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Uso da videoconferência em Portugal

Em Portugal é possível recorrer à videoconferência para obtenção de prova na instrução do processo


judicial nos termos do disposto nos artigos 556.º, 588.º e 623.º do Código de Processo Civil (CPC).

Podem ser ouvidos por videoconferência testemunhas, peritos e partes.


 
Nos termos da lei processual civil portuguesa, em regra, as testemunhas e partes deverão ser ouvidas
por videoconferência na própria audiência e a partir do tribunal de comarca da área da sua residência
(artigo 623.º, n.º 1 CPC), sendo que os peritos de estabelecimentos, laboratórios ou serviços oficiais
podem ser ouvidos por teleconferência a partir do seu local de trabalho (artigo 588.º, n.º 2 CPC).

Contudo, gozam da prerrogativa de ser inquiridos na sua residência ou na sede dos respectivos serviços,
quando oferecidos como testemunhas, o Presidente da República e os agentes diplomáticos estrangeiros
que concedam idêntica regalia aos representantes de Portugal.

As audiências finais e os depoimentos, informações e esclarecimentos nelas prestados são gravados


sempre que alguma das partes o requeira, por não prescindir da documentação da prova nelas
produzida, e quando o tribunal oficiosamente determinar a gravação (art.º 522.º-B CPC), não se
excluindo os depoimentos prestados por videoconferência.

No âmbito de processo penal a Lei n.º 93/99, de 14 de Julho, que regula a aplicação de medidas para
protecção de testemunhas em processo penal, prevê, quando a sua vida, integridade física ou psíquica,
liberdade ou bens patrimoniais de valor consideravelmente elevado sejam postos em perigo por causa
do seu contributo para a prova dos factos que constituem objecto do processo, a admissibilidade de
recurso à teleconferência sempre que ponderosas razões de protecção o justifiquem, tratando-se da
produção de prova de crime que deva ser julgado pelo tribunal colectivo ou pelo júri. A teleconferência
pode ser efectuada com a distorção da imagem ou da voz, ou de ambas, de modo a evitar-se o
reconhecimento da testemunha.

A Lei n.º 112/2009, de 16 de Setembro, que aprova o regime jurídico aplicável à prevenção da
violência doméstica e à protecção e assistência das suas vítimas, prevê, no artigo 32.º, que os
depoimentos e declarações das vítimas, quando impliquem a presença do arguido, são prestados através
de videoconferência ou de teleconferência, se o tribunal, designadamente a requerimento da vítima, o
entender como necessário para garantir a prestação de declarações ou de depoimento sem
constrangimentos.
Actualmente, todos os tribunais portugueses dispõem dos necessários meios técnicos para a realização
de videoconferências e gravação áudio da prova produzida.

Para mais informações sobre a videoconferência em Portugal, contacte a Direcção-Geral da


Administração da Justiça (DGAJ).

Quando uma acção é contestada, é frequente


que o tribunal necessite de obter provas para
considerar provada uma pretensão. As provas
podem ser produzidas de várias formas e, às
vezes, é necessário proceder à audição de
pessoas, como testemunhas ou peritos. O
processo de obtenção de provas torna-se
mais complicado quando estas têm de ser
obtidas noutro país. A distância física
entre o tribunal e a pessoa a ouvir e
as diferenças entre as normas e a
legislação de cada jurisdição podem
criar obstáculos.
Foi por essa razão que um dos
primeiros instrumentos de
cooperação judiciária em matéria
civil adoptado pelo Conselho da
União Europeia foi o Regulamento
(CE) n.º 1206/2001, relativo à cooperação
entre os tribunais dos Estados-Membros no
domínio da obtenção de provas em matéria
civil ou comercial. Apesar do presente guia
se centrar no Regulamento n.º 1206/2001, é
importante realçar que existem igualmente
outras disposições relativas a provas noutros
instrumentos. Por exemplo, nos termos do
artigo 9.º do Regulamento n.º 861/2007, que
estabelece um processo europeu para acções
de pequeno montante, um tribunal ou órgão
jurisdicional determina os meios de produção
de prova e quais as provas necessárias para
a sua tomada de decisão de acordo com as
regras aplicáveis à admissibilidade da prova.
Pode admitir a produção de prova através de
depoimentos escritos de testemunhas, peritos
ou partes e, mais importante, pode igualmente
admitir a produção de prova através de
videoconferência ou outras tecnologias de
comunicação se estiverem disponíveis os
meios técnicos necessários.
Reconhecendo as vantagens que a
videoconferência pode apresentar para a
obtenção de provas nos casos transfronteiriços,
a Rede Judiciária Europeia em Matéria Civil e
Comercial elaborou a presente brochura para
fornecer aos juízes informações práticas que
os ajudem a recorrer mais frequentemente à
videoconferência.

VIDEOCONFERÊNCIA

Os sistemas de videoconferência permitem, de uma forma prática e eficaz, a realização de


eventos entre múltiplas pessoas, geograficamente separadas, permitindo um aumento da
eficiência e uma diminuição significativa de custos e de tempo.
Na sequência de um projecto para a criação de uma rede de estúdios de videoconferência, em
que participam a  Universidade do Algarve (UAlg) e outras instituições nacionais de ensino
superior, sob a coordenação da FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional), foi
criado o estúdio de vídeoconferencia, no Campus de Gambelas.
Este estúdio utiliza ligações IP (Internet Protocol) de alto débito, as quais são actualmente
possíveis face ao desenvolvimento do backbone da rede nacional de ensino e investigação
(RCTS, Rede Ciência Tecnologia e Sociedade). Deste modo, os estúdios montados permitem
ligações de elevada qualidade e com várias funcionalidades acrescidas relativamente às salas
de videoconferência tradicionais.
O estúdio da UAlg pode ser usado num variado conjunto de cenários possíveis, que englobam
ligações entre o estúdio local e uma ou várias salas remotas, oferecendo um conjunto de
possibilidades para situações de comunicação interactiva. Algumas das disposições ou
cenários possíveis no estúdio da UAlg são: 
- Sala de reuniões até 8 pessoas, presentes no estúdio da UAlg; 
- Sala de aula com apresentação e com/sem transmissão/recepção de dados; 
- Disposição em auditório até 40 pessoas; 
- Cenários que permitam a criação de conteúdos (ex: gravação de voz e imagem; gravação de
linguagem gestual).

Finalidade
- Reuniões em videoconferência; 
- Sessões de ensino à distância; 
- Estúdio de produção de conteúdos de vídeo; 
- Pequeno auditório.

Infraestrutura tecnológica
As reuniões em videoconferência e as sessões de ensino à distância são realizadas sobre IP
(Internet Protocol), utilizando a norma H.323. Esta tecnologia permite uma grande
flexibilidade na realização de chamadas entre quaisquer terminais na rede, desde que os
requisitos mínimos de débitos e perdas sejam respeitados. 
O estúdio encontra-se dotado do seguinte equipamento:
- H.323 codec com dual video;
- Freeway; matrizes de áudio/vídeo/VGA; 
- Sistema com 4 zonas de projecção (2 x videoprojectores); 
- 2 câmaras PTZ / tripés; 
- Câmara de documentos; 
- Servidor multimédia; 
- Mesa de mistura;
- Amplificador 5.1/6.1; colunas 5.1; 2 microfones wireless; microfones de fio; 
- Gravador/leitor de DVD; 
- Cancelador de eco; 
- Projectores de luz; 
- Whiteboard (Quadro Digital).

Público-alvo
O estúdio de videoconferência da UAlg tem como público-alvo preferencial toda comunidade
académica. A utilização do estúdio carece sempre de reserva prévia. Para além do público-alvo
acima referido, o estúdio pode ainda ser utilizado por outras instituições ligadas à RCTS.
Sempre que uma instituição ligada à RCTS pretenda utilizar o estúdio de videoconferência,
deverá solicitá-lo aos Serviços de Informática, através de reserva prévia, os (SI) autorizarão
essa utilização sempre que não se encontre agendada outra actividade para a sala.

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