. Os recursos facilitaram também o processo de envolvimento da população moradora na proposta da RDS. o decreto que cria Mamirauá apresenta como seu principal objetivo o desenvolvimento sustentável das populações que habitam a área.Esta RDS é citada pela maioria dos entrevistados como o modelo para a criação e inclusão desta categoria de manejo no Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Movimentos de Educação de Base) que propiciou um processo histórico de diálogo e participação desde a década de 70. p 47. 1996. sistemas aquáticos (limnologia. a concepção original da RDS de Mamirauá é “de uma área protegida que concilie os objetivos de preservação da natureza aliada à melhoria de qualidade de vida de seus habitantes” ( in CNPQ/MCT/ IPAAM . lei promulgada em 2000. caça. p 17). o processo de criação desta UC não representa a realidade da criação e implementação das Ucs neste país. In Capobianco. Quando se iniciou o processo de busca da conciliação da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável das populações humanas residentes. foram também os principais articuladores para a inclusão desta categoria no SNUC. levantamentos florestais e de fauna. ficou pronto no mesmo ano da criação da RDS. a partir de 1992 (ano de criação da Sociedade Civil Mamirauá). Fruto de luta de pesquisadores que consideraram a área de valor biológico e ecológico único. que define como objetivo básico desta categoria a preservação da natureza. estudos de mercado para a espécies nativas e extensão em saúde educação ambiental). O plano de manejo. que financiou atividades de pesquisa em diversas áreas: pesquisas sobre sistemas terrestres (manejo de espécies. por sua vez. embasado em 4 anos de pesquisa cientifica. SCM. biologia de peixes comerciais e ornamentais. propositores e incentivadores da criação da RDS Mamirauá. Além disso. 1006 (Documentos do ISA n 1). desde 1980 já havia um movimento de preservação dos lagos comunitários: “o projeto Mamirauá teve como vantagem a preexistência de um movimento ecológico local e a maturidade política das comunidades já organizadas e com prática de discussão de seus problemas comuns” in CNPQ/MCT/ IPAAM Mamirauá: Plano de Manejo. extração de madeira. Adriana (orgs) Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais.

A presença de importantes espécies de vertebrados ameaçados de extinção também é um fator relevante na fauna de Mamirauá”.151) Queiroz descreve a biodiversidade e a diversidade cultural de Mamirauá: “A fauna encontrada em Mamirauá apresenta um alto grau de endemismo.” (Santilli. “Em curto prazo o modelo envolve custos maiores que a não consulta e que a retirada da população. SCM. in CNPQ/MCT/ IPAAM . É uma região de florestas inundadas que permanecem seis meses submersas e sofrem variações anuais de até 12 metros dos níveis das águas. SCM 3.47 A RDS Mamirauá é a maior unidade de conservação da várzea amazônica. são as seguintes|: 1. binômio pobreza e devastação.Por ser a “inspiradora” da categoria de manejo RDS tal como incluída no SNUC. em Mamirauá.Mamirauá: Plano de Manejo. que são paulatinamente exportados às regiões vizinhas por meio das mais distintas formas de carreamento. Helder. É considerada área úmida/alagada (wetland) de importância internacional pela Convenção de Ramsar. mas por outro lado propiciam o surgimento de adaptações únicas que podem definir especificações e endemismos neste ambiente. in CNPQ/MCT/ IPAAM . Mamirauá é considerada um exemplo e modelo para outras RDS.São Paulo: Peirópolis. Neste sentido.. cortada por centenas de lagos que formam sistemas aquáticos intercomunicáveis entre si e com os rios. Há. dos quais dependem para sua sobrevivência”. As várzeas da Mamirauá funcionam também como um grande depósito de nutrientes. como assegura a manutenção do modo de vida local a partir de definição de estratégias de uso sustentado dos recursos. Santilli descreve a RDS como “(.Mamirauá: Plano de Manejo. elas continuam existindo em níveis satisfatórios (com algumas poucas exceções). SCM 2. As justificativas para criação da RDS Mamirauá. porém. por um lado. que “mostra que o subdesenvolvimento leva à pressão naturalmente maior sobre os recursos naturais. e se ocupa de um ecossitema específico. uma fauna mais diversa que nas áreas circundantes. permanência da população habitante pode evitar gastos com desapropriações e remoções. expressos no Plano de Manejo. a participação comunitária garante não só o apoio político local e menores custos de fiscalização da implementação de normas de conservação. o número de espécies que consegue sobreviver a tão dramática dinâmica. 2005 Realização IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil e ISA – Instituto Socioambiental . promover um sistema de vigilância mais barato e efetivo e evitar colapso da economia local.p.” in Queiroz. Sua longa história nos relata o processo de consolidação desta categoria. pois o envolvimento da comunidade requer um processo longo de negociações desgastante e que necessita de pessoal qualificado para mediar os conflitos. mas. As difíceis condições criadas pelas enchentes prolongadas a cada ano limitam. Em longo prazo. 32 .Mamirauá: Plano de Manejo. a reserva cumpre um papel de berçário para vários recursos naturais que lá nascem e amadurecem antes de partir para aqueles pontos externos onde serão captados. bem como desvenda suas lacunas e possibilidades.. Juliana: Socioambientalistmo e novos Direitos – proteção jurídica à diversidade biológica e cultural . as áreas úmidas.) uma grande ilha de florestas inundáveis. uma vez que os modelos desenvolvimentistas adotados geralmente estão assentados sobre o uso à exaustão destes recursos” in CNPQ/MCT/ IPAAM . também como os peixes. p. Boa parte dessas espécies é explorada pelas populações amazônicas em muitos locais. que foi firmada em 1971 e entrou em vigor em 1975.

usuários dos recursos naturais da RDS. é a seguinte: Comunidades: termo adotado pela maioria dos assentamentos da região. não são encontradas propriedades. constante no plano de manejo da RDS. devido às articulações.org. Rapidamente a unidade de conservação organizou sua estrutura e começou o processo de implantação do plano de manejo.mamiraua. Ocupação: Foram definidos 8 setores que reúnem o conjunto de 3 categorias de ocupações – comunidades/sítios e bairros isolados. implantação. que foi o apoio científico. com envolvimento da academia e um grande leque de pesquisadores. SITUAÇÃO ATUAL A implantação desta RDS continua procurando conciliar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento social. posteriormente apoiada por diversas instituições de extensão rural. Disponível no site do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá: www. Existem pessoas que têm um certo tempo de moradia e que se dizem proprietários. e que possuem uma liderança política eleita pelos moradores. De modo geral os entrevistados entendem que a RDS tem a função de conservar para garantir os recursos naturais utilizados para sobrevivência pelas populações moradores e usuárias. o biólogo Marcio Ayres e demais cientistas envolvidos. Refere-se às localidades que adotaram a proposta da Igreja. Setores: grupos de assentamentos vizinhos Os moradores do entorno são.Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. prestígio científico e sensibilidade do principal defensor da idéia. e o aporte de consideráveis recursos da cooperação internacional. Comunidades/sitios família população n° Interior 39 Entorno 65 Total 104 Dados 1999-2002 318 833 1151 1596 4486 6082 Isolados Total família população n° família população n° 13 28 41 44 74 118 215 345 560 52 93 145 362 907 1269 1811 4831 6642 A definição destes termos. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. não organizados segundo o modelo de comunidade. buscando a melhoria das condições de vida das populações locais. Sítios: núcleos populacionais menores. geralmente. posteriormente.br A RDS Mamirauá teve condições muito específicas no contexto de sua criação e. 33 . sobretudo através do CNPQ.

Edna Ferreira – Histórico da Ocupação Humana e Mobilidade Geográfica de Assentamentos na área da Estação Ecológica Mamirauá in ANAIS – IX Encontro Nacional de estudos Populacionais – volume 2. que a defesa dos lagos é de interesse direto dos moradores. propõe a indicação de variáveis sociais e ambientais que condicionam o padrão de ocupação na área. A deliberação de todas os assuntos acontece com a participação das comunidades. para propor sua participação na implantação da reserva. em que primeiramente foi feita uma consulta à população residente. é que a mesma tem pequena área habitada. Foi somente porque houve uma resposta positiva da maioria da população. segundo depoimento. texto de Deborah Lima sobre o histórico de ocupação humana e mobilidade geográfica de assentamentos na área da então estação ecológica de Mamirauá. pelo fato da reserva ir de encontro ao movimento comunitário de preservação de lagos iniciado nos anos oitenta. quanto à migração. “A decisão sobre as limitações da mobilidade da população e a proibição ou não de novas fundações deve levar em conta as necessidades da população. em entrevista. um dos entrevistados citou que moradores que foram embora da área quando os recursos estavam escassos estão num movimento de retorno em função das dificuldades encontradas na zona urbana e das noticias de que os recursos se tornaram abundantes na região. Já em 1994. ainda não formalmente implantado na RDS. Belo Horizonte. 1994. tipo de organização social já existente antes da criação da unidade de conservação. poder público. que se deu continuidade aos trabalhos. A este respeito. tanto no que diz respeito ao seu crescimento.) A intenção de transformar um 34 . As terras de várzeas são freqüentadas para uso dos recursos. como proposto pelo decreto de criação da UC e posteriormente pelo plano de manejo. pois exige representações diferentes. Este modelo informal está sendo repensado para se adequar à determinação da Lei do SNUC que define como deve funcionar o conselho gestor. A RDS é dividida por setores. ongs e institutos de pesquisa nas Assembléias Gerais. As reuniões setoriais têm a participação dos presidentes das comunidades. A intenção é que o plano de manejo atenda adequadamente às necessidades territoriais da população local e defina o modelo de monitoramente destas variáveis a fim de responder à evolução das necessidades territoriais ao longo do tempo. Deborah Lima menciona a cerca da participação da população que “o envolvimento da população se deu a partir de uma série de articulações muito difíceis. Deborah e Alencar.. Deborah Lima depõe. Esta situação é motivo de geração de conflitos. Uma facilidade na implantação da RDS.Não foi apontada a presença de grandes empreendimentos: “não temos conhecimento nesta área de proprietários que queiram fazer investimentos e modificar o local” (depoimento do pesquisador de campo).. mas são desabitadas. categorias diferentes.” in Lima Ayres. ABEP – Associação Brasileira de Estudos Populacionais . e os representantes dos diversos setores têm assento na assembléia geral. O decreto de criação da RDS também explicita preocupação com a dinâmica de ocupação da população. (. a formalização do conselho gestor tem dificultado a participação. sejam estas necessidades de natureza ambiental ou social. Segundo depoimento. Até o momento não obtivemos informações sobre se há mecanismos regulatórios neste sentido ou uma política de ocupação da área. Participação: Todo o processo de criação e implantação da RDS teve a participação da população local. que não tinha conhecimento da demarcação da área. interesses diferentes dos que até então estão envolvidos no processo de implantação da unidade de conservação. particularmente porque estavam sofrendo pressão de invasores externos que ameaçavam o estoque dos recursos naturais.

Ao contrário. Segundo relato do pesquisador de campo. p.Mamirauá: Plano de Manejo. levou tempo. experiencias inovadores e a nova legislação (SNUC). SCM. SCM. em outras existem muitos problemas de envolvimento e participação. Em algumas áreas estão bem organizadas. p. apresentam vínculos de parentesco.. Adriana (orgs) Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais.38 E ainda: “A experiência com o envolvimento de populações locais desenvolvidas em Mamirauá não seguiu nenhum modelo rígido.)” (in CNPQ/MCT/ IPAAM .projeto vertical em projeto horizontal.” p. combinado com a preservação da biodiversidade . PLANO DE MANEJO O plano de manejo procurou aliar a pesquisa científica e os conhecimentos tradicionais sobre uso dos ecossistemas de várzea e manejo dos recursos naturais. Acordos que constam no plano de manejo e citado pelos entrevistados: fechamento dos lagos da reserva para pesca profissional destinada aos mercados mais distantes (Manaus e Manacapuru principalmente).40 in O envolvimento de populações humans em unidades de conservação: a experiência de Mamirauá. No entanto. em geral. pois estes. 1996. os moradores do interior têm direito a mais zonas de uso de recursos do que os moradores do entorno. 1006 (Documentos do ISA n 1). São Paulo: Instituto Socioambeintal. alocação de lagos destinados às sedes de município para pesca 35 . As pessoas isoladas são justamente aquelas que geralmente não participam de nenhuma organização. João Paulo & Ramos. o projeto tem o apoio de praticamente todas as comunidades. Mesmo assim. existem muitas pessoas “que duvidam do restabelecimento dos recursos” por meio da conservação. foi sendo construída ao longo do processo de interação com a população local. manutenção e comercialização dos produtos de cada comunidade. os conflitos de invasão com segmentos de fora da unidade foram resolvidos mais facilmente do que os conflitos entre os moradores do interior da reserva nos casos de desrespeito aos acordos. As comunidades do entorno participam das reuniões e assembléias junto com as comunidades de moradores do interior da RDS. A concepção da RDS incorpora as populações indiretamente afetadas pela criação da RDS: “interferir no processo de uso desses recursos de importância econômica significa influir diretamente na economia e subsistência de uma população muito maior que aquela que reside nos limites da unidade de conservação (. As populações de entorno tem direito a acesso à zona específica de uso dos recursos e participam das reuniões conjuntamente com os moradores do interior da unidade. In Capobianco. que garantisse uma melhoria na qualidade de vida da população”. Após cinco anos de trabalhos dedicados à pesquisa e à extensão. ajustando as demandas e costumes locais à intenção de construir um sistema de uso sustentado da várzea. com fiscalização dos lagos de preservação pelos respectivos moradores (e apoio do IBAMA para atuar contra invasores).Mamirauá: Plano de Manejo. Há também aqueles que acreditam que os recursos “não acabam e acham que preservar é mera besteira”. com a participação da comunidade na gestão dos recursos e na elaboração do plano de manejo. O plano de manejo definiu “um sistema adequado de zoneamento da área para delimitar os locais e definir normas de uso dos recursos de forma a garantir a sustentabilidade deste uso e não afetar negativamente o abastecimento de peixe dos mercados urbanos vizinhos à reserva” in CNPQ/MCT/ IPAAM . definição dos lagos de preservação.12). Hoje em dia as associações comunitárias estão em estágio de organização muito variado..

o projeto Mamirauá procurou trabalhar com os comunitários a idéia de que estas medidas são a garantia da sustentabilidade dos recursos que exploram. Não podemos esquecer que o interesse das chamadas ‘ populações tradicionais’ pela conservação se baseia em um interesse econômico específico. não podemos ignorar as dificuldades que decorrem desse envolvimento. diâmetro mínimo para a extração de madeira.960 hectares ou 129. dois funcionários (sendo um efetivo e um consultor) participam diretamente dos trabalhos da RDS. Início de implantação: 11 de dezembro de 2003.comercial. J.Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento) Atos normativos da RDS: Lei Estadual No. A. Dois outros funcionários da SubCoordenadoria de Gerenciamento Costeiro dão suporte aos trabalhos. totalizando quatro técnicos envolvidos. 8. com a constituição e tomada de posse do Conselho Gestor. As reuniões e oficinas. 39. a sua sobrevivência. Fontes Principais de Orçamento: até o presente. entre outras atividades. que possui um Núcleo de Unidades de Conservação. nem idealizar a natureza de seus interesses pela preservação. Desse Núcleo. tamanho mínimo das principais espécies de peixe comercializadas. Para que o zoneamento e as normas estabelecidas pelo plano de manejo sejam respeitados. P. uma vez que a UC ainda não conta com sede própria. Data de criação da RDS: 18 de julho de 2003. “Reserva Sustentável” e “Reserva de Diogo Lopes”. A parceria que se estabelece entre conservacionistas e comunitários envolve interesses específicos que podem ou não convergir e por isso requer que os acordos sejam negociados com habilidade e os interesses de cada parte reconhecidos. são realizadas em sedes de associações comunitárias. Responsável pela RDS: IDEMA . A fiscalização dos lagos de preservação escolhidos por cada comunidade só é feita voluntariamente porque há interesse econômico da população que reconhece que a preservação de lagos a beneficia. 36 . Portanto. não só quanto aos resultados positivos do manejo. (orgs) – documentos do ISA . nº 1.” Deborah de Magalhães Lima – O Envolvimento de populações Humanas em unidades de Conservação – A experiência de Mamirauá in Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais. a citada autora coloca que “as normas de manejo que resultaram das pesquisas biológicas estão sendo negociadas com os comunitários. o Governo do Estado ainda não destinou recursos financeiros específicos para a gestão da RDS Ponta do Tubarão. proibição de extração de madeira das restingas ao redor dos lagos de preservação. Sobre este aspecto.6 km2 Localização: Norte da Região Costeira do Estado do Rio Grande do Norte. mesmo reconhecendo que o envolvimento das comunidades locais é fundamental para viabilizar a implantação de uma unidade de conservação.P.349 / 2003 Área da RDS: 12. RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE PONTA DO TUBARÃO (RN) DADOS GERAIS: Nome como é conhecida na região: “Reserva Ambiental”. abrangendo os municípios de Macau e Guamaré.Instituto Socioambiental. Número de funcionários da UC: Todas as atividades/ações desenvolvidas são realizadas por voluntários das comunidades e pelos funcionários do órgão ambiental estadual (IDEMA/RN). e Ramos. como porque recebem apoio institucional para proibir a entrada de peixeiros profissionais. experiências inovadoras e nova legislação (SNUC) Capobianco.

no início de 2001 os moradores solicitaram ao órgão estadual de meio ambiente. Natal. em seguida. foram realizadas denúncias da situação às autoridades competentes. inicialmente. No entanto. determinando que se organizassem e. De qualquer forma. Ensejando garantir maior proteção à área.3. “Ibama fiscalizará mangues de Diogo Lopes” – Tribuna do Norte. conhecida como Ilha dos Cavalos. fossem ao local para controlar o fogo e expulsar os forasteiros. 20 de janeiro de 2001. “Crime ambiental em Diogo Lopes” – Diário de Natal. p. e decidiram chamar a atenção pública à sua causa. Apesar de alguns moradores terem suspeitado da presença de alguns homens estranhos na comunidade de Diogo Lopes. Janeiro de 2001. “Devastação em mangue é denunciada” – Diário de Natal. membro do conselho da RDS representando a Universidade Federal da Paraíba. 7. escolas e voluntários. 12 de janeiro de 2001. o local seria destinado à construção de um hotel com grandes dimensões. dizendo que se ele continuasse. Diversos jornais divulgaram este acontecimento.HISTÓRICO DA CRIAÇÃO7 A intenção de se criar um reserva ambiental que abrangesse as comunidades de Diogo Lopes. localizadas no município de Macau / RN. a comunidade de Diogo Lopes se deu conta de que um incêndio consumia a vegetação da ilha. IDEMA. Natal. optando. Na seqüência. Macau. Natal. 7 Informações prestadas pela Professora Thelma Dias. As atividades da GRPU estavam relacionadas a um pedido de aforamento da restinga solicitado pela PPE Participações e Administração LTDA. o pedido de aforamento não foi aceito e esses problemas foram superados na época. ateariam fogo em seu barco. O primeiro acontecimento se deu em 1995: moradores da comunidade de Diogo Lopes se depararam com técnicos da Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN) realizando medições topográficas da restinga que separa o rio Tubarão do mar. armados de pedras e pedaços de madeira. Sem retorno à solicitação. os moradores se uniram através de entidades comunitárias. como segue (ver anexos): “Crime ambiental abala Diogo Lopes” – O Vale. Este fato gerou indignação nos moradores. ranchos de palha dos pescadores localizados na restinga foram queimados e acreditou-se que os representantes da referida empresa. para as quais foi também solicitado que tomassem providências para evitar outras agressões. notadamente a pesca artesanal. Os moradores ameaçaram-no. foi despertada diante de dois acontecimentos que foram considerados por essas comunidades como uma ameaça ao meio ambiente local e à continuidade das atividades tradicionalmente realizadas na área. o pedido de aforamento foi negado. 37 .. fossem os mandantes dessa agressão. só tiveram a certeza de que algo errado estava acontecendo quando um dos moradores admitiu que estava apoiando um grupo de forasteiros que tinha a intenção de implantar um projeto de carcinicultura na Ilha dos Cavalos. O segundo acontecimento ocorreu no final de 2000: as comunidades foram surpreendidas pela queima de quatro hectares de mangue em uma das ilhas do manguezal do rio Tubarão. 11 de janeiro de 2001. Entretanto. que nunca foram informados sobre a intenção de se transformar a região em pólo turístico. Mas em 1996. de origem italiana. Caso o aforamento da restinga fosse concedido. p. a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) que englobasse as comunidades de Diogo Lopes e Barreiras. em frente ao núcleo de habitações. empresa de capital estrangeiro sediada na cidade do Rio de Janeiro. pela realização de eventos em prol da criação da unidade de conservação. Barreiras e Sertãozinho.

A finalidade da reunião foi decidir se a comunidade queria criar uma Reserva federal. Os componentes elaboraram e leram publicamente as recomendações tiradas deste Encontro e assinaram uma moção solicitando agilidade na criação da Reserva. foram ministrados cursos para professores e moradores da comunidade (pescadores. professores locais e de outros estados. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Inclusive. Jean Túlio Cunha dos Anjos). a moção contou com a assinatura de 232 pessoas e o evento foi realizado por 17 entidades das comunidades (incluindo escolas municipais e estaduais) com o patrocínio da Petrobrás e o apoio da Prefeitura Municipal de Macau. O I Encontro foi encerrado com a redação de uma moção. na ocasião. entre outros). foi apresentada uma palestra que mostrou a experiência da RDS Mamirauá. estadual ou municipal. Pág. Foi também neste período que os moradores haviam tomado conhecimento da Lei do SNUC. Natal. as comunidades já demonstravam o desejo de criar uma RDS federal. O Encontro foi encerrado com uma mesa redonda intitulada “Situação atual do processo para a criação da Reserva Sustentável da Ponta do Tubarão”. pág. 4. Natal. O Encontro contou com a participação de pesquisadores. 18 de maio de 2001. assinada por 208 pessoas. Julho/Agosto de 2001. “Comunidades pesqueiras discutem preservação” – Diário de Natal. com 1. “Comunidade de Diogo Lopes realiza encontro” – Diário de Natal.336 adesões. 17 de maio de 2001. e de um abaixo-assinado. Foram proferidas diversas palestras acerca de temas relacionados à questão ambiental e à criação de unidades de conservação. Sertãozinho e da cidade de Macau. a categoria de unidade mais adequada seria a RDS ao invés de APA. desta vez denominado “II Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Pela Reserva Ambiental”. Natal. um representante do CNPT de Brasília (Sr. Alexandre Zananiri Cordeiro) e representantes do IDEMA (Sra. “I Encontro de Barreiras e Diogo Lopes neste final de semana” – Tribuna do Norte. Em 2002. Macau. entre outras representações. “Comissão solicita ao Idema a preservação de manguezais em Diogo Lopes e Barreiras” – Jornal de Hoje. entre os dias 18 e 20 de maio. apresentações teatrais. que foram entregues ao presidente do IDEMA solicitando a criação de uma RDS na área. representantes de órgãos governamentais e não governamentais. Entretanto. concursos de artes (desenho. atividades de limpeza do manguezal. Barreiras. onde puderam conhecer a nova categoria de manejo recém incorporada a esse documento: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. denominado “I Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Em Defesa do Nosso Futuro”. Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN). pintura e poesia) e exposição de vídeos sobre temas ambientais. na esperança de que 38 . como Universidade Federal da Paraíba (UFPB). as comunidades realizaram novo evento. 17 de maio de 2001. No dia 22 de agosto de 2002. O I Encontro foi registrado pela mídia em jornais e na internet. 13. donas de casa. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN). 11. IDEMA/RN. estaduais e federais. Ana Maria Marcelino. Foi a partir da Lei do SNUC que os moradores constataram que para a realidade de Diogo Lopes e Barreiras. Além das palestras. estudantes). Pág. IBAMA/RN. Natal.O primeiro desses eventos aconteceu em 2001. que contou com a participação de representantes das comunidades e de órgãos públicos municipais. Neste Encontro. entre os dias 5 e 9 de junho. Petrobrás. além de ampla participação dos moradores das comunidades de Diogo Lopes. O mesmo pedido foi feito ao IBAMA/RN. como mostram as matérias abaixo: “A Petrobrás de volta para a região de Macau com programas sociais e de preservação do meio ambiente” – Folha de Macau. representantes das comunidades se reuniram com um técnico do IBAMA/RN (Sr. 19 de maio de 2001. O II Encontro contou com a participação de palestrantes de diversas Universidades e órgãos públicos.

Surpresos e decepcionados. exploração de petróleo e exploração de sal. por se tratar de uma área relativamente distante das comunidades mais próximas. as comunidades. . E com relação ao limite sul. chegaram ao consenso de não contemplar na área da futura unidade o maior número possível de atividades que pudessem gerar problemas atuais e futuros. por exemplo. além da Salina Soledade. árvores bastante importantes para os moradores (pela madeira. apesar da importância desses estuários. foi definido para contemplar a área onde ocorre a pesca de tresmalhos (ver Dias. No início de 2003. em preparação). diversas reuniões foram realizadas na comunidade de Diogo Lopes com a participação de representantes de entidades envolvidas no processo de criação da RDS e dos moradores das comunidades de Diogo Lopes. Entretanto. Pensou-se também em estender a RDS para englobar os estuários dos rios Casqueira e Conceição. Canto do Papagaio e a própria comunidade da Casqueira). a maior densidade de cavalos-marinhos entre diversas áreas estudadas no nordeste do Brasil. por fornecer alimento para 39 . salinas e campos de exploração de petróleo. agora na esfera estadual. em direção ao centro de Macau. uma vez que o IBAMA não dispunha de recursos humanos ou financeiros para uma empreitada como essa. que funcionam na praia de Soledade. os moradores presentes apenas tiveram que acatar a decisão e aceitaram continuar batalhando pela Reserva. alguns fatores foram apontados como impedimentos para que essa área fosse incorporada: .as influências políticas fossem menores do que seriam no âmbito estadual. alegando que poderia demorar anos para o governo federal criar a RDS. inicialmente as comunidades pensavam em englobar apenas uma pequena parte das dunas para contemplar os bosques de quixabeiras. a preocupação foi englobar todo o manguezal do rio Tubarão. se intensificaram os trabalhos em prol da criação da Reserva. Dessa forma. como delimitação da área e elaboração da minuta do decreto de criação. Salina Cristal. da restinga e da parte marinho-costeira. que ultrapassava o limite entre os municípios de Macau e Guamaré. com a mudança de governo estadual. No sentido leste. 2005) e as atividades de lazer dos moradores. À época. a RDS estava mais voltada para a conservação da área estuarina (rio Tubarão). o limite de dois km mar adentro. Nestes dois últimos estuários há uma significativa biodiversidade (Dias. .Dificuldade de fiscalização por parte da comunidade. Soledade. Salina Riachão e diversos projetos de carcinicultura que estavam se instalando na época (hoje já em funcionamento e ampliação).Presença de segmentos econômicos que causariam muitos conflitos e resistência à criação da RDS. essa região como um todo está fortemente pressionada por englobar diversos projetos de carcinicultura. constituem-se em importantes áreas de pesca para moradores das comunidades vizinhas (Diogo Lopes.O próprio fato de ser área de ocorrência de variadas atividades impactantes. Dessa forma. deixando de fora os campos de exploração de petróleo de Macau Serra e a sonda SC-106. A orientação do representante do CNPT foi a de que a escolha fosse por uma RDS estadual. o limite oeste só foi até a Ponta do Tubarão e proximidades da comunidade de Soledade. No que diz respeito à definição das dimensões da RDS e seus limites. em função da pesca e das especulações imobiliárias que ameaçavam a restinga. O que surpreendeu os presentes foi o fato de que a “decisão” já veio pronta. ocorrendo. Chico Martins. localizados mais a oeste. Barreiras. No sentido norte (em direção ao mar). Barreiras e Sertãozinho. como projetos de carcinicultura. Inicialmente. Além disso. por meio de suas representações.

Um outro fator 40 . shows de música popular e concursos de artes entre os alunos das escolas locais. este contou com a participação de professores universitários. as comunidades foram surpreendidas com a presença da Governadora do Estado do Rio Grande do Norte. Wilma Maria de Faria. Mangue Seco II (já pertencentes ao município de Guamaré) e todas as virtuais propriedades particulares que abrangem praticamente todo o campo dunar e a porção de caatinga da RDS. foi preciso abarcar a área que abrange as comunidades de Lagoa Doce. Este Encontro foi realizado por 23 entidades da sociedade civil e do Governo municipal (incluindo escolas públicas e o Programa Criança da Petrobrás). que não participaram do processo de reivindicação da unidade de conservação. sem que tivessem sido devidamente informadas sobre as conseqüências relacionadas à criação da unidade e sem que tivessem sido devidamente consultadas sobre seu interesse em terem seus espaços de habitação e de desenvolvimento de atividades econômicas transformadas em área legalmente protegida. as pessoas que se identificam como proprietárias de áreas na região não foram previamente consultadas e hoje. Na cerimônia de abertura do III Encontro. os moradores ficaram convencidos da importância de englobar todo o lençol e os rios subterrâneos que alimentam o lençol freático. etc). impuseram o alargamento da área em direção ao sul. Da mesma forma. O Encontro mais uma vez foi encerrado com uma mesa redonda e posteriormente com a elaboração e leitura pública das recomendações. a mesa redonda abordou o tema “Estudos para elaboração do Plano de Manejo e implantação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão”. moradores das comunidades. Houve a realização de cursos. Assim como os demais Encontros. que. mas também as áreas de caatinga onde ocorrem suas nascentes. declaram que não irão submeter os usos e formas de ocupação de seus imóveis às normas do futuro plano de manejo da unidade ou às deliberações de seu conselho gestor. Em 24 de junho de 2003. É importante salientar que durante todo o processo de criação e durante a votação na Assembléia. Por causa dessa justificativa. o projeto de Lei da Governadora foi aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte e em 18 de julho de 2003 foi publicada a Lei Estadual n0 8. artistas e voluntários diversos.animais. O III Encontro teve uma novidade em relação aos anteriores. que foi a publicação da Revista do III Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras. pesquisadores de diversas áreas. as comunidades estiveram presentes para lutar pela aprovação do projeto de Lei. e o lençol freático que fornece água potável a grande maioria dos moradores. as comunidades predominantemente agrícolas de Lagoa Doce e Mangue Seco I e II. Mangue Seco I. na ocasião. apresentações teatrais. Após discussões e negociações. os técnicos do IDEMA alegando que seria muito importante contemplar não apenas parte do lençol freático. representantes de órgãos públicos das três esferas de poder. Entretanto. Desta vez. O patrocínio foi da Petrobrás e o apoio da Prefeitura de Macau. apesar de concordarem com a necessidade de conservação ambiental da área. criando a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão. Em função desta imposição técnica do IDEMA. entre os dias 5 e 8 de junho. Ainda em 2003 as comunidades inicialmente envolvidas deram mais um passo decisivo ao realizarem o “III Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Pela Implantação da Reserva”.349. se viram inseridas na área da RDS. assinou um projeto de Lei de sua autoria criando a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão.

consta as relações de entidades governamentais e da sociedade civil envolvidas com a criação da RDS: Entidades Governamentais: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA/RN) Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN) Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA/RN) Prefeitura Municipal de Macau Câmara Municipal de Macau Petróleo Brasileiro S. deputados tentam alterar este artigo da Lei estadual que cria a RDS. Inciso I).importante a ser considerado foi a ampla participação de representações comunitárias durante a delimitação da área da Reserva e a elaboração da minuta do projeto de Lei de criação da RDS. Entretanto. (Petrobrás/UN-RNCE) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Entidades não governamentais: Associação de Mulheres Luiza Gomes (AMLG) – Diogo Lopes Associação de Desenvolvimento Comunitário de Barreiras (ADECOB) – Barreiras Associação de Desenvolvimento Comunitário de Diogo Lopes (ADECODIL) – Diogo Lopes Associação de Pescadores e Pescadoras de Macau (APPM) – Macau Associação Comunitária de Mangue Seco e Lagoa Doce (ASCOMAS) – Mangue Seco I e II. mas a pronta reação dos moradores e ambientalistas tem evitado seu intento. ligada a Igreja Católica Centro Social Pio XI – Macau Centro AMA-GOA – Macau Comissão de Justiça e Paz de Macau (CJP/Macau) – Diogo Lopes Colônia de Pescadores Z-41 – Diogo Lopes Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) – Diogo Lopes Escola Estadual Isolada de Diogo Lopes (EEIDL) – Diogo Lopes Escola Municipal Alferes Cassiano Martins (EMACM) – Barreiras Escola Municipal José Ribeiro da Costa (EMJRC) – Diogo Lopes Escola Municipal Luzia Bonifácio de Souza (EMLBS) – Diogo Lopes Escola Municipal Salete Martins (EMSM) – Sertãozinho Grupo Ecológico Gaivotas do Sal (GEGS) – Macau Grupo Ecológico Ponta do Tubarão (GEPT) – Diogo Lopes Associação Potiguar de Apoio aos Jovens do Meio Popular (ILEAÔ) – sede em Parnamirim/RN Jardim Escola Amiguinhos do Saber (JEAS) – Diogo Lopes Jovens Lutando para Vencer (JLPV) – Diogo Lopes Jovens Unidos a Serviço de Cristo (JUSC) – Diogo Lopes Paróquia de Macau – Macau Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) – Macau Programa de Criança da Petrobrás – Diogo Lopes e Barreiras 41 . A seguir. e Lagoa Doce Centro de Educação Integrada Monsenhor Honório (CEIMH) – Escola particular de Macau. Até hoje.A. 5º. um dos pontos mais polêmicos e que gerou forte resistência por parte do governo estadual foi o desejo das comunidades de proibir a “instalação de novos empreendimentos de carcinicultura e ampliação da área dos viveiros de camarão já instalados na área da Reserva” (Art.

e as dez mais votadas foram a escolhidas.Petrobrás (representante do setor produtivo) .Comissão de Justiça e Paz – CJP .Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte – IDEMA (presidente) . Cabe ressaltar que o papel de cada membro do Conselho ainda não está bem claro para alguns deles.Gerência Regional do Patrimônio da União – GRPU/RN .Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP . o Conselho iniciou os trabalhos de elaboração de seu regimento interno que deveria ser submetido à aprovação do Conselho Estadual de Meio Ambiente do RN (CONEMA). que resultou de um concurso de idéias realizado na comunidade. Nota-se que algumas pessoas (até mesmo do próprio Conselho) ainda não fazem idéia da importância desse tipo de representação para a RDS. O Conselho se reúne bimensalmente em caráter ordinário.Paróquia de Macau . Após a posse. Algumas pessoas não conseguiram assimilar o que é um Conselho Gestor e o seu caráter deliberativo.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA/RN . com exceção do representante do setor produtivo (Petrobrás) e da instituição de pesquisa (UFPB).Centro Social Pio XI .Associação de Desenvolvimento Comunitário de Diogo Lopes – ADECODIL . que foram escolhidos através de votação pelos representantes das entidades que realizaram o III Encontro Ecológico. A eleição aconteceu no dia 25 de setembro/2003 e em 11 de dezembro de 2003 houve a cerimônia de posse do Conselho.Associação de Mulheres Luiza Gomes – AMLG .Poder Executivo do Município de Macau .Universidade Federal da Paraíba – UFPB (instituição de pesquisa com atuação na reserva) Representações Não-Governamentais (10) .Colônia de Pescadores Z-41 . tendo ocorrido também reuniões em caráter extraordinário. Os representantes das entidades não governamentais que se inscreveram para concorrer a uma das 10 vagas no Conselho votaram entre si.IMPLANTAÇÃO E GESTÃO DA RDS PONTA DO TUBARÃO A primeira atividade desenvolvida após a criação da Reserva foi a organização das regras para eleição das entidades não-governamentais que iriam compor o Conselho Gestor da RDS.Poder Legislativo do Município de Macau .Poder Legislativo do Município de Guamaré . qual o seu papel enquanto grupo e qual o papel de cada membro individualmente.Associação Comunitária de Mangue Seco e Lagoa Doce – ASCOMAS Os representantes governamentais do Conselho foram indicados por cada instituição. sendo considerada prioritária a capacitação dos membros do Conselho no sentido de se esclarecer qual a importância do Conselho. conforme 42 .Poder Executivo do Município de Guamaré .ILEAO . também foi escolhida a logomarca da RDS.Grupo Ecológico Ponta do Tubarão – GEPT . Na ocasião. Abaixo segue a relação de entidades com representação no conselho gestor da RDS: Representações Governamentais (9) .

O ponto mais importante da Oficina foi a definição dos temas prioritários no tocante à implantação da Reserva. Os temas apontados pelos presentes foram: (1) arranjo do turismo. o número de entidades realizadoras do Encontro tem crescido. Os temas apontados foram: Uso e ocupação do solo Arranjo da pesca Levantamento socioeconômico Inventário da fauna e da flora Arranjos produtivos das comunidades rurais Solução para o problema da barra ZEE Mapeamento arqueológico Extração de areia Envolvimento e articulação com entidades e a sociedade Arranjo do turismo Levantamento dos recursos hídricos Demarcação e sinalização da Reserva 2ª. Outras atividades visando a implantação da reserva foram: IV Encontro Ecológico da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Comunidades e Reserva de Mãos Dadas O IV Encontro Ecológico teve seu nome alterado. Oficina de Planejamento ocorreu no dia 04 de setembro de 2004 e contou com a apresentação de palestras sobre temas que causam conflitos e dúvidas nos moradores das comunidades. treinamentos. como as implicações ambientais de uma possível abertura da barra do rio Tubarão. já carregando o nome da RDS. desta vez. Oficina de Planejamento do Plano de Manejo da RDS Estadual Ponta do Tubarão A 1ª. (2) arranjo da pesca e (3) uso e ocupação do solo.especificado na Lei Estadual n0 8. 1ª. apresentações teatrais e shows de música. Nesta oficina. realização de cursos. pertencentes ao município de Guamaré e inseridas na porção oeste da Reserva. Essa decisão foi tomada em reunião entre as entidades que realizaram os encontros anteriores e o Conselho Gestor da Reserva. detalhamentos sobre a Lei do SNUC. Mesmo com seu regimento ainda em fase de elaboração. Oficina de Planejamento para Elaboração do Plano de Manejo RDS Estadual Ponta do Tubarão A 2ª. sendo agora 27. A cada ano. O IV Encontro seguiu o modelo dos anteriores e teve a apresentação de palestras.349 de 18 de julho de 2003. ficou acordado entre os participantes. concursos de artes. Foi então aprovado o nome: “IV Encontro Ecológico da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Comunidades e Reserva de Mãos Dadas”. As novidades do IV Encontro foram: o lançamento do Boletim Informativo do Encontro e a participação das comunidades de Mangue Seco I e II e Lagoa Doce. em 16 de fevereiro de 2004 iniciaram-se as reuniões do Conselho. Oficina de Planejamento ocorreu no dia 20 de setembro de 2004 e contou com a apresentação de palestras sobre temas relevantes na Reserva. a importância da participação comunitária no processo de implantação da Reserva e a definição de três temas prioritários para começarem a ser trabalhados na RDS. que se formariam grupos de trabalho compostos por moradores e colaboradores externos para discutir esses temas e buscar formas de resolução de 43 .

como parte das estratégias de desenvolvimento sustentável a serem contempladas no plano de manejo da Reserva”. pousadas. que realizou diversas reuniões para agregação de participantes. deve ser de base comunitária. entretanto com a participação de uma parcela pequena das comunidades inseridas na RDS. de objetos. Dois fatores principais podem ser destacados como entraves à implantação da RDS. de roupas. e pessoas que demonstram interesse em trabalhar nesse ramo. entre outros. Na ocasião. O objetivo do seminário foi: “Apresentar uma série de informações e experiências a respeito da atividade turística para subsidiar as comunidades da RDS no processo de decisão sobre a forma de turismo a ser implantada na Reserva. culinária. artesanatos. O público alvo deste grupo são as pessoas que tem empreendimentos relacionados ao turismo como bares. SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS Os trabalhos visando a implantação da RDS Ponta do Tubarão vêm se sucedendo regularmente. que contou a participação de palestrantes locais e de outras localidades. decisões importantes estão sendo tomadas com relação ao uso e ocupação do solo e implantação do turismo. que contou com a participação de moradores das diversas comunidades da Reserva. que contou com a participação de 50 pessoas foi financiada pelo IDEMA/RN e durou 2 dias.problemas. o grupo de turismo organizou e realizou o “I Seminário de Turismo Sustentável da RDS Estadual Ponta do Tubarão: que turismo queremos?”. Mangues e Dunas da RDS Em 12 de março de 2005. nos dias 10 e 11 de dezembro de 2004. mangues e dunas da RDS” em Diogo Lopes. Em seguida. de acordo com a maioria dos participantes. no Ceará. os participantes formaram grupos para organizar propostas para o uso e ocupação do espaço das comunidades. comércios de alimentos. O turismo convencional foi completamente rejeitado pelos moradores integrantes do grupo de trabalho deste tema. atividade que posteriormente ocorreu para os demais grupos de trabalho como turismo e pesca. foi realizado o “I seminário para organização do espaço das comunidades. nas formas de atuação e na tomada de decisões dentro das suas competências. Uma das atividades mais relevantes foi a visita à Prainha do Canto Verde. Neste seminário. O segundo é a quase total falta de recursos 44 . mangues e dunas da RDS. os temas das palestras apresentadas foram: Impactos do turismo e seu monitoramento Turismo em unidades de conservação Turismo de base comunitária Turismo como alternativa de renda Fontes de financiamento para micro empreendimentos na Reserva Instituições ligadas ao turismo e os serviços oferecidos I Seminário para Organização do Espaço das Comunidades. de melhoria para as pessoas envolvidas e formas de desenvolvimento sustentável dentro de cada uma dessas prioridades. para conhecer a experiência dessa comunidade no turismo de base comunitária. Apesar da pequena participação comunitária. O primeiro deles é a falta de compromisso dos representantes governamentais nas reuniões. que. I Seminário de Turismo Sustentável da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Que Turismo Queremos? O primeiro grupo a se organizar foi o grupo do turismo. A visita.

Nenhum recurso foi disponibilizado pelo Governo para viabilizar a compra de material de escritório. estuário / manguezal. já que todos consideram as duas categorias muito semelhantes. Tanto nas entrevistas realizadas. De qualquer forma. há quem entenda que a falta de definições mais precisas desta categoria lhe confere flexibilidade para atender diferentes situações. Parte dos governos dos estados amazônicos entende que RDS podem comportar propriedades privadas. Hoje a grande maioria das RDS existentes encontra-se na Amazônia. Finalizando. com maior disponibilidade de recursos (humanos e financeiros) e que a demora na tomada de decisões não desestimule a parcela da comunidade que está realmente envolvida nos trabalhos. Espera-se também que estratégias de mobilização das comunidades sejam delineadas e aplicadas para que o processo seja de fato participativo. estaria intimamente relacionado ao Zoneamento Ecológico-Econômico. Neste sentido. não só à conservação ambiental. aliado à falta de recursos para desapropriação. Outra justificativa para criação de unidades de conservação nesta categoria é o termo sustentável presente no nome. Espera-se que estas barreiras possam ser superadas e que o processo de implantação da RDSPT ocorra de fato. aos poucos. quanto nas discussões que aconteceram na Oficina Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável a polêmica esteve presente. o que gera dúvidas do porque escolher uma ou outra categoria para se criar uma unidade de conservação. É comum também a criação de RDS como medida urgente para proteção de ecossistemas ou grupos sociais ameaçados. implantação e gestão. nenhuma placa foi colocada na Reserva indicando que a área trata-se de uma unidade de conservação. a regulamentação das RDS é uma maneira de estabelecer critérios para sua criação. Em vários itens provoca diferentes interpretações de suas definições. dunas com e sem vegetação. é o que tem ocorrido. alguns pontos estão sendo delineados. INTERPRETAÇÕES E POLÊMICAS SOBRE A CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO A regulamentação da categoria de manejo RDS não é precisa. gerando polêmica. o que. mas também ao desenvolvimento de comunidades humanas. (2) ordenamento do uso e ocupação do solo em todos os diferentes ecossistemas da RDS (porção marinha / restinga. porção urbana. tem sido motivos para criação de unidades de conservação desta categoria.(humanos e principalmente financeiros) para implantação mínima da Reserva. As RDS têm sido criadas sob as mais variadas argumentações. Por exemplo. Um referencial importante nas discussões foi a diferença entre RESEX e RDS. quando não 45 . ou ainda. e (3) definição / implantação de estratégias para atrair e envolver o maior número de moradores no processo de gestão. os trabalhos continuam e. na verdade. por exemplo. embora não haja consenso. Apenas recentemente (2005) foi criada a primeira RDS federal no Arquipélago do Marajó. abrindo possibilidade para experimentação social a fim de dar conta de situações locais específicas e contingentes. De fato. Este termo seria um elemento de marketing que potencialmente atrairia financiamentos de agências e empresas que visam o apoio. Porém. como atividades prioritárias para a implantação da RDS podem ser citadas: (1) regularização fundiária. 6. a maior parte criada e gerida pelos estados. dirimindo tais polêmicas. A existência de conflitos de terra nesta região. falésia e caatinga).

deveres e opções já definidas para as RDS nos instrumentos jurídicos. direitos. 46 . no caso dos moradores entrevistados. agrupando os diversos entendimentos por itens. e em outros. Por um lado aponta-se para o fato de que. PERCEPÇÃO SOBRE CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO PELOS MORADORES DAS RDS ESTUDADAS: A percepção do entendimento acerca desta categoria. possibilidades. Mesmo assim. responsabilidades. revela-se a partir da descrição dos mesmos sobre as RDS (Mamirauá – AM. no caso dos moradores do entorno das unidades de conservação. em alguns casos. Nestes casos. por ser uma categoria muito recente. expressaram. A discussão sobre a diferença entre Resex e RDS.há organização da população local. as pessoas não têm conhecimento das determinações a respeito das RDS expressas na lei do SNUC e sua regulamentação. não têm segurança sobre as diferenças entre as duas categorias de unidades de conservação. assim como com autoridades e especialistas) revelaram o entendimento destes atores sociais sobre a categoria de manejo Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Praticamente todos responderam desconhecer a diferença entre RDS e Resex e a única resposta que avança um pouco mais nesse sentido. desconhecimento dos diplomas legais. É importante ressaltar o fato de que praticamente 100% dos entrevistados não tinham conhecimento do motivo pela qual a categoria de manejo escolhida foi RDS e não Resex. não exigindo iniciativas da população local para este fim. exemplifica as contradições e imprecisões conceituais que envolvem a categoria de manejo RDS. a justificativa está embasada no entendimento de que as RDS podem ser decretadas apenas por iniciativa do poder publico. que mereceu especial atenção destes atores. aonde por mais de quatro anos foram realizadas discussões sobre qual categoria seria mais adequada à sua realidade. A análise das entrevistas permite o entendimento de que o conceito desta categoria de manejo de unidade de conservação encerra muitas ambigüidades e interpretações. Iratapuru – AP e Ponta do Tubarão – RN) na qual habitam ou têm algum tipo de relação de uso. dos quais poderia se esperar conhecimento da legislação. os gestores entrevistados. e com poucas experiências de unidades de conservação criadas. As entrevistas realizadas (com os moradores das RDS estudadas. Mesmo os moradores de Ponta do Tubarão.têm menos acesso a informações. Neste item descrevemos a interpretação da categoria RDS pelos entrevistados. seus gestores e entidades da sociedade civil relacionadas. considerando que esta categoria de manejo privilegia a participação da comunidade local. visto que em função da realidade das ocupações – relativamente isoladas dos centros urbanos . Por outro lado. Esta situação é bastante compreensível em relação aos moradores das unidades de conservação estudadas. identifica RDS como uma categoria exclusivamente estadual e a diferencia da Resex por permitir o uso dos recursos por moradores do entorno (resposta de um morador de Mamirauá). bem como estudiosos e especialistas em unidades de conservação. interpretações contraditórias dos mesmos. prevendo inclusive conselho deliberativo (enquanto na maioria das demais unidades de conservação os conselhos são consultivos) os moradores necessariamente deveriam ter maior conhecimento dos limites. embora tais afirmações não sejam condições dispostas na lei do SNUC.

mostra-as alheia às atividades para sua implantação e gestão. certamente em função da precariedade dos processos de consultas públicas sob responsabilidade dos órgãos executores do SNUC. pode –se inferir que a participação ficou restrita a representantes dos segmentos produtivos e sociais locais. até ouro. entretanto. mas só as pessoas daqui”. Tal situação. a relação dos moradores com esses processos é bastante frágil em Iratapuru. deve-se. que mantém seu direito de uso dos recursos da unidade. Já a população beneficiária de Iratapuru não citou qualquer participação no processo de implantação. No que se refere à implantação e gestão das RDS. beneficiar populações locais. que a RDS impõe limites à exploração dos recursos naturais e das fontes de alimentação em beneficio da própria comunidade. entre as populações locais. nenhum morador entrevistado soube explicar os critérios para definição dos limites e desenho da RDS da qual fazem parte. quer seja o governo municipal. embora valorize a unidade. teoricamente. Abaixo. apesar do longo período de discussões que subsidiaram a criação da unidade. responsável pela gestão da unidade. conforme já mencionado. Tal quadro nos permite interpretar que a participação dos moradores no processo de criação e implantação das unidades de conservação não atingiu plenamente seus objetivos. Nesta última os moradores enfatizam a forte participação das comunidades nas assembléias setoriais e gerais. chama também a atenção. Além disso. mas a comunidade como um todo. um aspecto ressaltado entre os depoimentos dos moradores das três reservas é a consciência de sua responsabilidade de fiscalizar o acesso e permanência de pessoas estranhas às RDS. Na Ponta do Tubarão o processo se dá. iniciado antes da criação da reserva. inclusive em situações em que a criação de uma unidade de conservação deveria. No que se refere especificamente à gestão das unidades. Por outro lado é unânime a percepção. controlando sua exploração e protegendo-os de agentes externos à comunidade: “As pessoas daqui tem permissão para tirar o que quiser. as opiniões sobre alguns itens relacionados à categoria de manejo RDS: 47 . a freqüência de respostas relacionadas à ausência do poder público na unidade de conservação. a um processo desenvolvido por instâncias da Igreja Católica de apoio à organização comunitária local. no caso de Iratapuru. é razoavelmente intensa em Ponta do Tubarão e mais estruturada em Mamirauá. Na RDS Ponta do Tubarão. Sabem que estão inseridos em reservas ou com elas estão fortemente envolvidos. com baixo grau de capilaridade entre a comunidade como um todo. a não ser um entrevistado que tomou parte das atividades de demarcação da unidade de conservação. quer seja o governo estadual. reflexo da débil preocupação do poder público pela democratização de suas políticas ambientais. mas amiúde não sabem como deve se dar seu funcionamento. Vinculado a esse aspecto.Grande parte dos entrevistados tampouco domina plenamente o significado da categoria RDS. por meio da participação formal de representantes dos segmentos locais. em grande parte. assim como nas atividades voluntárias de apoio à organização social e à obtenção de novos conhecimentos.

“Manter primeiramente o que existe e cuidar do que nós temos para que nunca venha a faltar”. “Então a RDS foi criada para preservar o castanhal e também a natureza. “Falaram que é para conservar.” “Dar sustento à população e extrair a castanha. garantindo a disponibilidade e reprodução dos recursos naturais utilizados para seu consumo ou comercialização. nem no discurso dos agentes governamentais. “A reserva foi criada para que assegurasse isso (a natureza) porque hoje em dia a devastação está imensa”. os moradores citam a importância da reserva como instrumento de conservação por proteger recursos dos quais dependem para sua reprodução sócio-cultural e por evitar que as terras lhes sejam tomadas por grupos estranhos à comunidade. Até hoje não precisamos desmatar”. entendem que a RDS tem por objetivo a promoção da qualidade de vida dos moradores e usuários.”. “Serve pra você tirar os produtos de dentro da reserva pro seu sustento de uma forma que não traga problema ambiental. Por que um depende do outro”.”. A conservação da biodiversidade não está presente nos discursos dos moradores. Houve respostas dos moradores de Mamirauá que apontaram como objetivos da RDS a organização e envolvimento da população local. a seringa sem fazer desmatamento. para proteger. saúde e saneamento básico mas a outra parte da sustentabilidade da população. os entrevistados que responderam. escola. “A RDS serve ao futuro da geração porque a nova geração vai desfrutar disso e nós temos a obrigação de fiscalizar e preservar”. Então é preciso algum investimento do poder publico como estrada. então acho que ela foi criada exatamente por isso. De maneira em geral. então ela mesmo é capaz de se sustentar. “A mata só está conservada por causa da RDS. financeiramente esse povo tem como trabalhar e tem como sobreviver. “Tanto conservação ambiental quanto o desenvolvimento dos moradores. “A reserva garante a continuidade das famílias em suas áreas tradicionais e impede a entrada de hotéis e criadores de camarão”. não deixar destruir as madeiras e não fazer estrago”. então devemos zelar por ela.” 48 . e em alguns casos. Então isso aqui nós estamos passando para os nossos filhos e dos nosso filhos para outros filhos de outras gerações.Objetivo principal: De modo geral. “ “Porque ela é uma Reserva de desenvolvimento sustentável. Porque criar? As respostas para esta questão expressaram diversos entendimentos: A criação da RDS propiciaria investimentos na área e nas comunidades “A gente articulou isso porque sabíamos que com a criação da reserva o recurso do PPG-7 seria maior e como a fatia do bolo vinha maior isso iria beneficiar as comunidades. Para beneficiar a comunidade.

por isso pensaram em proteger”. ervas medicinais e a castanha. Vieram com história de turismo. “Porque havia muita invasão de pessoas que iam mariscar e tirar castanha de nossas propriedades sem permissão. Já teve muita confusão por causa disso e já teve gente que saiu daqui algemada”. então a RDS é um modelo de desenvolvimento sustentável porque ela é muito rica em peixe. 49 . e aumentar o conhecimento. “Foi por causa de forasteiros que queriam se apossar de nossa comunidade e quebrar nossas tradições. continuidade (“usam as mesmas tradições”). “Foi a comunidade que quis preservar a partir do momento que conheceu como usar”. Para propiciar aumento da disponibilidade dos recursos naturais utilizados pelas comunidades. ”Antes da criação da reserva nos foi dito que uma estrada chegaria até a área de onde nós tiramos castanha e isso iria coalhar de gente e não poderíamos mais se utilizar da floresta” “Para proteger as atividades de pesca” “Pra evitar a invasão pelo pessoal da carcinicultura” Para propiciar oportunidades. no caso de Mamirauá. “Para que as atividades do pessoal. quer seja de parcerias. devastação do mangue. e espécies de cavalo-marinho em Ponta do Tubarão. Antigamente não havia preocupação em não deixar lixo nos barracos para cima no rio. “RDS é melhor pela forma de gerenciamento. tem mais recursos”. “Foi para o pessoal não invadir. “Acho que é porque facilita mais a divisão da área”. viu que isso não seria bom para nossa comunidade”. de pesca e mariscagem pudessem continuar”. Tipo de ocupação Os entrevistados se auto-identificam como tradicionais. “Faltava de peixes nos lagos”. “A criação da RDS trouxe muita orientação para nós. como o macaco Acari.” A categoria permite moradores “Acho que é porque pode ter pessoas dentro da reserva”. E a gente sabe que o mangue é algo essencial pra nós aqui que vive dentro da reserva”.Tradicional também adquire significado de antigo. População tradicional é definida a partir do histórico de moradia e uso dos recursos naturais na região. “ Se a gente deixar como estava estaria muito pior que hoje. e se nós não tivesse inventado isso teria um monte de gente aí”. Para proteção de espécies endêmicas. quer seja de formação. Agora nós temos isso quase como uma ordem aqui e tem que ser cumprida. mas quem pensa no futuro dos que virão. Para conter invasão e depredação dos recursos naturais “A gente soube que a reserva foi criada por causa da criação de camarão. portanto o lixo é trazido de volta. Há quem aponte para uma identidade cultural e/ou de organização para definir a tradicionalidade. ser nativo.“Chegamos ao consenso de que na Amazônia tinha que se fortalecer as áreas de proteção e desenvolvimento. Hoje nós temos que zelar por essa natureza”.

Se nós moramos aqui. Gestão As prioridades de gestão para os moradores e usuários entrevistados concentram-se em: Apoio às comunidades: .“O que acho que falta é um projeto que trabalhe os outros produtos da mata como a seringa. .” “Fazem as mesmas atividades que os pais.“Regularizar as colocações porque isso ainda não existe. de gari. Se ele não sai para trabalhar na cidade. Implantação da RDS: Demarcar a reserva.organização das comunidades para manter os recursos naturais para o futuro. os avós”.“Essa questão dos caranguejos é muito séria.“Eu acho que a prioridade nossa é fazer esse plano de manejo. o que deve. . Basicamente os pontos principais de distinção entre as categorias são: tipo de ocupação e uso dos recursos naturais tamanho da unidade questão fundiária processo de criação 50 .envolvimento das comunidades. o que não pode. o que não deve”. onde ela trabalha. nosso dinheiro. . conquistando mais apoio para a preservação. . Em relação à produção: -“ Melhorar o escoamento da produção”.”. Criar conselho deliberativo. temos aqui o nosso emprego. com disciplina. indo pra lá e voltando pra cá. Situação fundiária: “Queria regularizar a situação das propriedades do entorno da reserva porque a gente mora aqui”. o cacau.“Eu acho que é a pessoa lá onde ela vive. . não trabalhamos em Macapá. . essas coisas.melhorar qualidade de vida das comunidades. É como a gente vai saber o que pode. a madeira porque depois da época da castanha nós não temos outra atividade”. A gente é acostumado aqui. GESTORES PÚBLICOS E ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR As entrevistas revelaram interpretações contraditórias e expectativas diferenciadas em relação à categoria de manejo RDS. “Sim porque sempre estiveram ai. pois sabemos que tem forasteiros explorando nossos caranguejos de forma desordenada”. proporcionar conhecimento para as comunidades.”. A diferença entre a categoria RDS e Resex foi um dos destaques nas análises. As vezes um pega castanha do outro e não pode abrir porque outro reclama”. Envolver mais a população. PERCEPÇÃO SOBRE A CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO PELOS ESPECIALISTAS. “Acho que o que deveria ser feito é incluir esta área à RDS desde a cachoeira das Panelas até aqui.

” “RESEX é um modelo histórico. mais segura. e da RDS não necessariamente. todo o território.” “As RESEX devem ser federal e as RDS estaduais” “A RESEX brotou de lutas sociais e a RDS não. A regulamentação é mais frouxa. A RDS não foi demanda da população. Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia RESEX. devem utilizar a área da UC Populações tradicionais não necessariamente Exclusivamente populações extrativistas extrativistas Pode ter propriedade privada Propriedade deve ser de domínio publico Sua criação pode ser iniciativa do poder Sua criação tem que ser iniciativa da publico e ONgs população Exige a demarcação de área de proteção Não exige demarcação de área para proteção integral integral Possibilidade de exploração de componentes Proibida a caça. do ponto de vista das comunidades.” “As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis. sempre. A tabela abaixo resume as diferenças apontadas pela maioria dos entrevistados e participantes da Oficina “Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável” entre as categorias de manejo de unidade de conservação Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e Reserva Extrativista (RESEX) RDS Populações devem residir na área da UC. eu achava que tinha que diferenciar. e animais de do ecossistema e autorização da substituição grande porte. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. fruto da luta política dos seringueiros. “ “A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade. O processo de demanda da RESEX envolve a organização da comunidade. animais de grande porte e caça Não necessidade de plano de manejo de Necessidade de plano de manejo de 51 . não retira população.” “O que caracteriza a RDS é seu vinculo com a comunidade acadêmica. mais permanente. A RESEX é proposta pela comunidade. Pronto. um pouco mais liberal do que eu acho que deveria ser e a RESEX um pouco menos autônoma do que deveria ser”.” “A RDS é um ordenamento para acesso aos recursos e para a ocupação. mineração. não precisa ser extrativista. A RESEX é uma solução mais definitiva. não desapropria. pleiteam RESEX. “O SNUC igualou muito as coisas.” “A Resex é uma área utilizada por populações extrativistas locais. está aqui a diferença”. mais aberta. A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. Na RESEX as populações tem mais poder sobre o território. já que a concessão para a população é de toda a área. RESEX Populações podem ou não residir.prioridade para conservação histórico da categoria gestor publico – estadual/federal Alguns comentários acerca da diferença entre RDS e Resesx: “No conjunto do SNUC isso entre uma modalidade e outra as diferenças são mínimas. Toda vez que a comunidade pleitea. A reserva de desenvolvimento sustentável é uma área natural que abriga populações tradicionais. implicitamente permitindo da cobertura vegetal por espécies cultiváveis mineração. da cobertura vegetal por espécies cultiváveis Não há autorização explicita para substituição em seu interior. O quê que o SNUC fez? O SNUC deixou a RDS meio liberal.

“A RDS tem um teor de proteção. Estas comunidades usam os recursos de forma tradicional. e depois conciliar com a exploração sustentável de recursos naturais”.”. o espaço da população que está lá. entretanto. Objetivo principal: A interpretação é que a RDS deve atender.rendimento sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros São estaduais Grandes áreas Concepção da categoria respondeu à demanda da comunidade acadêmica Não há necessidade de organização da população População com menor poder sobre o território devida a exigência de conservação da área. Área com significativa diversidade biológica rendimento sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros São federais Áreas menores Concepção da categoria respondeu à demanda da luta social dos extrativistas A população deve estar organizada População tem mais poder sobre o território Área com recursos naturais passíveis de extração Abaixo. as opiniões sobre alguns itens relacionados à categoria de manejo Reserva de Desenvolvimento Sustentado. garantindo acesso à terra e aos recursos naturais. “Mais aberta do ponto de vista ambiental. de desenvolvimento da população”. são muitos demoradas. como a RDS”. ter o seu espaço e poder usar. “Diferente da RDS. Pode-se observar que plano de manejo poucas tem. elas gerem a unidade de conservação. “É uma experiência singular. Elas pleiteiam. Há quem a considere. A conservação ambiental é o segundo objetivo.” Todos ressaltam os objetivos de conservação desta categoria. na RESEX a comunidade é o principal objetivo da categoria. “A questão principal é a garantia de Terras e as duas garantem isso. Garantir o acesso à recursos para população é o objetivo primordial. há quem a considere mais “flexível” por prever diversidade de usos dos recursos naturais. Ao meu ver o que acontece nas RDS ainda é conservação ambiental.) são mais condescendentes em relação à conservação. são menos restritivas. mais “conservacionista” do que a RESEX “A RESEX é uma UC voltada para a extração.” “(. conselhos gestores poucos estão em funcionamento. que são melhoria de vida das populações residentes. não para conservação.. de pesquisa de possibilidades amplas”. “O objetivo que as UCs de uso sustentável tem com a população tradicional é a questão fundiária”. como um dos objetivos principais.. A conservação está associada ao estilo de vida destas comunidades. “ 52 . “RDS é uma categoria diferente porque nela é possível viabilizar projetos de desenvolvimento e a exploração econômica dos produtos. as populações moradoras. pois permite exploração de maior vulto”. O que se faz é demarcar a área e promover um sistema de fiscalização e monitoramento.” “O objetivo principal é a conservação. “Preocupa-se mais em proteger o patrimônio natural que são medidas mais efetivas e mais rápidas enquanto que medidas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. por outro lado.

” Outra consideração é que as RDS protegem os moradores e a conservação da área e deve ser criada ou para viabilizar a atividade econômica da população ou para proteger a área de ameaças externas. mas a permanência do homem na terra é outro foco que estão aliados. Para Mata Atlântica e para o Nordeste já é mais complicado. 400 mil hectares pra cima. conservação como um meio para garantir os recursos naturais para as populações locais.” A conservação seria o mote. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família. por isso que eu falo de usos múltiplos”. É uma área como se fosse Resex.. A prioridade é conciliar a utilização dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico sustentável”. “A prioridade é conciliar a utilização dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico sustentável” “A prioridade é a possibilidade de fixação de populações tradicionais. o óbvio. “A tendência das RDS é de conservar grandes áreas. elas não são unidades de conservação do SNUC. superarada como reserva de uso múltiplo pela noção de mosaico. Amazônia a gente pode falar em 300. é ser uma área grande. dentro da lógica do movimento conservacionista.(. Para RDS você tem uma lógica de proteção independente da área de uso. entretanto.. o que denota que consideram como objetivo prioritário desta categoria a qualidade de vida da população afetada pela implementação da UC : “(. Então o conceito como se tratava RDS pra mim é como se fosse um mosaico dentro de uma unidade só. a questão da preservação é um foco. viver condignamente. É uma idéia que foi.” “RDS é como se fossem duas coisas em uma só.. “Conservação ambiental é importante. “As duas.) Uma área grande na Mata Atlântica é diferente da Amazônia.” “A área ter condição ambiental para ser declarada uma RDS.. Houve aqueles. primeiro.) uma RDS tem que ser pra beneficiar a população que mora lá. um estar interligado ao outro” “Como toda a UC. determinadas pelas populações”. 53 . “O objetivo das RDS é compatibilizar a presença da população local com a conservação da natureza” “Eu destaco que os dois objetivos estão interligados.”. com mais flexibilidade. que destacaram que esta categoria deve atender tanto os objetivos de conservação quanto o de desenvolvimento da população local. o objetivo é a conservação da natureza Na verdade a interpretação é que as duas coisas podem conviver. é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais”. sem devastar. mas se elas não tiverem como objetivo a conservação. Por que criar? Uma consideração comum foi de que as RDS são caracterizadas por serem unidades de conservação com grandes dimensões. com áreas restritivas para conservação.Muitos entendem a conservação na perspectiva da sobrevivência das comunidades. e uma área com proteção integral também dentro da mesma reserva. “RDS e Resex têm objetivos de conservação e desenvolvimento das comunidades”. mas sempre com a perspectiva da comunidade. ou seja. Mas para essa categoria específica tem que estar junto com o desenvolvimento das comunidades locais. “Propiciar às pessoas que vivem naquele local.

temos que ver que recursos podem ser utilizados pelas populações para a sua ascensão social.” “Nos casos em que se tem uma população que está utilizando aqueles recursos naturais e que há risco da área estar sendo utilizada para outro tipo de empreendimento potencialmente degradador. “A RDS não se limita ao predomínio de atividades extrativistas e a existência de populações tradicionais. que enxergam nas UCs de uso sustentável uma solução para garantir acesso às terras e aos recursos naturais. Num cerrado como o do norte.” “Área de baixa ocupação populacional. “O uso racional justifica a criação da área e se subordina ao manejo.“A criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. e nas condições para permanecer numa área de conservação”. a pedido das próprias comunidades. “Proteção de espaços e recursos de uma população mais complexa que os seringueiros”. agricultura. O que importa é garantir um tipo de uso que esteja no perfil. para o seu ganho de vida. nós não podemos ter uma RDS porque lá as pessoas não teriam que sobreviver porque lá não é tão diverso assim. “Quando há potencial de conservação ambiental e atividades não impactantes”. É mais adequada para sistemas com maior complexidade social e econômica. Estas percepções trazem consigo a noção de que as populações que vivem da biodiversidade na floresta tem noção de capacidade de suporte e equilíbrio ambiental. (. “Na mata atlântica as populações praticam atividades diversas. Deve ser analisada sua criação toda vez que haja motivação para experiências de uso sustentável da biodiversidade e preservação”. “A base da conservação na Amazônia é a criação de unidades de conservação. A RDS foi pensada para dar conta deste leque de atividades complementares. Pra mim esse é o critério básico. “Nos casos em que se tem uma população que esta utilizando aqueles recursos naturais e que há risco da área estar sendo utilizada para outro tipo de empreendimento potencialmente degradador.” “Primeiro ela teria que ser uma área onde tivesse uma biodiversidade capaz de fazer com que as pessoas que vivem dentro dela e no seu entorno se auto-sustentem. Ao analisar toda a biodiversidade do Amapá. como ocorre na mata atlântica – várias atividades complementares. caso fosse readequada para categoria em que a população tenha um impacto mínimo na área e se fosse supervisionada”. ligações complexas com o mercado.” Um entrevistado apontou que a RDS é indicada para o bioma Mata Atlântica. 54 . O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. particularmente porque as populações residentes deste bioma praticam atividades complementares. elas têm a precisa noção de que isso precisa ficar em equilíbrio”.” Outro motivo apontado para criação de uma RDS foi de atender populações tradicionais com ocupação diferente dos seringueiros.) A diversidade tem que ser boa o suficiente pra permitir que uma família viva ali pra sempre. “Aí as pessoas que vivem no interior ou entorno da unidade.. extrativismos pesqueiro. “A RDS poderia se prestar ao papel de parque com gente porque aí a gente resolveria o problema de várias unidades no Amazonas. “Quando a população residente faz uso racional dos recursos naturais”. melhorando a sua qualidade de vida. tais como turismo. significativa diversidade biológica e de favorável opção comunitária pelo uso sustentável de recursos naturais”..” “Quando há risco eminente de um empreendimento potencialmente degradador ser implantado em uma área em que há uma exploração supostamente sustentável sendo praticada por moradores tradicionais ou pelo menos radicados há algum tempo”. artesanato.

com conflitos (fundiários.. “(. Elas definem um certo ordenamento territorial. como por exemplo. dentro do objetivo que a conservação da natureza e desenvolvimento da comunidade andam juntos e não são contraditórios”. Esta transitoriedade é atribuída à questão fundiária8 – enquanto não há recursos para desapropriação .“(. é melhor uma área gerida como unidade política.” “Numa área grande. “Quando a comunidade não está organizada. ver item correspondente. “ “As RDS cabem bem num mosaico. Tipo de ocupação O entendimento unânime é que os moradores devem ser populações tradicionais.) duas situações em que RDS seria interessante hoje.) O segundo caso é quando a gente quiser uma reserva de uso múltiplo mesmo.. “Como as RDS são unidades de conservação menos restritivas.” “(. há quem entenda que as RDS podem cumprir papel de ordenamento territorial numa situação específica de uso múltiplo. Num macro ordenamento territorial elas cumprem seu papel. com muita incidência de títulos. “Uma outra situação é onde exista essa comunidade que não seja exclusivamente extrativista. com áreas para proteção permanente e áreas para ocupação e uso dos recursos naturais”. embora não haja clareza do significado deste termo.ou quando a população não está organizada o suficiente para demandar um outro tipo de categoria. por um grande número de entrevistados. “A RDS é uma solução importante. quando os sistemas de vida da comunidade local são mais diversos e amplos e implicam em mais uso agrícola e outros.. mas em pequena quantidade e ter a sua área de reserva permanente compatível.. de que as RDS são uma categoria transitória.. 55 . acesso a recursos) é mais fácil criar RDS”. conforme zoneamento. em harmonia. Entretanto. mas ainda assim cabe dentro do que a gente definiu antes. mesmo sendo de papel sempre seguram algo num ordenamento territorial”. As unidades de conservação. mas que ela tenha interesse e a visão de conservação da natureza”. e a RDS é uma solução intermediária”. É melhor do que não criar nada. O mosaico tem fragilidade política. Geralmente está relacionado a ocupações de pessoas com histórico de uso dos recursos na área e por este motivo conhecem e respeitam a natureza. a Resex. que prevê áreas específicas para preservação permanente e o uso dos recursos naturais. em função das circunstâncias. particularmente na Amazônia. quando a comunidade não está organizada. o governo estadual faz a mediação. podem ser futuramente transformadas em unidades de conservação mais restritivas”. ou não há como fazer desapropriação. O entendimento de todos é que as populações ocupantes não precisam ser necessariamente 8 Em relação à criação desta categoria em função da questão fundiária. incluindo a pesca. ter a sua cultura de subsistência. com áreas de uso e de conservação.. como uma categoria de manejo de unidade de conservação para gestão estadual. A primeira é essa. Foram apontadas também como categoria de manejo de uso múltiplo.) uma RDS tem que ter área para utilizar os recursos naturais existentes. “Finalmente. chama atenção o entendimento de alguns. As RDS são vistas.

para diferenciar da Rasex”. Eles podem ficar nesta categoria de unidade de conservação”. 56 . “Pequeno numero de moradores (caiçaras)”. para alguns. não vamos encontrar nenhuma. “(.extrativistas. tudo bem.) um extrativismo sustentável de baixo impacto praticado por populações que tenham um mínimo conhecimento destas práticas e tenham um histórico na região possam fazer. aquela caracterizada. “RDS poderia ser uma alternativa para locais onde o sistema de vida das comunidades é mais diverso. A ocupação está subordinada ao potencial de conservação da mesma. “(. mais aberta. portanto. Num certo sentido. por exemplo”. principalmente baseados na agricultura”. pelo menos. “Tem que ter usos múltiplos e ser mais baseado na agricultura do que no extrativismo. De qualquer maneira...) Hoje em dia se formos pensar na Amazônia ou no resto do Brasil na existência de população tradicional. “ “(.. mesmo que sejam populações com outros modos de exploração dos recursos naturais. “Se o estado tem uma área e quer transformar aquilo em uma RDS. Caracterizar população tradicional é muito difícil principalmente aqui na Amazônia pois existe uma grande mobilidade na região e uma grande ocupação e miscigenação. gente de fora da área. O termo em si não justificaria a criação de uma RDS. Extrativista é apenas uma das possibilidades”. uma categoria voltada para populações tradicionais não extrativistas.. isto torna a RDS menos segura para os ocupantes. radicados há algum tempo”. pescador. a referencia é que sejam “tradicionais”.” “Uma área em que há uma exploração supostamente sustentável sendo praticada por moradores tradicionais ou. A RDS seria. Acho que veranista poderia continuar. porque nem sempre a forma que as populações fazem o extrativismo elas tem uma rentabilidade e condições higiênicas adequada para o mercado... e aproveitar a comunidade que existem nas proximidades ou deslocar alguma comunidade pra lá pra usar recursos naturais”. com ocupação variada.) Então essas populações não têm que ser pensadas só para manter as condição de tradicional e devem ter a capacidade de assimilar estes aperfeiçoamentos na sua forma de acessar o recursos natural para agregar valor e oferecer um produto melhor pois estão em um sistema capitalista. “A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. mas o modo de ocupação característico atribuído a este tipo de população. “Qualquer tipo de ocupação”. Situações com mais de um tipo de ocupação..” “(.. como os pescadores. que desenvolvam usos múltiplos. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros”. “Na RDS são ribeirinhos.” Há quem considere que as RDS comportam ocupantes que não sejam populações tradicionais. onde a pequena agricultura é mais importante. veranistas. como por exemplo. grandes propriedades que estavam lá. “Pode ser agricultor.) o modo de ocupação humana que leva à criação de uma RDS tem que ser baseado na ocorrência de comunidades que usam vários recursos. “As RDS deveriam ser áreas não edificantes. quem tem que solicitar a criação da RDS são os próprios moradores. O que se deve considerar é o uso sustentável e que se possa incorporar praticas mais eficazes no uso do recursos naturais. visto que estão sujeitos a serem questionados no seu modo de ocupação caso não seja compatível com a conservação.

Neste caso. .) um bem prioritário. que possam ser utilizados pelas populações locais”. Teoricamente poderiam até questionar a ocupação .) isso vai partir muito dos estudos Biológicos”. "Pode também ser uma área degradada com possibilidade de restauração. considera importantes os estudos biológicos para criação da UC: “A necessidade de conservar (. tanto em termos de diversidade de produtos quanto em relação à sua disponibilidade (o que justificaria a necessidade de ser uma área grande).” Situação ambiental As respostas para esta pergunta contemplaram o estado ambiental da área que justificaria sua criação. caso o modo de ocupação crie obstáculos para a conservação. Ela entende que é só o objetivo da unidade é que vale.“A RDS é uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades. embora não deva estar totalmente degradada”. “A IUCN discorda de reconhecer na qualidade ambiental motivo para a criação da unidade.. fica nítida a priorização pelo uso dos recursos naturais pelas populações moradores em detrimento da conservação ambiental. que sustente a população. mas não têm uma noção de fato do que estar se querendo proteger.. Neste sentido. 57 . Pode também haver recuperação de áreas”.” Houve respostas que valorizaram a diversidade biológica. Pode aproveitar o potencial de regeneração em benefício da população”. mas ela tem que ser monitorada em uma outra dimensão. “Muitos companheiros têm dito: vamos criar uma Unidade de Conservação aqui e tal. Tem que estar no meio termo. que área que tem que ser preservada (. “Uma RDS deve ser criada num lugar com potencial de exploração e conservação. “Principalmente a possibilidade de uso sustentável recursos da biodiversidade e com perspectivas que essas experiências sinalizem novas abordagens em relação a conservação e a preservação da biodiversidade. Os entrevistados interpretam que a RDS deve ser criada numa área que tenha potencial de exploração e conservação. que é o monitoramento da efetividade da gestão. passiveis de serem recuperadas. numa área com grande biodiversidade. “ “Precisam estar presentes recursos naturais renováveis. Não tem justificativa para criar uma unidade de conservação numa área degradada”. A área não precisa ser necessariamente intacta”. A qualidade é uma decorrência óbvia. Não necessariamente tem que ser uma área conservada. “Mas estar degradada não impede a criação de uma RDS. “A área tem que estar conservada. Não pode estar num estado avançado de degradação. com áreas pouco degradadas.) “estar observando algum aspecto importante e específico daquela região”.. ou seja.. Entretanto... acho que restaurar uma área é complicado. Então você pode até criar uma RDS para recuperar aquele objetivo que a RDS teria.. alguns admitem a criação da RDS em áreas que não estejam intactas.. “. a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte” (.

58 . “GTA e CNS entendem que RDS não é para extrativistas porque não garante a terra”. Há o temor de que a propriedade particular pode vir a prejudicar os moradores. não retira população..” Há consenso de que a terra permanecendo particular pode ser fator de conflitos. você cria uma inimizade com essas pessoas (. não precisa ser extrativista. garantiria maior segurança aos moradores. o que evitaria gastos para o órgão público gestor da área. “Não desapropriar significa economia para o governo”.. desapropriadas. 20.)”. Por outro lado há quem reconheça o direito de propriedade e a necessidade de ter estes proprietários como aliados da Reserva: “Permitindo propriedade particular não evita conflitos. A regulamentação é mais frouxa. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem. quer seja por ser de domínio público – o que.” “Você acaba criando outra situação. tem que indenizar”.” Enquanto a maior parte dos entrevistados interpreta este parágrafo como não exigência de desapropriação. “Domínio público. após criada a área. “Art. visto que. principalmente no momento em que. Afinal quem define quando é necessário? Esta pequena abertura na questão da propriedade privada pode comprometer bastante o uso da mesma. por conta da desapropriação” “Elas não exigem regularização fundiária. beneficia um grupo de pessoas como trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando.) e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmonia”. A única situação que eu admito a propriedade privada é no caso de propriedade coletiva. os gestores do estado do Amapá entendem que RDS deve ser de domínio publico. quando necessário. garante a posseiros indesejáveis ou "grileiros" e afins as áreas "invadidas" e desonera o estado de desapropriar a área e destiná-la ao usufruto das populações extrativistas residentes e dá abertura a conflitos. Se tiver propriedade privada.” “(. Propriedade privada individual é inadequada aos modelos de gestão que a gente tem no país.” “Propriedade Privada: é interessante a motivação para estimular o setor privado a desenvolver ou apoiar atividades de uso sustentável da biodiversidade em RDSs. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser. “Este se necessário é o problema.. tipo quilombola. A questão fundiária é uma das motivações para criação de unidades de conservação nesta categoria. pois “a tendência é que o menor trabalhe para o maior”.. não desapropria. sob a ótica da responsabilidade sócio-ambiental ou mesmo como medida compensatória. segundo depoimento. define-se seu zoneamento. “Na Resex o poder de intervenção do estado é maior. “As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis.) não permite e não deve permitir áreas privadas no seu interior.Questão fundiária : A interpretação do § 2º do artigo 20 (lei do SNUC) é ambígua.. § 2º: A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público.. quer seja por não necessitar de desapropriação. portanto não tem ônus (. de acordo com o que dispõe a lei.

Há quem considere que não faz diferença a propriedade da terra. Mas estas áreas devem estar de acordo com os objetivos da reserva. No caso da Mata Atlântica tem ainda o rigor da lei. de expansão agrícola. caixeta”. “Na RDS (os moradores) não tem segurança de continuidade. As comunidades residentes da RDS estão mais vulneráveis às pressões locais. O fato é que não faz diferença se as áreas são privadas ou publicas” “Nas áreas costeiras as RDS são mais apropriadas. destacado por uma entrevistada. “Não dá segurança na terra para os moradores porque não desapropria”. pois a regulação do seu uso deve ser definida pelo plano de manejo. a solução está no plano de manejo. “Propriedades de famílias tradicionais não precisam ser desapropriadas”. ela deve se coadunar com os objetivos de conservação da categoria. Atividades/tipo de uso Todos entendem que um dos diferenciais da RDS é a possibilidade de diversidade de uso. dá maior controle às comunidades”. para além do extrativismo previsto pela Resex. sem prejuízo da implantação da unidade de conservação”. ou seja. terrestres). ao contrário da Resex. deve fazer uso da terra e dos recursos naturais sem gerar impacto ambiental significativo. “Não precisa desapropriar grandes propriedades. Todos entendem que a Resex está restrita ao extrativismo. “RESEX é exclusivamente extrativista” “RDS permite desenvolvimento de sistemas agroflorestais’”. já que não detém a propriedade da terra. por exemplo”.É unânime a interpretação de que mesmo permitindo a propriedade particular. “Pode ter área privada sim. que prevê concessão de uso de toda a área. a concessão está focada na área de uso das populações. como na Resex. Desta maneira a comunidade não exerce controle sobre o território como um todo”. é que a concessão de uso prevista para a população é garantida apenas para a área de uso. “Independente da propriedade da terra. porque permite desapropriação. Apenas as que não coadunam com os objetivos de conservação. Outro ponto importante. imobiliza os grandes proprietários. “Na RDS a concessão de uso não necessariamente abarca todo o território. “A RDS pode ter várias atividades para serem exploradas. “Uso extrativista dos recursos naturais de várias origens (marinhos. que. Isto é uma vantagem por permitir multiplicidade de utilização de vários recursos. “A Resex. bem feito. mas não necessariamente”. e aqueles que não moram e/ou vivam da terra”. tanto na área extrativista quanto na área agrícola”. A interpretação de que a RDS não exige desapropriação traz consigo o entendimento de que esta categoria deixa as populações muito vulneráveis a pressões externas. em caso de conflitos. 59 . atividades de artesanato aliadas á proteção dos ecossistemas onde se encontram as matérias primas – mangues. regulamenta o uso.

São usos de baixo impacto”. “Turismo convencional sim.. Mas há o temor de que as atividades extrapolem seus limites. “A atividade turística se houver. porque o conjunto é grande. dar sustentabilidade a própria comunidade (. “Mas me parece que dentro de uma UC. têm claro o que deve ser feito. mas tem que ter uma grande área sem uso”. é como se fosse uma plantation dividida em várias propriedades”.“A RDS comporta ainda atividade de recuperação de áreas degradadas. onde pode haver definição inclusive para substituição de áreas florestadas por cultivos ou exploração madeireira. porque todas as discussões internacionais não fecharam a porta para mineração em categorias 5 e 6. o que pode e o que não pode (. O reflorestamento em larga escala para a produção de papel. atividades que possam gerar renda. um garimpo. Finalmente. Porque não uma mineração artesanal. Sempre com baixo impacto ambiental. Nem a tal terceirização que vai para o mesmo fim. Em princípio pode sim. porque nem sempre a forma que as populações fazem o extrativismo elas têm uma rentabilidade e condições higiênicas adequada para o mercado. ou ainda mineração. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem ser desenvolvidas. não. pequenas roças”. “Não aos usos com pouca capacidade de sustentabilidade”. dando abertura para formas descontroladas de uso de recursos e perda significativa de cobertura florestal”. e que sejam oferecidas condições para se fazer uma observação da natureza mais interessante”. desde que controlados os impactos. ou uma mineração altamente “tecnificada” ? “Poderiam. por exemplo.) essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC. Mas há duvidas sobre a possibilidade de exploração de algumas atividades: “Não está definido se podem explorar minérios e recursos com valor comercial maior” “Mineração é uma grande dúvida. ter um uso econômico da água mineral”. “(. “Uma RDS é uma unidade de conservação com abertura para compatibilizar diferentes usos tradicionais dos recursos naturais pelas populações locais.” “Na RDS... “Atividades de pequena escala integradas em uma estratégia de múltipla utilização da natureza e com impactos controlados.) turismo pode ser numa parte. Quanto a empreendimentos. há quem considere que as RDS permitem atividades de médio e pequeno porte. definido posteriormente à criação. as restrições ficam a cargo do Plano de Manejo da área. porque o preço de produto cai muito e não permite a própria sobrevivência e desenvolvimento.” 60 . e deveria incluir no plano de manejo atividades de pesquisa”.. mas sim agroflorestais. “O que se deve considerar é o uso sustentável e que se possa incorporar praticas mais eficazes no uso dos recursos naturais. mas estas deveriam ser realizadas pelas populações moradoras e não proprietários.. há unanimidade no entendimento de que qualquer uso /ocupação da área e recursos da RDS não deve gerar impactos significativos e deve ser sustentável.. tem que ser controlada”. principalmente pela falta de controle estatal da unidade de conservação. O plano de manejo deve definir as atividades possíveis.) e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação. “A RDS não comporta atividades agropecuárias.

) existem algumas alternativas que podem ser destinadas à iniciativa privada como. enquanto que para a Resex é ao contrário. Deixa em aberto sobre o uso da área por população não moradora. “O que não poderia ter é uma porção de terra dentro de uma U. mas não necessariamente. “A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade...” Um entrevistado analisou as reais motivações para criação de uma unidade de conservação de uso sustentável afirmando que as mesmas são um mote para garantir acesso à terra e aos recursos naturais de populações usuárias.” “Pode ser interpretado que a RDS não implica na participação.C de uso sustentável é uma boa alternativa para fixar aquela população á terra e garantir os direitos mínimos de sobrevivência. pois estaria possibilitando a criação de unidade de conservação de uso sustentável em áreas onde a população não estivesse ainda organizada. Eles querem porque é uma alternativa que dá uma 61 . até mesmo condições de investimento. muitas vezes ameaçadas de perder seu território. a área só pode ser explorada pela população moradora.. atendimento à normas ambientais que nem sempre uma organização formada por pessoas com baixa escolaridade tem condições. “A diferença com a Resex é a ausência da necessidade de demanda da população para criação da RDS”. do ponto de vista das comunidades. “Na Resex. porque você tem uma legislação relativa a higiene no trabalho.“Se for um empreendimento da coletividade. A Resex é uma solução mais definitiva. Afirma ainda que nem sempre as populações têm claro o significado e objetivos de uma unidade de conservação. É visto também como vantagem no caso da necessidade de criação urgente de unidade de conservação para proteger uma área sob ameaça. (.. “(. contratação de pessoal.) acho que pode surgir uma demanda da comunidade. Há quem entenda que a RDS pode ser explorada por população não moradora. de médio ou pequeno porte. Tem que ser manejado de forma adequada”. Se você tiver um hotel lá dentro e que este hotel seja explorado por iniciativa privada e ele em contrapartida vai gerar emprego dentro da comunidade e ele irá se responsabilizar por uma serie de coisas que a aquela comunidade não tem condições para assumir enquanto empreendedores. “(.” Demanda para criação de uma RDS Praticamente todos entendem que a RDS não exige demanda formal para ser criada. mais permanente. por exemplo. desde que seja negociado o uso no processo de criação”. “Permite o uso dos recursos por quem não vive no interior da RDS”. o que traz insegurança para os moradores e disputa de recursos com população de fora”. O processo de demanda da Resex envolve a organização da comunidade. pois pode ser decretada sem a demanda da comunidade”. não há problema.. “A demanda para a criação de uma reserva atende um apelo ou uma expectativa daquela população que necessita de uma segurança ao uso da terra.. (..) uma U..) muitos moradores não sabem o que significa. e da RDS não necessariamente. Isto por um lado é visto como uma facilidade. mais segura. o turismo. Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia Resex. sem muito impacto. sendo explorada sem o controle da população que é quem tem obrigação pela guarda daquela área”. “Tudo bem médias e grandes propriedades.C sendo explorada pela iniciativa privada.

fazer roça mecanizada dentro daquela área. “Pra ter a sustentabilidade é necessário um controle populacional”. implicitamente. não passe da capacidade suporte que o plano de manejo vai apontar. mas muitos deles não se vê dentro de uma UC quando a expectativa é de praticar alguma exploração que eles consigam alguma condição mínima que é exploração agrícola como criar gado. dificilmente essa Unidade vai sobreviver. “Tem que haver concordância para que a reserva dê resultados”. Quem tem que controlar é a administração. A entrada de novos ocupantes. e/ou pelo plano de manejo. três gerações”. Todos consideram que.” “Eu vejo que sim. Oo envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante (.) quem vai ficar dentro da RDS obviamente tem que ser consultado. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro. clara e diretamente. “Eu acho que as demandas devem partir das comunidades.” Houve um relato de que atualmente alguns ex-moradores estão retornando para a RDS de Mamirauá em função do aumento de disponibilidade de recursos. “Porque não? Esses ocupantes serão as futuras populações tradicionais.. se tem vocação para trabalhar com as atividades que estão sendo desenvolvidas. cinco..” “A concordância deve ser pré-requisito para criação de qualquer UCs”. Mas quanto é recente. bem como com a necessidade de adequação das pessoas ao contexto da área e à comunidade. como nas RESEX. garantindo a relação de equilíbrio entre a população e o uso dos recursos naturais.” Recém chegados Apesar da polêmica que envolve esta questão e a relativização das respostas dos entrevistados.segurança quanto a permanência na área. órgão gestor. Além disso. Mas deveria ter pelo menos uma triagem: se a pessoa vai trabalhar na área. acho que não. o que potencialmente gera conflitos: 62 . mas é duro definir o que são esses recentes. Se a pessoa se enquadrar dentro dos critérios de acesso aos recursos naturais e que se dê bem com a comunidade não tem porque não aceitar desde que. mas não dá para impedir. a população local deve sempre ser consultada.. há entendimento de que a população local é quem deve regular a entrada de novos ocupantes.” Um único entrevistado considerou que para criar a RDS deve ter um pedido formal da população local. “O que precisa garantir é uma relação de equilíbrio entre os recursos naturais e a população”. Porque a reserva é muito grande. todos afirmam que não dá para impedir a entrada de novas pessoas e expressaram preocupação com o aumento populacional na RDS. “Eu acho que a população tem que ter um mecanismo próprio de regulação” “Não dá para impedir a entrada de pessoas.) porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recursos de maneira formal. dois anos. Se eles chegaram ontem. Mas neste momento que estão na ameaça de perder a sua terra eles aceitam. “(.” “Pode ter. é entendida como algo a ser regulado pela própria população moradora.. que deve estudar a viabilidade das pessoas morarem ali. embora não seja necessária a demanda formal. pelo conselho gestor. Tem que evitar especuladores. desde que não cause impacto negativo àquela população que anteriormente ocupava a região.

Aqui o Mamirauá é exemplo disso. “Eu acho que a gestão da RDS tem que ser compartilhada (. Há. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído.” Todos consideram que o Conselho Gestor é a instancia de gestão desta categoria de unidade de conservação. garantida a paridade público/comunidade. “O conselho gestor deve elaborar e executar o plano de manejo. saneamento básico. E aí quando se criou as UCs. “Conselho Gestor tem que refletir essas duas demandas. tendo essa característica de vários usos.) e que isso seja transparente. Nos últimos 10 anos foram criadas UCs e quem ficou no local lutou por essas unidades. as Políticas Públicas têm voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. para que haja um processo de discussão aberto e o encaminhamento das questões. tem olhado com mais carinho. Além disso. que podem ser desde uma audiência publica até o conselho gestor”.. que a população tem direitos e deveres a cumprir já que é o principal ator e beneficiário da gestão da área. A comunidade não pode ser apenas mais um no conselho gestor”. os estoques pesqueiros retornaram. Esse é um conflito local que as comunidades que têm que resolver“. isso é um trabalho de muita gente. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida. quem defenda que as RDS. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando estava ruim você foi embora. e o principal instrumento de gestão é a plano de manejo. Gestão Nesta questão a opinião de todos converge também. nos depoimentos.“Ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada. e eventualmente a comunidade. tem que ter mais representantes. saúde. Com representação das comunidades. devem ser rigidamente supervisionadas pelos órgãos gestores. A população é fiscal e usuária ao mesmo tempo”. e tem que ter a representação de ambientalistas e cientistas que são quem vai representar os interesses de conservação dessa área maior. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. “Conselho Gestor deve ser o principal instrumento de gestão. fica claro. É unânime também que a população esteja bem representada no conselho gestor.. agora que está bom você retorna. por se constituírem em unidades de conservação que apenas toleram comunidades em seu interior.provocando retorno de famílias da cidade onde há dificuldade de emprego e escassa geração de renda. Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. Tem que ter uma representação muito mais forte dessa comunidade local com essas características. e a fiscalização é espontânea. “A própria população é gestora. considerando que a gestão deve ser compartilhada. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária. A Associação de moradores deve ter papel privilegiado. 63 . entretanto. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares. “O órgão de gestão vai ter que ter uma atenção especial para esta comunidade”. eleição para presidência e diretoria e dotação orçamentária garantida pelo setor público para funcionamento do Conselho Gestor” “Deve seguir alguns princípios: primeiro relativo a ampla representação dos interesses da população nas instâncias em que ocorrem as decisões. sem uso”. como a educação.

comunidade organizada. cabe a ele dar os limites. Exige pessoal e recursos materiais”. Isto implica. “Tem que fazer um plano de manejo participativo. a gestão desta esta categoria de manejo deve promover o acesso a serviços básicos. Todo mundo que será abrangido de alguma forma pela reserva deve ser consultado”. sociedades de amigos e moradores. “Deve haver uma consulta popular com os moradores do interior da unidade de conservação. necessitando. não cabe ao órgão ambiental julgar.. Como estes serviços estão sob responsabilidade das prefeituras municipais. Além disso.) O equilíbrio entre as atividades. 64 . E por consenso do setor publico. o que ocorre frequentemente é que a municipalidade se retira da área e não cumpre com suas responsabilidades. e as unidades de conservação sob responsabilidade de governos estaduais e/ou federais. você não ficar dependente só de um produto. o uso sustentável dos recursos naturais. investimentos em saúde. (. A lei não exige o envolvimento local. incluindo ai os veranistas e proprietários. comunidade. “Acho que a gestão deveria ser mais direta. Esta preocupação também está presente na fala dos moradores/usuários entrevistados. mas cabe a ele decidir os limites da produção. para que a RDS de fato cumpra com seus objetivos. incorporação de técnicas mais compatíveis com a sustentabilidade.” “A implantação das RDS requer mais investimento que a implantação de um Parque: precisa de gente capacitada para gerir conflitos. na terra.O plano de manejo deve contemplar os usos da área e dos recursos naturais. para definir quais as possibilidades de atividades podem ser desempenhadas na área. exigem incrementos tecnológicos e assistência técnica . é imprescindível que haja um certo nível de organização dos beneficiários. que devem estar previstos no plano de gestão destas unidades de conservação. educação e transporte. Se essa comunidade quer ter uma estratégia de sustentabilidade econômica baseada em um produto só ou em cinco. Deve ser levantado o uso sustentado dos recursos naturais. precisa de programas de desenvolvimento sustentado. mas deve ser uma alternativa. “Para a RDS dar certo. melhoria condições de vida. que inclui a participação efetiva da população na gestão da mesma.. educação.” Uma colocação importante é que por abrigar populações locais. na hora do plano de manejo”. para serem economicamente viáveis. comercialização da produção. portanto. e influenciando na prática essa decisão. é unânime o entendimento de que a RDS deve contemplar uma área de proteção integral. zoneamento e plano de manejo para usar os diferentes recursos naturais. de formação específica para este fim. é preciso uma organização social mais vigorosa (mais vigorosa que a existente hoje). “Duas características que eu acho importante em RDS: uma comunidade que use os recursos naturais de forma adequada. a população precisa ter uma organização. como saúde. Além disso. E o outro aspecto é o fato de você garantir que se tenha uma área grande sem uso direto”. das diferentes esferas. Não cabe ao órgão ambiental decidir os produtos. num orçamento específico que atenda os investimentos necessários neste sentido.) planejamento para a RDS. Os funcionários de unidades de conservação usualmente têm pouco preparo para lidar com estas questões.” “Tem que ter um contrato com cada comunidade de uso. envolvendo os principais atores: estado. no mangue. Finalmente. “Que você tenha algumas área de uso da comunidade e algumas áreas sem uso”. é importante considerar que a presença de populações implica necessariamente em negociações para atingir consensos e tomar de decisões... (. Além disso.

1 representante das RDS estudadas (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) . têm como principal referência o histórico da incorporação desta categoria no SNUC (ver capitulo 3): por um lado. etc. A totalidade dos participantes (excetuando os consultores) concentram suas experiencias sobre unidades de conservação na região amazônica.7. 4 do MMA e 2 do IBAMA (ver lista de participantes em anexo). campos de altitude. PROPOSTAS E RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DA CATEGORIA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Estas propostas foram apresentadas na “Oficina Diálogos sobre reserva de Desenvolvimento Sustentável” realizada em Brasília. abrigar populações já organizadas e que praticavam manejo sustentado (o caso de Mamirauá) e por outro. A Oficina teve participação de 21 pessoas: 9 de Ongs (6 WWF-Brasil. ambos no estado de São Paulo). aqui apresentadas. ser pano de fundo para a discussão. particularmente as que vivem na Mata Atlântica. em fevereiro de 2006. as discussões tiveram como referência o contexto amazônico (onde. Entretanto. uso e manejo dos recursos naturais e história sócio-cultural das populações habitantes dos variados biomas brasileiros. ainda em andamento. 1 de universidade (UFPA). excetuando a RDS Ponta Tubarão / RN). gestão e implantação das três RDS estudadas. em se tratando de uma categoria de manejo de unidade de conservação pertencente ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) . Os comentários foram registrados em fleep chart durante a plenária. Outros basearam suas contribuições nas experiências vividas em RDS já existentes. Acrescente-se ainda a tendência que vem se verificando de proposição de RDS como alternativa para solucionar as questões de ocupações humanas em unidades de conservação de proteção integral. 1 do CNS. As propostas e recomendações para regulamentação da categoria RDS apresentadas a seguir incorporam os consensos das discussões realizadas durante a oficina. As propostas e diretrizes para regulamentação da RDS. caatinga. Estas propostas também têm como referência a análise dos processos de criação . 65 . particularmente na Mata Atlantica (por exemplo. mata atlântica. as propostas e diretrizes aqui apresentadas objetivam contemplar também as diferenças da biodiversidade e da ocupação . na tabela de orientação da discussão (em anexo). 1 ISA. Neste sentido. como cerrado. a partir do perfil de ocupação que se pretende contemplar com a criação de unidades de conservação nesta categoria. Por este motivo. pantanal. 1 TNC/Conservação Internacional) . praticantes de atividades econômicas complementares. Alguns participantes consideram que o ponto de partida deveria ser a definição de um modelo ideal do desenho desta categoria. 1 IEB. no Parque Estadual da Serra do Mar e Estação Ecológica da Juréia. Uma discussão que permeou a Oficina foi acerca do ponto de partida para construção de uma proposta de regulamentação para a categoria de manejo RDS. iniciou-se a discussão sobre as propostas. além da interpretação da legislação vigente. os demais biomas deveriam. também. 2 de Secretarias Estaduais de Meio Ambiente (SDS/AM e SEMA/AP). há processos recentes. Após contextualizar a pesquisa e os resultados da análise dos dados dos estudos de caso das três RDS em foco. acomodar as situações freqüentes de sobreposição de unidades de conservação de proteção integral com áreas ocupadas por populações tradicionais . zonas consteiras. aliás. se encontram todas as RDS existentes até o momento. considerando suas biodiversidade e sóciodiversidade especificas.

Se essas atividades não são sustentáveis. ou até mesmo que não apresentem qualquer familiaridade com os ecossistemas locais. para a qual o artigo dezoito da mesma lei dispõe tratar-se de área utilizada por populações tradicionais. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais. lato senso. revelam uma posição recorrente de que RDSs podem ser criadas para atendimento de demandas de grupos recém chegados à região. d) utilização de técnicas e práticas de exploração do meio pouco impactantes. está prevista na lei do SNUC a categoria Reserva Extrativista (Resex). Entretanto. além do fato de que há variadas interpretações e posicionamentos teóricos e políticos sobre este termo. produção de itens para consumo local. Cabe. Quanto à expressão “formas de manejo pouco impactantes dos recursos”. como por exemplo. Iratapuru / AP. No entanto. tempo despendido e número de famílias envolvidas. entrevistas com especialistas e responsáveis pela execução do SNUC. em vez de “formas de manejo sustentável” constante na lei do SNUC. um grande potencial de sustentabilidade. sem especificar se devem ser residentes ou não nos limites da unidade.1 PROCESSO DE CRIAÇÃO Critérios: a) Ocorrência de populações locais. o destaque a esta atividade expresso na definição legal das Resex destina. não raro conflitantes. sugere-se que a população alvo para a criação de uma RDS apresente apenas como características: a) residência na área a ser demarcada. Assim. embora a lei do SNUC utilize este termo. cabe destacar que nem sempre são encontradas práticas de exploração de recursos naturais ambiental e economicamente sustentáveis utilizadas por grupos que dependem desses recursos para sua sobrevivência e reprodução sócio-cultural. que detenham conhecimentos sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem modalidades relativamente impactantes de utilização /exploração de seus recursos. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais”. distintamente de outras categorias. porém. são ainda encontrados variados grupos sociais que pouco impactam o meio com suas atividades econômicas. têm sido criadas para a proteção ambiental de determinadas áreas sem que haja a ocorrência de moradores em seu interior. contrariando a disposição legal. por fim. Por outro lado. após a criação da unidade de conservação. as populações não são adjetivadas como tradicionais. ocorrência de ecossistemas em bom estado de conservação (que permita uma oferta significativa das espécies naturais utilizadas) e existência de traços culturais que não valorizam o excessivo acúmulo de bens e capital. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. realizadas durante este trabalho. podem apresentar. entre as populações residentes na área alvo de proteção. às RDSs outros tipos de usos e ocupações econômicas. RDSs estaduais. 66 . Comentário: Para os casos de populações que tenham no extrativismo de recursos naturais suas atividades predominantes no que diz respeito à geração de renda. destacar que no enunciado da condicionante acima. Ocorre que a própria legislação do SNUC não conceitua “tradicional”. Resex. c) conhecimento prático sobre os ecossistemas locais. Entretanto. o mesmo artigo vinte da lei do SNUC determina que as populações residentes em uma RDS devem ter sua existência baseada “em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. Embora as RDSs possam também contemplar extrativismo. b) dependência estreita da exploração de recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural.985/00 que institui o SNUC dispõe em seu vigésimo artigo que RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais. utilização de práticas e meios de produção simples e adaptados ao ambiente. b)Ocorrência. em função de fatores tais como baixa densidade demográfica. Dessa forma. Comentário: A lei federal 9. residentes na área alvo de proteção. implicitamente. com apoio técnico e financeiro.7. como por exemplo. a proposta é a de que as RDSs devem contemplar.

como. de forma subjacente. pequena agricultura diversificada. No entanto. a ocorrência de populações mobilizadas e organizadas. assim como Resex. No entanto. No entanto. por pressuporem que tal requisito é exclusivo às Resex. o artigo vinte e três da lei do SNUC. pecuária extensiva em fundos de pastos (região nordeste) e faxinais (região sul). recuperação. da indústria turístico-hoteleira e da especulação imobiliária. como usualmente ocorre no caso das Resex. os procedimentos para sua criação e implantação devem ser permeados por ações de apoio ao aprimoramento das formas de organização local. em função de seu histórico enquanto categoria de unidade de conservação. populações que desenvolvam atividades econômicas. como as Resex estão historicamente identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia. não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. aqüicultura em pequena escala. entre órgãos estaduais responsáveis pela execução do SNUC. têm favorecido o quadro de desmobilização social de segmentos rurais. quanto para RDS. a postura de se optar pela criação de uma RDS. declaram que os processos de criação de RDSs em tais situações. cabe lembrar que tais categorias de manejo constituem-se em unidades de conservação da natureza. formal ou informal. é necessário que a área 67 . uma vez que se sentem desonerados em incentivar ou propiciar o apoio para que as comunidades procurem se organizar e se fazer representar com maior autonomia na defesa de seus direitos. em seu parágrafo primeiro. Além disso. Comentário: Assim como também tem ocorrido para as Resex. e inversamente. turismo. além de serem iniciativas das instâncias públicas ou de ONGs ambientalistas. determina que as populações das RDSs. ao invés de Resex. d)Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com relevância ecológica e/ou áreas com importância simbólica para a população beneficiária. o Conselho Nacional dos Seringueiros (CSN). c)Grau mínimo de coesão social e de práticas socioculturais coletivas que permita a efetiva participação das comunidades nas práticas de gestão desta categoria de manejo de unidade de conservação. se obrigam “a participar da preservação. ou um consórcio de atividades geradoras de baixos impactos ambientais. Ao contrário. assim como das Resex. por exemplo.especialmente. cujo objetivo principal é a conservação da biodiversidade. notadamente as advindas da expansão das fronteiras do agro-negócio. ou favorecer. Além disso. como por exemplo. artesanato. a lei do SNUC dispõe que a RDS deverá ser gerida por um Conselho Deliberativo. devendo ser buscados outros instrumentos legais para se ensejar soluções para conflitos de interesse e concorrências de uso em áreas fortemente antropizadas. Sem perder de vista a dimensão de que RDSs. ações que exigem um considerável grau de organização interna. observando-se e respeitando-se suas especificidades. entrevistados para este trabalho. determinadas áreas com predominância de populações extrativistas têm sido demandadas para se constituírem em RDS por questões políticas (falta de vínculos com esses movimentos ou mesmo contraposições a eles) e até mesmo pelo simples fato de não se localizarem na região amazônica. é crescente a demanda para a criação de RDSs em função de ameaças a grupos sociais. representantes de movimentos sociais. defesa e manutenção da unidade de conservação”. § 4º). têm também o papel de garantir a diversidade cultural e de promover a justiça social. com potencial de sustentabilidade. sistemas agroflorestais. Sobre esse aspecto. a idéia de que apenas as Resex devem contemplar. tanto para Resex. em casos em que ameaças ao meio ou a um determinado grupo ocorram em áreas onde seus residentes não apresentem qualquer forma de organização social. por representantes das populações tradicionais residentes na área (Artigo 20. constituído. cabe ressaltar que tal posicionamento apresenta conotações políticas de defesa dos ideais programáticos de alguns desses movimentos e traz. entre outros. Comentário: Tem sido registrada.

somente após a criação oficial da reserva é que os moradores se dão realmente conta das responsabilidades que passam a assumir e. têm também se refletido nos processos de criação das de uso sustentável. principalmente nos casos em que a identificação da necessidade de proteção se dá por parte de agentes externos às comunidades locais. assim como consultas públicas mais amplas. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. educação e transporte) para a população residente da unidade de conservação. e)Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. é geralmente considerada consentimento. já observadas. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior das RDSs. A maior parte dos entrevistados para esse trabalho concorda a respeito dessa disposição legal. Área de Relevante Interesse Ecológico. Reserva da Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos. As conseqüências. distintamente do que está disposto para as demais seis categorias de unidade de conservação de uso sustentável9. e alguns de seus reflexos são os procedimentos para a realização de consultas públicas para criação de novas áreas protegidas: até mesmo os vagos procedimentos dispostos no SNUC para a realização destas consultas (Artigo 22 da lei 9. esclarecimento sobre as causas e conseqüências da criação e implementação da reserva e estabelecimento de vias de comunicação e negociação com os representantes de todos os segmentos envolvidos. são o aparecimento de conflitos internos. a fragilização das práticas de gestão e o comprometimento dos próprios objetivos da categoria de manejo. em muitos casos. com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral. Sua falta de reação. coleta lixo. Área de Proteção Integral. além de serem agentes interessados. em linguagem técnica. nas quais os atores locais são meramente informados. contendo: solicitação para criação da unidade. pelo menos. uma vez que entre os objetivos básicos da RDS consta o de melhoria de qualidade de vida de seus moradores (§ 1º do vigésimo artigo da lei 9. g) Encaminhamento de manifestação por escrito com adesão de.985/00).985/00) não são plenamente utilizados e o que se constata é que consulta pública se restringe a uma ou duas audiências formais. quanto ao envolvimento dos órgãos públicos das três esferas do poder. Mesmo que estas práticas sejam mais usualmente utilizadas para a criação de unidades de proteção integral. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais. saneamento.apresente condições de equilíbrio e sustentação ecológica de forma a garantir uma disponibilidade estável dos recursos naturais utilizados pelas famílias locais. devem ser informados sobre a necessidade de ações de inclusão social (acesso à saúde. envolvendo todos os segmentos interessados. Devem contar com levantamento de informações que complementem os estudos preliminares. assim como a diminuição de conflitos de interesses e de concorrências de usos. não se mostram dispostos a participar das formas de gestão e dos processos de elaboração dos instrumentos normativos da unidade (zoneamento e plano de manejo). Reserva Extrativista. Comentário: Ainda persiste no país uma parca preocupação em se democratizar as decisões sobre a política ambiental. energia. Dessa forma. 9 68 . Comentário: Reforçando o item anterior. a serem previstas na elaboração de seu Plano de Manejo (Artigo 20. sobre a necessidade de conservação de uma determinada área. Finalizando. notadamente os municipais. por não estarem suficientemente preparados para um debate técnico. visando sua plena compreensão sobre as implicações (direitos e deveres) decorrentes desse processo. § 6º). Floresta Nacional. f) Realização de consultas públicas para criação de RDSs específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida.

Esse quadro é ainda agravado em situações de ocorrência de imóveis rurais de grandes dimensões. 3) A interpretação do § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC sobre a possibilidade de ocorrência de propriedades privadas no interior das RDSs tem determinado que governos estaduais estejam criando unidades dessa categoria de manejo em áreas identificadas como ameaçadas. não raro urbana. objetam que o principal motivo para se transformar uma área em RDS é a sua importância ecológica. quanto de grupos sociais. geralmente. corriqueiramente observada. notadamente. geralmente. 69 . Ou seja. No entanto. os procedimentos que são estabelecidos desde os primeiros contatos com a população diretamente interessada até a criação da unidade. têm consentido com a criação da unidade a partir de informações e sugestões de agentes públicos e da sociedade organizada. além de não permitirem a apreensão de todos os aspectos que possibilitariam maior grau de eficiência para o alcance dos objetivos inicialmente propostos. tanto de ecossistemas. Assim. em três fatos: 1) A fragilidade dos procedimentos adotados para a realização de consultas públicas. 2) A primeira RDS criada. não sendo dispensada maior atenção à prestação de informações às comunidades locais e às negociações com os setores envolvidos. Por outro lado. conforme mencionado no item anterior. têm sido criadas por meio da identificação. foi Mamirauá / AM. produto de demandas essencialmente ambientalistas. baseiase. defesa e manutenção da unidade de conservação”. cujos proprietários não tenham sido consultados sobre a criação da reserva ou não concordem em submeter os usos de suas terras às normas específicas do zoneamento e do plano de manejo da RDS. modelo para as disposições legais do SNUC sobre esta categoria. refletido na legislação do SNUC e reproduzido nos discursos e práticas de grande parte dos responsáveis pela execução deste sistema legal.comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. a questão que se coloca é que. via de regra. no caso RDS. sem onerar os cofres públicos com desapropriações de imóveis. Esta situação. a maior parte deles admite que as RDSs. grande parte das iniciativas para criação de RDSs não tem partido de seus virtuais beneficiários diretos. uma vez que a principal motivação é a rápida criação da área protegida. ocupadas por comunidades e mesmo por grandes propriedades rurais. o marco para a criação de Mamirauá é o da conservação ambiental. Ou seja. recuperação. uma parte dos entrevistados também admite que a criação de unidades desta categoria deve se dar por motivação principalmente ambiental. lembrando que § 1º do artigo vigésimo terceiro da lei do SNUC determina que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. de que seus usuários estarão motivados e devidamente comprometidos com os objetivos inerentes a essa categoria de unidade de conservação. os quais. após criação da reserva. não possibilitam também que os virtuais beneficiários se dêem conta das causas e conseqüências inerentes à criação de uma reserva. a possibilidade aberta pelo referido parágrafo determina que algumas áreas passem à condição de unidades de conservação. No entanto. foi transformada em uma nova modalidade de unidade de conservação (RDS estadual) pelo fato de seus idealizadores se depararem com comunidades locais fortemente mobilizadas e terem tido a sensibilidade de propor novos arranjos políticos e legais visando a compatibilização entre conservação ambiental e permanência / melhoria da qualidade de vida das famílias locais. Mesmo considerando o aspecto positivo dessa prestação de informações e apoio à garantia da biodiversidade e de direitos básicos da população envolvida. cabendo aos moradores locais o ajustamento de seus modos de vida às normas específicas da RDS. da necessidade da adoção de medidas de proteção. por parte de órgãos governamentais e ONGs. mesmo que concordem que as populações locais devam ser co-responsáveis pelas demandas de criação das unidades. Inicialmente enquadrada como Estação Ecológica. Um dos resultados de toda essa situação é a falta de garantia. Também nesses casos não tem havido o devido envolvimento das comunidades e/ou de proprietários rurais. na prática. Comentário: A maioria dos entrevistados para este trabalho concorda que as RDSs devem ser criadas a partir de demandas expressas dos moradores / usuários da área alvo de proteção ambiental.

manter ou melhorar sua qualidade de vida com o uso dos recursos dos ecossistemas abarcados pelos seus limites e. uma vez que. sugere-se que em casos de ocorrência de propriedades de famílias locais que reivindiquem a proteção de sua área e desenvolvam atividades com potencial para alcançar uma sustentabilidade ambiental. econômica e gerencial. os proprietários desses imóveis não residem na região. Comentário: O item III. cujas atividades econômicas pudessem ser consideradas tradicionais e resultassem em baixo nível de impacto ambiental. uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sócio cultural e melhoria da qualidade de vida. no processo de consulta pública. detenham documentos comprobatórios de sua área de ocupação. durante o processo de consulta pública. podendo se aprimorar. Comentário: O § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC. por um lado.h) Delimitação da área. lato senso. em detrimento de Resex. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. na zona de uso antrópico. § 5º do artigo vigésimo da lei do SNUC dispõe que para as RDSs “deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação” e o § 1º do artigo vigésimo terceiro desta mesma lei determina. denominada Reserva Ecológico-cultural. são exemplos da desproporcionalidade entre número de moradores e área total da unidade. são alheios aos interesses das comunidades locais. fato que tem acarretado a criação de RDSs com grandes propriedades. recuperação. Apesar desse quadro. deverá prevalecer a categoria RDS. defesa e manutenção da unidade de conservação. em seu interior. seja criada a RDS. pelas normas do zoneamento e do plano de manejo da unidade. considerando. que apresenta propriedades rurais em sua área. que parte de sua área seja de domínio privado. que acaba por inviabilizar o cumprimento das disposições legais do SNUC.” Dessa forma. inclusive latifúndios.985/00. representadas. que aventa a possibilidade de ocorrência de áreas privadas no interior de RDSs foi previsto considerando-se tanto o modelo de Mamirauá. não participam do processo de consultas públicas para criação da reserva. dada a falta de recursos orçamentários e mesmo de vontade política dos governos estaduais para promover a desapropriação de imóveis. conquanto tais imóveis fossem pertencentes a famílias residentes no local. as dimensões de uma RDS têm que propiciar que seus moradores possam. com mais de dois milhões de hectares reservados para pouco mais de sessenta famílias. no caso. Casos como a RDS estadual de Cujubim /AM. notadamente no que se refere à preservação ambiental e à conservação dos ecossistemas fundamentais para a continuidade de atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas pela 70 . por permitir. que previa a possibilidade de imóveis particulares no interior da área protegida. além de não concordarem com virtuais ingerências em seus negócios. Como já comentado. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na administração. quanto a proposta de outra categoria encaminhada por ocasião das discussões deste sistema legal. para manter ou alcançar um grau de sustentabilidade. i) Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas no item 1. como anteriormente mencionado. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. via de regra. diferentemente de Resex. dar conta das obrigações legais dispostas neste último artigo citado. esta interpretação não foi claramente exposta no teor da lei 9. Para as demais propriedades que não se encaixem nesse quadro. monitoramento e fiscalização da unidade de conservação. por outro. sobre a pertinência de sua inclusão na área protegida. A RDSs estaduais de Ponta do Tubarão / RN e Cujubim / AM são exemplos desta situação. sugere-se que sejam feitas avaliações. a primeira RDS criada. esta situação dificulta e pode mesmo inviabilizar a implantação e a gestão das unidades. após a criação da unidade. No entanto.

de uso comum e de exploração dos recursos naturais. se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. em campo. Comentário: A legislação do SNUC não é precisa quanto às atividades passíveis de serem desenvolvidas nas RDSs. Identificação e sistematização de lacunas de conhecimento. Identificação preliminar do estado dos ecossistemas abrangidos e avaliação da possibilidade de recuperação de áreas degradadas. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. desde 71 . Levantamento expedito. entretanto. 7. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de manejo e o zoneamento da unidade. até a elaboração de seu plano de manejo. Sistematização e análise do tipo de ocupação da área. em campo.população local. cabendo. Identificação. Identificação de eventuais concorrências de usos e de conflitos de interesses entre os segmentos. Avaliação do interesse dos moradores em permanecer e conservar o local de acordo com a legislação vigente e as normas específicas da categoria de manejo RDS. sendo também admitidas a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis.2 DIRETRIZES PARA IMPLANTAÇÃO & GESTÃO DA RDS a) As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. Levantamento das estruturas e serviços sociais à disposição das comunidades. dos diversos segmentos sócio-culturais. As propostas para resolução fundiária desses casos encontram-se no item 2 do próximo bloco (Diretrizes para Implantação e Gestão de RDS). considerando-se o equilíbrio dinâmico entre o número de habitantes e a conservação. esforços para seu aprimoramento. priorizando as características sócioeconômico-culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia. estas deverão estar de acordo com a lei do SNUC e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. Os critérios relacionados acima devem ser aferidos. Identificação preliminar das áreas significativas para a manutenção ou recuperação da diversidade biológica. estando apenas disposto que é permitida e incentivada a visitação pública e a pesquisa científica. das principais características biofísicas da área. Levantamento das formas e graus de organização social e produtiva. como por exemplo. de forma sistemática. Identificação de outros segmentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção. econômicos e políticos envolvidos com a área a ser protegida. Levantamento do contingente de não moradores usuários dos recursos naturais da área. por estudos preliminares à criação da RDS que considerem: • • • • • • • • • • • • • • • Levantamento de informações sócio-ambientais (secundárias) disponíveis sobre a área. aumento de produtividade. Avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração de espaços e recursos naturais da área. agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços. Levantamento da situação fundiária da área. proprietários de imóveis rurais e empreendimentos industriais.

c) melhorar os modos de exploração dos recursos naturais utilizados pelas populações residentes na reserva e d) valorizar. sobre a necessidade de implantação de planos de manejo de rendimento sustentável para a exploração comercial de recursos madeireiros.985/00). suscitando a possibilidade de adoção de novas atividades. entretanto. representado. há autorização para substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu interior. Além disso. a criação industrial de crustáceos também tem ensejado discussões sobre a pertinência de sua implantação em áreas de RDS. os quais devem ser seus principais beneficiários.340/02 (que regulamenta o artigo vinte e três da lei do SNUC). Comentário: Para as situações de comprovação da dominialidade privada de terras. a mineração e a caça (amadorística e profissional). Capítulo IX do decreto de regulamentação do SNUC seja considerada.985/00 explicita que uma RDS tem como objetivos básicos: a) preservar a natureza. como restrições explícitas às atividades antrópicas. os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso. sugere-se que a utilização do artigo trigésimo nono. No entanto. mesmo porque. de acordo com o artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. Como forma de garantir que as normas da unidade de conservação sejam cumpridas nos casos de ocorrência de domínio privado em RDSs. incluindo-se aí o Conselho Gestor da unidade. como ocorre atualmente na RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do decreto 4. Capítulo VII da lei 72 .que sujeitas ao zoneamento. surge sempre a questão sobre a supremacia legal entre direito de propriedade e direito difuso. o acometimento de grupos empresarias e a implementação de empreendimentos alheios aos interesses e vocações das famílias locais e da conservação ambiental. como não há menção. como ocorre para Resex. acordadas com sua criação e implantação. Como usualmente é feita uma analogia entre RDS e Resex. embora. originalmente. b) Nos casos de famílias residentes no interior da RDS. prevendo. Devem também ser renovados automaticamente após sua expiração. argumenta-se também que tal atividade poderia ser factível nas reservas de desenvolvimento sustentável. constam apenas a proibição do uso de espécies localmente ameaçadas (e as práticas que possam danificar seus habitats) e a proibição de atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas (§ 2º do artigo vigésimo terceiro da lei 9. sempre que houver interesse das partes envolvidas. é usualmente argumentado que tais atividades são legalmente possíveis em uma RDS. como. pela legislação ambiental. a diretriz acima reforça o conceito de aprimoramento das atividades já desenvolvidas historicamente. ao plano de manejo e às limitações legais (§ 5º do artigo vigésimo da lei 9. específico para tais situações. o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso.340/02. Dessa forma. Nesses casos. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente desenvolvido por estas populações. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar suas atividades presentes e futuras. este capítulo tenha sido incluído para regulamentar questões entre populações tradicionais e unidades de proteção integral. afastando. conquanto sustentáveis e geridas por grupos locais. por exemplo. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e/ou exploração econômica. Mais recentemente. Por outro lado. como acima mencionado. o fato de que para esta última está especificamente disposto no artigo décimo oitavo da lei do SNUC que são proibidas a criação de animais de grande porte. no que se refere às RDS. b) assegurar condições e os meios necessários para melhoria da qualidade de vida das populações. conforme o artigo quarenta e dois . assim. a dominialidade permanece privada e os prazos dos termos de compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordados entre as partes interessadas. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade sejam devidamente cumpridas. o § 1º do artigo vigésimo da lei 9.985/00). nesse caso. novas atividades econômicas.

caberá aos órgãos competentes a iniciativa de providenciar sua desapropriação. além da aprovação de seu plano de manejo (item II do artigo doze do decreto 4. pode ser citada Ponta do Tubarão / RN: os estudos técnicos apontaram para a importância de incluir propriedades localizadas em campos dunares e porções de caatinga contíguas à área costeira inicialmente delimitada em função da percepção de que a implantação de atividades impactantes ao meio nessas propriedades. 73 . não constam soluções legais para tais casos na legislação do SNUC. conseqüentemente. o cumprimento dos objetivos da unidade. é incumbência. e dessa forma. solução nem sempre viável em função da falta de recursos orçamentários governamentais. Comentário: Da mesma forma como exposto no item anterior. até o momento em que forem disponibilizados recursos para sua desapropriação.9. abarcados pela reserva. Como exemplo de necessidade de inserção de áreas privadas na delimitação de uma RDS. a não ser a desapropriação das terras. sejam eles organizados em instâncias produtivas. apenas de populações tradicionais em unidades de proteção integral. cujos proprietários tenham interesses diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresentem conflitos.985/00. carcinocultura. se houver interesse das partes. Sugere-se que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4.985/00). o próprio interior da RDS é ocupado por imóveis ou empreendimentos produtivos cujos usos e interesses são alheios ou mesmo concorrentes com os inerentes à população local. c) Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à área da RDS. só terá êxito se a gama de interesses da população residente se fizer representar no conselho. uma solução para tais situações. se instrumentalizar e se capacitar para defender seus interesses e os objetivos da RDS em seus âmbitos interno e externo.340/02 que regulamenta o SNUC). que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. tanto das formas de associações locais. como manguezal e restinga. sociais. etárias ou de gênero. devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum. quanto dos órgãos executores do SNUC. apesar de tal capítulo tratar. por poder representar. ou ainda. É de se destacar que cabe ao conselho a gestão da reserva (§ 4º do artigo vigésimo artigo da lei 9.340/02. como por exemplo. além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder.340/02. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade. além de degradar ecossistemas importantes. No entanto. comprometer poços de abastecimento e as próprias atividades pesqueiras e de coleta de mariscos desenvolvidas historicamente pelas famílias locais. Dessa forma. por meio da elaboração e implantação participativa de suas normas específicas. d) Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis. sugere-se que a regulamentação de RDSs se aproprie do disposto no artigo 39 do decreto 4. por vezes. Por outro lado. ocorrem situações em que o entorno e. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais. originalmente. Portanto. poder-se-ia utilizar o que determina a regulamentação para populações residentes em unidades de proteção integral. o apoio para que os diversos segmentos constituintes da população residente possam se organizar. que regulamenta o SNUC. é fundamental para a boa gestão da unidade a participação do maior número possível de representantes de seus moradores. Comentário: Como os conselhos de RDSs têm o caráter deliberativo. poderia comprometer as reservas d’água sub-dunares e. considerando-se apenas a renovação automática dos prazos de permanência na área. de forma satisfatória. na falta de outro dispositivo legal que contemple a situação acima exposta.

bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da unidade. sendo instituída. Com a publicação da lei 9. Este primeiro esforço de elaboração participativa do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas instâncias gestoras da unidade de conservação. Deve ser elaborado a partir da consulta a dados secundários. culturais e econômicas. de forma generalizada para a totalidade das categorias de unidades de conservação. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. inclusive as de uso sustentável. Comentário: As reservas extrativistas. Dado tratar-se de uma unidade de uso sustentável. de tratar o plano de manejo.985/00). em médio e longo prazo. identificadas como prioritárias. portanto. situação justificada em função de terem suas atividades afetadas pela ocorrência da reserva. sendo a ele incorporadas. desde sua concepção na década de 80 passada. e) O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em um documento prático que permita tanto a orientação dos moradores e gestores na condução das práticas cotidianas da unidade. seguindo o exemplo de unidades como a RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN e a Resex federal de Arraial do Cabo / RJ. para as quais os conselhos têm o caráter deliberativo. tais instrumentos de gestão e normatização foram suprimidos. se cada um dos representantes desses segmentos produtivos ou dos empreendimentos locais reivindicar uma cadeira no conselho. tem havido uma forte preocupação com a realização de 10 Sales.havendo demandas para que seus representantes participem do conselho da unidade.985/00 e sua posterior regulamentação. – Projeto de Consultoria ao IBAMA para Avaliação das Formas de Gestão de Unidades de Conservação Federais. periodicamente. Deve. R. contavam com planos de utilização dos recursos e planos de desenvolvimento. observa-se uma tendência por parte desses órgãos. que procuravam contemplar sua realidade sócio-ambiental e continham normas claras e práticas sobre os potenciais ou restrições de usos dos espaços e recursos naturais. o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitam a otimização ambiental das zonas de preservação. Por fim. Dado a amplitude desta conceituação e o fato de que o roteiro metodológico para elaboração do plano de manejo de RDS não foi estabelecido pelos órgãos executores do SNUC. se estabelece seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. 2004. também ter um caráter dinâmico. conceituado na referida lei como “documento técnico mediante o qual. da análise dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e sobre suas expressões sociais. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. conforme previsto no decreto 4. novas normas e recomendações a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas. Ou seja. Casos como esse têm sido identificados na formação de variados conselhos de unidades de conservação10. após a legislação do SNUC. a denominação plano de manejo. em 2002. o plano de manejo deve contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais intensamente explorados e a realização de planos de negócio para os principais produtos comercializados.340/02. sugere-se que a totalidade dos segmentos produtivos estranhos às comunidades abrigadas pela RDS se organize e escolha entre eles apenas um representante para o conselho. R. suas deliberações podem passar a não atender os próprios objetivos da unidade de conservação. assim como a indicação de ações para preenchê-las. quanto o planejamento. notadamente os estaduais. nos moldes recorrentemente utilizados para as unidades de proteção integral. das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. sem considerar as especificidades das unidades de uso sustentável. Dessa forma. 74 .” (item XVII do segundo artigo da lei 9. No entanto.

pesquisas científicas da área biofísica com prazos bastante dilatados para sua execução. assim como os resultados dos estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas. áreas de ocupações predominantemente agrícolas e pecuárias. sua delimitação. os órgãos executores do SNUC deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. seu entendimento e. etc. áreas com potencial para visitação turística. Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias. áreas de usos culturais comuns. a realização de reuniões preparatórias. definição do número. a identificação da área. o processo de elaboração do plano de manejo deverá contemplar a discussão e a definição das normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno. a elaboração e distribuição de material divulgativo e a disponibilização de veículos e estruturas necessárias para visitas às localidades envolvidas. quando couber. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações. sempre que para isso haja consenso entre os usuários da reserva. equipamentos sociais e expansão urbana. inclusive aquelas de mais difícil acesso. Ainda no que se refere às estas zonas. principalmente seu zoneamento. bem como nas negociações dos conselhos 75 . cooperativas. corredores ecológicos (§ 6° do vigésimo artigo da lei do SNUC). sua aplicação. densidade e distribuição dos assentamentos. Comentário: Como já mencionado neste documento. não tem sido considerado o processo de seu contínuo aprimoramento e não tem havido a preocupação em se contemplar estratégias para o desenvolvimento sustentável das famílias locais. áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos. a fim de se delimitar as áreas de preservação total e de se definir eventuais defesos. entre as unidades de uso sustentável previstas no SNUC. áreas de usos predominantemente extrativistas. Da mesma forma. Desta forma. facilita a elaboração das normas para o plano de manejo. f) O zoneamento das unidades da categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral. têm que atentar para essa disposição legal. Criado o conselho. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. temporais ou espaciais. Por outro lado. de uso sustentável e de amortecimento e. a única para a qual está explicitamente disposto que deverá contar com uma zona de proteção integral é a RDS. os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. a sugestão acima de subdivisão das zonas de uso sustentável considera as especificidades de cada uma delas. bem como as normas para a entrada de novos ocupantes. mobilidade espacial dos assentamentos). devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo da RDS. Para tanto. o plano de manejo e. dinâmica territorial da população (deslocamentos. realizados para a formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável destas espécies (os quais devem se constituir em subprodutos do plano de manejo geral da unidade). devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. Da mesma forma. g) Os órgãos das três esferas do poder responsáveis pela execução do SNUC devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes nas RDSs. não tem sido dada a oportunidade para que os conhecimentos das comunidades locais possam compor o conjunto de informações básicas para a elaboração do documento. conseqüentemente.

Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos. e mesmo de desenvolvimento humano. defesa e manutenção da unidade de conservação” e considerando-se que o artigo vinte da mesma lei. cuja qualidade de vida deve ser assegurada e incrementada após a criação da unidade. assim como das Resex. das três esferas do poder. para intentar prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local. . em grande parte. pouco tem sido realizado para promover o desenvolvimento em bases sustentáveis. dado que. Comentário: Considerando-se que o artigo vinte e três da lei do SNUC. partir de atores externos à reserva. demandando a atuação de agentes treinados para a minimização de impactos e conflitos. envolvem populações humanas. teoricamente.deliberativos com outras instâncias públicas. do abandono a que estas áreas têm sido relegadas. h) A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais. tem suscitado a reação de grupos ambientalistas que ensejam denunciar a ineficácia das RDSs e Resex enquanto instrumentos de conservação ambiental. bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. por representantes da população residente na área protegida. Após a criação da reserva. Sugere-se que este fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade. as ameaças a essas zonas devem. recuperação. respeitando-se suas especificidades. 76 . além de protegerem áreas representativas de ecossistemas e a biodiversidade. representam um interesse da sociedade como um todo.Gestores públicos com bom senso e perseverança para gerir conflitos. por sua vez. recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de preservação total. conforme a legislação do SNUC. As zonas de preservação total. determina que as populações das RDSs. em seu parágrafo primeiro. o que pode determinar o próprio comprometimento do conceito desta categoria de manejo. Para cumprimento das diretrizes relacionadas acima é recomendável que a decisão para criação e implantação de uma unidade de conservação na categoria RDS considere: . se obrigam “a participar da preservação. Tal quadro. a capacitação dos moradores para a gestão compartilhada e a proteção da área contra agressões ambientais. formado. Comentário: As unidades de conservação de uso sustentável demandam mais esforços e recursos para sua implantação do que as de proteção integral. realizar negociações em busca de consensos e tratar com populações locais. em seu parágrafo quarto dispõe que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um conselho deliberativo. capacitados para estabelecer canais de comunicação. entre outros. cabendo aos órgãos públicos zelar pela sua integridade.Articulação e coordenação entre os atores envolvidos na gestão da unidade. Atualmente o que se nota é a crítica ausência de recursos e de pessoal capacitado para atendimento das demandas das unidades de conservação de uso sustentável. No mais. representadas pelo seu conselho gestor. dado tratarem-se de áreas protegidas para a conservação da biodiversidade. sugere-se que esse colegiado seja formalmente co-responsável pelas funções de fiscalização e monitoramento da unidade. sem procurar entender que os resultados observados são decorrência.

considerando o interesse da sociedade como um todo na conservação da área e a contribuição da comunidade para este fim.Horizonte de longo prazo para planejamento das ações de implantação.Possibilidade de compensações ou subsídios para a população moradora pelos serviços ambientais prestados. . assim como o processo de formação da equipe de trabalho para gestão da unidade de conservação. considerando que o processo de participação comunitária é longo.. 77 .

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WWF .2004 RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RDS ANÁLISE DA CATEGORIA DE MANEJO E PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO VERSÃO RESUMIDA CONSULTORES Lucila Pinsard Vianna Renato Rivaben de Sales COLABORADORES Henrique Gomes – RDS Iratapuru (AP) Raimundo Marinho – RDS Mamirauá (AM) Thelma Dias – RDS Ponta do Tubarão (RN) Brasília. Abril de 2006 83 .BRASIL CPS 715.

parágrafo 1 da Lei 9.A conveniência de se proceder à desapropriação total da área. . A posse e os usos das áreas ocupadas pelas populações tradicionais deveriam. Ainda segundo a Lei do SNUC.1. segundo o Art. torna-se urgente e necessária a proposição de princípios e diretrizes legais que subsidiem a regulamentação dessa categoria de manejo.340. A categoria de manejo é definida como uma área natural que abriga populações tradicionais. Entre os pontos que merecem maior atenção em uma futura regulamentação podem ser citados. passível de variadas interpretações jurídicas. . ensejando a formulação de um documento que subsidie o Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos executores do SNUC no processo de regulamentação da categoria RDS. deveria ser regulamentado em ato normativo posterior. a título de exemplo: . a Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público. resultando em diferentes práticas no que se refere aos processos de criação. além de não tratar da regulação da posse e usos das áreas das reservas de uso sustentável (RDS e Reservas Extrativistas). como forma de não onerar seus orçamentos com desapropriações de terras. não dispôs sobre a regulamentação específica de qualquer outra categoria de manejo. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. notadamente as de uso sustentável. 20. implementação e gestão das RDS.A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista. . de 22 de agosto de 2002. implantação e gestão destas unidades de conservação. bem como valorizar. a equipe responsável pelo presente trabalho realizou consultas a diplomas legais e documentos pertinentes e procurou entrevistar o maior número possível de técnicos e representantes de 84 .O papel das comunidades locais na criação. Lei Federal nº 9. proprietários rurais e empresários que passaram a conviver em áreas sob as normas de um regime legal específico.A definição dos usos e atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS. quando necessário. por sua vez. de 18 de julho de 2000. conforme o Art. devendo as áreas particulares incluídas em seus limites serem desapropriadas. desenvolvido por estas populações”. Como forma de propor maiores esclarecimentos sobre esses pontos. enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. a regulamentação específica da Lei do SNUC.Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores. No caso particular de RDS. as indefinições decorrentes desta situação têm determinado que variados órgãos executores do SNUC apresentem diversas interpretações sobre esta categoria. cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. No entanto. Neste contexto. 23 da referida lei. inclusive para que seu conceito e objetivos não sejam desgastados em função de interpretações e aplicações equivocadas. Estas UCs têm por objetivo básico. No mais. a falta de regulamentação específica tem acarretado também em conflitos de interesses entre populações locais. . conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente . ser regulados por contrato. promulgada por meio do Decreto nº 4. principalmente em áreas onde ocorrem propriedades privadas. e considerando também que vários estados da Federação têm criado novas RDS. APRESENTAÇÃO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais. o qual.As condições socioambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS. fazendo com que importantes aspectos jurídicos e sócio-ambientais referentes às unidades de conservação ficassem a descoberto.985.985 (SNUC) “preservar a natureza e ao mesmo tempo. .

técnicos e representantes da sociedade vinculados diretamente às RDS de Mamirauá. além de especialistas no assunto. por meio de entrevistas realizadas com diversos atores envolvidos com a execução do SNUC. 2. Iratapuru e Ponta do Tubarão.2 Realização de entrevistas com técnicos e autoridades envolvidos com a elaboração e execução do SNUC O objetivo dessa atividade consistiu na obtenção de informações sobre as RDS a partir de entrevistas com representantes de órgãos públicos e organizações sociais. foram contemplados três estudos de caso que subsidiassem as análises: as RDS amazônicas de Mamirauá (AM) e Rio Iratapuru (AP) e a RDS costeira da Ponta do Tubarão (RN). • Moradores que não tenham se envolvido diretamente com a criação da reserva e que não estejam acompanhando diretamente as atividades para sua gestão. que totalizou quarenta e duas entrevistas. ASPECTOS METODOLÓGICOS 2. entendimento e grau de conhecimento que os entrevistados detém sobre essa categoria de unidade de conservação.1 Revisão Bibliográfica Para o cumprimento dessa atividade foram elencados e consultados documentos produzidos a partir de pesquisas. estudos e pareceres realizados nas três reservas escolhidas para os estudos de caso. assim como documentos relacionados ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). • Proprietários de imóvel do interior da RDS. os quais passaram por um processo de aprimoramento a partir de sua aplicação em entrevistas realizadas em novembro de 2004. documentos oficiais sobre sua criação e implementação. durante um evento em Manaus (I Conferência das Populações Tradicionais). Pretendeu-se também com a atividade a apreensão de opiniões.3 . A consulta bibliográfica e as primeiras entrevistas com representantes de instituições públicas e civis tiveram por finalidade subsidiar a elaboração de roteiros de pesquisas de campo que direcionaram entrevistas para a obtenção de informações mais precisas sobre as causas e conseqüências de transformação de uma determinada área em RDS. O público alvo dessa pesquisa expedita. moradores do entorno. 2. cujas atividades e interesses não necessariamente se coadunem com os objetivos da unidade. 2. foi composto por moradores das reservas. As informações locais foram obtidas a partir do trabalho de colaboradores contratados tanto para a realização de entrevistas. A leitura desses documentos permitiu a sistematização do conhecimento sobre o histórico e situação atual de cada reserva. autoridades locais e representantes de órgãos gestores das unidades. quanto para a sistematização de bibliografia e o repasse de suas experiências com as reservas. que foram satisfatoriamente preenchidas no decorrer desse trabalho. proprietários de imóveis em seu interior.Realização de entrevistas com autoridades. • Autoridades municipais locais. As entrevistas. foram direcionadas por roteiros de questões específicos. além da detecção de lacunas de informações. previamente elaborados. • ONGs envolvidas com as reservas. Para cada uma das três reservas foram realizadas entrevistas com pelo menos um representante dos seguintes segmentos: • Moradores da unidade que tenham participado ativamente de sua criação e/ou façam parte atualmente de uma organização que represente os interesses das comunidades locais. • Moradores do entorno imediato da RDS. dez no total. 85 . • Responsáveis pela gestão da reserva.entidades com atuações relacionadas ao SNUC. Além disso.

Responsável: Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá . 2. artigos. considerando-se depoimentos de técnicos e pesquisadores. sendo principalmente enfocados os seguintes aspectos: razões e critérios para a escolha dessa categoria de unidades de conservação. de 16 de julho de 1996. Da mesma forma. • Avaliação da postura e entendimento dos órgãos públicos competentes sobre essa categoria de unidade de conservação.1 RDS Mamirauá (AM) DADOS GERAIS: • • • Data de criação: Lei estadual Número 2.4 – Análise dos documentos disponíveis e dos dados das entrevistas de campo Foram realizadas análises do material bibliográfico técnico (teses. • Análise das formas de gestão das três RDS e do envolvimento dos moradores locais com os assuntos das unidades. Henrique Gomes – técnico da ONG Ollos (RDS Iratapuru) 2. Inicio de implantação: 1991: Projeto Mamirauá. projetos em andamento e propostos. As críticas e contribuições às análises realizadas e às sugestões formuladas para regulamentação dos processos de criação e gestão das RDS foram debatidas durante a oficina e inseridas no relatório final deste trabalho de consultoria. o qual apresenta em seu escopo os seguintes aspectos: • Análise do SNUC no que se refere às unidades de conservação de uso sustentável. • Proposição de critérios e diretrizes para a criação de RDS. moradores e autoridades locais. pesquisadora e professora da Universidade Federal da Paraíba (RDS Ponta do Tubarão). em especial as RDS.7 – Redação de relatórios e realização de oficina A redação de um relatório preliminar teve como principal função a sistematização das análises.411. etc. • Avaliação da postura e entendimento de representantes de organizações da sociedade civil sobre as RDS.).Foram contratados os seguintes agentes locais: Raimundo Marinho – técnico de Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDS Mamirauá). 3.IDSM. tanto dos documentos legais.) e da relação de documentos oficiais pertinentes a cada reserva (instrumentos legais para criação das unidades. técnicos e científicos. promovida pelo WWF-Brasil e realizada em Brasília no mês de fevereiro de 2006. planos de manejo. para que fossem submetidas à avaliação dos participantes de uma oficina técnica. quanto das informações colhidas em campo. Teve também como função a elaboração de sugestões de diretrizes para a regulamentação dos processos de criação e gestão das Reservas de Desenvolvimento Sustentável. moradores e autoridades locais. regimento de conselhos ou outras instâncias gestoras. pertinência ambiental e sócio-econômica para a criação das reservas. as informações prestadas pelos pesquisadores locais e dados dos questionários aplicados nas entrevistas foram analisados. pareceres. etc. envolvimento dos segmentos interessados em sua criação e gestão e grau de observância da lei do SNUC. representantes de ONGs e dos órgãos gestores. processos de consultas públicas. representantes de ONGs e dos órgãos gestores. Thelma Dias – doutoranda. criado em 1999 86 . classificando-as por reserva e grupo de interesses dos entrevistados. considerando-se depoimentos de técnicos e pesquisadores. A sociedade civil Mamirauá foi criada em 1992. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS RDS ESTUDADAS 3. • Análise dos históricos de criação das três RDS.

Transformação da UC em nova categoria (RDS estadual) – demanda dos pesquisadores. Decreto de criação da ESEC estadual Mamirauá.000 ha (1990). População organizada.regulação dos usos dos RN Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais 87 . Envolvimento comunidades do interior (52) e do entorno (93) Desenvolvimento de processos de Educação Ambiental IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • Maior eficácia na proteção da biodiversidade – zoneamento participativo Melhoria da qualidade de vida das populações locais Aumento do número de acordos sociais de manejo dos recursos naturais Incremento das formas de organização social .12. Gestão participativa – modelo informal Comunidades organizadas em setores Deliberações em assembléia gerais Adaptação ao SNUC . tendo a cidade de Tefé com principal referência urbana. Brasileiro. pesquisa sobre biodiversidade. Japurá e Auati-Paraná. prestadores de serviço. pequenos agricultores. EU).386 de 09 março de 1990 (criação da Estação Ecológica Mamirauá). Internacional (Grã-Bretanha). CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • Área de ocorrência de biodiversidade significativa/ espécies ameaçadas em extinção. Justificativa para transformação da área em RDS: viabilização e legalização da permanência da população. de 16 de julho de 1996 (criação da RDS Mamirauá). Numero de funcionários da UC: 137 funcionários (IDSM) HISTÓRICO • • • • Identificação da necessidade de proteção da área por pesquisadores ambientalistas.Conselho gestor em fase de implantação –FNMA. SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • Plano de manejo (1996) em revisão. População: 6. participação da comunidade local na gestão e proteção de grandes áreas de floresta. extrativistas.642 pessoas (4831 no entorno /1811 no interior) Características da população: ribeirinhos. na confluência dos rios Solimões.• • • • • • • Atos normativos: lei estadual Número 2. IPAAM. Envolvimento direto de pesquisadores Disponibilidade de financiamentos. Fontes principais de orçamento: Gov. PRÓ-MANEJO. Área: 1. decreto estadual 12. Cooperação .411.836/90. combate à pobreza. ONG’s Internacionais (WCS. Acordos sociais de manejo dos recursos naturais OBJETIVOS DA RDS: • Preservação do patrimônio natural. pescadores.124. Localização: Situada a 600 quilômetros a oeste de Manaus.

PONTOS CARACTERÍSTICOS: • • • • Conquistas e resultados muito dependentes de financiamentos contínuos e significativos Conflitos fundiários pontuais entre locais. CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • • Alta produtividade haliêutica.000 pessoas Características da população: pescadores artesanais. Área original expandida em função de argumentação técnica e científica (IDEMA). com a constituição e tomada de posse do Conselho Gestor. 8. realização de encontros ecológicos anuais). Um dos principais pólos de pesca artesanal do NE Ocorrência de espécies ameaçadas de extinção Bom estado de conservação de diversos ecossistemas (caatinga.6 km2 População: 10. 88 . duna. Início de implantação: 11 de dezembro de 2003. mangue. Numero de funcionários: 2 (IDEMA).960 hectares ou 129. abrangendo os municípios de Macau e Guamaré. praias. permanência das famílias locais em suas áreas tradicionais Criação da RDS estadual em função do não atendimento pelo IBAMA (2003).Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento) Ato normativo da RDS: Lei Estadual No. proprietários de terras e áreas indígenas Ocorrência de domínio público e privado Administração efetiva pela sociedade civil (IDSM) 3. após longo processo de acesso a informações. pequenos agricultores e prestadores de serviço. mar) Ameaça eminente à qualidade de vida das comunidades e à conservação ambiental Mobilização social significativa (por volta de 20 associações.349 / 2003 Área: 12. HISTÓRICO • • • • • • • Ameaça de perda de território nas comunidades de Diogo Lopes e Barreiras em função de projeto de implantação de pólo turístico (1995) Degradação do mangue e ameaça a ecossistemas utilizados e ocupados pela população em função de projetos de implantação de carcinicultura (2000) Mobilização da comunidade – proposta de criação de uma unidade de conservação Definição pela categoria RDS federal – demanda da comunidade. Fontes Principais de Orçamento: não há recursos específicos. restinga. discussão e consultas públicas Justificativas para criação da RDS: importância da conservação dos recursos naturais para continuidade das atividades das comunidades. marisqueiras. Responsável: IDEMA . Localização: Norte da Região Costeira do Estado do Rio Grande do Norte.2 RDS da Ponta do Tubarão (RN) DADOS GERAIS: • • • • • • • • • • Data de criação: 18 de julho de 2003.

assegurando a permanência e a qualidade de vida das famílias locais. Localização: Municípios de Laranjal do Jarí. Característica da população: extrativista (castanha e produtos florestais). Gestão participativa – cerca de 20 associações de moradores. mas baixa capilaridade dos assuntos de gestão entre moradores Continuidade da insegurança em relação às ameaças dos agentes produtivos externos Forte influência de empresa estatal. Desenvolvimento de processos de Educação Ambiental. Comunidades do interior (9). 6 comunidade no entorno / 150 famílias (2001). IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • Aumento do número de organizações formais da sociedade Maior capacidade de mobilização social Diminuição da pressão por agentes externos .184 ha População: não há população residente. potencialmente impactante na gestão da RDS Indefinição da situação fundiária da área – falta de comprometimento dos virtuais proprietários com a gestão da RDS e parca participação do órgão gestor para resolução do problema Única RDS que protege mais do que um bioma Única RDS que protege o bioma Caatinga Única RDS não localizada na Amazônia 3. Mazagão. na região sul do estado do Amapá. decreto estadual nº 1777 de 09 de julho de 1999 (dispõe sobre a criação do Conselho Consultivo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru). Envolvimento gradual das comunidades (interior e entorno) ausentes no processo de criação. Área: 806. Não está demarcada.3 RDS Iratapuru DADOS GERAIS: • • • • • • • Data de criação: 11 de dezembro de 1997 Responsável: Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Amapá. Pedra Branca do Amaparí. bem como a garantia de reprodução de suas características culturais. Atos normativos da RDS: Lei estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997 (criação da RDS).OBJETIVO DA RDS: • Conservar parcelas de variados ecossistemas da região nordeste.maior eficácia de proteção da biodiversidade Proposição de novas alternativas econômicas para os moradores Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais PONTOS CARACTERÍSTICOS: • • • • • • • • Falta de participação de todas as comunidades no processo de criação da UC Forte participação de organizações. Sob ameaça de implementação de fazendas de carcinicultura. 89 . SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • Conselho gestor (2004) – formação de GT para discussão do plano de manejo (em andamento).

Fundação Orsa Número de funcionários da UC: não há funcionários do governo na reserva HISTÓRICO • • • • • • • Iniciativa do Governo Estadual – fortalecimento da organização dos modos de produção – criação de cooperativa (COMARU) em 1995 Demanda da COMARU para criação de UC de uso sustentável Processo de consulta às comunidades locais Realocação de famílias do interior da reserva Aceitação das comunidades locais do entorno e prefeitura de Laranjal do Jari para criação da RDS Criação de RDS estadual. Interesse específico da comunidade usuária dos castanhais – organização em cooperativa. Secretaria de Turismo. Diminuição da pressão de agentes externos . Alternativas de exploração comercial de novos produtos florestais. IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • • Aporte de financiamentos de projetos para comunidade de São Francisco do Iratapuru. WWF Brasil. Fortalecimento da COMARU. Secretaria de Educação) Natura. Implantação do PDSA voltado para organização e fortalecimento dos meios de produção. 90 . Secretaria de Ciência e Tecnologia. Agregação de valor por meio do beneficiamento da castanha.maior eficácia de proteção da biodiversidade. Conservation International. Ocorrência de diversas espécies florestais com valor comercial. segundo ZEE. FFEM.• • Fontes principais de recursos: Governo do Estado do Amapá (Secretaria do Meio Ambiente. Contrato de acesso a recursos genéticos com empresa de cosméticos. Importância da proteção de florestas de terra firme. usuária e beneficiária da RDS Comunidades assentadas em área de empresa privada Uso de 5% da área da RDS para extrativismo Presença de diversos parceiros e investimentos de diferentes fontes nacionais e internacionais Iniciativas de parceiros desarticuladas COMARU – única organização formal da população local. OBJETIVO DA RDS: • Promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • • • • • Não há plano de manejo Plano de manejo de uso sustentável de recursos naturais em elaboração Não há conselho gestor Parcialmente demarcada 5 comunidades no entorno que demandam participação nos benefícios da RDS Comunidade de São Francisco do Iratapuru como guardiã. Área sem ocupação e devoluta. Justificativa: compatibilidade com o objetivo do Programa de Desenvolvimento Sustentável do governo do Amapá (PDSA) CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • • Região prioritária para o governo do estado em função de ameaças.

INTERPRETAÇÕES E POLÊMICAS SOBRE RDS Constam nesse item os principais pontos de divergência sobre RDS expressados pelos entrevistados e pelos participantes da oficina técnica sobre esta categoria do SNUC.A definição dos usos e atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS. Este último ponto.• • Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais.As condições sócio-ambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS. PONTOS CARACTERÍSTICOS: Conquistas e resultados muito dependentes de financiamentos contínuos significativos Domínio público Sem população residente – realocamento forçado de famílias do interior e incongruência com decreto de criação.Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores. e criação de animais ecossistema e autorização da substituição da de grande porte. constando abaixo um resumo das interpretações dadas pela maioria deles e pelos participantes da oficina.985/00 e Decreto 4. Melhoria da qualidade de vida dos cooperados. . mineração. . como anteriormente mencionado. domínio publico. sem moradores. cobertura vegetal por espécies cultiváveis criação de animais de grande porte e caça. . enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. 4. mas devem utilizar a área da UC. as diferenças entre as reservas de uso sustentável. .A conveniência de se proceder à desapropriação total da área. RESEX Populações podem ou não residir. pode ser considerado dos mais polêmicos entre os entrevistados para este trabalho. Não há necessidade de plano de manejo de Necessidade de plano de manejo de rendimento rendimento sustentável para exploração comercial sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros de recursos madeireiros Devem ser preferencialmente estaduais Devem ser federais 91 . . RDS Populações devem residir na área da UC. Tais divergências se devem principalmente à falta de regulamentação específica da categoria e à falta de maior clareza das correspondentes disposições legais vigentes (Lei 9. Populações tradicionais não necessariamente Exclusivamente populações extrativistas extrativistas Pode haver propriedade privada Área deve ser de domínio publico Sua criação pode ser iniciativa do poder público e Sua criação tem que ser iniciativa da população ONGs Exige a demarcação de área de proteção integral Não exige demarcação de área para proteção integral Possibilidade de exploração de componentes do Proibida a caça. que dispõe que os moradores são principais responsáveis pela gestão Cooperativa é a única interlocutora junto aos órgãos gestores e agentes externos Demanda de 5 comunidades do entorno pelos benefícios da RDS Única UC no Amapá protegendo floresta de terra firme RDS com características da categoria Resex – predominância de extrativismo. cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu Não há autorização explícita para substituição da interior.O papel das comunidades locais na criação.340/02).A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista. podem ser detectados: . implementação e gestão das RDS. implicitamente permitindo mineração. Entre os pontos que permitem diferentes interpretações.

Os que defendem a segunda posição são tanto os que consideram que as RDS são prioritariamente direcionadas à conservação da biodiversidade. no que tange às atividades permitidas em uma RDS. parte das pessoas consultada neste trabalho crê que não haja necessidade de se contar com uma demanda da população envolvida. Quanto à criação. 92 . No que diz respeito à questão fundiária. uso dos recursos naturais e ações de conservação. e há quem entenda que seu principal objetivo é a conservação ambiental. considera que a possibilidade de não se ter que realizar desapropriações flexibiliza a criação de unidades de conservação. e outra parte só admite a ocorrência de atividades ditas tradicionais. também de forma pragmática. pois. mais facilmente poderá se dar a gestão da unidade. relacionadas à exploração sustentável de recursos dos biomas locais. potencialmente ameaçados por agentes externos. permite a supressão da cobertura vegetal. parte dos entrevistados prevê a possibilidade de ocorrência de empreendimentos potencialmente mais impactantes. há divergência com relação à ocorrência de propriedades privadas no interior da RDS: por volta de metade dos entrevistados se manifesta contrária por considerar que a existência de imóveis particulares não garante o cumprimento dos objetivos e das normas da reserva. Também não há consenso quanto à capacidade de organização formal ou informal da população a ser envolvida com a RDS: embora seja admitido pela maioria que quanto maior a organização local. como mineração e turismo convencional.Deve ter grandes áreas O tamanho das áreas deve atender a cada situação encontrada Concepção da categoria respondeu à demanda da Concepção da categoria respondeu à demanda da comunidade acadêmica luta social dos extrativistas Não há necessidade de organização da população A população deve estar organizada População com menor poder sobre a gestão e o População deve deter maior poder sobre a gestão território devida às exigências de conservação e o território Área com significativa diversidade biológica Área com recursos naturais passíveis de extração Considerações sobre outros pontos polêmicos são resumidas abaixo: Com relação à ocupação. ser utilizada como solução para presença de populações em unidades de conservação de proteção integral. que detenham conhecimentos sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem modalidades relativamente impactantes de utilização /exploração de seus recursos. São especialmente partidários desta posição os que interpretam RDS como uma unidade de conservação fortemente restritiva. há quem entenda que a RDS é uma unidade bastante flexível. que condicionar a criação da reserva à capacidade de organização dos moradores poderá inviabilizar a criação de várias delas. residentes na área alvo de proteção. um considerável número de entrevistados crê. Finalmente. principalmente por não onerar cofres públicos e por não desencadear disputas políticas e judiciais com eventuais prejudicados com a criação da RDS. devendo. inclusive. PROPOSTAS E RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DA CATEGORIA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 5. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural.1 PROCESSO DE CRIAÇÃO Critérios: 1. 5. de forma mais pragmática. Ocorrência de populações locais. quanto os que consideram que esta categoria deve priorizar a proteção de grupos sócio-culturais. que apenas admite populações em pequenas áreas historicamente ocupadas. entre outros fatores. conquanto controlados. A outra metade. divergindo de outro grupo que considera imperiosa a exigência de demanda desta população.

Entretanto. com potencial de sustentabilidade. o destaque a esta atividade expresso na definição legal das Resex destina. após a criação da unidade de conservação. sugere-se que a população alvo para a criação de uma RDS apresente apenas como características: a) residência na área a ser demarcada. Quanto à expressão “formas de manejo pouco impactantes dos recursos”. cabe destacar que nem sempre são encontradas práticas de exploração de recursos naturais ambiental e economicamente sustentáveis utilizadas por grupos que dependem desses recursos para sua sobrevivência e reprodução sócio-cultural. Resex. Assim. ocorrência de ecossistemas em bom estado de conservação (que permita uma oferta significativa das espécies naturais utilizadas) e existência de traços culturais que não valorizam o excessivo acúmulo de bens e capital. populações que desenvolvam atividades econômicas. aqüicultura em pequena escala. b) dependência estreita da exploração de recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. No entanto. não raro conflitantes. c) conhecimento prático sobre os ecossistemas locais. por fim. pequena agricultura diversificada. têm sido criadas para a proteção ambiental de determinadas áreas sem que haja a ocorrência de moradores em seu interior. lato senso. Comentário: Para os casos de populações que tenham no extrativismo de recursos naturais suas atividades predominantes no que diz respeito à geração de renda. um grande potencial de sustentabilidade. ou um consórcio de atividades geradoras de baixos impactos ambientais.985/00 que institui o SNUC dispõe em seu vigésimo artigo que RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais. são ainda encontrados variados grupos sociais que pouco impactam o meio com suas atividades econômicas. além do fato de que há variadas interpretações e posicionamentos teóricos e políticos sobre este termo. o Conselho Nacional dos Seringueiros (CSN). utilização de práticas e meios de produção simples e adaptados ao ambiente. como por exemplo. como por exemplo. como. e inversamente. distintamente de outras categorias.Comentário: A lei federal 9. RDSs estaduais. ou até mesmo que não apresentem qualquer familiaridade com os ecossistemas locais. tempo despendido e número de famílias envolvidas. Cabe. Entretanto. 2. porém. o mesmo artigo vinte da lei do SNUC determina que as populações residentes em uma RDS devem ter sua existência baseada “em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. com apoio técnico e financeiro. artesanato. especialmente. em vez de “formas de manejo sustentável” constante na lei do SNUC. às RDSs outros tipos de usos e ocupações econômicas. podem apresentar. a proposta é a de que as RDSs devem contemplar. No entanto. em função de fatores tais como baixa densidade demográfica. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais”. Embora as RDSs possam também contemplar extrativismo. Se essas atividades não são sustentáveis. contrariando a disposição legal. Dessa forma. para a qual o artigo dezoito da mesma lei dispõe tratar-se de área utilizada por populações tradicionais. d) utilização de técnicas e práticas de exploração do meio pouco impactantes. sistemas agroflorestais. turismo. produção de itens para consumo local. está prevista na lei do SNUC a categoria Reserva Extrativista (Resex). por exemplo. implicitamente. embora a lei do SNUC utilize este termo. revelam uma posição recorrente de que RDSs podem ser criadas para atendimento de demandas de grupos recém chegados à região. sem especificar se devem ser residentes ou não nos limites da unidade. destacar que no enunciado da condicionante acima. Ocorrência. entre as populações residentes na área alvo de proteção. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais. as populações não são adjetivadas como tradicionais. Iratapuru / AP. Ocorre que a própria legislação do SNUC não conceitua “tradicional”. como as Resex estão historicamente identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia. como por exemplo. Por outro lado. determinadas áreas com predominância de populações extrativistas têm sido demandadas para se constituírem em RDS por 93 . realizadas durante este trabalho. pecuária extensiva em fundos de pastos (região nordeste) e faxinais (região sul). entrevistas com especialistas e responsáveis pela execução do SNUC.

a ocorrência de populações mobilizadas e organizadas. Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com relevância ecológica e/ou áreas com importância simbólica para a população beneficiária. ou favorecer. por representantes das populações tradicionais residentes na área (Artigo 20. 94 . entrevistados para este trabalho. Além disso. defesa e manutenção da unidade de conservação”. formal ou informal. determina que as populações das RDSs. têm também o papel de garantir a diversidade cultural e de promover a justiça social. assim como das Resex. 5. da indústria turístico-hoteleira e da especulação imobiliária. Comentário: Tem sido registrada. tanto para Resex. No entanto. é crescente a demanda para a criação de RDSs em função de ameaças a grupos sociais. em seu parágrafo primeiro. Ao contrário. a lei do SNUC dispõe que a RDS deverá ser gerida por um Conselho Deliberativo. entre outros. cabe lembrar que tais categorias de manejo constituem-se em unidades de conservação da natureza.questões políticas (falta de vínculos com esses movimentos ou mesmo contraposições a eles) e até mesmo pelo simples fato de não se localizarem na região amazônica. cabe ressaltar que tal posicionamento apresenta conotações políticas de defesa dos ideais programáticos de alguns desses movimentos e traz. Comentário: Assim como também tem ocorrido para as Resex. além de serem iniciativas das instâncias públicas ou de ONGs ambientalistas. em casos em que ameaças ao meio ou a um determinado grupo ocorram em áreas onde seus residentes não apresentem qualquer forma de organização social. cujo objetivo principal é a conservação da biodiversidade. constituído. com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral. 4. a postura de se optar pela criação de uma RDS. ações que exigem um considerável grau de organização interna. devendo ser buscados outros instrumentos legais para se ensejar soluções para conflitos de interesse e concorrências de uso em áreas fortemente antropizadas. Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. de forma subjacente. assim como Resex. § 4º). como usualmente ocorre no caso das Resex. 3. têm favorecido o quadro de desmobilização social de segmentos rurais. se obrigam “a participar da preservação. observando-se e respeitando-se suas especificidades. recuperação. No entanto. Sobre esse aspecto. Além disso. Sem perder de vista a dimensão de que RDSs. quanto para RDS. Grau mínimo de coesão social e de práticas socioculturais coletivas que permita a efetiva participação das comunidades nas práticas de gestão desta categoria de manejo de unidade de conservação. a idéia de que apenas as Resex devem contemplar. notadamente as advindas da expansão das fronteiras do agro-negócio. representantes de movimentos sociais. ao invés de Resex. entre órgãos estaduais responsáveis pela execução do SNUC. o artigo vinte e três da lei do SNUC. por pressuporem que tal requisito é exclusivo às Resex. é necessário que a área apresente condições de equilíbrio e sustentação ecológica de forma a garantir uma disponibilidade estável dos recursos naturais utilizados pelas famílias locais. em função de seu histórico enquanto categoria de unidade de conservação. uma vez que se sentem desonerados em incentivar ou propiciar o apoio para que as comunidades procurem se organizar e se fazer representar com maior autonomia na defesa de seus direitos. os procedimentos para sua criação e implantação devem ser permeados por ações de apoio ao aprimoramento das formas de organização local. declaram que os processos de criação de RDSs em tais situações.

A maior parte dos entrevistados para esse trabalho concorda a respeito dessa disposição legal. não se mostram dispostos a participar das formas de gestão e dos processos de elaboração dos instrumentos normativos da unidade (zoneamento e plano de manejo). em muitos casos. No entanto. Dessa forma. é geralmente considerada consentimento. Área de Relevante Interesse Ecológico. notadamente os municipais. uma vez que entre os objetivos básicos da RDS consta o de melhoria de qualidade de vida de seus moradores (§ 1º do vigésimo artigo da lei 9. principalmente nos casos em que a identificação da necessidade de proteção se dá por parte de agentes externos às comunidades locais. 7. via de regra. a serem previstas na elaboração de seu Plano de Manejo (Artigo 20. energia. coleta lixo. em linguagem técnica. Devem contar com levantamento de informações que complementem os estudos preliminares. 95 . Floresta Nacional. esclarecimento sobre as causas e conseqüências da criação e implementação da reserva e estabelecimento de vias de comunicação e negociação com os representantes de todos os segmentos envolvidos. a fragilização das práticas de gestão e o comprometimento dos próprios objetivos da categoria de manejo. já observadas. pelo menos. devem ser informados sobre a necessidade de ações de inclusão social (acesso à saúde. têm também se refletido nos processos de criação das de uso sustentável. Mesmo que estas práticas sejam mais usualmente utilizadas para a criação de unidades de proteção integral. Reserva Extrativista. nas quais os atores locais são meramente informados.985/00). têm sido criadas por meio da 11 Área de Proteção Integral.Comentário: Reforçando o item anterior. As conseqüências. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior das RDSs. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais. e alguns de seus reflexos são os procedimentos para a realização de consultas públicas para criação de novas áreas protegidas: até mesmo os vagos procedimentos dispostos no SNUC para a realização destas consultas (Artigo 22 da lei 9. somente após a criação oficial da reserva é que os moradores se dão realmente conta das responsabilidades que passam a assumir e. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. além de serem agentes interessados. saneamento. por não estarem suficientemente preparados para um debate técnico. Reserva da Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Comentário: Ainda persiste no país uma parca preocupação em se democratizar as decisões sobre a política ambiental. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. visando sua plena compreensão sobre as implicações (direitos e deveres) decorrentes desse processo. envolvendo todos os segmentos interessados.985/00) não são plenamente utilizados e o que se constata é que consulta pública se restringe a uma ou duas audiências formais. Encaminhamento de manifestação por escrito com adesão de. a maior parte deles admite que as RDSs. § 6º). distintamente do que está disposto para as demais seis categorias de unidade de conservação de uso sustentável11. assim como consultas públicas mais amplas. quanto ao envolvimento dos órgãos públicos das três esferas do poder. contendo: solicitação para criação da unidade. educação e transporte) para a população residente da unidade de conservação. 6. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. Comentário: A maioria dos entrevistados para este trabalho concorda que as RDSs devem ser criadas a partir de demandas expressas dos moradores / usuários da área alvo de proteção ambiental. assim como a diminuição de conflitos de interesses e de concorrências de usos. Finalizando. sobre a necessidade de conservação de uma determinada área. Realização de consultas públicas para criação de RDSs específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida. Sua falta de reação. são o aparecimento de conflitos internos.

objetam que o principal motivo para se transformar uma área em RDS é a sua importância ecológica. Esta situação. a questão que se coloca é que. considerando. têm consentido com a criação da unidade a partir de informações e sugestões de agentes públicos e da sociedade organizada. uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sócio cultural e melhoria da qualidade de vida. Inicialmente enquadrada como Estação Ecológica. grande parte das iniciativas para criação de RDSs não tem partido de seus virtuais beneficiários diretos. os procedimentos que são estabelecidos desde os primeiros contatos com a população diretamente interessada até a criação da unidade. cujos proprietários não tenham sido consultados sobre a criação da reserva ou não concordem em submeter os usos de suas terras às normas específicas do zoneamento e do plano de manejo da RDS. tanto de ecossistemas. no caso RDS. por parte de órgãos governamentais e ONGs. 8. foi transformada em uma nova modalidade de unidade de conservação (RDS estadual) pelo fato de seus idealizadores se depararem com comunidades locais fortemente mobilizadas e terem tido a sensibilidade de propor novos arranjos políticos e legais visando a compatibilização entre conservação ambiental e permanência / melhoria da qualidade de vida das famílias locais. Ou seja. uma parte dos entrevistados também admite que a criação de unidades desta categoria deve se dar por motivação principalmente ambiental. defesa e manutenção da unidade de conservação”. ocupadas por comunidades e mesmo por grandes propriedades rurais. assim como para viabilização 96 . no processo de consulta pública. em três fatos: 1) A fragilidade dos procedimentos adotados para a realização de consultas públicas. geralmente. não raro urbana. foi Mamirauá / AM. conforme mencionado no item anterior. mesmo que concordem que as populações locais devam ser co-responsáveis pelas demandas de criação das unidades. além de não permitirem a apreensão de todos os aspectos que possibilitariam maior grau de eficiência para o alcance dos objetivos inicialmente propostos. Mesmo considerando o aspecto positivo dessa prestação de informações e apoio à garantia da biodiversidade e de direitos básicos da população envolvida. modelo para as disposições legais do SNUC sobre esta categoria. Por outro lado. da necessidade da adoção de medidas de proteção. No entanto. os quais. após criação da reserva. lembrando que § 1º do artigo vigésimo terceiro da lei do SNUC determina que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. sem onerar os cofres públicos com desapropriações de imóveis. baseiase. cabendo aos moradores locais o ajustamento de seus modos de vida às normas específicas da RDS. Assim. corriqueiramente observada. uma vez que a principal motivação é a rápida criação da área protegida.identificação. recuperação. 3) A interpretação do § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC sobre a possibilidade de ocorrência de propriedades privadas no interior das RDSs tem determinado que governos estaduais estejam criando unidades dessa categoria de manejo em áreas identificadas como ameaçadas. Um dos resultados de toda essa situação é a falta de garantia. o marco para a criação de Mamirauá é o da conservação ambiental. não possibilitam também que os virtuais beneficiários se dêem conta das causas e conseqüências inerentes à criação de uma reserva. geralmente. produto de demandas essencialmente ambientalistas. na zona de uso antrópico. a possibilidade aberta pelo referido parágrafo determina que algumas áreas passem à condição de unidades de conservação. Também nesses casos não tem havido o devido envolvimento das comunidades e/ou de proprietários rurais. Ou seja.Esse quadro é ainda agravado em situações de ocorrência de imóveis rurais de grandes dimensões. de que seus usuários estarão motivados e devidamente comprometidos com os objetivos inerentes a essa categoria de unidade de conservação. não sendo dispensada maior atenção à prestação de informações às comunidades locais e às negociações com os setores envolvidos. na prática. quanto de grupos sociais. notadamente. 2) A primeira RDS criada. refletido na legislação do SNUC e reproduzido nos discursos e práticas de grande parte dos responsáveis pela execução deste sistema legal. Delimitação da área.

sugere-se que em casos de ocorrência de propriedades de famílias locais que reivindiquem a proteção de sua área e desenvolvam atividades com potencial para alcançar uma sustentabilidade ambiental. No entanto.985/00. que parte de sua área seja de domínio privado. por estudos preliminares à criação da RDS que considerem: 97 . que apresenta propriedades rurais em sua área. Como já comentado. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. deverá prevalecer a categoria RDS. por outro. como anteriormente mencionado. quanto a proposta de outra categoria encaminhada por ocasião das discussões deste sistema legal. por permitir. de forma sistemática. defesa e manutenção da unidade de conservação. diferentemente de Resex. não participam do processo de consultas públicas para criação da reserva. para manter ou alcançar um grau de sustentabilidade.” Dessa forma. fato que tem acarretado a criação de RDSs com grandes propriedades. A RDSs estaduais de Ponta do Tubarão / RN e Cujubim / AM são exemplos desta situação. Os critérios relacionados acima devem ser aferidos. a primeira RDS criada. Casos como a RDS estadual de Cujubim /AM. Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas no item 1. As propostas para resolução fundiária desses casos encontram-se no item 2 do próximo bloco (Diretrizes para Implantação e Gestão de RDS). notadamente no que se refere à preservação ambiental e à conservação dos ecossistemas fundamentais para a continuidade de atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas pela população local. são exemplos da desproporcionalidade entre número de moradores e área total da unidade. conquanto tais imóveis fossem pertencentes a famílias residentes no local. que acaba por inviabilizar o cumprimento das disposições legais do SNUC. lato senso. § 5º do artigo vigésimo da lei do SNUC dispõe que para as RDSs “deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação” e o § 1º do artigo vigésimo terceiro desta mesma lei determina. os proprietários desses imóveis não residem na região. por um lado. Para as demais propriedades que não se encaixem nesse quadro. seja criada a RDS. são alheios aos interesses das comunidades locais. uma vez que. pelas normas do zoneamento e do plano de manejo da unidade. recuperação. dada a falta de recursos orçamentários e mesmo de vontade política dos governos estaduais para promover a desapropriação de imóveis.da efetiva participação dos usuários na administração. sugere-se que sejam feitas avaliações. as dimensões de uma RDS têm que propiciar que seus moradores possam. no caso. com mais de dois milhões de hectares reservados para pouco mais de sessenta famílias. dar conta das obrigações legais dispostas neste último artigo citado. inclusive latifúndios. que aventa a possibilidade de ocorrência de áreas privadas no interior de RDSs foi previsto considerando-se tanto o modelo de Mamirauá. após a criação da unidade. que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. sobre a pertinência de sua inclusão na área protegida. Comentário: O item III. Apesar desse quadro. Comentário: O § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC. esta interpretação não foi claramente exposta no teor da lei 9. além de não concordarem com virtuais ingerências em seus negócios. podendo se aprimorar. cujas atividades econômicas pudessem ser consideradas tradicionais e resultassem em baixo nível de impacto ambiental. representadas. 9. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. que previa a possibilidade de imóveis particulares no interior da área protegida. em detrimento de Resex. durante o processo de consulta pública. manter ou melhorar sua qualidade de vida com o uso dos recursos dos ecossistemas abarcados pelos seus limites e. em seu interior. detenham documentos comprobatórios de sua área de ocupação. esta situação dificulta e pode mesmo inviabilizar a implantação e a gestão das unidades. via de regra. denominada Reserva Ecológico-cultural. econômica e gerencial. monitoramento e fiscalização da unidade de conservação.

se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. das principais características biofísicas da área. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. Sistematização e análise do tipo de ocupação da área. econômicos e políticos envolvidos com a área a ser protegida. Avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração de espaços e recursos naturais da área. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. de uso comum e de exploração dos recursos naturais. Levantamento das formas e graus de organização social e produtiva. como ocorre para Resex. até a elaboração de seu plano de manejo. Comentário: A legislação do SNUC não é precisa quanto às atividades passíveis de serem desenvolvidas nas RDSs. 12. cabendo. Levantamento do contingente de não moradores usuários dos recursos naturais da área. no que se refere às RDS. 2. dos diversos segmentos sócio-culturais. em campo. como por exemplo. Identificação preliminar das áreas significativas para a manutenção ou recuperação da diversidade biológica. Como usualmente é feita uma analogia entre RDS e Resex. proprietários de imóveis rurais e empreendimentos industriais. Identificação e sistematização de lacunas de conhecimento. como não há menção. Identificação. 11. desde que sujeitas ao zoneamento. Levantamento das estruturas e serviços sociais à disposição das comunidades. esforços para seu aprimoramento. Por outro lado. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. estando apenas disposto que é permitida e incentivada a visitação pública e a pesquisa científica. 13. Identificação de eventuais concorrências de usos e de conflitos de interesses entre os segmentos. 3. Levantamento expedito. é usualmente argumentado que tais atividades são legalmente possíveis em uma RDS. 9. o fato de que para esta última está especificamente disposto no artigo décimo oitavo da lei do SNUC que são proibidas a criação de animais de grande porte. Além disso. Levantamento da situação fundiária da área.2 DIRETRIZES PARA IMPLANTAÇÃO & GESTÃO DA RDS 1.985/00). argumenta-se também que tal atividade poderia ser factível nas reservas de desenvolvimento sustentável. estas deverão estar de acordo com a lei do SNUC e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. 15. entretanto. aumento de produtividade. 6. ao plano de manejo e às limitações legais (§ 5º do artigo vigésimo da lei 9. constam apenas a proibição do uso de espécies localmente ameaçadas (e as práticas que possam danificar seus habitats) e a proibição de atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas (§ 2º do artigo vigésimo terceiro da lei 9. 10. 8. considerando-se o equilíbrio dinâmico entre o número de habitantes e a conservação. 98 . As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. priorizando as características sócioeconômico-culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia. em campo. 5. Levantamento de informações sócio-ambientais (secundárias) disponíveis sobre a área. como restrições explícitas às atividades antrópicas. Identificação preliminar do estado dos ecossistemas abrangidos e avaliação da possibilidade de recuperação de áreas degradadas. Identificação de outros segmentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção.985/00). Avaliação do interesse dos moradores em permanecer e conservar o local de acordo com a legislação vigente e as normas específicas da categoria de manejo RDS. 4.1. sendo também admitidas a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis. sobre a necessidade de implantação de planos de manejo de rendimento sustentável para a exploração comercial de recursos madeireiros. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de manejo e o zoneamento da unidade. 7. a mineração e a caça (amadorística e profissional). agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços. 14. 5.

No entanto.340/02. a dominialidade permanece privada e os prazos dos termos de compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordados entre as partes interessadas. sugere-se que a utilização do artigo trigésimo nono.340/02 (que regulamenta o artigo vinte e três da lei do SNUC). considerando-se apenas a renovação automática dos prazos de permanência na área. apenas de populações tradicionais em unidades de proteção integral. acordadas com sua criação e implantação. caberá aos órgãos competentes a iniciativa de providenciar sua desapropriação. os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade sejam devidamente cumpridas. originalmente. há autorização para substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu interior.340/02.985/00 explicita que uma RDS tem como objetivos básicos: a) preservar a natureza. Dessa forma. prevendo. a diretriz acima reforça o conceito de aprimoramento das atividades já desenvolvidas historicamente. o § 1º do artigo vigésimo da lei 9. na falta de outro dispositivo legal que contemple a situação acima exposta. Sugere-se que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. ou ainda. Capítulo VII da lei 9. pela legislação ambiental. Nesses casos. embora. Dessa forma. solução nem sempre viável em função da falta de recursos orçamentários governamentais. entretanto. Nos casos de famílias residentes no interior da RDS. específico para tais situações. este capítulo tenha sido incluído para regulamentar questões entre populações tradicionais e unidades de proteção integral. b) assegurar condições e os meios necessários para melhoria da qualidade de vida das populações. 2. Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à área da RDS. a não ser a desapropriação das terras. que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso.340/02. cujos proprietários tenham interesses diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresentem conflitos. sugere-se que a regulamentação de RDSs se aproprie do disposto no artigo 39 do decreto 4. que regulamenta o SNUC. afastando. nesse caso. surge sempre a questão sobre a supremacia legal entre direito de propriedade e direito difuso. Capítulo IX do decreto de regulamentação do SNUC seja considerada. Como forma de garantir que as normas da unidade de conservação sejam cumpridas nos casos de ocorrência de domínio privado em RDSs. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do decreto 4. o acometimento de grupos empresarias e a implementação de empreendimentos alheios aos interesses e vocações das famílias locais e da conservação ambiental. representado. Comentário: Da mesma forma como exposto no item anterior. uma solução para tais situações. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar suas atividades presentes e futuras. por exemplo. ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis. 3. Mais recentemente. conquanto sustentáveis e geridas por grupos locais.mesmo porque. como ocorre atualmente na RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN. pode ser 99 . por poder representar. Devem também ser renovados automaticamente após sua expiração.985/00. apesar de tal capítulo tratar. Como exemplo de necessidade de inserção de áreas privadas na delimitação de uma RDS. conforme o artigo quarenta e dois . de acordo com o artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. como acima mencionado. poder-se-ia utilizar o que determina a regulamentação para populações residentes em unidades de proteção integral. de forma satisfatória. os quais devem ser seus principais beneficiários. se houver interesse das partes. incluindo-se aí o Conselho Gestor da unidade. c) melhorar os modos de exploração dos recursos naturais utilizados pelas populações residentes na reserva e d) valorizar. até o momento em que forem disponibilizados recursos para sua desapropriação. suscitando a possibilidade de adoção de novas atividades. sempre que houver interesse das partes envolvidas. não constam soluções legais para tais casos na legislação do SNUC. originalmente. No entanto. assim. como. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente desenvolvido por estas populações. novas atividades econômicas. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e/ou exploração econômica. a criação industrial de crustáceos também tem ensejado discussões sobre a pertinência de sua implantação em áreas de RDS. Comentário: Para as situações de comprovação da dominialidade privada de terras.

o apoio para que os diversos segmentos constituintes da população residente possam se organizar. ocorrem situações em que o entorno e. Dessa forma. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais. É de se destacar que cabe ao conselho a gestão da reserva (§ 4º do artigo vigésimo artigo da lei 9. por meio da elaboração e implantação participativa de suas normas específicas.340/02 que regulamenta o SNUC). seguindo o exemplo de unidades como a RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN e a Resex federal de Arraial do Cabo / RJ. identificadas como prioritárias. se cada um dos representantes desses segmentos produtivos ou dos empreendimentos locais reivindicar uma cadeira no conselho. o plano de manejo deve contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais intensamente explorados e a realização de planos de negócio para os 12 Sales. R. devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum. conseqüentemente. assim como a indicação de ações para preenchêlas. Casos como esse têm sido identificados na formação de variados conselhos de unidades de conservação12.citada Ponta do Tubarão / RN: os estudos técnicos apontaram para a importância de incluir propriedades localizadas em campos dunares e porções de caatinga contíguas à área costeira inicialmente delimitada em função da percepção de que a implantação de atividades impactantes ao meio nessas propriedades. como manguezal e restinga. novas normas e recomendações a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas. comprometer poços de abastecimento e as próprias atividades pesqueiras e de coleta de mariscos desenvolvidas historicamente pelas famílias locais. periodicamente. R. é incumbência. além de degradar ecossistemas importantes. e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas instâncias gestoras da unidade de conservação. das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. Dado tratar-se de uma unidade de uso sustentável. para as quais os conselhos têm o caráter deliberativo. só terá êxito se a gama de interesses da população residente se fizer representar no conselho.985/00). quanto o planejamento. 5. como por exemplo. poderia comprometer as reservas d’água sub-dunares e. Comentário: Como os conselhos de RDSs têm o caráter deliberativo. tanto das formas de associações locais. carcinocultura. 100 . portanto. – Projeto de Consultoria ao IBAMA para Avaliação das Formas de Gestão de Unidades de Conservação Federais. por vezes. Este primeiro esforço de elaboração participativa do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. abarcados pela reserva. quanto dos órgãos executores do SNUC. etárias ou de gênero. e dessa forma. culturais e econômicas. 2004. inclusive as de uso sustentável. O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em um documento prático que permita tanto a orientação dos moradores e gestores na condução das práticas cotidianas da unidade. além da aprovação de seu plano de manejo (item II do artigo doze do decreto 4. No entanto. é fundamental para a boa gestão da unidade a participação do maior número possível de representantes de seus moradores. 4. o cumprimento dos objetivos da unidade. sendo a ele incorporadas. havendo demandas para que seus representantes participem do conselho da unidade. se instrumentalizar e se capacitar para defender seus interesses e os objetivos da RDS em seus âmbitos interno e externo. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade. Deve. sugere-se que a totalidade dos segmentos produtivos estranhos às comunidades abrigadas pela RDS se organize e escolha entre eles apenas um representante para o conselho. Portanto. também ter um caráter dinâmico. sociais. em médio e longo prazo. Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. suas deliberações podem passar a não atender os próprios objetivos da unidade de conservação. sejam eles organizados em instâncias produtivas. da análise dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e sobre suas expressões sociais. o próprio interior da RDS é ocupado por imóveis ou empreendimentos produtivos cujos usos e interesses são alheios ou mesmo concorrentes com os inerentes à população local. além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder. Deve ser elaborado a partir da consulta a dados secundários. Por outro lado. situação justificada em função de terem suas atividades afetadas pela ocorrência da reserva.

o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitam a otimização ambiental das zonas de preservação. conceituado na referida lei como “documento técnico mediante o qual. mobilidade espacial dos assentamentos). densidade e distribuição dos assentamentos. o plano de manejo e. equipamentos sociais e expansão urbana. principalmente seu zoneamento. em 2002. 6. áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações. quando couber. notadamente os estaduais. bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da unidade. Ainda no que se refere às estas zonas. sempre que para isso 101 . inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. seu entendimento e. 7. Os órgãos das três esferas do poder responsáveis pela execução do SNUC devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes nas RDSs. assim como os resultados dos estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas. Da mesma forma. sendo instituída. não tem sido dada a oportunidade para que os conhecimentos das comunidades locais possam compor o conjunto de informações básicas para a elaboração do documento. áreas de usos culturais comuns. bem como as normas para a entrada de novos ocupantes. a única para a qual está explicitamente disposto que deverá contar com uma zona de proteção integral é a RDS. não tem sido considerado o processo de seu contínuo aprimoramento e não tem havido a preocupação em se contemplar estratégias para o desenvolvimento sustentável das famílias locais. Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias. dinâmica territorial da população (deslocamentos. após a legislação do SNUC. desde sua concepção na década de 80 passada. que procuravam contemplar sua realidade sócioambiental e continham normas claras e práticas sobre os potenciais ou restrições de usos dos espaços e recursos naturais. Por outro lado.principais produtos comercializados. de uso sustentável e de amortecimento e. tais instrumentos de gestão e normatização foram suprimidos. a identificação da área. têm que atentar para essa disposição legal. sem considerar as especificidades das unidades de uso sustentável. devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. de tratar o plano de manejo. O zoneamento das unidades da categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral. Para tanto. a sugestão acima de subdivisão das zonas de uso sustentável considera as especificidades de cada uma delas. áreas com potencial para visitação turística. facilita a elaboração das normas para o plano de manejo. a denominação plano de manejo. Ou seja. nos moldes recorrentemente utilizados para as unidades de proteção integral. a fim de se delimitar as áreas de preservação total e de se definir eventuais defesos. etc. Dado a amplitude desta conceituação e o fato de que o roteiro metodológico para elaboração do plano de manejo de RDS não foi estabelecido pelos órgãos executores do SNUC. sua aplicação. devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. sua delimitação. Desta forma.985/00 e sua posterior regulamentação. entre as unidades de uso sustentável previstas no SNUC. realizados para a formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável destas espécies (os quais devem se constituir em subprodutos do plano de manejo geral da unidade). se estabelece seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais.985/00). Por fim. Comentário: Como já mencionado neste documento. Comentário: As reservas extrativistas. o processo de elaboração do plano de manejo deverá contemplar a discussão e a definição das normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno.340/02. definição do número. conseqüentemente. cooperativas. contavam com planos de utilização dos recursos e planos de desenvolvimento. temporais ou espaciais. de forma generalizada para a totalidade das categorias de unidades de conservação. áreas de usos predominantemente extrativistas. Com a publicação da lei 9. tem havido uma forte preocupação com a realização de pesquisas científicas da área biofísica com prazos bastante dilatados para sua execução.” (item XVII do segundo artigo da lei 9. observa-se uma tendência por parte desses órgãos. conforme previsto no decreto 4. áreas de ocupações predominantemente agrícolas e pecuárias. corredores ecológicos (§ 6° do vigésimo artigo da lei do SNUC).

a capacitação dos moradores para a gestão compartilhada e a proteção da área contra agressões ambientais. em seu parágrafo primeiro. em seu parágrafo quarto dispõe que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um conselho deliberativo. teoricamente. e mesmo de desenvolvimento humano. Comentário: Considerando-se que o artigo vinte e três da lei do SNUC. cabendo aos órgãos públicos zelar pela sua integridade. em grande parte. A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais. Tal quadro. tem suscitado a reação de grupos ambientalistas que ensejam denunciar a ineficácia das RDSs e Resex enquanto instrumentos de conservação ambiental. por representantes da população residente na área protegida. bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. 8. pouco tem sido realizado para promover o desenvolvimento em bases sustentáveis. recuperação. sugere-se que esse colegiado seja formalmente co-responsável pelas funções de fiscalização e monitoramento da unidade. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. Atualmente o que se nota é a crítica ausência de recursos e de pessoal capacitado para atendimento das demandas das unidades de conservação de uso sustentável. dado que. recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de preservação total. se obrigam “a participar da preservação. Comentário: As unidades de conservação de uso sustentável demandam mais esforços e recursos para sua implantação do que as de proteção integral. defesa e manutenção da unidade de conservação” e considerando-se que o artigo vinte da mesma lei. representadas pelo seu conselho gestor. conforme a legislação do SNUC. bem como nas negociações dos conselhos deliberativos com outras instâncias públicas. o que pode determinar o próprio comprometimento do conceito desta categoria de manejo. partir de atores externos à reserva. Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos. os órgãos executores do SNUC deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. inclusive aquelas de mais difícil acesso. formado. Criado o conselho. No mais. determina que as populações das RDSs. a realização de reuniões preparatórias. os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. cuja qualidade de vida deve ser assegurada e incrementada após a criação da unidade. dado tratarem-se de áreas protegidas para a conservação da biodiversidade. por sua vez. Sugere-se que este fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade. assim como das Resex. respeitando-se suas especificidades. As zonas de preservação total. Da mesma forma. do abandono a que estas áreas têm sido relegadas. as ameaças a essas zonas devem. para intentar prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local.haja consenso entre os usuários da reserva. representam um interesse da sociedade como um todo. entre outros. Após a criação da reserva. das três esferas do poder. envolvem populações humanas. além de protegerem áreas representativas de ecossistemas e a biodiversidade. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo da RDS. demandando a atuação de agentes treinados para a minimização de impactos e conflitos. sem procurar entender que os resultados observados são decorrência. a elaboração e distribuição de material divulgativo e a disponibilização de veículos e estruturas necessárias para visitas às localidades envolvidas. 102 .

ANEXO I OFICINA DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO (14 de fevereiro de 2006) LISTA DOS PARTICIPANTES TABELA ORIENTAÇÃO DA DICUSSÃO COM REGISTROS DAS CONTRIBUIÇÕES ESTENOTIPIA DO EVENTO 103 .

SDS/AM IEB .com.br Claudio@wwf.br ligiasimonian@ig.org.br beca@iieb.org.br r.com.org.org.org.br isabel@mamiraua.br jessejames@sema.br 104 .OFICINA “DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO” LISTA DOS PARTICIPANTES Nome André Rodolfo de Lima Antonio Oviedo Atanagildo Claudio C.br UCP/MMA UCP/MMA SDS/MMA rita@buriti.silva@mma.br rivabendesales@uol.com / cnsbelem@terra.carvalho@conservation.gov.ap.com.br paulo.br gatão444@hotmail.gov.gov.br danielle.Brasília Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua Secretaria de Estado do Meio Ambiente .SEMA UFPA WWF-Brasil WWF-Brasil WWF-Brasil DAP-SBF-MMA Ibama CNPT TNC .br WWF-Brasil CNS WWF-Brasil WWF-Brasil Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .weigand@mma.br ronaldo.com.br mauricio.org.mercadante@mma.oliveira-junior@ibama.com.br seae_sds@yahoo. Maretti Fernando Vasconcelos de Araújo Francisco Ademar da Silva Henyo Barreto Isabel Sousa Jessejames Costa Ligia Simonian Lucila Pinsard Vianna Marcelo Ivan Pantoja Creão Marcos Roberto Pinheiro Marisete Ines Santin Cattapan Maurício Mercadante Paulo Oliveira Junior Raquel Carvalho de Lima Renato R.com.gov.org.br marisete@wwf.br soniwied@terra.com.Conservação Internacional marcelocreao@wwf. Sales Sônia Maria Pereira Wiedmann Ronaldo Weigand Danielle Calandino Rita Mesquita Ibama ISA Organização Correio Eletrônico alima@socioambiental.br Antonio@wwf.br / simonian@ufpa.br marcos@wwf.br fvasconcelos@wwf.gov.org.br lulupv@uol.org.org.

Pontos Favoráveis Entendimento de que devem ser residentes a partir do termo abrigar. que são de comunidade tradicional. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. para criar maior responsabilidade e compromisso dos beneficiários com a unidade de conservação Definição de comunidades locais para serem beneficíárias. com descrição de suas características.OFICINA "DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO" Tabela Orientadora da Discussão dos Grupos Anotações Fleep Chart Processo de Criação Condicionantes Ocorrência de populações locais. Substituir “formas” por “modalidade”. que consta na lei. É importante que seja definido que devem morar. mas não reafirmam o tema.consenso Pontos Contrários Não é necessário que haja moradores no interior. ou incluir a possibilidade dos residentes na zona de amortecimento – talvez isto possa ser considerado. Flexibilizar – incluir a possibilidade de abrigar os usuários. a zona de amortecimento!!!!. consenso Substituir “pouco impactantes” por “relativamente impactantes” – consenso Substituir população local por população tradicional 105 . que detenham conhecimento prático sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem formas pouco impactantes de utilização ou exploração de seus recursos. que é polemico Acrescentar teórico relativo à conhecimento das populações tradicionais . residentes na área alvo de proteção. Interpretação de abrigar pode ser usada para usuários também.

consenso qual permita sua efetiva participação nas práticas de gestão desta categoria de gestão de unidade de conservação. o . é preciso colaborar com a organização – não deve ser condicionante. Não deve ser exclusivo Grau mínimo de organização Incluir idéia de consenso/coesão sócio-produtiva. entre as populações residentes na área alvo de proteção. a decretação da unidade de conservação pode ser instrumento de incentivo à organização a viabilização de unidades de conservação sustentáveis são processos em construção. mesmo – substituir esta idéia pela que informal. 106 .Condicionantes Ocorrência. Pontos Favoráveis Sugestão : acrescentar atividades de subsistência/familiar – não foi consenso Reescrever – não ser extrativista não deve ser enfatizado Pontos Contrários Dificuldade de determinar predominantemente. não dá para condicionar a organização. das grau mínimo de organização comunidades moradoras. que faz parte deste processo. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais.

não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. significado da natureza/paisagem.Condicionantes Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental. para a população local consenso Pontos Contrários Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. 107 . Pontos Favoráveis Juntar com a 5 Substituir áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental por relevância ecológica – consenso Considerar importância ecológica . com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral.

assim como consultas públicas mais amplas. Pontos Contrários consulta publica não deve ser regulamentada por categoria. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos (levantamento de informações. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS contendo: solicitação para criação da unidade de conservação. considerando que RDS envolve população diretamente.- Não dá para ser condicionante. diminuição de conflitos de interesses). estabelecimento de vias de comunicação e negociação. Pontos Favoráveis Acrescentar que deve ser feita o registro e sistematização de todo o processo. mas sem tanto detalhamento. pode atropelar o ritmo da população. Encaminhamento de abaixoassinado com adesão de. e sim de modo geral Anuência é interessante. Pertinência de tratar consulta publica na regulamentação. específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida. Incluir “manifestação por escrito”. envolvendo todos os segmentos interessados. que se torna responsável pela área. para criação de RDS. pelo menos.Condicionantes Realização de consultas públicas. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. Impossível determinar maioria simples – 108 . comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. esclarecimento sobre as causas e conseqüências. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais.

deverá prevalecer a categoria RDS. conforme a Lei do Snuc) uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sóciocultural e melhoria da qualidade de vida. em detrimento de ResEx..consenso Acrescentar “de acordo com os objetivos da RDS” ao final da proposição. Propriedade pode ser vendida. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. Ampliar a delimitação para além do uso antrópico Este item diferencia a RDS da RESEX. controle.) da unidade de conservação. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. considerando para a zona de uso antrópico (ou uso sustentável. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na gestão (administração. monitoramento. Pontos Favoráveis Pontos Contrários Redação ambígua.. TENHO DUVIDAS – TALVEZ A AREA DE USO ANTRÓPICO NÃO PRECISA SER DEFINIDA PARA A CRIAÇÃO Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas na condicionante nº. ainda que em casos muito específicos. Substituir títulos de propriedade das terras por documentos comprobatórios. 1. pois admite a propriedade privada.para quem??? 109 . Abre brecha para descaracterizar se houver venda das terras – mas informação do André Lima é que se a venda for feita para populações que não se enquadre nas não da para ter proprietários particulares – preocupação com as relações de poder entre proprietários e comunidade. detenham títulos de propriedade das terras.Condicionantes Delimitação da área. no processo de consulta pública.

O medo porém é que isto não aconteça. entretanto.Condicionantes Pontos Favoráveis características definidas para as populações que tem permissão de manter a propriedade privada. esforços para seu aprimoramento. se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas comunidades locais. cabendo. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de Pontos Favoráveis Não discutidas durante a oficina Pontos Contrários 110 . aumento de produtividade. até a elaboração de seu plano de manejo. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. deve ser desapropriado. Pontos Contrários OFICINA "DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO" TABELA ORIENTADORA DA DISCUSSÃO DOS GRUPOS Implantação & Gestão da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Diretrizes As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços.

como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade de conservação sejam devidamente cumpridas. de acordo com o artigo trigésimo nono do capítulo IX do Decreto 4. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. que concordaram com sua criação e implantação e possuam documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia ou exploração econômica. Nos casos de famílias residentes no interior da RDS.340/2002.manejo e o zoneamento da unidade de conservação.340/2002 (que regulamenta o artigo vinte 111 . os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do Decreto 4. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. estas deverão estar de acordo com a lei do Snuc e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais.

e três da lei do Snuc), o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso, específico para tais situações.

Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à RDS, cujos proprietários tenham interesses conflitantes com aqueles das comunidades locais ou ainda que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS, caberá aos órgãos competentes providenciar sua desapropriação, ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis. Sugerese que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do capítulo IX do Decreto 4.340/2002, que regulamenta o Snuc – 112

apesar de tal capítulo tratar, originalmente, apenas de populações tradicionais em unidades de conservação de proteção integral.

Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS, além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade de conservação, cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais, devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum.

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O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e oferecer orientação prática aos moradores e gestores, tanto na gestão da unidade de conservação, quanto no planejamento das atividades de conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. Deve se basear em dados secundários, pesquisas ou estudos expeditos e no conhecimento acumulado pelos moradores. Este primeiro esforço já permite uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. Deve, portanto, também ter caráter dinâmico, sendo incorporadas, periodicamente, novas normas e recomendações a partir de pesquisas técnicas e científicas e do monitoramento das atividades e das decisões tomadas. Sendo uma RDS, o plano de manejo deve contemplar planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais explorados e planos de negócio para os principais produtos. Por fim, deve indicar uma relação de pesquisas para melhoria da gestão.

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O zoneamento de RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral e de uso sustentável, além de amortecimento e corredores ecológicos (§ 6° do artigo 20 da Lei do Snuc). Devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área, dinâmica territorial da população, definição do número, densidade e distribuição dos assentamentos, os estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico das espécies mais exploradas. Devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade, a fim de se delimitar as áreas de preservação e de se definir eventuais defesos. Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias, equipamentos sociais e expansão urbana; áreas de usos culturais comuns; áreas de ocupações agrícolas e pecuárias; áreas de usos extrativistas; áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos; áreas para visitação turística.

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Os órgãos responsáveis pela execução do Snuc devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações, cooperativas, etc. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo. Criado o conselho gestor, os órgãos executores do Snuc deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. Os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas, bem como nas negociações dos conselhos deliberativos com outras instâncias públicas, para prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local.

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A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais, representadas pelo seu conselho gestor. Sugere-se que este fórum seja coresponsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade de conservação, respeitandose suas especificidades, bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos, recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de proteção integral.

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WWF BRASIL ESTINOTIPIA OFICINA: “DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO” Hotel Confort Suítes Brasília-DF 14 de fevereiro de 2006

(Transcrição ipsis verbis)

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Então. nós vamos pretender sair daqui hoje com diretrizes para uma regulamentação da categoria RDS. nós fazemos uma contribuição a essa parceria. claro. para ser breve e curto para nós passarmos para os trabalhos técnicos. bem-vindos. Nós vamos compor aqui uma pequena Mesa de abertura. Essa é uma segunda iniciativa porque nós achamos que a categoria Reserva Desenvolvimento Sustentável é aquela que está mais precisando de diretrizes. Eu vou convidar aqui algumas pessoas. E qualquer intervenção. nós terminamos com o representante do Governo Federal. Cláudio. ela é a menos compreendida e tem sido muito usada. mas nós achamos que é mais interessante avançar no processo de reflexão e deixar aos órgãos competentes fazer o processo oficial depois. mas o Maurício Mercadante confirmou a presença e ainda não chegou. se preferirem. nem muito menos as opiniões do WWF-Brasil. trocar idéias preexistentes. e vai ter um registro mais detalhado sobre a reunião. O meu nome é Fernando. Na verdade.. mas nós também temos atividades complementares. por favor. eu vou pedir. Nós convidamos seletivamente algumas pessoas. com o apoio do Cláudio. até porque nós conhecemos quase todos e estamos em número pequeno aqui. fazer um trabalho coletivo. pelo Ministério do Meio Ambiente. a grande preocupação nossa é sedimentar reflexões sobre a categoria RDS. Nós terminaríamos com o Ministério. Nós podemos fazer qualquer proposta para os governos de Estados. que é o Cláudio Maretti. Bom-dia a todos. Gente. Se chegar. eu vou convidar o meu chefe. o Ademar também. apoios para o que nós chamamos de sustentabilidade em longo prazo. outras ONGs 119 . Então. Eu. entre os quais o Amazonas e o Amapá. Paulo Oliveira. para nós fazermos um pequeno bate-papo inicial. representantes dos órgãos de gestão. como anfitrião. isso para suas propostas oficiais de regulamentação. esse consórcio liderado pelo Governo Brasileiro. que hoje está chegando perto de 14 milhões de dólares só do WWF. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Vamos dar início aos nossos trabalhos. Então. Diretrizes para Consulta Pública e Conselho de Gestão. a história dela é menor. o Maurício Mercadante. para vocês usarem sempre o microfone. O Jesse também. além de uma doação. com participação fundamental do IBAMA de sete Estados da Amazônia. em alguns Estados da Amazônia. Na verdade. Então. nós compomos também a Mesa com a presença dele. diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente também deve estar se deslocando. por favor. mas nós pretendemos continuar com outros temas neste ano e no próximo ano. a idéia do evento é basicamente discutir. Então. só mais um esclarecimento: nós estamos gravando. Eu falei com vários de vocês por e-mail e alguns por telefone. Sem grandes formalidades. para compor. O WWFBrasil não tem legitimidade para fazer uma proposta de regulamentação formal. porque ela é menos compreendida. O SR. Eu queria pedir também ao Paulo Oliveira para fazer essa pequena abertura. Tinha um número maior de confirmação. O que eu quero dizer basicamente é o seguinte: esse é um programa do WWF-Brasil. por favor.. Cláudio.O SR. mas a idéia sempre era de uma oficina reduzida. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Bom-dia. Eu convido vocês a tomarem assento. Essas atividades complementarmos incluem análises. especialistas. que é voltado para o apoio ao ARPA. que é futuro diretor do Desenvolvimento Sócio-Ambiental do IBAMA. Então. obro e vou deixar aqui os colegas do Estado. entre elas nós temos capacitação e atividades de apoio ao Plano Nacional de Áreas Protegidas e algumas coisas que nós achamos fundamentais. se o Fernando puder passar o próximo diapositivo só para dizer dos objetivos deste evento. Obrigado. sobretudo. avançar nas reflexões de forma a oferecer um trabalho e que depois os órgãos competentes possam usar ou não. Primeiro. Ante. mas isso não implica que esta reunião obrigatoriamente vai fechar um consenso. Eu estou à disposição de vocês ao longo do dia para qualquer coisa que vocês precisarem. é com muito prazer que nós estamos recebendo vocês. é com muito prazer que nós temos aqui colegas de universidades. Uma primeira iniciativa desse tipo foi com o Ministério do Meio Ambiente. nem que os órgãos oficiais aqui presentes se obriguem a respeitar o que sai da reunião. Então.

eu passo a palavra para o Jesse e depois seguimos aqui e terminamos com a autoridade federal. tem outras prioridades. que eu acho que vai contribuir muito numa concepção mais geral nesse modelo de Unidade de Conservação conhecido como RDS. sobretudo. porque eu não poderia perder esta discussão.SEMA) – Bom-dia a todos. que a RDS. que eu acho que iniciativa como essa ajuda um pouco a amadurecer e consolidar aquelas lacunas que. que nossas RDSs é muito frágil em relação ao que está escrito.. A intenção da RDS é exatamente ser uma Unidade de Conservação também assim como as RESEX para garantir a sustentabilidade das populações que ali vivem. Então. finalizada. O SR. E quando nós temos uma lei que é um pouco ambígua. mas que seja o início para que possamos ter uma discussão para uma nova regulamentação dessa nossa legislação. são RDS. às vezes.. Nós que estamos que na ponta. A nossa contribuição aqui nesse sentido é dizer que o Estado do Amazonas tem adotado essa Unidade de Conservação como uma das principais iniciativas para a proteção da biodiversidade e para ajudar o desenvolvimento socioeconômico das populações tradicionais da região amazônica. esse processo iniciando hoje. se você cria uma RESEX de cara. são mal interpretadas por alguns. permite a permanência de propriedade particular dentro das Unidades de Conservação . E isso. nós sabemos da pressão que nós sofremos dentro da RDS e fora da RDS. os proprietários chegam e querem. nós entendemos que a RDS deveria talvez. Então.SDS/AM) – Bom-dia a todos. onde foi nos entrevistar. porque eles se dizem donos da propriedade. que é a questão fundiária. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente . fazem até de propósito isso. os colegas que fizeram o trabalho e. Então. E isso gera um conflito entre a população. isso nos deixa um pouco fragilizados na ponta para mantermos a integridade da Unidade de Conservação. ser um caminho para chegar até quem sabe a uma RESEX. do Estado do Amazonas em particular. E esse “caso seja necessário” muitas vezes o Governo não tem dinheiro. eu acredito que hoje nós possamos. que deixa várias interpretações e não tem uma definição clara da lei. e isso fica para depois. Para quem não me conhece. ela iniciou praticamente esse processo. Então. muitas das vezes. Não deixam a população usufruir dos produtos. desde o ano passado. principalmente a questão fundiária. na sua lei. políticos intervirem na RDS sem nós podermos fazer nada porque a interpretação da lei permite.. tem alguns poréns que deixam muitas dúvidas e fica muito fácil de ter abertura para ações judiciais ou até pessoas. como tem acontecido. Mas o grande problema que fica nessa questão é a questão da desapropriação. É uma satisfação muito grande poder participar deste evento. talvez tenha grandes problemas. em particular. A população tradicional da região Amazônica. Então. da castanha. os representantes governamentais. tem um conflito direto praticamente com a predominância da terra. Na verdade. O SR. mas essa não foi a intenção da RDS. eu acredito bastante. às vezes. do Estado do Amazonas. por exemplo. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Eu queria parabenizar o WWF por essa iniciativa. no Amapá. adiei um pouco as minhas férias para estar aqui. a RDS não dá essa garantia e coloca uma interrogação que “caso seja necessário”. As populações precisavam amadurecer. porque a RESEX é um impacto que se dá num ambiente no geral. etc. Trabalho hoje no Governo do Estado do Amazonas como secretário-adjunto. que acham que 120 . Então. E hoje nós estamos com quase 50% das Unidades de Conservação criadas no Estado.ambientalistas. É importante este evento. eu sou Ademar. com o Paulo. e chegando aqui nesta oficina. esse para mim é o principal problema que nós encontramos na RDS. na interpretação de alguns. essa atitude do WWF. eu acredito que seja um passo para que possamos ter algo mais fechado nas RDSs. Talvez a RDS fosse um caminho para amadurecer a chegada de uma RESEX. que vivemos RDS. não ter uma proposta fundamentada. como o Cláudio falou. ficam na lei e. inclusive estou de férias.

de sistematização e de pesquisa das diferentes três iniciativas e mais as entrevistas com os órgãos responsáveis pela questão da criação e gestão de RDS para essa conversa que eu tenho como ainda intermediária. E na medida em que você cria uma RDS. o Governo vai criando por uma questão de que não custa muito caro para os cofres públicos porque não vai ter que desembolsar nada de imediato. e deixa a desejar naquele aspecto. especificamente para nós hoje do CNPT. seria de imediato. no município de Gurupá.. mas reservas de desenvolvimento sustentável.. por quê? O Estado do Amazonas avançou muito nesse aspecto de Unidades de Conservação . um momento intermediário que nós vamos estar certamente aproveitando e ampliando esses debates. Por exemplo. As reservas extrativistas já têm essa questão da indenização. você começa a ter um Conselho que começa a discutir. E quando há um ano e cinco meses atrás eu assumi essa função que hoje eu estou. os próprios limites da gestão municipal de estar fazendo a gestão e a criação. vocês sabem que tem uma história toda construída em cima das reservas extrativistas.. Na verdade. parece-me que fica ainda muito frágil essa coisa. você tem uma associação que começa a se reunir e isso facilita então a concepção da preservação e do desenvolvimento sustentável. pela iniciativa de trazer neste diálogo “inicial”. Para nós do IBAMA. a RDS. Eu queria ter esse compromisso aqui colocado e firmado com vocês que estão aqui presentes e junto também com as organizações que você representa. mas criar mecanismos e propostas para avançar. em PH Supurus. por isso que muitas das vezes no Estado do Amazonas hoje nós temos poucas reservas extrativistas em relação às RDSs. mas muito mais a própria gestão dessa 121 . o desafio e a pressão dos movimentos sociais eram para ter um tipo de entendimento entre RESEX e RDS de que as RESEX seriam federais e as RDS estaduais. Não tanto a criação. nós já estávamos iniciando uma discussão e já estávamos tendo uma iniciativa. avançar também nesse aspecto. apesar de que aqui nós não temos ainda a predominância jurídica de avançar nisso. elas trazem uma questão de amenizar. que um Secretário do Meio Ambiente do município tem uma grande propriedade dentro da reserva. Então. da CA. ela também importante para a preservação do meio ambiente. para nós tentarmos ver o que nós podemos amenizar dessa situação desses conflitos. Essa leitura é uma leitura que está muito fragmentada nas suas interpretações. pelo contrário. Então. Então. eu acho que esse é um ponto que na minha avaliação esta oficina deveria trabalhar. quer dizer. O SR. que foi protocolado no IBAMA. E a outra coisa. para a população local. eu acho que bom. Eu estou trazendo aqui para vocês um primeiro debate que me surgiu e que me espantou porque de onde eu vinha. PAULO OLIVEIRA JUNIOR (IBAMA/CNPT) – Bom-dia a todos. Eu queria agradecer à WWF pelo convite e mais do que isso. lá do Marajó. eu acho que essa modalidade precisa avançar nessa leitura. O CNPT. o conforto daquela população que. Muito obrigado. não para a preservação. Então. Então. mas o proprietário não permite a entrada dessas populações para colher produtos. de uma RDS municipal. Então. no que diz respeito a colher os produtos. nesse aspecto. não sabe para aonde vai. as RDSs são objeto do nosso trabalho também. eu diria. e aqui eu gostaria de registrar com o apoio da Conservation. para dialogar para o amadurecimento dessa categoria. depois de esgotadas as discussões e vistos os limites da própria gestão municipal enquanto o SISNAMA ainda não está devidamente implantado. O Governo do Estado do Amazonas está aberto para discutir. e aí os governos param porque têm mil e uma prioridades. nós estamos tendo um problema muito sério com uma propriedade lá. Nós temos um volume de RDs muito grande no Estado. que em nosso ver. às vezes. especificamente na Ilha Grande de Gurupá.. mais para o debate a partir de um esforço que foi feito de entrevista. a RDS. ela não ameniza.o Governo conseguiu criar uma lei para ajudar a eles a resolver um problema de sobrevivência deles na floresta. ela aumenta os conflitos. porque bom ou ruim. eles acham que a indenização de terras para particulares não vêm ao caso agora. e não permite as populações colherem a castanha. para finalizar na questão da RDS: eu acho que uma coisa é importante. a sobreviver daquilo ali.

Então. fizemos um exercício puramente conceitual . do próprio exercício conceitual mesmo e a perspectiva que nós temos para as RDSs. portanto. para a reserva extrativista quando há essa manifestação nas consultas que estão sendo realizadas. dentro dessa lógica e dessa visão do trabalho. a mesma lógica produtiva. E um dos temas vai ser a questão da regulamentação das duas categorias que estão hoje sob a nossa responsabilidade das RESEX e das RDSs. é um exemplo claro de uma intenção de uma RDS. que o Governo do Pará baixou para a apresentação da documentação para a legitimidade do título. grupos econômicos interessados naquela área. o pessoal fala: “Não. compadre e todo mundo. E essa iniciativa da WWF junto com os demais parceiros só vem a alimentar toda a expectativa que nós temos para partir rapidamente para a regulamentação. Há outras demandas de RDS que nós estamos colocando para debate com a sociedade local da validade. havia uma única propriedade particular dentro dessa área. e queremos que esse sujeito ou essa família. leis. Eu gostaria de anunciar também que a partir dos dias 6 a 15 de março. essa propriedade privada é geradora de um conflito de implantação de um grande projeto de carcinicultura no sul da Bahia. portarias e tudo mais. por que uma RDS? E nós trouxemos isso para o nível federal e conseguimos criar a primeira RDS federal exatamente a partir dessa experiência. absolutamente integrada àquela sociedade. Só para vocês terem uma idéia. portanto. e se eu me recordo bem. trouxemos para esse exercício conceitual e estamos hoje no desafio da gestão desse exercício conceitual. porque não foi devidamente divulgado e tudo mais. Eu quero também ressaltar que nós teremos um outro momento com os movimentos sociais. inclusive no que diz respeito à legislação..essa daí é a nossa leitura . quer dizer. o que está gerando uma série de debates e de conflitos com as autoridades municipais. Que família que é essa? Uma família que tem 300 hectares. mas que na hora que nós vamos lá fazer o debate com o pessoal. dessa localidade da Ilha Grande de Gurupá.. portanto. esse proprietário seja desapropriado”. necessariamente elas têm que estar habitando a Unidade de Conservação. nós não queremos. Uma propriedade particular que vem desde títulos paroquiais e que a família vem cumprindo à risca toda a legislação e apresentando aos órgãos públicos a partir daqueles inúmeros decretos. a população não mora dentro do mangue. por exemplo. E em consulta pública todo mundo foi favorável a não ter a desapropriação porque os legítimos. Eu trago aqui mesmo um compromisso com vocês de esse material que sair daqui desta oficina. para Caravelas. o mesmo tipo de organização familiar. àquele ambiente e compunha aquela territorialidade que o decreto manifestou no momento da sua criação. Cláudio. nós fizemos sim. com o mesmo tipo de trabalho.. desse território. nesse sentido. nós estamos fazendo a opção de RESEX. vinha apresentando todos os documentos e vem se regulando sistematicamente. digamos assim. e segundo. onde nós temos esse compromisso. Então. nós darmos uma amplificação nesses fóruns que nós vamos estar trabalhando. Eu não quero chamar atenção aqui. é área de manguezais e que.em cima de dois elementos centrais: o primeiro elemento de que necessariamente . 120 técnicos e técnicas do CNPT do Brasil todo vão estar reunidos. ou seja. absolutamente ribeirinha. Então. nós levaremos assim com todo ímpeto para um debate mais ampliado em nível dos técnicos. E por que uma RDS? Eu acho que esse é o elemento que eu gostaria de trazer como contribuição e já inclusive coloquei na entrevista que me foi feita.categoria. que foi algo que é contestado até hoje. E Caravela tem um outro detalhe. uma experiência que para nós está sendo extremamente interessante. por outro entendimento que nós temos.eu gostaria de deixar isso também registrado . mora fora do mangue. que é o mangue. mas nós estamos enfrentando esse debate. Esses fóruns são preparatórios junto com o pessoal da educação 122 . a RESEX seria o mais adequado.as RDSs. proprietários tiveram um esforço por gerações da família de estarem legalizando aquele seu pedaço de terra.. as populações tradicionais estão abrigadas nessa cataria de Unidade de Conservação. a contribuição que nós estamos trazendo para cá é dessa única experiência em nível federal. A nossa postura está sendo de ir. mas até essa família cumpriu. a legislação de 95. o material que sair aqui desta oficina. Nesse sentido também. na Bahia.

coordenador da Unidade de Coordenação do Projeto do Ministério do Meio Ambiente. mas não no extremo. unidade responsável pelo programa Áreas Protegidas do Brasil . se é de domínio público. Nós não criamos isso. A associação comunitária poderia perder a concessão. se não é de domínio público. Eu acho que a RDS traz para nós uma série de desafios. Então. Muito obrigado pelo convite e vamos estar aí participando do debate junto com todos. perder direito de manejar aquela RESEX. Um deles é preencher uma lacuna. esse é um potencial que a RDS tem. na reserva extrativista a gestão deveria ser extremamente comunitária. Então. O SR. nós temos unidades que são extremamente restritivas. Convido para compor a Mesa. de responsabilidade da comunidade. é o parque que as pessoas podem utilizar os recursos naturais com supervisão governamental. que é o parque com gente dentro. é mais uma vez o exercício de 123 . Um outro potencial que a RDS tem é de ser um modelo que não tem como base o extrativismo de recursos. Nós temos algumas preocupações fortes no âmbito do Ministério e do Programa ARPA. Então. Pelo menos no ARPA. que ela permite a gestão. O SR. eu acho que procurar definir RDS é de certa forma procurar essa diferença. Enquanto as duas permitem o uso sustentável. Então. tem a reserva extrativista. é uma categoria cuja aplicação cresceu muito. ela pode ser penalisada. você tem uma categoria que eu sou fã. eu vejo que tem uns bons potenciais para essa categoria. a diferença é que reserva extrativista é de gestão comunitária. porque as duas se parecem muito. RONALDO WEIGAND JR. tem uma área muito grande de aplicação. não está claro em nenhum lugar. não precisa de outra igual. Então. Então. Então. Então. inclusive por uma má gestão dos recursos. mas agora está na reta final. Ronaldo Weigand. que são estações ecológicas. que é uma categoria que já existe. que é a reserva extrativista. (ARPA/SBF/MMA) – Eu agradeço o convite e parabenizo o empenho dos parceiros na promoção deste evento. não a comunidade em si. tem o diagnóstico que foi feito. Esses são alguns potenciais que nós identificamos quando nós temos uma categoria que não está bem delimitada. especialmente do WWF. que eu identifico no SNUC em espectro de Unidade de Conservação. este é o vazio que está faltando dentro do SNUC: essa categoria não existe. Enfim. E aí o nome dá uma abertura de visão maior para você pensar em turismo. Então.ambiental da criação da nova diretoria. que eu acho que não dá para você conversar sobre RDS sem conversar sobre reserva extrativista. uma delas está relacionada com o entendimento sobre a titularidade da terra. É isso que é interessante. pensar em outras coisas e as reservas extrativistas ficariam mais restritas ao local onde se faz realmente extração tradicional de recursos. nós temos que procurar uma diferença porque senão para que adianta ter dois nomes diferentes e duas categorias diferentes? Então. que faz um ano e cinco meses que nós estamos esperando que ela saia. é onde a comunidade é responsável pela gestão do seu recurso e não só participante na gestão dos recursos. O Estado do Amazonas especialmente é fã dessa categoria. já foi para a Casa Civil ontem. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Eu agradeço as palavras do Doutor Paulo. E de certa forma ter tem mesmo uma indefinição do que deveria ser. mas elas desempenham suas atividades com supervisão mais próxima do órgão gestor. E para mim. eu acho que vai ter bastante conversa sobre isso. mas a associação poderia perder esse direito caso não fizesse um bom uso da área e não tomasse conta direito da área. no meio disso aí você tem todo um espectro de categorias de Unidades de Conservação e quase lá no extremo. reservas biológicas e unidades que permitem até mesmo a exploração por empresa e assim por diante. Então. esperamos que agora seja rápido. porque é um modelo que tem crescido muito. o que é essa categoria e assim por diante. não está bem definido. nós estejamos transformando ela numa ARPA. enquanto que a RDS poderia ser aquela área em que as pessoas podem estar lá dentro. nós temos um temor de que se a RDS começa a ser tratada como uma unidade que não é necessariamente de domínio público.ARPA.

Eu sou Lígia Simonian. comecei no Acre e contínuo nessa área. Estou coordenando o escritório em Manaus. nós pretendemos. junto com o Márcio Aires.. O SR. Trabalho já há uns vinte anos com planejamento regional. Eu sou formado em Ciências Sociais. Tenho trabalhado com Unidades de Conservação desde meados dos anos 80. Antropologia Social.. E em 2002. com o perdão dos horários que estão um pouco estourados. Tenho orientado muitas teses de doutorado e dissertação de mestrado sobre Unidades de Conservação . após o que o André. onde nós temos um doutorado em desenvolvimento do trópico úmido. Então. vai dar algumas perspectivas para nós sobre a análise jurídica que foi feita sobre o assunto. espero que com a criação da RESEX do Rio Unini. Eu pedir rapidamente para nós fazermos uma breve rodada de apresentação. advogada e professora da Universidade Federal do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. eu acho que vai ser um debate bastante interessante e nós vamos estar acompanhando aqui com bastante interesse. 124 .. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Bom-dia.definir a RDS pela diferenciação das outras categorias que já existem. Meu nome é Marcos Pinheiro. A SRª. incluindo o apoio ao Governo do Estado local na RDS do Iratapuru. e convido os mesmos a participarem agora aqui do auditório e também gostaria de apresentar. SALES – Bom-dia. Trabalho no WWF-Brasil. Eu sou procurador do IBAMA. nós prosseguimos agora com a apresentação dos trabalhos dos consultores Lucila e Renato. Meu nome é Sônia Wiedmann. Eu sou Lucila Viana. E eu estive envolvido com a criação. A Srª. Esperemos para a COP deste ano. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Eu agradeço aos componentes da Mesa. havendo e nós trabalhando em grupos.Brasil) – Bom-dia. Também trabalho no WWF. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Oi. Tomar esses breves minutos para nós darmos uma olhada na dinâmica que nós vamos estar trabalhando durante o dia de hoje. RENATO R. Também sou antropóloga e estou trabalhando aqui como consultora deste trabalho sobre a RDS. O SR. no escritório de Macapá. mais no final da manhã. Nós vamos fazer inscrições para que as pessoas possam se mobilizar em cada um desses grupos com outro material de suporte que vamos estar distribuindo. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil) – Bom-dia. Cláudio? Vamos fazer uma breve rodada de apresentação e ficamos todos nos conhecendo e em seguida o Renato e Lucila com a palavra. Chamo a atenção de vocês que talvez a partir das 11h30. O SR. em quatro grupos de trabalho. E lá nós desenvolvemos atividades com várias categorias de Unidades de Conservação . Sou antropóloga. Meu nome é Renato Sales. E esse documento vai estar disponibilizado para vocês. Marcelo Creão. Então. do ISA. nós iniciemos uma sessão de debates e com um pequeno break para o horário de almoço. O SR. O que você acha. com criação de Unidades de Conservação e também sua regulamentação e gestão. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF . LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Bom-dia a todos. um voltado para a criação e outro para a regulamentação. Dois grupos de cada assunto talvez pelo número de pessoas: um para criação e outro para regulamentação.. nós fizemos uma primeira tentativa de regulamentação de RDS para o Estado do Amazonas. Vamos ter então em nível de discussão. um momento de discussão e no período da tarde. Obrigado. A SRª.

Eu estou aqui numa dupla qualidade . Trabalho na Universidade Federal do Pará. E alguém falou que não dá para falar de uma sem fazer as comparações. O SR. Meu nome é Raquel Carvalho.eu julgo qualidade -. mas eu acredito que as pessoas que torcem por uma ou outra estão baseadas no SNUC. DANIELLE CALANDINO (ARPA/SBF/MMA) – Bom-dia. Meu nome é Danielle Calandino. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Bom-dia. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu sou André Lima..Brasília) – Henyo Barreto. a uma regulamentação. seria interessante que nós tivéssemos também estudos de casos de como é que funciona uma RESEX. Sou técnica da unidade de coordenação do Programa ARPA. E eu acho que nós temos que partir da realidade: como é que funciona uma RDS e como é que funciona uma RESEX para poder chegar a uma definição. A SRª. E pelo que eu percebi. Obrigada. conservação da biodiversidade com participação popular. Nós temos uma experiência de RDS de 15 anos e eu acho que de RESEX também. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Bom-dia. e a RDS como uma desvantagem.Fundo Brasileiro para a Biodiversidade. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Bom-dia. Eu sou especialista em áreas protegidas. O meu nome é Isabel Soares de Souza. Sou responsável pelas unidades estaduais do Amazonas. MARISETE INES SANTIN CATAPAN (WWF-Brasil) – Meu nome é Marisete Catapan. 125 . Paulinho – ex-professor do Departamento de Antropologia da UNB.. A legislação sempre reduz muito os conceitos. Meu nome é Luiz Carlos Pinagé. ansiosamente. O SR. O meu contato principalmente é com as RESEX desde o tempo do PDA. Eu também sou antropóloga do Pará. Eu espero que nós possamos discutir isso hoje e tentar mudar um pouco a legislação. e atualmente como diretor acadêmico do IEB. há 5 anos. A SRª. Trabalho no WWF aqui e trabalho há alguns anos já com planejamento de Unidades de Conservação . e a outra eu fui. já existem parece que dois times. Então. nós temos uma parceria com a Secretaria de Extrativismo. como é que funciona uma RDS para podermos ver como é que pode incluir esse funcionamento na legislação. Trabalho na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Como profissional da área jurídica. Sou advogado. O conceito está muito reduzido ao que está no SNUC e não é isso. na implementação da RDS Cujubim.que foi convidado a participar do seminário. depois no próprio WWF com as RESEX de Rondônia e sempre na área de produção sustentável e melhoria dos padrões de vida das comunidades. Uma RDS é muito mais do que Unidade de Conservação. coordenando o programa de Bolsa de Estudos para a Conservação da Amazônia – BECA. o que é o mais difícil. Fiz mestrado no CDS na área de gestão em política ambiental. alguns dos quais foram apresentados aí. trabalho no programa Amazônia da Conservação Internacional. é muito mais do que isso. A SRª. eu estou fazendo um trabalho para o WWF de uma análise jurídica sobre a RDS e tentar desenrolar um pouco esse imbróglio. HENYO BARRETO (IEB . Também sou antropólogo – e não é serva de mercado. adequar essa legislação à realidade. aguardando publicação da sua portaria de exoneração. uma delas é que eu represento o ISA – Instituto Sócio-Ambiental . Eu trabalho do FUNBIO . do Pará e do Amapá. E no Estado do Amazonas. no programa Áreas Protegidas da Amazônia. O SR.A SRª.

a idéia era exatamente ver como funciona as RDSs de Mamirauá. a proposta de regulamentação que a gente fez para a categoria. Tem uma lista de presença que está circulando. E o impacto da criação da RDS. nós contratamos três pessoas. Institutos de Pesquisa e Sociedade Civil. Mamirauá foi criada em 96. uma das inspiradoras da categoria para o SNUC. mas ela já estava existindo como Unidade de Conservação desde 91. E atualmente o responsável de fato é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá. Bom. abordando um pouco o histórico da inclusão da RDS na Lei. As entrevistas foram feitas com diversos segmentos. inclusive.O SR. Iratapuru e Ponta Tubarão para estar subsidiando um pouco essa análise nossa a respeito da categoria. para a apresentação do primeiro trabalho. para estar fazendo um levantamento junto aos moradores e aos Órgãos Estaduais. Ok. são ribeirinhos que envolvem pequenos agricultores. Eu vou pedir que todos vocês assinem. quer dizer. a HOLOS O Marinho. o cara que providenciou uma coluna no meio de vocês. um em cada RDS. é há 600KM (seiscentos quilômetros) a oeste de Manaus na confluência do Rio Solimões. eu acho que todo mundo conhece. que é uma outra coisa que a gente prestou bastante atenção. a característica da população. uma população que mora de 1800 (mil e oitocentos). E na seqüência o que nós fizemos? A gente fez uma avaliação das disposições legais sobre a categoria. Isabel. era uma Estação Ecológica. que é uma proposta preliminar. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Fernando. conforme o interlocutor. então vamos falar um pouco de Mamirauá. E apesar de ser sido uma pesquisa muito expedita. extrativistas. então nós também fizemos questão da estar trabalhando com essa Unidade da Conservação por conta de ter um outro referencial que não seja a Amazônia. mas essa RDS trabalha muito com a população do entorno também que é usuária dos lagos e é uma característica muito forte de Mamirauá. O que nós focamos nessas entrevistas? Nós queríamos saber o que as pessoas achavam do processo de criação. antes mesmo de ser incorporada pelo SNUC e. tentando embarcar todos esses pontos polêmicos já levantados. enfim. você vai ficar ali para mim? Então bom-dia. Essa parte das disposições legais o André depois vai. Bom. então. Eu vou falar a respeito dos estudos de caso. inclusive. Raimundo Marinho de Mamirauá e a Telma Dias de Ponta Tubarão. Mamirauá porque é a primeira RDS criada. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Obrigado a todos. No caso de Iratapuru foi o Henrique Gomes. Primeiro nós fizemos um levantamento bibliográfico de dados secundários a respeito de RDS e na seqüência nós escolhemos três RDSs para ser justamente o estudo de caso. A idéia é apresentarmos um pouco os resultados dos nossos estudos. justamente para gente estar aqui discutindo e dialogando com todo mundo para depois a gente fazer uma proposta final. que aí nós vemos bem como é a interpretação do SNUC e é absolutamente dispare. moradores do interior e do entorno. pescadores e prestadores de serviços. além dessas entrevistas em campo. O Iratapuru foi criada na seqüência de Mamirauá e também antes da RDS ter sido incorporada pelo SNUC. basicamente nós fomos falar com moradores que participaram. que é de uma ONG. Renato e Lucila. E ainda agora de manhã o Renato vai estar apresentando. Ela tem uma área de um milhão de hectares. o FUNBIO . A Srª. que não participaram da criação. ela tem muitas fontes de financiamento e isso é algo que diferencia de todas as RDS e talvez não dê para tê-la como 126 . o ISA. a gente fez entrevistas com especialistas e com pessoal de Órgão Público responsável pelo CNPT. A localização. não vou citar todo mundo aqui. já que nós estamos falando de uma legislação nacional. o que a RDS trouxe de fato para conservação da biodiversidade e para população. E a Mamirauá também tem uma outra especificidade. Eu sou Fernando. E agora eu passo a palavra então aos nossos consultores. da implantação e da gestão de cada RDS e qual é a representação que se entende pelo conceito de categoria. Ao todo foram dez entrevistas. E Ponta Tubarão é a única RDS existente que não está na Região Amazônica. O Renato está aqui me lembrando que Ponta Tubarão é costeira. os Órgãos Públicos Municipais e os Órgãos Gestores também. fizemos análise dos dados à luz do SNUC e fizemos a proposta de regulamentação.

uma categoria que contemplasse tanto a conservação. já tinham todo um esquema de zoneamento de uso e regulação dos recursos e já tinham acordos sociais de manejo. Isabel. que foi a RDS. estavam fazendo associações. depois reuniões das comunidades por setores e depois os setores se reúnem na Assembléia Geral. ela é parte de uma demanda dos pesquisadores e que depois foi construída uma proposta junto com a comunidade. estão mais fortalecidas. na verdade. por conta de garantir o uso dos recursos e diversificar os recursos naturais que estão sendo explorados. quanto a possibilidade de uso dos recursos pelos moradores. Então foi quando se começou a discutir junto com moradores que já tinham todo um zoneamento de uso da área. ISABEL SOUZA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) – Eu acho que o diferencial não são os recursos. As populações locais tiverem uma significativa melhoria de qualidade de vida. maior responsabilidade com a conservação. que tem os pesquisadores. tinha o envolvimento direto de pesquisadores que já traziam consigo financiamentos. se quiser me corrigir. Eu sou funcionaria do Instituto Mamirauá.modelo porque isso é algo que faz com que a implantação seja facilitada e tenha mais recursos e tenha uma série de programas de suporte a comunidade. como também para trabalhar com conceito de conservação e a importância da conservação da biodiversidade. como eu tinha dito. até a notícia que tivemos. participação da comunidade local na gestão e proteção de grandes áreas de florestas. A justificativa que está na Lei é viabilização e livre ação da permanência da população. Então. pesquisa sobre a biodiversidade e combate a pobreza. ou seja. A Srª. E não dá também para fazer conservação ambiental se não tiver esses investimentos em pesquisa e em desenvolvimento social também. enfim. enfim. Eu acho que esse é o diferencial. não podem ter moradores no seu interior. o que a gente já tinha antes de RDS que facilitou a criação dessa unidade? Já era uma área que tinha ocorrência de objeto significativo. Isabel. são divididos em oito setores e o processo de participação se dá pela reunião de comunidades. São 52 comunidades no interior e 93 no entorno. Os acordos sociais também aumentaram envolvendo a população do entorno. dos lagos e resolveu-se criar. enquanto que as outras que está só o Governo. que é uma OS. isso é uma conseqüência de quem está fazendo a gestão. a RDS trabalha com oito setores. o Governo não injeta recursos. então. Bom. E uma outra coisa que é bastante forte em Mamirauá é que existem bastantes trabalhos relacionados à educação ambiental para fortalecer a participação das comunidades. como todo mundo sabe. E há maior 127 . Bom. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Obrigada. ambientalistas que perceberam a necessidade de estar conservando a área por conta de algumas espécies ameaçadas que estavam sendo pesquisadas. a população já estava organizada. As organizações sociais. Então a gestão é da Sociedade Civil Mamirauá. A Srª. Foi quando se fez um movimento junto ao Governo para criar uma Estação Ecológica. mas a Estação Ecológica. financiamento do Fundo Nacional para isso. que tinham uma organização. portanto. inclusive. eles já tinham todo um trabalho com a comunidade eclesial de base de anos anteriores à chegada dos pesquisadores. Primeiro. Mamirauá trouxe vários impactos positivos junto à comunidade. E a situação atual é a seguinte: O plano de manejo foi formalizado em 97 e agora está em revisão. o objetivo da RDS é preservação do patrimônio natural. em relação à proteção de biodiversidade porque o zoneamento participativo fez com que houvesse maior envolvimento das comunidades e. Porque foi criada a RDS? Qual foi o histórico da criação dessa Unidade de Conservação? Havia os pesquisadores ali. particularmente. A gestão é absolutamente participativa. é que existe uma co-gestão com Instituição que não é o Governo. que tem o convênio com o Governo do Estado do Amazonas e a Sociedade Civil Mamirauá tem um outro acordo com o Instituto Mamirauá. Acontece que o SNUC define como tem que ser o Conselho Gestor e então agora eles estão num processo de adaptação desse processo todo de participação via Assembléia Geral para se transformar no Conselho Gestor e tem. E aí são essas Organizações que buscam os recursos.

pontos de discussão não são nem positivos e nem negativos. como é o caso de RDS da Ponta do Tubarão que é basicamente uma unidade costeira. E a intenção nesse momento era de um grupo de carcinicultores que estavam querendo descaracterizar um pouco ambientalmente a área para facilitar a implantação dos tanques de criação de camarão. em julho de 2003 pelo Governo Estadual. Então têm proprietários que de alguma maneira tem conflito porque a situação fundiária não está resolvida. E em 95 houve uma investida de um grupo empresarial para implantar um resort na região e começou haver uma mobilização da comunidade para tentar evitar que esse resort se implantasse. até por orientação do pessoal do WWF. Fonte principal de orçamento ficaria por conta do EDEMA. Em 2000 colocaram fogo numa ilha. das comunidades tradicionais. Entretanto. Bom. mas não há uma previsão orçamentária para o RDS. E também temos prestadores de serviços que são vinculados a uma recente atividade turística. que é vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento. É uma questão recorrente em toda a costa do Brasil.conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais. Inicialmente pensaram numa APA. E o ato normativo. no caso. RENATO SALES – Como a Lucila falou. Como é que surge essa intenção de se criar uma RDS estadual lá no Rio Grande do Norte. é de 2003 e foi assinado pela Governadora Wilma Farias. E tem essa outra especificidade que a Isabel lembrou. Tem uma população bastante significativa. principalmente. que é a administração pela OS. raramente a RDS conta com recurso próprio para tocar alguma atividade. são dez mil pessoas. que é contígua área costeira. é área de mar mesmo. mas também temos comerciantes e etc. Quais são os pontos de discussão? Quer dizer. a gente achou que seria interessante pegar outra reserva fora do domínio amazônico e que. as da Amazônia. como é uma legislação nacional. sururu e vários outros mariscos. inclusive. e começaram a pensar na criação de uma Unidade de Conservação na sua área de moradia e de uso econômico. indo até o Ministério Público e etc. então as conquistas e os resultados são muito dependentes dos financiamentos contínuos e significativos que estão presentes desde o primeiro minuto que se pensou essa Unidade de Conservação. A gente estava mostrando que Mamirauá tem 137 e essa daqui tem dois e mesmo assim não trabalham em tempo integral. tivesse atividades econômicas bastante diferenciadas. E o responsável pela administração é o Instituto de Desenvolvimento Econômico do Meio Ambiente do Rio Grande do Norte. são pescadores artesanais e nós encontramos também um significativo número de marisqueiras que trabalham com caranguejos. de prestar o apoio ao programa ARPA que tem se deparado com a criação de várias RDSs e tem apoiado essas RDSs. Tem pequenos agricultores numa área de caatinga. são 12960 (doze mil. nós escolhemos. Nós temos. que é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável em Mamirauá. Foi implantada em dezembro de 2003 com a constituição e tomada de posse do Conselho. duas RDSs Amazônicas em função. inicialmente Diogo Lopes e Barreiras. mar aberto. domínio público e privado em Mamirauá. E tem também algumas áreas indígenas. em 2000 a população resolveu que precisaria reagir de forma bastante contundente e começou uma mobilização envolvendo a imprensa. Fica no norte da região costeira do Rio Grande do Norte e abrange dois Municípios: Maçal e Guamaré. a televisão. Quer dizer. Foi criada em 2003. depois pensaram numa RESEX e tendo maior conhecimento do SNUC 128 . Então. por exemplo. assim. novecentos e sessenta) hectares. É uma reserva pequena se comparada. colocar fogo em mangue. na vegetação da ilha. então. Boa parte dessa área é área marítima. que é a ameaça de perda dos territórios das comunidades pesqueiras. mas conseguiram colocar. O SR. Os conflitos fundiários existentes lá são pontuais porque o RDS tem propriedades privadas no seu interior. é o que de relevante o que diferencia a RDS. mais recentemente. uma coisa muito esquisita. Isso se reflete também no número de funcionário. que eram ribeirinhos e que foram reconhecidos como indígenas e que por conta de serem indígenas têm uma outra legislação que os regem e isso significa que há um certo conflito com os ribeirinhos em relação às normas já estabelecidas da própria RDS. que era manguezal. enfim.

Bom. é um dos maiores pólos de pesca artesanal do Nordeste. os técnicos que participaram desse trabalho de delimitação. uma área de dunas e foram incluídas também mais duas ou três comunidades. Então foi incluída na área uma área de catinga. no Decreto de criação é conservar parcelas de variados ecossistemas da região Nordeste. são conseqüências dessa mobilização. como o poços artesianos. as propriedades na caatinga houvesse atividades predatórias como. assegurando a permanência e qualidade de vida das famílias locais e a garantia e produção de suas características culturais. existem 30 associações.. mas até comprometendo o mangue. O Conselho Gestor. são cerca de 30 Associações de Moradores que hoje estão envolvidas com a reserva. Tem uma gestão bastante participativa. o André até esteve no último. foi questão de tentar preservar a cultura local. foi montado rapidinho em 2004. então. não está havendo muita capilaridade nas discussões e decisões.. poderia haver o comprometimento da qualidade ambiental da área. por exemplo. Inicialmente eles queriam o que IBAMA fosse responsável pela categoria. ele só se forma em função de infiltração das águas subdunares. entretanto. Eles já estão trabalhando com grupos de trabalho para discutir plano de manejo.resolveram por uma RDS. Barreiras e Sertãozinho e cuidava mais da questão pesqueira. como o IBAMA não tinha como atendê-los naquele momento. Cabe dizer que essa participação ainda tem alguns problemas. por exemplo. foi estabelecido então que o Governo Estadual se encarregaria pela criação de unidade. por exemplo. E havia também uma mobilização social significativa por volta de 20 (vinte) Associações de Moradores ou então de produtores que existiam na região e isso facilitou um pouco todo esse processo de mobilização para criação da Unidade.. qualquer comprometimento dessas águas poderia atrapalhar as atividades desenvolvidas pelos moradores. inclusive. que o CNPT fosse responsável e eles chegaram. o objetivo da RDS que consta. E nesses encontros eles começaram a ter toda uma troca de informação. portanto. caso. E a justificativa era isso. principalmente. Nós estamos vendo hoje um gradual envolvimento das comunidades que ficaram ausentes no processo de criação que são dos Municípios de 129 . inclusive. Então há algumas reclamações que. que fosse feito um processo de consulta pública e esse é um problema que vamos ver depois. enfim. que isso está muito concentrado em um ou dois membros de uma determinada Associação. a definição pela categoria RDS. eles começaram a criar o movimento que eles denominaram de Encontros Ecológicos e são anuais e nós já estamos no 5º. são hoje nove comunidades do interior. eles chegaram à conclusão que se não houvesse uma proteção na região de caatinga contígua a essa área costeira e entre a caatinga e a área costeira a região de dunas. sem. é extremamente produtiva a área. o plano de manejo está em andamento. de criação e etc. mas quem está participando mesmo são Diretores dessas Associações sem muita participação da massa que essas Associações representam. Apresentam bom estado de conservação de diversos ecossistemas e aí a caatinga. inclusive. e definiram pela categoria RDS federal. Aqui tem uma questão interessante. Outra condição era ameaça eminente a qualidade de vida das comunidades e a conservação ambiental. eles chegam a pegar 5000 (cinco mil) toneladas de sardinha por dia em algumas épocas. que a área inicialmente delimitada ou proposta para delimitação era só uma área costeira que abrangia. entretanto. a carcinicultura e isso se daria por meio da infiltração dos despejos dos tanques de carcinicultura que iriam acabar não só salinizando mais algumas áreas. o que atrapalhou um pouco esse movimento para criação da unidade. mangues. restinga. a categoria RDS fez uma serie de discussões que. intercambio com vários especialistas e etc. Bom. duna. três comunidades: Diogo Lopes. praias e mar. até em função desse grau de organização que eles têm. a importância da conservação dos recursos naturais para continuidade das atividades das comunidades e a garantia da permanência das áreas de ocupação das famílias locais. As características pré-existentes é uma alta produtividade de (?). Mesmo porque é interessante que mangue ocorre em águas salobras e aqui não há um rio. A reserva não está demarcada. Bom. como eu acabei de dizer. Essa questão de características culturais é uma coisa que os moradores prezam muito e uma das razões para escolher RDS.

Jesse? Ok. isso a gente considera importante. como tem varias secretarias envolvidas tem várias pessoas que estão do Governo do Estado trabalhando indiretamente na RDS. A Srª. gente que se garante por usucapião e. o turismo comunitário e tem havido também maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais. vão direto a Assembléia de Deputados. também dá um aporte de recurso para RDS. porque ela protege mais como bioma. Sonia? É no Marajó? Bom. A população se caracteriza basicamente por ser extrativista. existe uma série de possibilidades em termos de domínio das terras e existe posse. Pontos de discussão. Eles continuam ainda sobre a ameaça de implantação de fazendas de carcinicultura. Bom. embora. principalmente. Existe ainda uma insegurança em relação às ameaças dos agentes externos. a maior beneficiária da criação dessa Unidade e fica fora dos limites da RDS. Não existem funcionários especificamente designados para Unidade de Conservação. Conservation e a Fundação Orsa. 130 . o WWF. embora ainda haja ameaça. enfim. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – A Sônia está dizendo que tem uma RDS no Rio Grande do Sul. então. tem o FFEN que é uma outra ONG francesa. por exemplo. vamos falar de Iratapuru. Mazagão e Pedra Branca que fica ao sul do Estado do Amapá. já mudou isso. está havendo uma maior capacidade de mobilização. carcinicultura. é a Petrobrás que tem várias plataformas de exploração de petróleo ao longo da costa e vizinho a reserva e eles estão no Conselho Gestor e eles têm muitos recursos. principalmente. a Natura dá um aporte de recursos para RDS por conta da compra dos produtos e também por conta do contrato de acesso a recursos genéticos que foi feito junto ao governo do Amapá e a comunidade de São Francisco do Iratapuru por exploração do Breu Branco. com as escolas locais. como a lucila falou. é a população de São Francisco de Iratapuru. em programas mais pontuais. Já foi criada. E um trabalho importante que têm feito é de educação ambiental. é uma das poucas Unidades de Conservação que protege a caatinga no Rio Grande do Norte. até quando a eu estava lá. por volta de 150 famílias. Eles trabalharam com o pessoal de São Francisco de Iratapuru e foi quando foi criada a cooperativa. um ano depois de Mamirauá pelo Governo do Estado do Amapá. agora que essas comunidades estão se inserindo nessas discussões. tem o Governo do Estado do Amapá com diversas Secretarias que desenvolvem programas na Unidade de Conservação. Forte influencia de uma estatal potencialmente impactante na gestão da RDS. Também existem várias fontes de recursos ali. eles estão de alguma forma tentando ter um papel mais proeminente nesse Conselho. que de alguma maneira. Então ao todo são seis comunidades no entorno. A área de Iratapuru é 8 mil hectares e tem uma população no entorno da RDS. Toda vez que tem uma ameaça de implantação de um tanque de carcinicultura eles já alugam ônibus. Os impactos. a indefinição da situação fundiária da área. não se trata de questões positivas ou negativas. existem propriedades privadas. Cá entre nós. É importante. enfim. Bom. eles estão cada vez mais ágeis para se mobilizar. a RDS em princípio foi uma iniciativa do Governo do Estado e na verdade é o seguinte. até o Governo do Estado. É a única RDS fora da Amazônia e que protege a caatinga. A RDS abrange três Municípios: Laranjal do Jarí. Outras alternativas econômicas estão sendo estudadas. Houve uma diminuição dessa pressão de agentes externos. Tem uma Lei Estadual que a rege e também tem o Decreto que dispõe sobre a criação do Conselho. que é a comunidade que está mais relacionada com a RDS. houve um aumento do número de organizações formais da sociedade. são dados de 2001 esses. o Governo do Estado estava implementando um programa de desenvolvimento sustentável que era um programa do Governo Capiberibe que visava o fortalecimento da organização dos modos de produção de várias comunidades. mas que ressaltam: falta de participação de todas as comunidades no processo de criação da Unidade. mas diminuiu um pouco essa pressão. fazem a extração da castanha e mais recentemente eles estão incorporando a extração de novos produtos. o Jessé está dizendo que existe funcionário responsável pela Unidade de Conservação.Guamaré. há todo um movimento de políticos locais para descaracterizar a Lei e fazer com que possa ter outras atividades de carcinicultura dentro da reserva. Iratapuru foi criada em 97. Até o André andou vendo isso.

São Francisco de Iratapuru que já estavam organizados em Cooperativa. também combinava com a proposta do Governo que era uma proposta de programa de desenvolvimento sustentável. esse foi um dos motivos pelos quais se justificas as comunidades não estarem no interior da Unidade de Conservação. Mamirauá já tinha sido criado e foi fonte de inspiração para criação de Iratapuru. eu participei do Seminário que foi o primeiro passo do processo de realização do plano de manejo e tem um plano de manejo sustentável de uso de recursos naturais em elaboração. então tinha uma organização que facilitou essa interlocução com o Governo do Estado. o objetivo da RDS é promover a conservação e uso sustentável da biodiversidade e a situação atual da RDS. Ela está parcialmente demarcada.chamada COMARU. conforme eu disse anteriormente. A interpretação do Governo do Estado é que RDS tem que ser de domínio público. Tinha a implantação do PDSA. uma RDS estadual que. Não tem o Conselho Gestor. pelo menos. quais são os impactos decorrentes da RDS? Primeiro. você tem a possibilidade de estar ampliando a geração de recursos para essas comunidades. Bom. embora ele tenha sido definido por Decreto. . na verdade.usuária e é beneficiária da RDS. que é esse programa de desenvolvimento sustentável do Amapá e voltado para organização e fortalecimento dos meios de produção. então. Apenas 5% da área da RDS é utilizada para o extrativismo e têm vários parceiros e investimentos em diferentes fontes. de possíveis invasores. porque RDS e não RESEX? Foi algo também controverso lá entre as pessoas que a gente conversou. Outra característica é que no Amapá tinham poucas unidades ou quase nenhuma que protegia terra firme e aquela região é uma região que tem várias Unidades de Conservação . Teve o interesse especifico da comunidade usuária dos castanhais. Quais são as características pré-existentes da criação dessa RDS? Era uma região prioritária para o Governo do Estado em função das ameaças que foram detectadas pelos estudos. pelo fato delas estarem em área privada. Têm ocorrência de diversas espécies florestais com valor comercial. Bom. A Cooperativa é que demandou a criação de Unidade de Conservação para proteger os castanhais de invasores. não sei que pé que isso está . essas comunidades foram envolvidas na época da criação. estava começando. E aí se criou. que atualmente entende-se que ela é a guardiã. são desarticuladas. então também tinha uma maior presença do Governo na região. mas atualmente o Conselho Gestor não está funcionando. foi o pessoal da Natura que estava fazendo. então. por conta dessa demanda. tem comunidades no entorno que demandam participação dos benefícios da RDS. A outra justificativa colocada pelo Governo para criação de Iratapuru é que ela é justamente uma área devoluta e então não haveria necessidade de desapropriação. tanto nacionais como internacionais ali. sentiram falta da proteção da área de Iratapuru que é justamente de terra firme. tem uma certa demanda delas de poder participar dos benefícios que a RDS está trazendo para particularmente São Francisco do Iratapuru. então a COMARU muitas vezes representa as comunidades. O Governo do Estado. nem todo mundo é cooperado. mas atualmente elas não estão envolvidas com a RDS. Enfim . entretanto. o aporte de financiamentos de projetos para a Comunidade de São Francisco 131 . que naquela ocasião ainda não tinha sido publicado os resultados. apesar de ser o grande veículo. o grande interlocutor com os agentes externos e com o Governo do Estado. foram feitas várias reuniões e teve uma aceitação boa pelas comunidades locais e pelas Prefeituras e também estariam envolvidas ou seriam abarcadas pelos limites da unidade. que são dos extratores de castanha. a própria participação da população do Iratapuru. então tinha mais afinidade o nome com a proposta do Governo. de propriedade privada. mas basicamente foi um pouco na esteira de Mamirauá. não tinha plano de manejo. até o ano passado já que tudo é dinâmico e pode ter mudado. embora esse investimento na RDS. Além disso. no caso específico. então para não fazer desapropriação é mais fácil criar uma Unidade de Conservação que a implementação não envolvia recursos. não tem um trabalho integrado entre essas ações. muitas vezes. Cooperativa de São Francisco de Iratapuru. Todas as comunidades estão em área de empresa privada. ou seja. A COMARU é a única organização formal da população local. começou a fazer uma rodada de consulta para as comunidades do entorno. ou seja.

Então. alternativa de exploração comercial de novos produtos florestais. O SR. que precisaria agregar. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Sobre esse deslocamento. que está errada. Ela é a única Unidade de Conservação que protege terra firme no Amapá.. é de domínio público e não tem moradores no seu interior. talvez no texto – eu recebi agora. A comunidade. atende uma comunidade permanentemente extrativista. a cooperativa não é a representante de fato de toda a comunidade. que é uma diferença das demais RDSs existentes. que é uma sociedade que está permeada por conflitos. Eu acho que isso está mais relacionado ao pessoal da COMARU. inclusive. por um lado tem facilitado as negociações e as conversas. Nós fizemos um mapeamento agora com GPS de todas as colocações que eram habitadas. ou seja. Quais são os pontos relevantes da RDS Iratapuru? Na verdade.) Tumucumaque. contrato de acesso a recursos genéticos com a Natura. o que de alguma maneira traz uma incongruência com o decreto. Tem essa história que eu contei para vocês da demanda de cincocomunidades do entorno que não estão diretamente beneficiadas pela RDS. correção feita. e por outro. A SRª. Então. eu não sei se está . Ela é de domínio público. A cooperativa é a única interlocutora junto aos órgãos gestores e agentes. ela própria aponta que depois da RDS eles tiveram mais consciência a respeito das questões ambientais. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil) – As outras unidades também projetem terra firme. é Rio Iratapuru o nome da RDS. O problema é que o projeto do PDSA não teve uma análise. A SRª. teve uma diminuição da pressão dos agentes externos. pelo menos foi o que Dagnete me falou. inclusive as unidades lá foram queimadas recentemente. particularmente em relação ao lixo. o que nós temos de conquista hoje lá é muito por conta das parcerias e financiamentos externos. o contrato dela de acesso a recursos genéticos. que se abriu muito com a criação da RDS. Então. que depois da RDS eles conseguiram estar de alguma maneira pressionando para que não haja agentes externos. Isso .do Iratapuru. o problema é justamente por causa dessa desagregação que o 132 . quer dizer. E ela tem muitas características semelhantes a RESEX. um estudo de impacto sócio-ambiental. que o pessoal de São Francisco citou várias vezes. A SRª. E a outra questão que eu acho que faltou. Não tem população residente. no caso da RDS de Iratapuru nós temos um problema porque os moradores não estão morando dentro dela. Esqueçam essa informação. não que faltou. e eles simplesmente trouxeram.. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Não. da comunidade. eles denunciam. antes o pessoal só coletava e agora está beneficiando a castanha. agregação de valor por meio de beneficio da castanha. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Eu teria mais uma informação com relação à questão de que não existe população dentro da reserva: quando foi criada existia população dentro. que não tinha Tumucumaque e não tinha Unidade de Conservação de terra firme. fizeram um deslocamento forçado da população lá para a foz. que é algo possível numa RESEX. o tal do contrato que eu já citei.é a questão dos conflitos. houve problema inclusive de tortura dentro da RDS. Ok. Corrija-me. o fortalecimento da Comaru que hoje em dia é uma organização bastante organizada que negociou. Todas protegem (. procuram o pessoal do Governo e tal. As conquistas dos resultados são muito dependentes de financiamentos contínuos e significativos. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Essa informação foi da época de criação. A SRª. é previsto numa RESEX. E isso claro traz maior eficácia na proteção da biodiversidade. já que o decreto dispõe que os moradores são os principais responsáveis pela gestão. E todos também consideram que eles tiveram uma melhoria de qualidade de vida porque têm mais recursos. eu achei que tivesse sido antes da RDS.

. E é terrível a situação. E nós já entendemos que sim porque está dizendo na legislação que a RDS abriga populações tradicionais. porque é tudo muito esfacelado: um trabalha para cá. A primeira coisa que nós levantamos aqui é o perfil da população residente usuária. mas nós consideramos absolutamente importante.revolução chinesa na China. Foi um caos. por favor. e na seqüência. e um antropólogo. que o próprio SNUC não quis conceituar. que não sei nem se é o caso de estarmos aprofundando. nós fizemos uma proposta de regulamentação para a RDS. A mesma 133 . aquele oba. Iratapuru está exatamente assim. O SNUC também não prevê essa anuência formal. pode não estar trazendo benefícios. oba: “Vamos criar”.. Nós conversamos com o pessoal do Amapá. fale o nome antes para facilitar o registro.deslocamento forçado ocasionou. Agora mesmo eu estou com uma pessoa de lá fazendo tratamento em Belém. NÃO IDENTIFICADO – De qualquer forma não é necessariamente conseqüências da RESEX e sim. Eles não agüentam mais. um agregado e etc. mas muitas vezes usar o termo pode estar trazendo benefícios para a população e. ficou oito meses lá. que cada família indígena é composta de um avô. Lá está que nem a situação dos Navajos... na verdade. quais são as atividades que de fato pode ser admitidas na RDS é outro ponto que nós temos que estar discutindo. por exemplo. a legislação define que tem que ser população tradicional. quer dizer. Há quem entenda que não necessariamente as populações têm que estar morando no interior da Unidade de Conservação. O SR. Então. Atividades econômicas admitidas. Então. quer dizer. A SRª. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Eu só estou colocando (. Esse é outro ponto bastante polêmico a RDS permite a supressão da cobertura vegetal e não deixa claramente explícito se pode ou não pode mineração como. Seria ótimo eu ter encontrado com você antes. Enfim. A idéia é estar pontuando eles. para quem conhece a questão da educação. pode estar trazendo prejuízo. Na época. é terrível a situação o ponto de vista social para quem fica. E a outra questão que eu acho gravíssima também é que o Estado não tem conseguido. Então. mas todo mundo sabe que esse termo é um termo bastante controverso. Tenho mais um aluno de doutorado trabalhando agora. isso realmente foi gravíssimo. mas que tem que ser levantado. Vamos lá. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Obrigado. Bom.) por isso é importante essa discussão sobre a criação e como fazer (. Lígia. eu me lembro que eu chamei muita atenção do Capi e da Maria Alegrette. SALES – Eu vou pedir um favor: quando se manifestar.. Então. deixa na RESEX. tem uso técnico também. Há pouco eu até falei com o Governador do Estado. E eu também faço pesquisa lá. a questão da saúde que não tem. A SRª. Então. e que ele tem uso político. às vezes. aí enche de pesquisador lá em cima. outro trabalha para lá. mas não foi feito nada. O SR.. e o André depois vai falar um pouco sobre o SNUC. A obrigatoriedade é abrigar populações no interior. RENATO R. é o seguinte: agora nós vamos levantar um pouco quais são os pontos polêmicos relacionados a essa categoria. porque é uma comunidade muito pequena e são poucas famílias que se dizem as “donas” da RESEX. parece claro que a anuência seria uma maneira de você envolver e de permitir que o futuro gestor saiba exatamente quais são os impactos na vida dele. A necessidade de anuência formal das comunidades para a criação da unidade. e vem todo mundo para a foz. baseado nesses pontos polêmicos. eu acho que essa coisa mais dos conflitos internos e dos problemas precisaria ficar mais claro porque é um caos a RDS Iratapuru. Eu acho que lá foi muito mais grave do que a própria hoje análise que se faz . primeiro a criação daquela unidade. Eu posso dizer de cátedra porque tenho várias pesquisas na área e está tudo documentado isso. no caso. esse é um ponto bastante polêmico..). Então. visto que os moradores são os responsáveis pela manutenção e pela defesa da Unidade de Conservação. professor alcoolizado dando aula. Nós temos um aluno lá que fez o doutorado dele..

coisa que na RESEX. e o outro documento é o do André. É isso. mas os dois documentos produzidos pela Lucila e pelo Renato são as conclusões para o debate. mineração e os animais de grande porte e não há autorização para supressão da vegetação. Então. sua vez. Tem pelo menos algumas diferenças também baseadas nesses pontos polêmicos aqui. que está aqui presente. O que está entregue para vocês são dois documentos relativos a esse estudo. Isso também é bastante controvertido. que RDS tem que ser de domínio público para estar cumprindo os seus objetivos. na RDS. é quase impossível você pensar em RDS sem pensar em RESEX. Então. visto que independente de estar mais ou menos organizado. que deveria ser contemplada também. coisa que não é prevista na RESEX. na RDS tem explicitamente autorização para supressão da vegetação para trabalhar com espécies cultiváveis. nós 134 . na linha de todos os comentários que foram feitos. mas você pode interpretar que são os próprios moradores. os documentos finais podem demorar algum tempo para a difusão pública. para aqueles que tiverem necessidade de trabalhos específicos. pela defesa e de toda a Unidade de Conservação. e por último. que traz mais marketing. Uma outra coisa que chama atenção é a responsabilidade pela fiscalização das diversas zonas da Unidade de Conservação. segundo a legislação. a RDS exige demarcação da área de proteção integral. isso é claro que tem que ser de domínio público. são as propriedades privadas no interior da Unidade de Conservação. depois de pausa. ela exige que tenha uma zona de proteção integral. existe desde motivo: “Porque tem propriedade privada”. na verdade. um deles está sem nome. a RESEX exige o plano de manejo de rendimento sustentável para a exploração dos recursos florestais. as populações tradicionais não são necessariamente predominantemente extrativistas. mais possibilidades de financiamento do que uma RESEX. até motivos do tipo que RDS é um nome mais chamativo. para discussão. já na RESEX é proibida a caça... para o Estado do Amazonas.coisa tem a ver com a capacidade de organização formal ou informal dos moradores. e há quem justifique o contrário. que tem mais a ver com o que vai ser discutido depois do coffee break. baseado na experiência de Mamirauá pela Sônia Wiedmann. Nós pretendemos depois ter um relatório final. pode ou não residir.) rápido. Isso não foi só o Ademar colocou aqui. quer dizer. diferente da RESEX. tem que ser predominantemente extrativista. teoricamente é o mínimo de organização exigido para que eles consigam se fortalecer e compor um conselho gestor e tal. E por último. esse estudo produziu uma série de relatórios. ainda relatórios de trabalho. os moradores são obrigatoriamente responsáveis pela área. O SR. coisa que também não é previsto na RDS. se é permitido ou se não é permitido e o que é mais conveniente para essa categoria. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – (. e o último documento que nós acabamos de reproduzir e distribuir foi uma proposta de regulamentação feita já em 2002 para o Governo do Amazonas. mas não deixa claro quem é o responsável pela gestão e pela administração dessa área. que vai apresentar agora. na RDS. visto que eles estão lá sendo responsabilizados pela manutenção. Como eu já disse. Então há quem justifique a criação de RDS justamente porque são áreas com propriedades privadas e por isso não podem ser RESEX. a população deve residir na área de Unidade de Conservação e na RESEX. André. os motivos para criar RDS são os mais variados possíveis. Eu vou ler aqui uma listinha rápida das diferenças entre RDS e RESEX: na RDS. Mas o relatório final. do ponto de vista da organização. há quem interprete que pode ter propriedade privada e na RESEX. Então. O outro ponto polêmico que todo mundo citou aqui. tem dois documentos aí. Há quem diga que a RDS tem que ser criada justamente quando não há nenhuma organização como um passo para a RESEX. por que é que você decreta uma área como RDS e não como RESEX. mas tem várias pessoas que têm essa visão. mas não tem nada explícito a respeito de mineração particularmente. você criaria RDS em vez de criar RESEX. os pontos para o debate. que todo mundo que já falou sobre RDS está apontando. quando você está trabalhando com populações que não estão organizadas. Então. até atendendo à solicitação do Paulo. quer dizer. e de fato é bastante polêmico. A RDS. quer dizer.

não. essa tem sido a justificativa mais recorrente para a criação de RDS até o momento. antes do André. Então. Obrigado.. não. Esses três casos são diferentes. mas o que eu estou querendo reafirmar é que os documentos aqui distribuídos para vocês são para fomentar a discussão. Eles se rebelaram.. Qual é a característica (. que é a proposta que nós estamos trazendo aqui para a discussão hoje no Grupo de Trabalho. mas tinham.. é porque os moradores querem”. mas no sentido de entende o nível de. SALES – Ademar. o produto de todo esse trabalho. “é porque tem a terra particular. E lá chegaram a essa conclusão. É uma questão conceitual. nós pretendemos colocar depois os relatórios com os documentos intermediários. os dados das entrevistas. Isso talvez possa ser mais tarde. Na Ponta do Tubarão. Só um minutinho. como nós vimos.? Você chegou a fazer esse levantamento de informação? A SRª. nós não temos essa visão geral de como é que se dá essa demanda para a criação das reservas. e uma RDS seria uma boa causa.) decisão. existe organização dessa comunidade. Iratapuru havia um plano governamental que ajudou a induzir ou a fazer com que uma cooperativa solicitasse a criação de uma unidade. RENATO R. uma vontade política para se implantar o envolvimento. Esse material poderá ser disponibilizado para vocês em caráter restrito se alguém solicitar especificamente.. O SR.temos interesse em disponibilizar documentos inclusive preliminares paro não perdemos a oportunidade de aproveitamento deles. Eu não sei se você chegou a pesquisar ou ouvir as pessoas quais são dessas que são. nós estudamos três reservas. não é isso? Então. mas isso não deve levar a difusão pública desses outros documentos. o relato do evento e as conclusões tudo na Internet para quem fazer Download para baixar. para criar uma RDS qual é o grau? Qual é que pesa mais? Eu não sei se eu estou conseguindo fazer você entender. Então. Qual é que pesa mais? Ou foi ouvido. Então. quer dizer. Mamirauá é a primeira que surge como uma estação ecológica. Achavam que pesca não é extrativismo. não têm a documentação. foi conversado. Por exemplo. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Se nós consideramos proporcionalmente.. procuraram soluções para a situação e a escolha por RDS basicamente foi em função de uma avaliação que eles fizeram muito cuidadosa do SNUC. é porque um nome de marketing. O que leva as pessoas. E no Estado do Amazonas. O Estado. dos levantamentos de dados que foram feitos. Quando você falou da questão das listas que diferenciam e com essa lista que é a base para a tomada de decisão. tem uma.. no Rio do Grande do Norte. O SR. foi uma pressão a alguns grupos sociais que ainda bem eram muito bem organizados. Quais são delas que têm maior prioridade... LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Só para complementar: de todos esses documentos. quando entra em Ponta do Tubarão também concorda com RDS porque tinham propriedades privadas lá dentro. o documento que se chama Recomendações para Regulamentação é.. E Mamirauá é outro caso.. 135 .. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS/AM) – Eu queria. porque tem terras particulares que o grau de valor dessas decisões são. Eu acho que até pela própria falta de maior definição no SNUC do que quer na RDS são várias interpretações.. o Estado do Amazonas é onde tem o maior número de RDS.. se negocia com ela para saber como é que se poderia continuar abrigando essa população e conservar os recursos. A SRª. pelo que deu para entender. até onde eu entendi.. mas daí existe comunidade dentro. Eles não refletem todo o trabalho feito. são vários os debates que são feitos e as motivações para a criação dessas unidades. na verdade. Eles acharam que eles não se encaixavam como extrativistas. umas das justificativas é justamente por conta da existência de propriedades privadas nessas áreas. por exemplo.

Então. mas você observa numa análise mais apurada que existe esse empréstimo do conceito. que é o nosso amigo Maurício Mercadante. que já havia um compromisso de Jarí de anexar e depois com a citação dela na CPI. e a idéia é que o documento final evidentemente envolva essa análise um pouco mais abrangente de legislações estaduais. O SR. E vocês sabem que agora com essa última CPI da Grilagem. ela retirou e disse que não vai mais anexar.. mas isso é só às 15 para as 13h. é que é uma análise legal. Eu fiz cinco entrevistas com pessoas que eu julgo chave no processo de discussão do SNUC. adotado o nome da RDS em função da experiência concreta já havida com Mamirauá. Infelizmente ele não apareceu aqui. do ponto de vista fundiário. mais ou menos quando ela foi discutida na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. E aí indo direto ao ponto. porque não tinha ninguém para buscar a minha filha na escola. atos de criação de Unidades de Conservação estadual que têm alguns elementos interessantes que podem merecer uma análise de contraponto com a legislação federal. Eu tive a oportunidade de conhecer RDS. eu tive que sair de audiência com o Presidente da República. na verdade. Seria muito importante ter uma conversa com ele mais aprofundada sobre isso. Alguns aspectos jurídicos fundamentais: primeiro. Eu tive na Ponta do Tubarão. a Jarí foi chamada depor. É bem interessante fazer essa conversa com ele. se você olhar o ato de criação ou na verdade de conversão de transformação da RESEX em RDS. você vai ver que inclusive alguns dispositivos da lei estadual estão quase que transcritos na regulamentação do SNUC. buscando o histórico dentro do SNUC. hoje vai ser o mesmo. Isso é importante e. Greenpeace e tal. uma análise jurídica. ela tem relação direta com a solução encontrada para a Estação Ecológica de Mamirauá. mas eu vou me esforçar. por isso que hoje também essa população está bem solta e tem problemas para serem discutidos e encaminhados. Eu entrevistei o arquivo vivo do debate sobre o SNUC. tanto porque atuavam à época do debate do SNUC em postos chaves como porque hoje estão também não necessariamente 136 . Uma parte dessa população mora numa área que já era para ser agregada à anexada. Tem problemas sérios lá. Não houve uma análise da legislação estadual. é uma análise técnicajurídica que foi feita. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Bom-dia. Só duas premissas para eu entrar um pouco na análise dos pontos. Eu estava representando o GT Floresta junto com outras organizações: WWF.. mas RDS não. ela está diretamente associada a duas propostas que vieram à luz bem nos últimos momentos. Então. Obrigada. Então. no entorno. E ela tem relação direta evidentemente com a discussão sobre a Reserva Ecológica Cultural que inclusive teria sido já aprovada na Comissão de Meio Ambiente e foi. Então. É interessante olhar inclusive o histórico disso no Congresso Nacional. até porque eu tenho quinze minutos e nós já estamos razoavelmente avançados no tempo e às 15 para as 13h eu tenho que buscar a minha filha na escola. Então. não tem jeito. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – A questão fundiária da RDS do Rio Iratapuru. E segundo que foi uma análise da legislação federal.. eu acho que tem um ponto aqui que precisa ser esclarecido porque foi mencionado que as populações moram fora. Isso não foi feito porque eu comecei a trabalhar 15 dias atrás e não tive como juntar esses documentos. Só para dizer que uma parte dessa população está nessa área. é uma análise da lei e das contradições inerentes à lei com a regulamentação. portanto.A SRª. o que não é uma das qualidades de advogado. Eu vou tentar ser objetivo. Evidentemente que isso tem que ser feito ou no caso a caso à luz das experiências concretas. não literalmente. Nos últimos não. bem rapidamente. que foi a Jarí. da RDS. Eu recebi alguns documentos. mas eu não vou me alongar aqui.. é uma análise preliminar. A empresa Jarí reivindica o direito de propriedade dessa área. Ele tem histórico. Tive a oportunidade de conhecer outras Unidades de Conservação . Ontem eu saí de uma audiência.. Não se trata aqui de uma manifestação de uma opinião pessoal ou política em relação à melhor ou mais pertinente interpretação jurídica. não é uma coisa abrangente e conclusiva e necessariamente. que já foi dito aqui..

mas tem a questão também de como é que é a consulta com populações supostamente não beneficiárias ou diretamente não beneficiárias. ela seria. Aparente porque os conceitos legais de preservação. que é a questão conceitual.. já foi presidente do INCRA e já foi Procurador-Geral do INCRA. à época Consultor Parlamentar na Câmara dos Deputados. É uma RESEX mais flexível. não tem problema. Como a lei e os conceitos são abrangentes e admitem interpretações absolutamente contraditórias e legítimas e consistentes. Consulta pública sim sem sombra de dúvidas. quer dizer. para a regulamentação. mas ele trata a RDS. são pessoas que participaram dos debates e têm hoje funções importantes na discussão sobre a lei e na regulamentação da lei. ele vê a RDS como uma unidade que teria. esse é o desafio na regulamentação.nos casos em que houve aprovação anterior ao SNUC com licenciamento ambiental anterior ao SNUC. Questões específicas que foram apresentadas a mim pelo WWF. Então. E um dos atributos que justifica a criação da RDS seria a proteção da população dentro da unidade. quase. isso são panos de fundo que eu passei aqui muito rapidamente. Necessidade de consulta pública. Portanto. A flexibilidade representa uma oportunidade. Eu não estou usando aqui literalmente as palavras dele. não existe criação de Unidades de Conservação sem o assentimento. O que a regulamentação pode fazer e deve fazer a meu ver é estabelecer critérios especiais em função dessa categoria de Unidades de Conservação . Algumas. porque tem uma visão mais técnica legal e tem uma visão mais histórica. do ponto de vista da regulamentação. que a população tem que participar da gestão.. seria um parque com população dentro. da criação. na verdade. embora contraditórias. por tanto. Não foi só o Doutor Ubiraci Araújo que à época era Procurador-Geral do IBAMA e hoje é Assessor Jurídico do Ministério Público na Câmara de Meio Ambiente da Procuradoria-Geral da República.e melhoraria da qualidade de vida das populações. etc. quanto por uma disposição específica que trata da criação de Unidades de Conservação . Já o Mercadante. O Doutor Ubiraci diz que a RDS. que 137 . mineração . Então. E aí eu destaco em relação à questão conceitual duas opiniões que são interessantes. mas que eu acho que são centrais e que a regulamentação vai ter que enfrentar. eu não vou dizer conservacionista. a RDS. uma discussão bem anterior e antecedente com a população antes de uma oficialização e aí por diante? Se a população é beneficiária. mas para o debate é possível. mas são funções importantes de análise jurídica e de atuação na prática. uma Unidade de Conservação mais restritiva do que a RESEX. não tem que ter uma preparação. que tem o objetivo fundamental de propiciar o extrativismo de recursos naturais. hoje Procurador-Geral do IBAMA. chegando inclusive em determinadas situações a admitir. válidas. onde você pode ter novas atividades econômicas para além das extrativistas. ele tem uma visão mais. mas é esta a interpretação que ele deu. se é possível dizer isso. Algumas coisas são específicas. tanto por uma diretriz geral do SNUC. na verdade. eu destaquei isso para mostrar que.inclusive a lei usa essa expressão “preservação da natureza” . Então. em tese não são compatíveis com o conceito de uso sustentável. que hoje é o Consultor-Chefe do Ministério do Meio Ambiente.isso tem parecer do próprio Ministério Público Federal . Então. ela uma proposta de RESEX. inclusive já foram apresentadas aqui pela Lucila. o desejo e a vontade do suposto beneficiário. mas que demonstram que a RDS. porque eu posso levar tomatada. hoje diretor de Áreas Protegidas. Como não houve essa situação. E conversei também com o Doutor Sebastião Azevedo.nos mesmos postos. Uma audiência pública é suficiente. Isso é uma interpretação que inclusive o próprio IBAMA também já deu em pareceres oficiais a respeito de mineração em FLONA. que participou praticamente de todos os debates do SNUC. ainda tem muito a ser feito. Então. na verdade. ela seria. teve uma categoria de Unidades de Conservação com o objetivo de proteção . Eu falei com o Maurício Mercadante. É aquela coisa que quase foi a solução para populações dentro de parques. Falei também com o Doutor Gustavo Trindade. há uma aparente contradição de norma ao prevê preservação simultaneamente com melhoria de condições de vida e da exploração de recursos naturais por populações naturais. tem uma visão mais teleológica dos objetivos da lei que são inclusive técnicas de interpretação da lei. por exemplo.

Eu vou colocar aqui uma visão da possibilidade de interpretação da lei. direito a usucapião. As condições. A propriedade dentro da RDS não é RDS. mas abrigará e ela vai querer uma RDS ali. mas não é impossível. estão na lei desde que se utilize sistema sustentável de exploração dos recursos naturais. não tem benefícios. um exemplo que foi dado e que eu achei bem interessante.. essa é a pergunta que eu coloquei e diz que a lei admite. E o verbo tem que estar sempre no presente. Não estou entrando no mérito da pertinência disso do ponto de vista sociológico. ela é uma ilha dentro da RDS. por exemplo. local não quer dizer. o que é raro. A tal desapropriação no caso de existirem propriedades no interior. ela não entra no cômputo da área total da RDS. mas meu ver é possível. título por usucapião. que entendem 138 . A lei permite essa interpretação. Evidentemente que está aí também mais um elemento para regulamentação fechar a questão. se tem benefícios. vocês conhecem. ela tem que ser constituída para abrigar uma população. Se não for desejável. Hipótese mais polêmica do ponto de vista político e sócio-econômico é a hipótese de propriedades insuladas. Então. o que vai se discutir é o seguinte: qual é o impacto disso no cumprimento dos objetivos da unidade: a população deseja ou não deseja. é a bacia hidrográfica. Eu não vou entrar no detalhe disso porque eu acho que é desnecessário. necessariamente do local limite da unidade da conservação. pode não ser válido. por exemplo. pode ser. etc. portanto. mas é um título de posse. mas acontece que existe uma lei complementar que diz como é que as leis têm que ser escritas e ela sempre diz que o verbo tem que estar sempre no presente. na Ponta do Tubarão. Isso porque regulamentação serve exatamente paro isto: esclarecer dúvidas do texto da lei. ela não é RDS. não necessariamente precisa haver pré-existência da população na unidade porque a lei diz: “É uma unidade que abriga”. Eu. quando a unidade é constituída. é o entorno e assim por diante. “A unidade abriga”. é importante que isso fique claro na regulamentação. Procurador do IBAMA é: é possível que uma comunidade quilombola. Por exemplo. é que a lei. hoje ela não abriga. E que tais usos sejam adaptados às condições ecológicas locais. queira uma RDS. Então. abriga quer dizer abrigará. se tem impacto direto. Então. exclui dos limites. que seria desnecessário desapropriar. Agora.. E nós sabemos que na prática essas consultas têm problemas sérios tanto de ordem processual ou procedimental pelos órgãos criadores quanto até mesmo evidentemente em função da população que muitas vezes não que a Unidade de Conservação. tem gente que tem lá títulos. Essa é a diferença. que pode ser polêmica. Uma questão que foi colocada: pré-existência de população tradicional utilizando recursos naturais. Agora. o título. que ela vislumbra algum benefício em função disso. eu vejo duas hipóteses que são claras: a primeira é a possibilidade de populações tradicionais terem o domínio. é o ecossistema local. Então.aí de repente é um outro regime. nessas hipóteses não faz sentido desapropriar para conceder. E ela não está necessariamente na área onde vai ser reconhecida a sua titularidade. Aí tem uma série de características reais do caso concreto que evidentemente tem que ser consideradas. por exemplo. é o local. portanto. e pragmático. etc. Abrigava talvez não porque ela tem que abrigar no presente. é importante que isso fique claro. existem essas possibilidades na lei. mesmo que ele queira dizer alguma coisa do passado ou do futuro. pelo Sebastião Azevedo. Não é que você está admitindo a propriedade privada na RDS. Entendam isso como puderem. Isso que é importante. portanto. está aí: “Abriga”. parece e nos induz a interpretar que é possível se criar uma RDS e dentro você excluir propriedades privadas no seu interior. Agora. tanto pelas interpretações em função das entrevistas como da leitura N vezes da lei. quer dizer.. pode não ser desejável e. mas do ponto de vista legal é possível isso. Portanto. com a redação que está dada. inclusive a possibilidade indesejável em meu ver de reassentamento de populações tradicionais em Unidades de Conservação de proteção integral é você fazer o reassentamento e a criação de uma reserva de desenvolvimento para essa população. mas há interpretações jurídicas de pessoas com condição e capacidade para tanto: o Doutor Guilherme Purvin e outros Procuradores de Estado. O que significa isso? Significa que a propriedade.

Essa hipótese não foi prevista para RDS. por exemplo. A outra é explícita que diz o seguinte: “Quando o proprietário não concordar ele será desapropriado e a outra diz quando necessário. O SR. se o Conselho Gestor da RDSA estabelecer que aquela propriedade insulada esteja dentro de um corredor ecológico e que as regras de uso lá não admitem mineração. (ARPA/SBF/MMA) – André. NÃO IDENTIFICADO – André. Quem está lá dentro. 20. RONALDO WEIGAND JR.. A sua apresentação 139 . etc.. Eu não sei se vocês querem parar cinco minutos para. no caso da reserva de recursos naturais. ele permite essa interpretação. é porque você escreveu uma coisa e falou outra. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Parece tênue essa diferença. que foi na conversa que eu tive com ele e ele disse isso. no caso do monumento natural e do refúgio de vida silvestre. Ele pode querer a desapropriação porque ele quer um dinheiro e quer sair dali. O SR. mas essa discussão não foi feita na RDS. O SR. Tem gente que dá essa interpretação. Ela conta no cálculo da Unidade de Conservação. é evidente que isso tem que ser considerado – mas eu estou dizendo que do ponto de vista jurídico. e que a lei permite esse tipo de interpretação. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . No caso do proprietário insulado. por quê? Porque. ele tem o direito a desapropriação. às regras de um corredor ecológico e não necessariamente precisa desapropriá-lo. da forma como está a redação do § 1º do art. Ele fica restrito às regras dispostas no Plano de Manejo em relação à sua área sem necessariamente desapropriálo. só para esclarecimento. Ela entra com uma desapropriação indireta e vai cobrar do poder público essa desapropriação porque está previsto esse direito. ele tem o direito a desapropriação.. Porque existe o seguinte: se o poder público não desapropria e a Unidade de Conservação cria uma restrição que não é de desejo do proprietário. se é desejável ter um cancro lá no meio da Unidade de Conservação.isso. Essa situação de estar insulada é diferente. o monumento natural e o refúgio de vida silvestre. É um direito dele porque é uma obrigação do Estado. se ele não concordar com essas regras. O SR. para você prosseguir e não para debater: por que você identifica uma diferença entre o que a leite diz para monumento e refúgio do que está sendo dito para RDS? O SR. Olha onde está a vírgula? Parece igual. (ARPA/SBF/MMA) – Eu queria entender porque uma redação leva há uma interpretação e outra leva a outra interpretação. O SR. Ela é a Unidade de Conservação. só uma pergunta. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – A vírgula está aí porque um diz quando necessário e o outro não diz.. E um depoimento interessante que o Maurício vai poder dizer aqui. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – É diferente de monumento natural e refúgio de vida silvestre. No caso da reserva de recursos naturais. se vai ser um câncer lá dentro. RONALDO WEIGAND JR. No debate do SNUC ele lembra claramente dessa discussão em relação a Monumento Natural e refúgio de Vida Silvestre.SDS/AM) – Deixe-me só aproveitar aqui. O SR.. ele vai ter que se adequar a essa regra e não tem o direito a desapropriação porque nós olharmos desapropriação como um ônus ao proprietário. Do ponto de vista jurídico – veja bem. a propriedade privada é a Unidade de Conservação e será desapropriada se o proprietário não quiser cumprir os objetivos ali dispostos. na verdade. mas não necessariamente. Eu acho que aqui vai dar pano para manga para discussão. mas a diferença é a seguinte: você pode obrigar um proprietário privado dentro de uma RDS.

permite essa interpretação de que o proprietário que está lá dentro dos limites da Reserva. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – O que eu estou te dizendo é exatamente isso. porque nos estudos de criação me parece que você já tem que prevê que essa propriedade deverá ser desapropriada.levanta para gente várias interrogações. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Eu acho que pode. A começar pela questão que o SNUC diz na sua redação que a RDS é de domínio público e aí no caso nosso do Governo do Amazonas. então. as exceções que me parece que deveria ser o objetivo da regulamentação. maleável. qual é? Que as populações tradicionais moram. ou seja. da forma como está. Os usos precisam ser analisados em função dos objetivos. mas ela prevê dentro propriedades privadas que não são contabilizáveis ou contabilizadas na Unidade de Conservação. quanto por proprietários de fora. aí todo mundo já disse. um milhão e oitocentos e tantos mil hectares. aqui algumas hipóteses. RENATO SALES – No memorial descritivo das áreas dessas RDSs que estão sendo criadas as propriedades contam como área da tal Unidade. Para nós do Governo do Estado do Amazonas. Vamos seguir? Bom. essa interpretação é possível e a regulamentação pode e deve esclarecer isso. assim como nas zonas de amortecimento e etc. tanto do próprio dispositivo do § 1º do art. O SR. na hipótese de propriedades insuladas que ainda não assinem o TAC os usos podem ser resistidos em função de Corredor Ecológico etc. Se o uso atual prejudicar você e contrariar os seus objetivos ou for indesejável pela população. A Lei. tirar essas áreas particulares de dentro dessa unidade você vai criar um outro problema. voltando dizer. foi o que eu já disse aqui. quando se cria Unidade de Conservação. portanto. Aí é que está. usos por população não tradicional serem permitidos são exceções e como tais deveriam ser tratados como exceções. a propriedade deve ser desapropriada. por exemplo.. A população não deseja aquele uso naquela região. de alguma forma é ilegal? Vai contra a Lei? O SR. esse é o espaço da regulamentação porque eu estou dizendo o seguinte. A Lei prevê interpretações. Então me parece que esse tipo de categoria. essas propriedades não deveriam constar como Unidade de Conservação. Você acha que isso. não evidentemente que tanto pela propriedade privada da população tradicional. na sua maioria. por não ser de domínio público. em cima dessas terras particulares. 20 como em função do conceito de reserva. Isso é em função. está significando também as propriedades particulares que estão lá dentro. nesse sentido dessa redação. quando se cria uma Unidade de Conservação. em ambos os casos pode haver termo de compromisso em relação às regras do plano de manejo. E aí no caso de desapropriação ela tem que constar no período da criação no Decreto que cria. delega tudo para o zoneamento e para o plano de manejo. flexível. Nas hipóteses. regra é uso por população tradicional. não vai resolver o problema das populações tradicionais. Embora ela possa ser submetida às restrições por força de instituição de um Corredor Ecológico. a Lei é confusa. Parece-me que aí surge uma polêmica e nós precisamos ficar mais esclarecidos sobre isso. no interior dos limites da Reserva é uma propriedade privada e se não for não precisa ser desapropriada e ao não ser desapropriada. a população não deseja aquela atividade e tem que ser necessariamente desapropriada nessa hipótese. É como o Ademar está falando. preservação mais qualidade de vida. porque está lá dito que a Reserva é uma Reserva de domínio público. por não ser de domínio público não é contabilizada na RDS. Não que necessariamente esta seja a única aplicação desse dispositivo. O SR. esse é o objetivo central dela. bom. as áreas particulares contam e aí se você for. A reserva foi criada para beneficiar a população. Ela pode prevê esta hipótese. exceção 140 . Pela sua fala agora com o que o Ronaldo perguntava. é evidente. Agricultura e exploração sustentável de recursos florestais. Usos possíveis. Ficou meio em dúvida para mim e eu queria que você esclarecesse melhor esse ponto. não resolve o problema da comunidade.

Você vai ter gente que vai defender com consistência que pode porque não existe uma vedação expressa e você vai ter gente que pode fazer uma interpretação. o Presidente da República é o Chefe do Poder Executivo. população tradicional de fora da área e população não tradicional dentro da área. tenha o consentimento. Em que hipóteses poderia haver usuário do entorno. por exemplo. ele regulamenta e ele pode regulamentar por Decreto outorga de título minerário. por exemplo. uma unidade que supostamente é mais restritiva do que a RESEX porque não seria vedada a mineração? E não foi. se na visão de uns a RDS deveria ser UE. interesses locais aqui leia-se da população beneficiária. a própria Lei do SNUC diz o seguinte: “o subsolo pode ficar de fora do ato de criação da Unidade de Conservação”. o Decreto Estadual. A Lei diz que o subsolo e o espaço aéreo podem ser regidos por regimes diferenciados. com previsão expressa de mineração. Agricultura e exploração sustentável desde que de acordo com a legislação ambiental aplicável. quando a mineração. Agora. mas a regulamentação vai poder fazer. Quer dizer. para quem investiu na pesquisa e etc. embora expressamente não esteja vedado e aí você vai ter o eu costumo dizer. quer dizer. se comprometiam a aportar recursos para isso. como? Aí entra mais um ponto fundamental para regulamentação. desde que haja o benefício. Aí é para complicar um pouco mais. quaisquer outras atividades também devem ser de interesse das populações locais. se no ato de criação da Unidade de Conservação estiver explícito que o subsolo não integra a Unidade de Conservação aí a discussão fica mais complicada porque isso está expresso na Lei. O que vai resultar disso do ponto de vista da indenização a quem tem um título minerário é uma outra questão. mas que é possível é possível. Agora. embora a regulamentação possa fazê-lo. o Decreto assinado pelo Presidente da República pode vedar a concessão de mineração dentro de RDS. nós podemos construir uma interpretação de que em função dos objetivos da Unidade de Conservação. Portanto. O Decreto que regulamentava a flona previa expressamente essa atividade. isso é uma outra questão. Isso significa que a mineração é permitida? Bom. Embora tenham tentado resolver isso na regulamentação. E aqui é uma interpretação interessante. Essa é a questão. se a visitação pública somente permitida se compatível com os interesses locais. você põe dois advogados na mesa e você tem no mínimo três opiniões. haja o interesse da população nisso a RDS não veda o uso em atividades econômicas por populações não tradicionais. exatamente no contexto de negociação com empresas que detinham concessão do DNPM e. Se na RESEX é vedada expressamente porque na RDS não? E aí entra aquela primeira questão que foi colocada. evidentemente. é interesse da população tradicional? É uma atividade de interesse da população tradicional? E assim sucessivamente. Porque ela pode expressamente vedar? Apesar de que isso vai criar um caos dentro do Governo que a gente sabe disso e dentro daqueles que pretendem ampliar a sua rede de Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Então essa é uma hipótese complexa. tem um detalhe aí. ele pode dizer que em algumas circunstancias não será admitida outorga e a concessão de títulos minerários. inclusive. eu acho que a regulamentação tem que tratar objetivamente de mineração. talvez já não possa. reserva legal nesse caso do Código Florestal se aplica na hipótese de uso para agricultura. uma coisa que é evidente é o plano de manejo também pode vedar a atividade. porque isso? Por quê? Eu estou falando aqui o Decreto Federal. quer dizer. O Decreto Federal pode vedar porque o minério é um bem da União. A grande polêmica hoje e não só em torno da RDS. porque isso? Por que o jogo no Congresso é um e o jogo no Executivo é outro. O Jogo no congresso é o 141 . um elemento interessante para discussão e análise disso é que várias flonas foram criadas antes do SNUC. se o Conselho Gestor ou o plano de manejo disserem que não tem jogo para mineração é possível vedar e o que vai gerar em relação à indenização para quem tem o título. A Lei não faz. Como a Lei não veda e embora para a reserva esteja vedado é fundamental que a regulamentação trate e a regulamentação pode expressamente vedar. mas em torno de Unidade de Conservação é a questão da mineração.não tradicional. mas a pergunta é: somente por populações locais? Essa que a pergunta que a gente tem que tratar na regulamentação. mas plausível em função do que está na Lei.

iniciar um processo de mineração dentro dessas Unidades de Conservação .seguinte. na verdade. E. é uma discussão que tem ser feita nos estudos preliminares para criação de Reserva. incluiu um outro artigo. que o Decreto pode realmente vedar e se vedar vai ser uma coisa genérica para todas. no caso das Reservas de Desenvolvimento Sustentável não está previsto. que foi um exemplo que você citou e esses pareceres que estão aqui foram nossos. é fundamental isso. e aí eu discordo de você. tem uma série de comunidades indígenas que têm interesse em fazer garimpo. que no plano de manejo nas análises para definição de zoneamento e etc. realmente não foi só nas RDSs que houve essa omissão. Então está aí mais um pepino para regulamentação. por exemplo. não vão realmente ser interrompidas. portanto. para o plano de manejo não. Claro que têm metodologias hoje que o cara vai lá e fura um buraco. Como é que tem sido feito? Aquelas Florestas Nacionais que têm previsão expressa no Decreto de criação da continuação. as novas Florestas Nacionais que não têm nenhuma mineração dentro. Isso não significa que ela é permitida em hipótese alguma. em tese. mas o Decreto tenta corrigir essa abertura dizendo que “sempre que influir no ecossistema o subsolo deve ser compreendido nos limites da UC”. mas isso também é uma lacuna na Lei e evidentemente que era melhor até não tratar isso com profundidade na Lei. isso aqui é uma outra análise mais técnica também. talvez o IBAMA tenha tido um poder maior da definição disso lá e tal. Não pode deixar. a legislar não. 142 . que é o Ministério de Minas e Energia e o IBAMA que nós estamos estabelecendo como resolver esses conflitos. que é o 23. é possível mineração no interesse das populações tradicionais? Essa discussão. por outro lado. porque o Parque Nacional e as Reservas de Proteção Integral também não tem nenhuma previsão de exclusão e. quer dizer. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Sobre a mineração em Unidade de Conservação. art. vamos dizer assim. estão autorizados a legislar. É porque essa matéria ficou realmente para regulamentação. Agora. O garimpo estaria aí dentro do conceito mais genérico de mineração e aí neste caso o garimpo é de interesse da população local e é possível se discutir essa hipótese. A Srª. o Chefe do Poder Executivo Federal pode vedar a outorga. interesse público quase que prevalente. tem um lobby forte para mineração. arranca o subsolo de lá e como é que faz. Isso é matéria regulamentar e eu acho que o Decreto é fundamental para isso. mesmo porque são coisas que são de interesse nacional. porque não vai valer dizer que o subsolo está fora se não houver o mínimo de análise disso e. mas eu concordo com você. tanto da concessão de pesquisa e de lavra elas vão ter continuidade. Então tentaram lá acochambrar e viabilizar a possibilidade de mineração. Só para concluir. no entanto. André. Uma pergunta eu que fiz aqui. mas o Decreto sim. não é uma discussão jurídica. se sabe que não pode fazer. mas é uma discussão técnica. Enquanto não há uma regulamentação do SNUC no plano Federal os Órgãos Estaduais. a idéia é que elas realmente não vão poder ter mineração. inclusive. porque como eu já disse minério e bem federal. quando é que o subsolo não influi no ecossistema. a regulamentar abrangentemente em relação à lei do SNUC. Na regulamentação. Se a Resolução do Conselho ou Portaria. no plano dos povos indígenas tem sido feita. não querem vedar a mineração. o Decreto é um instrumento jurídico mais hierarquicamente superior. Aqui eu concluo e abro para discussão. ele pode também vedar. tanto que nós temos agora um grupo de trabalho mineração e meio ambiente. o que não for regulamentado pela legislação federal poderá ser feito pelas legislações estaduais. por exemplo. Agora. põe os pilares ali e aparentemente nada acontece. uma coisa que é importante. No caso das Florestas Nacionais. 24 do SNUC fala da inserção ou não do subsolo. O plano de manejo não vai ter essa competência de decidir se pode ou não fazer mineração. se uma Resolução do Conselho Gestor mais uma Portaria do Órgão Administrador pode vedar uma mineração por uma análise jurídica. evidentemente.

mas aí me preocupa um pouco. quando você coloca a questão da RDS ter como objetivo primeiro à população tradicional. não só em relação à RDS. PAULO OLIVEIRA JÚNIOR (IBAMA/CNPT) – Exatamente. eu não tive tempo para colocar nenhuma exposição na realidade.O SR. Primeiro ponto. Concordo plenamente. como você colocou. PAULO OLIVEIRA JÚNIOR (IBAMA/CNPT) – Eu só queria deixar uns três pontos registrados porque. por exemplo. e tal. em relação à questão da consulta pública. eu também não colocaria com tanta afirmação isso porque também há interpretações dúbias. e ao mesmo tempo assegurar as condições e meios necessários para reprodução. Maurício está como ultimo inscrito antes da proposta de regulamentação que a gente apresenta. trazer o Coffee Brake para cá para dentro para gente não parar porque eu acho que o debate está bastante interessante. Só para informar. Então esse é um outro elemento também. O SR. Estamos falando em Conselho Gestor. bem como você mesmo colocou. Segundo destacar a importância dessa discussão. com um certo equilíbrio com relação a essa questão da preservação e assegurar os meios de reprodução e etc. Então sugiro que nos documentos ao invés de colocar Conselho Gestor coloque Conselho Deliberativo. O SR. Ao mesmo tempo não quer dizer no mesmo espaço. como você foi tão afirmativo na questão da consulta pública e no ponto de vista nosso. nós temos a opção de outras formas de oitiva. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Dr. só aproveitar. eu vou em seguida. não está definido. quer dizer. eu gostaria de deixar registrado que seria importante nos documentos deixar bem claro que o Conselho é Conselho Deliberativo. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Passar para o Paulo antes de a gente passar para a apresentação sobre a regulamentação. como você mesmo colocou na sua exposição. que eu também gostaria de deixar claro também. O SR. Então é uma questão que ainda não está bem definida na história. E já que eu estou com a palavra. André. Eu acho que regulamentação de categoria de UC é uma das tarefas urgentes que a gente tem aí para fazer. depois do inicio da apresentação da Lucila. Então eu não colocaria também com tanta ênfase. a gente está encaminhando para a Presidência da República a proposta de regulamentação das RPPNs que foram mais de anos sendo discutidas dentro do IBAMA. Então eu também trabalharia com um pouco de cautela com relação à questão tão afirmativa. E por fim. mas como você colocou também com ênfase. mas em relação há várias outras categorias. mas na Reserva Biológica e Estação Ecológica o pessoal estava também numa 143 . O segundo ponto e que nós estamos no meio de um forte debate sobre a questão de consulta pública. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Aparece um detalhe. Não está definido. por exemplo. no caso de RPPN. O SR. rapidamente. explícito que a própria Lei coloca que pode reuniões públicas ou outras formas de oitiva. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Sem querer tomar muito tempo. que outras formas de oitiva são essas? Não necessariamente seja uma consulta pública. Aí você pega a Reserva e ela tem como objetivo básico preservar a natureza. do CNPT. Seriam somente esses três pontos iniciais porque gostaria de você de dar os parabéns a sua exposição porque ela levanta os pontos que no nosso ponto de vista são centrais. eu concordo plenamente contigo. O Dr. infelizmente. quer dizer. Maurício. Não sei se a Sônia Wiedmann tem informação. O SR. Primeiro lamentar não ter podido estar aqui desde o início. eu não vou poder estar aqui para esse debate e que você André colocou de forma apropriada os elementos. isso não está resolvido. eu trabalharia também de uma forma preventiva. mas o Conselho de uma RDS é deliberativo. que isso ao é um ponto crucial no meu ponto de vista e é central no debate. então para deixar claro.

pelo menos o modelo que estava na cabeça das pessoas que sentaram para redigir a Lei do SNUC era a Estação Ecológica da Mamirauá. a gente colocou muito claramente aquilo que traduzia esse entendimento. O SR. Então. enfim. Conversei bastante com o André sobre essa questão e eu sei que o que está escrito hoje é o que vale. Acho até que a gente podia reproduzir esse modelo aqui para outras categorias. na verdade. esse era o foco. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Quer dizer. a história passada que gerou essa redação acaba ficando para traz. A gente tem categorias que foram construídas para ecossistemas terrestres e estão sendo aplicadas em ecossistemas marinhos e aí gerando uma série de dificuldades porque a realidade em alguns casos é completamente diferente. a idéia da RDS era um “Parque Nacional com gente dentro”. Então o modelo disponível para lidar com essa situação era. Agora eu. Não existia nenhuma RDS. da definição e objetivo da RDS: os objetivos da RDS são conservar a natureza. O SR. a essa interpretação original de que não faz nem sentido discutir mineração em RDS.. assim como não tinha porque discutir mineração em Parque Nacional. reconhecendo que a história agora é outra e eu acho que temos que partir daquilo que está escrito e ver qual é a melhor solução. A mineração não era uma questão em Mamirauá.. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Eu usei essa frase só que não pus as aspas. quer dizer. usando essa experiência aqui e contando com a colaboração dos parceiros que estão nesse processo. avançou bastante e depois parou e não sei exatamente onde está lá dentro do IBAMA. era uma área cujo objetivo principal era a preservação. envolvendo todas as pessoas que estavam trabalhando com Reserva Extrativista. Então o foco primeiro era a preservação e criando um espaço para você resolver acomodar a questão das populações tradicionais. então vamos proibir mineração na Reserva Extrativista. enfim. por um lado um Parque Nacional que não resolvia porque obrigava a exclusão da população.discussão avançada sobre isso e eu não sei. porque foi discutida na Reserva Extrativista? Porque você já tinha a Reserva Extrativista criada no País. aqui. a não ser Mamirauá. regulamentação de categoria de UC é uma tarefa urgente que temos que enfrentar e acho que. A Srª. Então. Então. mas que tinha a população tradicional dentro. O SR. O outro modelo era a Reserva Extrativista. uma iniciativa como essa aqui é extremamente importante. eu acho que essa proposta que foi feita para o Estado do Amazonas. é que não era conveniente ter mineração em Reserva Extrativista. mas também não resolvia porque o foco era muito na população. o modelo. Para simplificar e sendo um pouco simplista demais. por exemplo. a gente tem recebido uma série de demandas com relação a várias outras categorias.. no extrativismo. portanto. é uma demanda muito forte. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – De FLONAS. daquilo que eu me lembro da história de construção dessa proposta e dizer o seguinte. mas porque não foi discutida? Na verdade. com relação questão marinha. essa discussão foi levantada e a solução dada dentro do Congresso Nacional não. mas de qualquer forma eu só queria dar o testemunho aqui da história de construção. Então eu continuo preso. Em relação à RDS eu só queria. não sei. em minha opinião. não é esse o foco. A categoria RDS. mais próxima do Parque do que da Reserva Extrativista. Em RDS essa questão nem foi levantada. você já tinha essa questão posta se poderia ou se não fazer mineração em reserva extrativista. “Na RDS só é admissível manejo da flora e da fauna com finalidade conservacionista 144 . Mas. E só para concluir. RDS pretendia ser uma categoria intermediária entre essas duas e na verdade. O modelo era voltado mais para o foco na preservação. que a Sônia Wiedmann redigiu aqui e eu tive a oportunidade de ajudar a Sônia a escrever.. questão de mineração nem foi discutida durante a elaboração da Lei. a questão é inversa. Então. então não tinha porque discutir mineração em RDS. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – De FLONAS. digamos assim.

ou seja. na vida das populações tradicionais. de estudo bibliográfico e etc. da forma que está levando a criação das Unidades de Conservação nessa categoria vai ter um problema muito grande futuramente. mas precisamos trilhar melhor essas interpretações para que a gente não se complique mais na frente porque o Governo do Estado do Amazonas. quer dizer. RENATO SALES – Então. leva a discussão de RDS para uma RESEX por conta da questão fundiária. mas a idéia era realmente traduzir aquilo que eu disse aqui em relação à finalidade da RDS. O SR. mas na verdade você tem que analisar a questão da legalização. MARETTI (WWF-Brasil ) – Ainda do ponto de vista operacional. tipo essa questão do modo de como são interpretadas essas questões das RDSs.CLÁUDIO C. se o “cara” está com título legalizado. O SR. E à tarde a gente está propondo discutir nos grupos exatamente tema por tema para poder daí ter as contribuições desse grupo para o processo que segue posteriormente. o Estado Amazonas consegue entender. Nós dividimos em dois blocos: um. Cujubim. Tudo bem que aí mineração é um recurso natural e não está muito claro aqui. E acho que assim como o Maurício estava falando. Vamos dar continuidade na apresentação e depois abriremos para discussões. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Acho que para nós a RDS é Reserva Extrativista diferenciada e não leva para questão a área de proteção integral. Eu acho que o aspecto de avaliação que se tem. Então tem uma série de coisas que precisam ser vistos para criação de uma UC dessa categoria. obrigado. uma RESEX ou uma APA ou então outro tipo de Unidades de Conservação . pode ser que vocês queiram considerar nesse foro aqui discutir isso.. O SR. agora a gente vai focar exatamente nos temas mais polêmicos e depois dessa apresentação a gente volta ao debate público. que todas elas têm áreas particulares dentro e que os proprietários interferem. das entrevistas que nós realizamos. a proposta feita pela Sônia para o Governo do Amazonas porque 145 . mas você tem que olhar. Eu acho que essa coisa deveria também fazer parte de nossa interpretação e acho que o André coloca isso claramente. são situações que conjugadas elas permitem que a Unidade de Conservação a ser criada seja uma RDS e não. Nós não consideramos nessa nossa proposta. Condicionantes para Criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável. (?).e uso sustentável dos recursos naturais pelas populações tradicionais”. mas eu acho que ela é uma questão tão forte e que leva a ter outros momentos mais adequados para fazer isso. Era isso. eu estou falando todas as Unidades de Conservação do Estado do Amazonas. se for olhar por esse lado. o que até o Mercadante fez uma menção. Então se nós estamos interpretando de que a RDS é uma unidade de produção integral diferenciada. por exemplo. eu acho que é legal. Precisa ser muito claro porque no Estado do Amazonas está cheio de áreas particulares. por exemplo. a começar pelas questões de áreas particulares. E o segundo bloco nós temos Diretrizes para Implantação e Gestão da Unidade e Conservação. um pouco aliviada então não tem sido esse o nosso entendimento. E acho que isso aqui me deixa como lição a forma que tem sido a condução do processo de estudos para criação de uma RDS. Há coisas que se diz de domínio público e aí você tem áreas particulares lá dentro. se foi uma posse. Nem acho. Porque tem outras coisas anteriores a mineração que precisam ser discutidas. se é um título frio. O SR. me parece. Mamirauá é um exemplo claro.SDS/AM) – Eu queria dar uma contribuição. me parece que ela precisa de um pouco mais cuidado do que até mesmo a RESEX. a gente vai seguir com as recomendações e essas recomendações surgem a partir da análise desse trabalho que nós fizemos em campo.. eu acho que é legal pensar que mineração é uma questão. Uacari. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil ) – Ok. por exemplo.

por exemplo. que foi até mencionada agora. em RDS. Eram populações em determinadas área que necessitava de proteção e. A gente tentou ser o mais auto-regulável possível nessa Lei. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só a título de esclarecimento. que eu acho que embora algumas pessoas concordem. Ela é uma proposta de Lei Estadual de RDS. mas estamos falando do ato de criação da RDS. Nesse documento que vocês todos receberam existe um enunciado da recomendação. apoio de institutos de pesquisa. Nós estamos falando de formas de manejo pouco impactantes dos recursos. Nós estamos considerando que uma RDS deve abrigar populações. Em várias entrevistas que nós fizemos. não é matéria de Decreto. como o SNUC fala. vamos começar com essas condicionantes. por exemplo. mas que sejam populações que conheçam praticamente o ecossistema e que tirem o seu sustento da exploração. podem ser úteis se houver concordância de uma população que está numa área que vai ser transformada numa unidade de proteção integral e se concordarem em ser removidas para uma outra área que pode se transformar. Alguns comentários rápidos. de financiamentos. existem casos que. vários dos especialistas e várias das autoridades e técnicos que nós entrevistamos admitiram a possibilidade. Dificilmente nós vamos encontrar. continua abrigando. tanto pelo Mercadante como pelo André. É uma questão bastante polêmica. Ela ainda não é uma regulamentação. O que está tratado nesse projeto é matéria de Lei. Primeiro. como dá para perceber nós compramos o conceito utilizado pelo Paulo Oliveira e pelo pessoal do CNPT. mas 146 . nós achamos que para ser fiel ao SNUC e para ser fiel também a essas práticas sustentáveis que devem ser desenvolvidas numa RDS. etc. Ocorrência de populações nos locais. sem que haja apoio de técnicos. E pensando em Mamirauá e pensando naquela proposta da Reserva Ecológica Cultural.nos chegou só ontem esse documento e seria ótimo ter consultado antes também. Não vamos falar quantas gerações. eu e a Lucila. Houve essa discussão no histórico do SNUC. atividades que sejam sustentáveis mesmo desenvolvidas por grupos locais. portanto. Essa proposta que foi feita para o Estado do Amazonas que eu e o Maurício fizemos. mas eu acho que uma condição básica é abrigar populações. mesmo porque a única Unidade dessas de uso sustentável onde existe essa condição “abrigar populações” é RDS. uma das condições de RDS é que tem que ter gente morando dentro porque senão você transforma em outro tipo de Unidade ou mesmo RESEX e etc. formas de manejo sustentável. Outro comentário que pode ser feito com relação a esse enunciado: nós não estamos usando. quando nós estávamos redigindo. no caso da condicionante e logo em seguida tem um comentário onde a gente leva em consideração as fontes e as análises que nós fizemos para chegar a esse condicionante. Nesse enunciado.. em ambos os casos a situação era essa.. nós estamos também falando que essas populações têm que deter um conhecimento prático bastante significativo dos ecossistemas locais. mas uma das condições que eu acho que tem que ser levada em consideração no ato de criação é se abriga populações. Então a primeira seria a seguinte. o Maurício teve é uma participação fundamental nisso aí. RESEX fala que as áreas têm que ser utilizadas. que detenham conhecimento prático sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem formas poucos impactantes de utilização ou exploração dos recursos natural. A Srª. mas eu acho que há como compatibilizar. Como o André colocou. O SR. tudo bem. condicionante para criar uma RDS: ocorrência de populações nos locais residentes na área alvo de proteção que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio cultural. de um grupo de sitiantes do Paraná se mudar para o Amazonas e lá ser feita uma Unidade de Conservação numa RDS para abrigar esse grupo. por exemplo. porque ela vai abrigar. não especificando se a população tem que ser residente ou não. RENATO SALES – Então. as comunidades têm que conhecer muito bem o ecossistema ou os ecossistemas e ter práticas de exploração de manejo já consolidadas há algumas gerações.

detendo o conhecimento sobre o ecossistema. econômica. Então. mas tem que ter um grau de organização entre os moradores e isso tem que ser avaliado no ato de criação. aqüicultura em algumas regiões costeiras. É só para fugir um pouco desse termo polêmico. E a Lucila já até comentou isso. A Lucila também entrou nessa questão. administrativa.SDS/AM) – Mas não fica muito aberto? O SR. vocês reparam que não aparecem populações tradicionais.. Por último. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . é uma série de questões que não necessariamente faz com que a atividade seja sustentável. não precisa ser uma cooperativa ou uma associação. mas a questão gerencial.conceitualmente. E nós quisemos fugir um pouco dessa questão deixando então como adjetivo para essa população ou então como atributos residir na área demarcada. você vai cair em algum tipo de conceitual de população tradicional também. recuperação. 23. mas é pouco impactante e tem o potencial para se transformar em sustentável sim após a criação da Unidade de Conservação no caso aqui da RDS. técnicas. tem que ser na Amazônia. RDS seria reservada para áreas onde as populações não são organizadas. mesmo porque no art. Nós achamos que tanto para uma quanto para outra tem que haver um grau mínimo de organização e pode ser informal. eu acho que você não deixa muito aberto não. é para tentar fugir um pouco dessa questão inclusive ideológica que está permeando já há alguns anos essa questão de conceituação de população tradicional. Então. Então. § 1º do SNUC. ter o conhecimento prático sobre os ecossistemas locais e utilizar técnicas e práticas de exploração de meios poucos impactantes. desses movimentos em determinadas regiões ou então até o fato da área alvo de proteção não ser na Amazônia. É claro que pode existir. As reservas extrativistas são muito identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia e a falta de maior participação desses grupos. Então. E o interessante com relação a essa questão é entender que inversamente algumas RESEX estão sendo. leva as pessoas a criarem uma RDS achando que reserva extrativista tem que estar vinculada. enfim. Nós não concordamos. A terceira condicionante seria um grau mínimo de organização sócio-produtiva mesmo que formal das comunidades moradores. pecuária extensiva em fundos pastos no Nordeste. isso é uma coisa pensada. Isso é só para tentar fazer uma distinção mais clara entre RDS e RESEX. ainda comentando esse enunciado. defesa e manutenção 147 . determina que “as populações das RDS assim como das RESEX se obrigam a participar da preservação. depender estreitamente da exploração de recursos naturais para a sua reprodução sócio-cultural. esse enunciado é só para tentar deixar um pouco claro que para a reserva extrativista sim predomina o extrativismo e para a RDS outras atividades como. Tem sido optado pela criação de RDS em casos onde não haja nenhum tipo de organização da comunidade porque as pessoas acham que organização implica a criação de RESEX e não de RDS. Então. ao Conselho Nacional de Seringueiros. No fundo. mas nós não queremos ser tão rígidos porque dificilmente você vai encontrar essas atividades desenvolvidas de forma totalmente sustentável. desenvolvendo atividades adaptáveis a esse ecossistema e praticando formas de exploração pouco impactantes no meio. Algumas áreas estão virando RDS em vez de RESEX. eu acho que sustentável não leva em consideração só a questão ambiental. a qual permita a sua efetiva participação nas práticas de gestão nessa categoria de manejo de Unidades de Conservação . por exemplo. A segunda condicionante ocorrência entre as populações residentes na área alvo de proteção de atividades econômicas não predominantemente extrativistas dos recursos naturais.. SALES – Eu acho que a população morando lá. existe uma série de outras atividades que podem ser contempladas por uma RDS. política. faxinais. nós tentando fugir um pouco dessa pré-existência de formas sustentáveis. O SR. RENATO R. Populações tradicionais envolvem uma série de questões ideológicas. embora tenham todas as características para se transformar numa RESEX até por questões políticas. por exemplo.

não é só esse 148 . de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental. Se você não tiver um mínimo de organização. você tem que ter área com importância ecológica. 6 – “Realização de consultas públicas para a criação de RDS específicas para os usuários residentes no interior ou entorno imediato da área a ser protegida. E a RDS não deve servir só para isso. mesmo que seja desejável nas outras unidades. de consulta mesmo à população envolvida.e não só para RDS. Existem hoje algumas demandas para a criação de RDS que partem de ameaças a grupos sociais em áreas fortemente antropizadas. para se mobilizar. uma consulta envolve estudos.isso até dá uma certa confusão . estabelecimento de vias de comunicação e de negociação. etc.da Unidade de Conservação”. com forte atuação de atividades econômicas. E uma das razões para isso é essa falta desse processo de consulta pública que nós estamos propondo. que o CNPT ainda está discutindo qual é a forma de se desenvolver esse tipo de contato. isso faz parte do processo.ela é geralmente confundida com audiência pública. O Paulo tinha feito um comentário agora há pouco e isso tem a ver com esse comentário sim. eles devem ser permeados por ações de apoio e aprimoramento das formas de organização local observando e respeitando as suas especificidades. mas também da série de responsabilidades que eles têm. que acaba aceitando a criação de uma unidade de uso sustentável em sua área de residência ou de uso econômico e só depois quando começa a ser discutido o plano de manejo. você não consegue atender à lei. Isso é audiência. Então. um dos seus principais objetivos é a conservação da biodiversidade. E o que nós entendemos é que consulta pública . no nosso entendimento. para RESEX também . ao futuro órgão gestor. Então. Então. quer dizer. Para ambos os casos. no nosso entendimento. tentativas de diminuir conflitos e concorrências. Então. quando começa a ser discutida a implantação efetiva da reserva é que eles vão perceber onde eles se meteram. a única que está explicitamente obrigada é a RDS. você vai estar cometendo uma infração à legislação se não tiver essa mobilização. Então. e tal. Só repetindo: a RDS é a única unidade que no SNUC consta essa obrigatoriedade de ter uma zona de proteção integral. 4 – “Ocorrência de áreas representativas”. que eles vão começar a se dar conta da série de direitos que eles têm. você não pode levar em consideração áreas extremamente antropizadas e só criar RDS porque existe uma demanda de um grupo social que está ameaçada. você não consegue isso. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior de uma RDS a serem previstas na elaboração do seu plano de manejo. mesmo que na prática isso se dê em alguns casos. E isso é muito comum. Então. é uma unidade do SNUC e. o que nós consideramos é que tanto para RESEX quanto para RDS os procedimentos para a sua criação e implantação. portanto. Então. assim também como a realização de consultas públicas mais amplas envolvendo todos os segmentos interessados. eu acho que cabe sim ao órgão gestor. Deve haver outros meios para se resolver essas questões. não se significativamente impactados para as atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidades de recuperação de partes de áreas que se apresentem degradadas. o apoio para que essas comunidades tenham oportunidades para se organizar. notadamente os órgãos públicos responsáveis por estruturas e serviços sociais”. ela tem esse caráter ambiental. com uma tentativa de conseguir a permanência dessas comunidades ameaçadas sugerese a criação de RDS. área com importância para a biodiversidade. 5 – “Existência de área com importância ecológica e como ocorrência de biodiversidade significativa para a preservação com possibilidades de sua demarcação como zona de proteção integração”. Também é outra condicionante. Então. Distintamente do que está disposto pelas demais seis catarias de Unidades de Conservação sustentável. envolve formas de negociação. e muito delas predatórias. as pessoas acham que é uma ou duas reuniões locais que caracterizam a consulta pública. as consultas devem se constituir em processos. e principalmente deixar muito claro para a população alvo quais são as causas e conseqüências da criação daquela Unidade de Conservação porque tem sido . na verdade.tem acontecido de comunidades de que de engajam na idéia. etc. Isso tem um pouco a ver com o que o Paulo tinha levantado agora há pouco.

com a continuidade das atividades de forma sustentável. a audiência pública. já a consulta publica. Um dos motivos para nós termos colocado essa condicionante é o caso. a conservar. constando solicitação para a criação da unidade. Criar uma RDS nesse caso é chegar a uma ineficácia. ou seja. quer dizer. ela pode ser chegar a impedir o empreendimento. seria interessante haver já um comprometimento no ato de criação das reservas. a preservar. o contrário. que fique bastante claro as causas e conseqüências e que elas assumam formalmente esse compromisso. de sair para outras áreas. Ademar. etc. como o próprio nome indica. SALES – 7 – Essa é outra questão polêmica entre os entrevistados para a esse trabalho. mas ela não vai influenciar na criação. elas têm plena consciência sobre o empreendimento que elas entrando. que essas pessoas se comprometem.. que seria o encaminhamento de abaixo-assinado com a adesão de pelo menos a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. para administração das áreas dependendo das zonas. é fundamental que essas populações que moram na área que vai virar Unidade de Conservação. do jeito que está disposto no SNUC. Como que essas famílias. ela tem uma aspecto consecutivo. eu acho que é extremamente importante que nesse processo. Existe muito ainda essa polêmica se uma RDS deve ser criada prioritariamente para conservação de uma determinada parcela de um ecossistema ou então de várias parcelas de vários ecossistemas ou se ela atender aos interesses de uma população. enfim. E as poucas pessoas que ficaram não tinham o menor compromisso com a conservação do meio. onde é algum empreendimento que vai causar o impacto ambiental. Se não houver esse compromisso. O SR. por exemplo. 8 – “Delimitação da área no processo de consulta pública. a primeira. vão se obrigar a fiscalizar e a proteger essa área toda? Então.ou na zona de uso sustentável. mas esse é um instrumento importante também para que as pessoas envolvidas. são iniciativas de proteção. Em Cujubim são 69 famílias para uma área de quase 2 milhões de hectares. já a consulta. etc. Então. mesmo porque eu volto ao SNUC lembrando que o SNUC fala que essas populações se obrigam a defender. e tal. por exemplo. redigindo um baixo assinado solicitando a criação de uma Unidade de Conservação. A SRª. mais adiante. ela pode re delimitar a área. as comunidades não tirem sustento por meio da exploração dos recursos naturais 149 . nos processos de licenciamento ambiental. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu posso falar uma coisa sobre isso? Eu acho importante nós distinguirmos o tempo todo a consulta pública da audiência pública porque a audiência pública. quando nós falamos da implantação e gestão. e tal. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. as pessoas detinham vontades de migrar. Independente de um caso ou de outro de outro. ela usada muito aqui no caso de criação de unidades. sobretudo. inclusive de consulta pública. assim como para a viabilização e definitiva participação dos usuários na administração. de propostas de criação de RDS numa área que além de não haver muita organização. Eu conheço casos.processo. como diz o SNUC – uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sócio-cultural e melhoria da qualidade de vida. ela não vai interferir no processo de criação. a proteger a Unidade de Conservação. mas em todo caso é fundamental que a reserva não seja muito pequena que não dê para que seus moradores. que elas vão estar envolvidas com a implantação da unidade. as comunidades envolvidas tenham plena consciência do que elas estão assumindo na hora em que elas. monitoramento e fiscalização ou defesa da Unidade de Conservação”. elas vão se comprometer. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. de Cujubim. considerando na zona de uso antrópico . Então. Então. RENATO R. mas no próprio processo de implantação e de discussão de negociação com as comunidades que vão residir em terras do entorno da Unidade de Conservação. nós vamos fazer propostas também sobre responsabilidades para fiscalização..

deixa eu fazer só uma pergunta: em qual desses pontos que foram apresentados que você identifica uma situação que inviabiliza esse seu conceito ou o conceito utilizado de parque com gente dentro? O SR. é uma coisa complicada. quando você vai segundo nos pontos é claro que você começa a ter uma série de colocações para cada um desses pontos. você pode concordar mais ou menos com esses pontos. 150 . eu compartilho com o Maurício a visão de que RDS é um parque com gente dentro e não uma RESEX e nem nada mais leve do que uma RESEX em termos de controle. eu acho que fazer uma discussão do que é estratégico para depois nós considerarmos os detalhes de uma proposta de regulamentação. E essa escolha precisa ser feita senão nós vamos começar a discutir casos específicos ou refletir sobre casos específicos sem pensar no caso mais geral. Quando você vai com uma outra visão. mas ao mesmo tempo tem a responsabilidade de conservação. (ARPA/SBF/MMA) – Eu acho que nós devemos compartilhar qual é o nosso modelo: qual é o modelo que é estratégico para conservação. RENATO R.dessa área. organização. e 95% (noventa e cinco por cento) estão muito bem preservados. quando você vai ponto a ponto. que é o caso de RESEX em que a comunidade tem o suporte estatal do território. ela tenta dirimir um pouco esse problema.. Então. que é um caminho ainda mais leve? Então. RENATO R. O SR. você pega desde as áreas comunitárias que não têm nenhum suporte estatal. que não é o nosso caso. Eu fiz uma revisão para casos de pesca. na verdade. você já está colocando um caminho que começa a inviabilizar alguns dos interesses estratégicos que eu acho que nós temos com a categoria. que seria o caso de baixíssima mobilização. Quando você coloca também a necessidade da mobilização desse compromisso. quando eu estava trabalhando com reserva extrativista marinha. Eu gostaria de fazer umas colocações sobre os pontos que foram colocados inicialmente. a proposta de mobilização. RONALDO WEIGAND JR. Então. Se você pensar nos casos de propostas de manejo coletivo ou comunitário de recursos naturais que você encontra ao redor do mundo. mas se você for ler o SNUC hoje. Iratapuru também é parecida. você vai cobrar dessas pessoas que hoje são usuárias a responsabilidade pela fiscalização de Iratapuru. ele pode ser muito grande para que essas populações não consigam administrar.. e eu já tenho como.. E eu tenho a impressão que tem muito chão pela frente ainda para nós caminharmos em relação a essa proposta e nós vamos ter que chegar só no final para depois tentarmos dizer: “Não é esse o modelo que nós temos em mente” ou: “Esse modelo não é estratégico para conservação”. E o caso intermediário. O SR. Por exemplo.. O SR. embora esteja com baixíssimo grau de organização. até áreas em que todo o suporte de controle. concessão de licenças é feito pego Estado em consulta com a comunidade. 5% (cinco por cento) da aérea são utilizados para exploração de castanhas e outros produtos florestais. (ARPA/SBF/MMA) – Eu estou com um pouco de dificuldade de progredir a acompanhando os pontos porque a discussão de RDS tem que ser feita em relação à escolha que se faz mais geral a respeito da categoria. SALES – Ronaldo. é um modelo que preenche essa lacuna no SNUC de um parque com gente dentro ou um modelo próximo ao de RESEX com algumas outras considerações que parece que é o caminho da proposta de regulamentação de vocês ou é um modelo ainda mais próximo de uma ARPA. Então. SALES – Qual é a sua proposta? O SR. RONALDO WEIGAND JR. E essa condicionante. você também está excluindo do nosso horizonte de atuação a possibilidade de conservar áreas de interesse para a biodiversidade em que a população tem o direito de estar lá dentro. RONALDO WEIGAND JR. (ARPA/SBF/MMA) – Por exemplo.

Então. O SR.. que as organizações tenham oportunidades de se organizar. O SR. E aqui entra uma questão também de uma discussão do que foi historicamente aquela contraposição entre Mamirauá e a proposta da Reserva Ecológica Cultural. etc.). O SR.. em qualquer situação. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A proposta é prosseguir. O SR. mas eu não vejo nenhum problema em se desejar ou se querer que haja uma organização da população. vamos em frente... mas porque ela não tem condições objetivas de se organizar. é um custo altíssimo que a população não tem como. nós estamos entrando nessa questão. por exemplo.. SALES – Então. se nós formos parar em cada uma delas. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Com relação a essa questão de ser prioridade para poder definir uma área. porque vai atender algumas ansiedades... SALES – Mais adiante. E vamos ter um espaço à tarde justamente para dar foco nesses aspectos que estão agora já polêmicos. ela não é organizada não por que ela não queira. mas depois nós passaríamos para implantação e gestão. Ronaldo. Só falando rapidamente. nós vamos extrapolar em muito o tempo. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Questão de ordem. SALES – Eu acho que são duas questões que devem ser colocadas mesmo: uma dela é a seguinte: é desejável sim.. seria: “Levantamento das 151 . Mas eu acho que os comunitários para cada uma dessas condicionantes constam aqui também.. o que nós achamos que deve ser feito para se fazer uma avaliação dessas condicionantes. RENATO R. sugerindo a definição de quem toma conta do que. Como é que eles vão fazer isso sem. conhecer o ecossistema. E quando eu falo em comunidades organizadas. O SR. desenvolver atividades não impactantes. Você não imagina o que é chegar lá em Novo Aripuanã. Diretrizes. § 1º. Então. por exemplo. SALES – Teria depois uma relação de estudos ou de suscitações que nós consideramos importantes para que esses condicionantes sejam aferidos. têm que ter uma certa coesão sim social ou então produtiva entre esses moradores para que eles. que fala que eles são obrigados a defender e a preservar a área..A SRª. O SR. isto é.. isso no meu ponto de vista. Eu consulto o Renato se esse é o último slide ou se teriam outras. inclusive possam cumprir o que dispõe o art. Então. se tu pegas a Amazônia – eu vou só exemplificar mais ou menos o que ele disse – na prática é muito difícil para as comunidades e as populações locais se organizarem porque isso tem um custo altíssimo. deverá então prevalecer a categoria RDS em detrimento de RESEX mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas”. nas propostas para implantação e gestão. (ARPA/SBF/MMA) – Mas não precisa ser a área inteira (. RENATO R. nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresente características descritas no Item I. RENATO R. mas são coisas ainda para nós discutirmos . 23.. cooperativa formalizadas. do combatível para uma voadeira para mobilizar a população. O SR. RENATO R. Renato. detendo títulos de propriedades da terra demanda a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter as suas áreas desapropriadas. Então. eu não quero dizer que são associações. residir na área. RONALDO WEIGAND JR. precisa mudar. de se mobilizar e de se fazer ouvir e defender os seus direitos.? Ou precisa mudar. “aquelas características como. seria perigoso realmente uma observação desse tipo eu acho.. etc. eu não digo formalmente só. em Manicoré e ver o custo da gasolina..

o que nós identificamos foram os elementos a partir dos quais o modelo se define. Então. dos elementos. identificação de outros seguimentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção. identificação preliminar das áreas significativas para manutenção ou recuperação da diversidade biológica. avaliação do interesse dos moradores em permanecerem e conservar o local de acordo com a legislação vigente.) as características sócio-econômica culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia de uso comum de exploração dos recursos naturais. estrutura de serviços sociais. Então. Voltando aqui um pouquinho: os dois temas são estes dois: condicionantes para a criação e diretrizes para implantação. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Em atenção à estrutura que nós fizemos para o debate de hoje e ao que está previsto para hoje à tarde. nós vamos estar discutindo o modelo de cada um. Então.. e a idéia é formar Grupos de Trabalho conforme os dois temas. identificação em campo dos diversos segmentos sócio-culturais. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Eu queria discordar do Ronaldo. detalhar e tudo.. Nós não podemos definir um modelo para depois debater porque nós não temos nem legitimidade para isso e não tem esse acúmulo já feito. Pode ter sido errada essa escolha dos elementos. identificação preliminar do estado de ecossistemas abrangidos e a avaliação de possibilidade de recuperação de áreas degradadas.. essa possibilidade de decisão.. Então. do que nós estamos falando? Daí nós podemos olhar. tem que se discutir isto aí: o que é estratégico para o Brasil em termos de detalhamento dessa categoria? O SR. na verdade. a um passo disso. mas o resultado não é um modelo. é uma RESEX com um nome diferente ou é uma coisa mais liberal. sistematização e análise do tipo de ocupação na área (. mais próxima da APA. ou de um modelo francês de parque. que é o parque com gente dentro. na seguinte questão: este evento não tem condições de definir qual é o modelo. (ARPA/SBF/MMA) – A minha questão é quando é que nós fazemos a escolha estratégica de qual modelo nós estamos falando. se nós concordamos ou não que tem que se morar dentro da área. O que eu acho é que eu acho que a 152 . porque depois nós detalhamos o modelo. levantamento em campo das principais características da área. mas tem uma escolha estratégica a ser feita antes. Ir para Grupo de Trabalho. identificação de eventuais ocorrências de uso e de conflitos e interesses entre os segmentos”. que seriam os dois grupos para o primeiro item – condicionantes para a criação . mas se nós não soubermos do que nós estamos falando fica difícil.. adotar o modelo para a regulamentação de fato.informações sócio-ambientais disponíveis sobre a área. E o que nós vamos fazer à tarde é discutir se nós concordamos ou não se a comunidade tem que ser organizada.e outros dois grupos para diretrizes. Com base nesta discussão talvez possa haver um debate. avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração dos espaços de recursos. tem que fazer escolha. levantamento da situação fundiária e levantamento das formas de graus de organização sócioprodutiva.. etc. econômicos e políticos envolvidos. mas nós entendemos que eles estão apresentando a proposta deles. O resultado deste evento não é um modelo porque nós vamos levantar inclusive as divergências e apresentar para os órgãos que aí sim vão interpretar. essa parte de diretrizes é o que viria agora alimentar uma outra parte do debate. A minha proposta é que se prossiga e dê elemento para esses grupos também. E ao definir esses pontos. com respeito. RONALDO WEIGAND JR. os últimos dois. nós vamos distribuir esse condicionantes para a criação. Eu pergunto a vocês e Fernando. seriam beneficiados agora com a explanação do Renato sobre esse assunto. levantamento de contingentes não-moradores usuários dos recursos naturais. eu continuo com as diretrizes para implantação e gestão ou não? O SR. alguma coisa assim. os outros dois grupos. Então. O SR. eu acho que nós estamos.

questionamentos. porque nós achamos que não dá para definir um modelo aqui. o tipo de população que está lá. Eu tenho inclusive alguns pontos para criticar. São duas coisas que estão juntas e talvez isso esteja gerando confusão. porque senão nem precisa fazer uma RDS. da inclusão ou não. Então. os pontos que estão sendo levantados. não necessariamente serão aqueles que nós vamos concluir. Essa é a previsão do horário da tarde. criticar. (ARPA/SBF/MMA) – Tem a questão da população residente. é difícil detalhar.. são pontos que foram levantados e a opinião de quem fez o estudo. Isso não vai ao resultado do evento. essa é a questão. O SR. O SR. o que foi apresentado pressupõe já um modelo. É discutível. mas a forma como nós recebemos a proposta que vocês estão colocando muda conforme nós estamos convencidos de um modelo ou de outro. O modelo vai ser definido pelos seus elementos. não precisa ser. já que o debate já está ocorrendo. eu acho que essa é a questão que ele está colocando.. quer dizer. um espaço de discussão geral. mas eu gostaria de ter como pano de fundo um pouco dessa discussão estratégica a respeito do modelo para poder receber a proposta de um jeito ou de outro. RENATO R. nós vamos discutir sobre eles. Agora. vamos numa questão de forma aqui. O SR. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Antes de você entrar na discussão do conteúdo. mas tem que ter uma coesão social para que aquele pessoal queira continuar na área. Então. RENATO R. E depois. Tudo isso são questões que a discussão desse modelo reflete. SALES – Mas Maurício. Então. O SR. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Só talvez defendendo um pouco o ponto de vista do Ronaldo. Então. a posição nossa não é concordância com o que está sendo apresentado. os pontos. não há essa 153 . Não é que eu esteja discordando dos pontos. Não é preciso adota essa opinião. O SR. A questão da população residente é uma outra questão para nós estarmos discutindo em relação a isso. SALES – Na seqüência nós vamos tratar disso. SALES – Eu entendi. um modelo com o qual o Ronaldo e eu em particular também não concordamos.. O SR. existem alguns indicativos. não precisa ser formal. SALES – Mas essa é a única questão ou tem outros pontos desses que foram apresentados que comprometem esse modelo? O SR. RONALDO WEIGAND JR. nós teríamos previsto. analisar ponto por ponto. o que pode ter sido uma escolha equivocada. O SR. tem várias coisas que estão sendo colocadas aí: a questão da desapropriação. quais pontos são que não se encaixam nesse modelo que vocês defendem? Tem essa questão da mobilização. (ARPA/SBF/MMA) – Eu sei que os pontos são os mesmos. mas essa foi a opção. do modo como foi apresentado. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Mas nós não estamos concordando muito com isso que você está afirmando. RONALDO WEIGAND JR. E quando eu falo em organização. é porque se eu entendi bem eu concordo com o Ronaldo.. a partir do momento em que encerre. O SR.discussão do modelo cabe aqui hoje. Se você não definir o modelo. o tipo de atividade que pode ser feita. Eu falei de organização. mas não a definição. à tarde. RENATO R. RENATO R. Se a opinião está sendo apresentada é ponto para debate. onde pode se discutir modelos. Então. Então.

do jeito que vai. é interromper agora. Então. mas ter claro quais são os modelos e não ir para a discussão dos itens sem ter claro do que nós estamos falando. Na verdade. Nós convidamos vocês todos a almoçarem e continuar na parte da tarde por volta das 13h. O SR. os pontos que foram colocados são excelentes eu acho.. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Aqui no hotel. Essa é a proposta. Vamos em frente e vemos no que dá.. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Então. O SR. Então. Agora. nós temos cerca de meia hora. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Por volta das 13h. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Antes de entrar na discussão. pelo menos nós temos que deixar definido claramente quais são os modelos. (ARPA/SBF/MMA) – É discutir: “O meu modelo é tal”. já são 12h40. Porque nós estamos fazendo o debate no meio. O SR. O SR. Eu acho que esse é o exercício que o Ronaldo fez: “Nós temos o modelo A e nós temos o modelo B”. Qual que a gente coloca primeiro? O adiamento do almoço ou o que a gente faz agora? Então antes de discutir adiamento ou não tem a proposta de continuar apresentando as diretrizes e aí depois ir para o debate geral e isso pode ser que já dê a hora do almoço e daí a gente vai para tarde e depois tem o trabalho dos grupos para discutir ponto por ponto. questionar e tal. tem que ser essas e essas. eu acho que é assado”.. O SR. SALES – E nem temos a pretensão também. têm que ser essas e essas. vamos a uma questão de forma aqui.. Quais são as opiniões: vamos fazer uma votação rápida só para consultar ou não? Alguém acha que é melhor adiar o almoço? Alguém acha que é melhor adiar o almoço? São duas questões. porque estava prevista uma hora. fazer o debate geral e voltar nisso no começo da tarde para daí discutir ponto por ponto. talvez nós devamos. ou seja. nós temos almoço disponível para vocês aqui no hotel.. Se nós aqui não temos condições de definir o modelo. uma hora e pouco e do jeito que vai nós vamos até. mas qual é o modelo que está na sua cabeça? “O meu modelo é esse”. A qualidade do trabalho que foi feito é que está inclusive tocando em alguns pontos fundamentais e está sucitando a discussão. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Temos almoço aqui no hotel? O SR.são diferentes. mas tendo claro que existem modelos aqui em discussão que não são coincidentes. que horas que nós paramos para almoçar? Nós temos almoço combinado para todo mundo? O SR. Eu não sei nem se o caso. O SR. as características de uma regulamentação. onde a discussão dos modelos caberia. super-bem colocado. Eu acho que está super posto. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Na verdade. mas há possibilidade de levantar as opiniões próprias. está nos ajudando a ir ao âmago da questão.suposição de que nós vamos discutir só a posição de quem apresentou. Eu acho que essa é a questão que o Ronaldo está colocando. se o modelo é o B. A segunda proposta é a gente interromper as 154 . eu não sei como é que nós programamos o interromper para o almoço porque o que nós podemos eventualmente fazer. a nossa dificuldade aqui é que me parece que não se trata de partir dos elementos para se chegar ao modelo. por volta das 13h. Se o modelo A é esse. se essa for a opinião da maioria. para ele apresentar as outras oito diretrizes vai mais 15 ou 20 minutos. RONALDO WEIGAND JR. porque fica: “Eu acho que é assim. RENATO R. Estava previsto nós termos uma hora ou uma hora e meia de debate. a sugestão é que nós. por exemplo.. Então.

são Diretrizes para Implantação e Gestão da Reserva. O comentário que eu posso fazer a respeito disso é para tentar. Nós continuamos com essas diretrizes ou vamos para o debate geral agora? Só para gente sentir a manifestação. O que nós pretendemos com essa redação. Quem que acha que a gente deve fazer o debate geral já agora e interromper isso? Então. esse enunciado tenta fugir um pouco daquela questão se tem que ter mineração ou não.CLÁUDIO C. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. se tem que ter exploração de petróleo ou não e etc. aliás? O SR. é isso? Agora seria somente sobre criação. como outras pessoas estejam pensando. cabendo. os beneficiários. O SR. idéias. Há outros comentários. agregação de valor as mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção de prestação de serviço. se tiver uma vocação da área que permita alguma outra coisa. que já entraram em acordo com a sua criação e implantação. Quer dizer. Se surgir alguma outra indicação. quer dizer. vamos almoçar. A partir dos pontos que ele levantou uma geral e aí vai para os grupos com esse aquecimento do geral. mas eu acho que é bom deixar para os debates. Após os estudos que irão embasar a elaboração dos planos de manejo e zoneamento da Unidade. Então você não pode imaginar que alguma empresa vá lucrar dentro de uma RDS. essas deverão estar de acordo com a Lei do SNUC e dos demais instrumentos de legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. O enunciado ficou como “atividades econômicas desenvolvidas de uma RDS deve ter a elaboração do seu plano de manejo. Eu acho que ele poderia concluir essa parte e vamos almoçar às 13h. desde que geral relativo à RDS. Debate geral. não pode ser uma empresa. essa atividade tem que ser geridas por famílias ou organizações locais. em meia hora ele conclui isso. Ele iniciou uma apresentação. dúvidas. seria geral: modelos. os principais beneficiários tem que ser os moradores locais. a Lucila e tudo. voltamos e abrimos uma hora de conversa geral sobre a análise. o Renato. MARETTI (WWF-Brasil ) – Mas então essa é a discussão que eu estou querendo para sentir o plenário. aumento de produtividade. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Sem prejuízo da anarquia geral e sem ter feito uma reflexão vertical sobre isso daí. O SR. O SR. CLÁUDIO C. RENATO SALES – Então. O SR. qualquer coisa. 2 – “Nos casos de famílias residentes no interior da RDS que concordam. MARETTI (WWF-Brasil ) – Não. Quem quer continuar a apresentação das diretrizes e depois nós continuamos o resto? Seis pessoas. isso aqui se encaixa no meu modelo e não se encaixa no outro.diretrizes agora e fazer meia hora ou um pouco mais de debate geral e depois voltar para as diretrizes para encaminhar o trabalho dos grupos. com esse enunciado é fazer com que atividades prioritariamente a serem desenvolvidas são aquelas já historicamente desenvolvidas pelos moradores. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e ou exploração econômica. Essa seria a idéia principal desse enunciado. NÃO IDENTIFICADO – O debate sobre gestão no primeiro bloco. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. eu acho o seguinte. os Órgãos competentes deverão firmar com seus 155 . cabendo o aprimoramento. manifestações de opiniões. críticas sobre o que o André falou. dentro de uma RDS”. E mais. a gente continua com as diretrizes e quando ele acabar a gente avalia o horário do almoço. A primeira trata daquela questão das atividades econômicas. se restringir aquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. ela já suscitou debates pertinentes e imagino que não só você esteja pensando sobre isso. entretanto esforços para seu aprimoramento notadamente no que diz respeito a sustentabilidade ambiental.

mas sim os agentes de turismo. Arraial do Cabo. fazendas. Na verdade. Sugere-se que tais Termos de Compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo 30º do capítulo 9º do Decreto do SNUC que regulamenta. estatais ou particulares. caberá aos Órgãos competentes a iniciativa de providenciar a sua desapropriação ou intervenção. o prazo de inspiração é sempre que houver interesse das partes. Na verdade. 3 – “Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas a área RDS. a dominialidade permanece privada e os prazos dos Termos de Compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordos entre as parte interessadas. entre as partes do Conselho Gestor. acho. prevendo. mas sim eles devem se reunir. daí deverá prevalecer o artigo 10º do Decreto do SNUC o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo Termo de Compromisso específico para tais situações”. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – você vai falar ainda da zona de amortecimento. o que se pretende com isso é. além de representantes de Organizações da Sociedade Civil Regional e de Órgão Públicos competentes das três esferas de poder. a Prefeitura. entretanto. que esses representantes desses setores produtivos. o mesmo efeito. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento das Unidades sejam devidamente cumpridas. do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados Termos de Compromisso sob os usos do imóveis até o momento que for disponibilizado o recurso para sua desapropriação. Os setores produtivos regionais em torno imediato da Unidade. Nesses casos. cujos proprietários tenham interesse diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresente conflitos ou ainda que tenham interesse de forma de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. por exemplo. não é? 156 .representantes Termos de Compromisso. Para os casos de moradores não detentores de documentos de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. A Srª. mas propriedades essas de famílias tradicionais que queiram Reserva e que aceite o plano de manejo. em alguns casos. mais empresariais ou então conflitantes com os interesses da Reserva não tenha assento garantido para cada um deles no Conselho Deliberativo. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais devem criar um Comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse Fórum”. então a sugestão é que se use esse instrumento que trata de populações tradicionais em Unidades de Proteção Integral que teria. enfim. mas se não fosse tomada uma medida similar seria um grande problema e nenhuma mais votação beneficiaria os pescadores. etc. por exemplo. de acordo com o artigo 39º do capítulo 9º do Decreto 4340. apesar de tal capítulo tratar originalmente apenas de populações tradicionais em Unidades de Proteção Integral”. Existem alguns casos. porque existem tantos interesses envolvidos que se cada um estivesse representado no Conselho o próprio objetivo da Reserva iria para o brejo porque nenhuma dessas pessoas querem a Reserva. etc. Mas é claro que cabe aos juristas uma opinião mais balizada sobre isso. essa é uma RESEX. Devem também ser renovados automaticamente esses prazos de Termos de Compromisso. na verdade. 4 – “Formação de Conselho Gestor objetivando a participação de maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. Isso que nós estamos tratando aqui é exatamente os impactos da zona de amortecimento. e tal. Não existe um instrumento no SNUC que trate desses assuntos. inclusive. e tal. o que está querendo se fazer com isso é comprometer um pouco mais as propriedades existentes dentro da área. a Petrobrás. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar as suas atividades presentes e futuras. se organizar de qualquer forma e eleger um representante do setor produtivo para o Conselho. onde a RDS seja rodeada por vários empreendimentos. a Marinha.

essas pessoas estarem lá e vai se julgar e até com um certo direito de participar de um Conselho porque as suas atividades estão sendo de alguma forma prejudicadas ou. tenha um uso antrópico é fundamental que o plano de manejo leve em consideração também essas atividades desenvolvidas e que ele sirva de uma constituição bastante prática para Unidade de Conservação. a idéia é fazer com que não cada representante de uma fazenda. carcinicultura. cinco a seis anos para ficar pronto e pouca participação da comunidade. Esse primeiro esforço de elaboração participativo do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. plano de desenvolvimento e tudo é tratado como plano de manejo. para que as pessoas saibam. padeiro até a Petrobrás. de Proteção Integral. Então é uma série de estudos biofísicos. enfim. Então. vocês se reúnem e escolham o representante de vocês e foi isso que foi feito e está funcionando. principalmente. etc. Então. existem em vários Estados e hoje nós temos fazendas dentro das RDSs. e tal. como foi dito. mas se fazer com que os vários empreendimentos do setor produtivo se unam e elejam apenas um porque senão pode comprometer o objetivo da reserva sim. Então enquanto não fizer. de um empreendimento tenha assentou ou voto. “o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitem a otimização ambiental da zona de preservação. E o que a gente tem reparado é que em vários Estados.que isso confunde um pouco o nome. tanto a orientação dos moradores gestores na condução das práticas cotidianas da Unidade. No caso de RDS. portanto. normas muito claras e muito fácies para que as comunidades e as famílias saibam o que pode e o que não pode se fazer. quando as pessoas começam a se preparar para elaborar o plano de manejo elas levam em consideração aquela receita da DIREC do IBAMA para montar plano de manejo para proteção integral. assim como indicação de ações para preenchê-las. anteriormente o que se preconizava era que as RESEX teriam planos de utilização e plano de desenvolvimento que têm. Deve ser elaborado. dos moradores. primeiro: que discutam. afetadas pela existência da Reserva. A mesma coisa acontece n reserva da ponta do tubarão e eles tiveram essa solução. sendo a ele incorporadas periodicamente novas normas e recomendações. muitos deles com uma longa duração. Vocês se reúnem e reúne desde o pequeno comerciante. não quero saber.E também da realização de plano de negócios para os principais produtos comercializados pelas comunidades da Unidade”. Deve tratar-se de um Unidade de Uso Sustentável e o plano de vê contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável de espécies . Como tem uma área dentro de uma RDS que é uma área de uso antrópico. Por fim. RENATO SALES – Não só. 6 – “O zoneamento das Unidades de categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de 157 . mas enquanto não fizer a desapropriação. Deve. culturais e econômicas. decidam e saibam claramente o que pode e o que não pode fazer e quais são as penalidades inerentes a qualquer tipo de infração. ser for cumprido esse roteiro. enfim. Essa diretriz está bastante relacionada ao sumiço na versão do SNUC do plano de utilização e o plano de desenvolvimento das Reservas Extrativistas que eram planos diferenciados dos planos de outras Unidades de Conservação . na verdade. em qual área pode se fazer e em qual não pode. mesmo eu seja sustentável. Quando é lançado o SNUC some essa figura do plano de utilização. também ter um caráter dinâmico.O SR. na verdade. bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da Unidade”. dados secundários. a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas identificadas como prioritárias e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas Instâncias Gestoras da Unidade de Conservação. mas tecnicamente é usado plano de manejo de rendimento sustentável de espécie . quer dizer. a partir da consulta. quanto o planejamento em médio e longo prazo das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. análises dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e suas expressões sociais. 5 – “O plano de manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em documento prático que permita.

devem ser subprodutos dos planos de manejo de forma geral. respeitando suas especificidades. afim de se definir as áreas de preservação total ou de proteção total e de definir eventuais defesos temporais ou espaciais. a exclusividade nas tarefas de fiscalização da zona de preservação total”. Para zona de uso sustentável sugere-se sua divisão em áreas de moradia e equipamentos. mas acho que ficaria depois para o debate e a gente já passaria para sete. 7 – “Os Órgãos responsáveis das três esferas de poder devem prevê recursos orçamentários para ações de apoio a organização social e produtiva das comunidades residentes nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável. disponibilização de estruturas necessárias para o seu funcionamento. Da mesma forma devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para conservação de biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. como o Rio Iratapuru. quer dizer. Existe também uma série de. não recairia nas costas dos moradores a responsabilidade por fiscalizar dois milhões de hectares. a realização de reuniões preparatórias. E cabe também. tanto no zoneamento como no plano de manejo a discussão e definição de normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno.. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. de facilitador na busca de financiamentos ou então da implantação de infra-estrutura básica para melhoraria de qualidade de vida. Corredores Ecológicos . elaboração e distribuição de material de divulgação. os Agentes dos Órgãos Públicos. e quando couber. No que refere as essas zonas de uso sustentável deve-se também levar em consideração.isso está no § 6º do 20º artigo do SNUC – para tanto deve ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. Enfim. os Órgãos responsáveis pela RDS devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. bem como sejam responsáveis pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com essas atividades. eu acho. até mesmo o Cujubim do jeito que ela está. densidade e distribuição dos assentamentos humanos. Esses planos de rendimentos sustentáveis devem compor. no SNUC está dito que um dos seus principais objetivos é melhorar a qualidade de vida das populações locais. Tentando prever casos. dinâmica territorial da população. definição do número. enfim. Da mesma forma. para uma RDS funcionar é bom sim que tenha organização das comunidades. coleta. bem como as normas para entrada de novos ocupantes ou novos usuários”. áreas com potencial para visitação turística e etc. 8 – “A fiscalização e o monitoramento das RDSs devem ser de responsabilidade compartilhada entre os Órgãos Administradores e as comunidades locais representadas pelo seu Conselho Gestor. de considerações que podem ser feitas. por exemplo. recaindo nesses últimos. cooperativas e etc. Isso tem a ver com aquilo que nós consideramos importante. áreas de usos predominantemente agrícolas e pecuários. sempre que para isso haja consenso entre os usuários da Reserva. Sugere-se também que a vigilância das zonas de uso sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de Agentes dos Órgãos Públicos. então eu acho que cabe sim ao Estado ou então ao Órgão Gestor o apoio para que elas se organizem. já que a RDS. áreas de ocupações predominantemente extrativistas. bem como nas negociações dos Conselhos Deliberativos com outras Instâncias Públicas das três esferas do poder para gente tentar prover as comunidades de equipamentos e serviço sociais importantes para promoção da qualidade de vida local”. Sugere-se que esse fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da Unidade. áreas de uso culturais. facilitar a de associações. Os Órgãos devem também apoiar a formação do Conselho Deliberativo da Reserva. áreas de pesca. que esse papel de intermediário. assim como os resultados dos estudos e levantamento de estoques de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas realizadas para formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável. e daí para o 158 .proteção integral de uso sustentável e de amortecimento. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e forma de atuação das organizações já existentes.

mas politicamente era oportuno fazer isso porque viabilizava. um modelo ideal. O SR. como Estação Ecológica não admitia presença de comunidade tradicional dentro. Então o que está me parecendo do que foi apresentado aqui. me corrijam. É necessário também que haja articulação e coordenação entre os atores envolvidos na gestão da Unidade. eu não acho que esse modelo defendido por vocês possa estar muito comprometido com o que foi colocado aqui. não seria o caso da gente. Então qual é a idéia? A idéia é que você tem uma grande área protegida. politicamente era melhor e etc. digamos assim. o que está acontecendo? E aí a gente fica numa situação complicada porque nós estamos discutindo um modelo teórico e o regulamento vai ser construído tendo em vista esse modelo ou nós vamos fazer uma regulamentação em cima de algumas práticas que já existem. colocam aqui. se você tem grandes propriedades e então não seria o caso de. Agora. inclusive. muito pelo contrário. no desenho da RDS. Parece-me que algumas das experiências concretas de RDS estão fugindo do modelo original. não sei por que não conheço toda história. melhoravam as possibilidades de conseguir recursos e financiamentos. Volto a dizer. Então essas são as condicionantes e as diretrizes. senão você descaracteriza o desenho da Unidade. como vocês. excluir essas propriedades? Não incluir dentro delas? Quando a gente pensa nessa discussão sobre RDS. Sinceramente. não é nem no conteúdo da Lei porque você tinha a Estação Ecológica de Mamirauá e você tinha a proposta de Reserva Ecológica Cultural. preservada ainda onde você tem comunidades que estão lá dentro daquela área que você não tem como excluir daquela área no desenho da Unidade. esse era o modelo original. Então nós estamos discutindo. realizar negociações em busca de consenso e saber tratar com populações locais. quando a gente fala em grandes propriedades privadas dentro de uma RDS e que não são propriedades de comunidades tradicionais. teórico para RDS ou não teórico porque a gente tinha a experiência Mamirauá. Na verdade.. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Quando o SNUC foi elaborado existia. A proposta original do SNUC era a Reserva Ecológica Cultural. mas eu acho que. Então botou-se o nome e a gente incorporou esse nome dentro do SNUC para aproveitar a experiência de Mamirauá e eu acho que nós criamos um problema 159 .. Gestores públicos capacitados para estabelecer canais de negociação. considerando o interesse da sociedade como um todo na conservação de área e a contribuição das comunidades locais para este fim. E também a última consideração.cumprimento dessas diretrizes a gente acha que tem algumas pré-condições. por exemplo. Eu acho que essa é a discussão que nós temos que fazer. No meio do caminho. a gente não tinha a pretensão que isso fosse chegar facilmente ao consenso. Então você cria a RDS e você mantém aquelas comunidades lá dentro e faz a gestão da área sem excluir as comunidades. então. Condicionantes para implantação e diretrizes pra implantação e gestão. foi necessário mudar a categoria e aí se optou por esse nome de Reserva de Desenvolvimento Sustentável que politicamente. Mas em todo caso isso vai ficar para o debate e é claro para os grupos de trabalho que vão ocorrer à tarde.. Passa pelo que o Ronaldo e o Mercadante falaram que tem uma questão de modelo a ser discutida.. Tem alguns outros elementos aqui nessa discussão que eu acho interessante. o problema do RDS já começa no nome. assim como o processo de formação da equipe de trabalho para gestão das Unidades de Conservação . É necessário sempre ter em conta um horizonte de longo prazo para o planejamento das ações de implantação considerando que o processo de participação comunitário é longo. eu acho. Em geral são comunidades ribeirinhas. que poderia haver uma possibilidade de compensação de se subsidiar as populações moradoras pelos serviços ambientais prestados. A gente já falou que a RDS em princípio seria um parque com gente dentro. é um assunto polêmico e delicado. a minha pergunta é: o que essas propriedades estão fazendo aí dentro da RDS? Porque essa não era a idéia original. é que hoje nós temos o modelo teórico que é aquele que inspirou o SNUC e nós temos algumas experiências concretas. por exemplo. essa era a idéia original.

na hora de redigir uma série de dispositivos fica mais fácil fazer referência. eu senti falta 160 .SDS/AM) – Acho que as discussões para a gente trabalhar sobre esses pontos polêmicos que levantaram aí nesses estudos. Se a gente pegar as UCs de Proteção Integral a gente tem lá Parque. eu acho que a gente devia pensar a RDS sim. pra mim. Então a Reserva Ecológica Cultural como originalmente foi pensada era muito parecida com a RESEX. eu acho que atrapalha. Devia ser Reserva Ecológica Cultural. abstraindo essa discussão de Proteção Integral ou Uso Sustentável. tudo bem não pode gente dentro. mas cria também uma serão de dificuldades e induz a idéia de que RDS é Uso Sustentável e Uso Sustentável é a Floresta Nacional. Reserva Biológica e Estação Ecológica. mas tinha uma preocupação maior de conservação e. Podemos ter atividade econômica intensa naquela área e tal. E aí depois a gente pula para RDS que na verdade.para nós depois porque Reserva de Desenvolvimento Sustentável. mas tem que correr atrás do prejudico também. são populações que não se encaixavam na RESEX. E algumas coisas que estão sendo discutidas em relação as RDSs que estão propostas compromete essa visão estratégica. me parece. não nos serve. Era essa a grande preocupação. a gente pensava muito na Mata Atlântica e no Cerrado. E é claro que bom manter viva a idéia original. Quando você pensa em regulamentar eu acho que você tem que levar em consideração essa realidade já estabelecida. quer dizer. está no outro grupo e está no outro grupo por quê? Por que esse corte é um corte é arbitrário e tem razões práticas para gente fazer esse corte na Lei. do que foi desvirtuado. isso daria uma idéia mais clara do que é. na verdade. A Srª. mas tem lá Monumento Natural que pode propriedade privada e pode atividade econômica e nós temos Refúgio de Vida Silvestre que pode propriedade privada e pode atividade econômica. Uso Sustentável de outro lado. o que está sendo levado em consideração? Se é o conceito original de RDS. Quando a gente prepara esse material a gente está levando em conta as duas coisas. não ajuda e eu acho que nós temos que pensar também a questão do que nós estamos discutindo? Nós estamos discutindo o modelo e eu acho que para mim a palavra chave é aquela que o Ronaldo usou. esse corte na verdade é arbitrário. Porque você sabe que hoje existe uma série de RDSs Estaduais com grandes latifúndios dentro e é uma realidade. mas que estava presente quando a gente escreveu a Reserva Ecológica e Cultural. que esteja sendo explorada e adotada nessas experiências práticas. Eu acho que é outro problema que complica a gente pensar a RDS. a situação atual? Porque houve é claro um certo desvirtuamento dos objetivos e etc. Eu acho que por isso que nós estamos com essa sintonia aqui. a Reserva Extrativista. O SR. não ajuda. Estrategicamente. Na verdade. quer dizer. eu acho que a RDS está mais próxima de Proteção Integral do que de uma Floresta Nacional ou de uma Reserva Extrativista. o que nos interessa? Eu acho que essa é a pergunta e por isso que nós estamos patinando aqui no mesmo modelo porque eu acho que nós estamos com uma visão estratégica comum do que nós queremos lá para frente em relação ao SNUC. que não foi colocado aqui. o nome sinaliza numa direção que é a direção. A idéia era poder abarcar populações que não são extrativistas. O SR. não nos ajuda. O nome também atrapalha. Eu acho que outra questão complicada pra mim dentro do SNUC é o corte que a gente faz entre UC de Proteção Integral e UC de Uso Sustentável. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Eu só queria falar uma coisa sobre o conceito original. Proteção Integral em geral. que não é só nesse dia de hoje que vai ser possível a gente chegar a um consenso. enfim. ela era voltada para populações não extrativistas. sem dúvida nenhuma. e tal. RENATO SALES – Deixa só eu responder uma questão só que é quando você fala assim. me ajuda a organizar o pensamento. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Afinal. resgatar o conceito original. talvez. no entanto.

. Um ou dois lá dentro que vai ter e quem é esse um ou dois? É o “cara” que tem o terreno lá dentro e eles vão começar a induzir a população a começar a usar a Reserva para fazer pecuária. Pelo menos. Nesse aspecto eu acho que a questão. Eu acho que a geração de renda também nas Unidades de Conservação de Desenvolvimento Sustentável. talvez. Eu me aproximo da RESEX.. Aí eu fico meio em dúvida. mas para as populações eles consideram viver como Unidade de Conservação da categoria de reserva Extrativista. Então ela parte do princípio de quê? A primeira coisa que se tem é a solicitação. não estou dizendo que é igual. A minha avaliação é que as Unidades de Conservação categoria RDS tem que estar mais próximas da Reserva Extrativista do que do Parque. Ronaldo. A outra coisa que eu acho que ficou no item oito da sua fala aí da implementação é a questão da fiscalização. disso e não sei se vocês conseguiram levantar isso.CLÁUDIO C. eu senti falta. É dos moradores e do co-gestor ou do gestor? Porque no caso da RDS a gente adota essa questão da co-gestão: PH Sul. Então eu acho que nessa questão eu queria que a gente fizesse uma discussão mais ampliada nessa questão de geração de renda. muito demorada. Eu não sei.. no Estado é uma questão de curto prazo. Quando nós estamos falando de uma organização. RDS. Fala-se em Mamirauá. mas tem que falar as origens dessa categoria. no caso. O processo de produção eu acho que discordo. possa considerar o processo histórico dessa categoria. eu acho que isso cria um problema muito grande e cria por quê? Por que as populações locais não têm financeiramente condições de ter. eu queria registrar. eles vão ficar responsáveis pela fiscalização? Ou não? É o papel do Gestor da Unidade. Mamirauá e aí nesse caso. Eu acho que aí é que eu vou trabalhar no meu conceito de que as populações para eles é uma Reserva Extrativista com a diferença de que tal coisas possam ser resolvidas. meio desprotegida das suas atividades e dos seus direitos. Reserva Extrativista é uma questão de muito estudo. o que eu quero falar? Como as populações locais. Não quero dizer que a pesca e essas coisas entram também. por exemplo. Essa seria a minha fala. Então ali me parece que já mostra um sinal de organização. no caso. eu tenho concordância e discordâncias. Henyo e Isabel. eu diria assim. Hoje o Estado do Amazonas tem na gestão do Estado doze a treze RDSs. MARETTI (WWF-Brasil ) – Eu não tenho questões não. precisa um pouco trabalhar isso. pelo menos. O SR. a compreensão dos moradores. ao Governo Federal para que se crie uma Unidade de Conservação e normalmente eles. eu não sei. no nosso caso do Estado tenho visto isso. A questão de não está numa Reserva Extrativista é por uma questão muito simples. a questão de adotar a geração de renda como pecuária dentro do seu âmbito da reserva. colocam ali uma RDS. eles são co-gestores da RDS lá. é uma coisa que acontece dentro de um prazo menor se levar em consideração as RESEX. às vezes. talvez. Eu acho que isso facilita a vida dos moradores lá dentro. estou falando parecido. chama-se o Estado em si ter dinheiro para indenizar os títulos. Eu acho que falta um pouco. mas só fala a palavra Mamirauá. há uma manifestação das comunidades locais para que seja criado isso. Renato. Então eles optam pela questão da RDS porque é uma coisa. muito debate e isso acaba deixando a comunidade. Então. faz uma Assembléia e ela mesma já manda pedir ao Governo do Estado. você está falando de co-gestão ou falando do gestor? Porque se eu digo assim: Mamirauá.. Na verdade.. Eu acho que a Unidade de Conservação na categoria RDS. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Estão inscrito agora Cláudio. O SR. eu senti falta disso. para o Estado do Amazonas em particular. Para mim não está muito claro. tem que saber de quem é o papel da fiscalização da Unidade. cerca de nove a doze milhões de hectares e estão preservadas nessas categorias. deverá ser muito parecida com as das Reservas Extrativistas. eu estou dizendo que a comunidade em si já começa a se organizar porque ela já faz um abaixo-assinado. eu discordo nessa questão da pecuária. é pena que o André não esteja 161 .de alguns elementos que.. as propriedades particulares lá dentro.

O que é afinal uma área . no último congresso de impactos. às vezes. quarto sistema de classificação que não é para ser implantado nos países. E a discussão que se faz hoje é se mantém as categorias em seis. Também acho que essa história que não é dele. Então. por exemplo. gestão comunitária. Eu tinha como um dos conflitos principais a questão da propriedade privada ou não. o modelo que eu via era a antiga reserva de uso múltiplo.claro que normalmente elas são pequenas . e tal. para mim. aquilo que só se repete? Do ponto de vista legal todos temos a nossa tradição? Então. gestão sub-nacional. e aí gestão compartilhada. quer dizer. na verdade. E isso para mim confunde. para mim esse é o meu raciocínio de apenar. mas na propriedade privada ou geridas por comunidades. E aí você abre a possibilidade. não é ou tradicional. depois de décadas se reformulou terceiro. o que não for de comunidade local não deve caber dento de uma RDS. é só para nós pensarmos que no SNUC. então dá a abertura para o limite ser mínimo. mas a Lei fala que o subsolo e o espaço aéreo integram. nós termos dez anos de trabalho para chegarmos à conclusão que tinha que se restringir aos objetivos. deixou separado com dimensões diferentes. essas dimensões. justamente fugindo da polêmica. mas mesmo assim é um pouco mais claro. como é que se repassa e tal. quem tem o direito do acesso aos recursos nem sempre é uma coisa clara. mas é um mecanismo de conversa internacional. no meu entender. que está associado à gestão. ou seja. etc. o que é histórico. pensando até na diretriz estratégica do que a gente quer. Ele fala que pode estabelecer o limite. gestão do Estado. não é 162 . etc. desde que dos locais. A lógica é você ter. É claro que tem de alguma forma implícita. Eu acho que isso resolve em parte a questão. e aí não é legal não. o Decreto. mas que ele traduziu aqui de que pode ter áreas privadas. e acho que como eles definiram está bastante adequado. de estudo e de ciência. inclusive para coisas que.. não é isso.de interesse místico. O terceiro é a questão da titularidade. UCN tem um compromisso perante a CBB de fazer uma discussão sobre o Sistema de Classificação Internacional. o entendimento técnico. eu acho que o meu problema maior é que o modelo brasileiro do SNUC é baseado em múltiplas questões. ilhadas no meio da RDS é confundir tudo. Uma outra dimensão é a dimensão é dimensão da gestão. o que não tiver.. Eu acho que o estudo do Renato e Lucila dão uma luz boa nisso aí e eu passo a aceitar a lógica de que é possível ter. parque com gente. O subsolo é parte da Unidade.. Agora. quando eu vi a primeira vez uma RDS.) melhorou. Aqui é o vício de obrigação. múltiplos critérios. a parques. o que normalmente ocorre. só vai atrapalhar.. etc. o Paulo e etc. É essa separação. Então. que é confuso. Eu acho que isso. coisas que se equivalem a reservas biológicas. e o André falou nisso e muita gente que pronunciou. em vez de melhorar piorou. é possível ter propriedade privada. dessa forma. ou desapropria ou faz outro desenho. não cabe trazer e modificar o SNUC. Eu queria defender essa visão como comunidades locais.aqui. chegando à idéia do modelo. só que não é parque com gente. porque pela classificação internacional parque pode ter gente. E aí o fato é que a discussão de (. isso mais ainda porque em vez de misturar tudo. no meu entendimento. Afinal o que é tradicional? É do ponto de vista preconceituoso. nós temos que pensar em algumas dimensões diferentes... Nem o nível de restrição está explícito na classificação internacional da UCN. Ou seja. dede que para os locais. complicada na questão do subsolo. mas nem o nível de restrição está explícito. O objetivo de um parque é ter turismo e é proteger e é ser local de pesquisa. A questão é do objetivo com a área de proteção. o modelo. do modelo de gestão e de quem faz a gestão. que é parecido com o que vocês falam. desde que tenham vínculo ecológico. uma geração já é histórica. por objetivos confusos. para mim isso foi uma solução. Então.. Em 2006. quem tem o direito à gestão da área. Eu acho que “a propriedade” que eu estou entendendo. eu acho que ele fez uma interpretação limitada. ela pode ser muitas vezes uma zona intangível gerida por comunidade. Por isso que eu acho que. é um processo complicado. a discussão do Congresso Mundial de Parques separa a lógica de que gestão de comunidade é sempre uso sustentável e gestão do Governo Nacional é sempre proteção integral. Estou baseado na discussão de UCN que tem décadas. Agora. porque não fica na questão de se é dez ou quinze anos.

mas quando houver necessidade dessa coisa múltipla entre a proteção e uso sustentável. RONALDO WEIGAND JR. Se aceitar propriedade. na verdade. E. porque tinha áreas de pesca. Então. eu acho.. E essas RDSs que deveriam ser RESEX também sejam definidas como RESEX a partir de agora. Agora. para que ter reserva de uso múltiplo? Inclusive tem um caso mais importante internacionalmente. se nós trazemos de volta a lógica de reserva de uso múltiplo de novo nós associamos com mosaico.se tem gente ou não. Tudo isso é muito complicado de se fazer. Então. nós não fizemos isso no prazo dado pelo SNUC. relacionando com as comunidades locais. Essa história de que é de domínio público. mas seria muito mais honesto. fica como critérios principais. Por que eu acho que isso é estratégico? Porque existe uma infinidade de parques no Brasil com gente dentro que precisam ter a sua situação resolvida. a florestas nacionais e a RDS. mas que ela seja definida de uma forma mais restritiva do que uma RESEX. Estão inscritos agora o Ronaldo. E eu não acredito que considerando que as garantias que as populações tradicionais têm diante da Constituição. a questão principal para mim é da propriedade privada e eu acho que aqui tem uma luz de como resolver isso. Eu acho que está mal escrita. para terminar. e depois à lei e a lei diz: “Zona de proteção integral”. a forma de resolver para mim isso é reclassificando boa parte desses parques como RDS. De qualquer forma. é uma unidade que é um mosaico. a exemplo de estações ecológicas. Obrigado. algo desse tipo. Então. Eu concordo plenamente. e a RESEX seja. e eu não sei como é que isso vai ser resolvido. reservas biológicas 163 . confunde. O SR. Eu acho que a separação em dois grupos de uso sustentável e proteção integral só atrapalha. eu acho que para mim à luz. não é isso que define. Porque várias unidades que sugiram como um propósito passaram a ser muito mais restringidas. O SR. mas a questão é séria. Porque eu acho que a lei está mal escrita. o problema é esse. para fins de relacionamento internacional como Categoria 6. que ela foi definida . aquela Unidade de Conservação para classificar em. Por isso eu acho muito importante que RDS não seja definida como uma RESEX.a questão para mim é realmente estratégica nós trabalharmos com modelo de parque com gente dentro. Na verdade. que eu até fui contra o uso desse termo. e quando há necessidade por algum motivo se associar essa lógica de uma área de preservação ou de proteção integral. porque era um monstro aquilo.ela foi considerada legalmente. o Henyo. do ponto de vista internacional.. Isso foi um debate que levou dez anos e aí o governo da Austrália resolveu redividir. reserva de uso múltiplo se confunde hoje com o que nós chamamos de mosaico. O SNUC fala em reavaliar as categorias das Unidades de Conservação criadas anteriormente. oficialmente eu diria.. se aproxima desse modelo que vocês falam. a Isabel.. que é a barreira de recifes de corais da Austrália. Eu sempre pensei que uma RDS deveria ser uma RESEX mais um REBIO ou uma estação ecológica. acho que é parque . as RDSs trazem essa idéia de novo. Então.. RONALDO WEIGAND JR. E nem sei se é desejável que elas saiam de dentro. como você mencionou. para mim é uma contradição na redação. a evolução está mostrando que tem outras coisas muito diferentes que é interessante atentar...não sei nem o nome.. desapropria quando é necessário. quer dizer.. nós vamos poder realmente tirar essas populações de dentro. nós temos que trabalhar com o escrito. Então. mas. se nós definirmos essa categoria como parque com gente dentro. Continua mantendo uma unidade única. E para mim. da classificação internacional. Pinagé... (ARPA/SBF/MMA) – Eu acho que – já adiantei algumas coisas antes . (ARPA/SBF/MMA) – Obrigado. Eu acho que existe um certo estelionato conservacionista nesse processo de várias unidades. De certa forma. mas de qualquer forma tinha antigamente essa lógica que era reserva de uso múltiplo. Então. além dessa questão da propriedade privada para a população local a situação de não predominantemente extrativista ou que permite isso. na verdade. que equivale a reserva extrativista.. Agora. e depois nós passamos a palavra para a consideração final do Renato e paramos para o almoço.

eu acho que é isso é importante nós termos em mente quando nós começamos a definir RDS parecida com RESEX e assim por diante. Então. Então. mas eu acho que até um certo limite. ou seja. está errado. basicamente porque o modelo de assentamento do INCRA não é era apropriado para modelo extrativista. A estrada seringa de um passa dentro da estrada seringa do outro.. um caça no castanhal do outro. Então. mais uma vez: se ele tem direito de alguma forma àquele uso tradicional. e ter ata oportunidade de fazer alguns erros de sustentabilidades para ser cobrada depois. E isso não é possível. onde sim eu entendo que a comunidade tem que ter a responsabilidade de gerir os recursos e ser cobrada por isso e tudo mais. Se você vai lá e cria uma RDS ou vai criar uma Unidade de Conservação que exclui o uso do cara numa determinada área. vários desses casos que podem ser do nosso interesse em ter um controle mais estrito com parque com gente dentro ou com RESEX. onde as comunidades residem em pequenas cidades. do cara que não reside. desejável ter organização crescente. Mas voltando aqui para o caso de RDS. se o cara não reside. as seringueiras. nem todo abrigo é residência. porque sempre tem que comparar uma com a outra. que são alagadas durante uma época do ano. mas ela tem que ser trabalhada. seria importante abrir a possibilidade das populações não terem que necessariamente estar dentro dessa área. As regras que afetam a comunidade têm que ser trabalhadas de forma simples e entendíveis para a comunidade. onde a posse dos recursos naturais não é baseada na terra. um plano simples de responsabilidade da comunidade. toda residência é um abrigo. E ela foi proposta como esse modelo. Só mais uma. Volto a ressalta a questão da organização mínima. roçados e tal. nós resgatemos de alguma forma um plano de utilização e um plano de desenvolvimento. nós tínhamos recortado e dado lotes individuais para esse povo. Então.. RDS. principalmente a Estação Ecológica. Por isso que eu acho que é importante que em RESEX.que foram criadas. Em RDS. seringueiro. Colocação não é a área. não dermos um jeito nessa situação. primeiro que nós passamos a falar 164 . os castanhais abrangidos. como castanhais. Se fosse possível abranger uma área. que também não são do interesse das populações tradicionais ficarem lá o ano inteiro. que permitam que populações não residentes na área. eu acho que é importante também nós consideramos um pouco o objetivo de RESEX. eu acho que seria mais ou menos essas as colocações que eu tinha para fazer. Colocação são os roçados. O problema é que não é possível.. ele não tem direito a indenização.. Então. E se nós não fizermos o dever de casa. ela estar mais relacionada. Então. é que residentes não é a mesma coisa que se abrigar. é baseada nos próprios recursos. Eu acho que é importante. questão de comunidades pesqueiras. já que o Estado pode ser mais um supervisor mais próximo nesse caso do que na RESEX. questão de locais de caça ou mesmo de coleta sazonal.. Eu acho que a solução do Cláudio é uma solução inteligente. algumas formas de regulamentação de terra estão tentando resolver esse problema. Se for um parque com gente dentro.. RESEX surgiu dentro de uma luta pela posse da terra.. que é o problema de posse da terra.. que é sobre a questão da propriedade dentro da RDS. no caso mais liberal ou no caso mais restritivo. Então. Como o Henyo falou aqui do meu lado. Não é a área abrangida por isso. que um modelo em evolução de gestão comunitária. questões de seringais de várzea. ele está perdendo sem receber nenhuma indenização para a perda dele. e aí pode ser RESEX. que não permitiam habitação durante o ano todo. o plano pode ser mais complexo. eu acho que é um caso desses. onde as pessoas residem em propriedades demarcadas. nós deveríamos criar categorias. Outra questão é que o SNUC prevê desapropriação e indenização para populações tradicionais residentes nas áreas. nós vamos ficar provocando danos ao longo de muitas décadas nessas regiões que têm essas Unidades de Conservação . em que casos que eu posso citar como estratégico para nós não colocarmos o requerimento de residência: a questão dos fundos de pasto. que eu acho que não era para ser restrito do jeito que hoje a legislação coloca. Quando o pessoal fala colocação é a área composta por seringais. Eu acho que aí é a minha discordância em relação ao modelo proposto. à proposta dos consultores. mas não necessariamente em RDS. Anavilhanas. mas eu acho para que o caso de RESEX não deveria ser um requerimento.

a paternidade dele é do finado professor de Direito. eu imediatamente perguntei. Então. Quando o Fernando me enviou o convite.. o André disse que ia fazer uma apresentação técnica. se ele tiver título. usando a Débora de novo: a legislação tentou legitimar o que estava se propondo do ponto de vista de gestão e de manejo e do ponto de vista de processo de mobilização social numa circunstância com a característica muito singular. Enviei um e-mail para a Débora perguntando se ela tinha sido convidada porque eu acho que tem dimensões do processo histórico que levaram a conversão de Mamirauá de uma estação ecológica estadual para uma RDS que precisam ser ressaltadas.. quer dizer. Mamirauá não é um modelo. que ele ia dá uma interpretação. com todas as contradições e complexidades. nós temos que ter cautela. nós estamos tentando fazer com que a legislação diga o que deve ser com riscos tremendos para limitação do espaço de experimentação social na gestão dos recursos naturais em várias dessas áreas. Mas de todo modo. Isso já vai fazer dez anos. Roberto dos Santos Vieira. não porque Mamirauá. Segundo: o que torna um grande fazendeiro que mora no local não local. olhando para o que aconteceu em Mamirauá a partir inclusive de alguns dados que a Débora me mandou por e-mail. ligando Mamirauá a Jaú. nós estamos numa situação oposta. que nós estamos tentando regulamentar. E no caso do cara mesmo pequeno que tem título de propriedade dentro de uma reserva. Então. Ou ainda. tradicional. Ela é muito específica para dizermos que ela é um modelo. dando crédito inclusive do nome. ele pode querer ser desapropriado pelo menos. HENYO BARRETO (IEB-Brasília) – Eu fiz uma série de anotações. e não modelo. ou seja. portanto. legal. Mas o que aconteceu? Nós tivemos uma clara situação em que você tem – a Débora diz isso muito claramente . na minha interpretação. foi uma canetada do Amazonino e de repente tinha aquele abacaxi para administrar. não é porque ele é pequeno ou local. por que nós podemos ir lá e limitar o direito de utilização dele.uma solução legal pós-fato para legitimar uma determinada situação. Agora. pelo Amazonino. define bem claramente o que população é essa. etc. O SR. eu até uma pequena com a Débora com relação a isso. nós estamos nos propondo. enorme. Mamirauá é uma situação singular. salvo melhor juízo. onde você já tinha o GPD. ou seja. paradoxal. o que isso realmente diferencia dizer local ou não local.. é tradicional. Fala que faz uso dos recursos naturais. O SNUC fala claramente tradicional e define inclusive nesse artigo o que é tradicional nesse caso da RDS. por que ele não tem o direito de desapropriação? Então. E uma das coisas que me toca muito é nessa situação pela qual nós estamos caminhando e que nós estamos pensando como o decreto que regulamenta a lei vai determinar o que deve ser feito. a interpretação do André realmente nos coloca com um problemão com relação ao ARPa. no processo de discussão e articulação política de bastidor que levou à elaboração do Projeto de Lei. expressarmos as nossas opiniões.. que depois foi assinado. um ano depois se criava a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Anamã durante uma plenária final da reunião dos doadores do PPG7. deveria poder fazer a opção. a disciplinar processos sociais extremamente 165 . o conceito. no Hotel Tropical. cabe a nós agora interpretarmos algumas coisas.. Então. a nossa meta de uso sustentável cai para caramba as nossas realizações com a ajuda do Estado do Amazonas. Então. onde você tinha uma presença histórica da Igreja no processo de organização de base daquilo. e dando crédito. mas que Mamirauá é uma situação singular. a legislação foi formulada para se adequar a uma realidade social inovadora. Agora. Se nós excluirmos da área das RDSs do Amazonas todas as propriedades privadas que estão lá dentro.em local em vez de tradicional. mas o que eu queria dizer era uma coisa bem geral e ao mesmo tempo bem precisa. Outro termo dela: a legislação tentou dizer o que estava sendo feito na prática. em minha cabeça funcione como um modelo. do ponto de vista sociológico. desenvolvimento dele sem dar nenhuma compensação como limitaria um grande proprietário. quando nós falamos no modelo Mamirauá. Então. ele tem direito de desapropriação ou exclusão da sua área de dentro da área da RDS. o termo Reserva de Desenvolvimento Sustentável.

já há vários estudos para Cerrado. Por isso que eu achei esse levantamento da discussão sobre o que é estratégico. E via de regra ali tem gente. Aquela situação se adequa a qual categoria e não que modelo de gestão.. novos termos que conseguissem dar conta de situações locais que são sempre muito específicas e muito contingentes. por força da nossa tradição cartorial. onde você tem lá as prioridades de conservação da biodiversidade. ali é uma área importante para a conservação da biodiversidade”. status nutricional adequado para algumas dessas populações? Porque certamente o fazendeiro grande não sofre esse risco. vai continuar vivendo na insegurança alimentar. que é o seguinte. Aliás. essa é uma questão que me preocupa. porque é isto que interessa do ponto de vista da conservação da biodiversidade: é manter uma distribuição desigual no acesso aos recursos”. botar a discussão da norma logicamente à frente da discussão sobre princípios. etc. nem um grande exercício de regulamentação produziu efetivamente os efeitos que se queria. que inclusive foram recentemente rediscutidas. mas o que o SNUC não deixou aberto para nós foi a possibilidade de experimentação social. você tem o risco de desconstituir a autoridade dos conhecimentos locais. novas categorias. perfis. não falta documentos para orientar e dizer: “Olha. Eu fico me perguntando se hoje nós não estamos querendo construir as muralhas da biodiversidade. você agora transforma isso num instrumento de controle social? A rigor é isso. então corro o risco de tirar isso do contexto: “O manejo conservacionista e uso dos recursos naturais devem estar fundamentados em pesquisa científica”. o que nós temos que olhar é como é que se adequa. ou seja. no baixo estado nutricional. a minha preocupação é com o tipo de enquadramento que nós vamos dar aos grupos sociais locais sim independente deles serem ou não “modernos” ou tradicionais.. Quer dizer. uma primeira conclusão que se tira do que eu estou dizendo é que fico muito desconfortável na discussão sobre regulamentação no sentido estrito como nós entendemos. Então.dinâmicos. para Mata Atlântica. a possibilidade de nós criarmos novos conceitos. qual é a categoria que. qual é o modelo estratégico interessante. E mais ainda. e o Maurício entenda isso não como uma crítica. Então. Então. Olhem para o regulamento dos parques nacionais de 79 ou olhem mais atrás ou um pouco mais adiante para os distintos decretos que regulamentaram as categorias jurídicas antes da consolidação propiciada pelo SNUC. tradições. eu gosto muito deste cruz maltino aqui. de democratização.. para Amazônia. como é que de uma solução histórica contingente num contexto determinado.. Então. 5º. tem acesso ao seu recurso natural. mas daqui para frente vai ter baixo impacto. 2) para assegurar a justiça social. embora ele seja uma pessoa que ocupa uma determinada área e alguma solução vai ter que ser gerada. se estamos discutindo um modelo estratégico. ou seja. de papel e função geopolítica. além de cercear as possibilidades de experimentação social. Disso tudo. para usar a sua expressão. que forma de definição de titularidade de acesso a recursos naturais que nós podemos 166 .. Houve um tempo em que se pensava nos povos indígenas como muralhas do sertão. Então. Pensava-se em integrar alguns povos indígenas com funções precípuas de ocupação de espaço. será que as estratégias de controle social são as mais interessantes. gente de diferentes extratos. dizer: “Tudo bem. 1) para conservar a biodiversidade em cito. em que ele e a doutora Sônia trabalharam. na minuta do Projeto de Lei para regulamentação das RDSs do Estado do Amazonas. essa é uma preocupação. você fica aí. por exemplo: na proposta do Projeto de Lei. a conclusão é a seguinte: nós temos. mas nós temos que discutir também quais são os princípios que estão nos norteando quando nós olhamos para uma área e dizemos: “Essa área é interessante do ponto de vista de prioridade para a conservação”. o § único do art. Os conhecimentos e locais tradicionais vão para o saco numa situação dessas. eu li muito (. Esse foi um termo utilizado. Então. que é uma dimensão disso. E aí eu vou citar um dispositivo.). a segurança alimentar.. sobre a definição dos objetivos da RESEX diz o seguinte. A rigor. etc. o exercício de esclarecer aquilo que a lei não esclarece ou aquilo que está contraditório ou aquilo que está em dúvida. que era o contexto de abertura. eu recebi agora. quais são os princípios que nos devem guiar mais do que qual é o conjunto de normas e critérios aos quais nós devemos obedecer? Então.

E a associação que originalmente era a quem cabia elaborar o plano de gestão. um dos princípios da discussão do Conselho Gestor Deliberativo era porque havia um passivo autoritário enorme na implementação das UCs de proteção integral e queria se assegurar aos grupos sociais afetados pela sua criação espaços para dizer coisas na gestão dessa áreas. só que não tem a pesquisa e nem o monitoramento. que é a elaboração de um dispositivo legal produz. como isso foi construído. Se tirar tudo. que são da conservação da biodiversidade e da promoção da justiça social. A SRª. E eu gostaria também de enfatizar uma coisa: nós trabalhamos com três elementos na RDS Mamirauá: conservação da biodiversidade. onde você tem os interesses do desmatamento representados. Você tem que partir dali do contexto da área. submeter. o que vai acontecer no futuro? Enquanto que numa RDS. portanto. um representante do agropecuário. Nós temos lá um trabalho com manejo de Pirarucu que é interessante: você tem a pesquisa e tem o monitoramento depois para saber se essa população está se reproduzindo de forma que não vá prejudicar a reprodução dessa espécie. você precisa analisar o contexto. Eu acho que cada situação você tem que analisar e você pode reaplicar a metodologia. mineração. Ademar. Então.. eventualmente brecar a possibilidade de avanços sociais. melhoria da qualidade de vida da população e pesquisa para embasar todo esse processo e garantir um manejo dos recursos naturais de forma sustentável. E você hoje dá uma brecha complicada para a representação dos demais interesses e setores regionais de se ter assento no Conselho Deliberativo e aprovar plano de gestão da RESEX e. que foge um pouco do controle das pessoas individualmente envolvidas. Uma diferença muito clara do que é uma RESEX. que é para mim uma coisa complicada. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) – Eu também queria reforçar um pouco a questão do contexto. pactuar e gerir a área. Agora.construir para assegurar esses dois objetivos não necessariamente excludentes. de uma região do Médio Solimões e leva e joga bem aqui. Beleza! Aí o que pega? No processo de discussão. por exemplo. por exemplo. para tentar conceituar o que era uma RDS. em que contexto foi construído. hoje esse mente de RDSs que o Governo está criando e achando que é a melhor solução. negociar com o IBAMA. Você bota um representante do setor madeireiro. acredito na reaplicação. agora vai ter que discutir a aprovação dele num Conselho Deliberativo. Então. que você pega daqui. um dos objetivos centrais. Assusta-me muito. E aí já tem outros casos que estão fazendo também manejo de Pirarucu. Não dá para você fazer extração ou pesca se você não tiver um plano de manejo específico para isso. a pesquisa para embasar o manejo sustentável tem que ser fundamental. que eu acho que são objetivos que caminham para par e passo. Quais são as condições que estão lá estabelecidas? Então. e quanto você pode tirar de castanha? Não está definido. que é mais fácil. replicar modelo é mais complicado. fazendas. que foi a história dos tais Conselhos Gestores Deliberativos. Então. é mais rápido do que uma RESEX. eu. você nunca vai pensar numa RDS 167 . ver o que pode ser feito ali: é uma RDS. se é uma área que tem fazendeiros. é uma reserva extrativista. é complicado. era um pouco isso para tentar levantar essas questões. Salvo melhor juízo. quando nós falamos de propriedades dentro. e o Maretti e o Mercadante e todas as pessoas que estiveram envolvidas tanto no debate do SNUC quanto na regulamentação podem recuperar isso. porque o contexto em que a RDS Mamirauá foi criada e daí a elaboração de uma legislação para explicar. e ainda dizendo que está reaplicando o modelo de Mamirauá. para a RESEX. é um parque? Não dá para pegar lá de cima e jogar o modelo na área. Eu poderia dar um último exemplo só de como essas coisas no processo de formalização. esse instrumento é transferido. Então. a ela se bastava. onde originalmente a associação comunitária lá que tinha o contrato de concessão de uso com o Governo. ou seja. quais os atores sociais que foram envolvidos nesse processo.. que é uma coisa que há muito. não só sobre modelo e estratégia. não do modelo como uma coisa que é acabada. mas reaplicar a metodologia. ao contrário dos Henyo. não sei o quê. de autodeterminação dos grupos sociais locais. mas sobre princípios também. Você faz extrativismo.

com inclusão social. não tinham sobrevivido até hoje. Não é isso. umas coisas assim.. que elas começam a participar de um outro processo diferente do que elas estão acostumadas. Nós temos muito assim: lá no SNUC está: uma RDS é para preservação. que tem uma área de uso. o “abriga”. Eu acredito que não é esse o objetivo das reservas. em outro momento fala que é conservação da biodiversidade com a melhoria de qualidade de vida da população local. onde se criaram. Aí eu acredito que existe uma confusão na redação. os recursos ficando escassos e muitas pessoas de fora na sua área. Então. também tem que ter. E aí eu volto lá para o que o Henyo estava falando do histórico da RDS Mamirauá. não é pensar que você vai trazer alguém de algum lugar para cá que você está promovendo reprodução sócio-cultural dessa população. que eu acredito que... então a RDS é conservação também da biodiversidade. precisa sim ter um certo nível de organização. estava naquela situação. já tinha que estar lá.. não é pensar numa área onde não tem população: “Ah. Eu acho que não dá nem para pensar naquela área como uma Unidade de Conservação. tem atividade de mineração. Então. É garantir mesmo uma conservação. a melhoria da qualidade de vida da população. E com relação aos conceitos. e a partir do momento em que elas são inseridas num processo de uma outra sociedade. mas existem níveis de organização. E aí tentar fazer isso de uma forma mais próxima da realidade possível. por que é preservação? Se nós consideramos que numa RDS tem que ter uma zona de preservação. se juntaram e pronto! Pronto. E aí é claro que a legislação não consegue dar conta da realidade. eu vou trazer não sei quem não se de onde para cá”. não é trazer de outro canto. com a conservação. onde estão se reproduzindo. não é porque “não tem. Alguém falava assim: “Tem que ter compromisso com a conservação?” Se não tiver isso não vai adiantar criar uma RDS se a população não tiver também esse compromisso e não tiver essa vontade de fazer a conservação. Então. mas como o SNUC diz que abriga. que é essa promoção da igualdade social. ou que nós nos inserimos lá com uma outra visão. O sentido do “abriga” é que nessa área essas populações já existiam. da melhoria da qualidade de vida das populações. Então. Então. porque essas populações têm toda uma relação com o ambiente onde nasceram. foi criado justamente para preservar a reprodução sócio-cultural dessas populações. então a RDS é preservação. em que nível elas devem chegar para atender os objetivos da lei. eu acho que era isso. E por que isso surgiu? Porque ela já estava sentindo os efeitos da pesca predatória. essa demanda de organização cresce. mas tem fazendeiro. E o compromisso também é muito importante. do compromisso das comunidades. se tem uma área de uso sustentável. E aí tiveram essa idéia de como fazer. fazendo as suas pesquisas e foi teve esta interface: um grupo de pesquisadores ambientalistas junto com a população que estava querendo também e passando por todos esses problemas. eu vou criar uma RDS aqui e vou trazer gente não sei de onde porque o SNUC diz que abriga população”. Então. E um dos objetivos mais importantes que eu acredito.. É injusto falar que essas populações não têm organização. E essa população principalmente participando de todos os 168 . precisa ter. Nós precisamos reconhecer o nível que elas têm. da extração ilegal de madeira. A população tem que estar lá.para aquela área. Eu não sei se eu estou sendo muito pessimista. Ainda bem que nós podemos mudar essa redação. Se elas não tivessem. E nesse momento também o Márcio Aires estava por lá. a Débora Lima. por que o que vai adiantar criar uma reserva onde a comunidade com a fazer a conservação porque o que vai adiantar criar uma reserva onde a comunidade não quer isso. Outra coisa: a história da organização comunitária. Qual era o contexto daquela época? As populações já estavam com o movimento de preservação de lagos apoiado pela igreja católica. A comunidade precisa estar engajada também com esse compromisso. e ela estava sentindo na pele essas dificuldades. mas eu acho que é por isso que nós estamos aqui hoje. não! Não foi tão simples. enfim. Então. que dá para ser melhorada e explicar o que é uma RDS. e aí você vai estar criando reserva por criar. Aí você está indo contra a reprodução dos valores culturais. aliar uma conservação da biodiversidade. você vai pensar que aquela área pode ser uma Unidade de Conservação? Eu acho que não tem condições..

eu quero que ele seja olhado com uma certa condescendência porque ele foi disponibilizado para contribuir e não para criar mais polêmica e criar problemas para o grupo. Então. você tem RESEX sem nenhuma estrutura de fiscalização. não tem nada. E as populações estão com esse encargo do órgão gestor. como foi colocado. porque senão os Estado vai se eximindo e programas. para nós não enfatizarmos e não reforçarmos muito isso. as unidade de uso sustentável são como segunda categoria porque se pressupõe que as populações estão lá dentro.processos de tomadas de decisão. como é o caso da APA. Isso foi um Projeto de Lei de criação de RDS que tentou ser auto-regulável. mas eu acho que colocar agora a gente já afunila e já orienta demais a discussão. tendo em vista essa realidade que nós vemos em campo. não tem plano de manejo. você não tem equipamento. eu só gostaria de chamar atenção para isso. O SR. quer dizer. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Primeiro eu só queria esclarecer. enfim. que eu acho que não adianta criar um parque ou uma RDS em áreas de fazendeiros. ele já está defasado. Ou seja. uma regulamentação de RDS. o contexto é fundamental para você definir qual é a categoria que vai se enquadrar lá. se for assim eu coloco outra. já começa essa conclusão. elas são Unidades de Conservação geridas pelo Poder Público. o modelo típico. da repartição desses benefícios.. fazer com que a unidade cumpra os seus objetivos. E outra coisa. Quando tem se falado na questão da solicitação do engajamento das populações na criação e na gestão. dentro da dinâmica de legislação ambiental que nós temos hoje em dia. então. que é uma coisa que eu trabalho há 30 anos nisso. Depois que nós fizemos esse Anteprojeto veio a Lei do Recurso do Patrimônio Genético. que é uma APA com sérias restrições. gente. eu gostaria de chamar atenção para isso para nós não enfatizar demais essa questão. elas são as que menos recebem ainda. que elas geram renda. Eu acho que essa discussão ainda é um pouquinho prematura agora. sem dúvida nenhuma. a população gera renda”. não vamos confundir Unidade de Conservação Públicas com Unidades de Conservação de Domínio Público. você tem ela criada no papel. Então. Então. eu acho que o SNUC e nós também perigosamente estamos dando muita ênfase porque quando você vê na prática hoje as RESEX e RDSs. eu posso lançar aqui mesmo que eu acho que não é. o próprio ARPA. elaborar plano de manejo. Se a gente tiver agora como modelo Parque com gente. porque não exime o órgão gestor de proteger. Então sobre o Anteprojeto que nós apresentamos. do acesso ao conhecimento tradicional. eu acho isso muito prejudicial para as populações. E mais recentemente o projeto das concessões florestais que também vai interferir de alguma forma nessas regulamentações que nós vamos propor. tudo isso foram legislações posteriores que realmente vão ter agora uma grande influência em qualquer projeto que a gente vai propor de regulamentação. Eu vou dar só dois pontos. A Srª. ele está. mas que podem ter propriedades privadas no seu interior. mas hoje se nós formos falar que a proposta é parque com gente. vou repetir isso. são duas coisas diferentes. o problema fundiário. quando nós sabemos que as atividades extrativistas estão completamente inviável: “Mas a unidade gera renda. já fazendo uma conclusão de sustentabilidade da população e da UC. Pontos mais gerais eu deixo para discussão. Obrigada. eu vou deixar os pontos gerais para depois dos Grupos de Trabalho. Então. As Unidades de Conservação Pública elas admitem. E outro ponto geral é em relação aos modelos: eu acordo que em algum momento nós temos que chegar a um modelo.. Então eu acho que a gente devia discutir os princípios. Não é o caso da 169 . Não precisamos deixar para o final esse modelo. com relação às Unidades de Conservação . APA com restrição. Então. Agora. esgotar os seus prós e seus contras. você tem RESEX sem chefe. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Como me deixaram na ingrata situação de o último a falar. que essa minuta que nós disponibilizamos para vocês do Anteprojeto de Lei para o Estado da Amazonas não pretendeu ser. tendo em vista a realidade que hoje você vê em campo. dentro do parco orçamento público para as Unidades de Conservação .

estou repetindo para vocês conversas. gente.. Mas é de domínio. “quando necessária à desapropriação”. Então. A Srª. foi um Decreto de 1990 que criou as primeiras Reservas Extrativistas. O Parque Nacional da Serra da Canastra agora é o modelo típico do problema fundiário que permanece durante décadas. o patrimônio histórico tombou patrimônio lá dentro que é incompatível com Proteção Integral e. isso pode interferir na mudança de comportamento das populações em relação àquela espécie para benefício das populações. continuam sendo. no caso das Reservas Extrativistas. são duas categorias de Unidade de Conservação que são bem diferentes e os contornos são bem precisos e eu queria deixar isso bem claro. Quer dizer.SDS/AM) – Tem uma propriedade e um “cara” lá dentro e ele diz: eu não quero que ninguém ponha castanha aqui.. por exemplo. O SR. o Governo não desapropriou e as propriedades continuam lá. É a sustentabilidade baseada na pesquisa e de repente no conhecimento tradicional também. por exemplo. é uma área onde as populações tradicionais é o ponto focal da Unidade de Conservação. Agora que ela é de domínio público isso está escrito na Lei e nós não podemos fugir disso. se desenvolveram Cidades. a RDS é de domínio público. São totalmente diferentes na minha cabeça. mas não é bem por aí. Quer dizer. Outro detalhe que eu queria comentar com vocês ainda. isso desde 1990. A história de Reserva Extrativista é o PAE – Projeto de Assentamento Extrativista do INCRA. mas privada. mas o modelo eu entendo ser totalmente diferenciado e eu concordo plenamente com ela porque no caso da Reserva de Desenvolvimento Sustentável o grande enfoque é realmente isso. É fundamental que isso seja resolvido nesse momento da regulamentação da categoria. no caso da Reserva de Desenvolvimento sustentável. é porque muitas vezes uma área está com particulares. enfim. A não ser que a gente mude a Lei. Então a pesquisa cientifica para mim. a premissa básica. ela é uma Unidade de Conservação do SNUC. Então. a gente precisa resolver esse impasse agora na regulamentação. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . é realmente a mola mestra a era isso e eu estou dizendo aqui. quando necessária à desapropriação presume-se que foi uma análise do título de domínio e que a pessoa é realmente proprietária e aí sim cabe o Instituto da desapropriação por utilidade pública ou por interesse social e aqui vai uma outra grande discussão. inclusive. Já aquelas que são de domínio público. tem várias formas apossamentos de terras particulares que não implicam em desapropriação. ele vai. elas têm que estar no domínio público e aí se incluiu a RDS está claríssimo no artigo que ela é uma Unidade de Conservação de domínio público. ele não vai ser desapropriado. ele vai ser indenizado. mas a origem é essa e o que está na Lei é essa origem dessa e nós não podemos fugir dessa fonte do Direito.RPPN. como foi o caso típico do manejo do Pirarucu. ou seja. inúmeras conversas que eu tive com a pessoa que escreveu esse artigo aqui que foi o Márcio Aires. mas ele não tem o domínio. E esse problema que todo mundo está achando que é problemático dizer ali no artigo 24. A posse. os projetos de assentamentos extrativistas que estavam sob o INCRA foram realmente transferidos para o IBAMA na forma de Reserva Extrativista e depois passaram a integrar o SNUC. Lembrar sempre que o Projeto de Assentamento 170 . da Reserva Extrativista é o modelo mais adequado para atender todos os anseios da população tradicional. é a mola mestra. É evidente que os contornos hoje podem ser outros. Então eu acho que no caso. você só vai indenizar as benfeitorias. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Esse é o problema fundiário de todas as Unidades de Conservação . mas basicamente na pesquisa que muda. a partir do momento que se conhece cientificamente uma espécie e todo o seu desenvolvimento. muitas vezes o comportamento tradicional. que ela não é uma Unidade de Conservação Pública. a premissa básica é essa. no entanto. por exemplo. mas a diferença da Reserva Extrativistas para Reserva de desenvolvimento na minha cabeça é tão clara como a diferença da Reserva Biológica para APA. Aí sim. da população extrativista.

nem sempre extrativistas. Não adianta ficar falando que tem problema fundiário. Eu acho isso é fundamental para entender o modelo. Eu queria só voltar essa questão fundiária porque ela está aparecendo aqui sempre e o que nós temos que ter clareza é que na Amazônia a maioria dos títulos é complicada. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . LIGIA SIMONIAN (UFPA) – Desculpe. ou quando for o caso desapropriado e a desapropriação é um instituto que é específico para tem título. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . E tem mais. nem os Estaduais e nem o Federal. sempre ganhei. seja arrendamento. aonde a preservação. A Srª. eu não vou tomar o tempo de vocês. mas é só um segundo. mas por um problema de que o Município de Almeirim depende daquela renda ele não quer mexer na questão dos títulos e. retirando a possibilidade de utilização. A mesma coisa no Amazonas e aí por todos os Estados. Quer dizer. o 171 . Então isso é que falta. felizmente. O necessário aí é porque ele não é posseiro. a maioria. ele vai ter que ser ou indenizado. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Ele tem que ser desapropriado. no caso Amazônico um título comprovado de domínio porque lá os títulos não são válidos. não são válidos. seja posse. A Senhora está falando de domínio público. como é que eu dei ganho de causa? Com muita pesquisa. quer dizer. A Srª.SDS/AM) – Caso seja necessário. por exemplo.Extrativista é que deu origem a Reserva Extrativista e esse modelo deve ser perpetuado. não só indo no local ouvir as pessoas. O Governo do Pará sabe exatamente que os títulos. não foi o mesmo caso da Reserva de Desenvolvimento Sustentável aonde a pesquisa científica. estudos aprofundados. É um problema grave. O SR. Como é domínio publico? A Srª. mas o “cara” tem o título de alguma terra que está lá dentro e ele não permite que o Governo legisle sobre aquela área. agredindo a população. a CPI aqui não tomou um posicionamento que deveria ter tomado. Sem título de propriedade dele. Eu tenho experiência disso porque já dei vários laudos jurídicos para Juízes federais e. seja título de domínio. Agora. infelizmente. No caso da Jarí que tem esse problema com a RDS Iratapuru. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Foi o que eu tentei explicar. gente. a (?) também e não foi feita uma auditoria para saber disso.SDS/AM) – Eu estou com dificuldade para compreender o raciocínio dela e eu queria que ela me ajudasse. E coloquei na cadeia um fazendeiro com um laudo que eu fiz lá para Unidade de Marabá porque provei que ele mentiu em juízo. O Governo. eu já comuniquei isso para o IBAMA lá em Manaus. mas às 7h eu fiz uma massagem linfática a aí na hora que se inscreveram eu tive que irão banheiro porque eu estava inchada e tive que fazer. Agora. Título legal. se ele fosse posseira ele teria que sair também porque ele não é da população extrativista ou tradicional. Com pesquisa em arquivo. dei ganho de causa. Então se ele tem lá uma área incompatível com os objetivos de manejo da Unidade de Conservação. Agora nós estamos com problema lá no (?) em que uma pessoa lá que se diz dona das terras está lá perturbando. aonde os espaços onde se procurou criar essa Unidade de Conservação são espaços que realmente têm populações tradicionais. infelizmente. não está tomando essa posição. Há pouco tempo eu estive com uma das Advogadas que mais conhece o INTERPA lá no Pará e ela me confirmou isso. tradicionais vivendo dentro desse modelo e que realmente podem ter as suas atividades alteradas em função de resultados científicos que são benéficos para elas.

o grupo. O SR. vamos retomando nossos trabalhos da tarde. agora à tarde é um pouco menor. tem lugares aqui. o primeiro condicionante está aqui para a nossa avaliação. Eu tenho também um material impresso que pode ajudá-los. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – A minha dúvida é quanto a essa interpretação de abrigar populações. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Bom. os pontos favoráveis e os pontos desfavoráveis. Vamos retomando nossos lugares para a gente poder dar início aí ao trabalho da tarde. em homenagem à Rita que chegou do Amazonas. eu vou anotar as inscrições e vou precisar de um sub-relator e. engessar. a gente raptou ela desde a semana passada. Como metodologia de trabalho para esse pós-almoço. residentes na área alvo”. Vamos lá. O que vocês acham? Divide por dois grupos. só que não enfrenta a questão porque se enfrentar Almeirim acaba. de acordo com a afinidade. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF Brasil) – Obrigado. sendo que isso pode. até porque eu gosto como está porque você consegue amarrar as coisas. que estará aqui no flip chart anotando. Eu tenho muito medo quando se deixa as coisas muito incerta. nós temos então a proposta de discussão em dois grupos. por unanimidade e aclamação.Governo sabe exatamente quais os títulos que são válidos e quais os que não são. temos 17 condicionantes e a gente pode ir um por um no grupo geral. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Eu acho que restringe as possibilidades de uma solução via RDS. A SRª. Convido vocês agora para o almoço que vai ser servido no térreo ao lado da recepção e a gente volta em 30 minutos. por favor. que aqui nós estamos tratando como residentes. talvez eu pudesse distribuir por mesas. essa interpretação de abrigar que vocês traduziram por ser residente. Já venceu a Plenária Geral. O SR. numa situação específica. as referências. Pontos favoráveis. chegou nada. em determinadas situações. enfim. Se vocês se sentirem prejudicados pela coluna. de uma população que poderia ser a mais recomendável a criação de uma RDS. os condicionantes de discussão. um para tratar de condicionantes para criação e o outro para diretriz para implantação e gestão. A gente pode trabalhar isso por grupos ou na Plenária Geral para cada subtema. Temos a nossa sub-sub-relatora. Pinagé está inscrito. Esses aqui foram pensados por grupos. Vamos para a Plenária Geral. principalmente desse lado. Então. permaneçam como estão. Eu estou favorável com a 172 . A idéia que a gente está colocando é a que gente pudesse trabalhar tanto para cada tema que foi colocado. a gente vai nomear o Marcelo Creão como relator. Está aberto o tema. Tínhamos então uma idéia inicial que a gente pode colocar em discussão. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Mas também o material vai ficar impresso para consulta de vocês e aí a gente vai trabalhar com os dois aspectos para cada condicionantes. “Ocorrência de populações locais. Lucila. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Você acha que não tem que ser residente? O SR. No total vão dar uns 17 condicionantes.SDS/AM)) – Eu gosto da redação como está. Então. porque aí vai depender da interpretação. Os de acordo. Está eleito. como melhor tratar isso. O SR. para a gente trabalhar com os temas de condicionantes ou diretrizes para implantação e gestão ou Plenária Geral? Quem vota na Plenária Geral. já com um novo número de participantes. (Intervalo para o almoço) O SR. diminuir as possibilidades para uma criação. Abrigar é mais amplo.

Então. dentro do caráter subjetivo que isso pode dar. para a gente trabalhar com isso como você vai definir o que é pouco ou muito impactante? O SR. “formas pouco impactantes de utilização ou exploração desses recursos”. eu acho que é possível dar uma flexibilizada naquela linha de “residente ou que utilizem em modo permanente ou sazonal recursos da área foco de proteção”. agora. para dar um limite porque senão vai vir alguém. em relação você ter comunidades dentro e fora do torno. já entrando no mérito.SDS/AM)) – Eu acho que é de atividade regional.redação como está aí. é que “abrigar” é 173 . uma alternativa. Então. aí pode “e” aí fica definido. Eu acho que fica o registro da preocupação. “na zona de amortecimento”. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Primeiro. não faço disso um cavalo de batalha. para a gente seguir bem a linguagem. nós estamos pensando. ao invés de “populações locais”. vamos usar a mesma terminologia da lei que fala em “populações tradicionais”. Você pode imaginar situações onde as pessoas desejem estabelecer uma RDS. Bom. aqui estou falando como advogada mesmo. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Próxima inscrita é a Sônia. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . que a gente tire o “prático”. ou. Então. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – O Cláudio até chegou a falar isso antes de começar essa sessão que tinha um certo receio que a gente entrasse numa coisa de redação. E. onde do entorno utilizam. como uma pessoa que cuida de regulamentação de lei. e aí eu concordo que a eliminação do termo “prático”. eu proponho um advérbio aí “relativamente pouco impactantes”. fosse eu o ditador máximo que legislasse. e depois entra de bonzinho e depois começa a fazer problema lá dentro. eu acho difícil esse “pouco impactante”. onde tem “formas pouco impactantes”. mas a ação de uma comunidade inteira já pode ser bastante impactante. como ele disse. como que a gente vai definir o que é uma forma pouco impactante? Qual é o parâmetro para dizer que aquela forma é pouco impactante ou muito impactante? Porque às vezes uma ação isolada pode ser pouco impactante. “residentes na área alvo de proteção e na zona de amortecimento”. com vínculos sociais de diferentes ordens. Estivesse eu numa posição de poder. como predicado do conhecimento dessas populações porque essas populações também têm conhecidos teóricos sobre os recursos. eu acho complicado. expressões simbólicas a respeito do que esses recursos são. Então. o editor das Medidas Provisórias. reside ali. Que reside no local. ou “e/ou que utilizem os recursos naturais da área” porque tem essa situação do Iratapuru. A SRª. HENYO BARRETO (IEB . com o desafio dela de comentar o “relativamente” proposto pelo Henyo. Segunda. mas “ou”. Eu acho que nós não deveríamos nos preocupar em relação à redação mais adequada. digamos assim. “Residente”. mas são os três comentários que eu tenho a esse condicionante que eu acho importante. Então. a terceira sugestão concreta é. ele tem que residir no local. ela sairia com essa rede ação. O SR. Eu diria. É a proposta que eu tenho. Me lembra lá a legislação de Licenciamento Ambiental que fala “significativo impacto ambiental”. pouco impactante sempre é em relação a alguma coisa que é muito impactante. O que é o “significativo impacto ambiental”? É a mesma coisa que forma o pouco impactante. O SR. porque não só um fazendeiro que vem lá do Paraná para entrando na reserva. mas não vamos ficar discutindo se é A ou B porque senão nós vamos parar aí e não vamos andar adelante.Brasília) – Eu diria não só residentes. O SR. Eu acho muito pouco. E a minha opinião. “residentes na área alvo de proteção e na zona de amortecimento”. Se você disser que tem que ser residente. lá do Paraná. naquele ambiente. “que detenha conhecimento sobre as características dos ecossistemas”. depois o Cláudio. Eu acho que é trabalhar nisso. Já passo a palavra para a Sônia.

porque ele não quer que deixe acabar o recurso. uma série de condicionantes. mas que eu acho que é importante. não está definido. nesse sentido eu acho que eu defendo também. É uma decisão que tem que ser tomada. Então. O SR. e tirar o “prático” talvez. A SRª. eu tenho uma consideração aqui que o André me lembrou bem. inclusive hoje já tem uma tendência que está discutindo a questão da destradicionalização. “Comunidade” dá um sentido de ter um mínimo de consistência de relações sociais. eu acho que essa história de ter um conhecimento sobre o ecossistema e o uso. O SR. A questão do tradicional. a experiência de várias Unidades de Conservação. mas ele não tem compromisso nenhum. O SR. tendo em vista os impactos rápidos e abrangentes que estão sendo produzidos pela globalização e a questão do acesso a aviões. Eu acho que essa redação é muito boa se deixasse assim porque você tem que entender que muitas vezes o usuário é relativo. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Antes do Ademar. Então. mas é um ponto nevrálgico dentro das próprias ciências sociais. Então. Obrigado. tem vários documentos técnicos. depois. Na verdade não são formas de utilização. “abrigar” não é um conceito permanente e onipotente ou onipresente. quem trata bem e quem trata mal. mas pelo conceito de “comunidade local”. Então. ele não tem compromisso com a reserva. já algo mais de estaticidade. na medida do possível. a lógica de que abrigar pode ser residente ou que usa a área e acho que embora esteja aqui usado o termo “população tradicional”. Eu defenderia o termo. são modalidades porque a utilização é um processo. Quem tem trazido os maiores problemas para dentro da reserva são quem só faz usar. o Gertz utiliza muito essa expressão. para cada fim você pode usar um ou usar outro. Populações locais também é utilizado. Eu acho que é importante uma forma de procurar explicitar melhor o que está definido no caput desse artigo da lei. científicos de ciências humanas que definem isso. ele não tem aquele compromisso com quem mora lá. eu acho que caberia a gente pensar em expressar isso. só lembrar que o resultado desse evento não pretende definir o texto da regulamentação e sim os pontos conceituais que vão ser oferecidos para quem. agora aí tem que se pensar se realmente vai se minimamente aproximar da legislação ou não. 174 . não vou ficar repetindo. e você pode abrigar uma população em uma determinada reserva quando lhe convém por “N” fatores. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .SDS/AM)) – Eu só queria colocar uma coisa assim.. ele não quer que alguém vá lá fazer o estrago do recurso. eu acho que é o conhecimento sobre os ecossistemas e sobre o uso dos ecossistemas. Se a gente der 10 minutos para cada. mas são contraditórios. A gente tem 17 condicionantes.. conhecimento. a forma sempre dá um indicativo de uma estaticidade. CLÁUDIO C. for elaborar essa regulamentação. porque forma. o transporte hoje está muito mais rápido e etc. Aí tem que ver a questão da legislação se pensa ficar mais próximo do que já existe no corpus legislativo ou se se distancia e questiona. Então. MARETTI (WWF-Brasil) – Na verdade. Eu acho que é uma modalidade de utilização. são 170 minutos. sem entrar no detalhe do conceito. evitar polêmica e seis minutos para cada um. enfatizar a questão de uso e aí tem um problema que é semântico. é bem mais amplo. realmente é um problema conceitual dentro das ciências sociais e já se fala. já foi mencionado aqui anteriormente. Então. que está vindo à tona em vários momentos. eu vou propor para vocês a gente tentar ser bem objetivos. eu acho que se a gente entender que essa redação é justa para quem mora no lugar. Quem mora lá se compromete.uma coisa mais abrangente mesmo. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – A questão justamente era essa última que o CLÁUDIO colocou. porque uma coisa é um cara que mora em Tefé e usa os lagos do Mamiraua para pescar. Você pode ter um abrigo contra fogo que só usa quando pega fogo. não pela redação.. E aqui fala em “baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais”.

Eu concordo que tem que ser só residente mesmo. Por isso que eu acho que como nós estamos definindo uma área. você consegue. de estar cuidando. No que a gente vai se basear? Vai se basear só no que foi estipulado pelo SNUC e na interpretação do SNUC ou a gente vai também trabalhar com a realidade que existe hoje? Mas eu acho que em qualquer caso. O SR. é ter gente morando. Em todas aquelas situações que a gente até conversou hoje pela manhã sobre o que é RDS. é uma questão de moradores dentro da área. ou só com a realidade atual. do jeito que está hoje. isso é uma outra coisa a ser vista no Plano de Manejo. Mercadante colocou isso também. para os órgãos de Governo é muito mais fácil controlar. Essa é uma condição. que detenha conhecimento sobre as características dos ecossistemas e que utilizem modos pouco impactantes de utilização e exploração dos recursos naturais. Nesse caso também não está sendo tratado a questão das pessoas da zona de amortecimento. enfim. SALES – Só para dizer que concordo com o Ademar. me parece que abre uma abrangência e isso acaba comprometendo os recursos que estão ali dentro e os conflitos com as populações que estão lá. de estar olhando a reserva. muito mais fácil estar dialogando. nisso eu concordo com o Paulo Oliveira. RDS.. Iratapuru. quem sofre as conseqüências que está lá. isso significa que as populações já estão incluídas dentro desse limite. Se deixa assim. SALES – Tudo bem. uma das condições básicas. Se você deixa essa questão do usuário. mora lá em Santarém. mas para ter essa categoria. por exemplo. se você pegar a concepção encaminhada pela Universidade de São Paulo quando estava sendo discutido o SNUC. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Mas eles eram residentes. mora em Tabatinga. eu acho que não deveria ser encaixado como RDS. não estou falando da história. O que está falando assim é que é uma condicionante para criar uma reserva que tenha gente morando dentro. de estar de estar trabalhando as questões políticas. “Mas está dizendo que eu posso fazer parte também”. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Vai punir agora a população por um erro histórico de um Governo que não teve. Eu acho que se você deixa esse compromisso. foram as políticas públicas que tiraram eles de lá. 175 . Se veio gente depois. “usuário”. mora lá em Tefé. falava de áreas que devem contemplar populações residentes e que merecem essas áreas ou a proteção. se você pegar aquela conceituação de “parque com gente” que o Ronaldo Mercadante estava usando hoje. tanto trabalhando só com o que foi disposto no SNUC. que não se encaixe nesse conceito de RDS. você ter uma Unidade de Conservação para abrigar pessoas que seja. deixa. ela já tem uma territorialidade definida. Se você pegar o caso de Mamiraua. Eu acho que Iratapuru escapa um pouco. é complicado. gente que resida. Se você está definido por um limite. de estar trabalhando dentro dela. ele vai lá e pega. do que está disposto hoje no SNUC.Se você deixar a redação em aberto. que dependa da exploração dos espaços e recursos naturais. que também foi um dos grandes inspiradores do que consta. tem que ter gente morando dentro. A SRª. tudo bem. da zona de entorno que podem trabalhar dentro ou ser beneficiárias de alguma forma.. é complicado porque quem são os usuários? Mora em Manaus. RENATO R. A SRª. Nós temos alguns princípios que nortearam a elaboração da lei e temos hoje uma série de realidades que caracterizam o que são as RDSs hoje. Essa é a minha recomendação na questão de mudar essa primeira parte da redação. O SR. por exemplo. até porque o próprio Conselho Deliberativo. eu acho que não cabe. para mim. RENATO R. RDS. sobre o que as pessoas consideram que seria RDS. mas são populações residentes. porque existem acordos locais que garantem que os usuários precisam tirar.

por exemplo. que tem que ter gente morando. não necessariamente essas pessoas residem permanentemente nas áreas que elas ocupam produtivamente. através das suas associações. porque como acho que o André salientou. então. para fazer inventário florestal. pelas razões que a professora Lígia salientou. discutir manejo de açaí. acho que é importante preservar. eu caminho para uma outra opção. 176 . concordo com a direção que Lucila e que Renato deram de omitir a referência a população tradicionais. No caso da sugestão que eu fiz. mas é possível imaginar essas situações. historicamente.Brasília) – Eles são agro a caminho de serem extrativistas. quer dizer. já embutido dentro dele você pode dizer que você tem o Estatuto das Sociedades ou das populações tradicionais. das quais elas se apropriam. A gente imagina sempre o campesinato como vinculado a uma área rural. você até iniciar um processo para trazer essas pessoas para dentro outra vez. mas não residam permanentemente nela sejam eventualmente beneficiados. O SR. apenas para registro. preservada dos madeireiros na forma de RDS e eles não residem permanentemente na RDS.Brasília) – Obedecendo à sugestão do Maretti de discutir os conceitos e não a redação. em algum momento nessa trajetória da regulamentação. não foi isso que ele disse. Essa dinâmica de experimentação social que preserva cobertura florestal em áreas de fronteira e de pressão. fundado nas seguintes considerações. RENATO R. O que. só para dar um exemplo concreto. Claro que Iratapuru. por exemplo. é para justificar apenas as sugestões que eu tinha feito naquela hora. você imagina uma fronteira florestada de 100 mil hectares ao norte da Altamira. uma opção pela manutenção da uniformidade conceitual e aí se trabalhar com a noção de populações tradicionais. Essa é uma opção. você vê os pátios cheios quando você aterrisa. como diz o André. sejam elas de proteção integral ou de Unidades de Conservação. mas você tem as articulações núcleo/urbano/sítio. além de residentes. SALES – Mas não se trata de punir essas comunidades. insatisfeitos com a lerdeza do INCRA. ao fazer um comentário sobre uma manifestação da Doutora Sônia. Então. mas. ou vai se fazer. nós estamos falando do centro. Então. assim como a biodiversidade in sito da área foco e era isso. Acho que essa é uma direção salutar. outras coisas. dentro do SNUC. Só isso. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Essa população que você está exemplificando agora é extrativista ou qual é o tipo de atividade dela? O SR. eles começam a discutir. e aí a questão que eu botei. Isso é uma discussão clássica no campesinato. Eles querem manter os 80% dos lotes florestados. pode ser até um ponto a favor dessas comunidades. as madeireiras estão lá. A gente foi lá ministrar um curso de manejo básico florestal comunitário. mas a gente pode interpretar. eu acho que a professora Ligia. parágrafos que mencionam populações tradicionais. quer dizer. Ao sul de Caxiuanã. do ponto de vista conceitual. mas a discussão é de definição conceitual. Se vai um pouquinho mais para oeste de Altamira. A SRª. já sinalizou uma coisa muito clara.O SR. contempla essas situações. alguns assentados da Reforma Agrária que ainda não foram listados como beneficiários em relação ao INCRA e satisfeitos com o atraso. HENYO BARRETO (IEB . já começam a imaginar a possibilidade de transformar um projeto de licenciamento numa RDS. de fato existe e se estabelece ali uma forma de relação com esses grupos quando da implementação de áreas protegidas. não se encaixa. A hora que você fala que pode ter sim. A grande maioria deles tem residência permanente na cidade de Altamira. uma delas é que. de arco do desmatamento quase. a possibilidade de uma outra forma de regulamentação. você consegue mapear. a possibilidade de que grupos que ocupem produtivamente a área. ainda que não esteja lá nos incisos das definições. Então. Só para justificar conceitualmente as sugestões que eu fiz aquela hora. HENYO BARRETO (IEB . Se você pega todos os artigos. Existem formas de articulação núcleo/urbano/sítio.

essa categoria. ele fala que o maior problema hoje nas ResEx é a ocorrência de gado bovino. onde você não tenha o domínio público da área total e onde tenham atividades que sejam bastante diferentes mesmo de extrativismo. dentro da RDS. a caracterização do tecido social. como criação de grande porte. Então. eles falam de recursos naturais. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A gente pode passar para o dois. Com relação a esse condicionante. eu acho que a gente entende que o manejo comunitário madeireiro. ”Ocorrências. O SR. O que para mim não está claro. até se considere como produto extrativista. Inclusive há uma associação que já está colocando os lotes deles lá. não importa se seja de fauna ou flora. Depois.O SR. formando seus lotes dentro da RDS. ou considerando pesca e madeira nessa questão de manejo comunitário como uma unidade extrativista. mas a característica das populações residentes na área alvo. RENATO R. Na minha sugestão está embutida também uma preocupação entre uma coerência entre o condicionante um. eu acho que desqualificar RDS nessa altura. entre as populações residentes na área alvo de proteção de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais”. Eu tenho sugestões específicas sobre essas condicionantes. mas como as três estão ligadas. e isso tem sido discutido muito com os técnicos e tal. Por isso que eu acho que as Unidade de Conservação. o sete e o nove vão falar sobre isso. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . acho que até discordo da primeira fala de manhã. é essa questão. desde que seja uma pesca manejada. o dois e o três. eu considero que a RDS é uma unidade muito aproximada da Reserva Extrativista. Eles estão tão próximos que nós estamos trabalhando em cima de capacitação deles. quer dizer. O CNPT está cada vez mais considerando a importância de você reforçar o conceito de ResEx e deixar a RDS para aqueles casos onde haja uma questão fundiária diferenciada.) geração de renda produção extrativista. eu considero também extrativista. me desculpe eu insistir nisso.. na verdade isso também obedece uma orientação que o CNPT está procurando dar. o que considera nas florestas das áreas rurais? Pecuária cabe dentro de uma Unidade de Conservação? Eu imagino que não. poderia ter no seu (. E a tendência é habitar. predominantemente não extrativistas e a questão da organização sócio-produtiva. eu esqueci de dizer isso. Várias dessas atividades realizadas pelos povos da floresta. pode seguir para a segunda para relacionar todas as inquietudes que a gente tem sobre o segundo condicionante.Brasília) – Só para complementar. como uma pesca também. da Mata Amazônica e tal são caracterizadas como extrativismo sim. não em larga escala. digamos assim. como o professor disse. O SR. Eu ainda considero. mas em escala familiar onde você tenha até pecuária. eu anotei aqui. uma coisa pequena. da Mata Atlântica.SDS/AM)) – Só perguntar. permitir atividade econômica como pecuária. Conversando com o Paulo Oliveira. O SR. ele pensa até em alterar porque ele acha totalmente 177 . de agente ambiental comunitário que é exatamente para fortalecer eles com a RDS. quando chegar no dois e três. seria jogar um processo histórico todo. ao fazer essa sugestão. por exemplo. é bastante abrangente a conceituação de extrativismo. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – E a tendência daquela comunidade do lado leste é habitar a RDS. mas não quero me antecipar. com a diferença que nós acabamos de ler de manhã essas diferenças. é bastante amplo. Para ele. mas acho que isso não caberia dentro dessa categoria. que seja uma pequena agricultura. uma pequena criação de peixes.. se você for ver na conceituação de extrativismo. HENYO BARRETO (IEB . Então. O SR. no SNUC. SALES – É o seguinte.

CLÁUDIO C. que não é extrativismo. Então. o gado. desde que ele não seja exclusivo. “atividades de subsistência”. mas talvez. cria gado. os impactos que isso poderia causar. tem alguns casos na catinga. na época da castanha. desde que não seja talvez nem o principal. “as atividades de subsistência” porque aí caracteriza o esforço da atividade familiar e não em grandes escalas. são simpáticas e apóiam a 178 . porque na verdade. mas uma coisa que tem que ser consensuada. que só tem três cabecinhas de gado. corta seringa em julho. MARETTI (WWF-Brasil) – A bem do tempo não vou repetir o que eu defendo ou não defendo dos demais. Nós temos que.impossível que essas populações vivam sem as cabeças de gado. Mas não deixa brecha para uma coisa de atividade de grande escala. O que precisaria haver é um controle do número de cabeças por família. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – É a dificuldade em você determinar até o que é “predominantemente”. por exemplo.. que tem uma pecuária de cabra. coleta castanha em janeiro. é uma coisa que a gente tem que ver depois. que coleta castanha. pensando nessa escala do Brasil. Queria só fazer um comentário em relação à história de não pensar só a Amazônia. que não é extrativismo.. Então. vai muito na linha do que o CLÁUDIO falou. Ele é um dos critérios. que só faz roça. Então. a gente não está pensando só em RDS na Amazônia. discutida na região e ver. no nordeste. Então. nessa perspectiva de estar pensando o Brasil todo. você pode ter situações onde você tem as populações predominantemente extrativistas e. Você pode ter casos que não partiu das populações tradicionais. Eu não acho que ele possa ser obrigatório. não estou discutindo o conceito de extrativismo não. senão talvez você perde opções. Comentar só a dificuldade em determinar o que é “predominantemente extrativista”. mas tem casos no cerrado. de alguma forma. ainda assim. em locais onde há uma diversidade bastante grande de espécies vegetais que eles se alimentam. tem alguns casos no sul onde essa questão do gado não é tão assim complicada. O SR. é meio irreal falar que pecuária não cabe dentro de uma Unidade de Uso Sustentável e você tem caso. mas não é a solução. Inaudível) A SRª. O SR. como é que você vai. onde elas entram no processo um pouco mais tarde. exclusivo. acrescentar. O que eu queria frisar é que eu concordo com esse condicionante. a demanda precisa partir das populações tradicionais.Brasil) – A minha sugestão. me preocupou por ser uma condicionante. Então. a gente está pensando em geral. de quatro patas. para aquele exemplo que você colocou do cerrado. RITA – A minha única preocupação é qual vai ser a implicação desse condicionante no caso que você tenha populações. como está sendo chamado. a opção ser pela RDS. no jogo dos critérios ou das condicionantes. Em primeiro lugar. como é talvez na floresta. (Intervenção fora do microfone. desde que não seja o único. na Amazônia e fora dela. O SR. ele tem uma seleção de produtos e não é tão impactante. eu acho que depois de RDS nós temos que discutir ResEx mesmo porque gado e ResEx hoje é o problema. que somos um programa de trabalho com a Amazônia. mas. Ao longo do ano as populações fazem de roça. aí você tem que parar de pensar só na Amazônia. claro. ele funciona quase como um extrativista animal. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF . É uma pecuária extensiva que causa impacto? Claro. você não tem uma pessoa que só pesca. A SRª. Uma sugestão. que ele não assuma uma importância maior do que deve ter. dentro da RDS estaria trabalhando com essa dimensão de atividade econômica. incluímos uma zona costeira. logo depois de “ predominantemente extrativista e recursos naturais”. porque hoje você vê. isso é fundamental. por isso que nós. RITA – Tem uma série de coisas. no caso da ResEx. Agora.

Nessa perspectiva eu daria. era o pescado. uma agricultura que toma muito mais tempo e demanda muito mais esforço das famílias e é ela que gera os alimentos ou então a renda de forma primordial e faz algum extrativismo. noutra época são garimpeiros. Não se pode pensar nelas de forma isolada. The Grass Roads Organization do Porto de Mós e uma das reivindicações que eles colocaram para o Conselho de Desenvolvimento Sustentável e CNPT é o seguinte: “Respeito à diversidade sociocultural dentro da ResEx”. essa é uma redação que eu fiz aqui agora pensando em como traduzir esse entendimento. 179 . o principal produto. HENYO BARRETO (IEB . todas são extrativistas. na verdade. existe toda uma outra esfera de tomada de decisão. O SR. vamos dizer assim. você fecha opções. E é claro que caso a caso que tem que ser visto.Brasília) – Partilhando dessa preocupação que o CLÁUDIO expressou e dependendo de como se define esse condicionante. não existe. por exemplo. de forma conceitual. é predominantemente extrativista sim. essa é uma atividade socialmente invisível? Acho difícil. ao invés de ser assim. “ocorrência de atividades não predominantemente extrativistas”. ao considerar a criação do estabelecimento da Unidade de Conservação. eu fico me perguntando se não seria interessante frasear esse condicionante de um modo negativo e fiz uma redação aqui que é absolutamente provisória. não se pode rotular antes. o peixe. mas não se inicia ali. em momento nenhum eu acho que existe o extrativista exclusivo. então. ou como sistema produtivo ou como característica definidora das atividades econômicas. O SR.. A gente tem alguns casos assim. O SR. como a gente está vendo. Eu acho que a conjugação de todas elas que começa a direcionar para você criar uma RDS. CLÁUDIO C. depende da questão conceitual. quando existe. historicamente. E aí sugiro que subsistência. o tradicional. numa época do ano são todos pescadores. seguindo a dinâmica do lugar aonde estão. do cipoal onde a gente está metido. é uma reivindicação do movimento social local. é predominantemente agrícola essa comunidade. final do ano passado teve uma reunião em Porto de Mós com lideranças do movimento social organizado. ao considerar o estabelecimento da UC. só para dar um exemplo. se a gente não poderia frasear. SALES – Só um esclarecimento. como o CLÁUDIO falou. outra coisa. pequena escala e familiar sejam descartados. E. não existe esse perfil. Não enfatizar ou não superdimensionar o extrativismo. RENATO R. na área alvo de proteção. digo. A questão fundiária é um assunto concreto que tem sido discutido e de fato talvez a presença de comunidades com perfis um pouco distintos do extrativista. Se tiver gente extrativista. mas hoje é uma reivindicação e certamente é uma reivindicação de outros grupos sociais que se vêm enquadrados dentro de certas categorias. um fraseamento a esse condicionante de forma negativa. O que eles queriam dizer com isso? Que havia um grupo lá dentro que. porque eu concordo plenamente com o Pinagé. Agora. estereotipado. embora tivesse extrativistas e etc. as populações estão usando ciclos produtivos que vão mudando ao longo do ano. não vamos promover a exclusão só porque hoje é uma atividade menos impactante ao meio ambiente. para manter opções abertas. Quer dizer. Então. ecologicamente certamente ela não é. E aí queria voltar o tema. para mim. Eu pergunto onde estavam os auditores e as formas de oitiva na criação da ResEx ao ter simplesmente. essas condicionante não foram pensadas como absolutas. começou a trabalhar com búfalo e que quer continuar trabalhando com búfalo. de novo.criação. produtivo das populações dos grupos sociais. é a conjugação da maior parte delas que leva à possibilidade de se criar uma RDS. a definição negativa não impede que se crie a RDS. não ter o extrativismo como ênfase. Naquela conferência lá de Manaus. necessariamente. não enfatizar o extrativismo como sistema produtivo na área alvo de proteção. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu só queria reforçar que eu também considero que subsistência não devia ser o critério. mas todas essas atividades lá discutidas. onde. é isso. Eu acho que talvez a lógica lá da muralha.

na questão da seringa. alguma coisa assim. você vai ter que cada situação é bem particular. E aí eu acho que essa palavra “condicionante” torna a coisa muito estanque. Se ver que a atividade que ele desenvolve é contrária aos princípios da RDS. Nós estamos pensando no passo seguinte. “Ah. está feito. abrigadas e se sintam bem morando lá. Isso que você tem que ver porque senão você acaba pensando que tem muita gente que mora lá na região amazônica. O cara bota um roçado para mandioca hoje. “nego” vai botar roçado na Amazônia. A gente está muito apegado às que já foram criadas. para mim. que é o papel mais importante que nós estamos defendendo aqui. como vier a ser definido. a minha preocupação está na região amazônica. já dá um monstro de desmatamento dentro da floresta. desde que tenha pesquisa. Eu acho que isso. uma palavra bem caipira. na questão da pesca. Volto a dizer. isso acaba trazendo preocupação para aquilo que a gente chama que é princípio. exclui.SDS/AM)) – Nós estamos ainda falando do processo de criação. Nós vamos ter que tentar melhorar isso. tecnologia. se você somar o quanto de hectares que ele derruba por ano. Eu acho que é isso que nós temos que nos preocupar porque tem gente que cria búfalo. eu sou contra essa questão de engessar a população para não sobreviver. porque se você for 180 . porque tal situação”. Não estou querendo. a lógica do local volta a ser importante e acho que a essa condicionante de ser do interesse da comunidade local. eu acho que já tem uma cesta de produtos que dá muito bem para as populações locais se desenvolverem. Pará. mas acho que esse tem que ser o foco e não mera subsistência. ou seja. Eu acho que a gente tem que pensar nisso porque senão você acaba fugindo do princípio que é a Unidade de Conservação porque se você deixar esse negócio aberto. amanhã aquela terra não serve para nada. A SRª. queria deixar a sugestão de talvez pensar em substituir essa palavra por “critérios” ou “características” que definem uma área potencial para criação de uma RDS. Eu queria que a gente separasse um pouco isso. a partir de usar os recursos que tem lá dentro. depois abre outra clareira. eu sei como é que funciona. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Eu só queria fazer uma sugestão porque eu acho que a gente está falando de realidades bem diversas. Mesmo falando do bioma Amazônia. exclui essa família e bota lá dentro as pessoas que comungam com essas idéias. Você vai ter que atender todas essas condições para você poder criar a área? Será que é exatamente isso? Não sei. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . depois abre outra clareira e aí quando você pensa que é uma agricultura familiar. foge do critério de Unidade de Conservação. O que já está feito. O SR. sul do Amazonas como Mato Grosso. também é fazendo com que essas populações que estão lá dentro se sintam agasalhadas. mas se criar Unidade de Conservação atrapalha a vida dele. além de preservar o meio ambiente.Então. não conheço outras regiões do Brasil. “predominantemente a pecuária”. tem que abrir outra clareira. deixa ele fora e vai com outra população. tudo isso agregado. na questão do manejo comunitário. nós estamos discutindo uma coisa que vai ser para toda a região. mas eu acho que a questão de se nós olharmos a questão das Unidades de Conservação. eu acho que nós estamos preocupados: “Ah. não resolve tudo como o caso da ResEx Chico Mendes que está gerando impacto com a ampliação da pecuária pela comunidade local. mas criar uma RDS aqui e ele vai ficar dentro”. da biodiversidade. Então. mas se deixar a gente deixar aberto como está. na questão do açaí. Não estou falando de todas as áreas do Brasil. as novas reservas que vão ser criadas têm que preencher esses critérios que estão aí. eu acho que elimina ou retira o principal. Por isso é que eu acho que a gente tem que considerar. particularmente. e aí a minha preocupação é. Rondônia e Acre porque se a gente não entender que as Unidades de Conservação têm um papel fundamental de. na questão da castanha. ou da população tradicional. que é a preservação da floresta. eu não preciso estar lá dentro como colocaram ”predominantemente agricultura”.

tentar abarcar todas essas realidades e aí o Renato falou, não tem as áreas costeiras, você vai realmente passar uma semana aqui e fica difícil você chegar num consenso porque é uma coisa bem diversificada. O SR. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu senti, posso estar equivocado, até porque a leitura minha foi rápida do texto todo, mas que essa condicionante ou referência que é a palavra que, eu acho, seria a mais adequada para evitar essa coisa estanque, ela está muito presa a uma necessidade que todos nós temos de fazer a separação clara da RDS com a ResEx. E eu acho que a separação clara entre RDS e ResEx não é, necessariamente, pela prática, pela atividade que a população residente faz. Eu vejo que tem uma questão que está muito clara que é a questão fundiária que vai bater, lá na frente, na oportunidade de criação da reserva, é uma delas, mas tem uma outra que é interessante que vocês colocam no texto que é a seguinte, a RDS tem um componente de preservação na natureza que é ao mesmo tempo, mas não é no mesmo lugar onde a população ocupa. Então, você, necessariamente, terá que ter zonas de proteção integral. E numa outra região, desde que os impactos sejam aceitáveis e tal, você pode ter populações com determinadas atividades predominantemente extrativistas. A diferença está em que esta Unidade de Conservação, em alguns casos, não vai ser necessária a desapropriação, em outros você vai ter a história da zona de proteção integral, quer dizer, você tem uma distinção em relação à ResEx que não é, necessariamente, em função do sujeito nem de sua prática, mas questões objetivas. Então, eu acho, sinceramente, que isso é uma referência, mas não deve ser uma condicionante. O SR. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) - Vamos passar para o critério terceiro, referência. “Referências para criação. Grau mínimo de organização sócio-produtiva, mesmo que informal, das comunidades moradoras, o qual permita sua efetiva participação nas práticas de gestão desta categoria de gestão de Unidade de Conservação”. O SR. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF -BRASIL) – Olha, não sou sociólogo, mas pelo pouco que eu entendi na Amazônia, qualquer grupo tem um nível de organização, mesmo que informal, mesmo que não tenha um presidente. Eu a acho essa referência é meio chover no molhado. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Desculpa aqui a expressão grosseira, mas não fede nem cheira. Deixa isso aí como está, mas esse negócio não vai atrapalhar em nada porque quando o grupo se organiza para criar Unidade de Conservação, as comunidades, os caras não têm juridicamente um estatuto, uma coisa assim, mas se reúnem, defendem o interesse deles. Para mim isso não... O SR. RENATO R. SALES – Deixa eu tentar defender o indefensável. (Risos) Existe sim comunidades que moram em áreas que são definidas até por gestores ambientais, órgãos executores do SNUC para virar uma Unidade de Conservação e que realmente não têm nenhum tipo de organização. Existem conflitos seríssimos entre as famílias, não se consegue fazer nenhum trabalho coletivo. Existem algumas comunidades caiçaras dessa forma. Enfim, eu já participei de trabalhos de negociação com algumas comunidades, às vezes é um chefe de família que quer a Unidade de Conservação e fala em nome de toda a comunidade, quando você chega lá todo mundo está desunido, ninguém quer saber daquela história, existe uma vontade já bastante clara de grande parte das famílias de ir embora, de sair daquela região. Enfim, quer dizer, nesses casos, para mim, existe, claro, uma organização interna deles que permite até que eles briguem entre eles, mas, para mim, não é um grau de organização, mesmo que informal,

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que permita uma gestão das Unidades de Conservação. Às vezes é só porque ouviu falar que parece que é bom ter uma RDS, “vamos ver se dá certo”, mas as pessoas já estão desistindo da região. Não foi um ou dois casos, já vi vários casos assim. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Estava entendendo outra coisa, desculpa Renato, mas o que você falou agora, o que está escrito ali para criar teria que ter uma associação e não um consenso, não uma... O SR. RENATO R. SALES – Quando eu coloco “mesmo que informal”, não precisa ter uma associação... O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Um é pescador, outro não é pescador, aí começa a ter essa briga. Eu sei que isso existe em qualquer reserva, você não tem 100% de acerto entre eles, toda reserva criada você tem 10 família, 15 que discordam e vão ficar discordando o resto da vida, se nós colocarmos essas condicionantes, não vamos criar Unidades de Conservação. Agora, acho que você pode até colocar como “maioria”, “organização que tenha controle da maioria. O SR. RENATO R. SALES – Só quero dizer que existem situações bastante críticas que levam a uma total situação de conflito. Quando eu falo organização é uma certa coesão interna que permita desenvolver trabalhos coletivos, que permita tomar decisões olhando na cara do outro. A SRª. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Só que isso muda, Renato. Você condicionar isso é que minha preocupação porque isso é um processo, tu pode mudar para melhor. Eu acredito, eu sou educadora, então eu acredito no potencial do ser humano, o grande problema é que não tem havido educação. A RDS foi criada por Iratapuru não tinha uma pessoa, realmente alfabetizada lá dentro, como é que tu discute sustentabilidade, políticas públicas, conservação da biodiversidade com uma pessoa que não sabe escrever o nome? Aí fica difícil. Isso eu me lembro que eu batia, até lá em Merlim num seminário com o Capi eu digo: “Enquanto não tiver educação lá não tem jeito”. Eu acredito no potencial. Então, eu não gostaria de obstar, a priori, mas tudo bem, é uma questão de entendimento. Eu gostaria de ter recebido esses documentos antes, até porque o Henyo ali “professora Lígia”, não precisa me chamar de professora. Eu estou aqui como uma colega, como uma companheira que está querendo ajudar dentro do possível. Eu, de fato, mencionei a questão do tradicional, eu disse: “Pode ficar, tem que fazer a opção”. Eu não disse que era para ser. A gente tem que ter o cuidado. Então, aqui é mais uma questão de um cuidado porque você não pode prever que vai ser sempre para o mal, pode ser para o bem, depende das condições que se oferecem. Agora, às vezes, concordo contigo, tem esses conflitos, mas mesmo esses conflitos não quer dizer que não possa fazer, até porque, lá na ResEx do Chapuri ficou claro, no início havia o acordo, havia o consenso e depois o que aconteceu lá? Eu tenho acompanhado bem o processo, é difícil. Então, antes havia e depois não houve, bom, e daí? Desmancha agora a ResEx ou tenta rediscutir a proposta e reencaminhar? É uma questão, não é uma solução. É só questionamento. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu acho que exatamente esse espcao de trabalhar com uma comunidade que não está super-bem-organizada, mas que é importante fortalecer e cuja área é importante proteger do ponto de vista da natureza, é que eu acho que

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devia deixar como um aberto. Essa diferença de ResEx eu acho que devia manter nesse caso. Acho que é preciso organizar, mas não como pré-condição. A SRª. RITA – Eu só queria comentar que acho que no processo da criação esses conflitos onde parte das comunidades residentes estão favoráveis e contra, ficam evidentes nas consultas públicas. Então, eu acho que a consulta pública seria o local, o momento para estar identificando até que ponto esses conflitos podem inviabilizar a reserva. A gente tem alguns casos, eu sou uma otimista por natureza. Então, eu acho que as Unidades de Conservação podem ser um instrumento de fortalecimento dessas organizações. Nós temos tido alguns casos lá no Amazonas que não existe nenhum nível de organização, Ademar mesmo e Raquel estão trabalhando numa unidade que cada família morava a meio dia de viagem da próxima família. E, no entanto, no processo de implementação dessa reserva, eles estão encontrando os meios para discutir uma nova forma de organização. Se vai ser para o bem ou se vai ser para o mal, nós vamos ver para frente, mas a verdade é que no momento da criação essa organização não havia. E a outra coisa que eu acho importante, porque acho que toda essa discussão é construída em cima de conceitos que são conceitos complexos que muitas vezes as pessoas vão começar a entender os conceitos no processo da implementação. E aí eles podem estar mudando seus posicionamentos porque na hora acharam que ia ser uma coisa e depois descobre que é outra, que, na verdade, é a tragédia da nossa falha de conseguir passar esses conceitos para a sociedade e a gente, nem nós aqui a gente tem o mesmo conceito. Então, eu acho que nós temos que ter esse olhar de que são processos que estão sendo construídos e que eles têm que ser adaptativos às condições. Então, eu tenho um pouquinho de medo desse grau mínimo de organização sócio-produtiva porque acho que a unidade pode ser o elemento catalisador da existência dessa organização. O SR. HENYO BARRETO (IEB - Brasília) – Eu proponho, fraternalmente, viu Renato e Lucila, a exclusão dessa referência, é a proposição fraterna, amistosa. Porque o que a gente tem, muitas vezes, é essa projeção do modelo do associativismo para todas essas situações onde a gente gostaria de atuar, nessa área de proteção da natureza, mas teve uma coisa que o Renato falou que eu queria fazer referência a um debate relativamente contemporâneo, não é o meu caso, não sou estudioso disso, a literatura contemporânea que está discutindo o campesinato histórico amazônico, as chamadas sociedades caboclas, que tem chamado a atenção, o Renato falou em conflito entre famílias e alguns autores, e isso é desafiador do ponto de vista do planejamento para qualquer coisa, não é só para conservação não, têm chamado a atenção para o fato de que não necessariamente são as comunidades, tal como nós a concebemos de fora, mas as famílias, e aí família no sentido lato do termo, tanto do ponto de vista de memória genealógica como de extensão de laços os mais variados, que são as famílias que são as unidades não apenas de produção, mas de mobilização política e articulação. Então, é natural haver conflitos entre famílias, na medida em que elas projetam futuros e horizontes diferentes para si. Então, em virtude disso e considerando que, num certo sentido, esse condicionante pode ser interpretado, como interpretou o colega Ademar, como um truísmo, todo e qualquer grupo tem um nível básico e mínimo de organização sócio-produtiva, ainda que informal, é que eu gostaria que ficasse registrado apenas, não faço disso um cavalo de batalha, a sugestão da supressão da referência, fraternalmente. O SR. RENATO R. SALES – Uma das razões para a gente ter colocado esse critério, seja lá o que for, é o seguinte, alguns estados estão criando RDS ao invés de ResEx e a justificativa é essa: “Ah, são populações não organizadas, são populações que não têm um grau de organicidade para desenvolver as atividades, não tem um senso do coletivo”. Então, isso, na

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cabeça desses gestores, desses executores do SNUC, não caracterizaria uma ResEx. ResEx tem que ser uma coisa de populações organizadas, associações, cooperativas, etc. e tal. Então, se não cabe como ResEx, vamos criar uma RDS, achando que é mais fácil. E no nosso comentário desse ponto, desse critério a gente deixa claro que a gente acha que tanto para uma quanto para outra tem que haver um espaço, um apoio, seja de parceiros, seja dos órgãos executores para propiciar, dar oportunidade para que melhore as formas de organização da produção. Só vou dar um exemplo bastante claro desse tipo de conflitos, você fala de conflito de famílias. É fundamental, para mim, numa RDS que exista Planos de Manejo de Rendimentos Sustentável de Espécies. Isso depende do que? De acordos de cavalheiros, acordos entre famílias, acordos entre produtores. Eu participei de um caso de uma comunidade aonde eles queriam fazer um manejo sustentável de ervas medicinais e daí houve todo o envolvimento de universidades, pesquisadores e etc. e tal e foi discutido com eles como é que seria esse manejo. Todo mundo concordou que seria tirar, de cada indivíduo da espécie, três galhos a cada semana porque senão comprometeria a reprodução daquela espécie, etc. e tal. Para isso funcionar, todo mundo tem que concordar. E o que aconteceu foi o seguinte, 10 famílias estavam fazendo o plano de acordo com o que foi estabelecido, e era suficiente para conseguir um rendimento bastante favorável, mas as outras famílias acharam que isso era uma idiotice muito grande. Iam lá e raspavam tudo. Como é que você vai ter um plano de manejo num caso como esse? São essas situações que a gente levou em consideração para colocar esse tipo de coisa. Mas também não é nada fundamental. Só quero lembrar... O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Eu acho que está bom, está preocupado com isso. Precisa mudar a redação. Para mim, a forma que está colocada aí caracteriza outra informação, e o que você coloca eu acho legal, quer dizer, você criar uma RDS não é porque o prefeito lá do município quer, não é porque o vereador quer, porque tem a família dele lá dentro, mas é porque as populações estão de acordo. Eu acho que o que tem que melhorar aí é a redação, dar entendimento. Eu estou de acordo, com a sua preocupação, eu comecei a entender. Agora, eu acho que olhando assim a redação, ela não diz isso que nós estamos discutindo aqui, me desculpa, mas parece que não diz isso. Aí você coloca uma questão clara que às vezes cria porque alguém quer, mas a maioria do pessoal não quer. Acho que podia pensar numa redação, eu não sou bom, mas alguém podia pensar uma redação para que contemplasse a sua preocupação que acho que deve ser uma preocupação de todos nós, que, para criar uma RDS, tem que ter uma concordância da maioria, não pode ser tudo, mas a maioria que concorde que seja ali estabelecido uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Acho que isso também, para deixar solto, fica meio complicado porque aí cria, como você está dizendo, o prefeito quer criar porque tem um amigo dele lá. A população fica sacrificada porque tem outros critérios que vão estragar um pouco a pretensão de alguns que estão ali explorando aquela área. O SR. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Fechamos nesse e passamos para o item quatro. “Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental, não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas”. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) – Isso tem uma questão conceitual que não tem nada a ver com comunidade. Uma questão conceitual da área ecológica e eu não sou dessa área, mas eu trabalho com proteção da natureza há mais de 20 anos. Eu acho que o que tem que presidir a definição de áreas para proteção da natureza não pode ser exclusiva e, às vezes,

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nem prioritariamente o grau de conservação dessa área. Quer dizer, uma área que está intocada protege, a área que já foi degradada, não protege. O que tem que presidir são critérios ecológicos que passam hoje pela discussão de representatividade da biodiversidade, mas que devem passar também pela funcionalidade ecológica e outros valores, inclusive sociais que é mais complicado discutir. Então, eu não me lembro de que isso está claramente explícito no SNUC, mas é uma discussão recorrente pelos técnicos da área, é uma tradição que pelo menos nos meus 25 anos de profissão eu tenho enfrentado sistematicamente em todo lugar que eu trabalho, no Brasil, na América Latina, em Galápagos, na África, fora, em lugares que eu já visitei no mundo afora, e não tem consistência científica do ponto de vista ecológico, das ciências biológicas. É uma coisa simplesmente reativa, “a gente tem que segurar o que tem” e aí não se faz. Essa coisa reativa é importante, nós temos que segurar o que tem, mas ela não é o único critério, não se faz uma análise da importância de cada área. Na Amazônia, cada vez mais a gente tem que fazer isso. O programa APA passou por uma revisão de meio termo agora e esse é um dos critérios que nós estamos colocando como principais. Nós não vamos conseguir proteger tudo. Como é que a gente escolhe, inclusive tem que proteger áreas que já estão mais degradadas, como as regiões de Mato Grosso e até, eventualmente, do Maranhão, para não falar no sul do Pará, com certeza. Então, os critérios de importância ecológica são fundamentais, senão você não cria. Uma Unidade de Conservação não pode ter um objetivo meramente social, pode ser, ao mesmo tempo de, embora não entendo muito essa separação especial que você fala, mas tem que ser proteção da natureza ao mesmo tempo que desenvolvimento das comunidades e etc. Mas o principal, não pode existir uma Unidade de Conservação sem a área ter uma importância ecológica. Agora, não dá para definir importância ecológica só ou exclusivamente como grau de conservação, menor degradação. A SRª. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Ao invés de grau de conservação, colocar alguma coisa como importância ecológica. A SRª. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só para reforçar isso que o CLÁUDIO Maretti acabou de dizer, na discussão da Medida Provisória do Código Florestal, Área de Preservação Permanente, a grande discussão foi isso, era uma área vegetada ou uma área sem vegetação? A simples localização dela já caracterizava como APP, não é isso? Agora, o que eu queria comentar é o seguinte, acho que não podemos perder de vista o diferencial da RDS para Reserva Extrativista. Eu estou tentando fazer uma comparação, até agora a gente ainda não viu um requisito, uma condicionante que realmente fizesse a diferenciação. Talvez fosse aqui a hora da gente pensar nisso, ocorrência de áreas, como é que ficou agora? Representativas de ecossistemas, alguma coisa que desse para a gente o diferencial da Reserva Extrativista porque eu acho que a gente vai ter que fazer isso em determinado momento. Era só isso que eu queria lembrar. O SR. RENATO R. SALES – Só tentando, não é justificar, mas tentando contextualizar um pouco esse critério. Tem existido, eu morei dois anos no Rio Grande do Norte e deu para perceber assim, tem existido algumas demandas para criação de RDS única e exclusivamente para proteção de grupos sociais em áreas altamente degradadas, antropizadas. Então, o que eu e Lucila estávamos querendo dizer com isso é que a área tem que ter uma justificativa ecológica para virar uma RDS. Você não pode transformar um bairro urbano, mesmo que seja de pescadores, numa RDS porque é um bairro com rua, com todos os problemas urbanos e etc. Então, era só um lembrete que é uma Unidade de Conservação, tem como principal objetivo a conservação, a manutenção da biodiversidade e, portanto, tem que ter, enfim, uma relevância, como o CLÁUDIO está colocando agora, ecológica, inclusive a gente fala que as áreas podem ser recuperadas, mas existe algum caso que é irreversível. Então, é para tentar tirar um pouco

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dessa idéia de uma grande pastagem pode virar uma RDS, que um bairro urbano ou da periferia pode virar uma RDS. E outra coisa que está embutido nesse critério é o seguinte, o que se fala é que as populações locais ou tradicionais têm que viver da exploração do espaço e dos recursos naturais. Se essa área estiver muito degradada, ela não vai conseguir viver desses espaços e dos recursos naturais. Então, tem que ter uma qualidade ambiental que inclusive garanta a manutenção dessas famílias que vão explorar os recursos. Enfim, o contexto foi esse. O SR. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Só um encaminhamento. O item cinco contempla muita coisa do que está sendo falado. Podia até fundir os dois, o quatro e o cinco. O SR. HENYO BARRETO (IEB - Brasília) – Eu já fui contemplado parcialmente nas intervenções, principalmente essa última do Pinagé, acho que falar em termos de representatividade da biodiversidade, funções ecossistêmicas relativamente mantidas é interessante. Agora, eu queria levantar um pequeno tom dissonante com relação ao comentário e é claro com a leitura que cada um fazemos sobre a história dessas categorias de áreas protegidas, de como, por exemplo, no caso das reservas extrativistas, o que, no meu entendimento, era uma categoria para viabilizar um certo modelo de Reforma Agrária para uma situação muito específica, foi convertido numa Unidade de Conservação. Então, a minha polêmica é quando, no comentário ao condicionante quatro e também no comentário ao condicionante cinco se enfatiza como objetivo principal. Quando o André, se eu entendo bem a colocação dele, ao mesmo tempo ou simultaneamente, eu diria que existem objetivos principais, no plural, simultâneos que são esses aqui, que os itens quatro e cinco discutem, mas também sim as situações referidas à reprodução social desses grupos. Quando a gente está falando em importância ecológica, a primeira pergunta que a gente faz é: “É importante para quem?” E, uma segunda pergunta que é importante: “A que escala bioespacial?” Porque um ambiente, ao nossos olhos, degradado e a escala da representatividade ecossistêmica do País pouco significativa, pode ter um enorme valor histórico, cultural e simbólico para uma população específica e aí você entra numa discussão. Então, claro que os exemplos que o Renato levantou são limites, um bairro urbano, uma fazenda, mas você pode imaginar áreas ambientalmente comprometidas que, para um determinado grupo social, tem um valor ecológico no sentido denso, ou seja, da sua integração, do seu acoplamento estrutural com aquela parcela da biosfera que eles ocupam que, não necessariamente, tem as virtudes que nós gostaríamos que ela tivesse, mas que, para aquele grupo, tem sim, e ele pode, através do tal abaixo assinado, se comprometendo com uma série de coisas, reivindicar uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, se comprometendo inclusive com recuperação de parcelas das áreas que ele reconhece que estejam degradadas. Então, eu queria chamar a atenção para isso para que ao definir esse referente, integrando o referente quatro com o cinco, nós não percamos de vista que esses, para mim, são objetivos principais, no plural, e simultâneos, ou seja, coetâneos e que vão junto. Essa é a minha leitura dessa categoria. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Acho que, olhando por esse lado, eu discordo até determinado ponto. Eu acho que Renato fez uma leitura que está um pouco na minha visão. Eu acho que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável, nós estamos discutindo aqui o que vai caber dentro desse pote, nesse saco. Estamos jogando tudo na conta do pessoal que defende a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Então, é para diferenciar da RESEX ou do parque. Eu acho que o papel e a diferenciação já estão bem definidos no próprio SNUC, para mim está bem definido, o que acho que Renato fez uma leitura que é interessante olhar e prestar muito bem a atenção. Quando você tem uma população vivendo num determinado ambiente e essa população, a gente cria uma reserva que eles caçam em todo lugar, não tem lugar para os

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bichos se esconderem, eles pescam em todos os lados, não tem um lugar onde o bicho possa se reproduzir. Então, é uma reserva que praticamente não se desenvolve, não é sustentável. Então, pensar também o tamanho dessa questão. E a outra coisa é com relação à questão da significância dessa área. Ela tem que ter uma significância para quem mora lá, para quem tem alguma serventia dentro dessa área. Então, aí entrou na questão legal. Por que eu tenho que entender dessa forma? Então, eu pego e imagino que nós, fazendo essa leitura de Reserva de Desenvolvimento Sustentável e respondendo essas perguntas que foram feitas para nós mesmos, a gente já começa a ver a diferença. Aí nós vamos colocar: “área de amortecimento”, cabia aí, talvez, que “a Reserva de Desenvolvimento Sustentável, obrigatoriamente, terá que ter uma área de “X”% com proteção integral” e já está dito. Pode ser, será que é essa a diferenciação? Não sei, essas coisas que a gente está procurando para diferenciar, mas eu acho que é interessante que a gente compreenda que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável está dentro de uma caixa que está entre parque e entre Reserva Extrativista e acho que o que nós estamos queremos botar para ela, tipo assim, uma pastagem. Quando é que uma pastagem vai ser sustentável? Vai demorar anos e anos. Imagine que nós vamos ter que plantar um monte de planta para poder voltar a ser uma área de uso sustentável nessa região. Então, eu acho que o Renato falou essa questão que eu estou de acordo, e ele faz um monte de interrogação para nós mesmos responder. Vamos ver até que ponto isso é condicionante para a criação de uma reserva. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) - Vou me permitir fazer um debatezinho aqui, rápido. Eu não sou estudioso do assunto das origens, mas sou estudioso pós-processo inicial, inclusive ainda na época da gente tentar colocar em evidência Chico Mendes e salvá-lo do assassinato. Óbvio que a coisa veio de uma origem basicamente do conflito social e com raízes trabalhistas, tanto que era expressão do PT na região e etc., naquela época, aquele lado mais sindical do PT e tal. Mas se propôs uma aliança. Esse movimento social que tinha bases sindicais e que se confrontava e que usava inclusive instrumento da luta sindical para se confrontar com os fazendeiros ou com os que derrubavam a mata, propôs uma aliança com o movimento ecológico. Essa aliança que leva, por fim, à transformação de ResEx numa Unidade de Conservação. E essa aliança foi proposta por eles não de forma inocente, mas de forma muito bem calculada porque havia o interesse próprio e a aliança permitia projetar essa luta num nível maior, como de fato aconteceu. Tanto aconteceu que do ponto de vista de cá, olhando de quem estava do lado de cá, foi em função dessa luta e da infeliz morte dele, que, por exemplo, os movimentos de Unidades de Conservação mundial começou a considerar a possibilidade de ter uma sexta categoria na classificação internacional e essa consideração se deu exatamente em Caracas, em 1992, com o Congresso Mundial na época chamava Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas. E depois isso se oficializou numa assembléia da UCN em Buenos Aires, ou seja, a influência de tudo acontecendo na América do Sul. Então, esse contexto da aliança também é histórico. E acho que o que está acontecendo hoje é que eu acho RDS uma coisa fundamental da gente discutir, mas RESEX muito mais importante. A RDS é estratégica no seguinte sentido, é uma coisa mal definida, mas RESEX tem história, RESEX tem movimento social e hoje nós estamos no risco de justamente perder esse conceito que foi gerado na medida que a gente vai, às vezes, para o embate político que leva a coisa do: “Não, eu sou seringueiro, eu sei o que faço”; “Eu sou movimento organizado, ninguém aqui tasca”. Então, essa aliança está correndo o risco de dançar e aí acho que dança a lógica justamente dessa linda fusão de que não é preciso separar sociedade de natureza. E, aproveitando esse ensejo, queria concordar integralmente com a outra parte que você falou, o que a gente tinha que proteger nas Unidades de Conservação, o que a gente tem que proteger, e não tinha, é a natureza e a natureza não somente vista do ponto de vista da ciência biológica. Então, me corrijo, me penitencio e concordo plenamente com você. O que a gente tem que proteger como objetivo do

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com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral”. mas que tenha um estudo. há pouco tempo. a imagem de satélite naquela região é pura nuvem. Eu acho que a gente tem que começar a pensar em novos aliados. tem mais coisa. Está aberto o debate. os pescadores. o que fazer nessa área. No baixo Amazonas. nós na Adunaia com a EMBrAPA. para nossa surpresa. tem áreas de campinas grandes lá dentro que era de criação de gado dos primeiros ocupantes da região. HENYO BARRETO (IEB . FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Passamos para o cinco agora. está completamente queimada. uma falsa visão de que ali é tudo floresta. ou está esgotado? O que vocês acham? O cinco diz o seguinte: “Existência de área com importância ecológica e ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. alianças se renovam. O SR. com manutenção de cobertura florestal e. claro. sejam as duas primeiras referências. porque a EMBRAPA defende. Eu queria juntar. potencial de manutenção da biodiversidade. está tendo uma parcela de responsabilidade muito importante e pode vir a ter mais. levou. quase não se pode utilizar. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF-Brasil) – A minha sugestão é que o ponto quatro e cinco sejam os primeiros e não estar no meio. oficialmente. portanto. ele tem tanto valor quanto uma análise de que a ictiofarma dali é diferenciada ou endêmica.Sistema de Unidades de Conservação é a natureza vista inclusive sob ótica da diversidade cultural. viabilizar isso. Então. que é o INCRA. A SRª. principalmente o pessoal das áreas de reserva de lago. Obrigado. às vezes cria problema. se for o caso. que é um problema sério. Esse que é o problema. Então. eu acho que essa é uma questão. Nós conseguimos algumas fotos do RADAN ainda que deixam bem claras. dependendo das alianças. Agora. eu acho que a gente tem que olhar para um outro órgão federal que vai ter uma parcela. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Só queria enfatizar essa questão das áreas degradadas porque grande parte das Unidades de Conservação estão com problemas sérios nesse sentido e não só RDSs. não é a criação em si. E também pelos conflitos que o búfalo está criando. Acabo de vir do Parque da Serra das Andorinhas e da APA. concordo. esse foi um ponto que foi levantado. que aa ciência acompanhe esse processo para que não ocorra o que está ocorrendo no baixo Amazonas. com a questão do búfalo. O SR. a segunda sentença não. O búfalo também tem uma história de lutas na Amazônia. as áreas de ocupação são significativas dentro da reserva. mas outras unidades e eu acho que Iratapuru é um pouco aparte porque está relativamente bem conservada e. 188 . Nesse sentido. acho que é uma aliança. Não sou contra se alguém quiser criar. e elas se ampliam. rapidamente. Hoje. porque são históricas. Bom. Então. mas o fato de você não ter um acompanhamento de pesquisas científicas e tudo para. levou até para RESEX lá de Rondônia. mas hoje aparece mais na RESEX de Soure que é um caso seríssimo aparte que também o IBAMA não tem enfrentado a questão fundiária lá e da destruição dos recursos naturais. inclusive chamaram as autoridades federais lá e pediram para que sustasse o processo de expansão porque o búfalo é um destruidor dos criatórios de peixe.Brasília) – Era só para dizer o seguinte. como cachoeiras e etc. mas depois a gente vai retomando. Tem alguns aspectos aqui sobre ocorrência de biodiversidade que foram tratados aqui. se contrapuseram à EMBRAPA.. são questões que têm sítios arqueológicos e paisagísticos. sem estudo prévio nenhum. Diferentes formas de ver a natureza e valorar é que têm que estar incorporadas porque se eu acho que aquele monte é importante ou aquele rio tem uma função na minha reprodução sociocultural. que é uma questão urgente de se repensar. se repactuam. O SR. mesmo assim. já é histórico. temos uma disputa grande com a EMBRAPA.

de proteção. CLÁUDIO C. do Estado do Amazonas. não sei se o André vai querer levantar essas filigranas conceituais entre anuência. assim como consultas públicas mais amplas. O que acho que a senhora poderia nos ajudar aqui é na questão de separar o que é consulta e audiência. da lei. se ele está de acordo e aí as reuniões e mais reuniões que vão construindo esse processo que eu acho que é isso que eu o Renato e o pessoal construíram aí. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos (levantamento de informações. ela fez uma distinção entre consulta e audiência. que aquela outra é tal. mas a gente fecha esse procedimento para fazer a publicação com a reunião.Só porque ali as consultas públicas devem se constituir em processos. de análise. Na medida que você vai conversando com as comunidades. fazendo a diferenciação em termos de que as audiências estão previstas como parte do processo de licenciamento. O SR. consentimento. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) . esse levantamento de informações. disposições normativas. na hora que estava no debate que é importante. Então. A leitura que a gente fez. nós fazemos todo esse procedimento.Brasília) – Porque a Doutora Sônia levantou uma questão. A SRª. vai se construindo um processo de consulta. dependendo do assunto que se vai rolar e 189 . os procedimentos. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais. no caso nós. mas fica mais para o pessoal que entende da questão jurídica. a comunidade pede uma criação. diminuição de conflitos de interesses)”. não tem opção. estabelecimento de vias de comunicação e negociação. tem uma discussão. se abre uma conversa de um dia ou dois dias. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Mas o que a gente tem adotado. Há muita interpretação. ligadas à avaliação de impacto ambiental. esclarecimento sobre as causas e conseqüências. E quando é chamado todo mundo. e que tem se pensado. MARETTI (WWF-Brasil) .SDS/AM)) . Convoca todas as partes interessadas 30. CLÁUDIO Maretti acho que participou daquela primeira reunião. Eu acho que todo o debate que a gente fez sobre a importância ecológica vale aí. começa a conversar com a comunidade. inclusive fizemos uma reunião em Brasília. não sei se no decreto de regulamentação. 40 dias antes. você chega lá. HENYO BARRETO (IEB . consulta que é uma discussão que perpassa toda a questão ligada a acesso a conhecimento tradicional associado à biodiversidade. aonde se discutia sobre consultas públicas. O SR. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Item seis. Aí estou de acordo. eu acho que na verdade. faz reuniões com as prefeituras que o município está envolvido. e etc. da área a ser protegida. Então. explica para o prefeito que vai haver uma criação de uma reserva. acho que foi MMA. e comunica que tal lugar vai ter uma reunião para discutir a criação dessa unidade.O SR. mas que vai rebater nesse tipo de questão. Eu acho que aí tem um nó importante. O SR. explica para ela que aquela categoria é assim. mas se essas consultas são consultas só. eu entendo que é um processo anterior à consulta que é a formatação do estudo de criação. etc. “Realização de consultas públicas para a criação de RDS específicas para os usuários residentes no interior ou entorno imediato. a formatação do estudo de criação é uma coisa e a consulta seria outra. Na verdade. ao passo que como em tese a criação de uma RDS é uma iniciativa do bem.Vou atualizar a senhora das coisas. porque o que acontece? Nós fazemos uma reunião. Eu acho que o que é importante talvez não definir aqui. envolvendo todos os segmentos interessados. Então. acho que 2 dias. Depois. esclarecimentos. foi publicado até um material e tal.Zona de produção integral faz parte da lei. o aspecto consultivo não implicava uma interferência no processo de criação.

da construção de um procedimento que também não é um evento. veja bem. o rito. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) . qual é o nome da reserva. mas ela pode acontecer. pelos motivos colocados aqui pelo Renato e pela Lucila. eu acho que a audiência é uma das formalidades que têm que acontecer. é consulta pública. não é audiência. eu acho que é importante isso. formalidades que não necessariamente têm que acontecer para a criação de uma Unidade de Conservação. ficou claro? O SR. ainda que fosse. Você faz consulta por diferentes formas. mas a presença física da equipe que está fazendo os estudos. com objetivo consultivo. se prever a idéia de consulta pública e 190 . Esta unidade. se vai se discutir qual é a categoria e tal. mas não quer dizer que não seja controversa. se é para evitar o problema. limite. uma delas é audiência e eu acho que audiência é importante para a criação de uma RDS. um processo. a construção de um processo. essa é uma questão e eu queria ir além. é feito isso. um ritual da comunidade. O que eu tinha falado de manhã é para a gente tomar cuidado porque muita gente fala que na criação de Unidade de Conservação tem audiência pública.Eu acho que está perfeitamente correto. levando muita trombada. mas é porque audiência na verdade. E a diferença é que na audiência pública ela se dá para empreendimentos que têm significativo impacto ambiental e essa audiência pode inclusive invalidar o empreendimento. é uma espécie do gênero consulta. não vejo nenhum problema em relação a isso e. ela é consultiva e está dentro exatamente disso que está aí. E onde eu quero chegar? Eu quero chegar na seguinte questão. Vou chegar na questão da controvérsia jurídica em relação ao nome “audiência”. mas eu acho que a audiência pública é importante para a criação de RDS. não é isso? Isso significa que inclusive o decreto que as regulamenta pode dizer que poderá haver consultas públicas. se é nome em homenagem a um ou a outro. eu não entendo que audiência seja uma prerrogativa do processo de licenciamento ambiental. a apresentação. como o próprio nome indica. não é obrigatória a consulta”. com as ressalvas que foram colocadas pelo Paulo Oliveira de manhã.ali é apenas para esclarecer aonde está. que é possível que a regulamentação preveja outros elementos que não necessariamente estão explícitos na lei para a questão da consulta. eu queria ouvir melhor os argumentos dele para dizer o porquê isso não foi resolvido no âmbito do CNPT. o procedimento. São os procedimentos que se fazem no Estado da Amazonas e eu acho que está um pouco dentro disso que vocês colocaram aí. portanto. estou apenas fazendo um relato do que vocês fizeram aí é o que a gente está construindo no Estado do Amazonas. Então. mas até agora nós temos feito isso. que se pense num outro nome. Aí é uma questão de entendimento pessoal meu. a audiência de licenciamento ambiental não é deliberativa também. está sendo criada para beneficiar essa população. É para todo mundo tirar dúvida. Audiência de licenciamento ambiental é audiência de licenciamento ambiental e está regulada pela resolução do CONAMA. “na criação de estação ecológica e reserva biológica. Não é uma questão de filigrana. ponto e vírgula. teoricamente. para mim esse é um dos maiores absurdos da lei do SNUC. A SRª. a única diferença é que tem uma regulamento. tem que ser 45 dias de antecedência e tal. Audiência no âmbito do processo de consulta pública para a criação de uma Unidade de Conservação não é a audiência de processo de licenciamento ambiental. é um procedimento. mas as populações vão se obrigar com o compromisso em relação a essa unidade. inclusive debatendo entre si junto com o órgão. a lei do SNUC diz o seguinte. Não sei se esse procedimento precisa ser feita uma correção. Eu não estou nem discordando. Quer dizer. e a senhora podia nos ajudar porque nós vamos ter uma consulta semana que vem lá no Juruá. uma regra. Não é o caso da consulta pública. concordo perfeitamente com o que está escrito aí. aprendendo muito. porque existe a tática do dividir para governar e eu acho que audiência é importante até para evitar esse tipo de coisa. Bom. Então. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Ficou claro. está perfeito. O que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer.

como geralmente é encarado. você tem a realização dos estudos. da população diretamente envolvida. seria no momento da consulta pública. mas só para explicar melhor. o assunto talvez seja qual é a categoria pertinente. Você tem aí o processo de apresentação desses resultados que. esse procedimento de você fazer uma reunião pública. Então. HENYO BARRETO (IEB . volto a dizer. isso inclui não só a parte dos inventários rápidos. de sensibilização. O SR. beneficiada e etc.Brasília) – Pedido de esclarecimento. A SRª. sem dúvida nenhuma. que é a coisa do abaixo assinado com adesão de maioria simples dos moradores maiores de idade e tal. SALES – Raquel. documentos que embasem e que direcionem. não só o momento da reunião. RENATO R. tem sido feito o processo no Estado do Amazonas. não no processo de consulta pública. Só encerrando. O SR. esses estudos são complementares aos estudos de criação. enfim. em geral. se vocês entendem também o item sete. Mas veja bem.não se fala que um dos assuntos. eu acho. enfim. por exemplo. Quer dizer. essa definição do que poderia ser a categoria e etc.Sim. mas concordo que deveria haver isso sim. e não é deliberação. como parte desse processo? A SRª. RENATO R. você tem um processo que chama de sensibilização que é divulgar essas informações junto às comunidades e aí. inclusive pegando um pouco. para a gente tentar fazer de maneira tão detalhada esse critério é porque. E nesse intervalo de tempo entre você coletar essas informações e fazer essa consulta pública. a parte de diagnóstico fundiário. nós estamos chamando consulta pública todo esse processo de levantamento dos dados. 191 . evidentemente que haverá coro contrário. esse levantamento de informações é um detalhamento sobre a questão fundiária que você só vai conseguir na hora que se estiver discutindo de maneira um pouco mais efetiva com a população. Eu acho que consulta pública faz parte do processo de criação. já entra naquela história de acirrar o conflito aos limites. afetada. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Na verdade.. SALES – Entendo. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Faz parte. duas reuniões públicas como se fosse a consulta pública está se dando também no caso de ResEx e RDS. você falou que os estudos são realizados no processo de criação. embora esteja sendo usado mais recorrentemente para proteção integral. e é nesse momento que você tem esse contato mais direto. principalmente se há uma categoria que envolve populações. a consulta pública seria um momento mais amplo. até trocando informações com a comunidade. é que se vai se criar ou não. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) . Não existe uma audiência pública. que vão surgir lacunas de conhecimento que você vai ter que complementar os estudos. O que acontece? Como. um mapeamento institucional. no que tem sido feito. é um estudo sobre determinada espécie que se começou a perceber que está mais ameaçada porque teve a informação dos moradores. concordo plenamente com o André que eu acho um absurdo mesmo que não se discuta a categoria e até mesmo o fato de se criar ou não a unidade. no caso. é uma visão um pouco mais radical do Henyo. mas que aqui nós temos que ousar e sugerir que as consultas públicas sobre RDS envolvam a informação mais ampla possível sobre categorias similares e que isso possa ser submetido à apreciação. O motivo para ir isso. ou uma consulta pública que se faça acerca de criação de Unidade de Conservação que não se entre na discussão de qual a categoria mais pertinente. que fique claro.. A SRª. O SR. Então. É isso que a gente está querendo colocar aqui. mas também.

O SR. do ponto de vista político. porque senão o dano pode ser significativo para os grupos sociais. consulta pública não deve ser regulamentado para cada categoria. ali tem um monte de diretrizes que podem ser aproveitadas como diretrizes. pode ser um processo de consulta pública como é esperado que ocorra no Parque Nacional. Esse debate diminuiu com a alteração do SNUC que incluiu a ALAP. mas. foi muito importante. Veja bem. se a consulta pública vai discutir criação ou não e qual é a categoria. 192 . a gente está próximo da gestão. o Atanagildo reclamando que estava muito açodado e sem base o processo de criação. Do ponto de vista prático. muitas vezes a gente tem que ser rápido. nesse instrumentos todos que talvez. O SR. que obriga a manifestação prévia. porque você teoricamente tem um instrumento legal para interditar temporariamente a área enquanto você faz um processo de negociação. as lideranças estavam sendo postas em cheque e criaria problemas. se isso ficar em aberto. nem para RDS nem para RESEX tem essa obrigatoriedade. ponderou. sobretudo. CLÁUDIO estava lá. diretrizes para conselhos de gestão. a memória dessas consultas porque isso é que dá a legalidade para elas. você tem tempo de fazer. Então. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só para dizer que não sei se seria conveniente acrescentar aqui. liderado pelo Ministério e está publicado pelo Ministério. oficialmente. RENATO R. O SR. Então. se o Estado vier e propor sem uma aprovação formal. prévia à criação ou se na RDS. principalmente. a Área de Limitação Administrativa Provisória. CLÁUDIO. Bom. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – No item sete a gente discute exatamente isso. Eu acho que isso aí seria interessante de colocar já que nós estamos falando num processo que vai ter uma legalidade. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – É só um testemunho de uma situação esdrúxula que eu vi numa reunião do ARPA em Belém. o outro ponto é o seguinte. na verdade. pelo menos o que a gente tem feito é isso. CLÁUDIO C. Um é que teoricamente. e tal. A SRª. Então. MARETTI (WWF-Brasil) – Dois comentários completamente distintos. estavam atropelando os interesses das comunidades. mas também os órgãos executores. as gravações.Nesse caso eu acho que é briga política entre grupos. MARETTI (WWF-Brasil) . a gente pode criar esse tipo de situação. não estavam sendo consultadas. num monumento nacional. O SR. O que vai ser obrigatório fazer eu acho que é uma outra questão porque aí tem os riscos também. a discussão mais de conselho de gestão e consulta pública. escrita. através de registros. Você congela antes da criação. mas o que a gente tem que discutir aqui é se a gente acha que no caso da RDS também tem que ter uma manifestação formal. teoricamente. por exemplo.A SRª. é bem interessante. essa história de obrigatoriedade de abaixo assinado da RESEX caiu no SNUC. a gente pode discutir as diretrizes todas. E essa materialização dele. Bom. procurar materializar ao máximo as consultas. colocou oficialmente que os processos de criação de ResEx na Terra do Meio. Por exemplo. Não sei. O que diferencia claramente é o caso da ResEx. Segundo ponto é o seguinte. Mas isso fazia parte de uma portaria do IBAMA que não foi contemplado no SNUC. que não está aqui presente. em que o Gatão. legalmente. as atas. esse é um ponto. SALES – Não só as comunidades. foram três dias de debate. a negociação. eu acho que entre o ideal e acho que aquele evento que o Ademar se referiu. pelo que nós estamos falando. eu acho que. o processo de construção. O CNES. até numa APA. CLÁUDIO C. o registro fotográfico. eu sempre defendi consulta mais ampla. os mais fiéis possíveis. mas não devia ser obrigatório o abaixo assinado. Eu acho que é interessante. você tem o tempo de fazer a negociação e não se submeter a haver o processo de degradação enquanto está negociando. comunicação no duplo sentido etc.

como gestor. O SR. mas poderia até confirmar. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Foi elaborado uma cartilha do IMAFLORA com o IBAMA. entre Governo e movimentos sociais para ver se cria uma ResEx ou uma RDS porque um puxa. tá?” “Como assim. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva.. nesse sentido. O SR. eu fico imaginando aqui o seguinte: “Ou é RDS ou é nada. nada? Nós só queremos criar RDS”. eu acho que é isso que o André está querendo preservar na sugestão dele e. A SRª. ou é RDS ou é nada. um direito de que o Estado lhe forneça uma informação completa. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. Quer dizer. ainda é mais complicado porque tem ResEx e RDS. das volições. O SR. nesse caso. Encaminhamento de abaixo assinado com a adesão de. a oportunidade de consulta para categoria de Unidade de Conservação deveria se ampliar para outras. especificamente. Henyo. o Governo. com a participação de outras organizações não governamentais sobre a consulta pública porque não existe uma lei específica.O SR. HENYO BARRETO (IEB . você pode construir possibilidades. dos interesses dos grupos que podem ser afetados por essa decisão. não é tão autocrática assim. inclusive obrigatório. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Número sete. só concordando com o André. Entre Governo Federal e estadual e a população fica no meio dessa disputa política entre os grupos e é fundamental que ela tenha conhecimento inclusive desses interesses de cada uma das partes envolvidas. pela avaliação que ele tem. Seria interessante ter essa cartilha para a gente trabalhar melhor depois na regulamentação disso. Ou seja. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Com isso a gente está encerrando o item seis e passando para o item sete. mas eu acho que se houver oportunidade no âmbito de uma discussão para RDS é importante que isso se explicite na regulamentação porque isso coloca para o interessado. Quer dizer. O SR. é muito importante ele ter uma sinalização clara dos ânimos. por ter um envolvimento direto maior da população. o Ademar não está. me desculpe. por isso eu acho que o nada tem que estar lá. Então. para a população beneficiária. SALES – Só concordando. RENATO R.Brasília) – Pegando esse gancho que o André deu. “Como assim? Não tem outra alternativa? Quais são as outras alternativas viáveis?” “É nada”. até amigável. ou é isso ou aquilo. entre o nada e a RDS. por quê? Porque se houver uma sinalização clara. Tem essas interfaces todas. pelo menos. inclusive do quadro. ou você pode pensar no modelo do contínuo. essa discussão tem que ser feita. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS contendo: solicitação para a criação da Unidade de Conservação. Em alguns casos. você pode pensar no modelo polar. você tem a RDS aqui e você tem o nada aqui.. mas essa cartilha dá um norte para como a gente fazer da melhor forma e isso tudo que está sendo falado aqui são procedimentos que são contidos nessa cartilha. a consulta pública não é tão fechada. “Ou é RDS ou é nada”. que é um direito que ele tem. 193 . em alguns estados existe uma disputa. Ainda que ele decida atropelar. Eu acho que é por isso que no caso da RDS. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu entendo essa preocupação em relação à oportunidade e agilidade de criação de Unidade de Conservação e concordo com você que de fato a referência. eu endosso e não só endosso. o gestor tem que analisar o ônus político e é muito importante para ele ter essa sinalização.

Você chegou a ler o comentário? A gente tem que pedir desculpas por não ter sido mandado antes para vocês. eles se acham ludibriados. a conservar. RENATO R. não foi dada à população. e possam dar uma resposta sim ao órgão gestor. Mas é isso. É uma maneira diferente de você. tem sim. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu estou entendendo perfeitamente a preocupação do Renato e concordo com a sua preocupação. ou vai ser criada. porque a população local pode até não querer. fazendo parte do processo. fazendo parte do processo. formal ou não. mas entendo diferente até porque na RESEX também foi instituído por força de instrução normativa. não vejo. Eu respeito. foi a maior confusão porque quando se dão conta do que se trata. se obrigam. dando o poder de decidir pela criação ou não à população plenamente e você retirou do Estado o direito que ele tem.. mas isso aí podia ser excluído porque não tem nenhum amparo legal. que vão constar no Zoneamento. de alguma forma. O problema é que você vincular a criação de uma RDS a essa formalidade você está. como a lei do SNUC fala que essas populações se obrigam a defender. inclusive RESEX.A SRª. se não houver uma sinalização positiva. mas. também como tem gente morando dentro e como vai afetar. é o que o Henyo colocou. Isso está baseado nos procedimentos utilizados pelo CNPT antes do SNUC. esse critério é um critério que contraria a estrutura jurídica de criação de Unidade de Conservação tanto porque o Estado pode sim criar. que já haja um comprometimento anterior. não está dada à população o direito de vetar a criação de Unidade de Conservação porque se fosse dado. porque foi criada. E acho que esse tipo de requisito passa a ser até uma condicionante. a princípio. Não é porque você não pode 194 . nem social. eu não gosto disso. a RDS não vai operar como supostamente foi prevista. E não acho. eu acho que RDS. dizendo: “A gente está afim mesmo. pela lei. você criou. O SR. por força de decreto e não por força de lei a necessidade do tal abaixo assinado. com todo respeito aos consultores. para que as normas específicas que vão constar no Pano de Manejo. não é o que eu quero ou não. Eu acho que ter uma função. um obstáculo para a criação de uma Unidade de Conservação. não tem uma previsão dessa obrigatoriedade em lugar nenhum da legislação. eu sei que a Doutora Sônia já se antecipou dizendo que não poderia ser. acho que não tem porque manter isso aí.. SALES – Eu acho que não se trata de ler o comentário. Nós não podemos criar num decreto uma coisa que não tem lei nem Constituição que prevê isso aí. Não precisa de abaixo assinado. mas eu acho que isso está na lei. Isso quer dizer que de alguma forma esse processo de consulta foi realizado. esse tipo de requisito prévio à criação da RESEX. é fundamental que essas populações se manifestem formalmente que estão interessadas na criação da Unidade de Conservação. para que elas sejam cumpridas. se não está escrito. que em termos sociais isso não tem validade. O SR. Se ela disser que não. começa até a haver uma revolta. quais são as responsabilidades que têm. de criar a Unidade de Conservação. o Estado pode criar e. quais são as conseqüências. ao fazer isso. até porque na prática. na verdade. não está criado. por decreto. quer dizer.. é importante. não sou favorável à criação contra a população neste caso. Então. basta perguntar ou não. a preservar a área. mas que já haja. agora. Existem vários exemplos de unidades que foram criadas ou porque o processo de consulta pública foi feito de maneira muito rápida ou então porque as pessoas não chegaram a entender mesmo do que se tratava e quando foi criada a unidade. foi o maior reboliço entre a população. quais as conseqüências da criação. de alguma forma. a consulta seria deliberativa. a gente quer”. para melhor ou para pior a vida dessas pessoas. Então. Então. contrariando a lei e até mesmo a Constituição. o que eu acho é que esse critério não é que não dá para estabelecer por decreto. em todo caso.. inclusive se a população não quiser. as pessoas estão inteiradas do que se trata. o problema não seria esse. o sete. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu realmente acho que isso aí. como ele colocou. preliminar. O Estado tem o direito de saber e a população tem o direito de ser ouvida. constitucional. quer dizer.

por exemplo CPT. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Eu só queria falar duas coisas.É porque na verdade eu acho que a gente está discutindo os temas e acho que os comentários não devem ser encarados como uma crítica ao documento. e isso. se você não tem esse trabalho de informar as pessoas. seja lá como você quiser chamar. do que vem a ser Unidade de Conservação. a primeira é a seguinte. dois anos. Como Isabel falou. você quebrou esse princípio. mas.estabelecer isso por decreto. que já trabalham há anos. SALES – Então André. por decreto. cabe ao Estado desapropriar. no caso das ResEx. Então. elas não sabem o que você está falando. na verdade. você está partindo daquele pressuposto de “parque com gente” que você não resolve muito bem as coisas e deixa lá a população e acabou. SALES – Para responder rapidinho. O aceitar ou não aceitar a criação de uma Unidade de Conservação por uma população que está num lugar depende muito do grau de informação que ela tem a respeito dessa. As pessoas que têm muita experiência. CNS sim. Não sei se maioria simples. retirando do Estado. elas nem te conhecem. só acho que. pelo menos eu encaro como uma coisa normal. mas na maior parte das áreas. você deu o poder deliberativo à comunidade. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu entendo que o Poder Público só poderia criar uma Unidade de Conservação com a anuência da comunidade. a gente é contra”. sabem que você pode chegar depois de cinco anos numa área e ter que começar o processo basicamente do zero. RENATO R. O SR. esse comprometimento e envolvimento com certeza não vai acontecer no momento que se cria a reserva. Ele estaria bastante relacionado a essa prestação de informação. realmente você pode chegar num momento e submeter as pessoas a uma consulta. Então. eu concordo com isso. o fazer isso. é tudo muito simples. então cria uma outra Unidade de Conservação. que interessa continuar na área e melhorar a qualidade de vida. quando você já tem um histórico de trabalho. de informar. RENATO R. O Henyo perguntou e eu respondi que esse procedimento faria parte do processo de consulta pública. onde você não tem essas entidades atuando mais de perto. mas se as pessoas não querem morar numa Unidade de Conservação. O SR. Pode acontecer. esse envolvimento só vai acontecer com o passar do tempo mesmo. Eu acho que a gente foi chamado para fazer várias sugestões. do ponto de vista jurídico. Mas é complicado porque se é de uso sustentável. seria desejável. eu já fiz estudos de criação e trabalhei com criação de Unidades de Conservação com pouco de tempo e até o primeiro contato com que vocês têm com as pessoas. no mínimo. pressupõe que tem população morando. de dizer o que é uma Unidade de Conservação. o mais óbvio deles é esse. a um abaixo assinado e as pessoas falarem: “Não. porque se você for imaginar. questionado juridicamente. A SRª. do ponto de vista da estrutura. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) . Mas daí. Então. troca de informações. e sim porque elas têm uma experiência negativa e isso ficou gravado e a gente tem vários exemplos desse tipo de situação. mas não necessariamente porque as pessoas têm uma opinião formada. não é em um ano. é porque. por vários fatores. sensibilizar. Para nós que convivemos com esses termos. A SRª. com esse universo. você está contrariando a lei e a constituição. mas para a maioria das pessoas não é. A outra coisa que eu queria falar é que esse envolvimento e esse comprometimento realmente são um processo que ocorre dentro de uma escala de tempo. a consulta não é deliberativa e. aquele modelo. que tem população que se interessa pela conservação. O SR. porque aí depende de quem é o voto de minerva na história. isso aí é questionável. com essa legislação. 195 . como o Marcos. negociações e etc.

Quando eu tinha lido isso aqui. sabe da minha opinião a respeito disso. manifestação expressa por escrito. Se o cara diz que você pode fazer pesquisa. movimento social. ResEx com gente dentro. mas ela é um instituto de promoção humana e social. Na medida que eu considero que tem que deixar o espaço aberto para a RDS poder ser criada numa situação onde a comunidade não está superorganizada. Agora. acho que todos aquela solicitação para criação. inclusive as que não são obrigatório por lei. o companheiro Tarcísio está até em Brasília hoje. poderia não ser um abaixado assinado. A CPT é uma pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. de alguma forma. Eu não sei se chegar a esse nível de detalhamento. ela não é movimento social. você tem chefes de família com filhos que “não são maiores de idade”. detalhes dessa história. mas não necessariamente se confunde com. na obrigatoriedade do abaixo assinado. nas atas. o processo foi. pelos critérios formais. as disposições do CONEP. Porque realmente eu acho que isso aí é uma parte da consulta pública e nessa cartilha fala muito disso. como realmente a lei do SNUC.A SRª. tem uma série de questões que eu acho. Agora. Então. ainda que de forma geral. tem esse do IBAMA com o IMAZON e IMAFLORA. ciência das causa e conseqüências. nós podemos interpretar que estamos vivendo um momento bastante inusitado de criação de ResEx top down. CLÁUDIO C. enfim.Eu só queria dizer. eu estava entendendo que esse “abaixo assinado” seria a tradução de uma manifestação escrita. O SR. É disputa entre grupos políticos? Certamente é disputa entre grupos políticos. meândricos. mas uma manifestação escrita. são diretrizes como o processo deve ser feito. como uma condicionante para a criação. tem o Ministério do Meio Ambiente.Parte do que eu ia dizer está aí. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) . MARETTI (WWF-Brasil) . não tenho dúvida.. mas não como uma condicionante separada para a criação. aí é onde eu acho que essa formalização fecharia esse espaço. considerando a complexidade dos cenários locais. e tal. Mas. André. que tem conseqüência dos riscos a que ele está submetido com o desenvolvimento da pesquisa. enfatizar a importância do registro. WWF-Brasil. eu acho que no que concerne à observação do Gatão e a rebatimentos de modo como as coisas chegam ao conhecimento de outras coisas. só para fazer uma brincadeira porque mesmo no contexto de criação de algumas dessas ResEx. se for esse o entendimento. eu acho que diretrizes para a consulta pública qualquer categoria deveria ter consulta pública. interessante e acho muito difícil. isso vai estar escrito lá nos registros. imaginar que a gente vai ter condições de calcular o que seria uma maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. aos nossos olhos. de todo modo. para usar de um eufemismo. nas gravações. Se a gente conseguisse traduzir isso em termos mais 196 . com o FUNBIO. do ponto de vista etário. TNC e outros. expressamente manifestada dos usuários com relação a isso. ela pode recrutar pessoas do movimento social para os seus quadros. A gente sabe. ela enseja esse comprometimento da população. do ponto de vista legal. está me parecendo. Nós não podemos inventar isso porque não está na lei.. Então. acho extremamente relevante tudo o que foi escrito aqui. Conselho Nacional de Ética de Pesquisa. como os rios da Amazônia. Eu volto a defender que existem diretrizes já sugeridas nesses dois documentos que foram aqui referidos. HENYO BARRETO (IEB . Pode parecer. eu acho que se a gente pudesse dizer que é uma manifestação escrita. no registro fotográfico e tudo. até porque você tem. quando o Pinagé falou sobre a posição do Gatão lá naquela reunião. primeiro de tudo eu li rapidinho. sobre consentimento prévio e informado. digamos assim. por isso que eu te perguntei aquilo. etc. em algum lugar. eu continuo insistindo naquilo que eu falei.Brasília) – Queria começar com o exemplo que o Pinagé deu e polemizar fraternalmente com o Maretti. sinuoso. me corrija se eu estiver errado. daí eu enfatizar a importância do registro da consulta pública onde. mas isso tem a ver exatamente com essa questão aqui. tudo bem. mas eu não vejo isso. O SR.

quem é que repassa essa informação. decidiu que quem tinha título de eleitor. que isso se limita à zona de uso antrópico. que essa delimitação se dá no processo de consulta pública. a própria comunidade pode tomar essa decisão. não sei como isso se daria. juntos. mas o que se cobra num processo de identificação de terra indígena é o que? É que o grupo técnico que vai lá identificar a área estime o que seria uma base territorial de recursos naturais que assegurasse a reprodução física e 197 . Então. qual é a contraposição? Se a comunidade está bem informada. O primeiro tem a ver com aquele primeiro termo. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na gestão. não só a comunidade. eles dizem: “Nós temos que dizer que nós queremos”. tudo bem. eu acho que isso aí é uma questão séria para a gente levar em consideração. controle da Unidade de Conservação. os vereadores todos são contra. no processo de consulta pública.gerais. que ao se dar no processo de consulta pública. pelo menos no modo como está redigido aqui. a comunidade decidiu fazer o abaixo assinado. essa zona de uso antrópico estaria previamente definida. Eu acho que a qualidade da informação. Terceiro. E. com esse nível de detalhamento eu acho complexo. vocês sabem disso. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) . para o meu entendimento. mas eu acho que a gente avançou em muitos pontos para como fazer esse processo todo andar e não aceitando as orientações dos alemães. daquela coisa rápida. por último. No Pará isso é um caos. governo do Estado e etc. como é que você vai fazer uma definição da área no processo de consulta pública. fazem dela um baita de um desafio. certamente não é perfeita. a prefeitura contra. tem que ter uma contraposição. ecológica para subsidiar de modo mais concreto. estou simplificando. considerando para a zona de uso antrópico. e mais.Passamos para o item oito. em tese. Tudo isso tem influência no processo. Agora. uma manifestação expressa por escrito. E para dizer que a gente desenvolveu uma metodologia. aí vou ler integral: “uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sociocultural e melhoria da qualidade de e viabilização da efetiva participação e tal”. ou uso sustentável. HENYO BARRETO (IEB . (conforme a lei do SNUC) uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sociocultural e melhoria da qualidade de vida. resultante do processo de audiência pública como diretriz pro órgão gestor. administração. não vou dizer que ela é muito similar nos seus desdobramentos. O SR. O SR. aquela discussão anterior.Brasília) – Eu queria ressaltar quatro pontos dessa referência aqui que. não preciso dizer. participativa que realmente aquilo ali. Delimitação da área. A gente fala muito que a população tem que ter a informação. depois houve também a questão dos outros órgãos. se ela está relativamente bem informada. a gente fez pesquisa básica na área socioeconômica. os jovens também podiam assinar porque a prefeitura é contra. O Governo do Estado contra. desse processo de produção de informação para constituir o processo e que oportunamente a gente pode até discutir. Eu não aceito aquilo. A SRª. monitoramento. “delimitação da área”. a deputada estadual da região é irmã do prefeito e é contra. E a outra questão é. O que se cobra em termos muito gerais e truculentos. por exemplo. ela pode. se. ela pode. Quer dizer. é conversa para boi dormir. utilizando várias experiências com relação à produção desse material. que ela teria sido precedida de uma estimativa que é muito similar. mas os demais envolvidos no processo. Bom. No caso dessa ResEx. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – É mais ou menos nesse sentido e pensando um pouco o que foi uma experiência que eu coordenei um processo de criação de uma ResEx e a questão da qualidade da informação. O segundo. tenho uma idéia aproximada porque do modo como está fraseado lembra muito a definição de uma terra tradicionalmente ocupada pelos índios no procedimento de identificação. ela considera.

Se você vai incluir dentro de uma Unidade de Conservação que o objetivo é proteção da natureza. Não há como você dizer que vai. é muito importante para o futuro. os engenheiros agrimensores. que não é só área de moradia. que é mais do que a sustentabilidade do uso. para mim. para registrar o primeiro ponto e. e que é preliminar inclusive porque vai para a FUNAI. não é só área de uso visível. é considerar a área potencial da RDS como um todo. Então. mas a turma do geoprocessamento também. não o único. acho que é essa lógica da reprodução social. mesmo que todos nós estejamos de acordo porque não é isso que normalmente acontece. isso fica minimizado pelas próprias considerações que o Henyo já fez. mas acho que vale a pena registrar que nem sempre se considera. tem ida e volta e etc. na verdade. mas um modo possível de começar a fazer uma adequação dessa ambigüidade é não considerar apenas a zona de uso antrópico. Bom. no processo de consulta pública. Se a gente parte daquela história de que é uma espécie de reserva de uso múltiplo. delimitar a área. mas eu queria expressar isso. que é o espaço desse grupo aqui. daquele povo específico que ali habita. primeiro. que ali reside. Então. para fazer estimativa de proporção entre usuários e espaço para reprodução sociocultural. De certa forma. é uma etapa posterior que não dá para ser feita nesse processo de consulta pública. e tal. por quê? Porque você pode imaginar que a tal da zona de proteção integral resulte desse processo. são duas unidades. Tenho experiência lá de Mamiraua que a área foi pensada e quando foi decretada. aí a preocupação de que na área de uso sustentável também esteja garantida a sustentabilidade ecológica. a conseqüência disso que é o debate da 198 . Eu queria puxar uma discussão que. mas que está falando também da área de extrativismo eventual. Qual é o modelo de RDS que a gente está discutindo? Que foi o debate do fim da manhã. pesquisas que demoram um tempo. coisa do tipo. mas eu fiz questão de falar. E eu acho que um modo. como você também não sabe qual é a de proteção integral. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – A minha preocupação é a mesma do Henyo que delimitar essa área nesse processo de consulta pública eu acho que não dá para fazer isso. definida de várias formas. segundo.. Então. que essa identificação está limitada a uma zona que não se sabe ainda qual é. vai ser no processo de consulta pública. essa lógica tem que estar registrada aí. do grupo social que acho que isso tem que ser registrado. um mosaico dentro de uma unidade só. mas o fundamental. apresenta algumas ambigüidades. o Governo decretou uma área bem maior e começaram os trabalhos de mapeamento do uso tradicional e daí é que saiu qual é a área de uso sustentável e qual é a área de preservação. juridicamente tem o Benati defendendo a chamada “posse agroecológica”. Então. socioeconômicos. porque a área não foi delimitada. que é agricultura. que nesse processo de consulta pública não vai dar para fazer isso. que tem trabalhado em parceria com gente. etc. que a gente está falando de uma área de uso mais amplo das comunidades locais. ao mesmo tempo que melhoria de qualidade de vida e etc. a partir do debate que a gente teve antes. indefinidamente no tempo. a FUNAI devolve para p antropólogo coordenador do GT. mas acho interessante a idéia da delimitação da área surgir do processo de consulta pública. eu queria salientar isso. O SR. assim como a zona de uso antrópico. a rigor. do modo que está fraseado.cultural. não sei muito como traduzir. mas nem sei se é esse o caso. MARETTI (WWF-Brasil) – Então. da área de importância para a reprodução sociocultural. você ainda não sabe qual é. por isso que vale a pena registrar. tem um enorme mercado de trabalho aberto aqui para os antropólogos. primeiro. Eu acho que tem uma coisa interessante. colocar a zona de uso antrópico e a perspectiva quase de uma identificação de um território cultural nesse contexto complexifica bastante o processo. dá a entender que vai haver um procedimento prévio de identificação de um espaço de vida qualquer. Agora. considerando a estimativa feita numa zona de uso antrópico que. desse povo. CLÁUDIO C. a gente tem que registrar e dar como de barato. requer estudos antropológicos. A SRª.

alguma ajuda de mapas. se aumentar o número de famílias?” “Se forem fazer a criação de ostras ou outro recurso. mas essa área de proteção total. principalmente para RDS. nós estamos falando de algo mais e acho que isso aí vale a pena usar o caso desse debate. Eu temo pelo futuro das ResEx. fiscalização. “que áreas vocês acham que vocês vão precisar futuramente. Eu entendo consulta pública. eu não trabalho com isso. na informação das populações. Posteriormente você vai delimitar com mais calma. mas essa discussão é importante. trinta anos.. SALES – Henyo e Isabel. Raquel. Então. Como é que você pode imputar essa responsabilidade para 67 famílias para cuidar de 2 milhões de hectares? Então. “que áreas que vocês usam hoje?” É claro que isso demora um mês. você pode aliar a essas informações de mapeamento de uso dos recursos. tem condição de estimar qual seria a área daqui a vinte. mas a sustentabilidade ecológica daquela área. aliando essas informações. pela defesa dessa área. são informações que você tira desta negociação. O SR. Agora. por exemplo. é uma coisa rápida. Mas é no processo de consulta pública. mas o que eu queria dizer é o seguinte. mapeamento de áreas de uso. isso não é nada dramático. com outros parâmetros que não da sustentabilidade ecológica de uma área intocada. nem de geoprocessamento. só fazendo mais um comentário. projetar isso para o futuro. você trabalha com os Cujubins. Eu participei do processo de criação de uma Reserva Extrativista. se isso tem que estar na área de uso sustentável.. eu volto a 199 . a sustentabilidade ecológica de uma área não é igual à sustentabilidade do uso. na verdade. envolve pesquisas muito aprofundadas. A SRª. Com os Cujubins são 2 milhões de hectares para 67 famílias. etc. é outra situação. como você disse. não se trata de fazer estudo como a FUNAI faz. e aquela história das alianças porque as ResEx estão se transformando cada vez mais e mais somente num instrumento de resolução do problema fundiário. e tal. Para mim é um absurdo. ou se a zona de proteção integral da RDS supriria isso. monitoramento. mas eu sei que existem modelos onde você. como um fórum onde as informações das populações têm que ser levadas em consideração de maneira bastante efetiva. no sentido de que dentro da ResEx tem que estar entendido não só a sustentabilidade da atividade econômica. que essa delimitação de área foi feita assim mesmo. Então. porque não adianta colocar a esteira de criação de ostras num lugar se vocês não fiscalizam”. eu acho que o que está criando talvez um pouco de confusão é que. RENATO R. mas pode ser feito nesse processo de consulta pública. mas isso eu estou confiando na declaração. perdendo a lógica do conceito proveniente da aliança. de uma área que considere essa relação. de cartas que possam ser utilizados. Então. administração. E quando foi colocada essa questão da delimitação da área. às famílias. dos agentes públicos e não dos moradores.ResEx de novo. nem antropólogo. não é só da zona de amortecimento. aí é da Unidade de Conservação como um todo. Hoje está definido no SNUC que são essas famílias as responsáveis pela proteção. E a principal preocupação desse critério é porque o Estado do Amazonas. acho que não é o momento. com dados de densidade demográfica e você pode. não vejo nenhum tipo de drama nisso. Então. você tem o mapeamento de uso dos recursos. existem sim ferramentas que podem ser usadas dentro de um tempo relativamente curto de atividades de campo para se delimitar áreas de usos de comunidades. esse critério aqui quer levar um pouco em consideração isso. você não pode imputar essa responsabilidade aos moradores. Enfim. com relação à essa delimitação preliminar no processo de consulta pública. que áreas vocês vão precisar?” “Que áreas vocês acham que dá para fiscalizar. a aliança tem que ser repactuada. Daí em seguida nós estamos sugerindo que essa fiscalização seja dos órgãos competentes. essa questão de participação dos usuários. dessa troca de informações com a população. A área de uso antrópico pode até ser uma co-gestão na fiscalização. Então. essa delimitação é pura informação dos moradores com algum apoio. Obrigado. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Sobre os Cujubim. ou seja. nem nada disso.

releio. Que na RDS Ponta do Tubarão. que é a RESEX. O SR. e trileio. deveria precisar quem é o sujeito desse zoneamento e dessa estimativa preliminar que vai ser feita aí dentro porque eu concordo com a ponderação que a Raquel falou. muito menos operador. demandem a criação de uma Reserva de Uso Sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. pela falta de inscrições. as pessoas que confundem consulta pública como audiências. deverá prevalecer a categoria RDS. que foi resultado de uma oficina. inclusive se for necessário de ser longo. MARETTI (WWF-Brasil) – Acho que aí é o momento da gente expressar o debate todo da questão fundiária. conceitualmente. etc. em detrimento de RESEX. que dirá jurista. a audiência pública está regulamentada pelo CONAMA. a partir de uma estimativa preliminar. CLÁUDIO C. inclusive a possibilidade mais assustadora de todas que é ter áreas de propriedades privada ilhadas no meio de uma Unidade de Conservação. quando a gente discutiu consulta pública a gente reforçou muito esse conceito que consulta é um processo. que foi todo o debate que a gente vem fazendo. enfim.. o estudo de criação é uma coisa. etc. talvez fosse interessante para ficar um pouco mais claro. o próprio André trouxe várias hipóteses de interpretação. que eu acompanhei esse processo. assustadoras porque isso não serve para 200 . que infelizmente não está aqui de novo. “Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas na condicionante número 1. e tal. SALES – Então. não está definido. olho e fal: “É de domínio público. informadas. mas de todo modo. mas só. isso que vale”. Eu não sou especialista do Direito. qualquer que seja. Fala que as populações têm que ser consultadas.Brasília) – Acolhendo o teu esclarecimento. Na verdade. se você usa o termo “consulta pública”. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Acredito que. no SNUC o que é essa consulta pública. Mas o estudo de criação. Então. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas”. qualquer que venha a ser. RENATO R. O SR. o processo de consulta é outra. você pode ter um tempo longo. é um tempo. Aí é que está. A gente viu que tem várias interpretações divergentes. fica claro que vocês tinham em mente quando redigiram. passamos para o último item desse bloco que é o item nove. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Ao contrário da consulta pública. O SR.. e tal. Quando você explica. Raquel. reuniões públicas e outras formas de oitiva. leio. detenham títulos de propriedade das terras. ponto. 30 dias. na cabeça da maior parte das pessoas vai vir uma atividade de três dias. Realmente. etc. falta definir quem são os sujeitos dessa estimativa e desse zoneamento que vão estar em jogo no processo da consulta. O SR. uma delas. E o CLÁUDIO estava citando uma publicação do Ministério do Meio Ambiente com apoio do WWF. Você pode imaginar que uma consulta pública seja o permanente processo de criação até que se chegue a um acordo entre as partes envolvidas e etc. quem efetivamente é o sujeito desses dois movimentos que estão sinalizados aí o zoneamento e a estimativa preliminar de área necessária para reprodução sociocultural. como se fala de delimitação do processo considerando uma zona. etc. a doutora Sônia falou de procedimento. Mas eu leio aquilo. a respeito de alguns aspectos. longo.. um tempo de campo de 20 dias. O próprio André. acho que a redação. etc. é a RDS e APA.lembrar. e a conclusão que se chegou nessa oficina que consulta pública é o processo. foram cinco anos que eles consideram de consulta pública. mas o que está expresso aí é a questão domínio público ou não.. O SR. etc. FUNBIO. mas. quer dizer. não é exatamente o enunciado que está aí.. ainda mais nesses casos onde você tem possíveis beneficiários diretos. etc. mas quando a gente lê. HENYO BARRETO (IEB .

Agora. O SR. pela leitura técnica. você vai ver que tem 6. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . seja nas ciências ecológicas ou na gestão da conservação. lá atrás. eu acho que deveria melhorar essa redação e fazer como as outras categorias. nem para a comunidade. por conta do horário. nunca. mas eu acho que tem essas características de relativa pequena produção e etc. a gente tem que influenciar e aí tem aquelas palavras mágicas. com os outros. Tem muitas. Então. Por isso é que eu defendi. que não é só extrativismo. Está a propriedade privada lá dentro. 7. eu acho que a gente tem que negar categoricamente a possibilidade apontada de ter uma área privada. do ponto de vista dos especialistas de conservação. mas se você coloca. ia ter muito mais gente especialista aqui que eu para me contestar sobre isso. cria uma unidade e ele fica lá dentro. Se ele é diferente. “só é permitida a propriedade particular se for morador ou se for 201 . pela minha leitura técnica. ilhada no meio de uma RDS. a gente tem que construir as leis. com Monumento Nacional e outros. esses indivíduos. Então. de outro jeito. Aí todo mundo vai ter um cara que tem uma área grande. vamos dizer que o indivíduo não mora em comunidade. protegido. não tenho nenhuma contestação a isso. Eu sei que você está colocando isso. eu não. é a restrição para a comunidade local. Então eu acho que se você achar que é só a comunidade. tem amparo no documento legal e tem amparo na política. para mim que não sou da lei. na questão conceitual. inclusive. que os outros. no caso da RDS. mas eu acho que precisa arrumar ali e aí eu queria ver o pessoal que é da área arrumar. Esse é o entendimento que eu tenho. Refúgio de Vida Silvestre e tal. quase. ribeirinhos. de qualquer forma. não é tão explícito como Parque Nacional. de que é domínio público e ponto. Agora. o termo “comunidade” porque não é o cara local. 15 famílias que moram isoladas na beira do rio. mas eu acho que tem que ser de domínio público e parece que quando eu fui almoçar a Sônia defendeu isso também e ela também. não está enchendo o saco. André apontou. se a minha interpretação legal não vale. com relação ao fato de quem está de acordo faz assim. Esse ponto para mim tem uma importância muito maior. mas a minha contestação é anterior. mas é o cara que vive numa comunidade. mas vocês ouviram. Só poderia permanecer no caso de ser comunidade local e não a interpretação que tem sido dada que você pode ter lá dentro fazendas e etc. tem amparo no documento legal. ele fica lá dentro porque não está apurrinhando a paciência do cara. Por isso que eu fico meio preocupado em concordar com essa idéia sua.. a lei vai ter que olhar também por isso. Para mim eu comparo o texto da lei. aí eu acho que a saída e aí é uma visão estratégica e aí eu acho que também. aí já não sei se posso ter tão fático. não está aqui agora de novo. Então. aí abre toda uma discussão. de novo.SDS/AM)) – Eu vou ter que sair agora. se você pegar a história das reservas.ninguém. na proposta de conservação. Eu acho. nem para quem vai ficar ilhado. a gente tem o poder da observação técnica do especialista. Reserva Biológica e etc. Com relação a essa questão de domínio público. sem que a gente imponha barreiras rígidas a isso. uma fazenda. porque se deixar da forma que está o SNUC. ou seja. Eu acho que o CLÁUDIO estava falando uma coisa que precisamos um pouco entender. você está falando de outra coisa. eu acho que do pouco que eu consigo entender dos processos. quem não está de acordo. ele também é diferente e não é nada comparável. seja em grupos sociais. não é isso que você está falando. nas ciências sociais. é um indivíduo. eu acho que tem que estar na teia do interesse daquele grupo social local que não é só subsistência. eu entendo que é quando necessário se uma propriedade privada estiver lá dentro. é necessário desapropriar. estão numa situação completamente diferente. a lei não manda só para gente. por exemplo. nem para o objetivo de proteção. Mas. Então. que são pessoas que estão lá. ele ficaria excluído desse processo. mas ele fica lá dentro. imagino. essa são as considerações que eu faria em relação à questão da titularidade do qual decorre esse condicionante. Quando diz “quando necessário”. nunca vai ser obedecido. infelizmente. na proposta técnica de conservação da área. mas num outro sentido. com você apontou. Então. eu concordo que seja domínio público.

quem tiver contribuição eu acho que é bem-vinda e a gente tenta fazer o processo de respeitar isso aí. eu crio. eu consulto também Lucila e CLÁUDIO. RDS. Tem um bom sentido e aí é que os governadores. das famílias que ocupam essas áreas. eu quero criar 1 milhão de hectares a 4 milhões. nós temos um bloco de 8 condicionantes no próximo bloco e. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Pó chefe. nós que eu digo é o governo que tem que ter mais responsabilidade a optar pela RDS porque a RDS. porque falou em famílias residentes. CLÁUDIO C. Então. aí vocês recuperam aquelas características que estão lá no item um. e é o que está acontecendo hoje nas RDSs.comunitário”. mas com um monte de propriedade lá dentro. como é que a gente interpreta. a vivência e experiência de vocês que é o que a gente está procurando aqui oficina. deixa como está”. Eu acho que a tem que era gente tem que ter mais responsabilidade. os prefeitos estão apitando para criar essas reservas porque fica de paz e amor com todo mundo e fez a parte dele. HENYO BARRETO (IEB . ou seja. E a proposta número um. Eu acho que a gente tem que chamar mais uma responsabilidade porque RDS é uma categoria que precisa ter um pouco de consideração nesse aspecto fundiário.. continue no debate. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Henyo. essa era a proposta número 1. desculpando os apartes de encaminhamento. contribuir nesse aspecto. mas parece que é essa a interpretação. tem demanda social pela criação da reserva e não querem ter suas áreas desapropriadas. vem a tal da famosa distinção em relação a ResEx. O SR. O SR.. O SR. cria aí. que é um outro negócio interessante porque essa. a gente tem duas opções. Henyo. viu Maretti? Me desculpa. mas não estão só no item um. e aí. detém o título de propriedade de terra. nem que a gente fale: “Quem tem comentário sobre alguma diretriz?” Eu pelo menos posso ficar aqui mais umas seis horas. Vou falar a segunda que é mandar por e-mail esse bloco para que a gente possa agregar os comentários. ainda que geral. Se alguém tinha alguma preocupação com a distinção entre ResEx e RDS. Espero que a gente consiga ter outros momentos para a gente definir isso porque é legal a gente poder participar. pelo horário de vôo e necessidade de ausência das pessoas. arranjar um termo que diga que só é permitido com essas condições e não com as condições que estão lá porque aí você deixa uma abertura muito grande e vai caber interpretação de várias e várias pessoas e aí não dá em lugar nenhum. só uma questão de ordem. mas só por criar.Brasília) – Esse foi o que eu mais gostei de todos. Então. não sei em outros biomas e 202 . Ademar. HENYO BARRETO (IEB . O SR.Brasília) – Sem problema. a gente prossegue e finaliza pelo menos esse bloco. a gente não vai conseguir esgotar isso.. eu acho que esse é um. muita gente.. O SR. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu acho que vale a pena mandar para todo mundo. pelos acenos de cabeça eu não vou falar a número um.. Ao invés de melhorar a situação vai complicando. Então. Era essa a minha contribuição e eu queria aproveitar para agradecer e pedir desculpas por não ir até o final do debate que eu achei super-interessante a nossa discussão até aqui. estão no dois e no três. mas acho que não impede que quem estiver. Tem muita discordância internamente entre nós. eu gosto da idéia de famílias residentes ou usuárias da área alvo da proteção. Foi sintomático que o último item que o Renato e a Lucila apresentaram ele vai recuperando elementos de outros. me parece tem que criar numa condição assim: “Ah. É muito interessante. acumula em cima de uma caracterização. de novo. porque não precisa desapropriar ninguém. pelo menos o entendimento do Renato e da Lucila sobre essa distinção se caracteriza exatamente nesse último quando recupera alguns elementos anteriores.

Essa RDS criada em Marajó foi em função disso. o CLÁUDIO fez aquele comentário. Retomando o que o Mercadante falou hoje de manhã. Ainda não tem LDO nem tem titulação. numa Licença de Ocupação e. no título definitivo. de gente que tem licença de ocupação e. que eles não vão querer isso. é uma coisa potencial. da posse. No Rio Grande do Norte aconteceu a mesma coisa. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Eu vejo com ressalva essa questão de titularidade e domínio de terra porque isso. nesses casos. sete anos atrás. e você perde a oportunidade de criar uma Unidade de Conservação. está usando esse critério. de potenciais proprietários. eventualmente. em contextos onde você tem exatamente essas situações híbridas de apossamento. Nesse sentido. Não vejo em que medida isso é necessariamente excludente com a situação de domínio público porque o uso que se faz daquele espaço específico do lote. a títulos de propriedade de terra porque títulos de propriedade de terra poucos vão ter. O SR. não limitaria a título de propriedade. no meu entendimento. de fato o detentor da posse está efetivamente colaborando com os objetivos da RDS. RENATO R. porque isso é uma limitação. É claro que essa interpretação do artigo. onde haja uma reivindicação para a criação de Unidade de Conservação pelas próprias famílias. ele estava falando: “O que nós vamos fazer? A gente vai recuperar o conceito original que foi discutido no SNUC ou nós vamos levar em consideração o que está sendo efetivamente praticado com relação a RDS pelos órgãos executores? A gente vai juntar as duas coisas? O que a gente vai fazer?” É uma tentativa de chegar nesse modelo novamente. a título de sugestão. dizendo “quando forem necessárias as desapropriações”. na prática. mas muitos vão ter o que? Seus lotes cadastrados no INCRA e pagam ITR. harmonizado e adequado com os objetivos gerais da RDS que o Poder Público não precisa se onerar em fazer a desapropriação. mas ele tem a expectativa de um dia ter.tal. de apossamento com registro do lote e pagamento do ITR. porque há. O CNPT que de alguma forma vai participar desse processo de regulamentação e é o órgão responsável pelas RESEX e RDSs federais. entrevistando por volta de 52 pessoas. sem reconhecimento. Eu até tinha uma pergunta depois para fazer para o Pool sobre essa história da RESEX. havia quando eu fiz pesquisa lá há uns seis. condizente. o novo modelo de RDS. enfim. elas desenvolvem atividades não muito impactantes. é uma realidade. ele pagar ITR. uma das questões mais polêmicas. se eu tivesse uma proposta para fazer aí é que a gente não limitasse. Eu acho que isso contempla situações interessantes. lá na margem em esquerda do Nini. depois. se vai ter ou não isso é uma outra discussão porque o processo de titulação em algumas áreas da Amazônia é complicado. porque o Estado vai desapropriar para depois dar concessão real de uso? Sendo que em alguns desses casos eles brigaram tanto. pessoas que tinham. O SR. O que nos leva a fazer uma proposta dessa é o seguinte. e tal. a vida inteira para conseguir um documento comprovando a posse. pagavam ITR regularmente e tinham expectativa de um dia ver essa situação traduzida numa LDO. etc. mas eu acho que. de apossamento puro e simples. é como a Lucila fala. Eu acho que se tem uma coisa que é esse elemento de distinção da RDS tem a ver exatamente com essa questão. Na prática está acontecendo isso. que eu seria mais elástico. mas ele tem o lote dele registrado. SALES – Então. No Estado do Amazonas as reservas estão sendo criadas justamente em situações onde se encontra propriedades privadas porque o Estado ou não tem recurso para fazer a desapropriação ou não tem vontade política. ela se dá ou ela pode se dar. pode ser tão coerente. vai render muito pano para manga. foi essa questão do domínio nas RDS. mas em vários lugares da Amazônia é isso que ocorre. O que importa é que. para considerações posteriores. Eu gostei bastante desse e fique registrado. a gente sabe que o capital é muito forte e quem garante que essas famílias vão suportar o peso do 203 . eu falaria também em imóveis registrados no Cadastro de Imóvel Rural do INCRA. elas tenham como comprovar essa dominialidade.

Está resolvido. do ponto de vista sistêmico. olha. Eu continuo indo a campo. Não conheço nenhum caso em que haja esse tipo de conflito ou no entorno ou mesmo dentro que tenha havido parceria. ponto. Considerando isso. eventualmente. então. muito menos um mar homogêneo fundiário. é de alto impacto. pelo menos nesse momento. Ela. Teoricamente é muito simples resolver. não é uma aparente. por uma impropriedade da lei. Então. essa é a primeira questão. O que o legislador quis dizer com “quando necessário”? Bom.. Não sei se é o pior dos mundos. para a preservação do ecossistema abrangido pela RDS não é impactante. Os conflitos são sistemáticos. tem que abranger outras hipóteses que não apenas a hipótese de população diretamente beneficiária a ser titular de domínio da área e a lei. depende muito do que a gente vai discutir ao conceito efetivo de Reserva de Desenvolvimento Sustentável que vai nortear a estrutura como um todo. basta dizer no decreto que só não será necessária a desapropriação nas seguintes hipóteses. isso pode ser. Então. pode ser de alto impacto local. a própria lei de criação não permite. A verdade é que a lei permite esse tipo de interpretação. C. estou dizendo: é possível se pensar isso. posso até estudar casos e oferecer o leque de análise e tal. O que se deve avaliar. a lei permite esse tipo de interpretação. quando a população beneficiária detiver título ou documentos análogos referentes ao domínio”. Agora. interpretação sistêmica. claro que não quer mexer com os fazendeiros e por isso todos esses arranjos. O SR. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Bom. A SRª. só não será necessária aí lista de quais são as hipóteses. isso se resolve de uma maneira muito simples. se interpretar que você tem a possibilidade de ter propriedade dentro da reserva que não sejam contabilizadas como Reserva de Desenvolvimento Sustentável. se é positivo ou não do ponto de vista econômico. um grande obstáculo efetivo para a criação de Unidades de Conservação. relacionada com essa referência aí. não sei. ele participa de processos legislativos. naquele local restrito. É possível se admitir essa hipótese? Não estou avaliando o mérito dela. colocou até uma escada para a população subir porque ela não permite porteira. evidentemente. Bom. eu acredito que mais por uma impropriedade. por exemplo. ela negou o acesso e está dentro da reserva. e é assim. eu acho uma brecha muito grande essa questão de propriedade numa RDS. se fala que. E vou de norte a sul e conheço quase de palmo a palmo a Amazônia. ou quando necessário. é possível. agora. mas se alguém tem um título e o capital vai e compra aquele título lá dentro daquela área. A. vou dizer porque. eu acho um problema. ponto. na leitura da lei. tem um caso lá na RESEX de Soure que chegou a fazer. se alguém souber aonde tem uma situação que isso é viável e está sendo viável. é possível você compatibilizar preservação de grandes áreas com pequenas ocupações que não necessariamente são de baixo impacto local. a gente não sabe. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu acho que essa questão está. Se esse foi a motivação. seguindo o raciocínio aqui. não estou segura ainda. no Pará vocês sabem de toda a questão da escravidão 204 . Quer dizer. na verdade. Então.capital? Nós já temos propostas lá de deputados e outras pessoas lá no estado de extrair madeira lá da RDS. Então. isso pode ser uma oportunidade? Se positivo. B. a gente diz: “Só não será necessária a desapropriação na seguinte hipótese. Um governador. e aí não sou eu que vou fazer. O que leva uma redação da lei. aquilo que o Maurício disse aqui. é a seguinte. mas eu acho um problema essa questão da presença de propriedade dentro das RDS. ecológico. Então. uma atividade de mineração. e D. O Presidente da República assina o decreto e está resolvida a questão. me diga porque eu quero ir lá ver. não é necessariamente o que vai ser determinante e a implementação dela no futuro. eu conheço a realidade de lá. mas no contexto da RDS como um todo. quem impede que ele pode vender ou não? E essa pessoa que entra lá começa a fazer coisas que não está condizente com a preservação.. Essa contradição da lei se resolve assim. A gente sabe que a lei não permite. Amazônia não é um vazio populacional. É uma questão muito de disparidade quanto à questão do poder e eu não vejo. é uma contradição.

mas com relação à exclusão. RENATO R. Então. que é um queijo suíço? Posso fazer um parque desse tamanho. já estou na Amazônia há um bocado de tempo. SALES – São família residentes. dessas mudanças que estão havendo na lei florestal. RENATO R. O SR. teoricamente pela lei. Ela explicita. CLÁUDIO C. A SRª. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) . enquanto que o próprio IBAMA. não quero ficar voltando. mas no quintal não está. os procuradores do Estado um deles é José Eduardo Campos Rodrigues e o outro é o Guilherme José de Figueiredo que é doutor em Direito Público. O SR. se é para fazer isso. veja bem. Mas eu (. Você devassa a madeira branca e a comunidade está assim. O SR. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Depois que a lei descobre. já que me deram a oportunidade. Não trata-se de latifúndio. Eu posso fazer isso independente de texto. O que me impede de fazer um parque. essa relação do proprietário é muito dramática na Amazônia. isso aí vai ser outro problema porque na FLONA de Tapajós que diz manejo sustentável. Agora.. Eu vejo isso aí como uma ameaça grande. Se ela vendeu. O SR. O SR. através do Pró-Várzea está financiando.. nos escritórios. é alguém de fora da comunidade.) mas a lei permite que eu faça isso e ponto. é muito diferente. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Consta do livro Direito Ambiental de Áreas Protegidas do Antônio Herman Benjamim. não é interpretação do André Lima. cai a exceção e volta a ser a regra de desapropriação. Então. não é uma RDS. O SR. todo mês estou viajando para uma área e o que eu vejo lá é feio. excluir um monte de áreas privadas dentro dele. isso aí é APA. De repente o cara lá diz que vai se integrar na RDS. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Se quem adquire a propriedade não é a população beneficiária. a partir da definição clara dos casos. sem poder nenhum.. se é isso porque a lei efetivamente permite a interpretação de que a propriedade privada é compatível com a figura da RDS. isso aqui é uma APA. O SR. não é a nossa relação de poder aqui. Eu acho que esse é um problema sério. tem que ser muito explícito e tem que ser claramente definido. também com relação à essa questão da própria.. já expressei tudo. SALES – Mas ele não se encaixa na. imediatamente caiu por terra o único pressuposto de manutenção da propriedade que é a propriedade ser pertencente ao beneficiário direto da Unidade de Conservação. de qualquer área que seja de domínio público pode ter buracos. mas legalmente eu posso delimitar limites que tem buracos dentro. quem vive. 205 . É claro que isso pode abrir um precedente. Do ponto de vista da gestão pode ser errado.. me digam se não é uma APA? E toda a jurisprudência. o dano já está feito. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu acho que vivemos para ficar abrindo precedente. não tem porque eu já fui no quintal dele.Mas num argumento técnico com você eu posso dizer que não tem fundamento técnico. essa coisa das relações de poder em âmbito local. O condicionante número um define aquelas coisas de população tradicional. aqui não são grandes proprietários fazendeiros. tem na fachada. MARETTI (WWF-Brasil) – Na verdade. a área. que contradição é essa.. só para concluir. que no decreto se consegue segurar isso. Portanto.ainda presente.

pelo menos. aí será desapropriado porque está indo de encontro ao objetivo da reserva. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Não. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) . Se entra em conflito com os objetivos da reserva. Você vê. na hora de estabelecer unidade. A gente está discutindo isso com as comunidades e as famílias que têm títulos de áreas principalmente dentro da reserva maná e as família têm documento expedido pelo INCRA que paga o imposto tal e a gente está discutindo com elas o seguinte. que é um estrupício sob qualquer ponto de vista fornecimento de energia. O SR. seja pelos esquemas de mitigação de impactos tem a área da CVRD cercada de terras indígenas. se necessário. tem a terra indígena tal.Brasília) – Eu gostei. não vou defender não. Balbina. nem sempre isso é levado em consideração. que desenvolve atividade. de um planejamento você preveja isso. HENYO BARRETO (IEB . é quando o uso daquela área está indo contra os objetivos da reserva.O SR. mas. como corolários das referências para a criação há. é domínio público e ponto final. incapaz de fornecer energia para Manaus não enfrentar blackout e aí você tem estação ecológica. O SR.. dois ou três itens. seja pela forma de manifestação expressa de desapropriação.. O SR. é interessante perceber como o processo histórico produz isso. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – E esses dois doutrinadores e práticos da lei interpretam dessa forma. O SR. Então. O outro.Brasília) – Era um comentário. aí é uma pergunta para o Renato e para a Lucila porque vem as diretrizes e nas diretrizes para implantação. que é o item dois. você pode ficar renovando o prazo desse termo de compromisso. ambiental e de grupos humanos tradicionais. 206 . Seja por intermédio dos esquemas de compensação ambiental. ali está no condicionante. só família que estão lá há bastante tempo.. o processo histórico leva em.Isso é critério para criação. se por um lado. A SRª.. eu acho que isso precisa colocar na legislação porque o “se necessário” está muito. E insustentáveis estarem literalmente encravadas em áreas de grande favor ecológico. você tem essa situação.. SALES . você tem toda a razão. as que têm documentos comprobatórios você faz um tipo de compromisso específico para isso. que tem a ver com os desenhos..Independente da titularidade? A SRª. se necessário. não sei se isso tem valor legal e as outras você tem o instrumento específico no SNUC que fala que quem mora em domínio público e tiver o compromisso (. pelo menos nos itens 2. O SR. seja pela forma de Termo de Compromisso. É muito interessante. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Eu queria falar um pouquinho de como é que a gente está interpretando essa coisa que deve ser desapropriada.) de RDS você faz um contrato de concessão de uso e assina um Termo de Compromisso específico para essa questão. agora. CLÁUDIO C. Só para polemizar um pouquinho. 3 e 4. RENATO R. MARETTI (WWF-Brasil) – Ele terminou. seja pela questão do Conselho Deliberativo. Só peguei a Vale e Balbina para exemplificar. sobre os TAC que interpelam diretamente essa questão da existência de titulação. eu acho que não percebo que ela abre um precedente que ela lastreia todos os elementos que já se encontram ali. achei simpática. na implantação é que entra essa questão de desapropriar as propriedades e estabelecer os Termos de Compromisso com as famílias locais. HENYO BARRETO (IEB .

como a gente tinha levantamento colocado aqui. esses títulos de propriedade de terra. mandarem contribuições principalmente para o segundo bloco para que a gente possa agregar isso e ter aí um encaminhamento do cenário geral de pensamentos e ansiedades sobre o assunto. para você desapropriar é muito complicado. exatamente. sinceramente. mas têm que obedecer as normas do Plano de Manejo da unidade porque senão o cara começa a fazer tudo o que ele quer e aí o vizinho acha que também pode. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Acho que falta acrescentar ali. a próxima parte já seria a gestão e a criação a gente encerrou. à guisa de encerramento. estava ali agradecendo ao André pelo parecer dele urgente. A gente tem problemas não só com essas pessoas. Só para vocês terem uma idéia. às vezes nem se elabora o Plano de Manejo. talvez de uma forma. A SRª. Antes de passar para isso. CLÁUDIO C. isso aí é levar com a barriga. Consulto também o CLÁUDIO. O SR. mas os títulos são grilados mesmo e aí para a gente ver a validade disso porque muitas vezes não tem nem validade. A SRª. sobre futuro. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – CLÁUDIO. como também com vizinhos que está sendo criada um bocado de área indígena. foi pouquíssimo tempo. a jato. não faz. que está fora? A comunidade que é 207 . de algumas idéias. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – E a gente sabe que não resolve. o número de entrevistas. Deixava bem genérico e nós estamos trabalhando no Estado o sistema estadual e lá a gente poderia fechar e não teria terra titular de terra. Vamos estar mandando os documentos que estão contidos nas pastas para todos os participantes da oficina e também esse quadro que vocês viram para que vocês possam. então. eu queria. a gente chegou à finalização do primeiro bloco e o segundo bloco. mas a documentação toda é bastante. nessa situação de nova. A gente tem que ver o cenário político. mas foi perguntado assim. a gente poderia estar mandando a tabela e os demais materiais por e-mail para a gente receber consultas sobre isso. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Ou faz é complicado demais. O SR. acham que pode fazer tudo. E cada cenário político complica mais ainda.O SR. O SR.. préencerrando. esse mês a gente vai fazer um levantamento fundiário com o INCRA porque tem muito essa coisa. eu sou dono. Mas voltando ao que eu tinha falado antes. Agradecendo o André pelo parecer que ele expediu a jato. eu já queria aproveitar. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – O encaminhamento é o seguinte. MARETTI (WWF-Brasil) – Se a idéia é a gente encerrar por aqui.. o que gerou problema de integração dos dois trabalhos. parabenizar o Renato e a Lucila pelo trabalho que foi feito. deve ser criada uma reserva. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Depois de criada uma reserva. o volume de cada entrevista que foi produzido diretamente ou sob coordenação do Renato e da Lucila é significativo e é um material rico para registro para quem quiser se aprofundar no tema ou para gestão ambiental ou para atividades outras de conhecer os processos. Se tu estiver de acordo com os objetivos da área. acha que pode fazer também tudo o que o outro está fazendo. a distribuição pelos tipos de atores sociais. O SR. porque se fechar a federal a gente não pode nem mexer na estadual. O SR. foi furando uma pessoa depois da outra. a ONG está envolvida no processo de criação ou não? A comunidade que está dentro. dado os horários de deslocamento das pessoas. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – E até hoje.

. estamos à disposição para continuar conversando. em função do que foi debatido e ponto. além do Governo Federal. CLÁUDIO C.Brasília) – Alguma coisa vai estar pronta para a reunião de dia 6? O SR. O SR. já tem um acordo. mesmo em versão preliminar. O SR. Então.a favor. a gente tem um acordo formal já firmado com Amazonas. e a qualidade normalmente é boa. inclusive alguma possibilidade de polêmica. CLÁUDIO C. Agora. a transcrição. a partir do estudo que eu chamaria ainda técnico. Mas aí tem que caçar as coisas entre centenas de páginas. quais são os pontos que têm que ser enfrentados? Vai ter soluções ou idéias que foram dadas aqui.) e daí pensar num outro passo. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu prometi mandar do jeito que estivesse. sem revisão. se o pessoal do IBAMA (. nós vamos entregar para os órgãos estaduais e para o os órgãos federais. já no começo da próxima semana. mas o que eles vão fazer é a questão do conteúdo. não adianta fazer luxo que perde o momento histórico. o trabalho dele termina. a gente vai disponibilizar. a decisão do que vai sair da esfera federal não cabe a nós. Isso posto. provavelmente a gente vai colocar isso pouco a pouco à disposição. é ter um outro documento sintético que revise os temas que eles colocaram ou que aponte outros ou que reescreva as propostas intermediárias da gente distribuir essa tabela por e-mail. embora eu tenha considerações da área legal. eu não estou pensando que a gente deva dar mais passo depois disso. Passa por uma semana.. vai ter tendências maiores que as outras. isso é um outro tempo. decreto para o caso do Amapá. No caso específico que você pergunta. O que a gente com certeza vai ter é o material que foi oferecido hoje. ou uma semana. estamos fechando um acordo com o Pará. RENATO R. O acordo que a gente tem aqui agora. uma revisão do documento dele. Isso pronto. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A gente passa o e-mail já orientando as pessoas que a gente gostaria de receber até a data tal. não cabe à essa reunião e provavelmente não vai seguir as recomendação dessa reunião. qualquer uma das partes para qualquer um que interessar e daí. o que a gente faz. Nós vamos levantar. estão querendo discutir. mas eu não posso garantir que o relatório vai estar pronto. Ministério e IBAMA. ou seja.. mas é claro que ele vai ter diferentes níveis de acabamento. O que a gente pode fazer. Mandar para colher mais opiniões. uma publicação mais simples porque é uma coisa para ser rápida. a comunidade que é fora? Nossa intenção é produzir para disponibilizar isso tudo. Esse prazo a gente podia definir em 15 dias.. Não posso me comprometer com o que vai sair na área federal porque isso aqui é uma reunião de especialistas para oferecer esse produto técnico para os órgãos tomarem as decisões. MARETTI (WWF-Brasil) – O pessoal espera para última hora se coloca muito tempo. relatórios e tal.. e dizer.) mais ampla possível. Amazonas está. mas um monte de coisa a gente saiu com divergência inclusive essa da propriedade privada. basicamente o que a gente está esperando é basicamente algo como a gente discutiu no final da manhã e agora à tarde. HENYO BARRETO (IEB . Agora. de divulgação. inclusive a Sônia ficou de me passar o material dela e a gente vai ter. a gente pode pensar em como formular uma proposta de legislação. quem quiser contribuir (. Jessé. inclusive a gente poderia distribuir para os convidados e não só para os presentes. das apresentações. Especificamente com vocês. O SR. SALES – E a gente se compromete a. O SR. mas o relatório deles não é uma proposta de regulamentação no sentido legal. 208 . nós podemos pensar em que nós vamos assinar especificamente isso aí.. A Lucila e o Renato vão fazer uma síntese interpretada a transcrição do debate feito. expressar o que sai do evento.

A gente queria avançar pouco a pouco para tentar ter uma visão geral. O do André e a Sônia Mercadante e aí a tabela e dar um prazo de 10 dias para respostas. eu queria renovar o agradecimento à presença de vocês. os dois documentos. se for possível. gente? Bom. é muito mais perigoso fazer com menos gente. mas eu quero dizer o seguinte. A gente vai tentar fazer um debate. quando tiver o relatório no mínimo para vocês em versão digital. a UCN da qual o IBAMA é membro e várias ONGs brasileiras são membros. nada de um livro luxuoso. se tem mais alguma palavra. independente da gente continuar esse debate de RDS. trabalho todo de fazer o relatório. A SRª. mas nada de FLONA. 209 . e passar o material que foi oferecido nessa reunião. Algumas não receberam porque não checaram o e-mail. Talvez não complete porque é muito mais complicado. volto a insistir. parcerias. mas algumas não receberam o completo. CLÁUDIO C. a gente vai procurar fortalecer do que a gente chama de categoria seis. Então. para o UCN com a qual eu tenho trabalhado como voluntário. mas a gente faz essa visão extra para poder dar sustentabilidade e também. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – A gente gostaria de agradecer o comentário de todo mundo e a participação. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) . obviamente. mas o programa que eu coordeno é o Programa de Áreas Protegidas para a área de Amazônia. volto a dizer. aí já pensando nos quatro documentos. Senão. A partir daí. porque foi enviado só ontem. MARETTI (WWF-Brasil) – Algumas pessoas.Esperamos vê-los em breve. E aí. mas vai levar um tempo. nós estamos abertos para discussões. os relatórios. talvez na mensagem a gente pode comentar materiais preliminares para interessados. pelo menos de RESEX e RDS. receberam parte do material. vale a pena enviar de novo. um deles que apareceu sem o nome. um debate sobre categorias. leva pelo menos uns três meses. mas sob uma conversa específica. dessa forma. Em poucos meses. Algo mais. dito isso. Então.O SR. a partir de uma visão brasileira. do tipo caderno. ela é considerada assessora do Secretariado e ela pretende fazer. edição gráfica. Também. mas seguramente a gente estará levando essas discussões. quase todas. no final de 2006. O SR. volto a abrir. começa a fazer antes de estar pronto. encerro. mas o WWF-Brasil já está trabalhando e está trabalhando com o Governo de Rondônia para as RESEX estaduais. então. eu represento a WWF-Brasil aqui. a gente pretende continuar a discussão sobre RESEX. mas a idéia depois é ter uma publicação simples.

ANEXO II ENTREVISTAS REALIZADAS Relação das entrevistas com especialistas. Ongs.Universidade da Florida Antonio Carlos Diegues .Brasil Luis Carlos Pinagé – FUNBIO 2) 1 Organizaçâo de classe: Atanagildo de Deus Matos – Secretário Executivo da Diretoria do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). 210 . Abaixo.Núcleo de Pesquisa sobre áreas Úmidas Brasileiras . as entrevistas na integra.NUPAUB/USP 4) 3 Órgãos Públicos Federais: Paulo Oliveira – CNPT / IBAMA Ronaldo Weigand – Programa Arpa / MMA Leonardo Marques Pacheco – Coordenador do Centro Nacional de Desenvolvimento de Populações Tradicionais (CNPT) – Gerência Executiva do IBAMA de Manaus / AM. pesquisadores e gestores: 1) 10 entrevistas com especialistas e gestores: 3 ONGs Nacionais: Adriana Ramos – Instituto Sócio Ambiental Claudio Maretti – WWF . 3) 2 Pesquisadores: Mary Allegreti .

mais aberta. porque era uma população de pescadores que não se vêem como extrativistas. com população nativa . consultivo. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Para os moradores do interior da unidade de conservação. incluindo índios. 211 . Pode aproveitar o potencial de regeneração em benefício da população.ENTREVISTAS COM ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL: ONGS NACIONAIS Entrevistado: Adriana Ramos Data da entrevista: 8 de março de 2005 Local da entrevista: Brasília / Instituto Sócio Ambiental Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A categoria RDS foi incluída no SNUC para ajeitar a situação de Mamirauá. A consulta publica é o instrumento básico de decisão e negociação do governo para gerencia conflitos. para não haver conflito. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Sou socioambientalista. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Seria bom que houvesse um processo em que todos os interessados entrem em acordo. e deve haver um acordo formal estabelecendo isto. numa área com perspectivas positivas. O objetivo das RDS é compatibilizar a presença da população local com a conservação da natureza Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Quando a população residente faz uso racional dos recursos naturais. Não necessariamente tem que ser uma área conservada. no limite a criação pode ser do poder publico. Para os de fora. naquele caso. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. São uso de baixo impacto. deve haver um processo deliberativo. que era uma estação ecológica estadual. Os dois. Quando há potencial de conservação ambiental e atividades não impactantes. Em áreas críticas. Pode também ser uma área degradada com possibilidade de restauração. A RDS não foi demanda da população. sob ameaça. por exemplo. Durante o processo de discussão da RDS não houve manifestação das populações indígenas. A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. A categoria RDS entrou para ajustar esta unidade. A diferença com a RESEX é a ausência da necessidade de demanda da população para criação da RDS. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Uma RDS é uma unidade de conservação com abertura para compatibilizar diferentes usos tradicionais dos recursos naturais pelas populações locais.Não dava para ser RESEX. porque eles teriam benefício com o projeto de Mamirauá. Os moradores tem direito ao uso sustentável da área. que deve estabelecer mecanismos para adequar os diferentes interesses.

por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Por conta da relação histórica do CNPT com o GTA e Conselho Nacional de seringueiros. e nas condições para permanecer numa área de conservação Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Gestão colegiada. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho gestor deve ser composto por populações moradores do interior da unidade de conservação. 16. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Mamirauá não pode ser considerado um bom exemplo. A RDS não comporta atividades agropecuárias. As pessoas à frente do CNPT eram ligadas com estes movimentos. As RDS podem também ser soluções nos casos de presença de populações em Parques Nacionais. pelos órgãos públicos e populações de entorno que tenham relação com a área. mineração. seringueiros e a luta do Chico Mendes. como a Flona Tapajós. ou qualquer área restritiva criada com população residente. È o tipo de uso. pois teve aporte de recursos materiais e humanos fora do padrão. A presença de propriedade privada deve se submeter às regras de manejo da unidade. pequenas roças. sem prejuízo da implantação da unidade de conservação. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? O problema não é o tamanho da propriedade. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? O uso racional justifica a criação da área e se subordina ao manejo. E deve estar de acordo com o plano de manejo. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Tradicionalidade não é temporal. O que importa é garantir um tipo de uso que esteja no perfil. ou o contrário? Algumas situações no Amazonas. agrofloresta. enquadrada em outra categoria do SNUC. Na sua opinião. A formulação da idéia de RESEX foi uma questão política. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. que é o instrumento de planejamento da área. A RDS concilia a ocupação humana e as atividades 212 . e trabalhar não só com as RESEX. a Conservation International apoiou o governo do estado em estratégias de criação de unidades de conservação. A CI apóia a criação de UCs estaduais.As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. pecuária extensiva. Mas estas áreas devem estar de acordo com os objetivos da reserva. mas sim agroflorestais. Uma RDS comporta atividades de turismo. No Amazonas. O governo do estado aproveitou para criar RDS. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Pode ter área privada sim. flexibilizar. por exemplo Flonas com populações tradicionais. A atual direção do CNPT tem a perspectiva de ampliar o foco. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento.

Várias coisas avançaram e recuaram durante a discussão de dez anos com o SNUC. Mas a verdade é que Mamirauá tinha uma condição muito específica. E eu acho que essa história de RDS foi uma solução de última hora para algumas pressões que até então eram separadas. E fizeram a proposta da Reserva Ecológico-Cultural. internacionalmente conhecido. RDS. Mas como eu milito muito ligado à IUCN e trabalhei e ajudei com algumas dessas coisas. onde há demanda de fronteira agrícola.produtivas . conservação ambiental ou fixação ou desenvolvimento de moradores na área? Maretti: Eu acho que como toda a UC. mas acabou ficando mal definido pois não era uma categoria que tinha um acúmulo de discussão prévio. e até o texto é relativamente extenso de comparado ao de outras categorias. eu defendo a posição de que só um grupo de objetivos é que define uma categoria. Entrevistado: Cláudio Maretti (coordenador do Programa de Áreas Protegidas da WWF) Data da entrevista: março de 2005 Local da entrevista: Brasília / WWF Entrevistador: Renato Renato: Qual é o seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Como você acompanhou e qual é a sua opinião a respeito? Maretti: Eu acho que acompanhei. em 2004. as Resex eram muito restritas porque só pensava no extrativismo e tinha obrigatoriedade de domínio público. E daí era uma Estação Ecológica que não poderia funcionar como tal e ele inventou um novo nome. que era Mamirauá.. e são RDS que eles estão criando. Foi uma discussão liderada pelo Diegues que dizia que. o secretario estadual de meio ambiente declarou que eles avançaram com outras visões na área de conservação. e não ficou definido o que seria. A visão é de que elas provocam menos conflito. Então eu tenho a impressão que a categoria tem um interesse de fazer algo mais flexível que Resex. eu acho que tanto RDS. se conseguiu incluir essa categoria. No workshop de definição de prioridades de conservação para o estado da Amazônia. Esta é a visão do governo do estado. com liderança do Márcio Ayres. porque compatibiliza diferentes tipos de uso. mais abertas . Resex e Florestas e APAs o objetivo tem que ser conjunto.Essa é a minha informação. Do outro lado tinha uma realidade que era uma área super conhecida. por algum lobby bem feito. O governo do estado do Amazonas está cacifado como criador de unidade de conservação sem conflito com setor produtivo. Misturou essas duas propostas e. com diferentes possibilidades de unidades de conservação. Porque não criam APA? O aumento da agropecuária desvirtua o objetivo primordial da unidade de conservação para atender o interesse produtivo. o objetivo é a conservação da natureza. Então eu acho que foi um acordo de última hora que precisa ser mais bem discutido. provavelmente pelo Márcio Ayres ou por alguém liderado por ele. por exemplo faço parte de um grupo que discute as categorias de gestão internacionais. porque na cabeça das pessoas está mais claro. Conservação da natureza é 213 . que era o apoio científico. e porque como pra qualquer outra categoria. eu até fui parte de um grupo que recomendou alguns prêmios internacionais pra ele. Pra ser UC esse tem que ser o objetivo principal. Não há clareza sobre as RDS e a regulamentação é ambigua. mais ousadas. mas não tinha uma proposta de definição muito clara. e muita grana internacional por causa das conexões que ele tinha e de outros cientistas. Renato: Qual é a prioridade na RDS. sobretudo para o litoral sudeste. Por exemplo. Então se o objetivo de qualquer UC é a conservação da natureza. sobretudo através do Cnpq. pode ser criada uma RDS agropecuária.. e no final. precisa ter regulamentação. não 100%.

Mas para essa categoria específica tem que estar junto com o desenvolvimento das comunidades locais. fixação e etc. É uma área como se fosse Resex. Você pode até ter algum uso na área de proteção. eu acho que a lógica que liderou eles na gestão prática era a lógica das reservas de uso múltiplo. mas o que eu estou dizendo é a prática que está sendo aplicada hoje. agrícolas. ou em conjugação com. E para fazer isso você faz o uso sustentável. ou por meio de. por alguma razão cultural ou qualquer que seja. e uma área com proteção integral também dentro da mesma reserva. mas isso não é uma UC. Pra RDS você tem uma lógica de proteção independente da área de uso. mas é pra proteção. Então no conceito de Resex. Na RDS não. Então eu acho que a separação em duas coisas é uma dicotomia artificial. E eu sou coerente com a minha fala de que cada categoria só é definida por um conjunto de objetivos. Renato: E Mamirauá era muito mais preservacionista nesse ponto. Por outro lado. e estão garantindo a sustentabilidade ecológica por uma área de proteção integral ao lado. elas não são UCs do SNUC. Renato: Agora. ele implica que você tem que resolver a questão social como uma importância primeira da área. onde dentro do SNUC é mencionada alguma coisa a respeito da necessidade de se ter uma área de proteção integral dentro de uma RDS? Eu acho que não há. Então o conceito como se tratava RDS pra mim é como se fosse um mosaico dentro de uma unidade só. por isso que eu falo de usos múltiplos. ainda que a proteção geral só seja conseguida por um sistema. se não for do interesse da comunidade. é que essa lógica de sustentabilidade da área de uso de interesse direto das comunidades. e não num mosaico ou em uma lógica de zoneamento maior que garanta a sustentabilidade ecológica. pelo menos como ele foi aceito pelos ambientalistas e pelos representantes das comunidades locais embora não necessariamente como ele foi reivindicado pelos sindicalistas. não está sendo bem trabalhada de forma que eles só estão pensando na área de uso direto. O que está acontecendo nas Resex. Eu acho que o conceito original de Resex.feita através de. Maretti: No caso da RDS. ou se é área que garante esse uso ou se a comunidade tem. por um mosaico. Na verdade a interpretação é que as duas coisas podem conviver. Se o conceito que eu entendo é correto. Ou seja. Você 214 . Importante como qualquer atividade econômica. E aí o objetivo de conservação da natureza é claramente secundário. é a Reserva de Uso Múltiplo. baseado na prática de Mamirauá. dentro da lógica do movimento conservacionista. Não faz sentido ter dentro de uma Resex uma área de proteção pela proteção. E onde diz que a Resex não pode ter uma área de proteção integral? Maretti: Também acho que não diz. etc. agroflorestais ou reforma agrária ecológica. isso faz parte de uma unidade. só é do interesse da comunidade se é área de uso direto. com dois conjuntos de objetivos diferentes. onde você tem mais que um objetivo. RDS é como se fossem duas coisas em uma só. mas se elas não tiverem como objetivo a conservação. Não só ter uso sustentável de uma área. desenvolvimento de comunidades. A Resex. mas eu acho que está no conceito de Resex a idéia de que você tem que ter uma área que garanta a sustentabilidade ecológica da sua área de uso. um interesse em proteger aquela área dentro do seu sistema de uso. É uma idéia que foi. melhoria de qualidade de vida. tudo isso podem ser objetivos para outras atividades como planos de assentamento rural. Pra ser UC o objetivo de conservação da natureza tem que estar no primeiro nível. mas ter uma espécie de área de retaguarda dentro da Resex. acho importante dizer que a prática de RDS baseada em Mamirauá ela não é igual ao conceito de Resex. Pra RDS não. no caso da RDS pra mim é diferente. a área de proteção teria que estar diretamente relacionada a sustentabilidade da área de uso. superarada como reserva de uso múltiplo pela noção de mosaico. e se RDS e Resex têm objetivos de conservação e desenvolvimento das comunidades. A prática de Mamirauá é a de que você protege uma área que não tem nada a ver com aquela área de uso. Porque a sustentabilidade ecológica faz parte da lógica de uma unidade. Isso é um mosaico dentro de uma unidade só. um mosaico. com mais flexibilidade.

mas ainda assim cabe dentro do que a gente definiu antes. Então eu vejo duas situações em que RDS seria interessante hoje. onde a pequena agricultura é mais importante.. Acho que há pelo menos três níveis que você tem que levar em conta.. Resex e etc de uma área de assentamento agroflorestal ou agraoextrativista. Por qualquer motivo a gente não quer um mosaico.. quando os sistemas de vida da comunidade local é mais diverso e amplo e implica em mais uso agrícola e outros. E acho que você tem que entender esses três níveis. O objetivo de conservação da natureza tem que estar no primeiro plano... Renato: Por que e em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Isso de alguma forma está repetindo a questão anterior. incluindo a possibilidade de coleta de recursos.. mas ligada a esse fim direto do uso. O segundo caso é quando a gente quiser uma reserva de uso múltiplo mesmo. onde você tem que ter o mínimo de gestão coletiva pra ter mais qualidade e proteção do que você teria no interesse geral. uma RDS poderia ser uma alternativa para locais onde o sistema de vida das comunidades é mais diverso. E eu acho até que Resex deveria ter proteção integral para esse fim. Pra que serve UC? Acho que o objetivo é conservação da natureza. Então nesse caso. Renato: Você considera pesca uma atividade extrativista? Maretti: Nessa definição sim.pode até ter alguma proteção na área de uso. Pela lei talvez não. mas a situação em que ela poderia caber é se a gente voltar pra definição de Resex mais restrita ao extrativismo. Maretti: E o terceiro nível é esse. Renato: Mesmo porque está prevista a regulamentação posterior. E também diferenciaria uma APA de uma área não APA. ainda que com alguma coisa. acho que sim. e não por si só. Essa definição vem sendo aberta. mas é possível. que faz parte da estratégia de sustentabilidade econômica das comunidades tradicionais que são extrativistas ou que são agrícola-extrativistas. então fica muito parecido. Nessa condição. Você acha que descaracterizaria essa reserva como RDS? Maretti: Pela imagem que faz a prática de Mamirauá.. mas em uma visão mais específica. para a reserva da Ponta do Tubarão não era prevista nenhuma área de não uso.. mas. Acho que isso é possível. e que o mosaico ainda não se consolidou como alternativa. incluindo aí o mínimo de agricultura de subsistência.. em que casos uma RDS seria uma alternativa mais viável para conservação? Maretti: Na minha opinião é difícil pensar RDS de forma abstrata. ligado ao interesse de uso. diferenciaria de Resex. que eu não sou contra. Se a gente continuar abrindo Resex para incluir essa condição. que é uma tendência.Inclusive não pensando só nessa contraposição com Resex. mas muito restrita. Renato: Não há nada que deixe descaracterizar. mas é pra uso. O segundo é a descrição de cada categoria. se a gente voltasse pra essa definição original de Resex mais extrativista. criação de peixes e pesca ao extrativismo florestal. mas. Você compararia a agricultura. a gente ainda não tem bem claro e tal.O primeiro é quais são os objetivos gerais do SNUC. porque a gente quer uma unidade político-administrativa para aquela área. Acho que aí que eu diferencio entre uma RDS.. 215 . E não em uma visão de equilíbrio ecológico macro. de proteção integral. Renato: Por exemplo. a regulamentação. A primeira é essa. dentro do objetivo que a conservação da natureza e desenvolvimento da comunidade andam juntos e não são contraditórios. Devia ter uma área de não uso.. Seria como se fosse uma Resex junto com uma Estação Ecológica ou Reserva Biológica. Maretti: Mas aí a interpretação do SNUC tem que ser vista de várias formas. em que você não pode entender RDS só pelo que está no artigo RDS.

Maretti: Mas essa amarração está existindo. e sim ao dano ambiental que eles possam gerar. com grandes áreas de proteção e algumas áreas de uso. já tem um uso adaptado e isso deve ser protegido para o bem da comunidade e para a conservação da natureza. porque eu não consigo abstrair essa relação. Então essa é uma estação ecológica que pra mim poderia ter sido claramente uma RDS se o termo já fosse uma coisa bem consolidada. entender outras potencialidades de uso para essa categoria. Eu diria que tem que ter usos múltiplos e ser mais baseado na agricultura do que no extrativismo. não condicionava a criação de uma Resex à existência de população tradicional. É que nem desenvolvimento sustentável. principalmente baseados na agricultura. do CNPT. Como o termo tradicional está ficando super rígido ou está ficando consolidado e ele é condição para uma Resex. né? Renato: Existe. estou aberto a perceber. Eu acho que essa postura intermediária está se consolidando como uma categoria sócio-política. se a gente voltar lá pro conceito. É assim que eu vejo.. Agora. Agora eu queria mencionar duas coisas aqui. Maretti: Mas já tem várias publicações acadêmicas ou feitas por intelectuais da área da antropologia justificando a legitimação político e social do termo tradicional. onde seria uma reserva de uso múltiplo. o que dá uma legitimidade acadêmica para isso. grande parte desses objetivos cairia por terra. pra diferenciar da Resex. que desenvolvam usos múltiplos. mas uma área gerida como uma unidade política que não tenha a fragilidade que o mosaico tem hoje. mais tradicional é? 216 . Não é tanto relacionado à história deles. A Terra do Meio. estava sendo ameaçada inclusive pelo rompimento da sua área em duas. Se essa estrada acontecesse. uma Resex seria criada numa área em que a população.. eu acho que nesse momento seria politicamente arriscado. Maretti: É verdade. Ele não concordava com essa amarração. Renato: Então você acha que quanto menos impactante ao meio. Renato: Mas são variados os conceitos. e isso está em escritos inclusive de Manuela Carneiro da Cunha. mas não há conceituação consensual do que é tradicional. Então é uma espécie de meio termo entre posturas radicais que reconhecem direitos de comunidade e posturas radicais ambientalistas que só reconhecem o direito quando eles são ambientalmente bem-comportados. Mas eu só vejo essas duas. Eu não uso o termo tradicional. nesses últimos tempos. mas eu acho que na prática está se consolidando o termo da seguinte forma: tradicional é uma categoria que algumas comunidades passaram a usar e que outros passaram a aplicar às comunidades pra legitimar alguns direitos das comunidades na medida em que eles são menos agressivos ao ambiente. eu tenho dificuldade com esse termo por dois motivos. Essas comunidades estão buscando nesse movimento ambientalista uma legitimação pra defender os seus direitos de comunidade. É isso? Maretti: É. Então você fazer um mosaico de unidades que teriam uma fragilidade no meio. por uma rodovia que vinha de São Félix do Xingu e pretendia se ligar à BR 163.Eu vou dar o exemplo do caso da Terra do Meio. Renato: O modo de ocupação humana que leva à criação de uma RDS tem que ser baseado na ocorrência de comunidades que usam vários recursos. tem mais de duzentos conceitos. Renato: Só um parêntese: o Rueda. O grande objetivo de proteger a Terra do Meio era criar um enorme corredor que unisse as terras indígenas do sul com as do norte e uma área de proteção da natureza no meio. chamada pela maioria de tradicional.

tem grupos que já acham que não é mais tradicional.Então o Luis Menezes é uma pessoa interessante pra você conversar sobre isso. E daí esse grupo diz o seguinte: se eles fazem isso. você acha que na regulamentação de Resex.Maretti:Isso seria uma conseqüência do que eu falei e que eu não posso concordar. porque ela está defendendo a construção dessa categoria sócio-política.. pra não criar polêmica desnecessária. que usa técnicas e apetrechos de agricultura ou extrativismo sem a capacidade de gerar grandes transformações. então esse grupo do outro lado defende a entrada de conhecimento... Renato: Mas eu acho difícil acreditar (eu não conheço essa definição da Manuela). Renato: Uma comunidade mais ou menos isolada que apresenta uma densidade demográfica baixa. mas . melhoria do manejo. porque ele trabalha exatamente com isso. mas procurando fugir um pouco da questão do Ray-ban e da moto-serra. isso não é a minha opinião. Não só o respeito ao conhecimento tradicional. Agora. Na verdade acho que a gente também vai ter que ter pra Flona e RDS e tal porque. está em outros momentos do texto que fala das comunidades. é o que eu estou vendo acontecer. sem grandes coisas. Não é o bom selvagem. eles têm direitos igual aos outros brasileiros. Eu acho que esse último aspecto que você falou ainda não está consolidado. ainda que em algumas situações o termo tradicional não está explícito. uma definição de qual comunidade é aceita dentro do que está definido como Resex. Aí é uma definição indireta. né? Mas o que eu quero dizer é que aquelas que são muito impactantes ao meio não podem ser consideradas tradicionais. a do índio e da moto-serra. por exemplo. e começa a fazer corte de madeira com moto-serra. servindo a pólos madeireiros no Acre. mas a suposição do tradicional está lá porque está nos objetivos gerais do SNUC. Senão uma definição de tradicional. só que esta postura ainda não está consolidada. Mas eu repito. camponês que usa Ray-ban e moto-serra não tem. entrada de novos conhecimentos. melhoria dos meios de produção. Por que eles têm direito de ter 50 milhões de hectares pra 10 pessoas quando o pobre. Mas acho que nas duas caricaturas que você fez. inclusive com exploração madeireira em Resex. Mas na hora que você colocar coisas com muita máquina. mas ela é legitimada na medida em que a relação dela com o ambiente não é muito impactante. a minha opinião. humano. Então eles não teriam mais o direito de ter uma área só pra eles. se alguém faz um trato com uma indústria de cosméticos ou empreendimento similar. mas que está trabalhando algo que ainda não é muito ofensivo. certificação do manejo. não dá mais pra fugir. Manejo florestal comunitário. manejo pesqueiro comunitário. 217 . então essa seria considerada tradicional. por exemplo usar o trato pra tirar o óleo da copaíba. Porque os termos estão lá.. muita energia ou símbolos que claramente não são tradicionais como o Ray-ban. sim. mas essa definição pode ser direta ou indireta. Existe um grupo que defende isso. É algo que moderniza e que tem conhecimento. Ou seja. Esse grupo deixa de ser tradicional? O grupo pode deixar de ser tradicional de uma hora para outra? Um índio de Ray-ban não é mais índio? Maretti: Eu acho que sim. ela está nesse grupo daqui que defende uma modernização sem grande impacto. Então tem que ter alguma coisa que fale sobre o tempo de residência na área. Eu acho que a definição vai ser necessária porque já está na lei. Não é uma relação direta de quanto mais harmônico. Dentro desse grupo. mas ela. Às vezes a moto-serra é o mais indicado pra conseguir o manejo. Maretti: Eu também acho. mais tradicional. que ela pense nesse sentido. mas que é admissível um limite de alteração. Eu usei isso justamente pra dar a minha opinião que é diferente.. Renato: Só pra não perder a oportunidade. mas a entrada de conhecimento científico para a melhoria da gestão. vai ter que ter uma definição mais clara de tradicional? Maretti: Eu acho que vai ter. Existe um outro grupo que defende o direito à evolução e modernização deles.

o que eu entendo que para uma área ter condição ambiental para ser declarada uma RDS. 400 mil hectares pra cima.. Renato: Porque hoje em dia Diegues. E aí eu acho que tem que ter algumas condições que a regulamentação de RDS vai ter que tratar.. pra gente que usa os recursos.. Amazônia a gente pode falar em 300. pra RDS ampliar um pouco. Renato: Cujubim com 2. Maretti: Eu acho que essa definição mais claramente defendida está naquele livro do ISA sobre a Amazônia. as estradas estão cruzando e há o risco de perder unidades por causa das ameaças. mas é mais sobre a questão indígena. por exemplo. sim. Mas essas condições não seriam tão restritas a esse uso do termo tradicional e à construção dessa definição por essa categoria sócio-política definida por alguns. o óbvio. onde uma estrada poderia dividir uma área. não. porque se for usar o termo quilombola. está resistindo a uma discussão que já foi feita . A mesma coisa eles faziam com os índios. Do como usar pra RDS. relacionado ao workshop do Probio.. Uma área grande na Mata Atlântica é diferente da Amazônia. tem que assumir os direitos que essas comunidades têm perante a lei. Você citou Terra do Meio.O que está acontecendo hoje em Rondônia e Mato Grosso é que as unidades estão sendo diminuídas. Eu teria que verificar isso. pra gente que está menos tempo. dando mais flexibilidade. Pra Mata Atlântica e pro Nordeste já é mais complicado. Mas eu tenho alguma coisa escrita sobre isso de um ano e meio atrás. Renato: Situação ambiental pra criar uma RDS. John Cordell e vários outros se recusam a querer definir tradicional. que disputa terras com elas. Renato: Você já tem esquematizado essas conceituações? Maretti: A minha opinião sobre o que é tradicional eu já tenho escrito.. O livro que o ISA lançou a semana passada tem alguma coisa que eu escrevi sobre isso.. você tem um. não admite a utilização do termo quilombola.Renato: Então na RDS haveria a possibilidade de se contemplar comunidades que não são essas que hoje são conceituadas como tradicionais? Maretti: Na minha opinião.. é ser uma área grande. Maretti: Se fosse um mosaico. que eram chamados de caboclos. fiz isso numa consultoria de uns dois anos atrás para comunidades tradicionais de Mata Atlântica.. Essa empresa está negando algo que já aconteceu... Renato: O que é uma área grande pra você? Maretti: Depende de onde você está trabalhando. era um grupo de cultura afro-brasileira. depois da constituição foi definido que uma comunidade quilombola não era só um grupo de foragidos. Então eu aproveitaria o fato de que isso está restringindo.. eles falam que são comunidades negras.5 milhões de hectares é uma área razoável pra uma RDS? 218 . E é uma vertente também. primeiro. enfim. Então. Maretti: Acho que sim. Maretti: E de certa forma essa discussão aconteceu na definição da comunidade quilombola. Renato: Do tradicional você citou a Manuela. Eu usaria RDS pra fugir dessa coisa que está crescendo que é o uso do termo tradicional e o entendimento do tradicional dessa forma que nós discutimos há pouco.. Renato: Na Bahia tem uma série de comunidades que hoje são consideradas quilombolas e a Aracruz.

quando você fala que tem que haver uma pluralidade cultural. é onde exista essa comunidade que não seja exclusivamente extrativista. com a diferença de que ela não seria tão estritamente extrativista. Então pra mim um tamanho de área para a Amazônia seria entre 300. Qualquer interesse. desde que o objetivo de conservação da natureza esteja diretamente associado. mas de uma forma enviesada isso não é explícito hoje e as pessoas esquecem. ocidentais. é um marco da nacionalidade. porque não pode ser só a área de uso senão vai ser um assentamento agroextrativista. Quando você define a importância daquela área para a conservação.. acho que é mais do que devia. áreas de referência histórica. com toda visão colonialista. A qualidade é uma decorrência óbvia. Quando eu mencionei Resex. incluindo aí a pesca. Nesses dois casos. Eu acho que é a proteção da natureza. 219 . Eu acho que a definição da importância da conservação da natureza tem que passar pela diversidade cultural. por exemplo. até diria. onde a área de não uso seria para a sustentação ecológica da área de uso.. mas não é biodiversidade definida por biólogo formado em faculdade tipicamente ocidental. que o monitoramento da efetividade da gestão. ou é uma reserva de uso múltiplo. eu falei o que define a sua unidade é o interesse da comunidade. e que não se pode ficar muito baseado nas especialidades acadêmicas ocidentais. Portanto se ela se aplica a áreas de importância da natureza para uma Resex. pra todas. etc. Mas na verdade todos deveriam ser. mas ela tem que ser monitorada em uma outra dimensão. Se isso cai dentro dos objetivos e do grau de gestão de RDS. Estação Ecológica e Parque Nacional. biológicos. e eu falei isso e mais uma área de proteção de não uso com qualidade de conservação.. Então você pode até criar uma RDS para recuperar aquele objetivo que a RDS teria. Um Parque Nacional foi definido pra ser uma referência nacional. Mas aí se aproximaria do conceito de Resex. Acho que não é errado ser tão grande. na prática e no SNUC é óbvio que é grau de restrição ao uso. E aí o caso de Terra do Meio foi um exemplo de ameaça. Se a gente for pra questão da IUCN. essa importância não é só pra biodiversidade ocidentalmente definida. mas ele é culturalmente definido. Isso mais a área relacionada ao uso direto da reserva. uma RDS.Maretti: Eu acho enorme. área de não uso e outras áreas que eles tenham algum interesse. mas que ela tenha interesse e a visão de conservação da natureza. é locais de interesse sagrado. Na prática. então ele também merece. O que eu queria comentar e que é o menos óbvio pra você é que a definição de áreas para a criação de UCs não pode só seguir critérios científicos. teria que ter uma área com uma área de uso e uma área sem uso. Sendo lógico o que eu falei antes. 400 mil hectares a 1 milhão e 300 mil. você perguntou qual é a qualidade ambiental pra uma área ser considerada RDS. ou. dentro de uma lógica que permita que ela seja definida como uma unidade só. E daí ela seria uma unidade. Combinando área de uso direto. ela discorda de reconhecer na qualidade ambiental motivo para a criação da unidade. Então a importância da proteção da natureza é biodiversidade. além da área de uso direto. porque define isso até no novo mundo pra conquistar e demarcar território. E pros outros casos não é tão claro assim. Teoricamente o Parque Nacional é o único que reconhece isso desde o início. ela também se aplica pra uma Reserva Biológica. isso é só para as de uso sustentável ou para as de proteção integral também? Maretti: Não. Claro. inclusive cultural como. mas o problema é o seguinte. em comparação com o restante. Ela entende que é só o objetivo da unidade é que vale. Uma outra situação. Mas um Parque Nacional pra mim é muito mais culturalmente definido do que uma Resex. Renato: Então deixa eu só entender. E se isso cai dentro do grau de restrição. Isso remete às duas justificativas que eu dei. Então não é só pela qualidade da natureza. ela tem que ser definida por uma matriz cultural múltipla. ou é uma espécie de Resex com mais liberdade de usos não extrativistas. Que você tenha algumas área de uso da comunidade e algumas áreas sem uso. por mais que você fala a definição das categorias é só por objetivo. A importância pra conservação da natureza. incluindo a pesca. em Mamirauá. é água. de uma montanha mítica poderia ser motivo suficiente pra criar uma UC. e etc.

clara e diretamente. haveria a necessidade de se conservar uma área. rompe com essa formalidade. Dessa forma. Na prática o que a gente faz é estimular a comunidade da Resex a fazer a demanda. nacional. social local em nome de uma coisa mais ampla. te obriga a fazer um movimento que é positivo. Você conhece muito bem a Reserva da Biosfera do Arquipélago dos Bijagós. teria que ter cláusulas parecidas com as da Resex. o governo dá apoio e vai ser uma área de conservação indígena.. Mas no caso da RDS. Isso era uma coisa que eu conversava com os agentes da Casa de Cultura da Reserva. as demandas que eu recebo vão no outro sentido. que é o caso da Resex. mas que. Então também tem gente que diz que quando você cria uma Resex. essa burocracia da demanda vir deles. e se eles não concordarem. não irá enfraquecer o ordenamento territorial tradicional. não é ruim porque você se obriga a passar por eles. E alguns dizem que tem que ser reconhecido porque “vocês precisam nos ajudar a proteger. Quando as pessoas reconhecerem. Então eu posso dar um exemplo hipotético: para o bem do patrimônio natural de uma nação. Se eles quiserem. pois seria a única no país. Parque Nacional você pode considerar como de interesse difuso para a conservação. Renato: Quem cria a demanda de uma RDS? Você acha que tem que haver concordância formal dos moradores? Maretti: Sem dúvida nenhuma sim. onde a comunidade tem que fazer a demanda primeiro. e eles também não tinham claro se isso não iria descaracterizar uma coisa que foi legítima para eles durante séculos. O que.. E o que está acontecendo é que. os povos que estariam morando lá teriam que sair porque é necessário conservar essas araucárias. O que eu não sei é se a gente tem que ficar preso a uma definição formal.Renato: Agora. mas a maioria das informações que eu recebo. mas isso tem a ver primeiro com o mau uso e também com a seguinte questão: criar unidade de conservação na prática é muitas vezes ampliar os conflitos. E a gente deveria usar pra diminuir os conflitos. Considerando a lógica atual dos gestores do SNUC.. Vão no sentido de que eles querem ver reconhecida “a nossa área porque a gente é mais fraco. tem que criar uma solução pra isso.Eu concordo com você. não necessariamente a conseqüência tem que ser a não criação de um 220 . portanto. esse reconhecimento está fortalecendo a sua questão cultural. isso também teria que ser considerado até para uma de proteção integral que ficasse na vizinhança. por outro lado. Tenho dúvidas se o mecanismo é similar ao da Resex por esse motivo que eu falei antes.. em muitas das áreas. . Renato: Mas eu tenho dúvidas também sobre isso. Ou tira essa área de dentro da RDS ou alguma outra coisa. coberta com araucárias. Maretti: Eu concordo plenamente com você. você está privilegiando aqueles que já moram e eu que preciso retirar o meu recurso e que estou longe tenho o direito tolhido. porque nós não estamos conseguindo mais”. Eu tenho dúvidas se o reconhecimento por parte do estado e da UNESCO das áreas sagradas . Maretti: E você identificou a postura de um grupo de Manjacos do norte da Guiné-Bissau que dizia que eles protegiam algumas áreas tidas como sagradas e não admitiam que o governo impusesse qualquer tipo de proteção oficial a essas áreas. o Parque Nacional propicia também uma exclusão cultural. Também esse conflito pode existir nas áreas de uso sustentável. por exemplo. Se a comunidade não concorda com a criação de um parque. Eu acho que quem vai ficar dentro da RDS obviamente tem que ser consultado. mas no caso da Austrália o que está acontecendo é que eles estão conversando com os aborígines e perguntando se eles querem criar um equivalente ao parque nacional dentro da terra deles. Obviamente se a gente defende uma consulta pública para criação de qualquer unidade de forma mais conseqüente e ampla. gente pode continuar usando do jeito que a gente usa”. A história mostra que aconteceu muito mais do jeito que você falou.

e também um interesse mais geral. e não uma consulta pública. Renato: Enveredando por esse lado mais formal. Por outro lado você fica muito na mão se não tem esse compromisso inicial. na prática. mesmo que tiver um abaixo-assinado. 221 . Se você considerar se abaixo-assinado é consulta pública ou não. que acabou acarretando um encaminhamento formal de solicitação. O plano de manejo.. Por outro lado a consulta feita só com uma reunião local. por exemplo? Maretti: Isso é que eu não sei.parque. discutindo e detalhando todos os aspectos necessários segundo a portaria que existia para a criação de uma unidade como essa. apenas uma audiência pública? Maretti: Talvez eu tenha feito isso inconscientemente e você tenha pego. o compromisso dos moradores de uma RDS também. mas acho que nessa realidade que a gente está discutindo hoje esse é um bom exemplo de consulta pública.. porque foi feita toda a discussão da BR 163 na região em várias reuniões. que foi até exagerado. não conheço todos os detalhes. Então eu não tenho opinião formada sobre isso. eu disse que tem que haver algum tipo de consulta pública. E essa consulta pública continuou. como um abaixo-assinado. na RDS eu acho que não. direitos e deveres. para que os moradores encaminhem uma demanda. Na verdade a gente ficou dois anos defendendo Terra do Meio. não é só a opinião local que conta. Eu acho que esse é o ideal. você acha que tem que haver um processo de encaminhamento formal da solicitação. tem que haver uma consulta pública. Porque de um lado burocrático e formal é bobo porque é burocrático. Tem que haver um processo de consulta pública. nas Resex você tem um documento que comprova que as pessoas estão interessadas. o plano de utilização. Como eu vou retirar a concessão de uso de um cara por ele não obedecer ao plano de manejo. Renato: De alguma forma você acha que depois desse incentivo dos órgãos executores do SNUC. mas não é essa a minha intenção. isso não queira dizer que essas pessoas vão concordar com o plano de manejo e etc. É isto mesmo. e não só a reunião formal que aconteceu no final. O caso da Terra do Meio é um que eu defendi algum nível de logística. inclusive com consultas públicas. porque afinal são vários interesses conflituosos que a conclusão do processo pode não ser a demanda de todos. Eu acho que o Parque Nacional tem que ter expresso o seu processo de criação e seus conflitos de interesse nacional (difuso ou não) e outros conflitos também. Renato: Porque na reserva do Mandira o processo de consulta pública começou com reuniões pra explicar o que é uma Resex. Na situação atual. as áreas comuns. porque não havia a premência para a criação da Resex. áreas de não uso etc. Maretti: Eu conheço pouco o processo. formas de gestão. depois desse encaminhamento formal das assinaturas. e você tem que ter esse espaço. Esse pra mim também é um processo de consulta pública. se não tem uma assinatura dele dizendo que ele concordava com RDS e tinha conhecimento das conseqüências da criação dessa unidade. eu digo que se na Resex eu não estou tratando. e de outro te obriga a fazer um movimento. Renato: Quando você fala que tem que haver uma consulta pública. Há necessidade de se amarrar. de alguma forma. Então acho que isso também tem que ser considerado no processo. mas era informação básica para que os moradores entendessem melhor e tomassem as decisões. você está repetindo esse viés que os órgãos públicos adotam. Maretti: Uma Resex depois de um abaixo-assinado precisa de consulta pública ou não? Se eu estou na dúvida se precisa de um abaixo-assinado pra RDS. Mesmo que. quais eram as conseqüências positivas e negativas.

em relação a Manicoré. então eu acho que é possível aceitar o abaixo-assinado e daí você faz uma reunião pró-forma pra dizer que estamos de acordo. e o órgão acompanhou isso e entende que esse processo foi cumprido. Vários países do mundo adotam a política de que você tem que ter quase um plano de manejo definido antes de criar a unidade.. mas com algum espaço para melhoria e modificações destas zonas. o que a cidade quer ser. ambientalistas. E ele faz isso ou acompanhando o processo ou faz algumas reuniões para verificar se aquilo tem consistência ou não. tem que ter algum espaço de discussão maior. Isso significa que de alguma forma há outros interesses mais ou menos difusos que devem ser considerados na escala correspondente. aberto para a possibilidade de você atender emergências. mas tem que dar espaço para as emergências. A região de Manicoré estava um pouco fora desse pressão imobiliária. pelo que você fala. Renato: Os planos de manejo. não é uma postura tecnocrática. discutir com a comunidade quais são as categorias mais adequadas e dar tempo deles fazerem o processo interno de discussão e darem a resposta. mas que deixe espaço para modificações. Então do que você deu do histórico da Resex Mandira. porque teoricamente elas são um detalhamento da diretriz da categoria. e houve uma unanimidade em relação à criação de uma unidade. O caso da Terra do Meio é típico onde algum grau de emergência tinha. comercial. Mas se o órgão não acompanhou porque o processo foi feito pela Comissão Pastoral da Terra. O ponto que a gente discutia antes traz uma outra questão. pra que lado ela vai crescer. dentro de uma comunidade nem todo mundo concorda. Mas que não consulte só o nível local. O IBAMA tem obrigação de verificar o processo se ele vai adotar aquilo. Se for o IBAMA. Isso eu concordaria. acho que o interesse de criação de uma UC tem que respeitar o nível administrativo a que ela está ligada. Em algumas situações ideais acho que a gente deveria chegar com as diretrizes mínimas. Eu acho que se você faz um processo desse todo e acaba em um abaixo-assinado. porque daí fica claro o que você vai fazer na área. parecem mais zoneamentos preliminares que vão sendo detalhados depois. que era a especulação imobiliária subindo do Mato Grosso para o sul do AM. o MMA. Por outro lado. eu acho que tem que haver o processo de consulta mínima para verificar a quantas anda a comunidade. teria essa primeira parte da elaboração do plano de manejo não de forma muito desenvolvida. O que você define é se a sua cidade quer se desenvolver como industrial. se você vai dividi-la em zonas urbana.Renato: Que tipo de consulta pública deve ser feita para a criação de uma RDS? Maretti: Acho que a consulta pública tem que ter o roteiro ideal. Porque só receber o abaixo-assinado sem ninguém saber o que aconteceu. Mas a consulta pública ideal tem que ser um processo que dê pra comunidade entender o que é uma UC. mas isso é papel de um zoneamento mais detalhado de cada bairro. Eu diria que isso seria lógico se e gente entendesse plano de manejo como plano diretor. é porque a área tem interesse nacional. acho que isso deve ser considerado. Não é uma questão de desconfiar de quem liderou o processo. melhorias e detalhamentos. mas não de que tipo ela seria. com definições do que a UC tem que ser dentro da região e da categoria e alguma idéia de zoneamento. mas é uma responsabilidade pública verificar se aquilo tem sentido ou não. Acho que não se resolve só fazendo essa explicação para a comunidade. etc. mas tinha uma pressão específica de conflitos de terra. residencial ou mistura-las. mas desde que não seja a emergência colocada aí. Então os cientistas. outros órgãos governamentais não diretamente relacionados. O plano diretor de uma cidade tem diretrizes pra onde a cidade quer crescer. Tinha uma situação relativamente urgente. No plano diretor de uma cidade você não define se essa casa aqui. Esse tipo de diretrizes Têm que estar dadas. Não é diminuir o papel de uma Resex ou RDS a 222 . se você faz isso com ou sem o plano diretor. onde você dá as grandes diretrizes e definições das zonas. Maretti: Ele não é só um zoneamento porque ele tem diretrizes. Você até pode. ou sindicato.. Eu vi um caso deste numa consulta pública no sul do Amazonas. mas é uma questão de sempre usar a prestação de contas ou verificação das coisas como critério na administração pública. ou CNS.

é necessário se repensar os planos de manejo. E outra alternativa utilizada ainda hoje é a expulsão branca. e algumas pessoas do lado dizendo que também tinham problemas. ou está fora. e é difícil ir pela maioria quando se tem um interesse nacional contra um interesse local. Essa expulsão não seria mais permitida se os órgãos seguissem a lei. Buscar consenso. eles aceitariam e aumentariam a área da RDS. aplicação e implementação de plano de manejo. mas isso não tem sido considerado. mas não deixa pescar. Renato: Mas antes de termo de compromisso. em que você apenas não permite qualquer uso. 223 . A comunidade então disse que se eles quisessem entrar na RDS. Renato: Mas não ocorre. etc. E uma coisa que eu acho importante. Mas às vezes não se chega. Então eu acho que em algumas situações isso é fácil. Maretti: Um parênteses aí. mas eles teriam que seguir as regras de gestão coletiva da comunidade.. mas se há um grande interesse na área ou a maioria das famílias querem. não desapropria. a assinatura de termos de compromisso com esses moradores que não concordam com a criação da unidade. que são parques que tem quarenta anos ou mais e ainda hoje há problemas com pequenos agricultores ou pecuaristas dentro da unidade. depois voltar a discutir plano de manejo. É claro que você vai encontrar pessoas ou famílias que não querem se adequar a um novo tipo de trato ou norma. Eu prefiro trabalhar pra melhorar os conselhos e etc. E se ele não concorda. por alguém que decide. o termo de compromisso. às vezes é só uma negociação pra realocação.. respeitando todas as suas necessidades. Eu não acho estratégico vincular uma coisa a outra. Renato: O problema que eu vejo é um problema cultural dos órgãos executores do SNUC de não considerarem a desapropriação. esse elemento novo. A gente acabou de ver um retrocesso do IBAMA. não deixa plantar. e por conseqüência. que é essa coisa de termo de compromisso. Você não indeniza. você tem que ter mecanismos muito claros pra assinar um termo de compromisso e estipular um prazo para desapropriação ou realocação das famílias contrárias à unidade. não realoca. termo de compromisso e outras medidas de conservação ambiental vão continuar precárias. mas admitir que os conflitos nem sempre serão resolvidos. Maretti: As vezes não é só dinheiro. né? Renato: Não. Em outras situações é complicado porque o cara que discorda está no meio. Então nesse caso a situação imposta foi a seguinte: ou você se adapta. O que é maioria? Mas esse julgamento tem que ser feito de alguma forma. Agora. voltou pra coisas mais rígidas. tem o direito a ser indenizado. Aparados da Serra. você tem que trabalhar com a maioria ou com um consenso. Eu acho que plano de manejo é conseqüência dessa outras. e você não pode fazer um desenho que exclua ele.gente reconhecer que hoje na Amazônia conflito de terra é um dos principais vetores para que isso seja feito. Maretti: Eu estou com a estratégia contrária. Serra Geral. Maretti: Essa solução teoricamente foi resolvida pelo SNUC. É inadmissível. desde que a gente não desvie as conseqüências. e consenso supõe que se pode chegar em um meio termo. Ou você começa a rever a conceituação. porque você pode alterar um pouco os limites. Maretti: Consenso não é maioria. a gente está numa campanha pra fazer um dos próximos termos do trabalho dos nossos grupos. Renato: Há os casos da Chapada Diamantina. ou então conselho. E naquele caso tinha uma comunidade organizada que reivindicava uma RDS. Mas as pessoas do lado eram diferenciadas na comunidade. Itatiaia. mas não foi implementada.

Propriedade privada individual é inadequada aos modelos de gestão que a gente tem no país.. uma definição clara. como no caso dos quilombolas. Maretti: Mas se tem fazenda e cria uma RDS. porque senão a gente vai criar situações a longo prazo insustentáveis. Uma delas é a avaliação. Mas tem outras duas dimensões que precisam ser trabalhadas. monitoramento da efetividade de gestão. O meu problema com termo de compromisso é que na forma que ele está escrito no SNUC.. Se o plano de manejo é perfeito. Então eu concordo com isso em teoria.. Tem uma coisa que eu defendo que são as recentes modificações no sistema de classificação das categorias de manejo internacionais. Então hoje você tem que trabalhar para ter outras reservas privadas de uso sustentável. A única vantagem do termo nesse caso é que você tem um acordo formal. Tem fazenda. o Brasil trabalha assim. é no caso de propriedade coletiva. ele considera essas opções. aí eu aceito. Renato: Você acha que se uma determinada área apresentar todas as condições para se transformar em uma RDS. quais seriam as vantagens e desvantagens dessa situação? Maretti: Não sou operador do direito. ele é unidirecional. Então na medida em que a gente caminhar para isso. esse dinheiro vai para os grandes latifundiários. é mais do que abrir essa lógica. tipo quilombola. liderado pela IUCN. Mas a situação é que se você leva antes o plano de manejo. E isso poderia ser definido de outra forma. E fazer acordos jurídicos nesse sentido. A única situação que eu admito a propriedade privada. você faz o termo de compromisso já. é uma forma de escapar do problema. inclusive essa categoria é utilizada justamente por causa disso. A solução que talvez eu esteja fechando a porta é se essa comunidade estiver 224 . portanto. Um parque nacional teoricamente não precisa ser público. A outra coisa é a questão da dominialidade das terras. mas eu acho que não permite e não deve permitir.. então vamos criar uma RDS. eu acho que pode ser um instrumento razoável se você trabalhar com períodos mais amplos de tempo. dos direitos. na visão da WWF é cutucar essas coisas. quando chega um recurso para desapropriação dentro do IBAMA. os objetivos são iguais. não dá. inclusive o papel do ARPA . No Brasil hoje não é isso. Como aquela comunidade vai sair da área? Ele não deixa aberta as outras possibilidades. Maretti: Não é o ideal. você não consegue fazer um termo de compromisso com bases razoáveis. teria que ser revisado e tal. mas isso não é o caso do Brasil. Maretti: Eu concordo com você. mas tiver uma propriedade privada e não tiver recurso para desapropriar. Implicitamente está o nível de restrição ao uso. lato sensu. Maretti: Porque se o plano de manejo é bem feito. porque a lei deixa. Se a gente passar a entender que eu tenho a RPPN como uma categoria equivalente ao Parque Nacional.. Renato: Então você é contra todas as RDSs no território nacional. e não enfrentar. devem ser redefinidos os seus limites? Maretti: Eu acho em situações ideais a gente poderia trabalhar com a lógica de propriedades coletivas. Renato: Mesmo assim. Renato: Mas a idéia é justamente parar de considerar plano de manejo como pesquisa e . Mas hoje são categorias diferentes no SNUC. você não precisa nem de termo de compromisso às vezes. A classificação hoje define categorias. com base em grupos de objetivos. e. de acesso às áreas e recursos e da titularidade do gestor. então eu não concordo na prática. Renato: Você acha que as RDS permitem áreas privadas no seu interior? Em caso afirmativo. Mas hoje..Todas têm propriedades privadas.Renato: Se você não tem um plano de manejo que pressupõe um zoneamento. mas um é público e o outro privado.

mas os moradores trabalham na cidade. Se eles chegaram ontem. cinco. por exemplo. E a RDS igual. Renato: Que tipo de uso pode ocorrer em uma RDS? Pode ter atividades como mineração. que foi vetado. aventuras. Eu não tenho nada contra eles serem recentes. só são áreas protegidas por algum instrumento privado. Pode ter turismo convencional desde que controlados os impactos. criação de peixes exóticos? Maretti: Turismo convencional sim. dois anos. Pelo jeito que está definido hoje no SNUC. Se a comunidade e aqueles proprietários querem fazer isso. Renato: Isso pra mim é mais próximo do turismo convencional. São atividades de pequena escala 225 . definia como o que era tradicional. uma APA dentro de propriedade privada. carcinocultura. e ele pode até em um Parque Nacional.. Ou seja. Educação ambiental tem uma intervenção que depende da vontade da pessoa. Maretti: O ecoturismo existe muito como turismo de aventura. esportes. se você pegar as possibilidades de fazer acordos e colocar no seu documento de posse condições pra isso. mas adequado à conservação ambiental. tem como. tem três imensos latifúndios dentro. por exemplo. eles teriam que ter alguma atividade relacionada. E daí você tem os mecanismos públicos que seriam. reflorestamento com exóticas. Renato: Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados na região? Maretti: Pode ter. não existe nesse país. Portanto não enquadraria dentro do que o artigo. mas é duro definir o que são esses recentes. carcinocultura. mas gente que não é originária. Isso não é educação ambiental. cabe dentro do que eu defini antes.. só comportaria se eles tivessem algum tipo de atividade relacionada aos recursos naturais. Isso pode ser chamado de ecoturismo. e que sejam oferecidas condições para se fazer uma observação da natureza mais interessante. Reflorestamento. Por outro lado. associada a mecanismos de restrição privada.. Renato: Eu pergunto isso porque Cujubim. entra naquela outra discussão que tem que ter um tipo de vida adequada. Se tiver grandes produções lá dentro. Qualquer parque tem que propiciar uma visitação adequada e maximizar a possibilidade da pessoa admirar a natureza. mas do jeito que está na lei. Eu não concordo que o turismo em UC só poderia ter fins de Educação Ambiental.. O ecoturismo. Maretti: É o turismo especializado. então não interessa. N verdade a maior parte das reservas privadas do mundo não são reconhecidas publicamente. acho que não. criação de peixe e etc. Maretti: Eu acho que não comporta.algumas pessoas com propriedade privada dentro. como um documento. senão não é uma UC. O desenvolvimento sustentado deles tem que ser voltado à conservação... Mas quanto é recente. Se fosse um condomínio que protege. tirando raríssimas exceções. mas o que eu não admito é que você tenha que obrigar alguém que está visitando uma área natural a passar por um processo de aprendizado e tal. turismo convencional. Eu acho que pode ser recente. Eu não vou a ponto de dizer que esse modo de vida tem que ser rústico. turismo de fazer alguma coisa na natureza. eu acho que pode ser supermoderno. Renato: O ecoturismo. eu acho que APA deveria ser adequada a esse tipo de coisa. três gerações? Renato: E se eles chegam a uma região porque eles querem conservar determinada área a partir de um modo de vida que eles acreditam que pode conservar? Maretti: Eu acho que permite que pessoas não originárias do local sejam reconhecidas como uma comunidade adequada. é uma forma de tapar o sol com a peneira. Sou contra isso. não seria.

Eu acho que admitir ela dentro de Resex seria muito perigoso. Renato: A diretoria do CNS está querendo iniciar uma discussão nesse sentido porque tem algumas reservas na Amazônia que tem potencial mineral bastante razoável e ela prega. também não pode ter uma mineração que faz uma cava a céu aberto de grande extensão ou que gera um efluente muito prejudicial. Na medida que eu mudar a ReBio Trombetas por causa dos quilombolas. dentro de uma estratégia de utilização múltipla e com impactos controlados. e tem que por isso pra uma discussão maior. Mineração é uma grande dúvida. e inclusive a agricultura é quase toda exótica. Maretti: Eu acho uma discussão extremamente perigosa. ou uma mineração altamente “tecnificada”. eu não consigo não consigo dizer mineração não pode. porque o conjunto é grande. com a minha galinha e com a minha vaca.. Então. Renato: Você participou de um caso parecido. sempre. O reflorestamento em larga escala para a produção de papel. ninguém mais segura. Você tem uma comunidade que use os recursos naturais de forma adequada. inclusive. Nem a tal terceirização que vai pro mesmo fim. um garimpo. é uma área que vai se desenvolver e a gente prefere que se desenvolva de uma forma melhor. Isso não pode. São as duas características que eu acho importante em RDS. Se elas fossem admitidas. Renato: Mas você acha que vai mudar? Maretti: Seria necessário para a ReBio Trombetas. mas é necessária porque a Amazônia fatalmente vai passar por isso. Na verdade a posição jurídica mais rígida diz que ou o decreto é inválido porque está errado e não é parque.. Maretti: Mas a gente foi esperto o suficiente pra pegar uma facilidade que era a criação de um parque depois. Mineração não é proibida em território indígena. Isso em pequena escala. A idéia é a de que é tão perigoso... depende de como ela é feita. a mineração também é necessária. que não pode proibir. passa por revisão de limites? Maretti: Passa por revisão de limites.. E os segundo motivo é porque a mineração não é necessariamente mais prejudicial do que outras atividades como agricultura e turismo. o que eu faço com a minha laranjeira. É o mesmo caso de fazer uma redefinição de limites via Congresso Nacional. Tem recursos minerais.. e portanto tem que ter uma 226 . Renato: Você acha que há alguma particularidade para a gestão de uma RDS? Tem algo específico que tem que ser levada em consideração? Maretti: Consenso. Em princípio pode sim. E uma coisa que nos enganamos foi que a gente poderia reformular um decreto por um outro decreto. porque todas as discussões internacionais não fecharam a porta para mineração em categorias 5 e 6. Intervales em São Paulo. Se eu não admito grandes áreas de reflorestamento. Assim como a agricultura. teria que ser feita até uma negociação múltipla e se mirar até no que a gente tem que fazer em território indígena. no congresso nacional. Pode ter tudo isso. até pela minha formação de geólogo. Então eu também admitiria isso feito na água. ou então o decreto foi válido mais foi parcial e tinha que fazer uma reformulação. Mas porque não uma mineração artesanal.integradas em uma estratégia de múltipla utilização da natureza. mais sustentada. E se mostrou que isso pode ter sido uma coisa exagerada. Renato: Você acha que o estabelecimento de um mosaico onde havia só uma categoria de UC. não. Se falar que não pode essas atividades. a concessão de áreas para empresas. é como se fosse uma plantation dividida em várias propriedades. A mineração tem uma imagem de vilã que nem sempre é verdade. Aí a gente fez um acordo social e hoje eu sou supercondenado pelos ambientalistas de São Paulo..

Tem que ter uma representação muito mais forte dessa comunidade local com essas características. Porque Cujubim foi criada com a seguinte lógica: vamos proteger uma área enorme. além disso. segundo eles. Tem uma grande área que só é protegida porque ela é remota. e influenciando na prática essa decisão. para vários casos as RDSs têm como objetivo inicial a suspensão de práticas consideradas impactantes ao meio e às comunidades e depois. eu acho que Mamirauá é um bom exemplo. Renato: E um mau exemplo? Maretti: Cujubim. sem uso. quantidade de conhecimento externo e grau de organização da comunidade préunidade de conservação. você não ficar dependente só de um produto. Renato: O turismo pode ser feito nessa área ? Maretti: O turismo pode ser numa parte. mais pelo zoneamento natural do que pela vigilância. Renato: Você tem um bom exemplo de funcionamento de RDS? Maretti: Do que eu conheço de longe. ela não é replicável porque nós nunca vamos ter o dinheiro e a quantidade de pesquisa e gente que trabalhou com as comunidades pra fazer isso em todas as áreas. só com turismo ele jamais daria dinheiro pra se sustentar. Mas. mas tem que ter uma grande área sem uso. que era uma área para assentamento posterior. Agora. Tem pelo menos três condições que são muito difíceis de reproduzir em todas as áreas em que há RDS. Renato: Conselhos gestores numa RDS têm alguma característica específica? Maretti: Eu acho que ele tem que refletir essas duas demandas. e não porque tem uma vigilância efetiva. então não é viável economicamente. inclusive particulares. Inclusive no discurso se dizia. e depois a gente vê o que faz com ela. apesar de estar cheio de defeitos. Por exemplo. Poderia até ser a unidade maior. Inclusive aí. as RDS do Amazonas são inspiradas em Mamirauá. Não cabe ao órgão ambiental decidir os produtos. tendo essa característica de vários usos ela tem que ter mais representantes. Mas acho que é o melhor exemplo. mas cabe a ele decidir os limites da produção. Se essa comunidade quer ter uma estratégia de sustentabilidade econômica baseada em um produto só ou em cinco. Ele só não é replicável. as áreas de mata perto de várzea estão muito predadas. Mas você tem problemas. 227 .. todas as minhas discussões sobre turismo convencional e mineração. Eles dizem que hoje as RDS são criadas em função da necessidade de congelar determinadas situações para conservar algumas áreas. a definição de outras categorias para a área. Renato: O discurso do pessoal da Secretaria de Estado do Amazonas está amadurecendo nesse sentido. O turismo só se sustenta porque existe uma grande estrutura econômica por baixo. O órgão de gestão vai ter que ter uma atenção especial para a comunidade. mas o ideal era Cujubim ser um mosaico.atenção especial pra isso. Isto é. cabe a ele dar os limites. dentro das possibilidades do governo. pra trazer gente pra ocupar. Cujubim é o caso típico onde caberia um mosaico. É um bom exemplo porque a comunidade melhorou de fato de qualidade de vida e a proteção é relativamente efetiva. Quantidade de dinheiro. O equilíbrio entre as atividades... e a RDS seria uma parte dele. e tem que ter a representação de ambientalistas e cientistas que são quem vai representar os interesses de conservação dessa área maior. não cabe ao órgão ambiental julgar. e eventualmente a comunidade. E o outro aspecto é o fato de você garantir que se tenha uma área grande sem uso direto. porque eles não têm recursos para desapropriar. Há algumas espécies em risco nas áreas de uso. que é o principal exemplo desse tipo de unidade com propriedade privada em seu interior. inclusive não é só pela atividade de manejo da comunidade. não oficialmente.

que é piorada quando esses dois extremos ganham a briga sócio-política e formam a opinião pública. sem decretos. é uma outra história. Ele pega uma área enorme. Por causa dessa dificuldade de entendimento. É complicado. é contra a lei e inadequado tecnicamente. é defender que tem. depois nós vamos fazer através do zoneamento isso e aquilo”. antes de Anavilhanas. Porque os preservacionistas entendem que APA não presta porque você não pode proteger a biodiversidade. Mas ele também dizia.. sem comunidades locais. mas assentar gente numa agrovila ali. E resolver isso através do zoneamento interno e com negociação com propriedade privada e assentamento de agrovilas. E além de tudo é muito pequena para Amazônia. Mas 228 . que isso e aquilo era criar uma área de proteção integral aqui. Tem um outro mau exemplo em uma área pequena que é a RDS de Manaus que se chama Irapé ou alguma coisa assim.Maretti: O problema não é só ter. Mas como definição técnica. então. que pode mudar aquele zoneamento quando quiser. ele vai influenciar muito sobre o que vai ser feito na área toda. Como geralmente ele é um dos principais empregadores. Agora. eu dei o exemplo de uma parte da Terra do Meio. então não tem nada de comunidade ali. Então isso não traduz uma estratégia suficientemente convincente de ter justificado criar Cujubim. Aquilo foi feito para um tipo de turismo que não é adequado a UCs. Agora o zoneamento é uma medida de administração interna. E parece que Mamirauá faz isso. Então se eu criar como RDS. Se eles tiverem pensando em transformar em parte Resex e parte área de proteção integral. eu acho que é uma evolução positiva. Agora. o que significa que não tem uso pra eles. dizem que você não pode fazer nada que as condições gerais da propriedade restringem. é uma estratégica política e o tempo vai me dizer se eu estava errado.. A questão da RDS no Amazonas. Na verdade. mas talvez por ser municipal poderia justificar. e não só na área dele. eu acho que RDS tem um grande risco. com objetivos mal definidos e múltiplos. Não faz o menor sentido. Renato: O próprio funcionamento por meio do conselho gestor: se há dois ou três latifúndios dentro da reserva. Renato: Você acha positivo se isto for feito por meio de decreto? Maretti: É uma estratégia política. porque para o mosaico você dá uma destinação clara. depois de Manaus. vai haver ao menos um representante dos latifundiários no Conselho. mas com a Resex. para a questão da propriedade privada o meu medo é que passe a ficar parecido com a parte negativa da APA. é errado. por meio de decreto. um pouco o coronel da região. mas você tem que criar condições específicas ali. parte dessa Estação Ecológica. com plano de manejo e zoneamento. E por que RDS? Pra evitar desapropriação. É uma RDS municipal que fica subindo o Rio Negro. Renato: Existe alguma outra área protegida do seu conhecimento que seria melhor enquadrada na categoria RDS? Maretti: Se RDS estivesse regulamentada e definida como eu tento. eu fico contente que isso esteja evoluindo porque eu já discuti muito com o Virgílio quando ele dizia que RDS é uma categoria quase temporária por causa da questão da desapropriação e da oportunidade política. na prática. Então se for uma estratégia pra depois ter um mosaico definido por decreto. Ele dizia: “Eu não consigo convencer o meu governador a criar esse tanto de terra pública e de proteção integral. APA é um meio termo porque você não pode ultrapassar os limites admissíveis da propriedade. nessa mesma época. Mas daí é válido. E os que seguem o direito com predomínio da propriedade privada. Ele queria resolver isso no nível administrativo. Aquilo foi feito pra proteger a área de uma praia que o pessoal vai passar fim de semana. Maretti: Mas Cujubim é um mau exemplo justamente por causa disso. mas já é superada porque com a alteração do SNUC você agora faz uma interdição temporária. Mas não é o que eles diziam quando criaram. transformar a RDS num mosaico de categorias.

caberia uma Reserva Biológica ou Parque Nacional e uma RDS.numa lógica de um outro mosaico com parte da Estação Ecológica e parte da futura Resex do Rio Iriri. com áreas de uso e de conservação. acho que é uma atividade de precaução correta. com conflitos (fundiários. por que criar? Tem que primeiro regulamentar. O motivo é que eles não fazem nada que não tenham criado ou que não estejam acostumados. Elas definem um certo ordenamento territorial. mas isso não vai resolver tudo. Garantir o acesso à recursos para população é o objetivo primordial. a solução de hoje é criar uma Resex do lado. È melhor do que não criar nada. pelo menos. com muita incidência de títulos. mas acho que não é esse de fato o motivo. As unidades de conservação. gente de fora da área. então nunca foi considerada IBAMA no início. Talvez parte do Parque Nacional do Jaú. acesso à recursos) é mais fácil criar RDS. por que as RDS estão sendo criadas pelos governos estaduais e não o federal? Maretti: Por uma visão tradicional. Eles podem ficar nesta categoria de unidade de conservação. Nas RESEX a atividade é de extrativismo. Renato: Para o parque do Jaú você pensa numa composição de mosaico? Maretti: É. e precisa da aprovação do conselho para explorar a área. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Numa área grande . corporativista e tecnocrática de grupos que estão no governo federal que não entendem ou aceitam qualquer coisa que já não tenha sido experimentada. Eu já vejo um movimento no Ministério de ter mais abertura pra isso. grandes propriedades que estavam lá. mesmo sendo “de papel” sempre seguram algo num ordenamento territorial. mas no IBAMA não. Resex não porque eles tem uma agricultura forte e porque caberia a inclusão de áreas maiores que as da necessidade da comunidade. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? 229 . Por tudo que eu falei antes. que era estação ecológica estadual. Renato: Na sua opinião. As RDS cabem bem num mosaico. Eu defenderia isso. e se tornou RDS antes do SNUC. Por causa de Mamirauá esta categoria entrou para o SNUC. se você não sabe claramente o que é RDS. Então Resex passou a ser aceita muito tempo depois e mesmo assim até hoje tem problemas e foi enfiado goela abaixo. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? A conservação ambiental é o segundo objetivo. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Qualquer tipo de ocupação. As restrições seriam definidas pelo plano de manejo. Num macro ordenamento territorial elas cumprem seu papel. Entrevistado: Luis Carlos Pinagé Data da entrevista: 09/03 /2005 Local da entrevista: FUNBIO / DF Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Foi Mamirauá. Na RDS são ribeirinhos.

Deve participar todo mundo: morador de dentro. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Tem que ser uma ocupação com uso sustentável. apoio do governo do estado. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? A consulta publica é obrigatória. A RDA não precisa desapropriar. Iratapuru é um bom exemplo: área conservada. A RESEX garante maior proteção às comunidades.e deve haver ampla divulgação. O INCRA repassou áreas para o IBAMA. Atualmente o CNPT induz demandas de RESEX. Tem que ter convoação previa. A tendência das RDS é de conservar grandes áreas. Na RESEX o poder de intervenção do estado é maior. cooperativa funciona.pois teve grande aporte de recursos. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. grande capital. O ICMS ecológico não se aplica a todos os municípios. só quando a arrecadação é grande.. Os municípios precisam participar da gestão das RDS. pecuária extensiva. que tem ligação histórica com esta categoria. apoio do PD/A. inserção na política publico estadual (o governo do estado compra a produção). mas tem que garantir renda. Não dá para ter grandes empresas. agentes externos. por conta da desapropriação. e ser anunciada. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Não precisa de solicitação da comunidade para criar uma RDS. não precisa ser extrativista.. portanto não acarreta ônus com regularização fundiária. As RDS foram inventadas pelo Amazonas. políticos. Eu prefiro RESEX. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. comercializam recursos. A RDS é um ordenamento para acesso aos recursos e para a ocupação. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Mamirauá não é um bom exemplo. e não sofre pressão de invasores ou grandes proprietários. recursos abundantes. A regulamentação é mais frouxa. O conselho deve ter representação do pessoal que mora no interior da reserva mais sociedade local. A área não tem conflito. As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis. morador de fora. O uso deve ser em pequena escala.. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? RESEX exige desapropriação e tem concessão de uso para a população. ou o contrário? 230 . Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Como deve ser composto seu conselho gestor? Pelo conselho deliberativo. órgãos públicos terceiro setor. todos os setores – acadêmicos. A cooperativa é o motor da RDS. não desapropria. Desenvolvimento sustentado implica em ter atributos naturais. Não mecanismos de compensação pela imobilização das áreas. O CNPT tem atuado sem demanda. praticam atividades sustentadas. por conta do controle pelas comunidades. enquadrada em outra categoria do SNUC. Usos das populações tudo bem. Os municípios precisam de compensação pela perda de receita. Não tem justificativa para criar uma unidade de conservação numa área degradada.A área tem que estar conservada. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. mineração. não retira população.

Elas não exigem regularização fundiária. A restrição simplesmente não funciona na prática. Poderá aceitar a sua criação em um processo de negociação. os recursos são abundantes. Renato: Os governos federais mal dão atenção às RDSs que estão sendo implementadas pelos governos estaduais. e para reservar grandes áreas para exploração florestal posterior. são menos restritivas. uma vez não desapropriando os moradores que tem dentro do seu perímetro. o governo não pode fazer o contrato de concessão de uso com a comunidade porque ele não pode passar para o outro o 231 . não só porque ela não tem suas funções muito definidas. quando a comunidade reivindica a sua criação. eles vão ter direito à terra pra sempre e vão receber isso na forma de concessão de uso. tem população quilombola no interior. fazendo o papel de suporte da secretaria executiva. portanto não tem ônus. Na sua opinião. a RDS não indeniza os proprietários com terras dentro do perímetro criado. Para salvar o que tem pode ser criando uma RDS. pescam e fazem extrativismo. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Os governos estaduais ( Amazonas) estão criando grandes áreas de RDS. Mas o CNS não propõe ou encaminha por natureza própria a solicitação da criação de RDS. Por essa razão. a lei não obriga que essas pessoas com títulos dentro da área sejam desapropriadas. Como não existe muita clareza no SNUC. Primeiro. a área é de várzea. ENTREVISTA COM ORGANIZAÇÃO DE CLASSE Entrevistado: Atanagildo de Deus Matos / Gatão – Secretário Executivo do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). com muita população. Deveria ser transformada em RDS ou em APA. Nós achamos que a RDS é uma categoria paliativa. uma vez criada a RESEX. Isso significa que. Outra Unidade de conservação é a RESBIO Trombetas. Recuperando o que está degradado. para dizer que conserva. O primeiro ponto da reserva extrativista pra nós é garantir o direito à terra para os moradores extrativistas. e são mais condescendentes em relação à conservação.Parque estadual Nhamundá: está cheio de gente. 70% está desmatado. que foi o princípio da luta dos seringueiros e da elaboração do processo de criação das reservas extrativistas ainda na época do Chico Mendes. ou não. qual a posição do CNS sobre as RDSs? Gatão: O CNS tem como definição do conselho deliberativo não priorizar a criação de RDSs. cada estado está fazendo uma interpretação diferente. Já a RDS. Então. a respeito das RDSs e por ser uma categoria nova. Toda a área com muito conflito (atores internos e externos). Queremos então entender a visão das autoridades para criar diretrizes para tornar essas UCs viáveis. mas principalmente porque ela não resolve duas questões básicas. Data da entrevista: 09/11/2004 Local da entrevista: Manaus Entrevistador: Renato Renato: Qual função você está exercendo atualmente no CNS? Gatão: Eu estou na secretaria executiva do CNS. Eu faço esse processo de articulação ajudando os cinco dirigentes que são da executiva nacional. Deveria ser desafetada a área deles para se tornar RDS. a “titularidade” da terra continua na mão de pessoas com que temos divergências. Eles coletam castanha.

e na propriedade manda o dono. Então na época os cientistas que trabalhavam em Mamirauá conseguiram durante a discussão do SNUC que fosse incluída a RDS. quando é liberado. tínhamos que aperfeiçoar melhor a Resex. se o cara tiver uma fazenda de gado que for incluída dentro da RDS ele não pode ampliar o seu espaço. e a participação da comunidade é mais consultiva do que deliberativa. por mais democrata e social que ele seja. diz que ele pode continuar exercendo as suas atividades que já costumava a fazer dentro da unidade. com a função de testar conhecimento científico e pesquisa. dentre outros. cooperativa ou sindicato. se a comunidade optar por isso. também de princípio e fundamental. e acaba sendo uma UC que a comunidade não pode gerir porque tem propriedade lá dentro. Aí tinha o Márcio Ayres. Renato: Está dito no SNUC que se. Havia sido criado no Amazonas. Na Resex está bem definido que quem “gestiona” a Resex é a comunidade através de sua associação. por acaso. ela tem que ser desapropriada. como não exige desapropriação de terra. podendo aceitar a discussão como aqui no estado do Amazonas. Na RDS isso não está definido. Hoje as áreas que têm sido criadas pelo governo do Amazonas têm uma outra conotação. mas ao criar. sem que venha causar maiores danos. 232 . que é particular. Então a bandeira do CNS não tem como mérito a criação de RDS. Cria uma coisa pra deixar como está. mas pela sociedade científica. isso diverge da nossa questão de fundo. imagina quando não consta. achamos que se tivesse que fazer uma revisão no SNUC. mas não nos opusemos à sua inclusão no SNUC porque achamos que a visão da sociedade brasileira é muito ampla. Essa unidade foi criada pela iniciativa não da comunidade. o governo não tem custo para criar uma RDS. essa propriedade dentro da área da reserva tiver usos que não estejam compatíveis com o plano de manejo ou com o que a população quer pra aquela área. a organização da comunidade. que conseguiram encaixar a questão da RDS. Porque para fazer uma desapropriação quando já consta na lei é difícil. Não nos opusemos porque pra nós era mais ganho que a Resex fosse incluída. Prova disso é que os grandes investimentos lá foram na área de pesquisa.que não é dele. Mas eu não acredito que eles venham fazer desapropriação em relação a isso. principalmente encaminhada pelo Inpa. chamada Mamirauá. Isso resolveria alguma coisa? Gatão: Eu sei que isso está na lei. que agora é o instituto. Eu acho que o grave é a questão da propriedade. mas pode continuar explorando aquele produto. as pessoas que se opões hoje à Resex propõe a RDS como um meio mais flexível para a comunidade morar. Primeiro eles tinham uma fundação que geria Mamirauá. Então do ponto de vista da “titularidade” e do domínio da terra não muda nada. é a gestão. uma unidade chamada de RDS. E como princípio da comunidade é a questão coletiva. e fica uma unidade que parece de “faz-de-conta” ou uma APA melhorada. Isso são os dois pontos principais que nós temos divergências. No entanto. È mais a exploração dos recursos existentes e associada a isso eles procuram criar RDS porque. diversificada em relação às UCs. principalmente quando se trata da comunidade científica. mas precisamente pelo povo ligado ao Inpa e ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Renato: Você acha que a RDS serve mais para conservação ambiental ou desenvolvimento das comunidades? Gatão: Engraçado. a RDS de Mamirauá foi criada mais por interesse da pesquisa. Aliás. a essência do processo fica dúbia. Naquele momento nós não defendemos a RDS. pelo governo do estado. Renato: No seu entendimento. por que foi criada essa categoria? Qual foi o motivo? Gatão: Ela entrou no SNUC não por uma apresentação do grosso do movimento social. Isso significa que. Isso não estando definido. Segundo ponto.

. Eu acho que isso é uma questão grave. Era interessante que as pessoas que propõem a RDS discutissem com os moradores essa questão de fundo para ver se eles aceitam ou não. Isso é ruim porque os governos que quiserem usar isso podem usar porque eles têm um poder maior de convencimento. não participei do processo. Gatão: Eu não sei. se o governo for pedir a criação de RDS em lugares em que não foi discutido pela comunidade e que ela não solicitou. ele usa.. Se a gente não fizer um esforço muito grande a gente pode desvirtuar o papel da Resex em função da criação da RDS... E a comunidade com certeza não terá condições de gerir. sem abrir uma grande processo de discussão dos seus princípios. numa área extremamente difícil. e só será aberto o processo da criação a partir da demanda da comunidade. Renato: Isso pode servir como instrumento de. Criam um negócio para fazer-de-conta. Renato: As pessoas costumam até a confundir.. independente de quem propõe. de forma maldosa inclusive. é interessante salientar que no caso específico do estado do Amazonas nós temos um tratado entre o CNS e o governo do estado de que quando se propõe a criação de uma UC de Uso Sustentável em terra que é de gestão do governo do estado. Isso me preocupa. nós temos que discutir se ela vai ser federal ou estadual ou se vai ser RDS ou Resex. essa categoria de UC foi colocada no SNUC e ficou calado por um período muito grande. não tive informação. tem uma estrutura maior que a do CNS. de enganação. Isso é feito pelo voto. E mais ainda. que está criando alguma coisa. e acho que pode ser usada como contraponto. no caso da RDS. Se o gestor público quiser usar isso.. A RDS não é assim. o pedido de criação de RDS em áreas completamente problemáticas. pelos governos que não querem atender as necessidades da comunidade. mas pode ser também para aparecer para fora do estado e do Brasil. Renato: Então.. foi encaminhada pelo MMA. longínqua.Renato: Você acha que de alguma forma as RDSs competem com as Resex. que chegou no CNPT. dizer que uma é melhor do que a outra. Porque tem meios pra fazer isso. Agora. O que mais me preocupa agora é porque nessa nova gestão do governo federal. 233 . como no Pará na região de Terra do Meio. Esse tratado que a gente tem avançou o processo de discussão no estado do Amazonas. com milhões de hectares e com pouca gente. Isso que é o grave. então eles têm mais meios de chegar à comunidade e propor ou induzir a comunidade a aceitar a RDS. Renato: Você acha que pode ser algum tipo de reação à intervenção federal.5 milhões de hectares pra 69 famílias? Gatão: Tenho certeza que não foi a comunidade que pediu. o governo estadual se antecipa à criação de algum parque e cria uma RDS? Gatão: Pode ser isso. naquela distância e com o tamanho que tem. e essa aqui que foi criada no Amazonas com 2. Desorganizada. de alguma forma tiram essa importância simbólica da luta dos seringueiros? Gatão: Eu acho que tira. Gatão: Instrumento de maldade. isso é complicado. Não tem como. E isso é muito ruim. E cria RDS sem gente. só o governo do estado estava fazendo. e isso tem sido usado como mecanismo de manobra pra fingir que está fazendo o que não faz. Podem ser várias vertentes que eu não posso definir exatamente. Renato: E qual foi o motivo da criação. Gatão: E depois fazer uma contra a outra. Quem pede a criação de uma Resex é a comunidade. Cujubim. Aí eu quero salientar uma coisa importante..

mas pedida pelo MMA. Renato: Hoje as Resex estão cumprindo o seu papel? 234 . Renato: No meu entendimento. e não pela comunidade. houve o caso de Mamirauá onde houve interesse pela conservação e por isso foi criada uma nova categoria que permitia pessoas morando em seu interior. principalmente na Mata Atlântica. Nesse caso o governo do estado queria RDS. Primeiro é o pedido de abertura de processo. era de 69 pedidos para a criação de Resex. Renato: Você conhece alguma RDS que possa ser considerada um mau exemplo desse tipo de unidade? Gatão: Não porque é uma unidade nova. A Resex surgiu para buscar uma solução para a terra. de melhoria da qualidade de vida dos moradores.Renato: Houve já algum caso concreto? Gatão: Houve. Não tem recursos nem gente pra fazer isso. E eu próprio falei em uma entrevista. Não foi feito nada porque a Sectan não tem experiência. que se cria Resex para resolver problemas. tem havido casos de comunidades serem trabalhadas para pedirem Resex. Isso foi negociado em uma consulta pública. querem criar uma reserva. consulta pública. depois desse pedido a gente inicia a discussão e esclarecimento. e não é induzida não. e federal. Lago do Capanã Grande) nós votamos e discutimos com a comunidade e eles optaram que fosse uma reserva extrativista. E de RDS nenhum. quando eu saí de lá. Todas as reservas no estado do Amazonas (Jutaí. do licenciamento. Uma vez resolvida a questão da titularidade individual. muito desgastante. são extrativistas e etc. Foi pensada para pequenos proprietários e agora extrapolou para latifundiários aqui na Amazônia. mas o CNPT diz que se for criada uma reserva ali eles terão que ser desapropriados. não adianta criar onde já está tudo bem. Renato: Você sabe por que as RDSs estão sendo mais criadas pelo governo estadual e não federal? Por que não houve a aprovação das RDSs pelo governo federal? Gatão: Eu acho que a questão principal é quem demanda. mas teve uma outra vertente. O Lago do Catuá Ipixuna (município de Coari e Tefé) é uma Resex criada pelo governo do estado do Amazonas. o governo acabou criando a RDS que está lá abandonada do ponto de vista estrutural. a RDS do Ararão (estadual) que fica dentro do lago e a RDS de Caraipé que foi uma disputa muito grande para o governo do estado pois o governo federal queria criar essa reserva. não tem? Gatão: Tem. A demanda que existe hoje no CNPT. O governo federal só trabalha na pressão. “saneia” o resto do processo. Depois de uma luta longa. seminário. não tem mostrado interesse em trabalhar o fortalecimento da comunidade porque ela se ocupa com a área da pesquisa. e nem é prioridade. Os pedidos que chegam lá no CNPT para a criação de Reserva de Uso Sustentável é Resex. A mais difícil é a RDS do Lago do Tucuruí no Pará. é o pedido da comunidade. Renato: Agora. E nesse processo de discussão houve uma negociação para que o governo do estado criasse. Tem que ficar claro que a RDS não é para resolver problemas. E eles trabalham de forma coletiva. Então as RDSs viriam contemplar casos como esse. e a comunidade aceitou que quem criasse fosse o estado. Baixo Juruá. Fonte Boa. Mas sempre as pessoas que questionam são aquelas que querem ter a titularidade individual da terra. mas queriam Resex. é para fazer o que já está. no histórico de criação das RDS. Existem algumas comunidades. em que existem pequenos produtores que conseguiram com muito custo a escritura do terreno deles. E chegou agora recentemente uma demanda de RDS. em um artigo. Gatão: Por isso que eu digo que a situação é dúbia.

sem consultar a comunidade. o primeiro ponto é equacionar a questão da terra. Rio Grande do Norte? Sabe por que? Eles são pescadores há 400 anos. Em função da criação da RDS de Mamirauá. porque abrem as RESEX para a região e para o estado. Por mais abandonadas que elas estejam. e ele procura resolver os problemas com o setor público. os problemas não acabaram. Com morador não adianta mais brigar. ENTREVISTAS COM PESQUISADORES Entrevistado: Mary Allegretti Data da entrevista: 05 de julho de 2005 Local da entrevista: entrevista por telefone Entrevistador: Lucila Pinsard Vianna Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A principio o que havia previsto no SNUC de categoria de unidade de conservação relacionado à população eram as RESEX. Renato: Algumas reservas foram criadas em função de uma ameaça. mesmo sem a concessão de uso. Mas é fundamental que haja o plano de manejo da reserva e até hoje nenhuma RESEX tem esse plano. nós criamos a Chico Mendes tudo em cima de área privada. mas vai aprimorar as RESEX. Por exemplo. Gatão: O CNS não vai discutir RDS. Hoje cinco RESEX já têm conselhos de acordo com o que o SNUC dispõe: Chico Mendes. Gatão: Duas. Quando você cria uma Resex. Eles se revoltaram e conseguiram transformar a área em RDS. Os conselhos podem ser considerados um avanço. Renato: Em quantas hoje já existe a concessão real de uso. Mas nenhuma das pessoas das áreas em que foram criadas perderam suas terras. Uma das razões é a falha do SNUC. Soure. que diz que o plano tem que ser aprovado pelo órgão gestor e não pelo conselho da reserva. já equaciona parte dos problemas porque os caras não vão mais brigar para expulsar o morador. Acabou entrando no SNUC. tratando de assuntos como manejo de fauna e até mesmo exploração de minérios.Tapajós-Arapiuns. as pessoas vinculadas àquela Unidade de Conservação fizeram a proposta durante a discussão do SNUC. Siriaco e Rio Cajari. são 1000 famílias em três grandes bairros. Mas boa parte deles vai sendo equacionada. O Patrimônio da União forneceu a área para esse grupo.. que é o maior interessado. pois esta categoria podia ser uma repetição da RESEX.Gatão: Sim. Quando sai o decreto que criou. certo? De alguma forma isso também não seria uma visão meio paliativa da situação? Gatão: Não porque ela é um processo. então se cria a reserva e depois se vê o que faz com ela. Mamirauá foi a primeira RDS existente. E nesse caso resolveu o problema. Teve muita polemica. Se as técnicas para exploração do minério forem saudáveis são bem-vindas. e depois do período de desapropriação de mais ou menos cinco anos. Renato: Posso dar um exemplo de uma RDS que eu acompanhei um pouco e que foi escolha da população. De um tempo pra cá tinha um grupo de europeus que queriam fazer resorts na área. em Macau. 235 . inclusive se a exploração for feita por meio de concessões a empresas.. mas sem brigar com morador da reserva. o povo que está lá está mais seguro que o que está fora. ou vai buscar uma indenização.

a não ser quando ela não tem condições para se tornar uma RESEX. No nível local não existe muita diferença. A RESEX é proposta pela comunidade. O governo do estado viu na criação da RDS de Iratapuru uma oportunidade para cumprir compromissos políticos assumidos com aquela população. como na RESEX. por exemplo. Toda vez que a comunidade pleitea. O nível de organização das comunidades determina o tipo de categoria de unidade de conservação que será criada. Eu não vejo vantagem de uma área ser RDS.Teoricamente poderiam até questionar a ocupação . a unidade dá certo. e a comunidade se organiza. que também é prevista na RDS. Mas as concessões demoram muito a sair. A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade. e projetos de assentamento extrativista. As comunidades residentes da RDS estão mais vulneráveis às pressões locais. por exemplo. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Área degradada não poderia se tornar RDS. de expansão agrícola. elas gerem a unidade de conservação. E é uma área muito grande e de iniciativa estadual. Quando não está organizada. No caso da RESEX isto nunca poderia acontecer. quando a comunidade não está organizada. Só depois da concessão de uso. Na definição das duas categorias. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? A RDS é uma solução importante. caso o modo de ocupação crie obstáculos para a conservação. O processo de demanda da RESEX envolve a organização da 236 . o governo estadual faz a mediação. quer seja porque não sabem a diferença. não tem noção. e a RDS é uma solução intermediária. Na RESEX a comunidade é o principal objetivo da categoria. sempre. que são projetos de colonização. do INCRA. A RDS de Iratapuru. acabam até aceitando a RDS. A RDS é uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades.Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia RESEX. Estas comunidades usam os recursos de forma tradicional. e realizar bons projetos. pleiteam RESEX. quer seja porque não tem escolha. È uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades. No processo de negociação com o órgão gestor. ou não há como fazer desapropriação. não é diferente da RESEX Cajari ou do Assentamento Extrativista de Maracá. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? RESEX é um modelo histórico. com população dentro. em função das circunstancias. Na RDS não tem segurança de continuidade. fortalecendo o marketing político O governo federal não criaria mais nenhuma unidade de conservação naquela região. A categoria RDS dá mais visibilidade. A conservação está associada ao estilo de vida desta comunidades. fruto da luta política dos seringueiros. a diferença é muito sutil. pois já havia criado várias. Elas pleiteam. Em áreas degradas deveriam ser criadas projetos de desenvolvimento sustentado.Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? A RDS tem objetivo de conservação. Se o governo de fato quer implementar a área.

Desta maneira a comunidade não exerce controle sobre o território como um todo. por exemplo. e também pode abarcar propriedades. E cumprem papel muito importante de aliar a reforma agrária à conservação. e isto é importante. 3. RDS: grandes territórios. Se as regras de 237 . É estabelecido regras para toda a área. não há grandes diferenças do que pode ou não pode acontecer na área. que pode dar abertura para grandes propriedades. regras de uso e de acesso. mais permanente. Na RESEX a população define e controla estas regras. a concessão está focada na área de uso das populações. mas as RESEX também podem caminhar nesta direção. biodiversidade importante. Os projetos de desenvolvimento sustentável e projetos de assentamentos extrativistas do INCRA também são semelhantes. Neste aspecto a RDS se assemelha às APAS. todo o território.antigos moradores ou filhos de moradores que retornam à área. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Apesar de entender que a legislação não dispõe desta maneira. Tem inclusive colocações fora da área protegida. do ponto de vista da gestão – na RESEX as populações tem mais poder sobre o território. Esta é uma das questões críticas. Em Mamirauá . foi ela quem deu origem à categoria. sou contra área privada na RDS. a comunidade acadêmica está vinculada diretamente com a RDS. Na RESEX a comunidade é parte essencial da unidade. O que precisa haver são regras muitas bem definidas e claras de acesso. As propriedades privadas. pois isto representa um contradição. que abarca comunidades esparsas. Isto foi um erro na hora da criação. O que não é compatível na RESEX é obrigatório a indenização. se não causarem impacto. mais segura. NA RESEX a concessão para a população é de toda a área. 2 – parentes de moradores que nunca moraram e que entram na área em função das oportunidades que a reserva oferece. do ponto de vista das comunidades. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. não está separada. as comunidades estão fora da RDS. Resumindo as diferenças: a questão fundiária – RDS pode ter propriedade privada as alianças para gestão – RDS tem apresentado alianças com setor acadêmico. Conserva recursos fundamentais para a preservação e para o uso das comunidades. Em Iratapuru. A comunidade está muito vulnerável. e da RS não necessariamente. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Depende. A RESEX é uma solução mais definitiva. que tem identidade com a área. do ponto de vista ambiental. Existem algumas situações: 1..pessoas que vem trabalhar e que ficam no local. mas fazem parte do campo da reforma agrária. O que distingue é a concessão de uso. E não há regras de acesso. Não conheço nenhuma RESEX que tenha este vinculo com a comunidade acadêmica. A questão sempre é – quem é o gestor da área? O que é utilizado como meio de vida pela população? Estas questões definem o destino da área. Na RDS não necessariamente.comunidade. em ultima instancia. não precisam ser retiradas. Todas são estratégias importantes do ponto de vista das comunidades. à estas categorias de unidades de conservação.

conservação. Na Amazônia. precisaríamos entender se estão na categoria correta. e ter mais controle do próprio território.2005 Local da entrevista: São Paulo . numa disputa com o governo federal. por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Na RDS pode ter propriedade privada. O riscos para a comunidade é muito alto: tem que enfrentar gestão política. em geral. Depois delegam para a comunidade. As RDS conferem maior flexibilidade à questão fundiária. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Iratapuru hoje é um bom exemplo de RDS. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. ou o contrário? Não. não atendem estas populações com serviços . Os estados querem controle sobre o território.02. O modelo de gestão é muito frágil. A gestão acaba se tornando um peso grande nos ombros das comunidades. Os Conselhos gestores não funcionam. que viabilizasse a gestão. conservando a área. as comunidades acabam assumindo uma responsabilidade muito grande. A responsabilidade de gestão tem que ser partilhada. Entrevistado: Antonio Carlos Diegues Data da entrevista: 15. Além disso. No ato de criação. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. Deveria ter uma parceira mais forte na implantação. fazendas e as RESEX não. As prefeituras são um bom exemplo. hotéis. Elas comportam. onde há diversas RDS. As comunidades não querem este tipo de ocupação na área. por exemplo. vários atores estão envolvidos e defendem a criação. pois eles prestam serviço ambiental . Como fazer a gestão compartilhada? Não por meio do plano de manejo. A intersecção com os órgãos competentes é artificial. Isto é injusto. quando estão organizadas. uso sustentado. econômica e ainda dar conta da sustentabilidade. Na sua opinião. Pela complexidade das tarefas.NUPAUB Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Na ocasião em que a RDS foi pensada – originalmente com o nome de Reserva Ecológica Cultural. Elas. As comunidades de fato passaram a agregar valor nas usas atividades a partir da criação da RDS. enquadrada em outra categoria do SNUC. econômica. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Todas as unidades de conservação de uso sustentável enfrentam um ponto frágil que são os modelos de gestão como estão elaborados. que é algo no mínimo novo para a comunidade. È claro que tem que prever um nível de expansão possível para atender a demanda. Não é a criação da reserva que vai mudar esta postura. social. Elas acabam por não desempenhar seu papel na gestão da reserva.acesso não estiverem muito bem definidas o impacto será muito grande. envolvendo organização social. proposta do NUPAUB para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação 238 . Dificilmente acontecem. divulgar suas ações. querem ter sua própria identidade. O conselho gestor não é suficiente. sem compensação. que tem que se virar diante destas responsabilidades. nem nas RESEX nem nas RDS. Por isto os governos estaduais têm preferido criar esta categoria de unidade de conservação.

As populações acabam saindo de suas terras. 239 . não protegem a terra. nasceu em São Paulo. As RESEX marinhas existentes estão mais pra RDS do que para RESEX. Elas só protegem o corpo d’agua. A Reserva do Mandira. como ocorre na mata atlântica – várias atividades complementares. núcleo Picinguaba. A RDS foi pensada para dar conta deste leque de atividades complementares.SP). e RDS continuou. como a RESEX. protege apenas mangue. Na mata atlântica as populações praticam atividades diversas. enquanto categoria de manejo . para evitar conflitos fundiários. Nelas a pesca extrativista não é a única atividade econômica. agricultura. que é idêntico. As RESEX marinhas foram criadas neste bioma porque foram iniciativa do CNPT. tais como turismo. A RDS não brotou de lutas sociais. a partir de Mamirauá. pensada por São Paulo com outro nome. Este é o cenário da mata atlântica. mas com populações o cenário muda. A discussão da categoria RDS – cuja proposição é praticamente idêntica à proposta da reserva ecológica cultural começa apenas a partir de 1993 e de fato acontece a partir de 1994. por exemplo. A proposta deste tipo de categoria. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Pelo raciocínio da proposta das Reservas Ecológico Culturais. fazendo uso de um ou dois produtos da floresta no máximo. com áreas restritivas para conservação. agricultura. Atualmente há muitas propostas de transformação de áreas de Mata Atlântica em RDS : na Juréia (estação Ecológica Juréia-Itatins. foi pensada para a Amazônia. Eu não sou contra parques. SP). e ficam longe da RESEX. E para a RDS dar certo. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? As RDS são mais adequadas para a Mata Atlântica. Mas pode ler o texto e comparar. É mais adequada para sistemas com maior complexidade social e econômica . tem também turismo. artesanato. determinadas pelas populações. Mas a RDS . Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Ocupação como nas RESEX: pequeno numero de moradores (caiçaras). terrestres). a população precisa ter organização. portanto. encaminhada para as discussões no CONSEMA para compor a proposta do estado para o SNUC.encampada pelo governo do estado de São Paulo – haviam as reservas extrativistas – RESEX. A briga por esta categoria. uso extrativista dos recursos naturais de várias origens (marinhos. extrativismos pesqueiro. ligações complexas com o mercado. As Resex foram pensadas para a Amazônia. no Cambury ( Parque Estadual da serra do Mar. atividades de artesanato aliadas à proteção dos ecossistemas onde se encontram as matérias primas – mangues. no Mamanguá (Reserva Ecológica da Juatinga-RJ). A proposta de Reserva Ecológica Cultural feita pelo NUPAUB data de 1991. a prioridade é a possibilidade de fixação de populações tradicionais. para atender um problema particular que é o da extração da borracha. brotou da necessidade de proteção de espaços/recursos de uma população mais complexa que os seringueiros. As RDS são próprias para este bioma. artesanato. Os seringueiros vivem numa sociedade mais simples. caixeta. Na discussão em Brasilia do SNUC a categoria Reserva Ecológica Cultural continuou fazendo parte do sistema e só foi retirada nos últimos meses antes fechar a proposta do SNUC.

O problema de afirmar que tem que ser de domínio publico é que o custo para o Estado nesta situação é elevado. O fato é que não faz diferença se as áreas são privadas ou publicas. na terra. quem tem que solicitar a criação da RDS são os próprios moradores. mas deve ser uma alternativa. imobiliza os grandes proprietários. com ocupação variada. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Sim. com espaços mais amplos do que as populações necessitam. A lei não exige o envolvimento local. que deveria diminuir a capacidade de intervenção deles. No Pará tem diversidade de uso. Os proprietários devem aceitar plano de manejo.Quem deve mandar na unidade de conservação são as populações residentes. para criar a RDS deve ter um pedido formal da população local. porque não? Tem prós e contras. por exemplo. para barrar o desmatamento. mas tem uma migração rural-urbana muito forte. a solução está no plano de manejo. porque pode ter competição com a RESEX. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Não é necessária uma grande quantidade de recursos naturais para ser implementada uma RDS. sempre tem gente querendo sair. e deveria incluir no plano de manejo atividades de pesquisa. Precisam estar presentes recursos naturais renováveis. Deveria prever expansão demográfica. No caso da Mata Atlântica tem ainda o rigor da lei. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? A RDS não deveria ser aberta à recém chegados. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? O CNPT está querendo assumir as RDS. Eles podem boicotar. Acho que veranista poderia continuar. Situações com mais de um tipo de ocupação. mas as RESEX são seu quintal. aí sim cabe a RDS. Deve ser levantado o uso sustentado dos recursos naturais. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Deve haver uma consulta popular com os moradores do interior da unidade de conservação. melhor que a RESEX. é necessário desapropriar os especuladores – que são inimigos dentro da própria unidade de conservação. Independente da propriedade da terra. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Sim. Porém.Depende do poder e da organização das populações tradicionais residentes/usuárias. Para o cerrado sim. A RDS comporta ainda atividade de recuperação de áreas degradadas. como nas RESEX. podem ser futuramente transformadas em unidades de conservação mais restritivas. Como as RDS são unidades de conservação menos restritivas. Você acha que RDS não se aplica para a Amazônia? Não. O pessoal que defende as RESEX tem medo que as RDS enfraqueçam o poder de força das RESEX. A RESEX congela. As RDS podem significar um avanço maior para as populações tradicionais. regulamenta o uso.As RDS deveriam ser áreas não edificantes. no mangue. Não tenho uma posição clara. enfraquecendo as RESEX. Todo mundo que será abrangido de alguma forma pela reserva deve ser consultado. que. Estão sendo criadas imensas RDS na Amazônia. tudo bem. bem feito. O que precisa 240 . Talvez para transformar posteriormente em parques ou estações ecológicas. só pode ser extrativista. As RDS permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. que possam ser utilizados pelas populações locais.

Exige pessoal e recursos materiais. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Não. fosse uma RDS poderia ser melhor porque protegeria a terra. no caso do Mandira. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. lá. Nas áreas costeiras as RDS são mais apropriadas. parecem moradores isolados mas não são. A EEJuréia itatins é um exemplo. A atividade turística se houver. Mas a ocupação caiçara não é densa. as casas são distantes uma das outras. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. E a unidade de conservação original deveria ser mantida com áreas de conservação mais restritiva. implementando manejo de ostras. é preciso uma organização social mais vigorosa (mais vigorosa que a existente hoje). é constante. pecuária extensiva. 10% da área está ocupadas e poderia se tornar RDs. O NUPAUB não podia manter o investimento (embarcação. A RESEX do Mandira é a que melhor funciona. é um espaço tradicional dos mandira que pertence a eles. ou o contrário? As de proteção integral com população moradora. A presença do estado. comunidade organizada. mas isto é só especulação. comercialização da produção. enquadrada em outra categoria do SNUC. Acho que os novos poderiam voltar sim. Foi escolha da comunidade. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. incluindo ai os veranistas e proprietários. Não adianta criar RDS e deixar o pessoal na miséria. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho gestor deve elaborar e executar o plano de manejo. desde então. A área delimitada como RESEX do Mandira é respeitada pelos moradores da região. tem que ser controlada. estruturas de metal) e o estado arca com isto. Estas áreas deveriam se tornar RDS ou RESEX. Se. incorporação técnicas mais compatíveis com a sustentabilidade. está fadado a dar errado? As Ongs precisam ter apoio do estado. O Estado não é o melhor executor. Então. 241 . Se o estado não faz. por exemplo. Ficaram os velhos que não são economicamente ativos. sem população. Ninguém sabe se há desejo de se inserir numa RDS.garantir é uma relação de equilíbrio entre os recursos naturais e a população. melhoria condições de vida. mas não necessariamente. mineração. São caiçaras e quilombolas. porque permite desapropriação. apesar de ser o responsável. Foram 2 anos investindo na organização deles. são as executoras. sociedades de amigos e moradores. envolvendo os principais atores: estado.Muitos migraram. A comunidade não pode ser apenas mais um no conselho gestor. precisa de programas de desenvolvimento sustentado. A implantação das RDS requerem mais investimento que a implantação de um Parque: precisa de gente capacitada para gerir conflitos. a comunidade é coesa e são aguerridos. A liderança é firme. A Associação de moradores deve ter papel privilegiado . O problema é o impacto no meio ambiente. educação. investimentos em saúde. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Nunca vi funcionar uma RDS. Como a carcinicultura é feita no Ceará causa um grande impacto Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Tem que fazer um plano de manejo participativo. sem uso. são 116 famílias. Quem faz a coisa acontecer? As ongs. No Mamanguá. Não dá para cultivar camarão na RDS. Não conhecemos esta dinâmica direito.

é que muitas vezes a sua criação é feita sem que as comunidades que moram na área tenham uma clareza do que ela é e o que representa em termos de benefícios e responsabilidades.responsável pelo CNPT/IBAMA do Amazonas Data da entrevista: 11/11/2004 Local da entrevista: Manaus. quanto mais a população. eu acho que o CNPT tem priorizado a criação desse tipo de reserva. e concentra suas atividades nas RESEX ENTREVISTA COM ÓRGÃOS PÚBLICOS FEDERAIS Entrevistado: Leonardo Marques Pacheco . ou criar alguma coisa rapidamente pra resolver a situação que eles estão vivendo. Eu acho que onde é possível criar RDS. Na sua opinião. mas está discutindo isso. Eu tenho uma simpatia muito grande pela Resex. cada categoria. por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? O CNPT nunca assumiu a RDS. Aí como gestor você tem que decidir entre um processo em longo prazo.A participação se faz em vários níveis.. Renato: O CNPT até agora não criou nenhuma RDS. Não simplesmente cumprir a lei. em que a comunidade realmente participe e decida as coisas. para negociar. Aí a gente fala que foi um processo participativo. Na Terra do Meio houve solicitação para a criação de duas ou três RDS e o pessoal está discutindo isso. é possível criar Resex. passa uma tarde explicando o que é Resex e o que é RDS. onde você não tenha conflitos fundiários. Leonardo: Nenhuma. Leonardo: Imagina você que as consultas públicas estão chegando no lugar. e você espera que eles decidam na hora qual eles querem.. A conservação também implica em usos alternativos da área. expulsão dos moradores. A gente sabe que tem situações em que a comunidade vive em uma situação difícil. para empoderar a populações. você pode colocar todo mundo numa sala e dizer que é participação. Mas uma coisa que tem acontecido com o modelo RDS e que eu acho complicado. Mesmo com o SNUC. queimada das casas. há muita discordância do que cada modelo desses representa. Talvez a situação ideal seja uma área que tenha comunidades vivendo dentro.Quem trabalha com conservação deveria ter preparo político. 242 . Entrevistador: Renato Renato: Qual a sua formação? Leonardo: Biólogo. Renato: Eu acho que nem os gestores sabem o que é uma RDS. como hoje no Sudeste do Amazonas por conta da grilagem. ameaças de morte. Mas eu sei que chegou a receber pedidos. Renato: Qual é a situação ideal para se criar uma RDS? O que você entende por RDS e em que situação ela se encaixaria melhor? Leonardo: Tem uma discussão que eu acho que surgiu aqui e que é muito interessante que está voltada para a diferenciação entre RDS e Resex.

de renda. de zoneamento.Renato: Eu concordo que há alguns casos em que você tem que agir de forma um pouco mais imediata. Eu acho que as Resex priorizam o desenvolvimento das comunidades. Mamirauá foi um processo que foi iniciado por um pesquisador que veio do sul e resolveu estabelecer uma unidade que a princípio seria estação ecológica ou reserva biológica e pelo fato de ter pessoas morando ali virou uma RDS. embora a gente saiba que algumas comunidades que moram na área focal de Mamirauá têm um bom grau de organização.. Então eles conseguem perceber muito bem essa questão de categorias. Leonardo: É. você acha então que as RDS como um todo estão priorizando a conservação? Leonardo: Com certeza. A Zita colocou isso. mas chegar querendo impor o que a gente acha que é o correto... por mais organizado que sejam as comunidades dessa área em que a UC está sendo estabelecida.. e o pessoal de lá fala que num local chamado Cachoeira do Maracanã que eles acham que deve ser preservado e que ninguém deve entrar pra caçar. É difícil entender isso. Renato: Você acha que uma RDS prioriza mais conservação ou desenvolvimento das comunidades? Leonardo: Acho que conservação. Eu não vejo como organizar nesse tempo e sair “arrotando” que foi um processo participativo. 243 . Renato: Eles têm um conhecimento próprio. Renato: Esse tempo pode até ser obedecido. Eu me surpreendi. a gente que não aproveita isso. Leonardo: Eu estive agora no Rio Aripuanã em Apuí e a gente viu uma situação bem interessante. tem muito animal silvestre. tudo isso. o fato de Mamirauá ter tido esse caráter conservacionista e em função de ter encontrado uma população dentro e ter virado uma RDS. Leonardo: Eu acho que dá pra criar uma RDS ou Resex em um ano ou um ano e meio. Eu acho que também tem uma idéia muito grande dos cientistas apontarem quais seriam os caminhos corretos para as comunidades que moram ali dentro buscarem o seu desenvolvimento. Eu penso muito no modelo que gerou o que hoje está no SNUC.. pois eles foram mais rigorosos que eu. Porque a gente acha que essas comunidades vão sempre tender a criar RDS ou Resex. Em uma reunião que a gente teve com o pessoal do ministério aqui.. desde que haja uma forte mobilização e organização anteriores. sentando e discutindo. eles chegaram a colocar que um tempo bom para a criação de uma UC pra eles era de três ou quatro meses. Você acompanhou o histórico de inclusão dessa categoria no SNUC? Leonardo: Não. o plano ficou muito mais rigoroso com as questões ambientais por sugestão das pessoas. Eu não vejo como fazer isso. A gente teve uma reunião do GT para a criação de UCs e o pessoal colocou isso. Acho que tem um caráter muito mais conservacionista do que de desenvolvimento propriamente dito. Unidades de Uso Sustentável.. explicando e empoderando eles para que eles possam tomar as decisões. Isso eu já vi. Renato: Em todo caso. Renato: Quando eu trabalhava com os planos de utilização lá do Mandira. Renato: Quem diz isso? Leonardo: O pessoal do Ministério. eles acham o local bonito. todas aquelas normas que eles criam pra regular o acesso aos recursos e ao espaço de uso comum.

por exemplo. Ou o governo estadual vê uma área interessante pra conservação e vê que mora gente dentro. Em Resex isso não costuma acontecer. vai lá. mesmo que eles identifiquem as áreas? Porque diferente de Resex. Acho que nesse processo de informar as pessoas para que elas possam decidir o estado tem pecado um pouco. e a outra de uma questão mais científica. Renato: O histórico foi diferente. então elas têm que ser convencidas. o governo então resolve criar. quanto na dos tomadores de decisão. foi feita uma solicitação ao governo federal pra criação de Resex. A gente tem hoje situações em RDSs daqui onde alguém que se achava dono de uma área entrou e resolveu expulsar os pescadores que estavam dentro da RDS mas pescando em um lago que a pessoa julgava ser dela. É uma área interessante para conservação. O que eu vejo muito também é a questão do modelo que gerou a RDS é Mamirauá e a Resex foram aquelas quatro primeiras que foram criadas a partir do “pau”.Renato: Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Leonardo: O governo... de uso de recursos. então cria uma RDS. Eu sinto que as consultas têm acontecido e que as pessoas que vão para as consultas não estão muito informadas sobre o que está acontecendo. o SNUC não exige nada. há um mês atrás aproximadamente. o prefeito quer preservar uma área e solicitar a criação de uma RDS.Eu já ouvi uma frase de uma funcionária do governo do estado daqui que disse que as comunidades não têm condição de decidir o que elas querem. Nesse caso acho que uma RDS não se aplica. Renato: Mas a primeira coisa que eles olham é que a área é boa pra conservação? Leonardo: Sim. porque ela é desapropriada se necessário. sobre o que é uma consulta pública. Na RDS do Atumã que a princípio seria uma Resex. Renato: Você sabe que tipo de consulta pública o governo do Amazonas está fazendo pra criar RDS? Leonardo: Eu acompanhei três consultas públicas que o estado realizou. e o que o governo do estado tem feito é mais buscar cumprir um rito do que respeitar o processo em si. eu acho que as comunidades têm ido muito a reboque. Leonardo: Eu acho que essas são as principais diferenças. e a gente não sabe pra quem é necessário. Acho que essa é a principal diferença. Esse processo foi repassado ao estado que resolveu criar RDS. Eu acho que a participação é feita em vários níveis. 244 . uma Resex. Seja governo municipal ou estadual. se pras comunidades ou se pra o gestor. Leonardo: Eu acho que tem a questão fundiária porque na RDS você desapropria se necessário e na Resex você precisa desapropriar. Isso aconteceu em Mamirauá naquela área de Ponte Boa. Isso eu tenho muito claro. os empates. Leonardo: Não. Eu acho que isso dá um diferencial grande se você está criando uma unidade pela necessidade de conservar uma área ou pra resolver um conflito fundiário. Eu estava lá e foi uma consulta pública bem intensa. uma RDS. uma unidade de conservação. uma veio de uma questão mais histórica. O que eu tenho acompanhado muito é. Renato: Quais as diferenças mais marcantes entre RDS e Resex? O que determina a escolha de uma das duas? Tanto na cabeça das comunidades. Renato: Eles estão exigindo alguma manifestação formal dos moradores pra criação da RDS.

Renato: Você se lembra do Rafael Rueda? Ele falava que não queria entrar nessa discussão para não prejudicar. Renato: Você acha que idealmente uma RDS comporta grandes e médias propriedades.. Eles já tentaram fazer a consulta pública duas vezes. Leonardo: Aqui tem uma situação interessante que eu acho que vale a pena discutir que é a do município de Carauari. O que eu acho complicado é essa desapropriação “se necessária”.. Você pode criar uma RDS para os paranaenses que chegaram antes de ontem? E você acha conveniente uma RDS ter latifúndio e também médias propriedades? Leonardo: A questão da propriedade eu acho que não. E agora o Ademar resolveu criar. caça. os pescadores. Isso é uma vantagem. agricultura de pequeno porte. Se. por um lado. você tem abaixo assinado da comunidade que mora na área pedindo para que a reserva seja criada. isso não ocorreu.Renato: Eu tenho dito que essa reação. 245 . manejo de fauna para geração de renda e pesca. acho que é muito complicado você ter grandes ou médias propriedades. mas os pescadores sabem que ser for criada uma reserva do outro lado. ecoturismo. Por outro lado é uma desvantagem pras comunidades se nessa área tem algum conflito por uso de recurso ou por uso de espaço. Então isso tem atrasado bastante a consulta pública lá. Acho que população tradicional é muita coisa e ao mesmo tempo não é nada. mas por uma pressão de um outro grupo extrativista organizado. por outro você tem um outro documento assinado por mais de duzentos pescadores pedindo que a unidade não seja criada. representado por uma perplexidade e até uma mudez das pessoas nessas audiências públicas tem sido encarados como concordância da sociedade. era para abarcar as duas margens. Isso é mais importante do que o tamanho delas. e não precisa ser para a comunidade obrigatoriamente. onde tem comunidades morando dentro. para subsistência e com comercialização de excedentes. Renato: Quais vantagens ou desvantagens de haver propriedade privada dentro de RDS? Tem vantagem. e havia de fato essa solicitação das comunidades. Inclusive foi uma definição que ficou de fora do SNUC. por território. Leonardo: Eu prefiro chamar de comunidades locais ou extrativistas. extratoras. Ademar morou lá muito tempo. que é de lá. ou comporta populações recém.chegadas? Por exemplo. o Ademar.. Então eles têm se mobilizado “pesadamente” pra que a reserva não seja criada. Mas também acho que isso vai depender das intenções de quem tem essas propriedades.. Carauari tem a Resex do Médio Juruá e o governo de estado na pessoa do secretário de agroextrativismo. pois você tem um grupo organizado e com uma clareza muito grande se opondo à criação. Renato: RDS e RESEX são voltadas só para população tradicional? Leonardo: Eu acho que Resex é. quando foi criado. porque tem que ser necessária para alguém. Renato: Idealmente que tipo de uso você acha que pode ocorrer dentro de uma RDS? Leonardo: Acho que extrativismo.. O médio Juruá. resolveu criar uma RDS ou Resex na margem oposta do Rio. ou é só desvantagem? Leonardo: A vantagem que eu vejo é pro governo. Se o uso for compatível com a UC. E a questão dos paranaenses a gente cai naquela questão do que é população tradicional. a área de uso deles vai ficar muito restrita. Se existe uma propriedade privada dentro de uma RDS você não precisa desapropriar e indenizar. chega um pessoal do Paraná através de uma empresa de colonização e se fixa em uma área desocupada.

Mas às vezes você têm mais do que uma associação..Renato: Mineração? Leonardo: Não. seja governo diretamente. Agora eu acho que a gente também deve considerar o suporte financeiro que ela tem. Renato: É que acharam bauxita em uma reserva aqui. Renato: Como deve ser formado esse conselho gestor? Se você pega o caso de uma RDS que tenha várias propriedades e só uma associação de moradores. quais vão ser os limites. Renato: Você tem bom exemplo e um mau exemplo do funcionamento de uma RDS? Leonardo: Mamirauá é um bom exemplo em relação às outras. Renato: Mas tem acontecido por aí. como deve ser feita essa gestão? Leonardo: Acho que deve haver um equilíbrio entre as comunidades que residem na área e a instituição que é responsável pela gestão. está querendo mineração em Resex? Leonardo: Não sabia. Por outro lado. eles percebem que ninguém sabe o que é. Renato: Você sabe que o Gatão. o que vai ser criado. mas nas RDSs acho que tem sido mais complicado. com apoio do estado e os caras não conseguiram até hoje implementar a reserva. Com os recursos que ela recebe não é difícil você ter uma experiência de sucesso. 246 . Tem havido casos em que a intenção de criar a Resex é mais de uma ONG ou do governo e a população é meio que levada a reboque. acho muito complicado. tem todas essas RDSs que tem sido criadas pelo estado e nas quais a participação não se fez de forma efetiva. não fizeram desapropriação. Eu acho que isso tem acontecido nas Resex. Renato: Isso também tem acontecido com Resex? Leonardo: Não. como deve ser feita? O SNUC fala de conselho deliberativo. pelo menos aqui no estado não. Um representa os latifundiários. vai ter um representante de cada propriedade e um da associação de moradores? Leonardo: Não. E daí quando o pessoal do CNPT vai lá pra começar a discutir a implementação. e as comunidades sabem de fato o que é melhor pra elas. o outro a comunidade. quem deve ser o principal responsável. mas já que é uma unidade mais voltada para a conservação. você tem outras RDS como a RDS de Urariá em Maués que foi criada pela prefeitura. de extrativistas. do CNS.. A gente tem uma tendência de sempre achar o que é melhor pras comunidades. Então tem alguns conflitos lá dentro. Renato: A gestão de uma RDS. Acho que o mais importante é que as decisões sejam tomadas em comum acordo com o órgão gestor e as comunidades que residem na área. seja instituto. de mulheres. cooperativas. Renato: Você acha que uma RDS pode ter múltiplos usos? Leonardo: Pode sim. com certeza. Ou então cada comunidade é representada por uma associação. Leonardo: Eu acho que tanto a concessão florestal quanto a mineração em uma UC muito complicado. E quanto ao processo de criação. Como fica esse conselho. As comunidades entraram muito mais pra legitimar a criação das unidades do que para decidir de fato como vai ser gerido. acho que isso tem que ser feito por representação mesmo.

Talvez a Flona Mapiá-Inauini poderia ser uma RDS. que tem uma solicitação de Resex que foi feita em 2000 por uma pessoa que na verdade é o patrão dos “piabeiros” de lá. Renato: O CNS acha que as RDSs podem diminuir a importância simbólica da luta dos extrativistas. pra saber o que eles acham disso. onde se aplica uma RDS. Renato: Existe alguma outra área protegida que está enquadrada em outra categoria e que deveria ser RDS? Ou o contrário. pois tem uma série de questões que não estão muito claras. conduzir os processos de decisão. tem uma solicitação de Resex do município de Irunepé. Acho que tem uma postura mais do governador de não gastar com indenização em UCs. Com a exceção da Flona Tefé que vem sendo feito um trabalho mais intenso e constante com as comunidades que moram lá. Renato: Por que você acha que as RDSs estão sendo muito mais criadas pelos governos estaduais e municipais e não o federal? Leonardo: Eu acho que tem duas coisas. não tem uma questão de exploração mesmo do recurso madeireiro. Renato: Mas isso não seria responsabilidade do CNPT? Leonardo: É. Eu fui lá e os caras não são extrativistas de fato..Mas é uma área interessante. Renato: Por outro lado. pro CNPT que vai lá ver se é uma solicitação de fato legítima da comunidade.A gente tem uma situação no município de Barcelos. Dentro do governo federal não tem uma diretoria. Agora. Leonardo: A gente. pra saber como o processo foi construído. 247 .. Na verdade o que eu acho que falta para as Flonas daqui é elas serem implementadas. precisa ser decidido o que fazer com essa categoria porque ele tem sido utilizada para tantos objetivos diferentes.. Porque eu acho que tem muita gente morando dentro... E uma questão relacionada à autonomia das comunidades que moram lá dentro. para definição melhor de RDS.. um núcleo que tenha assumido a questão das RDSs. O pessoal fala que no zoneamento isso pode ser feito. mas eu acho que ali seria o caso de dividir a área.. Eu soube de duas últimas que chegaram lá e o pessoal ficou meio sem saber o que fazer. do modelo. um centro.Leonardo: Acho que isso é importante pra quem vai lá criar essa unidade. A Resex também vai passar por isso. está previsto no SNUC. talvez o CNPT possa se apropriar disso. eu acho que falta definir de fato o que é uma RDS. implantado. Leonardo: É isso.. mas acho que o CNPT tem uma postura muito política de criar Resexs. Leonardo: É a questão do histórico.. E o estado tem criado muito mais RDS pela questão de você não precisar desapropriar e portanto não precisar indenizar. Então acontece isso. De repente. o que eu não tenho visto é um processo desse tipo ser finalizado. Acho que o CNPT vai receber algumas pressões pra criar RDS. A gente já percebeu isso e está segurando a onda e esperando pra ir lá discutir isso com as comunidades. uma RDS que poderia ser um outro tipo de unidade? Leonardo: Eu acho que a RDS Cujubim poderia ser dividida em uma RDS e uma outra unidade de uso mais restrito. por exemplo. Renato: Até porque essa regulamentação vai ter que ser feita para todas as unidades. a partir desse trabalho de vocês.

são parentes.. assessor da presidência do IBAMA e responsável pelo CNPT Data da entrevista: novembro 2005 Local da entrevista: Brasília / IBAMA Entrevistador: Renato Renato : Paulo. quem usa? Quer dizer.. nós vamos passar pela consulta agora. quanto noutra está implícito uma das questões. e a outra é a da conservação.. E a discussão foi a seguinte: “-Vamos criar uma RESEX aqui e desapropriá-los? Tem algum problema de vizinhança. populações estão dentro. uma família que tem desde lá do título paroquial.Entrevistado: Paulo Oliveira. E aí fizeram uma audiência. lá no Cajarí. de limite mal definido entre a propriedade. Tiveram esses dois elementos. ou seja. o nosso exercício é conceitual mesmo. Ponto dois é a questão 248 . Aí depois a gente avalia qual vai ser a categoria. Quer dizer. Você pode observar que nós temos um único caso federal.. e a RESEX permite o uso.. pra solicitação. que é o caso dos manguezais. O processo se inicia por demanda dos moradores. tem mais um elemento que eu acho que lá também contou é que está de fronte à RESEX do Cajarí.Que diferença tem entre RDS e RESEX? Paulo Oliveira: RDS obrigatoriamente abriga populações. preservação ambiental ou desenvolvimento? Paulo Oliveira: Tanto para RDS como RESEX você tem 2 pernas. É uma família normal que nem os outros.E outra. Renato : Qual é a prioridade para RDS. foi discutido se era RESEX ou RDS. Tanto numa. e que. Lá a opção foi pro RDS mesmo. Ponto um. você acompanhou a inclusão do sistema de RDS no processo de discussão do SNUC? Paulo Oliveira: Não. Porque você tinha verificado lá uma situação de títulos de propriedade de uma família. igual aos outros e a própria avaliação das pessoas é que. De qualquer forma. uma conversa. Renato : Eles queriam um tipo de proteção da área. Renato : Nesse caso de Marajó foi assim? Paulo Oliveira: Foi. Nós aqui do CNPT estamos operando nessa RDS. Uma que é promoção social. e várias pessoas dessas que estão nessa RDS têm parentes no Cajarí. é uma área em que eu especialmente conheço bem. o que é. Renato : A principal razão de ter tido uma repercussão relativamente negativa em relação a RESEX foi a questão dominial? Paulo Oliveira: Foi a questão dominial.. e isso repercutiu na imagem de RESEX para esse povo de RDS.então é conceitual. ta definido que aquele açaizal é essa família que explora? Tranqüilo.. inclusive a única e não vamos estar em outra discussão. que foi na Ilha Grande de Gurupá. Renato : Em qual situação RDS é uma boa alternativa? Paulo Oliveira: Quando você tem especialmente situações onde o registro imobiliário favorece a famílias ou grupo de famílias identificadas como populações tradicionais. O pessoal ficou um pouco com o pé atrás. E eu ouvi uma série de questões de gestão na época de discussão da RDS. Renato : Quem cria demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de demanda formal dos moradores? Paulo Oliveira: Nós só abrimos o processo aqui quando vem o abaixo assinado. é tudo parente. que vai ocorrer no mês de dezembro..Exatamente. Uma RDS criada esse ano.

latifundiária. O que acontece é que é dúbio.. de uma única família tradicional? Paulo Oliveira: Depende da consulta. entendeu? Renato : As RDS permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo quais são as vantagens e desvantagens disso? Paulo Oliveira: Sim.. Abriga populações tradicionais. abriga. Paulo Oliveira: O fato é que nos estamos utilizando agora uma espécie de envolvimento das autoridades municipais no debate final.. a situação é complexa. Se a gente chegar numa situação dessa que a gente nunca chegou. Paulo Oliveira: E vai ocorrendo que nem você colocou. Renato : Se não for tradicional ou não for morador desapropria.. Tem outros que não.. Se não for população tradicional eu sou totalmente favorável à desapropriação. ou seja você legitima a ocupação tradicional do aviamento. Renato : Iratapuru no Amapá. Paulo Oliveira: E é uma RDS! Mas o abrigar na lei quer dizer que tem estar dentro. Nós ainda estamos meio no limbo dessa história.abriga significa moradia.. está ocupado. Nós estamos com a discussão sobre Caravelas na Bahia. sees tiver a fim de ir lá. Não é um uso. algum jurista já tem o entendimento de que isso já se configura como uma consulta. É igualzinho a RESEX. A vantagem é o reconhecimento da dominialidade para as populações tradicionais.. Mas certamente é uma RDS porque não queriam que fosse uma RESEX por alguma questão política. Mas nós estamos trabalhando com elementos conceituais agora. No amazonas estão criando várias RDS. e é isso que tá acontecendo. a gente ta falando aqui numa faixa entre 300 a 500 ha.. 249 .. Quando nós operamos a partir da demanda da comunidade. Até esse limite é razoável. Renato : A RDS comporta médias e pequenas propriedades? Paulo Oliveira: Não. Se a gente falar em população tradicional na Amazônia. discutimos antes. ta? A minha orientação é que se faça uma audiência pública e lá decide. isso morreu. eu vou levo os processos. Renato : Por exemplo. tem pessoal. É explicito. Com todas as secretarias de estado e de meio ambiente. pegam todo mundo de surpresa... Fazem uma ou duas audiências. porque era manguezal e as pessoas não moram no mangue. Renato : Que tipo de consulta pública você acha que deve ser feito na criação de uma RDS? Existe alguma especificidade pra RDS? Paulo Oliveira: Não. por exemplo. em cima de latifúndios porque não há dinheiro pra desapropriar. Renato : Essa discussão é mesmo com os moradores. Renato : Consulta pública está sendo confundindo com audiência pública. As pessoas moram no entorno e usam. Existem várias interpretações. no qual a gente convida também o governo do estado. Na RESEX não necessariamente haveria populações. Renato : E tem que ser morador? Paulo Oliveira: Morador! Tem que morar lá.. Mas um debate final muito mais pra ficar discutindo limite. Paulo Oliveira: Abarca o latifúndio. que foi uma discussão inicial de RDS e no debate lá ficou claro como não poderia ser RDS. Nós estamos estabelecendo o caminho agora.

Isso é uma dúvida ainda que paira. que tem mármore. .. Mas na minha opinião pessoal. por exemplo. Só uma coisa que não está claro. que agora originou a criação do instituto de assuntos familiares. Renato : O próprio fato das pessoas não terem conhecimento. água mineral.água. não seria problema? Paulo Oliveira: Aí também vai depender dos laudos. E isso ficou na minha memória porque eu acho que a questão da água. E eu me recordo de uma área que eu fui... A gente fez um inventário de todas as terras públicas do Estado de SP. Renato : Por exemplo.. A gente ta fazendo uma boa olhada crítica em cima. E a gente vai fazer uma discussão com as comunidades. Mas isso é uma atividade de mineração. com um passivo de 74 novas unidades para criação. tem outras coisa.. Eu fazia parte dessa equipe. E tem umas 3... Se não se enquadrar.mas na RDS. Paulo Oliveira: Pode! Se os moradores estiverem de acordo. super montanhosa e quando eu cheguei estava assim de mina. Renato : O problema é que tão querendo mudar o SNUC e incluir mineração em RESEX. Renato : Então que tipo de uso pode ocorrer numa RDS? Mineração? Paulo Oliveira: Mineração pela lei não é permitida. Eu estava acompanhado do pessoal de pastoral.ou alguma coisa que seja de subsolo... e a nossa primeira missão era fazer a vistoria. enfim. Renato : E porque na RESEX fica claro que não pode ter mineração. era recém formado. Renato : Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Paulo Oliveira: É igualzinho a RESEX.não. Renato : Existe alguma RESEX que tenha alguma concessão do direito de uso? Paulo Oliveira: Tem! Duas com certeza. existe a mineração. essas unidades prestariam um grande serviço e aí poderiam ter um uso econômico da água mineral. 3 ou 4 nós já remetemos ao INCRA. mais geral. os laudos. 4 solicitando RDS. pode ser ocupada por recém chegados na região? Paulo Oliveira: Pode.. Eles estão recebendo lá e estão focando o processo. um pessoal do Paraná que chega na Amazônia. Mas a gente ta fazendo uma boa análise crítica em cima das vistorias para ver se as características se enquadram numa ou noutra categoria.Renato : Uma RDS. Paulo Oliveira: Eu ainda prefiro que não. Ele só tem que seguir as normas. Você vai botar escala? Eu vejo qualquer mineração que seja impactante.. Tem conselho deliberativo. Paulo Oliveira: Na RDS é omisso. pode. a gente remete pro INCRA. na discussão da água. Só água mineral. debate macro de conservação das fontes. Nós temos situações aqui hoje.. por exemplo. não. Desse passivo. Agora. 250 . não terem desenvolvido tecnologias para exploração do meio. 11 unidades. Que não tem nem característica de RDS ou RESEX. E teve um programa que era um plano de valorização das terras públicas do Estado. O passivo estava maior. mas aí é realmente uma dúvida que nós temos também que diz respeito a direito real de uso.. Renato : Qual seria a dúvida com relação à concessão real de uso? Paulo Oliveira: É porque tem a coisa da omissão.Tem umas duas unidades. Eu me recordo que eu trabalhei em SP e fui parar na assessoria de revisão agrária. a gente já criou em um ano na frente do CNPT.. você também vai revolver camada de solo..

mais o IBAMA e os outros 50% de governamental. Tem a Petrobrás. Renato : Isso tem respaldo jurídico? Paulo Oliveira: Tem! Sabe por quê? Porque você joga 50% de moradores. da sociedade civil mesmo. 50% governamental. se tiver. de luta. Renato : Mesmo se contemplando organizações. E junto da concessão você faz o memorial descritivo da área concedida. então o que nós estamos discutindo agora é o conselho deliberativo. Bota uma ONG suplente da sociedade civil. Entendeu? Aí as ONGs vão chiar.. é o próprio caso de Arraial do Cabo. e o arranjo foi o seguinte: os outros se entendam com a associação de moradores do entorno.Renato : Tá.. Paulo Oliveira: Não. por exemplo. Então quem mandava era a associações de moradores. moradores. Isso tinha de certa forma uma legitimidade e certa agilidade para tomar as decisões.. usuários. Renato : As RESEX antes do SNUC. no primeiro semestre. excluindo a propriedade privada? Respeita a propriedade? Paulo Oliveira: Respeita sim. que inclusive receberia a concessão de direito real de uso. Nós estamos numa discussão agora na Verde para sempre com a prefeitura. nós fizemos um seminário este ano. tem os guias turísticos. no conselho deliberativo do Porto? Ou a gente faz uma aliança de classe aqui.. mas é um representante para turismo. Sabe como é? Um sindicato do RJ. entendeu? Porque aí tem uma questão. aliás.. eu acho que era mais correto. Não era.. sabe por quê? Pode até se falar em co-gestão. A expressão foi um pouquinho mais forte. mas é um representante. Renato : É. inclusive com o sindicato dos portuários. Com a implantação do SNUC. Se você levar ao pé da letra o SNUC. o conselho deliberativo vai ser conduzido por essas entidades contrárias. tinha uma co-gestão entre a associação da área e o órgão gestor. O que nós estamos trabalhando é que tenha 50% de morador. se não me engano é essa expressão. concordo plenamente com vocês. Paulo Oliveira: Mas então. mas a prevalência era da associação dos moradores. que já entram em desvantagem no debate. eu acho que até discordo um pouco dessa sua visão de que antes era uma coisa só. Se você usar os critérios de 50% de sociedade civil. Como é que fica? Retira a área da propriedade na concessão. Mesmo porque o SNUC só sugere que tenha uma paridade. Eu dou um exemplo bem radical: Arraial do Cabo. é dividido em cinco. auxiliando a prefeitura a estar construindo dentro do estado do Pará um debate ecológico. Mas quantos pescadores fazem parte. Paulo Oliveira: Num era. filiado a CUT: os caras vieram com uma discussão de que são quatro sindicatos. “Quando couber”.. o único problema que eu vejo é quando tem propriedade. tem a prefeitura. Eu me recordo de um debate que eu peguei e que falei “não cabe”.. Paulo Oliveira: Não necessariamente. ou então ta rompido!”. com um longo debate. se possível. Porque nós estamos trabalhando e já fizemos dois seminários: o conselho deliberativo para essas duas unidades tem que ter 50% de moradores. O setor de turismo. aí a gente negocia. que delibera literalmente. Renato : Pelo menos as portarias que saíram para regulamentar Resex. considerando as entidades de apoio para a sociedade civil aí você quebra. um sindicato histórico. que tem que ter o envolvimento com o poder público municipal sim. Eu virei para eles e falei: “Tudo bem. O sindicato dos portuários são quatro categorias. Todos eles são contra. pode-se também ter posições contrárias à reserva. 251 .. há uma descaracterização dessa co-gestão entre a população e o órgão gestor.. Marinha. Tem que estar nessa luta. mais cabia ao órgão gestor uma série de decisões.

a RESEX do Delta do Parnaíba foi criada em cima de uma área de APA. que tem que virar um assentamento do INCRA. Inclusive no estado do Amazonas. perdeu-se comparado ao que era o antigo SNUC. Mas por outro lado. Aí com o representante do IBAMA a co-gestão. Então eu acho que. é que você tem que ser próativo. Então o que acontece. Como é que você cria um parque em cima de um povo desses? O único lugar onde os caras têm terra é no ES. e essa também é uma preocupação nossa. Não necessariamente. e aí você tem razão da fragilidade dos conselhos. guardadas as devidas proporções. Então está uma miscelânea. Você tem bons ou maus exemplos de funcionamento de RDS? Paulo Oliveira: Não tenho nem conhecimento. Pedaços de APA. em função do que antes você tinha a associação de moradores gestora da unidade.aí eu não conheço. Paulo Oliveira: Não. só par cumprir a lei. mas amarrar constitucionalmente algumas normas.. do seu conhecimento. Renato : E a fragilidade dos próprios conselhos. Tem uma situação do delta do Parnaíba. Mas tem quinhentas famílias de pomeranos. estamos retomando os conselhos deliberativos e as suas associações. com pomeranos. nem na Suíça os caras têm. a integração da gestão da coisa pública. Por que se a gente não tivesse bancado. ou o contrário? Paulo Oliveira: Tá um movimento agora em cima de algumas áreas de APA para criar RESEX. hoje. como é que então as associações deveriam estar fazendo a gestão das reservas? E a pior situação. por exemplo pela DIREC. Paulo Oliveira: Estou falando de 44 unidades que tem 4 conselhos. do povo da RDS que está pedindo “help” para o CNPT ajudar eles. eu vejo da seguinte forma.. teve muita freqüência. Mas acho que é muito mais um movimento propriamente de APA. que é um conceito importante para a democratização. Acho que assim se está perdendo o conceito de conselho.. muito mais RESEX do que RDS. deixar não só um legado. Renato : O Ronaldo Weigand do ARPA tem uma idéia de que uma RDS poderia se encaixar em um casos de unidades de proteção integral que abriguem comunidades. uma população que não tem país. você tem que assegurar que os trabalhadores garantam seu 50%. Renato : Existe alguma outra área protegida. Estou falando de 4. Tudo mundo vai participar dessa reunião. As pessoas estão indo às reuniões e estão se sentindo manipuladas porque os conselhos são muito mal vistos por grande parte dos chefes de unidades. muitas vezes a toque de caixa. Então. Aliás. Renato : Porque não tem valor ecológico? Paulo Oliveira: Tem. tem uma situação no ES... Tem mais aí uns 5 exemplos. resultado de diáspora. e tal. os conselheiros não iriam participar da reunião. regulamentações. Hoje você vê a fragilidade dessas associações. e também todas orientações. Tem que sair da Unidade de Conservação. Renato : Minha preocupação é que os conselhos estão sendo criados.porquê? Porque a gente tem corpo técnico.Renato : E eles acabaram concordando? Paulo Oliveira: Concordando plenamente. que tenham que ser seguidas. vamos lá e vamos reunir e vamos discutir e vamos efetivar. ter cursos de formação de conselheiro etc. em outra categoria do SNUC que poderia ser transformada em RDS. na primeira reunião efetiva de implementação do conselho. Nunca teve uma discussão assim da categoria propriamente dita. Alguma coisa como “Parque com gente deve virar RDS”. 252 . só sei que a demanda está aumentando aqui. A da Chico Mendes. Então não tem como escapar.. e cada chefe tem uma interpretação do que é o conselho.

Que é o caso de Caravelas. Mas eu sei da proposta da RDS da Mamirauá. Renato : Na Ponta do Tubarão (RN). não pode animal de grande porte em Resex. ou então um outro tipo de assentamento.A idéia é de que não pode ser válvula de escape. a categoria que se enquadra e que permite o uso. é um exercício conceitual.. tá aqui a diferença. A lei existe. eu estava fora do Brasil... a RESEX extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas locais”.. . Entrevistado: Ronaldo Weigan. Artigo 18. esse tipo de coisa assim. há uma RDS em um distrito que abriga por volta de 10. eu não acompanhei de perto a elaboração do SNUC. entre quem mora e quem usa. O debate é o seguinte. É meio complicada a gestão. Paulo Oliveira: Mas é explícito: um abriga e o outro é o uso.. “Vão botar área de moradia? Não.. Vamos discutir e ver como está. Renato : Na sua opinião porque as RDS estão sendo criadas pelos governos estaduais e não estão sendo criadas pelo governo federal. atividade tradicional. Mas que há outras modalidades de assentamentos de moradores que são geridas no âmbito do INCRA e dos órgãos que tratam de assentamentos populares. Fui só um expectador longínquo. Pronto. Paulo Oliveira: Então vale mais a pena a criação da RESEX.. no período eu estava estudando nos EUA... Cada situação é uma situação. População tradicional. tirar esse gado e criar só cabra e ovelha?” O pessoal: “Topamos”. Assim. que foi lá que surgiu o conceito. é conservação ambiental. como faz parte do Sistema de Unidade de Conservação. coordenador do programa ARPA Data da entrevista: novembro 2005 Local da entrevista: Brasília / MMA Entrevistador: Renato Renato: Você participou do histórico de elaboração do SNUC ou de inclusão da categoria RDS? Ronaldo Weigan: Não. Mas há casos de búfalos em Resex e nós estamos fazendo a maior ginástica jurídica para mostrar que a tradicionalidade é mais forte do que a lei no caso de animal de grande porte. Nós estamos operando em cima da lógica conceitual.” O que vamos fazer? Eles estão com esse debate. um caso emblemático que veio como demanda de RDS. A reserva de desenvolvimento sustentável é uma área natural que abriga populações tradicionais..então pra mim trata de 253 . isso vale também pra atividade extrativista na minha visão. Aí a gente vai começar a trabalhar isso daí. existe essa categoria. Renato: Prioridade de uma RDS: Conservação ambiental ou fixação de desenvolvimento de uma população? Ronaldo Weigan: Assim. se vier a demanda da comunidade nós vamos avaliar.Não há muito interesse de vocês em apoiar a idéia? Porque está mais com os estados? Paulo Oliveira: Eu estou em um órgão público que está seguindo a lei. Renato : É essa a diferença? O tipo de exploração econômica tradicional não define isso? Paulo Oliveira: Não.Então fechamos o acordo. Renato : A primeira vez que eu ouvi essa diferenciação entre RESEX e RDS. “Vocês topam moçada. uma categoria.000 mil habitantes.

Tem essa coisa mais restritiva. categorias em que as posse e o domínio é do governo e tende a coincidir com as categorias mais restritivas. pra mim o SNUC perdeu a oportunidade histórica de preencher esse vazio no espectro e transformou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável numa coisa muito parecida com uma reserva extrativista. pra falar disso tinha que falar um pouco do como eu vejo o SNUC. quando você tem uma propriedade privada. não é assim que está no SNUC. ele apresenta um espectro bastante interessante de soluções. extraem seringa e tal. e aí. então assim. esses recursos muitas vezes se entrelaçam no espaço ou são móveis. é o caso de animais de caça. Renato: Qual a situação leva à criação de uma RDS? Ronaldo Weigan: Bom. Mas não foi assim que foi regulamentado. embora não seja sempre o caso. é uma coisa junto com a outra. para conservação de uma determinada área. até categorias bem pouco restritivas. a posse mais eficiente desses recursos nem sempre coincide com o mesmo espaço de ocupação. Só a conservação não cumpre o papel da RDS. é uma área onde há presença de populações tradicionais e ao mesmo tempo essa população é mais supervisionada do que numa RESEX. Deveria ser regularizada via projetos de assentamento. então ele tem o incentivo da propriedade pra o uso sustentável dos seus recursos naturais. eles vendem. compram. e pra mim faltava uma coisa aí no meio. nesse meio há estação biológica e reserva biológica. mas a conservação é um elemento fundamental. Ou seja. a indicação seria de regularizar a posse por meio de um tipo de posse comunal da terra.não é a categoria certa de regularização fundiária. até seringueiras lá no Acre. ou seja. não altere a característica básica deste ambiente natural e a população tem direito deste uso. Então.. com alguma utilização dos recursos naturais. os vários regimes de propriedade da terra deveriam proporcionar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. que ele sabe que o solo é dele e ninguém mais vai entrar ali e usar aquele solo que é dele. E aí nesse meio do caminho. Parque. embora seja bastante complexo. Numa outra ponta você tem a APA e RESEX. enquanto que numa reserva de desenvolvimento sustentável seria uma possibilidade realmente ter um parque com gente dentro. eu acho que o SNUC. de tal forma que essa utilização é sustentável. acho que tem que ter uma pergunta aí. projetos de desenvolvimento sustentável. estação ecológica. os sistemas de gestão deveriam ser realmente tradicionais. Se não tem conservação ambiental. em termos de utilização dos recursos. mais até do que realmente de proteger a biodiversidade. por que criou uma para seguir a outra? Mas antes de entrar nesta pergunta. Então é muito próximo de uma RESEX. se esse sistema inclui a prioridade de corte e a 254 .conservação ambiental. esse é o regime de propriedade dos recursos que recomenda a de sistema de posse e de acesso aos recursos. reserva biológica. Então. que seria uma APA. Entre a RESEX e o Parque. Ou seja. então nós temos um espectro de categorias muito restritivas. A propriedade da terra. que seria de promover uma gestão de desenvolvimento sustentável do território. Mas isso não quer dizer que é independente. mas ela é uma terra. você deve criar uma reserva de desenvolvimento sustentável quando você tem uma população que faz a utilização do ambiente natural.. até uma coisa mais liberal. que são móveis e é o caso de árvores de diversas espécies incluindo coqueiros de zona costeira. isso dá incentivo suficiente ao proprietário de conservar o solo. a seringueira se entrelaça no espaço. esses recursos que são distribuídos de forma misturadas no espaço. então é o caso de peixes. não através da categoria de unidade de conservação. a posse deles. Aí. Quando você trata de recursos extrativistas. e categorias que o domínio é privado e tende a coincidir com categorias menos restritivas. Aí. Uma reserva extrativista de seringueira não é comunitária. tem uma outra coisa que vale tanto pra RDS quanto pra RESEX. extrativismo. eu acho que o SNUC observa várias categorias. que prevê uma área comunitária. fica muito difícil de você fazer uma demarcação do usos desses recursos através da posse individual. E aí. ela é privada. mas que não exclui a posse individual dos recursos. Numa RESEX eu acho que a população deveria ter o direito de errar. aí a RDS. uma área coletiva de uso. quanto à utilização dos recursos.

no modelo antigo de RESEX você tinha sempre a assembléia da comunidade decidindo as coisas e encaminhando essas coisas por meio da associação ao IBAMA e que tinha área. a comunidade pegaria uma autorização de uso pra cada um dos moradores e aí os moradores estão sujeitos a uma supervisão do órgão e teriam instrumentos de participação da mesma 255 . qual seria fundamental pra você? Ronaldo Weigan: O SNUC igualou muito as coisas. Renato: Tem alguns “fundos de pasto” no Nordeste. a boca do búfalo.. Então. Então. mas é sempre dentro desse limite da sustentabilidade e sem a introdução de espécies exóticas. RESEX como RDS. tem o sistema de como criar posse comunitária no sul do país. de uma APA mais restritiva. quando se faz isso. o órgão gestor ficaria mesmo como gestor. tem uma comissão de extrativismo que dá uma posição final. mas que não tenha a ver com a manutenção do ambiente natural. e parece que se esqueceu dessa assembléia. Quer dizer. como por exemplo. não é própria comunidade que faz. acho que não precisa daquela. um outro tipo de uso coletivo. Então. pastagem.cuja principal função é conservação da biodiversidade. são unidade de conservação. é mais no sentido da utilização dos recursos de ocorrência natural. o quê que acontece? Hoje. O extrativista vem completarmente por outros recursos. não vejo muito aquela história de se falar da RDS de soja.. Aí quem faz o extrativismo pra eles é a boca do boi. Com o SNUC. e então. Já existe categoria para fazer isso que eles querem. pra mim a RESEX tinha que ser mais liberal e tinha que dar mais autonomia aos usuários. né? Isso. Que é o caso da RESEX Verde para Sempre. não seriam adequados? Ronaldo Weigan: Nem pra uma nem pra outra. eu acho que na medida em que eles não alteram a vegetação natural. Renato: Sobre a RDS. transforma a RESEX numa coisa meio parecida com o que deveria ser uma RDS.. onde uma pastagem comunitária. que teria mais o papel de supervisor. cada uma dessa RESEX passa a ter um conselho deliberativo. Ronaldo Weigan: “Fundo de pasto no Nordeste. etc. eu achava que tinha que diferenciar. Renato: Então vamos complementar: a diferença entre RDS e RESEX. basta que a carga seja dentro de um limite sustentável. deveria então outras formas de regularização fundiária e posse da terra. eles têm potencial para se tornarem unidade de conservação. fundo de pasto. No caso da RDS. um pouco mais liberal do que eu acho que deveria ser e a RESEX um pouco menos autônoma do que deveria ser.manutenção do ambiente natural com as suas características básicas. com composição local.. associação de usuários que recebe a concessão de uso. O quê que o SNUC fez? O SNUC deixou a RDS meio liberal. As equipes de uma RESEX.. agricultura. Então. então RDS podem ter essas atividades como forma complementar. Que o objetivo da unidade de conservação mesmo é a biodiversidade. porque essa responsabilidade ficaria muito mais a cabo da comunidade do que do órgão gestor. de fiscalização seria mais reduzida. teria que se levar em consideração só recursos extrativistas? Outros tipos de ocupação. na minha visão. é essa a situação que recomenda a criação de uma RESEX ou de uma RDS. que traz reserva extrativista RDS e se ele não tem necessariamente ele não está amarrado com a manutenção da característica básica do ecossistema. pra mim isso vai mais na direção de uma APA e não de uma RDS. a equipe de gestão. não teria que necessariamente dar concessão de uso para comunidade. Então pra mim. que deveriam ser supervisionados e cobrados de estarem fazendo uso sustentável. Daí tem algum terreno meio cinza no caso de utilização de pastagens nativas. ele tem indicações pra unidade de conservação. que tem os búfalos que utilizam as várzeas e tal. que talvez pudesse também ser regularizada dessa forma. mas não como atividade principal. da autonomia da comunidade e do papel fundamental da associação de moradores.

dos outros setores que utilizam as vezes os mesmo recursos ou querem substituir aquela superfície natural por uma outra domesticável e que vai contra a comunidade. e a RDS parece ser a declaração de independência de certos ativistas ambientais que querem trabalhar com populações e trabalhar sem a tutela do Conselho Nacional dos Seringueiros. sabe. Então parece que é uma utilização meio casuística. Ou então. Renato: Que saiu do SNUC. não é assim que está sendo empregado. o assédio.. elas tem que aprender muito com. e tudo. mas que começa a não suportar a competição. Renato: Relacionado a isso. o que é que eu faço agora?” De outro lado você tem a comunidade que utiliza recurso extrativista. né? Eu acho que também até mesmo no caso que várias solicitações são falsas solicitações autônomas da comunidade. Quando você olha para o que está sendo feito na RESEX e na RDS. as pessoas não conseguem dizer se querem uma reserva extrativista ou uma APA. que muitas vezes é ameaçado por outros tipos de ocupação da terra. Renato: O que existe são comunidades. Pescadores regionais estão sendo prejudicados por pescadores industriais.. povoados que muitas vezes querem se proteger de algum tipo de ameaça externa e querem criar um tipo de unidade de conservação que possa se adequar à situação.forma. Então eles acabam criando o RDS. ou de nenhuma. que realmente não dá pra correr o risco de decisões erradas. Isso vem muito de negociações posteriores etc. em inglês o encroutmant.. mas os fluxos de decisão seriam um pouco menos autônomos e com menor responsabilização da comunidade do que numa RESEX. Ronaldo Weigan: Eu acho que na verdade tem que ver do ponto de vista de quem está começando o processo. participariam do conselho deliberativo. no caso elas surgem de técnicos ou de certos ativistas ambientalistas. então por isso que a RESEX está muito associada com a comunidade que demanda. Na RESEX tem certa amarração na solicitação vinda da comunidade. Ronaldo Weigan: Saiu né? Mas tem uma tradição disso. mas onde as pessoas têm o direto de estar lá. no caso do extrativismo florestal. de uma forma. daí ele fala: “. para a conservação e então o objetivo de 256 . ou entram numa posição muito inferior dentro de uma economia de turismo e que a posse do território por meio de uma RESEX poderia colocá-los numa posição melhor em relação ao turismo.. ao invés da gente realmente dar uma identidade própria pra cada uma dessas categorias. Eles têm interesse na conservação e eles utilizam a conservação como bandeira. são lugarejos. assim. E aí a gente utilizaria essa maior supervisão pra permitir a permanência de pessoas onde a gente acha que o ambiente é frágil. de quem deve ser demanda pra se criar uma RESEX? São as populações? Ronaldo Weigan: Não. Agora. A diferença entre uma e outra. Então pra mim essas seriam as duas diferenças. Do ponto de vista do órgão ambiental ele quer proteger a área e daí ele vai pra área e encontra um monte de gente lá dentro. ou são ameaçados pelo turismo. por isso que a história de RESEX está muito ligada a isso. O que se observa. todos solicitar. Por exemplo. porque normalmente é uma comunidade que está afetada pela competição. Porque várias dessas comunidades diferenciaram muito da bandeira ambiental e criaram uma intenção de terra sob essa jurisdição ou algo assim. que é desproporcional à concepção do ambiente e que só foi conseguido com as suas alianças com o setor ambiental. das categorias. é que a RESEX está sendo empregada aonde existe uma ligação com o conselho nacional dos seringueiros.. dos movimentos sociais. a diferença entre uma categoria e outro. Então elas devem alguma coisa para o setor ambiental. ou uma RDS. E essa é a origem da RESEX.Bom. poucas tem utilizado esse conceito em si mesmo. é muito complexo.. Então.

Os índios tem um caso parecido. Tem que ter uma consulta elaborada. que é o plano de manejo que deveria ser estabelecido pelo SNUC. Você acha que RDS vai para o mesmo caminho? Ronaldo Weigan: Acho! Acho que pelo mesmo caminho. E aí. É um plano de manejo de uso múltiplo. que coloca assim. Renato: Você está falando de RESEX. não existe a visão de que o morador tradicional que não quiser fazer parte do regime também terá direito a indenização como ele teria se estivesse no parque. o que na verdade a gente ta tentando fazer é acomodar uma coisa com a outra. Mas como não é de todos. os interesses particulares de alguns moradores podem ser superados pelo interesse da sociedade e da população local como um todo. O plano de manejo das RESEX enfatiza muito mais a questão da extração do recurso..não uma concordância total. Porque as comunidades que aceitaram esse arranjo que era de interesse de fora. não só da terra.. você vai ver que elas conseguem muito menos hectares por pessoa.. só que depende um pouco também. Na RDS. Uma concordância que você tem mais ou menos no mesmo nível de uma RESEX. Uma concordância com a maioria da população. Mas aí esses interesses precisam ser compensados pelo setor público. os índios também utilizam a bandeira ambiental pra conseguir essa simpatia e então tem que dar um retorno para a sociedade. Renato: Agora. o SNUC deixa essa parte descoberta. É um plano de manejo florestal. Então. pra esses moradores terem o direito legítimo a esses interesses.. Tem que ter uma consulta e uma concordância. Mesmo porque o abaixo assinado nunca é assinado por todos e muitas vezes ele tem que ter assinatura de fora da tua população. nas formas de gerar receita. relacionado a isso. Porque na RESEX você tem um caso da tradição da demanda. a obrigação eu acho que é oposta. eu pensei isso agora. Então. Ela é uma coisa pra RDS. mas da qualidade de vida. eu acho que tem que ter consulta pública. e que os sem terras conseguem em termos de território em relação a sua população. você acha que tem que ter uma solicitação formal pra se tornar RDS? Dos moradores. eu não gosto de RESEX e você tem que me indenizar pra eu ir pra outro lugar”. a conservação é o objetivo básico. né? Não adianta querer envolver. não é só da tua população. Uma concordância total você não tem nem nas RESEX. mas agora quem deve para o desenvolvimento das comunidades são os ambientalistas. Porque você tem que pensar que a RESEX ela é criada pelo interesse público. acho que faz sentido isso.. que 257 . ninguém pensa nunca e eu acho que isso é o mais grave até. então também é meio complicado. mas acho mais grave do que o SNUC deixar essa parte descoberta é que existe a presunção de que o morador tradicional que não quiser fazer parte daquele regime. Se você for olhar proporcionalmente o que os seringueiros conseguiram em termos de território em relação a sua população. O pessoal não vai se comportar de uma forma que é. né? Assim. que condiz com a categoria da unidade. mas no caso da RDS quem deve o desenvolvimento pras comunidades é o setor ambiental. Se ele quisesse sair do regime.conservação já está amarrado. a RDS seria um caso mais complexo. Eu acho que o pessoal não está pensando muito no manejo das áreas. Ou seja. não é um plano de manejo da unidade de conservação.. Ronaldo Weigan: Eu acho que sim. essa obrigação. Então assim. enquanto que na RESEX quem deve a conservação é a própria população. porque está preocupado mais com o desafio da sustentabilidade social.. eu concordo com você.. “Não quero ficar aqui. da grande maioria. O importante é que eles estejam de acordo. Seria o caso de olhar bem essa questão da. Ronaldo Weigan: É. porque se você for ver. né. e não só naquelas populações como toda sociedade. não uma solicitação só.. Renato: Porque não existe concessão real de uso implantada e planos de manejo adequados.

pelo menos a proposta deles é o contrário.Eu critico. a especificidade de uma consulta pública pra uma RDS em relação a uma unidade de proteção integral é que você já sabe que existe uma população no interior dessa área e assa população precisa ser consultada de forma independente da consulta geral. que eu acho que o SNUC. E aí. embora eu tenha falado que para RDS talvez fosse o caso mesmo dessa tutela.. É isso que eles deveriam ter. Ela precisa ser esclarecida sobre qual é o modelo que ela está entrando e qual a disposição dessa população de estar entrando nesse modelo. o próprio CNPT estava seguindo essa receita que o IBAMA estava usando para as unidades de proteção integral.. Mas esse é um outro modelo que deveria ser um modelo com maior autonomia.Acho que não. Existia. Então acho que isso é grave.. pelo mesmo pela experiência verificada. que toda essa discussão que foi colocada aqui.. mas aí se for aí pode até botar área privada.. mas um plano de manejo que venha do setor florestal. Assim. numa área privada a desapropriação é necessária quando? Quanto mais se valoriza. É pegar o plano de manejo de que vem lá do setor florestal e jogar para Reserva extrativista. Aí depois você vai pra consulta formal... que era o Plano de desenvolvimento das RESEX. Entendi que. Renato: Não existe uma diferenciação clara entre plano de manejo para unidades de proteção integral e para as de uso sustentável. Renato: Você acha que RDS permite áreas privadas em seu interior? Ronaldo Weigan: Bom... De alguma forma. se for área de domínio público. antes do SNUC. Renato: Qual que seria a especificidade para uma consulta pública pra RDS? Ronaldo Weigan: É essa daí. Eu acho que a RDS deve ser uma área de domínio público como a que está defendendo no SNUC. Quando você fala de outras categorias de unidades de conservação que permite tanto domínio publico quanto privado.. é complicado. não é um modelo que gera o uso sustentável. enfim. são os recursos que não são explorados de forma tradicional. com as apropriações que forem necessárias.. o pessoal se perdeu no caminho. Tanto para RDS quanto pra RESEX. que tenha a presunção de uso sustentável é que deveriam ir pra esses plano de manejo específicos. então isso daí realmente ou é um erro forte ou é uma malandragem de quem redigiu. Acho que já tem a unidade de conservação e acho que não deveria ser a RDS. uma construção maior da unidade com a população local.. Então porque só esses que seriam necessários pra exploração de recursos. eu acho que o que permite unidade privada no interior é água... as comunidades estão sendo colocadas em um modelo que. 258 . Ou seja. eles são bem mais explícitos a respeito do caso do proprietário que não concordar em ficar lá dentro. que você chama pra todos os setores da sociedade e pega também representantes dessa população. acho que eles deveriam ter é um plano de manejo composto pelo plano de utilização e pelo plano de desenvolvimento. reflete justamente essa coisa que se perderam no caminho. Mas é um modelo que as comunidades vão ser tuteladas por um órgão ambiental ou fazer uso sustentável. Quando você tem que licenciar uma exploração florestal. Mas. de forma econômica. Ronaldo Weigan: Não. Acho que existe uma certa malandragem na interpretação daquelas vírgulas que tem lá. O SNUC faz referência ao plano de gestão. eles falam explicitamente. Não é um plano de manejo que venha do setor de unidades de conservação.na minha visão não é um plano que o SNUC faz referência. Em relação a esses planos de manejo e ao próprio modelo que tinha antes do SNUC. O pessoal do uso sustentável se perdeu no caminho e eles não sabem mais direito com o quê eles estão trabalhando. qual plano de manejo você tem que ter?. ter plano de manejo específico pros recursos que decidirem explorar de forma não tradicional. Eu acho que tem que ter um envolvimento maior. além da consulta normal. quer dizer.

eles até de alguma forma se orgulham de serem unidade de conservação que tem propriedade dentro. pra deixar mais claro. Porque você tem a categoria de gestão conjunta. Ronaldo Weigan: É em algum momento ele tem que decidir. Renato: Qual a desvantagem? Ronaldo Weigan: A desvantagem é a não segurança de que isso vai persistir no futuro. mas a RPPN que tem que partir de uma decisão. tem um conceito de propriedade que eu não sei se no Brasil está se aplicando esse conceito. porque não está muito explicito. Bom. Por isso que eu acho que eu não sei bem se seria o ideal mesmo ter um proprietário no interior. então eu vou dizer que a gente não perde nada em deixar uma propriedade privada lá dentro. ou da certidão florestal. Ele criou. o que você começa a ter é uma RPPN dentro da unidade de conservação. mas ele não faz o que quiser. aí é totalmente compatível. Se ele quer ficar lá porque ele não vai mudar a cobertura vegetal.. no fundo. nem é isso. Porque essa terra é dele e isso pode excluir qualquer pessoa do uso. propriedade é o direito de impedir qualquer outra pessoa possa fazer qualquer coisa com aquela unidade. e aí o proprietário daqui a 15 anos ou 10 anos ou 5 anos. estabelecimento de um termo de compromisso. A propriedade é o direito de exclusividade daquilo. Então nesse sentido ele poderia estar lá. ele é um negócio dúbio mesmo. se a gente for por esse lado do contexto de propriedade privada. Mas que garantia que ele dá pra gente? Então. Eu acho que precisa de regulamentação pra dizer isso. Ronaldo Weigan: É. o que é isso? Propriedade é o direito de fazer o que quiser com o recurso? Não.Renato: Mamirauá. Você tem a categoria de gestão individual que é a RPPN. acho que precisava ter uma averbação em cartório. Tem que pensar bem como em que caso o proprietário pode ficar dentro da área. Ninguém entra. como é um mecanismo da reserva legal. E aí também tem sua categoria própria. de uma vontade explicita do proprietário da terra. você estabelece um arranjo.” OK! Mas o que ta na hora da gente começar a amadurecer em termos de direito ambiental e de direito coletivo é que lá dentro ele não manda sozinho. qual o estímulo que ele deve ter pra permanecer dentro do regime e qual não é se você for permitir a propriedade dele. Ele pode até vir a criar a RPPN. Porque o direito dele é o direito de excluir e não o de fazer. em que caso ele não pode. ele entra onde você cria ao redor dele e fica totalmente limitado. O direito de propriedade é esse. Assim. Ou seja. Renato: E o que tem ocorrido na prática é que os proprietários não têm sido consultados. Renato: De responsabilidade social da propriedade? Ronaldo Weigan: Não. quer dizer. ele tem que seguir o plano de manejo e a única coisa que acontece é que a comunidade não pode usar a terra dele. aí é complicado. E aí é necessário desapropriar a área. ele quer explorar a propriedade dele normalmente. Que no fundo. ou da RPPN. ele ta lá dentro. o quê que é a propriedade? O sistema de propriedade da terra. e eu falo dele até pra advogados e os advogados arregalam o olho. Mas acho que uma averbação. Ronaldo Weigan: Agora. Não importa quanto limitado que esteja. que é a APA. E aí. Ronaldo Weigan: Pode ser essa origem. Renato: No Brasil conceito de propriedade exacerba os direitos do dono. tá claro que não é. não quer mais fazer parte desse arranjo. resolveria. Renato: É. quando você começa o trabalho de criação de uma RDS. Então.. mas que não quiseram deixar de forma muito explicita. dizem que é uma unidade que tem propriedade e isso não causa problema. “-Aqui dentro ninguém se mete. Então o quê que é? Bom. tem uma tradição feudal da propriedade. 259 .

O que o estado ta falando é que a propriedade é o direito dela de excluir outras pessoas do que aquela terra pode lhes dá.. acha que a RESEX é uma categoria 6. e que hoje elas estão numa situação de insegurança. por exemplo. coisa desse tipo. Por outro lado. Ronaldo Weigan: Quais são os pontos positivos de ter a propriedade privada no interior? Você gasta menos dinheiro com desapropriação e você pode desenvolver algumas propriedades mais amigáveis no processo voluntário de criar uma área bem maior do que criar uma RPPN gerida individualmente. é que eu vejo que o Cláudio Maretti. Renato: Você acha que possível criar uma RDS para populações recém chegadas a uma região? Ronaldo Weigan: Acho. Para ter aderência do proprietário. inclusive essa marginalidade gera o comportamento mais predatório do que se elas estivessem seguras. você não pode. marginalidade. Ao contrario do que muitos ambientalistas pensam.. Na hora que ele começar a estragar ele não é mais tradicional. precisa garantir uma parte dos interesses dele dentro da área. né? Tem prós e contras aí. Eu acho que isso tira um pouco da identidade da RDS como unidade de conservação. Tem que dar uma olhada. existem normas para uso e ocupação que são definidas pelo conselho gestor.. Não é. RDS por exemplo. você descaracteriza o que eu acho que deveria ser RDS que é um parque com gente dentro.. Mas eu acho que seria muito importante que a gente tivesse uma categoria que fosse um parque com gente dentro. Não existe ainda um instrumento definido pra gerar segurança em longo prazo. E colocar essa que seria o parque com gente dentro e ter a RDS que seria uma APA um pouco mais restritiva. Renato: E você acha que a RDS poderia ser esta unidade? Ronaldo Weigan: Poderia ser. Mas o que é o tradicional para os ambientalistas? O tradicional é aquele cara que não estraga a natureza. ela poderia se prestar a esse papel.Até acho que era estratégico se a RDS assumisse esse papel no espectro de unidade de conservação. Você pode dizer que o estado ta tirando os direitos de propriedade? Não. Na medida em que se começar a ter grandes pastagens. O tradicional estraga a natureza tanto quanto o não tradicional. aí que ela vai ser sustentável. Elas poderiam ficar indefinidamente nesses lugares. A não ser que a gente tenha que criar mais uma categoria. Acho que isso é uma coisa que a gente tinha que ir trabalhando com o tempo.Renato: Se você tem uma propriedade e dentro dela tem uma área de preservação permanente. Com grande supervisão governamental. Porque aí a gente resolveria o problema de várias unidades no Amazonas se fosse readequado pra categoria em que a população tenha um impacto mínimo na área e se fosse supervisionada. E não o direito de fazer o que quiser com a terra. Ela é 4 ou 3. E a questão da sustentabilidade não vem da 260 . uma plantação de soja lá dentro. E essa parte do interesse dele pode envolver usos que não têm nada a ver com a conservação. E essas normas vão se constituir no plano de manejo ou no zoneamento e esse tipo de instrumento é muito pouco reconhecido pelos proprietários rurais. O que compromete grandemente a característica da unidade. Ronaldo Weigan: Então. Renato: O que complica um pouco mais na pratica é que no caso de reserva de uso sustentável. certo? Isso é mentira. quais são os pontos negativos? È não ter uma segurança em longo prazo. o estado limita o direito dele em vários aspectos. Uma outra questão também. Se ela achar que ela vai ser expulsa daqui a 5 anos ela detona. De poder realmente chegar nessa solução e resolver o nosso problema em uma série de unidades. O tradicional do SNUC é muito malandro também. Se ela tiver visão de longo prazo na área.

aprenderam a cortar seringa. se for demonstrado que o recurso natural sobre o qual eles fazem a sua utilização é um recurso de utilização que não substitui a cobertura vegetal nativa. não é tão problemático. E vários desses caras do sul começaram a virar extrativistas. E várias vezes esses colonos começaram a ter colocações de seringa dentro da área. não substitui o ecossistema original. mas assim. Isso são coisas interessantes. soldados da borracha. Mas nos anos 80 era uma boa parte. lá no projeto de assentamento do INCRA que foi construído de uma forma bem diferente. É mais arriscado.. entendeu. outros a semana l fora e assim eles completavam uma estratégia com a outra. essa questão de realocação de populações dentro de unidades de proteção natural. se eles vão ser honestos de que eles querem usar só aqueles recursos ou não. é mais complicado. por exemplo. ou o pessoal que tenha essa característica de recém chegado. Nós temos no Ceará. Mas o que acontece? Tinham algumas reservas extrativistas um pouco maiores. Mas o que eu acho problemático seria você falar assim: “Vamos”.tradicionalidade.” Mas aí eu também já vi lá em Rondônia o pessoal do Paraná que tinha lá no entorno. Com dez anos começaram a cortar seringa. através de que fique garantida a concessão real etc. que tinha todos os colonos morando na periferia dessas áreas. Se o uso é compatível e o tipo de posse dos recursos é um tipo de posse que é favorável ao sistema de posse comunitário da terra.. 261 . Tem que ver se o uso que eles fazem é compatível com a conservação da biodiversidade como unidade de conservação. O que é que você vai falar?Que os caras são tradicionais? “Não. Essa distinção de tradicional é complicada. você não precisa tirar os colonos e manter só a população tradicional. fazem extrativismo e do lado de fora eles fazem a implantação de colonos convencional. Então eles entram dentro da área. a utilizar os recursos extrativistas e se integrar com a comunidade mais tradicional.O que eu estou querendo dizer é o seguinte: você vai criar um UC. ele é problemático. reservas condominiais. que vieram de outro lugar. e complementavam uma coisa com a outra. mas tem alguns colonos entre a população que estão ocupando o lugar. foram tradicionalizados pelo ambiente. Renato: Exclusivamente os recém chegados? Ronaldo Weigan: Exclusivamente os recém chegados se eles tiverem. mas de sistemas de instituições de extrações coletiva que controlam o uso dos atores que estão tentando no seu máximo viverem disso. ele é arriscado. naquele mesmo ecossistema que ele sabem. você não sabe se o pessoal vai ficar só naquele uso. em torno de 18. Você pode incorporar os colonos.000 ha. se aposentar.. à gestão e eles vão estar sujeitos às mesmas sanções. aí eu acho que vale a pena. Eles agruparam todas as reservas legais em reservas condominiais.. Quando o Estado não promove mais de uma audiência no lugar não sabe qual é o uso que vai se dar lá. Então os proprietários rurais perderam 50% da propriedade. eles ficaram. podem aí sim favorecer. É esse o caso arriscado: você não sabe as relações que vão se estabelecer. Acho que é como eu falei. E o que aconteceu? Essas reservas condominiais foram refúgios dos extrativistas que correram lá pra dentro e ficaram lá e tomaram posse individual daquela reserva. Agora os caras estão começando a morrer. É bem diferente o pessoal ter uma cultura que já se consolidou ao longo do tempo e que sem intervenção do Estado eles já fazem esse uso. no Acre a maior parte dessas pessoas mais velhas são os Raimundos do Ceará. para ver se as pessoas nesse lugar. ao mesmo tempo em que o IBAMA não estava aceitando as reservas condominiais como comprovação de reserva legal. Daí o governo de Rondônia veio e criou reservas extrativistas.Então tem que ser analisado caso a caso. tinha uns que passavam o fim de semana lá dentro. aí eu acho que poderia. Você pode conseguir uma área fora para a população.

Renato: Turismo convencional? Ronaldo Weigan: Turismo que tenha como base a conservação. Acho que estudar qual o impacto ambiental sobre o objetivo principal da unidade que é a qualidade de vida e conservação da biodiversidade.3 do interior da RDS que não participaram da criação/gestão da RDS. De forma complementar e desde que não causasse muito dano. 4 do entorno e 5 moradores que participaram da criação/gestão da RDS. Renato: E mineração? Ronaldo Weigan: A mineração é um caso específico que não teria como base a conservação. Ronaldo Weigan. continuidade (“usam as mesmas tradições”).Renato: Que tipo de uso pode ocorrer numa RDS? Você já falou um pouco sobre isso. Que dependa da atividade de conservação. nativo s Atividades econômicas – base é plantação de mandioca para fabricação de farinha. mas também plantam outros cultivares e a praticam a pesca 262 . né? Eu colocaria fora dessa minha classificação. ENTREVISTAS ESPECÍFICAS RELACIONADAS AOS ESTUDOS DE CASO: I. Renato: Mas poderia? Ronaldo Weigan: Acho que sim. Acho que todos os usos que tenham como base a conservação. Tradicional adquire significado de antigo. Se você faz mineração de um jeito que causa impacto na biodiversidade você não deveria fazer. RDS Mamirauá: Relação dos entrevistados: 1 Sociedade civil organizada -coordenador do Conselho Indigenista Missionário a Região do Médio Solimões e Pastoral da Criança 2 órgão gestor responsável pela RDS . Sistematização dos Questionários Aplicados MORADORES DO ENTORNO: Numero comunidades – todos os entrevistas não responderam esta questão Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – consideram que são tradicionais.Marcelo Marchesini – Diretor Técnico da Autarquia Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Estado do Amazonas e Francisco Ademar da Silva Cruz – Secretário de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas 1 Órgão municipal – Secretário de Produção do Município de Uaruni 12 Moradores . E a biodiversidade e forma sustentável. mas de uma maneira mais taxativa.

Impacto da RDS no futuro – melhorar a situação dos moradores. dar mais confiança no trabalho. Foi citado regras da comunidade. durante oportunidades como assembléias e reuniões. outro disse que a falta de alimento motivou a criação da reserva Como foi o processo participativo – houve convite do “projeto” e da paróquia para participar. Objetivos da RDS – as respostas para esta questão apontam como objetivos da RDS a melhoria da qualidade de vida das populações sua organização e envolvimento. MORADORES DO INTERIOR QUE PARTICIPARAM DA CRIAÇÃO DA RDS: 263 . o impacto citado ao longo das entrevistas foi o aumento da disponibilidade dos recursos naturais utilizados pelas comunidades. exceto um . melhorar qualidade de vida das comunidades. comunidades com mais conhecimento. Prioridades de gestão – organização das comunidades para manter os recursos naturais para o futuro. proporcionar conhecimento para as comunidades. que fazem o que querem. para ajudar na organização da comunidade. para adquirir conhecimento Quem participa – as comunidades. Critério para definição do tamanho e o desenho –ninguém sabe responder esta questão Porque RDS – a única resposta para esta questão identifica RDS como uma categoria estadual e diferencia da RESEX por permitir o uso das recursos por moradores do entorno. Relação comunidades entorno e interior – atualmente o conflito é menor. quando tem proprietário. com a sede dos municípios. pois no inicio do processo não havia organização comunitária e hoje há. Os espaços de participação são os mesmos para os moradores do entorno e do interior da RDS. câmaras de vereadores. Há citação de que a RDS possibilitou aumento do conhecimento para quem assim o desejar. Apoiadores – igreja católica. Conflitos – Houve conflitos com invasores. Dizem que foi um longo processo para criar a UC. Há entendimento de que a participação pode levar a união dos moradores. Titulo de propriedade – dois citaram proprietários das terras onde moram. Citam que a comunidade tem que estar junto para conservar.Regulação uso e posse das áreas – dizem . Grupos sociais que não apóiam/apóiam – não apoiadores: igreja evangélica. Parece que já houve conflitos Criação Participação – nenhum participou da criação da RDS. O entendimento é que a conservação faz com que os recursos naturais não escasseie. E há ainda associações que existem mas não funcionam. e também o temor de que a UC fosse desalojar os moradores. Apoio das comunidades – nem todas apóiam. definidas de acordo com o comportamento do sócio. IPAAM Impactos da RDS na vida – em geral. Apontam como condição para o apoio o entendimento e aceitação dos objetivos da RDS Implementação Participação – todos participam. que entrou na área quando o processo já havia se iniciado O que sabe sobre o processo – motivos. Organização das comunidades – há comunidades organizadas e não organizadas. IBAMA . demanda : A demanda partiu da prelazia e do “Mamirauá” (Sociedade Civil). Entendimento sobre conservação/ações para – todos citam que a conservação pode melhorar a vida deles. Citaram problemas de representatividade. governos municipais.

Quando há organização o relacionamento é bom e há respeito pelo zoneamento. Aqueles que responderam apontaram como objetivo a promoção da qualidade de vida dos moradores. e incentivado por “pessoas que vieram e procuraram conhecer os problemas daqui” (equipe do projeto mamirauá). Atividades econômicas. assembléia . Motivação para criação. mas não pensavam em criar reserva”.A associação é citada como quem regula os trabalhos na área. “ as comunidades já existiam.Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – quem reconhece que são tradicionais argumentam que tem uma identidade cultural ou que “são organizados”. como se fosse “dona”. 264 . Relação comunidades entorno e interior – em geral consideram que o relacionamento é bom. que define áreas de uso e de proteção. Os que dizem donos é por usufruto. mas com certeza ficaria mais aliviada”. O processo participativo foi vagaroso. criação. “ se a gente deixar como estava estaria muito pior que hoje por isso pensaram em proteger”. “houve. Titulo de propriedade não há documentação . Há citação de que hoje há menos conflitos.Há quem se identifique como tradicional pela identidade cultural. onde conquistaram apoio das comunidades. tem mais recursos.“ a proteção do macaco Acari”. Inclusive um entrevistado citou o estatuto da associação numa comparação implícita com o titulo. reunião. Como foi o processo participativo – todos comentam que no inicio foi difícil “muitos não entendiam”. Apoio das comunidades – em geral as comunidades apóiam “pois esta aumentando os recursos”. manejo florestal. apesar das comunidades de “fora” não terem acesso tão amplo aos recursos. “é bom porque podemos aproveitar o que temos. Entendimento sobre conservação/ações para –a conservação é entendida como um instrumento para que os recursos se “multipliquem” “não podemos desmatar a mata para que os animais possam sobreviver”. As causas deste conflito são identificadas como “falta de entendimento” por parte de alguns moradores. Mas existem comunidades que são contra.plantio. É freqüente o reconhecimento de que atualmente as comunidades participam mais e que houve muita consulta.” Critério para definição do tamanho e o desenho – ninguém sabe responder esta pergunta Porque RDS – aqueles que responderam justificam a categoria porque ela permite moradores “ acho que é porque pode ter pessoas dentro da reserva”. mas as pessoas que não queriam era porque não entendiam. “ acho que é porque facilita mais a divisão da área”. e um deles citou a Igreja “ a paróquia já trabalhava com a preservação antes de ser reserva”. Houve uma resposta que reconheceu que foi a comunidade que quis preservar a partir do momento que “conheceu como usar”.” Citaram o trabalho de educação do projeto e também ações relacionada ao lixo Organização das comunidades – a informação mais recorrente é que existe a organização em muitas das comunidades mas nem todas funcionam.” Objetivos da RDS – A maioria dos entrevistados não sabem responder esta questão. Criação De quem partiu a demanda – aqueles que responderam citaram o pesquisador Marcio Ayres ou o “Mamirauá”. pesca. Houve uma resposta que identifica a RDS com o Instituto Mamirauá: “ são os trabalhos feitos pelo IDSM e apoiando os trabalhos desenvolvidos pelos moradores”. “ RDS é melhor pela forma de gerenciamento. “ se todas as pessoas se empenhassem as coisas poderiam até não melhorar . Regulação uso e posse das áreas – Exceto um entrevistado. “ falta de peixes nos lagos”. Há colocações a cerca de mudanças e portanto não podem ser tradicionais. A pesca é a atividade principal. Conflitos – o conflito citado à época de criação da RDS foi quanto à aceitação e apoio à mesma. todos citaram o zoneamento.

não sabem responder.não sabem responder Apoio das comunidades . Conselho gestor – as respostas à esta pergunta apontam para um processo de criação em curso ddo Conselho gestor. caça e plantação. Plano de manejo – todos afirmaram que o plano de manejo existente foi realizado com muita consulta e participação das comunidades Prioridades de gestão – envolvimento das comunidades / criar conselho deliberativo / conquistar mais apoio das comunidades para a preservação/ melhorar a vida das comunidades Grupos sociais que não apóiam / apóiam: contra – prefeituras.sem interesse.não sabem responder Processo participação . grupos e comunidades de base. dizendo que é bom Organização das comunidades – nem todas Relação comunidades entorno e interior –convívio bom Criação Porque não participou . Entendimento sobre conservação/ações para – respostas vagas. Demanda para criação– não sabem responder Motivo para criação . APAAM. maior consciência. IBAMA . A favor – Igreja católica. Regulação uso e posse das áreas – não sabem falar sobre o Zoneamento. Citam o “Mamirauá” como regulador do uso e posse das áreas Titulo de propriedade – ninguém conhece titulo de propriedade na área. Os mecanismos utilizados são reuniões . mais conhecimento.Implementação Participação – todos participam de uma forma ou de outra: trabalhos voluntários. Um dos entrevistados disse que “passou um pessoal dizendo que ia ser reserva. encontros. sem conhecimento. “cada grupo organizado tem direito a participar”. Fase de implementação: as respostas foram todas diferente. Impacto da RDS no futuro – melhoria da vida das pessoas. mas é porque não participam.não sabem responder Objetivos da RDS . sem disponibilidade. mas que ainda falta muita coisa. De um modo geral consideram que esta num estágio avançado de implantação. Alguns não se sentem representados.” Impactos da RDS na vida – tornar a atividade econômica legal “pescar de forma ilegal e depois fazer a coisa legalmente”. assembléias.” Conflitos – apenas duvidas Critério para definição do tamanho e o desenho . Quem participa – participam as comunidades organizadas. mas não participamos. acesso á mais recursos materiais. reuniões. “ tinha muita gente que não apoiava e agora apóia.nem todos apóiam Implementação Participação – não participam freqüentemente 265 . MORADORES DO INTERIOR QUE NÃO PARTICIPARAM DA CRIAÇÃO DA RDS: Numero comunidades – sem respostas Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – não sabem dizer porque sim Atividades econômicas – pesca . formação.não sabem responder Porque RDS .

mas a permanência da homem na terra é outro foco que estão aliados. Qual a prioridade de uma RDS – tanto a conservação ambiental quanto a melhoria da qualidade de vida da população foram apontadas como prioridades. terá futuro”. Marcio Ayres. Marcio.Quem participa – não sabem responder Prioridades de gestão – a única resposta referiu-se à importância da RDS porque “os recursos alimentam” Impactos da RDS na vida – as respostas não se referiram á impactos. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família. casas isoladas. Novamente as respostas retratam a concepção de conservação relacionada à disponibilidade de recursos naturais para as populações. o que justificaria a criação da unidade de conservação– “a criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. “podemos dizer que é uma sugestão de Dr. Grupos sociais que não apóiam/apóiam .” Entende que esta categoria “respalda o desejo das comunidades que justamente é a questão do uso dos recursos naturais de forma sustentável (. um estar interligado ao outro” 3. Histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC – A única resposta relata que a categoria é fruto da RDSM. estão interligados.não sabem responder ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL LOCAL: 1. se não tiver uma quantidade de recursos naturais que possa garantir a sobrevivência desses povos.” 266 . sem devastar. Mas a conservação é entendida como um meio para garantir os recursos naturais o que denota que consideram como prioridade/objetivo desta categoria a qualidade de vida da população afetada pela implementação da UC : “ conservação ambiental ela é importante é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais” . proposta pelo Dr. A sigla RDS é originada de Mamirauá. devido sua longa experiência de campo ajudado pela sua equipe técnica. “principalmente na Zona Rural nas comunidades ribeirinhas os ribeirinhos e os povos indígenas. Modo de ocupação humana que justifique criação de uma RDS – quem respondeu descreveu como é a ocupação na região – ribeirinha. a questão da preservação é um foco. dificilmente essa questão da qualidade de vida. a fixação do homem.. Outra resposta relaciona a criação da RDS com a demanda da população em função da escassez de recursos. exceto um entrevistado que reclamou da agressividade da fiscalização Impacto da RDS no futuro – respostas conflitantes: sim/ não/pode ser. “eu destaco que os dois objetivos.”. “propiciar as pessoas que vivem naquele local. com ênfase na “disponibilidade (a população) em participar desse processo de construção de decretação e de implementação de Políticas”.a afirmação é que a RDS deve ser criada em situação de presença de “ser humano” e “onde tem ainda recursos que devem ser mantidos para população futuras”. assim como a concepção de desenvolvimento sustentado: “porque é com este desenvolvimento Sustentável que vai trazer melhoria para as comunidades e para o Município.) “ 2.. Porque ou em qual situação criar uma RDS .” 4. comunidades. mas que representa um trabalho das comunidades ribeirinhas que estão incluídas na Reserva Mamirauá e Amaná para criar essa nova modalidade. viver condignamente. E que acaba se espalhando por vários cantos dessa região e do País.

.. o povo foi contrário a criação de algumas unidades de conservação por falta de mobilização local... Situação ambiental que justifique criação de uma RDS – novamente a ênfase é nas necessidades de recursos naturais disponíveis para a comunidade : “quando a comunidade sente que seus recursos estão sendo ameaçados por alguma atividade.) porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recurso de maneira formal. bem como das autoridades municipais.) “ estar observando algum aspecto importante e específica daquela região.) .. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro.. a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte” (. os municipais. “Eu acho que as demandas devem partir das comunidades o envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante (.. pois “ tem que haver concordância para que a reserva dê resultados”. O governo tem trabalhado na região e nós temos criticado.) um bem prioritário..beneficia um grupo de pessoas como 267 .” E a demanda da população nasce escassez dos recursos naturais. 8. Ela só é um ato público de referencia a uma proposição de UC e eu vejo que é extremamente importante as discussões preliminares. (. os grandes lagos. uma discussão prévia dos assuntos. Diferenças entre RDSs e RESEXs – ver tabela. Mas houve resposta que valorizou a diversidade biológica – “a necessidade de conservar (. 7. buscando consenso.” 6.todos afirmam que a demanda deve ser da população.) em anos anteriores o Governo perdeu algumas discussões. Demanda para criação de uma RDS/ concordância formal dos moradores .) isso vai partir muito dos estudos Biológicos”.5. De modo geral concordam que ambas tem por objetivo beneficiar as populações.) me parece ser o item final de uma grande mobilização.. mas não tem uma noção de fato do que estar se querendo proteger.(.. tem a grande mídia ou são aliados de alguns políticos”. (. que envolve as comunidades assim como a discussão dos representantes na audiência pública” 9. Áreas privadas em seu interior/ vantagens ou desvantagens dessa situação – A propriedade particular é identificada como interesse particular e com pessoas com mais posses e poder econômico: “ esse pessoal são os que tem recursos financeiros. pois ela deve envolver as instituições locais.. “. é claro que tem outros aspectos a floresta.. considera importantes os estudos biológicos para criação da UC: “muitos companheiros tem dito: vamos criar uma Unidade de Conservação Aqui e tal.. pois “a tendência é que o menor trabalhe para o maior”.. por outro há quem reconheça o direito de propriedade e a necessidade de ter estes proprietários como aliados da Reserva: você acaba criando outra situação.. Isso é importante num primeiro momento. levado criticas sérias ao governo tanto estadual como federal: é que muitas vezes as audiências públicas estavam com data marcadas. ou abandonados”. de um grande envolvimento comunitário. dificilmente essa Unidade vai sobreviver. ela também é uma falha que estamos acompanhando. Se por um lado há o temor de que a propriedade particular pode vir a prejudicar os moradores.” Neste sentido. estaduais que estão na região e representantes do povo das várias associações” Concordam também que deve haver um trabalho de mobilização anterior à consulta publica: “Eu acho que a consulta pública é essencial e esta deve partir de uma mobilização anterior. “ um dos bens que eu digo que é importante é a questão do pescado. a própria água e animais e outras coisas. já chegava com uma proposta formada e o pessoal repassava isso na audiência publica. que área que tem que ser preservada (. mas não teve uma mobilização anterior. Consulta pública para criação de uma RDS – Concordam que a consulta publica é fundamental para o envolvimento da população (moradoras e entorno). esse pescado gera recursos para as comunidades e que podem sobreviver disso.

Houve relato de que atualmente alguns ex-moradores estão retornando em função do aumento de disponibilidade de recursos. Esse é um conflito local que as comunidades é que tem que resolver isso. Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda. que haja discussões exaustivas e decisões consensuadas. e portanto as respostas a esta questão são semelhantes à anterior: “ mas a lógica inicial é que as terras devem ser coletivas daquelas comunidades. como a educação.) essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC. Tipos de uso / atividades com maior potencial – Concordam que pode existir . saneamento básico. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem ser desenvolvidas. têm claro o que deve ser feito. Médias e grandes propriedades são consideradas sempre particulares. “ 12.conselho deliberativo – deve ser paritário : “ (. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído.. Médias e grandes propriedades – Não há base legal para esta definição. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida... “ O plano de manejo foi citado como instrumento para definir permanência ou não de proprietários privados no interior da RDS. saúde..) e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmoniosidade. o que pode e o que não pode (. isso cria um teor como a dificuldade de emprego e geração de renda escassa na cidade. E aí quando se criou as UCs.) eu diria que garantir a participação paritária de quem ta lá na UC e de quem vai trabalhar com essas unidades. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando tava ruim você foi embora. O plano de manejo deve definir isto: “ mas me parece que dentro de uma UC. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária. Não há base legal para esta definição e o plano de manejo pode ser um instrumento. O grande colegiado é o essencial hoje para que as coisas funcione. Nos últimos 10 anos foram criadas UCs e quem ficou no local lutou por essas unidades. agora que ta bom você retorna.você cria uma inimizade com essas pessoas (..” 13. que devem ocorrer no órgão gestor.Concordam que a gestão deve ser com a participação dos moradores. se isso não acontecer é uma instituição que vai acabar dominando. tem olhado com mais carinho. a concessão de uso deve ser para as pessoas que vivem lá” . Aqui o Mamirauá é exemplo disso. Gestão da RDS. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem. 11. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares. Houve proposta de que o órgão gestor.. desde que sejam usos sustentáveis e não sejam impactantes. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. Ocupantes recém-chegados à área – Há quem discorde e quem considera que os habitantes locais decidem a este respeito.” 268 . atividades que possam gerar renda dar sustentabilidade a própria comunidade (... e manter assim um teor de discussão participativa. os estoques pesqueiros retornaram. Mas a tendência é pela não presença destes proprietários. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. as Políticas Publicas tem voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. isso é um trabalho de muita gente.) e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação.trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando. ta levando o retorno daquelas famílias para as UC. 10. o que potencialmente gera conflitos: “ ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada.

propor. (. que um não leve vantagem sobre o outro mesmo na questão do conhecimento (. pois há muita discussão e envolvimento da população moradora. e portanto não há como questionar . houve sugestão de que os conselhos gestores devam ser paritários. se o poder Municipal vai entrar com representante que uma ONG que esteja mais próxima.). Apesar de não haver definição legal. sejam eles dos poderes públicos que vai implementar políticas públicas. só para referendar o que a lei pede e acaba não gerando nenhuma discussão nem da comunidade nem do próprio governo 15. inclusive para que ela fosse incorporada no SNUC. vai acabar se criando um “OBLOGO”. Me parece este um bom exemplo que temos na região onde a população local da UC pode sentar discutir..) o comitê gestor tem que ser enxuto e com pessoas que possam representar os vários anseios. 16. enquanto quem sabe sobre RDS é o governo dao Amazonas. isso é um bom exemplo a se destacar. sejam eles dos moradores da UC.... tem muitas coisas que as comunidades aqui assumem e o estado assume as dele. Houve comentários de que o governo estadual cria unidades mas não as assume como deveria. Agora tem que ser uma coisa que garanta a paridade.) um bom exemplo me parece que as Assembléias das comunidades que tive a oportunidade de participar em Mamirauá e Amaná é um negócio belíssimo de discussão. para sua criação e implementação.. Muitas vezes o Estado acaba não fazendo sua parte. 17. de convivência. mas com numero limitado de pessoas: se o Governo tem um representante que a população local tenha outro. de amizade e de proposição de políticas. depois deste esforço. encaminhar e assumir compromissos.14. O governo federal criar RESEX por que é o “que tem conhecimento”. Conselho gestor – Concordam que conselho gestor deve ser composto principalmente pelos moradores e pessoas beneficiadas pela Reserva. Reclassificação – Quem respondeu considerou que as unidades de conservação da região foram fruto de anos de discussão. “ (. 269 . Governos estaduais/ governo federal – O que se relatou é que o governo do Amazonas foi quem assumiu esta categoria. Também. também tenha um acento e assim sucessivamente. mas as comunidades fazem as suas. Sem essa questão participativa nem o conselho nem a UC vai funcionar. a categoria.. monstro que se cria. assim como as prefeituras municipais também não as apóiam. Bons e maus exemplos de RDS – Quem respondeu à esta questão citou a RDS Mamirauá e RDS Amanã como um bom exemplo..

5. começasse a preocupar os menores. 12. Quando o comunitário se sente ofendido cria-se essa necessidade imediata. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Na verdade ainda não parei para formar uma opinião. 2. Local da entrevista: Cidade de Uarini Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Propiciar as pessoas que vivem naquele local. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Desde que tenha um consenso das pessoas que já vivem lá e decidam que isso pode acontecer. mas conscientes de sua importância de se criar uma reserva. O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. 7. mineração. 270 . 6. mas desde que venha a beneficiar a população residente. Pode até incluir o turismo desde que não venha a trazer impacto com este empreendimento. ambas são importantes. 11. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? A criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. Data da entrevista: 18 de fevereiro de 2005. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Pediu para não responder a primeira questão por não ter conhecimento sobre a mesma. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Em se tratando de reserva. sem devastar. e não é interessante. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Quando a comunidade sente que seus recursos estão sendo ameaçados por alguma atividade. Tem que haver concordância para que uma reserva der resultados. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Eu diria que não. porque quando se trata de por em uma área de reserva interesses particular. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Não por questão que já comentei na resposta anterior. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. pecuária extensiva. ou abandonados. 3. 10. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? A demanda é criada pela escassez ou pela retirada predatória daquilo que a natureza criou.Entrevistas ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL: Entrevistado: Adevaldo Antônio Campinas Santos: Secretário de Produção do Município de Uarini. viver condignamente. 4. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? É necessário que antes de criar que as comunidades estejam não só preparadas. essa deve prever a sustentabilidade das pessoas que vivem lá. 9. 8. a tendência é que o menor trabalhe para o maior. Que tipos de consulta pública devem ser feitos antes da criação de uma RDS? Torno a frisar que é necessário que toda a sociedade esteja consciente seja envolvida para que saia um consenso.

13. pecuária extensiva. que veio mais vezes visitar a reserva que mesmo o Governo estadual . 11. 12. Como deve ser composto seu conselho gestor? Com membros da comunidade que estar sendo beneficiada. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Com a consulta e a participação das pessoas que vivem nela. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Das comunidades com suas necessidades. mas que não seja autoritário. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Não. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. com pequenas coisas para melhorar. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Pelos moradores e autoridades dos Municípios. Não 10. que seja discutido exaustivamente com a comunidade. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. Deve ter um órgão gestor maior. 17. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Não. Na sua opinião. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Pode ser a vontade de preservar o meio ambiente. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Pode. Tenho pouco conhecimento. 16. 5. 13. enquadrada em outra categoria do SNUC. 15. mineração. este dá pouca importância para as reservas que cria e não tem interesse por parte dos prefeitos desses Municípios em apoiar. 2. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Na verdade eu tenho pouco conhecimento sobre a reserva que é dentro deste Município. devido a visita do Presidente . 9. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Não tenho conhecimento sobre isso. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Com o povo da reserva 271 . 14. 8. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Porque é com este desenvolvimento Sustentável que vai trazer melhoria para as comunidades e para o Município. eu vejo que o pequeno conhecimento que eu tenho não me permite comentar sobre a reserva. ou o contrário? Não eu acho que o próprio Mamirauá é um grande exemplo. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Porque a reserva extrativista é diferente por ser federal. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Na minha opinião a conservação ambiental. para que se chegue ao consenso. 3. Local da entrevista: Cidade de Uarini Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Não Sabe. 4. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Na verdade eu achava que esta reserva ( Mamirauá) fosse do Governo Federal. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. Entrevistado: Darlene Araújo pereira ( coordenadora da Pastoral da Criança do Município de Uarini) Data da entrevista: 19 de fevereiro de 2005. 7. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?. 6.

na verdade é uma categoria nova. Essa Sigla RDS parte dessa região. ou obriga a vinda desses povos para a cidade. mas. 16. a questão da preservação é um foco. sem os recursos Naturais principalmente na Zona Rural nas comunidades ribeirinhas os ribeirinhos e os povos indígenas. estão interligados. ou seja. ou os povos Indígenas ou ribeirinhos irem para outros lugares. 3. dificilmente essa questão da qualidade de vida. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Não sei explicar. a questão da presença humana na área que possa garantir a sustentabilidade dos trabalhos. é claro que a conservação ambiental ela é importante é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais. mas a permanência do homem na terra é outro foco que estão aliados. Marcio. Marcio Ayres. 17. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Eu imagino que sejam as duas coisas. essa história de Qualidade de Vida. Na sua opinião. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A informação que temos discutido no movimento Social na Região de Tefé é que a RDS foi uma proposição do Dr. foi a partir da experiência da RDSM é que se constituiu essa proposição para o sistema de Unidade de Conservação. 2. a fixação do homem. pois obriga . e a outra é de fato os recursos naturais. A gente tem acompanhado algumas discussões ao longo desses dois anos aqui na região. essa questão. devem ser criadas com dois patamares. Em determinados cantos do nosso país e Estado. podemos dizer que é uma sugestão de Dr. uma RDS. um estar interligado ao outro. dos vários tipos que estar se falando. a sua disponibilidade em participar desse processo de construção de decretação e de implementação de Políticas. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Eu diria que não estou qualificado tanto para falar disso. mas que representa um trabalho das comunidades ribeirinhas que estão incluídas na Reserva Mamirauá e Amaná para criar essa nova modalidade. devido sua longa experiência de campo ajudado pela sua equipe técnica. Uma das primeiras experiências. E que acaba se espalhando por vários cantos dessa região e do País. terá futuro. se não tiver uma quantidade de recursos naturais que possa garantir a sobrevivência desses povos. e tem os dois teor. ou o contrário? Nessa região eu não conheço. Entrevistado: Francisco Aginaldo Queiroz Silva ( Coordenador do Conselho Indigenista Missionário da Região do Médio Solimões). mas que respalda o desejo das comunidades que justamente é a questão do uso dos recursos naturais de forma sustentável. são os dois objetivos. Data da entrevista: 05 de Março de 2005 Local da entrevista: Cidade de Tefé Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. enquadrada em outra categoria do SNUC.14. Como deve ser composto seu conselho gestor? Dever ser composto com as pessoas que moram na reserva. e á a partir desse preservação dos recursos Naturais é que as populações ribeirinhas. que deu origem a RDSM. de vamos criar uma unidade de 272 . eu destaco que os dois objetivos. digamos. 15. das várias modalidades que tem. Aí nós chamamos de êxodo rural. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Porque o Governo Estadual tem mais conhecimento da situação do Interior. Uma é a presença do ser Humano. para cabeceiras dos grandes rios ou grandes lagos. assim como outras modalidades de conservação elas podem ser criadas.

esse pescado gera recursos para as com. Nós já tivemos momentos duros aqui na região de Tefé onde o Governo do estado criou Unidades de Conservação sem uma discussão. uma é a presença do homem para garantir a implementação de políticas públicas a execução de trabalhos e a questão de conservar aquela área como prioritária para gerações futuras e para as populações que estão no entorno. O caso da Amazônia é um pouco diferente. essa história de criar as coisas de cima para baixo é coisa de militar até hoje é coisa de ditadura melhor dizendo. eu acho meio contraditório. Os Militares hoje já sobrevivem com outras discussões. As várias UC aqui da região um dos bens que eu digo que é importante é a questão do pescado. tem uma comunidade dentre e as famílias estão ao longo dos rios. é claro que tem outros aspectos a floresta. Mamirauá. muitos companheiros tem dito: vamos criar uma Unidade de Conservação Aqui e tal. de outras regiões nós não tenho conhecimento. que são as mais próximas de Tefé que a gente tem conhecimentos mais distintos com as comunidades e as comunidades indígenas. 5. é um pouco diferente. não tem mais como criar unidades de conservação as pessoas que moravam ali e outras que vieram acabaram de outros cantos destruíram tudo e obrigaram muitas pessoas a sair do seu local de origem e agora querem retornar com as Unidades de Conservação. se uma ou outra não tiver em consenso o diálogo tem que ser importante. esta modalidade estar observando algum aspecto importante e específica daquela região. Isso é importante num primeiro momento. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Aqui eu só tenho experiência visível das populações ribeirinhas e povos indígenas. e lá em cima no Jutaí a gente tem Lá as famílias ribeirinhas isoladas. Vivem da pesca de sobrevivência e isso gera recursos no sentido de poder estar proporcionando alimentação para população em torno e para outros Municípios próximos. mas não tem uma noção de fato do que estar se querendo proteger. mas a proposta que eu tenho é que se vai criar que se crie com duas concepções lógicas. espalhadas de forma isoladas. é promover isso. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro. a própria água e animais e outras coisas. técnicos que envolve gente com capacidade Técnica de poder. mas algumas estão dentro dessas unidades de RDS. 4. que é a homologação Nacional de reconhecimento Federal. a questão do diálogo da convivência para definir determinadas estratégias.conservação. então tem essas duas populações tradicionais é claro que as aldeias indígenas têm uma outra documentação que respalda. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Eu acho que as demandas devem partir das comunidades o envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante. Amaná. é claro que cada unidade de Conservação que estar sendo criada. que também ao longo desses anos tem surgido tem tentado. mas em algumas regiões da Amazônia Brasileira. Então eu acho que as prioridades da conservação são aquelas áreas onde tem a população e onde tem ainda recursos que devem ser mantidos para população futuras. sem audiências públicas até porque as coisas não eram previstas em Lei. Isso vai partir muito dos estudos Biológicos. a questão de audiências públicas para referendar o 273 . que área que tem que ser preservada. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Eu poderia repetir que a necessidade de conservar uma área prioritária um bem prioritário. Porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recursos de maneira formal. a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte. mas não tem mais nada pra conservar. no sistema do SNUC. e deve servir também para os governos que querem criar UC. Aqui nós temos do meu conhecimento três unidades nesse tipo de modalidade. isso serve também para o movimento social.unidades e que podem sobreviver disso. até porque se não tiver o envolvimento da população local dificilmente uma UC na Amazônia brasileira ou em qualquer parte desse país vai sobreviver. os grandes lagos. dificilmente essa Unidade vai sobreviver. 6. Esse é o modelo que temos aqui. E me parece que esse compromisso eles são importantes em todas as comunidades.

Já chegava com uma proposta formada e o pessoal repassava isso na audiência publica> Me parece ser o item final de uma grande mobilização de um grande envolvimento comunitário.trabalho que possa envolver tanto as comunidades ribeirinhas como as populações tradicionais que não sobrevivem na área como as instituições de entorno. outros estão envolvidos e esses que querem saber são colocados de lado.não sei se é uma diferença. as experiências com RDS são proposições de pessoas ou de instituições. e tem essa particularidade de cada Unidades. o espaço da população que está lá. mas não teve uma mobilização anterior. tem também o caso dos trabalhadores locais. mas devem ser feitas com muita gente e se for necessário mais de uma deve ser feita. querem é destruir. acaba ninguém participando. 8. do próprio governo e as Resex foram proposições das associações comunitárias. a diferença entre as duas é a questão do uso sustentável. as municipais. Agora a RDS eu acredito que ela tenha um teor de proteção. Ela também é uma falha que estamos acompanhando. pelo menos é essa experiência que temos por aqui. porque uma UC que tem uma área de grande potencial pesqueiro e que abastece muitas vezes num processo de manejo o Município. Que tipos de consulta pública devem ser feitos antes da criação de uma RDS? Eu acho que a consulta pública é essencial e esta deve partir de uma mobilização anterior. A questão principal é a garantia de Terras e as duas garantem isso. em anos anteriores o Governo perdeu algumas discussões. que envolve as comunidades assim como a discussão dos representantes na audiência pública. mas é o que o pessoal prega. A demanda para sempre partiu do povo. pelo menos a experiência da nossa região são de Unidades Muito grandes. como os órgãos municipais e Estaduais e até Federal. mais isso já foi minimizado com a questão do SNUC. o envolvimento a responsabilidade do povo de dar a condição e a participação do Governo propondo e organizando políticas a partir da visão dos comunitários. na Borracha. na extração de óleos. de pesquisa de possibilidade ampla e são Unidades grandes. parece que isso criou no grupo que tinha alguma diferença. uma discussão prévia dos assuntos. que prever o uso sustentado a participação coletiva os conselhos deliberativos. não são envolvidas. estaduais que estão na região e representantes do povo das várias associações. nós somos bons nisso. Poderíamos perguntar o que tem haver uma Associação de Moradores de Bairro com a criação de uma UC. essas audiências tem um teor de referendar. pois ela deve envolver as instituições locais. que era adepto de uma ou de outra e se digladiavam e eu fazia parte de um deles desse grupo que havia posições contrárias no processo de RDS por não haver essa participação do povo. ter o seu espaço e poder usar. 274 . Eu diria que a questão da mobilização deve ser envolvida nessa questão da decretação. das de outros lugares onde as Unidades são menores e já as RESEX ela são menores. levado criticas sérias ao governo tanto estadual como federal. Ela só é um ato público de referencia a uma proposição de UC e eu vejo que é extremamente importante as discussões preliminares. Só que muitas organizações que fazem a consciência que tem opinião. quem se beneficia é a população daquela cidade e os representantes daqueles bairros deve saber o que estar se discutindo. Parece-me que no conjunto do SNUC isso entre uma modalidade e outra as diferenças são mínimas. o povo foi contrário a criação de algumas unidades de conservação por falta de mobilização local. que ta até muitas vezes fora de seu Município? Eu digo que tem tudo a ver. isso atinge quando se cria uma coisa de cima para baixo. tem uns que não querem nem saber de preservação. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Eu diria que vai muito da opção da população local se for realmente envolvida. a modalidade fica sendo de quem impõe. 7. mas tem outras que não. porque se vier uma posição de cima para baixo. O povo que começa a participar ele tem uma opção. O governo tem trabalhado na região e nós temos criticado. são tomadores de decisão. É que muitas vezes as audiências públicas estavam com data marcadas. exemplo disso as próprias prefeituras.

Essa é uma questão que tem que ser discutida no movimento social. O manejo de pesca é um projeto grande. aí é outra questão que deve estar no plano de Manejo. essa é uma discussão que deve ser travada até ter base legal para estar resolvendo essas questões.9. que vai ser representado pelas comunidades e pelo governo. o que ´e Meio Ambiente. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária. tem o ponto positivo e o negativo. E ainda tem a história que o Governo vai indenizar. educação ambiental.beneficia um grupo de pessoas como trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando. saneamento básico. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. 10. Tem políticas públicas que querem desenvolver por exemplo. que as pessoas que estão vindo estão descobrindo o que é RDS o que é Preservar. pecuária extensiva. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem 275 . com relação a grandes e médias propriedades. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?.você acaba criando outra situação. mineração. agora que ta bom você retorna. também tem algumas intenções. as Políticas Publicas tem voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. Nos últimos 10 anos foram criadas UC. Em outras localidades tem gerado um grande esforço coletivo de gerar forças. se há possibilidade ela deve garantir a implementação do plano de manejo da Reserva. e que alguns governos estão observando em suas políticas a partir é claro das sugestões das comunidades.M. O que esta acontecendo na região ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada. sobre as propriedades privadas. Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda. embora que a pessoa possa ter sua área resguardada com seus direitos de uso ele tem que respeitar a PM da UC. E aí quando se criou as UCs e os estoques pesqueiros retornaram. a concessão de uso deve ser para as pessoas que vivem lá. tem olhado com mais carinho. é claro que o Governo como gestor dessas UC. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? São grandes atividades. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida. quem ficou no local lutou por essas unidades. mas essa indenização é quando. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. Será que a pessoa quer sair da área. isso é bom também. e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmoniosidade. Legalmente eu não sei falar sobre isso. ele quer deixar sua propriedade que construiu ou que herdou. a questão do manejo Florestal também. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído.você cria uma inimizade com essas pessoas e esse pessoal são os que tem recursos financeiros. isso é um trabalho de muita gente. Isso eu acho que tem que estar previsto no plano de manejo de cada UC e o governo tem que regulamentar isso. saúde. me parece que as populações que estão dentro dessas UCs. 11. Esse é um conflito local que as comunidades é que tem que resolver isso. 12. tem a grande mídia ou são aliados de alguns políticos. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Isso estar relacionado a questão que a gente estava falando não tenho conhecimento jurídico sobre essa parte fundiária mas a lógica inicial é que as terras devem ser coletivas daquelas comunidades. ta levando o retorno daquelas famílias para as UC. serve não só para RDS como para outras UC. Se isso é possível eu não sei. tem que respeitar o P. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. mas me parece que dentro de uma UC. essas sabem o que querem fazer. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem. isso cria um teor como a dificuldade de emprego e a geração de renda escassa na cidade. como a educação. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando tava ruim você foi embora. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Essa é uma outra história que tem que haver uma regulamentação para isso e me parece que o plano de utilização é um dos caminhos que pode colocar isso. Aqui o Mamirauá é exemplo disso.

a gente tem até tido algumas discussões a esse respeito que a região estar recortada por UC. comunidades pequenas. encaminhar e assumir compromissos. não pode colocar. Agora assim citando. umas participam mais. 15. 13. e manter assim um teor de discussão participativa. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Eu não tenho uma coisa bem clara para dizer. de convivência. CPT. de amizade e de proposição de políticas. que um não leve vantagem sobre o outro mesmo na questão do conhecimento.ser desenvolvidas. se o poder Municipal vai entrar com representante que uma ONG que esteja mais próxima. um bom exemplo me parece que as Assembléias das comunidades que tive a oportunidade de participar em Mamirauá e Amaná é um negócio belíssimo de discussão. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. também tenha um acento e assim sucessivamente. ele vai prever isso é a questão da paridade. O comitê gestor tem que ser enxuto e com pessoas que possam representar os vários anseios. eu diria que garantir a participação paritária de quem ta lá na UC e de quem vai trabalhar com essas unidades. E serve para outros tipos de modalidades. isso é um bom exemplo a se destacar. Se isso não tiver claro fica difícil para fazer um trabalho e garantir a continuação da implementação. O grande colegiado é o essencial hoje para que as coisas funcione. têm claro o que deve ser feito. vai acabar se criando um “OBLOGO”. Agora tem que ser uma coisa que garanta a paridade. se isso não acontecer é uma instituição que vai acabar dominando propondo tanto para que a U funcione. ou o contrário? Eu acho que a região de Tefé é a que tem mais UC. o que é Isso: se o Governo tem um representante que a população local tenha outro. poderia dizer de RESEX. que cada modalidade estar previsto legalmente. algumas pessoas acham que há brecha no SNUC. Sem essa questão participativa nem o conselho nem a UC vai funcionar. a própria Prelazia tem um discurso meio que afinado. sejam eles dos poderes públicos que vão implementar políticas públicas. CNS. há essa oscilação e a gente tem que observar. atividades que possam gerar renda dar sustentabilidade a própria comunidade. 14. milhões de pessoas porque não tem condições de se reunir. a participação da Sociedade principalmente Local é importante que aconteça. e existe três Unidades bem distintas e que 276 . Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Isso ta previsto já no SNUC. Aqui na região alguns grupos como GTA. o que pode e o que não pode. mas essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC. Me parece este um bom exemplo que temos na região onde a população local da UC pode sentar discutir. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Agora tem uma outra discussão que a gente poderia ta falando de negatividade por exemplo as grandes invasões de lagos que são patrocinadas por gente de fora. isso tem que ficar claro. tem muitas coisas que as comunidades aqui assumem e o estado assume as dele. Também. isso é a vida de quem estar dentro da UC e é uma coisa totalmente diferente da outra.tem outros interesses é claro. É claro que deve obedecer a um número de pessoas. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho Gestor acho que já estar claro no SNUC. monstro que se cria. que não é preciso ter paridade. o desejo de que seja paritária. Muitas vezes o Estado acaba não fazendo sua parte. É claro que tem um certo desvio de participação. propor. 16. outras menos. essas não são ocasionadas por quem estar dentro da UC. enquadrada em outra categoria do SNUC. sejam ele dos moradores da UC. pois tem comunidades grandes. pois eu não vivo muito nas áreas da RDS. vamos botar aí os quatro ribeirinhos e indígenas e o resto a gente põe o que a gente queria. tem a questão da água que quando vem leva tudo e as pessoa tem que deixar de participar para cuidar do que restou. mas as comunidades fazem as suas. o que podemos referendar é os Conselhos Deliberativos para esse modelo sustentável. e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação. só para referendar o que a lei pede e acaba não gerando nenhuma discussão nem da comunidade nem do próprio governo. Eu acredito que seja um mal exemplo. onde tenho mais convivência.

Isso da um teor de discussão que foi travada durante este ano. A questão da RDS foi assumida pelo Governo do Estado. não é bem assim o GF tem sua especificidade tem um pessoal certo. Entrevistado: Marcelo Marchesini – Diretor Técnico da Autarquia Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Estado do Amazonas Data da entrevista: 10/11/2004 Local da entrevista: Manaus Entrevistador: Renato Sales Renato: Você é diretor técnico da Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis. se pode ter outras áreas. Estamos discutindo se isso é bom. Se a gente tem essa modalidade no SNUC tem que se referendar que o Governo do Estado assumiu essa responsabilidade. os governos Municipais têm buscado criar essa modalidade de RDS. Isso foi uma discussão que demorou muito e em uma ou outra na elaboração do SNUC nós fomos consultados mas sobre RESEX que era a que a gente tinha como experiência local. mas é claro que o Estado é que assumiu a responsabilidade. Foram discussões que envolveram Governos. Na sua opinião. O que ta se vendo em outras regiões é que há uma discussão bem forte para que o estado assuma sua responsabilidade e o Governo Federal ele já tem uma modalidade que gosta de assumir que tem experiência na área. mas é um modelo de ocupação de terra de preservação da Natureza. mas quando foi para referendar essa modalidade. Temos a menor UC. São coisas que o Governo do Estado tem proposto. a gente dizer a vamos trocar fulano de Tal por uma RDS é fugir de uma realidade local e é também anti. é claro que teve uma proposição do Dr. nenhuma unidade aqui da região demorou menos de três anos para ser criada. mas isso é que referenda toda uma discussão a nível de Governo. 17. dizendo olha no Estado do Amazonas nós temos essa experiência e queremos que seja colocada no SNUC. que foi criada com menor espaço de tempo foi a RESEX de Catuá que demorou seis anos para ser criada. e a própria infra-estrutura que essas UC não tem e que deveriam ter e estão se constituindo ao longo dos anos. mas o INCRA tem sua regulamentação. da própria SCM hoje IDSM. Eu não teria nenhuma condição de dizer vamos trocar uma RESEX por uma RDS porque essa é melhor. que é uma autarquia da SDS. pois as discussões já foram travadas. convidados. Isso é novo na região.acabam sendo de uso sustentado: que é a FLONA. Marcio. e tem certas críticas sobre o que vai ser implementado. os governadores e outros mostraram seu interesse político de que fosse considerado na questão do SNUC e eu diria que isso serve de embasamento teórico para outros Estados. também não vamos criar assim . dizendo vocês vão assumir por que a gente ta querendo. demorou muito tempo.. Você está lá há quanto tempo? 277 .ético da parte de quem esta propondo fazer isso. tem duas discussões bem feitas que é a de CUJUBIM-JUTAÍ e a do PURUZ que foi outra UC criada. pois a população já fez grandes discussões a esse respeito. E no estado do Amazonas. nós temos acompanhado e tem menos de um ano. Mas olhando a participação do governo não foi clara. a questão da RDS e as RESEX. A população local antes de partir para uma modalidade de UC que quer. anteriormente discutidas. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Isso vai muito de quem optou. Então toda uma discussão acadêmica e científica foi feita e é claro que o governo do estado do Amazonas assumiu essa responsabilidade. a população sabe porque quer. Por outro lado tem as pessoas que são boas naquilo que sabem fazer então não vai se meter em outras coisas em outras tarefas. Existe agora uma modalidade chamada assentamento que é patrocinado pelo INCRA e é outro modelo que eu não sei se o SNUC regulamenta. mas que envolveu os municípios as autoridades institucionais. os Municipais e é claro os Estaduais.

Marcelo: O estado em algumas situações que eu conheço tem partido a partir da demanda. Renato: O SNUC não fala que uma RDS precisa ser criada a partir da demanda da população. não há um trabalho anterior de esclarecimento desses dois tipos de reserva. já chegando com a proposta de RDS. onde você tem pequenos agricultores ou pecuaristas. como é o caso para as Resexs? Marcelo: Alguns casos eu vi que não foi solicitado formalmente.. eu não tenho esse quadro com detalhes. Como a gestão das RDSs não está a cargo da agência. E normalmente o estado se antecipa. Acabei de voltar de Apuí. Eu fui um dos que ajudou a 278 . Renato: Para você qual é a situação que leva à criação de uma RDS? Marcelo: A primeira situação é a demanda da própria população. em Manicoré o