P. 1
Evolução ou Criação final

Evolução ou Criação final

|Views: 267|Likes:
Publicado porsoaresalonso

More info:

Published by: soaresalonso on Feb 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/11/2014

pdf

text

original

1

Introdução - O debate: Evolução ou Criação?
A Revista Veja no.6 de 11 de fevereiro de 2009 publica matéria com o título: “Uma guerra de 150 anos” em Caderno Especial referindo-se às idéias revolucionárias do naturalista inglês Charles Darwin com um “chavão” em destaque entitulado: “A Darwin o que é de Darwin”1 em referência ao dito por Jesus Cristo: “Daí a César o que é de César.” A matéria faz referência também sobre a teoria evolucionista darwiana tornando público os trabalhos feitos por Darwin comemorando neste ano de 2009, 200 anos de seu nascimento em 20 páginas especiais enaltecendo os trabalhos revolucionários de Darwin. Os trabalhos de Darwin são apresentados nesta importante revista de circulação nacional como os pilares da Biologia e da Genética assim como em outras ciências modernas. Nesse Caderno Especial é apresentada uma reportagem completa sobre evolucionismo dividindo-o em 5 pilares: 1. a evolução dos seres vivos; 2. o ancestral comum; 3. a multiplicação; 4. o gradualismo; 5. seleção natural. O mistério, no entanto, é buscar o por que tanta gente ainda reluta em aceitar que o ser humano é o resultado da evolução. Nesta reportagem a diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie, profa. Débora Muniz, defenda a troca dos livros de ciências convencionais por apostilas de conteúdos criacionistas até a 4a. série2. De acordo com esta proposta o evolucionismo deveria ser apresentado “num momento certo”, isto é, a partir do ensino fundamental em diante.

1

CARRELI, Gabriela, A Darwin o que é de Darwin, Revista VEJA, edição 2009 – ano 42 – no. 6, 11 de fevereiro de 2009, pp. 73 a 91 2 ibid., p. 84

2 “Nas escolas evangélicas os alunos aprendem que o evolucionismo existe mas que a razão está com a Bíblia e Darwin é apresentado apenas como mais uma teoria”.3 Em outro número da Revista Vera o jornalista vai qualificar como “assustador” a reação criacionista de setores das escolas confessionais no Brasil: “É assustador que, às vésperas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, escolas brasileiras estejam ensinando criacionismo nas aulas de ciências. Já se sabia que as escolas adventistas fazem isso. A novidade é que o negócio está se propagando. Em instituições tradicionais de São Paulo, como o Mackenzie, inventou-se até um método próprio para o ensino”. 4 O jornalista e editor da Revista Adventista rebateu as críticas de que o que o relato bíblico da Criação é “uma fábula encantadora, mas não é ciência” argumentando que: Alguém precisa dizer para o Petry que seleção natural tem base factual e explica relativamente bem a biodiversidade (microevolução) em nosso planeta, mas a história de que “todos viemos de um ancestral comum” (macroevolução), essa, sim, é uma fábula, e nem um pouco “encantadora”.5 Em 2000 o então governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho sancionou uma lei que determina que o ensino religioso faça parte do currículo das escolas públicas reacendendo o debate sobre ciência e religião de modo geral, e em particular os debates sobre criacionismo e evolucionismo. “Segundo determinação da Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro, em 2004 as escolas públicas promoveriam "reflexões sobre a criação do mundo" por meio de uma "abordagem superficial do criacionismo". Porém, não foi explicado que metodologia os professores deverão utilizar para isso”.6 O presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) se pronunciou sobre o assunto nos seguintes termos:

3 4

ibid., André Petry, Revista Veja 04/02/2009 5 Michelson Borges, Visão "Petryficada" da Veja, in: www.asm.org.br/noticias/ASM/2009/02_04_veja.php (acesso em 21/08/09) 6 MARTINS, Maurício Vieira, O criacionismo chega às escolas do Rio de Janeiro: uma abordagem sociológica, in: http://www.comciencia.br/200407/reportagens/02.shtml (acesso em 21/08/09)

3 "[O ensino do criacionismo] é propaganda enganosa. É um caso que deveria ser visto como de defesa do consumidor. Os alunos deveriam procurar o Procon", afirmou Ennio Candotti, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ”.7 Esta situação revela um debate presente não só no Brasil, mas em muitos outros países. A evolução de Darwin foi excluída das provas de ciências das escolas públicas em 1999 no Estado do Kansas nos Estados Unidos. No Reino Unido a atual política educacional inclui o evolucionismo no currículo mas permite que também se ensine o criacionismo. Na Itália o Ministério da Educação – um país fortemente católico – apresentou um novo programa do Ensino Médio que exclui do currículo o aprendizado da teoria da evolução. Para o cientista Stanley Weinberg do centro Nacional para a Educação da Ciência: “A controvérsia criação-evolução não é uma disputa intelecutal ou científica, nem é um conflito entre ciência e religião, basicamente é uma disputa pelo controle da política educacional”.8 Na perspectiva do professor de ciências da religião e história da ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo: O conflito presente não é primariamente entre ciência e religião, mas entre boa ciência e religião de um lado e de outro suas respectivas corruptelas.9 O Jornal “A Folha de São Paulo” de 8 de fevereiro de 2009 traz um caderno especial com o título: Homens de Boa Fé; neste caderno a jornalista Silvia Colombo apresenta uma matéria intitulada “Darwin nas mãos de Deus”. Tendo como motivação o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, a matéria relata uma pesquisa feita na Inglaterra tendo como resultado que mais da metade da população britânica pesquisada acredita na Teoria do Design Inteligente em detrimento da Teoria Evolucionista. Também na matéria um instituto de Cambridge aponta que aqueles que defendem ou simpatizam com a idéia do Criacionismo entre os jovens somam em torno 32% e o Design Inteligente conta com a simpatia de 51%. A interpretação dos resultados é considerada difícil pelos próprios organizadores da pesquisa. Os pesquisadores constataram que é preocupante principalmente pela grande quantidade de pessoas que acreditam que a terra foi criada nos últimos dez mil anos.
7

CANDOTTI, Ennio, entrevista, in: GAZIR, Augusto, Escolas do Rio vão ensinar criacionismo, in: Ciência e Saúde, Folha de São Paulo, 13 de maio de 2004, p. 4 in: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u11748.shtml (acesso em 14/08/09) 8 COM CIÊNCIA, reportagem, Criação versus evolução: uma disputa pelo controle da política educacional, in: www.comciencia.br/200407/reportagens/04.shtml (acesso em em 21/8/09) 9 Criacionismo lá e aqui, em: www.comciencia.br/200407/reportagens/16.shtml (acesso em 14/08/09)

4 “É desconcertante que em pleno 2009 existam pessoas que pensam que o mundo tenha essa idade só por constar numa leitura bíblica quando toda evidência científica demonstra o contrário”.10 De acordo com o pesquisador os números apontam para um crescimento do Criacionismo no Reino Unido nos últimos anos tendo como causas principais: • • • o aumento da população de imigrantes islâmicos; proliferação das igrejas pentecostais de africanos ou afrodescendentes; os ditos intelectuais neo-darwinistas que defendem o ateísmo.

Um dos autores mais polêmicos neste debate é Richard Dawkins. Para ele: “A conquista de Darwin é universal e atemporal. Os processos evolutivos descritos por ele devem acontecer em qualquer lugar do universo onde porventura exista vida. Quando releio Darwin, sempre me surpreendo com quão moderno ele soa. Considerando que suas concepções de genética estavam erradas, é impressionante como ele conseguiu acertar em todo o resto”. 11 Dawkins é um famoso zoólogo, etólogo, evolucionista e escritor de divulgação científica na Inglaterra. Sua visão evolucionista centrada no gene foi exposta em seu livro O Gene Egoísta, publicado em 1976. A partir de seu livro Deus, um Delírio, onde afirma que a explicação da vida não precisa do fator Deus para sua explicação, Dawkins acendeu a ira dos criacionistas. Este autor afirma que evolucionistas não deveriam participar de debates públicos com partidários do criacionismo: “Os criacionistas buscam esse debate para conquistar um verniz de respeitabilidade intelectual. Eles não têm esperança de "vencer" a discussão: querem apenas ser reconhecidos no mesmo palanque ocupado por um cientista de verdade. Por isso devemos evitar esses encontros”12.

10

ALEXANDER, Denis, in COLOMBO, Silvia, Darwin nas mãos de Deus, Caderno Especial, Folha de São Paulo, 16 de Fevereiro de 2009, p. 11 DAWKINS, Richard, A conquista de Darwin é universal e atemporal, entrevista , Jornal da Ciências, maio de 2005, http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=28483 (acesso em 14/08/09) 12 ibid.,

5 O Papa Pio XII em 1950 em sua encíclica “Omnis Generis” reconhece que a evolução biológica é compatível com a fé cristã embora para a criação da alma seja necessária a intervenção divina13. João Paulo II em discurso em 1981 na Academia Pontifícia de Ciências disse que é um erro usar a Bíblia como um tratado de astronomia, geologia e biologia: A Bíblia não pretende ensinar como se formou o firmamento, mas sim como chegar ao céu.É, portanto espantoso e chega a ser ridículo esta discussão que ressurge em pleno século XXI. A essência de Deus, não pode ser comparada, a sim como a vida após a morte. Este é o grande mistério. Para crermos nisso temos que ter fé. E este é um dom divino.Não é ciência, é religião. A reflexão a seguir apresentará o evolucionismo e o Criacionismo a partir da história, idéias principais e autores mais importantes. Logo depois serão apresentadas as propostas de Hans Kung e Leonardo Boff como possibilidades de diálogo entre ciências e teologia.

13

citado em: SAMPAIO, Lenita, Criacionismo e Evolucionismo, em http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php? codArquivo=64 (acesso em em 21/08/09)

6

Capítulo 1:
Entendendo o debate: fundamentos do evolucionismo e criacionismo

1 - Construção da Teoria da Evolução

1.1- o processo: A Teoria da Evolução pela Seleção Natural, apesar de ser chamada de Darwinismo, é o resultado de um processo lento de evolução científica através de vários autores O Evolucionismo não é resultado do pensamento de uma só pessoa, e não foi desenvolvida unicamente por um ou poucos cientistas, mas sim é o conjunto de idéias e resultado de um processo complexo de estudos científicos, levantamento de dados, observação sistemática ao longo da história. Aristóteles foi o primeiro grande biólogo. Em sua reflexão acreditava que se podia encaixar os seres vivos em uma hierarquia que ficou conhecida Scala Naturae 14, que quer dizer “ a escada da natureza”. As criaturas mais simples tinham um princípio inferior; o ser humano ocupava o topo; os outros seres ocupavam um lugar apropriado entre as extremidades desta escala. Para Aristóteles os organismos vivos sempre existiram e não adimitia que houvesse qualquer histórica entre uma espécie e outra e nem genealogia comum. A biologia evoluiu muito com as conclusões que Aristóteles chegou observando a natureza. A biologia de Aristóteles teve influencia em seu pensamento metafísico: o filósofo afirmava que tudo é movido por uma força para se tornar algo maior, para evoluir 15. Durante muito tempo as idéias de Aristóteles eram aceitas entre biologistas que adotaram a idéia da “escada da vida”. Um dos primeiros cientistas a sugerir que as espécies podem modificar-se foi Georges-Louis Leclerc de Buffon, um francês que viveu entre 1707 a 1788 16. Buffon acreditava que as mudanças nas espécies ocorriam por um processo de degeneração. A
14 15

CURTIS, Helena, Biologia, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1977, p.1 CONSCIÊNCIA, Aristóteles: biografia e pensamento, in: http://www.consciencia.org/aristoteles.shtml. (acesso em 27/08/09) 16 CURTIS, op.cit., p.2

7 partir de uma idéia de forma ideal ou original, Buffon afirmava que as formas originais da Natureza podiam ser alteradas por aperfeiçoamento e degeneração, segundo ele, a mesma coisa, pois ambas implicam numa alteração da constituição original. Erasmo Darwin – avô de Charles Darwin – foi médico e naturalista no período de 1731 a 1802. Estudioso de botância e zoologia Erasmo Darwin foi um dos primeiros a questionar a fixidez das espécies afirmando que as espécies tinham ligações históricas entre si e que a competição levava a um desenvolvimento de espécies diferentes e que os animais eram capazes de se modificar em resposta às condições ambientais. 17 A catalogação dos seres vivos num processo de classificação organizada é chamada de Taxonomia Binominal, classificando os seres vivos por grupos de gênero e espécie. Este método de classificação de plantas e animais desenvolvida pelo famoso biólogo sueco Carlos Lineu no século XVIII convivia, entretanto com a idéia da imutabilidade das espécies. A partir destes trabalhos de classificação dos seres vivos, os naturalistas do século XIX perceberam que haviam características que convergiam para uma mesma tendência, o que permitia agrupar as espécies numa árvore com seções e subseções obedecendo uma ordem e progressão evidentes. Os naturalistas perceberam através da observação sistemática e da classificação que os seres vivos podem ser classificados e obedecem a uma ordem que os separa em diversos grupos parcialmente isolados, porém interligados por alguns animais que parecem fazer uma conexão entre os grupos. O próximo passo importante na observação dos naturalistas foi perceber que havia uma progressão: uma série de troncos comuns surgiam de um tronco único, o que sustentava a idéia de ancestrais em comum. É a partir destas observações que as teorias posteriores vão ser desenvolvidas.

17

CURTIS, ibid., p.2

8

1.2- Autores da Evolução Jean-Baptiste Lamarck foi o responsável pela primeira teoria aceitável para explicar a progressão dos seres vivos observada ao longo dos anos pelos naturalistas. Ele era um botânico francês, pesquisador do Museu de História Natural de Paris18 Lamarck foi biólogo além de ter sido seminarista e militar. A partir de 1801 ele publicou artigos científicos combatendo o que ele chamava de “fixismo” – entendida como a doutrina na qual as espécies de seres vivos são imutáveis – e também combatia o “catastrofismo” - que acreditava que as catástrofes naturais (enchentes, dilúvios, vulcões, terremotos, etc) interferiam e determinavam o surgimento de variações das espécies e também o desaparecimento de diversas espécies. Lamarck fundamentava sua teoria em duas hipóteses: • • a lei do uso a desuso a lei dos caracteres adquiridos.

Por exemplo, no caso da girafa, a necessidade de se alimentar dos brotos superiores das árvores altas fazia com que os animais cada vez mais esticassem o pescoço produzindo assim o alongamento progressivo do pescoço e transmitindo para a descendência que já nasceriam com pescoços mais longos e, de geração em geração tornando viável a vida da espécie. De acordo com Lamarck o surgimento de novas espécies se dá por evolução, devido a aquisição ou perda de caracteres. “Para Lamarck, o uso repetido do órgão causaria um desenvolvimento, e seu desuso naturalmente uma atrofia, o que explicava o desaparecimento dos órgãos que não mais tinham utilidade para a nova espécie .19 As idéias de Lamarck foram bem aceitas entre naturalistas e na sociedade em geral mas também despertaram um grande oposição por parte de religiosos a exemplo de Georges Leopold Cuvier que era protestante e um naturalista que aceitava o fixismo catastrofista a partir de uma apologia do relato bíblico.
18

LAMARCK, Portal Edcuação, in: http://www.portaleducacao.com.br/biologia/principal/conteudo.asp?id=7935 (acesso em 14/09/2009) 19 MARCUS VALÉRIO, Criação – Evolução, Teoria da Evolução - de onde viemos? in: http://www.evo.bio.br/Layout/Teoria_Evolucao.html (acesso em 14/09/09)

9 A resistência de Lamarck contra os conservadores tornou a vida e o trabalho do naturalista muito difícil, inclusive de dar continuidade às suas pesquisas. Lamarck morreu na miséria, em 1829 mas sua teoria sobreviveu inspirando outros naturalistas. Sua teoria só foi parcialmente criticada e superada algumas décadas depois. “A primeira suposição da Lamarck é válida: o uso a o desuso provocam alteração nos organismos. Assim, sabemos que os atletas desenvolvem seus músculos através do uso, enquanto que a paralisação das pernas, por exemplo, determina atrofia. A falha está na segunda hipótese: caracteres adquiridos por uso e desuso nunca são transmitidos aos seus descendentes”. Gregor MENDEL Johan Mendel era austríaco nascido no dia 20 de julho de 1822. Quando ingressou na ordem religiosa dos Agostinianos mudou seu nome para Gregor Mendel. Estudou teologia e filosofia e foi ordenado padre em 1847. Vai estudar História Natural na Universidade de Viena durante 3 anos onde se interessou definitivamente pelo estudo dos seres vivos, principalmente botânica. O interesse pela botânica veio da observação dos conhecimentos de seu pai que era jardineiro. Mendel vai iniciar suas pesquisas com árvores frutíferas e, mais tarde, no jardim do mosteiro, vai se dedicar ao estudo da ervilha por ser um vegetal de reprodução rápida20 e de fácil visualização. Sua observação levou à identificação de que as características das plantas passavam de uma geração a outra – hoje conhecido como elementos hereditários ou genes. Hoje, a pesquisa de Mendel, é estudada a partir da apresentação de três leis: Lei da Segregação, Lei da Uniformidade e Lei da Recombinação dos Genes. Absorvido pelo trabalho administrativo no mosteiro, Mendel não pode se dedicar às suas pesquisas de modo mais sistemático. Mendel morreu em 6 de janeiro de 1884. Entretanto, seus escritos foram preservados e a importância de sua pesquisa reconhecida um século depois. No século XX os pesquisadores reconheceram a importância da pesquisa de Mendel para a genética. Mendel é considerado, com razão, o Pai da Genética.
20

SNUSTAD, Peter; SIMMONS, Michael J., Fundamentos de Genética,, São Paulo: GuanabaraKoogan, 2001, p.17

10

Charles DARWIN - nasceu em 12 de fevereiro de 1809 na cidade de Shrewsbury, Inglaterra. Filho de Robert Darwin e Susamah Darwin. Seu avô Erasmus Darwin, médico e filósofo, já havia publicado em 1795 uma obra onde apresentava idéias evolucionistas precursoras de Lamarck. “Darwin desde a infância se interessava em colecionar insetos e minerais. Quando entrou para a escola de medicina da Universidade de Edimburgo, em 1825, sentiu mais interesse por história natural, que pela prática da medicina, participando de várias sociedades de naturalistas”.21 Estudante de medicina abandonou os estudos e dedicou-se à ciência natural e também tornou-se clérigo da Igreja Anglicana. “Dois anos depois, com 18 anos, seu pai, ao perceber seu desinteresse e inaptidão para o curso de medicina, matriculou-o na Escola de Artes de Cambridge, para que pudesse se ordenar padre. Um dos requisitos de um sacerdote era a capacidade de observar e reproduzir a “criação” de Deus, e seu ingresso no sacerdócio significaria um futuro estável”.22 Durante seus estudos em Cambridge se inscreveu no curso de história natural oferecido pelo reverendo John Stevens Henslow e se interessou pelas idéias de William Paley sobre o “projeto divino da natureza”. Em dezembro de 1831 foi convidado para participar de uma expedição científica, tornando-se membro da mesma nas funções de geólogo, botânico, zoólogo e homem de ciências inclusive na área médica. “Um dos marcos mais importantes da sua história foi a viagem a bordo no navio Beagle entre 1831 e 1836, na qual visitou diversas regiões do globo terrestre e teve condições de perceber uma interessante relação entre fósseis e espécies viventes na época e mecanismos de adaptação de espécies relacionados ao ambiente e modo de vida destes”. 23 A expedição partiu a bordo do navio Beagle no dia 10 de dezembro de 1831 zarpando do porto de Plymouth na Inglaterra, iniciando desta forma a viagem científica através dos continentes.
21

CAMINHOS DE DARWIN no Brasil, in: http://www.casadaciencia.ufrj.br/caminhosdedarwin/darwin.html (acesso em 14/09/09) 22 ibid., 23 ibid.,

11 Em janeiro de 183224 o navio chegou às Ilhas Canárias, mas não desembarcaram em virtude da região estar contaminada por uma epidemia de cólera, doença de alta letalidade. O Beagle segue viagem e em fevereiro de 1832 aportou aqui no Brasil na região de Salvador, Bahia, onde ficou até março do mesmo ano. Darwin toma contato pela primeira vez com a floresta tropical brasileira, em plena estação das chuvas, sendo esta a melhor época para observação da floresta por ser mais acessível o deslocamento pelos igarapés. Aqui Darwin fez uma observação interessante: o peixe Diodom Antenalus (peixe de pele flácida) com propriedade de destender o corpo numa forma esférica. Ao retirá-lo da água observou que a quantidade considerada de água e de ar entrava pela boca do peixe, o mesmo acontecendo provavelmente pelos orifícios branquiais segundo sua observação. Em 18 de março o navio desloca-se da Bahia25 com destino ao Rio de Janeiro chegando a 4 de abril onde aportou. Darwin em terra em suas andanças escalou o Corcovado e posteriormente foi até a cidade de Macaé tendo como transporte o cavalo. Neste trajeto fez muitas anotações, principalmente sobre botânica e zoologia. Dentro de suas observações do Rio de Janeiro as mais relevantes estão no comportamento das formigas, sendo os primeiros “insights” sobre ecologia. “Os animais que mais o interessaram e fascinaram foram os insetos. Darwin passava os dias coletando, observando e estudando o comportamento desses animais e suas anotações foram importantes para a formulação da Teoria da Evolução e o principio da seleção natural”. 26 Enquanto o Beagle retorna para a Bahia Darwin permanece no Rio de Janeiro fascinado com a diversidade da vida nas florestas. Encontrou seu primeiro macaco no Novo Mundo. Em seu Diário pessoal Darwin anota: “Qualquer naturalista é capaz de lamber a sola do sapato de um brasileiro diante da perspectiva de ver florestas selvagens povoadas por belos pássaros, macacos e preguiças e lagos com capivaras e jacarés”.27

24 25

CURTIS, op.cit., p. 5 CURTIS, p.7 26 CAMINHOS DE DARWIN, op.cit 27 ibid.,

12 O que mais o excitava era a vida interiorana. Encontrou insetos nunca vistos na Europa, observou lagartos fugindo de formigas predadoras. Darwin à família descrevendo como passava a ver as suas novas perspectivas sobre a história natural que o fortalecerá: “A história natural oferecerá trabalho e diversão elo resto de sua vida Os trópicos são aparentemente o berço natural da raça humana, mas a mente, como muitos de seus frutos, parece atingir sua maior perfeição em um clima estrangeiro”.28 Darwin deixou o Rio, e o Brasil, em 5 de julho de 1832 29, viajando para Montevidéu, dando continuidade a sua expedição. Darwin voltará ao Brasil em agosto de 1936 fazendo suas últimas paradas em Salvador e Recife, para conferência de cálculos, antes de retornar definitivamente à Europa. Seguiram para a Argentina30 onde visitaram a Bahia Blanca, Na praia de Punta Alta, em Bahia Blanca, Darwin encontrou o fóssil de uma preguiça e um tatu gigante. No Chile, Darwin subiu a cordilheira dos Andes onde encontrou fósseis de conchas, concluindo posteriormente que aquela região, algum dia, já tinha sido mar; e numa fenda nas montanhas uma floresta petrificada. Do Chile, a expedição partiu para Galápagos31, onde passaram um mês. Nesse arquipélago, Darwin pode observar as tartarugas, iguanas e a enorme variedade de aves. E constatou que eram diferentes de ilha para ilha. Rumaram para o Taiti, Nova Zelândia, Austrália, Ilhas Coco, retornaram a Brasil, aportando na Baia e em Recife. Por fim, voltaram para a Inglaterra. Os resultados imediatos da viagem foram o livro A Viagem do Beagle (1838), baseado nos diários de Fitzroy, a transcrição do diário de Darwin (1839) e os artigos sobre a geologia da América do Sul, baseados em nas observações de Darwin e no livro Princípios da Geologia, de Charles Lyell. Mas a maior obra publicada, de fundamental importância para a ciência, tendo como base os espécimes encontrados durante a expedição do Beagle, foi A origem das espécies, de Darwin. Na obra, publicada em 1859, o naturalista descrevia sua teoria a cerca da evolução dos seres vivos.32

28 29

ibid., COLOMBO, op.cit., 7 30 ibid.,. 7 31 ibid., 8 32 ibid., 8

13 Durante toda a viagem Darwin coletava fósseis e espécimes da fauna da América do Sul e enviava para a Inglaterra, para seu professor Henslow que começou a divulgar os escritos e análises de Darwin. Quando retorna a Europa, em 1836, Darwin aos 27 anos, já era bem conhecido como naturalista na comunidade científica. De volta à Inglaterra Darwin se dedica à pesquisa geológica e sobre a fauna marinha estundando os fósseis e espécimes que trouxe da América do Sul. Após tomar contato com as idéias de Lamarck e posteriormente as de Thomas Malthus, sobre a dinâmica de crescimento populacional, Darwin finalmente concebeu o mecanismo evolutivo que seria a essência de toda a sua teoria. A Seleção Natural33. 1859, aos 50 anos de idade, Darwin publica seu livro A Origem das Espécies34 que propõe a seleção natural como fator evolutivo das espécies. Este livro o projetou no meio científico causando polêmica e sendo alvo de críticas em especial por parte dos criacionistas inclusive seu professor John Henslow. Darwin contraiu uma doença na América do Sul que alguns pesquisadores identificaram como doença de Chagas35. Por isso sua A Teoria das Espécies foi defendida e apresentada por outros cientistas uma vez que Darwin morava no interior da Inglaterra com sua saúde gravemente abalada. Faleceu em 19 de abril de 1889, aos 79 anos, em Downe, Inglaterra. Era casado com Emma Wedgwood com quem teve dez filhos. Três deles morreram ainda durante a infância36. “A diferença essencial entre a proposição de Darwin e a de qualquer de seus predecessores é o papel central que ele atribui ao processo da variação. Os outros consideraram as variações distúrbios no plano geral enquanto Darwin viu que elas são a tecitura mesma do processo evolutivo”. 37

33

ARAGUAIA, Mariana, Quem foi Charles Darwin?in: http://www.brasilescola.com/biologia/charlesdarwin.htm (acesso em 21/9/09) 34 CURTIS, op.cit. p. 7 35 COLOMBO, op.cit., p.8 36 ibid., 37 CURTIS, op.cit. p.7

14

2- Criacionismo
2.1- Conceito O criacionismo é o conjunto de crenças que afirma um deus criador absoluto responsável por tudo o que existe no universo por isso podem ser considerados teístas. A divindade está permanentemente em relação com a sua criação, por isso é "imanente", e pode intervir de forma atual no universo. Neste sentido, de modo geral, cristãos, como judeus ou muçulmanos são criacionistas. Também seria possível apontar para outras formas de criacionismo que deveriam ser conceituados a partir de suas matrizes religiosas: “criacionismo hindu”, “criacionismo de Krishna”, “criacionismo védico”, “criacionismo islâmico”, “criacionistas turcos”, “criacionistas sulafricanos”. 38 “O conceito vigente de “criacionismo” em toda essa discussão é a crença cristã segundo a qual Deus criou o mundo e todos os seres vivos conforme é descrito no livro bíblico do Gênese. Porém, existe uma variedade enorme de tipos de criacionismo cristão dentro deste quadro geral, mesmo que a maioria seja, de modo geral, tipos de criacionismo bíblico”39. O criacionismo toma a Bíblia, em especial os primeiros capítulos do Gênesis, como referência genuína para a história do universo e à história da vida, também dos seres humanos e da terra por esta razão são conhecidos como fundamentalistas ou literalistas bíblicos. Partindo deste princípio os criacionistas de modo geral se opõem ao evolucionismo, em especial recusam as idéias de Charles Darwin no seu livro A Origem das Espécies. A teoria criacionista em geral afirma que todas as espécies vivas surgiram repentinamente, já diferenciadas e especializadas, que não houve evolução e que tudo se deu num periodo muito curto de tempo. Apesar de ser especialmente defendida por setores do fundamentalismo cristão, basicamente evangélico o criacionismo pode ser identificado em muitas matrizes religiosas do mundo.
38

ENGLER1, Steven, Tipos de Criacionismos Cristãos, Revista de Estudos da Religião junho / 2007 / pp. 83107, in: http://www.pucsp.br/rever/rv2_2007/t_engler.pdf (acesso em em 21/09/09) 39 ibid.,

15

2.2- Tipologia Existem três tendências40 criacionistas na atualidade: o criacionismo religioso puro, o criacionismo intermediário e o criacionismo científico fundamentalista. 1- O criacionismo religioso puro não tem pretensão científica e poderíamos dizer que é uma forma básica de criacionismo tendo sua origem nos mitos primitivos que estão presentes no passado cultural de parte significativa da humanidade. O criacionismo religioso é a opinião daqueles que estão satisfeitos com suas explicações míticas e místicas do mundo e da origem da vida e não precisam de conhecimentos científicos ou filosóficos para fortalecimento de seu posicionamento. Os conflitos entre ciência e religião são descartados já no nível pessoal e não se transformam num debate ampliado. Esta postura de uma visão de mundo mítica esta na base de todos os demais criacionismos. 2- o criacionismo intermediário é aquele que apresenta menos conteúdos religiosos e mais discussão filosófica e teológica. Historicamente esta postura surge depois do estabelecimento de um pensamento científico a partir do século XIX e de modo específico como resposta crítica ao Evolucionismo. Neste momento a resposta religiosa e teológica não se mostrou capaz de restringir ou impedir o desenvolvimento do pensamento e das ciências evolucionistas. Filósofos e teólogos se viram obrigados a lançar mão da ciência para defender a posição cricionistas. Esta forma de criacionismo se utiliza da Bíblia somente no seu aspecto moral tratando d não expor o texto Bíblico aos rigores da ciência. Apesar de ser uma postura mais flexível que admite que o dilúvio bíblico não necessariamente foi um fenômeno de proporções planetárias sustenta a superioridade da religião bíblica revelada como acima dos interesses da ciência. Esta forma de criacionismo pode trabalhar com a idéia da Teoria do Big Bang reinterpretando o Gênesis bíblico de tal modo que a Bíblia sempre tem razão e sempre já anunciava o que a ciência descobre em suas pesquisas. Esta atitude de ajuste vai, por exemplo, alegar que “um dia” nos relatos bíblicos tem o mesmo valor de uma era ou de um período de

40

ibid.,

16 tempo superior. Esta flexibilidade, entretanto, fica difícil no que diz respeito à Teoria da Evolução no aspecto da iniciativa e do protagonismo divino na origem da vida e do mundo. 3- o criacionismo "científico" fundamentalista parte de uma posição religiosa rígida articulando a ortodoxia religiosa como suficiente para dar as respostas sob a origem da vida. O criacionismo científico vai subordinar a ciência aos princípios religiosos e vai se fortalecer principalmente nos Estados Unidos na década de 20 do século XX. O criacionismo científico é antes de tudo uma reação contra as teologias liberais do final do século XIX. Fundamentados na Bíblia e acreditando na inerrância bíblica – isto é, a Bíblia sempre esta certa – vão investir em argumentos científicos contra a própria ciência questionando e tornando visíveis fragilidades das teorias científicas. Esta tendência afirma que a terra tem de 6 a 12 mil anos e insiste na teoria do Dilúvio Geral. O debate dentro da ciência já forçou os criacionistas científicos a certos deslocamentos evolutivos importantes, como por exemplo a chamada “micro-evolução” que pode ser constatada dentro de uma família de espécie e facilmente comprovado. Esta micro-evolução admitida pelos criacionistas científicos garantem alguma confiabilidade para os relatos bíblicos diante das evidências de mudanças na natureza. O problema para os criacionistas científicos é a teoria da macro-evolução incluindo ai o Big Bang.

2.3- Teses Criacionistas Como já foi dito as teses Criacionistas se organizam por oposição às teses Evolucionista 1. O mundo foi criado do nada por ação direta de Deus e se mantém na atualidade como em sua origem; essa criação aconteceu por volta de dez mil anos atrás e não aconteceu nenhuma modificação ou desenvolvimento depois disso·; 2. todas as espécies são criação divina desde o início por isso não existe uma evolução da espécie. Podem ocorrer modificações limitadas dentro de uma espécie, mas não a suposta “especiação” afirmada pela teoria da evolução.

17 3. os seres humanos já foram criados nesta forma atual assim como todas as espécies; estas possíveis adaptações são climáticas ou ambientais logo não existe um “antepassado comum” para os primatas ou qualquer outra espécie; 4. os eventos catastróficos (dilúvios, vulcões, etc.) podem explicar as características geológicas da Terra; 5. entre estes eventos catastróficos o mais importante na história foi o Dilúvio bíblico, narrado no livro do Gênesis, o que explicaria os fósseis e as camadas geológicas.

2.4- Críticas criacionistas Os Criacionistas afirmam que não são contra a Ciência, mas sim conta a Teoria da Evolução. Ao apresentar as principais teses Criacionistas fica claro que este pensamento se organiza por oposição às teses evolucionistas. Para os Criacionistas a Teoria da Evolução também é religiosa porque não pode provar de modo absoluto suas teses. 1. Para os criacionistas a teoria da evolução é uma teoria e não um fato e assim deve ser tratada recusando qualquer forma de considerar como verdade que pode ser ensinada nas escolas, por exemplo. 2. Os criacionistas, afirmam que a hipótese da seleção natural, que seria uma idéia central do moderno pensamento evolucionista, é uma fraude. A afirmação sobre "a sobrevivência dos mais capazes" é contrastada com a pergunta "quem são os mais capazes?". Somente os que sobrevivem é que podem fazer tal afirmação por isso a teoria da seleção natural consiste numa tautologia de que os que sobrevivem são os que sobrevivem — nada científica afinal. 3. Os criacionistas dizem que o sustentáculo da moderna teoria evolucionista reside num mecanismo de mutações genéticas aleatórias, mas as hipóteses de surgimento de organismos capazes e funcionais, com todas as suas peças no devido lugar, seriam pequenas sem a consideração de um princípio ordenador. 4. Os criacionistas apontam para as omissões e falhas na aparente continuidade evolutiva do patrimônio fóssil. Existem grandes contradições entre as diferentes formas

18 encontradas e ainda não há uma teoria que ofereça elos de ligação. A idéia de continuidade e de ligação não é efetivamente demonstrada pelo evolucionismo e por isso depende necessariamente um ato criador e ordenador da vida. 5. Os criacionistas afirmam que a física moderna não sustenta a teoria da evolução: “A segunda lei da termodinâmica determina que a desordem do universo é inexoravelmente sempre maior. Em termos técnicos, a entropia aumenta permanentemente e a desordem é irreversível. A energia consumida em calor não pode voltar a produzir o mesmo calor, no entanto, os organismos vivos aparentemente desafiam o disposto nesta lei. Isto mesmo é incompatível com uma teoria da evolução a partir de uma matéria inerte e sem qualquer vida. Como é possível conceber neste cenário o aparecimento de seres tão complexos como nós, seres humanos, a não ser por força de uma vontade criadora?”41 6- Os criacionistas combatem a idéia de evolução a partir da simples constatação de que a complexidade humana não pode ser explicada por uma teoria. O ser humano dotado de espírito e consciência não pode ter surgido de um mero acaso; tal complexidade exige um sistema explicativo criador e ordenador.

41

RUSE, Michel, Criacionismo, Crítica: Revista de Filosofia, in: http://criticanarede.com/rel_criacionismo2.html# (acesso em em 16/10/2009)

19

Capítulo 2: Teologia como ponte entre criação e evolução
No livro Construindo Pontes entre Ciências e Religião42 apresenta-se o atual debate sobre Criação e Evolução. “A Teoria da Evolução de Charles Darwin apresenta um dos desafios mais significativos para a Teologia, ao longo dos últimos 140 anos”. Esse desafio foi respondido de modo diverso por diferentes Teólogos Cristãos que buscam manter um diálogo criativo entre a teologia e a ciência: “A Evolução é uma maneira de Deus, criar a vida, um enigma, frequentemente chamada pelos Teistas. Os estudiosos que abraçam essa causa, geralmente empregam conceitos, tais como: Criação contínua (Creatiocontinua) e Panteísmo, ou seja, o Mundo está em Deus, mas Deus transcende o mundo” .43 Alguns teólogos vêm desenvolvendo uma teologia que cria uma ponte que interligue fé e razão superando os problemas que foram apresentados aqui entre criação e evolução. De modo especial na reflexão de Hans Küng e Leonardo Boff podemos encontrar uma forma contemporânea de discussão destas questões que apontam para alternativas teóricas para o debate.

42

PETERS, Ted; BENNETT, Gaynon, Construindo Pontes entre Ciências e Religião, São Paulo: Unesp/Loyola, 2003 43 p. 94

20

1- A proposta de Hans Küng Hans Küng nasceu em l929, em Sursse na Suíça. O teólogo é professor Emérito de Teologia Ecumênica e presidente da fundação Ethos Mundial em Tübingen. Considerado no meio científico como um dos maiores pensadores de nosso tempo, sendo favorável ao congraçamento entre Razão e Fé Cristã, fazendo uma ponte que interliga religião e ciências. Segundo ele, só com a união entre estas duas vertentes, encontraremos respostas à questão sobre o que mantém o mundo interiormente unido. O teólogo também ressalta idéias que buscam uma resposta urgente que supra esse conflito e que deixe de ser um belo sonho e que se torne realidade principalmente na passagem dos tempos modernos para a pós modernidade.44 Hans Küng propõe as seguintes questões: - Uma teoria unificada para tudo; - Deus como princípio unificador; - a superação da dicotomia entre Criação ou Evolução; - compreensão integrada da Vida no Cosmo; - O começo da humanidade como parte da teoria unificada para tudo. O autor faz uma retrospectiva, em seu livro O princípio de todas as coisa,s de como surgiram as teorias que criaram a moderna Ciência da natureza. A Teoria Unificada parte dos modelos apresentados ao longo da história, segundo ele, dos trabalhos de Copérnico, Kepler e Galileu e que constituem a ciência na Era Moderna.45 Nicolau Copérnico (1473-1543), Cônego católico, de origem Polonês/Alemão recorre a uma idéia de Aristarco de Samos (III século a.C.), em suas idéias astronômicas sobre o universo. Copérnico fala sobre os movimentos dos corpos celestes, propõe o sistema heliocêntrico do mundo em substituição ao modelo geocêntrico46 de Cláudio Ptolomeu. O modelo de Copérnico tem o Sol como centro do nosso sistema. Essa teoria é aceita pelos astrônomos até os dias de hoje, sobretudo para os cálculos das posições dos planetas, após longos períodos de tempos.
44 45

KÜNG, Hans. O princípio de todas as coisas. Petrópolis: Ed Vozes, 2005, p. ibid., p. 15 46 ibid., p. 17

21 A revolução coperniana passou a ser a “senha”
47

para diversas mudanças

revolucionárias constituindo a Era Moderna, além de ser o exemplo mais simples e concreto que resulta em mudança de paradigma. Mais que uma mudança de padrão de pensamento, caracterizando a visão de mundo de uma época. O “novo” modelo de mundo, apresentado de forma teórica por Copérnico, foi confirmado e corrigido48 por Johannes Kepler (1571-1630). Estudante de Teologia Evangélica, matemática e astronomia em Tübingen, afirma que as órbitas dos planetas não são circulares, mas elípticas. Esses estudos sobre movimentos dos corpos celestes passam a ser as bases de uma Astronomia nova. O modelo de Kepler cultiva o modelo de pensamentos filosoficamente unificado e ecumênico49, isto de forma alguma exclui a fé em Deus, como criador ou em uma harmonia divina. O novo modelo começou a ameaçar a imagem bíblica, quando aparece o matemático, físico e filósofo italiano Galileu Galilei (1564-1642). Galileu descobre as fases de Vênus, as quatro luas de júpiter e os anéis de saturno e constata que os cúmulos estelares da via Láctea consistem estrelas individuais.50 Galileu confirma a teoria de Copérnico, segundo a qual a terra gira em torno do sol e com a introdução do experimento quantitativo torna-se o criador da Moderna Ciência da natureza. Com essa teoria, abrem-se as portas para a Ciência e para as ilimitadas pesquisas da natureza. O próprio Galileu reconhece que essas pesquisas representam uma ameaça à imagem bíblica do mundo. “(Galileu) Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia, entre as quais os satélites de Júpiter (planetas Médicis), as fases de Vênus, os mares da Lua, as manchas do Sol. Defendeu as teorias de Copérnico pelo que incorreu na perseguição do Santo Ofício, defensor do sistema ptolomaico”.51 A busca da ciência é prover uma teoria unificada para todas as coisas e que possa descrever todo o universo inclusive incluiria o “conceito” de Deus. Stephen Hawking propõe que se chame esta teoria de Theory Of Everything (Teoria para todas as coisas)52. Hans Küng
47 48

ibid., p.17 ibid., p.16 49 ibid., p.17 50 ibid., p.17 51 COSTA, A.C., Galileu Galilei, in: http://www.ifi.unicamp.br/~accosta/galileu.html (acesso em em 27/10/09) 52 DANILAS, Sérgio, O Conceito de Tempo em Agostinho: Diálogo com a Ciência de Hoje, in: SANCHES, M. A. (Org.) Congresso de Teologia da PUCPR, 9., 2009, Curitiba. Anais eletrônicos, Curitiba: Champagnat, 2009.

22 considera a teoria de Hawking “presunçosa” por considerar que a Teoria Unificada ainda está em estudo e não foi suficientemente formulada.53 Quando Hans Küng afirma Deus como Princípio ele desloca o debate e questionamento sobre a existência de Deus afirmando que não é há nenhuma contradição com a ciência, visto que Deus é religião e a física é uma ciência.54 (Pg 68/7l). O pensamento teológico filosófico moderno, ao contrario do pensamento medieval e dos reformadores, já não pode simplesmente começar tendo Deus como origem, mas sim, o conhecimento está nas experiências do homem vividas empiricamente. O Ser Humano habita a terra como ser pensante a cerca de 200 mil anos. A ciência apresenta um modelo padrão bem fundamentado a partir da Teoria do Big-Bang, a grande explosão, mas não se pode pensar neste acontecimento como princípio, como sendo simplesmente o começo. O primeiro momento a que se refere a “grande explosão”, não pode ser considerado como início da historia do mundo. Fala-se, no entanto, de um início relativo temporal e não de um primeiro início absoluto. A ciência não tem como explicar o momento antes deste início. As leis naturais são formuladas em linguagem matemática, o autor em suas considerações expõe que55: os cientistas da natureza deveriam considerar que sujeito e objeto estão intimamente interligados e que por isso é indispensável que se faça distinção entre os fenômenos que podem ser abrangido pela ciência e a realidade como um todo. Nenhum método por mais seguro que seja, nenhum projeto por mais adequado que seja, nenhuma teoria por mais que seja exata, podem ser absolutizados. Hans Küng alerta também que os cientistas, matemáticos e estudiosos, estejam sempre conscientes de seus limites. Não poderá existir em nosso universo grandezas e interações que não deixe marcas no espaço físico e que, portanto se subtraem necessariamente à possibilidade de serem conhecidas cientificamente. A ciência natural, portanto se quiser permanecer fiel no seu método, não pode estender o seu juízo além do próprio. O horizonte de experiências não combina nem com a arrogância dos ignorantes céticos e nem com a de quem tudo pretende saber.56
em: http://www.pucpr.br/eventos/congressoteologia/2009/ (acesso em em 27/10/09) 53 KÜNG, op.cit, p.33 54 ibid., p. 79 55 ibid., p. 71 56 ibid., p.80

23 Na visão de Hans Küng a história da humanidade no planeta Terra existe a cerca de 4,5 bilhões de anos da criação até o surgimento do ser humano. A cerca de um bilhão de anos surge um bípede erectus (homo erectus) e o Homo sapiens. O homem moderno surge a cerca de 6 mil anos. Observa-se que a humanidade é produto de uma evolução cósmica,surgindo a muito pouco tempo57. A partir do século XIX a Biologia moderna desenvolve a ciência da vida (homens, animais e plantas). Natureza e história passam a admitir a evolução num processo histórico natural único. Ao longo de enormes períodos de tempo, através de pequenos processos predominantes todas as riquezas do mundo e variedades de seres vivos. Para Küng o sábio que reuniu numa síntese possível o principio da evolução estabelecendo uma nova visão dos seres e dos homens, chama-se Charles Darwin. Para o autor pelo menos em um ponto a Bíblia e ciências concordam: no início da história do nosso planeta não existia vida. A terra era deserta e vazia, pouco antes de aparecerem os primeiros seres vivos, a cerca de 3,5 bilhões de anos, tornou-se evidente com a sonda espacial européia “HUYGHENS” que no dia 14 de janeiro de 2005, aterrissou com precisão na lua de Saturno – Titã – a única lua a possuir uma atmosfera. Um triunfo para a ciência, reforçando o questionamento: se pela teoria da evolução a história de nossa terra, teve do principio ao fim um desenvolvimento previsível, coerente e necessário, se tudo obedece a causa e efeito – uma lei intramundana -, se cada passo resulta com naturalidade do passo anterior, onde é que ainda existe um lugar para o intervir de Deus ?58 O começo da humanidade. Para o autor os seres humanos tiveram sua origem no continente africano59. A África do ponto de vista geológico é a antiguíssima moradia dos seres humanos e berço da humanidade. O Ser humano evoluiu a partir de seus ancestrais mais antigos, tendo a África como início da humanidade. A cerca de 6 bilhões de anos, como se pode concluir dos achados mais recentes, ocorreu que o Gênero dos hominídeos, homens primitivos, que levou ao tipo de homem moderno, começou a distanciar-se do gênero de onde evoluíram seus parentes mais próximos, os Antropóides. É verdade que o Genes do homem só se diferenciam-se dos chimpanzés em

57 58

ibid., p.123 ibid., p.178 59 ibid., p. 219

24 cerca de 1 por cento dos elementos da substância genética DNA60. Na realidade essa diferença remonta em valor de 3 milhões de genes dentre os 3 bilhões de Genes do Genoma. A mais antiga espécie de hominídeo conhecida com segurança são os AustralopitecosAntropóides61 meridionais Africanos que se movimentavam em duas pernas e subiam em árvores, porém não desenvolveram nenhuma cultura de produção de utensílios. Viveram 2,5 milhões de anos, antes de toda a cultura escrita. Aparece Homo habilis62 (Homem capaz) que iniciou a produção de utensílios, por ter habilidade com as mãos. Na antiga e média idade da pedra, a África e os demais continentes, desenvolveram-se deforma muito semelhante. Os utensílios e túmulos encontrados permitem que se acompanhe com clareza o desenvolvimento que levou o Homo habili63s até o nosso ancestral direto, o Homo sapiens. Entre 2 e l,5milhões de anos atrás surge o Homo erectus64 (o homem de andar ereto) muito semelhante ao homem atual na forma do corpo. Entre 200 mil e 35 mil anos atrás é encontrado um estágio intermediário conhecido como Homem de Neandertal65 devido a diferença genética de seu DNA, encontrados em seu Genoma, foi possível estabelecer que não foi ele um ancestral direto do Homo sapiens. Muitos cientistas são de opinião que o Homo sapiens, o Homo erectus e Neandertal e o homem anatomicamente moderno, o homem de hoje, desenvolveu-se quase ao a mesmo tempo em vários lugares do mundo. Com bases em recentes descobertas, a maioria dos pesquisadores está convencida de que o Homo sapiens provém de um grupo provavelmente não muito grande de homens primitivos, na tórrida África tropical e subtropical, uma área rica em caça. Provavelmente a cerca de 200 mil anos, a leste da grande falha Siro-Africana ao norte de Zambezi66. Á 100 mil anos este Homo sapiens provavelmente em pequenas hordas, iniciou sua ampla caminhada pelo globo terrestre e desalojaram da Europa e de outras partes o Neandertalenses, que desapareceu a cerca de 30 mil anos.

60 61

ibid., p. 222 ibid., p .222 62 ibid., p. 223 63 ibid., p. 222 64 ibid., p. 223 65 ibid., p. 223 66 ibid., p. 224

25 Nunca se deve esquecer que os aborígenes, “bosquímanos” asiáticos67, europeus ou americanos, não são espécies diferentes de homens, eles formam uma única espécie que é a mesma do gênero humano. E apesar de termos característica externas muito diferentes (Fenótipos) todos nós como demonstra a análise genética molecular temos origens biológicas comuns. Por baixo da pele nos somos todos africanos. A proposta de Hans Küng é evitar o confronto ou a integração como únicas possibilidades para relação entre criação e evolução, fé e razão. A propsta apresentada pelo teólogo é de um modelo de interação crítico-construtiva de complementariedade68 entre ciência natural e religião “... onde as esferas próprias de cada uma sejam mantidas, as transições ilegítimas sejam evitadas e todas as absolutizações rejeitadas, mas onde em mútua consulta e enriquecimento se procure considerar a realidade como um todo, em todas as suas dimensões”. 69

67 68

ibid., p. 224 ibid., p. 67 69 ibid. p. 67

26 2- Leonardo Boff: Leonardo Boff nasceu em 1938, formou-se em teologia e filosofia no Brasil e na Alemanha. Durante mais de 20 anos foi professor de teologia sistemática no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis esteve a frente do editorial religioso da Editora Vozes. Foi um dos formuladores da Teologia da Libertação. Foi professor de Ética e Filosofia da Religião na Universidade do Rio de Janeiro (UERJ). É membro da comissão da Carta da Terra. Em 2002 em Estocolmo ganhou o premio Nobel Alternativo para Paz. O livro reúne as preocupações do autor com “as pesadas ameaças sobre a totalidade de nossa Terra”
70

organizando reflexões no sentido de assegurar a persistência do Planeta

entendido com herança do universo e de Deus. Esta herança deve ser zelada e aperfeiçoada para garantir as condições físico-químicas e ecológicas para a plena realização da espécie humana e os demais seres.71 No capítulo entitulado A Biografia da Terra Boff articula os conhecimentos da ciência sobre origem e evolução – também a teoria do Big Bang 72 - conhecimentos astrofísicos, físicoquímicos, geológicos e biológicos em geral sem perder seu horizonte sobre a eco-diversidade também humana no que diz respeito às culturas, ciências, artes e religião. 73 Preocupado em oferecer uma visão de conjunto sobre os processos totais do Planeta o autor articula também elementos da história da humanidade e, concordando com Hans Kung, apresenta a teoria da grande dispersão
74

a partir da África reconhecendo que a 40 mil anos

atrás os seres humanos já ocupavam todo o Planeta. Numa rápida síntese o autor combina bem a teoria da evolução com a história da humanidade criando uma lógica econômica e política que chega até os nossos dias. 75 Boff vai reconhecer diversos cientistas: dos conhecimentos da biologia o autor vai apresentar a Teoria Gaia de James Lovelock76 que apresenta que a Biosfera Terrestre é uma criação da própria vida; do cientista russo-Belga, ILYA PRIGOGINE, apresenta os estudos da
70

BOFF, Leonardo, A opção Terra: a solução para a Terra não cai do céu , Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2009, p.12 71 ibid., p.13 72 ibid., p.20 73 ibid., p. 26 74 ibid., p. 33 75 ibid., p. 37 76 BOFF, Leonardo, Virtudes para um outro Mundo Possível, Petrópolis:Vozes, 2005, p. 49

27 termodinâmica77 Boff realça a compreensão de que a vida emerge num estágio muito elevado de complexidade da matéria e no contexto das turbulências e das situações caóticas da própria terra e muitos outros que contribuem para uma visão integrada do Planeta. Boff, nesse relato tem como pano de fundo, a terra e a humanidade, que segundo ele, estão indissoluvelmente unidas. A humanidade esta inserida num processo universal em curso por bilhões de anos e formando um todo orgânico e complexo que se complementam. Para o autor esta perspectiva científica não necessariamente exclui as experiências espirituais do Oriente e do Ocidente78. O processo atual de globalização coloca em risco a vida do Planeta o que exige uma visão crítica da ciência e da tecnologia em busca de soluções mais integradas no que estas experiências espirituais podem contribuir. “Livres do constrangimento de nosso tipo de civilização consumista e predatória, podemos conviver humanamente como irmãos e irmã , capazes de articular o local e o global, a parte e o todo, e de conjugar trabalho e poesia, eficiência com gratuidade,de religar subjetividades, sabendo brincar e louvar como filhos e filhas em Casa”. 79 Numa visão crítica da história das ciências Boff vai apontar para a relação violenta que muitos cientistas propõe para a relação com a natureza. Boff vai citar Francis Bacon que dizia que se deve tratar a natureza como o inquisidor trata o inquirido usando todos os métodos disponíveis para obrigar a natureza a revelar seus segredos e colocá-la a nosso serviço. instrumental. Nesta compreensão o ser humano se sente independente da natureza: “Ele não se sente junto com elas (as coisas), numa pertença mútua, como membros de um todo maior e da comunidade de vida”. 81 Esta pretensão violenta da ciência e da tecnologia levou a Terra à exaustão e hoje sofremos as conseqüência de um Planeta degradado fruto de um processo reducionista e equivocado movido pelo lucro e o crescimento não sustentável. Nas palavras de Boff a questão que se coloca para a humanidade hoje é se podemos evitar a frustração do futuro e a quebra dos sistemas ecológicos que nos levariam ao desequilíbrio e desaparecimento de formas de vida: Podemos levar adiante esta aventura como foi conduzida até hoje?82
77 78

80

A

Terra, reduzida a recuso natural e prestadora de serviços na lógica do lucro, é fruto da razão

ibid., p.50 ibid., p.39 79 ibid., p.41 80 BOFF, Opção Terra, op.cit., p. 132 81 ibid., p. 132 82 ibid., p. 133

28 A resposta de Boff é negativa a não ser que se consiga desenvolver um novo paradigma, isto é, o exemplo de referência para soluções concretas de problemas.
83

Este novo

paradigma precisa ser na forma do diálogo com a totalidade dos seres em todas as suas relações. O conhecimento deve ser produzido como uma forma de comunhão com as coisas: “A razão instrumental não é a única forma de uso de nossa capacidade de intelecção. Existe também a razão simbólica e cordial, as inteligências emocional e espiritual e o uso de todos os nossos sentidos corporais e espirituais”.84 Na perspectiva de um novo paradigma de diálogo e comunhão com todos os seres e todas as suas relações Boff vai apresentar “O ponto de Deus no cérebro” intelectual (medida pelo QI) e avança em direção a outras dimensões. A inteligência emocional tem como principal pesquisador David Goleman que demonstrou que a estrutura de base do ser humano não é a razão, mas sim a emoção que se expressa nas formas da paixão, empatia e compaixão 86. A inteligência espiritual é fruto da pesquisa recente de neurólogos e neuropsicólogos como também neurolinguistas e pesquisadores de magnetoencefalografia87. De acordo com esta pesquisa os seres humanos acessam também totalidades significativas para além das emoções. Este acesso ao Todo da experiência da vida é o que nos torna capazes de estabelecermos valores o que estaria ligado à transcendência e a Deus.
85

. No estudo

avançado do cérebro e de suas múltiplas inteligências a ciência ultrapassa a inteligência

83 84

ibid., p.134 ibid., p. 138 85 ibid. p.152 86 ibid., p.152 87 ibid., p.153

29

CONCLUSÃO

30

BIBLIOGRAFIA
ARRUDA, Marcos. Humanizar o Infra-Humano. Petrópolis: Ed.Vozes. 2003 BÍBILA DE JERUSALÉM. São Paulo: Ed Paulus. 2006 BOFF, Leonardo. O destino do Homem e do Mundo. 2007 ______________ Virtudes para um outro Mundo possível. Petrópolis: Ed Vozes. 2005 ______________ A opção Terra. A solução para a Terra não vem do Céu. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2009 COUTO, Carlos de Paula. Darwin, evolução e paleontologia. Rio de Janeiro: Museu Nacional, 1972. CURTIS, Helena. Biologia Geral. Evolução: A Origem das Espécies. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1977 DARWIN, Robert Charles. A origem das espécies. São Paulo: Hemus, 1981. _____________________. A origem do homem e a seleção sexual. São Paulo: Hemus, 1974. FERNANDO, Gewandsznajder & Ulisses Capozoli. Origem e História da Vida. Ed Ática SP. 1996 GOULD, Stephen Jay. Darwin e os grandes enigmas da vida. São Paulo: [s.n.], 1987. KÜNG, Hans. O princípio de todas as coisas. Petrópolis: Ed Vozes, 2005 MELLO, Manuel Caetano Bandeira de. O centenário da "Origen das espécies". Rio de Janeiro: D.A.S.P. Serviço de documentação, 1959. ORR, H. Allen. Sutilezas da seleção natural. Scientific American Brasil, São Paulo, SP, v.7, n.81, p. 32-39, fev. 2009. PETERS, Ted & GAYMON Bennett. Construindo Pontes entre a Ciência e a Religião. São Paulo: Loyola. 2003 ROLDÁN, Alexandre S. J. Evolução: O problema do evolucionismo e da antropogênese. Barcelona: Editorial Atlantida, 1958. STIX, Gary. O legado vivo de Darwin. Scientific American Brasil, São Paulo, SP , v.7, n.81, p. 26-31, fev. 2009.

31 SPROULE, Anna; SIESSERE, Sônia. Charles Darwin. Grandes Cientistas, São Paulo: Globo, 1993.

WEBGRAFIA
ARAGUAIA, Mariana, Quem foi Charles Darwin?in: http://www.brasilescola.com/biologia/charles-darwin.htm BORGES, Michelson, Visão "Petryficada" da Veja, in: www.asm.org.br/noticias/ASM/2009/02_04_veja.php CAMINHOS DE DARWIN no Brasil, in: http://www.casadaciencia.ufrj.br/caminhosdedarwin/darwin.html COM CIÊNCIA, reportagem, Criação versus evolução: uma disputa pelo controle da política educacional, in: www.comciencia.br/200407/reportagens/04.shtml CONSCIÊNCIA, Aristóteles: biografia e pensamento, in: http://www.consciencia.org/aristoteles.shtml. COSTA, A.C., Galileu Galilei, in: http://www.ifi.unicamp.br/~accosta/galileu.html CRIACIONISMO lá e aqui, em: www.comciencia.br/200407/reportagens/16.shtml DAWKINS, Richard, A conquista de Darwin é universal e atemporal, entrevista , Jornal da Ciências, maio de 2005, http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=28483 ENGLER1, Steven, Tipos de Criacionismos Cristãos, Revista de Estudos da Religião junho / 2007 / pp. 83-107, in: http://www.pucsp.br/rever/rv2_2007/t_engler.pdf LAMARCK, Portal Edcuação, in: http://www.portaleducacao.com.br/biologia/principal/conteudo.asp?id=7935 MARCUS VALÉRIO, Criação – Evolução, Teoria da Evolução - de onde viemos? in: http://www.evo.bio.br/Layout/Teoria_Evolucao.html MARTINS, Maurício Vieira, O criacionismo chega às escolas do Rio de Janeiro: uma abordagem sociológica, in: http://www.comciencia.br/200407/reportagens/02.shtml PETERS, Ted; BENNETT, Gaynon, Construindo Pontes entre Ciências e Religião, São Paulo: Unesp/Loyola, 2003

32

RUSE, Michel, Criacionismo, Crítica: Revista de Filosofia, in: http://criticanarede.com/rel_criacionismo2.html# SAMPAIO, Lenita, Criacionismo e Evolucionismo, em http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=64

SCHÜNEMANN, Haller Elinar Stach, O papel do “criacionismo científico” no fundamentalismo protestante, Estudos de Religião, Ano XXII, n. 35, 64-86, jul/dez. 2008, in: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/article/viewFile/173/183

REVISTAS E JORNAIS
CANDOTTI, Ennio, entrevista, in: GAZIR, Augusto, Escolas do Rio vão ensinar criacionismo, in: Ciência e Saúde, Folha de São Paulo, 13 de maio de 2004 CARRELI, Gabriela, A Darwin o que é de Darwin, Revista VEJA, edição 2009 – ano 42 – no. 6, 11 de fevereiro de 2009 COLOMBO, Silvia, Darwin nas mãos de Deus, Caderno Especial, Folha de São Paulo, 16 de Fevereiro de 2009

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->