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FATEB - FACULDADE DE TELÊMACO BORBA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA


ÊNFASE EM FABRICAÇÃO DE CELULOSE E PAPEL

ALEXANDRE MARQUES DE ALMEIDA


CLAUDIO MOISES DA SILVA
PÂMILA THAIS HEITKOETER DE MELO
KAROLLINE CHRISTINY SZEREMETA DA SILVA

PROJETO DE UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO


DE EFLUENTES LÍQUIDOS (ETE) DE UMA
INDÚSTRIA DE PAPEL TISSUE PELO PROCESSO
DE LODOS ATIVADOS

TELÊMACO BORBA - PR
2009
ALEXANDRE MARQUES DE ALMEIDA
CLAUDIO MOISES DA SILVA
PÂMILA THAIS HEITKOETER DE MELO
KAROLLINE CHRISTINY SZEREMETA DA SILVA

PROJETO DE UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE


EFLUENTES LÍQUIDOS (ETE) DE UMA INDÚSTRIA
DE PAPEL TISSUE PELO PROCESSO DE LODOS
ATIVADOS

Trabalho apresentado para a disciplina de


Projetos e Processos, do Curso de Engenharia
Química, da Faculdade de Telêmaco Borba,
como requisito parcial para aprovação desta
disciplina.

Professor: Luis Renato Pesch

TELÊMACO BORBA - PR
2009
iii

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS .........................................................................................................iv


LISTA DE TABELAS ........................................................................................................ v
LISTA DE SÍMBOLOS .................................................................................................... vii
1. DEFINIÇÃO DO PROJETO ....................................................................................... 01
2. OBJETIVO DO PROJETO ......................................................................................... 03
3. PREMISSAS DO PROJETO ....................................................................................... 03
4. DESCRIÇÃO DO PROCESSO ................................................................................... 05
4.1 Descrição do Processo Industrial: Planta de Aparas ................................................ 05
4.1.1 Máquina de fabricação de papel ...................................................................... 07
4.2 Descrição da ETE de Lodos Ativados ...................................................................... 08
4.2.1 Lodos ativados de aeração prolongada ............................................................ 11
5. CARACTERÍSTICAS DO EFLUENTE A SER TRATADO .................................. 12
6. BALANÇO HIDRAULICO E DE MASSA ................................................................ 13
6.1 Cinética das Reações ................................................................................................. 15
6.2 Memória de Cálculo do Sistema de Tratamento ...................................................... 15
6.3 Características Finais do Efluente Tratado ............................................................... 25
7. DIMENSIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS ................................................... 26
7.1 Tratamento Preliminar .............................................................................................. 26
7.2 Tratamento Secundário e de Lodo ............................................................................ 29
8. OPERAÇÃO DO SISTEMA DE TRATAMENTO.................................................... 41
8.1 Organograma da Empresa ........................................................................................ 41
9. AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA ................................................... 43
9.1 Cenário 1: Projeto ETE Lodos Ativados ................................................................... 43
9.2 Cenário 2: Sem Tratamento Com Multa Diária ........................................................ 46
9.3 Comparativo dos Cenários Estudados ...................................................................... 47
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 48
ANEXO A: Resolução CONAMA Nº 357/2005 .............................................................. 51
ANEXO B: Fluxograma com Balanços ........................................................................... 65
ANEXO C: Fluxograma com Instrumentação ............................................................... 66
ANEXO D: Planta de Instalação e Layout ...................................................................... 67
ANEXO E: Layout Geral .................................................................................................. 68
ANEXO F: Perfil Hidráulico ............................................................................................ 69
iv

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1. Fluxograma típico de um sistema de Lodos Ativados com Aeração Prolongada


[Fonte: SPERLING, 1996] .................................................................................................. 12
FIGURA 2. Representação gráfica do Balanço de Massa [Fonte: PILOTTO, 2004] ......... 13
FIGURA 3. Balanço de massa dos sólidos no sistema de Lodos Ativados [Fonte:
SPERLING, 1996] ............................................................................................................... 16
FIGURA 4. Relações de dimensionamento das Calhas Parshall, segundo norma ASTM
1941:1975 ............................................................................................................................ 28
FIGURA 5. Simbologia adotada para o projeto dos tanques cilíndricos do processo......... 33
FIGURA 6. Organograma proposto para a operação da planta de tratamento. ................... 41
v

LISTA DE TABELAS

TABELA 1. Premissas pré-definidas para o projeto – características esperadas para o


efluente tratado (Anexo A) ..................................................................................................04
TABELA 2. Características esperadas para o efluente bruto gerados na planta industrial
.............................................................................................................................................. 13
TABELA 3. Variáveis de Grau de Liberdade definidos para o projeto ............................ 14
TABELA 4. Dados calculados no balanço do sistema de Lodos Ativados projetado......... 22
TABELA 5. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para a Lagoa de
Polimento. ............................................................................................................................ 23
TABELA 6. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para o Adensador de
Lodo. ................................................................................................................................... 23
TABELA 7. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para a Centrífuga
Decanter .............................................................................................................................. 24
TABELA 8. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para os Produtos
Químicos requeridos (Nutrientes) ....................................................................................... 24
TABELA 9. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa da saída final do efluente
tratado para o rio. ................................................................................................................ 25
TABELA 10. Dados pré-definidos para dimensionamento do tratamento preliminar ....... 26
TABELA 11. Dimensionamento das Calhas Parshall segundo norma ASTM 1941:1975 . 29
TABELA 12. Dados calculados para dimensionamento do tratamento preliminar ............ 29
TABELA 13. Dados pré-definidos para dimensionamento dos tanques de neutralização, do
tanque de aeração, do decantador secundário e da lagoa de polimento. ............................. 30
TABELA 14. Dados pré-definidos para dimensionamento do adensador, da centrífuga, dos
tanques de espuma, de filtrado e de lodo ............................................................................. 31
TABELA 15. Dados pré-definidos para dimensionamento dos tanques de produtos
químicos. ............................................................................................................................. 31
TABELA 16. Dados calculados para os tanques de neutralização .................................... 38
TABELA 17. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de aeração (reator
biológico). ............................................................................................................................39
TABELA 18. Dados calculados para o dimensionamento do decantador secundário ........ 39
TABELA 19. Dados calculados para o dimensionamento da lagoa de polimento.............. 39
vi

TABELA 20. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de espuma do


decantador secundário.......................................................................................................... 30
TABELA 21. Dados calculados para o dimensionamento do adensador de lodo ............... 40
TABELA 22. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de efluente clarificado
do adensador e centrífuga. .................................................................................................. 40
TABELA 23. Dados calculados para o dimensionamento tanque de lodo adensado.......... 40
TABELA 24. Dados calculados para o dimensionamento dos tanques de diluição de
produtos químicos. .............................................................................................................. 41
TABELA 25. Parâmetros a serem controlados pelo laboratório e operador da ETE .......... 42
TABELA 26. Estimativa de custos para implantação do projeto da ETE........................... 43
TABELA 27. Custos previstos com energia elétrica requerida para os equipamentos
eletromecânicos da ETE. ..................................................................................................... 44
TABELA 28. Custos estimados de produtos químicos e recursos humanos ...................... 45
vii

LISTA DE SÍMBOLOS

Eg Eficiência da grade [%]


Au Área útil da grade [m²]
As Área da seção do canal da grade [m²]
hmáx. Altura máxima do canal da grade [m]
B Largura do canal da grade [m]
Ne Numero de espaço da grade [-]
Nb Numero de barras da grade [-]
vg Velocidade da grade [m/s]
vc Velocidade no canal da grade [m/s]
hl Perda de velocidade na grade (limpa) [m]
ho Perda de velocidade na grade (obstruída) [m]
Qeb Vazão de efluente bruto na entrada da ETE [m3/h]
Xeb Concentração de sólidos suspensos totais (SST) na entrada da ETE [g/m3]
Seb Substrato (DBO) presente na entrada da ETE [g/m3]
Meb Vazão mássica de efluente na entrada da ETE [kg/h]
pH Potencial hidrogênio-iônico [-]
DBO Demanda bioquímica de oxigênio [mg/L]
BQO Demanda química de oxigênio [mg/L]
Acx Seção transversal da caixa de areia [m²]
Bcx Largura da caixa de areia [m]
L Comprimento da caixa de areia [m]
Tes Taxa de escoamento superficial [m³/m².d]
Vareia Volume diário de areia removida [m³/d]
Hareia Altura da areia acumulada diariamente [m/d]
l Intervalo entre as limpezas da caixa [d]
Qa Volume de areia removida por hora [L/h]
Hmáx. Altura máxima da Calha Parshall [m]
Hmin. Altura mínima da Calha Parshall [m]
Z Altura do degrau Z da Calha Parshall [m]
Qneu Vazão de NaOH ou H2SO4 para neutralização do efluente [L/h]
viii

Vn Volume útil do tanque de neutralização [m3]


Tn Diâmetro do tanque de neutralização [m]
Hn Altura do nível do liquido do tanque de neutralização [m]
Dn Diâmetro do impelidor do tanque de neutralização [m]
Ln Largura da pá do tanque de neutralização [m]
Cn Distância entre o fundo do tanque e o centro do impelidor [m]
Bwn Largura das chicanas do tanque de neutralização [m]
wn Largura da pá do impelidor do tanque de neutralização [m]
TDHta Tempo de detenção hidráulico no tanque de aeração [h]
Vnta Volume necessário para o tanque de aeração [m3]
Vta Volume útil do tanque de aeração [m3]
F/M Relação alimento/microrganismo no tq. de aeração [kg DBO/kg SSVTA.d]
IVL Índice volumétrico de lodo [mL/g]
D Coeficiente de difusão molecular [m2/s]
Cs Concentração de saturação de O2 na água [mg/L]
xp Profundidade de penetração do oxigênio [m]
NO Necessidade específica de Oxigênio [kg O2/kg DBO]
DTO Consumo de O2 para a oxidação da matéria orgânica [kg O2/d]
Pta Potência requerida para os sopradores de ar [CV]
DP Densidade de potência [W/m3]
Ppa Potência requerida por soprador [CV]
IL Idade do lodo [d]
µmáx Taxa de crescimento específico máxima [d-1]
Y Coeficiente de produção celular [mg/mg]
kd Coeficiente de decaimento bacteriano [d-1]
Ks Constante de saturação [mg/L]
Xv Sólidos suspensos voláteis no tanque de aeração [mg/L]
EDBOt Estimativa teórica da eficiência da remoção de DBO do sistema em [%]
função da TDH
EDQOt Estimativa teórica da eficiência da remoção de DQO do sistema em [%]
função da TDH
EDBO Eficiência de remoção de matéria orgânica no tanque de aeração [%]
∆Xv Taxa de produção de lodo [kg/d]
ix

fb Estimativa da fração biodegradável de Xv [-]


Qar Vazão volumétrica de ar no sistema [m3 Ar/h]
EO Eficiência de oxigenação [kg O2/kW.h]
rhoar Densidade da ar [kg/m3]
Qnut Vazão volumétrica de nutrientes (MAP e Uréia) [L/h]
QN Vazão mássica necessária de nitrogênio [kg/L]
QP Vazão mássica necessária de fósforo [kg/L]
Q0rb Vazão volumétrica na entrada do tanque de aeração [m3/h]
X0rb Concentração de sólidos suspensos na entrada do tanque de aeração [g/m3]
M0rb Vazão mássica na entrada do tanque de aeração [kg/h]
S0rb Substrato (DBO) na entrada do tanque de aeração [g/m3]
CO0rb Carga orgânica na entrada do tanque de aeração [kg DBO/h]
pH0rb Potencial hidrogênio iônico no tanque de aeração [-]
TAHds Tempo de aplicação hidráulico no decantador secundário [m3/m2.h]
TDHds Tempo de detenção hidráulico do decantador secundário [h]
Ads Área superficial do decantador secundário [m2]
Dds Diâmetro do decantador secundário [m]
Vds Volume útil do decantador secundário [m3]
Q0d Vazão volumétrica na entrada do decantador secundário [m3/h]
X0d Concentração de sólidos na entrada do decantador secundário [g/m3]
M0d Vazão mássica na entrada do decantador secundário [kg/h]
S0d Substrato (DBO) na entrada do decantador secundário [g/m3]
CO0d Carga orgânica na entrada do decantador secundário [kg DBO/h]
Qr Vazão volumétrica do retorno do lodo para tanque de aeração [m3/h]
Xr Concentração de sólidos suspensos do retorno do lodo [g/m3]
Mr Vazão mássica do retorno do lodo para tanque de aeração [kg/h]
Sr Substrato (DBO) do retorno do lodo para tanque de aeração [g/m3]
COr Carga orgânica do retorno do lodo para tanque de aeração [kg DBO/h]
Qex Vazão volumétrica do excesso do lodo para adensador [m3/h]
Xex Concentração de sólidos suspensos excesso do lodo para adensador [g/m3]
Mex Vazão mássica do excesso do lodo para adensador [kg/h]
Sex Substrato (DBO) do retorno do excesso do lodo para adensador [g/m3]
COex Carga orgânica do retorno do excesso do lodo para adensador [kg DBO/h]
x

TAHad Tempo de aplicação hidráulico no adensodor de lodo [m3/m.2.h]


TDHad Tempo de detenção hidráulico do adensodor de lodo [h]
Aad Área superficial do adensodor de lodo [m2]
Dad Diâmetro do adensodor de lodo [m]
Vad Volume útil do adensador de lodo [m3]
Qsa Vazão volumétrica na saída de filtrado do adensador de lodo [m3/h]
Xsa Concentração de sólidos suspensos do filtrado do adensador de lodo [g/m3]
Msa Vazão mássica na saída de filtrado do adensador de lodo [kg/h]
Qla Vazão volumétrica na saída de lodo adensado [m3/h]
Xla Concentração de sólidos suspensos da saída de lodo adensado [g/m3]
Mla Vazão mássica na saída de filtrado da saída de lodo adensado [kg/h]
Q0c Vazão volumétrica na entrada da centrífuga [m3/h]
X0c Concentração de sólidos suspensos na entrada da centrífuga [g/m3]
M0c Vazão mássica na entrada da centrífuga [kg/h]
Qsc Vazão volumétrica da saída de filtrado da centrífuga [m3/h]
Xsc Concentração de sólidos suspensos da saída de filtrado da centrífuga [g/m3]
Msc Vazão mássica na saída de filtrado da centrífuga [kg/h]
Qld Vazão volumétrica de lodo desidratado na saída da centrífuga [m3/h]
Xld Concentração de sólidos do lodo desidratado na saída da centrífuga [g/m3]
Mld Vazão mássica de lodo desidratado na saída da centrífuga [kg/h]
CS Carga de sólidos da saída de lodo da centrífuga [kg SS/d]
Qec Vazão volumétrica do efluente clarificado do adensador e centrífuga [m3/h]
Xec Concentração de sólidos do efluente clarificado dos filtrados [g/m3]
Mec Vazão mássica do efluente clarificado dos filtrados [kg/h]
Qesp Vazão estimada de espuma do decantador secundário [m3/h]
Vnlp Volume necessário para a lagoa de polimento [m3]
Vulp Volume útil para a lagoa de polimento [m3]
As Área superficial da lagoa de polimento [m2]
Hlp Profundidade útil da lagoa de polimento [m]
d Número de dispersão da lagoa de polimento [-]
Kl Coeficiente de remoção de substrato, para lagoas, com fluxo disperso [d-1]
Q0lp Vazão volumétrica na entrada da lagoa de polimento [m3/h]
X0lp Concentração de sólidos na entrada da lagoa de polimento [g/m3]
xi

M0lp Vazão mássica na entrada da lagoa de polimento [kg/h]


S0lp Substrato (DBO) na entrada da lagoa de polimento [g/m3]
CO0lp Carga orgânica na entrada da lagoa de polimento [kg DBO/h]
Qslp Vazão volumétrica na saída da lagoa de polimento [m3/h]
Xslp Concentração de sólidos na saída da lagoa de polimento [g/m3]
Mslp Vazão mássica na saída da lagoa de polimento [kg/h]
Sslp Substrato (DBO) na saída da lagoa de polimento [g/m3]
COslp Carga orgânica na saída da lagoa de polimento [kg DBO/h]
ESt Eficiência total de remoção de substrato (DBO) no efluente bruto [%]
EXt Eficiência total de remoção de sólidos suspensos no efluente bruto [%]
1

1. DEFINIÇÃO DO PROJETO

O projeto proposto por nossa equipe consiste de uma estação de tratamento de


efluentes líquidos (ETE) por lodos ativados pelo método de aeração prolongada de uma
indústria de papel “tissue”, sendo que a matéria-prima base desta indústria são aparas de
papel reciclado e eventualmente celulose branqueada.
O processo de tratamento de efluentes por lodos ativados consiste em se provocar
o desenvolvimento de uma cultura microbiológica na forma de flocos (lodos ativados) em
um tanque de aeração, que é alimentada pelo efluente a ser tratado [5]. Neste tanque, a
aeração tem por finalidade proporcionar oxigênio aos microorganismos, evitar a deposição
dos flocos bacterianos e os misturar homogeneamente ao efluente. Esta mistura é
denominada "licor" [5]. O oxigênio necessário ao crescimento biológico é introduzido no
licor através de um sistema de aeração mecânica, por ar comprimido, ou ainda pela
introdução de oxigênio puro, sendo que neste projeto é proposta a aplicação de oxigênio
por sopradores de ar do tipo roots.
O licor é enviado continuamente a um decantador (decantador secundário),
destinado a separar o efluente tratado do lodo. O lodo é recirculado ao tanque de aeração a
fim de manter a concentração de microorganismos dentro de certa proporção em relação à
carga orgânica afluente [5]. O sobrenadante do decantador é o efluente tratado, pronto para
descarte ao corpo receptor ou para tratamento terciário.
O excesso de lodo, decorrente do crescimento biológico, é extraído do sistema
sempre que a concentração do licor ultrapassa os valores de projeto. Este lodo pode ser
espessado e desidratado, tendo como aplicação o uso em agricultura ou para fabricação de
cerâmicas em geral, entre outras aplicações.
O tratamento de águas residuárias pela ação de microrganismos resulta na
estabilização dos compostos orgânicos poluentes, e emprega reatores (bioreatores) com
diferentes configurações, constituindo verdadeiros ecossistemas microbianos. O principal
efeito dos processos biológicos de tratamento de rejeitos é a despoluição ambiental. Entre
os diferentes métodos de tratamento biológico de efluentes, pode-se citar o processo de
lodos ativados, que é um método comum e versátil de estabilizar os resíduos orgânicos
presentes em águas residuárias. Este processo aeróbio consiste primeiramente, na
assimilação da matéria orgânica por uma massa ativa de microrganismos em suspensão.
Posteriormente, a ocorrência de floculação dos microrganismos e outros materiais
coloidais em suspensão tornam a biomassa (massa biológica), ou floco, sedimentável, o
2

que determina a produção de um efluente de qualidade elevada. A floculação ou


aglutinação biológica permite a separação dos microrganismos em suspensão, do meio
líquido, dentro do decantador secundário, proporcionando assim, o seu retorno ao tanque
de aeração. Por conseguinte, a eficiência global do processo de lodos ativados e,
consequentemente, a qualidade do efluente final é diretamente dependente da
sedimentabilidade do floco e do processo.
Os métodos físico-químicos nem sempre são suficientes para obtenção de uma
boa eficiência no tratamento, sendo assim, empregam-se métodos biológicos, com a
utilização de microorganismos que provocam a depuração do ambiente a ser tratado. Os
métodos biológicos podem ser classificados também como tratamento secundário, onde,
segundo VON SPERLING (1996, 2005), a essência do tratamento secundário de esgotos
domésticos é a inclusão de uma etapa biológica. Porém a inclusão desta etapa biológica
não mais é especifica para esgotos domésticos, sendo aplicada também em efluentes
industriais.
Ainda de acordo com VON SPERLING (1996, 2005), uma vasta gama de
microorganismos pode ser detectada num esgoto doméstico ou industrial. Dentre estes
microorganismos os que mais se destacam são: as bactérias, os fungos, protozoários e
algas.
• Bactérias e Arquéias: são os microorganismos mais importantes e numerosos,
sendo responsáveis pela decomposição e estabilização da matéria orgânica e de
demais poluentes;
• Protozoários: são os elementos mantenedores do equilíbrio das várias formas de
organismos;
• Algas: não possuem função especifica, ao contrario, podem ser fruto do próprio
desenvolvimento do tratamento.
A análise apurada destes microorganismos pode indicar se o esgoto possui
quantidades significativas de patogênicos ou se uma Estação de Tratamento Biológica está
em perfeitas condições.
Segundo VON SPERLING (1996, 2005), no tratamento secundário a remoção da
matéria orgânica é efetuada por reações bioquímicas, realizadas por microorganismos,
enquanto nos tratamentos preliminar e primário predominam mecanismos de ordem física.
Sendo assim, uma Estação de Tratamento de Efluentes pode ser classificada pelos
seguintes níveis de tratamento.
• Nível Preliminar: remoção de sólidos grosseiros;
3

• Nível Primário: remoção de sólidos suspensos totais;


• Nível Secundário: remoção de matéria orgânica;
• Nível Terciário: remoção de poluentes específicos.
As principais vantagens do processo de Lodos Ativados, quando comparadas com
os demais métodos de tratamento, são:
• Grande eficiência na redução da matéria orgânica;
• Ocupa espaço reduzido;
• Investimento e custo operacional compatíveis com fabricas de papel;
• Admite variação na vazão e na carga orgânica aplicadas;
• Não produz mau cheiro;
• Não favorece a proliferação de insetos e vermes.

2. OBJETIVO DO PROJETO

Projetar uma estação de tratamento de efluentes pelo processo de lodos ativados


com aeração prolongada, de uma indústria de papel “tissue” que tem como principal
matéria-prima aparas de papel reciclado. Sendo o efluente tratado é lançado em um corpo
receptor do tipo Classe III.
O objetivo principal da Estação de Tratamento de Efluentes é transformar a
matéria orgânica poluidora em subprodutos, de forma que o líquido lançado no corpo
receptor atenda aos padrões da Legislação vigente regulamentada no Brasil pelo
CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), onde o órgão oficial fiscalizador no
Paraná é o IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Contribuindo para a redução da poluição
ambiental e melhor bem estar da comunidade em geral, preservando os recursos naturais.

3. PREMISSAS DO PROJETO

As premissas para este projeto esta diretamente relacionada com a qualidade do


efluente tratado que é lançado no rio (corpo receptor), conforme resolução do CONAMA
357/2005 Artigo 16 e 34 descrito no Anexo A, para um rio de Classe III. Para a elaboração
do projeto da Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos, as premissas pré-definidas de
projeto são descritas na TABELA 1.
4

TABELA 1. Premissas pré-definidas para o projeto – características esperadas para o


efluente tratado (Anexo A).
Premissas de Projeto Dados UN.
DBO 5 dias a 20°C 10,0 mg/L O2
OD (Oxigênio Dissolvido) < 4,0 mg/L O2
Turbidez Máx. 100,0 UNT
Cor Máx. 75,0 mg Pt/L
Sólidos Sedimentáveis < 1,0 mL/L
Temperatura < 40 ºC
pH 6,0 a 9,0 -

De acordo com o Art. 16 do CONAMA, para as águas de Classe III são


estabelecidos algumas outras condições para o efluente lançado no corpo receptor:
• Não verificação de efeito tóxico agudo a organismos, de acordo com os critérios
estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por
instituições nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de
ensaio ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido;
• Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
• Óleos e graxas: virtualmente ausentes;
• Substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
• Não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que
não sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração
convencionais;
• Resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes;
• Coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não
deverá ser excedido um limite de 2500 coliformes termotolerantes por 100
mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período
de um ano, com freqüência bimestral. Para dessedentação de animais criados
confinados não deverá ser excedido o limite de 1000 coliformes termotolerantes
por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o
período de um ano, com freqüência bimestral. Para os demais usos, não deverá ser
excedido um limite de 4000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80%
ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante o período de um ano, com
periodicidade bimestral. A E. Coli poderá ser determinada em substituição ao
parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo
órgão ambiental competente;
5

4. DESCRIÇÃO DO PROCESSO

4.1 Descrição do Processo Industrial: Planta de Aparas

É a unidade onde são processadas as aparas separando os contaminantes que


podem prejudicar a qualidade do produto final. É composta pelos seguintes equipamentos:
• Esteira transportadora: onde os fardos de aparas são liberados dos arames que os
envolvem e são dispostas na esteira, alimentando o desagregador;
• Desagregador de alta consistência: é onde se inicia realmente o processo
industrial. Trata-se de um tanque cilíndrico com capacidade de 12 m3 dotado de um
rotor helicoidal, onde são adicionadas as aparas e a água. Após 15 a 20 minutos de
operação as aparas são desmanchadas, constituindo-se na polpa celulósica. Neste
processo as impurezas contidas nas aparas, principalmente os plásticos, não são
picados facilitando a sua posterior remoção;
• Descontaminador: é um equipamento onde é feita a primeira separação das fibras
boas das impurezas. A massa é retirada do desagregador pela sucção de uma bomba
e passa por uma peneira que separa as impurezas maiores; ao final da operação as
impurezas são lavadas para separar as fibras boas que são enviadas junto com a
polpa e as impurezas são enfardadas e enviadas para o armazenamento temporário
de resíduos sólidos;
• Tanque de massa TQ 01: recebe a polpa do desagregador e a mantém sob agitação;
• Depurador centrífugo de média consistência: sua função é retirar os contaminantes
pesados como pedras, parafusos, clipes, grampos, porcas, etc;
• Depurador primário de média consistência: removem contaminantes como
pequenos pedaços de plásticos, elásticos, pedaços de isopor, lascas de metal, pedras
de pequeno tamanho que escapam do equipamento anterior, etc. A massa aceita e
isenta de contaminantes segue diretamente para o tanque de massa TQ 02 e os
contaminantes mais uma porção de fibras segue diretamente para o depurador
secundário;
• Depurador secundário de média consistência: recebe o fluxo de rejeito do
depurador primário. A massa aceita segue para o tanque seguinte;
• Tanque de massa TQ 02: recebe a massa oriunda da depuração mantendo-a em
agitação;
6

• Depurador centrífugo primário em baixa consistência: separam da polpa as


partículas de pequeno tamanho pelo efeito da força centrífuga;
• Depurador centrífugo secundário em baixa consistência: tem a função de continuar
a separação das fibras das impurezas, agora em maior concentração. As fibras
retornam para a entrada a entrada do depurador primário e o rejeito ainda misturado
com fibras segue para o estágio seguinte;
• Depurador centrífugo terciário em baixa consistência: recebe o rejeito do
depurador secundário e tem a função de completar a separação das fibras da areia.
A massa isenta de areia retorna para a entrada do depurador secundário e a areia é
depositada numa caçamba;
• Depurador primário em baixa consistência: recebe o fluxo de massa do depurador
centrífugo. Tem a função de separar partículas extremamente pequenas como fios
de linha, plásticos, isopor, aparas não totalmente desagregadas, pedaços
solidificados de colas, palitos, e tudo mais que conseguiu passar pelos estágios
anteriores de limpeza. O aceite de massa depurada segue para o estágio seguinte, e
o rejeito constituído de fibras e as impurezas seguem para a próxima etapa;
• Depurador secundário em baixa consistência: recebe o rejeito do depurador
primário. Tem por função separar completamente as fibras dos rejeitos. A massa,
agora totalmente isenta de impurezas segue para a etapa seguinte, e as impurezas
são dispostas na caçamba da desagregação;
• Lavador de tela inclinada (Side Hill): recebe o fluxo de massa e água, em baixa
consistência, diretamente do depurador primário e do secundário. A sua função é
separar a carga mineral e as tintas dissolvidas na água. A massa segue para a etapa
seguinte do processo e o filtrado segue para o sistema de clarificação de água
carregando parte das partículas de tinta e da carga mineral;
• Lavador de tambor: recebe a massa do lavador de tela inclinada;
• Tanque de massa TQ 03: recebe a massa oriunda da etapa de lavagem mantendo-a
em agitação;
• Caixa de nível: a sua função é manter um fluxo constante para a etapa seguinte;
• Rosca engrossadora: sua função é elevar a consistência da massa para 10%
possibilitando a estocagem num volume menor.
• Torre de estocagem: recebe a massa da rosca engrossadora (a 10% de consistência),
sua função é armazenar a massa num volume suficiente para suprir a máquina de
papel durante o horário de ponta;
7

• Clarificador de água: recebe as águas contendo tinta e carga mineral oriundas da


etapa de lavagem. Sua função é, por processos físico-químicos, retirar da água os
sólidos suspensos e neutralizar a tinta dissolvida, produzindo a água clarificada,
reutilizada no processo da Planta de Aparas e nos chuveiros de lavagem na
máquina de papel. Como resíduo é retirado neste processo um lodo contendo carga
mineral e uma porção de tinta, sendo conduzido para Estação de Tratamento de
Efluentes.

4.1.1 Máquina de fabricação de papel

A máquina de papel é formada por um conjunto de equipamentos, tais como:


• Circuito de aproximação: é o conjunto formado por uma caixa de nível, por tanque
cilíndrico destinado a coletar as águas oriundas da máquina de papel, por uma
bomba de mistura onde a massa é diluída com água, por um depurador e por uma
peneira vibratória para receber o rejeito do depurador e separar eventuais
contaminantes da massa;
• Formador Crescent Former: constituído de um rolo formador e por cinco rolos
auxiliares, um a tela, um esticador e um regulador de tela. Fazem parte ainda os
chuveiros para a lavagem contínua da tela, a carenagem e a calha para
desaguamento;
• Caixa de entrada: aplica a suspensão de polpa celulósica pressurizada, num jato
uniforme através dos lábios da caixa de entrada no espaço entre a tela formadora e
feltro. Um grade volume de água é separado através da tela e o feltro conduz a
folha úmida para a zona de secagem;
• Secagem: é constituída de um cilindro, de um feltro, de rolos guias do feltro de
esticador e de regulador do feltro, de caixa de sustentação da folha, de tubo
condicionador de feltro e de caixa de vácuo de dupla fenda, estruturas, calhas,
raspadores de rolos, chuveiros de limpezas do feltro e dos rolos. O cilindro é
continuamente abastecido com vapor saturado no seu interior, aquecendo a
superfície onde ocorre a troca térmica com a folha, evaporando a água e secando a
folha;
• Enroladeira: a folha já seca é enrolada num tubete até diâmetro desejado. Uma vez
formada, a bobina é removida e colocada no estoque para conversão para o produto
final.
8

4.2 Descrição da ETE de Lodos Ativados

O sistema de tratamento proposto é uma ETE pelo processo de Lodos Ativados,


da modalidade Aeração Prolongada de fluxo Contínuo.
Neste processo, seus tanques e acessórios têm as seguintes funções genéricas [4]:
• Tanque de Aeração: promover o desenvolvimento de uma colônia microbiológica
(biomassa), a qual consumirá a matéria orgânica do efluente; a quantidade de
biomassa é expressa como SSTA (sólidos em suspensão no tanque de aeração);
• Aeradores, Compressores ou Sistema de Oxigênio Puro (Sopradores de Ar):
fornecer oxigênio ao licor, mantendo no mesmo uma concentração adequada (1,5 -
2,0 mg/L) de Oxigênio Dissolvido, necessário ao metabolismo dos
microorganismos aeróbicos;
• Decantador Secundário: separar a biomassa que consumiu a matéria orgânica do
efluente, a qual sedimenta-se no fundo do decantador, permitindo que o
sobrenadante seja descartado como efluente tratado, já com sua carga orgânica
reduzida e isento de biomassa;
• Bombas de Recirculação: retornar a biomassa ao tanque de aeração, para que a
mesma continue sua ação depuradora; o crescimento da biomassa é contínuo,
ocorrendo a necessidade de um descarte periódico de quantidades definidas da
mesma.
Os sistemas de tratamento por lodos ativados são os mais amplamente
empregados no mundo todo em tratamentos de esgotos e em tratamentos de efluentes
industriais, principalmente pela alta eficiência alcançada associada à pequena área de
implantação requerida, quando comparado a outros sistemas de tratamento (SPERLING,
2005). Este processo está baseado na oxidação bioquímica dos compostos orgânicos e
inorgânicos presentes nos efluentes, mediada por uma população microbiana diversificada
e mantida em suspensão num meio aeróbio. A eficiência do processo depende, dentre
outros fatores, da capacidade de floculação da biomassa ativa e da composição dos flocos
formados (BENTO, et. al., 2005).
Em tratamentos de efluentes a simples aeração não é suficiente para tratar a água,
sendo necessário provocar a atividades dos microorganismos, daí o nome lodo ativado que
tem origem na Inglaterra (activated sludge), antigamente pensava-se que a atividade
provinha do lodo, mas atualmente sabe-se que a atividade vem do próprio esgoto, através
9

da formação de flocos, estes flocos é que recebem o nome de lobo ativado (IMHOFF,
2002).
Os processos biológicos reproduzem, de certa maneira, os processos que ocorrem
em um corpo d’ água após o lançamento de despejos. No corpo d’ água, a matéria orgânica
é convertida em produtos mineralizados inertes por mecanismos puramente naturais,
caracterizando o assim chamado fênomeno de autodepuração. Em uma estação de
tratamento de esgotos os mesmos fenômenos básicos ocorrem, mas a diferença é que há
em paralelo a introdução de tecnologia. Essa tecnologia tem como objetivo fazer com que
o processo de depuração se desenvolva em condições controladas (controle da eficiência) e
em taxas mais elevadas (solução mais compacta).
A compreensão da microbiologia do tratamento de esgotos é, portanto, essencial
para a a otimização do projeto e operação dos sistemas de tratamentos biológicos. No
passado, as estações de tratamento eram projetadas por engenheiros tendo por base
critérios essencialmente empíricos. Nas útimas décadas, o caráter multidiciplinar da
Engenharia Sanitária tem sido reconhecido, e os biólogos tem trazido fundamentais
contribuições para a compreenção do processo. O conhecimneto racional tem se
expandido, com o comcomitante decréscimo do nível de empirismo, possibilitando a que
os sistemas venham a ser projetados e operados em bases mais sólidas. O resultado tem
sido o aumento da eficiência e a redução nos custos (SPERLING, 1996, p.11).
A massa microbiana envolvida nos processos aeróbios é constituida basicamente
por bactérias e protozoários. Outros organismos como fungos e rotíferos podem ser
eventualmente encontrados, mas a sua importância é menor. A capacidade dos fungos se
sobreviver em faixas de pH reduzidas e com pouco nitrogênio faz com que os mesmos
possam ser importantes no tratamento de certos despejos industriais. No entanto, fungos de
estrutura filamentosa podem prejudicar a decantabilidade do lodo, reduzindo a eficiência
do processo. Os rotíferos são eficientes no consumo de bactérias dispersas e pequenas
partículas de matéria orgânica. A sua presença no efluente indica um eficiente processo de
purificação biológica (METCALF & EDDY, 1991 p. 30).
O processo de Lodos Ativados é um sistema de tratamento biológico em que a
estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação bacteriológica (oxidação
aeróbia). O sistema de Tratamento proposto neste projeto é composto de:
• Gradeamento: tem por função remover sólidos grosseiros. No gradeamento, o
material de dimensões maiores do que o espaçamento entre as barras é retido;
• Caixa de areia prismática retangular por gravidade: o mecanismo de remoção da
10

areia é simplesmente o de sedimentação: os grãos de areia, devido às suas maiores


dimensões e densidade, vão para o fundo do tanque, enquanto a matéria orgânica,
sendo de sedimentação bem mais lenta, permanece em suspensão, seguindo para a
jusante;
• Medidor de vazão efluente bruto tipo Calha Parshall: recebe o efluente sem sólidos
grosseiros e sem areia para medição da vazão na entrada da estação;
• Tanques de neutralização: neutraliza as cargas alcalinas ou ácidas do efluente a fim
de manter um pH estável na entrada do tratamento biológico;
• Tanque de aeração (reator biológico): onde ocorre a degradação da matéria
orgânica via ação do crescimento aeróbio de microrganismos;
• Decantador secundário: no decantador secundário ocorre a sedimentação dos
sólidos (biomassa), permitindo que o efluente final saia clarificado. Os sólidos
sedimentados no fundo do decantador secundário são recirculados para o reator,
aumentando a concentração de biomassa no mesmo, o que é responsável pela
elevada eficiência do sistema;
• Tanque de espuma do decantador secundário: armazena a espuma removida do
decantador secundário;
• Adensador de lodo: concentra o lodo biológico em excesso proveniente do sistema
de lodos ativados;
• Tanque de lodo biológico: armazena o lodo adensado a fim de alimentar a
centrífuga para desidratação deste lodo;
• Centrífuga Decanter (sistema de desidratação de lodo biológico): desidrata o lodo
biológico adensado a um teor de sólidos acima de 20%;
• Tanque de efluente clarificado do adensador e centrífuga decanter: armazena o
efluente clarificado do adensador e da centrífuga para recirculação no processo ou
encaminhamento direto para lagoa de polimento;
• Tanques de diluição de ácido sulfúrico: onde ocorre o preparo da solução de ácido
sulfúrico para dosagem no processo para neutralização do efluente;
• Tanques de diluição de hidróxido de sódio: onde ocorre o preparo da solução
hidróxido de sódio para dosagem no processo para neutralização do efluente;
• Tanques de diluição de nutrientes (Uréia e MAP): onde ocorre o preparo da
solução de nutrientes para dosagem na entrada do tanque de aeração;
• Tanque de diluição de antiespumante: tanque de preparo de antiespumante para
dosagem na saída da lagoa e no tanque de aeração para controle da formação de
11

espuma;
• Lagoa de polimento: responsável pelo polimento da matéria orgânica residual na
saída do decantador secundário;
• Medidor de vazão efluente tratado tipo Calha Parshall: mede a vazão de efluente
tratado para o rio.

4.2.1 Lodos ativados de aeração prolongada

No sistema de lodos ativados convencional, o lodo permanece no sistema de 4 a


10 dias (idade do lodo). Com este período, a biomassa retirada no lodo excedente requer
ainda uma etapa de estabilização no tratamento do lodo, por conter ainda um elevado teor
de matéria orgânica biodegradável na composição de suas células (SPERLING, 2005,
p.305).
No entanto, caso a biomassa permaneça no sistema por um período mais longo,
com uma idade do lodo da ordem de 18 a 30 dias (daí o nome aeração prolongada),
recebendo a mesma carga de DBO do efluente bruto que o sistema convencional, haverá
uma menor disponibilidade de alimento para as bactérias (SPERLING, 2005, p.305).
Devido à maior idade do lodo, o reator possui um maior volume (o tempo de
detenção do líquido é em torno de 16 a 24 horas) e, em decorrência, uma maior quantidade
de biomassa. Portanto, há menos matéria orgânica por unidade de volume do tanque de
aeração, e por unidade de massa microbiana. Como resultado, as bactérias, para sobreviver,
passam a utilizar nos seus processos metabólicos a própria matéria orgânica componente
das suas células. Esta matéria orgânica celular é convertida em gás carbônico e água
através da respiração (SPERLING, 2005, p.305). Isto corresponde a uma estabilização da
biomassa, ocorrendo no próprio tanque de aeração. Enquanto no sistema convencional a
estabilização do lodo é feita em separado (na etapa de tratamento de lodo), na aeração
prolongada ela é feita conjuntamente, no próprio reator. Desta forma, o fluxograma do
tratamento do lodo requer apenas uma etapa de adensamento e desidratação, dispensando a
etapa de digestão (estabilização) (SPERLING, 2005, p.305).
Já que não há necessidade de se estabilizar o lodo biológico excedente, procura-se
evitar no sistema de aeração prolongada também a geração de alguma outra forma de lodo,
que venha a requerer posterior estabilização. Deste modo, os sistemas de aeração
prolongada usualmente não possuem decantadores primários, para evitar a necessidade de
se estabilizar o lodo primário. Com isto, obtém-se uma grande simplificação no
12

fluxograma do processo: não há decantadores primários nem unidades de digestão de lodo


(SPERLING, 2005, p.305).
A conseqüência desta simplificação do sistema é o maior gasto de energia para a
aeração, já que o lodo é estabilizado aerobiamente no reator. Por outro lado, a reduzida
disponibilidade de alimento e a sua praticamente total assimilação fazem com que a
aeração prolongada seja um dos processos de tratamento de efluentes industriais e
domésticos mais eficientes na remoção de DBO (SPERLING, 2005, p.305).

FIGURA 1. Fluxograma típico de um sistema de Lodos Ativados com Aeração


Prolongada [Fonte: SPERLING, 1996].

5. CARACTERÍSTICAS DO EFLUENTE A SER TRATADO

As prováveis características dos efluentes gerados na planta industrial


considerados para a execução do projeto são descritos na TABELA 2. Onde são
apresentadas as características de vazões máxima, mínima e média, como também a
qualidade média dos efluentes líquidos a ser tratados na planta de tratamento de efluentes.
13

TABELA 2. Características esperadas para o efluente bruto gerados na planta


industrial.
Efluente Bruto
Vazão média 65,48 m3/h
Vazão máxima 98,03 m3/h
Vazão mínima 36,56 m3/h
DBO 5 dias 640 mg/L
DQO 1600 mg/L
Sólidos Suspensos Totais (SST) 718 mg/L
Temperatura média 27 ºC
pH 7,6 -

O método utilizado para as medições de vazão do efluente industrial é através de


Calha Parshall. O método utilizado para estimação da vazão de efluente sanitário é a
Tabela da NBR 7229 ABNT. A periodicidade das descargas é contínua.

6. BALANÇO HIDRAULICO E DE MASSA

A fim de realizar o balanço material e hidráulico do processo, foram definidas


algumas variáveis como “Grau de Liberdade” do projeto, que são descritos na TABELA 3.
O balanço de massa de reatores envolve a entrada e saída de materiais no reator e
reações cinéticas de produção e consumo de substrato e biomassa. Como o balanço de
massa baseia-se na lei da conservação de massa, a quantidade de material acumulado deve
ser igual à quantidade de material que entra menos a quantidade que sai mais a quantidade
transformada dentro de um volume qualquer.

Acúmulo = Entrada – Saída + Produção – Consumo

FIGURA 2. Representação gráfica do Balanço de Massa [Fonte: PILOTTO, 2004].


14

TABELA 3. Variáveis de Grau de Liberdade definidos para o projeto.


Grau de Liberdade Dados UN.
Calha Parshall
Dosagem H2SO4 ou NaOH 10 L/h
Tanque de Neutralização
Tempo de detenção hidráulico (TDH) 1,5 h
Tanque de Aeração (Reator Biológico)
Razão de recirculação de sólidos 0,3 -
Coeficiente de decaimento bacteriano (kd) 0,09 d-1
Taxa de crescimento específico máxima (µmax) 1,758 d-1
Constante de saturação (KS) 60 mg/L
Coeficiente de produção celular (Y) 0,99 mg/mg
Dosagem de antiespumante 5 L/h
Concentração antiespumante 1 %
Decantador Secundário
Taxa de aplicação de sólidos 9,6 kg SS/m2.d
Fator de segurança decantador 100 %
Percentagem de remoção de espuma 1 %
Eficiência de remoção de sólidos 90 %
Profundidade útil 3,5 m
Tanque de Espuma
Tempo de detenção hidráulico (TDH) 5 h
Lagoa de Polimento
Tempo de detenção hidráulico (TDH) 3 d
Dosagem de antiespumante 5 L/h
Concentração antiespumante 1 %
Adensador de Lodo
Concentração lodo removido 4 %
Eficiência de adensamento 90 %
Taxa de aplicação de sólidos 17 kg SS/m2.d
Fator de segurança adensador 100 %
Profundidade útil 3,5 m
Centrifuga Desidratação de Lodo
Eficiência remoção de sólidos centrífuga 90 %
Teor de sólidos secos no lodo desidratado 30 %
Tanque de Efluente Clarificado Adensador e Centrífuga
Tempo de detenção hidráulico (TDH) 1,5 h
Tanque de Lodo Biológico Adensado
Tempo de detenção hidráulico (TDH) 1,5 h

O fluxograma proposto para o projeto é mostrado no Anexo B, onde também são


mostrados os valores do balanço hidráulico e de massa para o sistema de tratamento
especificado neste projeto (Lodos Ativados de Aeração Prolongada).
15

6.1 Cinética das Reações

No sentido de projetar sistemas para tratamento de esgoto, é necessário conhecer o


comportamento da variação da composição e da concentração dos materiais no reator
biológico, assim como a taxa em que tais variações ocorrem. Muitas das reações que
ocorrem em sistemas para tratamento de esgoto são lentas e sua cinética é considerada
importante.
A equação geral que relaciona a taxa de variação da concentração da substância
no tempo com a própria concentração da substância, pode ser expressa (ARCEIVALA,
1981, p. 562):
dCA
= ± K A × C An (1)
dt
Onde CA = concentração da substância reagente A (mg/L); KA = constante de
reação (dia-1); n = ordem da reação (para n = 1 reação de primeira ordem, para n = 2 reação
de segunda ordem, e assim por diante).
Os principais fatores que podem afetar os valores de KA são:
a) temperatura;
b) presença de catalisadores;
c) presença de substâncias tóxicas;
d) disponibilidade de nutrientes e fatores de crescimento;
e) outras condições ambientais.
As reações de ordem zero (n = 0) não dependem da concentração CA e portanto a
taxa dCA/dt é constante, como mostra a equação:
dC A
= KA (2)
dt
Certas reações catalisadoras ocorrem de acordo com esta cinética de ordem zero.
As reações de primeira ordem (n =1) são aquelas onde a taxa de mudança da concentração
da substância A é proporcional à primeira potência da concentração:
dCA
= K A × CA (3)
dt

6.2 Memória de Cálculo do Sistema de Tratamento

O balanço material e hidráulico foi realizado considerando o processo em regime


estacionário através de equações algébricas de balanço, como também balanços cinéticos
16

no reator biológico (tanque de aeração) e na lagoa de polimento. O dimensionamento dos


equipamentos foi calculado amarrado com os balanços de massa e hidráulico, usando o
MS-Excel como ferramenta de programação dos modelos matemáticos. As equações são
descritas seguindo a ordem do processo.

FIGURA 3. Balanço de massa dos sólidos no sistema de Lodos Ativados [Fonte:


SPERLING, 1996].

Para o balanço de massa no sistema de Lodos Ativados, considera-se o tanque de


aeração como um reator de mistura completa. Os reatores de mistura completa apresentam
fluxo contínuo e ocorre uma dispersão máxima das substâncias que entram no reator. Desta
forma, o conteúdo do reator é homogêneo e as concentrações são iguais em qualquer ponto
do reator. No estado estacionário temos a concentração afluente constante implicando
numa concentração efluente constante, ou seja, não varia ao longo do tempo.
O balanço de massa para um reator de mistura completa no estado estacionário,
para uma substância biodegradável seguindo uma cinética de primeira ordem (dS/dt = -
K*S), nos fornece a seguinte equação:
d (S 0 d × Vta )
= 0 = Q0 rb × S 0 rb − Q0 rb × S 0 d − K s × S 0 d × Vta (4)
dt
Onde: S0d = concentração de substrato (DBO) no efluente (mg/L);
S0rb = concentração de substrato (DBO) no afluente (mg/L);
Q0rb = vazão no reator (m³/dia);
17

Ks = taxa de remoção de substrato (dia-1);


Vta = volume do reator (m³).
A equação (4) pode se reescrita na seguinte forma, possibilitando uma estimativa
da concentração de substrato no efluente:
S0 rb
S0 d = (5)
1 + K s × (Vta Q0 rb )
Ou:
S0 rb
S0 d = (6)
1 + K s × TDH ta
Tanques quadrados ou circulares com alto grau de agitação, como por exemplo
lodos ativados, usados no tratamento de esgoto com freqüência se aproximam de condições
ideais de mistura completa (ARCEIVALA, 1981, p. 572).
De acordo com a equação (4), o balanço de massa de um reator de mistura
completa considerando como compostos os microorganismos existentes, estes
representando a biomassa, e o substrato afluente, teremos:
dX 0 d
Vta × = Q0 rb × X 0 rb − Q0 rb × X 0 d + rg' × Vta (7)
dt
Onde dX0d/dt = taxa de variação na concentração de microorganismos
(mg/m³.dia);
Vta = volume do reator (m³);
Q0rb = vazão de efluente no tanque de aeração (m³/s);
X0rb = concentração de microorganismos no afluente (mg/m³);
X0d = concentração de microorganismos no efluente (mg/m³);
r’g = taxa de crescimento líquido (mg/m³.dia);
Na equação (7) e nas equações que dela serão derivadas, a concentração de
microorganismos é representada pelos sólidos suspensos voláteis (SSV). Esta
representação parte da idéia de que a porção volátil é proporcional à atividade da massa
microbiana em questão (METCALF & EDDY, 1991, p. 376). Ao substituirmos a taxa
líquida, r`g, pela expressão (8), teremos a expressão a (9):
μ máx × X 0 d × S 0 d
rg' = (8)
(K s + S 0 d )
dX 0 d μ × X 0d × S 0d
Vta × = Q0 rb × X 0 rb − Q0 rb × X 0 d + máx − k d × X 0 d × Vta (9)
dt (K s + S 0 d )
Onde S0d = concentração de substrato no efluente do reator (mg/L);
18

Considerando que a concentração de microrganismos no afluente seja


praticamente inexistente e que o estado estacionário prevaleça, a equação (9) pode ser
simplificada para a seguinte expressão:
μ máx × X 0 d × S 0 d
0 = Q 0 rb × 0 − Q 0 rb × X 0 d + − k d × X 0 d × Vta (10)
(K s + S 0 d )
Q0 rb μ máx × X 0 d × S0 d 1
= − kd = (11)
Vta (K s + S0 d ) TDH ta
Onde TDHta = tempo de detenção hidráulica no tanque de aeração (dias);
A equação (7) e conseqüentemente a equação (9) representam o balanço de massa
da massa de microorganismos num reator de mistura completa. O balanço de massa
correspondente ao substrato é expresso da seguinte maneira:
dS0 d
Vta × = Q0 rb × S0 rb + rSU × Vta (12)
dt
Onde S0rb = concentração de substrato no afluente (mg/m³);
S0d = concentração de substrato no efluente (mg/m³).
Substituindo a equação (13) na equação (12) e considerando o estado estacionário,
teremos:
k × X 0 d × S0 d
rSU = − (13)
(K s + S0 d )
dS0 d − k × X 0 d × S0 d
Vta × = Q0 rb ×S 0 rb+ (14)
dt (K s + S0 d )
E
⎡ ⎤
(S0rb − S0d ) − TDHta × ⎢ k × X 0d × S0d ⎥ = 0 (15)
⎣ ( K s + S0 d ) ⎦
As concentrações no efluente do substrato e dos microorganismos podem ser
obtidas através das equações acima descritas, e as seguintes simplificações podem ser
realizadas: resolvendo a equação (11) pelo termo S0rb/(Ks + S0rb), substituindo-a na
equação (15) e simplificando pelo termo k = µmáx/Y, teremos a seguinte expressão para a
concentração no efluente de microorganismos:
Y × (S0 rb − S0 d )
X 0d = (16)
(1 + kd × TDHta )
A expressão para a concentração no efluente do substrato pode ser obtida
igualando as equações (15) e (16):
19

K s × (1 + TDH ta × kd )
S0 d = (17)
TDH ta × (Y × k − kd ) − 1
As equações (16) e (17) podem ser utilizadas para fazer uma previsão da
qualidade final do efluente na saída do tanque de aeração e entrada no decantador
secundário, quando os coeficientes cinéticos são conhecidos ou estimados. Neste projeto
foram estimados os valores dos coeficientes cinéticos, através de dados Tabelados na
literatura, no entanto se faz necessário um estudo cinético do efluente a ser tratado em
caráter experimental, a fim de se determinar experimentalmente os valores dos coeficientes
cinéticos.
Para o balanço hidráulico e de massa na saída do reator biológico e entrada do
decantador secundário, teremos:
Q0d = Qr + Q0rb (18)

Qsd = Q0rb − Qex (19)

Q0d = Qu + Qsd (20)

X 0d Q0d = X uQu + X sd Qsd (21)

Qsd (− X sd + X 0 d )
Qr = − (22)
( X 0d − X r )
X 0 d (R + 1)
Xr = (23)
R
Onde R é a razão de recirculação de sólidos do decantador para o tanque de
aeração, sendo este definido como 0,3.
Para o balanço do excesso de lodo biológico removido do sistema, tem-se:
Vta × X v
Qex = (24)
IL × X r
Balanço total e de componentes na entrada da lagoa de polimento, levando em
consideração o retorno de efluente clarificado do adensador e centrífuga (filtrado removido
do lodo), tem-se:
Qec = Qsa + Qsc (25)

X ecQec = X saQsa + X scQsc (26)

X ec =
( X saQsa + X scQsc ) (27)
(Qsa + Qsc )
20

Balanço de massa total e no componente para a saída do adensador de lodo, lodo


adensado, tem-se:
Qsa = Qex + Qesp − Qla (28)

X ex Qex = X la Qla + X sa Qsa − X esp Qesp (29)

Substituindo a equação (28) na (29) e isolando Qla, tem-se:


X ex Qex − X sa Qex − X sa Qesp + X espQesp
Qla = (30)
X la − X sa
Balanço de massa total e nos componentes para o lodo desidratado na saída da
centrífuga, tem-se:
Qcs = Q0c − Qld (31)

X ld Qld = X 0c Q0c − X sc Qsc (32)

Substituindo a equação (31) na (32) e isolando Qld, tem-se:


Q0 c ( X 0 c − X sc )
Qld = (33)
X ld − X sc
As concentrações de sólidos na saída do efluente clarificado do decantador
secundário, do adensador e da centrífuga decanter foram estimadas através da eficiência de
remoção de sólidos, definidas como grau de liberdade do projeto através das equações:
⎛ X × Eds ⎞
X sd = X 0 d − ⎜ 0 d ⎟ (34)
⎝ 100 ⎠
⎛ X × Ead ⎞
X sa = X ex − ⎜ ex ⎟ (35)
⎝ 100 ⎠
⎛ X × Ec ⎞
X sc = X 0c − ⎜ 0c ⎟ (36)
⎝ 100 ⎠
Onde: Eds, Esd, Ec são respectivamente as eficiências de remoção de sólidos do
decantador secundário, do adensador de lodo e da centrífuga decanter.
Para a necessidade de nutrientes, a biomassa formada através da decomposição de
material orgânico contém 12,3% de nitrogênio e 2,6% de fósforo (JOHAN e HANNU,
2000). Conforme aumenta a idade do lodo e da biomassa, o seu teor em nitrogênio cai para
7% e os seus conteúdos de fósforo para 1%. Estes valores podem ser usados para calcular o
nitrogênio e fósforo requeridos no processo, como segue.
0,123 × ΔX v 0,07(0,77 − f b )ΔX v
Nitrogênio (kg d ) = + (37)
0,77 0,77
21

0,026 × ΔX v 0,01(0,77 − f b )ΔX v


Fosforo (kg d ) = + (38)
0,77 0,77
Onde ∆Xv é a produção de excesso de lodo, kg SSV/d.
Fazendo-se o balanço para a lagoa de polimento, considerou-se um
comportamento de um reator biológico de fluxo disperso anaeróbio. Segundo FONSECA
(2005), o comportamento hidrodinâmico de uma lagoa de polimento não obedece aos
regimes ideais de mistura completa e de fluxo em pistão. Na verdade, se estabelece um
regime hidráulico intermediário denominado fluxo disperso, no qual o número de
dispersão, o coeficiente de remoção de matéria orgânica e o tempo de detenção são as
variáveis (FONSECA, 2005). Através da equação (39), pode-se determinar a coeficiente de
remoção de matéria orgânica (DBO residual na saída da lagoa).
( 1 2× d )
4× a×e
S slp = S 0 lp (39)
(a 2×d ) (− a 2×d )
(1 + a ) 2
×e − (1 − a ) × e
2

a = 1 + 4 × Klp × TDHlp (40)

Onde S0lp é a concentração de DBO total afluente (mg/L);


Sslp é concentração de substrato (DBO) no efluente (mg/L);
Klp é o coeficiente de remoção de DBO, para 20°C (d-1);
TDHlp é o tempo de detenção hidráulico (dias);
d é o número de dispersão.
O coeficiente de remoção de matéria orgânica (Klp), para lagoas com fluxo
disperso a 20ºC, pode ser obtido por meio de uma equação, proposta por Vidal (1983) apud
FONSECA (2005), que leva em consideração apenas a taxa de aplicação de carga orgânica
(CO0lp). No entanto neste projeto optou-se pela equação proposta por Mara e Silva (1979)
apud FONSECA (2005), que desenvolveram uma equação, equação (41), semelhante a
partir de dados de lagoas-piloto da Universidade Federal da Paraíba que utiliza o tempo de
detenção hidráulico (TDHlp) como parâmetro de calculo.
0 ,527
K lp = (41)
(1 + 0 ,052 × TDH lp )
Considerou-se, também neste projeto, que a concentração de sólidos no efluente
da lagoa de polimento é estimada através das mesmas equações de balanço para um reator
de mistura perfeita utilizadas no tanque de aeração, equação (16).
Nas TABELAS 4, 5, 6, 7, 8 e 9 são mostrados todos os resultados calculados nos
balanços em cada equipamento do sistema de tratamento proposto.
22

TABELA 4. Dados calculados no balanço do sistema de Lodos Ativados projetado.


Entrada Reator Biológico (Tanque de Aeração)
Q0rb 65,49 m3/h
X0rb 718,00 g/m3
M0rb 47,02 kg/h
S0rb 640,0 g/m3
CO0rb 41,91 kg DBO/h
pH0rb 6,80 -
Entrada de Ar no Tanque de Aeração
Qar 3749,011 m3 Ar/h
EO 1,303 kg O2/kW.h
rhoar 1,157 kg/m3
Entrada Decantador Secundário
Q0d 77,50 m3/h
X0d 515,16 g/m3
M0d 42,42 kg/h
S0d 60,60 g/m3
CO0d 4,70 kg DBO/h
Saída Decantador Secundário
Qsd 60,31 m3/h
Xsd 25,76 g/m3
Msd 1,55 kg/h
Ssd 60,60 g/m3
COsd 3,65 kg DBO/h
Lodo Biológico Removido do DS
Qu 17,19 m3/h
Xu 2232,38 g/m3
Mu 38,37 kg/h
Su 60,60 g/m3
COu 1,04 kg DBO/h
Retorno de Lodo para Tanque de Aeração
Qr 12,01 m3/h
Xr 2232,38 g/m3
Mr 26,81 kg/h
Sr 60,60 g/m3
COr 0,73 kg DBO/h
Excesso de Lodo Removido para Adensador
Qex 5,18 m3/h
Xex 2232,38 g/m3
Mex 11,56 kg/h
Sex 60,60 g/m3
COex 0,31 kg DBO/h
23

TABELA 5. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para a Lagoa de


Polimento.

Entrada para Lagoa de Polimento


Q0lp 66,06 m3/h
X0lp 47,37 g/m3
M0lp 3,13 kg/h
S0lp 60,60 g/m3
CO0lp 4,00 kg DBO/h
Filtrado do Adendador e Centrifuga para Lagoa de Polimento
Qec 5,75 m3/h
Xec 274,20 g/m3
Mec 1,58 kg/h
Sec 60,60 g/m3

TABELA 6. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para o Adensador de


Lodo.

Saída de Espuma do DS para Adensador


Qesp 0,6 m3/h
Saída de Lodo Adensado
Qla 0,27 m3/h
Xla 40000,00 g/m3
Mla 10,94 kg/h
Saída Filtrado Clarificado do Adensador
Qsa 5,51 m3/h
Xsa 111,62 g/m3
Mas 0,61 kg/h
24

TABELA 7. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para a Centrífuga


Decanter.

Entrada de Lodo na Centrífuga


Q0c 0,27 m3/h
X0c 40000,00 g/m3
M0c 10,94 kg/h
Saída de Filtrado Clarificado da Centrífuga
Qsc 0,24 m3/h
Xsc 4000,00 g/m3
Msc 0,96 kg/h
Saída de Lodo Desidratado da Centrífuga
Qld 0,033 m3/h
Xld 300000 g/m3
Mld 9,982 kg/h
CS 239,57 kg SS/d

TABELA 8. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa para os Produtos


Químicos requeridos (Nutrientes).

Dosagem necessária de N e P
Qnut 50 L/h
QN 2,08 kg/h
QP 0,42 kg/h
Qtotal 2,50 kg/h
Requisitos de Nutrientes
N 4,952 kg N/100 kg DBO
P 1,009 kg P/100 kg DBO
Água Diluição para os Produtos Químicos
Qad 70 L/h
25

TABELA 9. Dados calculados no balanço hidráulico e de massa da saída final do


efluente tratado para o rio.

Saída da Lagoa de Polimento para o Rio

Qslp 66,06 m3/h


Xslp 39,64 g/m3
Mslp 2,62 kg/h
Sslp 9,65 g/m3
COslp 0,637 kg DBO/h
ESt 98,49 %
EXt 94,48 %

De acordo com o balanço material e hidráulico realizado para este projeto, pode-
se verificar que a qualidade calculada para o efluente tratado a ser lançado no corpo
receptor atente às regulamentações exigidas pelo CONAMA fiscalizado no Paraná pelo
IAP. O valor calculado no projeto para o DBO é de 9,65 mg/L, obtendo, assim, uma
redução de DBO de 98,5%.

6.3 Características Finais do Efluente Tratado

De acordo com as simulações e definições das premissas do projeto, as seguintes


características podem ser esperadas no efluente líquido tratado para o corpo receptor.
• pH: entre 6,5 a 8,5;
• Temperatura: inferior a 40 ºC;
• Sólidos em suspensão: inferior a 40 mg/L;
• Oxigênio dissolvido (OD): inferior a 4,0 mg/L;
• DBO: inferior a 10 mg/L;
• BQO: inferior a 330 mg/L;
• Regime de lançamento: vazão máxima de até 1,5 vezes a vazão média do
período de atividade diária;
• Materiais flutuantes: virtualmente ausente.
Sendo assim, esses valores atendem a legislação ambiental vigente, de acordo
com a lei do CONAMA 357/2005, capítulo III, Seção 2, Art. 16 (Anexo A).
26

7. DIMENSIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS

O dimensionamento dos equipamentos foi calculado considerando uma área total


disponível de 72.600 m2. Para a implantação deste projeto a área construída será de 3.600
m2. Portanto, restará uma área livre total de 69.000 m2 de área.

7.1 Tratamento Preliminar

Tem por principal objetivo a remoção de grande parte dos sólidos grosseiros que
por ventura cheguem à ETE, pois estes sólidos podem causar danos aos equipamentos
posteriores. Para o dimensionamento do tratamento preliminar ou pré-tratamento, alguns
parâmetros descritos na TABELA 10, foram definidos.

TABELA 10. Dados pré-definidos para dimensionamento do tratamento preliminar.


Gradeamento
Espessura das barras (espe b) 0,01 m
Espaçamento entre as barras (espa b) 0,025 m
Inclinação da grade 45 º
Velocidade passagem grade 0,6 m/s
Material retido nas grades 0,023 L/m3
Caixa de Areia
Velocidade horizontal de fluxo 0,3 m/s
Velocidade sedimentação areia 2,0 cm/s
Taxa de areia retida 0,04 L/m3
Altura de areia depositada 0,3 m
Material de construção concreto armado
Calha Parshall (2 UN.)
Garganta 9 pol.
Constante de projeto (n) 1,53
Constante de projeto (K) 1926
Material de construção PRFV

Seguindo a sequência do fluxograma do projeto, as equações aplicadas para os


cálculos de dimensionamento, foram:
• Gradeamento: efluente bruto equalizado, entrada na estação de tratamento.

⎡ espa b ⎤
Eg = ⎢ ⎥ × 100 (42)
⎣ (espe b − espa b ) ⎦
27

Qmáx
Au = (43)
vg

Au
As = (44)
Eg

hmáx = H máx − Z (45)

As
B= (46)
hmáx

Ne =
(B − espe b ) (47)
(espa b + espe b )
Nb = Ne + 1 (48)

Qmáx
vg = (49)
(hmáx × B × Eg )
Qmáx
vc = (50)
(hmáx × B )
(
⎡ vg2 − vc2
hl = ⎢
)⎤ × 1,4286 (51)

⎢⎣ 19 ,62 ⎥⎦

(
⎡ 2 × vg2 − vc2
ho = ⎢
)⎤ × 1,4286 (52)

⎢⎣ 19,62 ⎥⎦
• Caixa de Areia: efluente equalizado sem sólidos grosseiros, decantador de areia.
Qmáx
Acx = (53)
v cx

Acx
B cx = (54)
h máx

L = 25 × hmáx (55)

Qmáx
Tes = (56)
Bcx × L

Vareia =
(Tareia × Qeb ) (57)
1000
Vareia
H areia = (58)
(L × Bcx )
H dep
I= (59)
H areia
28

• Calha Parshall (2 unidades): medidor de vazão de efluente bruto e do efluente final


tratado para o rio.
1
⎛Q ⎞ n
H máx = ⎜ máx ⎟ (60)
⎝ K ⎠
1
⎛Q ⎞ n
H min = ⎜ min ⎟ (61)
⎝ K ⎠

Z=
[(Qmáx × H min ) − (Qmin × H máx )] (62)
(Qmáx × Qmin )
Os tamanhos das Calhas Parshall são designados pela largura da garganta (trecho
contraído). A norma vigente no Brasil é a norma NBR/ISO9826:2008. Porém, tendo em
vista ser uma norma relativamente nova, a grande maioria das calhas Parshall existentes
obedecem à norma ASTM 1941:1975. Os valores de dimensionamento e projetos das
Calhas Parshall são mostrados na FIGURA 4 e na TABELA 11.

FIGURA 4. Relações de dimensionamento das Calhas Parshall, segundo norma


ASTM 1941:1975.
29

TABELA 11. Dimensionamento das Calhas Parshall segundo norma ASTM


1941:1975.
Dimensões
2/3
W A B C D E T G K M N P R X Y
A
(in) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm) (mm)
(mm)
9 880 587 864 381 575 762 305 457 76,2 305 114,3 1080 406 50,8 76,2

Na TABELA 12 são mostrados os valores calculados para o dimensionamento do


tratamento preliminar, compreendendo os equipamentos já descritos.

TABELA 12. Dados calculados para dimensionamento do tratamento preliminar.


Gradeamento
Eg 0,714
Au 0,045 m2
As 0,064 m2
hmáx 0,108 m
B 0,587 m
Ne 16 -
Nb 17 -
vg 0,600 m/s
vc 0,429 m/s
hl 0,013 m
ho 0,039 m
Caixa de Areia
A 0,091 m2
Bcx 0,839 m
L 2,705 m
Tes 1036,8 m3/m2.d
Vareia 0,063 m3/d
Hareia 0,028 m
I 11 dias
Calha Parshall
Hmáx 0,143 m
Hmin 0,075 m
Z 0,035 m

7.2 Tratamento Secundário e de Lodo

O tratamento secundário tem como principal objetivo reduzir a DBO (demanda


bioquímica de oxigênio) solúvel, utilizando processos de oxidação biológica, esse tipo de
30

tratamento remove a maior parte os compostos orgânicos presentes numa água residual e a
remoção de matéria orgânica por degradação biológica acarreta um consumo de oxigênio e
um crescimento microbiano.
Para o dimensionamento do tratamento secundário, alguns parâmetros descritos
nas TABELAS 13, 14 e 15, foram definidos.

TABELA 13. Dados pré-definidos para dimensionamento dos tanques de


neutralização, do tanque de aeração, do decantador secundário e da lagoa de
polimento.
Tanques de Neutralização
Tipo misturadores Turbina eixo vertical
Potência misturadores (2x) 5 CV
Material de construção concreto armado
Tanque de Aeração (Reator Biológico)
DBOafl (S0) 640 mg/L
SSVTA (Xv) 3500 mg/L
Idade do Lodo (θc) 25 dias
Profundidade útil 5 m
Comprimento 28 m
Largura 14,15 m
Espessura das paredes 0,3 m
Espessura laje de fundo 0,3 m
Material de construção Concreto armado
Custo aproximado concretagem 1100 R$/m3
Necessidade específica de O2 30 kg O2/kg DBO
Concentração de O2 no ar (Cg) 299,3 g O2/m3
Massa específica do ar 1,2 kg/m3
Porcentagem de O2 no ar 23,2 %
Perda de carga sistema de ar 0,02 m
Eficiência do motor e soprador 80 %
Pressão soprador de ar 100000 Pa
Rendimento do soprador de ar 8 %
Decantador Secundário
Inclinação do fundo 01:12 -
Potência bomba de lodo 5 CV
Pressão bomba de lodo 20 mca
Tipo bomba de lodo deslocamento positivo
Lagoa de Polimento
Material barragem de argila compactada
Comprimento lagoa 48 m
Largura lagoa 25 m
Profundidade útil 4 m
Profundidade total 4,5 m
31

TABELA 14. Dados pré-definidos para dimensionamento do adensador, da


centrífuga, dos tanques de espuma, de filtrado e de lodo.
Adensador de Lodo
Massa específica do lodo adensado 1030 kg/m3
Tipo bomba extração lodo deslocamento positivo
Potência bomba extração lodo 1 CV
Pressão bomba de lodo 15 mca
Centrifuga Desidratação de Lodo
Tipo centrífuga Decanter
Modelo PIERALISI FP 600 2RS/M
Potência requerida 11 kW
Rotação 4100 RPM
Relação L/B 2,62 -
Diâmetro do tambor 353 mm
Tanque de Espuma
Tipo bomba de espuma Centrífuga
Potência bomba de espuma 0,5 CV
Pressão bomba de espuma 10 mca
Tipo misturador Turbina eixo vertical
Potência misturador 5 CV
Material de construção PRFV
Tanque de Efluente Clarificado: Adensador e Centrífuga
Tipo misturador Turbina eixo vertical
Potência misturador 2 CV
Tipo de bomba Centrífuga
Potência da bomba 0,5 CV
Pressão da bomba 10 mca
Material de construção PRFV
Tanque de Lodo Biológico Adensado
Tipo misturador Turbina eixo vertical
Potência misturador 7,5 CV
Tipo bomba de transferência deslocamento positivo
Potência bomba de transferência 1 CV
Pressão bomba 15 mca
Material de construção PRFV
32

TABELA 15. Dados pré-definidos para dimensionamento dos tanques de produtos


químicos.
Tanque de diluição de H2SO4
Quantidade 2 tanques
Volume 500 L
Material Fibra de vidro
Potência misturador 2 CV
Tipo bomba dosadora diafragma – pneumática
Vazão bomba dosadora 50 L/h
Pressão bomba dosadora 12 mca
Potência bomba dosadora 0,5 CV
Tanque de diluição de NaOH
Quantidade 2 tanques
Volume 500 L
Material Fibra de vidro
Potência misturador 2 CV
Tipo bomba dosadora diafragma - pneumática
Vazão bomba dosadora 50 L/h
Pressão bomba dosadora 12 mca
Potência bomba dosadora 0,5 CV
Tanque de diluição de Uréia de MAP
Quantidade 2 tanques
Volume 500 L
Material Fibra de vidro
Potência misturador 2 CV
Tipo bomba dosadora diafragma – pneumática
Vazão bomba dosadora 50 L/h
Pressão bomba dosadora 12 mca
Potência bomba dosadora 0,5 CV
Tanque de diluição de Antiespumante
Quantidade 1 tanques
Volume 500 L
Material Fibra de vidro
Potência misturador 2 CV
Tipo bomba dosadora diafragma - pneumática
Vazão bomba dosadora 50 L/h
Pressão bomba dosadora 12 mca
Potência bomba dosadora 0,5 CV
33

Todos os tanques deste projeto, com exceção do sistema de lodos ativados (tanque
de aeração) e da lagoa de polimento, são considerados de desenho cilíndrico. Sendo assim,
esses tanques podem ser projetados seguindo as relações geométricas apresentadas na
FIGURA 5. Os tanques projetados por este método são:
• Tanques de neutralização;
• Tanque de espuma do decantador secundário;
• Tanque de lodo biológico do adensador de lodo;
• Tanque de efluente clarificado do adensador e centrífuga decanter;
• Tanques de diluição de ácido sulfúrico;
• Tanques de diluição de hidróxido de sódio;
• Tanques de diluição de nutrientes (Uréia e MAP);
• Tanque de diluição de antiespumante;

FIGURA 5. Simbologia adotada para o projeto dos tanques cilíndricos do processo.

As equações de projeto dos tanques são apresentadas a seguir, sendo relações


geométricas normalmente adotadas para projeto de agitadores e dimensionamento de
tanques cilíndricos.
H
=1 (63)
T
L 1
= (64)
D 4
C 1
= (65)
T 3
34

D 1
= (66)
T 3
w 1
= (67)
D 5
Bw 1
= (68)
T 10
w 1
= (69)
T 15
Dando sequência para o dimensionamento dos demais equipamentos do
tratamento secundário, as equações aplicadas são descritas a seguir:
• Tanques de Neutralização: Muitos efluentes industriais contêm elevadas cargas
ácidas ou alcalinas que requerem neutralização antes de serem submetidas a
tratamento biológico, ou antes, de serem descarregadas. No tratamento biológico, o
pH deverá estar entre 6,5 a 8,5, para garantir uma atividade microbiana ótima.
Vn = Qeb × TDHn (70)

• Tanque de Aeração (Reator Biológico): onde ocorre a oxidação biológica da


matéria orgânica pelo processo de lodos ativados.
Q 0 rb
TDH ta = (71)
V nta

Q0 rb × S0 rb
Vnta = (72)
X v × (F M )

Q0 rb × S0 rb
F M= (73)
Vta × X v

X 0 rb × 1000
IVL = (74)
Xv

D = 1×10−12 × T 2 + 1,0 ×10−11 × T + 1,0 ×10−09 (75)

xp = π × D × TDH (76)

Cs = 14,652 − 4,1022 × 10−1 × T + 7 ,9910 × 10−3 × T 2 − 7 ,7774 × 10−5 × T 3 (77)

DTO = 1,42 × Y × Q0d (S0rb − S0d ) + (1,42 × fb × kd × X v × Vnta ) (78)

DTO
NO = (79)
CO0 rb

DTO
Qar = (80)
0 ,232 × 1,2 × ηs
35

DTO
EO = (81)
Pta

Par × 28 ,97
rho ar = (82)
8314 × TK
Para a aeração por ar difuso, a potência requerida para os sopradores pode ser
expressa em termos da vazão de ar e da pressão a ser vencida, da seguinte forma (PÖPEL,
1979 apud SPERLING, 2005).
Q ar × ρ l × g × (d i + ΔH ar )
Pta = (83)
η s × 0,75
Onde: Pta é a potência requerida (CV);
ρl é o peso específico do líquido (1000 kg/m3);
g é a aceleração da gravidade (9,81 m/s2);
di é a profundidade de imersão dos difusores (m);
ΔHar é a perda de carga no sistema de distribuição de ar (m);

ηs é a eficiência do motor e do soprador.


As funções básicas de um sistema de aeração, na maioria dos sistemas de
tratamento com aeração, são (SPERLING, 1996):
a) Oxigenação do efluente em tratamento;
b) Mistura do líquido, de forma a manter a biomassa em suspensão.
Para a consecução do segundo objetivo, é necessário a introdução de uma potência
suficiente por unidade de volume, para impedir que os sólidos sedimentem. Esta relação é
representada através do conceito da densidade de potência (DP), expressa como:
Pta × 0,75 × 1000
DP = (84)
Vta
Quanto maior a densidade de potência, maior a quantidade de sólidos em
suspensão que ficam dispersos no meio líquido.
X v × Vnta
IL = (85)
Qex × X r

μ máx
k= (86)
Y
Y × (S 0 rb − S 0 d ) ⎛ IL ⎞
Xv = ×⎜ ⎟ (87)
1 + k d × IL ⎝ TDH ⎠

(
EDBOt = 100 × 1 − 0,70 × TDH −0 ,50 ) (88)
36

(
E DQOt = 100 × 1 − 0 ,68 × TDH −0 ,35 ) (89)

0,8
fb = (90)
1 + 0,2 × kd × IL
Onde EDBOt e EDQOt, são respectivamente as eficiências teóricas de remoção de
DBO e DQO calculadas empiricamente.
• Decantador Secundário: remove os sólidos presentes no lodo do tanque de aeração;
Q0 d
TAH ds = (91)
Ads

Vds
TDH ds = (92)
Q0 d

M 0d
Ads = × fs (93)
TAS ds

4 × Ads
Dds = (94)
π
Vds = Ads × hds (95)

Onde fs é o fator de segurança definido para o projeto;


TAHds é a taxa de aplicação de hidráulica do decantador secundário;
Dds é o diâmetro do decantador secundário.
• Lagoa de Polimento: tem por objetivo alcançar um certo polimento na qualidade do
efluente, em termos de remoção de matéria orgânica.
Vnlp = Qmáx × TDH lp (96)

Vnlp
As = (97)
hulp

Vnlp
TDHlp = (98)
Q0lp

hlp
TAHlp = (99)
TDHlp

d=
(L B ) (100)
− 0,261 + 0,254 × (L B ) + 1,014 × (L B )
2

a = 1 + 4 × Klp × TDHlp (101)

Onde d é o número de dispersão da lagoa, calculado segundo YANEZ (1993)


apud SPERLING (2000).
37

• Tanque de Espuma: recolhe a espuma formada no decantador secundário;


Vesp = Qesp × TDH esp (102)

• Adensador de Lodo por gravidade: desidrata parcialmente o lodo em excesso do


sistema de lodos ativados;
Qex
TAH ad = (103)
Aad
Vad
TDH ad = (104)
Qex

M ex
Aad = × fs (105)
TAS ad

4 × Aad
Dad = (106)
π
Vad = Aad × had (107)

Onde fs é o fator de segurança definido para o projeto;


TAHad é a taxa de aplicação de hidráulica do adensador;
Dad é o diâmetro do adensador.
• Tanque de Efluente Clarificado do Adensador e Centrífuga: recolhe e armazena o
filtrado clarificado do adensador e centrífuga para retorno ao processo.
Vec = Qec × TDHec (108)

• Tanque de lodo adensado: recolhe e armazena o lodo biológico adensado com teor
de sólidos com aproximadamente 4%;
Vec = Q0c × TDHla (109)

Nas TABELAS 16 a 24, a seguir são mostrados os resultados dos


dimensionamentos de todos os equipamentos pertencentes ao tratamento secundário e
tratamento do lodo biológico.
38

TABELA 16. Dados calculados para os tanques de neutralização.


Tanque 1 – Neutralização Tanque 2 – Neutralização
Vn1 49,116 m3 Vn2 49,116 m3
Tn1 3,969 m Tn2 3,969 m
Hn1 3,969 m Hn2 3,969 m
Dn1 1,323 m Dn2 1,323 m
Ln1 0,331 m Ln2 0,331 m
Cn1 1,323 m Cn2 1,323 m
Bwn1 0,397 m Bwn2 0,397 m
wn1 0,265 m wn2 0,265 m
Ttotal 7,94 m
Htotal 3,97 m
Volume Total 98,23 m3

TABELA 17. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de aeração (reator


biológico).

Tanque de Aeração (Reator Biológico Aeróbio)


TDH 30,25 h
Vnta 1981,00 m3
Vta 1981,00 m3
F/M 0,145 kg DBO5/kg SSVTA.d
IVL 205,10 mL/g
D 2,00 x 10-9 m2/s
xp 0,026 m
Cs 7,87 mg/L
NO 1,99 kg O2/kg DBO
DTO 2003,95 kg O2/d
Pta 85,47 CV
DP 32,36 W/m3
Ppa 42,74 CV
IL 25,00 Dias
K 1,78 d-1
Xv 3500,69 mg/L
EDBOt 87,27 %
EDQOt 79,38 %
EDBO 90,53 %
∆Xv 277,39 kg/d
fb 0,552 kg/kg
S0/X0 0,891 -
39

Na TABELA 18, são mostrado os valores calculados de projeto para o tempo de


detenção hidráulico (TDH), para a taxa de aplicação hidráulica ou taxa de escoamento
superficial, da área, do diâmetro e do volume do decantador secundário.

TABELA 18. Dados calculados para o dimensionamento do decantador secundário.

Decantador Secundário
TAHds 0,365 m3/m2.h
TDHds 9,580 h
Ads 212,12 m2
Dds 16,43 m
Vds 742,40 m3

TABELA 19. Dados calculados para o dimensionamento da lagoa de polimento.


Lagoa de Polimento
Vnlp 4756,13 m3
Vulp 4800,0 m3
As 1189,03 m2
TDHlp 3,03 dias
Hlp 4,00 m
L/B 1,92 m
TAHLP 1,32 m/d
d 0,48 -
Klp 0,46 d-1
a 1,92 -

TABELA 20. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de espuma do


decantador secundário.
Tanque de Espuma
Vesp 3,016 m3
Tesp 1,566 m
Hesp 1,566 m
Desp 0,522 m
Lesp 0,130 m
Cesp 0,522 m
Bwesp 0,157 m
wesp 0,104 m
40

Para o adensador de lodo, as mesmas considerações são válidas do decantador


secundário, sendo o que diferencia os dois equipamentos é que o decantador possui um
raspador mecânico de lodo e o adensador trabalha somente por ação da gravidade.

TABELA 21. Dados calculados para o dimensionamento do adensador de lodo.


Adensador de Lodo
TAHad 0,159 m3/m3.h
TDHad 22,061 h
Aad 32,63 m2
Dad 6,45 m
Vad 114,22 m3

TABELA 22. Dados calculados para o dimensionamento do tanque de efluente


clarificado do adensador e centrífuga.

Tanque de Efluente Clarificado do


Adensador e Centrífuga
Vec 8,621 m3
Tec 2,222 m
Hec 2,222 m
Dec 0,741 m
Lec 0,185 m
Cec 0,741 m
Bwec 0,222 m
wec 0,148 m

TABELA 23. Dados calculados para o dimensionamento tanque de lodo adensado.

Tanque de Lodo Adensado


Vla 1,368 m3
Tla 1,203 m
Hla 1,203 m
Dla 0,401 m
Lla 0,100 m
Cla 0,401 m
Bwla 0,120 m
wla 0,080 m
41

TABELA 24. Dados calculados para o dimensionamento dos tanques de diluição de


produtos químicos.

Tanques de Produtos Químicos


Vac 0,500 m3
Tac 0,860 m
Hac 0,860 m
Dac 0,287 m
Lac 0,072 m
Cac 0,287 m
Bwac 0,086 m
wac 0,057 m

8. OPERAÇÃO DO SISTEMA DE TRATAMENTO

8.1 Organograma da Empresa

Os funcionários para a operação da planta de tratamento deverão ser quatro


operadores de nível técnico (um por turno), mais um supervisor no horário administrativo
de nível superior (engenheiro).
A manutenção do sistema de tratamento será realizada pelas equipes de
manutenção geral da fábrica.

GERENTE INDUSTRIAL

SUPERVISOR

OPERADOR DA
ETE

FIGURA 6. Organograma proposto para a operação da planta de tratamento.


42

8.2 Recomendações de Operação

O laboratório de um sistema de efluentes está como o coração para o ser humano,


pois é quem controla os fluxos e dá condições de vida ao sistema biológico. Se o coração
não pulsa a vida cessa. Se o laboratório não analise e interpreta as amostras, a vida também
cessa. Assim sendo, os dados fornecidos pelo laboratório devem ser utilizados
continuamente nas tomadas de decisões visando o bom funcionamento da Estação de
Tratamento de Efluentes (ETE). Vários parâmetros são utilizados para avaliação do
desempenho da ETE e a cada resultado se associa uma interpretação e uma ação para
manter ou corrigir a vida da biologia no sistema.
O objetivo principal do sistema de tratamento é remover a matéria orgânica do
despejo, oxidando-a e estabilizando-a de tal maneira que minimizará qualquer efeito que
sua descarga poderá causar ao meio ambiente. Para o operador da ETE alcançar este
objetivo é necessário conhecer.
• A qualidade de matéria orgânica (alimento ou DBO);
• A qualidade dos microorganismos (atividade biológica);
• A temperatura ideal para o desenvolvimento da atividade biológica;
• A concentração de nutrientes (nitrogênio e fósforo);
• O tempo de detenção hidráulico e a vazão de efluente.
Portanto os operadores devem manter os itens acima sob controle e numa faixa
ideal, para que o objetivo do processo seja atingido.
O tratamento biológico é projetado para aceitar pequenas variações do despejo
liquido industrial (até 20 % acima dos dados de projeto).
Ajustes no processo devem ser realizados pelo operador sempre que houver
necessidade, para que a operação seja eficiente e econômica. Os seguintes parâmetros
devem ser controlados pelo operador.

TABELA 25. Parâmetros a serem controlados pelo laboratório e operador da ETE.

pH DBO DQO SS Temp. SST OD N P Microscopia


Efluente Bruto X X X X X X X X
Tanque de Aeração X X X X X X X X X X
Decantador Secundário X X X X X X X X
Lodo de Recirculação X
43

9. AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE ECONÔMICA

Além de atender às questões ambientais, uma instalação de tratamento de


efluentes de lodos ativados deve ser eco-eficiente. Para tanto, é necessário que
operacionalmente tanto o balanço hidráulico quanto o de massas sejam favoráveis e que o
investimento feito tenha retorno.
Os custos do tratamento de efluentes variam amplamente com as características
do efluente, processo adotado, clima, critérios de projeto, condições locais e custos locais
unitários de mão de obra, materiais, terreno e energia (SPERLING, p. 398, 2005).
A estimativa de custos deve compreender o levantamento dos custos de
implantação e os custos anuais de operação (distribuídos no tempo) (ARCEIVALA,
1981). Os custos anuais de operação compreendem:
• Juros de empréstimo para execução do projeto;
• Amortização dos empréstimos;
• Depreciação da ETE;
• Seguro da ETE;
• Custos de operação e manutenção da ETE.

Para comprovar a viabilidade econômica deste projeto, optou-se por um


comparativo de dois cenários diferentes, sendo que o primeiro cenário foi calculado a
viabilidade econômica do projeto proposto e o segundo cenário considera uma situação no
qual não exista tratamento especifico para os efluentes gerados na planta industrial, através
do método do valor presente total.

9.1 Cenário 1: Projeto ETE Lodos Ativados

Os custos de implantação estimados do projeto da estação de tratamento de


efluentes estão descritos na TABELA 26.

TABELA 26. Estimativa de custos para implantação do projeto da ETE.


Equipamentos eletromecânicos 700.000,00 R$
Movimentação de terra (terraplanagem) 180.000,00 R$
Construção civil 500.000,00 R$
Total 1.380.000,00 R$
44

O custo de operação foi estimado através do consumo de energia elétrica total, do


consumo estimado de produtos químicos e dos recursos humanos da planta de ETE
projetada. O consumo de energia elétrica requerida para a operação da planta projetada é
mostrada na TABELA 27.
Somando as potências requeridas de todos os equipamentos elétricos existentes na
planta, e utilizando então, um valor de tarifa de energia elétrica mais impostos, segundo a
Copel de 0,6558 R$/kW.h, têm-se um valor do custo operacional de energia elétrica por
mês na ETE.

TABELA 27. Custos previstos com energia elétrica requerida para os equipamentos
eletromecânicos da ETE.
Energia Elétrica Potência requerida
Potência Misturador dos Tqs. de Neutralização 7,500 kW
Potência Bomba de Lodo do Decentador Secundário 3,750 kW
Potência Bomba Tq. de Espuma 0,375 kW
Potência Misturador Tq. de Espuma 3,750 kW
Potência Bomba de Lodo do Adensador 0,750 kW
Potencia Motor da Centrifuga 11,000 kW
Potência Misturador Tq. de Filtrado 5,625 kW
Potencia Bomba Tq. de Filtrado 0,750 kW
Potência Misturador Tq. de Lodo 5,625 kW
Potencia Bomba Tq. de Lodo 3,750 kW
Potência Misturador Tq. de Ácido Sulfúrico 1,500 kW
Potência Bomba Dosadora Tq. de Ácido Sulfúrico 0,375 kW
Potência Misturador Tq. de Soda Caustica 1,500 kW
Potência Bomba Dosadora Tq. de Soda Caustica 0,375 kW
Potência misturador Tq. de Nutrientes 1,500 kW
Potência Bomba Dosadora Tq. de Nutrientes 0,375 kW
Potência Misturador Tq. de Antiespumante 1,500 kW
Potência Bomba Dosadora Tq. de Antiespumante 0,375 kW
Potência Requerida para os Sopradores de Ar 64,106 kW
Potência Total Requerida 114,481 kW
Consumo de Energia Requerida por Mês 82426,141 kW.h/mês
Custo Unitário de Energia Elétrica 0,6558 R$/kW.h
Custo Total de Energia Elétrica 54.055,06 R$/mês
Custo Total de Energia Elétrica por Ano 648.660,76 R$/ano

Na TABELA 28 são demonstrados os custos totais estimados de recursos


humanos e de produtos químicos para a operação da planta de ETE.
As estimativas dos custos operacionais para este projetos são bastante variáveis,
45

devido à grande variação prevista para as vazões e características do efluente gerados no


processo fabril. Custos de manutenção e outros custos indiretos não foram aqui
considerados, pois sua estimação é muito incerta e variável.

TABELA 28. Custos estimados de produtos químicos e recursos humanos.


Produtos Químicos
kg/mês R$/kg R$/mês
Ácido Sulfúrico 98% 300,00 0,750 225,00
Soda Caustica 98% 100,00 0,068 6,79
Uréia 1494,47 0,712 1064,06
MAP (fosfato de monoamônio) 304,59 7,000 2132,11
Antiespumante 10,00 5,000 50,00
Custo Total de Produtos Químicos (R$/mês): 3.477,97
Custo Total de Produtos Químicos (R$/ano): 41.735,58
Recursos Humanos
Salário (R$)
Operador Turno 1 600,00
Operador Turno 2 600,00
Operador Turno 3 600,00
Operador Turno 4 600,00
Engenheiro Supervisor 3000,00
Custo Total por Mês: 5.400,00 R$/mês
Custo Total por Ano: 64.800,00 R$/ano

Portanto os custos totais para a operação da planta, estimados segundo


demonstrado nas TABELAS 27 e 28, ficam em torno de:
• Custo Total por Mês: R$ 62.933,03;
• Custo Total por Ano: R$ 755.196,34.
Considerando um investimento total de R$ 1.380.000,00, o custo total de
operação da planta por ano de R$ 755.196,34 e estimando uma depreciação linear em 10
anos e uma taxa mínima de atratividade de 10 % a.a, pode-se calcular o valor presente total
neste período de projeto, através da equação (110):

P = A×
(1 + i )n − 1 (110)
i × (i + 1)
n

Onde: A = é o gasto anual de operação da ETE;


P = é o valor presente de gastos anuais constantes;
i = é a taxa de juros anual;
n = números de anos.
46

P = 755.196,34 ×
(1 + 0,10) − 1
10
= 4.640.354,58 R$
0,10 × (0,10 + 1)
10

Sendo assim, tem-se o valor presente total:


Ptotal = custo de implantação + valor presente dos gastos anuais
Ptotal = 1.380.000,00 + 4.640.354,58 = R$ 6.020.354,58

9.2 Cenário 2: Sem Tratamento Com Multa Diária

A fim de se obter a viabilidade econômica do projeto, considera-se agora um


segundo cenário com as mesmas condições de depreciação linear em 10 anos e uma taxa
mínima de atratividade de 10 % a.a, para a mesma empresa de papel tissue. Sendo este tipo
de empresa geradora de efluentes com alta capacidade poluidora, pode-se exemplificar um
cenário onde a mesma empresa não possua uma planta de tratamento de efluentes na suas
instalações fabris. Compreendendo crime ambiental, o órgão fiscalizador no Paraná, o IAP,
determina a imediata ação de correção e adaptação do processo às leis ambientais vigentes,
com aplicação de multa diária a partir da data de expiração do prazo máximo para a total
efetuação das devidas modificações aprovadas pelo IAP.
A multa pode variar de R$ 50,0 a R$ 50.000.000,0, de acordo com o Art. 75,
Capítulo VI da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, Lei de Crimes Ambientais
(IBAMA, 1998).
O valor presente para um cenário sem uma planta de tratamento de efluente é
calculada a partir de uma multa diária no valor de R$ 500,0 por clausula de infração
ambiental cometida, sendo estas infrações definidas através de analises quantitativas e
qualitativas dos impactos ambientais produzidos pela empresa. Considera-se, portanto, um
cenário onde os seguintes itens estão fora dos parâmetros estabelecidos por lei, sujeitos
então a implicação de multa diária.
• OD (Oxigênio Dissolvido);
• DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio);
• DQO (Demanda Química de Oxigênio);
• Sólidos sedimentáveis e totais;
• Turbidez;
• pH;
• Temperatura.
Utilizando a equação (110) pode-se calcular o valor presente para este cenário,
47

com a aplicação de sete infrações ambientais sujeitos a multa diária de R$ 500,00 sendo,
portanto R$ 3.500,0 de multa diária. Como a análise comparativa é feita anualmente,
multiplica-se este valor por 365 dias, obtendo uma multa de R$ 1.277.500,00 por ano.
Calculando o valor presente com depreciação de 10% para um período de 10 anos, tem-se:

Ptotal = 1.277.500,0 ×
(1 + 0,10) − 1
10
= 7.849.684,48 R$
0,10 × (0,10 + 1)
10

O valor presente total para um cenário sem a instalação de uma planta de


tratamento de efluentes é igual a R$ 7.849.684,48.

9.3 Comparativo dos Cenários Estudados

Comparando os dois cenários, tem-se a viabilidade econômica deste projeto:


• Cenário 1 – Projeto proposto, ETE Lodos Ativados: VP = R$ 6.020.354,58;

• Cenário 2 – Sem ETE, multa diária por infração cometida: VP = R$ 7.849.684,48

Portanto, verifica-se que de acordo com SPERLING (2005) em função do menor


valor presente pode-se viabilizar economicamente o projeto aqui proposto, com custos
descritos no cenário 1.
A presente análise foi efetuada de maneira bem simplificada. Outras
considerações de ordem econômica e financeira podem ser agregadas, de forma a subsidiar
o estudo da viabilidade econômica.
48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] VON SPERLING, MARCOS. Princípios do Tratamento Biológico de Águas


Residuárias: Princípios Básicos do Tratamento de Esgotos. DESA/UFMG. Belo
Horizonte, 1996.

[2] VON SPERLING, MARCOS. Princípios do Tratamento Biológico de Águas


Residuárias: Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos.
DESA/UFMG. Vol. 1, 3º Edição. Belo Horizonte, 2005.

[3] GULLICHSEN, JOHAN; PAULAPURO, HANNU. Papermarking Science And


Technology Book 19, Environmental Control. Fapet Oy, Helsinki, Finland 2000.

[4] ARCEIVALA, S. J. Principles of Reactor Design. In: ___. Wastewater Treatment


and Disposal: Engineering and Ecology in Pollution Control. 1.ed. [s.l.]: Marcel
Dekker, 1981. p.561-600.

[5] ______. MANUAL DE OPERAÇÃO, LODOS ATIVADOS. Acqua Engenharia e

Consultoria S/C Ltda. São Paulo, SP

[6] ______. MANUAL DE OPERAÇÃO E INSTALAÇÃO: CALHA PARSHALL,

MEDIDOR DE VAZÃO EM CANAIS ABERTOS. InControl S/A. São Paulo, SP.


Novembro de 2008.

[7] BOFF MACIEL, CRISTIANE. Microbiologia de Lodos Ativados da Empresa


FRAS-LE. Monografia Engenharia Química. Universidade de Caxias do Sul. Caxias
do Sul. 2002.

[8] YÁNEZ, FABIAN. Lagunas de Estabilizacion: Teoria, Diseño, Evaluacion y


Mantenimiento. ETAPA Cuenca.1993. Pg. 421.

[9] LIOI NASCENTES, ALEXANDRE. Avaliação da Eficiência de Sistema de


Tratamento de Esgotos do Tipo Manta de Lodo – Filtro Biológico Aeróbio,
49

Aplicado Em Escala Piloto. Fiocruz, Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, RJ.
Junho de 2004.

[10] IMHOFF, K. KLAUS. Manual de Tratamento de Águas Residuárias. Trad. de M.


L. HESS. São Paulo. Ed. Edgard Blucher, 1996.

[11] PILOTTO, JULIANA SEIXAS. Contribuições Para Modelagem Matemática Do


Comportamento Dos Tanques Sépticos Para Remoção De Matéria Orgânica.
Dissertação Mestrado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental. UFPR.
Curitiba, 2004.

[12] BENTO, A. P.; SEZERINO, P. H.; PHILIPPI, L. S.; REGINATTO; V.; LAPOLLI
F. R. Caracterização da Microfauna em Estação de Tratamento de Esgotos do Tipo
Lodos Ativados: Um Instrumento de Avaliação e Controle do Processo. Eng. sanit.
ambiental. 329 Vol.10, Nº 4, 329-338 out/dez 2005.

[13] FONSECA, PATRÍCIA WEIBERT. Avaliação do Desempenho e Caracterização


de Parâmetros em Lagoas Facultativa e de Maturação. Dissertação Mestrado.
COPPE/UFRJ. Agosto, 2005.

[14] ORNELAS, PEDRO. Reuso De Água Em Edifícios Públicos: O Caso Da Escola


Politécnica Da UFBA. Dissertação de Mestrado. UFBA. Salvador 2004.

[15] METCALF & EDDY. Wastewater Engineering – Treatment, Disposal and Reuse.
3. ed. United States: McGraw Hill, 1991.

[16] PIERALISI DO BARSIL LTDA. Disponível na URL:


<http://www.pieralisi.com.br/produtos/decanter/modelos.htm> Acessado em:
06/04/2009.

[17] ______. Resolução CONAMA No 357/2005. Dispõe sobre a classificação dos


corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como
estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 2005.
50

ANEXOS

ANEXO A: Resolução CONAMA Nº 357, De 17 de Março de 2005


ANEXO B: Fluxograma com Balanços
ANEXO C: Fluxograma com Instrumentação
ANEXO D: Planta de Instalação e Layout
ANEXO E: Layout Geral
ANEXO F: Perfil Hidráulico
51

ANEXO A: Resolução CONAMA Nº 357, De 17 de Março de 2005

CAPÍTULO I
DAS DEFINIÇÕES
Art. 2º Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições:
I – águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 %;
II – águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 %;
III – águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 %;
IV – ambiente lêntico: ambiente que se refere à água parada, com movimento lento ou
estagnado;
V - ambiente lótico: ambiente relativo a águas continentais moventes;
VI - aqüicultura: o cultivo ou a criação de organismos cujo ciclo de vida, em condições
naturais, ocorre total ou parcialmente em meio aquático;
VII - carga poluidora: quantidade de determinado poluente transportado ou lançado em um
corpo de água receptor, expressa em unidade de massa por tempo;
VIII - cianobactérias: microorganismos procarióticos autotróficos, também denominados
como cianofíceas (algas azuis) capazes de ocorrer em qualquer manancial superficial
especialmente naqueles com elevados níveis de nutrientes (nitrogênio e fósforo), podendo
produzir toxinas com efeitos adversos a saúde;
IX - classe de qualidade: conjunto de condições e padrões de qualidade de água necessários
ao atendimento dos usos preponderantes, atuais ou futuros;
X - classificação: qualificação das águas doces, salobras e salinas em função dos usos
preponderantes (sistema de classes de qualidade) atuais e futuros;
XI - coliformes termotolerantes: bactérias gram-negativas, em forma de bacilos,
oxidasenegativas, caracterizadas pela atividade da enzima - galactosidase. Podem crescer
em meios contendo agentes tenso-ativos e fermentar a lactose nas temperaturas de 44 –
45ºC, com produção de ácido, gás e aldeído. Além de estarem presentes em fezes humanas
e de animais homeotérmicos, ocorrem em solos, plantas ou outras matrizes ambientais que
não tenham sido contaminados por material fecal;
XII - condição de qualidade: qualidade apresentada por um segmento de corpo d'água, num
determinado momento, em termos dos usos possíveis com segurança adequada, frente às
Classes de Qualidade;
52

XIII - condições de lançamento: condições e padrões de emissão adotados para o controle


de lançamentos de efluentes no corpo receptor;
XIV - controle de qualidade da água: conjunto de medidas operacionais que visa avaliar a
melhoria e a conservação da qualidade da água estabelecida para o corpo de água;
XV - corpo receptor: corpo hídrico superficial que recebe o lançamento de um efluente;
XVI - desinfecção: remoção ou inativação de organismos potencialmente patogênicos;
XVII - efeito tóxico agudo: efeito deletério aos organismos vivos causado por agentes
físicos ou químicos, usualmente letalidade ou alguma outra manifestação que a antecede,
em um curto período de exposição;
XVIII - efeito tóxico crônico: efeito deletério aos organismos vivos causado por agentes
físicos ou químicos que afetam uma ou várias funções biológicas dos organismos, tais
como a reprodução, o crescimento e o comportamento, em um período de exposição que
pode abranger a totalidade de seu ciclo de vida ou parte dele;
XIX - efetivação do enquadramento: alcance da meta final do enquadramento;
XX - enquadramento: estabelecimento da meta ou objetivo de qualidade da água (classe) a
ser, obrigatoriamente, alcançado ou mantido em um segmento de corpo de água, de acordo
com os usos preponderantes pretendidos, ao longo do tempo;
XXI - ensaios ecotoxicológicos: ensaios realizados para determinar o efeito deletério de
agentes físicos ou químicos a diversos organismos aquáticos;
XXII - ensaios toxicológicos: ensaios realizados para determinar o efeito deletério de
agentes físicos ou químicos a diversos organismos visando avaliar o potencial de risco à
saúde humana;
XXIII - escherichia coli (E.Coli): bactéria pertencente à família Enterobacteriaceae
caracterizada pela atividade da enzima - glicuronidase. Produz indol a partir do aminoácido
triptofano. É a única espécie do grupo dos coliformes termotolerantes cujo habitat
exclusivo é o intestino humano e de animais homeotérmicos, onde ocorre em densidades
elevadas;
XXIV - metas: é o desdobramento do objeto em realizações físicas e atividades de gestão,
de acordo com unidades de medida e cronograma preestabelecidos, de caráter obrigatório;
XXV - monitoramento: medição ou verificação de parâmetros de qualidade e quantidade
de água, que pode ser contínua ou periódica, utilizada para acompanhamento da condição e
controle da qualidade do corpo de água;
XXVI - padrão: valor limite adotado como requisito normativo de um parâmetro de
qualidade de água ou efluente;
53

XXVII - parâmetro de qualidade da água: substâncias ou outros indicadores


representativos da qualidade da água;
XXVIII - pesca amadora: exploração de recursos pesqueiros com fins de lazer ou desporto;
XXIX - programa para efetivação do enquadramento: conjunto de medidas ou ações
progressivas e obrigatórias, necessárias ao atendimento das metas intermediárias e final de
qualidade de água estabelecidas para o enquadramento do corpo hídrico;
XXX - recreação de contato primário: contato direto e prolongado com a água (tais como
natação, mergulho, esqui-aquático) na qual a possibilidade do banhista ingerir água é
elevada;
XXXI - recreação de contato secundário: refere-se àquela associada a atividades em que o
contato com a água é esporádico ou acidental e a possibilidade de ingerir água é pequena,
como na pesca e na navegação (tais como iatismo);
XXXII - tratamento avançado: técnicas de remoção e/ou inativação de constituintes
refratários aos processos convencionais de tratamento, os quais podem conferir à água
características, tais como: cor, odor, sabor, atividade tóxica ou patogênica;
XXXIII - tratamento convencional: clarificação com utilização de coagulação e floculação,
seguida de desinfecção e correção de pH;
XXXIV - tratamento simplificado: clarificação por meio de filtração e desinfecção e
correção de pH quando necessário;
XXXV - tributário (ou curso de água afluente): corpo de água que flui para um rio maior
ou para um lago ou reservatório;
XXXVI - vazão de referência: vazão do corpo hídrico utilizada como base para o processo
de gestão, tendo em vista o uso múltiplo das águas e a necessária articulação das instâncias
do Sistema Nacional de Meio Ambiente-SISNAMA e do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos-SINGRH;
XXXVII - virtualmente ausentes: que não é perceptível pela visão, olfato ou paladar; e
XXXVIII - zona de mistura: região do corpo receptor onde ocorre a diluição inicial de um
efluente.

CAPÍTULO II
DA CLASSIFICAÇÃO DOS CORPOS DE ÁGUA
Art.3º As águas doces, salobras e salinas do Território Nacional são classificadas, segundo
a qualidade requerida para os seus usos preponderantes, em treze classes de qualidade.
54

Parágrafo único. As águas de melhor qualidade podem ser aproveitadas em uso menos
exigente, desde que este não prejudique a qualidade da água, atendidos outros requisitos
pertinentes.
Seção I
Das Águas Doces
Art. 4º As águas doces são classificadas em:
I - classe especial: águas destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e,
c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral.
II - classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho,
conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam
rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e
e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas.
III - classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho,
conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e
lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e
e) à aqüicultura e à atividade de pesca.
IV - classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
c) à pesca amadora;
d) à recreação de contato secundário; e
e) à dessedentação de animais.
V - classe 4: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
55

b) à harmonia paisagística.
Seção II
Das Águas Salinas
Art. 5º As águas salinas são assim classificadas:
I - classe especial: águas destinadas:
a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
II - classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) à recreação de contato primário, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
b) à proteção das comunidades aquáticas; e
c) à aqüicultura e à atividade de pesca.
III - classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) à pesca amadora; e
b) à recreação de contato secundário.
IV - classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.
Seção II
Das Águas Salobras
Art. 6º As águas salobras são assim classificadas:
I - classe especial: águas destinadas:
a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
II - classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) à recreação de contato primário, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à aqüicultura e à atividade de pesca;
d) ao abastecimento para consumo humano após tratamento convencional ou avançado; e
e) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes
ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película, e à irrigação de parques,
jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto.
III - classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) à pesca amadora; e
b) à recreação de contato secundário.
56

IV - classe 3: águas que podem ser destinadas:


a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.

CAPÍTULO III
DAS CONDIÇÕES E PADRÕES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS
Seção I
Das Disposições Gerais
Art. 7º Os padrões de qualidade das águas determinados nesta Resolução estabelecem
limites individuais para cada substância em cada classe.
Parágrafo único. Eventuais interações entre substâncias, especificadas ou não nesta
Resolução, não poderão conferir às águas características capazes de causar efeitos letais ou
alteração de comportamento, reprodução ou fisiologia da vida, bem como de restringir os
usos preponderantes previstos, ressalvado o disposto no § 3º do art. 34, desta Resolução.
Art. 8º O conjunto de parâmetros de qualidade de água selecionado para subsidiar a
proposta de enquadramento deverá ser monitorado periodicamente pelo Poder Público.
§ 1º Também deverão ser monitorados os parâmetros para os quais haja suspeita da sua
presença ou não conformidade.
§ 2º Os resultados do monitoramento deverão ser analisados estatisticamente e as
incertezas de medição consideradas.
§ 3º A qualidade dos ambientes aquáticos poderá ser avaliada por indicadores biológicos,
quando apropriado, utilizando-se organismos e/ou comunidades aquáticas.
§ 4º As possíveis interações entre as substâncias e a presença de contaminantes não
listados nesta Resolução, passíveis de causar danos aos seres vivos, deverão ser
investigadas utilizando-se ensaios ecotoxicológicos, toxicológicos, ou outros métodos
cientificamente reconhecidos.
§ 5º Na hipótese dos estudos referidos no parágrafo anterior tornarem-se necessários em
decorrência da atuação de empreendedores identificados, as despesas da investigação
correrão as suas expensas.
§ 6º Para corpos de água salobras continentais, onde a salinidade não se dê por influência
direta marinha, os valores dos grupos químicos de nitrogênio e fósforo serão os
estabelecidos nas classes correspondentes de água doce.
Art. 9º A análise e avaliação dos valores dos parâmetros de qualidade de água de que trata
57

esta Resolução serão realizadas pelo Poder Público, podendo ser utilizado laboratório
próprio, conveniado ou contratado, que deverá adotar os procedimentos de controle de
qualidade analítica necessários ao atendimento das condições exigíveis.
§ 1º Os laboratórios dos órgãos competentes deverão estruturar-se para atenderem ao
disposto nesta Resolução.
§ 2º Nos casos onde a metodologia analítica disponível for insuficiente para quantificar as
concentrações dessas substâncias nas águas, os sedimentos e/ou biota aquática poderão ser
investigados quanto à presença eventual dessas substâncias.
Art. 10. Os valores máximos estabelecidos para os parâmetros relacionados em cada uma
das classes de enquadramento deverão ser obedecidos nas condições de vazão de
referência.
§ 1º Os limites de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), estabelecidos para as águas
doces de classes 2 e 3, poderão ser elevados, caso o estudo da capacidade de
autodepuração do corpo receptor demonstre que as concentrações mínimas de oxigênio
dissolvido (OD) previstas não serão desobedecidas, nas condições de vazão de referência,
com exceção da zona de mistura.
§ 2º Os valores máximos admissíveis dos parâmetros relativos às formas químicas de
nitrogênio e fósforo, nas condições de vazão de referência, poderão ser alterados em
decorrência de condições naturais, ou quando estudos ambientais específicos, que
considerem também a poluição difusa, comprovem que esses novos limites não acarretarão
prejuízos para os usos previstos no enquadramento do corpo de água.
§ 3º Para águas doces de classes 1 e 2, quando o nitrogênio for fator limitante para
eutrofização, nas condições estabelecidas pelo órgão ambiental competente, o valor de
nitrogênio total (após oxidação) não deverá ultrapassar 1,27 mg/L para ambientes lênticos
e 2,18 mg/L para ambientes lóticos, na vazão de referência.
§ 4º O disposto nos §§ 2º e 3º não se aplica às baías de águas salinas ou salobras, ou outros
corpos de água em que não seja aplicável a vazão de referência, para os quais deverão ser
elaborados estudos específicos sobre a dispersão e assimilação de poluentes no meio
hídrico.
Art. 11. O Poder Público poderá, a qualquer momento, acrescentar outras condições e
padrões de qualidade, para um determinado corpo de água, ou torná-los mais restritivos,
tendo em vista as condições locais, mediante fundamentação técnica.
Art. 12. O Poder Público poderá estabelecer restrições e medidas adicionais, de caráter
excepcional e temporário, quando a vazão do corpo de água estiver abaixo da vazão de
58

referência.
Art. 13. Nas águas de classe especial deverão ser mantidas as condições naturais do corpo
de água.
Seção II
Das Águas Doces
Art. 14. As águas doces de classe 1 observarão as seguintes condições e padrões:
I - condições de qualidade de água:
a) não verificação de efeito tóxico crônico a organismos, de acordo com os critérios
estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições
nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de ensaio
ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido.
b) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
c) óleos e graxas: virtualmente ausentes;
d) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
e) corantes provenientes de fontes antrópicas: virtualmente ausentes;
f) resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes;
g) coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato primário deverão ser
obedecidos os padrões de qualidade de balneabilidade, previstos na Resolução CONAMA
no 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200
coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais, de pelo menos 6 amostras,
coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. A E. Coli poderá ser
determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com
limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente;
h) DBO 5 dias a 20°C até 3 mg/L O2;
i) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/L O2;
j) turbidez até 40 unidades nefelométrica de turbidez (UNT);
l) cor verdadeira: nível de cor natural do corpo de água em mg Pt/L; e
m) pH: 6,0 a 9,0.
Art 15. Aplicam-se às águas doces de classe 2 as condições e padrões da classe 1 previstos
no artigo anterior, à exceção do seguinte:
I - não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não
sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais;
II - coliformes termotolerantes: para uso de recreação de contato primário deverá ser
obedecida a Resolução CONAMA no 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser
59

excedido um limite de 1.000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais
de pelo menos 6 (seis) amostras coletadas durante o período de um ano, com freqüência
bimestral. A E. coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes
termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente;
III - cor verdadeira: até 75 mg Pt/L;
IV - turbidez: até 100 UNT;
V - DBO 5 dias a 20°C até 5 mg/L O2;
VI - OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/L O2;
VII - clorofila a: até 30 μg/L;
VIII - densidade de cianobactérias: até 50000 cel/mL ou 5 mm3/L; e,
IX - fósforo total:
a) até 0,030 mg/L, em ambientes lênticos; e,
b) até 0,050 mg/L, em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40
dias, e tributários diretos de ambiente lêntico.
Art. 16. As águas doces de classe 3 observarão as seguintes condições e padrões:
I - condições de qualidade de água:
a) não verificação de efeito tóxico agudo a organismos, de acordo com os critérios
estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições
nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de ensaio
ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido;
b) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
c) óleos e graxas: virtualmente ausentes;
d) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
e) não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não
sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais;
f) resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes;
g) coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não deverá
ser excedido um limite de 2500 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou
mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência
bimestral. Para dessedentação de animais criados confinados não deverá ser excedido o
limite de 1000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo
menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. Para
os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 4000 coliformes termotolerantes por
100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante o período de
60

um ano, com periodicidade bimestral. A E. Coli poderá ser determinada em substituição ao


parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão
ambiental competente;
h) cianobactérias para dessedentação de animais: os valores de densidade de cianobactérias
não deverão exceder 50.000 cel/ml, ou 5 mm3/L;
i) DBO 5 dias a 20°C até 10 mg/L O2;
j) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/L O2;
l) turbidez até 100 UNT;
m) cor verdadeira: até 75 mg Pt/L; e,
n) pH: 6,0 a 9,0.
Art. 17. As águas doces de classe 4 observarão as seguintes condições e padrões:
I - materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
II - odor e aspecto: não objetáveis;
III - óleos e graxas: toleram-se iridescências;
IV - substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais
de navegação: virtualmente ausentes;
V - fenóis totais (substâncias que reagem com 4 - aminoantipirina) até 1,0 mg/L de
C6H5OH;
VI - OD, superior a 2,0 mg/L O2 em qualquer amostra; e,
VII - pH: 6,0 a 9,0.
Seção III
Das Águas Salinas
Art. 18 ao Art. 20.
Seção IV
Das Águas Salobras
Art. 21 ao Art. 23.
CAPÍTULO IV
DAS CONDIÇÕES E PADRÕES DE LANÇAMENTO DE EFLUENTES
Art. 24. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou
indiretamente, nos corpos de água, após o devido tratamento e desde que obedeçam às
condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis.
Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento:
I - acrescentar outras condições e padrões, ou torná-los mais restritivos, tendo em vista as
condições locais, mediante fundamentação técnica; e
61

II - exigir a melhor tecnologia disponível para o tratamento dos efluentes, compatível com
as condições do respectivo curso de água superficial, mediante fundamentação técnica.
Art. 25. É vedado o lançamento e a autorização de lançamento de efluentes em desacordo
com as condições e padrões estabelecidos nesta Resolução.
Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, excepcionalmente, autorizar o
lançamento de efluente acima das condições e padrões estabelecidos no art. 34, desta
Resolução, desde que observados os seguintes requisitos:
I - comprovação de relevante interesse público, devidamente motivado;
II - atendimento ao enquadramento e às metas intermediárias e finais, progressivas e
obrigatórias;
III - realização de Estudo de Impacto Ambiental-EIA, às expensas do empreendedor
responsável pelo lançamento;
IV - estabelecimento de tratamento e exigências para este lançamento; e
V - fixação de prazo máximo para o lançamento excepcional.
Art. 26. Os órgãos ambientais federal, estaduais e municipais, no âmbito de sua
competência, deverão, por meio de norma específica ou no licenciamento da atividade ou
empreendimento, estabelecer a carga poluidora máxima para o lançamento de substâncias
passíveis de estarem presentes ou serem formadas nos processos produtivos, listadas ou
não no art. 34, desta Resolução, de modo a não comprometer as metas progressivas
obrigatórias, intermediárias e final, estabelecidas pelo enquadramento para o corpo de
água.
§ 1º No caso de empreendimento de significativo impacto, o órgão ambiental competente
exigirá, nos processos de licenciamento ou de sua renovação, a apresentação de estudo de
capacidade de suporte de carga do corpo de água receptor.
§ 2º O estudo de capacidade de suporte deve considerar, no mínimo, a diferença entre os
padrões estabelecidos pela classe e as concentrações existentes no trecho desde a montante,
estimando a concentração após a zona de mistura.
§ 3º Sob pena de nulidade da licença expedida, o empreendedor, no processo de
licenciamento, informará ao órgão ambiental as substâncias, entre aquelas previstas nesta
Resolução para padrões de qualidade de água, que poderão estar contidas no seu efluente.
§ 4º O disposto no § 1º aplica-se também às substâncias não contempladas nesta
Resolução, exceto se o empreendedor não tinha condições de saber de sua existência nos
seus efluentes.
Art. 27. É vedado, nos efluentes, o lançamento dos Poluentes Orgânicos Persistentes-POPs
62

mencionados na Convenção de Estocolmo, ratificada pelo Decreto Legislativo nº 204, de 7


de maio de 2004.
Parágrafo único. Nos processos onde possa ocorrer a formação de dioxinas e furanos
deverá ser utilizada a melhor tecnologia disponível para a sua redução, até a completa
eliminação.
Art. 28. Os efluentes não poderão conferir ao corpo de água características em desacordo
com as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e final, do seu enquadramento.
§ 1º As metas obrigatórias serão estabelecidas mediante parâmetros.
§ 2º Para os parâmetros não incluídos nas metas obrigatórias, os padrões de qualidade a
serem obedecidos são os que constam na classe na qual o corpo receptor estiver
enquadrado.
§ 3º Na ausência de metas intermediárias progressivas obrigatórias, devem ser obedecidos
os padrões de qualidade da classe em que o corpo receptor estiver enquadrado.
Art. 29. A disposição de efluentes no solo, mesmo tratados, não poderá causar poluição ou
contaminação das águas.
Art. 30. No controle das condições de lançamento, é vedada, para fins de diluição antes do
seu lançamento, a mistura de efluentes com águas de melhor qualidade, tais como as águas
de abastecimento, do mar e de sistemas abertos de refrigeração sem recirculação.
Art. 31. Na hipótese de fonte de poluição geradora de diferentes efluentes ou lançamentos
individualizados, os limites constantes desta Resolução aplicar-se-ão a cada um deles ou ao
conjunto após a mistura, a critério do órgão ambiental competente.
Art. 32. Nas águas de classe especial é vedado o lançamento de efluentes ou disposição de
resíduos domésticos, agropecuários, de aqüicultura, industriais e de quaisquer outras fontes
poluentes, mesmo que tratados.
§ 1º Nas demais classes de água, o lançamento de efluentes deverá, simultaneamente:
I - atender às condições e padrões de lançamento de efluentes;
II - não ocasionar a ultrapassagem das condições e padrões de qualidade de água,
estabelecidos para as respectivas classes, nas condições da vazão de referência; e
III - atender a outras exigências aplicáveis.
§ 2º No corpo de água em processo de recuperação, o lançamento de efluentes observará as
metas progressivas obrigatórias, intermediárias e final.
Art. 33. Na zona de mistura de efluentes, o órgão ambiental competente poderá autorizar,
levando em conta o tipo de substância, valores em desacordo com os estabelecidos para a
63

respectiva classe de enquadramento, desde que não comprometam os usos previstos para o
corpo de água.
Parágrafo único. A extensão e as concentrações de substâncias na zona de mistura deverão
ser objeto de estudo, nos termos determinados pelo órgão ambiental competente, às
expensas do empreendedor responsável pelo lançamento.
Art. 34. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou
indiretamente, nos corpos de água desde que obedeçam as condições e padrões previstos
neste artigo, resguardadas outras exigências cabíveis:
§ 1º O efluente não deverá causar ou possuir potencial para causar efeitos tóxicos aos
organismos aquáticos no corpo receptor, de acordo com os critérios de toxicidade
estabelecidos pelo órgão ambiental competente.
§ 2º Os critérios de toxicidade previstos no § 1º devem se basear em resultados de ensaios
ecotoxicológicos padronizados, utilizando organismos aquáticos, e realizados no efluente.
§ 3º Nos corpos de água em que as condições e padrões de qualidade previstos nesta
Resolução não incluam restrições de toxicidade a organismos aquáticos, não se aplicam os
parágrafos anteriores.
§ 4º Condições de lançamento de efluentes:
I - pH entre 5 a 9;
II - temperatura: inferior a 40ºC, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor
não deverá exceder a 3ºC na zona de mistura;
III - materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Imhoff. Para o
lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os
materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes;
IV - regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vezes a vazão média do período
de atividade diária do agente poluidor, exceto nos casos permitidos pela autoridade
competente;
V - óleos e graxas:
1 - óleos minerais: até 20 mg/L;
2- óleos vegetais e gorduras animais: até 50 mg/L; e
VI - ausência de materiais flutuantes.
Art. 35. Sem prejuízo do disposto no inciso I, do § 1o do art. 24, desta Resolução, o órgão
ambiental competente poderá, quando a vazão do corpo de água estiver abaixo da vazão de
referência, estabelecer restrições e medidas adicionais, de caráter excepcional e
temporário, aos lançamentos de efluentes que possam, dentre outras conseqüências:
64

I - acarretar efeitos tóxicos agudos em organismos aquáticos; ou


II - inviabilizar o abastecimento das populações.
Art. 36. Além dos requisitos previstos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis, os
efluentes provenientes de serviços de saúde e estabelecimentos nos quais haja despejos
infectados com microorganismos patogênicos, só poderão ser lançados após tratamento
especial.
Art. 37. Para o lançamento de efluentes tratados no leito seco de corpos de água
intermitentes, o órgão ambiental competente definirá, ouvido o órgão gestor de recursos
hídricos, condições especiais.

MARINA SILVA
Presidente do CONAMA
65

Qeb = 65,48 m3/h H2SO4 ou NaOH TQS. DE NaOH TQS. DE H2SO4 TQS. DE MAP E URÉIA TQ. DE ANTIESPUMANTE
Xeb = 718,0 g/m3 Água Diluição:
CALHA Qneu = 10,00 L/h
Meb = 47,01 kg/h GRADEAMENTO Qad = 70,00 L/h
PARSHALL
Seb = 640,0 g/m3 DESAREANADOR
pH = 7,60
Dosagem necessária de N e P:
Q0rb = 65,49 m3/h
Qnut = 50,00 L/h
X0rb = 718,00 g/m3
QN = 2,08 kg/h NaOH H2SO4 MAP e Dreno e Anties‐
M0rb = 47,02 kg/h Contenção
QP = 0,42 kg/h 50% 98% Uréia para Tq. de pumante
S0rb = 640,0 g/m3
Volume de Areia Removida: Qtotal = 2,50 kg/h Neutralização
CO0rb = 41,91 kg DBO/h
Requisitos de Nutrientes:
Qareia = 2,619 L/h Qeb = 65,49 m3/h pH0rb = 6,80
N = 4,952 kg N/100 kg DBO
Xeb = 718,00 g/m3
P = 1,009 kg P/100 kg DBO
Meb = 47,02 kg/h
pH = 6,80
Qslp = 66,06 m3/h
Qsd = 60,31 m3/h Qant = 5,00 L/h Xslp = 39,64 g/m3
DECANTADOR Xsd = 25,76 g/m3 Q0lp =66,06 m3/h Xant = 0,10 g/L Mslp = 2,62 kg/h
TANQUE DE AERAÇÃO
SECUNDÁRIO Msd = 1,55 kg/h X0lp = 47,37 g/m3 Mant = 0,50 g/h Sslp = 9,65 g/m3
(REATOR BIOLÓGICO)
Ssd = 60,60 g/m3 M0lp = 3,13 kg/h Qant = 5,00 L/h COslp = 0,637 kg DBO/h
TANQUES DE COsd = 3,65 kg DBO/h S0lp = 60,60 g/m3 Xant = 0,10 g/L Est = 98,49 %
NEUTRALIZAÇÃO CO0lp = 4,00 kg DBO/h Mant = 0,50 g/h Ext = 94,48 %

Qar = 3749,011 m3 Ar/h


EO = 1,303 kg O2/kW.h
Rhoar = 1,157 kg/m3 CALHA PARSHALL
Qr = 12,01 m3/h LAGOA DE POLIMENTO
Xr = 2232,38 g/m3 Q0d = 77,50 m3/h
Mr = 26,81 kg/h X0d = 515,16 g/m3
Sr = 60,60 g/m3 M0d = 42,42 kg/h
COr = 0,73 kg DBO/h SOPRADORES
ROOTS S0d = 60,60 g/m3
CO0d = 4,70 kg DBO/h

Qex = 5,18 m3/h Qu = 17,19 m3/h


Xex = 2232,38 g/m3 Xu = 2232,38 g/m3
Mex = 11,56 kg/h Mu = 38,37 kg/h
Sex = 60,60 g/m3 Su = 60,60 g/m3
COex = 0,31 kg DBO/h COu = 1,04 kg DBO/h
ADENSADOR
CORPO RECEPTOR ‐ RIO
DE LODO

Qsa = 5,51 m3/h TANQUE DE


Xsa = 111,62 g/m3 ESPUMA Qec = 5,75 m3/h
Msa = 0,61 kg/h Qesp = 0,60 m3/h Xec = 274,20 g/m3
Xesp = 0,00 g/m3 Mec = 1,58 kg/h
Sec = 60,59 g/m3

Qla = 0,27 m3/h CENTRÍFUGA


Qld = 0,033 m3/h
Xla = 40000,00 g/m3 DECANTER
Xld = 300000 g/m3
Mla = 10,94 kg/h Mld = 9,982 kg/h
CS = 239,57 kg SS/d

TANQUE DE TANQUE DE LODO Q0c = 0,27 m3/h Qsc = 0,24 m3/h


EFLUENTE BIOLÓGICO X0c = 40000,00 g/m3 Xsc = 4000,00 g/m3
CLARIFICADO M0c = 10,94 kg/h Msc = 0,96 kg/h

LEGENDA:
EFLUENTE BRUTO
AFLUENTE TRATADO
LODO BIOLÓGICO
LODO DESIDRATADO
ESPUMA DO DS
PRODUTOS QUÍMICOS
RESÍDUO SÓLIDO
AR COMPRIMIDO

Título:
ETE – LODOS ATIVADOS DE AERAÇÃO PROLONGADA
Fluxograma com Balanços

formato: unidades medidas: desenho nº:


Escala A3 [S/Unidades] 01/05 DATA
APROVADO
S/E 27-mai-09
FIC Água
66
Diluição
pHI

NaOH H2SO4 MAP e Dreno e Anties‐


Contenção
50% 98% Uréia para Tq. de pumante
Neutralização

LI LI
PROCESSO INDUSTRIAL
(EFLUENTE BRUTO
EQUALIZADO)

PI

PI

FIC

FT
FC PTI

LIC LT
CORPO RECEPTOR ‐ RIO

LIC LT LT LIC

LEGENDA:
EFLUENTE BRUTO
AFLUENTE TRATADO
LODO BIOLÓGICO
LODO DESIDRATADO
ESPUMA DO DS
PRODUTOS QUÍMICOS
RESÍDUO SÓLIDO
AR COMPRIMIDO

Título:
ETE – LODOS ATIVADOS DE AERAÇÃO PROLONGADA
Fluxograma com Instrumentação

formato: unidades medidas: desenho nº:


Escala A3 [S/Unidades] 02/05 DATA
APROVADO
S/E 27-mai-09
67
68
69

Tanques de
Neutralização
Caixa de Calha
Areia Parshall
Decantador Secundário
Calha
Tanque de Aeração Parshall
2 Un.
(Reator Biológico)
i = 1:12
Lagoa de Polimento
RIO

Título:
ETE – LODOS ATIVADOS DE AERAÇÃO PROLONGADA
Perfil Hidráulico

formato: unidades medidas: desenho nº:


Escala A3 [metros] 05/05 DATA
APROVADO
1:100 27-mai-09