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COMO SE AVALIA A EDUCAÇÃO FISICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

PRIMEIRO CICLO (DE 1º AO 5º ANO)

A avaliação na educação física é a chance de verificar se o aluno


aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física como fator
de qualidade de vida. Portanto, nada de considerar apenas a freqüência às
aulas, o uniforme ou a participação em jogos e competições - nem comparar os
que têm "veia" de campeão com os que não têm. Não há uma única fórmula
pronta para avaliar, mas é essencial detectar as dificuldades e os progressos
dos estudantes.

A avaliação é o processo pelo qual se atribui o valor ou o grau de


importância de determinado objeto, atributo ou atitude. De fato, muitos
investigadores da área pedagógica da educação física têm constatado que a
avaliação da disciplina na escola apresenta sérios comprometimentos
negativos, seja de cunho ideológico ou prático. Por ser uma exigência
institucional, ela vem sendo praticada constantemente, na maioria das vezes,
por profissionais que não entendem a sua necessidade, o seu significado e
suas implicações (Costa, 1992; Soares et al, 1992).

Na Educação Física, como em todas as outras áreas, para avaliar bem é


preciso definir os objetivos, pois eles determinam o conteúdo a ser trabalhado e
os critérios para observar a evolução da aprendizagem. Exemplos: descobrir o
próprio corpo para utilizá-lo melhor em atividades motoras básicas (correr,
saltar) ou específicas (passes no basquete ou handebol, chutes no futebol) e
compreender e respeitar as regras de um jogo e agir cooperativamente.

As primeiras aulas funcionam como referência, para que o professor


faça a análise inicial da turma, observando e registrando as características de
cada estudante. Independentemente de o grupo conhecer ou não a atividade, é
preciso explicar, desde o início, os motivos pelos quais ela faz parte do
programa, quais os movimentos, as capacidades e as habilidades que serão
trabalhados e que aspectos serão avaliados, coletiva e individualmente.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais


de avaliação na Educação Física:

Realização das práticas É preciso observar primeiro se o estudante


respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as dos
colegas) e como participa dentro do grupo. Em segundo lugar vem o saber
fazer, o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas atividades quanto
na organização das mesmas. O professor deve estar atento para a realização
correta de uma atividade e também como um aluno e o grupo formam equipes,
montam um projeto e agem cooperativamente durante a aula.

Valorização da cultura corporal de movimento É importante avaliar


não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. Relevante
também é seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras, excursões
e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora
da escola.

Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida É


necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da cultura
corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito mais amplo, de
qualidade de vida.

AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZADO

Historicamente, o fato de a Educação Física ser concebida como


atividade e a avaliação escolar estar atrelada à idéia de atribuir nota, na
perspectiva de aprovação ou reprovação, tem contribuído para que os
professores dessa área não avaliem o processo ensino-aprendizagem de forma
sistemática. A avaliação, segundo Sacristán (1998), é o meio pelo qual alguma
ou várias características do aluno, de um grupo de estudantes, de um
ambiente, ou dos materiais educativos, professores, programas, são analisadas
por alguém, na perspectiva de conhecer suas características e condições, seus
limites e potencialidades, em razão de alguns critérios ou pontos de referência,
para emitir um julgamento que seja relevante em termos educacionais.

Assim, a avaliação merece atenção especial, uma vez que desempenha


diversas funções e serve a vários objetivos não só para os alunos, como para
os professores, para a instituição escolar, a família e o sistema social.
Possibilita a criação de uma cultura de responsabilidade pelos resultados,
utilizando-os em ações de realimentação e ressignificação das práticas
educativas escolares e políticas educacionais.

1. O que avaliar no ensino da Educação Física?

A resposta a essa pergunta depende, em primeiro lugar, da


intencionalidade da nossa ação pedagógica: O que o aluno precisa aprender?
Que conhecimentos, competências, habilidades,
atitudes/valores/comportamentos os alunos precisam desenvolver? Afinal, o
que pretendemos ensinar? Essas perguntas orientam a definição de objetivos,
conteúdos, metodologias e recursos de ensino, bem como os processos de
avaliação.

Nessa perspectiva de avaliação, diferentes variáveis precisam ser


analisadas, dentre as quais destacamos:

• a proposta de ensino da Educação Física (objetivos, princípios, metodologias


de ensino, conteúdos de ensino;
• o desempenho do professor (competência/habilidade para ensinar, a
metodologia e os recursos utilizados, a relação com o aluno, o compromisso
com o ensino, etc.);
• o nível de aprendizagem/desempenho do aluno: grau de desenvolvimento das
competências e habilidades, nível de participação, interesse, frequência,
assiduidade, pontualidade, relação com colegas e professores, dentre outros.
• a infra-estrutura física e material da escola.

2. Para que avaliar?

Avalia-se para conhecer os alunos, suas necessidades e seus


interesses, para diagnosticar se o aluno está aprendendo e se o professor está
ensinando de forma adequada, para planejar o ensino – para detectar, ao longo
do processo, os avanços já conquistados bem como as dificuldades que
precisam ser superadas pelos professores, pelos alunos, pela instituição e pela
família.

Nesse cenário, a avaliação está comprometida com o contínuo


aprimoramento dos sujeitos e do processo ensino-aprendizagem. O
conhecimento sobre os limites/dificuldades e as competências/potencialidades
dos alunos e professores permite tomar decisões que, efetivamente, possam
promover o aperfeiçoamento pessoal e coletivo. Nessa lógica de avaliação, as
dificuldades passam a ser ponto de partida para a superação e melhoria do
desempenho.

Avalia-se, também, para diagnosticar níveis de aprendizagem, bem


como interesses, preferências, opiniões e sugestões que possam contribuir
para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. Em outras palavras, avalia-
se para verificar em que medida os alunos desenvolveram as competências e
as habilidades esperadas.

Além dessas funções, a avaliação pode ser utilizada para


classificar/selecionar grupos de alunos para participar de determinados eventos
culturais e esportivos. Nesse sentido, ela serve para selecionar/excluir,
aprovar/reprovar.

3. Quando se deve avaliar?

É fundamental que a avaliação, no contexto do ensino da Educação


Física, esteja presente ao longo de todo o processo educativo. Inicialmente, os
professores devem fazer um diagnóstico para detectar o que os alunos já
sabem, o que eles ainda precisam aprender e quais são suas necessidades. A
partir daí, a avaliação deverá ser realizada de forma contínua, para
acompanhar e retroalimentar a trajetória de aprendizagem do aluno, ao longo
de cada aula, tendo em vista as intencionalidades das ações pedagógicas
estabelecidas em curto, médio e longo prazo.
4. Como avaliar?

Coletando dados/informações sobre o processo ensino-aprendizagem,


utilizando diversos instrumentos: observações sistemáticas (registros,
relatórios, fichas avaliativas), entrevistas escritas e orais (aulas dialogadas com
registro), questionários, vídeos, fotos, testes, provas escritas e orais, auto-
avaliação, pesquisas, debates, seminários, interpretação de desenhos, dentre
outros. Cada um desses instrumentos possui especificidades quanto à sua
utilização. Uma vez coletados, os dados precisam ser organizados,
categorizados e analisados de forma tal que professores, alunos, escola,
família possam fazer uma leitura crítica dos seus significados.

A análise dos dados deve ser feita à luz de referenciais, isto é, de


critérios (padrões de desempenho, conduta, atitude) previamente estabelecidos
em coerência com os objetivos e princípios norteadores da proposta
pedagógica da escola. Esses critérios permitirão fazer um julgamento de valor
(ótimo, bom, regular, ruim, baixo/alto, aprovado/reprovado, rápido/lento,
apto/inapto) sobre o nível de aprendizagem/desempenho dos alunos e também
dos professores.

Esse conjunto de informações subsidiará a tomada de decisão do


professor sobre a aprendizagem do aluno e do redimensionamento, ou não, de
suas ações pedagógicas.

Assim, teremos respostas para as seguintes perguntas:

• O que os alunos aprenderam?


• Em que nível?
• O que eles ainda precisam aprender?
• O que o professor consegui ensinar?
• O que ele precisa para melhorar sua prática pedagógica?
• O que precisa ser modificado no processo ensino-aprendizagem?

Uma discussão de grande importância para os avaliadores educacionais


é a diferença entre os enfoques de medida com referência a normas e com
referência a critério.

Caracterizando esses dois enfoques, podemos dizer que os


instrumentos de medida com referência a normas são utilizados para
selecionar alguns indivíduos de determinado grupo ou para classificá-los em
ordem crescente de desempenho para detectar quem são os melhores. O
exemplo clássico é a formação de equipes por turma para a participação em
competições. Nesse enfoque em que os desempenhos dos alunos são
comparados entre si, o grupo é o referencial. Esse critério está associado à
exclusão dos "menos habilidosos".

Já os instrumentos de medida com referência a critério são utilizados


quando queremos estimar o nível de desempenho do indivíduo em relação às
suas potencialidades ou a algum critério padronizado (padrão de
conhecimento, conduta, habilidade esperado). Nesse caso, o nível de
aprendizagem de cada aluno é comparado a seu próprio índice inicial.

A utilização de um enfoque ou de outro vai depender dos objetivos


propostos para a sua avaliação. Numa aula de Educação Física, se o objetivo é
identificar o aluno mais veloz da turma, utilizam-se medidas com referência a
normas; entretanto, se a intenção é verificar quanto o aluno melhorou em
relação ao seu próprio desempenho inicial, utiliza-se a avaliação segundo
critérios. Nesse caso, o diagnóstico inicial é utilizado como critério, ponto de
partida para verificar os avanços conquistados.
Bibliografia

Costa, M. G (1992). Avaliando a educação física no I e II graus. Revista dois


pontos. V .I, n.12

Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:


educação física. Brasília: MEC/SEF, 1997.

Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física, João


Batista Freire, 224 págs., Ed. Scipione

http://revistaescola.abril.com.br/educacao-fisica/pratica-pedagogica/como-
avaliar-educacao-fisica-424308.shtml

http://www.efdeportes.com/efd90/aval.htm

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