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CORAÇÃO NAS MÃOS

“Gosto de minhas mãos. Pequenas, planas, morenas. Minhas mãos.


Algo muito meu, como uma fotografia, uma história, como um poema, como uma
confissão.
Dá-me, Senhor, mãos como as tuas:
Mãos ternas para acariciar epidermes e corações.
Mãos fortes para sustentar os que já vergam.
Mãos enérgicas para levantar os caídos e colocar de pé os paralíticos.
Mãos suaves para abrir os olhos dos cegos e dar luz aos que caminham tateando.
Mãos misericordiosas para curar toda dor e toda doença.
Mãos corajosas para desvelar a injustiça dos homens.
Mãos atrevidas para descobrir o que os corações ocultam.
Mãos acariciadoras para despertar fibras adormecidas na vida dos homens.
Mãos trabalhadoras para empregá-las onde faltam.
Mãos artesãs para modelar a tua imagem e semelhança” (Antonio González Paz)

“Governar com mão de ferro”, “bordar com mão de fada”, “escrever com mão de mestre”,
“abrir mão de algum direito”, “dar uma mão a alguém”, “estar de mãos atadas diante de um
problema”, “lançar mão de um estratagema”, “estender a mão para alguém”, “pedir a mão da
moça em casamento”, “pôr mãos`obra”, “estar nas mãos de alguém”...
Observando estas expressões, encontramos a “mão” como metáfora para a “força, poder, domínio”.
A aplicação figurada provém do fato de as mãos serem o instrumento mais universal de que o ser huma-
no dispõe. Além de instrumento, as mãos são ainda meio de comunicação. entre pessoas de línguas
diferentes. Através das mãos comunicamos energia, nosso coração.
Mas também, através das nossas mãos, podemos comunicar algo maior que nós e que não nos pertence.
No Evangelho de Tomé há uma frase que diz: “Teremos uma Mão na nossa mão”.
Na nossa mão há a Mão da Vida; podemos trabalhar e cooperar com esta Mão.

No conjunto da linguagem simbólica das mãos, acha-se a “imposição das


mãos” nos sacramentos signi-
ficando a transmissão da força, do poder ou da qualidade inerente à pessoa que
toca a outra.
A palavra “mão” está ligada ao conhecimento. Tocar a mão, apertar a mão, é se
apresentar, é firmar um conhecimento. Há uma ligação entre as mãos e o
cérebro. Por isso, quando rezamos o terço, quando temos as mãos ocupadas em
um trabalho manual, quando temos alguma coisa entre nossas mãos, nossa
mente, nossa psique, se acalma.
As mãos estão sempre associadas à ação, como a cabeça à razão e o coração
aos sentimentos.
As mãos, portanto, adquirem uma infinidade de formas (mãos estendidas, enérgicas,
punho fechado, mãos abertas...). Quando estendemos os braços e tocamos o outro
espontaneamente descobrimos a compaixão e a riqueza que existe em todos
nós.
A união humana origina-se quando tocamos e somos tocados. Dizem que o
clássico “aperto de mãos” é uma reminiscência de quando as pessoas se
cumprimentavam mostrando que traziam as mãos livres, desocupadas (que não
portavam arma), isto é, que tinham boas intenções.
Encontramos esta expressão em diferentes tradições religiosas: “a Mão de
Deus”.
Algumas vezes podemos nos sentir guiados, como se tivéssemos uma Mão
pousada em nosso ombro, em nossa cabeça, nas nossas costas, para nos fazer
avançar, par nos manter de pé. Em hebraico, a mão simbolizada pela letra y
(yod), é encontrada no tetragrama YHVH, que significa Javé.
Textos bíblicos: Is. 42,5-9 Mt. 12,9-14 Mt. 19,13-15
Na oração: - Como sentimos nossas mãos? Como é o contato de nossas mãos com o corpo do outro, com
uma
pedra, com os elementos que nos cercam?
- Como são as mãos que tocam em Deus? Abertas, generosas, solidárias, a envolver-se num abraço, a bordar
uma carícia? Sabemos que nesses e em muitos outros gestos Deus está verdadeiramente ao alcance das mãos.
“Cristo não tem mãos, tem somente as nossas mãos para fazer o seu trabalho hoje;
Cristo não tem pés, tem apenas os nossos pés para ir aos homens de hoje;
Cristo não tem lábios, tem apenas os nossos lábios para anunciar o seu Evangelho
hoje;
Nós somos a única Bíblia que todos os homens ainda lêem.
Nós somos o último apelo de Deus, escrito em palavras e em obra” (oração do séc. XIV).