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UNERJ – Centro Universitário de Jaraguá do Sul

Departamento de Engenharia Elétrica

Circuitos
Elétricos

Jaraguá do Sul
Sumário

1 INTRODUÇÃO 6
2 VARIÁVEIS ELÉTRICAS 6
2.1 Sistema Internacional de Unidades 6
2.2 Corrente 7
2.3 Tensão 7
2.4 Potência 7
2.5 Energia 7
2.6 Notação 8
3 CONCEITOS BÁSICOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS 8
3.1 Definição: 8
3.2 Fonte de Tensão Independente 8
3.3 Fonte de Corrente Independente 8
3.4 Fontes Dependente de Tensão e Corrente 9
3.5 Elementos Ativos no Circuito 9
3.6 Elementos Passivos no Circuito 10
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA (LEI DE OHM) 10
4.1 Características dos Resistores 11
4.1.1 Tipos de Resistores 12
4.1.2 Código de Cores 12
4.1.3 Interpretação do Código de Cores 12
4.1.4 Casos Especiais de Código de Cores 13
4.2 Exercícios 14
5 LEIS DE KIRCHHOFF 14
5.1 Lei das Correntes de Kirchhoff (LCK) 15
5.2 Lei das Tensões de Kirchhoff (LTK) 15
5.3 Exercícios 17
6 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES E RESISTÊNCIA EQUIVALENTE 20
6.1 Associação em Série de Resistores 20
6.2 Associação em Paralelo de Resistores 21
6.3 Associação Mista de Resistores 22
6.4 Resistência Equivalente de Circuitos Contendo Fontes Independentes 23
6.5 Resistência Equivalente de Circuitos Contendo Fontes Dependentes e
Independentes 24
6.6 Transformação Estrela-Triângulo 25
6.6.1 Conversão de Triângulo para Estrela 25
6.6.2 Conversão de Estrela para Triângulo 25
6.7 Exercícios 26
7 DIVISOR DE TENSÃO E CORRENTE 29
7.1 Divisor de Tensão 29
7.2 Divisor de Corrente 30
7.3 Exercícios 32
8 MÉTODO DE ANÁLISE DE MALHAS 34
8.1 Definição das Malhas e Sentidos de Percurso 34
8.2 Aplicação da LTK para as Malhas 34
8.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos 34
8.4 Solução do Sistema de Equações 35
8.5 Obtenção das Correntes e Tensões dos Ramos 35

João Marcio Buttendorff 2


8.6 Exemplo de Aplicação 35
8.6.1 Definição das Malhas e Sentidos de Percurso 36
8.6.2 Aplicação de LTK para as Malhas 36
8.6.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos 36
8.6.4 Solução do Sistema de Equações 37
8.6.5 Obtenção das Correntes e Tensões dos Ramos 37
8.7 Análise de Malhas com Fontes de Corrente 38
8.8 Exemplo de Aplicação 39
8.9 Exercícios 41
9 MÉTODO DE ANÁLISE NODAL 45
9.1 Seleção do Nó de Referência 45
9.2 Aplicação da LCK aos Nós 45
9.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos 45
9.4 Solução do Sistema de Equações 46
9.5 Obtenção das Correntes e Tensões de Ramos 46
9.6 Exemplo de Aplicação 46
9.6.1 Seleção do Nó de Referência 47
9.7 Aplicação da LCK aos Nós 47
9.7.1 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos 47
9.7.2 Solução do Sistema de Equações 47
9.7.3 Obtenção das Correntes e Tensões de Ramos 48
9.8 Análise Nodal com Fontes de Tensão 48
9.9 Exercícios 51
10 SUPERPOSIÇÃO 54
10.1 Exemplo de Aplicação 54
10.2 Exercícios 55
11 CIRCUITOS EQUIVALENTES DE THÉVENIN E NORTON 57
11.1 Introdução 57
11.2 Circuito Equivalente de Thévenin 57
11.3 Circuito Equivalente de Norton 58
11.4 Exemplo de Aplicação 59
11.5 Exercícios 60
12 Indutores e Capacitores 63
12.1 Indutor 63
12.2 Associação de Indutores 65
12.3 Capacitor 67
12.4 Associação de Capacitores 69
12.5 Exercícios 71
13 ANÁLISE DE CIRCUITOS SENOIDAIS 72
13.1 Fontes Senoidais 72
13.2 Exemplo de Aplicação 74
13.3 Exercícios 75
14 FASORES 76
14.1 O Conjugado de um Número Complexo 77
14.2 Soma de Números Complexos 78
14.3 Subtração de Números Complexos 78
14.4 Multiplicação de Números Complexos 78
14.5 Divisão de Números Complexos 79
14.6 Exercícios 79

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15 RESPOSTAS DOS COMPONENTES PASSIVOS A FONTES SENOIDAIS 80
15.1 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito Resistivo 80
15.2 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito Puramente Indutivo 81
15.3 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito Puramente Capacitivo
83
15.4 Impedância e Reatância 84
15.5 Exemplo de Aplicação 85
15.6 Exercícios 86
16 ASSOCIAÇÃO DE IMPEDÂNCIAS 87
16.1 Associação em Série de Impedâncias 87
16.2 Associação em Paralelo de Impedâncias 88
16.3 Transformação Estrela-Triângulo 89
16.3.1 Conversão de Triângulo para Estrela 89
16.3.2 Conversão de Estrela para Triângulo 89
16.4 Exemplo de Aplicação 90
16.5 Exercícios 92
17 MÉTODO DE ANÁLISE DE MALHAS NO DOMÍNIO DA FREQÜÊNCIA95
17.1 Exemplo de Aplicação 95
17.2 Exercícios 96
18 MÉTODO DAS TENSÕES DE NÓ NO DOMÍNIO DA FREQÜÊNCIA 99
18.1 Exemplo de Aplicação 99
18.2 Exercícios 100
19 TEOREMA DA SUPERPOSIÇÃO 102
19.1 Exemplo de Aplicação 1 102
19.2 Exemplo de Aplicação 2 104
19.3 Exercícios 106
20 TRANSFORMAÇÃO DE FONTES 108
21 CIRCUITOS EQUIVALENTES DE THÉVENIN E NORTON NO DOMÍNIO
DA FREQÜÊNCIA 108
21.1 Exemplo de Aplicação 109
21.2 Exercícios 110
22 RESSONÂNCIA 112
22.1 Ressonância Série 112
22.2 Ressonância Paralela 113
22.3 Exemplo de Aplicação 114
22.4 Exercícios 115
23 POTÊNCIAS E FATOR DE POTÊNCIA 117
23.1 Potência Instantânea 117
23.2 Potência Complexa e Triângulo das Potências 122
23.3 Correção do Fator de Potência 124
23.4 Exemplo de Aplicação 124
23.5 Exercícios 127
24 CIRCUITOS TRIFÁSICOS EQUILIBRADOS 128
24.1 Tensões Trifásicas Equilibradas 129
24.2 Fonte de Tensão Trifásica 130
24.3 Análise do Circuito Ligado em Y-Y 131
24.4 Correntes de Linha em um Circuito Ligado em Triângulo (∆) 133
24.5 Potência em Carga Trifásica Equilibrada 134
24.6 Exemplo de Aplicação 135

João Marcio Buttendorff 4


24.7 Exercícios 136

João Marcio Buttendorff 5


1 INTRODUÇÃO
Esta apostila foi escrita, baseada na literatura atual, a fim de auxiliar nas aulas de
circuitos elétricos, apresentando um resumo dos principais tópicos abordados nesta cadeira.
Dá-se especial ênfase às leis básicas, teoremas e técnicas clássicas.
No próximo item são apresentados conceitos básicos indispensáveis para a
assimilação dos conhecimentos que posteriormente serão apresentados.

2 VARIÁVEIS ELÉTRICAS

2.1 Sistema Internacional de Unidades

O Sistema Internacional de Unidades, ou SI, é adotado pelas principais sociedades


de engenharia e pela maioria dos engenheiros do mundo inteiro. Neste sistema existem seis
unidades principais, das quais as unidades para todas as outras quantidades físicas podem
ser derivadas. A tabela 2.1 apresenta as seis unidades, seus símbolos, e a quantidade física
que elas representam.

Tabela 2.1 – Unidades Básicas no SI.


Grandeza Unidade Símbolo
Comprimento metro m
Massa quilograma kg
Tempo segundo s
Corrente Elétrica ampère A
Temperatura kelvin k
Intensidade Luminosa candela cd

As unidades derivadas comumente utilizadas em teoria de circuitos elétricos são


apresentadas na tabela 2.2.

Grandeza Unidade Símbolo


Carga Elétrica coulomb C
Potencial Elétrico volt V
Resistência ohm
Condutância siemens S
Indutância henry H
Capacitância farad F
Freqüência hetz Hz
Força newton N
Energia, Trabalho joule J
Potência watt W
Fluxo Magnético weber Wb
Densidade de Fluxo tesla T
Magnético

João Marcio Buttendorff 6


2.2 Corrente

A corrente em um componente do circuito é definida como a quantidade de carga


elétrica que atravessa seus terminais por unidade de tempo. A unidade física utilizada é o
ampère, simbolizado por A.
dq
i= (2.1)
dt

i = ampère (A), q = coulomb (C), t = segundos (s).


(O elétron possui carga de 1, 602.10−19 C).

2.3 Tensão

A tensão (diferença de potencial) entre dois pontos de um circuito é definida como


a variação do trabalho realizado por unidade de carga para movimentar esta carga entre
estes dois pontos. A unidade utilizada é o volt, simbolizado por V.
dw
v= (2.2)
dq

v = volt (V), w = energia (J), q = coulomb (C).

2.4 Potência

Potência é a variação da energia (liberada ou absorvida) em função da variação do


tempo. Nos circuitos elétricos ela é definida pelo produto entre tensão e corrente em dois
terminais. A unidade utilizada é o watt (ou joule/s), simbolizado por W.
dw dq dw
p = v.i = . = (2.3)
dq dt dt

2.5 Energia

Energia é definida como a integral da potência ao longo do tempo. A unidade


utilizada é o joule. Outra unidade bastante utilizada na prática é o watt-segundo (W.s) e
demais unidades dela derivadas, tais como o kW.hora.
t t
w = p.dt = v.i.dt (2.4)
0 0

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2.6 Notação

É comum em análise de circuitos distinguir-se entre quantidades constantes e


variáveis com o tempo através da utilização de letras maiúsculas e minúsculas. Por
exemplo, uma corrente constante no tempo, ou contínua, de dez ampères deverá ser escrita
I=10A, enquanto uma corrente senoidal de mesma amplitude deverá ser escrita i=10A.

3 CONCEITOS BÁSICOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS

3.1 Definição:

Um circuito elétrico pode ser definido como uma interligação dos seguintes
componentes básicos:
– Fontes de tensão dependentes ou independentes;
– Fontes de corrente dependentes ou independentes;
– Resistores;
– Capacitores;
– Indutores.

3.2 Fonte de Tensão Independente

A fonte ideal de tensão é um elemento que mantém uma tensão especificada


constante entre seus terminais para qualquer que seja a corrente que a atravesse. As fontes
independentes podem ser do tipo contínua ou alternada.
Uma bateria pode ser considerada como um exemplo de fonte de tensão contínua.
A tensão fornecida pela concessionária de energia elétrica, por outro lado, é um exemplo
de fonte de tensão alternada.

V V

Tensão Contínua Tensão Alternada


Fig. 3-1 - Fontes de Tensão.

3.3 Fonte de Corrente Independente

Uma fonte ideal de corrente é um elemento que é atravessado por uma corrente
especificada, para qualquer que seja a tensão entre seus terminais. As fontes de corrente
também podem ser do tipo contínuo ou alternado.

João Marcio Buttendorff 8


+ +
I I

Corrente Contínua Corrente Alternada


Fig. 3-2 - Fontes de Corrente.

3.4 Fontes Dependente de Tensão e Corrente

São aquelas que estabelecem uma tensão ou corrente em um circuito cujo valor
depende do valor da tensão ou da corrente em outro ponto do circuito. Não é possível
especificar o valor de uma fonte dependente a menos que se conheça o valor da tensão ou
corrente da qual ela depende. Como exemplo de fontes dependentes podem-se citar
unidades geradoras, pois a tensão induzida no enrolamento do estator é função da corrente
no rotor e, o transistor, onde a corrente de coletor é proporcional à corrente de base.

+ I=b.Ix
V=a.Vx _

Fonte de Tensão Fonte de Corrente


Dependente Dependente
Fig. 3-3 - Fontes Dependentes.

3.5 Elementos Ativos no Circuito

São fontes de tensão e corrente capazes de fornecer energia elétrica para os demais
componentes do circuito.
Em componentes ativos, deve-se definir se a potência está sendo fornecida ou
absorvida pelo mesmo. Se a corrente estiver entrando no terminal positivo da fonte, diz-se
que a fonte está absorvendo energia, resultando em uma potência negativa. Para o caso em
que a corrente estiver saindo do terminal positivo, diz-se que a fonte está fornecendo
potência, ou seja, a potência é positiva.

I
I

V V

Fornecendo Absorvendo
Potência Potência
P=V.I P=-(V.I)
Fig. 3-4 - Convenção para fontes.

João Marcio Buttendorff 9


3.6 Elementos Passivos no Circuito

São dispositivos capazes de absorver ou armazenar a energia elétrica fornecida


pelos elementos ativos (fontes). Os resistores, indutores e capacitores são elementos
passivos.
Em componentes passivos, a corrente entra pelo lado de maior potencial (positivo)
e sai do mesmo pelo lado de menor potencial.

I + VR -

R
I + VC -

C
I + VL -
L
Fig. 3-5 - Convenção para elementos passivos.

4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA (LEI DE OHM)


Resistência é a propriedade dos materiais de se opor à passagem de corrente
elétrica, mais precisamente, ao movimento de cargas elétricas. O elemento ideal usado
como modelo para este comportamento é o resistor. A Fig. 4-1 mostra o símbolo do
resistor. A letra R indica a resistência do resistor.

Fig. 4-1 - Símbolo do resistor.

A Lei de Ohm é uma homenagem a Georg Simon Ohm, um físico alemão que a
formulou pela primeira vez no início do século XIX. A lei de Ohm é a relação algébrica
entre tensão e corrente em um resistor e é medida em ohms no sistema internacional (SI).
O símbolo de ohm é a letra grega Omega ( ) . A equação (4.1) descreve esta lei.
V R.I (4.1)

Onde:
V = Tensão em volts (V);
I = Corrente em ampères (A);
R = Resistência em ohms ( ) .
A potência dissipada por um resistor consiste em calcular o produto da tensão entre
os terminais do resistor pela corrente que o atravessa. A unidade da potência é watts (W).
P V .I (4.2)

Substituindo-se a equação (4.1) na (4.2) pode-se obter a equação da potência em


função da corrente e da resistência e a potência em função da tensão e da resistência.

João Marcio Buttendorff 10


P I 2 .R (4.3)

V2
P (4.4)
R

O recíproco da resistência é chamando de condutância, representado pela letra G e


medido em Siemens (S). Assim:
1
G= (4.5)
R

Exemplos 2.1:
Calcule nos circuitos da Fig. 4-2 os valores das tensões nos resistores e as potências
dissipadas nos mesmos.

1A 8R 1A 20R

(A) (B)
Fig. 4-2 – Exemplos.

Aplicando-se a Lei de Ohm aos circuitos, obtém-se:


VRA R.I VRB R.I
(4.6)
VRA 8.1 8V VRB 20.1 20V

PRA VRA .I PRB VRB .I


(4.7)
PRA 8.1 8W PRB 20.1 20W

4.1 Características dos Resistores

Em geral os fabricantes de resistores fornece três parâmetros que caracterizam os


mesmos:
• Resistência ôhmica;
• Percentual de tolerância;
• Potência.

Resistência Ôhmica – O valor específico da resistência do componente é indicada


numericamente ou por código de cores. Os resistores são fabricados em valores
padronizados. Os valores comerciais no Brasil são múltiplos de dez de:
1 – 1,2 – 1,5 – 1,8 – 2,2 – 2,7 – 3,3 – 3,9 – 4,7 – 5,6 – 6,8 – 8,2.
Percentual de Tolerância – Os resistores estão sujeitos a diferenças em seus
valores decorrentes aos processos de fabricação. Estas diferenças se situam em 5 faixas de
percentual:
± 20%, ± 10%, ± 5%, ± 2%, ± 1% de tolerância.

João Marcio Buttendorff 11


Os três primeiros são considerados resistores comuns, enquanto os demais são
chamados resistores de precisão. Deve-se notar que a tolerância pode ser tanto acima como
abaixo do valor padrão do resistor.
Potência – A dissipação de potência do resistor indica a capacidade de suportar
calor sem se danificar e sem que o valor se altere. O calor é produzido pela potência
desenvolvida no resistor e pela capacidade do mesmo de transferir essa potência para as
redondezas.

4.1.1 Tipos de Resistores

Resistores de Filme de Carbono: Constituído por um corpo cilíndrico de cerâmica


que serve como base para uma fina camada espiral de material resistivo (filme de carbono
ou grafite em pó) que determina seu valor ôhmico.
O corpo do resistor pronto recebe um revestimento que dá acabamento na
fabricação e isola o filme de carbono da ação da umidade.
As principais desvantagens dos resistores de carbono são o baixo percentual de
precisão e a baixa dissipação de potência. Em geral apresentam tolerância de 5 e 10%,
apesar de existir também 1 e 2%.
Resistores de Carvão: São constituídos por um corpo de porcelana. No interior da
porcelana são comprimidas partículas de carvão que definem a resistência do componente.
Neste tipo de resistor os valores das resistências não são precisos.
Resistores de Fio: Constituem-se de um corpo de porcelana que serva como base.
Sobre o corpo é enrolado um fio especial (por exemplo, níquel – cromo) cujo comprimento
e seção determinam o valor da resistência. Nos resistores de fio obtém-se maior precisão, e
maior dissipação de potência.

4.1.2 Código de Cores


O valor ôhmico dos resistores e sua tolerância podem ser impressos no corpo do
componente através de anéis coloridos. A cor de cada anel e a sua posição com relação aos
demais anéis, corretamente interpretada fornece dados sobre o valor do componente. A
disposição em forma de anéis permite a leitura do valor em qualquer posição do
componente.

4.1.3 Interpretação do Código de Cores

O código se compõe de três anéis usados para representar o valor ôhmico e um para
representar o percentual de tolerância. Para uma correta leitura, os anéis devem ser lidos na
seqüência correta, sendo que o primeiro é aquele que estiver mais próximo da extremidade.
A Fig. 4-3 apresenta um resistor codificado por cores.

1º - Unidade;
2 º - Dezena;
3º - Número de zeros;
4 º - Percentual de tolerância.
1º 2 º 3 º 4 º
Fig. 4-3 - Resistor codificado por cores.

João Marcio Buttendorff 12


Cada cor representa um número, como segue:

Valor Tolerância
Preto 0 Marrom 1%
Marrom 1 Vermelho 2%
Vermelho 2 Dourado 5%
Laranja 3 Prata 10%
Amarelo 4 Sem a quarta faixa 20%
Verde 5
Azul 6
Violeta 7
Cinza 8
Branco 9
Tabela 1 – Código de cores.

O código é interpretado da seguinte forma:


• Os dois primeiros anéis são números;
• O terceiro anel é o fator multiplicativo por dez, ou seja, “n” números de
zeros que virão após os dois primeiros números;
• O quarto anel é a tolerância do valor da resistência.
Exemplo:
1º anel – amarelo = 4
2º anel – violeta = 7
3º anel – vermelho = 2 zeros (00)
4º anel – dourado = 5% de tolerância.
Resistor de 4700 Ohms ± 5%, 4,7k Ohms ± 5% ou 4k7 Ohms ± 5%.

4.1.4 Casos Especiais de Código de Cores

Resistores de 1 a 10 Ohms: Para representar resistores de 1 a 10 Ohms, o código


estabelece o uso da cor dourada no terceiro anel. Esta cor no terceiro anel indica a
existência de uma vírgula entre os dois primeiros números ou também pode ser
considerado como um fator de multiplicação de 0,1.
Exemplo: Marrom, cinza, dourado, dourado = 18 x 0,1 = 1,8 Ohms ± 5%.
Resistores abaixo de 1 Ohm: Para representar resistores abaixo de 1 Ohm, o
código determina o uso do prateado no terceiro anel. Esta cor no terceiro anel indica a
existência de um zero antes dos dois primeiros números ou um fator de multiplicação de
0,01.
Exemplo: Marrom, cinza, prata, dourado= 18 x 0,01 = 0,18 Ohms ± 5%.
Resistores de cinco anéis: Em algumas aplicações são necessários resistores com
valores mais precisos, que se situam entre os valores padronizados. Nestes resistores, os
três primeiros anéis são dígitos significativos, o quarto anel representa o número de zeros
(fator multiplicativo) e o quinto anel é a tolerância.
Exemplo: Azul, cinza, vermelho, laranja, marrom = 682.000 Ohms ± 1%.

João Marcio Buttendorff 13


4.2 Exercícios

1-) Determine a corrente e a potência dissipada nos resistores.

12V 1k 40V 120R

(A) (B)
Respostas: (A) I=12mA e P=144mW; (B) I=333,33mA e P=13,33W.

2-) Determine a tensão das fontes.

2A 10A
V 50R V R P=200W

(A) (B)
Respostas: (A) V=100V; (B) V=20V.

3-) Determine a tensão sobre os resistores e a potência dissipada pelos mesmo.

3A 100R 100mA 2,2k

(A) (B)
Respostas: (A) V=300V e P=900W; (B) V=220V e P=22W.

5 LEIS DE KIRCHHOFF
Os comportamentos dos circuitos elétricos são governados por duas leis básicas
chamadas Leis de Kirchhoff. Elas estabelecem relações entre as tensões e correntes entre
os diversos elementos dos circuitos, servindo assim como base para o equacionamento
matemático dos circuitos elétricos. Antes do enunciado das referidas Leis, torna-se,
entretanto, necessário à introdução de algumas definições básicas:
– Nó: É um ponto de junção de dois ou mais componentes básicos de um circuito
(ramos). Na Fig. 5-1 está representado um circuito simples composto de dois nós
(nós 1 e 2);
– Ramo: É a representação de um único componente conectado entre dois nós, tal
como um resistor ou uma fonte de tensão. Na Fig. 5-1, o componente dois (R2)
conectado entre os nós 1 e 2 é um ramo do circuito.
– Malha: É qualquer percurso de um circuito que permita, partindo de um nó
escolhido arbitrariamente, voltar ao ponto de partida sem passar mais de uma vez
pelo mesmo nó.

João Marcio Buttendorff 14


I1 1 I2

I3

Vcc R1 R2
1k

2
Fig. 5-1 - Circuito com dois nós.

5.1 Lei das Correntes de Kirchhoff (LCK)

A lei das correntes de Kirchhoff estabelece que a soma das correntes que chegam a
um nó é igual à soma das correntes que saem do mesmo nó. Considerando-se as correntes
que chegam a um nó como positivas e as que saem como negativas, a Lei das Correntes de
Kirchhoff estabelece que a soma algébrica das correntes incidindo em um nó deve ser nula.
Baseado no enunciado da LCK e considerando-se o circuito mostrado na Fig. 5-1,
pode-se escrever a seguinte equação para o nó marcado como 1:
I1 I2 I3 0 I1 I2 I3 (5.1)

5.2 Lei das Tensões de Kirchhoff (LTK)

A lei das tensões de Kirchhoff estabelece que a soma algébrica das tensões em
qualquer malha de um circuito é sempre nula.

R1 R2

+ VR1 - + VR2 -
I +
Vcc VR2 R3
-

Fig. 5-2 - Circuito com uma malha.

Baseado no enunciado da LTK e considerando-se o circuito da Fig. 5-2, pode-se


escrever a seguinte equação:
Vcc VR1 VR 2 VR 3 0 Vcc VR1 VR 2 VR 3 (5.2)

Exemplo 3.1:
Use as lei de Kirchhoff e a lei de Ohm para determinar o valor da corrente I1 no
circuito da Fig. 5-3.

João Marcio Buttendorff 15


R1=10R

I1
120V R2=50R 6A

Fig. 5-3 - Exemplo 3.1.

Antes de iniciar a resolução do circuito, deve-se associar uma corrente ao ramo


formado pelo resistor R2. Como se têm duas correntes entrando no nó superior, formado
por I1 e pela fonte de corrente (6A), será considerado que a corrente em R2 está saindo do
nó. Também deve-se acrescentar tensões desconhecidas aos resistores. O circuito passa a
ser o apresentado na Fig. 5-4.

+ VR1 _ Nó 1
I2
I1
+
120V VR2 6A
_

Nó 2
Fig. 5-4 - Circuito resultante.

Aplicando a LCK ao nó 1 e considerando que as correntes entrando no nó são


positivas e as que saem são negativas, obtém-se:
I1 6 I2 0 I1 6 I2 (5.3)

Aplicando a LTK a malha da esquerda e considerando o caminha percorrido no


sentido horário, obtém-se:
120 VR1 VR 2 0 VR1 VR 2 120 (5.4)

Substituindo-se a lei de Ohm na equação (5.4).


R1.I1 R2 .I 2 120
(5.5)
10.I1 50.I 2 120

Substituindo-se a equação (5.3) na (5.5) e resolvendo-se as equações, obtém-se:


I1 3A
(5.6)
I2 3A

O resultado negativo de I1 representa que o sentido real da corrente é o contrário do


sentido apresentado na Fig. 5-3. Outro detalhe importante neste exemplo consiste no fato
que a corrente esta entrando no terminal positivo da fonte de tensão, o que resulta que a
mesma está absorvendo potência ao invés de estar fornecendo potência para o circuito.

João Marcio Buttendorff 16


Exemplo 3.2:
Calcule no circuito da Fig. 5-5 as tensões sobre os resistores, a corrente da malha e
a potência fornecida pela fonte de tensão.

3R 7R

+ VR1 - + VR2 -
+
24V VR3 2R
-
I

Fig. 5-5 - Exemplo 3.2.

Aplicando-se a LTK ao circuito, obtém-se:


24 VR1 VR 2 VR 3 0
(5.7)
VR1 VR 2 VR 3 24

Substituindo a Lei de Ohm na equação (5.7) e resolvendo-se a equação, obtém-se a


corrente do mesmo.
R1.I R2 .I R3 .I 24
3.I 7.I 2.I 24 (5.8)
I 2A

Aplicando a Lei de Ohm para cada resistor do circuito, determina-se a tensão sobre
os mesmos.
VR1 R1.I 3.2 6V
VR 2 R2 .I 7.2 14V (5.9)
VR 3 R3 .I 2.2 4V

A potência da fonte é obtida pelo produto da tensão fornecida pela mesma e pela
corrente que circula por ela.
P V .I 24.2 48W (5.10)

5.3 Exercícios

1-) Calcule as grandezas desconhecidas indicadas nos circuitos abaixo.

1V 2V

2A 10A I=?
20A
I
20V V=?

1V 6V

Respostas: I=8A e V=10V.

João Marcio Buttendorff 17


2-) Calcule a corrente e as quedas de tensão através de R1 e R2.

R2 R1

20R 10R

40V 50V

20V

Respostas: I=1A; VR1=10V e VR2=20V.

3-) Use a lei de Ohm e a lei de Kirchhoff para determinar o valor de R no circuito abaixo.

+
200V 120V 24R 8R
_

Resposta: R 4

4-) Calcule a corrente, as tensões nos resistores e a potência fornecida pela fonte.

+ VR1 - + VR2 -

3R 7R
+
24V VR3 2R
_

Respostas: I=2A, VR1=6V, VR2=14V, VR3=4V e P=48W.

5-) Para o circuito abaixo, calcule:


a) As correntes da fonte e no resistor de 80 ;
b) A tensão no resistor de 90 ;
c) Verifique que a potência fornecida pela fonte é igual à potência dissipada nos
resistores.

30R

1,6A
I I 80R 90R

Respostas: a) I=4A, I1=2,4A; b) V=144V; c) Ptot=768W.

6-) Dado o circuito, determine:


a) O valor de Ia;
b) O valor de Ib;
c) O valor de Vo;
d) As potências dissipadas nos resistores;
e) A potência fornecida pela fonte.

João Marcio Buttendorff 18


4R

Ib +
50V Ia 20R Vo 80R
_

Respostas: a) Ia=2A; b) Ib=0,5A; c) Vo=40V;


d) P4R=25W, P20R=80W e P80R=20W; e) P=125W.

7-) A corrente I0 no circuito é 4A.


a) Determine a corrente I1;
b) Determine as potências dissipadas nos resistores;

25R

I0

5R 10R

I1
180V 70R 8R

Respostas: a) I1=2A; b) P25R=400W, P5R=320W, P70R=280W, P10R=360W e P8R=800W.

8-) Determine no circuito abaixo a corrente I1 e a tensão V.

1V + V -
54k 1,8k

I1 30.I1
5V 6k 8V

Respostas: I1=25uA e V=-2V.

9-) A corrente I1 no circuito abaixo é de 2A. Calcule:


a) A tensão Vs;
b) A potência recebida pela fonte de tensão independente;
c) A potência fornecida pela fonte de corrente independente;
d) A potência fornecida pela fonte de corrente dependente;
e) A potência total dissipada pelos dois resistores.

2.I1

10R

5A I1 30R Vs

Respostas: a-) Vs=70V; b-) P=210W; c-) P=300W; d-) P=40W; e-) P=130W.

João Marcio Buttendorff 19


6 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES E RESISTÊNCIA
EQUIVALENTE
A análise e projeto de circuitos requerem em muitos casos a determinação da
resistência equivalente a partir de dois terminais quaisquer do circuito. Além disso, pode-se
numa série de casos práticos solucionar o circuito a partir da associação dos resistores que
compõem determinadas partes do circuito. Esta técnica é denominada de redução dos
circuitos e será brevemente apresentada aqui, junto com as técnicas básicas de
determinação da resistência equivalente.

6.1 Associação em Série de Resistores

Neste caso, todos os resistores são percorridos pela mesma corrente, sendo que o
terminal final do primeiro é conectado ao início do segundo e assim por diante, conforme
mostra a Fig. 6-1. O resistor equivalente é o resistor que quando conectado aos terminais
da fonte possui as mesmas características elétricas que a associação série dos resistores 1 a
n, sendo n o número total de resistores em série. Portanto, para a fonte conectada aos
resistores, a corrente no resistor equivalente será a mesma da associação série dos n
resistores.

+ VR1 - + VR2 - + VR3 - + VRn -

R1 R2 R3 Rn

Fig. 6-1 - Circuito série.

A Lei das tensões de Kirchhoff estabelece que a soma das tensões em um circuito
fechado é igual a zero. Deduz-se daí que a soma das quedas de tensões em todo o circuito
da Fig. 6-1 é igual a tensão da fonte V.
V VR1 VR 2 VR 3 ...VRn (6.1)

Substituindo-se as quedas de tensões nos resistores pela Lei de Ohm, Obtém-se:


V I .R1 I .R2 I .R3 ... I .Rn (6.2)

V I .( R1 R2 R3 ... Rn ) (6.3)

A resistência vista pela fonte de alimentação é a resistência equivalente (Req) do


circuito. Desta forma, tem-se:
V I .Req (6.4)

João Marcio Buttendorff 20


Substituindo-se a equação (6.4) na (6.3) e dividindo-se ambos os lados da equação
por I, determina-se a equação da resistência equivalente do circuito.
R eq R1 R2 R3 ... Rn (6.5)

A Fig. 6-2 apresenta o circuito equivalente da Fig. 6-1.

I
V Req

Fig. 6-2 - Circuito equivalente.

6.2 Associação em Paralelo de Resistores

Na Fig. 6-3 é mostrado um circuito paralelo na qual todos os resistores estão


conectados em paralelo. Desta maneira, cada um dos resistores está conectado diretamente
a fonte de tensão e, portanto a tensão sobre cada resistor é igual à tensão da fonte. Por
outro lado, a corrente através de cada resistor é determinada pelo valor de cada um deles.

R1
I1

R2
I2
I
R3
I3

Rn
In

Fig. 6-3 - Circuito paralelo.

A Lei das correntes de Kirchhoff estabelece que a soma das correntes que entram
em um nó é igual à soma das correntes que saem do nó. Assim:
I I1 I2 I3 ... In (6.6)

A corrente que circula pela fonte de alimentação é a corrente total (I) do circuito.
Desta forma, tem-se:
V
I (6.7)
Req

Substituindo-se cada termo da equação (6.6) pela Lei de Ohm e substituindo-se a


corrente total pela equação (6.7), obtém-se:

João Marcio Buttendorff 21


V V V V V
... (6.8)
R eq R1 R2 R3 Rn

Dividindo-se ambos os lados da equação (6.8) por V, obtém-se:


1 1 1 1 1
... (6.9)
R eq R1 R2 R3 Rn

1
R eq (6.10)
1 1 1 1
...
R1 R2 R3 Rn

Esta equação é usada para determinar o valor da resistência equivalente dos


resistores conectados em paralelo. Deduz-se desta equação que o valor total da resistência
é menor que o menor valor das resistências individuais.
Para o caso particular de dois resistores em paralelo, pode-se utilizar a equação
(6.11) para determinar a resistência equivalente.
R1.R2
Req (6.11)
R1 R2

6.3 Associação Mista de Resistores

No caso de haver partes do circuito que estão conectadas em série e partes que
estão conectadas em paralelo deve-se aplicar sucessivamente as equações (6.5), (6.10) e
(6.11) até que se obtenha a resistência equivalente nos terminais desejados. O exemplo a
seguir ilustra este procedimento.
Considere o circuito da Fig. 6-4 onde se deseja calcular a resistência equivalente a
partir dos terminais a-b.

R2 R4 R2 RA
a a

(A) R1 R3 R5 (B) R1 R3

b b
R2
a a

(C) R1 RB (D) R1 RC

b b

(E) RD

b
Fig. 6-4 - Associação mista de resistores.

João Marcio Buttendorff 22


Pela Fig. 6-4, os resistores R4 e R5 estão em série, podendo-se determinar a
resistência equivalente RA pela equação (6.5) (vide figura A).
RA R4 R5 (6.12)

O circuito possuirá agora a forma mostrado na Fig. 6-4(B), onde observa-se que os
resistores RA e R3 estão conectados em paralelo, podendo ser associados utilizando-se a
equação (6.11), resultando na resistência RB:
RA .R3
RB (6.13)
RA R3

Após esta operação o circuito assumirá a forma mostrada na figura (C). Os


resistores RB e R2 estão agora em série e a resistência equivalente RC correspondente a
estes dois é dada pela equação (6.5):
RC RB R2 (6.14)

O circuito assume agora a forma mostrada na figura (D), onde os resistores RC e R1


estão em paralelo e podem ser associados pela equação (6.11), resultando na resistência
equivalente do circuito a partir dos terminais a-b, a qual é denominado de RD.
RC .R1
RD (6.15)
RC R1

Deve-se salientar que a resistência equivalente está sempre relacionada a dois


terminais específicos do circuito. Existe para cada par de terminais um valor de resistência
equivalente diferente. Não existe, portanto, o conceito da resistência equivalente do
circuito ou resistência total do circuito, mas sim uma resistência equivalente a partir de
dois terminais do circuito.

6.4 Resistência Equivalente de Circuitos Contendo Fontes


Independentes

Nos casos anteriores, a resistência equivalente foi determinada para um circuito (ou
parte dele) onde não existiam fontes de corrente ou tensão. Mesmo quando houver fontes
independentes, pode-se determinar a resistência equivalente a partir de um par de
terminais.
Neste caso a resistência equivalente será determinada anulando-se todas as fontes
independentes do circuito. Para isso, as fontes de tensão serão substituídas por terminais
em curto-circuito e as fontes de corrente por terminais em circuito aberto. Por exemplo, a
resistência equivalente para o circuito mostrado na Fig. 6-5(A), será obtido a partir do
circuito mostrado na Fig. 6-5(B), onde as fontes foram anuladas.

João Marcio Buttendorff 23


R2 R3 R2 R3
a a

(A) R1 I Vcc (B) R1

b b
Fig. 6-5 - Resistência equivalente contendo fontes.

6.5 Resistência Equivalente de Circuitos Contendo Fontes


Dependentes e Independentes

Neste caso deve-se, como no caso anterior anular as fontes independentes e,


contudo, manter as fontes dependentes no circuito, uma vez que estas dependem de tensões
e correntes do circuito. Deve-se calcular a resistência equivalente aplicando-se uma fonte
de tensão aos terminais onde a resistência equivalente deve ser calculada e em seguida
determinar a corrente da mesma. A resistência equivalente será a relação entre a tensão
aplicada e a corrente. A fonte aplicada poderá ter um valor qualquer, devendo-se optar por
um valor que simplifique o calculo (1V, por exemplo). O exemplo a seguir ilustra este
procedimento.
Considere o circuito apresentado na Fig. 6-6 para o qual deseja-se determinar a
resistência equivalente a partir dos terminais a-b. O circuito original é mostrado na Fig.
6-6(A) e o circuito utilizado para o cálculo da resistência equivalente é mostrado na Fig.
6-6(B). Neste caso foi aplicado aos terminais a-b uma tensão de 1V.

2R 3R I 2R 3R
a a
+ Vx - + Vx -

4R + 12V 1V +
5.Vx _ 4R 5.Vx _

b b
(A) (B)
Fig. 6-6 - Circuito exemplo.

Aplicando-se a Leis das Tensões de Kirchhoff, obtém-se:


−1 + Vx + 5.Vx = 0
(6.16)
Vx = 0,1667V

Aplicando-se a LCK no nó formado pela fonte de tensão e pelos resistores de 2 e


4 , obtém:
I = I 2 Ω + I 4Ω
1 0,1667 (6.17)
I= + = 0,3333 A
4 2

Assim, a resistência equivalente é obtida por:

João Marcio Buttendorff 24


V 1
Req = = = 3Ω (6.18)
I 0,3333

6.6 Transformação Estrela-Triângulo

Existem muitos casos práticos em que a resistência equivalente necessita ser


determinada e não é possível utilizar as regras de associação série nem as de associação em
paralelo. Nestes casos pode-se simplificar o problema utilizando as regras de conversão
estrela-triângulo. A conexão de resistores em estrela é mostrado na Fig. 6-7(a), ao passo
que a conexão em triângulo é mostrado na Fig. 6-7(b). A conexão em estrela também é
denominada de conexão Y ou ainda conexão T. Por outro lado, a conexão triângulo
também é denominada de conexão delta ou ainda conexão .

R1 R2 Rc
1 3 1 3

R3 Rb Ra

2 4 2 4
(a) (b)
Fig. 6-7 - Equivalência entre a conexão (a) estrela e (b) triângulo.

6.6.1 Conversão de Triângulo para Estrela

Quando o circuito original está na conexão triângulo, pode-se converter o circuito


para estrela utilizando-se as seguintes relações:
Rb .Rc
R1 = (6.19)
Ra + Rb + Rc

Ra .Rc
R2 = (6.20)
Ra + Rb + Rc
Ra .Rb
R3 = (6.21)
Ra + Rb + Rc

A regra para a conversão triângulo-estrela é, portanto: cada resistor do circuito em


estrela é o produto dos resistores dos dois ramos adjacentes do triângulo dividido pela
soma dos três resistores do triângulo.

6.6.2 Conversão de Estrela para Triângulo

Quando o circuito original está na conexão estrela, pode-se converter o circuito para
triângulo utilizando-se as seguintes relações:

João Marcio Buttendorff 25


R1.R2 + R2 .R3 + R3 .R1
Ra = (6.22)
R1

R1.R2 + R2 .R3 + R3 .R1


Rb = (6.23)
R2
R1.R2 + R2 .R3 + R3 .R1
Rc = (6.24)
R3

A regra para a conversão estrela-triângulo é, portanto: cada resistor do circuito em


triângulo é o produto dos resistores da estrela dois a dois dividido pelo resistor oposto da
estrela.

6.7 Exercícios

1-) Calcule a tensão sobre cada resistor dos circuitos abaixo.

R1 1R 2R

5R

110V R2 10R 115V

R3 3R 4R

7R
(a) (b)
Respostas: (a) V1=25V; V2=50V e V3=35V
(b) V1=11,5V; V2=23V; V3=34,5V e V4=46V.

2-) Um circuito paralelo é formado por uma cafeteira elétrica (15 ), um torrador de pão
(15 ) e uma panela de frituras (12 ) ligados às tomadas de 120V de uma cozinha. Que
corrente fluirá em cada ramo do circuito e qual é a corrente total consumida por todos os
eletrodomésticos?
Respostas: ICaf=8A; ITor=8A; IPan=10A e Itot=26A.

3-) Determine a resistência equivalente para o circuito abaixo:


a) Como está desenhado;
b) Com o resistor de 5 substituído por um curto-circuito;
c) Com o resistor de 5 substituído por um circuito aberto.

3R 4R 5R

4R 10R 9R
4R 2R 1R

Respostas: a) Req 10 ; b) Req 9,933 e c) Req 10, 2 .

João Marcio Buttendorff 26


4-) Determine a resistência equivalente para os dois circuitos abaixo.

2R 7k

12R 24R 15k 30k 24k 30k 20k

6R

Respostas: (A) Req 16 ; (B) Req 6k .

5-) Determine a resistência equivalente do circuito abaixo.

5R 10R

8R

20R 15R

Resposta: Req=12,162 .

6-) Determine para os três circuitos abaixo:


a) A resistência equivalente;
b) As potências fornecidas pelas fontes.

8R 16R 6R

12R
144V 18R 4R 20R 15R 14R
10R
10R

(B)
20V 15R 6R
48R
20R 8R 6R
18R

(A)
6A 60R 15R 48R 15R
30R

10R 18R 10R

(C)
Respostas: (A) Req 10 e P=40W; (B) Req 27 e P=768W;
(C) Req 24 e P=864W.

7-) Determine Vo e Vg no circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 27


12R 50R

30R
+
25A Vg 25R
_ +
30R Vo 60R
_

Respostas: Vo=300V e Vg=1050V.

8-) Calcule a tensão Vx no circuito.

5k 60k

30V - Vx +

1k 15k

Resposta: Vx=1V.

9-) A corrente no resistor de 9 do circuito abaixo é 1A, como mostra a figura.


a) Calcule Vg;
b) Calcule a potência dissipada no resistor de 20 .

20R

10R 5R 4R

1A
40R 9R
Vg 32R 25R 2R

3R 1R

Respostas: a) Vg=144V; b) P=28,8W.

10-) Calcule a potência dissipada pelo resistor de 3k do circuito abaixo.

750R

15k 25k

5k
192V

3k 5k

Resposta: P=300mW.

João Marcio Buttendorff 28


11-) Obtenha a resistência equivalente do circuito abaixo e utilize-a para encontrar a
corrente I.

12,5R 10R

5R
120V 30R

15R 20R

Respostas: Req=9,632 e I=12,458A.

7 DIVISOR DE TENSÃO E CORRENTE


A solução de circuitos, ou partes dele, pode ser simplificada por meio da aplicação
de técnicas conhecidas como divisor de tensão e divisor de corrente. As regras de
aplicação dos divisores são obtidas a partir das regras de associação série e paralela de
resistores vistas anteriormente, as quais por sua vez derivam diretamente das Leis de
Kirchhoff.

7.1 Divisor de Tensão

A regra do divisor de tensão se aplica a componentes (resistores) conectados em


série, como no caso do circuito mostrado na Fig. 7-1(A), e destina-se a determinar a tensão
sobre cada componente individual. A resistência equivalente vista pela fonte V é mostrada
na figura (B), sendo dada pela relação:
R eq R1 R2 R3 R4 ... Rn (7.1)

+VR1- +VR2- +VR3- +VR4- +VRn-

+ R1 R2 R3 R4 Rn
I
V (A)
_

+VReq-
+ Req
I
V (B)
_
Fig. 7-1 - Divisão de tensão entre resistores em série.

Em um circuito em série a corrente em todos os componentes é a mesma, sendo


dada pela equação:
V V
I (7.2)
Req ( R1 R2 R3 R4 ... Rn )

João Marcio Buttendorff 29


Desta forma, a tensão sobre cada resistor será dada pelas seguintes equações:
R1.V
VR1 R1.I (7.3)
( R1 R2 R3 R4 ... Rn )

R2 .V
VR 2 R2 .I (7.4)
( R1 R2 R3 R4 ... Rn )

R3 .V
VR 3 R3 .I (7.5)
( R1 R2 R3 R4 ... Rn )

...
Rn .V
VRn Rn .I (7.6)
( R1 R2 R3 R4 ... Rn )

As equações anteriores permitem determinar diretamente a tensão sobre cada


resistor a partir da tensão aplicada à associação. A regra é: a tensão sobre cada
componente é a tensão aplicada aos terminais de entrada multiplicada pela resistência e
dividida pela soma das resistências dos componentes.
Ao aplicar-se a regra é fundamental observar que as polaridades das tensões e
sentidos das correntes sobre os componentes são conforme mostra a Fig. 7-1.

7.2 Divisor de Corrente

Analogamente ao caso de resistências em série, a regra do divisor de corrente se


aplica a componentes (resistores) conectados em paralelo, como no caso do circuito
mostrado na Fig. 7-2, e destina-se a determinar a corrente que circula por cada componente
individual. A resistência equivalente é mostrada na figura (B), sendo dada pela relação:
1
R eq (7.7)
1 1 1 1 1
...
R1 R2 R3 R4 Rn

+ I1 I2 I3 I4 In
I
V R1 R2 R3 R4 Rn
_

(A)

Req
+
I
V
_
(B)
Fig. 7-2 - Divisão de corrente entre resistores em paralelo.

João Marcio Buttendorff 30


A tensão em todos os componentes é mesma, sendo então determinada pela
equação (7.8):
1
V I .R e q I. (7.8)
1 1 1 1 1
...
R1 R2 R3 R4 Rn

Desta forma, a corrente em cada um dos resistores será dada pelas seguintes
equações:
V 1 I
I1 . (7.9)
R1 1 1 1 1 1 R1
...
R1 R2 R3 R4 Rn

V 1 I
I2 . (7.10)
R2 1 1 1 1 1 R2
...
R1 R2 R3 R4 Rn

V 1 I
I3 . (7.11)
R3 1 1 1 1 1 R3
...
R1 R2 R3 R4 Rn

V 1 I
I4 . (7.12)
R4 1 1 1 1 1 R4
...
R1 R2 R3 R4 Rn

...
V 1 I
In . (7.13)
Rn 1 1 1 1 1 Rn
...
R1 R2 R3 R4 Rn

As equações anteriores permitem, assim, determinar a corrente em cada resistor a


partir da corrente total. A regra geral pode ser expressa da seguinte forma: a corrente em
cada componente é a corrente de entrada multiplicada pela resistência equivalente e
dividida pela resistência na qual deseja-se obter a corrente.
Ao aplicar-se a regra é fundamental observar que as polaridades das tensão e
sentidos das corrente sobre os componentes são conforme apresentado na Fig. 7-2.
Para o caso particular de apenas dois resistores conectados em paralelo, podem-se
obter as seguintes expressões:
R2
I1 I. (7.14)
R1 R2

R1
I2 I. (7.15)
R1 R2

João Marcio Buttendorff 31


7.3 Exercícios

1-) Calcule através do método do divisor de tensão a queda de tensão através de cada
resistor.

R1 2k

10V

R2 6k

Respostas: VR1=2,5V e VR2=7,5V.

2-) Calcule as correntes I1 e I2 utilizando divisor de corrente.

I1 I2
It=18mA
3k 6k

Respostas: I1=12mA e I2=6mA.

3-) Determine no circuito abaixo:


a) O valor de Vo na ausência de carga.
b) Calcule Vo quando RL 150k .
c) Qual é a potência dissipada no resistor de 25k se os terminais da carga forem
acidentalmente curto circuitados?
d) Qual a potência máxima dissipada no resistor de 75k ?

25k

200V
+

75k Vo RL
_

Respostas: a) Vo=150V; b) Vo=133,33V; c) P=1,6W e d) P=300mW.

4-) Determine a potência dissipada no resistor de 6 do circuito abaixo.

1,6R

10A 16R 4R 6R

Resposta: P=61,44W.

João Marcio Buttendorff 32


5-) No circuito divisor de tensão da figura abaixo, o valor de Vo sem carga é 6V. Quando a
resistência de carga RL é inserida ao circuito, a tensão cai para 4V. Determine o valor de R2
RL.

40R
+

18V R2 RL Vo

_
Respostas: R2 20 e RL 26, 67 .

6-) Calcule no circuito divisor de tensão abaixo:


a) A tensão de saída Vo sem carga;
b) As potências dissipadas em R1 e R2;

R1 4,7k

160V

R2 3,3k Vo

Respostas: a) Vo=66V e b) PR1=1,88W e PR2=1,32W.

7-) Muitas vezes é necessário dispor de mais de uma tensão na saída de um circuito divisor
de tensão. Assim, por exemplo, as memórias de muitos computadores pessoais exigem
tensões -12V, 6V e +12V, todas em relação a um terminal comum de referência. Escolha
os valores de R1, R2 e R3 no circuito abaixo para que as seguintes especificações de projeto
sejam atendidas:
a) A potência total fornecida ao circuito divisor de tensão pela fonte de 24V deve ser
de 36W quando o circuito não está carregado.
b) As três tensões, todas medidas em relação ao terminal comum de referência, devem
ser V1=12V, V2=6V e V3=-12V.

V1

R1

V2

24V R2

Comum

R3

V3
Respostas: R1 4 , R2 4 e R3 8 .

João Marcio Buttendorff 33


8-) Calcule a corrente no resistor de 6, 25 , no circuito divisor de corrente apresentado
abaixo.

1142mA 0,25R 2,5R 1R 6,25R 10R 20R

Resposta: I=32mA.

8 MÉTODO DE ANÁLISE DE MALHAS


A análise de malhas envolve sempre os cinco passos descritos a seguir.

8.1 Definição das Malhas e Sentidos de Percurso

Inicialmente devem ser determinadas quantas malhas contém o circuito. Para um


circuito contendo b ramos (componentes) e n nós existirão sempre (b-n+1) malhas, as quais
permitirão escrever um número de equações independentes também igual a (b-n+1). Uma
vez identificadas às malhas, deve-se numerá-las e designá-las como I1, I2, I3...Ib-n+1. Além
disso, deve-se escolher um sentido de percurso para cada malha. A escolha do sentido não
interfere com as equações que serão obtidas, mas é importante na determinação das
correntes e tensões de ramo. Também nesta etapa serão definidas polaridades para as
tensões nos ramos, as quais definem as correntes de ramo que serão consideradas positivas.

8.2 Aplicação da LTK para as Malhas

Após a definição das malhas, deve-se percorrê-las de acordo com o sentido


atribuído para cada uma delas, retornando-se ao ponto de partida após a malha ter sido
percorrida. Pode-se adotar a seguinte convenção quanto às diferenças de potencial: quedas
de potencial ao longo deste percurso serão consideradas positivas, ao passo que elevações
de potencial serão consideradas negativas. Como resultado desta etapa haverá (b-n+1)
equações que representam os somatórios das tensões sobre os componentes que compõem
cada malha, de acordo com a convenção adotada.

8.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos

Considerando que as equações da etapa anterior foram escritas em função das


tensões dos ramos e as incógnitas são correntes de malha, devem-se utilizar as relações de
tensão-corrente (Lei de Ohm) para substituir as tensões dos ramos por relações envolvendo
as correntes de malha. Como resultado desta etapa, obtém-se (b-n+1) equações envolvendo
as correntes de malha. Deve-se observar que existe uma relação tensão corrente para cada
ramo (componente), existindo, portanto b relações deste tipo.

João Marcio Buttendorff 34


8.4 Solução do Sistema de Equações

Após a obtenção das equações de malha, deve-se utilizar algum método de solução
de sistemas lineares para determinar as (b-n+1) incógnitas.

8.5 Obtenção das Correntes e Tensões dos Ramos

Depois de solucionado o sistema de equações e obtido as correntes das malhas,


pode-se obter todas as correntes e tensões de ramo do circuito a partir das correntes de
malha. Por exemplo, a corrente de ramo IK, percorrido por um lado pela corrente de malha
Ix e por outro pela corrente de malha IY do circuito conforme mostra a Fig. 8-1, pode ser
obtida pela seguinte equação:
Ik Ix Iy (8.1)

Fig. 8-1 - Tensão e corrente de ramo.

Na equação (8.1), foi considerada como positiva a corrente de malha que circula no
mesmo sentido que a corrente do ramo, ao passo que foi considerada negativa a que circula
em sentido contrário. Deve-se também atentar que a equação pode ser obtida aplicando-se
a LCK a qualquer um dos nós do ramo k. Considerando-se os sentidos associados, a tensão
no ramo k será dada como:
Vk I k .Rk (I x I y ).Rk (8.2)

Rk – Resistência do ramo k (ohms, )

8.6 Exemplo de Aplicação

O método exposto será ilustrado por meio de um exemplo simples ilustrado na Fig.
8-2, onde todas as etapas citadas serão realizadas passo a passo.

João Marcio Buttendorff 35


8.6.1 Definição das Malhas e Sentidos de Percurso

Para o circuito da Fig. 8-2, existem n=4 nós e b=5 componentes. Desta forma, o
número de malhas fechadas é (5-4+1)=2. Os sentidos adotados para os percursos das
malhas serão todos no sentido horário, conforme mostra a Fig. 8-2, podendo no entanto ser
escolhido um outro sentido. Na figura também são mostrados os sentidos considerados
positivos para as quedas de tensão (polaridade das tensões) para os componentes.

R2 -
+ R1 - +

I1 + I2 +
V Malha 1 R3 Malha 2 R4
- -

Fig. 8-2 - Circuito de exemplo.

8.6.2 Aplicação de LTK para as Malhas

De acordo com convenção adotada, as equações para as malhas 1 e 2 são dadas


pelas seguintes equações:
V VR1 VR 3 0 V VR1 VR 3 (8.3)

VR 3 VR 2 VR 4 0 (8.4)

8.6.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos

As relações tensão corrente para os ramos do circuito são estabelecidas baseadas


nas equações (8.1) e (8.2) da forma que segue:
I R1 I1 (8.5)

I R2 I2 (8.6)

I R3 I1 I2 (8.7)

I R4 I2 (8.8)

VR1 I R1.R1 I1.R1 (8.9)

VR 2 I R 2 .R2 I 2 .R2 (8.10)

VR 3 I R 3 .R3 ( I1 I 2 ).R3 (8.11)

VR 4 I R 4 .R4 I 2 .R4 (8.12)

João Marcio Buttendorff 36


Inserindo-se as relações tensão-corrente nas equações de malha, obtêm-se as
equações em termos das correntes de malha.
Equação da malha 1:
VR1 VR 3 V
I1.R1 ( I1 I 2 ).R3 V (8.13)
I1.( R1 R3 ) I 2 .R3 V

Equação da malha 2:
VR 3 VR 2 VR 4 0
( I1 I 2 ).R3 I 2 .R2 I 2 .R4 0 (8.14)
I1.R3 I 2 .( R2 R3 R4 ) 0

8.6.4 Solução do Sistema de Equações

Para a obtenção da solução serão considerados os seguintes valores:


V 20V R1 2 R2 4 (8.15)

R3 6 R4 3

Desta forma, o sistema de equações terá a seguinte forma:


8.I1 6.I 2 20
(8.16)
6.I1 13.I 2 0

Solucionando-se o sistema, obtém-se:


I1 3,824 A
I2 1, 765 A

8.6.5 Obtenção das Correntes e Tensões dos Ramos

A partir das correntes de malha podem-se obter as correntes e tensões em todos os


ramos:
I R1 I1 3,824 A (8.17)

I R2 I2 1, 765 A (8.18)

I R3 I1 I2 3,824 1, 765 2, 059 A (8.19)

I R4 I2 1, 765 A (8.20)

VR1 I1.R1 3,824.2 7, 684V (8.21)

João Marcio Buttendorff 37


VR 2 I 2 .R2 1, 765.4 7, 06V (8.22)

VR 3 ( I1 I 2 ).R3 (3,824 1, 765).6 12,354V (8.23)

VR 4 I 2 .R4 1, 765.3 5, 295V (8.24)

Uma vez conhecidas as correntes e tensões nos ramos pode-se também determinar
as potências em cada um dos componentes bem como a potência total dissipada no
circuito.

8.7 Análise de Malhas com Fontes de Corrente

A análise de malhas, sendo um método geral de análise, pode também ser


empregada quando o circuito contiver fontes de corrente, sejam elas dependentes ou
independentes. As fontes de corrente impõem uma determinada corrente num ramo, não
sendo, contudo possível determinar à tensão da mesma antes de solucionar o circuito. Na
realidade a presença de uma fonte de corrente não altera praticamente nada no método de
análise descrito anteriormente. Estas características devem ser consideradas quando do
estabelecimento das equações do circuito.
Considerando que a fonte de corrente está inserida entre as malhas x e y conforme a
Fig. 8-3, observa-se que a tensão da fonte aparecerá nas equações de ambas as malhas que
possuem a fonte de corrente em comum. Como não há uma relação entre a corrente da
fonte e a sua tensão pode-se manter a tensão Vk da fonte como uma incógnita a ser
determinada. Por outro lado, devido à presença da fonte, as correntes das malhas x e y
estão relacionadas pela seguinte relação:
I Ix Iy (8.25)

Fig. 8-3 - Fonte de corrente entre duas malhas.

Desta forma, foi acrescentada uma incógnita ao sistema de equações, mas também
foi acrescentada uma equação, sendo ainda possível solucionar o circuito.

João Marcio Buttendorff 38


Também se pode eliminar a tensão da fonte do sistema de equações isolando-se a
tensão Vk na equação da malha x, por exemplo, e substituindo-a na equação da malha y.
Desta forma, elimina-se a equação de uma das malhas do sistema.
Caso a fonte de corrente estiver inserida num caminho por onde apenas uma malha
passa, significa que a corrente da malha está determinada pela própria corrente da fonte.
Neste caso pode-se desconsiderar a equação desta malha e estabelecer o seguinte valor
para a corrente da malha, conforme mostra a Fig. 8-4:
Ix I (8.26)

Fig. 8-4 - Fonte de corrente em uma única malha.

8.8 Exemplo de Aplicação

O exemplo mostrado na Fig. 8-5 ilustra o procedimento.

R1=6 R2=10
+ - + -

+
R3=2 +
I1 - I2
V=20V Malha 1 Malha 2 R4=4
+
-
Vf I=6A
-
Fig. 8-5 - Análise de malha com fonte de corrente.

Para este circuito, as equações das malhas são as seguintes:


Malha 1:
V VR1 VR 3 Vf 0 VR1 VR 3 Vf V (8.27)

Malha 2:
VR 2 VR 3 VR 4 Vf 0 (8.28)

As relações tensão corrente no circuito são as seguintes:

João Marcio Buttendorff 39


I R1 I1 (8.29)

I R2 I2 (8.30)

I R3 I1 I2 (8.31)

I R4 I2 (8.32)

VR1 I R1.R1 I1.R1 (8.33)

VR 2 I R 2 .R2 I 2 .R2 (8.34)

VR 3 I R 3 .R3 ( I1 I 2 ).R3 (8.35)

VR 4 I R 4 .R4 I 2 .R4 (8.36)

A equação adicional considerando a fonte de corrente é:


I I2 I1 (8.37)

Substituindo-se as equações (8.29) a (8.36) obtém-se finalmente as equações do


circuito. Deve-se notar que a tensão da fonte de corrente aparece como uma incógnita a
mais, havendo também uma equação a mais (equação (8.37)).
Malha 1:
VR1 VR 3 Vf V
I1.R1 ( I1 I 2 ).R3 Vf V (8.38)
I1.( R1 R3 ) I 2 .R3 Vf V

Malha 2:
VR 2 VR 3 VR 4 Vf 0
I 2 .R2 ( I1 I 2 ).R3 I 2 .R4 Vf 0 (8.39)
I1.R3 I 2 .( R2 R3 R4 ) V f 0

As equações (8.37), (8.38) e (8.39) são portanto as equações básicas do circuito,


sendo as incógnitas I1, I2 e Vf. Substituindo os valores nas equações, obtém-se:
I1 I2 6
8.I1 2.I 2 Vf 20 (8.40)
2.I1 16.I 2 Vf 0

Resolvendo-se o sistema acima, obtém-se finalmente a solução:


I1 3, 2 A
I2 2,8 A (8.41)
Vf 51, 2V

João Marcio Buttendorff 40


8.9 Exercícios

1-) Determine as correntes no circuito abaixo utilizando o método das correntes de malha.

4R 1R

I1 I2
25V 5R I3 6R

1R 3R

Respostas: I1=3A; I2=1A e I3=2A.

2-) Calcule a corrente em cada resistor, utilizando o método da corrente de malha.

2R 4R

I1 I2
10V 2R I3 10V

Respostas: I1=2A; I2=-1A e I3=3A.

3-) Calcule as correntes I1 e I2 e a corrente através da fonte de 20V, usando o método da


corrente de malha.

1R

I1 I2
22V 20V 4R

Respostas: I1=2A; I2=5A e I20V=-3A.

4-) Use o método das correntes de malha para determinar:


a) As potências associadas às fontes de tensão.
b) A tensão Vo entre os terminais do resistor de 8 .

2R 6R 4R

+
40V 8R Vo 6R 20V
_

Respostas: a) P40=224W e P20=16W; b) Vo=28,8V.

5-) Calcule as correntes nas malhas do circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 41


10R

3R 2R

100V 5A 50V

6R 4R

Respostas: I1=1,75A, I2=6,75A e I3=1,25A.

6-) Use o método das correntes de malha para determinar a potência dissipada no resistor
de 2 do circuito a seguir.

3R 8R

30V 2R 5R 16A

6R 4R

Resposta: P=72W.

7-) Use o método das correntes de malha para determinar a potência dissipada no resistor
de 1 no circuito abaixo.

2R

2A 2R

10V 2R 6V
1R

Resposta: P=36W.

8-) Determine pelo método das correntes de malha:


a) As correntes de ramo Ia, Ib e Ic.
b) Repita o item (a) se a polaridade da fonte de 64V for invertida.

3R 4R

Ia Ic
40V 45R Ib 64V
2R 1,5R

Respostas: a) Ia=9,8A, Ib=-0,2A e Ic=-10A; b) Ia=-1,72A, Ib=1,08A, Ic=2,8A.

9-) Use o método das correntes de malha para determinar:


a) A potência fornecida pela fonte de corrente de 30A.

João Marcio Buttendorff 42


b) A potência total fornecida ao circuito pelas fontes.

4R 3,2R

600V 16R 424V


5,6R 0,8R

30A

Respostas: a) P=-312W; b) 17,296kW.

10-) Use o método das correntes de malha para determinar a potência total fornecida pelas
fontes ao circuito.

6R

10R 12R

3R

110V 70V
12V
4R 2R

Resposta: P=1,14kW.

11-) Use o método das correntes de malha para determinar a potência dissipada nos
resistores do circuito abaixo.

3R 9R

18V 3A 15V
2R 6R

Respostas: P3R=1,08W, P2R=0,72W, P9R=51,84W e P6R=34,56W.

12-) O circuito da figura abaixo é um a versão em corrente contínua de um sistema de três


fios para distribuição de energia elétrica. Os resistores Ra, Rb e Rc representam as
resistências dos três condutores que ligam as três cargas R1, R2 e R3 à fonte de alimentação
125/250V. Os resistores R1 e R2 representam cargas ligadas aos circuitos de 125V e R3
representa uma carga ligada ao circuito de 250V.
a) Determine V1, V2 e V3.
b) Calcule a potência dissipada em R1, R2 e R3.
c) Que porcentagem da potência total fornecida pelas fontes é dissipada nas cargas?
d) O ramo Rb representa o condutor neutro do circuito de distribuição. Qual seria a
conseqüência desagradável de uma ruptura do condutor neutro? (Sugestão: Calcule

João Marcio Buttendorff 43


V1 e V2 e observe se as cargas ligadas a este circuito teriam uma tensão de trabalho
de 125V).

Ra=0,2R

+
125V V1 R1=9,4R
_
Rb=0,4R +
V3 R3=21,2R
_
+
125V V2 R2=19,4R
_
Rc=0,2R

Respostas: a) V1=117,758V, V2=123,9V, V3=241,658V; b) PR1=1,475kW,


PR2=791,3W, PR3=2,755kW; c-) 96,3%; e) V1=79V, V2=163V.

13-) Determine Vo e Io no circuito abaixo.

3R

1R Vo 2R

Io

2R 2.Io 16V

Respostas: Vo=33,78V e Io=10,67A.

14-) Aplique a análise de malhas para encontrar Vo no circuito abaixo.

5A
Vo

2R 8R
1R

4R 20V

40V

Resposta: Vo=20V.

15-) Utilize a análise da malhas para obter Io no circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 44


6V

2R 4R

Io 1R
12V

5R 3A

Resposta: Io=-1,733A.

9 MÉTODO DE ANÁLISE NODAL


A análise nodal envolve sempre os cinco passos descritos a seguir:

9.1 Seleção do Nó de Referência

Inicialmente deve ser selecionado um nó qualquer do circuito como nó de


referência, em relação ao qual todas as tensões serão medidas. O potencial deste nó será
assumido como zero, motivo pelo qual ele muitas vezes também é denominado de nó de
terra. Em seguida os demais nós são numerados de 1 a (n-1), sendo n o número total de nós
do circuito incluindo o nó de referência. As demais tensões dos nós serão designadas como
V1, V2, V3....Vn-1.

9.2 Aplicação da LCK aos Nós

Após a escolha do nó de referência e numeração dos nós restantes, deve-se aplicar a


Lei de Kirchhoff para os (n-1) nós. A LCK não necessita ser aplicada para o nó de
referência, uma vez que resultará numa equação a mais do que o necessário. Deve-se
adotar uma convenção de sinal de acordo com o sentido das correntes em relação aos nós.
Geralmente, considera-se que correntes que entram no nó são consideradas positivas,
enquanto que correntes que saem são consideradas negativas. Como resultado desta etapa
haverá (n-1) equações que representam os somatórios das correntes que incidem e saem
dos (n-1) nós.

9.3 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos

Uma vez que as equações da etapa anterior foram escritas em função das correntes
de nós e as incógnitas são tensões de nó, deve-se utilizar as relações de tensão-corrente
para substituir as correntes de nós por relações envolvendo as tensões de nó. Como
resultado desta etapa, obtém-se (n-1) equações envolvendo as tensões de nó. Deve-se
atentar que existe uma relação tensão-corrente para cada ramo, existindo, portanto b
relações deste tipo.

João Marcio Buttendorff 45


9.4 Solução do Sistema de Equações

Após a obtenção das equações de nó, deve-se utilizar algum método de solução e
determinar as (n-1) incógnitas. Caso o circuito seja composto apenas de resistores, obtém-
se um sistema de (n-1) equações algébricas onde os coeficientes são obtidos a partir das
resistências do circuito.

9.5 Obtenção das Correntes e Tensões de Ramos

Deve-se observar para o fato que, após solucionado o sistema de equações, pode-se
obter todas as correntes e tensões de ramo do circuito a partir das tensões de nó. Por
exemplo, a tensão do ramo k, conectado entre os nós x e y do circuito conforme a Fig. 9-1,
pode ser obtida pela seguinte equação:
Vk Vxy Vx Vy (9.1)

Ik
+ _

Vx Rk Vy
Fig. 9-1 - Tensão e corrente de ramo.

Considerando-se os sentidos associados, a corrente no ramo k que circula do nó x


para o nó y será dada como:
Vx Vy
Ik (9.2)
Rk

Rk – Resistência do ramo k (ohms)

9.6 Exemplo de Aplicação

O método exposto será ilustrado por meio de um exemplo simples ilustrado na Fig.
9-2, onde todas as etapas citadas serão realizadas.

Ib

I2
V1 + _ V2
1 2
R2
+ +
Ia R1 I1 R3 I3
_ _
0

Fig. 9-2 - Circuito de exemplo.

João Marcio Buttendorff 46


9.6.1 Seleção do Nó de Referência

Para o circuito mostrado na Fig. 9-2 existem 3 nós, sendo que o nó inferior será
escolhido como nó de referência (terra). As tensões nos outros dois nós serão denominados
V1 e V2. As correntes nos resistores R1, R2 e R3 serão denominadas I1, I2 e I3.

9.7 Aplicação da LCK aos Nós

Aplicando-se a LCK para os nós 1 e 2 e considerando-se como positivas as


correntes que entram no nós, obtém-se:
Nó 1:
Ia Ib I1 I2 0 I1 I2 Ia Ib (9.3)

Nó 2:
Ib I2 I3 0 I2 I3 Ib (9.4)

9.7.1 Consideração das Relações Tensão-Corrente dos Ramos

Considerando os sentidos das tensões e correntes associados aos resistores (Ramos)


do circuito, obtém-se:
V1 0 V1
I1 (9.5)
R1 R1

V1 V2
I2 (9.6)
R2
V2 0 V2
I3 (9.7)
R3 R3

Substituindo-se as equações (9.5), (9.6) e (9.7) nas equações (9.3) e (9.4), obtém-se
o seguinte sistema de equações em termos das resistências e fontes de corrente:
V1 V1 V2 1 1 V2
Ia Ib V1. Ia Ib (9.8)
R1 R2 R1 R2 R2

V1 V2 V2 V1 1 1
Ib V 2. Ib (9.9)
R2 R3 R2 R2 R3

9.7.2 Solução do Sistema de Equações

A solução do sistema será realizada considerando os seguintes valores numéricos:

João Marcio Buttendorff 47


Ia 5A Ib 3A
R1 2 R2 4 R3 8
Com os valores dos resistores e das fontes de corrente, o sistema de equações
assumirá a seguinte forma:
0, 75.V1 0, 25.V2 2
(9.10)
0, 25.V1 0, 375.V2 3

Solucionando-se o sistema, obtém-se:


V1 6,857V
V2 12, 571V

9.7.3 Obtenção das Correntes e Tensões de Ramos

A partir das tensões dos nós V1 e V2 obtém-se por meio das equações (9.5) a (9.7)
as correntes de ramo:
V1 6,857
I1 3, 429 A (9.11)
R1 2

V1 V2 6,857 12, 571


I2 1, 429 A (9.12)
R2 4
V2 12, 571
I3 1,571A (9.13)
R3 8

As tensões sobre os ramos serão dadas pelas seguintes equações:


VR1 V1 0 6,857V (9.14)

VR 2 V1 V2 6,857 12,571 5, 714V (9.15)

VR 3 V2 0 12,571V (9.16)

O sinal negativo da tensão VR2 que aparece na solução significa que a tensão que
efetivamente existe sobre este componente possui polaridade contrária ao sentido assumido
como positivo. Da mesma forma, a corrente negativa significa que o sentido que
efetivamente existe é contrário aquele considerado positivo.
Com a determinação de todos as tensões e correntes do circuito, pode-se também
determinar a potência dissipada em cada um dos resistores e nas fontes de corrente.

9.8 Análise Nodal com Fontes de Tensão

A análise nodal, sendo um método geral de análise, pode também ser empregada
quando o circuito contiver fontes de tensão sejam elas dependentes ou independentes. As

João Marcio Buttendorff 48


fontes de tensão impõem uma determinada diferença de potencial entre dois nós, não sendo
possível determinar a corrente da mesma antes de solucionar o circuito. Estas
características devem ser consideradas quando do estabelecimento das equações do
circuito. Existem diversas formas de considerar o efeito das fontes de tensão, sendo que
uma delas é descrita a seguir.
Considerando que a fonte de tensão está conectada entre os terminais x e y
conforme a Fig. 9-3, observa-se que a corrente da fonte aparecerá nas equações de ambos
os nós do circuito onde a fonte está conectada. Como não há uma relação entre a corrente
da fonte e a sua tensão, pode-se manter a corrente Ik como uma incógnita a ser
determinada. Por outro lado, as tensões dos nós x e y estão relacionados da seguinte forma.
V Vx Vy (9.17)

Ik Ik
x y
+ _ Vy
Vx
V
Fig. 9-3 - Fonte de tensão entre dois nós.

Desta forma, foi acrescentada uma incógnita ao sistema de equações (Ik), mas
também foi acrescentada uma equação (9.17), sendo ainda possível solucionar o circuito.
Caso a fonte de tensão estiver conectada entre o nó x e o nó de terra, significa que a
tensão do nó está imposta, podendo-se neste caso desconsiderar a equação deste nó e
estabelecer o seguinte valor para a tensão do nó:
V Vx (9.18)

O exemplo mostrado na Fig. 9-4 ilustra este procedimento.

I3
_
+
R3=10R
V=2V_
V1 + V2
1 2
+ +
Ia R1 If R2 Ib
I1 I2
2A 2R 4R 7A
_ _
0

Fig. 9-4 - Análise nodal com fonte de tensão.

As equações dos nós para este circuito são:


Nó 1:
Ia If I1 I3 0 I1 I3 If Ia (9.19)

Nó 2:

João Marcio Buttendorff 49


I3 I2 If Ib 0 I2 I3 If Ib (9.20)

As relações tensão corrente são:


V1 0 V1
I1 (9.21)
R1 R1

V2 0 V2
I2 (9.22)
R2 R2
V1 V2
I3 (9.23)
R3

A equação adicional considerando a fonte de tensão é:


V V1 V2 (9.24)

Substituindo-se as relações (9.21) a (9.23) obtém-se finalmente as equações do


circuito. Deve-se observar que a corrente da fonte de tensão aparece como uma incógnita a
mais, havendo também uma equação a mais (equação (9.24)).
I1 I3 If Ia
V1 V1 V2
If Ia (9.25)
R1 R3
1 1 V2
V1. If Ia
R1 R3 R3

I2 I3 If Ib
V2 V1 V2
If Ib (9.26)
R2 R3
V1 1 1
V2 . If Ib
R3 R2 R3

Substituindo-se os valores nas equações, obtém-se o seguinte sistema:


0, 6.V1 0,1.V2 If 2
0,1.V1 0,35.V2 If 7 (9.27)
V1 V2 2

Resolvendo-se o sistema, obtém-se as incógnitas desconhecidas:


V1 6V
V2 8V
If 4,8 A

João Marcio Buttendorff 50


9.9 Exercícios

1-) Calcule as correntes e as tensões nos resistores utilizando a análise nodal.

R1 R3

12R 3R

84V R2 6R 21V

Respostas: V1=60V; V2=24V; V3=3V; I1=5A; I2=4A e I3=1A.

2-) Obtenha as tensões nodais do circuito abaixo.

1 6R 2

1A 2R 7R 4A

Respostas: V1=-2V e V2=-14V.

3-) Determine pelo método das tensões de nó:


a) V1, V2 e I1.
b) A potência fornecida pela fonte de 15A.
c) A potência fornecida pela fonte de 5A.

5R

+ I1 +
15A V1 60R 15R 2R V2 5A
_ _

Respostas: a) V1=60V, V2=10V, I1=10A; b) P=900W; c) P=-50W.

4-) Use o método das tensões de nó para determinar o valor de V no circuito abaixo.

6R 2R 4R
+

4,5A 1R V 12R 30V

Resposta: V=15V.

5-) Determine pelo método das tensões de nó a tensão V1 e a potência fornecida pela fonte
de 60V no circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 51


60V 10R

+
4A V1 20R 80R 30R
_

Respostas: V1=20V e P=180W.

6-) Determine pelo método das tensões de nó:


a) As correntes nos ramos.
b) A potência total consumida no circuito.

8R 18R 10R

Ia Ic Ie
128V 48R Ib 20R Id 70V

Respostas: a) Ia=4A, Ib=2A, Ic=2A, Id=3A, Ie=-1A; b) P=582W.

7-) Use o método das tensões de nó para determinar V1 e V2 no circuito abaixo.

25R

+ +
2,4A V1 125R 250R V2 375R 3,2A
_ _

Respostas: V1=25V e V2=90V.

8-) Use o método das tensões de nó para determinar Vo no circuito.

800R

20R 40R
_
Vo +

75V 50R 6A 200R

Resposta: Vo=40V.
9-) Use o método das tensões de nó para determinar V1 e V2 no circuito abaixo.

4R 80R

+ +
144V 10R V1 V2 3A 5R
_ _

Respostas: V1=100V e V2=20V.

10-) Use o método das tensões de nó para determinar a potência dissipada no circuito
abaixo.

João Marcio Buttendorff 52


4A

15R 25R

30V 31,25R 50R 1A

50R

Resposta: P=306W.

11-) Encontre Io no circuito abaixo.

1R

4A 2.Io

Io

8R 2R 4R

Resposta: Io=-4A.

12-) Determine V1 e V2 no circuito abaixo.

8R

+ Vo - 3A
V1 V2

2R
1R

12V 4R
_
5.Vo
+

Respostas: V1=-10,91V e V2=-100,36V.

13-) Utilize a análise nodal para encontrar Vo no circuito abaixo.

3R 5R

3V
+
+
Vo 2R 4.Vo _
_
1R

Resposta: Vo=1,11V.

João Marcio Buttendorff 53


10 SUPERPOSIÇÃO
O princípio da superposição estabelece que quando um circuito contiver mais de
uma fonte independente, a resposta do circuito pode ser obtida da resposta individual do
circuito a cada uma das fontes atuando de forma isolada. Desta forma, pode-se determinar
a resposta individual do circuito considerando-se as fontes uma a uma e, ao final, somar
algebricamente as respostas individuais. A utilização do princípio da superposição pode,
em muitos casos reduzir a complexidade do circuito e facilitar a solução. Para a resolução
de circuitos utilizando o princípio da superposição deve-se levar em consideração os
seguintes passos:
1. Desligar todas as fontes independentes do circuito, exceto uma. Fontes de
tensão são substituídas por curtos-circuitos e fontes de corrente por circuitos
abertos. Fontes dependentes não devem ser alteradas.
2. Repetir o passo 1 até que todas as fontes independentes foram consideradas.
3. Determinar a resposta total somando-se as respostas individuais de cada
fonte. As tensões e correntes de cada ramo serão a soma das tensões e
correntes individuais obtidas. Deve-se observar o sentido das correntes e
tensões nas respostas individuais.

10.1 Exemplo de Aplicação

Considere o circuito da Fig. 10-1, onde existe duas fontes independentes. Deseja-se
calcular a corrente Ia e a potência dissipada no resistor de 4 .

5R 30R 10R

Ia

10A 20R 4R 15V

Fig. 10-1 - Circuito de exemplo.

Inicialmente será considerado apenas o efeito da fonte de corrente, sendo a de


tensão substituída por um curto-circuito. O circuito equivalente é apresentado na Fig. 10-2.

5R 30R 10R

Ia'

10A 20R 4R

Fig. 10-2 - Circuito equivalente para a fonte de corrente.

Solucionando-se o circuito obtém-se a corrente Ia’=2,703A. Esta corrente é


considerada positiva, pois coincide com o sentido arbitrado como positivo.

João Marcio Buttendorff 54


Considerando-se agora o efeito causado pela fonte de tensão, obtém-se o circuito
apresentado na Fig. 10-3.

5R 30R 10R

Ia''

20R 4R 15V

Fig. 10-3 - Circuito equivalente para a fonte de tensão.

Resolvendo-se o circuito, obtém-se uma corrente Ia’’=-1,014A. A corrente tem um


valor negativo pelo fato de que neste caso a fonte de tensão impõe uma corrente que
circula no sentido contrário ao assumido como positivo. Desta forma, pelo princípio da
superposição, a corrente total que circula no resistor será:
I a = I a ' + I a ''
(10.1)
I a = 2, 703 − 1, 014 = 1, 689 A

A potência dissipada no resistor será:

P = R.I a 2
(10.2)
P = 4.(1, 689)2 = 11, 41W

10.2 Exercícios

1-) Use o teorema da superposição para encontrar V no circuito abaixo.

8R

+
6V 4R V 3A
_

Resposta: V=10V.

2-) Determine a tensão Vo usando o teorema da superposição.

3R 5R

+
2R Vo 8A 20V
_

Resposta: Vo=12V.

João Marcio Buttendorff 55


3-) Determine o valor da corrente I, usando o princípio da superposição.

2R

6R 8R I

4A

16V 12V

Resposta: I=0,75A.

4-) Determine a corrente I do circuito apresentado abaixo.

24V
8R

4R 4R

12V 3R 3A

Resposta: I=2A.

5-) Dado o circuito abaixo, utilize a superposição para determinar Io.

4A

Io 4R 3R 2R

12V 10R 5R 2A

Resposta: Io=0,1111A.

6-) Utilize a superposição para obter a tensão Vx no circuito abaixo.

20R Vx

10V 2A 4R 0,1.Vx

Resposta: Vx=12,5V.

7-) Determine Ix no circuito abaixo pelo método da superposição.

João Marcio Buttendorff 56


2R

Ix 5.Ix
1R

10V 2A 4R

Resposta: Ix=-0,1176A.

8-) Determine Io no circuito abaixo.

2R

3R
5.Io
1R
4A + |
Io

5R 4R
20V

Resposta: Io=-0,4706A.

11 CIRCUITOS EQUIVALENTES DE THÉVENIN E NORTON

11.1 Introdução

Em muitos casos práticos existe a necessidade de determinar a tensão, corrente e


potência em apenas um ramo (componente) do circuito. Assim, não existe a necessidade de
determinação das tensões e correntes em todos os ramos do circuito. Neste contexto, os
teoremas de Thévenin e Norton permitem que seja determinado um circuito equivalente
simples a partir de dois terminais, o qual pode substituir uma rede complexa e simplificar a
resolução.

11.2 Circuito Equivalente de Thévenin

A idéia do circuito equivalente de Thévenin está ilustrada na Fig. 11-1. A figura


(A) representa qualquer circuito constituído por fontes e resistores; as letras a e b indicam
os terminais na qual se tem interesse em obter a tensão, corrente ou potência. O circuito
equivalente de Thévenin aparece na figura (B). Como se pode ver na figura, o circuito
equivalente de Thévenin é constituído por uma fonte independente de tensão, VTh, e um

João Marcio Buttendorff 57


resistor, RTh, que substituem todas as fontes e resistores do circuito. Esta combinação em
série de VTh e RTh é equivalente ao circuito original no sentido de que, se ligarmos a
mesma carga aos terminais a e b dos circuitos, ela será submetida à mesma tensão e será
atravessada pela mesma corrente. Esta equivalência existe para todos os valores possíveis
de resistência da carga.

a a
Circuito RTh
Resistivo
VTh
Contendo
Fontes
b b
(A) (B)
Fig. 11-1 - (A) Circuito genérico; (B) Circuito equivalente de Thévenin.

Para se obter a tensão de Thévenin em um ponto do circuito, basta calcular a tensão


nos terminais a e b quando estes estão em aberto.
VTh Vab (11.1)

A resistência equivalente de Thévenin (RTh) é a resistência equivalente do circuito


obtida a partir dos terminais a e b, com todas as fontes independentes consideradas nulas.
Para isto, substituem-se as fontes de tensão por um curto-circuito e as fontes de corrente
por circuitos abertos.

11.3 Circuito Equivalente de Norton

O circuito equivalente de Norton é constituído por uma fonte independente de


corrente em paralelo com uma resistência, conforme mostrado na Fig. 11-2. O valor da
corrente da fonte é a corrente que circula do terminal a para b quando estes são curto-
circuitados (Corrente de Norton, IN). A resistência de Norton (RN) é aquela obtida dos
terminais a e b quando todas as fontes são anuladas. Como a resistência a partir de dois
terminais só possui um valor, a resistência de Thévenin e Norton são, portanto, idênticas,
bastando que esta seja determinada para um dos circuitos equivalentes (RTh=RN).

a a
Circuito
Resistivo
IN RN
Contendo
Fontes b
b
(A) (B)
Fig. 11-2 - (A) Circuito genérico; (B) Circuito equivalente de Norton.

Uma alternativa para obter o circuito equivalente de Thévenin ou Norton, é


utilizando-se técnicas de transformação de fontes. Uma transformação de fonte permite
substituir uma fonte de tensão em série com um resistor por uma fonte de corrente em
paralelo com o mesmo resistor, ou vice-versa.

João Marcio Buttendorff 58


A equações (11.2) e (11.3) apresentam as relações para obter a corrente de Norton
ou a tensão de Thévenin quando utiliza-se destas técnicas.
VTh
IN (11.2)
RTh

VTh I N .RN (11.3)

11.4 Exemplo de Aplicação

O exemplo mostrado na Fig. 11-3 ilustra este procedimento.

5R 4R
a
+ +
25V 20R 3A V1 Vab
_ _
b
Fig. 11-3 - Circuito de exemplo.

Para determinar o circuito equivalente de Thévenin do circuito da Fig. 11-3,


calcula-se primeiramente a tensão de circuito aberto entre os terminais a e b. Observe que,
quando não há nenhuma carga ligada aos terminais a e b, a corrente no resistor de 4 é
zero, e portanto a tensão de circuito aberto, Vab, é igual à tensão entre os terminais da fonte
de corrente de 3A, V1. Para obter o valor de V1, basta resolver uma única equação de nó.
Escolhendo-se o nó inferior como nó de referência e adotando-se os sentidos das correntes
conforme a Fig. 11-4, obtém-se:

5R 4R
a
I1 + +
I2
25V 20R 3A V1 Vab
_ _
b
Fig. 11-4 - Sentido das correntes.

I1 I2 3
V1 25 V1 (11.4)
3
5 20

Resolvendo-se a equação, obtém-se:


V1 Vab 32V

João Marcio Buttendorff 59


Conforme apresentado anteriormente, a resistência de Thévenin é a resistência vista
pelos terminais a e b com as fontes anuladas. Anulando-se as fontes, obtém-se o circuito
equivalente da Fig. 11-5.

5R 4R
a

20R RTh

b
Fig. 11-5 - Resistência equivalente.

Resolvendo-se o circuito equivalente pelo método das associações de resistores,


obtém-se:
RTh 8

Através da obtenção da resistência e tensão de Thévenin, pode-se montar o circuito


equivalente.

RTh=8R

VTh=32V

Fig. 11-6 - Circuito equivalente de Thévenin.

Aplicando a transformação de fontes, determina-se o circuito equivalente de


Norton.
VTh 32
IN
RTh 8
IN 4A

IN=4A RN=8R

Fig. 11-7 - Circuito equivalente de Norton.

11.5 Exercícios

1-) Determine o circuito equivalente de Thévenin e Norton do ponto de vista dos terminais
a e b do circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 60


4R
a

10V 6R

b
Respostas: VTh=6V; IN=2,5A e RTh=RN=2,4 .

2-) Determine o equivalente de Thévenin de Norton do circuito abaixo.

3R
a

12V 2R

5R
b
Respostas: VTh=2,4V; IN=1,5A e RTh=RN=1,6 .

3-) Determine o circuito equivalente de Thévenin de Norton do circuito abaixo.

3R
a

12V 2R 2R

5R
b
Respostas: VTh=1,33V; IN=1,5A e RTh=RN=0,89 .

4-) Determine o circuito equivalente de Thévenin do circuito abaixo do ponto de vista dos
terminais a e b.

12R

5R 8R
a

72V 20R

b
Respostas: VTh=64,8V e RTh 6 .

5-) Determine o circuito equivalente de Norton do circuito abaixo.

2R
a

15A 8R 12R
10R
b
Respostas: IN=6A e RN 7, 5 .

João Marcio Buttendorff 61


6-) Determine o circuito equivalente de Norton e thévenin do circuito abaixo em relação
aos terminais a e b.

40R

5R 1,5A
a

30V 25R 60R

20R
b
Respostas: VTh=45V, IN=1,5A e RTh 30 .

7-) Determine o circuito equivalente de Thévenin e Norton do circuito abaixo.

8A

12R 2R
a

12V 6R

b
Respostas: VTh=52V, IN-=8,67A e RTh 6 .

8-) Obtenha o circuito equivalente de Thévenin para o circuito à esquerda dos terminais a-
b. Determine, então, a corrente através do resistor RL, para RL=6, 16 e 36 .

4R 1R
a

32V 12R 2A RL

b
Respostas: IL=3A, IL=1,5A e IL=0,75A.

9-) Determine o circuito equivalente de Norton.

8R
a

4R

2A 5R

12V
8R
b
Resposta: IN=1A e RN=4 .

João Marcio Buttendorff 62


10-) Determine o circuito equivalente de Norton para o circuito apresentado abaixo.

2.Vx
+ | a

+
6R 10A 2R Vx
_

b
Resposta: IN=10A e RN=1 .

11-) Determine o equivalente de Thévenin para o circuito apresentado abaixo.

2.Vx
| +

2R 2R
a
+
5A 4R Vx 6R
_

b
Resposta: VTh=20V e RTh=6 .

12 Indutores e Capacitores
Indutores e capacitores são elementos passivos que armazenam energia em
circuitos elétricos. Os indutores armazenam energia em forma de campo magnético,
enquanto os capacitores armazenam no campo elétrico.

12.1 Indutor

O indutor é um componente passivo que se opõe a variações da corrente elétrica.


Ele é composto basicamente por um enrolamento de fio condutor em torno de um núcleo,
conforme apresentado na Fig. 12-1.

Espiras

Núcleo

Fig. 12-1 - Indutor.

O comportamento dos indutores se baseia em fenômenos associados a campos


magnéticos. O campo magnético criado em torno de um fio condutor tem a forma de anéis
concêntricos com o condutor. A direção do campo (das linhas de força) pode ser

João Marcio Buttendorff 63


determinada pela “regra da mão direita”. Esta regra estabelece que quando se toma com a
mão direita um cabo condutor de corrente de tal forma que o polegar indique o sentido da
corrente, os dedos restantes indicaram o sentido circular do campo magnético produzido.

Sentido do campo
V Magnético

Fig. 12-2 - Campo criado pela corrente I.

Estes campos magnéticos são produzidos por cargas elétricas em movimento, ou


seja, por corrente elétrica. Quando uma corrente elétrica varia com o tempo, o campo
magnético produzido por esta corrente também irá variar. Um campo magnético variável
induz uma tensão em um condutor imerso no campo. A tensão induzida está relacionada a
corrente por um parâmetro chamado Indutância.
A indutância é simbolizada pela letra L, medida em Henry (H). A Fig. 12-3 mostra
o símbolo de um indutor. A tensão entre os terminais de um indutor é proporcional à taxa
de variação da corrente que o atravessa e é dado pela equação (12.1):
di (t )
vL (t ) = L. (12.1)
dt

Onde: vL = Tensão em volts (V);


L = Indutância em Henry (H);
i = Corrente em ampères (A);
t = Tempo em segundos (s).

+ VL _

I
Fig. 12-3 - Símbolo do indutor.

Duas observações importantes podem ser feitas a respeito da equação (12.1). Em


primeiro lugar, quando a corrente é constante, a tensão entre os terminais de um indutor
ideal é nula; em outras palavras, o indutor se comporta como um curto circuito para
corrente contínua. Em segundo lugar, a corrente que atravessa o indutor não pode variar
instantaneamente, ou seja, não pode sofrer uma variação finita em um tempo infinitesimal.
De acordo com a equação (12.1), esta variação faria aparecer uma tensão infinita entre os
terminais do indutor, o que é obviamente impossível. Assim, por exemplo, quando alguém
abre um interruptor em um circuito indutivo, a corrente inicialmente contínua passa de um
dos contatos do interruptor para o outro através do ar, este fenômeno é chamado de
centelhamento. O centelhamento impede que a corrente diminua instantaneamente para

João Marcio Buttendorff 64


zero. Ligar e desligar circuitos indutivos constitui um sério problema na engenharia, já que
o centelhamento e os picos de tensão associados podem danificar os equipamentos.
Isolando-se a corrente na equação (12.1), obtém-se a equação que determina o
comportamento da corrente nos indutores.
t
1
iL (t ) = . vL (t ).dt + iL (0) (12.2)
L t0

12.2 Associação de Indutores

Assim como as combinações de resistores em série e em paralelo podem ser


reduzidas a um único resistor equivalente, combinações de indutores em série e em
paralelo podem também ser reduzidas a um único indutor equivalente. A Fig. 12-4 mostra
indutores em série.

+ VL1 - + VL2 - + VL3 - + VLn -


L1 L2 L3 Ln

V
Fig. 12-4 - Indutores em série.

Como a corrente é a mesma em todos os indutores e a Lei de Kirchhoff das tensões


estabelece que a soma das tensões em um circuito fechado é igual a zero, obtém-se:
V = VL1 + VL 2 + VL 3 + ... + VLn (12.3)

Substituindo-se as quedas de tensões nos indutores representados pela equação


(12.1) na equação (12.3), obtém-se:
di di di di
V = L1. + L2 . + L3 . + ... + Ln . (12.4)
dt dt dt dt

di
V = ( L1 + L2 + L3 + ... + Ln ) . (12.5)
dt

Por outro lado, para o indutor equivalente existe a seguinte relação:


di
V = Leq . (12.6)
dt

Substituindo-se a equação (12.6) na (12.5) e dividindo-se ambos os lados da


equação por di dt , determina-se a equação da indutância equivalente para indutores
ligados em série.

João Marcio Buttendorff 65


Leq = L1 + L2 + L3 + ... + Ln (12.7)

A Fig. 12-5 apresenta o circuito equivalente da Fig. 12-4.

V Leq

Fig. 12-5 - Circuito equivalente.

Quando dois ou mais indutores são ligados em paralelo, conforme apresentado na


Fig. 12-6, todos estarão submetidos a mesma tensão, porém a corrente total do circuito será
a soma das correntes individuais que atravessa cada indutor.

I1 I2 I3 In
I

V L1 L2 L3 Ln

Fig. 12-6 - Indutores em paralelo.

Aplicando-se a Lei de Kirchhoff das correntes, obtém-se:


I = I1 + I 2 + I 3 + ... + I n (12.8)

Substituindo-se a equação (12.2) na equação (12.8), obtém-se:


t t
1 1
I= . vL (t ).dt + iL1 (0) + . vL (t ).dt + iL 2 (0) +
L1 t0 L2 t0
t t
(12.9)
1 1
. vL (t ).dt + iL 3 (0) + ... + . vL (t ).dt + iLn (0)
L3 t0 Ln t0

t
1 1 1 1
I= + + + ... + . vL (t ).dt + iL1 (0) + iL 2 (0) + iL 3 (0) + ... + iLn (0) (12.10)
L1 L2 L3 Ln t0

A corrente total em função da indutância equivalente e definida por:


t
1
I= . vL (t ).dt + iLeq (0) (12.11)
Leq t0

Substituindo a equação (12.11) na (12.10), obtém-se a indutância equivalente da


associação paralela de n indutores.

João Marcio Buttendorff 66


1 1 1 1 1
= + + + ... + (12.12)
Leq L1 L2 L3 Ln

1
Leq = (12.13)
1 1 1 1
+ + + ... +
L1 L2 L3 Ln

A corrente inicial equivalente será dada pela soma de todas as correntes iniciais.
iLeq (0) = iL1 (0) + iL 2 (0) + iL 3 (0) + ... + iLn (0) = 0 (12.14)

Para o caso particular de dois indutores em paralelo, pode-se utilizar a equação


(12.15) para determinar a indutância equivalente.
L1.L2
Leq = (12.15)
L1 + L2

12.3 Capacitor

Os capacitores são elementos passivos que tem a propriedade em um circuito


elétrico de se opor a qualquer variação da tensão.
Os capacitores são constituídos por duas placas metálicas, separadas por uma
camada isolante. O isolante pode ser o ar ou qualquer outro material com características
adequadas. A Fig. 12-7 apresenta o aspecto construtivo de um capacitor.

A
d

Fig. 12-7 - Construção básica do capacitor.

A capacitância de um capacitor é determinada por três fatores:


• Superfície das placas (Área);
• Distância entre as placas;
• Constante dielétrica ε , que é uma característica do tipo de isolação utilizada
entre as placas.
A capacitância em função dos três fatores mencionados é dada pela equação
(12.16).
A
C = ε. (12.16)
d
Onde: A = Área, em metros (m);
d = Distância, em metros (m);
C = Capacitância, em Farads (F).

João Marcio Buttendorff 67


Quando uma tensão é aplicada aos terminais de um capacitor, as cargas elétricas
que existem no dielétrico não podem se mover de uma placa para outra, já que o dielétrico
é um material isolante, mas são deslocadas em relação á sua posição de equilíbrio. Quando
a tensão varia com o tempo, a posição das cargas também varia com o tempo, dando
origem à chamada corrente de deslocamento.
A corrente de deslocamento é proporcional à taxa de variação da tensão entre os
terminais do capacitor e é determinado pela equação (12.17).
dv(t )
iC (t ) = C. (12.17)
dt

Onde: v = Tensão em volts (V);


C = Capacitância em Farads (F);
IC = Corrente em ampères (A);
t = Tempo em segundos (s).

Duas observações importantes podem ser feitas a respeito da equação (12.17). Em


primeiro lugar, quando a tensão é constante, a corrente em um capacitor é nula; em outras
palavras, o capacitor se comporta como um circuito aberto para corrente contínua. Em
segundo lugar, a tensão entre os terminais de um capacitor não pode variar
instantaneamente, ou seja, não pode sofrer uma variação finita em um tempo infinitesimal.
De acordo com a equação, esta variação faria aparecer uma corrente infinita no capacitor, o
que é obviamente impossível.
Isolando-se a tensão na equação (12.17), obtém-se a equação que determina o
comportamento da tensão nos capacitores.
t
1
vC (t ) = . iC (t ).dt + vC (0) (12.18)
C t0

A Fig. 12-8 apresenta a simbologia comumente usada para representar os


capacitores.

Comum Comum Eletrolítico

Eletrolítico Variável
Fig. 12-8 – Simbologia.

Abaixo estão relacionados alguns tipos de capacitores.


Capacitor de cerâmica: Consiste de um tubo ou disco de cerâmica de constante
dielétrica na faixa de 10 a 10.000. Uma fina camada de prata é aplicada a cada lado do
dielétrico. Este tipo de capacitor é caracterizado por baixas perdas, pequeno tamanho e
uma conhecida característica de variação de capacitância com a temperatura.
Capacitor de papel: Consiste de folhas de alumínio e papel kraft (normalmente
impregnado com graxa ou resina) enroladas e moldadas formando uma peça compacta. Os
capacitores de papel são disponíveis na faixa de 0,0005µF a aproximadamente 2µF.

João Marcio Buttendorff 68


Capacitor de filme plástico: É bastante similar ao capacitor de papel, na sua forma
construtiva. Dielétricos de filme plástico, com poliéster ou polipropileno, separam folhas
metálicas usadas como placas. O capacitor é enrolado e encapsulado em plástico ou metal.
Capacitor de mica: Consiste de um conjunto de placas dielétricas de mica
alternadas por folhas metálicas condutoras. O conjunto é então encapsulado em um molde
de resina fenólica.
Capacitor de vidro: É caracterizado por camadas alternadas de folhas de alumínio
e tiras de vidros, agrupadas até que seja obtida a estrutura do capacitor desejado. A
construção é então fundida em um bloco monolítico com a mesma composição do vidro
usado como dielétrico.
Capacitor eletrolítico: Consiste de duas placas separadas por um eletrólito e um
dielétrico. Este tipo de capacitor possui altos valores de capacitância, na faixa de
aproximadamente 1µF até milhares de µF. As correntes de fuga são geralmente maiores do
que aos demais tipos de capacitores.
Os capacitores variáveis geralmente utilizam o ar como dielétrico e possuem um
conjunto de placas móveis que se encaixam num conjunto de placas fixas. Outro tipo de
capacitor variável é o trimmer ou padder, formado por duas ou mais placas separadas por
um dielétrico de mica. Um parafuso é montado de forma que ao apertá-lo, as placas são
comprimidas contra o dielétrico reduzindo sua espessura e, conseqüentemente,
aumentando a capacitância.

12.4 Associação de Capacitores

Para os capacitores, também é possível obter um circuito equivalente para n


capacitores associados em série, em paralelo ou mistos.
A Fig. 12-9 apresenta a associação em série de capacitores ligados a uma fonte de
tensão.
+ VC1 - + VC2 - + VC3 - + VCn -

C1 C2 C3 Cn
I

V
Fig. 12-9 - Circuito série.

A Lei das tensões de Kirchhoff estabelece que a soma das tensões em um circuito
fechado é igual a zero.
V = VC1 + VC 2 + VC 3 + ..... + VCn (12.19)

Substituindo a equação (12.18) na (12.19), obtém-se:


t t
1 1
V= . iC (t ).dt + vC1 (0) + . iC (t ).dt + vC 2 (0) +
C1 t0 C2 t0
t t
(12.20)
1 1
. iC (t ).dt + vC 3 (0) + ... + . iC (t ).dt + vCn (0)
C3 t0 Cn t0

João Marcio Buttendorff 69


t
1 1 1 1
V= + + + ... + . iC (t ).dt + vC1 (0) + vC 2 (0) + vC 3 (0) + ... + vCn (0) (12.21)
C1 C2 C3 Cn t 0

O capacitor equivalente é definido por:


t
1
V= . iC (t ).dt + vCeq (0) (12.22)
Ceq t0

Substituindo-se a equação (12.22) na (12.21) obtém-se a equação que determina a


capacitância equivalente para a associação em série de n capacitores.
1 1 1 1 1
= + + + ..... + (12.23)
Ceq C1 C2 C3 Cn

1
Ceq = (12.24)
1 1 1 1
+ + + ... +
C1 C2 C3 Cn

A tensão inicial equivalente será dada pela soma de todas as tensões iniciais.
vCeq (0) = vC1 (0) + vC 2 (0) + vC 3 (0) + ... + vCn (0) (12.25)

Para o caso particular de dois capacitores, pode-se determinar a capacitância


equivalente através da equação (12.26).
C1.C2
Ceq = (12.26)
C1 + C2

Na Fig. 12-10 é mostrado um circuito paralelo na qual todos os capacitores estão


conectados aos mesmos nós. Desta maneira, a tensão sobre cada capacitor é igual à tensão
da fonte.

I I1 I2 I3 In

V C1 C2 C3 Cn

Fig. 12-10 - Circuito paralelo.

Em um circuito paralelo, a corrente total da fonte de alimentação é igual à soma das


correntes individuais.
I = I1 + I 2 + I 3 + ... + I n (12.27)
Substituindo a equação (12.17) na (12.27) e dividindo-se ambos os lados da
equação por dv dt , obtém-se a equação que determina a capacitor equivalente para o caso
de capacitores conectados em paralelo.

João Marcio Buttendorff 70


Ceq = C1 + C2 + C3 + .... + Cn (12.28)

12.5 Exercícios

1-) Determine o circuito equivalente do circuito abaixo do ponto de vista dos terminais a e
b.
21H

4H 15H
a

44H 12H 10H 25H

1,2H
b
Resposta: Leq=8,64H.

2-) Determine o circuito equivalente.

12mH 5mH

10mH 80mH 60mH 6mH 14mH

24mH 15,8mH

Resposta: Leq=20mH.

3-) Calcule a indutância equivalente co circuito abaixo.

20mH 100mH 40mH

50mH 40mH 30mH 20mH

Resposta: Leq=25mH.

4-) Determine o circuito equivalente do circuito capacitivo apresentado abaixo.

8uF

16uF 4uF

5uF 1,6uF 6uF


12uF

Resposta: Ceq=6uF.

João Marcio Buttendorff 71


5-) Determine o circuito equivalente.

8nF 18nF

12,8nF 5,6nF 8nF


40nF 32nF

Resposta: Ceq=5nF.

6-) Calcule a capacitância equivalente vista nos terminais do circuito abaixo.

50uF
60uF

70uF

20uF 120uF

Resposta: Ceq=40uF.

13 ANÁLISE DE CIRCUITOS SENOIDAIS


Até agora, limitamos nossas discussões a circuitos com fontes de tensão ou de
corrente contínua. Neste item, será estudada a resposta em regime permanente de circuitos
alimentados por fontes de tensão ou de corrente que variam com o tempo. Em particular, a
fontes nas quais o valor da tensão ou da corrente varia senoidalmente. As fontes senoidais
e seus efeitos nos circuitos constituem uma importante área de estudo, devido à geração,
transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica serem feitas na forma de tensões e
correntes senoidais.

13.1 Fontes Senoidais

Uma fonte de tensão senoidal (independente ou dependente) produz uma tensão


que varia senoidalmente com o tempo. Uma fonte de corrente senoidal (independente ou
dependente) produz uma corrente que varia senoidalmente com o tempo. Para iniciar os
estudos dos circuitos senoidais, utilizaremos uma fonte de tensão, mas as observações
também se aplicam a fontes de corrente.
Pode-se expressar uma função senoidal através da função seno ou da função co-
seno. Embora as duas funções sejam equivalentes, não se pode usá-las ao mesmo tempo. A
função que descreve o comportamento senoidal de uma fonte de tensão pode ser escrita
como apresentada nas equações (13.1) e(13.2):
v = V p .sen (ω .t + φ ) (13.1)

João Marcio Buttendorff 72


v = V p .cos (ω .t + φ − 90 ) (13.2)

Onde:
Vp = Tensão máxima ou tensão de pico em volts (V);
ω = Freqüência angular em radianos/segundos (rad/s);
t = Tempo em segundos (s);
φ = Ângulo de fase, ou ângulo que inicia a forma de onda.
A Fig. 13-1 apresenta a forma de onda de uma fonte de tensão senoidal.

V
Vp

0 ω .t
π 2.π 3.π 4.π

-Vp
T

Fig. 13-1 – Tensão senoidal.

Observe que uma função senoidal se repete a intervalos regulares. As funções que
apresentam esta propriedade são chamadas de periódicas. Um dos parâmetros de interesse
é o tempo necessário para que a função senoidal complete um ciclo, ou seja, passe uma vez
por todos o valores possíveis. Este tempo é chamado de período da função e é representado
pela letra T (s=segundos). O inversor de T é o número de ciclos por segundo, ou
freqüência, da função senoidal, cujo símbolo é a letra f (Hz=Hertz).
1
f = (13.3)
T

Os coeficientes de t nas equações (13.1) e (13.2) são proporcionais a freqüência e


representado pela equação (13.4).
2.π
ω = 2.π . f = (13.4)
T

Outra característica importante de uma função senoidal é o valor rms ou eficaz. O


valor rms de uma função periódica é obtido substituindo-se a função que descreve o
comportamento periódico na equação (13.5) e resolvendo-se a mesma.
tf
1
Vrms = . f (t ) 2 .dt (13.5)
T to

Substituindo-se a equação (13.1) na equação(13.5), obtém-se:

João Marcio Buttendorff 73


tf
1
. (V p .sen (ω .t + φ ) ) .dt
2
Vrms =
T to
π
1
. (V p .sen (ω .t + 0 ) ) .dt
2
Vrms =
π 0

π
Vp 2 ω .t sen ( 2.ω .t )
Vrms = . − (13.6)
π 2 4 0

π
Vp 2 π sen ( 2.π ) 0 sen ( 2.0 )
Vrms = . − − −
π 2 4 2 4
0

Vp
Vrms =
2

Desta forma, o valor rms de uma função senoidal depende apenas da amplitude da
função (VP=valor de pico).
O valor rms tem uma propriedade interessante: dados uma carga resistiva
equivalente, R, e um período de tempo equivalente, T, uma fonte senoidal com um certo
valor de tensão rms fornece a mesma energia à carga R que uma fonte de tensão contínua
com o mesmo valor. Assim, por exemplo, uma fonte de tensão contínua de 100V fornece a
mesma energia em T segundos a uma carga resistiva que uma fonte de tensão senoidal de
100Vrms.

13.2 Exemplo de Aplicação


A figura abaixo apresenta o sinal obtido na tela de um osciloscópio. Deseja-se
através deste sinal obter o valor de pico da tensão, de pico-a-pico, rms, freqüência e a
equação da tensão no domínio do tempo.
V
20V

10V
2 4 6 8 t(ms)
0V

-10V
-20V

O valor de pico é medido desde o eixo de simetria da onda até um de seus picos,
desta forma tem-se:
V p = 20V
O valor de pico-a-pico expressa a amplitude da onda de um extremo a outro.
V pp = 40V
O valor rms da onda é obtido em função do valor de pico e da equação (13.6).
Vp 20
Vrms = = = 14,14V
2 2

João Marcio Buttendorff 74


Para efetuar o cálculo da freqüência é necessário definir inicialmente o período da
forma de onda. Analisando-se a figura, observa-se que a mesma termina um ciclo completo
em um tempo T igual a 4ms, desta forma:
1 1
f = = = 250 Hz
T 4.10−3

A equação no domínio no tempo é definida pela equação (13.1). Substituindo-se os


valores, obtém-se:
v = V p .sen (ω .t + φ ) = V p .sen ( 2.π . f .t + φ )
v = 20.sen ( 2.π .250.t + 0 ) = 20.sen (1570,8.t )

Na equação acima o ângulo φ foi substituído por zero devido à forma de onda iniciar
seu ciclo exatamente na passagem por zero.

13.3 Exercícios

1-) Uma corrente senoidal tem uma amplitude de 20A. A corrente passa por um ciclo
completo em 1ms. O valor da corrente em t=0 é 10A. Determine:
a) Qual é a freqüência da corrente em hertz?
b) Qual é a freqüência da corrente em radianos por segundo?
c) Escreva uma equação para i(t) usando a função seno. Expresse φ em graus.
d) Qual o valor eficaz da corrente?
Respostas: a) 1kHz; b) 6,283krad/s; c) i(t)=20.sen.(6283.t+30°); d) Ief=14,14A.

2-) Uma tensão senoidal é dada pela expressão v(t)=300.sen.(120.π.t+30°). Determine:


a) O período da tensão em milisegundos.
b) A freqüência em hertz.
c) O valor da tensão em t=2,778 ms.
d) O valor eficaz da tensão.
Respostas: a) 16,667 ms; b) 60 Hz; c) 300V; d) 212,132V.

3-) Um sinal senoidal apresenta a seguinte equação: v(t)=110.sen.(120.π.t). Determine:


a) O valor de pico da senóide;
b) A freqüência;
c) O período;
d) A tensão eficaz.
Respostas: a) 110V; b) 60Hz; c) 16,67ms; d) 77,78V.

4-) Um sinal alternado senoidal apresenta uma tensão de pico de 156V e um período de
20ms. Determine:
a) A equação no domínio do tempo, sabendo que φ=0°;
b) O valor da tensão instantânea, para t1=0, t2=1ms, t3=10ms.
Respostas: a) v(t)=156.sen.(314,16.t); b) v(t1)=0V, v(t2)=48,20V e v(t3)=0V.

5-) Determine a amplitude, ângulo de fase, período e freqüência da senóide.


v(t)=12.cos.(50.t+10°).
Respostas: Vp=12V; φ=10°; T=0,1257s e f=7,958Hz.

João Marcio Buttendorff 75


14 FASORES
Fasor é um número complexo que representa a amplitude e fase de uma senóide.
Senóides são facilmente expressas em termos de fasores, os quais são muito mais
fáceis de serem trabalhados do que as funções seno e co-seno.
Os fasores possibilitam uma análise simples de circuitos lineares excitados por
fontes senoidais. As soluções destes circuitos podem ser impossíveis de serem
determinadas de outra maneira. A idéia de resolver circuitos CA usando fasores foi
apresentada por Charles Steinmetz em 1893. Antes de definirmos completamente os
fasores, aplicando-se à análise de circuitos, precisamos nos familiarizar totalmente com os
números complexos.
Um número complexo Z pode ser escrito na forma retangular como:
Z = R + j. X (14.1)

Onde R e X são números reais, enquanto que j = −1 . O primeiro termo (R) do


número complexo R+j.X denomina-se “parte real” e é representado sobre o eixo dos
números reais. O segundo termo (j.X) é denominada “parte imaginária” e é representado
em um eixo perpendicular ao primeiro, chamado eixo imaginário ou eixo dos números
imaginários. Quando R=0 o número complexo se reduz a um número imaginário puro e de
modo análogo quando X=0 o número complexo se reduz a um real puro. Dois números
complexos R1+j.X1 e R2+j.X2 são iguais somente se R1=R2 e X1=X2.
Como se vê na Fig. 14-1 o eixo dos números reais é perpendicular ao eixo
imaginário. Os eixos se intersectam em um ponto comum chamado zero. Todo número
complexo pode ser representado por um ponto no plano complexo e todo ponto no plano
complexo representa um número complexo. Ao multiplicar um vetor por j obtém-se o
efeito de girar o vetor de 90° no sentido positivo (anti-horário).

j Imaginário

Real

-j
Fig. 14-1 – Eixos do plano complexo.

A representação vetorial de um número complexo é por uma flecha e pela letra Z,


cujo início está na origem das coordenadas e a extremidade no ponto que representa o
número complexo no plano.
Na Fig. 14-2 são mostradas as representações vetoriais dos números complexos
R+j.X e R-j.X.

j j
X Z=R+j.X

φ R

R φ

X Z=R-j.X
-j -j
Fig. 14-2 – Representação vetorial de números complexos.

João Marcio Buttendorff 76


Na Fig. 14-2 pode-se observar que a parte real de um número complexo é a
projeção do vetor Z sobre o eixo horizontal (real) e a projeção sobre o eixo vertical
(imaginário) constitui a parte imaginária do mesmo. Conforme o teorema de Pitágoras,
pode-se calcular a magnitude do vetor Z, fazendo:

Z = R2 + X 2 (14.2)

Onde: |Z| = Magnitude ou módulo de Z;


R = Parte real do número complexo;
X = Parte imaginária do número complexo.
O sentido do vetor é definido através do ângulo de fase φ, que se mede em sentido
anti-horário, tomando como referência o eixo horizontal. A equação matemática para o
ângulo é dada por:
X
tg (φ ) =
R (14.3)
X
φ = arctg
R

Conhecendo-se o módulo de Z e o ângulo de fase, pode-se expressar o número


complexo na forma polar, ou exponencial, como sendo:.
Z= Z φ (14.4)

Z = Z e j.φ (14.5)

Por outro lado, se conhecermos |Z| e φ, pode-se determinar R e X.

R = Z .cos φ (14.6)

X = Z .senφ (14.7)

Portanto, Z pode ser escrito como:

Z = R + j. X = Z φ = Z e j.φ = Z . ( cos φ + j.senφ ) (14.8)

14.1 O Conjugado de um Número Complexo

Dois números complexos são conjugados entre si se suas partes reais são iguais e as
partes imaginárias são da mesma grandeza, porém de sinais contrários. O conjugado, cujo
símbolo é Z , de um número complexo Z = R + j. X será o número complexo
Z = R − j. X . Na Fig. 14-2 dá-se a representação vetorial de dois números complexos.
Pode-se observar nesta figura que o conjugado Z do número complexo Z é a imagem de Z
com relação ao eixo real.

João Marcio Buttendorff 77


14.2 Soma de Números Complexos

Somam-se números complexos somando as partes reais e imaginárias


separadamente. Por exemplo, dados os números complexos:
Z1 = R1 + j. X 1
Z 2 = R2 + j. X 2
Sua soma será:
Z1 + Z 2 = ( R1 + R2 ) + j.( X 1 + X 2 ) (14.9)

O módulo do vetor resultante da soma e seu ângulo de fase (forma polar) são dados
pelas equações (14.10) e (14.11).

( R1 + R2 ) + ( X 1 + X 2 )
2 2
Z = (14.10)

X1 + X 2
φ = arctg (14.11)
R1 + R2

14.3 Subtração de Números Complexos

Subtrai-se um número complexo de outro, subtraindo as partes reais e imaginárias


separadamente. O resultado da subtração é dado pela equação (14.12).
Z1 − Z 2 = ( R1 − R2 ) + j. ( X 1 − X 2 ) (14.12)

14.4 Multiplicação de Números Complexos

A multiplicação de números complexos é similar à multiplicação algébrica comum,


ou seja:
Z1.Z 2 = ( R1 + j. X 1 ) + ( R2 + j. X 2 ) = R1.R2 + j.R1. X 2 + j.R2 . X 1 + j 2 . X 1. X 2 (14.13)

Como j = −1 e j 2 = −1 , obtém-se:

Z1.Z 2 = ( R1.R2 − X 1. X 2 ) + j. ( R1. X 2 + R2 . X 1 ) (14.14)

Uma alternativa é converter os números complexos para a forma polar. Após a


conversão devem-se multiplicar os módulos e somar os ângulos. A equação (14.15)
descreve este procedimento.
Z1.Z 2 = Z1 . Z 2 . φ1 + φ2 (14.15)

João Marcio Buttendorff 78


14.5 Divisão de Números Complexos

Para dividir números complexos multiplica-se o numerador e o denominador pelo


conjugado do denominador. Quando se multiplica um número complexo por seu conjugado
obtém um número real puro.
Z .Z = ( R + j. X ).( R − j. X ) = R 2 + X 2 (14.16)

Na equação (14.17) mostra-se a divisão de dois números complexos:


Z1 R1 + j. X 1 ( R1 + j. X 1 ) . ( R2 − j. X 2 )
= = (14.17)
Z 2 R2 + j. X 2 ( R2 + j. X 2 ) . ( R2 − j. X 2 )

Utilizando a regra de multiplicação de números complexos na equação (14.17),


obtém-se:
Z1 ( R1.R2 + X 1. X 2 ) + j. ( R2 . X 1 − R1. X 2 )
= (14.18)
( R2 ) + ( X 2 )
2 2
Z2

Uma alternativa é converter os números complexos para a forma polar. Após a


conversão devem-se dividir os módulos e subtrair os ângulos. A equação (14.19) descreve
este método.
Z1 Z
= 1 φ1 − φ2 (14.19)
Z2 Z2

14.6 Exercícios

1-) Determine os seguintes números complexos:


10 −30° + (3 − j 4)
a-)
(2 + j 4).(3 − j 5)
b-) [ (5 + j 2).(−1 + j 4) − 5 60°]
10 + j 5 + 3 40°
c-) + 10 30°
−3 + j 4
Respostas: a-) 0,565 −42, 06° ; b-) –15,5+j13,67; c-) 8,29+j2,2.

2-) Transforme as seguintes senóides em fasores:


a-) v(t ) = 4.sen(30.t + 50°)
b-) i (t ) = 5.sen(30.t + 10°)
c-) p (t ) = 15.sen(100.t − 50°)
d-) v(t ) = 10.sen(377.t + 20°) + 15.sen(377.t − 60°)
e-) i (t ) = 311.sen(377.t + 5°) − 100.sen(377.t − 10°)
f-) v(t ) = 4.sen8.t + 3.sen(8.t − 10°)
g-) v(t ) = 40.sen(50.t ) + 30.cos(50.t − 45°)

João Marcio Buttendorff 79


Respostas: a-) V = 4 50°V ; b-) i (t ) = 5 10°A ; c-) P = 15 −50°W ;
d-). V = 19, 42 −29,53°V ; e-) I = 215,9311,88°A ; f-) V = 6, 97 −4, 28°V ;
g-) V = 64, 78 19,11°V

3-) Transforme as fasores abaixo para senóides.


a-) V = −10 30°
b-) I = j.(5 − j12)
c-) V = 60 15°; ω = 1
d-) V = 6 + j8; ω = 40
e-) I = −0,5 − j1, 2; ω = 103
f-) V = 40 −60°
g-) V = −30 10° + 50 60°
Respostas: a-) v(t ) = 10.sen(ω .t + 210°) ; b-) i (t ) = 13.sen(ω .t + 22, 62°) ;
c-) v(t ) = 60.sen(t + 15°) ; d-).10.sen(40.t + 53,13°) ; e-) i (t ) = 1,3.sen(103.t − 112, 62°) ;
f-) v(t ) = 40.sen(ω .t − 60°) ; g-) v(t ) = 38,36.sen(ω .t + 96,8°)

15 RESPOSTAS DOS COMPONENTES PASSIVOS A


FONTES SENOIDAIS
Nesta seção será abordado o estudo do comportamento da tensão e da corrente em
circuitos contendo elementos passivos quando os mesmos estão submetidos a fontes de
alimentações senoidais.

15.1 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito


Resistivo

O circuito resistivo da Fig. 15-1 é submetido a fonte de tensão senoidal


representada por:
v = V p .sen (ω .t + φ ) (15.1)

V I R

Fig. 15-1 – Circuito Resistivo.

De acordo com a lei de Ohm, se a tensão aplicada aos terminais do resistor varia
senoidalmente no tempo, representado pela equação (15.1), a corrente que atravessa o
resistor será dada por:

João Marcio Buttendorff 80


v V p .sen (ω .t + φ )
i= = = I p .sen (ω .t + φ ) (15.2)
R R

As equações (15.1) e (15.2) contêm uma importante informação – a de que um


resistor não introduz nenhuma diferença de fase entre a corrente e a tensão. A Fig. 15-2
apresenta o comportamento da tensão e da corrente em um resistor. Dizemos que em um
resistor a corrente e a tensão estão em fase, já que ambas atingem valores correspondentes
de sua curva ao mesmo tempo (passam simultaneamente pelo pico, por exemplo).

Vp
Ip

-Ip
-Vp

Fig. 15-2 – Comportamento da tensão e da corrente em um resistor.

15.2 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito


Puramente Indutivo
Para determinar a relação entre a tensão aplicada aos terminais de um indutor e a
corrente que atravessa o mesmo, conforme apresentado na Fig. 15-3, vamos supor que a
corrente é senoidal e usar a equação da tensão no indutor ( vL (t ) = L. di (t ) dt ) para calcular
a tensão correspondente. Supondo que a corrente é dada por:
iL (t ) = I P .sen(ω .t + φ ) (15.3)

V I L

Fig. 15-3 – Circuito indutivo.

Substituindo a equação (15.3) na equação da tensão no indutor, obtém-se:


di (t )
vL (t ) = L.
dt
(15.4)
dI .sen(ω .t + φ )
vL (t ) = L. P
dt

Derivando em função do tempo, obtém-se:


vL (t ) = ω .L.I P .cos(ω .t + φ ) = ω .L.I P .sen(ω .t + 90o + φ ) (15.5)

A equação (15.5) mostra que a tensão e a corrente estão defasadas de exatamente


90°. Na verdade, a tensão está adiantada de 90° em relação à corrente, ou, o que na prática

João Marcio Buttendorff 81


significa a mesma coisa, a corrente está atrasada de 90° em relação à tensão. A Fig. 15-4
ilustra este conceito de tensão adiantada em relação à corrente ou corrente atrasada em
relação à tensão. Por exemplo, a tensão atinge o pico negativo exatamente 90° antes que a
corrente atinja o pico negativo. A mesma observação pode ser feita em relação aos pontos
em que as funções passam pelo zero no sentido crescente e em relação ao pico positivo.

Vp
Ip

-Ip
-Vp
Fig. 15-4 – Comportamento da tensão e da corrente em um indutor.

Aplicando-se a lei de Ohm nas equações (15.3) e (15.5), obtém-se:


VL ω .L.I P .sen(ω .t + 90o + φ )
ZL = =
IL I P .sen(ω .t + φ )
(15.6)
ω .L.sen(ω .t + 90o + φ )
ZL =
sen(ω .t + φ )

Convertendo a equação (15.6) para a forma polar, temos:


ω .L 90o + φ
ZL =
1φ (15.7)
Z L = ω .L 90o

Ou:
Z L = j.ω .L (15.8)

Os termos j.ω .L na equação, representam a impedância do indutor no domínio da


freqüência, medida em Ohms.
Analisando a equação (15.8), pode-se observar que a impedância do indutor é
diretamente proporcional à freqüência e a indutância. A Fig. 15-5 apresenta a variação da
reatância com a freqüência.

XL(Ω)

f(Hz)
Fig. 15-5 – Variação da reatância com a freqüência.

João Marcio Buttendorff 82


15.3 Comportamento da Tensão e da Corrente em um Circuito
Puramente Capacitivo

Para determinar a relação entre a tensão aplicada aos terminais de um capacitor e a


corrente que atravessa o mesmo, conforme apresentado na Fig. 15-6, vamos supor que a
tensão é senoidal e usar a equação da corrente no capacitor ( iC (t ) = C. dv(t ) dt ) para
calcular a corrente correspondente. Supondo que a tensão é dada por:
vC (t ) = VP .sen(ω .t + φ ) (15.9)

V I C

Fig. 15-6 – Circuito capacitivo.

Substituindo a equação (15.9) na equação da corrente no capacitor, obtém-se:


dv(t )
iC (t ) = C.
dt
(15.10)
dV .sen(ω .t + φ )
iC (t ) = C. P
dt

Derivando em função do tempo, obtém-se:


iC (t ) = ω .C.VP .cos(ω .t + φ ) = ω .C.VP .sen(ω .t + 90o + φ ) (15.11)

A equação (15.11) mostra que a tensão entre os terminais de um capacitor está


atrasada de exatamente 90° em relação à corrente que o atravessa. Outra forma de
descrever a relação é dizer que a corrente está adiantada de 90° em relação à tensão. A Fig.
15-7 mostra o comportamento da tensão e da corrente em um capacitor.
Vp
Ip

-Ip
-Vp
Fig. 15-7 - Comportamento da tensão e da corrente em um capacitor.

Aplicando-se a lei de Ohm nas equações (15.9) e (15.11), obtém-se:


VC VP .sen(ω .t + φ )
ZC = =
I C ω .C .VP .sen(ω .t + 90o + φ )
(15.12)
sen(ω .t + φ )
ZC =
ω .C .sen(ω .t + 90o + φ )

João Marcio Buttendorff 83


Convertendo a equação (15.12) para a forma polar, temos:

ZC =
ω .C 90o + φ
(15.13)
1 −90
ZC =
ω .C

Ou:
−j
ZC = (15.14)
ω .C

Os termos − j ω .C na equação, representam a impedância do capacitor no domínio


da freqüência, medida em Ohms.
Através da equação (15.14), pode-se observar que a impedância capacitiva é
inversamente proporcional a freqüência e a capacitância. A Fig. 15-8 mostra a variação da
impedância com a freqüência.

XC(Ω)

f(Hz)
Fig. 15-8 – Variação da reatância em função da freqüência.

15.4 Impedância e Reatância

Concluímos esta discussão do comportamento dos elementos passivos no domínio


da freqüência com uma observação importante. Quando comparamos as equações (15.2),
(15.6) e (15.12), observamos que todas são da forma:
V = Z .I (15.15)

Onde Z representa a impedância do elemento. Explicitando Z na equação (15.15),


vemos que a impedância é a razão entre a tensão fasorial de um elemento do circuito e a
corrente que o atravessa. Assim, a impedância de um resistor é R, a impedância de um
indutor é j.ω .L e a impedância de um capacitor é − j / ω .C . Nos três casos a impedância é
medida em ohms.
A impedância no domínio da freqüência é uma grandeza análoga à resistência, à
indutância e à capacitância no domínio do tempo. A parte real da impedância é a
resistência; a parte imaginária é chamada de reatância. Os valores de impedância e
reatância de todos os elementos passivos são apresentados na tabela abaixo.

João Marcio Buttendorff 84


Elemento Impedância (Z) Reatância (X)
Resistor R -
Indutor j.ω .L ω .L
Capacitor − j (1 ω .C ) 1 ω .C

Na Fig. 15-9 mostra-se um circuito que contém os três elementos passivos: resistor,
indutor e capacitor. A impedância Z do circuito pode ser representada na forma retangular
ou na forma polar.
A impedância do circuito da Fig. 15-9 na forma retangular é dada por:
Z = R + j. X
1 (15.16)
Z = R + j . ω .L −
ω .C

Na forma polar a impedância é definida por:


Z= Z φ (15.17)

Onde:
2
1
Z = R + X = R + ω .L −
2 2 2

ω .C
(15.18)
X ω .L − 1ω .C
φ = arctg = arctg
R R

R L C

j.ω .L -j/ω.C
I
V
+

Fig. 15-9 – Circuito de CA com R, L e C.

Para converter da forma polar para retangular basta aplicar a equação (15.19).
Z = Z .cos (θ ) + j. Z .sen (θ ) (15.19)

15.5 Exemplo de Aplicação

De acordo com o circuito a seguir, calcule v(t):

João Marcio Buttendorff 85


i(t) C=200uF
v(t) i(t)=7.sen.(754.t+15°)
C

Inicialmente pode-se calcular a impedância capacitiva.


−j −j
ZC = = = − j 6, 631Ω = 6, 632 −90°Ω
ω .C 754.200.10−6

Convertendo a corrente para a forma polar, obtém-se:


I = 7 15°A
Assim, a tensão da fonte é obtida por:
V = Z C .I = 6, 631 −90°.7 15°
V = 46, 42 −75°V
É importante observa que os cálculos foram efetuados levando-se em consideração
a corrente de pico, o que resulta na tensão de pico. Caso deseja-se obter a tensão eficaz da
fonte basta dividir o valor obtido por 2 . Assim:
Vrms = 32,822 −75°V

Convertendo a tensão da fonte para o domínio do tempo, tem-se:


v(t ) = 46, 417.sen(754.t − 75°)V

15.6 Exercícios

1-) A corrente no domínio do tempo no indutor abaixo é 10.sen(10000.t+30°)mA. Calcule:


a) A reatância indutiva;
b) A impedância do indutor;
c) A tensão fasorial (forma polar);
d) A expressão da tensão no domínio do tempo.

20mH
_
+
I
Respostas: a) 200Ω; b) j200Ω; c) 2 1200VP ; d) 2.sen(10000.t+120°)V.

2-) A tensão entre os terminais do capacitor abaixo é 30.sen(4000.t+25°)V. Calcule:


a) A reatância capacitiva;
b) A impedância do capacitor;
c) A corrente fasorial (forma polar);
d) A expressão da corrente no domínio do tempo.
5uF

+ _
I
Respostas: a) 50Ω; b) –j50Ω; c) 0, 6 1150 AP ; d) 0,6.sen(4000.t+115°)A

João Marcio Buttendorff 86


3-) Sabe-se que a corrente em uma capacitância de C=30uF é i(t)=12.sen.(2000.t)A.
Determine a tensão e construa o diagrama fasorial.
Resposta: v(t)=200.sen.(2000.t-90°)V

4-) De acordo com o circuito a seguir, calcule v(t).

i(t)
L=0,01H
v(t) L
i(t)=5.cos.(2000.t)A

Resposta: v(t)=100.cos.(2000.t+90°) V

5-) Determine v(t) e i(t) no circuito abaixo:

i 5R

v(t)=10.sen(4.t) 0,1F v
_

Respostas: i(t)=1,79.sen.(4.t+26,56°)A e v(t)=4,47.sen.(4.t-63,43°)V

16 ASSOCIAÇÃO DE IMPEDÂNCIAS
As regras para combinar impedâncias em série, em paralelo ou mista são as
mesmas dos circuitos resistivos. A única diferença está no fato de que para combinar
impedâncias é preciso manipular números complexos.

16.1 Associação em Série de Impedâncias

Para combinar impedâncias em série, basta somar as impedâncias individuais. O


circuito da Fig. 16-1 define o problema em termos gerais. As impedâncias Z1, Z2,..., Zn
estão ligadas em série entre os terminais a e b. Quando duas ou mais impedâncias estão
ligadas em série, são atravessadas pela mesma corrente fasorial I.

a Z1 Z2 Zn
+
I
Vab
_
b
Fig. 16-1 – Impedâncias em série.

Aplicando-se a lei de Kirchhoff das tensões obtém-se:


Vab = Z1.I + Z 2 .I + ... + Z n .I (16.1)

João Marcio Buttendorff 87


Assim, a impedância equivalente entre os terminais a e b será:
Vab
Z eq = Z ab = = Z1 + Z 2 + ... + Z n (16.2)
I

A Fig. 16-2 apresenta o circuito equivalente.

a
+
I
Vab Zeq
_
b
Fig. 16-2 – Circuito equivalente.

16.2 Associação em Paralelo de Impedâncias

A Fig. 16-3 apresenta um circuito com várias impedâncias em paralelo no domínio


da freqüência. Observe que a tensão é a mesma entre os terminais de todas as impedâncias.
A equação da impedância equivalente é obtida aplicando-se a lei das correntes de
Kirchhoff. Desta forma:

I
a
+
V I1 Z1 I2 Z2 In Zn
_
b
Fig. 16-3 – Impedâncias em paralelo.

I = I1 + I 2 + ... + I n (16.3)

Substituindo-se as correntes pela lei de Ohm para o domínio da freqüência, obtém-


se:
V V V V
= + + ... + (16.4)
Z eq Z1 Z 2 Zn

Dividindo-se por V, obtêm-se:


1 1 1 1
= + + ... + (16.5)
Z eq Z1 Z 2 Zn

1
Z eq = (16.6)
1 1 1
+ + ... +
Z1 Z 2 Zn

Para o caso particular de duas impedâncias associadas em paralelo pode-se utilizar


a equação (16.7):

João Marcio Buttendorff 88


Z1.Z 2
Z eq = (16.7)
Z1 + Z 2

16.3 Transformação Estrela-Triângulo

A transformação estrela triângulo discutida anteriormente, quando estávamos


estudando circuitos puramente resistivos, também se aplica a impedâncias. A Fig. 16-4
apresenta três impedâncias ligadas em estrela (a) e o circuito equivalente em triângulo (b).

Z1 Z2 Zc
1 3 1 3

Z3 Zb Za

2 4 2 4
(a) (b)
Fig. 16-4 – Equivalência entre a conexão (a) estrela e (b) triângulo.

16.3.1 Conversão de Triângulo para Estrela

Quando o circuito original está na conexão triângulo, pode-se converter o circuito


para estrela utilizando-se as seguintes relações:
Zb .Z c
Z1 = (16.8)
Z a + Zb + Z c

Z a .Z c
Z2 = (16.9)
Z a + Zb + Z c
Z a .Zb
Z3 = (16.10)
Z a + Zb + Z c

A regra para a conversão triângulo-estrela é, portanto: cada impedância do circuito


em estrela é o produto das impedâncias dos dois ramos adjacentes do triângulo dividido
pela soma das três impedâncias do triângulo.

16.3.2 Conversão de Estrela para Triângulo

Quando o circuito original está na conexão estrela, pode-se converter o circuito


para triângulo utilizando-se as seguintes relações:
Z1.Z 2 + Z 2 .Z3 + Z 3.Z1
Za = (16.11)
Z1

Z1.Z 2 + Z 2 .Z3 + Z 3.Z1


Zb = (16.12)
Z2

João Marcio Buttendorff 89


Z1.Z 2 + Z 2 .Z3 + Z3 .Z1
Zc = (16.13)
Z3

A regra para a conversão estrela-triângulo é, portanto: cada impedância do circuito


em triângulo é o produto das impedâncias da estrela duas a duas dividido pela impedância
oposta da estrela.

16.4 Exemplo de Aplicação

A fonte de corrente senoidal da figura abaixo produz uma corrente


iS=8.sen.(200.000.t)A
a) Determine o circuito equivalente no domínio da freqüência;
b) Determine a tensão da fonte e as correntes i1, i2 e i3.

I1 I2 I3
6R

Iac 10R 1uF

40uH

Inicialmente deve-se obter a transformada fasorial da fonte de corrente.


Iac = 8 0°A

A freqüência da fonte de corrente é dada por:


ω = 200.000 rad s
ω = 2.π . f (16.14)
ω 200.000
f = = = 31,831kHz
2.π 2.π

As impedâncias individuais dos indutores e capacitores podem ser obtidas em


função da freqüência ou da freqüência angular.
Z L = j.ω .L = j.2.π . f .L
Z L = j.200.103.40.10−6 (16.15)
Z L = j8Ω

1 1
Z C = − j. = − j.
ω .C 2.π . f .C
1
Z C = − j. (16.16)
200.103.1.10 −6
Z C = − j 5Ω

João Marcio Buttendorff 90


A Fig. 16-5 apresenta o circuito equivalente no domínio da freqüência.

6R

8 0 °A 10R -j5

j8

Fig. 16-5 – Circuito equivalente no domínio da freqüência.

Observando-se o circuito equivalente da Fig. 16-5, verifica-se que para determinar


a tensão entre os terminais da fonte de corrente é preciso conhecer a impedância
equivalente das impedâncias em paralelo.Uma vez calculada a tensão fasorial V, pode-se
obter as três correntes fasorias. A impedância série, formada pelo resistor e indutor é dada
por:
Z S = 6 + j8Ω

Para facilitar a resolução das impedâncias em paralelo, é preciso passar as mesmas


para a forma polar, obtendo-se:

Z S = R 2 + X L 2 = 6 2 + 82
Z S = 10
XL 8
θ = arctg = arctg (16.17)
R 6
θ = 53,13°
Z S = 10 53,13°Ω

Z R = 10 0°Ω

ZC = 5 −90°Ω

A impedância equivalente é obtida aplicando-se a equação (16.6).


1 1
Z eq = =
1 1 1 1 1 1
+ + + + (16.18)
Z R Z S Z C 10 0° 10 53,13° 5 −90°
Z eq = 5 −36,87°Ω

A tensão V é dada por:


V = Z eq .I S = 5 −36,87°.8 0°
(16.19)
V = 40 −36,87°V

Assim, as correntes são obtidas por:

João Marcio Buttendorff 91


V 40 −36,87°
I1 = = = 4 −36,87°A (16.20)
ZR 10 0°

V 40 −36,87°
I2 = = = 4 −90°A (16.21)
ZS 10 53,13°

V 40 −36,87°
I3 = = = 8 53,13°A (16.22)
ZC 5 −90°

As equações correspondentes no domínio do tempo são:


v = 40.sen(200.000.t − 36,87°)V
i1 = 4.sen(200.000.t − 36,87°) A
(16.23)
i2 = 4.sen(200.000.t − 90°) A
i3 = 8.sen(200.000.t + 53,13°) A

É importante observar que os resultados acima representam os valores de pico das


tensões e correntes no circuito. Para obter os valores eficazes ou rms basta dividir os
valores de pico por 2 , ou calcular o valor eficaz da fonte de corrente e efetuar todos os
cálculos novamente.

16.5 Exercícios

1-) Determine a impedância equivalente e a corrente da fonte do circuito abaixo.

24R

30V
2,55mH
2kHz
1,59uF

Respostas: Zeq=24-j18 e I=0,8+j0,6A.

2-) Determine no circuito abaixo:


a) A impedância total do circuito;
b) A corrente total da fonte;
c) As correntes nos respectivos componentes.

120V
30R 100mH 44uF
60Hz

Respostas: a-) 27,55+j8,21 ; b-) 4-j1,192A e c-) IR=4A; IL=-j3,183A e IC=j1,99A.

João Marcio Buttendorff 92


3-) Um resistor de 20Ω é ligado em paralelo com um indutor de 5mH. Esta combinação em
paralelo é ligada em série com um resistor de 5Ω e um capacitor de 25µF.
a) Calcule a impedância do circuito para uma freqüência de 318,31Hz;
b) Repita o item (a) para uma freqüência de 8k rad/s.
Respostas: a) 9-j12Ω; b) 21+j3Ω.

4-) O circuito do exercício anterior é ligado aos terminais de uma fonte cuja tensão é
v(t)=150.sen.4000.t V. Qual é a corrente de pico e eficaz no indutor de 5mH?
Respostas: I pk = 7, 07 −45°A e I ef = 5 −45°A .

5-) Três ramos, com impedâncias de 3+j4Ω, 16-j12Ω e –j4Ω, são ligados em paralelo.
Determine a impedância equivalente. Se o circuito for ligado a uma fonte senoidal cuja
corrente é i(t)=8.sen.(ω.t)A, qual será a amplitude da corrente no ramo puramente
capacitivo?
Respostas: Z eq = 5 −36,87° = 4 − j 3Ω e I=10A.

6-) Determine a tensão Vo (domínio do tempo) no circuito abaixo para ig(t)=0,5.sen.2000.t


V.

120R 40R

ig
+
60mH Vo
12,5uF _

Resposta: vo (t ) = 30. 2.sen(2000.t + 45°)V .

7-) Determine a impedância de entrada do circuito abaixo para ω = 10rad / s .


2mF 20R 2H

4mF 50R

Resposta: Z = 32, 38 − j 73, 76

8-) Determine a impedância de entrada do circuito abaixo. Considere que o circuito opera
com ω = 50rad / s .
2mF 0,2H

3R

Zin 8R

10mF

Resposta: Zin = 3, 22 − j11, 07Ω

João Marcio Buttendorff 93


9-) Determine a corrente I.

2R -j4

I 12R j4 8R

j6
50 0° -j3

8R

Resposta: I = 3, 666 −4, 204°A

10-) Determine I no circuito abaixo.

j4 -j3

8R j5
30 0 °V

5R
10R

-j2

Resposta: I = 6, 364 3,802°A

11-) Determine VS no circuito abaixo, para Io = 2 0°A .

-j2 Vs -j1

Io

2R j4 j2 1R

Resposta: Vs = 8, 485 −45°V

12-) Calcule v(t) no circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 94


50R

30R 50uF

+
60.sen(200.t) V 0,1H v(t)
_

Resposta: v(t)=17,14.cos(200.t)V.

17 MÉTODO DE ANÁLISE DE MALHAS NO DOMÍNIO DA


FREQÜÊNCIA
Pode-se também usar o método das correntes de malha para analisar circuitos no
domínio da freqüência. O método é idêntico ao utilizado na análise de circuitos puramente
resistivos. Na seção 8, discutiu-se as técnicas básicas do método das correntes de malha; a
extensão deste método aos circuitos no domínio da freqüência é ilustrada no exemplo a
seguir.

17.1 Exemplo de Aplicação

Use o método das correntes de malha para determinar as tensões V1, V2 e V3 no


circuito da Fig. 17-1.

V1 V3
+ _ + _

1R j2R 1R j3R
+
12R
+ +
V2
150 0° V I1 I2 246,66 108,43° V
_ _
-j16R
_

Fig. 17-1 – Circuito do exemplo.

Como o circuito apresenta duas malhas, devem-se escrever duas equações para as
correntes das malhas. O sentido de referência escolhido para as correntes das malhas I1 e I2
é o sentido horário, como se pode ver na Fig. 17-1. Uma vez conhecidas as correntes I1 e
I2, é fácil calcular as tensões desejadas. Somando-se as quedas de tensões ao longo da
malha 1, obtém-se:
(1 + j 2).I1 + (12 − j16).( I1 − I 2 ) = 150 (17.1)

Ou
(13 − j14).I1 + (−12 + j16).I 2 = 150 (17.2)

João Marcio Buttendorff 95


Somando as tensões ao longo da malha 2, obtém-se:
(12 − j16).( I 2 − I1 ) + (1 + j 3).I 2 = 77,98 − j 234, 01 (17.3)

Ou
(−12 + j16).I1 + (13 − j13).I 2 = 77,98 − j 234, 01 (17.4)

Desta foram:
(13 − j14).I1 + (−12 + j16).I 2 = 150
(17.5)
(−12 + j16).I1 + (13 − j13).I 2 = 77,98 − j 234, 01

Resolvendo-se o sistema de equações acima, tem-se:


I1 = −26 − j52 A = 58,14 −116,56°A
(17.6)
I 2 = −24 − j 58 A = 62, 77 −112, 48°A

Assim, as três tensões pedidas são:


V1 = (1 + j 2).I1 = 2, 24 63, 43°.58,14 −116, 56° = 130, 23 −53,13°V (17.7)

V2 = (12 − j16).( I1 − I 2 ) = (12 − j16).(−26 − j 52 + 24 + j58)


(17.8)
V2 = 20 −53,13°.6,324 108, 43° = 126, 48 55,3°V

V3 = (1 + j 3).I 2 = 3,16 71,56°.62, 77 −112, 48° = 198,35 −40,92°V (17.9)

17.2 Exercícios
1-) Determine ix(t) e vc(t) no circuito abaixo.
0,125F 3R

- vc + ix

5.cos(2.t+10°)A 4H 10.cos(2.t-60°)V

Respostas: ix(t)=9,903.cos(2.t-129,17°)A e vc(t)=39,612.cos(2.t+140,83°)V.

2-) Determine i(t) e vc(t) usando a análise de malhas.


4R 2H

i(t)
+ + +
10.sen(2.t)V 0,25F v(t) 6.sen(2.t)V
_

Respostas: i(t)=4,122.sen(2.t+14,032°)A e vc(t)=8,244.sen(2.t-75,968)V.

João Marcio Buttendorff 96


3-) Use o método das correntes de malha para determinar a corrente fasorial Ig no circuito
abaixo.
j3

Ig
-j3 5R

+
5 0° A j2 5 -90° V

Resposta: I g = 3 −90°A .

4-) Use o método das correntes de malha para determinar a equação de io(t) no circuito
abaixo.
v1(t)=60.sen.(40000.t+90°)V
v2(t)=90.sen.(40000.t+180°)V

20R 1,25uF

+
V1 125uH io(t) V2
+

Resposta: io(t)=9,49.sen.(40000.t+71,56°)

5-) Use o método das correntes de malha para determinar as tensões V1, V2 e V3 no circuito
abaixo.
+ V1 - + V3 -

1R j2 + 1R j3

12R
+
+
150 0 °V V2 Ix 39.Ix _

-j16
_

Respostas: V1 = 78 − j104V ; V2 = 72 + j104V e V3 = 150 − j130V .

6-) Use o método das correntes de malha para determinar a corrente fasorial I.
1R j2

I
3R
+
33,8 0 °V 2R 0,75.Vx
+
-j5 Vx
_

Resposta: I = 29, 07 3,95°A

João Marcio Buttendorff 97


7-) Determine a corrente Io no circuito abaixo usando a análise de malhas.
4R

5 0 °A -j2 Io

j10 +
20 90°V

8R
-j2

Resposta: I o = 6,12 144, 78°A

8-) Utilize a análise de malhas para determinar a corrente Io no circuito.

80R Io j60 20R

+ +
100 120°V -j40 -j40 60 -30°V

Resposta: Io = 2,179 61, 44°A

9-) Determine Io usando a análise de malha.


2 0°V

-j2 6R

Io
+
8R j4 10 30°V

Resposta: Io = 1,194 65, 45°A

10-) Determine a corrente das malhas do circuito abaixo.

j4 3R

2R

3R j2

j1
30 20°V
-j6

Respostas: I1 = 4, 67 −20,17°A e I 2 = 1, 79 37, 35°A .

João Marcio Buttendorff 98


18 MÉTODO DAS TENSÕES DE NÓ NO DOMÍNIO DA
FREQÜÊNCIA
Na seção 9, apresentaram-se os conceitos básicos do método das tensões de nó. Os
mesmos conceitos podem ser usados para analisar circuitos senoidais no domínio da
freqüência. O exemplo abaixo ilustra a solução de um circuito pelo método das tensões de
nó.

18.1 Exemplo de Aplicação

Use o método das tensões de nó para determinar as correntes de ramo Ia, Ib e Ic no


circuito da Fig. 18-1.

V1 1R j2 V2 5R

Ib
10,6 0° A 10R Ia -j5 Ic 82,36 24,07° V

Fig. 18-1 – Circuito do exemplo.

O circuito da Fig. 18-1 pode ser descrito em termos de duas tensões de nó. Como
quatro ramos estão ligados ao nó inferior, ele é o mais indicado para ser escolhido como nó
de referência. Somando as correntes no nó 1 (V1), tem-se:
V1 V1 − V2
+ = 10, 6 (18.1)
10 1 + j 2

Ou
(0, 3 − j 0, 4).V1 + (−0, 2 + j 0, 4).V2 = 10, 6 (18.2)

Somando-se as correntes no nó 2 (V2), obtém-se:


V2 V2 − 82,36 24, 07° V1 − V2
+ = (18.3)
− j5 5 1+ j2

Ou
(−0, 2 + j 0, 4).V1 + (0, 4 − j 0, 2).V2 = 15, 04 + j 6, 72 (18.4)

Desta forma:
(0, 3 − j 0, 4).V1 + (−0, 2 + j 0, 4).V2 = 10, 6
(18.5)
(−0, 2 + j 0, 4).V1 + (0, 4 − j 0, 2).V2 = 15, 04 + j 6, 72

Resolvendo-se o sistema de equações acima, obtém-se:

João Marcio Buttendorff 99


V1 = 68, 4 − j16,8V = 70, 43 −13,8°V
(18.6)
V2 = 68 − j 26V = 72,8 −20,92°V

Assim, as correntes de ramo são:


V1 68, 4 − j16,8
Ia = = = 6,84 − j1, 68 A = 7, 04 −13,8°A (18.7)
10 10

V2 − 82, 36 24, 07° 72,8 −20,92° − 82, 36 24, 07°


Ib = =
5 5 (18.8)
I b = −1, 44 − j11,92 A = 12 −96,89°A

V2 72,8 −20, 92°


Ic = = = 5, 2 + j13, 6 A = 14,56 69, 08°A (18.9)
− j5 5 −90°

18.2 Exercícios

1-) Determine io(t) no circuito abaixo utilizando análise nodal.


10R

+ v(t) - i(t)

20.sen(10.t-60°)V 1H 0,02F 4.sen(10.t-45°)A

Respostas: i(t)=4,21.sen(10.t+175°)A e v(t)=28,16.sen(10.t+60,96°)V.

2-) Utilize o método das tensões nos nós para obter a corrente I no circuito abaixo.
5R 4R 2R
I
+ +
50 0° V j2 -j2 50 90° V

Resposta: I = 12, 38 −17, 75°A .

3-) Use o método das tensões de nó para determinar v(t) no circuito abaixo. As fontes
senoidais são iS=10.sen(ω.t+90°)A e vS=100.sen(ω.t)V, onde ω=50k rad/s.

+ 20R
+
is 5R v(t) 9uF 100uH vs

Resposta: v(t)=31,62.sen(50000.t+18,43°)V.

João Marcio Buttendorff 100


4-) Use o método das tensões de nó para determinar a tensão fasorial entre os terminais do
capacitor. Considere que a tensão é positiva no terminal do lado esquerdo do capacitor.

j3

Ig
-j3 5R

+
5 0° A j2 5 -90° V

Resposta: VC = 17,5 −59, 02°V

5-) Use o método das tensões de nó para determinar Vo no circuito abaixo.

j40 60R
+
+
100 0° V 40R j20 Vo
_

Resposta: Vo = 15,8118, 43°V

6-) Use o método das tensões de nó para determinar vo(t) no circuito.


v1(t)=10.sen.(5000.t+143,13°)V
v2(t)=8.sen.(5000.t)V

0,4mH 50uF

+ +
V1 6R vo(t) V2
_ +

Resposta: vo(t)=11,98.sen.(5000.t+89,94°)V.

7-) Determine ix(t) no circuito abaixo usando a análise nodal.

10R 1H

+ Ix
20.cos(4.t) V 2.Ix 0,5H
0,1F

Resposta: ix (t ) = 7,59.cos(4.t + 108, 4°) A

8-) Usando a análise nodal, determine v1 e v2 no circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 101


v1 0,2F v2 4R

+
+
10.sen(2.t) A 2R Vx 2H 3.Vx
_ -

Respostas: v1 (t ) = 11,32.sen(2.t + 60°)V e v2 (t ) = 33.sen(2.t + 57,1°)V .

9-) Determine V1 e V2 no circuito abaixo.

10 45° V

V1 4R V2

3 0° A -j3 j6 12R

Respostas: V1 = 25, 78 −70, 48°V e V2 = 31, 41 −87,18°V

10-) Utilize a análise nodal para determinar vo no circuito abaixo.

20R 50uF 10mH

Io
+ +
10.cos(1000.t) V 20R 4.Io 30R Vo
_

Resposta: vo (t ) = 6,154.cos(1000.t + 70, 26°)V

19 TEOREMA DA SUPERPOSIÇÃO
Como os circuitos CA são lineares, o teorema da superposição pode ser aplicado da
mesma maneira que aplica-se em circuitos CC. O teorema se torna importante se o circuito
possuir fontes operando em freqüências diferentes. Neste caso, como as impedâncias
dependem da freqüência, deve-se ter diferentes circuitos no domínio da freqüência para
cada freqüência. A resposta total é obtida pela soma das respostas individuais no domínio
do tempo.

19.1 Exemplo de Aplicação 1

Considere o circuito da Fig. 19-1, onde existem duas fontes independentes. Deseja-
se obter a corrente (Io) fornecida pela fonte de tensão.

João Marcio Buttendorff 102


4R

5 0 °A -j2 Io

j10 +
20 90°V

8R
-j2

Fig. 19-1 – Circuito de exemplo.

Seja:
I o = I o '+ I o ''

Na qual Io’ e Io’’ são devidos à fonte de tensão e corrente, respectivamente.


Considere o circuito da Fig. 19-2 para determinar Io’.

4R

-j2 Io'

j10 +
20 90°V

8R
-j2

Fig. 19-2 – Circuito equivalente para fonte de tensão.

A combinação paralela das impedâncias − j 2 e 8 + j10 e obtida por:


− j 2.(8 + j10)
Z= = 0, 25 − j 2, 25Ω (19.1)
− j 2 + 8 + j10

Assim, a corrente Io’ será:


20 90° 20 90°
Io ' = = = −2, 353 + j 2,353 A (19.2)
4 − j 2 + Z (4 − j 2) + (0, 25 − j 2, 25)

Para determinar Io’’,considere o circuito da Fig. 19-3.

4R

5 0 °A I3 -j2 Io''

j10
I2

8R I1 -j2

Fig. 19-3 – Circuito equivalente para a fonte de corrente.

João Marcio Buttendorff 103


Aplicando-se a análise de malhas no circuito, obtém-se:
Malha 1:
(8 + j8).I1 + j 2.I 2 − j10.I3 = 0 (19.3)

Malha 2:
j 2.I1 + (4 − j 4).I 2 + j 2.I3 = 0 (19.4)

Malha 3:
I3 = 5 (19.5)

Solucionando-se o sistema de equações, obtém-se:


I1 = 2, 647 + j 2, 941A
I 2 = 2, 647 − j1,176 A
I3 = 5 A

Desta forma, a corrente Io’’, será obtida por:


I o '' = − I 2 = −2, 647 + j1,176 (19.6)

A partir das equações (19.2) e (19.6), pode-se estabelecer a corrente Io como sendo:
I o = I o '+ I o '' = (−2,353 + j 2,353) + (−2, 647 + j1,176)
(19.7)
I o = −5 + j3,529 = 6,12 144, 78°A

19.2 Exemplo de Aplicação 2

Determine vo no circuito da Fig. 19-4 usando o teorema da superposição.

2H 1R 4R

+ Vo -
+
10.sen(2.t) V 2.sen(5.t-90°)A 0,1F 5V

Fig. 19-4 – Circuito de exemplo.

Como o circuito opera com três freqüências diferentes ( ω = 0 para a fonte de


alimentação CC), uma maneira de se obter a solução é a utilização da superposição, a qual
separa o problema em problemas de freqüência única. Portanto seja:
vo = v1 + v2 + v3 (19.8)

Na qual v1 é devido à fonte CC de 5V, v2 é devido à fonte de tensão de 10.sen(2.t) V


e v3 é devido à fonte de corrente de 2.sen(5.t-90°) A

João Marcio Buttendorff 104


Para determinar v1, ajusta-se todas as fontes para zero, exceto a fonte de 5V.
Lembre-se que, em regime permanente CC, o capacitor é um circuito aberto, enquanto que
o indutor é um curto-circuito. Existe uma maneira alternativa de se abordar este fato. Como
ω = 0 , j.ω .L = 0 e − j / ω .C = ∞ . O circuito equivalente é apresentado na Fig. 19-5.

1R 4R

+ V1 -

5V

Fig. 19-5 – Circuito equivalente para fonte CC.

Aplicando-se divisor de tensão.


−5.1
v1 = = −1V (19.9)
1+ 4

Para determinar v2, ajusta-se para zero a fonte de tensão CC de 5V, elimina-se a
fonte de corrente e converte-se o circuito para o domínio da freqüência. O circuito
equivalente é mostrado na Fig. 19-6.

j4 1R 4R

+ V2 -
+
10 0°V -j5

Fig. 19-6 – Circuito equivalente para fonte de tensão CA.

A impedância paralela é obtida por:


4.(− j 5)
Z= = 2, 439 − j1, 941Ω (19.10)
4 − j5

Aplicando-se divisor de tensão, obtém-se:


1.10 0° 10
V2 = = = 2, 498 −30, 79°A (19.11)
1 + j 4 + Z (1 + j 4) + (2, 439 − j1, 941)

Passando para o domínio do tempo.


v2 (t ) = 2, 498.sen(2.t − 30, 79°)V (19.12)

Para obter v3, ajustamos as fontes de tensão para zero e transforma-se o restante do
circuito para o domínio da freqüência. O circuito equivalente á apresentado na Fig. 19-7.

João Marcio Buttendorff 105


I1 1R 4R

+ V3 -

j10 2 -90°A -j2

Fig. 19-7 – Circuito equivalente para a fonte de corrente.

A impedância paralela é obtida por:


4.(− j 2)
Z1 = = 0,8 − j1, 6Ω (19.13)
4 − j2

Aplicando-se divisor de corrente, obtém-se:


j10 j10
I1 = .2 −90° = .2 −90°
j10 + (1 + Z1 ) j10 + (1,8 − j1, 6) (19.14)
I1 = 2, 328 −77, 9°A

V3 = I1.1 = 2,328 −77,9°V (19.15)

Passando para o domínio do tempo:


v3 (t ) = 2,328.sen(5.t − 77,91°)V (19.16)

Substituindo-se as equações (19.9), (19.12) e (19.16) na equação (19.8), tem-se o


comportamento da tensão vo(t).
vo (t ) = −1 + 2, 498.sen(2.t − 30, 79°) + 2,328.sen(5.t − 77,91°)V (19.17)

19.3 Exercícios

1-) Determine Io usando o teorema da superposição.

2 0°V

-j2 6R

Io
+
8R j4 10 30°V

Resposta: Io = 1,194 65, 45°A

João Marcio Buttendorff 106


2-) Calcule vo no circuito abaixo usando o teorema da superposição.

8R

+ +

30.sen(5.t)V 0,2F Vo 1H 2.cos(10.t)A


_

Resposta: vo (t ) = 4, 631.sen(5.t − 81,12°) + 1, 051.cos(10.t − 86, 24°)V

3-) Usando o princípio da superposição, determine ix no circuito abaixo.

0,125F 3R Ix

+
5.sen(2.t+10°)A 4H 10.cos(2.t-60°)V

Resposta: ix (t ) = 9, 902.cos(2.t − 129,17°) A

4-) Calcule vo(t) no circuito abaixo usando o teorema da superposição.

6R 2H

+ +
12.cos(3.t)V 0,0833F Vo 4.sen(2.t)A 10V
_

Resposta: vo (t ) = 10 + 21, 45.sen(2.t + 26,56°) + 10, 73.cos(3.t − 26, 56°)V

5-) Determine io usando o teorema da superposição.

20uF

Io
+
50.cos(2000.t)V 80R 100R

40mH

2.sen(4000.t)A 60R 24V

Resposta: io (t ) = 0,1 + 0, 217.cos(2000.t + 134,1°) − 1,178.sen(4000.t + 7,38°) A

João Marcio Buttendorff 107


20 TRANSFORMAÇÃO DE FONTES
A transformação de fontes no domínio da freqüência significa transformar uma
fonte de tensão em série com uma impedância em uma fonte de corrente em paralelo com
uma impedância, ou vice-versa. Quando parte-se de um tipo de fonte para outra, deve-se
ter em mente a seguinte relação:
VS
VS = Z S .I S ⇔ I S = (20.1)
ZS

Zs
a a

Vs Is Zs

b b
Fig. 20-1 – Transformação de fontes.

21 CIRCUITOS EQUIVALENTES DE THÉVENIN E NORTON


NO DOMÍNIO DA FREQÜÊNCIA
Os circuitos equivalentes de Thévenin e Norton apresentados na seção 11 são
técnicas analíticas que também podem ser aplicadas a circuitos no domínio da freqüência.
Pode-se provar a validade destas técnicas usando os mesmos processos adotados da seção
11, com a única diferença que a impedância (Z) aparece no lugar da resistência (R). A Fig.
21-1 mostra a versão no domínio da freqüência de um circuito equivalente de Thévenin.
Um circuito equivalente de Norton aparece na Fig. 21-2. As técnicas para determinar a
tensão e a impedância de Thévenin são idênticas às usadas nos circuitos resistivos, exceto
pelo fato de que no domínio da freqüência os cálculos envolvem a manipulação de
números complexos. A mesma observação se aplica à corrente e à impedância de Norton.

Circuito a ZTh a
Linear
No +
Domínio VTh
_
Da
Freqüência b b
Fig. 21-1 – Versão no domínio da freqüência
de um circuito equivalente de Thévenin.

Circuito a a
Linear
No
IN ZN
Domínio
Da
Freqüência b b

Fig. 21-2 – Versão no domínio da freqüência


de um circuito equivalente de Norton.

João Marcio Buttendorff 108


21.1 Exemplo de Aplicação

Determine o circuito equivalente de Thévenin e Norton do circuito da Fig. 21-3 em


relação aos terminais a e b.

10R -j40
a

120R
+
100 0° V
+
253 34,69° V

b
Fig. 21-3 – Circuito do exemplo.

Para obter a impedância de Thévenin e Norton, deve-se substituir as fontes de


tensão por um curto e abrir as fontes de corrente. Desta forma, o circuito passa ser:

10R -j40
a

120R

A impedância em série, formada pelo resistor e capacitor é dada por:


Z S = 10 − j 40Ω (21.1)

Fazendo-se o paralelo da impedância em série com o resistor de 120Ω, obtém-se a


impedância de Thévenin e Norton.
(10 − j 40).120
ZTh = Z N = = 18,81 − j 31,13Ω (21.2)
(10 − j 40) + 120

Para determinar a tensão de Thévenin, que por sua vez é a tensão entre os terminais
a e b, pode-se aplicar o método das correntes de malha (sentido horário). Assim:
(130 − j 40).I = 100 0° − 253 34, 69°
180 −126,88° (21.3)
I= = 1,32 −109, 77°A
136, 01 −17,1°

A tensão de Thévenin é a queda de tensão sobre a resistência de 120Ω mais a


tensão da fonte.

João Marcio Buttendorff 109


VTh = 120.I + 253 34,69° = 120.(1,32 −109, 77°) + 253 34, 69°
(21.4)
VTh = 158,81 −109, 77° + 253 34, 69° = 154,39 −2, 03°V

A Fig. 21-4 apresenta o circuito equivalente de Thévenin.

18,81-j31,13
ZTh a
+
VTh 154,39 -2,03° V
_

b
Fig. 21-4 – Circuito equivalente de Thévenin.

Aplicando-se a transformação de fontes, determina-se o circuito equivalente de


Norton.
VTh 154,39 −2, 03°
IN = = = 4, 24 56,83°A (21.5)
RTh 36,37 −58,86°

A Fig. 21-5 apresenta o circuito equivalente de Norton.

a
IN
4,24 56,83° A ZN 18,81-j31,13

b
Fig. 21-5 – Circuito equivalente de Norton.

21.2 Exercícios

1-) Determine o circuito equivalente de Norton e Thévenin do ponto de vista dos terminais
a e b.

j30
a

16 0° A 25R -j50

15R
b
Respostas: RTh=RN=50-j25Ω; VTh = 447, 21 −63, 43°V ; I N = 8 −36,87°A .

2-) Determine o circuito equivalente de Thévenin e Norton do ponto de vista dos terminais
a e b do circuito.

João Marcio Buttendorff 110


j40
a
+
75 0° V 24R
-j22
b
Respostas: RTh=RN=8,64+j11,52Ω; VTh = 60 −36,87°V ; I N = 4,167 −90°A .

3-) A fonte de tensão senoidal do circuito abaixo gera uma tensão de


247,49.cos.(1000.t+45°)V. Determine:
a) A tensão eficaz de Thévenin e a corrente eficaz de Norton;
b) A impedância de Thévenin e Norton;
c) Desenhe o circuito equivalente de Thévenin e Norton.

100mH
a

100R
+
v(t) 10uF

100mH

b
Respostas: RTh=RN=100+j100Ω; VTh = 247, 49 0°V ; I N = 1, 75 −45°A .

4-) Determine o circuito equivalente de Thévenin do circuito abaixo do ponto de vista dos
terminais a e b.

j10 10R
a
Ix
+
2 45°A 20R 10.Ix _ -j10

b
Resposta: VTh = 10 45°V e ZTh = 5 − j 5Ω .

5-) Determine o circuito equivalente de Norton do ponto de vista dos terminais a e b.

6.Ix
_ + a
Ix

10 -45°A 2R j1

b
Resposta: I N = 10 −45°A e Z N = 1, 6 + j 3, 2Ω .

6-) Obtenha o circuito equivalente de Thévenin nos terminais a e b do circuito abaixo.

João Marcio Buttendorff 111


-j6 4R

+
120 75° V a b

8R j12

Resposta: VTh = 37,95 220,31°V e ZTh = 6, 48 − j 2, 64Ω

22 RESSONÂNCIA
A ressonância é a condição em um circuito RLC na qual as reatâncias capacitiva e
indutiva são iguais em módulo, resultando, portanto, em uma impedância puramente
resistiva.

22.1 Ressonância Série

Considere o circuito RLC série mostrado na Fig. 22-1.

R L

Vs I C

Fig. 22-1 – Circuito série ressonante.

A impedância de entrada do circuito no domínio da freqüência é dada por:


j
Z = R + j.ω .L − (22.1)
ω .C

Ou:
1
Z = R + j ω .L − (22.2)
ω .C

A ressonância ocorre quando a parte imaginária da função é nula, ou seja:


1
Im( Z ) = ω .L − =0 (22.3)
ω .C

João Marcio Buttendorff 112


O valor de ω que satisfaz esta condição é chamado de freqüência de ressonância
ωo . Portanto, a condição de ressonância é obtida por:
1
ω o .L =
ωo .C
(22.4)
1
ωo = rad / s
L.C

Como:
ω o = 2.π . f o (22.5)

1
fo = Hz (22.6)
2.π . L.C

Observa-se na ressonância, que a impedância é puramente resistiva, portanto,


Z = R . Em outras palavras, a combinação série LC opera como um curto-circuito e toda a
tensão estará em R. Além disso, a tensão Vs e a corrente I estão em fase; logo, o fator de
potência é unitário.

22.2 Ressonância Paralela

Considere o circuito RLC apresentado na Fig. 22-2.

Vs R L C

Fig. 22-2 – Circuito ressonante paralelo.

A impedância de entrada no domínio da freqüência é obtida por:


1
Z= (22.7)
1 1 ω .C
+ −
R j.ω .L j

Ou:
1
Z= (22.8)
1 1 1
+ . − ω .C
R j ω .L

A ressonância ocorre quando a parte imaginária da equação (22.8) é nula. Assim:

João Marcio Buttendorff 113


1
− ω .C = 0 (22.9)
ω .L

O valor de ω que satisfaz esta condição é chamado de freqüência de ressonância


ωo .
1
= ωo .C
ω o .L
(22.10)
1
ωo = rad / s
L.C

Como:
ω o = 2.π . f o (22.11)

1
fo = Hz (22.12)
2.π . L.C

Observa-se que, na ressonância, a combinação LC paralela funciona com um


circuito aberto: logo, toda a corrente passa através de R.

22.3 Exemplo de Aplicação

Calcule a freqüência de ressonância no circuito abaixo.

1H

Vp.sen( t) 0,2F 10R

Fig. 22-3 – Circuito exemplo.

Passando o circuito para o domínio da freqüência, obtém-se:

Vp.sen( t) -j/0,2 10R

Fig. 22-4 – Domínio da freqüência.

A impedância paralela formada pelo resistor e capacitor é definida por:

João Marcio Buttendorff 114


− j10
Zp = (22.13)
2ω − j

A impedância equivalente do circuito é dada por:

Z eq = jω −
j10
=
ω + j 2ω 2 − 10 ( ) (22.14)
2ω − j 2ω − j

Multiplicando-se a equação (22.14) pelo conjugado do denominador, obtém-se:

Z eq =
( .
)
ω + j 2ω 2 − 10 (2ω + j )
(22.15)
2ω − j (2ω + j )

Z eq =
10
+j
( 4ω 3
− 19ω ) (22.16)
4ω 2 + 1 4ω 2 + 1

Na ressonância a parte imaginária é nula. Desta forma, igualando-se a parte


imaginária a zero, determina-se a freqüência de ressonância.

( 4ω 3
− 19ω ) =0
4ω 2 + 1
4ω 3 = 19ω (22.17)
ω = 19 / 4 = 2,179rad / s

22.4 Exercícios

1-) No circuito RLC paralelo abaixo, seja R=8k , L=0,2mH, C=8uF e Vs=10.sen( .t).
Determine a freqüência de ressonância em Hertz e a potência dissipada no resistor na
ressonância.

Vs R L C

Respostas: f o = 3, 978kHz e P = 8, 25mW

2-) No circuito RLC série abaixo, seja R=2 , L=1mH, C=0,4uF e Vs=20.sen( .t).
Determine a freqüência de ressonância em Hertz, a potência dissipada no resistor e a
amplitude da corrente.

João Marcio Buttendorff 115


R C

Vs L

Respostas: f o = 7,957 kHz , P = 100W e I = 10 A .

3-) Determine a freqüência de ressonância do circuito abaixo.

2H

Is 0,1F 10R

2R

Resposta: ω o = 2rad / s .

4-) Para o circuito abaixo, determine a freqüência para a qual v(t) e i(t) estarão em fase.

i(t) 1H 1F

v(t) 1R 1H

Resposta: ω o = 0, 7861rad / s

5-) Para os circuitos abaixo, determine a freqüência de ressonância ωo .

2R 0,4F

3uF
1H 20mH 2k
6uF
6R

(a) (b)
Respostas: a-) ω o = 1, 581rad / s e b-) ω o = 5krad / s .

João Marcio Buttendorff 116


23 POTÊNCIAS E FATOR DE POTÊNCIA
Nosso esforço na análise de circuitos CA esteve, até agora, concentrado
principalmente no cálculo da tensão e da corrente. Neste capítulo, a análise da potência é o
aspecto que enfocaremos.
A análise da potência é da maior importância. A potência é a grandeza mais
importante em concessionárias de energia, sistemas eletrônicos e sistemas de comunicação,
pois esses sistemas trabalham com a transmissão de potência de um ponto a outro. Além
disto, todo eletrodoméstico ou equipamento industrial – todo ventilador, motor, lâmpada,
ferro de passar, TV, computador – é classificado em função da potência, indicando quanta
potência o equipamento necessita. Exceder a potência indicada pode danificar
permanentemente o equipamento. A forma mais comum de energia elétrica é a energia CA
em 60 ou 50Hz. A escolha de CA em vez de CC permitiu a transmissão de potência em
alta tensão, da unidade geradora até o consumidor.

23.1 Potência Instantânea

A potência instantânea p(t) entregue a qualquer dispositivo como função do tempo


é dada pelo produto da tensão instantânea v(t) aplicada sobre o dispositivo e a corrente
instantânea i(t) que o atravessa, como é apresentado na equação (23.1). Pela convenção de
sinais adotados, uma potência positiva corresponde a uma transferência de energia da fonte
para o circuito, e uma potência negativa significa que a fonte está drenando energia do
circuito.
p (t ) = v(t ).i (t ) (23.1)

Quando um circuito é puramente resistivo, conforme a Fig. 23-1, a tensão e a


corrente estão em fase. Assim, a potência instantânea é dada por:
p (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .sen(ω.t )
p (t ) = VP .I P .[ sen(ω.t ) ]
2
(23.2)
VP .I P
p (t ) = .[1 − cos(2.ω.t )]
2

i(t)

v(t) R

Fig. 23-1 – Circuito resistivo.

A Fig. 23-2 apresenta a potência instantânea em um circuito puramente resistivo.

João Marcio Buttendorff 117


v(t)

i(t)

0
Fig. 23-2 – Potência instantânea em um circuito resistivo.

Observando o gráfico da Fig. 23-2, pode-se observar que a potência nunca chega a
se tornar negativa. Em outras palavras, é impossível armazenar energia em um circuito
puramente resistivo; toda a energia elétrica cedida ao circuito é dissipada como energia
térmica.
No caso de um circuito puramente indutivo alimentado por uma fonte de tensão
senoidal, como o apresentado na Fig. 23-3, a corrente resultante estará 90° atrasada em
relação a tensão, ou seja, para uma tensão do tipo v(t ) = VP .sen(ω .t ) , a corrente resultante
será i (t ) = I P .sen(ω .t − 90°) .

i(t)

v(t) L

Fig. 23-3 – Circuito indutivo.

A potência instantânea neste tipo de circuito será dada por:


pL (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .sen(ω.t − 90°)
pL (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .[ sen(ω.t ).cos(90°) − cos(ω.t ).sen(90°) ]
pL (t ) = −VP .sen(ω.t ).I P .cos(ω.t ) (23.3)
pL (t ) = −VP .I P .[ sen(ω.t + ω.t ) + sen(ω.t − ω.t )]
VP .I P
pL (t ) = − .sen(2.ω.t )
2

Este resultado é apresentado graficamente na Fig. 23-4, onde nos intervalos em que
tensão e corrente possuem a mesma polaridade, a potência é positiva, caracterizando
transferência de potência da fonte para o circuito. Nos intervalos, em que tensão e corrente
possuem polaridades diferentes, a potência é negativa, o que por sua vez caracteriza
devolução de potência do circuito para a fonte.

João Marcio Buttendorff 118


v(t) i(t)

-P
Fig. 23-4 – Potência instantânea em um circuito puramente indutivo.

Para o caso de um circuito puramente capacitivo alimentado por uma fonte de


tensão senoidal, como o apresentado na Fig. 23-5, a corrente estará 90° adiantada em
relação à tensão, ou seja, para uma tensão do tipo v(t ) = VP .sen(ω .t ) , a corrente resultante
será i (t ) = I P .sen(ω .t + 90°) .
A potência instantânea será:
pC (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .sen(ω.t + 90°)
pC (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .[ sen(ω.t ).cos(90°) + cos(ω.t ).sen(90°) ]
pC (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .cos(ω.t ) (23.4)
pC (t ) = VP .I P .[ sen(ω.t + ω.t ) + sen(ω.t − ω.t )]
VP .I P
pC (t ) = .sen(2.ω.t )
2

i(t)

v(t) C

Fig. 23-5 – Circuito capacitivo.

Assim como nos circuitos puramente indutivo, nos circuitos capacitivos a potência
média será zero, ou seja, não há dissipação de energia. A Fig. 23-6 mostra que a potência é
alternadamente armazenada pelos elementos capacitivos e devolvida à fonte que alimenta o
circuito, o que acontece com uma freqüência de 2.ω. Em outras palavras, quando a
potência é positiva, a energia está sendo armazenada nos campos elétricos dos capacitores;
quando a potência é negativa, os capacitores estão devolvendo esta energia.

João Marcio Buttendorff 119


v(t)
i(t)

P
0
-P
Fig. 23-6 - Potência instantânea em um circuito puramente capacitivo.

Sabe-se, no entanto, que circuitos puramente indutivos ou capacitivos são circuitos


muito particulares, raramente encontrados. Assim sendo, um caso mais geral é aquele em
que uma tensão do tipo v(t ) = VP .sen(ω .t ) resulta em uma corrente i (t ) = I P .sen(ω .t − φ ) ,
onde φ pode ser positivo ou negativo, correspondente à impedância indutiva ou capacitiva,
respectivamente.
Para o caso em que φ<0, ou seja, circuito indutivo têm-se:
p (t ) = VP .sen(ω.t ).I P .sen(ω.t − φ )
(23.5)
p (t ) = VP .I P .sen(ω.t ).sen(ω.t − φ )

Aplicando-se a integral para calcular o valor médio da potência, obtém-se:


T
1
Pmed = p (t )dt
T 0
T
1
Pmed = VP .I P .sen(ω.t ).sen(ω.t − φ )dt
T 0
T
1
Pmed =
T
{V .I
P P .sen(ω.t ).[ sen(ω.t ).cos(φ ) − cos(ω.t ).sen(φ )]}dt
0
T
Pmed =
1
T
{V .I .
P P }
sen 2 (ω.t ).cos(φ ) − sen(ω.t ).cos(ω.t ).sen(φ ) dt (23.6)
0
T
1 1
Pmed = VP .I P . sen 2 (ω.t ).cos(φ ) − sen(ω.t ).sen(φ ) dt
T 0
2
V .I .cos(φ ) V .I .sen(φ )
T T
Pmed = P P sen 2 (ω.t )dt − P P sen(ω.t )dt
T 0
2.T 0

1
Pmed = .VP .I P .cos(φ )
2

Onde φ é definido como a diferença entre o ângulo da tensão e da corrente, ou seja:


φ = φv − φi (23.7)
A potência média também é chamada de potência ativa porque representa a
parcela da potência que é dissipada, ou seja, convertida em outra forma de energia.

João Marcio Buttendorff 120


A potência média também pode ser obtida em função dos valores eficazes da tensão
e da corrente, fazendo:
V
Vef = P (23.8)
2
IP
I ef = (23.9)
2

Substituindo a equação (23.8) e a (23.9) na(23.6), obtém-se:


P = Vef .I ef .cos(φ ) (23.10)

O produto de Vef e Ief recebe o nome de potência aparente ou potência complexa,


cujo símbolo é S, sendo medido em voltampères (VA). Quando trata-se de circuitos
lineares, a fator pela qual a potência aparente deve ser multiplicada para obter a potência
ativa é chamado fator de potência (FP), ou seja, o fator de potência é o termo que
determina quanto da potência entregue à carga está sendo realmente utilizado.
P Vef .I ef .cos(φ )
FP = = (23.11)
S Vef .I ef

FP = cos(φ ) (23.12)

Neste ponto é importante lembrar que tal relação só é válida quando o circuito em
estudo é linear. Quando estuda-se um circuito não linear, como por exemplo um
retificador, cujas formas de onda da tensão e corrente típicas são mostradas na Fig. 23-7,
deve-se levar em conta a taxa de distorção harmônica da corrente. Assim sendo, o fator de
potência passa a ser dado por:
cos(φ )
FP = (23.13)
1 + TDH 2

v(t)
i(t)

Fig. 23-7 – Tensão e corrente em um retificador de onda completa.

Quando trata-se do FP, o sinal de φ é um dado importante porque revela se o


circuito tem característica indutiva ou capacitiva, pois quando a corrente está atrasada,
φ>0. Seja como for, o módulo do fator de potência estará sempre compreendido entre
0<FP<1.

João Marcio Buttendorff 121


23.2 Potência Complexa e Triângulo das Potências

Considere uma carga CA sendo alimentada por uma fonte senoidal. Convertendo a
tensão e a corrente para a forma fasorial, obtém-se:
V = Vef φv
(23.14)
I = I ef φi

A potência complexa S absorvida pela carga é o produto da tensão pelo complexo


conjugado da corrente, ou seja:
S = V .I * = Vef φv .I ef −φi
S = Vef .I ef φv − φi (23.15)
S = Vef .I ef .cos(φv − φi ) + j.Vef .I ef .sen(φv − φi )

Onde a parte real da equação representa a potência média P (W) e a parte


imaginária representa a potência reativa Q (Var).
Considere dois casos especiais da equação. Quando φv = φi , a tensão e a corrente
estão em fase. Isto significa que o circuito é puramente resistivo, resultando apenas a
potência média (ativa).
P = Vef .I ef (23.16)

Quando φv − φi = ±90° , tem-se um circuito puramente reativo, ou seja, a potência


ativa é zero, resultando apenas a potência reativa Q.
P = Vef .I ef .cos(90°) = 0
(23.17)
Q = Vef .I ef .sen(90°) = Vef .I ef

A potência complexa também pode ser expressa em termos da impedância da carga


Z.
Vef
Z=
I ef
2
S = I ef .I ef * .Z = I ef .Z (23.18)
2
Vef .Vef * Vef
S= =
Z* Z*

Como Z = R + jX , a equação se torna:


2
S = I ef .( R + jX ) = P + jQ (23.19)

Onde P e Q são as partes reais e imaginárias da potência complexa, ou seja:

João Marcio Buttendorff 122


2
P = Re( S ) = I ef .R
2
(23.20)
Q = Im( S ) = I ef . X

P é a potência média ou ativa e depende da resistência R da carga. Q depende da


reatância X da carga, sendo chamada de potência reativa (ou de quadratura).
A potência ativa P é a potência média, em watts, transmitida à carga. Esta é a única
potência utilizada, sendo a potência que realmente é dissipada pela carga. A potência
reativa Q é a medida da energia trocada entre a fonte e a parte reativa da carga. A unidade
de Q é o volt-ampére reativo (VAR) para distingui-la da potência real, cuja unidade é o
watt. Os elementos armazenadores de energia não dissipam nem fornecem potência, mas
trocam energia com o resto do circuito. Da mesma maneira, a potência reativa é transferia
da fonte para a carga e da carga para a fonte.
É uma prática padrão representar S, P e Q na forma de um triângulo, chamando de
triângulo das potências. O triângulo da potência representa quatro itens – a potência
aparente/complexa, potência real, potência reativa e o ângulo do fator de potência. Dados
dois destes itens, os outros dois podem ser facilmente obtidos do triângulo. Quando S está
no primeiro quadrante, tem-se uma carga indutiva e um FP atrasado. Quando S está no
quarto quadrante, a carga é capacitiva e o FP é adiantado.

Z S(VA)
Q(VAr)
jXL
φ
P(W)
(a)
P(W)
φ
R
Q(VAr)
Z
S(VA)
-jXC

(b)
Fig. 23-8 – (a) Circuito indutivo e (b) Circuito capacitivo.

Para a análise de circuitos ligados em paralelo, como por exemplo várias cargas
ligadas a um mesmo alimentador (Fig. 23-9), pode-se determinar a potência complexa total
fornecida através das equações (23.21), (23.22) e (23.23).

Ief

Vef I1 Z1 I2 Z2 In Zn

b
Fig. 23-9 – Potências em cargas ligadas em paralelo.

João Marcio Buttendorff 123


PT = P1 + P2 + ... + Pn (23.21)

QT = Q1 + Q2 + ... + Qn (23.22)

ST = PT 2 + QT 2 (23.23)

Esses resultados, que também podem ser aplicados a circuitos ligados em série,
significam que o triângulo de potência total pode ser obtido ligando-se os triângulos de
potência de cada circuito independente de um vértice a outro.

23.3 Correção do Fator de Potência

Como foi demonstrado, para circuitos lineares alimentados por fontes senoidais, o
fator de potência é simplesmente definido como cos(φ), onde φ é o ângulo de defasagem
entre tensão e corrente. Para uma carga puramente resistiva, tensão e corrente estão em
fase, o que leva a um fator de potência unitário. Neste caso, a potência aparente e a ativa
são iguais.
No entanto, este tipo de carga não costuma ser encontrado com grande freqüência,
principalmente entre os grandes consumidores (indústrias), cujas cargas, em geral possuem
características indutivas. Esta componente indutiva preponderante deve-se ao grande
número de motores normalmente encontrado nas indústrias. Sabe-se também que quando a
potência elétrica é fornecida a grandes consumidores, as companhias que fornecem a
energia impõem limites aos valores de FP. Desta forma, torna-se uma prática usual, aplicar
técnicas de correção do fator de potência.
Teoricamente, é possível fazer com que uma carga indutiva (ou capacitiva), seja
“vista” pela rede como um resistor. Isto é obtido através da inserção, no circuito, de
elementos cujos valores, combinados à freqüência da rede provenham uma impedância de
entrada com ângulo de defasagem nula.

23.4 Exemplo de Aplicação

Uma carga elétrica é alimentada com 240 Vrms/60Hz. A carga consome uma
potência ativa de 8 kW com um fator de potência atrasado de 0,8. Determine:
a) O ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente;
b) A corrente eficaz;
c) A impedância;
d) A potência aparente;
e) A potência reativa;
f) A potência reativa capacitiva para obter fator de potência de 0,92;
g) O valor da capacitância.

Solução:

a-) Como o fator de potência é atrasado, sabe-se que a carga é indutiva e que portanto o
sinal da potência reativa é positiva. O ângulo de defasagem entre a tensão e corrente no
circuito pode ser obtido diretamente pela equação (23.12). Assim:

João Marcio Buttendorff 124


FP = cos(φ )
(23.24)
φ = cos −1 (0,8) = 36,87°

b-) A corrente eficaz pode ser obtida pela equação (23.10) que leva em consideração a
tensão eficaz, a potência ativa e o ângulo de defasagem.
P = Vef .I ef .cos(φ )
P 8000
I ef = = (23.25)
Vef .cos(φ ) 240.cos(36,87°)
I ef = 41, 67 A

c-) A impedância da carga é obtida em função da tensão e corrente eficaz. Desta forma:
Vef 240
Z = = = 5, 76Ω (23.26)
I ef 41, 67

O ângulo φ que representa a defasagem entre a tensão e a corrente, também


representa o ângulo do módulo da impedância. Assim:
Z = 5, 76 36,87°Ω = 4, 608 + j 3, 456Ω (23.27)

d-) A potência aparente do circuito pode ser obtida em função da tensão e corrente eficaz
ou através da equação (23.11).
P
FP =
S
P 8000
S= = (23.28)
FP 0,8
S = 10kVA

e-) A potência reativa é determina por:


Q = Vef .I ef .sen(φ ) = 240.41, 67.sen(36,87°)
(23.29)
Q = 6kVAr

f-) Para um fator de potência de 0,92 a potência aparente será:


P
FP =
S
P 8000
S= = (23.30)
FP 0,92
S = 8, 695kVA

A respectiva potência reativa é obtida através do teorema de Pitágoras


(equação(23.23)).

João Marcio Buttendorff 125


S 2 = P2 + Q2
Q0,92 = S 2 − P 2 = 86952 − 8000 2 (23.31)
Q0,92 = 3, 406kVAr

Desta forma, a potência reativa capacitiva necessária para tornar o fator de potência
0,92 é obtida subtraindo-se a potência reativa inicial da potência reativa correspondente a
0,92.
QC = Q − Q0,92 = 6000 − 3406
(23.32)
QC = 2,594kVAr

A Fig. 23-10 apresenta o triângulo das potências. Através deste, fica visível o valor
necessário da potência reativa capacitiva.

Q=2,6kVAr
S=10kVA
S=8,7kVA Q=6kVAr
Q=3,4kVAr
φ
P=8kW
Qc=2,6kVAr

Fig. 23-10 – Triângulo das potências.

g-) Para obter a capacitância necessária para obter fator de potência de 0,92, deve-se
inicialmente determinar a reatância capacitiva.
QC 2594
IC = = = 10,808 A (23.33)
Vef 240

A reatância é obtida por:


Vef 240
XC = = = 22, 206Ω (23.34)
IC 10,808

Assim, a capacitância do capacitor é dada por:


1
XC =
2.π . f .C
1 1
C= = (23.35)
2.π . f . X C 2.π .60.22, 206
C = 119, 45µ F

João Marcio Buttendorff 126


23.5 Exercícios
1-) Determine as potências aparente, ativa e reativa de uma rede constituída por uma
resistência de 15Ω, uma indutância L de 0,2H e uma capacitância de 30uF ligadas em série
e alimentadas por uma fonte de 220V/50Hz. Desenhe o triângulo das potências.
Respostas: S=1,056kVA; P=346W e Q=998VAr.

2-) Um motor de 10cv (potência no eixo) tem um rendimento de 85%, fator de potência de
0,8 e encontra-se ligado a uma rede de 220V/50Hz. Calcule a capacitância que é necessária
colocar em paralelo para compensar o deslocamento entre a corrente a tensão. Considere:
1cv = 736W
P
Peletrica = eixo
η
Resposta: C=427uF.

3-) Aos terminais de uma impedância cujo valor é Z=3+j4Ω, aplica-se uma tensão
V=20+j10Vrms. Calcule a potência aparente, ativa e reativa do circuito.
Respostas: S=100VA; P=60W e Q=80VAr.

4-) Calcule a potência ativa, reativa, aparente e o fator de potência para:


v(t ) = 100.sen(ω .t + 45°)
i (t ) = 4.sen(ω .t − 15°)
Respostas: P=100W; Q=173,21VAr; S=200VA e FP=0,5.

5-) Calcule a potência média absorvida por uma impedância Z = 30 − j 70Ω quando
V = 120 0°V (valor de pico) é aplicada a ela.
Resposta: P=37,24W.

6-) Determine a potência fornecida por cada uma das fontes e a potência média absorvida
por cada um dos elementos passivos do circuito abaixo.

20R -j5

2 4
+
4 0°A 1 j10 3 5 60 30°V

Respostas: P1=367,8W, P2=160W, P3=0W, P4=0W e P5=-207,8W.

7-) Determine o fator de potência do circuito visto pela fonte. Calcule a potência média
transmitida pela fonte.

6R

+
30 0°Vrms -j2 4R

Respostas: FP=0,9734 e P=125W.

João Marcio Buttendorff 127


8-) Quando conectado a uma linha de alimentação de 120Vrms, 60Hz, uma carga absorve
4kW com um fator de potência de 0,8 atrasado. Determine o valor da capacitância,
necessária para aumentar o FP para 0,95.
Resposta: C=310,5uF.

9-) Determine o valor da capacitância paralela necessária para corrigir uma carga de
140kVAr e FP 0,85 atrasado para um FP unitário. Considere que a carga é alimentada por
uma tensão de linha de 110V (rms), 60Hz.
Resposta: C=30,69mF.

10-) Uma fonte de 120Vrms, 60Hz alimenta duas cargas conectadas em paralelo, como
mostra a figura abaixo.
a) Determine o fator de potência da combinação paralela;
b) Calcule o valor da capacitância conectada em paralelo que irá aumentar o fator de
potência para o unitário.

Carga 1 Carga 2
24kW 40kW
FP=0,8 FP=0,95
Atrasado Atrasado

Respostas: a-) FP=0,8992 e b-) C=5,74mF.

24 CIRCUITOS TRIFÁSICOS EQUILIBRADOS


Mesmo sendo uma função matemática especial, a forma de onda senoidal
corresponde a forma de excitação mais usada nos circuitos reais. Neste item, serão
estudadas as fontes de tensões senoidais polifásicas, já que estas são responsáveis pela
quase totalidades da potência gerada. Dentre os circuitos polifásicos existentes, o mais
importante é, sem dúvida alguma, o circuito trifásico.
Este tipo de fonte possui três ou quatro terminais de conexão. Quando o sistema é
equilibrado, a tensão entre esses terminais é igual em amplitude, porém defasadas em 120°
entre si.
Quando uma fonte trifásica alimenta uma carga, também trifásica e equilibrada, a
potência drenada de cada fase do gerador será igual. Quando uma das tensões fornece
potência instantânea nula a outras duas tensões deveram apresentar uma amplitude
correspondente exatamente a metade da amplitude máxima, devido a defasagem entre as
tensões. Dessa forma, pode-se concluir que a potência fornecida a carga nunca será nula.
Esta é uma importante característica para máquinas girantes, como, por exemplo, motores
elétricos, que apresentam torque mais constante e, portanto, menor vibração.
Dentre outros benefícios, deve-se também lembrar que máquinas de geração
trifásica são vantajosas em relação às monofásicas e a própria transmissão de energia na
forma trifásica é muito mais econômica que na forma monofásica.
A utilização de circuitos com um número maior de fases está limitada quase que
inteiramente à alimentação de retificadores de grande potência.

João Marcio Buttendorff 128


24.1 Tensões Trifásicas Equilibradas
Um conjunto de tensões trifásicas equilibradas é constituído por três tensões
senoidais de mesma freqüência e amplitude, defasadas entre si de exatamente 120°. As três
fases são quase sempre chamadas de A, B e C ou R, S e T; a fase A é tomada como fase de
referência. As três tensões são conhecidas como tensão da fase A, tensão da fase B e
tensão da fase C.
Só existem duas relações possíveis entre a fase da tensão A e as fases das tensões B
e C. Uma das possibilidades é a de que a tensão da fase B esteja atrasada de 120° em
relação à tensão da fase A, caso em que a tensão da fase C estará adiantada de 120° em
relação à tensão da fase A. Esta relação entre as três fases é conhecida como seqüência de
fases ABC ou seqüência de fases positiva. A outra possibilidade é de que a tensão da fase B
esteja adiantada de 120° em relação à tensão da fase A, caso em que a tensão da fase C
estará atrasada de 120° em relação à tensão da fase A. Esta relação entre as fases é
conhecida como seqüência de fases ACB ou seqüência de fases negativa. Em notação
fasorial, os dois conjuntos possíveis de tensões de fase equilibradas são:
VAN = Vef 0°
VBN = Vef −120° (24.1)
VCN = Vef 120°

e
VAN = Vef 0°
VBN = Vef 120° (24.2)
VCN = Vef −120°

Onde Vef representa a tensão eficaz da fonte. As equações (24.1) se aplicam à


seqüência ABC ou positiva; as equações (24.2), à seqüência ACB ou negativa. A Fig. 24-1
mostra os diagramas fasoriais e as formas de onda das tensões representadas pelas
equações (24.1). Na Fig. 24-1, a seqüência de fases corresponde à ordem dos índices
quando a figura é percorrida no sentido horário. O fato de que um circuito trifásico pode
ter duas seqüências de fases diferentes deve ser levado em consideração sempre que dois
destes circuitos são ligados em paralelo; os circuitos só funcionarão corretamente se
tiverem a mesma seqüência de fases.
Vc A B C

Va
120°
240°

Vb
Vb A C B

Va

Vc
Fig. 24-1 – Diagramas fasoriais e seqüência de fases.

João Marcio Buttendorff 129


Outra característica importante de um conjunto de tensões trifásicas equilibradas é
que a soma das três tensões é zero. Assim, tanto para as tensões das equações (24.1) como
para as das equações (24.2).
VA + VB + VC = 0 (24.3)

Se a soma das tensões fasoriais é zero, a soma dos valores instantâneos das tensões
também deve ser zero. Assim:
va + vb + vc = 0 (24.4)

24.2 Fonte de Tensão Trifásica

Uma fonte de tensão trifásica é um gerador com três enrolamentos separados


distribuídos ao longo da periferia do estator. Cada enrolamento constitui uma das fases do
gerador. O rotor do gerador é um eletroímã acionado com velocidade angular constante por
uma máquina motriz, como uma turbina a gás ou a vapor. A rotação do eletroímã induz
tensões senoidais nos três enrolamentos. Os enrolamentos são projetados de tal forma que
as tensões senoidais neles induzidas tem a mesma amplitude e estão defasadas de 120°. A
freqüência da tensão induzida pelo eletroímã rotativo é a mesma nos três enrolamentos, já
que permanecem estacionários durante todo o processo. Na Fig. 24-2, onde apresenta-se
um gerador simplificado, três bobinas estão igualmente distribuídas sobre o rotor do
gerador, ou seja, estão deslocadas entre si em 120° mecânicos.

A
C’ B’
Imã Imã
Norte Sul

B C
A’

Fig. 24-2 – Gerador simplificado.

Existem duas formas de ligar os enrolamentos de um gerador trifásico. Estas


configurações, denominadas Y (estrela) ou ∆ (triângulo), são mostradas na Fig. 24-3, na
qual os enrolamentos do gerador estão representados por fontes de tensão independentes. O
terminal comum da ligação em Y é chamado de terminal neutro do gerador. O terminal
neutro pode estar ou não disponível para conexões externas.

João Marcio Buttendorff 130


A A

Va
Vb Vc Va
Neutro B
Vb
B
Vc

C C
Ligação Estrela Ligação Triângulo
Fig. 24-3 – Ligações de um gerador trifásico.

Como as fontes e cargas trifásicas podem ser ligadas em Y ou em ∆, os circuitos


podem assumir quatro diferentes configurações:

Fonte Carga
Y Y
Y ∆
∆ Y
∆ ∆

24.3 Análise do Circuito Ligado em Y-Y

A Fig. 24-4 mostra um circuito Y-Y no qual foi incluído um quarto condutor
ligando o terminal neutro do gerador ao terminal neutro da carga. A presença deste quarto
condutor só é possível na configuração Y-Y (encontrada em instalações industrias,
residências e prediais).

Van Za

Neutro

Vbn Vcn Zc Zb

Fig. 24-4 – Sistema trifásico Y-Y.

Este circuito equilibrado trifásico pode ser substituído por circuitos equivalentes
por fase. Conforme apresentado na Fig. 24-5. A corrente no condutor da fase A é a tensão
gerada pela fonte Van dividida pela impedância total da fase A (Za). Como as relações
entre as tensões nas três fases são conhecidas, depois de resolver este circuito pode-se
facilmente determinar as correntes e tensões nas outras duas fases.

João Marcio Buttendorff 131


Van Za

Fig. 24-5 – Circuito equivalente por fase.

É importante observar que o circuito equivalente fornece o valor correto da corrente


na linha das fases, mas não o valor correto da corrente no neutro. Em todas as situações nas
quais o circuito equivalente para uma fase pode ser aplicada, as correntes de linha formam
um conjunto equilibrado e a corrente no neutro, dada pela equação (24.5), é nula.
I A + I B + IC = 0 (24.5)

Um outro parâmetro importante é a relação entre as tensões entre linhas (fase-fase)


chamadas de tensões de linha e as tensões entre as linhas e o neutro (fase-neutro),
chamadas de tensões de fase. Vamos determinar esta relação para os terminais da carga da
Fig. 24-6, onde foram rotuladas como VAB, VBC e VCA; por convenção o primeiro índice é
o nó em que a tensão é mais elevada.

+
+
Van Vab Za

Vbn _ Zb
Neutro
+ +

Vcn Zc
Vbc
+
_

Fig. 24-6 - Tensões entre linhas e entre linha e neutro.

As tensões entre linha e neutro (tensões de fase) são VAN, VBN e VCN (equação
(24.1)). Pode-se expressar as tensões entre linhas em termos das tensões entre linha e
neutro usando a lei de Kirchhoff para tensões:
VAB = VAN − VBN
VBC = VBN − VCN (24.6)
VCA = VCN − VAN

Substituindo-se a equação (24.1) na (24.6), obtém-se as tensões de linha para um


sistema trifásico equilibrado.
VAB = Vef 0° − Vef −120° = 3.Vef 30°
VBC = Vef −120° − Vef 120° = 3.Vef −90° (24.7)
VCA = Vef 120° − Vef 0° = 3.Vef 150°

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A equação (24.7) mostra que:
1. A amplitude das tensões de linha é igual a 3 vezes a amplitude das
tensões de fase;
2. As tensões de linha formam um conjunto equilibrado de tensões;
3. As tensões de linha estão adiantadas de 30° em relação às tensões de fase.
A Fig. 24-7 apresenta as tensões de linha e as tensões de fase de um sistema
trifásico.

Vab Vbc Vca

Van Vbn Vcn

Fig. 24-7 – Tensões de linha e entre fase e neutro.

24.4 Correntes de Linha em um Circuito Ligado em Triângulo (∆)

Quando uma carga (ou fonte) é ligada em ∆, as correntes nos ramos do ∆ são as
correntes de fase e as tensões entre os terminais dos ramos do ∆ são as tensões de fase.
Como pode-se observar na Fig. 24-8, no caso da configuração em ∆ a tensão de fase é
igual a tensão de linha.

Ia

Iab Z1 Ica Z2

Z3 C
Ib B
Ibc

Ic
Fig. 24-8 – Carga equilibrada ligada em triângulo.

Para determinar a relação entre as correntes de fase (ramo) e as correntes de linha,


consideraremos uma seqüência de fase positiva e chamaremos de Ief o módulo da corrente
de fase. Nesse caso:
I AB = I ef . 0°
I BC = I ef . −120° (24.8)
I CA = I ef .120°

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Pode-se determinar as correntes de linha em termos das correntes de fase usando a
lei de Kirchhoff para as correntes:
I A = I AB − I CA = I ef . 0° − I ef .120° = 3.I ef . −30°
I B = I BC − I AB = I ef . −120° − I ef . 0° = 3.I ef . −150° (24.9)
I C = I CA − I BC = I ef .120° − I ef . −120° = 3.I ef . 90°

Comparando-se as equações, verifica-se que o módulo das correntes de linha é 3


vezes maior que o módulo das correntes de fase e que as correntes de linha estão atrasadas
de 30° em relação às correntes de fase.

24.5 Potência em Carga Trifásica Equilibrada

Nos sistemas trifásicos a potência em cada fase da carga será Pf=Uf.If (onde f
representa tensão e corrente de fase), como se fosse um sistema monofásico independente.
A potência total será a soma das potências das três fases, ou seja:
P = 3.Pf = 3.V f .I f (24.10)

Lembrando que nos sistemas trifásicos ligados em estrela ou triângulo, temos as


seguintes relações:
VL = 3.V f
Ligação estrela:
I = If
VL = V f
Ligação triângulo:
I = 3.I f
Assim, a potência total, para ambas as ligações, será:
P = 3.V .I (24.11)

Esta equação vale para a carga formada por resistências, onde não há defasagem
entre a tensão e a corrente.
Para as cargas reativas, ou seja, onde existe defasagem, como no caso dos motores
de indução, esta defasagem tem que ser levada em consideração e a equação passa a ser:
P = 3.V .I .cos(φ ) (24.12)

Onde V e I são, respectivamente, tensão e corrente eficazes de linha e cos(φ) é o


ângulo entre a tensão e a corrente de fase.
Os valores das potências reativa e aparente são obtidas diretamente pelas equações
(24.13) e (24.14):
Q = 3.V .I .sen(φ ) (24.13)

S = 3.V .I (24.14)

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24.6 Exemplo de Aplicação

Um motor elétrico trifásico de 100cv/380V e rendimento de 93% apresenta um


fator de potência de 0,9. Deseja-se aumentar o fator de potência para 0,95. Calcule a
potência reativa necessária para elevar o fator de potência.
A potência em W, que o motor fornece ao eixo é dado por:
PM = 100.736 = 73, 6kW

A potência consumida pelo motor é obtida em função do rendimento do mesmo.


Assim:
PM 73600
P= = = 79,139kW
η 0, 93

A potência aparente e reativa que o motor necessita para operar com um fator de
potência de 0,9 é obtida por:
P
cos(φ ) =
S0,9
P 79139
S0,9 = = = 87,933kVA
cos(φ ) 0,9

S0,9 2 = P 2 + Q0,9 2
Q0,9 = S0,9 2 − P 2 = 879332 − 791392
Q0,9 = 38,33kVAr

Para que o mesmo motor opere com fator de potência de 0,95, as respectivas
potências aparentes e reativas devem ser:
P
cos(φ ) =
S0,95
P 79139
S0,95 = = = 83, 304kVA
cos(φ ) 0,95

S0,95 2 = P 2 + Q0,95 2
Q0,95 = S0,95 2 − P 2 = 83304 2 − 791392
Q0,95 = 26, 012kVAr

Assim, a reatância capacitiva necessária para corrigir o fator de potência do motor


será dada por:
Q = Q0,9 − Q0,95 = 38330 − 26012
Q = 12, 318kVAr

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24.7 Exercícios

1-) A tensão de linha nos terminais de uma carga trifásica equilibrada tipo é 110V. As
impedâncias das três fases da carga são resistores de 3,667 em paralelo com indutores
cuja reatância é 2,75 . Qual é o módulo da corrente na linha que alimenta a carga?
Resposta: I=86,60A.

2-) Um gerador trifásico balanceado em com uma impedância de 0,4+j0,3 por fase é
conectado a uma carga balanceada, conectada em , com uma impedância de 24+j19 por
fase. A linha que une o gerador e a carga possui uma impedância de 0,6+j0,7 por fase.
Considerando uma seqüência positiva para as tensões da fonte e que Van = 120 30°V ,
determine:
a) As tensões de linha;
b) As correntes de linha.
Respostas: a-) 207,85 60°V , 207,85 −60°V e 207,85 180°V
b-) 3, 75 −8, 66°A , 3, 75 −128, 66°A e 3, 75 111,34°A

3-) Uma tensão de linha de uma fonte balanceada conectada em Y é Vab = 180 −20°V . Se a
fonte está conectada a uma carga conectada em de 20 40°Ω , determine as correntes de
fase e linha. Considere a seqüência abc.
Respostas: 9 −60°A , 9 −180°A , 9 60°A , 9 −60°A , 15,59 −90°A ,
15,59 −210°A e 15,59 30°A

4-) Uma fonte balanceada, conectada em , com seqüência positiva, alimenta uma carga
balanceada conectada em . Sendo a impedância por fase da carga 18+j12 e
I a = 22,5 35°A , determine IAB e VAB.
Respostas: 13 65°A e 281, 2 98, 69°V

5-) Uma fonte de tensão trifásica de 100V (eficaz) alimenta uma carga equilibrada,
mostrada na figura abaixo. Assume-se como referência a tensão VAB (ângulo zero).
Determine:
a) A corrente fasorial IAB;
b) A corrente de linha fasorial IA.

A
Ia
4R 4R
Iab

j3 j3

4R j3
B

C
Respostas: a-) I AB = 20 −36, 9°A ; b-) I A = 34, 641 −66,9°A .

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6-) A fonte de tensão trifásica da figura abaixo alimenta uma carga cujo modelo por fase é
dado pela figura a direita. Determine:
a) A corrente de linha IL com relação à tensão de linha VAB (adote VAB como tensão
de referência, ou seja, ângulo igual a zero);
b) A potência ativa e reativa fornecida para a carga.

IL
A 2,236R
300Vef
B
(linha)
3 fases C j1
N
N

Respostas: a-) I L = 70, 7 −24,1°A ; b-) P = 33,5kW e Q = 15kVAr .

7-) Uma carga balanceada conectada em estrela absorve uma potência total de 5kW com
um fator de potência adiantado de 0,6 quando conectado a uma tensão de linha de 240V.
Determine a impedância de cada fase e a potência complexa total da carga.
Respostas: Z=4,15-j5,53 e S=5000-j6667VA.

8-) Um motor trifásico pode ser modelado como uma carga em Y balanceada. O motor
drena 5,6kW quando a tensão de linha é 220V e a corrente de linha é 18,2A. Determine o
fator de potência do motor.
Resposta: FP=0,8075.

9-) Um motor elétrico trifásico de 250cv/220V e rendimento de 95,4% apresenta um fator


de potência de 0,89. Deseja-se aumentar o fator de potência para 0,93. Calcule a corrente
nominal do motor, a potência reativa necessária para elevar o fator de potência e desenhe o
triângulo das potências.
Respostas: I=568,716A e Q=22,583kVAr.

10-) Duas cargas balanceadas são conectadas a uma linha de 240kV, 60Hz, como
apresentado na figura. A carga 1 drena 30kW com um fator de potência de 0,6 atrasado,
enquanto que a carga 2 drena 45kVAr com um fator de potência de 0,8 atrasado.
Determine:
a) As potências ativa, reativa e aparente absorvida pelas cargas;
b) A corrente total de linha;
c) A quantidade de kVAr do banco capacitivo conectados em paralelo com a carga
para aumentar o fator de potência para 0,9 atrasado;
d) A capacitância total dos capacitores.

Carga Carga

Balanceada 1 Balanceada 2

Respostas: a-) P=90kW; S=123,8kVA e Q=85kVAr; b-)

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Referências Bibliográficas
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, Bookman
Companhia Editora., Porto Alegre, 2003.

NILSSON, J. W.; RIEDEL, S. A., Circuitos Elétricos, 6ª Edição, Editora LTC, Rio de
Janeiro, 2003

NAHVI, M.; EDMINISTER, J., Circuitos Elétricos, 2ª. Edição, Bookman Companhia
Editora, Porto Alegre, 2005.

GUSSOW, M., Eletricidade Básica, 2a Edição, Makron Books, São Paulo, 1996.

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