P. 1
psicofarmacologia

psicofarmacologia

|Views: 4.751|Likes:
Publicado porIsa Santana

More info:

Published by: Isa Santana on Feb 21, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/28/2013

pdf

text

original

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

1. TABELA RESUMIDA CONTENDO OS FÁRMACOS MAIS UTILIZADOS EM PSIQUIATRIA
Classe Neurolépticos ou tranquilizantes maiores ou antipsicoticos Fenotiazidas Trifluoperazina Levopromazina Loxapina Butirofenonas Haloperidol Grupo Principio activo Clorpromazina Proclopromazina Tioridazina Indicações
Tratamento da Esquizofrenia e de comportamentos psicóticos agudos e crónicos, acompanhados de hiperactividade (fases maníacas), comportamentos violentos ou potencialmente violentos. Doenças extrapiramidais. Síndromes delirantes.

Efeitos Secundários
Sintomas extrapiramidais: distonia, crises oculogiras, síndromes parkinsónicos, acatasia, discinésias tardias, alterações da linguagem e da marcha. Baixar o limiar das convulsões. Agranulocitose (clozapina), síndrome neuroléptico maligno, secura da boca, obstipação, amenorréia, galactorréia, visão turva,

Contra-indicações Precauções Interacções
Hipersensibilidade. Não devem ser usados em doentes com glaucoma do ângulo estreito. Não devem ser usados em doentes com depressão do SNC. Utilizar com cuidado em doentes com patologia cardíaca, estado grave ou debilitado, insuficiência respiratória, hipertrofia da prostata, diabetes, obstrução intestinal. Função hepática deve ser monitorizada. PO: Diluir com água ou misturar com alimentos para diminuir a irritação gástrica. Administração parentérica: deitar o doente durante 30 minutos após a administração devido ao risco de hipotensão ortostática.

3º CLE – OUT. 2001

1

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

Clozapina Olanzapina Outros Quetiapina Risperidona

sonolência, coma,náuseas, vómitos, dores abdominais, irritação gástrica, alterações endócrinas, alterações hematológicas, alterações das transaminases, icterícia colestática, erupções cutâneas, hipotensão ortostática, arritmias, fotosensibilidade.

Interage com o álcool, antihipertensores ou nitratos. Antiácidos diminuem a absorção. Fenobarbital, analgésicos opiáceos ou os sedativos hipnóticos causam depressão do SNC. Interagem com medicamentos que aumentem o intervalo da QT, potenciando o efeito. Risco de toxicidade e mielosupressão da clozapina é potenciado por carbamazepina, cotrimoxazol, cloranfenicol, sulfonamidas, citostáticos. Aumenta o risco de agranulocitose com fármacos para a tiróide.

3º CLE – OUT. 2001

2

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

Antidepressivos

Tricíclicos

Amitriptilina Doxepina Imipramina Nortriptilina

Controlo sintomático de perturbações depressivas do humor,, quer se trate de depressão major ou distimica.

Obstipação, boca seca, visão desfocada, dificuldades de micção, aumento de peso, sonolência, sudorese, taquicardia, mania, alterações da glicemia.

Inibem de forma não selectiva a recaptação de noradrenalina e de serotonina. (tratamento de sintomas da depressão, incluindo perturbações do sono, função sexual, alterações do apetite e alterações cognitivas).

Não devem ser usados em mulheres grávidas ou a amamentar, imediatamente após enfarte do miocárdio, glaucoma e hipersensibilidade. Interage com antihipertensores, com IMAO (taquicardia, hipertensão e convulsões), potencia a actividade dos simpaticomiméticos e dos anticolinergicos. Interage com anfetaminas, metildopa, levodopa, dopamina, adrenalina, noradrenalina, desipramina, imipramina, reserpina, vasoconstritores provocando crises hipertensivas. Hipertensão/ hipotensão, estupor, coma, convulsões quando utilizados com a meperidina ou outros analgésicos opiáceos e IMAO. Potencia efeito dos hipoglicemiantes. A nicotina e os barbitúricos diminuem o seu efeito.

3º CLE – OUT. 2001

3

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

Citalopram Fluoxetina Fluvoxamina Inibidores selectivos da recaptação da serotonina Paroxetina Sertralina Venlafaxina Cloridrato de Buspirona Fenelzina Tranilcipromina Senegilina

Desconforto gástrico, náuseas, vómitos, diarreia, sonolência, diminuição do apetite, perda de peso, perda de libido, dificuldade em atingir o orgasmo, dependência, sedação, discrasias sanguineas.

Inibidores selectivos da recaptação de serotonina (tratamento da depressão)

Não devem ser usados em mulheres grávidas ou a amamentar, imediatamente após enfarte do miocárdio, glaucoma e hipersensibilidade.

IMAO

Estimulantes, nervosismo, insónia, hipersudorese, vertigem, aumento de peso, retensão de líquidos, disfunção sexual, taquicardia, crises hipertensivas, hipotensão ortostática, fotosensibilidade, cefaleias, tremores, fadiga, tonturas e perturbações da memória.

Inibem o metabolismo das catecolaminas por bloquearem a monoaminoxidase. (Doentes com diversos tipos de depressão que não tiveram ajuda apartir de outros antidepressivos)

Não devem ser usados em mulheres cgrávidas ou a amamentar, imediatamente após enfarte do miocárdio, glaucoma e hipersensibilidade. Restrição alimentar: Bebidas alcoólicas; favas; queijo curado; fígado de vaca ou galinha; peixe, aves ou carnes de salmoura ou fumadas; enchidos; soja; bananas; abacates; Beringelas; ameixas; uvas; espinafres; tomates; iogurte; Suplementos dietéticos de leveduras ou proteínas; leite fermentado; conservantes de carne.

3º CLE – OUT. 2001

4

obstipação. glaucoma e hipersensibilidade. depressão ligeira. convulsões. taquicardia. irregularidades cardiovasculares. incordenação motora. sonolência. Convulsões. diarreia. desmaio. Vigiar a pressão arterial. Insónia. confusão. vómitos. Interage com consumo de álcool. Podem causar dependência física e psicológica. tremor. hipotensão transitória. Benzodiazepinas Triazolam Clorazepato Flunitrazepam Flurazepam 3º CLE – OUT. náuseas. indução de relaxamento muscular. Sudorese. ataxia. Não pode conduzir veículos motorizados. letargia. morte. comportamentos neuróticos. parkinsonismo Não devem ser usados em mulheres grávidas ou a amamentar. 2001 5 . alterações do apetite.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Bupropriona Mirtazapina Outros Nefazodona Trazodona Venlafaxina Diazepam Clordiazepóxido Ansioliticos ou tranquilizantes menores ou sedativos Benzodiazepinas Flunitrazepam Lorazepam Hidroxizina Outros Doxepina Hipnóticos sedativos Barbitúricos Fenobarbital Diminuem os efeitos do stresse. Podem ser empregues no préoperatório para promover a sedação. depressão. imediatamente após enfarte do miocárdio. vertigem. alterações oculares. coma. hipotensão ortostática. ansiedade.

Buspirona Zolpidem Na depressão bipolar e. noutras perturbações depressivas ou esquizoafectivas Sede. A desidratação e a febre podem provocar um risco acrescido de toxicidade. A pirodixina. depressão. para Devem ser evitados em doentes com glaucoma do ângulo estreito. convulsões. Estimular a utilização de rebuçados duros sem açúcar. dependência psicológica Contraindicado em mulheres grávidas e que amamentam. Vigiar a TA de 4/4 horas no início do tratamento. cefaleias O lítio atravessa a barreira placentária e aparece no leite materno. por vezes. a fenitoína. hiperactividade. diminuem o apetite. dores abdominais. taquicardia. Não deve ser utilizado em pessoas alcoólicas ou maníacas com ideação suicida ou homicida. Promovem o estado de vigília. aumento de peso. hipotiroidismo. obstipação. confusão. os IMAO. retenção urinária. Estimulantes Anfetaminas Visão turva. sonolência. 2001 6 . secura da boca. tremores das mãos. as benzodeazepinas. melanoma. visam restabelecer o equilíbrio entre a acetilcolina e a dopamina. tremor. sonolência. vómitos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Lometiazol Outros Carbonato de lítio Reguladores do humor ou antimaniacos Valproato Carbamazepina Lamotrigina Hidroclorido de fenilpropalamina Sulfato de dextroanfetamina Hidroclorido de metilfenidato Benzatropina Anticolinérgicos Biperideno Antiparkinsónicos Inividores da catecol-ometiltransferase Tri-hexifenidilo Entacapone Utilizado no tratamento da síndrome Parkinsónico e outras discinésias. Evitar a administração em crianças com menos de 12 anos. hipertensão. secura das mucosas. fadiga. naúseas. discurso rápido. Deve-se diminuir a ingestão diária de sódio. Usar com cuidado em doentes com doença cardíaca. combatem a narcolepsia e são utilizados na anestesia geral Ritmo cardíaco rápido e irregular. 3º CLE – OUT. Doença cardíaca e glaucoma deve ser utilizado com cuidado. confusão. alterações da pressão sanguínea. obstrução pilórica ou aumento da prostata.

2001 7 . 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Bromocriptina Carbidopa/levodopa Agonistas da dopamina Levodopa Pergolide Pramipexole Ropirinole combater os efeitos da secura da boca. as fenotiazidas e o haloperidol podem antagonizar os efeitos da levodopa.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 2. TABELA REPRESENTATIVA DOS EFEITOS DE SEDAÇÃO/ SECUNDÁRIOS E AUMENTO DO PESO DOS ANTIDEPRESSIVOS TRICICLICOS Princípio Activo Amitriplitina Amoxapina Clopramida Desipramina Doxepina Imipramida Maprotilina Nortriptilina Protriptilina Dose Habitual (mg/dia) 100-200 200-300 100-200 100-200 100-200 100-200 100-150 75-150 15-40 Sedação +++ + ++ +\+++ +++ ++ + +\- Efeitos Secundários Anticolinérgicos +++ + +++ + ++ ++ ++ + + Aumento de Peso ++ + + + ++ ++ ++ + + 3º CLE – OUT. 2001 8 .

Lamotrigina 25mg – Comp. ADENDA INTERNA DO HOSPITAL MAGALHÃES DE LEMOS 2004 Acamprosato 333mg – Comp. Metadoxina 300mg – Comp. Ambroxol xarope – Frs. Maprotilina 75mg – Comp. Clorozepato 15mg – Cáps. Ciamemazina 100mg – Comp. Haloperidol Decanoato 50mg/ml – Amp. Mirtazepina Soltab 15mg – Comp. Alprozolam 0.M. Clorozepato 10mg – Cáps.P. creme hidratante Lisinopril + Hidroclorotiazida (20mg+12. OlanzapinaVelotab 5mg – Comp.5mg) . Mexazolam 1mg – Comp. Donezepil 10mg – Comp. Lamotrigina 100mg – Comp. Diosmina 450mg – Comp.I – Comp Nicergolina 30mg – Comp. Idebenona 45mg – Comp. Espiramicina 500mg-Comp. Halazepam 40 mg – Comp. Metilperona 25mg – Comp. Ácido Acetilsalicílico 1000mg – Cart.85)-Comp Flavonoides micronizados 500mg-Comp Flunarizina 5mg-Cáps Flupentixol 3mg-Comp Flupentixol retard 20mg/ml-Amp Flupentixol retard 100mg/ml-Amp Flurazepam 15mg-Cáps Flurazepam 30mg-Cáps Fluvoxamina 100mg-Comp Gabapentina 300mg-Comp Gabapentina 400mg-Comp Gabapentina 600mg-Comp Galantamina 12mg – Comp. Loprazolam 1mg – Comp.75-Frs. Indapamida 2. Memantina 10mg – Comp.5mg/10ml – Amp.5mg – Comp. Idebenona 30mg – Comp. Ciamemazina gotas – Frs. Amisulpride 200mg – Comp Amitriptilina+Perfanazina 25+2 – D – Drag Amitriptilina+Perfanazina 25+4 – F – Drag Amitriptilina 50mg – Comp. Nifedipina Cr 30mg – Comp. Lanolina ultra purificada. Bromazepam 12mg – Comp.5mg XR – Comp. Cloxazolam 2mg – Comp. Nortriptilina 25mg – Comp. 2001 9 .5mg) . Dihidroergotoxina 4. Dimetindeno gel – Bisn. Bromazepam 3mg – Comp. Milnacipran 50mg – Cáps. Glicazida L. 30mg – Comp.25+2500 U.5mg/ml-Frs Diazepam retard 10mg – Cáps. Dextrometorfano 2mg + efedrina 0.2g-Comp Piracetam 1g (200mg/ml-5ml)-Amp Piracetam 6g730ml-Amp Quetiapina 25mg-Comp Quetiapina 100mg-Comp Quetiapina 200mg-Comp Reboxetina 4mg-Comp Risperidona 1mg-Comp Risperidona 2mg-Comp Risperidona 3mg-Comp Risperidona gotas-Frs Risperidona 2mg QuicKlet-Comp 3º CLE – OUT. Estazolan 2mg-Comp Etilfrina 25mg-cáps Etilfrina gotas 0. Fenitoina+Fenobarbital 156-Comp Ferro+ácido fólico (33+0. Olanzapina 5mg – Comp. Alprozolam 1mg XR – Comp. Clomipramida 75mg – Comp Clorozepato 5mg – Cáps. Dissulfiramo 500mg – Comp. Amisulpride 50mg – Comp.5mg – Comp. Indapamida L. Maprotilina 10mg – Comp. Olanzapina 10mg – Comp.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 3. Neomicina + Bacitacina 18. Halazepam 120mg – Comp. Alprozolam 3mg XR – Comp. Milnacipran 25mg – Caps. Enalapril + Hidroclorotiazida(20mg+12. Maprotilina 25mg – Comp. Citicolina 50ml – Frs. Acarbose 50 mg – Comp. Diosmina 300mg – Comp.Comp Loflazepato de etilo – Comp.Comp Escitalopram 10mg – Comp. Biperideno retard 4mg – Drag. Paroxetina 20mg-Comp Pimozide 4mg-Comp Piracetam 1.5mg – Comp. Mirtazepina Soltab 30mg – Comp. Dotieptina 75mg – Comp. OlanzapinaVelotab 10mg – Comp Olanzapina 10mg – IM. Mianserina 30mg – Comp. Magnésio 1. 1.

250mg-Comp Trimetazidina 20mg-Comp Venlafaxina 37.5mg XR-Comp Venlafaxina 75mg XR-Comp Ziprazidona 20mg-Comp Ziprazidona 40mg-Comp Ziprazidona 60mg-Comp Ziprazidona 80mg-Comp Ziprazidona 20mg/ml-Amp Zolpidem 10mg-Comp Zuclopentixol 10mg-Comp Zuclopentixol 25mg-Comp Zuclopentixol accutard 50mg-Amp Zuclopentixol accutard 200mg-Amp Antihipertensores Antipsicóticos Antidepressores Ansioliticos Antiepilépticos/anticonvulsionantes Anticolinergicos Tratamento da Enxaqueca Analépticos Outros medicamentos para o SNC Antidiabéticos orais Mucolitico Antianginosos Espermicidas Venotropicos Medicamentos utilizados no tratamento de dependências Descongestionante nasal Fluidificantes.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Galantamina 4mg-Comp Galantamina 4mg/ml-Comp Galantamina 8mg-Comp Sertralina 50mg-Comp Sultopride 400mg-Comp Temazepam 20mg-Comp Tianeptina 12. antitússicos e expectorantes Acção hepática Vasodilatadores 3º CLE – OUT. 2001 10 .5mg-Comp Trazodona 150mg AC-Comp Triazolam 0.

aves ou carnes de salmoura ou fumadas Sauerkraut Sopas de pacote Soja Suplementos dietéticos de leveduras ou proteínas Extractos de carne (por exemplo: Marmite ou Bovril) Enchidos Natas Bananas Abacates Beringelas Ameixas Uvas Espinafres Tomates Iogurte Figos de conserva Arenque de conserva Cafeína Nota: Esta lista não é exaustiva. ALIMENTOS A EVITAR QUANDO SE TOMAM IMAO Alimentos a evitar quando se tomam IMAO Bebidas alcoólicas Cerveja sem álcool Favas Vagens de feijão Queijo curado (permitido o queijo amanteigado ou fresco) Fígado de vaca ou de galinha Polpa de laranja Peixes. 2001 11 . 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 4. e alguns destes alimentos têm tão pouca tiamina que são permitidos em 1 ou 2 doses. Estes alimentos contêm tiamina ou dopa e podem induzir uma crise hipertensiva se ingeridos durante a administração de IMAO.

2001 12 . Ensino ao doente Estes são medicamentos poderosos. Vigilância dos resultados das provas sanguíneas para detectar algum resultado anómalo. Estimular os doentes para continuar a tomar a medicação embora possam não sentir alteração no humor durante cerca de 3 semanas após o inicio da medicação. Antipsicóticos Os antiácidos diminuem a absorção dos antipsicóticos. Reforçar o ensino quanto a que esta medicação leva 2-3 semanas até tornar os seus efeitos evidentes. Tomar os antiácidos 1 a 2 horas após as doses orais de antipsicóticos. especialmente na utilização a longo prazo. Evitar estas 3º CLE – OUT. Antidepressivos Estimulantes Os doentes diabéticos devem vigiar cuidadosamente as necessidades em insulina e devem informar o médico quanto a qualquer mudança. Tomar a medicação 1 a 2 horas antes de ir para a cama. Cobrir toda apele exposta ao sol e aplicar filtros solares. Dependência física ou psicológica. Não alterar as doses. Evitar as bebidas alcoólicas. ENSINOS E CONSIDERAÇÕES DE ENFERMAGEM Classificação Considerações de Enfermagem Observação de qualquer sinal de ESEPs. lentamente e em grandes massas musculares. tranquilizantes e outros medicamentos. especialmente nos doentes que utilizam Cloropromazina. Pode causar alterações Não é seguro conduzir automóveis ou ingerir bebidas alcoólicas quando se utiliza esta classe de medicamentos. Interromper a administração lentamente. Ansiolíticos Administrar as doses por via intramuscular profundamente. Os doentes devem ser cuidadosos ao conduzir veículos automóveis ou trabalhar com máquinas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 5. As anfetaminas podem causar alterações nas necessidade insulinicas em doentes diabéticos.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML cognitivas. A tensão arterial deve ser vigiada pelos menos de 4/4 horas numa fase inicial. actividades se possível. Aumentar a ingestão de fibras alimentares para manter o funcionamento intestinal. sem açúcar para aliviar a boca seca. sem açúcar. Pode causar sonolência. Os doentes não devem suspender a medicação sem consultar um médico. Estimular a utilização de rebuçados duros. Deve ser evitada a administração em crianças com menos de 12 anos de idade. para combater os efeitos da boca seca. as pessoas devem ser aconselhadas a ser muito cautelosas quando tenham que conduzir veículos automóveis ou trabalhar com máquinas. Os doentes devem utilizar água para limpeza e rebuçados duros. Utilizar rebuçados duros. pelo que não se deve conduzir ou trabalhar com equipamento enquanto a resposta à medicação se estabelece Antiparkinsónicos 3º CLE – OUT. sem açúcar. para combater os efeitos da boca seca. Estimular a limpeza frequente da boca com água para aliviar a secura. devendo evitar estas actividades sempre que possível. 2001 13 .

CLASSIFICAÇÃO DOS NEUROLÉPTICOS E PRINCIPAIS EFEITOS Efeitos sedativos Efeitos Vegetativos NOME Levomepromazina (Nozinan) Cloropromazina (Largactil) Reserpina (Serpasil) Clotiapina (Etumina) Propericiazina (Neuleptil) Tioridazina (Melleril) Pipotiazina (Piportil) Haloperidol (Haldol.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 6. Serenelfi) Flufenazina (Anatensol. Cenilene) Tioproperazina (Majeptill) Procloroperazina (Stemetil) Perfenazina Trifluperidol Sulpride (Dogmatil) Carpipramina FAMILIA QUIMICA Fenotiazinas alifáticas Reserpinicas Dibenzodiazepinas Fenotiazidas de cadeia piperidinica NEUROLÉPTICOS SEDATIVOS NEUROLÉPTICOS MÉDIOS NEUROLÉPTICOS POLIVALENTES Butiferonas Fenotiazinas de cadeia iperazinica Butiferonas Benzamidas NEUROLÉPTICOS DESINIBIDORES Efeitos Desinibidores Efeitos Hipercinéticos Nota: Adaptado de Deniker 3º CLE – OUT. 2001 14 .

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Efeito Hipnoindutor Promazina Clorprotixeno Levomepromazina Clozapina Clopentixol Neurolépticos a largo espectro Reserpina Clotiapina Clorpromazina Tioridazina Haloperidol Perfenazina Metilperidol Pimozida Flufenazida Flupentixol Fluspirileno Neurolépticos a longo prazo Benperidol Efeito antipsicótico NOTA: Reproduzido de Poldinger 3º CLE – OUT. 2001 15 .

Apos meses ou anos de terapêutica. histeria de conversão. Equilíbrio hidroelectrolitico. TARDIA Discinesia orofacial. Crises oculogiras (por vezes). Diagnóstico diferencial: Depressão. Antiparkinsónicos (anticolinérgicos) ou benzodiazepinas. Hipótese de função dopaminérgica excessiva. Antiparkinsónicos (anticolinérgicos). Biperideno oral ou injectável. face. 1-5 Dias. Variável. Tratamento decepcionante. 3º CLE – OUT. tronco. Impossibilidade de estar quieto. Imprevisível Paragem dos neurolépticos. Hipersensibilidade dos receptores da dopamina. Discinesias Retomar droga anterior em dose semelhante e após melhoria clínica. 2001 16 . 5-60 dias Desconhecido Redução a dose ou mudança de droga. Redução da dose em 4 a 6 semanas. Tenta-se: Amantidina I. Desconhecido Antiparkinsónicos: diagnósticos e curativos. Precoce Forma menos exuberante do Sindroma Perkinsónico? Acatisia Se possível reduzir a dose.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Características Tempo de risco máximo Acinesia Mecanismo proposto Tratamento Pobreza mímica corporal.dopa Clonidina Colina (experimental) POR SERVAGE: semelhante à discinesia tardia. Necessidade urgente de movimentação. Sindroma Maligno Dos Neurolépticos Alterações da consciência. Coreotetose generalizada. percoço. Não confundir com ansiedade e agitação. Distonia Aguda (ou de torsão) Espamos dos músculos da língua. Apatia. Diagnostico diferencial: convulsões. Prevenção. do estupor ao coma.

rigidez e imobilidade. Febre. Dantroleno é útil.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Rigidez. 3º CLE – OUT. CPK elevado. posturas bizarras. Redução e paragem dos neurolépticos. Isolamento. 2001 17 . Leucocitose. Variante do sindroma maligno dos neurolépticos. Catatonia Raro. Tratar as complicações médicas. Terapêutica das complicações médica. mutismo.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

7. FARMACOLOGIA
7.1. Ansiolíticos e Tranquilizantes menores

Deprimem as actividades do córtex cerebral São medicamentos que têm a propriedade de actuar sobre a ansiedade e tensão, stresse ou depressão ligeira. Estas drogas foram designadas de tranquilizantes, por acalmarem as pessoas sob stresse, tensões ou ansiedade. Actualmente, prefere-se designar estes tipos de medicamentos pelo nome de ansiolíticos, ou seja, que "destroem" (lise) a ansiedade. Também são utilizadas no tratamento de insónia e nesse caso também recebem o nome de drogas hipnóticas, isto é, que induzem sono. Há ainda usuários de drogas estimulantes como cocaína e anfetaminas, que fazem uso destes ansiolíticos para tentarem diminuir a excitação e euforia provocadas por esses estimulantes ou mesmo para tentarem dormir após muitas horas de uso de drogas estimulantes que inibem o sono. O que fazem os tranquilizantes menores no corpo após uma dose (efeitos físicos agudos)? Nas doses terapêuticas, produzem um estado relaxado, de calma ou dependendo da dose e da droga podem induzir a sono. Dessa forma, quem utiliza esses medicamentos tem uma atenção prejudicada e não podem desenvolver actividades perigosas onde a atenção é muito necessária como por exemplo dirigir ou operar máquinas. O que fazem os tranquilizantes ou ansiolíticos no corpo com o uso contínuo (efeitos físicos crónicos)? As benzodiazepinas quando utilizados por alguns meses podem levar as pessoas a um estado de dependência. Como consequência, sem a droga o dependente passa a sentir muita irritabilidade, insónia excessiva, sudorese, dor pelo corpo todo podendo, nos casos extremos, apresentar convulsões. As benzodiazepinas podem causar tolerância, ou seja, a pessoa com o passar do tempo tem que aumentar a dose para sentir o mesmo efeito que sentia anteriormente.

3º CLE – OUT. 2001

18

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

O que fazem os ansiolíticos na mente? Todos os benzodiazepínicos são capazes de estimular os mecanismos no nosso cérebro que normalmente combatem estados de tensão e ansiedade. Assim, quando devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do nosso cérebro funcionam exageradamente resultando num estado de ansiedade, os benzodiazepínicos exercem um efeito contrário, isto é inibem os mecanismos que estavam hiperfuncionantes e a pessoa fica mais tranquila como que desligada do meio ambiente e dos estímulos externos. Como consequência desta acção os ansiolíticos produzem uma depressão da actividade do nosso cérebro que se caracteriza por: 1) diminuição de ansiedade; 2) indução de sono; 3) relaxamento muscular; 4) redução do estado de alerta. É importante notar que estes efeitos das benzodiazepinas são grandemente alimentados pelo álcool; a mistura álcool mais estas drogas pode levar uma pessoa ao estado de coma. Além desses efeitos principais os ansiolíticos dificultam os processos de aprendizagem e memória, o que é, evidentemente, bastante prejudicial para as pessoas que habitualmente utilizam estas drogas. Finalmente, é importante ainda, lembrar que estas drogas também prejudicam em parte nossas funções psicomotoras, prejudicando actividades como dirigir automóveis, aumentando a probabilidade de acidentes." Todas as benzodiazepinas são capazes de estimular os mecanismos no nosso cérebro que normalmente combatem estados de tensão e ansiedade. Assim, quando devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do nosso cérebro funcionam exageradamente resultando num estado de ansiedade, as benzodiazepinas exercem um efeito contrário, isto é inibem os mecanismos que estavam hiperfuncionantes e a pessoa fica mais tranquila como que desligada do meio ambiente e dos estímulos externos.
ALPRAZOLAM: Frontal, Tranquinal, Apraz, Xanax

BROMAZEPAM: Brozepax, Bromalex, Deptran, Lexotam, Nervium, Novazepam, Somalium, Sulpam

3º CLE – OUT. 2001

19

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

BUSPIRONA: Ansienon, Ansitec, Bromopirim, Brozepax, Buspanil, Buspar CLOBAZAM: Frizium, Urbanil CLONAZEPAM: Clozal, Rivotril CLORDIAZEPÓXIDO: Psicosedim CLOXAZOLAM: Elum, Olcadil DIAZEPAM: Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, Kiatriun, Somaplus, Valium LORAZEPAM: Lorium, Lorax, Mesmerin, Lorenim, Ansilor

A - FARMACOCINÉTICA Com excepção do Lorazepan, a grande maioria das benzodiazepinas têm semivida longa, em geral entre 10 e 30 horas. Isso faz com que o equilíbrio dinâmico da droga no organismo ocorra até depois de 3 dias de uso. Chama atenção o fato do pico de concentração plasmática ser atingido mais rapidamente quando a via de administração for oral, ao invés da intramuscular. Esta peculiaridade acontece porque o solvente da apresentação injectável, com característica lipídica, tem absorção mais lenta por via intramuscular. Assim sendo, havendo necessidade de rapidez, a via oral ou endovenosa é preferível à intramuscular. Aparentemente o efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos está relacionado com o sistema gabaminérgico (do GABA) do sistema límbico. O ácido gama-aminobutírico (GABA) é um neurotransmissor com função inibitória capaz de atenuar as reacções serotoninérgicas responsáveis pela ansiedade. As benzodiazepinas seriam, assim, agonistas deste sistema agindo nos receptores gabaminérgicos. Ultimamente as pesquisas têm indicado a existência de receptores específicos para as benzodiazepinas no SNC, sugerindo a existência de substâncias endógenas muito parecidas com as benzodiazepinas. Tais substâncias seriam uma espécie de " benzodiazepinas naturais", ou mais precisamente, de "ansiolíticos naturais". Os ansiolíticos benzodiazepinas possuem, em geral, metabólitos activos. Isso, de certa forma, aumenta ainda mais a sua semi-vida plasmática. O lorazepan e o oxazepan não possuem metabólitos activos. B - EFEITOS COLATERAIS O principal efeito colateral das benzodiazepinas é a sedação, variável de indivíduo para indivíduo. Um aumento da pressão intra-ocular teoricamente pode ocorrer mas, na clínica, trata-se de raríssima observação. Os efeitos teratogénicos são

3º CLE – OUT. 2001

20

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

ainda objecto de estudo, porém, sua utilização clínica durante décadas permite a indicação do diazepan durante a gravidez. C - TOLERÂNCIA E DEPENDÊNCIA A prática clínica tem demonstrado que a dependência às benzodiazepinas acontece, embora não invariavelmente. A tendência do paciente em aumentar a dose para obter o mesmo efeito, ou seja, a tolerância, parece ser rara. Em relação a isso notamos, na maior parte das vezes, uma má utilização da droga. Isto é, não sendo tratada a causa básica da ansiedade e esta tornando-se mais intensa, haverá maior necessidade de droga. Essa maior necessidade da droga decorrente do aumento da ansiedade não deve, de forma alguma, ser confundida com o fenómeno da tolerância. Quanto aos sintomas de abstinência às benzodiazepinas, o que observamos, com frequência, é o retorno dos sintomas psíquicos que promoveram sua indicação por ocasião da sua retirada. Isso pode, eventualmente, ser confundido com abstinência na expressiva maioria dos casos. Ora, se situação psicoemocional que determinou a procura pela droga não foi decididamente curada com a benzodiazepina, foi apenas protelada, então, retirando-a os sintomas recrudescerão. Isso não pode ser tomado como síndrome de abstinência. Em alguns pouquíssimos casos, de fato observamos sintomatologia de abstinência. Estes ocorrem, predominantemente, com o Clonazepam. Quando ocorre a síndrome de abstinência, esta tem início cerca de 48 horas após a interrupção da droga e os sintomas correspondem à ansiedade acentuada, tremores, visão turva, palpitações, confusão mental e hipersensibilidade a estímulos externos. Os casos de dependência aos benzodiazepínicos relatados na literatura ou constatados na clínica prendem-se, na grande maioria das vezes, ao uso muito prolongado e com doses acima das habituais. Há uma tendência actual em se considerar o fenómeno da dependência, até certo ponto, mais dependentes de traços da personalidade que de alguma atribuição da droga. De qualquer forma, parece que o Clonazepam e o Lorazepam são os benzodiazepínicos mais facilmente relacionados à dependência. Antes de considerarmos a dependência, pura e simplesmente, devemos ter em mente que se a benzodiazepína não foi bem indicado e esteja a ser utilizado como paliativo de uma situação emocional não resolvida, como atenuante de uma situação vivencial problemática, como um correctivo de um "modus vivendi" ansiogénico, 3º CLE – OUT. 2001 21

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML enfim. medo. ALPRAZOLAM também é indicado no tratamento dos estados de ansiedade associados com outras manifestações como a abstinência do álcool. apreensão. dificuldades de concentração. 2001 22 . então a sua supressão colocará à tona a penúria situacional em que se encontra a pessoa. ALPRAZOLAM não deve ser administrado a pacientes com sintomas psicóticos. PRECAUÇÕES ALPRAZOLAM não é recomendado para ser administrado a pacientes cujo principal diagnóstico seja a psicose. insónia e/ou hiperactividade neurovegetativa. tais como alcoólatras e toxicómanos. dando assim a falsa impressão de dependência ou até de síndrome de abstinência. A eficácia de ALPRAZOLAM para uso prolongado excedendo a 6 meses não foi estabelecida por ensaios clínicos sistemáticos. como um "tapaburacos" para uma circunstância existencial anómala. intranquilidade. Os sintomas de ansiedade podem variavelmente incluir: ansiedade. Indivíduos com tendência para o abuso de drogas. irritabilidade. por causa de sua predisposição para o hábito e dependência. O médico deve periodicamente reavaliar a utilidade do medicamento para o paciente individual. ALPARAZOLAM FRONTAL TRANQUINAL APRAZ ALTROX XANAX INDICAÇÕES ALPRAZOLAM é indicado no tratamento de estados de ansiedade. 3º CLE – OUT. A exemplo de outras drogas que actuam sobre o sistema nervoso central. os pacientes sob terapia com ALPRAZOLAM devem ser advertidos para não operar veículos motorizados ou maquinaria perigosa até que se tenha certeza de que não experimentam sonolência ou tontura enquanto recebem este medicamento. tensão. devem ser cuidadosamente observados enquanto receberem benzodiazepinas. resultando em manifestações somáticas variadas.

2001 23 . ocasionalmente. produzem efeitos depressores do sistema nervoso central quando co-administrados com drogas tais como barbitúricos. irritabilidade. Não foi estabelecida segurança e eficácia de ALPRAZOLAM em pacientes com menos de 18 anos. incluindo ALPRAZOLAM. com a continuação do tratamento ou redução da dosagem. usualmente. vários sintomas gastrointestinais e manifestações neurovegetativas. Devese considerar a possibilidade de a paciente potencialmente fértil estar grávida na época da instituição da terapia. diazepam e meprobamato) durante o primeiro trimestre de gravidez. convulsões. desordens de coordenação. Deve-se tomar as precauções usuais no tratamento de pacientes com função renal ou hepática prejudicada. A paciente deve ser advertida para. aturdimento. agitação. visão turva. 3º CLE – OUT. pois muitas drogas são excretadas no leite humano.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A dosagem de ALPRAZOLAM deve ser gradualmente reduzida. O efeito colateral mais comum verificado com ALPRAZOLAM foi a sonolência. Os efeitos colaterais menos frequentes foram. Interacções medicamentosas: as benzodiazepinas. amamentação não deve ser efectuada quando a paciente estiver a receber o medicamento. Os sinais e sintomas de suspensão abrupta podem incluir: ansiedade. a administração de ALPRAZOLAM durante a gravidez deve sempre ser evitada. Em vista de o uso destas drogas se constituir raramente em um caso de urgência. insónia e. Carcinogénese: nenhuma evidência de potencial carcinogénico foi observada durante um estudo de 24 meses com ALPRAZOLAM. são geralmente observados no início da terapia e desaparecem. álcool ou anti-histamínicos ou outros benzodiazepínicos. EFEITOS COLATERAIS Os efeitos colaterais. contactar seu médico acerca de sua decisão em descontinuar o tratamento com a droga. Uso durante a amamentação: como regra geral. visto que a suspensão abrupta de qualquer agente ansiolítico pode resultar em sintomas similares aos mesmos sintomas que são objecto do tratamento. Uso durante a gravidez: em vários estudos foi sugerido um risco de malformações congénitas associadas com tranquilizantes menores (clorodiazepóxido. tensão. se ocorrerem. no caso de gravidez.

BROMAZEPAM reduz selectivamente a tensão e a ansiedade. agitação. Experimentações efectuadas em animais indicaram que pode ocorrer colapso cardiopulmonar após grandes doses intravenosas de ALPRAZOLAM (cerca de 195 mg/Kg. dificuldades de concentração. isto é. incontinência ou retenção urinária. mais que 2000 vezes a dose máxima diária para seres humanos). 2001 24 . Outros estudos efectuados em animais sugeriram que a diurese forçada ou hemodiálise se mostraram provavelmente de pouco valor no tratamento da superdosagem. alterações de libido e irregularidades menstruais. as pressões sanguíneas e do pulso devem ser monitorizadas e apoiadas por medidas gerais. Como em todos os casos de superdosagem. Indica-se a indução do vómito e/ou lavagem gástrica. Pode-se administrar fluidos intravenosos mantendo-se ventilação adequada para as vias respiratórias. Pode ainda ocorrer prurido. alucinações ou outros efeitos adversos de comportamento podem se apresentar em raras ocasiões e ao acaso. promove efeito sedativo e músculo relaxante.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A exemplo de outras benzodiazepinas. quando necessário. em doses altas. relações paradoxais como estimulação. Superdosagem: Manifestações decorrentes de superdosagem de ALPRAZOLAM incluem extensões de sua actividade farmacológica. Os animais puderam ser reanimados com ventilação mecânica positiva e infusão endovenosa de levarterenol. A concentração 3º CLE – OUT. BROMAZEPAM BROZEPAX DEPTRAN LEXOTAM NERVIUM NOVAZEPAM SOMALIUM SULPAM BROMALEX Em doses baixas. confusão. ataxia e sonolência. a respiração.

2001 25 . que são excretados pela urina principalmente sob a forma conjugada. Em média. mas pode ser maior nos pacientes idosos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML plasmática máxima é atingida em 1. O bromazepam é metabolizado no fígado. forte personalidade ou outros distúrbios psiquiátricos graves. Manifestações relacionadas à ansiedade e tensão: . DEPENDÊNCIA Pode ocorrer dependência quando da terapia com benzodiazepinas. quando necessária. espasmos. BROMAZEPAM é ainda útil no tratamento dos estados de ansiedade e tensão nervosa devidos a doenças orgânicas crónicas e como adjuvante do tratamento psicoterápico e psiconeuroses. . A continuação do tratamento. . No sentido de minimizar o risco de dependência. A meia vida de eliminação média é de 12 horas. hipertensão psicogénica. como: síndrome de cólon irritável. dor epigástrica. .distúrbios funcionais geniturinários. tais como: cefaleia e dermatoses psicogénicas. hiperventilação. abuso de drogas. 70% do bromazepam está ligado às proteínas plasmáticas. 3º CLE – OUT.distúrbios funcionais cardiovasculares e respiratórios. com história de alcoolismo. Do ponto de vista quantitativo. como: bexiga irritável. tais como: pseudo angina do peito. A biodisponibilidade média de substância não metabolizada é de 84%. A duração prolongada do tratamento só se justifica após avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. altas dosagens e particularmente em pacientes predispostos. colite ulcerativa. O risco é mais evidente em pacientes em uso prolongado. dispneia. taquicardia. ansiedade pré-cordial. frequência urinária alterada e dismenorréia.2 horas após a administração oral. agitação e insónia. os benzodiazepinas. distensão abdominal e diarreia.distúrbios funcionais gastrointestinais. humor depressivo ansioso. só devem ser prescritos após cuidadosa avaliação quanto à indicação e devem ser administrados por período de tempo o mais curto possível. deve ser acompanhada bem de perto. predominam dois metabólitos: 3 hidroxi bromazepam e 2 (2 amino 5 bromo 3 hidroxibenzoilpiridina). tensão nervosa.outros distúrbios psicossomáticos. INDICAÇÃO Distúrbios emocionais: estados de tensão e ansiedade.

Cansaço. mais raramente delirium e convulsões. alterações na percepção e. controle do hemograma e da função hepática. seu efeito sedativo pode ser intensificado. Se BROMAZEPAM for usado concomitantemente com outros medicamentos de acção central. Nos casos menos graves. INTERACÇÃO Como ocorre com qualquer substância psicoativa. sonolência e. é necessário um acompanhamento médico bem próximo e apoio para o paciente. cefaleia e dificuldade para concentrar-se. relaxamento muscular. Embora não existam evidências de efeitos tóxicos hematológicos ou afectando a função hepática ou renal. O uso simultâneo com levodopa pode diminuir o efeito terapêutico da levodopa. A interrupção abrupta deve ser evitada e adoptado um esquema de retirada gradual. podem ocorrer outros sintomas de abstinência. insónia. durando de poucas horas a uma semana ou mais. tais como sudorese. BUSPIRONA ANSIENON ANSITEC BROMOPIRIM BROZEPAX 3º CLE – OUT. nos tratamentos prolongados. Estes sintomas desaparecem com a redução da dose. Na ocorrência de sintomas de abstinência.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML ABSTINÊNCIA O início dos sintomas de abstinência é variável. 2001 26 . tranquilizantes. recomenda se. o efeito do BROMAZEPAM pode ser intensificado pelo álcool. agitação. antidepressivos. em raros casos. a sintomatologia da abstinência pode restringir se a tremor. ansiedade. analgésicos e anestésicos. hipnóticos. podem ocorrer quando se usam altas doses. tais como neurolépticos. BROMAZEPAM é bem tolerado. espasmos muscular e abdominal. Entretanto. Em doses terapêuticas.

falibilidade. reflexão e pressentimento do infortúnio para si mesmo ou para outros. incapacidade para relaxar. insónia. boca seca. pulso e respiração muito rápidos em repouso. cristalino. contracção muscular da pálpebra. palpitações. distúrbios estomacais. tremores. delírio. parentelas (Formosamente das mãos ou pés). 2001 27 . tontura. irritabilidade e impaciência. mialgias. desconforto epigástrico. rubor.Ansiedade Persistente Generalizada manifestada por sintomas de três das seguintes quatro categorias: 1) tensão motora: instabilidade. tensão. medo. sobressalto. 2) hiperactividade do sistema nervoso autónomo: sudorese. micção frequente. que não tem relação química ou farmacológica com as benzodiazepinas ou outros agentes psicotrópicos conhecidos. 4) vigilância e vigília: estado de hiperalerta que resulta em distracção. diplopia. frio. é Cloridrato de 8-[4-[4-(2piridimil) -1-piperazinil]buril] -8-azaspiro [4.9-diona. 3) expectativa apreensiva: ansiedade.cl. O Cloridrato de suspirara é um composto branco. corresponde a distúrbios de Ansiedade Generalizada conforme a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) descritos a seguir: A . B . agitação. com peso molecular de 422. O diagnóstico de pacientes estudados em experiências clínicas controladas com a BUSPIRONA. palidez. face extenuada.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML BUSPANIL BUSPAR DESCRIÇÃO Cloridrato de BUSPIRONA é um agente ansiolítico. acessos de calor ou frio. taquicardia. diarreia.5] decano 7. solúvel em água. Quimicamente. INDICAÇÕES Cloridrato de BUSPIRONA é indicado no tratamento de distúrbios de ansiedade e no alívio a curto prazo dos sintomas de ansiedade.0.Estado de ansiedade sendo contínuo durante pelo menos um mês: Tensão e 3º CLE – OUT. A sua fórmula empírica é C21H31N5O2 . preocupação. testa enrugada. desassossego. sensibilidade extrema. dificuldade de concentração. nervosismo. mãos frias e pegajosas. nó na garganta.

BUSPIRONA somente deverá ser administrado a lactentes após o médico determinar que o benefício para a mãe supera o risco potencial para o bebé. USO NA LACTAÇÃO A extensão da excreção de BUSPIRONA ou de seus metabólitos no leite materno é desconhecida. desenvolvimento de tolerância. Nos pacientes em uso prolongado de BUSPIRONA. 2001 28 . Não existe registro de síndrome de abstinência na terapia com BUSPIRONA após a administração crónica em ratos. não foram realizados estudos adequados e bem controlados durante a gravidez. Portanto. os médicos deverão avaliar cuidadosamente os pacientes. o uso de BUSPIRONA durante a gravidez somente poderá ser iniciado ou continuado se. observando sinais de uso erróneo ou abusivo de Cloridrato de BUSPIRONA (por exemplo. no entanto. 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML ansiedade comuns associadas com stresse da vida diária. Muito embora não exista evidência directa de que Cloridrato de BUSPIRONA cause dependência física ou comportamento de procura à droga. é difícil predizer. no entanto. Como os estudos clínicos de BUSPIRONA têm sido geralmente limitados a 6 meses. geralmente não requerem tratamento com agentes ansiolíticos. aumento da dose. baseado em experimentações. USO NA GRAVIDEZ Nenhum comprometimento da fertilidade ou fetais foram observados em estudos de reprodução realizados em ratos e coelhos a doses de BUSPIRONA de aproximadamente 30 vezes a dose máxima humana recomendada. devem ser reavaliadas as necessidades da droga. recomenda-se este tempo como período limite para a terapia contínua. quanto a história de abuso de drogas e acompanhá-los de perto. Assim sendo. o benefício sobrepujar o risco potencial. a BUSPIRONA e seus metabólitos são excretados no leite. comportamento de procura à droga). a extensão na qual uma droga activa no SNC em comercialização poderá ser erroneamente usada. comummente observada com substâncias que causam dependência física. na opinião do médico. a suspensão repentina não provocou perda de peso. Em ratos. Em mulheres. por esta razão. ter sua finalidade desviada e/ou ser de uso abusivo.

Crises convulsivas tônico-clônicas (geralmente associadas com outro anticonvulsivo). Calcula-se que o clonazepam estimule os receptores de GABA (ácido gama aminobutírico) no sistema reticular activador ascendente. Dado que o GABA é inibidor. desde uma leve sedação até hipnose. A eliminação do fármaco é lenta. alucinações. raramente. distúrbios de micção. O clonazepam atravessa a placenta. após estimular a formação reticular do talo cerebral. metabolizando-se no fígado e excretando-se por via renal. sonolência e. enjoos. pois os metabólitos activos podem permanecer no sangue vários dias e inclusive semanas. REACÇÕES ADVERSAS Os pacientes geriátricos ou debilitados. com efeitos persistentes.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML CLONAZEPAM RIVOTRIL CLONOTRIL PROPRIEDADES As benzodiazepinas actuam como depressores do SNC. a estimulação dos receptores aumenta a inibição e bloqueia a excitação cortical e límbica. O clonazepam é de semi-vida intermediária. principalmente no primeiro trimestre. Precauções Evitar o consumo de álcool e outros depressores do SNC durante o tratamento. torpeza e instabilidade. cansaço ou debilidade não habituais. ser evitado seu uso durante a gravidez. alterações de comportamento. A sua união às proteínas é alta. devendo. É absorvido no trato gastrointestinal. Ter precaução com idosos se ocorrer sonolência. INDICAÇÕES Tratamento de crises mioclônicas. as crianças e os pacientes com distúrbios hepáticos são mais sensíveis às benzodiazepinas no SNC. Ausências do tipo epilépticas refractárias a succinimidas ou ácido valpróico. erupções cutâneas ou prurido. Podem ocorrer enjoos ou sensações de enjoos. 2001 29 . produzindo todos os seus níveis de depressão. Tratamento do pânico. 3º CLE – OUT. dependendo da dose. por isso.

reduzir a dose destes. psicose. especialmente ansiedade. inquietude. A carbamazepina pode aumentar seu metabolismo e diminuir. especialmente má adaptação social. CONTRA INDICAÇÕES A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica aguda. portanto. distúrbios do sono. No tratamento a longo prazo em crianças. funcionais de origem psicogénica. deve-se avaliar a relação riscobenefício devido aos possíveis efeitos adversos sobre o desenvolvimento físico e mental. astenia e sintomas depressivos. miastenia grave. sentimentos de opressão e certos tipos de dores. sua concentração sérica. sintomas somáticos. fobias. As condições nas quais estes sintomas ocorrem frequentemente são: neuroses. O uso de antidepressivos tricíclicos pode diminuir o limiar convulsivo. Pode diminuir os efeitos terapêuticos de levodopa. reacções patológicas sub agudas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Por ser excretado no leite materno. já que pode provocar sedação no recém-nascido e possivelmente dificuldades de alimentação e perda de peso. disfunção hepática ou renal. tais como. devendo. 2001 30 . dificuldade em dormir ou sono interrompido e despertar precoce. estados reaccionais crónicos. por isso. modificar-se a dose de clonazepam. hipoalbuminemia. porfiria ou doença pulmonar obstrutiva crónica grave. glaucoma de ângulo fechado. antecedentes de dependência de drogas. A prescrição simultânea de haloperidol pode produzir uma alteração no padrão ou frequência das convulsões epileptiformes. CLOXAZOLAM ELUM OLCADIL INDICAÇÕES Distúrbios emocionais. depressão mental grave. INTERACÇÕES Quando utilizado junto com analgésicos opiáceos. medo. deve-se avaliar a relação risco-benefício antes de ser prescrito durante o período de lactação. que podem não se evidenciar por muitos anos. distúrbios comportamentais. distúrbios 3º CLE – OUT.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

psicossomáticos dos sistemas cardiovascular, gastrointestinal, respiratório, músculoesquelético ou urogenital; reacções afectivas devido a moléstias agudas ou crónicas; síndrome de abstinência do álcool. Outros empregos: pré-medicação anestésica; tratamento coadjuvante em psicopatia, atraso mental, psicoses, depressão endógena psicogénica, distúrbios geriátricos. PRECAUÇÕES Especialmente em doses elevadas, CLOXAZOLAM, como todos os medicamentos de acção central pode comprometer as reacções do paciente (ex.: condução de veículos, operação de máquinas, etc.). As experiências animais não revelaram efeitos adversos no feto, mas ainda não há experiência disponível sobre o uso de CLOXAZOLAM em mulheres grávidas. CLOXAZOLAM não é recomendado durante a lactação. Na presença de doença hepática ou renal, síndrome cerebral crónica ou glaucoma de ângulo fechado, os pacientes devem ser cuidadosamente monitorizados e se necessário a dose de CLOXAZOLAM deve ser reduzida. Embora as benzodiazepinas apresentem baixo potencial em causar dependência e não tenham sido relatados casos de criação de hábito com CLOXAZOLAM, deve-se ter cuidado ao prescrever o medicamento a pessoas com tendência ao vício. Interações medicamentosas: CLOXAZOLAM pode potenciar os efeitos inibidores centrais dos neurolépticos, antidepressivos, ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, narcóticos, analgésicos e anti-histamínicos. Esta potenciação pode ser utilizada terapeuticamente, especialmente pela combinação do CLOXAZOLAM com antidepressivos. A ingestão simultânea de álcool não é recomendada. REACÇÕES ADVERSAS Sedação, tonturas e cefaleia podem ser verificadas com doses elevadas ingeridas de uma só vez. Estes efeitos colaterais geralmente aparecem no início do tratamento, mas podem ser evitados pelo aumento gradual da dose, ou podem ser revertidos pela redução da mesma. Hipotensão ortostática, hipotonia muscular ou ataxia são fenómenos raros.

3º CLE – OUT. 2001

31

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

CLOBAZAM
FRIZIUM URBANIL INDICAÇÕES CLOBAZAM é um derivado das benzodiazepinas e está indicado no tratamento da ansiedade em todas as suas formas, após a exclusão de causa orgânica, e da epilepsia do adulto e da criança, em associação ao tratamento anticonvulsivante de base. Sua semi-vida plasmática é de cerca de 20 horas, e a eliminação é essencialmente renal (90%). No insuficiente renal e na pessoa idosa, os parâmetros farmacocinéticos são pouco modificados. No insuficiente hepático, o metabolismo do produto é mais lento (a semi-vida é multiplicada por 2, e a concentração máxima por 1,5). A ligação a proteína é de 85-90%. PRECAUÇÕES Gerais: a ingestão de bebidas alcoólicas é formalmente desaconselhada durante o tratamento; em caso de utilização prolongada do produto, a suspensão deve ser progressiva, para evitar uma síndrome de privação; duração do tratamento ansiolítico: o tratamento não deve ser prolongado inutilmente, pois actualmente há poucos estudos que permitam avaliar a manutenção da eficácia em tratamentos de longo curso. Miastenia: como ocorre com outras benzodiazepinas a ingestão de CLOBAZAM só deve ser feita sob rigorosa vigilância médica, nestes casos. Depressão: antes de tratar um estado ansioso associado a instabilidade emocional, deve-se assegurar que o paciente não sofre de depressão que requeira tratamento específico ou complementar. Pessoas idosas: A prudência se impõe neste caso, e deve se diminuir a posologia. Insuficiência respiratória moderada: o risco de agravação da insuficiência respiratória impõe prudência e redução da posologia. Insuficiência renal: a posologia diária e o ritmo de administração do medicamento devem ser adaptados. Insuficiência hepática: a posologia deve ser reduzida. - Uso durante a gravidez e o aleitamento: Gravidez: os estudos em animais não evidenciaram efeito teratogênico

3º CLE – OUT. 2001

32

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

nem fetotóxico. No entanto, parece recomendável não utilizar CLOBAZAM durante o primeiro trimestre de gestação. Deve-se evitar a prescrição de doses elevadas no terceiro trimestre, devido ao risco de hipotonia e insuficiência respiratória no recém-nascido. Aleitamento: como o clobazam passa ao leite, sua utilização não é recomendada durante a amamentação. Interacções medicamentosas: A tomada concomitante de cimetidina aumenta a taxa circulante do clobazam e seus metabólitos, e prolonga a sua semi-vida. Neste caso, é conveniente adaptar a posologia de CLOBAZAM, se necessário. O risco de uma síndrome de privação é aumentado por associação de benzodiazepinas prescritas como ansiolíticos ou hipnóticos. Uma potenciação dos efeitos sedativos em caso de associação com outros medicamentos que agem sobre o sistema nervoso central (hipnóticos, neurolépticos, tranquilizantes, opiáceos e aparentados) é possível, e é necessário prudência. Efeito sobre a capacidade de dirigir automóveis e operar máquinas: existe a possibilidade de sonolência diurna durante o tratamento. EFEITOS COLATERAIS Sintomas moderados, transitórios e que ocorrem em decorrência de dose diária elevada ou sensibilidade individual: sonolência, hipotonia muscular, amnésia anterograda (descrita essencialmente com as benzodiazepinas injectáveis), sensação de embriagamento, fadiga, cefaleia, vertigens, obstipação. "Rash" e prurido podem ocorrer, em decorrência de sensibilidade individual. Manifestações paradoxais (hiperexcitabilidade, ansiedade, alucinações), impondo a suspensão do tratamento. A suspensão brusca do tratamento com benzodiazepinas pode levar a uma síndrome de privação, o qual pode ter como sintomas: alterações menores: irritabilidade, ansiedade, mialgias, tremores, insónia e pesadelos, náuseas, vómitos; excepcionalmente, alterações maiores: convulsões isoladas, estado de mal mioclônico com síndrome confusional, podem aparecer após alguns dias, e são geralmente precedidos por sintomas menores. - Superdosagem: os sinais de superdosagem são os mesmos que para os outros benzodiazepínicos (depressão cardiorrespiratória, alterações de consciência, e eventualmente coma, se houver absorção de álcool ou depressores do SNC). O emprego de um antídoto específico, como o flumazenil, associado ao tratamento sintomático, deve ser em meio hospitalar.

3º CLE – OUT. 2001

33

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

DIAZEPAM
ANSILIVE CALMOCITENO DIAZEFAST DIAZEPAM DIAZEPAN KIATRIUN NOAM SOMAPLUS VALIUM INDICAÇÃO O DIAZEPAM está indicado no alívio sintomático da ansiedade, agitação e tensão devidas a estados psiconeuróticos e distúrbios passageiros causados por situação stressante. Pode também ser útil como coadjuvante no tratamento de certos distúrbios psíquicos e orgânicos. A ansiedade, principal sintoma sensível ao tratamento, pode se expressar por humor ansioso ou comportamento apreensivo, e/ou sob forma de sintomas funcionais, neurovegetativos ou motores, tais como: palpitação, sudorese, insónia, tremor, agitação, etc. O DIAZEPAM é útil como adjuvante no alívio do espasmo muscular reflexo devido a traumatismos localizados (ferimento, inflamação). Pode ser igualmente usado no tratamento da espasticidade devida a lesão dos neurónios intermediários espinhais e supra espinhais tal como ocorre na paralisia cerebral e paraplegia, assim como na atetose e na síndrome de "stiff man". DEPENDÊNCIA Pode ocorrer dependência aquando da terapia com benzodiazepinas. O risco é mais evidente em pacientes em uso prolongado, altas dosagens e particularmente em pacientes predispostos, com história de alcoolismo, abuso de drogas, forte personalidade ou outros distúrbios psiquiátricos graves. No sentido de minimizar o risco de dependência, os benzodiazepínicos só devem ser prescritos após cuidadosa avaliação quanto a indicação e devem ser administrados por período de tempo o mais curto possível. A continuação do tratamento, quando

3º CLE – OUT. 2001

34

amnésia anterógrada. distúrbios do sono e alucinações. excitação aguda. depressão. Se o DIAZEPAM é usado concomitantemente com outros medicamentos de acção central. fala enrolada. incontinência urinária. O uso simultâneo com levodopa diminui o efeito terapêutico da levodopa. hipnóticos. o tratamento com DIAZEPAM deve ser interrompido. antidepressivos. A duração prolongada do tratamento só se justifica após avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. diminuição da função respiratória e hipotermia no recém-nascido. estão relacionados com a dose administrada. Efeitos colaterais pouco frequentes: confusão mental. tonturas e distúrbios de acomodação visual. diplopia. Têm sido descritas reacções paradoxais. Efeitos colaterais que podem ser observados muito raramente: elevação das transaminases e da fosfatase alcalina. anticonvulsivantes. sonolência e relaxamento muscular em geral. EFEITOS COLATERAIS Os efeitos colaterais mais comummente citados são: cansaço. ansiedade. náusea. INTERACÇÃO Tem sido descrito que a administração concomitante de cimetidina (mas não de ranitidina) retarda o clearance do diazepam. assim como icterícia. aumento ou diminuição da libido. hipotensão. disartria. obstipação. analgésicos e anestésicos. secura da boca ou hipersalivação. Existem igualmente estudos mostrando que a disponibilidade metabólica da fenitoína é afectada pelo diazepam. rash cutâneo. A administração contínua de benzodiazepínicos durante a gravidez pode originar hipotensão. Por outro lado. não existem interferências com os antidiabéticos. deve ser acompanhada bem de perto. 2001 35 . anticoagulantes e diuréticos comummente utilizados. Sintomas de abstinência em recém nascidos têm sido ocasionalmente relatados com o uso de benzodiazepinas. cefaleia. GRAVIDEZ E LACTAÇÃO O diazepam e seus metabólitos atravessam a barreira placentária e atingem o leite materno. Quando estes últimos ocorrem. tais como. tais como: neurolépticos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML necessária. retenção urinária. 3º CLE – OUT. tranquilizantes. tremor. os efeitos destes medicamentos podem potencializar ou serem potencializados pelo DIAZEPAM.

tremor. Antes da decisão de administrar DIAZEPAM durante a gravidez. e os seus metabólitos longa. Calcula-se que estimulam os receptores GABA nos sistemas reticular activador ascendente. INDICAÇÕES Tratamento da ansiedade a curto prazo. calcula-se que. activos são demoxepam. delirium tremens e alucinações) e como coadjuvante da anestesia. após interactuarem com um receptor neuronal específico de membrana. responsável pela degradação da droga. É uma benzodiazepina de semi-vida 3º CLE – OUT. potenciam ou facilitam a acção inibidora do neurotransmissor ácido gama aminobutírico (GABA). 2001 36 . conforme a dose. Metaboliza-se no fígado. 5 a 30 horas. É excretado por via renal. mediador da inibição tanto a nível pré-sináptico como pós-sináptico em todas as regiões do SNC. sua semi-vida é longa. com aumento da inibição e bloqueio da excitação cortical e límbica após estimular a formação reticular do talo cerebral. desde uma leve sedação até hipnose. Foram propostos vários mecanismos de acção para as benzodiazepinas. Após a administração IM a absorção é lenta e errática. como depressores do SNC. em geral.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Cuidados especiais devem ser observados quando o DIAZEPAM é usado durante o trabalho de parto. especialmente durante o primeiro trimestre como deveria ocorrer sempre com outras drogas os possíveis riscos para o feto devem ser comparados com os benefícios terapêuticos esperados para a mãe. Lembrar que no recém-nascido o sistema enzimático. altas doses podem provocar irregularidades no trabalho cardíaco do feto e hipotonia. É bem absorvido no trato gastrointestinal. e sua união às proteínas é muito alta. oxazepam e desmetilclordiazepóxido. sucção difícil e hipotermia no neonato. sintomas de supressão alcoólica aguda (agitação. desmetildiazepam. não está totalmente desenvolvido (especialmente em prematuros). Produzem todos os níveis de depressão. CLORDIAZEPÓXIDO PSICOSEDIM As benzodiazepinas actuam.

Em neonatos pode ocorrer depressão prolongada do SNC devido à incapacidade para biotransformar as benzodiazepinas em metabólitos. CONTRA INDICAÇÕES A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica. náuseas ou vómitos e tremores. são mais sensíveis aos efeitos sobre o SNC. O uso de antiácidos pode retardar. Após a administração parenteral. deve manter-se o paciente em observação por um período de até 3 horas. a absorção de clordiazepóxido. torpeza e instabilidade. bradicardia. Os sintomas de privação são mais comuns em pacientes que tenham recebido doses excessivas durante um período prolongado. principalmente as menores. Evitar o consumo de álcool e de outros depressores do SNC. PRECAUÇÔES Os pacientes de idade avançada. INTERACÇÕES Os medicamentos que produzem depressão do SNC podem aumentar esse efeito do clordiazepóxido. debilitados ou crianças com disfunção renal ou hepática devem receber uma dose inicial reduzida. São de rara incidência e menos frequentes: confusão. glaucoma de ângulo 3º CLE – OUT. devendo-se. dificuldades de alimentação e perda de peso. já que pode provocar sedação no recémnascido. A cetamina. portanto. convulsões. pois pode haver diminuição da eliminação das benzodiazepinas. antecedentes de abuso ou dependência de drogas. porém não diminuir. A cimetidina pode inibir o metabolismo hepático e provocar um aumento nas concentrações plasmáticas. especialmente em altas doses ou quando administrada de forma rápida. As crianças. O clordiazepóxido atravessa a placenta. balbuciação. Pode ocorrer sonolência. coma ou choque. 2001 37 . pode aumentar o risco da hipotensão ou depressão respiratória.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REACÇÕES ADVERSAS Sinais de superdosagem que requerem atenção médica: confusão contínua. Pode diminuir o efeito terapêutico da levodopa. avaliar a relação risco-benefício durante a gravidez e a lactação. tonturas e debilidade grave. sonolência grave. agitação.

hipotensão. São sinais de superdosagem que requerem atenção médica: confusão contínua. as crianças e os pacientes com doença hepática são mais sensíveis aos efeitos das benzodiazepinas no SNC. São de incidência mais frequente: torpor ou instabilidade. hipoalbuminemia. É bem absorvido no trato gastrintestinal e após a administração por via IM a absorção é rápida e completa. Raramente se observam: confusão (por intolerância). porfiria. O lorazepam tem semi-vida de curta a intermediária e o início da acção. ao que parece. náuseas ou vómitos. Indicações Distúrbios por ansiedade. agitação. obstipação. Sintomas de supressão alcoólica aguda. 3º CLE – OUT. disfunção hepática. como depressor do SNC em todos os seus níveis. depressão mental grave. psicose. mediador da inibição no nível pré-sináptico e pós-sináptico em todas as regiões do SNC. LORAZEPAM LORIUM LORAX MESMERIN LORENIM O Lorazepam actua. Sua união às proteínas é alta. cambaleios e debilidade grave. REACÇÕES ADVERSAS Os pacientes geriátricos e debilitados. sonolência grave. metaboliza-se no fígado e é eliminado por via renal. bradicardia ou paragem cardíaca. cansaço ou debilidade não habituais. após a administração oral. Embora seu mecanismo exacto de acção não seja conhecido. geralmente. potencializa ou facilita a acção inibidora do neurotransmissor ácido gamaaminobutírico (GABA). disfunção renal. dependendo da dose. hipercinesia. A administração parenteral pode ocasionar apnéia. evidencia-se entre 15 e 45 minutos. bradicardia. sonolência. debilidade muscular. Ansiedade associada com depressão mental. após interagir com um receptor específico da membrana neuronal. visão turva ou outros distúrbios de visão.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML fechado. 2001 38 . Insónia por ansiedade ou situação passageira de stress. miastenia grave.

bradicardia ou parada cardíaca. psicose e doença pulmonar obstrutiva crónica grave. A relação risco-benefício deve ser avaliada para administração durante a gravidez. a administração prévia de lorazepam pode diminuir a dose necessária de um derivado da fentanila para induzir anestesia. Ter precaução com os idosos. disfunção hepática ou renal. antecedentes de abuso ou dependência de drogas. hipotensão. A administração IV muito rápida pode produzir apnéia. coma ou choque. Ao tratarmos dos ansiolíticos Benzodiazepínicos vimos que a sedação destas drogas está na dependência da dose.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML PRECAUÇÕES Evitar o consumo de álcool ou de outros depressores do SNC durante o tratamento. O uso simultâneo com levodopa pode diminuir os efeitos terapêuticos desta droga. 2001 39 . miastenia grave. CONTRA INDICAÇÕES A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica grave. seja para iniciar o sono. a absorção. Devido ao fato de excretar-se no leite materno. actualmente. dificuldades na alimentação e perda de peso. alucinação e comportamento irracional. porfiria. INTERACÇÕES O uso de antiácidos pode retardar. para mantê-lo ou ainda manifestando um despertar precoce. os Benzodiazepínicos ditos hipnóticos são aqueles possuidores de um 3º CLE – OUT. durante o período de lactação pode produzir sedação no recém-nascido. Desta forma. depressão mental grave.2. A escopolamina junto com lorazepam parenteral pode aumentar a incidência de sedação. 7. porém não diminuir. uma vez. que atravessa a placenta e pode originar depressão do SNC no neonato. enjoos. hipoalbuminemia. HIPNÓTICOS Alguns trabalhos mostram que um terço da população adulta sofre de insónia. torpor ou instabilidade. glaucoma de ângulo fechado. Os Benzodiazepínicos são. da rapidez de absorção e da potência em miligramas. as drogas mais utilizadas como hipnóticos. principalmente se ocorrer sonolência.

onde o EEG apresenta ondas lentas do tipo Delta. É aqui neste estágio onde aparecem os sonhos. nos últimos ciclos ocorre o contrário disso. 5 . o Estágio II ocupa 50% e os Estágios III e IV ficam. Ao dormir a pessoa vai passando sucessivamente de estágio em estágio da I até a IV. há superficialização para o Estágio II e. A utilização desta droga deve ser sempre o último recurso para a abordagem da insónia. Os primeiros ciclos têm estágios III e IV longos e fases REM curtas. é início do sono ou sonolência. juntos. Dormonid NITRAZEPAM: Nitrazepam. já que o tratamento da causa básica que esteja determinando o prejuízo do sono deve receber atenção prioritária. o mais profundo. Daí a necessidade de lembrar sempre que a insónia é apenas um sintoma e não uma doença em si e os 3º CLE – OUT. o Estágio I toma 5 a 10%. Rohypnol FLURAZEPAM: Dalmadorm MIDAZOLAM: Dormire. as quais vão aumentando até caracterizar o Estágio IV. A farmacocinética dos hipnóticos é a mesma estudada no tópico dos ansiolíticos. onde sonhamos.Estágio I. FLUNITRAZEPAM: Fluzerim.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML efeito de sedação rápida e semi-vida plasmática curta o suficiente para restringir sua actuação ao período noturno. no qual aparece fusos de sono e complexos K no EEG. ambos Benzodiazepínicos. com 20% do sono total.Está-gio II. 3 . Cada sequência destes 5 estágios formam um ciclo de sono que se repete 4 a 6 vezes por noite. Nesta fase REM (Rapid Eye Moviment) aparecem movimentos oculares rápidos e atonia da musculatura esquelética. 4 . Sonotrat ESTAZOLAM: Noctal ZOLPIDEM: Stilnox ZOPICLONE: Imovane O sono pode ser dividido em 5 estágios: 1 . Sonebom. Nitrazepol. em seguida entra na fase REM. 2 .Estágio IV. a fase própria da vigília relaxada onde o EEG mostra o desaparecimento do ritmo Alfa. com a fase REM atingindo até 30 minutos. De modo geral o Estágio REM toma cerca de 20 a 25% do tempo total do sono.Estágio (REM). Estando no IV. 2001 40 .Estágio III.

ao se fixar em sítios específicos do SNC (receptor GABA-benzodiazepínico) com uma afinidade que está estreitamente relacionada com a potência neurodepressora.Certificar-se de que o tratamento da causa básica não está a ser suficiente para corrigir a insónia sintomática.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Benzodiazepínicos empregados como hipnóticos desempenham um papel coadjuvante no tratamento. isto é. muitas vezes suficiente para os objetivos pretendidos. Por via oral o seu efeito começa de 15 a 30 minutos após a administração e a duração do sono é de 6 a 8 horas. O seu metabólito activo é o dimetilflunitrazepam. O seu mecanismo de acção é devido à facilitação e potenciação do efeito inibitório mediado pelo ácido gama-aminobutírico (GABA).Usar como primeira escolha um benzodiazepínico ansiolítico. 2 . SUPERDOSAGEM 3º CLE – OUT. As suas qualidades como indutor da anestesia são aproveitadas quando administrado por via intravenosa. Algumas regras para a indicação dos hipnóticos: 1 . Indução da anestesia. Possui uma biodisponibilidade oral de 85% e a sua semi-vida é de 15 ± 5 horas. nas noites em que realmente ocorrer insónia. 3 – Avisar o paciente que o uso do benzodiazepínico hipnótico ou ansiolítico deve ser feito apenas "se necessário". FLUNITRAZEPAM FLUZERIM ROHYPNOL PROPRIEDADES É uma benzodiazepina fluorada que desenvolve uma acção hipnótica rápida e efectiva. 2001 41 . INDICAÇÕES Hipnótico.

confusão mental. 2001 42 . Durante o tratamento o paciente deve abster-se de operar maquinaria pesada ou conduzir veículos. A lactação deve ser suspensa. Reacções paradoxais (raras): excitação aguda. antidepressivos. A cimetidina pode inibir o metabolismo hepático e provocar um atraso na sua eliminação. 3º CLE – OUT. Potencializa o efeito de hipno-indutores. Não consumir álcool. As benzodiazepinas podem diminuir os efeitos terapêuticos da levodopa. Por via parenteral produz uma leve diminuição da pressão arterial. alteração do sono. glaucoma. Miastenia gravis. anestésicos e analgésicos. gravidez. Por não existirem provas conclusivas. fenotiazinas e outros psicotrópicos. O flunitrazepam pode intensificar a depressão respiratória. tratamento sintomático e reidratação. alucinações. depressão respiratória e da actividade reflexa. hipotonia muscular e embotamento (hangover) que podem aparecer com doses acima de 4mg. REACÇÕES ADVERSAS Fadiga.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Não há antídoto específico. insuficiência respiratória grave. Os pacientes idosos podem responder de maneira exacerbada ou paradoxal ao flunitrazepam. neurolépticos. Álcool: sinergismo. tranquilizantes. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade às benzodiazepinas. Administrar com precaução a pacientes com insuficiência hepática ou renal e glaucoma. recomenda-se não utilizar em mulheres grávidas a menos que o benefício para a mãe supere o risco potencial para o feto. Tratamento: assistência respiratória. amnésia anterógrada após a injecção. INTERACÇÕES Com IMAO. ansiedade. Aparecem sonolência. PRECAUÇÕES Ingerir o medicamento imediatamente antes de se deitar. Amnésia temporária. e a rifampicina potenciar a eliminação do flunitrazepam. coma.

O flurazepam é rápida e quase totalmente absorvido ao nível do trato gastrintestinal sendo rapidamente metabolizado. PROPRIEDADES Pertence quimicamente ao grupo dos benzodiazepínicos. O outro metabólito activo. mantendo-o sem interrupções por períodos de 7 a 8 horas. Flurazepam inibe. Dificuldade para conciliar o sono. A sua semi-vida de eliminação é de aproximadamente uma hora e o seu volume de distribuição de 1. Insónia de diferentes tipos e intensidade. só é encontrado durante poucas horas após a administração. 2001 43 . o Flurazepam prolonga a duração do sono. mesmo nos casos de administração contínua do Flurazepam. em compensação. em animais. Estudos em laboratório do sono com duração de um mês não demonstraram. A sua semi-vida é de 2. Após administração da dose oral de 30 mg de flurazepam só se encontra no soro traços de substância inalterada. No homem.3 horas e sua metabolização hepática origina metabólitos activos como o desalquilflurazepam (semivida entre 30 e 200 horas) e o N-1-hidroxietilflurazepam (semi-vida de 2 a 4 horas).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML FLURAZEPAM DALMADORM Tratamento da insónia a curto prazo. a resposta tensional devido a estimulação eléctrica do hipotálamo e eleva o limiar da excitação. Após interrupção do tratamento não se tem observado efeito rebote da fase de sono REM. N desalquilflurazepam apresenta semi-vida de eliminação de 40-100 horas sendo o seu volume de distribuição de 0.41 litros/kg. diminui o tempo de adormecimento assim como a frequência de despertares noturnos. O seu efeito evidenciase por redução significativa do tempo de latência para conciliar o sono. uma diminuição do estágio IV do sono. INDICAÇÕES Dose oral de 30 mg de flurazepam quase não diminui a fase do sono REM. O metabólito activo hidroxietilflurazepam. diminuição da sua eficácia. Os seus metabólitos são eliminados principalmente pela urina. 3º CLE – OUT. Tem se observado.4 litros/kg. despertares noturnos frequentes e/ou matutinos muito cedo. O seu equilíbrio cinético plasmático é alcançado em 7-10 dias. A eliminação renal é lenta.

PRECAUÇÕES Evitar funções onde a falta de atenção aumenta o risco de acidentes (operar máquinas pesadas. SUPERDOSE Sonolência. 3º CLE – OUT. Em casos de administração diária contínua durante 7 a 10 dias obtém se uma curva em "plateau" (steady state) cujo nível é aproximadamente cinco vezes mais elevado do que o da concentração obtida 24 horas após uma administração isolada. O flurazepam atravessa a placenta e atua sobre o SNC do feto. câimbras. sensação de enjoo. boca seca. Não utilizar durante a gravidez (risco de teratogenia) e o aleitamento. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade ao flurazepam ou a outros benzodiazepínicos. depressão mental. Ocorrência da síndrome de abstinência por suspensão abrupta do fármaco. INTERACÇÕES Fármacos que causam sinergismo. náuseas e vómitos. irritabilidade. diarréia. REACÇÕES ADVERSAS Pode provocar sonolência diurna. obstipação.). Pacientes com glaucoma de ângulo fechado. dor de cabeça. dirigir automóveis etc. Recomenda-se imediata lavagem gástrica e tratamento sintomático. O seu uso prolongado pode levar a dependência física e psíquica. visão turva. 2001 44 . em especial os depressores do SNC que levam a dependência (aumentam o risco de dependência). Raramente observam-se confusão. confusão e enjoos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Quanto maior a idade do indivíduo maior será o tempo de eliminação da substância. Não consumir álcool nem outros depressores do SNC durante o tratamento.

ansiolítica e miorrelaxante. anticonvulsivante. breve permanência no organismo. Midazolam é rápida e completamente metabolizado. o perfil farmacocinético e o metabolismo permanecem constantes. Em alguns casos. O principal metabólito farmacologicamente activo é o alfa hidroxi Midazolam. ansiolítico. Midazolam também possui propriedades anticonvulsivante. Mesmo após administração prolongada. Após a ingestão de Midazolam. Os despertares noturnos são reduzidos e a qualidade do sono é melhorada. Em geral. com tempos de semi-vida de 10 minutos (fase de distribuição) e de 1½ e 2½ horas (fase de eliminação). teratogênicos ou mutagênicos. sem interferir quantitativamente no sono REM. miorrelaxante. 2001 45 . eficácia constante e facilidade posológica. Os metabólitos formados sofrem rápida conjugação com o ácido glicurônico e são eliminados como glicuronídeos. Após a dose recomendada e a duração adequada de sono. por via renal. Ensaios clínicos controlados e testes em laboratório do sono mostraram que Midazolam diminui o tempo necessário para adormecer e prolonga a duração do sono. 30-50% do princípio activo já são metabolizados no decorrer da primeira passagem através do fígado. mesmo em doses maiores do que 100 vezes às recomendadas para o tratamento. a absorção de seu princípio activo (Midazolam) é extremamente rápida e completa. não foi observado prejuízo no desempenho ou na capacidade de reacção. Não existem relatos de efeitos embriotóxicos. cuja semi-vida de eliminação é mais curta do que a do Midazolam. Midazolam foi administrado por um período de até 150 dias. o tempo que decorre entre a ingestão de Midazolam e o adormecimento é menor do que 20 minutos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML MIDAZOLAM DORMIRE DORMONID Hipnótico. 3º CLE – OUT. caracterizado pelo rápido início de acção. A concentração plasmática decresce em duas fases. Cerca de 95% de Midazolam ligam-se às proteínas plasmáticas. sem que tenham sido observados sinais de tolerância ou. As investigações toxicológicas demonstraram a ampla margem de segurança terapêutica. Midazolam é um agente indutor do sono. não ocorre acúmulo do princípio activo.

de acção relativamente curta. A sua união é mediada pelo neurotransmissor inibitório ácido gama-aminobutírico (GABA). alucinações. 2001 46 . PRECAUÇÕES 3º CLE – OUT. coadjuvante da anestesia geral. Os seus efeitos dependem da dose administrada. A biodisponibilidade absoluta média após a administração IM é maior que 90%. Requerem atenção médica: tremor muscular. a ocupação de ambos os receptores produz hiperpolarização da membrana e inibição neuronial. com aumento de sua actividade. O efeito hipnótico do Midazolam parece estar relacionado com o acúmulo do GABA e a ocupação do receptor das benzodiazepinas. gastroscopia. Adicionalmente. REACÇÕES ADVERSAS As reacções mais frequentes incluem uma diminuição do volume corrente ou da frequência respiratória e apnéia. cateterismo cardíaco). vómitos. acoplados a um canal ionóforo comum. metabólitos que podem ter certa actividade farmacológica. incluindo o LCR e o cérebro. razão pela qual produz acúmulo deste. hipotensão. irritabilidade. as quais podem persistir durante períodos variáveis. Podem ocorrer alterações psicomotoras após a sedação ou anestesia com Midazolam. Excreta-se por via renal. sonolência prolongada. movimentos descontrolados do corpo. da via de administração e da união simultânea com outros fármacos. Metaboliza-se com rapidez a 1-hidroximetil Midazolam e 4i-hidroxiMidazolam. podem produzir-se variações da pressão arterial e bradicardia. INDICAÇÕES Sedação pré-cirúrgica ou prévia a procedimentos diagnósticos curtos (broncoscopia. depressora do SNC. citoscopia. Distribui-se no organismo.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML PROPRIEDADES Derivado de 1. Acredita-se que há receptores diferentes para as benzodiazepinas e para o GABA. O Midazolam interfere na recaptação do GABA. O Midazolam tem uma afinidade relativamente alta (duas vezes a do diazepam) pelo receptor de benzodiazepinas.A curta duração de acção deve-se a seu rápido metabolismo e velocidade de eliminação. excitação. confusão. A sua união a proteínas é muito elevada (97%).4 benzodiazepina.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Não é recomendado para induzir anestesia prévia a uma cesariana. a dose IV deve ser reduzida de 25% a 30%. O uso simultâneo de medicamentos que produzem depressão do SNC pode aumentar a depressão respiratória e os efeitos hipotensores destes e do Midazolam . Ter precaução ao conduzir ou realizar tarefas que requeiram coordenação e atenção. CONTRA-INDICAÇÕES A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de intoxicação etílica aguda. insuficiência renal crónica. coma. A sua farmacocinética está submetida a grandes variações interindividuais e responde a uma cinética linear. ESTAZOLAM PROPRIEDADES É uma triazolobenzodiazepina útil como hipnótico por via oral. Os efeitos hipotensores dos fármacos que provocam hipotensão são potencializados. INTERACÇÕES Os anestésicos de acção local por via parenteral podem originar efeitos depressores aditivos. podem diminuir o metabolismo e a eliminação do Midazolam no fígado. O clearance é acelerado em fumantes. Evitar a ingestão de álcool e o uso de outros depressores do SNC no prazo de 24h após receber o Midazolam .0 horas) e a faixa de semi-vida de eliminação estimada para o estazolam vai de 10 a 24 horas. Em pacientes geriátricos não pré-medicados. O pico plasmático aparece em indivíduos sadios em aproximadamente duas horas (faixa de 0. disfunção hepática. miastenia grave e na gravidez.5 a 6. INDICAÇÕES 3º CLE – OUT. porque pode produzir efeitos colaterais depressores sobre o SNC do neonato. Os inibidores da MAO. 93% do fármaco liga-se a proteínas plasmáticas. choque. glaucoma de ângulo fechado e agudo. 2001 47 . dissulfiram e isoniazida. insuficiência cardíaca congestiva.

fenotiazinas. astenia. dirigir ou realizar outras actividades perigosas que requeiram alerta mental total. anti-histamínicos. álcool. O estazolam. tremores e convulsões. psicotrópicos e qualquer outro que provoque depressão do sistema nervoso central. SUPERDOSAGEM Pode provocar sonolência. REACÇÕES ADVERSAS Sonolência. boca seca. Podem ocorrer amnésia e reacções paradoxais (agitação. sudorese. insónia e. provoca dependência. falhas na coordenação e coma. Para seu tratamento induzir o vómito e lavagem gástrica imediata. Miastenia grave. tonturas e instabilidade. barbitúricos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Insónia de diferentes etiologias e intensidade. confusão. 2001 48 . vertigem. vómitos. O estazolam pode provocar dependência. Evitar administrar a mulheres jovens que possam ficar grávidas ou que amamentam. desorientação matinal. hipocinesia. uma síndrome que pode incluir cãimbras abdominais e musculares. Os sinais vitais devem ser monitorizados e devem-se administrar líquidos para manter a pressão sanguínea e estimular a diurese. CONTRA-INDICAÇÕES Gravidez: pode ocorrer dano fetal e malformação com a administração de fármacos tipo benzodiazepina. Hipersensibilidade ao fármaco. insuficiência respiratória severa. como o estazolam. 3º CLE – OUT. INTERACÇÕES A acção dos fármacos tipo benzodiazepinas. A manutenção da ventilação é essencial. por isso com a retirada abrupta do fármaco podem ocorrer sintomas característicos como disforia moderada. excitação). narcóticos. PRECAUÇÕES Não operar máquinas pesadas. pode ser potenciada por anticonvulsivantes. administrado nas últimas semanas de gravidez. em casos mais graves. cefaléia. inibidores da monoamino oxidase. depressão respiratória.

além de mantê-lo dentro dos padrões normais durante a noite (melhora a qualidade de sono). 2001 49 . a partir do compartimento vascular. pois. tendo sido demonstrado sua actividade como hipnótico. aproximadamente. não havendo. As concentrações máximas são obtidas em torno de 1 hora e meia a 2 horas. Cerca de 80% do produto é eliminado por via urinária. PROPRIEDADES O zopiclone pertence a um novo grupo químico. 7. mas que. alguns efeitos desagradáveis. sensação de boca amarga e/ou secura do boca. A absorção de zopiclone é rápida. amnésia anterógrada. O zopiclone possui uma semi-vida de eliminação curta. sendo rapidamente excretado. em animais) e o N-desmetil (farmacologicamente inactivo em animais). se assemelha às benzodiazepinas. 60 e 115 ng/ml. farmacologicamente. A distribuição do produto é muito rápida. 3º CLE – OUT. hipotonia muscular. Entre os metabólitos. REACÇÕES ADVERSAS Foram observados. 30. É um hipnótico que rapidamente induz o sono. o das ciclopirrolonas. Não há acúmulo após administrações repetidas. os 2 principais são os derivados N-óxido (farmacologicamente activo.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML ZOPICLONE IMOVANE O zopiclone está indicado em todos os tipos de insónia. crianças menores de 15 anos.75 mg. A ligação de zopiclone às proteínas plasmáticas é fraca (cerca de 45%) e não saturável. tais como: sonolência matinal residual. atingindo níveis de. de acordo com a dose e a sensibilidade individual do paciente. após a administração de 3. A semi-vida de eliminação está em torno de 5 horas. acúmulo do produto e dos seus metabólitos. sob a forma de metabólitos livres (derivados N-óxido e N-desmetil) e pelas fezes em aproximadamente em 16%. Há pouco risco de interacção medicamentosa devido às ligações protéicas. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade conhecida aos zopiclone.5 mg e 15 mg respectivamente. insuficiência respiratória severa.

tremores. PRECAUÇÕES 3º CLE – OUT. devido à possível acentuação da fatigabilidade muscular. outros medicamentos depressores do SNC (em particular. Em pacientes com miastenia. pode acarretar a possibilidade de incidentes menores. a administração de Zopiclone deve ser feita sob cuidadosa vigilância médica. Os pacientes que conduzem veículos ou utilizam-se de máquinas potencialmente perigosas devem tomar cuidados especiais devido ao risco de sonolência residual no dia seguinte à ingestão do medicamento. náuseas e vómitos e. agressividade. A mesma atenção deve ser dada a pacientes portadores de insuficiência hepática severa e/ou insuficiência renal. síndrome de confusão onírico (própria dos sonhos). pode-se observar reacções paradoxais como irritabilidade. os neurolépticos). como irritabilidade. ansiedade. também está desaconselhado no período de lactação. na vigência do tratamento com Zopiclone. de incidentes maiores (geralmente precedidos de sintomas menores) como convulsões e estado de mal mioclônico com síndrome confusional. em alguns pacientes. sub-excitação. ZOLPIDEM STILNOX O Zolpidem está indicado nos casos de insónia (ocasional. é recomendável adaptar-se a posologia. pois o zopiclone é excretado no leite materno. PRECAUÇÕES Apesar de não terem sido encontradas reacções embriotóxicas ou teratogênicas nos estudos realizados com animais. 2001 50 . está formalmente desaconselhada. cefaléia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML sensação de embriaguez. insónia e pesadelos. excepcionalmente. Em caso de insuficiência respiratória moderada. A retirada abrupta do medicamento após tratamento prolongado. A ingestão de bebidas alcoólicas ou outras drogas depressoras do SNC. mialgias. Zopiclone não deve ser administrado a mulheres grávidas. astenia. transitória). INTERACÇÕES O Zopiclone apresenta sinergismo com: os depressores neuromusculares (miorelaxantes).

o uso do zolpidem não deve ser efectuado durante a gravidez. Os factores listados a seguir podem favorecer o aparecimento de dependência: duração do tratamento. Embora estudos clínicos efectuados com doses terapêuticas não tenham evidenciado quaisquer alterações nos processos cognitivos. Em pacientes com miastenia. hipnóticos). a possibilidade de amnésia anterograda dose-relacionada não pode ser excluída. Estudos de farmacologia humana e animal não demonstraram quaisquer efeitos sobre os centros respiratórios. associação com outros fármacos (psicotrópicos. antecedentes de outras dependências.: durante uma viagem). qualquer que seja a indicação (ansiolítica ou hipnótica). Gravidez: embora estudos em modelos animais não tenham evidenciado efeitos teratogênicos ou embriotóxicos. ansiolíticos. Qualquer persistência de distúrbios do sono após um período de 6 semanas deve ser objeto de investigações adicionais. podendo mascarar os seus sintomas (um estado depressivo pode justificar uma terapia antidepressiva). Em presença de insuficiência hepática. 2 a 3 semanas em caso de insónia. Lactação: embora o zolpidem passe para o leite materno somente em pequena quantidade. usado isoladamente. o uso do zolpidem em pacientes com insuficiência respiratória severa deve ser realizado com cautela. Os estudos disponíveis até o momento não indicam a existência de insónia de rebote sob condições normais de uso. medicamentosas ou não. Pacientes que dirigem ou operam máquinas devem ser alertados sobre a possibilidade de risco de sonolência com o uso do produto. O consumo de bebidas alcoólicas é rigorosamente desaconselhado durante o tratamento com zolpidem. o emprego do zolpidem só deve ser efectuado sob rigorosa vigilância médica. o fármaco não se constitui em tratamento para a depressão ou ansiedade. pode ser necessária uma redução na dosagem. associação com álcool. 2001 51 . o uso do produto não deve ser realizado durante a lactação. como uma medida de precaução necessária para qualquer novo fármaco. A associação com benzodiazepinas é desnecessária e arriscada. aumentando a possibilidade de dependência farmacológica. 3º CLE – OUT. todavia. em particular quando o sono é interrompido (despertar precoce devido a um factor externo) ou quando o acto de recolher-se é retardado após a toma do produto.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A duração do tratamento deve ser definida em função da indicação e informada ao paciente: 2 a 5 dias em caso de insónia ocasional (ex. O zolpidem actua principalmente sobre os distúrbios do sono. em função de um possível aumento na fadiga muscular. dose administrada.

a eletroconvulsoterapia. São substâncias químicas sintéticas. Antipsicóticos Típicos (Incisivos) FLUFENAZINA: Ana tensol. particularmente na condução de veículos ou operações de máquinas. aproximadamente. Flufenan HALOPERIDOL: Haldol PENFLURIDOL: Semap PIMOZIDA: Orap PIPOTIAZINA: Piportil ZUCLOPENTIXOL: Clopixol Os antipsicóticos ou neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras. barbituratos. Paralelamente eles atenuam também os distúrbios neuropsíquicos ditos psicóticos. clonidina e substâncias relacionadas. benzodiazepinas. capazes de actuar selectivamente em células nervosas que regulam os processos no homem e a conduta em animais. sedativos H1. apresentavam algum tipo de melhora. tais como os delírios e as alucinações.3. Mas foi somente nas décadas de 50 e 60 que chegam os primeiros 3º CLE – OUT. O álcool promove uma intensificação no efeito sedativo com reflexo sobre a vigilância. Associações a serem monitorizadas cuidadosamente: com outros depressores do sistema nervoso central: derivados morfínicos (analgésicos e antitussígenos). Entre 1910 e 1920 praticamente não havia terapêutica para a esquizofrenia e que somente 20% dos pacientes. 7. neurolépticos. 2001 52 . Através desse tratamento foi possível alcançar pouco mais de 30% de resposta terapêutica.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES Deve ser evitada a ingestão concomitante de bebidas alcoólicas ou de medicamentos contendo álcool. O aumento na depressão central pode ter consequências importantes. como é o caso da excitação e da agitação. aumentando o risco na condução de veículos ou na operação de máquinas. anti-histamínicos. alguns antidepressivos. Em 1930 surge o primeiro tratamento biológico para essa psicose.

ora cumprindo um objectivo. a desorganização do pensamento. 3º CLE – OUT. A risperidona foi lançada em 1994. A clozapina (Leponex®). hoje conhecidos como "convencionais". Ao contrário dos sedativos. Penfluridol. Os neurolépticos atípicos não podem ser classificados de sedativos ou incisivos tendo em vista a diversidade de acção. 2001 53 . aparece no mercado somente em 1988. como os delírios. que trouxeram uma nova perspectiva para o tratamento da doença. São os antipsicóticos recentemente introduzidos no mercado que não se classificam nem como Fenotiazínicos. Os antipsicóticos. devido ao problema da agranulocitose. enquanto os sedativos têm melhor aplicação nos casos de agitação psicomotora. para alívio dos milhões de esquizofrênicos. outros antipsicóticos de segunda geração entram no mercado. Logo. etc. ora cumprindo um objetivo. Dos neurolépticos incisivos fazem parte o Haloperidol. ex. ou de 2ª geração. tais como tremores. a quetiapina em 1997 e a ziprasidona no ano 2000. aumentando significativamente as chances de pacientes com esquizofrenia se ressocializarem e deixarem os manicômios. A clorpromazina foi descoberta em 1957 e o haloperidol em 1959. são eficazes principalmente no controle de sintomas chamados positivos. chamados então de primeira geração. ora outro. como Butirofenonas e nem como Ortopramidas. considerado o primeiro antipsicótico de segunda geração (ou atípico) foi descoberta em 1970 mas. não podem ser classificados de sedativos ou incisivos tendo em vista a diversidade de acção. os incisivos têm baixa capacidade de sedação mas uma melhor actuação naquilo que se chama sintomas produtivos das psicoses (delírios e alucinações). rigidez muscular. p. Fenotiazina. ao contrário dos neurolépticos incisivos (como o Haloperidol. a olanzapina em 1996. as alucinações. Os neurolépticos sedativos são os anti-psicóticos cujo principal efeito é a sedação. Com esses medicamentos foi possível alcançar mais de 60% de melhora. Os neurolépticos atípicos. Em 1990 surgem os antipsicóticos de segunda geração. Eles também produzem efeitos colaterais denominados extrapiramidais. ora outro.) cujo efeito principal e a remoção de delírios e alucinações. Flufenazina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML antipsicóticos. denominados clássicos ou convencionais.

além da forma de comprimidos são apresentados como injeção de longa duração (depot) para ser aplicada com intervalo de semanas. olanzapina) vem sendo desenvolvida. Alguns. tendo facilitado sua absorção e sua penetração no Sistema Nervoso Central. MECANISMO DE ACÇÃO 3º CLE – OUT. como a Clorpromazina. especialmente a serotonina. clozapina. A grande maioria dos antipsicóticos possui meia vida longa. como a pobreza de pensamento.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A partir dos anos 90 uma nova geração de antipsicóticos (p. 2001 54 . alem de bloquear a dopamina. Esses novos antipsicóticos agem não apenas nos sintomas positivos. Assim. administrados semanalmente ou até mensalmente. alguns deles. ex. o embotamento afetivo e a falta de motivação. entre 20 e 40 horas. portanto. O seu uso contínuo resulta num acúmulo progressivo. até que o nível plasmático se estabilize. mas também nos sintomas chamados negativos. os chamados Neurolépticos de Ação Prolongada (NAP). Esta metabolização é mais intensa para algumas drogas deste grupo. Os novos antipsicóticos. bloqueiam também outros neurotransmissores cerebrais. mantendo-se o nível plasmático em torno de um mesmo valor. têm meia vida mais curta mas. Os neurolépticos ou antipsicóticos são drogas lipossolúveis e. Outra conseqüência desta meia vida longa é o fato de demorar aproximadamente cinco dias para se instalar o estado estável da droga no organismo. Eles produzem menos efeitos colaterais extrapiramidais do que os antipsicóticos clássicos. metabolização hepática. Existem numerosos antipsicóticos disponíveis no mercado. Existem também. Neste momento ocorre o equilíbrio dinâmico ou estabilidade. como por exemplo a Clorpromazina e a Flufenazina e menos intensa para outras. com isso. para a obtenção do melhor efeito terapêutico com uma determinada dose do neuroléptico deve-se aguardar este estado estável. chamado de Equilíbrio Plasmático. pelo facto de os seus metabólitos também serem activos. como é o caso do Haloperidol e o Pimozide.. Logo após a absorção pela parede intestinal os antipsicóticos têm sua primeira passagem pelo fígado. Os antipsicóticos demoram até algumas semanas para fazer efeito e melhorar o paciente. Trata-se de uma situação onde a quantidade absorvida seja igual à excretada. risperidona. como apresentações farmacológicas.

As vias mesolímbicas e mesocorticais confundem-se anatomicamente e ambas se originam no segmento ventral do mesencéfalo. As primeiras suspeitas de que este era o sítio da actuação terapêutica surgiram pela observação da semelhança sintomatológica entre determinadas patologias dos lobos frontais e temporais com a esquizofrenia. Estes antipsicóticos tradicionais. O bloqueio dos outros receptores. mesolímbicas e mesocorticais. tais como a Clorpromazina e o Haloperidol são eficazes em mais de 80% dos pacientes com esquizofrenia. serotoninérgicos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Apesar dos neurolépticos tradicionais bloquearem receptores adrenérgicos. na parte anterior do giro do cíngulo e no córtex temporal medial. com o bloqueio da dopamina nos receptores pós-sinápticos do tipo D2. tubérculo olfatório e o septo lateral. Actualmente as hipóteses mais aceites como sendo etiologicamente relacionadas para a esquizofrenia falam de uma combinação de hiperfunção dopamínica e hipofunção dos glutamatos no sistema neuronal. além dos dopaminérgicos. A via mesocortical tem as suas terminações sinápticas localizadas no córtex frontal. principalmente. A via mesolímbica inerva diversos núcleos subcorticais do Sistema Límbico: amígdala. todos eles têm em comum a acção farmacológica de bloquearem os receptores dopaminérgicos. além da notável importância do sistema límbico nas emoções e na memória. colinérgicos e histaminérgicos. Os receptores dopaminérgicos mais conhecidos pela neurofisiologia são o D1 e o D2 (pós-sinápticos). estaria relacionado aos efeitos colaterais. 2001 55 . núcleo acumbens. como este sistema está envolvido na regulação da actividade motora. A actividade terapêutica dos antipsicóticos parece estar relacionada. actuando predominantemente nos sintomas chamados produtivos ou positivos (alucinações e delírios) e. juntamente com um envolvimento pouco esclarecidos dos receptores 5HT2 e um balanço entre esses receptores com os receptores D2. além dos receptores localizados no corpo do neurónio dopamínico e no terminal pré-sináptico. Duas vias. a interferência dos 3º CLE – OUT. embotamento e desinteresse). É em relação a estes últimos que os estudos têm demonstrado os efeitos clínicos dos neurolépticos. Na via nigro-estriatal está concentrada a maior parte da dopamina cerebral e. são as envolvidas nos efeitos terapêuticos dos antipsicóticos. em grau muito menos nos chamados sintomas negativos (apatia.

hipertonia e rigidez muscular. hipercinesia e fácies inexpressiva. consequentemente. normalmente acontecem devido à capacidade desses medicamentos bloquearem também os receptores alfa-adrenérgicos. por aumentar a libertação secundária de prolactina. O tratamento com anticolinérgicos (antiparkinsonianos) é eficaz 3º CLE – OUT. efeitos colaterais comuns aos neurolépticos tradicionais. boca. A hipotensão.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML antipsicóticos no seu funcionamento é a responsável pelos adversos efeitos extrapiramidais (parkinsonismo). É o resultado da interferência medicamentosa na via nigro-estriatal. EFEITOS COLATERAIS Dos efeitos colaterais provocados pelos neurolépticos o mais estudado é a Impregnação Neuroléptica ou Síndrome Extrapiramidal. o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da actividade colinérgica e.PARKINSONISMO MEDICAMENTOSO Geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos. A dopamina libertada próxima aos capilares da circulação porto-hipofisária chega à hipófise anterior e acaba. Estes efeitos colaterais. Deve-se fazer diagnóstico diferencial com a crise convulsiva parcial. com origem no Sistema Nervoso Central. língua e às vezes um tipo de opistótono com crises oculógiras.REAÇÃO DISTÔNICA AGUDA Ocorre com freqüência nas primeiras 48 horas de uso de antipsicóticos. tétano e histeria. A via túbero-infundibular é constituída de neurónios com o corpo celular no hipotálamo e cujos axônios terminam na eminência média da hipófise. podem ser divididos em cinco tipos: 1 . Clinicamente observa-se movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço. 2001 56 . O tratamento com anticolinérgicos injetáveis (Prometazina ou Biperideno) é eficaz em poucos minutos para este quadro agudo. sedação e tontura. onde parece haver um balanço entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas. Clinicamente há um tremor de extremidades. uma libertação de sintomas extra-piramidais. A via nigro-estriatal vai da substância negra do mesencéfalo até o corpo estriado (núcleos caudato e putâmem). Desta forma. entre outros efeitos. 2 . Mais um efeito colateral indesejável.

O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante. será quase certa a ocorrência desses efeitos colaterais. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora. principalmente. 3 . os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos.ACATISIA Ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos. Com freqüência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. 2001 57 . nenhum paciente aceitará como benvindo um medicamento capaz de fazê-lo sentir-se mal. Clinicamente é caracterizada por movimentos involuntários. 3º CLE – OUT. não para de mexer as pernas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Para prevenir o aparecimento desses desagradáveis efeitos colaterais utiliza-se a Prometazina ou Biperideno por via oral. como se houvesse uma espécie de tolerância ao seu uso. sabendo antecipadamente da cronicidade desse tratamento e. Ora. principalmente da musculatura oro-língua-facial. Estabelecendo-se um plano de tratamento para a esquizofrenia. A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia.DISCINESIA TARDIA Como o próprio nome diz. a discinesia tardia aparece após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos). será sempre desejável que tenha um bom relacionamento com eles. se as doses a serem empregadas tiverem que ser um pouco mais incisivas. O tronco. 4 . quando compelido a permanecer sentado. Já que o paciente deverá utilizar esses neurolépticos por muito tempo. andar de um lado para outro e. Alguns autores preferem utilizar os antiparkinsonianos apenas depois de constatados os efeitos extra-piramidais. ocorrendo protrusão da língua com movimentos de varredura látero-lateral. Esse facto favorece uma possível redução progressiva na dose do anticolinérgico que comummente associamos ao antipsicótico no início do tratamento. pode haver o desaparecimento de tais problemas após 3 meses de utilização do neuroléptico. Muitas vezes. como é o caso dos efeitos extra-piramidais. acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula.

um aumento do intervalo PR. tal como uma espécie de hipersensibilidade à droga. 5 . Das alterações cardiovasculares a mais comum é a hipotensão (postural ou não) a qual. aumentando-se a dose anteriormente utilizada. como nas arterioscleroses. Estas alterações são benignas e não costumam ter significado clínico. obstipação.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido.ENDOCRINOLÓGICOS 3º CLE – OUT. retenção urinária. Na maioria das vezes a hipotensão desencadeada pela utilização de neurolépticos tradicionais proporciona apenas um certo incomodo ao paciente. em outras efeitos anticolinérgicos. 2 . 3 .CARDIOVASCULARES Alguns neurolépticos podem produzir alterações eletrocardiográficas. 2001 58 . Além dos efeitos adversos dos neurolépticos tradicionais sobre o Sistema Nervoso Central. embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou. É uma reacção adversa dependente mais do agente agredido que do agente agressor. decorre do bloqueio alfa-adrenérgico proporcionado por essas drogas. são observados reflexos da sua utilização ao nível sistêmico. dificuldade de acomodação visual e. É o caso da secura da boca e da pele. nos casos com comprometimento vascular prévio. Leva a óbito numa proporção de 20 a 30% dos casos. entretanto. São seis as principais ocorrências: 1 .EFEITOS AUTONÔMICOS Por serem drogas que desequilibram o sistema dopamina-acetilcolina. poderá precipitar um acidente vascular cerebral isquêmico. diminuição do segmento ST e achatamento de onda T. mais raramente. paradoxalmente.SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA Trata-se de uma forma raríssima de toxicidade provocada pelo antipsicótico. como por exemplo. isquemia miocárdica aguda ou traumatismos por quedas. em algumas situações podemos encontrar efeitos colinérgicos. Clinicamente observa-se um grave distúrbio extra-piramidal acompanhado por intensa hipertermia (de origem central) e distúrbios autonômicos.

duas síndromes oftálmicas podem ser descritas com a utilização dos antipsicóticos tradicionais. como delírios e alucinações. Antipsicóticos "típicos" ou clássicos são aquelas medicações que tendem a produzir sintomas extrapiramidais (EPS).DERMATOLÓGICOS Com uma incidência de 5 a 10% podemos encontrar o aparecimento de um rash cutâneo. Estes agentes têm sido as principais drogas na farmacoterapia da esquizofrenia por mais de um quarto de século. além de não responderem tão bem. determina uma retinopatia pigmentosa. Há também referências de alterações nas hormonas gonadotróficas e do crescimento.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A acção dos neurolépticos no sistema túbero-infundibular repercute na hipófise anterior produzindo distúrbios hormonais. 5 . Já nos sintomas negativos. foto-sensibilização e aumento da pigmentação nos pacientes em uso de Clorpromazina.GASTRINTESTINAIS Tendo em vista a acção nos mecanismos da acetilcolina. Os sintomas que respondem melhor aos antipsicóticos típicos são os chamados sintomas positivos. com o uso de altas doses de Tioridazina. A primeira. podem ser acentuados com seu uso. Todos esses efeitos são decorrentes das alterações na síntese de prolactina (hiperprolactinemia). A maioria dos autores divide o tratamento farmacológico da esquizofrenia em duas fases: aguda e manutenção ou profilática. Embora incomum. com a Clorpromazina em altas doses. A segunda. A obstipação e boca seca também podem ser observados durante o tratamento. como consequência dos efeitos anticolinérgicos. 6 . menos frequente. porém. ainda não há consenso conclusivo sobre isso. esse antipsicóticos tradicionais podem produzir amenorréia e. é consequência do depósito de pigmentos no cristalino.OFTALMOLÓGICOS Embora raras. os neurolépticos tradicionais podem ter boa acção anti-emética. 3º CLE – OUT. 4 . 2001 59 . galactorréia e ginecomastia.

podem ter uma recaída dos sintomas psicóticos. alterações formais do pensamento e do comportamento. se o paciente deixar de tomar a medicação pode sofrer uma recaída. e forte efeito extrapiramidal. pois a intervenção médica precoce pode impedir a recaída. frequentemente não é bem aceite pelo paciente. Manutenção Esquizofrenia é uma doença que dura a vida toda. alucinações. Algumas pessoas. somente controlam os sintomas da doença. Entretanto. insónia e depressão. o bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a libertação de prolactina da hipófise. Antes do aparecimento de sintomas como delírios ou alucinações. É metabolizada no fígado e excretada por via renal. Ou seja. Tem fraco efeito antiemético. mesmo tomando a medicação regularmente. é comum aparecerem sintomas menos específicos como irritabilidade. como a diabetes ou hipertensão. 2001 60 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Aguda Envolve a tentativa de aliviar os sinais e sintomas associados como delírios. As medicações antipsicóticas não curam a esquizofrenia. INDICAÇÕES 3º CLE – OUT. Também produz um bloqueio alfa-adrenérgico e deprime a libertação de hormonas hipotalâmicas e hipofisárias. Enquanto esta necessidade de tratamento por longo tempo é bem reconhecida pelo médico. Os familiares devem estar atentos a mudanças subtis que possam ocorrer. antimuscarínico e sedativo. A maioria das pessoas com esquizofrenia necessitará de cuidados médicos e medicação para o resto da sua vida. FLUFENAZINA ANATENSOL FLUFENAN Acredita-se que a flufenazina melhora os estados psicóticos por bloqueio dos receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro.

alucinações. As fenotiazinas podem baixar o limiar das crises convulsivas. hiporreflexia e hiperreflexia e efeitos extrapiramidais. água ou leite para diminuir a irritação gástrica. infecções do SNC. As anfetaminas diminuem seu efeito estimulante quando utilizadas simultaneamente com fenotiazinas. e com mais frequência nos idosos podem. desidratação. A relação riscobenefício deverá ser avaliada na indicação durante a gravidez e o período de lactação. 2001 61 . São de incidência menos frequente: visão turva ou qualquer alteração de visão.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Estados psicóticos. INTERACÇÕES Os antimuscarínicos antidiscinésicos ou anti-histamínicos podem intensificar os efeitos colaterais antimuscarínicos (confusão. Os neonatos podem apresentar icterícia prolongada. podendo ser. já que pode produzir sonolência no lactente e em mães que tenham recebido fenotiazinas. Possível fotossensibilidade. esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníacodepressiva. Os antidepressivos 3º CLE – OUT. vómitos. palidez. alterações do ciclo menstrual. desenvolvem-se com maior facilidade reacções neuromusculares. gastroenterite). micção dificultada. enjoos. ocorrer efeitos extrapiramidais distônicos e congestão nasal. devido à possível sonolência ou visão turva. erupção cutânea. pulso irregular. O uso de antiácidos ou antidiarréicos pode inibir a absorção de flufenazina. Cuidado ao dirigir. controlar os pacientes geriátricos e pediátricos devido à maior incidência de reacções hipotensoras e extrapiramidais. portanto. REACÇÕES ADVERSAS Nos primeiros dias de tratamento. sonolência. principalmente distonias. tremores dos dedos e mãos. PRECAUÇÕES Evitar o consumo de álcool ou outros depressores do SNC. No caso de terapêutica parental. náuseas. Dor neurogênica crônica. Pode ser ingerida com alimentos. sendo recomendado evitar a exposição ao sol ou o uso de lâmpadas solares. necessário ajustar a dose de anticonvulsivantes. pesadelos). Não tomar durante as 2 horas posteriores à administração de antiácidos ou medicamentos antidiarréicos. sensação de cansaço não habitual. secreção de leite não habitual. secura na boca. Em crianças com doenças agudas (sarampo.

glaucoma. realiza-se no fígado. O decanoato. libertando de forma lenta e estável haloperidol do veículo. distúrbios convulsivos e vómitos. dos quais 1% é fármaco inalterado. HALOPERIDOL HALDOL HALOPERIDOL Haloperidol é um derivado da butirofenona com efeitos similares aos das fenotiazinas derivados da piperazina. estados comatosos. angina pectoris.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML intensificam os efeitos antimuscarínicos. Os bloqueadores beta-adrenérgicos originam uma concentração plasmática elevada de cada medicação. doença cardiovascular grave. o seu metabolismo. Absorve-se por via oral em 70%. Também existe certo bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos do sistema autónomo. 2001 62 . O bloqueio dos receptores de dopamina provoca reacções motoras extrapiramidais. Produz um bloqueio seletivo sobre o SNC por bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos. diminui a libertação da hormona de crescimento e aumenta a libertação de prolactina pela hipófise. no sistema dopaminérgico mesolímbico. disfunção hepática. hipertrofia prostática benigna. O uso simultâneo de quinidina pode originar efeitos cardíacos aditivos. Os 15% da dose oral excretam-se nas fezes por eliminação biliar. que é a forma de acção prolongada. Aproximadamente 40% de 1 dose oral única excretam-se pela urina em 5 dias. une-se às proteínas em 90% ou mais. úlcera péptica. retenção urinária. O uso com antitireóideos pode aumentar o risco de agranulocitose. discrasias sanguíneas. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão grave do SNC. e um aumento do intercâmbio de dopaminas no nível cerebral para produzir a acção antipsicótica. a relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de alcoolismo. actua como pró-fármaco. INDICAÇÕES 3º CLE – OUT. Parkinson. Os efeitos antiparkinsonianos da levodopa podem ser inibidos pelo bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro.

INTERACÇÕES A acção do álcool é potenciada e pode ser produzida hipotensão grave. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos do haloperidol podem provocar um aumento na incidência de infecção microbiana. 2001 63 . aumento de sudorese. Pacientes agressivos e agitados. estados maníacos e psicose induzida por fármacos (psicose esteróidea). Sinais de superdosagem: dificuldade para respirar. tonturas. Pode aparecer secura na boca (efeito antimuscarínico) e possível fotossensibilidade da pele. O haloperidol intensifica os efeitos antimuscarínicos da atropina e compostos relacionados. rigidez ou movimentos descontrolados ou graves. alucinações. movimentos de torção do corpo. espasmos. REACÇÕES ADVERSAS As crianças são muito sensíveis aos efeitos extrapiramidais. tremor e agitação de dedos e mãos. atraso na cicatrização e gengivas sangrentas. rigidez de braços ou pernas. tremores musculares. cansaço ou debilidade não habituais. tonturas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crónicos que incluem esquizofrenia. é indicado o decanoato de haloperidol. erupção cutânea. Em esquizofrenia crónica. Não é recomendável a sua utilização em crianças menores de 3 anos. São de incidência mais rara: movimentos de mastigação. Os pacientes geriátricos são mais propensos à discinesia tardia e parkinsonismo. PRECAUÇÕES Evitar a ingestão de bebidas alcóolicas ou de outros depressores do SNC durante o tratamento. Ter precaução se provocar sonolência durante a realização de exercícios. disfagia. instabilidade. Pode aumentar ou diminuir a actividade anticoagulante de derivados cumarínicos ou da indandiona. Tratamento de problemas graves de comportamento. Síndrome de Gilles de La Tourette. Os pacientes geriátricos ou debilitados são mais propensos ao desenvolvimento de efeitos extrapiramidais adversos e de hipotensão ortostática. Aumenta as concentrações séricas de prolactina ao indicar-se 3º CLE – OUT. Diminui os efeitos estimulantes das anfetaminas e reduz os efeitos antipsicóticos do haloperidol. sonolência grave ou estado comatoso. Requerem atenção médica: disartria.

paranóicas e obsessivo-compulsivas. Além disso. são neurolépticosantipsicóticos de acção prolongada. libertando os principais metabólitos. como elas. Parkinson. no alívio da psicopatologia da demência senil. Diminui os efeitos hipotensores da guanetidina e os efeitos terapêuticos da levodopa. Mais de 50% da dose oral de pimozida absorve-se no intestino e depois são extensamente metabolizados no fígado. 2001 64 . cuja atividade é desconhecida. epilepsia. coréia de Huntington. Pode provocar efeitos mentais não desejados (desorientação) usando-se simultaneamente com metildopa.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML simultaneamente com bromocriptina. INDICAÇÕES Em pacientes com síndrome de Gilles de la Tourette que não respondem ao tratamento habitual. neuralgia pós-herpética e onicotilomania. Manutenção de psicóticos estabilizados. Essas estão relacionadas com as butirofenonas e. Sua principal via de eliminação é o rim. PIMOZIDA ORAP A pimozida é um complemento sintético que pertence às difenilbutilpiperidinas. grave ou tóxica. alergias. transtornos emergentes de pacientes no limite e personalidades esquizóides. A relação risco-benefício será avaliada em alcoolismo activo. outros são afectados. bloqueio H1 histaminérgico) que podem ser terapêuticos ou adversos. 3º CLE – OUT. A acção antipsicótica da pimozida deve-se ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 nos neurônios do SNC (sistema límbico e corpo estriado). Potencia a acção de depressores do SNC. disfunção hepática ou renal. glaucoma e retenção urinária. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão do SNC. Autismo infantil. Além dos receptores D2. A semi-vida de eliminação em pacientes esquizofrênicos é de 55 horas. o que gera diferentes efeitos adicionais (bloqueio muscarínico. bloqueio alfa1 adrenérgico. apesar de existir uma grande diferença interindividual. hipertireoidismo ou tireotoxicose.

talvez causadas por algum efeito da pimozida sobre o coração. Tratamento: lavagem gástrica. hipotensão. 2001 65 . também ocorreram mortes súbitas. tonturas. PRECAUÇÕES O tratamento com pimozida expõe o paciente a sérios riscos. 3º CLE – OUT. tremores. REACÇÕES ADVERSAS Reacções extrapiramidais. seja congênito ou medicamentoso. Pacientes com arritmias cardíacas. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão endógena. reacções extrapiramidais severas. erupções. estado comatoso com depressão respiratória. hipotensão postural. cataratas. vómitos. astenia. assistência respiratória. doença de Parkinson. visão turva. Síndrome de Parkinson. administração de líquidos por via parenteral e vasopressores (excepto adrenalina). Como outros neurolépticos. estados comatosos. rigidez muscular. síndrome neuroléptica maligna. mudanças no eletrocardiograma. INTERACÇÕES Fármacos que prolonguem o intervalo QT do eletrocardiograma (fenotiazinas. instabilidade autonômica e estado mental alterado. discinesia tardia. antidepressivos tricíclicos. potencialmente mortal. dor no peito. síndrome neuroléptica maligna. o paciente pode desenvolver um quadro de discinesia tardia potencialmente irreversível (risco maior nos idosos). Gravidez. Pacientes com prolongamento do intervalo QT do eletrocardiograma.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SUPERDOSAGEM Observam-se: anomalias eletrocardiográficas. náusea. antiarrítmicos). sudorese. que se manifesta com hiper-reflexia.

o bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a libertação de prolactina na hipófise. obstipação. coma. a pipotriazina actua bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. os efeitos do bloqueio alfa-adrenérgico podem produzir sedação. Terapêutica alternativa aos fármacos de primeira linha no tratamento a curto prazo (máximo de 12 semanas) da ansiedade psicótica. Como antipsicótico. congestão nasal. 3º CLE – OUT. Além disso. SUPERDOSAGEM Síndrome parkinsoniana severa. inibe a região disparadora quimiorreceptora medular e sua acção ansiolítica ocorre por redução indirecta dos estímulos sobre o sistema reticular do talo encefálico.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML PIPOTIAZINA PIPORTIL PIPORTIL L4 A pipotiazina é uma fenotiazina normalmente administrada como forma farmacêutica de libertação lenta (depot) por via intramuscular. movimentos de torção do corpo por efeitos parkinsonianos extrapiramidais distônicos. Delírios crónicos interpretativos e passionais. As fenotiazinas produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a libertação de hormonas hipotalâmicas e hipofisárias. Tratamento do controle de náuseas e vómitos severos em pacientes seleccionados. secura da boca. sonolência. tonturas. INDICAÇÕES Tratamento dos transtornos psicóticos agudos e crónicos: é eficaz na esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníaco-depressiva. Esquizofrenias. No entanto. embora também possa ser administrada por via oral. O seu metabolismo é hepático e a eliminação ocorre por via renal e biliar. 2001 66 . Como antiemético. Tratamento: suporte sintomático. Hipotensão. Tratamento coadjuvante do tétano e na porfiria aguda intermitente. REACÇÕES ADVERSAS Manifestam-se com frequência: visão turva ou outras alterações na visão. Tratamento de problemas severos de comportamento em crianças (hiperexcitabilidade).

O uso concomitante com 3º CLE – OUT. As medicações antipsicóticas elevam as concentrações de prolactina. INTERACÇÕES Os anti-histamínicos e antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos das fenotiazinas. especialmente confusão. erupção cutânea. Também são propensos a desenvolver efeitos secundários extrapiramidais. náuseas. Durante a lactação manifesta-se sonolência no lactente. com a bromocriptina podem aumentar as concentrações séricas de prolactina. hiporreflexia ou hiper-reflexia e efeitos extrapiramidais. doença periodontal e candidíase oral. são mais propensos à hipotensão ortostática e mostram uma sensibilidade aumentada aos efeitos antimuscarínicos e sedativos das fenotiazinas. Os efeitos antiparkinsonianos da levodopa podem ser diminuídos devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro. transtornos do ciclo menstrual. vómitos. galactorréia. 2001 67 . alucinações e pesadelos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Observam-se raramente discinesia tardia. PRECAUÇÕES Os pacientes que não toleram uma fenotiazina podem não tolerar as outras. Por seu efeito antimuscarínico pode diminuir e inibir o fluxo salivar e contribuir ao desenvolvimento de cáries. que persistem durante a administração crónica. As anfetaminas podem produzir redução dos efeitos antipsicóticos das fenotiazinas e por sua vez as fenotiazinas podem diminuir o efeito estimulante das anfetaminas. hipersensibilidade à luz solar. Podem inibir o metabolismo da fenitoína e causar toxicidade por fenitoína. Sugere-se administrar em pacientes idosos a metade da dose do adulto. atraso na cicatrização e hemorragia gengival. tais como discinesia tardia e parkinsonismo. micção difícil (por efeito antimuscarínico). As fenotiazinas podem diminuir o limiar para as crises convulsivas. sendo necessário ajustar as doses dos anticonvulsivantes. Os pacientes geriátricos necessitam de uma dose inicial mais baixa pois tendem a desenvolver concentrações plasmáticas mais elevadas. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das fenotiazinas podem aumentar a incidência de infecção microbiana. O uso concomitante com antitireóideos pode aumentar o risco de agranulocitose. Em recém-nascidos cujas mães receberam fenotiazinas no final da gravidez descreve-se icterícia prolongada.

transtornos convulsivos. Pacientes idosos podem ser particularmente sensíveis. especialmente aos efeitos extrapiramidais recomenda-se reduzir as doses iniciais pela metade. A relação risco-benefício deve ser avaliada nas seguintes situações: alcoolismo. ser usados com cautela em pacientes epilépticos. Acredita-se que os neurolépticos possam baixar o limiar convulsivo e devem. Não há nenhum tratamento eficaz conhecido. Penfluridol deve ser usado com cautela em pacientes com disfunção hepática. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão severa do SNC. estados comatosos. glaucoma. face. as doses dos anticonvulsivantes devem ser adaptadas nestes pacientes. Se necessário. síndrome de Reye. discrasias sangüíneas. Tal síndrome é principalmente caracterizada por movimentos involuntários rítmicos da língua. angina do peito. doença cardiovascular severa. A segurança de penfluridol em crianças menores de 12 anos não foi estabelecida. 2001 68 . Agentes antiparkinsonianos normalmente não aliviam os sintomas desta síndrome. Gravidez e lactação. Antecedentes de agranulocitose tóxica. vómitos. quando usado em pacientes agitados ou agressivos. PENFLURIDOL SEMAP Como penfluridol não é sedativo potente. disfunção hepática. úlcera péptica. doença de Parkinson.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML bloqueadores beta-adrenérgicos provoca a elevação da concentração plasmática de cada medicação. porfiria e glaucoma. Discinesia tardia. INTERACÇÕES 3º CLE – OUT. ele deve ser usado em combinação com psicotrópicos sedativos. boca ou mandibula. As manifestações podem ser permanentes em alguns pacientes. Como todo agente neuroléptico pode-se observar discinesia tardia em alguns pacientes submetidos a terapia prolongada ou após a interrupção do medicamento. Risco de retenção urinária em transtornos uretrais ou prostáticos. portanto. retenção urinária.

caracterizada por 3º CLE – OUT. raramente aparecem em doses inferiores a 10 mg de penfluridol por semana. tremor. o penfluridol pode intensificar a depressão do SNC produzida por outros depressores do SNC. Penfluridol inibe a acção de agonistas dopaminérgicos. Discinesia tardia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Como ocorre com todos os neurolépticos. conforme o tratamento e continuado. apesar do penfluridol não ter efeito depressor sobre a respiração. em raros casos foram relatados este tipo de síndrome ao penfluridol. tais como a L-dopa ou a bromocriptina. ele pode potenciar a depressão respiratória causada por morfinomiméticos. Quando drogas indutoras enzimáticas (tais como o fenobarbital. REAÇÕES ADVERSAS Os efeitos colaterais são raros e geralmente brandos. hipnóticos. 2001 69 . Efeitos hormonais: Incluem hiperprolactinemia. diminuem em 48 horas e tendem a desaparecer espontaneamente. sedativos ou analgésicos potentes. As manifestações clínicas mais comuns desses sintomas são: Parkinsonismo: Bradicinesia. que em alguns casos pode levar a galactorréia ou amenorréia. trismo. Acatisia: Incapacidade de ficar parado. incluindo álcool. Quando administrado concomitantemente com anti-hipertensivos. se possível com a redução da dose. a carbamazepina ou a fenitoína) forem administradas concomitantemente. Normalmente. a dose de penfluridol deve ser aumentada. Esta síndrome constitui uma resposta idiossincrásica desenvolvida rapidamente. micrografia. Da mesma forma. dificuldade para caminhar. Os efeitos mais freqüentemente relatados são: Inquietação e discinesia. rigidez muscular. que ocorrem devido ao bloqueio dopaminérgico. Efeitos neurológicos: Aparecem cerca de 4-6 horas após a administração da dose semanal e são mais pronunciados no dia seguinte. ausência de expressão facial. dentro de 3 a 6 semanas. Os sintomas parkinsonianos são diminuídos com administração de anticolinérgico ou. penfluridol pode intensificar a hipotensão ortostática. Distonia aguda ou discinesia: Torcicolo. Os sintomas extrapiramidais. Síndrome neuroléptica maligna: Como ocorre com outros neurolépticos. crises oculogiras. Não foram relatadas incompatibilidades com outros psicotrópicos.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

hipertermia, rigidez muscular, instabilidade autonómica, alteração de consciência, coma e aumento nos níveis de CPK. Sinais de instabilidade autonómica, tais como, taquicardia, pressão arterial lábil e sudorese podem preceder a hipertermia, agindo como sinais de advertência. O tratamento antipsicótico deve ser interrompido imediatamente e instituída terapia de suporte apropriada e cuidadosa monitorização do paciente. Outros efeitos: Efeitos colaterais autonómicos, tais como, distúrbios visuais e hipotensão, sintomas gastrintestinais, incluindo náusea e vómito, podem ocorrer principalmente no início do tratamento. Fadiga, hipersalivação ou sudorese excessiva podem ocorrer no dia seguinte a administração da dose semanal de penfluridol. Outras observações incluem: Tonturas, sonolência, cefaléias, reacções cutâneas e ganho de peso. Depressão tem sido ocasionalmente reportada. Foram relatados casos isolados de alteração na função hepática e taquicardia benigna após a administração de neurolépticos. Efeitos sobre a capacidade de dirigir ou operar máquinas: Pacientes que queiram dirigir ou operar máquinas devem ser alertados sobre a possibilidade de sonolência e prejuízos sobre o estado de alerta, especialmente durante o primeiro dia de tratamento. CONTRA-INDICAÇÕES Penfluridol não deve ser usado em distúrbios depressivos e síndrome de Parkinson. Penfluridol é contra indicado nas depressões do SNC e em estados comatosos. Não deve ser usado em pacientes com hipersensibilidade a qualquer um dos componentes da fórmula ou a qualquer derivado difenilbutilpiperidínico.

7.4. Antipsicóticos Sedativos
CLORPROMAZINA: Amplictil, Clorpromazina LEVOMEPROMAZINA: Levozine, Neozine SULPIRIDA: Dogmatil, Equilid TIORIDAZINA: Melleril TRIFLUOPERAZINA: Stelazine

3º CLE – OUT. 2001

70

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

CLORPROMAZINA
AMPLICTIL CLORPROMAZINA Como antipsicótico a clorpromazina atua bloqueando os receptores póssinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. As fenotiazinas também produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a libertação de hormonas hipotalâmicas e hipofisárias. Ainda assim, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a libertação de prolactina na hipófise. Como antiemético, inibe a zona disparadora químio-receptora medular, e sua ação ansiolítica pode ocorrer por redução indireta dos estímulos sobre o sistema reticular do talo encefálico. Além disso, os efeitos de bloqueio alfa-adrenérgico podem ocasionar sedação. Seu metabolismo é hepático e elimina-se por via renal e biliar. INDICAÇÕES Tratamento dos distúrbios psicóticos; é eficaz na esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníaco-depressiva. Tratamento do controle de náuseas e vômitos graves em pacientes selecionados. Terapêutica alternativa para fármacos de primeira linha no tratamento de curto prazo (não mais de 12 semanas) da ansiedade não psicótica. Tratamento de problemas graves de comportamento em crianças (hiperexcitabilidade). Tratamento coadjuvante de tétano e na porfiria aguda intermitente. REACÇÕES ADVERSAS São de aparição mais freqüente: visão turva ou qualquer alteração na visão, movimentos de torção do corpo por efeitos parkinsonianos extrapiramidais distônicos. Hipotensão, Obstipação, enjoos, sonolência, secura na boca, congestão nasal. Raramente se observa discinesia tardia, micção difícil (por efeito antimuscarínico), erupção cutânea, distúrbios do ciclo menstrual, hipersensibilidade à luz solar, galactorréia, náuseas, vômitos. PRECAUÇÕES

3º CLE – OUT. 2001

71

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

Os pacientes que não toleram uma fenotiazina podem não tolerar outras. As medicações antipsicóticas elevam as concentrações de prolactina, que persistem durante a administração crónica. Em recém-nascidos cujas mães receberam fenotiazinas no final da gravidez foram descritas icterícia prolongada, hiporreflexia ou hiperreflexia e efeitos extrapiramidais. Durante a lactação observa-se sonolência no lactente. Os pacientes geriátricos necessitam de uma dose inicial mais baixa, pois tendem a desenvolver concentrações plasmáticas mais elevadas, são mais propensos à hipotensão ortostática e monstram uma sensibilidade aumentada aos efeitos antimuscarínicos e sedativos das fenotiazinas. Também são mais propensos a desenvolver efeitos colaterais extrapiramidais, tais como discinesia tardia e parkinsonismo. Sugere-se administrar aos pacientes idosos a metade da dose usual do adulto. O seu efeito antimuscarínico, pode diminuir ou inibir o fluxo salivar e contribuir para o desenvolvimento de cáries, doença periodontal e candidíase oral.Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das fenotiazinas podem aumentar a incidência de infecção microbiana, atraso na cicatrização e hemorragia gengival. INTERACÇÕES Os anti-histamínicos e os antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos das fenotiazinas, principalmente confusão, alucinações e pesadelos. As anfetaminas podem produzir redução dos efeitos antipsicóticos das fenotiazinas e estas diminuem o efeito estimulante das anfetaminas. As fenotiazinas podem baixar o limiar para crises convulsivas, sendo necessário ajustar a dose dos anticonvulsivos. Podem inibir o metabolismo da fenitoína e dar origem a toxicidade por fenitoína. O uso simultâneo com antitireoidianos pode aumentar o risco de agranulocitose; com a bromocriptina, podem aumentar as concentrações séricas de prolactina. Pode-se inibir os efeitos antiparkinsonianos da levodopa devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro. O uso simultâneo com bloqueadores beta-adrenérgicos origina uma concentração plasmática elevada de cada medicação. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão grave do SNC, estados comatosos, doença cardiovascular grave. A relação risco-benefício deve ser avaliada nas seguintes situações: alcoolismo, angina 3º CLE – OUT. 2001 72

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

pectoris, discrasias sanguíneas, glaucoma, disfunção hepática, Parkinson, úlcera péptica, retenção urinária, síndrome de Reye, distúrbios convulsivos, vômitos.

LEVOMEPROMAZINA
LEVOZINE NEOZINE A levomepromazina é um antipsicótico que pertence à classe das fenotiazinas alifáticas como a clorpromazina. Quimicamente é a metotrimeprazina, somente utilizada como isómero levógiro denominado levomepromazina. O seu mecanismo de acção ocorre bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos cerebrais. Possui uma potência farmacológica menor (1/3) que a clorpromazina e, tal como ela, desenvolve efeito sedativo, potencializador de analgésicos (neuroleptoanalgesia). Em quadros psicóticos e na esquizofrenia a levomepromazina é activa em casos agudos com excitação e agitação. A sua administração oral garante uma boa absorção e biodisponibilidade do fármaco. Passa por biotransformação metabólica hepática e é eliminada especialmente pela urina e bílis. INDICAÇÕES Psicopatias agudas ou crónicas. Esquizofrenias crónicas. Síndromes de excitação psicomotora. Psicoses, alucinações. EFEITOS SECUNDÁRIOS Foram descritos: boca seca, astenia, sonolência, agitação, insónia, cefaléias, discinesias hipotensão precoces arterial, e tardias, fotossensibilidade, disúria, depressão amenorréia, do SNC, hiperprolactinemia, extrapiramidalismo, distúrbios da visão, tonturas, congestão nasal, icterícia obstrutiva, galactorréia. Incompatibilidade cruzada com outros neurolépticos fenotiazínicos (clorpromazina). PRECAUÇÕES

3º CLE – OUT. 2001

73

Doença de Parkinson. betabloqueadores adrenérgicos. Pacientes comatosos especialmente aqueles que estejam recebendo fármacos neurodepressores. o efeito estimulante das anfetaminas. Anestésicos gerais: pacientes submetidos a tratamento prolongado com levomepromazina requerem doses menores de anestésico geral. por sua vez. CONTRA-INDICAÇÕES Em pacientes debilitados. patologias convulsivantes (epilepsia). antiparkinsonianos e antihipertensivos. e anti-histamínicos H1 potencializam potencializam a os efeitos da e Fármacos mielodepressores: leucopenia trombocitopenia. INTERACÇÕES Anticolinérgicos levomepromazina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Em casos de tratamento prolongado devem ser realizados controlos periódicos da função medular. hepática. antitireóideos. cardiopatia isquêmica. O tratamento deve ser cuidadosamente monitorizado em indivíduos parkinsonianos. Indivíduos com antecedentes de depressão medular. taquicardia. renal e oftálmica. caquéticos e idosos. A administração durante a gravidez e a lactação deverá ser avaliada conforme a relação risco/benefício. Aminas: podem reduzir a eficácia do neuroléptico e esse. Também podem ocorrer interacções medicamentosas com os seguintes fármacos: antidepressivos tricíclicos. Podem ser afetados os efeitos dos fármacos anticonvulsivantes (fenitoínas) ao reduzirmos o limiar para as crises convulsivas. SULPIRIDA DOGMATIL EQUILID 3º CLE – OUT. hipertrofia prostática. 2001 74 . Insuficiência hepática. Os pacientes não devem ser expostos a radiação solar ou ultravioleta. glaucoma. epilépticos e cardíacos. As respostas antiparkinsonianas da levodopa podem ser afectadas ao bloquear os receptores cerebrais dopaminérgicos. anticolinérgicos. álcool. Em casos de hipertermia é imperativa a suspensão do tratamento para avaliação de possível caso de síndrome neuroléptica maligna.

CONTRA-INDICAÇÕES Feocromocitoma. miastenia grave. TIORIDAZINA MELLERIL Em doses elevadas a tioridazina possui uma acção farmacológica básica similar à de outras fenotiazinas. Doenças psicossomáticas. PRECAUÇÕES Não associar com antidepressivos IMAOs. Não ministrar com bebidas alcoólicas ou fármacos depressores do SNC. epilepsia. colite ulcerosa. Esta afinidade sobre os receptores dopaminérgicos D2 faz com que seja menos tolerada e produz menos efeitos adversos – bloqueio muscarínico. tonturas. cefaléia. observam-se diferenças significativas com efeitos extrapiramidais mínimos e acção antiemética débil. ginecomastia. bloqueio alfa1. Hipersensibilidade ao fármaco. Parkinson. bloqueio H1 – do que outros antipsicóticos clássicos não selectivos. somatizações viscerais. gravidez e lactação. Distúrbios somatiformes. porém. extrapiramidalismo. no espectro clínico. Empregar com precaução na presença de insuficiência renal ou hepática. REACÇÕES ADVERSAS Em alguns pacientes foram assinalados tremores. A relação risco-benefício deverá ser avaliada em pacientes com glaucoma. astenia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A sulpirida é um bloqueador dopaminérgico "selectivo" sobre os receptores D2 das vias mesolímbica e mesocortical. sem ação sobre outros subtipos de receptores (D1. D3. discinesia. sonolência. 3º CLE – OUT. secura na boca. erupção cutânea. INDICAÇÕES Dispepsia. galactorréia. D4 e D5). 2001 75 . cólon irritável.

Pediatria: dificuldade de concentração. observaram-se rigidez muscular e sintomas extrapiramidais. dos depressores do SNC e anti-histamínicos. e controle da função hepática em doentes com antecedentes. deverá ser prescrita somente em casos estritamente indicados. com doses elevadas de tioridazina. Pacientes psicóticos internados ou ambulatoriais. erupção cutânea. Durante a gravidez. Atravessa a placenta e passa ao leite materno. os efeitos antimuscarínicos dos anticolinérgicos e dos inibidores da quinidina sobre a contratilidade miocárdica. obstipação. hipotensão ortostática. Em casos isolados. icterícia. galactorréia. distúrbios da acomodação visual. agitação.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A sua absorção é rápida e completa. por possível leucopenia ou agranulocitose. 3º CLE – OUT. Devem ser realizadas contagens leucocitárias regularmente durante o tratamento. Metaboliza-se no fígado e alguns de seus metabólitos possuem propriedades farmacodinâmicas similares às da droga-base (fenotiazina). distúrbios emocionais e do sono. fotossensibilidade. Geriatria: estados de confusão. vertigem. irregularidade do ciclo menstrual. A meia-vida de eliminação plasmática é de aproximadamente 10 horas. hipertrofia prostática ou doença cardiovascular grave. secura na boca. foram descritas retinopatias pigmentárias. ansiosos. REACÇÕES ADVERSAS Sedação. 2001 76 . depressivos e insónia. INTERACÇÕES Aumenta os efeitos depressivos do álcool sobre o SNC. arritmias ou paragem cardíaca. A sua concentração plasmática máxima é alcançada após 2 a 4 horas de sua ingestão. PRECAUÇÕES Em pacientes com glaucoma de ângulo fechado. Em tratamentos a longo prazo. A sua fixação às proteínas é de 95%. distúrbios de conduta como hiperatividade ou agressividade. INDICAÇÕES Ansiedade. estados de tensão. Náuseas. com doses superiores a 800mg/dia.

Terapêutica alternativa dos fármacos de primeira linha no tratamento a curto prazo (não mais de 12 semanas) da ansiedade psicótica. Inibe a zona disparadora quimiorreceptora medular e actua. 3º CLE – OUT. Reduz o efeito pressor dos vasoconstritores adrenégicos. O bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a libertação de prolactina na hipófise. actua bloqueando os receptores póssinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. assim. Os efeitos do bloqueio alfaadrenérgico podem produzir sedação. Tratamento do controle de náuseas e vómitos graves em pacientes seleccionados. INDICAÇÕES Tratamento de distúrbios psicóticos como esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníaco-depressiva.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Diminui os efeitos antiparkinsonianos da L-dopa e baixa o limiar do ataque convulsivo em pacientes epilépticos. Lactação. As drogas antiácidas e antidiarréicas inibem a absorção das fenotiazinas. CONTRA-INDICAÇÕES Estados comatosos ou depressão do SNC grave. como antiemético. porém efeitos antimuscarínicos e sedativos débeis. Seu metabolismo é hepático e elimina-se por via renal e biliar. O uso junto com lítio agrava sintomas extrapiramidais e a neurotoxicidade dos agentes neurolépticos. TRIFLUOPERAZINA STELAZINE Como antipsicótico a trifluoperazina. O uso junto com IMAO prolonga e aumenta o efeito sedativo e antimuscarínico das fenotiazinas. hipersensibilidade a outras fenotiazinas e antecedentes de discrasias sanguíneas. 2001 77 . Acredita-se que a sua acção ansiolítica seja produzida por redução indirecta dos estímulos sobre o sistema reticular do talo encefálico. Doença vascular grave. Tem forte efeito extrapiramidal. As fenotiazinas também produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a libertação de hormonas hipotalâmicas e hipofisárias.

Nos recém-nascidos. 2001 78 . hipotensão. congestão nasal. PRECAUÇÕES Os pacientes que não toleram uma fenotiazina podem não tolerar também outras fenotiazinas. erupção cutânea. As medicações antipsicóticas elevam as concentrações de prolactina e persistem durante a administração crónica. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das fenotiazinas podem aumentar a incidência de infecção microbiana. razão pela qual é necessário ajustar a dose dos anticonvulsivos. As anfetaminas podem produzir redução dos efeitos antipsicóticos das fenotiazinas e estas. Podem inibir o metabolismo da fenitoína e originar a toxicidade por fenitoína. As fenotiazinas podem baixar o limiar para as crises convulsivas. principalmente confusão. náuseas. sonolência. doença periodontal. tais como discinesia tardia e parkinsonismo. Os pacientes geriátricos necessitam de uma dose inicial mais baixa. vómitos. discinesia tardia. reduzir o efeito estimulante das anfetaminas. Também são mais propensos a desenvolver efeitos secundários extrapiramidais. INTERACÇÕES Os anti-histamínicos e os antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos das fenotiazinas. atraso na cicatrização e hemorragia gengival. cujas mães receberam fenotiazinas no final da gravidez. micção difícil. secura na boca. secreção de leite não habitual. foram descritos icterícia prolongada. Durante a lactação observa-se sonolência no lactente. são mais propensos à hipotensão ortostática e demonstram uma sensibilidade aumentada aos efeitos antimuscarínicos e sedativos das fenotiazinas. constipação.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REACÇÕES ADVERSAS São de aparição mais frequente: efeitos parkinsonianos. Sugere-se administrar aos pacientes idosos a metade da dose usual para adultos. O uso simultâneo com antitireóideos 3º CLE – OUT. alucinações e pesadelos. contribuindo para o desenvolvimento de cáries. candidíase oral. distúrbios do ciclo menstrual. Raras vezes se observa: visão turva ou qualquer alteração de visão. extrapiramidais distônicos (mais frequentes em idosos). hiporreflexia ou hiperreflexia e efeitos extrapiramidais. pois tendem a desenvolver concentrações plasmáticas mais elevadas. pode diminuir ou inibir o fluxo salivar. Pelo seu efeito antimuscarínico.

ora outro. Logo. angina pectoris. doença cardiovascular grave. Parkinson. CONTRA-INDICAÇÕES Depressão do SNC grave. glaucoma. ou de 2a. úlcera péptica. Antipsicóticos Atípicos ou de 2ª Geração Em 1990 surgem os antipsicóticos de segunda geração. síndrome de Reye. para alívio dos milhões de esquizofrênicos. considerada o primeiro antipsicótico de segunda geração (ou atípico) foi descoberta em 1970 mas. devido ao problema da agranulocitose. que trouxeram uma nova perspectiva para o tratamento da doença. aparece no mercado somente em 1988.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML pode aumentar o risco de agranulocitose. 2001 79 . A risperidona foi lançada em 1994. bem como nas psicoses predominantemente com sintomas negativos. discrasias sanguíneas. vómitos 7. Podem-se inibir os efeitos antiparkinsonianos da levodopa devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro. outros antipsicóticos de segunda geração entram no mercado. A relação risco-benefício deverá ser avaliada nas seguintes situações: alcoolismo. nos casos de intolerância aos efeitos colaterais extra piramidais. não podem ser classificados de sedativos ou incisivos tendo em vista a diversidade de ação.5. Os neurolépticos atípicos. Esses novos medicamentos tem se mostrado um novo e valioso recurso terapêutico nas psicoses. a quetiapina em 1997 e a ziprasidona no ano 2000. estados comatosos. retenção urinária. disfunção hepática. geração. A clozapina. e a bromocriptina pode aumentar as concentrações séricas de prolactina. onde os antipsicóticos tradicionais podem ser ineficazes. principalmente naquelas refratárias aos antipsicóticos tradicionais. 3º CLE – OUT. a olanzapina em 1996. O uso simultâneo com bloqueadores betaadrenérgicos dá lugar a uma concentração plasmática elevada de cada medicação. distúrbios convulsivos. ora cumprindo um objetivo.

Um dos efeitos colaterais mais temidos e ocasionados pelo uso prolongado de antipsicóticos é a Discinesia Tardia. ou na escassez de efeitos colaterais. Eles são os seguintes: AMISULPRIDA: Socian CLOZAPINA: Leponex OLANZAPINA: Zyprexa QUETIAPINA: Seroquel RISPERIDONA: Risperdal ZUCLOPENTIXOL: Clopixol ZIPRASIDONA: Geodon A utilidade dos antipsicóticos atípicos já é considerada um vitória recente na história da terapêutica das psicoses. ziprasidona e. mas também na prevenção das tão temidas recaídas. estudos com seres humanos e com animais através de técnicas de neuroimagem e exames histológicos já mostraram que doses repetidas dos antipsicóticos atípicos de segunda geração.risperidona. 2001 80 . em comparação com os antipsicóticos típicos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML De forma ampla os Antipsicóticos Atípicos são definidos como uma nova classe desses medicamentos que causam menos efeitos colaterais extra-piramidais.clozapina. afortunadamente.olanzapina. facto este relacionado à menor probabilidade de Discinesia Tardia. nível II . Pesquisas sistemáticas estabelecem como sólida a superioridade dos Antipsicóticos Atípicos. Esta atipicidade é definida como: eficácia sobre sintomas negativos esquizofrênicos. frente aos antipsicóticos típicos ou convencionais. por ordem decrescente de atipicidade. amissulprida. baixo risco de sintomas extrapiramidais e ausência de elevação duradoura da prolactina. como por exemplo. em graus variáveis. Porém. quetiapina. E essa superioridade terapêutica não se vê apenas nas melhoras clinicas dos pacientes crónicos. ao menos em doses terapêuticas. 3º CLE – OUT. entre outros. nível III . induzem uma menor proliferação dos receptores dopaminérgicos. São classificados em pelo menos três níveis: nível I . Pelas diferenças em perfil clínico-terapêutico podemos classificar estes antipsicóticos de 2a geração. a clozapina.

O inédito e revolucionário perfil terapêutico demonstrado pela clozapina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML CLOZAPINA LEPONEX PROPRIEDADES É um novo antipsicótico diferente dos neurolépticos clássicos cujo mecanismo de acção pode ser devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos. A absorção digestiva após a administração por via oral é rápida e completa (90%-95%) e não se modifica com a ingestão de alimentos. a busca por novos antipsicóticos que. pois 50% da dose administrada elimina-se metabolizados pela urina e 30% pelas fezes. alguns ainda em desenvolvimento.4 a 4. com uma semi-vida média de 12 horas.2 horas) em um regime posológico de duas tomadas diárias. Em indivíduos esquizofrênicos a clozapina melhora tanto os sintomas positivos como negativos em 30%-35% dos casos e. noradrenérgicos. ajudou a estimular. Somente uma mínima proporção do fármaco excretado está inalterada. A clozapina desenvolve efeitos anticolinérgicos. assim como seu leve efeito sobre os níveis de prolactina. dos quais a desmetilclozapina é o terapeuticamente activo. tanto D1 como D2.Devido às 3º CLE – OUT. alcançando o mesmo potencial terapêutico e a boa tolerabilidade extrapiramidal. ao lado das suas importantes limitações em segurança. galactorréia e impotência é menor. já que pode ser capaz de produzir a agranulocitose. 2001 81 . a sua notável e rápida sedação e a sua forte acção antipsicótica e antiesquizofrênica. A concentração máxima plasmática é atingida após 2 horas (0. possui uma elevada ligação às proteínas plasmáticas (90%) e sua excreção é bifásica. no sistema límbico. amenorréia. A busca deflagrada por um sucessor da clozapina forneceu uma série de novos fármacos. após o qual liberta dois metabólitos principais. em 60% dos casos se o tratamento se prolonga por 12 ou mais meses. Esse bloqueio selectivo explicaria a ausência de fenômenos extrapiramidais. não apresentassem o mesmo risco dos graves problemas hematológicos com ela registado. anti-histamínicos. Devido a essa última acção o risco de efeitos adversos como ginecomastia. A sua biodisponibilidade é de 50%-60% devido ao efeito de primeira passagem hepática. na década de 1990.

É de particular interesse que este é observado em pacientes esquizofrênicos resistentes a outros tratamentos medicamentosos. o uso de clozapina deve ser limitado a pacientes resistentes ao tratamento neuroléptico convencional. efeitos colaterais como ginecomastia. Ao contrário dos neurolépticos clássicos. D2. Além disso.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML suas características. Observa-se uma melhoria clínica relevante em cerca de um terço dos pacientes nas primeiras seis semanas de tratamento e em aproximadamente 60% dos pacientes nos quais se mantém o tratamento por até 12 meses. amenorréia. galactorréia e impotência sexual. como distonia aguda. Síndrome parkinsoniana e acatisia são raras. além de potente efeito antiadrenérgico. esse antipsicótico atípico está sujeito ao sistema denominado farmacovigilância intensiva. Estudos epidemiológicos demonstraram também uma redução de aproximadamente sete vezes na ocorrência de suicídio e tentativas de suicídio em pacientes tratados com clozapina. D3 e D5. tem sido descrita melhora em alguns aspectos de alterações cognitivas. Nesses pacientes. clozapina é eficaz no alívio tanto de sintomas positivos como negativos. mas demonstra elevada potência em receptores D4. com ocorrência estimada de 3% e 0. INFORMAÇÕES TÉCNICAS A clozapina é um antipsicótico que tem demonstrado ser diferente dos neurolépticos clássicos. portanto. A droga apresenta apenas fraca actividade bloqueadora de dopamina em receptores D1. comparadas a esquizofrênicos não tratados com clozapina. clozapina produz pequena ou nenhuma elevação de prolactina.7%. Em estudos farmacológicos experimentais clozapina não induz catalepsia nem inibe o comportamento estereotipado induzido por apomorfina ou anfetamina. Clozapina é único no sentido de que não produz virtualmente nenhuma das reacções extrapiramidais mais relevantes. evitando. anticolinérgico. respectivamente. Em vista do risco desse efeito colateral. 2001 82 . Apresenta também propriedades anti-serotoninérgicas. anti-histamínico e inibidor da reacção de alerta. nos quais se possam realizar exames hematológicos regulares 3º CLE – OUT. Clinicamente clozapina produz sedação rápida e acentuada e exerce potente efeito antipsicótico. Uma reacção adversa potencialmente grave produzida pelo tratamento com clozapina é granulocitopenia e agranulocitose.

Os sintomas e sinais extrapiramidais que podem ocorrer são muito menores que os gerados pelos neurolépticos clássicos. retenção urinária. sialorréia e em poucos casos tremores. PRECAUÇÕES Administrar somente em pacientes com doença severa ou refratária devido ao risco de agranulocitose. taquicardia. A hemodiálise e a diálise peritoneal são pouco eficazes. No SNC. delírio e coma. Tratamento: manter a ventilação e a oxigenação. tonturas e alterações no EEG com complexos espiga-onda. SUPERDOSAGEM A superdose produz alteração dos estados de consciência.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INDICAÇÕES Psicoses severas: esquizofrenia especialmente em formas refratárias a outros tratamentos (esquizofrênicos resistentes). monitorização cardíaca e cuidados sintomáticos. hipotensão arterial. priapismo. taquicardia. como adormecimento. vómitos. eosinofilia. obstipação. Desequilíbrios bipolares incluindo síndromes maníaco-depressivas. administrar carvão activado. controle hematológico deve continuar durante quatro semanas após a suspensão. cefaléia. hipotensão. secura da boca. Todos esses fenômenos são percebidos durante terapias prolongadas ou com doses elevadas. 3º CLE – OUT. aumento de peso. Controlar semanalmente os parâmetros hematológicos antes e durante o tratamento. 2001 83 . outros fenômenos indesejáveis indicados são visão turva. Pode reduzir o limiar convulsivante (efeito dose-dependente) e induzir convulsões. sonolência. depressão ou paragem respiratória. sedação. obrigando assim a reduzir a dose e ao mesmo tempo adicionar tratamento com anticonvulsivantes. rash cutâneo. Evitar a adrenalina e seus derivados para tratar a hipotensão. e quinidina e procainamida para as arritmias cardíacas. náuseas. febre e raramente elevação das enzimas hepáticas. Se o tratamento for suspenso. EFEITOS SECUNDÁRIOS Em nível medular pode provocar agranulocitose mortal – embora em certas ocasiões possa ser reversível – a qual se manifesta nas primeiras 18 semanas de tratamento.

narcóticos. coma. anti-hipertensivos e depressores da função ventilatória pulmonar. Efeitos aditivos também foram observados com anticolinérgicos. psicofármacos. pode ocorrer uma síndrome neuroléptica maligna. Como com outros neurolépticos. Os efeitos de álcool. anti-histamínicos. paragem cardíaca e paragem respiratória. com hiperpirexia. 2001 84 . além disso. Utilizar com precaução em pacientes com insuficiência renal. potencialmente mortal. rigidez muscular.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML O tratamento prolongado aumenta o risco de convulsões (5%). potencialmente irreversível. Patologias hemáticas. hepática ou renal grave. o paciente pode desenvolver um quadro de discinesia tardia. IMAO podem ser potencializados pelo emprego simultâneo de clozapina. estados de choque. hipotensão ortostática com ou sem síncope. colapso cardiorrespiratório. Utilizar com extrema precaução em pacientes afectados por glaucoma de ângulo agudo e hipertrofia prostática devido à sua actividade anticolinérgica. instabilidade autonômica e estado mental alterado. A administração de cimetidina e provavelmente outros indutores enzimáticos do citocromo P450 pode reduzir os níveis de clozapina com o conseguinte ressurgimento dos sintomas psicóticos. insuficiência cardíaca. INTERACÇÕES Deve ser empregada de forma simultânea com fármacos potencialmente mielotóxicos. hepática ou cardíaca. Por não existirem provas conclusivas. psicose. recomenda-se não usar em mulheres grávidas a menos que o benefício para a mãe supere o risco potencial para o feto. A segurança e a eficácia em crianças menores de 16 anos não foram estabelecidas. 3º CLE – OUT. Em algumas ocasiões registraram-se taquicardia. O emprego de lítio e outros fármacos para evitar a recorrência pode aumentar o risco de manifestação de síndrome neuroléptica maligna. Os anticoagulantes orais podem aumentar as concentrações séricas de clozapina com o risco potencial de hemorragias. que é de maior risco em idosos. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade ao fármaco. Suspender a amamentação.

A absorção não é afectada pelas refeições. INDICAÇÕES Esquizofrenia e outras psicoses em que os sintomas positivos (delírios. dopaminérgicos. pobreza de linguagem) são predominantes. visão turva. É metabolizada principalmente no fígado.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML OLANZAPINA ZYPREXA A olanzapina está indicada para o tratamento da esquizofrenia e melhora dos sintomas afectivos normalmente associados a esta patologia. já que actua sobre vários tipos de receptores. SUPERDOSAGEM A experiência em seres humanos é limitada. Em doses inferiores às que produzem catalepsia. A olanzapina possui um amplo perfil farmacológico. o que indica que sua acção antipsicótica é acompanhada de efeitos colaterais motores mínimos. a olanzapina reduz a resposta aversiva condicionada. porém sofre modificação na presença de distúrbios hepáticos. pensamento desordenado. Sua farmacocinética não é afetada pela insuficiência renal. serotoninérgicos. O tratamento consiste em manter ventilação e oxigenação adequadas. reduz selectivamente a descarga de neurónios dopaminérgicos mesolímbicos. Estudos realizados in vitro e in vivo demonstraram que possui maior capacidade de união aos receptores da serotonina e. com menor efeito sobre as vias estriatais. Não 3º CLE – OUT. por conjugação e oxidação. Sua união com proteínas plasmáticas é cerca de 93%. portanto os sintomas são sonolência. depressão emocional e social. depressão respiratória. utilizar líquidos intravenosos ou agentes simpatomiméticos como a noraepinefrina. hipotensão e possíveis distúrbios extrapiramidais. e os metabólitos são eliminados por via renal. alucinações. Demonstrou-se também ser eficaz na manutenção da melhora clínica durante o tratamento contínuo em pacientes que tenham respondido ao tratamento inicial. a olanzapina é bem absorvida alcançando concentração plasmática máxima de 5 a 8 horas após. hostilidade e medo) ou os negativos (indiferença afectiva. Após administração oral. envolvidas na função motora. 2001 85 . adrenérgicos e histamínicos. além disso.

Menos frequentemente foram registrados: tonturas. antecedentes de depressão ou toxicidade da medula óssea induzida pelo fármaco ou por patologia concorrente. 2001 86 . teratogênicos ou mutagênicos. dopamina ou betabloqueadores. em função da actividade anticolinérgica potencial deste fármaco. é necessário considerar a redução da dose de olanzapina. pois pode piorar a hipotensão produzida pela olanzapina. Utilizar com precaução em pacientes com antecedentes de convulsões ou com doenças linfoproliferativas. Como a olanzapina actua sobre os 3º CLE – OUT. aumento de peso e hiperprolactinemia. obstipação. principalmente naqueles pacientes com sinais e sintomas de lesão hepática. recomenda-se utilizá-la durante a gravidez somente quando o benefício para a mãe justificar o risco potencial para o feto. REACÇÕES ADVERSAS Os efeitos adversos observados são sonolência. glaucoma de ângulo fechado ou afecções correlacionadas. Administrar com precaução a pacientes com hipertrofia da próstata. patologias preexistentes associadas com reserva funcional hepática limitada e naqueles sob tratamento com fármacos potencialmente hepatotóxicos. devido à limitada experiência em seres humanos. como sedação. aumento do apetite.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML administrar epinefrina. secura da boca. contagens baixas de leucócitos ou neutrófilos. íleo paralítico. hipotensão ortostática. PRECAUÇÕES Durante o tratamento com olanzapina recomendam-se controlos periódicos dos níveis das transaminases hepáticas. edema periférico. Estudos em animais indicaram que a olanzapina não possui efeitos carcinogênicos. aumento transitório das transaminases hepáticas e eosinofilia assintomática. Caso haja aumento das enzimas. Aconselha-se evitar seu uso durante a amamentação. Dada a possibilidade de sonolência durante o tratamento. recomenda-se advertir os pacientes sobre o manuseio de máquinas perigosas ou automóveis. INTERACÇÕES A administração simultânea de álcool ou fármacos de acção central pode causar aumento dos efeitos farmacológicos. Não obstante. com manifestações clínicas como ginecomastia e galactorréia.

diminui a sua concentração no sangue. antecedentes de carcinoma mamário. Esquizofrenia aguda ou crónica. em especial nos sintomas extrapiramidais que ocorrem com freqüência muito menor. embora se acredite que a sua actividade é devida a um bloqueio combinado dos receptores dopaminérgicos D2 e dos receptores serotoninérgicos S2 (antagonista dopaminérgico-serotoninérgico). insuficiência respiratória e Parkinson. principalmente de ângulo estreito. portanto. Como coadjuvante no tratamento de mudanças do comportamento ou transtornos afectivos em pacientes com deficiência mental. SUPERDOSAGEM 3º CLE – OUT. A carbamazepina aumenta o metabolismo da olanzapina e. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade conhecida a este fármaco.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML receptores dopaminérgicos. Outros efeitos da risperidona podem ser explicados pelo bloqueio dos receptores alfa 2-adrenérgicos e histaminérgicos H1. O mecanismo de acção da risperidona é desconhecido. 2001 87 . A relação risco/benefício deve ser avaliada nas seguintes patologias: insuficiência hepática. mas com um perfil de efeitos adversos diferentes deles. antagoniza os efeitos da levodopa ou outros agonistas dopaminérgicos. INDICAÇÕES Controle das manifestações das afecções psicóticas. glaucoma. A risperidona é bem absorvida pela mucosa gastrintestinal e extensamente metabolizada pelo fígado. RISPERIDONA RISPERDAL RISPERDON ZARGUS Pertence ao grupo de antipsicóticos-neurolépticos atípicos que têm uma eficácia similar à dos clássicos. epilepsia ou antecedentes de convulsões. retenção urinária.

a menos que o benefício para a mãe supere o risco potencial para o feto. o paciente pode desenvolver um quadro de discinesia tardia. náuseas. sintomas extrapiramidais (17%). visão anormal. dor de cabeça (14%). agitação (22%). dorsalgias ou dores no peito. sinusite. PRECAUÇÕES O tratamento com risperidona expõe o paciente a sérios riscos. febre. sonolência. rinite (10%). dispepsia.1%). assistência respiratória. obstipação. endócrinos e mamários em animais. Não utilizar em mulheres grávidas. rigidez muscular. diminuição do desejo sexual. Não administrar adrenalina nem dopamina. REACÇÕES ADVERSAS Associadas com suspensão do tratamento: sintomas extrapiramidais (2. hipotensão.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Observam-se: anomalias eletrocardiográficas. tonturas. Não deve consumir álcool durante o tratamento. INTERRACÇÕES Álcool e outros fármacos que tenham acção no SNC. ansiedade (12%). que é manifestada com hiperpirexia. A aparição dos efeitos extrapiramidais está relacionada com a dose de risperidona administrada. tratamento anticolinérgico. instabilidade autonômica e estado mental alterado. potencialmente mortal. artralgia. potencialmente irreversível (maior risco em idosos). Tratamento: lavagem gástrica. A risperidona pode potenciar o efeito dos agentes hipotensores e antagonizar a levodopa e os agonistas dopaminérgicos. dor dental. sialorréia. síndrome neuroléptica maligna. sonolência e sedação. O paciente que recebe risperidona não deve operar maquinaria pesada nem conduzir automóveis. agressão. 3º CLE – OUT. tonturas. náuseas. Não amamentar. A carbamazepina pode incrementar o clearance da risperidona. Foi observado um aumento do risco de aparição de tumores da pituitária. taquicardia. administração de líquidos por via parenteral. seborréia. vasopressores. reações extrapiramidais severas. O paciente deve ser controlado até à sua recuperação. 2001 88 . vómitos. dor abdominal. tosse. Durante o tratamento: insónia (26%). sonolência. Como com outros neurolépticos. hiperquinesia. A risperidona pode produzir hipotensão ortostática.

afinidade mais baixa nos receptores alfa2-adrenérgicos mas sem afinidade apreciável aos receptores muscarínicos colinérgicos ou benzodiazepínicos. A quetiapina não produz elevações prolongadas da prolactina e mostra-se eficaz no tratamento dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia. a possibilidade do envolvimento de múltiplas drogas deve ser considerada e recomendamse procedimentos de terapia intensiva. CONTRA INDICAÇÕES Hipersensibilidade à risperidona. 2001 89 . Em casos de intoxicação grave. taquicardia e hipotensão. A quetiapina tem também afinidade nos receptores histaminérgicos e alfa1-adrenérgicos. Não há antídoto específico para a quetiapina. sonolência e sedação. Os fármacos que inibem o citocromo P450IID6 e outras isoenzimas podem interferir na biotransformação da risperidona. Esquizofrenia aguda ou crónica. incluindo estabelecimento e manutenção de vias 3º CLE – OUT. INDICAÇÕES Controle das manifestações das afecções psicóticas. isto é.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A clozapina pode diminuir o clearance da risperidona. QUETIAPINA SEROQUEL A quetiapina é um agente antipsicótico atípico que interage com uma ampla gama de receptores de neurotransmissores exibindo maior afinidade para receptores de serotonina (5HT) do que para receptores de dopaminérgicos D1 e D2 no cérebro. SUPERDOSAGEM Em geral. Como coadjuvante no tratamento de mudanças do comportamento ou transtornos afectivos em pacientes com deficiência mental. os sinais e sintomas relatados foram resultantes da exacerbação dos efeitos farmacológicos conhecidos da quetiapina.

Assim como outros antipsicóticos. rinite e dispepsia. Supervisão médica e monitorização cuidadosas devem ser mantidas até a recuperação do paciente. tonturas (10%). hipotensão postural (7%). pode estar associado a ganho de peso limitado.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML aéreas desobstruídas. obstipação (9%).6%. doença cérebro-vascular ou outras condições que predisponham à hipotensão. a alterações de enzimas hepáticas (6%). Da mesma forma que para outros agentes antipsicóticas. 2001 90 . garantindo oxigenação e ventilação adequadas e monitorização e suporte do sistema cardiovascular. A quetiapina pode estar associado e astenia leve. A segurança e a eficácia de quetiapina durante a gestação humana não foram estabelecidas. especialmente no início do tratamento. taquicardia e síncope em alguns pacientes. Elevações assintomáticas nos níveis de transaminases séricas ou gama-GT foram observadas em alguns pacientes recebendo quetiapina. 3º CLE – OUT. Leucopenia assintomática transitória e/ou neutropenia têm sido observadas com incidência aproximada de 1. Assim como outros antipsicóticos com actividade de bloqueio adrenérgico a quetiapina pode induzir hipotensão ortostática. A quetiapina também tem sido associada a variações na contagem de glóbulos brancos. REACÇÕES ADVERSAS Os efeitos adversos significantes e relatados com maior frequência em estudos a curto prazo foram sonolência (17. boca seca (7%). associada a vertigem. foram relatados casos raros de possível síndrome neuroléptica maligna em pacientes tratados com quetiapina. PRECAUÇÕES Doença cardiovascular: A quetiapina pode induzir hipotensão ortostática.5%). existe potencial para a quetiapina causar discinesia tardia após tratamento em longo prazo. Existem relatos ocasionais de convulsões em pacientes tratados com quetiapina embora a frequência não tenha sido maior do que a observada em pacientes que receberam placebo em estudos clínicos controlados. Assim como para outros antipsicóticos. predominantemente durante as primeiras semanas de tratamento. Essa substância deve ser usada com cuidado am pacientes com doença cardiovascular.

acção sobre sintomas negativos e afectivos secundários de esquizofrênicos crónicos. Ao contrário de outra benzamída. confirmado. que se caracteriza por rapidez de acção e por objectivo terapêutico bipolar. AMISULPRIDA SOCIAN A amissulprida. ganhou status de atípico ao demonstrar. também com actividade sobre sintomas psicóticos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES Devido aos efeitos primários da quetiapina sobre o sistema nervoso central. além de baixo risco de efeitos motores extrapiramidais nos ensaios clínicos. sua concentração plasmática máxima é atingida em 3.. desinteresse.). a remoxiprida. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade à quetiapina. ausência da up-regulation estriatal e propriedades de agonismo dopaminérgico nos experimentos com animais in vivo e in vitro. tanto sobre os chamados sintomas produtivos (alucinação e delírio) quanto os chamados sintomas negativos (apatia. benzamida modificada de recente desenvolvimento na Europa.. A co-administração da quetiapina e tioridazina causou elevações na depuração da quetiapina. por achados de selectividade límbica. com registo de efeitos extrapiramidais e elevações duradouras da prolactina. ela deve ser usada com cuidado em combinação com outros agentes de acção central e com álcool. PROPRIEDADES A Amisulprida é um neuroléptico pertencente à classe das benzamidas substituídas. Após administração oral da Amisulprida. 3º CLE – OUT.7 horas. a amissulprida não esteve relacionada à ocorrência de anemia aplástica ou de outras discrasias sanguíneas. A sua classificação plena como atípico permanece questionável pela constatação de bloqueio dopaminérgico clássico nas faixas de doses maiores (acima de 200mg/dia). sendo sua biodisponibilidade na ordem de 36%. 2001 91 . em doses baixas (50mg a 150mg/dia).

a menos que o tratamento com neurolépticos mostre-se indispensável. Em virtude da eliminação urinária do produto. o principal metabólito (um derivado Nóxido) representa de 4 a 10% da quantidade total eliminada. No decurso das primeiras 24 horas a eliminação é rápida (meia-vida de 2 a 3 horas). devido ao risco de uma maior sensibilidade. em vista da possibilidade de abaixamento do limiar epileptogênico. Na dose de 400 à 1200 mg/dia a Amisulprida é um neuroléptico pertencente à classe das benzamidas substituídas e que se caracteriza por seu perfil terapêutico sobre sintomas psicóticos tanto produtivos quanto deficitários. é prudente reduzir a posologia e promover tratamentos descontinuados em presença de insuficiência renal grave. é imperativo suspender o tratamento. com uma semi-vida de 12 a 19 horas. PRECAUÇÕES Em caso de hipertermia. descrita com o uso de neurolépticos. Evitar o uso em parkinsonianos. uma vez que este sintoma pode ser um dos elementos da síndrome maligna (caracterizada por palidez. 2001 92 . Esta precaução deve ser observada sobretudo nos casos onde o produto é empregado em doses altas. O efeito sedativo dos neurolépticos pode alterar a vigilância e tornar perigosa a condução de veículos ou a operação de máquinas. indicada nos estados deficitários e produtivos consequentes à transtornos mentais. principalmente sob forma inalterada.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML O volume de distribuição varia de 9 a 16 l/kg. mais precisamente em estados depressivos caracterizados por extrema apatia. Bebidas alcoólicas são fortemente desaconselhadas durante tratamento com a Amisulprida. hipertermia e distúrbios vegetativos). Faz-se necessário acompanhamento rigoroso quando do uso em pacientes epilépticos. Após 24 horas. O clearance renal é de cerca de 300 ml/min. A Amisulprida é eliminada pela urina. INDICAÇÕES Na dose de 50 a 100 mg/dia a Amisulprida é considerada um activador Dopaminérgico. A Amisulprida não deve ser administrada em pacientes com suspeita de feocromocitoma sem um controle médico rigoroso. a eliminação se torna mais lenta. O emprego da Amisulprida deve ser cauteloso em pacientes idosos. portanto. 3º CLE – OUT. representando 80 a 98 % da quantidade total eliminada.

distúrbios do pensamento. trismo). em particular: Sedação. pode ocorrer hipotensão moderada. Atraso mental associado com hiperatividade motora. Nestes casos. que podem ser observadas com todos os neurolépticos durante tratamentos prolongados. CONTRA-INDICAÇÕES Intoxicações agudas por álcool. Demência senil com idéias paranóides. hiperprolactinemia. analgésicos. delírios. galactorréia. crises oculógiras. os antiparkinsonianos anticolinérgicos são desprovidos de acção. inquietação. assim como agitação. violência e outros distúrbios do comportamento. ganho de peso. tranquilizantes. ZOCLUPENTIXOL CLOPIXOL INDICAÇÕES Esquizofrenias agudas e crónicas e outras psicoses. EFEITOS SECUNDÁRIOS A Amisulprida pode provocar reacções típicas dos neurolépticos. etc. Discinesias tardias. estados comatosos. confusão e/ou desorientação ou distúrbios do comportamento. que cedem com a administração de um antiparkinsoniano anticolinérgico.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES A associação com levodopa é desaconselhada em razão do antagonismo recíproco existente entre a levodopa e os neurolépticos. anestésicos. 2001 93 . barbitúricos ou opiáceos. ginecomastia. Variados: Amenorréia. tais como hipnóticos. Fase maníaca da psicose maníaco-depressiva. 3º CLE – OUT. hostilidade e agressividade. Reações Vegetativas: Com doses elevadas. Acredita-se poder a Amisulprida potenciar a acção de hipotensores. anti-hipertensivos e depressores do sistema nervoso central. ainda que raramente. Discinesias precoces (torcicolo espasmódico. agitação. podendo inclusive provocar um agravamento do quadro. especialmente com sintomas como alucinações.

A discinesia tardia pode ocorrer muito ocasionalmente em pacientes submetidos a tratamento de longo prazo. Zoclupentixol reduz o efeito da levodopa e das drogas adrenérgicas. já que os neurolépticos podem bloquear o efeito anti-hipertensivo destes compostos. Zoclupentixol deve ser usado com precaução em pacientes com desordens convulsivas. 2001 94 . Pacientes em terapia por longo prazo devem ser acompanhados cuidadosamente. estes efeitos colaterais podem ser controlados satisfatoriamente através da redução da dose e/ou uso de substâncias antiparkinsonianas. Zoclupentixol não deve ser usado durante a gravidez e a lactação. Psíquicas: Sonolência inicialmente. O tratamento não deve ser interrompido abruptamente. especialmente durante as fases iniciais do tratamento. Efeitos sobre actividades que necessitem de atenção: A capacidade de dirigir automóveis ou de operar máquinas pode ser afectada. O uso concomitante da metoclopramida e piperazina aumenta o risco de sintomas extrapiramidais. se possível.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML PRECAUÇÕES Zoclupentixol não deve ser ingerido com bebida alcoólica ou barbitúricos. Zoclupentixol não deve ser usado concomitantemente com a guanetidina ou compostos de acção similar. As drogas antiparkinsonianas não aliviam estes sintomas. Na maioria dos casos. Portanto. Preferivelmente. 3º CLE – OUT. deve-se tomar cuidado. REACÇÕES ADVERSAS Neurológicas: Podem ocorrer sintomas extrapiramidais. O uso profilático de rotina de medicação antiparkinsoniana não é recomendado. INTERACÇÕES Zoclupentixol pode aumentar a resposta ao álcool e aos efeitos dos barbituricos e outros depressores do SNC. a interrupção da terapia. doença hepática ou cardiovascular avançada. Recomenda-se redução da dose ou. sobretudo no início do tratamento até que todas as reacções individuais do paciente sejam conhecidas.

distúrbio da micção. porém potencialmente fatal. choque. Recomendações especiais: A síndrome neuroléptica maligna (SNM) é uma complicação rara. taquicardia. O bloqueio do receptor. Os sinais da SNM são: hipertermia. Hepáticas: Podem ocorrer alterações leves e transitórias dos testes de função hepática. são vitais a instituição de medidas de suporte geral e tratamento sintomático. sudorese). distúrbio de acomodação. pois pode resultar em redução ainda maior dos níveis tensionais. 12 horas após a administração de uma dose única de 40 mg.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Autonômicas e cardiovasculares: Boca seca. Convulsões podem ser tratadas com diazepam e os sintomas extrapiramidais com biperideno. tão rápido quanto possível. convulsões. 2001 95 . Além de imediata interrupção da medicação neuroléptica. utilizando a tomografia de emissão de pósitrons (PET). hipo ou hipertermia. SUPERDOSAGEM O conjunto dos seguintes sintomas pode indicar superdosagem: sonolência. hipotensão ortostática e vertigens. foi maior que 80% para o receptor de serotonina tipo 2A e maior que 50% para o receptor D2. Administrar carvão activado. A ziprasidona tem afinidade moderada pelos transportadores neuronais de serotonina e de 3º CLE – OUT. obstipação. associados a disfunção autonômica (pressão sanguínea lábil. A ziprasidona também interage com os receptores de serotonina 5HT2C. hipotensão. taquicardia. 5HT1D e 5HT1A. após a ingestão oral. Não se deve utilizar epinefrina (adrenalina). com afinidade igual ou maior à sua afinidade pelo receptor D2. rigidez muscular e flutuação do nível de consciência. Conduta na superdosagem: Tratamento sintomático e de suporte. ZIPRASIDONA GEODON A ziprasidona possui uma alta afinidade pelos receptores de dopamina tipo 2 (D2) e afinidade substancialmente maior pelos receptores de serotonina tipo 2A (5HT2A). sintomas extrapiramidais. Deve-se fazer lavagem gástrica. ao uso de substâncias neurolépticas. coma. Instituir medidas de suporte dos sistemas respiratório e cardiovascular.

CONTRA INDICAÇÕES A ziprasidona é contra-indicado em pacientes com conhecida hipersensibilidade à droga ou a quaisquer componentes do produto. A principal via metabólica leva a formação de S-metildiidroziprasidona. Efeitos adversos sobre a fertilidade. A ziprasidona é amplamente metabolizada após administração oral. com aproximadamente 66% sendo eliminado nas fezes. O clearance sistêmico médio da ziprasidona administrada por via intravenosa é de aproximadamente 5 ml/min/kg. A ziprasidona também é contraindicado em pacientes com conhecido prolongamento no intervalo QT. um potente agonista do receptor 5HT1A e inibe a recaptação neuronal de norepinefrina e serotonina. A ziprasidona também é um potente antagonista dos receptores 5HT2C e 5HT1D. Aproximadamente 20% da dose é excretada na urina. A ziprasidona é eficaz no tratamento de pacientes com esquizofrenia e na manutenção da melhora clínica durante a continuação da terapia. genotóxicas e de potencial carcinogênico não revelaram nenhum perigo especial para humanos. A ziprasidona demonstrou ser antagonista tanto dos receptores de serotonina do tipo 2A (5HT2A) como dos receptores de dopamina do tipo 2 (D2). Sugere-se que a actividade antipsicótica seja mediada.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML norepinefrina e demonstra afinidade moderada pelos receptores histamínicos H-1 e receptores alfa-1. A ziprasidona tem um volume de distribuição de aproximadamente 1.1 l/kg quando administrada por via intravenosa. A semi-vida média da ziprasidona após administração intravenosa é de 6 horas. enfarte agudo do 3º CLE – OUT. apenas uma pequena quantidade (< 1%) é excretada na urina como fármaco inalterado. por meio desta combinação de actividades antagonistas. diminuição do peso dos filhotes e atraso no desenvolvimento funcional foram observados em doses que causaram toxicidade materna. um aumento do número de filhotes natimortos. A ziprasidona inalterada representa cerca de 46% de toda a concentração sérica relacionada ao fármaco. tais como sedação e diminuição no ganho de peso corpóreo. 2001 96 . em parte. ziprasidona-sulfona e sulfóxido. A ziprasidona demonstra afinidade desprezível pelos receptores muscarínicos M-1. Dados de segurança pré-clínicos: Estudos de segurança pré-clínicos baseados em estudos convencionais de segurança farmacológica.

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

miocárdio, insuficiência cardíaca descompensada e arritmias tratadas com drogas antiarrítmicas classes I e III. PRECAUÇÕES Uso em crianças: A segurança e a eficácia da ziprasidona em crianças menores que 18 anos de idade ainda não foram avaliadas. Uma vez que a SNM, um complexo raro mas potencialmente fatal, foi relatada em associação com outros fármacos antipsicóticos, um risco potencial da ocorrência deste evento adverso durante o tratamento com ziprasidona não pode ser excluído. O controlo da SNM deve incluir descontinuação imediata de todos os fármacos antipsicóticos. Discinesia tardia: Assim como ocorre com outros antipsicóticos, existe um potencial da ziprasidona causar discinesia tardia e outras síndromes extrapiramidais tardias após tratamento prolongado. Se aparecerem sinais ou sintomas de discinesia tardia, deve-se considerar redução da dose ou descontinuação da medicação. Intervalo QT: A ziprasidona causa um prolongamento no intervalo QT de grau leve a moderado. Portanto, a ziprasidona não deve ser administrada concomitantemente com outros medicamentos que são conhecidos por prolongar o intervalo QT. Distúrbios eletrolíticos tais como hipocalemia e hipomagnesemia aumentam o risco de uma arritmia maligna e devem ser corrigidos antes de o tratamento com ziprasidona ser iniciado. Se pacientes com doenças cardíacas estáveis forem tratados, uma revisão no eletrocardiograma (ECG) deve ser considerada antes do início do tratamento. Se sintomas cardíacos, tais como palpitações, vertigens, síncope ou convulsão ocorrerem, então a possibilidade de uma arritmia cardíaca maligna ocorrer deve ser considerada e uma avaliação cardíaca incluindo um ECG deve ser conduzida. Se o intervalo QT é > 500 ms, é recomendado que o tratamento seja interrompido. Convulsões: Assim como com outros antipsicóticos, recomenda-se cautela no tratamento de pacientes com histórico de convulsões. Uso durante a gravidez e a lactação: Estudos de toxicidade na reprodução demonstraram efeitos adversos no processo reprodutivo apenas com doses associadas à toxicidade materna. Não houve evidências de teratogenicidade. Mulheres com potencial de engravidar que estejam recebendo ziprasidona devem ser aconselhadas a utilizar um método contraceptivo adequado. Como a experiência humana é limitada, a administração de ziprasidona não é

3º CLE – OUT. 2001

97

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

recomendada durante a gravidez, a menos que o benefício esperado para a mãe supere o risco potencial ao feto. Efeitos na habilidade de dirigir e de operar máquinas: ziprasidona (ziprasidona) pode causar sonolência. Os pacientes que forem dirigir ou operar outras máquinas devem, portanto, ser advertidos adequadamente. INTERACÇÕES Fármacos activos no SNC/Álcool: Considerando os principais efeitos da ziprasidona no SNC, deve-se ter cautela quando for administrada em associação a outros fármacos de acção central, incluindo aqueles que agem nos sistemas dopaminérgicos e serotonérgicos, e com álcool. Efeito de ziprasidona sobre outros fármacos: A concentração de ziprasidona (ziprasidona) requerida para inibir os citocromos CYP2D6 e CYP3A4, in vitro, foi, no mínimo, 1.000 vezes maior que a concentração livre que pode ser esperada in vivo. A relevância clínica destes achados é incerta, mas é improvável que ziprasidona cause interações medicamentosas clinicamente importantes mediadas por estas enzimas. Contraceptivos orais: A administração de ziprasidona não resultou em uma alteração significativa da farmacocinética de estrogênios (etinilestradiol, um substrato do citocromo CYP3A4) ou de progestagênios. Lítio: A co-administração de ziprasidona não teve efeito na farmacocinética do lítio. Efeitos de outros fármacos sobre ziprasidona: A ziprasidona é substrato do citocromo CYP3A4. Entretanto, a importância desta via de metabolização in vivo não é clara, e os potenciais indutores (carbamazepina) ou inibidores (cetoconazol) do citocromo CYP3A4 não produziram qualquer efeito clinicamente significante na AUC e na Cmáx da ziprasidona. Estudos in vitro indicam que o citocromo CYP2D6 pode estar envolvido no metabolismo da ziprasidona. Embora estudos in vivo não tenham sido conduzidos, não é esperado que inibidores dessa enzima afectem o metabolismo da ziprasidona devido ao envolvimento de múltiplas vias metabólicas. Antiácidos: Doses múltiplas de antiácido à base de alumínio e magnésio não alteram a farmacocinética da ziprasidona. Estudos farmacocinéticos demonstraram que a biodisponibilidade da ziprasidona aumenta em até 100% na presença de alimentos. Portanto, recomenda-se que ziprasidona seja administrado com alimentos.

3º CLE – OUT. 2001

98

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

REACÇÕES ADVERSAS Sonolência, astenia, tontura, síndrome extrapiramidal, hipotensão, prolongamento do intervalo QT , Convulsões. Em estudos clínicos de tratamento de manutenção de longo prazo, os níveis de prolactina em pacientes tratados com ziprasidona estavam algumas vezes elevados. Entretanto, na maioria dos pacientes, estes níveis voltaram ao normal sem a interrupção do tratamento. Além disso, foram raras as manifestações clínicas potenciais (p. ex., ginecomastia e aumento da mama). SUPERDOSAGEM A experiência de superdosagem com ziprasidona é limitada. Os únicos sintomas reportados após a ingestão da maior quantidade confirmada, 3.240 mg, foram sedação leve e fala indistinta. A possibilidade de obnubilação, convulsões ou reação distônica da cabeça e pescoço após superdosagem pode levar ao risco de aspiração com a indução de vómitos. A monitorização cardiovascular deve começar imediatamente e deve incluir monitorização eletrocardiográfica contínua para detectar possíveis arritmias. Não há um antídoto específico para ziprasidona.

7.6. Antidepressivos Atípicos
Até que apareça um termo melhor, são atípicos os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos (ADT), como Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) e nem como Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns desses Antidepressivos Atípicos aumentam a transmissão noradrenérgica, através do antagonismo de receptores a2 (pré-sinápticos) no sistema nervoso central, ao mesmo tempo em que modulam a função central da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3, como é o caso da Mirtazapina. A actividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é a responsável pelos seus efeitos sedativos, embora esteja praticamente desprovida de actividade anticolinérgica.

3º CLE – OUT. 2001

99

GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

SERVIÇO PORTO DO HML

Outros atípicos são inibidores da recaptação de Serotonina e Norepinefrina, alguns inibindo também, a recaptação de dopamina. É o caso da Venlafaxina, da Mirtazapina. Algumas dessas drogas também costumam reduzir a sensibilidade dos receptores beta- adrenérgicos, inclusive após administração aguda, o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido. Também estão aqui os inibidores da recaptação da Norepinefrina (Noradrenalina), como é o caso da Riboxetina. Alguns atípicos, como é o caso da Tianeptina, embora sejam serotoninérgicos, não inibem a recaptação da Serotonina no neurónio pré-sináptico mas, induzem a sua recaptação pelos neurónios do córtex, do hipocampo e do sistema límbico. As melhoras sintomáticas poderão ser observadas a partir do 3º ao 5º dias e sobre o sono REM a partir do 20º dia de tratamento em posologia suficiente.
AMINEPTINA: Survector FLUVOXAMINA: Luvox MIRTAZAPINA: Remeron REBOXETINA: Prolif TIANEPTINA: Stablon VENLAFAXINA: Efexor TRAZODONA: Donaren MIANSERINA: Tolvon MILNACIPRANO

Apesar de eficientes para o tratamento dos estados depressivos, demoram vários dias para fazer efeito e devem ser tomadas por longo período.

AMINEPTINA
SURVECTOR A Amineptina é usada na forma de cloridrato, mostrando-se como um antidepressivo tricíclico dopaminérgico que inibe a recaptação ("reuptake") do neurotransmissor dopamina no SNC. A Amineptina distingue-se dos antidepressivos tricíclicos imipramínicos pela presença de uma cadeia de aminoácidos inserida num ciclo mediano.

3º CLE – OUT. 2001

100

dor abdominal. Depressão reactiva. pois trata-se de reação imunoalérgica. gastralgias. Não foram referidas. REACÇÕES ADVERSAS Irritabilidade. actuando sobre a lentificação psicomotora após 3 a 5 dias de tratamento. pelo maior risco de efeitos colaterais. com meiavida em torno de 8 horas. PRECAUÇÕES Não administrar simultaneamente com IMAO. Foram observadas reacções imunoalérgicas de tradução clínica (mialgias. observam-se queda da pressão arterial dentro dos limites fisiológicos. suspender o medicamento e não expor posteriormente o paciente novamente à amineptina. agindo especificamente sobre a lentificação psicomotora e sobre o humor. palpitações. com distribuição uniforme por todo o organismo. Mais raramente. dores abdominais) ou laboratorial (aumento de transaminases ou fosfatase alcalina) reversíveis com a suspensão do tratamento. Seu mecanismo de acção é essencialmente dopaminérgico. INDICAÇÕES Síndromes depressivas. insónia (principalmente após toma da vespertina). neurótica.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A amineptina é rapidamente absorvida no trato gastrintestinal. Amineptine actua combatendo a depressão. Evitar toma da vespertina pelo risco de induzir insónia. é aconselhável a dosagem de enzimas hepáticas. sem maior eficácia antidepressiva. Com posologias muito superiores às doses habituais foram relatados casos de acne. mialgias. restrições de uso de Amineptine conjuntamente com álcool ou alimentos. icterícia. ansiedade. Nos casos de se encontrarem elevadas. involutiva. até o momento. Em caso de icterícia. febre inexplicada. Desaconselha-se o uso durante a gravidez e o aleitamento. Evitar doses superiores a 200mg/dia. CONTRA-INDICAÇÕES 3º CLE – OUT. 2001 101 . Episódios depressivos em PMD. sobre o humor a partir do 7º dia e sobre as alterações do sono após 3 semanas. anorexia ou náuseas persistentes. pela ausência de experiência clínica nessas condições. febre inexplicável. sendo eliminada principalmente pelos rins. náuseas e vertigens.

histaminérgicos ou alfaadrenérgicos. sertralina e paroxetina). como ocorre com os antidepressivos tricíclicos clássicos. insuficiência hepática. O processo de absorção gastrintestinal não é afectado pela presença de alimentos. sofre uma activa e ampla biotransformação hepática da qual surge um único e activo metabólito denominado O-desmetilvenlafaxina (ODV). A venlafaxina é absorvida sem inconvenientes no trato digestivo (92%) nas doses habituais (25-100mg/dia). à diferença dos acima mencionados. Por esta razão não seriam gerados efeitos significativos no nível autônomo. 26% ao metabólito ativo (ODV) e 27% a outros metabólitos inativos. A fração que se liga às proteínas plasmáticas é de 27% para uma concentração sérica de 2.215ng/ml. VENLAFAXINA EFEXOR A Venlafaxina é um novo fármaco antidepressivo com uma estrutura química totalmente diferente da dos tricíclicos clássicos. e desta 5% correspondem ao fármaco não metabolizado. tetracíclicos e outros agentes antidepressivos conhecidos. além de inibir a recaptação da serotonina (5-hidroxitriptamina) age sobre a noradrenalina e a dopamina. isto faz com que a excreção renal seja a principal via de eliminação da venlafaxina. nem anticolinérgicos. hipnossedativos ou cardiovasculares.ciclohexano. O perfil farmacocinético da venlafaxina administrada a cada 8 ou 12 horas não é alterado pela idade nem pelo sexo dos indivíduos em tratamento. O seu mecanismo de acção lembra o de outros antidepressivos conhecidos (fluoxetina. não exerce esta acção sobre os receptores muscarínicos. 2001 102 . Quimicamente denomina-se 1-2 dimetilamino-1-4metoxifeniletil. Estima-se que aproximadamente 87% da dose administrada por via oral são excretados na urina dos pacientes nas primeiras 48 horas. mesmo assim. já que está directamente associado à potenciação da actividade neurotransmissora no sistema nervoso central.5 a 2. 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Coréia de Huntington. antecedentes de hepatite por amineptina. É um potente e activo inibidor da recaptação de aminas no neurónio présináptico e.

para se conseguir a eutimia. A suspensão do tratamento deverá ser lenta e gradual. CONTRA-INDICAÇÕES Gravidez e lactação. Hipersensibilidade ou alergia à venlafaxina. Transtornos obsessivo-compulsivos. diarréia. 2001 103 . a semi-vida de eliminação prolongou-se aproximadamente 50% e o clearance de creatinina em 24%. cefaléia. nervosismo. INTERACÇÕES A venlafaxina é um antidepressivo que. PRECAUÇÕES Os indivíduos que requerem um grau de reflexos e alerta. As patologias depressivas severas requerem tratamentos prolongados (3 a 6 meses). diazepam. ou trabalham com máquinas ou veículos. Quando se deseja substituir a venlafaxina por um antidepressivo inibidor da monoamino oxidase (IMAO). a tolerância clínica ao fármaco é boa e a incidência destes efeitos é baixa (3%). secura da boca e astenia. a administração a crianças menores de 18 anos ou em presença de insuficiência hepática ou renal graves.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Em indivíduos com transtornos renais. cimetidina). 3º CLE – OUT. INDICAÇÕES Síndromes depressivas de grau variável. Desaconselhase o consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento. insónia. pela sua reduzida fração ligada às proteínas plasmáticas e sua mínima interação com o sistema citocromo P450. Em indivíduos hipertensos deverá ser usada com precaução e controle tensional periódico. A semi-vida plasmática do fármaco é similar à da fluoxetina (3 a 5 dias). possui uma leve tendência a gerar interações medicamentosas com diversos fármacos (lítio. Em indivíduos com insuficiência renal recomenda-se reduzir a dose diária. anorexia. observar um intervalo de 7 a 14 dias. confusão mental. REACÇÕES ADVERSAS Foram relatados náuseas. erupções cutâneas. deverão ser advertidos do risco de desenvolver sonolência. ansiedade. enquanto que em pacientes com nefropatias crónicas em processo de diálise a semi-vida prolongou-se em torno de 180%. devendo-se evitar a suspensão repentina. Em geral.

a administração de doses únicas de 1 mg e 3 mg de Reboxetina foi acompanhada por efeitos no SNC dose-dependentes com alterações do EEG (diminuição da voltagem) das ondas teta e beta rápida na derivação fronto-central e melhora da performance. Em voluntários saudáveis. A Reboxetina não possui afinidade significativa com receptores adrenérgicos e muscarínicos. O fármaco parece distribuir-se na água caporal total. Nas doses terapeuticamente eficazes. A ligação a estes receptores foi descrita como estando associada a efeitos colaterais cardiovasculares. Os níveis plasmáticos de Reboxetina decaem de forma mono-exponencial. com semi-vida de aproximadamente 13 h. 2001 104 . A quantidade de radioatividade excretada na urina é de 78% da dose. pode ser chamada de ISRN (Inibidor Seletivo da Recaptação da Noradrenalina). A inibição da recaptação e o conseqüente aumento da disponibilidade da noradrenalina na fenda sinóptica e a alteração da transmissão noradrenérgica estão entre os mecanismos de acção mais importantes dos antidepressivos conhecidos. Embora o fármaco inalterado seja predominante na circulação sistêmica (70% da radioatividade 3º CLE – OUT. anticolinérgicos e sedativos de outros medicamentos antidepressivos. sem dependência significativa da concentração do fármaco. alcançou-se pico de concentração plasmática de aproximadamente 130 ng/ml em um prazo de 2 h após a administração. Dados indicam que a biodisponibilidade absoluta é de no mínimo 90%.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REBOXETINA PROLIFT A Reboxetina é um inibidor altamente selectivo e potente da recaptação da noradrenalina. Observaram-se condições de estado de equilíbrio num prazo de 5 dias. Após administração oral de dose única de 4 mg de Reboxetina a voluntários saudáveis. A taxa de ligação a proteínas plasmáticas da Reboxetina é de 97% (com afinidade acentuadamente maior à glicoproteína l-ácida do que B albumina). portanto. a Reboxetina não apresenta ligação significativa aos receptores da histamina e dopamina.

portanto. Recomenda-se. Da mesma forma que com todos os antidepressivos. Efeitos sobre a capacidade de conduzir veículos e operar máquinas: A Reboxetina não é sedativa. a administração do medicamento deve ser descontinuada se o paciente apresentar convulsões. Deve-se supervisionar rigorosamente pacientes com retenção urinária e glaucoma. O risco de tentativa de suicídio é inerente à depressão e pode persistir até que ocorra remissão significativa. a supervisão rigorosa de pacientes bipolares. A Reboxetina é extensivamente metabolizada após administração oral. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade a Reboxetina ou a qualquer outro componente da fórmula.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML total. portanto. A Reboxetina apenas 3º CLE – OUT. observou-se hipotensão ortostática com maior frequência. o uso da Reboxetina deve ser acompanhado de monitorização no caso de acidentes com antecedentes de distúrbios convulsivos. Deve-se ter cuidado especial ao administrar a Reboxetina concomitantemente a outros medicamentos de conhecida acção hipotensora.Uso pediátrico: Não foram avaliadas a segurança e a eficácia da Reboxetina em crianças. Acima da dose máxima recomendada. supervisão rigorosa do paciente durante o período inicial da terapia medicamentosa. A remissão da fase aguda da doença depressiva está associada a melhora da qualidade de vida do paciente. Uso na Gravidez e Lactação: Não foram realizados estudos adequados e bem-controlados em mulheres grávidas. em termos de adaptação social. Deve-s-e evitar o uso concomitante de inibidores da MAO e Reboxetina. PRECAUÇÕES Devido ao relato de alguns raros casos de convulsões durante os estudos clínicos realizados. O efeito clinico é observado após 14 dias do início do tratamento. em termos de AUC). apenas 10% da dose é excretada na urina na forma inalterada. Em estudos não se observou comprometimento cognitivo ou psicomotor com esse fármaco. INDICAÇÕES A Reboxetina é indicada para o tratamento agudo da doença depressiva e para a manutenção da melhora clínica em pacientes resistentes ao tratamento inicial. até que estejam disponíveis dados adicionais. Recomenda-se. ocorreram alternâncias de mania/hipomania durante os estudos clínicos. 2001 105 .

impotência. Não se avaliou em estudos clínicos o uso concomitante da Reboxetina com outros antidepressivos tricíclicos. mas não se conhece a significância clínica dessa observação. Portanto. que ocorreu com maior freqüência em pacientes do sexo masculino. obstipação. não são necessárias precauções especiais no caso de pacientes que apresentam deficiência desta enzima. a Reboxetina inibe a CYP2D6. vertigem. afectem a farmacocinética da Reboxetina. CYP2C9. Em concentrações altas. em aproximadamente 15% dos casos. insónia. observaram-se distúrbios do ritmo cardíaco (principalmente taquicardia) e de condução. Da mesma forma. CYP2C19 e CVP2E1. taquicardia. é improvável que inibidores dessa enzima. INTERACÇÕES Estudos in vitro e in vivo mostraram que a Reboxetina não é metabolizada pelo citocromo P450 2D6. A extensão da absorção da Reboxetina não é influenciada significativamente pela ingestão concomitante de alimentos. REACÇÕES ADVERSAS Secura na boca. Na população idosa. ISRSs e Lítio). a diferença mais importante entre os sexos foi relacionada à freqüência de dificuldades na micção e retenção urinária. inibidores da MAO. Em termos de incidência de efeitos adversos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML deveria ser utilizada durante a gravidez se o benefício esperado justificar o risco potencial para o feto. como a fluoxetina e a paroxetina. evidentes ao ECG. Observou-se impotência principalmente em pacientes tratados com doses maiores que 8 mg/dia. A única modificação observada nos sinais vitais foi um aumento na frequência cardíaca ortostática. aumento de sudorese. retenção urinária. Estudos de metabolismo in vivo mostraram que a Reboxetina não inibe a actividade das seguintes iso-enzimas do citocromo P-450: CYP1A2. 2001 106 . dificuldades na micção. Além da taquicardia não foram relatadas alterações consistentes nos traçados de ECG durante o tratamento de pacientes adultos com Reboxetina. Enquanto não estiverem disponíveis informações sobre a excreção da Reboxetina no leite materno humano não se recomenda a administração da Reboxetina a lactantes. 3º CLE – OUT.

Fluvoxamina é bem tolerado. betaadrenérgicos. FLUVOXAMINA LUVOX A Fluvoxamina é indicada no tratamento de certos distúrbios afectivos. No caso de doses tóxicas recomenda-se monitorização da função cardíaca e dos sinais vitais. O seu mecanismo de acção parece estar relacionado à inibição selectiva da recaptura da serotonina nos neurónios cerebrais. colinérgicos muscarínico. histaminérgicos. nove metabólitos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SUPERDOSAGEM Em alguns casos foram administradas doses maiores que as recomendadas (12 mg a 2O mg/dia) por um período que variou de alguns dias a algumas semanas durante os estudos clínicos. pelo menos. Os dois metabólitos principais mostraram actividade farmacológica não significativa e acredita-se que os demais metabólitos não sejam farmacologicamente activos. quando da administração de doses repetidas. dopaminérgicos ou serotoninérgicos. ansiedade e hipertensão. que são excretados pelos rins. A meia-vida plasmática média da Fluvoxamina é de aproximadamente. 2001 107 . principalmente via demetilação oxidativa. A interferência com os processos adrenérgicos é mínima. produzindo. 3º CLE – OUT. Os eventos adversos relatados incluíram hipotensão ortostática. A ligação da Fluvoxamina às proteínas plasmáticas humanas in vivo é de cerca de 80%. e discretamente mais longa (17-22 horas). sendo indicado para tratamentos tanto de curto prazo tanto de manutenção. quando os níveis plasmáticos de equilíbrio são atingidos em 10 a 14 dias. 13-15 horas após uma dose única. Níveis plasmáticos máximos são atingidos 3 a 8 horas após sua administração. sendo também negligenciável a sua capacidade de ligação aos receptores alfa-adrenérgicos. A Fluvoxamina é absorvida após administração oral. A Fluvoxamina sofre extensa transformação hepática. Os estudos realizados em pacientes idosos não mostraram diferenças quanto à segurança e eficácia em ralação a pacientes de outras faixas etárias.

INDICAÇÕES Fluvoxamina é indicada no tratamento da depressão e dos sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo. CONTRA-INDICAÇÕES Fluvoxamina não deve ser administrada concomitantemente com inibidores da monoamino-oxidase (IMAO). moclobemida. Contudo. O tratamento deve ser descontinuado se ocorrerem convulsões. Ela não interfere nas habilidades psicomotoras associadas com a condução de veículos ou operação de máquinas. relatou-se sonolência durante o tratamento com a Fluvoxamina. à actividade reprodutora. Fluvoxamina não é recomendado para uso em crianças. uma dose mais baixa. até a dose de 150 mg/dia. inicialmente. Gravidez e lactação: Estudos de reprodução com altas doses em animais não revelaram evidências de prejuízo à fertilidade. devendo ser cuidadosamente monitorizados. 0 tratamento com Fluvoxamina pode ser iniciado duas semanas após suspensão de um IMAO irreversível.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Não houve evidência de fenómenos de dependência. Fluvoxamina é também indicada em pacientes com hipersensibilidade à droga. ou o tratamento deve ser descontinuado. nem efeitos 3º CLE – OUT. ou no dia seguinte após a suspensão de um lMAO reversível por exemplo. Recomenda-se cautela quando o produto é administrado a pacientes com distúrbios convulsivos. com o produto nessa faixa etária. PRECAUÇÕES A possibilidade de tentativa suicida é inerente a pacientes com depressão. 2001 108 . Fluvoxamina pode provocar uma insignificante diminuição no batimento cardíaco. Deve haver um intervalo de pelo menos uma semana entre o término do tratamento com Fluvoxamina e do tratamento com qualquer IMAO. Pacientes apresentando insuficiência renal ou hepática devem receber. Da mesma maneira que ocorre com outros fármacos psicoativos o paciente deve ser alertado para evitar o uso de álcool durante o tratamento com Fluvoxamina. e pode persistir até que ocorra uma remissão significativa. pois ainda não há experiência suficiente.

devem ser observadas as precauções usuais relativas à administração de qualquer droga durante a gravidez. warfarina. teofilina. A Fluvoxamina é excretada no leite humano em pequenas quantidades. clozapina carbamazepina. 2001 109 . A Fluvoxamina pode prolongar a efeminação de drogas metabolizadas por via oxidativa no fígado. é possível uma interacção clinicamente significativa com drogas com um índice terapêutico estreito. ex. observou-se níveis plasmáticos aumentados de propranolol durante administração concomitante da Fluvoxamina. como p. Não se recomenda a administração concomitante desses fármacos. o triptofano) aumenta os efeitos serotoninérgicos da ftuvoxamina. portanto. e. possivelmente. Portanto. isso resulta numa síndrome serotoninérgica. portanto. Não se registaram interações com digoxina ou atenolol. Contudo. deve-se monitorizar os tempos de protrombina dos pacientes que estejam recebendo anticoagulantes orais e Fluvoxamina. 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML teratogênicos. diminuir a dose desse medicamento quando prescrito juntamente com Fluvoxamina. Nos estudos de interação medicamentosa. INTERACÇÕES Fluvoxamina não deve ser utilizado em combinação com IMAOs. Recomenda-se. não deve ser utilizado por mulheres que estejam a amamentar. Os níveis plasmáticos de benzodiazepínicos metabolizados por via oxidativa podem aumentar durante a administração concomitante com Fluvoxamina. fenitoína. Este produto. e os tempos de protrombina são aumentados. as concentrações plasmáticas de warfal aumentam significativamente. Relatou-se um aumento nos niveis plasmáticos previamente estáveis de antidepressivos tricíclicos quando usados de forma combinada com Fluvoxamina . Quando Fluvoxamina é administrada concomitantemente com warfarina por duas semanas. Apesar disso.. essa associação deve ser utilizada com cautela. Em raras ocasiões. portanto. Os efeitos serotoninérgicos podem também ser aumentados quando a Fluvoxamina é utilizada em combinação com outros agentes serotoninérgicos (incluindo somatriptano e ISRSs). A Fluvoxamina tem sido utilizada em combinação com lítio no tratamento de pacientes com depressão grave resistente à medicação. o lítio (e.

dispepsia. convulsões.5%): astenia. 2001 110 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REACÇÕES ADVERSAS A reacção adversa mais frequentemente observada com Fluvoxamina é náusea. agitação. alucinações. vertigens. ataxia. palpitações/taquicardia. insónia. observados nos estudos clínicos nas frequências relacionadas abaixo. Reacções adversas mais frequentes (1-1. foram relatados sintomas. não sendo necessariamente relacionada com o tratamento.1%): função hepática anormal. sonolência. Este efeito colateral geralmente diminui dentro das duas primeiras semanas de tratamento. mialgia. Raramente. fotossensibilidade. obstipação. cefaléia. SUPERDOSAGEM Os sintomas mais comuns de superdosagem incluem queixas gastrintestinais. nervosismo. tremores. prurido. bradicardia. hipotensão. vertigens e ansiedade após a interrupção abrupta da administração de Fluvoxamina. dor abdominal. náuseas. confusão. Reações menos freqüentes (< 1 %): hipotensão postural. vómitos e diarréia. Reações raras (< 0. distúrbios da função hepática. erupção cutânea. sintomas extrapiramidais. TIANEPTINA STABLON 3º CLE – OUT. Outros efeitos colaterais. sudorese. sonolência. náuseas. mal estar. raramente esta foi observada durante o tratamento com Fluvoxamina. tonturas. algumas vezes acompanhada de vómitos. Foram também relatados eventos cardíacos taquicardia. mania. artralgia. galactorréia. diarréia. ansiedade. anorexia. ejaculação retardada. boca seca. incluindo cefaléias. Embora tenha sido observada hiponatremia durante o uso de outros antidepressivos. convulsões e coma. são frequentemente associados com a própria patologia tratada.

sobre o sistema cardiovascular. Desta forma Tianeptina caracteriza-se por: uma actividade sobre os distúrbios do humor. 3º CLE – OUT. vertigens. A absorção digestiva da Tianeptina é rápida e completa. em crianças menores de 15 anos. obstipação. a redução progressiva da dose durante 7 a 14 dias. flatulência. na gravidez ou aleitamento. como para todos os antidepressivos. A excreção dos metabólitos se dá essencialmente por via renal com uma excreção muito pequena do produto inalterado (8%). os pacientes em uso de Tianeptina deverão ser vigiados no início do tratamento. do hipocampo e do sistema límbico. secura da boca. associação com a mianserina. uma actividade sobre os distúrbios do carácter e do comportamento do etilista no período de abstinência. náuseas. REAÇÕES ADVERSAS Raras. situando-se entre os antidepressivos sedativos e os estimulantes. mialgia. sonolência. gravidez. vómitos. anorexia. A Tianeptina é desprovida de efeito: sobre o sono e a vigília. lipotimia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A Tianeptina é um antidepressivo derivado dos tricícliclos. A Tianeptina não deve ser utilizado nos seguintes casos: em associação com os IMAO. Na paragem do tratamento recomenda-se. de indução ao hábito. cefaléia. A metabolização é hepática. O seu mecanismo de acção é essencialmente serotoninérgico. pois Tianeptina induz a recaptação da serotonina pelos neurónios do córtex. tremores. pesadelos. lombalgia. astenia. 2001 111 . insónia. uma actividade nítida sobre as queixas somáticas. geralmente benignas: gastralgias. é conveniente advertir o anestesista e suspender o tratamento 24 ou 48 horas antes da intervenção. em particular as queixas digestivas. ligadas à ansiedade e aos distúrbios do humor. Não parar o tratamento bruscamente. associação aos IMAO. PRECAUÇÕES Devido ao risco de suicídio. dores abdominais. A distribuição é próxima de 94%. sobre o sistema colinérgico (ausência de manifestações anticolinérgicas). em caso de anestesia geral. CONTRA-INDICAÇÕES Crianças menores de 15 anos. desconforto respiratório.

como ocorre com outros fármacos afins (maprotilina. INDICAÇÕES Síndromes depressivas. regulação por rebaixamento dos adreno-receptores. depressão reactiva. doença maníaco-depressiva bipolar. alterações nos receptores serotoninérgicos. Também foram postulados numerosos mecanismos para explicar a dissociação entre o bloqueio de recaptação de neuraminas. a diminuição da descarga neuronal.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES Com IMAO não seletivos e com a mianserina. amoxapina). similar à maprotilina. terapia sintomática e apoio das funções vitais respiratórias e cardiovasculares. Depressão associada com ansiedade. que como todos esses fármacos bloqueia a captação neuronal de aminas e consequentemente induz um aumento e maior biodisponibilidade de noradrenalina (NA) ou de serotonina (5HT) em nível sináptico. enquanto a atividade anticolinérgica é fraca. que é rápido e detectável em poucas horas. hidratação. 3º CLE – OUT. A sua eliminação realiza-se principalmente através do rim. melancolia. difunde-se no plasma e liga-se com elevada afinidade às proteínas séricas (90%). 2001 112 .Apresenta uma longa semi-vida plasmática (20-40 horas). e o surgimento tardio (14 a 21 dias) do efeito antidepressivo clínico como a diminuição da troca do neurotransmissor. SUPERDOSAGEM Além da sedação excessiva não foram identificados efeitos de importantes por superdose. Nesses casos aconselham-se lavagem gástrica. A sua absorção digestiva é rápida e completa após sua administração oral. MIRTAZAPINA REMERON A Mirtazapina é um antidepressivo tetracíclico derivado da piridolbenzazepina. O seu efeito neurodepressor é acentuado.

enfarte do miocárdio recente. febre. Crianças menores de 12 anos. sonolência. 2001 113 . CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade ao fármaco. INTERACÇÕES O uso simultâneo com álcool. hipertrofia prostática. TRAZODONA DONAREN 3º CLE – OUT. Pode afectar a concentração e os reflexos. estomatite ou outros sinais de infecções. artralgia. glaucoma de ângulo estreito. Estados maníacos. A dose deverá ser adequada. Gravidez e lactação. barbitúricos ou benzodiazepínicos pode potencializar o efeito depressor sobre o SNC. icterícia. diabetes. e diante da sua detecção. hipotensão arterial. visão turva. arritmias cardíacas. edemas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REACÇÕES ADVERSAS Cefaléias. Crises convulsivantes. insuficiência cardíaca. astenia. Pode ser observado agravamento dos sintomas psicóticos quando o medicamento é administrado a pacientes com esquizofrenia ou patologias psicóticas ou paranóides. realizar um hemograma e suspender o tratamento. discrasias sanguíneas. especialmente em indivíduos que dirijam veículos ou maquinarias perigosas. O uso simultâneo com IMAO não é aconselhado devido ao risco hipertensor e convulsivante. secura da boca. regulada e controlada cuidadosamente em indivíduos com insuficiência hepática ou renal. ginecomastia. tonturas. Deverá monitorizar o surgimento de odinofagia. epilepsia. PRECAUÇÕES Após 4-6 semanas do início do tratamento foi observada mielodepressão manifestada como granulocitopenia que é reversível com a supressão do tratamento. Pode diminuir o limiar convulsivante e diminuir o efeito dos agentes anticonvulsivantes quando associado a esses medicamentos. hipotensão arterial.

SUPERDOSE Ocorreram mortes por superdoses em pacientes que consumiam paralelamente outras drogas (álcool. submeter o paciente a lavagem ou esvaziamento gástrico. expressa como depressão ou humor disfórico. álcool + hidrato de cloral + diazepam. Também tem sido utilizada isolada ou como coadjuvante no tratamento da bulimia. a diurese forçada pode ajudar a eliminar a trazodona. do sentimento de culpa ou de menosprezo. paragem respiratória. atraso ou agitação psicomotora. enquanto os restantes 25% exigem 2 a 4 semanas para responder. aumento da fadiga. convulsões e modificações no eletrocardiograma. A eliminação é bifásica e varia muito de um paciente para outro. Não existe tratamento específico. Sabe-se que. perda de interesse pelas actividades diárias. INDICAÇÕES Depressão profunda.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A Trazodona é um antidepressivo cuja molécula não apresenta relação com outros fármacos de efeito similar. inibe de forma selectiva a recaptação de serotonina pelas sinapses cerebrais e potencia as mudanças de comportamento induzidas pela administração de um precursor da serotonina. da neuropatia diabética. inversões no sono. A resposta clínica observa-se em 75% dos pacientes ao final da segunda semana de administração. a presença de alimentos pode elevar levemente a biodisponibilidade. em animais. raciocínio lento ou perda da concentração e idéias ou tentativas de suicídio. da cleptomania. o 5-hidroxitriptofano. Com tradozona isolada as reacções mais severas têm sido: priapismo. REACÇÕES ADVERSAS 3º CLE – OUT. A trazodona é bem absorvida no intestino. 2001 114 . diminuição do desejo sexual. O mecanismo de acção não está bem esclarecido. que interfere na vida diária e inclui pelo menos 4 dos seguintes sintomas: mudanças no apetite. amobarbital. clordiazepóxido). na profilaxia da enxaqueca e para alívio dos sintomas de agorafobia dos pacientes com síndromes de abstinência de álcool. deve-se administrar tratamento sintomático de manutenção. meprobamato.

observa-se que sua administração eleva a reabsorção fetal. dores músculo-esqueléticas. 2001 115 . Desconhece-se a ocorrência de interações entre os IMAO e a trazodona. enjoos. f] pirazino [1. vómitos. não-relacionado com os antidepressivos tricíclicos "TADs". devido à ausência de cadeia lateral básica em sua estrutura. Em animais. a] azepina. os homens com ereções prolongadas e impróprias deveriam interromper o uso da droga imediatamente e consultar o médico. 2. que exige intervenção cirúrgica em um terço dos casos com uma proporção de impotência ou falhas permanentes de ereção. fadiga. 3º CLE – OUT. enquanto receber a trazodona. nervosismo. por isso. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade à trazodona. insónia. 4. quimicamente denominado como monocloridrato de 1. a menos que o benefício para elas supere o risco potencial para o feto. por isso não deveria ser usada em mulheres grávidas. Não operar máquinas pesadas nem dirigir automóveis. sonolência. dor de cabeça. A segurança e a eficácia em menores de 18 anos não foram estabelecidas. hipertensão. náuseas. confusão. 2. A amamentação deve ser interrompida se for indicada a trazodona. incoordenação. MIANSERINA TOLVON A Mianserina é um agente antidepressivo para uso oral. 3. 14b-hexahidro-2-metildibenzo [c. PRECAUÇÕES A trazodona tem sido associada ao aparecimento de priapismo. obstipação.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Visão turva. boca seca. INTERACÇÕES Pode elevar os níveis séricos de degoxina e fenitoína. hipotensão. por isso as transições entre eles devem ser feitas com extrema cautela. 10. O cloridrato de mianserina não possui actividade anticolinérgica dos "TADs".

é isento de actividade anticolinérgica e não produz efeitos significativos sobre o sistema cardiovascular. causa menos efeitos cardiotóxicos em superdosagens. Mianserina. CONTRA INDICAÇÕES Em pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula. 3º CLE – OUT. 2001 116 . portanto. Em doses terapeuticamente efectivas. como outros antidepressivos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A eficácia antidepressiva global da Mianserina é comparável a dos antidepressivos commumente utilizados. o tratamento deverá ser descontinuado. Mianserina possui ainda actividade ansiolítica de valor no tratamento de pacientes com ansiedade associada à depressão. O tratamento deverá ser interrompido na vigência de icterícia ou de convulsões. metildopa) nem altera a acção dos anticoagulantes cumarínicos (fenprocumon). poderá precipitar a ocorrência de hipomania em indivíduos susceptíveis a doença depressiva bipolar. Comparado aos "TADs". PRECAUÇÕES Mianserina possui acção sedativa pronunciada e pode diminuir a performance psicomotora durante os primeiros dias de tratamento. A Mianserina é bem tolerado particularmente por pacientes idosos e portadores de doenças cardiovasculares. Nesses casos. A Mianserina não antagoniza a acção de agentes simpaticomiméticos (betanidina) ou dos receptores alfa-2 (clonidina. durante a fase maníaca de doença bipolar e nos casos de psicose esquizofrênica. Mianserina Comprimidos é rapidamente absorvido pelo trato gastrintestinal. metabolizado no fígado e excretado pela urina e fezes. INDICAÇÕES Mianserina é indicado no tratamento das patologias depressivas nas quais estejam indicados os fármacos antidepressivos. os pacientes deverão ser prevenidos quanto à realização de tarefas perigosas como dirigir veículos ou operar máquinas. Os benefícios do uso de Mianserina durante a gravidez e a lactação deverão ser avaliados em relação aos possíveis riscos para o feto ou lactente. Finalmente.

clonidina. os pacientes deverão ser orientados a não usar bebidas alcoólicas durante o tratamento com Mianserina Comprimidos. Se o paciente apresentar febre. Durante os primeiros dias de tratamento foram relatados casos de tonturas. guanetidina ou propranolol (isolados ou em combinação com hidralazina) entretanto. renal ou hepática. recomenda-se monitorizar a pressão arterial dos pacientes que estejam em tratamento concomitante com anti-hipertensores. artralgia. não é recomendável reduzir a dose de Mianserina. convulsões. A Mianserina não deverá ser administrado simultaneamente ou dentro de 2 semanas após a interrupção do tratamento com inibidores da MAO. deverá ser solicitado um hemograma. mais comum nos idosos. foram relatados casos de depressão da medula óssea. Mianserina não interage com a betanidina. distúrbios da função hepática. pacientes com glaucoma ou sintomas sugestivos de hipertrofia prostática. INTERACÇÕES O cloridrato de mianserina poderá potencializar a acção depressiva do álcool sobre o SNC. Essas reacções foram observadas em todas as faixas etárias. metildopa. em muitos casos foi observado uma diminuição desses sintomas. edema e ginecomastia foram ocasionalmente relatados. A fim de assegurar um efeito antidepressivo óptimo. A freqüência e severidade dos sintomas relacionados com a depressão tais como visão turva. estomatite ou outros sinais de infecção. 2001 117 . porém. hipomania. ao contrário. portanto. irritação da garganta. deve-se ter cautela quando da administração de Mianserina a pacientes com história de crises convulsivas. Precauções normais deverão ser tomadas e posologias de qualquer terapêutica concomitante mantidas sob controle quando do tratamento de pacientes portadores de: diabetes. hipotensão. Embora não seja considerado epileptogênico. SUPERDOSAGEM 3º CLE – OUT. REACÇÕES ADVERSAS Discrasias sanguíneas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Após 4 a 6 semanas de tratamento com cloridrato de mianserina. insuficiências cardíaca. boca seca e obstipação não aumentam durante o tratamento com Mianserina. geralmente evidenciados por granulocitopenia ou agranulocitose. Essas reacções foram revertidas com a interrupção do tratamento.

inibidores selectivos da MAO B. Ao contrário dos antidepressivos tricíclicos. 3º CLE – OUT. A sua biodisponibilidade é da ordem de 85%. Em associação com inibidores não selectivos da MAO (IMAOs). O milnaciprano também não tem afinidade por receptores dopaminérgicos D1 e D2 ou receptores benzodiazepínicos e opióides. MILNACIPRANO IXEL O milnaciprano é um inibidor não selectivo de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). consistentemente. normalmente estão confinados a sedação prolongada. Não há um antídoto específico. Em humanos. Após ingestões repetidas. convulsões. O tratamento consiste na lavagem gástrica e na instituição de terapia sintomática de suporte para as funções vitais. hipotensão severa e depressão respiratória. por falta de dados clínicos. A concentração plasmática máxima é atingida por volta de 2 horas após a ingestão oral. a dose terapêutica e as concentrações plasmáticas do milnaciprano produzem. digitálicos e agonistas 5HT1D (sumatriptano). Em pacientes com menos de 15 anos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Os sintomas relacionados à superdosagem. o milnaciprano não tem afinidade por receptores colinérgicos (muscarínicos). não sendo modificada pela alimentação. É improvável a ocorrência de arritmias cardíacas. o nível plasmático do estado de equilíbrio é atingido em 2 a 3 dias. CONTRA-INDICAÇÕES O milnaciprano é contra-indicado nas seguintes condições:Hipersensibilidade conhecida ao milnaciprano ou a outros componentes da formulação. O milnaciprano não induz modificações de repolarização ou condução cardíacas e tem pouco efeito sedativo. 2001 118 . um nível de inibição de 50% a 90% da recaptação de noradrenalina e serotonina. O milnaciprano é bem absorvido após administração por via oral. a1-adrenérgicos ou histaminérgicos H1. É conveniente aguardar um intervalo de pelo menos 15 dias entre a interrupção do tratamento com um inibidor da MAO e a introdução de milnaciprano.

em razão do prolongamento da semi-vida de eliminação. é preferível não usar o milnaciprano durante a gravidez. Entretanto. como com qualquer medicamento psicotrópico. pois o efeito na inibição psicomotora pode preceder a acção antidepressiva do medicamento. este medicamento também não deve ser usado nas seguintes condições:Em associação com adrenalina e noradrenalina por via parenteral. Na ausência de efeitos teratogênicos demonstrados nos estudos em animais. na maioria dos casos. Em caso de evidente ciclagem para mania. é preferível não administrar o milnaciprano durante a gravidez.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML De modo geral. malformações em humanos não são esperadas. recomenda-se evitar a ingestão de álcool. Estudos em animais evidenciaram a passagem de pequena quantidade de milnaciprano pela placenta. o risco de suicídio em pacientes deprimidos persiste no início do tratamento. 3º CLE – OUT. Como pequenas quantidades do milnaciprano são excretadas no leite materno. digoxina e inibidores selectivos da MAO. um agente antipsicótico sedativo pode ser introduzido. Pacientes com insónia ou nervosismo no início do tratamento podem necessitar tratamento sintomático adjuvante transitório. o tratamento com milnaciprano deve ser descontinuado e. não há dados relevantes que demonstrem efeitos teratogênicos ou tóxicos do milnaciprano para o feto quando este é administrado durante a gravidez. Actualmente. pois não existem informações suficientes sobre seus efeitos sobre o feto. como o milnaciprano passa para o leite em pequenas quantidades. Em pacientes com glaucoma de ângulo aberto. ou clonidina e compostos similares. Embora interação com álcool não tenha sido evidenciada. o seu uso é contra-indicado durante a amamentação. por medida de precaução. Na gravidez e lactação: por medida de precaução. 2001 119 . a amamentação é contraindicada. Em pacientes hipertensos ou cardiopatas: recomenda-se reforçar a vigilância clínica. uma vez que o milnaciprano pode aumentar discretamente a frequência cardíaca em alguns pacientes. PRECAUÇÕES Como no tratamento com outros antidepressivos. Em hipertrofia prostática e outros distúrbios gênito-urinários . O milnaciprano deve ser prescrito com prudência nos seguintes casos: Em pacientes com insuficiência renal: a posologia deve ser reduzida.

rigidez. gastrintestinais: náusea. Deve-se aguardar um intervalo de uma semana entre a interrupção do milnaciprano e o início do tratamento com sumatriptano. vegetativos: hipotensão ou hipertensão arterial. particularmente por via parenteral. calafrios. hipomania. existe o risco de hipertensão arterial e vasoconstrição arterial coronariana. diarréia. este medicamento pode reduzir a capacidade física e mental necessária para a execução de tarefas como operar máquinas ou dirigir veículos. cólicas. noradrenalina (simpatomiméticos alfa e beta). diaforese. eventualmente coma. por potencialização de efeitos serotoninérgicos. Deve haver um intervalo de duas semanas entre a interrupção do IMAOB e o início do tratamento com milnaciprano e pelo menos uma semana entre a interrupção do milnaciprano e o início do tratamento com IMAO-B. Com digitálicos (digoxina): Risco de potenciação de efeitos hemodinâmicos. Com agonistas 5 HT1D (sumatriptano): Por extrapolação com inibidores selectivos de recaptação da serotonina. Associações desaconselhadas: Com adrenalina. Deve haver um intervalo de duas semanas entre o término de tratamento com um IMAO e o início do tratamento com o milnaciprano e pelo menos uma semana entre a interrupção do milnaciprano e o início de tratamento com um IMAO. Com inibidores seletivos da MAO B (selegilina): Existe o risco de crises hipertensivas. 3º CLE – OUT. INTERACÇÕES Associações contra-indicadas: Com inibidores não seletivos da MAO (tranilcipromina): Existe o risco do desenvolvimento de síndrome serotoninérgica. hiperatividade. taquicardia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Embora nenhuma alteração da função cognitiva ou psicomotora tenha sido observada em voluntários sadios. hiperreflexia. 2001 120 . confusão mental. hipertermia. motores: mioclonias. A síndrome serotoninérgica manifesta-se pelo desenvolvimento simultâneo ou sequencial (às vezes abrupto) de um conjunto de sintomas que podem requerer hospitalização ou mesmo levar à morte. Os seguintes sintomas podem ocorrer: psiquiátricos: agitação. tremores. vómitos.

ansiedade e disúria. reactivação de delírios. com lavagem gástrica. com risco de suicídio. diaforese. São geralmente benignos e só raramente levam à interrupção do tratamento. Lítio: Risco de desenvolvimento de síndrome serotoninérgica. SUPERDOSAGEM Com doses de 800 mg a 1 g. 3º CLE – OUT. com episódio de mania. hipotensão postural e palpitações). sintomas de ansiedade paroxística (com antidepressivos psicoestimulantes). em pacientes psicóticos. certos efeitos indesejáveis estão relacionados com a própria natureza da depressão: eliminação da inibição psicomotora. por via parenteral: risco de crises hipertensivas. obstipação.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Em caso de acção sistêmica. Após doses maciças (1. distúrbios respiratórios (crises de apnéia) e taquicardia. 2001 121 .8 g).9 g a 2. Além disso. Observou-se que pacientes com história de distúrbio cardiovascular ou uso concomitante de medicamento cardiológico podem ter maior incidência de eventos adversos cardiovasculares (hipertensão. vómitos. Os efeitos indesejáveis relatados com menor frequência são: náusea. o mais rapidamente possível após a ingestão oral. REACÇÕES ADVERSAS Os efeitos indesejáveis observados durante o tratamento com milnaciprano ocorrem principalmente na primeira ou nas duas primeiras semanas de tratamento e regridem. hipercapnia e alterações da consciência. com a melhoria da depressão. subsequentemente. Vertigem. os principais sintomas observados foram: vómitos. Monitoração deve ser mantida no mínimo 24 horas. tremores e palpitações. hipotensão. ciclagem do humor. xerostomia. O tratamento deve ser sintomático. em monoterapia. com possíveis arritmias (inibição da entrada de adrenalina ou de noradrenalina na fibra simpática). em associação com outros fármacos (principalmente benzodiazepínicos) os seguintes sintomas adicionais ocorrem: sonolência.

tais como adrenalina. é uma enzima envolvida no metabolismo da serotonina e dos neurotransmissores catecolaminérgicos. a Tranilcipromina é um derivado não hidrazínico. 3º CLE – OUT. Os antidepressivos IMAOs são inibidores da MAO e. Stelapar MOCLOBEMIDA: Aurorix SELEGILINA: Elepril. que se une de forma irreversível a esta enzima. com alterações nas características dos neuroreceptores. norepinefrina e dopamina. e principalmente. Acredita-se que a acção antidepressiva dos IMAOs se correlacione também. propriamente dita. É um inibidor da MAO não selectivo. 2001 122 . Inibe a monoaminoxidase (MAO).7 Antidepressivos IMAOs Os chamados antidepressivos Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO) promovem o aumento da disponibilidade da serotonina através da inibição dessa enzima responsável pela degradação desse neurotransmissor intracelular.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 7. enzima envolvida no metabolismo da serotonina e dos neurotransmissores catecolaminérgicos. análogo estrutural da anfetamina. produz-se um aumento da concentração destes neurotransmissores nos locais de armazenamento. A actividade MAO reduzida produz um aumento da concentração destes neurotransmissores nos locais de armazenamento em todo o SNC ou no sistema nervoso simpático. jumexil TRANILCIPROMINA PARNATE STELAPAR Usada como cloridrato. alterações essas no número e na sensibilidade desses receptores. tais como epinefrina. TRANILCIPROMINA: Parnate. em todo o SNC ou no sistema nervoso simpático. noradrenalina e dopamina. havendo uma redução na actividade MAO. Isso explicaria o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. A monoaminoxidase (MAO). mais até do que com o bloqueio da recaptação sináptica dos neurotransmissores.

que não responde ou não tolera outros antidepressivos. cefaléias. sonolência. crises convulsivas. hipotensão e hiperpirexia. Pode-se prolongar e 3º CLE – OUT. Não se recomenda sua administração em menores de 16 anos. alucinações. A Tranilcipromina é bem absorvida no trato gastrintestinal. Os antidepressivos tricíclicos aumentam os efeitos anticolinérgicos e podem produzir crises hiperpiréticas. Sinais de superdosagem: ansiedade grave. confusão. Os IMAO potencializam os efeitos dos hipoglicemiantes orais e da insulina. sudoração e irritabilidade não habitual. já que pode produzir atraso no crescimento. micção dificil. PRECAUÇÕES É importante evitar bebidas alcoólicas e com cafeína. visão turva. o que explicaria o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. obstipação. febre. Com os diuréticos pode ocorrer um efeito hipotensor aumentado. Metaboliza-se por oxidação no fígado de forma rápida. INDICAÇÕES Tratamento da depressão maior sem melancolia. Ao produzir sonolência deve-se ter precaução ao dirigir veículo ou realizar trabalhos que requeiram estado de atenção. REACÇÕES ADVERSAS São de incidência mais frequente: enjoos ou sensação de enjoos graves. cansaço e debilidade. INTERACÇÕES O uso simultâneo de anticonvulsivos pode aumentar os efeitos depressores sobre o SNC e produzir uma alteração nos quadros de crises epileptiformes. De incidência rara: colúria. É eliminado por via renal e biliar. crises hipertensivas e convulsões graves. Controlar a glicemia e glicosúria em pacientes diabéticos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Acredita-se que a acção antidepressiva correlaciona-se melhor com as alterações nas características dos receptores produzidos pela administração crónica de tranilcipromina do que com o bloqueio da recaptação sináptica dos neurotransmissores. enjoos graves. dado que os resultados podem estar diminuídos. erupção cutânea. Com o dextrometorfano pode ocorrer excitação. edemas de membros inferiores. 2001 123 .

Disfunção renal. uma vez que a associação pode gerar crises hipertensivas de moderadas a graves e repentinas. passando para a circulação portal a partir do trato gastrintestinal. A sua primeira passagem hepática reduz a fracção do princípio activo disponível a nível sistêmico (biodisponibilidade). Também está contra-indicado a pacientes com hipersensibilidade a moclobemida e estados de confusão aguda. Feocromocitoma. diabetes mellitus. asma ou bronquite. esquizofrenia paranóide.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML intensificar os efeitos sedativos e antimuscarínicos do naloperidol. Após administração oral. patologia cerebrovascular. 3º CLE – OUT. arritmias cardíacas. O uso simultâneo de drogas simpaticomiméticas pode prolongar e intensificar os efeitos vasodepressores e de estimulação cardíaca. Parkinson e disfunção renal e hepática. hipertermia. a moclobemida é completamente absorvida. fenotiazinas e tioxantenos. MOCLOBEMIDA AURORIX A Moclobemida não deve ser utilizado em crianças uma vez que ainda não se dispõe de estudos nessa faixa etária. Os estudos em animais não indicam que Moclobemida deva ser contra-indicado na gravidez. loxapina. desorientação ou confusão. Não se recomenda o uso simultâneo com levodopa. hipertireoidismo. A relação riscobenefício deve ser avaliada na presença de alcoolismo activo ou tratado. hiperventilação. Devido a mínima passagem de moclobemida para o leite materno devem ser considerados os benefícios para a mãe em relação aos possíveis riscos para a criança. A associação com metildopa pode produzir hiperexcitabilidade. CONTRA-INDICAÇÕES Disfunção hepática grave. Os comprimidos devem ser tomados com um pouco de líquido e sempre após as principais refeições. 2001 124 . hipertensão. epilepsia. O uso de L-triptófano pode produzir hiperreflexia.

ocorre uma elevação proporcionalmente maior nas concentrações do estado de equilíbrio dinâmico (steady-state). Estados de confusão aguda. principalmente albumina. O clearance sangüíneo é de aproximadamente 20-50 l/hora e a semi-vida de eliminação é de uma a duas horas e ligeiramente mais elevada em doses mais altas. encontrados in vitro e no animal. uma vez que não se dispõe. a moclobemida é extensivamente difundida pelo organismo com um volume de distribuição de cerca de 1. as concentrações plasmáticas de moclobemida aumentam durante a primeira semana de tratamento e permanecem estáveis em seguida. uma vez que não possui acção sedativa e não compromete a atenção nem a capacidade de reacção. A moclobemida passa para o leite materno em quantidades mínimas (menos de 0. INDICAÇÕES Tratamento das síndromes depressivas. estão presentes na circulação sistêmica no ser humano apenas em concentrações muito baixas. de experiência clínica nesta faixa etária. A ligação às proteínas plasmáticas. Moclobemida não deve ser utilizado em pediatria. Concentrações plasmáticas máximas são atingidas aproximadamente uma hora após administração. A moclobemida é rapidamente eliminada do organismo.2 L/kg. Quando a dose diária é aumentada. A metabolização ocorre em grande parte através de reacções oxidativas sobre a fracção morfolina da molécula. Os metabólitos são eliminados por via renal. até o momento. é relativamente baixa (50%). A moclobemida é quase que inteiramente metabolizada antes de sua eliminação pelo organismo: menos do que 1% da dose é eliminado por via renal sob forma inalterada. Produtos de degradação farmacologicamente activos. Devido à sua natureza lipofílica. Moclobemida é particularmente adequado para tratamento ambulatorial. 3º CLE – OUT. Após doses repetidas. 2001 125 .06% da dose para o adulto).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Esta redução é mais pronunciada após dose única ( 60%) do que doses múltiplas (80%). CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade.

Deve-se ter cautela ao se administrar a moclobemida junto com a clomipramina. Uso durante a lactação: devido à passagem de quantidades mínimas de moclobemida para o leite materno. Pacientes hipertensos devem ser alertados no sentido de evitar o consumo de grandes quantidades de alimentos ricos em tiramina. cefaléia. sonolência. 3º CLE – OUT. Na ausência de experiência clínica com moclobemida nestes grupos. estados confusionais foram observados. 2001 126 . rubor. agitação. se possível. recomendamos cautela na prescrição a estes pacientes. ser mantido nestes pacientes. O tratamento com neurolépticos a longo prazo deve. vertigens. Considerações farmacológicas de natureza teórica indicam que os IMAO em geral podem precipitar crise hipertensiva em pacientes com tireotoxicose ou feocromocitoma.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A administração concomitante de moclobemida com seleginina também é contra-indicada. mas cessaram rapidamente após interrupção do tratamento. os benefícios do tratamento para a mãe devem ser considerados em relação aos possíveis riscos para o lactente. PRECAUÇÕES Pacientes depressivos nos quais a excitação ou agitação seja o quadro clínico predominante não devem ser tratados com Moclobemida isoladamente. Os efeitos secundários mais freqüentes que foram observados: distúrbios do sono.: um benzodiazepínico). náuseas. geralmente não se observa diminuição no desempenho em actividades que requeiram plena capacidade de atenção (p. Uso durante a gravidez: os dados disponíveis referentes aos estudos em animais não indicam que Moclobemida deva ser contra-indicado durante a gravidez. Em casos raros. Durante o tratamento com Moclobemida. ex. Entretanto. Como ocorre com outros antidepressivos. mas somente em combinação com um sedativo (p. as reações individuais devem ser controladas durante a fase inicial do tratamento. REACÇÕES ADVERSAS A Moclobemida é bem tolerado. Outros efeitos de carácter transitório ou ocasional: tremor. Pacientes com tendências suicidas devem ser cuidadosamente monitorizados no início do tratamento. cansaço dos membros inferiores. é possível uma exacerbação dos sintomas esquizofrênicos durante o tratamento de pacientes que apresentem psicose esquizofrênica ou esquizoafectiva. ex. frio.: condução de veículos).

a moclobemida demonstrou um potencial mínimo de interacção com a tiramina. Em animais. em primeiro lugar. acarretando a degradação da dopamina no cérebro. SELEGILINA ELEPRIL JUMEXIL A Selegilina é um moderno antiparkinsoniano que parece agir inibindo de forma irreversível a enzima monoamino oxidase B. A selegilina pode aumentar a transmissão dopaminérgica através de outros mecanismos como o de impedir a recaptura da dopamina ao nível da sinapse. a moclobemida potencia os efeitos do ibuprofeno e dos opiáceos. à manutenção das funções vitais. A não ocorrência de crises hipertensivas na vigência de doses terapêuticas da selegilina associada a alimentos que contêm tiramina 3º CLE – OUT. ser reduzida a metade para pacientes que estejam a receber cimetidina. durante o tratamento concomitante com moclobemida. a MAO A pode também ser inibida. A moclobemida não interage com álcool. portanto. A cimetidina prolonga o metabolismo da moclobemida. Há possibilidade de potencialização e prolongamento do efeito farmacológico de drogas simpatomiméticas administradas por via sistêmica. a interacção com alimentos ricos em tiramina não tem importância clínica durante o tratamento com moclobemida em condições dietéticas normais e quando o produto é administrado após as principais refeições.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES Em estudos farmacológicos. 2001 127 . O tratamento de superdose deve visar. pode ser necessário um ajuste posológico. SUPERDOSAGEM Os sintomas observados foram: aumento da agitação. Nas doses preconizadas inibe seletivamente a MAO B. Tratamentos com antidepressivos tricíclicos ou outros agentes podem ser instituídos imediatamente sem necessidade de um período de wash-out. Portanto. A dose usual de Moclobemida deve. Ao contrário do que se observa com os inibidores irreversíveis da monoamino oxidase. porém em doses maiores. agressividade e alterações do comportamento.

estupor. licores. O aleitamento deve ser suspenso. A segurança e a eficácia em crianças não foram ainda estabelecidas. O risco/benefício deve ser avaliado durante a gravidez. como coadjuvante de levodopa/carbidopa. INDICAÇÕES Parkinson. O tratamento deve ser de suporte e sintomático. fraqueza. sensação de boca seca.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML (queijo. 2001 128 . dor abdominal. A indução do vómito e a administração de diazepam podem ser necessárias. Recomenda-se não superar a dose diária de 10mg para evitar o risco da aparição do efeitos decorrentes da inibição da MAO A. confusão. leveduras. dessa forma a tiramina ingerida seria normalmente metabolizada sob acção dessa enzima. Seu efeito benéfico no tratamento de Parkinson ocorre. INTERACÇÃO Meperidina: rigidez muscular. Tem sido utilizada de forma isolada ou como coadjuvante no tratamento da demência do tipo Alzheimer e na depressão endógena. como coadjuvante a outros fármacos como a levodopa e a carbidopa. agitação severa. CONTRA-INDICAÇÕES 3º CLE – OUT. SUPERDOSE Agitação psicomotora. peixes. sobretudo.) pode ser explicada pela presença da MAO A também ao nível do intestino. enjoos. PRECAUÇÕES Depois do início do tratamento observa-se aumento dos efeitos adversos da levodopa. o que obriga a redução da dose dessa última. etc. vinho. em pacientes que apresentem falha no tratamento com levodopa/carbidopa. sonhos vividos e discinesias. hipotensão severa e sintomas similares aos resultantes da superdose de inibidores da MAO A. Deve-se evitar a administração de derivados fenotiazínicos. náuseas. alucinações. REACÇÕES ADVERSAS Costumam aparecer com frequência. porém não muito severa.

São muito eficazes. obstipação. 2001 129 . uma substância química do cérebro. Tofranil MAPROTILINA: Ludiomil NORTRIPTILINA: Pamelor O local de acção dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. 7. com o uso prolongado dos ADT. Tryptanol CLOMIPRAMINA: Anafranil IMIPRAMINA: Imipra. A principal diferença entre eles são os possíveis efeitos colaterais. sonolência diurna e ganho de peso.8. Desta forma. Os primeiros antidepressivos amplamente usados foram os tricíclicos. quanto menor o número destes receptores. Pacientes que recebem meperidina ou outros opióides. Há muitos tipos de antidepressivos. Antidepressivos Tricíclicos AMITRIPTILINA: Amytril.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Hipersensibilidade à selegilina. Os tricíclicos também são perigosos em caso de dosagem excessiva. menor seria sua estimulação e. Entre esses efeitos estão boca seca. cuja estimulação do tipo feedback inibiria a libertação de NE. Todos são igualmente eficazes no tratamento dos sintomas da depressão. Desde 1989. Este aumento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na recaptação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. visão embaçada. uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2. consequentemente. Eles foram criados para afectar somente a serotonina. mais NE seria libertada na fenda. vários novos antidepressivos foram desenvolvidos. 3º CLE – OUT. pressão arterial baixa. mas causam efeitos colaterais porque afectam substâncias químicas do cérebro não relacionadas com a depressão. Parece haver também.

dois mecanismos relacionados à recaptação. Por exemplo. uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2. Este aumento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na recaptação destas aminas pelos receptores présinápticos. como náuseas. as diferenças individuais de metabolização fazem com que as doses equivalentes prescritas resultem. menor seria sua estimulação e. embora a fracção livre tenha também uma grande importância na acção terapêutica. os pacientes possivelmente sofrerão muito menos ansiedade e menos interferência no sono e na 3º CLE – OUT. cuja estimulação do tipo feedback inibiria a libertação de NE. noutra via sofrem dimetilação originando metabólitos também activos. com freqüência. O mais popular desses novos antidepressivos é o Prozac. consequentemente. insónia. Vários novos antidepressivos têm trazido novas esperanças. Como a maior parte dos deprimidos tem dificuldade para dormir. Eles têm uma forte tendência para se ligar às proteínas plasmáticas. em níveis plasmáticos discrepantes de uma pessoa para outra.FARMACOCINÉTICA Os ADT sofrem metabolização hepática por oxidação e hidroxilação numa via metabólica. quanto menor o número destes receptores. O local de acção dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. 2001 130 . com o uso prolongado dos ADT. função sexual. Parece haver também.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML São mais seguros e mais bem tolerados do que os tricíclicos. Entretanto. Portanto. um inibindo directamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores. mais NE seria libertada na fenda. Desta forma. nos últimos anos. tem havido muitos avanços na pesquisa sobre a serotonina. A . Como os metabólitos dos ADT são activos terapeuticamente. esses efeitos colaterais podem incomodar. nem todas as pessoas com depressão reagem ou toleram bem os antidepressivos existentes. Com uma dessas drogas recentemente comercializadas. Infelizmente. eles raramente causam um aumento de peso. Esses novos medicamentos também têm possíveis efeitos colaterais. Apenas 5% da dose ingerida é excretada na sua forma original. nervosismo e agitação.

Devem ser 3º CLE – OUT. Estes aparecem imediatamente após a ingestão do medicamento e são responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados desejados. Estas alterações são moderadas e não têm significado clínico. depressão inibida. o mesmo não acontece com os efeitos colaterais. do complexo QRS ou do intervalo QT no ECG. em relação à farmacocinética dos ADT. um aumento na frequência cardíaca mas as taquicardias importantes são de ocorrência rara. Importa. Enquanto os efeitos terapêuticos exigem um período de latência. facto que não chega a ser importante ao ponto de obrigar uma interrupção no tratamento. principalmente no início do tratamento. o conhecimento do período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos. 2001 131 . podendo chegar até 30 dias. bioquímica e farmacologicamente. Midríase também é uma ocorrência que pode ser observada. não raro. considerada depressão ansiosa e a depressão por déficit de NE.EFEITOS COLATERAIS 1-OFTALMOLÓGICOS Pode-se observar com certa frequência alguma dificuldade de acomodação visual dependendo da dose do ADT. Teríamos então. Os ADT são potentes anticolinérgicos e por esta característica seus efeitos colaterais são explicados. Embora incómoda. às vezes. a depressão por déficit de 5HT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Alguns autores tentam relacionar subtipos de depressão de acordo com o envolvimento do sistema serotoninérgico ou noradrenérgico. 2-GASTRINTESTINAIS Secura na boca ocorre em quase 100% dos pacientes em doses terapêuticas dos ADT. B . um aumento do intervalo PR. 3-CARDIOCIRCULATÓRIOS Os ADT podem provocar. esse sintoma pode perfeitamente ser suportável e em casos mais severos podemos ter como consequência gengivite e mesmo glossite. Podemos observar. Obstipação intestinal também acontece em quase 100% das vezes e é resolvido com a mudança no hábito alimentar ou com a utilização de laxantes. Daí a importância na orientação ao paciente. Normalmente estes resultados são obtidos após um período de 15 dias de utilização da droga e.

A mesma disparidade encontramos em relação aos trabalhos sobre alterações das hormonas tereoideanas. A maioria dos autores concorda em que não há alterações neste sistema. níveis inalterados. em pacientes homens e portadores de adenoma de próstata. com a melhora do quadro afectivo pelos ADT o paciente notar comumente uma melhora desta função. um metabólito da imipramina. pacientes em uso de quinidina ou procainamida poderão eventualmente ter as suas doses diminuídas quando associamos aos ADT. hoje se constacta que podem ter uma actuação até antiarrítmica. anorgasmia (em ambos sexos). parece ser relevante o aumento nos níveis da hormona do crescimento com o uso de desipramina. Embora deva ser dado mais atenção a estes pacientes. retardamento do orgasmo e mais raramente. ao contrário do que poderíamos esperar se considerarmos apenas os efeitos colaterais. 2001 132 . também perfeitamente suportável e que não exige mudança na posologia. paradoxalmente. Entretanto. 5-GENITURINÁRIO A retenção urinária pode ser observada. outros autores demonstram diminuição e outros ainda. Em relação ao eixo hipófise-suprarenal também não há nada conclusivo. principalmente. com efeitos semelhantes aos quinidínicos. Com muita frequência encontramos disúria em ambos os sexos. Como frequentemente na depressão a libido já se encontra diminuída ou até abolida. tal ocorrência não é contra-indicação absoluta ao uso dos ADT. 6-SISTEMA NERVOSO CENTRAL 3º CLE – OUT. Portanto. Na esfera sexual podemos ter uma diminuição da libido. na realidade. 4-ENDOCRINOLÓGICO Alguns trabalhos apontam um aumento nos níveis de prolactina e.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML considerados com mais seriedade os pacientes portadores do bloqueio AV anterior ao tratamento com ADT. Outro efeito circulatório que pode molestar o paciente é a ocorrência de hipotensão postural. Embora tenha havido grandes preocupações no passado em relação ao potencial disrítmico dos ADT.

depressão respiratória. Daí considerar-se a utilização de doses menores em tais pacientes. taquicardia. neurótica. delírios e alucinações. Sudorese excessiva pode também incomodar o paciente mas não necessita cuidados especiais. Na intoxicação por ADT podemos encontrar agitação ou sedação. sua eliminação por diálise ou diurese é muito difícil. Em pacientes mais idosos podemos encontrar a chamada "síndrome anticolinérgica central" com agitação. 3º CLE – OUT. convulsões generalizadas. agitação e aumento da ansiedade não são comuns de se observar. perda da consciência. os pacientes referem impulso para comer doces. Tendo em vista a grande afinidade protêica dos ADT. às vezes. midríase.800 e 2. 8-INTOXICAÇÃO Sinais de intoxicação começam a aparecer quando a ingestão de ADT ultrapassa 500 mg/dia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A sedação inicial e sonolência são encontrados no início do tratamento. É comum um ganho de peso e. diminuindo sensivelmente após os 6 primeiros dias. 7-ALTERAÇÕES GERAIS Tremores finos das mãos são observadas com certa frequência e respondem muito bem aos betabloqueadores (Propranolol). Em doses terapêuticas a insónia. Em pessoas predispostas pode ocorrer convulsões do tipo generalizada devido aos facto dos ADT diminuírem o limiar convulsígeno. porém. CLOMIPRAMINA ANAFRANIL As acções terapêuticas da Clomipramina são destinadas aos estados depressivos de etiologia e sintomatologia variáveis: depressão endógena. Nos casos de intoxicação está indicado o uso de anticolenesterásicos (Prostigmina IM ou EV) e medidas de sustentação geral. Apesar disso os estudos controlados sobre o metabolismo dos glicídios não revelam maiores explicações. paragem cardíaca e morte. arritmia cardíaca. a dose letal e maior que isso: varia entre 1.500 mg(10). confusão mental. 2001 133 . reactiva.

neurótica ou reactiva. anti-histamínicas e antiserotoninérgicas (bloqueio do receptor de 5-HT). anticolinérgicas. 2001 134 . enurese noturna (apenas em pacientes acima de 5 anos de idade e desde que as causas orgânicas tenham sido excluídas). As concentrações plasmáticas de steady-state do metabólito activo desmetilclomipramina acompanham um padrão similar. as concentrações plasmáticas correspondentes ao período de estado são alcançadas na segunda semana de tratamento e variam de <15 até 391ng/ml para a droga inalterada e de <15 até 600ng/ml para a DMC (metabólito activo desmetilclomipramina). Possui um efeito antimuscarínico e sedante moderado. Injetável: fobias. Condições dolorosas crónicas. depressão associada à esquizofrenia e transtornos da personalidade. Após a administração repetida de 50 a 150mg diários de clomipramina por via IV ou IM. por condições dolorosas crónicas. PROPRIEDADES A Clomipramina droga inibe a recaptação neuronal de norepinefrina e serotonina (a inibição da recaptação de 5-hidroxitriptamina é o componente dominante). distúrbios depressivos do humor de natureza psicopática. Oral: a clomipramina é completamente absorvida do trato gastrintestinal. A Clomipramina é excretada pela urina 2/3 na forma de conjugados hidrossolúveis e aproximadamente um terço com as fezes. A sua semi-vida é de 12 a 36. essas concentrações são 40 a 85% mais elevadas do que as de 3º CLE – OUT. síndromes depressivas causadas por pré-senilidade ou senilidade. mascarada e das suas formas involutivas. Oral: fobias e ataques de pânico. horas e fixa-se às proteínas em 96%. ejaculação precoce. cataplexia associada a narcolepsia. anorexia nervosa. A biodisponibilidade da clomipramina não é significativamente afectada pela ingestão de alimentos. Síndromes obsessivo-compulsivas. por doenças somáticas crónicas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML orgânica. no mesmo momento. A biodisponibilidade sistêmica da clomipramina inalterada é reduzida a cerca de 50% pelo metabolismo hepático de primeira passagem para desmetilclomipramina. a uma dose de 75mg de Clomipramina por dia.Apenas o início da absorção pode ser ligeiramente retardado e portanto o tempo para pico prolongado.Contudo. Também tem propriedades adrenolíticas a1.

respectivamente. distimias depressivas de natureza reactiva. respectivamente. a concentração é equivalente a cerca de 2% da concentração plasmática.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML clomipramina. A clomipramina passa para o leite materno em concentrações semelhantes às do plasma. suores. a clomipramina é eliminada do plasma com uma semi-vida terminal média de 25h (de 20 a 40h) ou 18h. fobias e ataques de pânico. enquanto as concentrações de clomipramina são pouco influenciadas. Biotransformação: a maior rota de biotransformação da clomipramina é a desmetilação para desmetilclomipramina. A hidroxilação da clomipramina e da desmetilclomipramina estão sobcontrolo genético semelhante ao da debrisoquina. Ocasionalmente podem ocorrer confusão ou alucinações. distúrbios de micção. Distribuição: 97.6% da clomipramina se ligam a proteínas plasmáticas. Cerca de dois terços de uma dose única de clomipramina são excretados na urina. e aproximadamente um terço nas fezes. aumento de apetite. A quantidade de clomipramina inalterada e de desmetilclomipramina excretada na urina é de cerca de 2% e 0. síndromes depressivas senis ou pré-senis. distúrbios do SNC. distúrbios do sono. a clomipramina e a desmetilclomipramina são hidroxiladas para 8-hidroxi-clomipramina e 8-hidroxi-desmetilclomipramina. 3º CLE – OUT. obstipação. e a desmetilclomipramina com uma semivida média de 36h. mas pouco se conhece a respeito de sua actividade in vivo. isso pode levar a altas concentrações de desmetilclomipramina. fadiga. Em metabolizadores fracos de debrisoquina. sonolência. A clomipramina administrada por via oral é eliminada do sangue com uma semi-vida média de 21h (de 13 a 36h). sob a forma de conjugados solúveis em água. O volume de distribuição aparente é de cerca de 12 a 17 litros/kg de peso corpóreo. síndromes obsessivocompulsivas. enurese noturna (a partir dos 5 anos e prévia exclusão de causas orgânica REACÇÕES ADVERSAS Reacções anticolinérgicas: secura na boca.5% da dose administrada. Adicionalmente. neurótica ou psicopática. Eliminação: após administração IM ou IV. 2001 135 . No fluido cerebrospinhal. estados dolorosos crónicos. INDICAÇÕES Estados depressivos de etiologia diversa: depressão associada com esquizofrenia e distúrbios de personalidade.

taquicardia ou hipertensão. pois as hormonas esteróides inibem o metabolismo destas substâncias. vómitos. controlar a pressão arterial. portanto. A função hepática e renal deverá ser controlada. Pode reforçar o efeito cardiovascular dos simpaticomiméticos (epinefrina. INTERACÇÕES Os pacientes que necessitam de um inibidor da monoaminooxidase deverão suspender o tratamento com clomipramina 15 dias antes de iniciar a dose de IMAO. rigidez muscular. já que em indivíduos hipotensos ou com instabilidade circulatória pode haver diminuição da pressão. Se administrada junto com estrogênios. diminui o efeito da medicação anticonvulsiva. O uso simultâneo com cimetidina inibe o metabolismo da clomipramina e 3º CLE – OUT. nestes casos. Dever-se-á ter precaução com pacientes com hipertireoidismo. como ataques de glaucoma. guanetidina. taquicardia sinusal. requerendo. Sistema gastrintestinal: náuseas. Ocasionalmente. reacções alérgicas cutâneas. podem ocorrer estados de hiperexcitação ou delírio. também. diarréia. Ao diminuir o limiar das crises convulsivas com doses elevadas. arritmias. Diante de uma superdose com sintomatologia grave. PRECAUÇÕES Deverá ser administrada com cautela em pacientes com distúrbios cardiovasculares. estupor. será necessária a hospitalização do paciente com vigilância contínua do sistema cardiovascular durante 48 horas. a dose de clomipramina deverá ser diminuída. mascarando os efeitos terapêuticos e piorando a depressão. ataxia. dando origem a toxicidade. Pode reduzir ou anular o efeito antihipertensivo de clonidina. Os pacientes com distúrbios afectivos bipolares podem passar da depressão para a mania. taquicardia. um ajuste da dose para o controle destas crises. uma vez que pode ocorrer agranulocitose. dando origem a arritmias. suspender o tratamento com clomipramina. anorexia. norepinefrina e anfetamina). Administrado em associação com anticolinérgicos ou neurolépticos com efeito anticolinérgico. 2001 136 . depressão respiratória. reserpina e metildopa. Também não deverá ser empregado em combinação com antiarrítmicos do tipo da quinidina. com controlo do quadro hemático.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Sistema cardiovascular: hipotensão ortostática. betanidina.

isto é. incluindo-se as propriedades alfadrenolítica. CONTRA-INDICAÇÕES É contra-indicado em pacientes com hipersensibilidade conhecida aos antidepressivos tricíclicos do grupo das benzodiazepinas. A relação risco-benefício deverá ser avaliada nos seguintes quadros clínicos: asma. Absorção: o cloridrato de imipramina é rapidamente e quase que completamente absorvido a partir do tracto gastrintestinal. crise convulsiva. condições dolorosas crónicas. Não deve ser administrada junto com inibidores da monoaminooxidase. principalmente em crianças ou idosos. bem como no estado agudo de enfarte do miocárdio. doença maníaco-depressiva. alterações cardiovasculares. A imipramina é chamada de bloqueador "misto" da recaptação. anti-histamínica. IMIPRAMINA IMIPRA TOFRANIL A Imipramina é um antidepressivo tricíclico indicado para todas as formas de depressão. A ingestão de alimentos não afecta a 3º CLE – OUT. ela inibe a recaptação da noradrenalina e da serotonina aproximadamente na mesma extensão. retenção urinária. dando origem à toxicidade. Mecanismo de acção: a imipramina tem várias propriedades farmacológicas. disfunção hepática ou renal. Contudo.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML aumenta a concentração plasmática. podendo ser necessária uma diminuição da dose do antidepressivo tricíclico. Outras indicações: pânico. Inibidor da recaptação de noradrenalina e serotonina. acredita-se que a principal actividade terapêutica da imipramina seja a inibição da recaptação neuronal de noradrenalina (NA) e serotonina (5-HT). anticolinérgica e bloqueadora do receptor serotoninérgico (5-HT). terror nocturno. enurese nocturna (apenas em pacientes acima de 5 anos de idade e somente se as causas orgânicas tiverem sido excluídas). as orgânicas e as psicogênicas e a depressão associada com distúrbios de personalidade ou com alcoolismo crónico. incluindo-se as formas endógenas. 2001 137 . esquizofrenia.

principalmente na forma de metabólitos inactivos. e seu metabólito activo é a 3º CLE – OUT. Absorve-se bem e com rapidez após a administração oral. ao bloquear sua recaptação pela membrana neuronal pré-sináptica. administrada por via oral. é parcialmente convertida em desmetilimipramina. Durante sua primeira passagem pelo fígado. biologicamente activos. Aproximadamente 80% do fármaco são excretados através da urina e cerca de 20% nas fezes. Em pacientes portadores de distúrbios renais graves. Entretanto. seu metabolismo é somente hepático. Acredita-se que a acção antidepressiva correlaciona-se melhor com as mudanças nas características dos receptores provocadas pela administração crónica dos antidepressivos tricíclicos do que com o bloqueio da recaptação dos neurotransmissores. 2001 138 . As concentrações de imipramina no fluido cerebroespinal e no plasma são altamente correlacionadas. Ambas as rotas metabólicas estão sob controlo genético. A molécula é transformada principalmente por desmetilação e. que são considerados biologicamente inactivos. O volume aparente de distribuição é de aproximadamente 21L/kg de peso corpóreo. A importância clínica dessa descoberta é desconhecida. não ocorrem alterações na excreção renal da imipramina e de seus metabólitos não-conjugados. com efeito de primeiro passo. isso poderia explicar o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. Inibe a recaptação tanto de norepinefrina como de serotonina. Apenas pequenas quantidades são excretadas através das fezes. PROPRIEDADES É uma benzodiazepina que actua aumentando a concentração de norepinefrina na sinapse ou de serotonina no SNC. Eliminação: a imipramina é eliminada do organismo com semi-vida média de 19 horas. por hidroxilação. Distribuição: cerca de 86% da imipramina ligam-se a proteínas plasmáticas. Biotransformação: a imipramina é extensivamente metabolizada no fígado. são elevadas. um metabólito que também exibe actividade antidepressiva.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML absorção e a biodisponibilidade. Tanto a imipramina como seu metabólito desmetilimipramina passam para o leite materno em concentrações análogas às encontradas no plasma. em menor extensão. A quantidade de imipramina inalterada e de seu metabólito activo desmetilimipramina excretados através da urina são de 5% e 6%. respectivamente. a imipramina. as concentrações plasmáticas de steady-state dos metabólitos conjugados.

Visão turva. diminuir o umbral das crises convulsivas e. cansaço ou debilidade. rigidez muscular grave. movimentos de sucção. A cimetidina pode inibir o metabolismo da imipramina e aumentar sua concentração plasmática. anti-histamínicos ou antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos. Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas. diarréia. principalmente confusão mental. INDICAÇÕES Síndrome depressiva maior. A sua união às proteínas é muito elevada no plasma e tecidos. mastigação. O uso simultâneo com guanetidina ou clonidina pode diminuir os efeitos hipotensores destes medicamentos. ansiedade. sonolência. Depressão reactiva ou distúrbios distímicos. irritabilidade. ansiedade associada à depressão mental. O cloridrato de imipramina é indicado como ajuda ao tratamento temporário da enurese noturna em crianças de 6 anos ou maiores. São necessárias de 2 a 6 semanas de tratamento para obter-se os efeitos antidepressivos. Tratamento de dor crónica grave. dor de garganta. Pode bloquear a desintoxicação da atropina. erupção cutânea. São de incidência rara: taquipnéia. hipotensão. Não suspender a medicação de forma abrupta. porém gradualmente. assim. possível sonolência. movimentos lentos. O seu uso não é recomendável para crianças menores de 12 anos. REACÇÕES ADVERSAS Tonturas. PRECAUÇÕES Deve ser ingerido junto com os alimentos para reduzir a irritação gastrintestinal. Os anticoncepcionais orais que contêm estrogênios podem aumentar a biodisponibilidade da imipramina. sudorese excessiva. alucinações e pesadelos. 2001 139 . instabilidade. secura na boca. reduzir os efeitos da medicação anticonvulsiva. Elimina-se principalmente por via renal. aumento de peso. motivo pela qual se deve ter precaução ao dirigir. crises convulsivas. excepto no tratamento da enurese em crianças maiores de 6 anos. 3º CLE – OUT. amantadina. prurido. INTERACÇÕES Os corticóides. doença maníaco-depressiva.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML desipramina.

asma. imediatamente após enfarte de miocárdio. taquicardia ou hipertensão grave. distúrbios gastrintestinais. Calcula-se que a acção antidepressiva relaciona-se melhor com as mudanças nas características dos receptores. que com o bloqueio da recaptação dos neurotransmissores. Potencializa os efeitos cardiovasculares dos simpaticomiméticos. A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de alcoolismo. calcula-se que os antidepressivos tricíclicos aumentam a concentração na sinapse de norepinefrina ou de serotonina no sistema nervoso central. CONTRA-INDICAÇÕES Não deve ser usada durante o período de recuperação. distúrbios sanguíneos. crises hipertensivas. devido ao aumento do risco de episódios hiperpiréticos. alterações cardiovasculares (idosos ou crianças). Não é recomendável o uso simultâneo com inibidores da MAO. doença genito-urinária. doença maníaco-depressiva. convulsões graves. disfunção hepática ou renal. A amitriptilina parece ser mais potente no bloqueio da serotonina. o que origina arritmias. esquizofrenia e retenção urinária. isto explica o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. 2001 140 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML O haloperidol. 3º CLE – OUT. ao bloquear sua recaptação pela membrana neuronal pré-sináptica. as fenotiazinas ou os tioxantenos prolongam e intensificam o efeito dos antidepressivos tricíclicos. AMITRIPTILINA AMITRIPTILINA AMYITRIL TRYPTANOL Embora não tenha sido descrito o exacto mecanismo de acção da Amitriptilina no tratamento da depressão. O uso de metilfenidato aumenta as concentrações de imipramina. Recentes investigações com antidepressivos mostram uma dessensibilização dos receptores da serotonina e dos alfa-adrenérgicos ou beta-adrenérgicos. produzidos pela administração crónica dos antidepressivos tricíclicos.

Não se recomenda seu uso em menores de 12 anos. É um dos antidepressivos tricíclicos com maior efeito sedante. A possível secura da boca implicará o uso de um substituto da saliva para o alívio. sucção. Obstipação. delírio. Rigidez muscular. distúrbios depressivos na psicose. Crises convulsivas. durante vários dias. Fotossensibilidade. e pode produzir íleo paralítico. e não é dializável por sua alta união às proteínas. alucinações. portanto é necessário ter cuidado ao dirigir. Agitação. Sudorese excessiva. alucinações e pesadelos. É bem e rápidamente absorvida por via oral. efeitos sedantes por sua grande afinidade de união pelos receptores H1 da histamina e possíveis efeitos depressores miocárdicos semelhantes aos produzidos pela quinidina. Dificuldade ao falar ou engolir. movimentos de mastigação. Metaboliza-se exclusivamente no fígado e seu metabólito activo é a nortriptilina. Não suspender a medicação de forma brusca. PRECAUÇÕES Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas. Potencializa a depressão do SNC. principalmente os de confusão mental. O uso simultâneo com atropina pode bloquear a detoxificação da atropina. A união a proteínas é elevada no plasma e em tecidos (96%). Estados de ansiedade associados com depressão. INTERACÇÕES Os corticóides. Sua semi-vida é de 10 a 50 horas. Aumenta a acção dos anticoagulantes por inibição do metabolismo enzimático do anticoagulante. É possível que apresente sonolência.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Também aparecem importantes efeitos antimuscarínicos periféricos e centrais devido a sua potente e alta afinidade de união aos receptores muscarínicos. doença maníaco-depressiva. INDICAÇÕES Síndrome depressiva maior. A eliminação é principalmente renal. Vómitos. principalmente em idosos. Depressão com sinais vegetativos. confusão. Pirose. anti-histamínicos ou antimuscarínicos potencializam os efeitos antimuscarínicos. 2001 141 . movimentos incontrolados das pernas ou braços. linguais. Dor neurogênica: em dose de até 100mg/dia em dor crónica grave. Nervosismo. REACÇÕES ADVERSAS Visão turva. o que diminui o limiar 3º CLE – OUT.

vertigem. Pacientes idosos são mais sensíveis. o paciente não deve ingerir bebidas alcoólicas. taquicardia ou hipertensão. alterações da pressão arterial. síndrome maníaco-depressiva ou bipolar. crises convulsivas. CONTRA-INDICAÇÕES É contra-indicada a sua prescrição durante o período de recuperação imediato a enfarte do miocárdio. Ocasionalmente podem ocorrer tonturas. náuseas. glaucoma. urticária (às vezes acompanhada de febre). disfunção hepática ou renal. O uso simultâneo com antitireóideos pode aumentar o risco de agranulocitose. fenilefrina nasal ou oftálmica ou xilometazolina nasal. distúrbios hemáticos. oximetazolina nasal. aumento da frequência cardíaca. secura da boca. Os efeitos dos antidepressivos tricíclicos podem ser diminuídos quando usados com barbitúricos. retenção urinária. vermelhidão de pele. sonolência. Potencializam-se os efeitos pressores da nafazolina oftálmica. esquizofrenia. alterações cardiovasculares. MAPROTILINA LUDIOMIL O tratamento com Maprotilina não deve ser interrompido sem o conhecimento do médico. normalmente. hipertireoidismo. A cimetidina inibe o metabolismo da amitriptilina e aumenta sua concentração plasmática. transpiração. vómitos. principalmente em idosos e crianças. O uso concomitante com drogas simpaticomiméticas pode potencializar os efeitos cardiovasculares e dar lugar a arritmias. 2001 142 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML das crises convulsivas a doses elevadas e diminui os efeitos da medicação anticonvulsiva. Outros depressores do SNC potencializam sua acção. Não é recomendado seu uso com IMAO devido ao aumento do risco de convulsões graves e crises hipertensivas. Enquanto estiver em tratamento. aumento de peso. 3º CLE – OUT. dor de cabeça. Os efeitos indesejáveis de Maprotilina são leves e transitórios e. Deverá ser avaliada a relação risco-benefício na presença de alcoolismo activo ou tratado. desaparecem durante o tratamento ou após a redução da dose. cansaço transitório. asma.

O volume médio de distribuição aparente é de 23-27 litros/kg. que são excretados como conjugados através dos rins. Possui efeito inibidor potente e selectivo sobre a recaptação da noradrenalina nos neurónios pré-sinápticos. INDICAÇÕES Depressão: endógena e depressão de início tardio (involutiva). acentuada actividade inibitória com os receptores H1 de histamina e um efeito anticolinérgico moderado.7. predominantemente como metabólitos livres e conjugados. de menor importância. a agitação e o retardamento psicomotor. A Maprotilina apresenta afinidade de fraca a moderada pelos adrenoceptores alfa-1 centrais. Apresenta um espectro de acção bem equilibrado. 3º CLE – OUT. reactiva e neurótica. Há muitos metabólitos hidroxilados e/ou metoxilados. porém completamente absorvido.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Maprotilina é um antidepressivo tetracíclico que exibe uma série de propriedades terapêuticas comuns aos antidepressivos tricíclicos. depressão por exaustão. Distribuição: o coeficiente de partição da Maprotilina entre o sangue e o plasma é 1. A Maprotilina liga-se a proteínas plasmáticas em 88 a 90%. Maprotilina influencia favoravelmente os sintomas somáticos dos quadros de depressão mascarada. é lenta. nas estruturas corticais do sistema nervoso central. Eliminação: a Maprotilina é eliminada do sangue com semi-vida média de 4345 horas. A Maprotilina difere estrutural e farmacologicamente dos antidepressivos tricíclicos. Em 21 dias cerca de dois terços de uma dose única são excretados através da urina. farmacologicamente activo. O clearance sistêmico médio encontra-se entre 510 e 570ml/min. As concentrações no fluido cerebrospinhal são de 2-13% das concentrações séricas. Depressão psicogênica. mas quase não exerce efeito inibidor na recaptação da serotonina. Absorção: após a administração oral dos comprimidos revestidos. e cerca de um terço nas fezes. Depressão somatogênica. Biotransformação: Maprotilina é amplamente metabolizado. melhorando o humor e aliviando a ansiedade. A biodisponibilidade absoluta média é de 66-70%. apenas 2 a 4% da dose são eliminados de forma inalterada através da urina. O principal metabólito é o desmetil derivado. Depressão na menopausa. independentemente da idade ou enfermidade do paciente. Depressão mascarada. 2001 143 .

Frequentemente é difícil distinguir-se certos efeitos adversos dos sintomas da depressão. Sistema nervoso central. hipomania. fadiga. ou fármacos psicotrópicos. cáries dentárias. parestesias (dormência.: causadas por doença prostática). despersonalização. hipotensão postural. agitação. Transtornos convulsivos ou limiar convulsivo diminuído (ex. Intoxicação aguda com álcool. Casos isolados: alterações do ECG. 2001 144 . REACÇÕES ADVERSAS Os efeitos indesejados são geralmente leves e transitórios. Efeitos neurológicos frequentes: sensação de cabeça leve. Raros: arritmias. confusão. sedação diurna. alteração da memória (diminuída). ansiedade. falta de coordenação. cefaléia. alterações do ECG clinicamente irrelevantes em pacientes com as condições cardíacas normais (ex.: danos cerebrais de etiologia variada. distúrbios do sono. Estágio inicial de enfarte do miocárdio ou distúrbios da condução cardíaca. 3º CLE – OUT. palpitações. mioclonia. perturbações do sono. ataxia. Sistema cardiovascular. Ocasionais: aumento de apetite. disforia ou irritabilidade. Casos isolados: estomatite. Ocasionais: obtipação. tais como fadiga. dislalia. mania. Efeitos psíquicos frequentes: sonolência. insónia. alucinações (particularmente em pacientes idosos). acatisia. nervosismo. pesadelos. discinesia. Raras: convulsões. agressividade. Casos isolados: activação de sintomas psicóticos. agravamento da depressão. distúrbios da acomodação visual. sintomas psicossomáticos e somáticos com depressão e/ou ansiedade subjacentes. disartria.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Outros transtornos depressivos: caracterizados por ansiedade. formigamento). ansiedade. desaparecendo durante o curso do tratamento ou após a diminuição da dose. Tratamento concomitante com inibidor da MAO. obstipação e boca seca. Raros: delírios. Efeitos anticolinérgicos freqüente: boca seca. tremor leve. concentração prejudicada. Glaucoma de ângulo fechado ou retenção urinária (ex.: alterações da onda T e do segmento ST). sudorese. hipnóticos. Insuficiência hepática ou renal grave. inquietação. visão turva. Ocasionais: taquicardia sinusal. alcoolismo). Ocasionais: tontura. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade à Maprotilina ou sensibilidade cruzada com antidepressivos tricíclicos. estados apáticos (especialmente nos idosos). fraqueza muscular. agitação. distúrbios na micção.

eritema multiforme. Raros: diarréia. Casos isolados: distúrbios da condução (ampliação do complexo QRS. Casos isolados: aumento do volume das mamas. dor abdominal. vómito. fotossensibilidade. com ou sem icterícia. Um estudo em que Maprotilina foi administrado como tratamento profilático para depressão unipolar sugeriu um aumento no comportamento suicida do grupo tratado. Relatou-se que Maprotilina é comparável a outros antidepressivos. Pele. recomenda-se a contagem periódica das células Casos isolados: leucopenia. Embora não haja indicativos de dependência. diarréia. Ocasionais: ganho de peso. Trato respiratório. exacerbam tendências suicidas. Órgãos dos sentidos. edema (local ou generalizado). Os pacientes devem ser supervisionados cuidadosamente. elevação de enzimas hepáticas (transaminases. cefaléia. durante todos os estágios do tratamento. púrpura. Casos isolados: zumbido. síndrome da secreção inapropriada da hormona antidiurética (SIHAD). em raras ocasiões. Sangue. 3º CLE – OUT. vasculite cutânea. trombocitopenia. Sistema endócrino e metabolismo. Trato gastrointestinal. Embora tenham sido relatados apenas casos isolados de alterações na contagem de leucócitos com Maprotilina. Ocasionais: reacções alérgicas na pele (rash. congestão nasal. agranulocitose. alterações PQ). distúrbios do paladar. distúrbios da libido e da potência. algumas vezes com febre. ansiedade e piora da depressão subjacente ou do humor depressivo. Casos isolados: alveolite alérgica com ou sem eosinofilia. Há relatos de que os antidepressivos. Casos isolados: hepatite. eosinofilia. Casos isolados: prurido. fosfatase alcalina). nervosismo. Outras. insónia. em termos de associação à superdose fatal. alopecia. vómito.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML elevação da pressão arterial. broncoespasmo. Ocasionais: náusea. distúrbios abdominais. síncope. perda de pêlos. os sintomas a seguir ocorrem ocasionalmente após a interrupção abrupta do tratamento ou da redução da dose: náusea. 2001 145 . urticária). galactorréia. PRECAUÇÕES O risco de suicídio é inerente à depressão grave e pode persistir até que ocorra remissão significativa. bloqueio do feixe atrioventricular.

tremor e hipotermia. Maprotilina deve ser descontinuado ao menos sete semanas antes da data prevista para o parto. especialmente na presença de hipertrofia prostática. ser tratados com anti-hipertensivos de mecanismo de acção diferente (ex. delírio e possível óbito).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML sanguíneas e a monitorização de sintomas. Utilizar com cautela em pacientes com história de pressão intra-ocular elevada. causados por propriedades anticolinérgicas dos antidepressivos tricíclicos. irritabilidade. O mesmo se aplica quando da administração de um inibidor da MAO após tratamento prévio com Maprotilina. podem originar danos ao epitélio da córnea em pacientes que utilizam lentes de contato. nesses casos. da reserpina. taquicardia. O lacrimejamento reduzido e o relativo acúmulo de secreções mucóides. tais como febre e faringoamigdalites. obstipação crónica grave ou com história de retenção urinária. é recomendável controlar-se as funções hepática e renal. Efeitos sobre a habilidade de dirigir veículos e/ou operar máquinas: pacientes em tratamento com Maprotilina devem ser alertados sobre a possível ocorrência de visão embaçeada. INTERACÇÕES Inibidores da MAO: não administrar Maprotilina pelo menos por 14 dias após a interrupção de tratamento com inibidores da MAO (há risco de interações graves. da clonidina e da alfametildopa. tais como dispnéia. tais como hipertermia. da betanidina. particularmente em pacientes idosos e em pacientes hospitalizados. letargia. Em tratamento de longo prazo com antidepressivos tem sido relatado aumento de cáries dentárias. desde que o estado clínico da paciente assim o permita. 2001 146 . Maprotilina não deve ser administrado durante a gravidez.: 3º CLE – OUT. convulsões clônicas generalizadas. portanto. sonolência e outros sintomas do SNC. A Maprotilina passa para o leite materno. convulsões. Durante tratamento prolongado. operar máquinas ou se envolver em qualquer atividade potencialmente perigosa. Os antidepressivos tricíclicos podem causar íleo paralítico. tremores. para se evitar que o recém-nascido apresente possíveis sintomas. hipotonia. a menos que os benefícios ao feto sejam evidentemente mais importantes do que seus riscos. especialmente nos primeiros meses de tratamento. Bloqueadores adrenérgicos: Maprotilina pode diminuir ou anular o efeito antihipertensivo da guanetidina. eles não devem dirigir. Os pacientes que necessitem de co-medicação para hipertensão deverão.

Os efeitos anticolinérgicos da quinidina podem causar sinergismo relacionado à dose com Maprotilina. ter intensificados seus efeitos. no intestino e na bexiga. 2001 147 . resultando em aumento da concentração plasmática dos mesmos e no aumento dos efeitos colaterais (boca seca. Propranolol: as concentrações plasmáticas de Maprotilina podem elevar-se quando o fármaco é administrado concomitantemente com os beta-bloqueadores que sofrem biotransformação substancial. portanto. cumarínicos pela inibição de seu metabolismo no fígado. reduzir-se a dose de Maprotilina. antihistamínicos) na pupila ocular. Metilfenidato: a concentração plasmática dos antidepressivos tricíclicos pode aumentar e. da efedrina e da fenilefrina. a cimetidina demonstra inibir o metabolismo de vários antidepressivos tricíclicos.: fenotiazina. deve-se reduzir a dose do anticoagulante. quando administrado concomitantemente com a cimetidina. portanto. Pode ser necessário.: em odontologia). da isoprenalina. Em tais casos.A descontinuação brusca de Maprotilina pode também resultar em hipotensão grave. deve-se monitorizar os níveis plasmáticos e ajustar-se adequadamente a dose. atropina. distúrbios da visão). que não sofram acentuada biotransformação). no sistema nervoso central. Pode ser necessário ajustar-se a dose desses fármacos em tais casos. Agentes anticolinérgicos: Maprotilina pode potencializar os efeitos desses fármacos (ex. Se necessário. Cimetidina: embora não relatado com relação a Maprotilina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML diuréticos. Anticoagulantes: Maprotilina pode potencializar o efeito anticoagulante de fármacos. em redução no limiar da convulsão e em crises. Neurolépticos: a co-medicação com esses pode resultar em aumento dos níveis plasmáticos de Maprotilina. Os níveis plasmáticos de fenitoína e carbamazepina podem também aumentar. com os efeitos adversos correspondentes. vasodilatadores ou betabloqueadores. assim como os das gotas nasais e dos anestésicos locais (ex. Drogas simpatomiméticas: Maprotilina pode potencializar os efeitos cardiovasculares da adrenalina. biperideno. 3º CLE – OUT. Sulfoniluréias orais e insulina: a co-medicação com tais fármacos pode potencializar seu efeito hipoglicêmico. agentes antiparkinsonianos. como o propranolol. É recomendada a monitorização cuidadosa da protrombina plasmática. Quinidina: Maprotilina não pode ser administrado em combinação com agentes antiarrítmicos do tipo quinidina. da noradrenalina.

3º CLE – OUT. de semi-vida longa e reciclagem entero-hepática. midríase. 2001 148 . incontinência urinária. Inibe a acção de certos neurotransmissores. reflexos alterados. sudorese e oligúria ou anúria. em casos muito raros. coma. vómitos. e aumenta o efeito pressor da noradrenalina. Sistema cardiovascular: hipotensão. mas bloqueia o da fenetilamina. ataxia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SUPERDOSAGEM Os sinais e sintomas de superdose com Maprotilina são similares aos relatados com antidepressivos tricíclicos. Sinais e sintomas: os sintomas geralmente aparecem dentro de 4 horas após a ingestão e atingem a severidade máxima em 24 horas. distúrbios de condução. coadjuvante da terapêutica hormonal na síndrome do climatério. choque. o paciente estará em risco por até 4-6 dias. neurose depressiva. Em virtude da absorção retardada (efeito anticolinérgico). taquicardia. A ingestão acidental de qualquer quantidade por crianças deve ser tratada como séria e potencialmente fatal. a serotonina e a acetilcolina. rigidez muscular e movimentos coreoatetóides. estupor. NORTRIPTILINA PAMELOR A Nortriptilina é um antidepressivo tricíclico cujo mecanismo de acção é desconhecido. podem ocorrer depressão respiratória. como a histamina. paragem cardíaca. arritmia. INDICAÇÕES Síndromes depressivas de diversas etiologias. agitação. Depressão reactiva. cianose. febre. inquietação. arritmia ventricular. Tratamento: não existe antídoto específico e o tratamento é essencialmente sintomático e de suporte. a depressão endógena parece responder melhor que outros estados depressivos. convulsões. insuficiência cardíaca e. Além disso. Os seguintes sinais e sintomas podem ser observados: sistema nervoso central: sonolência. neurose reactiva. As anormalidades cardíacas e os distúrbios neurológicos são as principais complicações.

rigidez muscular. Não deve ser administrada nos primeiros 3 meses da gravidez nem a crianças menores de 6 anos. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade a outros benzodiazepínicos. Período de recuperação do enfarte de miocárdio. A cimetidina aumenta os níveis séricos de nortriptilina. coma. convulsões seguidas de depressão respiratória. hepáticos ou renais severos e quando é associada com simpatomiméticos. Deve ser instituído tratamento de suporte.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SUPERDOSAGEM Pode provocar confusão. antes de iniciar o tratamento com nortriptilina. Não deve ser administrado simultaneamente com IMAO. vómitos. sonolência. No caso de retirada brusca pode aparecer cefaleias e mal-estar. Se tiver de ser mudada a medicação de IMAO para nortriptilina ou vice-versa. midríase. PRECAUÇÕES Pode provocar exacerbação das psicoses dos pacientes esquizofrênicos. choque. agitação. é necessário abandonála umas duas semanas antes de receber a outra. obstipação. REACÇÕES ADVERSAS São basicamente devidas à acção anticolinérgica do medicamento: boca seca. o uso de digitálicos pode auxiliar em casos de insuficiência cardiovascular ou falha cardíaca. 3º CLE – OUT. 2001 149 . Devido ao seu efeito anticolinérgico. retenção urinária. insónia. Deve ser evitada a ingestão simultânea de álcool ou fármacos estimulantes do SNC. até não haver maiores informações a respeito. deve ser empregada com precaução em pacientes com glaucoma ou hipertrofia de próstata ou com transtornos cardiovasculares. O diazepam age como anticonvulsivante com pouco efeito sobre a depressão respiratória. INTERACÇÕES Em pacientes medicados com IMAO é aconselhável deixar passar pelo menos 2 semanas desde a interrupção. insuficiencia cardíaca congestiva. hiper-reflexia. estupor. taquicardia.

A incidência de efeitos colaterais anticolinérgicos.9. seja a fluvoxamina. Tem-se relatado sintomas de abstinência com a supressão brusca do tratamento com a paroxetina e com a venlafaxima. efeitos anticolinérgicos e extrapiramidais que outros ISRS. e a estimulação de SNC parece maior com a fluoxetina que com outros ISRS. sedação e interações farmacológicas que outros ISRS. insónia. a fluoxetina tem se associado a alguns casos de acatisia. Tolrest. A fluoxetina foi o primeiro representante dessa classe de antidepressivos e ela tem um metabólito activo. Verotina NEFAZODONA Serzone PAROXETINA Aropax. causam mais efeitos colaterais que os ISRS.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML 7. assim como o risco de superdosagem é menor nos ISRS que nos chamados antidepressivos tricíclicos (ADT). mais intolerância digestiva (até 21 % dos pacientes podem experimentar náuseas. Cebrilin SERTRALINA Novativ. Antidepressivos Inibidores Selectivos de Recaptação da Serotonina (ISRS) Os antidepressivos chamados de Inibidores Específicos da Recaptação da Serotonina (ISRS) são aqueles que não interferem ou interferem pouco nos demais neurotransmissores além da serotonina (5HT). CITALOPRAM Cipramil. antihistamínicos e alfa-bloqueantes. As doses dos ISRS. sudorese excessiva. anorexia. Estes últimos. devem ser individualizadas para cada paciente. Parmil. A paroxetina origina mais sedação (também a fluvoxamina). a norfluoxetina. Deprax. Fluxene. Nortec. Procimax FLUOXETINA Daforim. especialmente quando a dose é muito alta. Esse metabólito é o ISRS que se elimina mais lentamente do organismo. A fluvoxamina também parece produzir mais intolerância digestiva. Prozac. 3º CLE – OUT. Zoloft. paroxetina. ansiedade. Por outro lado. fluoxetina ou outros. temores. 2001 150 . sertralina. Eufor. boca seca). Pondera. Serenata O efeito antidepressivo dos ISRS parece ser conseqüência do bloqueio selectivo da recaptação da serotonina (5-HT).

Pode ser empregado em pacientes alcoólatras. Não há nenhum caso descrito de óbito. anticoagulantes orais. alterações do sono. 3º CLE – OUT. cefaléia. Gravidez e lactação. Os pacientes tratados com citalopram e por diferentes motivos devem trocá-lo por um IMAO. náuseas. pois aumenta os dias de abstinência e diminui o consumo de álcool. hiperventilação. INTERAÇÕES Com cimetidina. os sinais e sintomas observados foram: sonolência. cianose. IMAO. Menores de 12 anos. crise convulsiva. ansiedade. nervosismo. INDICAÇÕES Tratamento da depressão e abuso de álcool. náuseas. boca seca. sudorese. REACÇÕES ADVERSAS Sudorese. taquicardia sinusal. 2001 151 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML CITALOPRAM CIPRAMIL PARMIL Citalopram é um antidepressivo que inibe intensa e selectivamente a recaptação de serotonina pelas terminações nervosas. suspender o citalopram 7 dias antes. ritmo juncional. sumatriptana. Hipersensibilidade ao fármaco. CONTRA-INDICAÇÕES Os pacientes que estam a receber IMAO devem suspendê-lo durante 14 dias quando se utiliza citalopram. rash cutâneo. vómitos. PRECAUÇÕES Evitar dirigir veículos ou manusear máquinas perigosas e a ingestão de álcool. coma. SUPERDOSAGEM Quando o citalopram foi ingerido sem outros medicamentos associados.

3º CLE – OUT. o que permite sua administração em dose única diária. serotonínicos ou dopamínicos. FLUOXETINA BIOZAC CLORIXETIN DAFORIM DEPRAX DEPRESS EUFOR FLUOXETIN FLUOXIL FLUOXON FLUOZET FLUXENE FLUXTINA NORTEC PROZAC PSIQUIAL SOSTAC VEROTINA A Fluoxetina é um inibidor selectivo da captação da serotonina ao nível do córtex cerebral. a norfloxetina. Caso necessário realizar entubação orotraqueal. não tendo afinidade pelos receptores adrenérgicos. colinérgicos. As vias aéreas devem ser previamente mantidas. neurónios serotoninérgicos e das plaquetas. 2001 152 . Lavagem gástrica deve ser feita precocemente. Administrar oxigênio em caso de hipóxia e diazepam. Não inibe a captação de outros neurotransmissores. Tanto a fluoxetina como seu metabólito principal. caso ocorram convulsões. apresentam semi-vida plasmática longa. muscarínicos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A conduta é sintomática e de suporte. H1-histamínicos. O paciente deve permanecer sob observação médica pelo menos por 24 horas.

astenia. 2001 153 . Evitar o uso concomitante de outras drogas que agem no SNC. tolerância ou dependência física. artralgias. náuseas e diarréia. Usar com cuidado em pacientes com história de convulsão. digitoxina) podem concorrer com a fluoxetina nessa ligação. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). SUPERDOSAGEM 3º CLE – OUT. sonolência. com síndrome serotoninérgica. leucocitose. Os suicidas potenciais de alto risco devem ser supervisionados cuidadosamente durante a terapia. urticária incluindo febre. Lactação – concentra-se no leite materno. Com diazepam pode haver prolongamento da semi-vida dessa droga. no entanto deve-se evitar a prescrição do medicamento a pacientes com história de abuso de drogas. edema e até linfadenopatias. Uso cuidadoso em idosos (reduzir doses) e renais crónicos. aumentando o risco de efeitos adversos de uma ou de outra droga. fadiga.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INDICAÇÕES Transtornos depressivos. Nos pacientes sensíveis ocorre rash. Gravidez. Drogas que se ligam fortemente às proteínas plasmáticas (cumadina. Uso em pediatria ainda não está indicado. nervosismo. tremor e problemas gastrintestinais. insónia. A fluoxetina não parece ter potencial de desenvolvimento de abuso. evitando-se prescrever ou deixar grande quantidade de medicamento junto ao paciente. INTERACÇÕES Com triptofano e lítio podem ocorrer reacções do tipo síndrome serotoninérgica. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade. devido ao risco de interação grave. gravidez e lactação. Não administrar fluoxetina no mínimo por 5 semanas antes ou depois do uso de IMAO. PRECAUÇÕES A fluoxetina tem acção anorexígena com uma discreta redução ponderal durante seu uso. incluindo anorexia. REACÇÕES ADVERSAS As reações mais comummentes observadas são ansiedade.

Recomenda-se a redução da dose em pacientes com disfunção hepática ou renal. 3º CLE – OUT. O seu efeito antidepressivo decorre do bloqueio da neurotransmissão seratoninérgica por competição com os receptores de tipo II da serotonina (5HT) e por um bloqueio parcial leve na neurotransmissão alfa-adrenérgica. Administrada por via oral. A função cardíaca e os sinais vitais devem ser monitorizados. que não é dialisável. distribuindo-se por todos os tecidos (volume de distribuição 0.23 a 0. a m-clorofenilpiperazina. O equilíbrio cinético plasmático ocorre em 3 ou 4 dias com as doses terapêuticas usuais. pertencente ao grupo das fenilpiperazinas. a hidroxinefazodona e a dietil-hidroxinefazodona.A resposta clínica máxima instala-se após 4 semanas de tratamento. Apresenta elevada ligação às proteínas plasmáticas: > 99%.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A conduta inicial é de provocar emese e lavagem gástrica ou administrar carvão activado com sorbitol.68l/kg). principalmente. originando dois metabólitos activos. sendo os metabólitos eliminados. Metaboliza-se no fígado. Em pacientes com mais de 65 anos. A semi-vida de eliminação no estado de equilíbrio cinético é de 2 a 4 horas. Não apresenta efeitos anticolinérgicos e nem anti-histamínicos. Não há antídoto específico para a fluoxetina. Provoca leve interferência na duração dos estágios do sono o que causa pequeno atraso na instalação da fase MOR ou REM. pelos rins. a nefazodona não provoca alterações na condução cardíaca e nem hipotensão ortostática. e um metabólito com actividade seratoninérgica. Depressão severa não psicótica.A presença de alimentos retarda sua absorção e reduz sua biodisponibilidade em 20% (clinicamente não significativo). A nefazodona é bastante lipossolúvel. INDICAÇÕES Síndromes depressivas. Instituir adequada ventilação e oxigenação. 2001 154 . NEFAZODONA SERZONE Nefazodone é um derivado sintético. é rapidamente absorvida e alcança o pico plasmático em 1 a 3 horas.

INTERACÇÕES Triazolam: reduzir a sua dose quando se associa com nefazodona. em especial. PRECAUÇÕES Possibilidade de tentativa de suicídio. PAROXETINA AROPAX PONDERA CEBRILIN BENEPAX 3º CLE – OUT. O tratamento deve ser sintomático e de manutenção. se a ingestão for recente. sonolência e vómitos. obstipação. Evitar funções onde a falta de atenção aumenta o risco de acidentes (operar máquinas pesadas. Antihipertensivos: ocorrência de hipotensão ortostática e síncope (bloqueio alfaadrenérgico). O risco/benefício deve ser avaliado durante a gravidez e o aleitamento. Anestésicos gerais: suspender a nefazodona vários dias antes da cirurgia. 2001 155 . enjoos. Pacientes menores de 18 anos. REACÇÕES ADVERSAS Secura da boca. exarcebação da mania/depressão em pacientes tratados com outros antidepressivos. em especial para hipotensão e sedação excessiva. o que leva à interrupção do tratamento em cerca de 10% dos pacientes. CONTRA-INDICAÇÕES Hipersensibilidade aos antidepressivos fenilpiperazínicos. diplopia e insónia. cefaléia.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SUPERDOSAGEM Aumento de incidência e gravidade das reacções adversas. Recomenda-se a lavagem gástrica. astenia. sonolências. dirigir veículos. etc). náuseas.

Não foram observados casos fatais. sonolência. A paroxetina é completamente absorvida após a sua administração oral. vómitos. sudorese. ansiedade. Usos adicionais. assegurando o estabelecimento da ventilação e oxigenação. vasodilatação. como terapia única ou como coadjuvante no tratamento da neuropatia diabética e da dor de cabeça tensional crónica. alterações na ejaculação. INDICAÇÕES Síndromes depressivas com melancolia. A diurese forçada.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Presume-se que a acção antidepressiva da paroxetina é devida ao aumento do estímulo serotoninérgico no SNC. ocorrido a partir da inibição da recaptação da serotonina pelos neurónios. Distimias. SUPERDOSAGEM Náuseas. 2001 156 . sonolência. O tratamento deve ser de suporte. palpitação. tremores. é metabolizada rapidamente para dar origem a metabólitos cinquenta vezes menos potentes. dor abdominal. náuseas. A sua distribuição pelo organismo é rápida. astenia. e fica um remanescente de 1% no plasma. tonturas. REACÇÕES ADVERSAS Dor de cabeça. vómitos. Depressão recorrente. Episódios depressivos maiores ou severos. PRECAUÇÕES 3º CLE – OUT. como a noradrenalina e a dopamina. agitação. insónia. o que dá como resultado uma falta de linearidade na farmacocinética do fármaco. que na sua maior parte são polares (predominam glicurônidos e sulfatos) que se eliminam rápidamente. incluindo o SNC. a diálise e a hemoperfusão não são benéficas na eliminação da paroxetina do organismo. Transtorno obessivo-compulsivo. Os estudos em animais indicam que a paroxetina é um bloqueador da recaptação altamente selectivo para a serotonina. pois exibe somente um efeito muito leve sobre a recaptação de outros neurotransmissores. Transtornos da conduta alimentar. Um dos passos na sua biotransformação depende de uma enzima facilmente saturável. boca seca.

deve ser ajustada a dose dessa última.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Não é recomendável o uso em crianças. Os pacientes que recebem paroxetina não devem ingerir álcool. mudanças do estado mental (agitação extrema que pode progredir a delírio e coma). Para mudar de paroxetina a um IMAO. pois a eficácia e a segurança do fármaco não foram estabelecidas para esse grupo etário. náusea. Prociclidina: se forem observados efeitos anticolinérgicos na co-administração com paroxetina. sudorese e tonturas. A co-administração de fármacos metabolizados pelo citocromo P450IID6 (nortriptilina. imipramina. Crianças. fluoxetina. quando é co-administrada com paroxetina. Lactação. instabilidade autonômica (com flutuações rápidas dos sinais vitais). Insuficiência renal severa. dor de cabeça. Hipersensibilidade ao fármaco. flecainida. Os fármacos que afectam o metabolismo hepático podem alterar o metabolismo e a farmacocinética da paroxetina. CONTRA-INDICAÇÕES Uso simultâneo com IMAO. deve suspender-se a administração de qualquer um deles pelo menos duas semanas antes de iniciar a administração do outro. Gravidez. O paciente que recebe paroxetina não deve operar maquinaria pesada nem dirigir automóveis. 2001 157 . Warfarina: administrar com precaução. amitriptilina. hipertermia. quinidina. ou vice-versa. encainida. propafenona. A cimetidina inibe o metabolismo da paroxetina. Essas reacções foram observadas em pessoas que recentemente tinham suspenso a paroxetina e começavam o tratamento com um IMAO. INTERACÇÕES Entre as manifestações comuns incluem-se rigidez. a dose de prociclidina deve ser reduzida. Com digoxina foi observada uma diminuição da área sob a curva média desse fármaco. SERTRALINA LIRIOL NOVATIV 3º CLE – OUT. Co-administrado com triptofano.) deve ser levada a cabo com precauções. etc. desipramina. fenotiazinas.

A semi-vida da N-desmetilsertralina está na faixa de 62 a 104 horas. Cerca de 98% da droga circulante se unem as proteínas plasmáticas. 2001 158 . que são alcançadas depois de 1 semana com 1 dose diária única. A sertralina não tem afinidade pelos receptores muscarínicos (colinérgicos). REACÇÕES ADVERSAS 3º CLE – OUT. O fármaco tem efeitos apenas muito débeis sobre a recaptação neuronal de norepinefrina e dopamina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML SERCERIN SERTAX TOLREST ZOLOFT O cloridrato de sertralina é um derivado da naftilamina. O principal metabólito. pelo que produz uma potenciação dos efeitos da 5HT. Em concordância com a semi-vida de eliminação terminal. recomenda-se administrá-la nas refeições. gabaérgicos ou benzodiazepínicos. dopaminérgicos. a sertralina e a N-desmetilsertralina são metabolizadas de forma extensa. A sertralina é um inibidor potente da recaptação neuronal de serotonina. Somente uma pequena quantidade (<0. é substancialmente menos activo in vitro que a sertralina (cerca de 8 vezes) e é virtualmente inactivo em testes farmacológicos in vitro. sedativa ou anticolinérgica. adrenérgicos. nem cardiotoxicidade em animais. ou sem ela. serotoninérgicos. e exibe uma farmacocinética proporcional à dose na faixa de 50 a 200mg. No homem. INDICAÇÕES Depressão com antecedentes de mania. Dado que a biodisponibilidade das cápsulas de sertralina é aumentada na presença de alimentos. N-desmetilsertralina. A semi-vida de eliminação terminal plasmática de setralina é de aproximadamente 26 horas. não possui ação estimulante.2%) da sertralina é excretada pela urina sem modificação. há um acúmulo aproximado do dobro até chegar a concentrações estáveis. histaminérgicos. e os metabólitos resultantes são excretados com as fezes e a urina em quantidades similares.

não sendo essencialmente antidepressivas nem sedativas. Tegretol CARBONATO DE LITIO Carbolim. transpiração abundante. 2001 159 .10. INTERACÇÕES Pode produzir-se um aumento das concentrações plasmáticas da sertralina. tremores. como por exemplo varfarina e digitoxina. quando administrada com outras drogas que são combinadas fortemente com as proteínas plasmáticas. disfunção sexual masculina. No caso de empregá-los com sertralina. Progresse 3º CLE – OUT. boca seca. PRECAUÇÕES Não utilizar em combinação com IMAO. Carbolitium. CONTRA-INDICAÇÕES Pacientes com hipersensibilidade. Litiocar.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML As mais comuns observadas são: distúrbios gastrointestinais (diarréia. Gravidez. Neurim GAMAPENTINA Neurotontin. como é o caso da Lamorigina e da Gabapentina. náuseas e dispepsia). Neurolithiun ÁCIDO VALPRÓICO Depakene. vertigens. sonolência. Alguns outros anticonvulsivantes estão a merecer estudos sobre sua eficácia como Estabilizadoras do Humor. Tegretard. 7. mais recentemente o Divalproato de Sódio. CARBAMAZEPINA Carbamazepina. Valpakine DIVALPROATO DE SÓDIO Depakote LAMOTRIGINA Lamictal. insónia. Internacionalmente reconhecem-se três substâncias capazes de desempenhar tal papel: o Lítio. deixar passar 14 dias entre o final de uma medicação e o início da outra. Estabilizadores do Humor Estabilizadores do Humor são substâncias utilizadas para a manutenção da estabilidade do humor. a Carbamazepina e o Ácido Valpróico.

a carbamazepina10. pode deprimir a actividade do núcleo ventral anterior do tálamo. o alívio da dor na neuralgia do 3º CLE – OUT. A sua união às proteínas é muito alta (de 55% a 59% em crianças e 76% em adultos). porém o significado não está completamente esclarecido. 2001 160 . Desta forma. O tratamento do Transtorno Afectivo Bipolar sem estes Estabilizadores do Humor se complica devido ao facto dos antidepressivos estarem sujeitos à desencadear crises de euforia. A absorção é lenta e variável. A carbamazepina é metabolizado no fígado e um metabólito. Estruturalmente a carbamazepina é similar aos fármacos psicoativos (imipramina. porém é quase completamente absorvido no trato gastrintestinal. Como antineurálgico pode actuar no SNC diminuindo a transmissão sináptica ou a adição da estimulação temporal que dá origem à descarga neuronal. O mecanismo exacto da acção anticonvulsiva da carbamazepina é desconhecido. antidrepressiva e antineurálgica. Estimula a libertação da hormona antidiurética. tem actividade anticonvulsiva. clorpromazina e maprotilina) e compartilha algumas características estruturais com os anticonvulsivos (fenitoína. inibidor da transmissão neuromuscular e antiarrítmico. clonazepam e fenobarbital). o que depende de cada paciente devido à auto-indução do metabolismo. antidepressivo. tanto o Carbonato de Lítio. quanto a Carbamazepina são utilizados sempre como coadjuvantes quase indispensáveis do tratamento. O seu início de acção como anticonvulsivo varia entre dias e meses. Outras acções secundárias descritas: anticolinérgico. assim como os sedativos terem probabilidade de desencadear a depressão. 11-epóxido. CARBAMAZEPINA CARBAMAZEPINA TEGRETARD TEGRETOL A carbamazepina é um derivado tricíclico do iminostibeno.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A indicação exclusiva para Estabilizadores do Humor são os Transtornos Afectivos Bipolares e os Episódios de Mania (Euforia) ou de Hipomania.

adenopatias. 3º CLE – OUT. Anticonvulsivo de primeira eleição. tremor. Pode diminuir o efeito dos corticosteróides devido ao aumento do metabolismo destes. deve-se suspeitar de hiponatremia. confusão ou hostilidade. É eliminado em 72% por via renal (3% como fármaco inalterado). Se estimulado. disartria. podem diminuir os efeitos dos anticoagulantes derivados da cumarina por indução da actividade enzimática microssômica hepática. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos podem originar maior incidência de infecção microbiana. REACÇÕES ADVERSAS Em pacientes que apresentam letargia. sonolência grave. São de incidência mais frequente: visão turva. anomalias neurológicas ou estupor. Os pacientes de idade avançada podem ser mais sensíveis que os jovens à agitação e confusão. aumento da frequência de crises convulsivas. náuseas. bloqueio cardíaco auriculoventricular ou bradicardia induzidos pela carbamazepina. Neuralgia do trigêmeo. 2001 161 . Sinais de superdosagem: enjoos agudos. dificuldade de respiração. tremores ou contrações. Em pacientes diabéticos poderá haver um aumento nas concentrações de açúcar na urina. Tratamento das crises convulsivas parciais com sintomatologia simples ou complexa. INDICAÇÕES Epilepsia. o metabolismo hepático das xantinas (teofilina. rigidez. PRECAUÇÕES Deve-se ter cuidado ao dirigir.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML trigêmeo varia entre 24 a 72 horas. depressão respiratória. febre. crises convulsivas mistas. sonolência e debilidade. cefaléia contínua. INTERACÇÕES O paracetamol pode aumentar o risco de hepatoxicidade e diminuir os efeitos terapêuticos desta droga. hemorragias ou hematomas. crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas. linfadenopatias e parestesias. crises convulsivas. aminofilina). Erupção cutânea ou prurido. atraso na cicatrização e hemorragia gengival. debilidade. fezes pálidas. alucinações visuais. vómitos. taquicardia. no manuseio de máquinas ou ao realizar trabalhos que exijam atenção e coordenação. Raramente: bradicardia.

glicosídeos digitálicos. barbitúricos. antecedentes de depressão da medula óssea. O uso de IMAO pode originar crises hiperpiréticas. diabetes mellitus. Aumenta o metabolismo e. anticoncepcionais orais que contenham estrogênios. levotiroxina. Postulam-se duas teorias. Os efeitos depressores sobre o SNC são potencializados com o uso simultâneo de antidepressivos tricíclicos. Crises convulsivas mioclônicas. eritromicina. foi demonstrado que as concentrações plasmáticas da carbamazepina são diminuídas. portanto. dextropropoxifeno ou verapamil podem inibir o metabolismo da carbamazepina. benzodiazepinas ou anticonvulsivos do grupo succinimida ou hidantoína. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de gravidez. dacarbazina. mediada possivelmente 3º CLE – OUT. lactação. 2001 162 . diltiazem. CONTRA INDICAÇÕES Crises de ausência atípicas ou generalizadas. diminuem os efeitos terapêuticos da ciclosporina. Os inibidores da anidrase carbônica podem produzir um aumento do risco de osteopenia. disfunção hepática ou renal e reacções hemáticas adversas por outros medicamentos. Crises atônicas. glaucoma. A primeira relaciona o efeito estabilizador do ânimo com uma redução na concentração do neurotransmissor catecolamina. Em pacientes tratados com doses elevadas de mebendazol. crises hipertensivas e convulsões graves. loxapina. bloqueio A-V. aloperidol. fenotiazinas ou tioxantenos. estrogênios.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Diminuição das concentrações séricas e redução das vidas médias de eliminação de primidona. LÍTIO CARBOLIM CARBOLITIUM LITIOCAR NEUROLITHIUM Ainda não foi claramente estabelecido o mecanismo exacto de acção do Lítio. ácido valpróico. A cimetidina pode aumentar a concentração plasmática de carbamazepina. mexiletina e quinidina. O danazol.

taquicardia. para produzir um aumento no transporte transmembrana neuronal do íon sódio. O Lítio é potencialmente tóxico para o sistema nervoso central. sonolência. É absorvido por via oral de forma rápida e completa. 2001 163 . náuseas. REACÇÕES ADVERSAS Frequência de micção aumentada. No início do tratamento a semi-vida é bifásica. hipotermia. seguida de uma diminuição gradual durante as 24 horas seguintes. tremor das mãos. A segunda hipótese é que o lítio pode diminuir as concentrações de monofosfato de adenosina cíclico (AMPcíclico). torna-se mais lenta. 3º CLE – OUT. Deve ser administrado com precaução na presença de doença cardiovascular (pode exacerbar-se). INDICAÇÕES Tratamento da doença maníaco-depressiva. e elimina-se 95% de forma inalterada pelo rim. tais como hipotonia. O início de sua acção terapêutica pode demorar de 1 a 3 semanas. inclusive em concentrações séricas dentro do alcance terapêutico. Na forma activa o Lítio pode ser reabsorvido 80% no túbulo proximal. pulso irregular. dispnéia de esforço. a concentração sérica diminui com rapidez durante as 5 a 6 horas iniciais. cianose e alterações no eletrocardiograma. aumento da sede. na presença de alterações do sistema nervoso central (epilepsia e parkinsonismo). A eliminação é inicialmente rápida e.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML pelo efeito do íon lítio na enzima adenosina trifosfatase Na+/K+-dependente. PRECAUÇÕES O lítio é excretado no leite materno e em alguns lactentes foram descritos sinais de toxicidade. confusão. O Lítio não se une às proteínas plasmáticas nem é metabolizado. após tratamento prolongado. desvanecimentos. o que por sua vez pode originar diminuição da sensibilidade dos receptores da adenilatociclase sensíveis às hormonas. A velocidade de excreção diminui com o aumento da idade. em casos de desidratação grave (aumenta o risco de toxicidade) e quando existir insuficiência renal ou retenção urinária.

disfunção renal ou cardíaca grave. Antes e durante o tratamento. possivelmente causado pela redução de seu metabolismo ou sua recaptação nos tecidos cerebrais. 3º CLE – OUT. contagem de leucócitos e eletrocardiogramas. toxicidade neurológica e lesão cerebral irreversível. ÁCIDO VALPRÓICO DEPAKENE VALPAKINE Não se conhece exactamente o mecanismo de acção do Ácido Valpróico. INTERACÇÕES O uso simultâneo com antitireóideos.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A toxicidade por lítio pode aparecer em concentrações séricas terapêuticas ou próximas a elas. É aconselhável efectuar exames do lítio sérico durante o tratamento. 2001 164 . glicerol iodado ou iodeto de potássio pode potencializar os efeitos hipotireóideos destes fármacos e do lítio. A associação com haloperidol (frequente) tem produzido. A sua administração deve ser cuidadosa nos casos de bócio ou hipotireoidismo. já que pode agravá-los. iodeto de cálcio. porém acredita-se que esteja relacionado com um aumento directo ou secundário das concentrações do neurotransmissor inibidor GABA (ácido gama-aminobutírico). Recomenda-se o consumo de cloreto de sódio e uma adequada ingestão de líquidos (2. recomenda-se efectuar a determinação da função renal.5 a 3 litros por dia). Os antiinflamatórios não esteróides (AINE) podem aumentar os efeitos tóxicos do lítio pela diminuição de sua excreção renal. O uso de diuréticos pode provocar uma toxicidade grave ao retardar a sua excreção renal e aumentar. dado que este diminui a reabsorção de sódio pelos túbulos renais. CONTRA-INDICAÇÕES Gravidez. em alguns casos. as concentrações séricas. Durante a fase maníaca aguda. o paciente pode ter uma grande capacidade para tolerar o lítio. lactação. em consequência.

PRECAUÇÕES A administração de Ácido Valpróico requer cuidados. e as concentrações séricas terapêuticas variam de 50 a 100mg/ml. É eliminado por via renal. Em concentrações séricas terapêuticas acima de 50mg/ml. O seu metabolismo é fundamentalmente hepático. alterações intestinais. 2001 165 . Não se recomenda a ingestão de álcool ou outros depressores de SNC quando em uso de Ácido Valpróico. a fracção livre se torna maior. à medida que aumenta a concentração. e assim aumenta o gradiente de concentração no cérebro. Atravessa a placenta e é excretado no leite materno. especialmente nas crianças (maior risco de desenvolver hepatotoxicidade grave). na presença de discrasias sangüíneas. 3º CLE – OUT. tremores. vómitos. pois a suspensão repentina pode precipitar a crise ou o estado epiléptico. hemorragias ou hematomas por trombocitopenia ou inibição da agregação plaquetária. REACÇÕES ADVERSAS Hepatotoxicidade grave ou fatal (risco maior em crianças que recebem outros anticonvulsivos simultaneamente). Nos casos em que se utiliza o ácido valpróico para substituir ou suplementar outra terapêutica anticonvulsiva. e em pequenas quantidades pelas fezes e pelo ar expirado. a fim de manter o controle da crise. náuseas. doença hepática e disfunção renal. de 6 a 16 horas. Deve ser empregado com cautela nos casos que requerem qualquer tipo de cirurgia. as doses devem ser aumentadas de forma gradual conforme a redução da outra medicação. INDICAÇÕES Tratamento da epilepsia (crise de ausência). diarréia. Como coadjuvante no tratamento das crises mistas da epilepsia e do transtorno bipolar do humor. Na suspensão de sua administração a dose deve ser reduzida gradualmente. doença cerebral orgânica. sonolência. erupções cutâneas. tratamento dental ou de emergência devido ao possível prolongamento do tempo de sangramento. principalmente como conjugado glicurônico.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML O Ácido Valpróico é de absorção rápida no trato gastrintestinal. sua união às proteínas é de 90%. A semi-vida do Ácido Valpróico é muito variável. a qual porém demora mais quando ingerido com alimentos.

CONTRA-INDICAÇÕES Disfunção hepática grave. haloperidol. Devido ao 3º CLE – OUT. A associação com fenitoína pode provocar crises convulsivas inesperadas ou a toxicidade por esta droga devido à interferência na sua união com as proteínas. O uso simultâneo com antidepressivos tricíclicos. contagem sanguínea e de plaquetas. gravidez (pode produzir anomalias no tubo neural do feto). A administração juntamente com inibidores da agregação plaquetária pode aumentar o risco de hemorragias. A administração juntamente com medicamentos hepatotóxicos pode aumentar o risco de hepatotoxicidade. por conseguinte. o risco de toxicidade neurológica e depressão de SNC.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Recomenda-se que. INTERACÇÕES A hipoprotrombinemia induzida pelo ácido valpróico pode aumentar a actividade dos derivados da cumarina e indandiona. 2001 166 . determinação da função hepática e renal. O uso em conjunto com carbamazepina pode provocar concentrações séricas menores e diminuição da semi-vida devido ao aumento do metabolismo induzido pela actividade das enzimas microssômicas hepáticas. sejam feitas determinações do tempo de sangramento. e aumentar o risco de hemorragia em pacientes que recebem heparina ou trombolíticos. O uso simultâneo com barbitúricos ou primidona pode aumentar as concentrações séricas desses medicamentos devido ao deslocamento das uniões com as proteínas e. inibidores da monoaminooxidase e fenotiazinas pode potencializar a depressão de SNC e reduzir o limiar convulsivo. DIVALPROATO DE SÓDIO DEPAKOTE Doses orais equivalentes dos produtos Divalproato de Sódio (ácido valpróico) libertam quantidades equivalentes de íon valproato sistemicamente. antes do tratamento e periódicamente durante a sua duração.

as crianças têm parâmetros farmacocinéticos que se aproximam dos adultos. Os sintomas típicos de mania incluem taquilalia. Doença hepática está também associada com decréscimo das concentrações de albumina e com grandes fracções de valproato não ligado (aumento de 2 a 2. Doenças renais . a monitorização de concentrações totais pode ser enganosa. a dosagem inicial deverá ser reduzida em idosos. a hemodiálise tipicamente reduz concentrações em torno de 20%. ou de humor irritável. Doenças hepáticas . redução da necessidade de dormir. INDICAÇÕES Divalproato de Sódio está indicado para o tratamento de episódios de mania associados com desordens bipolares. Ajustes de doses não são necessários em pacientes com insuficiência renal. quando comparadas com crianças mais velhas e adultos.doenças hepáticas diminuem a capacidade de eliminação de valproato. O revestimento entérico do Divalproato de Sódio pode reduzir a incidência do efeito irritativo gastrointestinal do valproato. agressividade e possível hostilidade. Acima dos 10 anos de idade.pacientes idosos (entre 68 e 89 anos de idade) têm uma capacidade diminuída de eliminação de valproato quando comparados com adultos jovens. quando comparado ao Ácido Valpróico cápsulas. A ligação protéica nestes pacientes está substancialmente reduzida. uma vez que as concentrações livres podem estar substancialmente elevadas em pacientes com doenças hepática e as concentrações totais podem estar normais.pacientes pediátricos (entre 3 meses e 10 anos de idade) têm depurações 50% mais altas em relação aos adultos.crianças nos dois primeiros meses de vida têm uma marcada diminuição de eliminação de valproato. a absorção é retardada numa hora após a administração oral. pobreza de julgamento. demonstrados no peso (isto é. expansivo. Correspondentemente. portanto. no entanto. 3º CLE – OUT. ml/min/kg).6 vezes). Idosos . Crianças . Um episódio de mania é um período distinto de anormalidade de humor persistentemente elevado. Neonatos .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML revestimento entérico do Divalproato de Sódio.uma pequena redução (27%) na depuração de valproato não ligado tem sido relatada em pacientes com insuficiência renal (depuração de creatinina < 10 ml/minuto). fuga de idéias. 2001 167 . grandiosidade. hiperatividade motora.

difenil-hidantoína e fenobarbital. aqueles com doença convulsiva severa associada a atrasos mentais e pacientes com doença cerebral orgânica podem ter um risco acrescido. Em pacientes com epilepsia. que indicam que o uso de medicações anticonvulsivantes em geral. durante a gravidez. Estes incidentes usualmente têm ocorrido durante os primeiros seis meses de tratamento.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML CONTRA-INDICAÇÕES Divalproato de Sódio não deve ser administrado a pacientes com doença hepática ou disfunção hepática significante. letargia. 3º CLE – OUT. Pelo facto do valproato ser eliminado pelo leite materno e devido à inexistência de dados conclusivos sobre a acção do medicamento em recém-nascidos. tem ocorrido em pacientes que fazem ácido valpróico ou os seus derivados. fraqueza. a perda de controlo de crises também pode ocorrer. Hepatotoxicidade séria ou fatal pode ser precedida por sintomas não específicos. Os pacientes devem ser cuidadosamente monitorizados para o aparecimento desses sintomas Pacientes em uso de múltiplos anticonvulsivantes. Divalproato de sódio é contra-indicado para pacientes com hipersensibilidade conhecida a esta medicação. medicações anticonvulsivantes só devem ser administradas a mulheres com potencial para engravidar se demonstrarem claramente serem essenciais no tratamento das suas crises. crianças. não se recomenda o aleitamento materno por pacientes sob tratamento com esta medicação. anorexia e vómitos. pacientes com doenças metabólicas congênitas. PRECAUÇÕES Insuficiência hepática resultando em morte. Portanto. Ácido Valpróico e seus sais podem produzir efeitos teratogênicos em mulheres que recebam esta medicação durante a gestação. relatos indicam uma possível associação similar com o uso de outras medicações anticonvulsivantes. Há múltiplos relatos na literatura clínica. edema facial. especialmente aquelas com as condições anteriormente mencionadas. resulta em um aumento da incidência de defeitos congénitos no feto. Segundo informações da literatura médica. Embora os dados sejam mais extensos com respeito à trimetadiona. 2001 168 . parametadiona. A experiência tem demonstrado que crianças abaixo de dois anos de idade têm um risco consideravelmente maior de desenvolver hepatotoxicidade fatal. como mal-estar.

plasma). 3 vezes ao dia) e fenitoína (250 mg).Um decréscimo na dosagem de valproato pode ser necessária quando a terapia com felbamato for iniciada.Níveis séricos de CBZ diminuem 17%. Felbamato . Lítio . devem-se observar cuidadosamente todos os pacientes que recebam terapêutica barbitúrica concomitante. diminuir as doses administradas.A co-administração de valproato (500 mg duas vezes ao dia) e lítio (300 mg três vezes ao dia) a voluntários sãos do masculino não apresentou efeitos no estado de equilíbrio cinético do lítio. Etossuximida . Carbamazepina . 2001 169 . portanto a dose de lamotrigina deverá ser reduzida nesses casos. Este fenómeno pode resultar numa severa depressão do SNC.A semi-vida de eliminação da lamotrigina aumentou de 26 para 70 horas quando administrada em conjunto com valproato. foi associada com 3º CLE – OUT.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML INTERACÇÕES Álcool . administrado como monoterapia. Fenitoína . em voluntários sãos. em relação à toxicidade neurológica e a níveis séricos de barbiturato.A fracção livre de valproato aumenta quatro vezes a aspirina comparada com o valproato.A administração de uma dose única de etossuximida 500 mg com valproato (800 a 1600 mg/dia) a voluntários sãos.O Divalproato de Sódio pode potencializar a actividade depressora do álcool sobre o SNC. foi acompanhada por um aumento de 25% na semi-vida de eliminação da etossuximida e um decréscimo de 15% na sua depuração total quando comparado a etossuximida administrada como monoterapia. Aspirina .O valproato desloca a fenitoína da sua ligação com a albumina plasmática e inibe o seu metabolismo hepático.O uso concomitante de ácido valpróico e de clonazepam pode induzir estado de ausência em pacientes com história desse tipo de crises. A co-administração de valproato (400 mg. Lamotrigina . Fenobarbital . sem elevações significativas dos níveis plasmáticos de barbiturato ou de valproato. para. se necessário. Clonazepam .Existem evidências de que o ácido valpróico pode causar decréscimo na depuração não renal do fenobarbital (50% de aumento na semi-vida e 30% de decréscimo na depuração do . Foi também relatado que a combinação dessas duas medicações pode produzir depressão do SNC. Apesar de não se conhecer o mecanismo de interacção.

dor nos olhos. Digestivas . parestesia. A depuração plasmática total e o volume aparente de distribuição da fenitoína aumentou 30% na presença de valproato.Visão anormal. anormalidades de pensamento e vertigens. hipertonia. reflexos aumentados. Respiratórias . A relevância terapêutica deste facto é desconhecida. REACÇÕES ADVERSAS Os seguintes efeitos colaterais tiveram incidência acima de 5% ou significantemente maior do que o grupo placebo: náuseas. erupção máculo-papular e seborréia. Músculo-esqueléticas .Alopecia. infecção. alucinações. incontinência fecal. diplopia e disartria. palpitação. anomalias vasculares. artrose. SNC . olhos ressecados.Dismenorréia. Varfarina . tontura.Equimoses. ataxia. marcha anormal. glossite e abscesso periodontal. reação catatônica. hipocinesia.Edema e edema periférico. arrepios e febre. sonolência. Sentidos . vasodilatação. cãibras nas pernas e contracções musculares.Artralgia. vómitos. dor e rigidez no pescoço. surdez. porém não mais do que 5% em 89 pacientes tratados com divalproato de sódio em estudos clínicos controlados. 2001 170 . o valproato aumentou a fracção de Varfarina não ligada até 32. têm ocorrido relatos de desencadeamento de crises com a combinação de valproato e fenitoína. gastrenterite. Desordens metabólicas e nutricionais . discinesia tardia. flatulência. dor abdominal.Anorexia. hipotensão. taquicardia. Cardiovasculares . agitação. depressão. Hemáticas e linfáticas .hipertensão. lupus eritematoso discóide. 3º CLE – OUT. lesões acidentais.Sonhos anormais. alterações auditivas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML aumento de 60% na fracção livre de fenitoína. disúria e incontinência urinária. Os efeitos adversos a seguir relatados tiveram uma incidência maior que 1%.Dispnéia e rinite. hipotensão postural. Gerais . dor de ouvido e zumbidos. Urogenitais . astenia. Em pacientes com epilepsia. confusão. insónia. ambliopia conjuntivite.Dor torácica.Em um estudo in vitro. furunculose.6%. Pele e anexos . dispnéia e erupção cutânea.

em períodos de até um ano. INDICAÇÕES A Lamotrigina é uma droga antiepiléptica indicada para o tratamento de crises parciais e crises tônico-clônicas generalizadas. portanto. Este risco pode ser evitado pela redução gradual da dose por um período de duas semanas. Como ocorre com outras drogas antiepilépticas. 2001 171 . a suspensão abrupta de Lamotrigina pode provocar crises. PRECAUÇÕES Dados disponíveis sugerem que se a dose recomendada para o início da terapia com Lamotrigina for excedida. um aminoácido excitatório que representa um papel-chave no desencadeamento de ataques epilépticos. a Lamotrigina não provocou alterações significativas na concentração da hemoglobina. as concentrações plasmáticas de Lamotrigina não foram 3º CLE – OUT. Lamotrigina é um fraco inibidor da diidrofolatoredutase. CONTRA-INDICAÇÕES Lamotrigina é contra-indicado para indivíduos com conhecida hipersensibilidade à droga. Em estudos de dose única em pacientes com insuficiência renal terminal. há possibilidade de interferência com o metabolismo do folato durante tratamentos prolongados. pode haver um aumento na incidência de rash requerendo a retirada da terapia. Entretanto. não satisfatoriamente controladas com outras drogas antiepilépticas. principalmente do glutamato.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML LAMOTRIGINA LAMICTAL NEURIUM Os resultados de estudos farmacológicos sugerem que a Lamotrigina age nos canais de sódio sensíveis à diferença de potencial para estabilizar as membranas neuronais e inibir a libertação de neurotransmissores. no volume corpuscular médio e nas concentrações séricas de folato ou de glóbulos vermelhos.

normalmente de aparência máculo-papular. falta de firmeza de movimentos. inclusive angioedema e síndrome de Stevens-Johnson. ocorrendo regressão com a suspensão da droga. cansaço. O rash. A Lamotrigina não se mostrou carcinogênico em estudo a longo prazo em ratos e camundongos. como é esperado que haja acúmulo do metabólito glicuronado. visão turva. foram observados rashes cutâneos graves. No entanto. Não há informação disponível sobre as concentrações de Lamotrigina ou seus metabólitos que possam aparecer no leite materno após a administração de Lamotrigina. tonturas. REACÇÕES ADVERSAS Em estudos clínicos duplo-cegos. Os resultados de toda uma gama de testes mutagênicos indicam que Lamotrigina não apresenta risco genético ao homem. adicionado a regimes padrão de drogas antiepilépticas. incluíram: diplopia. os benefícios potenciais do tratamento para a mãe superem quaisquer possíveis riscos ao feto em desenvolvimento. SUPERDOSAGEM 3º CLE – OUT. distúrbios gastrintestinais e irritabilidade/agressividade. sonolência. 2001 172 . A Lamotrigina é um fraco inibidor da diidrofolato-redutase. onde Lamotrigina foi adicionado a regimes padrão de drogas antiepilépticas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML significantemente alteradas. Como ocorre com a maior parte das drogas. Há um risco teórico de deformações fetais em seres humanos quando a mãe é tratada com um inibidor de folato durante a gravidez. Todavia. para que se avalie sua segurança na mesma. Lamotrigina não deve ser usado durante a gravidez. na opinião do médico. cefaléia. deve-se ter cuidado ao tratar pacientes com insuficiência renal. Outras reacções adversas relatadas durante estudos com Lamotrigina. geralmente aparece dentro de quatro semanas após o início do tratamento. estudos de toxicologia reprodutora com Lamotrigina em animais com doses que excediam às terapeuticamente indicadas para seres humanos não mostraram efeitos teratogênicos. ocorreram rashes cutâneos em até 10% dos pacientes que tomavam Lamotrigina e em 5% dos pacientes que tomavam placebo. a menos que. Raramente. São insuficientes os dados disponíveis sobre o uso de Lamotrigina na gravidez humana. Os rashes cutâneos levaram à suspensão do tratamento com Lamotrigina em 2% dos pacientes.

. A Gabapentina está estruturalmente relacionada ao neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico). glicina ou N-metil-d-aspartato. GABAPENTINA NEUROTONTIN PROGRESSE A Gabapentina é o ácido 1-(aminometil) ciclohexanoacético. Estudos in vitro com Gabapentina radiomarcada caracterizaram um novo local de ligação peptídica. incluindo receptores de GABAA. 2001 173 . portanto. inclusive o valproato. os agonistas do GABA e as pró-drogas do GABA. as benzodiazepinas. de modo semelhante ao valproato de sódio. Tratamento: Lavagem gástrica. os inibidores de captação do GABA. embora em diferentes regiões do cérebro. mas somente em concentrações maiores que 100 mcM. incluindo o neocórtex e o hipocampo. náusea e vómito. a Gabapentina penetra rapidamente no cérebro e previne crises convulsivas por electrochoque máximo. em concentrações clínicas relevantes.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Sinais e sintomas: Não há experiência com superdosagem de Lamotrigina. Em animais. difere da fenitoína e da carbamazepina. glutamato. A Gabapentina reduz parcialmente as respostas ao agonista do glutamato N-metil-d-aspartato em alguns sistemas de testes in vitro. que pode estar relacionado com a actividade anticonvulsivante da Gabapentina e dos seus derivados estruturais. de 3º CLE – OUT. ataxia. no tecido cerebral do rato. os barbitúricos. A Gabapentina. benzodiazepina. A Gabapentina não interage com os canais de sódio in vitro e. GABAB. A administração da Gabapentina a ratos aumenta o turnover do GABA em várias regiões do cérebro. que não são alcançadas in vivo. não se liga a receptores cerebrais de outros fármacos ou de neurotransmissores comuns. A relevância destas várias acções da Gabapentina para o seu efeito anticonvulsivante ainda não foi estabelecida. mas o seu mecanismo de acção difere do de várias outras drogas que interagem com as sinapses GABA. diplopia. os inibidores do GABA transaminase. A Gabapentina reduz levemente a libetração de neurotransmissores monoamina in vitro. mas alguns pacientes com concentrações séricas muito altas de Lamotrigina (maior ou igual a 15 mcg/ml) relataram sedação.

A farmacocinética da Gabapentina não é afectada por administrações repetidas e o estado de equilíbrio das concentrações plasmáticas é previsível. incluindo dietas ricas em gorduras não tem efeito sobre a farmacocinética da Gabapentina. CONTRA-INDICAÇÕES 3º CLE – OUT.7 litros. 5 a 7 horas. como de crises complexas parciais. junto com drogas antiepilépticas padrões. foi eficaz no controle tanto de crises simples. A semi-vida de eliminação da Gabapentina depende da dose e dura. em média. 2001 174 . as concentrações de Gabapentina no líquor são aproximadamente 20% das concentrações plasmáticas correspondentes em estado de equilíbrio. a Gabapentina. A Gabapentina não se liga a proteínas plasmáticas e tem um volume de distribuição de 57. Em pacientes com epilepsia. Em estudos clínicos controlados com placebo. os picos de concentração plasmática de Gabapentina são observados em 2 a 3 horas. quando a dose é aumentada. Isto é. A Gabapentina não induz enzimas oxidase de funções hepáticas mistas. quando adicionada à terapia antiepiléptica vigente. tendo sido particularmente eficaz no controle de crises convulsivas tonicoclônicas secundariamente generalizadas. a partir de dados de dose única. e em modelos genéticos de convulsões. Após administração oral. A alimentação. a biodisponibilidade diminui. Recomenda-se um ajuste da dose em pacientes com insuficiência renal ou submetidos a hemodiálise. A biodisponibilidade de Gabapentina não é proporcional à dose. responsáveis pelo metabolismo de drogas. Não há evidência de metabolismo no homem. em pacientes que não obtiveram controle adequado das crises com estas drogas usadas isoladamente ou em combinação. A eficácia foi estabelecida em pacientes com crises parciais que são refractários aos anticonvulsivantes padrões ou que não toleram as doses terapêuticas destas drogas. A Gabapentina é eliminada do plasma por hemodiálise.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML convulsivantes químicos incluindo inibidores da síntese do GABA. A biodisponibilidade absoluta de Gabapentina é de aproximadamente 60%. INDICAÇÕES Gabapentina é indicado como terapia adjuvante. A Gabapentina é eliminada exclusivamente por excreção renal.

não geraram metástases ou invadiram tecidos vizinhos e foram semelhantes aos vistos nos controlos. A Gabapentina não induziu aberrações estruturais dos cromossomos em células de mamíferos in vitro ou in vivo e não induziu a formação de micronúcleos na medula óssea de hamsters. nos ratos machos. Como o efeito em lactentes é desconhecido deve-se ter cuidado quando a Gabapentina for administrada a lactantes. são de baixo grau de malignidade. Ela não foi mutagênica in vitro. apenas em ratos machos e na dose mais alta. durante uma semana no mínimo. Os tumores pancreáticos de células acinosas. não afectaram a sobrevida. houver necessidade de uma diminuição de dose. na opinião do clínico responsável. Quando. fenitoína. em testes padrões empregando células de mamíferos ou bacterianas. Não foram observados efeitos adversos sobre a fertilidade ou sobre a reprodução em ratos. PRECAUÇÕES Gerais: Embora não haja evidência de crises de rebote com a Gabapentina. quando comparada aos controlos. de uma interrupção do tratamento ou de substituição por medicação anticonvulsivante alternativa. A Gabapentina não demonstrou potencial genotóxico. 2001 175 . não há estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. A farmacocinética da Gabapentina. A Gabapentina é excretada no leite humano. Contudo. no estado de 3º CLE – OUT. A Gabapentina não aumentou a incidência de malformações. A Gabapentina geralmente não é considerada eficaz no tratamento de crises de ausência. ácido valpróico ou a carbamazepina. Uso pediátrico: Ainda não foram estabelecidas a segurança e a eficácia em pacientes pediátricos com menos de 12 anos de idade. A Gabapentina deve ser usada somente quando os benefícios superarem claramente os riscos. a suspensão abrupta da administração de anticonvulsivantes em pacientes epilépticos pode precipitar um estado epiléptico.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Gabapentina está contra-indicado em pacientes que demonstraram hipersensibilidade à Gabapentina ou a componentes do produto. isto deve ser feito gradualmente. Foi observado um aumento estatisticamente significativo da incidência de tumores pancreáticos de células acinosas. INTERACÇÕES Não foi observada interação entre a Gabapentina e fenobarbital.

mal-estar. há uma pequena diminuição da excreção renal da Gabapentina que não se espera ser de importância clínica. Sistema músculo-esquelético: Artralgia. Os eventos adversos adicionais pós-marketing relatados incluem pancreatite. Sistema cardiovascular: Hipertensão. Sistema urogenital: Infecção do trato urinário. edema facial. fadiga. Sistema respiratório: Pneumonia. ansiedade. com risco de vida. mais frequentemente descrita como abrasões resultantes de traumatismo físico. tontura. parestesia. flutuação da glicose sanguínea em pacientes com diabetes e testes da função hepática elevados. gengivite. É recomendado que a Gabapentina seja administrada duas horas após a administração de antiácidos. A co-administração da Gabapentina com antiácidos contendo alumínio e magnésio reduz a biodisponibilidade da Gabapentina em cerca de 20%. respiração difícil. hostilidade. Não foi observada toxicidade aguda. mais frequentemente descrita como um distúrbio da visão. de quaisquer dos componentes. Em todos os estudos clínicos. A co-administração de Gabapentina com anticoncepcionais orais. Os sintomas da superdosagem 3º CLE – OUT. hipercinesia. Sistema sanguíneo e linfático: Púrpura. náusea e/ou vómito. que recebem estas medicações antiepilépticas. ptose. contendo noretindrona e/ou etinilestradiol.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML equilíbrio. Órgãos dos sentidos: Visão anormal. Quando a Gabapentina é co-administrada com cimetidina. não influencia a farmacocinética. os eventos que ocorreram com maior frequência e que contribuíram para a interrupção do tratamento com a Gabapentina. hipoatividade ou excitação. 2001 176 . Sistema nervoso: Vertigem. incluíram sonolência. diminuição ou ausência de reflexos. Quase todos os participantes tiveram queixas múltiplas e nenhuma delas pôde ser caracterizada como primária. com superdoses de Gabapentina de até 49 g. é similar para voluntários sadios e para pacientes epilépticos. ataxia. aumento. SUPERDOSAGEM Os sinais de toxicidade aguda em animais incluem ataxia. Sistema digestivo: Flatulência. eritema multiforme. Síndrome de Stevens-Johnson. Experiência pós-marketing: Mortes súbitas inexplicáveis foram relatadas sendo que a relação causal com Gabapentina não foi estabelecida. anorexia. REACÇÕES ADVERSAS Organismo como um todo: Astenia. em estado de equilíbrio.

Todos os pacientes se recuperaram totalmente com cuidados de suporte. fala indistinta.11. OUTROS FÁRMACOS COM ACÇÃO NO SNC ARGININA: Desfatigan. Reforgan. RIVASTIGMINA: Exelon Para estados demênciais leves a moderados (Doença de Alzheimer).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML incluíram tonturas. TACRINA: Tacrinal. METILFENIDATO: Ritalina Tratamento de Transtorno Hipercinético (Hiperactividade Infantil). de aprendizagem. em pacientes com insuficiência renal severa. centrais e periféricos. BUFLOMEDIL: Bufedil Tratamento de problemas circulatórios. letargia e diarréia leve. Basilan Redução da memória. Cognex Tratamento da Doença de Alzheimer. Entretanto. BUPROPIONA: Zyban Antidepressivo mais utilizado como facilitador para deixar de fumar. fadiga. sonolência. de concentração. astenia física e mental. a hemodiálise pode ser necessária. 2001 177 . visão dupla. SIBUTRAMINA: Plenty Para tratamento da obesidade. NALTREXONA: Revia É um medicamento usado para o alcoolismo. 7. 3º CLE – OUT. Targifor.

visão turva. inclusive nos causados pelo stresse. intelectual e sexual. A L-Arginina é precursora na gênese do Óxido Nítrico. que apresenta múltiplas funções no organismo. Os efeitos colaterias menos frequentes foram. aturdimento. Age. A L-Arginina aumenta a libertação da hormona do crescimento. são geralmente observados no início da terapia e desaparecem. Dentro destas. com a continuação do tratamento ou redução da dosagem. se ocorrerem. EFEITOS SECUNDÁRIOS Os efeitos colaterais. que se encontra diminuída em indivíduos idosos. como coadjuvante no tratamento dos processos infecciosos em geral. também. O Óxido Nítrico é uma molécula. demonstrando a acção benéfica da L-Arginina nos processos de cicatrização. O aspartato de L-Arginina age como defatigante e nos diversos tipos de astenia. nas insuficiências do fígado. dificuldade de aprendizagem. 2001 178 . das supra-renais e das gônadas. que envolve um equilíbrio dinâmico entre o Óxido Nítrico e as endotelinas. temos a estimulação da resposta imunológica mediada por linfócitos e macrófagos. O Óxido Nítrico. O efeito colateral mais comum verificado com ALPRAZOLAM foi a sonolência. fadiga. reacções paradoxais como 3º CLE – OUT. na astenia física (muscular) e mental. também.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML ARGININA DESFATIGAN (aspartato) REFORGAN (aspartato) TARGIFOR (aspartato) BASILAN INDICAÇÕES A ARGININA parece ter algum efeito na redução da memória e capacidade de concentração. ainda. determina uma vasodilatação. O aspartato de L-Arginina reforça. vários sintomas gastrointestinais e manifestações neurovegetativas. a capacidade muscular. Existem evidências. produzido nas células endoteliais a partir da L-Arginina. desordens de coordenação. a redução da hiperagregabilidade plaquetária e a manutenção do tônus vascular na regulação da pressão arterial. A exemplo de outras benzodiazepinas. usualmente.

são citosólicas e dependentes de Ca++/Calmodulina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML estimulação. Libertam Oxido Nítrico por períodos curtos. Os trabalhos de investigação neste campo demonstram. De forma inequívoca. alucinações ou outros efeitos adversos de comportamento podem-se apresentar em raras ocasiões e ao acaso. incontinência ou retenção urinária. dificuldades de concentração. e ocorrem nas mais diversas condições fisiológicas. as pressões sanguíneas e do pulso devem ser monitorizadas e apoiadas por medidas gerais. é a guanilato ciclase. Os animais puderam ser reanimados com ventilação mecânica positiva e infusão endovenosa de levarterenol. faz parte do amplo sistema de comunicação intercelular. 2001 179 . alterações de libido e irregularidades menstruais. Como em todos os casos de superdosagem. de forma clara. ataxia e sonolência. responsável. Pode-se administrar fluidos intravenosos mantendose ventilação adequada para as vias respiratórias. por citocinas. a formação de Oxido Nítrico. Indica-se a indução do vómito e/ou lavagem gástrica. SUPERDOSAGEM Manifestações decorrentes de superdosagem de ALPRAZOLAM incluem extensões de sua actividade farmacológica. Experimentações efectuadadas em animais indicaram que pode ocorrer colapso cardiopulmonar após grandes doses intravenosas de ALPRAZOLAM (cerca de 195 mg/Kg. Uma vez activada. temos que o Oxido 3º CLE – OUT. Pode ainda ocorrer prurido. confusão. pela formação de monofosfato de guanosina cíclica (GMPc). em resposta à estimulação física ou de receptores. a nível intracelular. Outros estudos efectuados em animais sugeriram que a diurese forçada ou hemodiálise mostraram-se provavelmente de pouco valor no tratamento da superdosagem. Nos últimos anos foram descobertas três isoformas da enzima Óxido Nítrico Sintase. sintetiza Oxido Nítrico por longos períodos e pode ser inibida por N-Mono Metil Arginina (L-NMMA) e glicocorticóides. Assim sendo. geralmente por condições patológicas. a respiração. mais que 2000 vezes a dose máxima diária para seres humanos). no qual o Oxido Nítrico actua como factor central. quando estimulada. manifesta-se após activação dos macrófagos e de outras células imunitárias. quando necessário. agitação. a partir da Arginina. cujo alvo principal. isto é. convergência. revelando o importante mecanismo de amplificação. Duas são denominadas constitutivas (endotelial e neuronal). A activação de cada uma delas pode apresentar consequências diversas. A terceira denominada induzida.

prevenia a acção relaxante da Acetilcolina. "matam" outras células. foi demonstrado que. como sendo o próprio Oxido Nítrico. a bradicinina e a histamina. Logo a seguir. como a N-Mono Metil Arginina (L-NMMA). Como pode ser observado. para a manutenção da pressão arterial dentro de valores normais. 2001 180 . através do Óxido Nítrico. em condições fisiológicas.Factor Relaxante Derivado de Endotélio. Posteriormente. Os estímulos envolvidos no controle da síntese de Óxido Nítrico pelas células endoteliais. Em última análise. que ao atingir as fibras musculares lisas da camada média do vaso. elevação da pressão sistêmica ou da pressão na artéria braquial de seres humanos voluntários. por ordem de importância: os estímulos mecânicos (aumento do fluxo sanguíneo local) e a estimulação de receptores localizados nas células endoteliais por substâncias vasodilatadoras como a Acetilcolina. Furchgott demonstrou que. ao qual deu a denominação de EDRF (Endothelium-Derived Relaxing Factor) . Louis Ignarro e Ferid Murad. A infusão venosa de inibidores da Oxido Nítrico Sintase. em animais. determina. Solomon Snyder e Salvador Moncada. Além destas. pelo tecido cerebral. a célula endotelial quando estimulada é capaz de "dar sopros" de Oxido Nítrico. pela medula adrenal e pelos mastócitos. liga-se ao grupamento heme da enzima guanilato ciclase. Quando ocorre falha na libertação basal de Oxido Nitrico. este EDRF foi reconhecido por diversos pesquisadores (Robert Furchgott. relaxandoo e. possivelmente a partir da LCitrulina. através de sua produção intracelular. Em 1980. demonstrando que os mecanismos de adaptação do sistema cardiovascular contribuem. algumas células. pelas células epiteliais renais. Ao mesmo tempo.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Nítrico é libertado por neutrófilos. o ATP. esta deficiência pode determinar elevação da pressão arterial. por células mononucleares sanguíneas. a substância P. são. desta forma. É interessante observar que. sobremaneira. A vasoconstrição localizada em um vaso provoca o aumento compensatório da libertação local de Oxido Nítrico. fornecia evidências de que este efeito seria mediado por um fator humoral lábil. o relaxamento vascular induzido pela Acetilcolina (Ach). a remoção do endotélio das preparações vasculares. dentre outros). as células produtoras de Oxido Nítrico possuem mecanismos para manter a concentração de Arginina livre. tais como macrófagos e as células de Kupffer hepáticas. o GMPc é o responsável pelas acções 3º CLE – OUT. Esta enzima é responsável pela conversão do trifosfato de guanosina (GTP) em monofosfato de guanosina cíclica (GMPc). dependia da presença de endotélio íntegro.

proposto por Hibbs e Cols. 2001 181 . No sistema cardiovascular a libertação de Óxido Nítrico actua como mecanismo adaptativo geral. com consequente vasodilatação e queda da pressão arterial. é da maior importância na biologia dos macrófagos. Lerman e Cols demonstraram em seres humanos. assim como uma redução nos niveis plasmáticos de endotelina. não podem ser fagocitados. estes autores propuseram que a Arginina poderia representar uma opção terapêutica. ainda. Em lesões e outros locais onde ocorre inflamação. foi observada redução na concentração de Arginina e aumento na concentração de Ornitina. por via oral. variação nas propriedades contráteis (efeito inotrópico negativo) e na frequência cardíaca. ainda. temos que o Óxido Nítrico. Desta forma. resultante do consumo da Arginina. que a administração de Arginina. exercer papel no controlo da proliferação do músculo liso vascular. aumenta as funções associadas com a activação dos macrófagos. Com base nos resultados obtidos. tem a função de inibir outros processos como a agregação plaquetária. O Óxido Nítrico causa. relaxamento da musculatura. a adesão de leucócitos ao endotélio e a produção de endotelina (potente substância vasoconstritora). o Oxido Nítrico regula a interacção entre o endotélio. tais como fungos e helmintos que. que também está aumentada em células tumorais. assim como contra agentes patogênicos. pode ser o mecanismo primário de defesa orgânica contra microrganismos intracelulares.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML e efeitos do Oxido Nítrico. Esta elevação nas taxas de GMPc determina uma diminuição dos níveis intracelulares de cálcio. O sistema Arginina . além de relaxar o músculo liso vascular. entretanto. derivada de macrófagos. em 1990. podendo. a baixa concentração. resultantes da acção da Arginase. pelo seu tamanho. Além disto..Óxido Nítrico. determina melhora da função endotelial em vasos coronários de pequeno calibre. A interacção entre estas duas vias metabólicas da Arginina. Desta forma. as plaquetas e as células sangüíneas em geral. 3º CLE – OUT. A actividade da Arginase. promove proliferação e regeneração tissular. através de sua acção sobre a musculatura lisa. substrato para a síntese de poliaminas e de tecido colágeno. por fornecer Ornitina. redução da força de contração muscular. levando à formação de Uréia/Ornitina ou Óxido Nítrico/Citrulina. em pacientes com disfunção endotelial coronariana e naqueles portadores de doença coronária não obstrutiva. de tal forma que o endotélio responde às alterações do seu meio ambiente e regula o fluxo sanguíneo e a pressão arterial. causando vasodilatação.

desta forma. Por outro lado. tal como a lipoperoxidação. A ligação entre compostos nitrosamínicos e o risco aumentado de cancro. coli. Barbul e Cols demonstraram que a suplementação de Arginina exerce efeito cicatrizante e timotrófico. originalmente descrita em 3º CLE – OUT. foi observado um aumento da excreção urinária de NO3. em indivíduos com diarréia e febre. juntamente com a demonstração de que estes compostos podem ser produzidos "in vivo" como resultado da reacção entre aminas secundárias ingeridas e NO2. aumenta a resposta linfocitária a mitógenos e promove retenção de nitrogênio. ainda. Inicialmente. tal como o fosfato de creatina. também melhora a sobrevida e as reacções de hipersensibilidade tardia. Em ratos aos quais foram administrados lipopolissacárides (LPS) de E. 2001 182 . exercendo efeitos estabilizadores de membrana e. a suplementação dietética de Arginina. A Arginina é um precursor de poliaminas. possivelmente por actuar favorecendo os mecanismos imunitários específicos de defesa antitumoral.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Barbul demonstrou que a suplementação enteral ou parenteral de Arginina aumenta o peso do timo. que são consideradas como sendo importantes mediadores de crescimento e de diferenciação celulares. mas do próprio sistema de defesa dos mamíferos. Com base nestes 3 resultados. foi ainda demonstrado que. bem como a cicatrização. por uma enzima induzível e Ca2+ independente. a síntese endógena de NO3 continuou. favorece a resposta do hospedeiro. O Oxido Nítrico é também libertado. sendo estimada a sua produção diária em 1 mmol. Posteriormente. correlacionar os macrófagos como a fonte mais provável de síntese aumentada de NO2 e de NO3. em condições normais. síntese aumentada de NO3 e. pensou-se ser o resultado metabólico de micróbios intestinais. Quando o homem é alimentado com dieta livre de NO3. Provavelmente. Por outro lado. em cobaias com queimaduras. foi possível estabelecer ligação entre imunoestimulação. prevenindo agressões celulares. o aumento na excreção urinária de NO3 estava correlacionado com a intensidade da febre. foi demonstrado que esta síntese não era de origem bacteriana. A suplementação dietética (1 a 2% da dieta total) de Arginina. o mecanismo destes efeitos seja devido ao facto da Arginina ser um precursor da prolina e da hidroxiprolina e de fosfoguanidinas ricas em energia. Esta enzima. As poliaminas protegem as organelas subcelulares e os ácidos nucléicos. a animais portadores de tumores. motivaram os estudos metabólicos dos óxidos de nitrogênio inorgânico em seres humanos. após estimulação imunológica.

as bases biológicas deste fenómeno foram relacionadas com a função macrofágica. há pelo menos um século. a resistência às infecções e às células tumorais pode ser aumentada. que a depleção da Arginina pode levar à própria morte celular. já é conhecida a sua ligação estimulatória por aminoácidos excitatórios de receptores específicos no Sistema Nervoso Central (SNC). O mesmo ocorre quando o tecido cerebral é estimulado pela presença de glutamato (neurotransmissor excitatório) sendo os seus efeitos mediados por vários tipos de sub-receptores do glutamato.Oxido Nítrico. 3º CLE – OUT. mas não explicável. que é o mais "espalhado" de todos os tecidos. quando usaram Streptococcus vivos. pelos seus efeitos e ausência de toxicidade. sabemos que esta imunidade não específica está relacionada com a indução do Óxido Nítrico Sintase e que é um fenómeno geral. dependente de Óxido Nítrico. Neste contexto. a sua suplementação se faz necessária. com base na indução ampla da resposta imune. A primeira evidência mostrou que a formação de GMPc requeria a presença de Arginina. no tratamento de pacientes com cancro. mas. A importância da via da Arginina . Actualmente. sendo que. requer estudos cada vez mais aprofundados. Entretanto. desde as publicações pioneiras de Fehleisent (1882) e Coley (1893).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML macrófagos. posteriormente. sugere. 2001 183 . para induzir erisipela. mas. espasmo vascular e/ou aterosclerose. é crucial. também. Em condições normais. de maneira não específica. também. o papel dos pulmões e do fígado. De acordo com Moncada e Cols. dentre estes. Wrightham. tanto "in vitro" quanto "in vivo". sabemos que a depleção de Arginina pode estar envolvida na hipertensão. uma vez que ambos os órgãos estão estrategicamente localizados na circulação. no sistema nervoso. a sua utilização como mais uma tentativa terapêutica no tratamento da AIDS/HIV. facto este conhecido. o NMDA (N-Metil-D-Aspartato). a nível cerebral. uma vez que foi demonstrado. a Arginina endógena é suficiente para a manutenção do bem-estar. uma vez que demonstrou ser citotóxica ou citostática. outras células notadamente o endotélio vascular. o mais conhecido. como parte dos mecanismos de defesa. em macrófagos. para funcionar como filtros imunológicos. liberta Oxido Nítrico. Modernamente. na imunidade não específica. envolvendo não somente o sistema reticuloendotelial. O Óxido Nítrico actua. para células tumorais e organismos invasores. em condições de estresse orgânico ou de indução enzimática. por produtos bacterianos.

Na doença diabética induzida experimentalmente em animais. lobos olfativos. podem ser a base científica que explica a observação popular das. a deficiência em Óxido Nítrico pode estar associada com a impotência que. Burnett demonstrou que o relaxamento da musculatura lisa dos vasos do corpo cavernoso e a consequente erecção peniana envolvem aumento na produção de Oxido Nítrico. trato gastrintestinal. principalmente. O número de "tentativas" aumenta. reputadas. provavelmente. 2001 184 . como mediador químico decorrem. o que vai determinar as suas acções e efeitos. nas células endoteliais e. As evidências do Oxido Nítrico. 3º CLE – OUT. promovendo um aumento dos níveis de GMPc. pode-se correlacionar a deficiência de Óxido Nítrico com a impotência sexual. nas fibras musculares lisas. quando comparada com a diabetes humana. O Óxido Nítrico activa a guanilato ciclase. deste órgão. onde a sua libertação determina erecção peniana. adrenais. o produto deve ser utilizado sob estrita orientação médica. O trabalho de Melis e Cols demonstra que a administração de inibidores da NOS (LNAME e L-NMMA) previne esta resposta. observada em pacientes diabéticos. da ampla distribuição da Óxido Nítrico Sintase em neurónios. em neurónios denominados não adrenérgicos não colinérgicos (NANC). Durante a gravidez e lactação. Estas observações. ocorre nos pacientes diabéticos. ao mesmo tempo em que a penetração diminui. etc. PRECAUÇÕES Pacientes portadores de doença renal ou em anúria. propriedades afrodisíacas do nitrito de amila. cerebelo. hipocampo. nos nervos periféricos que inervam órgãos pélvicos. a partir da Arginina. Como qualquer outro medicamento. tal como ocorre com a inervação das células do corpo cavernoso. também demonstraram o Óxido Nítrico como sendo um neurotransmissor NANC a nível genital masculino. Melman e Christ. de acordo com o órgão em questão. Por outro lado. traquéia. sensivelmente. frequentemente. não se recomenda sua utilização no primeiro trimestre da gravidez. Ratos tornados deficientes em Óxido Nítrico apresentam extrema dificuldade de copular de forma eficaz.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML A Óxido Nítrico Sintase cerebral é amplamente distribuída e encontra-se presente no cérebro. doenças hepáticas ou diabetes mellitus devem utilizar o produto com cautela. bexiga.

245 com uso de placebo. 244 pacientes com uso isolado de Bupropiona. 14 mg/dia na oitava 3º CLE – OUT. que esteja envolvido com os mecanismos dopaminérgicos e noradrenérgicos. a sua utilização ou em combinação com adesivos cutâneos de nicotina. Segundo trabalhos de Douglas E. foram investigados 3 grupos de tratamento. Apesar do objectivo inicial da Bupropiona ter sido para o tratamento da depressão. Com os adesivos de nicotina foi usada a dose de 21 mg/dia. tem mostrado taxas significativas de sucesso para o abandono do hábito de fumar. A eliminação da Bupropiona é por via renal e de 5 a 8 dias depois da última toma não se encontra mais essa substância nem os seus metabólitos na urina. Destes. 245 com adesivos cutâneos de nicotina e 160 combinando os dois tratamentos. Jorenby. com mínimo efeito sobre a recaptação de serotonina. O pico máximo de acção é em torno de 3 horas e a sua semi-vida em torno de 21 horas. a hidroxibupropiona. indicado para tratamento do tabagismo A Bupropiona é originalmente um antidepressivo. 2001 185 . O tratamento com Bupropiona consistia no uso de 150 mg/dia durante os 3 primeiros dias. O seu mecanismo de acção no tabagismo é ainda desconhecido mas. Os testes mostram que a eliminação da Bupropiona e dos seus metabólitos não sofre diferenças significativas quando essa substância é administrada isoladamente ou em combinação com adesivos cutâneos de nicotina. O metabolismo da Bupropiona produz 3 metabólitos activos no corpo humano. a trihidrobupropiona e a eritrohidrobupropiona. aumentado-se para 150 mg 2 vezes ao dia (300 mg/dia) do 4º dia em diante. muito menos da serotonina e não inibe a monaminaoxidase. o primeiro (hidroxibupropiona) tem o mesmo efeito da Bupropiona e os demais variam entre metade e dois terços do seu efeito.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML BUPROPIONA ZYBAN A Bupropiona é um inibidor relativamente selectivo da recaptação de catecolaminas (noradrenalina e dopamina). do Instituto Médico da Universidade de Wisconsin. presume-se. inibidor da recaptação da noradrenalina e da dopamina.

A incidência de abstinência do fumo depois de 12 meses foi de 15. Prurido. eram pacientes previamente portadores de transtorno hipertensivo. eczemas e outras nesses pacientes. quase a mesma porcentagem (16. coelhos e ratas grávidas tratadas com 14 a 10 vezes a dose recomendada não mostraram efeitos teratogênicos. contra 2.5% entre as pessoas com tratamento combinado Bupropiona-adesivo.6% nos pacientes que usaram placebo. contra 21% dos pacientes que apresentaram insónia com o placebo. enquanto o grupo dos adesivos de nicotina engordou uma média de 1. Hipertermia. Quanto ao ganho de peso entre os abstinentes. Mialgia. A insónia foi observada em 35% dos pacientes tratados com 300 mg/dia de Bupropiona. Urticária. 2001 186 . Aumento do apetite. após a sétima semana aqueles que deixaram de fumar com o placebo engordaram em média 2. 30.1 kg para o grupo com tratamento combinado. Rubor. PRECAUÇÕES A Bupropiona. tendo em vista a excreção renal da substância e a existência de metabólitos activos. Insónia.6 kg. Embora não tenham sido feitos estudos suficientes em seres humanos. Artralgia. Em relação à hipertensão.7kg para os usuários de Bupropiona e de apenas 1. EEITOS SECUNDÁRIOS Torcicolo.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML semana e 7 mg/dia na nona semana. 6. Tremor. como qualquer antidepressivo. a qual pode desencadear reacções de urticária.1 kg. Tonturas. 3º CLE – OUT. Essa substância está relativamente contra-indicada nos pacientes com Transtornos Disrítmicos Cerebrais e/ou Epilepsia. não deve ser usado sem supervisão médica. Sonolência. Hipertensão. Diminuição do apetite. Em pacientes com problemas renais as doses devem ser diminuídas. Boca seca.3% no grupo que uso Bupropiona e 35.8% dos pacientes interrompam o tratamento. 1. Reacções Alérgicas.4%) naqueles que usaram a nicotina em adesivos cutâneos. Também se deve evitar em pacientes alérgicos a essa substância. Esse efeito colateral tem sido suficientemente importante para que 0.1% dos pacientes em uso da Bupropiona. Na grande maioria dos casos. Pele seca.1% dos que tomaram placebo tiveram aumento da pressão arterial. prurido.

Rivastigmina pode potencializar os efeitos de relaxantes musculares do tipo succilcolina durante a anestesia. antieméticos. PRECAUÇÕES Cuidado em pacientes com doença do nó sinusal ou com arritmias cardíacas graves. INTERACÇÕES Não são antecipadas interacções farmacocinéticas com outras drogas metabolizadas por isoenzimas do citocromo P450. notadamente do tipo Doença de Alzheimer. antianginosos. 2001 187 . warfarina. Efeitos na habilidade de dirigir veículos e/ou operar máquinas: a habilidade de dirigir veículos e operar máquinas deve ser rotineiramente avaliada pelo médico. Recomenda-se cautela em pacientes predispostos a estados ulcerosos. drogas inotrópicas. em pacientes portadores ou com histórico de doença respiratória e em casos de obstrução urinária e convulsões. Não foram observadas interacções farmacocinéticas com digoxina. betabloqueadores. bloqueadores do canal de cálcio. benzodiazepínicos e anti-histamínicos não foi associada a alterações farmacocinéticas. CONTRA-INDICAÇÕES Pacientes com conhecida hipersensibilidade à Rivastigmina. Pacientes que utilizam Rivastigmina não devem amamentar.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML RIVASTIGMINA EXELON INDICAÇÕES Tratamento de pacientes com demência leve e/ou até moderadamente grave. 3º CLE – OUT. a administração concomintante com antiácidos. Rivastigmina deve ser utilizado em mulheres grávidas apenas se o benefício potencial for superior ao possível risco ao feto. analgésicos. Rivastigmina não deve ser administrado concomitantemente com outras drogas colinomiméticas e pode interferir na actividade de medicações anticolinérgicas. a outros derivados do carbamato. antidiabéticos. diazepam ou fluoxetina em estudos em voluntários sadios. anti-hipertensivos de acção central. Em pacientes. estrógenos. antiinflamatórios não esteroidais.

A possibilidade de se obter medicamentos por síntese química foi. astenia. Nos casos de superdosagem acompanhada por vómito e náusea grave. esclarecer seu mecanismo de acção. nenhuma dose de Rivastigmina deve ser administrada pelas próximas 24 horas. infecções do trato respiratório superior e infecções do trato urinário. diarréia. de 0. tontura. resultando no princípio activo da aspirina. Recomenda-se uma dose inicial i. fadiga. inicialmente. o uso de antieméticos deve ser considerado.03 mg/kg de sulfato de atropina. Essa foi a primeira forma de farmacoterapia. Em casos de superdosagem grave. 7. 2001 188 . perda de apetite e perda de peso. Pacientes do sexo feminino mostraram-se mais susceptíveis à náusea. 3º CLE – OUT. SUPERDOSAGEM Nos casos de superdosagem assintomática. agitação. O ácido salicílico. Tratamento sintomático para outros eventos adversos deve ser realizado se necessário. Incidência 2% superior ao placebo em pacientes que utilizaram Rivastigmina: aumento da sudorese. uma tentativa laboratorial de se copiar os princípios activos de plantas. depressão. insónia. dor abdominal. por exemplo. com doses subsequentes baseadas na resposta clínica.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML REACÇÕES ADVERSAS Incidência igual ou superior a 5%. perda de apetite. dispepsia. e no desenvolvimento do ácido acetilsalicílico mediante uma pequena união química na molécula original.v. náusea. Não é recomendado o uso da escopolamina como antídoto. Hoje é possível descobrir e caracterizar as substâncias responsáveis pela actividade terapêutica das plantas e. vómito. FITOTERÁPICOS A fitoterapia. sonolência.12. utiliza substâncias activas naturalmente presentes nas plantas com finalidade terapêutica. contido no córtex de salix alba. mal-estar. independente de apresentar uma relação de causa com Rivastigmina: trauma acidental. vómito. cefaléia. a atropina pode ser utilizada. perda de peso e tremor. inegavelmente uma das drogas mais utilizadas na medicina. assim. confusão.

as concentrações hipotalâmicas do neurotransmissor dopamina e do ácido 5-hidroxiindolacético foram significativamente aumentadas. evidenciando a eficácia e os eventuais efeitos colaterais de tais medicamentos. traumas e queimaduras. também conhecido como Erva-de-SãoJoão. Ásia. Essa planta foi usada largamente na medicina popular em vários países da Europa. para o tratamento de inflamações nos brônquicos e infecções do trato geniturinário. O extrato de Hypericum perforatum. é o ingrediente activo dos medicamentos fitoterápicos à base de Hipérico. Em ratos submetidos ao uso de Hipérico. agente cicatrizante no tratamento de feridas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Como tem sido feito pelos farmacêuticos. pertencente à família das Hiperricoidaea guttiferae e largamente distribuída na Europa. GINKGO BILOBA circulação e performance cerebral HIPÉRICO antidepressivo leve-moderado VALERIANA ansiolítico. é comum encontrar o Hypericum perforatum na beira das estradas. indutor do sono HIPÉRICO INDICAÇÕES Quadros de distúrbios psicovegetativos (distúrbios psíquicos com efeitos sobre o estado físico). vales e bosques. O Hypericum perforatum é uma planta herbácea perene. Apesar da identidade parcial de algumas acções entre antidepressivos tradicionais e o Hipérico. o perfil global dos efeitos mensuráveis não correspondeu completamente ao dos antidepressivos sintéticos. 3º CLE – OUT. modo de acção este ainda não muito bem explicado. Por isso se concluiu que estava envolvido um modo de acção diferente. Na Europa. O Hipérico foi testado em experiências in vitro e em pequenos roedores. norte da África e aclimatada nos Estados Unidos. 2001 189 . medo e/ou agitação emocional (ansiedade). a eficácia médica das plantas medicinais foi verificada por testes farmacológicos e clínicos com a intenção de estabelecer as reais potencialidades. durante muitos séculos. estados depressivos leves e moderados.

segundo um esquema cruzado. As pesquisas foram baseadas nas medidas do EEG de repouso e sobre os potenciais visuais e auditivos evocados. Efeitos sobre os potenciais visuais e auditivos no EEG e durante o sono As alterações dos potenciais visuais evocados foram medidas em 12 indivíduos durante o tratamento de seis semanas. a planta deve ser imediatamente seca para evitar a degradação de seus princípios activos. exposto a luz solar por pelo menos várias semanas. foram examinados os efeitos sobre o comportamento no sono de quatro semanas de tratamento com 1 drágea 300 mg de Hipérico três vezes ao dia. Os efeitos do Hipérico foram comparados com os da maprotilina (antidepressivo tetracíclico) num estudo duplo-cego randomizado em 24 indivíduos sadios. O produto medicamente comercial contém o extrato seco padronizado da parte aérea do Hypericum perforatum. Não foram observadas com este fitoterápico as alterações do sono REM. largamente usada para o tratamento da depressão. Isso foi observado 3º CLE – OUT. com uma fase de duas semanas de "washout" entre os tratamentos. sadias. com essa redução atingindo sua maior extensão após quatro a seis semanas. No EEG de repouso as duas medicações provocaram alterações antagônicas na região teta. A padronização desse extrato é que garantirá a qualidade deste fitoterápico em suas diversas apresentações comerciais. Após a colheita. os resultados foram sugestivos de melhoras da função cognitiva. As medidas dos potenciais evocados nas regiões teta e beta confirmaram esses achados.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Actualmente a planta não é muito usada para estes propósitos. A parte do Hypericum perforatum utilizada para fins medicinais são as flores e folhas. O Hipérico. colhido no momento de sua florescência. Em um estudo duplo-cego posterior. A colheita deve ser feita antes do florescimento da planta. apresenta acção antiinflamatória e cicatrizante. 2001 190 . Na medicina caseira. entretanto. assim como de propriedades relaxantes. Após duas semanas as latências estavam consideravelmente encurtadas em comparação com os valores basais. mas sim. aumentou a proporção de sono profundo no período total de sono. Esse estudo controlado com placebo foi realizado com 12 mulheres idosas. típicas dos antidepressivos tricíclicos e dos inibidores da MAO. Globalmente. mas alterações predominantemente uniformes nas regiões alfa e beta. especialmente com o extrato de Hipérico. o extrato oleoso das partes aéreas da planta colhidas durante sua florescência.

O tratamento durou seis semanas. A dose foi de 300 mg de Hipérico três vezes ao dia. em comparação com tratamento antidepressivo padrão: um estudo comparou o antidepressivo fitoterápico com a imipramina.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML tanto na análise visual dos estágios 3 e 4 do sono. essenciais para se avaliar a actividade dos antidepressivos. caracterizada pela ocorrência regular dos sintomas no outono e inverno e pela remissão dessa sintomatologia na primavera e verão. duplo-cego. A eficácia foi avaliada pelas Escala da Depressão de Hamilton (AMD). 2001 191 . mostrou ser eficaz no TAS. Uma forma de tratamento especialmente desenvolvida. Escala de Depressão de von Zerssen (D-S) e Escala de Impressão Clínica Global (CGI). Os critérios de inclusão foram estabelecidos de acordo com a DSM-III-R como a depressão maior. 3º CLE – OUT. distimia (300. episódio único (296. o Hipérico foi comparado com a maprotilina em termos de eficácia e segurança.2) ou recorrente (296.4) e transtorno de adaptação com humor depressivo (309. O transtorno afectivo sazonal (TAS) é uma sub-forma de depressão maior (DSM-III-R). bem como para os casos tratados com Hipérico. um com a maprotilina e um a uma outra forma de tratamento (fototerapia). medidos de acordo com a Escala de Hamilton em 101 pacientes ambulatoriais com depressão discreta a moderadamente grave. foi realizado em 135 pacientes de 20 centros. a Escala de Depressão de von Zerssen (D-S) e a Impressão Clínica Global (CGI). O primeiro estudo. Os índices de melhora e cura. randomizado. por isso mesmo. ou 25 mg de imipramina três vezes ao dia. Participaram no total 102 pacientes depressivos de 17 clínicas especializadas de neurologia/psiquiatria. Ensaios clínicos em comparação com tratamentos padrões O Hipérico foi testado em três estudos controlados. O escore total da HAMD caiu aproximadamente 50% em ambos os grupos durante as quatro semanas de terapia. ficaram entre 60 e 80% nos pacientes tratados com antidepressivos sintéticos. Por um período de quatro semanas os pacientes tomaram três vezes ao dia drágeas com aparência idêntica contendo 300 mg do extrato de hipericum ou 25 mg de maprotilina. Em outro estudo duplo-cego.3). Os estudos duplo-cegos controlados com placebo são. Os critérios principais foram a Escala da Depressão de Hamilton (HAMD).0). como na análise automática da actividade da onda lenta do EEG. com o uso de luz fluorescente brilhante (fototerapia).

placebo durante sete dias. 2001 192 . Foi usada radiação com luz reduzida (< 300 Lux). A amostra consistiu de 3 2 voluntários sadios de ambos os sexos. Dos pacientes. Foram registrados os dados de 3. em seguida. a condição normalizou-se ou melhorou em cerca de 80% dos pacientes. Um grupo recebeu na primeira semana. A análise estatística dos resultados mostrou que não ocorreu nenhuma interacção entre o Hipérico e o álcool que pudesse afectar a função psicomotora ou mental. tanto em frequência como em gravidade.80%).GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Em um estudo simples-cego. no segundo grupo a ordem foi invertida. Os testes avaliaram alterações no tipo de desempenho exigido para a operação adequada de máquinas e para dirigir um veículo. Foram relatadas reacções adversas num total de 79 pacientes (2. com 25 a 40 anos de Idade.43%) e abandono do tratamento por 48 (1.38 mg/l (concentrações de álcool no sangue de 0. 20 pacientes TAS foram pesquisados durante um período de cinco semanas. INTERACÇÕES A possibilidade de interacções entre o Hipérico e álcool foi pesquisada em um estudo duplo-cego controlado com placebo. enquanto que nos outros 10. Os sintomas típicos estavam presentes com frequência de 5O-90% antes de ser iniciada a terapia. A segurança de um tratamento de quatro semanas com o extracto de Hipérico foi monitorizada por 663 clínicos gerais.21 e 0. 49% apresentava distúrbios depressivos leves. até agora nunca foram relatados com as doses recomendadas.000 Lux (duas horas por dia). 1 drágea de 300 mg de Hipérico três vezes ao dia e. 76% deles mulheres e 24% homens. por motivos quantitativos. 10 receberam fototerapia adicional de 3. Todos os pacientes receberam 300 mg de Hipérico. os quais ocorreram com quantidades de hipericina 30 a 50 vezes mais elevadas que as usadas clinicamente. é improvável que ocorram.250 pacientes.45%). A idade dos pacientes variou de 20 a 90 anos (média de 51 anos). Com a terapia. tendo diminuído aproximadamente 50% com o tratamento. tendo concentrações respiratórias de álcool de 0. 3º CLE – OUT. que agiram como controles da luz. Os efeitos fototóxicos conhecidos da medicina veterinária.46 a 0. 46% moderadamente graves e 2% graves. No 7° e 14° dias os participantes foram submetidos a testes padronizados de desempenho.

Apesar das controvérsias.3.7 tetrahiddoxi-xantona dotados de actividade antimicrobiana. mas essa acção não pôde ser confirmada unanimemente em estudos mais recentes. Com o extrato de Hipérico foi observada uma acentuada supressão da libertação da interleucina-6 estimulada. a hipótese mais aceita é de que a acção terapêutica é devida a presença da hipericina ou de compostos derivados da hipericina. indicações de um tipo de mecanismo imunomodulador. biapigenina e xantonas. Moléculas importantes são conjuntamente produzidas. a serotonina. o que levou os autores a concluir que o efeito antidepressivo dessa substância poderia perfeitamente se manifestar por meio de modulação imunológica nas vias neuro-hormonais. Outros e estudos confirmam a acção inibitória 3º CLE – OUT. Também estão presentes flavonóides. 2001 193 . dopamina. dos tipos A e B. Hiperosídeos e óleos essenciais. um inibidor da MAO. entre elas. Pelas pesquisas até agora realizadas sobre os efeitos farmacológicos dos extratos de Hipérico. O sistema imunológico e o sistema nervoso são as únicas estruturas biológicas equipadas com uma memória. Um dos modos de acção aceite para o Hipérico seria como um inibidor da monoaminooxidase (IMAO).6. tais como a Rutina. Entretanto. Há. A influência do Hipérico sobre a expressão estimulada da citocina foi estudada em indivíduos sadios e em pacientes depressivos. adhiperforina e 1. A hipericina é considerada por alguns autores. em realidade. adrenalina. Outros componentes de importância biológica isolada de diferentes partes da planta são a hiperforina. mas também a diferentes mecanismos de acção. hiperisina. Ainda existem muitos pesquisadores que relacionam o mecanismo de acção do Hipérico com a inibição da MAO e/ou COMT: enzimas responsáveis pelo catabolismo de aminas biológicas. Eles caracterizam-se por numerosas interacções reguladoras e processos bioquímicos comuns. hiperforina. A libertação de várias citocinas foi quantitativamente medida após 24 horas de incubação sobre placas microtituladas. secretadas e activamente reconhecidas por ambos os sistemas. pode-se concluir que a acção antidepressiva se deve não apenas a diversos constituintes. estudos demontram que usando somente hipericina pura a acção terapêutica na depressão não é relevante.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML QUÍMICA Dos princípios activos isolados da planta. amentoflavonóide. os mais importantes são a hipericina. pseudo-hipericina. noradrenalina.

6 ng/ml de hipericina e pseudohipericina. respectivamente. a grande vantagem do fitoterápico é a ausência dos efeitos colaterais comuns aos antidepressivos tricíclicos. As suas estruturas químicas sugerem que ocorra glucoronidização hepática. Não obstante essa semelhança. PRECAUÇÕES Uso na gravidez e lactação. Os níveis máximos plasmáticos são de 1. Com uma dose diária de 900 mg de extrato padronizado/dia o estado de equilíbrio é alcançado em 4 dias. REACÇÕES ADVERSAS 3º CLE – OUT. este produto não deverá ser utilizado por gestantes e lactantes. CONTRA-INDICAÇÕES O produto é contra-indicado a pacientes com hipersensibilidade a quaisquer dos componentes da fórmula.8 ng/ml para a pseudohipedcina.7 e 30. Após 6 semanas de tratamento. Embora a pseudohipericina apresente uma maior concentração no extrato do que a hipericina.2 ng/ml e 2. os níveis plasmáticos de pseudohipericina são menores do que a hipericina.1. após três doses diárias. Alguns trabalhos recentes também sugerem para o Hipérico um mecanismo de acção semelhante ao dos antidepressivos tricíclicos. Não se conhece muito sobre a metabolização da pseudohipericina e hipericina. principalmente os efeitos anticolinérgicos.5 horas e varia para a pseudohipericina de 16 a 30 horas. das substâncias do grupo de flavonóides e xantonas junto da hipericina pertencentes ao extrato. noradrenalina e dopamina na fenda sináptica.5. 14. O tempo de semi-vida de eliminação da hipericina é de 24. 2001 194 . Uma vez que até ao presente momento não foi comprovada a segurança do Hypericum perforatum em mulheres grávidas ou que amamentam. 4.5 ng/ml para a hipericina e 5.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML da MAO. O pico plasmático máximo é de 6. Outro mecanismo de acção potencial é a modulação dos mediadores da inflamação e a modulação da expressão dos receptores da serotonina sob estimulação in vitro e in vivo. o EEG feito antes e após a medicação mostra uma diminuição do efeito de ondas alfa e aumento de ondas teta e beta.7. ou seja. aumentando a disponibilidade de serotonina. A eliminação dessas substâncias é lenta. 11.8 a 26. com subsequente excreção biliar.

que esta planta causava estranhos efeitos sobre ao comportamento de seres humanos e dos animais. 52%).000.55%). reacções alérgica (0. provavelmente devido à eficácia no dessa planta curar pessoas no passado. descobriu-se o poder antiepiléptico. Uma lenda medieval recomendava que no 7º dia da lua.40 %) e agitação (0.26%). que significa "ter força". Pouco depois. e superestimava-se a planta atribuindo-lhe até poderes divinos. poderia controlar a epilepsia. estando presente nos bosques e nas encostas dos Alpes e dos Apeninos. Pensava-se que o princípio activo responsável pela acção da Valeriana fosse o Ácido Valeriânico livre. portanto. bardo selvagem.000 metros de altitude. sobretudo. erva gata. Mais recentemente. Acredita-se que as virtudes medicinais da Valeriana tenham sido comentadas pela primeira vez por um médico egípcio do século IX. cujo habitat natural é a Europa e norte da Ásia. o nervosismo. VALERIANA A Valeriana Conhecida também por amantila. valaricana e badarina. 2001 195 . Em latim Valeriana quer dizer valer. concluiu que ela diminuía a sensibilidade nervosa e era dotada de um perceptível efeito sobre o sistema nervoso central e que. não por muito tempo. no século VII a partir a cura da de Fabio Collona. a epilepsia. desde o século VI. Em torno do ano 1. O médico italiano Andrea Mattiolo observou. mais frequentemente a mais de 2. mas hoje atribui-se a acção sedativa característica da Valeriana a alguns ésteres e a outras substâncias glicosadas e alcoolizadas. colhe-se uma flor de valeriana e repitam-se uns dizeres mágicos com a flor nas mãos. 3º CLE – OUT. para os botânicos somente Valeriana officinalis. cansaço (0. na verdade. o médico Monpellier Lazàre Rivière. assim que o Sol se põe. falavase da Valeriana como um medicamento capaz de curar uma série de doenças. depois de experimentar a planta nos seus pacientes. e a planta curava qualquer doença.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML É possível a ocorrência de fotossensibilização (sensibilidade aumentada da pele à luz solar). até que este morresse "louco". Os efeitos colaterais mais frequentes foram irritações gastrintestinais (0. particularmente em pessoas com a pele clara.

os princípios activos da Valeriana são. como eficaz contra ansiedade. a Valeriana possui em seu tecido. 2 . resina. livrou-se dos ataques depois do uso da Valeriana. príncipe romano do século XVI e portador de graves ataques de epilepsia. açucares e enzimas. ácido tânico. catinina. e contendo ésteres provenientes dos ácidos nele contidos.3). amido. também o ácido valérico. Assim sendo. Como todas as espécies aromático-medicinais. com odor característico. mucilagina. O extrato aquoso da Valeriana contém suficiente quantidade de GABA (ácido gama amino butírico). De facto essa planta sempre teve uma grande simpatia terapêutica. planta de história milenar. sem contra indicações. o qual atinge concentração de até 0.ácido valérico 3 .GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Fabio Collona. como pelo facto de servir também contra a febre. angústia. além dos óleos. um grupo químico instável de ésteres possuindo actividade sedativa. A acção desses produtos no organismo é. Para completar. acevaltrato presentes em todas as partes da planta e em maior concentração nas raízes. tanto devido à sua acção sedativa. Componentes Activos: 1 . isovaltrato e dehidrovaltato).5%. basicamente. e sem provocar consequências danosas.valepotriatos = ésteres não-glicosídeos valtrato. isovaltrato. ácido málico. a Valeriana é caracterizada quimicamente por um óleo essencial.pequeno número de alcalóides  actinidina  isovaleramida  valerianina  valerina 3º CLE – OUT. como por ex. isenta de efeitos colaterais nas doses recomendadas e eles não são potencializados pelo álcool (1). em primeiro lugar os valepropiatos (valtrato. valerianina. conforme a história. 2001 196 . leves desequilíbrios do Sistema Nervoso. Actualmente fala-se da Valeriana. a lipase (2. um neurotransmissor relacionado aos efeitos sedativos dessa erva. alcalóides.

colocados em fusão em 100 g de água e fervendo por 15 min. os quais mastigavam folhas de Valeriana contra a preguiça e para atenuar qualquer tipo de sofrimento. 3º CLE – OUT. podemos confiar nas virtudes curativas da Valeriana. Há também observações significativas quanto à melhoria da qualidade do sono na dose de 120 mg. 2001 197 . aos efeitos de pequenas doses do diazepam e clorpromazina. VÁRIAS ESPÉCIES Quando se fala de Valeriana. cuja florada se dá de abril a junho. também nativa dos Alpes e Apeninos. normalmente se pensa em Valeriana officinalis. Valeriana palustre.óleo voláctil contendo sesquiterpenas activas O extrato de Valeriana tem demonstrado um efeito sedativo comparado. em colinas de terras calcárias. sobretudo. De qualquer forma. relacionadas por ordem de importância curativa: Valeriana officinalis. com aumento da actividade REM e um despertar agradável. são 6 as espécies com finalidade medicinal.Em Chá: Preparado com 2 g de raiz de Valeriana. e Valeriana marina. Os efeitos anti-convulsivantes e miorelaxantes da Valeriana são descritos como muito discretos e fracos. Valeriana saliunca. segundo alguns autores. que nasce nos rochedos dos Alpes. presente em toda a península italiana e Sicília. Entretanto. Valeriana céltica. como o caso dos índios do México.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML  catinina 4 . que dá. Esse tipo de utilização é recomendado contra ansiedade. de agosto a outubro. que se colhe de março a maio. usada e colhida como a Valeriana officinalis. mas existem 150 espécies de Valeriana. com a segurança de se obter resultados satisfatórios para alguns estados de insónia e ansiedade. que é a mais difundida no nosso meio. Adoça-se com mel para se beber 3 copos por dia. estado depressivo e também para induzir ao sono. Como remédio caseiro Sem mencionar exageros populares. típica de lugares mais húmidos. a medicina caseira pode recomendar a Valeriana da seguinte maneira: . Esse efeito indutor do sono aparece de 2 a 3 horas depois de ingerido. Valeriana grande.

como antiespasmódico e mio-relaxante. Essa apresentação é recomendada para evitar dificuldades digestivas. 3º CLE – OUT. notou-se que ela não apenas tinha uma acção efectivamente específica sobre o sistema nervoso central. colhida de maio a junho. mas também. O facto de tratar-se de um produto "natural" não significa que a droga é completamente inócua e destituída de qualquer perigo. EFEITOS SECUNDÁRIOS Com a descoberta dos princípios activos contidos na Valeriana. doenças inflamatórias intestinais crónicas. e como Indutor do Sono. colo irritável.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML . . para acção sedativa. superestimando ou não as qualidades terapêuticas da Valeriana tem indicado seu uso para vasta lista de problemas: · enxaqueca · insónia · cólicas intestinais · problemas digestivos · náuseas · transtornos urinários · tensão pré-menstrual · tensão muscular do stresse · depressão INDICAÇÕES MÉDICAS ACTUAIS Actualmente a medicina alopática tem indicado a Valeriana principalmente para Ansiedade.Na forma de Sumo: Espremer a parte aérea e fresca da flor.Como Vinho Aromático: Deixar por 2 semanas 2 g de raiz em 100 g de vinho branco e seco. gastrite. Mal utilizada a Valeriana pode causar vómito. que poderia produzir ofuscamento da vista e convulsões quando usada em dosagem muito elevada. mais como um sedativo brando. Altas doses podem causar problemas e ela pode. mesmo em doses recomendadas. Esse seria um dos motivos pelo qual se aconselha utilizar a Valeriana em doses menores. o qual deve ser ingerido de 2 a 3 g por dia. potenciar outras substâncias com acção no Sistema Nervoso Central. para se obter um suco. Alguns preparados podem ser úteis para úlcera péptica. 2001 198 . dispepsia. filtrar e beber um copo pequeno depois das refeições. O folclore popular.

portanto todo o tecido cerebral dos efeitos da hipóxia e da isquemia. melhora as propriedades hemorreológicas do sangue e da perfusão circulatória. tremores. alfa2 e 5HT1A provocada pela idade.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML estupor. primariamente na área de microcirculação. perda de memória. 3º CLE – OUT. dor de cabeça. 2001 199 . Combate os radicais livres e actua antagonicamente no PAF: factor de agregação plaquetária. bem como uma forma mista de ambos. extratos de Valeriana podem ter utilidade como cicatrizante e antibacteriano. cancro. Estudos toxicológicos revelaram uma grande segurança no extracto de ginkgo sem apresentar efeitos teratogênicos. mutagênicos ou carcinogênicos. elevando a tolerância à hipóxia e inibindo o edema cerebral. devido ao excesso de sedação que pode ocorrer por potencialização. palpitação e depressão emocional. e aumenta a performance da memória e da capacidade de aprendizagem. ambos de origem vascular e na demência degenerativa primária do tipo Alzheimer. quando em altas doses e por muito tempo. Em estudos clínicos duplo-cego foi possível substanciar a eficácia clínica do Extrato de Ginkgo Biloba em pacientes idosos com distúrbios leves a moderados da função cerebral e os seus sintomas relacionados. deficiência na audição e disfunções sexuais. Em uso tópico. asma e outras doenças pulmonares. melhora a absorção de colina para o hipocampo. O Ginkgo biloba é um fitoterápico com as seguintes propriedades farmacológicas: efeitos protectores neurocerebrais pela melhoria da permeabilidade da membrana cerebral. GINKGO BILOBA BIOFLAVIN KIADON TANAKAN TEBONIN O Ginkgo biloba tem sido usado para tratar desordens de circulação relacionadas com a idade. protegendo. O extracto inibe a redução dos receptores muscarinérgicos. Também não se recomenda utilizar a Valeriana conjuntamente com barbitúricos.

Protector da rede capilar. Está indicado para casos de deficit de memória. Prevenção de edema cerebral. com uma faixa muito baixa de efeitos colaterais.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Em pacientes com doença periférica arterial oclusiva. depressão resistente e danos cerebrais menores. Casos de vertigens. vertigens. tonturas. Protector da integridade estrutural das membranas celulares contra ataque de radicais livres. artrite dos membros inferiores. tratamento auxiliar das úlceras varicosas e distúrbios tróficos. Claudicação intermitente. Como preventivo e para problemas circulatórios nas extremidades. zumbidos. cansaço das pernas. INDICAÇÕES Ginkgo Biloba é um facilitador do fluxo sanguíneo arterial. Processos causados pelo abastecimento deficiente de oxigênio e substâncias nutritivas. Redutor da hiperagregabilidade de plaquetas e eritrócitos. 3º CLE – OUT. foi possível demonstrar um efeito significante do Extrato de Ginkgo Biloba no tinnitus e vertigem. deficiências auditivas. padronizado para conter 24% de flavonóides e 6% de terpenolactonas. cãibras noturnas. edemas ortostáticos. Tratamento profilático do envelhecimento celular e tratamento estético pela sua acção protectora contra radicais livres e pela inibição da destruição do colágeno. ulceras varicosas. O Ginkgo biloba tem sido usado para aliviar a tensão e ansiedade e melhorar o alerta mental. Tratamento nos processos vasculares degenerativos. extremidades frias. Adicionalmente. estágios iniciais de Alzheimer. o Extrato de Ginkgo Biloba. dificuldade de concentração. Casos de dor. 2001 200 . palidez e cianose das extremidades com sensação de frio. Dosagens diárias de 240mg podem ser necessárias em alguns casos de insuficiência cerebrovascular. divididas em duas ou três doses. Tratamento de microvarizes. aumentando sua resistência e diminuindo sua hiperpermeabilidade. cerebral e periférico. perda de memória e dificuldade de concentração. O extracto é bem tolerado. elevar o humor e recuperar a energia. o Extrato de Ginkgo Biloba demonstrou ser significantemente superior ao tratamento com placebo. parestesias. Tratamento de toda ísquemia seja cerebral ou periférica. claudicação intermitente. Activador do metabolismo neuronal. é recomendado em uma dosagem diária de 80mg.

incluindo lapsos de 3º CLE – OUT. dor de cabeça. Incluindo queda de pressão arterial. Para o cérebro funcionar adequadamente. cefaléia ou reacções cutâneas. Por ausência de estudos clínicos em gestantes e lactantes. As indicações do Ginkgo Biloba são para o tratamento sintomático de insuficiência cerebral leve a moderada com os seguintes sintomas: déficits de memória. transtornos circulatórios. Pacientes com distúrbios de coagulação devem ser cuidadosamente acompanhados pelo médico. o resultado é frequentemente perda da função cognitiva e demência. diarréia e vómito. é necessário que ele receba um suprimento constante de oxigênio e nutrientes pelo sangue. Não há casos de interacções com outros medicamentos. Qualquer disfunção que interrompa o fluxo sanguíneo pode provocar um efeito profundo na função mental. já nos hipertensos se verifica muitas vezes uma baixa. Se essa disfunção ocorrer cronicamente por muitos anos devido à arteriosclerose. condição depressiva emocional. vertigem ou tinnitus de origem vascular e involutiva. uricosúricos. podendo haver administração concomitante de agentes antianginosos. verifica-se uma perfeita estabilidade tensional. tonturas. Pacientes com distúrbios de coagulação ou em terapia com anticoagulantes em doses elevadas. distúrbios de concentração. agitação. sintoma de déficit intelectual na 3a idade (distúrbios na concentração e memória) melhora na distância percorrida sem dor na doença periférica arterial oclusiva. especialmente em casos de predisposição alérgica. Não deve ser utilizado durante a gestação e lactação devido à ausência de estudos clínicos nessas condições. como a claudicação intermitente. 2001 201 . discreta e progressiva. hipoglicemiantes orais e anticoagulantes. o uso de extracto de Ginkgo Biloba nessas situações deve ser cuidadosamente analisado pelo médico. dos valores tensionais.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML CONTRA-INDICAÇÕES Podem ocorrer distúrbios gastrintestinais e. Nos normotensos. SUPERDOSAGEM Os sintomas característicos de superdosagem são: irritabilidade.

tensão e agitação. perda de equilíbrio e vertigem. no caso mais severo. Numerosos estudos demonstraram que o extrato de ginkgo reduz a suscetibilidade dessas células à lesão. KAVA-KAVA BIOFLAVIN (HERBARIUM) KIADON (MERCK) TANAKAN (KNOLL) TEBONIN (BYK) INDICAÇÕES Estados de ansiedade. 2001 202 . habilidade intelectual diminuída. depressão. visão deficiente. perda de concentração. Os bioflavonóides do extracto de Ginkgo Biloba apresentam uma actividade biológica mais forte do que a maioria dos demais bioflavonóides e parecem ter afinidade específica pelos capilares do cérebro. As suas funções incluem: -Dilatação de Vasos Sanguíneos: Aumento do conteúdo de oxigênio no sangue: Demonstrou-se que o sangue rico em oxigênio eleva a memória. acidente vascular cerebral. Fluxo sanguíneo deficiente também pode provocar dores de cabeça. ansiedade.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML memória. confusão e. -Melhoria da neurotransmissão -Melhoria da função Cognitiva -Inibição do Factor de Agregação Plaquetária (PAF) -Melhoria do Metabolismo Cerebral -Combate aos radicais livres -Proteção contra Retinopatias: Dano ou lesão nas células da retina é uma causa comum de cegueira em pessoas com diabetes e outros problemas maculares. CONTRA-INDICAÇÕES 3º CLE – OUT.

alterações ictiosiformes da pele. dificuldade de acomodação visual. Também foram relatados casos de dilatação das pupilas. entretanto. REACÇÕES ADVERSAS Queixas gastrointestinais leves e reacções alérgicas cutâneas têm sido raramente observadas após a administração do medicamento. podem ocorrer alterações na capacidade visual ou na habilidade de dirigir veículos ou de operar máquinas. barbitúricos e drogas psicoativas. 2001 203 . distúrbios no balanço oculomotor. principalmente. Na eventualidade da ingestão acidental de doses muito acima das preconizadas.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML Não deve ser administrado durante a gravidez ou a mulheres que estejam amamentando. se houver ingestão concomitante de álcool ou substâncias que actuam sobre o sistema nervoso central. Caso estes sintomas ocorram após a administração. coloração amarelada da pele e apêndices cutâneos. pode ser potencializado pela administração concomitante do medicamento. INTERACÇÕES O efeito de substâncias activas sobre o sistema nervoso central como álcool. foram descritos na literatura: ataxia. após o uso de altas doses de infusão (chá) de kavakava por tempo prolongado. devido às variações individuais. o seu uso deverá ser interrompido. a portadores de depressão endógena ou a pacientes com hipersensibilidade conhecida ao extracto de kava-kava. dilatação das pupilas. redução do peso corporal. 3º CLE – OUT. PRECAUÇÕES Apesar dos estudos demonstrarem que não influencia a capacidade de reacção do paciente. comunique imediatamente ao médico para que sejam adoptadas as medidas habituais de controlo das funções vitais. perda de apetite e diarréia. SUPERDOSAGEM Sintomas de intoxicação. perturbação da visão e da coordenação dos movimentos oculares após ingestão de bebidas de kava-kava.

ISBN: 972-9385-98-X. Psiquiatria e Psicopatologia. Lisboa. Ano XXIV.Psiqweb. Lisboa: Tupam Editores. Fundação Calouste Gulbenkian. Fernando. Lisboa: Edições Simposium. ISBN: 972-8053-18-5 FONSECA. nº82 (julho de 2002). Ano XLV (2001). II Volume. 2001 204 . 1988. WWW.GUIA PARA ADMINISTRAÇÃO DE PSICOFÁRMACOS SERVIÇO PORTO DO HML BIBLIOGRAFIA ÍNDICE NACIONAL TERAPÊUTICO. SIMPOSIUM TERAPÊUTICO.com 3º CLE – OUT.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->