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O elemento voluntarista na sociologia de Talcott Parsons

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A Sociologia de Talcott Parsons

Introdução

No início do século XX, entre uma crise internacional do capitalismo e entre as duas guerras mundiais, surgiu na sociologia americana um autor que se definia a si mesmo como sendo um teórico extremo. Talcott Parsons foi um dos responsáveis por dotar a sociologia de uma posição de destaque na comunidade académica norte-americana. Trabalhando num período histórico muito conturbado, Parsons contrariou a tendência seguida pelos seus conterrâneos e passou a dedicar todo o seu esforço na fundação de uma base teórica consistente que pudesse conferir um status verdadeiramente científico à sociologia do seu país, que até então marcada pelo empiricismo, dispersão e por uma certa superficialidade. Talcott Parsons é possui uma vasta e controversa produção científica e, embora actualmente não haja uma aceitação geral da sua sociologia, a sua análise é de grande importância, mesmo que apenas revele alguns aspectos importantes muitas vezes ignorados pelos sociólogos, nomeadamente a necessidade de teorização. A sociologia da Parsons surgiu com a preocupação de responder à crise internacional dando ênfase à ordem social como o fundamento para a estabilidade dos sistemas de interacção entre os actores sociais. Aqui encontramos uma influência de Durkheim, pois este autor foi também motivado pelo ideal de superação da crise moral e política que se vivia na Europa no final do século XIX. Parsons acreditava ser possível um aperfeiçoamento gradual do capitalismo mundial, o qual reconhecia ser imperfeito. Para isso, constrói uma teoria que enfatiza o esforço individual e a acção activa dos actores sociais. Em vez da coesão social ser o resultado da existência colectiva durkheimiana, Parsons entende que os homens, devidamente organizados nas sociedades, poderiam estabelecer compromissos sociais conscientes e construir consensos que tornariam viável a composição de uma sociedade estável e produtiva.

de certa forma.Funcionalismo e Estrutural-Funcionalismo O estrutural-funcionalismo "pode ser interpretado como uma corrente teórica sociológica que compreende o social pela ideia da instituição de sistemas. Esta convergência de pensamento fez com que Parsons reinterpretasse as obras daqueles autores. Departamento de Serviço Social e Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Ponta Grossa. mas de forma interactiva e com vista à integração do conjunto. sobretudo na importância que deu à acção voluntária e não condicionada dos actores.o voluntarismo. Cordova.6(1). procura-se explicar o funcionamento sistemático do social. tomando-se analiticamente semelhança a um corpo orgânico"1. Parsons afirmava que nas obras destes autores (à excepção de Freud) havia uma certa convergência. Esta relação do todo e das partes que o compõem. 1 . existe nelas um sistema teórico comum .Alfred Marshall. A teoria sistémica desenvolvida por Parsons acabou por configurar o estruturalfuncionalismo. Maria Julieta Weber. certamente encontra uma referência no pensamento de Durkheim. O contributo dos clássicos O contributo dos clássicos foi muito importante para a formulação da teoria da acção em Parsons. o que levou a um novo pensamento . 257-276. por uma visão institucionalista. ou seja. 2007. que podem ser entendidos pelo funcionamento das suas partes. Mas Parsons distanciou-se das teorias precedentes nalguns alguns aspectos. Tanto no Funcionalismo como no Estrutural-Funcionalismo verifica-se uma existência de uma compreensão da sociedade como sendo um conjunto complexo de acções individuais unificadas por uma cultura comum. quando este define que os fenómenos sociais encontram uma receptividade na própria constituição orgânico-psíquica do indivíduo. A sua obra The Structure of Social Action reúne várias ideias de pensadores importantes . As obras destes autores têm uma relação efectiva com a teoria da acção e. Talcott Parsons e o Esquema Conceptual da Acção. Émile Durkheim. Também possui influências de Freud. Revista Emancipação Vol.a Teoria Geral da Acção. Vilfredo Pareto e Max Weber. que juntamente com o positivismo e o funcionalismo clássico compõem um conjunto de teorias sociais enfatizadoras da ordem e da estabilidade. pp.

o livro The Structure of Social Action centra-se sobretudo no desenvolvimento de um sistema teórico coerente a que Parsons chamou Teoria Voluntarista da Acção. pretendeu a unificação conceptual no seio da Sociologia.42 Segundo Durkheim. Embora com algumas diferenças. toma em consideração o comportamento dos outros e é por ele afectada no seu curso"2. mas não pelos costumes. Ainda em Weber. mas a solidariedade que se gera entre os homens. Esta teoria representa uma síntese dos conhecimentos e dos conceitos das escolas utilitarista. "a acção é social na medida em que. os indivíduos tornam-se interdependentes. ou seja. foi Pareto o primeiro a tratar este assunto com profundidade. a união social. como forma de assegurar a solidariedade orgânica. 3 2 . são diferentes e necessários. Parsons tentou criar um conceito unificado de acção social na teoria sociológica e propões-se a analisar este assunto de uma forma analítica. como os órgãos de um ser vivo. Guy. p. positivista e idealista. Para Weber. Em Durkheim também estuda a sua tese sobre a consciência colectiva. através da divisão do trabalho social. O elemento voluntarista na sociologia de Talcott Parsons Rocher. garantindo.3 Com o contributo dos clássicos. Sendo a acção social um dos conceitos mais importantes na teoria de Parsons. a Solidariedade Orgânica é uma característica das sociedades capitalistas.Desta forma. assim. Os indivíduos não se assemelham. onde. Sociologia Geral. em função da significação subjectiva que o indivíduo ou os indivíduos que agem lhes atribuem. Parsons pretendeu chegar a um conceito unificado de acção social. Assim. as sanções e a interiorização das normas. Parsons interessou-se pela tese que ele escreveu sobre as origens do capitalismo e pela relação que estabeleceu sobre a religião. dividindo as acções sociais em lógicas (se existe coincidência entre o objectivo e o subjectivo) e não lógicas (se essa coincidência não acontece). entre valores. sociologicamente. a Teoria da Acção Social de Parsons partilha algumas premissas com o modelo de acção social de Weber. o efeito mais importante da divisão do trabalho não é o aumento da produtividade. tradições etc. práticas e crenças.

sendo a acção humana uma variável importante para a complexidade de interacções que constituem o sistema social. A acção social situa-se em quatro contextos: o biológico. que se está a referir. Numa tentativa de tornar a sociologia como uma ciência rigorosa. Quando Parsons fala de sociedade. Parsons estabelece como base de seu modelo teórico o conceito de sistema social (que difere do conceito de sociedade). nas suas interecções diárias. Os traços essenciais da acção social residem portanto na sensibilidade do acor à significação das coisas e dos seres ambientais. Parsons define o voluntarismo como sendo o processo subjectivo da tomada de decisões dos actores individuais.Na sua formulação inicial. um fim para o qual se orienta. Para ele o sistema social consiste "numa pluralidade de actores individuais interactuando uns com os outros numa situação que contém pelo menos um 4 O sistema das sociedades modernas p. Ao contrário do que os funcionalistas clássicos diziam. um ambiente ou uma situação. no estrutural funcionalismo norte americano as normas sociais ou morais aparecem apenas como um dos elementos básicos de uma estrutura complexa que compõe o sistema de acção social. inclui um elemento voluntarista no funcionalismo. Essas acções não seriam totalmente pré-definidas e os actores sociais. ainda que insista na ideia de uma necessidade de ordem e seja reconhecidamente um conservador. desempenhariam um papel activo na formação dos valores comuns que os unificam e tornam-se possível a organização social. o psíquico. à tomada de consciência dessas significações e à reacção às mensagens que estas últimas transmitem"4 A acção social implica sempre: um actor. o social e o cultural. observando essas decisões como o efeito parcial de certos tipos de constrangimentos normativos e situacionais. De acordo com ele. é a uma realidade concreta. significações que tem em conta e a que responde. circunscrita e localizada. Sistema de acção. sistema social e sociedade Para Parsons. Parsons. "a acção social é todo o comportamento humano motivado e guiado pelas significações que o actor descobre no mundo exterior.15 . os homens agiriam de forma orientada e tendo sempre em vista determinados fins.

O segundo nível de abstracção é aquele em que Parsons distingue no sistema de acção quatro subsistemas: o sistema do organismo comportamental (ou orgânico) o . que não interagem. mais geral. ideias e crenças tratadas como objecto pelo ego e não interiorizad como os elemento constitutivo da sua personalidade. O objectivo de Parsons não é analisar a manifestação externa das acções dos indivíduos em sociedade. actores motivados por uma tendência para obter um óptimo de gratificação e cujas relações com as suas situações . composto por quatro subsistemas: adaptação (adaptation) prossecução de objectivos (goal attainment). bem como os mecanismos e processos que controlam essa padronização. que poderiam ser qualquer outro actor individual (alter). sistema da personalidade. ou a colectividade. De acordo com o conceito de sistema social. identificamos que a unidade elementar dos sistemas sociais são as acções orientadas dos indivíduos em relação a objectos específicos numa dada situação. A terceira classe seria composta pelos objectos culturais.aspecto físico ou um meio ambiente. uma cultura comum seria um requisito fundamental para o estabelecimento de um sistema de acção estável. mas sim a sua padronização.incluindo os outros actores . Assim sendo. Assim entendido. mas que são alvos das suas orientações.estão mediadas e definidas por um sistema de símbolos culturalmente estruturados e compartilhados"5. A primeira classe seria a dos objectos sociais. são incapazes de responder ao ego. elementos simbólicos. i. esses objectos seriam os meios e condições necessárias à acção. o sistema social é um instrumento de análise. os seus produtos padronizados e significativos. Guy Rocher no seu livro Talcott Parsons et la Sociologie Américaine diz que podemos distinguir três níveis de análise no uso do termo sistema.. mas essa unidade cultural não pode ser entendida como sinónimo de uma consciência colectiva. o sistema social e o sistema cultural. Estas orientações seriam sempre dirigidas a objectos. composta pelos actores. desde instrumentos até obras de arte. 5 Social System . o actor em si mesmo quando o seu ponto de referência é ele mesmo (ego). O primeiro é o do esquema conceitual da teoria geral da acção. A segunda classe seria constituída pelos objectos físicos. os actores agiriam a partir de uma orientação prévia correspondentes a situações específicas. e. Segundo a formulação parsoniana. ou seja. uma forma de compreender o real mas não é o equivalente conceitual de uma realidade concreta. que ele divide em três classes. integração (integration) e latência (part maintenance/latency) Este é o nível de análise mais abstracto.

p. o poder no subsistema político. manutenção do padrão (ou estabilidade normativa). Entre os diversos subsistemas há um fluxo constante de trocas. a persistência dos modelos de agir e de pensar da sociedade. enquanto transmissor de cultura. a influência no subsistema comunidade societária. enquanto conjunto de actividades que assegura a produção e circulação de bens de consumo.a moeda no subsistema económico. ao governo. organização e mobilização de recursos do sistema sociedade. 6 sistema das sociedades modernas. A cada um dos subsistemas referidos corresponde uma função: à economia. as normas. A sociedade desdobra-se em quatro subsistemas: comunidade societária. entendido como o conjunto complexo de processos e meios de tomada de decisão.22 . por sua vez. as colectividades e os papéis. cabe a função de prossecução de objectivos (goal attainment). através da socialização. Os subsistemas intercomunicam por meio de símbolos (meios de troca) . Os subsistemas da sociedade No sistema geral de acção. os compromissos (commitements) no subsistema de manutenção do padrão ou de estabilidade normativa. o subsistema da manutenção de padrão.Por fim. cede-lhe outros elementos (outputs) que são o resultado do seu próprio funcionamento. corresponde a adaptação. pois através de instituições como o direito e o aparelho judiciário. a função de integração é assegurada por meio do subsistema que Parsons denomina comunidade societária. assegura. leva os membros a solidarizarem-se na interacção. que responde a uma das quatro funções primárias de todo o sistema. o terceiro nível de análise é o dos conceitos que correspondem a realidades concretas. por fim. É o caso da noção de sociedade. governo e economia6. a sociedade é considerada como um subsistema integrador. Cada subsistema recebe dos três restantes elementos (inputs) que são necessários à persistência activa e . Componentes estruturais do sistema social sociedade Parsons distingue quatro categorias de componentes estruturais: os valores.

é composta por sua vez por dois elementos interrelacionados: as condições. Teoria Geral da Acção Parsons considera toda a acção como uma totalidade do "unit-act". e a orientação normativa da acção que corresponde às condutas ao nível microssociológico. que o actor pode controlar. onde se inicia e se dá o acto. que remete para os conjuntos sociais ao nível macrossociológico. a acção pressupõe um actor numa determinada situação em parte controlada por ele e uma combinação de fins submetidos à escolha do actor através de um conjunto de critérios normativos. não sendo nem simples nem isolada. Assim sendo. igrejas. O acto é um conjunto diferenciado de factores interrelacionados que compreende um actor. difundidas e penalizadoras dentro de um universo social particular. Parsons distingue ainda uma dupla perspectiva na acção: a estrutura normativa da acção. etc). a acção humana está situada entre duas realidades de "não acção" que a condicionam: o meio ambiente físico e o meio ambiente simbólico ou cultural. .Sendo a unidade do sistema social o actor. e pelos meios. Para os fins da teoria da acção. A esse sector de um sistema de interrelação. É através da actuação dos seus diferentes papéis que cada indivíduo se transforma em actor. um objectivo e uma situação. Na maior parte das relações o actor não participa como entidade total. universidades. Participa unicamente como sector diferenciado da sua acção total. ou nas colectividades componentes de um sistema mais complexo (famílias. o acto-unidade (unit-act) é a unidade concreta mais reduzida que se pode conceber. empresas. São elas que orientam os comportamentos concretos de acordo com os valores aceites na colectividade. As normas ou modelos de comportamento são maneiras de pensar e de agir apreciadas. enquanto que as normas especificam o comportamento desejável em cada papel. As colectividades podem ser entendidas como teias de papéis que se tecem umas às outras à volta de certos valores ou ideias. Esta situação. sobre as quais o actor não tem qualquer tipo de controle. a estrutura social é um sistema modelado das interrelações sociais dos actores. Para Parsons. São os valores que precisam as orientações desejáveis para o sistema como um todo. chama-se papel.

Parsons afirma que o sistema de acção não é estático. por sua vez. mudança estrutural. a integração interna do sistema e a estabilidade dos padrões ou função de latência (part maintenance). Estes sistemas de acção requerem. Em teoria. sendo o eixo central da teoria geral da acção de Parsons. pelos pré-requisitos funcionais e também pelos processos do próprio sistema. a que Parsons chama pré-requisitos funcionais. enquanto sistema. variáveis estruturais de orientação para o objecto (que são a neutralidade afectiva e a afectividade.sendo este último aquilo que dá à acção humana um significado específico na medida em que ela se reveste de um carácter simbólico e normativo. a especificidade e a difusão). o conceito de equilíbrio tem uma referência normativa. Os papéis no sistema social são como os órgãos no organismo humano e de um ponto de vista de um funcionamento social estas funções do sistema geral de acção são a adaptação ao ambietne físico. No que se refere aos processos. a prossecução dos objectivos (goal-attainment). Parsons afirma que o sistema social está em constante actividade .a dinâmica do equilíbrio social . Parsons diz que a noção de função diz respeito a um conjunto de actividades destinadas a responder a uma necessidade do sistema. As variáveis estruturais. Desde que a estrutura do sistema social consista numa cultura normativa institucionalizada (como é o que Parsons pretende) a manutenção destes padrões normativos constitui uma referência básica para analisar o equilíbrio do sistema.querendo com isto dizer que o movimento faz parte da própria natureza do sistema social. uma condição de estrutura (composta pelos modelos normativos ou pelas variáveis estruturais que têm esse papel). Parsons diz ainda que existem quatro funções em todo o sistema de acção. Estas funções só poderão ser satisfeitas se existirem funções correspondentes. ou seja. Parsons divide-as em: variáveis estruturais da modalidade do objecto (que são o universo e o particularismo). são constituídas pelos modelos culturais e servem para estruturar o sistema de acção. cada uma existindo especificamente para responder a uma necessidade do sistema. Os sistemas de acção estruturam-se em volta de três focos integrativos que são o actor individual ou sujeito-actor. Daqui surge-nos a noção de equilíbrio. etc. sobretudo na obra Social System. o sistema interactivo e o sistema de pautas culturais. Estes pré-requisitos funcionais do sistema social são cumpridos por meio dos papéis. por uma noção de função7. Por outro lado. o seu desequilíbrio. estando sim em movimento precisamente por causa destes processos. a performance e a qualidade. 7 .

ou seja. para Parsons a acção humana é cultural. pelo que é possível afirmar que ele tem uma visão hipersocializada da acção. Observamos que "os elementos fundamentais de todo o sistema de acção são o actor e a sua situação. situação. No livro Social System o autor fala de uma hierarquia cibernética do sistema geral de acção que constitui um importante princípio de integração e de mudança. Parsons define valor como "um elemento de um sistema simbólico compartido que serve de critério para a selecção entre as alternativas de orientação que se apresentam intrinsecamente abertas numa situação"9. a sociedade mais não seria que um sistema de valores e que este sistema de valores seria totalmente integrado na medida . p. normas e valores. The Social System. um mecanismo para imprimir valores. TAS PARSONS. A teoria da acção social na sociologia Parsoniana Na sociologia parsoniana existe uma tendência para fazer coincidir o conteúdo normativo com o conteúdo subjectivo da acção. A existência de certas relações supõe a existência de factores que as estruturem. El Sistema Social (trad. para Parsons. castelhana). Talcott.Para Parsons. existindo assim uma relação de acção e uma relação de interacção. para Parsons. 9 8 . e reguladores dos processos que contribuem para a execução de práticas padronizadas de valor. tal como possibilita analisar de forma mais correcta os processos que acarretam estes desequilíbrios. normas e valores). Maria Stock. integrativas. símbolos. sendo as normas essencialmente sociais. Assim podemos concluir que. a noção de equilíbrio permite observar melhor os desequilíbrios permanentes na relação actor-situação. Apesar de reconhecer os aspectos biológicos e hereditários dos elementos constituintes de toda a acção social (actor.22. A socialização é. lhes confiram uma certa estabilidade e lhes permitam uma certa duração"8. Ele olha para os valores como sendo o elemento fundamental de ligação entre os sistema cultural e o social. 1979. pois para ele os sentidos e as intenções referentes aos actos são formados através de sistemas simbólicos. Nesta medida. é através dela que os homens transmitem e recebem valores. Revista de Occidente. Parsons atribui uma importância especial aos símbolos. Madrid. Esta hierarquia cibernética diz que existe no sistema de acção uma circulação de energia e de informação que provoca a acção do sistema. sendo esta composta por objectos físicos e objectos sociais.

Ed. Talcott. Este nível do sistema é o responsável por integrar a tomada de decisões por parte dos indivíduos como uma variável importante na explicação geral. . La Estructura de la Acción Social (trad. de personalidade e organismo comportamental. O sistema cultural é responsável pela imposição dos direitos e proibições. Além disso a integração torna-se ainda mais complexa devido ao facto de cada um desses indivíduos serem também organismos que possuem desejos e disposições que influenciam directamente os seus hábitos.930. O sistema cultural é composto pelos padrões de valores comuns aos actores que orientam os seus comportamentos. 1977. aparece como o componente principal deste sistema maior. pois os actores agem de acordo com as determinações originadas nos outros três subsistemas (social. A terceira função é a da prossecução dos objectivos (goal attainment). que o autor define como sendo "a ciência que procura desenvolver uma teoria analítica dos sistemas de acção social (que implica uma pluralidade de actores mutuamente orientados para a acção recíproca). Isto não é algo simples. de personalidade e organismo comportamental).em que considera a integração como a função social por excelência e os valores comuns como sendo a condição da integração. que se refere à relação entre o sistema social e o sistema de personalidades individuais. Apesar de fornecer estas orientações. Esta 10 PARSONS. o mundo físico. determinando o que é correcto e incorrecto numa sociedade. Para além de serem constituídos por elementos distintos. O sistema social. os níveis do sistema de acção desempenham funções específicas no complexo social. p. Guadarrama. uma vez que é composto pela interacção entre os agentees. Por fim o organismo comportamental está relacionado com as disposições e habilidades necessárias à acção. o sistema cultural não determina a acção. Isto seria basicamente o essencial da Sociologia de Parsons. Parsons identifica a existência de um sistema geral de acção que divide em quatro subsistemas: social. pois estes agentes são ao mesmo tempo actores e objectos de orientação. Madrid. Como já foi referido. as personalidades e os sistemas sociais. os organismos. O sistema de personalidades diz respeito aos elementos individuais que definem os objectivos das acções dos actores. O sistema social é responsável pela integração (integration). na medida em que estes sistemas podem ser entendidos em termos de propriedade da integração de valores comuns"10. cultural. O sistema cultural possui a função de manutenção do padrão através do estabelecimento de modelos de orientações em relação ao sistema de acção. The Structure of Social Action. castelhana). que já foi definido anteriormente.

função pressupõe aprendizagem e manutenção por parte dos actores e de motivações adequadas ao padrão de acções existentes no sistema social. Em suma. Há ainda quem o apelide de conservador. Os críticos de Parsons Muitos teóricos afirmam que grande parte da produção científica de Parsons reduz-se à esquematização arbitrária do óbvio. Pelo contrário. Esta independência é importante para a estabilidade do sistema geral. Aqui. Existem três categorias de objecções: a primeira não nega a validade do esquema de Parsons mas considera-o incompleto. a segunda nega no todo ou em parte essa validade. As principais objecções ao sistema de Parsons dizem respeito à solução do problema da ordem e da mudança social. a ordem social e a estabilidade. entram em cena os elementos básicos que possibilitam a vida e as condições de interacção. Isto implica um procedimento contínuo de valorização e controle sobre as acções indiv iduais. levantando. ainda que todos se integrem na composição do sistema de acção social. que são a unidade básica das sociedades. no entanto. pois é necessário que haja um equilíbrio entre a liberdade das personalidades. assinalam o valor descritivo do esquema AGIL. As quatro funções desempenhadas pelo conjunto dos subsistemas configuram a complexidade de determinações que actuam sobre a acção social. A última função é a de adaptação (adaptation) e diz respeito às condições necessárias ao exercício das acções sociais por parte dos indivíduos. sérias dúvidas quanto à sua capacidade de explicação e previsão. deve ser exercido controle sobre a personalidade. como a alimentação e outras condições físicas. Este processo de aprendidazem ocorre durante toda a vida do indivíduo por meio de um complexo processo de socialização que resulta na construção dos indivíduos como membros da sociedade. . porque Parsons privilegia o equilíbrio. Parsons realça que cada subsistema deve ser analisado independentemente. é no sistema social que ocorre a integração entre todos os outros subsistemas da acção. quando as motivações e acções não são adequadas para a estabilidade do sistema social. mais moderados. Quando um indivíduo age de forma positva a sua actuação é valorizada por um sistema de recompensas que o incentiva a continuar a ter essa conduta. enquanto que outros. a terceira evidencia as consequências sociais da análise sistémica. os desejos e aptidões dos organismos e a padronização cultural.

1956) procurou demonstrar como o conflito pode ter consequências positivas de integração e dinamização. evolucionista e estruturalfuncional. A terceira categoria de críticos vê na análise sistémica uma defesa dos interesses sócio-políticos do conservadorismo. confere ao facto social um puro simbolismo. possuidora de um idealismo subjectivista. Coser (The Functions of Social Conflict. ou seja. por um lado reduz as relações sociais às motivações dos actores e. Conclusão Em síntese. ao concentrar a atenção sobre as estruturas normativas.A primeira categoria diz que Parsons. foi levado a conceber o conflito como factor sobretudo de consequências destrutivas e disfuncionais. A sua sociologia. composta pelos tais valores partilhados pelos actores. por outro lado. Lockwood e Wright Mills. Parsons é um funcionalista. é fundamentalmente uma sociologia do consenso. Estes diminuem a importância do elemento normativo e sugerem a oportunidade de construir um outro modelo. na medida em que procura estabelecer uma relação entre o actor e a sua situação. que mantêm e garantem a ordem social. na medida em que. A segunda categoria dos contestadores é constituída por Dahrendorf. podemos afirmar que a sociologia de Parsons caracteriza-se por um certo psicologismo e culturalismo. . defendendo que as expectativas dos actores e a realização das suas acções dependem dos condicionamentos que a interacção lhes impõe. O funcionalismo de Parsons é assim sistémico. à cultura.

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