P. 1
teoria_do_poder_constituinte._resumo

teoria_do_poder_constituinte._resumo

|Views: 719|Likes:
Publicado porCecília Leal

More info:

Published by: Cecília Leal on Feb 21, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

12/10/2012

pdf

text

original

CURSO: DIREITO DISCIPLINA: DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: ADAILTON FEITOSA FILHO TÓPICO 4 A TEORIA DO PODER CONSTITUINTE

4.1. Poder constituinte e poder constituído. 4.2. Titularidade e exercício do poder constituinte. 4.3. Poder constituinte originário. 4.4. Poder constituinte de reforma. 4.5. Poder constituinte derivado decorrente. 4.6. Mutações constitucionais.

4.1. A distinção entre o poder de formular as normas fundamentais de um Estado e o poder de elaborar as normas comuns remonta tempos imemoriais. Todavia, o desenvolvimento da teoria do Poder Constituinte somente se deu no século XVIII, a partir do panfleto Qu’est-ce que Le tiers état?1, publicado pelo abade francês Emmanuel Joseph Siéyès.2 4.1.1. O poder constituinte é “a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente organizado”3, que elabora sua Constituição (poder constituinte originário), ou a atualiza, mediante supressão, modificação ou acréscimo de normas constitucionais (poder constituinte derivado do originário)4.

Que é o Terceiro Estado. Segundo Alexandre de Moraes, a idéia de Poder constituinte surgiu com “o surgimento das constituições escritas, visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais.” (MORAES, Alexandre de. Direito constitucional, 21. ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 21) 3 MORAES, Alexandre de. Ob. cit., p. 21. 4 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 13. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 111.
1 2

é até certo ponto simples e sem dúvida lógica. Assim. 14. pode-se dizer que a soberania e. 1º. pode sacrificar os interesses permanentes da comunidade. São espécies de Poder Constituinte: • Poder Constituinte originário ou de 1º grau (inicial ou inaugural). repousa no consentimento. Esta aceitação é presumida sempre que o agente é designado pelo titular para estabelecer a Constituição.. rev. o Poder Constituinte originário pertence ao povo. nos seus interesses constantes. 12 da Carta. cria o Estado. Isso não significa. Não se confunde o titular do Poder Constituinte com o seu agente. e Manoel Gonçalves Ferreira Filho explica em sua obra O Poder Constituinte: “Para Sieyès. Ele faz a distinção porque lhe parece óbvio que em certa ocasião pode haver uma oposição ou. ed. 21. ou o grupo de homens. 2005. atual. para gozar de um maior bem-estar. nação é um termo empregado para que não se use da palavra povo. que tenha o Poder Constituinte como agente habitual o próprio povo. Alexandre de. Ao passo que a nação é mais do que isso. E complementa: “(. Siéyès apontou a nação o titular do Poder Constituinte5. interesses que eventualmente não se confundem nem se reduzem aos interesses dos indivíduos que a compõem em determinado instante. pois o Estado decorre da soberania popular. pelo menos. p. São Paulo: Saraiva. 31) 7 MORAES. a idéia de Sieyès. em última análise.. mas o supremo poder existe em função do interesse da comunidade como um todo. é um mero coletivo. que em nome do titular do Poder Constituinte estabelece a Constituição do Estado. é o conjunto dos indivíduos.” (FERREIRA FILHO. uma reunião de indivíduos que estão sujeitos a um poder. parágrafo único. a vontade constituinte é a vontade do povo. Tal agente. O aspecto fundamental do pensamento de Sieyès. seja expressamente quando a Constituição é sujeita à manifestação direta do povo 5 . Ou é aferida posteriormente. por exemplo.. p. é a distinção entre nação e povo. 4. O povo. ed.3. Assim. Ulteriormente. expressa por meio de seus representantes. Assembléia Constituinte. Elementos de direito constitucional.2 4. CF). (TEMER. para ele. que é exercido por “aquele que. Na obra “Que é o Terceiro Estado”. o qual é constituído por aqueles que se encontram relacionados no art. Povo. São Paulo: Malheiros. por exemplo. Este é o homem. edita uma obra que vale como Constituição na medida em que conta com a aceitação do titular. costuma ser o agente do Poder Constituinte do povo. rev. “todo poder emana do povo” (art. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. porque a nação é a encarnação de uma comunidade em sua permanência. em nome do povo. cit. uma discrepância entre os interesees do povo – conjunto de indivíduos que vivem num determinado momento – e os interesses permanentes de uma comunidade. o ente coletivo. Quando ele contrapõe nação a povo.8 4. nesse ponto. Michel. na aceitação dos governados.) a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. está afirmando que o supremo poder não está à disposição dos interesses dos indivíduos enquanto indivíduos. da comunidade em sua permanência no tempo. O poder constituinte. portanto.” 8 Manoel Gonçalves Ferreira Filho esclarece: “Se todo poder. 23) 6 Conforme a Constituição de 1988. Assim. e ampl. e ampl. que nem sempre é bem compreendida. Ob. p. como ocorre quando uma Assembléia Constituinte é eleita. editando a nova Constituição”7. Manoel Gonçalves.. pode sacrificar os interesses de gerações futuras. entretanto.2. a doutrina moderna reconheceu ao povo6 a titularidade do poder. exatamente por não ser o titular do Poder.

11 Para Alexandre de Moraes. p.. Historicamente é o mesmo. aplicada. nem o de 1946. Uma. provenha ela de movimento revolucionário ou de assembléia popular. organizando-o e criando os poderes constituídos11 a reger os interesses de uma comunidade. Segundo a teoria proposta por Montesquieu no O espírito das Leis13. a vontade estatal ou governamental será manifestada por meio dos Poderes (referendum). Outra.3 • Poder Constituinte constituído9). ou de 1824.1. no Segundo tratado do governo civil.” (FERREIRA FILHO..) surge novo Estado a cada nova Constituição. em regra. que proclamou a República e instituiu a Federação como forma de Estado). Ob. tem-se novo Estado. superior ao restante do ordenamento jurídico e que. A cada manifestação constituinte. de 1891.12 4. cit. sendo o poder constituinte originário o verdadeiro poder constituinte. Não o é. de edição normativa em desconformidade intencional com o texto em vigor. haverá um novo Estado. pois.3. cit.. . Importa a sua natureza. Michel.) um ato editado como Constituição só se torna verdadeiramente a Constituição positiva de um determinado Estado. 24-25) 9 Alguns autores consideram o poder constituinte derivado um poder constituído. É. editora de atos constitucionais como Constituição. mas sob uma ótica jurídica. o Poder Constituinte “é o suporte lógico de uma Constituição. Manoel Gonçalves. Ob. de 15. ou tacitamente quando posta em prática vem a ganhar eficácia. Não importa a rotulação conferida ao ato constituinte. quanto na edição de uma nova Constituição (poder constituinte revolucionário) – rompendo completamente com a ordem jurídica precedente e instaurando um novo Estado.2. quando ela é globalmente cumprida. o de 1937. na obra Política. O Poder Constituinte originário é aquele que.” (MORAES. Ob. Atos Institucionais e até Decretos (veja-se o Dec. estabelece a Constituição de um novo Estado10. Se dele decorre a certeza de rompimento com a ordem jurídica anterior. p. Alexandre de. de 1934. 22) 12 Historicamente o Estado pode até ser o mesmo. se e quando logra obter eficácia (efetividade). Neste sentido. 33) 13 A teoria da separação dos poderes foi esboçada inicialmente por Aristóteles. de modo a invalidar a normatividade vigente.. Michel Temer: “(. uma vez que é disciplinado pela Constituição.1889. Desta distinção entre titular e agente resultam duas conseqüências importantes. Geograficamente pode ser o mesmo.. enquanto o do agente se esgota.. derivado ou de 2º grau (instituído ou 4. a cada manifestação do Poder Constituinte. a de que o Poder Constituinte do titular permanece.” (TEMER.. nº 1. concluída a sua obra. O Estado brasileiro de 1988 não é o de 1969. anterior e fonte da autoridade dos poderes constituídos. a partir de cada nova Constituição. não se exaurindo depois de sua manifestação. 10 O Poder Constituinte originário se manifesta tanto no surgimento da primeira Constituição do Estado (poder constituinte histórico) – estruturando-o inicialmente –.3. distinto. p. com eles não se confundindo. (. rompendo com a ordem jurídica anterior. Quer dizer.11. esse Poder Constituinte. não poderá ser modificada pelos poderes constituídos. juridicamente. e detalhada por John Locke. cit. nasce o Estado. porém.

entretanto. Ob. no exercício do controle externo. ditos constituídos).2. com o auxílio do Tribunal de Contas. sendo emanação de sua soberania. a afirmação da existência de um Poder Constituinte. pois o poder tem por características a unidade e a indivisibilidade. desse princípio clássico é limitar e controlar – uns pelos outros – o exercício do Poder. portanto. que se impõe aos próprios órgãos do Estado. 59 a 69). consagrou-se a clássica teoria da separação dos poderes.3. 16 Cf..) A superioridade daquelas [normas constitucionais].” (FERREIRA FILHO. O princípio da separação dos poderes15 não significa. p. pois. financeira. cit. fonte da Constituição e. conhecido como mecanismo de freios e contrapesos (checks and balances). legislativa e jurisdicional). orçamentária. segundo um mecanismo de controles recíprocos.. afirma que não teria Constituição a sociedade que não assegurasse a separação de poderes. estabelecendo seus podres. como segue: • No Poder Legislativo. Tornou-se um dogma constitucional. que se constituem em especialização de atividades estatais à vista de sua natureza.16 No constitucionalismo moderno. ao modo de aquisição e exercício do governo. entre distintos poderes. reconhecer a existência de um Poder Constituinte do Estado e dos poderes deste (os quais são. provindo de um poder que é fonte de todos os demais. A distinção que existe é entre as funções e os órgãos que desempenham tais funções. sendo concretizada inicialmente na Constituição dos Estados Unidos (1787). pois é o que constitui o Estado. . equivocam-se os que utilizam a expressão “tripartição dos poderes”. A função fiscalizadora dá-se pela realização do controle político-administrativo (ex: CPI) e pela fiscalização contábil. por esse motivo. Nenhum dos poderes constituídos exerce as funções clássicas com exclusividade. 16). o que há é a separação das funções do Estado (executiva.. pois o poder do Estado é uno. pois todos desempenham funções típicas e atípicas (instrumentais). uma separação absoluta. deriva de terem uma origem distinta.4 constituídos do Estado14. Deve-se. A finalidade. As funções atípicas do Poder Manoel Gonçalves Ferreira Filho assevera: “A idéia de que a Constituição é fruto de um poder distinto dos que estabelece. Michel Temer. tanto que a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (art. Esse Poder Constituinte é que estabelece a organização jurídica fundamental. A função legislativa (dizer o direito novo) é concretizada através da elaboração de leis. é que estabelece o conjunto de regras jurídicas concernentes à forma do Estado. conforme processo legislativo previsto na Constituição Federal (arts.1. operacional e patrimonial (arts. atribuindo-lhes e limitando-lhes a competência: o Poder Constituinte. 21-22) 14 15 No final do século XVIII. Manoel Gonçalves. bem como as referentes às bases do ordenamento econômico e social. CF). 4. portanto. com a Revolução Francesa. ao estabelecimento de seus órgãos e aos limites de sua ação. do governo. dos poderes constituídos (dentre os quais o Legislativo) é contemporânea da de Constituição escrita. (. legislar e fiscalizar constituem funções típicas. 70 a 75.

CF). (... completa. 19 A função administrativa é responsável por executar as diretrizes governamentais. I. CF) e legislar (art.) levam naturalmente ao reconhecimento em proveito do povo do direito de revolução. CF). A função de governo compreende a atividade política. impondo a validade do ordenamento jurídico de forma coativa. 25-26) 17 18 21 Pedro Lenza lembra que “alguns autores entendem que o texto de 1967 teria sido ‘promulgado’. que traça as diretrizes governamentais do Estado. se intitulam de (nova) Constituição. e o Ato Conflitos de interesse caracterizados por pretensão resistida. juridicamente falando. . 96..) Há. a qual visa aplicar a lei ao caso concreto para solucionar lítigios17. As formas de expressão do poder constituinte originário20 são: • Outorga – a Constituição é estabelecida por declaração unilateral do agente revolucionário. porém. as funções de governo18 (art. ao tratar do veículo do poder constituinte e do direito de revolução. que num documento fundamental autolimita seu poder (por exemplo: a Constituições de 1824. a. esclarece: “A perda de eficácia da Constituição (anterior) estabelece o vazio sobre o qual o Poder Constituinte originário vai erigir a nova Constituição. III. contra a Constituição vigente. § 1º. Ob. Algumas. a função típica é a jurisdicional ou jurisdição.. (. em razão do ‘autoritarismo’ implantado pelo Comando Militar da Revolução. 1º. CF) e julgar (processos administrativos) constituem funções atípicas do Poder Executivo. ou seja. 62 e 68. Manoel Gonçalves. o direito de mudar de organização política em função da idéia adotada [‘uma idéia de direito pode vir a se impor sem necessidade de recorrerem seus adeptos à força bruta’] implica faculdade de insurgirse pelos meios que as circunstâncias fizerem necessários. é sempre rompimento da Constituição) e assim abre caminho para a nova Constituição. 52. 84. estabelecidas de acordo com as normas (pelo menos formais) da Constituição anterior. c. profunda formulação. são fruto de reforma da Constituição anterior. 52. a revolução ‘quebra’ a Constituição então em vigor (pois revolução.) As considerações feitas (. já que votado nos termos do art..5 Legislativo são administrar (arts.) De fato. (. mas que. De fato. 96.. • No Poder Judiciário. Ou melhor. mediante provocação da parte interessada. Contudo. Legislar (arts. 1937 e 196721. 4. Constituições não precedidas de revolução. mas só se legitima pela adesão da maioria. como a Constituição francesa de 1958. 84. por resultarem numa ampla. I e II. não possuindo o Congresso Nacional liberdade para alterar substancialmente o novo Estado que se instaurava. CF) são típicas. Essa perda de eficácia traduz um evento revolucionário. a realização de atos concretos que visam à satisfação das necessidades coletivas (por exemplo: a gestão ordinária dos serviços públicos de interesse da coletividade). 20 Manoel Gonçalves Ferreira Filho.3. XXV. XIII. do AI nº 4/1966. cit. CF) e administrativa19 (art. que se aperfeiçoará como Constituição se e quando ganhar eficácia.. As funções atípicas do Poder Judiciário são administrar (art. 51.. IV e V. sempre que a lei não seja cumprida espontaneamente.3. p.” (FERREIRA FILHO. IV. CF) e julgar (art. a revolução é sempre feita por uma minoria. sem o qual o seu Poder Constituinte não poderia ordinariamente exprimir-se. • No Poder Executivo. I. f..

cit. de 9/4/1964)..) Verifica-se que o Brasil seguiu aqui o modelo inaugurado pela França em 1958. • Assembléia Nacional Constituinte (convenção) – a Constituição resulta da deliberação do órgão representativo do povo que. rev.” (LENZA. (.” (FERREIRA FILHO. cit. adotada com o exato respeito das normas que regiam a modificação da Constituição. por resultar num texto totalmente refeito e profundamente alterado. 1946 e 198823. entretanto.. 26) 23 Manoel Gonçalves Ferreira Filho faz importante questionamento sobre o estabelecimento da Constituição de 1988: “Inexistiu a ruptura revolucionária que normalmente condiciona as manifestações do Poder Constituinte originário. 26) . rompendo. 36) 22 Manoel Gonçalves Ferreira Filho alerta.. Ob. estabelece o texto fundamental do Estado (organizatório e limitativo do poder). p. p. 2009. Na verdade.. Normalmente. Manoel Gonçalves. e ampl. É o que fez a Grã-Bretanha em favor de suas antigas colônias. 112) 25 Para Manoel Gonçalves Ferreira Filho. São Paulo: Saraiva. Pedro. Ob. aprovado e ‘promulgado’) pelo regime ditatorial militar implantado. 31-32) 24 Pedro Lenza diz que o poder constituinte originário é inicial porque “instaura uma nova ordem jurídica. Curso de direito constitucional esquematizado. na convocação da Assembléia Nacional Constituinte. apenas.. cit. Ao contrário. ed. repita-se. Manoel Gonçalves.a obra do poder constituinte originário (a Constituição) é a base da ordem jurídica de um novo Estado 24. estabelecida com restrita obediência às regras então vigentes. Ex: As Constituições de 1891. cit. Ob. (. p. que “outras [Constituições] são concedidas por um Estado colonizador a Estado que se liberta da colonização. Manoel Gonçalves. a Emenda nº 26 simplesmente alterou o procedimento de modificação da Constituição. o poder constituinte originário é inicial porque “não se funda noutro mas é dele que derivam os demais poderes. deu origem a uma nova Constituição. resultado de reforma da Constituição anterior. libertado das limitações materiais e circunstanciais que lhe eram impostas. com a ordem jurídica anterior. tivemos. 1934. atual. portanto. preferimos dizer que o texto de 1967 foi outorgado unilateralmente (apesar de formalmente votado.3.” (FERREIRA FILHO.. p.6 Institucional nº 1..” (FERREIRA FILHO. e no fundo.) A ordem constitucional vigente no País é. conquistada a liberdade política. mas que. não existindo nenhum outro poder antes ou acima dele25. 4. a primeira Constituição de um novo Estado dar-seá por meio de um movimento revolucionário22. por completo. Pedro. a Assembléia Nacional Constituinte veio convocada por intermédio de uma Emenda Constitucional. p.4.. em numerosas oportunidades.” (LENZA. Ob. manifestação do Poder Constituinte derivado. O Poder Constituinte originário tem as seguintes características: • Inicial . a partir de 1º de fevereiro de 1987.. 13. Assim. devidamente convocado pelo agente revolucionário.

” (LENZA. Manoel Gonçalves.” (FERREIRA FILHO. Não significa. cit. está o Poder Constituinte limitado pelos grandes princípios do Bem Comum. por normas jurídicas anteriores. A este caráter os positivistas designam soberano. J. autonomamente 28. da qual é apenas expressão máxima e primeira. estas exigências ideais.” (FERREIRA FILHO. pelo direito positivo antecessor. nem mesmo o direito natural limitaria a atuação do poder constituinte originário.. que investem na Assembléia o papel de seu agente. juridicamente26. devem ser respeitados pelo Poder Constituinte. a quem exerce o poder constituinte originário. aqui. p. p. 1991. Ob. note-se bem. Todas estas corrente estão de acordo em reconhecer que ele é ilimitado em face do Direito Positivo (no caso a Constituição vigente até sua manifestação).” (TEIXEIRA. e nem poderia significar. cit. ex. Ob. já que a ordem jurídica começa com ele e não antes dele. ex.. Manoel Gonçalves. é apenas de caráter jurídico-positivo. para que este se exerça legitimamente. uma verdadeira PréConstituição (p. Ao contrário. Isto não desmente que o Poder Constituinte seja sempre autônomo e incondicionado. na bela expressão de Recaséns Siches. absoluto. nº 1. em seu exercício. não limitado pelo Direito positivo. Ob. Curso de direito constitucional. de 15-11-1889). o Poder Constituinte não sofre qualquer limitação de direito. que o Poder Constituinte seja um poder arbitrário.30 Manoel Gonçalves Ferreira Filho lembra que “o seu segundo traço característico é diversamente designado conforme a corrente doutrinária. p. 27) 26 . H. cit. estes sim iniciais. visto que para essa escola o Direito somente é Direito quando positivo.7 • Ilimitado – o poder constituinte originário não está limitado. apresentando natureza pré-jurídica. Assim. Rio de Janeiro: Forense. da Razão... 23. cit. E. ‘a voz do reino dos ideais promulgados pela consciência jurídica’. 27) 27 Pedro Lenza conclui: “Como o Brasil adotou a corrente positivista. 113) 28 O jusnaturalista J. não tem ela que seguir qualquer procedimento determinado para realizar sua obra de constitucionalização”29. para o Brasil e os positivistas. Meirelles. p. para sublinhar que. Os adeptos do jusnaturalismo o chamam de autônomo.. da Moral. O Poder Constituinte deve acatar. não sendo limitado pelo Direito positivo. p.. autônomos e incondicionados. podem fixar-lhe um estatuto. e condicionadas pela prefixação de certas regras de deliberação. que não conheça quaisquer limitações. 213) 29 MORAES. Alexandre de. Ob. significando apenas que o Poder Constituinte não está ligado. 30 Manoel Gonçalves Ferreira Filho observa que “frequentemente as Assembléias Constituintes são limitadas pela predefinição de determinados pontos substanciais (p. uma energia ou força social. dentro da concepção de que. o Poder Constituinte deve sujeitar-se ao Direito natural. porém. que não são jurídicopositivas. H. Meirelles Teixeira ressalta que “esta ausência de vinculação. Todos estes grandes princípios. tanto quanto a soberania nacional. • Incondicional – o poder constituinte originário “não está sujeito a qualquer forma prefixada para manifestar sua vontade.27 • Autônomo – a escolha do conteúdo das normas constitucionais e a definição da estrutura da nova Constituição cabem. o Dec. Pedro. do Direito Natural. o poder constituinte originário é totalmente ilimitado. a república e a federação na Constituinte de 1890). por isso. visto que essas Constituintes são precedidas por atos do Poder Constituinte.

1958. cit. ao Executivo apenas (v. de Poder Constituinte Derivado (instituído ou constituído ou secundário ou de segundo grau): • Poder Constituinte derivado reformador.. respeitando-se a regulamentação especial prevista na própria Constituição Federal e será exercitado por determinados órgãos com caráter representativo. Ob. 3º. versando sobre o modo de exercício do Poder Constituinte instituído. art. e • Poder Constituinte derivado decorrente. Quando à elaboração das emendas.. 135). V). Ob. assevera: “As soluções. art. 14. denominado por parte da doutrina de competência reformadora. ADCT).” 32 Michel Temer adverte: “Parece-nos mais conveniente a expressão ‘Poder Constituinte’ para o caso de emanação normativa direta da soberania popular. art. Portugal. 79). Michel.. O Poder Constituinte Derivado é instituído pelo Poder Constituinte Originário. 89). enos Estados federais pode estar aberta aos legislativos dos Estados-Membros (Estados Unidos. ainda. manifestando-se novamente mediante uma nova Assembléia Nacional Constituinte ou um ato revolucionário. 31 . cit. art. Alemanha. O mais é fixação de competências: a reformadora (capaz de modificar a Constituição). Manoel Gonçalves. Elementos de direito constitucional. 24) 35 Manoel Gonçalves Ferreira Filho.” (TEMER. 60.8 • Permanente – o poder constituinte originário “não desaparece com a realização de sua obra. são por isso das mais variadas. outras ao Legislativo e ao próprio povo (iniciativa popular) (Suíça. E. p. outras a atribuem tanto ao Legislativo quando ao Executivo (França.1. 4. art. Quanto à iniciativa das emendas. em Direito comparado. g. alguns. Alexandre de. Alexandre de. Logicamente. 28. a elaboração de uma nova Constituição”31.4. No Brasil. 121).” (MORAES. 4. pelo Congresso Nacional. São Paulo: Malheiros. CF) ou de revisão (art.4. ed.. previsto pela Constituição. O Poder Constituinte derivado reformador32 é o “poder. 23. ex. cit. só estará presente nas Constituições rígidas..”33 A reforma constitucional. para alterá-la. algumas prevêem (ainda que em certas hipóteses apenas) que órgão especial (convenção) se reúna para tanto (Estados Unidos. São espécies. Ob. 31) 33 FERREIRA FILHO. p. e ampl.4.2. que permanece latente. a ordinária (capaz de editar a normatividade infraconstitucional). 1933. certas Constituições a reservam ao Poder Legislativo ordinário (p.34 4. abrangendo o poder de alterar a Constituição (emenda constitucional ou revisão) como também o poder de elaborar as Constituições estaduais/Leis Orgânicas do Distrito Federal/Municípios (poder decorrente). rev. por sua vez. adaptando-a a novos tempos e novas exigências. Vejamos: • LIMITAÇÕES FORMAIS (INSTRUMENTAIS)35: MORAES. circunstanciais e materiais) e implícitas. consiste na possibilidade de alterar-se o texto constitucional. 34 Alexandre de Moraes anota que “o Poder Constituinte derivado reformador. p. não se esgota sua titularidade. art. pode-se dar sob a forma de emenda (art. acrescenta: “Como afirma Sieyès. p. portanto. As Emendas à Constituição estão sujeitas a algumas limitações expressas (formais.

V. II. se pronuncie sobre a obra do revisor. impedindo-se a modificação de determinados conteúdos pertencentes ao seu núcleo essencial (limites superiores). (.. Outras a deixam ao próprio legislativo ordinário mas renovado especialmente (Noruega. 60. § 1º. art. p. • LIMITAÇÕES MATERIAIS38: V). sem a participação do Poder Executivo (não existe a sanção presidencial). São Paulo: Método. maioria qualificada para a sua aprovação.  Estado de defesa (art. § 3º.  1/3. Holanda.  Estado de sítio (art. 137). o Promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (art. 34). nas duas casas. • LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS37: o Estados de legalidade extraordinária (art. titular do Poder Constituinte. o Impossibilidade da matéria rejeitada ser objeto de apreciação na mesma sessão legislativa (art. CF):  Intervenção federal (art. é vedada qualquer modificação no texto constitucional. no mínimo.) As limitações materiais não significam a ‘intangibilidade literal da respectiva disciplina na Constituição originária. CF)  Presidente da República. a maioria a confere ao legislador ordinário. dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. manifestando-se. 60. 123). Tendo em vista a inexistência de uma reserva de matéria constitucional estabelecida pelo legislador constituinte.” (NOVELINO. nas quais a vontade livre do porder reformador possa estar ameaçada. anota que “as limitações materiais podem ser analisadas sob dois aspectos.. sendo aprovada por 3/5 dos membros (art. § 5º. alguns textos subordinam a adoção definitiva da emenda à ratificação popular (Suíça.. Outros condicionam à aprovação de outros órgãos (Estados Unidos. porém.” (FERREIRA FILHO. Marcelo. p. O primeiro diz respeito à possibilidade de inserção de qualquer matéria no texto constitucional (limites inferiores). 60. cit.36 o Discussão e votação. existem certos limites impostos pelo poder constituinte originário na tentativa de preservar a identidade material da Constituição. 2. 136). 37 Segundo Marcelo Novelino. 88) 38 Marcelo Novelino. art. 112. ed.  Mais da metade das Assembléias Legislativas. No tocante à alteração do conteúdo constitucional. CF). por maioria relativa. 60. § 2º. em dois turnos. 204). que exige a ratificação pelos EstadosMembros). Enquanto tais situações permanecem vigentes. 2008. mas apenas a proteção do núcleo essencial .) Para que o povo.. a qual nunca foi utilizada. Manoel Gonçalves.. cada uma.9 o Iniciativa restritiva (art. Ob. 30-31) 36 A Constituição de 1988 retomou a fórmula – iniciativa legislativa de mais da metade das Assembléias Legislativas – prevista desde a Constituição de 1891 (e suprimida pela Emenda nº 01/1969). art. exigindo. CF). art. Direito constitucional. CF). 60. as limitações circunstanciais “são normas aplicáveis a situações excepcionais. III. não existe nenhum óbice a que uma nova matéria seja inserida no texto constitucional. (. O procedimento fixado na autal Constituição brasileira segue este modelo. I. Enfim. ainda.

 Separação dos poderes.10 4º. 60.” (FERREIRA FILHO.. ‘tenda’ (emendas tendentes. Lembre-se a lição de Alexy de que uma restrição só afeta o ‘conteúdo essencial’ de um direito. Min. Ob.” (FERREIRA FILHO.. 67) 40 Manoel Gonçalves Ferreira Filho afirma que “o texto suscita dificuldades de interpretação.. “a vedação atinge a pretensão de modificar qualquer elemento conceitual da Federação. dos direitos inerentes à democracia representativa e dos direitos e garantias individuais. Manoel Gonçalves. cit. indica tendência a abolir a forma federativa de Estado. o abole indiretamente. Ob. III. decidiu o Supremo Tribunal Federal (Adin nº 937-1/DF) ao considerar cláusula pétrea. de autogoverno e de auto-administração. e atual. Não veda que o seu regime (modo e condições de exercício) seja modificado. cit. resguardaram um conjunto mais amplo de direitos constitucionais de caráter individual dispersos no texto da Carta Magna.” (NOVELINO. § 4º. Marcelo. universal e periódico. a autonomia dos Estados federados assenta na capacidade de auto-organização. ou do voto direto. 2001. IV. eliminado. CF40):  Forma federativa do Estado41. que por não se encontrarem restritos ao rol do art. 2. José Afonso da. já que. reimpr. Curso de direito constitucional positivo. 2005.. “(.” (STF – ADI nº 2. em particular o regime dos direitos fundamentais. diz o texto) para a sua abolição. basta que a proposta de emenda se encaminhe ainda que remotamente.) a grande novidade do referido art. Manoel Gonçalves. Emenda que retire deles parcela dessas capacidades. Atribuir a qualquer dos Poderes atribuições que a Constituição só outorga a outro importará tendência a abolir o princípio da separação dos Poderes. secreto. 25. Rel. p. II. rev. p.2007) 42 Conforme Alexandre de Moraes. Sepúlveda Pertence. 5º. ed. ‘quando não é adequada. Neste sentido. Há quem leia nisto a proibição de mudar o regime do instituto compreendido na matéria dos quatro incisos do art. por exemplo. DJ 22. sim. São Paulo: Malheiros. e . Esp. I. ou indiretamente restringir a liberdade religiosa. 125). Assim. como o adotou. p. por mínima que seja. cit. 60 está na inclusão. suprimido. 188-189) 41 O Supremo Tribunal Federal decidiu que “a ‘forma federativa de Estado’ – elevado a princípio intangível por todas as Constituições da República – não pode ser conceituada a partir de um modelo ideal e apriorístico de Federação. p. desde que – evidentemente – isto não leve a negar o seu conteúdo essencial. Ob.” (SILVA.. portanto.43 • LIMITAÇÕES IMPLÍCITAS44: o Cláusulas pétreas ou núcleo duro da Constituição39 (art. ou de comunicação ou outro direito e garantia individual. na língua portuguesa. 90). trad. Neste sentido. Essa posição é um exagero.  Voto direto. quer dizer. não é necessária ou é desproporcionada em sentido estrito’ (Teoría de los derechos fundamentales. erigiu em limite material imposto às futuras emendas à Constituição. mas. Centro de Estúdios Constitucionales. Uma concerne ao que seja ‘abolir’. 30) 39 Para José Afonso da Silva.06. 60. Madrid. abolir significa suprimir e não se suprime um instituto quando se lhe altera o regime. daquele que o constituinte originário concretamente adotou e.024.. § dos princípios e institutos cuja preservação nelas se protege’.  Direitos e garantias individuais42. p. Manoel Gonçalves Ferreira Filho: “É preciso notar que as limitações registradas na Constituição vigente proíbem seja abolido o instituto. entre as limitações ao poder de reforma da Constituição.

sobretudo os que integram o mínimo existencial. fundamento da República Federativa do Brasil (art. ainda que por emenda constitucional. da Constituição Federal (princípio da anterioridade tributária). Direito Constitucional. do art. que menciona ‘direitos e garantias individuais’. 5º.. III) e núcleo axiológico da nossa Constituição. Refiro-me àqueles previstos no rol. sendo as liberdades (como a de ir e vir) e os direitos sociais (como o direito de educação) direitos fundamentais. III. isto sem considerar a regra do § 2º.. Sim. 60. que não é exaustivo.. Atenção! 1) Não há limitação temporal46 na Constituição Federal de 198847. sob a relatoria do Min. nesta linha de raciocínio. Sydney Sanches (medida cautelar – RTJ 150/6869). absurdo seria que as primeiras gozassem da proteção de não poderem ser abolidas. enquanto os segundos poderiam sê-lo. 7º e. § 4º.” (FERREIRA FILHO. segundo o qual “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados (.. Marcelo Novelino faz a seguinte reflexão: “A extensão da interpretação a ser dada aos ‘direitos e garantias individuais’ tem sido alvo de divergências. Certamente. p. pudesse excepcionar a aplicação desta garantia individual do contribuinte. por exemplo.) o estabelecimento de direitos e garantias de uma forma geral. § 4º. entendendo que ao visar subtraí-la de sua esfera protetiva. b. (MORAES. 60.11 o Impossibilidade de reformar as limitações expressas45. no art. deparando-se com um obstáculo intransponível. 2) Não cabe iniciativa popular de proposta de Emenda Constitucional. 60. a imprescindibilidade do direito para a plena realização da dignidade da pessoa humana deve ser o critério utilizado para a proteção de seu núcleo essencial. Ob. de 1993.) admitir que a União. IV.)” Houve portanto o agasalho. estaria a Emenda Constitucional nº 3. Por esta razão. do art. p.. porque. 2007. sob a nomenclatura direitos sociais”.” Ver excertos dos votos do Min. o constituinte disse menos do que queria. o Inalterabilidade do titular do Poder Constituinte Derivado. implica em conceder ao ente tributante poder que o constituinte expressamente lhe subtraiu ao vedar a deliberação de proposta de emenda à constituição tendente a abolir os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados” – e do Min. Manoel Gonçalves. não os direitos sociais... § 4º. São Paulo: Atlas. a melhor interpretação é a que inclui entre os direitos protegidos pela ‘cláusula pétrea’ também esses direitos sociais. Ora. portanto. A proteção qualificada atribuída aos direitos e garantias individuais decorre de sua íntima ligação com a dignidade da pessoa humana. devem ter o seu núcleo essencial protegido. não sendo raro encontrar quem defenda a tese de que todos os ‘direitos fundamentais’ devem ser considerados cláusulas pétreas. 5º da Carta. 150. Celso de Mello – “(. da Constituição. 189). contido no art. por serem indispensáveis a uma vida humana digna. 1º. os que estão contidos. Marco Aurélio de Mello – “Tivemos (. na redação do art. de direitos e garantias explícitos e de direitos e garantias implícitos – no julgamento pelo STF (Pleno) da Adin nº 939-7/DF. 638) 43 Manoel Gonçalves Ferreira Filho pondera que “outra [dificuldades de interpretação] diz respeito ao alcance do art. cit. da Constituição Federal. Alguns direitos sociais materialmente fundamentais. IV. 21 ed. também. essa expressão interpretada ao pé da letra compreenderia as liberdades. o que não significa uma . E. no exercício de sua competência residual. a garantia constitucional assegurada ao cidadão no art. Entretanto.48 conseqüentemente imodificável. em outros dispositivos da Lei Básica Federal. Alexandre de.

28).. uma emenda afastar a cláusula proibitiva e outra emenda introduzir a modificação desejada. p. Manoel Gonçalves. São elas: (1) ‘as concernentes ao titular do poder constituinte’. havia [na Constituição de 1988] uma limitação temporal de cinco anos (ADCT. cit.. Ob. 1990). o qual determinou que a mesma dar-se-ia após cinco anos. “em relação ao poder revisor. Ob. 88) 48 Em sentido contrário. o constitucionalista português Jorge Miranda (vide MIRANDA. a ele vinculado. É o caso da Constituição francesa de 1791 (Tít. 3º). A revisão49 foi uma forma extraordinária e excepcional 50 de atuação do poder constituinte derivado reformador.12 4.” (FERREIRA FILHO. art. A Constituição de 1824 previu o exercício do poder constituinte derivado reformador somente após o lapso temporal de 4 anos. Todavia. cit. 3º). cit.” (NOVELINO. cit. VII. Em sentido contrário. prevista no art. Manual de direito constitucional. 3º do ADCT. por razões lógicas. 46 Manoel Gonçalves Ferreira Filho explica que “Constituições há que só permitem sua revisão em épocas certas. como ocorre com a liberdade de reunião e de associação. 87-88). Ob. não a aceitando quando vise a atenuálo. (2) ‘as referentes ao titular do poder reformador’. assim como o reformador e o decorrente. Marcelo. Os direitos coletivos consagrados no art. estando. Ob. portanto. cit. 47 Segundo Marcelo Novelino. distinguindo-se quanto à natureza da reforma. José Afonso da.” (SILVA. segundo Nelson de Sousa Sampaio. por estarem ligados ao valor liberdade.. Marcelo. intangibilidade literal. espaçadas. mas ele não está especificamente estabelecido para emendas constitucionais como o está para as leis (art. como sejam: se pudessem ser mudadas pelo poder de emenda ordinário. § 2º).” (SILVA. pois seria despautério que o legislador ordinário estabelecesse novo titular de um poder derivado só da vontade do constituinte originário. José Afonso da. Ob. . José Afonso da Silva entende que “a iniciativa popular pode vir a ser aplicado com base em normas gerais e princípios fundamentais da Constituição. Ob. p. em sessão unicameral. cit. contados da promulgação da Constituição. de nada adiantaria estabelecer vedações circunstanciais ou materiais a esse poder. Jorge. há de se tomar essa postura como inadmitindo hipóteses de limitação implícita. pois uma reforma constitucional não pode mudar o titular do poder que cria o próprio poder reformador. art. E Marcelo Novelino complementa: “A limitação temporal é uma proibição de reforma de determinados dispositivos durante um certo período de tempo após a promulgação da Constituição. ed. com a finalidade de assegurar a sua estabilidade e evitar alterações precipitadas e desnecessárias. Vedam durante certo tempo sua alteração. 64) 49 Pedro Lenza lembra que “o poder constituinte derivado. p. as três seguintes ainda nos parece que o estão. (3) ‘as relativas ao processo da própria emenda’.” (NOVELINO..4. Coimbra: Coimbra Editora.. 68) 45 O Supremo Tribunal Federal não admite “dupla revisão”.3. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. 91-92) 44 José Afonso da Silva considera que “quando a Constituição Federal enumera matérias de direitos fundamentais como insuscetíveis de emendas. para admiti-la quando se tratar de tornar mais difícil seu processo. 4. ou seja. também devem ser considerados como cláusulas pétreas. Marcelo. 5º. p..” (NOVELINO. das quatro categorias de normas constitucionais que. p. é fruto do trabalho de criação do originário. estariam implicitamente fora do alcance do poder de reforma. 61. p.

um ‘poder’ condicionado e limitado às regras instituídas pelo originário.. (. com caráter de estados.” (LENZA. 3º do ADCT proporcionou a elaboração de meras 6 Emendas Constitucionais de Revisão (. Tem o Poder Constituinte Decorrente um caráter de complementaridade em relação à Constituição.. ainda. 2º do ADCT modificasse a forma de governo. A teoria que prevaleceu foi a que fixou como limite material o mesmo determinado ao poder constituinte derivado reformador. chama a atenção para o fato de que “no ordenamento jurídico pátrio. que “definirá os princípios básicos da organização dessa unidade federada. qual seja.5. São limites à manifestação do poder constituinte derivado decorrente: • os princípios constitucionais sensíveis – são as normas constitucionais claramente perceptíveis. um poder jurídico. 27. p. não sendo mais possível nova manifestação do poder constituinte derivado revisor em razão da eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada da aludida regra. p. 53 Anna Cândida da Cunha Ferraz assevera que o poder constituinte derivado decorrente “intervém para exercer uma tarefa de caráter nitidamente constituinte.) Muito se questionou a respeito dos limites.. § 4º. cit. para estabelecer a Constituição dos seus Estados componentes.5.1. 28) 52 A autonomia política das entidades federativas é caracterizada pelas capacidades de auto-organização (exercício do poder constituinte decorrente). havia uma ilimitação da competência revisora. normativa ou autolegislação ou normatização própria (edição de suas próprias leis). legislativas e tributárias) e de autogoverno (escolha direta pelo próprio povo de seus representantes nos Poderes Legislativo e Executivo locais. 2º do ADCT modificasse a forma ou sistema de governo. Ob. que a Constituição preveja.13 4. ao tratar do poder constituinte derivado decorrente.. cuja inobservância poderá É.). que se materializa pela edição das Constituições dos Estados-membros53 e da Lei Orgânica do Distrito Federal54 e dos Municípios55. assim. 120-121) 51 Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Teorias surgiram apontando uma ilimitação total. Manoel Gonçalves. existindo ainda o Poder Judiciário Estadual – todos organizados pela entidade federativa nos moldes descritos pela Constituição Federal – vide arts. Ob. da CF/88..” (LENZA. destina-se a perfazer a obra do Poder Constituinte Originário nos Estados Federais. 50 Pedro Lenza.” (FERREIRA FILHO. p. 120).” (FERRAZ. Já GERALDO ATALIBA e PAULO BONAVIDES defendiam que só poderia haver revisão se o plebiscito do art. Poder constituinte dos estados-membros. p. ainda. O Poder Constituinte derivado decorrente51 é a capacidade de autoorganização conferida a cada entidade federativa52. .56 4. outras apontando a condicionalidade da produção da revisão desde que o plebiscito previsto no art. São Paulo: Revista dos Tribunais. cit. cit. 60. por meio do exercício de suas competências administrativas. suas competências e a organização de seus Poderes governamentais. qual seja a de estabelecer a organização fundamental de entidades componentes do Estado Federal. Ob. de autoadministração (administração própria dos seus interesses. Anna Cândida da Cunha. o que não ocorreu. 28 e 125. Pedro.. o limite material fixado nas ‘cláusulas pétreas’ do art. sendo. em situação muito semelhante ao que se passa nos Municípios. diz: “Este deriva também do originário mas não se destina a rever sua obra e sim a institucionalizar coletividades. a competência revisional do art.” (SILVA. 19) 54 José Afonso da Silva lembra que “a capacidade de auto-organização do Distrito Federal efetiva-se mediante a elaboração de sua Lei Orgânica”. CF). Pedro. Para JOSÉ AFONSO DA SILVA. 1979..

a intervenção nos Estados federados (art. que produziam uma única Lei Orgânica para todos os entes locais que se encontrassem circunscritos ao seu território. XXII. O poder constituinte. (. bem como a competência comum que a Constituição lhe reserva juntamente com a União. VIII. 3º. 4º. são as regras previstas para a organização da União.. 6º a 11. Manoel Gonçalves. 2005. 4. São Paulo: Saraiva. cit. Curitiba e Salvador. Pode-se. (. atual. I. 1º. dando-lhe auto-organização em termos análogos à dos Estados (e Distrito Federal). aquela que lhe cabe legislar com exclusividade e a que lhe seja reservado legislar supletivamente. O poder constituinte.) Assim. que por serem comuns aos demais entes da Federação. p. Neste sentido. rev. p.. I a X. 1º. LIV e LVII. 2º.. XXXVI. 58 Os Municípios não apresentam Poder Judiciário próprio. 650).” (FERREIRA FILHO. III. p. Ob. I a IV. conforme decorre do art. do Distrito Federal e dos Municípios.. 153-154) 56 Antes da Constituição Federal de 1988. atual. 57 Arts. (. 642). e ampl. Incluiu-o entre os entes federativos no art.” (FERREIRA FILHO. conforme o caso. Tanto um como o outro o fazem por determinação da Constituição Federal. VII. 34. portanto. XXIII. 23). . são de aplicação obrigatória na organização dos Estados federados. observadas as peculiaridades locais. • os princípios federais extensíveis – são as normas centrais que representam paradigmas para todas as entidades federativas. 2º. No mesmo sentido. elaboradas pelas respectivas Câmaras Municipais. Ambos fixam a sua própria organização. e • os princípios constitucionais estabelecidos – são as normas constitucionais que dirigem a capacidade de auto-organização da entidade federativa.. 5º. Ob. respeitando os princípios e preceitos da Constituição Federal (o Município. não será absurdo falar num Poder Constituinte municipal. II e III ((HORTA. Manoel Gonçalves Ferreira Filho: “É inegável que a Constituição de 1988 procurou valorizar o Município. Cuidará de discriminar a matéria de competência exclusiva do Município. da Lei Magna. IX. p.. 93. 95. CF)58.. cit..) Em face do exposto. II. caput. 57 (Ex: art. XII. nos dois casos pela Casa legislativa. A própria limitação material é posta nos mesmos termos da que tolhe os Estados. por meio da regulação prévia da José Afonso da.) O paralelismo entre o Estado e o Município no tocante à sua auto-organização é patente. rev.” (SILVA. 4. Raul Machado. que tiveram leis orgânicas próprias. p. a sua autoorganização em nada difere da dos Estados. 391-392). dentre a matéria de sua competência. É ele um ente federativo. salvo por resultar numa Lei Orgânica e não numa Constituição. I a XI. 153) 55 José Afonso da Silva defende que a Lei Orgânica Municipal “é uma espécie de constituição municipal.14 acarretar a sanção política mais grave num Estado Federal. e ampl. entender decorrer da Constituição Federal um Poder Constituinte do Distrito Federal. Mas o documento que consubstancia essa auto-organização se denomina Constituição no concernente ao Estado e lei orgânica no respeitante ao Município. ampliou-lhe a esfera de autonomia. Manoel Gonçalves.. qual seja. 1995. XI. XX. ed. também os da Constituição do respectivo Estado). 1º. Estudos de direito constitucional. São Paulo: Saraiva. a competência de organização dos Municípios era dos Estados-membros. ou melhor. I a V. CF). Manoel Gonçalves Ferreira Filho: “A Constituição em vigor equiparou o status do Distrito Federal ao dos Estados.. exclusive os Municípios do Rio Grande do Sul. Belo Horizonte: Del Rey. o que certamente arrepiará certos constitucionalistas sempre prontos a denunciar os ‘erros’ da Carta. ed. VI. limitando-a. caput. I. os Estados e o Distrito Federal (art. José Afonso da. 2005. Indicará.

235. § 4º. de modo que é limitado por este) e condicionado (só pode agir nas condições postas. II e III. Ob. 393). § 1º.2. cit. 24.. 125. • Subordinado – o poder constituinte derivado é “limitado pelas normas expressas e implícitas do texto constitucional. 61 Nas palavras de Manoel Gonçalves Ferreira Filho: “Caracteriza-se o Poder Constituinte instituído por ser derivado (provém de outro). 144. cit.. 96. 19. caput. II. 59 . 27. 23. e o normas de preordenação60 (ex: art. Ob. p. 24. I a XI (HORTA.. 42. Podem ser subdivididas em: o normas de competência59 (Ex: art. 37. sob pela de incorrer em inconstitucionalidade”63.. § 3º. p. a-d. 64 Art. 155. 39 a 41. I. 95. 27.15 matéria ou do estabelecimento de regras vedatórias (art. • Condicionado . I. 25. Alexandre de. pelas formas fixadas) pelo originário. 392-393). II e III. CF). CF). 75. cit. §§ 1º a 6º. 75. cit. 63 MORAES. 28) 62 MORAES. p.. 60 Arts. 24. Alexandre de. p. 27. 5º e 6º. §§ 1º a 11. 98.o exercício do poder constituinte derivado “deve seguir as regras64 previamente estabelecidas no texto da Constituição Federal”65. 60 da Constituição Federal de 1988. I. a-c. Ob. p. Raul Machado. cit. III. Ob. 145. às quais não poderá contrariar.5. § 2º. 65 MORAES. cit. p. Alexandre de. I.. 24. I a XXI. Raul Machado. 4. II (HORTA. Ob. 25. subordinado (está abaixo do originário. I e II. Manoel Gonçalves. O Poder Constituinte derivado tem as seguintes características61: • Derivado – o poder constituinte derivado “retira sua força do Poder Constituinte originário”62. parágrafo único. CF). Arts. Ob.” (FERREIRA FILHO. 28. a-f. §§ 4º.

a exemplo de George Burdeau (Traité de science politique. mantido o texto. COELHO. Branco explicam que “por vezes. O texto é o mesmo. p. por meio da interpretação69 (o texto em si permanece inalterado. Inocêncio M. a Constituição muda.16 4. Curso de direito constitucional. fala-se em mutação constitucional. p. em virtude de uma evolução na situação de fato sobre a qual incide a norma. muda-se a interpretação da regra enunciada) ou dos costumes constitucionais70. 316). Ob. o fenômeno é também rotulado de poder constituinte difuso. Quando isso ocorre no âmbito constitucional. a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo. Inocêncio Mártires. repara-se.” (MENDES.71 Uadi Lammêgo Bulos ressalta que. Curso de direito constitucional. 4. Gilmar Ferreira. Mendes. BRANCO. Pedro. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional ou quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação. para alguns autores. assim. Paulo Gustavo Gonet. cit. Como a norma não se confunde com o texto. p..” (NOVELINO. 90) 68 Gilmar F. São Paulo: Saraiva. As Mutações constitucionais66 não são alterações materiais no texto da Constituição (poder constituinte derivado reformador). mas sim um processo informal67 de transformação do conteúdo (significado68) de uma norma constitucional.). 83) 66 . v. Uadi Lammêgo. através de processos informais. 2007. sem que ocorra qualquer alteração física no texto. aí. Ob.6. G. sem que as suas palavras hajam sofrido modificação alguma. 2007.” (LENZA. Coelho e Paulo G. sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. 247. expõe: “Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (‘emenda’). portanto. mas o sentido que lhe é atribuído é outro.. p. 290 e SS. 220) 69 Marcelo Novelino. São Paulo: Saraiva. Marcelo. uma mudança da norma. cit. ou ainda por força de uma nova visão jurídica que passa a predominar na sociedade. p. 67 Pedro Lenza esclarece que “as mutações constitucionais. Informais no sentido de não serem previstos dentre aquelas mudanças formalmente estabelecidas no texto constitucional. exteriorizam o caráter dinâmico e de prospecção das normas jurídicas. (BULOS.

quer por intermédio da construção (construction). quer através da interpretação. bem distinta. ainda se mantenham no espectro dos significados aceitáveis de um texto jurídico. de início. bem como dos usos e dos costumes constitucionais. Paulo Gustavo Gonet. mediante interpretações que ultrapassam o sentido literal possível dos enunciados jurídicos e acabam por transformar os seus intérpretes em legisladores sem mandato. COELHO.” (BULOS. 136) 70 . Inocêncio M. Uadi Lammêgo. em suas diversas modalidades e métodos. Curso de direito constitucional. Mendes. mesmo novas. advertem. quando analisam os processos informais de criação da direito por via interpretativa. por meio do qual são atribuídos novos sentidos. Constituição Federal anotada. e outra. 2000. p. e não apenas os intérpretes/aplicadores da Constituição. conteúdos até então não ressaltados à letra da constituição. “o processo informal de mudança da constituição. Coelho e Paulo G. p. “todos os juristas. São Paulo: Saraiva. 22) 71 Segundo a lição de Gilmar F. BRANCO. Gilmar Ferreira.17 Segundo Uadi Lammêgo Bulos. São Paulo: Saraiva.” (MENDES. Branco. Inocêncio Mártires. que uma coisa são as leituras que. 2007. G. são as criações subreptícias de novos preceitos.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->