Você está na página 1de 8

A Rede de Telefonia

A rede de Telefonia é composta por duas partes principais: a rede fixa e a rede
móvel. A rede fixa é representada por seus elementos principais na Figura 1.

Central
Equipamento Equipamento
Telefônica
do usuário do usuário
Local

Rede metálica Rede metálica

Figura 1 – Principais elementos da rede de Telefonia fixa.

Equipamento do usuário: telefone, fax/modem.

Rede metálica: composta de fios de cobre que ligam o usuário à Central telefônica.
Em redes sem fio a conexão entre usuário e Central é feito por um link de rádio.

Cada Central telefônica é identificada por um número de quatro dígitos. Cada


usuário é identificado por um número de 4 dígitos. Assim, cada conexão Local é
requisitada pelo envio de 8 dígitos.

Central Telefônica: equipamento que identifica o número do usuário originador da


conexão e o número de destino, encaminha a chamada para o usuário de destino e
mede o tempo de ocupação da conexão para fins de tarifação. Central Local:
processa o tráfego local de conexões. Central Tandem ou Central de Trânsito, serve
para interligar um conjunto de Centrais Locais entre si. Se o número do usuário de
destino pertence à própria Central Local, a conexão é realizada por esta Central. Se
o número do usuário de destino pertence a outra Central, a Central Local envia a
requisição para uma Central Tandem.

Se o número da Central Local requisitado não está na Central Tandem, esta


encaminha a conexão para outra Central Tandem que, por sua vez, está conectada
a outras Centrais locais.

O entroncamento é o meio de transmissão que interliga Centrais. Pode ser um cabo


metálico (subterrâneo, por ser um cabo de milhares de pares metálicos), fibra
óptica ou link de rádio. Na Central o sinal de voz é digitalizado usando-se a técnica
PCM. Portando, no entroncamento o sinal digital é transmitido em forma de PCM.

Interconexão: Conexão entre operadoras diferentes. A interconexão requer um


acordo entre as operadoras para fins de tarifação.

Interoperabilidade: Conexão entre equipamentos que usam padrões diferentes. Por


exemplo, a conexão entre a rede PCM e a rede GSM.
Central Móvel
Operadora X
Central
Central Móvel
Local
Operadora Y
3473

Central Central
Central
Tandem Interurba
Local
01 na
3244
Central
Internacional
Central país A
Local
3295 Central Central
Internacional país Internacional país
B C
Central Interconexão e
Tandem Interoperabilidade
02 Entroncamento

Figura 2- Diagrama de blocos da rede de telefonia

A Rede Metálica

A rede metálica é composta de fios de cobre que servem de condutor para a


corrente elétrica gerada pelo equipamento do usuário. Para cada usuário é
reservado um par de fios.

Caixa de
emendas

Equipamen Armário Central


to do de Local
usuário distribuiç

Figura 3- Rede metálica.

A Caixa de emendas serve para conectar o cabo de pares ao par metálico reservado
ao usuário.
Caixa de
emendas

40 pares 40 pares
20 pares 20 pares
10 pares 20 pares

Par 01 Par 10
Figura 4 – Caixa de emendas e passagem de
cabos.

O Armário de distribuição é um concentrador de fios que recebe como entrada os


fios que vêm da Central e como saída os fios que vão para as ruas. Nestes, os
pares são arranjados para fins de instalação e manutenção.

Armário
de
Avenida das
Margaridas

Avenida das
Camélias

Câmara
subterrânea

Para a Central
Local Cabo
subterrâneo
Figura 5 – Rede metálica e seus elementos principais. Parte aérea e
parte subterrânea.
A Câmara subterrânea serve para fazer a ligação entre a parte aérea e a parte
subterrânea da rede.

Modelo elétrico da linha telefônica

A rede telefônica é energizada na Central. O equipamento do usuário serve de


gerador de sinais elétricos. Sinal de voz analógico e sinal digital do modem.
R L Ru

48 V C C

Central Linha telefônica Equipamento do


usuário

Figura 6 – Modelo elétrico da linha telefônica.

Ru: resistência interna do equipamento do usuário.

O equipamento do usuário gera um sinal variante no tempo, quer seja a voz ou


quer sejam as senóides geradas por um modem. A linha telefônica opera na
frequência de 0 a 4 kHz para sinais de voz e na faixa de 4 kHz a 11 MHz para sinais
de modem. As perdas na linha dependem da frequência e da distância entre Central
e usuário. As reatâncias capacitivas e indutivas dependem da frequência e a
Resistência depende da distância.

Tensão( Sinal de
V) voz

48 V

tempo(s)

Figura 7. Gráfico do sinal de voz sobre a tensão da fonte da Central.


Reatância

Reatância indutiva
(ohms)

(ohms)
Resistência (ohms)

Reatância capacitiva
(ohms) Frequência
(Hz)
Figura 8. Gráfico da Reatância (Capacitiva e Indutiva) e Resistência em função da
frequência.
A Capacitância é a propriedade elétrica que expressa reação à variação de tensão.
A indutância é a propriedade elétrica que expressa reação à variação de corrente.
Na linha telefônica, a Capacitância aparece devido às cargas que se localizam nos
condutores da linha. A indutância aparece devido ao campo magnético gerado pela
corrente elétrica nos condutores.

Reatância Capacitiva: Xc=1/2π fC

Corrent
e

Corrent
e

Figura 7 – Cargas elétricas no condutor e Capacitância na linha telefônica.

Reatância Indutiva: XL=2π fL

Corrent
e

Fluxo
Magnétic
o

Corrent
e

Figura 8 – Fluxo magnético entre os fios da linha telefônica, expressa pela indutância.

A resistência não varia para valores baixos de frequência. Para valores altos, na
faixa de dezenas de MHz, a resistência começa a aumentar devido ao efeito skin.

Efeito skin: As cargas elétricas, da corrente elétrica, fogem do centro do condutor à


medida que a frequência aumenta.

F1
<F2<F3

F1 F2 F3
(Hz) (Hz) (Hz)
Figura 9 – Efeito skin. Os elétrons fogem do centro do fio.
Observa-se que a linha telefônica funciona como um filtro passa-baixas.

Espectro utilizado
Amplitude
(V)

Voz Upstream Downstrea


analógic de dados m de dados
a
4 4,31 138 11000 f(kHz)

Upstream: envio de dados no sentido usuário  web. A faixa de frequência


reservada é menor, pois o tráfego de dados neste sentido é menor.

Downstream: recepção de dados, sentido web  usuário. A faixa de frequência


reservada é maior pois o tráfego de dados neste sentido é maior.

A perda de energia na linha acontece devido à resistência dos fios. A perda


acontece em forma de calor e é dada pela fórmula

P= RI2

Para linhas longas, é necessário amplificar o sinal, pois o sinal do usuário chega
com potência abaixo do limite mínimo de operação da Central Local.

A atenuação aumenta com os seguintes fatores:


• Maior comprimento dos fios de cobre;
• Menor diâmetro do fio;
• Existência de derivações na rede;
• Maior frequência de transmissão.

Amplificad
Usuário

Híbrida

Central
Híbrida

Local

Híbrid or Híbrid
a Amplificad a
or

4F 2F 4F 2F 4F

2F: dois
fios
4F: 4 fios
Figura 10 – Conversão de 2 fios para 4 fios na linha telefônica efetuada pela Híbrida.

Híbrida: Circuito que isola eletricamente o circuito do transmissor do circuito do


receptor. Tanto no equipamento do usuário como na Central, a transmissão é
separada da recepção. A Híbrida converte esses dois circuitos em um só para que
possam trafegar na rede metálica, que é de 2 fios, e conecta o usuário à Central
Local.
Para que possam ser amplificados, esses sinais precisam ser separados, pois o
amplificador é um dispositivo direcional.

Ganho e Perda de Potência na Linha Telefônica

O Ganho é dado pelos amplificadores e as perdas são causadas pela resistência da


linha. O Ganho e a perda (Atenuação) de potência são dados em decibéis (dB). A
linha telefônica funciona como um atenuador.

Pi Po Pi Po

Amplificado
Atenuador
r
Po: Potência de
saída
Pi: Potência de
No Amplificador: Po>Pi. No atenuador: Po<Pi. O Ganho em decibéis é dado por

Po
G = 10 log
Pi

Pi
e a Atenuação A = 10 log
Po

A Potência pode ser expressa como um Ganho em relação a um valor de referência.


Os valores de referência comumente adotados são: 1 mW e 1 W. Assim, definem-
se as seguintes unidades de Potência

P (mW )
P (dBm ) = 10 log
1

P (W )
P( dBW ) = 10 log
1

Pode-se relevar a unidade no denominador.

Sabendo que P=V2/R, em dB tem-se

V2 R
10 log P = 10 log +10 log
Vref2 Rref

V R
10 log P = 20 log +10 log
Vref Rref

Para P=1 mW, Rref=600 Ω, Vref=0,775 V, adotando a resistência do ponto de


medição R=600 Ω, o termo que contém as resistências é anulado e obtêm-se as
seguintes unidades de tensão
V (Volts )
V ( dBV ) = 20 log
0,775

Para uma tensão de referência de 1 mV, que corresponde a uma referência de


medida de Campo Elétrico 1 mV/m, tem-se a tensão em dBmV e correspondente
medida de Campo Elétrico dBmV/m

V ( mV )
V ( dBmV ) = 20 log
1

Para uma tensão de referência de 1 µV, que corresponde a uma referência de


medida de Campo Elétrico 1 dBµV/m tem-se a tensão em dBµV e correspondente
medida de Campo Elétrico1

V ( µV )
V ( dB µV ) = 20 log
1

O dBµV é utilizado na medição do Campo Elétrico de ondas eletromagnéticas


geradas por estações de rádio. Uma vez que a unidade de Campo Elétrico é
Volts/m, a unidade de Campo elétrico usando dBµV como tensão, torna-se dBµV/m.

O deciBel(dB) é medida de Ganho em relação a um valor de referência. Se o valor


de referência é 1 mW tem-se a medida de potência dBm. Se o valor de referência é
1 W, tem-se a medida de potência dBW. Se o valor de referência é 1 µV/m, tem-se
a medida de Campo Elétrico dBµV/m.

Operações com decibéis

1. Soma e subtração: X dB ± Y dB = (X ± Y) dB

2. X dBm – Y dBm = (X-Y) dB

3. X dBm + Y dBm : é necessário converter dBm para watts, efetuar a soma e


converter o resultado para dBm.

4. Multiplicação e Divisão de valores em dBm: é necessário converter de dBm


para watts, efetuar a multiplicação/divisão e converter o resultado para
dBm.

5. Multiplicação e Divisão de valores em dB: Não faz sentido.

1
Na medida de Campo Elétrico é comum o uso de dBmV e dBµV, omitindo-se o
metro.