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Processos de ensino-aprendizagem

Processo Iconográfico, de Johnn Amós Comênius (1657) .

Propunha o ensino de um alfabeto vivo, cujos elementos correspondessem de maneira onomatopaica.

O Processo consistia em usar uma letra acompanhada de uma figura de um animal cuja voz se assemelhasse
ao som da respectiva letra.

Exemplo: O som da letra M seria representado tendo ao lado a figura de um boi mugindo (MUUU!).

Processo de Letras Móveis de João Bernard Basedow (1774).

Basedow, inventou um jogo de letras móveis de várias cores e dimensões que, às vezes, eram feitas de
substâncias comestíveis. As crianças deveriam procurar as letras no meio de outras e desenhá-las e, em
seguida, formavam sílabas e palavras que eram depois escritas. Como prêmio, aquelas que eram de massa
podiam ser guardadas ou comidas.

O processo de Basedow foi aperfeiçoado por Pestalozzi no ano de 1774, quando criou um orfanato para
crianças pobres e adaptado por Maria Montessori em 1907 quando fundou em Roma a primeira “Casa das
Crianças”, para trabalhar com crianças excepcionais.

Processo fônico de Valentin Ickelsammer ( século XVI).

O processo consiste no ensino da leitura partindo-se do som da letra; o criador, Ickelsammer, encontrou
muita dificuldade na época da implantação mas, aos poucos, foi conseguindo adeptos e logo foram criadas
cartilhas cheias de explicações.

O professor, antes de ensinar as consoantes, devia preparar os alunos ensinando-lhes as vogais; ao escolher
as consoantes, o professor devia iniciar com as que tinham representações onomatopaicas. Fazia o ruído
imitando a consoante e eles ouviam e repetiam som. Depois fazia a sua ligação com cada vogal,
representando-as graficamente.

Exemplo: O vento faz vvvvvvvv, no caminho encontra o “a” e faz va...

Com as sílabas os alunos formavam palavras e frases que eram escritas na lousa: Vi a vovó, Ivo vê o ovo...

Processo silábico ou silabação de Samuel de Heinicke ( século XVIII).

A fase mais avançada dos métodos sintéticos, para o pedagogo alemão, a aprendizagem partia da sílaba e
não da letra.

Heinicke era professor de surdos-mudos e procurava ensinar a leitura labial. Chegou à conclusão de que
aprendiam mais depressa quando mostrava as sílabas escritas e ao mesmo tempo as pronunciava, para
poderem lê-las nos lábios.

O processo foi aprovado para todas as crianças, notando-se que havia aprendizagem através da repetição.
Nesse processo, empregam-se as unidades-chaves: as sílabas que depois se condicionam em palavras e
frases.

Ensinam-se as vogais que se juntam à gravura do nome.

Exemplos: A letra U com o desenho da uva.

A sílaba ca de casa - ba de bala - ca de caju

No processo silábico é utilizado um número elevado de monossílabos da língua para treino mecânico da
leitura, que é a maior preocupação nesse processo. A escrita é secundária, pois é usada para fixação de
vocabulários.

As limitações apresentadas pelo método sintético:

Ø Impõe à criança o conhecimento e reconhecimento de signos isolados ou agrupados em sílabas que


carecem de sentido, incompreensíveis para ela;

Ø Obrigam a criança, uma vez reconhecida a sílaba, usá-la em palavras e frases que não pertencem ao seu
vocabulário;

Ø Ensinam a leitura de forma mecânica, sem comprensão. Essa falta de sentido no que lêem mata o interesse
da criança pela leitura.

Muitos autores, definem esse método como uma tortura para o aluno, principalmente no que se refere ao
processo alfabético.

Sua divulgação ganhou o mundo rapidamente e passou a ser adotado pelos professores adiantados da época.
Até os nossos dias a silabação é o processo mais usado, principalmente no Brasil.

Processo Ideovisual, Ideográfico ou de Palavras-tipo, criado por Decroly, em 1936 , na Bélgica.

Parte de uma motivação (desenho, história, verso, etc.) e apresenta a palavra ligada ao desenho. Este
processo evoluiu para a palavração e palavras progressivas.

Processo de Sentenciação, liderado por Randovilliers (1768) , Nicolas Adam (1787) e Jacotot ( 1843)

O ensino desse processo teve início na Europa e nos Estados Unidos, porém as idéias desses precursores não
vingam no seu tempo, somente no início do século XX ficou definitivamente comprovada a eficiência da
aprendizagem da leitura por meio da globalização, pois nesta época houve o incremento da Psicologia
Experimental.

Esse processo parte do todo para as partes atendendo a Psicologia da criança, que é mais globalizadora: frase
– palavra – sílaba – letra.

Embora fazendo o aluno receber porções de sentido mais completo das palavras, o processo ainda não é
satisfatório sob este aspecto, pois a sentença isolada é parte de uma idéia que só a história apresenta de
maneira completa.

Processo do Conto: Criado pela Educadora Margarida Mc Closkey ( século XX).


É uma decorrência natural do processo de Sentenciação.

As sentenças são as partes de um todo maior, mais interessante e significativo. Apresentam-se,


gradativamente, partes de uma história completa que a criança irá memorizar.

O professor conta a história e faz com que os alunos a reproduzam. O professor lê o texto e as crianças
repetem; posteriormente, faz-se o reconhecimento das frases dentro e fora de ordem.

A seguir acontece a decomposição do texto em frases, depois em palavras, em sílabas e finalmente em letras
ou sons.

No convívio com este material, a criança deveria reconhecer as palavras individualmente.

O resultado dessas medidas extremistas era o número sempre crescente de crianças e jovens que não sabiam
ler, o método analítico apresentou avanços em relação ao sintético; porém, possui desvantagens como:

Ø Exploração de palavras e frases totalmente fora da realidade e do contexto social do aluno;

Ø As palavras e frases fazem parte de uma idéia que, se trabalhadas isoladamente, não têm sentido para a
criança;

Ø Desvincula a criança do seu meio, da sua realidade;

Ø Afetam o interesse da criança pela leitura.

O Método Eclético.

O método Eclético, foi considerado a grande descoberta no campo metodológico, utiliza análise e síntese, ao
contrário dos outros que são analítico ou sintético, o método é considerado global, porque parte de um todo,
mas segue os passos do método sintético: som, sílabas, palavras, frases.

Manisfestou-se no Brasil, em 1920, uma verdadeira batalha entre os defensores do método Sintético e dos
partidários do método Analítico, provocando acirrados debates e, para agradar a gregos e troianos, uniram as
orientações dos dois métodos para a criação do Método Eclético que contempla o método Sintético e
Analítico, no qual se conciliam todos os processos estabelecendo a liberdade de escolha do método de
ensino de leitura e escrita.

Por ser o método eclético a junção do método sintético e analítico e seguir os mesmos passos, continuam a
aprensentar limitações como:

Ø Histórias desvinculadas do conhecimento real da criança, os textos não possuem estrutura lingüística,
apresentam diálogo artificial;

Ø As atividades são baseadas em leitura e interpretação de textos, exploração de palavras e decomposição


das famílias silábicas;

Ø A criança não tem oportunidade de produzir o seu próprio texto, partindo de suas experiências e vivências
sociais.

A Sistematização dos Métodos Tradicionais: As Cartilhas de Alfabetização.


Pode-se constatar que a concretização dos métodos tradicionais de alfabetização se encontram, mais ou
menos, sistematizados nas cartilhas em uso, sendo: as cartilhas sintéticas, analíticas e mistas. As mesmas
foram se multiplicando no tempo, solidificando e propagando o modelo de leitura idealizado pelas
metodologias tradicionais, fundamentadas nas concepções Inatista e Empirista, às quais nos reportaremos
mais adiante.

A cartilha preenche os requisitos necessários para ser um instrumento pedagógico dentro de uma prática
pedagógica e concepção tradicionais. Os textos de cartilha prendem-se aos sons e às marcas gráficas,
duvidando da inteligência da criança, de seus conhecimentos cotidianos.

A suavidade do Reino da Alegria, nem sempre é comum para todas as crianças que, empurradas para o
mundo das Letrinhas Mágicas, devem Ler a Jato a cartilha no Recreio.

(...) serão as cartilhas o grande mal de nossa alfabetização?

Para quem falam as cartilhas? Que sentido tem o que dizem as crianças que “suave” ou “amargamente”,
são impelidas a seguirem seus caminhos, ou melhor, a se pautarem por suas linhas?(Dietzsch, 1999:36)

O caminho suave percorrido pela criança até encontrar alegria de saber, ler e escrever é, muitas vezes,
atrapalhado pela cartilha.

O recurso didático mais utilizado nas escolas, em termos de alfabetização, é a cartilha. Contudo, a grande
maioria dos professores não conhece a sua influência em cada época da sua evolução histórica.

A origem e o desenvolvimento da literatura didática no Brasil dispõe de poucas informações devido ao


desinteresse de pesquisadores e também por causa de um grande número de livros didáticos se mostrarem
efêmeros no tempo.

A cartilha tem sua origem ligada aos silabários do século XIX. As cartilhas brasileiras têm suas origens
históricas em Portugal e foram trazidas através dos jesuítas nos primórdios da educação.

Por volta do final do século XV, Portugal utilizava nas escolas cartinhas que, posteriormente, foram
chamadas de cartilhas. Eram pequenos livros que reuniam o abecedário, o silabário e rudimentos de
catecismo.

As décadas de 10, 20 e 30 trazem ao cenário educacional várias cartilhas fundamentadas pelos métodos
sintético e analítico.

A adoção de cartilhas tem sido vista, ano após ano, como “salvadoras da pátria“, apresentam-se quase como
máquinas-de-alfabetizar, capazes de realizar sua tarefa em semanas, dias e horas.

“Os textos das cartilhas adotadas nas escolas brasileiras, desde a década de 20 até nossos dias, orientam-
se por uma ideologia conservadora e não direcionada para o desenvolvimento da criatividade e
criticidade. Pautam-se pela filosofia da gramática tradicional articulada ao ensino tradicional da escola
brasileira. Excluindo-se alguns textos de manuais que aparentemente tentam avançar em busca da
criatividade, ainda vivem cerceadas pelos limites do regime político e consequentemente, da pesquisa na
área educacional. (Cesca, 1995:13)

Os valores ideológicos contidos nas cartilhas estão distantes da realidade vivida por inúmeras crianças
brasileiras. A visão apresentada pelos textos das cartilhas é de um mundo maravilhoso, feliz e sem
problemas sociais.
Ao lado desta visão aparecem também os valores machistas, racistas e conservadores, pois em seus textos,
as famílias vivem em perfeita harmonia formadas por pai, mãe, irmãos, avós, tios e residem sempre próximo
a “lindos” bosques e lagos. As mães cuidam das tarefas domésticas enquanto os pais vão para o trabalho, as
empregadas são negras e as crianças estudiosas têm o privilégio de passar as férias na fazenda do vovô.
Ignorando todo o contexto que envolve a criança e o conhecimento já construído pelo aluno, a sua realidade,
a cartilha parte do pressuposto de que todas as crianças são iguais, por conseqüência têm as mesmas
condições de aprendizado e o mesmo nível sócio-econômico.

Pode-se constatar que nestes termos, os personagens apresentados pelas cartilhas vivem numa época
indefinida, num país sem nome, sem classes sociais e sem diversidades culturais ou lingüísticas.

A cartilha não oferece espaço, espontaneidade e imaginação para a criança, pois traz prontas as lições e as
gravuras. Suas histórias estão longe de atrair a criança para a leitura. Seus textos limitados, sem estrutura
lingüística adequada à construção da criança, com um diálogo artificial. Apresentam um número reduzido de
palavras e estas são, na sua maioria, monossílabos e dissílabos e os nomes que são apresentados de norte a
sul abundam em sílabas dobradas chamados. “Lili”, “Dudu”, “Lala”, “Fafá”, “Gigi”, “Zazá”, amam,
mimam, babam ou bebem, sem se preocupar com os nomes das crianças do grupo escolar e, sem dúvida,
isso é importante: nenhum nome é tão significativo quanto o seu próprio nome.

A justificativa de tais práticas ancestrais: pretende-se que a criança compreenda a mecânica da


decodificação; depois – e somente depois – poderá fazer algo inteligente. (Ferreiro, 1993:34)

Frente a cartilha a criança sente-se confusa, pois já possui um conhecimento construído, além de não
contemplar, ainda não respeita.

FONTE: Extraído da Dissertação de Mestrado da Profª. Maria Inêz

Salvador Cesca- IPLAC –Cuba / UNESC - Criciúma, julho-2000.