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ELEIÇÃO: desejo que “toma mãos e pés”

“Os DESEJOS necessitam ser alimentados, e a forma mais natural de fazê-lo é


favorecer qualquer tipo de realização, por mais modesta que seja”(Jesus Corella)

Sendo o desejo humano uma tendência que contém significados, daí se segue
que é uma faculdade nobre da pessoa.
Em todo desejo há um sentimento de amor e uma tendência para determinado
objeto de “valor”.
O objeto determina a qualidade do desejo; sua intensidade vem do afeto.
Nossa vida está centrada em valores éticos e religiosos. “VALOR” sublinha a
necessidade do ser humano ter objetos para os quais orienta o seu desejo e a
sua atenção e esforço (“motivação”).
Podemos definir o desejo em S.Inácio “como uma inclinação para algum objeto acompanhada por um
afeto positivo”. Tem uma carga afetiva (aderência).
As afeições são as canalizações concretas do desejo, as que canalizam o manancial do desejo para um
objeto determinado.
Há objetos,para os quais se canaliza o desejo, que estão integrados no
horizonte do autêntico desejo ou seja, na linha do PF: “somente desejando e
escolhendo o que mais conduz...”
O que se deve fazer é desejar apaixonadamente o fim e, a partir daí, eu vou
“desejando e escolhendo” coisas que estão integradas no FIM e vou dirigindo o
coração para essas coisas.
Uma das facetas essenciais da vida, e meta importante de uma adequada
pedagogia do desejo, é ordenar o conjunto dos desejos, dar orientação à
carga de desejos que a pessoa leva consigo.
AFETOS ORDENADOS: estão no âmbito do fim último.
AFETOS DESORDENADOS: são aqueles que, com um objeto bom, nos desviam, porque
não
há relação com o fim último. O afeto desordenado não é
outra
coisa que um afeto posto em um objeto (pessoa ou coisa) que, ou não é moralmente
válido,
ou ainda, não sendo mau, não é lícito para mim.

Tudo isto nos faz cair na conta de que não se trata só de despertar e fazer
crescer o desejo, mas também de expurgar e podar as derivações de nosso
desejo.
Normalmente os Exercícios não nos mudam porque o problema não está na
oração, mas em descobrir e tirar nossas afeições desordenadas para buscar
e encontrar a Deus mais claramente.
Toda a dinâmica dos Exercícios está em descobrir a realidade de nossa vida,
o que nos move, descobrir nossos desejos mais íntimos, uma atenção à geração
do desejo ( como nascem os desejos em nós, como crescem e se desenvolvem, como se
alimentam, como chegam à sua plenitude...)
Nessa mesma linha, é importante conhecer os desejos “distorcidos”: quem os
engendra, como crescem, como se alimentam e que “humus” necessitam para desenvolver-se,
que efeitos podem ter...
E isto só é possível em chave de discernimento, isto é, em ordem ao próprio conhecimento pessoal, a uma
boa motivação para a mudança, e à busca de autênticos desejos ordenados.

Segundo S.Inácio, TUDO COMEÇA NO DESEJO.


O desejo se transforma em poderoso motor que impele para a
frente, nos impulsiona para não permanecermos nunca quietos,
inertes ou paralizados pela desesperança.
O desejo infunde ânimo, estímulo... sustenta o esforço e faz
vencer os obstáculos no caminho.
O DESEJO é a base da DECISÃO.
Se o desejo é movimento orientado para “algo” com sentido,
ele é um “plasmador do futuro”. O desejo é um impulso para a frente.
a frente. O desejo se situa na linha de um impulso para a realização
de nosso “fim último” , na direção daquilo para o qual fomos criados.
O desejo é, então, uma faculdade que se exercita no âmbito da transcendência.
O ser humano é capaz de desejar quando sai de si mesmo e mergulha num mundo muito maior que ele.
Textos bíblicos: 2Tim l,6-l4 Gal. l,ll-23
O desejo é a expressão de um amor.
Não ter mais desejos é não poder mais AMAR. Um coração petrificado não pode ter mais desejos.
Não alimentar um desejo é matá-lo em sua origem. A eficácia apostólica não se dá se não existirem
grandes desejos que mobilizem todas as nossas capacidades.