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Instrumentação

Marco Antônio Ribeiro


Instrumentação

Marco Antônio Ribeiro

Dedicado a Marcelina e Arthur, meus pais, sem os quais este


trabalho não teria sido possível, em todos os sentidos.

Quem pensa claramente e domina a fundo aquilo de que fala, exprime-se


claramente e de modo compreensível. Quem se exprime de modo obscuro e
pretensioso mostra logo que não entende muito bem o assunto em questão ou
então, que tem razão para evitar falar claramente (Rosa Luxemburg)

© 2007, Marco Antonio Ribeiro


Verão 2007
Prefácio
Qualquer planta nova, bem projetada para produzir determinado produto, sempre requer sistemas
de instrumentação para fazer a medição, controle, monitoração e alarme das variáveis. A escolha
correta dos sistemas pode ser a diferença entre sucesso e fracasso para uma unidade, planta ou toda
a companhia. Também, como há uma rápida evolução das tecnologias e conseqüente obsolescência,
periodicamente toda planta requer ampliações e modificações radicais que incluem a atualização dos
seus instrumentos e seus sistemas de controle.
Assim, técnicos e engenheiros que trabalham com o projeto, especificação, operação e
manutenção de plantas de processo devem estar atualizados com a instrumentação e as recentes
tecnologias envolvidas. O presente trabalho foi escrito como suporte de um curso ministrado a
engenheiros e técnicos ligados, de algum modo, a estas atividades. Este trabalho de Instrumentação e
um outro de Controle de processo constituem um conjunto completo para estudo e consulta.
Neste trabalho, dá-se ênfase aos equipamentos e instrumentos e são apresentados três
grandes temas: Fundamentos, Instrumentos e Medição das Variáveis.
Na primeira parte, de Fundamentos de Instrumentação, são apresentados os conceitos
relacionados com Instrumentação e Petróleo, Símbolos e Identificação dos instrumentos
analógicos e digitais; vistos os instrumentos sob a óptica de Sistemas; mostradas a evolução e as
ondas da instrumentação.
Na parte de Funções de instrumentos, são estudados individualmente os instrumentos, tais
como sensor, transmissor, condicionador de sinal, indicador, registrador, totalizador, controlador e
válvula de controle. São apresentados os parâmetros para a Especificação correta do instrumento
individual, considerando o processo, ambiente, risco e corrosão.
Finalmente na terceira parte, são mostradas as tecnologias empregadas para medir as principais
Variáveis de Processo, como Pressão, Temperatura, Vazão e Nível, que são as variáveis mais
encontradas nas indústrias químicas, petroquímicas e de petróleo.
Sugestões e críticas, principalmente as destrutivas são benvidas para o contínuo melhoramento do
trabalho, no endereço: Rua Carmen Miranda 52, A 903, CEP 41820-230, Fone (071) 452-3195 e
Fax (071) 452-4286 e no e-mail: marcotek@uol.com.br .

Marco Antônio Ribeiro


Salvador, verão 2005
Autor

Marco Antônio Ribeiro se formou no ITA, em 1969, em Engenharia de


Eletrônica blablablá, blablablá, blablablá, blablablá, blablablá, blablablá, blablablá,
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Durante quase 14 anos foi Gerente Regional da Foxboro, em Salvador, BA,
período da implantação do polo petroquímico de Camaçari blablablá, blablablá,
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Fez vários cursos no exterior e possui dezenas de artigos publicados nas
áreas de Instrumentação, Controle de Processo, Automação, Segurança, Vazão
e Metrologia e Incerteza na Medição blablablá, blablablá, blablablá, blablablá,
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Desde 1987, é diretor da Tek Treinamento & Consultoria Ltda. blablablá,
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serviços nas áreas de Instrumentação e Controle de Processo.
Conteúdo
8.3. Dedicado ou compartilhado ............. 30
1. INSTRUMENTAÇÃO....................................... 1 8.4. Centralizado ou distribuído .............. 30
Objetivos de Ensino .................................. 1 11. REAL OU VIRTUAL ................................... 31
1. INSTRUMENTAÇÃO ....................................... 1 11.1. Instrumento real............................. 31
1.1. Conceito e aplicações........................ 1 11.2. Instrumento virtual ......................... 31
1.2. Disciplinas relacionadas .................... 2 11.3. Real e virtual .................................. 32
1.3. Vantagens e Aplicações .................... 3
4. SISTEMAS DIGITAIS .................................. 34
2. SÍMBOLOS E IDENTIFICAÇÃO...................... 5 1. INTRODUÇÃO ............................................ 34
OBJETIVOS DE ENSINO .................................... 5 2. SISTEMA DIGITAL DE CONTROLE DISTRIBUÍDO
1. INTRODUÇÃO............................................... 5 (SDCD) ....................................................... 34
2. APLICAÇÕES ............................................... 5 2.1. Introdução ........................................ 34
3. ROTEIRO DA IDENTIFICAÇÃO......................... 5 2.2. Emerson........................................... 35
3.1. Geral .................................................. 5 2.3. Foxboro............................................ 36
3.2. Tag completo típico............................ 5 2.4. Yokogawa ........................................ 37
3.3. Identificação funcional ....................... 5 3. CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP)
3.4. Identificação da malha ....................... 6 .................................................................... 37
TE-301 ...................................................... 6 3.1. Conceito........................................... 37
TIC-301-E.................................................. 6 3.2. Construção....................................... 38
4.3. Linhas entre os Instrumentos............. 9 3.3. Operação do CLP ............................ 38
4.4. Balão do Instrumento ......................... 9 3.4. Varredura do CLP............................ 39
4. SIMBOLOGIA DE INSTRUMENTOS................. 13 3.5. Capacidade do CLP......................... 39
4.1. Parâmetros do Símbolo ................... 13 3.6. Configuração de CLP ...................... 39
4.2. Alimentação dos instrumentos......... 13 3.7. Equipamentos associados............... 40
5. MALHA DE CONTROLE ................................ 13 3.8. Dimensionamento do CLP............... 41
6. SISTEMAS COMPLETOS .............................. 15 3.9. Comunicação de dados ................... 41
3.10. Terminal de programação.............. 41
3. INSTRUMENTOS ......................................... 19 4. CONTROLE SUPERVISÓRIO E AQUISIÇÃO DE
Objetivos de Ensino ................................ 19 DADOS (SCADA) ......................................... 42
1. CLASSES DE INSTRUMENTOS ..................... 19 4.1. Introdução ........................................ 42
2. MANUAL E AUTOMÁTICO ............................ 19 4.2. Coleta de dados............................... 42
3. ALIMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ............ 19 4.3.Estação de Operação ....................... 43
4. PNEUMÁTICO OU ELETRÔNICO ................... 20 4.3. Programa Aplicativo (Software) ....... 45
4.1. Instrumento pneumático .................. 21 5. PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO ............... 46
4.2. Instrumento eletrônico ..................... 21 5.1. Introdução ........................................ 46
5. ANALÓGICO OU DIGITAL ............................. 22 5.2. Protocolo HART............................... 47
5.1. Sinal ................................................. 22 5.3. Fieldbus Foundation ........................ 49
5.2. Display ............................................. 23 6. INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS ........................ 51
5.3. Tecnologia........................................ 23 6.1. Cenário da planta ............................ 51
5.4. Função Matemática.......................... 23 6.2. Conceito de Integração.................... 51
5.5. Comparação Analógica Versus Digital 6.3. Pirâmide da interoperabilidade ........ 51
................................................................ 24 6.4. Parâmetros da integração ............... 52
5.6. Burro ou inteligente .......................... 25 6.5. Como integrar .................................. 54
7. CAMPO OU SALA DE CONTROLE .................. 25 OBJETIVOS DE ENSINO .................................. 55
7.1. Instrumento de campo ..................... 26 1. INTRODUÇÃO ............................................ 55
7.2. Instrumentos montados na sala de 2. MALHA DE MEDIÇÃO .................................. 55
controle ................................................... 27 2.1. Resultado da medição ..................... 55
8. MODULAR OU INTEGRAL ............................. 28 2.2. Componentes da malha................... 55
8.1. Painel de leitura ............................... 28 2.3. Malha de medição de vazão............ 56
8.2. Armário de instrumentos cegos ....... 29

i
Introdução

ELEMENTO SENSOR ................................... 59 5. SERVIÇOS ASSOCIADOS............................. 84


5.1. Especificação................................... 84
1. CONCEITO ................................................ 59
5.2. Instalação......................................... 85
2. TERMINOLOGIA .......................................... 59
5.3. Configuração.................................... 85
3. PRINCÍPIOS DE TRANSDUÇÃO ..................... 60
5.4. Operação ......................................... 85
4. SENSORES MECÂNICOS ............................. 60
5.5. Calibração........................................ 85
5. SENSORES ELETRÔNICOS .......................... 60
5.6. Manutenção ..................................... 87
5.1. Sensor capacitivo............................. 61
5.2. Sensor indutivo ................................ 61 INDICADOR ................................................... 88
5.3. Sensor relutante............................... 62
1. CONCEITO ................................................ 88
5.4. Sensor eletromagnético ................... 62
2. VARIÁVEL MEDIDA ..................................... 88
5.5. Sensor piezelétrico........................... 62
3. LOCAL DE MONTAGEM ............................... 89
5.6. Sensor resistivo................................ 62
4. TIPO DA INDICAÇÃO ................................... 89
5.7. Sensor potenciométrico ................... 62
5. RANGEABILIDADE DA INDICAÇÃO ................ 90
5.8. Sensor strain gauge ......................... 63
6. ASSOCIAÇÃO A OUTRA FUNÇÃO ................. 91
5.9. Sensor fotocondutivo ....................... 63
7. SERVIÇOS ASSOCIADOS ............................ 91
5.10. Sensor fotovoltáico......................... 63
5.11. Sensor termoelétrico ...................... 63 REGISTRADOR............................................. 93
5.12. Sensor iônico ................................. 63
6. ESCOLHA DO SENSOR ................................ 64 1. INTRODUÇÃO ............................................ 93
7. CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS DO SENSOR 2. TOPOGRAFIA............................................. 93
3. ACIONAMENTO DO GRÁFICO ...................... 94
.................................................................... 64
4. PENAS ...................................................... 94
CONDICIONADOR DE SINAL ....................... 65 5. GRÁFICOS ................................................ 95
6. ASSOCIAÇÃO A OUTRA FUNÇÃO ................. 96
1. CONCEITO ................................................ 65
7. SERVIÇOS ASSOCIADOS ............................ 96
2. Aplicações........................................... 65
3. Funções desenvolvidas ...................... 66 COMPUTADOR DE VAZÃO .......................... 97
4. LINEARIZAÇÃO DA VAZÃO ........................... 67
1. CONCEITO ................................................ 97
4.1. Introdução ........................................ 67
4.2. Medidores Lineares e Não-lineares . 68 2. PROGRAMÁVEIS ........................................ 97
5. COMPENSAÇÃO ......................................... 69 3. DEDICADO ................................................ 97
4. APLICAÇÕES CLÁSSICAS ........................... 98
5.1. Introdução ........................................ 69
5.2. Condições normal, padrão e real..... 70 4.1. Vazão de liquido .............................. 98
5.3. Compensação da Temperatura de 4.2. Vazão de gás com compensação ... 98
Líquidos................................................... 71 4.3. Sistema com 2 transmissores e uma
5.4. Tomadas de Pressão e Temperatura placa ....................................................... 99
4.5. Vazão de massa de gás .................. 99
................................................................ 71
6. TOTALIZAÇÃO DA VAZÃO ............................ 71 5. SELEÇÃO DO COMPUTADOR ...................... 99
6. PLANÍMETRO ........................................... 100
TRANSMISSOR ............................................. 73 6.1. Histórico ......................................... 100
6.2. Cálculo matemático ou aritmético.. 100
1. CONCEITOS BÁSICOS ................................. 73
6.3. Método do corte e peso ................. 100
1.1. Introdução ........................................ 73
6.4. Método do planímetro.................... 100
1.2. Justificativas do Transmissor........... 73
6.5. Gráficos Circulares Uniformes....... 101
1.3. Terminologia .................................... 74
6.6. Seleção e Especificação do
1.4. Transmissão do sinal ....................... 75
Planímetro............................................. 101
1.5. Sinais padrão de transmissão.......... 76
2. NATUREZA DO TRANSMISSOR ..................... 77 CONTROLADOR ......................................... 102
2.1. Transmissor pneumático.................. 77
2.2. Transmissor eletrônico..................... 78 1. CONCEITO .............................................. 102
2. COMPONENTES BÁSICOS ......................... 102
3. TRANSMISSOR E MANUTENÇÃO .................. 81
3.1. Transmissor analógico descartável . 81 2.1. Medição ......................................... 102
3.2. Transmissor analógico convencional82 2.2. Ponto de Ajuste ............................. 102
2.3. Estação Manual Integral ................ 103
3.3. Transmissor inteligente digital ......... 82
3.4. Transmissor híbrido analógico digital 2.4. Unidade de Balanço Automático ... 103
................................................................ 83 2.5. Malha Aberta ou Fechada ............. 103
4. RECEPTORES ASSOCIADOS ........................ 84 2.6. Ação Direta ou Inversa .................. 103
4.1. Instrumentos associados ................. 84 3. ESPECIFICAÇÃO DO CONTROLADOR ......... 105
3.1. Controlador Liga-Desliga ............... 105
4.2. Alimentação ..................................... 84
4.3. Transmissor como controlador ........ 84 3.2. Controlador de Intervalo Diferencial
.............................................................. 106
3.3. Controlador Proporcional............... 106

2
Introdução

3.4. Controlador Proporcional mais Integral 12. INSTALAÇÃO ......................................... 131


.............................................................. 107 12.1. Introdução .................................... 131
3.5. Controlador Proporcional mais 12.2. Localização da Válvula ................ 131
Derivativo .............................................. 108 12.3. Cuidados Antes da Instalação ..... 131
3.6. Proporcional + Integral + Derivativo 12.4. Tensões da Tabulação ................ 131
.............................................................. 109 12.5. Redutores .................................... 132
3.7. Controlador Tipo Batelada ............. 110 12.6. Instalação da Válvula................... 132
3.8. Controlador Analógico ................... 111 13. PARÂMETROS DE SELEÇÃO ................... 132
3.9. Controlador Digital ......................... 112 13.1. Função da Válvula ....................... 133
4. CONTROLADOR MICROPROCESSADO ........ 113 13.2. Fluido do Processo ...................... 133
4.1. Conceito ......................................... 113 13.3. Perdas de Atrito do Fluido ........... 133
4.2. Características ............................... 113 13.4. Condições de Operação .............. 133
4.3. Controladores comerciais .............. 113 13.5. Vedação....................................... 133
5. ESTAÇÃO MANUAL DE CONTROLE ............ 114 13.6. Materiais de Construção.............. 133
5.1. Estação Manual ............................. 115 13.7. Elemento de Controle .................. 134
5.2. Estação de Chaveamento A/M ...... 115 14. TIPOS DE VÁLVULAS .............................. 134
5.3. Estação A/M e Polarização............ 116 14.1. Válvula Gaveta ............................ 135
5.4. Serviços Associados ...................... 116 14.2. Válvula Esfera.............................. 136
14.3. Válvula Borboleta......................... 137
VÁLVULA DE CONTROLE .......................... 117
14.4. Válvula Globo .............................. 138
1. INTRODUÇÃO........................................... 117 14.5. Válvula Auto-regulada ................. 140
2. ELEMENTO FINAL DE CONTROLE .............. 117 15. VÁLVULAS ESPECIAIS ............................ 142
3. VÁLVULA DE CONTROLE .......................... 118 15.1. Válvula Retenção (Check Valve). 142
4. CORPO ................................................... 118 15.2. Válvulas de Retenção Tipo
4.1. Conceito ......................................... 118 Levantamento ....................................... 143
4.2. Sede............................................... 119 15.3. Válvulas de Retenção Esfera ...... 143
4.3. Plug ................................................ 119 15.4. Válvulas de Retenção Borboleta . 143
5. CASTELO ................................................ 119 15.5. Válvula de Retenção e Bloqueio . 143
6. ATUADOR ................................................ 120 16. VÁLVULA DE ALÍVIO DE PRESSÃO ........... 143
6.1. Operação Manual ou Automática .. 120 16.1. Função do Equipamento.............. 143
6.2. Atuador Pneumático....................... 120 16.2. Definições e Conceitos ................ 144
6.3. Ações do Atuador........................... 121 16.3. Sobrepressão .............................. 144
6.4. Escolha da Ação ............................ 122 16.4. Válvula de Segurança.................. 144
6.5. Mudança da Ação .......................... 122 17. VÁLVULAS SOLENÓIDES ........................ 146
6.6. Dimensionamento do Atuador ....... 122 17.1. Solenóide ..................................... 146
6.7. Atuador e outro Elemento Final ..... 122 17.2. Válvula Solenóide ........................ 147
7. ACESSÓRIOS ........................................... 123 17.3. Operação e Ação......................... 147
7.1. Volante ........................................... 123 18. VÁLVULA REDUTORA DE PRESSÃO ......... 148
7.2. Posicionador .................................. 123 18.1. Conceito....................................... 148
7.3. Booster........................................... 124 18.2. Precisão da Regulação................ 148
8. CARACTERÍSTICA DA VÁLVULA ................. 124 18.3. Sensibilidade ............................... 148
8.1. Conceito ......................................... 124 18.4. Seleção da Válvula Redutora de
8.2. Características da Válvula e do Pressão................................................. 148
Processo ............................................... 125 18.5. Instalação..................................... 149
8.3. Escolha de Características ............ 126
4. ESPECIFICAÇÕES.................................. 150
9. OPERAÇÃO DA VÁLVULA .......................... 127
9.1. Aplicação da Válvula...................... 127 1. INFORMAÇÃO DO PRODUTO ..................... 150
9.2. Desempenho.................................. 127 1.1. Propriedade (feature)..................... 150
9.3. Rangeabilidade .............................. 128 1.2. Especificação................................. 150
10. VEDAÇÃO E ESTANQUEIDADE ................. 128 1.3. Característica................................. 150
10.1. Classificação ................................ 128 2. PROPRIEDADES DO INSTRUMENTO ........... 151
10.2. Fatores do Vazamento................. 129 2.1. Funcionalidade .............................. 151
10.3. Válvulas de Bloqueio ................... 129 2.2. Estabilidade ................................... 154
11. DIMENSIONAMENTO ............................... 129 2.3. Integridade ..................................... 154
11.1. Filosofia........................................ 129 2.4. Robustez........................................ 158
11.2. Válvulas para Líquidos................. 130 2.5. Confiabilidade ................................ 158
11.3. Válvulas para Gases.................... 130 2.6. Disponibilidade .............................. 162
11.4. Queda de Pressão na Válvula ..... 130 2.7. Calibração...................................... 163
2.8. Manutenção .................................. 163
2.9. Resposta dinâmica ........................ 164

3
Introdução

3. ESPECIFICAÇÕES DO INSTRUMENTO ......... 166 3.4. Exigências da instalação ............... 225


3.1. Especificações de Operação ......... 166 3.5. Exigências para medidor eletrônico225
3.2. Especificação de desempenho ...... 166 3.6. Controle metrológico...................... 226
3.3. Especificações funcionais.............. 174 3.7. Procedimentos de teste ................. 227
3.4. Especificações físicas .................... 175 3.8. Testes adicionais ........................... 229
3.5. Especificação de segurança .......... 176 3.9. Instalação e operação ................... 229
3.6. Corrosão dos Instrumentos............ 184 3.10. Seleção do medidor..................... 230
3.7. Processos Marginais...................... 187 4. MEDIDORES DA ANP............................... 235
4.1. Medidores aprovados .................... 235
7. VARIÁVEIS DO PROCESSO ....................... 189 4.2. Medidor com Bóia.......................... 235
OBJETIVOS DE ENSINO ................................ 189 4.3. Medição com Deslocador .............. 235
1. INTRODUÇÃO........................................... 189 4.4. Medição com Radar....................... 237
2. CONCEITO .............................................. 189
9. VAZÃO ...................................................... 239
3. FAIXA DAS VARIÁVEIS .............................. 190
3.1. Faixa e Amplitude de Faixa ........... 190 1. INTRODUÇÃO .......................................... 239
3.2. Limites de Faixa ............................. 190 2. CONCEITO DE VAZÃO .............................. 239
3.3. Faixa e Desempenho do Instrumento 3. VAZÃO EM TUBULAÇÃO............................ 239
.............................................................. 190 4. TIPOS DE VAZÃO ..................................... 240
4. PRESSÃO ................................................ 191 Vazão Ideal ou Real ............................. 241
4.1. Definição ........................................ 191 Vazão Laminar ou Turbulenta .............. 241
4.2. Unidades ........................................ 191 Vazão Estável ou Instável .................... 242
4.3. Tipos .............................................. 192 Vazão Uniforme e Não Uniforme.......... 242
4.4. Medição da pressão....................... 193 Vazão Volumétrica ou Mássica ............ 243
4.5. Sensores Mecânicos...................... 193 Vazão Incompressível e Compressível 243
4.6. Sensores Elétricos ......................... 195 Vazão Rotacional e Irrotacional............ 244
4.7. Selo de pressão ............................. 196 Vazão monofásica e bifásica ................ 244
4.8. Pressostato .................................... 196 Vazão Crítica ........................................ 245
4.9. Calibração da pressão ................... 197 5. PERFIL DA VELOCIDADE........................... 246
5. TEMPERATURA ........................................ 199 6. SELEÇÃO DO MEDIDOR............................ 247
5.1. Definições ...................................... 199 6.1. Sistema de Medição ...................... 247
5.2. Unidades ........................................ 199 6.2. Tipos de Medidores ....................... 247
5.3. Escalas........................................... 200 6.3. Parâmetros da Seleção ................. 249
5.4. Escala Prática Internacional de 6.4. Medidores aprovados pela ANP.... 252
Temperatura (EPIT) .............................. 200
# ............................................................ 201 PLACA DE ORIFÍCIO..................................... 253
5.5. Medição da Temperatura............... 202 1. INTRODUÇÃO HISTÓRICA .......................... 253
5.6. Termopar........................................ 205 2. PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO E EQUAÇÕES .... 254
5.7. Resistência detectora de temperatura 3. ELEMENTOS DOS SISTEMA....................... 255
(RTD)..................................................... 208 3.1. Elemento Primário ......................... 256
5.8. Acessórios...................................... 210 3.2. Elemento Secundário .................... 256
6. ANÁLISE POR CROMATOGRAFIA ................ 212 4. PLACA DE ORIFÍCIO ................................. 256
6.1. Introdução e Histórico .................... 212 4.1. Materiais da Placa ......................... 256
6.2. Tipos de Cromatografia ................. 212 4.2. Geometria da Placa ....................... 256
6.3. Cromatografia Gás-Líquido............ 213 4.3. Montagem da Placa....................... 258
6.4. Cromatógrafo para gás natural ...... 213 4.4. Tomadas da Pressão Diferencial .. 259
6.5. Cromatógrafo em linha .................. 213 4.5. Perda de Carga e Custo da Energia
.............................................................. 260
8. NÍVEL........................................................ 215
4.6. Protusões e Cavidades.................. 261
1. Introdução ......................................... 215 4.7. Relações Matemáticas .................. 261
2. MEDIÇÃO MANUAL ................................... 217 4.8. Fatores de Correção...................... 262
Introdução ............................................. 217 4.9. Dimensionamento do β da Placa... 263
Geral...................................................... 217 4.10. Sensores da Pressão Diferencial 265
Fita de imersão ..................................... 217
Peso de imersão ................................... 219 TURBINA....................................................... 267
Régua Ullage ........................................ 220 1. INTRODUÇÃO .......................................... 267
Régua detectora de água ..................... 222 2. TIPOS DE TURBINAS ................................ 267
3. MEDIÇÃO AUTOMÁTICA ............................ 223 Turbina mecânica ................................. 267
3.1. Introdução ...................................... 223 3. TURBINA CONVENCIONAL ........................ 268
3.2. Exigências metrológicas ................ 223 Princípio de Funcionamento ................. 268
3.3. Exigências técnicas........................ 225 Partes Constituintes.............................. 268

4
Introdução

Detectores da Velocidade Angular ....... 270 MAGNÉTICO ............................................... 299


Classificação Elétrica ............................ 271
8.1. Princípio de funcionamento ........... 299
Fluido Medido........................................ 271
8.2. Sistema de Medição ...................... 299
Características ...................................... 272
8.3. Tubo Medidor................................. 299
Condicionamento do Sinal .................... 272
8.4. Transmissor de Vazão................... 300
Desempenho......................................... 273
8.5. Vantagens...................................... 300
Fatores de Influência............................. 274
8.6. Desvantagens e limitações............ 300
Seleção da turbina ................................ 275
Dimensionamento ................................. 276 TERMINOLOGIA............................................ 302
Considerações Ambientais ................... 276
Instalação da Turbina............................ 277 2.1. INTRODUÇÃO ....................................... 302
Operação .............................................. 277 2.2. DEFINIÇÕES E CONCEITOS ................... 302
Manutenção .......................................... 278 Ação do Controlador............................. 302
Calibração e Rastreabilidade................ 278 Ação de Controle .................................. 302
Cuidados e procedimentos ................... 279 Acessível............................................... 302
Folha de Especificação: Medidor de Vazão Ajuste .................................................... 302
Tipo Turbina .......................................... 280 Alarme................................................... 302
Amortecimento...................................... 303
DESLOCAMENTO POSITIVO ......................... 281 Amplificador .......................................... 303
Analisador ............................................. 303
1. INTRODUÇÃO........................................... 281
Análise .................................................. 303
2. PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO ......................... 281
Analógico .............................................. 303
3. CARACTERÍSTICAS................................... 281
Aquecimento (warm up)........................ 303
4. TIPOS DE MEDIDORES ............................. 283
Área de ambiente.................................. 303
Disco Nutante........................................ 283
Armário (Rack)...................................... 303
Lâmina Rotatória................................... 283
Atenuador ............................................. 304
Pistão Oscilatório .................................. 283
Atraso (delay)........................................ 304
Pistão Reciprocante .............................. 284
Atuador ................................................. 304
Lóbulo Rotativo ..................................... 284
Auto – aquecimento.............................. 304
Medidor com Engrenagens Ovais......... 284
Auto - regulação.................................... 304
5. MEDIDORES PARA GASES ........................ 285
Auto - sintonia ....................................... 304
Aplicações............................................. 286
Backlash ............................................... 304
Calibração dos Medidores de Gases.... 286
Banda Proporcional .............................. 304
6. VANTAGENS E DESVANTAGENS ................ 286
Bourdon C............................................. 304
7. CONCLUSÃO ........................................... 287
Banda morta ......................................... 304
CORIOLIS...................................................... 289 Base de numeração.............................. 304
Binário................................................... 304
1. INTRODUÇÃO........................................... 289 Bico-Palheta.......................................... 305
2. EFEITO CORIOLIS .................................... 289 Bocal ..................................................... 305
3. RELAÇÕES MATEMÁTICAS ........................ 290 Bode, Diagrama de............................... 305
4. CALIBRAÇÃO ........................................... 290 Bulbo..................................................... 305
5. MEDIDOR INDUSTRIAL .............................. 291 Bypass .................................................. 305
6. CARACTERÍSTICAS................................... 292 Calibração............................................. 305
7. APLICAÇÕES ........................................... 292 Campo .................................................. 305
8. CRITÉRIOS DE SELEÇÃO .......................... 292 Carga .................................................... 305
9. LIMITAÇÕES ............................................ 292 Cavitação .............................................. 305
10. CONCLUSÃO ......................................... 293 Célula de carga..................................... 305
ULTRA-SÔNICO............................................. 295 Centro de Controle ............................... 305
Chave.................................................... 305
17.1. INTRODUÇÃO...................................... 295 Choque mecânico ................................. 306
17.2. DIFERENÇA DE TEMPO........................ 295 Cíclico ................................................... 306
17.2. DIFERENÇA DE FREQÜÊNCIA ............... 296 Condições de Operação ....................... 306
17.3. EFEITO DOPPLER ............................... 296 Condutância.......................................... 306
17.4. RELAÇÃO MATEMÁTICA ...................... 296 Condutividade (elétrica)........................ 306
17.5. REALIZAÇÃO DO MEDIDOR .................. 297 Confiabilidade ....................................... 306
17.6. APLICAÇÕES ...................................... 297 Conhecimento (Acknowledgement)...... 306
Especificações ...................................... 298 Compartilhado....................................... 306
Conclusão ............................................. 298 Compensação....................................... 306
Compensador ....................................... 306
Computador Analógico ......................... 306
Computador Digital ............................... 306

5
Introdução

Configuração......................................... 307 Hidrômetro ............................................ 312


Conformidade........................................ 307 Histerese............................................... 312
Constante de Tempo............................. 307 Hot Standby (Reserva a quente) .......... 313
Consumo de ar...................................... 307 Impedância ........................................... 313
Controlador ........................................... 307 Indicador ............................................... 313
Controle Compartilhado ........................ 307 Interface ................................................ 313
Controle Digital Direto ........................... 307 Interferência eletromagnética ............... 313
Controle Liga-Desliga............................ 307 Intertravamento..................................... 313
Controle Lógico Programável ............... 307 Instrumentação ..................................... 313
Controle Multivariável............................ 308 Instrumento inteligente ......................... 313
Controle Processo................................. 308 Instrumento virtual ................................ 313
Controle Preditivo Antecipatório ........... 308 Invólucro ............................................... 313
Controle Realimentação Negativa ........ 308 IPTS 1990 ............................................. 313
Controle Supervisório............................ 308 Isolação................................................. 314
Conversor.............................................. 308 Junta ..................................................... 314
Coriolis .................................................. 308 Lâmpada Piloto ..................................... 314
Correção ............................................... 308 LASER .................................................. 314
Corpo Negro.......................................... 308 Linear .................................................... 314
Correlação............................................. 308 Linearidade ........................................... 314
Corrosão ............................................... 309 Local de Risco (classificado) ................ 314
Cristal piezoelétrico............................... 309 LVDT..................................................... 314
Característica, Curva ............................ 309 Malha .................................................... 314
Característica de Válvula ...................... 309 Magnético, Medidor de Vazão .............. 314
Dedicado ............................................... 309 Medição ................................................ 315
Default................................................... 309 Microprocessador ................................. 315
Densidade ............................................. 309 Modulação ............................................ 315
Desvio (drift).......................................... 309 Módulo .................................................. 315
Detector................................................. 309 Multiplexador......................................... 315
Dew Point.............................................. 309 Não incenditivo ..................................... 315
Diafragma.............................................. 309 Nível...................................................... 315
Diagrama ladder.................................... 309 Normal .................................................. 315
Digital .................................................... 309 Oscilação .............................................. 315
Display................................................... 310 Otimização de Controle ........................ 315
Distúrbio ................................................ 310 Padrão .................................................. 315
dp Cell ................................................... 310 Painel de Leitura (Display).................... 316
Driver..................................................... 310 P & I ...................................................... 316
Elemento Final ...................................... 310 Peso...................................................... 316
Eletrônico .............................................. 310 Pirômetro .............................................. 316
Elo de Comunicação ............................. 310 Pitot....................................................... 316
Equipamento ......................................... 310 pH ......................................................... 316
Erro........................................................ 310 Placa de orifício .................................... 316
Espiral ................................................... 310 Pneumático ........................................... 316
Estação Automático-Manual ................. 311 Poço termal........................................... 316
Estação Manual de Controle................. 311 Ponto de Ajuste..................................... 316
Exatidão (accuracy) .............................. 311 Posição ................................................. 316
Excitação............................................... 311 Posicionador ......................................... 316
Faixa...................................................... 311 Pressão................................................. 317
Falha ..................................................... 311 Pressurização ....................................... 317
Fator de Escala ..................................... 311 Procedimento........................................ 317
Fibra óptica ........................................... 311 Processo ............................................... 317
Fieldbus®.............................................. 312 Protocolo............................................... 317
Fio ......................................................... 312 Prova de explosão ................................ 317
Flacheamento (flashing)........................ 312 Prover (lê-se prúver)............................. 317
Fole ....................................................... 312 Reação ao Processo ............................ 318
Foreground/background........................ 312 Regime permanente ............................. 318
Freqüência ............................................ 312 Registrador ........................................... 318
Função .................................................. 312 Regulador ............................................. 318
Ganho.................................................... 312 Relé....................................................... 318
Hardware (HD) ...................................... 312 Repetitividade ....................................... 318
HART®.................................................. 312 Reprodutitividade .................................. 318

6
Introdução

Reset ..................................................... 318


Resolução ............................................. 318
Resposta ............................................... 318
Ressonância ......................................... 318
Reynolds, número de ............................ 318
RTD ....................................................... 318
Rotâmetro ............................................. 319
Ruído..................................................... 319
Saturação.............................................. 319
SI ........................................................... 319
Sinal ...................................................... 319
Segurança intrínseca ............................ 319
Segurança aumentada.......................... 319
Sensitividade......................................... 319
Sensor ................................................... 319
Servomecanismo .................................. 320
Sistema de Aquisição de Dados ........... 320
SCADA (Supervisory Control And Data
Acquision) ............................................. 320
SDCD (Sistema Digital de Controle
Distribuído)............................................ 320
Sistema de Controle.............................. 320
Software (SW)....................................... 320
Solenóide .............................................. 320
Strain gage............................................ 320
Tacômetro ............................................. 320
Telemetria ............................................. 320
Temperatura.......................................... 320
Tempo ................................................... 321
Termistor ............................................... 321
Termômetro........................................... 321
Termopar............................................... 321
Teste, Ponto de..................................... 321
Teste, Chave de.................................... 321
Torque ................................................... 321
Transdutor............................................. 321
Transferível ........................................... 321
Transiente ............................................. 322
Transmissor .......................................... 322
Tubo de vazão (flow tube ou meter run) ..... 322
Turbina medidora de vazão .................. 322
Umidade................................................ 322
Válvula de Controle............................... 322
Válvula de segurança............................ 322
Vapor..................................................... 322
Variável de Processo ............................ 322
Vazão .................................................... 322
Venturi ................................................... 322
Vibração ................................................ 323
Viscosidade........................................... 323
Visor de nível ........................................ 323
Vortex .................................................... 323
Wheatstone, ponte de ........................... 323
16. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............ 324

7
1. Instrumentação
Objetivos de Ensino
1. Conceituar instrumentação, distinguindo seus diferentes enfoques de fabricação, projeto,
especificação, instalação, operação e manutenção.
2. Identificar as variáveis analógicas envolvidas.
3. Listar os tipos de equipamentos que podem ser benficiados com a medição e controle de
suas variáveis.
4. Determinar qual tipo de indústria possui processo onde se pode aplicar a instrumentação.
5. Listar as principais vantagens de se usar instrumentos de medição e controle.

1. Sensor: detecção da variável medida.


1. Instrumentação 2. Indicação: apresentação do valor
instantâneo da variável.
3. Condicionamento do sinal: operação de
tornar mais amigável o sinal original.
1.1. Conceito e aplicações
4. Registro: apresentação do valor
Instrumentação é o conjunto de histórico e em tempo real da variável.
instrumentos e equipamento auxiliar usado em 5. Controle: garantia de que o valor de
uma experiência, teste ou processo ou em uma uma variável permaneça igual, em
planta, máquina ou veículo. Estes instrumentos torno ou próximo de um valor desejado.
são usados para detectar, observar, medir, 6. Alarme e intertravamento: geração de
controlar automaticamente, computar sinais para chamar a atenção do
automaticamente, comunicar ou processar operador para condições que exijam
dados e sinais. sua interferência ou para atuar
A instrumentação é o ramo da engenharia automaticamente no processo para
que trata de instrumentos industriais de mantê-lo seguro.
medição. Os enfoques da instrumentação As variáveis envolvidas incluem mas não
podem ser de se limitam a
1. Fabricação: construção de 1. Análise
componentes e instrumentos. 2. Nível
2. Projeto: detalhamento básico e 3. Pressão
específico de sistemas equipamentos e 4. Temperatura
instrumentos. 5. Vazão
3. Especificação: estabelecimento de Os instrumentos estão associados e
características físicas, funcionais e de aplicados aos seguintes equipamentos:
segurança dos instrumentos. 1. Caldeira: equipamento para gerar
4. Vendas: comercialização, marketing e vapor.
promoção de instrumentos 2. Reator: equipamento onde se realiza
5. Montagem: instalação correta dos uma reação química ordenada.
instrumentos no local de trabalho, para 3. Compressor: equipamento para mover
que ele operem conforme o previsto. gases.
6. Operação: monitoração do 4. Bomba: equipamento para mover
desempenho dos instrumentos e líquidos.
atuação manual, quando necessário, 5. Coluna de destilação: equipamento
para garantir segurança e eficiência do para separar diferentes produtos com
processo envolvido. diferentes pontos de ebulição.
7. Manutenção dos instrumentos: reparo 6. Forno: equipamento para aquecer
do instrumento quando inoperante, algum produto.
calibração e ajuste do instrumento 7. Refrigerador: equipamento para esfriar
quando o seu desempenho metrológico algum produto.
o exigir. 8. Condicionador de ar: equipamento para
As principais funções dos instrumentos são: manter a temperatura e a umidade

1
Instrumentação

relativa do ar ambiente dentro de estas incertezas dos instrumentos e


determinados limites estabelecidos. das medições em uso industrial,
As indústrias que utilizam os instrumentos garantindo sua precisão e exatidão.
de medição e de controle do processo, de 8. Aritmética para expressar corretamente
modo intensivo e extensivo são: os resultados da medição, com o
1. Química número correto de algarismos
2. Petroquímica significativos, havendo coerência e
3. Refinaria de petróleo conformidade com as especificações
4. Gás e óleo metrológicas dos instrumentos da
5. Dutos e Terminais malha de medição.
6. Têxtil 9. Legislação, normas técnicas e boas
7. Fertilizante práticas, para atender exigências legais
8. Papel e celulose e contratos comerciais entre comprador
9. Alimentícia e vendedor de produtos em
10. Farmacêutica transferência de custódia.
11. Cimento Esses conhecimentos auxiliam na escolha
12. Siderúrgica e na aplicação do sistema de controle
13. Mineração automático associado ao processo. Os
14. Nuclear modelos matemáticos, as analogias e a
15. Hidrelétrica simulação do processo são desenvolvidos e
16. Termelétrica dirigidos para o entendimento do processo e
17. Tratamento d'água e de efluentes sua dinâmica e finalmente para a escolha do
melhor sistema de controle.
1.2. Disciplinas relacionadas A especificação dos instrumentos requer o
conhecimento dos catálogos dos fabricantes e
O projeto completo do sistema de controle das funções a serem executadas, bem como
de um processo envolve vários procedimentos das normas, leis e regulamentações aplicáveis.
e exige os conhecimentos dos mais diversos A manutenção dos instrumentos exige o
campos da engenharia, tais como: conhecimento dos circuitos mecânicos,
1. Mecânica dos fluidos, para a pneumáticos e eletrônicos dos instrumentos,
especificação de bombas, geralmente fornecidos pelos fabricantes dos
dimensionamento de tubulações, instrumentos. Para a manutenção da
disposição de bandejas da coluna de instrumentação pneumática exige-se a
destilação, dimensionamento de habilidade manual e uma paciência bovina para
trocadores de calor, especificação de os ajustes de elos, alinhamento de foles,
bombas e compressores. estabelecimento de ângulos retos entre
2. Transferência de calor, para a alavancas, colocação de parafusos em locais
determinação da remoção do calor dos quase inacessíveis. A manutenção dos
reatores químicos, pré-aquecedores, instrumentos eletrônicos requer o
caldeiras de recuperação e conhecimento da eletrônica básica, do
dimensionamento de condensadores. funcionamento dos amplificadores operacionais
3. Cinética das reações químicas, para o e atualmente das técnicas digitais. O fabricante
dimensionamento dos reatores, escolha correto fornece os circuitos eletrônicos e os
das condições de operação (pressão, diagramas de bloco esquemáticos dos
temperatura e nível) e de catalisadores, instrumentos.
4. Termodinâmica, para o calculo da Para a sintonia do controlador e o
transferência de massa, do número e entendimento dos fenômenos relativos ao
da relação das placas de refluxo e das amortecimento, à oscilação e à saturação é útil
condições de equilíbrio do reator. o conhecimento rigoroso dos conceitos
5. Informática para a operação de matemáticos da integral e da derivada. A
sistemas de controle que usam analise teórica da estabilidade do processo
computadores digitais como interface requer uma matemática transcendental,
humano-máquina. envolvendo a função de transferência, os zeros
6. Telecomunicação para aplicar em e os pólos de diagramas, as equações
redes de comunicação que interligam diferenciais, a transformada de Laplace e os
sistemas digitais separados por critérios de Routh-Hurwitz.
pequenas e grandes distancias.
7. Estatística para a estimativa das
incertezas associadas com as
medições e o desenvolvimento de
técnicas para determinar e minimizar

2
Instrumentação

Qualidade do Produto
A maioria dos produtos industriais é
fabricada para satisfazer determinadas
propriedades físicas e químicas. Quanto melhor
a qualidade do produto, menores devem ser as
tolerâncias de suas propriedades. Quanto
menor a tolerância, maior a necessidade dos
instrumentos para a medição e o controle
automático.
Os fabricantes executam testes físicos e
químicos em todos os produtos feitos ou, pelo
menos, em amostras representativas tomadas
Fig. 1.2. Vista da Sala de Controle aleatoriamente das linhas de produção, para
verificar se as especificações estabelecidas
1.3. Vantagens e Aplicações foram atingidas pela produção. Para isso, são
usados instrumentos tais como indicadores de
Nem todas as vantagens da
densidade e viscosidade, espectrômetros de
instrumentação podem ser listadas aqui. As
massa, analisadores de infravermelho,
principais estão relacionadas com a qualidade
cromatógrafos e outros.
e com a quantidade dos produtos, fabricados
Os instrumentos possibilitam a verificação,
com segurança e sem subprodutos nocivos. Há
a garantia e a repetitividade da qualidade dos
muitas outras vantagens. O controle automático
produtos.
possibilita a existência de processos
Atualmente, o conjunto de normas ISO
extremamente complexos, impossíveis de
9000 exige que os instrumentos que impactam
existirem apenas com o controle manual. Um
a qualidade do produto tenham um sistema de
processo industrial típico envolve centenas e
monitoração, onde estão incluídas a
até milhares de sensores e de elementos finais
manutenção e calibração documentada deles.
de controle que devem ser operados e
Instrumentos analíticos são a base da
coordenados continuamente.
obtenção de produtos dentro de suas
Como vantagens, o instrumento de
especificações desejadas.
medição e controle
1. não fica aborrecido ou nervoso, Quantidade do Produto
2. não reclama,
As quantidades das matérias primas, dos
3. não fica distraído ou atraído por pessoas
produtos finais e das utilidades devem ser
bonitas,
medidas e controladas para fins de balanço do
4. não assiste a um jogo de futebol na
custo e do rendimento do processo. Também é
televisão nem o escuta pelo rádio,
freqüente a medição de produtos para venda e
5. não pára para almoçar ou ir ao banheiro,
compra entre plantas diferentes.
6. não fica cansado de trabalhar,
Os instrumentos de indicação, registro e
7. não tem problemas emocionais,
totalização da vazão e do nível fazem a
8. não abusa seu corpos ou sua mente,
aquisição confiável dos dados através das
9. não tem sono,
medições de modo continuo e preciso.
10. não folga do fim de semana ou feriado,
Os instrumentos asseguram a quantidade
11. não sai de férias,
precisa e exata das substâncias transferidas,
12. não reivindica aumento de salário.
compradas e vendidas.
Porém, como desvantagens, o instrumento
1. sempre apresenta erro de medição
2. opera adequadamente somente quando
estiver nas condições previstas pelo
fabricante,
3. requer calibrações e ajustes periódicos,
para se manter exato
4. requer manutenção corretiva, preventiva ou
preditiva, para que sua precisão se
mantenha dentro dos limites estabelecidos
pelo fabricante e
5. é provável que algum dia ele falhe e pela lei
de Murphy, esta falha geralmente
acontecerá na pior hora possível e poderá
acarretar grandes complicações. Fig. 1.4. Instrumentos de medição de nível

3
Instrumentação

Economia do Processo desligar) equipamentos elétricos, dispositivos


O controle automático economiza energia, sonoros e luminosos.
pois elimina o superaquecimento de fornos, de É útil o uso do sistema de desligamento
fornalhas e de secadores. O controle de calor automático ou de trip do processo. Deve-se
está baseado geralmente na medição de proteger o processo, através de um sistema
temperatura e não existe nenhum operador lógico e seqüencial que sinta as variáveis do
humano que consiga sentir a temperatura com processo e mantenha os seus valores dentro
a precisão e a sensitividade do termopar ou da dos limites de segurança, ligando ou
resistência. desligando os equipamentos e evitando
Instrumentos também permitem a qualquer seqüência indevida que produza
realização de reações químicas em condição perigosa.
quantidades estequiométricas e econômicas.
Os instrumentos garantem a conservação
da energia e a economia do processo .

Fig. 1.6. Planta industrial

Muitas plantas possuem uma ou várias


áreas onde podem estar vários perigos, tais
como o fogo, a explosão, a liberação de
Fig. 1.5. Instrumentação aplicada à indústria produtos tóxicos. Haverá problema, a não ser
que sejam tomados cuidados especiais na
observação e no controle destes fenômenos.
Hoje são disponíveis instrumentos que podem
detectar a presença de concentrações
Ecologia perigosas de gases e vapores e o
Na maioria dos processos, os produtos que aparecimento de chama em unidades de
não são aproveitáveis e devem ser jogados combustão.
fora, são prejudiciais às vidas animal e vegetal. Finalmente, todos os instrumentos que são
A fim de evitar este resultado nocivo, devem instalados em áreas que contenham gases, pós
ser adicionados agentes corretivos para ou fibras explosivas ou incendiárias devem ter
neutralizar estes efeitos. Pela medição do pH proteções adicionais, para que sua presença
dos efluentes, pode se economizar a no local não aumente o risco de explosão ou
quantidade do agente corretivo a ser usado e incêndio no local.
pode se assegurar que o efluente esteja não Os instrumentos protegem vidas humanas,
agressivo. meio ambiente e equipamentos
Os instrumentos garantem efluentes limpos
e inofensivos.
.
Segurança da Planta
O processo deve ter alarme e proteção
associados ao sistema de medição e controle.
O alarme é realizado através das mudanças de
contatos elétricos, monitoradas pelos valores
máximo e mínimo das variáveis do processo.
Os contatos dos alarmes podem atuar (ligar ou

4
2. Símbolos e Identificação
Objetivos de Ensino
1. Mostrar as normas, aplicações da simbologia e identificação dos instrumentos na indústria.
2. Apresentar os parâmetros para a identificação completa e correta dos instrumentos, quanto a
local, filosofia, variável, função e modificadores de instrumentos analógicos e digitais.
3. A partir de uma descrição, elaborar um diagrama P&I (Processo & Instrumentos).
4. A partir de um P&I, descrever de modo completo e correto os equipamentos e instrumentos
envolvidos.

do instrumento pode incluir o código da


1. Introdução informação da área .
Por exemplo, os tags TIC 500-103 e
A simbologia de instrumentação analógica TIC 500-104 são de dois Controladores
e digital, compartilhada e integral, distribuída e Indicadores de Temperatura, ambos da área
centralizada se baseia nas seguintes normas: 500 e os números seqüenciais são 103 e 104.
1. ABNT 03.004, NBR 8190, 1983:
Simbologia de Instrumentação. 3.2. Tag completo típico
2. ISA S5.1, Instrumentation Symbols and
Identification, 1984
3. ISA S5.3, Graphic Symbols for TIC 103 Identificação do instrumento ou tag do
Distributed Control/Shared Display instrumento
Instrumentation, Logic and Computer T... Primeira letra: variável da malha,
Systems, 1983 Temperatura
...C Última letra: identificação funcional:
2. Aplicações Controlador
...I... Modificador ou complemento da
Os símbolos de instrumentação são função: Indicador
encontrados principalmente em 103 Número da malha de temperatura
1. Fluxogramas de processo e de engenharia,
2. Desenhos de detalhamento de
instrumentação instalação, diagramas de
ligação, plantas de localização, diagramas
3.3. Identificação funcional
lógicos de controle, listagem de A identificação funcional do instrumento ou
instrumentos, seu equivalente funcional consiste de letras da
3. Painéis sinópticos e semigráficos na sala Tab. 2.5 e inclui uma primeira letra, que é a
de controle, variável do processo medida ou de
4. Diagramas de telas de vídeo de estações inicialização. A primeira letra pode ter um
de controle. modificador opcional. Por exemplo, PT é o
transmissor de pressão e PDT é o transmissor
3. Roteiro da identificação de pressão diferencial.
A identificação funcional do instrumento é
feita de acordo com sua função e não de sua
3.1. Geral construção. Assim, um transmissor de pressão
diferencial para medir nível tem o tag LT
Cada instrumento ou função a ser (transmissor de nível) e não o de PDT,
identificada é designado por um conjunto transmissor de pressão diferencial. Embora o
alfanumérico, chamado de tag. A parte de transmissor seja construído e realmente meça
identificação da malha correspondente ao a pressão diferencial, seu tag depende de sua
número e é comum a todos os instrumentos da aplicação e por isso pode ser LT, quando mede
mesma malha. O tag pode ainda ter sufixo para nível ou FT, quando mede vazão.
completar a identificação. O número da malha Outro exemplo, uma chave atuada por
pressão ligada à saída de um transmissor

5
Símbolos e Identificação

pneumático de nível tem tag LS, chave de nível a função de condicionamento, deve-se usar
e não PS, chave de pressão. apêndice ou sufixo ao número. Por exemplo, se
O tag também não depende da variável a mesma malha de vazão tem um extrator de
manipulada, mas sempre da variável raiz quadrada e um transdutor corrente para
inicializada ou medida. Assim, uma válvula que pneumático, o primeiro pode ser FY-101-A e o
manipula a vazão de saída de um tanque para segundo, FY-101-B. Quando se tem um
controlar nível, tem tag de LV ou LCV e não de registrador multiponto, com n pontos, é comum
FV ou FCV. numerar as malhas como TE-18-1, TE-18-2,
Quando há somente duas letras, a segunda TE-18-3 até TE-18-n.
letra é a função do instrumento. FT é o tag de Quando um registrador tem penas
um transmissor (T) de vazão (F). dedicadas para vazão, pressão, temperatura,
Também a segunda letra, que corresponde seu tag pode ser FR-2, PR-5 e TR-13. Se ele
a função do instrumento, pode ter um ou mais registra três temperaturas diferentes, seu tag
modificadores. FIA é o tag de um indicador de pode ser TR-7/8/9.
vazão, com alarme. Alarme é o modificador da Acessórios de instrumentos, como
função indicação. Também pode se detalhar o purgador, regulador de pressão, pote de
tipo de alarme, p. ex., FIAL é o tag de um selagem e poço de temperatura, que às vezes
indicador de vazão com alarme de baixa. nem é mostrado explicitamente no diagrama,
O tag pode ter modificador da variável precisam ser identificados e ter um tag, de
(primeira letra) e da função (segunda letra). Por acordo com sua função e deve ter o mesmo
exemplo, PDIAL é um indicador de pressão número da malha onde é utilizado. Esta
diferencial (modificador de pressão) com identificação não implica que o acessório deva
alarme (modificador do indicador) de baixa ser representado no diagrama. Também pode
(modificador do alarme). usar o mesmo tag da malha e colocando-se a
Quando o tag possuir várias letras, pode-se palavra de sua função, como selo, poço,
dividi-lo em dois tags. O instrumento é flange, purga. Há acessório que possui letra
simbolizado por dois balões se tangenciando e correspondente na norma, como W para poço
o tag por ser, por exemplo, TIC-3 para o (well) termal.
controlador indicador de temperatura e Pode haver diferenças de detalhes de
TSH-3 para a chave manual associada ao identificação. Por exemplo, para a malha 301
controlador. de controle de temperatura, pode-se ter a
Todas as letras de identificação de seguinte identificação:
instrumentos são maiúsculas. Por isso, deve-se
evitar usar FrC para controlador de relação de TE-301 sensor de temperatura
vazões e usar FFC, controlador de fração de TT – 301 transmissor de temperatura
vazões. TC-301 controlador de temperatura
As funções de condicionamento de sinal ou TCV-301 válvula controladora (ou de
de computação matem[atica (+. -, x, ÷, √), controle) de temperatura
seleção (<, >), lógica e covnersão (i/p, p/i) deve
ter os símbolos ao lado do balão, para Porém, há quem prefira e use:
esclarecer a função executada.
TIC-301-E sensor de temperatura
3.4. Identificação da malha TIC – 301-T transmissor de temperatura
A identificação da malha geralmente é feita TIC-301-C controlador de temperatura
por um número, colocado ao final da TIC-301-V válvula controladora (ou de
identificação funcional do instrumento controle) de temperatura
associado a uma variável de processo. Esta
numeração não está na norma, mas se baseia Também é possível encontrar em
em bom senso ou códigos locais da empresa. diagramas o tag de TIC ou TC para o
A numeração pode ser serial ou paralela. controlador de temperatura. Como
Numeração paralela começa de 0 ou 1 para praticamente todo controlador é também
cada variável, TIC-100, FIC-100, LIC-100 e AI- indicador, é comum simplificar e usar TC.
100. Numeração serial usa uma única Alguns projetistas usam pequenas
seqüência de números, de modo que se tem diferenças de tag para distinguir válvulas auto
TIC-100, FIC-101, LIC-102 e AI-103. A controladas (reguladoras) de válvulas
numeração pode começar de 0, 1 ou qualquer convencionais que recebem o sinal do
outro número conveniente, como 101, 1001, controlador. Assim, a válvula auto controlada
1201. de temperatura tem tag de TCV e a válvula
Quando a malha tem mais de um convencional de TV.
instrumento com a mesma função, geralmente

6
Símbolos e Identificação

Tab. 2.1. Válvulas de controle Tab. 2.2. Válvulas manuais

(*) Válvula gaveta


Válvula de controle com (*) Pode ser acoplado
atuador pneumático atuador ao corpo
(*)
Válvula globo
Válvula atuada por
cilindro (ação dupla)
Válvula retenção
Válvula auto regulada ou
reguladora Válvula plug

Reguladora com tomada Válvula controle manual


de pressão externa
(*)
Válvula esfera
Reguladora de vazão
autocontida (*)
Válvula borboleta ou
damper
S
Válvula solenóide com
R três vias com reset Válvula de retenção e
bloqueio

Válvula de blowdown

Atuada por diafragma (*)


com pressão balanceada Válvula diafragma

(*)
Válvula ângulo

Válvula com atuador a (*)


diafragma e posicionador Válvula três vias

Ação da válvula Válvula quatro vias


FC – Falha fechada
FO – Falha aberta Corpo de válvula isolado
FO ou FC
IhV
Válvula de controle com
atuador manual Válvula agulha
NV
Outras válvulas com
abreviatura sob o corpo
TSO

7
Símbolos e Identificação

Tab. 2.3. Miscelânea


Instrumento de nível tipo
deslocador, montado
PSV Válvula de segurança de externamente ao tanque
LT
pressão, ajuste em 100
kPa

PSV Válvula de segurança de Filtro tipo T


vácuo, ajuste em 50 mm
H2O vácuo
FE
Placa de orifício com flange

PSE Disco de ruptura


(pressão)
FQI Totalizador indicador de
vazão a DP

PSE Disco de ruptura (vácuo) FI Indicador de vazão tipo área


variável

FE Tubo venturi ou bocal


C = selo químico medidor de vazão
P = amortecedor de
pulsação
C S = sifão
FE Turbina medidora de vazão
ou elemento propelente

Plug

FE Placa de orifício em porta


Mangueira placa

Filtro, tipo Y
FE
Tubo pitot ou Annubar®
LSV Purgador de vapor

T
Espetáculo cego instalado
com anel em linha
(passagem livre)
LSV
Dreno contínuo
T Espetáculo cego instalado
com disco em linha
(bloqueado)

Código item #1234 Transmissor de nível a


pressão diferencial
LT
o Funil de dreno
(Ver abreviaturas)

8
Símbolos e Identificação

4.3. Linhas entre os Instrumentos


As linhas de ligações entre os instrumentos devem ser mais finas que as linhas de processo e são
simbolizadas como mostrado a seguir.

Sinal indefinido: conexão com processo, elo mecânico ou


alimentação do instrumento
Sinal pneumático, típico de 20 a 100 kPa (3 a 15 psi)
Sinal eletrônico, típico de 4 a 20 mA cc
Sinal binário ou discreto (saída de chave)
Sinal de ligação por programação ou elo de comunicação
Elo mecânico
~ ~ ~ Sinal eletromagnético ou sônico (guiado)
~ ~ ~ Sinal eletromagnético ou sônico (não guiado)
L L L Sinal hidráulico
Tubo capilar
Linha de processo

4.4. Balão do Instrumento


O instrumento completo é simbolizado por um pequeno balão circular, com diâmetro aproximado
de 12 mm. Porém, os avanços nos sistemas de controle com instrumentação aplicando
microprocessador, computador digital, que permitem funções compartilhadas em um único
instrumento e que utilizam ligações por programação ou por elo de comunicação, fizeram surgir
outros símbolos de instrumentos e de interligações.

Tab. 2.4. Representação dos instrumentos em Diagramas P&I

Sala de Controle Central Painel Auxiliar Campo


Acessível ao Atras do painel Acessível ao Atras do painel Montado
operador ou inacessível operador ou inacessível no campo
ao operador ao operador
Equipamento
Instrumento
discreto

Equipamento
compartilhado
Instrumento
compartilhado
Software
Função de
computador

Lógica
compartilhada
Controle Lógico
Programável

Instrumentos compartilhando o mesmo invólucro. Não é mandatório


mostrar uma caixa comum.

9
Símbolos e Identificação

Tab. 2.5. Letras de Identificação


Variável Modificador Função display Função saída Modificador
A Análise (5,19) Alarme

B Queimador (burner) Escolha (1) Escolha (1) Escolha (1)

C Condutividade Controle (13)


Escolha (1)
D Densidade Diferencial
Escolha (1)
E Tensão (f.e.m.) Elemento sensor

F Vazão (flow) Fração ou relação (4)

G Escolha (1) Visor (9) ou


indicador local
H Manual (hand) Alto (high)
(7, 15, 16)
I Corrente Indicação (10)

J Potência Varredura (scan) (7)

K Tempo Tempo de mudança Estação controle


(4, 21) (22)
L Nível (level) Lâmpada (11) Baixo (low)
(7, 15, 16)
M Escolha (1) Momentâneo Médio (7, 15)

N Escolha (1) Escolha (1) Escolha (1) Escolha (1)

O Escolha (1) Orifício ou


Restrição
P Pressão, Vácuo Ponto de teste

Q Quantidade Integral, Total (4)


Quantificador
R Radiação Registro (17)

S Velocidade (speed) Segurança (8) Chave (13)

T Temperatura Transmissão (18)

U Multivariável (6) Multifunção (12) Multifunção (12) Multifunção (12)

V Vibração, Análise Válvula, damper


mecânica (13)
W Peso, Força Poço (well)

X Não classificado (2) Eixo X Não classificado (2) Não


Variável a definir classificado (2)
Y Evento, Estado Eixo Y Não Relé, computação
Função a definir classificado (2) (13, 14, 18)
Z Posição ou Dimensão Eixo Z Elemento final

10
Símbolos e Identificação

Notas para a Tabela das Letras de Identificação


1. Uma letra de escolha do usuário tem o objetivo de cobrir significado não listado que é necessário em uma determinada aplicação. Se usada, a letra
pode ter um significado como de primeira letra ou de letras subsequentes. O significado precisa ser definido uma única vez em uma legenda. Por exemplo,
a letra N pode ser definida como módulo de elasticidade como uma primeira letra ou como osciloscópio como letra subsequente.
2. A letra X não classificada tem o objetivo de cobrir significado não listado que será usado somente uma vez ou usado em um significado limitado.
Se usada, a letra pode ter qualquer número de significados como primeira letra ou como letra subsequente. O significado da letra X deve ser definido do
lado de fora do círculo do diagrama. Por exemplo, XR pode ser registrador de consistência e XX pode ser um osciloscópio de consistência.
3. A forma gramatical do significado das letras subsequentes pode ser modificado livremente. Por exemplo, I pode significar indicador, ou indicação;
T pode significar transmissão ou transmissor.
4. Qualquer primeira letra combinada com as letras modificadoras D (diferencial), F (relação), M (momentâneo), K (tempo de alteração) e Q
(integração ou totalização) representa uma variável nova e separada e a combinação é tratada como uma entidade de primeira letra. Assim, os
instrumentos TDI e TI indicam duas variáveis diferentes: diferença de temperatura e temperatura. As letras modificadoras são usadas quando aplicável.
5. A letra A (análise) cobre todas as análises não descritas como uma escolha do usuário. O tipo de análise deve ser especificado fora do circulo de
identificação. Por exemplo, análise de pH, análise de O2. Análise é variável de processo e não função de instrumento, como muitos pensam principalmente
por causa do uso inadequado do termo analisador.
6. O uso de U como primeira letra para multivariável em lugar de uma combinação de outras primeiras letras é opcional. É recomendável usar as
primeiras letras especificas em lugar da letra U, que deve ser usada apenas quando o número de letras for muito grande. Por exemplo, é preferível usar
PR/TR para indicar um registrador de pressão e temperatura em vez de UR. Porém, quando se tem um registrador multiponto, com 24 pontos e muitas
variáveis diferentes, deve-se usar UR.
7. O uso dos termos modificadores alto (H), baixo (L), médio (M) e varredura (J) é opcional.
8. O termo segurança se aplica a elementos primários e finais de proteção de emergência. Assim, uma válvula auto atuada que evita a operação de
um sistema de fluido atingir valores elevados, aliviando o fluido do sistema tem um tag PCV (válvula controladora de pressão). Porém, o tag desta válvula
deve ser PSV (válvula de segurança de pressão) se ela protege o sistema contra condições de emergência, ou seja, condições que são perigosas para o
pessoal ou o equipamento e que são raras de aparecer. A designação PSV se aplica a todas as válvulas de proteção contra condições de alta pressão de
emergência, independente de sua construção, modo de operação, local de montagem, categoria de segurança, válvula de alívio ou de segurança. Um
disco de ruptura tem o tag PSE (elemento de segurança de pressão).
9. A função passiva G se aplica a instrumentos ou equipamentos que fornecem uma indicação não calibrada, como visor de vidro ou monitor de
televisão. Costuma-se aplicar TG para termômetro e PG para manômetro, o que não é previsto por esta norma.
10. A indicação normalmente se aplica a displays analógicos ou digitais de uma medição instantânea. No caso de uma estação manual, a indicação
pode ser usada para o dial ou indicador do ajuste.
11. Uma lâmpada piloto que é parte de uma malha de instrumento deve ser designada por uma primeira letra seguida pela letra subsequente L. Por
exemplo, uma lâmpada piloto que indica o tempo expirado deve ter o tag KQL (lâmpada de totalização de tempo). A lâmpada para indicar o funcionamento
de um motor tem o tag EL (lâmpada de voltagem), pois a voltagem é a variável medida conveniente para indicar a operação do motor ou YL (lâmpada de
evento) assumindo que o estado de operação está sendo monitorado. Não se deve usar a letra genérica X, como XL
12. O uso da letra U para multifunção, vem vez da combinação de outras letras funcionais é opcional. Este designador não específico deve ser usado
raramente.
13. Um dispositivo que liga, desliga ou transfere um ou mais circuitos pode ser uma chave, um relé, um controlador liga-desliga ou uma válvula de
controle, dependendo da aplicação. Se o equipamento manipula uma vazão de fluido do processo e não é uma válvula manual de bloqueio liga-desliga, ela
é projetada como válvula de controle. É incorreto usar o tag CV para qualquer coisa que não seja uma válvula de controle auto atuada. Para todas as
aplicações que não tenham vazão de fluido de processo, o equipamento é projetado como:
a) Chave, se for atuada manualmente.
b) Chave ou controlador liga-desliga, se for automático e for o primeiro dispositivo na malha. O termo chave é geralmente usado se o dispositivo é
aplicado para alarme, lâmpada piloto, seleção, intertravamento ou segurança. O termo controlador é usado se o dispositivo é aplicado para o controle de
operação normal.
c) Relé, se for automático e não for o primeiro dispositivo na malha, mas atuado por uma chave ou por um controlador liga-desliga.
14. As funções associadas com o uso de letras subsequentes Y devem ser definidas do lado de fora do circulo de identificação. Por exemplo, FY
pode ser o extrator de raiz quadrada na malha de vazão; TY pode ser o conversor corrente para pneumático em uma malha de controle de temperatura.
Quando a função é evidente como para uma válvula solenóide ou um conversor corrente para pneumático ou pneumático para corrente a definição pode
não ser obrigatória.
15. Os termos modificadores alto, baixo, médio ou intermediário correspondem aos valores da variável medida e não aos valores do sinal. Por
exemplo, um alarme de nível alto proveniente de um transmissor de nível com ação inversa deve ser LAH, mesmo que fisicamente o alarme seja atuado
quando o sinal atinge um valor mínimo crítico.
16. Os termos alto e baixo quando aplicados a posições de válvulas e outras dispositivos de abrir e fechar são assim definidos:
a) alto significa que a válvula está totalmente aberta
b) baixo significa que a válvula está totalmente fechada
17. O termo registrador se aplica a qualquer forma de armazenar permanentemente a informação que permita a sua recuperação por qualquer modo.
18. Elemento sensor, transdutor, transmissor e conversor são dispositivos com funções diferentes, conforme ISA S37.1.
19. A primeira letra V, vibração ou análise mecânica, destina-se a executar as tarefas em monitoração de máquinas que a letra A executa em uma
análise mais geral. Exceto para vibração, é esperado que a variável de interesse seja definida fora das letras de tag.
20. A primeira letra Y se destina ao uso quando as respostas de controle ou monitoração são acionadas por evento e não acionadas pelo tempo. A
letra Y, nesta posição, pode também significar presença ou estado.
21. A letra modificadora K, em combinação com uma primeira letra como L, T ou W, significa uma variação de taxa de tempo da quantidade medida
ou de inicialização. A variável WKIC, por exemplo, pode representar um controlador de taxa de perda de peso.
22. A letra K como modificador é uma opção do usuário para designar uma estação de controle, enquanto a letra C seguinte é usada para descrever
controlador automático ou manual.

11
Símbolos e Identificação

Tab. 2.6. Elementos do Diagrama


Funcional
÷ Divisor
FT Transmissor de vazão

± Polarização, adição ou subtração


LT Transmissor de nível
Δ Comparador, diferença
PT Transmissor de pressão

Σ Adicionador, somador
TT Transmissor de temperatura

Σ/n Tirador de média


AT Transmissor de análise

Σ/t Integrador
Lâmpada de painel

XI Indicador da variável X Contato normalmente aberto

Contato normalmente fechado


XR Registrador da variável X
A Gerador de sinal analógico
T
Bobina de relé
Gerador de sinal manual
T Chave de transferência

T Relé de transferência ou trip S Atuador solenoide

> Seletor de sinal alto


> Limitador de sinal alto
Seletor de sinal baixo
<
< Limitador de sinal baixo
A/D Conversor analógico/digital

P/I Transdutor ar pneumático para corrente


D/A Conversor digital/analógico Válvula com atuador pneumático

MO Operador motorizado
K Ação de controle proporcional

f(x) Operador não especificado


∫ Ação de controle integral

Extrator de raiz quadrada


d/dt
Ação de controle derivativa
× Multiplicador

12
Símbolos e Identificação

5. Malha de controle
4. Simbologia de Instrumentos
A Fig. 2.1 ilustra como os símbolos são
A normalização dos símbolos e combinados para descrever uma determinada
identificações dos instrumentos de medição e malha de controle. Há vários níveis de
controle do processo, que inclui símbolos e detalhamento. Na Fig. 2.1 (a), tem-se a
códigos alfa numéricos, torna possível e mais malha com todos os detalhes e na
eficiente a comunicação do pessoal envolvido Fig. 2.1 (b), a malha simplificada.
nas diferentes áreas de uma planta: projeto Esta malha é de controle e indicação de
manutenção, operação e processo. pressão (PIC). O controlador é compartilhado
(símbolo quadrado) e o seu ponto de ajuste é
4.1. Parâmetros do Símbolo estabelecido por um computador supervisório
(símbolo hexágono) através de um protocolo
A simbologia correta da instrumentação digital de dados compartilhados que fornece
deve conter os seguintes parâmetros o elo de programação entre o computador e o
1. Identificação das linhas de sistema de controle compartilhado (linha com
interligação dos instrumentos, p. ex.., traço e circulo).
pneumática, eletrônica analógica e O número da malha de controle é único e
eletrônica digital igual a 211, que pode indicar a 11a malha da
2. Determinação do local de instalação área 200. Todos os componentes da malha
dos instrumentos, acessível ou não possuem este mesmo número, ou seja,
acessível ao operador de processo. 1. transmissor PT 211
3. Filosofia da instrumentação, quanto 2. transdutor i/p PY 211
ao instrumento ser dedicado a cada 3. controlador PIC 211
malha ou compartilhado por um O transmissor PT 211 está ligado ao
conjunto de malhas de processo processo através de uma válvula de bloqueio
4. Identificação (tag) do instrumento, de ½ " (13 mm) e sente a pressão de 0 a 300
envolvendo a variável, a função do psi e gera na saída o sinal padrão de corrente
instrumento e o numero da malha. eletrônica de 4 a 20 mA cc. O sinal de saída
do transmissor é recebido e identificado no
4.2. Alimentação dos instrumentos multiplexador do sistema compartilhado como
a entrada analógica #17 (AI- 17).
A maioria absoluta dos instrumentos de O controlador PIC 211 se encontra no
medição e de controle requer alguma fonte console #2 (C-2) do sistema compartilhado e
de alimentação, que lhe forneça algum tipo tem as funções de controle PI (proporcional e
de energia para seu funcionamento. Os tipos integral).
mais comuns de alimentação são a elétrica e O sistema compartilhado também fornece
a pneumática, porém há muitas outras um sinal de alarme de alta (PAH) e uma
disponíveis. variação de pressão de alta (dP/dt) desta
As seguintes abreviações são sugeridas medição.
para denotar os tipos de alimentação. No lado da saída do controlador, o sinal
Opcionalmente, elas podem indicar também que deixa o multiplexador do sistema é
tipos de purga. identificado como a saída analógica (AO-21),
que também é o sinal de 20 mA cc. Este sinal
AS Suprimento de ar (Air supply) eletrônico é recebido por um transdutor i/p,
ES Suprimento elétrico (Electric supply) que o converte para o sinal pneumático de 20
GS Suprimento de gás (Gas supply) a 100 kPa (0,2 a 1,0 kgf/cm2 ou 3 a 15 psi),
que está montado na válvula de controle
HS Suprimento hidráulico PCV 211.
NS Suprimento de Nitrogênio A válvula tem condição de falha fecha
(fail close - FC) e possui um posicionador (P).
SS Suprimento de Vapor (Steam supply) O transdutor i/p requer a alimentação
pneumática (AS - air supply), típica de 140
WS Suprimento de água (Water supply)
kPa (22 psi).
O diagrama da Fig. 2.1 (b) mostra uma
O nível de alimentação pode ser malha de controle de pressão, digital e
adicionado à linha de alimentação do compartilhada, PIC.
instrumento. Por exemplo, AS 100 kPa
(alimentação pneumática de 100 kPa), ES 24
V cc (alimentação de 24 V cc para
instrumento elétrico).

13
Símbolos e Identificação

C-#2
PAH (PI)
dp/dt
AI-17 PIC AO-21
211

S.P.
PY AS
0-300 # 211
PT
211
AS P
½"

FC
PCV
211

(a) Representação detalhada

PIC
211

(b) Representação simplificada

Fig. 2.1. Representação detalhada de uma malha


de controle de pressão (a) e a equivalente, simplificada
(b).

14
Símbolos e Identificação

6. Sistemas completos A Fig. 2.4. mostra a descrição simbólica


completa de um processo de distilação.
As Fig. 2.2. e Fig. 2.3 mostram o mesmo A vazão de alimentação é medida (FE-3,
sistema de controle com diferentes graus de FT-3) e registrada (FR-3), mas não
detalhamento. Na Fig. 2.2 todos os controlada A taxa de entrada de calor é
elementos são mostrados e na Fig. 2.3, tem- proporcional à taxa de alimentação vezes um
se o sistema simplificado.. ganho de relé (FY-3B), que ajusta o ponto de
O registro da vazão é obtido de ajuste do controlador de vazão do óleo
1. sensor de vazão placa de orifício, FE- quente (FRC-1).
1. O produto leve da torre é condensado,
2. transmissor de vazão, no campo, FT-1, com a temperatura do condensado
3. extrator de raiz quadrada, montado controlada mantendo-se constante a pressão
atrás do painel da sala de controle, FY- da coluna (PRC-11). A saída do produto leve
1, tem vazão controlada (FRC-4). O ponto de
4. registrador com duas penas, uma para ajuste do controlador é ajustado por um relé
a vazão (FR-1) e outra para a pressão divisor (UY-6), cujas entradas são a vazão de
(PR-2), montado no painel de leitura da alimentação, como modificada pelo relé
sala de controle. função (FY-3A) e a saída do controlador de
O registro da pressão é obtido de um análise dos produtos leves (ARC-5). O
transmissor de pressão, PT-2, montado no controlador de análise recebe a análise do
campo. A tomada da pressão usa a tomada produto de seu transmissor, que também
de alta ou de baixa da placa. transmite o sinal para uma chave de análise
O diagrama não determina se o sinal é dual (alta/baixa), que por sua vez, atua em
pneumático ou eletrônico. alarmes correspondentes.
A temperatura da saída do gás é medida O nível do acumulador é mantido
por constante (LIC-7) através da manipulação da
1. Um sensor de temperatura tipo vazão de refluxo (LV-7), que é uma válvula
detector de temperatura a resistência com falha aberta (FO). Uma chave de nível
(RTD), TE-3, montada em um poço, separada atua um alarme de nível do
TW-3 acumulador em alta e baixa (LSH/L 9). Há
2. O sinal do sensor vai diretamente ao uma indicação de nível local através de visor
registrador e controlador de (LG 10).
temperatura (TRC-3). São medidas temperaturas em vários
3. A saída do controlador é o sinal pontos do processo e os valores são
eletrônico padrão de 4 a 20 mA cc registrados (6 pontos - TJR 8-1 a 8-6) e
que vai para o atuador de uma indicados (3 pontos - TJI 9-1 a 9-3). Alguns
válvula esfera, TV-3, com atuador a dos pontos de registro possuem chaves de
cilindro. acionamento de temperatura baixa e alta (por
4. O controlador registrador de exemplo, TJSH 8-2, TAH 8-2 e TJSL 9-5 e
temperatura tem uma chave de TAL 8-5), com respectivos alarmes
temperatura TSL-3, que atua um A Fig. 2.5. ilustra o sistema de medição,
alarme no painel (TAL-3), com a controle e automação de uma estação de
temperatura baixa. medição de gás natural. São identificados os
A Fig. 2.3 usa uma simbologia instrumentos (com um losango com a letra I
simplificada para mostrar que um gás é no interior) pertencentes ao sistema de
aquecido e sua temperatura é controlada por intertravamento, que é feito por um
um controlador de painel. O fluido de Controlador Lógico Programável. As variáveis
aquecimento é modulado por uma válvula de são mostradas pelo Sistema Supervisório,
controle e registra a vazão do gás, pressão e que é um computador compartilhado
temperatura de saída e há um alarme que (identificados com um hexágono). Há sinais
atua com temperatura baixa. pneumáticos e discretos (ou binários, que são
as saídas de chaves elétricas).

15
Símbolos e Identificação

FR PR
1 2

FY Fluido do
1 trocador de
calor
TE
3
FT PT
1 2 TW
3

RTD
FE
1 TV
3 TRC
3
TAL TSL
3 3

Fig. 2.2. Simbologia total

Fluido do trocador
de calor
TAL
4
FR PR
1 2

TV
3 TRC
3

Fig. 2.3. Simbologia de modo simplificado

16
Símbolos e Identificação

Fig. 2.4. Instrumentação para um sistema de distilação

17
Instrumentos

Fig. 2.5. Instrumentação para um sistema de medição de uma estação de medição de gás natural

18
3. Instrumentos
Objetivos de Ensino
1. Classificar os tipos de instrumento, quanto a alimentação
2. Mostrar a topologia do instrumento: montado no campo ou sala de controle, modular ou integral,
dedicado ou compartilhado, centralizado ou distribuído.
3. Listar os sinais padrão usados na Instrumentação: pneumático, eletrônico analógico e digital.
4. Apresentar as características e vantagens do instrumento inteligente sobre o convencional.
5. Conceituar instrumento virtual e suas diferenças do real.

do instrumento e faz a leitura. Também neste


1. Classes de Instrumentos caso, ele pode anotar a leitura feita para uso
posterior.
Os instrumentos de medição e controle de Quando o operador quiser saber o valor
processo podem ser classificados de acordo instantâneo e o também os valores passados,
com a seguinte dialética: usa-se um registrador, que imprimie em um
1. manual ou automático gráfico de papel continuamente os valores da
2. alimentado ou sem alimentação externa variavel. O registrador é mais caro que o
3. pneumático ou eletrônico indicador, porém fornece mais informações.
4. analógico ou digital Atualmente é possível, num sistema
5. burro ou inteligente eletrônico digital de aquisição de dados. Os
6. montado no campo ou na sala de dados proporcionais às medições são
controle coletados e armazenados no sistema. Quando
7. modular ou integral o operador quiser saber de valores
8. dedicado ou compartilhado instantâneos ou históricos, ele pode fazer
9. centralizado ou distribuído leituras no monitor do sistema ou imprimir
relatórios de medição através de impressoras
de computador.
2. Manual e Automático
Com relação à intervenção humana, a medição
instrumento pode ser manual ou automática.
A medição mais simples é feita
manualmente, com a interferência direta de um
operador. A medição manual geralmente é feita
por um instrumento portátil. Exemplos de
medição manual:
1. medição de um comprimento por uma
régua,
2. medição de uma resistência elétrica
Fig. 3.1. Instrumentos portáteis (HP)
através de um ohmímetro,
3. medição de uma tensão com um
voltímetro.
As medições feitas manualmente
geralmente são anotadas pelo operador, para 3. Alimentação dos
uso posterior. Instrumentos
A medição pode ser feita de modo
automático e continuo, sem interferência A energia está associada aos instrumentos
humana direta. O instrumento fica ligado de dois modos: através da alimentação e do
diretamente ao processo, sentindo a variável e método de transdução. Qualquer instrumento
indicando continuamente o seu valor para funcionar necessita de energia, que pode
instantâneo. Quando o operador quiser saber o ser fornecida externamente ou internamente.
valor medido, ele se aproxima adequadamente Esta fonte de energia pode ser externa e

19
Instrumentos

explícita, quando o instrumento é alimentado. 3. indicador ou registrador local de vazão


As duas fontes clássicas de alimentação de com elemento sensor de pressão
instrumentos são diferencial (diafragma).
1. a eletrônica e
2. a pneumática.
Em alguns sistemas, há ainda a
alimentação hidráulica, fornecida por pressão
de óleo.
Instrumentos eletrônicos são alimentados
por uma fonte externa de tensão, típica de 24 V
cc. Esta alimentação geralmente é feita por um
único par de fios que simultaneamente conduz
a informação e a alimentação. Por questão
econômica e de segurança, raramente se usa Fig. 3.3. Manômetro, sem alimentação externa
um instrumento de medição no campo
alimentado com uma bateria integral, colocada
no seu interior.

4. Pneumático ou Eletrônico
Dependendo da natureza da fonte de
energia e do sinal padrão, os instrumentos
podem ser classificados em:
1. pneumáticos, onde estão incluídos os
puramente mecânicos.
2. eletrônicos, ou também chamados de
elétricos.
Ambos os tipos de instrumentos,
pneumáticos e letronicos, podem executar as
Fig. 3.2. Alimentação do transmissor eletrônico mesmas funções, apresentando vantagens e
desvantagens, quando comparados. Esta
comparação já foi clássica, na década de 1970,
Instrumentos pneumáticos são alimentados mas hoje há uma predominância da
por uma fonte externa de ar comprimido, típica instrumentação eletrônica sobre a pneumática.
de 140 kPa (1,4 kgf/cm2 ou 20 psi). Cada A escolha entre pneumático ou eletrônico
instrumento pneumático montado no campo é não é apenas a escolha de um instrumento
alimentado individualmente através de um isolado, mas de todo um sistema de
conjunto filtro-regulador ajustável ou fixo. O instrumentação de controle do processo. A
filtro elimina, num estágio final, as impurezas, escolha pode depender do tipo de processo e
umidade e óleo contaminantes do ar das variáveis envolvidas.
comprimido. O regulador, ajustável ou fixo, A escolha do sistema de instrumentação
geralmente abaixa a pressão mais elevada de influi e implica na definição de outros
distribuição para o valor típico de 140 kPa. O equipamentos e sistemas. Ou seja, quando se
sinal padrão de transmissão pneumática é de escolhe uma instrumentação pneumática, há a
20 a 100 kPa. necessidade de se ter um compressor de ar de
Existem instrumentos de montagem local instrumento, de capacidade adequada à
que não necessitam de nenhuma alimentação quantidade de instrumentos, com filtros,
externa para seu funcionamento. Eles são secadores, estágios de redução e todo um
chamados de auto-alimentados. Eles utilizam a sistema de interligações e distribuição através
própria energia do processo para seu de tubos plásticos ou de cobre. Quando se
funcionamento. Exemplos de indicadores e escolhe uma instrumentação eletrônica, deve-
registradores que não necessitam de se considerar o sistema de alimentação
alimentação externa são: elétrica, com eventual opção de reserva de
1. manômetro ou indicador local de bateria para suprir a energia na falta da
pressão, com elemento sensor tipo alimentação alternada principal. Mesmo com
bourdon C, helicoidal, espiral, helicoidal toda a instrumentação eletrônica, deve ser
ou fole. considerado o uso do compressor de ar de
2. termômetro ou indicador local de instrumento, para alimentar, no mínimo, os
temperatura com elemento sensor tipo transdutores I/P, pois as válvulas de controle
bimetal. são atuadas pneumaticamente.

20
Instrumentos

4.1. Instrumento pneumático adequado para grandes distancias, pois a


resistência parasita da fiação atenua o sinal
O instrumento pneumático é aquele que transmitido.
necessita, para seu funcionamento, da A alimentação dos instrumentos eletrônicos
alimentação de ar comprimido, pressão típica de campo é feita através do mesmo par de fios
de 120 kPa (20 psig). O sinal padrão de que conduz o sinal padrão de informação. Tais
informação pneumática é o de 20 a 100 kPa transmissores são chamados de 2-fios.
(0,2 a 1,0 kgf/cm2 ou 3 a 15 psi). Pretendeu-se diminuir o sinal padrão para faixa
O dispositivo para gerar o sinal padrão é o menor que 4 a 20 mA, para que a alimentação
conjunto bico palheta. A distância entre o bico fosse de 5 V cc, porém, isso não se realizou.
que sopra e a palheta que se move em função
da variável medida modula o sinal de saída
entre 20 e 100 kPa. O dispositivo para detectar
o sinal padrão é o fole receptor.

Fig. 3.5. Medidor vortex, eletrônico (Foxboro)

Atualmente, o sinal padrão analógico de 4 a


20 mA é substituído pelo sinal digital
Fig. 3.4. Transmissor pneumático (Foxboro) (protocolo), que é muito mais eficiente e
poderoso para transmitir informação. Ainda não
há um protocolo padrão de transmissão digital
Mesmo com o uso intensivo e extensivo de e há protocolos abertos e proprietários, tais
instrumentos eletrônicos, ainda hoje se usa como
muito a válvula de controle com atuador 1. HART
pneumático. Por sua simplicidade, 2. Fieldbus Foundation
confiabilidade e economia, a válvula de 3. Modbus
controle com atuador pneumático ainda será 4. Profibus
usada como elemento final de controle padrão 5. FOXCOM, da Foxboro
por muitos anos. 6. Brain, da Yokogawa
O instrumento eletrônico pode ser uma
4.2. Instrumento eletrônico fonte de energia e por isso ele não é seguro
quando usado em área classificada, a não ser
O instrumento eletrônico é alimentado por
que sejam tomados cuidados especiais de
energia elétrica, geralmente de 24 V cc. Mesmo
fabricação e instalação. Ele deve possuir uma
quando ele é alimentado pela linha alternada
classificação elétrica especial, compatível com
de 120 V ca, seus circuitos internos a
a classificação de área do local onde ele vai
semicondutores necessitam de corrente
operar.
contínua para sua polarização e portanto todos
Há basicamente dois tipos de instrumentos
os instrumentos possuem uma fonte de
eletrônicos:
alimentação integral.
1. à base de corrente e
O sinal padrão para a transmissão de
2. à base de tensão.
corrente eletrônica é 4 a 20 mA cc. Este sinal
foi usado pela primeira vez pela Foxboro, em
1950 e foi padronizado por uma norma
interncionao ISO/IEC em 1975.
Já foi usado o sinal de 10-50 mA cc,
porém, por causa da segurança e
compatibilidade com computadores digitais, ele
desapareceu. Existe também o sinal de
transmissão de 1 a 5 V cc, porém ele não é

21
Instrumentos

dissipada é baixo e o calor dissipado é


desprezível.
Como recomendação:
1. utilizar o instrumento à base de
corrente para a transmissão de sinais,
pois não há problemas de atenuação
com as distancias envolvidas e
2. utiliza o instrumento à base de tensão
para a manipulação local dos sinais,
dentro do painel, para usufruir das
vantagens de baixo consumo, baixa
dissipação de calor, facilidade de
Fig. 3.6. Instrumentos eletrônicos ligações e flexibilidade de conexões.

As características dos instrumentos à base 5. Analógico ou Digital


de corrente são:
1. Todos os instrumentos devem ser ligados O conceito de analógico e digital se refere a
em série. Para garantir a integridade do 1. sinal
sistema, devem existir dispositivos de 2. tecnologia
proteção que possibilitem a retirada ou 3. display
colocação de componentes da malha, sem 4. função matemática.
interrupção ou interferência de
funcionamento. Caso não haja essa
5.1. Sinal
proteção, quando um instrumento da malha
é retirado, ou mesmo se estraga, toda a Sinal é uma indicação visual, audível ou de
malha fica desligada. outra forma que contem informação.
2. A ligação em série também influi no valor O sinal pode ser:
máximo da impedância da malha. A malha 1. Analógico
de instrumentos à base de corrente, onde 2. Discreto
todos são ligados em série, a soma das 3. Pulsos
impedâncias de entrada de todos os 4. Digital
instrumentos é limitada por um valor Sinal analógico é aquele que vária de modo
máximo, que é função geralmente do nível continuo, suave, sem saltos ou degraus. O
de alimentação da malha. Desse modo, é parâmetro fundamental do sinal analógico é
limitado o número de instrumentos ligados sua amplitude. Medir um sinal analógico é
em série numa malha. Quando esse limite é determinar o valor de sua amplitude. Sinal
ultrapassado, a solução é usar o analógico é medido.
instrumento repetidor de corrente, também São exemplos de sinal analógico:
chamado de casador de impedância. 1. Sinal padrão pneumático de 20-100
3. As impedâncias de entrada dos kPa, onde o 20 kPa corresponde a 0%
instrumentos são baixas, da ordem de 101 a e 100 kPa a 100%.
102 ohms e assim as correntes circulantes 2. Sinal padrão eletrônico de 4-20 mA cc,
são relativamente elevadas (mA). Isso onde o 4 mA cc corresponde a 0% e 20
eqüivale a dizer que o consumo de energia mA a 100%.
é elevado e há grande dissipação de calor. 3. As variáveis de processo são
As características dos instrumentos à base de analógicas. Uma temperatura pode
tensão são: variar de 20 a 50 oC, assumindo todos
1. Todos os instrumentos são ligados em os infinitos valores intermediários. Uma
paralelo. Os diagramas de ligação, como pressão de processo pode variar de 0 a
conseqüência, são mais simples, pois 10 MPa, de modo contínuo.
podem ser unifilares. Sinal binário ou discreto é aquele que só
2. Os componentes apresentam alta pode assumir dois valores descontínuos, alto
impedância de entrada, de modo que a ou baixo, ligado ou desligado. Exemplo de sinal
retirada, colocação e defeito dos discreto: saída de uma chave elétrica. O sinal
instrumentos do sistema não interferem no discreto ou binário só contem um bit, que pode
seu funcionamento normal. ser 0 ou 1. Bit pode ser manipulado.
3. Como os instrumentos possuem altíssimas Sinal de pulsos elétricos contem uma
impedâncias de entrada, da ordem de 106 sucessão de valores 1 alternados por uma
ohms, as correntes circulantes são sucessão de valores 0. A informação do pulso
baixíssimas (μA ou pA). O nível de energia pode estar na amplitude, freqüência, duração

22
Instrumentos

ou posição. A saída de pulsos da turbina 5.3. Tecnologia


medidora de vazão, onde cada pulso
escalonada pode corresponder, a um A tecnologia eletrônica pode ser analógica
determinado volume. Pulsos são contados. ou digital.
O sinal digital é constituído de um conjunto A base dos circuitos analógicos é o
de n bits, onde n tipicamente vale 16, 32 ou 64. amplificador operacional, que manipula e
Quando se define a função e característica de computada variáveis analógicas (corrente e
cada bit, está se definindo um protocolo digital. tensão). Os componentes passivos
O sinal digital é o mais poderoso e contêm o (resistência, capacitor e indutor) servem para
máximo de informação possível, como tag do polarizar os circuitos. Os componentes ativos
instrumento, faixa calibrada, pontos limites, (transistores, amplificadores operacionais)
unidade de engenharia e muito mais. operam na região de amplificação linear.
Um sinal digital de 16 bits pode ser Instrumento digital usa circuitos e técnicas
10011101 1011 1001. lógicas para fazer a medição ou para processar
os dados. Basicamente, um instrumento digital
pode ser visto como um arranjo de portas
5.2. Display lógicas que mudam os estados em velocidades
O display ou readout é a apresentação muito elevadas para fazer a medição. A base
visual dos dados. Ele pode ser analógico ou dos circuitos digitais são os circuitos integrados
digital. digitais, constituídos de portas lógicas (AND,
Display analógico é aquele constituído, , de OR, NAND, NOR, NOT), multivibradores (flip-
uma escala fixa e um ponteiro móvel (u de uma flop), contadores e temporizadores.
escala móvel e ponteiro fixo) O ponteiro se Atualmente, todos estes circuitos e lógicas
move continuamente sobre a escala graduada, estão integradas no microprocessador. Os
possibilitando a leitura do valor medido. circuitos digitais podem também executar as
Display digital é aquele constituído por tarefas analógicas de amplificar e filtrar.
números ou dígitos. Os números variam de Necessariamente, eles devem ter um estágio
modo discreto, descontinuo, possibilitando a de conversão analógico-digital e
leitura do valor medido. eventualmente, de digital-analógico.
O fator mais importante favorecendo o
instrumento digital, quando comparado com o
analógico, é a facilidade de leitura. Quando o
operador lê um instrumento analógico, ele deve
se posicionar corretamente, fazer interpolação,
usar espelho da escala, ou seja, ter um bom
olho. A leitura analógica é suscetível a erro de
paralaxe e pode ser mais demorada.
O display digital sempre apresenta um erro,
chamado de quantização, devido ao último
digito variar de modo discreto. Assim, quando
se lê o digito 4, ele se mantém em 4 até o limiar
de 5 e por isso a leitura sempre apresenta um
erro, no mínimo de 1 dígito. Fig. 3.8. Totalização (digital) por meio analógico

5.4. Função Matemática


Há funções ou tarefas que são tipicamente
analógicas, como registro e controle de
(a) processo. Só é possível registrar um sinal
analógico. Por exemplo, quando se quer
registrar a vazão, tendo-se uma turbina
medidora com saída de pulsos, deve-se
converter o sinal de pulsos em analógico. O
controle é também uma função analógica. O
seu algoritmo fundamental, PID, é
matematicamente analógico e continuo. O
controle liga-desliga é um caso particular, com
(b) uma saída discreta. Um controlador digital
Fig. 3.7. Display (a) analógico e (b) digital

23
Instrumentos

envolve uma tecnologia digital para executar a principalmente quando se tem comparações
função analógica de controle. entre duas medições. Por isso, mesmo a
Funções tipicamente digitais são alarme, instrumentação eletrônica sofisticada com
contagem de eventos e totalização de vazão. tecnologia digital possui medidores que
Quando se totalizam pulsos escalonados de simulam indicações analógicas. Por exemplo, o
medição de vazão, basta contá-los. Quando se controlador single loop possui indicações da
totaliza um sinal analógico proporcional à medição e do ponto de ajuste feitas através de
vazão, é necessário converter o sinal para gráfico de barras.
digital e depois contar os pulsos Os relógios digitais foram muito populares
correspondentes. na década de 80, porque eles eram novidade e
Um exemplo relacionando todos estes mais baratos. Atualmente, há o reaparecimento
conceitos é a medição do tempo pelo relógio. O de relógios com display analógico, com
tempo é uma grandeza analógica. O tempo ponteiros e escala, porque sua leitura é mais
pode ser medido por um relógio mecânico, com rápida e fácil, pois se sabe o significado de
tecnologia analógica e mostrador analógico. certas posições dos ponteiros das horas e dos
Tem-se engrenagens, molas, pinos acionando minutos.
um ponteiro que percorre uma escala circular A precisão é uma segunda vantagem do
graduada. O ponteiro se move continuamente. instrumento digital sobre o analógico. Embora a
Este mesmo tempo pode ser medido por um precisão dependa da qualidade e do projeto do
relógio eletrônico, com tecnologia digital mas instrumento, em geral, o instrumento digital é
com mostrador analógico. A tecnologia do mais preciso que o analógico de mesmo custo.
relógio é digital pois tem um microprocessador Tipicamente, a precisão do digital é de 0,1% e
e um cristal oscilante. A indicação é analógica, do analógico é de 1%.
pois é constituída de escala e ponteiro. Porém, A exatidão de qualquer instrumento está
o ponteiro se move com pequenos saltos, relacionada com a calibração. Como a precisão
mostrando que está sendo acionado por de um instrumento digital depende da
pulsos. Finalmente, o tempo pode ser indicado percentagem do valor medido e de mais ou
por um relógio digital. A tecnologia do relógio é menos alguns dígitos menos significativos (erro
digital e o indicador é também digital. O display de quantização), o instrumento digital requer
são números que variam discretamente. calibrações mais freqüentes que o instrumento
Resumindo: a variável analógica tempo pode analógico, cuja precisão depende apenas da
ser indicada através de relógio analógico percentagem do fundo de escala.
(mecânico) ou digital (eletrônico) com display Os instrumentos digitais fornecem melhor
analógico (escala e ponteiro) ou digital resolução que os analógicos. A maior
(números). resolução dos instrumentos digitais reduz o
número de faixas necessárias para cobrir a
5.5. Comparação Analógica Versus faixa de medição.
Digital
Deve-se diferenciar um instrumento digital
e um instrumento com display digital.
Instrumento digital é aquele em que o circuito
necessário para obter a medição é de projeto
digital. Um instrumento com display digital é
aquele que o circuito de medição é de projeto
analógico e somente a indicação é de projeto
digital.
Um instrumento analógico com leitura
digital geralmente não é mais preciso que o
mesmo instrumento analógico com leitura
analógica.
A principal vantagem do display digital é a
conveniência de leitura, quando não se tem a Fig. 3.9. Instrumentos inteligentes (Foxboro)
preocupação de cometer erro de paralaxe,
quando se posiciona erradamente em relação
ao instrumento de leitura. Os psicólogos
garantem que se cansa menos quando se
fazem múltiplas leituras digitais.
Porém, a leitura de instrumento analógico é
de mais rápida e fácil interpretação,

24
Instrumentos

5.6. Burro ou inteligente comportamento pode ser alterado por


variações de temperatura, umidade,
Os instrumentos convencionais (ou burros) pressão, vibração, alimentação ou outros
de leitura apresentam os resultados para o efeitos externos. Em outros casos, os
operador, que deve interpretá-los. Esta efeitos não lineares aparecem por causa
interpretação envolve o uso da unidade de dos princípios de medição, como a
engenharia apropriada, linearização, alguma medição de vazão com placa de orifício.
computação matemática e a conclusão final. A estratégia, até hoje, era usar outros
Obviamente, para isso se requer um operador instrumentos para compensar estes
esperto ou inteligente. Com o uso intensivo e efeitos. Como os instrumentos
extensivo do microprocessador na inteligentes possuem uma grande
instrumentação, tornou-se possível passar para capacidade computacional, estas
o instrumento esta capacidade humana de compensações, correções e
computação matemática e interpretação de linearizações são mais facilmente
resultados. conseguidas através de circuitos
Em 1983 apareceu o primeiro transmissor embutidos no microprocessador.
microprocessado, lançado pela Honeywell e foi 3. Além de transmitir a informação, o
chamado de inteligente. Este é outro de muitos transmissor inteligente pode também
exemplos de nomes escolhidos estupidamente ouvir. Um benefício prático disto é em
para instrumentos de processo. Não há nada verificação de pré partida. Da sala de
particularmente inteligente nos medidores controle, o instrumentista pode perguntar
inteligentes. Porém, eles possuem ao transmissor que está no campo qual é
características acima e além das de seus o seu número de identificação, sua faixa
predecessores e estas capacidades devem ser calibrada ou seus pontos de alarme..
entendidas. Como estes instrumentos foram 4. Um transmissor inteligente pode ter sua
chamados de inteligentes, por contraposição, faixa de calibração facilmente alterada
os já existentes são considerados burros através de comandos de reprogramação
(dumb). em vez de ter ajustes mecânicos locais.
Atualmente, há o sabido (smart) e o Na medição de vazão com placa de
inteligente (intelligent), onde o inteligente tem orifício, as verificações de zero do
maiores recursos que o sabido, embora ambos instrumento requerem a abertura e
sejam microprocessados. Atualmente, quando fechamento das válvulas do distribuidor
se fala indistintamente que um instrumento é no transmissor.
inteligente quer se referir a um instrumento a
base de microprocessador, com a capacidade
inerente de computação matemática, lógica,
seqüencial, intertravamento.
A capacidade adicional tornou-se possível
pelo desenvolvimento da microprocessador e a
inclusão deste componente admirável nos
instrumentos de medição. Isto significa que um
transmissor inteligente possui um pequeno
computador em seu interior que geralmente lhe
dá a habilidade de fazer duas coisas:
1. Modificar sua saída para compensar os
efeitos de erros
2. Ser interrogado pelo instrumento
receptor da malha. Fig. 3.10. Área externa
As capacidades peculiares dos
instrumentos inteligentes são:
1. Habilidade de transmitir medições do
processo, usando um sinal digital que é 7. Campo ou sala de controle
inerentemente um método mais preciso
Os primeiros instrumentos de medição e
do que o sinal analógico. O principal
controle, desenvolvidos até a década de 1940,
obstáculo é a falta de padronização
eram de montagem local ou no campo,
deste sinal digital e seu respectivo
próximos ao processo. Apenas com o advento
protocolo. Algum dia isto será resolvido.
do transmissor, pneumático ou eletrônico, que
2. Todos os instrumentos de medição
possibilitou o envio das informações até
industriais contem componentes como
distancias de centenas de metros (pneumático)
foles, diafragmas e elos que exibem
ou alguns kilômetros (eletrônico), tornou-se
comportamento não linear ou cujo

25
Instrumentos

possível a opção de se montar os indicadores, pintura e o seu acabamento são normalmente


registradores e controladores em painéis especiais e específicos para cada atmosfera.
centralizados e localizados em salas de Atualmente, se aplicam cada vez mais
controle. materiais plásticos (p. ex., epoxy) e fibra de
Outro fato que concorreu para o uso de vidro, que são altamente resistente e não
painéis centralizados em salas de controle foi sofrem corrosão nem ferrugem.
a complexidade crescente dos processos, que A montagem padrão dos instrumentos de
requer a leitura e a monitoração simultânea de campo é em tubo de 2" (50 mm) de diâmetro.
muitas variáveis. Os instrumentos de medição ou registro de
Com o uso cada vez mais intensivo da vazão, que utilizam o diafragma de pressão
instrumentação eletrônica, com técnicas digitais diferencial (câmara Barton) são montados em
de controle distribuído, a tendência é a de se pedestal (yoke), que é levemente diferente da
usar instrumentos centralizados em salas de montagem em tubo de 2". Na montagem em
controle, distribuídas em toda a planta. tubo, o instrumento é preso lateralmente ao
tubo, através de uma braçadeira. Na montagem
7.1. Instrumento de campo em pedestal, o instrumento é colocado sobre o
tubo, pois não há espaço lateral para ser
Há instrumentos, que pela sua própria fixado.
função desempenhada, só podem ser Os instrumentos de campo que apresentam
montados no campo, próximos ou em contato portas, geralmente são trancados com chave,
direto com o processo. Os sensores (parte dos de modo que apenas as pessoas autorizadas
instrumentos) e as válvulas de controle são lhe tenham acesso ao interior.
necessariamente montados no campo. Na As portas e janelas de vidro, normalmente,
maioria dos casos mas nem sempre, o são anti estilhaço, ou seja, quando se quebram
transmissor é montado no campo. Em uma não produzem estilhaços, que seriam perigosos
minoria dos casos, por questão de segurança aos operadores.
ou de integridade, o transmissor é montado no Quando não há restrições de segurança,
painel cego da sala de controle. Os outros por causa da presença de gases inflamáveis ou
instrumentos, tais como indicadores, explosivos no ambiente, os instrumentos são
registradores, controladores, totalizadores, iluminados internamente. As luzes são acesas
transdutores e conversores podem ser manualmente pelo operador ou pelo
montados no campo e no painel da sala de instrumentista de manutenção, facilitando a
controle. operação noturna.
Embora funcionalmente os instrumentos Os instrumentos de campo devem ser
sejam os mesmos, suas características montados em lugares de fácil acesso, para
externas, relacionadas com robustez, possibilitar abertura, troca de gráficos,
segurança, estabilidade e funcionamento são calibração e manutenção.
diferentes. E como conseqüência, também os
custos são diferentes.

Fig. 3.12. Instrumentos montados no campo


Fig. 3.11. Instrumentos em área industrial

Os instrumentos de campo são chamados


De um modo simplista, um instrumento também de caixa grande. São tipicamente de
especificado e construído para ser montado no formato retangular. Os registradores tem o
campo é mais robusto, mais resistente à formato retangular, porém, seus gráficos são
corrosão e maior do que o seu correspondente circulares, com diâmetro de 12".
montado no painel da sala de controle. A sua

26
Instrumentos

7.2. Instrumentos montados na sala


de controle
Com a complexidade dos processos
industriais, apareceu a necessidade de maior
número de instrumentos para a manipulação
dos sinais de informação. Para que os painéis
não se tornassem proibitivamente grandes, o
que implicaria em maiores custos e maiores
dificuldades para os operadores, os fabricantes
foram forcados a diminuir os tamanhos dos
instrumentos. Esta miniaturização dos (a) Instrumentos soltos
instrumentos foi auxiliada pelo advento da
eletrônica e pelo uso de circuitos impressos
pneumáticos.
As características comuns aos
instrumentos montados em painel são:
1. Os instrumentos são montados em
estantes padronizadas, através de
cabos de engate rápido. Esta filosofia,
válida para os instrumentos
pneumáticos e eletrônicos, torna fácil a
substituição a manutenção dos
instrumentos.
2. Os instrumentos de painel são mais (b) Instrumentos montados nas estantes
padronizados, pois manipulam sinais Fig.3.13. Instrumentos em painel de leitura (Foxboro)
padronizados provenientes dos
transmissores de campo. A maioria dos
instrumentos de painel recebe o sinal
de transmissores do campo, por
questão de padronização, de
segurança e de técnica. Não seria
seguro nem praticável trazer, por
exemplo, um sinal de pressão de 10
MPa (100 kg/cm2 ) do campo
diretamente para o painel. Como
conseqüência, usa-se um transmissor (a) Portátil
de pressão, eletrônico ou pneumático,
para trazer esta informação para a sala
de controle. E o sinal recebido pelo
instrumento de painel é padrão, de 4 a
20 mA ou 20 a 100 kPa.
3. A padronização maior dos instrumentos
implica em menor número de
instrumentos reservas. Como
conseqüência dessa padronização, por
exemplo, todos os controladores são (b) Painel
iguais, quaisquer que sejam as
variáveis controladas. O controlador do
painel recebe um sinal padrão do
transmissor de campo e remete para a
válvula de controle outro sinal padrão.
Para facilitar ainda mais, os
instrumentos de painel são fornecidos
com escalas intercambiáveis, de fácil
substituição. Assim, em vez de se ter
um controlador para cada variável de
processo, tem-se um único controlador
para todas as variáveis. Apenas são (c) Área industrial
trocadas as escalas dos instrumentos

27
Instrumentos

Fig. 3.14. Locais de montagem

Ainda na instrumentação analógica (1972)


apareceu a filosofia de separar os instrumentos
4. Os únicos instrumentos de painel que em módulos independentes fisicamente e
recebem sinais diretamente do processo separados geograficamente; tem-se a
são os indicadores e registradores de instrumentação modular. Nesta configuração,
temperatura, com elementos sensores a um controlador era constituído por:
termopar ou a bulbo de resistência. 1. Módulo de entrada, que recebe o sinal
Também nessa situação, os de medição da variável de processo,
instrumentos continuam sendo vindo do campo,
padronizados. Obviamente um 2. Módulo de processamento de sinal, que
registrador de temperatura, com pode opcionalmente alterar o sinal
termopar, não poderá receber sinal de recebido, por exemplo, linearizando-o,
um transmissor eletrônico de pressão. 3. Módulo de controle, onde está alojados
Porém, poderá ser ajustado para receber os circuitos de controle, com pontos de
sinal de outro termopar, desde que teste e ajuste de sintonia,
sejam modificadas as junções de 4. Módulo de saída, que envia o sinal de
compensação. controle de volta para o campo, para o
5. Os instrumentos de painel são elemento final de controle,
estruturalmente mais frágeis que os 5. Estação de controle, que constitui a
instrumentos de campo, pois suas interface com o operador de processo,
condições ambientais são mais 6. Cabo de ligação entre o módulo e a
favoráveis e porque as estantes de estação de controle.
montagem os protegem. Todos estes instrumentos são montados na
6. Os instrumentos elétricos montados nos sala de controle. Porém, somente as estações
painéis são de uso geral. Ou seja, de controle tem informação para o operador.
mesmo que a sala de controle seja de Os instrumentos de painel foram divididos em
uma industria cuja área do campo seja duas grandes categorias e segregados, para
perigosa por manipular produtos com economia de espaço e para simplificação da
gases inflamáveis e explosivos, ela é um operação:
local seguro. 1. instrumentos de leitura (display)
7. Os tamanhos físicos dos instrumentos de 2. instrumentos cegos (rack)
painel são menores, para que os painéis
sejam menores, as salas de controle
sejam menores. A diminuição do
tamanho dos instrumentos não prejudica
a operação, pois na sala de controle os
operadores podem se aproximar
facilmente dos instrumentos de leitura.

8. Modular ou integral
Os primeiros instrumentos agrupavam em
seu invólucro todos os circuitos funcionais e
são chamados de integrais. Como resultado,
eram pouco flexíveis e praticamente não era
possível fazer modificações em sua operação.

Fig. 3.16.. Áreas de display e rack

8.1. Painel de leitura


A parte frontal do painel é o espaço nobre e
portanto deve ser ocupada apenas por
instrumentos que apresentem indicação em
Fig. 3.15. Instrumento integral
escalas, mostradores, gráficos e contadores.

28
Instrumentos

Na parte da frente do painel devem ser


montados apenas os instrumentos que exijam
leitura ou cuidados do operador: indicador,
registrador, controlador, estação manual de
controle, anunciador de alarme e contador-
totalizador.
Os indicadores são lidos e eventualmente,
suas leituras anotadas. Os registradores
informam os valores registrados. Os seus
gráficos são periodicamente trocados.
Tipicamente um gráfico tipo tira, de rolo, tem
duração de 30 dias; os gráficos tipo tira, Fig. 3.18.Estação de operação de SDCD
sanfonados, tem duração de 16 dias.
Raramente há gráficos circulares de
registradores caixa grande na sala de controle,
cuja duração típica é de 24 horas, ou menos Na parte superior do painel, logo acima dos
comum, de 7 dias. instrumentos convencionais de leitura está
Os controladores apresentam a situação do localizado o painel anunciador de alarme. Esse
processo, mostrando o valor da medição, do painel consiste de uma associação de som
ponto de ajuste e do sinal de saída e como (buzina) e luzes e seu objetivo é o de informar
conseqüência, a abertura da válvula de ao operador quando os níveis de segurança e
controle. O operador pode variar o ponto de funcionamento do processo estão sendo
ajuste, conforme orientação do processo. alcançados.
Quando requerido, deve atuar direta e Quando ocorre uma situação de alarme, a
manualmente no processo, através da estação buzina soa e a luz se acende. Nessa situação,
manual de controle acoplada ao controlador o operador deve acionar o botão de
automático, depois de fazer a conveniente conhecimento do alarme, de modo a desligar o
transferência auto-manual. som (que é irritante, de propósito). A luz
continua acesa, podendo ficar piscando, para
indicar que a situação do processo que
provocou o alarme continua ocorrendo. O
operador deve providenciar uma atuação no
processo, através da manipulação manual da
estação de controle, através do ligamento ou
desligamento de algum equipamento, de modo
que a variável alarmada retorne à sua condição
normal. Quando ocorre a normalidade, a luz de
alarme se apaga.
Ainda acima do anunciador, há o painel
sinóptico, onde está esquematizado em um
Fig. 3.17. Sistema modular (Foxboro) fluxograma, o processo da planta. Ela facilita a
tarefa do operador pois mostra as ligações
lógicas dos instrumentos e indica os tags de
identificação dos instrumentos envolvidos. Há
Além dos instrumentos de indicação, painéis semigráficos que possuem lâmpadas
registro e controle, na parte frontal do painel de de sinalização de alarme.
leitura, estão colocadas as botoeiras de liga-
desliga ou de múltiplas posições, que podem 8.2. Armário de instrumentos cegos
ser acionadas pelo operador, dependendo da
situação do processo. Há instrumentos na sala de controle que
executam funções inteligentes, porém não
apresentam nenhuma informação em forma de
indicação ou registro. São os instrumentos
auxiliares que condicionam e processam os
sinais de informação: extratores de raiz
quadrada (linearizam o sinal quadrático
proveniente do transmissor de vazão,
associado à placa de orifício),
multiplicador/divisor de sinais (associado à
medição de vazão com compensação de
temperatura ambiente e pressão estática),

29
Instrumentos

integrador (cuja saída pulsada alimenta o É possível se ter o compartilhamento de


contador, que está localizado na parte frontal várias malhas com um único instrumento
do painel, porque possui uma indicação digital) mecânico analógico, como o registrador
somador, seletor de sinais. Esses instrumentos, multiponto, quando um instrumento registra até
geralmente chamados de computadores 24 pontos de temperatura (tag TJR .
analógicos, são montados ou atrás do painel de Porém, o mais comum, é o
leitura ou em outro painel, colocado atrás do compartilhamento do instrumento eletrônico
painel de leitura. Quando montados em outro digital. A interface para o compartilhamento é o
painel, esse painel é chamado de armário (ou multiplexador, que é o instrumento que
rack). Os operadores de processo não converte várias entradas em uma única saída.
necessitam ter acesso a esse armário, pois não Depois de multiplexar os sinais, há a conversão
há nenhuma informação a ser lida nesses dos sinais analógicos para digital; (A/D).
instrumentos. Como esses instrumentos não Quando há controle, o sinal digital deve ser
apresentam nenhuma leitura são chamados de reconvertido para analógico e voltar para o
instrumentos cegos. elemento final de controle. Usam-se o
conversor digital-para-analógico e o de-
multiplexador. O conjunto destas funções de
multiplexar e demultiplexar é feito por um único
instrumento chamado de moddem (MODulador-
DEModulador).

8.4. Centralizado ou distribuído


O sistema de controle centralizado é aquele
que converte todas as funções de interface
com o campo (unidades de Entrada/Ssaída),
interface com operador, unidades de controle
analógico e digital e gerenciamento em um
único instrumento.
O sistema de controle distribuído executa
Fig. 3.19. Painel cego de instrumentos as funções de controle estabelecidas e permite
a transmissão dos sinais de controle e de
medição. As diferentes funções de interface
com o campo (unidades de E/S), interface com
Em sistema de arquitetura modular ou operador, unidades de controle analógico e
arquitetura dividida, a separação e o conceito digital e gerenciamento são distribuídas
de painel de leitura e armário de instrumentos geograficamente e interligadas pelo elo de
cegos são mais nítidos. Atualmente existe um comunicação.
consenso que todas as funções de leitura Os primeiros sistemas de instrumentação
podem e devem ser separadas fisicamente das analógico possuíam uma sala de controle
funções de processamento e computação centralizada, para onde convergiam todos os
matemática. Essa separação ocorre não sinais de informação do processo. Na sala de
apenas na instrumentação eletrônica, mas controle havia ainda a tomada de decisão do
também na instrumentação pneumática. controle. As primeiras aplicações de controle
digital incluíam um único computador
centralizado para fazer a coleta de dados e o
8.3. Dedicado ou compartilhado
controle do processo. O alto custo do
Instrumento dedicado é aquele que executa equipamento permitia a existência de apenas
uma função relacionada com uma única um (ou dois computadores, quando havia
variável de processo. Um instrumento reserva).
corresponde a uma malha e uma malha O uso intensivo e extensivo de
corresponde a um instrumento. Os primeiros microprocessadores devido a grande redução
instrumentos analógicos eram dedicados. de seu custo e do equipamento de
Atualmente, há instrumentos digitais processamento de dados permitiu a distribuição
microprocessados que também são dedicados da inteligência entre as diferentes fases do
a uma ou duas malhas de controle; são os processo de coletar dados, condicionar sinais,
instrumentos single loop. tomar decisões e fornecer informação ao
Instrumento compartilhado é aquele que operador.
executa a mesma função, (indicação, registro Inicialmente houve a aplicação com muitos
ou controle), de um grande número de pontos de controle indo para um painel
variáveis, simultaneamente. centralizado, depois com o sistema digital

30
Instrumentos

distribuído, voltou-se a distribuir as funções de 11. Real ou Virtual


controle na área industrial. A distribuição de
equipamentos de controle diminui o número e o
custo das fiações entre cada sensor e a sala de 11.1. Instrumento real
controle e requer um sistema de multiplexagem
confiável e um sistema de comunicação de Instrumento real ou convencional é o
dados. equipamento físico que executa a função para
No controle digital distribuído, as funções o qual ele foi projetado, construído e instalado.
de monitoração e controle são distribuídas em Ele deve ser especificado com detalhe para a
vários painéis locais, cada um com seu próprio função a ser executada, pois ele é pouco
sistema digital, todos interligados por um flexível.
sistema de comunicação. As operações são Um controlador convencional deve ser
distribuídas funcional e fisicamente entre os especificado e comprado com as ações de
vários processos da planta. controle necessárias. É muito difícil e quase
A tendência atual não é mais a de eliminar impossível fazer atualização de um controlador
o operador, mas assisti-lo melhor, fornecer-lhe convencional, para acrescentar alguma
ferramentas mais eficientes e dar-lhe mais característica opcional, não prevista na época
informações acerca do comportamento do de sua compra.
processo, para que ele possa intervir na Como já visto, o instrumento real pode ser
operação, nas situações de emergência, de montado no campo ou na sala de controle,
modo mais eficiente e seguro. O ênfase é pode ser pneumático ou eletrônico, pode ser
colocado no desenvolvimento dos dedicado ou compartilhado por várias malhas
equipamentos de comunicação humano- de medição e controle.
máquina, com aquisição de dados e telas de Atualmente, por causa do uso intensivo e
vídeo dando a possibilidade de estabelecer um extensivo do computador pessoal na medição e
dialogo entre os operadores e o processo. controle de processo, há uma tendência
universal de substituir o instrumento real de
painel pelo instrumento virtual. Porém, nem
tudo pode ser virtual. Os sensores e
transmissores, que são a interface com o
processo, certamente continuarão a ser físicos,
reais, convencionais.

11.2. Instrumento virtual


Um instrumento virtual é definido como
uma camada de software, hardware ou de
ambos, colocada em um computador de uso
geral, de modo que o usuário possa interagir
com o computador como se fosse um
instrumento eletrônico tradicional projetado
pelo próprio usuário.
Fig. 3.21. Estação de Operação Centralizada Controlador virtual é aquele construído
dentro de um computador pessoal. Atualmente,
são disponíveis aplicativos para desenvolver a
Atualmente, os sistemas de controle face do controlador (template), seu bloco
distribuído proporcionam uma grande funcional PID e os programas intermediários
quantidade de informação que deve ser para interligar imagens, layouts, blocos e sinais
passada gradualmente aos computadores externos.
periféricos com o fim de prover controles Do ponto de vista do operador usuário, é
avançados, otimizar o controle da planta e muito difícil ver rapidamente as diferenças
gerenciar a sua eficiência. O êxito e eficiência entre um instrumento virtual, constituído de
destas decisões, independente do seu nível, programa e equipamento e um real, que é
se baseiam na informação exata disponível e apenas equipamento. O que se vê na tela do
na existência de um sistema padronizado de computador não dá imediatamente um
comunicação entre o sistema de controle entendimento da filosofia de base. Diferente de
distribuído e os computadores que se estejam um hardware, em que se pode abrir a caixa e
na rede. olhar dentro, a arquitetura no software é
abstrata e não é imediatamente visível a olho
nu.

31
Instrumentos

Fig. 3.22. Controlador virtual na tela do monitor

Fig. 3.24.Face frontal do controlador, com ponto de ajuste


apenas local
Para dar um exemplo, quando se tem um
computador pessoal com um circuito de
aquisição de dados embutido, para um 11.3. Real e virtual
instrumentista ou operador de processo, o
instrumento pode funcionar como indicador, Há instrumentos ou dispositivos que podem
registrador, controlador ou chave de atuação. ser simultaneamente real e virtual. Por
A única diferença entre o instrumento exemplo, pode-se ter uma chave liga-desliga
convencional e o virtual é o software e por isso real, no campo, para ligar um motor. Porém,
tem se a idéia que o software é o instrumento. pode-se configurar uma chave liga-desliga
Através do monitor de vídeo, teclado e virtual no sistema digital, de modo que a chave
mouse, o operador pode fazer tudo no aparece na tela do computador e o operador
processo industrial que é feito com o pode ligar o mesmo motor, da sala de controle.
instrumento convencional, como: As duas chaves, real e virtual, são
1. alterar ponto de ajuste do controlador, independentes entre si e uma pode ser reserva
2. passar de automático para manual e da outra.
vice-versa e em modo manual, atuar Chave automática também podem ser
diretamente no elemento final de simultaneamente real e virtual. Por exemplo,
controle pode-se ter uma chave automática de pressão,
3. estabelecer pontos de alarme de pressostato, uma física no campo e outra
máximo e de mínimo virtual, no sistema digital. A chave real é atuada
4. alterar os parâmetros da sintonia pelo valor determinado da pressão e abre ou
(ganho, tempo integral e tempo fecha contatos quando o valor da pressão
derivativo) atingir o valor pré-determinado. Sua calibração
Adicionalmente, como o instrumento dentro requer que o instrumentista vá ao local, com
do computador possui muito mais recursos, o um padrão de pressão, para fazer a
operador pode: comparação.
5. ver a curva de resposta do controlador A chave automática virtual é constituída de
para atestar o resultado da sintonia blocos lógicos , que ficam no sistema digital.
6. ver a curva de tendência histórica Ele atua do mesmo modo, alterando o contato
de saída, aberto ou fechado, quando o valor da
pressão atingir um valor pré-determinado.
Porém, a sua calibração pode ser feita pelo
próprio operador, da sala de controle, através
da estação de operação. O valor pré-
determinado é entrado pelo teclado.
Uma pergunta freqüente que se faz: qual
chave é mais confiável, a real ou a virtual? Há
uns anos atrás, na década de 1980, talvez a
chave real fosse considerada mais confiável,
pois a real se baseava em software de um
sistema digital. Atualmente, a confiabilidade é
equivalente e como a virtual é mais

32
Instrumentos

conveniente, por facilidade de calibração e


ajuste, ela é preferida.
É claro que um sensor, uma válvula
atuadora de controle, um tanque, todos devem
ser reais. Porém, há a representação virtual
destes instrumentos e equipamentos na tela do
computador. Ou seja, há uma válvula virtual, na
tela do computador, representando e emulando
uma válvula real, obrigatória, que está na área
industrial. O tanque virtual que aparece na tela
é a representação do tanque real, que está na
área industrial, cheio de óleo ou produto
químico.
O controlador é outro caso especial. O
controlador pode ser real ou virtual, porém, não
simultaneamente. Ou seja, se houver um
controlador real, não pode haver um virtual e se
houver um virtual, não poderá haver um real.
Controlador atua dinamicamente, em tempo
real.
A tendência atual é utilizar cada vez mais
instrumentos virtuais, feitos dentro do
computador, através de programas aplicativos .
Estes aplicativos são amigáveis, poderosos,
com bibliotecas ricas de modelos e padrões.
Os aplicativos mais utilizados na indústria são:
InTouch, da Wonderware
IFix, da Intellution
VXL
Elipse

33
4. Sistemas Digitais

complexos. Nessa configuração, o SDCD é


1. Introdução responsável pelo controle regulatório e
avançado do processo e o CLP é responsável
Atualmente, os instrumentos são utilizados pelo alarme e intertravamento do mesmo
em sistemas integrados e completos, que processo. Por questão de segurança e da
podem ter protocolos de comunicação digital causa comum, as normas (IEC 61 508 e ISA
abertos ou proprietários. Sistema aberto é 84.01) não permitem que um mesmo sistema
aquele cujos equipamentos e protocolos de (por exemplo, o SDCD) seja responsável
ligação podem ser fornecidos por vários simultaneamente pelo controle e pela
fabricantes diferentes. Sistema fechado ou segurança do mesmo processo.
proprietário é aquele patenteado, que só pode
ser fornecido por um unido fabricante. 2. Sistema Digital de Controle
Atualmente, exceto os instrumentos de
campo, é raro se utilizar instrumentos isolados
Distribuído (SDCD)
para a medição, controle, monitoração e
automação de algum processo. A base do
sistema de controle é o computador digital, que 2.1. Introdução
pode ser de uso geral ou específico. O primeiro sistema digital de controle
Geralmente, o que determina o tamanho e as distribuído (SDCD) foi lançado no mercado em
características do sistema é o tipo de processo 1974, pela Honeywell, modelo TDC 2000.
e a aplicação. Os principais sistemas utilizados Desde então, ele percorre um longo caminho,
são: sempre evoluindo e usufruindo as vantagens
1. Sistema Digital de Controle Distribuído inerentes ao avanço tecnológico da eletrônica e
(SDCD) da informática. Assim, já há várias gerações de
2. Controle Supervisório e Aquisição de SDCD, com diferenças significativas nos
Dados (SCADA) elementos chave de seu sistema, incluindo
3. Controlador Lógico Programável (CLP) filosofia de operação, microprocessadores e
De um modo resumido pode-se dizer que esquemas de comunicação.
se utiliza Por conveniência, o SDCD deve ser ligado
1. o SDCD para o controle de processos a instrumentação de campo (transmissores e
contínuos complexos, que incluem válvulas) inteligente ou microprocessada. Os
muitas malhas de controle PID. benefícios se referem a facilidade de
2. o SCADA para controle de processos interfaceamento, redução de fiação, melhor
simples, que tenham muitas operações desempenho metrológico global, facilidade de
de liga-desliga. rearranjo remoto, possibilidade de diagnóstico
3. o CLP é utilizado para prover o alarme e redução de custos de compra e calibração
e intertravamento do processo, alem de dos instrumentos.
ser o coletor de dados no sistema A alta densidade de dos módulos de
SCADA. entrada e saída (E/S) pode economizar painéis
Assim, o SCDC é aplicado para o controle e espaço em grandes sistemas de SDCD.
e a monitoração de refinarias de petróleo, Também há economia na fiação entre os
siderúrgicas e de grandes plantas com controle equipamentos de campo e o SDCD, mesmo
contínuo, nas áreas de papel & celulose, quando se tem redundâncias de comunicação,
indústria farmacêutica. O SCADA é usado na pois uma linha de comunicação redundante
monitoração e controle de terminais de óleo e através de toda a planta custa muito menos do
gás, plataformas de petróleo, onde os que centenas ou até milhares de fios
processos incluem movimentação de fluidos. individuais entre o campo e a sala de controle
Embora o CLP seja um dos componentes central.
do SCADA, ele também é utilizado em Atualmente, no Brasil, os SDCDs mais
combinação com o SDCD, em sistemas usados são da Emerson, Foxboro (Invensys) e

34
Sistemas Digitais

Yokogawa. Alguns sistemas antigos foram formulários de banco de dados relacional


construídos por fabricantes que agora implementado em uma Unidade de Aplicação
pertencem a uma destas três grandes de desktop da Fisher ou de qualquer
empresas. Por exemplo, o SDCD da Fisher computador da DEC VAX/VMS.
Controls, Provox, agora é fabricado pela Depois que a Fisher Controls foi comprada
Emerson, que também fabrica o DeltaV. Outros pela Emerson, um novo sistema digital foi
sistemas menos usados são da Bailey (Infi90), lançado no mercado, chamado DeltaV, que é
Taylor (Mod300), Fischer & Porter (DCI F&P), considerado um sistema híbrido intermediário
Measurex (Vision) e Honeywell (TDC 3000). entre um SDCD e CLP. Aplicação típica de
Atualmente, todos os sistemas digitais DeltaV é em controle de Unidade de Produção
apresentam aproximadamente as mesmas de Gás Natural (UPGN), anteriormente feito
características e capacidades e estão sempre com o sistema SCADA, baseado em CLP.
evoluindo, para tirar as vantagens da Embora mais simples que um SDCD
eletrônica, comunicação digital e informática. convencional, o DeltaV é também um sistema
Os detalhes e especificações de cada sistema poderoso e caro. O DeltaV veio para substituir
podem ser obtidos facilmente dos fabricantes, o Provox e é também considerado parte da
inclusive pela internet. arquitetura PlantWeb, da Emerson, que
apresentou resultados revolucionários nas
várias aplicações no mundo.
O DeltaV é um sistema de automação da
Emerson Process Managements, que tem o
nome derivado da equação de engenharia para
aceleração: dv/dt, a mudança da velocidade
por mudança de tempo. O sistema DeltaV faz
planejamento, engenharia, instalação,
comisssionamento, treinamento, operação e
manutenção do processo, de modo fácil e
acelera o sucesso do usuário, ao melhorar o
desempenho de sua planta.
O sistema DeltaV possui barramentos
digitais de comunicação e controle avançado
incorporado, para facilitar a integração e
Fig. 4.1. Filosofia do SDCD otimização e aumentar a produtividade da
planta. Os protocolos de comunicação podem
ser HART, Fieldbus Foundation e pode também
incluir o AMS para facilitar e apressar a
calibração, configuração e diagnostico e para
oferecer flexibilidade de integração com
suporte para outros protocolos como AS-i,
DeviceNet e Profibus.
O sistema DeltaV oferece capacidade de
acessar a informação através de toda a
empresa, com suas tecnologias embutidas de
OLE para Controle de Processo (OPC) e
XML.Com as ferramentas avançadas de
controle embutidas, o DeltaV pode reduzir
facilmente a variabilidade do processo e pode
Fig. 4.2. SDCD com Fieldbus Foundation oferecer sintonia fácil e sofisticada para
calcular e controlar os parâmetros do processo
para malhas de controle regulatório PID, lógica
Fuzzy e redes neurais.
2.2. Emerson
O SDCD da Fisher Controls é o Provox©.
Os consoles de operação Provue permitem
alarme, gerenciamento, controle da variável,
opção de tela com toque (touch screen) e
interface do operador com os circuitos da área
local da planta através da Janela de Aplicação.
A estação de trabalho de engenharia
Proflex fornece um método de entrada de

35
Sistemas Digitais

2.3. Foxboro
Nos equipamentos da série I/A, Inteliggent
Automation, tais como medidores de vazão e
sistemas de indicação de nível, estão uma
parte integral do sistema, permitindo a
verificação da manutenção, capacidade de
diagnostico e de configuração através do
console do sistema. Mais ainda, a comunicação
digital contínua entre os transmissores e o
sistema fornece acesso para tal informação
como as medições primárias, medições de
temperatura por transmissor, diagnósticos,
Fig. 4.3. DeltaV usado como SIS falha segura, ajustes de amortecimento,
unidades de engenharia, localização física e
data da ultima calibração.
Pela integração dos três domínios do
controle - continuo, seqüencial e lógico - em um
único sistema operacional, a série I/A permite
as opções de desempenho, tais como partida e
desligamento automáticos de unidades
continuas e intertravamento integrados em
sistemas de batelada.
A série I/A oferece um sistema de
gerenciamento da informação do tipo relacional
projetado para ser capaz de tratar com
informação de tempo real da planta. Esta base
de informação, junto com ferramentas de
aplicação de alto nível, fornece capacidade de
solução de tempo real.

Fig.4.4. Sistema DeltaV simples

Armários cegos do sistema IA

Estação de operação do sistema IA


Fig.4.5. Sistema Delta V mais complexo
Fig. 4.6. Sistema IA da Foxboro (Invensys)

36
Sistemas Digitais

2.4. Yokogawa 3. Controlador Lógico


O SDCD da Yokogawa é o Centum, que é Programável (CLP)
disponível em dois modelos diferentes em
função do tamanho da aplicação:
CS1000 – para sistema pequeno 3.1. Conceito
CS3000 – para sistema grande.
Um dos conceitos básicos do Centum O controlador lógico programável (CLP) é
CS1000 é o controle eficiente através de um equipamento eletrônico, digital, baseado
simples operação, combinando a em microprocessador, que pode
funcionalidade do DCS com a simplicidade de 1. Controlar um processo ou uma
operacional um PC. Ele possui uma poderosa máquina
interface com controles amigáveis para 2. Ser programado e reprogramado
operação, controle e manutenção de plantas rapidamente
industriais de médio e pequeno porte 3. Ter memória para guardar o programa.
O programa do usuário (e.g., diagrama
ladder) é inserido no CLP através de
computador desktop, computador notebook,
teclado numérico portátil ou programador
dedicado. Depois de carregado o programa, o
programador é desconectado do CLP.
Como o CLP é fácil de projetar e instalar e
relativamente barato, quando comparado a um
SDCD, ele é o sistema digital default para
coletar dados de processo.
O CLP foi projetado para uso em
automação de fábrica, quando a operação
Fig.4.7. Centum CS1000 requeria tarefas muito rápidas, repetitivas,
como em linhas de montagem. Estas
exigências não são típicas de uma planta de
processo, mas há algumas operações que
O CS 3000 é o SDCD da Yokogawa de podem usar as capacidades poderosas de um
grande porte. Ele integra a versatilidade e CLP, principalmente as de alarme e
confiabilidade de seu predecessor série intertravamento. O CLP de hoje pode ser muito
Centum com o ambiente aberto de um mais eficiente para executar sequenciamento,
computador pessoal. O sistema é de fácil operações de alarme e de intertravamento. O
operação, possui mais funções de controle, controle em tempo real para intertravar motores
engenharia eficiente e excelente relação de e equipamentos relativos se tornou muito
custo e beneficio. prático dentro do CLP usado no mundo do
Suas interfaces abertas permitem a troca controle de processo. Um bom exemplo disto é
de informação com Softwares de Supervisão o controle de processo de batelada com
de Recursos Empresariais (ERP) e Sistemas funções de gerenciamento do processo
de Produção (MES), criando um estratégico configurado através de um computador pessoal
sistema de informação e administração para ou estação de trabalho de operação do tipo PC.
sua planta. O controlador lógico programável varia na
complexidade da operação que ele pode
controlar, mas ele pode ser integrado em redes
de comunicação digital com outros CLPs,
computadores pessoais, sistemas de análise,
sistemas de monitoração de maquinas rotativas
e sistema digital de controle distribuído
(SDCD), Geralmente, mas nem sempre, estas
redes são ponto a ponto, significando que um
CLP pode falar com outro diretamente sem ir
através de outro equipamento intermediário.
O CLP pode ser uma alternativa,
econômica, do SDCD, onde não são envolvidas
estratégias de controle de malha de processo
sofisticadas. As aplicações típicas de CLP são:
Fig. 4.8. Sistema Yokogawa CS3000 1. Parada e partida de equipamentos
2. Alarme e intertravamento de segurança

37
Sistemas Digitais

3. Movimentação de óleo e gás Cada módulo E/S e a fiação interna de


4. Engarrafamento e empacotamento todos os módulos do sistema devem ser
5. Processo de batelada simples identificados pelo método padronizado. A
As vantagens do CLP são: identificação pode ser fixada com arame, fitas
1. Possui excelente capacidade de adesivas ou qualquer outro modo aceitável.
manipular lógica, seqüencial e Os gabinetes devem ser resistentes à
intertravamento corrosão. Eles devem ser tratados contra
2. Programação ladder ou de blocos de corrosão com pintura ou revestimento externo
função é de fácil entendimento por um processo eletrostático.
3. Custo baixo, permitindo a A cor de acabamento dos gabinetes
personalização das funções do produto geralmente é cinza claro (Munsell 065).
4. Pode operar em ambiente hostil Blocos terminais com fusíveis devem ser
5. Altíssima confiabilidade, sendo um usados para sinais analógicos e solenóides.
produto comprovadamente fácil de se A fita terminal deve ser separada de acordo
manter com o tipo de sinal (4 a 20 mA, sensores de
6. Oferece alto nível de flexibilidade e temperatura a resistência, termopares, sinais
escalabilidade (capacidade de ser discretos de chaves). Os condutores com a
aumentado em escala, por partes). alimentação de 127 V ca devem ser igualmente
7. Possui tamanho compacto e requer separados dos condutores com sinais.
pouco espaço A fita terminal deve ter classe de isolação
As desvantagens do CLP no controle de adequada, típica de 750 V.
processo são: Os cabos internos devem ser do tipo à
1. É não determinístico, ou seja, sem prova de chama e de acordo com as cores
habilidade de prever o tempo de padronizadas.
resposta, que é desastroso para o
controle PID. O CLP é determinístico 3.3. Operação do CLP
somente se a interrupção de tempo real
for disponível e usada para PID. Como todo sistema digital, o CLP opera de
2. Limitado em sua capacidade de fazer modo descontínuo, por ciclos de varredura. O
controle PID contínuo, principalmente CLP recebe sinais do processo através de seus
em controle multivariável. módulos de entrada e atua nos elementos
3. Dificuldade de implementar técnicas de finais de controle através de seus módulos de
otimização de controle, tipicamente saída. Esta atuação vai depender do status dos
disponíveis nos SDCDs. sinais de entrada, do programa (ladder) que o
4. Necessidade de computador pessoal CLP executa e do status dos sinais de saída.
para interfacear com os controles de
processo e outras operações mais
complexas.
5. Não possui interface humano-máquina,
requerendo uso de um computador
pessoal, quando for necessária esta
interface.
6. Necessidade de configurar o CLP em
separado da configuração do PC e do
SDCD, em sistemas combinados.
7. Geralmente o fabricante de CLP não
possui especialistas em controle de
processo.

3.2. Construção
O CLP fica condicionado em gabinetes com
dimensões adequadas para alojar os seus
componentes. O arranjo interno deve permitir o
acesso livre aos componentes substituíveis
(tipo plug in ou encaixe sem ferramenta) para
facilitar a manutenção e expansão.
Cada gabinete deve ter uma placa de
identificação de acrílico com o número do CLP
e do gabinete, fixado por rebites ou parafusos Fig. 4.9. Esquema de funcionamento do CLP
em local visível.

38
Sistemas Digitais

3.4. Varredura do CLP


Embora possa haver pequenas diferenças
entre CLPs, especialmente o que eles fazem
durante a inicialização, o ciclo de varredura de
três passos é sempre o mesmo:
a) Uma varredura de entrada. O CLP lê
os dados de todos os módulos de
entrada (adquirindo dados de sensores
ligados aos módulos de entrada). Este
dado de entrada é colocado em uma Fig. 4.10. Ciclos da varredura do CLP
área da memória do módulo da
Unidade de Processamento Central
(CPU) reservado para imagens dos
dados de entrada
b) Varredura do programa do usuário.
O programa de controle escrito pelo
usuário é rodado uma vez, do inicio até
o fim. O programa contém instruções
para examinar dados da imagem de
entrada e para determinar que valores
o CLP deve colocar nas saídas que
vão para os atuadores. O CLP não
escreve os dados de saída nos
módulos de saída ainda, mas os salva Fig. 4.11. Varredura e interrupção
em uma área da memória RAM da
CPU reservada para imagens dos
dados de saída. O programa do
usuário pode examinar e alterar todas
as áreas endereçáveis da memória
3.5. Capacidade do CLP
RAM. (Isto significa que os dados de Cada CLP deve apresentar a seguinte
imagem da entrada podem ser capacidade básica:
alterados pelo programa do usuário e a) Coleta de sinais analógicos e discretos
os dados de saída podem ser b) Saídas de sinais analógicos e discretos
examinados). Alguma memória RAM c) Execução de seqüências e controle PID
não é endereçável, de modo que ela d) Interface com outros equipamentos
não pode ser alterada pelo programa digitais
do usuário. O programa do usuário, por e) Capacidade de comunicação com a
exemplo, não está em uma memória Estação de Operação, quando houver
endereçável. SCADA.
c) Uma varredura de saída. Durante este
passo, o CLP copia todos os dados da 3.6. Configuração de CLP
área da imagem de saída da CPU para
os módulos de saída. A configuração das seguintes funções
Cada vez que o CLP termina um ciclo de mínimas deve ser possível:
varredura e começa outro. O sistema a) Relé básico
operacional também roda um timer watchdog, b) Temporização no ligamento,
enquanto é executado o ciclo de varredura. Se desligamento, retentivo ou não, com
o timer watchdog atinge seu valor pré-ajustado diferentes bases de tempo.
antes de ser reiniciado (se um ciclo de c) Contador crescente ou decrescente
varredura leva um tempo anormalmente grande d) Transferência de blocos
para terminar), o CLP vai imediatamente para o e) Transmissão por exceção de mudança
modo de falha (fault) e pára de operar. Depois de status
de falhar, o CLP geralmente requer a f) Lógica booleana (AND, OR, NOT)
intervenção do operador para voltar a operar. A g) Operações matemáticas (soma,
maioria dos CLPs possui programa operacional subtração, multiplicação, divisão, raiz)
com diagnóstico de falhas. h) Seqüenciadores
i) Comparadores (maior, menor, maior ou
igual, menor ou igual, igual, não igual)
j) Linearizadores
k) Controle PID

39
Sistemas Digitais

l) Calculo matemático de ponto flutuante


para a correção da vazão devida a
pressão e temperatura
m) Integração de vazão instantânea
durante intervalo de tempo
n) Filtro de sinais analógicos
Todo CLP deve ter um código de
identificação alfanumérico que deve registrar
em sua memória e ser acessível tanto
localmente pelo terminal de programação como
remotamente pela Estação de Operação.
Os programas de operação devem ser
armazenados em memória EEPROM. AS Fig. 4.13. Diagrama de blocos do CLP
memórias RAM de armazenamento devem ser
protegidas por baterias. 3.7. Equipamentos associados
Todos os dados, parâmetros e versões de
programa devem ser acessíveis do terminal de A instrumentação de campo
programação. (transmissores, chaves) ligada ao CLP deve
Os controladores PID devem permitir, ser alimentada pelo CLP
localmente, do terminal de programação ou, 1. Através dos módulos de entrada e
remotamente, pelo Estação de Operação, a saída
determinação, entre outras coisas, do valor do 2. Através de fonte externa de 24 V cc,
ponto de ajuste, o modo de operação mas disponível no CLP.
(automático ou manual), os parâmetros de O CLP deve ter diodos emissores de luz
ganho, os fatores derivativo e integral. O (LEDs), na parte frontal dos módulos, fonte e
controlador deve também permitir o ajuste da CPU, para indicar suas condições de operação.
banda morta do erro. Todas as conexões do CLP (cada porta de
O CLP deve remotamente soar o alarme na comunicação E/S e conexão de fonte de
Estação de Operação em cada ocorrência de alimentação) devem ter proteção contra
falha. transientes.
O CLP deve permitir a programação Cada CLP deve ter um clock interno
através de programa configurável de alto nível. permitindo o registro de ocorrências de alarme
O CLP deve ser capaz de executar a re- e de evento com tempo estampado.
partida automática na volta da falha de O equipamento não deve gerar
alimentação. interferência que possa atrapalhar a operação
O CLP foi criado para substituir relés de outros equipamentos eletrônicos, nem ter
eletromecânicos e por isso é programado sua operação afetadas por estes
usando lógica de relés. Quando o CLP equipamentos.
começou a ser aplicado em controle PID de Todos os módulos de entrada e saída (E/S)
processo mais complexo, foi necessário criar devem trabalhar permanentemente
linguagem de programação mais poderosa, energizados, nas condições normais de
como a de Blocos de Função. operação. Cada módulo E/S deve ter um
fusível de proteção individual.
Cada módulo de entrada deve ter, no
mínimo, as seguintes características:
1. Isolador óptico para os sinais de campo
e circuitos internos lógicos (mínimo de
isolação de 1 500 V). Esta isolação
deve ser independente para cada
módulo E/S.
2. Proteção contra transientes de tensão,
picos de corrente, transitórios e
interferência de 60 Hz, interferência de
rádio freqüência e descarga
atmosférica.
3. Proteção contra inversão de
polaridade.
Os módulos de entradas discretas devem
ter filtros e LEDs para indicar status da entrada
Fig. 4.12. Armário de um CLP (ligada ou desligada).

40
Sistemas Digitais

Os módulos de entradas analógicas devem


ser capazes de operar com os sinais padrão de
4 a 20 mA, para transmissores de 2, 3 ou 4
fios. O CLP também deve ter módulos de
entrada para receber sinais de RTD (Pt 100) e
termopares (com juntas de compensação).
As saídas discretas devem ter as seguintes
características:
1. Contatos secos
2. Capacidade de contato de 2 A, a 24 V
cc, 1 A a 125 V cc ou 2 A a 127 V ca
3. Quando a fonte de alimentação não for
interna ao CLP, deve haver um relé Fig. 1.11. Aplicação típica de um CLP
discreto externo ao módulo de saída.
Cada saída analógica deve ter as seguintes
características:
1. Alimentar cargas com impedância de 3.10. Terminal de programação
até 1 000 Ω.
2. Ajuste independente de zero e de O Terminal de Programação adequado
amplitude de faixa, para cada canal. deve ser um notebook, compatível com a
norma IBM PC. É desejável que o notebook
tenha as seguintes características:
3.8. Dimensionamento do CLP 1. Pentium IV, mínimo de 1,6 MHz
Dimensionar um CLP é determinar o 2. 256 MB RAM, expansível para 512 MB
número de CPUs, número e tipo de módulos de 3. Bateria de longa duração, com
entrada e de saída, quantidade gabinetes, capacidade mínima de 2 horas de
gavetas, posições (slots) e terminais operação sem recarga
O dimensionamento do CLP depende do 4. Display LCD VGA, com tela de matriz
tamanho do projeto, que é função ativa e com tela mínima de 10 “.
principalmente do número e tipo de entradas e 5. Drive de disco flexível de 3 1/2” (1,44
saídas. MB)
O CLP e gabinete devem ser fornecidos 6. Disco rígido de 10 GB, quando
com todo equipamento necessário para uma formatado, interface IDE, tempo de
expansão futura de 15 % dos pontos totais, acesso máximo de 12 ms
simplesmente pela inserção de novos módulos 7. Unidade de leitura de CD-ROM, com
de E/S e cabos de instrumentos de campo, uma velocidade de 52X ou maior
sem a necessidade de qualquer outro material. 8. Trackball integrado
A fonte de alimentação deve ser capaz de 9. Slot de expansão PCM CIA tipo II
suportar transiente de até 30% das variações 10. Porta paralela padrão Centronics, para
na tensão de entrada para um período de 10 impressora
segundos sem perturbar seu trabalho. 11. Porta serial
A fonte de alimentação deve ter suas 12. Conexões para teclado externo e
saídas protegidas contra sobre tensão, sob monitor externo VGA
tensão e sobre corrente e em qualquer um O notebook deve vir junto com uma fonte
destes eventos, deve desligar automaticamente de alimentação ac/dc, cabos, maleta e uma
e se manter em seu estado até que o defeito série de manuais do computador e acessórios.
seja corrigido. Os seguintes programas devem estar
instalados:
3.9. Comunicação de dados 1. Windows 2000 ou XP
2. Utilitários do CLP (para confecção de
O CLP deve ter o equipamento e programa diagrama ladder ou bloco de funções)
necessários para se comunicar com o a 3. Aplicativo para operação e manutenção
Estação de Operação através de meios de de equipamentos em uso.
comunicação, preferivelmente com protocolos
abertos.

41
Sistemas Digitais

4. Controle Supervisório e 3. tensão de termopares dos tipos J, K, R,


S, T B e E,
Aquisição de Dados (SCADA) 4. resistências detectoras de temperatura,
Os dados de pulsos podem ter diferentes
faixas de freqüência e são gerados por:
4.1. Introdução 1. turbinas medidoras de vazão,
SCADA é o acróstico de Supervisory 2. transmissores de vazão magnéticos,
Control And Data Acquisition – Controle 3. medidores tipo vortex ou coriolis
Supervisório e Aquisição de Dados. SCADA é
um sistema de controle tipicamente usado para
monitorar e controlar processos que tenham
muitas operações de liga e desliga e poucas
malhas de controle analógico PID. O sistema
SCADA é usado principalmente para partir e
parar unidades remotas e não é usado para o
controle do processos complexos.
Exemplos de processos simples:,
1. unidades de transferência de produtos
em tubulações por bombas (líquidos)
ou compressores (gases),
2. distribuição de água e
3. distribuição de energia elétrica.
Tais sistemas utilizam intensiva e
Antigamente o termo controle
supervisório significava o sistema onde o
computador digital estabelecia o ponto de
ajuste e outros parâmetros dos controladores
analógicos.
A tendência atual é utilizar sistemas com
protocolos e programas abertos, podendo
utilizar equipamentos de diferentes fabricantes.
Porém, há sistemas SCADA proprietários, de
um único fabricante, que já está interligado com
todas interfaces e drivers proprietários. São
sistemas mais caros, menos flexíveis, porém já
prontos para o uso. Exemplo: MOSCAD, da
Motorola.
Os equipamentos básicos do SCADA são:
1. Controlador Lógico Programável (CLP) Fig. 4.14. Visão geral de um SCADA
para fazer a aquisição de dados
2. Computador Pessoal (PC) para rodar o
supervisório e constituir a estação de
operação ou a interface humano- Dados discretos são as saídas de chave,
máquina. que podem ser 0 ou 1.
Estes sinais analógicos, discretos ou de
pulso são convertidos para a forma digital
4.2. Coleta de dados conveniente para uso dentro do sistema digital
Neste sistema, tem-se vários fornecedores de aquisição de dados.
de CLP (Siemens, Modicon, Rockwell, GE Os sinais digitais, como protocolo HART®,
Fanuc, Hitachi) e vários aplicativos (InTouch, Fieldbus Foundation, Modbus e Profibus
IFix, VXL). Há maior flexibilidade, porém, há entram no sistema através da rede de
maior dificuldade de integração do sistema e comunicação digital. Estes sinais digitais
casamento de protocolos digitais diferentes. entram no CLP através de sua CPU.
Um sistema de Controle Supervisório e Há uma distinção clara entre sinal digital e
Aquisição de Dados (SCADA) coleta e discreto (ou binário). O sinal ou protocolo digital
armazena dados para uso futuro. Os dados é constituído de vários bits (p. ex.: 16, 32 ou
podem ser analógicos, discretos ou digitais. Os 64) e tem muitos recursos. Exemplos de
dados analógicos podem ser do tipo: protocolos digitais: HART, Fieldbus Foundation,
1. 4 a 20 mA cc, Modbus. O sinal discreto ou binário é aquele
2. tensão de mV de células de carga, fornecido por uma chave elétrica e possui

42
Sistemas Digitais

apenas um bit de informação: ligado ou


desligado. Há autores e manuais que chamam
o sinal discreto de digital, diferente das
definições deste trabalho. Há ainda o sinal de
pulso, cuja informação pode estar na
amplitude, na freqüência, na duração ou na
posição do pulso. Exemplos de sinais: saída de
turbina medidora de vazão, saída de medidor
magnético de vazão.

Fig. 4.15. Sistema SCADA tradicional

Fig. 4.16. Componentes do SCADA


Um modo claro para mostrar a diferença
entre sinal discreto e digital, em um CLP é que
os sinais discretos entram através de módulos
de entrada e sinais digitais através da porta da
CPU do CLP. 4.3.Estação de Operação
Na maioria das aplicações industriais, a
aquisição de dados é feita por controladores Os dados do campo devem estar
lógico programáveis (CLP) que possuem as disponíveis em um único local centralizado e
interfaces de entrada e saída padronizadas e onde possam ser indicados, registrados,
com preço conveniente. Outra vantagem de se totalizados, analisados e alarmados. É também
usar um CLP como sistema de coleta de dados desejável que o operador, além de coletar os
é a facilidade de driver de comunicação entre dados e saber os status dos dispositivos
ele e o microcomputador onde será rodado o remotos, possa atuar no processo, abrindo e
programa aplicativo para realizar o controle fechando válvulas motorizadas, ligando e
supervisório do processo. desligando motores de bombas e
Quando os dados são coletados a grandes compressores, enviando sinais analógicos para
distâncias, eles são transferidos através de atuar em válvulas de controle. Nestas
fios físicos, por uma onda de rádio freqüência aplicações, os sinais digitais do sistema de
portadora ou através de linha telefônica ou por aquisição de dados devem ser convertidos de
uma combinação qualquer destas três técnicas. volta para a forma analógica e aplicados a
algum tipo de atuador no processo. Este local é
a estação de operação.
A Estação de Operação é um computador
pessoal (PC), de uso industrial, que roda um
software aplicativo de Controle Supervisório.
Através de telas previamente configuradas
e o sistema interligado, o operador pode
selecionar através do teclado ou mouse do
computador diferentes visões do processo,
desde uma malha isolada, grupos de malhas
até o processo completo.
O monitor do computador irá substituir os
painéis convencionais com botoeiras,
instrumentos de display, anunciador de alarme
e painel sinóptico. As chaves liga e desliga e as

43
Sistemas Digitais

botoeiras de partida e parada são substituídas Também no sistema, os status dos


por teclas ou são atuadas através da tela equipamentos podem ser definidos e
especial (touch screen). Têm-se agora chaves observados na tela do monitor. Assim, por
lógicas ou virtuais que funcionam exatamente exemplo, válvulas fechadas podem ser
como se fossem reais. representadas em vermelho, abertas em verde
O monitor do computador substitui os e em posições intermediárias, em azul.
instrumentos de display. Através do programa Tudo que era feito através da
de configuração, o operador pode selecionar instrumentação convencional contínua sendo
telas que apresentam os valores numéricos das feito, porém, o operador vê o processo através
variáveis de processo de diferentes modos, à de uma janela. Sua interface para ver o que
sua escolha. Os valores podem aparecer ao está ocorrendo é a tela do monitor e sua
lado dos equipamentos associados. Por interface para atuar no processo é o teclado do
exemplo, computador, mouse, trackball (mouse com
1. o nível do tanque pode ser apresentado esfera) ou a própria tela do monitor se ela for
em percentagem ao lado do desenho sensível ao toque (touch screen).
do tanque, Este sistema supervisório facilita muito a
2. a vazão que passa por uma tubulação vida do operador. Relatórios que anteriormente
pode ter o valor instantâneo mostrado eram escritos à mão agora são
junto da tubulação, automaticamente impressos. A partir do aperto
3. a temperatura de um reator pode ser de uma tecla, o operador pode ter uma lista de
mostrada em diferentes posições, em todos os pontos que foram alarmados nas
valores digitais. últimas 24 horas de operação.
Através da configuração de tela, os
instrumentos virtuais podem se parecer com
instrumentos convencionais, com escala
analógica (gráfico de barras simula a escala
analógica), com botões, chaves seletoras e
chaves de atuação.
A totalização da vazão ou de outra variável
(por exemplo, tempo acumulado de operação
de motor de bomba) pode ser apresentada na
tela do monitor, em tamanho e cor definidos
pelo usuário.
O anunciador de alarme é eliminado e
agora os alarmes são listados pelo
computador, mostrados na tela do monitor ou
impressos em papel, se necessário. O alarme Fig. 4.18. Funções do SCADA
sonoro continua existindo. O usuário pode
definir um código de cores para diferentes tipos
de alarme. No diagrama do processo mostrado
na tela do monitor do computador, as variáveis
alarmadas podem assumir diferentes cores.

Fig. 4.19. Interface Humano-Máquina

Fig. 4.17. Sala de controle do sistema SCADA

44
Sistemas Digitais

4.3. Programa Aplicativo (Software)


A operação de selecionar uma malha,
iniciar uma entrada de dados, atuar em
determinado dispositivo remoto, apresentar
uma lista de alarmes não é feita
milagrosamente, mas deve ser prevista e
programada. Para facilitar as coisas, são
disponíveis vários programas aplicativos no
mercado, para que usuário realize seu controle,
sendo os mais conhecidos:
1. Intouch, da Wonderware
2. IFix (FicsDmacs), da Intellution
3. Oasys, da Valmet
4. Wizcon, da Wizcon
5. Elipse, da Elipse Software
6. RSView, da Allen-Bradley
7. Aimax, da Smar
Um programa aplicativo supervisório é
usado para confeccionar telas, animar objetos,
permitir a monitoração e atuação do processo
através da estação de controle. Os aplicativos
possuem bibliotecas com figuras, imagens,
Fig. 4.20. Estação de operação do SCADA
símbolos e ícones já prontos e fáceis de serem
usados, bastando ao programador apenas a
sua configuração e endereçamento.
Depois de configurado, o supervisório
Concluindo: um conjunto integrado de
possui dois modos de funcionamento:
sistema de aquisição de dados, programa de
1. operação ou run time
controle supervisório e um microcomputador,
2. desenvolvimento ou engenharia
pode ser uma alternativa econômica para um
Em modo de operação, o controle
Sistema Digital de Controle Distribuído. Por
supervisório cuida principalmente de monitorar
causa de suas limitações de desempenho e
o processo, ligar, desligar equipamentos e
conveniência geral apresentadas por um
contornar unidades danificadas por acidente,
sistema com microcomputador, estas
estabelecer pontos de ajuste, alterar sintonia
aplicações são ideais para processos onde o
de controlador, alterar valores de alarme.
custo é crítico e o controle é simples. Este
No modo de desenvolvimento, pode-se
conceito certamente cria a expectativa e a
alterar telas, colocar ou retirar instrumentos,
visão do futuro para aplicações abertas.
configurar novas estratégias, registrar senhas e
Mesmo com suas limitações, o sistema pode
alterar níveis de prioridade e outras funções de
ter ou fazer:
gerenciamento do sistema.
1. Gerenciamento de banco de dados
relacional,
2. Pacote de planilha de cálculo
3. Processador de texto
4. Gerenciamento de display orientado
para objeto
5. Estação de trabalho orientada para
janela
6. Troca de informações com outros
sistemas digitais da planta
7. Comunicação com outros sistemas
digitais, como controlador lógico
programável, controlador digital single
loop, sistema de monitoração de
máquinas rotativas, sistema de análise
da planta
8. Interoperabilidade entre outras
plataformas digitais disparatadas.
Fig. 4.21. Tela típica do InTouch

45
Sistemas Digitais

5. Protocolos de comunicação atuadores estão ligados ou desligados, abertos


ou fechados.
O nível de aplicação se refere à função do
5.1. Introdução equipamento da malha. O nível mais baixo
inclui sensores e sinais de 1 bit, que é a saída
Em uma malha de medição e controle de de uma chave. O bit só pode valer 0 ou 1.
processo, os instrumentos necessitam se O nível acima do sensor é o de
comunicar entre si. Quando o sinal é analógico, equipamento, tipicamente o transmissor e de
esta compatibilidade é conseguida com a válvula de controle.
padronização dos sinais: pneumático em 20 a Acima do nível de equipamento, está o
100 kPa (0,2 a 1,0 kgf/cm2 ou 3 a 15 psi – e a nível de controle regulatório, que pode incluir o
padronização?) e eletrônico (4 a 20 mA cc). O controlador PID e controlador com lógica fuzzy.
sinal analógico contém apenas uma O nível mais alto da aplicação inclui os
informação, que está na amplitude do sinal negócios da empresa, com as atividades de
proporcional ao valor da medição. compra e venda, planejamento, manutenção,
Com o sinal digital, as coisas se complicam operação, finanças, relações humanas.
porque se quer usar a capacidade digital de Quanto mais elevado for o nível, melhor
comunicação de transmitir vários sinais deve ser o desempenho do protocolo e quanto
simultaneamente em um único meio (fio mais baixo o nível, maior deve ser a sua
trançado, cabo coaxial, cabo de fibra óptica), confiabilidade. Porém, há um teorema em
que é compartilhado por todos os sinais de comunicação que estabelece que o produto
informação. desempenho e confiabilidade é finito. Assim,
Protocolo é o conjunto de regras quando se aumenta o desempenho, diminui-se
semânticas e sintáticas que determina o a confiabilidade e quando se aumenta a
comportamento dos instrumentos funcionais confiabilidade, se diminui o desempenho.
interligados para se ter uma comunicação entre Tipicamente, os protocolos de chão de fábrica
eles. Na arquitetura OSI (Open Systems são muito confiáveis e com pequeno
Interconnection), é o conjunto de regras que desempenho e os de negócio são de alto
determina o comportamento de entidades na desempenho e pequena confiabilidade.
mesma camada para se comunicarem. Protocolo de alta confiabilidade é chamado
Há muitos protocolos alternativos tais como de determinístico, ou seja, o sinal enviado
Fieldbus Foundation, WordFIP/FIP, Profibus, chega ao receptor, mesmo que demorado.
ISP, LonWorkds, P-NET, CAN, HART, BIT- Protocolo de alto desempenho é aquele que
BUS, Modbus e Ethernet. A maioria é transfere grande quantidade de dados em alta
proprietária, ou seja, o protocolo foi velocidade, por exemplo, 100 Mbaunds.
desenvolvido por determinado fabricante
isolado ou em conjunto com outros fabricantes.
A razão mais óbvia para a variedade de
protocolos é que eles foram projetados para
diferentes aplicações em mente e otimizados
para características específicas tais como
segurança, baixo custo, alto número de
dispositivos conectados. Portanto, cada norma
pode ter vantagens para atender prioridades de
uma determinada aplicação. A não ser que
uma única norma se torne um líder claro, pode
ser necessário para os fabricantes fornecerem
interfaces para os outros protocolos em uso. Fig. 4.22. Tipos de protocolos e aplicações
Os protocolos dependem basicamente do
tipo do processo e do nível da aplicação. Os
processos podem ser do tipo contínuo ou
discreto.
Processo contínuo é aquele que faz a
medição, monitoração e controle de variáveis
analógicas, como pressão, temperatura, vazão,
nível e analise. O algoritmo básico deste
controle é o PID – ações Proporcional, Integral
e Derivativa.
Processo discreto é aquele que possui
muitas ações de ligar e desligar, quando os

46
Sistemas Digitais

5.2. Protocolo HART Ondas senoidais destas freqüências são


superpostas sobre um sinal analógico de 4 a 20
mA corrente contínua, transmitido por cabos,
Conceito
para dar simultaneamente comunicações
HART é um acróstico de Highway analógica e digital. Como o valor médio do sinal
Addressable Remote Transducer – Transdutor FSK é sempre zero, o sinal de 4 a 20 mA cc
Remoto Endereçável de Barramento. O não é afetado pelo sinal digital. Isto produz
protocolo HART foi o primeiro a ser usado na comunicação simultânea genuína com um
industria de processo contínuo e é muito tempo de resposta de aproximadamente 500
utilizado ainda hoje. Ele foi desenvolvido pela ms para cada equipamento de campo, sem
Rosemount, que hoje faz parte da Emerson, interromper qualquer sinal analógico de
em 1986. Por sua grande aceitação, ele se transmissão que possa estar ocorrendo.
tornou aberto (quando todos os fabricantes Até dois equipamentos principais (master)
poderiam utiliza-lo) em 1991. podem ser ligados a cada malha HART. O
primário é geralmente um sistema de
gerenciamento ou um PC, enquanto o
secundário pode ser um terminal hand-held ou
um computador laptop. Um terminal padrão
hand-held (chamado comunicador HART) é
Outros disponível para tornar uniformes as operações
de campo. As opções adicionais de circuito são
SDCD fornecidas por gateways.
proprietário
Proprietário

HART

Fig. 4.23. Percentagem de uso

Vantagens Fig. 4.24. Comunicações analógica e digital simultâneas


As vantagens do HART incluem:
1. Protocolo de comunicação com aceitação
mundial, tendo cerca de 50% do mercado e
por isso é considerado o padrão digital, de Ponto a ponto
facto,
2. Protocolo aberto, independente do Nesta configuração, o sinal analógico de 4
fabricante e gerenciado pela Fundação de a 20 mA cc continua sendo usado para a
Comunicação HART transmissão analógica enquanto a medição,
3. Possui um terminal portátil universal e ajuste e dados do equipamento são
amigável para todos os equipamentos transferidos digitalmente. O sinal analógico
4. Possui a capacidade digital de acessar permanece inalterado e pode ser usado para
todos os parâmetros do instrumento e fazer controle de modo normal. Os dados HART dão
diagnóstico, acesso para manutenção, diagnóstico e outros
5. É um dos poucos protocolos digitais que dados operacionais.
pode ser superposto ao sinal analógico de 4 Multidrop
a 20 mA cc.
Este modo requer somente um par de fios
Método de operação e, se aplicável, barreiras de segurança
O protocolo HART opera usando o princípio intrínseca e uma fonte de alimentação auxiliar
de frequency shift keying (FSK), que é baseada para até 15 equipamentos de campo. A
na Norma de Comunicação Bell 202 (Bell, configuração multidrop é particularmente útil
1976). O sinal digital é constituído de duas para instalações de supervisão muito
freqüências: espaçadas, como em tubulaçoès, estações de
1200 Hz que é o bit 1 alimentação e tancagem.
2200 Hz que é o bit 0.

47
Sistemas Digitais

Os instrumentos HART podem ser usados Terminal portátil


de qualquer modo. Na configuração ponto a Há um único terminal portátil (hand held
ponto, o instrumento de campo tem endereço terminal) para todos os equipamentos,
0, estabelecendo a corrente de saída em 4 a 20 representando uma única interface para todos
mA cc. Na configuração multidrop, todos os e com as seguintes características desejáveis:
endereços de equipamento sãomaiores do que 1. pequeno e robusto,
0 e cada equipamento estabelece sua corrente 2. alimentado por bateria,
de saída para 4 mA. Para este modo de 3. podendo ser intrinsecamente seguro,
operação, os controladores e indicadores quando necessário uso em locais de
devem ser equipados com um modem HART. Divisão 1 ou não incenditivo para locais
Os equipamentos HART podem se de divisão 2, com aprovações do FM e
comunicar usando linhas de telefone das CSA
concessionárias (Bell, 1973). Nesta situação, 4. programa é atualizável (upgradeable) no
somente uma fonte de alimentação local é campo, com módulo de memória
necessária pelo equipamento de campo e o reprogramável substituível.
master pode estar muitos kilômetros distante. O terminal universal é fácil de aprender e
Porém, a maioria dos países europeus não usar. Ele possui
permite sinais Bell 202 usados com 1. um display com 8 linhas e 21 caracteres
equipamentos portadores nacionais, de modo em cristal líquido (LCD)
que os produtos HART não podem ser usados 2. chaves funcionais e
deste modo. 3. chaves de ação, para mover através da
estrutura do menu
4. um teclado alfanumérico.

Fig. 4.25. Tela do terminal portátil típica

Camada física HART


Fig. 4.26. Terminal portátil HART
A transmissão de dados é feita através do
sistema FSK - Frequency Shift Keying, com as
seguintes características físicas:
1. bit 0 = 2200 Hz
2. bit 1 = 1200 Hz
3. A taxa de transferência é de 1200
bits/s.
4. A taxa de transferência para variáveis
simples: 2 por segundo.
5. Segurança dos dados: checking de erro
bi dimensional.
6. Máximo número de dispositivos
secundários (slaves) em modo
multidrop: 15.
7. Máximo número de dispositivos
principais (masters): 2.
8. Máximo número de variáveis: 256 por
secundário. Máxima distância: típica de
1900 m, dependendo do tipo de cabo.

48
Sistemas Digitais

5.3. Fieldbus Foundation Sinais digitais são mais garantidos,


seguros, no sentido que há salvaguardas para
detectar erros e degradação do sinal. Há maior
Conceito
confiabilidade.
Fieldbus é um termo genérico, que significa
barramento de campo. Assim, qualquer Benefícios da manutenção
protocolo digital no nível de equipamento pode Menos manutenção por causa da maior
ser considerado como de fieldbus, e.g., o confiabilidade da tecnologia digital.
protocolo HART. Atualmente, quando se refere Manutenção mais rápida por causa do
ao Fieldbus, quer se tratar do protocolo digital diagnostico digital específico, levando a
aberto da Fieldbus Foundation (FF). correção mais rápida e completa,
Caminho de comunicação digital, serial, documentação automática.
multidrop, duplex entre equipamento industrial Acesso a vários parâmetros dentro de um
de campo, como sensores, atuadores, equipamento inteligente torna possível o
transmissores, controladores e mesmo diagnóstico remoto e até manutenção remota.
equipamentos da sala de controle. Fieldbus é Norma aberta permite a interoperabilidade
uma norma específica ISA SP 50 (Fieldbus de produtos com mesma função, tornando a
Foundation) para comunicação digital, substituição de equipamentos mais simples e
operando no mais baixo nível de comunicação rápida.
de dados (E/S) em sistemas automáticos. Ela
permite a comunicação e interoperabilidade Camadas do FF
entre equipamentos inteligentes de campo e Fieldbus Foundation foi a primeira norma
equipamentos do sistema de controle de vários aplicada à camada do usuário e por isso
vendedores. Ela também suporta o acesso à representa o projeto mais compreensivo até
informação para monitorar, controlar e alarmar agora. Fieldbus usa somente as camadas física
durante a partida, operação e manutenção da (1), link de dados (2) e aplicação (7) do modelo
planta. Há duas versões emergentes: OSI OSI (Open Systems Interconnect) e omite
1. H1 para ligar sensores e atuadores as camadas rede (3), transporte (4), sessão (5)
para equipamentos de controle e apresentação (6). Ele usa um subconjunto de
2. H2 para funcionar como um highway de referência OSI chamado de EPA (Enhanced
dados mais sofisticado. Performance Architecture) – arquitetura de
desempenho melhorado.
Benefícios de instalação
Na camada física (1), tem-se a
Fieldbus é multidrop e por isso, reduz a característica do sinal, preâmbulo e post-
fiação e os custos de fiação, terminações, âmbulo, seqüência de verificação da estrutura.
testes, caixas de passagem. Na camada de link de dados (2), tem-se o
Fieldbus fornece um método de acesso protocolo de acesso à mídia, transferência
padronizado aos parâmetros do equipamento confiável da mensagem, serviços cíclicos e
de sensores, transmissores, atuadores e acíclicos.
controladores, permitindo configuração remota. Na camada de aplicação (7), tem-se a
Isto melhora a acessibilidade dos atribuição de nome e endereço, acesso
equipamentos remotos. O uso de sinais digitais variável, download e upload. Esta camada é a
melhora a exatidão da calibração. mais elevada e é orientada para mensagem.
A interoperabilidade do fieldbus permite a Além disso, como característica única, o
seleção de um equipamento entre vários Fieldbus inclui a camada do usuário. Esta
vendedores. camada, não incluída no modelo OSI pois não
é considerada de comunicação, define os
Benefícios da operação
blocos de função com modo e status, eventos e
O uso de representação digital com ponto alarmes e a descrição do equipamento. A
flutuante permite a transmissão de informação camada do usuário é orientada para o
numérica sem degradação. equipamento. A camada do usuário define o
Não há erros introduzidos na transmissão. comportamento do equipamento e por isso é a
A medição é mais repetitiva. mais importante.
Há melhor controle, com economia de
energia e de produção.
Há maior quantidade de informação
disponível dos equipamentos de campo e
possibilidade de transmissor multivariável
(único instrumento pode sentir várias variáveis
ao mesmo tempo e todas as informações são
transmitidas por um único meio físico).

49
Sistemas Digitais

Fig. 4.27. Modelo de sete camadas da OSI (Open Systems Interconnect)

Fig. 4.28. Modelo com quatro camadas do Fieldbus Foundation

50
1. Saber o que provavelmente aconteceu em
6. Integração de Sistemas cada unidade, através da diagnose, de
modo que a unidade retorne a operar o
mais rápido possível
6.1. Cenário da planta 2. Atrelar e juntar as funções de controle,
monitoração, alarme, intertravamento,
O cenário típico da planta, com relação a
otimização de controle, gerenciamento de
automação do processo é o seguinte:
produção e planejamento dos negócios,
1. Processo principal controlado por um para simplificar, coordenar e harmonizar
sistema digital, que pode ser estas funções
• Sistema Digital de Controle
3. Compartilhar o conhecimento com todo o
Distribuído, quando complexo
pessoal envolvido, técnico, gerencial e
• Controladores microprocessados administrativo, de modo que todos passem
single loop, quando simples e a trabalhar em direção ao mesmo objetivo,
pequeno como uma equipe integrada.
• Sistema SCADA, com computador A integração do sistema envolve a
pessoal e CLP, quando o processo coordenação das mesmas funções de várias
for simples e grande. unidades e das diferentes funções da mesma
2. Alarme e intertravamento do processo unidade. Ou seja, todos os sistemas de
feito por Controlador Lógico controle devem ser integrados em um único
Programável convencional, ou em sistema, para que o operador do processo
arquitetura de redundância tenha uma visão geral de toda a planta.
3. Sistema de monitoração de máquina Também as funções de controle, alarme,
rotativa otimização de processo, gerenciamento da
4. Sistema com analisadores em linha produção, expedição do produto, compra de
com processo materiais devem ser integradas em um único
5. Sistema digital para pesagem, sistema com compartilhamento de dados e
ensacamento, entamboramento ou recursos.
expedição do produto acabado Integração é a comunicação vertical para
6. Sistema de monitoração e controle das troca de informação e as conexões horizontais
utilidades (vapor, águas, ar comprimido para compartilhamento das tarefas e
de instrumento e de serviço, gases) e responsabilidades. Integração pode ser a troca
casa de força (energia elétrica principal de dados ou quando se tem nomes comuns de
e cogeração de energia de reserva), variáveis, enderecos e funções, pode ser o
onde há sistemas de controle de compartilhamento de uma interface de
equipamentos específicos como operação unificada, com todas as informações
caldeira, compressor, torre de disponíveis.
refrigeração
7. Sistema para gerenciamento do
almoxarifado de peças e equipamentos 6.3. Pirâmide da interoperabilidade
para manutenção Em toda planta pode se visualizar uma
8. Planejamento da produção da planta pirâmide virtual da operação, envolvendo o
9. Gerenciamento dos laboratórios sistema de controle, o gerenciamento da
químico e físico produção e o planejamento corporativo da
Todos estes sistemas possuem o seu empresa.
próprio sistema de automação e controle No nível mais baixo da planta, chamado de
automático, de modo que há várias ilhas de chão de fábrica, tem-se o controle regulatório
automação. É altamente desejável que todos do processo industrial, envolvendo sensores,
os sistemas de controle e monitoração sejam transmissores inteligentes, válvulas de controle,
integrados em um único sistema, de modo que atuadores de campo, módulos de conversão de
tudo funcione de modo orquestrado, ordenado entrada e saída do sistema digital. É o local das
e conforme. medições e controle regulatório do processo.
Associado ao controle do processo (ou
6.2. Conceito de Integração acima deste nível), há o sistema de
monitoração,alarme e intertravamento do
Integrar um sistema significa ser capaz de processo, que assegura a operação segura do
Ajustar o sistema antes que qualquer processo. Este nível engloba CLPs (por
unidade dele fique fora dos limites de tolerância exemplo, da Allen-Bradley), anunciadores de
alarme e diagnose de falhas.

51
Sistemas Digitais

Acima deste nível, há o controle otimizado 5. Comunicação


do processo, incluindo as estações de
operação e controle da planta, com SDCDs Equipamentos
(por exemplo da Foxboro), CLPs (por exemplo, A integração envolve a interligação de
da CLP), SCADA (Controle Supervisório e equipamentos com funções diferentes,
Aquisição de Dados), analisadores em linha fornecidos por fabricantes diferentes. Os
(por exemplo, da Hewlett Packard). Tem-se as equipamentos envolvem computadores
funções de calibração dos instrumentos, pessoais, que possuem sistemas operacionais,
manutenção preventiva de equipamentos, rodam programas aplicativos e usam
implantação de sistema de qualidade. algoritmos e linguagens distintas. A maioria dos
Estes três níveis são altamente técnicos e controles de processos contínuos é feita
se baseiam na qualidade e produtividade. através de SDCDs, que possuem módulos de
Acima destes níveis, há o controle entrada e saída, consoles de operação,
supervisório da planta (por exemplo, feito pelo sistema operacional proprietário ou aberto,
InTouch), gerenciamento da produção, sistema de comunicação digital. Quando os
operação do processo, onde se tem o interesse processos são simples e com poucas malhas, o
de cortar custos, diminuir despesas, substituir controle pode ser feito por controladores
operadores por máquinas. Os equipamentos microprocessados, que necessitam de drivers
envolvidos neste nível são computadores para serem usados em um sistema
pessoais (CP, por exemplo da IBM). Neste supervisório. A monitoração, alarme e
nível são executadas as funções de integridade intertravamento são feitos por CLPs, que
do processo, validação do processo, possuem módulos de entrada e saída e um
integridade da informação. sistema de comunicação digital, geralmente
No topo de pirâmide há o gerenciamento de proprietário, como o ControlNet, da Allen
negócios da corporacao, envolvendo Bradley.
integração de manufatura por computador, Quando os equipamentos são fabricados
sistema de gerenciamento da informação, pela mesma empresa, geralmente (devia ser
sistema de execução da manufatura, controle sempre) não há problema de comunicação
estatístico do processo (há quem coloque o entre eles, pois o mesmo fabricante fornece a
CEP no nível de baixo) e relatórios do interface e o protocolo de comunicação.
gerenciamento. A base deste nível é a rede de Quando são de fabricantes diferentes, há a
computadores, incluindo Internet e Intranet, necessidade de desenvolver uma interface de
funcionando como um computador virtual. comunicação entre eles, geralmente por uma
Na integração, as vantagens de um terceira firma.
determinado sistema são amplificadas e
compartilhadas por outros sistemas que
apresentam deficiências neste enfoque. Por
exempo, na integração de um SDCD com CLP,
a estação de operação do SDCD, que é
amigável e robusta, é utilizada pelo usuário do
CLP, que possui uma grande capacidade de
processamento de entradas e saídas para a
informação digital. O CLP fornece os status dos
dispositivos controlados pelo SDCD e o SDCD
dá ao CLP os sinais de controle para parar e
partir motores, abrir e fechar válvulas
solenóides.
Fig. 4.37. Piramide da automação
6.4. Parâmetros da integração
A integração busca a operação conjunta de
vários sistemas, com diferentes funções, feitos
por diferentes fabricantes, compartilhando
dados, fontes, dispositivos, equipamentos,
programas e controle de variáveis analógicas e
digitais. Por isso os parâmetros chave de uma
integração de sistemas são:
1. Equipamentos
2. Interfaces
3. Protocolos
4. Informação (base de dados)

52
Sistemas Digitais

7. Controller Área Network (CAN),


8. ControlNet (Allen Bradley),
9. ARCNet (ANSI 878.1),
10. Devicenet,
11. LON Works,
12. Numatics,
13. Porlog,
14. Modicon,
15. Ethernet (IEEE 802.3),
16. Token ring (IEEE 802.4).

Base de dados
A integração do sistema depende da
tecnologia de base de dados relacional. O
sistema deve oferecer atualização em linha
para a base de dados para suporte de acesso e
relatório de linguagem estruturada.
O sistema de informação do sistema
integrado deve compartilhar a informação entre
Fig. 4.38. Piramidade da automação os vários bancos de dados e tarefas
relacionadas com:
1. controle de processo regulatório
2. controle de processo supervisório
Interface 3. gerenciamento do laboratório
Interface é um equipamento, às vezes 4. planejamento de produção
associado a um programa, que permite a 5. programa de expedição
ligação entre dois outros equipamentos 6. gerenciamento do almoxarifado
incompatíveis. Por exemplo, um SDCD pode 7. alarme e intertravamento normal e
operar em conjunto com um CLP, mas deve crítico (com redundância tripla)
haver uma interface entre eles, para a ligação 8. processos avançados ou
física e lógica deles. especializados (batelada, mistura,
A maioria dos fabricantes de SDCD já monitoração de máquina rotativa)
incorpora em seus sistemas módulos de Deve haver um programa aplicativo que
entrada e saída de CLPs, de modo que é fácil e facilite a troca de dados entre as diferentes
natural o uso dos dois sistemas. aplicações.
Há uma grande variedade de interfaces de
equipamentos para transmissão digital, tais Comunicação
como RS 232C, RS 449, RS 423, RS 422, RS Deve haver um sistema de comunicação
485, IEEE 488, HP IL (IEC 625), VXI Bus, flexível e eficiente entre as diferentes pessoas
CAMAC (IEEE 583). da planta: operadores, pessoal de manutenção,
gerentes e planejadores. Diferentes pessoas
Protocolo gerenciam suas áreas de modos diferentes,
Protocolo é o conjunto de regras que mesmo que a base de dados seja a mesma.
permitem a comunicação digital entre dois Quando o processo está rodando
sistemas. Por exemplo, dois CLPs ou dois normalmente, o operador necessita de pouca
SDCDs podem operar em conjunto, mas deve informação. Quando ocorre uma falha, o
haver um mesmo protocolo, para que seja pessoal de manutenção necessita de
possível a operação conjunta. Na prática, são informação detalhada para identificar e isolar o
desenvolvidos conversores de protocolo. dispositivo defeituoso.
Atualmente há uma grande variedade de
protocolos proprietários (alguns se abrindo,
através de Fundações), tais como
1. Profibus (Process Fieldbus,
originalmente da Siemens),
2. MAP (Manutacturing Automation
Protocol),
3. Fieldbus Foundation (IEC ISA SP 50),
4. ISP (Interoperable System Project),
5. WorldFIP North America,
6. FIP (Honeywell e Telemecanique),

53
Sistemas Digitais

6.5. Como integrar


A integração é algo muito subjetivo. A
integração deve ser realizada através de
sistemas de automação e controle, formando
equipes para comunicar e compartilhar seus
planos com todos os envolvidos.
Não há modo melhor ou mais fácil de
automatizar e integrar. Cada um deve descobrir
o que é melhor para sua aplicação. Todo
mundo deve ser envolvido desde o início. Deve
se conhecer profundamente o sistema: quantas
entradas e saídas existem, como ele realmente
opera e quais são seus gargalos e limitações.
Fig. 4.39. Pirâmide entre fábrica e negócios Deve se fornecer treinamento adequado a
todos os envolvidos. Deve se monitorar o
progresso e aprender com ele.
O melhor caminho é começar simples,
O supervisor está mais interessado na aprender um pouco mais do sistema e tomar
eficiência do processo, quantidade de produção novo passo. Todo o tempo, porém, deve-se
e outros detalhes relacionados com a planejar a integração total.
produtividade durante seu turno. O engenheiro
Componentes de sistema de automação
de processo se interessa pelo projeto do
sistema de controle e quer saber se o sistema 1. Sensores
pode ser melhorado. O gerente responsável 2. Atuadores
pela operação quer informação em tempo real 3. Sistema de controle regulatório
de taxas de produção e status do sistema. (Controlador single loop ou Sistema de
O operador precisa da informação no chão Controle Distribuído)
de fabrica, próxima da máquina do processo. O 4. Sistema de alarme e monitoração do
supervisor de turno necessita da informação no controle regulatório (Controlador Lógico
console de controle do sistema. O pessoal de Programável)
manutenção quer a informação no instrumento 5. Sistema de alarme de processo crítico
de controle e dentro do gabinete do (Controlador Lógico Programável com
equipamento. O engenheiro de automação e redundância adequada ao seu SIL)
processo quer a informação em sua oficina, no 6. Sistema de controle especializado
console de controle da área, no terminal (Batch, Blending)
conveniente, no equipamento de controle e no 7. Sistema de monitoração de máquina
gabinete do equipamento. O gerente necessita rotativa
da informação em um sistema centralizado ou 8. Sistema de expedição
em seu escritório. (entamboramento, expedição,
ensacamento, engarrafamento)
9. Equipamento de teste automático
10. sistema de programação de produção
11. Sistema de simulação de fabrica
12. Sistema de manutenção e
gerenciamento
13. Sistema de gerenciamento da
qualidade
14. Sistema de gerenciamento de
almoxarifado

Fig. 4.40. Sistema integrado

54
Funções dos Instrumentos
Objetivos de Ensino
1. Conceituar medição de uma variável de processo e mostrar o seu resultado correto.
2. Apresentar as principais funções dos instrumentos da malha de medição e controle.
3. Apresentar as características e princípios de funcionamento do sensor
4. Listar características e tipos de condicionadores de sinal e principalmente do transmissor
5. Descrever os instrumentos de display: indicador, registrador, contador e computador de
vazão.
6. Mostrar o principio de funcionamento de controlador e válvula de controle.

Por exemplo, a temperatura ambiente da


1. Introdução sala é de (24 ± 2) oC , com 95,4%
onde:
Em Instrumentação, o termo medir é vago e 24 é a melhor estimativa da temperatura,
ambíguo. Genericamente, se fala de malha de obtida da média de várias medições
medição. Normalmente, quando se fala medir, replicadas,
se quer dizer indicar o valor de uma variável. ±2 é a incerteza associada à medição,
Porém, o mesmo termo medir pode se referir a devida às imperfeições do instrumento,
registrar ou totalizar um sinal. Para indicar, é habilidade do operador, influência do ambiente
também necessário sentir a variável. Embora a e a variabilidade natural das coisas,
o
instrumentação trate dos instrumentos de C é a unidade de engenharia, aceita pelo
medição (medidores), não existe símbolo para SI: grau Celsius.
o medidor, mas para sensor (E), transmissor 95,4% é a probabilidade associada à
(T), indicador (I), registrador (R), totalizador incerteza que foi expressa por dois desvios
(Q), alarme (A) e controlador (C) e padrão (σ = 1).
condicionador (Y).
Esta confusão aparece porque para se 2.2. Componentes da malha
fazer a medicao de uma variável de processo,
usa-se um sistema completo de medição que Toda malha de medição de qualquer
envolve as funções básicas de variável de processo possui, de modo explícito
1. sentir a variável ou implícito, os seguintes componentes,
2. condicionar o sinal separados ou combinados:
3. apresentar o valor da variável em um 1. sensor
mostrador. 2. condicionador de sinal
Estas funções podem ser feitas por um 3. apresentador do sinal
único instrumento ou pela malha de
instrumentos interligados.

2. Malha de Medição
Malha de medição é um conjunto de
instrumentos interligados entre si para realizar
a medição de uma variável. Cada instrumento
da malha executa uma função única e
complementar.

2.1. Resultado da medição


O resultado da medição inclui:
1. Um valor numérico
2. Uma incerteza associada
3. Uma unidade de engenharia
4. Uma probabilidade associada

55
Funções de Instrumentos

A malha de controle, além destes Os elementos auxiliares aparecem em


componentes da malha de medição, possui alguns instrumentos, dependendo do tipo e da
ainda os seguintes componentes: técnica envolvida. Eles podem ser: o elemento
1. tomador de decisão de calibração para fornecer uma facilidade
2. elemento final de controle extra de calibração embutida no instrumento e
O elemento sensor ou elemento transdutor o elemento de alimentação externa para
ou elemento primário detecta a entrada facilitar ou possibilitar a operação do elemento
desejada e a converte para uma forma mais sensor, do condicionador de sinal ou do
conveniente e prática a ser manipulada pelo elemento de display.
sistema de medição. Ele constitui a interface do
instrumento com o processo. 2.3. Malha de medição de vazão
O elemento condicionador do sinal
manipula e processa a saída do sensor de Um exemplo típico de malha de medição
forma mais amigável e conveniente para o complexa é uma Estação de Medição de
mostrador. As principais funções do Vazão(EMED)
condicionador de sinal são as de amplificar, Esta estação pode ter diferentes tamanhos,
filtrar, integrar e converter sinal analógico- complexidade e produtos medidos. Quanto a
digital e digital-analógico. legislação, as medições podem ser fiscais
O elemento de apresentação do dado, que (transferência de custódia) ou de apropriação
dá a informação da variável medida na forma de produção, com diferentes graus de
quantitativa ao operador. O elemento de exigências de incerteza e períodos de
apresentação de dado é também chamado de calibração.
display ou readout. Ele constitui a interface do Uma estação típica possui um medidor
instrumento com o operador do processo. Os oficial e opcionalmente um medidor secundário.
principais mostradores são: indicador, Outros instrumentos auxiliares são utilizados
registrador e contador. para fazer a medição e compensação da
A Fig. 5.1. mostra três malhas de medição: pressão e temperatura da vazão volumétrica do
indicação, registro e totalização da vazão. O produto. Medir um produto é justamente
elemento sensor (placa de orifício) e o determinar o valor do volume transferido
transmissor são comuns às três malhas de durante determinado período de tempo, pela
medição. estação.
Estações modernas podem incluir
cromatógrafos em linha, para a medição
continua da composição do gás.
Opcionalmente, a composição pode ser medida
em laboratório, off line. Periodicamente, os
valores encontrados no laboratório são
entrados no computador de vazão volumétrica
do gás. A composição do gás permite que ele
seja vendido em energia e que o gás natural
real tenha seu volume corrigido pelo fator de
compressibilidade (Z).

Fig. 5.1. Malhas de medicao

56
Funções de Instrumentos

Fig. 5.1. Esquema simplificado de uma Estação de Medição (EMED)

Fig. 5.2. Fotografia de uma Estação de Medição

57
Funções de Instrumentos

Fig. 5.3. Sistema típico de medição de gás natural

58
Elemento Sensor

1. Conceito 2. Terminologia
O elemento sensor não é um instrumento De um modo geral, transdutor é o elemento,
mas faz parte integrante da maioria absoluta dispositivo ou instrumento que recebe a
dos instrumentos. O elemento sensor é o informação na forma de uma quantidade e a
componente do instrumento que converte a converte para informação para esta mesma
variável física de entrada para outra forma mais forma ou outra diferente. Aplicando este
usável. A grandeza física da entrada definição, são transdutores: elemento sensor,
geralmente é diferente grandeza da saída. transmissor, transdutor corrente para
O elemento sensor depende pneumático (i/p) e pneumático para corrente
fundamentalmente da variável sendo medida. O (p/i), conversor eletrônico analógico para digital
elemento sensor geralmente está em contato (A/D) e conversor digital para analógico (D/A).
direto com o processo e dá a saída que A norma ISA 37.1 (1982): Electrical
depende da variável a ser medida. Transducer Nomenclature and Terminology
Exemplos de sensores são: padroniza a terminologia e recomenda o
1. o tubo bourdon que se deforma seguinte:
elasticamente quando submetido a uma 1. elemento sensor ou elemento transdutor
pressão, para o dispositivo onde a entrada e a saída
2. o strain gauge que varia a resistência são ambas não-padronizadas e de
elétrica em função da pressão exercida naturezas iguais ou diferentes.
sobre ele; 2. transmissor para o instrumento onde a
3. o sensor bimetal que varia o formato em entrada é não-padronizada e a saída é
função da variação da temperatura padronizada e de naturezas iguais ou
medida, diferentes.
4. o termopar que gera uma militensão em 3. transdutor para o instrumento onde a
função da diferença de temperatura entrada e a saída são ambas padronizadas
entre dois pontos; e de naturezas diferentes.
5. a placa de orifício que gera uma 4. conversor para o instrumento onde a
pressão diferencial proporcional ao entrada e a saída são ambas de natureza
quadrado da vazão volumétrica que elétrica mas com características diferentes,
passa no seu interior. como o conversor A/D (analógico para
Se há mais de um elemento sensor no digital), D/A (digital para analógico),
sistema, o elemento em contato com o conversor I/F (corrente para freqüência),
processo é chamado de elemento sensor conversor i/v (corrente para voltagem).
primário, os outros, de elementos sensores O nome correto e completo do elemento
secundários. Por exemplo, a placa de orifício é transdutor recomendado pela norma
o elemento primário da vazão; o elemento que ISA 37.1 (1982) inclui:
mede a pressão diferencial gerada pela placa é 1. o nome transdutor,
o secundário. 2. variável sendo medida,
Em alguns processos o elemento sensor 3. modificadora restritiva da variável,
pode estar protegido por algum outro 4. princípio de transdução,
dispositivo, de modo que ele não fica em 5. faixa de medição,
contato direto com o processo. O selo de 6. unidade de engenharia.
pressão e o poço de temperatura são exemplos Exemplos de elementos sensores:
de acessórios que evitam o contato direto do 1. Transdutor, pressão, diferencial, 0 a 100
sensor com o processo. kPa, potenciométrico
Os nomes alternativos para o sensor são: 2. Transdutor, pressão de som, capacitivo,
elemento transdutor, elemento primário, 100 a 160 dB.
detector, probe, pickup ou pickoff. 3. Transdutor de pressão absoluta a strain
gauge amplificador, 0 a 500 MPa.

59
Elemento Sensor

Exemplos de elementos sensores


mecânicos:
1. Espiral, para a medição de pressão;
2. Enchimento termal, para temperatura;
3. Placa de orifício, para a vazão

1. Espiral (b) Enchimento termal

Fig. 5.1. Terminologia e símbolo

(c). Placas de orifício


3. Princípios de transdução Fig. 1.1. Elemento sensores mecânicos
Conforme a natureza do sinal de saída, os
sensores podem ser classificados como:
1. mecânicos 5. Sensores Eletrônicos
2. eletrônicos
Praticamente, toda variável de processo O elemento sensor eletrônico recebe na
pode ser medida eletronicamente e nem toda entrada a variável de processo e gera na saída
variável pode ser medida mecanicamente. Por uma grandeza elétrica, como tensão, corrente
exemplo, o pH só pode ser medido por meio elétrica, variação de resistência, capacitância
elétrico. As principais vantagens do sinal ou indutância, proporcional a esta variável.
eletrônico sobre o mecânico são: Há elementos sensores eletrônicos ativos e
1. não há efeitos de inércia e atrito, passivos.
2. a amplificação é mais fácil de ser obtida Os elementos ativos geram uma tensão ou uma
3. a transmissão é mais fácil e poderosa corrente na saída, sem necessidade de
(pode ser digital). alimentação externa. Exemplos:
Durante o estudo das variáveis de 1. cristal piezelétrico para a pressão
processo, serão vistos com profundidade os 2. termopar para a temperatura
princípios mais comuns descritos adiante. 3. eletrodos para a medição de pH.
Os circuitos que condicionam estes sinais
necessitam de alimentação externa.
4. Sensores Mecânicos Os elementos passivos necessitam de uma
O elemento sensor mecânico recebe na polarização elétrica externa para poder medir
entrada a variável de processo e gera na saída uma grandeza elétrica passiva para medir a
uma grandeza mecânica, como movimento, variável de processo. As grandezas elétricas
força ou deslocamento, proporcional à variável variáveis são: a resistência, a capacitância e a
medida. indutância. Exemplo de elementos sensores
O elemento sensor mecânico não necessita de passivos eletrônicos:
nenhuma fonte de alimentação externa para 1. resistência detectora de temperatura
funcionar; ele é acionado pela própria energia 2. célula de carga (strain gauge) para a
do processo ao qual está ligado. medição de pressão e de nível,

60
Elemento Sensor

3. bobina detectora para a transdução do Muitos transmissores eletrônicos usam


sinal de corrente para o sinal padrão cápsulas capacitivas para a medição de
pneumático. pressão manométrica, absoluta ou diferencial.

ΔC

(a) Placas móveis, dielétrico fixo

ΔC

Fig. 1.2. Elemento sensor eletrônico de pH

Os elementos sensores eletrônicos podem


ser dos seguintes tipos:
1. capacitivo
2. indutivo
3. relutante (b) Placas fixas, dielétrico variável
4. eletromagnético
5. piezelétrico Fig. 1..3. Transdução capacitiva
6. resistivo
7. potenciométrico
8. strain gauge
9. fotocondutivo
10. fotovoltaico
5.2. Sensor indutivo
11. termelétrico O sensor indutivo converte a variável de
12. ionizante processo medida em uma variação da auto-
indutância elétrica de uma bobina. As variações
5.1. Sensor capacitivo da indutância podem ser causadas pelo
movimento de um núcleo ferromagnético dentro
O sensor capacitivo converte a variável de da bobina ou pelas variações de fluxo
processo medida em uma variação da introduzidas externamente na bobina com
capacitância elétrica. Um capacitor consiste de núcleo fixo.
duas placas condutoras de área A separadas Há transmissores eletrônicos, a balanço de
por um dielétrico (ε) pela distância d, conforme forças, que utilizam (ou utilizavam) bobinas
a expressão matemática seguinte: detectoras para a medição da pressão.

A
C=ε
d
Assim, a variação de capacitância pode ser
causada
1. pelo movimento de um dos eletrodos
(placas), alterando a distancia d ΔL
2. pela variação da área das placas
3. pela variação do dielétrico entre as
duas placas fixas. Fig.2.4. Transdução indutiva

61
Elemento Sensor

5.3. Sensor relutante 5.5. Sensor piezelétrico


O sensor relutante converte a variável de O sensor piezelétrico converte uma variável
processo medida em uma variação da voltagem de processo medida em uma variação de carga
devida a uma variação na relutância entre duas eletrostática (Q) ou voltagem (E) gerada por
ou mais bobinas separadas e excitadas por certos materiais quando mecanicamente
tensão alternada (ou de duas porções estressados. O stress é tipicamente de forças
separadas de uma mesma bobina). Esta de compressão ou tração ou por forças de
categoria de sensores inclui relutância variável, entortamento exercida no cristal diretamente
transformador diferencial e ponte de por um elemento sensor ou por um elo
indutâncias. A variação na trajetória da mecânico ligado ao elemento sensor.
relutância é usualmente feita pelo movimento
de um núcleo magnético dentro da bobina.
ΔE
ou
ΔQ

Tap
central ΔE
Fig. 1.7. Transdução piezelétrica

5.6. Sensor resistivo


Fig. 1.4. Transdução relutiva por transformador diferencial O sensor resistivo converte a variável de
processo medida em uma variação de
resistência elétrica. As variações de resistência
5.4. Sensor eletromagnético
podem ser causadas em condutores ou
O sensor eletromagnético converte a semicondutores (termistores) por meio de
variável de processo medida em uma força aquecimento, resfriamento, aplicação de tensão
eletromotriz induzida em um condutor pela mecânica, molhação, secagem de certos sais
variação no fluxo magnético, na ausência de eletrolíticos ou pelo movimento de um braço de
excitação. A variação no fluxo feita é reostato.
usualmente pelo movimento relativo entre um
eletromagneto e um magneto ou porção de
material magnético.
ΔR

ΔR

ΔE
ΔR
ΔR
Fig. 1.6. Transdução eletromagnética

Fig. 1.8. Transdução resistiva

5.7. Sensor potenciométrico


O sensor potenciométrico converte a
variável de processo medida em uma variação
de relação de voltagens pela variação da
posição de um contato móvel em um elemento
resistivo, através do qual é aplicada uma

62
Elemento Sensor

excitação. A relação dada pela posição do


elemento móvel é basicamente uma relação de Fig. 1.11. Transdução foto condutiva
resistências.

5.10. Sensor fotovoltáico


O sensor fotovoltáico converte a variável de
processo medida em uma variação de tensão
elétrica de um material semicondutor devido à
Ex
+ variação da quantidade de luz incidente em
- Ew L
Δ
Ew junções de certos materiais semicondutores.
Ex

Fig. 1.9. Transdução potenciométrica


Luz ΔE
5.8. Sensor strain gauge
O sensor strain gauge converte a variável
de processo medida em uma variação de
resistência em dois ou quatro braços da ponte
de Wheatstone. Este princípio de transdução é Fig. 1.12. Transdução fotovoltáica
uma versão especial da transdução resistiva,
porém, ela envolve dois ou quatro sensores
strain gauges resistivos ligados em uma ponte 5.11. Sensor termoelétrico
de Wheatstone polarizada, de modo que a
saída é uma variação de voltagem. O sensor termoelétrico converte a variável
de processo medida em uma variação de força
eletromotriz gerada pela diferença de
temperatura entre duas junções de dois
materiais diferentes, devido ao efeito Seebeck.
A B
T1 T2 ΔE
Ex

Fig. 1.13. Transdução termelétrica


ΔE
C D
5.12. Sensor iônico
O sensor iônico converte a variável de
processo medida em uma variação da corrente
de ionização existente entre dois eletrodos.
Fig. 1.10. Transdução de strain gauge

5.9. Sensor fotocondutivo


O sensor fotocondutivo converte a variável de
processo medida em uma variação de
resistência elétrica (ou condutância) de um
material semicondutor devido à variação da
quantidade de luz incidente neste material.

Fig. 1.14. Transdução ionizante

Luz ΔR

63
Elemento Sensor

6. Escolha do sensor transmitido e controlado. Por isso,


atualmente os sensores eletrônicos são
O objetivo de um sistema de controle é mais preferidos que os mecânicos, pois
garantir uma correlação rigorosa entre a saída são mais facilmente manipulados.
real e a saída desejada. A saída real é a 4. o sensor deve ter boa exatidão,
variável de processo e a saída desejada é 5. conseguida por fácil calibração.
chamada de ponto de ajuste. Gasta se muita 6. o sensor deve ter boa precisão,
matemática, eletrônica e dinheiro para se obter constituída de linearidade, repetitividade
e garantir o desempenho do sistema. Porém, e reprodutibilidade.
por melhor que seja o projeto matemático ou a 7. o sensor deve ter linearidade de
implementação eletrônica, o controle final não amplitude.
pode ser melhor que a percepção da variável 8. o sensor deve ter boa resposta
do processo. dinâmica, respondendo rapidamente às
A qualidade da medição da variável sendo variações da medição.
controlada estabelece a linha de referência do 9. o sensor não deve induzir atraso entre
desempenho global do sistema. É muito os sinais de entrada e de saída, ou
importante entender os princípios físicos que seja, não deve provocar distorção de
permitem o sensor converter a variável do fase.
processo em uma grandeza elétrica ou 10. o sensor deve suportar o ambiente
mecânica. hostil do processo sem se danificar e
É fundamental estabelecer a exatidão, sem perder suas características.
precisão, resolução, linearidade, repetitividade 11. o sensor deve ser facilmente disponível
e tempo de resposta do sensor para as e de preço razoável.
necessidades do sistema. Um sensor
especificado com precisão insuficiente pode
comprometer o desempenho de todo o sistema.
No outro extremo, selecionar um sensor com
precisão exagerada e difícil de ser conseguida
na prática, não é justificado para um controle
que não requer tanta precisão.

7. Características Desejáveis do
Sensor
Em certos casos, o sensor do sinal de
entrada pode aparecer discretamente em dois
ou mais estágios, tendo-se o elemento primário,
secundário e terciário. Em outros casos, o
conjunto pode ser integrado em um único
elemento.
Algumas características desejáveis de um
elemento sensor são:
1. o elemento sensor deve reconhecer e
detectar somente o sinal da variável a
ser medida e deve ser insensível aos
outros sinais presentes
simultaneamente na medição. Por
exemplo, o sensor de velocidade deve
sentir a velocidade instantânea e deve
ser insensível a pressão e temperatura
locais.
2. o sensor não deve alterar a variável a
ser medida. Por exemplo, a colocação
da placa de orifício para sentir a vazão,
introduz uma resistência à vazão,
diminuindo-a. A vazão diminui quando
se coloca a placa para medi-la.
3. o sinal de saída do sensor deve ser
facilmente modificado para ser
facilmente indicado, registrado,

64
Condicionador de Sinal

1. Conceito onde
Fc é a vazão compensada
Há necessidade de se ter instrumentos com Fm é a vazão medida, sem compensação
funções auxiliares para alterar o sinal gerado P é proporcional à pressão absoluta
pelo sensor e combinar matematicamente T é proporcional à temperatura absoluta
vários sinais padrão. Como o sinal gerado pelo Quando o sistema de medição inclui a
elemento sensor pode ser inadequado para ser placa de orifício, o sinal é proporcional ao
usado pelo instrumento de display, é quadrado da vazão e a relação acima fica
necessário utilizar um instrumento para alterar
este sinal para torná-lo mais conveniente para P
o uso no instrumento display. Esta alteração Fc = Fm
pode ser linearização do sinal, filtro dos ruídos, T
amplificação do sinal.
O computador analógico é o instrumento Quando se usam computadores
que executa as operações matemáticas, a pneumáticos, são necessários três
seleção dos sinais, o alarme, o instrumentos:
condicionamento e a geração de sinais 1. extrator de raiz quadrada
analógicos. 2. divisor
Ele pode ser pneumático ou eletrônico. 3. multiplicador
Quando pneumático é também chamado de
relé pneumático ou relé computador. O
computador analógico pneumático é mais
limitado e pode manipular apenas um ou dois
sinais de entrada. Quando eletrônico, ele pode
manipular até quatro sinais analógicos ao
mesmo tempo.

2. Aplicações
O computador analógico processa os sinais
de informação para desempenhar as funções
matemáticas requeridas pelo processo.
A aplicação típica dos computadores
analógicos é na medição compensada da
vazão.
A medição volumétrica dos gases só tem Fig. 3.1. Computador analógico pneumático
significado prático quando se faz a
compensação da pressão estática e da
temperatura do processo. Compensar a Na teoria, é indiferente a ordem das
medição da vazão significa medir os sinais operações, mas na prática as operações
analógicos proporcionais à vazão, à pressão e devem ser feitas na seguinte ordem:
à temperatura e continuamente executar a 1. No sistema com pequena variação da
seguinte equação matemática: pressão estática e grande variação na
Como o volume do gás é diretamente temperatura: primeiro se faz a multiplicação
proporcional à temperatura e inversamente F.P e depois a divisão por T.
proporcional à pressão, na compensação 2. No sistema com grande variação da
fazem-se as operações inversas, ou seja: pressão estática e pequena variação na
temperatura: primeiro se faz a divisão F/T e
depois a multiplicação por P.
P
Fc = Fm A regra mnemônica é: a variável que sofre
T pequenas variações é manipulada duas vezes

65
Condicionador de Sinal

e a que varia muito é operada apenas uma vez, vazão associado a placa de orifício, quando se
de modo que os erros resultantes são os tem a saída do transmissor proporcional ao
menores possíveis. quadrado da vazão. Como visto, a extração da
O multiplicador e o divisor podem ser raiz quadrada pode ser executada pelo
usados também no sistema de controle de multiplicador/divisor, porém, 'e mais econômico
relação de vazões, quando os computadores o uso do instrumento especifico. A saída do
servem para determinar o ponto de ajuste ou extrator vale:
para modificar a vazão medida.
O seletor de sinais é o instrumento chave D= A
para o controle auto-seletor; o computador
seleciona automaticamente a variável cujo
valor está mais próximo do valor critico de 3.4. Caracterizador do sinal
segurança.
É um instrumento que aproxima qualquer
função matemática para vários segmentos de
3. Funções desenvolvidas reta, com os pontos de inflexão e as
Os principais computadores analógicos que inclinações dos segmentos ajustáveis. Sua
desenvolvem operações matemáticas são: aplicação pratica é a linearização dos níveis de
tanques de formatos não lineares. Exemplos de
3.1. Multiplicador/divisor tanques com formatos lineares: quadrados,
A sua função matemática genérica é: retangulares, cilíndrico em pé; exemplos de
não-lineares: esféricos, cônicos e cilíndricos
D = A.B/C deitados. A curva (nível x quantidade estocada)
de um tanque esférico tem um formato de S e
onde D é a saída e A, B e C são as entradas. pode ser aproximada para vários segmentos de
Quando pneumático, o computador reta através do caracterizador de sinal. Através
analógico só pode receber dois sinais de da medição do nível e do caracterizador, pode-
entrada e portanto, ele só pode executar uma se determinar diretamente a quantidade
única operação, por vez. Através da alteração estocada.
da posição do relé pneumático ele pode ser :

multiplicador: D = A × B
A
divisor: D =
C
extrator de raiz quadrada: D = A
elevador ao quadrado: D = A
2

Quando eletrônico, ele pode executar as


operações simultaneamente e através da
alteração das entradas, realimentações da
saída e colocação de jumpers, pode-se ter a Fig. 3.2. Sinal linear e quadrático
combinação das operações de multiplicação,
divisão, extração de raiz quadrada e elevação
ao quadrado.
3.5. Seletor de sinais
3.2. Somador/subtrator Este instrumento recebe de duas a quatro
A saída do instrumento vale: entradas e seleciona automaticamente apenas
um sinal de entrada. Os seletores mais usados
D = aA +- bB +-cC +-eE, são o de máximo ou mínimo e o de valor
intermediário. O seletor de valor intermediário
onde recebe três sinais de entrada e seleciona o
A, B, C e E são os sinais de entrada, sinal do meio. O valor intermediário entre três
D é o sinal de saída, sinais não deve ser confundido com o valor
a, b, c e e são os ganhos das entradas. médio de dois a quatro sinais. Por exemplo, o
somador pode ser ajustado para dar a media
dos sinais.
3.3. Extrator de raiz quadrada
É o instrumento tipicamente aplicado para
linearizar o sinal de saída do transmissor de

66
Condicionador de Sinal

3.6. Alarme 2. transmissor, onde a entrada é não-


O alarme pode ser acionado diretamente padronizada e a saída é padronizada,
pela ação do ponteiro do indicador e da pena 3. transdutor, onde a entrada e a saída
do registrador em microswitches ou pode ser são ambas padronizadas,
realizado pelo computador analógico, que 4. conversor, onde a entrada e a saída são
recebe o sinal analógico na entrada e muda o ambas de natureza elétrica; tem-se
contato elétrico da saída, quando o valor do conversor A/D (analógico para digital), D/A
sinal atingir os limites críticos predeterminados. (digital para analógico), conversor I/F
Pode haver três tipos diferentes de alarme: (corrente para freqüência).
1. alarme absoluto, de máximo e/ou de O transdutor serve de interface entre a
mínimo. A saída do modulo de alarme instrumentação pneumática e a eletrônica.
muda de estado quando o sinal de entrada Como o elemento final de controle mais usado
atinge um valor pré-ajustado, de máximo é a válvula com atuador pneumático, o
ou de mínimo. transdutor I/P é usado principalmente para
2. alarme de desvio, aciona o contato de casar a instrumentação eletrônica de painel
saída quando os dois sinais variáveis da com a válvula com atuador pneumático.
entrada se desviam de um valor
predeterminado. Este tipo de alarme se 4. Linearização da Vazão
aplica principalmente em controle, quando
os dois sinais alarmados são a medição e o
ponto de ajuste; quando os sinais se 4.1. Introdução
afastam de uma valor ajustado, o alarme é
acionado. Linearizar um sinal não-linear é torna-lo
3. alarme de diferença é acionado quando linear. Só se lineariza sinais não lineares,
o sinal se afasta de um sinal de referencia aplicando-se a função matemática inversa. Por
ajustável de um valor determinado. exemplo, lineariza-se o sinal quadrático,
extraindo a sua raiz quadrada; lineariza-se o
3.7. Compensador dinâmico sinal exponencial, aplicando seu logaritmo.
O compensador dinâmico possui a função A linearização pode ser feita de vários modos
de adiantar ou atrasar o sinal aplicado a diferentes, tais como:
entrada. Ele é chamado de lead/lag e se aplica 1. escolha da porção linear da curva,
no controle preditivo antecipatório como na aplicação de medição de
(feedforward). temperatura por termopares. Cada tipo
de termopar apresenta uma região
3.8. Gerador de sinais linear para determinada faixa de
O computador analógico pode gerar sinal temperatura.
na saída, sem sinal aplicado na entrada. A sua 2. uso de uma escala não-linear, como na
saída gera um sinal com característica aplicação de medição de vazão por
conhecida e ajustável, como a rampa universal, placa de orifício. Como a placa de
a tensão ajustável, o temporizador. orifício gera uma pressão diferencial
proporcional ao quadrado da vazão,
3.9. Transdutor usa-se uma escala do indicador ou um
Genericamente, transdutor é qualquer gráfico do registrador do tipo raiz
dispositivo que altera a natureza do sinal quadrática, podendo ler diretamente o
recebido na entrada com o gerado na saída. valor da vazão em unidades de
Deste ponto de vista, o elemento sensor, o engenharia. Quando se usam
transmissor, o conversor são considerados termopares para medições de
transdutores. temperatura que incluem regiões não-
Em instrumentação, transdutor é o lineares, usam-se as escalas
instrumento que converte o sinal padrão especificas para cada termopar, tipo J,
pneumático no sinal padrão de corrente K, R, S, T, E.
eletrônica (P/I) ou vice versa (I/P). Ele 3. uso de instrumentos linearizadores,
possibilita a utilização de instrumentos como o extrator de raiz quadrada do
pneumáticos e eletrônicos na mesma malha. sinal de pressão diferencial
Eles são chamados incorretamente de proporcional ao quadrado da vazão,
conversores. gerado pela placa de orifício.
Resumidamente, tem-se: 4. uso de circuitos linearizadores,
1. elemento sensor, onde a entrada e a incorporados no transmissor (por
saída são ambas não-padronizadas, exemplo, transmissor inteligente) ou no

67
Condicionador de Sinal

instrumento receptor (registrador de vezes. Como resultado, em baixas vazões,


temperatura a termopar). pequenas variações da saída correspondem a
5. uso de pontos de curva de linearização, grandes variações na vazão e em altas vazões,
armazenados em ROMs ou PROMs, grandes variações da saída correspondem a
como nos sistemas de linearização de pequenas variações na vazão.
baixa vazão em sistemas com turbinas
medidoras de vazão. A não linearidade Tab. 3.1. Δp x saídas
da medição é devida a viscosidade e
densidade do fluido (numero de Medidor vazão Saída linear Saída raiz quad.
Reynolds) e do tipo de detecção- % saída % vazão % vazão
geração de pulsos. 0,0 0,0 0,0
6. uso de programas (software) de 1,0 1,0 10,0
linearização em sistemas digitais, como 10,0 10,0 31,6
nos computadores de vazão ou 25,0 25,0 50,0
sistemas digitais de aquisição de 50,0 50,0 70,7
dados. Durante a configuração do 75,0 75,0 86,6
sistema, tecla-se o tipo de não- 100,0 100,0 100,0
linearidade do sinal de entrada e o
sistema automaticamente lineariza o
sinal. A linearização do sinal quadrático é feita
pelo computador analógico chamado extrator
4.2. Medidores Lineares e Não- de raiz quadrada, onde é valida a seguinte
lineares relação:

O medidor de vazão linear é aquele cuja


saída varia diretamente com a vazão. Isto % saída = % entrada
significa que uma dada percentagem da saída
corresponde `a mesma percentagem de vazão. O extrator de raiz quadrada possui alto
Matematicamente, tem-se: ganho em pequenas vazões e pequeno ganho
em grandes vazões. Para contornar a grande
vazão = K x saída instabilidade do instrumento em manipular os
pequenos sinais, são usados vários macetes:
São exemplos de medidores lineares: 1. a saída fica zero quando a entrada é
1. turbina, cuja freqüência de pulsos é pequena (menor que 10%),
linearmente proporcional `a vazão 2. a saída fica igual a entrada quando a
volumétrica instantânea, entrada é pequena (menor que 10%),
2. medidor magnético, cuja amplitude da 3. calibra-se o extrator com o zero
tensão variável é linearmente levemente abaixo do zero verdadeiro,
proporcional `a vazão volumétrica eliminando o erro em baixas vazões e
instantânea, tendo pequeno erro em grandes
3. vortex, cuja freqüência de pulsos é vazões.
linearmente proporcional `a vazão
volumétrica instantânea,
4. mássico, tipo Coriolis, cuja freqüência
de precessão é linearmente
proporcional `a vazão mássica
instantânea,
Quando a saída do medidor não
corresponde linearmente `a vazão, o medidor é
não-linear. O medidor não-linear mais comum é
a placa de orifício, que produz uma pressão
diferencial proporcional ao quadrado da vazão.
Tem-se as seguintes equações:

vazão = K × saída

saída = K' (vazão)2

Quando a vazão medida dobra de valor, a


pressão diferencial gerada aumenta de 4

68
Condicionador de Sinal

5. Compensação for 1,10, o gás nas condições reais é 1,10 mais denso do
que o gás nas condições nominais e 10% mais de gás
vaza realmente através do medidor linear do que está
5.1. Introdução medido, assumindo as condições nominais de operação.
Nas condições nominais de operação, o
Em serviços de medição de gás, a maioria fator (P/ZT) é usado para corrigir o volume real
dos medidores de vazão mede o volume real antes que as não linearidades sejam
ou infere o volume real, tomando como compensadas. Assim, estes fatores são
referência a vazão volumétrica nas condições tratados do mesmo modo que a densidade, nas
nominais de operação. Quando as condições equações do medidor. Quando a vazão variar
reais do processo se afastam das condições não linearmente com a densidade do gás, a
nominais de projeto de operação, ocorrem vazão também vai variar não linearmente com
grandes variações no volume real, resultando o fator P/ZT. Para o sistema com placa de
em grande incerteza na medição da vazão. Um orifício, portanto, o fator de compensação é a
modo de resolver este problema seria raiz quadrada de P/ZT, pois a vazão
manipular a vazão mássica, medindo-se a volumétrica é proporcional `a raiz quadrada da
vazão volumétrica e a densidade do fluido e densidade.
usar a relação A compensação da pressão e temperatura
usa a hipótese de o fator de compressibilidade
W=rxQ Z ser constante nas condições de operação
próximas das condições nominais e despreza
onde os efeitos da compressibilidade.
W é a vazão mássica Para se medir a vazão volumétrica compensada usa-se a
Q é a vazão volumétrica equação, para o medidor linear:
r é a densidade.
A medição da densidade de um fluido ⎛ Z ⎞⎛ P ⎞⎛ T ⎞
vazando é relativamente cara, demorada e Vf = Vn ⎜⎜ n ⎟⎟⎜⎜ f ⎟⎟⎜⎜ n ⎟⎟
pouco confiável e a prática mais comum é ⎝ Z f ⎠⎝ Pn ⎠⎝ Tf ⎠
inferir o valor da densidade a partir dos valores
da pressão estática absoluta e da temperatura e quando o fator de compressibilidade nas
do processo, aplicando-se a lei do gás real. condições reais não se afasta do fator nas
Tem-se: condições nominais:

⎛ Z ⎞⎛ P ⎞⎛ T ⎞ ⎛ P ⎞⎛ T ⎞
Vf = Vn ⎜⎜ f ⎟⎟⎜⎜ n ⎟⎟⎜⎜ f ⎟⎟ Vf = Vn ⎜⎜ f ⎟⎟⎜⎜ n ⎟⎟
⎝ Zn ⎠⎝ Pf ⎠⎝ Tn ⎠ ⎝ Pn ⎠⎝ Tf ⎠
ou quando as condições nominais de operação são Para um medidor com saída proporcional ao quadrado da
conhecidas e podem ser resumidas em uma constante vazão, tem-se a equação:
matemática, a equação fica simplificada como:

⎛ Z × Tf ⎞ ⎛ P ⎞⎛ T ⎞
Vf = K × Vn ⎜⎜ f ⎟⎟ Vf = Vn ⎜⎜ f ⎟⎟⎜⎜ n ⎟⎟
⎝ Pf ⎠ ⎝ Pn ⎠⎝ Tf ⎠

Fazer a compensação da temperatura e Note-se que a equação da vazão


pressão reais do processo, que se afastaram compensada é o inverso da equação da lei dos
da temperatura e pressão nominais é gases, justamente para eliminar os efeitos da
justamente multiplicar por pressão e da temperatura. Ou seja, como a
vazão volumétrica depende da pressão e
temperatura de um fator (ZT/P), deve-se
Pf multiplicá-la por um fator de compensação
Z f × Tf (P/ZT) para se ter uma vazão volumétrica
compensada.
onde o fator simplificado (P/ZT) compensa a variação da A operação de corrigir um erro fixo é
pressão e temperatura (que determinam a densidade), chamada de polarização (bias) e a
variando das condições nominais de projeto para as reais compensação é a correção de um erro variável.
de operação e calcula o volume requerido nas condições Quando somente se quer a compensação
nominais para provocar o efeito da mesma vazão nas da pressão, pois a temperatura é se afasta
condições reais. Isto significa, por exemplo, que se P/ZT pouco de seu valor nominal, assume-se um

69
Condicionador de Sinal

valor constante igual ou diferente do nominal e 5.2. Condições normal, padrão e real
o incorpora `a constante.
Quando a temperatura for constante e Na medição do fluido compreensível, é
diferente do valor nominal, em lugar de usar um mandatório definir as condições sob as quais
medidor de temperatura para fazer a está sendo medida sua vazão volumétrica. A
compensação continua, aplica-se um fator de mesma vazão de um fluido compreensível pode
correção na leitura do medidor. A ser expressa por valores totalmente diferentes,
compensação da pressão é implementada, em função das condições especificadas.
multiplicando-se a pressão absoluta pela vazão As condições normal de pressão e temperatura
medida e uma constante, antes de linearizar a (CNPT) são:
saída do medidor.
De modo análogo, quando a pressão é Temperatura : 0,0 oC (273,2 K)
assumida constante e diferente do valor Pressão : 760 mm Hg (14,6959 psi)
nominal, se aplica um fator para a leitura do Umidade relativa: 0%
medidor em lugar de usar um medidor de
pressão para a compensação. A compensação Pela norma ISO 5024 (1976), as condições
da temperatura é implementada, multiplicando- padrão (standard) são:
se a temperatura absoluta pela vazão medida e
uma constante, antes de linearizar a saída do Temperatura : 15,0 oC (59 oF, 288,2 K)
medidor. Pressão : 101, 3250 kPa (14,6959 psi)
umidade relativa: 0%
Constante Universal: 8,3144 J/(g.mol.K)
Tab. 3.2. Erros da medição do gás sem compensação
de T Há autores que assumem a temperatura
padrão (standard) igual a 15.56 oC (60 oF).
Temperatura (oC) Erro (%) Para líquidos, a temperatura padrão base é
também igual a 15,0 oC, na indústria; em
-20 -13
laboratório é comum usar a temperatura de
-10 -11
20,0 oC.
-5 -7
As condições de operação, de trabalho ou
0 -6
reais são aquelas efetivamente presentes no
5 -4
processo.
10 -2
Por exemplo, seja a vazão volumétrica de
15 0
ar igual a 100 m3/h, nas condições reais de 30
20 +2 oC e 2,0 kgf/cm2A. Esta vazão pode ser
25 +4
expressa como:
30 +6
40 +8
100 m3/h real, (30 oC e 2,0 kgf/cm2)
45 +9
180 Nm3/h, (0 oC e 1,0 kgf/cm2 A)
50 +10
190 Sm3/h, (15,0 oC e 1,0 kgf/cm2
Absoluta)
* Condição padrão (standard)
(Cfr. Industrial Flow Measurement, D.W. Spitzer)
Em inglês, as unidades e abreviações comuns
Tab. 3.3. Erros da medição do gás sem
são:
compensação da P
Pressão,
ACFM (actual cubic foot/minute) e
Tolerância em torno da pressão nominal
psig SCFM (standard cubic foot/minute).
Psig 0,25 0,50 1 2 3
0,25 1,7% NA NA NA NA
2,0 1,5% 3,0% 6,1% 12,2% NA Propriedades do Ar nas Condições Padrão:
5,0 1,3% 2,6% 5,2% 10,3% 25,8%
10 1,0% 2,0% 4,1% 8,2% 20,5% Compressibilidade (Z) 0,999 582 4
20 0,7% 1,5% 2,9% 5,8% 14,5% Densidade 1,225 42 kg/m3
50 0,4% 0,8% 1,6% 3,1% 7,8% Peso molecular 28,962 4
75 0,3% 0,6% 1,1% 2,2% 5,6%
100 0,2% 0,4% 0,9% 1,7% 4,4%
125 0,2% 0,4% 0,7% 1,4% 3,6%

(Cfr. Industrial Flow Measurement, D.W. Spitzer)

70
Condicionador de Sinal

5.3. Compensação da Temperatura


multiplicador extrator raiz
de Líquidos - divisor quadrada
controlador
As necessidades da precisão que requerem
compensação para as variações de densidade
x/÷ √ de vazão

causadas pelas variações da temperatura do PT FY FY FIC


liquido são poucas (por exemplo, amônia).
Neste caso, deve-se medir a temperatura do
liquido e compensar segundo a formula: si sin
nal al
Vf = Vn /T FT

5.4. Tomadas de Pressão e TT


Temperatura
As tomadas da pressão e da temperatura
devem ser localizadas corretamente para cada
FCV
tipo de medidor de vazão, para minimizar o erro
na medida final. FE
A tomada da pressão é mais critica que a
da temperatura, pois há uma grande variação Fig. .3.3. Malha de compensação e linearização de
da pressão local no medidor de vazão. Na medição de gás com placa de orifício
prática, há uma pequena diferença entre a
pressão a montante (maior) e a jusante (menor)
do medidor, quando o medidor provoca uma
perda de carga. É comum se tomar a pressão a 6. Totalização da Vazão
montante do medidor. Qualquer que seja a
localização, a pressão deve corresponder a O totalizador de vazão é um instrumento
vazão não perturbada, em pontos sem completo que detecta, totaliza e indica, através
flutuações ou pulsações. Alguns medidores de de um contador digital, a quantidade total do
vazão já possuem a tomada de pressão no seu produto, que passa por um ponto, durante um
corpo. No sistema com placa de orifício, é determinado intervalo de tempo.
comum se usar a mesma tomada a montante O totalizador de vazão é também chamado
da placa usada medir a pressão diferencial. de integrador, de FQ, de quantificador e,
Nos programas de computador de cálculo de erradamente, de contador. O contador é
placa, o menu apresenta as opções de apenas o display ou o readout do totalizador.
tomadas a montante ou a jusante da placa. Os totalizadores são calibrados para fornecer a
A tomada de temperatura é menos critica, leitura direta, em unidades de volume ou de
desde que há pouca variação da temperatura massa do produto. Ele pode possuir uma
ao longo do medidor de vazão. As tomadas de constante de multiplicação, que é o numero
temperatura estão tipicamente localizadas a que deve multiplicar pela indicação para se ter
cerca de 10 diâmetros depois do medidor, para o valor totalizado em unidades de engenharia.
não causar turbulência na entrada do medidor. Este fator de multiplicação do totalizador
Deve-se destacar que os sensores de vazão e depende da vazão máxima e da velocidade de
de temperatura são tem necessidades opostas, contagem desejada pelo operador.
quanto ao local de montagem: os sensores de O contador só pode ter mostrador digital.
vazão requerem local tranqüilo, sem distúrbios; Em alguns contadores, os dígitos podem ser
os de temperatura devem ser usados em local mostrados analogicamente, como os
com turbulência, para homogeneizar a indicadores de consumo de energia elétrica
temperatura. caseiros.
Na implementação da compensação da O totalizador pode receber sinais
pressão e temperatura na medição de vazão, é analógicos ou de pulsos. Quando o sinal de
interessante investigar se já existem medições entrada é analógico, o totalizador o converte,
da pressão e da temperatura do processo, a internamente, em pulsos e os conta na saída.
jusante ou a montante do medidor de vazão, Quando o sinal de entrada já é em pulsos, o
pois se elas já existirem em locais corretos, totalizador os escalona e os conta. Quando os
estas medições podem ser usadas para a pulsos já são escalonados, o totalizador os
compensação, sem necessidade de conta diretamente. Pulso escalonado é aquele
instrumentos adicionais. que já possui uma relação definida com a
unidade de engenharia de vazão, volume ou
massa.

71
Condicionador de Sinal

Há uma certa confusão entre o integrador e


o contador. O integrador pode receber sinais Sinal de
analógicos e os integra. Na operação de pulsos Contador
integração, o sinal analógico é convertido para
pulsos que são finalmente contados. Todo
integrador de vazão possui um contador; ou
seja, o contador é o display do integrador. O Sinal Conversor
contador é também chamado de acumulador. analógico A/D Contador
Os contadores podem ser eletromecânicos
ou eletrônicos. Os contadores eletromecânicos Totalizador
custam mais caro e requerem maior energia de
alimentação, porém, quando há falta da tensão Fig. 4.18. Contagem e totalização de variáveis
de alimentação, o ultimo valor totalizado
permanece indicado. Os contadores puramente
eletrônicos são mais econômicos, requerem
menor nível de tensão de alimentação e
consomem muito menos energia. Porém, na FI
falta da tensão de alimentação eles perdem a
indicação. Para solucionar este problema, são
utilizados contadores eletrônicos alimentados
FT FQ 0 13 5 0 4
com bateria com vida útil de 5 a 10 anos. Deste
modo, quando há perda da alimentação
principal, o contador não zera o valor
totalizado.

FE

(a) Totalização de sinal analógico

FT 0 13 5 0 4

FE

M
(constante K)
Fig. 3..5. Indicação e totalização de vazão (b) Totalização de pulsos escalonados

Fig. 4.19. Sistema de totalização de vazão


Há contador com pré determinador: há um
contador normal e um contador onde se
estabelece o valor determinado. Quando o
contador atinge o valor pré-ajustado, ele para
de contar e o processo é interrompido.

72
Transmissor

1. Conceitos básicos 1.2. Justificativas do Transmissor


Antes do aparecimento do transmissor
pneumático, circa 1930, o controlador era
1.1. Introdução conectado diretamente ao processo. O
Rigorosamente o transmissor não é controlador e o painel de controle deviam estar
necessário, nem sob o ponto de vista de próximos ao processo. O transmissor oferece
medição, nem sob o ponto de vista de controle. muitas vantagens em comparação com o uso
A transmissão serve somente como uma do controlador ligado diretamente ao processo,
conveniência de operação para tornar tais como a segurança, a economia e a
disponíveis os dados do processo em uma sala conveniência.
de controle centralizada, num formato 1. os transmissores eliminam a presença
padronizado. Na prática, por causa das de fluidos flamáveis, corrosivos, tóxicos
grandes distâncias envolvidas, as funções de mal cheirosos e de alta pressão na sala
medição e de controle estão freqüentemente de controle.
associadas aos sinais dos transmissores. 2. as salas de controle tornam-se mais
O transmissor é geralmente montado no práticas, com a ausência de tubos
campo, próximo ao processo. Porém, ele capilares compridos, protegidos,
também pode ser montado na sala de controle, compensados e com grande tempo de
como ocorre com o transmissor de temperatura atraso.
com o termopar ou com a resistência elétrica. 3. há uma padronização dos instrumentos
receptores do painel; os indicadores, os
registradores e os controladores
recebem o mesmo sinal padrão dos
transmissores de campo.

Fig. 2.1. Transmissores para medição de nível Fig. 2.2. Transmissor montado em local hostil

73
Transmissor

1.3. Terminologia 4-20mA cc no sinal padrão pneumático de 20 a


100 kPa e o transmite.
O transmissor é também chamado O transdutor i/p compatibiliza o uso de um
erradamente de transdutor e de conversor. controlador eletrônico (saída 4 a 20 mA) com
Transdutor é um termo genérico que designa uma válvula com atuador pneumático (entrada
um dispositivo que recebe informação na forma 20 a 200 kPa).
de uma ou mais quantidades físicas, modifica a Elemento transdutor tem o mesmo
informação, a sua forma ou ambas e envia um significado que elemento sensor ou elemento
sinal de saída resultante. Este termo é genérico primário.
e segundo este conceito, o elemento primário,
transmissor, relé, conversor de corrente elétrica Conversor
para pneumático e a válvula de controle são O conversor é o instrumento que
transdutores. transforma sinais de natureza elétrica para
Há uma norma na instrumentação, formas diferentes. Por exemplo: conversor
ANSI/ISA S37.1-1978 (R1982) que estabelece analógico/digital: transforma sinais de natureza
uma nomenclatura uniforme e consistente entre analógica (contínuo) em sinais digitais (pulso
si e para elemento sensor, transmissor, descontínuo). Mutatis mutandis, tem-se o
conversor, transdutor. conversor digital/analógico, que transforma
sinal digital em analógico.
Elemento sensor
Geralmente, o conversor A/D e D/A está
Elemento sensor é um dispositivo associado ao multiplexador, que converte
integrante de um instrumento que converte um várias entradas em uma única saída e o
sinal não-padrão em outro sinal não-padrão. demultiplexador, que converte uma entrada em
Por exemplo, o bourdon C é um elemento várias saídas. O conjunto conversor A/D e D/A
sensor de pressão, que converte a pressão em e multiplexador e demultiplexador é também
um pequeno movimento proporcional. Nem a chamado de Modem (MODulador
pressão de entrada e nem o deslocamento do DEModulador).
sensor são padronizados. O transmissor inteligente, por ser digital e
Todo transmissor possui um elemento receber um sinal analógico, tem
sensor, que depende essencialmente da necessariamente em um conversor A/D em sua
variável medida. Atualmente além do sensor da entrada. O transmissor híbrido, que é digital e
variável principal o transmissor inteligente possui a saída analógica de 4 a 20 mA deve
possui outro sensor para medir a temperatura possuir em sua saída um conversor D/A.
ambiente e fazer a compensação de suas
variação sobre a variável principal. Transmissor
Já existe disponível comercialmente O transmissor é o instrumento que converte
transmissor multivariável. No único invólucro do um sinal não-padrão em um sinal padrão de
transmissor há vários sensores para medir natureza igual ou distinta. O transmissor sente
simultaneamente a variável principal (vazão) e a variável através de um sensor no ponto onde
as secundárias (pressão e temperatura do ele está montado e envia um sinal padrão,
processo), também para fins de compensação. proporcional ao valor medido, para um
Neste contexto, tem-se: instrumento receptor remoto. É desejável que a
1. Sensor primário é o sensor que responde saída do transmissor seja linearmente
principalmente ao parâmetro físico a ser proporcional à variável medida e nem sempre
medido. há esta linearidade.
2. Sensor secundário é o sensor montado Por exemplo: o transmissor eletrônico de
adjacente ao primário para medir o pressão sente um sinal de pressão, por
parâmetro físico que afeta de modo exemplo, de 15 a 60 MPa, e o converte em um
indesejável a característica básica do sinal padrão de corrente de 4 a 20 mA cc e o
sensor primário (por exemplo, os efeitos transmite.
da temperatura na medição de pressão). Outro exemplo: o transmissor pneumático
de pressão manométrica converte um sinal de
Transdutor
pressão, e.g., de 60 a 100 MPa, em um sinal
O transdutor é o instrumento que converte padrão pneumático de 20 a 100 kPa (3 a 15
um sinal padrão em outro sinal padrão de psi) e o transmite.
natureza distinta. Por exemplo: transdutor Nos dois exemplos, as faixas da pressão
pressão-para-corrente ou P/I converte o sinal de entrada são não padrão mas as saídas dos
padrão pneumático de 20 a 100 kPa no sinal transmissores eletrônico (4 a 20 mA) e
padrão de corrente de 4 a 20 mA cc e o pneumático (20 a 100 kPa) o são.
transmite. O transdutor corrente-para-pressão
ou I/P, converte o sinal padrão de corrente de

74
Transmissor

Transmissor sabido (smart)


Transmissor sabido é um transmissor em
que é usado um sistema microprocessador
para corrigir os erros de não linearidade do
sensor primário através da interpolação de
dados de calibração mantidos na memória ou
para compensar os efeitos de influência
secundárias sobre o sensor primário
incorporando um segundo sensor adjacente ao
primário e interpolando dados de calibração
armazenados dos sensores primário e
secundário.

Fig. 2.5. Transdutor i/p, montado na válvula

Fig. 2.4. Transmissor eletrônico (Foxboro)

Transmissor inteligente
Transmissor inteligente é um transmissor
em que as funções de um sistema
microprocessador são compartilhadas entre
1. derivar o sinal de medição primário, Fig. 2.6. Sinal analógico e digital
2. armazenar a informação referente ao
transmissor em si, seus dados de
aplicação e sua localização e
3. gerenciar um sistema de comunicação 1.4. Transmissão do sinal
que possibilite uma comunicação de
O sinal de transmissão entre subsistemas
duas vias (transmissor para receptor e
ou dispositivos separados do sistema deve
do receptor para o transmissor),
estar de conformidade com a norma ANSI/ISA
superposta sobre o mesmo circuito que
SP 50.1 - 1982 (Compatibility of Analog Signals
transporta o sinal de medição, a
for Electronic Industrial Process Instruments)
comunicação sendo entre o transmissor
Esta norma estabelece, entre outras coisas,
e qualquer unidade de interface ligada
1. a faixa de 4 a 20 mA, corrente continua,
em qualquer ponto de acesso na malha
com largura de faixa de 16 mA, que
de medição ou na sala de controle.
corresponde a uma tensão de 1 a 5 V
O primeiro termo que apareceu foi smart
cc, com largura de faixa de 4 V
(sabido), que foi traduzido como inteligente.
2. a impedância de carga deve estar entre
Depois, apareceu o transmissor intelligent, com
0 e um mínimo de 600 Ω.
mais recursos que o anterior. Porém, já havia o
3. o número de fios de transmissão, de 2, 3
termo inteligente e por isso, no presente
ou 4.
trabalho, traduziu-se smart por sabido e
4. a instalação elétrica
intelligent por inteligente. Atualmente os dois
5. o conteúdo de ruído e ripple
termos, smart e inteligente, tem o mesmo
6. as características do resistor de
significado prático. Por exemplo, Fisher
conversão de corrente para tensão, que
Rosemount usa o termo smart e a Foxboro usa
o termo intelligent para o transmissor com as deve ser de (250,00 ± 0,25) Ω e
mesmas características. Por consistência, o coeficiente termal de
transmissor convencional não inteligente é α ≤ 0,01%/oC, de modo que a tensão
burro (dumb).

75
Transmissor

convertida esteja entre (1,000 a 5,000 ± primeiro sinal padrão de transmissão foi o de
0,004) V 10 a 50 mA cc, porque os circuitos eram pouco
7. o resistor não deve se danificar quando sensíveis e este nível de sinal não necessitava
a entrada for de 10 V ou de 40 mA. de amplificador para acionar certos
mecanismos; hoje ele é raramente utilizado,
por questão de segurança. Atualmente há uma
tendência em padronizar sinais de baixo nível,
Transmissor para que se possa usar a tensão de
+
polarização de 5 V comum aos circuitos
Receptor
+ digitais.
- Existe ainda o sinal de transmissão de 1 a
Fonte 5 V cc, porém ele não é adequado pois há
- atenuação na transmissão da tensão. Usa-se a
corrente na transmissão e a tensão para a
manipulação e condicionamento do sinal
(a) Tipo. 2. Circuito com 2 fios localmente, dentro do instrumento.

Relação 5:1
Transmissor Todos os sinais de transmissão,
+ pneumático e eletrônicos, mantém a mesma
Receptor proporcionalidade entre os valores máximo e
+ mínimo da faixa de 5:1, ou seja
-
Fonte
100 kPa 20 mA 15 psi 5V
- = = = =5
20 kPa 4 mA 3 psi 1V
(b) Tipo 3. Circuito com 3 fios
Esta proporcionalidade fixa facilita a
conversão dos sinais padrão, pelos
transdutores.

+ Zero vivo
Receptor Todas as faixas de sinais padrão de
transmissão começam com números diferentes
+ - de zero, ou seja os sinais padrão são 20 a 100
kPa e não 0 a 80 kPa, 4 a 20 mA cc e não 0 a
- 16 mA cc. Diz-se que uma faixa com supressão
de zero, ou seja partindo de número diferente
(c) Tipo 4. Circuito com 4 fios de zero é detectora de erro. Por exemplo, seja
o transmissor eletrônico de temperatura com
Fig. 2.7. Consideração do tipo de transmissor faixa de medição de 20 a 200 oC. A sua saída
vale:
1.5. Sinais padrão de transmissão 4 mA, quando a medida é de 20 oC,
20 mA, quando a medida é de 200 oC e
0 mA, quando há problema no transmissor,
Sinal pneumático como falta de alimentação ou fio partido .
O sinal padrão da transmissão pneumática Se a saída do transmissor fosse um sinal
no SI é 20 a 100 kPa (kilopascal) e os seus de 0 a 20 mA não haveria meios de identificar o
equivalentes em unidades não SI: 3 a 15 psig e sinal correspondente ao valor mínimo da faixa
0,2 a 1,0 kgf/cm2. Praticamente não há outro com o sinal relativo às falhas no sistema, como
sinal pneumático de transmissão, embora em falta de alimentação ou fio partido no
hidrelétricas onde se tem válvulas enormes, é transmissor eletrônico ou entupimento do tubo,
comum o sinal de 40 a 200 kPa (6 a 30 psi). quebra do tubo, falta de ar de suprimento no
transmissor pneumático.
Sinal eletrônico Quando se manipula a tensão elétrica,
O sinal padrão de transmissão eletrônico é pode-se ter e se medir a tensão negativa e
o de 4 a 20 mA cc, recomendado pela portanto pode-se usar uma faixa de 0 a 10 V cc
International Electromechanical Commission detectora de erro. Isto significa que o 0 V se
(IEC), em maio de 1975. No inicio da refere ao valor mínimo da faixa medida e
instrumentação eletrônica, circa 1950, o quando há algum problema o sinal assume um

76
Transmissor

valor negativo, por exemplo, -2,5 V cc. Esta condição de equilíbrio. Como a posição da
faixa possui o zero vivo. barra está relacionada com o equilíbrio ou
balanço das forças atuando nesta barra, este
2. Natureza do transmissor sistema é chamado de balanço de forças.
O diafragma sente a pressão do processo e
Como há dois sinais padrão na através de um flexor, transmite uma força a
instrumentação, também há dois tipos de barra de força. A barra de força funciona como
transmissores: pneumático e eletrônico a palheta em relação ao bico. A variável do
processo modula a distância entre o bico e a
2.1. Transmissor pneumático barra de forças. Através do mecanismo de
transmissão pneumática (relé pneumático, fole
O transmissor pneumático mede a variável de realimentação, mola de ajuste de zero)
do processo e transmite o sinal padrão de 20 a obtém-se uma saída padrão e estável de 20 a
100 kPa (3 a 15 psig), proporcional ao valor da 100 kPa (3 a 15 psi), linearmente proporcional
medição. A sua alimentação é a pressão típica à pressão medida. Através do deslocamento do
de 140 kPa (20 psig). O mecanismo básico volante que serve como fulcro para o equilíbrio
para a geração do sinal pneumático é o das forças e ajusta a largura de faixa de
conjunto bico-palheta, estabilizado pelo fole de medição.
realimentação. As principais vantagens são:
Para funcionar o transmissor pneumático 1. a robustez e a precisão da operação,
requer a alimentação de ar comprimido, no praticamente sem movimento e
valor típico de 140 kPa (22 psi). O transmissor desgaste das peças,
é alimentado individualmente por um conjunto 2. a opção da supressão ou da elevação
de filtro regulador. O regulador pode ser fixo do zero, necessária medições de nível.
(ajustável na oficina) ou regulável pelo As suas desvantagens são:
operador, no local. 1. não há indicação local da variável
Há dois princípios mecânicos básicos para transmitida, mas apenas a indicação
o funcionamento do transmissor pneumático: opcional do sinal de saída do
1. balanço de forças e transmissor,
2. balanço de movimentos. 2. a velocidade da resposta é lenta

Fig. 2.9. Transmissor pneumático a balanço de forças: (a)


esquema e (b) vista externa
Fig. 2.8. Esquema típico de um transmissor pneumático a
balanço de forças (Foxboro)
Os transmissores a balanço de força são
genericamente chamados de d/p cell®, embora
Balanço de forças rigorosamente d/p cell seja uma marca
O sistema é mantido estável, pelo equilíbrio registrada da Foxboro e se refira ao
das forças aplicadas a uma barra. A variação transmissor de pressão diferencial para
na medição desequilibra o sistema, alterando a medição de vazão e de nível.
posição da barra, variando proporcionalmente o O transmissor pneumático a balanço de
sinal transmitido e retornando o sistema à forças da Foxboro foi um dos mais bem

77
Transmissor

sucedidos instrumentos da historia da necessária para atua-lo é pequena


instrumentação. O transmissor pneumático era (cerca de 2 gramas).
tão estável e repetitivo que, a partir dele, foi As suas desvantagens são:
projetado e construído o transmissor eletrônico, 1. não apresenta a opção de abaixamento
também a balanço de forças. e elevação de zero.
2. sua operação é mais delicada e sua
Balanço de movimento calibração é mais difícil e menos
No sistema a balanço de movimentos, a estável, por causa dos elos mecânicos e
medição é sentida pelo elo mecânico, que das partes moveis. .
desequilibra o sistema bico-palheta. Este
desequilíbrio provoca variações no sinal 2.2. Transmissor eletrônico
transmitido, até haver novo equilíbrio. Na
realidade há um balanço de posições mas o O transmissor eletrônico mede a variável
sistema é referido como balanço de do processo e transmite o sinal padrão de
movimentos. corrente de 4 a 20 mA cc proporcional ao valor
O transmissor a balanço de movimento da medição. Ele requer a alimentação,
permite a indicação local da medição; é geralmente a tensão contínua. Normalmente
naturalmente um transmissor-indicador. esta alimentação é feita da sala de controle,
através do instrumento receptor (indicador,
controlador ou registrador), onde está a fonte
de alimentação. A alimentação é feita pelo
mesmo fio que porta o sinal transmitido de 4 a
20 mA. Os conceitos de fonte de tensão e de
fonte de corrente explicam porque se pode
utilizar apenas um par de fios para transportar
tanto o sinal de corrente como a alimentação
de tensão. A corrente só deve depender da
variável medida e não deve depender da
tensão de polarização. A tensão de
alimentação não pode ser afetada pelo valor da
corrente gerada.
Fig. 2.10. Esquema de transmissor pneumático a balanço A tensão de alimentação pode variar,
de movimentos (Foxboro) dentro de limites convenientes e depende
principalmente do valor do sinal transmitido e
do valor da resistência total da malha de
controle.

Fig. 2.11. Transmissor a balanço de movimento Fig. 2.12. Tensão de alimentação e impedância da malha
de transmissão eletrônica

As principais vantagens do transmissor a


Transmissor indutivo
balanço de movimentos são:
1. apresenta a indicação da medida, no No transmissor eletrônico a balanço de
local de transmissão forças, o pequeno movimento provocado na
2. opera com grande variedade de barra de força é amplificado e posiciona o
elementos primários, pois a força núcleo móvel de uma bobina. Quando a
pressão varia, a barra de força se movimenta e
altera a posição do núcleo da bobina, variando

78
Transmissor

a indutância. Através da variação da indutância diafragma sensor no centro da célula de


um circuito condicionador gera o sinal padrão pressão diferencial. O diafragma sensor
de 4 a 20 mA cc, proporcional a pressão funciona como um elemento de mola que
medida. Este transmissor é chamado de deflete em resposta à pressão diferencial
indutivo, pois se baseia na variação do núcleo aplicada através dele. O deslocamento do
de uma bobina detectora. Atualmente, este diafragma sensor, um movimento máximo de
transmissor foi substituído por outros menores 0,10 mm, é proporcional à pressão diferencial.
e melhores, como capacitivo, com fio As placas de capacitor em ambos os lados do
ressonante e sensor CI. diafragma sensor detectam a posição do
diafragma sensor. A capacitância diferencial
entre o diafragma sensor e as placas do
capacitor é então proporcional linearmente à
pressão diferencial aplicada aos diafragma
isolantes. A capacitância é detectada por um
circuito ponte e é convertida e amplificada para
o sinal padrão, linear, a dois fios de 4 a 20 mA
cc.

Fig. 2.13. Transmissor a balanço de forças indutivo

Transmissor capacitivo
No inicio dos anos 80, a Rosemount lançou
o transmissor eletrônico capacitivo, que se
tornou um dos tipos de instrumentos mais
vendidos na instrumentação. Fig. 2.14. Célula δ capacitiva (Rosemount)
O princípio de operação básico é a
medição da capacitância resultante do
movimento de um elemento elástico. O O sensor capacitivo tem precisão típica de
elemento elástico mais usado é um diafragma 0,1 a 0,2% da largura de faixa e com a seleção
de aço inoxidável ou de Inconel, ou Ni-Span C de diafragmas, pode medir faixas de 0,08 kPa a
ou um elemento de quartzo revestido de metal 35 MPa (3 in H20 a 5000 psi).
exposto à pressão do processo de um lado e Os transmissores capacitivos perdem em
uma pressão de referência no outro. popularidade apenas para os com strain gauge
Dependendo da referência, pode-se medir e tem-se as seguintes vantagens
pressão absoluta (vácuo), manométrica 1. alta robustez e
(atmosférica) ou diferencial. 2. grande estabilidade
A capacitância de um capacitor de placas 3. excelente linearidade
paralelas, é dada simplificadamente por: 4. resposta rápida
5. deslocamento volumétrico menor que
A 0,16 cm3 elimina a necessidade de
C=ε câmaras de condensação e potes de
d
nível
onde
Suas limitações, principalmente dos
C é a capacitância
transmissores capacitivos mais antigos, são:
ε é a constante dielétrica do isolante entre
1. sensitividade à temperatura
as placas 2. alta impedância de saída
A é a área das placas
3. sensitividade à capacitância parasita
d é a distância entre as placas.
4. sensitividade a vibração
Como a pressão pode provocar um 5. pequena capacidade de resistir à
deslocamento, ela pode ser inferida através da
sobrepressão
capacitância, que também depende de um
O transmissor eletrônico capacitivo da
deslocamento. Rosemount foi outro instrumento best seller da
Os diafragmas isolantes detectam e transmitem
instrumentação.
a pressão do processo para o fluido de
enchimento (óleo de silicone). O fluido
transmite a pressão de processo para o

79
Transmissor

Transmissor fio ressonante Transmissor com sensor a CI


O transmissor com sensor a fio ressonante Os transmissores mais recentes utilizam o
foi lançado no fim da década de 1970, pela estado da arte da tecnologia eletrônica, com
Foxboro, que gosta muito de fio, pois já havia um sensor a circuito integrado, com um chip de
aplicado o fio Nitinol, com memória mecânica, silício piezo-resistivo difuso.
para acionar ponteiros e penas dos Na fabricação deste sensor, boro é
instrumentos de display do sistema SPEC 200. difundido em uma estrutura de cristal de silício
Neste projeto, um circuito oscilador faz um fio para formar uma ponte de Wheatstone
oscilar em sua freqüência de ressonância, totalmente ativa. Neste processo de difusão, o
enquanto a tensão do fio é variada como uma boro e o silício são unidos a um nível
função da pressão do processo. As pressões molecular, eliminado a necessidade de
do processo são detectadas pelos diafragmas métodos mecânicos de solda, como usado nos
de alta e baixa pressão, nos lados direito e sensores convencionais de strain gauge. Este
esquerdo do sensor. Quando a pressão processo resulta em sensores com altíssima
diferencial aumenta, o fluido de enchimento repetitividade e estabilidade, somente
transmite uma força correspondente ao fio, conseguidas em instrumentos de laboratório.
excitado por um campo magnético. O dano por
sobrepressão é evitado pelos diafragmas
sendo suportados por placas reservas. A
variação na tensão do fio modifica a freqüência
de ressonância do fio, que é então digitalmente
medida. Configurações semelhantes são
usadas na medição de pressão absoluta e
manométrica. Quando usado para medir
pressão absoluta, o lado de baixa é coberto por
uma capa e faz-se vácuo na cavidade da
ordem de 0,52 Pa (0,004 mm Hg).

Fig. 2.16. Circuito da ponte de Wheatstone

A faixa de pressão de cada sensor de


silício é determinada pela espessura do silício
diretamente sob a ponte de Wheatstone. A
espessura do diafragma de silício é
determinada ataque químico na parte traseira
de cada chip sob a ponte para uma
profundidade específica. O chip acabado é
então colada a uma placa de pyrex ou alumina
Fig. 2.15. Sensor de pressão a fio ressonante (Foxboro) com suporte e isolação do chip. Para medição
de pressão manométrica ou diferencial, faz-se
um buraco através do pyrex para acessar a
As vantagens deste transmissor são: cavidade na parte traseira do chip. Isto fornece
1. boa repetitividade uma referência da pressão atmosférica para o
2. alta precisão sensor de pressão manométrica e uma
3. boa estabilidade passagem para o lado da baixa pressão do
4. baixa histerese sistema de enchimento de fluido para o d/p cell.
5. alta resolução Para a medição de pressão absoluta, a
6. sinal de saída forte cavidade do chip é evacuada antes de colar a
7. geração de um sinal digital. placa de pyrex, fornecendo uma referência de
As limitações incluem: pressão absoluta.
1. sensitividade à temperatura ambiente, O chip é então montado em um extrato de
requerendo compensação embutida. cerâmica ou aço inoxidável selado a vidro.
2. sinal de saída não linear Conexões com fio de ouro completam o
3. alguma sensitividade à vibração e conjunto, que é juntado ao pacote completo do
choque. sensor.
Diafragmas de isolação de vários materiais
resistentes a corrosão são soldados no lugar,

80
Transmissor

sobre o chip sensor e as cavidades entre o chip 3.1. Transmissor analógico


são cheias sob vácuo com óleo silicone DC- descartável
200 ou Fluorinert FC/B. Este processo isola
totalmente o sensor de silício do meio da O transmissor analógico descartável possui
pressão sem um link mecânico. O diafragma de saída analógica de 4 a 20mA cc e um circuito
isolação também fornece a proteção de encapsulado irrecuperável quando estragado.
sobrefaixa para o sensor de silício no d/p cell. Quando o transmissor se danifica (o que os
fabricantes asseguram ser raro) é
Transmissor com sensor piezoelétrico integralmente substituído por outro. Sua
O sensor é um cristal de quartzo ou confiabilidade é expressa não em MTBF
turmalina que, quando exposto a pressão ou (tempo médio entre falhas) mas em MTFF
força em torno do seu eixo, é elasticamente (tempo médio para a primeira falha).
deformado. A deformação produz uma força Como vantagens, tem-se:
eletromotriz proporcional. 1. Baixo custo de aquisição, com preços
As vantagens do transmissor com sensor típicos entre US$50 a US$350,
piezoelétrico são: 2. Baixo custo de reposição, pois é mais
1. pequeno tamanho barato substituir prontamente um
2. robustez transmissor do que mandar um
3. alta velocidade de resposta instrumentista de manutenção a um
4. autogeração do sinal. local distante para retirar do processo
As desvantagens são: um transmissor defeituoso, levá-lo para
1. limitado à medição dinâmica a oficina, repará-lo, levá-lo de volta para
2. sensitividade à temperatura o processo e reinstalá-lo. A substituição
3. necessidade de cabeamento especial pré-configurada pode ser feita na
entre sensor e circuito amplificador. primeira ida ao local do processo,
A aplicação típica do sensor piezoelétrico é 3. Pequeno tamanho, simplicidade e
no medidor de vazão vortex. É piezoelétrico o transmissão a dois fios,
sensor que detecta a freqüência criada pelos 4. Facilidade de implementar técnica de
vórtices de De Karmann. proteção, como segurança intrínseca e
não incenditivo, pois o encapsulamento
favorece a conformidade com
exigências de normas.

Fig. 2.17. Transmissor de vazão tipo vortex (Foxboro)

3. Transmissor e manutenção
Quanto à manutenção e independente do Fig. 2.18. Transmissor descartável de pressão (Dynisco)
princípio de funcionamento ou da variável
medida, há quatro tipos básicos de
transmissores eletrônicos disponíveis
atualmente:
1. analógico descartável
2. analógico reparável
3. digital híbrido
4. digital inteligente

Fig. 2.19. Transmissor de temperatura descartável


(Eckardt)

81
Transmissor

As principais desvantagens e limitações 3. O transmissor convencional pode ter


são: sua faixa alterada dentro de grandes
1. A precisão é pior do que a dos outros limites. O transmissor de temperatura
tipos, pois o transmissor deve ter baixo pode aceitar todos os tipos de
custo, termopares ou RTD de vários valores.
2. Pequena flexibilidade, pois o Tipicamente as alterações de
transmissor tem somente uma única parâmetros são feitas mecanicamente
entrada e faixa fixa de calibração e não no campo ou na oficina, ajustando-se
são convenientes para aplicações que potenciômetros, alterando-se posições
requerem alterações freqüentes do de jumpers ou mudando chaves DIP.
processo, 4. O transmissor analógico tem melhor
3. Geralmente são mais frágeis e menos tempo de resposta que o do transmissor
resistentes a ambientes hostis, o bloco digital e também se recupera mais
terminal podendo se quebrar quando rapidamente, depois de uma interrupção
submetido a abuso; de alimentação.
4. Menos confiável, pois são usados 5. Possui precisão melhor do que a do
projetos e circuitos mais baratos para transmissor descartável e pior do que a
torná-los mais competitivos. do digital.
Como desvantagens, tem-se:
3.2. Transmissor analógico 1. Menos estável e requer mais calibração
convencional do que o transmissor digital, pois os
ajustes mecânicos feitos através de
O transmissor analógico convencional potenciômetros de fio são pouco
possui saída padrão de 4 a 20 mA cc e estáveis.
circuitos acessíveis para sua calibração e 2. Não são adequados para aplicações
manutenção. Eles podem ser reparados e ter com operação e comunicação digitais,
suas faixas de calibração alteradas no campo porém, para a maioria das aplicações o
ou na oficina, pelo usuário final. Os seus alto custo da substituição dos
preços variam de US$300 a US$500,00. transmissores analógicos convencionais
por digitais não se justifica

3.3. Transmissor inteligente digital


O transmissor inteligente digital tem um
microprocessador embutido em seu circuito e
possui saída digital, apropriada para se
comunicar com outros dispositivos digitais com
o mesmo protocolo. Ele não possui a saída
padrão de 4 a 20 mA cc.
Suas vantagens são:
1. Recalibração remota: o transmissor
digital pode ser recalibrado sobre o elo
Fig. 2.20. transmissor convencional (Foxboro) de dados digitais da sala de controle,
através da estação de operação, de um
computador digital ou de um terminal
As suas principais vantagens são: portátil proprietário. Porém, isso é útil
1. O transmissor convencional é reparável, somente em plantas envolvendo
possuindo um invólucro que protege os grandes distâncias e com variações
circuitos e permitindo o seu acesso fácil freqüentes no processo. Ele permite
e seguro aos circuitos. Seus circuitos alterações imediatas de parâmetros,
analógicos são simples e é fácil achar sem perda de tempo e custo para
os defeitos e repará-los. A possibilidade mandar um técnico a cada ponto de
de ser reparado torna o transmissor medição para fazer uma alteração
convencional mais seguro e menos caro manual.
para serviço em longo prazo.
2. O transmissor é robusto, suportando
bem os rigores do processo, grande
vibração mecânica, alto calor e
atmosfera agressiva

82
Transmissor

digital ainda é um pouco maior do que o


do convencional
2. Não padronização do sinal digital: este é
o maior obstáculo técnico para o uso
extensivo do transmissor digital.
Atualmente ainda existem vários
protocolos de comunicação digital
proprietários, como HART, Foxcom,
Fieldbus. Até que se chegue a um
consenso acerca do protocolo de
comunicação digital, muitos usuários
preferirão não usar o transmissor digital.
3. Tempo de resposta: o transmissor de
campo operando em baixa potência tem
dificuldade de operar rapidamente a
comunicação digital. A resposta
Fig. 2.21. Instrumentação inteligente demorada é inerente para começar e
completar uma transação de
comunicação digital. Além disso, alguns
2. Mínimo de reserva: uma grande transmissores inteligentes tem grande
variedade de parâmetros de operação tempo de recuperação após a perda da
pode ser armazenadas na memória do alimentação, durante o que os
microprocessador do transmissor digital. transmissores excedem a faixa por cima
Um único transmissor pode ser ou por baixo, acionando erradamente
eletronicamente programado para alarmes e causando problemas para
substituir qualquer outro transmissor do outros instrumentos no sistema.
sistema. Facilidades com vários tipos de
sensores e faixas de medição permitem 3.4. Transmissor híbrido analógico
um menor número de instrumentos digital
reservas para reposição ou adição.
3. Altíssima precisão: melhor do que Como ainda hoje a maioria das aplicações
qualquer outro transmissor. envolve o sinal padrão de corrente de 4 a 20
Tipicamente, da ordem de 0,05 a 0,1% mA cc e também por causa da ausência de
do fundo de escala. uma padronização do sinal digital, muitos
4. Autodiagnose: a maioria dos transmissores digitais possuem
transmissores digitais possui um simultaneamente os dois sinais de transmissão:
programa de autodiagnose em sua 1. analógico de 4 a 20 mA cc e
memória interna que automaticamente 2. digital
identifica falhas do sensor e do O transmissor é simultaneamente analógico
transmissor. O pessoal de manutenção e digital e o usuário experiente pode tirar
de instrumentos pode usar a informação proveito das vantagens isoladas de cada tipo,
fornecida pelas mensagens de erro como as vantagens de padronização e
enviadas do transmissor no campo para resposta rápida da transmissão analógica e as
a sala de controle para preparar a vantagens de autodiagnose, facilidade de
substituição e reparo do instrumento. O recalibração e alteração de parâmetros da
benefício é o menor tempo de malha parte digital do transmissor.
parada. O planejamento correto da aquisição de
5. Segurança de comunicação: diferente transmissores híbridos pode economizar
do transmissor convencional que tem investimentos quando se implanta uma
um par de fios para transportar o sinal instrumentação digital do sistema global. O
seguro e a perigosa alimentação, o sinal transmissor híbrido pode substituir tanto um
digital pode ser comunicado através de transmissor analógico como um digital
fibra óptica ou links de luz infravermelha, existente sem necessidade de qualquer
que são seguros por natureza. componente adicional. Também é necessário
As principais desvantagens do transmissor pouco treinamento de operadores e
digital inteligente são: instrumentistas, quando de sua integração no
1. Custo: embora os preços tendem a cair sistema.
e se comparar aos do transmissor
convencional, o preço de aquisição do

83
Transmissor

4. Receptores associados 4.3. Transmissor como controlador


Em alguns casos raros e simples, o próprio
transmissor pode funcionar como um
4.1. Instrumentos associados controlador limitado. Para que a saída típica do
A transmissão é uma função auxiliar, controlador
opcional. Usa-se o transmissor quando se quer de
a indicação, o registro ou o controle da variável
s = s o + K p (m − sp ) + Ki ∫ edt + K d
dt
de processo em um local remoto do processo,
geralmente na sala de controle. Como fique igual a do transmissor
conseqüência, o transmissor sempre requer
outro instrumento para completar sua função: s = Km
indicador, registrador, controlador, alarme ou s = Km
integrador de vazão. tem-se
Alguns transmissores podem ter uma 1. com bias igual a zero, (so = 0)
indicação local da variável medida. Outros 2. com banda proporcional fixa e igual a
transmissores podem, opcionalmente, ter a 100% (Kp = 1)
indicação de sua saída, que é proporcional ao 3. com ponto de ajuste igual a zero (sp =
valor da variável medida. 0),
Há transmissores que podem medir 4. apenas com o modo proporcional
simultaneamente várias variáveis de processo (Ki = Kd = 0).
e para tanto, eles possuem os vários sensores
destas variáveis embutidos em seu corpo. A
aplicação clássica é na medição de vazão 5. Serviços associados
compensada, onde e quanto se quer medir
simultaneamente o sinal proporcional à vazão Como os outros instrumentos, o
(pressão diferencial), pressão estática e transmissor deve ser especificado, montado,
temperatura. O instrumento receptor associado calibrado rotineiramente e mantido em perfeitas
a este transmissor é o computador de vazão. condições de funcionamento.
Todos estes instrumentos envolvidos são
microprocessados. 5.1. Especificação
Na especificação do transmissor, devem
4.2. Alimentação ser fornecidos os seguintes parâmetros ao
O transmissor eletrônico montado no fabricante:
campo sempre necessita de uma alimentação. 1. a variável do processo a ser transmitida,
Raramente esta alimentação é fornecida por 2. o elemento sensor desejado, em função
bateria integral, por questão de economia e de da faixa, do processo, da variável e do
segurança. O comum é a alimentação do material,
transmissor ser fornecida por um instrumento 3. o sinal padrão de transmissão e a
montado na sala de controle. Assim, além de alimentação, como 20 a 100 kPa ou 3 a
receber o sinal do transmissor, o instrumento 15 psig (rigorosamente são sinais
receptor também alimenta o transmissor. diferentes, quanto a calibração),
Alguns fabricantes possuem fontes de 4. os materiais do corpo do transmissor,
alimentação separadas, montadas na sala de dos parafusos, da tampa e do elemento
controle, para alimentar os transmissores de sensor,
campo, separadas e independentes de outros 5. a montagem: tubo de 2" (pipe), pedestal
instrumentos. (yoke), superfície ou painel,
6. a faixa calibrada da variável,
7. a conexão ao processo: rosca 1/2" NPT,
flange 150 psi, selo.
8. quando há contato direto com o fluido do
processo: tipo do material quanto à
corrosão, erosão, sujeira, temperatura e
pressão estática,
9. identificação da malha do processo,
10. a classificação mecânica do invólucro:
Fig. 2.24. Fiação do transmissor, receptor e fonte NEMA ou IEC IP,
11. a classificação elétrica do instrumento,
se elétrico e se montado em área
classificada: prova de explosão, purgado

84
Transmissor

ou intrinsecamente seguro, entidade de 5.5. Calibração


aprovação,
12. acessórios: conjunto filtro regulador, A calibração do transmissor garante sua
conjunto distribuidor (manifold), exatidão. O transmissor é calibrado antes de
indicação do sinal de saída ou da ser montado. Depois, ele deve ser calibrado
variável medida, 1. quando programado pelo plano da
13. opções extras, como materiais qualidade (ISO 9000),
especiais em contato com o processo 2. depois da manutenção ou
(Monel®, Hastelloy®, tântalo, 3. quando requisitado pela operação.
preparação para manipular oxigênio, Calibrar um transmissor requer
cloro, hidrogênio, aplicação em serviço 1. local adequado,
nuclear, amortecimento maior que o 2. procedimento claro
normal, saída reversa, aquecimento 3. padrões rastreados
elétrico para evitar o congelamento, alta 4. técnico treinado
temperatura do processo, selo de 5. registro documentado
proteção, pontos de teste, proteção de 6. prazo de validade
sobre faixa.

5.2. Instalação
A montagem do transmissor deve ser feita
conforme as recomendações do fabricante,
diagramas do projetista e normas de
engenharia aplicáveis, quanto aos aspectos de
corrosão, segurança, localização e
funcionamento.
A partida e comissionamento do
transmissor de pressão diferencial para vazão
e nível envolve algumas operações seqüenciais
recomendadas pelo fabricante, que se não
forem seguidas corretamente podem danificar o Fig. 2.26. Calibração de transmissor (Rosemount)
transmissor ou descalibrá-lo.

Ambiente
Como o transmissor opera em condições
muito pouco exigentes (-40 a +60 oC),
raramente ele requer um ambiente de
calibração controlado. Porém, o ambiente deve
ser conhecido e as condições de calibração
(pressão, temperatura e umidade relativa
ambientes) devem ser registradas no relatório
de calibração.

Fig. 2.25. Transmissor para vazão de gás Procedimento


Procedimento de calibração não é
5.3. Configuração simplesmente o manual do fabricante, mas algo
mais abrangente que inclui o manual do
fabricante. O procedimento deve ser escrito
5.4. Operação pelo executante e pode ser copidescado (feita
O transmissor é geralmente um instrumento revisão para uniformizar linguagem, arrumar
cego, montado no campo, que não requer a estilo, eliminar erros vernáculos) pelo chefe.
atenção do operador. Quando possui indicação O procedimento tem o objetivo de garantir
da variável medida, ele pode requerer a leitura que a mesma pessoa, em tempos diferentes ou
periódica para comparação com a indicação do pessoas diferentes ao mesmo tempo, façam a
painel. mesma calibração exatamente do mesmo
modo.
Procedimento que é usado geralmente
sofre revisões periódicas. Quando algo deve
ser mudado, primeiro se muda o procedimento,

85
Transmissor

com o consenso de todos os envolvidos, e termopar e não a temperatura medida.


depois de muda o comportamento. Tipicamente são simulados os pontos
correspondentes a 0, 25, 50, 75, 100,
Padrões 75, 50, 25 e 0% da faixa. Sobe-se e
Todos os padrões usados na calibração desce-se para verificar histerese do
devem ser rastreados, ou seja, calibrados transmissor.
contra outros padrões superiores e dentro do 2. Comparar os valores lidos com os
prazo de validade. A rastreabilidade do padrão valores pré-estabelecidos no relatório,
é que lhe dá a garantia que ele está confiável e conforme precisão do transmissor,
fornece o valor verdadeiro convencional. Se o 3. Quando os valores lidos estiverem fora
padrão não estiver rastreado e sua calibração dos limites, ajustar o transmissor nos
estiver vencida, a calibração que ele faz não é pontos de zero e de largura de faixa
confiável e portanto é inútil. (span). Com os ajustes, a saída do
transmissor deve ser igual a 20 kPa ou 4
Técnico treinado mA cc para 0% da entrada e 100 kPa ou
O executante da calibração deve conhecer 20 mA cc, quando a variável assumir
o instrumento que vai calibrar e todos os 100% do valor do processo (ou vice-
cuidados e procedimentos envolvidos. Enfim, versa, quando a saída do transmissor
deve estar treinado especificamente para fazer for invertida). Os pontos intermediários
a calibração. devem seguir a curva de calibração,
Calibração feita por pessoa não habilitada geralmente uma reta.
não é confiável. 4. Quando os valores estiverem dentro dos
limites, não se faz nada, a não ser
Registro desmontar o circo, arrumar o
Toda calibração deve ser registrada e os transmissor e voltá-lo para o processo.
registros devem ser guardados por algum As pessoas não resistem e geralmente
período estabelecido pelo executante. Os fazem pequenos ajustes, o que não está
registros referentes ao programa de qualidade de conformidade com o procedimento.
(ISO 9000) devem ser disponíveis e acessíveis 5. Quando o transmissor não gera os
ao auditor. Outros registros podem ser sinais dentro dos limites, depois de um
acessíveis ao cliente comprador (transferência (ou dois, ou quantos o executante
de custódia) ou algum fiscal do governo. definir) ajuste, o transmissor está com
Calibração sem registro escrito é inútil. problema e requer manutenção.
6. Depois de qualquer manutenção, todo
Prazo de validade instrumento deve ser calibrado.
Toda calibração possui um prazo de Além destes pontos, que se aplicam a todo
validade, depois do qual o instrumento se torna transmissor, ainda se deve tomar os seguintes
não confiável. O prazo de validade é cuidados:
estabelecido pelo usuário, pois somente ele 1. A calibração dos transmissores a
tem o domínio completo de todas as balanço de movimentos exige também
informações e dados do instrumento e do os ajustes de angularidade.
processo. Este prazo considera o tipo de 2. Os transmissores de nível e de vazão,
instrumento, recomendações do seu fabricante, quando operaram em pressões
severidade do processo, precisão do diferentes da atmosférica, devem ser
instrumento e penalidade da não conformidade. alinhados dinamicamente.
Programa consistente de calibração 3. A calibração do transmissor deve ser
sempre prevê critério para administrar os feita na posição real de trabalho.
prazos, aumentando e diminuindo os intervalos, 4. Transmissor inteligente requer
para que se trabalhe o mínimo necessário com calibrador especial proprietário (também
o máximo possível de eficiência. Há vários chamado de configurador, comunicador,
critérios de alteração de prazos de validade de terminal portátil), que também deve ser
calibração; os mais conhecidos são o de periodicamente rastreado.
Schumacher e o de Grasmann.

Realização
A calibração do transmissor geralmente
consiste em
1. Simular a variável sentida, não a
necessariamente a medida. Por
exemplo, simula-se a militensão do

86
Transmissor

Fig. 2.27. Calibração de transmissor inteligente através


do Comunicador Hart (Rosemount)

5.6. Manutenção
Quando o transmissor apresenta algum
problema evidente de operação, ele deve ser
submetido à manutenção. Alguns
transmissores também podem ser submetidos
a programas de manutenção preventiva. A
manutenção tem os objetivos principais de
garantir:
1. a continuidade operacional do
instrumento, e como resultado, do
processo
2. a precisão nominal do transmissor. Com
o tempo, o transmissor sofre desvios
que o fazem se afastar de seu
desempenho nominal e a manutenção
correta elimina estes desvios.
Calibrar e fazer manutenção do transmissor
são operações totalmente diferentes, embora
haja algumas correlações como:
1. Se um transmissor não consegue ser
calibrado, ele requer manutenção.
2. Depois de qualquer manutenção, o
transmissor necessita ser calibrado.

Apostila\Instrumentação 22Transmissor. Doc 11 DEZ 98


(Substitui 20 SET 96)

87
Indicador
como TG (temperature gauge). O elemento
1. Conceito sensor do indicador de temperatura pode ser o
bimetal, o enchimento termal, a resistência
O indicador é o instrumento que sente a elétrica e o termopar. As escalas possuem
variável do processo e apresenta o seu valor unidades de oC e K.
instantâneo. É freqüentemente chamado de O indicador de vazão é também chamado
medidor, receptor, repetidor, gauge, mas estes de rotâmetro. Na prática, se chama de
termos são desaconselháveis por serem rotâmetro apenas o indicador de vazão de área
ambíguos e imprecisos. Indicador específico de variável. O símbolo FG significa visor de vazão
pressão é chamado de manômetro; de (flow glass) e é usado em sistemas onde se
temperatura é chamado de termômetro e o de quer verificar a presença da vazão e não
vazão, rotâmetro. Estes nomes também não necessariamente o seu valor, como na medição
são recomendados, embora sejam muito de nível com borbulhamento de gás inerte. O
usados. O recomendado é chamar elemento sensor de vazão mais usado é a
respectivamente de indicador de pressão, de placa de orifício; quando a escala do indicador
temperatura e de vazão. é raiz quadrática, pois a pressão diferencial
O indicador sente a variável a ser medida gerada pela placa é proporcional ao quadrado
através do elemento primário e mostra o seu da vazão. Os outros indicadores da vazão
valor através do conjunto escala + ponteiro ou estão associados à turbina, ao tubo medidor
de dígitos. magnético e ao medidor com deslocamento
O tag de um indicador da variável X é XI; positivo . As escalas possuem unidades de
de um indicador selecionável XJI. volume/tempo ou massa/tempo.
O indicador pode ser estudado Adicionalmente, a vazão pode ser totalizada e
considerando os seguintes parâmetros o valor final é indicado através de dígitos do
1. a variável medida contador. Não existe contador analógico para a
2. o local de montagem totalização da vazão.
3. o formato exterior
4. natureza do sinal
5. o tipo de indicação

2. Variável Medida
Dependendo da variável a ser indicada, há
diferenças básicas no elemento sensor, nas
unidades da escala e pode haver nomes
específicos para o indicador.
O indicador de pressão é também chamado
de manômetro. Na prática, se chama de Fig. 4. 1. Manômetro ou indicador local de pressão
manômetro apenas o indicador local de
pressão. Em algumas convenções se simboliza
o indicador local de pressão como PG
(pressure gauge). O elemento sensor do
indicador de pressão pode ser o tubo Bourdon, O indicador local de nível é chamado de
o helicoidal, o fole, a espiral, o strain gauge . As visor e possui o tag LG (level glass). A maioria
escalas possuem unidades de kgf/cm2, Pa dos sistemas de medição de nível de líquidos
(pascal) ou psig. se baseia na pressão diferencial. A escala
O indicador de temperatura é também típica para a medição de nível é de 0 a 100% ,
chamado de termômetro. Na prática, se chama sem unidade.
de termômetro apenas o indicador local de
temperatura. Em algumas convenções se
simboliza o indicador local de temperatura

88
Indicador

3. Local de Montagem ponteiro móvel e mais raramente, escala móvel


e ponteiro fixo.
Os indicadores podem ser montados em
dois lugares distintos no campo ou na sala de
controle.
Os indicadores de campo ou locais são
montados próximos ao processo, muitas vezes
diretamente na tabulação ou vaso do processo.
Os indicadores de campo normalmente são
formato grande, tipicamente circulares, que é o
formato mais resistente. Quando usados ao
relento devem ser a prova de tempo e quando
montados em locais perigosos devem possuir
classificação elétrica especial compatível com a
classificação da área.

Fig. 4. 3. Indicadores com escala vertical e horizontal


(Foxboro)

Quando a leitura é através de um número,


o indicador é digital. Ele conta os pulsos do
sinal digital e indica o valor através de dígitos
que mudam discretamente. Para cada valor da
variável medida, há um número indicado.
Atualmente já existem instrumentos
pneumáticos digitais, embora o mais difundido
seja o indicador eletrônico digital.
Fig. 4. 2. Indicador de painel (Foxboro)

Os indicadores de painel geralmente são


retangulares pois é mais fácil se fazer uma
abertura retangular numa chapa de aço do que
uma abertura circular. São tipicamente
miniaturizados e pequenos, para economia de
espaço. Para ainda maior economia de espaço
é comum se ter indicadores com 1, 2 ou 3
ponteiros, para indicar simultaneamente 2 ou 3
variáveis independentes. Para facilitar a leitura,
neste caso de leituras múltiplas, cada ponteiro Fig. 4. 4. Indicador digital de pressão (HBM)
tem uma cor diferente. O indicador de painel
possui geralmente escala vertical, percorrida
por ponteiros horizontais. Atualmente, são disponíveis indicadores
eletrônicos com barra de gráfico (bargraph),
4. Tipo da Indicação que possuem técnicas e circuitos digitais para a
manipulação do sinal, porém, com a indicação
A indicação da leitura pode ser analógica, final em forma de barra de LEDs (diodo
feita através de um posicionamento contínuo emissor de luz) como se fosse analógica.
do ponteiro na escala ou digital, através da Uma indicação digital, pelo fato apenas de
amostragem de um dígito. ser digital não é necessariamente mais precisa
O instrumento analógico usa um fenômeno ou confiável que uma indicação analógica.
físico para indicar uma outra grandeza, por Decididamente é mais fácil fazer uma leitura
analogia. Ele mede um sinal que varia digital do que uma com ponteiro-escala, se
continuamente e como conseqüência, a cansa menos e há menor probabilidade de
posição do ponteiro varia continuamente cometer erros quando se fazem inúmeras
assumindo todas as posições intermediários leituras digitais. A precisão e a confiabilidade
entre o 0 e 100%. Pode-se ter escala fixa e dependem ainda da qualidade dos

89
Indicador

componentes, do projeto, do mecanismo, da


calibração e de vários outros fatores.
Os indicadores de painel normalmente são
montados em estantes apropriadas que já
possuem conectores pneumáticos e eletrônicos
de encaixe rápido para facilitar a substituição
para a manutenção.
Na eletrônica são comuns as indicações
através de LEDs e quartzo liquido. Atualmente.
há pesquisa e desenvolvimento com
tecnologias baseadas na ionização de plasma
e fluorescência no vácuo. O objetivo final de
qualquer projeto é a obtenção de uma
indicação visível à distância e de pequeno
consumo de energia elétrica.
Nos sistemas com computador digital, as Fig. 4. 6. Escalas de indicação
indicações são feitas através de monitores de
vídeo e as telas também simulam as escalas
dos instrumentos, com leituras analógicas. Na medição de qualquer quantidade se
escolhe um instrumento pensando que ele tem
o mesmo desempenho em toda a faixa. Na
prática, isso não acontece, pois o
comportamento do instrumento depende do
valor medido. A maioria dos instrumentos tem
um desempenho pior na medição de pequenos
valores. Sempre há um limite inferior da
medição, abaixo do qual é possível se fazer a
medição, porém, a precisão se degrada e
aumenta muito.
Por exemplo, o instrumento com precisão
expressa em percentagem do fundo de escala
tem o erro relativo aumentando quando se
diminui o valor medido. Para estabelecer a
Fig. 4. 5. Transmissor e indicador de pressão (Foxboro) faixa aceitável de medição, associa-se a
precisão do instrumento com sua
5. Rangeabilidade da Indicação rangeabilidade. Por exemplo, a medição de
vazão com placa de orifício, tem precisão de
Tão importante quanto à precisão e ±3% com rangeabilidade de 3:1. Ou seja, a
exatidão do instrumento, é sua rangeabilidade. precisão da medição é igual ao menor que 3%
Em inglês, há duas palavras, rangeability e apenas nas medições acima de 30% e até
turndown para expressar aproximadamente a 100% da medição. Pode-se medir valores
extensão de faixa que um instrumento pode abaixo de 30%, porém, o erro é maior que ±
medir dentro de uma determinada ,3%. Por exemplo, o erro é de 10% quando se
especificação. Usamos o neologismo de mede 10% do valor máximo; o erro é de 100%
rangeabilidade para expressar esta quando se mede 1% do valor máximo.
propriedade.
Para expressar a faixa de medição
adequada do instrumento define-se o
parâmetro rangeabilidade. Rangeabilidade é a
relação da máxima medição sobre a mínima
medição, dentro uma determinada precisão.
Na prática, a rangeabilidade estabelece a
menor medição a ser feita, depois que a
máxima é determinada. A rangeabilidade está
ligada à relação matemática entre a saída do
medidor e a variável medida. Instrumentos
lineares possuem maior rangeabilidade que os
medidores quadráticos (saída do medidor
proporcional ao quadrado da medição).
Fig. 4.7. Precisão em percentagem do fundo de escala

90
Indicador

Não se pode medir em toda a faixa por que Mesmo assim, o registrador possui também a
o instrumento é não linear e tem um escala auxiliar de indicação. A indicação
comportamento diferenciado no início e no fim correta do registrador é dada pela posição da
da faixa de medição. Geralmente, a dificuldade pena em relação a escala do gráfico.
está na medição de pequenos valores. Um O indicador pode possuir alarme,
instrumento com pequena rangeabilidade é normalmente acionado pela posição do
incapaz de fazer medições de pequenos ponteiro.
valores da variável. A sua faixa útil de trabalho
é acima de determinado valor; por exemplo, 7. Serviços Associados
acima de 10% (rangeabilidade 10:1), ou de
33% (3:1). O indicador deve ser especificado,
Em medição, a rangeabilidade se aplica montado, calibrado, operado e mantido de
principalmente a medidores de vazão. Sempre modo a apresentar as leituras corretas e com a
que se dimensiona um medidor de vazão e se precisão determinada pelo fabricante. Para a
determina a vazão máxima, automaticamente especificação do indicador, devem ser
há um limite de vazão mínima medida, abaixo considerados os seguintes parâmetros:
do qual é possível fazer medição, porém, com 1. a variável do processo associada,
precisão degradada. 2. o elemento sensor, que é função da
Em controle de processo, o conceito de variável, da faixa de medição, do fluido
rangeabilidade é também muito usado em e das condições de operação e
válvulas de controle. De modo análogo, define- segurança do processo.
se rangeabilidade da válvula de controle a 3. a faixa calibrada, importante para a
relação matemática entre a máxima vazão definição do elemento sensor e da
controlada sobre a mínima vazão controlada, escala,
com o mesmo desempenho. A rangeabilidade 4. a escala, com os valores mínimo e
da válvula está associada à sua característica máximo, o formato e a unidade da
inerente. Na válvula linear, cujo ganho é variável,
uniforme em toda a faixa de abertura da 5. a plaqueta gravada, com a indicação
válvula, sua rangeabilidade é cerca de 10:1. Ou útil para o operador,
seja, a mesma dificuldade e precisão que se 6. a identificação da malha (tag),
tem para medir e controlar 100% da vazão, tem 7. o tipo de montagem campo, painel,
se em 10%. A válvula de abertura rápida tem superfície, tubo de 2" ou pedestal
uma ganho muito grande em vazão pequena, (yoke).
logo é instável o controle para vazão baixa. 8. o local de montagem e como
Sua rangeabilidade vale 3:1. A válvula com conseqüência, a classificação elétrica e
igual percentagem, cujo ganho em vazão baixa mecânica do invólucro.
é pequeno, tem rangeabilidade de 100:1. 9. as opções extras, com alarme,
acabamento especial, proteção contra
6. Associação a Outra Função sobrefaixa.
A montagem do indicador deve ser feita
A indicação é uma função passiva e sua conforme a literatura recomendada do
malha é aberta. A indicação pode estar fornecedor, dos diagramas do projeto e das
associada com as outras funções, como a normas existentes.
transmissão, o controle, o registro e a Para que a leitura fornecida pelo indicador
totalização. seja confiável, é necessário que ele seja
O transmissor a balanço de movimento é calibrado, antes da montagem (mesmo que já
naturalmente um indicador local da variável venha calibrado de fábrica) e periodicamente,
transmitida. Há transmissores que possuem o depois que entra em operação. Os períodos de
indicador do sinal de saída e como calibração são determinados principalmente
conseqüência a indicação indireta da variável pelos seguintes parâmetros:
transmitida. 1. recomendação do fabricante,
Toda malha de controle a realimentação 2. classe de precisão do indicador
negativa requer a indicação da variável medida 3. agressividade do meio onde está
e do ponto de ajuste. Quando o controlador é montado
disponível na arquitetura modular, com a 4. penalidade pela não conformidade da
estação de leitura e separada do controlador indicação
cego, a indicação fica somente na estação de A calibração do indicador pode também ser
leitura. determinada e requerida pelo pessoal da
O registrador é naturalmente um indicador operação, quando há desconfiança ou certeza
onde a escala é o gráfico e o ponteiro é a pena. de que a sua indicação não é confiável.

91
Indicador

Calibrar um indicador significa


1. simular a variável medida
2. medi-la com um padrão rastreado
3. comparar o valor do padrão com o
indicado pelo instrumento
Quando necessário, deve-se ajustar a
posição do ponteiro na escala, de modo que a
indicação fique conforme um padrão de
referência, dentro dos limites de tolerância
estabelecidos pela precisão do indicador.
O ajuste do indicador consiste na atuação
nos mecanismos de zero, largura de faixa,
balanço ou linearidade (quando há interação
entre zero e largura de faixa) e angularidade
(se balanço de movimentos).
Operar um indicador é fazer a sua leitura
periodicamente. Quando o operador perceber
alguma anormalidade no indicador, ele deve
requerer um instrumentista para fazer a sua
manutenção. O indicador é retirado pelo
instrumentista e é feita a manutenção na
oficina.

92
Registrador
ocupe um terço do espaço, a área útil de
1. Introdução registro no gráfico de tira é a mesma que a do
circular (4").
O registrador é o instrumento que sente Normalmente o percurso da pena é no
uma ou muitas variáveis do processo e sentido horizontal, mas existe registrador cuja
imprime o seu valor no gráfico, de modo pena tem uma excursão vertical. O gráfico do
contínuo ou descontinuo, mas permanente. Ele registrador de painel pode ser do tipo rolo
fornece o comportamento histórico da variável. (duração de 30 dias) ou sanfonado (duração
O registro é feito através de pena com tintas de 16 dias).
em gráfico móvel. O gráfico é também Na parte superior do registrador está
chamado de carta (influencia do inglês, chart). colocada a escala, que preferivelmente deve
O tag de um registrador da variável X é ser igual a do gráfico. Quando houver mais de
XR; de um registrador multivariável UR e de um registro, o registrador continua com uma
um registrador selecionável XJR. única escala e o gráfico possui várias escalas
O registrador é diferente do instrumento em gomos diferentes. A função da escala do
chamado impressora. A impressora imprime registrador é a de dar a ordem de grandeza do
apenas os valores indicados, quando acionada registro e geralmente é de 0 a 100, linear,
ou programada. O registrador imprime os indicando percentagem. Para fins de leitura e
valores de modo automático e contínuo. de Calibração, o que deve ser lido é a posição
Atualmente, há outros mecanismos mais da pena em relação ao gráfico.
eficientes e de maior capacidade para o O registrador pode possuir as unidades de
armazenamento das informações, tais como os controle. Tem-se assim o instrumento
disquetes e as fitas magnéticas dos registrador-controlador. Ele possui um único
computadores digitais. elemento receptor, que está acoplado
O registrador pode ser estudado mecanicamente ao sistema de registro (pena)
considerando os seguintes parâmetros: e ao sistema de controle (conjunto bico-
1. a topografia palheta).
2. acionamento do gráfico
3. a pena e
4. o gráfico.

2. Topografia
Por topografia deve-se entender a forma e
o local de montagem do registrador. Em
função do formato, os registradores são
divididos em circulares e em tira.
O registrador circular possui gráfico circular
e sua caixa não necessariamente é do formato
circular. O registrador circular geralmente é
montado no campo, próximo ao processo e
ligado diretamente ao elementos primário, não
necessitando do uso do transmissor. O gráfico
possui o diâmetro externo típico de 12" e com
rotação de 24 horas ou de 7 dias. Diariamente
Fig. 5. 1. Registrador de vazão e pressão (Foxboro)
ou semanalmente o operador deve trocar o
gráfico.
O registrador montado no painel possui o
gráfico em tira. Embora o tamanho físico do
registrador de painel (largura de 4") seja menor
que o circular de campo (12" de diâmetro) e

93
Registrador

3. Acionamento do Gráfico
A pena do registrador só se move numa
direção e sua posição depende do valor da
variável registrada. para haver um registro
contínuo, o gráfico deve se mover em relação
a pena. O acionamento do gráfico é
conseguido por um motor que move
engrenagens, que por sua vez movem o
gráfico, desenrolando-o ou desdobrando-o de
um lado e enrolando-o do outro lado.
O motor de acionamento do gráfico pode Fig. 5. 2. Registrador de painel (Foxboro)
ser elétrico, mecânico ou pneumático.
No painel e em áreas seguras usam-se
motores elétricos com tensão de alimentação Há ainda os registradores de tendência ou
de 24 V ca, 110 V ca ou 220 V ca. Quando o trend recorder. São registradores que possuem
registrador é montado no campo, em área 4 penas registradoras e recebem na entrada
classificada ou em local sem energia elétrica, o até 20 sinais diferentes e independentes para
acionamento do motor deve ser através de serem registrados. Um sistema adequado de
mola mecânica; a corda deste acionamento seleção escolhe 4 entradas particulares e as
pode durar cerca de uma semana. registra simultaneamente. Este tipo de
Alternativamente o registrador com registrador faz o registro contínuo de
acionamento elétrico pode ser montado em multipontos e é muito útil em partidas de
área classificada, porém, deve ter a unidades ou testes, quando se está
classificação elétrica compatível com o grau de interessado na tendência e na variação das
perigo do local. grandezas apenas durante o transiente.
O gráfico pode ser acionado e movido em O registrador de painel geralmente é
diferentes velocidades. A velocidade mais montado em estante apropriada e ocupa duas
comum para o registrador retangular de painel posições, quando o movimento da pena é
é de 20 mm/hora, considerada lenta. Em horizontal; ele ocupa uma única posição
partida de unidades, em laboratórios, em quando a pena se movimenta verticalmente.
plantas piloto, em demonstrações didáticas e A pena pode ter formato em V ou em caixa
na sintonia do controlador é desejável uma (box). A pena V requer a coloco freqüente da
velocidade maior. Tipicamente há durações de tinta. Na pena tipo caixa, o período de
gráficos circulares desde 1 minuto até 30 dias. colocação de tinta é maior. Como isso não é
muito pratico, atualmente a maioria dos
registradores usa o sistema de tubo capilar. A
4. Penas tinta é acondicionada em pequeno
O registrador contínuo possui de 1 a 4 reservatório e um sistema de tubo capilar a
penas de registro. Quando o registrador possui leva para a pena. Deve-se tomar cuidado
mais de uma pena, os tamanhos e os modelos especial com estes registradores durante seu
destas penas são diferentes, para que não transporte para manutenção. No inicio da
haja interferência mútua dos registros. Isto operação é necessário se apertar o
deve ser considerado ao se especificar as reservatório de tinta - com cuidado - de modo
penas de reposição especificar a posição da que se encha todo o capilar de tinta, expulse
pena em questão externa, intermediária, as bolhas de ar e a tinta chegue até a pena. É
interna, primeira, segunda. uma boa idéia colocar um pedaço de papel
O registrador multiponto possui uma única absorvente debaixo da pena quando se faz
pena ou dispositivo impressor associado a um esta operação para prevenir borrões.
sistema de seleção de entradas. Há um O registrador de painel deve ser montado
sistema de varredura das entradas, de modo na posição horizontal, preferivelmente. Existem
que todas as leituras são lidas e registradas, inclinações máximas permissíveis, além das
uma de cada vez, consecutivamente e numa quais não há registro.
ordem bem estabelecida. Para identificar a As cores das penas são iguais as cores da
entrada ou a variável registrada, usam-se tinta de registro. As tintas não devem ser
cores de tintas diferentes ou então o próprio misturadas, pois a cor da mistura é totalmente
dispositivo impressor possui diferentes marcas diferente da cor dos componentes, e.g., o
de identificação. verde misturado com o vermelho dá o marrom.
O movimento da pena é linear, no
registrador de painel com gráfico de tira e é um

94
Registrador

arco de circulo, no registrador com gráfico usa coordenadas cartesianas, geralmente


circular. retangulares com as linhas retas se cruzando
perpendicularmente. Quando pelo menos uma
das linhas de referência é um arco de circulo,
as coordenadas são curvilíneas. De pouco
uso, porém existentes, são as coordenadas
polares uma distância e um ângulo.

Fig. 5.3. Registrador microprocessado (Yokogawa)

(a) Rolo (b) Sanfonado


Opcionalmente o registrador de painel Fig. 5.4. Enrolamento do gráfico
possui uma lâmpada piloto e contatos de
alarme acionados fisicamente pela posição da
pena. O conhecimento do alarme consiste em
abrir a porta do registrador. Existe uma grande quantidade de gráficos
diferentes. As diferenças estão no tamanho
5. Gráficos físico, no tamanho da área útil de registro, nas
escalas, nos furos de fixação, no sistema de
O registro das variáveis, feito pela pena, é enrolamento.
conservado no gráfico. O gráfico deve ser de Para a especificação correta de um gráfico
papel absorvente, de boa qualidade, de modo deve se fornecer
que não estrague nem entupa a pena. O nome do fabricante do registrador.
traçado deve ser contínuo, nítido e sem borrão. Obviamente o fabricante do registrado fornece
A analise do registro da variável pode gráficos somente para uso em instrumentos de
indicar o horário dos distúrbios do processo. sua marca. Mesmo que a escala seja a
Para isso, assume-se que o gráfico esteja mesma, as dimensões do gráfico e da área útil
corretamente instalado, ajustado para o tempo de registro sejam idênticas, pode haver
real do dia e que o registrador esteja calibrado. diferenças na função lateral, no sistema de
A tinta deve fluir pela pena, de modo acionamento. Normalmente os fabricantes de
contínuo, conseguido pela pressão mecânica registradores fornecem inicialmente uma
adequada entre a pena e o gráfico. Se a quantidade de gráficos suficiente para 6 meses
pressão da pena é excessiva pode haver de operação.
rasgos no gráfico e desgaste excessivo da formato e tipo de acionamento. Há gráficos
pena, se é insuficiente, pode haver circulares de 10" e 12" de diâmetro e gráficos
deslizamentos e saltos da pena. em carta tipo rolo ou sanfonado, de 4".
O comprimento de um gráfico de tira varia faixa de medição. Deve-se informar a faixa
de 30 a 70 metros de comprimento. ou as diferentes faixas e suas características
Normalmente o de rolo tem o dobro do matemáticas. Por exemplo, 0-100 uniforme ou
tamanho do gráfico sanfonado. O último meio linear, 0 a 10 raiz quadrática. Quando se trata
metro do gráfico de tira, quando faltam cerca do registro da temperatura, o tipo da curva,
de 18 horas de registro, é marcado com uma além da faixa de medição. Por exemplo, RTD
faixa vermelha, para advertência da de Pt, termopar tipo J, K.
proximidade da troca do gráfico.
O gráfico possui duas coordenadas o valor
registrado da variável e o tempo. O movimento
da pena é linear em uma direção, normalmente
transversal. O movimento mecânico do gráfico
é regular e longitudinal. A maioria dos gráficos

95
Registrador

6. Associação a Outra Função 3. a montagem tubo 2", painel, estante


especial, ângulo de inclinação.
O registro é uma função passiva que 4. o número e o tipo das penas, de
armazena os valores históricos da variável do acordo com o número das variáveis
processo. A malha de registro é aberta, registradas 1 a 4 penas continuas ou 6,
iniciada no elemento sensor, ligado ao 12 ou 24 pontos
processo e terminada no registrador. 5. o acionamento do gráfico elétrico
O registrador ligado diretamente ao (tensão e freqüência), e mecânico
processo pode alojar a unidade de controle (duração da corda),
automático. No painel, as funções de controle 6. o enrolamento do gráfico,
e de registro são sempre independentes e 7. a escala do registrador valor e tipo
executadas por instrumentos separados. (faixa de medição, linear, raiz
O registrador pode ter, opcionalmente, os quadrática),
contatos elétricos para alarme, que são 8. a escala do gráfico valor e tipo (faixa
acionados pela posição da pena e podem ser de medição, marcação do tempo,
atuados pelo valor mínimo, máximo ou dupla, tripla, linear),
diferencial. Cada pena possui os seus contatos 9. a plaqueta gravada dados úteis para o
de alarme independentes. operador do processo, como a
O gráfico do registro da vazão instantânea correspondência das penas com as
pode ser utilizado para a sua totalização. A variáveis registradas.
partir do registro da pressão diferencial 10. a identificação das malhas, como TR
proporcional ao quadrado da vazão pode-se 2O4.
determinar a quantidade total da vazão, numa 11. o suprimento de gráfico e de tinta,
operação manual ou através do planímetro. 12. as opções extras, como alarme,
Embora raro, é possível se associar a iluminação interna, acabamento
transmissão ao registrador local. especial, unidade de controle,
contador-integrador.
13. a classificação mecânica do invólucro
e classificação elétrica, se há
alimentação elétrica e se a área é
perigosa.
A montagem do registrador deve seguir as
instruções do fabricante, os diagramas de
ligação do projeto detalhado e as normas
existentes.
O pessoal da operação é responsável pela
leitura dos registros, pelo armazenamento
organizado dos gráficos para consulta
posterior, pelo enchimento ou troca dos
recipientes de tinta e pela troca dos gráficos.
Quando os gráficos são usados para a
totalização, via planímetro, o pessoal da
operação se responsabiliza por esta tarefa.
A calibração do registrador deve ser feita
pelo instrumentista. Calibrar um registrador é
verificar se o sinal de entrada correspondente.
Quando estiver fora, o registrador deve ser
Fig. 5.5. Registrador com ações de controle (Foxboro) ajustado. Ajustar o registrador é posicionar
pena em relação ao gráfico (e não em relação
7. Serviços Associados a escala do registrador) de conformidade com
os sinais de entrada.
O registrador deve ser especificado,
montado, operado e mantido de modo correto,
para que não se danifique e que registro os
valores das variáveis com o mínimo erro
especificado pelo fabricante.
Na especificação do registrador, devem ser
conhecidos os seguintes parâmetros:
1. a variável do processo P, T, F, L.
2. o elemento sensor desejado

96
Computador de Vazão
principalmente dispositivos digitais que podem
1. Conceito ser classificados em dois tipos
1. programável, que faz quase qualquer
O computador de vazão é projetado para a cálculo desejado que está programado
solução instantânea e contínua das equações nele e
de vazão dos elementos geradores de pressão 2. pré-programado ou dedicado, que
diferencial (placa, venturi, bocal) e dos manipula apenas uma aplicação
medidores lineares de vazão (turbina, medidor selecionada.
magnético, vortex). O computador de vazão
recebe sinais analógicos proporcionais à 2. Programáveis
pressão diferencial, temperatura, pressão
estática, densidade, viscosidade e pulsos As unidades programáveis são os
proporcionais à vazão e os utiliza para computadores de vazão mais avançados do
computar, totalizar e indicar a vazão mercado. Eles custam mais, quando
volumétrica compensada ou não-compensada comparados com os computadores dedicados.
e a vazão mássica. Dependendo da programação, eles calculam a
vazão de gases ou líquidos usando as
equações da AGA, API (American Petroleum
Fig. 6.1. Aplicação típica de computador de vazão Institute e outras relações. Eles também fazem
cálculos de vazão volumétrica. A
compensação, de massa , molar e media,
A vazão instantânea e a sua totalização energia, BTU, eficiência, trabalham com níveis
são indicadas nos painéis frontais do de tanque, manipulam vazões em canais
computador de vazão, na forma de indicadores abertos, executam o algoritmo de controle PID,
digitais, contadores eletromecânicos ou fazem cálculos de transferência de custódia e
eletrônicos. O computador provê ainda saídas muitas outras coisas.
analógicas e contatos de reles para fins de
controle e monitoração da vazão.
O computador de vazão é um instrumento a
base de microprocessador que pode ser
montado em painel da sala de controle ou
diretamente no campo, onde é alojado em
caixa para uso industrial, com classificação
mecânica do invólucro à prova de tempo e,
quando requerido, com classificação elétrica
da caixa à prova de explosão ou à prova de
chama.
O computador é programado e as
constantes são entradas através de um
teclado, colocado na frente ou no lado do
instrumento. Fig. 6. 2. Totalizador de vazão (Foxboro)
Os computadores de vazão sofreram uma
grande evolução, desde o seu lançamento no 3. Dedicado
mercado, no inicio dos anos 1960. Eles foram
originalmente projetados para manipular as Os computadores de vazão dedicados são
equações da AGA (American Gás Association) relativamente mais simples, mais fáceis de
para vazão mássica de gás e foram usar, montados no campo e mais baratos que
construídos em torno de multiplicadores, os programáveis. Como desvantagem, eles só
divisores e extratores de raiz quadrada. fazem uma tarefa, manipulam apenas uma
Atualmente, os computadores são malha e sua capacidade gráfica é limitada.
Tipicamente, eles computam as vazões de

97
Computador de Vazão

gases ou líquidos baseados nas várias


equações AGA ou API. Alguns, porém,
calculam vazões de vários estados de vapor e
outros são dedicados a cálculos de vazão para
canais abertos, vertedores e calhas.
Muitos destes computadores são
reprogramáveis . Porém, o programa pode ser
modificado no campo pelo operador, que
responde a perguntas do seu menu.

Fig. 6.3. Computador, com bateria solar (Daniel)

4.2. Vazão de gás com compensação


Como os gases são compressíveis, é
necessário fazer a compensação da pressão
Fig. 6.3. Computador de vazão e sinais de estática e da temperatura do processo. Nesta
entrada e saída aplicação, o computador recebe três sinais
analógicos
o sinal de 4 a 20 mA cc do transmissor de
vazão, proporcional ao quadrado da vazão
medida,
4. Aplicações Clássicas o sinal de 4 a 20 mA cc do transmissor de
pressão, proporcional à pressão absoluta
estática do processo. Mesmo que seja usado o
4.1. Vazão de liquido valor da pressão absoluta, normalmente se usa
um transmissor de pressão manométrica e
Quando usado com a placa de orifício, o acrescenta-se 1 kgf/cm2 de polarização.
computador recebe o sinal analógico de 4 a 20 o sinal de 4 a 20 mA cc do transmissor de
mA cc do transmissor de vazão d/p cell, temperatura, proporcional à temperatura
proporcional ao quadrado da vazão medida, absoluta do processo. Opcionalmente, pode-se
lineariza-o, extraindo a raiz quadrada e o recebe o sinal de resistência de um RTD ou a
escalona em unidade de engenharia. militensão de um termopar. Também deve ser
Como os líquidos com composição usado o valor da temperatura absoluta, em K;
constante são considerados não basta somar 273,2 à escala Celsius.
compressíveis, não se é necessária a opcionalmente, pode receber o sinal de 4 a
compensação da pressão e da temperatura e a 20 mA cc de um transmissor de densidade,
vazão é proporcional à raiz quadrada da para corrigir a densidade do gás.
pressão diferencial, ΔP. O computador executa a seguinte equação:

Q=C ΔP
Δp × p
Q=C
Esta constante C é calculada dos dados T×G
relacionados com o tipo do fluido e dos
parâmetros mecânicos da instalação do Se a densidade relativa do gás é
medidor, tais como beta da placa, faixa do aproximadamente constante com o tempo, um
transmissor, tipo de tomadas da pressão fator médio 1/G pode entrar como parte da
diferencial. Esta constante é colocado no constante C
computador como um fator do sistema digital e
escalona a saída para a unidade de vazão
desejada.

98
Computador de Vazão

4.3. Sistema com 2 transmissores e 5. Seleção do Computador


uma placa
Quando selecionando um computador de
Existem computadores de vazão duais que vazão, deve-se primeiro decidir o que o
podem receber sinais de sistemas de medição computador vai fazer, se é necessário um
de vazão com uma placa e dois transmissores instrumento de precisão ou um sistema de
ou com duas placas e dois transmissores. controle, lembrando-se que o controle preciso
É comum se usar dois transmissores começa com uma medição precisa e de alta
associados a uma única placa de orifício para resolução. A resolução do computador de
aumentar a rangeabilidade da medição; por vazão é dada pelo número de bits de seu
exemplo, um calibrado de 0 a 20" c.a. e o outro conversor A/D, por exemplo um computador
de 0 a 200" c.a. O computador de vazão com conversor de 18 bits possui resolução de
seleciona automaticamente a pressão 0,01%. Porém, quando se considera a
diferencial correta e aplica o fator de precisão, deve-se tomar o elo mais fraco do
escalonamento certo. Quando a vazão sobe, o sistema, o elemento sensor de vazão. A
chaveamento para o transmissor de 200" precisão do sistema nunca ficará melhor que a
ocorre em 98% da faixa do transmissor de 30"; do sensor do sistema, mesmo com conversor
quando a vazão desce, o chaveamento para o A/D de 18 bits.
transmissor de 20" se dá em 96% desta faixa. Também deve se considerar a necessidade
Esta diferença de chaveamento é para evitar a da compensação de pressão, temperatura,
oscilação contínua entre os dois transmissores, densidade e/ou viscosidade e quais os
quando a vazão estiver marginalmente próxima sensores e transmissores usados para as
do fundo de escala do transmissor de 20". medições destas variáveis.
As questões que devem ser consideradas
acerca do computador de vazão são
FQI Desempenho da medição resolução,
capacidade de linearização, indicação da vazão
instantânea, totalização, alarme,
intertravamento, pré-determinação.
FY Condições ambientais e local de montagem
2
sala de controle, que é um ambiente excelente
ou no campo, que requer caixa à prova de
tempo e se for área classificada, requer uma
classificação elétrica especial.
Quantidade de malhas manipuladas
FT1-
possibilidade de se usar um computador de
1 FT2- TT vazão com canal dual.
PT
1 Tipos de sinais de entrada e saída
analógicos eletrônicos de 4 a 20 mA cc e
FE TW+TE pneumáticos de 3 a 15 psig, sinal de
resistência elétrica (RTD) e militensão de
termopar, militensão de tubo magnético de
Fig. 6.4. Sistema com uma placa e dois transmissores de
vazão, ou sinal de freqüência (turbina, vortex,
vazão
deslocamento positivo, ultra-sônico).
Possibilidade de saída analógica para uso em
4.5. Vazão de massa de gás outro equipamento.
Qualquer gás pode ser medido em termos Comunicações definir a metodologia de
de sua massa ou peso, usando-se a entrada de contatos de entrada/saída, sinais analógicos,
um medidor de densidade do gás, corrigindo-se sinais de pulso, portas de comunicação, por
a compressibilidade e a composição do gás. exemplo serial RS 232 C, RS 422 .
Interfaces de comunicação definir os tipos
de interfaces para Controlador Lógico
W = k Δp Programável, para Sistemas Digitais de
Controle Distribuído, para impressoras .
Aplicações definir as equações
matemáticas a serem executadas como da
AGA-3, AGA-5, AGA-7, ANSI/API 2530,
ANSI/API 2540, NX-19, ISO 5167, NIST 1045 e
equações de vapor ASME 9.2.

99
Computador de Vazão

Software entrada da configuração simples Há três métodos básicos para medir as


de somente alguns parâmetros. As áreas planas de registros de vazões
modificações podem ser feitas pelo usuário ou instantâneas:
apenas pelo fabricante. 1. cálculo matemático,
Serviço no campo partida do sistema, 2. método do corte e peso e
reparo no campo e disponibilidade de peças de 3. método do planímetro.
reposição.
6.2. Cálculo matemático ou
6. Planímetro aritmético
Muitas indústrias armazenam os gráficos Embora lento, o cálculo aritmético funciona
com os registros permanentes dos valores bem, quando são envolvidas áreas de formato
instantâneos da vazão para a observação regular, como o quadrado, retângulo, triângulo
visual das vazões instantâneas e das suas e círculo.
tendências, para fins de cobrança e para Quando a figura é mais complicada, como
levantamento de balanços. A totalização da o trapézio, ou composta de várias outras
vazão pode ser obtida ou por cálculos manuais regulares, como o retângulo com extremidades
ou através do planímetro. circulares, demora-se mais, pois ela deve ser
subdividida em figuras regulares e suas seções
são avaliadas separadamente e somadas ao
6.1. Histórico
final.
O planímetro é um instrumento de precisão Quando a figura é completamente irregular,
usado para a avaliação rápida e exata de áreas é necessário subdividir a área em quadrados
planas de qualquer formato ou contorno. Na de tamanho conhecido. Os quadrados devem
medição de vazão, o planímetro é usado ser contados e as seções dos quadrados
especialmente para totalizar a vazão, a partir estimados em tamanho e somadas. Neste
de registros da vazão instantânea, da pressão caso, não é mais eficiente usar o método do
estática e da temperatura em gráficos cálculo matemático, pois o método seria muito
circulares ou de tira. A integração pode ser feita lento e impreciso.
por um planímetro de mesa operado
manualmente, automaticamente ou por um 6.3. Método do corte e peso
sistema incluindo um computador pessoal.
O primeiro planímetro foi desenvolvido pelo As áreas a serem calculadas devem ser
matemático suíço James Laffon, em 1854. Ele cortadas com uma tesoura, colocadas em uma
chamou-o de "Integrador Scheiben". balança de precisão e pesadas. O peso total é
Trabalhando de modo independente, o dividido pelo peso de um pedaço do mesmo
professor austríaco A. Miller Hauenfels material de tamanho conhecido.
inventou o planímetro polar, em 1855. Este método é lento, destrutivo e impreciso.
Os fabricantes mais conhecidos são: LASICO Pequenas variações na umidade do ar
(Los Angeles Scientific Instrument Co.), Flow ambiente pode alterar significativamente o peso
Measurement (Tulsa, OK), UGC Industries e do material, provocando grandes erros. Uma
Ott. balança de precisão é tão cara e difícil de ser
obtida quanto um planímetro.

6.4. Método do planímetro


O método do planímetro é o mais
profissional, rápido, preciso, eficiente e
consistente método para medir áreas planas.
Não se requer nenhuma habilidade matemática
para operar um planímetro, simplesmente
deve-se seguir o contorno da área com um
traçador e o resultado é diretamente indicado,
por contadores digitais, mecânicos ou
eletrônicos.
Atualmente, os planímetros possuem várias
funções, como as de:
1. computação automática da área na
escala e unidade corretas,
Fig. 6.5. Planímetro para gráfico circular (Lasico) 2. processamento dos resultados através
de calculadoras embutidas,

100
Computador de Vazão

3. programação para qualquer relação de 6.6. Seleção e Especificação do


escala plausível, Planímetro
4. acumulação de resultados na memória,
para processamento posterior, A seleção e especificação do planímetro
5. conversão rápida entre unidades de incluem:
vários sistemas, 1. formato e tamanho do gráfico, circular de
6. programação para medições em 10", circular de 12", tira de 4" tipo rolo,
volume (m3, ft3) ou $/volume. tira de 4" tipo sanfona.
A precisão típica do planímetro é de ±0,1 a 2. relação matemática da saída com
±0,5% do fundo de escala. relação a vazão: linear, quadrática.
3. tipo do totalizador/contador, mecânico ou
6.5. Gráficos Circulares Uniformes eletrônico, com ou sem escalonador.

Os gráficos uniformes são divididos em


segmentos iguais, entre o raio interno e o
externo. Ao longo de um arco sobre o qual a
pena registrou, os gráficos podem ser
marcados em percentagem do fundo de escala
ou em unidades das variáveis medidas, como
oC, psia, m3/h.)

Fig. 6.6. Planímetro para gráfico de tira

Para um planímetro que integra


radialmente, deve-se usar um fator de
correção, porque o planímetro radial considera
as distancias radiais médias e os gráficos
uniformes empregam incrementos iguais ao
longo do arco. Este fator pode ser obtido de
curvas disponíveis na literatura técnica.
A não ser que as pressões diferencial e
estática permaneçam constantes ou seja usado
um extrator de raiz quadrada, os planímetros
radiais não devem ser usados para achar a
média dos registros das pressões diferencial e
estática. Nos cálculos deve-se achar a média
da raiz quadrada e não a raiz quadrada da
média.

101
Controlador
medição é indicada na escala principal do
1. Conceito controlador.
O principal componente da malha de
controle é o controlador, que pode ser
2.2. Ponto de Ajuste
considerado um amplificador ou um Quanto ao ponto de ajuste, há três modelos
computador. de controladores
O controlador automático é o instrumento 1. com o ponto de ajuste manual,
que recebe dois sinais a medição da variável e 2. com o ponto de ajuste remoto,
o ponto de ajuste, compara-os e gera 3. com o ponto de ajuste manual ou
automaticamente um sinal de saída para atuar remoto.
a válvula, de modo a diminuir ou eliminar a O controlador com o ponto de ajuste manual
diferença entre a medição e o ponto de ajuste. possui um botão na parte frontal, facilmente
O controlador detecta os erros infinitésimas acessível ao operador de processo, para que
entre o valor da variável de processo e o ponto ele possa estabelecer manualmente o valor do
de ajuste e responde, instantaneamente, de ponto de referência. Quando o operador aciona
acordo com os modos de controle e seus o botão, ele posiciona o ponteiro do ponto de
ajustes. O sinal de saída é a função ajuste na escala e gera um sinal de mesma
matemática canônica do erro entre a medição e natureza que o sinal da medição.
o valor ajustado, que inclui as três ações de
controle proporcional, integral e derivativa. A
combinação dessas três ações e os seus ajuste
adequados são suficientes para o controle
satisfatório e aceitável da maioria absoluta das
aplicações práticas.

2. Componentes Básicos
Para executar estas tarefas, o controlador
deve possuir os seguintes blocos funcionais
1. a medição,
2. o ponto de ajuste
2. a comparação
3. a geração do sinal de saída
4. a atuação manual opcional
5. a fonte de alimentação
6. as escalas de indicação

2.1. Medição
No controlador a realimentação negativa, a Fig. 7. 1. Controlador analógico de painel (Foxboro)
variável controlada sempre deve ser medida. O
controlador pode estar ligado diretamente ao
processo, quando possui um elemento sensor
determinado pela variável medida. O O controlador com o ponto de ajuste
controlador de painel recebe o sinal padrão remoto não possui nenhum botão na parte
proporcional a medição do transmissor e deve frontal. O sinal correspondente ao ponto de
possuir circuitos de entrada que condicionam o ajuste entra na parte traseira do controlador e é
sinal de medição. O controlador pneumático indicado na escala principal. O sinal pode ser
possui o fole receptor de 3 a 15 psig e o proveniente da saída de outro controlador ou
controlador eletrônico possui o circuito de uma estação manual.
receptor, que pode ser a ponte de Wheatstone,
o galvanômetro, o circuito potenciométrico. A

102
Controlador

O controlador com os pontos de ajuste 2.4. Unidade de Balanço Automático


remoto e local possui um botão para o
operador estabelecer manualmente o ponto de A maioria dos controladores com a estação
ajuste e recebe o ponto de ajuste remoto. manual possui a estação de balanço
Ambos os sinais são indicados na escala automático que permite a passagem de
principal. O controlador possui também a chave automático para manual e vice versa, de modo
seletora R/L (remoto-local) do ponto de ajuste. contínuo, sem provocar distúrbio no processo e
É fundamental que a medição e o ponto de sem a necessidade de se fazer o balanço
ajuste sejam de mesma natureza, ambos manual da saída do controlador. Erradamente
pneumáticos, mecânicos, de corrente ou de se pensa que esta transferência requer a
tensão elétrica, para que seja possível a igualdade entre a medição e o ponto de ajuste
comparação entre eles. O ponto de ajuste e a (?!). Quando o controlador não possui a
medição são indicados na mesma escala estação de transferência automática, o
principal do controlador e a posição relativa dos operador deve garantir que o sinal inicial da
ponteiros fornece o valor do erro entre os dois saída manual seja igual ao sinal final da saída
sinais. automática de modo que o processo não
perceba esta mudança de automático para
manual. No mínimo, o controlador possui um
dispositivo de comparação que possibilita o
balanço prévio entre os sinais de saída
automático e manual. O fundamental é não
provocar uma descontinuidade no sinal de
saída quando da transferência de automático
para manual ou manual para automático.

2.5. Malha Aberta ou Fechada


Assim que o controlador é instalado em um
processo e colocado em automático, cria-se
uma malha fechada. A saída do controlador
Fig. 7. 2. Controladores e registrador (Foxboro) afeta a medição e vice-versa. Quando este
efeito é quebrado em qualquer uma das
direções, a malha é chamada de aberta e não
2.3. Estação Manual Integral mais existe o controle a realimentação
negativa. Vários eventos podem abrir a malha
A maioria absoluta dos controladores fechada a realimentação negativa
possui a estação manual de controle 1. a colocação do controlador em manual.
integralizada ao seu circuito. Sob o ponto de Isto causa a saída se manter constante,
vista do controle, as situações mais comuns mesmo que haja variação da medição,
que requerem a intervenção manual do a não ser que o operador a modifique.
operador de processo são 2. a falha do sensor ou do transmissor.
1. na partida do processo, quando a Isto elimina a habilidade do controlador
banda proporcional é menor que 100%. observar a variável controlada.
Neste caso, quando a medição está em 3. a saturação da saída do controlador em
0% e o ponto de ajuste está acima de 0 ou 100% da escala. Isto elimina a
50%, a variável controlada está fora da habilidade do controlador atuar no
banda proporcional. processo.
2. quando o processo entra em oscilação, 4. a falha do atuador da válvula, por
ou seja, quando o ganho da malha causa de atrito ou falha na válvula.
fechada de controle fica igual a 1. Quando uma malha de controle não está
Quando se coloca o controlador em operando corretamente, a primeira coisa a
manual, abre se a malha de controle e verificar é se a malha continua fechada. Muitas
se pode estabilizar o processo. vezes, se perde muito tempo tentando
Assim, para as partidas e emergências, o sintonizar um controlador quando o problema
controlador deve incluir um gerador de manual está em outro local da malha de controle.
do sinal de saída acionado diretamente pelo
operador do processo. Quando a saída vem do 2.6. Ação Direta ou Inversa
circuito PID, diz-se que o controlador está em
automático; quando vem do gerador manual, o O controlador possui a chave seletora para
controlador está em manual. ação direta e ação inversa. A ação direta
significa que o aumento da medição implica no

103
Controlador

aumento da saída do controlador. A ação levando o sistema para a segurança. A válvula


inversa significa que o aumento da medição está a 0% com 3 psig e a 100% com 15 psig. A
provoca a diminuição da saída do controlador. ação do controlador, como conseqüência, deve
A escolha da ação do controlador depende ser inversa quando o nível aumenta, a válvula
da ação da válvula de controle e da lógica do deve fechar mais para faze-lo diminuir e a
processo. A atuação da válvula de controle saída do controlador deve diminuir, fechando
pode ser ar-para-abrir ou ar-para-fechar deve mais a válvula.
ser escolhida em função da segurança do
processo. Tanque cheio seguro e válvula na saída.
A partir da segurança, obtida com o tanque
cheio, a válvula deve ser ar-para-abrir na falta
de ar, a válvula fecha e o tanque se enche,
levando o sistema para a segurança. A válvula
está a 0% com 3 psig e a 100% com 15 psig. A
ação do controlador, como conseqüência, deve
ser direta quando o nível aumenta, a válvula
deve abrir mais para faze-lo diminuir e a saída
do controlador deve aumentar, abrindo mais a
válvula.

Tanque cheio seguro e válvula na entrada.


A partir da segurança, obtida com o tanque
cheio, a válvula deve ser ar-para-fechar na falta
de ar, a válvula abre e o tanque se enche,
levando o sistema para a segurança. A válvula
Fig. 7. 3. Controlador pneumático de campo (Foxboro) está a 100% com 3 psig e a 0% com 15 psig. A
ação do controlador, como conseqüência, deve
ser direta quando o nível aumenta, a válvula
A regra básica para a seleção das ações do deve fechar mais para faze-lo diminuir e a
controlador e da válvula é a seguinte: saída do controlador deve aumentar, fechando
1. a partir da segurança do processo, mais a válvula.
determina-se a ação da válvula de Um controlador que é retirado da malha
controle. para a manutenção e é reinstalado pode ter
2. depois de definida a ação da válvula e sua ação de controle invertida. Muitas vezes, o
partir da lógica do processo, determina- posicionador da válvula pode reverter a
se a ação do controlador. resposta da válvula. Enfim, a ação do
Por, exemplo, seja o controle do nível de um controlador, a ação da válvula, a posição do
tanque. As alternativas são a segurança do atuador, a ação do posicionador, tudo deve ser
tanque cheio ou vazio, a ação do controlador considerado e coerente para se obter o
direta ou inversa, a atuação da válvula ar-para- controle desejado.
abrir ou ar-para-fechar e a válvula de controle
esta na entrada ou na saída do tanque.
Combinando-se estas situações, chega-se a
quatro configurações possíveis

Tanque vazio seguro e válvula na saída.


A partir da segurança, obtida com o tanque
vazio, a válvula deve ser ar-para-fechar na falta LC
de ar, a válvula abre e o tanque se esvazia,
levando o sistema para a segurança. A válvula
está a 100% com 3 psig e a 0% com 15 psig. A 100%
v
ã
ação do controlador, como conseqüência, deve 0 saída
3 15 psi
ser inversa quando o nível aumenta, a válvula
deve abrir mais para faze-lo diminuir e a saída
do controlador deve diminuir, abrindo mais a
válvula. Fig. 7.4. Ação inversa do controlador
Tanque vazio seguro e válvula na entrada.
A partir da segurança, obtida com o tanque
vazio, a válvula deve ser ar-para-abrir na falta
de ar, a válvula fecha e o tanque se esvazia,

104
Controlador

Tanque Quando nível aumenta, controlador atua na


Tanque vazio é seguro. Falta de ar, válvula válvula para abrir mais, fazendo nível diminuir
abre, tanque fica vazio, que é a condição Quando válvula abre mais, saída aumenta.
segura. Ação direta porque aumento do nível
produz aumento da saída do controlador.
Atuador da válvula (Falha Aberta) Esta é a configuração preferida para a
Ação do atuador: ar para fechar. condição de tanque cheio seguro. Outra
Com 20 kPa (3 psi) válvula aberta; com 100 configuração possível, mas que apresenta o
psi (15 psi), válvula fechada. Em caso de falha, inconveniente de demorar a encher o tanque,
válvula fica aberta. quando ele estiver vazio e necessitar ir para a
posição segura de cheio, é:
Controlador 1. Tanque cheio seguro
Ação inversa (inc/dec) 2. Ação do atuador: ar para fechar
Quando nível aumenta, controlador atua na 3. Controlador atuando na válvula de
válvula para abrir mais, fazendo nível diminuir entrada do tanque
Quando válvula abre mais, saída diminui. 4. Ação do controlador: inversa.
Ação inversa porque aumento do nível
produz diminuição da saída do controlador. 3. Especificação do
Esta configuração apresenta o Controlador
inconveniente de demorar a esvaziar o tanque,
quando ele estiver cheio e necessitar ir para a As dificuldades de controle do processo
posição segura de vazio. Por isso, a variam muito e por isso são disponíveis
configuração mais conveniente é: controladores comerciais de vários tipos e
1. Tanque vazio seguro modos de controle.
2. Ação do atuador: ar para abrir Existem características padronizadas e
3. Controlador atuando na válvula de existem aquelas especiais, fornecidas somente
entrada do tanque quando explicitamente solicitado.
4. Ação do controlador: direta. Não especificar todas as necessidades
requeridas implica em se ter um controle de
processo insatisfatório e até impossível.
Especificar o equipamento com características
extras que não terão utilidade é, no mínimo, um
desperdício de dinheiro.
Constitui também uma inutilidade a
especificação do instrumento com
características especiais, sem entende-las e
LC sem ajusta-lo de modo apropriado.

3.1. Controlador Liga-Desliga


100% ã
saída
O controlador liga-desliga é instável, por
0
3 15 psi construção, pois não possui o circuito de
realimentação negativa para diminuir seu
Fig. 7. 5. Ação direta do controlador ganho, que é, infinito. A sua construção é a
mais simples e o controlador pneumático
consiste de
Tanque 1. fole de medição
Tanque cheio é seguro. Falta de ar, válvula 2. fole de ponto de ajuste
fecha, tanque fica cheio, que é a condição 3. conjunto bico-palheta
segura. Como não se precisa estabilizar o sistema,
não se usa o fole de realimentação negativa. O
Atuador da válvula (Falha Fechada) controlador liga-desliga pode ser obtido a partir
Ação do atuador: ar para abrir. do controlador proporcional, retirando-se o
Com 20 kPa (3 psi) válvula fechada; com conjunto fole de realimentação proporcional e a
100 psi (15 psi), válvula aberta. Em caso de mola.
falha, válvula fica fechada. A saída do controlador pneumático liga-
desliga é igual a 0 psig ou 20 psig, que é o
Controlador valor da alimentação.
Ação direta (inc/inc)

105
Controlador

O controlador liga-desliga pode sofrer instrumentos. Esse assunto será tratado com
pequenas modificações que melhoram o maior rigor e cuidado nos trabalhos sobre a
desempenho do circuito convencional. Instrumentação Pneumática e sobre a
Instrumentação Eletrônica. Porém, para fixar
3.2. Controlador de Intervalo idéia e para se entender os princípios básicos,
Diferencial será visto aqui o circuito básico do controlador
proporcional. Por simplicidade e por exigir
O controlador de intervalo diferencial é menos pré-requisítos, será mostrado o
análogo ao liga-desliga, porém, em vez de ter esquema simplificado do controlador
um único ponto de referência, possui dois pneumático.
pontos de atuação um para ligar o elemento e Será admitido que seja sabido o
outro para desligar. Entre os dois pontos há um funcionamento do conjunto bico-palheta-relé
intervalo. pneumático. O conjunto bico-palheta gera um
O principal objetivo do controle de intervalo sinal pneumático padrão de 3 a 15 psig,
diferencial é evitar as operações freqüentes de proporcional a distância relativa entre o bico
partida e parada do operador final. A amplitude que sopra e a palheta que obstruí. O bico é
de oscilação é aumentada, porém, a freqüência alimentado pela alimentação pneumática de 20
de oscilação é melhorada e o elemento final de psig. O relé serve para amplificar
controle é acionado um menor número de pneumaticamente a pressão e o volume de ar
vezes. comprimido. Os foles pneumáticos exercem
A principal aplicação do controle de forças que são proporcionais aos sinais de
intervalo diferencial é em sistema de medição pressão recebidos. Assim, quando se falar do
de nível, quando não se quer o controle exato fole de medição, pode se estar referindo
do nível, mas se deseja apenas evitar que o indistintamente ao valor da medição, a pressão
tanque vaze ou fique vazio. O motor da bomba exercida no fole, ou na força exercida pelo fole.
de enchimento é ligado no nível mínimo e Foi considerado o sistema a balanço de forças,
desligado no nível máximo. Entre os dois níveis quando poderia ter sido escolhido o de balanço
o motor permanece numa situação estável de movimentos.
ligado quando estiver subindo e desligado O circuito básico do controlador pneumático
quando estiver descendo. Deste modo, o motor com ação proporcional é constituído dos
da bomba de enchimento é ligado poucas seguintes elementos
vezes. 1. fole de medição, que recebe o sinal da
medição da variável do processo
2. fole de ponto de ajuste, estabelecido
saída manualmente ou de modo remoto.
Esse fole sempre está em oposição ao
100%
fole de medição, a fim de que seja
80% detectado o erro ou o desvio entre
ambos os valores.
60%
3. conjunto bico-palheta-relé, para gerar o
40% sinal de saída do controlador.
4. A alimentação pneumática de 20 psig é
20%
aplicada ao bico, através do relé
0% pneumático.
0% 100% Temperatura
5. fole proporcional ou fole de
Banda larga realimentação negativa, que recebe o
Banda estreita sinal de saída do relé, que é a própria
saída do controlador. A finalidade do
fole proporcional é a de estabilizar o
Fig. 7. 6. Banda proporcional sistema em uma posição intermediária.
A realimentação negativa é a
3.3. Controlador Proporcional responsável pela estabilidade do
A relação matemática da saída do sistema.
controlador proporcional puro é a seguinte: 6. mola, usada para contrabalançar a
força do fole proporcional.
Normalmente a mola é ajustada para
100%
s = s0 + e prover a polarização do controlador. Ela
BP é ajustada para o controlador produzir
uma saída de 9 psig, quando o erro for
Pelo enfoque do presente trabalho, não igual a zero.
serão vistos os circuitos interiores dos

106
Controlador

7. o fulcro ou ponto em torno do qual as está realimentada ao fole proporcional, o fole


forças se equilibram. O deslocamento irá atuar até conseguir uma nova estabilização
desse ponto em torno da barra de entre a medição o ponto de ajuste. Porém,
forças é que estabelece o valor da desde que a medição se afastou do ponto de
banda proporcional do controlador. ajuste, ele volta a ficar igual a ele, porém,
Quanto mais próximo o ponto estiver diferente do valor anterior ajustado.
dos foles medição-ponto de ajuste, O controlador pneumático proporcional
mais larga é a banda proporcional, possui os três foles de medição, de ponto de
menor é o ganho e menos sensível é o ajuste e de realimentação negativa. Para
controlador. Quanto mais próximo completar o balanço das forças exercidas por
estiver o ponto de apoio do conjunto estes foles é introduzida uma quarta força fixa,
fole proporcional-mola, mais estreita é exercida por uma mola, geralmente ajustada
a banda proporcional, maior é o ganho para fornecer uma força equivalente a pressão
e mais sensível é o controlador. de 9 psi (50% de 3 a 15 psi). Como a força da
No caso extremo do fulcro estar no ponto mola é fixa, só existe um ponto para a medição
de contato dos foles de medição e de ponto de ser igual ao ponto de ajuste, que é exatamente
ajuste, o controlador não responde a nenhuma o ponto correspondente a 9 psi. Em todos os
variação; não há controle. Quando o fulcro outros pontos, o controlador consegue
coincidir com o fole proporcional e a mola, não estabilizar o processo, porém com a medição
há realimentação negativa, o sistema é instável diferente do ponto de ajuste. Este é o modo
e o controlador é liga-desliga, a ser visto físico de mostrar porque o controlador
depois. proporcional não consegue eliminar o desvio
permanente entre medição e ponto de ajuste,
exceto quando ambos são iguais a 9 psi.

3.4. Controlador Proporcional mais


Integral
A relação matemática da saída do
controlador proporcional mais integral é a
seguinte:

100% 1
Ti ∫
s = s0 + e+ edt
BP
Fig. 7. 7. Circuito pneumático com as ações de controle Raramente se utiliza a ação integral
(Foxboro) isolada. Em compensação, o controlador com
as duas ações, proporcional e integral, é
utilizado em cerca de 70% das malhas de
O fole proporcional é um dispositivo que controle de processo.
fornece a realimentação negativa ao O controlador proporcional mais integral
controlador antes que a medição o faça através possui as duas ações independentes e com
do processo. A realimentação interna do objetivos diferentes e complementares
controlador é mais rápida que a realimentação 1. a ação proporcional é estática e serve
externa do processo. O fole proporcional dosa para estabilizar o processo. Porém, a
a correção do controlador, evitando uma ação isolada é insuficiente para manter
correção exagerada para uma determinada a medição igual ao ponto de ajuste e
variação do processo. Se houvesse apenas a deixa um desvio permanente.
realimentação externa, provida pela medição 2. ação integral é dinâmica e serve para
do processo, a correção seria muito demorada eliminar o desvio permanente deixado
e sempre haveria sobrepico (overshoot) de pela ação proporcional. A ação integral
correção. é uma correção adicional e atua depois
Enquanto houver erro entre a medição e o da ação proporcional.
ponto de ajuste, os seus foles tem pressões No controlador pneumático proporcional e
diferentes e o fole de realimentação atua. integral, acrescenta-se um fole junto à mola.
Quando a medição fica igual ao ponto de Em vez de se ter uma força fixa, tem se uma
ajuste, a saída do controlador se estabiliza. força variável, que pode equilibrar as forças
Quando aparece algum erro, a saída do proporcionais às pressões da a medição, do
controlador irá também variar, para corrigir o ponto de ajuste e da realimentação negativa.
erro. Desse modo, como a saída do controlador

107
Controlador

O controlador pneumático P + I possui os até que se tenha novamente outro equilíbrio


seguintes componentes circuito entre a medição e o ponto de ajuste.
1. fole de medição,
2. fole de ponto de ajuste, em oposição ao 3.5. Controlador Proporcional mais
fole de medição, Derivativo
3. fole de realimentação negativa ou fole
proporcional, A relação matemática da saída do
4. fole integral, que se superpõe à mola e controlador proporcional mais derivativa é a
em oposição ao fole de realimentação. seguinte:
Ele também recebe a realimentação da
saída do controlador, atrasada e em 100% de
oposição ao fole proporcional. A s = so + e + Td
realimentação positiva da saída do BP dt
controlador ao fole integral é feita
através de uma restrição pneumática. No controlador pneumático proporcional e
O objetivo desta restrição ajustável é o derivativo, acrescenta se uma restrição no
de atrasar o sinal realimentada circuito de realimentação negativa. Em vez de
determinando a ação integral. Ela pode se ter uma realimentação instantânea, tem-se
ficar totalmente fechada, de modo que uma realimentação com um atraso ajustável.
ela corta a realimentação e elimina a O controlador proporcional mais derivativo
ação integral ou totalmente aberta, possui o seguinte desempenho
quando não produz nenhuma restrição, a ação proporcional estabiliza
nenhum atraso e a ação integral é a estaticamente o processo corrigindo os erros
máxima possível. proporcionalmente as suas amplitudes,
Na prática, o circuito pneumático completo a ação derivativa adiciona uma
da unidade integral possui o fole, o tanque componente corretiva para cuidar
integral e a restrição. Aqui, por simplicidade, principalmente dos erros com variação rápida.
supõe-se que o próprio fole integral possui uma
capacidade suficiente. R R
O controlador proporcional mais integral
possui duas realimentações da sua saída
-
1. a realimentação negativa, aplicada R R
Ve +
diretamente ao fole proporcional,
R
2. a realimentação positiva, aplicada ao RI CI
-
fole integral através de uma restrição
pneumática ajustável. +
Com a restrição numa posição intermediária, as - R
pressões do fole proporcional e do fole integral +
não podem ser simultâneas. A ação R R
proporcional é imediata e a ação integral é RD
atrasada; imediatamente após o aparecimento - Vo
do erro há a realimentação negativa e depois CD
R
de um intervalo ajustável, atrasada, há a - +
realimentação positiva. +
Quando o processo se estabiliza, tem-se o
circuito do controlador equilibrado a força da
medição é igual a do ponto de ajuste e a força
do fole proporcional é igual a do integral.
Quando aparece um distúrbio no processo e a
medição se afasta do ponto de ajuste, o
controlador Fig. 7. 8. Circuito eletrônico esquemático do controlador
P + I faz uma correção proporcional ao erro, PID
imediatamente. Esta atuação deixa um desvio Note se que o controlador P + D deixa o
entre a medição e o ponto de ajuste. Logo desvio permanente entre a medição e o ponto
depois da ação proporcional e enquanto de ajuste. A ação derivativa é incapaz de
persistir alguma diferença entre a medição e o corrigir o desvio permanente, pois ele é
ponto de ajuste, a ação integral irá atuar, até constante com o tempo.
que a medição fique novamente igual ao ponto O circuito do controlador proporcional mais
de ajuste. A ação integral irá atuar no processo derivativo é constituído de
1. o fole de medição,

108
Controlador

2. o fole de ponto de ajuste, em oposição A solução prática para eliminar esses


ao fole de medição, problemas é colocar o circuito derivativo antes
3. o fole proporcional, sendo realimentada das ações proporcional e integral e atuando
negativamente da saída e através da apenas na medição.
4. restrição derivativa.
Na prática, o circuito pneumático completo
da unidade derivativa possui o fole, o tanque
derivativo e a restrição. Aqui, por simplicidade,
supõe-se que o próprio fole integral possui uma
capacidade suficiente.
O objetivo da restrição é o de atrasar a
realimentação negativa. Como a realimentação
negativa atrasa a resposta do controlador,
atrasar o atraso equivale a adiantar a resposta,
para os desvios rápidos do processo lento. Por
esse motivo, a ação derivativa é também
chamada de ação antecipatória
O controlador proporcional mais derivativo
possui o seguinte funcionamento:
1. imediatamente após a variação rápida Fig. 7. 9. Circuito pneumático do controlador PI
do processo não há realimentação
negativa, pois há uma restrição
pneumática. O controlador se comporta
como um controlador liga-desliga ou
com uma banda proporcional muito 3.6. Proporcional + Integral +
estreita,
Derivativo
2. com o passar do tempo, a
realimentação negativa vai se A relação matemática da saída do
processando e pressurizando o fole controlador proporcional mais integral mais
proporcional e tornando o controlador derivativa ou do controlador PID é a seguinte:
estável.
3. quando a variação do processo é muito 100% 1 de
lenta, praticamente a ação derivativa s = s0 + e + ∫ edt + Td
não atua, pois lentamente também está BP Ti dt
havendo a realimentação negativa.
4. Desse modo, quanto mais brusca for a ou, no caso pratico onde a ação derivativa
variação na medição, menor será a só atua na medição m da variável,
ação imediata da realimentação
negativa e mais ação corretiva será 100% 1 dm
transmitida a válvula, pela ação s = s0 + e + ∫ edt + Td
derivativa. BP Ti dt
5. Quando se coloca o circuito derivativo
no elo da realimentação negativa do O controlador proporcional mais integral
fole proporcional há alguns mais derivativo possui as três ações de
inconvenientes controle e é o mais completo possível.
6. há a interação entre os modos Repetindo os objetivos das ações
proporcional e derivativo. Quando o 1. a ação proporcional estabiliza o
controlador possui o modo integral, a processo, provocando uma correção
ação derivativa interfere também no proporcional ao valor do erro,
modo integral. instantaneamente,
7. a ação derivativa segue a ação 2. a integral é uma ação auxiliar que
proporcional elimina o desvio permanente,
8. a ação derivativa modifica a saída do produzindo uma correção proporcional
controlador quando há variação do à duração do erro, depois da ação
ponto de ajuste, provocado pelo proporcional,
operador. Se esta variação for muito 3. a derivativa é uma ação adicional que
rápida, e geralmente o é, a saída do apressa a correção, gerando uma ação
controlador produz um pico, podendo proporcional à velocidade da variação
fazer o processo oscilar. do erro, antes da ação proporcional.

109
Controlador

O modo proporcional é o modo básico e é inevitável, outra vez, o uso da palavra em


sempre utilizado nos controladores analógicos. inglês).
Ele é o principal responsável pela estabilidade Para eliminar a saturação e a conseqüente
do processo. ultrapassagem da medição usa-se a chave
O modo integral deve ser usado para eliminar o batelada, desenvolvida especificamente para
desvio permanente entre a medição e o ponto essa aplicação. Na prática, usa-se controlador
de ajuste. Ele deve ser evitado quando há batelada, que é um controlador convencional
possibilidade de saturação. Ou, o que é mais com uma chave batelada incorporada a seu
inteligente, devem ser tomados cuidados circuito. O controlador batelada, disponível com
especiais para se evitar que a ação integral dois modos proporcional e integral e com três
leve o controlador para a saturação. modos, proporcional, integral e derivativo, é
O modo derivativo de ser usado em linear, contínuo, com ajustes adicionais de
processos com grande inércia e que sofrem batelada e de precária, feitos na chave
variações bruscas, que seriam vagarosamente batelada.
corrigidas, em o modo derivativo. Porém, a A função exercida pela chave é a de
ação derivativa deve ser em processos com pressurizar o fole integral do controlador
muito ruído, que são pequenas e numerosas pneumático. No controlador eletrônico, é a de
variações bruscas. A ação derivativa iria carregar artificialmente a uma determinada
amplificar esses ruídos, tornando o tensão, o capacitor integral do circuito.
desempenho do controle do processo Nessa nova condição, o controlador não
prejudicado. satura em valor elevado e a banda proporcional
O modo proporcional desempenha uma não é deslocada para o limite superior da faixa
realimentação negativa no interior do de medição. Quando a saída do controlador
controlador, tornando-o mais estável. A ação alcançar um valor pré-determinado, ajustado na
integral executa uma realimentação positiva, se chave de batelada, o circuito integral fica
opondo à ação proporcional. A ação derivativa, grampeado em um valor artificial. Isso força a
geralmente separada e anterior às outras duas banda proporcional a mudar de sentido. Como
ações, retarda a realimentação negativa, resultado desse deslocamento, a medição
apressando a correção. entra mais cedo dentro da banda proporcional.
Na partida automática do processo de
3.7. Controlador Tipo Batelada batelada, a medição começa a subir e logo
entra na banda proporcional, fazendo a saída
O processo batelada ou descontinuo é do controlador atuar cedo no processo, bem
ciclicamente ligado, controlado e desligado. É antes da medição alcançar o ponto de ajuste.
sempre desejável que todo o controle seja feito Essa aproximação suave da medição para o
em automático, sem o envolvimento direto e ponto de ajuste evita a ultrapassagem,
manual do operador. melhorando a resposta do processo.
Quando se utiliza um controlador Embora sejam fenômenos interligados e
convencional, contendo modos proporcional e dependentes, há basicamente dois ajustes na
integral, para o controle de processo batelada, chave batelada
os períodos de tempo em que o processo fica ajuste de batelada, que determina o valor
desligado e o controlador continua ligado da saída onde a chave atua, grampeando a
podem causar a saturação do modo integral e, saída. Esse é o ponto de atuação (trip).
portanto, do controlador. Quando o processo ajuste de precarga, que regula o valor da
está desligado, o controlador continua ação batelada, que é o valor do deslocamento
integrando o desvio entre a medição e o ponto da banda proporcional para baixo, após a
de ajuste e certamente fica saturado. Também, atuação da chave. Esse é o valor de precarga
a banda proporcional do controlador se desloca (preload)
para o fim de escala superior. Existem chaves bateladas para valor
Quando o processo é restabelecido, a máximo e para valor mínimo.
medição irá subir e o controlador ainda Tipicamente, para batelada de máximo, o
continua inoperante, pois a medição está ponto ajustado é 15,2 psig e o valor de
totalmente fora da banda proporcional. O precarga é ajustado em 3,0 psig. Mutatis
controlador só irá começar a atuar quando o mutandi, para batelada de mínimo,
desvio mudar de sentido. A medição precisará normalmente se ajusta o ponto de batelada em
ultrapassar o ponto de ajuste para se começar 2,8 psig e o ponto de precarga em 15,0 psig.
o controle do processo. Basta haver uma Obviamente, outros valores podem ser
pequena capacidade no processo, a maioria reajustado e os fabricantes de instrumentos
dos processos a tem, para haver uma fornecem a literatura técnica explicativa para a
ultrapassagem grande da medição em relação adequada Calibração em bancada. Mas,
ao ponto de ajuste. Há um grande overshoot (é

110
Controlador

normalmente, ambos os ajustes são feitos na podem ser usados sem nenhum
fábrica e não se requer verificação ou mudança cuidado extra em controle de malhas
posteriores. simples. Os limitadores da saída
A chave batelada atua na pressão de saída certamente impedirão a saturação do
do controlador, cuja faixa é de 3 a 15 psig. O modo integral, que poderia ser
ajuste batelada, que determina o ponto de provocada pela realimentação interna
atuação, é estabelecido em, p. ex., 15,2 psig. O normal.
ajuste pode ser feito por uma mola ou pode ser 2. para os sistemas de controle que
o valor de um sinal pneumático remoto. exijam apenas a realimentação externa,
Quando a saída do controlador está abaixo de como no caso de controle em cascata e
15 psig, a pressão exercida do lado da mola é auto-seletor, especificam-se
maior e o sinal de saída do controlador passa controladores padrão com a opção
livremente pela chave e vai realimentar o extra de realimentação externa.
circuito integral do controlador. Isso permite Normalmente, essa opção de
que, em operação normal, o controlador atue realimentação externa do controlador
sem interferência da chave de batelada. implica também em pequenas
Quando a saída atingir o valor de batelada modificações no conector, na estante e
ajustado na chave, assumido de 15,2 psig, a nos módulos de encaixe. Não é
força do diagrama da chave é menor no lado necessário especificar um controlador
da mola. A chave batelada atua, cortando o batelada que certamente custa mais
sinal de saída que era realimentada ao caro e fica superdimensionado.
controlador. A pressão do circuito integral do 3. para controle de processo tipo
controlador é, então, aliviada para a atmosfera batelada, deve-se especificar o
(quando não há ajuste de precarga) e cai, até controlador especial, também tipo
atingir 0 psig. Quando utilizado o conceito de batelada. Além de evitar a saturação do
precarga, a pressão do circuito integral cai até modo integral, ele torna possível a
esse valor, previamente ajustado na chave partida automática do processo, sem
batelada. Essa situação permanece, enquanto ultrapassagem da medição em relação
o sinal de saída do controlador continuar maior ao ponto de ajuste. Nessa
que o valor batelada ajustado. Como o sinal do especificação é importante definir qual
modo integral diminui, a banda proporcional é a lógica do sistema, se batelada
deslocada para baixo do ponto de ajuste do máxima ou batelada mínima. E,
controlador. O ajuste de precarga evita que a também, consultando a literatura dos
banda proporcional caia muito aquém do ponto fabricantes disponível, determinar o
de ajuste, tornando muito longo o período que valor dos ajustes de batelada e de
o controlador permanece inativo na malha. precarga requeridos.
Com o ajuste de precarga, durante a partida do
processo, a medição entra logo na banda 3.8. Controlador Analógico
proporcional e o controlador começa a atuar
mais cedo. Como conseqüência, a medição Historicamente, até a década de 1970 foi
não ultrapassa o ponto de ajuste e a resposta usado principalmente o controlador analógico
dinâmica do processo é ideal. pneumático, até a década de 1980, o
Na versão eletrônica, a filosofia de controlador analógico eletrônico e a partir da
operação é a mesma, porém os equipamentos década de 1980, o controlador digital
são diferentes. Não há chave batelada eletrônico.
eletrônica. O controlador eletrônico batelada O controlador analógico usa sinais
acrescenta à configuração convencional um contínuos para computar a saída do
circuito de realimentação contendo controlador. Testes feitos em controlador
amplificadores operacionais e o circuito de analógico industrial eletrônico revelaram os
polarização. Os ajustes de batelada e de seguintes resultados
precarga são feitos em potenciômetros e o 1. a banda proporcional medida era de 0 a
acesso se dá pela parte frontal do controlador. 25% maior que a marcação do dial,
Os limites de batelada e de precarga são 2. o tempo integral medido era cerca de
atuantes mesmo em operação manual. 100% maior que a marcação do dial,
Referente a saturação do modo integral do 3. o tempo derivativo marcado era cerca
controlador devem ser tomadas as seguintes de 40% a 70% menor que a marcação
precauções do dial,
1. controladores de processo, 4. o tempo integral medido não se
especialmente os eletrônicos, que alterava com a variação do ajuste do
possuem limitadores do sinal de saída, tempo derivativo. Teoricamente, para o
controlador série, o tempo integral

111
Controlador

deveria aumentar com o aumento do O tempo requerido para conseguir um novo


tempo derivativo. nível da variável manipulada é curto
5. o tempo derivativo e a banda comparado com o tempo entre as
proporcional medidos obedeceram amostragens. Pode-se assumir que a entrada
aproximadamente as equações para o processo é uma seqüência de valores
teóricas, exceto que a variação medida constantes que variam instantaneamente no
foi menor que a calculada para os inicio de cada período de amostragem.
ajustes grandes do dial.
6. a saída do controlador medida mostrou
um pico sempre que um ajuste
derivativo de qualquer valor era feito. O
algoritmo teórico do controlador série
fornece somente um pico se o tempo
derivativo fosse ajustado em valores
maiores que 1/4 Ti.

Fig. 7. 11. Painel de programação do single loop

Deve-se ter um algoritmo de controle para


o cálculo dos valores das variáveis
manipuladas. O prosaico algoritmo PID é ainda
utilizado.
Fig. 7. 10. Ajustes do controlador analógico Esta operação discreta é repetitiva e o
período é chamado de sample e hold.
3.9. Controlador Digital A grande desvantagem do controlador digital é
a introdução de vários tipos de tempo morto
Hoje se vive em um mundo analógico devido ao tempo de amostragem, a
cercado por um universo de tecnologia digital. computação matemática, a filtragem analógica
O computador digital é usado de modo das harmônicas da freqüência de amostragem
intensivo e extensivo na instrumentação, no e a caracterização do modo derivativo. Por
controle digital distribuído, no controle lógico causa deste tempo morto adicional, o
programado de processos repetitivos, no controlador digital não pode ser usado
controle a realimentação negativa de uma indiscriminadamente em malha de controle de
única malha (single loop), em computação processo critico e rápido, como para o controle
analógica de medição de vazão, na de surge de compressor ou controle de pressão
transmissão . de forno em faixa estreita.
Embora o processo seja contínuo no O controlador digital aumentou a
tempo, o controlador digital existe em um capacidade de computação para o controle e
mundo discreto porque ele tem conhecimento para a caracterização das ações de controle,
das saídas do processo somente em pontos sendo adequado para estratégias de controle
discretos no tempo, quando são obtidos os avançadas, como o controle preditivo
valores de amostragem. antecipatório (feedforward).
Em geral, o controlador digital: Tipicamente, o controlador digital é superior
1. obtém um valor amostrado da saída do ao analógico na precisão e resolução dos
processo, ajustes dos modos de controle; na precisão da
2. calcula o erro entre a medida e o ponto computação adicional, linearização e
de referência armazenado no caracterização de sinal; na flexibilidade em
computador, função da programação e da comunicação.
3. computa o valor apropriado para a O controlador digital usa sinais discretos
entrada manipulada do processo, para computar a saída do controlador.
4. gera um sinal de saída para o elemento Geralmente, o controlador digital é baseado em
final de controle, microprocessador. O controlador digital emula
5. continua a mesma operação com a o algoritmo analógico PID.
próxima variável controlada.

112
Controlador

4. Controlador 2. Ganho ajustável com polarização


3. Multiplicador - divisor
microprocessado 4. Compensador lead/lag (avanço/atraso)
5. Filtro dual
6. Limitador de rampa
4.1. Conceito 7. Limitador de sinal
O controlador single loop é o instrumento 8. Rastreamento (tracking) analógico
microprocessado com todas as vantagens 9. Extrator de raiz quadrada
relacionadas acima inerentes à sua natureza 10. Seletor de sinal (alto/baixo)
que pode ser usado para controlar uma única 11. Seletor de sinal (médio
malha (daí o nome, single loop). É também 12. Conversor de sinal (termopares, RTD)
chamado de single station. O controlador single 13. Potenciômetro (não isolado e isolado)
loop resolve o algoritmo de controle para
Seqüencial e programação de tempo
produzir uma única saída controlada. O seu
baixo custo permite que ele seja dedicado a A maioria dos controladores single loop
uma única malha. Por questão de marketing e possui capacidade de programação temporal e
por causa de sua grande capacidade, um único sequenciamento de operações. A programação
invólucro pode ter dois e até quatro envolve quaisquer duas variáveis, porém o
controladores, porém, com o aumento de mais comum é se ter o tempo e a temperatura.
dificuldade da operação. Em siderurgias, é comum a aplicação de
O microprocessador pode ter qualquer programas de temperatura, onde se tem uma
função configurável e por isso, um mesmo rampa de aquecimento, a manutenção da
instrumento pode funcionar como controlador, temperatura em um patamar durante um
controlador cascata, controlador auto-seletor ou determinado tempo e o abaixamento em vários
como computador de vazão com compensação degraus.
de pressão e temperatura. A configuração pode
Outras propriedades
ser feita através de teclados acoplados ao
instrumento ou através de programadores Os controladores single loop possuem
separados (stand alone). ainda capacidade de auto/manual, ponto de
Como a tecnologia do single loop é ajuste múltiplo, autodiagnose e memória. São
moderna, o instrumento incorpora todos os construídos de conformidade com normas para
avanços da tecnologia eletrônica, ser facilmente incorporado e acionado por
microprocessadores, displays novos e sistemas SDCD.
programas criativos. As aplicações típicas do single loop são em
plantas pequenas e médias que não podem ou
não querem operar, em futuro próximo, em
4.2. Características
ambiente com controle digital distribuído.
Mesmo em sistemas de SDCD, há malhas
Tamanho críticas que, por motivo de segurança, são
Tem tamanho pequeno ou muito pequeno controladas por controladores single loop.
(menor que as dimensões DIN). Não
necessariamente a mais importante, mas um 4.3. Controladores comerciais
das características mais notável da presente
geração de controladores single loop é seu
Controlador Foxboro
pequeno tamanho físico. A maioria dos
controladores segue as dimensões européias O controlador single station Foxboro inclui:
DIN (Deutche Industrie Norm) para aberturas 1. display analógico fluorescente para
de painel. mostrar através de barra de gráfico o
valor da variável, do ponto de ajuste e da
Funções de controle saída do controlador
Muitos controladores chamados de single 2. display digital para indicar através de
loop são dual loops. Através de dígitos os valores e unidades de
microprocessadores no circuito, muitos engenharia
controladores oferecem os formatos de liga- 3. display alfanumérico para indicar tag da
desliga e PID. Outros controladores incorporam malha selecionada
funções matemáticas, ou no próprio circuito ou 4. painel da estação de trabalho, para
através de módulos funcionais opcionais indicar status de operação (computador
incorporados na caixa. Estas funções ou local), status do ponto de ajuste
matemáticas incluem: (remoto, local ou relação), status da
1. Somador - subtrator

113
Controlador

saída (automático ou manual) e status de multiprodutos, onde as características do


alarme (ligado ou desligado) processo podem variar de produto para
5. teclado com 8 teclas para configuração e produto.
operação para selecionar, configurar e Suas características incluem:
sintonizar o controlador 1. controle feedforward, com
computações de ganho e polarização,
2. processamento de sinais
3. entradas analógicas (4 pontos de 1 a 5
V cc)
4. saídas analógicas (3 pontos de 1 a 5 V
cc, 1 ponto de 4 a 20 mA cc)
5. estação de computação programável
com display de dados, processamento
de sinal e sequenciamento
6. 10 pontos de status de entrada/saída
definidos pelo usuário
7. quatro chaves funcionais no painel
frontal para iniciar as seqüências de
controle
Fig. 7. 12. Controladores single loop (Foxboro) 8. quatro lâmpadas associadas para
indicar o progresso da seqüência ou
servir como cursor
Suas especificações funcionais são:
1. sinais de entrada proporcionais, qualquer
combinação não excedendo 4 analógicas
(4 a 20 mA, 1 a 5 V, voltagem de
termopar ou resistência de RTD) e 2
entradas de freqüência. Todos os sinais
de entrada são convertidos e podem ser
caracterizados em uma variedade de
cálculos.
2. cada controlador possui duas funções de
controle independentes que podem ser
configuradas como um único
Fig. 7. 13. Controladores single loop (Yokogawa)
controladores, dois controladores em
cascata ou em seleção automática. Os
algoritmos padrão para cada controlador
são P, I, PD, PI, PID e controle EXACT®
3. duas saídas analógicas não isolados e 5. Estação Manual de Controle
duas saídas discretas
4. outras funções de controle como A estação manual, chamada de HIC (hand
caracterização, linearizadores, portas indicator controller), de estação auxiliar ou de
lógicas, condicionadores de sinal estação de carga manual (load station) é o
5. alarmes instrumento que possibilita ao operador atuar
6. computações matemáticas diretamente no processo através da geração
7. alimentação do transmissor de campo manual de sinais padrão eletrônicos ou
8. memória para armazenar todos os pneumáticos.
parâmetros de configuração e As aplicações típicas da estação manual
operação incluem
9. filtros de entrada (Butterworth) 1. a atuação direta e manual no processo,
10. distribuição de sinais (até 30 sinais em substituição ao controle automático
para roteamento interno) ou como única alternativa.
2. a geração do ponto de ajuste remoto do
Controlador Yokogawa controlador
O controlador single loop da Yokogawa 3. o aumento da capacidade, como
incorporam funções computacionais e de adicionar polarização, fazer proporção,
controle que podem ser combinadas do mesmo atuar em vários elementos finais.
modo que uma calculadora de bolso. A função A estação auxiliar tem aparência externa
de auto-sintonia para otimizar o controle é útil idêntica à do controlador, com escala vertical;
principalmente em aplicações de batelada de botões de atuação; chaves de transferência
A/M, polarização e relação .

114
Controlador

As estações são disponíveis em vários manual com o chaveamento


modelos de complexidade crescente automático/manual.
1. a estação manual de carga
2. a estação com chaveamento A/M
3. a estação com chave A/M e com 100%
de polarização ajustável
4. a estação de relação

Fig. 7.15. Estação manual (stand alone)

Fig. 7.14. Estação manual acoplada ao controlador


A estação auxiliar de chaveamento A/M é
usada com outro controlador automático e
permite as seguintes opções
1. Regulação manual da posição da
5.1. Estação Manual válvula de controle, quando a chave de
A estação de atuação manual (Manual transferência estiver em Manual.
Loading) gera o sinal padrão, pneumático ou 2. Passagem direta do sinal de um
eletrônico, através da atuação manual do controlador automático para a válvula
operador. A estação possui um medidor do de controle, quando a chave de
sinal de saída gerado manualmente. transferência estiver em Automático.
Duas aplicações típicas da estação manual: Tipicamente há uma indicação da diferença
1. regular manualmente a posição da entre os sinais automático e manual de modo a
válvula de controle no campo. Esta informar e auxiliar o operador nos
ação manual pode substituir a atuação procedimentos de transferência.
automática do controlador ou a atuação Quando a malha de controle complexa
manual feita localmente através do requer um único controlador atuando em duas
volante da válvula. ou mais válvulas de controle, em paralelo, a
2. estabelecer o ponto de ajuste de saída do controlador automático passa através
controlador individual ou mesmo ajustar das várias estações manuais para atuar nas
simultaneamente os pontos de ajuste várias válvulas de controle. Esta montagem
de vários controladores no mesmo permite ao operador atuar manualmente uma
nível. Nesta aplicação a saída da ou mais válvulas de controle, enquanto as
estação de ajuste manual alimenta outras válvulas estão sendo controladas
diretamente o circuito do ponto de automaticamente. Isto é justificado quando
ajuste dos controladores. 1. em postas em marcha, quando ainda
as capacidades das válvulas estão
5.2. Estação de Chaveamento A/M excessivas. Há excesso de ganho,
portanto instabilidade, quando ambas
Normalmente o controlador possui uma as válvulas estão operando muito
estação manual auxiliar, que pode ser atuada próximos da posição de fechamento.
manualmente pelo operador, desde que a 2. as válvulas estão superdimensionadas,
chave seletora esteja na posição Manual. Esta para atender a capacidade de futuras
estação manual, acoplada a unidade de ampliações. Também neste caso
controle automático, é de tamanho pequeno, existem malhas com ganhos muito
com a resolução de leitura pior que as elevados, portanto instáveis. Uma outra
indicações da estação automática e com a solução para este problema seria
arquitetura pouco flexível e limitada. Por isso, utilizar, se disponíveis, válvulas com
se desenvolveu comercialmente a estação capacidades reduzidas. Nas

115
Controlador

ampliações, trocariam os internos das 2. balancear dois operadores finais para


válvulas para capacidades totais. prevenir que apenas um assuma toda a
3. há necessidade da manutenção de carga do processo.
uma das válvulas, enquanto as outras 3. balancear a saída de todos os
válvulas permanecem no processo. operadores finais de modo que as
4. se fixa o ponto de operação de uma entradas do processo fiquem
válvula manualmente enquanto as uniformes.
outras válvulas são controladas
automaticamente.

Fig. 7. 17. Estação manual com polarização


Fig. 7. 16. Estação manual A/M
5.4. Serviços Associados
Na especificação da estação manual de
5.3. Estação A/M e Polarização controle separada do controlador automático,
deve ser conhecidos e informados ao
A estação com chaveamento A/M e
fabricante os seguintes parâmetros
polarização ajustável possui as seguintes
1. a função a desempenhar geração do
características:
sinal, indicação, polarização, relação ,
1. na posição automática, ela não atua no
2. os sinais de entrada e de saída,
processo e o sinal automático
3. a faixa da escala de indicação,
proveniente do controlador automático,
4. a montagem, com a verificação previa
passa através dela sem alteração e é
da estante e dos cabos de engate
apenas indicado.
rápido,
2. na posição manual, o sinal de saída da
5. as opções extras.
estação é dado pela relação
6. A operação da estação manual envolve
3. saída manual = sinal automático +
7. a leitura do sinal gerado e
polarização ajustável manual
opcionalmente dos sinais externos,
O operador de processo pode adicionar ou
8. a atuação manual para gerar o sinal
subtrair, de 0 a 100% do sinal de entrada, do
interno
sinal automático de entrada antes de
9. a atuação manual para gerar a
retransmiti-lo a válvula de controle.
polarização desejada, se aplicável,
Aplicação típica para o uso desta estação
10. a atuação manual da chave seletora
A/M com polarização é o sistema com dois ou
A/M.
mais elementos finais de controle regulados por
um único controlador. Com esta estação, o
operador de processo pode polarizar uma
válvula com relação as outras. A polarização
pode ser desejável e necessária por uma ou
mais das seguintes razões
1. separar os níveis de operação de dois
operadores finais idênticos, para
impedir a interferência e interação entre
ambos.

116
Válvula de Controle

1. Introdução 2. Elemento Final de Controle


Aproximadamente 5% dos custos totais de A malha de controle a realimentação
uma indústria de processo químico se referem negativa possui um elemento sensor, um
a compra de válvulas. Em termos de número controlador e um elemento final de controle. O
de unidades, as válvulas perdem apenas para sensor ou o transmissor envia o sinal de
as conexões de tubulação. medição para o controlador, que o recebe e o
As válvulas são usadas em tubulações, compara com um ponto de ajuste e gera um
entradas e saídas de vasos e de tanques em sinal de saída para atuar no elemento final de
várias aplicações diferentes; as principais são controle. O elemento final de controle manipula
as seguintes uma variável, que influi na variável controlada,
1. serviço de liga-desliga levando-a para valor igual ou próximo do ponto
2. serviço de controle proporcional de ajuste.
3. prevenção de vazão reversa O controle pode ser automático ou manual.
4. controle e alívio de pressão O controle manual pode ser remoto ou local. A
5. especiais válvula de controle abre e fecha a passagem
6. controle de vazão direcional interna do fluido, de conformidade com um
7. serviço de amostragem sinal de controle. Quando o sinal de controle é
8. limitação de vazão proveniente de um controlador, tem-se o
9. selagem de vaso ou de tanque controle automático da válvula. Quando o sinal
De todas estas aplicações, a mais comum de controle é gerado manualmente pelo
e importante se relaciona com o controle operador de processo, através de uma estação
automático de processos. manual de controle, tem-se o controle manual
remoto. Na atual manual local, o operador atua
diretamente no volante da válvula.
Há vários modos de manipular as vazões
de materiais e de energia que entram e saem
do processo; por exemplo, por bombas com
velocidade variável, bombas dosadoras,
esteiras, motor de passo porém, o modo mais
simples é por meio da válvula de controle.
O controle pode ser feito de modo contínuo ou
liga-desliga. Na filosofia continua ou analógica,
a válvula pode assumir, de modo estável, as
infinitas posições entre totalmente fechada e
totalmente aberta. Na filosofia digital ou liga-
desliga, a válvula só fica em duas posições
discretas ou totalmente fechada ou totalmente
aberta. O resultado do controle é menos
satisfatório que o obtido com o controle
Fig. 8.1. Esquema típico de válvula de controle proporcional, porém, tal controle pode ser
realizado através de chaves manuais, chaves
comandadas por pressão (pressostato),
temperatura (termostato), nível, vazão ou
controladores mais simples. Neste caso, a
válvula mais usada é a solenóide, atuada por
uma bobina elétrica.

7.117
Fig. 8. 3. Válvula de controle (Fisher)
Fig. 8. 2. Válvula de controle
Depois de instalada na tubulação e para
poder desempenhar todas as funções
O sinal de controle que chega ao atuador requeridas a válvula de controle deve ter corpo,
da válvula pode ser pneumático ou eletrônico. atuador e castelo. Adicionalmente, ela pode ter
A válvula de controle com atuador pneumático acessórios opcionais que facilitam e otimizam o
é o elemento final de controle da maioria seu desempenho, como posicionador, booster,
absoluta das malhas. Mesmo com o uso cada chaves, volantes, transdutores corrente elétrica
vez mais intensivo e extensivo da para ar pneumático e relé de inversão.
instrumentação eletrônica, analógica ou digital,
a válvula com atuador pneumático ainda é o 4. Corpo
elemento final mais aplicado. Ainda não se
projetou e construiu algo mais simples,
confiável, econômico e eficiente que a válvula 4.1. Conceito
com atuador pneumático. Ela é mais usada que
as bombas dosadoras, as alavancas, as O corpo da válvula de controle é
hélices, os basculantes, os motores de passo e essencialmente um vaso de pressão, com uma
os atuadores eletromecânicos. ou duas sedes, onde se assenta o plug
(obturador), que está na extremidade da haste,
3. Válvula de Controle que é acionada pelo atuador pneumático. A
posição relativa entre o obturador e a sede,
As funções da válvula de controle são: modulada pelo sinal que vem do controlador,
1. Conter o fluido do processo, suportando determina o valor da vazão do fluido que passa
todos os rigores das condições de pelo corpo da válvula, variando a queda de
operação. Como o fluido do processo passa pressão através da válvula.
dentro da válvula, ela deve ter No corpo estão incluídos a sede, obturador,
características mecânicas e químicas para haste, guia da haste, engaxetamento e
resistir à pressão, temperatura, corrosão, selagem de vedação. O conjunto haste-plug-
erosão, sujeira e contaminantes do fluido. sede é chamado de trim.
2. Responder ao sinal de atuação do
controlador. O sinal padrão é aplicado ao
atuador da válvula, que o converte em uma
força, que movimenta a haste, em cuja
extremidade inferior está o obturador, que
varia a área de passagem do fluido pela
válvula.
3. Variar a área de passagem do fluido
manipulado. A válvula de controle manipula
a vazão do meio de controle, pela alteração
de sua abertura.
4. Absorver a queda variável da pressão da
linha. Em todo o processo, a válvula é o
único equipamento que pode fornecer ou
absorver queda de pressão controlável. Fig. 8. 4. Corpo da válvula contendo o fluido

118
4.2. Sede cadmiado, aço inoxidável AISI 316, ANSI 304,
bronze, ligas especiais para alta temperatura,
A válvula de duas vias pode ter sede alta pressão e resistentes à corrosão química.
simples ou dupla. A sede da válvula é onde se As partes internas, justamente aquelas que
assenta o obturador. A posição relativa entre o estão em contato com o fluido, são o interior do
obturador e a sede é que estabelece a abertura corpo, sede, obturador, anéis de
da válvula. Na válvula de sede simples há engaxetamento e de vedação e também devem
apenas um caminho para o fluido passar no ser de material adequado.
interior da válvula. A válvula de sede simples é
excelente para a vedação, porém requer maior Conexões Terminais
força de fechamento/abertura. A válvula de A válvula é instalada na tubulação através
sede dupla, no interior da qual há dois de suas conexões. O tipo de conexões
caminhos para o fluxo, geralmente apresenta terminais a ser especificado para uma válvula é
grande vazamento, quando totalmente fechada. normalmente determinado pela natureza do
Porém, sua vantagem é na exigência de menor sistema da tubulação em que a válvula vai ser
força para o fechamento e abertura. inserida. As conexões mais comuns são
flangeadas, rosqueadas, soldadas. Há ainda
4.3. Plug conexões especiais e proprietárias de
determinados fabricantes. Os fatores
O plug ou obturador da válvula pode ter
determinantes das conexões terminais são
diferentes formatos e tamanhos, para fornecer
tamanho da válvula, tipo do fluido, valores da
vazamentos diferentes em função da abertura.
pressão e temperatura e segurança do
Cada figura geométrica do obturador
processo.
corresponde a uma quantidade de vazão em
As conexões rosqueadas são usadas para
função da posição da haste. Os formatos
válvulas pequenas, com diâmetro menor que
típicos fornecem características linear,
2". A linha possui a rosca macho e o corpo da
parabólica, exponencial, abertura rápida.
válvula a rosca fêmea. É econômico e simples.
O corpo da válvula pode ser soldado
diretamente à linha. Este método é pouco
flexível, porém é utilizado para montagem
permanente, quando se tem altíssimas
pressões e é perigoso o vazamento do fluido.
Conectar o corpo da válvula à tubulação
através do conjunto de flanges, parafusos e
porcas é o método mais utilizado para válvulas
maiores que 2". As flanges podem ser lisas ou
de faces elevadas e sua classe de pressão
ANSI deve ser compatível com a pressão do
processo.
Geralmente a válvula de controle possui
uma entrada e uma saída; é chamada de duas
vias. Porém, há aplicações de mistura ou
divisão, que requerem válvulas com três vias
duas entradas e uma saída (mistura) ou uma
entrada e duas saídas (divisão).

5. Castelo
Fig. 8. 5. Válvula com conexão rosqueada
O castelo (bonnet) liga o corpo da válvula
ao atuador. A haste da válvula se movimenta
através do engaxetamento do castelo. Há três
tipos básicos de castelo: aparafusado, união e
flangeado.
Materiais O engaxetamento no castelo para alojar e
Como a válvula está em contato direto com guiar a haste com o plug, deve ser de tal modo
o fluido do processo o seu material interior que não haja vazamento do interior da válvula
deve ser escolhido para ser compatível com as para fora e nem muito atrito que dificulte o
características de corrosão e abrasão do fluido. funcionamento ou provoque histerese. Para
A parte externa do corpo da válvula é metálica, facilitar a lubrificação do movimento da haste e
geralmente ferro fundido, aço carbono prover vedação, usam-se caixas de

119
engaxetamento. Algumas caixas requerem A atuação manual pode ser local ou
lubrificação periódica. Os materiais típicos de remota. A atuação local pode ser feita
engaxetamento incluem Teflon®, asbesto, diretamente por volante, engrenagem, corrente
grafite e a combinação deles (asbesto mecânica ou alavanca. A atuação manual
impregnado de Teflon e asbesto grafitado). remota pode ser feita pela geração de um sinal
Quando a aplicação envolve temperaturas elétrico ou pneumático, que acione o atuador
extremas, muito baixas (criogênicas) ou muito da válvula. Para ser atuada automaticamente a
elevadas, o castelo deve ter engaxetamento válvula pode estar acoplada a mola, motor
com materiais especiais (semimetálicos) e elétrico, solenóide, servo mecanismo, atuador
possuir aletas horizontais, que aumentem a pneumático ou hidráulico.
área de troca de calor, facilitando a Freqüentemente, é necessário ou desejável
transferência de energia entre o processo e a operar automaticamente a válvula, de modo
atmosfera externa e protegendo o atuador da contínuo ou através de liga-desliga. Isto pode
válvula contra temperaturas extremas. ser conseguido pela adição à válvula padrão
Em aplicações onde se quer vedação total um dos seguintes acessórios
ao longo da haste, pois o fluido do processo é 1. atuador pneumático ou hidráulico para
tóxico, explosivo, pirofosfórico, muito caro, operação continua ou de liga-desliga,
usam-se foles como selos. O fluido do 2. solenóide elétrica para operação de liga-
processo pode ser selado interna ou desliga,
externamente ao fole. 3. motor elétrico para operação continua ou de
liga-desliga.
6. Atuador Geralmente, um determinado tipo de válvula é
limitado a um ou poucos tipos de atuadores;
por exemplo, as válvulas de alívio e de
segurança são atuadas por mola; as válvulas
6.1. Operação Manual ou Automática
de retenção são atuadas por mola ou por
Os modos de operação da válvula gravidade e as válvulas globo de tamanho
dependem do seu tipo, localização no grande e com alta pressão de processo são
processo, função no sistema, tamanho, atuadas por motores elétricos ou correntes
freqüência de operação e grau de controle mecânicas. As válvulas de controle contínuo
desejado. Os modos possíveis são manual ou são geralmente atuadas pneumaticamente e
automático. através de solenóides, quando se tem o
controle liga-desliga. Geralmente estes
mecanismos de operação da válvula são
considerados acessórios da válvula.

6.2. Atuador Pneumático


Este tipo de operador, disponível com um
diafragma ou pistão, é o mais usado.
Independente do tipo, o princípio de operação é
o mesmo. O atuador pneumático, com
diafragma e mola é o responsável pela
conversão do sinal pneumático padrão do
controlador em força-movimento-abertura da
válvula. O atuador pneumático a diafragma
recebe diretamente o sinal do controlador
pneumático e o converte numa força que irá
movimentar a haste da válvula, onde está
acoplado o obturador que irá abrir
continuamente a válvula de controle.
Fig. 8. 6. Atuador pneumático da válvula A função do diafragma é a de converter o
sinal de pressão em uma força e a função da
mola é a de retornar o sistema à posição
original. Na ausência do sinal de controle, a
mola leva a válvula para uma posição extrema,
ou totalmente aberta ou totalmente fechada.
Operacionalmente, a força da mola se opõe à
força do diafragma; a força do diafragma deve
vencer a força da mola e as forças do
processo.

120
Erradamente, se pensa que o atuador da
válvula requer a alimentação de ar pneumático
para sua operação; o atuador funciona apenas
com o sinal padrão, de 20 a 100 kPa (3 a 15 A operação de uma válvula com atuador
psi). pneumático com lógica de ar para abrir é a
O atuador pneumático consiste seguinte quando não há nenhuma pressão
simplesmente de um diafragma flexível chegando ao atuador, a válvula está
colocado entre dois espaços. Uma das "desligada" e na posição fechada. Quando a
câmaras deve ser vedada à pressão e na outra pressão de controle, típica de 20 a 100 kPa (3
câmara ha uma mola, que exerce uma força 15 psig) começa a crescer, a válvula tende a
contraria. O sinal de ar da saída do controlador abrir cada vez mais, assumindo as infinitas
vai para a câmara vedada à pressão e sua posições intermediárias entre totalmente
variação produz uma força variável que é fechada e totalmente aberta. Quando não
usada para superar a força exercida pela mola houver sinal de controle, a válvula vai
de faixa do atuador e as forças internas dentro imediatamente para a posição fechada,
do corpo da válvula e as exercidas pelo próprio independente da posição em que estiver no
processo. momento da falha. A posição de totalmente
O atuador pneumático deve satisfazer fechada é também conhecida como a de
basicamente as seguintes exigências segura em caso de falha. Quem leva a válvula
1. operar com o sinal de 20 a 100 kPa (3 a 15 para esta posição segura é justamente a mola.
psig), Assim, o sinal pneumático de controle deve
2. operar sem posicionador, vencer a força da mola, a força apresentada
3. ter uma ação falha-segura quando houver pelo fluido do processo, os atritos existentes
falha no sinal de atuação, entre a haste e o engaxetamento.
4. ter um mínimo de histerese, O atuador ar-para-abrir necessita de
5. ter potência suficiente para agir contra as pressão para abrir a válvula. Para pressões
forças desbalanceadas, menores que 20 kPa (3 psig) a válvula deve
6. ser reversível. estar totalmente fechada. Com o aumento
gradativo da pressão, a partir de 20 kPa (3
6.3. Ações do Atuador psig), a válvula abre continuamente. A maioria
das válvulas é calibrada para estar totalmente
Basicamente, há duas lógicas de operação aberta quando a pressão atingir exatamente
do atuador pneumático com o conjunto 100 kPa (15 psig). Calibrar uma válvula é fazer
diafragma e mola a abertura da válvula seguir uma reta,
1. ar para abrir - mola para fechar, passando pelos pontos 20 kPa x 0% (3 psi x
2. ar para fechar - mola para abrir, 0%) e 100 kPa x 100% (15 psi x 100%) de
Existe um terceiro tipo, menos usado, cuja abertura. A falha do sistema, ou seja, a
lógica de operação é ar para abrir - ar para ausência de pressão, deve levar a válvula para
fechar. o fechamento total.
Outra nomenclatura para a ação da válvula Uma válvula com atuação ar-para-fechar
é falha-aberta (fail-open), que equivale a ar- opera de modo contrario. Na ausência de ar e
para-fechar e falha-fechada, igual a ar-para- com pressões menores que 20 kPa (3 psig), a
abrir. válvula deve estar totalmente aberta. Com o
aparecimento de pressões acima de 20 kPa (3
psig) e seu aumento, a válvula diminuirá sua
abertura. Com a máxima pressão do
controlador, de 100 kPa (15 psig), a válvula
deve estar totalmente fechada. Na falha do
sistema, quando a pressão cair o 0 kPa, a
válvula deve estar na posição totalmente
aberta.
Certas aplicações exigem um válvula de
controle com um diafragma especial, de modo
que a falta do sinal de atuação faca a válvula
se manter na ultima posição de abertura; tem-
se a falha-última-posição.

(a) Ar para abrir (b) Ar para fechar


Fig. 8. 7. Atuador pneumático da válvula

121
6.4. Escolha da Ação mola do atuador e da sede da válvula. A força
gerada para operar a válvula é função da área
A primeira questão que o projetista deve do diafragma, da pressão pneumática e da
responder, quando escolhendo uma válvula de pressão do processo. Quanto maior a pressão
controle é "o que a válvula deve fazer, quando do sinal pneumático, menor pode ser a área do
faltar o suprimento da alimentação?" A questão diafragma. Como normalmente o sinal de
esta relacionada com a "posição de falha" da atuação é padrão, de 20 a 100 kPa (3 a 15
válvula. psig), geralmente o tamanho do diafragma
A segurança do processo determina o tipo depende da pressão do processo; quando
de ação da válvula falha-fechada (FC - fail maior a pressão do fluido do processo, maior
close), falha-aberta (FC - fail open), falha- deve ser a área do diafragma. O atuador
indeterminada (FI - fail indetermined), falha- pneumático da válvula funciona apenas com o
última-posição (FL - fail last position). A sinal do controlador, padrão de 20 a 100 kPa (3
segurança também implica no conhecimento a 15 psig). Ele não necessita do suprimento de
antecipado das conseqüências das falha de ar de 120 a 140 kPa (20 a 22 psig).
alimentação na mola, diafragma, pistão, O tamanho físico do atuador depende da
controlador e transmissor. Quando ocorrer pressão estática do processo e da pressão do
falha no atuador da válvula, a posição da sinal pneumático. A faixa de pressão mais
válvula não é mais função do projeto do comum é o sinal de 20 a 100 kPa (3 a 15 psig);
atuador, mas das forças do fluido do processo outras também usadas são 40 a 200 kPa (6 a
atuando no interior da válvula e da construção 30 psig) e 20 a 180 kPa (3 a 27 psig). Os
da válvula. As escolhas são vazão-para-abrir fabricantes apresentam equações para
(FTO - flow to open), vazão-para-fechar (FTC - dimensionar e escolher o atuador pneumático.
flow to close), ficar na ultima posição (FB -
friction bound). A ação vazão-para-fechar é
fornecida pela válvula globo; a ação vazão-
6.7. Atuador e outro Elemento Final
para-abrir é dada das válvulas borboleta, globo O atuador de válvula pode,
e esfera convencional. As válvulas com plug excepcionalmente, ser acoplado a outro
rotatório, esfera flutuante são típicas para ficar equipamento que não seja a válvula de
na ultima posição. controle. Assim, é comum o uso do atuador
pneumático associado a cilindro, basculante e
6.5. Mudança da Ação bóia. Mesmo nas combinações que não
envolvem a válvula, o atuador é ainda acionado
Porém há vários modos de se inverter a pelo sinal pneumático padrão do controlador. E
ação de controle do sistema constituído de a função do atuador continua a de converter o
controlador, atuador e válvula de controle sinal de 20 a 100 kPa (3 a 15 psig) em uma
1. troca da posição do atuador, alternando a força, que pode provocar um movimento.
posição relativa diafragma e mola. Mesmo em sistema com instrumentação
2. alguns atuadores possuem uma eletrônica, com controladores eletrônicos que
alimentação alternativa o sinal pode ser geral 4 a 20 mA cc, o comum é se usar o
aplicado em dois pontos possíveis, cada um atuador pneumático com diafragma e mola.
correspondendo a uma ação de controle. Para compatibilizar seu uso, insere-se na
3. alteração do obturador + sede da válvula. malha de controle o transdutor corrente-para-
4. alteração do modo de controle, no próprio pneumático. O conjunto transdutor I/P +
controlador. A maioria dos controladores atuador pneumático é ainda mais simples,
possui uma chave seletora para a ação de eficiente, rápido e econômico que o atuador
controle direta (aumenta medição, aumenta eletromecânico disponível comercialmente.
sinal de saída) e inversa (aumenta medição, O atuador pneumático é o mais comumente
diminui sinal de saída). usado, por causa de sua simplicidade,
Na aplicação prática, deve se consultar a econômica, rapidez e garantia de
literatura técnica disponível e referente a todos funcionamento. Os atuadores pneumáticos são
os equipamentos controlador, atuador e aplicados principalmente para a obtenção do
válvula, para se definir qual a solução mais controle proporcional contínuo. Para o controle
simples, segura e flexível. liga-desliga é mais conveniente usar a válvula
solenóide.
6.6. Dimensionamento do Atuador
Há atuadores de diferentes tamanhos e seu
dimensionamento depende dos seguintes
parâmetros pressão estática do processo,
curso da haste da válvula, deslocamento da

122
7. Acessórios

7.1. Volante
O volante manual é usado para o
fechamento manual da válvula no local, em
substituição ao fechamento automático ou
manual, feito através do atuador pneumático,
em casos de emergência, durante a partida ou
na falta de ar. Eles não são muito freqüentes e
só se justifica sua aplicação em serviços
críticos ou quando não há válvulas de bloqueio
ou de bypass.
Os principais acessórios incluem as hastes
com extensão, operador com corrente,
operador com engrenagens. (a) Posicionador montado (b) Posicionador fora
Fig. 8. 9. Válvula com posicionador

O objetivo do posicionador é o de comparar o


sinal da saída do controlador com a posição da
haste da válvula. Se a haste não esta onde o
controlador quer que ela esteja, o posicionador
soma ou subtrai ar do atuador da válvula, até
se obter a posição correta. Há um elo mecânico
através do qual o posicionador sente a posição
da válvula e monitora o sinal que vai para o
atuador. O posicionador pode ser considerado
um controlador proporcional puro.
As justificativas legitimas para o uso do
Fig. 8. 8. Válvula com volante posicionador são para
1. eliminar a histerese e banda morta da
válvula, garantindo a excursão linear da
7.2. Posicionador haste da válvula, por causa de sua
atuação direta na haste,
O posicionador é um acessório opcional e 2. o posicionador alterar a faixa de sinal
não um componente obrigatório da válvula, pneumático, por exemplo, de 20 a 100
mesmo que algumas plantas padronizem e kPa (3 a 15 psig) para 100 a 20 kPa (15
tornem seu uso extensivo a todas as válvulas a 3 psig) ou de 20 a 60 kPa (3 a 9 psig)
existentes. para 20 a 100 kPa (3 a 15 psig). O uso
O posicionador é um dispositivo acoplado à do posicionador é obrigatório na malha
haste da válvula de controle para otimizar o seu de controle de faixa dividida (split range),
funcionamento. Ele recebe o sinal padrão de onde o mesmo sinal de controle é
20 a 100 kPa (3 a 15 psig) e gera, na saída, enviado para várias válvulas em paralelo.
também o sinal padrão de 20 a 100 kPa (3 a 15 São razões para o uso do posicionador,
psig) e por isso é necessária a alimentação mas não muito legitimas
pneumática de 120 kPa (20 psig). 1. aumentar a velocidade de resposta da
válvula, aumentando a pressão ou o
volume do ar pneumático de atuação,
para compensar atrasos de transmissão,
capacidade do atuador pneumático.
Deve-se usar um booster no lugar do
posicionador.
2. escolher ou alterar a ação da válvula,
falha-fechada (ar para abrir) ou falha-
aberta (ar para fechar). Deve-se fazer
isso com relé pneumático ou no próprio
atuador da válvula.

123
3. modificar a característica inerente da 7.3. Booster
válvula, através do uso de cam externa
ou gerador de função. Isto também não é O booster, também chamado relé de ar ou
uma justificativa valida, pode-se usar relé amplificador pneumático, tem a função
externo que não degrade a qualidade do aproximada do posicionador. A aplicação típica
controle. do booster é para substituir o posicionador,
Há porém, duas outras regras, talvez mais quando ele não é recomendado, como em
importantes, embora menos conhecidas, malhas de controle de vazão de líquido ou de
referentes ao não uso do posicionador. São as pressão de líquido.
seguintes
1. não se deve usar posicionador quando o
processo é mais rápido que a válvula.
2. ao se usar o posicionador, deve se
aumentar a banda proporcional do
controlador, de 3 a 5 vezes, em relação à
sua banda proporcional sem
posicionador. Quando isso é impossível,
não se pode usar o posicionador.
As regras para uso e não uso devem ser
conceitualmente entendidas. O posicionador
torna a malha mais sensível, mais rápida, com
maior ganho. Se a malha original já é sensível
ou rápida, a colocação do posicionador Fig. 8. 10. Booster
aumenta ainda mais a sensibilidade e rapidez,
levando certamente a malha para uma
condição instável, de oscilação. Quando se
coloca um posicionador em uma malha de O booster é usado no atuador da válvula
controle rápida, o desempenho do controle se para apressar a resposta da válvula, para uma
degrada ou tem que se re-sintonizar o variação do sinal de um controlador
controlador, ajustando a banda proporcional em pneumático com baixa capacidade de saída,
valor muito grande, às vezes, em valores não sem o inconveniente de provocar oscilações,
disponíveis no controlador comercial. por não ter realimentação com a haste da
Geralmente não se usa posicionador em válvula. Eles reduzem o tempo de atraso
malha de controle de vazão, pressão de líquido resultante de longas linhas de transmissão ou
e pressão de gás em volume pequeno, que já quando a capacidade da saída do controlador é
estes processos são muito rápidos. Para insuficiente para suprir a demanda de grandes
processos rápidos, mas com linhas de atuadores pneumáticos.
transmissão muito grandes ou com atuadores Os outros possíveis usos de booster são
de grandes volumes, a solução é acrescentar 1. amplificar ou reduzir o sinal pneumático,
um amplificador pneumático (booster), em vez tipicamente de 1:1 e 1:3 ou 5:1, 2:1 e 3:1
de usar o posicionador. O booster também 2. reverter um sinal pneumático por
melhora o tempo de resposta e aumenta o exemplo, quando o sinal de entrada
volume de ar do sinal pneumático e, como seu aumenta, a saída diminui. Quando a
ganho é unitário, não introduz instabilidade ao entrada é 20 kPa (3 psig) a saída é 100
sistema. kPa (15 psig), quando a entrada é 100
O posicionador pode ser considerado como kPa (15 psig), a saída é 20 kPa (3 psig).
um controlador de posição, de alto ganho
(banda estreita). Quando ele é colocado na 8. Característica da Válvula
válvula de controle, o posicionador é o
controlador secundário de uma malha em
cascata, recebendo o ponto de ajuste da saída 8.1. Conceito
do controlador primário. Esta analogia é útil,
pois facilita a orientação de uso ou não-uso do A característica da válvula de controle é
posicionador. Como em qualquer de controle definida como a relação entre a vazão através
cascata, o sistema só é estável se a constante dela e a posição da haste, variando ambas de
de tempo do secundário (posicionador) for 0 a 100%. A vazão na válvula depende do sinal
muito menor que a do primário. de saída do controlador que vai para o atuador.
Na definição da característica, admite-se que
1. o atuador da válvula é linear (o
deslocamento da haste é proporcional à
saída do controlador),

124
2. a queda de pressão através da válvula é O objetivo da caracterização da vazão é o
constante, de fornecer um ganho do processo total
3. o fluido do processo não está em relativamente constante para a maioria das
cavitação, flashing ou na vazão sônica condições de operação do processo.
(choked) A característica da válvula depende do seu
São definidas duas características da tipo. Tipicamente os formatos do contorno do
válvula: inerente e instalada. A característica plug e da sede definem a característica. As três
inerente se refere à observada com uma queda características típicas são linear, igual
de pressão constante através da válvula; é a percentagem e abertura rápida; outras menos
característica construída e fora do processo. A usadas são hiperbólica, raiz quadrática e
instalada se refere à característica quando a parabólica.
válvula está em operação real, com uma queda
de pressão variável e interagindo com as Característica de Igual Percentagem
influências do processo não consideradas no Na válvula de igual percentagem, iguais
projeto. percentagens de variação de abertura da
válvula correspondem a iguais percentagens de
8.2. Características da Válvula e do variação da vazão. Matematicamente, a vazão
Processo é proporcional exponencialmente à abertura. O
índice do expoente é a percentagem de
Para se ter um controle eficiente e estável abertura.
em todas as condições de operação do O termo "igual percentagem" se aplica
processo, a malha de controle deve ter um porque iguais incrementos da posição da
comportamento constante em toda a faixa. Isto válvula causam uma variação da vazão em
significa que a malha completa do processo, igual percentagem. Quando se aumenta a
definida como a combinação sensor- abertura da válvula de 1%,, indo de 20 a 21%,
transmissor-controlador-válvula-processo-etc. a vazão ira aumentar de 1% de seu valor à
deve ter seu ganho e dinâmicas os mais posição de 20%. Se a posição da válvula é
constantes possível. Ter um comportamento aumentada de 2%, indo de 60 a 61%, a vazão
constante significa ser linear. ira aumentar de 1% de seu valor à posição de
Na prática, a maioria dos processos é não- 60%. A válvula é praticamente linear (e com
linear, fazendo a combinação sensor- grande inclinação) próximo à sua abertura
transmissor-controlador-processo não linear. máxima.
Assim, deve-se ter o controlador não-linear A válvula de igual percentagem produz uma
para ter o sistema total linear. A outra vazão muito pequena para grande variação da
alternativa é a de escolher o "comportamento abertura, no inicio de sua abertura, mas
da válvula" não-linear, para tornar linear a quando está próxima de sua abertura total,
combinação sensor-transmissor-controlador- pequenas variações da abertura produzem
processo. Se isso é feito corretamente, a nova grandes variações de vazão. Ela exibe melhor
combinação sensor-transmissor-processo- controle nas pequenas vazões e um controle
válvula se torna linear, ou com o ganho instável em altas vazões.
constante. O comportamento da válvula de
controle é a sua "característica de vazão". Característica Linear
Na válvula com característica linear a
vazão é diretamente proporcional à abertura da
válvula. A abertura é proporcional ao sinal
padrão do controlador, de 20 a 100 kPa (3 a 15
psig), se pneumático e de 4 a 20 mA cc, se
eletrônico.
A característica linear produz uma vazão
diretamente proporcional ao valor do
deslocamento da válvula ou de sua posição da
haste. Quando a posição for de 50%, a vazão
através da válvula é de 50% de sua vazão
máxima.
A válvula com característica linear possui
ganho constante em todas as vazões. O
desempenho do controle e uniforme e
independente do ponto de operação.
Fig. 8. 11. Características da válvula

125
Característica de Abertura Rápida 8.3. Escolha de Características
A característica de vazão de abertura
A escolha da característica da válvula e seu
rápida produz uma grande vazão com pequeno
efeito no dimensionamento é fundamental para
deslocamento da haste da válvula. A curva é
se ter um bom controle, em larga faixa de
basicamente linear para a primeira parte do
operação do processo. A válvula com
deslocamento com uma inclinação acentuada.
característica inerente linear parece ser a mais
A válvula introduz uma grande variação na
desejável, porém o objetivo do projetista é
vazão quando há uma pequena variação na
obter uma característica instalada linear. O que
abertura da válvula, no inicio da faixa. A válvula
se deseja realmente é ter a vazão através da
de abertura rápida apresenta grande ganho em
válvula e de todos os equipamentos em série
baixa vazão e um pequeno ganho em grande
com ela variando linearmente com o
vazão. Ela não é adequada para controle
deslocamento de abertura da válvula. Como a
contínuo, pois a vazão não é afetada para a
queda de pressão na válvula varia com a vazão
maioria de seu percurso; geralmente usada em
(grande vazão, pequena queda de pressão)
controle liga-desliga.
uma válvula não-linear normalmente fornece
Característica Instalada uma relação de vazão linear após a instalação.
A escolha da característica correta da
O dimensionamento da válvula se baseia válvula para qualquer processo requer uma
na queda de pressão através de suas analise dinâmica detalhada de todo o processo.
conexões, assumida como constante e relativa Há numerosos casos onde a escolha da
à abertura de 100% da válvula. Quando a característica da válvula não resulta em
válvula está instalada na tubulação do sistema, conseqüências serias. Qualquer característica
a queda de pressão através dela varia quando de válvula é aceitável quando
há variação de pressão no resto do sistema. A 1. a constante de tempo do processo é
instalação afeta substancialmente a pequena (processo rápido), como vazão,
característica e a rangeabilidade da válvula. pressão de líquido e temperatura com
A característica instalada é real e diferente misturadores,
da característica inerente, que é teórica e de 2. a banda proporcional ajustada do
projeto. Na prática, uma válvula com controlador é estreita (alto ganho),
característica inerente de igual percentagem se 3. as variações de carga do processo são
torna linear, quando instalada. A exceção, pequenas; menos que 2:1.
quando a característica inerente é igual à A válvula com característica linear é
instalação, ocorre quando se tem um sistema comumente usada em processo de nível de
com bombeamento com velocidade variável, líquido e em outros processos onde a queda da
onde é possível se manter uma queda de pressão através da válvula é aproximadamente
pressão constante através da válvula, pelo constante.
ajuste da velocidade da bomba. A válvula com característica de igual
A característica instalada de qualquer percentagem é a mais usada; geralmente, em
válvula depende dos seguintes parâmetros aplicações com grandes variações da queda de
1. característica inerente, ou a pressão ou onde uma pequena percentagem
característica para a válvula com queda da queda de pressão do sistema total ocorre
de pressão constante e a 100% de através da válvula.
abertura, Quando se tem a medição da vazão com
2. relação da queda de pressão através da placa de orifício, cuja saída do transmissor é
válvula com a queda de pressão total do proporcional ao quadrado da vazão, deve-se
sistema, usar uma válvula com característica de raiz
3. fator de super dimensionamento da quadrática (aproximadamente a de abertura
válvula. rápida). A válvula com a característica de
É difícil prever o comportamento da válvula vazão de abertura rápida é, tipicamente, usada
instalada, principalmente porque a em serviço de controle liga-desliga, onde se
característica inerente se desvia muito da curva deseja uma grande vazão, logo que a válvula
teórica, há não linearidades no atuador da comece a abrir.
válvula, nas curvas das bombas.

126
As recomendações (Driskell) resumidas 9. Operação da Válvula
para a escolha da característica da válvula são
1. Abertura rápida, para controle de vazão
com medição através da placa de orifício 9.1. Aplicação da Válvula
e com variação da queda de pressão na
válvula pequena (menor que 2:1). Antes de especificar e dimensionar uma
2. Linear, para controle de vazão com válvula de controle, deve-se avaliar se a válvula
medição através da placa de orifício e é realmente necessária ou se existe um meio
com variação da queda de pressão na mais simples e mais econômico de executar o
válvula grande (maior que 2:1 e menor que se deseja. Por exemplo, pode-se usar uma
que 5:1). válvula autocontrolada em vez da válvula de
3. Linear, para controle de vazão com controle, quando se aceita um controle menos
sensor linear, nível e pressão de gás, rigoroso, se quer um sistema econômico ou
com variação de queda de pressão não se tem energia de alimentação disponível.
através da válvula menor que 2:1. Em outra aplicação, é possível e conveniente
4. Igual percentagem, para controle de substituir toda a malha de controle de vazão
vazão com sensor linear, nível e pressão por uma bomba de medição a deslocamento
de gás, com variação de queda de positivo ou por uma bomba centrífuga com
pressão através da válvula maior que 2:1 velocidade variável. O custo benefício destas
e menor que 5:1. alternativas é usualmente obtido pelo custo
5. Igual percentagem, para controle de muito menor do bombeamento, pois não se irá
pressão de líquido, com qualquer produzir energia para ser queimada na queda
variação da queda de pressão através da de pressão através da válvula de controle.
válvula. Quando se decide usar a válvula de
Como há diferenças grandes entre as controle, deve-se selecionar o tipo correto e
características inerente e instalada das válvulas dimensiona-se adequadamente. Para a seleção
e por causa da imprevisibilidade da da válvula certa deve-se entender
característica instalada, deve-se preferir completamente o processo que a válvula
1. válvula cuja construção tenha uma controla. Conhecer completamente significa
propriedade intrínseca, como a borboleta conhecer as condições normais de operação e
e a de disco com abertura rápida, as exigências que a válvula deve satisfazer
2. válvula que seja caracterizada pelo durante as condições de partida, desligamento
projeto, como as com plugs linear e de do processo e emergência.
igual percentagem, Todas os dados do processo devem ser
3. válvula digital, que possa ser conhecidos antecipadamente, como os valores
caracterizada por software, da vazões (mínima, normal e máxima), pressão
4. característica que seja obtida através de estática do processo, pressão de vapor do
equipamento auxiliar, como gerador de líquido, densidade, temperatura, viscosidade. É
função, posicionador caracterizado, cam desejável identificar as fontes e natureza dos
de formato especial. Estes instrumentos distúrbios potenciais e variações de carga do
são principalmente úteis para a alteração processo.
da característica instalada errada. Deve-se determinar ou conhecer as
Em resumo, a característica da válvula de exigências de qualidade do processo, de modo
controle deve casar com a característica do a identificar as tolerâncias e erros aceitáveis no
processo. Este casamento significa que os controle. Os dados do processo devem
ganhos do processo e da válvula combinados também estabelecer se a válvula necessita
resultem em um ganho total linear. fornecer vedação total, quando fechada, qual
deve ser o nível aceitável de ruído, se há
possibilidade de martelo d'água, se a vazão é
pulsante.

9.2. Desempenho
O bom desempenho da válvula de controle
significa que a válvula
1. é estável em toda a faixa de operação do
processo,
2. não opera próxima de seu fechamento
ou de sua abertura total,

127
3. é suficientemente rápida para corrigir os válvula com característica inerente de abertura
distúrbios e as variações de carga do rápida está praticamente aberta a 40%, pois ela
processo, só fornece controle estável entre 10 e 40% e
4. não requer a modificação da sintonia do sua rangeabilidade é de 4:1. A válvula de
controlador depois de cada variação de abertura rápida tem uma ganho variável, muito
carga do processo. grande em vazão pequena e praticamente zero
Para se conseguir este bom desempenho em vazão alta. Ela é instável em vazão baixa e
da válvula, deve-se considerar os fatores que inoperante em alta vazão.
afetam seu desempenho, tais como A rangeabilidade da válvula com
característica, rangeabilidade inerente e característica inerente linear é de 10:1 pois ela
instalada, ganho, queda de pressão provocada, fornece controle entre 10 e 100%. A válvula
vazamento quando fechada, características do linear possui ganho (sensibilidade) uniforme em
fluido e resposta do atuador. toda a faixa de abertura da válvula, ou seja, a
mesma dificuldade e precisão que se tem para
9.3. Rangeabilidade medir e controlar 100% da vazão, tem se em
10%.
Um fator de mérito muito importante no A válvula com característica inerente de igual
estudo da válvula de controle é a sua percentagem tem rangeabilidade de aproximadamente
rangeabilidade. Por definição, a rangeabilidade 401, pois ela controla desde 2,5 a 100%. A válvula com
da válvula de controle é a relação matemática igual percentagem possui ganho variável, pequeno em
entre a máxima vazão sobre a mínima vazão vazão baixa e elevado em vazão alta. Ela possui um
controláveis com a mesma eficiência. É desempenho excelente em baixas vazões e é instável
desejável se ter alta rangeabilidade, de modo para vazões muito elevadas.
que a válvula possa controlar vazões muito Na consideração da rangeabilidade da
pequenas e muito grandes, com o mesmo válvula, é importante se considerar que a
desempenho. Na prática, é difícil definir com rangeabilidade da válvula instalada é diferente
exatidão o que seja "controlável com mesma da rangeabilidade teórica, fora do processo. A
eficiência" e por isso os números especificados rangeabilidade instalada é sempre menor que a
variam de 10 a 1.000%. teórica. Isso ocorre porque o Cv instalado é
O mais importante é ter bom senso e tratar geralmente maior que o Cv teórico. Por
o conceito de rangeabilidade sob um ponto de exemplo, se o Cv real é cerca de 1,2 do Cv
vista qualitativo. A rangeabilidade é importante teórico, a máxima vazão controlada pela
porque válvula é cerca de 80% da abertura da válvula.
1. diz o ponto em que se espera que a Se a válvula é de igual percentagem, 80% da
válvula atue em liga-desliga ou perca abertura corresponde a cerca de 50% da
completamente o controle, devido a vazão. Deste modo, a rangeabilidade é cerca
vazamentos, de 50:1, em vez de 100:1.
2. estabelece o ponto em que a Lipták define "rangeabilidade intrínseca"
característica começa a se desviar do como a relação do Cvmax para o Cvmin, entre os
esperado. quais o ganho da válvula não varie mais que
50% do valor teórico. Por esta definição, a
rangeabilidade da válvula linear é maior do que
a da válvula de igual percentagem.

10. Vedação e Estanqueidade

10.1. Classificação
Qualquer vazão através da válvula
totalmente fechada, quando exposta à pressão
diferencial e à temperatura de operação é
chamada de vazamento (leakage). O
vazamento é expresso como uma quantidade
acumulada durante um período de tempo
Fig. 8. 12. Característica e rangeabilidade específico, para aplicações de fechamento com
vedação completa ou como percentagem da
capacidade total, para as válvulas de controle
A rangeabilidade da válvula está associada convencionais.
diretamente à característica da válvula. A

128
maior quando se estiver operando em
temperaturas abaixo da temperatura de projeto
Tab. 1. Classificação das Estanqueidades da válvula.
Tensões mecânicas na tubulação onde
Classe I Não testadas nem garantidas para está instalada a válvula podem também
vazamentos. provocar vazamentos na válvula. Por isso deve
Classe II Especificadas para vazamento menor que se tomar cuidados em sua instalação e
0.5% da vazão máxima. principalmente no aperto dos parafusos. Deve-
Classe III Especificadas para vazamento menor que se isolar a válvula das forças externas da
0.1% da vazão máxima, tubulação, através de suportes.
Classe IV Especificadas para vazamento menor que
0.01% da vazão máxima. 10.3. Válvulas de Bloqueio
Classe V Especificadas para vazamento menor que
5 x 10-4 ml/min de vazão d'água por Quanto maior a força de assentamento na
polegada do diâmetro da sede. válvula, menor é a probabilidade de ocorrer
Classe Especificadas para válvulas com sede vazamentos. Somente as válvulas pequenas
VI macia e o vazamento e expresso como podem suportar grandes forças em suas sedes.
vazão volumétrica de ar, com pressão Por isso, os materiais da sede devem ser
diferencial nominal de até 345 kPa. duros, para suportar estas grandes forças de
fechamento. Os materiais mais apropriados
para aplicações com fluidos não lubrificantes,
Não se deve usar uma única válvula para abrasivos, com alta temperatura são aço
fornecer simultaneamente as funções de Stellite® ou inoxidável endurecido
controle e de vedação completa (tight shutoff). Por outro lado, os materiais da sede devem
As melhores válvulas para bloqueio não são ser macios (resilientes) para prover a vedação
necessariamente as melhores escolhas para o completa, durante longos períodos. Os
controle. materiais padrão são o Teflon e Buna-N®. O
De acordo com a norma (ANSI B 16.104), Teflon é superior na resistência à corrosão e na
as válvulas são categorizadas em seis classes, compatibilidade à alta temperatura (até 250
oC); o Buna-N é mais macio, mas é limitado a
de acordo com seu vazamento permissível.
Estes limites de estanqueidade são aplicáveis temperaturas menores que 100 oC. Estes
apenas à válvula nova, sem uso. materiais devem operar em pressões menores
que 3,5 Mpa (500 psig) e com fluidos não
10.2. Fatores do Vazamento abrasivos.

Alguns fabricantes listam em seus


catálogos os coeficientes de vazão, Cv, 11. Dimensionamento
aplicáveis para as válvulas totalmente abertas
e os valores dos vazamentos, quando
totalmente fechadas. Estes valores só valem
11.1. Filosofia
para a válvula nova, limpa, operando nas
condições ambientes. Após alguns anos de O dimensionamento da válvula de controle
serviço, o vazamento da válvula varia é o procedimento de calcular o coeficiente de
drasticamente, em função da instalação, vazão ou o fator de capacidade da válvula, Cv.
temperatura, pressão e características do Este método do Cv é bem aceito e foi
fluido. introduzido pela Masoneilan, em 1944. Uma
A estanqueidade depende da viscosidade vez calculado o Cv da válvula e conhecido o
dos fluidos; fluidos com viscosidade muito tipo de válvula usada, o projetista pode obter o
baixa são muito difíceis de serem contidos; por tamanho da válvula do catálogo do fabricante.
exemplo, dowtherm®, freon®, hidrogênio. O coeficiente Cv é definido como o número
A temperatura afeta o vazamento, de galões por minuto (gpm) de água que flui
principalmente quando o corpo da válvula está através da válvula totalmente aberta, quando
a uma temperatura diferente da temperatura do há uma queda de pressão de 1 psi através da
plug ou quando o coeficiente de dilatação válvula, a 60 oF. Desse modo, quando se diz
termal do material do corpo é diferente do que a válvula tem o Cv igual a 10, significa que,
coeficiente do material do plug. Em algumas quando a válvula está totalmente aberta e com
válvulas, por exemplo, nas borboletas, é prática a pressão da entrada maior que a da saída em
usual deixar espaçamentos entre o disco e a 1 psi e a temperatura ambiente é de 15,6 oC,
sede, para acomodar a expansão do disco, sua abertura deixa passar uma vazão de 10
quando se tem grandes variações de gpm. O Cv é basicamente um índice de
temperatura do processo. O vazamento será capacidade, através do qual o engenheiro é

129
capaz de estimar, de modo rápido e preciso, o ΔP = queda de pressão através da válvula
tamanho de uma restrição necessária, em ou
qualquer sistema de fluido. ΔP = P1 - P2
Mesmo que o método de Cv seja usado por P1 = pressão a montante (antes da válvula)
todos os fabricantes, as equações para calcular P2 = pressão a jusante (depois da válvula)
o Cv difere um pouco de fabricante para ρ = densidade relativa do líquido
fabricante. A melhor política é usar a Há outras considerações e correções
recomendação do fabricante da válvula devidas à viscosidade, flacheamento e
escolhida. O dimensionamento correto da cavitação, na escolha da válvula para serviço
válvula é feito através de formulas teóricas, em líquido.
baseadas na equação de Bernouille e nos
dados de vazão, ou através de ábacos, curvas, 11.3. Válvulas para Gases
réguas de cálculo específicas. Atualmente, a
prática mais usada é o dimensionamento de O gás é mais difícil de ser manipulado que
válvula através de programas de computador o líquido, por ser compressível. As diferenças
pessoal. entre os fabricantes são encontradas nas
O dimensionamento correto da válvula, equações de dimensionamento para fluidos
determinado por formulas, régua de cálculo ou compressíveis. Estas diferenças são devidas
programa de computador pessoal, sempre se ao modo que se expressa ou se considera o
baseia no conhecimento completo das fenômeno da vazão crítica.
condições reais da vazão. Freqüentemente, A vazão crítica é a condição que existe
uma ou várias destas condições são assumidas quando a vazão não é mais função da raiz
arbitrárias; é a avaliação destes dados quadrada da diferença de pressão através da
arbitrários que realmente determinam o válvula, mas apenas função da pressão à
tamanho final da válvula. Nenhuma formula - montante. Este fenômeno ocorre quando o
somente o bom senso combinado com a fluido atinge a velocidade do som na vena
experiência - pode resolver este problema. contracta. Assim que o gás atinge a velocidade
Nada substitui um bom julgamento de do som, na vazão crítica, a variação na pressão
engenharia. A maioria dos erros no à jusante não afeta a vazão, somente variação
dimensionamento é devida a hipóteses na pressão a montante afeta a vazão.
incorretas relativas às condições reais da
vazão. 11.4. Queda de Pressão na Válvula
Na prática e por motivos psicológicos, a
tendência é super dimensionar a válvula, ou Deve-se entender que a válvula de controle
seja, estar do lado mais "seguro". Uma manipula a vazão absorvendo uma queda de
combinação destes vários "fatores de pressão do sistema. Esta queda de pressão é
segurança" pode resultar em uma válvula super uma perda econômica para a operação do
dimensionada e incapaz de executar o controle processo, desde que a pressão é fornecida por
desejado. uma bomba ou compressor. Assim, a economia
Aqui serão apresentadas as equações de deve ditar o dimensionamento da válvula, com
cálculo da Masoneilan e da Fisher Controls pequena perda de pressão. A queda de
para mostrar as diferenças em suas equações pressão projetada afeta o desempenho da
e seus métodos. válvula.
A maior diferença ocorre nas equações de Em um sistema de redução de pressão, é
dimensionamento de fluidos compressíveis fácil conhecer precisamente a queda de
(gás, vapor ou vapor d'água) pressão através da válvula. Isto também ocorre
em um sistema de nível de um líquido, onde o
líquido passando de um vaso para outro, em
11.2. Válvulas para Líquidos uma pressão constante e baixa. Porém, na
A equação básica para dimensionar uma maioria das aplicações de controle, a queda de
válvula de controle para serviço em líquido é a pressão através da válvula deve ser escolhida
mesma para todos os fabricantes. arbitrariamente.
O dimensionamento da válvula de controle
ΔP é difícil, porque as recomendações publicadas
Q = C v f ( x) são ambíguas, conflitantes ou não satisfazem
ρ os objetivos do sistema. Não há regra numérica
específica para determinar a queda de pressão
onde através da válvula de controle.
Q = vazão volumétrica Luyben recomenda que a válvula esteja a
50% de abertura, nas condições normais de
operação; Moore recomenda que o Cv

130
necessário não exceda 90% do Cv instalado e 12. Instalação
que a válvula provoque 33% da queda de
pressão total, na condição nominal de
operação. Outros autores sugerem 5 a 10%. 12.1. Introdução
Quanto menor a percentagem, maior é a
válvula. Quanto maior a válvula, maior é o A decisão mais importante na aplicação de
custo inicial da instalação mas menor é o custo uma válvula é a sua colocação certa para fazer
do bombeamento. o trabalho certo. Depois, mas de igual
Uma boa regra de trabalho considera um importância, é a sua localização e finalmente, a
terço da queda de pressão do sistema total sua instalação. Todas as três etapas são
(filtros, trocadores de calor, bocais, medidores igualmente importantes para se obter um
de vazão, restrições de orifício, conexões e a serviço satisfatório e uma longa vida da válvula.
tubulação com atrito) é absorvido pela válvula
de controle. 12.2. Localização da Válvula
A pressão diferencial absorvida pela válvula
de controle, em operação real, é a diferença As válvulas devem ser localizadas em uma
entre a coluna total disponível e a necessária tubulação, de modo que elas sejam operadas
para manter a vazão desejada através da com facilidade e segurança. Se não há
válvula. Esta pressão diferencial é determinada operação remota, nem manual nem
pelas características do processo e não pelas automática, as válvulas devem ser localizadas
hipóteses teóricas do projetista. de modo que o operador possa ter acesso a
Por causa da economia, a queda de elas. Quando a válvula é instalada muito alta,
pressão através da válvula deve ser a menor além do alcance do braço levantado do
possível. Por causa do controle, a queda de operador, ele terá dificuldade de alcança-la e
pressão através da válvula deve ser a maior não poderá fecha-la totalmente e
possível. Para poder fazer o controle correto, a eventualmente haverá vazamento, que poderá
válvula deve absorver do sistema e devolver causar desgaste anormal nos seus internos.
para o sistema a queda de pressão. Quando a
proporção da queda de pressão através da 12.3. Cuidados Antes da Instalação
válvula é diminuída, a válvula de controle perde
As válvulas são geralmente embrulhadas e
a habilidade de aumentar rapidamente a vazão.
protegidas de danos durante seu transporte,
Também, a pequena perda de carga resulta em
pelo fabricante. Esta embalagem deve ser
grande tamanho da válvula e, como
deixada no lugar até que a válvula seja
conseqüência, maior custo inicial da válvula e
instalada. Se a válvula é deixada exposta,
uma diminuição da faixa de controle, pois a
poeira, areia e outros materiais ásperos podem
válvula está super dimensionada.
penetrar nas suas partes funcionais. Se estas
A quantidade de vazão máxima da válvula
sujeiras não forem eliminadas, certamente
deve ser de 15 a 50% acima da máxima vazão
haverá problemas quando a válvula for
requerida pelo processo. As vazões normal e
instalada para operar.
máxima usadas no dimensionamento devem
As válvulas devem ser armazenadas onde
ser baseadas nas condições reais de operação,
sejam protegidas de atmosferas corrosivas e
sem aplicação de qualquer fator de segurança.
de modo que elas não caiam ou onde outros
materiais pesados não possam cair sobre elas.
Antes da instalação, é conveniente ter
todas as válvulas limpas, normalmente com ar
comprimido limpo ou jatos d'água. A tubulação
também deve ser limpa, com a remoção de
todas as sujeiras e rebarbas metálicas
deixadas durante a montagem.

12.4. Tensões da Tabulação


A tubulação que transporta fluidos em alta
temperatura fica sujeita a tensões termais
devidas a expansão térmica do sistema da
tubulação. Por isso, deve se prover expansão
para o comprimento de tubulação envolvido,
para que estas tensões não sejam transmitidas
Fig. 8. 13. Quedas de pressão ao longo do sistema e na às válvulas e às conexões.
válvula de controle

131
A expansão da tubulação pode ser causa resulta em operação ineficiente,
acomodada pela instalação de uma curva em obstrução e a necessidade de manutenção
"U" ou de uma junta de expansão entre todos freqüente. Se a válvula possuir flanges, será
os pontos de apoio, sempre garantindo que há difícil apertar os parafusos corretamente. A
movimento suficiente para acomodar a tubulação deve ser suportada próxima da
expansão do comprimento de tubulação válvula; válvula muito pesada deve ter suporte
envolvido. Note que a mesma condição existe, independente do suportes da tubulação, de
mas em direção contraria, quando se tem modo a não induzir tensão no sistema da
temperaturas criogênicas (muito baixas). Neste tubulação.
caso, também de se deve prover compensação Quando instalar válvula com haste móvel,
para a contração da linha. garantir que há espaço suficiente para a
operação da válvula e para a remoção da haste
e do castelo, em caso de necessidade de
manutenção local.
É conveniente instalar a válvula com a
haste na posição vertical e com movimento
para cima; porém, muitas válvulas podem ser
instaladas com a haste em qualquer ângulo.
Quando instalar a válvula com a haste se
movimentando para baixo, o castelo fica abaixo
da linha de vazão, formando uma câmara para
pegar e manter substancias estranhas. Estas
sujeiras, se presas, podem eventualmente
arruinar a haste interna ou os filetes de rosca.

13. Parâmetros de Seleção


Tão importante quanto a escolha do
Fig. 8. 14. Instalação da válvula em local acessível elemento sensor e do controlador do processo,
é a seleção da válvula de controle.
Os fatores que orientem e determinam a
escolha da melhor válvula se referem
12.5. Redutores principalmente à aplicação e à construção. Os
parâmetros ligados à aplicação são fluido do
Por questão econômica e para facilitar a
processo, função da válvula, condições do
sua operação, é comum se ter o diâmetro da
processo, vedação da vazão, queda de
válvula menor do que o da tubulação. Para
pressão. Os fatores relacionados com a
acomodar esta diferença de diâmetros, usa-se
construção incluem o atuador, elemento de
o redutor entre a tubulação e a válvula. O
controle, conexões, materiais, engaxetamento,
redutor aumenta as perdas e varia o Cv da
sede, internos .
válvula. O comum é usar um fator de correção,
O primeiro passo na seleção da válvula é o
que é a relação dos Cv's, sem e com os
de determinar exatamente o que é esperado da
redutores. Estes fatores de correção podem ser
válvula, ou seja, qual a função a ser
obtidos dos fabricantes ou levantados
desempenhada pela válvula depois dela ter
experimentalmente.
sido instalada. Esta avaliação correta da função
O efeito dos redutores na vazão crítica é
estreita os tipos de válvulas convenientes para
também sentido e deve-se usar o fator de
a aplicação. Em muitas aplicações, há vários
vazão crítica corrigido, que relaciona o Cv da
tipos de válvulas que funcionarão igualmente
válvula, o Cf da válvula sem os redutores e os
bem e a escolha pode ser baseada somente
diâmetros da válvula e da tubulação.
em fatores como custo e disponibilidade. Para
outras aplicações, pode ser que a melhor
12.6. Instalação da Válvula escolhe é uma válvula não disponível
Há cuidados e procedimentos que se industrialmente; a solução é mandar construir
aplicam para todos os tipos de válvulas e há uma válvula especial ou usar a disponível que
especificações especiais para determinados apresente mais vantagens, embora não seja a
tipos de válvulas. ideal.
Quando instalar a válvula, garantir que
todas as tensões da tubulação não sejam
transmitidas à válvula. A válvula não deve
suportar o peso da linha. A distorção por esta

132
13.1. Função da Válvula teste de laboratório. A altura disponível é uma
característica do sistema de sucção e pode ser
Para o controle proporcional e contínuo do calculada. A altura disponível sempre deve
processo, variando o valor da abertura, a exceder a altura requerida pela bomba.
válvula mais padrão é a globo, que é a mais
estável e previsível das válvulas.
Para o controle liga-desliga, as melhoras
13.4. Condições de Operação
escolhas são as válvulas globo, esfera, gaveta As pressões e temperaturas máximas e
e com plug. As válvulas esfera e de plug mínimas devem ser conhecidas. A resistência à
normalmente executam abertura mais rápida corrosão do material de construção da válvula
que as válvulas gaveta e globo. pode ser influenciada por estes fatores,
Para o controle da direção da vazão do principalmente quando se tem corpos e
fluido, usa-se a válvula de retenção, que revestimentos de plástico.
bloqueia a vazão em uma direção e permite a O controle de vazão em alta pressão
passagem normalmente na outra direção ou a geralmente requer o uso de válvula esfera ou
válvula de restrição que permite a passagem globo, eventualmente válvula gaveta.
de uma determinada vazão, em uma ou mais Em aplicações de alta temperatura, deve-
direções especificadas. As válvulas com se cuidar para que a expansão termal não
portinhola (swing) são as preferidas. cause deformação nas partes molhadas da
Para a resposta rápida para a abertura para válvula.
sobrepressão e grande vazão para a exaustão,
deve-se usar as válvulas de alívio e de 13.5. Vedação
segurança. A válvula padrão é a poppet,
acionada por mola. Quase todas as válvulas podem prover
vedação total, quando totalmente fechadas,
13.2. Fluido do Processo porém, muitas vezes, com alto custo e
complexidade de construção. Assim, existem
O fluido do processo passa dentro do alguns tipos que fornecem vedação de modo
corpo da válvula. As propriedades do fluido natural e mais simples, como as válvulas
manipulado devem ser conhecidas. Estas esfera, gaveta, globo e de plug. A pior válvula
propriedades incluem densidade, viscosidade, para vedação é a borboleta.
corrosividade e abrasividade. Fluido é um Geralmente a válvula de controle não é
termo genérico que pode significar gás, vapor, aplicada para prover vedação completa, mas
líquido puro ou líquido com sujeira (slurry). É para trabalhar com aberturas típicas e variáveis
importante analisar o sistema para ver se mais entre 25 e 85%, dependendo de sua
de um fluido passa através da válvula. característica de vazão. Quando se quer
Quando se manipulam fluidos que podem vedação total, quando não há controle, é boa
causar deposição de contaminantes, deve-se prática usar uma válvula de bloqueio (stop) em
usar válvula com o mínimo de obstrução à série com a válvula de controle.
vazão, como esfera, gaveta, globo ou
diafragma. 13.6. Materiais de Construção
As válvulas esfera e globo são as
recomendadas para a manipulação de vapor a O material de construção da válvula está
alta pressão. relacionado diretamente com as propriedades
de corrosividade e abrasividade do fluido que
13.3. Perdas de Atrito do Fluido irá passar pela válvula. A escolha da válvula
pode ficar limitada pela disponibilidade das
Os vários tipos de válvulas exibem quedas válvulas em materiais específicos.
de pressão diferentes, quando totalmente Às vezes, por questão econômica, deve se
abertas e por isso este fator deve ser considerar separadamente o material do corpo
considerado na seleção. e dos internos (plug, haste, anel, disco .) da
Um sistema típico que requer uma perda de válvula. Para certos tipos de válvulas
pressão limitada é a tubulação de sucção de revestidas, como a diafragma, Saunders, o
uma bomba. No projeto de tal sistema, deve se material do revestimento normalmente é
considerar a altura total da sucção, que deve diferente do diafragma elástico.
incluir perdas internas da bomba, lift estático de A combinação da pressão, da temperatura
sucção, perdas de atrito, pressão de vapor e de operação e das características do fluido
condições atmosféricas. É necessário determinam os materiais de construção
diferenciar entre a altura necessária e a permissíveis. Os líquidos e gases corrosivos
disponível. A altura necessária se refere as normalmente requerem aços inoxidáveis, ligas
perdas internas da bomba e é determinada por de níquel, materiais cerâmicos e plásticos

133
especiais. Para serviço em alta pressão e/ou desempenhar esta função, a válvula opera
alta temperatura, deve-se considerar os vários corretamente e tem longa vida.
tipos de aços, ligas de níquel, ligas de titânio e O movimento do elemento de controle da
outros materiais de alta resistência. Para vazão é conseguido por meio de uma haste
serviço em vapor d'água, considerar o aço que é fixada ao elemento de controle e gira,
carbono, bronze e metais similares. Em todos move ou combina estes dois movimentos, de
os casos de condições severas de uso, deve- modo a estabelecer a sua posição. As
se consultar a literatura dos fabricantes para exceções são as válvulas de retenção (check)
determinar a conveniência de uma determinada e algumas válvulas de segurança e auto-
válvula. reguladas, que são operadas pelas forças do
fluido dentro da zona de pressão.
13.7. Elemento de Controle
O tipo do elemento de controle ou de 14. Tipos de Válvulas
fechamento determina o tipo da válvula a ser
Há muitos tipos de válvulas de controle no
usado. Inversamente, a escolha do tipo da
mercado. Quase todo mês aparece um válvula
válvula determina o tipo do elemento de
de controle "nova e melhorada", tornando difícil
fechamento. Os elementos mais comuns são a
a sua classificação.
esfera, disco, cunha, plug e agulha.
O número de válvulas usadas para o
As peças da válvula que ficam em contato
controle de fluidos é elevado, com válvulas
direto com o fluido do processo são chamadas
variando de simples dispositivos de liga-desliga
de partes molhadas. Os formatos e variedades
até sistemas de servomecanismo complexos.
destas partes dependem do tipo da válvula; os
Seus tamanhos variam de pequeníssimas
mais comuns são a haste, plug, gaiola, sede ou
válvulas medidoras usadas em aplicações
assento . Em muitas válvulas, usa-se selos em
aeroespaciais até válvulas industriais com
torno da haste, para prover vedação para o
diâmetros de vários metros e pesando
exterior da válvula. Estes selos estão sujeitos a
centenas de quilos. As válvulas controlam a
desgaste e por isso devem ser substituídos
vazão de todos tipos de fluidos, variando de ar
periodicamente.
e água até produtos químicos corrosivos, sujos,
Há muitos estilos de sedes de válvula, com
metais líquidos e materiais radioativos. Elas
diferenças de geometria, material e rigidez . Os
podem operar em pressões na região do vácuo
formatos determinam a característica da
até pressões de 100 000 psig e temperaturas
válvula (vazão x abertura da válvula) e sua
variando da faixa criogênica até as faixas de
capacidade de vedação, quando totalmente
metais derretidos. Eles podem ter tempo de
fechada.
vida variando de apenas um ciclo até milhares
Efetivamente, há apenas quatro métodos
de ciclos, sem a necessidade de reparo ou
básicos de controlar a vazão em uma
substituição. As válvulas podem ter exigência
tubulação, através de uma válvula
de vedação total, onde pequenos vazamentos
1. mover um disco ou um obturador (plug)
podem ser catastróficos ou elas podem ser
em ou contra um orifício, como feito na
complacentes, permitindo a passagem de
válvula globo, ângulo, Y e agulha.
quantidades razoáveis de fluido quando
2. deslizar uma superfície plana, cilíndrica
totalmente fechadas, sem que isso seja grave.
ou esférica através de um orifício, como
As válvulas podem ser operadas por uma
feito na válvula gate, plug, esfera e de
variedade de modos manual, pneumático,
pistão.
elétrico . Elas podem responder de um modo
3. rodar um disco ou elipse em torno de um
previsível a sinais provenientes de sensores de
eixo, através do diâmetro de uma caixa
pressão, temperatura e outras variáveis do
circular, como feito na válvula borboleta
processo ou podem simplesmente abrir e
e no damper.
fechar independentemente da potência do sinal
4. mover um material flexível na passagem
de atuação.
da vazão, como feito na válvula
Aproximadamente todas as válvulas em
diafragma e pinch.
uso hoje podem ser consideradas como
Todas as válvulas atualmente disponíveis
modificações de alguns poucos tipos básicos.
controlam a vazão por um ou mais de um dos
As válvulas podem ser classificadas de
métodos acima. Muitos refinamentos foram
diferentes modos, tais como tamanho, função,
feitos e melhorias incorporadas nos projetos
material, tipo do fluido manipulado, classe de
com as novas tecnologias e novos materiais.
pressão, modo de atuação . Há válvulas com
Cada tipo de válvula tem sua aplicação ótima.
princípios de funcionamento já do domínio
Cada tipo de válvula foi projetado para uma
público, outras que ainda estão patenteadas e
função específica e quando usada para
são propriedades e fabricadas por uma única

134
firma. Um modo conveniente de classificar as Vantagens
válvulas é de acordo com a natureza do meio 1. Na posição totalmente aberta, a gaveta
de operação empregado. Este modo é ou o disco fica fora da área de vazão do
esquemático e simples, pois todas as válvulas fluido, provocando pequena queda de
caem em uma das oito categorias gaveta, pressão e pouca turbulência.
globo, esfera, borboleta, plug, pinch, poppet, 2. Na posição totalmente fechada ela
swing. Por exemplo, numa indústria fornece uma excelente vedação.
petroquímica, 90% de todas as válvulas usadas 3. Sua geometria fica relativamente livre de
são dos tipos gaveta, globo, retenção, esfera, acumulo de contaminantes.
borboleta e plug. 4. Sua construção possui a maior faixa de
A seguir serão vistos a descrição, uso, aceitação para a temperatura e pressão
vantagens e desvantagens de cada um dos do fluido.
tipos acima. 5. Quase todo tipo de metal pode ser usado
e trabalhado para seus componentes.
14.1. Válvula Gaveta

Descrição
A válvula gaveta é caracterizada por um
disco ou porta deslizante que é movida pelo
atuador na direção perpendicular à vazão do
fluido. Há muitas variações na sede, haste e
castelo das válvulas gaveta. Elas são
disponíveis em vários tamanhos e pesos.
A norma API 600-1973 define e descreve
as duas principais classificações para a válvula
gaveta cunha (wedge) e com disco duplo; a
mais popular na indústria petroquímica é tipo
cunha.
A válvula gaveta tipo cunha é disponível em
três configurações diferentes cunha sólida
plana, cunha sólida flexível e cunha partida. Fig. 8. 16. Válvulas gaveta

Desvantagens
As numerosas vantagens da válvula gaveta
não a tornam a válvula universal. Ela possui as
seguintes limitações e inconvenientes
1. A abertura entre a gaveta e o corpo da
válvula, durante a subida ou descida,
provoca distúrbios na vazão do fluido,
resultando em vibração indesejável e
causando desgaste ou erosão da gaveta.
2. A turbulência do fluido pode também ser
causada pelo movimento de subida ou
descida da gaveta. A válvula gaveta é
Fig. 8. 15. Válvula gaveta em angulo vulnerável à vibração, quando
praticamente aberta e é sujeita ao
desgaste da sede e do disco.
3. O ganho da válvula é muito grande,
A válvula gaveta cunha sólida flexível se quando ela está próxima de sua abertura
tornou mais popular que a sólida plana, total. Isto significa que a operação da
dominando o mercado. Ela possui melhor válvula é instável na operação próxima
desempenho de selagem, requer menor torque de sua abertura total.
operacional e apresentar menor desgaste no 4. A lâmina percorre uma grande distancia
material da sede. O único fator negativo é sua entre as posições totalmente aberta e
construção mecânica que não fornece alívio de fechada; como conseqüência, válvula
pressão para o corpo da válvula. Recomenda- gaveta possui resposta lenta e requer
se especificar um furo de vent no lado a grandes forças de atuação.
montante da cunha, para evitar pressão
elevada na cavidade do corpo.

135
Aplicações e Restrições 14.2. Válvula Esfera
A válvula gaveta é o tipo mais
freqüentemente especificado e corresponde a Descrição
cerca de 70 a 80% do total de válvulas da
A válvula tipo esfera possui um obturador
indústria petroquímica. A principal razão de sua
esférico, que se posiciona dentro de uma
popularidade é que a planta petroquímica
gaiola. Outro tipo de válvula esfera consiste em
necessita de válvulas de bloqueio e de válvulas
um obturador esférico, com uma abertura.
liga-desliga.
Quando o eixo de abertura coincide com o eixo
A válvula gaveta é ideal para aplicações de
da vazão, tem-se a máxima vazão. Quando o
bloqueio (totalmente fechada) e de controle
eixo da abertura é perpendicular à tubulação, a
liga-desliga, onde ela opera ou totalmente
válvula está fechada.
aberta ou totalmente fechada e não necessitam
A válvula esfera é basicamente uma esfera
ser operadas com grande freqüência. Ela é
alojada em um invólucro. A rotação da esfera
conveniente para aplicações com alta pressão
de 90o muda a posição de totalmente aberta
e alta temperatura e para uma grande
para totalmente fechada. A esfera pode ser fixa
variedade de fluidos.
ou flutuante, com porte reduzido ou total. As
Os fatores limitantes tornam a válvula
válvulas esfera são disponíveis em uma
gaveta inadequada para controle contínuo,
variedade de tamanhos e com vários
para manipular fluidos em velocidades muito
mecanismos de atuação.
elevadas ou para serviço requerendo operação
A válvula esfera pode ser considerada um
rápida e freqüente da válvula. Não se
tipo modificado da válvula plug; em vez do plug
recomenda usar a válvula gaveta em serviço de
tem-se a esfera polida com um furo que gira,
vapor d'água.
para dar passagem ou bloquear a vazão.
A válvula gaveta com disco duplo é
A válvula do tipo esfera flutuante suporta a
projetada de modo que o ângulo da cunha siga
esfera com dois assentos esféricos colocados
flexivelmente os vários ângulos da sede da
no corpo da válvula, um no lado da entrada e
válvula. Esta construção única mantém um alto
outro no lado da saída. Ela construção
desempenho de selagem, mesmo que o corpo
mecânica simples torna esta válvula mais
da válvula seja deformado. A válvula gaveta
popular que as outras do tipo esfera. A pressão
com disco duplo é usada em serviço criogênico
a montante empurra a esfera e a esfera
ou em altíssima temperatura, onde o corpo da
comprime a sede da bola do lado a jusante,
válvula pode se deformar com a variação da
para bloquear a vazão do fluido.
temperatura do processo.
A válvula gaveta resistente a corrosão
Classe 150 é descrita na norma API 603-1977.
O corpo da válvula é feito de aço inox tipo 304,
316 ou 347 ou Alloy 20, que apresenta
resistência à corrosão da maioria dos produtos
petroquímicos.
A válvula gaveta de aço carbono compacta,
descrita na norma API 602-1974, é largamente
usada em linhas de dreno, linhas de bypass ou
com instrumentos na tubulação de processo. A
válvula compacta pode ser disponível também
na versão resistente à corrosão.
Fig. 8.17. Esquema de válvula esfera
A válvula gaveta de ferro fundido, descrita
na norma API 593-1973, é usada em
aplicações com água de utilidade, água do ar e Vantagens
vapor d'água à baixa pressão.
As características da válvula esfera são
1. mudança pequena na direção da vazão
dentro do corpo da válvula, resultando
em pequena queda de pressão. A
resistência à vazão é semelhante à da
válvula gaveta.
2. a rotação da esfera de 90 graus fornece
uma operação completa da válvula.
Diferente das válvulas globo e gaveta,
que requerem espaço vertical para o
deslocamento da haste, a operação é

136
fácil e o tamanho da válvula pode ser 14.3. Válvula Borboleta
muito pequeno.
3. A abertura da válvula e a quantidade da
Descrição
vazão podem ser determinadas muito
precisamente, tornando-a adequada para A válvula borboleta possui este nome por
controle proporcional, embora sua causa do formato da combinação disco-haste.
aplicação principal seja em operação de É uma válvula totalmente diferente da
liga-desliga. convencional com sede-obturador-haste.
4. Ela prove boa vedação, quando A válvula borboleta consiste de um disco,
totalmente fechada. com aproximadamente o mesmo diâmetro
5. Elas são de operação rápida e externo que o diâmetro interno do corpo da
relativamente insensíveis à válvula, que gira em torno de um eixo
contaminação. horizontal ou vertical, perpendicular à direção
da vazão. O disco atua como basculante na
posição completamente paralela à direção da
vazão, válvula está aberta; na posição
perpendicular à direção da vazão, a válvula
está fechada. Como ela não veda
perfeitamente, pode haver pequeno
vazamento.

Fig. 8. 18. Válvula esfera flutuante

Desvantagens
As principais limitações da válvula são
1. A sede da válvula esfera pode ser
sujeitas à distorção, sob a pressão de
um selo, nos espaçamentos entre
metais, quando a válvula é usada para
controle. Fig. 8. 19. Válvula borboleta tipo flauta
2. O fluido entranhado na esfera na posição
fechada pode causar problemas.
3. Por causa de sua abertura rápida, a A válvula borboleta típica consiste de um
válvula esfera pode causar os disco que pode girar em torno de um eixo, em
indesejáveis golpe de aríete ou pico de um corpo fechado. O disco fecha contra um
pressão no sistema. anel selante, para fechar a vazão. Vários
mecanismos de atuação, como alavanca e cam
Aplicações e restrições podem ser usados para operar a válvula.
A válvula esfera é usada em controle A norma API 609-1973 Butterfly valves
contínuo, quando de pequeno tamanho. Ela é descreve e define os principais tipos de
mais adequada para serviço de desligamento válvulas borboleta, embora não especifique a
(shutoff). Ela podem manipular fluidos sua construção mecânica.
corrosivos, líquidos criogênicos, fluidos muito
viscosos e sujos. Elas podem ser usadas em
alta pressões e medias temperaturas. Há
limitação desfavorável da temperatura por
causa do uso de elastômeros na sede da
válvula.
A válvula esfera não é recomendada para
controle contínuo, pois quando ela estiver
parcialmente aberta, o aumento da velocidade
do fluido pode danificar os assentos da esfera
expostos ao fluido.
Fig. 8. 20. Elemento de controle da válvula borboleta

137
Vantagens Válvula Swing
As vantagens da válvula borboleta são A válvula swing é semelhante à borboleta,
1. Produzir uma queda de pressão muito exceto que elas giram em torno de um lado e
pequena, quando totalmente aberta. não ao longo do diâmetro. Elas podem ser
2. Ser barata, leve, de comprimento atuadas pela vazão, por molas de torsão, por
pequeno (raramente flangeada). O alavancas .
diâmetro da válvula pode ser do mesma As válvulas swing são usadas
dimensão que a tubulação. principalmente como válvulas de retenção,
3. Possuir construção e operação para bloquear a vazão em uma direção.
extremamente simples. As válvulas swing possuem praticamente
4. Fornecer controle liga-desliga e contínuo. todas as vantagens das válvulas borboleta
5. Manipular grandes vazões de água, pequena queda de pressão, pequeno peso e
líquidos contendo sólidos e gases sujos. custo relativamente pequeno.
A vedação da válvula swing é muito alta,
são sujeitas à deposição de contaminantes e
introduz turbulência em baixas vazões. As
superfícies de selagem sofrem erosão, quando
o fluido está em alta velocidade.

Fig. 8. 21. Válvula borboleta

Desvantagens
1. A vedação da válvula borboleta é
relativamente baixa, a não ser que seja Fig. 8. 23. Válvula swing para retenção
usado selo especial. O selo é geralmente
danificado pela vazão com alta
velocidade. 14.4. Válvula Globo
2. Estas válvulas usualmente requerem
grandes forças de atuação e são
Descrição
limitadas a sistemas de baixa pressão.
3. Quando usam materiais elastômeros na É uma válvula com o corpo esférico, com
sede, há limitação de temperatura (90 sede simples ou dupla, com obturador guiado
oC). pela haste ou pela gaiola e que pode
apresentar várias características diferentes
liga-desliga, linear, igual percentagem.
Há três tipos principais de válvulas na
família globo, ângulo e Y. Elas são
caracterizadas por um elemento de
fechamento, geralmente um disco ou plug, que
é movido por uma haste atuadora,
perpendicular à sede em forma de anel. A
Fig. 8.22. Posições da válvula borboleta vazão passa da entrada para a saída, através
da sede. Os três tipos diferem principalmente
na orientação da sede em relação à direção da
Aplicações vazão através da válvula.
As válvulas borboleta são usadas A válvula tipo Y é uma versão modificada
geralmente em sistemas de baixa pressão, da válvula globo. O corpo da válvula é
onde não se necessita de vedação completa. construído de modo que as mudanças na
Elas são normalmente usadas em linhas de direção do fluido dentro do corpo são
grandes diâmetros. minimizadas; é também chamada de válvula
globo de vazão reta.

138
A válvula globo não é definida por nenhuma A turbulência do fluido na passagem pela
norma API. A indústria petroquímica usa a abertura da válvula globo causa vibração no
norma inglesa 1873-1975 Steel globe and disco, resultando em estrago da haste. Para
globe stop and check valves for the petroleum, evitar isso, deve se projetar um guia especial
petrochemical and allied industries. do disco, principalmente em serviço com alta
velocidade do fluido.

Fig. 8. 24. Válvula globo em ângulo Fig. 8. 26. Válvula globo Y

Vantagens Aplicações
As válvulas globo são, geralmente, mais As válvulas globo são usadas
rápidas para abrir ou fechar que a válvula principalmente como válvulas de controle
gaveta. As superfícies da sede são menos contínuo; elas podem ser consideradas como
sujeitas a desgaste e a capacidade de provocar uma válvula de controle de vazão de uso geral.
grandes quedas de pressão torna a válvula Neste aplicação, a válvula globo é projetada
globo conveniente para controle. A válvula com a sede do corpo com material mais duro,
globo é favorita para aplicações de controle já que o serviço severo pode causar desgaste e
liga-desliga, quando há operação freqüente da erosão. Para controle mais fino da vazão, usa-
válvula, por causa do deslocamento pequeno se a válvula agulha, que é uma versão
do disco. modificada da válvula globo. A válvula Y é
usada para controle contínuo e controle liga-
desliga de líquidos sujos (slurry) e de alta
viscosidade. A válvula globo pequena, feita de
liga de cobre, é usada freqüentemente em
linhas de gás domesticas ou em serviço de
baixa pressão, com disco de plástico para
garantir boa vedação.

Fig. 8. 25. Válvula globo guiada pela gaiola

Desvantagens
As válvulas globo provocam grande perda
de pressão; isto pode ser indesejável em
muitos sistemas. A direção da vazão é alterada (a) sede simples (b) sede dupla
repentinamente, quando o fluido atinge o disco, Fig. 8. 27. Válvula globo
causando uma grande turbulência no corpo da
válvula. Em grandes tamanhos, elas requerem
muita potência para operar, necessitando de
alavancas, engrenagens. As válvulas globo são
normalmente mais pesadas do que outras
válvulas de mesma especificação.

139
14.5. Válvula Auto-regulada Como o regulador não requer fonte externa
de energia ele é inerentemente seguro e pode
ser usado em qualquer local perigoso, pois sua
Conceito presença não compromete a segurança. As
O regulador é uma válvula de controle com válvulas com atuador eletrônico requerem
um controlador embutido. Ele é operado pela classificação elétrica especial, como prova de
energia do próprio fluido sendo controlado e explosão, segurança intrínseca.
não necessita de fonte externa de energia. O
regulador é chamado de válvula auto-operada, Desvantagens do Regulador
auto-regulada, reguladora. O ponto de ajuste é provido manualmente e
não é possível o ajuste remoto. A precisão e a
Vantagens do Regulador resolução do ajuste do ponto de ajuste são
A vantagem principal é o menor custo do precárias.
regulador em relação ao custo total da malha O controle só pode ser proporcional, com
convencional com o transmissor, o controlador banda proporcional fixa. Não é possível a
e a válvula de controle. O regulador é mais combinação com os outros modos, integral e
barato no custo inicial, na instalação e na derivativo.
manutenção, principalmente quando as linhas É limitado a poucas aplicações, podendo
de processo são pequenas. Quando as ser usado para o controle de pressão,
aplicações requerem válvulas maiores, a temperatura e nível, em determinadas faixas e
economia começa a tender para os sistemas sob condições muito restritivas.
completos. É pouco preciso e não possui indicações da
O regulador requer menor espaço e menor variável medida.
trecho da tubulação para a sua instalação e É puramente mecânico e incompatível com
operação. os sinais elétricos de termopar, bulbo de
A não necessidade de alimentação torna a resistência, contato . Há ainda a pequena
válvula auto-operada mais conveniente para flexibilidade com os acessórios, como o
aplicações em lugares remotos e inacessíveis. posicionador, a chave limite, o volante manual,
O regulador não está sujeito a falta de a solenóide .
alimentação e por isso o sistema é mais
seguro, porém o funcionamento da válvula Regulador de Pressão
auto-operada em si não é mais seguro ou O regulador de pressão é o dispositivo para
confiável que o funcionamento da válvula de reduzir a pressão, para controlar o vácuo e a
controle convencional. pressão diferencial. Ele pode ser aplicado a
gases, líquidos e vapores.
O diafragma é o componente básico
responsável pela operação do regulador. O
diafragma compara o ponto de ajuste, que é
convertido em uma força pela compressão
ajustável da mola com a pressão a ser
regulada, que é convertida em outra força de
diafragma em si e ajusta a abertura da válvula
para reduzir o erro entre estas duas pressões.
Assim o diafragma é, simultaneamente, o
elemento de realimentação, o dispositivo de
detecção de erro e o atuador.
A ruptura do diafragma é a falha mais
comum no regulador. A maioria dos
reguladores falha na posição totalmente aberta
Fig. 8. 28. Válvula auto-regulada de temperatura quando o diafragma falha. Em aplicações
críticas, uma solução seria o uso de dois
reguladores em série, com o segundo
regulador ajustado em um valor maior que o
primeiro, por exemplo, 20%. Ele ficará
totalmente aberto em operação normal e será o
responsável pela regulação somente durante a
falha do primeiro.
O regulador de pressão deve ser instalado
com filtro a montante, com purgador-separador
de condensado, quando houver vapor. Deve

140
haver trechos retos antes e depois do
regulador.
Regulador de Vazão
Regulador de Temperatura O regulador de vazão usa a energia do
Um regulador de temperatura é um próprio líquido a ser medido, para sua
dispositivo controlador que inclui o elemento operação. Ele normalmente possui uma
sensor termal, a entrada de referência e a restrição para provocar a pressão diferencial e
válvula de controle. O sistema é auto-atuado a utilizar esta mesma pressão diferencial para
energia para a atuação da válvula é suprida atuar em um pistão, que por sua vez, controla a
pelo processo. vazão.
Há basicamente dois tipos, conforme a O regulador contem em um único
atuação da válvula atuado diretamente e dispositivo os três elementos de controle
atuado por piloto. primário-controlador-final. O ponto de ajuste é
No tipo de atuação direta, a unidade de estabelecido externamente. Quando a vazão
potência (diafragma, fole) do atuador termal atinge o ponto de ajuste estabelecido, a válvula
está conectada diretamente a haste da válvula de controle integral impede qualquer acréscimo
e desenvolve a força e o deslocamento de vazão.
necessários para abrir-fechar a válvula. O O regulador é um dispositivo utilizado em
regulador atuado diretamente é mais simples, sistemas onde a precisão não é crítica, como
mais econômico e tem um controle mais em sistemas de irrigação e distribuição de
proporcional. água.
No tipo atuado por piloto, o atuador termal
move uma válvula piloto, que controla o valor Conclusões
da pressão do fluido que passa pela válvula Mesmo na época dos controladores a
através de um diafragma ou pistão, que microprocessador, que serão a base do
estabelece a posição da haste da válvula controle do próximo século, ainda há
principal. O regulador com piloto possui bulbo aplicações válidas para o regulador
menor, resposta mais rápida, maior ganho e desenvolvido no século passado.
pode atuar em válvulas de alta pressão. O regulador ainda é usado para aplicações
A instalação adequada inclui a correta pouco exigentes e em locais onde não é
localização do bulbo, onde as variações de disponível nenhuma fonte de energia. Ele
temperatura são prontamente sentidas e onde justifica a sua aplicação, por causa de sua
não ha perigo de dano. simplicidade e economia.

Regulador de Nível
O regulador de nível é um instrumento que
é atuado pela variação de nível do líquido do
processo. Ele não necessita de suprimento de
energia e por isso é auto-atuado.
Os principais tipos são do tipo bóia direta e
bóia piloto.
O mais simples regulador de nível consiste
de uma alavanca atuada por uma bóia
flutuadora e que atua diretamente na válvula
de controle.
O regulador com bóia piloto é mais versátil
e sensível. Neste sistema a alavanca da bóia
atua um relé pneumático. A válvula de controle
é assim operada por pressão pneumática.

Fig. 8. 29. Reguladora com piloto

141
15. Válvulas Especiais Uma vazão pulsante pode fazer a válvula
de retenção com portinhola oscilar
continuamente, danificando a sede, a
15.1. Válvula Retenção (Check Valve) portinhola ou ambas. Este problema pode
ocorrer também quando a força da velocidade
As válvulas de retenção são projetadas do fluido não é suficiente para manter a
unicamente para evitar a vazão no sentido posição da portinhola estável.
inverso em uma tubulação, que perturba o A válvula de retenção é geralmente
processo seriamente e pode até causar fechada pela pressão da vazão reversa e o
acidente. A pressão do fluido vazante abre a pelo peso do disco. Se o disco pode ser
válvula e o peso do mecanismo de retenção e fechado logo antes do inicio da vazão reversa,
qualquer reversão da vazão a fecha, o martelo d'água pode ser evitado. Porém, a
automaticamente. maioria das válvulas de retenção precisa da
Há diferentes tipos de válvulas de retenção ajuda da vazão reversa para fechar o disco. A
portinhola (swing), com levantamento de disco massa e a velocidade do fluido da vazão
ou esfera (lift), disco, retenção-bloqueio, tipo reversa causam grande martelo d'água contra a
sanduíche (wafer). A seleção do tipo mais sede do corpo da válvula. Podem ser usadas
conveniente depende da temperatura, da molas para proteger contra o martelo d'água,
queda de pressão disponível e da limpeza do porém a adição da mola requer mais pressão
fluido. para abrir o disco e aumenta a resistência do
fluido e a queda de pressão.
Semelhante às válvulas de controle, as de
retenção são disponíveis em diferentes
materiais, como bronze, ferro fundido, aço
carbono, aço inoxidável, aços especiais .
As conexões podem ser rosqueadas,
flangeadas, soldadas e tipo wafer. As
modernas válvulas são disponíveis com corpo
no estilo wafer; elas possuem extremidades
planas e sem flanges e são instaladas entre
flanges da tubulação.

Fig. 8. 30. Válvula de retenção com portinhola

A válvula de retenção padrão é a com


portinhola (swing), que abre com a pressão da
linha, onde a vazão no sentido normal faz o
disco se afastar do assento. Ela se fecha
quando a pressão cai e fica totalmente
fechada, quando o disco é mantido contra o
anel do assento pelo seu peso ou por
mecanismos externos ligados ao eixo
estendido através do corpo da válvula. Elas
podem operar na posição vertical (vazão para Fig. 8. 31. Válvula de retenção tipo levantamento (lift)
cima) ou horizontal.
A válvula de retenção com portinhola é
usada em velocidades baixas do fluido, onde a
reversão da vazão é rara. As suas
características são a baixa resistência à vazão,
a baixa velocidade e a mudança de sentido da
vazão pouco freqüente. Uma reversão
repentina da vazão do fluido pode fazer o disco
martelar a sede, danificando-a ou se
danificando.

142
15.2. Válvulas de Retenção Tipo flutuante que levanta sob condições de vazão,
Levantamento como a força da pressão da caldeira de vapor.
Suas principais aplicações incluem
Nas válvulas de retenção tipo levantamento 1. evitar a vazão reversa do vapor do
(lift), um disco ou uma esfera é levantada da header principal,
sede, dentro de guias, pela pressão de entrada 2. ajudar a colocar a caldeira em serviço,
da vazão. Quando a vazão para ou inverte de depois de ter sido desarmada
sentido, o disco volta para o assento, por causa (shutdown),
da gravidade ou pela ação de uma mola e pela 3. ajudar a desligar a caldeira, quando a
pressão da vazão. queima parar,
A válvula de retenção tipo levantamento 4. agir como uma válvula de segurança
pode ser usada em ambas as posições, imediata, evitando a vazão de vapor de
horizontal e vertical. Ela possui alta resistência volta para o header.
à vazão e é usada principalmente em A norma API Spec. 6D "Pipeline valves"
tubulações de 1 1/2" ou menores. descreve os tipos regulares de válvulas de
Em geral, a válvula de retenção lift requer retenção tipo portinhola.
queda de pressão relativamente alta. Elas
possuem uma construção interna semelhante à
da válvula globo. Suas características de
16. Válvula de Alívio de
operação são mudança freqüente do sentido da Pressão
vazão e prevenção de vazão inversa. Elas são
usadas com válvulas globo ou de ângulo.
16.1. Função do Equipamento
15.3. Válvulas de Retenção Esfera A função básica de um equipamento de
Esta válvula de retenção é similar à válvula alívio é a de aliviar uma condição de
lift, exceto que o disco é substituído por uma sobrepressão de um sistema de modo
esfera, que pode girar livremente. Elas são automático, econômico e eficiente. A função
limitadas a serviço de fluidos viscosos e são adicional é a de conter o sistema de pressão,
disponíveis apenas em pequenos diâmetros. durante o tempo em que a sobrepressão cai,
voltando para a condição normal. Isto é
conseguido por um sistema de balanço de
15.4. Válvulas de Retenção forças agindo no fechamento da área de alívio.
Borboleta A área do orifício de alívio de pressão é
As válvulas de retenção tipo borboleta tem selecionada para passar a vazão necessária,
uma geometria similar à válvula de controle, de em condições específicas. Esta área é fechada
modo que elas podem ser usadas em conjunto. por um disco, até que a pressão ajustada seja
As características de operação da válvula de atingida. A pressão contida do sistema age em
retenção borboleta são resistência mínima à um lado do disco; do outro lado há uma força
vazão, mudança freqüente de sentido e uso em exercida diretamente por uma mola. Todo este
linhas equipadas com válvulas de controle conjunto é alojado dentro de um corpo, com
borboleta. Elas podem ser usadas na posição conexões de entrada e de saída, um prendedor
vertical ou horizontal, com a vazão vertical do disco e outros acessórios para prover a
subindo ou descendo. característica de desempenho especificada.

15.5. Válvula de Retenção e Bloqueio


A válvula de retenção e bloqueio (stop
check) combina as características de retenção
(vazão em somente um sentido) e de bloqueio
(vazão zero, quando totalmente fechada). Ela é
composta de uma válvula de retenção com
levantamento do disco e uma válvula globo.
Quando a haste é levantada para a abertura
total, a válvula opera como uma de retenção
normal. Quando a haste move para baixo, para
fazer o fechamento total, a válvula funciona
como uma de bloqueio globo.
A válvula de retenção-bloqueio é usada
particularmente em casas de força, para Fig. 8.32. Válvula de alívio
serviço com vapor. Ela possui um disco

143
16.2. Definições e Conceitos 6. reação química exotérmica e produção
excessiva de gás do sistema.
Os termos válvula de segurança e válvula
de alívio são usados com o mesmo sentido, Objetivos
para designar válvulas que protegem contra a A partir destas situações e necessidades,
pressão excessiva. Porém, há diferença entre os objetivos do sistema de alívio de pressão
elas. são
A válvula de segurança é projetada para ter 1. atender as normas e leis
uma ação de abertura total, provendo um alívio governamentais, incluindo o controle
imediato. Ela está descrita no código ASME, ambiental,
que especifica capacidade, sobre-faixa de 2. proteger o pessoal de operação contra
pressão e diferença entre pressão ajustada e perigos causados de sobrepressão de
de rearme. A válvula de alívio é projetada para equipamentos,
abrir lentamente com aumento na pressão 3. minimizar as perdas de material durante
inicial. Estas válvulas não possuem um código e após um distúrbio operacional,
de projeto. A válvula de alívio é normalmente causado por uma sobrepressão rápida,
usada para aliviar pressões excessivas 4. evitar danos a equipamentos e
desenvolvidas por fluidos não compressíveis, propriedades vizinhos,
desde que uma pequena descarga deste fluido 5. reduzir os prêmios de seguro da planta.
irá prover um alívio imediato. Sob estas
condições não é necessário que a válvula de Operação da Válvula de Alívio
alívio abra total e imediatamente, mas que ela As válvulas de alívio tem discos
continua abrindo enquanto a pressão estiver pressionados por mola, que fecham a abertura
subindo. de entrada da válvula contra a pressão da
Por causa destas diferenças na ação, as fonte. O levantamento do disco é diretamente
válvulas de segurança são usualmente proporcional à sobrepressão acima da pressão
empregadas para aliviar pressão excessiva ajustada. Quando a pressão de entrada se
causada por gases (fluidos compressíveis), iguala a pressão ajustada, o disco pode subir
enquanto as válvulas de alívio são usadas para um pouco acima da sede e permitir a
aliviar a pressão excessiva causada por passagem de uma pequena vazão do fluido.
líquidos (fluidos não-compressíveis). Quando uma maior pressão se acumula na
A válvula de segurança-alívio (safety-relief) entrada, a mola é mais comprimida, fazendo o
tem um projeto de abertura total e pode ser disco subir mais, aumentando a área de
usada em fluidos compressíveis e não- passagem, aumentando a vazão do fluido.
compressíveis. O levantamento gradual do disco com o
aumento da pressão de entrada, através de
16.3. Sobrepressão toda a faixa útil da válvula e a realização de
Os sistemas de alívio de pressão fornecem sua capacidade de descarga total em 25% de
os meios de proteção de pessoal e sobrepressão são as principais características
equipamento de operação anormal do da válvula de alívio. Estas propriedades
processo. Algumas das condições que causam diferenciam a válvula de alívio da válvula de
aumento excessivo da pressão são segurança, cujo disco obtém seu levantamento
1. exposição ao fogo ou outras fontes especificado com pequena sobrepressão. A
externas de calor, válvula de alívio é usada principalmente para
2. aquecimento ou resfriamento de líquido serviço de líquido.
bloqueado entre válvulas ou em alguma
outra seção fechada do sistema, 16.4. Válvula de Segurança
resultando em expansão hidráulica, A válvula de segurança e a válvula de alívio de
3. falha mecânica de equipamentos segurança são projetadas especificamente
normais de segurança, funcionamento para dar uma abertura total com pequena
inadequado dos instrumentos de sobrepressão. elas possuem discos
controle, falha na operação manual, pressionados por mola que fecham a abertura
resultando em enchimento ou de entrada da válvula contra a pressão de
esvaziamento do equipamento, entrada e são caracterizadas pela abertura
4. produção de mais vapor do que o rápida e completa, produzida por uma câmara
sistema pode manipular, seguindo um que, a uma pressão predeterminada, aumenta
distúrbio operacional, a área entre o disco e a sede a um ponto onde
5. geração inesperada de vapor, resultando a força da mola não mais supera a força de
no desequilíbrio de energia do processo, entrada.

144
O fluido vazante é dirigido para reagir externo, descarga bloqueada, perda de refluxo,
contra o disco e a força da mola. Esta ação falha de alimentação elétrica, falha de
utiliza a energia cinética (proporcional à massa resfriamento, falha de instrumentos de controle
e à velocidade) para manter a válvula na . A válvula de alívio deve ser dimensionada
posição aberta. Quando a vazão for menor que para cada uma das condições em separado e o
25% da capacidade da válvula, a energia tamanho final deve ser suficientemente grande
cinética não é suficiente para manter a válvula para manipular a maior capacidade.
totalmente aberta e a mola faz a válvula se O primeiro passo é calcular a vazão
fechar. Esta repetição de abertura e necessária através da válvula de alívio de
fechamento é característica da válvula de pressão para evitar acúmulo excessivo. Em
segurança. A freqüência de repetição muito alta reações exotérmicas, a válvula deve ser
(chattering) é indesejável e ocorre com válvula dimensionada para passar uma vazão capaz
super dimensionada. de aliviar a pressão na máxima pressão
É essencial o conhecimento da válvula de possível.
alívio. Por exemplo, o coeficiente de descarga Após a capacidade do fluido a ser aliviada é
é diferente para as várias válvulas dos determinada, é necessário calcular a área do
fabricantes diferentes. A válvula pode ser orifício necessário para aliviar a quantidade
instalada de modo que ela limita as condições predeterminada de líquido ou vapor. Depois da
nas quais foi feito o seu dimensionamento. As determinação da área, pode-se fazer a seleção
válvulas de alívio devem ser dimensionadas e da válvula consultando tabelas de fabricantes,
instaladas de modo que elas controlem que listam várias válvulas com a área do
descarga do fluido e não sejam vitimas da orifício necessária. A seleção final será
descarga do fluido. baseada na conformidade da área do orifício
Quando dimensionada corretamente, a com a válvula que satisfaça a pressão,
válvula de alívio continua a descarregar, até temperatura e materiais de construção.
que a pressão de entrada caia de 4 a 5% A ASME apresenta formulas para
abaixo do ponto de ajuste. A diferença entre a determinar a área efetiva do orifício que irá
pressão em que a válvula de alívio abre a determinar a capacidade especificada do fluido.
pressão de fechamento é chamada blowdown.
A válvula de segurança possui um anel Construção da Válvula
ajustável para controlar o blowdown. As válvulas de segurança e alívio são
normalmente mantidas na posição fechada por
Válvula de Alívio e Segurança meio de um disco pressionado por uma mola. A
A válvula de alívio e segurança é usada pressão da mola é ajustada de modo que uma
como equipamento de alívio em refinarias de pressão predeterminada agindo sobre o disco
petróleo e indústrias químicas. Ela é descrita da válvula (sede) levantará o disco da sede
como uma válvula com um castelo fechado permitindo a passagem do fluido através da
com todas as características da válvula de abertura.
segurança. Em válvulas de segurança, o disco se
Como o nome implica, ela pode ser usada projeta sobre a sede, para fornecer uma área
em dois tipos de serviço como uma válvula de de passagem adicional após a abertura inicial e
alívio ou como válvula de segurança. Quando deste modo, levantando rapidamente o disco
usada como válvula de alívio, o anel de para a posição de totalmente aberta. A sede é
blowdown é retirado, de modo que a câmara usualmente cercada por um anel ajustável, de
não produz nenhum efeito, evitando a abertura modo que, quando a válvula começa a abrir, a
rápida e total da válvula e fazendo a válvula pressão é também aplicada a superfície
operar exatamente como uma válvula de alívio. exposta adicional e não apenas ao disco.
Ela pode ser usada também como válvula de Pelo ajuste deste disco, regula-se a
segurança, exceto quando a temperatura é pressão de blowdown, que é a diferença entre
muito elevada e altera a característica da mola. a pressão de alívio e uma pressão levemente
A vantagem da válvula de alívio e menor em que a válvula fecha. Um blowdow
segurança é sua versatilidade, controlando pequeno é inconveniente, pois a válvula irá
rigorosamente ou evitando a emissão do fluido. abrir-fechar periodicamente e não irá abrir
rapidamente.
Dimensionamento As válvulas de alívio são projetadas de
A válvula de alívio deve proteger modo que a área exposta a sobrepressão é a
equipamento sujeito a sobrepressão, mesma, com a válvula aberta ou fechada,
provocada por várias causas distintas. Por fazendo com que o disco seja levantado da
exemplo, numa coluna de fracionamento, pode sede lentamente, quando a pressão subir, até
aparecer sobrepressão por causa de fogo que a válvula atinja a abertura total.

145
A maioria das válvulas de segura possuem necessário mudar a direção. Deve-se
mola. Uma minoria funciona com peso e evitar, no projeto da linha, conexões
alavanca externos. próximas e deve-se minimizar as tensões
As válvulas de alívio de pressão com mola na linha , usando-se juntas de expansão.
tem a pressão de alívio ajustada por meio de 9. é essencial fazer e seguir um programa
um parafuso no topo do castelo, que varia a de inspeção e manutenção preventiva
compressão da mola. para cada válvula de alívio de pressão.
As válvulas de alívio são disponíveis para Toda e qualquer válvula de alívio de
temperatura criogênicas até 750 oC e de alta pressão em serviço limpo e não
pressão até 10 000 psig. A maioria das válvulas corrosivo deve ser inspecionada e
de segurança e algumas válvulas de alívio são testada, no mínimo, uma vez por ano.
equipadas com uma alavanca externa para Válvula em serviço corrosivo ou severo
verificação do alívio. deve ser inspecionada mais
As válvulas de alívio são disponíveis em freqüentemente. Deve-se registrar e
uma grande variedade de materiais ferro manter estes relatórios de teste e
fundido, aço carbono, aço inoxidável, bronze, inspeção para saber quando e por quem
Hastelloy®, Monel, revestida de Teflon. cada válvula foi inspecionada e testada.
10.Os testes não devem envolver apenas o
Instalação e Manutenção ponto de ajuste da pressão de alívio,
A instalação da válvula de alívio de pressão mas também a capacidade de alívio da
é descrita no código ASME, que deve ser válvula, nas condições do processo.
estudado e entendido, para o 11.A capacidade nominal de uma válvula de
dimensionamento, seleção e instalação. segurança ou de alívio deve ser
Os pontos mais importantes são: conforme o que estiver gravado na
1. a válvula de alívio de pressão deve ser plaqueta da válvula para as condições de
localizada e instalada de modo que ela projeto originais.
seja facilmente acessível para reparo.
2. Se o projeto de uma válvula de alívio de 17. Válvulas Solenóides
pressão ou de segurança é tal que é
acumulado líquido no lado de descarga
do disco, a válvula deve ser equipada 17.1. Solenóide
com um dreno no ponto mais baixo.
3. A mola em uma válvula de alívio de Solenóide elétrica é uma bobina de fio
segurança em serviço para pressões até energizada eletricamente para produzir um
140 kPa (20 psig), não pode ser resetada campo magnético no seu interior, que provoca
para qualquer pressão além de 10% um movimento mecânico em um núcleo
acima ou abaixo do valor marcado na ferromagnético, colocado no centro do campo.
válvula. Para pressões acima de 140 kPa Quando a bobina é energizada, o núcleo está
(20 psig), a mola não deve ser em uma posição, quando desenergizada, está
reajustada para qualquer pressão além em outra posição.
de 5% abaixo ou acima da marcação da A solenóide pode ser de operação
válvula. analógica ou digital. Exemplos de excitação
4. nenhuma válvula de alívio de líquido não analógica de solenóide é a ativação da bobina
pode ser menor que 1/2". de um alto falante de áudio ou o controle de
5. as válvulas de segurança e alívio devem freios mecânicos em carros elétricos. Porém, a
ser ligadas ao vaso no espaço com solenóide é mais usada em sistemas de
vapor, acima do líquido ou em uma controle como um dispositivo digital, onde uma
tubulação ligada ao espaço do vapor no potência constante é aplicada ou retirada de
tanque a ser protegido. sua bobina.
6. a abertura através de toda a tubulação e
conexões entre um vaso de pressão e
sua válvula de alívio de pressão deve ter,
no mínimo, a área da entrada da válvula.
7. as válvulas de alívio de líquido devem
ser ligadas abaixo do nível normal do
líquido.
8. todas as linhas de descarga devem ir
diretamente para o ponto do alívio final.
Para linhas mais longas, deve-se usar
cotovelos com raio grande, quando for

146
17.3. Operação e Ação
Fig. 8. 33. Aplicação de válvula solenóide
As solenóides são usualmente empregadas
com válvulas globo liga-desliga com haste
A solenóide pode estar acoplada a relé, para deslizante. Há basicamente quatro tipos de
operar contatos elétricos. Os contatos são operação
abertos ou fechados, conforme a energização- 1. ação direta,
desenergização da bobina. Outra aplicação 2. operada por piloto interno
industrial importante é acoplar a solenóide ao 3. operada por piloto externo
corpo de uma válvula; tem-se a válvula 4. com sede e disco semibalanceados
solenóide. Na válvula com ação direta o núcleo da
solenóide (plunger) é mecanicamente ligado ao
disco da válvula e abre ou fecha diretamente a
17.2. Válvula Solenóide válvula. Uma mola normalmente mantém o plug
A válvula solenóide é a combinação de na posição aberta ou fechada e é contra esta
duas unidades funcionais básicas a solenóide e força que a solenóide deve mover o plug para a
a válvula. A válvula solenóide é usada para posição oposta. A operação não depende da
controlar a vazão de fluidos em tubulações, pressão ou vazão da linha.
principalmente de modo digital (liga-desliga). A válvula operada com piloto interno é
Ela é aberta ou fechada pelo movimento do equipada com um pequeno orifício piloto,
núcleo acionado na solenóide, quando a bobina utilizando a pressão da linha para sua
é energizada. operação. Quando a solenóide é energizada,
As válvulas são disponíveis na construção ela abre o orifício piloto e alivia a pressão do
normalmente fechada ou normalmente aberta. tipo do diafragma ou plug da válvula para a
A válvula normalmente fechada abre, quando saída da válvula. Isto resulta em um
se aplica corrente (energiza) e fechada quando desequilibro de pressão através do plug ou
a corrente é cortada (desenergizada). A válvula diafragma, que abre o orifício principal. Quando
normalmente aberta fecha quando a corrente é a solenóide é desenergizada, o orifício piloto é
aplicada e abre quando a corrente é cortada. fechado e toda a pressão da linha é aplicada
Os termos normalmente aberto ou ao topo do disco, fornecendo uma força de
normalmente fechado se referem à posição assento que fecha totalmente.
antes da aplicação da corrente.
As válvulas solenóides são projetadas para
operação liga-desliga (on-off) ou totalmente
aberta ou totalmente fechada. Como as
válvulas solenóides são de ação rápida, deve-
se cuidar que não haja golpe de aríete nas
tubulações do processo, o que poderia
danificar tubulação, medidores de vazão,
válvulas.

Fig. 8. 35. Operação da válvula solenóide

A válvula com piloto externo é operada


através de um diafragma ou cilindro. Esta
válvula é equipada com um piloto solenóide de
três vias, que alternadamente aplicada a
Fig. 8. 34. Solenóide na válvula de controle pressão para ou aliviada a pressa do diafragma
para a operação. A pressão da linha ou uma

147
fonte separada de pressão é usada para operar pressão reduzida é dependente da pressão
a válvula piloto. de entrada.
A válvula com sede e disco 2. operada por piloto, em que a válvula
semibalanceados é de dupla sede. O corpo principal é aberta por meio de um pistão,
contem duas sedes, uma acima da outra, com que é atuado pela pressão de uma válvula
um espaço entre elas. O plug inferior é piloto. Esta válvula é internamente
levemente menor do que o superior. Ambos os balanceada e controla a pressão reduzida
plugs são montados em uma única haste. A de modo preciso, mesmo que haja variação
pressão da linha do lado da entrada da válvula na pressão de entrada. Ela manipula
é introduzida debaixo do plug inferior e acima variações grandes de vazão.
do plug superior. A força para baixo no plug
superior é maior do que a força para cima do 18.2. Precisão da Regulação
plug inferior. Esta pequena diferença de força,
mais a força exercida por uma mola, mantém Há uma relação definida entre a precisão
os plugs inferior e superior em suas sedes. da regulação e a capacidade da válvula
Quando a solenóide é energizada, os plugs são redutora ou reguladora. A válvula redutora com
levantados, abrindo a válvula. Por causa da mola deve ser ajustada enquanto passa uma
força que age para cima no plug inferior, a vazão mínima. A pressão reduzida obtida,
solenóide deve apenas superar estas quando se aumenta lentamente a vazão, até
pequenas diferenças e a força da mola. chegar à capacidade especificada, é uma
As válvulas solenóides são também medida da precisão da regulação. Uma válvula
disponíveis em configurações de várias vias. redutora ajustada para entregar 600 kPa (100
As válvulas com duas vias são as psig) de pressão, na vazão mínima, possui
convencionais, tendo uma conexão de entrada precisão de regulação de 99%, se ela entrega
e outra de saída. A válvula abre ou fecha, 598 kPa na capacidade especificada.
dependendo da solenóide energizada ou
desenergizada. 18.3. Sensibilidade
As válvulas solenóides de três vias tem três
A sensibilidade de uma válvula redutora de
conexões com a tubulação e dois orifícios. Um
pressão usa a resposta das variações da
orifício está sempre aberto e outro sempre
pressão e a mantém constante a despeito das
fechado. Estas válvulas são usadas
variações de carga. Sensibilidade é diferente
comumente para alternadamente aplicar
de precisão de regulação. Para se obter a
pressão para e aliviar pressão de uma válvula.
maior sensibilidade, as válvulas redutoras
Elas servem também para convergir ou divergir
devem ser dimensionadas e selecionadas
a vazão nas conexões.
corretamente, instaladas e mantidas de acordo
As válvulas solenóides com quatro vias são
com as instruções do fabricante, de modo que
usadas para operar cilindros de ação dupla.
suas peças internas se movam livremente.
Estas válvulas possuem quatro conexões uma
pressão, dois cilindros e uma exaustão. Em
uma posição da válvula, a pressão é aplicada a 18.4. Seleção da Válvula Redutora de
um cilindro, a outra é ligada a exaustão. Na Pressão
outra posição, a pressão e a exaustão estão
A determinação da melhor válvula redutora
invertidas.
depende da a aplicação. Devem ser
conhecidas as respostas das seguintes
18. Válvula Redutora de perguntas
Pressão 1. Quais são as pressões máxima e
mínima a montante?
A pressão a montante (upstream) é
18.1. Conceito também referida como pressão de entrada ou
suprimento.
A válvula redutora de pressão serve para diminuir a 2. Qual a pressão a jusante a ser mantida
pressão a jusante para um nível determinado dentro dos constante ou qual a faixa ajustável da
limites impostos pelo tipo de válvula usado. pressão reduzida desejada?
Basicamente há dois tipos de redutoras: A pressão a jusante (downstream) é a
1. operada diretamente, em que a válvula pressão na saída da válvula, ou pressão de
principal é operada pela ação combinada de descarga ou pressão reduzida. O seu valor é
uma mola e da pressão de saída, que é determinado pelo processo. Quando a pressão
aplicada ao lado inferior do diafragma. É regulada é fixa, o dimensionamento da válvula
válvula redutora mais simples e pode operar se baseia na pressão diferencial estabelecida
apenas em variações limitadas de vazão. A pela mínima pressão de entrada. Se a pressão

148
regulada é ajustável, a válvula é dimensionada igual ao diâmetro interno da tubulação.
de acordo com a mínima pressão diferencial Invariavelmente, o tamanho correto da válvula
disponível. redutora de pressão é menor que a tubulação.
3. Quais as vazões mínima, máxima e Se este procedimento não for adotado, a
media que passam pela válvula válvula redutora será sempre
redutora? superdimensionada e haverá instabilidade em
Não escolha o tamanho da válvula redutora baixas vazões.
apenas fazendo-o igual ao diâmetro da Para grandes variações de capacidade, a
tubulação. Cada fabricante possui sua tabela operação de duas válvulas redutoras em
de capacidade própria. paralelo pode ser a solução. Para grandes
4. Deve haver vedação total? reduções de pressão, a operação de duas
Uma válvula de vedação fecha totalmente, válvulas em série pode ser a solução.
impedindo a vazão do fluido para a saída.
Somente válvulas de sede simples podem
prover vedação total. Nunca usar válvula de
sede dupla para reduzir pressão e
simultaneamente vedar.
5. Qual deve ser o tipo de conexão?
Esta resposta é determinada pela boa
prática de tubulação e as condições reais de
instalação. Se a válvula é rosqueada, é
recomendado o uso de uniões em ambas as
extremidades da válvula.

18.5. Instalação
As regras gerais de instalação de válvulas
também se aplicam às válvulas redutoras de
pressão, além do seguinte:
1. Deve sempre incluir um bypass para
permitir a manutenção de emergência,
sem desligar a alimentação.
2. Não instalar uma válvula redutora em um
local inacessível, o que tornaria difícil ou
impossível a manutenção e serviço.
3. Instalar indicadores locais de pressão na
entrada e saída da válvula, facilitando o
ajuste e a verificação da válvula
redutora.
4. Se a linha tiver sujeira em suspensão no
fluido, instalar um filtro antes da redutora.
5. Instalar uma válvula de segurança
depois da válvula redutora de pressão.

Fig. 8.36. Válvula reguladora de pressão com piloto

Há vários conceitos errados acerca, da


válvula redutora de pressão, nenhum sendo
mais grave que fazer o tamanho da válvula

149
4. Especificações
1.2. Especificação
1. Informação do Produto A especificação é uma descrição
quantitativa das características requeridas de
Os fabricantes de instrumentos geralmente possuem
um equipamento, máquina, instrumento,
definições para as especificações de seus produtos e
estrutura, produto ou processo. Enquanto a
como elas devem ser apresentadas. Muita coisa está
propriedade diz que o instrumento tem alta
mudando nos anos 90, principalmente por causa das
precisão, a especificação diz que a precisão é
exigências e da certificação das normas da série ISO
9000. de ±0,1% do valor medido, incluindo
A informação do produto é um termo linearidade, repetitividade, reprodutibilidade e
genérico para qualquer atributo usado para histerese.
descrever um produto e suas capacidades. É o Em engenharia, as especificações são uma
termo mais geral usado para discutir a lista organizada de exigências básicas para
propriedade de um produto. A informação inclui materiais de construção, composições de
os dados que são registrados, publicados, produto, dimensões ou condições de teste ou
organizados, relacionados ou interpretados um número de normas publicadas por
dentro de um sistema de referência de modo organizações (como ASME, API, ISA, ISO,
que tenham significado. As informações de um ASTM) e muitas companhias possuem suas
instrumento possui a seguinte hierarquia de próprias especificações. Em inglês, é chamada
termos: abreviadamente de specs.
1. propriedades (features) As especificações descrevem formalmente
2. especificações o desempenho do produto. Uma especificação
3. características é um valor numérico ou uma faixa de valores
que limita o desempenho de um parâmetro do
produto. A garantia do produto cobre o
1.1. Propriedade (feature) desempenho dos parâmetros descritos pelas
Propriedade é um atributo do produto especificações. Os produtos satisfazem todas
oferecida como uma atração especial. As as especificações quando despachado da
propriedades descrevem ou melhoram a fábrica.
utilidade do produto para o usuário. Uma Algumas especificações são somente
propriedade não é necessariamente válidas sobre um conjunto de condições
mensurável, mas ela pode ter um parâmetro externas limitado ou restrito mas em tais casos
associado mensurável. a especificação inclui uma descrição destas
Se uma propriedade com um parâmetro condições limitadas. As especificações
mensurável é de interesse do usuário, uma ambientais também definem as condições que
especificação do produto descreve e quantifica um produto pode ser submetido sem afetar
esta propriedade. Por exemplo, uma interface permanentemente o seu desempenho ou
I/O de um medidor é uma propriedade e não é causar estrago físico. Estas condições podem
mensurável, mas o filtro de banda de ser climáticas, eletromagnéticas (como
passagem de resolução estreita é um atributo susceptibilidade eletromagnética), mecânicas,
com um parâmetro mensurável, que é a largura elétricas ou precondições de operação, (como
da faixa de passagem. tempo para aquecimento, intervalo de
As propriedades do instrumento são calibração)
descritas com adjetivos e não com números.
Os termos são vagos e promocionais, como 1.3. Característica
1. Qualidade superior,
2. Alta precisão, As características descrevem o
3. Instalação simples. desempenho do produto que é útil na aplicação
4. Cápsula possui pequeno volume do produto mas não são cobertas pela garantia
do produto. Elas descrevem o desempenho
que é típico da maioria de um dado produto,

7.150
Especificação dos Instrumentos

mas não está sujeita ao mesmo rigor associado computador aceitar dados manipulados por
com as especificações. outro equipamento sem conversão de dados ou
modificação do código. De um modo geral, é a
2. Propriedades do Instrumento habilidade de um novo sistema servir a
usuários de um sistema velho. Em
As propriedades do sistema são agrupadas computação, é a característica de um
juntas nas seguintes categorias: computador ou sistema operacional que
1. Funcionalidade permite ele rodar programas escritos para outro
2. Estabilidade sistema. Por exemplo, os programas que
3. Precisão rodam no Windows 3.1 rodam no Windows
4. Padronização 3.11 e Windows 95 e os programas que rodam
5. Operabilidade no Pentium® (novo) são compatíveis com o
6. Segurança processador 80486 (velho).
7. Não relacionada com a função
Padronização
2.1. Funcionalidade A padronização é a redução dos
instrumentos a um só tipo, unificado e
Funcionalidade é a extensão na qual um simplificado, segundo um consenso
sistema é fornecido com uma estrutura básica preestabelecido e universal.
inerente de hardware e software com que Em instrumentação, a padronização se
estruturas funcionais especificas possam ser refere à mesma bitola e tipo de conexão com
formadas para controlar processos. processo, mesmo sinal de transmissão de
A funcionalidade compreende: informação, mesmo nível de alimentação,
1. capacidade mesmo tipo de montagem, mesma dimensões
2. operabilidade físicas, mesmas tomadas de encaixe.
3. compatibilidade A instrumentação pneumática apareceu
4. flexibilidade cerca de duas décadas antes da eletrônica.
5. configurabilidade Este maior tempo de aplicação, aliado à maior
simplicidade e menor obsolescência,
Capacidade certamente é o fator determinante da sua
A capacidade do sistema depende do padronização universal. Essa padronização se
número e tamanhos dos elementos, estrutura refere a:
do circuito, tamanho e estrutura do software. 1. nível do sinal de informação e de
transmissão único: 20 a 100 kPa. Não
Operabilidade há diferença significativa entre este
Operabilidade é o grau em que um sistema sinal e os equivalentes: 0,2 a
é fornecido com meios para observar e 1,0kg/cm2 ou. 3 a 15 psi Há apenas um
manipular a operação de um processo. A pequeno detalhe de calibração do
operabilidade inclui também a habilidade de mesmo instrumento.
observar e manipular a operação de um 2. nível de alimentação único: 20 psi de ar
sistema. A operabilidade depende das comprimido, seco, limpo e filtrado.
ferramentas e procedimentos para dar Mesmo o consumo de ar, em SCF
comandos e chamar e representar os dados do (standard cubic feet) é similar para
processo e a velocidade de resposta para qualquer instrumento pneumático.
executar comandos e fornecer dados para um 3. número de conexões pneumáticas
recipiente exigente. O termo velocidade de requeridas, com designação única:
resposta está relacionado com a transmissão ENTRADA, SAÍDA, SUPRIMENTO. O
de informação de tamanho mais utilizado é rosca fêmea
1. processo (medição) para processo 1/2" NPT.
(atuador), como em uma malha de 4. procedimentos de teste e calibração.
controle 5. técnicas de montagem e instalação,
2. um elemento do sistema para outro tanto no campo como no painel.
elemento do sistema Assim, a grande vantagem do sistema de
3. elemento do processo ou sistema para instrumentação pneumática é sua
operador e vice-versa. padronização, existindo apenas um sinal
padrão de 20 a 100 kPa (3 a 15 psig).
Compatibilidade A instrumentação eletrônica ainda atingiu
A compatibilidade é a habilidade de um esse grau de padronização, já alcançado pela
equipamento poder ser usado em conjunto com pneumática, porém se percebe uma tendência
outro. É também a habilidade de um para a padronização. As dificuldades da

151
Especificação dos Instrumentos

obtenção desta padronização são devidas aos possibilita uma grande flexibilidade na sua
seguintes fatores: seleção e nas suas ligações com outros, pelo
1. disponibilidade de duas configurações usuário final. Por exemplo, os instrumentos
completamente distintas: à base de pneumáticos, por serem muito padronizados,
corrente e à base de tensão. podem ser interligados sem nenhuma restrição,
2. possibilidade de se usar fonte de mesmo sendo de origem diferentes, pois todos
alimentação regulada ou não comum a os sinais de saída e de entrada são iguais. Os
todo o sistema ou individual a cada únicos níveis de sinais são: 20 a 100 kPa para
instrumento. a informação, transmissão e controle e 140 kPa
3. possibilidade de transmissão com dois para a alimentação. Assim, um transmissor
ou quatro fios. Atualmente, a maioria pneumático do fabricante F1 pode ser ligado à
dos transmissores eletrônicos usa o entrada do controlador do fabricante F2, cuja
sistema de apenas dois condutores. O saída vai para a válvula do fabricante F3.
mesmo condutor que leva o sinal de
informação (4 a 20 mA cc) para o
painel traz a alimentação (24 V cc). Os
conceitos de fonte de tensão, fonte de
corrente explicam facilmente esta
possibilidade.
4. existência de sinais em corrente e
tensão, contínua e alternados,
analógicos ou digitais.
Mesmo com essas alternativas e
dificuldades, atualmente há uma tendência
para se padronizar o sinal de transmissão em
corrente no nível de 4 a 20 mA cc, a tensão de
alimentação é de 24 V cc, o sinal padrão para
manipulação interna em 0-10 V cc, tensão de
alimentação dos circuitos internos em +15 V cc,
tensão de alimentação do sistema digital em +5
V cc.

Flexibilidade
A flexibilidade é a qualidade de um Fig. 4.1. Instrumento configurável (MTL)
equipamento ser levemente alterado ou
modificado para desempenhar sua função.
Sistema flexível é aquele que pode ser
facilmente alterado, como colocação, retirada Configurabilidade
ou alteração dos componentes. Modularidade é A configurabilidade do sistema é a
a propriedade de montar uma flexibilidade qualidade de se alterar o arranjo dos seus
funcionado em um sistema pela montagem de componentes, pela adição ou retirada de
unidades discretas que podem ser facilmente equipamentos auxiliares. Instrumento
ligadas, combinadas ou arranjadas com outras configurável é aquele cuja função é
unidades. Um sistema com módulos determinada pela configuração ou
independentes é mais flexível que aquele com programação, que pode ser física (hardware)
as partes integralizadas em um único ou lógica (software). A configuração lógica
equipamento. pode também ser chamada de programação.
Flexibilidade resulta em liberdade de A configuração física é feita através de
escolha e de ligações de equipamentos. Um mudanças de fiação (hardwire) entre
instrumento é considerado flexível quando instrumentos entre si, entre instrumentos e
pode ser interligado a uma grande variedade equipamentos de entrada e saída, ou alteração
de outros instrumentos., mesmo de diferentes de posição de jumpers e chaves thumbwheel
fabricantes ou de diferentes nacionalidades. no circuito do instrumento ou em sua parte
Um sistema é considerado flexível quando as frontal. A configuração lógica ou por
interligações podem ser modificadas, quando programação é feita através de computadores
os componentes podem ser facilmente pessoais ou de terminais dedicados
retirados ou acrescentados. proprietários portáteis (hand held) ou de mesa.
Paradoxalmente, a flexibilidade é Os transmissores inteligentes podem ser
conseguida pela padronização. A padronização configurados através de terminais portáteis ou
na fabricação e fornecimento de instrumentos microcomputadores e os controladores lógicos

152
Especificação dos Instrumentos

programáveis através de terminais de mesa ou Os erros elétricos são devidos às variações


microcomputadores. da voltagem e freqüência da alimentação. As
Para um sistema de computador, configurar medições elétricas sofrem influência dos ruídos
é relacionar os elementos do hardware entre si e do acoplamento eletromagnético de campos.
para executar uma determinação função do Também o instrumento pneumático pode
circuito. apresentar erros quando a pressão do ar de
alimentação fica fora dos limites especificados.
Intercambiabilidade Sujeiras, umidade e óleo no ar de alimentação
É a habilidade de substituir componentes, também podem provocar erros nos
peças ou equipamentos de um fabricante por instrumentos pneumáticos.
outros sem perder a função ou a adequação ao Os efeitos físicos são notados pela
uso, sem necessidade de reconfiguração. Por dilatação térmica e da alteração das
exemplo, dois transmissores pneumáticos de propriedades do material. Os efeitos químicos
mesma variável de processo, calibrados na influem na alteração da composição química,
mesma faixa, são intercambiáveis entre si, potencial eletroquímico, no pH.
mesmo que sejam de fabricantes diferentes. O sistema de medição também pode
Um transmissor digital inteligente da introduzir erro na medição, por causa do
Rosemount, com protocolo de comunicação modelo, da configuração e da absorção da
HART não é intercambiável com um potência. Por exemplo, na medição da
transmissor inteligente que não suporte este temperatura de um gás de exaustão de uma
protocolo. máquina,
Também se entende efeito da a temperatura do gás pode ser não
intercambiabilidade como a variação na função uniforme, produzindo erro por causa da posição
do instrumento que aparece quando se troca o do sensor,
sensor do instrumento. Por exemplo, seja a introdução do sensor, mesmo pequeno,
tolerância de um sensor é de ±1 oC em alguma pode alterar o perfil da velocidade da vazão,
temperatura, espera-se uma variação de 0 a 2 o sensor pode absorver (RTD) ou emitir
o
C quando o sensor for substituído por outro (termopar) potência, alterando a temperatura
tendo a mesma tolerância. do gás.
Os efeitos da influência podem ser de curta
Interoperabilidade duração, observáveis durante uma medição ou
Interoperabilidade é a habilidade de são demorados, sendo observados durante
substituir componentes, peças ou todo o conjunto das medições.
equipamentos de um fabricante por outros sem Os erros de influência podem ser
perder a função ou a adequação ao uso, com eliminados ou diminuídos pela colocação de ar
necessidade de reconfiguração. Por exemplo, condicionado no ambiente, pela selagem de
dois transmissores inteligentes de fabricantes componentes críticos, pelo uso de reguladores
diferentes, mas ambos com protocolo HART de alimentação, pelo uso de blindagens
são interoperáveis, pois podem ser substituídos elétricas e aterramento dos circuitos.
entre si, porém, há necessidade de pequenos
ajustes na reconfiguração.

Seletividade
Seletividade é a habilidade de um medidor
responder somente às alterações da variável
que ele mede e ser imune às outras alterações
e influências.
Uma medição pode ser alterada por
modificação ou por influência.
Os erros sistemáticos de influência ou
interferência são causados pelos efeitos
externos ao instrumento, tais como as
variações ambientais de temperatura, pressão
barométrica e umidade. Os erros de influência
são reversíveis e podem ser de natureza
mecânica, elétrica, física e química.
Os erros mecânicos são devidos à posição, Fig. 4.2. Sinal e ruído
inclinação, vibração, choque e ação da
gravidade.

153
Especificação dos Instrumentos

A diferença entre o erro de interferência e o para um período de tempo


de modificação, é que a interferência ocorre no especificado.
instrumento de medição e o de modificação Atualmente se usa o termo
ocorre na variável sendo medida. dependabilidade (dependability) como sinônimo
O erro sistemático de modificação é devido de estabilidade.
à influência de parâmetros externos que estão Alguns parâmetros da estabilidade podem
associados a variável sob medição. Por ser quantificados por taxa de desvio (drift rate),
exemplo, a pressão exercida por uma coluna por períodos de funcionamento, períodos de
de liquido em um tanque depende da altura, da defeitos, duração de reparo. Como se vê, a
densidade do liquido e da aceleração da estabilidade está diretamente ligada com o
gravidade. Quando se mede o nível do liquido tempo e indiretamente com outros fatores
no tanque através da medição da pressão externos, como temperatura e pressão
diferencial, o erro devido a variação da ambientes, vibração, alimentação.
densidade do liquido é um erro de modificação. Na falta de estabilidade, o desempenho do
Outro exemplo, é na medição de temperatura instrumento se degrada. Alguns dos aspectos
através de termopar. A milivoltagem gerada da estabilidade são probabilísticos e outros são
pelo termopar depende da diferença de determinísticos, por natureza. A estabilidade
temperatura da medição e da junta de pode é muito aumentada pela adição da
referência. As variações na temperatura da redundância ao sistema.
junta de referência provocam erros na medição. Pelas definições de estabilidade, devem ser
Finalmente, a medição da vazão volumétrica de incluídos os seguintes parâmetros:
gases é modificada pela pressão estática e 1. integridade
temperatura. 2. disponibilidade
O modo de eliminar os erros de 3. confiabilidade
modificação é fazer a compensação da 4. robustez
medição. Compensar uma medição é medir 5. calibração
continuamente a variável que provoca 6. mantenabilidade
modificação na variável medida e eliminar seu 7. segurança (safety e security)
efeito, através de computação matemática. No
exemplo da medição de nível com pressão 2.3. Integridade
diferencial, mede-se também a densidade
variável do liquido e divide-se este sinal pelo
Conceitos
sinal correspondente ao da pressão diferencial.
Na medição de temperatura por termopar, a Integridade é a propriedade de um
temperatura da junta de referência é instrumento se manter inteiro, individido,
continuamente medida e o sinal completo, resistente e firme no seu
correspondente é somado ao sinal da junta de funcionamento. A integridade do instrumento é
medição. Na medição de vazão compensada ameaçada pelo ambiente onde o instrumento
de gases, medem-se a vazão, pressão e está montado e por isso ela é garantida através
temperatura. Os sinais são computados de da especificação correta da classificação
modo que as modificações da vazão mecânica do seu invólucro, de conformidade
volumétrica provocadas pela pressão e com normas existentes.
temperatura são canceladas. Em computação de dados, é a propriedade
dos dados que podem ser recuperados no caso
2.2. Estabilidade de sua destruição através de falha do meio de
registro, falta de cuidado do usuário, defeito do
Há vários modos diferentes de conceituar programa ou outro acidente.
estabilidade, tais como A integridade se relaciona com a garantia
1. Tendência de um sistema se manter de funcionamento especificado do sistema. O
operando, de modo previsível, preciso, sistema que não perde sua integridade é
exato e seguro. confiável. A ausência de distúrbio e falha crítica
2. Extensão na qual um sistema pode ser é um aspecto da confiabilidade. O distúrbio
confiável de desempenhar as funções atrapalha o funcionamento da malha, porém
que lhe foram atribuídas, de modo sem interromper completamente a operação do
exclusivo e correto. sistema. A falha crítica causa o desligamento
3. Probabilidade que um componente, do sistema ou a perda de controle da malha.
equipamento ou sistema desempenhe Como exemplos: a flutuação da tensão ou da
satisfatoriamente sua função planejada, freqüência da alimentação do sistema, dentro
sob dadas circunstâncias, tais como as de uma determinada faixa, pode provocar
condições ambientais, valor da leitura ou controle pouco precisos, porém, o
alimentação e através da manutenção sistema contínua com a medição e com o

154
Especificação dos Instrumentos

controle. O desligamento total da tensão de e precisamente classificados de acordo com


alimentação do sistema eletrônico que normas concernentes, de modo que possam
interrompe toda medição e todo controle é uma prover proteção contra ambientes
falha crítica. Pode haver falha crítica indireta: o potencialmente adversos. Os invólucros dos
desligamento da alimentação do compressor instrumento, mesmo montados em ambientes
de ar comprimido do sistema pneumático pode, nocivos, devem protege-los, de modo que
depois de um determinado tempo, causar o durem o máximo e que o ambiente não interfira
desligamento dos instrumentos pneumáticos. na sua operação.
Sem energia elétrica não há ar comprimido, Existem basicamente duas normas para a
não há alimentação pneumática, não há classificação mecânica dos invólucros dos
medição e controle da instrumentação instrumentos: IEC e NEMA.
pneumática.
Norma NBR-IEC
Classificação Mecânica No Brasil, o órgão credenciado pelo
A operação de um instrumento pode ser INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia e
afetada pela temperatura ambiente, umidade, Qualidade Industrial) para emitir a maioria das
interferência eletrônica, vibração mecânica e normas técnicas é a ABNT (Associação
atmosfera circundante. Tipicamente, os Brasileira de Normas Técnicas), empresa não
instrumentos de medição e controle de governamental sem fins lucrativos. A maioria
processo podem estar montados ou na sala de das normas elétricas brasileiras se baseia nas
controle ou na área industrial. normas do IEC (International Electrotechnical
Comission).

Fig. 4.4. Instrumento para uso interno

A norma válida que fixa as condições


exigíveis aos graus de proteção dos invólucros
de equipamentos elétricos de baixa voltagem é
Fig. 4.3. Instrumento para uso externo a NBR 6146, DEZ 90 - Invólucros de
equipamentos elétricos - Proteção:
Especificação, baseada na norma IEC 529/76.
A sala de controle é um local fechado, onde Ela substitui e cancela as NBR 5374, 5408 e
a temperatura e umidade são geralmente 5423/77. Estas normas fornecem os métodos
controladas através de ar condicionado. O de classificar os instrumentos com relação aos
instrumento de campo pode estar totalmente ambientes em que eles podem ser usados e os
desprotegido ou ter uma proteção rudimentar procedimentos de teste para verificar se tal
adicional contra o sol, a chuva ou o vento. De classificação é conveniente.
qualquer modo, quando usado no ar livre, a Os tipos de proteção cobertos pela norma
caixa do instrumento fica exposta aos efeitos são os seguintes:
da luz ultra violeta, da chuva, da umidade, do 1. contra o contato ou aproximação de
orvalho, das poeiras, dos respingos dos pessoas às partes vivas, contra o
líquidos de processo e das sujeiras contato às partes moveis no interior do
contaminantes que circulam no ar. Eles estão invólucro e contra a penetração de
ainda submetidos a grande e rápidas variações corpos sólidos estranhos ao
de temperatura durante o dia, podendo haver equipamento e
um gradiente de temperatura entre o sol e a 2. contra a penetração prejudicial de água
sombra do instrumento exposto. Por esses no interior do invólucro onde está o
motivos, os invólucros dos instrumentos devem equipamento.
ser de alta qualidade, cuidadosamente testados

155
Tab. 4.1. Proteção do equipamento contra ingresso de corpos sólidos e líquidos, conforme IEC IP

NEMA 1 Uso geral


NEMA 2 Prova de respingos
NEMA 3 Prova de tempo
NEMA 4 Vedado a jatos d'água
NEMA 5 Vedado a poeira
NEMA 6 Uso imerso
NEMA 7 Prova de explosão, Classe I
NEMA 8 Prova de explosão, contato em óleo
NEMA 9 Prova de explosão, Classe II
NEMA 10 Prova de explosão, minas
NEMA 11 Resistente a ácidos
NEMA 12 Resistente a choque mecânico leve
NEMA 13 Prova de poeira, não vedado.

Tab.4.3. Resumo da denominação NEMA

7.156
A norma não trata dos graus de proteção 2. resistente a - significa que o
contra danos mecânicos, risco de explosão ou instrumento não se danifica quando na
condições como umidade, vapores corrosivos, presença do determinado ambiente. O
fungos, vermes ou animais daninhos. equipamento resistente a é mais frágil
A designação da norma começa com as que o a prova de. O equipamento
letras IP (Ingress Protection - proteção de resistente a geralmente possui uma
ingresso) e inclui um sufixo com dois números. restrição, por exemplo, de pressão
Opcionalmente, pode ainda ter letra máxima. Por exemplo, um relógio
suplementar: S, M ou W, que significam: resistente a água para 100 metros
S teste com equipamento em repouso, significa que funciona quando usado
M teste com equipamento em operação dentro d'água, sem se danificar, mas
mecânica até uma profundidade de 100 metros.
(A ausência das letras S e M significa que o Além deste limite, ele pode se danificar
grau de proteção vale para todas as condições e deixa de funcionar.
normais de serviço). 3. vedado a - significa que o instrumento
A letra W após as letras IP significa que o é hermeticamente selado para aquele
equipamento é apropriado para uso em determinado ambiente. Por exemplo,
condições de tempo especificadas e possui instrumento vedado a pó evita a
características adicionais de proteção, entrada de pó no seu interior.
estabelecidas entre o fabricante e usuário.
Por exemplo, um instrumento que a prova
de pó e a prova de jato fraco d'água tem a
designação de IEC IP 55. A colocação de
respiradouro para dreno pode alterar a
classificação mecânica do invólucro, por
exemplo, de IEC IP 65 para IEC IP 55.
É possível haver uma codificação com a
omissão de um dos dois dígitos (substituído por
X). Por exemplo, IEC IP X5 significa que o
instrumento é protegido apenas de jato d'água.
Outro exemplo, IEC IP 5X é uma proteção NEMA 1
apenas contra pó.

Norma NEMA
A norma NEMA (National Electrical
Manufacturers Association) fornece outro
método de classificação do invólucro do
instrumento para indicar os vários ambientes
para os quais o instrumento é adequado. A
norma cobre os detalhes de construção e os
procedimentos de teste para verificação se o
instrumento está conveniente com a NEMA 4
classificação recebida. Todas as designações
NEMA requerem invólucros resistentes à
ferrugem. Basicamente, há dois locais de uso:
interno ou externo. Os dígitos que designam a
classe NEMA variam de 1 a 13.
Há 3 termos chave nas designações
NEMA:
1. prova de - significa que o ambiente
não atrapalha o funcionamento ou
operação do instrumento. Por exemplo,
instrumento à prova de tempo funciona NEMA 7
normalmente mesmo quando
submetido aos rigores do tempo: vento,
umidade, orvalho. Ele não é Fig. 4.5. Invólucros com classe NEMA
necessariamente vedado ao tempo,
porém, se garante que, mesmo que o
ambiente entre no seu interior, ele
continua funcionando normalmente.

7.157
Especificação dos Instrumentos

Tab.4.4. Conversão de Números Tipo NEMA determinadas, durante um determinado período


para IEC de tempo e com um mínimo de atenção.
NEMA IEC A confiabilidade de um instrumento ou de
1 IP 10 uma malha de instrumentos é a consistência
2 IP 11 com que ele mede ou controla quando se
3 IP 54 supõe que hajam condições adequadas e de
3R IP 14 acordo com seu programa e ajuste. A
3S IP 54 confiabilidade de um instrumento depende do
cuidado com que ele é instalado. Para um
4 e 4X IP 56
instrumento ser bem sucedido na sua
5 IP 52
operação, ele deve ser bem selecionado,
6 e 6P IP 67 montado no lugar apropriado e ser usado
12 e IP 52 corretamente. As condições típicas que
12K precisam ser consideradas incluem:
13 IP 54 1. variações na tensão de alimentação e
tamanho dos transientes de voltagem;
Observação: não pode ser usado para converter 2. com alimentação de corrente alternada,
classificação IEC em NEMA. as variações na freqüência e conteúdo
harmônico;
3. o nível de energia de rádio freqüência
indesejável radiada pelo equipamento
não deve causar interferência nas
Embora o NEC tenha algumas comunicações de rádio;
classificações de invólucro que incluem a 4. o equipamento deve ser capaz de
classificação elétrica, a classificação mecânica tolerar alguma radiação de rádio
não pode ser confundida com a classificação freqüência se é previsto seu uso
elétrica. Elas são independentes. Por exemplo, próximo de fontes de alta potência de
o uso do instrumento em local externo nem rádio ou radar;
sempre é necessário para um local de Zona 1. 5. valores máximo e mínimo da
Assim como a classificação mecânica de uso temperatura ambiente;
externo não assegura que o instrumento possa 6. valores máximo e mínimo da umidade;
ser montado em local perigoso, a classificação 7. níveis de vibração e choque mecânico;
para uso em área classificada não garante que 8. condições externas, como exposição a
o instrumento possa ser montado em áreas pó, areia, chuva, radiação solar,
externa. respingo de água salgada ou outros
líquidos
2.4. Robustez 9. variações de carga, quando aplicável.
A robustez é a característica de um Confiabilidade e aceitação
equipamento funcionar conforme esperado,
A confiabilidade é importante por que um
mesmo quando submetido a condições
instrumento que necessita de manutenção ou
adversas, pois ele é imune às agressões do
calibração freqüentes para se manter em
meio onde ele está colocado. Instrumento
funcionamento preciso e exato, se torna mais
robusto é aquele que funciona conforme
caro do que um instrumento melhor que tem
previsto em ambiente hostil. A robustez de um
um maior custo inicial e um menor custo de
instrumento é garantida por sua classificação
manutenção. O modo correto de usar qualquer
mecânica de invólucro.
instrumento deve ser aprendido. Por isso, o
Controle robusto é aquele insensível à
pessoal de manutenção prefere usar uma
incerteza do modelo e ao comportamento
mesma marca de instrumento. Marca que seja
dinâmico do processo. Programa robusto é
desconhecida geralmente é menos confiável,
aquele que funciona bem mesmo sob
durante um determinado período de tempo.
condições anormais.
Quando algo funciona bem para a gente
antes, é apenas natural dar preferência para
2.5. Confiabilidade ele quando se tem ocorre a mesma aplicação.
Mudar para um sistema ou método novo requer
Conceitos boa justificativa.
Confiabilidade é a habilidade ou O desempenho passado conhecido não
probabilidade de um instrumento se manter em está necessariamente limitado à própria
operação, em um nível especificado de experiência em casa. Também inclui a
desempenho, sob condições ambientais experiência de outros que tenham tido de

158
Especificação dos Instrumentos

eliminar problemas similares em aplicações Fig.4.6. Curva de aceitação de novos


iguais à sua própria planta e que tenha instrumentos
aprendido a duras penas com a instrumentação
ou sistema que esteja sendo considerado. O
que se deveria fazer para conseguir os Por isso, quando se pergunta a alguém
resultados esperados quando se decidiu acerca de sua opinião sobre o desempenho de
comprar isto? um novo equipamento, é importante saber em
A Fig. 4.6. mostra um padrão de aceitação que época ou ponto da curva que se está, pois
que ocorre muito freqüentemente em plantas, a resposta depende deste ponto.
especialmente na operação. A escala
horizontal é o tempo e a vertical mostra os Confiabilidade e falhas
diferentes níveis de aceitação para novos Mesmo as falhas críticas podem ser
equipamentos em operação. Quando o pessoal evitadas ou se pode eliminar os efeitos nocivos
de operação primeiro escuta as novidades, provocados por elas. Nos exemplos anteriores,
usualmente do projeto, que se está adquirindo a colocação de uma alimentação elétrica
um equipamento novo que nunca foi usado na alternativa através de década de bateria pode
planta antes, a reação à idéia provavelmente suprir a energia ao sistema de instrumentação
fica entre a dúvida e a indiferença. Esta atitude eletrônica durante um tempo limitado e
prevalece até a época da partida, quando o determinado pela capacidade da bateria. No
operador se familiariza com o novo caso do sistema pneumático, o uso de
equipamento e os problemas usuais são compressor reserva ou de cilindro de pressão
eliminados, justo acerca de tudo que pode dar aumenta a integridade, portanto a
errado acontece. Há uma queda no nível de confiabilidade do sistema.
aceitação. Ao lado da preocupação de tornar o
Este descontentamento continua, enquanto funcionamento do sistema mais confiável, há a
durarem os problemas de produção com o colocação de dispositivos de alarme e de
novo equipamento, até que numa reunião, o intertravamento, que podem desligar os
gerente da planta declara: algo tem que ser equipamentos, interrompendo totalmente o
feito! Neste ponto, reclama-se do fabricante processo. Quando é inevitável a perda do
dos instrumentos e um especialista que controle, deve se interromper o processo,
realmente entende do equipamento, vem, evitando-se a perda inútil de material fora da
corrige os problemas e fornece as respostas especificação, protegendo-se o pessoal e o
que os manuais de instrução não dão ou que equipamento da operação.
os manuais fornecem mas que nunca foram Sob o aspecto da confiabilidade, o sistema
lidos e o novo equipamento começa a operar que requer o uso freqüente do controle manual
exatamente como era o esperado. pelo operador é pouco confiável.
O nível de aceitação se eleva às alturas e Um outro aspecto da confiabilidade do
permanece lá por muito tempo. Eventualmente, controle de processo se refere a ausência de
porém, o processo natural de desgaste ocorre falhas dos instrumentos.
e aparecem alguns pequenos problemas que Como regra, a confiabilidade do
requerem manutenção. Estes problemas são instrumento mecânico e pneumático é total
facilmente corrigidos de modo que a aceitação quando o equipamento é novo e decresce com
do novo equipamento permanece em nível a idade. O instrumento pneumático requer
satisfatório. manutenção periódica e ciclicamente ha picos
de falta de confiabilidade. A manutenção
preventiva pode evitar essas crises de
confiabilidade.

Confiabilidade e tipo de instrumentos


Os instrumentos eletrônicos possuem um
comportamento diferente. A instrumentação
eletrônica pode operar, sem problemas,
durante vários anos, desde que esteja instalada
corretamente, alimentada por tensão regulada
e operada adequadamente. Como o
instrumento eletrônico possui raras peças
moveis, pois mesmo as chaves liga-desliga
podem ser estáticas, a sua confiabilidade
independe da idade. O componente menos
confiável do sistema eletrônico é o contato. O

159
Especificação dos Instrumentos

capacitor eletrônico é um componente que peças moveis. As vibrações podem causar


pode apresentar problema, porém só é usado problemas de contato ou de ruptura dos
na fonte de alimentação. condutores em equipamentos eletrônicos.
Como segunda regra, ou como continuação
da regra do instrumento pneumático, tem-se: o Quantificação da confiabilidade
instrumento eletrônico pode apresentar A confiabilidade pode ser quantificada com
problema assim que é ligado e nas primeiras números relacionados com os tempos
horas de funcionamento. Depois que o envolvidos. Tem-se:
instrumento entra em regime permanente, MTBF, que significa Mean Time Between
dificilmente apresentará defeito, com o uso e a Fails (Tempo Médio Entre Falhas). O MTBF de
aplicação correta. um dado tipo de instrumento ou sistema é
Em eletrônica, se define como drift o determinado por teste, experiência ou ambos.
afastamento gradual das características de um Um grande MTBF é bom e depende de o
componente ou de um equipamento das fabricante do instrumento usar materiais de alta
especificadas originalmente. Atualmente, os qualidade, projeto correto e cuidado na
componentes eletrônicos para uso industrial fabricação e de o usuário aplicar o instrumento
são submetidos a tratamento especial para para o tipo de serviço para o qual ele foi
minimizar os seus desvios, como o burn in. fabricado e fazer a manutenção de rotina
Este tratamento consiste em submeter o recomendada.
componente e o instrumento inteiro a MTTR, que significa Mean Time To Repair
temperaturas artificialmente elevadas, durante (Tempo Médio Para Reparar). O MTTR é
longo tempo (p. ex., 72 horas) de modo que determinado pela experiência. Um pequeno
eles ficam envelhecidos precocemente e não MTTR é bom e depende de o fabricante
se alteram com a idade e com as condições projetar um instrumento de fácil manutenção e
ambientais. de o usuário ter estocado ou conseguir
rapidamente peças de reposição e ter uma
Confiabilidade e condições ambientais equipe de manutenção bem treinada e
A maioria dos problemas de funcionamento capacitada com facilidade de acesso ao
dos instrumentos é causada pelas variações equipamento que precisa ser reparado.
das condições de contorno e do ambiente, tais MTFF (Mean Time First Fail - Tempo Médio
como a temperatura, a umidade, a pressão, a Primeira Falha). Quando o instrumento é
poeira, a atmosfera corrosiva, a maresia, o descartável, pois não pode ser reparado, a
vento, a vibração e os choques mecânicos. confiabilidade é dada pelo tempo para haver a
Quando as especificações recomendadas pelo primeira falha. Depois desta falha o instrumento
fabricante são excedidas pelas condições reais é jogado fora e substituído por outro.
da operação, certamente aparecerão falhas no
instrumento. No aspecto de ter o desempenho Número de componentes da malha
modificado pelas condições ambientais, o A confiabilidade é melhorada pela redução
instrumento pneumático é menos sensível que de número de elos na corrente de
o eletrônico. O instrumento eletrônico teme a instrumentos. Quanto menos instrumentos tiver
alta temperatura e deixam de funcionar quando a malha, mais confiável ela é, pois cada
submetidos a temperaturas acima de 90 oC, instrumento individual tem algum risco de falha
por causa de seus circuitos que incorporam e contribui para o risco da falha da malha.
semicondutores. É recomendável o uso de ar A precisão da malha de instrumentos
condicionado, onde a temperatura e a umidade também depende da quantidade de
são controladas dentro de níveis satisfatórios instrumentos componentes. Quanto mais
nas salas de controle com instrumentação instrumentos tiver a malha, maior é o erro total
eletrônica. É mandatório o uso de ar resultante, qualquer que seja o algoritmo de
condicionado no ambiente com computadores cálculo. O melhor projeto de malha de
digitais. instrumentos é aquele que usa o mínimo
Temperaturas muito baixas (criogênicas), número de instrumentos para executar a tarefa
também podem causar problemas aos circuitos requerida. Seja o mais simples possível (em
eletrônicos, pela redução do ganho dos inglês: KISS: Keep it simple, stupid!)
circuitos semicondutores e pelo fenômeno da
supercondutividade. Por isso, a não ser que o Confiabilidade e redundância
sistema eletrônica tenho sido projetado e Deve-se ter redundância quando a falha da
previsto para estas condições especiais, o seu instrumentação na planta resulta em um risco
uso deve ser evitado. inaceitável de perigo físico ou perda
Quando há vibrações, os instrumentos momentânea. Redundância significa fornecer
mecânicos são mais afetados, por possuírem um segundo elemento alternativo para executar

160
Especificação dos Instrumentos

uma função, quando o primeiro falha. A isso ambos estão sujeitos a uma falha de modo
redundância pode ser aplicada a qualquer tipo comum.
de equipamento: sensor, controlador,
computador, fonte de alimentação, trocador de
calor, sistema completo, tubulação, cabos de
comunicação.
Para uma redundância ser totalmente
LSH LT
efetiva, cada canal deve operar totalmente
66 66
independente do outro. Isto significa que
nenhuma simples má operação, como abertura
ou fechamento incorreto de uma chave e
nenhuma simples falha, como a falha de uma LIC
fonte de alimentação, possa derrubar os dois 66
canais. Quando dois controladores são