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Solidariedade

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A Solidariedade

Primeira reunião da Super Região Brasil após a posse no Colegiado Nacional ocorrida dia 28.08.04 Itaici -SP Dias 10-11-12 de setembro 2004

“Deus é amor”
(1 JO 4, 16)

INTRODUÇÃO Esta verdade é o coração da fé cristã. A caridade é o coração do Evangelho, o caminho mais inteligível e eficaz da evangelização, especialmente hoje, que são mais estimados os testemunhos do que os mestres, e os mestres serão acreditados se forem testemunhos.E não podemos ser testemunhas da fé em Deus, em Jesus Cristo se não buscamos viver uma relação fraterna com todos, especialmente com os mais excluídos.(As citações bíblicas são muitas). A fraternidade é a marca do cristianismo. “Vejam como eles se amam”, diziam os que viam as primeiras comunidades cristãs. Tentativa de definição de Solidariedade. O primeiro passo para falar de solidariedade, penso que seja definir, ou tentar descrever, o que é solidariedade. Parece ser um dos sinais dos nossos tempos, este fenômeno maravilhoso, chamado solidariedade, e acontece nos mais diferentes níveis da vida e das necessidades humanas. O Vat II, no Decreto “Apostolicam actuositatem”, sobre o apostolado dos leigos, número 14, diz assim: “Entre os sinais mais alvissareiros de nosso tempo, pode-se enumerar o crescente e decisivo sentimento de solidariedade entre todos os povos”. Diante de necessidades materiais o nosso povo é muito sensível. É um fenômeno maravilhoso, ver pessoas das mais diferentes nacionalidades, raças e níveis sociais, se unirem para um mesmo objetivo: olhar para a pessoa humana em necessidade. O conceito, “solidariedade” tem uma história bastante longa e que foi tendo um crescimento e um enriquecimento progressivo ao longo do tempo. Contribuíram muito neste sentido os meios de comunicação social (MCS), mostrando ao mundo as mais diferentes necessidades e situações concretas do ser humano e colocando as pessoas em contato imediato, permitindo compreender melhor que somos e formamos uma só família humana. Podemos quase dizer, que, a solidariedade se tornou como que, o lado visível do amor invisível, ou como diz Bocos Merino, A., a solidariedade se tornou “uma categoria secularizada da caridade”. Se me permitem, eu diria que a solidariedade é o amor divino mostrando seu rosto, encarnando-se na pessoa humana, tanto para quem a recebe como para quem a pratica; é o amor de Deus que se encarna para se encontrar com a pessoa humana. Toda pessoa humana, mas especialmente o pobre e necessitado é uma oportunidade que Deus me oferece para que Ele, Deus, possa se revelar e possa agir através de mim.

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com os mesmos direitos e a mesma dignidade. E a pessoa humana é um ser de relações. um ser humano. sociológico antropológico. o conceito de solidariedade depende basicamente da idéia que se tem da pessoa humana. “Cada pessoa e cada grupo humano desenvolve sua identidade no encontro com os outros” (SD 279). JO 14. social e teológico. Jo 20. O Papa João Paulo II “define” a solidariedade. na Eucaristia( cf. Mt 18. no nosso próximo(cf. Um relacionamento sadio acontece assim. 51ss). Nestes diferentes enfoques foram se destacando alguns aspectos do homem. A solidariedade podemos considerá-la segundo os diferentes pontos de vista. 2 . pelo bem de cada um. isto é. o Senhor está conosco. O Papa repete sempre:”Não tenham medo” . Onde encontraremos este Cristo e Senhor? Jesus Cristo enviou o Espírito Santo para fazer novas todas as coisas. (Sollicitudo rei socialis. Numa palavra. Este requisito da caridade. no Sacramento da Reconciliação(cf. dentro de nós mesmos(cf. que veio para servir e dar a sua vida. É a partir deste encontro que surge o compromisso. como fez Jesus. na sua palavra (cf. O homem existe para se relacionar: com Deus. Em sua totalidade. Onde encontraremos esse Cristo? Basta abrir o coração ao desafio do amor deste mesmo Jesus e veremos que o encontramos de tantas maneiras. 20). Diante de Deus. O Direito Romano dá à solidariedade um sentido de obrigatoriedade moral. consiste em “saber compartilhar o que somos. porque todos somos responsáveis por todos”. JO 1. Deste enfoque jurídico se foi passando para outros enfoques. 23). Vários indivíduos com um compromisso moral diante de um objetivo único e idêntico que os comprometia na responsabilidade coletiva. podemos dizer. mas sim na capacidade de oferecer e de servir. mas define a solidariedade como “uma firme e perseverante determinação de se empenhar pelo bem comum. 40). segundo as palavras da Escritura. 20). não como um sentimento de terna compaixão pelos males de tantos. para renovar a face da terra. hoje é praticada em todas as relações humanas. ide ao seu encontro. Jo 6. diante do mundo material. como filosófico. Eu entro em comunhão com o outro se vejo nele um semelhante a mim. sempre que nos reunimos em seu nome(cf. a solidariedade. O Sínodo dos Bispos da América afirmava que a solidariedade é um requisito da caridade e que nasce de um verdadeiro encontro com Cristo. onde o consideramos como indivíduo. aberto às relações com os outros. Em primeiro lugar. a solidariedade. Mt 25. sinto-me senhor e diante dos outros. 21-23) e de um modo mais perfeito. sinto-me irmão. Rm 1. o que acreditamos e o que temos”. 1) e nas maravilhas da criação( cf. Sua presença em nosso caminho nos enche de esperança e de coragem.O Evangelho nos ensina que a glória do homem não consiste nem nas riquezas e nem no poder. 38). com o mundo e com os outros seres humanos. sinto-me filho.

a marca é a confiança e como irmãos. tornando-os irmãos (cf. P 322). meu Senhor. Mt 23. sua obra e sua doutrina. a marca é a responsabilidade de uns com os outros e não o fatalismo. A solidariedade se apresenta. “Não é bom que o homem fique só” (Gen 1. A terra prometida é para o seu povo. Chamou” seu povo “(Ex 3. é nele “um sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano” (cf. Deus quer que o homem viva em comunhão com ele e com tudo o que é dele. Deus conduziu o seu povo. Deus sempre fala do “seu povo” e nunca de pessoas em particular. continuadora da obra de Cristo. A exigência da solidariedade é bíblica. LG 9). A solidariedade cristã nasce do mesmo Deus e tem sua raiz no grande projeto que Deus tem sobre a pessoa humana. A origem e o destino comum chama à caridade e à solidariedade com aqueles com quem eu compartilho a origem e o destino. Eu não cresço independentemente dos outros e sem os outros. quando diante do mundo se sente senhor e não escravo e quando diante dos outros se sente irmão e não um competidor(cf. 1 Cor 15. O caráter comunitário e solidário da história da salvação se aperfeiçoa em Jesus Cristo. Rm 5.28).7-12)” e com ele fez a aliança no Sinai para manifestar esse seu desígnio. Como filhos. “Desde o início da história da salvação.O ponto de partida para uma autêntica solidariedade entre as pessoas é a consciência da origem comum. uniu todos os homens em profunda solidariedade. “Tudo é vosso. por melhores que fossem aos seus olhos. Cristo ao assumir a natureza humana. Este projeto começa se realizar quando o homem diante de Deus se sente filho. É olhando para o Cristo servidor que descobrimos o seu amor à humanidade. e de todas estarem ordenadas à sua glória” (CIC 344) Vejam o Cântico de São Francisco: Louvado sejas. É a meta final que gera dinamismo e que lança a pessoa humana para a ação. com todas as criaturas (CIC 344). com sua Encarnação. A fonte da solidariedade. à terra prometida. (GS 32). mas em comunidade (cf. LG 1) até que Deus seja tudo em todos (cf. e.”Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo fato de terem todas o mesmo Criador. Deus não criou o homem para viver isoladamente. mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”. Deus encara os seres humanos como membros de uma comunidade e não apenas individualmente. 8) comunicando o Espírito Santo que os torna capazes de amar a Deus e aos irmãos (cf. assim. não individualmente. 3 . mas para formar comunidade. nem meu crescimento pode ser desligado do crescimento dos outros. do destino comum. Ninguém pode se aproximar de Deus sem se sentir levado ao encontro com os irmãos. 5). guiado por Moisés. Deus quer salvar o seu povo. A Igreja.27). O objetivo último da vida humana é a solidariedade perfeita na eternidade e desta solidariedade fazemos um ensaio neste mundo. evangélica. Na revelação bíblica Deus se revela como alguém que quer nos fazer filhos seus e quer que nossas relações com Ele sejam de filhos. como uma expressão da Koinonia cristã: comunhão com Deus e com o próximo.

que eles sejam um em Nós” (Jo 17. Existe um texto chave sobre a vida de comunhão com Deus e com a comunidade humana e cristã. Segundo o plano de Deus. 15) não teríamos recuperado a nossa dignidade de filhos de Deus. Fl 2. Rm 8. Este mundo criado por Deus. o ódio. não são sonhos. Foi Jesus Cristo quem nos salvou com um gesto da solidariedade para que nós vivamos também a solidariedade. se são humanos. criada à sua imagem: “Como Tu. Que as relações entre o Pai e o Filho “são como que o arquétipo das relações entre Cristo e os cristãos”. se são autênticos. anseia ser libertado para ser colocado ao serviço da comunhão. nacionalidades e nem classes sociais (cf. às vezes leva a oprimir os outros para o uso da liberdade que o faz compartilhar as coisas com os irmãos. línguas. P 327). As guerras. “os bens”. possibilita e facilita a vida solidária entre todos. “O egoísmo escraviza. 1 Jo 1. torna-se necessariamente comunhão de amor com os outros.13. o Filho de Deus. Por estas e muitas outras razões. A união entre os filhos de Deus “deve ser uma unidade como a que existe entre o Pai e seu Filho Jesus. volta à Família e Comunidade originais: A Ssma Trindade. que causa de tantas divisões.12. devem nos inquietar e comprometer. no amor solidário (cf. Sem a solidariedade de Jesus Cristo. II. O evangelista João. 1-4). sendo deveres. nunca haverá comunhão perfeita. especialmente nos bens materiais. em mim e eu em Ti. dizia a todos os brasileiros: Nesta quaresma busquem a conversão com um maior empenho: na oração e na penitência. os conflitos e a corrida ao armamento. A Koinonia: Utopia cristã. hoje as barreiras mais fortes de separação (cf. dizia: “Os ideais. onde não mais existem as distinções de raças. O homem deve passar do uso daquilo que o aliena.Sem Jesus Cristo. 4 . o amor liberta”. 30). Afirma Dodd Ch. que se despojou a si mesmo e assumiu a condição de servo (cf. conduzido pelo egoísmo dos homens.75. Sem solidariedade. que cada um recebeu neste mundo são como que “o lugar” de encontro com o mesmo Deus e com os irmãos.14).26-28. 11-21. Paulo VI. o amor de Deus que nos transforma. Pai. Ef 2. A solidariedade cristã tem seu fundamento na koinonia ou comunhão que temos com Deus e com os irmãos que Jesus Cristo nos comunica e que nós devemos testemunhar (cf. GS 4043). mas deveres”. em sua mensagem de abertura da CF de 1973. Hb 4. a situação dos homens era a separação. O Papa Paulo VI. 10. e esta conversão desabroche em generosa solidariedade. cf. pela participação e fraterna solidariedade. o escraviza e. num gesto de solidariedade para fazer brotar uma sociedade justa e humana. 7. E. Gal 3. As relações do homem com o mundo também estão presentes no projeto de Deus. procurando umas fundamentações bíblicas da comunhão. em 31. são os grandes sinais reveladores de uma fraternidade ferida e uma solidariedade ainda distante e pouco ou mal compreendida. no décimo ano da Campanha da Fraternidade. a que se propõem viver os discípulos de Jesus. É nossa condição de filhos de Deus e de irmãos que nos permite. cf. dons de Deus. 5. dizíamos no ano 1973. 19-22.

3 10-18). Encontramos vários conceitos nos livros proféticos. É um compromisso na relação com o próximo. com o significado de “julgar a causa do humilhado e do pobre” (Jr 22. O amor a Deus aparece como fruto e expressão do amor ao próximo. mostram a experiência de fé como experiência que compromete com a vida. 16) e chega à feliz conclusão que “Deus é amor”. 1-4. uma real comunhão com Deus. Essa comunhão não é um alvo inatingível. 1 Jo 1. ou se é apenas experiência imaginária e vazia de conteúdo real (cf. e reflete. Koinonia com Deus na Koinonia com os irmãos. Dt 5. Para João. Mq 6. Jesus começa sua missão na Galiléia despertando o interesse dos seus ouvintes sobre a paternidade de Deus em relação aos homens (Mt 5.8). mostrando que pertencemos a uma única família em que todos temos Deus como Pai e que todos. temos a mesma doutrina. que na verdade são exigências do amor cujo objeto é Deus e o próximo. * Outra idéia. que nada mais é do que a mesma vida de comunhão que o Pai e o Filho vivem no Espírito Santo de amor. são constituídos pela filiação divina e conseqüentemente pela fraternidade. * Entre estes conceitos destaca-se o conceito “Conhecer Iahweh”. os quais se referem. são os critérios que possibilitam ver se existe ou não. À luz da fé. sua maneira de agir na história. João tenta realçar a absoluta originalidade da vida de comunhão entre os cristãos. com o indiscutível dever da solidariedade. partindo da vida concreta e que se constituem como critérios para discernir a autenticidade da experiência de comunhão com Deus. 2-21). em grande parte. a fé e o amor. AT e NT. às relações com o próximo (cf. 7). Os vínculos que unem os seguidores de Jesus. o evangelista contempla as manifestações de Deus. AT e NT.Neste texto. O amor aos irmãos sempre se apresenta na Escritura como o caminho para a experiência de Deus e como a expressão de sua autenticidade. a observância dos seus mandamentos. portanto somos irmãos. * No Deuteronômio. na experiência da vida fraterna. os que praticam uma religião autêntica. aparece como principal obra de amor a Deus. Os profetas expressam de muitas maneiras a experiência de Deus no amor eficaz e concreto ao próximo. No NT. 5 . João escreve seu Evangelho e suas Cartas a partir de uma experiência de fé do que é a comunhão com Deus. apontam para esta meta e coloca as exigências. especialmente sobre o grande dom que o Pai nos fez de seu Filho (Jo 3.16. ainda que a plenitude seja no reino definitivo. deve ser uma realidade já presente. “a religião autêntica ou religião interior”. A comunhão entre as pessoas divinas é o único caminho a ser seguido pelos filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo. Toda revelação divina. II.

Em Jesus Cristo encontramos a resposta que devemos dar através do amor aos irmãos. é imitação do amor de Cristo. Assim o bem de Cristo é comunicado a todos os membros. Gal 5. “Tive fome e me destes de comer. eficaz. Sem o amor.28). Viver no amor. “A comunhão dos santos é precisamente a Igreja”. c) 5. 6 .32-35. 37-40). Esta comunicação na Igreja se faz através dos Sacramentos (CIC 946-947)”. feito de obras.”. 11-20). fundando o Novo Povo em seu sangue. (cf. (cf. 28. A esperança não falha porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. 2). O amor fraterno é a manifestação do amor que o Pai nos mostrou no dom de seu Filho. é o vínculo da perfeição. o amor do cristão deve ser generoso. esta unidade decorre do plano de Deus. Mt 22. que une e sustenta todas as atitudes cristãs (cf. 5-11). Deve ser um amor efetivo. 22). Santa Teresinha encontrou no amor todas as vocações. “Vivei no amor como Cristo viveu no amor do Pai e se entregou por vós” (Ef 5. É nele que encontramos Deus com segurança (cf. O amor resume a lei e os profetas (cf. por ser a Cabeça. quando Deus escolhe um Povo e com ele faz uma aliança que reforça a solidariedade entre os que formam este povo. 31) porque nele está a plenitude da lei. Rm 5.Este amor de Deus aos homens tem conseqüências para a vida: é preciso imitá-lo nas relações com o próximo. Encontramos a solidariedade já no AT. 15). o bem de uns é comunicado aos outros. A fonte e o modelo é o amor de Cristo e o modelo de unidade é a que existe entre o Pai e o Filho (cf JO 17. gratuito. Col 3. para São Paulo é manifestá-lo até chegar aos inimigos. Uma Nova Aliança é anunciada pelos profetas e realizada por Cristo. No Credo confessamos que cremos na Igreja e depois acrescentamos. 5-6) e nela há lugar para todos (Gl 3. Como o amor de Deus. A fé que é poderosa e capaz de fazer milagres.. O amor é o primeiro fruto do Espírito (cf. 1 Jo 4. 1 cor 12. Gal 5. 42-46. Assim é necessário pensar que há uma comunhão de bens na Igreja onde o mais importante membro é o mesmo Jesus Cristo. 11-16. 18). O Apóstolo Paulo insiste na unidade que deve haver. “Há um só Senhor” (Ef 4. 20-23. Ef 4. Quem pratica o amor. O amor ao próximo é a resposta do homem ao amor de Deus e de Cristo. 6). Esta comunidade nos é narrada por Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos e nos faz três relatos: a) 2. todos os carismas perderiam sua força e seu sentido. b) 4. A solidariedade cristã e a Igreja como Povo de Deus e Corpo de Cristo. “Uma vez que todos formamos um só corpo. vive no amor do Pai como Cristo vive no amor do Pai. cremos na comunhão dos santos. sendo ele mesmo a Cabeça deste Novo Povo (At 20. 12-14). pois. 1 JO 3. O CIC 946 diz que este artigo “creio na comunhão dos santos” é uma explicitação do anterior “creio na Igreja” e acrescenta: “Que é a Igreja senão a assembléia de todos os santos?”..26). seria uma força acorrentada sem o amor. No dia do juízo final o que nos deixa confiantes é o amor para com os irmãos. A comunidade de Jesus surgiu da Páscoa mediante a ação do Espírito do Ressuscitado. é superior a todos os carismas (cf.

Lucas coloca em relevo o que seria impossível com base na pura sociologia apesar de se tratar do Povo de Deus. mas tinham tudo “em comum” (At 4. mas o entregou por nós (Rm 8. que é o Espírito da união. do egoísmo e injustiça para a justiça e a partilha. 42). até o sacrifício da própria vida na cruz. Esta partilha ou solidariedade não se funda sobre uma amizade natural. O cristão é um administrador dos bens do Senhor. vivia uma vida de verdadeira koinonia.7). de quem são irmãos e com o Espírito Santo. é uma exigência da fraternidade humana e cristã (cf. e.44) e “ninguém considerava como seus os bens que possuíam”. Nestes textos se constata uma atitude peculiar. É uma virtude que não olha somente os bens materiais (cf. A verdadeira riqueza cristã está na capacidade de compartilhar. O CIC. abrir-se ao próximo. 7 .24)”. 10. mas se funda no comportamento de Deus Pai para com todos. Tratava-se do fato concreto da comunidade de Jesus. autêntica comunhão de vida e de bens (At 2. O princípio da solidariedade. que se sente motivada pela entrega que Jesus fez de todo o seu ser. é colocado ao serviço de todos. expressão de comunhão. e. Lc 19). depois da Páscoa se reunia para expressar sua fé em Jesus e mostrar o caminho que Ele seguiu. 34-35). Se vivemos é para o Senhor que vivemos e se morremos é para o Senhor que morremos (Rm 14. Cada carisma é para a utilidade de todos. “Solidariedade é também compartilhar o que cremos”. A caridade não procura seu próprio interesse (1 Cor 13.(cf. “Entre eles não havia necessitados” (cf. verdadeira comunhão de vida. Apesar de todas as diferenças vivem um amor tão profundo que todos se sentem um só. da solidariedade (cf.Nestes relatos vemos a vida que surpreendia e desconcertava a quantos observavam. por Ele. de modo que os bens “pessoais” se tornam “comuns” por livre disposição da pessoa.” A verdadeira koinonia supõe também comunhão de almas e corações. Com a expressão “uma só alma e um só coração”. 1 Cor 3. uma intensa comunhão com Cristo. A comunidade de bens é simples conseqüência da profunda comunhão no Espírito. chamada também de caridade social. fala da comunhão de fé. “Subo ao meu Pai e vosso Pai. A comunidade de Jerusalém. convencidos de que tudo é nosso.32). Comunhão da caridade. A passagem. modelo de verdadeira Igreja.5. “Ninguém vive para si e ninguém morre para si mesmo. números 949-953. com Deus Filho humanado. aparece no episódio do encontro de Cristo com Zaqueu. Comunhão dos carismas. CIC 1942). em primeiro lugar. cf. morto e ressuscitado. com o Pai e com os irmãos. composta de diferentes raças. 4.A fé de cada um é a fé da Igreja que se enriquece quando se partilha. vivida pelos irmãos que surgiram da Páscoa: tudo o que cada um possui. A verdadeira koinonia supõe. At 2. unidos em comunhão de vida com Deus Pai de quem todos são filhos. Esta comunidade fundada por Jesus. Todos os Sacramentos nos unem a Deus.32). A comunhão com o Senhor o levou a uma transformação de sua mente e foi quando ele e sentiu a necessidade da justiça. em primeiro lugar. mediante a ação do Espírito Santo. O CIC fala da comunhão dos Sacramentos. A solidariedade. a família de Jesus. tem seu fundamento na consciência de pertencermos à mesma família. mas nós somos de Cristo e Cristo é de Deus (cf. em seguida. CIC 1939). 22-23). que não poupou seu próprio Filho.

Somos convidado a fazer experiência de conversão por meio de um despojamento que gere compromisso. como o inspirador das mudanças sociais. As mudanças rápidas que ocorrem no mundo trazem uma carga de insegurança muito grande. Deus aparece conduzindo para metas novas e por caminhos nem suspeitados anteriormente. O trabalho no sentido de se conseguir mais solidariedade humana e cristã nos permite perceber a ação de Deus na história. Foram surgindo as mais diversas iniciativas como manifestação concreta de solidariedade. Afinal. no seu interior. A esperança orienta e sustenta os esforços feitos para viver como família de Deus que manifesta a koinonia. Hoje os meios de solidariedade são cada vez mais escassos se olharmos individualmente e por isso torna-se necessário unir-se. especialmente na América Latina. defender e promover a pessoa humana com todos os seus direitos. A nova face da solidariedade cristã estimula a busca constante de novas formas. foi crescendo a consciência que a fé tem que encontrar expressões concretas. A solidariedade cristã no mundo atual. É preciso estar disponíveis para viver novos estilos de organização e de convivência social que 8 . Ele aparece guiando-a internamente. que será plena no fim dos tempos. sem pensar em outros lugares. A experiência de Deus como Senhor da história faz surgir a esperança. Linhas da espiritualidade da solidariedade. mostrando as grandes necessidades em que se encontra a pessoa humana. 18). Desafios da solidariedade eficaz. as obras. A solidariedade que o amor cristão exige não se encerra nos estreitos limites de nacionalismos exagerados ou de regionalismos mal entendidos. Em primeiro lugar torna-se necessário o desprendimento de modos de pensar e de ser. Somos convidados a viver como família de Deus. denunciando as injustiças. A koinonia cristã sempre procurou ser vivida de acordo com as circunstâncias de cada época. Uma nova ordem internacional deve nascer diz o Vat II e Paulo VI. Jesus Cristo. cuja finalidade é levar os cristãos ao conhecimento do significado hoje de sua missão no mundo. O documento de Puebla fez um grande levantamento.III. Uma experiência de fraternidade universal vai adquirindo dimensões cada vez maiores e necessariamente se transforma em comunhão de amor com todos e em participação fraterna. O amor cristão está intimamente ligado à ação (cf. unindo forças. mas se esforçavam por vivê-lo na fraternidade. institucionalizar-se. Caminhos concretos de uma ação solidária. 1 JO 3. Na luta para uma sociedade mais justa. pequenas parcelas de cada um. Desde o início do cristianismos os cristãos não se contentavam em anunciar o Evangelho do amor. em 1967 criou a Pontifícia Comissão de Justiça e Paz.

Também. setembro. dias 10-22 de janeiro de 2005 9 . No Brasil. Entre eles está o nosso próximo encontro de Lurdes em 2006. Essa prática já nos é familiar. a solidariedade e a paz” em S. Ao despojamento se deve unir o compromisso. mas queremos que todos estejam representado por uma forma de participação que é a solidariedade. somos uns 30. em 2005 acontecerá o 18º_ curso ecumênico promovido pelo Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação Popular(CESEP). sentimos o gosto desta realidade. É uma única família. as tristezas e as angustias dos homens. Não é suficiente experimentar as alegrias e esperanças. A solidariedade é uma prática que acontece com a nossa contribuição mensal. é preciso aceitar os questionamentos e que todos se empenhem em trabalho solidário para a transformação das estruturas injustas e desumanas. A verdadeira caridade me torna feliz pensando que alguém está lá também com a minha gotinha de suor ou melhor dizendo com minha gotinha de amor feito solidariedade.000 pessoas. De quem esperamos retorno. presente em todo o mundo (73 países). devemos investir. Somos a grande família. Existem muitas formas de eu estar presente. Nos encontros fora do nosso país e até mesmo no nosso país. não poderão. existem momentos extraordinários. Mas. onde tudo é colocado em comum e dividido para todas as necessidades. No Movimento das ENS Nós formamos uma grande comunidade cristã. Imaginemos se cada um desse um real de solidariedade. Talvez poderíamos nos questionar se somos fiéis e coerentes.favoreçam maior justiça e respeito à dignidade humana e isto supõe renúncias a situações de privilégios pessoais ou de grupos. Quantas pessoas poderiam fazer sua inscrição? Imaginemos fazer isso alguns meses! Precisamos nos mentalizar e converter para a solidariedade. Não é um encontro para os que podem. Não devemos apenas nos sentir representados porque somo do Movimento. abordando o tema: “Educar para a justiça. È bom termos em consideração que o tema da CF de 2005 é justamente “Educar para a Solidariedade e a Paz”. É o encontro internacional do Movimento. Há casais que podem fazer e fazem muito pelo Movimento e que se não for pela solidariedade.Paulo no Cesep. Não é cristão pensar que se eu não vou também não vou ajudar aos outros. Todos estaremos presentes através daqueles que lá estarão.

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