Dá-se o nome de Federação ou Estado federal a um Estado composto por diversas entidades territoriais autônomas dotadas de governo próprio, geralmente

conhecidas como "estados"[1]. Como regra geral, os estados ("estados federados") que se unem para constituir a federação (o "Estado federal") são autônomos, isto é, possuem um conjunto de competências ou prerrogativas garantidas pela constituição que não podem ser abolidas ou alteradas de modo unilateral pelo governo central. Entretanto, apenas o Estado federal é considerado soberano, inclusive para fins de direito internacional: normalmente, apenas estes possuem personalidade internacional; os estados federados são reconhecidos pelo direito internacional apenas na medida em que o respectivo Estado federal o autorizar. O sistema político pelo qual vários estados se reúnem para formar um Estado federal, cada um conservando sua autonomia, chama-se federalismo. São exemplos de Estados federais a Alemanha, Argentina, Austrália, o Brasil, o Canadá, os Emirados Árabes Unidos, a Índia, a Malásia, o México, a Nigéria, a Rússia, a Suíça e os Estados Unidos. Quanto à forma de Estado, as federações contrapõem-se aos Estados unitários e distinguem-se também das confederações. O Federalismo (do latim: foedus, foedera "aliança", "pacto", "contrato") é a forma de Estado, adotada por uma lei maior, que consiste na reunião de vários Estados num só, cada qual com certa independência, autonomia interna, mas obedecendo todos a uma Constituição única, os quais irão enumerar as competências e limitações de cada ente que se agregou.[2] O primeiro Estado federal surgiu no século XVIII, mais especificamente no ano de 1787, na América do Norte, com a união das colônias inglesas que haviam se declarado independentes politicamente da Inglaterra (1776) e que vieram a constituir os Estados Unidos da América.[2] Dalmo Dallari resume as características fundamentais do Estado federal aos seguintes pontos destacados em negrito:[2] "A união faz nascer um novo Estado e, conseqüentemente, aquel es que aderiram à federação perdem a condição de Estados." Apesar de muitas vezes se usar o termo "estado" para designar cada unidade federativa, aqui já não se trata de um Estado propriamente dito. "A base jurídica do Estado Federal é uma Constituição, nã o um tratado." Tratados internacionais não têm a força requerida para manter unida uma federação, pois, nesse caso, qualquer Estado poderia desobrigar-se da submissão ao documento quando desejasse.

entre outras. Todos estão submetidos à Constituiçao Federal. O maior exemplo talvez seja o legislativo bicameral onde uma das casas ." Há ferramentas específicas para permitir a influência dos poderes regionais nos rumos da federação.é composta de representantes oficiais dos interesses de cada estado. evitando que desandem ou que abusem da autorida de (teoria dos freios e contrapesos). Se há dependência financeira. todos possuem um conjunto específico de competências ou prerrogativas que não podem ser abolidas ou alteradas de modo unilateral nem pelo governo central nem pelos governos regionais. além de garantir uma fiscalização efetiva entre eles. o ente não poderá exercer suas funções livremente. Receber atribuições de n ada vale se a entidade não possui meios próprios para executar o que lhe é atribuído." Esse é um ponto que vem recebendo mais atenção recentemente." É importante ressaltar que não há hierarquia entre o governo central e as unidades federativas regionais." O direito de voltar atrás e desligar-se da federação é vetado aos que nela ingressam." Isso quer dizer que não poderá haver diferença de tratamento de alguém por ter nascido em um estado ou outr o da federação. "A cada esfera de competência se atribui renda própria. "Os cidadãos do Estado que adere à federação adquirem a cidadania do Estado Federal e perdem a anterior. "Só o Estado Federal tem soberania. São as funções destes legislar (Poder Legislativo). outras vezes está implícita. Algumas vezes essa proibição é expressa na própria Constituição. os estados federados são reconhecidos pelo direito internacional apenas na medida em que o respectivo Estado federal o autorizar. "No Estado Federal as atribuições da União e as das unidades federadas são fixadas na Constituição. que indica quais atividades são da competência de cada um. por meio de uma distribuição de competências. Isto é." Os vários estados federados po ssuem autonomia definida e protegida pela Constituição Federal. A outra casa legislativa traz representante do próprio povo. mas apenas o Estado federal é considerado soberano. que influenciou fortemente os autores da Consti tuição americana.o Senado . mas sempre ocorre.[2] . Por exemplo. normalmente apenas o Estado federal possui personalidade internacional. "O poder político é compartilhado pela União e pelas unidades federadas. Também não haverá necessidade de passaporte para transitar de um estado a outro. administrar (Poder Executivo). A divisão de poderes tradicionalmente segue uma tripartição elaborada na França."Na federação não existe direito de secessão. e garantir o cumprimento das leis (Poder Judiciário). por Montesquieu.

com .[2] Apesar dos pontos negativos levantados. Sua estrutura também pode assegurar oportunidades mais amplas de participação no poder político. já que ela torna necessária a manutenção de múltiplos aparelhos burocráticos simultaneamente.sendo capaz de dificultar a formação de governos totalitários.[2] De fato. Existe também hoje a percepção de que a organização na forma de Federação realmente desestimula a acumulação de poder num só ente . que os distingue em centrípetos e centrífugos. pois assegura maior aproximação entre governantes e governados. este modelo favorece a preservação das características locais e reserva uma esfera de ação autônoma a cada unidade federada. a Federação passou a ser vista como mais favorável à defesa das liberdades que o Estado centralizado. Também argumenta-se que ela promove maior integração. que a federação norte-americana acontece mediante um movimento de centralização. os membros não podem se dissociar do poder central. Verifica -se. Desse modo. habitualmente se classificam os Estados Federados segundo o caminho que os leva à federalização. Afirmam também que a forma federativa dificulta a planificação das ações: o poder central não tem como obrigar um poder regional a seguir seus planos caso este não deseje colaborar. Esta ocorreria pela forma como ela gera um Estado forte (pela unificação de Estados menores) simultaneamente mantendo e preservando as peculiaridades locais. Numa federação.Existe uma diferença fundamental entre o sistema de federação e o de confederação. tendo o povo contato mais direto através dos poderes locais. Por sua vez. já que aqueles que não tiverem espaço no p oder central podem assumir funções regionais. bem como em decorrência da origem de cada pacto federativo. Afirmam ainda que ela tende a gerar conflitos jurídicos e políticos pela coexistência de muitas esferas autônomas cujos limites nem sempre podem ser claramente defin idos. embora mantenham uma certa liberdade relativa à distribuição de poderes e encargos. "conforme o desenho institucional que é efetivamente aplicado em cada Estado. alguns defendem que a sociedade atual intensificou as demandas e isso exigiria um governo central mais forte. O Estado Federal passou a ser considerado a expressão mais avançada de descentralização política. sob esse ângulo. Também argumenta-se que a Federação provocaria uma dispersão dos recursos. Entendem que essa forma de estado dificulta a concentração de poder e favorece a democracia. os Estados de uma confederação têm soberania para decidir sobre sua permanência ou não nessa confederação Os que apóiam a forma federativa afirmam que o estado federal é mais democrático. transformando opos ições naturais dos territórios federados em solidariedade.[2] Entre os que desejam formas de Estado mais centralizadas ao invés da Federação. Segundo Wladimir Rodrigues Dias ("O Federalismo Fiscal na Constituição de 1988"). Dalmo Dallari detecta no mundo de hoje uma forte tendência para a organização federativa.

de um ponto de vista substantivo. Assim. Em países como o Brasil. também.. se comprometendo com determinados objetivos públicos. pelo menos outra categorização básica.transferência do poder dos Estados para a União. a u m processo histórico de federalização que parte do centro. em sua órbita de competência. também. de um arranjo por meio do qual as forças políticas são tangenciadas por condicionamentos impostos pelo contexto histórico-institucional. "O Federalismo Fiscal na Constituição de 1988: Descentraliza ção e recentralização"). com a descentralização política implementada por meio de atribuição às entidades subnacionais de parcela do poder originalmente detido pelo governo central.. É. pois. há modelos assimétricos. (. Wladimir Rodrigues.). A configuração do sistema financeiro-tributário é parte da definição essencial do pacto federativo. instrumento da política econômica. as diferentes possibilidades engendradas pela idéia federativa geram. como o norte-americano. em atendimento a disciplina imposta pela Constituição da República" (DIAS. o ente federado tem amplo poder e au tonomia irrestrita. espelhando. no qual. contrariamente. pretende-se simetria entre as imagens institucionais erigidas em cada um dos entes federativos. R. qual seja a relativa à semelhança entre as diversas organizações que integram o Estado Nacional. O federalismo fiscal constitui a forma pela qual a economia do setor público é repartida nas diversas esferas federadas de competência. "Além disso. políticas e econômicas (DIAS. W. para o estabelecimento. o fenômeno ocorreu de forma oposta. no âmbito da divisão espacial do poder. Volta -se.) No Brasil. soma-se complexa repartição de competências interpenetrada entre Estados. Municípios e União". compromissos e objetivos assumidos pelo Estado com determinadas forças sociais. . No caso brasileiro.

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