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Manual

Floresta Segura
1a edição - Maio de 2010
Saúde e segurança estão entre as maiores prioridades da Fibria. A valorização e o respeito
pelos profissionais é um compromisso constante da Empresa.

Um dos programas normativos voltados à área de Segurança que lançamos este ano é o
Floresta Segura, que tem como objetivo apresentar aos funcionários próprios e provedores,
diretrizes voltada as atividades de Saúde e Segurança do Trabalho.

Os índices de afastamento por acidentes vem caindo a cada ano, demonstrando a preocu-
pação da Empresa não apenas com a integridade de seus profissionais, mas também com
a de prestadores de serviços, fornecedores e visitantes.

Por esses motivos, a Empresa acredita que nenhum trabalho é tão importante ou urgente
que dispense cuidados com a integridade de cada um. Todos somos responsáveis pela sua
segurança e pela segurança dos outros, tendo o direito de retornar para casa nas mesmas
condições que chegamos para trabalhar.

O diálogo e as relações construtivas entre áreas e pessoas ainda é a melhor forma de se


evitar e prevenir acidentes.

Essa é nossa maneira de ser: plantamos ideias, cultivamos relações, colhemos resultados.

Dr. Gerson Nogueira


Gerente Corporativo de HSMT – Higiene, Segurança e Medicina do Trabalho
Índice
I. Apresentação
1. Objetivo................................................................................................................... 5
2. Abrangência............................................................................................................. 5
3. Definições................................................................................................................ 5

II. Fibria
1. Apresentação da Empresa........................................................................................ 7
2. Nossas crenças......................................................................................................... 8
3. Processos do Sistema de Gestão da Unidade Florestal ............................................. 9

III. Requisitos normativos
1. Compromisso da liderança Fibria.............................................................................. 11
a. A liderança da Fibria............................................................................................ 11
b. Comitê de SST...................................................................................................... 11
c. Diretrizes das Regras de Ouro.............................................................................. 12
d. Comitê Disciplinar................................................................................................ 13
2. Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho (SST)................................................. 15
3. Responsabilidade da direção da Fibria..................................................................... 17
4. Planejamento de SST................................................................................................ 17
a. Objetivos e metas................................................................................................ 17
b. Reconhecimento.................................................................................................. 17
5. Comunicação e investigação de acidentes e incidentes............................................. 19
6. Provedores............................................................................................................... 26
a. Qualificação de provedores.................................................................................. 26
b. Gestão de provedores.......................................................................................... 27
7. Programa Estrada Segura......................................................................................... 32
8. Veículos e direção..................................................................................................... 33
a. Veículos de carga................................................................................................. 33
b. Veículos leves...................................................................................................... 34
c. Veículos de transporte de pessoas no trabalho rural............................................ 35
9. Treinamentos de SST................................................................................................. 35
a. Admissional......................................................................................................... 36
b. De integração...................................................................................................... 36
c. De primeiros socorros.......................................................................................... 37
d. De formação de socorristas.................................................................................. 37
e. De membros da Brigada de Incêndio................................................................... 38
f. De membros do comitê de ergonomia................................................................. 38
g. Direcionado......................................................................................................... 38
h. Periódico............................................................................................................ 40
i. Ginástica laboral................................................................................................. 40
10. Gerenciamento de riscos.......................................................................................... 41
a. Diálogo Diário de Segurança (DDS)...................................................................... 41
b. Observação de Riscos no Trabalho (ORT).............................................................. 41
c. Análise Preliminar de Riscos (APR)....................................................................... 42
d. Pocket................................................................................................................. 42
e. Avaliação de risco................................................................................................ 43
11. Manutenção preventiva e preditiva ......................................................................... 46
12. Produtos agrotóxicos................................................................................................ 48
13. Implementação operacional de SST.......................................................................... 50
a. Veículos e direção................................................................................................ 51
b. Trabalho em altura............................................................................................... 52
c. Substâncias perigosas.......................................................................................... 52
d. Proteção de maquinário....................................................................................... 53
e. Movimentação de cargas..................................................................................... 53
f. Isolamento de energia......................................................................................... 54
g. Espaço confinado................................................................................................ 56
h. Instalações elétricas e equipamentos elétricos..................................................... 56
i. Trabalho a quente................................................................................................ 57
j. Animais peçonhentos.......................................................................................... 57
14. Prontidão para emergência e planejamento de contingência.................................... 58
15. Equipamento de proteção........................................................................................ 60
a. Equipamentos de Proteção Individual.................................................................. 60
b. Equipamentos de Proteção Coletiva..................................................................... 63
16. Gestão de recursos................................................................................................... 64
a. Provisão de recursos............................................................................................ 64
b. Recursos humanos............................................................................................... 64
17. Infraestrutura........................................................................................................... 67
18. Ambiente de trabalho............................................................................................... 67
19. Gerenciamento de mudanças tecnológicas............................................................... 68
20. Procedimentos e padrões de desempenho................................................................ 70
a. Índice de Desempenho de Segurança (IDS).......................................................... 70
b. Taxa de Frequência de Acidentes com Afastamento (TFACA)................................ 71
c. Taxa de Gravidade (TG)........................................................................................ 72
d. Índice de Desempenho de Saúde (IDSu)............................................................... 72
21. Monitoramento e medição....................................................................................... 72
a. Monitoramento de riscos..................................................................................... 73
b. Registros de dados.............................................................................................. 73
c. Avaliação dos Programas de Gestão de SST – PGSST........................................... 73
22. Auditoria de SST....................................................................................................... 74
I. Apresentação

1. Objetivo
Apresentar aos profissionais próprios e de provedores as diretrizes prescritivas de
Saúde e Segurança do Trabalho. Definir exigências contratuais de SST em suple-
mentação aos requisitos legais, normativos e de boa prática. A estrita observância
das normas e procedimentos de saúde e segurança é condição de emprego.

O Manual Floresta Segura é um documento normativo e integra os contratos de


provedores da Fibria.

2. Abrangência
Este Manual Floresta Segura aplica-se à Unidade Florestal (produção de madeira)
através da contratação de serviços, de parceria, de suprimentos e qualquer forne-
cimento no qual estejam envolvidas organizações externas que venham trabalhar
dentro dos limites de propriedade da Fibria.

3. Definições
Apresentamos a seguir a relação de siglas usadas ao longo do documento:

APR = Análise Preliminar de Riscos


ASO = Atestado de Saúde Ocupacional
CAT = Comunicado de Acidente do Trabalho
CAL = Controle de Avaliação da Legislação
CIPATR = Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural
CTPS = Carteira de Trabalho e Previdência Social

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Manual Floresta Segura

DETRAN = Departamento Nacional de Trânsito


DHO = Desenvolvimento Humano e Organizacional
DRT = Delegacia Regional do Trabalho
EPC = Equipamento de Proteção Coletiva
EPI = Equipamento de Proteção Individual
EST = Engenheiro de Segurança do Trabalho
FISPQ = Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos
GOL = Gestão On Line (Software)
GPD = Gerenciamento pelas Diretrizes
IDS = Índice de Desempenho de Segurança
LTCAT = Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho
MTE = Ministério do Trabalho e Emprego
MFS = Manual Floresta Segura
OSHA = Occupational Safety and Health Administration
PCA = Programa de Conservação Auditiva
PCMAT = Programa das Condições do Meio Ambiente de Trabalho
PCMSO = Programa de Controle Médico e de Saúde Ocupacional
PO = Procedimento Operacional
PPR = Programa de Proteção Respiratória
PPRA = Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
RINEM = Rede Integrada de Emergência
SENAI = Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SENAT = Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte
SEST = Serviço Social do Transporte
SESTR = Serviço Especializado em Segurança e Saúde no Trabalho Rural
SG = Sistema de Gestão
SGA = Sistema de Gestão Ambiental
SSMA = Saúde, Segurança e Meio Ambiente
SST = Saúde e Segurança no Trabalho
TASC = Técnica de Análise Sistêmica de Causas
THSMT = Time de Higiene, Segurança e Medicina do Trabalho
TST = Técnico de Segurança do Trabalho
II. Fibria

1. Apresentação da Empresa
Criada em setembro de 2009, a Empresa Fibria surgiu da união entre a Votorantim Celulose
e Papel (VCP) e a Aracruz Celulose, constituindo a maior produtora mundial de celulose,
com capacidade de produzir 5,8 milhões de toneladas anuais. Detém 12% de participação
do mercado, sendo 37% em celulose de eucalipto e 22% em fibra curta. Produz também
papéis especiais (térmicos e autocopiativos), de imprimir e de escrever (couché, off-set e
cut-size).

O Grupo Votorantim detém 29,3% das ações totais de Fibria. Sua capacidade produtiva é
superior a 6 milhões de toneladas anuais de celulose e papel, e tem cerca de 15 mil profis-
sionais atuantes em seis Estados do Brasil, em áreas florestais, seis fábricas e cinco escritórios
comerciais localizados nos principais centros consumidores. Quase toda a celulose produzida
é destinada ao mercado externo.

A alta produtividade e o padrão de qualidade são os principais atributos da Fibria. Para man-
ter esse nível de excelência, a Empresa opera com elevados índices em todos os processos ao
longo da cadeia produtiva – do cultivo do eucalipto à distribuição dos produtos finais.

Em março de 2009, entrou em operação uma nova fábrica em Três Lagoas (MS), que se ca-
racteriza por ser a maior unidade de celulose do mundo com uma única linha de produção.
Sua capacidade é de 1,3 milhão de toneladas/ano. O projeto contempla também uma área
florestal com 140 mil hectares plantados com eucalipto e 80 mil destinados à preservação,
cujo manejo obteve parecer favorável do Programa Brasileiro de Certificação Florestal (CER-
FLOR). No total, a Empresa possui (em setembro de 2009) 1,3 milhão de hectares em seis
Estados brasileiros (SP, ES, MS, MG, BA e RS), sendo 706 mil de florestas plantadas, 489
mil de matas preservadas e o restante para outros usos (estradas, instalações etc.).

Os ganhos operacionais, comerciais e em práticas de sustentabilidade elevarão a


eficiência e competitividade da Fibria aos níveis mais exigentes do mercado. Seguindo
também as melhores práticas de governança corporativa, a Empresa deverá migrar
para o Novo Mercado.

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Manual Floresta Segura

2. Nossas crenças

Desenvolver o negócio
Missão florestal renovável como fonte
sustentável da vida

Consolidar a floresta plantada


como produtora de valor
econômico
Visão
Gerar lucro admirado,
associado à conservação
ambiental, inclusão social e
melhoria da qualidade de vida

• Solidez
buscar crescimento sustentável
com geração de valor

• Ética
atuar de forma responsável e
transparente

• Respeito
Valores respeito às pessoas e
disposição para aprender

• Empreendedorismo
crescer com coragem para
fazer, inovar e investir

• União
o todo é mais forte
3. Processos do Sistema de Gestão da Unidade Florestal
A descrição geral da interação entre os processos da Unidade Florestal que inte-
gram o SG está representada nas figuras 1 e 2.

Diretoria Fibria



Requisito de Satisfação
clientes de clientes

Produção Produção Produção


 de Madeira  de Celulose  de Papel 

Negócio Logística
Mercado Interno
e Externo
 Nacional e
Internacional

Entradas Macro-Processos Saída



Desenvolvimento
Humano e Meio
Suprimentos Ambiente
Organizacional

Higiene, Saúde Centro de Sistema


e Medicina do de Gestão
Trabalho Tecnologia
Demanda Atendimento
de partes a partes
interessadas   interessadas
Comunicação Sustentabilidade

Processo de apoio

Estratégia Fibria

Figura 1 - Descrição Geral da Interação dos Processos do SG

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Manual Floresta Segura

Diretoria
Gerência
Processos Estratégicos



Módulo
Viveiro Silvicultura Mecanizado e
Manutenção Florestal

Processos Operacionais


Meio Centro de
Ambiente Estradas
Tecnologia

Consultoria Planejamento e
Poupança
Sistemas de Desenvolvimento
Florestal
Gestão Florestal

Higiene, Segurança
Logística e Medicina do Suprimentos
Trabalho

Desenvolvimento
Comunicação Sustentabilidade Humano e
Organizacional

Processos de Apoio

Macro Processo Produção de Madeira

Figura 2 - Macro Processo Produção de Madeira


III. Requisitos
normativos

1. Compromisso da Liderança Fibria


A liderança da Fibria – Unidade Florestal acredita que:

• Nenhum trabalho é tão importante ou urgente que dispense os cuidados com a


saúde e segurança;
• Cada pessoa é responsável pela sua segurança e pela segurança das outras
pessoas;
• Todos os fatores de risco podem ser identificados e controlados;
• Todos têm o direito de retornar para casa nas mesmas condições de saúde com as
quais chegaram para trabalhar;
• O compromisso da liderança é aferido pelo Índice de Desempenho de Segurança
(IDS) das áreas de produção e de provedores.

a) A Liderança da Fibria – Unidade Florestal deve:


• Promover a responsabilidade individual e assegurar que os provedores sejam
gerenciados com os mesmos critérios de SST que os funcionários diretos;
• Liderar pelo exemplo, assegurando respeito às normas de SST;
• Acompanhar pessoalmente as práticas de trabalho, não tolerar desvios e
identificar oportunidades de melhoria;
• Assegurar o direito de recusa ao trabalho nas situações de risco à saúde e
segurança dos funcionários próprios e de provedores.

b) Comitê de SST
As áreas de silvicultura, colheita, manutenção, logística e provedores com mais
de 50 funcionários, devem organizar e manter em funcionamento para cada

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área e provedor um Comitê de SST que se reunirá uma vez por mês. O Comitê é
constituído por:
• Coordenador de SST – designado pelo gerente ou coordenador
da área;
• Membros com representatividade de cada time;
• Técnicos de Segurança do Trabalho;
• Os provedores com menos de 50 funcionários devem se organizar em comitês
de SST regionais com outros provedores de mesma natureza de serviços ou
participar dos comitês de SST da Fibria.

Escopo de trabalho do Comitê de SST:


• Discutir, analisar, direcionar, avaliar e implementar ações de prevenção de
acidentes e doenças ocupacionais;
• Estatísticas de SST;
• Investigação de acidentes e incidentes;
• Mudanças de leiaute;
• Novas instalações, novos equipamentos, novos programas e projetos
relacionados à SST;
• Condições e/ou práticas abaixo dos padrões no ambiente de trabalho;
• Observação de Riscos no Trabalho (ORT);
• Treinamento em SST da equipe operacional.

c) Diretrizes das Regras de Ouro:


Diretrizes de segurança que definem as práticas a serem seguidas rigorosamente.
Sua inobservância implica na aplicação de medidas administrativas.
São diretrizes para o desenvolvimento de uma cultura de segurança fundamenta-
da no senso de propriedade, no comportamento seguro e nas responsabilidades
dos gestores e profissionais próprios e de provedores. Essas diretrizes são focadas
nos principais riscos.
A Unidade Florestal estabeleceu 7 (sete) Regras de Ouro, sendo 4 (quatro) comuns
ao negócio da Fibria e 3 (três) regras específicas à Florestal, a saber:
Regras comuns aos negócios da Fibria:
1. Bloqueio de equipamentos: Realizar e testar bloqueios de todas as fontes de
energia (hidráulica, mecânica, elétrica e pressurização) na execução dos serviços.
2. Trabalho em altura: Trabalhar em altura utilizando todos os dispositivos de
segurança.
3. Movimentação de cargas suspensas: Os operadores das máquinas de
guindar devem ser certificados, autorizados e habilitados.
4. Álcool e drogas: Dirigir-se ao local sem influência ou posse de álcool ou
drogas ilegais.

Regras específicas aos riscos da Unidade Florestal:


5. Distância segura de máquinas: Manter-se à distância segura durante a
operação de máquinas e equipamentos mecanizados.
6. Veículos e equipamentos: Dirigir ou operar veículos e equipamentos
devidamente autorizado e habilitado.
7. Ferramental adequado para operações de manutenção: Utilizar sempre a
ferramenta adequada para o propósito da tarefa a ser realizada.

Regras específicas aos riscos da Logística Florestal:


8. Condução do veículo: Dirigir somente quando estiver habilitado, treinado
ou autorizado.
9. Condição física: Trabalhar somente em condições físicas favoráveis.
10. EPI´s: Fazer uso dos equipamentos de proteção individual nos locais
indicados.
11. Velocidade: Respeitar os limites de velocidade estabelecidos pelo órgão
responsável e pela Fibria.

d) Comitê Disciplinar
As Unidades Florestais mantêm um Comitê Disciplinar para análise e gestão de con-
sequências nos casos de ato faltoso, falta grave, desvios de conduta e das diretrizes
de SST. O Comitê é coordenado pelo Gerente Geral ou designado e constituído por:

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Manual Floresta Segura
• Gerentes da Unidade Florestal
• Coordenadores das áreas
• Presidente da CIPATR
• Representante do SESTR
• Representante do provedor (quando aplicável)

A violação de qualquer uma das Regras de Ouro implicará para o provedor em


multa contratual de 10% da fatura do mês e o desligamento do empregado.
Os provedores desqualificados por não atendimento aos padrões de SST da Fibria
ficam impedidos de realizar negócios com outras empresas do grupo.

2. Legislação de Saúde e Segurança no Trabalho (SST)


As unidades florestais recebem periodicamente, por meio eletrônico, a atualização da
legislação aplicável.

O THSMT deve programar com a empresa especializada, a cada 2 (dois) anos, uma audi-
toria de conformidade legal. A auditoria deve incluir, por amostragem, os provedores de
serviços da Fibria.

O TST realiza a avaliação periódica do atendimento à legislação de SST, através da plani-


lha de Controle de Avaliação da Legislação (CAL), no mínimo uma vez por ano.

O TST pode paralisar qualquer serviço que evidencie risco grave e eminente, que coloque
em perigo a saúde e segurança de profissionais próprios ou de provedores.

Os provedores são responsáveis pelos atos, comportamentos e apresentação pessoal de


seus empregados, consequências cíveis e penais decorrentes da não observância das
normas de SST e requisitos legais.

Os provedores devem comprometer-se a resguardar a imagem da Fibria de todo e qual-


quer ônus advindo das suas providências externas de mobilização para atendimento de
contrato, inclusive do uso indevido, e vinculação da marca Fibria às suas ações.

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Manual Floresta Segura

Nenhuma atividade de prestação de serviços, tais como silvicultura, colheita, trans-


porte de madeira e de pessoal, manutenção, estradas, terraplanagem e construção
civil pode ser iniciada dentro das propriedades da Fibria sem a homologação da
Empresa, salvo autorização formal do comitê de homologação da Fibria, e apre-
sentação dos seguintes documentos legais: LTCAT, PPRA, PCMSO, ASO, PCMAT
(quando aplicável), ficha de registro, ficha de EPI, Carteira Nacional de Habilitação,
treinamento admissional e certificado de capacitação profissional.

Treinamentos exigidos por lei para o exercício da função, tais como curso de
motoserra, aplicação de defensivos agrícolas, direção defensiva, cargas perigosas e
outros são requisitos mandatórios e, em casos de desvios, o profissional será afas-
tado do exercício da função e a empresa será advertida por escrito com retenção de
10% do valor da fatura do mês.
3. Responsabilidade da direção da Fibria
A alta direção da Fibria – Unidade Florestal, constituída pela diretoria, gerência
geral e gerentes, assume o compromisso com a implementação, manutenção e
melhoria do Manual Floresta Segura, através das seguintes ações:

• Análise crítica do Manual Floresta Segura com periodicidade anual;


• Alocação de recursos humanos, materiais e financeiros;
• Desdobramento de metas do GPD;
• Reconhecimento das unidades, áreas, times, provedores e profissionais com
elevado desempenho na gestão de SST;
• Participação nos eventos promovidos pela Fibria ou provedores;
• Acompanhamento do IDS e ações proativas na gestão de SST;
• Reunião periódica com provedores para alinhamento das diretrizes de SST.

4. Planejamento de SST

a) Objetivos e metas
Os objetivos e metas de SST são definidos e aprovados pela alta direção da Fibria,
considerando-se o GPD (metas quantitativas), Gerenciamento de Projetos, Política
Integrada de Gestão Fibria, requisitos para realização do produto, opções tecnológi-
cas, demandas de mercado, estratégia da Fibria, orçamento, mudanças que possam
comprometer a saúde e segurança no trabalho, legislação, significância dos perigos
e riscos, demandas de partes interessadas e outros fatores pertinentes.
A partir dos objetivos e metas, são elaborados os planos de ação conforme a
necessidade, para identificar os responsáveis, meios, prazos e/ou outros parâmetros
pertinentes.

b) Reconhecimento
Anualmente, o THSMT da Fibria – Unidade Florestal elege por votação os desta-
ques de SST nas seguintes categorias:

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Manual Floresta Segura
• Unidade Florestal (benchmarking interno)
• Área de produção (silvicultura, colheita e logística)
• Provedor
• Observador de Comportamento Seguro
• Pocket com alto valor agregado

Os critérios estabelecidos para a escolha da melhor unidade, área e provedor


levam em consideração:
• Número de acidentes com afastamento (30 pontos)
• Taxa de gravidade (30 pontos)
• Índice de Desempenho de Segurança – IDS (20 pontos)
• Horas homem de treinamento em SST (10 pontos)
• Ações implementadas de SST no GOL (10 pontos)
A escolha do melhor observador e pocket devem ser feitas entre os destaques do
mês em cada unidade.

5. Comunicação e investigação de acidentes e incidentes


A Fibria – Unidade Florestal dispõe de diversos canais de comunicação, a saber:

• Placas de identificação de cada fazenda com o número de telefone;


• Serviço de atendimento ao público via 0800-707-9810;
• Telefone único por região, de emergência, com atendimento 24 horas;
• Telefone da portaria central por região, com atendimento 24 horas;
• Telefone celular dos plantonistas A e B;
• Lista de telefones úteis em cada regional;
• Rádios de comunicação.

É de responsabilidade dos gestores da Fibria e de provedores a ampla divulgação


dos canais de comunicação aos funcionários e nas comunidades vizinhas às pro-
priedades.

A notificação do incidente ou acidente é feita por telefone ou rádio, em tempo real,

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aos gestores ou plantonistas da Fibria. É acionado o plano de emergência para o


pronto atendimento nas seguintes situações:

• Incidente ou acidente pessoal


• Patrimônio (princípio de incêndio, veículos, máquinas, instalações)
• Incidente ou acidente ambiental (derramamento de óleo, disposição inadequada
de resíduos)

As dimensões operação, mídia e requisitos legais devem ser considerados no


processo de comunicação interna e externa da Fibria. É vedado a qualquer funcio-
nário próprio ou de provedores dar entrevistas ou informações sobre incidentes ou
acidentes envolvendo a Fibria. A interface com partes interessadas é de responsabi-
lidade do time de Comunicação e dos seus representantes legais.

Os incidentes e acidentes pessoais seguem o critério de classificação da OHSA e são


classificados em 6 (seis) níveis, de acordo com a matriz específica. Eles deverão ser
analisados pela ótica de potencial de gravidade e enquadrados pelo cenário mais
crítico. O enquadramento no cenário mais crítico e dimensão específica identificarão
qual o nível e o prazo para a comunicação, variando de 1 (um) a 6 (seis) níveis.

Os incidentes e acidentes, uma vez classificados, serão comunicados de acordo com


a matriz específica. Os relatórios de análise e investigação deverão ser distribuídos
entre as unidades para fins de aprendizado.

A Fibria – Unidade Florestal incentiva a troca de informações de acidentes e inci-


dentes, benchmarking interno e externo e ajuda mútua. A Fibria é parte integrante
da RINEM do Vale do Paraíba.
Classificação de acidentes ou quase acidentes quanto aos impactos provocados
Nível
Pessoas Patrimônio Ambiental Operação Mídia Legal
Prazo

1 Atendimento
ambulatorial baixa
Até U$ 5.000,00
Impacto restrito ao
equipamento
Sem impacto
no ritmo de Sem impacto
Sem
24 gravidade sem risco remediado impacto
Horas produção
de agravamento naturalmente

2 Lesão simples
sem risco de
De U$ 5.000,00
Impacto restrito
a instalação
Sem impacto
no ritmo de Sem impacto
Sem
24 até U$ 10.000,00 remediado impacto
Horas agravamento produção
naturalmente
Lesão simples
3 sem risco de
agravamento com
De U$ 10.000,00
Impacto na unidade
industrial ou
Baixo impacto Sem impacto
Sem
24 até U$ 50.000,00 local remediado impacto
Horas readaptação da
tecnicamente
função
Impacto na unidade

4 Lesão ou doença
com perda parcial
De U$ 50.000,00
até
industrial ou
local remediado
Perda de
produção de Com impacto
Possível
24 para o trabalho e tecnicamente impacto
Horas U$ 200.000,00 até 2 dias
afastamento impacto ao
ecossistema

Lesão ou doença Impacto na


com perda total para circunvizinhança Repercussão
5 o trabalho gerando
ou podendo gerar
De U$ 200.000,00
até
remediação técnica
parcial efeitos
Parada da
produção de 2
nacional
e possível
Impacto
legal
6 Horas U$ 1.000.000,00 a 7 dias
sequela permanente graves sobre o internacional
ou fatalidade ecossistema

Impacto regional
Parada de
6 Múltiplas fatalidades
Maior que U$
1.000.000,00
irremediável
tecnicamente efeitos
produção
superior a 7
Repercussão
nacional e
Grave
impacto
2 Horas graves sobre o internacional legal
dias
ecossistema

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Classificação de acidentes ou quase acidentes quanto aos impactos provocados


Nível Classificação Consequências do evento

1 SAA
Simples atendimento ambulatorial sem risco de agravamento, baixa gravidade, que não
impeça o acidentado de continuar exercendo sua função na totalidade.

2 SASR
Sem afastamento e sem readaptação, baixa gravidade, que não impeça o acidentado de
continuar exercendo sua função na totalidade.

3 SACR
Sem afastamento com readaptação, lesão sem risco de agravamento, média gravidade que
limita as atividades que podem ser exercidas pelo acidentado.

4 CASR
Com afastamento sem readaptação, lesão que impossibilita o acidentado retornar à próxima
jornada de trabalho.

5 CAPT Com afastamento gerando incapacidade parcial, total ou fatalidade.

6 CATF Com afastamento gerando incapacidade total ou mais de uma fatalidade.

Comunicação de acidentes ou quase acidentes em função do nível

1
24
Horas

2 Comunicação interna na unidade onde ocorreu, para público restrito, visando avaliação preventiva de condições
24 semelhantes e que tem potencial de provocar acidentes semelhantes.
Horas

3
24
Horas

4 Público interno definido de acordo com o plano de gestão de crise de cada unidade + Gerência da área +
Comunicação local e do negócio + Equipe SSMA das UNs + Diretoria do Negócio (incluindo presidente ou
24 superintendente).
Horas

5 Público interno definido de acordo com o plano de gestão de crise de cada unidade + Gerencia da área +
Comunicação local e do negócio + Equipe SSMA das UNs + Diretoria do Negócio (incluindo presidente e
6 superintentente).
Horas Presidentes ou superintendentes comunicam Diretor Geral Vld.

Público interno definido de acordo com o plano de gestão de crise de cada unidade + Gerencia da área + Equipe
6 SSMA das UNs + Comunicação local e do negócio + Equipe SSMA das UNs + Diretoria do Negócio (incluindo
presidente ou superintendente).
2
Presidentes ou superintendentes comunicam Diretor Geral Vld, Conselho Executivo e Assessoria de Comunicação
Horas
do Dr. Antonio Ermínio.
A notificação preliminar do acidente é feita em formulário específico no prazo
máximo de 24 horas.

A investigação do acidente ou incidente de alto potencial deve ser coordenada pelo


TST e/ou SESTR da Fibria ou do provedor com a participação de:

• Nível 1 a 3: Membros da CIPATR, supervisor, testemunhas e acidentado com


autorização do médico do trabalho.
• Nível 4: Público nível 1 a 3 + gerente, coordenador, especialista da área.
• Nível 5: Público nível 4 + gerente geral.
• Nível 6: Público nível 5 + equipe corporativa SSMA + diretoria do negócio.

A investigação do acidente deve ser iniciada, mediante convocação formal, no


prazo máximo de 5 (cinco) dias e compreende:

• Visita ao local;
• Entrevista com envolvidos (oitiva);
• Registro fotográfico;
• Relatório de comunicação do acidente ou incidente;
• Árvore de causas;
• Plano de ação no GOL;
• Apresentação da ocorrência em Power Point.

O prazo para a conclusão e entrega dos documentos de investigação dos acidentes


e incidentes de alto potencial são de 10 (dez) dias úteis para nível 1 a 4 e de 20
(vinte) dias úteis para o nível 5 e 6.

Os acidentes e incidentes de alto potencial são apresentados nos seguintes fóruns


de discussão:

• Comitê de SST das áreas ou de provedores: Nível 1 a 6 (responsável da área)


• Comitê Central de SST: Nível 4 e acima (EST ou TST)
• Reunião Gerencial (resultados): Nível 4 e acima (gerente ou coordenador)
• CIPATR: Nível 2 e acima (TST, supervisor ou gestor)
• Reunião específica: Nível 5 e 6 (gerente ou coordenador)
• DDS extraordinário: Nível 5 e 6 (gerente ou coordenador)
• Reunião CIPATR extraordinária: Nível 5 e 6 (EST, TST ou presidente da CIPATR)
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Manual Floresta Segura
A saúde, a integridade física dos empregados e a proteção ao meio ambiente são
prioridades para a Fibria – Unidade Florestal. Nenhuma situação de emergência,
produção ou resultado econômico poderá ser adotada como justificativa para expor
o empregado e/ou comunidade.

O comportamento seguro dos profissionais próprios e de provedores é o caminho


certo na obtenção de indicadores de excelência, ou seja, taxa de frequência de aci-
dentes com afastamento menor que 1 (um). Portanto, compete a cada um de nós a
construção do valor “SEGURANÇA” em cada unidade da Florestal.

A criação de valor está centrada na gestão de pessoas, na formação da equipe de


alto desempenho e na inovação.

Os gestores devem liderar pelo exemplo, não tolerar desvios e eliminar os maiores
inimigos e velhos hábitos, fontes de perigos responsáveis por causar acidentes e
prejudicar a gestão de SST.

Dificuldade
Os maiores inimigos
Maior • Velhos hábitos
Todo empregado tem o direito • Displicência
e dever de paralisar qualquer • Pouco valor a vida e dos outros
trabalho que coloque em risco • Pouca disciplina ao lidar com riscos
sua integridade física e ou de • Improvisação
outras pessoas • Jeitinho
• Heroísmo
Identidade
• Não cumprimento de regras
(envolvimento das pessoas com as questões de segurança
Relações / participação / liderança leva em conta fortemente
cuidados com segurança / cuidado consigo mesmo)

Processos (riscos identificados / conhecidos / processos


de trabalho consideram os riscos)

Recursos (instalações ou equipamentos)

Menor
0 1 2 4 5 6 Tempo
* História / cultura / valores / crenças / hábitos e costumes
A Fibria possui diversos canais de comunicação que podem ser utilizados para disse-
minação de boas práticas, recomendações de saúde e segurança, recorde alcançado,
destaque profissional, indicadores de desempenho e outros, a saber: site e intranet
Fibria, murais "Informe-se", comunicados, jornal mural, periódico “JornalEco”, jornal
"Vital", "Jornal na Estrada com Segurança" e Resumo do Plano de Manejo.

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Manual Floresta Segura

6. Provedores

a) Qualificação de provedores
Provedores de serviços nas instalações da Fibria devem obrigatoriamente atender
aos requisitos de homologação de SST.
Classificação de provedores:
• Aprovado: resultado maior ou igual a 75%
• Aprovado com restrições: resultado menor que 75% e maior ou igual a 50%
• Reprovado: resultado menor que 50%

Provedores aprovados com restrições devem elaborar um plano de ação a ser


encaminhado para o gestor do contrato da Fibria e para o THSMT com data de
conclusão das ações para adequação dos requisitos legais de SST.
Provedores reprovados devem estruturar e implementar o sistema de gestão de
SST e enviar para avaliação do THSMT, pela segunda vez, as evidências objetivas
e documentos legais. A reprovação do provedor na segunda avaliação implicará
na desqualificação do fornecedor, que ficará impedido de retornar ao processo de
homologação durante o período mínimo de 1 (um) ano.
O processo de homologação do provedor deve ser acompanhado por um técnico
ou engenheiro de segurança da Empresa ou assessoria técnica contratada.
A Fibria possui um comitê de homologação, na forma de colegiado, para avalia-
ção de casos especiais ou de assuntos de interesse da Companhia. As decisões do
comitê devem ser comunicadas para os gestores da Fibria.
O time de gestão de processos deve manter uma lista de fornecedores homologados.
O THSMT realizará avaliação de desempenho de SST, mensal, de provedores
homologados e contratados pela Fibria por meio de check list. A pontuação
mínima exigida é de 70 pontos. Caso o provedor não atinja a pontuação mínima,
é obrigatória a apresentação de um plano de ação com a identificação da(s)
causa(s) raiz(es), responsáveis e prazo de execução. A Fibria retém do provedor
o valor de 10% da fatura do mês. A liberação da retenção do pagamento é feita
após a comprovação da implementação do plano de ação.
b) Gestão de provedores

Campanhas educativas
O provedor deve disponibilizar e incentivar seus colaboradores a participarem
das campanhas educativas internas deflagradas pela Fibria.

Vestuário e adornos pessoais


• É vedado o uso de sandálias, chinelos, tamanco ou de outros tipos inade-
quados de calçados.
• É vedado o uso de bermudas, shorts e camiseta regata e com manga cavada.
• É vedado o uso de adornos pessoais do tipo relógios, pulseiras, correntes,
brincos, anéis, alianças, colares, braceletes, brincos de argola, dentro das
áreas produtivas, manutenção e almoxarifado.
• Cabelos longos deverão ser presos à altura do pescoço dentro das áreas pro-
dutivas e/ou onde houver risco de contato com partes móveis e/ou carrega-
das eletricamente. Deve-se usar touca protetora quando o trabalho exigir.

Alojamentos
O provedor deve garantir a segurança dos funcionários e das instalações dos
alojamentos.
Obriga-se a contratada a comunicar o supervisor ou técnico de segurança da
Fibria a ocorrência de qualquer anormalidade nos alojamentos, que possa
comprometer a integridade física dos funcionários, comunidade e imagem da
Empresa.
Os alojamentos deverão ter suas instalações em conformidade com a NR-24 e
NR-31 da Portaria 321-78 do MTE.
A contratada deve ter o controle do acesso dos funcionários no alojamento.
A contratada deve restringir o acesso de não funcionários aos alojamentos e
proibir a sua permanência.

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Manual Floresta Segura

O lazer para a força de trabalho alojado deverá ser lúdico e diversificado,


devendo a contratada envidar esforços, através de ações de conscientização,
objetivando prevenir práticas ilícitas.

Serviço Especializado em Segurança e Saúde no Trabalho – SESTR


O dimensionamento do SESTR obedecerá ao disposto no Quadro I:

Profissionais Legalmente Habilitados


No de trabalhadores
Eng. Seg. Méd. Trab. Téc. Seg. Enf. Trab. Téc. Enf.
51 a 150 - - 1 - -
151 a 300 - - 1 - 1
301 a 500 - 1* 2 - 1
501 a 1000 1 1 2 1 1
Acima de 1000 1 1 3 1 2
(*) Tempo parcial mínimo de 20 horas por semana
Quadro I

O critério mínimo estabelecido pela Fibria para o atendimento ao item 31.6.6.


da NR-31 obedecerá ao disposto no Quadro II:
Preposto ou profissional legalmente habilitado
No de trabalhadores
Até 10 16 horas/mês
De 11 a 25 32 horas/mês
De 26 a 50 64 horas/mês

Quadro II

O SESTR deverá ser, obrigatoriamente, local. Não será permitido sob qualquer
alegação o SESTR centralizado, devendo todos os seus integrantes permanecer
na locação.
A Fibria exige a participação de TST do provedor, independente do número de
trabalhadores do quadro I ou II, para serviços de alto potencial de risco. O TST
deve permanecer 100% do tempo na frente de trabalho, quando exigido pela
Fibria e especificado na APR. Na falta ou ausência do TST a atividade deve ser
paralisada.
O provedor deverá informar por escrito a composição do SESTR para o THSMT
da Fibria. O SESTR deverá ser qualificado pela Empresa e ainda ser registrado no
órgão regional do Ministério do Trabalho.
O registro profissional deve atender o piso da categoria. A substituição dos pro-
fissionais do SESTR deverá ser previamente autorizada pelo THSMT e o substituto
deve atender às mesmas exigências satisfeitas pelos substituídos.
O TST deve possuir recursos materiais para o bom desempenho de suas funções,
tais como: veículo, celular, computador portátil (notebook), local para treinamen-
to, projetor, faixas, cartazes, flip chart, apostilas, cartilhas, entre outros.
Quando o provedor estiver desobrigado de manter o SESTR, deverá indicar um
preposto para o cumprimento das exigências legais.
Provedores com menos de 50 funcionários podem contratar assessoria técnica de
HSMT, pessoa jurídica, com contrato de prestação de serviços por profissionais
legalmente habilitados e autorizados pelo TST da Fibria.

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Manual Floresta Segura

Saúde Ocupacional
Cabe à nutricionista zelar pela qualidade de manufatura, conservação, trans-
porte, entrega manuseio e distribuição, entre outros aspectos, de todo e qual-
quer tipo de refeição/alimentação, mesmo que o fornecimento de refeições
seja feito por terceiros. Atentando para o balanceamento e reforço energético
necessário a cada tipo de atividade a ser desenvolvida pela força de trabalho,
e ainda, verificar pessoalmente a habilitação dos cozinheiros. Convém ter
graduação em curso ministrado pelo Serviço Nacional do Comércio – SENAC
ou similar.
O provedor deve apresentar à Fibria, antes do início dos serviços, o Programa
de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) do seu pessoal, com base
nas informações fornecidas pela Fibria, identificadas através do seu Programa
de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA.
O provedor deverá manter disponível no local de trabalho uma via de todos os
Atestados de Saúde Ocupacional (ASO) emitidos para seus empregados.
Todos os exames admissionais deverão ser realizados, analisados e aprovados
ANTES do acesso do empregado às propriedades da Fibria.
O provedor deverá submeter à Fibria para análise e aprovação a relação de
laboratórios para realização dos exames de saúde.
O provedor deverá manter atualizado um Mapa de Realização de Exames,
onde constem TODOS os exames admissionais, demissionais, de mudança de
ocupação, retorno ao trabalho e demais, em função de necessidades identifi-
cadas. Fica definido a seguir o elenco básico de exames médicos admissionais
mínimos obrigatórios, aplicável sem exceção, a todos os integrantes da força
de trabalho:
• Hemograma completo com plaquetas.
• Glicemia de jejum.
• Machado Guerreiro.

Exames complementares deverão ser realizados de acordo com a atividade


desenvolvida e exposição aos riscos.
A seleção e qualificação de profissionais para o trabalho em altura ou em área
de risco de queda por diferença de nível deve levar em consideração a aptidão
física e exames de eletrocardiograma, eletroencefalograma, hemograma
completo e glicemia.
O provedor deve indicar e submeter à Fibria para análise e aprovação a enti-
dade de saúde que dará atendimento e assistência para o encaminhamento
hospitalar em caso de emergência ou para atendimento de acidentes durante
a execução dos serviços.
O provedor deve disponibilizar, no caso de possuir ambulatório na área, uma
unidade de socorro móvel a ser utilizada para transporte em caso de emer-
gência. Essa unidade de socorro móvel deverá dispor de equipe exclusiva e
independente, composta de no mínimo 1 (um) motorista e 1 (um) técnico de
enfermagem do trabalho ou enfermeiro do trabalho.
O provedor deve considerar no planejamento das ações de saúde do seu
pessoal a prevenção de situações endêmicas locais onde serão realizados
os serviços, tais como dengue, cólera, febre amarela, malária, leishmaniose,
acidentes com animais peçonhentos, entre outros, em conformidade com as
instruções emanadas do Órgão de Saúde Pública da região ou da Fibria.
O provedor deve informar de imediato à Fibria a relação de empregados inap-
tos para o trabalho, após a realização dos exames periódicos ou demissionais.
Os gastos decorrentes do atendimento médico, eventualmente, prestado pela
Fibria aos empregados da contratada serão deduzidos da sua próxima fatura ou
pagamento.
O provedor deverá prever no bojo do contrato de trabalho, Plano Privado de
Saúde conforme a Lei Nº. 9.656, de 3 de Junho de 1998, no qual estejam
asseguradas as definições adicionais descritas a seguir:
• Desconto simbólico por empregado integrante da força de trabalho.
• Cobertura para 3 (três) atendimentos livres, quantidade a partir da qual será
necessária a retirada da respectiva guia, via provedor. Obrigando-se o prove-
dor informar a Fibria o controle preventivo do empregado, com o objetivo de
evitar a indevida exposição a riscos.
• O Plano de Saúde deverá contemplar o atendimento nas cidades da região
do escopo de contrato.

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Manual Floresta Segura

7. Programa Estrada Segura


O Programa Estrada Segura da Fibria deve ser implementado pelos prove-
dores de estradas, logística florestal (transporte de madeira), logística
industrial (in/out bound; "de entrada ou saída do país") e transporte
de pessoas. Os operadores de máquinas devem ser enquadrados nos
atributos essenciais da função de acordo com o quadro III.

Atributos essenciais da função


ATRIBUTOS ESSENCIAL DESEJÁVEL
Qualificações • C.N.H. Tipo "C" • Treinamento de Certificação
• Treinamento de Segurança na Operação em Operação em Máquinas.
de Máquina • Carga horária: 20 horas
• Carga horária: 20 horas
• Reciclagem anual
Habilidades e • Mais que 5 (cinco) anos operando • Mais que 8 (oito) anos
experiências máquinas operando máquinas
• Mais que 5 (cinco) anos em
atividades florestais
Antecedentes em • Não ter causados acidentes com • Nunca ter se envolvido em
operações com máquinas acidentes com máquinas
máquinas
Características • Ser confiável e firme no caráter • Ter boas condições físicas
pessoais • Ser disciplinado
• Foco na excelência operacional
• Disposição para cumprir procedimentos
e normas
• Segurança é prioridade
Circunstâncias • Possuir facilidade para acesso ao local • Morar próximo da frente de
pessoais de trabalho serviço
• Ligações pessoais na
localidade (ex. família)
Motivação • Vontade de trabalhar livre de incidentes • Desejo de ser o melhor no
serviço
Saúde e condição • Bons antecedentes de saúde sem • Ter boas condições de saúde
psicológica restrições médicas e psicológicas para o
desempenho da função
Escolaridade • Mínimo 4a série do ensino fundamental • 2º grau completo do ensino
médio
Inteligência • Mínimo 4a série do ensino fundamental • Não aplicável
demonstrada
O processo de recrutamento e seleção de operadores de máquinas deve incluir:

• Teste teórico e prático;


• Exames médicos e psicológicos;
• Entrevista.

Os exames médicos na admissão de operadores de máquinas, mínimos, são:

• Exame cardiovascular;
• Exame do aparelho respiratório;
• Avaliação neurológica;
• Avaliação dos ossos, ligamentos e articulações;
• Exame de acuidade auditiva;
• Exame oftalmológico.

Os exames médicos periódicos e complementares são:

• Hemograma completo;
• Glicemia de Jejum;
• Gama GT;
• Protoparasitológico;
• Eletrocardiograma;
• Raio X de tórax;
• Audiometria.

8. Veículos e direção

a) Veículos de carga
• Será vedado o acesso de todo e qualquer meio de transporte e/ou
movimentação de cargas que não atenda, obrigatoriamente, a todas as
exigências a seguir definidas.
• Para os veículos de transporte cujo objetivo seja o carregamento e

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Manual Floresta Segura

descarregamento de material nas instalações da Fibria, serão exigidos o uso


de cinto de segurança com talabarte duplo fixado em cabo guia instalado no
veículo ou trava queda ou guarda-corpo na altura da cintura.
• É vedada a permanência em cima da carroceria de veículos sem os
dispositivos de segurança para trabalho em altura.
• Condução por profissional habilitado na específica categoria legalmente em
vigência.
• O motorista deve ser autorizado pelo TST da Fibria e possuir curso de direção
defensiva com reciclagem anual de 16 (dezesseis) horas.
• Certificado de revisão geral, atestando o satisfatório e adequado
funcionamento de todos os sistemas e dispositivos mecânicos, elétricos,
hidráulicos, pneumáticos e todos os outros necessários à operação a que se
destinar o veículo.

b) Veículos leves
• O motorista deve ser legalmente habilitado para a categoria do veículo a ser
conduzido.
• Utilizar veículos com ar condicionado, freio ABS ou similar e air bag duplo.
• Manter o veículo em boas condições de uso: freio, amortecedores, faróis,
lanternas, retrovisores e pneus.
• Cumprir o período de descanso de, no mínimo, 11 (onze) horas entre
jornadas.
• Durante viagens de período contínuo, realizar parada para descanso de 15
(quinze) minutos a cada 3 (três) horas.
• Respeitar os limites de velocidade e sinalização.
• Não viajar após às 20h00. Prefira pernoitar e seguir no dia seguinte.
• O motorista deve ser autorizado e possuir curso de direção defensiva com
reciclagem bi-anual de 08 (oito) horas.

c) Veículos de transporte de pessoas no trabalho rural


• Os veículos de transporte de passageiros, ônibus ou microônibus, devem estar
cadastrados no DETRAN.
• A empresa de transporte deve ser qualificada e homologada pelo TST da
Fibria.
• O motorista deve ser autorizado e possuir curso de direção defensiva com
reciclagem anual de 16 (dezeseis) horas.
• Os veículos deverão ser inspecionados diariamente pelo motorista e
semalmente por um profissional especializado em mecânica e elétrica.
• Certificado de revisão geral, emitido mensalmente, atestando o satisfatório
e adequado funcionamento de todos os sistemas e dispositivos mecânicos,
elétricos, hidráulicos, pneumáticos e todos os outros necessários à operação e
segurança dos passageiros.
• É vedada a utilização de veículos do tipo van para o transporte intermunicipal
e rural de funcionários próprios e de provedores a serviço da Fibria.
• Os provedores da Fibria não possuem autorização para o transporte de
passageiros. A Fibria indicará a empresa credenciada para cada região.

9. Treinamentos de SST
É necessária uma grade de requisitos de treinamentos de SST para cada cargo e
função de funcionários próprios e de provedores.

A programação de treinamento deve ser feita anualmente pelo gestor da Fibria ou


do provedor com apoio do responsável pelo DHO. O plano de treinamento e reci-
clagem deve explicitar o conteúdo programático, a carga horária, o público alvo,
a qualificação dos instrutores, a forma de registro e o controle dos treinamentos.
O controle dos treinamentos de profissionais da Fibria será de responsabilidade do

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Manual Floresta Segura

DHO. O controle de treinamento de profissionais dos provedores será de responsa-


bilidade da área de Recursos Humanos da empresa. Após o atendimento da grade
de requisitos, os treinamentos deverão ser avaliados quanto ao entendimento e
assimilação, e os profissionais com aproveitamento mínimo de 70% receberão um
certificado de capacitação profissional em saúde e segurança no trabalho.

a) Admissional
Realizado com os profissionais próprios e de provedores, antes do início do traba-
lho na Fibria. A carga horária é de 16 (dezesseis) horas e conteúdo mínimo:
• Política integrada da Fibria;
• Normas regulamentadoras;
• Informações sobre as condições e meio ambiente de trabalho;
• Riscos inerentes à sua função;
• Uso adequado dos EPIs e EPCs;
• Definições, causas, consequências e prevenção dos acidentes e incidentes do
trabalho;
• Técnicas de Análise Sistêmica de Causas (TASC) de acidentes e incidentes;
• Primeiros socorros a acidentados;
• Técnicas de reanimação cárdio-respiratória;
• Prevenção e combate a incêndio;
• Pocket e Regras de Ouro;
• Ergonomia;
• Comportamento seguro;
• Direito de recusa do trabalho;
• Análise Preliminar de Riscos (APR).

b) De integração
É realizado no campo com os profissionais próprios e de provedores, com
acompanhamento do responsável pela operação, de um profissional experiente
designado e do TST. A carga horária é de 8 (oito) horas e conteúdo mínimo:
• Identificação e avaliação dos riscos setoriais;
• Procedimentos operacionais;
• Inspeção de máquinas e equipamentos;
• Observação das práticas e condições seguras;
• Conhecimento de Pocket e ORT da frente de trabalho;
• Conhecimento dos acidentes e causas raízes;
• Observação das tarefas de alto potencial de risco;
• Lições aprendidas.

c) De primeiros socorros
É obrigatório para os funcionários da área operacional, próprios e de provedores,
e deve ser realizado pela Fibria ou empresa provedora de serviços ou empresa
credenciada.
Carga horária: 4 (quatro) horas. Conteúdo programático:
• Socorro básico de emergência;
• Parada cardiorrespiratória;
• Hemorragias;
• Ferimentos;
• Fraturas / entorses;
• Queimaduras;
• Mal súbito;
• Acidente com animais peçonhentos;
• Insolação e intermação;
• Reciclagem: a cada 2 (dois) anos.

d) De formação de socorristas
No mínimo 2 (dois) profissionais próprios ou de provedores devem ser treinados
e capacitados como socorristas para cada equipe de serviço. O socorrista deve
atender ao seguinte perfil profissional: liderança, pró-atividade, afinidade com
situações de emergência, equilíbrio emocional e ter instrução mínima de 1º grau.

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Manual Floresta Segura

Carga horária: 16 (dezesseis) horas. Conteúdo programático: idem ao de primeiros


socorros.
• Instrutor: profissional com curso técnico ou superior em enfermagem.
• Reciclagem: anual (8 horas, incluindo simulado de atendimento à vítima).

e) De membros da Brigada de Incêndio


• Carga horária: 16 (dezesseis) horas.
• Instrutor: TST ou bombeiro.
• Reciclagem: anual (8 horas, incluindo simulado de combate a incêndio).

f) De membros do comitê de ergonomia


• Carga horária: 8 (oito) horas.
• Instrutor: consultor de ergonomia.
• Reciclagem: 2 (duas) horas a cada 2 (dois) anos para 100% dos profissionais
próprios e de provedores.
• Instrutor da reciclagem: membros do comitê de ergonomia.

g) Direcionado
Outros treinamentos serão exigidos em função da formação do profissional e
atendimento à legislação ou diretrizes da Fibria, como por exemplo:
Eletricista industrial (NR-10)
Carga horária: 40 (quarenta) horas
Instrutor: credenciado pela Fibria
Reciclagem: 16 (dezesseis) horas por ano
Operadores de máquinas e equipamentos (NR- 11)
Carga horária: 80 (oitenta) horas
Instrutor: fabricante ou instrutor credenciado pelo fabricante
Reciclagem: 16 (dezesseis) horas por ano
Operador de guindaste (NR-11)
Carga horária: 16 (dezesseis) horas
Instrutor: credenciado pela Fibria
Reciclagem: 4 (quatro) horas por ano
Operador de empilhadeira (NR-18)
Carga horária: 16 (dezesseis) horas
Instrutor: credenciado pela Fibria
Reciclagem: 4 (quatro) horas por ano
Operador de motosserra (NR-12)
Carga horária: 8 (oito) horas

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Manual Floresta Segura

Instrutor: credenciado pela Fibria


Reciclagem: 4 (quatro) horas por ano
Transporte de cargas perigosas (MOPP)
Carga horária: 32 (trinta e duas) horas
Reciclagem: 16 (dezesseis) horas a cada 5 (cinco) anos
Instrutor: credenciado pelo DETRAN

h) Periódico
O treinamento periódico deverá ser realizado mensalmente pelo provedor, podendo
ser ministrado na área de vivência, com ênfase para: início de cada nova fase de
operação; ocorrência de acidentes ou incidentes de alto potencial de risco; correção
de falhas de conduta; condições e práticas abaixo do padrão; e desvios das diretrizes
de SST.
O provedor compromete-se a disponibilizar sua força de trabalho até o limite de
2% de todo o HH (homem hora) mensal envolvido, de forma a atender às convo-
cações de treinamento a serem conduzidas pela Fibria.

i) Ginástica laboral
O provedor poderá desenvolver para sua força de trabalho, opcionalmente, um
programa diário de ginástica laboral durante o expediente de trabalho, envolven-
do seus funcionários nos exercícios.
10. Gerenciamento de riscos
Ocorrerá a interrupção de qualquer frente de serviço na qual se evidencie situação
limite de risco grave e iminente, que ameace a integridade das pessoas, do meio
ambiente e instalações ou que também não atenda às prescrições legais ou diretri-
zes de SST.

a) Diálogo Diário de Degurança (DDS)


As equipes operacionais de funcionários próprios e de provedores deverão pro-
gramar implantar e registrar o DDS (Diálogo Diário de Segurança), realizado por
equipe, ministrado pelo supervisor, líder ou profissional designado, acompanhado
pelo técnico de segurança, ocasião na qual deverão ser abordados os assuntos
definidos a seguir:
• Apresentar os trabalhos do dia;
• Ressaltar os riscos das frentes de serviços e da tarefa;
• Apontar as falhas e acertos de cada atividade;
• Acidentes ocorridos e sua prevenção;
• Informação adicional da Fibria;
• Reforço de procedimentos seguros;
• Observações de comportamento seguro;
• Pockets de alto potencial;
• Regras de Ouro.

b) Observação de Riscos no Trabalho (ORT)


A Fibria – Unidade Florestal implementou o programa comportamento seguro
com base nas diretrizes estabelecidas no manual de gestão e no código de condu-
ta da companhia.
O programa compreende 4 (quatro) fases, a saber:
• 1ª | Sensibilização: conscientização e comprometimento (3 horas) - 100% da
força de trabalho.

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Manual Floresta Segura

• 2ª | Formação de observador: capacitação de profissionais (8 horas) – 100%


da força de trabalho.
• 3ª | Formação de coach: qualificação de líderes em SST (8 horas) – 30% da
força de trabalho.
• 4ª | Reconhecimento e sinergia: alto desempenho profissional (premiação) – 1
(um) funcionário por área ou provedor por ano.

c) Análise Preliminar de Riscos (APR)


É um documento legal que tem por objetivo o reconhecimento antecipado dos
riscos de acidentes/incidentes. Este documento permite que todos os envolvidos
estejam cientes dos riscos de acidentes reais e potenciais e que sejam tomadas as
precauções necessárias para a realização do trabalho com total segurança.
A emissão de uma APR obriga os envolvidos a percorrerem os locais de trabalho
onde serão realizadas as atividades.
A APR envolve serviços de rotina e serviços planejados não rotineiros, de cons-
trução, operação e/ou manutenção, por funcionários próprios ou de provedores
contratados, que envolvam riscos da seguinte natureza:
• Máquinas, veículos e equipamentos, produtos químicos, combustíveis e
inflamáveis, energia elétrica, trabalho em altura, ambientes confinados, obras
civis, terraplanagem, estradas, silvicultura, colheita, movimentação de cargas,
demolições e escavações.
O preenchimento da APR é de responsabilidade da Fibria (contratante) e/ou pro-
vedor (contratada), com a participação do executante, área de trabalho em que os
serviços serão executados e o SESTR.

d) Pocket
O Pocket é uma ferramenta de gerenciamento de riscos para eliminação ou neu-
tralização de fontes de perigos por meio da identificação e registro de incidentes,
condição ou prática abaixo do padrão de SST.
A gestão do Pocket é de responsabilidade do Comitê de SST. Os gerentes da Flo-
restal e provedores deverão aprovisionar recursos anualmente para a melhoria de
máquinas, ferramentas, equipamentos e das condições do ambiente de trabalho.
A Fibria estabeleceu a meta de 1 (um) Pocket por mês por funcionário.

e) Avaliação de risco
A avaliação de risco deve ser implementada para máquinas, veículos e equipa-
mentos em operação e em manutenção, instalações e ferramentas. O método de
avaliação considera a consequência do acidente e a sua frequência. A condição
do risco é representada na planilha de gerenciamento por meio de cores: vermelha
(alto potencial), amarela (médio potencial) e verde (baixo potencial). É obrigatória a
definição das condições de controle para os riscos de alto e médio potencial.

Consequência
Categoria Descrição Descrições / Características
Sem danos ou danos insignificantes aos equipamentos, à
propriedade e/ou ao meio ambiente; não ocorrem lesões
/ mortes de funcionários, de terceiros (não funcionários) e/
I Desprezível
ou pessoas (florestais e comunidade). O máximo que pode
ocorrer são casos de primeiros socorros ou tratamento
médico menor.
Danos leves aos equipamentos, à propriedade e/ou ao
meio ambiente (os danos materiais são controláveis
II Marginal
e/ou de baixo custo de reparo); lesões leves em
funcionários, terceiros e/ou em pessoas.
Danos severos aos equipamentos, à propriedade e/
ou ao meio ambiente; lesões de gravidade moderada
em funcionários, em terceiros e/ou em pessoas
III Crítica
(probabilidade remota de morte de funcionários e/ou
terceiros); exige ações corretivas imediatas para evitar
seu desdobramento em catástrofe.

Danos irreparáveis aos equipamentos, à propriedade e/


ou ao meio ambiente (reparação lenta ou impossível);
IV Catastrófica
provoca mortes ou lesões graves em várias pessoas
(em funcionários, em terceiros e/ou em pessoas).

Categorias de Severidade das Consequências. (Fonte: MORGADO 2000).

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Manual Floresta Segura
Frequência
Categoria Denominação Descrição
Conceitualmente possível, mas extremamente improvável
A Extremamente Remota
de ocorrer durante a vida útil do Processo/instalação
Não esperado ocorrer durante a vida útil do
B Remota
Processo/instalação
Pouco provável de ocorrer durante a vida útil do
C Improvável
Processo/instalação
Esperado ocorrer até uma vez durante a vida útil
D Provável
do Processo/instalação
Esperado ocorrer várias vezes durante a vida útil
E Frequente
do Processo/instalação
Tabela de avaliação de frequências. (Fonte: Moragado 2000)

Avaliação de Risco
Frequência

A B C D E

IV 2 3 4 5 5
Consequência

III 1 2 3 4 5

II 1 1 2 3 4

I 1 1 1 2 3
Matriz de Risco - Frequência x Consequência (Fonte: MORGADO, C.R.V.; "Gerência de
Riscos" Rio de Janeiro: SEGRAC - Núcleo de Pesquisa em Engenharia de Segurança,
Gerenciamento de Riscos e Acessibilidade na UFRJ, 2000.

A planilha de gerenciamento de riscos deve apresentar o conteúdo mínimo:

Atividades de Manutenção da Forwarder - Máquina Parada


Condição Atividades risco ações de controle
1 Troca de Pneu Prensamento Uso de Munck e PO
2 Troca de Mangueira Batida Contra Ferramenta Adequada
3 Troca de Óleo Incêndio PO e Kit de Emergência

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Manual Floresta Segura

11. Manutenção preventiva e preditiva


As máquinas e equipamentos a serem utilizados nas operações florestais deverão
passar por uma vistoria antes de serem colocados em uso para garantir as condi-
ções mínimas de segurança de funcionamento.

Deverão obrigatoriamente passar pela inspeção os equipamentos do tipo Havester,


Forwarder, Clambunck, caminhão comboio, trator de arraste, caminhões, guindas-
tes, geradores, máquinas de solda, furadeiras, lixadeiras, policortes e rosqueadeiras,
entre outros.

As máquinas e equipamentos aprovados para serem colocados em uso deverão


receber um selo de aprovação colado em seu corpo e que deverá ser mantido até a
próxima vistoria. A periodicidade da inspeção deve ser definida pelo especialista no
programa de manutenção preventiva.
As máquinas e equipamentos que não apresentarem este selo deverão ser interdita-
dos e considerados fora de uso imediatamente, até que sejam vistoriados.

As máquinas só podem ser operadas por pessoas habilitadas e treinadas e identifi-


cadas por crachá. Inspeções e manutenção também só devem ser executadas por
pessoas devidamente treinadas.

É responsabilidade da Fibria e dos provedores assegurar que todos os seus tra-


balhadores sejam instruídos e treinados para a utilização segura e adequada de
máquinas e equipamentos.

Na operação de máquinas e equipamentos com tecnologia diferente da que o


operador está habituado a usar, deve ser feito um novo treinamento de modo a
qualificá-lo à utilização dos mesmos.

É terminantemente proibida a operação de máquinas e equipamentos por operado-


res que não estejam habilitados para tal.

As máquinas e equipamentos que ofereçam risco de ruptura de suas partes móveis,


projeção de peças ou de partículas materiais devem ser providos de proteção
adequada.

As máquinas e equipamentos devem ser submetidos à inspeção de acordo com as


normas técnicas oficiais vigentes. Essas inspeções devem ser registradas em docu-
mento específico, constando as datas e falhas observadas, as medidas corretivas
adotadas e a indicação da pessoa, técnico ou empresa habilitada que as realizou.

O abastecimento de máquinas e equipamentos com motor à explosão deve ser


realizado por um trabalhador qualificado, em local apropriado, utilizando-se de
técnicas e equipamentos que garantam a segurança da operação.

Equipamentos pressurizados do tipo compressores, extintores de incêndio e outros


devem ser inspecionados e testados de acordo com a NR-13 ou NBR 13485.

O TST executará inspeções para averiguar as condições de uso das máquinas e


equipamentos utilizados pela Fibria e seus provedores.

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Manual Floresta Segura

12. Produtos agrotóxicos


Os produtos agrotóxicos utilizados na Florestal incluem: herbicida, formicida, inse-
ticida e fungicida, que podem provocar intoxicação aguda ou crônica por meio de
preparação e aplicação inadequada.

O produto deve ser aplicado na dosagem indicada no rótulo ou de acordo com


instrução e orientação técnica de um especialista.

Cuidados devem ser observados na abertura da embalagem e na preparação da


mistura do produto agrotóxico.

A bomba costal para aplicação deve estar em perfeitas condições de uso e os EPI
devem ser higienizados.

O rótulo do produto deve estar disponível nas frentes de serviços para orientação
aos usuários e prevenção de acidentes.

Evitar a aplicação dos produtos em horário de maior intensidade de calor e em dias


com ventos fortes ou chuvosos.

Nunca use a boca para desentupir os bicos dos pulverizadores. Use água ou uma
escova. Não fumar, comer ou beber durante a aplicação de produtos agrotóxicos.
Evitar contato com o rosto e partes do corpo. Antes de comer ou beber, lavar as
mãos e rosto com água abundante e sabão neutro.

Uso obrigatório de EPI:

• Luva impermeável;
• Avental de PVC;
• Óculos de segurança;
• Roupa hidro-repelente;
• Botina de segurança;
• Máscara semifacial;
• Perneira;
• Boné com proteção de pescoço.

A máscara semifacial deve ser utilizada por pessoa sem barba.

Após o término do produto, submeter de imediato todas as embalagens vazias de


agrotóxicos à TRIPLICE LAVAGEM. Este é o único modo seguro para tratar as emba-
lagens vazias antes do descarte. Instruções:

• Adicione água até cerca de ¼ da embalagem. Feche e agite por 30 segundos e


despeje a água de lavagem no tanque do pulverizador. Realize este procedimento
por 3 (três) vezes.
• Na sequência, o fundo das embalagens deve ser perfurado para evitar sua
reutilização. Encaminhá-las para local apropriado.
• Não danificar o rótulo.
• De maneira alguma as embalagens vazias de agrotóxicos poderão ser utilizadas
para transportar alimentos para animais e pessoas, e nem para transporte de
água potável.

Primeiros socorros para o caso intoxicação


Sintomas: dor de cabeça, mal-estar e cansaço, tontura e fraqueza, dificuldade
respiratória, dor de barriga e diarréia, náuseas e vômitos, saliva e suor excessivo e
perturbação da visão.
Recomendações:
1. Afastar o acidentado de todas as fontes de contaminação (locais e roupas) e
lavar as partes do corpo atingidas pelo produto com muita água e sabão;
2. Se a pessoa que engoliu agrotóxico estiver acordada, procure fazê-la vomitar,
colocando o dedo na boca e tocando levemente a garganta;
3. Caso haja necessidade de transportar o acidentado para receber cuidados
médicos, levá-lo deitado de barriga para baixo e com a cabeça virada para o
lado;
4. Aguardar a vinda de um médico, ou levar a vítima imediatamente para o
hospital mais próximo;
5. Levar o rótulo do produto.

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Manual Floresta Segura

13. Implementação operacional de SST


O foco é o alavancador dos resultados e, para isso, a eficácia dos
processos deve ser continuamente monitorada. Além disso, o compro-
metimento e a mobilização dos profissionais próprios e de provedores
são fatores determinantes para se atingir a excelência nos processos de
segurança.

O comportamento seguro fundamenta-se num processo de observações


da execução das atividades nas frentes de trabalho. Na Fibria, a obser-
vação de riscos no trabalho é feita com anuência do observado, não
tem caráter punitivo e é anônima. É ressaltado o comportamento seguro
da tarefa, é estimulado o ambiente de aprendizado e a troca de ideias,
é dado feedback corretivo, é identificada a necessidade de treinamento
e estimulado o comportamento autodirigido seguro.

Estratégias comportamentais
Tipos de comportamento Estratégias de intervenção
Direcionado por outro • Institucional
Autodirecionado • Apoiativa; feedback corretivo
Autodirecionado seguro • Motivacional; incentivo/ recompensa

O fator crítico de sucesso para a Fibria é a mudança de comportamento


“direcionado por outro” para “autodirecionado seguro”. Apresentamos
5 (cinco) recomendações baseadas em pesquisa comportamental, a
saber:

1. Diminua o controle da segurança pelos níveis superiores;


2. Aumente o sentimento de poder e autoridade para tomada de
decisões;
3. Ajude as pessoas a se sentirem importantes;
4. Cuide dos sentimentos de pertencimento e da confiança pessoal;
5. Ensine e apoie a segurança autogerenciada.
A Fibria e seus provedores devem definir claramente, para a força de traba-
lho, a sua estrutura, papéis e responsabilidades de SST.

A liderança deve demonstrar como prioriza as ações de SST frente às deman-


das de qualidade, custo e produtividade.

O treinamento admissional ou de integração de funcionários próprios, tercei-


ros e visitantes deve acontecer no primeiro contato com a Fibria.

As informações de produtos perigosos são disseminadas por meio da FISPQ e


deve estar disponível no local, com evidências de atendimento das recomenda-
ções do fabricante.

As unidades e provedores devem manter o controle de fornecimento,


substituição e utilização de EPI. A utilização é estabelecida, dimensionada e
padronizada a partir de uma análise sistemática de higiene ocupacional.

O sistema de gestão de EPI e EPC deve ser estruturado e contemplar:


adequação, treinamento, controle de uso, manutenção, documentação,
higienizaçao e descarte. O uso do EPC é prioritário sobre o EPI.

A Fibria identificou 10 (dez) riscos fatais em seu negócio, a saber:

a) Veículos e direção
A escolha de um veículo deverá basear-se na avaliação de risco, levando-
se em consideração as tarefas, a utilização específica, o meio ambiente e
os índices de capotamento e incidência de colisão.
Os veículos deverão obedecer às seguintes características mínimas de
segurança:
• Cintos de segurança para todos os passageiros;
• Buzinas, farol de neblina, ar condicionado, direção hidráulica;
• Limpadores de para-brisa em boas condições de uso;
• Proteção contra capotamento para todos os veículos que tenham

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Manual Floresta Segura

tração nas 4 rodas;


• Air bag para motorista e passageiro (duplo);
• Radiocomunicação para veículos utilizados nas operações florestais.

b) Trabalho em altura
Todos os projetos para as instalações novas ou modificadas que envolvam qual-
quer atividade acima do nível do piso, devem estar de acordo com os padrões de
engenharia, normas técnicas e APR, prevendo as proteções necessárias (guarda
corpos, corrimões, escadas, rampas de acesso etc.). Todas as informações deverão
estar documentadas. Deve ser realizada ainda uma inspeção de segurança
utilizando-se ferramentas estruturadas (check list).

c) Substâncias perigosas
Todos os projetos para as instalações novas ou modificadas destinadas a armaze-
nagem e os terminais de carga e descarga de materiais perigosos devem estar de
acordo com os padrões de engenharia e normas técnicas, e somente podem ser
instalados após aprovação do time de HSMT. Todas as informações deverão estar
documentadas.
Deve ser realizada ainda uma análise de risco, utilizando-se ferramentas estrutu-
radas, tais como HAZOP. Desenhos de projetos as-built (por exemplo, diagramas
de processos e de instrumentação, fluxograma de processos, desenhos de layout,
isometria) deverão ser atualizados como resultado destas revisões.
Os depósitos para líquidos inflamáveis em laboratórios, oficinas e salas devem ser
construídos de acordo com as especificações de projeto. As instalações devem
possuir sinalização adequada (“inflamáveis”, “proibido faísca” etc.), sistema de
ventilação e drenagem segura, iluminação e interruptores a prova de explosão,
aterramento dos sistemas metálicos (portas, tambores de transferências etc.),
kits de emergência ambiental, lava-olhos/chuveiro e equipamentos de combate a
incêndio, entre outros.
d) Proteção de maquinário
Os equipamentos deverão ser projetados para eliminar a necessidade de proteção
sempre que possível. Deve-se optar pela proteção somente quando outras medidas
possíveis de contenção de risco não fornecerem proteção adequada para os empre-
gados, em conformidade com as exigências determinadas pela avaliação de risco.
A proteção dos equipamentos deverá ser projetada e implementada em conformi-
dade com a legislação, os códigos de conduta e as práticas industriais consagradas,
reconhecidas e relevantes à atividade específica.

e) Movimentação de cargas
Equipamentos para movimentação de cargas (ascensores, elevadores, guindastes,
monta-cargas, etc.) devem oferecer resistência e segurança, estarem conservados
e em perfeitas condições de trabalho.
Em todo equipamento/dispositivo de movimentação de cargas, deve haver indica-
ção, em lugar visível, da carga máxima de trabalho permitida.
Nos guindastes e guinchos deve haver clara marcação da capacidade de carga
nas diversas condições de trabalho ao longo da extensão do braço.
Empilhadeiras, máquinas operatrizes (pá carregadeira, Patrol, etc.) devem possuir
buzina, alarme de ré, giroflex e operar com os faróis acesos.
Padronização das cabines de máquinas e equipamentos para áreas de risco:
• Resistentes a impacto, esmagamento e incêndio;
• Ar condicionado;
• Rádio de comunicação;
• Computador de bordo.

A inspeção (com utilização de check list cobrindo todos os itens de segurança


– freios, travas, acessórios como cabos, cintas, etc.) é obrigatória em todos os
equipamentos, máquinas, veículos ou transportadores industriais de qualquer
natureza e as peças defeituosas substituídas.
Se houver risco de acidentes por problemas de manutenção, o supervisor ou TST

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Manual Floresta Segura

deve ser imediatamente comunicado e a operação paralisada.


Os ganchos devem possuir travas em perfeitas condições de segurança (por exem-
plo, abertura inferior a 15%, orifício sem alongamento ou abaulado).
Para equipamentos, dispositivos e kits de terceiros são aplicados os mesmos
critérios de manutenção, inspeção e operação.
As áreas de movimentação devem estar sinalizadas e isoladas com definições
claras de áreas de rolamentos/deslocamento de carga, passagem de pedestres,
uso de dispositivos de sinalização, alerta e visualização.
Os carros manuais para transporte devem possuir protetores de mãos. O içamento
de carga com peso superior a 2 (duas) toneladas é autorizado somente com o
estudo de "rigging", APR e acompanhamento do TST.
É vedada a elevação de pessoas por meio de cabos de aço em cestas, gaiolas ou
cadeiras suspensas.

f) Isolamento de energia
A aquisição e o projeto dos equipamentos deverão ser alvo de avaliação
específica, além de estar em conformidade com as normas técnicas da Fibria.
O bloqueio deverá fornecer proteção efetiva e ser obtido através da utilização
de dispositivos de travamento de segurança, ou pelo estabelecimento de uma
barreira física ou cercas de isolamento. Sempre que possível, todas as cercas de
isolamento ou barreiras físicas deverão ser providas de um dispositivo de trava-
mento de segurança, de forma permanente ou temporária.
Os dispositivos de travamento pessoais deverão ter a seguintes características:
• Chaves únicas e exclusivas;
• Não poderá haver uma segunda chave mestra não autorizada;
• A chave deverá ser mantida sob o controle exclusivo de seu possuidor, sendo
que a chave (ou as chaves) não deverá(ão) ser transferida(s) para outra
pessoa com o fim da remoção do travamento de segurança.

Os pontos de bloqueio designados deverão ser claramente sinalizados para a


identificação do circuito ou do sistema sobre os quais se aplica o seu respectivo
controle direto. Estas etiquetas de sinalização deverão ser colocadas de acordo
com um processo de pré-identificação de isolamento, através da utilização de
listas de isolamento, desenhos em que os pontos estejam marcados etc. quando
aplicadas de forma permanente, os pontos de bloqueio deverão ser inspecionados
anteriormente ao efetivo isolamento e colocação de etiquetas.
Caixas de travamento de segurança, estações de travamento ou equipamentos
equivalentes deverão ser fornecidos quando exigido.
Todos os equipamentos locados ou contratados deverão ser inspecionados para
assegurar a conformidade com os requisitos de bloqueio do local e com as nor-
mas técnicas da Fibria, anteriormente a sua utilização no local de trabalho.
Todos os pontos de bloqueio deverão ser sinalizados. O sistema de etiquetas de
sinalização de bloqueio deverá assegurar que:
• Os pontos de bloqueio estejam efetivamente sinalizados;

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Manual Floresta Segura

• O motivo para o bloqueio esteja claramente identificado;


• As etiquetas de bloqueio estejam externamente visíveis para impedir
operações inadvertidas.

g) Espaço confinado
Cada unidade deve indicar um responsável técnico (quando aplicável) pelo
cumprimento da NR-33, antes da realização de qualquer serviço em espaço
confinado.
O acesso a espaço confinado ocorre somente após a emissão por escrito de Per-
missão de Entrada e Trabalho conforme anexo II da NR 33 e APR.
A avaliação da atmosfera dos espaços confinados deve ser feita pelo TST antes da
entrada de trabalhadores para verificar se o seu interior é seguro.
É obrigatória a presença, durante a execução do serviço, do supervisor de entrada
e do vigia.
Trabalhadores para serviços em espaço confinado devem ser autorizados pelo
TST após a verificação do certificado de treinamento pelo SENAI ou instituição de
ensino credenciada pela Fibria, com carga horária de 16 (dezesseis) horas.

h) Instalações elétricas e equipamentos elétricos


As unidades devem criar normas e procedimentos claramente redigidos para
práticas seguras de serviços com eletricidade.
As normas e procedimentos devem estar prontamente disponíveis para funcioná-
rios e contratadas, e incluem no mínimo:
• A obrigatoriedade do uniforme antichama para eletricista;
• Curso de eletricista por órgão de ensino reconhecido ou atestado de
capacitação emitido pelo profissional legalmente habilitado;
• Curso da NR-10 pelo SENAI ou instituição de ensino credenciada pela Fibria;
• Ferramental adequado e com isolamento elétrico;
• Medidor de tensão e cadeado para bloqueio (quando necessário);
• Inspeções de ferramentas e equipamentos elétricos;
• Análise Preliminar de Riscos para qualquer serviço com eletricidade.

i) Trabalho a quente
Todos os equipamentos deverão ser identificados (“taqueados”) e estar relaciona-
dos em listas de controle definidas pelas unidades operacionais quanto a acesso e
localização.
O trabalho a quente a ser realizado deve ser precedido de APR.
É obrigatória a utilização de anteparo (biombo) eficaz para a proteção dos
trabalhadores circunvizinhos. O material utilizado nesta proteção não deve ser de
material combustível e deve apresentar um bom isolante térmico.
As canetas do maçarico devem ser providas de válvulas antiretrocesso de gases e
válvulas corta-chama na saída dos cilindros. Na ausência das mesmas, o trabalho
não deve ser iniciado.
Os cilindros de gases inflamáveis devem ser mantidos a uma distância segura
de substâncias inflamáveis e/ou explosivas e ambientes de alta temperatura,
observando o nível de concentração de gases/vapores/particulados e temperatura
ambiente, que permitam o trabalho a quente.
O transporte dos cilindros de gases inflamáveis deve ser realizado em veículo
apropriado, mantido na posição vertical ou inclinado em até 45º e com os capa-
cetes de proteção das válvulas.
O armazenamento dos cilindros deve ser feito em local ventilado, com circuitos
elétricos à prova de explosão (sinalizados), mantidos na posição vertical, com tra-
vamento contra queda e com os capacetes de proteção das válvulas rosqueados.

j) Animais peçonhentos
A unidade deve possuir equipamentos específicos e padronizados para manuseio,
captura e remoção de animais peçonhentos e venenosos.
Deve ser definido local para guarda temporária dos animais até a destinação adequada.

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Manual Floresta Segura

Deve ser feito um mapeamento e classificação das áreas críticas para gerencia-
mento dos riscos relacionados a animais peçonhentos.
Os locais de trabalho devem ser mantidos limpos, com vegetação baixa e/ou sem
acúmulo de entulhos.

14. Prontidão para emergência e planejamento de contigência


Emergência é toda situação anormal e imprevista que coloque em risco a vida, a
saúde, o meio ambiente e o patrimônio da Fibria. Exige-se ação corretiva imediata
para o controle e mitigação do evento indesejável.

Emergência
tipo atendimento plano de contingência
Incêncio Plantonista "B" Plantonista "A"
Vazamento de
THSMT / Especialista ambiental Contrato SUATRANS
produto químico
Danos à propriedade THSMT / Gestor local Segurança patrimonial
Furto de madeira Segurança patrimonial Investigação particular
Acidentes com vítimas THSMT / Socorrista Sistema de Gestão SST

Cada equipe deve ter 2 (dois) plantonistas “B” e 2 (dois) socorristas, treinados para
acionar o atendimento à emergência.

É obrigatória a instalação de equipamentos de combate a incêndio em condições


adequadas de manutenção e uso.

É obrigatória a obtenção do auto de vistoria do corpo de bombeiros para as edifica-


ções de propriedade da Fibria com área construída acima de 750 m2.

As instalações elétricas deverão estar em conformidade com a NR-10, devendo


ainda estar protegidas contra descarga atmosférica conforme NBR 5419.

Deverá haver uma área reservada, isolada e devidamente sinalizada, destinada ao


armazenamento de produtos químicos, além de outra área para gases.
Todo resíduo combustível ou inflamável (querosene, solvente, graxa, tintas) deve ser
removido para o depósito de inflamáveis.

A comunicação em situações de emergência é feita via rádio ou telefone exclusivo


da Brigada, ou telefone fixo nas portarias das fazendas da Fibria. Os telefones de
emergência estão disponíveis nas escalas dos plantonistas, em adesivos, nas placas
de identificação das fazendas e em listas e tabelas.

Em casos de acidentes com vítima, além da comunicação em situações de emer-


gência, deve ser avisado imediatamente o supervisor, técnico de segurança e o
coordenador de área da Fibria.

Os funcionários próprios e de provedores, vítimas de acidentes, devem ser encami-


nhados para atendimento ambulatorial. A empresa deve providenciar a emissão da
CAT e enviar uma cópia para a Fibria.

A investigação dos acidentes e incidentes deve seguir a metodologia da Técnica de


Análise Sistêmica de Causas (TASC) e árvore de causas para identificação de causas
raízes e plano de ação corretivo e preventivo.

Acidente fatal
• No caso de ocorrência de acidente fatal, as atividades das frentes de serviços
devem ser imediatamente suspensas.
• Acionar o atendimento a emergências, comunicar imediatamente a Fibria,
autoridade policial e DRT.
• Isolar o local do acidente.
• Preservar as características do local do acidente até a liberação pela
autoridade competente e DRT, conforme legislação em vigor.
• Providenciar, com a máxima urgência, que os familiares sejam notificados do
ocorrido, fornecendo o devido apoio social.
• Convocar reunião extraordinária da CIPATR.

Instituir formalmente em articulação com a Fibria uma comissão de investigação,


em até 48 (quarenta e oito) horas após o acidente, para que no prazo máximo

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Manual Floresta Segura

de 15 (quinze) dias sejam identificadas as causas, além da recomendação de


medidas necessárias para evitar acidentes semelhantes.
Garantir à comissão autonomia suficiente para conduzir investigações sem quais-
quer restrições.
Concluídos os trabalhos da comissão, caberá aos responsáveis da Fibria, em
articulação com o THSMT, a divulgação dos resultados do relatório de modo a
repassar a experiência adquirida.

15. Equipamentos de proteção

a) Equipamentos de Proteção Individual


A Fibria e os seus provedores têm responsabilidades e obrigações pelo forneci-
mento gratuito dos EPIs aos seus funcionários, treinando-os para o uso adequado.
É de responsabilidade da Fibria e dos seus provedores, por intermédio do SESTR
ou pessoa competente, instruir seus funcionários com relação à utilização correta
dos EPIs exigidos na Unidade Florestal.
A seleção e especificação técnica dos EPIs deve ser definida pelo SESTR da Fibria
ou de seus provedores, em função da avaliação dos riscos inerentes ao serviços
contratados, garantindo a saúde dos trabalhadores relativa aos riscos profissionais
e do ambiente de trabalho a que os mesmos estarão expostos.
A Fibria reserva-se ao direito de especificar alguns equipamentos básicos em
função da qualidade e nível de proteção requerida.
Na operação de desgalhamento com machado é obrigatório:
• Chapéu com duas palhas trançadas;
• Tela de nylon na cor preta, acoplada ao chapéu para a proteção dos olhos;
• Camisa com manga comprida de algodão ou brim na cor clara;
• Luva de vaqueta ou de algodão com borracha na palma da mão;
• Perneira de fibra de vidro com metartaso acoplado a perneira de corvim;
• Botina com biqueira de aço;
• Machado do tipo “desgalhador” com cabo longo (aproximadamente 970 mm);
• Lima adaptada a suporte de madeira;
• Garrafão térmico com capacidade para 5 (cinco) litros de água potável.

Uso e especificações dos EPI's


EPI´s ATIVIDADE USO ESPECIFICAÇÃO

Couro
Bota com biqueira Campo Geral obrigatório Solado de PU ou PVC
Biqueira de aço (exceto eletricista)
Umidade e prod.
Bota de borracha Campo PVC
químico
Geral
Óculos de segurança Campo Adequado ao agente agressor
obrigatório
COR:
Branco: Eng/Méd/Téc/Sup/Enc
Vermelho: brigadista
Geral Outra cor (única) livre escolha:
Capacete Campo
obrigatório demais funções
Obs: Os provedores deverão ainda
personalizar os capacetes de seus
funcionários
Campo
Geral Vinil
Colete ou fita refletiva Máquinas em
obrigatório Tecido costurado no uniforme
operação
Geral Vinil com espuma
Perneira Campo
obrigatório Couro natural ou sintético
Campo exposto
Geral Tipo circum-auricular
Protetor auricular a ruído + 80
obrigatório Inserção (DE SILICONE)
dB (A)
Obrigatório em
Luvas Campo Livre escolha (adequada ao risco)
função do risco
Geral Padrão da contratada (100% em
Uniforme Completo Campo
obrigatório tecido de algodão)
Exposição à
Máscara Obrigatório Livre escolha (adequada ao risco)
poeira sílica
Cinto de segurança Trabalho altura
Obrigatório Nylon com duplo talabarte
paraquedista acima de 1,5 m

Cinto segurança Trabalho elétrico


Obrigatório Couro
abdominal acima de 1,5 m

OBSERVAÇÃO:
Outros EPIs deverão ser especificados e colocados em uso em função dos riscos levantados na Análise de Riscos
contida no PPRA.

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Manual Floresta Segura

Os EPIs devem ter certificado de aprovação (CA) expedido pelo MTE, gravado de
forma indelével no corpo do equipamento.
Os provedores deverão oferecer aos seus funcionários EPIs em quantidade sufi-
ciente, mantendo estoque para pronta reposição.
Consultar a NR-6 para outras exigências legais.
b) Equipamentos de Proteção Coletiva
Os EPCs deverão ser especificados e terem a adequação de seu uso definida
no PPRA, APR ou PO, em função das atividades desenvolvidas nas frentes de
trabalho.
Os locais e áreas de risco deverão ser sinalizados, quando aplicável, e estar em
conformidade com a legislação.
Nas extremidades das caixas de contenção (bocas de lobo), o balizamento deve
ser executado com mourões com tarja amarela na ponta e arame liso para delimi-
tar a área de risco.
Quedas e/ou torções com fonte de perigo do tipo “buraco” no terreno é um fator
relevante nas operações da silvicultura e ocasionam acidentes graves com afasta-
mento. Os provedores devem manter dispositivos de EPC do tipo “sinalizadores”
(bambu) com 1 (um) metro de altura com tarja vermelha na ponta.
Crateras e buracos de grandes dimensões devem ser sinalizados por meio de
pontaletes com tarja amarela na ponta. Convém localizá-lo por meio de geopro-
cessamento e indicar no micro planejamento.
A Fibria e empresa provedora devem disponibilizar dispositivos de segurança para
trabalho em altura. Exemplos: travaquedas retrátil e cabo-guia com ponto de
ancoragem seguro.
É vedado qualquer trabalho a uma distância de 5 (cinco) metros da extremidade
de barrancos sem os dispositivos de segurança (EPI e EPC). Deve ser utilizado
costal de baixo volume ou costal convencional com no máximo 10 (dez) litros de
defensivos agrícolas.
Deverão ser observadas as determinações contidas na NR-18 e NR-31 e ainda
o controle de riscos identificados no PPRA, APR, mapas de riscos, arrastão de
segurança e PO.
Veículos leves de apoio devem ser sinalizados com bandeirola nas operações
de campo.

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16. Gestão de recursos

a) Provisão de recursos
Os recursos necessários para a implementação e manutenção do SG, incluindo a
melhoria de sua eficácia para aumentar satisfação dos clientes e para atender as
demandas das partes interessadas, legislação e outros requisitos, são deliberados
na análise crítica pela direção e ratificados no orçamento anual, incluindo o apoio
da Diretoria da Fibria conforme a necessidade.

b) Recursos humanos
Toda a força de trabalho de provedores e seus pares, inclusive subcontratadas,
até o nível de encarregado, técnicos e líder de equipes, deverá ter seu currículo
apresentado à Fibria para análise, bem como submeter-se à entrevista técni-
ca se julgada necessária, a qual será impeditiva para o início da atuação do
profissional até que se conclua pela sua aceitação ou reprovação. Para cada um
dos profissionais, deverá ser elaborado um currículo para ser apresentado aos
representantes da Fibria, que procederá a análise e/ou entrevista, despachando
no verso ou por e-mail a sua decisão de aceitar ou não o profissional proposto.
O provedor compromete-se a comunicar por escrito a decisão de demitir todo e
qualquer integrante da força de trabalho, explicitando detalhadamente todos os
dados funcionais (cargo/admissão/exames médicos, entre outros) e a motivação
pormenorizada do desligamento.
O provedor compromete-se a implementar uma sistemática para avaliar a expe-
riência profissional declarada, por experiente avaliador da mesma ocupação do
objeto da seleção e recrutamento, e verificar a origem e veracidade de registros
em CTPS, certificados de cursos e outras informações. A escolaridade mínima para
qualquer função será a 4ª série do nível fundamental.
O provedor obriga-se a prover tratamento digno às pessoas durante o processo
de recrutamento, seleção, admissão e principalmente demissão de funcionários,
ofertando em função da duração do processo as facilidades de acomodação abri-
gada, sanitários devidamente condicionados, água potável e cafezinho. Duração
acima de 3 (três) horas: lanche, almoço, jantar e pernoite (quando aplicável).
Requisitos mínimos para os profissionais de provedores:
• Gerente operacional - Com formação superior, preferencialmente engenheiro
florestal, agrônomo ou similar, devendo comprovar experiência de no mínimo
5 (cinco) anos no campo de atuação. Participação em cursos de formação e/
ou informação em SST cujo somatório das cargas horárias não seja inferior a
40 (quarenta) horas.
• Gerente administrativo - Com formação superior devendo comprovar
experiência de no mínimo 5 (cinco) anos em atividades de manejo florestal ou
correlata nas áreas de silvicultura, colheita ou logística florestal. Participação
em cursos de formação e/ou informação em SST cujo somatório das cargas
horárias não seja inferior a 20 (vinte) horas.
• Gerente de planejamento - Com formação superior, preferencialmente
engenheiro florestal, agrônomo ou similar, devendo comprovar experiência
de no mínimo 5 (cinco) anos no campo de atuação. Participação em cursos
de formação e/ou informação em SST cujo somatório das cargas horárias não
seja inferior a 20 (vinte) horas.
• Técnico de planejamento sênior - Profissional técnico de nível médio,
registrado no respectivo conselho de classe, devendo comprovar experiência
de 5 (cinco) anos no planejamento em atividades de manejo florestal ou
correlata nas áreas de silvicultura, colheita ou logística florestal. Participação
em cursos de formação e/ou informação em SST cujo somatório das cargas
horárias não seja inferior a 20 (vinte) horas.

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Manual Floresta Segura

• Gerente de segurança do trabalho - Com formação em Engenharia plena,


registrado no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA),
devendo comprovar experiência de no mínimo 5 (cinco) anos no campo de
atuação. Participação em cursos de especialização e/ou formação em SST
cujo somatório das cargas horárias não seja inferior a 160 (cento e sessenta)
horas.
• Engenheiro de segurança do trabalho - Com formação em Engenharia
plena, registrado no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA),
devendo comprovar experiência de no mínimo 3 (três) anos no campo de
atuação. Participação em cursos de especialização e/ou formação em SST cujo
somatório das cargas horárias não seja inferior a 80 (oitenta) horas.
• Supervisor de campo - Profissional técnico de nível médio
(preferencialmente), registrado no respectivo conselho de classe, devendo
comprovar experiência de no mínimo 5 (cinco) anos na área operacional.
Participação em cursos de formação e/ou informação em SST cujo somatório
das cargas horárias não seja inferior a 40 (quarenta) horas.
• Técnico de segurança do trabalho - Profissional técnico de nível médio,
registrado no respectivo conselho de classe, devendo comprovar experiência
de no mínimo 3 (três) anos na área operacional. Participação em cursos de
especialização e/ou formação em SST cujo somatório das cargas horárias não
seja inferior a 40 (quarenta) horas.
• Técnico de enfermagem - Profissional técnico de nível médio, registrado no
respectivo conselho de classe, devendo comprovar experiência de no mínimo
3 (três) anos na área operacional. Participação em cursos de especialização e/
ou formação em SST cujo somatório das cargas horárias não seja inferior a 40
(quarenta) horas.

Competência, conscientização e treinamento


Os profissionais próprios e de provedores devem receber no mínimo 8 (oito)
horas por mês de orientação de SST, incluindo: DDS, treinamentos legais, SIPATR,
arrastão de segurança, campanhas educativas, palestras, acompanhamento
profissional e outros.

17. Infraestrutura
A infraestrura deve atender aos requisitos legais de SST. Nenhum serviço deve ser
iniciado sem as condições de segurança exigidas pela operação. Em casos de dúvidas,
o técnico de segurança da Fibria deve ser comunicado, e juntamente com o supervi-
sor de campo, farão um levantamento da frente de trabalho e emitirão um relatório
com o parecer da Empresa. Se o parecer for desfavorável, a frente de trabalho será
paralisada e só reiniciará com autorização do TST da Fibria após as correções das
anomalias.

18. Ambiente de trabalho


O ambiente de trabalho deve atender as condições de vivência, que incluem: neces-
sidades básicas para alimentação, higiene pessoal, bem-estar, primeiros socorros,
descanso, água, comunicação, apoio logístico (veículos de apoio) e operacional.

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19. Gerenciamento de mudanças tecnológicas


Alterações tecnológicas que possam ocorrer e que venham a representar risco à
saúde, segurança ou meio ambiente em atividades, serviços ou produtos, devem ser
gerenciadas para a eliminação ou neutralização da fonte de perigo.
As mudanças tecnológicas podem ser agrupadas em:

• Equipamentos e instalações;
• Ambientes de trabalho (layout e condições ambientais);
• Material (composição, propriedades, embalagem e invólucro);
• Procedimento (operação, manuseio, transporte, manutenção e automação).

Toda mudança tecnológica deverá atender ao disposto em regulamentos legais e/ou


normas técnicas vigentes e devem ter participação de especialista, TST e comitê de
ergonomia para avaliação e laudo técnico.

É recomendado que se faça um plano de ação estruturado para o gerenciamento


de mudanças tecnológicas.

O responsável pela área deve elaborar um procedimento específico e treinar os


usuários antes da implementação da mudança tecnológica.

É obrigatório o detalhamento das atividades, lição ponto a ponto, com a identifi-


cação e classificação dos riscos de operação e manutenção. As ações de controle
e gerenciamento das mudanças tecnológicas devem ser identificadas por meio da
planilha de perigos e riscos ou da APR.

A análise e aprovação das mudanças tecnológicas competem aos especialistas de


cada área da Fibria. Registros das mudanças tecnológicas devem ser encaminhados
para análise gerencial e eventual comprovação futura.

Nenhuma mudança tecnológica poderá ser iniciada sem que tenham sido tomadas
as providências para a mitigação dos riscos identificados, incluindo cenários de
emergência.

Durante a mudança tecnológica, todas as funções envolvidas devem ser comunicadas.

O gerenciamento de mudanças tecnológicas deve ser acompanhado por meio de


verificação do atendimento legal, inspeções e auditorias.

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Manual Floresta Segura

20. Procedimentos e padrões de desempenho


Padrões de trabalho são regras de funcionamento das práticas de gestão de SST,
podendo estar na forma de diretrizes organizacionais, políticas, procedimentos,
rotinas de trabalho, normas técnicas, fluxogramas, leis, quantificação dos níveis que
se pretende atingir ou qualquer meio que permita orientar a execução da prática.

É de fundamental importância que os padrões de trabalho sejam disseminados em


todas as turmas da área operacional da Fibria e de provedores.

A disciplina da força de trabalho deve garantir o uso continuado dos padrões, sem
lacunas ou variações.

As lideranças da Fibria e de provedores devem incentivar o uso de práticas proativas


e inovadoras como forma de se atingir padrões de excelência em SST.

Os resultados devem ser relevantes para a determinação do desempenho do time,


área ou provedor, com tendências favoráveis para todos os padrões de desempenho
de SST.

Os principais padrões de desempenho de SST são:

a) Índice de Desempenho de Segurança (IDS)


Fórmula: IDS = 20TF + 20TG + 30TI + 30CS
TF = N*1.000.000 / HHER, onde:
N = Número de acidentes com e sem afastamento;
HHER = Horas Homem de Exposição ao Risco.
TG = D*1.000.000 / HHER, onde:
D = Dias perdidos + dias debitados
TI = AI*100 / AS, onde:
AI = Ações implementadas
AS = Ações de Segurança (auditorias, Pocket e inspeções)
CS = Comportamento seguro – NR*100 / NP, onde:
NR = Número de observações reais
NP = Número de observações planejadas
O IDS traduz resultados de desempenho de segurança da unidade, das áreas e de
provedores.
Frequência de medição: mensal, acumulado do ano e dos últimos doze meses.

b) Taxa de Frequência de Acidentes com Afastamento (TFACA)


TFACA = NCA*1.000.000 / HHER, onde:
NCA = Número de acidentes com afastamento
Inclui acidentes nível 4, 5 e 6.
Frequência de medição: mensal, acumulado do ano e dos últimos doze meses.

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c) Taxa de Gravidade (TG)


TG = (DP + DD + DT)*1.000.000 / HHER, onde:
DP = Dias perdidos
DD = Dias debitados
DT = Dias transportados

d) Índice de Desempenho de Saúde (IDSu)


IDSu = 30FRC + 30AF + 40IMC - FDOc (%), onde:
FRC = Relação colesterol total / HDL colesterol
AF = Número em % de pessoas que praticam atividade física regular / população
total envolvida
FDOc (%) = Número absoluto de doenças ocupacionais registradas no período de
1 (um) ano

21. Monitoramento e medição


Cada unidade e provedor devem manter PPRA e PCMSO documentados para avalia-
ção e controle dos riscos ambientais, de acordo com as normas regulamentadoras
NR-9 e NR-7.

Nível de ação: considera-se o nível de ação o valor acima do qual devem ser ini-
ciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposi-
ções a agentes ambientais ultrapassem os limites legais. As ações devem incluir o
monitoramento periódico da exposição, informações aos trabalhadores e o controle
médico.

Deverão ser objeto de controle sistemático as situações que apresentem exposição


ocupacional acima dos níveis de ação, conforme indicado nas alíneas que seguem:

• para agentes químicos, a metade dos limites de exposição ocupacional


considerados de acordo com a alínea “c” do subitem 9.3.5.1 da NR 9;
• para o ruído, a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme critério estabelecido
na NR-15, Anexo nº 1; item 6.

a) Monitoramento de riscos
Para o monitoramento da exposição dos trabalhadores e das medidas de controle,
deve ser realizada uma avaliação sistemática e respectiva da exposição a um dado
risco, visando a introdução ou modificação das medidas de controle sempre que
necessário.
Para riscos de poeiras, materiais particulados e/ou produtos agrotóxicos, é
necessária a especificação correta das máscaras de proteção, teste de vedação e o
programa de proteção respiratória (PPR) aprovado por EST ou médico do trabalho.
Para riscos de ruído que ultrapassem os limites legais, é necessária a especificação
do protetor auditivo e o programa de conservação auditiva aprovado por fonoaudió-
logo e médico do trabalho. O programa deve estabelecer a periodicidade do exame
clínico para cada grupo homogêneo de trabalhadores com exposição ao risco.

b) Registro de dados
Deverá ser mantido pela Fibria ou provedor um registro de dados, estruturado de
forma a constituir um histórico técnico e administrativo do desenvolvimento do
LTCAT, PPRA, PCMSO, PPR, PCA e outros requisitos legais.
Os dados deverão ser mantidos por um período de 20 (vinte) anos.
O registro de dados que comprova o atendimento dos requisitos do MFS deverá
ser mantido durante a vigência do contrato entre a Fibria e o provedor.
O registro de dados deverá estar sempre disponível aos trabalhadores interessados
ou seus representantes e para as autoridades competentes.

c) Avaliação dos Programas de Gestão de SST - PGSST


Os Programas de Gestão de SST serão avaliados e atualizados periodicamente, e
revisados sempre que ocorrerem modificações nos processos operacionais ou nos

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equipamentos, ampliações ou reformas nas instalações.


Avaliações dos PGSST: PPRA, PCMSO, PPR e PCA (anual) e LTCAT (a cada dois anos)

22. Auditoria de SST


A Fibria realiza auditoria cruzada do MFS em cada uma das unidades florestais, no
mínimo uma vez a cada 2 (dois) anos.

A equipe de auditoria é composta por auditor qualificado pela Fibria, EST ou TST e
médico do trabalho ou técnico de enfermagem.

O processo de verificação da conformidade do Manual Floresta Segura é conduzido


de forma independente e com uso de check list para determinar o índice de aderên-
cia das práticas de gestão de SST e criar o benchmarking interno.

A amostra da auditoria deve contemplar, no mínimo, um provedor de silvicultura,


colheita, manutenção, estrada e logística. Devem ser registradas no relatório de
auditoria as boas práticas de cada time, área e de provedores.

O plano de auditorias é detalhado e ajustado pelo auditor qualificado pela Fibria


(líder), com antecedência de pelo menos uma semana.

A auditoria do Manual Floresta Segura também pode ser realizada por auditor
externo contratado pela Fibria, com Curso de Auditor OHSAS 18001 e experiência
de no mínimo 3 (três) anos em auditoria.

Recomenda-se o envio do relatório de auditoria pelo auditor líder aos responsáveis


das áreas operacionais e THSMT, no prazo de uma semana após o término.

Os responsáveis da área operacional e THSMT devem elaborar planos de ação no


GOL para o tratamento das anomalias.

O THSMT deve garantir a disseminação das boas práticas nas unidades florestais e
consolidar o resultado do benchmarking interno.
Metas de Desempenho de provedores
Os provedores devem realizar uma autoavaliação anual do atendimento aos
requisitos do MFS, atingindo pontuação mínima de 60% em 2009, 70% em 2010
e 80% em 2011.
Os resultados da autoavaliação dos provedores serão comprovados pelos audito-
res da Fibria.
Os provedores com pontuação entre 60 e 80% devem estruturar um plano de
ação e encaminhar para o TST da Fibria.
A partir de 2011, os provedores que não atingirem pontuação mínima de 60%
serão desqualificados para a prestação de serviços na Fibria.

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