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Avaliação de sustentabilidade escritórios brasileiros_Diretrizes e base metodológica

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AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS: DIRETRIZES E BASE

METODOLÓGICA
Tese apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Engenharia junto ao Departamento de Engenharia de Construção Civil. Área de Concentração: Engenharia de Construção Civil e

Urbana

Vanessa Gomes da Silva, Arq.

Vahan Agopyan, Prof. Dr.
Orientador

São Paulo 2003

FICHA CATALOGRÁFICA Silva, Vanessa Gomes. Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica. São Paulo, 2003. 210 pp. Tese (Doutorado) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Construção Civil. 1. Sustentabilidade. 2. Avaliação de edifícios. I. Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Construção Civil. II.t.

“We can’t solve problems by using the same kind of thinking we used when we created them” Albert Einstein

A meus pais, sempre presentes, mesmo estando tão longe. A minha família, que fez a mágica para a distância não ser tão longa assim.

Agradecimentos
À CAPES, pela bolsa no primeiro ano de doutoramento. À FAPESP, por financiar o projeto de pesquisa que foi o embrião deste trabalho. Ao FAEP/UNICAMP, a iiSBE, à UFES, à CST e ao PCC/EPUSP, pelos pequenos ou grandes auxílios que me permitiram comparecer a eventos importantes. Aos membros da banca avaliadora, por aceitarem o convite para participar. A Vahan Agopyan, pelo milagre de multiplicação de agenda que permitiu que me orientasse em meio a suas inúmeras atividades. A Vanderley John, por, além da amizade, ter despertado o interesse pelo tema da pesquisa, ter-me acolhido como orientanda e dado uma contribuição inestimável no último ano do trabalho. A Antonio Figueiredo, pela extrema boa vontade que permitiu que eu concluísse os créditos a tempo; e aos professores Vahan Agopyan, Orestes Gonçalves e Vanderley John, por haverem sacrificado seus poucos momentos de descanso para que o meu exame de qualificação pudesse ser realizado, à noite, antes do meu afastamento para a Holanda. Ao SINDUSCON-SP, especialmente Francisco Vasconcellos e Lílian Sarrouf, por abraçarem a causa e promoverem os workshops. Muitas pessoas contribuíram provendo informações, revisando o material ou como colegas no processo de produção deste trabalho. Agradeço aos colegas do Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil da UNICAMP, que me encorajaram pelos corredores e, na impossibilidade de concessão de afastamento de atividades, compensaram minha carga horária. A Marina, pela levantada de ânimo e prontidão logística. A Stelamaris, Paulon, Chico Borges e Ana Góes, pelas doses diárias de alegria. A Lucila, pela serenidade que restaurava meu equilíbrio. Correndo o risco de ser perseguida pelo resto da minha vida acadêmica, dedico um agradecimento especial a Doris e Silvia, pela confiança que superava em muitas vezes a minha própria. A Elaine, pelas intermináveis sessões de reclamação na secretaria do DAC, e de diversão, fora dela. Aos prediletos da sessão de informática, que sempre davam um jeitinho de me ajudar no dia a dia. A Paula, Giovana e Seigi, alunos de AU da UNICAMP, e Stelamaris pela ajuda nos estudos de casos. A Marina, Kai, Neide e Mariotoni, pela participação no workshop. A Francisco Vasconcellos, Prof. Luiz Xavier, e BlochSó Arquitetura, por fornecerem dados para os estudos de casos. A Maristela, pela leitura e estímulo; pela capacidade de fomento que dirimiu as barreiras financeiras; e pela companhia no desafio de buscar uma construção brasileira mais sustentável. A Ary, Paola e Janine, pela diligência na força-tarefa-antidepressão-e-à-prova-de-tese.

Ao exército que se manteve firme em todos os momentos. Aos meus amigos, em especial a Rubiane, pela revisão atenta e, principalmente, por incorporar o guru de auto-ajuda; e às meninas da ONG: Engrácia e Jussara. A Cristina Borba, pelas revisões de inglês ao longo deste período; e a Leo, Alcione, Fátima e Cristina pela amizade e prontidão em solucionar os pequenos e grandes problemas. To Nils Larsson, multimedia from NRCan, GBC and iiSBE; and to Nigel Howard, from USGBC, for being my friends, besides being such an infinite source of competence and enthusiasm. To friends and colleagues at Green Building Challenge and iiSBE, specially Aleksander Panek, Alex Zimmermann, Andrea Moro, Bill Bordass, Chiel Boonstra, Gail Lindsay, Ilari Aho, Javier Serra, Joel Ann Todd, Luiz Alvarez-Ude, Mauritz Glaumann, Miguel Angel Romero, Nori Yokoo, Norman Goijberg, Philipe Duchene-Marullaz, Rafael Salgado, Rein Jaaniste, Ray Cole, Ronald Rovers, Silvia de Schiller, Stephen Lau, Susanne Geissler, Sylviane Nibel, Tatsuo Oka, Sverre Fossdal and Trine Dyrstad Pettersen, for the inspiring discussion, continuous learning and healthy competition to show the wonders of their respective countries and cultures. To Suzy Edwards and Alan Yates (BRE); Anna Whiting (M4I); Joy Wallbanks (BSRIA), Jiri Skopek (Green Globes), and Wayne Trusty (Athena Institute), for the kindness and prompt posting of publications. To Marek Amrozy, Çigdem Kiliçaslan, Danny Cheng, Sabina Pangrazzi, Felix de Vries, Ozan Emem and Jaap de Vries, friends I found at SBUD Course at Institute for Housing and Urban Studies, for the unforgettable moments during my stay at Rotterdam. To the Municipality of Rotterdam, for granting the scholarship that allowed for my participation in the course. A todas as pessoas que participaram da minha vida nos últimos cinco anos. E optaram por continuar participando.

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVIATURAS SUMÁRIO EXECUTIVO EXECUTIVE S UMMARY RESUMO ABSTRACT vi x xiii xviii xxi xxiv xxv

1
1.1 1.1.1 1.1.2 1.2 1.3 1.4 1.5 1.5.1 1.5.2 1.6

INTRODUÇÃO
CONTEXTUALIZAÇÃO E JUSTIFICATIVAS DA PESQUISA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E AGENDA 21 CONSTRUÇÃO
SUSTENTÁVEL : CONCEITOS AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS E IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA

1
1 1 3 8 12 13 13 14 14 14

PRINCIPAIS CONFERÊNCIAS , INICIATIVAS E CENTROS DE PESQUISA NO TEMA FORMULAÇÃO DA HIPÓTES E DE TRABALHO OBJETIVOS M ETODOLOGIA METODOLOGIA UTILIZADA NA ETAPA 1: VERIFICAÇÃO DA HIPÓTESE METODOLOGIA
UTILIZADA NA ETAPA 2: PROPOSIÇÃO DE BASE METODOLÓGICA PARA DESENVOLVIMENTO DE MODELO DE AVALIAÇÃO

ORGANIZAÇÃO DESTE TRABALHO

2
2.1 2.2 2.3 2.3.1 2.3.2

ABORDAGEM DE CICLO DE VIDA NA AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS
INTRODUÇÃO OBJETIVOS E APLICAÇÕES DE LCA NA CONSTRUÇÃO CIVIL ETAPAS DE UMA LCA DEFINIÇÃO DO ESCOPO: OBJETIVOS, UNIDADE FUNCIONAL E LIMITES DO SISTEMA CONSTRUÇÃO DO INVENTÁRIO

17
17 18 19 20 20

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

ii

2.3.3

AVALIAÇÃO DO IMPACTO

21

2.3.3.1 Classificação e caracterização 2.3.3.2 Normalização 2.3.3.3 Avaliação (ou valoração) de pontuação normalizada
2.3.4 2.4 2.5 2.6 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DAS MELHORIAS LIMITAÇÕES INTRÍNSECAS À LCA APLICAÇÃO DE LCA EM AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE EDIFÍCIOS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

22 24 24
26 27 28 32

3
3.1 3.2 3.2.1

SISTEMAS DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE EDIFÍC IOS : ESTADO ATUAL E
DISCUSSÃO METODOLÓGICA

33
33 34 38

INTRODUÇÃO PRINCIPAIS INICIATIVAS E ESTADO ATUAL BUILDING RESEARCH ESTABLISHMENT ENVIRONMENTAL ASSESSMENT METHOD (BREEAM) – 1990

3.2.1.1 Estrutura e Pontuação 3.2.1.2 Ponderação e comunicação de resultados
3.2.2 BUILDING ENVIRONMENTAL P ERFORMANCE ASSESSMENT CRITERIA (BEPAC) 1993

39 41
42

3.2.2.1 Estrutura e pontuação 3.2.2.2 Ponderação e comunicação de resultados
3.2.3 GREEN BUILDING CHALLENGE (GBC) - 1996

44 45
46

3.2.3.1 Estrutura e Pontuação 3.2.3.2 Ponderação 3.2.3.3 Comunicação de resultados
3.2.4 LEADERSHIP IN ENERGY AND ENVIRONMENTAL DESIGN (LEED™) - 1999

48 51 51
53

3.2.4.1 Estrutura e Pontuação 3.2.4.2 Ponderação e comunicação de resultados
3.2.5 COMPREHENSIVE ASSESSMENT EFFICIENCY (CASBEE) – 2002 SYSTEM
FOR

54 57
BUILDING ENVIRONMENTAL 57

3.2.5.1 Estrutura e pontuação 3.2.5.2 Ponderação e comunicação de resultados
3.3 3.3.1 3.3.2 DISCUSSÃO DE ASPECTOS METODOLÓGICOS O QUE OS MÉTODOS EXISTENTES AVALIAM? COMO ESTES MÉTODOS AVALIAM O DESEMPENHO AMBIENTAL?

60 61
62 65 67

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

iii

3.3.3 3.4

QUANTO É PRECISO ATINGIR? CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

72 74

4
4.1 4.2 4.3 4.3.1

ESTUDO EXPLORATÓRIO
INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DA AMOSTRA AVALIAÇÃO EXPLORATÓRIA DEFINIÇÃO DE FATORES DE PONDERAÇÃO

78
78 79 81 81

4.3.1.1 Definição dos níveis hierárquicos 4.3.1.2 Construção das matrizes de comparação 4.3.1.3 Escala de importância relativa 4.3.1.4 Pesos obtidos com o auxílio da ferramenta AHP
4.3.2 4.3.3 DEFINIÇÃO DE BENCHMARKS ESTUDO DE CASO 1: CONJUNTO (ESCRITÓRIO E HOTEL)
COMERCIAL DE PADRÃO SIMPLES, USO MISTO

81 82 85 86
87 90

4.3.3.1 Descrição 4.3.3.2 Resultados da avaliação do Estudo de Caso 1
4.3.4 ESTUDO DE CASO 2: EDIFÍCIO (ESCRITÓRIOS)
COMERCIAL DE PADRÃO MÉDIO, USO ÚNICO

90 93
96

4.3.4.1 Descrição 4.3.4.2 Resultados da avaliação do Estudo de Caso 2
4.4 4.5 4.5.1 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO SOBRE A NECESSIDADE DE DESENVOLVER UM MÉTODO BRASILEIRO

96 99
101 106 109

5
5.1 5.1.1 5.1.2

DIRETRIZES E BASE METODOLÓGICA PARA DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO
DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS

112
112 114
DE INDICADORES DE

ESTRUTURA DE AVALIAÇÃO (“O QUE AVALIAR?”) INDICADORES: CONCEITO E IMPORTÂNCIA ESTRUTURAS
ANALÍTICAS PARA SUSTENTABILIDADE DE NAÇÕES ORGANIZAÇÃO

117

5.1.2.1 Estruturas analíticas desenvolvidas
5.1.3 AGENDA 21 PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL NO BRASIL

118
121

5.1.3.1 Agendas 21 do CIB para a Construção Sustentável: da agenda verde para a agenda marrom 121

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

iv

5.1.3.2 Proposta de uma agenda setorial multidimensional e integrada
5.1.4 5.1.5 5.1.6 5.2 5.2.1 AVALIAÇÃO E RELATO DA SUSTENTABILIDADE DE ORGANIZAÇÕES INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DO SETOR E DE
DE CONSTRUÇÃO EMPRESAS

124
132 135 138 142

INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO (“COMO AVALIAR?”) EMPREGO
PESOS DE PROCESSO D ANÁLISE HIERÁRQUICA E

(AHP) PARA

DERIVAÇÃO DE

143

5.2.1.1 Definição da hierarquia de atributos 5.2.1.2 Determinação de importância relativa Identidade, reciprocidade e consistência de matrizes de comparação Inconsistência de matrizes de comparação 5.2.1.3 Escala de importância rela tiva (escala de valor) 5.2.1.4 Determinação da pontuação global de alternativas
5.3 5.3.1 5.3.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO SOBRE A DEFINIÇÃO DA ESTRUTURA DE AVALIAÇÃO SOBRE O USO DE AHP PARA DEFINIR O CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO

147 148 149 152 154 155
156 156 158

6
6.1 6.2 6.3 6.4 6.4.1 6.4.2

M ODELO PROPOSTO PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS
DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS

160
160 160 162 169 169 170

INTRODUÇÃO SOBRE
A INCLUSÃO DA A VALIAÇÃO DE GESTÃO DO PROCESSO E DOS AGENTES ENVOLVIDOS

DESCRIÇÃO SUCINTA DA PROPOSTA INICIAL DE DINÂMICA UTILIZADA NA CONSULTA RESULTADOS OBTIDOS

AVALIAÇÃO

REALIZAÇÃO DE CONSULT A ÀS PARTES INTERESSADAS

6.4.2.1 Quanto à lista preliminar de indicadores 6.4.2.2 Quanto aos pesos obtidos e ao emprego de AHP no processo
6.5 6.5.1 MODELO MODIFICADO APÓS A CONSULTA (SIMPLIFICADO) O QUE AVALIAR?

170 171
180 182

6.4.2.3 Quanto à percepção de relevância dos itens no módulo ambiental de avaliação 175

6.5.1.1 Uso previsto 6.5.1.2 Escopo da avaliação e limites do sistema

182 183

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

v

6.5.1.3 Estrutura da avaliação
6.5.2 6.5.3 6.5.4 6.6 COMO AVALIAR? QUANTO DEVERÁ SER ATINGIDO? P ROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

184
185 187

6.5.3.1 Comunicação de resultados

188
190 190

7 8

CONCLUSÕES E CONTINUIDADE DA PESQUISA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

192 198

APÊNDICES (CR-ROM) APÊNDICE 1 – NORMALIZAÇÃO
DOS MÉTODOS AMBIENTAL DE EDIFÍCIOS . EXISTENTES PARA AVALIAÇÃO

APÊNDICE 2 – PRINCIPAIS INICIATIVAS INTERNACIONAIS DE DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE NAÇÕES . APÊNDICE 3 – UN WORKING LIST OF INDICATORS OF SUSTAINABLE DEVELOPMENT. APÊNDICE 4 – CSD THEMATIC FRAMEWORK. APÊNDICE 5 – ESTRUTURA ANALÍTICA PRESSURE-STATE-RESPONSE (PSR). APÊNDICE 6 – ESTRUTURAS ANALÍTICAS FDES E FISD. APÊNDICE 7 – LISTA DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS DE
ESCRITÓRIOS MODIFICADA APÓS CONSULTA ÀS PARTES INTERESSADAS

APÊNDICE 8 – M ATRIZES DE DECISÃO UTILIZADAS PARA DERIVAÇÃO DE PESOS DURANTE A CONSULTA PÚBLICA. APÊNDICE 9 – PLANILHA DE PERCEPÇÃO DE RELEVÂNCIA DE ITENS A COMPOR O MÓDULO AMBIENTAL DA AVALIAÇÃO UTLIZADA NA CONSULTA PÚBLICA. APÊNDICE 10 – FORMULÁRIOS DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE POR ETAPAS DO CICLO DO EMPREENDIMENTO ( EM CONSTRUÇÃO).

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

vi

LISTA DE FIGURAS
C APÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
Figura 1 – Figura 2 Reinterpretações da Agenda 21 relacionadas ao setor de construção (CIB/UNEP-IETC, 2002). Etapas de desenvolvimento desta pesquisa. 3 15

C APÍTULO 2 – ABORDAGEM DE CICLO DE VIDA NA AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS
Figura 1 – Figura 2 – Figura 3 – Etapas de uma análise do ciclo de vida segundo a ISO 14.040 (ISO, 1996). Representação do ciclo de vida de um produto como uma árvore de processos. Caracterização dos ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD (polietileno de baixa densidade). Outras classes não são mostradas no gráfico, como pesticidas, uso de energia e disposição de resíduos sólidos (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). Normalização dos ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD (dados fictícios). Neste exemplo, a normalização evidencia contribuições relativamente altas para aquecimento global, ecotoxicidade (acidificação, eutroficação), toxicidade ao homem (metais pesados, carcinóge nos) e formação de nevoeiros (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). Valoração de ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD normalizados (dados fictícios), evidenciando a significância dos efeitos de ecotoxicidade (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). Indicador de ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD. A preferência por sacos de papel torna-se evidente (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). Ciclo de vida de um edifício genérico. Inserção conceitual da LCA em avaliação da sustentabilidade de edifícios. Esquema dos fluxos ambientais ao longo do ciclo de vida de um edifício. 19 21

23

Figura 4 –

24

Figura 5 –

25 25 29 31 31

Figura 6 – Figura 7 Figura 8 Figura 9 –

C APÍTULO 3 – SISTEMAS DE AVALIAÇÃO EXISTENTES: ESTADO ATUAL E
DISCUSSÃO METODOLÓGICA

Figura 1 Figura 2 Figura 3 –

Blocos de critérios no processo de avaliação do BREEAM (edifícios de escritórios). Ver Tabela 3, sobre número mínimo de pontos. Esquema da obtenção do Índice de Desempenho Ambiental (EPI), utilizado pelo BREEAM (BALDWIN et al., 1998). Estrutura do BEPAC.

40 42 44

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

vii

Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 -

Blocos de entrada e saída de dados na GBTool. Representação esquemática do processo de avaliação utilizado no Projeto GBC. Trechos da planilha original de definição de referências de desempenho (benchmarks). Trecho da planilha original de definição de fatores de ponderação. Trecho da planilha original de avaliação (ponderada). Saída gráfica de resultados: gráfico de desempenho global (esquerda) e de cada categoria de desempenho.

49 50 50 51 52 52 59 61 62
TM

Figura 10 - Estrutura conceitual do CASBEE. Figura 11 - Formulários originais da avaliação com o DfE CASBEE (JSBC, 2002). Figura 12 - Diagrama de eficiência ambiental do edifício (BEE). Figura 13 – Distribuição dos créditos ambientais do BREEAM, HKBEAM, LEED MSDG, CASBEE e GBTool, após normalização. ,

65 69

Figura 14 - Tela original de apresentação de resultados de impacto ambiental do uso de energia, segundo o EcoEffect (MALMQVIST, 2002).

C APÍTULO 4 – ESTUDO EXPLORATÓRIO
Figura 1 – Figura 2 Figura 3 – Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Definição dos níveis hierárquicos. Matriz de decisão quanto à importância relativa entre Temas de Desempenho avaliados pela GBTool, formato parcial. Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Consumo de Recursos. Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Cargas Ambientais. Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Qualidade do Ambiente Interno (IEQ). Vista externa do bloco de escritórios (esquerda) e vista do lago a partir do solarium no hotel Interior do bloco de escritórios: átrio. À direita, janelas com brises e filmes para sombreamento. Bloco do hotel: átrio e interior de apartamento típico. Bloco do hotel: átrio central e clarabóias para iluminação natural. 82 83 84 84 85 91 92 92 93

Figura 10 - Resultado dos temas Consumo de Recursos, Cargas ambientais e Qualidade do ambiente interno (os pesos dos temas não avaliados foram zerados). Figura 11 - Desagregação do resultado de Consumo de Recursos (nota 0,6).

94 94

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

viii

Figura 12 - Desagregação do resultado de Cargas Ambientais (nota 0,5). Figura 13 – Desagregação do resultado de Qualidade do Ambiente Interno (nota 2,1). Figura 14 Fachadas frontal (orientação sul) e lateral (oeste) do edifício. Figura 15 – Vista de escritório duplex no 12o pavimento (esquerda), hall de entrada (direita, superior) e entrada secundária. Figura 16 – Plantas no nível térreo e de uma das duas configurações de pavimentotipo. Figura 17 - Resultado dos temas Consumo de Recursos, Cargas ambientais e Qualidade do ambiente interno (os pesos dos temas não avaliados foram zerados). Figura 18 - Desagregação do resultado do tema Consumo de Recursos (nota 1,3). Figura 19 - Desagregação do resultado do tema Cargas Ambientais (nota 0,7).

95 95 97 98 98

99 100 100

Figura 20 – Desagregação do resultado do tema Qualidade do Ambiente Interno (nota 2,5). 100 Figura 21 - Indicadores normalizados apenas por unidade de área (unidade variável no eixo das ordenadas). 105 Figura 22 - Indicadores normalizados apenas por unidade de área, excluindo edifícios asiáticos (unidade variável no eixo das ordenadas). 105 Figura 23 - Indicadores normalizados por unidade de área e por ocupação (unidade variável no eixo das ordenadas). 106 Figura 24 - Indicadores normalizados por unidade de área e por ocupação, excluindo edifícios asiáticos (unidade variável no eixo das ordenadas). 106

C APÍTULO 5 – DIRETRIZES E BASE METODOLÓGICA PARA DESENVOLVIMENTO DE
MÉTODO DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS

Figura 1 Figura 2 Figura 3 – Figura 4 -

Diretrizes para o desenvolvimento de um método de avaliação da sustentabilidade de edifícios. 113 Base conceitual para definição do conteúdo e estrutura analítica do modelo de avaliação proposto. 114

Escalas de ação das principais iniciativas de organização de indicadores ambientais /de desenvolvimento sustentáve l /de sustentabilidade. 116 Agendas do CIB como protocolo de ligação entre as agendas globais e as agendas regionais e setoriais específicas, indicando posicionamento em relação às agendas verde e marrom. 122 Integração dos quatro blocos conceituais da agenda sustentabilidade do setor de construção civil brasileiro. Construção de hierarquia de atributos. Exemplo de comparação em pares: conjunto de três alternativas. para a 124 148 149

Figura 5 – Figura 6 – Figura 7 –

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

ix

C APÍTULO 6 – MODELO PROPOSTO PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE
EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS

Figura 1 Figura 2 – Figura 3 Figura 4 Figura 5 -

Estrutura temática com blocos de avaliação do edifício e da empresa construtora. 164 Escala linear de avaliação de desempenho. Exemplo de definição de escala de desempenho para aspecto qualitativo. 165 166

Fluxograma do processo de avaliação e classificação de desempenho quanto a sustentabilidade. 167 Comunicação gráfica de resultados da avaliação, congregando perfis de desempenho e desempenho global do edifício e da empresa construtora, posicionados em relação às classes de desempenho previstas e práticas típicas hipotéticas (como ilustração). 168 Pesos obtidos em consulta pública consulta pública realizada em 17 de junho de 2003 (nível hierárquico mais elevado). 172 Resultados de consulta de percepção de relevância de itens a compor o módulo de avaliação ambiental de edifícios no Brasil. Os itens aparecem em ordem do número de votantes que os considerou “essenciais”. A coluna de números à esquerda indicam a ordem de relevância obtida em pesquisa equivalente na Alemanha. 177 Percepção de relevância de itens a compor um sistema de avaliação ambiental de edifícios, segundo pesquisa equivalente realizada na Alemanha (dados de BLUM et al. apud OECD (2003). 178 Comparação de pesquisas de percepção de relevância realizadas na Alemanha (dados de BLUM et al. apud OECD (2003) e no Brasil. Os círculos indicam a diferença porcentual (leitura no eixo horizontal), quando estas forem superiores a 10%. 179

Figura 6 – Figura 7 –

Figura 8 –

Figura 9 –

Figura 10 - Posicionamento do modelo proposto (trecho sombreado) em relação aos usuários potenciais e aplicações de métodos de avaliação (modificado de ISO, 2003b). 182 Figura 11 - Limite do sistema no modelo de avaliação proposto. 184 Figura 12 - Estrutura temática para organização dos indicadores (quantitativos e qualitativos) propostos. 185 Figura 13 – Formato de pontuação evolutivo. Figura 14 - Formato de saída gráfica de resultados de uma avaliação hipotética. 186 189

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

x

LISTA DE T ABELAS
C APÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Aplicações de avaliações de edifícios e vantagens oferecidas por sua implementação. Alguns dos principais eventos relacionados a construção sustentável e avaliação ambiental de edifícios (1995-2005). Iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de metodologias de avaliação de edifícios. 7 9 11

C APÍTULO 2 – ABORDAGEM DE CICLO DE VIDA NA AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS
Tabela 1 Trecho da planilha de impactos ambientais resultantes da produção de 1 kg de polietileno e 1 kg de vidro (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). A planilha completa conteria 34 linhas. Exemplo de caracterização: trecho da planilha de impactos da produção de 1 kg de polietileno (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).

21 23

Tabela 2 –

C APÍTULO 3 – SISTEMAS DE AVALIAÇÃO EXISTENTES: ESTADO ATUAL E
DISCUSSÃO METODOLÓGICA

Tabela 1 Tabela 2 – Tabela 3 Tabela 4 Tabela 5 Tabela 6 – Tabela 7 Tabela 8 – Tabela 9 –

Principais sistemas existentes para avaliação ambiental de edifícios. Estrutura de avaliação do BREEAM 98 (BALDWIN et al., 1998). Classificação provável no BREEAM, conforme pontos obtidos na lista de verificação simplificada. Indicadores de sustentabilidade ambiental utilizados pela GBTool v 1.81 (2002). Categorias avaliadas na GBTool (ponderação default do sistema). Estrutura de avaliação do LEED™ 2.0 (USGBC, 2000). Níveis de classificação do LEED™. Suíte de ferramentas de avaliação que compõem o CASBEE. Modificação proposta pelo CASBEE para aplicação do conceito de ecoeficiência em avaliações ambientais de edifícios (JSBC, 2002).

35 41 42 47 48 56 57 58 59 60 63 75

Tabela 10 – Estrutura de avaliação do CASBEE. Tabela 11 - Abordagem de aspectos metodológicos fundamentais pelos sistemas de avaliação indicados. Tabela 12 - Aplicações potenciais e posicionamento dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios existentes.

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xi

C APÍTULO 4 – ESTUDO EXPLORATÓRIO
Tabela 1 – Tabela 2 – Tabela 3 Definição da Escala de Importância Relativa nas matrizes de decisão. Pesos utilizados nos dois estudos de casos realizados. Indicadores de sustentabilidade (adotados no GBC) referentes ao Estudo de Caso 1 normalizados por unidade de área e unidade de área e , ocupação. 85 86

96

Tabela 4 -

Indicadores de sustentabilidade (adotados no GBC) referentes ao Estudo de Caso 2, normalizados por unidade de área e unidade de área e ocupação. 101 Pontuação obtida pelos estudos de casos avaliados. Desempenho do Estudo de Caso 2, em relação à média da amostra. 102 104

Tabela 5 – Tabela 6 -

C APÍTULO 5 – DIRETRIZES E BASE METODOLÓGICA PARA DESENVOLVIMENTO DE
MÉTODO DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS

Tabela 1 – Tabela 2 –

Estruturas desenvolvidas para organizar indicadores ambientais ou de desenvolvimento sustentável de nações. 120 Possibilidades de ação do setor de construção brasileiro em relação aos aspectos–chave apontados pela Agenda 21 da ONU. Os números entre parênteses remetem aos capítulos da Agenda 21. 125 Iniciativas de desenvolvimento de indicadores e padrões de relato de sustentabilidade de organizações. 133 Estrutura proposta pela GRI (2002) para relato de desempenho em sustentabilidade de organizações. Os indicadores são relacionados aos aspectos. 134 Iniciativas para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade relacionados ao setor de construção. 136 Temas-chaves para a construção sustentável no Reino Unido (CIRIA, 2001). 138 Lista mínima de indicadores de sustentabilidade de edifícios, sugerida na ISO AWI 21932 (ISO TC59/SC3, 2002c). 141 Estrutura de itens a avaliar proposta pela ISO CD 21931 (ISO, 2003b). Forma geral de matriz de comparação em pares. 142 151

Tabela 3 Tabela 4 –

Tabela 5 – Tabela 6 Tabela 7 Tabela 8 Tabela 9 –

Tabela 10 - Matriz consistente de comparação em pares de sub-atributos dentro de um Atributo A. 151 Tabela 11 - Matriz da Tabela 1 após normalização das colunas. Tabela 12 – Exemplo de matriz não consistente. 152 153

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xii

Tabela 13 – Matriz da Tabela 12 (matriz não consistente) após normalização das colunas. 153 Tabela 14 – Exemplo de organização hipotético para a matriz para comparação de alternativas com base nos atributos e sub- atributos definidos na Figura 6. 156

C APÍTULO 6 – MODELO PROPOSTO PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE
EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS

Tabela 1 – Tabela 2 -

Pesos obtidos em consulta pública realizada em 17 de junho de 2003.

172

Itens apresentados em planilha padronizadas para classificação da relevância na composição do módulo de avaliação ambiental do edifício. Os itens estão aqui ordenados de acordo com a porcentagem de votos na categoria “essencial”. 175 Modelo de avaliação proposto para edifícios brasileiros. Escala para atribuição de estrelas, conforme pontuação de bônus obtida. 181 187

Tabela 3 Tabela 4 Tabela 5 -

Escala para atribuição de Índices de Sustentabilidade, conforme pontuação obtida. 188

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xiii

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANTAC ABNT ADEME AHP APO ASHRAE ASTM ATEQUE BEAT BEE BEES BEPAC BEQUEST BRAiE BRE BREEAM BSI BYogBIG C-2000 CANMET CAR CASBEE CBE CBECS CBIC CBIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído, Brasil Associação Brasileira de Normas Técnicas, Brasil Agence de l'Environnement et de la Maîtrise de l'Énergie (Agency for Environment and Energy Management), França Analytic Hierarchy Process (Processo de Análise Hierárquica) Avaliação Pós-Ocupação American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers, Estados Unidos American Society for Testing and Materials, Estados Unidos Atelier d'Evaluation de la Qualité Environnementale, França Building Environmental Assessment Tool, Dinamarca Building Environment Efficiency, Japão (ref. CASBEE) Building for Environmental and Economic Sustainability, Estados Unidos Building Environmental Performance Assessment Criteria, Canadá Building Environmental Quality Evaluation for Sustainability through Time, Europa Programa Nacional de Avaliação de Impactos Ambientais de Edifícios Building Research Establishment, Reino Unido Building Research Establishment Environmental Assessment Method, Reino Unido British Standard Institution, Reino Unido Danish Building and Urban Byggeforskninginstitut), Dinamarca Integrated Design Process, Canadá Energy Technology Centre, Canadá Cambridge Architectural Research, Reino Unido Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency, Japão Center for the Built Environment, Royal Institute of Technology (Kungl Tekniska Högskolan, KTH), Suécia Commercial Building Energy Consumption Survey, Estados Unidos Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Brasil Commercial Building Incentive Program, Canadá Research (Statens

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xiv

CC CEE CERES CET CFC CGSDI CIB CIRIA CO2 CRISP CS CSD CSTB DAC/FEC/UNIC AMP DETR DJSI DOE DPCSD DPSIR

Construção Civil Comissão de Economia e Estatística da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Brasil Coalition for Environmentally Responsible Economies, Estados Unidos Centre of Environmental Technology, Hong Kong China Clorofluorcarbono Consultative Group on Sustainable Development Indicators, Canadá International Council for Research and Innovation in Building and Construction, Holanda Construction Industry Research and Information Association, Reino Unido Dióxido de carbono Construction Related Sustainability Indicators Construção Sustentável United Nations Commission on Sustainable Development (Comissão das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável) Centre Scientifique et Technique du Bâtiment, França Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas, Brasil Department of the environment, transport and the regions: London Dow Jones Sustainability Index U.S. Department of Energy, Estados Unidos Department for Policy Coordination and Sustainable Development, ONU Framework Driving Force-Pressure-State-Impact-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo força indutorapressão-estado do ambiente-impacto-resposta) Framework Driving force-State-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo força indutora-estado do ambiente-resposta) Energy Assessment and Reporting Methodology, Reino Unido European Environment Agency, Europa European Community Eco-Management & Audit Scheme, Europa Electromagnetic Field (Poluição eletromagnética). Environmental Protection Agency, Estados Unidos Environmental Priority Strategy Statistical Office of the European Community, Europa

DSR EARM EEA EMAS EMS EPA EPS EUROSTAT

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xv

FDES FGV FISD GABS GBC GHG GRI HCFC HK-BEAM IAIAS IAQ IBGE IBPSA IChemE IEA IEQ IESNA IETC IGWG IIED iiSBE IISD ISIAQ ISO JRC JSBC LCC LCI LCIA LEED™ LER LISA

Framework for the Development of Environment Statistics (Estrutura para desenvolvimento de estatística ambiental) Fundação Getúlio Vargas, Brasil Framework for Indicators of Sustainable Development (Estrutura para indicadores de desenvolvimento sustentável) Global Alliance for Sustainable Building Green Building Challenge Greenhouse Gases (Substâncias causadoras de efeito estufa) Global Reporting Initiative, Holanda Hidroclorofluorcarbono Hong Kong Building Environmental Assessment Method, China International Academy of Indoor Air Sciences Indoor Air Quality (Qualidade do ar interno) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Brasil International Building Performance Simulation Association Institution of Chemical Engineers, Reino Unido International Energy Agency Indoor Environment Quality (Qualidade do ambiente interno) Illuminating Engineering Society of North America, Estados Unidos International Environmental Technology Centre Inter-governmental Working Environment Statistics Group on the Advancement of

International Institute for Environment and Development International Initiative for Sustainable Built Environment, Canadá International Institute for Sustainable Development International Society of Indoor Air Quality and Climate International Organization for Standardization Joint Research Centre Japan Sustainability Building Consortium, Japão Life-Cycle Cost analysis (Análise de custos ao longo do ciclo de vida) Life-Cycle Inventory (Inventário do ciclo de vida) Life-Cycle Impact Assessment Leadership in Energy and Environmental Design, Estados Unidos Lesão por Esforço Repetitivo Life-Cycle Analysis in Sustainable Architecture

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xvi

MADA MCA MCDA MMD-ENG MSDG NABERS NCIC NIST NOVEM NOx NRCan NSSD ODP ODS OECD ONU P&D PBQP-H PCC/EPUSP PEBD PLEA PROBE PROCEL PSR PURA RCD SABESP SBI

Multiattribute Decision Analysis (Análise de decisão multi-atributos) Multicriteria analysis (Análise multi-critério) Multicriteria Decision Analysis (Análise de decisão multi-critério) Department of Engineering, Institute for Manufacturing, University of Cambridge, Reino Unido Minnesota Sustainable Design Guide, Estados Unidos The National Australian Buildings Environmental Rating System, Austrália Non-traditional Capital Investment Criteria National Institute of Standards and Technology, Estados Unidos Nederlandse Organisatie voor Energie en Milieu (Netherlands Agency for Energy and the Environment), Holanda Óxidos de Nitrogênio National Resources Canada, Canadá National Strategies for Sustainable Development Ozone depleting potential (Potencial de dano à camada de ozônio troposférico) Ozone depleting substance (Substância danosa à camada de ozônio troposférico) Organisation for Economic Co-operation and Development Organização das Nações Unidas Pesquisa e Desenvolvimento Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade na Construção Habitacional Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Brasil Polietileno de baixa densidade Passive and Low Energy Architecture Post-occupancy Review of Building Engineering, Reino Unido Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica Framework Pressure-State-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo pressões-estado do ambiente-resposta) Programa de Uso Racional da Água Resíduos de Construção e Demolição Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Brasil Statens Byggeforskningsinstitut (Danish Building and Urban

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xvii

Research), Dinamarca SETAC SINDUSCON-SP SMACNA SOx UIA UNCED Society for Toxicology and Chemistry, Bélgica/ Estados Unidos Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Brasil Sheet Metal and Air Conditioning National contractors Association, Estados Unidos Óxidos de Enxofre Union Internationale des Architectes (International Union of Architects) United Nations Conference on Environment and Development / Earth Summit (Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento) United Nations Commission on Sustainable Development (Comissão das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável) United Nations Division of Sustainable Development United Nations Environment Programme United Nations Human Settlements Programme United Nations Statistical Division U.S. Green Building Council, Estados Unidos Volatile Organic Compound Technical Research Centre of Finland, Finlândia World Business Council for Sustainable Development, Suíça World Commission on Environment and Development

UNCSD UNDSD UNEP UN-HABITAT UNSD USGBC VOC VTT WBCSD WCED

AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS: DIRETRIZES E BASE METODOLÓGICA
VANESSA GOMES DA SILVA, ARQ.
vangomes@fec.unicamp.br Professora do Dep. de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP

SUMÁRIO EXECUTIVO
A indústria da construção - particularmente a construção, operação e demolição de edifícios - representa a atividade humana com maior impacto sobre o meio ambiente. A magnitude dos impactos sociais e econômicos posicionam estrategicamente o setor, em caráter mundial, como um motor potencial para o atendimento de metas de desenvolvimento sustentável. As primeiras metodologias de avaliação surgiram na década de 90 na Europa, nos EUA e no Canadá, como parte das estratégias para o cumprimento de metas ambientais locais estabelecidas a partir da Earth Summit do Rio de Janeiro. Atualmente, praticamente cada país europeu - além de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Hong Kong - possui um sistema de avaliação de edifícios. Todos estes métodos partilham o objetivo de encorajar a demanda do mercado por níveis superiores de desempenho ambiental, provendo avaliações ora detalhadas, para o diagnóstico de eventuais necessidades de intervenção no estoque construído; ora simplificadas, para orientar projetistas ou sustentar a atribuição de selos ambientais para edifícios. E todos eles concentram-se exclusivamente na dimensão ambiental da sustentabilidade. Apesar de o conceito de análise do ciclo de vida (LCA), originalmente desenvolvido na esfera de avaliação de impactos de produtos, ter sustentado o desenvolvimento da primeira geração de sistemas de avaliação, a sua aplicação direta em avaliação de edifícios - em geral, e particularmente no Brasil- mostra-se, neste momento, complexa, impraticável e insuficiente. Como resultado, a maioria dos métodos de avaliação de edifícios não emprega a LCA como ferramenta de apoio à atribuição de créditos ambientais; sendo mais comum extrair da LCA o conceito de ciclo de vida e utilizá- lo para aumentar a abrangência da avaliação do edifício.

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

xix

Este trabalho teve como objetivo a demonstração da hipótese que não é adequado e suficiente importar métodos estrangeiros existentes para avaliar edifícios de escritórios no Brasil, e que uma medida mais coerente e eficiente é desenvolver um método à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras. A discussão metodológica e os estudos de casos realizados demonstraram que (1) não é possível copiar, traduzir ou simplesmente aplicar um método estrangeiro no contexto brasileiro ou de qualquer outro país, por maior que tenha sido seu sucesso no seu país de origem, e que mesmo a mais flexível das ferramentas existentes apresenta dificuldades práticas para emprego no Brasil; (2) é fundamental desenvolver um método à luz d as prioridades, condições e limitações brasileiras, e, para tanto, deve-se necessariamente passar por um processo de conscientização e amadurecimento, semelhante aqueles por que passaram os países que desenvolveram métodos de avaliação ambiental de edifícios, porém com o desafio de ampliar o escopo para realizar avaliações da sustentabilidade da produção e uso de edifícios. Demonstrada a veracidade da hipótese, as questões metodológicas que estruturaram a discussão do estado atual dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios (“o que avaliar?”, “como avaliar?”, “quanto atingir?”) foram mantidas na proposição de diretrizes e da base metodológica. Finalmente, foi iniciado o desenvolvimento de um método para avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros ao longo de seu ciclo de vida, e apontada a direção para os desenvolvimentos futuros necessários para viabilizar a sua implementação. Os limites do sistema de avaliação foram definidos para abranger a etapa de construção e uso do edifício. A opção por iniciar a avaliação destes agentes pela avaliação da empresa construtora foi um primeiro passo no sentido de criar a cultura e o movimento consistente das práticas de mercado em direção a um patamar mais sustentável. A avaliação integrada de itens ambientais, sociais e econômicos encontra instrumentos na esfera das nações, dos setores econômicos e das organizações. A estrutura de avaliação proposta foi construída com base nestes instrumentos, na proposição de uma Agenda 21 pra a construção civil brasileira e na análise dos métodos internacionais e projetos de norma ISO relacionados a sustentabilidade e avaliação ambiental de edifícios. Para a derivação do critério de ponderação, sugere-se o processo de análise hierárquica (AHP).

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

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Esta estrutura de avaliação e uma lista abrangente de indicadores a ela relacionados foram submetidas à consulta das partes interessadas da construção civil do Estado de São Paulo. A estrutura de avaliação proposta não foi questionada, mas o modelo de avaliação inicialmente imaginado era sofisticado demais para implementação no curto prazo. A estrutura de avaliação proposta não foi questionada, e o emprego de AHP mostrou-se como uma alternativa satisfatória para a derivação de um critério de ponderação. Constatou-se, porém, que o mercado não está preparado para, no curto prazo, medir ou ser avaliado através de um método sofisticado. Propõe-se, então, um método simplificado, pautado por dez princípios básicos:
1. 2. 3.

Adesão voluntária: entra no processo quem deseja fazer melhor; Premiação das melhores práticas; Foco no empreendimento, compreendendo a avaliação tanto do edifício quanto dos agentes envolvidos; Auto-avaliação, a ser revisada por avaliadores credenciados; Avaliação por etapas do empreendimento; Ponderação aplicada apenas no nível hierárquico mais alto; Mescla de pontos prescritivos e por desempenho; Pontuação evolutiva e estratégia de implementação gradual; Utilização de níveis de classificação de desempenho; e Revisão periódica do sistema de avaliação e da classificação do edifício.

4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

Os contornos deste modelo de avaliação são descritos sucintamente, apontando a os desenvolvimentos futuros necessários para a sua implementação. O interesse pelo tema no país foi definitivamente despertado. Um novo workshop será realizado em agosto de 2003, para dar continuidade à discussão e envolvimento das partes interessadas no desenvolvimento e teste do modelo de avaliação. Um estudo-piloto com duração de um ano será então iniciado, e terá um papel decisivo para a validação prática do procedimento de avaliação e para o acúmulo de dados que caracterizem tanto as práticas típicas qua nto aquelas mais orientadas a sustentabilidade, e viabilizem benchmarking no setor.

SUSTAINABILITY ASSESSMENT OF OFFICE BUILDINGS IN B RAZIL:
GUIDELINES AND METHODOLOGICAL BASIS
VANESSA GOMES DA SILVA, ARCH.
vangomes@fec.unicamp.br Professor at Architecture and Construction Department, School of Civil Engineering, Architecture and Urban Design, State University of Campinas, Brazil (DAC/FEC/UNICAMP)

EXECUTIVE SUMMARY
Construction industry environmental impacts have risen to the forefront of international concern in the past decade. The awareness that the construction, operation and demolition of buildings represent the most damaging human activity in the global environment resulted in a gradual introduction of measures to reduce buildings environmental footprints, which were largely supported by governmental agencies, research and private institutions in several countries. The magnitude of social and economic impacts globally renders the construction sector as strategic, concerning the achievement of sustainable development goals. Life-cycle analysis concepts, originally developed for environmental evaluation of industrialised products were the groundwork of most methodologies developed for the environmental assessment of buildings that emerged in the 90s as part of local strategies to accomplish Agenda 21´s targets, established on the UN Earth Summit held in Rio de Janeiro in 1992. However, it is not possible to directly apply LCA in building assessment. Particularly in the Brazilian case, at the current state of knowledge and data availability, LCA is complex, unfeasible and insufficient. In fact, most building assessment methods do not use it as a support tool for environmental credit related to building materials use. Nowadays, each European country – as well as the United States, Canada, Australia, Japan and Hong Kong – has its own assessment system. All of these methods shared the common goal to stimulate market demands for higher environmental performance levels, providing evaluations that could be either detailed enough to point out the necessity of intervention in the built environment or simplified, mainly to give guidance to designers or support the environmental labelling of buildings. All of them deal exclusively with the environmental dimension of sustainability.

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

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This work aimed to demonstrate the hypothesis that it is neither adequate or enough to import the existing foreign methods to evaluate office buildings in Brazil, and that a more coherent and efficient means is to develop a method considering Brazilian priorities, conditions and constraints. The methodological discussion and the study cases performed have shown that performed (1) it is not possible to copy, translate or apply a foreign method in any context but the one it was created for, and that even the most flexible among the available assessment tools faces several practical difficulties to be applied in Brazil; (2) it is paramount to develop a method that adequately considers Brazilian priorities, conditions and constraints. For this purpose, it is necessary to experience an awareness and maturation process in Brazil similar to those that generated environmental assessment methods, but with the broader challenge of widening the scope for carrying out sustainability assessments. Once the veracity of the hypothesis was demonstrated, the proposition of guidelines and of the methodological basis kept track of the basic questions that structured the discussion of the available building environmental assessment systems (“what is to be assessed?”, “how to assess?”, “how much should be achieved?”). Finally, the development of a method for assessing the sustainability of Brazilian office buildings along their lifecycle was initiated, providing the direction for future developments necessary to enable its implementation. In the proposed model, system limits were set to focus on building production and use, as well as the evaluation of the agents involved in the enterprise’s cycle, starting by the assessment of the building contractor, as a first step to stimulate the necessary cultural change and a consistent movement towards more sustainable market practices. The integrated assessment of the environmental, social and economic items finds tools in the sphere of nations, economic sectors, and organizations. The assessment framework proposed was built on such instruments; on the proposition of an agenda for sustainable construction in Brazil; and on the analysis of related international methods and standards. The Analytic Hierarchy Process (AHP) is suggested for deriving the weighting criteria. The framework and a comprehensive list of indicators related to it were scrutinized by representatives of civil construction’s stakeholders in Sao Paulo State. The framework reached a high consensus level and the analytic hierarchy process proved to be a useful alternative to derive weighting factors. The consultation process also made clear that the

Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica

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Brazilian market is not prepared to be evaluated against a sophisticated method in the short term. Thus, a simplified model is proposed, following ten basic principles: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Volunteer adhesion; Better practices are acknowledged; Focus on the enterprise, involving evaluation of both the building and the major actors involved in the process; Self evaluation, to be revised by accredited assessors; Main stages of the enterprise’s cycle are assessed; Weighting is applied only to the highest hierarchic level (environmental x social x economic x management); Mix of prescriptive-oriented and performance-oriented points; Evolving scoring format and strategy for gradual implementation; Performance classification; and

10. Periodical revision of the assessment system and the building score and classification.

This model is briefly described, casting some light on future developments needed to enable its implementation. The interest in the theme was definitely arisen in Brazil. A new workshop will take place in August 2003. It will provide the discussion and stakeholder’s involvement continuum in developing and testing the assessment model, and launch a one-year pilot study. This study is decisive for practically validating the assessment process and for accumulating data that characterizes both typical and better practices towards sustainability, which will then allow for future benchmarking in the construction sector.

AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS: DIRETRIZES E BASE METODOLÓGICA
RESUMO
O conceito de análise de ciclo de vida embasou o desenvolvimento das metodologias de avaliação ambiental de edifícios que surgiram estrategicamente na década de 90 para o cumprimento de metas ambientais locais estabelecidas na Eco’92. Atualmente, praticamente cada país europeu - além de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Hong Kong - possui um sistema de avaliação de edifícios. Todos estes métodos partilham o objetivo de encorajar a demanda do mercado por níveis superiores de desempenho ambiental. E todos eles concentram-se exclusivamente na dimensão ambiental da sustentabilidade. Este trabalho teve como objetivo a demonstração da hipótese que importar métodos estrangeiros existentes não é a melhor solução para avaliar edifícios de escritórios no Brasil, e que um método de avaliação deve ser desenvolvido à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras. A discussão metodológica dos sistemas existentes e os estudos de casos realizados demonstraram que (1) não é possível copiar, traduzir ou simplesmente aplicar um método estrangeiro no contexto brasileiro ou de qualquer outro país, e que mesmo a mais flexível das ferramentas existentes apresenta dificuldades práticas para emprego no Brasil; (2) é fundamental desenvolver um método à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras, e, para tanto, deve-se necessariamente passar por um processo de conscientização e amadurecimento, semelhante aquele por que passaram os países que desenvolveram métodos de avaliação ambiental de edifícios, porém com o desafio de ampliar o escopo para realizar avaliações da sustentabilidade da produção e uso de edifícios. Demonstrada a veracidade da hipótese, passou-se à proposição de diretrizes; à reunião de uma base metodológica; e ao inicio do desenvolvimento de um método para avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros ao longo de seu ciclo de vida. No modelo de avaliação sugerido, os limites do sistema foram definidos para abranger a etapa de construção e uso do edifício, assim como a avaliação dos agentes envolvidos no processo, iniciando pela empresa construtora, visando criar a cultura e o movimento consistente das práticas de mercado em direção a um patamar mais sustentável. A estrutura de avaliação proposta foi construída a partir de uma agenda para a construção sustentável no Brasil; em instrumentos disponíveis para a avaliação integrada de itens ambientais, sociais e econômicos; e na análise dos métodos e normas internacionais relacionados ao tema. Esta estrutura de avaliação e uma lista abrangente de indicadores a ela relacionados foram submetidas à consulta das partes interessadas da construção civil do Estado de São Paulo. A estrutura de avaliação não foi questionada, e o emprego de processo de análise hierárquica (AHP) mostrou-se como uma alternativa satisfatória para a derivação de um critério de ponderação. Constatou-se, porém, que o mercado não está preparado para, no curto prazo, medir ou ser avaliado através de um método sofisticado. Um método simplificado e uma estratégia gradual de implementação são então propostos, apontando a direção para os desenvolvimentos futuros necessários.

SUSTAINABILITY ASSESSMENT OF OFFICE BUILDINGS IN B RAZIL:
GUIDELINES AND METHODOLOGICAL BASIS

ABSTRACT
Life-cycle analysis concepts, originally developed for environmental evaluation of industrialised products were the groundwork of most methodologies developed for environmental assessment of buildings which emerged in the 90’s as part of local strategies to accomplish Agenda 21´s targets, established on the UNCED held in Rio de Janeiro in 1992. Nowadays, each European country – as well as the United States, Canada, Australia, Japan and Hong Kong – has its own assessment system. All of these methods share the common goal to stimulate market demands for higher environmental performance levels. All of them deal exclusively with the environmental dimension of sustainability. This work aimed to demonstrate the hypothesis that it is neither appropriate nor sufficient to import existing environmental assessment methods for evaluation of Brazilian office buildings, and that a more efficient and coherent approach is to develop a method according to Brazilian priorities, conditions and constraints. The methodology discussion of existing assessment systems and the case studies performed demonstrated that (1) it is not possible to copy, translate or apply a foreign method in any context but the one it was created for, and that even the most flexible among the available assessment tools faces several practical difficulties to be applied in Brazil; (2) it is paramount to develop a method that adequately considers Brazilian priorities, conditions and constraints. For this purpose, it is necessary to experience an awareness and maturation process in Brazil similar to those that generated environmental assessment methods, but with the broader challenge of widening the scope for carrying out sustainability assessments. Once the veracity of the initial hypothesis was demonstrated, the second part of this work was dedicated to guidelines proposal; constitution of methodology basis; and to start the development of a method to evaluate the sustainability of Brazilian office buildings throughout their life-cycle. In the proposed model, system limits were set to focus on building production and use, as well as the evaluation of the agents involved in the enterprise’s cycle, starting by the assessment of the building contractor, as a first step to stimulate the necessary cultural change and a consistent movement towards more sustainable market practices. The assessment framework was built on an agenda for sustainable construction in Brazil; on available instruments for integrated evaluation of environmental, social and economic aspects; and on the analysis of related international methods and standards. This framework and an exhaustive indicators list were submitted for appreciation of construction stakeholders in the State of São Paulo. The framework reached a high consensus level and the analytic hierarchy process proved to be a useful alternative to derive weighting factors. The consultation process also made clear that the Brazilian market is not prepared to be evaluated against a sophisticated method in the short term. A simplified model and a gradual implementation strategy are then proposed, casting some light on future developments needed.

1 INTRODUÇÃO
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E JUSTIFICATIVAS DA PESQUISA

1.1.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E AGENDA 21 O conceito de desenvolvimento sustentável emergiu realmente durante as discussões realizadas no início dos anos 70, seguindo uma série de publicações–chave que chamavam atenção para a super-exploração do ambiente pelo homem, enfocando o desenvolvimento econômico e o crescimento da preocupação global quanto aos objetivos do desenvolvimento e limitações ambientais (NSSD, 2003). Na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972, ressaltou-se que as questões ambientais haviam se tornado cada vez mais objeto de políticas sócio-econômicas, em nível nacional ou internacional. Em 1987, a World Commission on Environment and Development (WCED1 ), cunhou a definição de desenvolvimento sustentável que se tornaria clássica (BRUNTLAND, 1987): "Desenvolvimento econômico e social que atenda as necessidades da geração atual sem comprometer a habilidade das gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades."

Esta busca de equilíbrio entre o que é socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente sustentável é usualmente descrita em função da chamada “triple bottom line”, que congrega as dimensões ambiental, social, e econômica do desenvolvimento sustentável. A dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável requer o equilíbrio entre proteção do ambiente físico e seus recursos, e o uso destes recursos de forma a permitir que o planeta continue a suportar uma qualidade de vida aceitável. A dimensão social requer o desenvolvimento de sociedades justas, que proporcionem oportunidades de desenvolvimento humano e um nível aceitável de qualidade de vida. A dimensão econômica, por sua vez, requer um sistema econômico que facilite o acesso a recursos e oportunidades e o aumento

1

Também conhecida como Comissão Brundtland, em menção a Gro Harlem Brundtland, coordenadora dos trabalhos e então Primeira-Ministra da Noruega.

Capítulo 1 - Introdução

2

de prosperidade para todos, dentro dos limites do que é ecologicamente possível e sem ferir os diretos humanos básicos (CIB/UNEP-IETC, 2002). A partir da década de 80, metas ambientais passaram a ser definidas em convenções globais como as de Montreal (1987 2), do Rio de Janeiro (1992) e de Kyoto 3 (1997). A meta do desenvolvimento sustentável, até então implícita em muitas políticas nacionais, ganhou comprometimento e reconhecimento global vinte anos depois da reunião em Estocolmo, com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNCED4 ) realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Nesta ocasião, foi consenso que as estratégias de desenvolvimento sustentável deveriam integrar aspectos ambientais em planos e políticas de desenvolvimento. Foi então publicada a Agenda 21 (UNITED NATIONS, 1992), um plano ambicioso de ação global para o século seguinte, que estabelecia uma visão de longo prazo para equilibrar necessidades econômicas e sociais com os recursos naturais do planeta. Na própria UNCED, a Agenda 21 foi adotada por 178 governos.

Todos os setores da sociedade então iniciaram um processo de re- interpretação da Agenda 21 nos contextos específicos das diversas agendas locais e setoriais. Políticas públicas passaram a impor requisitos ambientais a inúmeras atividades econômicas e a demanda por produtos ambientalmente menos agressivos cresceu em paralelo. Os padrões internacionais de eficiência ambiental foram se elevando gradativamente e algumas instituições passaram a atrelar a concessão de financiamentos de projetos aos resultados de avaliações ambientais. No setor da construção civil, as interpretações da Agenda 21 mais relevantes são (1) a Agenda Habitat II, assinada na Conferência das Nações Unidas realizada em Istambul, em 1996; (2) a CIB 5 Agenda 21 on Sustainable Construction (CIB, 1999), que contempla, entre outros, medidas para redução de impactos através de alterações na forma como os edifícios

2

Em continuidade às resoluções da Convenção de Viena para Proteção da Camada de Ozônio (1985), o Protocolo de Montreal (UNITED NATIONS, 1987) restringiu a liberação de CFCs e halogêneos, principais substâncias responsáveis pelos danos à camada de ozônio, ao nível de consumo calculado para 1986. Após 1994, a quantidade emitida não poderia superar 8% do consumo em 1986. Com a assinatura do Protocolo de Kyoto (MCT, s.d), diversos países industrializados comprometeram-se a reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões combinadas de gases causadores de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. United Nations Conference on Environment and Development. Também comumente referida como Earth Summit e ECO’92. International Council for Research and Innovation in Building and Construction.

3

4

5

Capítulo 1 - Introdução

3

são projetados, construídos e gerenciados ao longo do tempo; e (3) a CIB/UNEP6 Agenda 21 for sustaninable construction in developing countries (CIB/UNEP-IETC, 2002) (Figura 1).

Habitat Agenda (1996)

Agenda 21 da ONU (1992)

Ag21 do CIB para Construção Sustentável (1999)

Ag21 do CIB/UNEP para Construção Sustentável em países em desenvolvimento (2002)

Figura 1 –

Reinterpretações da Agenda 21 relacionadas ao setor de construção (CIB/UNEP-IETC, 2002).

1.1.2 CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL: CONCEITOS E IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA
AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS

O setor de construção tem uma importância significativa no atendimento das metas de desenvolvimento sustentável estabelecidas para qualquer país. A indústria da construção representa a atividade humana com maior impacto sobre o meio ambiente. Edifícios e obras civis alteram a natureza, função e aparência de áreas urbanas e rurais. Atividades de construção, uso, reparo, manutenção e demolição consomem recursos e geram resíduos 7 em proporções que em muito superam a maioria das outras atividades econômicas. Enquanto alguns destes efeitos são transitórios, como ruído e poeira gerados durante a construção, outros são mais persistentes ou mesmo permanentes, como os do CO2 8 de combustão

6 7

United Nations Environment Programme. No Brasil, os resíduos das atividades de construção e demolição correspondem a quase a metade dos resíduos sólidos municipais (PINTO, 1999). CO2 – dióxido de carbono. O CO2

8

Capítulo 1 - Introdução

4

liberado na atmosfera. Infelizmente, estes impactos não podem ser reduzidos na mesma proporção dos avanços tecnológicos experimentados pelo setor9. Por outro lado, os profundos impactos econômicos e sociais do setor tornam- no um contribuinte essencial para o aumento da qualidade de vida. Primeiro, porque a construção provê meios para o atendimento de necessidades humanas básicas (como abrigo, saúde, educação e interação social) e maximização do capital social (THE WORLD BANK, 1997). Segundo, pela expressiva geração de emprego e participação na economia. No Brasil, as atividades de construção e demolição respondem por 10% do PIB e empregam 9,2 milhões de trabalhadores (CEE/CBIC;FGV, 2001). Números igualmente expressivos em outros países posicionam, em caráter mundial, a construção civil como um setor estratégico para intervenção. Não é possível, portanto, alcançar o desenvolvimento sustentável sem que haja construção sustentável. BRE;CAR;ECLIPSE (2002) definem construção sustentável como o

compromisso com:
• •

Sustentabilidade econômica: aumentar a lucratividade e crescimento através do uso mais eficiente de recursos, incluindo mão de obra, materiais, água e energia. Sustentabilidade ambiental: evitar efeitos perigosos e potencialmente irreversíveis no ambiente através de uso cuidadoso de recursos naturais, minimização de resíduos, e proteção e, quando possível, melhoria do ambiente. Sustentabilidade social: responder às necessidades de pessoas e grupos sociais envolvidos em qualquer estágio do processo de construção (do planejamento a demolição), provendo alta satisfação do cliente e do usuário, e trabalhando estreitamente com clientes, fornecedores, funcionários e comunidades locais.

Buscar uma indústria da construção mais sustentável é fornecer mais valor, poluir menos, ajudar no uso sustentado de recursos, responder mais efetivamente às partes interessadas, e melhorar a qualidade de vida presente sem comprometer o futuro. Construção sustentável não é desempenho ambiental excepcional à custa de uma empresa que saia do mercado, nem desempenho financeiro excepcional, à custa de efeitos adversos no ambiente e comunidade local.

9

Uma discussão abrangente dos impactos ambientais do setor de construção e da produção, uso e pós -uso de edifícios é feita por SJÖSTRÖM (1992); ROODMAN;LENSSEN (1995); INDUSTRY AND ENVIRONMENT (1996); LIPPIATT (1998); CIB (1999); JOHN (2000); SILVA (2000); e JOHN;SILVA;AGOPYAN (2001), entre outros.

Capítulo 1 - Introdução

5

No contexto de países em desenvolvimento, em que os recursos financeiros são escassos e há demanda por um volume excepcional de construção para combater a pobreza e garantir níveis mínimos aceitáveis de qualidade de vida a grandes proporções da população, é difícil posicionar proteção ambiental como prioridade (SILVA et al., s.d.), e a viabilidade econômica assume importância vital. Mas construção sustentável não implica em priorizar uma dimensão detrimento das demais, nem demanda uma solução perfeita, e sim a busca do equilíbrio entre a viabilidade econômica que mantém as atividades e negócios; as limitações do ambiente; e as necessidades da sociedade. Uma redução considerável dos impactos ambientais da construção civil, assim como a maximização de seu potenc ial de criação de valor e desenvolvimento social, pode ser obtida pela implementação de políticas consistentes e especificamente orientadas para o setor. Entre estas políticas, a adoção de sistemas de avaliação e classificação do desempenho ambiental e da sustentabilidade de edifícios representa um papel fundamental. Internacionalmente, um número crescente de empresas do setor imobiliário e de construção vislumbra oportunidades de negócios relacionadas ao ambiente, seja para minimizar riscos, antecipar-se a mudanças na legislação, ou para sustentar uma imagem corporativa positiva. Os maiores desafios e oportunidades referem-se ao valor adicionado referente a valores ambientais, pois, apesar da importância atribuída aos valores verdes ter aumentado, argumentos ambientais não são suficientes para “vender” um empreendimento. Há dois fatores importantes na criação destas dificuldades de mercado. Primeiro, a ótica dos agentes financeiros continua como um obstáculo (POST, 2002). Não raro, os bancos ignoram o teor ecológico do projeto, e examinam apenas o fluxo monetário; e, como em qualquer outro investimento, os investidores querem saber sobre o retorno previsto para o empreendimento, seja ele ecológico/sustentável ou não. Por outro lado, tem-se tentado vender “teor verde” e “sustentabilidade” em vez dos benefícios de um projeto ou desenvolvimento. Antes de tudo, construção sustentável significa benefícios, desempenho superior e viabilidade econômica no longo prazo. Não se trata de um senso vago de responsabilidade social, mas de questões concretas de saúde, segurança, produtividade e relação custo-eficiência. Projetos ambientalmente responsáveis são mais duráveis, econômicos e eficientes para operar e oferecem ambientes mais saudáveis e confortáveis para ocupantes e usuários. São estes aspectos que capturam a atenção do investidor ou comprador potencial. São eles, portanto, que devem ser ressaltados.

Capítulo 1 - Introdução

6

Segundo, existe uma imprecisão quanto ao que efetivamente significa ser “ambientalmente responsável, conforme ou amigável” (HUOVILA et al, 2002). Em diversos segmentos e países, a rotulagem ambiental tem sido uma estratégia bem sucedida, por permitir que os consumidores tenham um papel mais ativo na responsabilidade de reduzir o impacto ambiental da sociedade, como sugerido no Capítulo 4 da Agenda 21 10 . No que tange a edifícios, a classificação ambiental ajuda a criar uma visão compartilhada do significado prático de ser “ambientalmente amigável”. O impacto ambiental de um edifício durante seu longo ciclo de vida consiste em uma série de fatores que os clientes não esperam ser conhecedores: soluções de projeto, produtos e materiais usados na sua construção, e também a forma como o edifício é utilizado e mantido. Extrair as características ambientais de um edifício e apresentá- las em um pacote atraente e conciso é uma necessidade mercadológica fundamental, e também um dos maiores desafios. Até o momento, existem apenas métodos para avaliação ambiental de edifícios, que encontram pelo menos seis grandes aplicações dentro do setor de construção civil (Tabela 1). Estas aplicações evidenciam que a implementação de sistemas de avaliação traz benefícios que vão além de simplesmente avaliar edifícios. Ela pode, por um lado, atuar positivamente nos dois pontos mencionados acima. Primeiro, porque as avaliações podem demonstrar os benefícios obtidos pelos investimentos para aumentar a sustentabilidade. Segundo, porque, ao ampliar o número – e o refinamento - dos parâmetros considerados, os métodos de avaliação existentes passaram a também contribuir para o próprio entendimento do conceito de qualidade ambiental de edifícios. Por outro lado, a implementação de sistemas de avaliação oferece as vantagens mercadológicas reunidas na Tabela 1, além de encorajar e contribuir para a melhoria do desempenho dos edifícios. É consenso entre pesquisadores e agências governamentais que a classificação de desempenho atrelada aos sistemas de certificação é um dos métodos mais eficientes para elevar o nível de desempenho tanto do estoque construído quanto de novas edificações. A experiência internacional demonstra que os saltos nos níveis mínimos de desempenho aceitáveis dependem necessariamente de alterações nas demandas do mercado. Especificamente sobre o desempenho ambiental, acredita-se que estas alterações não serão possíveis até que os empreendedores da construção civil e os usuários dos edifícios tenham

10

Capítulo 4 – Changing consumption patterns , item Decision Making: Capacity Building, Education, Training and Awareness raising.

Capítulo 1 - Introdução

7

acesso a métodos relativamente simples que lhes permita identificar aqueles edifícios com melhor desempenho (NRCan/CANMET, 1998). Sob este aspecto, o alcance das exigências normativas é limitado à garantia de um desempenho mínimo, não havendo incentivo para procurar atender a patamares superiores. Tabela 1 Aplicações de avaliações de edifícios e vantagens oferecidas por sua implementação.
Vantagens oferecidas
• Melhoria da imagem/reconhecimento pelo mercado de empresas e profissionais que adotam práticas de projeto e construção mais sustentáveis Aquecimento do mercado para edifícios e produtos de construção com maior desempenho ambiental Embasamento da definição e o entendimento do que é um edifício sustentável Acesso facilitado a financiamentos, acesso a novos mercados ou fortalecimento do nicho atual, perspectiva de negócios no longo prazo Redução de custos no longo prazo (uso de recursos financeiros e naturais) e maior lucratividade, qualidade do ambiente interno e satisfação dos clientes, redução de riscos (inclusive financeiros); Estímulo para elevação do nível de desempenho de edifícios novos e existentes Conhecimento do estado atual dos impactos de edifícios e atividades, para identificação de oportunidades e definir metas para melhoria

Aplicações da avaliação de edifícios (SILVA, 2000)
• • • • • • Instrumentos para divulgação mercadológica Suporte à introdução de sistemas de gestão ambiental Especificação do desempenho ambiental de edifícios Auxílio a projeto Estabelecimento de normas de desempenho ambiental Auditorias ambientais •

• •

• •

O interesse pelo tema está finalmente se consolidando no país. Conhecer o desempenho ambiental de edifícios já é uma necessidade percebida pela construção civil nacional, e uma empresa- líder de mercado chegou a informar-se sobre a possibilidade de emprego de um esquema internacional para uso no Brasil. No último ano, dois edifícios foram avaliados. Outros três estão em perspectiva para avaliação. O SINDUSCON-SP11 abraçou a causa e, juntamente com o DAC/UNICAMP e o PCC.USP, realizou dois workshops 12, que

11 12

Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo. 17 de abril de 2002 e 17 de junho de 2003.

Capítulo 1 - Introdução

8

funcionaram como um importante canal de sensibilização e integração entre a academia e o mercado. 1.2 PRINCIPAIS CONFERÊNCIAS, INICIATIVAS E CENTROS DE PESQUISA NO TEMA

Pesquisas visando reduzir os impactos ambientais de edifícios passaram a receber investimento crescente a partir da década de 90. A definição de estratégias para minimização do uso de recursos não renováveis, economia de energia e redução de resíduos de construção, em especial, foi amplamente estimulada por agências governamentais, instituições de pesquisa e pelo setor privado de diversos países. Mais de 15 anos se passaram desde o Relatório Bruntland, e 10 anos desde a UNCED do Rio. Neste ínterim, uma série de eventos internacionais tem sido organizada com o objetivo de propor, discutir e trocar informações sobre estratégias para a redução dos impactos associados à construção civil (Tabela 2). Desde 1998, quando o CIB adotou o tema construção e meio ambiente como temário de seu principal simpósio internacional, o maior destaque é, sem dúvida, a série de conferências internacionais Sustainable Building (SB). As primeiras edições do evento foram realizadas em Maastricht, Holanda (SB 2000) e em Oslo, Noruega (SB’02). As conclusões da SB’02 enfatizaram energicamente a necessidade de envolver economias em desenvolvimento ou em transição na discussão sobre construção sustentável, previamente apontada também no encerramento da SB 2000. Neste sentido, decidiu-se por realizar, ao longo de 2004, conferências regionais na África, América Latina (São Paulo), Oceania e Sudeste Asiático, como preparação para a SB’05, a ser realizada em Tóquio, Japão. No mesmo mês, um dos principais resultados da World Summit on Sustainable Development (Rio+10), realizada em setembro de 2002, em Johannesbur g, África do Sul, foi a GABS initiative (Global Alliance for Building Sustainability). Na ocasião, diversas organizações manifestaram interesse em se tornarem signatárias, em uma tendência que vem crescendo desde então.

Capítulo 1 - Introdução

9

Tabela 2 -

Alguns dos principais eventos relacionados a construção sustentável e avaliação ambiental de edifícios (1995-2005).
Evento 1 International Conference on Buildings and the Environment Building Simulation 1995 22 Water Supply & Drainage for Buildings 2 International Conference on Buildings and the Environment CIB World Building Congress Construction and the Environment Green Building Challenge 98 24th Water Supply & Drainage for Buildings Building Simulation 1999 Sustainable Building 2000 (SB 2000) VIII Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ENTAC) CIB Symposium on Construction and Environment – Theory into practice Healthy Buildings 2000 26 Water Supply & Drainage for Buildings ENCAC II Encontro Nacional (ENECS) e I Encontro Latino Americano sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis (ELECS) XVIII International Conference on Passive and Low Energy Architecture IAQ 2001 Building Simulation 2001 27th Water Supply & Drainage for Buildings 2001 World Summit on Sustainable Development (Rio+10) Sustainable Building 2002 (SB02) Indoor air 2002 28 Water Supply and Drainage for Buildings III Encontro Nacional (ENECS) sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis
th th nd nd st

Ano 1995

Organização CIB IBPSA CIB W62 CIB CIB NRCan
13

Local Garston, UK Madison, EUA Lostorf, Suíça Paris, França Gävle, Suécia Vancouver, Canadá Rotterdam, Holanda Praga, República Tcheca Maastricht, Holanda Salvador, BA São Paulo, Brasil Espoo, Finlândia Rio de Brasil Janeiro,

1996 1997 1998

1999 2000

CIB W62 IBPSA NOVEM/CIB ANTAC PCC.EPUSP/CIB ISIAQ CIB W62
14

2001

DAC/FEC/UNICAMP ANTAC

Campinas, Brasil Canela, Brasil

PLEA

15

Florianópolis, Brasil São EUA Rio de Brasil Francisco, Janeiro,

ASHRAE

16

IBPSA Brasil CIB W62 2002 Nações Unidas Biggforsk/iiSBE/CIB IAIAS CIB W62 2003 ANTAC
17

Portoroz, Slovenia Johannesburg, África do Sul Oslo, Noruega Monterey, EUA Iasi, Romania São Carlos, Brasil

13 14 15 16 17

International Building Performance Simulation Association International Society of Indoor Air Quality and Climate Passive and Low Energy Architecture American Society of Heating, Refrigerating and Air -Conditioning Engineers International Academy of Indoor Air Sciences

Capítulo 1 - Introdução

10

Ano

Organização Queensland Univ. / Salford Univ. / Carnegie Mellon Univ. CIB/Brisbane City council PLEA ISIAQ IBPSA CIB W62

Evento International Conference on Smart Sustainable Built Environment - SASBE &

Local Brisbane, Austrália

XIX International Conference on Passive and Low Energy Architecture Healthy Buildings 2003 Building Simulation 2003 29th Water Supply and Drainage Buildings ENTAC/claCS 04 (SB04 regional) for

Santiago, Chile Singapura Eindhoven, Holanda Ankara, Turquia São Paulo, Brasil Tampa, EUA Tóquio, Japão

2004 2005

ANTAC/CIB/iiSBE ASHRAE CIB/iiSBE/OECD /IEA /UIA
18 19 20

IAQ 2004 Sustainable Building 2005 (SB05)

Particularmente sobre o desenvolvimento de metodologias de avaliação de edifícios, merecem destaque, entre outros, os trabalhos listados na Tabela 3. No âmbito da International Organization for Standardization (ISO), está sendo preparado um conjunto de normas sobre construção sustentável (atualmente na forma de Committee Drafts – CD ou Approved Work Item – AWI, de circulação restrita):
• • • • •

ISO TC59/SC3/N503 (ISO CD 21932, 2002a ) – Terminology. ISO TC59/SC3/N499 (ISO CD 21930, 2002b) – Environmental declaration of building products. ISO TC59/SC3/N469 (ISO AWI 21932, 2002c) – Sustainability indicators. ISO TC59/SC3/N459 (ISO AWI 15392, 2003a ) – General Principles. ISO TC59/SC3/N501 (ISO CD 21931, 2003b) – Framework for assessment of environmental performance of buildings.

Dentre estes documentos, o único texto já consolidado refere-se à declaração ambiental de produtos de construção (ISO CD 21930).

18 19 20

Organization for Economic Co-operation and Development. International Energy Agency. Union Internationale des Architectes .

Capítulo 1 - Introdução

11

Tabela 3 -

Iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de metodologias de avaliação de edifícios.
Instituição Sustainable Technology / BHP (Steel) Research Department of Public Works and Services, da cidade de Sidney Environment Australia (Department of the Environment and Heritage) US Green Building Council (USGBC) Administrações municipais e estaduais Iniciativa LISA (LCA in Sustainable Architecture), software LCA LCAid, software de auxílio a projetistas NABERS (National Australian Building Environment Rating Scheme) LEEDTM (Leadership in Energy and Environmental Design) Greenbuilder (Austin, Texas) High Performance Building Guidelines (New York City, New York) Minnesota Sustainable Design Guide - MSDG (Estado de Minnesota) BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) ESCALE

País/região Austrália

Estados Unidos

Europa

Building Research Establishment (BRE), no Reino Unido Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) e Universidade de Savoy, na França Centre for Building Environment (CBE) do Royal Institute of Technology (KTH21), na Suécia Danish Building and Urban Research 22 (BYogBIG ), na Dinamarca Finnish Association of Building Owners and Construction Clients (RAKLI), na Finlândia Building Research Institute (NBI 23), na Noruega W/E consultants e Municipalidade de Rotterdam, Holanda Environmental Research Group, da British Columbia University National Resources Canada – NRCan Japan Sustainability Building Consortium (JSBC) Building Research Institute Kong, Centre of Environmental Technology, Ltd

Environmental Status of Buildings e Eco-effect BEAT 2002 PromisE Eco-Profile Rotterdams Puntensysteem BEPAC (Building Environmental Performance Assessment Criteria ) CBIP, C-2000 e início do processo Green Building Challenge (GBC) CASBEE BEAT (Building Environmental Assessment Tool) HK-BEAM

Canadá

Japão

Hong China

Na esfera nacional, pesquisas sobre a utilização de resíduos na construção civil, sobre conservação de água e de energia, e sobre a minimização de perdas vêm sendo conduzidas

21 22 23

KTH - Kungl Tekniska Högskolan (http://www.kth.se).

Statens Byggeforskninginstitut.
Byggforsk (http://www.byggforsk.no).

Capítulo 1 - Introdução

12

há bastante tempo e em números consideráveis. A Universidade Federal de Santa Catarina é um centro consolidado de estudos em simulação computadorizada, eficiência energética e conservação de energia em edificações. Ainda que enfrentando sérias dificuldades de disponibilização de dados, estudos de ciclo de vida aplicados à construção civil têm sido feitos na Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade de Pernambuco. O Brasil formalizou a sua integração ao projeto Green Building Challenge com a apresentação das intenções e estratégias do time brasileiro na conferência Sustainable Buildings 2000. A estratégia para implementação da pesquisa em avaliação ambiental de edifícios no Brasil centra-se no Programa Nacional de Avaliação de Impactos Ambientais de Edifícios (BRAiE 24), uma rede nacional de pesquisa que, após o delineamento inicial da metodologia no estado de São Paulo, poderá ser gradualmente implementada em outras regiões do país (SILVA et al., 2000a ). Com recursos FAPESP, as atividades no âmbito do Programa BRAiE foram a base inicial desta tese e, em linhas gerais, mostraram-se fundamentais para: § § acumular experiência nacional na coleta e tratamento das informações necessárias para sustentar a avaliação de edifícios; identificar itens da agenda ambiental regional/local que sobrepõem-se ao corpo genérico de parâmetros de avaliação, em coerência com os princípios do projeto GBC; estimar o impacto ambiental de edifícios de escritórios resultantes de práticas de construção vigentes nas cidades de Campinas e São Paulo. Este seria o ponto de partida para (1) definir desempenho s de referência regional e metas compatíveis com a realidade brasileira; (2) identificar as possibilidades mais efetivas para intervenç ão e (3) orientar o desenvolvimento de pesquisas subseqüentes dirigidas a outras tipologias de edificações. FORMULAÇÃO DA HIPÓTESE DE TRABALHO

§

1.3

A hipótese de trabalho sobre a qual se desenvolveu esta pesquisa é que importar métodos estrangeiros existentes não é a melhor solução para avaliar edifícios de escritórios no Brasil, e que um método de avaliação deve ser desenvolvido à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras.

24

Programa Nacional de Avaliação de Impactos Ambientais de Edifícios.

Capítulo 1 - Introdução

13

1.4

OBJETIVOS

O objetivo principal deste trabalho é confirmar a hipótese formulada, e demonstrar que os sistemas internacionais existentes para avaliação ambiental de edifícios de escritórios não são adequados para aplicação no Brasil. Caso este objetivo fosse alcançado, uma nova etapa de trabalho seria iniciada, dedicada a:

propor diretrizes e reunir uma base metodológica para o desenvolvimento de um sistema nacional para avaliar e classificar o desempenho potencial de edifícios de escritórios, ao longo de seu ciclo de vida, em relação a metas de sustentabilidade. iniciar o desenvolvimento de um método neste trabalho de doutorado, e apontar a direção de desenvolvimentos futuros necessários para sua conclusão e implementação.

A tipologia edifícios comerciais, segmento escritórios foi selecionada por quatro razões principais:

No Brasil, os setores comercial25 e público respondem por cerca de 22,4% do consumo de eletricidade, segundo dados de 1998, publicados por LAMBERTS; WESTPHAL (2000). Nesta parcela, os edifícios de escritórios têm participação considerável, principalmente devido à reprodução de modelos arquitetônicos importados e inadequados ao clima brasileiro; devido ao alto custo de operação no longo prazo, o interesse por avaliações ambientais tende a ser potencializado no segmento de escritórios, em vista do grande apelo mercadológico que um possível bom desempenho tem sobre a valorização dos imóveis e facilidades; seus padrões de uso (número de ocupantes, atividades desenvolvidas etc) são mais facilmente identificáveis; e esta é a tipologia que conta com o maior número de métodos e resultados de avaliações, fundamentais para comparar e situar o desempenho dos edifícios brasileiros no panorama mundial.

• •

1.5

METODOLOGIA

Os procedimentos metodológicos utilizados neste trabalho foram organizados em duas etapas: verificação da veracidade da hipótese formulada (Etapa 1); e proposição de base metodológica (Etapa 2).

25

A definição que inclui o segmento escritórios.

Capítulo 1 - Introdução

14

1.5.1 METODOLOGIA UTILIZADA NA ETAPA 1: VERIFICAÇÃO DA HIPÓTESE 1. Análise e discussão detalhada dos métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios, segundo três questões metodológicas básicas:
• • •

O que estes métodos avaliam? Como estes métodos avaliam o desempenho ambiental do edifício? Quanto é preciso atingir?

2. Realização de estudo exploratório, utilizando o método mais flexível dentre os sistemas existentes, para avaliação ambiental de edifícios de escritórios brasileiros; 3. Discussão da possibilidade e adequação de utilizar estes métodos no contexto brasileiro. 1.5.2 METODOLOGIA UTILIZADA NA ETAPA 2: PROPOSIÇÃO DE BASE METODOLÓGICA
PARA DESENVOLVIMENTO DE MODELO DE AVALIAÇÃO

1. 2.

Proposição de diretrizes para orientar o desenvolvimento de um método nacional de avaliação de edifícios; Reunião de base metodológica para proposição de tratamento de dois pontos críticos: definição da estrutura de avaliação e do critério de ponderação; a. levantamento de iniciativas para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade e das estruturas analíticas utilizadas para a sua organização, para definir uma proposta-base de agenda para construção civil brasileira, que seria uma das três balizas utilizadas na definição da estrutura de avaliação do modelo proposto, juntamente com as diretrizes para relato de sustentabilidade de organizações e com a análise da estrutura dos métodos de avaliação de edifícios existentes; e b. discussão do processo de análise hierárquica (AHP 26) como alternativa para derivação do critério de ponderação.

3. 4. 5. 1.6

Definição de um modelo preliminar de avaliação; Submissão do modelo preliminar para consulta às partes interessadas da construção civil do Estado de São Paulo; e Incorporação das sugestões pertinentes e delineamento de um método de avaliação.

ORGANIZAÇÃO DESTE TRABALHO

O desenvolvimento deste trabalho foi construído a partir dos blocos de etapas ilustrados na Figura 2, que os associa aos capítulos correspondentes da tese.

26

Analytic Hierarchy Process (Processo de Análise Hierárquica).

Capítulo 1 - Introdução

15

1 2
Estudo exploratório
Seleção da tipologia de edifício s a avaliar

Pesquisa inicial
Levantamento e análise dos principais métodos O que avaliam? Como avaliam? Quanto é preciso atingir? Cap3

Análise do Ciclo de Vida (aplicada à avaliação ambiental de edifícios)

Cap2

Definição da amostra

3

Proposição de diretrizes e base metodológica
O que avaliar? Iniciativas no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade e de estruturas analíticas para sua organização Ag 21 setorial brasileira, considerando outras agendas ambientais setoriais Diretrizes e indicadores para avaliação de sustentabilidade de organizações Estrutura dos métodos existentes

Avaliação dos edifícios selecionados utilizando um método consolidado

Cap4

Como avaliar? Critério de ponderação Cap5

4

Proposição de modelo de avaliação de sustentabilidade

Proposição inicial do modelo de avaliação

Consulta às partes interessadas

Revisão do modelo Cap6

5
Figura 2 -

Conclusões e proposição de continuidade

Etapas de desenvolvimento desta pesquisa.

Capítulo 1 - Introdução

16

A metodologia internacionalmente aceita para avaliação ambiental e comparação de alternativas com base em impactos ambientais é a Análise do Ciclo de Vida (LCA). No Capítulo 2 discutem-se as vantagens e limitações da aplicação da LCA em métodos de avaliação ambiental de edifícios, e como o tema é tratado pelos métodos já implementados. O Capítulo 3 traça um panorama do estado atual dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios, e detalha alguns dos principais sistemas existentes. A discussão metodológica destes sistemas é conduzida com base em três questões básicas: “o que avaliar?”, “como avaliar?”, “quanto atingir?”, posteriormente retomadas para estruturar a proposição de um método nacional. Ainda neste capítulo, argumenta-se que a GBTool é um método que merece um destaque especial: foi desenvolvido para facilitar ao máximo a aplicação do método em diferentes países, seja para funcionar como instrumento para introdução de conceito de construção sustentável ou para fornecer uma base para a derivação de métodos nacionais próprios. Para explorar esta possibilidade, foram realizados estudos de casos empregando a GBTool para avaliação de dois edifícios brasileiros. Esta experiência é descrita detalhadamente no Capítulo 4 (estudo exploratório), que inclui o procedimento adotado para a solução dos pontos críticos enfrentados e as limitações intrínsecas ao método experimentado. No Capítulo 5 propõem-se diretrizes para o desenvolvimento de um sistema de avaliação de sustentabilidade de edifícios, e reúne-se uma base metodológica para a abordagem de dois pontos metodológicos críticos: a definição da estrutura de avaliação e a derivação de um critério de ponderação. O Capítulo 6 descreve o modelo proposto para avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios, também apresentado de forma a responder às questões básicas levantadas anteriorme nte (“o que avaliar?”, “como avaliar?”, “quanto atingir?”), e a estratégia de implementação gradual com base em (1) cenários imediato e futuro (ideal), e (2) estrutura de pontuação evolutiva. O Capítulo 7 reúne as principais conclusões do trabalho e aponta as prioridades para continuidade da pesquisa. As referências bibliográficas utilizadas no trabalho estão listadas no Capítulo 8.

2 ABORDAGEM DE CICLO DE VIDA NA AVALIAÇÃO DE EDIFÍCIOS
2.1 INTRODUÇÃO

Estudos e métodos para avaliação ambiental de edifícios têm sido especialmente derivados dos procedimentos de avaliação dos impactos ambientais de processos ou produtos industrializados. A me todologia aceita internacionalmente para esta finalidade é a Análise do Ciclo de Vida (LCA1), originalmente definida pela SETAC 2 (1991) como sendo um “processo para avaliar as implicações ambientais de um produto, processo ou atividade, através da identificação e quantificação dos usos de energia e matéria e das emissões ambientais; avaliar o impacto ambiental desses usos de energia e matéria e das emissões; e identificar e avaliar oportunidades de realizar melhorias ambientais. A avaliação inclui todo o ciclo de vida do produto, processo ou atividade, abrangendo a extração e o processamento de matérias-primas; manufatura, transporte e distribuição; uso, reuso, manutenção; reciclagem e disposição final (sic)”. Esta definição foi posteriormente consolidada na série de normas ISO 14.0003, que teve a primeira versão draft lançada em 1996. Em outras palavras, LCA é o procedimento de analisar formalmente a complexa interação de um sistema – que pode ser um material, um componente ou um conjunto de componentes – com o ambiente ao longo de todo o seu ciclo de vida, caracterizando o que tornou-se conhecido como enfoque do “berço ao túmulo” (cradle-to-grave). A LCA parte da premissa de que todos os estágios da vida de um produto geram impacto ambiental e devem ser analisados (SETAC, 1991). Fica claro, portanto, que, de acordo com sua profundidade e abrangência, a quantificação de todos os impactos envolvidos em um sistema pode facilmente tornar-se complexa, cara e muito extensa, o que vem se mostrando como a principal limitação do emprego dessa metodologia em sua forma mais pura (BAUMANN;RYDBERG, 1994; BEETSTRA, 1996; JAQUES, 1998).

1 2 3

Acrônimo da expressão Life-Cycle Analysis. SETAC - Society for Environmental Toxicology and Chemistry. ISO 14.040 (1997)/14.043 (2000)- Environmental Management – Life Cycle Assessment.

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

18

2.2

OBJETIVOS E APLICAÇÕES DE LCA NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Os principais objetivos de uma LCA são (1) retratar, da forma mais completa possível, as interações entre o processo considerado e o ambiente; (2) contribuir para o entendimento da natureza global e independente das conseqüências das atividades humanas sobre o ambiente e (3) produzir informações objetivas que permitam identificar oportunidades para melhorias ambientais (SETAC, 1991). Genericamente, as LCAs podem ser aplicadas para (GUINÉE et al., 1993; HOBBS, 1996):
• • • •

Avaliação da adequação ambiental (uso eficiente de recursos e redução de emissões) de uma determinada tecnologia, processo ou produto; Identificação de possibilidades de melhoria de um processo ou produto; Comparação de alternativas tecnológicas, de processos ou produtos diferentes, porém destinados a uma mesma função; Geração de informações para os consumidores e o meio técnico que poderão (1) servir de base para rotulagem ambiental; (2) facilitar a introdução de um determinado produto no mercado ou, no extremo oposto, sustentar o seu banimento.

Especificamente na construção civil 4, o conceito de análise do ciclo de vida tem sido aplicado - direta ou indiretamente - em:

avaliação de materiais de construção, para fins de melhorias de processo e produto ou informação a projetistas (inserção de dados ambientais sistematizados nos catálogos); rotulagem ambiental de produtos, uma iniciativa incipiente, mas que tem recebido investimento crescente; ferramentas computacionais de suporte a decisão 5 e auxílio ao projeto, especializadas no uso de LCA para medir ou comparar o desempenho ambiental de materiais e componentes de construção civil, como o ECO QUANTUM (Holanda), ECO-PRO (Alemanha), EQUER e TEAMTM for Buildings (França), BEES 6 (EUA), ATHENA™ (Canadá) e LCAid (Austrália); instrumentos de informação aos projetistas como The Green Building Digest, BRE ENVest e BRE Environmental Profile (UK); Environmental Choice (EUA); Environmental Preference Method (Holanda), Catálogo produzido pelo Politécnico de Milano (Itália); e

• •

4

A partir das iniciativas do CIB, das Universidades de Leiden e Delft (Holanda); do BRE (UK), da ATEQUE e da ADEME (França), da University of British Columbia/CANMET (Canadá); do IEA Annex 21 (Suíça) e do REGENER (Europa), entre outros centros e estudos colaborativos. Para informações detalhadas, consultar CIB/CSTB, 1997. DSS – Decision Support Software. Building for Environmental and Economic Sustainability.

5 6

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

19

esquemas de avaliação/certificação ambiental de edifícios (ver Capítulo 3).

2.3

ETAPAS DE UMA LCA

De acordo com a ISO 14.040 (ISO, 1996), a metodologia típica de análise do ciclo de vida compreende quatro etapas (Figura 1). A primeira etapa, ou definição do escopo (1), estabelece o objetivo do estudo, sua abrangência e profundidade (limites do sistema). Na construção do inventário do ciclo de vida - LCI (2), estuda-se os fluxos de energia e materiais para a identificação e quantificação dos inputs (consumo de recursos naturais) e outputs (emissões para o ar, água e solo) ambientais associados a um produto durante todo o seu ciclo de vida (life-cycle inventory - LCI). Na avaliação do impacto (3), esses fluxos de recursos e emissões são caracterizados segundo uma série definida de indicadores de impacto ambiental, geralmente: energia incorporada, emissões, consumo de recursos, potencial para reciclagem e toxicidade. Por exemplo: a etapa de avaliação de impactos relaciona a emissão de CO2 , um fluxo, ao aquecimento global, um impacto. A etapa final, interpretação dos dados (4), confronta os impactos resultantes com as metas propostas na Etapa 1.

Construção inventário

Figura 1 –

Etapas de uma análise do ciclo de vida segundo a ISO 14.040 (ISO, 1996).

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

20

2.3.1 DEFINIÇÃO DO ESCOPO : OBJETIVOS, UNIDADE FUNCIONAL E LIMITES DO SISTEMA A definição do escopo da LCA envolve o estabelecimento de limites tecnológico, geográfico e de horizonte de tempo necessários para garantir que a análise do sistema de produto em estudo atingirá o objetivo proposto para a avaliação (GUINÉE et al., 1993; SETAC, 1993; SHEN, 1995). O tipo de aplicação pretendida influencia a natureza e a seqüência de decisões a serem tomadas ao longo do processo. Esta se destina à melhoria de um produto ou processo; ao projeto de um novo produto; à capacitação para um selo ambiental; à publicação de informação sobre um produto ou à exclusão ou inclusão de um certo item no mercado? Em cada uma dessas aplicações, algum tipo de comparação está sendo feito (GUINÉE et al., 1993), isto é: antes e após um redesenho de processo; comparação entre diferentes alternativas para o projeto de um novo produto ou alternativas diferentes destinadas a uma mesma aplicação. A definição da unidade de comparação (unidade funcional) torna-se, então, um outro ponto-chave dessa etapa. A unidade funcional é definida de forma que os produtos analisados sejam substitutos perfeitos uns dos outros para uma função específica (LIPPIATT, 1998). Assim, compara-se 1 m2 de parede acabada de gesso acartonado com 1 m2 de parede acabada de alvenaria, por exemplo, e não 1 bloco (cerâmico ou de concreto) com 1 painel de gesso. O processo de produção de um item genérico envolve várias unidades de processo que, por sua vez, podem compreender diversos fluxos de inventário. Como todas as fases são expressas por variáveis de entrada e saída do processo, o número de fluxos a serem incluídos no inventário pode multiplicar-se rapidamente e determina a exclusão de fases que não gerem impactos significativos no processo. Analogamente, a coleta de dados durante a construção do inventário deve-se restringir aos fluxos que serão efetivamente utilizados na avaliação dos impactos. 2.3.2 CONSTRUÇÃO DO INVENTÁRIO Na construção do inventário quantifica-se o uso de recursos (energia e matérias-primas) e as cargas ambientais (emissões atmosféricas, efluentes e resíduos sólidos) geradas ao longo do ciclo de vida inteiro de um produto, embalagem, processo, material ou atividade (USEPA apud SHEN, 1995).

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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Nesta etapa, a partir do objetivo e dos limites de sistema definidos para a análise, procede-se uma coleta intensiva de dados, gerando planilhas que calculam e apresentam os fluxos de uso total de energia e recursos e liberação de emissões pelo sistema (SETAC, 1991; GUINÉE et al., 1993). O ciclo de vida pode ser entendido e representado como uma árvore de processos (Figura 2), em que cada caixa representa um processo, com fluxos de entrada e saída ambientais definidos. A partir da montagem da árvore de processos e de informações sobre cada processo é possível construir o inventário de todos os fluxos ambientais de entrada e saída associados a um determinado sistema. O resultado é a chamada planilha de impactos (Tabela 1), em que cada impacto é expresso como uma quantidade particular de determinada substância (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).
Produto A

Figura 2 –

Representação do ciclo de vida de um produto como uma árvore de processos.

Tabela 1 -

Trecho da planilha de impactos ambientais resultantes da produção de 1 kg de polietileno e 1 kg de vidro (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). A planilha completa conteria 34 linhas.
Emissões
CO2 NOx SO2 CO ... ...

Polietileno
1,792 1,091 x10 987,0 x10-6 670,0 ... ... x10-6
-3

Vidro
0,4904 1,586 x10 2,652 x10-3 57,00 x10-6 ... ...
-3

Unid.
kg kg kg kg ... ...

2.3.3 AVALIAÇÃO DO IMPACTO A avaliação global do impacto tem por objetivo avaliar os efeitos ambientais (riscos e impactos) associados aos fluxos detectados para o sistema durante a análise de inventário.

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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Os impactos potenciais sobre ecossistemas, saúde humana e recursos naturais são classificados, caracterizados e valorados sistematicamente (SHEN, 1995). A planilha de impactos é o resultado mais objetivo de uma LCA, mas a simples análise de uma lista de substâncias não pode fornecer uma resposta imediata quanto a um produto ser mais ou menos agressivo ao ambiente que outro. Para facilitar a interpretação de dados, vêm sendo pesquisados métodos de avaliação de impacto (LCIA7), como EPS8, Ecopoints9 e Ecoindicator 10, desenvolvidos respectivamente na Suécia, na Suíça e na Holanda. Em linhas gerais, o cálculo dos efeitos ambientais passa por três estágios: (1) classificação e caracterização; (2) normalização, e (3) avaliação ou valoração. 2.3.3.1 CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO Na etapa de classificação, todas as substâncias são organizadas e separadas em classes (ou categorias) de impacto, conforme o efeito que provocam sobre o ambiente. O resultado desta etapa é o perfil ambiental do sistema segundo sua contribuição para esgotamento de recursos, aquecimento global, dano à camada de ozônio, acidificação, toxicidade, eutroficação, e outras classes de impacto. Este processo pode ser quantitativo e/ou qualitativo, já que alguns efeitos ambientais são de difícil quantificação, como alteração de habitats naturais e poluição sonora (USEPA; apud SHEN, 1995). Naturalmente, algumas substâncias podem aparecer em mais de uma classe, como o NOx , por exemplo, que é um indicador tanto de toxicidade, quanto de acidificação e eutroficação (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001). A caracterização é a ponderação das substâncias, dentro de cada classe, para indicar a intensidade de seus efeitos. As emissões são multiplicadas por pesos antes de se efetuar as somas por classe (agregação). O resultado da caracterização é a pontuação de efeitos, como o exemplo mostrado na Tabela 2 .

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Acrônimo da expressão Life-Cycle Impact Assessment. Acrônimo da expressão Environmental Priority Strategy. Neste método, calcula-se a cadeia completa de causa e efeito de cada impacto sobre equivalente humano. Este método baseia-se no princípio da distância até o alvo, onde a distância entre o nível atual de um impacto e o nívelalvo indica a gravidade da contribuição de uma determinada emissão. A pontuação fornecida pelo Eco-indicator 99 baseia-se na metodologia de avaliação de impactos que transforma os dados da planilha de inventário em pontuações de dano que, de acordo com as necessidades e escolha do usuário, podem ser agregadas em pontuações de dano para cada uma das 3 categorias de dano ou em uma pontuação única.

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Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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Tabela 2 – Exemplo de caracterização: trecho da planilha de impactos da produção de 1 kg de polietileno (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).
Emissões
CO2 NOx SO2 CO

Quantidade (kg)
1,792 1,091 x10-3 987,0 670,0 x10-6 x10-6

Aquecimento global
x1.0 1,792

Dano à camada de ozônio
0

Toxicidade Acidificação ao homem
x 0,78 x 1,2 x 0,012 0,00204 x 0.7 x 1.0 0,0017

Pontuação de Efeitos

A pontuação de efeitos também pode ser representada como um gráfico de colunas (Figura 3) que permite comparar efeitos de diferentes produtos para atender a uma mesma finalidade. Neste caso, o maior valor calculado para cada efeito é definido como 100%, de forma que apenas são possíveis comparações efeito a efeito.

acidif. aquec. global met. pesados nev. inverno dano cam. ozônio. eutroficação carcinógenos nevoeiro verão ciclo de vida saco papel ciclo de vida saco PEBD

Figura 3 –

Caracterização dos ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD (polietileno de baixa densidade). Outras classes não são mostradas no gráfico, como pesticidas, uso de energia e disposição de resíduos sólidos (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).

Quando todos os efeitos de um produto são maiores que os de outro, é fácil notar qual deles é o mais agressivo ao ambiente. No entanto, é muito mais comum que um produto apresente pontuação maior em determinadas classes e menor em outras. Nesse caso, a interpretação dos dados é função de dois fatores (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001): (1) normalização, que indica o tamanho de cada efeito em relação aos demais, isto é: se o impacto correspondente a 100% de acidificação (na Figura 3, por exemplo), representa um valor extremamente alto ou desprezível; e (2) avaliação, que indica a importância relativa associada a cada efeito ambiental, e permite agregá-los para obter um indicador do impacto.

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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2.3.3.2 NORMALIZAÇÃO Na normalização, cada efeito calculado é confrontado com o valor total conhecido para aquela classe de impacto. O Eco-indicator 99, por exemplo, procede a normalização com base nos efeitos causados por um cidadão europeu médio ao longo de um ano ( RÉ P CONSULTANTS INC, 2001). O BRE utiliza metodologia semelhante, ao normalizar em relação aos efeitos causados por um cidadão médio do Reino Unido ao longo de um ano (UK Ecopoints) (DICKIE;HOWARD, 2000). Após a normalização, é possível observar a contribuição relativa do sistema a níveis os existentes de determinados efeitos (Figura 4). Este procedimento fornece uma noção do panorama geral do impacto causado pelo sistema, já que, até a etapa de caracterização, só é possível comparar os efeitos individualmente.

aquec. global acidif. met. pesados nev. inverno dano cam. ozônio. eutroficação nev. verão carcinógenos ciclo de vida saco papel ciclo de vida saco PEBD

Figura 4 –

Normalização dos ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD (dados fictícios). Neste exemplo, a normalização evidencia contribuições relativamente altas para aquecimento global, ecotoxicidade (acidificação, eutroficação), toxicidade ao homem (metais pesados, carcinógenos) e formação de nevoeiros (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).

2.3.3.3 AVALIAÇÃO (OU VALORAÇÃO) DE PONTUAÇÃO NORMALIZADA Apesar de a normalização facilitar a visualização dos resultados, ainda não permite que se faça um julgamento final, pois, até então, os diferentes efeitos ambientais são considerados como de igual importância. Cabe à avaliação (também chamada valoração) atribuir pesos à

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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pontuação normalizada, de modo a representar a importância relativa de cada efeito (Figura 5).

aquec. global met. pesados nev. inverno acidificação. dano cam. ozônio. eutroficação carcinógenos nevoeiro verão ciclo de vida saco papel ciclo vida saco LDPE

Figura 5 –

Valoração de ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD normalizados (dados fictícios), evidenciando a significância dos efeitos de ecotoxicidade (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).

Após esta ponderação, o tamanho das colunas passará a, de fato, representar a gravidade de cada efeito, permitindo que elas sejam somadas para se chegar a um resultado final (indicador), como mostra a Figura 6.

ciclo de vida saco papel
aquecimento global acidificação metais pesados nevoeiro inverno

ciclo de vida saco PEBD
dano cam. ozônio. eutroficação carcinógeno nevoeiro de verão

Figura 6 –

Indicador de ciclos de vida de sacos de papel e de PEBD. A preferência por sacos de papel torna-se evidente (PRÉ CONSULTANTS INC, 2001).

Surgem, então, questões importantes quanto ao modelo ideal para a conversão dos efeitos ambientais em impactos e, principalmente, quanto aos critérios de valoração e comparação

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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das diferentes categorias de impactos entre si11, estágio de caráter notavelmente subjetivo, que depende de valores sociais, culturais, éticos e políticos específicos ( ETAC, 1993; S USEPA apud SHEN, 1995; LIPPIATT, 1998). Por esta razão, a análise de impactos é a etapa mais complexa da LCA (BAUMANN, 1994; BEETSTRA, 1996). 2.3.4 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DAS MELHORIAS A interpretação de dados segue em paralelo a todas as etapas anteriormente citadas, provendo a retroalimentação do processo (Figura 1). Tanto a série ISO 14.000 12, quanto a BS 7750 13 (1994) ou os EMAS 14 exigem a melhoria contínua dos sistemas de gestão ambiental, o que, a exemplo do que faz a série ISO 9000 para os sistemas da qualidade, pressupõe uma etapa de análise de melhorias. Tratada como etapa à parte no SETAC LCA Code of Practice15 (SETAC, 1993), a análise de melhorias procura avaliar sistematicamente a necessidade e oportunidades para reduzir o dano ambiental associado à forma de apropriação e uso de energia e recursos naturais e liberação de emissões ao longo do ciclo de vida do produto, processo ou atividade (SHEN, 1995). A análise global da dimensão ambiental do sistema procura responder às questões formuladas no escopo da análise do ciclo de vida, sendo que a informação analítica de uma fase complementa as fases seguintes. A interpretação do inventário de fluxos (análise de impactos) permite averiguar as atividades/fases com maior ou menor impacto ambiental. A análise de melhorias, por sua vez, procura identificar as oportunidades para reduzir emissões e uso de recursos, e propor alternativas para a diminuição dos impactos negativos identificados. À análise de melhorias cabe, ainda, assegurar que as estratégias de redução

11 12

Como decidir o que é pior entre destruição de habitats naturais, chuva ácida e efeito estufa, por exemplo? ISO 14.001 e 14.004 (Environmental Management Systems). As demais normas da série são: ISO 14.010/12 - Guidelines for environmental auditing; 14.020/25 – Environmental labels and declarations ; 14.031/32 – Environmental performance evaluation; 14.040/49 – Life-cycle assessment; 14.050 – Vocabulary; 14.061 – Information on use of ISO 14.041 and 14.044). BS 7.750/1994. Specification for environmental management systems. (Substituída em 1997 pela norma BSEN ISO 14001). European Community Eco-Management & Audit Scheme. Este esquema foi estabelecido em 1993 pela EC Regulation 1836 e entrou em operação em abril de 1995. Em abordagem ligeiramente mais detalhada que a da ISO, o Code of Practice da SETAC recomenda que a LCA seja dividida em 5 estágios: planejamento, ajuste e execução preliminar (screening), coleção e tratamento de dados (LCI), avaliação e análise de melhorias (SETAC, 1993).

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14

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Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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potencial e os programas de melhoria não produzam novos impactos sobre o meio e a saúde humana que não tenham sido corretamente considerados (VIGON et al. apud SHEN, 1995). 2.4 LIMITAÇÕES INTRÍNSECAS À LCA

As decisões sobre seleção de materiais, sistemas, tecnologias e posturas estratégicas empresariais devem ser confirmadas por evidência científica suficiente para mostrar que uma determinada solução é, sob a perspectiva ambiental, a mais indicada para um contexto específico. É neste ponto que a LCA pretende chegar após considerar as opções disponíveis e racionalizar os dados coletados, o que conseqüentemente a torna uma ferramenta valiosa para orientar a tomada de decisões. Apesar de ser, consensualmente, a forma mais adequada para reunir sistematicamente tais informações, no estado atual de conhecimento da metodologia, o analista depara-se freqüentemente com qualidade e quantidade insuficiente de dados que o impede de chegar a uma resposta clara e irrefutável. Como resultado, temos supersimplificações que empalidecem o rigor científico da análise e, muitas vezes, a destituem de significado. Focalizando especificamente a construção civil, os estudos do início da década de 90 dedicaram-se à uniformização e refinamento da metodologia para adaptá- la às particularidades dos materiais e sistemas de construção. Uma outra frente importante de pesquisa desenvolve-se em paralelo, destinada à produção de bases de dados confiáveis e mais extensas para alimentar as análises. As pesquisas da segunda metade desta década vêm-se concentrando no desenvolvimento de métodos práticos de avaliação e, principalmente, de ferramentas de trabalho que possibilitem a real inserção dos parâmetros ambientais como complemento aos parâmetros decisórios tradicionalmente utilizados pelos profissionais do setor. A metodologia para análise do inventário é considerada como bem definida e entendida pelo meio técnico, estando as principais barreiras concentradas na dificuldade de aquisição de dados confiáve is e em procedimentos específicos, particularmente a caracterização e a valoração de impactos. No entanto, por limitar-se a aspectos que possam ser quantificados, a contabilidade analítica de um produto (ou processo) feita em uma LCA acaba representando, em certos casos, apenas uma descrição parcial dos impactos ambientais do sistema. A experiência internacional tem demonstrado que a quantificação de fluxos ao longo do ciclo de vida de produtos ainda não se tornou a ferramenta de auxílio de tomada de decisões

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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que se desejaria. Isto pode ser atribuído a alguns aspectos–chave que, em maior ou menor grau, permanecem insolutos, entre eles:
• • •

a qualidade e disponibilidade de fontes de dados - o que torna-se especialmente delicado se a análise do processo exigir a ampliação dos limites do sistema; limitações de custo; falta de uma unidade para comparação dos impactos - a comparação de diferentes categorias ambientais é bastante difícil e estabelecer uma hierarquia entre os efeitos é um procedimento essencialmente subjetivo, que varia com uma agenda ambiental específica e definida caso a caso; incapacidade para quantificar determinados impactos, como no caso da valoração de questões como a vida humana versus certos danos ambientais, por exemplo; procedimentos de alocação de impactos no caso de co-produtos, produtos com teor reciclável; e de gerenciamento de resíduos.

• •

Estas limitações estão igualmente presentes quando se estende a LCA para a avaliação ambiental de edifícios. 2.5 APLICAÇÃO DE LCA EM AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE EDIFÍCIOS

Apesar de ser um procedimento complexo e, freqüentemente, longo, a análise do ciclo de vida adiciona uma dimensão científica à discussão ambiental e tem recebido investimento crescente em pesquisa na construção civil (BALDWIN et al., 1998; JAQUES, 1998;

SILVA;SILVA, 2000). No que tange à avaliação ambiental de edifícios, esta abordagem substitui os estudos estritamente concentrados nos aspectos de uso de energia que prevaleceram após a crise do petróleo no início dos anos 70, e acrescenta outras facetas importantes ao enfatizar que aspectos como a energia incorporada aos materiais e o volume de resíduos gerados nas atividades de construção e demolição já não podem ser negligenciados. Uma meta perseguida por todos os esquemas de avaliação existent es é a minimização da subjetividade da avaliação. A análise do ciclo de vida procura atingir o mesmo objetivo, isto é retratar objetivamente um determinado produto em termos de fluxos de entrada (consumo de recursos) e saída (emissões e resíduos) de um sistema, minimizando a interferência de decisões subjetivas dos analistas. Uma segunda virtude importante da LCA é lançar uma visão holística sobre o processo global de produção e utilização e partir do princípio de que todas as suas fases geram impactos sobre o ambiente e, portanto, devem ser consideradas. Estender este conceito para

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avaliar o desempenho ambiental de um edifício significa gerar informações quanto aos fluxos de recursos e emissões definidos pela implantação e orientação; processo de construção; seleção de materiais (uso de recursos, produção e transporte envolvidos); flexibilidade de projeto; planejamento da operação e gerenciamento de resíduos de construção e demolição (Figura 7).

Recursos

Resíduos

Figura 7 -

Ciclo de vida de um edifício genérico.

No entanto, neste momento, a aplicação direta de LCA – tal como desenvolvida para produtos industrializados – à avaliação de edifícios no Brasil mostra-se, na realidade, complexa, impraticável e insuficiente. Complexa, porque os edifícios são compostos por inúmeros produtos, cada qual com uma árvore de processos própria. Mais ainda, a sua construção envolve diversos agentes. Esses fatores não inviabilizam o emprego de LCA, mas aumentam expressivamente a quantidade de informações envolvida e a dificuldade em obtê-las. Impraticável, no caso brasileiro, porque ainda não existem dados confiáveis de LCA de materiais de construção nacionais, salvo os dados de cimento publicados por CARVALHO (2002). No momento, os únicos recursos disponíveis são bases de dados estrangeiras. Este é um cenário que está mudando, porém muito lentamente. A natureza da metodologia de LCA deixa explícito que as bases de dados estrangeiras - como as do SimaPro, que conta com base de dados própria (holandesa) e add-ons de dados americanos ( ranklin Database) e holandeses F

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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(IVAM16 database, específica para materiais de construção); GaBi (alemã) e TEAM (francesa), ambas com dados europeus - são válidas exclusivamente dentro dos limites geográficos em que foram coletadas17. Naturalmente, os processos de obtenção de muitos materiais e produtos de construção estrangeiros guardam semelhanças com aqueles produzidos no Brasil, mas (1) processos-chave (como o de produção de cimento) têm características muito diferentes e (2) a tradição e as práticas construtivas estrangeiras simplesmente não cobrem dados sobre componentes fundamentais na construção brasileira (como componentes cerâmicos para vedação, por exemplo). Algumas ferramentas de suporte à decisão como o BEES (EUA) e o ATHENA™ (Canadá), citadas no item 2.2, embutem suas próprias bases de dados, mas também não podem ser utilizadas no Brasil, porque elas (1) são personalizadas para seus países de origem e, conseqüentemente, não incluem materiais e soluções construtivas que são típicos e fundamentais na construção brasileira (como vedações em alvenaria com revestimento em argamassa, por exemplo); e (2) não são editáveis para permitir que o usuário os inclua manualmente. Na falta de dados nacionais, estas bases até podem ser utilizadas como ponto de partida, desde que fique claro que (1) trata-se de dados estrangeiros que não necessariamente refletem processos e condições utilizadas no Brasil, mas podem dar uma noção da magnitude dos impactos; e (2) estas entradas de dados serão oportunamente substituídas, na medida em que forem coletados e tratados os dados nacionais correspondentes. Insuficiente, porque (1) apenas uma parte do desempenho ambiental do edifício pode ser descrita estritamente através de fluxos de matéria. Este é o caso exclusivo das categorias uso de recursos e cargas ambientais (Figura 8). A etapa de utilização do edifício também compreende a descrição dos efeitos ambientais através de fluxos de recursos e emissões, mas não pode ser descrita unicamente através deles, uma vez que inclui aspectos particulares, como qualidade do ambiente interno18 (IEQ), por exemplo, cuja avaliação compreende efeitos sobre os ocupantes e suas percepções (Figura 9); e (2) as avaliações de edifícios, especialmente em países em desenvolvimento, devem abranger não só seus impactos ambientais, mas também os impactos sociais e econômicos (Figura 8).

16

IVAM Environmental Research é uma agência de pesquisa, afiliada à Universidade de Amsterdam, que atua nas áreas de construção sustentável, energia, gerenciamento de cadeia, qualidade de vida e produção mais limpa. O mesmo se aplica às ferramentas LCA estrangeiras desenvolvidas para os profissionais de construção, como o BEES, para comparação entre produtos, com base em dados próprios, não publicados e válidos para os EUA; o ATHENA, para comparação de sistemas construtivos ou edifícios completos, com base em dados canadenses publicados; o ENVEST, para análise de edifícios completos, com base em dados do reino Unido, sumarizado em ecopoints; e o EcoQuantum, que contém base holandesa, para análise de edifícios completos residenciais. Especificamente sobre LCA aplicada a avaliação de clima interno, ver JÖNSSON (2000).

17

18

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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Avaliação econômica

Avaliação Ambiental

LCA
IEQ contexto durabilidade qualidade dos serviços entre outros
uso recursos cargas ambientais

Avaliação Social

Avaliação da Sustentabilidade

Figura 8 -

Inserção conceitual da LCA em avaliação da sustentabilidade de edifícios.

ENTRADAS Solo, energia (limpeza, movimento de terra)

ETAPA Ciclo de Vida Preparação do terreno

SAÍDAS CO2, poeira, ruído perda de vegetação perda de habitats

Energia, água, componentes e materiais

Construção

CO2, poeira, ruído, RCD18

Energia, água e materiais (operação, manutenção e reforma)

Uso e manutenção

CO2, resíduos, esgoto efeitos ambiente interno (asma, síndrome de edifícios doentes) efeitos vizinhança

Energia

Demolição reuso/reciclagem

CO2, poeira, ruído, RCD

Figura 9 –

Esquema dos fluxos ambientais ao longo do ciclo de vida de um edifício. 19

19

RCD é o acrônimo para Resíduos de Construção e Demolição.

Capítulo 2 – Abordagem de ciclo de vida na avaliação de edifícios

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2.6

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

A aplicação direta de LCA em avaliação de edifícios no Brasil é, neste momento, complexa, impraticável e insuficiente. As limitações são claras, mas há vantagens concretas e, por esta razão, todos os métodos de avaliação tentam de alguma maneira incorporar seus conceitos, explicita- ou implicitamente, como será evidenciado no Capítulo 3. Havendo consciência destas limitações atuais, o emprego de fundamentos e, principalmente, de dados confiáveis de LCA abre, por outro lado, uma perspectiva holística para análise do processo de produção, utilização e modificação do ambiente construído e pode dar sua contribuição na minimização de subjetividade da avaliação ambiental de edifícios. Como resultado das dificuldades práticas de utilização de LCA, a maioria dos métodos de avaliação de edifícios não a emprega como ferramenta de apoio à atribuição de créditos ambientais relacionados ao uso de materiais. Mais comum é extrair da LCA o conceito de ciclo de vida e utilizá-lo para aumentar a abrangência da avaliação do edifício, ainda que a maioria deles utilize o conceito de “berço ao sítio” (cradle-to-site) em vez de “berço ao túmulo”, conceito-base da LCA. Por “berço ao sítio”, entende-se que são considerados apenas os impactos até a etapa de uso/ocupação do edifício. Quanto aos estágios posteriores (desmontagem/demolição, encaminhamento para reciclagem e reuso), de modo geral, ainda faltam estudos que permitam ir além de itens genéricos, como projeto para adaptabilidade e demolição; e uso de materiais biodegradáveis, recicláveis e reutilizáveis. É consenso, no entanto, que mesmo diante das dificuldades apontadas, a LCA é a única abordagem disponível para comparar científica e conclusivamente os impactos ambientais. A construção de inventários de materiais e componentes de construção é, portanto, uma tarefa necessária e que deve ser iniciada de forma consistente no Brasil o mais breve possível.

O próximo Capítulo traça um panorama do estado atual dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios. A discussão metodológica de alguns dos principais sistemas existentes é conduzida com base em três questões básicas: “o que avaliar?”, “como av aliar?”, “quanto atingir?”.

3 SISTEMAS DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE EDIFÍCIOS: ESTADO ATUAL E
DISCUSSÃO METODOLÓGICA 3.1 INTRODUÇÃO

A crise do petróleo nos anos 70 desencadeou o desenvolvimento de diversas iniciativas focadas na avaliação - e maximização - da eficiência energética de edifícios. O surgimento e difusão dos conceitos de projeto ecológico (green design) foi uma das mais importantes respostas do meio técnico à generalização da conscientização ambiental na década de 90. Originalmente desenvolvido na esfera de avaliação de impactos de produtos, o conceito de análise do ciclo de vida, apresentado no Capítulo 2, forneceu a base conceitual para o desenvolvimento das metodologias para avaliação ambiental de edifícios que surgiram na década de 90 na Europa, nos EUA e no Canadá, como parte das estratégias para o cumprimento de metas ambientais locais estabelecidas a partir da UNCED do Rio de Janeiro. Todos estes métodos partilhavam o objetivo de encorajar a demanda do mercado por níveis superiores de desempenho ambiental, provendo avaliações ora detalhadas, para o diagnóstico de eventuais necessidades de intervenção no estoque construído, ora simplificadas, para orientar projetistas ou sustentar a atribuição de selos ambientais para edifícios (SILVA, 2000). A expressão Green Building 1 foi então cunhada para englobar todas as iniciativas dedicadas à criação de construções mais duráveis; que utilizem recursos de maneira eficiente, que sejam confortáveis e adaptem-se às mudanças nas necessidades dos usuários; e que possam ser desmontadas para aumentar a vida útil dos componentes através de sua reutilização ou reciclagem. O primeiro sinal da necessidade de se avaliar o desempenho ambiental de edifícios veio exatamente com a constatação que, mesmo os países que acreditavam dominar os conceitos de projeto ecológico, não possuíam meios para verificar quão "verdes" eram de fato os seus edifícios. Como seria comprovado mais tarde, edifícios projetados para sintetizar os

1

Freqüentemente utilizada erroneamente em alternância com a expressão Sustainable Building. O termo green refere-se exclusivamente à dimensão ecológica (ou sustentabilidade ambiental) da construção sustentável, que é um conceito mais abrangente, que contempla ainda as dimensões social e econômica.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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conceitos de construção ecológica freqüentemente consumiam ainda mais energia que aqueles resultantes de práticas comuns de projeto e construção. O segundo grande impulso no crescimento de interesse pela avaliação ambiental de edifícios veio com o consenso entre pesquisadores e agências governamentais quanto à classificação de desempenho atrelada aos sistemas de certificação ser um dos métodos mais eficientes para elevar o nível de desempenho ambiental tanto do estoque construído quanto de novas edificações. A experiência tem demonstrado que os saltos nos níveis mínimos de desempenho aceitáveis dependem necessariamente de alterações nas demandas do mercado, sejam elas voluntárias ou originadas de exigências normativas. Especificamente sobre o desempenho ambiental, acredita-se que estas alterações não serão possíveis até que os empreendedores da construção civil e os usuários dos edifícios tenham acesso a métodos relativamente simples que lhes permita identificar aqueles edifícios com melhor desempenho (NRCan/CANMET, 1998). Sob este aspecto, o alcance das exigências normativas é limitado à garantia de um desempenho mínimo, não havendo incentivo para procurar atender a patamares superiores. Os sistemas de adoção voluntária, por outro lado, pretendem que o próprio mercado impulsione a elevação do padrão ambiental, seja por comprometimento ambiental ou por questão de competitividade e diferenciação mercadológica. 3.2 PRINCIPAIS INICIATIVAS E ESTADO ATUAL

Atualmente, praticamente cada país europeu - além de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Hong Kong - possui um sistema de avaliação e classificação de desempenho ambiental de edifícios (Tabela 1). As circunstâncias contextuais que resultaram em sua criação variam, assim como as aplicações pretendidas para estes sistemas, que vão desde ferramentas de apoio ao projeto até ferramentas de avaliação pós-ocupação. A grande maioria dos sistemas adequa-se melhor à avaliação de edifícios novos ou projetos, trabalhando no plano do desempenho potencial, sendo raros os exemplos de sistemas neste segundo caso. Poucos sistemas distinguem claramente entre o desempenho ambiental com base em propriedades inerentes ao edifício (desempenho potencial) e o desempenho real do edifício em operação (ZIMMERMANN et al., 2002).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

35

Tabela 1 - Principais sistemas existentes para avaliação ambiental de edifícios.
País Reino Unido Sistema BREEAM (BRE Environmental Assessment Method) Comentários Sistema com base em critérios e benchmarks, para várias tipologias de edifícios. Um terço dos itens avaliados são parte de um bloco opcional de avaliação de gestão e operação para edifícios em uso. Os créditos são ponderados para gerar um índice de desempenho ambiental do edifício. O sistema é atualizado regularmente (a cada 3-5 anos) (BALDWIN et al., 1998). Projeto de pesquisa para melhorar a retro-alimentação sobre desempenho de edifícios, através de avaliações pós-ocupação (com base em entrevistas técnicas e com os usuários) e de método publicado de avaliação e relato de energia (COHEN et al., 2001). Inspirado no BREEAM. Sistema com base em critérios e benchmarks. O sistema é atualizado regularmente (a cada 3-5 anos) e versões para outras tipologias estão em estágio piloto. Na versão para edifícios existentes, a linguagem ou as normas de referência foram modificados para refletir a etapa de operação do edifício (USGBC, 2001). Sistema com base em critérios (emprego de estratégias de projeto ambientalmente responsável). Ferramenta de auxílio ao projeto (CARMODY et al. 2000). Sistema com base em critérios e benchmarks hierárquicos. Ponderação ajustável ao contexto de avaliação (COLE;LARSSON, 2000). Adaptação do BREEAM 93 para Hong Kong, em versões para edifícios de escritórios novos (CET, 1999a) ou em uso (CET, 1999b) e residenciais (CET, 1999c). Não pondera. Avaliação de edifícios existentes para fins de melhoria ou reparo (LÜTZKENDORF, 2002) Método de LCA para calcular e avaliar cargas ambientais causadas por um edifício ao longo de uma vida útil assumida. Avalia uso de energia, uso de materiais, ambiente interno, 2 ambiente externo e custos ao longo do ciclo de vida (LCC ). A avaliação de uso de energia e de uso de materiais é feita com base em LCA; enquanto a avaliação de ambiente interno e de ambiente externo é feita com base em critérios. Um software de apoio, no momento com base de dados limitada, foi desenvolvido para cálculo dos impactos ambientais e para apresentação dos resultados (GLAUMANN, 1999) Sistema com base em critérios e benchmarks, modificado segundo as necessidades dos membros. Sem LCA ou ponderação

PROBE (Post-occupancy Review of Building Engineering)

Estados Unidos

LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)

MSDG (Minnesota Sustainable Design Guide) Internacional GBC (Green Building Challenge) HK-BEAM (Hong Kong Building Environmental Assessment Method) EPIQR EcoEffect

Hong Kong

Alemanha Suécia

Environmental Status of Buildings

2

Life-cycle cost analysis.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

36

País Dinamarca

Sistema BEAT 2002

Comentários (GLAUMANN; VON PLATEN, 2002) Método de LCA, desenvolvido pelo SBI , que trata os efeitos ambientais da perspectiva do uso de energia e materiais. (GLAUMANN; VON PLATEN, 2002) Sistema com base em critérios e benchmarks hierárquicos, influenciado pelo BREEAM. Possui duas versões: edifícios comerciais e residenciais (PETTERSEN, 2002; GLAUMANN; VON PLATEN, 2002) Sistema com base em critérios e benchmarks, com ponderação fixa para quatro categorias: saúde humana (25%), recursos naturais (15%), conseqüências ecológicas (40%) e gestão de risco (20%) (AHO, 2002; HUOVILA et al., 2002). Inspirado no BREEAM e dedicado a edifícios comerciais novos ou existentes. O sistema é orientado a incentivos, e distingue critérios de projeto e de gestão separados para o edifício-base e para as formas de ocupação que ele abriga (COLE;ROUSSEAU;THEAKER, 1993) Adaptação do BREEAM (SKOPEK, 2002) Sistema com base em critérios e benchmarks, para residências para estimular renovações abrangentes em vez de parciais (GEISSLER, 2002) Sistema com base em critérios e benchmarks. Pondera apenas os itens nos níveis inferiores. O resultado é um perfil de desempenho global, detalhado por sub-perfis (CHATAGNON et al, 1998) Sistema com base em critérios e benchmarks. Composto por várias ferramentas para diferentes estágios do ciclo de vida. Inspirada na GBTool, a ferramenta de projeto trabalha com um índice de eficiência ambiental do edifício (BEE), e aplica ponderação fixa e em todos os níveis (JSBC, 2002). Ferramenta LCA publicada pelo BRI (Building Research Institute), em 1991. Sistema com base em critérios e benchmarks. Para edifícios novos e existentes. Atribui uma classificação única, a partir de critérios diferentes para proprietários e usuários. Em estágio-piloto. Os níveis de classificação são revisados anualmente (VALE et al , 2001)
3

Noruega

EcoProfile

Finlândia

PromisE Environmental Classification System for Buildings BEPAC (Building Environmental Performance Assessment Criteria)

Canadá

BREEAM Canada Áustria Comprehensive Renovation

França

ESCALE

Japão

CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency) BEAT (Building Environmental assessment Tool)

Austrália

NABERS (National Australian Building Environment Rating Scheme)

Embora não exista uma classificação formal neste sentido, os sistemas de avaliação ambiental disponíveis podem ser claramente separados em duas categorias. De um lado, estão os sistemas que promovem a construção sustentável através de mecanismos de mercado. O Building Research Establishment Environmental Assessment Method BREEAM (BALDWIN et al., 1998), foi pioneiro e lançou as bases de todos os sistemas de

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

37

avaliação orientados para o mercado que seriam posteriormente desenvolvidos em todo o mundo, como o HK-BEAM (CET, 1999a; CET, 1999b ; CET, 1999c), do LEED TM (USGBC, 1999), do CSTB ESCALE (NIBEL et al., 2000) e do CASBEE (JSBC, 2002). Estes sistemas foram desenvolvidos para serem facilmente absorvidos por projetistas e pelo mercado em geral, e têm, portanto, uma estrutura mais simples, normalmente formatada como uma lista de verificação. Para divulgar o reconhecimento do mercado pelos esforços dispensados para melhorar a qualidade ambiental de projetos, execução e gestão operacional, todos eles são vinculados a algum tipo de certificação de desempenho. No segundo grupo estão os métodos orientados para pesquisa, como o Building Environmental Performance Assessment Criteria BEPAC

(COLE;ROUSSEAU;THEAKER, 1993) e seu sucessor, o Green Building Challenge - GBC (COLE;LARSSON, 2000), centrados no desenvolvimento metodológico e fundamentação científica. Para construir um panorama abrangente dos sistemas existentes de avaliação ambiental de edifícios, o detalhamento e a discussão metodológica que o segue serão concentrados nos seguintes métodos: § § § § § o BREEAM, o primeiro deles e que embasou os vários sistemas orientados ao mercado subseqüentes; o LEEDTM, atualmente o método com maior potencial de crescimento, pelo investimento maciço que está sendo feito para sua difusão e aprimoramento; o BEPAC, o primeiro sistema orientado a pesquisa metodológica; o GBC, sucessor do BEPAC e utilizado no estudo exploratório; e o CASBEE, o método lançado mais recentemente, que introduziu alguns conceitos inovadores à avaliação de edifícios.

Esta seleção exclui os sistemas em idiomas pouco acessíveis ( co-profile, da Noruega; E Environmental Status of Buildings e EcoEffect, da Suécia; PromisE, da Finlândia; e o Rotterdams Puntensysteem, da municipalidade de Rotterdam, na Holanda); os em desenvolvimento (CSTB Escale) e aqueles derivados de sistemas que serão descritos detalhadamente (HK-BEAM, de Hong Kong, e MSDG, dos EUA, derivados respectivame nte do BREEAM e do LEEDT M).

3

SBI – Statens Byggeforskninginstitut, http://www.sbi.dk (BYogBIG) , ou Danish Building and Urban Research,

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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3.2.1 BUILDING RESEARCH ESTABLISHMENT ENVIRONMENTAL ASSESSMENT METHOD (BREEAM) – 1990 O primeiro e mais conhecido dos métodos de avaliação ambiental de edifícios é o BREEAM, lançado no Reino Unido em 1990 (BALDWIN et al., 1990) por pesquisadores do BRE e do setor privado, em parceria com a indústria, visando especificação e mensuração de desempenho. O BREEAM fornece um processo formal de avaliação embasado em uma auditoria externa. O edifício é avaliado independentemente por avaliadores treinados e indicados pelo BRE, que, por sua vez, é responsável por especificar os critérios e métodos de avaliação e pela garantia da qualidade do processo de avaliação utilizado. Dentro do objetivo geral de fornecer orientação sobre maneiras de minimizar os efeitos adversos dos edifícios nos ambientes local e global e, ao mesmo tempo, promover um ambiente interno saudável e confortável, os objetivos específicos deste método são (BALDWIN et al., 1998):
• • • •

Distinguir edifícios de menor impacto ambiental no mercado; Encorajar práticas ambientais de excelência no projeto, operação gestão e manutenção; Definir critérios e padrões indo além daqueles exigidos por lei, normas e regulamentações; e Conscientizar proprietários, ocupantes, projetistas e operadores quanto aos benefícios de edifícios com menor impacto ambiental.

Os créditos são ponderados para obtenção de um índice de desempenho ambiental (EPI 4), que habilita à certificação em uma das classes de desempenho e permite comparação relativa entre os edifícios certificados pelo sistema. O sistema é atualizado regularmente (a cada 3-5 anos) para beneficiar-se de avanços em pesquisa, para refletir a experiência acumulada e alterações nas prioridades de regulamentações e do mercado, e para garantir que continue representando práticas de excelência no momento da avaliação. A primeira revisão ocorreu em 1993 (PRIOR, 1993; BALDWIN et al., 1993) e, atualmente em sua terceira versão (BREEAM 98), o sistema conta com significativa penetração no mercado, é um componente importante de política

http://www.dbur.dk/english/.
4

EPI - Environmental Performance Index. Ver item 3.2.1.2.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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ambiental em diversos negócios e foi aceito como representação de prática de excelência no Reino Unido. As principais alterações introduzidas no BREEAM 98 em relação a sua versão anterior (BREEAM 93) relacionam-se a:
• •

As versões ant eriores para edifícios novos e existentes foram consolidadas em um sistema único; O sistema consiste em um bloco central de avaliação, com dois blocos opcionais relacionados à qualidade do projeto e execução e a procedimentos de gestão e operação. Aspectos que foram absorvidos pela legislação ou pela prática geral foram eliminados; Novos itens foram adicionados nos campos em que houve avanço no conhecimento (entre eles, a especificação de materiais e a consideração de comutação de transporte), para assegurar a cobertura abrangente dos aspectos ambientais e de sustentabilidade; e Um método de ponderação foi introduzido para determinar objetivamente um índice de desempenho que define a classificação do edifício.

• •

Estima-se hoje que entre 30% e 40% dos novos edifícios de escritórios do Reino Unido sejam submetidos a esta avaliação anualmente (HOWARD, 2001). O BREEAM é também a metodologia de maior aceitação internacional. Versões deste sistema foram adaptadas às condições do Canadá e Hong Kong, com o objetivo de priorizar aspectos de relevância regional na avaliação. Segundo DOGGART;BALDWIN (1997), outras versões estão sendo desenvolvidas na Dinamarca, Noruega, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, e o BREEAM teria sido aplicado em mais de mil casos na Europa, Ásia e América do Norte. Não há, no entanto, publicações relatando os resultados destas experiências. A popularidade do BREEAM deve-se, em grande parte, a: (1) abordagem de desempenho de referência (benchmark); (2) cobertura abrangente de aspectos relacionados a energia, impacto ambiental, e saúde e produtividade; e (3) identificação de oportunidades realistas para melhoria, assim como de potenciais vantagens financeiras adicionais. 3.2.1.1 ESTRUTURA E PONTUAÇÃO O processo de avaliação utilizando o BREEAM 98 for offices é composto pelos três blocos de critérios ilustrados na Figura 1. A versão 98 mesclou os dois sistemas que - até a versão 93 - avaliavam separadamente edifícios de escritórios novos e existentes. Desta forma, um

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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conjunto básico de critérios de desempenho do edifício é avaliado em todos os casos, e os blocos Projeto e Execução e Operação e Gestão (O&M) são incluídos nos casos em que o objeto avaliado for, respectivamente, um edifício novo ou um edifício em uso. No caso de edifícios existentes, porém desocupados ou alvo de modernização parcial, não se atribui certificação, mas o total de pontos dos itens de desempenho básico do edifício é lançado em um ábaco para obtenção do EPI equivalente.
Projeto, edifícios novos e reabilitações (mín 200 pontos)

Projeto e execução

Desempenho edifício

Gestão e Operação (O&M)

Ed. existentes, desocupados (EPI equivalente) Edifícios existentes, em uso (mín 160 pontos)

Figura 1 -

Blocos de critérios no processo de avaliação do BREEAM (edifícios de escritórios). Ver Tabela 3, sobre número mínimo de pontos.

Os créditos ambientais estão distribuídos em nove categorias de avaliação (Tabela 2). Dentro de cada categoria há requisitos pra a obtenção de créditos que refletem as opções disponíveis para projetistas e gestores de edifícios. A quantidade de créditos em cada categoria não reflete a importância relativa entre elas, que é dada por fatores de ponderação que passaram a ser atribuídos a cada categoria, com a vigência do BREEAM 98. O critério de ponderação utilizado tem base consensual e resulta de trabalho conduzido pelo BRE (DICKIE;HOWARD, 2000)

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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Tabela 2 – Estrutura de avaliação do BREEAM 98 (BALDWIN et al., 1998).
Categorias (% total de pontos)
Gestão (14,1%)
Aspectos globais de política e procedimentos ambientais

Pontos (máx 1062 pts)
150 pts 150 pts 208 pts
5

Saúde/conforto (14,1%)
Ambiente interno e externo ao edifício

Uso de energia (19,6%)
Energia operacional e emissão de CO2

Transporte (11,3%)
Localização do edifício e emissão de CO2 relacionada a transporte

120 pts

Uso de água (4,5%)
Consumo e vazamentos

48 pts 104 pts 32 pts

Uso de materiais (9,8%)
Implicações ambientais da seleção de materiais

Uso do solo (3%)
Direcionamento de crescimento urbano (evitando greenfields e 6 encorajando a recuperação de brownfields e uso de vazios urbanos)

Ecologia local (9%)
Valor ecológico do sítio

96 pts 154 pts

Poluição (14,5%)
Poluição de água e ar, excluindo CO2 (tratado no item Energia)

3.2.1.2 PONDERAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Nas versões anteriores, os critérios de avaliação eram agrupados segundo a escala dos impactos (global, local e interna 7). Uma das principais modificações da versão 98 em relação às versões anteriores do BREEAM foi a introdução de fatores de ponderação para as categorias de créditos ambientais para che gar a um índice de desempenho ambiental (EPI), com valor entre zero e 10 (Figura 2). De acordo com o EPI obtido, são atribuídos quatro níveis de certificação. A Tabela 3 mostra a classificação provável do edifício, a partir do número de pontos obtidos em uma lista de verificação (checklist) simplificada 8.

5 6

CO2 - Dióxido de carbono. Em alguns países, a expressão “brownfield site” é usada, em legislação específica, para designar propriedades imobiliárias em que expansão, redesenvolvimento ou reuso possam ser complicados pela presença potencial ou verificada de substâncias perigosas , poluentes ou contaminantes. O HK-BEAM vigente ainda mantém este formato. Para orientar as equipes de projeto e gestão do edifício, o BREEAM fornece uma lista de verificação (checklist) simplificada, que detalha os requisitos específicos para a obtenção dos créditos ambientais. A metodologia completa é acessível apenas aos avaliadores credenciados, que verificam o atendimento de itens mínimos de desempenho, projeto e operação dos edifícios e atribuem os créditos correspondentes.

7 8

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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saúde e conforto uso de energia

avaliação

transporte uso de água uso de materiais uso do solo ecologia local poluição

Índice de desempenho ambiental (EPI)

gestão

créditos por categoria

ponderação

classificação ambiental

Figura 2 -

Esquema da obtenção do Índice de Desempenho Ambiental (EPI), utilizado pelo BREEAM (BALDWIN et al., 1998).

Tabela 3 -

Classificação provável no BREEAM, conforme pontos obtidos na lista de verificação simplificada.
Nível de classificação Aprovado Bom Muito bom Excelente Projeto e execução > 200 pts (25%) > 300 pts (37,5%) > 380 pts (47,5%) > 490 pts (61,3%) Gestão e Operação > 160 pts (21,1%) > 280 pts (36,9%) > 400 pts (52,8%) > 520 pts (68,6%)

O número de critérios em cada uma destas categorias implicava em um certo grau de ponderação, mas até o BREEAM 98 não havia nenhuma tentativa de ponderar os aspectos em uma escala comum para obter uma nota para o edifício. 3.2.2 BUILDING ENVIRONMENTAL PERFORMANCE ASSESSMENT CRITERIA (BEPAC) 1993 O BEPAC foi o primeiro método canadense para ava liação abrangente do desempenho ambiental de edifícios. A primeira versão foi lançada em dezembro de 1993 para edifícios na província de British Columbia. Versões regionais foram posteriormente derivadas para as

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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províncias de Ontário e The Maritimes, para considerar variações nas matrizes energéticas e nas prioridades ambientais (COLE, s.d.). Trata-se de um método padronizado e abrangente desenvolvido exclusivamente para a avaliação do desempenho ambiental de edifícios comerciais novos ou existentes. O método é orientado a incentivos, para guiar e encorajar o mercado a valorizar práticas com maior responsabilidade ambiental e padrões de desempenho mais elevados. Os edifícios poderão ser certificados de acordo com a qualidade ambiental de seu projeto e gestão (COLE et al., 1993). O BEPAC foi desenvolvido à luz do BREEAM, sendo as semelhanças conceituais mais notáveis:
• • •

O BEPAC é um programa de adoção voluntária; O desempenho do edifício é dado pelo conjunto de desempenho potencial e práticas de gestão da operação; A base para avaliação (sejam edifícios novos ou existentes) é o desempenho esperado da congregação de práticas de excelência, em função das normas disponíveis que orientem projeto e operação de edifícios e do conhecimento consolidado e de tecnologias/conceitos emergentes nestas áreas; Os itens avaliados são agrupados conforme a escala do impacto; e A avaliação é de terceira parte, feita por avaliadores treinados pelo BEPAC ou que demonstrem conhecimento reconhecido em todos nos campos avaliados.

• •

No BEPAC, optou-se por conduzir avaliações em menor número, porém mais detalhadas e abrangentes que o BREEAM. Ao ampliar o escopo da avaliação, obviamente cresceram o custo e a complexidade de aplicação do sistema, mas neste caso, o objetivo era, antes de produzir um sistema de certificação ambiental com maior flexibilidade de aplicação, delinear melhor uma metodologia que pudesse orientar o desenvolvimento de novos sistemas de avaliação. O projeto para desenvolvimento do BEPAC foi encerrado em 1993. Este método foi o embrião do que mais tarde seria o projeto Green Building Challenge (ver item 3.2.5). O GBC também foi iniciado no Canadá, sob a coordenação de desenvolvedores do BEPAC e de iniciativas do NRCan9, como o C-2000 (Integrated Design Process) e o CBIP

9

Natural Resources Canadá.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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(Commercial Buildings Incentive Program)10. A GBTool (Green Building Tool), ferramenta utilizada no GBC, foi desenvolvida a partir de uma combinação do BEPAC com o C-2000. 3.2.2.1 ESTRUTURA E PONTUAÇÃO O desempenho ambiental de um edifício resulta da interação do edifício e seus sistemas principais (denominado no BEPAC de “edifício-base”) e com a maneira com que o edifício é utilizado e gerido/operado. A estrutura do BEPAC então distingue critérios de projeto e de gestão separados para o edifício-base e para a tipologia de ocupação (Figura 3) (COLE, s.d.). Estes créditos estão distribuídos em quatro módulos: (1) projeto do edifício base; (2) gestão do edifício-base; (3) projeto da ocupação (dafaults de ocupação); e (4) gestão da ocupação. Cada módulo é avaliado segundo cinco categorias:
• • • • •

proteção da camada de ozônio; impacto ambiental do uso de energia; qualidade do ambiente interno; conservação de recursos; e contexto de implantação e transporte.

Edifício-base

Módulo 1 projeto
proteção da camada de ozônio impacto ambiental do uso de energia qualidade do ambiente interno conservação de recursos contexto de implantação e transporte

Módulo 3 projeto

Tipologia de Ocupação

Módulo 2 gestão

Módulo 4 gestão

Figura 3 – Estrutura do BEPAC.

10

Estes são programas complementares do NRCan. O C -2000 é um programa de demonstração (projeto integrado) aplicado a edifícios de alto desempenho, conceito que engloba, entre outros, redução no consumo de energia e liberação de emissões, consumo de recursos, melhoria da qualidade do ar interno e aspectos como funcionalidade, adaptabilidade e mantenabilidade. O CBIP tem natureza similar ao C-2000 (ênfase no apoio ao processo de projeto), porém restrito a questões energéticas (prevê incentivos de até 3 vezes o custo da energia economizada pelo projeto).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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As categorias de impacto cobrem um conjunto abrangente de aspectos ambientais que percorrem as escalas global, local e interna (como no BREEAM versão1/90), e para permitir maior detalhamento da avaliação, algumas delas são subdivididas. Para cada categoria de impacto existem critérios formulados apropriadamente para avaliação por projetistas ou por gerentes de operação. Estes critérios incorporam referências objetivas de desempenho, utilizando avaliações numéricas sempre que possível. Apesar de os aspectos ambientais alterarem-se com o tempo, as categorias são suficientemente amplas para continuar a englobar todas as considerações potencialmente relevantes. O BEPAC não hierarquiza as categorias de impacto, mas destaca que Proteção da camada de ozônio e Impactos ambientais do uso de energia têm implicações profundas, globais, e, portanto, são alvos de regulamentações internacionais (COLE, s.d.). Em cada categoria, os critérios de avaliação são divididos em essenciais, importantes ou suplementares, e podem receber de 1 a 10 pontos. A série ampla de categorias cobertas pelo BEPAC inviabiliza o uso de um sistema único de atribuição de créditos para critérios de naturezas tão diferentes. Por essa razão, as categorias Proteção da camada de ozônio e Impactos ambientais do uso de energia são predominantemente orientadas a desempenho, e os pontos são atribuídos de acordo com o desempenho mensurado/estimado. Por outro lado, as seções Qualidade do ambiente interno, Conservação de recursos e Contexto de implantação e transporte são predominantemente prescritivas, i.e., os pontos são atribuídos apenas diante da presença de determinado dispositivo ou estratégia (COLE, s.d.). 3.2.2.2 PONDERAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Para determinar os créditos correspondentes, os pontos obtidos em cada critério são multiplicados por fatores de ponderação. Esta ponderação procura refletir a significância e prioridade em relação aos demais critérios na mesma categoria, ou o esforço necessário para atender ao critério estipulado. A ponderação de critérios é conduzida apenas dentro das categorias de impacto. Devido às diferenças fundamentais entre as categorias, elas não são ponderadas entre si. O resultado final da avaliação traz, portanto, o total de créditos obtidos em cada uma das cinco categorias e, no certificado concedido, os créditos obtidos são mostrados em relação ao valor máximo possível para cada critério.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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3.2.3 GREEN BUILDING CHALLENGE (GBC) - 1996 A iniciativa que merece maior destaque desde a empreitada pioneira do BRE é o chamado Green Building Challenge (GBC), um consórcio internacional reunido com o objetivo de desenvolver um novo método para avaliar o desempenho ambiental de edifícios: um protocolo de avaliação com uma base comum, porém capaz de respeitar diversidades técnicas e regionais (COLE;LARSSON, 2000). O GBC caracteriza-se por ciclos sucessivos de pesquisa e difusão de resultados. A etapa de desenvolvimento inicial (24 meses), integralmente financiada pelo governo do Canadá, envolveu 15 países e culminou em uma conferência internacional em Vancouver, Canadá – a GBC'98. A divulgação dos resultados da segunda fase de desenvolvimento (18 meses), compreendendo trabalhos de 19 países, foi um dos ramos centrais da conferência Sustainable Buildings 2000. Desta etapa em diante, o governo canadense deixou de ser responsável pela gestão do processo. A coordenação do GBC, assim como a coresponsabilidade pela seqüência de conferências Sustainable Buildings (SB) foi absorvida pela iiSBE (International Iniciative for Sustainable Built Environment) em 2000. Com isso, as equipes participantes do GBC tornaram-se responsáveis pela captação dos recursos necessários para condução de suas avaliações. O terceiro ciclo (24 meses) envolveu pesquisas conduzidas em 24 países, entre eles o Brasil, cujos resultados foram divulgados em nova conferência internacional ( B’02/GBC’02), S realizada em Oslo, Noruega. O quarto ciclo iniciou-se em 2003 e será concluído com a SB’05, em Tókio. Uma diferença notável entre o GBC e a primeira geração de sistemas de avaliação ambiental de edifícios é que estes últimos fornecem alguma forma de classificação de desempenho, vinculada a um sistema de certificação. O objetivo geral do GBC é prover uma base metodológica sólida e a mais científica possível, dentro das limitações do estado atual do conhecimento. O GBC procura diferenciar-se como uma nova geração de sistemas de avaliação, desenvolvida especificamente para ser capaz de refletir as diferentes prioridades, tecnologias, tradições construtivas e valores culturais de diferentes países ou regiões em um mesmo país. A pontuação é dada por comparação com desempenhos de referência (benchmarks), e as equipes de avaliação são encorajadas a indicar a melhor ponderação entre as categorias de impacto em cada caso.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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As principais características da avaliação utilizada no GBC são: 1) Para realizar comparação internacional de edifícios, o GBC utiliza indicadores de sustentabilidade ambiental. Até a versão GBTool 2K (2000), eram utilizados quatro indicadores: consumo anual de energia, consumo anual de água, consumo (área) de solo, emissão anual de GHG 11. Na versão 2002, doze indicadores foram testados (Tabela 4). Tabela 4 Indicadores de sustentabilidade ambiental utilizados pela GBTool v 1.81 (2002).

Indicadores de sustentabilidade (os valores são normalizados por área e por área e ocupação)
ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12 Consumo total de energia primária incorporada, GJ Consumo anual de energia primária incorporada, MJ Consumo anual de energia primária para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária não-renovável para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária incorporada e para operação do edifício, MJ Área de solo consumida pela construção do edifício e serviços relacionados, m2 Consumo anual de água potável para operação do edifício, m3 Uso anual de água cinza e água da chuva para operação do edifício, m3 Emissão anual de gases de efeito estufa pela operação do edifício, kg. CO2 equivalente Vazamento previsto de CFC -11 equivalente por ano, gm. Massa total de materiais reutilizados empregados no projeto, vindos do próprio terreno ou de fontes externas, kg. Massa total de novos materiais (não reutilizados) empregados no projeto, vindos de fontes externas, kg.
12

2) Para fornecer resultados aderentes às particularidades locais, o GBC estabelece:

ponderação personalizável: a pontuação das categorias principais é multiplicada pelos fatores de ponderação correspondentes, definidos pelas equipes de avaliação segundo condições específicas do contexto. No momento, os pesos dos itens dentro das categorias não são alterados pelo usuário; e pontuação atribuída segundo uma escala de graduação de desempenho. Os resultados são posteriormente comparados a desempenhos de referência (benchmarks). maior uso possível de critérios orientados ao desempenho ; a estrutura está parcialmente organizada no formato SETAC/ISO 14.040 de LCA (categorias uso de recursos e cargas ambientais); modelos e estimadores simplificados (para elementos como energia e emissões incorporadas nos m ateriais e impactos associados a transporte) desenvolvidos em

3) Para fornecer resultados com maior embasamento científico:
• • •

11 12

GHG – Green house gases (substâncias causadoras de efeito estufa). CFC - Clorofluorcarbono.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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agências de pesquisa internacionais vêm sendo incorporados no cálculo dos impactos (especialmente emissões) e na ponderação-default; e

comitês do GBC buscam fundamentação consistente para a definição de benchmarks; de critério de ponderação entre e intra categorias e de uma gama mais ampla de indicadores de sustentabilidade para refinar as comparações internacionais.

3.2.3.1 ESTRUTURA E PONTUAÇÃO Seis categorias são avaliadas na GBTool (Tabela 5). Tabela 5 - Categorias avaliadas na GBTool (ponderação default do sistema).
Categorias
Uso de recursos
Energia, água, solo e materiais

Peso (total 100%)
20% 25% 20% 15%

Cargas ambientais
Emissões, efluentes e resíduos sólidos

Qualidade do ambiente interno
Qualidade do ar, ventilação, conforto e poluição eletromagnética

Qualidade dos serviços
Flexibilidade, adaptabilidade, controlabilidade pelo usuário, espaços externos e impactos nas propriedades adjacentes

Aspectos econômicos Gestão pré-ocupação
Planejamento do processo de construção, verificação pré-entrega e planejamento da operação

10% 10%

Transporte
Ainda não operacional

0%

A pontuação é atribuída segundo uma escala de graduação de desempenho que vai de -2 a +5 (Figura 4). O zero da escala corresponde ao desempenho de referência ( enchmark, b Figura 9). Este sistema de pontuação foi projetado para tentar acomodar critérios qualitativos e quantitativos (COLE; LARSSON, 1997; NRCan/CANMET, 1998). O

conceito de escala de pontuação está implícito na pontuação do BREEAM e no LEED, mas esta idéia de uma escala clara, que aponta inclusive desempenho negativo, foi introduzida pelo GBC e incorporada em sistemas como o CASBEE, lançado em 2002, e o ESCALE, ora em desenvolvimento.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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Ajustes locais

ponderação benchmark contexto/energia Relatório Desempenho critérios pesos
Uso de recursos Cargas ambientais Qualid. ambiente interno Qualidade dos serviços Aspectos econômicos Gestão pré -ocupação

descrição envelope áreas custos

+5 +3 0 -1 -2

Discussão resultados

Entrada

Avaliação

Saída

Figura 4 - Blocos de entrada e saída de dados na GBTool. Na primeira fase da pesquisa (até 1998), foi produzido e utilizado um software, posteriormente abandonado devido a sua complexidade e às dificuldades de atualização e utilização reportadas pelas equipes (COLE; LARSSON, 1997; NRCan/CANMET, 1998; COLE;LARSSON, 2000). Na segunda etapa de desenvolvimento (1998-2000) houve a migração para uma plataforma Excel® constituída por uma série de onze planilhas-padrão (Figura 5). A planilha Avaliação é preenchida semi-automaticamente, com base nas informações inseridas em seis planilhas de entrada de dados (contexto, descrição da matriz energética, descrição do edifício, áreas, características do envelope, e aspectos econômicos), na planilha de caracterização de desempenho de referência (benchmarks, Figura 6) e na planilha para definição de fatores de ponderação (Figura 7). Duas planilhas de saída de dados (relatório e resultados) são geradas automaticamente. Os próprios projetistas, executores ou operadores do edifício fornecem a descrição do edifício, mas não participam da definição de benchmarks ou dos fatores de ponderação, que é responsabilidade exclusiva da equipe de avaliação.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

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Edifício

Benchmark

Envelope
Processamento

Áreas Aspectos Econômicos Relatório

Energia

Ponderação

Planilha Avaliação

Contexto

Resultados

Figura 5 -

Representação esquemática do processo de avaliação utilizado no Projeto GBC.

General building design benchmarks Benchmark
Amount of material excavated that is taken off the site, as a proportion of total belowgrade built volume Proportion of site area that is hard-paved and non-permeable Proportion of hard-paved site area that is permeable Proportion of landscaped site area with planting requiring watering Minimum percent of storm water disposed of within the site 25% 50% 25% 90% 20%

Units
% excavated volume % unbuilt site area % hard-paved site area % landscaped site area % of total storm water

Benchmarks for Materials Benchmark
Proportion of the structure that would normally be retained as part of the new building, if there is a suitable existing building on the site. Proportion of materials used in the building that would normally be salvaged from offsite sources Recycled content in materials used in the building that would normally be obtained from off -site sources. 25% 5% 5%

Units
% floor area % weight % weight

Embodied Energy and Emissions Benchmark
Best practice embodied energy for above- and below-grade structure and building envelope, GJ per m2 of gross area Standard practice embodied energy for above- and below-grade structure and building envelope, GJ per m2 of gross area Embodied GHG emissions in kg. as a multiple of embodied energy in GJ (crude conversion)

Benchmark Best
1,25 GJ/m
2

Units

2,25 72

GJ/m

2

Approx. kg. CO2 equiv./ GJ

Figura 6 -

Trechos da planilha original de definição de referências de desempenho (benchmarks).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

51

3.2.3.2 PONDERAÇÃO A importância relativa das diferentes categorias de impactos é considerada através de critérios de ponderação ajustados pelas equipes de avaliação ( igura 7) para garantir a F aderência dos resultados a cada contexto de avaliação específico (COLE; LARSSON, 1997; NRC/CANMET, 1998). A pontuação final do edifício é derivada para agregação ponderada sucessiva de pontuações obtidas em quatro níveis: (1) sub-critérios, (2) critérios, (3) categorias e áreas de desempenho, e (4) temas principais, que é o nível hierárquico mais elevado. Este acúmulo sucessivo de ponderações essencialmente subjetivas para as pontuações de desempenho tem sido controverso desde o início do GBC, mas sua influência foi até certo ponto atenuada pela fixação dos pesos nos dois níveis mais baixos: por default, os fatores de ponderação dos itens dentro das categorias (critérios e sub-critérios) são divididos igualmente; e apenas os pesos das categorias são personalizados.
RESOURCE CONSUMPTION R1 Net life-cycle use of primary energy R1.1 Primary energy embodied in materials, annualized over the life-cycle R1.2 Net primary non-renewable energy used for building operations over the life -cycle Use of land and change in quality of land R2.1 Net area of land used for building and related development purposes R2.2 Change in ecological value of the site Net consumption of potable water Re-use of existing structure or on-site materials and/or recycling of existing materials off-site R4.1 Retention of an existing structure on the site R4.2 Off -site re-use or recycling of steel from existing structure on the site. R4.3 Off -site re-use or recycling of materials and components from existing structure on the site. Amount and quality of off-site materials used R5.1 Use of salvaged materials from off -site sources R5.2 Recycled content of materials from off -site sources R5.3 Use of wood products that are certified or equivalent Weight 20% 20% 50% 50% 25% 44% 56% 20% 15% 53% 18% 29% 20% 33% 33% 33%

R2

R3 R4

R5

Figura 7 -

Trecho da planilha original de definição de fatores de ponderação.

3.2.3.3 COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Além do gráfico de desempenho global e do desempenho em cada categoria (Figura 9), a ferramenta gera automaticamente seis gráficos parciais, um para o desdobramento de cada categoria implementada. A linha vermelha (nota 0) representa a prática típica (benchmark).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

52

Figura 8 -

Trecho da planilha original de avaliação (ponderada).

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

1,6
0,0 -1,0
Total Score for Resources, Loadings and IEQ

2,0
0,0 -1,0 -2,0

1,9
Cargas
Loadings

0,7
IEQ
IEQ

1,9
Qualid.
Service Quality Servi’cos

2,7
Desemp.
Economics Econômico

1,8
Gestão
Management

0,0
Transporte
Transport

Recursos
Resources

-2,0

Total

Categorias de desempenho

Figura 9 -

Saída gráfica de resultados: gráfico de desempenho global (esquerda) e de cada categoria de desempenho.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

53

3.2.4 LEADERSHIP IN ENERGY AND ENVIRONMENTAL DESIGN (LEED™) - 1999 Em 1994 o US Green Building Council (USGBC), instituição financiada pelo NIST (National Institute of Standards and Technology), iniciou um programa para desenvolver, nos Estados Unidos, um sistema de classificação de desempenho consensual e orientado para o mercado, visando acelerar o desenvolvimento e a implementação de práticas de projeto e construção ambientalmente responsáveis. Acreditava-se que, enquanto os métodos tradicionais de regulamentação ajudaram a melhorar as condições, a eficiência energética e o desempenho ambiental dos edifícios, programas voluntários permitiriam estimular o mercado para acelerar o alcance das metas estabelecidas, ou mesmo ultrapassá- las (USGBC, 2001). O desenvolvimento e

implementação bem-sucedida de iniciativas anteriores de aplicação de sistemas voluntários de classificação de desempenho ambiental de edifícios no Reino Unido (BREEAM) e em British Columbia, no Canadá (BEPAC), demonstraram que a identificação e comunicação da eficiência e desempenho ambiental de edifícios (1) elevou a conscientização e o critério de seleção dos consumidores e (2) estimulou os esforços de proprietários e construtores em produzir edifícios ambientalmente avançados. Acreditava-se, ainda, que o desenvolvimento de sistemas de classificação de desempenho ambiental de edifícios tecnicamente consistentes, implicam necessariamente em incentivar outros segmentos da indústria da construção a desenvolver produtos e serviços de maior qualidade ambiental (USGBC, 2001). Estas foram as bases para o desenvolvimento do LEED™ , um sistema de classificação e certificação ambiental projetado para facilitar a transferência de conceitos de construção ambientalmente responsável para os profissionais e para a indústria de construção americana, e proporcionar reconhecimento junto ao mercado pelos esforços despendidos para essa finalidade (USGBC, 1999). Os trabalhos foram iniciados em 1996, voltados inicialmente para edifícios de ocupação comercial13.

13

O LEED™ considera como “ocupação comercial” os edifícios de escritórios, institucionais (bibliotecas, museus, igrejas, entre outros), hotéis e edifícios residenciais com mais de quatro pavimentos. Até o momento, o USGBC conta com outros dois programas de avaliação de edifícios: (1) LEED™ Commercial Interiors/Renovations (CI/R), direcionado a projetos de renovações e reabilitações de maiores proporções, não necessariamente em green buildings; e (2) LEED™ Residential, dedicado ao desenvolvimento e construção de residências unifamiliares ou edifícios residenciais com até 3 pavimentos. Renovações de edifícios residenciais, assim como a avaliação da operação e manutenção de edifícios serão alvo de sistemas futuros ou em desenvolvimento (site USGBC, http://www.usgbc.org, consultado em 09/06/01).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

54

Assim como o BREEAM, este sistema concede créditos para o atendimento de critérios préestabelecidos. A certificação é válida por um período de cinco anos, quando deverá ser encaminhada uma nova solicitação de avaliação por um programa apropriado do USGBC, desta vez centrado na avaliação da operação e gestão do empreendimento. A partir de janeiro de 2000, foram previstas revisões regulares do sistema de certificação a cada 3 ou 5 anos ou em período inferior, caso uma decisão consensual do USGBC ou alguma regulamentação local assim o exigir (USGBC, 1999). O LEED é provavelmente o método disponível mais amigável enquanto ferramenta de projeto, o que facilita a sua incorporação à prática profissional. Com uma estrutura simples a ponto de ser, por isso, criticada, o LEED™ é baseado em especificação de desempenho em vez de critérios prescritivos, e toma por referência princípios ambientais e de uso de energia consolidados em normas e recomendações de organismos de terceira parte com credibilidade reconhecida, como a ASHRAE14; a ASTM 15; a EPA16; e o DOE17. Estas práticas de efetividade já conhecida são então balanceadas com princípios emergentes, de forma a estimular a adoção de tecnologias e conceitos inovadores. A singularidade do LEED™ resulta principalmente do fato de ser um documento consensual, aprovado pelas 13 categorias da indústria de construção representadas no conselho gestor do sistema. O apoio de associações e fabricantes de materiais e produtos favoreceu a ampla disseminação deste sistema nos EUA, que agora começa a estender-se para o Canadá18. 3.2.4.1 ESTRUTURA E PONTUAÇÃO A versão-piloto (LEED™ 1.0) foi lançada em janeiro de 1999 (USGBC, 1999). O desempenho ambiental do edifício é avaliado de forma global, ao longo de todo o seu ciclo de vida, numa tentativa de considerar os preceitos essenciais do que constituiria um "green building".

14 15 16 17 18

American Society of Heating, Refrigerating and Air -conditionning Engineers. American Society for Testing and Materials. U.S. Environmental Protection Agency. U.S. Department of Energy. Em uma versão resultante da fusão do LEEDT M com o BREEAM-Canada.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

55

O critério mínimo de nivelamento exigido para avaliação de um edifício pelo LEED™ é o cumprimento de uma série de pré-requisitos. Satisfeitos todos estes pré-requisitos, o edifício torna-se elegível a passar para a etapa de análise e classificação de desempenho, dada pelo número de créditos obtidos. Na versão atual do sistema - LEED™ 2.0 (USGBC, 2000) existem 7 pré-requisitos e 69 pontos possíveis (Tabela 6). A versão 3.0 está sendo preparada e deverá ser lançada em breve. As principais alterações em relação à Versão 1.0 relacionam-se a (1) redução do número de pré-requisitos a serem satisfeitos (de 11 para 07); (2) aumento do número de itens considerados na classificação de desempenho (de 50 para 69); (3) substituição do nível de desempenho Bronze (acima de 50% dos pontos 19) pelo nível LEED™ Certified20, e (4) redistribuição de pontuação entre as categorias avaliadas. Convém notar que, com esta primeira revisão: § a pontuação necessária para obtenção de certificação tornou-se proporcionalmente menor, já que o primeiro nível de certificação (LEED™ Certified) requer apenas 40% dos pontos. Isto parece indicar rigor excessivo nos critérios da versão-piloto e/ou uma certa dificuldade inicial no cumprimento de determinados itens; especificamente quanto à redistribuição dos pesos entre as categorias avaliadas, as alterações mais notáveis referem-se ao aumento do peso das categorias Qualidade do ar interno (8 pontos porcentuais) e Inovação do processo de projeto e construção (5 pontos porcentuais); com correspondente redução do peso das categorias Materiais e Recursos (5 pontos porcentuais ) e Qualidade e uso de Água (9 pontos percentuais ). Isto demonstra tanto (1) a elevação do desempenho ambiental em determinadas áreas, de forma que o cumprimento de determinados quesitos já não representariam um diferencial em relação à prática de mercado, quanto (2) um correspondente redirecionamento da preocupação para determinados itens; e itens que eram parte dos pré-requisitos da versão 1.0 desapareceram, como no caso de Qualidade da água (isenção de chumbo) e Eliminação (ou programa de gestão) de asbestos, também indicando elevação na qualidade ambiental das construções; ou então foram remanejados e (1) incluídos em itens de desempenho mínimo aceitável ou (2) tornaram-se item pontuado, como no caso de Conforto térmico, da categoria Qualidade do ar interno.

§

§

19

Nos três primeiros anos. Após este período, a certificação Bronze seria atribuída a edifícios que atingissem pelo menos 60% dos créditos (USGBC, 1999). Principalmente por razões mercadológicas, devido ao desconforto causado pela certificação Bronze. (Fonte: contato pessoal com Gail Lindsay, parte do corpo de implementadores do LEED, durante a reunião do GBC International Framework Committee, em Santiago - Chile, em março de 2001).

20

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

56

Tabela 6 – Estrutura de avaliação do LEED™ 2.0 (USGBC, 2000).
Categorias (% total de pontos)
Sítios sustentáveis (20%)
1. Seleção de área 2. Redesenvolvimento urbano 3. Redesenvolvimento de áreas contaminadas (brownfields ) 4. Transporte alternativo 5. Redução de perturbação no sítio original 6. Gestão de água da chuva 7. Paisagismo e projeto de áreas externas para redução de ilhas de calor 8. Redução de poluição luminosa § Controle de erosão e sedimentação

Pré-requisitos (7 PReq)

Pontos (máx 69 pts)
até 14 pts
01 01 01 até 04 até 02 até 02 até 02 01

Uso eficiente de água (7%)
1. Paisagismo com uso eficiente de água 2. Tecnologias inovadoras para reutilização de água 3. Conservação de água

até 05 pts
até 02 01 até 02

Energia e atmosfera (25%)
1. Otimização do desempenho energético 2. Uso de energia renovável 3. Verificação de conformidade pré-entrega adicional (01 ponto) 4. Redução de HCFC s e Halons (dano à camada de ozônio) 5. Mensuração e verificação de desempenho 6. Uso de tecnologias renováveis e de poluição zero: solar, eólica, geotérmica, biomassa e hidrelétricas de baixo impacto
21

até 17 pts
§ Verificação de conformidade pré-entrega (commissioning) § Eficiência energética mínima § Redução de CFCs nos equipamentos de condicionamento e ventilação artificial 02 a 10 até 03 01 01 01 01

Materiais e recursos (19%)
1. Reutilização de edifício 2. Gestão de RCD 3. Reutilização de recursos 4. Materiais com conteúdo reciclado 5. Materiais regionais/locais 6. Materiais rapidamente renováveis 7. Uso de madeira certificada § Coleta e armazenamento de material reciclável produzido pelos usuários do edifício

até 13 pontos
até 03 até 02 até 02 até 02 até 02 01 01

Qualidade do ambiente interno (22%)
1. Monitoramento de CO2 2. Aumento eficiência de ventilação 3. Plano de gestão de qualidade do ar interno durante o processo de construção 4. Materiais com baixa liberação de VOCs22 5. Controle de poluição interna por origem química 6. Controlabilidade dos sistemas pelos usuários 7. Conforto térmico 8. Luz natural e vista para o exterior § Qualidade do ar interno mínima § Controle ambiental de fumaça de cigarros

até 15 pts
01 01 até 02 até 04 01 até 02 até 02 até 02

Inovação e processo de projeto (7%)
1. Inovação (estratégias de projeto e uso de tecnologias) 2. Envolvimento de profissional habilitado pelo LEED™

até 05 pontos
até 04 01

21 22

HCFC - Hidroclorofluorcarbono. VOCs (Volatile Organic Compounds) - Compostos orgânicos voláteis.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

57

3.2.4.2 PONDERAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Por ter sido projetado também para funcionar como uma ferramenta de auxílio à tomada de decisões, os aspectos avaliados no LEED têm peso idêntico, isto é: o LEED não aplica um critério explícito de ponderação entre categorias, mas o número variável de itens dentro das categorias define implicitamente pesos para cada uma delas. A sua estrutura permite que apenas os quesitos para que se pretende obter a certificação sejam avaliados. Isto significa, que somente os aspectos de projeto, por exemplo, podem ser sejam avaliados (não considerando aspectos controlados pelos executores ou planejadores) sem que o resultado final seja afetado (TODD, LINDSAY, 2000). Deve-se ter sempre em mente, portanto, que, em determinadas condições, o resultado da avaliação pode ser

incompleto e não necessariamente refletir o desempenho global do edifício. Na etapa de análise e classificação de desempenho, caso o edifício atinja um mínimo de 40% dos pontos, ele será certificado em um dos quatro níveis mostrados na Tabela 7. Tabela 7 Níveis de classificação do LEED™.
Pontos (total 69 pts) 26 a 32 pts (40-50%) 33 a 38 pts (51-60%) 39 a 51 pts (61-80%) > 52 pts ( > 81%).

Nível de classificação LEED™ Certified Silver Gold Platinum

3.2.5 COMPREHENSIVE ASSESSMENT EFFICIENCY (CASBEE) – 2002

SYSTEM

FOR

BUILDING

ENVIRONMENTAL

A mais recente inovação no campo das avaliações ambientais de edifícios é o Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency – CASBEE (JSBC, 2002), apresentada publicamente pelo Japan Sustainability Building Consortium durante a SB’02 em Oslo. Na verdade, o CASBEE não é uma, mas quatro ferramentas de avaliação, cada uma delas destinada a usuários bem-definidos, que podem avaliar o projeto ou edifício existente em estágios específicos de seu ciclo de vida (Tabela 8). Esta suíte de ferramentas destina-se à

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

58

avaliação de edifícios de escritórios, escolares e multi- residenciais. A ferramenta de projeto para o ambiente - aqui chamada DfE 23 CASBEE - é o alvo do detalhamento feito a seguir. Tabela 8 – Suíte de ferramentas de avaliação que compõem o CASBEE.
Ferramenta
Edifícios novos Ferramenta de avaliação pré-projeto

Usuários
proprietários planejadores projetistas projetistas construtores

Objetivos/características
Identificação do contexto básico do projeto, com ênfase em seleção de área e impactos básicos do projeto. Teste simples de auto-avaliação para auxiliar a melhorar a eficiência ambiental do edifício (BEE) durante o processo de projeto Para classificar edifícios concluídos, segundo sua eficiência ambiental Determinar o valor básico de mercado do edifício certificado Prover informações sobre como melhorar a BEE durante a etapa de operação

Ferramenta de projeto para o ambiente (DfE)

Edifícios existentes

Ferramenta de certificação ambiental

proprietários, projetistas, construtores, agentes imobiliários Proprietários projetistas operadores/gestores

Ferramenta de avaliação pós -projeto (operação e renovação sustentáveis)

A estrutura conceitual do CASBEE caracteriza-se por dois pontos focais: a definição de limites do sistema analisado (o edifício);e o levantamento e balanceamento entre impactos positivos e negativos gerados ao longo de seu ciclo de vida. O CASBEE propõe aplicar o conceito de sistemas fechados24 (um espaço hipotético encerrado pelos limites do terreno) para determinar a capacidade ambiental relacionada ao edifício a ser avaliado (Figura 10). Este limite hipotético define e distingue claramente o espaço dentro dos limites do terreno (ambiente como propriedade privada), e o espaço fora dos limites do terreno (ambiente como propriedade pública). Em relação a estes dois tipos de espaços, o CASBEE define dois fatores:
• •

L (cargas ambientais) - impactos negativos que se estendem para fora do espaço hipotético (i.e.: para o ambiente público) Q (qualidade ambiental) - qualidade e desempenho ambiental do edifício (dentro do espaço hipotético).

23 24

DfE - Design for environment. O conceito de ecossistemas fechados tem sido usado em avaliações ambientais para determinar a capacidade (de suporte) ambiental, diante da constatação que a capacidade ambiental local e do planeta estão próximas de seus limites. Ver, por exemplo, o conceito de Environmental footprint em REES (1992); WACKERNAGEL;REES (1996) e REES (1999).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

59

Impactos fora do limite hipotético são avaliados pelo fator L: cargas ambientais

Limite hipotético do sistema (edifício)

Impactos dentro do limite hipotético são avaliados pelo fator Q: qualidade e desempenho ambiental

Consumo de recursos, CO2 incorporado etc

Poluição de ar e água, ruído, calor etc

Edifícios vizinhos

Edifícios vizinhos

Poluição do solo, corpos d’água

Figura 10 - Estrutura conceitual do CASBEE. O conceito original de eco-eficiência (SCHMIDHEINY, 1992; VERFAILLIE; BIDWELL, 2000) expressa o valor do produto ou serviço às cargas ambientais a ele associadas. Para integrar a avaliação destes dois fatores, associados aos espaços dentro e fora do limite do sistema (edifício), o CASBEE modifica o conceito e cria um indicador de eficiência ambiental do edifício (BEE 25) (Tabela 9). Quanto maior o quociente do BEE (qualidade/cargas, onde qualidade enfatiza a qualidade do ambiente interno, e as cargas, o uso de energia), maior a sustentabilidade ambiental do edifício. Tabela 9 – Modificação proposta pelo CASBEE para aplicação do conceito de ecoeficiência em avaliações ambientais de edifícios (JSBC, 2002).
Definição de eco-eficiência
Definição original (WBCSD ) Definição modelada Definição usada no CASBEE
26

Valor do produto ou serviço Unidade de carga ambiental Saídas benéficas . Entradas + Saídas não-benéficas Qualidade e desempenho ambiental do edifício . Cargas ambientais causadas pelo edifício

25 26

BEE - Building Environmental Efficiency WBCSD - World Business Council for Sustainable Development.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

60

3.2.5.1 ESTRUTURA E PONTUAÇÃO A inovação do CASBEE não está nas categorias avaliadas, mas em implementar avaliações ambientais com base no conceito de eficiência ambiental do edifício. A sua estrutura de avaliação (Tabela 10) e apresentação de resultados (salvo uma saída gráfica específica) derivam claramente da GBTool, e são exemplos de cumprimento do objetivo principal do Green Building Challenge em fornecer uma base metodológica sólida, para orientar o desenvolvimento de métodos de avaliação locais. Tabela 10 – Estrutura de avaliação do CASBEE.
Aspectos avaliados Categorias para derivar o BEE
Categoria (peso)

Pts

BEE

Qualidade ambiental Q1: Ambiente interno (0,5) Ruído e acústica Conforto térmico Iluminação Qualidade do ar Q2: Qualidade dos serviços (0,35) Serviceability (funcionalidade, aconchego) Durabilidade Flexibilidade e adaptabilidade Q3: Ambiente externo (ao edifício) no terreno (0,15) Manutenção e criação de ecossistemas Consumo de energia Uso de recursos críticos Ambiente local Ambiente interno Paisagem Características locais e culturais Cargas ambientais L1: Energia (0,5) Carga térmica do edifício Uso de energia natural Eficiência dos sistemas prediais Operação eficiente L2: Recursos e materiais (0,3) Água Eco-materiais L3: Ambiente fora do terreno (0,2) Poluição do ar Ruído e odores Acesso a ventilação Acesso a iluminação Efeito de ilhas de calor Carga em infraestrutura local 80 subitens 18 categorias 5 10 5 5 5 5 220 10 30 Denominador BEE 5 10 5 10 5 5 5 10 10 15 15 15 20 15 Numerador BEE

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

61

Nos três estágios principais de projeto (estudo preliminar, ante-projeto e projeto executivo), duas fichas são preenchidas: o formulário de pontuação e o formulário de resultados (Figura 11).

Q1 – Ambiente interno

(1) Resultados de Q: Qualidade e desempenho ambiental do edifício.

Q2 – Qualidade dos serviços

(2) Resultados de LR: Redução de cargas ambientais do edifício.

Q3 – Ambiente externo (dentro do terreno)

LR1 - Energia
(3) Resultados gráficos: gráficos de colunas, de radar e de BEE

LR2 – Recursos e Materiais

LR3 – Ambiente (fora do terreno)

Formulário de resultados

Formulário de pontuação

Figura 11 - Formulários originais da avaliação com o DfE CASBEE (JSBC, 2002). Para cada item, são atribuídos até cinco pontos, segundo critérios de pontuação determinados de acordo com os padrões técnicos e sociais vigentes no momento da avaliação. Os resultados para cada item avaliado são dados no formulário de pontuação em termos de Q (qualidade e desempenho) e LR (redução das cargas ambientais). Neste ponto, o LR ainda não é o fator L (cargas ambientais), e sim o nível de redução das cargas ambientais, em relação a um edifício de referência (pontuação igual a 3) suposto no mesmo terreno. 3.2.5.2 PONDERAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Cada item avaliado é ponderado de forma que a soma dos coeficientes de ponderação dentro de uma categoria de avaliação seja igual a 1. A pontuação de cada item é multiplicada pelo coeficiente de ponderação correspondente (pré-definido), e agregada em totais de pontos por

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

62

categoria de Q (Eq 1) ou LR (Eq 2). O indicador de eficiência ambiental (BEE) é obtido pela Eq 3 (JSBC, 2002). SQ = Σ (Q x Cpond)
1 3 1 3

Eq 1

Eq 2

SLR = Σ (LR x Cpond) BEE = Q/L, onde
Q = 25 (SQ -1) L = 25 (5-SLR)
Eq 3

Além dos valores numéricos, os resultados são sumarizados em gráficos de radar, de colunas e no diagrama de BEE (Figura 12). O CASBEE classifica o desempenho do edifício em cinco níveis: S (superior), A, B+, B- e C, onde S é a melhor classificação possível.

BEE=3
100

BEE=1,5

BEE=1

S

A
BEEaval

B+ Bstandard

50

C
BEE=0,5
0 50 100

Figura 12 - Diagrama de eficiência ambiental do edifício (BEE).

3.3

DISCUSSÃO DE ASPECTOS METODOLÓGICOS

Os pontos metodológicos-chave de um sistema de avaliação de edifícios podem ser estruturados em torno de três questões centrais:
• •

O que avaliar? Definição da estrutura e do conteúdo da avaliação; Como avaliar? Definição da natureza da avaliação (prescritiva x desempenho); seleção dos indicadores destas medidas, definição dos pesos a serem atribuídos a cada um deles, e do formato de apresentação de resultados; e Quanto atingir? Definição de pontuação mínima, da escala de pontuação (referências e metas), e de classes de desempenho;

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

63

A Tabela 11 sintetiza como estas questões são abordadas nos métodos de avaliação descritos neste trabalho.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

64

Tabela 11 - Abordagem de aspectos metodológicos fundamentais pelos sistemas de avaliação indicados.
Aspectos metodológicos
Escopo da avaliação Aplicação ambiental checklist projeto classificação edifício checklist gestão e operação classificação edifício

BREEAM
ambiental

BEPAC
ambiental

LEED™
ambiental/ econômica

GBTool
ambiental

CASBEE

checklist projeto classificação edifício classificação edifício classificação edifício Ferramenta de projeto e de gestão da operação em desenvolvimento Edifício-base (projeto e gestão) Ocupação (projeto e gestão) § proteção da camada de ozônio § impacto ambiental do uso de energia § qualidade do ambiente interno § conservação de recursos § contexto de implantação e transporte. Edifício+processo Edifício+processo Edifício + terreno

O que avaliam?

Limites do sistema Estrutura de avaliação

Projeto e execução* Edifício Gestão e operação* § poluição § saúde/conforto § uso de energia § uso de água § uso de materiais § § § § uso do solo ecologia local transporte gestão

§ sítios sustentáveis § energia e atmosfera § uso eficiente de água § materiais e recursos § qualidade do ambiente interno § inovação e processo de projeto

§ uso de recursos § cargas ambientais § qualidade do ambiente interno § qualidade dos serviços § aspectos econômicos § gestão § transporte

§ ambiente interno § qualidade dos serviços § ambiente externo (dentro do terreno) § energia § recursos e materiais § ambiente externo (fora do terreno)

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

65

Aspectos metodológicos
Sistema de pontuação

BREEAM
Híbrido: procura basear-se em especificação de desempenho, mas há critérios prescritivos não

BEPAC
Híbrido (orientado a desempenho + orientado a dispositivos ) não

LEED™
Híbrido: procura basear-se em especificação de desempenho, mas há critérios prescritivos não

GBTool
orientado a desempenho

CASBEE
orientado a desempenho

Uso de LCA Como avaliam?

Sim. Entrada de dados calculados ou uso de um estimador simplificado que faz os cálculos com base em dados canadenses Explicita, pesos declarados e personalizáveis, aplicados intra e entre categorias, para gerar uma nota global Pontuação global de desempenho + perfis de desempenho por categoria + indicadores de sustentabilidade

Não exatamente. Considera o uso de recursos e emissões para o ar decorrentes do uso de energia através do conceito modificado de eco-eficiência. Explícita, pesos declarados e não personalizáveis

Ponderação

Explícita, mas pesos não declarados

Comunicação de resultados

4 Níveis de certificação f(índice global de desempenho ambiental, 1<EPI<10)

Sim, mas conduzida apenas dentro das categorias de impacto. Categorias não são ponderadas entre si. O resultado é o total de créditos obtidos em cada uma das cinco categorias, em relação ao valor máximo possível para cada critério. Critérios (essenciais, importantes ou suplementares) recebem de 1 a 10 pontos, cada.

Implícita. Categorias têm pesos idênticos, mas o número de itens pontuados em cada categoria varia. 4 Níveis de certificação f(pontuação total obtida)

5 Níveis de certificação f(indicador global de ecoeficiência, BEE), sendo dois destes níveis abaixo do nível de desempenho de referência (i.e. desempenho negativo). As categorias valem de 5 a 30 pontos. Cada item recebe de 1 a 5 pontos.

Quanto atingir?

Escala de desempenho

Escala de desempenho definida a partir de desempenhos de referência (benchmarks) e metas empíricas posteriormente validados ou revistos

Escala de desempenho definida a partir de desempenhos de referência (benchmarks) e metas empíricas posteriormente validados ou revistos

Escala de desempenho (-2 a +5) definida a partir da prática típica (benchmarks) e da melhor prática possível para cada critério (independente de custo ou dificuldade de implementação) Não há

Pontuação mínima

> 25% (projeto e execução) e > 21% (gestão e operação)

informação não disponível

> 40% pontos

BEE>1

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

66

3.3.1

O QUE OS MÉTODOS EXISTENTES AVALIAM ?

SOBRE O CONTEÚDO DA AVALIAÇÃO No exercício analítico que embasa esta discussão, as estruturas de seis dos principais métodos disponíveis 27 - BREEAM, LEEDTM, HKBEAM, MSDG, CASBEE e GBTool foram estudadas pormenorizadamente. Constatou-se que os nomes, conteúdo e nível de detalhamento das categorias variavam de um método a outro, porém dentro de blocos de discussão relativamente comuns. Procedeu-se então a normalização dos métodos, isto é: a re-categorização dos itens avaliados nos diferentes métodos segundo uma mesma base de categorias de avaliação, definida pela autora. Isto gerou uma exaustiva tabela comparativa 28, aqui sumarizada na Figura 13. Esta separação não é perfeitamente clara, pois alguns itens podem enquadrar-se em mais de uma categoria (uso de energia renovável, por exemplo, pode ser entendido como pertinente à categoria de gestão de energia ou de prevenção de poluição); mas os mesmos critérios de recategorização foram aplicados em todos os casos.
100% 90% 80%
3,4% 3,4% 24,7% 20,3% 17,0% 3,0% 8,8% 9,1% 9,6% 4,0% 4,0%

Qualidade da implantação Gestão do uso de água
12,0%

5,0% 4,5% 35,6% 7,3%

Importância relativa das categorias

70%
8,3% 26,0% 21,7% 9,8% 18,6%

Gestão do uso de energia
21,1% 16,3% 1,2%

60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

Gestão de materiais e (redução de) resíduos Prevenção de Poluição

10,0% 22,4% 18,8%

24,5% 3,4% 8,5%

26,0% 23,0%

Gestão ambiental (do processo) Gestão da qualidade do ambiente interno Qualidade dos serviços

10,1% 14,1% 33,6% 27,1% 12,4%
10,0%

18,8%

24,0%

12,0%

Desempenho Econômico

1,7%

2,9%

2,0%

BREEAM

HKBEAM

LEED

MSDG

CASBEE ponderado
Japão

GBTool ponderado
defaults Canadá

UK

HK

EUA

Minnesota (EUA)

Figura 13 – Distribuição dos créditos ambientais do BREEAM, HKBEAM, LEED TM, MSDG, CASBEE e GBTool, após normalização.

27 28

Casos em que houve acesso à estrutura completa dos sistemas. Uma versão resumida desta tabela consta no Apêndice 1.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

67

Os métodos são diferentes porque refletem expectativas de mercado, práticas construtivas e, principalmente, agendas ambientais diferentes para cada país. Isto é demonstrado pela variação na distribuição de créditos ambientais entre os métodos da Inglaterra, dos EUA, Japão e Canadá (defaults da GBTool) (Figura 13) e pelos resultados de pesquisa de percepção de relevância de aspectos a serem incluídos em um método de avaliação, realizada de maneira padronizada na Alemanha e no Brasil (ver Capítulo 6). O contraste entre o BREEAM e o HKBEAM, deixa clara a magnitude da alteração para adaptação do método britânico em Hong Kong. Mesmo dentro do mesmo país, as agendas podem mudar localmente, como mostra a diferença entre o LEED™ e o MSDG, criado especificamente para o estado de Minnesota, numa derivação clara do LEED™.. Temas ambientais com efeitos globais, como aquecimento global, dano à camada de ozônio, chuva ácida, esgotamento de florestas etc, são consensualmente reconhecidos como de grande importância e, conseqüentemente, de alguma forma incluídos em todos os métodos de avaliação ambiental. Já a importância atribuída a outros temas varia com o contexto geográfico, como nos casos de esgotamento de matérias-primas e conservação de água. Cabe ainda uma observação específica sobre a consideração da categoria Desempenho Econômico. O único sistema que vai além da avaliação de desempenho ambiental é o GBC, que procura estimar o custo envolvido na obtenção de um determinado nível de desempenho ambiental, com a intenção de (1) estimular o emprego de métodos de valoração no longo prazo e de (2) reunir dados para desmistificar o pré-conceito de que edifícios com melhor desempenho ambiental são necessariamente muito mais caros que um edifício comum. No entanto, o desempenho econômico é balanceado no mesmo nível que as diversas subcategorias de desempenho ambiental. O conceito de sustentabilidade pressupõe que os componentes ambiental, social e econômico estejam em um mesmo nível hierárquico. Neste sentido, um exemplo conceitualmente mais correto (ainda que não inclua a dimensão social) é dado pelo software BEES 29 (LIPPIATT, 1998), uma ferramenta de apoio à seleção de materiais e componentes de construção que balanceia as dimensões econômica e ambiental (com base em LCA) segundo uma importância relativa definida pelo usuário em cada contexto específico de tomada de decisão.

29

BEES - Building for Environmental and Economic Sustainability.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

68

3.3.2 COMO ESTES MÉTODOS AVALIAM O DESEMPENHO AMBIENTAL? SOBRE O SISTEMA DE PONTUAÇÃO O desenvolvimento ideal das metodologias de avaliação de edifícios é migrar dos critérios prescritivos para critérios de desempenho. Neste caso, o papel do benchmark – considerado de forma implícita na definição das metas - passa para o primeiro plano, e sinaliza o grande desafio de acumular os dados para construção destas referências de desempenho. A GBTool é o único sistema de avaliação pautado pela abordagem de desempenho já implementado 30. Diante da complexidade de aplicar os conceitos de avaliação de desempenho, a maior parte das metodologias é prescritiva e orientada a dispositivos ou estratégias31, e trabalham com listas de verificação (checklists) que concedem créditos em função da aplicação de determinadas estratégias de projeto ou especificação de determinados equipamentos. Esta é uma saída com nível de complexidade muito menor, que presume que uma coleção de estratégias e equipamentos provavelmente levará a alguma melhoria de desempenho, ainda que ela não possa ser estimada. Apesar de serem mais amigáveis para o mercado e mais facilmente incorporados como ferramentas de projeto, as listas orientadas a dispositivos vêm sendo vigorosamente contestadas durante o desenvolvimento de novos sistemas de avaliação. O problema-chave do formato checklist + critérios prescritivos é que o fato de um edifício atender completamente à lista de verificação não necessariamente garante o melhor desempenho global, ou em outras palavras: exigir o cumprimento de itens prescritivos e orientados a dispositivos só leva à produção de edifícios orientados a dispositivos, e não necessariamente de edifícios com melhor desempenho. Critérios orientados a dispositivos normalmente refletem uma confusão entre meios e fins, com os meios tornando-se objetivos per si. Tais critérios enfocam geralmente aspectos de atributos ambientais isolados e embutem o risco de favorecer a qualificação de edifícios que contenham equipamentos em detrimento do seu desempenho ambiental global; e de não refletir verdadeiramente os impactos ambientais das escolhas feitas. Isto significa que créditos como “conteúdo reciclado” e “uso de dispositivos de iluminação eficientes”, por exemplo, são atribuídos independentemente dos impactos ambientais

30

O CASBEE é ainda muito recente e pouco difundido; o ESCALE, do CSTB, e a versão beta do Minnesota Sustainable Design Guide também se aproximam do conceito de desempenho, mas ainda estão em desenvolvimento. Designadas, em inglês, pelas expressões feature-based ou device-oriented.

31

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

69

associados ao esforço de reciclagem ou de haver ou não estímulo para integração de estratégias ativas e passivas para redução do consumo global de energia.

SOBRE O USO DE LCA A maior parte dos sistemas de avaliação existentes – especialmente aqueles que atribuem pontos ou créditos com base em critérios, como o LEEDT M, BREEAM etc – não utiliza a LCA como ferramenta de apoio à atribuição de créditos ambientais relacionados ao uso de materiais. Esta deficiência resulta da natureza evolucionária das estruturas dos sistemas de avaliação ambiental e da ausência de dados ambientais apropriados e consensualmente aceitos, mas pode ser superada pela integração de ferramentas de suporte à decisão com base em LCA aos sistemas de avaliação ambiental. O desenvolvimento de um estimador simplificado de emissões e de energia incorporada nos materiais na GBTool 2002 foi um primeiro passo neste sentido, mas a integração completa somente será possível quando (1) forem disponibilizados os dados de inventário necessários, através do US LCI Database Project (Estados Unidos), ATHENA Institute (Canadá) e esforços comparáveis em outros países, e (2) estas ferramentas simplificadas forem posteriormente desenvolvidas para identificar apropriadamente e rastrear efeitos ambientais ao longo do ciclo de vida. São poucos os sistemas que seguem mais rigorosamente o formato de LCA, devido às dificuldades práticas de aquisição e manipulação de dados, e ao fato de aspectos importantes do desempenho de edifícios ficarem fora de seu alcance. De toda forma, o conceito de avaliar impactos ao longo de todo o ciclo de vida do edifício permeia todos os sistemas de avaliação disponíveis e de alguma forma transparece em suas estruturas. Entre os poucos exemplos de sistemas com base em LCA (LCA-based) estão o EcoEffect, da Suécia; o BEAT 2002, da Dinamarca; e o GBC. Nestes casos, utiliza-se LCA onde aplicável, isto é: para consideração de uso de recursos e geração de emissões e resíduos, e complementase a avaliação através do estabelecimento de critérios e indicadores. No EcoEffect, por exemplo, apenas a avaliação de uso de energia (Figura 14) e de uso de materiais é feita com base em LCA. Os demais temas (ambiente interno e ambiente externo) são avaliados com base em critérios.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

70

Figura 14 - Tela original de apresentação de resultados de impacto ambiental do uso de energia, segundo o EcoEffect (MALMQVIST, 2002). O GBC também utiliza o formato de análise de entradas (uso de recursos) e saídas (cargas ambientais) do sistema (edifício) e apresenta resultados nas categorias de impacto utilizadas nas LCAs para materiais de construção (através de links com softwares de LCA) e para produção e operação do edifício (através dos fluxos de recursos e emissões gerados). Assim como o EcoEffect, a avaliação dos itens que fogem do escopo da LCA é feita com base em critérios, para os quais atribui-se pontos conforme o resultado da comparação do desempenho do edifício com valores de referência (benchmarks) para indicadores pré-definidos. O CASBEE (JSBC, 2002), por sua vez, não faz exatamente uma análise de ciclo de vida, mas o conceito de eco-eficiência é, assim como a LCA, um princípio que balanceia os impactos negativos atrelados ao benefício de obtenção de um produto.

SOBRE O USO DE CRITÉRIOS E INDICADORES Ainda não há consenso sobre um conjunto de indicadores mais apropriado. Os valores de referência (benchmarks) naturalmente variam de um contexto a outro, sendo normalmente obtidos através de programas experimentais para coleta de dados da prática típica, que retroalimentam a definição das metas. Estes dois temas são alvo de pesquisas do BRE, da CIRIA 32

32

CIRIA - Construction Industry Research and Information Association.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

71

e outros (COLE, 1998; CIRIA, 2001; HÄKKINEN et al.; 2002; SIGURJÓNSSON et al., 2002). Uma vez adotado um determinado indicador, a unidade é normalmente consensual, isto é: emissões são expressas em Kg de substâncias equivalentes/ano; o consumo de energia, em MJ/ano; e o consumo de água, em m3 /ano. O que muda um pouco é o critério de normalização, isto é: se os valores dos indicadores são expressos como a quantidade absoluta de impacto ou por unidade de área, ou por horas de ocupação. O GBC apresenta resultados normalizados por área e por área e ocupação, de forma a evitar equívocos de interpretação influenciados por extremos de densidade de ocupação do edifício. Uma particularidade do GBC, dada a sua vocação para comparação internacional, é a utilização dos chamados indicadores de sustentabilidade ambiental, mas esta ainda é uma frente de trabalho em andamento. De toda forma, indicadores per si, infelizmente não dizem muita coisa. Para cumprir a sua função de comparar edifícios em países (e contextos) diferentes, os indicadores precisam estar atrelados a referências que apontem claramente o que significa aquele valor (de consumo de recursos, de cargas ambientais etc) no contexto em que o edifício está inserido. Tomando o exemplo do indicador de consumo de energia (MJ/por m2 ). O valor deste indicador para um edifício brasileiro (ainda que o clima exija refrigeração em determinada época do ano) pode ser bem mais baixo do que o de um edifício escandinavo (onde é questão de sobrevivência manter o aquecimento funcionando de 12h a 24h/dia, durante um período relativamente longo do ano) e, ainda assim, ser extremamente elevado em relação à média de edifícios similares no Brasil. Neste exemplo específico, (1) separar o consumo de energia em mais indicadores, sendo um exclusivamente para condicionamento e (2) uma terceira normalização, desta vez por clima (com base em degree days33, por exemplo ), podem ser abordagens interessantes.

33

Os degree-days indicam a interferência do clima local no consumo (e, portanto, do custo) de energia. Degree days são uma unidade de medida que compara a temperatura externa com uma temperatura-padrão de 65 Fahrenheit. Quanto maior a diferença, maior o número de degree days de aquecimento (temperatura externa < 65F) ou de refrigeração (temperatura externa > 65F).

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

72

SOBRE A APLICAÇÃO DE PONDERAÇÃO PARA AGREGAÇÃO DE RESULTADOS A ponderação é a área mais complexa de avaliação de impactos ambientais. Ainda não há método consensual para determinar objetivamente os fatores de ponderação apropriados, pois (PRÉ CONSULTANTS INC;DUIJF, 1996; HARRIS, 1999):

• • •

há dificuldade em obter consenso sobre a importância relativa de diferentes efeitos, ex.: “como a redução do consumo de energia compara-se ao consumo de matéria prima em termos ambientais?” ou “1 tonelada de material posto em aterro tem um impacto ambiental equivalente a 1 tonelada de emissão de CO2 ?”; um determinado efeito pode ser não só dependente de materiais, mas também de características de uso; a importância pode variar geograficamente, ex.: conservação de água, isolamento térmico; e há variações geográficas na energia incorporada, atreladas a diferentes requisitos de transporte e variações de eficiência energética na manufatura.

Por essa razão, nem todos os sistemas agregam os resultados. No entanto, se é feita a opção por exprimir o desempenho através de uma pontuação global, o problema da ponderação tem de ser tratado. A diferença em importância relativa entre variáveis pode existir explicita- ou implicitamente e, neste sentido, os sistemas existentes adotam linhas muito diferentes:

Nos métodos que utilizam sistema de pontos, como o LEED, o HK-BEAM e o MSDG, todos os créditos têm peso idêntico, a concentração de créditos em determinadas categorias define implicitamente um critério de ponderação. Tal critério, porém, não é transparente, já que a quantidade de créditos em cada área de avaliação resulta de decisão consensual das equipes que desenvolveram estes sistemas. A certificação de desempenho é conferida com base no total de créditos obtidos, não sendo necessário, portanto, atender a um número mínimo de créditos em cada uma das categorias. No BREEAM e no CASBEE, os pontos das categorias são ponderados explicitamente para gerar um numero único, respectivamente o índice de desempenho ambiental do edifício (EPI) e o indicador de eficiência ambiental do edifício (BEE).

No CSTB ESCALE e no BEPAC, os resultados dos itens principais e subitens não são agregados, isto é: o resultado apresentado é um perfil de desempenho do edifício. Nos níveis inferiores, a agregação é feita por soma ponderada. No GBC, a GBTool também usa pesos explicitamente, e sugere uma ponderaçãodefault a partir de dados canadenses. Esta ponderação pode ser redefinida pelo usuário em qualquer país, região ou contexto. A questão-chave é como fazer isto de maneira objetiva e consistente. Até a GBTool 2K (2000), apenas os níveis hierarquicamente inferiores - isto é dentro das categorias principais 34 - eram ponderados, segundo fatores ajustáveis pelas equipes de avaliação, e o resultado era um perfil de desempenho ambiental do edifício. Na versão 2002 (GBTool 2K v.

34

Criteria e subcriteria, na terminologia do GBC.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

73

1.81), também as categorias principais passaram a ser ponderadas para gerar uma nota final do edifício entre -2 e +5. Os pesos das categorias principais são definidos pelas equipes de avaliação, enquanto os pesos nos níveis inferiores são fixos e distribuídos igualmente por todos os itens. Apesar de ser consenso que os pesos das categorias devam ser determinados de maneira objetiva, ainda não foi encontrada uma forma satisfatória para fazê- lo. Na GBTool 2K v. 1.81 as equipes de avaliação são encorajadas a modificar os dados default da GBTool (válidos para o cenário canadense), utilizando técnicas de análise de decisão multi-critérios para reduzir a subjetividade na determinação dos fatores de ponderação. Foi também incluída uma planilha de votação em que até 6 votantes sugerem uma distribuição de pesos. Ressalta-se que estes votantes devem ser especialistas na área do tema ambiental relevante, o que significa que os componentes destes gr upos de votantes podem variar, de acordo com o tema em questão (COLE;LARSSON, 2002). SOBRE A COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS A questão-chave em comunicação de resultados relaciona-se a dois itens: (1) se a demonstração do desempenho do edifício é feita através de um indicador único, como faz o BREEAM; de perfis de desempenho, como fazem o BEPAC, o ESCALE, o EcoProfile; de uma combinação de índice e perfil, como o CASBEE e o GBC; ou simplesmente através de um número de pontos em relação ao total possível, como fazem o BEPAC, o LEED e o MSDG; e (2) se esta demonstração do resultado é absoluta (como no caso do BEPAC, BREEAM, LEED™ e MSDG) ou relativa, isto é: se a classificação do desempenho posiciona o edifício avaliado em relação ao desempenho típico do mercado (BREEAM, LEED™, CASBEE, ESCALE, GBC). 3.3.3 QUANTO É PRECISO ATINGIR? DEFINIÇÃO DE PONTUAÇÃO MÍNIMA, REFERÊNCIA E METAS DE DESEMPENHO Nos diversos métodos, a pontuação mínima que garante eligibilidade a uma das classes de desempenho também têm sido arbitradas, validadas empiricamente e modificadas nas revisões subseqüentes dos métodos. A definição de valores de referência (benchmarks) e metas de desempenho é outro ponto crítico. Não por dificuldades conceituais intrínsecas, como no caso da ponderação, mas pela necessidade de dispor de grande quantidade de dados tratados, e que sejam estatisticamente representativos. Por esta ser uma área relativamente recente, há poucos critérios e metas ambientais definidos.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

74

Em casos em que é possível medir com relativa facilidade, o estabelecimento de metas tende a ser também mais simples: no campo de aquecimento global, por exemplo, já existem modelos de simulação para estimar a escala da redução na emissão de CO2 necessária para estabilizar temperatura global. A partir de um valor como este, é possível estabelecer metas e benchmarks de consumo de energia e emissões de CO2 relacionadas para uma gama de tipos de edifícios estão amplamente disponíveis em vários países, inclusive na forma de softwares estimadores, como o Australian Building Greenhouse Rating System 35 e o Target Finder 36, do pacote do DOE/EPA Energy Star for Buildings 37. No entanto, em geral há pouca informação sobre o desempenho de edifícios existentes em relação a diversos indicadores, pois há aspectos de desempenho ambiental (como o efeito de qualidade do ar interno na saúde dos ocupantes) substancialmente mais difíceis de avaliar quantitativamente, seja de forma absoluta ou comparativa (HARRIS, 1999). É consenso que emprego de mecanismos de retro-alimentação é um fator-chave para melhoria de desempenho de edifícios, mas também é consenso que historicamente ela tem sido pouco utilizada. Na ausência de dados, como então escolher valores ( enchmarks) apropriados? b Metas muito ambiciosas e que nunca sejam atendidas podem, em vez de encorajar mudanças, acabar tendo efeito contrário. Metas muito baixas, por outro lado, simplesmente premiam práticas típicas, e deixam de diferenciar práticas que vão além do modelo corrente. Há dois caminhos possíveis para a definição de pontuação mínima, desempenho de referência e metas de desempenho: 1) Valores iniciais são definidos empírica- e consensualmente. As avaliações realizadas entre uma revisão e outra do método retro-alimentam o ajuste para as versões posteriores, assim como os resultados de pesquisas pontuais conduzidas em paralelo; e 2) construção de benchmarks com base num processo de aquisição de dados confiáveis, atualizados e estatisticamente representativos conduzido anteriormente.

Todos os métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios enquadram-se no primeiro caso. O segundo procedimento é o ideal, mas implica em custo, trabalho e tempo intensivos, de forma que é uma situação de raríssimos exemplos, como o Energy Star for Buildings,

35 36 37

http://www.abgr.com.au/ http://208.254.22.6/index.cfm?c=target_finder.bus_target_finder http://208.254.22.6/index.cfm?c=business.bus_index

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

75

sistema dos Estados Unidos especificamente para avaliação de desempenho energético; e o Probe, do Reino Unido, atualmente em estágio-piloto. No caso do Energy Star, os benchmarks e metas de desempenho utilizados no foram estabelecidos com base na CBECS 38, uma pesquisa feita pelo Departamento de Energia americano que gerou uma base estatística de dados de consumo e gastos com energia em edifícios comerciais americanos. Os edifícios classificados como escritórios nas CBECS de 1992 a 1995 formam uma amostra (cerca de 2000 edifícios) que estatisticamente representa os mais de 7.000 edifícios comerciais americanos elegíveis a avaliação pelo sistema. Uma análise de regressão linear passo-a-passo identificou (1) os componentes principais do consumo de energia dos edifícios; e (2) o impacto rela tivo destes componentes no consumo. O desempenho do edifício é estimado a partir de entrada de dados de consumo de energia, características físicas e de operação; e os benchmarks são normalizados por clima, conforme o CEP 39 da região do edifício a avaliar (EPA/DOE, 1999). Já o Probe é um projeto de pesquisa para melhorar a retro-alimentação sobre o desempenho de edifícios em operação no Reino Unido. É um projeto pioneiro em prover um pacote integrado de métodos testados para retro-alimentar clientes, projetistas e gestores de facilidades, através de revisão abrangente; de avaliações pós-ocupação (APOs) (incluindo entrevistas técnicas e de satisfação dos usuários) com base em benchmarks; e de um método de avaliação e relato de desempenho energético 40. A pesquisa conduzida ajuda a definir os benchmarks, que são validados em APOs e podem ser utilizados como referência pelo setor e para planejamento de novos empreendimentos ou reabilitações. Entre 1995 e 2000, foram publicadas 18 após (ESD, s.d. e COHEN et al, 2001). 3.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

A análise do histórico de desenvolvimento e das estruturas dos métodos de avaliação existentes realça alguns pontos-chave: 1. As origens e intenções de cada sistema variam de ferramentas para uso na etapa de projeto até ferramentas de avaliação pós-ocupação. Nem todos os métodos de avaliação existentes cobrem todos os campos potenciais de aplicação apontados no Capítulo 1 e resumidos na Tabela 12. O único sistema que com maior ou menor sucesso - varre todas as aplicações potenciais apontadas é a

38 39 40

CBECS - Commercial Buildings Energy Consumption Survey. CEP - código de endereçamento postal. EARMT M - Energy Assessment and Reporting Methodology.

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

76

GBTool, porque foi, desde o início, desenvolvido para tentar superar as limitações dos sistemas anteriores. Na tentativa de abranger todos os aspectos considerados relevantes para a definição de edifícios ambientalmente responsáveis, esta ferramenta de avaliação é sem dúvida, a mais complexa. Mas é também a mais freqüentemente revisada e atualizada. Tabela 12 Sistema de avaliação BEPAC* BREEAM* HKBEAM LEED™ * MSDG CASBEE GBTool*

Aplicações potenciais e posicionamento dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios existentes.
Gestão ambiental Marketing Metas ambientais Auxílio ao projeto Normas Auditorias desempenho ambientais

ü

ü ü ü ü ü ü

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* a partir de CRAWLEY, AHO (1999). O tamanho das marcas indica a abrangência da avaliação.

2. Apesar do detalhamento das agendas variar de um país a outro, isto ocorre dentro de blocos de discussão relativamente comuns, que estão presentes em qualquer contexto. Os métodos são naturalmente diferentes, por que as agendas ambientais variam de um país a outro; assim como as práticas construtivas e de projeto, o clima, o estado do estoque construído, as prioridades de regulamentações e do mercado; as mudanças (no mercado) que se deseja encorajar; e a receptividade dos mercados à introdução dos métodos. Este núcleo comum pode ser considerado como ponto de partida no desenvolvimento de um método brasileiro, mas deverá ser complementado por categorias que reflitam prioridades nacionais não contempladas nos métodos estrangeiros. A importância relativa (fatores de ponderação) entre categorias também deverá ser ajustada à agenda brasileira. 3. O conceito de considerar impactos ao longo de todo o ciclo de vida permeia todos os sistemas de avaliação disponíveis e de alguma forma transparece em suas estruturas, mas são poucos os métodos que seguem o formato de LCA com maior fidelidade. A maioria dos métodos de avaliação e, especialmente os métodos com sistema de pontos (ou créditos) com base em critérios, como o LEED TM, BREEAM etc, têm suas estruturas organizadas em função de input ou campos em que investidores, projetistas e construtores precisam necessariamente tomar decisões tais como: implantação, uso

Capítulo 3 – Sistemas de avaliação ambiental de edifícios: estado atual e discussão metodológica

77

de água e energia, materiais e ambiente interno. Estes métodos não utilizam a LCA como ferramenta de apoio à atribuição de créditos ambientais relacionados ao uso de materiais. Como resultado, tais créditos enfocam geralmente aspectos de atributos ambientais isolados, que podem ou não refletir verdadeiramente os impactos ambientais da escolha de materiais. Na outra ponta, são poucos os métodos que procuram seguir o formato de LCA mais de perto, os chamados sistemas com base em LCA (LCA-based): o EcoEffect, da Suécia; o BEAT 2002, da Dinamarca; e o GBC, internacional. Nestes casos, a estrutura é organizada em função de impactos ambientais associados a elementos ou características do edifício 41 (formato LCA). Como reforçado no Capítulo 2, a LCA traz uma dimensão científica à avaliação do impacto ambiental relacionado ao uso de materiais e recursos por um determinado sistema. Quando o objeto da análise é um edifício, no entanto, aspectos importantes de seu desempenho ambiental escapam de seu alcance. Conseqüentemente, os sistemas com base em LCA utilizam- na onde possível e, nos itens em que ela não é aplicável, a avaliação é complementada por critérios (e indicadores) ambientais.

4. Todos eles enfrentam - ou em algum momento enfrentaram – três pontos metodológicos críticos muito bem definidos: estabelecimento de uma estrutura de avaliação e do conjunto de indicadores correspondente, de um sistema consensual para ponderação para agregação de resultados; e de referências e metas de desempenho para os indicadores utilizados. A abordagem sugerida neste trabalho para os dois primeiros pontos é tratada no Capítulo 5. A definição de referências e metas de desempenho requer a experimentação do método e é alvo de continuidade da pesquisa.

5. Todos este s métodos partilham o objetivo de encorajar a demanda do mercado por níveis superiores de desempenho ambiental, provendo avaliações ora detalhadas, para o diagnóstico de eventuais necessidades de intervenção no estoque construído, ora simplificadas, para orientar projetistas ou sustentar a atribuição de selos ambientais para edifícios. 6. Todos eles concentram-se sustentabilidade. exclusivamente na dimensão ambiental da

E por várias razões. A mais óbvia delas diz respeito à natureza da agenda para a sustent abilidade em países desenvolvidos. O desenvolvimento econômico foi encorajado e acelerado e, nos países industrializados, a sociedade encontrou um nível de qualidade de vida e de distribuição de riqueza – ou ao menos de eliminação de extremos de desigualdade social - sem precedentes ou paralelo em países em desenvolvimento. O preço deste desenvolvimento foi a causa ou a acentuação de fenômenos destruição de elementos naturais em seu próprio território ou – como mais tarde seria constatado – em escala global. Por esta razão, a agenda dos países

41

No GBC, particularmente, o quesito uso de energia não renovável, por exemplo, aparece duplamente enquanto aspecto de consumo de energia e de poluição ambiental.

4 ESTUDO EXPLORATÓRIO
4.1 INTRODUÇÃO

Este estudo exploratório teve três objetivos principais (1) encerrar conclusivamente a demonstração da hipótese de trabalho, ao evidenciar que nem mesmo a ferramenta mais flexível dentre as existentes poderia ser utilizada satisfatoriamente no contexto brasileiro; (2) ganhar experiência no procedimento de avaliação ambiental de edifícios, utilizando um método internacional consolidado e com alto nível de detalhamento; e (3) verificar se e em que extensão este método poderia s incorporado para avaliar o módulo ambiental da er avaliação de sustentabilidade proposta para edifícios brasileiros. A GBTool foi selecionada para o estudo por ser a única ferramenta existente de avaliação ambiental de edifícios desenvolvida especificamente para permitir e facilitar a sua adaptação a diferentes contextos. A definição da escala de desempenho requer que sejam conhecidos no mínimo dois pontos: prática típica (benchmark, na definição do GBC, correspondente à nota 0,0) e prática de excelência (nota 5,0). A nota máxima para cada quesito pode ser definida teoricamente com base na vanguarda de tecnologias, materiais e equipamentos existentes, desconsiderando seu custo de implementação (COLE;LARSSON, 2002). Já a definição da nota zero é um ponto crítico enfrentado, a cada ciclo, por todas as equipes do GBC, e cada equipe adota uma abordagem própria 1. Em muitos países participantes, a existência de um amplo e detalhado conjunto de normas técnicas, ainda que não solucione completamente o problema, permite assumir valores para a prática típica e padrões da indústria para boa parte dos itens relevantes. Adicionalmente, alguns países já contam com inventários de ciclo de vida de materiais de construção, que permitem informar com maior precisão a energia e emissões neles incorporadas. No caso brasileiro, a defasagem ou ausência de normas técnicas e de dados nacionais em geral dificultava sobremaneira a definição teórica dos benchmarks. O estudo exploratório foi então desenhado para atender a um quarto objetivo: melhorar a calibração das avaliações de edifícios brasileiros no âmbito do GBC, isto é: conhecer a faixa da escala de desempenho da GBTool que corresponderia a edifícios resultantes de práticas

Capítulo 4 - Estudo exploratório

79

típicas de projeto e construção no Brasil. Estes níveis de desempenho passariam a constituir a nota zero em avaliações futuras de edifícios de porte, tipologia e condições de uso semelhantes.

4.2

DEFINIÇÃO DA AMOSTRA

A etapa de definição da amostra visava verificar se os edifícios disponíveis para o estudo piloto eram casos elegíveis para avaliação nos termos propostos nesta pesquisa, quais sejam: CARACTERÍSTICAS OBRIGATÓRIAS

edifícios em operação (entre 1 e 3 anos). A maioria dos sistemas de avaliação estima o desempenho a partir da avaliação de projetos de edifícios (desempenho potencial), utilizando simulação de dados de consumo a partir de premissas de projeto. Em virtude da limitação de recursos para o desenvolvimento desta pesquisa, optou-se por trabalhar, no estudo exploratório, com edifícios em uso (acima de 80% da ocupação) e coletar os dados de consumo diretamente das contas emitidas pelas concessionárias de fornecimento de água e energia (12 meses consecutivos). edifícios pertencentes ao maior número possível de categorias diferentes de edifícios comerciais que, ainda que não estatisticamente representativos, juntos compusessem o quadro de projeto e construção mais amplo possível para esta tipologia. A opção por edifícios reais substituiu a idéia inicial de definir um edifício típico conceitual. Após consulta a um painel de especialistas, considerou-se satisfatório que três categorias fossem contempladas: edifícios comerciais de padrão simples, padrão médio e “padrão corporativo”. O termo “padrão” foi aqui utilizado para referir-se não apenas aos custos de construção, mas principalmente à qualidade das soluções tecnológicas e de projeto empregadas. Preocupações (de projeto ou execução) em reduzir o impacto ambiental do edifício não foram consideradas como um critério para seleção dos edifícios ou definição das categorias. Os edifícios de padrão simples foram aqui definidos como aqueles caracterizados pelo emprego de equipamentos de condicionamento simples e nem sempre os mais eficientes (tipo unidade de janela ou split system, de controle manual), com pouca preocupação no atendimento de preceitos de qualidade de projeto e construção. Os edifícios de padrão médio caracterizam-se pelo emprego de soluções de condicionamento artificial mais eficientes, e de planejamento de projeto e execução, pautados pelos conceitos da qualidade e da série de normas ISO 9000. A categoria dos chamados edifícios corporativos procurava contemplar o fenômeno corrente de construção de edifícios de altíssimo padrão e com ampla utilização de fachadas envidraçadas durante o desenvolvimento e consolidação dos novos “centros de negócios” na cidade de São Paulo. Houve uma oferta de um edifício

1

Que vai desde a busca de um edifício existente, com função e padrão de ocupação idênticos (Chile e Canadá), até concentrar esforços para a definição sistemática de benchmarks apenas dos itens com maior peso (Canadá).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

80

padrão corporativo para avaliação, mas que foi posteriormente retirada, por receio do efeito que um eventual mau desempenho ambiental poderia ter na ima gem do edifício, em franco lançamento. Por essa razão, esta categoria não pôde ser avaliada nesta pesquisa.

CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS

edifícios executados por construtoras com certificação da série ISO 9000, por dois motivos. Primeiro, por entender que empresas e projetistas que tenham se preocupado em obter uma certificação da série de normas da qualidade estariam provavelmente mais próximos do perfil de um potencial interessado em obter uma certificação ambiental. Segundo, porque a condução de uma avaliação ambiental requer a disponibilização de uma grande quantidade de informações sobre o projeto e a execução do edifício, que tende a ser sensivelmente facilitada por procedimentos de documentação e arquivamento que tipicamente acompanham a implementação de sistemas de gestão da qualidade. edifícios concluídos há menos de 5 anos a contar do início da pesquisa, para evitar perda de informações pela desativação de arquivos e registros com o passar do tempo, alteração do corpo gerencial e de funcionários etc.

Procurando atender à categorização acima, aos limites geográficos de estudo, e a períodos de projeto e construção distintos (com reflexos principalmente na adoção dos conceitos de qualidade da construção), dois edifícios foram selecionados para avaliação:

edifício comercial de padrão simples, localizado na cidade de Campinas – SP (Estudo de Caso 1). Trata-se de um conjunto horizontal (2 pavimentos), uso misto (escritório e hotel), parcialmente condicionado e com intenso uso de iluminação e ventilação naturais. A execução coube a uma construtora sem sistema de gestão da qualidade implantado, e foi concluída em 1996. edifício comercial de padrão médio, localizado na cidade de São Paulo – SP (Estudo de Caso 2), vertical (14 pavimentos acima do solo), uso único (escritórios), totalmente condicionado artificialmente e com grande área envidraçada nas fachadas norte e sul. A execução coube à construtora-proprietária, portadora de certificação ISO 9000, e foi concluída em 2000.

A oferta limitada de edifícios para avaliação não permitiu, no período do estudo, a constituição de uma amostra estatisticamente representativa, mas os resultados dos estudos de caso avaliados constituem os números disponíveis para iniciar a discussão no tema. Com o aumento gradual do número de avaliações, o armazenamento dos dados do conjunto de edifícios avaliados delineará cada vez mais nitidamente um quadro típico de projeto e construção.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

81

4.3

AVALIAÇÃO EXPLORATÓRIA

A GBTool (versão GBT2kV1.81, de junho de 2002) foi utilizada exatamente no estado em que foi oferecida aos países participantes do terceiro ciclo do GBC (2000-2002). Os estudos de casos aqui descritos foram realizados nos moldes das avaliações para a conferência Sustainable Building 2002 (SB´02). Devido à dificuldade prática de se conduzir o volume de avaliação completo dentro de limites de tempo e financeiros aceitáveis para as equipes no GBC, era obrigatória a análise de apenas três temas: consumo de recursos, cargas ambientais e qualidade do ambiente interno. 4.3.1 DEFINIÇÃO DE FATORES DE PONDERAÇÃO A estratégia para a determinação sistemática de uma ponderação adaptada à realidade nacional envolveu a composição de um pequeno painel de especialistas, que utilizou uma ferramenta de suporte ao processo de análise hierárquica (AHP 2) desenvolvida em ambiente MS EXCEL®, com recursos básicos de MS Visual Basic®3. A vantagem decisiva da utilização do AHP é tornar o processo de ordenamento e seleção muito transparente e revelar, em detalhe, o julgamento do agente de decisão. O procedimento de consulta a painel de especialistas já foi utilizado em experiências semelhantes, como o BREEAM, e é estimulada pela inclusão da planilha “VOTE” na GBTool. 4.3.1.1 DEFINIÇÃO DOS NÍVEIS HIERÁRQUICOS O primeiro passo da aplicação da técnica AHP é a definição dos níveis hierárquicos do problema de decisão. Assim, logo após uma tela de cadastro, foi apresentada aos votantes a árvore hierárquica mostrada na Figura 1, definida seguindo a estrutura da GBTool. Esta mesma hierarquia foi mantida na organização das telas de Ajuda e de Resultados.

2 3

AHP - Analytic Hierarchy Process. Existem no mercado softwares AHP especializados, sendo o ExpertChoice® (CHAPMAN; MARSHALL; FORMAN, 1998) o mais difundido deles, que poderiam ter sido utilizados para a derivação dos pesos.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

82

Temas de Desempenho

Consumo Recursos

Cargas ambientais

Qualidade ambiente interno

Qualidade serviços

Econômico

Gerenciamento

Comutação Transporte

Nivel 1
energia solo água reuso materiais externos GHGs ozônio acidific. foto-oxid acústica resíduos sólidos efluentes líquidos RCD perigosos impacto vizinhos
eletromagnetismo

qualid. ar conforto térmico iluminação

flexibilidade controlabilidade manuten ção do desempenho privacidade amenidades impacto no terreno e adjacências

processo Verificação pré-entrega operacional

Nivel 2

Figura 1 – Definição dos níveis hierárquicos. 4.3.1.2 CONSTRUÇÃO DAS MATRIZES DE COMPARAÇÃO Feito o cadastro e examinada a árvore hierárquica do problema apresentado, o votante chega às duas matrizes de decisão quanto à importância relativa entre Temas de Desempenho 4. A matriz completa inclui todos os temas de desempenho contemplados na GBTool (não utilizada neste estudo, enquanto uma matriz parcial inclui apenas os temas obrigatórios para a SB´02 (Figura 2).

4

No total, são sete matrizes de decisão: duas delas para ponderação entre temas de desempenho, e outras cinco matrizes para ponderação das categorias dentro dos temas Consumo de Recursos; Cargas Ambientais; Qualidade do Ambiente Interno; Qualidade dos Serviços; e Gerenciamento. Não há matrizes para os temas Desempenho Econômico, que é avaliada na GBTool através de um quesito único; e Comutação/transporte, ainda não implementado.

Categorias

Capítulo 4 - Estudo exploratório

83

Para facilitar o entendimento daqueles não familiarizados com a terminologia utilizada, hyperlinks levam a um arquivo de ajuda sintético, em que são listadas as categorias que compõem cada Tema.

Figura 2 -

Matriz de decisão quanto à importância relativa entre Temas de Desempenho avaliados pela GBTool, formato parcial.

Seguindo os preceitos do AHP, as matrizes foram desenhadas para permitir a análise de importância sempre por comparação de pares de opções (uma linha x uma coluna). Somente os campos do bloco triangular azul claro (porção superior direita da matriz) estão abertos à interação com o usuário. Nestas células, apenas os valores presentes na escala de importância são aceitos para digitação. Os campos recíprocos (bloco triangular cinza, na porção inferior esquerda da matriz) e a coluna de importância relativa (pesos) são completados automaticamente durante o preenchimento da matriz. Os pesos resultantes são enviados para a tela Resultados, onde mensagens de erro alertam quanto a falhas no preenchimento das matrizes. Definida a importância relativa entre os Temas de Desempenho, segue-se a segunda série de matrizes de comparação (Figura 3, Figura 4, Figura 5), onde, em procedimento idêntico ao anteriormente descrito, o avaliador decide quanto à importância relativa das categorias dentro de cada tema.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

84

Figura 3 –

Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Consumo de Recursos.

Figura 4 -

Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Cargas Ambientais.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

85

Figura 5 -

Matriz de decisão quanto à importância relativa entre categorias do Tema Qualidade do Ambiente Interno (IEQ).

4.3.1.3 ESCALA DE IMPORTÂNCIA RELATIVA A escala de importância relativa foi definida como mostrado na Tabela 1. Tabela 1 – Definição da Escala de Importância Relativa nas matrizes de decisão. Escala de Importância Relativa
Muito mais importante Mais importante Importância igual Menos importante Muito menos importante 4 2 1 1/2 1/4

A escala fundamental com 9 pontos originalmente proposta por SAATY (1980) não deixa precisamente claro quão mais importante é um atributo em relação a outro, pois a transição de um intervalo para outro pode ser bastante sutil. Alguns autores chegaram a desenvolver definições lingüísticas para designar detalhadamente os intervalos da escala (DRAKE, 1998), no entanto isto não significa que tais definições resultarão sempre nos mesmos pesos, já que os termos lingüísticos são inevitavelmente imprecisos (fuzzy).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

86

Para facilitar a assimilação por parte dos usuários, optou-se nesta pesquisa por modificar a escala fundamental de SAATY (1980) e reduzir para 5 o número de intervalos da escala. Seguindo a orientação de HAURIE (2001), uma escala multiplicativa (1/4, 1/2, 1, 2, 4) foi utilizada em vez de uma escala linear, a fim de evitar os problemas de inconsistência que poderiam surgir nos julgamentos (i.e. não proporcionalidade entre vetores-colunas da matriz de comparação). Os termos lingüísticos: ”muito mais importante”, “mais importante”, “importância igual”, “menos importante” e “muito menos importante” foram então associados às descrições quantitativas dos intervalos da escala. 4.3.1.4 PESOS OBTIDOS COM O AUXÍLIO DA FERRAMENTA AHP Os pesos utilizados nos dois estudos de casos estão reunidos na Tabela 2. Tabela 2 – Pesos utilizados nos dois estudos de casos realizados.
R - Consumo de Recursos
R1 - Uso de energia primária (líquida) ao longo do ciclo de vida R2 - Uso de solo e alteração na qualidade do solo R3 – Consumo (líquido) de água potável R4 - Reuso de estrutura ou materiais (existentes no sítio) e/ou encaminhamento de materiais para reciclagem fora do sítio R5 - Quantidade e qualidade de materiais (externos ao sítio) utilizados

38%
50 5 35 0 10

L - Cargas Ambientais
L1 - Emissão de gases causadores de efeito estufa L2 - Emissão de substâncias nocivas à camada de ozônio L3 - Emissão de gases causadores de acidificação L4 - Emissões levando à formação de foto-oxidantes L5 - Emissões com potencial de eutroficação L6 - Resíduos sólidos L7 - Efluentes líquidos L8 - Resíduos perigosos L9 - Impactos ambientais no sítio e propriedades adjacentes

25%
20 20 10 12 0 20 13 3 2

Q - Qualidade do Ambiente Interno
Q1 - Qualidade do ar e da ventilação Q2 - Conforto Térmico Q3 - Conforto lumínico Q4 - Conforto Acústico Q5 - Poluição Eletromagnética

37%
25 25 25 20 5

Capítulo 4 - Estudo exploratório

87

Um painel de especialistas composto por seis votantes, utilizou a ferramenta AHP para derivar pesos no nível hierárquico mais alto, isto é: entre os temas de desempenho. Para as categorias dentro de cada tema, foram mantidos os pesos-default da GBTool, considerados como razoáveis e pouco influenciados por variações contextuais 5. 4.3.2 DEFINIÇÃO DE BENCHMARKS Os benchmarks foram estimados com o maior rigor possível, considerando a limitação de normalização e dados nacionais. De maneira geral, quando existentes, foram utilizados valores de normas ABNT, códigos de obras, dados nacionais publicados e recomendações sem poder normativo feitas por órgãos como o PROCEL. Como segundo recurso, foram utilizados, onde aplicável, valores obtidos em normas ASHRAE e de ferramentas internacionais, nominalmente o LCAid, o ATHENATM, o EnergyStar e o Austin GreenBuilder. Finalmente, foram feitas consultas a especialistas, fabricantes de equipamentos e profissionais do mercado. Nos casos em que nenhuma destas fontes permitiu estimar valores nacionais, foram utilizados os valores-default oferecidos pela ferramenta, com a ciência de que eles não necessariamente refletiriam os números brasileiros. Especificamente: 1) Benchmarks gerais de projeto Foram adotadas configurações mais comuns permitidas pelos códigos de obras (ex.: padrões de ocupação e interferência em propriedades vizinhas permitidas ou resultado de omissões da legislação) ou resultantes da prática comum observada (ex. 100% de área do terreno impermeável (em função dos subsolos); 0 % de escavações de subsolo e 0% água de chuva retidos no terreno). Quando existentes, foram usados valores de normas e recomendações, ou os mais próximos possíveis, dentre aqueles aceitos pela GBTool6:

zonas de controle de dispositivos de iluminação: 12,5 m2 , para zonas periféricas (valor da ferramenta mais próximo da recomendação de 13 m2 feita pelo PROCEL (2001)), e 25 m2 , para zonas internas); nível de iluminação ambiente: a recomendação da NBR 5413 (ABNT, 1992) para ambientes de escritórios é de 500 a 1000 lux, no plano de trabalho, e 1/10

5

Nos níveis inferiores na hierarquia da GBTool (dentro das categorias), os pesos não são alterados pelo usuário, mas divididos igualmente entre os critérios e, quando existentes, sub-critérios. Em muitos casos , a GBTool usa lista de seleção (drop down), com valores pré-definidos e não editáveis.

6

Capítulo 4 - Estudo exploratório

88

disto (min 500 lux) para o restante do ambiente. Foi adotado 475 lux (valor máximo aceito pela GBTool).

Na ausência de normas específicas, os parâmetros típicos de projeto de iluminação e sistemas de ar condicionado, conforto ambiental, entre outros, foram obtidos por consulta a especialistas e profissionais do mercado. 2) Benchmarks de (reuso de) materiais e (geração e destinação de) resíduos: Foram estimados valores a partir da prática comum: 0% de reuso de materiais; 100% do resíduo de construção e demolição (RCD) necessitando disposição adequada; 70% do revestimento interno atendendo a recomendações quanto à emissão de VOCs7; e 75% do material adquirido localmente (raio de 150 km). 3) Benchmarks de energia incorporada e emissões: No caso dos impactos associados aos materiais de construção (energia incorporada e emissões), diante da ausência total de dados nacionais de LCA, foram tomados valores a partir de dados-default e aceito o cálculo feito pelo estimador simplificado contido na ferramenta, mantendo-se em mente que estes números poderiam ser muito diferentes daqueles para os materiais brasileiros 8. Os valores de energia incorporada na estrutura e envelope do edifício foram estimados a partir de um quadro na GBTool 2000, versão usada no ciclo 1998-2000, que relaciona a massa e a complexidade do edifício a valores de energia incorporada (em GJ/m2 ). Para um edifício com massa de 375 kg/m2 (laje de 15 cm de concreto com 2500 kg/m3 ), os níveis baixo e convencional de complexidade foram arbitrados, respectivamente, como prática ótima (4,5 GJ/m2 ) e prática padrão (6 GJ/m2 ).
• • •

Energia incorporada (prática padrão): 6,0 GJ/m2 . Energia incorporada (prática ótima): 4,5 GJ/m2 Emissões de substâncias causadoras de efeito estufa (GHG 9) incorpora das nos materiais (conversão não refinada, com base na energia incorporada nos materiais) =

7

Não havia dados sobre o adesivo utilizado no carpete no piso (~30% do revestimento interno), mas considerou-se que os 70% do revestimento interno restantes (pintura a base de água nas paredes e forro de alumínio ou gesso) atendem a recomendações quanto à emissão de VOCs Notavelmente no caso do cimento, em que a GBTool considera adição máxima de 15% de resíduos, enquanto no Brasil utiliza-se correntemente cimento com até 75% de adições. GHG - Greenhouse Gas es.

8

9

Capítulo 4 - Estudo exploratório

89

72 kg CO210 eq./GJ energia incorporada (dado médio dos estudos de casos canadenses apresentados no GBC’98, calculados pelo software ATHENAT M).

4) Benchmarks de tipo de ocupação:
• • •

densidade de ocupação: a ASHRAE 62 (2001) considera densidade máxima (em escritórios) de 7 pessoas/92 m2 (= no mínimo 13 m2 /pessoa), valor que foi adotado; resistência do concreto: 25 MPa (concreto de resistência normal); área de coleta e armazenamento de resíduos de uso: supondo serviço público de coleta diária considerou-se como típica, a previsão de pequena área central para armazenamento separado de resíduos sólidos (5 m2 ) e lixo orgânico (2,5 m2 ).

5) Benchmarks para sistemas de ventilação natural:

relação típica entre área de janelas e aberturas operáveis e área do piso: 20% (valor na lista drop down da GBTool mais próximo da relação 1/6 da área do piso (16,7%) adotada pela maioria dos códigos de obras para áreas de ocupação prolongada. Distância máxima (da zona de ocupação primária) até a linha de janelas que provê ventilação: 7m para ventilação unilateral, e 15m, para ventilação cruzada.

6) Benchmarks para sistemas mecânicos:
• • • • •

energia para condicionamento, iluminação e equipamentos : eletricidade; % mínima de horas ocupadas em que o edifício foi projetado para manter faixas de conforto nas áreas de ocupação principal: 90% (consulta a projetista); altura mínima do solo para pontos de tomada de ar externo: 2 m (consulta a projetista); distância mínima entre pontos de tomada de ar externo e saídas de exaustão e fontes de ar contaminado: 6 m (consulta a projetista); tipo e quantidade de refrigerante utilizado: HCFC11-22, consumido na proporção aproximada de 1 kg/35m2 (consulta a fabricante e projetista).

7) Benchmarks para sistemas de ventilação mecânica:
• • • • •

área ventilada e condicionada mecanicamente: 100% Taxa mínima de renovação de ar (ocupação primária): 10 l/s* m2 (consulta a projetista; ASHRAE 62.1 (2001)); Volume máximo de ar tipicame nte recirculado (ocupação primária): 20% (consulta a projetista); UR mínima mantida durante aquecimento: 50% (recomendação PROCEL (2001); UR máxima mantida durante refrigeração: 60% (recomendação PROCEL (2001);

10 11

CO2 - Dióxido de carbono. HCFC – Hidroclorofluorcarbono.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

90

• •

setpoint de refrigeração: 26o C (valor usado nas simulações realizadas por SIGNOR (1999). Consumo de energia: Os benchmarks de consumo de energia foram embasados nos dados publicados por SIGNOR (1999).

Prática padrão: adotado o valor de 406,8 MJ/m2 * ano (~112,78 kWh/m2 * ano), média dos valores publicados por SIGNOR (1999), para uma amostra de 512 edifícios de escritórios climatizados artificialmente na cidade de São Paulo. Prática ótima: O menor consumo entre os dados da mesma amostra de 512 edifícios usada acima (SIGNOR, 1999) é 194,4 MJ/m2 * ano (~53,89 kWh/m2 * ano), mas corresponde a menos da metade da média da amostra, e foi considerado como um ponto isolado. Optou-se, então, por adotar como benchmark o valor de 317 MJ/m2 * ano (~88 kWh/m2 * ano), que é a média dos menores consumos de energia em edifícios comerciais, condicionados artificialmente, em 14 cidades brasileiras, publicados no mesmo trabalho.

8) Benchmarks para uso de água:

Uso de água fria: 83 l/pessoa* dia, menor consumo – antes da intervenção no âmbito do PURA 12 - dentre os estudos de casos, série edifícios comerciais, divulgados na página da SABESP 13. Para o Estudo de Caso 1 (uso misto escritório e hotel), o benchmark (240l/pessoa* dia) foi estimado a partir do número de funcionários (151 x 83 l/dia) e de hóspedes potenciais (45 x 200 l/dia).

3 Consumo de água para irrigação de jardins: 109,5 m /ano * m2 , estimativa do LCAid, considerando combinação de irrigação por spray e solo argiloso.

4.3.3 ESTUDO DE CASO 1: CONJUNTO COMERCIAL DE PADRÃO SIMPLES , USO MISTO (ESCRITÓRIO E HOTEL ) 4.3.3.1 DESCRIÇÃO O Estudo de Caso 1 (Figura 6) situa-se no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. O terreno faz divisa com uma fazenda, com o campus da UNICAMP e com um lago, do parque ecológico anexo. Dos 121.000 m2 do terreno, apenas 30% podem ser construídos. O conjunto de escritórios e hotel foi inaugurado em 1996, utilizando uma parcela de terreno
2 de 21.000 m . O custo estimado para esta primeira etapa de desenvolvimento (incluindo

construção, mobiliário e equipamentos) foi de cerca de US$ 1.800.000,00. A expansão do conjunto construído está atualmente em fase de projeto e inclui um centro de convenções e um novo bloco de hotel.

12 13

PURA - Programa de Uso Racional da Água. http://www.sabesp.com.br/pura/cases/escritorios_sede_sabesp.htm

Capítulo 4 - Estudo exploratório

91

Figura 6 -

Vista externa do bloco de escritórios (esquerda) e vista do lago a partir do solarium no hotel

A área bruta dos dois blocos soma 4.420 m², distribuída em dois pavimentos em cada bloco. Os 45 apartamentos do hotel são ocupados principalmente por professores visitantes ou participantes das conferências realizadas no próprio hotel ou no centro de convenções da Universidade. As instalações do hotel incluem piscina, sauna, quadras esportivas e uma ligação ao parque ecológico. Este exemplo explora o uso de iluminação e ventilação naturais (Figura 7, Figura 8 e Figura 9), potencialmente capazes de reduzir o consumo de energia do conjunto, se comparada com a prática usual de projeto de escritórios: 100% da área é condicionada e iluminada artificialmente 14. Nos dois edifícios, os espaços são inundados pela iluminação natural proveniente de grandes janelas e de aberturas na parte superior dos átrios. As janelas expostas a luminosidade intensa receberam uma combinação de dispositivos de sombreamento externos (brises) e filmes para evitar ofuscamento (Figura 7). As áreas de trabalho (bloco de escritórios) e os apartamentos e auditórios (hotel) possuem condicionamento artificia l (aparelhos de janela ou tipo split system), que, somados, correspondem a 69% da área bruta do conjunto. Os átrios e halls de entrada não são condicionados. Sistemas de aquecimento de ambientes não são utilizados. Apenas uma

pequena parcela de energia renovável é utilizada: coletores solares, para o aquecimento de água nos apartamentos e no restaurante do hotel; e células fotovoltaicas, para controle da iluminação externa.

14

Segundo LAMBERTS;WESTPHAL (2000), em edifícios comerciais, o consumo para refrigeração corresponde, em média, a cerca de 20% do consumo de energia do edifício; e a iluminação artificial, a aproximadamente 44%.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

92

Figura 7 -

Interior do bloco de escritórios: átrio. À direita, janelas com brises e filmes para sombreamento.

Figura 8 -

Bloco do hotel: átrio e interior de apartamento típico.

Considerou-se que o valor ecológico do sítio não foi significativamente alterado pela a construção do conjunto. O terreno era anteriormente não construído e praticamente plano. Não houve remoção de cobertura vegetal considerável e o pequeno movimento de terra realizado foi acomodado dentro dos limites do próprio terreno. Basicamente materiais locais foram utilizados (considerados como locais materiais provenientes de um raio de 150 km). As áreas de estacionamento são todas asfaltadas, e a porção com paisagismo recebeu grama, com demanda por irrigação. Não há sistema de reuso de águas servida (águas cinzas). A água da chuva que escorre sobre os pavimentos impermeáveis é enviada para a rede pública, enquanto a parcela coletada nos

Capítulo 4 - Estudo exploratório

93

telhados dos edifícios é disposta no lago. A água do lago, por sua vez, é utilizada para irrigação das áreas ajardinadas.

Figura 9 -

Bloco do hotel: átrio central e clarabóias para iluminação natural.

4.3.3.2 RESULTADOS DA AVALIAÇÃO DO ESTUDO DE CASO 1 O resultado global da avaliação do Estudo de Caso 1 foi 1,1. Resultados parciais são apresentados da Figura 10 a Figura 13. A linha vermelha (nota 0) nos gráficos indica o desempenho de referência (benchmark).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

94

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

0,6
0,0 -1,0 -2,0

0,5
Cargas ambientais Loadings

2,1
IEQ
IEQ

0,0
Qualid. Serviços

0,0
Desemp. Econômico
Economics

0,0
Gerenc. processo

0,0
Transporte
Transport

Consumo Recursos

Resources

Service Quality

Management

Temas de Desempenho

Figura 10 - Resultado dos temas Consumo de Recursos, Cargas ambientais e Qualidade do ambiente interno (os pesos dos temas não avaliados foram zerados).

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

0,8
0,0
Energia

1,0
Solo
Land

0,4
Água
Water

0,0
Reuso edifício
Building reuse

0,0
Materiais
New Materials

-1,0
Energy

-2,0

Consumo de Recursos

Figura 11 - Desagregação do resultado de Consumo de Recursos (nota 0,6).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

95

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0

0,0 -0,5
GHG
GHG

1,1
Acidificação
Acidification

0,6
Resíduos Solid waste sólidos

1,9
Efluentes
Effluent

0,1
Impactos Site impacts no sítio

-1,0 -2,0

ODS

ODS

Cargas Ambientais

Figura 12 - Desagregação do resultado de Cargas Ambientais (nota 0,5) 15.

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

2,6
0,0 -1,0 -2,0
IAQ IAQ

0,3
Conf. Térmico Thermal Comfort

4,4
Conf. Lumínico Illumination

1,0
Conf. Acústico Acoustics

2,0
EMF EMF

Qualidade do Ambiente Interno

Figura 13 – Desagregação do resultado de Qualidade do Ambiente Interno (nota 2,1)16.

15

GHG – Greenhouse gases (gases causadores de efeito estufa). ODS - Ozone depleting substance (substância danosa à camada de ozônio troposférico) EMF = electromagnetic field (campo eletromagnético).

16

Capítulo 4 - Estudo exploratório

96

Tabela 3 -

Indicadores de sustentabilidade (adotados no GBC) referentes ao Estudo de Caso 1, normalizados por unidade de área e unidade de área e ocupação.
Indicadores de sustentabilidade do GBC
Por área 5,1 GJ/m2 101 MJ/m2 362 MJ/m2 80 MJ/m2 182 MJ/m
2

Por área e ocupação 29,8 GJ/(kaph/m2) 17 597 MJ/(kaph/m2) 2130 MJ/(kaph/m2) 473 MJ/(kaph/m2) 1070
2

ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8

Consumo total de energia primária incorporada na estrutura e envelope do edifício (50 anos), GJ Consumo anual de energia primária incorporada, MJ Consumo anual de energia primária para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária não-renovável para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária incorporada e energia primária não renovável para operação do edifício, MJ (ESI2+ESI-4) Área de solo consumida pela construção do edifício e serviços relacionados, m 2 Consumo anual de água potável para operação do edifício, m3 Uso anual de água cinza e água da chuva para operação do edifício, m 3 Emissão anual de gases de efeito estufa pela operação do edifício, kg. CO2 equivalente
18

~1416 kWh/m2 ~28 kWh/m2 ~100 kWh/m2 ~22 kWh/m2 ~50 kWh/m 1,8 m2/m2 41

MJ/(kaph/m2) 44,8 m2/ocupante 42 m3/(aph/m2) *ano 0 m3/(aph/m2) *ano 60 kg CO2 eq/(kaph/m2)*ano 0 g CFC-11 eq/(kaph/m2)*ano 0 kg/(aph/m2) *ano 4530 kg/(aph/m2) *ano

m3/m2 *ano 0 m3/m2 *ano 10 kg CO2 eq/m *ano 0
2

ESI-9

ESI-10

Vazamento previsto de CFC-11

equivalente por ano, g

g CFC-11 eq/m2 *ano 0 kg/m *ano 769 kg/m2 *ano
2

ESI-11 ESI-12

Massa total de materiais reutilizados e mpregados no projeto, vindos do próprio terreno ou de fontes externas, kg. Massa total de novos materiais (não reutilizados) empregados no projeto, vindos de fontes externas, kg.

4.3.4 ESTUDO DE CASO 2: EDIFÍCIO COMERCIAL DE PADRÃO MÉDIO, USO ÚNICO (ESCRITÓRIOS) 4.3.4.1 DESCRIÇÃO O Estudo de Caso 2 é um exemplo típico de edifício de escritórios de padrão médio na cidade de São Paulo. Aspectos ambientais não foram parâmetros diretos de projeto. No entanto, as fases de projeto e construção aplicaram princípios de coordenação de projeto e procedimentos de controle de qualidade e racionalização de recursos, especialmente energia e minimização de desperdício. O edifício foi construído em um dos poucos vazios urbanos na Vila Olímpia, que têm recebido crescente desenvolvimento comercial e de negócios. A operação do edifício teve

17

kaph = 1.000 horas anuais de ocupação. aph - annual person-hours of occupancy (horas anuais de ocupação por pessoa, obtidas pela multiplicação do número de ocupantes do edifício pelo número de horas de ocupação anuais). CFC – Clorofluorcarbono.

18

Capítulo 4 - Estudo exploratório

97

início em outubro de 2000. O bloco construído tem 3 pavimentos de garagem subterrâneos, ocupando toda a área do terreno. Nos 14 pavimentos acima do nível do solo, cerca de 2.100 m2 são utilizados para escritórios, enquanto que a área funcional total (escritórios mais áreas de serviço) é de cerca de 2.500 m2 .

Figura 14 -

Fachadas frontal (orientação sul) e lateral (oeste) do edifício.

A fachada principal é orientada para o sul, e não apresentaria maiores problemas por utilizar grande área envidraçada. A fachada norte, no entanto, adota o mesmo conceito arquitetônico e usa área envidraçada quase idêntica, porém em uma orientação desfavorável. Não há dispositivos externos de sombreamento, e o controle solar e de ofuscamento baseia-se no uso de vidros reflexivos. A fachada norte é parcialmente sombreada pelos edifícios no entorno, mas a parte superior fica desprotegida da ação direta de raios solares (Figura 14). A largura reduzida das plantas dos pavimentos (Figura 16, inferior) permite acesso a iluminação natural e vistas externas em todas as áreas de escritórios. Ainda assim, utiliza-se densidade de iluminação artificial de 14 W/m2 pavimentos de garagem.
19

mesmo durante o dia, inclusive nos

19

Estimada a partir do projeto de iluminação e tomadas.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

98

Figura 15 – Vista de escritório duplex no 12o pavimento (esquerda), hall de entrada (direita, superior) e entrada secundária.

Figura 16 – Plantas no nível térreo e de uma das duas configurações de pavimento-tipo.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

99

O Estudo de Caso 2 apresenta um consumo de água de 52 l/pessoa* dia, que o que corresponde a uma redução de quase 40% em relação ao desempenho adotado como referência 20. O consumo anual bruto de eletricidade foi em torno de 163 MJ/m2 /ano (~45 kWh/m2 * ano), cerca de 40% do benchmark adotado). 4.3.4.2 RESULTADOS DA AVALIAÇÃO DO ESTUDO DE CASO 2 O resultado global da avaliação do Estudo de Caso 2 foi 1,4. Resultados parciais são apresentados da Figura 17 a Figura 20. A linha vermelha (nota 0) nos gráficos indica o nível de desempenho típico de um edifício equivalente na mesma região (desempenho de referência ou benchmark).

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

1,3
0,0 -1,0 -2,0
Consumo Recursos

0,7
Cargas ambientais
Loadings

2,5
IEQ
IEQ

0,0
Qualid. Serviços

0,0
Desemp. Econômico
Economics

0,0
Gerenc. processo

0,0
Transporte
Transport

Resources

Service Quality

Management

Temas de Desempenho

Figura 17 - Resultado dos temas Consumo de Recursos, Cargas ambientais e Qualidade do ambiente interno (os pesos dos temas não avaliados foram zerados).

20

Foram considerados os dados dos estudos de caso do PURA (Programa de Uso Racional da Água), série edifícios comerciais, divulgados na página da SABESP (http://www.sabesp.com.br/pura/cases/escritorios_sede_sabesp.htm).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

100

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 -1,0 -2,0

1,5 -1,0
Energia Energy Solo Land

1,7

0,0
Reuso

0,0

Água Water

Building re- Materiais New edifício use Materials

Consumo de Recursos

Figura 18 -Desagregação do resultado do tema Consumo de Recursos (nota 1,3).

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 -1,0 -2,0

0,5
GHG
GHG

0,0
ODS
ODS

3,0 -0,3
Acidificação
Acidification

0,0
Resíduos Solid waste sólidos Efluentes
Effluent

0,9
Impactos

Siteno sítio impacts

Cargas Ambientais

Figura 19 -Desagregação do resultado do tema Cargas Ambientais (nota 0,7).

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

3,0
0,0 -1,0 -2,0
IAQ IAQ

0,4
Conf. Térmico Thermal Comfort

4,7
Conf. Lumínico Illumination

0,9
Conf. Acústico Acoustics

5,0
EMF EMF

Qualidade do Ambiente Interno

Figura 20 – Desagregação do resultado do tema Qualidade do Ambiente Interno (nota 2,5).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

101

Tabela 4 -

Indicadores de sustentabilidade (adotados no GBC) referentes ao Estudo de Caso 2, normalizados por unidade de área e unidade de área e ocupação.
Indicadores de sustentabilidade do GBC
Por área 11,2 GJ/m2 224 MJ/m2 429 MJ/m2 95 MJ/m2 320 MJ/m2 ~3111 kWh/m2 ~62 kWh/m2 ~119 kWh/m2 ~26 kWh/m2 ~89 kWh/m2 0,8 m2/m2 15 m3/m2 *ano 0 m3/m2 *ano 12 kg CO2 eq/m *ano 0
2

Por área e ocupação 73,6 GJ/(kaph/m2) 21 1471 MJ/(kaph/m2) 2819 MJ/(kaph/m2) 626 MJ/(kaph/m2) 2098 MJ/(kaph/m2) 10,7 m2/ocupante 17 m3/(aph/m2) *ano 0 m3/(aph/m2) *ano 80 kg CO2 eq/(kaph/m2)*ano 0 g CFC-11 eq/(kaph/m2)*ano 0 kg/(aph/m2) *ano 16024 kg/(aph/m2) *ano

ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8

Consumo total de energia primária incorporada na estrutura e envelope do edifício (50 anos), GJ Consumo anual de energia primária incorporada, MJ Consumo anual de energia primária para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária não-renovável para operação do edifício, MJ Consumo anual de energia primária incorporada e energia primária não renovável para operação do edifício, MJ (ESI2+ESI-4) Área de solo consumida pela construção do edifício e serviços relacionados, m 2 Consumo anual de água potável para operação do edifício, m3 Uso anual de água cinza e água da chuva para operação do edifício, m 3 Emissão anual de gases de efeito estufa pela operação do edifício, k g. CO2 equivalente

ESI-9

ESI-10

Vazamento previsto de CFC-11 equivalente por ano, g Massa total de materiais reutilizados empregados no projeto, vindos do próprio terreno ou de fontes externas, kg. Massa total de novos materiais (não reutilizados) empregados no projeto, vindos de fontes externas, kg.

g CFC-11 eq/m2 *ano 0 kg/m *ano 2441 kg/m2 *ano
2

ESI-11 ESI-12

4.4

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os resultados da GBTool são basicamente interpretados com base em dois grupos de informações: (1) e pontuação global e por categoria (Tabela 5); e (2) indicadores de sustentabilidade ambiental (Erro! A origem da referência não foi encontrada., Figura 21 e Figura 22). A Tabela 5 detalha a pontuação obtida nos dois estudos de casos.

21

kaph = 1.000 horas anuais de ocupação. aph - annual person-hours of occupancy (horas anuais de ocupação por pessoa, obtidas pela multiplicação do número de ocupantes do edifício pelo número de horas de ocupação anuais).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

102

Tabela 5 – Pontuação obtida pelos estudos de casos avaliados.
PONTUAÇÃO OBTIDA Consumo de Recursos (peso 38%) Energia Solo Água Reuso edifício Materiais Cargas Ambientais (peso 35%) GHG ODP Acidificação Resíduos sólidos Efluentes Impactos no terreno Qualidade do Ambiente Interno (peso 27%) IAQ Conforto térmico Conforto lumínico Conforto acústico EMF Total (ponderado)
24 23 22

Estudo de Caso 1 0,6 0,8 1,0 0,4 0,0 0,0 0,5 -0,5 0 1,1 0,6 1,9 0,1 2,1 2,6 0,3 4,4 1,0 2,0 1,1

Estudo de Caso 2 1,3 1,5 -1,0 1,7 0,0 0,0 0,7 0,5 0,0 3,0 -0.3 0 0,9 2,5 3,0 0,4 4,7 0,9 5,0 1,4

No Estudo de Caso 1, não estavam disponíveis quantitativos de materiais separados por bloco, nem medição individualizada dos consumos correspondentes a cada bloco. Foi necessária, portanto, a determinação de benchmarks de consumo específicos para a tipologia de uso misto (escritório e hotel). Por a pontuação do desempenho pela GBTool ser relativa a benchmarks para edifícios de uma mesma tipologia e localizados numa mesma região, não é possível comparar diretamente os resultados (do bloco de escritório) do Estudo de caso 1 com o Estudo de caso 2. Como estes benchmarks são regionais, tampouco é apropriado comparar os perfis de desempenho ou as notas obtidas pelos edifícios avaliados para a SB’02. Para esta finalidade, o GBC usa os indicadores de sustentabilidade ambiental. É, no entanto, instrutivo situar a nota obtida pelo Estudo de Caso 2 (1,4) em relação à amostra de edifícios de escritórios avaliados para a SB’02, que representam projeto e construção ambientalmente avançados nos respectivos

22 23 24

ODP - Ozone Depleting Potential (Potencial de dano à camada de ozônio troposférico). IAQ - Indoor Air Quality (Qualidade do ar interno). EMF – Electromagnetic Field (Poluição eletromagnética).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

103

países: Chile (1,9), Suécia (2,1), Estados Unidos (2,5 e 2,7), Coréia (2,5); Noruega (2,6), Espanha (2,6) e Japão (1,1; 2,2; 2,3; 2,4; 2,5; e 2,7).

INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL ADOTADOS NO GBC Os indicadores de sustentabilidade ambiental (ESIs) são um conjunto limitado de medidas absolutas de desempenho que caracterizam práticas de construção sustentável e facilitam a comparação internacional de edifícios. Doze indicadores de sustentabilidade ambiental são avaliados na versão da GBTool utilizada: 5 indicadores de uso de energia (incorporada e operacional), 1 de uso do solo, 2 de uso de água (reuso e uso total), 2 de emissões durante a operação do edifício (CO2 e CFC) e 2 de uso de materiais (reuso e novos materiais) (Tabela 3 e Tabela 4). Estes indicadores correspondem à parte marcadamente de LCA da avaliação, indicando números de consumo e emissões, que são normalmente importantes em qualquer contexto. Como são números absolutos, não há interferência de benchmarks e é possível fazer uma comparação direta entre edifícios de mesma tipologia. A Figura 21, a Figura 22, a Figura 23 e a Figura 24 situa m o Estudo de Caso 2 em relação aos demais edifícios de escritórios avaliados na SB’02. Para os indicadores normalizados apenas por unidade de área (Figura 21), os resultados dos indicadores ESI-6, ESI-7 e ESI-11 do Estudo de Caso 2 foram próximos das médias da amostra. Afora os indicadores de energia primária incorporada (ESI-1 = 11,2 GJ/m2 , contra uma média de 4,4 GJ/m2 ; e ESI-2 = 224 GJ/m2 * ano, contra média de 96 GJ/m2 * ano), e de uso de novos materiais (ESI-12 = 2441 kg, contra média de 973 kg), o Estudo de caso 2 apresentou valores muito menores que os demais edifícios avaliados, especialmente nos indicadores de consumo de energia para operação (ESI-3, ESI-4 e ESI-5). As médias destes três indicadores e do indicador de consumo de água (ESI-7) foram muito elevadas pelos resultados dos edifícios asiáticos. Excluídos estes edifícios da análise (Figura 22), o desempenho do Estudo de caso 2 em relação à média dos edifícios europeus e norteamericanos foi:

Acima da média, para o indicador de uso de energia não renovável, ESI-4 (95 MJ/m2 * ano)25, contra média de 325 MJ/m2 * ano;

25

Convém lembrar que os valores dos indicadores ESI- 1, ESI- 2 e ESI- 5 são diretamente influenciados pelo cálculo estimado de energia incorporada nos materiais, o que o torna de pouca validade para análise.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

104

próximo da média, para os indicadores de energia operacional, ESI-3 (429 MJ/m2 * ano); consumo de solo, ESI-6 (0,8m2 /m2 ) e consumo de água potável, ESI-7 3 (15 m /m2 * ano), contra médias de, respectivamente, 490 MJ/m2 * ano, 1m2 /m2 e 19 3 2* m /m ano; e muito abaixo da média, como esperado, no caso dos indicadores referentes ao reuso de materiais, ESI-11 (0 kg/m2 ), e consumo de novos materiais (virgens ), ESI-12 (2441 kg/m2 ), contra médias de, respectivamente, 58 kg/m2 e 1132 kg/m2 ). Desempenho do Estudo de Caso 2, em relação à média da amostra.
Normalizados apenas por área (m2) Média Estudo Caso 2 Média
6 91 1315 1222 1314 1 19 2 93 0 157 1346 (excluindo asiáticos) 4 78 490 325 403 1 19 0 66 0 58 1132

Tabela 6 -

Normalizados por área e por ocupaç ão (m2 *kaph) Média Estudo Caso 2
73,6 1471 2819 626 2098 10,7 17 0,0 80 0,00000 0,0 16024

Média
36 579 8022 5864 6513 18 28 1 427 0 0 8267

(excluindo asiáticos) 34 558 4371 3011 3648 21 26 0 410 0 0 7534

ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12

11,2 224 429 95 320 0,8 15 0 12 0,00000 0 2441

Discussão análoga aplica-se aos indicadores normalizados por ocupação e área (Figura 23 e Figura 24), acrescentando que a normalização por ocupação revela desempenho muito melhor do edifício brasileiro quanto aos consumos de solo (ESI-6) e de água (ESI-7).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

105

6000 Brasil Chile 5000

materiais novos

EUA EUA

4000

Noruega Espanha Japão Japão Japão

3000

2000

Japão Japão Japão Japão Coréia Média ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12

1000

0

Figura 21 - Indicadores normalizados apenas por unidade de área (unidade variável no eixo das ordenadas).

3000

2500 Brasil Chile EUA 1500 EUA Noruega 1000 Espanha Média (-asiáticos)

2000

500

0 ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12

Figura 22 - Indicadores normalizados apenas por unidade de área, excluindo edifícios asiáticos (unidade variável no eixo das ordenadas).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

106

40000,0 Brasil 35000,0 30000,0 25000,0 20000,0 15000,0 Chile

materiais novos

EUA EUA Noruega Espanha Japão Japão Japão Japão Japão Japão Coréia Média

10000,0 5000,0 0,0 ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12

Figura 23 - Indicadores normalizados por unidade de área e por ocupação (unidade variável no eixo das ordenadas).

25000,0

20000,0 Brasil 15000,0 Chile EUA EUA 10000,0 Noruega Espanha Média (-asiáticos) 5000,0

0,0 ESI-1 ESI-2 ESI-3 ESI-4 ESI-5 ESI-6 ESI-7 ESI-8 ESI-9 ESI-10 ESI-11 ESI-12

Figura 24 - Indicadores normalizados por unidade de área e por ocupação, excluindo edifícios asiáticos (unidade variável no eixo das ordenadas).

4.5

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

Os estudos de casos aqui descritos foram apresentados na SB’02, em Oslo, e, portanto, foram consideradas apenas as categorias de uso de recursos, cargas ambientais e qualidade do ambiente interno. A GBTool foi selecionada para uso no estudo piloto por ser especificamente desenvolvida para permitir sua adaptação a diferentes contextos de avaliação. Esta adaptação centra-se na intervenção do usuário em dois pontos principais: a personalização de escala de desempenho, através da definição de desempenhos de referência (benchmarks, nota 0) e de desempenho de excelência (nota +5); e de ponderações específicas.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

107

Os benchmarks foram estimados com o maior rigor possível, considerando a limitação de instrumentos normativos e dados nacionais. Para a derivação de uma ponderação razoável para estudos no Brasil, foi desenvolvida uma ferramenta AHP, utilizada para calcular os pesos a partir da percepção de um painel de especialistas quanto à importância relativa dos Temas/Categorias de desempenho considerados. O estudo piloto permitiu a familiarização e estudo detalhado da GBTool. Em resposta à questão posta pelos objetivos do estudo exploratório, concluiu-se, que, em condições ideais, seria conveniente aproveitar a lógica e parte do conteúdo da GBTool para a composição do módulo ambiental incluído no modelo de avaliação de sustentabilidade de edifícios proposto. Os grandes temas nela apresentados são, além de abrangentes, basicamente os mesmos que aparecem nas listagens de atributos de edifícios feitas pelos sub-comitês ASTM E06.05 (Whole-building Performance) e ASTM E06.81 (Building Economics) 26. Naturalmente, é necessária a revisão detalhada das referências adotadas pela ferramenta. Esta tarefa, assim como o rastreamento de erros da ferramenta, é dificultada pela grande quantidade de fórmulas distribuídas nas várias planilhas que compõem a GBTool, muitas delas calculadas automaticamente e não acessadas pelo usuário. Apesar de reduzir o esforço necessário para completar as avaliações, a grande quantidade de automatização inserida na ferramenta aumentou significativamente o potencial de erros de fórmulas, que podem diminuir a confiança do resultado obtido com a ferramenta. A maioria dos erros foi corrigida enquanto as equipes participantes aplicavam a GBTool em seus estudos de casos, entre dois e três meses antes da SB’02. Outros passaram, e um deles foi percebido após a conferência, em razão do resultado suspeito obtido, naquela ocasião, para o Estudo de Caso 2. A flexibilidade idealizada para esta ferramenta tem virtudes teóricas importantes, como rastreabilidade dos pesos utilizados e orientação da avaliação à mensuração de desempenho, mas cria dificuldades práticas igualmente importantes:
• •

a definição dos benchmarks deve ser criteriosa, pois orienta todo o cálculo de resultados; para alguns itens, a faixa de valores aceitos pela GBtool não atende a normas brasileiras, como no caso de nível de iluminação ambiente, para o qual o valor máximo da ferramenta é ligeiramente inferior ao prescrito na NBR 5413 (1992);

26

A listagem completa de atributos relacionados a edifícios desenvolvida por estes sub-comitês está incluída em CHAPMAN et al. (1998).

Capítulo 4 - Estudo exploratório

108

fatores importantes para o clima e hábitos locais, como simplesmente abrir janelas para ventilar, por exemplo; características geográficas (na nossa latitude, o fator de luz do dia-default é facilmente alcançável por aberturas mínimas, e a escala de pontuação é facilmente estourada); e tradição construtiva (a avaliação de RCD considera apenas as perdas inerentes às tecnologias construtivas, e não desperdício, que é considerável no Brasil) não são adequadamente valorados. As avaliações ambientais utilizando a GBTool exigem uma quantidade realmente grande de informação, nem sempre prontamente disponíveis e organizadas no Brasil. Diversos cálculos são feitos automaticamente, a partir de um número mínimo de entradas dadas pelo usuário, o que torna os resultados obtidos questionáveis, quando, na falta de informações na quantidade, detalhamento e precisão consideradas na GBTool, são feitas adaptações e inferências pelo usuário ou pela própria ferramenta de avaliação; os intervalos da escala de desempenho são definidos com exatidão, a partir do desempenho de referência e da meta de desempenho estipulados para cada item, e têm uma sensibilidade alta, que destoa da qualidade dos dados disponíveis para a utilização; e as suposições-default da ferramenta podem levar a resultados descolados da realidade brasileira. Particularmente, não é possível confiar ou tirar conclusões a partir dos dados de energia e emissões incorporadas aos materiais calculados pela GBTool para nenhum dos estudos de casos brasileiros. A avaliação de energia incorporada nos materiais é feita com base em um estimador que, na falta de dados de LCA calculados, usa como padrão dados canadenses, que podem ser muito diferentes dos dados nacionais. A estimativa de GHG a partir da conversão da energia incorporada faz sentido apenas para os processos de produção que utilizem fontes fósseis de energia (óleo, gás, carvão...), o que nem sempre é o caso dos materiais brasileiros, em cuja produção é freqüente o emprego de (hidro)eletricidade e lenha 27. Uma avaliação correta depende necessariamente de dados de LCA, não disponíveis neste momento para materiais nacionais. Como nem o valor de energia incorporada, nem a taxa de conversão de energia incorporada para CO2 incorporado utilizados no cálculo foram obtidos de dados de LCA de materiais brasileiros, o cálculo induz a um acúmulo de erros que torna os dados pouco aproveitáveis.

A oferta limitada de edifícios para avaliação não permitiu a constituição de uma amostra estatisticamente representativa, porém o estudo exploratório forneceu os primeiros números nacionais, que podem ser utilizados para ajudar a balizar avaliações de outros edifícios de mesma tipologia de uso e nas mesmas localizações dos estudos de casos. Apesar da realização de julgamentos de importância relativa entre temas avaliados não ser uma atividade simples, devido à interdisciplinaridade de conhecimento envolvida, a ferramenta AHP mostrou-se como um facilitador da derivação sistemática de pesos entre temas de desempenho da

27

A queima de biomassa também libera CO2, mas considera-se que esta emissão é neutralizada pela absorção de CO2 durante seu crescimento.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

109

GBTool, sinalizando que um procedimento semelhante poderia ser utilizado positivamente no desenvolvimento de um método nacional. 4.5.1 SOBRE A NECESSIDADE DE DESENVOLVER UM MÉTODO BRASILEIRO Este Estudo Exploratório encerra a demonstração, iniciada no Capítulo 3, de que não é possível copiar, traduzir ou simplesmente aplicar um método estrangeiro no contexto brasileiro ou de qualquer outro país, por maior que tenha sido o sucesso obtido em seu país de origem. Certos aspectos perdem validade ou, por outro lado, itens nem sempre considerados pelos métodos internacionais são importantes no nosso contexto e devem ser incluídos na avaliação. Os exemplo s citados em SILVA (2001) e SILVA et al. (2002) ilustram bem esta discussão. Para mencionar apenas um deles: Todos os métodos enfatizam a importância das emissões de CO2 durante o uso do edifício; o GBC é o único que vai além e permite considerar o CO2 incorporado nos materiais. Esta é claramente uma preocupação de países de clima frio (com grande demanda por aquecimento, durante períodos relativamente longos) e/ou que tenham matrizes energéticas fortemente centradas no uso de combustíveis fósseis, e que, por estas razões, têm compromissos rigorosos firmados no Protocolo de Kioto. No caso brasileiro, o controle de CO2 durante a operação do edifício não tem a mesma validade, já que (1) a emissão de CO2 pelos países em desenvolvimento é insignificante diante da dos países desenvolvidos e este reconhecimento impõe controle rigoroso sobre países que, metaforizando, já consumiram – ou mesmo extrapolaram - a sua “cota de destruição do planeta” durante seu processo de desenvolvimento, para que os outros países possam também se desenvolver, como é o caso do Brasil; e (2) na maior parte do território nacional, a energia utilizada é eletricidade proveniente principalmente de fontes hidráulicas e não poluentes (apesar da recente alteração de cenário, com maior participação de fonte termelétricas), e é possível que no ciclo de vida de edifícios no Brasil, a emissão de CO2 durante a produção dos materiais de construção seja preponderante.

Este trabalho defende a idéia de que a qualidade de um método de avaliação de edifícios é determinada por quatro princípios essenciais:
• • •

Para ser tecnicamente consistente, um método de avaliação deve ser adaptado a dados nacionais relevantes; Para ser viável praticamente, um método de avaliação deve ser adaptado ao mercado, práticas de construção e tradições locais; Para ser absorvido e difundir-se rapidamente, um método de avaliação deve ser desenvolvido em parceria com as principais partes interessadas: investidores, empreendedores/construtores, projetistas; Para ser apropriado ao contexto nacional, os itens avaliados no método devem ser ponderados para refletir prioridades e interesses nacionais.

Capítulo 4 - Estudo exploratório

110

Todos eles são definidos localmente. E todos eles são, portanto, contrariados pela importação de métodos. Que fique claro que o problema não é a qualidade dos métodos existentes. Pelo contrário, em seus contextos de origem, eles são apropriados e vêm experimentando alto grau de sucesso. Apenas não é apropriado utilizá- los, como são, fora destes contextos. A tentativa mais vigorosa de internacionalização de um método de avaliação foi feita com o BREEAM. Mais recente, o LEED é aplicável em todo o território dos Estados Unidos, porém são raros os casos de aplicação externa. Atualmente, porém, tanto o LEED quanto o BREEAM evitam avaliar edifícios fora de seus países de origem. A prática demonstrou que a dificuldade de adequação aos locais de avaliação ia além da retirada ou adição de aspectos a avaliar e que os resultados das adaptações revelavam-se, na verdade, como novos sistemas, muito diferentes dos métodos originais. Estes sistemas podem até ser utilizados no Brasil – ou em outros países. Não há impedimentos legais ou restrições oficiais além da devida comunicação ao BRE e ao USGBC, respectivamente. No entanto, a maioria esmagadora dos aspectos seria julgada com base em normas e práticas americanas ou britânicas, por sua vez definidas com base em traços culturais, tradição construtiva, restrições legais e adesão a protocolos globais, que definem determinadas prioridades e, juntas, formam um cenário que, em sua essência, pode ser próximo do brasileiro em alguns aspectos (como eficiência no uso de recursos e redução da poluição), mas que, em termos de rigor de metas e da abordagem escolhida para atingi- las (ex. redução de CO2 para atender ao Protocolo de Kioto, meta que o Brasil não tem), tende a ser muito descolado da nossa realidade. O GBC investiu em um caminho diferente: criar uma ferramenta que fosse suficientemente flexível e pudesse ser utilizada em diversos países. Aí está o papel fundamental dos benchmarks, que contextualizam a avaliação e definem o fundo da escala de desempenho. E aí está também o seu grande calcanhar de Aquiles, pois falhas na definição dos benchmarks alteram diretamente o resultado da avaliação, e podem mesmo invalidá- la. Seria excelente se fosse possível utilizar, no Brasil, uma ferramenta tão completa quanto a GBTool, mas exatamente por sua abrangência e complexidade, ela está longe de ser um instrumento para uso corriqueiro. Mais apropriado é utilizar a GBTool em seu propósito original, e desenvolver um método local a partir do embasamento teórico-científico que ela oferece. Retomando a ótica que orientou a discussão metodológica dos sistemas internacionais existentes para avaliação ambiental de edifícios de escritórios feita no Capítulo 3, eles não são adequados para aplicação no Brasil, porque:

Capítulo 4 - Estudo exploratório

111

o que estes métodos avaliam é insuficiente: todos eles detêm- se na avaliação ambiental, e os itens ambientais avaliados não necessariamente refletem a agenda brasileira. O Brasil exibe um conjunto de graves problemas sociais, traduzidos por indicadores alarmantes de desigualdade e de pobreza (INSTITUTO ETHOS, 2002; IBGE, 2002). O setor de construção brasileiro emprega milhões de trabalhadores. Este uso intensivo de mão-de-obra e a participação significativa no PIB posicionam o setor como um motor potencial na criação e distribuição de valor, com repercussão direta no alívio de pobreza, desenvolvimento humano e inclusão social; provisão de condições dignas e seguras de trabalho e de capacitação e treinamento técnico-ambiental continuado e formal; e prosperidade e fortalecimento de comunidades localmente. Para ser aderente a esta condição de país em desenvolvimento, os objetivos ambientais, sociais e econômicos da construção sustentável devem ser integrados na composição das avaliações de edifícios. a forma como estes métodos avaliam é inapropriada para o Brasil, porque: o para prover resultados aderentes ao contexto de avaliação é necessário definir localmente um critério de ponderação; e o não há dados nacionais de LCA, e é inconsistente avaliar impactos de materiais brasileiros com base em dados estrangeiros.

o quanto deve ser atingido em cada método é definido pela sinergia de fatores como tecnologias e produtos disponíveis em cada m ercado, práticas construtivas, normas vigentes, que, juntos, delineiam níveis de referência e metas que mudam de um contexto a outro.

É fundamental, portanto, desenvolver um método à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras. Deve-se necessariamente passar, no Brasil, por um processo de amadurecimento semelhante àquele por que passaram os países de origem dos métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios, com o desafio maior de ampliar o escopo tradicional de avaliação ambiental para avaliação de sustentabilidade de edifícios.

O próximo Capítulo dedica-se à reunião de diretrizes e de uma base metodológica necessária para o desenvolvimento de um método nacional de avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios.

5 DIRETRIZES

E BASE METODOLÓGICA PARA DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS

As questões metodológicas formuladas no Capítulo 3 naturalmente delineiam diretrizes para orientar o desenvolvimento de um modelo de avaliação da sustentabilidade de edifícios brasileiros, arranjadas como um fluxograma na Figura 1. As próximas sessões fornecem a discussão e base metodológica para o tratamento de dois pontos críticos: (1) definição da estrutura de avaliação, parte da tarefa de definição de “o que avaliar?”; (2) definição do critério de ponderação, parte da tarefa de definição de “como avaliar?”. A descrição completa do modelo de avaliação proposto é feita no Capitulo 6. 5.1 ESTRUTURA DE AVALIAÇÃO (“O QUE AVALIAR?”)

Propõe-se neste trabalho que a discussão conceitual para definição do conteúdo da avaliação de sustentabilidade de edifícios parta da consideração das prioridades nacionais, sintetizadas em uma agenda setorial para sustentabilidade, e restrinja gradativamente o foco para a escala do edifício, com base em quatro etapas (Figura 2): 1) Estudo de iniciativas para desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade de nações, assim como das estruturas analíticas para sua organização; 2) Proposição-base de Agenda 21 para a construção sustentável no Brasil, organizada com base na estrutura temática de indicadores utilizada pela UN CSD1 (DESA, 1999), e incluindo os tópicos aplicáveis das agendas setoriais publicadas pelo CIB (CIB, 1999 e CIB/UNEP-IETC, 2002); 3) Análise das categorias de avaliação e indicadores propostos por iniciativas internacionais de relato de sustentabilidade organizacional e do setor de construção, principalmente as da GRI 2 e da CIRIA3; e 4) Análise das iniciativas internacionais para desenvolver indicadores de sustentabilidade de edifícios, assim como das categorias de avaliação e indicadores utilizadas pelos métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios (feita no Capítulo 3) e daquelas sugeridas pela ISO CD 21931 (ISO, 2003b, Tabela 8) 4.

1 2 3 4

UN CSD - United Nations Commission on Sustainable Development. GRI - Global Reporting Initiative. CIRIA - Construction Industry Research and Information Association. ISO TC59/SC3/N501. Buildings and constructed assets – Sustainability in Building – Framework for assessment of environmental performance of buildings. ISO CD 21931, 2003b.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

113

1 2 3 4

Definição do que avaliar
Uso previsto Escopo Limites do sistema Estrutura da avaliação* (conteúdo e organização de indicadores)

Definição de como avaliar
Natureza avaliação • Prescritiva x desempenho • Uso de LCA Seleção preliminar de indicadores Critério de ponderação* Comunicação de resultados

Realização de consulta pública

Revisão de indicadores Definição de pesos

Definição de quanto deverá ser atingido

Refinamento (estudo-piloto de 1 ano)
Acúmulo de dados de práticas típicas e de excelência Revisão das metas

avaliar

Escala de desempenho (referências e metas ) Proposição de metas empíricas’ Pontuação mínima Classes de desempenho

Lançamento de versão do método

Revisão e refinamento
(em intervalos de 1 ano, nos primeiros 5 anos) Banco de resultados de avaliações Acúmulo de dados de práticas típicas e de excelência Validação das metas e estrutura

Figura 1 -

Diretrizes para o desenvolvimento de um método de avaliação da sustentabilidade de edifícios.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

114

Nações

Organizações Setor

Edifícios

1
Indicadores de desenvolvimento sustentável

ONU (CSD) World Bank …
Ecological Footprint

3
GRI
CIRIA

Indicadores ambientais

OECD …

BREEAM LEED GBC EcoEffect EcoProfile CASBEE PromisE NABERS … ISO CD21931

4

Estruturas analíticas

2
Figura 2 -

Agenda 21 para Construção Sustentável no Brasil

Agenda 21 CIB Agenda 21 CIB/UNEP

Estrutura de avaliação

Base conceitual para definição do conteúdo e estrutura analítica do modelo de avaliação proposto.

5.1.1 INDICADORES : CONCEITO E IMPORTÂNCIA Um indicador é um parâmetro (propriedade medida ou observada) ou valor derivado de parâmetros que fornece informação sobre um determinado fenômeno (OECD, 1993). Um indicador possui significado sintético e é desenvolvido para um objetivo específico. Estas duas características fazem com que seu significado transcenda as propriedades diretamente associadas ao valor do parâmetro, e apontam as principais virtudes do uso de indicadores, que são: § reduzir o número de medidas e parâmetros necessários para descrever uma determinada situação. Conseqüentemente, o número de indicadores e o nível de detalhamento contido num conjunto de indicadores têm de ser limitados. Por um

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

115

lado, um índice único 5 ou um número demasiadamente pequeno de indicadores podem ser insuficientes para prover a informação necessária ou podem incorrer em dificuldades metodológicas que crescem com o nível de agregação de informações. Por outro lado, um número excessivo de indicadores tende a distorcer a visão geral que o conjunto supostamente deveria fornecer. § simplificar o processo de informação através do qual os resultados destas medidas chegam ao usuário final.

Indicadores capturam tendências para informar os agentes de decisão, orientar o desenvolvimento e o monitoramento de políticas e estratégias, e facilitar o relato das medidas adotadas para implementação do desenvolvimento sustentável. Para ser útil, um indicador deve permitir uma explicação das razões das mudanças em seu valor ao longo do tempo, ser suficientemente simples na maneira em que descreve problemas freqüentemente complexos, e usar definições comuns de componentes-chaves e normalização para permitir comparações (COLE, 2002). Indicadores de sustentabilidade surgiram primeiro na esfera das nações (Apêndice 2), em resposta a Agenda 21, mas métricas são necessárias em todos os níveis (Figura 3), pois podem não só apontar o caminho, como também mostrar se e de que maneira ocorre o movimento da sociedade, do setor de construção, de uma organização e da produção de edifícios em direção às metas nacionais de desenvolvimento sustentável. No nível setorial, os indicadores são úteis para (1) fornecer informações para a tomada de decisões; (2) fornecer a retro-alimentação necessária para o desenvolvimento sustentável; e (3) medir a contribuição de programas específicos para o progresso do setor (ou nacional) em relação a sustentabilidade. No nível organizacional, os indicadores são necessários para (1) medir ou descrever o desempenho em relação à sustentabilidade de uma operação, empreendimento ou corporação; (2) facilitar o estabelecimento de metas e o desenvolvimento de padrões para benchmarking interno e em relação a outras empresas do setor; (3) avaliar desempenho (aderência às metas estabelecidas) e monitorar periodicamente o progresso em direção à sustentabilidade; (4) comunicação com clientes e demais partes interessadas; e (5) derivar

5

Índices são o resultado da agregação de vários indicadores segundo procedimentos metodológicos específicos. Um exemplo é o Índice de Desenvolvimento Humano (http://hdr.undp.org/statistics/tools.cfm#2), que agrega três componentes básicos de desenvolvimento humano: longevidade, educação e padrão de vida.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

116

benefícios diretos de relato de sustentabilidade e de benchmarking do desempenho da empresa.

Indicadores nacionais (ambientais ou desenvolvimento sustentável) Indicadores setoriais de sustentabilidade (construção civil)

OECD ONU World Bank

Indicadores de sustentabilidade organizacional (empresas projeto e construção) Indicadores de edifícios e projetos

CIRIA CRISP Global Reporting Initiative Guidelines BREEAM LEED HKBEAM GBC …

Figura 3 –

Escalas de ação das principais iniciativas de organização de indicadores ambientais /de desenvolvimento sustentável /de sustentabilidade.

Apesar de fundamentais para ajudar a unificar a tomada de decisão econômica, social, ambiental e institucional, indicadores per si não são capazes de promover melhoria de desempenho. Metas de desempenho são igualmente necessárias, para embasar os indicadores e permitir a avaliação do progresso e, juntamente com lstas estruturadas de i indicadores, são ferramentas importantes de tomada de decisão em: § nível de governança e gestão, pois constituem um veículo interno para avaliar a consistência entre as políticas econômica, ambiental e social e o seu desempenho real. A uniformidade de relato facilita a comparação com outras organizações e o reconhecimento de melhorias de desempenho; nível operacional, pois fornecem uma estrutura lógica para aplicação de conceitos de sustentabilidade nas operações, serviços e produtos da empresa; e guiam o desenvolvimento de dados e sistemas de informação para estabelecer e monitorar o progresso em direção a metas econômicas, ambientais e sociais; e termos de comunicação, pois permitem compartilhar informações e promover diálogo com as partes interessadas internas e externas, no que tange às conquistas e aos desafios da organização em alcançar suas metas.

§

§

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

117

No nível de edifícios e do ambiente construído, os indicadores de sustentabilidade são necessários para (1) estabelecer metas; (2) medir o desempenho (aderência às metas) de edifícios e projetos; de diferentes agentes do processo de construção ou de diferentes regiões ou países; (3) que agentes de decisão e de políticas públicas possam avaliar estratégias economica- e tecnicamente viáveis para melhorar a qualidade de vida; (4) que diferentes agentes no processo de construção os utilizem como diretrizes e ferramentas para melhorar as práticas correntes e a qualidade da construção; e (5) fins de marketing e de comunicação com as partes interessadas. 5.1.2 ESTRUTURAS
ANALÍTICAS PARA SUSTENTABILIDADE DE NAÇÕES ORGANIZAÇÃO DE INDICADORES DE

A demanda da Agenda 21 por indicadores de desenvolvimento sustentável6 levou a uma nova safra de ações internacionais no desenvolvimento de diversos tipos de indicadores, e um número crescente de organizações tem procurado responder ao desafio de desenvolver uma estrutura comum e listas consensuais de indicadores de desenvolvimento sustentável no curto prazo. Parte dos trabalhos desenvolvidos tem-se concentrado em assuntos específicos, como saúde, ambiente ou assentamentos humanos, enquanto outros tentam definir um conjunto completo de indicadores. Todos eles partilham, no entanto, a idéia de sumarizar estatísticas ambientais e sócio-econômicas através de indicadores e índices que possam ser imediatamente aplicados em planejamento, avaliação e f rmulação de políticas (DPCSD, o s.d.; UNSTAT, 2002b). O Apêndice 2 reúne as principais iniciativas internacionais de desenvolvimento de indicadores e uma coleção ainda mais abrangente pode ser encontrada no Site do UNEP Earthwatch7. Dentre estas iniciativas, merecem destaque os trabalhos da OECD8 e da ONU9.

6

A Agenda 21 (UNITED NATIONS, 1992) é estruturada em capítulos setoriais, onde as respectivas áreas de programa são sempre descritas na forma: base para ação, objetivos , atividades e meios de implementação. Em linhas gerais, o objetivo é avançar em direção ao desenvolvimento sustentável. O processo é a preparação e implementação de estratégias nacionais para o desenvolvimento sustentável; mas, para saber se tais processos são efetivos ou se devem ser alterados, é preciso estabelecer indicadores de desenvolvimento sustentável. Na Seção IV, dedicada exclusivamente à discussão de Meios de Implementação, o Capítulo 40 (Informação para a tomada de decisões) aponta a necessidade de desenvolvimento de indicadores de desenvolvimento sustentável. Este capítulo ressalta os problemas de disponibilidade, qualidade, coerência, padronização e acessibilidade aos dados; e a necessidade de maior quantidade e de diferentes tipos de dados que indiquem o estado atual e as tendências dos ecossistema, recursos naturais, poluição e variáveis sócio-econômicas. Em particular, o item 40.6 requer que, em nível nacional e internacional, organizações internacionais governamentais e não governamentais desenvolvam o conceito de indicadores de desenvolvimento sustentável para que tais indicadores possam ser identificados. http://earthwatch.unep.net/indicators/organizations.html OECD - Organisation for Economic Co-operation and Development.

7 8

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

118

A OECD foi pioneira no desenvolvimento de indicadores, iniciado em 1989. A publicação regular sobre indicadores ambientais teve início em 1991. Já o envolvimento da ONU remonta a 1972, com a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo. Naquela ocasião, ressaltou-se que as questões ambientais haviam se tornado cada vez mais objeto de políticas sócio-econômicas, em nível nacional ou internacional. Vinte anos depois, na UNCED no Rio de Janeiro, foi consenso que (1) as estratégias de desenvolvimento sustentável deveriam integrar aspectos ambientais em planos e políticas de desenvolvimento e (2) para tanto, precisariam do apoio de dados ambientais e sócio-econômicos integrados. Publicada na própria UNCED, a Agenda 21 (UNITED NATIONS, 1992) reunia recomendações específicas quanto ao desenvolvimento e implementação de contabilidade ambiental e econômica, desenvolvimento sustentável (UNSTAT, 2002b ). A Comissão das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável (UN CSD) também surgiu na UNCED do Rio, e realizou um vasto Programa de Trabalho em Indicadores de Desenvolvimento Sustentável entre 1995 e 2000 (DESA, 1999a ). Os caminhos da OECD e da ONU encontraram-se a partir de 1993, quando a OECD publicou o seu conjunto de indicadores principais (OECD, 1993 10). Esta foi a principal influência das listas de indicadores de sustentabilidade publicadas pela UN CSD em 1996 11, como primeira resposta à demanda da Age nda 21, e em 1999 12. 5.1.2.1 ESTRUTURAS ANALÍTICAS DESENVOLVIDAS A partir de meados da década de 80, foram desenvolvidas diversas estruturas analíticas para organização de indicadores na esfera das nações (Tabela 1), principalmente de indicadores ambientais. Os esforços iniciais embasaram-se em quatro abordagens básicas, aplicadas separadamente ou combinadas (UNSTAT, 2002 b). A abordagem por meios (media approach) organiza os temas ambientais a partir da perspectiva dos componentes ambientais principais (ar, solo, água...). O modelo pressão-resposta (stress-response) concentra-se nos impactos de e de indicadores de

9 10 11 12

ONU – Organização das Nações Unidas (UN – United Nations ). OECD core set of indicators. UN Working list of indicators (DESA, 1996), Apêndice 3. CSD Theme Indicator Framework (DESA, 1999b).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

119

atividades humanas sobre o ambiente (pressões) e sua transformação subseqüente (respostas). A contabilidade de recursos (resource accounting) procura traçar o fluxo de recursos naturais desde sua extração, através de etapas sucessivas de processamento e uso final, até o seu retorno para o ambiente, na forma de emissões e resíduos, ou para a economia, através da reciclagem. Abordagens ecológicas (estatística ecológica).cosntituem um campo amplo que inclui diversos modelos, técnicas de monitoramento e índices ecológicos. A maior parte do trabalho inicial em indicadores ambientais concentrou-se no “estado” do ambiente, através do monitoramento de alterações físicas no ambiente natural. Apesar desta abordagem informar aos agentes de decisão que havia algo errado, ela não explicitava as causas do problema ou o que era possível fazer a respeito. Como resultado, foram desenvolvidas abordagens pressão-resposta cada vez mais abrangentes, como o modelo pressure-state-response (PSR) (Apêndice 5), adotado pela OECD; e suas variações: driving force–state-response (DSR), adotado pela Comissão das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável (UN CSD)13; e driving force–pressure-state-impact-response (DPSIR), adotado pela EIA14 e pelo EUROSTAT15. Combinações das abordagens por meios e pressão-resposta foram utilizadas na organização dos indicadores ambientais (Estrutura FDES) adotada pela Environment Statistics Section da UNSTAT16 (UNSTAT, 1984) e na estrutura temática utilizada pela UN CSD17 DESA, 2001). O trabalho inicial da UN CSD utilizou a estrutura FDES (Apêndice 6), substituída pela DSR (Apêndice 3) em 1996. Entre 1996 e 1998, 22 países (incluindo o Brasil) participaram voluntariamente da etapa de testes. O EUROSTAT preparou uma compilação-teste de 54 indicadores da UN CSD com base em dados estatísticos europeus. Apesar do modelo DSR ter-se mostrado útil para organizar os indicadores e testar o processo, o foco da estrutura de analítica foi redirecionado para (1) enfatizar políticas ou temas principais; (2) tornar o valor do uso do indicador mais óbvio e (3) estimular o envolvimento de governos e da sociedade civil no uso e teste dos indicadores (DESA, 2001).

13 14 15 16

Preparação da UN Working list of indicators (DESA, 1996), Apêndice 3. EIA - European Environment Agency. EUROSTAT - Statistical Office of the European Communities UNSTAT - United Nations Statistics Division.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

120

Tabela 1 – Estruturas desenvolvidas para organizar indicadores ambientais ou de desenvolvimento sustentável de nações.
Estrutura Framework for the Development of Environment 18 Statistics (FDES ) Publicação United Nations Statistical Division (UNSTAT, 1984) Características principais Relaciona componentes ambientais (flora, fauna, atmosfera, água, solo e assentamentos humanos) a categorias de informação (ação, impacto e reação), numa combinação das abordagens por meios e pressão-resposta. Adotado pela UNSTAT nos trabalhos em estatística ambiental Combinava a FDES com a estrutura da Agenda 21 (e não por meios).

Framework for Indicators of Sustainable Development 19 (FISD )

Modelo pressurestate-response 20 PSR

UNSTAT Towards a Framework for Indicators of Sustainable Development (BARTELMUS, 1994) OECD (1991)

Adotado pela UNSTAT nos trabalhos em estatística ambiental Adaptação feita no âmbito da OECD (1991; 1993) do modelo stress-response para analisar as interações entre pressões ambientais, o estado do ambiente e respostas ambientais . Adotado nos trabalhos de indicadores ambientais da OECD, entre outros. O conceito de pressões (que pressupõe impactos sempre negativos) foi substituído pelo de driving force, que pode descrever tanto impactos positivos como negativos, como é normalmente o caso dos indicadores sociais, econômicos e institucionais. Matriz que incorpora horizontalmente os três tipos de indicadores (driving force, state, response) e, verticalmente, as diferentes dimensões do desenvolvimento sustentável (aspectos econômicos, sociais, institucionais e ambientais). Adotado no trabalho inicial sobre indicadores da UN CSD. O componente pressões foi re-inserido no modelo e um novo grupo (impactos), utilizado para detalhar melhor os efeitos sobre o ambiente e facilitar a organização das respostas da sociedade. Utilizado nos trabalhos sobre indicadores ambientais da European Environmental Agency (EIA) e Statistical Office of the European Communities (Eurostat)

Modelo driving force–state21 response - DSR

OECD (1996)

Modelo driving force-pressurestate-impact22 response (DPSIR )

EEA, 1999 EUROSTAT (1999, 2001; 2002)

17 18

CSD Theme Indicator Framework (DESA, 1999b). FDES - Framework for the Development of Environment Statistics (Estrutura para desenvolvimento de estatística ambiental). FISD - Framework for Indicators of Sustainable Development (Estrutura para indicadores de desenvolvimento sustentável). PSR - Pressure-State-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo pressões-estado do ambienteresposta). DSR - Driving force-State-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo força indutora-estado do ambiente-resposta). DPSIR - Driving Force-Pressure-State-Impact-Response (Estrutura de organização de indicadores segundo força indutora-pressão-estado do ambiente-impacto-resposta).

19

20

21

22

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

121

O modelo DSR foi então substituído pela CSD Theme Indicator Framework (DESA, 1999b, Apêndice 4), que organiza os indicadores segundo quatro dimensões principais (aspectos sociais, ambientais, econômicos e institucionais), divididas em temas e sub-temas. A estrutura da Agenda 21 deixou de ser seguida à risca, mas os temas/sub-temas remetem aos capítulos apropriados (números entre parênteses no Apêndice 4). A estrutura analítica proposta pela UN CSD serviu de base ao desenvolvimento de diversos trabalhos, entre eles o da rede européia BEQUEST23, e foi selecionada para organização da Agenda 21 para a construção civil brasileira apresentada a seguir. 5.1.3 AGENDA 21 PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL NO BRASIL 5.1.3.1 AGENDAS 21 DO CIB PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL: DA AGENDA VERDE
PARA A AGENDA MARROM

O Capítulo 30 da Agenda 21 24 (UNITED NATIONS, 1992) especificamente encorajava o desenvolvimento e implementação de estratégias e políticas setoriais relativas ao desenvolvimento sustentável. Como resposta, o CIB publicou pioneiramente dois documentos: a Agenda 21 on Sustainable Construction (CIB, 1999 25), aqui chamada de Agenda 21 do CIB; e a Agenda 21 on Sustainable Construction in Developing Countries (CIB/UNEP-IETC, 2002), aqui chamada de Ag21 PD. Estas duas agendas foram idealizadas como mediadores globais entre as agendas mais amplas (Agenda 21 (UNITED NATIONS, 1992) e Habitat II (UN-HABITAT, 1996)) e as agendas nacionais/regionais específicas para o ambiente construído e o setor de construção (Figura 4). Os objetivos principais da Agenda 21 do CIB (1999) eram criar (1) uma terminologia e estrutura conceitual que agregasse valor a todas as agendas nacionais, regionais e subsetoriais subseqüentes; e (2) um documento-base para orientar investimentos em atividades de P&D relacionadas à construção sustentável. Os desafios e barreiras apontados para o setor de construção foram organizados segundo três grandes blocos: (1) gestão e organização; (2) aspectos de edifícios e produtos de construção; e (3) consumo de recursos.

23 24 25

BEQUEST - Building Environmental Quality Evaluation for Sustainability through Time. Título orginal: Strengthening the role of business and industry. A Agenda 21 do CIB foi traduzida para o português brasileiro em 2000 (CIB, 2000).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

122

A Agenda 21 do CIB concentra-se claramente na agenda ambiental, toca - em alguma extensão – nas dimensões econômica e institucional, mas não inclui a dimensão social na análise dos desafios, barreiras e ações para o setor de construção. Adicionalmente, a maior parte das contribuições para a Agenda 21 do CIB veio de países desenvolvidos, de modo que muitos dos aspectos, desafios e soluções delineados aplicam-se especialmente aos países desenvolvidos (SILVA, 2001).

Agenda verde

Agenda marrom

Agenda 21
Global

Agenda Habitat
Ag 21 CIB

Nacional

Ag 21 PD
Ag 21 CS Brasil

Local/Regional

Setor CC

Figura 4 -

Agendas do CIB como protocolo de ligação entre as agendas globais e as agendas regionais e setoriais específicas, indicando posicionamento em relação às agendas verde e marrom.

Apesar de haver similaridade entre diversos desafios que a construção sustentável lança tanto a países desenvolvidos quanto àqueles em desenvolvimento, há diferenças significativas que transcendem os óbvios aspectos econômicos. Não apenas a escala dos problemas é mais extrema, como os recursos financeiros disponíveis, muito menores. Mudam as prioridades, objetivos e desafios; os níveis de especialização e treinamento da mão-de-obra; e a capacidade da indústria da construção e do governo. Estas peculiaridades ambientais, econômicas e sócio-culturais dos países em

desenvolvimento delineiam uma outra abordagem para implementação de estratégias de

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

123

desenvolvimento

e,

conseqüentemente,

de

construção

sustentável26

(JOHN;SILVA;AGOPYAN, 2001; SILVA, 2001; CIB/UNEP-IETC, 2002). Como reconhecimento, ainda em 2000 foi anunciado o início dos trabalhos da Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries (Ag21 PD), publicada em 2002 como contribuição à UNCED de Johannesburg (Rio +10). O ponto-chave que diferencia a abordagem da Ag21 PD em relação à primeira Agenda 21 do CIB é a ênfase na necessidade de integração da agenda verde e da agenda marrom nos países em desenvolvimento, apontada anteriormente na Agenda 21, na Agenda Habitat II e numa série de outros trabalhos, entre eles, IIED (2001). A agenda verde concentra-se no problema de equilibrar o consumo possível aos recursos disponíveis, procurando reduzir o impacto ambiental da produção do ambiente construído, consumo e geração de resíduos, com ênfase na proteção e bem-estar de ecossistemas e reservas de recursos naturais que proporcionam condições de vida às gerações futuras, nas escalas local, regional e global, e num horizonte de tempo de longo prazo. Já a agenda marrom enfoca os problemas de pobreza, subdesenvolvimento e riscos à saúde derivados de poluição do ar e da água, do acúmulo local de resíduos, de condições sanitárias deficientes, de superpopulação, e de provisão deficiente de água e serviços urbanos, com ênfase nos aspectos de saúde e bem-estar humano, em escala local e num horizonte de tempo imediato (MCGRANAHAN;SATTERTHWAITE, 2000). Para abranger a ampla diversidade dos países em desenvolvimento, a Ag21 PD resultou inevitavelmente genérica. Dentro do grupo de países em desenvolvimento, o caso do Brasil é peculiar: devido a uma das maiores desigualdades de distribuição de renda em todo o mundo, em que 20% mais ricos recebem 30 vezes mais que os 20% mais pobres (dados de 1989, em WORLD BANK, 2000b), tem-se Áfricas e Europas convivendo lado a lado em um só país. Neste sentido, nem a abordagem dada na Agenda do CIB de 1999, nem a da Ag 21 CIB/UNEP, é totalmente aderente à realidade brasileira. Mas estas duas agendas são documentos de referência e protocolos valiosos para a ligação entre as agendas globais e a agenda setorial, que devem ser analisados juntamente com percepções nacionais específicas.

26

Uma discussão aprofundada sobre esta diferença de cenários está sumarizada em CIB/UNEP- IETC (2002).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

124

5.1.3.2 PROPOSTA DE UMA AGENDA SETORIAL MULTIDIMENSIONAL E INTEGRADA JOHN et al. (2000) e JOHN;SILVA;AGOPYAN (2001) principiaram a discussão de uma Agenda 21 para a construção civil brasileira acrescentando uma discussão inicial de agenda social aos três blocos da Agenda 21 do CIB (1999). Estes trabalhos lançaram uma primeira luz sobre a discussão de aspectos urbanos e sociais, mas de forma muito incipiente. Em contribuição posterior, SILVA et al. (2002) alertavam que a Agenda 21 do CIB concentra-se basicamente nos temas ambientais, e sugeriam que uma abordagem mais apropriada seria organizar a agenda setorial nos moldes do padrão internacional de relato de sustentabilidade 27, dado pela estrutura da Agenda 21 da ONU. Para avançar nesta linha de discussão, propõe-se aqui que a construção sustentável seja abordada através da integração das três dimensões da tradicional “triple bottom line”, complementadas por uma dimensão institucional, que refere-se à provisão e fortalecimento de plataformas para coordenação de esforços dentro e fora do setor (Figura 5). A agenda institucional foi incluída devido à carência de instrumentos normativos; de ações políticogovernamentais ; de maior articulação de estratégias setoriais com relação à sustentabilidade; e de relatos de sustentabilidade de empresas e produtos de construção.

Figura 5 –

Integração dos quatro blocos conceituais da agenda sustentabilidade do setor de construção civil brasileiro.

para

a

27

Utilizado, por exemplo, por IBGE (2002).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

125

Para indicar possibilidades de mitigação através de ações do setor de construção brasileiro, a estrutura analítica adotada (Tabela 2) segue o formato da CSD Theme Indicator Framework, (DESA, 1999b ), reportando-se aos capítulos da Agenda 21, e complementando-os por aspectos específicos do contexto nacional, e quando apropriado, das Agendas 21 do CIB. Tabela 2 – Possibilidades de ação do setor de construção brasileiro em relação aos aspectos–chave apontados pela Agenda 21 da ONU. Os números entre parênteses remetem aos capítulos da Agenda 21.
Aspectos Ambientais Tema Atmosfera (9) Sub-tema Mudança climática Possibilidades de ação relacionadas ao setor Evitar emissão de gases causadores de efeito estufa (GHG), durante: • Produção de materiais de construção, (processos mais limpos; uso de energia renovável; e adição de resíduos e materiais reciclados aos produtos ) Transporte de materiais de construção, promovendo o uso de materiais locais Operação de edifícios (NOx, SO x )
(interface com Padrões de Produção e consumo (econômico)
28

• •

Dano à camada de ozônio

Evitar uso e planejar a substituição de materiais de construção e componentes de sistemas prediais (combate a incêndio e ar condicionado), cuja produção ou uso envolva emissão de substâncias nocivas à camada de 29 30 ozônio (CFCs , HCFCs e halogêneos ) Evitar emissão de poluentes do ar em áreas urbanas, causados principalmente por • • Produção, transporte e armazenamento de materiais Canteiros de obras e atividades de manutenção e demolição (poeira e emissões liberadas pelos equipamentos) Operação de edifícios (NOx, SO x) Transporte urbano

Qualidade do ar

• •

28

Vale notar que, após o racionamento de energia em 2001, aumentou a utilização de combustíveis fósseis na operação de edifícios (geradores a diesel e boilers a gás). CFC - Clorofluorcarbono. HCFC – Hidroclorofluorcarbono.

29 30

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

126

Aspectos Ambientais Tema Solo (10) (equilíbrio de usos competitivos do solo) Sub-tema Poluição do Solo Possibilidades de ação relacionadas ao setor Evitar poluição: do solo, causada principalmente por: • Produção e armazenamento de materiais (necessidade de processos de produção mais limpa); Atividades de preparação do terreno (limpeza, movimento de terra); RCD (necessidade de processos de construção mais limpa); e materiais com produtos lixiviáveis; Resíduos de uso de edifícios

• •

Fazer gestão de resíduos (ver Padrões de produção e consumo) Agricultura (14) Critério na seleção de área para novos empreendimentos: evitar áreas aráveis ou de pecuária permanente Critério na seleção empreendimentos • • • Desertificação (12) e erosão de área de novos

Florestas (11)

Usar madeira de maneira responsável: Não usar espécies ameaçadas Privilegiar compra de madeira proveniente de fontes de manejo sustentável/certificadas Aderir a grupos de compradores de madeirar certificada

Observar cuidados na preparação do sítio (movimento de terra, com conservação da cobertura vegetal e camada superficial de solo) Observar padrões de drenagem natural do terreno Selecionar área para novos empreendimentos de modo a: • Direcionar crescimento urbano evitando densidades muito baixas (que competem com outros usos e podem contribuir para perda de biodiversidade), áreas aráveis, de pecuária permanente, de valor ecológico Priorizar vazios urbanos e recuperação áreas degradadas proliferação de assentamentos

Urbanização (7) e assentamentos

Controle da informais Oceanos, mares e áreas costeiras (17) Água doce (18) Quantidade de água

Planejamento de necessidade e uso de transporte Evitar poluição: Prover facilidades adequadas para coleta e tratamento de esgoto Ocupação adequada de áreas litorâneas. Conservar e reduzir o consumo de água Resguardar permeabilidade do solo
(interface com (interface com materiais/uso de água (econômico) Consumo de

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

127

Aspectos Ambientais Tema Sub-tema Qualidade da água
(interface com sanitárias (social) Condições

Possibilidades de ação relacionadas ao setor Evitar poluição: Tratamento da água que deixa o ambiente construído e retorna aos corpos d’água • Reduzir uso de fertilizantes (eutroficação) e pesticidas (poluição do ar, do solo e da água) na manutenção de jardins públicos e privados Nos canteiros de obra: • Prover facilidades sanitárias e ligação adequada à rede municipal de esgoto • Prover facilidades adequadas para retenção de materiais poluentes (silte, particulados, óleos, água alcalina residual etc) antes de descarga na rede pública • Empregar materiais sem produtos lixiviáveis • Na escala urbana: prover facilidades sanitárias e de coleta, tratamento e disposição adequada de resíduos municipais

Saneamento
interface com Qualidade da água Saúde/Condições sanitárias (social) (ambiental) e

Evitar poluição: Prover infra-estrutura de saneamento básico para reduzir poluição do solo e corpos d’água Selecionar áreas para novos empreendimentos para direcionamento de crescimento urbano, que priorizem a proteção de áreas contendo ecossistemas -chave e a recuperação de ecossistemas e áreas degradadas Estudo de implantação para minimizar perturbação em sítios com valor ecológico Tomar precauções para conservação de vegetação e camada de solo superficial durante a execução da obra

Biodiversidade (15)

Ecossistemas chave

e

espécies-

Reservas de recursos
(interface com Padrões de Produção e consumo (econômico)

Aspectos Sociais Tema Justiça social Sub-tema Erradicação de pobreza (3) Igualdade de gênero (24) Possibilidades de ação relacionadas ao setor Gerar empregos diretos, indiretos e induzidos, com salários adequados Reduzir desigualdade de salários e acesso a oportunidades de carreira para homens e mulheres Política de remuneração justa e melhoria das relações trabalhistas de locais Usar recursos humanos locais

Relações trabalhistas Fortalecimento comunidades

(interface com Padrões de Produção e consumo (econômico)

Educação (36)

Capacitação técnica e para sustentabilidade

Encorajar programas formais de treinamento e atualização profissional e ambiental

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

128

Aspectos Sociais Tema Sub-tema Alfabetização Conscientização pública
(interface com Padrões de Produção e consumo (econômico)

Possibilidades de ação relacionadas ao setor Encorajar programas de alfabetização e aumento de escolaridade Divulgar relatos de sustentabilidade de empresas, edifícios e produtos de construção para conscientização e permitir LCA Incluindo a emissão de VOCs , limpeza e renovação do ar Reduzir exposição a LER ; observar ergonomia na realização de tarefas Melhorar segurança no ambiente de trabalho (redução de acidentes) Disponibilizar equipamentos de segurança para trabalho em situações de risco e manuseio de substâncias perigosas Infra-estrutura adequada operacional do edifício para pessoal
32 31

Saúde (6)

Qualidade do ambiente interno Saúde e segurança no trabalho

Condições sanitárias (acesso a serviços e redução de enfermidades)

Abastecimento de água Aumentar acesso a infra-estrutura abastecimento de água tratada Procurar reduzir demanda na rede municipal Programas de conscientização
(interface com Padrões de consumo e produção)

de

interface com aspectos ambientais (Qualidade da água , redução de concentração de matéria orgânica e coliformes fecais em corpos d´água), e econômicos (Padrões de consumo e produção)

Esgotamento Sanitário Aumentar acesso a infra-estrutura para coleta e tratamento de esgoto (redução de enfermidades e poluição de corpos d’água) Procurar reduzir carga na rede municipal (interface
com Padrões de consumo e produção)

Sistemas de pré-tratamento in situ

Drenagem Urbana Prover infra-estrutura adequada de drenagem Reduzir áreas impermeáveis Procurar reduzir carga na rede municipal (interface
com Padrões de consumo e produção)

Usar mecanismos de retenção de partículas sólidas e produtos de erosão do solo, evitando entupimentos Usar mecanismos de retenção de óleos e poluentes liberados por veículos automotores, evitando poluição de lençol freático e cursos d’água

31 32

VOCs – Compostos Orgânicos Voláteis (volatile organic compounds). LER - Lesão por Esforço Repetitivo.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

129

Aspectos Sociais Tema Sub-tema Possibilidades de ação relacionadas ao setor Limpeza Urbana e Coleta de Lixo Prover coleta e destinação apropriada de lixo e resíduos sólidos (com separação e tratamento da fração reciclável) Procurar reduzir pressão nas facilidades municipais (interface com Padrões de consumo e
produção)

Infra-estrutura e acesso a serviços urbanos

Acesso a parques e áreas de lazer/áreas públicas em edifícios Transporte Reduzir o deficit e recuperar a capacidade de investimento em infra-estrutura de serviços urbanos Prover e melhorar infra-estrutura de transporte público urbano (menor uso/alternativas mais limpas) Planejar pra evitar pressionar o sistema viário/de transporte existente Habitação(7) e condições de vida urbana Reduzir o deficit de habitações (quantitativo e qualitativo). Formalizar políticas, estratégias e mecanismos de crédito e financiamento. Melhorar qualidade de vida nos assentamentos formais e informais (inclui urbanização de favelas)

Aspectos Econômicos Tema Estrutura econômica (2) Sub-tema Recursos e mecanismos de financiamento (Status financeiro (33) Possibilidades de ação relacionadas ao setor Criar linhas de financiamento para iniciativas, políticas e programas para aumento de sustentabilidade Aumentar (re)investimento Aumentar investimento em alternativas para aumento de sustentabilidade, incluindo tecnologias mais eficientes e limpas Desempenho econômico Aumentar a processos qualidade de produtos e

Melhorar a qualidade de produtos, processos e edifícios Aumentar a vida útil das edificações, (durabilidade e adaptabilidade) Aumentar eficiência na alocação de recursos (capital financeiro e ambiental) para a produção de materiais, e construção e uso de edifícios Internalizar custos ambientais e sociais no estabelecimento de preços , para estimular opção por produtos com “melhor valor” em termos de sustentabilidade

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

130

Aspectos Econômicos Tema Padrões de produção e consumo (4)
(relaciona-se com aspectos sociais e ambientais)

Sub-tema Consumo de materiais

Possibilidades de ação relacionadas ao setor Aumentar eficiência na produção e uso de materiais: Reduzir resíduos da indústria de materiais de construção Melhorar qualidade da construção (gestão) Aumentar durabilidade (de materiais e edifícios) e planejamento da manutenção Reduzir desperdício e RCD (práticas construtivas e tecnologias com uso eficiente de materiais). Aumento no uso de reciclados como materiais de construção. Fortalecer reciclagem de RCD. Modular e otimizar dimensionamento

Gestão de resíduos (19-22)

Reciclar resíduos e reutilizar componentes Estabelecimento de programas de coleta seletiva, reciclagem, reuso e disposição de RCD e resíduos da indústria (interface com Atmosfera e Solo (ambiental)

Uso de energia
(interface com Atmosfera, Água doce e Biodivesidade (ambiental)

Reduzir intensidade de uso de energia e aumentar eficiência no uso de energia na produção de materiais e na operação de edifícios Suprir demanda por tecnologias de conservação de energia Usar energia renovável

Uso de água
(interface com Água doce/ quantidade de água (ambiental)

Conservar água Investigar e incentivar reuso aproveitamento de água de chuva de água e

Transporte

Reduzir distância percorrida por modo de transporte de materiais (uso de materiais locais) (interface com Mudança climática (ambiental) Reduzir distância percorrida por funcionários (uso de recursos humanos locais) (interface com Fortalecimento de comunidades locais (social) Criar programas para redução uso de automóveis (interface com Infra-estrutura e serviços públicos (social))

Ampliação e aquecimento de mercado de soluções mais sustentáveis Auxílio na tomada de decisão com base em qualidade ambiental e sustentabilidade
(interface com Educação (social)

Prover instrumentos de informação a consumidores: relato de sustentabilidade de empresas, serviços, materiais e edifícios

Aspectos Institucionais Tema Estrutura institucional (38, 39) Sub-tema Contribuição na implementação estratégica do desenvolvimento sustentável (8) Possibilidades de ação relacionadas ao setor Definir e implementar estratégias em nível setorial e organizacional em relação a sustentabilidade

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

131

Aspectos Institucionais Tema Sub-tema Desenvolvimento de mecanismos normativos e legais Possibilidades de ação relacionadas ao setor Desenvolver normalização orientada sustentabilidade/qualidade ambiental edificações e produtos de construção à de

Desenvolvimento de incentivos e mecanismos de financiamento

Melhorar a efetividade, e integrar instrumentos legais e políticos nacionais (congregando fatores sociais, econômicos e ambientais ) a instrumentos internacionais • formulação, coordenação e consistência entre instrumentos legais • identificação de problemas novos e emergentes Desenvolver subsídios, incentivos fiscais, linhas de crédito e mecanismos de financiamento para: • • • investimento e operação de indústria mais sustentável desenvolvimento e produção de materiais e tecnologias de construção mais sustentáveis adoção de medidas, produtos, tecnologias e sistemas sustentáveis na produção e operação de edifícios

Contribuição na cooperação internacional

Atuar para cooperar no cumprimento de metas de acordos internacionais ratificados pelo Brasil Desenvolver rede internacional de P&D em Construção Sustentável/Integração a redes 33 existentes (GABS , GBC, iiSBE Policies Network; CIB)

Capacidade institucional (37)

Acesso a informação (40) e participação das partes interessadas e auxílio à tomada de decisões

Desenvolver e usar instrumentos para coleta de informações, benchmarking e divulgação de desempenho (relaciona-se com Padrões de produção e consumo) Encorajar avaliações e relato de sustentabilidade de empresas, edifícios e produtos de construção, e comunicação estruturada às partes interessadas

Transferência de tecnologia, cooperação e capacitação(34)

Utilizar estrutura PBQP-H para implementar a Agenda 21 Setorial • Planos Setoriais de Sustentabilidade (PSS), com metas e ações específicas, envolvendo as partes interessadas

Estabelecer redes sinérgicas para coordenação de esforços e recursos para • Desenvolver soluções abrangentes e mais sustentáveis para edifícios e produtos de construção Transferência de tecnologias mais eficientes e limpas Educação de profissionais de construção

• • Ciência e Tecnologia (35)

Investir em P&D para aumentar a sustentabilidade em nível setorial, organizacional, de edifícios e do ambiente construído

33

GABS - Global Alliance for Sustainable Building.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

132

A separação de temas segundo as quatro agendas nem sempre é fácil. Os grupos de temas não são estanques e, definitivamente, há pontos de sobreposição que transitam igualmente entre eles. Nem todos os itens listados na Tabela 2 podem ser trabalhados exclusivamente por iniciativas do macro-setor de construção, assim como nem todos os itens podem ser relacionados à escala do edifício, mas foram apontados para evidenciar a necessidade de ações coordenadas com as esferas governamentais e acadêmica. Os métodos de avaliação da sustentabilidade de edifícios que vierem a ser estabelecidos devem, na extensão possível, procurar fazer a ligação entre a contribuição do edifício para o atendimento de metas setoriais mais amplas. Os tópicos e linhas de ação incluídos na estrutura apresentada não pretendem esgotar o assunto, mas têm aqui as funções específicas de (1) estimular uma discussão pouco desenvolvida em trabalhos anteriores e (2) prover a base para a proposição de uma estrutura de avaliação de sustentabilidade coerente com o contexto e expectativas brasileiros. 5.1.4 AVALIAÇÃO E RELATO DA SUSTENTABILIDADE DE ORGANIZAÇÕES A Tabela 3 reúne as iniciativas de destaque no desenvolvimento de indicadores e padrões de relato de sustentabilidade de organizações. Há registros de iniciativas de menor grau de complexidade, como o Corporate Sustainability Assessment Questionnaire 2002 34, e os indicadores de comprometimento organizacional com a sustentabilidade propostos pela Thirdwave35, ou que concentram-se em apenas uma das dimensões da sustentabilidade, como os indicadores de valorização de recursos humanos usados no programa Investors in People36 (INVESTORS IN PEOPLE UK, 2002). Uma lista de fontes de informação sobre responsabilidade social corporativa 37 está disponível em

http://www.wcit.org/topics/csr/csr_online_resources.htm. No Brasil, a principal fonte de

34

O Dow Jones Sustainability Index (DJSI) (http://www.sustainability-indexes.com) é usado para monitorar o desempenho as companhias- líderes (top 10%) do Dow Jones Global Index em termos de sustentabilidade corporativa. A identificação das empresas -líderes em sustentabilidade é feita com base no Corporate Sustainability Assessment Questionnaire (SAM RESEARCH INC (s.d.), disponível para download no site http://www.sustainabilityindexes.com/assessment/questionnaire.html. http://www.thirdwave.org.uk http://www.iipuk.co.uk/investorsinpeople/whatisinvestorsinpeople/default.htm Também referenciada como cidadania corporativa, responsabilidade corporativa e práticas sustentáveis de negócios. Responsabilidade social corporativa é a definição mais consensualmente aceita para referir-se à perspectiva holística de contabilidade social e cidadania corporativa, e levar em consideração as práticas ambientais, econômicas e sociais de uma atividade econômica.

35 36 37

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

133

recomendações

sobre

responsabilidade

social

corporativa

é

o

Instituto

Ethos

(www.ethos.org.br).

Tabela 3 -

Iniciativas de desenvolvimento de indicadores e padrões de relato de sustentabilidade de organizações.
Publicação/data GRI, 2000 GRI 2002 Foco/objetivo Diretrizes para relato de sustentabilidade de organizações Conceito de eco-eficiência para relatar desempenho de organizações

Organização/ iniciativa GRI38 WBCSD
39

WBCSD, 1999; WBCSD, 2000; WBCSD, 200240 VERFAILLIE; BIDWELL, 2000 ISO, 1999

ISO 14.031

41

Descreve um processo interno de gestão, ferramentas e procedimentos gerais para selecionar aspectos ambientais relevantes da atividade de uma organização ou setor e indicadores específicos correspondentes, coletar e analisar dados, avaliar e relatar as informações resultantes.

As diretrizes da GRI (2002) constituem a principal tendência de uniformização da incorporação dos conceitos e relato de sustentabilidade em nível organizacional. A GRI foi criada por uma parceria da Coalition for Environmentally Responsible Economies (CERES 42) e do UNEP, em 1997. Desde então, ela vem trabalhando para projetar e criar aceitação para uma estrutura consensual, de adoção voluntária, para relato das dimensões econômica, social e ambiental das atividades, produtos e serviços de uma da organização (GRI, 2000; GRI 2002). Uma versão das diretrizes da GRI foi lançada em março de 1999 para discussão e teste e, em junho de 2000, foi publicada a primeira versão oficial (GRI, 2000). No formato proposto pela GRI (2002), o impacto das organizações é apresentado segundo as três dimensões da sustentabilidade. Cada dimensão é estruturada segundo a hierarquia

38 39 40 41 42

GRI - Global Reporting Initiative (http://www.globalreporting.org) WBCSD - World Business Council for Sustainable Development. http://www.wbcsd.ch/projects/pr_csr.htm ISO 14.031 - Environmental management – Environmental performance evaluation – Guidelines. ONG sem fins lucrativos com base em Boston, Estados Unidos. http://www.ceres.org

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

134

informada pela ISO 14.031: categoria>aspecto>indicadores 43 (Tabela 4). Tabela 4 – Estrutura proposta pela GRI (2002) para relato de desempenho em sustentabilidade de organizações. Os indicadores são relacionados aos aspectos.
Categorias
Impactos econômicos diretos

Aspectos
(problemas, impactos e partes interessadas) clientes fornecedores funcionários financiadores setor público

Desempenho Econômico (13 indicadores)

Ambientais Desempenho Ambiental (35 indicadores)

materiais energia água biodiversidade emissões, efluentes e resíduos fornecedores produtos e serviços conformidade transporte impacto total emprego relações trabalhistas/gestão saúde e segurança treinamento e educação diversidade e oportunidade estratégia e gestão não-discriminação liberdade de associação e negociação coletiva trabalho infantil trabalho forçado e compulsório práticas disciplinares práticas de segurança direitos indígenas comunidade suborno e corrupção contribuições políticas competição e preço saúde e segurança do consumidor produtos e serviços publicidade respeito à privacidade

Práticas trabalhistas/condições dignas de trabalho

Desempenho Social (49 indicadores)
43

Direitos humanos

Sociedade

Responsabilidade pelo produto

Os indicadores de impacto econômico direto44 medem os fluxos monetários e indicam o relacionamento entre a organização e partes interessadas–chave em nível local, nacional e

Nas definições da ISO 14.031, categorias são temas amplos, agrupando os aspectos econômicos, ambientais e sociais relevantes para todas as partes interessadas. Aspectos são os subconjuntos gerais, relacionados a uma categoria específica, que podem ser definidos em termos de problemas, impactos ou partes interessadas afetadas. Indicadores são medidas, quantitativas e qualitativas, específicas de um aspecto individual que podem ser utilizados para monitorar e demonstrar desempenho. Um determinado aspecto (ex.: água) pode ter diversos indicadores (ex.: uso total de água, porcentagem reciclada, descarga em corpos d’água etc).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

135

global; e indicam como a organização afeta, positiva ou negativamente, as suas circunstâncias econômicas. Os indicadores de impacto ambiental referem-se aos impactos da organização em sistemas naturais, incluindo ecossistemas, solo, ar e água. Finalmente, a dimensão social da sustentabilidade da organização refere-se aos impactos causados pela organização nos sistemas sociais em que ela opera, envolvendo práticas trabalhistas, direitos humanos 45, e aspectos mais amplos que afetam consumidores, comunidades e outras partes interessadas da sociedade, em nível local, nacional e global. Como diversos aspectos sociais não são facilmente quantificáveis, a GRI (2002) sugere o uso de medidas qualitativas dos sistemas e operações da empresa, incluindo políticas, procedimentos e práticas de gestão. 5.1.5 INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DO SETOR E DE EMPRESAS
DE CONSTRUÇÃO

A Tabela 5 reúne as principais iniciativas de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade relacionados ao setor de construção. Em 1995, a CIB Working Commission W82 “Future Studies in Construction” (CIB W82) criou o projeto Sustainable Development and the Future of Construction (1995-1998), envolvendo 11 países europeus, além de Estados Unidos, Japão e Malásia. O projeto tinha por objetivo definir construção sustentável, as conseqüências futuras do desenvolvimento sustentável sobre a indústria da construção, recomendações estratégicas e exemplos de melhores práticas de construção. Este estudo concluiu que o passo seguinte deveria ser alcançar maior visão consensual através de um modelo global comum e estabelecer indicadores e políticas para traduzir esta visão em realidade (BOURDEAU et al., 1998). O resultado deste trabalho foi a base para preparação da Agenda 21 em Construção Sustentável publicada pelo CIB em 1999.

44

Os impactos econômicos indiretos resultam de externalidades (custos ou benefícios resultantes mas não completamente refletidos no fluxo monetário de uma transação) que geram impactos sobre as comunidades, tais como: dependência da comunidade das atividades da organização; habilidade da organização em atrair novos investimentos para uma região; e localização de fornecedores. Dada a complexidade de mensuração dos impactos indiretos, a GRI não estabeleceu um conjunto de indicadores e, no momento, sugere que as próprias organizações apontem indicadores adequados. Os indicadores de “direitos do trabalhador” e “direitos humanos” foram mantidos separados, pois, apesar de muito próximos, diferem fundamentalmente em objetivo: os indicadores de direitos humanos avaliam com a organização ajuda a manter e respeitar os direitos básicos do ser humano, enquanto os indicadores de práticas trabalhistas informam sobre as maneiras como a organização contribui para transcender estas expectativas básicas. Estes indicadores foram definidos com base em padrões internacionais reconhecidos, principalmente a International Labour Organization (ILO) Tripartite Declaration Concerning Multinational Enterprises and Social Policy e a OECD Guidelines for Multinational Enterprises.

45

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

136

Tabela 5 – Iniciativas para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade relacionados ao setor de construção.
Organização/ iniciativa No nível setorial
46

Publicação

Foco/objetivo

CIB W82 Construction Related Sustainability Indicators – CRISP (1999-2001) Construction Industry Research and Information Association (CIRIA) No nível de edifícios University of Michigan Green Building Challenge (GBC)

CIB W82 (1999); CRISP NETWORK (2001); Häkkinen et al, (2002) CIRIA (2001)

Indicadores de sustentabilidade relacionados ao setor de construção (rede européia)

Indicadores de sustentabilidade para a indústria da construção do Reino Unido

REPPE (1999a) COLE;LARSSON (2000) TODD;JOHN (2001)

Indicadores de sustentabilidade de edifícios Indicadores de sustentabilidade ambiental são utilizados para comparar edifícios em diferentes países.

Em continuidade, a CIB W82 criou o projeto Construction Related Sustainability Indicators – CRISP (1999-2001) para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade para o setor de construção, numa cooperação entre Japão, Malásia, Canadá e Estados Unidos e a EC CRISP Network, que congrega 17 países europeus 47. Um objetivo inicial era, entre outros, desenvolver uma estrutura de indicadores organizados com base no modelo DSR e em categorias/etapas processuais em cinco níveis de abrangência crescente: edifício, urbano, regional, nacional e global48. Os objetivos do Projeto CRISP são (CIB W82, 1999): § Definir e validar indicadores (quantitativos e qualitativos) de sustentabilidade relacionados ao setor de construção, incluindo aspectos ambientais, econômicos, sociais, culturais e institucionais. Os indicadores são práticos e serão validados em casos-piloto. Implementar os indicadores para (1) mensuração da sustentabilidade de edifícios e do ambiente construído, e dos diferentes atores envolvidos em sua criação e manutenção em nível nacional; e (2) comparação da sustentabilidade de edifícios, regiões e nações.

§

46

Apesar de não desenvolvida à luz da sustentabilidade, uma iniciativa de relevo para o setor de construção são os 46 Construction Industry Key Performance Indicators (CI KPIs, http://www.dti.gov.uk/construction/kpi/) , criados no âmbito do Construction Best Practice Programme do UK Department of Trade and Industry. Os CI KPIs são conjuntos de dados de referência, contra os quais pode-se comparar o desempenho de um projeto ou empresa de construção do Reino Unido. http://crisp.cstb.fr/presentation.htm http://cic.vtt.fi/eco/cibw82/crisp.htm

47 48

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

137

Pretende-se que estes indicadores considerem todo o processo de produção do edifício, que começa no início do projeto e termina no fim do ciclo de vida da facilidade, incluindo demolição e eventual tratamento posterior. A missão do projeto é desenvolver uma estrutura comum em nível internacional, mas eventualmente atribuir pesos diferentes aos indicadores em cada país. A estrutura de indicadores será compatível com um cenário futuro projetado, para permitir a evolução dos indicadores e de seu conteúdo ao longo do tempo. O trabalho continuou após este evento com a formação da European Thematic Network on Construction and City Related Indicators (EC CRISP Network), liderada pelo CSTB (França) e pelo VTT 49 Building Technology (Finlândia). O projeto está hospedado no Site http://www.crisp.cstb.fr, que apresenta o estado atual da base de dados que classifica sistemas e indicadores em um formulário-padrão 50. Os resultados ainda não foram disponibilizados para consulta, o que, neste momento, impede análise aprofundada das etapas e da metodologia utilizada. A segunda iniciativa estruturada de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade para o setor de construção foi conduzida pela Construction Industry Research and Information Association - CIRIA (2001), que realizou uma ampla consulta ao setor de construção no Reino Unido. A partir da discussão de quatro elementos do desenvolvimento sustentável51, emergiram 10 temas-chaves para a construção sustentável (Tabela 6). Apesar destes temas serem propostos para o Reino Unido, é instrutivo considerar a forma de organização dos indicadores propostos pela CIRIA. Dentro dos temas e sub-temas, há indicadores estratégicos e indicadores operacionais. Os indicadores estratégicos medem os sistemas e processos internos da empresa, para melhorar seu desempenho, sendo, por natureza, genéricos e relevantes para a maior parte das empresas de construção. A

informação necessária está normalmente disponível em nível corporativo e requer menor esforço de compilação. Já os indicadores operacionais, medem o desempenho da empresa na produção e entrega de construções mais sustentáveis. O desempenho da empresa em

49 50 51

VTT - Technical Research Centre of Finland. http://crisp.cstb.fr/database.asp Identificados anteriormente na estratégia do governo (UNITED KINGDOM GOVERNMENT, 1999) e na agenda setorial (DETR, 2000) do Reino Unido para a sustentabilidade, como: (1) proteção efetiva do ambiente; (2) uso prudente de recursos naturais; (3) progresso social, que reconheça as necessidades de para todos; e (4) manutenção de níveis elevados e estáveis de emprego e crescimento econômico.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

138

projetos individuais pode ser agregado para indicar o desempenho global da empresa quanto a um item específico. Tabela 6 Temas-chaves para a construção sustentável no Reino Unido (CIRIA, 2001).
Sub-temas
Mitigação e gestão de poluição nos canteiros Planejamento de transporte Criação de habitat e melhoria ambiental Otimização de brownfields Projeto e construção ambientalmente responsáveis Projeto para custos ao longo do ciclo de vida Uso de materiais locais com baixa energia incorporada Minimização e gestão de resíduos Reuso de estruturas existentes Projeto e construção seca Conservação de água Uso de produtos reciclados ou de fontes sustentáveis

Temas Ambientais • Evitar poluição •
Proteção e melhoria da biodiversidade

• •

Melhoria de eficiência energética Uso eficiente de recursos

Temas Sociais • Respeito à equipe de funcionários

Sub-temas
Provisão de treinamento efetivo e avaliações de funcionários Igualdade de termos e condições Provisão de oportunidades iguais a todos Saúde, segurança e provisão de ambiente de trabalho adequado Manutenção da moral e satisfação dos funcionários Participação na tomada de decisões Minimização de perturbação local Construção de canais efetivos de comunicação Contribuição para a economia local Entrega de edifícios e estruturas que melhoram o ambiente local Construção de relacionamento de longo prazo com clientes Construção de relacionamento de longo prazo com fornecedores Cidadania corporativa Entrega de edifícios e estruturas que aumentem a satisfação, o bemestar e o valor para clientes e usuários Contribuição para o desenvolvimento sustentável globalmente

Relacionamento com comunidades locais

Estabelecimento de parcerias

Temas Econômicos • Aumento de produtividade e lucro •
Melhoria no projeto (produto oferecido)

Sub-temas
Melhoria de produtividade Padrão de crescimento consistente Satisfação do cliente Minimização de defeitos Tempo para conclusão mais curto e previsível Projetos de menor custo, com maior previsibilidade de custos Relato da empresa Benchmarking de desempenho

Monitoramento e relato de desempenho x metas

5.1.6 INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS Existem diferenças fundamentais entre o conceito puro de indicadores de sustentabilidade e os indicadores utilizados - ou passíveis de utilização neste momento - em sistemas de avaliação de edifícios.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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Os métodos de avaliação ambiental de edifícios disponíveis tipicamente não abordam os aspectos sociais e econômicos da sustentabilidade e são dirigidos a edifícios individuais. Já a discussão de indicadores de sustentabilidade (particularmente indicadores sociais e econômicos) relaciona-se a medidas ma is gerais da sociedade, como redução de pobreza, analfabetismo, PIB etc, que não são facilmente relacionadas à escala organizacional ou de um edifício (COLE, 2002; TODD;JOHN, 2001). Apesar dos edifícios serem bens de longa vida útil, se comparados a outros bens de consumo, a maioria dos fenômenos naturais e culturais significativos mostram longas tendências que não são nem mesmo percebidas no curto prazo, e a escala temporal até que ocorra um realinhamento significativo em direção a um mundo sustentáve l será certamente medida em gerações (COLE, 2002). O desempenho ambiental de edifícios é relativo, avaliado em relação a desempenho “típico”, seja explicita- ou implicitamente. Ao longo do tempo, edifícios individuais, assim como as práticas de vanguarda e práticas típicas melhoram e, conseqüentemente, a pontuação de desempenho é válida apenas no ponto particular no tempo em que foi realizada a avaliação. Finalmente, cresce a tendência dos métodos de avaliação de edifícios utilizarem um processo de agregação das medidas de desempenho para sumarizar o desempenho global do edifício. Este não é o caso dos indicadores de sustentabilidade, que são normalmente mantidos como entidades discretas. (COLE, 2002). Tomando a definição de HOLMBERG et al. (1991), indicadores de sustentabilidade (ambiental) são medidas que relacionam a distância entre o estado atual (do ambiente) e o seu estado sustentável. Para se falar em indicadores de sustentabilidade, este patamar sustentável deve, portanto, ser conhecido ou razoavelmente estimado. Relacionar medidas de desempenho de edifícios a indicadores mais amplos de progresso em direção à sustentabilidade permanece como um dos principais desafios a serem enfrentados, mas seguramente mais simples do que definir precisamente o estado sustentável, é obter dados para gerar indicadores de desempenho em relação a metas de sustentabilidade, ainda que persistam as dificuldades de acesso a dados acurados e contínuos, necessários à formulação e manutenção dos indicadores. Por todas estas dificuldades, os métodos existentes de avaliação de edifícios adotam, na verdade, esta segunda linha, e reportam-se a metas de sustentabilidade (ambiental), definidas teorica- ou empiricamente. Indicadores empíricos têm sido adotados e posteriormente

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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validados ou excluídos com base nas experiências práticas de implementação nos casos avaliados com cada sistema. A discussão sobre indicadores de sustentabilidade de edifícios foi intensificada a partir de 1999, quando a Universidade de Michigan realizou um workshop 52 para discussão de indicadores de sustentabilidade de edifícios (REPPE, 1999a), obstáculos para a sua implementação (REPPE, 1999b) e estratégias (REPPE, 1999c). Em 2001 foi constituído um Grupo de Trabalho 53 no GBC com o objetivo desenvolver uma lista preliminar de indicadores de sustentabilidade, entendidos como medidas absolutas destinadas a embasar a comparação internacional de edifícios. Na ocasião, o GT concluiu que não possuía conhecimento suficiente sobre níveis de metas que o permitisse trabalhar com indicadores de sustentabilidade, preferindo adotar a terminologia indicadores de desempenho ambiental54 (TODD;JOHN, 2001). Na reunião do GBC em Madrid (março de 2003) houve uma mudança importante de abordagem, e foram iniciados estudos para consideração dos efeitos econômicos e sociais relacionados à construção e operação dos edifícios avaliados nas próximas versões da GBTool. Um avanço promissor neste campo é o trabalho do ISO/TC59/SC355 na preparação de um conjunto de normas sobre Sustentabilidade de edifícios e ativos construídos56, que inclui um texto específico sobre princípios para indicação de sustentabilidade de um edifício ou grupo de edifícios (ISO AWI 15392) (ISO, 2003a). Com o uso desta norma, pretende-se que as avaliações de sustentabilidade de edifícios sejam feitas segundo uma estrutura comum e uma coleção principal de indicadores (Tabela 7), definidos na ISO AWI 21932 (2002c). A influência econômica do edifício é expressa com base em fluxos monetários gerados durante o seu ciclo de vida, como investimentos (em terreno, projetos, manufatura de produtos, construção...); custos operacionais (consumo de energia e de água, gestão de

52 53 54

National Sustainable Buildings Workshop. O Grupo de Trabalho em Indicadores de Sustentabilidade do GBC inclui a autora deste trabalho. Na versão da GBTool utilizada para as avaliações apresentadas na SB’02, esta terminologia foi substituída por indicadores de sustentabilidade ambiental. ISO Technical Committee 59 (Building construction), Subcommittee SC 3 (Sustainability in building construction). Até o momento, estão sendo preparados os seguintes textos (circulação restrita): ISO TC59/SC3/N503 (ISO CD 21932, 2002a) – Terminology. ISO TC59/SC3/N499 (ISO CD 21930, 2002b) – Environmental declaration of building products. ISO TC59/SC3/N469 (ISO AWI 21932, 2002c) – Sustainability indicators. ISO TC59/SC3/N459 (ISO AWI 15392, 2003a) – General Principles. ISO TC59/SC3/N501 (ISO CD 21931, 2003b) – Framework for assessment of environmental performance of buildings .

55 56

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

141

resíduos...); custos com manutenção e reparo; e com desconstrução e destinação de resíduos de demolição. Na ISO AWI 21932 ( SO TC59/SC3, 2002c), os indicadores econômicos I relacionam-se a fluxos monetários durante o ciclo de vida do edifício, basicamente custo ou retorno para proprietários, ocupantes e usuários. Uma abordagem sustentável enfatiza o custo no longo prazo (análise de custos ao longo do ciclo de vida) em vez de lucratividade no curto prazo. Neste sentido, o projeto de norma sugere que o emprego corrente de técnicas de análise de viabilidade econômica que priorizem a situação presente como os métodos de descontos (como o cálculo de valor presente) e de período de retorno (payback) seja reconsiderado. Tabela 7 Lista mínima de indicadores de sustentabilidade de edifícios, sugerida na ISO

AWI 21932 (ISO TC59/SC3, 2002c).
Indicadores de sustentabilidade
Indicadores ambientais Uso de matérias-primas naturais; Consumo de energia Liberação de emissões danosas ao ambiente Indicadores sociais Acessibilidade (transporte público, ciclistas, pedestres) Vida útil Ambiente interno Uso sem barreiras (barrier-free) Indicadores econômicos Custos ao longo do ciclo de vida

Os indicadores ambientais referenciam-se basicamente às categorias de impactos listadas na ISO 14.042 (ISO, 2000): uso de recursos (solo, água, energia e matérias-primas), potencial de aquecimento global, acidificação, eutroficação, formação de foto-oxidantes, dano à camada de ozônio, eco-toxicidade, contaminação do solo, saúde e biodiversidade. Estes indicadores são, por sua vez, relacionados na ISO CD 21931 (ISO, 2003b), que aponta uma lista mínima de itens a serem contemplados no desenvolvimento de métodos de avaliação ambiental de edifícios (Tabela 8).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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Tabela 8 -

Estrutura de itens a avaliar proposta pela ISO CD 21931 (ISO, 2003b ).
Sub-categorias
Conforto térmico Conforto acústico Iluminação Qualidade do ar

Categorias obrigatórias 57
Ambiente interno

Energia

Energia para operação Operação eficiente Carga térmica Uso de energia natural Eficiência dos sistemas prediais

Recursos e materiais

Consumo de água Produtividade no uso de recursos Evitar uso de poluentes

Impactos no entorno

Poluição Carga na infra-estrutura local

Finalmente, os indicadores sociais são tratados na ISO AWI 21932 (ISO TC59/SC3, 2002c) em termos de saúde e produtividade (riscos à saúde e clima interno); segurança do usuário, igualdade (acessibilidade) e herança cultural (qualidade arquitetônica; flexibilidade; vida útil do edifício e adequabilidade ao entorno). Muitos destes aspectos sociais são usualmente tratados em nível da comunidade. A norma tentará relacioná- los ao nível dos edifícios e grupos de edifícios. 5.2 CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO (“COMO AVALIAR?”)

A definição da importância relativa entre os diferentes aspectos avaliados é um dos pontos mais críticos em uma avaliação de edifícios, seja ela em termos ambientais ou de sustentabilidade. Aplicar um critério de ponderação é fundamental para que o método de avaliação deixe transparecer as prioridades locais, além de agilizar o entendimento dos perfis de saída da avaliação, pois a pontuação pode ser distribuída dentro de um número limitado e gerenciável de itens a avaliar, organizados segundo uma hierarquia pré-definida. A avaliação puramente econômica de um edifício conta com medidas de viabilidade bastante difundidas, como relação custo-benefício 58, valor presente líquido, período de retorno

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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(payback 59), taxa de retorno60, análise de custos ao longo do ciclo de vida61. Todos estes métodos traduzem os custos e os benefícios de um determinado investimento em uma medida única de viabilidade econômica do projeto, expressa em termos monetários (NORRIS;MARSHALL, 1995). Em avaliações de sustentabilidade, porém, os atributos econômicos são analisados juntamente com atributos de desempenho ambiental e social do edifício, cuja expressão em termos monetários nem sempre é fácil ou mesmo possível62. De toda forma, a definição da importância relativa neste nível hierárquico pode ser orientada pela percepção de prioridades e pela estratégia de ação definida para um contexto específico. Já a priorização de itens dentro de um mesmo nível hierárquico é mais difícil. Entre os aspectos ambientais, particularmente, não há um método consensualmente estabelecido para atribuir pesos, apesar da noção comum de que eles devam ser estabelecidos de acordo com evidência científica do impacto no médio e longo prazo sobre a saúde humana ou dos ecossistemas. A definição de ponderações em uma avaliação da sustentabilidade de edifícios centra-se, portanto, na busca de um método de ponderação que ofereça solução para dois problemas distintos: primeiro, comparação entre itens medidos por unidades diferentes (ex.: consumo de recursos x cargas ambientais) e, segundo, comparação entre itens monetários e não monetários (desempenho econômico x social x ambiental). 5.2.1 EMPREGO DE PROCESSO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA (AHP63) PARA DERIVAÇÃO DE
PESOS

O chamado processo de análise hierárquica (AHP) pertence ao grupo dos métodos aditivos simples, que por sua vez, são uma das classes de técnicas de análise de decisão multi-

57

A ISO CD 21931 (ISO, 2003b) traz ainda uma lista de categorias opcionais que inclui: qualidade dos serviços ; qualidade do ambiente externo; e impactos ambientais adicionais no entorno. ASTM E- 964/93 (1998) - Standard Practice for Measuring Benefit-to-Cost and Savings -to-Investment Ratios for Buildings and Building Systems. ASTM E1121(1998) - Standard Practice for Measuring Payback for Investments in Buildings and Building Systems. ASTM E1057 (1999) - Standard Practice for Measuring Internal Rate of Return and Adjusted Internal Rate of Return for Investments in Buildings and Building Systems. ASTM E-917 (1999) - Standard Practice for Measuring Life-Cycle Costs of Buildings and Building Systems. Uma lista completa de atributos para análise de edifícios e seus sub-sistemas foi desenvolvida pelo sub-comitê ASTM sobre desempenho global de edifícios (E06.25 - Whole-building Performance). AHP - Analytic Hierarchy Process.

58

59 60

61 62

63

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

144

atributos (MADA64). As técnicas MADA aplicam-se a problemas em que o agente de decisão precisa ordenar ou escolher (uma dentre) um número finito de alternativas, que são mensuradas por dois ou mais atributos relevantes, sejam eles monetários ou não. Descrições dos métodos principais podem ser encontradas na vasta literatura disponível sobre o tema, com destaque para as sínteses feitas por HWANG;YOON (1981) e CHEN;HWANG (1992). O Journal of Multi-criteria Decision Analysis (John Wiley & Sons, Ltd) é uma fonte-chave para atualização e consulta sobre desenvolvimentos mais recentes. Existem quatro características comuns a todos os métodos MADA (NORRIS, MARSHALL, 1995): 1. Análise de um conjunto finito e geralmente pequeno de alternativas discretas e prédeterminadas; 2. Compensação entre atributos; 3. Comparação de atributos não mensuráveis pela mesma unidade; e 4. Caracterização do problema através de matrizes de decisão 65, que indicam o conjunto de alternativas e o conjunto de atributos a considerar.

A matriz de decisão é composta por uma linha correspondente a cada alternativa e a coluna correspondente a cada atributo sendo considerado. Desse modo, um problema com m

alternativas caracterizadas por n atrib utos é descrito por uma matriz X, m x n (Eq. 1).
x 11
(informação sobre Alternativa 1 em relação ao Atributo 1 )

x 1n
(informação sobre Alternativa 1 em relação ao Atributo n)

Eq. 1

x ij X= x m1
(informação sobre Alternativa m em relação ao Atributo 1) (informação sobre Alternativa i em relação ao Atributo j)

= [x ij ] x mn
(informação sobre Alternativa m em relação ao Atributo n)

64

MADA é o acrônimo da expressão em inglês Multiattribute decision analysis. Nota de terminologia: MCA é o acrônimo de multicriteria analysis. Uma forma de MCA é a MADA (multiattribute decision analysis), também conhecida como MCDA (multicriteria decision analysis). Neste contexto, os termos atributo e critério são sinônimos e intercambiáveis. Tanto o AHP como a ponderação aditiva simples são técnicas de MADA (ou MCDA). Também se utiliza o termo matriz de comparação.

65

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

145

Entre os métodos MADA estão os métodos aditivos simples, que facilitam a classificação e escolha dentre alternativas através do desenvolvimento de uma pontuação para cada uma delas. A lógica dos métodos aditivos simples consiste em quatro princípios:
§

pontuações cardinais numéricas, que caracterizam a preferência global por cada alternativa. A pontuação de preferência Di 66, para cada uma das m alternativas (i=1,..., m) pode então ser utilizada para ordenar alternativas, identificar um grupo de alternativas preferidas ou selecionar uma alternativa única de maior preferência. pesos cardinais de atributos: para todas as alternativas, a importância relativa dos atributos é definida como constante e descrita através de pesos cardinais (wj), que o agente de decisão atribui a n atributos (j=1,..., n). Os pesos são geralmente normalizados (Σ pesos = 1) contribuições à preferência (desejabilidade): o desempenho de cada alternativa com relação a cada atributo (pontuação do atributo, x ij) deve ser numérica é comparável para todos os atributos. A contribuição à preferência é dada pela soma das contribuições de cada atributo à preferência global por uma alternativa, ou seja Di = xij . wj (para i =1,..., m e j=1,..., n). aditividade: as contribuições individuais dos atributos à preferência global por uma alternativa são consideradas como aditivas, isto é: a pontuação global da alternativa (Di) é definida como a soma das contribuições individuais por atributo (Eq. 2). Di = ∑ xij . wj (para i =1,..., m e j=1,..., n)
j =1 n

§

§

§

Eq. 2

O Processo de Análise Hierárquica (AHP) transcende a ponderação aditiva simples em três características importantes (1) a descrição hierárquica do problema com o objetivo de manter o número de comparações pareadas necessárias dentro de um limite gerenciável; e (2) a incorporação direta do procedimento de comparação em pares juntamente com (3) uma abordagem pré-especificada para conversão dos resultados das comparações em pesos para os atributos considerados (método do vetor eigen principal) e uso dos resultados obtidos em um teste heurístico da consistência das comparações pareadas efetuadas (NORRIS, MARSHALL, 1995). O AHP foi originalmente desenvolvido e aplicado por SAATY (1980). Trata-se de uma ferramenta analítica totalmente compensatória, aplicável a problemas de decisão multiatributos que possam ser formulados como uma árvore de decisão 67, onde cada nível hierárquico envolve diversos tipos de atributos. Com base em princípios matemáticos

66

A notação Di vem do termo original em inglês “desirability” (desejabilidade).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

146

simples, o AHP habilita os agentes de decisão a analisar aspectos rigorosa e metodicamente através de comparação, para realizar o ordenamento, varredura 68 e/ou seleção de alternativas. Sumarizando, constrói-se uma hierarquia dos elementos de decisão e então utilizar matrizes de comparação para comparar cada par possível em cada grupo, isto é: comparar atributos, em termos de sua importância relativa, e depois comparar alternativas em termos de sua preferência relativa em relação a cada atributo. O agente de decisão expressa a sua preferência aproximada através de intervalos de julgamento e especifica uma faixa de números para indicar a importância relativa de dois fatores por vez. As comparações sucessivas fornecem o peso de cada elemento dentro do grupo (ou nível hierárquico) e também uma relação de consistência. O resultado é uma definição clara de prioridades do ponto de vista de um indivíduo ou grupo (NORRIS, MARSHALL, 1995; HÄMÄLÄINEN, et al., 2002; MMD-ENG, 2002). Diante da ausência de uma base objetiva para ponderação de parâmetros de sustentabilidade, o AHP é aqui sugerido para determinação da ponderação entre os temas e categorias a avaliar, pois:
§

tanto o texto de trabalho da ISO AWI 21932 - Indicadores de Sustentabilidade (ISO TC59/SC3, 2002c), quanto o Manual do usuário da GBTool (COLE; LARSSON, 2002) recomendam a adoção de técnicas de análise de decisão multi-atributos; é um dos cinco cinco métodos (ou classes de métodos) MADA apontados por NORRIS, MARSHALL (1995) como adequados para a análise de problemas relacionados a edifícios e seus sub-sistemas69; é reconhecido pela ASTM, através de (1) sua adoção pelos sub-comitês ASTM E06.05 (Whole-building Performance) e ASTM E06.81 (Building Economics) em trabalho conjunto consolidado sobre decisões relacionadas a atrib utos de edifícios; (2) da norma ASTM E 1765-9570, sobre a aplicação do AHP à análise de decisão multi-atributos de investimentos relacionados a edifícios e sistemas de edifícios; e (3) do software de apoio à referida norma (CHAPMAN et al., 1998); e nos estudos de casos realizados neste trabalho (Capítulo 4), a ferramenta AHP desenvolvida mostrou-se como um facilitador para a derivação sistemática de pesos

§

§

§

67 68 69

Também se utiliza o termo árvore de valor ou árvore hierárquica. Distinção entre possibilidades aceitáveis e não aceitáveis. São eles: métodos de ponderação aditiva (soma ponderada), produto ponderado, NCIC (Non-traditional Capital Investment Criteria), TOPSIS e distância do alvo. Para uma lista abrangente dos métodos (ou classes de métodos) MADA considerados aplicáveis a problemas reais, agrupados de acordo com suas características principais, consultar NORRIS, MARSHALL (1995). ASTM E 1765-95 - Standard Practice for Applying Analytic Hierarchy Process (AHP) to Multiattribute Decision Analysis of Investments Related to Buildings and Building Systems .

70

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

147

entre os temas de desempenho da GBTool, indicando que um procedimento semelhante pode ser utilizado positivamente no desenvolvimento de um método nacional.

Um AHP completo é composto por três etapas: 1. Definição da hierarquia de atributos, compreende a definição do objetivo, a identificação dos atributos importantes, e a identificação de alternativas possíveis (Figura 6). 2. Determinação da importância relativa (peso) de cada atributo, através de comparação pareada em pares de elementos (atributos ou sub-atributos) começando pelo nível mais baixo da hierarquia. Compreende a construção das matrizes de comparação que sumarizam o desempenho relativo entre atributos e desempenho de cada alternativa em relação a cada atributo. 3. Determinação da pontuação global (contribuição à preferência) de cada alternativa, com base nos pesos dos atributos e sub-atributos obtidos em (2) para ordenar as alternativas ou selecionar uma delas.

5.2.1.1 DEFINIÇÃO DA HIERARQUIA DE ATRIBUTOS A construção da hierarquia de atributos representa a percepção do(s) agente(s) de decisão quanto aos aspectos (atributos e alternativas) considerados. Estruturar um problema hierarquicamente significa dividí- lo em uma série de níveis de atributos, de forma que cada atributo seja membro de um pequeno grupo de atributos no mesmo nível, todos eles relacionados a um atributo único no nível imediatamente superior. O problema de decisão pode ser, então, descrito graficamente na forma de uma hierarquia de atributos, em que, de um lado, esteja a decisão a ser tomada (objetivo) e, do outro, as alternativas a classificar ou dentre as quais deve-se eleger uma preferida (Figura 6). Uma vez determinados os níveis hierárquicos, deve-se estabelecer, para cada grupo de atributos (de sub-atributos e assim sucessivamente), pesos normalizados (Σ pesos = 1) que indicam as preferências relativas do agente de decisão, naquele nível hierárquico. No exemplo da Figura 6, quatro matrizes de comparação seriam necessárias para determinação dos pesos, uma para cada grupo envolto pelas linhas tracejadas. Teoricamente, não há limite para o número de níveis ou quantidade de atributos que podem ser considerados em um AHP. Existe, no entanto, um limite prático ditado pela capacidade de alguns softwares de apoio existentes no mercado, de forma que, em problemas

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

148

complexos, é possível ter até sete níveis na hierarquia, e até 9 sub-atributos em cada grupo de atributos.

sub-atributo 1 Atributo 1 sub-atributo 2

alternativa 1

alternativa 2 sub-atributo 1

objetivo (decisão)

Atributo 2

sub-atributo 2 sub-atributo 3

alternativa 3

alternativa 4

sub-atributo 1 Atributo 3 sub-atributo 2

alternativa n

Figura 6 – Construção de hierarquia de atributos.

5.2.1.2 DETERMINAÇÃO DE IMPORTÂNCIA RELATIVA Os agentes de decisão normalmente têm dificuldade para atribuir precisamente pesos cardinais para uma série de atributos simultaneamente. A complexidade na explicitação destas preferências vem do fato de a mente humana ter dificuldade de comparar mais de duas coisas ao mesmo tempo. No entanto, é possível realizar facilmente comparações em pares, até que todas as alternativas possíveis sejam consideradas (Figura 7).

Atributo 1-n

Atributo 1-n

Atributo 1-n

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

149

Figura 7 – Exemplo de comparação em pare s: conjunto de três alternativas. Por esta razão, a atribuição de pesos é realizada através de comparações pareadas sucessivas, que fornecem um conjunto de pesos consistente e normalizado.

Identidade , reciprocidade e consistência de matrizes de comparação O problema de decisão no AHP é como comparar a importância relativa dos atributos de modo sistemático e quantitativo. Matematicamente, o objetivo é determinar os pesos nãonegativos wi dos atributos ai para i variando de 1 a n, onde n é o número de atributos. Se os pesos w=(w 1 ,..., wn) fossem conhecidos, a importância relativa do atributo ai comparado a aj seria dada pela relação wi/wj (HAURIE, 2001). Na comparação empírica de n atributos apenas contra o primeiro deles (a1 ), por exemplo, as relações entre pesos seriam wi /w1 para i = 1 a n. Estes valores definem o peso w em relação a um fator global, sendo possível representar o vetor w por um vetor normalizado, por exemplo, fazendo a soma dos pesos igual a 1 (Eq. 3):

∑w
i

i

=1

Eq. 3

Combinando todos os n possíveis vetores-colunas pareados em uma matriz como a mostrada na Eq. 4, chega-se ao ponto de partida da análise de SAATY (1980).  w1 / w1 w1 / w2 w1 / w3 w 2 / w1  A = w 3 / w1   :  wn / w1  ... w1 / wn   ...  ...   ...  ... wn / wn  
Eq. 4

A abordagem AHP assume que, por definição, a matriz de comparação atende a três propriedades especiais: (1) identidade: pelo princípio de identidade, todos os todos os elementos na diagonal da matriz são iguais a 1, pois se um atributo é sempre igualmente importante a si mesmo, a comparação de um atributo contra si mesmo fornece relação entre pesos igual a 1 (wi/wi=1, ..., wn/wn=1). Este princípio reduz a quantidade de respostas necessárias para apenas n(n-1)/2, sendo n o número de atributos.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

150

(2) reciprocidade: pelo princípio de reciprocidade, se o Atributo A é julgado como 2 vezes tão importante quanto o Atributo B, então o Atributo B é 1/2 vez tão importante quanto o Atributo A. Por este princ ípio, cada elemento abaixo da diagonal é igual ao inverso do elemento correspondente acima da diagonal. Os elementos da matriz A têm, portanto, a propriedade especial (Eq. 5). aij = 1/aji, para todos os i e j
Eq. 5

Neste caso, por teorema de álgebra linear, w é o vetor eigen da matriz A, com valor eigen igual a n (Eq. 6): Aw=nw
Eq. 6

Com este procedimento específico, o AHP formaliza a conversão de um problema de atribuição de pesos a atributos em um problema mais palpável de realizar uma série de comparações entre pares de atributos concorrentes. Esta série de comparações em pares é sumarizada em matrizes de comparação, que são m atrizes quadradas (número de linhas igual ao número de colunas) contendo as relações entre os elementos comparados (subatributos, atributos ou alternativas), na forma geral mostrada na Tabela 9.

(3) consistência (transitividade cardinal perfeita): por consistência entende-se que, para quaisquer três Atributos A, B e C, se A é julgado como x vezes mais importante que B, e B é considerado como y vezes mais importante que B, então A deve ser xy vezes mais importante que C. Em outras palavras, as colunas da matriz de comparação são múltiplos escalares entre si, de forma que as colunas normalizadas (i.e.: onde cada célula é dividida pela soma da coluna) são idênticas, e qualquer uma delas pode ser tomada para representar os valores relativos das alternativas, como mostrado no exemplo da Tabela 10 e Tabela 11.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

151

Tabela 9 – Forma geral de matriz de comparação em pares.
Atributo 1 Atributo 2 importância do atributo 1 em relação ao atributo 2 Atributo 3 importância do atributo 1 em relação ao atributo 3 ... Atributo n importância do atributo 1 em relação ao atributo n importância do atributo 2 em relação ao atributo n

Atributo 1

1

...

Atributo 2

importância do atributo 2 em relação ao atributo 1 importância do atributo 3 em relação ao atributo 1

1

...

...

Atributo 3

importância do atributo 3 em relação ao atributo 2

1

...

...

...

...

...

...

1

...

Atributo n

importância do atributo n em relação ao atributo 1

importância do atributo n em relação ao atributo 2

importância do atributo n em relação ao atributo 3

...

1

Tabela 10 - Matriz consistente de comparação em pares de sub-atributos dentro de um Atributo A.
Atributo A
Sub- atributo 1 Sub- atributo 2 Sub- atributo 3 Sub-atributo 1 1 3 1/2 Sub-atributo 2 1/3 1 1/6 Sub-atributo 3 2 6 1

Os pesos relativos dos três sub-atributos, com base no Atributo A considerado, são obtidos através da normalização das colunas, de forma que a mesma matriz acima pode ser indicada como na Tabela 11.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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Tabela 11 Atributo A

Matriz da Tabela 1 após normalização das colunas.
Sub-atributo 1 0.222 0.667 0.111 Sub-atributo 2 0.222 0.667 0.111 Sub-atributo 3 0.222 0.667 0.111

Σ linhas
0,666 2,000 0,333 3

Pesos 0,222 0,667 0,111 1

Sub- atributo 1 Sub- atributo 2 Sub- atributo 3

Σ matriz

As colunas normalizadas são idênticas, o que indica que as comparações realizadas na matriz da Tabela 10 foram perfeitamente consistentes e que a importância relativa entre os três sub-atributos, com base no Atributo A, poderia ter sido extraída diretamente a partir dos valores normalizados da primeira coluna (sub-atributo 1 = 0,222; sub- atributo 2 = 0,667; e sub- atributo 3 = 0,111), ou somando-se os valores em cada linha e dividindo pelo total da matriz, como demonstrado pela coluna “Pesos” acrescentada à matriz original. Notar que, se as comparações são feitas em pares e se transitividade cardinal perfeita (consistência) é assumida, torna-se redundante comparar (A,C), uma vez feitas as comparações (A,B) e (B,C). Mais ainda: em uma situação de consistência, apenas a primeira linha (ou coluna) da matriz de comparação, precisa ser completada pelo agente de decisão: os demais elementos da matriz poderiam ser facilmente calculados. Inconsistência de matrizes de comparação Alguns métodos utilizam a construção de matrizes de comparação a partir de n(n-1)/2 comparações pareadas independentes, que permitem que o agente de decisão faça julgamentos não perfeitamente consistentes. Isto é permitido para (1) aumentar o número de oportunidades para o agente de decisão expressar suas preferências cardinais; e (2) tentar reproduzir a dificuldade prática do agente de decisão em ser perfeitamente consistente nos julgamentos, especialmente quando são realizadas muitas comparações pareadas. Esta possibilidade mostra-se útil pois, em qualquer processo de julgamento subjetivo há sempre alguma margem de incerteza.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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A inconsistência dos julgamentos revela-se matematicamente na forma de matrizes com colunas normalizadas não idênticas (Tabela 12 e Tabela 13), para as quais a Eq. 6 nem sempre será satisfeita. Tabela 12 – Exemplo de matriz não consistente.
Atributo A
Sub- atributo 1 Sub- atributo 2 Sub- atributo 3 Sub-atributo 1 1 3 1/2 Sub-atributo 2 1/3 1 1/4 Sub-atributo 3 2 4 1

Tabela 13 – Matriz da Tabela 12 (matriz não consistente) após normalização das colunas.
Atributo A
Sub- atributo 1 Sub- atributo 2 Sub- atributo 3 Sub-atributo 1 0,222 0,667 0,111 Sub-atributo 2 0,211 0,632 0,158 Sub-atributo 3 0,286 0,571 0,143

Σ linhas
3,333 8 1,75 3

Pesos 0,255 0,611 0,134 1

Σ matriz

SAATY (1990) propôs que, nestes casos, seja derivado um vetor de pesos que tende a compensar os erros nos pesos implícitos em cada coluna (ou linha) da matriz 71, isto é: 1. o vetor de pesos w seja encontrado como o vetor eigen na forma da Eq. 7.

71

O AHP usa o método do vetor-eigen para converter a matriz de comparações pareadas em um vetor de pesos normalizados (Eq. 7), e um teste de consistência com base no valor eigen correspondente(Eq. 8). Qualquer matriz quadrada M com n linhas e n colunas tem a ela associados n “vetores eigen” ei . (não necessariamente iguais) que satisfazem a seguinte equação: ?i e i = M e i , onde ?i é o valor eigen associado ao vetor eigen e i. O vetor eigen principal é o vetor e* associado ao valor eigen com maior valor absoluto ?max . ?max e* = M e*. Primeiro, encontra-se a solução e* para a matriz M igual à matriz de comparação desejada e, depois, normaliza-se os elementos do vetor final de pesos (w) para que sua soma seja igual a 1. Uma explicação mais detalhada do método do vetor eigen pode ser encontrada em NORRIS;MARSHALL (1995) e no trabalho de SAATY (1990), entre outros.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

154

Aw=?max w onde n é o valor eigen em situação perfeitamente consistente, ?max é o valor eigen máximo de A e ?max = n.

Eq. 7

2. Uma relação de consistência (CR) seja definida a partir do desvio do valor eigen máximo (?max) em relação a n (valor eigen em situação perfeitamente consistente) (Eq. 8). CR = CI/ACI onde o índice de consistência CI é definido por CI = (?max -n)/(n-1); e ACI é um número encontrado fazendo a média de CI em relação a um grande número de matrizes A aleatórias. Uma relação de consistência CR<0,1 é normalmente considerada como aceitável, por ser uma situação próxima à situação ?max = n , em que a matriz A de comparação pareada é totalmente consistente. Por esta razão, é freqüente a aplicação de um cut-off de consistência igual a 0,1; isto é: são retidos apenas os dados empíricos que tenham relação de consistência menor que 0,1 (HAURIE, 2001).
Eq. 8

5.2.1.3 ESCALA DE IMPORTÂNCIA RELATIVA (ESCALA DE VALOR) Como nos demais métodos aditivos, os julgamentos feitos no AHP são cardinais, em vez de simplesmente ordinais, isto é: para cada par de atributos, o agente de decisão especifica não só qual atributo considera mais importante, como também, quanto mais importante ele é considerado em relação ao atributo concorrente. Na abordagem clássica de SAATY, utiliza-se nas comparações pareadas uma escala linear 1,2,3....,9 para quantificar quão mais importante é um atributo em relação a outro. O valor 1, por exemplo, significa importância igual, enquanto o valor 9 significa importância muito maior. Caso o atributo seja menos importante que o atributo concorrente, utiliza-se então o inverso das preferências (1,1/2,1/3,...,1/9). A opção arbitrária por uma escala linear e por um determinado valor máximo é simplesmente um reflexo do problema geral de quantificar preferências em modelos de

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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decisão multi-atributos. É bastante razoável utilizar uma escala de avaliação positiva e limitada, i.e. não permitir preferências infinitas, de modo que todos os elementos na matriz A sejam finitos e positivos. No entanto, o uso de uma escala linear na abordagem AHP cria imediatamente uma inconsistência (HAURIE, 2001). Considerando, por exemplo, a situação com três atributos diferentes e uma escala com valores possíveis 1/3, 1/2, 1, 2, 3. Supondo que um avaliador qualquer atribua valores em uma seqüência crescente de forma a gerar a matriz A abaixo,

 1 1 / 2 1 / 3 A =  2 1 1 / 2   3 2 1   

Eq. 9

os vetores-colunas da matriz não serão proporcionais como eram os da matriz perfeitamente consistente mostrada na Eq. 4. Isto pode acontecer ainda que tenham sido fornecidas respostas consistentes em cada uma das comparações pareadas com base nos atributos a1 , a2 e a3 . A adoção de um valor multiplicativo para a determinação dos intervalos da escala de importância relativa (ex:1/4, 1/2, 1, 2, 4) resolve esta inconsistência (HAURIE, 2001)72. 5.2.1.4 DETERMINAÇÃO DA PONTUAÇÃO GLOBAL DE ALTERNATIVAS Com a série completa de comparações sistemáticas e sucessivas de pares de elementos, com relação ao atributo imediatamente acima deles na hierarquia, deduz-se os pesos relativos de todos os elementos avaliados. A soma dos pesos dos elementos em cada nível hierárquico é sempre igual a 1 (salvo diferenças de arredondamento). Uma vez obtidos os pesos em cada

72

Segundo este autor, a única escala que sempre evitará inconsistência é uma escala de avaliação multiplicativa que tenha a forma geral mostrada na equação abaixo: exp(J logb) sendo: J variando de 0 a J; e b>1 Esta escala começa em 1 (importância igual) e termina no expoente da preferência máxima (J logb). Uma escala consistente foi então definida por apenas dois parâmetros independentes: o número de preferências diferentes e a preferência máxima.

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

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nível hierárquico, a etapa final é a combinação dos pesos calculados nos diferentes níveis da hierarquia para obtenção da pontuação global de cada alternativa. Mantendo o exemplo da Figura 6, poderíamos ter uma matriz de decisão global na forma da mostrada na tabela abaixo. A pontuação de cada alternativa seria obtida pelo somatório dos produtos dos pontos atingidos pela alternativa no sub-atributo (Pij) pelo peso do sub-atributo (wj) e pelo peso do atributo (Wk) (Eq. 10 e Tabela 14). Palt = Σ Pij . wj. Wk
Para i variando de 1 a n , j variando de 1 a m e k variando de 1 a o e Σw1 = 1 e ΣW k =1
Eq. 10

Tabela 14 – Exemplo de organização hipotético para a matriz para comparação de alternativas com base nos atributos e sub- atributos definidos na Figura 6.73
Atributo 1 W1 Sub1 w1 Alternativa 1 Alternativa 2 Alternativa 3 Alternativa 4 Alternativa n P1,1 P2,1 P3,1 P4,1 Pn,1 Sub2 w2 P1,2 P2,2 P3,2 P4,2 Pn,2 Sub1 w3 P1,3 P2,3 P3,3 P4,3 Pn,3 Atributo 2 W2 Sub2 w4 P1,4 P2,4 P3,4 P4,4 Pn,4 Sub3 w5 P1,5 P2,5 P3,5 P4,5 Pn,5 Atributo 3 Wo Sub1 w6 P1,6 P2,6 P3,6 P4,6 Pn,6 Sub2 wm P1,m P2,m P3,m P4,m Pn,m (P1,1 . w1. W1+...+P 1,m . w m. W o) (P2,1 . w1. W1+...+P 2,m . w m. W o) (P3,1 . w1. W1+...+P 3,m . w m. W o) (P4,1 . w1. W1+...+P 4,m . w m. W o) (Pn,1 . w1. W1+...+P n,m . w m. W o)

Pontuação global Palt

para i variando de 1 a n, j variando de 1 a m e k variando de 1 a o

5.3

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

5.3.1 SOBRE A DEFINIÇÃO DA ESTRUTURA DE AVALIAÇÃO Indicadores são procurados para mostrar tendências nacionais e internacionais de desenvolvimento social, econômico e ambiental e monitorar atentamente o progresso em relação padrões sustentáveis de vida. Indicadores de desempenho são também utilizados no contexto de métodos para avaliação ambiental de edifícios para mostrar melhoria em – e

73

Para se obter os pesos representados nesta tabela, 4 matrizes de comparação – não mostradas aqui - deveriam ser construídas previamente (comparação entre os sub-atributos 1 e 2 do Atributo 1; entre os sub- atributos 1, 2 e 3 do Atributo 2; entre os sub-atributos 1 e 2 do Atributo 3; e, finalmente, entre os Atributos 1, 2 e 3).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

157

permitir comparações entre – edifícios individuais. Em ambas as aplicações, indicadores fornecem aos seus usuários a retroalimentação necessária ao fazer benchmark de desempenho e ilustrar a taxa e extensão do progresso, auxiliando na conscientização dos problemas ambientais e seus reflexos sociais e econômicos (ou vice-versa), e nivelando uma base para comparação entre tomada de decisões e planejamento estratégico. A busca por indicadores levou conseqüentemente ao estudo da gama de estruturas ana líticas desenvolvida para a sua organização ao longo das duas últimas décadas. A maior parte das métricas identificadas na revisão das iniciativas mundiais de desenvolvimento de indicadores concentrava-se na dimensão ambiental e era mais apropriada para medir a saúde e a sustentabilidade de ecossistemas, comunidades ou componentes ambientais específicos, como água ou ar. Muitas destas métricas não podem ser aplicadas a edifícios ou aos seus efeitos, uma vez que eles não permite distinguir a parcela de contribuição relativa dos edifícios ou do ambiente construído à saúde ou à sustentabilidade de um dado ecossistema, comunidade ou componente ambiental de interesse. Reconhece-se, neste trabalho, a dificuldade em relacionar informações obtidas na escala do edifício com o progresso do setor ou da nação em quaisquer das dimensões da sustentabilidade. Defende-se, porém, a validade de se extrair indicadores relevantes para os edifícios que, ainda que não possam ser imediatamente agregados para formar uma medida global da sociedade, indiquem o caminho para (1) cooperação no cumprimento de metas setoriais e nacionais e (2) a produção de um ambiente construído pautada por atitudes mais responsáveis, com base na reflexão sobre seus efeitos no longo prazo. Por outro lado, a avaliação integrada de itens ambientais, sociais e econômicos encontra instrumentos na esfera das nações, como os indicadores da UN CSD; dos setores econômicos, como os indicadores da CIRIA, para a construção civil do Reino Unido; e das organizações, como as diretrizes de relato de sustentabilidade corporativa da GRI. Propõe-se que a estrutura de avaliação seja construída com base nestes instrumentos; na proposição de uma agenda pra construção sustentável no Brasil, organizada a partir da estrutura temática utilizada pela UN CSD; e na análise dos métodos e projetos de normas ISO relacionados à avaliação ambiental e de sustentabilidade de edifícios. A esta estrutura de avaliação, foi relacionada uma lista de indicadores exaustiva (ver Capítulo 6 e Apêndice 7).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

158

Antes de esgotar o assunto, agenda setorial aqui proposta pretende estimular uma discussão ainda pouco desenvolvida. Em termos gerais, as agências governamentais definem políticas e a estrutura legislativa e fiscal em que as atividades de construção geram habitações, locais de trabalho, equipamentos públicos e sistemas de transporte, mas a implementação de estratégias é possível apenas através da adesão massiva do setor. Nestes dois pontos, apesar de já serem notáveis as mudanças, o cenário brasileiro ainda está distante de exibir uma estrutura de ação para a sustentabilidade bem definida e organizada, como a vista no Reino Unido, por exemplo, caracterizada exatamente por uma ação governamental forte, que gerou uma série de documentos orientativos e estratégias específicas para o setor 74. Ainda há um grande caminho a percorrer para superar problemas de habitação, infraestrutura e serviços urbanos no Brasil. O cumprimento de metas sociais depende em grande medida de vontade política, mas também de uma maior aproximação do setor de construção aos agentes sociais interessados. Adicionalmente, a busca de soluções inovadoras introduz problemas técnicos relacionados ao desenvolvimento de alternativas tecnológicas para atender às necessidades básicas de grande parcela da população, que aliem baixo custo a baixo impacto ambiental. Não se espera que todas as ações e mudanças apontadas ocorram imediatamente, mas todas elas estão ao alcance do setor. 5.3.2 SOBRE O USO DE AHP PARA DEFINIR O CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO Um método de avaliação envolve a análise de um grande número de itens. A GBTool, por exemplo, avalia cerca de 100 itens, e eles referem-se apenas à avaliação ambiental do edifício. Este número pode ser muito maior no caso de avaliações incluindo aspectos sociais e econômicos. Para agilizar o entendimento dos perfis de saída da avaliação, torna-se necessário definir uma hierarquia, e distribuir a pontuação dentro de um número limitado e gerenciável de itens a avaliar. Neste contexto, ao menos três aspectos sugerem a utilização do AHP: (1) a necessidade de estabelecer uma hierarquia e identificar a importância relativa de itens concorrentes e comparáveis (ordenamento), porém de naturezas diversas (quantitativa e qualitativa); (2) a ausência de dados ou métodos para estabelecer quantitativamente esta importância relativa;

74

Sendo os principais deles a agenda governamental para sustentabilidade, intitulada A better quality of life (UK GOVERNMENT, 1999) e a agenda setorial (Building a better quality of life, DETR, 2000), que, por sua vez, considerou o Relatório Egan (EGAN, 1998), sobre o aumento da eficiência do setor de construção britânico e a consulta Opportunities for change – consultation paper on a UK strategy for sustainable construction (DETR, 1998).

Capítulo 5 – Diretrizes e base metodológica para o desenvolvimento de um método de avaliação de sustentabilidade

159

e (3) a necessidade de realizar julgamentos de valor (subjetivos), porém de maneira transparente e sistemática. O AHP é um método bem estabelecido e testado de análise multi-atributos, que permite incluir na mesma plataforma de decisão atributos conflitantes, monetários ou não. O método apresenta algumas limitações intensamente discutidas em literatura específica 75. Apesar de não ter aceitação universal, a combinação de flexibilidade e facilidade de uso oferecida pelo AHP contribuiu para a sua aplicação em uma ampla gama de problemas práticos de análise multi-atributos, em áreas que vão desde finanças, avaliação de desempenho de funcionários, classificação da qualidade de vida urbana, até planejamento de uso do solo. Sugere-se, portanto, a sua utilização para registrar e manter a rastreabilidade do processo de obtenção de pesos para os temas e categorias de desempenho em avaliação de edifícios, seja pelo emprego de softwares existentes no mercado, como o ExpertChoice® , ou de ferramentas simples de apoio, como a desenvolvida nesta pesquisa. Independentemente da ferramenta utilizada, deve-se eliminar as inconsistências de julgamento, observando-se o princípio da transitividade; e aquelas induzidas pela própria escala de importância relativa, adotando-se uma escala com intervalos multiplicativos.

O próximo Capítulo apresenta sucintamente o conceito de avaliação inicialmente idealizado e submetido para consulta às partes interessadas na construção civil do estado de São Paulo, assim como as modificações que dela resultaram.

75

Especialmente o fenômeno de inversão de preferências (rank reversal), que é a alteração na ordem de preferência quando uma alternativa é adicionada ou retirada do grupo analisado. O próprio SAATY defende seu método alegando que a inversão de preferências não é uma falha do método, pois pode ocorrer em situações reais de tomadas de decisão (NORRIS;MARSHALL, 1995).

6 MODELO

PROPOSTO PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS BRASILEIROS INTRODUÇÃO

6.1

A discussão quanto a que foco dar às avaliações de edifícios (avaliação ambiental ou avaliação de sustentabilidade) é vigorosa e com bons argumentos de ambos os lados (COLE; 1999; KÖHLER, 1999; COOPER, 1999). O principal argumento para a inexistência de avaliação de sustentabilidade de edifícios é a dificuldade em relacionar o progresso quanto a sustentabilidade do setor ou da nação com a escala do edifício, onde faria mais sentido se falar em avaliação ambiental (COLE; 1999). No entanto, este é um argumento frágil, pois é igualmente difícil relacionar o desempenho ambiental do edifício ao progresso em relação à sustentabilidade ambiental. A argumentação feita neste trabalho considera que a avaliação do desempenho ambiental do edifício é uma parte de um problema complexo, que pode ser mais ou menos significativa de acordo com o contexto específico da avaliação. A produção de edifícios tem desdobramentos sociais e econômicos claramente importantes, particularmente em países em desenvolvimento, que devem ser consideradas. O modelo de avaliação parte da premissa que construção sustentável significa atingir o desempenho requerido para edifício com o menor prejuízo ecológico possível, enquanto se promove melhoria social, cultural e econômica em nível local, regional e global. Propõe-se, então, avaliar não só o desempenho ambiental do edifício, mas, na extensão possível, a sua contribuição para um ambiente construído mais sustentável, através de incorporação de aspectos sócio-econômicos que possam ser relacionados à escala da produção e uso do edifício. 6.2 SOBRE A INCLUSÃO D AVALIAÇÃO DE GESTÃO DO PROCESSO E D AGENTES A OS
ENVOLVIDOS

Na agenda setorial discutida no Capítulo 5, a dimensão institucional relaciona-se à existência e ao nível de implementação de estratégias de sustentabilidade. Propõe-se aqui incluir a avaliação dos agentes envolvidos no processo para criar a cultura e o movimento consistente das práticas de mercado em direção a um patamar mais sustentável; e para

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

161

fazer a ligação, na escala do empreendimento, à dimensão institucional da agenda setorial, através de indicadores de comprometimento que informem: (1) se há estratégia para aumentar a sustentabilidade do empreendimento; (2) se ela esta implementada; e (3) o grau de efetividade. A adoção de práticas mais sustentáveis ao longo do ciclo de vida de edifícios é, antes de tudo, uma questão de cultura e educação dos agentes envolvidos, incluindo usuários finais, para que a consideração da sustentabilidade - e de seus benefícios – torne-se um dos objetivos do empreendimento. Os clientes controlam a localização do empreendimento e o que será construído. Clientes e empreendedores sensibilizados por preocupações ambientais são a peça mais importante em termos de direcionamento físico do desenvolvimento e alteração urbana e de conservação de biodiversidade e ecologia local; e podem ser uma influência positiva na proteção, mitigação e melhoria de biodiversidade em sítios com algum valor ecológico. Mais ainda: clientes e empreendedores criam a demanda e definem as características dos novos empreendimentos, o desempenho esperado e quanto estão dispostos a investir neles. Como mencionado no Capítulo 1, as maiores barreiras para se fazer mais pela sustentabilidade dos edifícios são provavelmente de ordem comercial: se o cliente não incluir sustentabilidade como prioridade, as possibilidades de ação pró-ativa de projetistas e construtores quanto a sustentabilidade tornam-se limitadas e pouco prováveis. As margens de lucro são limitadas na construção civil, e existe um receio generalizado do mercado de envolver-se em ações que possam reduzi- las ainda mais. Os projetistas influenciam a sustentabilidade do empreendimento ao tomar decisões quanto à forma e a implantação do edifício, influenciando o grau em que o sítio original será afetado ou que novos habitats possam ser criados. As decisões arquitetônicas têm ainda grande impacto econômico e social, pela qualidade dos espaços criados e seu efeito na saúde, conforto, satisfação e produtividade dos usuários. Os projetistas brasileiros ainda não estão atentos aos aspectos ambientais da construção, ou às possibilidades de prover boa qualidade do ambiente interno com baixo emprego de capital natural e financeiro. Como os clientes, os projetistas tendem a pensar e atuar com base em empreendimentos individuais, isto é: em um determinado projeto, em que aspectos ambientais se mostrem importantes, eles tentam considerá- los adequadamente, desde que não haja implicações comerciais onerosas nem objeções do cliente.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

162

Os construtores são os agentes mais visíveis no processo e, conseqüentemente, aqueles normalmente culpados por prejuízo ou destruição ambiental. Na realidade, porém, salvo se forem também os empreendedores, os construtores cumprem obrigações contratuais definidas previamente por clientes e projetistas. Assim, quando o contrato de construção é feito, já é normalmente tarde demais para se fazer alterações significativas do processo que possam torná- lo mais sustentável. Por outro lado, como os construtores efetivamente constroem o projeto, eles têm (diferentemente dos processos de planejamento, projeto e gestão da operação do edifício) o poder de influenciar a maneira como o processo de construção afeta não só o sitio original, mas a comunidade local, em termos ambientais, econômicos e sociais. Adicionalmente, a etapa de construção encerra parte considerável do impacto socia is e econômicos de todo o ciclo do empreendimento. A implementação de políticas para sustentabilidade e de instrumentos de informação tem, portanto, no grupo de construtores um dos maiores potenciais de benefício dentre os agentes envolvidos em todo o ciclo, que provavelmente só encontra paralelo entre os projetistas 1. Finalmente, o desempenho do edifício em uso resulta da combinação do desempenho potencial, esperado a partir das decisões de projeto e construção, e de padrões de comportamento dos usuários, que podem diferir – positiva ou negativamente - das expectativas assumidas nos defaults de projeto. O longo período de uso potencializa a interferência dos usuários e gestores do edifício, mas em um momento em que há pouco o que se fazer para obter melhoria significativa; na verdade, normalmente espera-se mais que o usuário e o planejamento da gestão contribuam para manutenção do desempenho esperado em projeto do que possam realmente vir a melhorá- lo. 6.3 DESCRIÇÃO SUCINTA DA PROPOSTA INICIAL DE AVALIAÇÃO

Como um primeiro passo, optou-se por iniciar a avaliação dos agentes pela avaliação da empresa construtora. Esforços semelhantes para envolver os demais agentes envolvidos na produção do empreendimento, principalmente os projetistas, seriam desenvolvidos oportunamente. Parte dos itens avaliados refere-se à responsabilidade social corporativa, mas a maioria deles relaciona-se à competitividade e permanência no mercado, num mecanismo que tende a criar pressões para a busca de metas cada vez mais avançadas.

1

Ver SILVA et al. (2000b).

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

163

No modelo inicialmente idealizado, os indicadores foram organizados segundo uma estrutura temática (Figura 12), considerada como pragmática e capaz de evidenciar a efetividade e necessidade de melhoria de políticas e estratégias, aumentando o potencial de planejamento, intervenção e gestão. Procurou-se manter como pano de fundo a reflexão quanto a (1) prioridades destacadas na agenda setorial apresentada no Capítulo 5; (2) síntese da discussão internacional em indicadores de sustentabilidade de edifícios, de empresas e do setor de construção; e (3) as estruturas de métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios. Em cada dimensão avaliada, os indicadores foram estruturados segundo a hierarquia : temas>categorias>indicadores. Os indicadores ambientais foram agrupados numa combinação de abordagem por meios 2, LCA e, implicitamente, pressão-resposta (DSR3), em que o uso de recursos e cargas ambientais são organizados segundo os componentes ambientais principais. Os indicadores sociais foram relacionados às partes interessadas afetadas: operários (durante a execução), usuários (durante o uso), clientes, e sociedade em geral (durante todo o ciclo)4. Os indicadores econômicos destacavam as informações relativas aos custos previstos para o empreendimento ao longo de seu ciclo de vida; aos investimentos feitos para aumentar a sustentabilidade; e aos benefícios deles resultantes. Esta estrutura analítica era flexível o suficiente para ser amplamente utilizada e interpretada ao longo do espectro de empresas e empreendimentos de construção, reconhecendo a sua diversidade e, ao mesmo tempo, fornecendo uma base comum de definições, princípios e indicadores. A pontuação dos itens seria atribuída dentro da escala linear de desempenho mostrada na Figura 2.

2

A abordagem por meios organiza os temas ambientais a partir da perspectiva dos componentes ambientais principais (ar, solo, água...). A abordagem pressão-resposta concentra-se nos impactos das atividades humanas no ambiente e sua transformação subseqüente. DSR - Estrutura de organização de indicadores segundo força indutora-estado-resposta (Driving force-State-Response) Divergindo, portanto, da organização sugerida pela ISO AWI 21932 (ISO TC59/SC3/N469). 2002c - Sustai nability indicators, que não considera a etapa de construção (os indicadores sociais são organizados em termos de saúde e produtividade (do usuário), segurança (do usuário), acessibilidade (do usuário) e herança cultural (sociedade).

3 4

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

164

Temas

DSR Categorias
DF Uso de recursos Energia, água, solo (e ecologia local), materiais (e resíduos) Cargas ambientais Proatividade egestão ambiental/qualidade

Indicadores edifício

DF R

ambientais sociais econômicos
quantitativos e qualitativos

S/R S/R

S/R

Impactos sobre os operários (execução) Saúde, segurança, treinamento e ambiente de trabalho Impacto sobre os usuários Qualidade ambiente interno Qualidade dos serviços (amenidades e acessibilidade) Impacto sobre a sociedade Relacionamento com a comunidade Análise de custos no ciclo de vida (LCC*) Investimento em sustentabilidade Benefício financeiro (sustentabilidade) Aumento de produtividade usuários Velocidade de venda e valorização do imóvel Imagem corporativa etc *LCC – life-cycle cost analysis

S S S

Indicadores empresa

R R R R comprometimento DF

Sustentabilidade como prioridade corporativa Adoção de práticas de liderança Construção/operação sustentável do portfolio Monitoramento e relato do progresso Eco-eficiência da empresa Uso de recursos Cargas ambientais Impactos sobre os funcionários/operários Saúde, segurança, treinamento e ambiente de trabalho Impacto sobre a sociedade Relacionamento com a comunidade Aumento de produtividade (empresa) Investimentos e benefícios sustentabilidade Melhoria do produto oferecido

ambientais sociais econômicos
quantitativos e qualitativos S

S

R R DF

Figura 1 -

Estrutura temática com blocos de avaliação do edifício e da empresa construtora.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

165

Escala de desempenho

Desempenho máximo +5

pontuação item

Desempenho de referência -2 Desempenho insuficiente -2 0 (benchmark) item avaliado

Valor do indicador

Figura 2 –

Escala linear de avaliação de desempenho.

Os valores extremos da escala foram fixados em -2 e +5 para assegurar consistência com a escala do GBC, de onde propunha-se adaptar parte do módulo de avaliação ambiental do edifício. Os intervalos da escala representavam: -2 – desempenho inferior ao desempenho de referência (benchmark). O valor negativo poderia ocorrer por exemplo, quando, diante da ausência de normas, o benchmark fosse definido a partir de práticas típicas. Zero – desempenho de referência ( enchmark), com descrição clara do critério para b seleção do valor do benchmark. +1 a +4 – níveis intermediários de desempenho, em que a nota +1 representava uma pequena melhora em relação ao benchmark definido; e a nota +3 representava uma melhora significativa em relação ao benchmark; +5 – meta de desempenho consideravelmente avançada em relação à prática atual, definida de forma que possa ser potencialmente alcançada através das tecnologias e práticas existentes, desconsiderando, porém, a magnitude do investimento necessário.

As informações qualitativas que não pudessem ser diretamente quantificadas seriam avaliadas através de descrições verbais associadas aos intervalos da escala de desempenho (Figura 3).

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

166

Pró-atividade empresa - Auditoria ambiental de projetos

+5

Sistema de auditoria da companhia em conformidade com ISO 14001, com revisões regulares e auditoria independente, vinculados a revisão do plano de ação Todos os projetos são auditados e relatados. Resultados retro-alimentam clientes e cadeia de fornecedores Principais projetos auditados para avaliar desempenho com base em metas definidas com clientes. Resultados relatados à alta administração da empresa

+4 +3

+2 +1 Auditorias ocasionais de projetos quanto a aspectos ambientais e regulatórios, sem quantificação de custos e impactos e sem acompanhamento subseqüente Não há auditorias de desempenho

0 -1 -2

Figura 3 -

Exemplo de definição de escala de desempenho para aspecto qualitativo.

A pontuação obtida no nível hierárquico mais baixo seria agregada sucessivamente até se obter uma nota para o edifício e outra para a construtora. A declaração explícita do critério de ponderação e dos intervalos da escala de desempenho alinhava-se à exigência da ISO CD 21931 de possibilitar rastreamento de resultados em relação aos dados que alimentaram a avaliação. A avaliação seria complementada por um sistema de classificação de desempenho (Figura 4). De um lado, as faixas correspondentes aos níveis de classificação de desempenho eram desenhadas para enfatizar a pontuação obtida pelo edifício. Por outro lado, os dois níveis mais altos de classificação de desempenho (níveis A e B) seriam atingidos apenas se a empresa de construção pudesse demonstrar os níveis mínimos de comprometimento com a sustentabilidade por eles exigidos. Esta estratégia visava estimular a conscientização para a sustentabilidade em nível estratégico - em vez da pulverização isolada de edifícios certificados – sem, com isso, impedir o reconhecimento das práticas de sustentabilidade empregadas em um determinado projeto.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

167

ambiental Avalia edifício social econômico

Atende pontuação mínima?

não

Não classifica

sim

comprometimento

Avalia empresa

ambiental social econômico

Classifica (A,B,C ou D)

Figura 4 -

Fluxograma do processo de avaliação e classificação de desempenho quanto a sustentabilidade.

Os resultados dos itens dentro das categorias seriam então agregados por ponderação, para se obter a pontuação da categoria. Por sua vez, as pontuações das categorias seriam agregadas para formar um índice de desempenho. Nos dois casos,os pesos seriam determinados por consulta a um painel de especialistas e partes interessadas da construção civil, utilizando auxiliados por uma ferramenta de processo de análise hierárquica (AHP) semelhante à desenvolvida para o estudo exploratório, descrito no Capítulo 4. Reconhecendo-se a vantagem de comunicação e comparação direta oferecida pelos índices únicos, mas lembrando que um mesmo número pode descrever um amplo espectro de desempenho de edifícios, os resultados seriam apresentados tanto na forma de um perfil de desempenho, quanto dos índices obtidos pelo edifício e pela empresa avaliados. A Figura 5 ilustra um formato possível de saída de resultados, incluindo os perfis de desempenho nos níveis hierárquicos mais altos e a classificação do desempenho de um caso hipotético. Gráficos de colunas ou radar fariam o detalhamento da pontuação nos níveis hierárquicos inferiores.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

168

Empresa Comprometimento Dimensão ambiental Dimensão econômica Dimensão social

0

+5

2,7
0 +5

Edifício Dimensão ambiental Dimensão econômica Dimensão social

2,1
Classificação de desempenho 5 B A

Prática típica

C

Edifício

D
Caso hipotético Desempenho mínimo (> 40% edifício)

0

Empresa

5

Figura 5 -

Comunicação gráfica de resultados da avaliação, congregando perfis d e desempenho e desempenho global do edifício e da empresa construtora, posicionados em relação às classes de desempenho previstas e práticas típicas hipotéticas (como ilustração).

Este conceito geral e uma lista preliminar de indicadores foram submetidos a consulta às partes interessadas na construção civil do estado de São Paulo. Por ser um momento de grande sensibilidade das construtoras em relação a questões de certificação, em reunião de

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

169

preparação para o workshop optou-se estrategicamente por manter o foco no empreendimento e mesclar as avaliações da construtora e do edifício (Figura 12). A lista de indicadores apresentada no Apêndice 7 já incorpora esta modificação. As próximas sessões tratam da realização desta consulta e das modificações que resultaram no modelo simplificado e na estratégia proposta para implementação. 6.4 REALIZAÇÃO DE CONSULTA ÀS PARTES INTERESSADAS

Uma consulta às partes interessadas na construção civil no Estado de São Paulo ocorreu no dia 17 de junho de 2003, na forma do II Workshop Construção Sustentável, promovido conjuntamente pelo DAC/UNICAMP; pelo PCC.USP e pelo Sinduscon-SP. Os participantes foram selecionados de forma a constituir um grupo representativo das partes interessadas na construção civil, inc luindo a administração municipal e agência ambiental estadual, o segmento imobiliário, fabricantes e fornecedores, construtores, projetistas, agências de financiamento, entidades profissionais, instituições certificadoras, e academia e institutos de pesquisa. Trinta e sete pessoas efetivamente participaram da etapa de julgamento e análise. 6.4.1 DINÂMICA UTILIZADA NA CONSULTA Com base na estrutura de avaliação apresentada anteriormente neste Capítulo, foram fornecidos aos participantes (1) uma lista exaustiva de indicadores (Apêndice 7), (2) um conjunto de matrizes de comparação para derivação de pesos para os temas e categorias através de AHP (Apêndice 8); e (3) uma planilha de percepção de relevância, onde os votantes indicaram os itens essenciais, relevantes ou pouco importantes dentro do módulo de avaliação ambiental do edifício (Apêndice 9). Após palestras de nivelamento no tema, os trabalhos foram iniciados pelo preenchimento da matriz de percepção de relevância, que seguia um padrão utilizado em outros países, para permitir comparação das prioridades percebidas em diferentes contextos. A seguir, os participantes da consulta foram divididos em três grupos de trabalho: materiais e desperdício; qualidade do ambiente interno e uso de água e de energia; e gestão. A cada GT foram designadas duas tarefas: (1) análise da viabilidade de emprego dos indicadores propostos e, quando oportuno, sugestão de outras métricas com base em indicadores já implementados nas empresas; (2) realização dos julgamentos de importância relativa com base nas matrizes de comparação fornecidas.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

170

Não foi possível que nenhum dos grupos de trabalho chegasse à discussão de metas de desempenho, e um novo workshop será realizado em agosto de 2003. As contribuições concentraram-se, então, em ajustes de terminologia e, principalmente, na manifestação das partes interessadas quanto à viabilidade de realizar as medidas sugeridas e de serem avaliadas através delas. 6.4.2 RESULTADOS OBTIDOS 6.4.2.1 QUANTO À LISTA PRELIMINAR DE INDICADORES A consulta às partes interessadas não demandou alterações da estrutura de avaliação, que foi considerada abrangente e correta, mas do status de pontuação de determinados indicadores. Em linhas gerais, as principais contribuições em relação à lista preliminar de indicadores podem ser sumarizadas como: Grupo de materiais e desperdício

Consenso quanto à impossibilidade de emprego de dados de LCA, incluindo energia incorporada par avaliar o uso de materiais. Foram mantidos os itens de avaliação do uso responsável dos materiais, como uso de materiais locais, recicláveis, renováveis e com incorporação de resíduos; A mensuração de perdas foi considerada difícil e cara. Nesta tipologia de edifício, as perdas não são significativas e este item foi considerado complexo, e sem solução para implementação no momento. O mais fácil seria medir a massa de resíduos gerados, mas não necessariamente seria o melhor indicador, pois os resíduos referem-se a soma das perdas e desperdício 5. Com a segregação do material perdido, existe dificuldade para estabelecer uma unidade única para mensuração de perdas, que é agravada pelo fato de alguns sub-empreiteiros venderem serviços (sistemas fechados) e serem responsáveis pelos próprios resíduos e perdas; Incluir banimento do uso de determinados produtos, como: asbestos, isolantes (e componentes contendo isolantes) que liberem CFC durante a produção; madeiras na lista de espécies ameaçadas descritas na Portaria IBAMA 37N (IBAMA,1992); e Medir resíduos em massa.

Grupo de uso de água e energia, e conforto ambiental

O grupo concentrou-se no preenchimento das matrizes de julgamento, de forma que os indicadores foram analisados apenas até a sessão de qualidade do ambiente interno (não analisada). De modo geral, foram feitas alterações de terminologia e

5

Perda física é a d iferença entre a quantidade (massa ou volume) de material prevista no projeto idealizado e a efetivamente consumida; inclui perdas diretas, que saem da obra na forma de entulho, e indiretas, entendidas como aqueles desnecessariamente incorporados aos serviços. Desperdício físico é a parcela das perdas totais que poderia ser evitada de maneira economicamente viável (AGOPYAN et al., 1998)

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

171

remanejamento de itens difíceis de se obter para esta tipologia, mas incluídos para bônus para estimular a consideração/adoção, particularmente os referentes à reutilização de água (cinza e da chuva); e

Substituição do emprego do termo “energia primária” (que inclui as perdas de transmissão e impactos correspondentes) por “energia secundária” (na ponta de consumo, prontamente disponível por leitura do medidor).

Grupo de gestão

Sugestão de alterações no status de itens a avaliar, com eliminação de poucos itens e, principalmente, encaminhamento de itens para pontuação extra (bônus), com base em critérios de viabilidade de mensuração; disponibilidade (atual ou no curto prazo) dos dados necessários; e valor da informação que seria agregada para a empresa avaliada; Sugestão de separação de itens a avaliar segundo (1) as etapas pertinentes do empreendimento e (2) níveis evolutivos, conforme o grau de dificuldade em atender aos requisitos avaliados.

6.4.2.2 QUANTO AOS PESOS OBTIDOS E AO EMPREGO DE AHP NO PROCESSO As matrizes de julgamento de todos os votantes foram tabuladas e realizados testes de consistência utilizando o software ExpertChoice. Julgamentos incompletos ou com inconsistência superior a 0,1 6 foram descartados do cálculo das médias da amostra. Não houve diferença significativa entre os resultados obtidos na consulta pública para os temas no nível hierárquico mais elevado (Figura 6). Um dos resultados mais interessantes da análise dos julgamentos realizados foi o reconhecimento da importância dos aspectos sociais (17%) e do comprometimento e pró-atividade da empresa construtora (18%). O desempenho ambiental (21%) foi equilibradamente valorizado com o desempenho econômico (22%) e, as práticas de gestão adotadas durante o processo (23%). O detalhamento dos pesos resultantes dos julgamentos dos participantes da consulta é mostrado na Tabela 1. Estes valores demonstram que todos os itens propostos para avaliação foram considerados relevantes7.

6 7

O critério de corte adotado foi inconsistência (CR) >0,1, como definido no Capítulo 5. A situação contrária seria indicada pela proliferação de pesos inferiores a 10%, em julgamentos envolvendo poucas comparações. Na amostra coletada, pesos menores ou próximos de 10% ocorreram apenas nos julgamentos envolvendo muitas comparações (8 e 10 pares).

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

172

25%

20%

15% 23% 10% 22% 17% 5% 18%

21%

0% G. Gestão do processo A. Desempenho ambiental S. Desempenho social E. Desempenho econômico B. Comprometimento e proatividade

Figura 6 –

Pesos obtidos em consulta pública consulta pública realizada em 17 de junho de 2003 (nível hierárquico mais elevado).

Tabela 1 – Pesos obtidos em consulta pública realizada em 17 de junho de 2003.
Temas e categorias G. Gestão do processo G.1 Integração de gestão ambiental ao planejamento do processo G1.1. Implantação de práticas de controle de qualidade e melhoria ambiental do projeto G1.2. Implantação de práticas de gestão ambiental no canteiro G1.3. Implantação de práticas de gestão resíduos de uso G1.4. Sistema de gestão de uso de água implantado G1.5. Sistema de gestão de uso de energia implantado G.2 Integração de práticas de controle de qualidade ao processo G2.1 Controle de qualidade do projeto G2.2. Controle de qualidade no canteiro G2.3. Planejamento da operação e manutenção do edifício G2.4. Ajuste de desempenho pré-entrega A. Desempenho ambiental A1 Consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do edifício A1.1. Uso do solo e alteração da ecologia e biodiversidade locais A1.2. Uso de energia ao longo do ciclo de vida A1.3. Consumo de água e gestão efluentes ao longo do ciclo de vida A1.4. Consumo de materiais de construção A1.5. Responsabilidade no uso de materiais de construção A1.6. Perdas registradas nos serviços principais A 2 Cargas ambientais geradas ao longo do ciclo de vida do edifício , por ano do ciclo de vida A2.1. Emissão de substâncias causadoras de Efeito Estufa (GHGs) A2.2. Emissão de substâncias que provocam Dano à Camada de Ozônio (ODS) Pesos 23% 56% 26% 17% 18% 21% 18% 44% 33% 22% 25% 20% 21% 52% 20% 15% 21% 14% 15% 14% 48% 13% 13%

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

173

Temas e categorias A2.3. Emissão causadora de acidificação A2.4. Emissão formadora de foto-oxidantes (formação de ozônio fotoquímico) A2.5. Emissão com potencial de eutroficação A2.6. Emissão de substâncias carcinogênicas (dano à saúde humana) A2.7. Resíduos sólidos A2.8. Efluentes S. Desempenho social S1. Impactos sobre os operários S1.1. Situação empregatícia S1.2. Satisfação dos funcionários S1.3. Saúde ocupacional, segurança e local de trabalho S2. Impactos sobre os usuários do edifício S2.1. Qualidade do ambiente interno S2.2. Qualidade do ambiente externo S2.3. Qualidade dos serviços S3. Impactos sobre a sociedade S3.1. Relacionamento com a comunidade local S3.2.Relacionamento com clientes e usuários finais S3.3. Relacionamento com fornecedores E. Desempenho econômico E1. Produtividade E2. Melhoria no produto oferecido E2.1. Processo de projeto/construção E2.2. Aumento da satisfação, bem -estar e valor para usuários finais e vizinhança E3. Investimento, agregação de valor e benefícios recebidos E3.1. Valor agregado e retorno de capital E3.2. Investimentos diretos e indiretos E 3.3. Benefícios resultantes de investimento em sustentabilidade B. Comprometimento e proatividade BC1. Sustentabilidade como prioridade corporativa BC1.1. A empresa possui um sistema de gestão ambiental implantado? BC1.7. A empresa publica um relatório anual de sustentabilidade verificado por parte independente? BC1.8. A empresa identificou indicadores próprios de desempenho em relação a sustentabilidade? BC2. Proatividade em sustentabilidade BC2.1. A empresa investe na melhoria do seu desempenho em relação a sustentabilidade? BC2.2. Aplicação de conceitos de construção e operação sustentável no portfolio da empresa BC2.3. A empresa conduz sistematicamente o acompanhamento ambiental do ciclo de vida BC2.4. A empresa definiu uma política sustentável de compras e de uso responsável de materiais de construção BC2.5. A empresa desenvolveu e implementou um Plano de Gestão de Resíduos BC2.6. A empresa implementa sistemas para compartilhar boas práticas entre departamentos, fornecedores, projetistas, canteiros de obras e projetos? BC2.7. A empresa implementa um programa interno de educação e treinamento

Pesos 10% 11% 11% 18% 12% 12% 17% 30% 28% 33% 39% 33% 41% 26% 32% 35% 33% 40% 26% 22% 31% 35% 50% 50% 34% 38% 28% 34% 18% 23% 43% 26% 31% 20% 10% 9% 10% 10% 11% 10% 11%

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

174

Temas e categorias de empregados para sustentabilidade? BC2.8. A empresa definiu e implementa um sistema de gestão da sustentabilidade da cadeia de fornecedores? BC2.9. Proatividade no preenchimento de lacunas identificadas para a implementação de medidas sustentáveis BC2.10. Proatividade em proteção de biodiversidade e em medidas para evitar poluição BS1. Valorização e investimento em recursos humanos BS1.1. Treinamento técnico/profissional de pessoal (projeto, construção e operação) BS1.2. Treinamento ambiental de pessoal (projeto, construção e operação) BS1.3. A empresa estabeleceu e mantém procedimentos para a identificação das necessidades de treinamento BS1.4. A empresa possui programa para reduzir a rotatividade de operários? BS2. Contribuição para a construção de comunidades estáveis BS2.1 A empresa definiu e publicou padrões de responsabilidade social BS2.2 A empresa está ativamente envolvida em projetos locais de regeneração da comunidade? BS2.3 A empresa busca localmente seus suprimentos e serviços sempre que possível BS2.4. A empresa é participante de programa de recrutamento de mão-de-obra? BS2.5. A empresa adota esquema estruturado de capacitação e treinamento permanentes de RH? BS2.6. A empresa possui programa para melhorar a empregabilidade de (ex)funcionários BS3. Relacionamento com a sociedade BS3.1. Benefício indireto à comunidade BS3.2. Estabelecimento de parcerias para exercício de cidadania corporativa BS3.3 Estabelecimento de parcerias com a comunidade no entorno imediato

Pesos

9% 9% 11% 21% 30% 25% 26% 20% 19% 15% 17% 17% 16% 19% 15% 17% 31% 35% 34%

Os participantes do processo de julgamento tiveram dificuldades para a realização dos julgamentos. Isto era esperado diante da grande multi-disciplinaridade e conhecimento pouco profundo dos temas, e, principalmente, da complexidade intrínseca de fazer distinções dentro de um conjunto de temas relevantes. Convé m ressaltar que o papel do AHP na derivação dos pesos não é tornar a decisão mais fácil, mas sim esclarecer o problema de decisão e documentar o processo através do qual se chegou aos valores obtidos. Do ponto de vista metodológico, o uso do AHP é, portanto, apropriado e reprodutível, pois o processo de consulta pode ser repetido para que ponderações sejam derivadas para diferentes contextos e situações no setor de construção.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

175

6.4.2.3 QUANTO À PERCEPÇÃO DE RELEVÂNCIA DOS ITENS NO MÓDULO AMBIENTAL DE
AVALIAÇÃO

A Tabela 2 mostra os resultados da pesquisa de percepção de relevância dos itens padronizados apresentados aos participantes da consulta. Conforme o número de votos “essenciais”, em relação ao total de votantes, os itens foram separados em faixas delimitadas por 25%, 50% e 75% dos votos totais. De forma geral, a votação foi equilibrada: não houve itens no quartil acima de 75%, e apenas os itens utilização da água da chuva e desconstrução/desmontagem situaram-se no quartil abaixo de 25%. , um resultado que sinaliza que eles poderiam constar como bônus ou, eventualmente, ser eliminados do módulo de avaliação ambiental de edifícios de escritórios brasileiros. Tabela 2 Itens apresentados em planilha padronizadas para classificação da relevância na composição d módulo de avaliação ambiental do edifício. o Os itens estão aqui ordenados de acordo com a porcentagem de votos na categoria “essencial”.
Percepção de relevância Item
Dispositivos/sistemas economizadores de água Impacto dos materiais de construção na saúde humana Controle de ruído Gestão /disposição de resíduos Custos das medidas ambientalmente responsáveis
50%

essencial relevante
70,9% 65,5% 63,6% 63,6% 56,4% 56,4% 50,9% 49,1% 43,6% 41,8% 41,8% 38,2% 36,4% 36,4% 34,5% 34,5% 34,5% 30,9% 30,9% 30,9% 16,4% 12,7% 29,1% 30,9% 36,4% 34,5% 38,2% 41,8% 45,5% 43,6% 49,1% 41,8% 56,4% 49,1% 49,1% 52,7% 60,0% 54,5% 49,1% 50,9% 58,2% 56,4% 43,6% 65,5%

dispensável
0,0% 1,8% 0,0% 0,0% 1,8% 0,0% 1,8% 3,6% 1,8% 16,4% 1,8% 9,1% 14,5% 9,1% 3,6% 3,6% 10,9% 5,5% 9,1% 7,3% 29,1% 16,4%

sem opinião
0,0% 1,8% 0,0% 1,8% 3,6% 1,8% 1,8% 3,6% 5,5% 0,0% 0,0% 3,6% 0,0% 1,8% 1,8% 7,3% 5,5% 12,7% 1,8% 5,5% 10,9% 5,5%

Manutenção e simplicidade de reparo Estrutura/orientação do edifício Pavimentação do solo/infiltração Uso de energia renovável Isolamento térmico Qualidade ambiental dos materiais de construção Sistema de condicionamento artificial Reutilização de materiais e componentes Integração urbana Previsão de vida útil Composição dos materiais de construção Adaptabilidade do layout/flexibilidade de uso Custo fabril de materiais de construção

25%

Uso de materiais reciclados Vegetação no edifício e arredores Informação para desconstrução/desmontagem Utilização de água da chuva

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

176

Estes dados são apresentados graficamente na (Figura 7) para facilitar a comparação com resultados obtidos em pesquisa equivalente na Alemanha (Figura 8). Ressalta-se que, de um país a outro, muda o ordenamento dos itens segundo sua relevância, num reflexo dos problemas encontrados e prioridades determinadas para cada contexto específico. No Brasil, particularmente em São Paulo, a conservação de água, redução de resíduos e o controle de ruído são primordiais. O peso do custo das soluções foi naturalmente muito mais enfatizado, e atribuiu-se importância elevada quanto aos efeitos dos materiais de construção na saúde humana. No julgamento feito na Alemanha, prevaleceram os itens impostos pelo clima frio (isolamento e condicionamento artificial), pela ação governamental para melhoria da matriz energética e pelos efeitos dos materiais de construção no ambiente externo, além da saúde humana. A Figura 9 ilustra como as agendas ambientais variam entre os dois países, seja por razões essencialmente climáticas, pela existência de legislação mais restritiva ou pela conscientização do setor e dos usuários de edifícios. Os círculos na Figura 9 indicam a diferença na percepção de relevância para cada item comparado (para diferenças acima de 10%). As maiores diferenças de percepção referem-se a itens relacionados ao clima (isolamento térmico (~40%), e sistema de condicionamento artificial (~50%)); a utilização de água da chuva (~50%), a qualidade ambiental dos materiais de construção (~40%); ao uso de energia renovável (~20%) e à previsão de vida útil (20%). Os demais itens podem ser considerados como igualmente relevantes nos dois países.

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0% Dispositivos/sistemas economizadores de água Impacto dos materiais de construção na saúde humana Controle de ruído Gestão /disposição de resíduos Custos das medidas ambientalmente responsáveis Manutenção e simplicidade de reparo Estrutura/orientação do edifício Pavimentação do solo/infiltração Uso de energia renovável Isolamento térmico Qualidade ambiental dos materiais de construção Sistema de condicionamento artificial Reutilização de materiais e componentes Integração urbana Previsão de vida útil Composição dos materiais de construção Adaptabilidade do layout/flexibilidade de uso Custo fabril de materiais de construção Uso de materiais reciclados Vegetação no edifício e arredores Informação para descontrução/desmontagem Utilização de água da chuva

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

>50%

essencial relevante dispensável sem opinião

>25%

Figura 7 –

Resultados de consulta de percepção de relevância de itens a compor o módulo de avaliação ambiental de edifícios no Brasil. Os itens aparecem em ordem do número de votantes que os considerou “essenciais”. A coluna de números à esquerda indicam a ordem de relevância obtida em pesquisa equivalente na Alemanha.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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0% Isolamento térmico Sistema de condicionamento artificial Qualidade ambiental dos materiais de construção Impacto dos materiais de construção na saúde humana Uso de energia renovável Dispositivos/sistemas economizadores de água Estrutura/orientação do edifício Utilização de água da chuva Custos das medidas ambientalmente responsáveis Controle de ruído Manutenção e simplicidade de reparo Previsão de vida útil Composição dos materiais de construção Gestão /disposição de resíduos Pavimentação do solo/infiltração Adaptabilidade do layout/flexibilidade de uso Custo fabril de materiais de construção Uso de materiais reciclados Reutilização de materiais e componentes Vegetação no edifício e arredores Integração urbana Informação para descontrução/desmontagem

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

essencial relevante dispensável sem opinião

Figura 8 –

Percepção de relevância de itens a compor um sistema de avaliação ambiental de edifícios, segundo pesquisa equivalente realizada na Alemanha (dados de BLUM et al. apud OECD (2003).

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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0% Isolamento térmico - AL BR Sistema de condicionamento artificial - AL BR Qualidade ambiental dos materiais de construção - AL BR Impacto dos materiais de construção na saúde humana - AL BR Uso de energia renovável - AL BR Dispositivos/sistemas economizadores de água - AL BR Estrutura/orientação do edifício - AL BR Utilização de água da chuva - AL BR Custos das medidas ambientalmente responsáveis - AL BR Controle de ruído - AL BR Manutenção e simplicidade de reparo - AL BR Previsão de vida útil - AL BR Composição dos materiais de construção - AL BR Gestão /disposição de resíduos - AL BR Pavimentação do solo/infiltração - AL BR Adaptabilidade do layout/flexibilidade de uso - AL BR Custo fabril de materiais de construção - AL BR Uso de materiais reciclados - AL BR Reutilização de materiais e componentes - AL BR Vegetação no edifício e arredores - AL BR Integração urbana - AL BR Informação para descontrução/desmontagem - AL BR

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

essencial relevante dispensável sem opinião

Figura 9 –

Comparação de pesquisas de percepção de relevância realizadas na Alemanha (dados de BLUM et al. apud OECD (2003) e no Brasil. Os círculos indicam a diferença porcentual (leitura no eixo horizontal), quando estas forem superiores a 10%.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

180

6.5

MODELO MODIFICADO APÓS A CONSULTA (SIMPLIFICADO)

O modelo de avaliação proposto com base nas diretrizes apresentadas neste trabalho e na consulta às partes interessadas está sumarizado na Tabela 3. A coluna “pontos críticos” identifica barreiras a serem superadas para atingir condições ideais de implementação. O modelo proposto é pautado por dez princípios básicos:
1.

Adesão voluntária: entra no processo quem deseja fazer melhor, estimulado por vantagens potenciais como : acesso facilitado a financiamentos; melhoria da imagem/reconhecimento pelo mercado; acessos a novos mercados ou fortalecimento do nicho atual; perspectiva de negócios no médio e longo prazo; Reconhecimento das melhores práticas, com premiação de quem faz melhor; Foco no empreendimento, compreendendo a avaliação tanto do edifício (produto) quanto dos agentes envolvidos (processo); Auto-avaliação, para incentivar o uso do método e internalização dos conceitos na prática cotidiana. No caso de desejo de classificação, a auto-avaliação deverá ser acrescida de evidência de desempenho, a ser revisada por avaliadores credenciados; Avaliação por etapas do ciclo do empreendimento, com identificação de pontos críticos com desempenho a ser melhorado. O critério de elegibilidade para classificação de desempenho é a obtenção de ao menos 50% dos pontos possíveis em cada fase; Aplicação de ponderação apenas no nível hierárquico mais alto (desempenho ambiental x social x econômico x gestão); Mescla de pontos por desempenho e pontos prescritivos, utilizados onde a avaliação de desempenho não é possível neste momento; Pontuação evolutiva e estratégia de implementação gradual: diante da dificuldade de implementação imediata de um sistema de avaliação detalhado, optouse por uma implementação gradual, com base no cenário imediato e em projeção futura. Desta forma, prevê-se a (1) migração de um método híbrido para um método totalmente orientado a desempenho e que utilize a análise de ciclo de vida na avaliação do uso de recursos e cargas ambientais envolvidos; e (2) evolução do nível de exigência (bônus tornam-se créditos, que se tornam pré-requisitos) para o refinamento e melhoria contínuos do sistema de avaliação, enquanto se mantém a aderência com a realidade de mercado. Utilização de níveis de classificação de desempenho: o modelo de avaliação idealizado é complementado por um sistema de classificação de desempenho composto por três níveis: A, B e C. Revisão periódica do sistema de avaliação, anualmente nos primeiros 5 anos; depois, a cada 2 anos; e revisão anual da classificação do edifício, com base na revisão do da avaliação da etapa de operação (módulo específico a ser desenvolvido).

2. 3.

4.

5.

6.

7.

8.

9.

10.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

181

Tabela 3 Diretrizes

Modelo de avaliação proposto para edifícios brasileiros.
Implementação Pontos críticos

Aspectos metodológicos Escopo da avaliação Aplicação Limites do sistema O que avaliar?

Cenário imediato

Cenário futuro (projeção 5 anos)

Sustentabilidade (aspectos ambientais, sociais e econômicos) Classificação de desempenho Foco no empreendimento Edifício e agentes (principalmente construtora), considerando as etapas de planejamento, projeto, construção e gestão Limites do sistema envolvendo todos os atores e etapas do ciclo do empreendimento Sensibilização dos agentes envolvidos no ciclo do empreendimento

Estrutura de avaliação

§ Aspectos ambientais § Aspectos sociais § Aspectos econômicos § Gestão e comprometimento com sustentabilidade

Abordagem adotada: Itens a avaliar e respectivos indicadores definidos com base em agenda setorial , diretrizes da UN CSD, da GRI e da CIRIA; análise dos métodos de avaliação existentes e consulta às partes interessadas Falta de dados, de normas e de cultura de avaliar por desempenho Necessidade de sensibilização (o método tem papel educativo importante)

Sistema de pontuação

Híbrido: critérios orientados a dispositivos + orientação a desempenho onde possível Pontuação evolutiva (Preq+Créditos+Bônus)

Orientado a desempenho (ideal)

Como avaliar?

Uso de LCA

Não. Metas empíricas para uso de materiais, água e energia.

Sim, onde aplicável

Inventário de ciclo de vida de materiais principais, fornecimento de água e energia Necessita pesquisa adicional. Definição do critério de ponderação Abordagem adotada: emprego de processo de análise hierárquica (AHP) Necessita coleta de dados para caracterização do desempenho de referência e definição de metas. Abordagem proposta: estudo piloto, com um ano de duração A revisão das metas necessita coleta de dados Abordagem proposta: estudo piloto, com um ano de duração

Ponderação

Explícita, com pesos declarados apenas no nível hierárquico mais alto (ambiental x social x econômico x gestão). em vários níveis hierárquicos

Escala de desempenho Quanto atingir?

Metas empíricas, a serem posteriormente validadas e periodicamente revistas, definem escala de desempenho a partir de referências da prática típica e da prática de excelência Critério a ser revisado periodicamente Critério de elegibilidade: >50% dos pontos em cada etapa Classifica a partir de 50% do total de pontos ponderados

Pontuação mínima

Como comunicar o resultado obtido?

Comunicação de resultados

Comunicação numérica: 3 classes de desempenho e índices de sustentabilidade (1 a 5), em função da pontuação 1 a 5 as, em função dos bônus Comunicação gráfica: Discos de sustentabilidade (perfis de desempenho)

A linha de pensamento que orientou a discussão dos sistemas existentes (Capítulo 3) e a proposição de diretrizes (Capítulo 5) foi mantida na descrição do método a seguir,

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

182

estruturada de forma a responder às questões metodológicas “o que avaliar?”, “como avaliar?”, “quanto atingir?”. 6.5.1 O QUE AVALIAR? 6.5.1.1 USO PREVISTO Este modelo de avaliação destina-se a avaliar e classificar o desempenho potencial de edifícios de escritórios, ao longo de seu ciclo de vida, em relação a metas de sustentabilidade (trecho sombreado da Figura 10), com base em informações de gestão do processo, do projeto, e do monitoramento do processo de construção e de um período determinado da etapa de uso. Não é objetivo deste trabalho desenhar uma ferramenta para orientar desenvolvimento de projeto ou gestão da operação segundo princípios de sustentabilidade. A estrutura de itens a avaliar é, no entanto, suficientemente abrangente para ser conservada no desenvolvimento posterior de ferramentas específicas para aplicação nestas etapas, como previsto para a continuidade da pesquisa (Capítulo 7). Neste ínterim, tanto projetistas quanto gestores poderem utilizar os itens avaliados e as metas propostas como apoio para tomada de decisões.

Grupos de usuários e beneficiários
Clientes/Proprietários Empreendedores/Investidores Projetistas Fornecedores Construtores Clientes/Proprietários Empreendedores/Investidores Projetistas Fornecedores Construtores Agentes imobiliários Clientes/Proprietários Agentes imobiliários Gerentes de operação (facilidades) Ocupantes

Estágio do ciclo de vida do edifício Planejamento Estudo preliminar Projeto detalhado Construção Uso, operação e manutenção
Uso previsto para o método de avaliação

Orientação de projeto para sustentabilidade Comparação de alternativas de projeto Avaliação em relação às metas estabelecidas Comunicação entre clientes e projetistas

Classificação do desempenho (quanto a sustentabilidade) de um edifício construído Comunicação entre as partes interessadas em investir no edifício Orientação de uso/gestão operação para sustentabilidade Comunicação entre as partes interessadas na operação do edifício

Figura 10 -Posicionamento do modelo proposto (trecho sombreado) em relação aos usuários potenciais e aplicações de métodos de avaliação (modificado de ISO, 2003b).

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

183

A avaliação de edifícios não concluídos poderá ser realizada em fases, na medida em que as informações necessárias tornarem- se disponíveis. Neste caso, uma primeira avaliação será feita com base nas informações referentes ao planejamento inicial do empreendimento; que serão oportunamente complementadas por informações do projeto executivo - incluindo especificações, memoriais e cadernos técnicos, e, se for o caso, resultados de simulações de consumo de água e de energia; pelo monitoramento das atividades de construção; e pela ratificação (ou não) dos dados simulados quando confrontados a dados reais do edifício em uso. 6.5.1.2 ESCOPO DA AVALIAÇÃO E LIMITES DO SISTEMA Por premissa do escopo desta pesquisa de doutoramento, o modelo proposto refere-se a edifícios de escritórios. A limitação do tempo de uso de edifício (entre 1 e 3 anos, com ocupação acima de 80%) é feita para assumir que o desempenho estimado na avaliação não tenha sido afetado por eve ntual perda de eficiência ao longo do tempo, e permitir o uso de dados do consumo de água e energia coletados das contas emitidas pelas concessionárias de fornecimento de água e energia. Propõe-se avaliar não só o desempenho ambiental do edifício, mas a sua contribuição para um ambiente construído mais sustentável, através da consideração de aspectos sócioeconômicos que possam ser relacionados à escala do edifício, e sua produção e operação. Os limites do sistema (Figura 11) foram definidos para manter o foco no empreendimento, de modo a (1) enfatizar as etapas de construção e uso inicial de edifícios de escritórios; alguns aspectos de planejamento e projeto são também considerados, porém não no mesmo nível de detalhamento; e (2) incluir a avaliação dos agentes envolvidos no ciclo do empreendimento, iniciando pela empresa construtora.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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Ciclo do empreendimento Fornecedores

Investidor/Incorporador Planejamento Projeto

Construtora
Construção

Gestor
Uso/Operação Fim da vida

Edifício de escritórios

Limites do sistema

Figura 11 -Limite do sistema no modelo de avaliação proposto. 6.5.1.3 ESTRUTURA DA AVALIAÇÃO A análise dos métodos existentes apontou as categorias essenciais do módulo de avaliação de desempenho ambiental. O módulo de avaliação de desempenho social foi organizado conforme os impactos sobre as partes interessadas: clientes/investidores/empreendedores, fornecedores, operários, usuários do edifício e a sociedade em geral. O módulo de avaliação de desempenho econômico, por sua vez, procura identificar os fluxos monetários relacionados a custos de produção, de operação e de implementação de medidas para aumentar a sustentabilidade do empreendimento, assim como os benefícios financeiros a elas associados. Um módulo de Gestão do Processo permeia os três módulos anteriores.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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Indicadores empreendimento

Temas

Categorias

ambientais

Uso de recursos energia, água, uso do solo e alteração da ecologia local, materiais Cargas ambientais resíduos de construção/demolição e efluentes Impactos sobre os operários satisfação operários saúde, segurança e ambiente de trabalho Impacto sobre os usuários Qualidade ambiente interno Qualidade do ambiente externo (amenidades e acessibilidade, contexto de transporte) Qualidade dos serviços (manutenção do desempenho, flexibilidade e adaptabilidade, controlabilidade dos sistemas e impactos nos sítios adjacentes) Impacto sobre a sociedade Relacionamento com a comunidade, clientes e usuários finais e fornecedores Produtividade no canteiro Melhoria do produto oferecido/custos ciclo vida investimentos, agregação de valor e benefícios

sociais

econômicos

Gestão do processo Integração de gestão ambiental ao planejamento do processo Integração de práticas de controle de qualidade ao processo Comprometimento e proatividade (bônus) Sustentabilidade como prioridade corporativa Proatividade em sustentabilidade Valorização e investimento em recursos humanos Contribuição para construção de comunidades estáveis Relacionamento com a sociedade

Figura 12 - Estrutura temática para organização dos indicadores (quantitativos e qualitativos) propostos.

6.5.2 COMO AVALIAR? O sistema de pontuação adotado é caracterizado por:

mescla de itens prescritivos (dispositivos e estratégias) e de desempenho. A maior parte dos pontos é prescritiva. Onde cabível, foi utilizada uma escala de pontuação definida com base em requisitos de métodos existentes e nos resultados do estudo exploratório; nos casos em que não havia metas claras disponíveis, adotou-se uma escala percentual com cinco intervalos iguais;

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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pontuação evolutiva, no formato "pré-requisitos + créditos + bônus" (Figura 13), para que revisões regulares possam incluir novos itens a avaliar e converter gradativamente os bônus em créditos e créditos em pré-requisitos, permitindo o a atualização contínua de requisitos e metas de desempenho. Créditos de incentivo à adoção de boas práticas (como o uso de simuladores como ferramenta de projeto) e de práticas inovadoras de projeto, construção e gestão; assim como itens que expressem um alto comprometimento com a sustentabilidade ou sejam considerados difíceis de serem alcançados, ou que necessitem de tempo para serem incorporados às práticas de mercado foram inseridos como bônus. Desta forma, mantém-se o caráter orientativo do método e encoraja-se a adoção das práticas nos empreendimentos que assim o permitam, sem prejudicar aqueles sujeitos a maiores limitações. O total de pontos pode ser personalizado para refletir as oportunidades e limitações de cada empreendimento. Isto é feito assinalando-se os itens não aplicáveis ao empreendimento em questão, que são, então, excluídos da soma de pontos possíveis. A designação não aplicável refere-se apenas a itens não pertinentes ao caso avaliado (como por exemplo perturbação em habitats e biodiversidade em um sítio com baixo ou nenhum valor ecológico), e não a itens que apresentem custo elevado para implementação ou falta de dados para embasar a avaliação.

Pré-requisitos Atualização contínua (prescritiva + desempenho)

Banimento de materiais/substâncias reconhecidamente danosos Qualidade da implantação Eficiência no uso de recursos Saúde e segurança no trabalho Qualidade do ambiente interno Impacto sobre comunidades locais Melhoria no produto oferecido Custo/benefício sustentabilidade Gestão ambiental e da qualidade Soluções inovadoras Proatividade ambiental Proatividade social Gestão e comprometimento

Créditos

Bônus

Figura 13 –

Formato de pontuação evolutivo.

avaliação por etapas do ciclo do empreendimento: a divisão dos itens de avaliação nas etapas do ciclo do empreendimento é um elemento facilitador, pois quem insere as informações é realmente quem as detém em cada fase, além de permitir a comparação de resultados globais ou por etapas específicas.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

187

Adicionalmente, a avaliação independente de etapas específicas pode ser preferida em situações onde um resultado negativo em uma fase possa desmotivar a realização de esforços nas etapas seguintes ou empalidecer bons desempenhos anteriores.

aplicação de ponderação apenas no nível hierárquico mais alto: Na versão para implementação no curto prazo, a ponderação foi mantida apenas no nível hierárquico mais alto (ambiental x social x econômico x gestão). Devido às alterações resultantes da revisão dos indicadores, os pesos deverão ser derivados a partir de nova consulta às partes interessadas. Aplicar ponderação nos níveis inferiores é um requinte de detalhamento que não se alinha com a necessidade de simplificação apontada na consulta às partes interessadas. Com a absorção do método pelo mercado, desenvolvimentos futuros poderão retomar a ponderação em todos os níveis, repetindo o processo de consulta, com base nos indicadores que forem validados praticamente.

6.5.3 QUANTO DEVERÁ SER ATINGIDO? O modelo de avaliação é complementado por um sistema de classificação de desempenho, composto por três níveis:
• • •

>90% dos pontos totais possíveis 71-90% dos pontos totais possíveis 50-70% dos pontos totais possíveis -

Nível A Nível B Nível C

A classificação de desempenho será sempre atribuída com base no desempenho ao longo de todo o ciclo de vida, isto é: com base no total de pontos obtido. O atendimento do desempenho mínimo em cada etapa (>50%) será o critério eliminatório. Os pontos de bônus serão contabilizados à parte, pela adição de até 5 estrelas à classe de desempenho obtida, segundo a escala na Tabela 4. Tabela 4 Escala para atribuição de estrelas, conforme pontuação de bônus obtida.

Faixas de pontos de bônus
>80% 61-80% 41-60% 21-40% 1-20%

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Analogamente, índices de sustentabilidade, entre 1 e 5, são atribuídos conforme a pontuação individualmente obtida em cada tema avaliado e a pontuação global (ponderada) e, segundo a escala indicada na Tabela 5. Tabela 5 Escala para atribuição de Índices de Sustentabilidade , conforme pontuação obtida.
Índices de Sustentabilidade (IS)
5 4 3 2 1 Classe C

Faixas de pontos
>90% 81-90% 71-80% 61-70% 50-60%

Classes de desempenho
Classe A Classe B

6.5.3.1 COMUNICAÇÃO DE RESULTADOS Os resultados da avaliação serão expressos como mostrado na Figura 14. Discos de sustentabilidade posiciona m o empreendimento avaliado (perfis de sustentabilidade) em relação ao critério de elegibilidade para classificação. A linha branca detalha o perfil de sustentabilidade do edifício em relação a todos os temas e sub-temas avaliados. O polígono vermelho representa o desempenho obtido para os quatro temas principais: se o critério de elegibilidade for atendido (>50% dos pontos em cada etapa), os vértices do polígono estarão fora ou, no máximo, sobre as arestas do quadrado amarelo no centro do disco. A pontuação total ponderada então relacionará o empreendimento a uma das três classes de desempenho previstas. Na parte superior da Figura 14, discos de sustentabilidade destacam o perfil de desempenho (esquerda) e o desempenho por tema (direita). Na parte inferior, da esquerda para a direita, é feita a indicação de: (1) classe de desempenho (“C”); (2) pontuação de bônus (2 estrelas indicam obtenção entre 21 e 40% dos pontos de bônus); (3) pontuação global ponderada (“55%”); (4) índice de sustentabilidade global (“1”), em função da pontuação ponderada; (5) índices de sustentabilidade por tema (“1”,“2”,“1” e “2”), em função da pontuação obtida em cada um deles antes da ponderação (“50%”;“62%”;“57%”;“67%”); (6) pesos utilizados (“26%”;“21%”;“26%”;“27%”) para a obtenção da pontuação global .

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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Figura 14 - Formato de saída gráfica de resultados de uma avaliação hipotética.

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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6.5.4 PROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO Pretende-se que a avaliação seja feita em duas etapas: 1) auto-avaliação: preenchimento dos formulários de avaliação pelos interessados (projetistas, empreendedores, construtores, gestores/administradores de condomínio...); e 2) revisão da auto-avaliação (caso se deseje a classificação do desempenho), feita por avaliadores credenciados e homologação dos resultados, com base em documentação e evidências de desempenho anexadas.

Imagina-se que o sistema de avaliação será gerenciado por uma parte isenta e sem fins lucrativos. A auto-avaliação é aqui encorajada por ser extremamente positiva enquanto instrumento de aprendizagem e auxílio à tomada de decisões. Como é feita pelos próprios interessados, a auto-avaliação será gratuita ou, no máximo, demandará uma taxa mínima de manutenção. Já o direito de publicar os resultados será necessariamente condicionado à revisão por avaliadores credenciados, e inevitavelmente envolverá algum custo, pois será provavelmente a única fonte de recursos para a manutenção do sistema em funcionamento. 6.6 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO

Neste trabalho, avançou-se até a Etapa 2 (definição de como avaliar, incluindo resultado de consulta pública) das diretrizes propostas no Capítulo 5. A realização da consulta às partes interessadas na construção civil do Estado de São Paulo levou a algumas conclusões fundamentais:

A estrutura de avaliação proposta é suficientemente abrangente, e pode ser mantida nos desenvolvimentos posteriores do método. Ressaltou-se o despreparo do mercado em conduzir avaliações detalhadas e que, no curto prazo, é necessário iniciar com um modelo simplificado de avaliação. O mercado ou não dispõe de dados para avaliar grande parte dos indicadores de sustentabilidade propostos inicialmente ou necessita de tempo para preparar-se para ser avaliado em relação a alguns deles. Os indicadores enquadrados no primeiro caso foram incluídos como itens não pontuados, para iniciar o acúmulo de dados que permitirá a sua avaliação no futuro. Aqueles que se enquadram no segundo caso, foram remanejados para o status de pontos extra (bônus). Desta forma, potencializase o caráter motivador e educativo do método de avaliação pela combinação de itens prescritivos e pontuação evolutiva, com bônus indicando o caminho para melhoria;

A divisão dos indicadores em etapas do ciclo de empreendimento (planejamento, projeto, execução e uso/operação do edifício) é uma medida didática, que evidencia

Capítulo 6 – Modelo proposto para avaliação de sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros

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responsabilidades e estimula o planejamento do empreendimento a partir de uma reflexão no longo prazo.

A consulta pública forneceu uma primeira idéia de pesos, que foi considerada juntamente com a percepção de relevância dos itens a compor o método, e a sugestão de status de pontuação aderente à realidade do mercado.

Os limites do sistema foram definidos para abranger a etapa de construção e uso do edifício. Iniciou-se a avaliação dos agentes do processo pela empresa construtora, mas cada agente do processo tem papel fundamental no aumento da sustentabilidade da produção de edifícios. Cabe aos clientes e incorporadores criar a demanda por empreendimentos mais sustentáveis; aos investidores, valorizar e criar oportunidades de financiamento; aos projetistas, adotar estratégias que resultem em projetos mais sustentáveis ambientalmente e que ofereçam melhor qualidade de vida aos ocupantes; e aos fornecedores, investir em tecnologias de produção mais limpas e relações de trabalho mais justas. Abordagens posteriores para ampliação incremental destes limites para englobar mais agentes e etapas do ciclo do empreendimento são, portanto, encorajadas. A sugestão originalmente feita na consulta pública foi fazer uma divisão dos indicadores, nas etapas pertinentes do ciclo do empreendimento, com o intuito de deixar claro quem deveria prover cada informação. Na consulta ficou claro, porém, que o próprio mercado sentia falta de ferramentas de orientação para as outras etapas, principalmente para a etapa de projeto. Iniciou-se o desenvolvimento da interface de avaliação simplesmente pela distribuição cronológica dos indicadores, em etapas de planejamento, projeto, construção e uso/operação. A interface ainda está em construção. Em seu estado atual (Apêndice 10), ela já vai além dos indicadores da lista revisada após a consulta pública (assinalados pelos mesmos índices utilizados no Apêndice 7) e acrescenta uma série de outros para as etapas de planejamento e projeto, mas o detalhamento que realmente caracterizará uma ferramenta de avaliação da sustentabilidade do projeto será objeto de continuidade do trabalho.

7 CONCLUSÕES E CONTINUIDADE DA PESQUISA
A tentativa mais vigorosa de internacionalização de um método de avaliação foi feita com o BREEAM. Mais recente, o LEED é aplicável em todo o território dos Estados Unidos, porém são raros os casos de aplicação externa. Atualmente, porém, tanto o LEED quanto o BREEAM evitam avaliar edifícios fora de seus países de origem. A prática demonstrou que a dificuldade de adequação aos locais de avaliação ia além da retirada ou adição de aspectos a avaliar e que os resultados das adaptações revelavam-se, na verdade, como novos sistemas, muito diferentes dos métodos originais. O GBC investiu em um caminho diferente: criar uma ferramenta que fosse suficientemente flexível e pudesse ser utilizada em diversos países. Aí está o papel fundamental dos benchmarks, que contextualizam a avaliação e definem a escala de desempenho. E aí está também o seu grande calcanhar de Aquiles, pois falhas na definição dos benchmarks alteram diretamente o resultado da avaliação, e podem mesmo invalidá-la. Seria excelente se fosse possível utilizar, no Brasil, uma ferramenta tão completa quanto a GBTool, mas exatamente por sua abrangência e complexidade, ela está longe de ser um instrumento para uso corriqueiro. Mais apropriado é utilizar a GBTool em seu propósito original, e desenvolver um método local a partir do embasamento teórico-científico que ela oferece. Este trabalho defende a idéia de que a qualidade de um método de avaliação de edifícios é determinada por quatro princípios essenciais:
• • •

Para ser tecnicamente consistente, um método de avaliação deve ser adaptado a dados nacionais relevantes; Para ser viável praticamente, um método de avaliação deve ser adaptado ao mercado, às práticas de construção e às tradições locais; Para ser absorvido e difundir-se rapidamente, um método de avaliação deve ser desenvolvido em parceria com as principais partes interessadas: investidores, empreendedores/construtores e projetistas; Para ser apropriado ao contexto nacional, os itens avaliados no método devem ser ponderados para refletir prioridades e interesses nacionais.

Todos eles são definidos localmente. E todos eles são, portanto, contrariados pela importação de métodos. Que fique claro que o problema não é a qualidade dos métodos

Capítulo 7 – Conclusões e continuidade da pesquisa

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existentes. Pelo contrário, em seus contextos de origem, eles são apropriados e vêm experimentando alto grau de sucesso, mas não são adequados para aplicação no Brasil, porque:

o que estes métodos avaliam é insuficiente: todos eles detêm-se na avaliação ambiental, e os itens ambientais avaliados não necessariamente refletem a agenda brasileira. a forma como estes métodos avaliam é inapropriada para o Brasil, porque: o para prover resultados aderentes ao contexto de avaliação é necessário definir localmente um critério de ponderação; e o não há dados nacionais de LCA, e é inconsistente avaliar impactos de materiais brasileiros com base em dados estrangeiros.

o quanto deve ser atingido em cada método é definido pela sinergia de fatores como tecnologias e produtos disponíveis em cada mercado, práticas construtivas, normas vigentes, que, juntos, delineiam níveis de referência e metas que mudam de um contexto a outro.

É fundamental, portanto, desenvolver um método à luz das prioridades, condições e limitações brasileiras. Deve-se necessariamente passar, no Brasil, por um processo de amadurecimento semelhante àquele por que passaram os países de origem dos métodos existentes para avaliação ambiental de edifícios, com o desafio maior de ampliar o escopo tradicional de avaliação ambiental para avaliação de sustentabilidade de edifícios. A pesquisa para desenvolver um método de avaliação e classificação de desempenho quanto a sustentabilidade é pioneira tanto no país quanto no exterior, e acrescenta aspectos únicos na abordagem do tema. Primeiro, porque não há uma metodologia publicada neste sentido. Segundo, porque todos os métodos de avaliação de edifícios centram-se na dimensão ambiental da sustentabilidade; a discussão sobre a avaliação da sustentabilidade de edifícios só agora começa a ganhar força no exterior. Terceiro, porque estas iniciativas não incluem a avaliação dos agentes do processo. O desenvolvimento do método foi iniciado neste trabalho, com base nas diretrizes e na base metodológica propostas, e em consulta às partes interessadas da construção civil no Estado de São Paulo. Propõe-se avaliar não só o desempenho ambiental do edifício, mas a sua contribuição para um ambiente construído mais sustentável, através da consideração de aspectos sócio-econômicos que possam ser relacionados à escala do edifício, e sua produção e operação.

Capítulo 7 – Conclusões e continuidade da pesquisa

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Os limites do sistema foram definidos para manter o foco no empreendimento, de modo a (1) enfatizar as etapas de construção e uso inicial de edifícios de escritórios; alguns aspectos de planejamento e projeto são também considerados, porém não no mesmo nível de detalhamento; e (2) incluir a avaliação dos agentes envolvidos no ciclo do empreendimento. A opção por iniciar a avaliação dos agentes envolvidos no processo pela avaliação da empresa construtora foi um primeiro passo no sentido de criar a cultura e o movimento consistente das práticas de mercado em direção a um patamar mais sustentável, mas cada agente do processo tem papel fundamental no aumento da sustentabilidade do ambiente construído. Cabe aos clientes e incorporadores criar a demanda por empreendimentos mais sustentáveis; aos investidores, valorizar e criar oportunidades de financiamento; aos projetistas, adotar estratégias que resultem em projetos mais sustentáveis ambientalmente e que ofereçam me lhor qualidade de vida aos ocupantes; e aos fornecedores, investir em tecnologias de produção mais limpas e relações de trabalho mais justas. Abordagens posteriores para ampliação incremental destes limites para englobar mais agentes e etapas do ciclo do empreendimento são, portanto, encorajadas. A estrutura de avaliação proposta foi construída a partir da estrutura temática utilizada pela UN CSD e de instrumentos de avaliação de sustentabilidade de nações, setores econômicos e organizações; na proposição de uma agenda para a construção sustentável no Brasil, e na análise dos métodos e projetos de normas ISO relacionados à avaliação ambiental e de sustentabilidade de edifícios. A análise dos métodos existentes apontou as categorias essenciais do módulo de avaliação de desempenho ambiental. O módulo de avaliação de desempenho social foi organizado conforme os impactos sobre as partes interessadas: clientes/investidores/empreendedores, fornecedores, operários, usuários do edifício e a sociedade em geral. O módulo de avaliação de desempenho econômico, por sua vez, procura identificar os fluxos monetários relacionados a custos de produção, de operação e de implementação de medidas para aumentar a sua sustentabilidade, assim como os benefícios financeiros a elas associados. Um módulo de Gestão do Processo permeia os três módulos anteriores. O processo de análise hierárquica foi utilizado para registrar e manter a rastreabilidade do processo de obtenção de pesos para os temas e categorias de desempenho em avaliação de edifícios.

Capítulo 7 – Conclusões e continuidade da pesquisa

195

O presente possível
A consulta às partes interessadas da construção civil do Estado de São Paulo levou a algumas conclusões fundamentais:

A estrutura de avaliação proposta é suficientemente abrangente, e pode ser mantida nos desenvolvimentos posteriores do método. Ressaltou-se, porém, o despreparo do mercado em conduzir avaliações detalhadas e que, no curto prazo, é necessário iniciar com um modelo simplificado de avaliação. O mercado ou não dispõe de dados para avaliar grande parte dos indicadores de sustentabilidade propostos inicialmente ou necessita de tempo para preparar-se para ser avaliado em relação a alguns deles. Os indicadores enquadrados no primeiro caso foram incluídos como itens não pontuados, para iniciar o acúmulo de dados que permitirá a sua avaliação no futuro. Aqueles que se enquadram no segundo caso, foram remanejados para o status de pontos extra (bônus). Desta forma, potencializase o caráter motivador e educativo do método de avaliação pela combinação de itens prescritivo s e pontuação evolutiva, com bônus indicando o caminho para melhoria;

A divisão dos indicadores em etapas do ciclo de empreendimento (planejamento, projeto, execução e uso/operação do edifício) é uma medida didática, que evidencia responsabilidades e estimula o planejamento do empreendimento a partir de uma reflexão no longo prazo. A consulta pública forneceu uma primeira idéia de pesos, que foi considerada juntamente com a percepção de relevância dos itens a compor o método, e a sugestão de status de pontuação aderente à realidade do mercado.

Estas contribuições foram incorporadas no desenvolvimento do modelo proposto, que é pautado por dez conceitos básicos:
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

Adesão voluntária: entra no processo quem deseja fazer melhor; Premiação de quem faz melhor; Foco no empreendimento; Auto-avaliação, a ser revisada por avaliadores credenciados; Avaliação por etapas; Ponderação aplicada apenas no nível hierárquico mais alto; Mescla de pontos prescritivos e por desempenho; Pontuação evolutiva e estratégia de implementação gradual; Utilização de níveis de classificação de desempenho; e Revisão periódica do sistema de avaliação e da classificação do edifício.

Capítulo 7 – Conclusões e continuidade da pesquisa

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Diante da dificuldade de implementação imediata de um sistema de avaliação detalhado, optou-se por uma implementação gradual, com base no cenário imediato e em projeção futura. Desta forma, prevê-se a (1) migração de um método híbrido para um método totalmente orientado a desempenho e que utilize a análise de ciclo de vida na avaliação do uso de recursos e cargas ambientais envolvidos; e (2) evolução do nível de exigência (bônus tornam-se créditos, que se tornam pré-requisitos), para o refinamento e melhoria contínuos do sistema de avaliação, enquanto se mantém a aderência com a realidade de mercado.

O futuro
O interesse pelo tema no país foi definitivamente despertado. Um novo workshop será realizado em agosto de 2003, para dar continuidade à discussão e envolvimento das partes interessadas no desenvolvimento e teste do modelo de avaliação. Um estudo-piloto com duração de um ano será iniciado no segundo semestre deste ano, e será decisivo para a validação prática do procedimento de avaliação e para o acúmulo de dados para caracterizar as práticas típicas e mais orientadas à sustentabilidade. Vislumbra-se, neste momento, algumas necessidades e perspectivas para continuidade da pesquisa:

Acúmulo de dados que balizem a definição de metas, desempenho mínimo e referências de desempenho; a ser iniciado com a realização do estudo piloto. Construção de inventários de ciclo de vida. A aplicação direta de LCA em avaliação de edifícios no Brasil, mostra-se, neste momento, complexa, impraticável e insuficiente, devido à carência de inventários de ciclo de vida de materiais de construção brasileiros. Esta é também uma necessidade para aumentar a confiabilidade dos dados obtidos para edifícios brasileiros no processo Green Building Challenge. Os trabalhos sobre análise de ciclo de vida estão em seus primeiros passos no Brasil, e utilizam diferentes metodologias para coleta e tratamento dos dados, o que impede a comparação de resultados ou a agregação de diferentes materiais em uma só base de dados. É fundamental que os procedimentos sejam uniformizados, utilizando-se uma base comum de critérios e, preferencialmente, uma mesma plataforma de avaliação, como a holandesa SimaPro. Detalhamento de módulos específicos para avaliação de projeto e de uso e gestão da operação. Na consulta ao mercado, ficou patente a falta de ferramentas de orientação para estas etapas, principalmente para a etapa de projeto. Como resposta, iniciou-se o desenvolvimento de uma interface de avaliação. A interface ainda está em construção e vai além dos indicadores da lista revisada após a consulta pública, acrescentando uma série de outros para as etapas de planejamento e projeto. O detalhamento que realmente

Capítulo 7 – Conclusões e continuidade da pesquisa

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caracterizará uma ferramenta de avaliação da sustentabilidade do projeto será objeto de continuidade do trabalho.
• •

Desenvolvimento e implementação de estratégia para inserção do tema no processo cotidiano de planejamento, projeto, execução e gestão da operação de edifícios; Análise dos benefícios financeiros e oportunidades de negócios trazidos pela construção sustentável e coleta de dados quanto aos avanços do setor. A aplicação de quaisquer análises ao longo do ciclo de vida, inclusive a de custos, é limitada pela separação entre os agentes (empreendedor, usuário final...) que caracteriza a produção e o uso de edifícios. A maioria das práticas avaliadas oferece benefícios a custo baixo ou nulo, mas são necessários números nacionais que tornem isto evidente; Implementação da interface de avaliação on-line e desenvolvimento contínuo de ferramentas de informação de profissionais sobre construção sustentável. O desenvolvimento da interface on-line foi iniciado em pesquisa paralela, juntamente com uma biblioteca de estratégias e tecnologias para aumentar a sustentabilidade de empreendimentos. Mais recentemente, o responsável pelo Green Globes, uma ferramenta on-line para avaliação ambiental desenvolvida no Canadá, iniciou os contatos para formalização de cooperação com a autora da pesquisa; Adaptação do modelo a outras tipologias de edifícios.

Espera-se que este trabalho seja uma bússola, que ajude a orientar a direção dos desenvolvimentos futuros, antes de ser o mapa exato da estrada.

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Capítulo 8 - Referências Bibliográficas

210

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Apêndice 1 - Normalização de alguns métodos de avaliação ambiental existentes

1

APÊNDICE 1
NORMALIZAÇÃO (RECATEGORIZAÇÃO DOS ITENS AVALIADOS) DOS SISTEMAS BREEAM, HKBEAM, LEEDTM, MSDG, GBTOOL E CASBEE.

Categorias
Qualidade da implantação BREEAM transporte (120) + uso do solo (32) + ecologia terreno (96) + (stormwater/runoff para rede pública (14)) BREEAM 262/1062 (24,67%) HKBEAM 2/59 (3,39%) LEEDTM 14/69 (20,29%) MSDG 17/100 (17%) GBTool (8,75%) CASBEE 25/220 1,1 (pond) (3,03%)

HKBEAM LEED
TM

transporte (2) transporte (4)+ uso do solo (3) + ecologia (2) + poluição luminosa (1) + gestão stormwater (2) + paisagismo (2) transporte (2) + uso do solo (3) + biodiversidade e ecologia (3) + gestão site water (5) + projeto implantação ambientalmente responsável (2) + plantas nativas (2) transporte (0% - ainda não operacional) + uso do solo (2,2%) + ecologia (2,8%) + redução impactos ambientais no terreno e propriedades adjacentes (2,5%) + gestão stormwater (1,25%) manutenção e criação de ecossistemas (5/220*0,45*0,15); Paisagem (5/220*0,35*0,15); Características locais e culturais (5/220*0,2*0,15); Efeito de ilhas de calor (5/220*0,25*0,2); Carga em infra-estrutura local (5/220*0,1*0,2) BREEAM 48/1062 (4,52%) HKBEAM 2/59 (3,39%) LEEDTM 05/69 (7,25%) MSDG 5/100 (5%) GBTool (4%) CASBEE 10/220
3,3 (pond)

MSDG

GBTool (ponderad o) CASBEE (ponderad o)

Gestão do uso de água BREEAM consumo água (18) + medição individual (6) + detecção de vazamentos (6) + válvulas de fechamento (shut off) (6) + procedimentos manutenção (6) + monitoramento (6) cons ervação (2) paisagismo (2)+ conservação (1)+ reutilização inovadora (2) reuso águas cinza (gray water) (2) + tratamento biológico de resíduos (1) +

(9,08%)

HKBEAM LEED
TM

MSDG

Capítulo 5 - Estruturando um sistema de avaliação de sustentabilidade de edifícios: o que avaliar?

2

conservação no edifício (1) e na torre de resfriamento (1) GBTool
(ponderado)

consumo de água potável (4%) conservação de água (5/220**0,4*0,3), uso de greywater e/ou água da chuva (5/220**0,6*0,3) BREEAM 88/1062 (8,29%) HKBEAM 21/59 (35,59%) LEEDTM 15/69 (21,74%) MSDG 26/100 (26%) GBTool (4%) CASBEE 30/220
3,5 (pond)

CASBEE
(ponderado)

Gestão do uso de energia BREEAM medição individualizada (submetering) (16) + política de uso de energia (8) + auditoria de uso de energia (8) + disseminação de resultados (8) + monitoramento de CO2 (24) + consumo inferior ao benchmark (8) + programação de operação e manutenção (16) consumo de energia (13) + redução pico de demanda (3) + banimento substâncias ODP (5) otimização desempenho (10) + energia renovável (4) + redução substâncias ODP (HVAC e halons) (1) posicionamento e configuração do edifício (2) + desempenho térmico envelope (2) + integração de iluminação natural (2) + sistemas eficientes de iluminação artificial (2) + maximizar desempenho sistemas mecânicos (2) + equipamentos e dispositivos eficientes (1) + fontes alternativas de energia (3) + redução uso energia (12) energia incorporada nos materiais (2%) + consumo de energia durante operação (2%) carga térmica do edifício (5/220*0,3*0,5); Uso de energia natural (10/220*0,2*0,5); Eficiência dos sistemas prediais (5/220*0,3*0,5); Operação eficiente (10/220*0,2*0,5)

(9,63%)

HKBEAM LEEDTM MSDG

GBTool
(ponderado)

CASBEE
(ponderado)

Gestão de materiais e (redução de) resíduos BREEAM não uso de asbestos (8) + atender a Green Guide Specifications (32) + madeira certificada (16) + reuso edifício (16) +uso agregado reciclado (8) + informação sobre presença de materiais perigosos (8) + espaço dedicado à armazenagem e coleta de recicláveis (8) + política de reciclagem (8) uso de madeira (3) + instalações/facilidades para reciclagem (1) + uso reciclados (4) + efluentes líquidos (descarga de água de construção residual (1) + acesso veicular para coleta de resíduos para disposição (2) reuso edifício (3) + reuso materiais (2) + conteúdo reciclado (2) + materiais locais (2) + e rapidamente renováveis (1) + madeira certificada (1) + gestão RCD (2)

BREEAM 104/1062 (9,79%)

HKBEAM 11/59 (18,6%)

LEEDTM 13/69 (18,84%)

MSDG 26/100 (26%)

GBTool (12%)

CASBEE 30/220
7,65 (pond)

(21,05%)

HKBEAM

LEEDTM

Capítulo 5 - Estruturando um sistema de avaliação de sustentabilidade de edifícios: o que avaliar?

3

MSDG

baixo impacto (3) + materiais reutilizados e/ou remanufaturados (2) + produtos com conteúdo reciclado (1) + renováveis (1) + locais (1) + baixa emissão de VOC (3) + duráveis (1) + recicláveis (2) + reuso edifício (3) + projeto para reduzir uso de materiais (2) + projeto para desmontagem/demolição (2) + gestão de resíduos (reuso e reciclagem de resíduo de demolição; redução e reciclagem de resíduos de construção, embalagem e produzidos pelos usuários; redução e disposição adequada de resíduos perigosos) – (5) reuso edifício (1,6%) + envio de materiais existentes para reciclagem off site (1,4%) + reuso de material vindos off site (1,3%) + madeira certificada (1,3%) + materiais com conteúdo reciclável (1,3%) + efluentes líquidos (água residual sanitária) – 1,25%) + manuseio adequado de materiais perigosos resultantes de RCD (1,25%) + gestão de resíduos sólidos (2,5%) materiais ambientalmente saudáveis (30/220*0,85*0,3) BREEAM 260/1062 (24,48%) HKBEAM 2/59 (3,39%) LEEDTM (0%) MSDG (0%) GBTool (16,25% ) CASBEE 15/220
0,45 (pond)

GBTool
(ponderado)

CASBEE
(ponderado)

Cargas ambientais/Prevenção de Poluição BREEAM substâncias com potencial de dano à camada de ozônio - ODP (70), NOx (70) + emissão de CO2 pelo uso de energia para operação(120) ruído durante construção (1) + ruído proveniente do edifício (1)

(1,24%)

HKBEAM LEED
TM

MSDG GBTool
(ponderado)

GHG (CO2) incorporado nos materiais (3,125%) + emissões produzidas pela operação do edifício: GHG (CO2) (3,125%) + substâncias ODP (3,75%) + acidificantes (2,5%) + fotooxidantes (3,75%) + com potencial eutroficante (0% ainda não operacional) edifício gerando: poluição do ar (5/220*0,25*0,2); Ruído e odores (10/220*0,1*0,2) BREEAM 150/1062 (14,12%) HKBEAM 5/59 (8,47%) LEEDTM 07/69 (10,14%) MSDG (0%) GBTool (10%) CASBEE 0/220 (0%)

CASBEE
(ponderado)

Gestão ambiental (do processo) BREEAM verificação de conformidade de desempenho pré-entrega (commissioning) (30) + política ambiental da companhia (30) e política ambiental de compras (30) + sistema de gestão ambiental (30) + manual de operação do edifício (30) verificação de conformidade de desempenho pré-entrega (commissioning) (3) + operação e manutenção (2) inovação e processo de projeto (5) + verificação de conformidade de desempenho pré-entrega (commissioning) (1) + Mensuração & verificação de

HKBEAM LEEDTM

Capítulo 5 - Estruturando um sistema de avaliação de sustentabilidade de edifícios: o que avaliar?

4

desempenho (1) MSDG GBTool
(ponderado)

planejamento do processo de construção (3,5%) + ajuste de desempenho (Performance Tuning - commissioning) (3,5%) + planejamento da operação do edifício (3%)

CASBEE
(ponderado)

Gestão da qualidade do ambiente interno BREEAM prevenção legionella em sistemas prediais (12) e torres de resfriamento (6) + IAQ e ventilação (24) + conforto luminoso (24) e acesso a vistas (6) + conforto térmico (6) + conforto acústico (6) + programação de manutenção (30) + inspeção de segurança de sistema domésticos de água quente (dhws) (6) + pesquisa de satisfação usuários (12) contaminação biológica + legionella de torres de resfriamento (2) + equipamento de medição e monitoramento (3) + IAQ (5) + VOCs e materiais perigosos (2) + conforto luminoso (2) + conforto acústico (2) (Nota: de conforto térmico só aparece ventilação, dentro de IAQ!) monitoramento CO2 (1) + ventilação (1) + plano IAQ durante a construção (2) + VOC (4) + poluentes químicos (1) + conforto térmico (2) + luz natural e acesso a vistas (2) ambiente limpo e saudável (3) + controle de umidade (3) + ventilação para controle de poluentes e conforto térmico (6) + conforto térmico (3) + iluminação eficiente (3) e acesso a vistas (3) + conforto acústico (3) IAQ e ventilação (6%) + conforto térmico (5%) + iluminação natural e artificial (5%) + conforto acústico (Noise and Acoustics) (3%) + poluição eletromagnética (1%) + privacidade e acesso a luz do sol e vistas (3%) ruído e acústica (15/220*0,15*0,5); Conforto térmico (15/220*0,35*0,5); Iluminação (20/220*0,25*0,5); Qualidade do ar (15/220*0,25*0,5)

BREEAM 132/1062 (12,43%)

HKBEAM 16/59 (27,12%)

LEEDTM 13/69 (18,84%)

MSDG 24/100 (24%)

GBTool (23%)

CASBEE 65/220
8,125 (pond)

(22,35%)

HKBEAM

LEEDTM

MSDG

GBTool
(ponderado)

CASBEE
(ponderado)

Qualidade dos serviços BREEAM controlabilidade luz, temp e janelas (18)

BREEAM 18/1062 (1,7%)

HKBEAM (0%)

LEEDTM 02/69 (2,9%)

MSDG 2/100 (2%)

GBTool (12%)

CASBEE 45/220
2,22 (pond)

(33,62%)

HKBEAM LEEDTM controlabilidade (2)

Capítulo 5 - Estruturando um sistema de avaliação de sustentabilidade de edifícios: o que avaliar?

5

MSDG GBTool
(ponderado)

projeto para adaptabilidade (2) flexibilidade e adaptabilidade (3,75%) + controlabilidade dos sistemas (3,75%) + manutenção do desempenho (3%) + qualidade dos serviços (amenities) e desenvolvimento no terreno (0,75%) + impacto na qualidade dos serviços do terreno e propriedades adjacentes (0,75%) serviceability (funcionalidade, aconchego) (10/220*0,4*0,35); Durabilidade (10/220*0,25*0,35); Flexibilidade e adaptabilidade (15/220*0,35*0,35) + Acesso a ventilação (5/220*0,2*0,2); Acesso a iluminação (5/220*0,1*0,2) BREEAM (0%) HKBEAM (0%) LEEDTM (0%) MSDG (0%) GBTool (10%) CASBEE (0%)

CASBEE
(ponderado)

Desempenho Econômico BREEAM HKBEAM LEEDTM MSDG GBTool
(ponderado)

Desempenho econômico (10%)

CASBEE
(ponderado)

Total de pontos (ou %) disponível

1062 pts

59 pts

69 pts

100%

100%

220 pts
(pond 36,35)

APÊNDICE 2 PRINCIPAIS
Organização/ iniciativa Human Development Report

INICIATIVAS INTERNACIONAIS DE DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE (ESFERA DAS NAÇÕES).
Publicação/data United Nations Development Programme - UNDP,1990 Foco/objetivo Índice de Desenvolvimento Humano combina indicadores de longevidade, educação e padrão de vida (índice social), para monitorar Progresso ou declínio no desenvolvimento humano. Indicadores ambientais (biodiversidade, indicadores georeferenciados e fluxos de materiais) Indicador de sustentabilidade Relacionar área produtiva e água necessárias para manter padrões de consumo urbano ~50 indicadores ambientais para medir progresso ambiental Indicadores ambientais § setoriais PSR x indicadores sócio-econômicos, setoriais e de contexto State-response (PSR, DSR...) Estrutura analítica específica

World Resources Institute (WRI) Ecological Footprint OECD Core set of environmental indicators Outros indicadores ambientais da OECD

HAMMOND et al., 1994 VINOGRAD, 1995 WACKERNAGEL;REES, 1995 OECD, 1993

derivados de contabilidade ambiental Integrar questões ambientais e políticas setoriais Integrar a tomada de decisão ambiental e econômica Relatar o estado do ambiente

United Nations Environment Programme Environment Statistics Section of the United Nations Statistics Division World Bank environmental indicators

BAKKES et al. , 1994 THOMAS;TENNANT;ROLLS, 2000 UNSD/IWGAES (1995)
1

Indicadores ambientais

Indicadores de desenvolvimento sustentável

FDES x Agenda 21

World Bank, 1995

Indicadores ambientais/sociais Indicadores vinculados a metas de sustentabilidade (indicadores de desempenho) Conceito de riqueza das nações inclui capitais humano, produzido pelo homem, natural e social

PSR x critérios sociais, econômicos e institucionais

CSD Working List of Indicators of Sustainable Development

United Nations Department of Economic and Social Affairs UNDSD/DESA, 1996 (Programa de Trabalho em Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – 1995 a 2000)

134 indicadores de desenvolvimento sustentável + fichas metodológicas, para tornar indicadores de desenvolvimento sustentável acessíveis aos agentes de decisão em nível nacional

DSR x capítulos da Agenda 21

1

Inter-governmental Working Group on the Advancement of Environment Statistics.

Apêndice 2 – Principais iniciativas internacionais de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade

2

Organização/ iniciativa Scientific Committee on Problems of the Environment (SCOPE) Expanding the measure of wealth. Indicators of environmentally sustainable development.

Publicação/data MOLDAN;BILLHARZ, 1997

Foco/objetivo Indicadores de desenvolvimento sustentável

Estrutura analítica específica

World Bank, 1997

Indicadores ambientais/sociais Novas estimativas de riqueza nacional Análise detalhada de mudanças em subsídios com conseqüências ambientais Progresso no conceito de capital social Expandir o conjunto de indicadores do World Development Indicators Continuidade do trabalho em contabilidade de recursos e indicadores de sustentabilidade.

The Balaton Group CSD Theme Indicator Framework

MEADOWS, 1998 United Nations Department of Economic and Social Affairs UNDSD/DESA, 1999

Indicadores de desenvolvimento sustentável 57 indicadores de desenvolvimento sustentável, arranjados em 15 temas e 38 sub-temas, para tornar Indicadores de desenvolvimento sustentável acessíveis aos agentes de decisão em nível nacional Estrutura Temática (indicadores segundo quatro dimensões principais: aspectos econômicos, ambientais, sociais e institucionais) input-output-impact x temas ambientais representativos para o World Bank DPSIR

World Bank Environmental Performance indicators European Environment Agency Towards Environmental Pressure Indicators

SEGNESTAM, 1999

monitorar e avaliar os efeitos ambientais (desempenho) de atividades apoiadas pelo World Bank Indicadores ambientais

EEA, 1999

Eurostat, 1999

Indicadores ambientais 60 indicadores ambientais ( pressão humana sobre o ambiente ). Descrição abrangente das atividades humanas mais importantes que tem efeito negativo s obre o ambiente.

DPSIR

Sustainable Development in the United States, An Experimental Set of Indicators (report) Dashboard of Sustainability Environmental pressure indicators for the EU - 1985-1998

SDI Group (1998; 2001)

2

indicadores de desenvolvimento sustentável para os Estados Unidos (www.sdi.gov)

JRC /CGISD do IISD , 2001 Eurostat, 2001

3

4

5

Apresentação gráfica de indicadores de desenvolvimento sustentável Indicadores ambientais 48 indicadores cobrindo as mais importantes pressões humanas sobre o ambiente, mostrando tendências e a contribuição dos DPSIR

2 3 4 5

Interagency Working Group on Sustainable Development Indicators. Joint Research Centre (http://earthwatch.unep.net/indicators/index.html#European Commission, Joint Research) Consultative Group on Sustainable Development Indicators (http://iisd1.iisd.ca/cgsdi/) International Institute for Sustainable Development.

Apêndice 2 – Principais iniciativas internacionais de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade

3

Organização/ iniciativa

Publicação/data

Foco/objetivo diferentes setores da economia nestas pressões.

Estrutura analítica específica

Energy and environment indicators

Eurostat, 2002

Mais de 80 indicadores ambientais (relacionados a energia) res pondem à demanda da do Conselho de Energia da união Européia feita em 1999. Dados agregados, calculados para os 15 países da União Européia, com séries de dados até 2000.

DPSIR

Key ‘headline’ indicators of sustainable development

UK GOVERNMENT, 1999

Indicadores de desenvolvimento sustentável para o Reino Unido 15 indicadores -chave de desenvolvimento sustentável + 147 indicadores nacionais (core set) +29 indicadores locais

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAKKES, J. A.; VAN D EN BORN, G.J.; HELDER, J.C.; SWART, R.J.; HOPE, C.W.; PARKER, J.D.E. An Overview of Environmental Indicators: State of the art and perspectives. RIVM/UNEP. UNEP/EATR.94-01. 1994. EUROPEAN ENVIRONMENT AGENCY – EEA (1999). Environmental indicators: typology and overview. Technical report No 25. Copenhagen, 1999. 19 pp. EUROPEAN UNION STATISTICAL OFFICE- EUROSTAT. Energy and environment indicators - 1985 - 2000. EUROSTAT, Luxembourg, 2002. EUROPEAN UNION STATISTICAL OFFICE- EUROSTAT. Environmental pressure indicators for the EU - 1985 - 1998. EUROSTAT, Luxembourg, 2001. 2 ed. EUROPEAN UNION STATISTICAL OFFICE- EUROSTAT. Towards Environmental Pressure Indicators. EUROSTAT, Luxembourg, 1999. HAMMOND, A. L. et al. A systematic approach to measuring and reporting on environmental policy performance in the context of sustainable development. World Resources Institute (WRI), Washington D.C., 1994. 50 pp. INTER-GOVERNMENTAL WORKING GROUP ON THE ADVANCEMENT OF ENVIRONMENT STATISTICS. Report of the Fourth meeting of the Inter-Governmental Working Group on the Advancement of Environment Statistics. 1995. (a lista de indicadores está disponível no site Internet http://unstats.un.org/unsd/ENVIRONMENT/indicators.htm, última atualização em 2002) INTERNATIONAL INSTITUTE FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT - IISD/ CONSULTATIVE GROUP ON SUSTAINABLE DEVELOPMENT INDICATORS CGSDI (s.d.) The Dashboard of Sustainability. (Site Internet http://iisd1.iisd.ca/cgsdi/dashboard.htm, consultado em julho de 2002, sem data de atualização). MEADOWS, D. (1998). Indicators and information systems for sustainable development. A report to The Balaton Group. The Sustainability Institute, 1998.

Apêndice 2 – Principais iniciativas internacionais de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade

4

MOLDAN, B.; BILLHARZ, S. (editors). Sustainability Indicators: Report of the project on Indicators of Sustainable Development. SCOPE 58. John Wiley & Sons, Chichester and New York, 1997. 415 pp. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT - OECD. OECD Core set of indicators for environmental performance reviews. A synthesis report by the Group on the State of the Environment. Environment Monographs n. 83. 1993. 39 pp. SEGNESTAM, L. Environmental Performance Indicators: a second edition note (on the Performance Monitoring Indicators Handbook, 1996). Environment Department Paper n. 71. Environmental Economics Series. The World Bank, Washington, D.C. October 1999. 52 p. THE WORLD BANK. Expanding the measure of wealth. Indicators of environmentally sustainable development. (Work in progress for public discussion) Environmentally Sustainable Development Studies and Monographs Series, Number 17. The World Bank, Washington, D.C. June 1997. 122pp. THE WORLD BANK. Monitoring Environmental Progress: A Report on Work In Progress. ESD - Environmentally Sustainable Development. The World Bank, Washington, D.C. 1995. 82 p. THOMAS, C.; TENNANT, T.; ROLLS, J. The GHG Indicator: UNEP Guidelines for Calculating Greenhouse Gas Emissions for Businesses and Non-Commercial Organisations. UNEP Financial Services Initiatives. June 2000. U.S. INTERAGENCY WORKING GROUP ON SUSTAINABLE DEVELOPMENT INDICATORS. Sustainable Development in the United States: An Experimental Set of Indicators. SDI Group Report. Washington, D.C., September 2001. UNITED KINDOM GOVERNMENT A better quality of life: A strategy for sustainable development for the UK. Cm 4345. The Stationery Office, London. 1999. UNITED NATIONS DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS UNDSD/DESA . CSD Working List of Indicators of Sustainable Development. 1996. (a lista está disponível no site Internet http://www.un.org/esa/sustdev/indisd/english/worklist.htm, sem data de atualização). UNITED NATIONS DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS. UN CSD Theme Framework and Indicators of Sustainability. Final Draft. PriceWaterhouseCoopers for Division for Sustainable Development, November 18, 1999. UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME - UNDP. Human Development Report . 1990. VINOGRAD, M. Environmental indicators for Latin American and the Caribbean: toward land use sustainability. World Resources Institute (WRI), Washington D.C., 1995. 84 pp. WACKERNAGEL, M; REES, W. Our ecological footprint: reducing human impact on the Earth. The new catalyst bioregional series, v.9. New Society Publishers, Gabriola Island, B.C., Canada. 160 pp. 1995.

APÊNDICE 3
ESTRUTURA DA UN W ORKING LIST OF INDICATORS OF SUSTAINABLE DEVELOPMENT, ( A PARTIR DE UNDSD/DESA, 1996)
Capítulos da Agenda 21
Categoria: Aspectos Sociais Capítulo 3: Combate à pobreza Capítulo 5: Dinâmica demográfica e sustentabilidade Capítulo 36: Promoção da educação, conscientização pública e treinamento Capítulo 6: Proteção e promoção da saúde humana Capítulo 7: Promoção do desenvolvimento sustentável de assentamentos humanos Categoria: Aspectos Econômicos Capítulo 2: Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável em países e políticas domésticas relacionadas Capítulo 4: Alteração de padrões de consumo Capítulo 33: Recursos e mecanismos financeiros Capítulo 34: Transferência de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação e capacitação Categoria: Aspectos Ambientais Capítulo 18: Proteção da qualidade e suprimento de recursos de água doce Capítulo 17: Proteção dos oceanos, mares e areas costeiras Capítulo 10: Abordagem integrada do planejamento e gerenciamento de recursos de solo Capitulo 12: Gerenciamento de ecossistemas frágeis: combate à desertificação e seca Capítulo 13: Gerenciamento de ecossistemas frágeis: desenvolvimento sustentável de áreas montanhosas Capítulo 14: Promoção de agricultura e desenvolvimento rural sustentáveis Capítulo 11 : Combate ao desmatamento Capítulo 15: Conservação de diversidade biológica Indicadores DRIVING FORCE Indicadores STATE Indicadores RESPONSE

Apêndice 3 – UN Working List of Indicators of Sustainable Development

2

Capitulo 16: Gerenciamento ambientalmente saudável de biotecnologia Capítulo 9: Proteção da atmosfera Capítulo 21: Gerenciamento ambientalmente saudável de resíduos sólidos e aspectos relacionados a esgoto Capítulo 19: Gerenciamento ambientalmente saudável de substâncias químicas tóxicas Capítulo 20: Gerenciamento ambientalmente saudável de resíduos perigosos Capítulo 22: Gerenciamento seguro e ambientalmente saudável de resíduos radioativos Categoria: Aspectos Institucionais Capítulo 8: Integração de aspectos ambientais e de desenvolvimento na tomada de decisão Capítulo 35: Ciência para desenvolvimento sustentável Capítulo 37: Mecanismos nacionais e cooperação internacional para capacitação em países em desenvolvimento Capítulo 38: Arranjos institucionais internacionais Capítulo 39: Instrumentos e mecanismos legais internacionais Capítulo 40: Informação para tomada de cedisão Capítulo 23-32: Fortalecimento do papel dos agentes/grupos principais

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNITED NATIONS DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS UNDSD/DESA . CSD Working List of Indicators of Sustainable Development. 1996. (a lista está disponível no site Internet http://www.un.org/esa/sustdev/indisd/english/worklist.htm, sem data de atualização).

APÊNDICE 4
CSD THEME INDICATOR FRAMEWORK (UNDSD, 2001).
Aspectos Sociais Tema Igualdade Sub-tema Pobreza (3) Indicador Percentagem da população vivendo abaixo da linha da pobreza Índice Gini - expressão de desigualdade na distribuição (=concentração) de renda Taxa de desemprego Igualdade de gênero (24) Saúde (6) Estado nutricional Mortalidade Condições sanitárias Água potável Atendimento médico Relação entre salário médio de homens e de mulheres Estado nutricional de crianças Taxa de mortalidade abaixo de 5 anos de idade Expectativa de vida Percentagem da população com facilidades adequadas para disposição de esgoto População com acesso a água potável Porcentagem da população com acesso a facilidade de atendimento médico básico Imunização contra doenças infecciosas infantis Taxa de prevalência de contraceptivos (porcentagem de mulheres em idade reprodutiva que utiliza algum método contraceptivo) Educação (36) Nível de escolaridade Crianças alcançando a 5 a série do primeiro grau Nível de adultos secundária Alfabetização Habitação (7) Segurança População (5) Condições de vida Criminalidade (36, 24) Mudança de população alcançando a educação

Taxa de alfabetização de adultos Área construída por pessoa Número de crimes registrados por cada 100.000 habitantes Taxa de crescimento populacional População de assentamentos urbanos formais e informais

Aspectos Ambientais Tema Atmosfera (9) Sub-tema Mudança climática Dano à camada de ozônio Qualidade do ar Solo (10) Agricultura (14) Indicador Emissão de gases causadores de efeito estufa Consumo de substâncias nocivas à camada de ozônio Concentração ambiental de poluentes do ar em zonas urbanas Área arável e de pecuária permanente Uso de fertilizantes Uso de pesticidas agrícolas

Apêndice 4 – United Nations CSD Theme Indicator Framework

2

Florestas (11)

Área de florestas, em percentagem de área de solo Intensidade de exploração madeireira Solo afetado por desertificação Área de assentamentos urbanos formais e informais Concentração de algas em águas costeiras Percentagem da população total vivendo em áreas costeiras

Desertificação (12) Urbanização (7) Oceanos, mares e costas (17) Zona costeira

Pesca Água doce (18) Quantidade de água

Quantidade de pesca anual das principais espécies Redução anual de água superficial e subterrânea, em percentagem da água total disponível Demanda bioquímica por oxigênio em corpos d´água Concentração de coliformes fecais em água doce

Qualidade da água

Biodiversidade (15)

Ecosistemas Espécies

Área de ecosistemas -chaves selecionados Área protegida em % da area total Abundância de espécies -chaves selecionadas

Aspectos Econômicos Tema Estrutura econômica (2) Sub-tema Desempenho econômico Comércio Status financeiro (33) Indicador PIB per capita Parcela de investimento em % PIB Balança comercial em mercadorias e serviços Relação débito externo/PIB Total de auxílios oficiais para o desenvolvimento (ODA) dado ou recebido, em porcentagem do PIB Padrões consumo produção (4) de e Consumo de materiais Uso de energia Intensidade de uso de materiais Consumo anual de energia per capita Parcela de consumo de recursos de energia renovável Intensidade de uso de energia Geração e gestão de resíduos (19-22) Geração de resíduos industriais e de resíduos sólidos municipais Geração de resíduos perigosos Geração de resíduos radioativos Reciclagem e reuso de resíduos Transporte Aspectos Institucionais Tema Estrutura institucional 39) Sub-tema Implementação estratégica de desenvolvimento sustentável (8) Cooperação internacional Capacidade institucional (37) Acesso a informação (40) Indicador Estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável Implementação ratificados de acordos internacionais Distância percorrida per capita por modo de transporte

(38,

Número de assinantes de Internet em cada 1.000 habitantes

Apêndice 4 – United Nations CSD Theme Indicator Framework

3

Infraestrutura de informação (40) Ciência e Tecnologia (35) Preparo para desastres reagir a

Linhas telefônicas em cada 1.000 habitantes Gastos em P&D, em % do PIB Perdas humanas desastres naturais e econômicas devido a

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNITED NATIONS DIVISION OF SUSTAINABLE DEVELOPMENT - UNDSD. Indicators of sustainable Development: Framework and methodologies. Background Paper n.3. DESA/DSD/2001/3. April 2001. 294 pp. (também disponível no site Internet http://www.un.org/esa/sustdev/indisd/isdms2001/table_4.htm, atualizado em 06/09/2001)

APÊNDICE 5
O MODELO PRESSÃO-ESTADO-RESPOSTA - PSR (OECD, 1991)
O modelo pressão-estado-resposta (Pressure-State-Response) ou PSR (Figura 1) é uma adaptação feita no âmbito da OECD (1991; 1993) do modelo stress-response proposto em 1979 por Tony Frie nd e David Rapport para analisar as interações entre pressões ambientais, o estado do ambiente e respostas ambientais. O modelo PSR baseia-se no conceito de causalidade, isto é: as atividades humanas exercem pressões sobre o ambiente (como emissões poluentes e alteração no uso do solo) que induzem alterações no estado do ambiente, isto é: mudam a quantidade e a qualidade dos recursos naturais. Diante destas mudanças, a sociedade responde às alterações nas pressões ou no estado do ambient e através de políticas ambientais, econômicas e setoriais, de programas para evitar, reduzir ou mitigar pressões ou danos ambientais e de mudanças de conscientização e comportamento (OECD, s.d.).
Pressão Estado
informação

Resposta

Pressões indiretas Atividades Humanas § energia § transporte § indústria § agricultura § outros

Pressões Diretas
geração poluentes/resíduos recursos

Estado do ambiente e de recursos naturais Condições e tendências § ar, água § solo § fauna § rec. naturais § saúde humana § condições de vida
decisões/ações (respostas sociedade)

informação decisões/ações (respostas sociedade)

Agentes econômicos e ambientais § administrações § famílias § corporações § nacional

§ internacional

Figura 1 – Modelo Pressão-Estado-Resposta - PSR (OECD, s.d.). Da perspectiva de políticas públicas, os indicadores de pressão são normalmente considerados como o ponto de partida para lidar como aspectos ambientais, e, do ponto de vista de indicadores, são normalmente os mais facilmente disponíveis para análise, uma vez

Apêndice 5 – O modelo pressão-estado-resposta - PSR

2

que podem ser derivados de base de dados sócio-econômicas, ambientais e outras bases de monitoramento. Estado refere-se à condição do ambiente resultante das pressões, como por exemplo: os níveis de poluição do ar, desmatamento ou degradação do solo. O estado do ambiente, por sua vez, afeta a saúde e o bem-estar humanos, assim como o tecido sócio-econômico da sociedade. Por exemplo: o aumento na degradação do solo levará a um ou a uma combinação de: redução na produção de alimentos, aumento de importação de alimentos, aumento no uso de fertilizantes, desnutrição etc. Estes indicadores devem ser projetados para responder às pressões e, ao mesmo tempo, facilitar a ação corretiva. O componente de respostas relaciona as ações da sociedade para mitigar ou evitar impactos ambientais negativos, corrigir danos existentes ou conservar recursos naturais. Estas respostas podem incluir ação regulamentadora, investimento ambiental ou em pesquisa, opinião púb lica ou preferência de consumo responsável, alterações em estratégias de gestão, geração de informação ambiental etc. As respostas devem ser projetadas para atuar sobre as pressões identificadas, mas podem também modificar os indicadores de estado (NSSD, s.d.). O modelo PSR é largamente aceito e utilizado para estudo de problemas ambientais. Conforme o objetivo e a necessidade da aplicação, o modelo PSR pode ser ajustado para proporcionar uma análise mais abrangente ou detalhar um ponto específico. As suas atualizações e modificações posteriores surgiram da dificuldade de diferenciar entre indicadores de pressão e indicadores de estado; e principalmente, da necessidade de expandir a estrutura original para descrever e acomodar as múltiplas dimensões do desenvolvimento sustentável. Apenas para citar algumas propostas de modificação do modelo PSR, a EPA (1994) propôs ampliar a estrutura para incluir os efeitos das alterações do estado do ambiente (pressure-state-response/effects). O United Nations Environment Programme - UNEP (1994) discutiu o desenvolvimento de um modelo pressure-stateimpact-response (PSIR) e O'Connor (1994) modificou o modelo PSR para desenvolver uma “matriz de sustentabilidade”. A experiência da OECD no desenvolvimento de indicadores, particularmente a estrutura PSR, influenciou ou foi de alguma maneira adaptada em diversos trabalhos similares subseqüentes.

Apêndice 5 – O modelo pressão-estado-resposta - PSR

3

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ENVIRONMENTAL PROTEC TION AGENCY - EPA. A Conceptual Framework to Support the Development and Use of Env ironmental Information. Environmental Statistics and Information Division. Office of Policy, Planning and Evaluation. EPA 230-R-94-012. USEPA, Washington D.C., 1994. NATIONAL STRATEGIES FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT - NSSD. Pressure State Response Frameworks. s.d. (Site Internet http://www.nssd.net/references/SDInd/PSR.html. sem data de atualização). O'CONNOR, J.C. Environmental performance monitoring indicators. In: Monitoring Progress on Sustainable Development. In: A User-Oriented Workshop, 22-23 Sept., The World Bank, Washington D.C. 1994. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT - OECD. OECD Core set of indicators for environmental performance reviews. a synthesis report by the Group on the State of the Environment. Environment Monographs n. 83. 1993. 39 pp. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT - OECD. OECD Council Recommendation on Environmental Indicators and Information. 1991. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT - OECD. Using the Pressure-State-Response model to develop indicators of sustainability. OECD Framework for environmental indicators. OECD Environment Directorate – State of the Environment Division, Paris. 11pp. s.d. UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME - UNEP. 1994. World Environment Outlook: Brainstorming Session. ENEP/EAMR. 94-5. Env. Assessm. Prog., Nairobi. 18 pp.

APÊNDICE 6
ESTRUTURAS ANALÍTICAS FDES1 E FISD, UTILIZADAS PELA UNITED N ATIONS STATISTICAL DIVISION - UNSTAT.
A Framework for the Development of Environmental Statistics (FDES) (UNSTAT, 1984) é uma matriz que organiza horizontalmente as categorias de info rmação (atividades sócioeconômicas; impactos e efeitos; respostas; inventários, estoques e condições anteriores) e verticalmente os grupos de indicadores. Neste caso, foram seguidos os temas da Agenda 21 (aspectos sociais e demográficos; recursos naturais, assentamentos humanos e desastres naturais). Tabela 1 – Framework for the Development of Environmental Statistics (FDES).
Categorias de informação FDES Componentes ambientais A. Atividades sócioeconômicas, eventos B. Impactos e efeitos C. Respostas aos impactos D. Inventários, estoques, contexto

1. Flora 2. Fauna 3. Atmosfera 4. Água Água doce Água do mar 5. Solo a) camada superficial b) abaixo da superfície 6. Assentamentos humanos

A Framework for Indicators of Sustainable Development (FISD) combina os temas da Agenda 21 da ONU com a FDES, reconhecida internacionalmente. A FISD foi utilizada como um primeiro passo de organização de indicadores de sustentabilidade, que oportunamente evoluiria para conter uma lista padrão de indicadores.

1

http://unstats.un.org/unsd/ENVIRONMENT/indicators.htm, consultado em julho de 2002, atualizado em 2002.

Apêndice 6 – Estruturas FDES e FISD

2

Tabela 2 – Framework for Indicators of Sustainable Development (FISD).
Categorias de informação FISD Temas da Agenda 21 A. Atividades sócioeconômicas, eventos B. Impactos e efeitos C. Respostas aos impactos D. Inventários, estoques, contexto

Aspectos econômicos Aspectos Sociais/demográficos Ar/clima Solo Água Outros recursos naturais Resíduos Assentamentos humanos e desastres naturais Apoio institucional

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNITED NATIONS STATISTICAL DIVISION - UNSTAT. A Framework for the Development of Environment Statistics. 1984. BARTELMUS, P. Quantitative aspects of sustainable development. In: “Statistics for Environmental Policy” Course, Chapter 2: Quantitative Aspects of Sustainable Development. The Munich Centre for Advanced Training, Munich, p. 6-16, 1997.

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

1/19

APÊNDICE 7 LISTA DE INDICADORES (REVISADA APÓS CONSULTA PÚBLICA)
A lista de indicadores apresentada a seguir resulta da revisão feita na lista preliminar submetida à consulta às partes interessadas. As porcentagens indicam os fatores de ponderação obtidos na consulta. Para alguns itens, há sugestão de pontuação na coluna de unidades (“Unid”).
G. Gestão do processo

23%

Escala do impacto

Partes interessadas

Unid

Meta

IG1. – Consideração de aspectos de gestão ambiental e sustentabilidade no planejamento do processo
26% OK OK OK OK OK IG1.1. Implantação de práticas de melhoria ambiental do projeto

56%
s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

• •

Seleção de profissionais habilitados em questões de sustentabilidade de projeto, construção e operação

Avaliação ambiental integrada ao processo de projeto Bônus – Previsão de orçamento para a realização de simulação do desempenho energético do edifício (planejamento) Bônus – Realização de simulação de desempenho energético para otimizar projeto (projeto) Bônus – Uso inovador de estratégias de projeto e tecnologias para sustentabilidade, em resposta a necessidades regionais específicas, projetos e sítios especiais; inovações e tópicos emergentes de projeto para a sustentabilidade (projeto). Nota: sugestão de rever os indicadores: não há indicadores de qualidade de projeto! IG 1.2. Implantação de práticas de gestão ambiental no canteiro, incluindo: IG1.2.1 A etapa de construção está observando os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA?

17% OK

Práticas de controle ambiental implementadas para:

• • • •

controle de poluição para o ar: controle de recepção, armazenamento e manuseio de materiais controle de poluição sonora controle de poluição de corpos d´água e sobrecarga da infraestrutura de águas pluviais

s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

OK OK 18% OK

gestão de RCD IG1.2.2. Supervisão planejada no canteiro para assegurar conformidade Bônus - Diretrizes referentes a práticas de controle dos impactos da construção em sítios com valor ecológico especificadas nos documentos de construção e acima dos exigidos pela legislação IG 1.3. Sistema de gestão de resíduos de uso implantado (atribuição da administração do condomínio), incluindo orientação no manual do usuário/áreas comuns para elaboração de :

política de gestão de resíduos de uso (minimização e destinação adequada) endossada pela administração do edifício e

s/n (1pt)

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

2/19

disponível para todos os usuários OK OK OK OK 21% OK OK OK OK OK 18% OK OK OK OK OK

• • • •

ações para sensibilização de usuários para a minimização de resíduos de uso e separação para reciclagem procedimentos operacionais para a coleta e reciclagem de resíduos de uso (material de consumo de escritório, cobrindo papel, tonners e cartuchos de impressora e plásticos). condução de auditoria trimestral da geração de resíduos no uso do edifício

s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

disseminação trimestral de informações sobre minimização e separação de resíduos de uso IG 1.4. Sistema de gestão de uso de água implantado, incluindo orie ntação no manual do usuário/áreas comuns para elaboração de :

• • • • •

política de conservação de água endossada pela administração do edifício e disponível para todos os usuários ações para sensibilização de usuários para a conservação de água monitoramento semanal em relação a dados históricos, com disseminação trimestral de informações sobre uso e economia de água condução de auditoria externa anual do uso de água do edifício

s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

estabelecimento e implementação de procedimentos de manutenção cobrindo todos os sistemas e equipamentos consumidores de água. Manter registros completos de manutenção. IG 1.5. Sistema de gestão de uso de energia implantado, incluindo orientação no manual do usuário/áreas comuns para elaboração de :

• • • • •

política de conservação de energia endossada pela administração do edifício e disponível para todos os usuários ações para sensibilização de usuários para a conservação de energia monitoramento mensal em relação a dados históricos, com disseminação trimestral de informações sobre uso e economia de energia condução de auditoria externa anual do uso de energia do edifício estabelecimento e implementação de procedimentos de manutenção cobrindo todos os sistemas e equipamentos consumidores de energia. Manter registros completos de manutenção.

s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

IG2. Integração de práticas de controle de qualidade ao processo
33% OK 22% OK OK 25% OK OK IG2.1. Controle de qualidade no projeto IG2.1.1 Coordenação dos projetos IG2.2 Controle de qualidade na execução IG2.2.1 A etapa de construção está observando os requisitos de um Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ?

44% Unid
s/n (1pt) s/n (2pt) s/n (1pt)

Meta

Práticas de controle de qualidade implementadas

IG2.2.2 Supervisão planejada para assegurar conformidade IG 2.3. Planejamento da operação e manutenção do edifício PReq - Provisão de desenhos as-built completos e manual do usuário documentado

• •

Treinamento do pessoal de manutenção e operação Estabelecimento de programa de manutenção preventiva dos sistemas e equipamentos consumidores de água e energia,

s/n (1pt) s/n (1pt)

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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incluindo checagem regular de controles, filtros e limpeza. Manter registros completos de manutenção OK 20% OK OK

Provisão de facilidades adequadas para as atividades de manutenção (acesso para inspeção e manutenção de elementos críticos, previsão de shafts, áreas técnicas e sala de controle, entre outros ) Realização de teste de sistemas de condicionamento e ventilação artificial Desenvolvimento de protocolos de verificação de conformidade de desempenho pré-entrega por profissional habilitado

s/n (1pt)

IG 2.4. Ajuste de desempenho de sistemas prediais pré-ocupação

• •

s/n (1pt) s/n (1pt)

A. Indicadores ambientais (vida útil edifício = 50 anos)

21%

Escala do impacto

Partes interessadas

Unid

Meta

IA1. Consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do edifício, por ano do ciclo de vida
20% OK OK OK OK OK

52%
m2 m2 % % %

IA 1.1. Uso do solo e alteração da ecologia e biodiversidade locais IA 1.1.1 Área total de solo ocupado + afetado pelo edifício e atividades relacionadas IA 1.1.2 Área não construída, em relação à área non edificandi prescrita pela legislação local IA 1.1.3. Em sítios desenvolvidos anteriormente, área de (restauração) plantio de vegetação nativa ou adaptada, em relação à área não construída IA 1.1.4. Em sítios não desenvolvidos anteriormente, área de perturbação (incluindo movimentos de terra e limpeza de vegetação), em relação à área do terreno IA 1.1.5. % de área não afetada pelo empreendimento (projeção do edifício, vias de acesso e estacionamento), em que a biodiversidade e a ecologia originais (% de árvores com diâmetro de tronco acima de 100 mm, cercas-vivas, lagoas, córregos etc) foram mantidas e adequadamente protegidas durante a construção

15% IA 1.2. Uso de energia durante o uso e operação do edifício OK OK OK IA 1.2.2. Energia não renovável utilizada na construção do edifício (indicada no medidor), por m2 construído IA 1.2.3. Energia não renovável utilizada na operação do edifício (indicada no medidor), por m2 construído IA 1.2.4. Energia utilizada na operação do edifício proveniente de fontes renováveis integradas ou diretamente conectadas ao edifício (% consumo) GJ/m2 *ano GJ/m2 *ano %

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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21% OK OK OK OK

IA 1.3. Consumo de água e gestão de efluentes ao longo do ciclo de vida (Ver Preq) IA 1.3.1 Consumo de água na fase de canteiro, por m2 construído IA 1.3.2 Consumo de água na operação do edifício (exceto irrigação) IA 1.3.3. Consumo de água para irrigação IA 1.3.4. Volume de água da chuva captada e utilizada para irrigação Bônus: no estado atual de conhecimento no país o reuso de água, principalmente água cinza, ainda é um aspecto complicado, mas há vários estudos em desenvolvimento Bônus - Volume de água da chuva/água cinza captada, tratada e reutilizada na fase de canteiro (lavagem) Bônus - Volume de água da chuva/água cinza captada, tratada e reutilizada na operação do edifício (usos secundários, exceto irrigação) IA 1.4. Consumo de materiais de construção (discriminar segundo materiais principais: concreto; vidro; alvenaria;argamassa;alumínio) IA 1.4.1 Consumo de materiais por unidade de área útil construída (área de carpete) IA 1.5. Responsabilidade no uso de materiais de construção (ver PReq) PReq - Não utilização de sistemas de combate a incêndio a base de Halon IA 1.5.1 - Não utilização de asbestos IA 1.5.2 - Não utilização de isolantes (ou componentes que contenham isolantes) que liberem CFCs durante a produção IA 1.5.3 - Não utilização de refrigerantes a base de CFC no sistema de condicionamento artificial IA 1.5.4 - Não utilização de madeiras constantes na lista de espécies ameaçadas (Portaria IBAMA 37N de 1992) IA 1.5.5 Uso de materiais locais (<150 km) (% volume materiais totais e %custo total materiais) alternativa: Ton-Km de materiais principais = ton material x distância percorrida IA 1.5.6 Uso de materiais rapidamente renováveis (% volume materiais totais) IA 1.5.7 Parcela dos elementos-chave* em madeira obtidos de fontes bem manejadas (certificadas) ou em condições de reutilização * madeira compensada e painéis compensados, esquadrias, piso, acabamentos, e construção temporária não alugada tais como escoras e fôrmas para concreto, bandejões e barreiras de pedestres) IA 1.5.8 Uso de materiais reutilizáveis, recicláveis ou biodegradáveis, para conservar energia incorporada e reduzir consumo de recursos naturais (% volume materiais totais). IA 1.5.9 Uso de materiais e produtos com conteúdo reciclado (% volume materiais totais) IA 1.5.10 Seleção de materiais usados internamente (revestimentos, isolamento, colas, adesivos e solventes, pinturas, impermeabilizantes) com base em emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs) e partículas respiráveis Bônus - Reutilização de materiais e componentes em condições adequadas, para reduzir consumo de recursos naturais e energia incorporada (% volume materiais totais). IA 1.6. Perdas registradas nos serviços principais (difícil mensuração no momento)

m3/m2 m3/m2 *ano m3/m2 *ano % consumo irrigação

OK OK 14% OK 15% OK OK OK OK OK OK OK

% consumo canteiro % consumo operação

kg/m2 ou m3/m2

s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) %vol e %$ ton.Km % %

OK OK OK OK 14%

% % s/n (1pt) s/n (1pt) e %

IA 2. Cargas ambientais geradas ao longo do ciclo de vida do edifício, por ano do ciclo de vida

48% Unid

Meta

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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13% 13%

IA 2.1. Emissão de substâncias causadoras de Efeito Estufa (GHGs) (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) IA 2.2. Emissão de substâncias que provocam Dano à Camada de Ozônio (ODS) (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) Nota: Item 2.2 substituído por verificação de uso de isolantes cuja produção libere CFC, refrigerantes a base de CFC e PReq de não usar sistemas de combate a incêndio a base de Halon na sessão “Materiais” IA 2.3. Emissão causadora de acidificação (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) Nota: Substituir itens 2.1 e 2.3 por verificação de uso de boilers e geradores a base de combustíveis fósseis... IA 2.4. Emissão formadora de foto-oxidantes (formação de ozônio fotoquímico (smog)) (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) IA 2.5. Emissão com potencial de eutroficação (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) IA 2.6. Emissão de substâncias carcinogênicas (dano à saúde humana) (difícil mensuração no momento; necessita dados de LCA) IA 2.7. Resíduos sólidos IA 2.7.1. % massa do material removido na limpeza do terreno que recebeu disposição adequada IA 2.7.2. % massa dos resíduos gerados por demolição (inclui desconstrução do canteiro) que foram reciclados, recuperados para reutilização e/ou encaminhados para reciclagem ou reutilização externa IA 2.7.3. Resíduos de construção gerados, por unidade de área útil construída e como parcela da massa de materiais adquiridos IA 2.7.4. % massa dos RCD (fora madeira) que foram reutilizados ou reciclados dentro do próprio canteiro IA 2.7.5. % massa dos RCD (fora madeira) que foram encaminhados para reciclagem ou reutilização externa (inclui embalagens) IA 2.7.6. % massa de madeira recuperada dos RCD para reutilização futura ou encaminhada para reutilização externa IA 2.7.4 Resíduos de uso do edifício (papel, vidro, plástico e metais) por unidade de área útil construída (anualizado) por ocupante (anualizado)

kg CO2 eq/m2 *ano g CFC-11 eq/m2 *ano

10% 11% 11% 18% 12% OK OK

kg. SO2 eq/m2 *ano g etileno eq/m2 *ano Kg fosfato eq/m2 *ano teq benzeno/ m2 *ano

% %

OK OK OK OK OK OK OK 12% OK OK

m3/m2 e % mat adq % % % kg/m2 * ano kg/ocup * ano % s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

% massa de resíduos de uso separados e encaminhados para reciclagem externa

OK OK

IA 2.8. Efluentes IA 2.8.1 Dispositivos para tratamento de água residual do processo de construção (água res idual de concretagem, água siltosa etc) no próprio sítio, antes de ser encaminhada à rede pública IA 2.8.2 Dispositivos para retenção, absorção ou dispos ição de água da chuva no próprio terreno Bônus: difícil de obter para esta tipologia, mas pode ser estímulo à consideração/adoção Bônus - Dispositivos para tratamento de água da chuva no próprio terreno antes de ser lançada na rede pública Bônus - Dispositivos para tratamento de resíduos sanitários (água negra) no próprio terreno antes de ser lançada na rede pública

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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S. Indicadores sociais
S1. Impactos sobre os operários
28% OK não pontua OK, Não pontua 33% OK OK IS1.1. Situação empregatícia IS1.1.1. Empregados formais/total

17%

Escala do impacto

Partes interessadas

Unid

Meta
Não pontuar

30%
%

IS1.1.2. Gastos com benefícios empregados formais (em % folha de pagamento empregados formais)

%

OK 39%

IS1.2. Satisfação dos funcionários IS1.2.1. Implementação de prática para avaliação da satisfação de funcionários IS1.2.2. Satisfação média dos funcionários, estimada a partir de porcentagem satisfeita com relação a: § pontualidade no pagamento § pacote de salários e benefícios § saúde e segurança e qualidade do local de trabalho § igualdade de oportunidades e valorização de RH § relacionamento no longo prazo IS1.2.3. Programa para melhoria contínua da satisfação dos funcionários IS1.3. Saúde ocupacional, segurança e local de trabalho IS1.3.1. A empresa possui mecanismos para garantir que as condições de trabalho atendam ou excedam as exigências de legislação trabalhista (quanto a infra-estrutura, limpeza, condições de trabalho, alimentação e descanso; e prevenção de acidentes e doenças do trabalho )? • • No canteiro? Na cadeia de fornecedores? (parte da política de homologação de fornecedores)

5pts s/n (1pt) (1pt) %satisfeitos %satisfeitos %satisfeitos %satisfeitos %satisfeitos s/n (1pt) (1pt) 3pts >80% >80% >80% >80% >80%

OK OK OK

s/n (-1 a 1pt) s/n (1pt)

IS1.3.2. Ocorrência de acidentes fatais e não fatais (incluindo trabalhadores sub-contratados), resultando em horas de trabalho perdidas Acidentes não-fatais Acidentes fatais Nota: no momento, o que há disponível em algumas empresas são dados de acidentes/número de funcionários IS1.3.4. Plano de Ação Emergencial, com equipamento e treinamento de funcionários sobre como proceder em caso de incidentes de emergência no local de trabalho

(qtd/1.000 hs trab) (qtd/1.000 hs trab) s/n (1pt)

0 0

OK

S2. Impactos sobre os usuários do edifício (Qualidade do ambiente interno, qualidade dos serviços e qualidade do ambiente externo)
41% IS2.1. Qualidade do ambiente interno

33% Unid

Meta

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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IS 2.1.1 Qualidade do ar e ventilação IS 2.1.1.1 Controle de umidade

• Umidade adequada para controle de microorganismos dentro do edifício • Spray em torres de refrigeração, água parada em ramais de distribuição de sistemas de condicionamento e
ventilação artificial etc * PReq - Controle de microorganismos na água (Legionella) § manter temperatura >50oC nos ramais de distribuição e >60oC, nos dispositivos de acumulação. § controle de temperatura da água em reservatório IS 2.1.1.2 Controle de poluentes

• Controle de fibras minerais • Níveis de emissões de VOC em espaços internos • Migração de poluentes do ar entre ocupações primária e secundária (especialmente áreas de reprografia,
fumantes e armazenagem de resíduos)

• Localização de pontos de tomada de ar externo para sistemas de condicionamento e ventilação artificial • Desempenho de filtros dos sistemas de condicionamento e ventilação artificial
IS 2.1.1.3 Ventilação e renovação de ar (nas áreas de ocupação primária)

• Taxa de renovação de ar (áreas condicionadas artificialmente) • Eficiência da ventilação natural
§ § Em áreas ventiladas naturalmente com ventilação unilateral Em áreas ventiladas naturalmente com ventilação cruzada

IS 2.1.2. Conforto higrotérmico (nas áreas de ocupação primária) IS 2.1.2.1 Humidade relativa nas áreas de ocupação primária

• Desvio em relação ao benchmark de UR durante aquecimento • Desvio em relação ao benchmark de UR durante refrigeraç ão
IS 2.1.2.2 Velocidade do ar nas áreas de ocupação primária (no nível das zonas de ocupação - ~1,70m piso) IS 2.1.2.3 Temperatura do ar ambiente nas áreas de ocupação primária IS 2.1.2.4 Temperatura radiante média IS 2.1.2.5 Temperatura efetiva (integra temperatura e umidade)

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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IS 2.1.2.6 Homogeneidade de condicionamento artificial

• Assimetria radiante vertical • Assimetria radiante horizontal • Gradiente vertical de temperatura (faixa entre 0,10m e 1,70m) • Diferença entre temperatura do ar e do piso (para temperatura do piso entre 19 e 29 oC)
IS 2.1.3. Conforto luminoso (nas áreas de ocupação primária) IS 2.1.3.1 Iluminação natural nas áreas de ocupação primária § Etapa de projeto: % de postos de trabalho a uma certa distância da janela

o o o o

C C C C

<10 oC < 5 oC < 4 oC < 5 oC

% ?%

§ Etapa de uso: fator de luz do dia a uma certa distância de janela (Ehi/Ehe) IS 2.1.3.2 Ofuscamento potencial nas áreas de ocupação primária IS 2.1.3.3 Iluminação ambiente nas áreas de ocupação primária § Desvio do nível de iluminação ambiente em relação aos níveis recomendados (500 lux, NBR) § Homogeneidade de iluminação o o Coeficiente de uniformidade Fator e/h, onde e é a distância entre duas luminárias e h, a distância vertical entre a luminária e o plano de trabalho Temperatura de cor (para escritórios, não se recomenda baixas temperaturas de cor) Índice de renderização de cores (IRC)

>75% a menos de 7 m da janela %

Índice de ofuscamento. Não há consenso (vários modelos) % % Adimensional 0%

§ Qualidade da iluminação o o
o

K Adimensional

80<IRC<100 (para boa percepção cromática) 12m2 ou a cada 4 postos de trabalho Leq=45dB(A) (NBR)

§ Minimização da área das zonas de controle de sistemas de iluminação

m2

IS 2.1.4. Conforto acústico IS 2.1.4.1 Atenuação sonora através do envelope do edifício IS 2.1.4.2 Atenuação sonora entre áreas de ocupação primária IS 2.1.4.3 Ruído de equipamentos prediais nas áreas de ocupação primária IS 2.1.5. Acesso visual ao exterior IS 2.1.5.1 Acesso visual ao exterior a partir de áreas de ocupação primária

% área de ocupação primária com acesso visual ao exterior

%área

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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26%

IS2.2. Qualidade do ambiente externo (dentro dos limites do terreno) IS 2.2.1 Acessibilidade e democratização do espaço construído

OK

IS 2.2.1.1 Eliminação de barreiras físicas ao acesso e trânsito de pessoas com deficiência física ou dificuldades de locomoção no edifício e suas áreas externas IS 2.2.2 Humanização das áreas externas (dentro dos limites do terreno) IS 2.2.2.1 Facilidades para sombreamento, lazer para usuários (escala qualitativa) IS 2.2.2.2 Área verde (%área terreno e %área não construída) IS 2.2.2.3 Implantação em função de climatologia (sol e vento) (escala qualitativa) IS 2.2.3 Contexto de transporte e acesso veicular de serviço IS 2.2.3.1 Facilidades para pedestres IS 2.2.3.2 Acesso a redes de transporte público ou medidas alternativas de transporte (em termos de freqüência e distância) (inserido na etapa de planejamento!) IS 2.2.3.4 Acesso de serviço para veículos de entregas e coleta de resíduos IS2.3. Qualidade dos serviços IS 2.3.1. Capacidade de manutenção do desempenho IS 2.3.1.1 Seleção de materiais conforme o meio, e proteção de materiais contra agentes agressivos IS 2.3.1.2 Potencial de manter desempenho dos sistemas prediais § § § § § § Acesso a sistemas técnicos centrais, para manutenção e substituição Acesso a sistemas técnicos distribuídos, para manutenção e substituição Acesso a materiais e componentes de construção para manutenção e substituição Freqüência (1pt) Distância (1pt) s/n (1pt) 1pt %

OK OK OK

OK OK OK 32%

IS 2.3.1.3 Monitoramento de desempenho Monitoramento de parâmetros de desempenho de sistemas-chave Previsão de sistema de detecção de vazamentos cobrindo as principais fontes de água e gás Previsão de medidas para reduzir vazamento de refrigerantes de sistema de ar condicionado (se aplicável)

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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IS 2.3.2. Flexibilidade e adaptabilidade IS 2.3.2.1 Facilidade de adaptação dos sistemas prediais a alterações dos requisitos dos usuários e evoluções tecnológicas § § § § § Facilidade de adaptação de sistemas de condicionamento e ventilação artificial Facilidade de adaptação de sistemas de iluminação Facilidade de instalação ou alteração de sistemas de telecomunicações Facilidade de ligação futura a sistemas de energia renovável Facilidade de ampliação

IS 2.3.2.2 Adequabilidade do layout da estrutura e divisões internas a alterações futuras IS 2.3.2.3 Adequabilidade do pé-direito a alterações futuras IS 2.3.2.4 Adequabilidade da capacidade de carga das lajes para outros usos IS 2.3.2.5 Fim de vida com baixo impacto ambiental (providências para desmontabilidade e descontrução seletiva) IS 2.3.3 Controlabilidade dos sistemas prediais IS 2.3.3.1 Capacidade de operação parcial dos sistemas técnicos do edifício IS 2.3.3.2 Capacidade de controlar aquecimento e refrigeração excessivos nas áreas de ocupação primária IS 2.3.3.3 Nível de automação predial apropriado à complexidade dos sistemas IS 2.3.3.4 Controlabilidade dos sistemas pelos usuários

Área de janelas operáveis/área total de janelas IS 2.3.4 Impacto em propriedades adjacentes e vizinhança imediata IS 2.3.4.1 Impactos ambientais no terreno e propriedades adjacentes § Refletância de superfícies horizontais do edifício e área pavimentadas do terreno § Impacto do processo de construção em erosão do solo no terreno e sítios adjacentes § Impacto do paisagismo em erosão do solo e sítios adjacentes, no controle de uso de água em irrigação; redução de ilhas de calor; redução de toxicidade no terreno (controle de pestes) e em projeto passivo IS 2.3.4.2 Interferência negativa em acesso a sol e vento e no potencial de geração de energia solar IS 2.3.4.3 Ruído do edifício afetando propriedades adjacentes IS 2.3.4.4 Ruído durante a construção do edifício afetando propriedades adjacentes IS 2.3.4.5 Número de reclamações ou notificações formais (ambientais ou por incômodo - ruído, acidentes, trânsito etc) recebidas devido a atividades de construção

• • •

Área das zonas de controle de iluminação Área das zonas de controle de equipamento HVAC

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

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S3. Impactos sobre a sociedade
33% OK OK OK OK OK OK OK OK 40% OK OK IS 3.1. Relacionamento com a comunidade local

35% Unid
s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (2pt) (qtd)/ano qtd)ano Qtd/ano $/ano Qtd/ano $/ano m2 jardim/m2 const $benfeitoria/m2 const

Meta

IS 3.1.1. Plano implementado para consulta da comunidade, incluindo número de reuniões e forma de comunicação IS 3.1.2. Plano implementado para diálogo entre as partes interessadas, incluindo número de reuniões e forma de comunicação IS 3.1.3. Canteiro operou segundo padrões de gerenciamento de canteiro, segurança e consciência ambiental visando minimizar a perturbação à vizinhança imediata IS 3.1.4. Número de ações judiciais bem-sucedidas, movidas contra a empresa ou empregados por incidentes ou práticas relacionadas ao trabalho IS 3.1.5. Número de reclamações ou notificações formais (ambientais ou por incômodo) recebidas devido a atividades de construção IS 3.1.6 Empregos gerados (construção e operação) do edifício? Contratação de mão de obra local (%) IS 3.1.7 Oportunidades de negócios gerados pela construção e operação do edifício? Ex. coleta seletiva, abastecimento etc... IS 3.1.8 Jardins e espaços abertos à comunidade ou outras benfeitorias locais IS 3.2. Relacionamento com clientes e usuários finais IS 3.2.1 Implementação de prática para avaliação da satisfação de clientes e usuários finais IS 3.2.2 Satisfação média dos usuários finais, estimada a partir de %satisfeitos quanto a: § Pontualidade na entrega § Qualidade do produto § Qualidade do ambiente interno § Qualidade do ambiente externo (dentro dos limites do terreno) § Atendimento pós-entrega § Custo anual de manutenção/operação IS 3.2.3 Satisfação média dos clientes (%satisfeita, para meta 85% satisfeitos), quanto a: § Pontualidade na entrega § Qualidade do produto § Retorno do investimento § Valor agregado § § Comunicação eficiente Relacionamento no longo prazo

s/n (1pt) %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita 85% 85% 85% 85% 85% 85% 85% 85% 85% 85% 85%

OK

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

12/19

IS 3.2.4 Programa para melhoria contínua da satisfação dos clientes e usuários finais 26% OK OK IS 3.3.1. Satisfação média dos fornecedores, estimada a partir de porcentagem satisfeita com relação a: § pontualidade no pagamento § relação de trabalho § tratamento justo e igual entre fornecedores § comunicação eficiente § relacionamento no longo prazo %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita %satisfeita 80% satisfeitos 80% satisfeitos 80% satisfeitos 80% satisfeitos 80% satisfeitos IS 3.3. Relacionamento com fornecedores

E. Indicadores econômicos
E1. Produtividade no canteiro
OK OK OK IE1.1. Horas.homem/m
2

22%

Escala do impacto

Partes interessadas

Unid

Meta

31%
HH/m2 % %

IE1.2. Horas de retrabalho ou gastas em correção de defeitos pré-entrega (em % total de horas trabalhadas) IE1.3. Custo de retificação de defeitos pré-entrega (em % custo total obra)

E2. Melhoria no produto oferecido
50% IE2.1. Processo de projeto/construção IE 2.1.1. Redução de prazos, com maior previsibilidade OK

35% Unid

Meta

• • • • •

Tempo de conclusão do projeto/planejado Tempo de conclusão de construção/planejado Custo de construção § Custo real/planejado Custo de operação § Custo real/planejado Custo de manutenção § Custo real/planejado

% % $/m2 % $/m2 ano % $/m2 ano %

IE 2.1.2. Redução de custos ao longo do ciclo de vida, com maior previsibilidade OK OK

OK

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

13/19

OK

IE 2.1.3. Minimização de defeitos IE2.1.3.1. No. de ocorrências de defeitos/problemas de qualidade na entrega § Tipo A (falha estrutural) § Tipo B (revestimentos e trincas) § Tipo C (revestimentos e trincas) § Tipo D (rejunte e pequenos defeitos) IE2.1.3.2. No. de ocorrências de defeitos/problemas de qualidade ao final do período de retificação de defeitos (responsabilidade 5 anos) § § § § Tipo A (falha estrutural) Tipo B (revestimentos e trincas) Tipo C (revestimentos e trincas) Tipo D (rejunte e pequenos defeitos)

(qtd) (qtd) (qtd) (qtd)

OK

(qtd) (qtd) (qtd) (qtd)

50%

IE 2.2. Aumento da satisfação, bem-estar e valor para usuários finais e vizinhança IE2.2.1. Satisfação média dos usuários finais, estimada por

OK OK OK Não pontua

• • •

Número de reclamações por unidade de valor agregado Número de reclamações por unidade de valor agregado Número de ações judiciais bem-sucedidas, movidas contra a empresa1 por unidade de valor agregado

(qtd)/$)

IE2.2.2. Satisfação média da vizinhança imediata, estimada por (qtd)/$) (qtd)/$)

(interface com IS 3.2.2 Satisfação média dos usuários finais e IS 3.2.3 Satisfação média dos clientes)

E3. Investimento, agregação de valor e benefícios da sustentabilidade
38% OK OK OK OK Não pontua IE 3.1. Valor agregado e retorno de capital IE 3.1.1 Custo de produção, em m 2 “sustentável”/m 2 convencional IE 3.1.2 Valor de venda m 2 “sustentável”/m 2 convencional IE3.1.3 Valor agregado2 /unidade de valor de vendas IE3.1.4 Retorno médio do capital empregado

34% Unid
% % $/$ . ano %/ano

Meta

1 2

Esta métrica é uma medida de comportamento anti-social da empresa. Valor agregado ($/m2) = vendas ($/m2) – custo de mercadorias, matérias primas e serviços comprados ($/m2).

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

14/19

28% OK OK OK OK OK OK
não Pontua

IE3.2. Investimentos diretos e indiretos IE3.2.1. % aumento do custo aceita como investimento em sustentabilidade IE3.2.2. % valor de materiais, produtos e serviços que fortalecem economia local (% total adquirido) IE3.2.3. % salários correspondente a recursos humanos locais (% total adquirido) IE3.2.4. Relação empregos indiretos /diretos IE3.2.5. Investimento em treinamento para empregados diretos (% da folha de pagamento (salários + benefícios)) IE3.2.6. Investimento físico na comunidade e/ou na vizinhança imediata: equipamento urbano, jardins públicos e outros mecanismos de compensação (em % custo obra )4 (interface com IS 3.1. Relacionamento com a comunidade local) IE 3.3. Benefícios resultantes de investimento em sustentabilidade IE3.3.1 Subsídios e benefícios fiscais recebidos (% custo obra) IE 3.3.2 Benefícios intangíveis, como aumento vida útil, redução nas contas de água e energia, ganho de produtividade, redução de absenteísmo, redução de custos para destinação adequada de resíduos, benefício à imagem da empresa/edifício (%custo vida útil) % % % custo obra %custo v. útil 5%
3

% % % % %

5%

34% Ok Ok Não pontua

BC. Comprometimento e proatividade
BC1. Sustentabilidade como prioridade corporativa
43% OK

18%

Escala do impacto

Partes interessadas

Unid

Meta

23%
s/n (1pt)

BC1.1. A empresa possui um sistema de gestão ambiental implantado? (5 pts OU Itens a, b, c, d, e) a) A empresa estabeleceu uma política de sustentabilidade corporativa, declarada por escrito e amplamente acessível, que inclui a declaração clara dos objetivos corporativos e a atribuição de responsabilidades quanto à sustentabilidade? b) A empresa estabeleceu metas específicas de sustentabilidade, a serem revisadas anualmente ; ex: • metas ambientais o o o para redução no consumo de água para economia de energia para minimização de resíduos

OK

s/n (1pt)

3 4

Pessoal terceirizado, sub-contratado e outros empregos que desapareceriam uma vez cessadas as atividades , podendo incluir trabalhadores em transporte, comerciários , professores, etc. Este indicador é uma medida do investimento na comunidade.

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

15/19

o recuperação de embalagens o coleta seletiva nos escritórios e nos canteiros • metas sociais e econômicas: o o o o o OK OK OK 26% OK 31% BC1.3. A empresa identificou indicadores próprios de desempenho em relação a sustentabilidade? OK OK BC1.3.1. A empresa conhece o estado atual de suas atividades em relação a estes indicadores (diagnóstico)? BC1.3.2. A empresa faz benchmark regular do seu desempenho em relação às melhores práticas do setor? s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt) fazer consulta pública a comunidade sobre todos (ou n% do total) os projetos acima de determinada área reduzir número de reclamações de clientes reduzir número de reclamações de funcionários reduzir número de reclamações da comunidade/vizinhança imediata reduzir desperdício e retrabalho s/n (1pt) s/n (1pt) s/n (1pt)

c) A empresa implementou estas metas na forma de um plano de ação para sustentabilidade? d) A empresa possui um processo interno de auditoria de sustentabilidade? e) A empresa comunica seu desempenho em relação à sustentabilidade de forma estruturada a todas as partes interessadas, de acordo com diretrizes reconhecidas de relato ambiental ou de sustentabilidade? BC1.2. A empresa publica um relatório anual de sustentabilidade verificado por parte independente? s/n (1pt)

BC2. Proatividade em sustentabilidade
10%
OK

20% Unid
s/n (1pt) %vendas (qtd)

Meta

BC2.1. A empresa investe na melhoria do seu desempenho em relação a sustentabilidade? BC 2.1.1. Orçamento de P&D dirigido pra melhoria do desempenho da empresa em relação à sustentabilidade BC 2.1.2. Número de tecnologias/práticas sustentáveis introduzidas para melhorar o desempenho da empresa em relação à sustentabilidade BC2.2. Aplicação de conceitos de construção e operação sustentável no portfolio da empresa BC 2.2.1. A empresa investiu em uso racional de materiais/redução de RCD?

9% OK

• • • • • • •

Investimento feito Redução de uso de materiais em relação ao período anterior ao investimento (indicar tempo decorrido)

s/n (1pt) $ (m3/ano) e ($/ano) (m3/ano) e ($/ano) s/n (1pt) $ $ $ (m3/ano) e ($/ano)

não

Redução de RCD em relação ao período anterior ao investimento (indicar tempo decorrido) BC 2.2.2. A empresa investiu em uso racional de energia? Investimento feito em sensibilização de usuários Investimento feito em equipamento de monitoramento do uso de energia Investimento feito em dispositivos energeticamente eficientes Economia obtida em relação ao período anterior ao investimento (indicar tempo decorrido)

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

16/19

não

BC 2.2.3. A empresa investiu em uso racional de água?

• • • •

Investimento feito em sensibilização de usuários Investimento feito em equipamento de monitoramento do uso de água Investimento feito em dispositivos economizadores de água

s/n (1pt) $ $ $ (m3/ano) e ($/ano) s/n (1pt) $ hs/hs referência %satisfeitos

não

Economia obtida em relação ao período anterior ao investimento (indicar tempo decorrido) BC 2.2.4. A empresa investiu em qualidade do ambiente interno? Aumento de produtividade (indicado pela redução de horas para realização dos s erviços) e satisfação dos funcionários (indicada pesquisas de satisfação) BC2.3. A empresa conduz sistematicamente o acompanhamento ambiental do ciclo de vida de seus produtos, processos e serviços?

• •

Investimento feito em equipamento de monitoramento da qualidade do ar interno

>90%

10% OK

• • •
10% OK

% dos projetos para os quais a análise de custos ao longo do ciclo de vida foi utilizada na seleção do método de construção e materiais. % dos projetos para os quais a análise do ciclo de vida (LCA) foi utilizada na seleção do método de construção e materiais. % projetos para os quais padrões de desempenho ambiental foram formalmente acordados com o cliente

% % % s/n (1 pt)

>5% (1pt) >5% (1pt)

BC2.4. A empresa definiu uma política sustentável de compras e de uso responsável de materiais de construção que:

• • • • • •

dá preferência pela especificação de materiais/produtos ambientalmente responsáveis estimula o uso de materiais naturais locais para construção e paisagismo? estimula o uso de madeira proveniente de fontes sustentáveis? estimula a substituição do amianto por materiais alternativos? estimula a seleção de materiais de acabamento interno com base na emissão de voláteis estimula princípios de projeto e construção seca s/n (1 pt) quantificação de metas de reciclagem, em massa dos materiais. disseminação de informações a usuários sobre minimização de geração de resíduos e sobre separação para reciclagem procedimentos para lidar com resíduos perigosos s/n (1pt)

11% OK

BC2.5. A empresa desenvolveu e implementou um Plano de Gestão de Re síduos, que contempla:

• • •

10% OK 11% OK 9% OK

BC2.6. A empresa implementa sistemas para compartilhar boas práticas entre departamentos, fornecedores, projetistas, canteiros de obras e projetos? BC2.7. A empresa implementa um programa interno de educação e treinamento de empregados para sustentabilidade? BC2.8. A empresa definiu e implementa um sistema de gestão da sustentabilidade da cadeia de fornecedores de materiais, serviços e equipamentos, definindo um conjunto de critérios de sustentabilidade para homologação de contratos de fornecimento, monitorados periodicamente, que inclui:

s/n (1pt) s/n (1pt)

sistema de gestão ambiental implantado

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

17/19

atuação com responsabilidade social corporativa

• •
9% O K

política de valorização de recursos humanos postura de respeito aos direitos humanos e do trabalhador s/n (2pt) relacionamento com fornecedores para redução de embalagens formação de cadeia de coleta seletiva (no canteiro e nos escritórios) – reciclagem – reuso no setor ou em outros setores clube de minimização de resíduos ou de um esquema de intercâmbio de resíduos? programa “verde” de compras ou um grupo de compras cooperativo? A empresa possui políticas implementadas para proteção de habitat e melhoria da ecologia local s/n (1pt)

BC2.9. Proatividade no preenchimento de lacunas identificadas para a implementação de medidas sustentáveis , ex.:

• • • •

11% OK

BC2.10. Proatividade em proteção de biodiversidade e em medidas para evitar poluição

• •
OK

De seleção de área (ex. favorecendo o preenchimento de vazios urbanos e a recuperação de áreas degradadas?) De projeto e construção? s/n (1pt)

A empresa implementou um plano “verde” de transporte/comutação dos funcionários para reduzir o uso de automóveis?

BS1. Valorização e investimento em recursos humanos
29% OK BS1.1. Treinamento técnico/profissional de pessoal próprio e terceirizado

21% Unid
Projeto Construção operação e manutenção s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) (hs/ano e %receita/ano) s/n (1pt) s/n (1pt)

Meta

25% OK

BS1.2. Treinamento ambiental de pessoal próprio e terceirizado Projeto Construção Operação

26% OK 20% OK

BS1.3. A empresa estabeleceu e mantém procedimentos para a identificação das necessidades de treinamento BS1.4. A empresa possui programa para reduzir a rotatividade de operários?

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

18/19

BS2. Contribuição para a construção de comunidades estáveis
15% OK 17% OK 17% OK 16% OK 19% OK 15% OK BS 2.5. A empresa adota esquema estruturado de capacitação e treinamento permanentes de RH? BS 2.4. A empresa é participante de programa de recrutamento de mão-de-obra? BS 2.3 A empresa busca localmente seus suprimentos e serviços sempre que possível

19% Unid
s/n (1pt)

Meta

BS 2.1 A empresa definiu e publicou padrões de responsabilidade social para suas operações, incluindo políticas para gerenciar impactos em comunidades afetadas por suas atividades? Ex.: política de compromisso de prover empregos, treinamento (técnico, profissional e ambiental) e oportunidades de negócios, e de ajudar iniciativas que aumentem a vitalidade da comunidade BS 2.2 A empresa está ativamente envolvida em projetos locais de regeneração da comunidade?

s/n (1pt)

s/n (1pt)

s/n (1pt)

s/n (1pt)

BS 2.6. A empresa possui programa para melhorar a empregabilidade de (ex)funcionários, com foco em educação ou treinamento?

s/n (1pt)

BS3. Relacionamento com a sociedade
31% OK OK OK 35% OK 34% OK BS3.1. Benefício indireto à comunidade5 ($/unidade de valor agregado), envolvendo, por exemplo:

17% Unid
$/$

Meta

• • •

programa corporativo de doações à comunidade (monetárias ou equipamentos, ex: computadores para escolas; equipamentos para escolas técnicas etc) e patrocínios programas de estágios profissionais; bolsas educacionais e oportunidades de emprego parcerias com escolas para facilitar programas educacionais s/n (1pt) $investimento/ano

BS3.2. Estabelecimento de parcerias (relacionadas ou não às atividades da empresa) para exercício de cidadania corporativa BS3.3 Estabelecimento de parcerias com a comunidade no entorno imediato

5

Um benefício social resultante da presença de uma unidade produtiva bem sucedida é a disseminação de habilidades e know -how que são utilizadas na comunidade para criar riqueza e melhorar a qualidade de vida. Estes benefícios são de difícil quantificação, mas podem ser estimados. Valor pode ser estimado considerando-se o quanto o item considerado custa para a empresa versus o quanto a sociedade estaria disposta a pagar por ele. Estas estimativas de valor NÃO devem incluir benefícios diretos , já considerados nos indicadores de Investimentos Indiretos.

Apêndice 7 - Lista de indicadores revisada após workshop em 17 de junho de 2003

19/19

Os critérios utilizados para a seleção preliminar dos indicadores foram basicamente referentes a relevância, solidez analítica (simplicidade, capacidade de agregar informações e validade); e mensurabilidade (facilidade, custos e prazo implementação), detalhados na Tabela 1. Tabela 1 Critérios de seleção de indicadores que compuseram a lista pre liminar submetida a consulta pública.
Comentário

Critérios gerais de seleção Relevância no contexto brasileiro Simplicidade Capacidade de agregar informações

A informação apresentada é de fácil compreensão pela audiência-alvo? O indicador é sobre um as pecto geral de sustentabilidade amplo ou extremamente específico? A lista de indicadores potenciais de sustentabilidade pode tornar-se infindável. Por razões práticas, são preferíveis indicadores que agreguem informação sobre itens amplos.

Validade

O indicador é um reflexo real dos fatos? Os dados foram coletados segundo procedimentos científicos? O indicador é verificável e reprodutível? É necessário rigor metodológico para dar credibilidade aos dados. Há método claramente definido (nacional ou internacional) para mensuração? Este método é de fácil implementação? Há dados de boa qualidade disponíveis a um custo razoável, ou é viável iniciar um processo de monitoramento que os disponibilizará no futuro? A obtenção de informação custa recursos, ou pelo menos tempo e esforço de muitos voluntários.

Facilidade de mensuração Disponibilidade de dados a um custo razoável

Viabilidade para utilização no curto prazo

Um ciclo completo de desenvolvimento de indicadores compreende basicamente quatro atividades: (1) Derivação e seleção preliminar de indicadores (conteúdo); (2) Seleção ou desenvolvimento de estrutura analítica; (3) Implementação e validação dos indicadores propostos através de estudos de casos; e (4) Benchmarking dos valores dos indicadores e metas de desempenho. As limitações de tempo e escopo desta pesquisa não permitiam que todas estas etapas fossem contempladas em um único trabalho. Esta pesquisa ocupou-se, então, das atividades 1 e 2. As atividades de implementação e validação e de benchmarking dos valores dos indicadores e metas caberão a trabalhos futuros.

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médio
ramal ramal

baixo

Temas Principais

Planilha Completa

Planilha Parcial

Resultados

Ajuda

Importância relativa entre Temas Principais
Escala de importância relativa
G. Gestão do processo

E. Desempenho econômico

G. Gestão do processo A. Desempenho ambiental S. Desempenho social E. Desempenho econômico B. Comprometimento e proatividade

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 5,00

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

B. Comprometimento e proatividade

S. Desempenho social

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

A. Desempenho ambiental

Importância relativa (%)

Gestão do Processo
G.1 Integração de gestão ambiental ao planejamento do processo

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

G.2 Integração de práticas de controle de qualidade ao processo

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

G.1 Integração de gestão ambiental ao planejamento do processo G.2 Integração de práticas de controle de qualidade ao processo

1,00

1,00 1,00 1,00 2,00

a. Os campos em branco e em cinza são preenchidos automaticamente b. A importância relativa é calculada automaticamente.

Total geral Dados do Usuário Resultados

G1. Integração de gestão ambiental ao planejamento do processo
G1.4 Sistema de gestão de uso de água implantado G1.5 Sistema de gestão de uso de energia implantado G1.1 Implantação de práticas de controle de qualidade e melhoria ambiental do projeto G1.2 Implantação de práticas de gestão ambiental no canteiro

G1.3 Sistema de gestão de resíduos de uso implantado

G1.1 Implantação de práticas de controle de qualidade e melhoria ambiental do projeto G1.2 Implantação de práticas de gestão ambiental no canteiro G1.3 Sistema de gestão de resíduos de uso implantado G1.4 Sistema de gestão de uso de água implantado G1.5 Sistema de gestão de uso de energia implantado

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 5,00

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

G2.Integração de práticas de controle de qualidade ao processo
G2.3 Planejamento da operação e manutenção do edifício G2.4. Ajuste de desempenho préentrega G2.1 Controle de qualidade do projeto G2.2 Controle de qualidade no canteiro

G2.1 Controle de qualidade do projeto G2.2 Controle de qualidade no canteiro G2.3 Planejamento da operação e manutenção do edifício G2.4. Ajuste de desempenho pré-entrega

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 4,00

Total geral Intro Dados do Usuário Planilha Completa Planilha Parcial

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

Desempenho ambiental
Escala de importância relativa
Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante 4 2 1 1/2 1/4
A1 Consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do edifício A 2 Cargas ambientais geradas ao longo do ciclo de vida do edifício , por ano do ciclo de vida

Instruções de preenchimento
Importância relativa (%) Total da linha (Tl)
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

A1 Consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do edifício A 2 Cargas ambientais geradas ao longo do ciclo de vida do edifício , por ano do ciclo de vida

1,00

1,00 1,00 1,00 2,00

a. Os campos em branco e em cinza são preenchidos automaticamente b. A importância relativa é calculada automaticamente.

Total geral Dados do Usuário Resultados

A1. Consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do edifício
A1.3. Consumo de água e gestão efluentes ao longo do ciclo de vida A1.2. Uso de Energia (primária) ao longo do ciclo de vida A1.6. Perdas registradas nos serviços principais

A1.1. Uso do solo e alteração da ecologia e biodiversidade locais A1.2. Uso de Energia (primária) ao longo do ciclo de vida A1.3. Consumo de água e gestão efluentes ao longo do ciclo de vida A1.4. Consumo de materiais de construção A1.5. Responsabilidade no uso de materiais de construção A1.6. Perdas registradas nos serviços principais

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 6,00

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 100%

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

A1.5. Responsabilidade no uso de materiais de construção

A1.1. Uso do solo e alteração da ecologia e biodiversidade locais

A1.4. Consumo de materiais de construção

A2. Cargas ambientais geradas ao longo do ciclo de vida do edifício
A2.1. Emissão de substâncias causadoras de Efeito Estufa (GHGs) A2.2. Emissão de substâncias que

A2.7. Resíduos sólidos

A2.1. Emissão de substâncias causadoras de Efeito Estufa (GHGs) A2.2. Emissão de substâncias que provocam Dano à Camada de Ozônio (ODS) A2.3. Emissão causadora de acidificação A2.4. Emissão formadora de foto-oxidantes (formação de ozônio fotoquímico) A2.5. Emissão com potencial de eutroficação A2.6. Emissão de substâncias carcinogênicas (dano à saúde humana) A2.7. Resíduos sólidos A2.8. Efluentes

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 8,00

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

A2.8. Efluentes

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

provocam Dano à Camada de Ozônio (ODS) A2.3. Emissão causadora de acidificação A2.4. Emissão formadora de fotooxidantes (formação de ozônio fotoquímico) A2.5. Emissão com potencial de eutroficação A2.6. Emissão de substâncias carcinogênicas (dano à saúde humana)

Desempenho social
S1. Impactos sobre os funcionários S2. Impactos sobre os usuários do edifício

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

S3. Impactos sobre a sociedade

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

S1. Impactos sobre os funcionários S2. Impactos sobre os usuários do edifício S3. Impactos sobre a sociedade

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

S1. Impactos sobre os funcionários
S1.2. Satisfação dos funcionários S1.1. Situação empregatícia

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

S1.3. Saúde ocupacional, segurança e local de trabalho

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

S1.1. Situação empregatícia S1.2. Satisfação dos funcionários S1.3. Saúde ocupacional, segurança e local de trabalho

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

S2. Impactos sobre os usuários do edifício
S2.1. Qualidade do ambiente interno S2.2. Qualidade do ambiente externo

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

S2.3. Qualidade dos serviços

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

S2.1. Qualidade do ambiente interno S2.2. Qualidade do ambiente externo S2.3. Qualidade dos serviços

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

S3. Impactos sobre a sociedade
S3.1. Relacionamento com a comunidade local

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

S3.3. Relacionamento com fornecedores

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

S3.2.Relacionamento com clientes e usuários finais

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

S3.1. Relacionamento com a comunidade local S3.2.Relacionamento com clientes e usuários finais S3.3. Relacionamento com fornecedores

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

E. Desempenho econômico
E2. Melhoria no produto oferecido

Total da linha (Tl)

E1. Produtividade E2. Melhoria no produto oferecido E3. Investimento, agregação de valor e benefícios recebidos

1,00

E1. Produtividade

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

E3. Investimento, agregação de valor e benefícios recebidos

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

E2. Melhoria no produto oferecido
Escala de importância relativa
Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante 4 2 1 1/2 1/4
E2.1. Processo de projeto/construção E2.2. Aumento da satisfação, bemestar e valor para usuários finais e vizinhança

Instruções de preenchimento
Importância relativa (%) Total da linha (Tl)
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

E2.1. Processo de projeto/construção E2.2. Aumento da satisfação, bem-estar e valor para usuários finais e vizinhança

1,00

1,00 1,00 1,00 2,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

E3. Investimento, agregação de valor e benefícios recebidos
E 3.3. Benefícios resultantes de investimento em sustentabilidade E3.1. Valor agregado e retorno de capital

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

E3.2. Investimentos diretos e indiretos

Instruções de preenchimento
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

E3.1. Valor agregado e retorno de capital E3.2. Investimentos diretos e indiretos E 3.3. Benefícios resultantes de investimento em sustentabilidade

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

B. Comprometimento e proatividade (bônus)
BC1. Sustentabilidade como prioridade corporativa

BC1. Sustentabilidade como prioridade corporativa BC2. Proatividade em sustentabilidade BS1. Valorização e investimento em recursos humanos BS2. Contribuição para a construção de comunidades estáveis BS3. Relacionamento com a sociedade

1,00

BC2. Proatividade em sustentabilidade

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 5,00

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

BS1. Valorização e investimento em recursos humanos BS2. Contribuição para a construção de comunidades estáveis BS3. Relacionamento com a sociedade

BC1. Sustentabilidade como prioridade corporativa
Escala de importância relativa
Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante 4 2 1 1/2 1/4
relatório anual de sustentabilidade verificado por parte independente? BC1.8. A empresa identificou BC1.1. A empresa possui um sistema de gestão ambiental implantado? BC1.7. A empresa publica um

Instruções de preenchimento
indicadores próprios de desempenho em relação a

Importância relativa (%)

Total da linha (Tl)

1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

BC1.1. A empresa possui um sistema de gestão ambiental implantado? BC1.7. A empresa publica um relatório anual de sustentabilidade verificado por parte independente? BC1.8. A empresa identificou indicadores próprios de desempenho em relação a sustentabilidade?

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

BC2. Proatividade em sustentabilidade
preenchimento de lacunas identificadas para a implementação BC2.10. Proatividade em proteção política sustentável de compras e de uso A empresa desenvolveu e de BC2.5. responsável de materiais construção e operação sustentável no portfolio da empresa BC2.3. A empresa conduz iimplementou um Plano de Gestão de Resíduos BC2.6. A empresa implementa implementa um sistema de gestão da sustentabilidade da cadeia de BC2.9. Proatividade no sistemas para compartilhar boas práticas empresa implementa BC2.7. Aentre departamentos, um BC2.1. A empresa investe na melhoria do seu desempenho em relaçãoAplicação de conceitos de BC2.2. a sustentabilidade? programa interno de educação e treinamento de empregados para BC2.8. A empresa definiu e

BC2.1. A empresa investe na melhoria do seu desempenho em relação a sustentabilidade? BC2.2. Aplicação de conceitos de construção e operação sustentável no portfolio da empresa BC2.3. A empresa conduz sistematicamente o acompanhamento ambiental do ciclo de vida BC2.4. A empresa definiu uma política sustentável de compras e de uso responsável de materiais de construção BC2.5. A empresa desenvolveu e iimplementou um Plano de Gestão de Resíduos BC2.6. A empresa implementa sistemas para compartilhar boas práticas entre departamentos, fornecedores, projetistas, canteiros de obras e projetos? BC2.7. A empresa implementa um programa interno de educação e treinamento de empregados para sustentabilidade? BC2.8. A empresa definiu e implementa um sistema de gestão da sustentabilidade da cadeia de fornecedores? BC2.9. Proatividade no preenchimento de lacunas identificadas para a implementação de medidas sustentáveis BC2.10. Proatividade em proteção de biodiversidade e em medidas para evitar poluição

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 10,00

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

de biodiversidade e em medidas para evitar poluição

sistematicamente o acompanhamento ambiental do BC2.4. A empresa definiu uma

BS1. Valorização e investimento em recursos humanos
mantém procedimentos para a identificação das necessidades de BS1.4. A empresa possui programa BS1.1. Treinamento técnico/profissional de pessoal (projeto, construçãoambiental de BS1.2. Treinamento e operação) pessoal (projeto, construção e operação) BS1.3. A empresa estabeleceu e

BS1.1. Treinamento técnico/profissional de pessoal (projeto, construção e operação) BS1.2. Treinamento ambiental de pessoal (projeto, construção e operação) BS1.3. A empresa estabeleceu e mantém procedimentos para a identificação das necessidades de treinamento BS1.4. A empresa possui programa para reduzir a rotatividade de operários?

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 4,00

Total geral Intro Dados do Usuário Planilha Completa Planilha Parcial

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

para reduzir a rotatividade de operários?

BS2. Contribuição para a construção de comunidades estáveis
programa de recrutamento de mãode-obra? empresa adota esquema BS2.5. A estruturado de capacitação e treinamento permanentes de RH? BS2.6. A empresa possui programa envolvida em projetos locais de regeneração da comunidade? BS2.3 A empresa busca localmente seus suprimentos e serviços sempre empresa é participante de BS2.4. Aque possível BS2.1 A empresa definiu e publicou padrões de responsabilidade está ativamente BS2.2 A empresa social

BS2.1 A empresa definiu e publicou padrões de responsabilidade social BS2.2 A empresa está ativamente envolvida em projetos locais de regeneração da comunidade? BS2.3 A empresa busca localmente seus suprimentos e serviços sempre que possível BS2.4. A empresa é participante de programa de recrutamento de mão-de-obra? BS2.5. A empresa adota esquema estruturado de capacitação e treinamento permanentes de RH? BS2.6. A empresa possui programa para melhorar a empregabilidade de (ex)funcionários

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 6,00

Total da linha (Tl)

Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante

4 2 1 1/2 1/4

16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 16,7% 100%

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Importância relativa (%)

Escala de importância relativa

para melhorar a empregabilidade de (ex)funcionários

BS3. Relacionamento com a sociedade
Escala de importância relativa
Muito mais importante Mais importante Igual Menos importante Muito menos importante 4 2 1 1/2 1/4
parcerias com a comunidade no entorno imediato

Instruções de preenchimento
Importância relativa (%) Total da linha (Tl)
1. Preencha o cadastro de usuário. 2. Nesta planilha, preencha somente os campos em azul claro, segundo a escala de importância relativa apresentada.

BS3.1. Benefício indireto à comunidade BS3.2. Estabelecimento de parcerias para exercício de cidadania corporativa BS3.3 Estabelecimento de parcerias com a comunidade no entorno imediato

BS3.1. Benefício indireto à comunidade BS3.2. Estabelecimento de parcerias para exercício de cidadania corporativa de BS3.3 Estabelecimento

1,00

1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 3,00
b. A importância relativa entre as Categorias é calculada automaticamente.

Total geral Intro Dados do Usuário Resultados

Anexo 6 - Planilha de percepção de relevância de possíveis itens a compor o módulo de avaliação ambiental de edifícios

Apêndice 9
Planilha de percepção de relevância de possíveis itens a compor o módulo de avaliação ambiental de edifícios
Percepção das partes interessadas na construção civil brasileira sobre os itens essenciais em um método de avaliação ambiental de edifícios essencial 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Isolamento térmico Sistema de condicionamento artificial Qualidade ambiental dos materiais de construção Impacto dos materiais de construção na saúde humana Uso de energia renovável Dispositivos/sistemas economizadores de água Estrutura/orientação do edifício Utilização de água da chuva Custos das medidas ambientalmente responsáveis Controle de ruído Manutenção e simplicidade de reparo Previsão de vida útil Composição dos materiais de construção Gestão /disposição de resíduos Pavimentação do solo/infiltração Adaptabilidade do layout/flexibilidade de uso Custo fabril de materiais de construção (financeiro e nível de industrialização) Uso de materiais reciclados Reutilização de materiais e componentes Vegetação no edifício e arredores Integração urbana Informação para descontrução/desmontagem Total votos relevante dispensável sem opinião

22

Avaliação da sustentabilidade de empreendimentos: edifícios de escritórios
Esta ferramenta é composta por três partes: Etapa 1 Instruções (esta página) Etapa 2 Formulário de auto-avaliação, dividido em etapas do ciclo de vida do edifício:
Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4 Planejamento do empreendimento (completado apenas uma vez) Projeto (completado trimestralmente, caso se deseje utilizar a ferramenta para monitorar progresso). Construção (completado trimestralmente, caso se deseje utilizar a ferramenta para monitorar progresso). Operação (completado trimestralmente, caso se deseje utilizar a ferramenta para monitorar progresso).

Etapa 3

Pontuação e posicionamento em relação a desempenho de referência

Este é um formulário para autoavaliação, a ser preenchido pelo gerente ou responsável pela etapa correspondente do empreendimento. Caso se pretenda a publicação de resultados, a avaliação deverá ser adicionada das evidências de desempenho e verificada por avaliadores credenciados.

Os temas avaliados são apresentados conforme o segunte código de cores: temas ambientais, em fichas verdes temas sociais, em fichas azuis temas econômicos, em fichas amarelas temas de gestão, em fichas cinza pontos de bônus, nos quatro temas

O preenchimento do formulário requer a digitação de "1" ou tick , na versão impressa (caixas brancas), de uma porcentagem (caixas azuis) ou de um número (caixas rosa), como mostram os exemplos ao lado.

1

ex:

10% ex:

10

Algumas caixas contêm comentários (triângulo vermelho no canto superior direito). Pousar o mouse sobre a caixa exibirá informação adicional ou ajuda.

As caixas laranja contêm valores trazidos de outros formulários ou fórmulas calculadas automaticamente

O total de pontos pode ser personalizado para refletir as oportunidades e limitações de cada empreendimento. Isto é feito assinalando-se os itens não aplicáveis ao empreendimento em questão, que são, então, excluídos da soma de pontos possíveis. A designação não aplicável refere-se apenas a itens não pertinentes ao caso avaliado (como por exemplo perturbação em habitats e biodiversidade em um sítio com baixo ou nenhum valor ecológico), e não a itens que apresentem custo elevado para implementação ou falta de dados para embasar a avaliação. O modelo de avaliação é complementado por um sistema de classificação de desempenho, composto por três classes: A, B e C. A classificação de desempenho será sempre atribuída com base no desempenho ao longo de todo o ciclo de vida , isto é: com base no total de pontos obtido. O atendimento do desempenho mínimo em cada etapa (>50%) será o critério eliminatório. Analogamente, Índices de Sustentabilidade (IS), entre 1 e 5, são atribuídos conforme a pontuação individualmente obtida em cada tema avaliado (antes da ponderação) e a pontuação global (ponderada) e, segundo a escala indicada abaixo: Faixas de pontos de bônus
>90% 81-90% 71-80% 61-70% 50-60%

IS
5 4 3 2 1

Classes A B C

A pontuação será calculada automaticamente clicando na aba "Pontuação" ou no no botão correspondente na base da tela, mas o resultado fará sentido apenas depois que todo o formulário for preenchido. O atendimento de bônus é contabilizado separadamente, pela atribuição de 1 a 5 estrelas, como mostrado abaixo: Faixas de pontos de bônus
>80% 61-80% 41-60% 21-40% 1-20%

Há indicadores assinalados como "não pontua", ou pontuação zero. Estes indicadores são destinados a permitir o acúmulo de dados que tornará possível que, no futuro, sejam também avaliados.

Discos de sustentabilidade posicionam o empreendimento avaliado (perfis de sustentabilidade) em relação ao critério de elegibilidade para classificação.

Planejamento

Projeto

Construção

Operação

Vai para Pontuação

Imprime Formulário

Limpa Formulário

Nome do empreendimento Empresa de projeto Empresa de construção Nome do contato Endereço Telefone Status do empreendimento

vgs vgs vgs vgs vgs vgs Fax vgs e-mail vgs
Planej. produção Concepção Quantitativos Anteprojeto Estudo Preliminar Projeto legal Projeto Executivo Orçamento Licitação Execução Uso

Indicar estado atual do empreendimento digitando "1" nos campos correspondentes a todos os estágios completados.

Viabilidade Proposta inicial

1 Este campo deve ser revisado à medida em que o empreendimento se desenvolva!

Etapa 1: Planejamento do empreendimento (Pl)
Este formulário é preenchido apenas uma vez ao longo do processo.

PlA1 Uso do solo e alteração da
ecologia e biodiversidade locais
Uso do solo
Que tipo de sítio melhor descreve a localização do projeto (digite '1' nos campos aplicáveis) Green field Brown field Área contaminada Reutilização/ renovação

0

1

2

3

Rural Localização do terreno (digite '1' nos campos aplicáveis)
0

Periferia urbana

Conurbação urbana

Vazio urbano

1

2

3

O acesso a transporte público (a partir do empreendimento) é bom? (digite '1' nos campos aplicáveis)

A curta distância (10 min a pé) de transporte público freqüente (intervalos < 15 min) Não Sim

Viagem curta de ônibus (< 20 min) até um nó de rede principal de transporte público Não Sim

0

1

0

1

Ecologia local (proteção de habitats e espécies)

Qual o impacto do empreendimento sobre habitats e espécies?

Destruição de habitat Área de habitat criado existente, sem criação é menor que habitat destruído de novos

Sem impacto em habitats

Área de habitat criado é muito maior que habitat destruído

Plantas, árvores e espécies sensíveis são protegidas

Não aplicável

-1

0

1

2

1

0

Estão em curso ações específicas para proteger/melhorar a ecologica local (habitat e espécies)?

Não

Sim

Sim, através de plano disponível para verificação pública

Não aplicável

0

1

2

0

0

PlS5 Impactos sobre a sociedade
Consulta da comunidade, incluindo número de reuniões e forma de comunicação Diálogo entre as partes interessadas, incluindo número de reuniões e forma de comunicação

IS3.1

Outros

Quanto ao relacionamento com a comunidade local implementou-se planos para:

1

1

PlG1

Consideração de aspectos de sustentabilidade e gestão ambiental ao planejamento
Concepção Em quais estágios do desenvolvimento do empreendimento foram considerados aspectos de sustentabilidade (indicar todos os aplicáveis)? Viabilidade Proposta inicial Estudo Preliminar Anteprojeto Projeto legal Projeto Executivo

Planej. produção Quantitativos Orçamento Licitação Execução Uso

1

1

1

1

1

1

Sistemas de Gestão
Cliente Caso um SGA ou SGQ seja um requisito para o empreendimento, qual(is) agente(s) deve(m) atendê-lo? (indicar todos os aplicáveis) Projetista Construtor Fornecedores Outros

1

1

1

1

IG1.1

Quais práticas de gestão ambiental e controle de qualidade foram implantadas no planejamento?

Seleção de profissionais habilitados em questões de sustentabilidade de projeto, construção e operação

Coordenação dos projetos

Outros

1

1

Bônus

Implantação de práticas de melhoria ambiental do projeto

Designação de item de orçamento/inclusão no briefing do projeto para realização de simulação do desempenho energético do edifício

Outros

1

FIM da Etapa 1

Instruções

Projeto

Construção

Uso e Operação

Pontuação

Imprime Formulário

Limpa Formulário

Planejamento

0 pts em 27

0 %

Dados vindos do formulário "Planejamento"

Nome do empreendimento Empresa de projeto Empresa de construção Nome do contato Endereço Telefone Status do empreendimento

vgs vgs vgs vgs vgs vgs Fax vgs e-mail vgs
Planej. produção Concepção Quantitativos Anteprojeto Estudo Preliminar Projeto legal Projeto Executivo Orçamento Licitação Execução Uso

Indicar estado atual do empreendimento digitando "1" nos campos correspondentes a todos os estágios completados.

Viabilidade Proposta inicial

1 Este campo deve ser revisado no formulário "Planejamento" à medida em que o empreendimento se desenvolva!

Etapa 2: Projeto (P)
Em princípio, este formulário é preenchido apenas uma vez ao longo do processo (conclusão do projeto executivo), mas pode ser revisado ao final de cada etapa de projeto para monitorar progresso.

PA1 Uso do solo e alteração da
ecologia e biodiversidade
Uso do solo
IA1.1.1

m2 não pontua m2 não pontua Área do terreno (m2) Área construída (m2) m2 terreno/m2 construído

Área total de solo ocupado + afetado pelo edifício e atividades relacionadas Área não construída, em relação à área non edificandi prescrita pela legislação local

IA1.1.2

Eficiência no uso do solo (m2 terreno /m2 construído)

>2,0 m2 /m2

2,0 -1,0 m2 /m2

0,9-0,5 m2 /m2

0,4-0,1 m2 /m2

<0,1 m2 /m2 Ocupação prevista usuários

0

1

2

3

4

>50 m2/pessoa Área construída/usuário (prevista)
0

50-40 m2/pessoa

39-20 m2/pessoa

29-10 m2/pessoa

<10 m2/pessoa

1

2

3

4

IA2.8

Área impermeável/área total do terreno

>40 %

31-40%

21-30%

10-20%

<10%

legislação empreendimento

% %

0

1

2

3

4

Ecologia local
Área de paisagismo com espécies locais/área verde total (melhoria de biodiversidade e redução de necessidade de irrigação) <20 % 21-40% 41-60% 61-80% 61-80 % >80 %

0 IA1.1.4

1

2

3

4

5

Em sítios não desenvolvidos anteriormente, qual a área de perturbação (incluindo movimentos de terra e limpeza de vegetação)

>80 %

61-80 %

61-80%

41-60%

21-40%

<20 %

0 IA1.1.5

1

2

3

4

5

% de área não afetada pelo empreendimento (projeção do edifício, vias de acesso e estacionamento), em que a biodiversidade e a ecologia originais (árvores com diâmetro de tronco acima de 100 mm, cercas-vivas, lagoas, córregos etc) foram mantidas e adequadamente protegidas durante a construção
IA1.1.3

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

Em sítios desenvolvidos anteriormente, área de (restauração) plantio de vegetação nativa ou adaptada, em relação à área não construída

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

PA2 Energia
Quais medidas de economia de energia foram incorporadas ao projeto?

Dispositivos energeticamente Dispositivos eficientes eficientes para para iluminação condicionamento

Soluções energeticamente eficientes para ventilação

Uso de fontes renováveis

Isolamento adequado

Outros

1

1

1

1

1

Foi definida uma meta de projeto quanto a consumo de energia?

Não

Sim

Qual? kWh/m2/mês comparar com dados de uso/operação!

0

1

Foi definida uma meta de projeto quanto a uso de energia renovável?

Não

Sim

Qual? % comparar com dados de uso/operação!

0

1

PA3 Água
Quais medidas de economia de água foram incorporadas no projeto? Dispositivos eficientes/ Medição setorizada / economizadores individualizada

Mecanismos de detecção de vazamentos

Procedimentos regulares (max cd. 6 meses) para identificar e reparar vazamentos

Outros

1

1

1

1

Foi definida uma meta de projeto quanto a consumo de água?

Não

Sim

Qual? comparar com dados de uso/operação!

0

1

Quais medidas de gestão de água de chuva foram incorporadas no projeto?

Infiltração: uso de pavimentos permeáveis

Retenção: reservatório enterrado (<500m2 área impermeável)

Outros

1

1

Bônus

Previsão de coleta e tratamento de água da chuva para uso em irrigação

Sistemas de drenagem Retenção por criação mais sustentáveis de áreas alagáveis

Filtragem/tratamento no próprio sítio: bioswales

Filtragem/tratamento no próprio sítio: massas de vegetação em torno de corpos dágua

Outros

1

1

1

1

1

PA4 Materiais
Não utilização de materiais cujo emprego é reconhecidamente prejudicial ao ambiente Asbestos

Isolantes (ou componentes que contenham isolantes) que liberem CFCs durante a produção

Refrigerantes a base de CFC no sistema de condicionamento artificial

Madeiras constantes na lista de espécies ameaçadas (Portaria IBAMA 37N de 1992)

Outros

1

1

1

Preq

% (em massa) materiais especificados com base no "melhor valor", que inclui consideração do seu impacto ambiental

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Estrutura

IA1.5.5 IA1.5.6 IA1.5.7 IA1.5.8 IA1.5.9

locais (<150 km) rapidamente renováveis madeira certificada reutilizáveis, recicláveis, biodegradáveis conteúdo reciclado <20 % <20 %

0

1

2

3

4

5

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Vedações

0

1

2

3

4

5

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Piso

0

1

2

3

4

5

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Cobertura

0

1

2

3

4

5

Bônus Reutilização de materiais e componentes em

condições adequadas Estrutura

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Estrutura

0

1

2

3

4

5

<20 % Vedações
0

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Vedações

1

2

3

4

5

<20 % Piso
0

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Piso

1

2

3

4

5

<20 % Cobertura
0

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 % Cobertura

1

2

3

4

5

PA5 Resíduos
Quais medidas para redução e controle de resíduos foram incorporadas no projeto?

Resíduos de uso Previsão de área para segregação

1

RCD Uso de princípios de lean design Especificação de materiais e componentes reutilizados Integração com e entre fornecedores para minimização de cortes e resíduos

Uso de padronização

Uso de modulação

Uso de pré-fabricação

Outros

1

1

1

1

1

Resíduos de uso Foi definida uma meta de projeto para redução de resíduos? Não Sim Qual? comparar com dados de construção!
0 1

RCD Não Sim Qual? comparar com dados de uso/operação!
0 1

Bônus Projeto para minimização de resíduos

Projeto para desmontagem com minimização de resíduos

1

PS2 Impactos sobre usuários
Qualidade do ambiente interno
Não Seleção de materiais usados internamente (pisos, forros, pintura, isolamento, colas, adesivos e Piso Forro Pintura Isolamento Outros

IA1.5.10

0

1

1

1

1

IA1.5.10

solventes, impermeabilizantes) com base em emissão de VOCs e partículas respiráveis

Colas e adesivos

Impermeabilizantes

Solventes

1

1

1

Qualidade do ar interno

Previsão de área de fumantes aberta ou com ventilação adequada e isolada do restante do edifício.

Limpeza/purificação do Ventilação eficiente Controle de ventilação Isolamento de fontes ar (espaço como um todo) pelos usuários poluentes

Ventilação próxima à fonte

Consideração de facilidade de manutenção e limpeza

1

1

1

1

1

1

1

em construção Não Previsão de área/postos de trabalho para funcionários operacionais do edifício Sim

0

1

Qualidade do ambiente externo
IS 2.2.3.4

Acesso de serviço adequado para veículos de entregas e coleta de resíduos

Não

Sim

0

1

Não
IS 2.2.3.1

Sim

Facilidades para pedestres adequadas
0 1

IS 2.2.1.1

Eliminação de barreiras físicas (acessibilidade) no edifício e suas áreas externas

Não

Sim

0

1

IS 2.2.2.1

Facilidades adequadas para sombreamento, lazer para usuários

Não

Sim

0

1

IS 2.2.2.2

Área verde %área verde/área náo construída %área verde/total terreno

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0 IS 2.2.2.3

1

2

3

4

5

Implantação adequada em função de climatologia (sol e vento)

Não

Sim

0

1

PE2 Melhoria no produto oferecido
IE2.1

Processo de projeto/construção
Redução de prazos, com maior previsibilidade Tempo de conclusão do projeto/planejado % não pontua R$/m2 não pontua! Base para comparação com custos reais

IE 2.1.1.

IE 2.1.2.

Redução de custos ao longo do ciclo de vida, com maior previsibilidade Custo/m2 construído (orçamento previsto)

IA1.5.5

Uso de materiais locais % custo total materiais

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

PG1

Consideração de aspectos de gestão ambiental e sustentabilidade no planejamento
Quais alternativas práticas de controle de qualidade e melhoria ambiental foram implantadas no projeto?

Avaliação ambiental integrada ao processo de projeto

Seleção de profissionais habilitados em questões de sustentabilidade de projeto, construção e operação

Outros

IG1.1

1

1

PG2

Integração de práticas de controle de qualidade ao processo
Facilidades adequadas para as atividades de manutenção
IG2.3. 1

Planejamento da operação e manutenção do edifício

Outros

Bônus

Implantação de práticas de melhoria ambiental do projeto

Uso inovador de estratégias de projeto e tecnologias em resposta a necessidades específicas

Realização de simulação de desempenho energético para otimizar projeto

Outros

IG1.1 1 1

FIM da Etapa 2

Instruções

Planejamento

Construção

Uso e Operação

Pontuação obtida

Imprime Formulário

Limpa Formulário

Projeto

0 pts em 99

0 %

Dados vindos do formulário "Planejamento"

Nome do empreendimento Empresa de projeto Empresa de construção Nome do contato Endereço Telefone Status do empreendimento

vgs vgs vgs vgs vgs vgs Fax vgs e-mail vgs
Planej. produção Concepção Quantitativos Anteprojeto Estudo Preliminar Projeto legal Projeto Executivo Orçamento Licitação Execução Uso

Indicar estado atual do empreendimento digitando "1" nos campos correspondentes a todos os estágios completados.

Viabilidade Proposta inicial

1 Este campo deve ser revisado no formulário "Planejamento" à medida em que o empreendimento se desenvolva!

Etapa 3: Construção
Para monitoramento de progresso, recomenda-se que este formulário seja revisado em intervalos trismestrais

CA1 Energia
Quais medidas de economia de energia foram incorporadas no planejamento da do canteiro e etapa de construção?

Dispositivos energeticamente eficientes para iluminação

Dispositivos energeticamente eficientes para ventilação e condicionamento

Uso de equipamentos eficientes (uso de combustível e emissões)

Monitoramento de uso Uso de fontes de energia renováveis

Treinamento e conscientização da equipe

Outros

1

1

1

1

1

1

Não Foi definida uma meta de consumo de energia para a etapa de construção?
0 IA 1.2.2.

Sim

Qual?

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre global

Maior

Igual

Menor

1

-1 ? kWh/m2 ? kWh/m2 ? kWh/m2

0 ? kWh/m2

1

Energia não renovável utilizada na construção do edifício (indicada no medidor), por m2 construído

? kWh/m2

? kWh/m2

0

1

2

3

4

5

CA2 Água
Quais medidas de economia de água foram incorporadas no planejamento da do canteiro e etapa de construção? Dispositivos economizadores Medição setorizada / individualizada Monitoramento de consumo de água Procedimentos regulares (max cd. 6 meses) para identificar e reparar vazamentos Treinamento e conscientização da equipe Outros

1

1

1

1

1

Não Foi definida uma meta de consumo de água para a etapa de construção?
0

Sim

Qual?

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre

Maior

Igual

Menor

1

0

global

-1
IA 1.3.1

0 ? m3/m2

1

Consumo mensal de água na fase de canteiro, por m2 construído

? m3/m2

? m3/m2

? m3/m2

? m3/m2

? m3/m2

0

1

2

3

4

5

Volume de água da chuva/água cinza captada, tratada e reutilizada na fase de canteiro, em % consumo mensal do canteiro

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

CA3 Materiais
Detalhamento dos materiais utilizados (digite "1" para todos os aplicáveis e, as porcentagens, em massa, na caixa adjacente) Materiais reutilizados/reciclados vindos de fontes locais (raio de 150 Novos materiais (virgens) vindos de km) fontes locais (raio de 150 km) 1 (>20%)

Materiais reutilizados/reciclados vindos do próprio canteiro 1 (>20%)

Agregados

(%)

(%)

1 (>20%)

(%) Produtos novos de madeira são provenientes de fontes de manejo sustentável (e %, caso conhecida) 1 (>20%)

Alvenaria

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

Madeira

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

(%)

Outros

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

1 (>20%)

(%)

Aço Metais -

(teor reciclado) (%)
1 (>20%)

Alumínio -

(teor reciclado) (%)
1 (>20%)

cimento
IA 1.4.1

agregados kg/m2

alvenaria kg/m2

madeira kg/m2

vidros kg/m2

metais kg/m2 não pontua

Consumo de materiais por unidade de área útil construída (área de carpete)

kg/m2

CA4 Resíduos
Quais medidas para redução e controle de resíduos foram incorporadas no planejamento do canteiro e etapa de construção? Planejamento e estratégias para minimização Integração de fornecedores para minimização Facilidades para segregação Facilidades para reciclagem Facilidades para reuso Outros

1

1

1

1

1

Foi definida uma meta de redução de residuos para a etapa de construção?

Não

Sim

Qual? kg/m2contrução

Em relação à meta, a massa de RCD foi Maior no último trimestre global 41-60% 41-60% 61-80% 61-80% 61-80 % 61-80 % >80 % >80 % -1

Igual

Menor

0

1

21-40% IA 2.7.1. % massa do material removido na limpeza do terreno que recebeu disposição adequada <20 % 21-40%

0

1

0

1

2

3

4

5

IA 2.7.2.

% massa dos resíduos gerados por demolição (inclui desconstrução do canteiro) que foram reciclados, recuperados para reutilização e/ou encaminhados para reciclagem ou reutilização externa

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

> ?? Kg IA 2.7.3. Resíduos de construção gerados, por unidade de área útil construída e como parcela da massa de materiais adquiridos < ?? % IA 2.7.4. % massa dos RCD (fora madeira) que foram reutilizados ou reciclados dentro do próprio canteiro < ?? % IA 2.7.5. % massa dos RCD (fora madeira) que foram encaminhados para reciclagem ou reutilização externa (inclui embalagens) < ?? % IA 2.7.6. % massa de madeira recuperada dos RCD para reutilização futura ou encaminhada para reutilização externa

?? Kg

?? Kg

?? Kg

?? Kg

< ?? Kg

0

1

2

3

4

5

?? %

?? %

?? %

?? %

> ?? %

0

1

2

3

4

5

?? %

?? %

?? %

?? %

> ?? %

0

1

2

3

4

5

?? %

?? %

?? %

?? %

> ?? %

0

1

2

3

4

5

21-40% Bônus Dispositivos para tratamento de água de chuva ou residual do processo de construção no próprio sítio antes de ser encaminhada à rede pública

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

Água residual de concretagem
IA 2.8.1 1

Filtragem de água siltosa (silt fences)
IA 2.8.1 1

Dispositivos para tratamento de resíduos sanitários (água negra) no próprio terreno antes de ser lançada na rede pública
ca5 1

Outros

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

CA6 Transporte
> 50km Quais as distâncias previstas que os operários viajarão diariamente até o sítio? (% aproximada) Como os componentes principais serão trazidos até o sítio? (indique a % aproximadas para cada situação) %
>50%, 0pt >50%, 1pt

31-50km %

11-30km %
>50%, 2pt

0-10km %
>50%, 3pt

Rodovia (>150 km) %
<50%, 1pt

Rodovia (<150 km) %
<50%, 1pt

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

CS1 Impactos sobre operários
IS1.1. IS1.1.1.

Situação empregatícia
Empregados formais/total
% não pontua

IS1.1.2.

Gastos com benefícios empregados formais (em % folha de pagamento empregados formais)

%

não pontua

Saúde, Segurança e local trabalho
IS1.3.2.

Indicar alteração em relação ao trimestre anterior (digite "1" onde aplicável) FA (acumulada) FA (último trimestre) Aumentou Manteve-se Diminuiu

Indicar a taxa de freqüência de acidentes [FA] no canteiro (no acidentes/10000 hs trabalhadas)

21-40%
IS1.3.1.

41-60%

61-80%

-1

61-80 %

0

>80 %

1

A empresa possui mecanismos para garantir que as condições de trabalho atendam ou excedam as exigências de legislação trabalhista e preveniracidentes e doenças do trabalho?

no canteiro Não Sim Qual? Não

na cadeia de fornecedores Sim Qual?

0 IS1.3.4.

21-40% Sim

1

41-60%

61-80%

0

61-80 %

1

>80 %

Plano de Ação Emergencial, com equipamento e treinamento de funcionários sobre como proceder em caso de incidentes de emergência no local de trabalho Qualidade das facilidades para operários no canteiro

Não

0

21-40% 1 2

1

41-60% 3 4 5

61-80%

61-80 %

>80 %

Básica

Significativamente melhor que a prática típica

0

1

2

3

4

Satisfação operários
IS1.2.1.

Implementação de prática para avaliação da satisfação de funcionários

Não

Sim

0 IS1.2.2.

21-40%

1

Satisfação média dos funcionários, estimada a partir de porcentagem satisfeita com: pontualidade no pagamento pacote de salários e benefícios saúde e segurança e local de trabalho igualdade oportunidades e valorização de RH relacionamento no longo prazo 21-40% Não Sim
0 1 2 3 4 5

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

IS1.2.3.

Programa para melhoria contínua, com base na pesquisa de satisfação dos funcionários

0

21-40%

1

Bônus
BS1

Treinamento
A empresa fornece/financia treinamento para funcionários (indique todos os alicáveis)? Treinamento profissional para pessoal próprio
BS1.1 1

Treinamento profissional para pessoal contratado
BS1.1

Há procedimentos para Treinamento ambiental a identificação das Treinamento ambiental para pessoal necessidades de para pessoal próprio contratado treinamento
BS1.2 1 1 BS1.2 1 BS1.3

A empresa possui programa para reduzir a rotatividade de operários?
BS1.4 1

Outros

21-40%

1

1

CS3 Impactos sobre clientes e usuários finais
IS3.2 IS132.1.

21-40%

Satisfação clientes
Implementação de prática para avaliação da satisfação de clientes Não Sim

0

1

IS3.2.3.

Satisfação média dos clientes (quando não forem os usuários finais, avaliados no item IS 3.2.2 , form Uso e operação ), estimada a partir de porcentagem satisfeita com: Pontualidade na entrega Qualidade do produto Retorno do investimento Valor agregado Comunicação eficiente Relacionamento no longo prazo

Cliente=usuário final? Não Sim
Não se aplica

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

IS3.2.4.

Programa para melhoria contínua, com base na pesquisa de satisfação de clientes

Não

Sim

0

1

21-40%

CS4 Relacionamento com fornecedores
IS3.3.1

21-40%

Satisfação média dos fornecedores, estimada a partir de porcentagem satisfeita com: pontualidade no pagamento relação de trabalho tratamento justo e igual entre fornecedores comunicação eficiente relacionamento no longo prazo 21-40%
0 1 2 3 4 5

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

CS5 Relacionamento com a comunidade
local
Quais das seguintes situações melhor descreve o relacionamento do emprendimento com residentes locais e grupos comunitários? Respondemos quando Dizemos o que há reclamações estamos fazendo Tentamos envolvê-los ativamente em cada etapa do empreendimento O canteiro segue padrões de gerenciamento, segurança e consciência ambiental visando minimizar a perturbação à vizinhança imediata
IS3.1.3 0 1 2 3 5

Não há

IS 3.1.4.

Número de ações judiciais bem-sucedidas, movidas contra a empresa ou empregados por incidentes ou práticas relacionadas ao trabalho

Ações no último Número total de ações trimestre

Em relação ao último trimestre: Aumentou Igual Diminuiu

-1

0

1

IS 3.1.5.

Número de reclamações ou notificações formais (ambientais ou por incômodo) recebidas quanto a qualquer assunto relacionado às atividades de construção

Número total de reclamações

Reclamações no último trimestre

Em relação ao último trimestre: Aumentou Igual Diminuiu

-1

0

1

IS 3.1.6. IS 3.1.7. IS 3.1.8.

De que forma o empreendimento contribui positivamente para a comunidade local?

Recrutamento de mão- Gerando oportunidades Utilizando facilidades de-obra local (%) de negócios locais
IS3.1.6 >75%, 1pt 1 IS3.1.7 1

Jardins e espaços abertos à comunidade ou outras benfeitorias locais
IS3.1.8 1

Através de doações a instituições de caridade Provendo assistência a locais outros projetos locais

Outros

1

1

Bônus
BS2

Contribuição para a construção de comunidades estáveis

A empresa adota padrões de responsabilidade social que incluem políticas para gerenciar impactos em comunidades afetadas por suas atividades
BS2.1 1

A empresa está envolvida em projetos locais de regeneração da comunidade
BS 2.2 1

A empresa busca localmente seus suprimentos e serviços sempre que possível
BS2.3 1

Responsabilidade social corporativa Fortalecimento de economia local Valorização de RH

A empresa tem programa permanente para capacitação e treinamento de RH
BS2.5 1

A empresa possui programa para desenvolvimento humano e melhoria da empregabilidade de (ex)funcionários, com foco em educação ou treinamento
BS2.6 1

CE1 Produtividade no canteiro
E1 IE1.1.

Horas.homem/m2 Horas de retrabalho ou gastas em correção de defeitos pré-entrega (em % total de horas trabalhadas) Custo de retificação de defeitos pré-entrega (em % custo total obra)

hh/m 2

não pontua

IE1.2.

%

não pontua

IE1.3.

%

não pontua

CE2 Melhoria no produto oferecido
E2 IE2.1 IE2.1.2

Processo de projeto/construção
Do ponto de vista do cliente: qual é o desempenho do empreendimento em relação ao orçamento previsto (custo/m2 contrução)? Do ponto de vista do construtor: qual é o desempenho do empreendimento em relação ao retorno estimado (lucro)?

Global R$/m2 Pior Igual Melhor

No trimestre anterior R$/m2 Pior Igual Melhor

Previsto (orçamento) R$/m2

-1

0

1

-1

0

1

-1 IE 2.1.3.

0

1

-1

0

1

Minimização de defeitos No ato da entrega Número Tipo A (falha estrutural) Tipo B (revestimentos e trincas) Tipo C (revestimentos e trincas) Tipo D (rejunte e pequenos defeitos)
IE2.1.3.1 leve -1 0 1 grave

média da empresa Pior Igual Melhor

Após período de retificação defeitos Número
grave

média da empresa Pior Igual Melhor

leve IE2.1.3.2 -1 0 1

IE 2.2.

Aumento da satisfação, bem-estar e valor para usuários e vizinhança
Número de reclamações de vizinhos, por unidade de valor agregado Número de ações judiciais bem-sucedidas, movidas contra a empresa por clientes e usuários, por unidade de valor agregado

IE 2.2.2

qtd/$

não pontua

IE 2.2.2

qtd/$

não pontua

CE3
IE3 IE 3.1. IE 3.3.1

Investimento, agregação de valor e benefícios da sustentabilidade
Valor agregado e retorno de capital
Custo de produção, em m2 “sustentável”/m2 convencional
não pontua

%

IE 3.3.2

Valor de venda m2 “sustentável”/m2 convencional

%

não pontua

IE3.2.1.

% aumento do custo aceita como investimento em sustentabilidade

%

não pontua

IE3.1.1

Valor agregado/unidade de valor de vendas

%

não pontua

IE3.1.2

Retorno médio do capital empregado

%

não pontua

IE3.2.

Investimentos diretos e indiretos

IE3.2.2.

% valor de materiais, produtos e serviços que fortalecem economia local (% total adquirido)

%

não pontua

IE3.2.3.

% salários correspondente a recursos humanos locais (% total adquirido)

%

não pontua

IE3.2.4.

Relação empregos indiretos/diretos Investimento em treinamento para empregados diretos (% da folha de pagamento (salários + benefícios)) Investimento físico na comunidade e/ou na vizinhança imediata: equipamento urbano, jardins públicos e outros mecanismos de compensação (em % custo obra )

%

não pontua

IE3.2.5.

(interface com BS 1. Treinamento)
% não pontua

IE3.2.6.

%

não pontua

(interface com IS 3.1. Relacionamento com a comunidade local)

IE 3.3.

Benefícios resultantes de investimento em sustentabilidade
Subsídios e benefícios fiscais recebidos (% custo obra)
% não pontua

IE3.3.1.

IE 3.3.2.

Benefícios intangíveis, em %custo vida útil

%

não pontua

CG1

Consideração de aspectos de gestão ambiental e sustentabilidade no planejamento

Sem SGA

SGA não certificado

SGA certificado 14001)

(ISO

Supervisão planejada no canteiro para assegurar conformidade
IG1.2.2.

Outros

IG1.2.1.

A etapa de construção está observando os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental SGA?

0

1

2

1

IG1.2.1

Práticas de gestão ambiental durante a execução

Controle de poluição para o ar: recepção, Controle de poluição armazenamento e manuseio de materiais sonora

Gestão de RCD

Controle de poluição de corpos d´água e sobrecarga da infraestrutura de águas pluviais

Outros

1

1

1

1

Está previsto o monitoramento de poluição? Indicar todos os aplicáveis

Polutição do ar (inclui poeira)

Poluição da água

Contaminação do solo

Ruído (dB)

Ruído (perturbação)

Outros

1

1

1

1

1

Incidentes
poluição do ar (inclui poeira) poluição da água contaminação do solo soc reclamações quanto a ruído

Número total de incidentes

Número de incidentes no trimestre anterior

Indicar alteração em relação ao trimestre anterior Aumentou Igual Diminuiu

-1

0

1

CG2

Integração de práticas de controle de qualidade ao processo
SGQ certificado 9001) (ISO Supervisão planejada no canteiro para assegurar conformidade
IG2.2.2. 0 1 2 1

IG2.2.1.

A etapa de construção está observando os requisitos de um Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ?

Sem SGQ

SGQ não certificado

IG2.4

Ajuste de desempenho de sistemas prediais préocupação

Realização de teste pré-entrega de Desenvolvimento de protocolos de verificação sistemas de condicionamento e de conformidade de desempenho pré-entrega ventilação artificial por profissional habilitado

1

1

Bônus

Diretrizes referentes a práticas de controle dos impactos da construção em sítios com valor ecológico especificadas nos documentos de construção e acima dos exigidos pela legislação

Não

Sim

0

1

Bônus
BC1.

Comprometimento e proatividade
Sustentabilidade como prioridade corporativa
Há uma política para sustentabilidade, com objetivos e atribuição de responsabilidades A empresa definiu metas específicas de sustentabilidade, a serem revisadas anualmente A empresa implementou estas metas na forma de um plano de ação para sustentabilidade A empresa possui um processo interno de auditoria de sustentabilidade A empresa comunica seu desempenho em relação à sustentabilidade a todas as partes interessadas

Sim A empresa possui um sistema de gestão ambiental implantado? Não

Outros

OU
5 1 1 1 1 1

BC1.1.

0

Relato e benchmarking de desempenho

A empresa publica um relatório anual de sustentabilidade verificado por parte independente
BC1.2 1

A empresa identificou indicadores próprios de desempenho em relação a sustentabilidade, e conhece seu estado atual em relação a eles
BC1.3; BC1.3.1 1

A empresa faz benchmarking regular do seu desempenho em relação às melhores práticas do setor
BC1.3.2 1

Outros

A empresa investe na melhoria do seu desempenho em relação a sustentabilidade
BC2.1 1

A empresa aplica conceitos de construção e operação sustentável em suas instalações
BC2.2 1

A empresa conduz sistematicamente o acompanhamento ambiental do ciclo de vida de seus produtos, processos e serviços
BC2.3 1

Outros

BC2.

Proatividade em sustentabilidade

A empresa definiu uma política sustentável de compras e de uso responsável de materiais de construção
BC2.4 1

A empresa definiu uma política sustentável de compras e de uso responsável de materiais de construção
BC2.4 1

A empresa desenvolveu e implementou um Plano de Gestão de Resíduos
BC2.5 1

Outros

A empresa implementa sistemas para compartilhar boas práticas entre departamentos, fornecedores, projetistas, canteiros de obras e projetos
BC2.6 1

A empresa implementa um programa interno de educação e treinamento de empregados para sustentabilidade
BC2.7. 1

A empresa definiu e implementa um sistema de gestão da sustentabilidade da cadeia de fornecedores
BC2.8 1

Outros

BC2.9.

Proatividade no preenchimento de lacunas identificadas para a implementação de medidas sustentáveis

Interação com fornecedores para redução de embalagens

Formação de cadeia de Clube de minimização coleta seletiva de intercâmbio de reciclagem – reuso resíduos

Participação em programa “verde” de compras ou grupo de compras cooperativo

1

1

1

1

BC2.10.

Proatividade em proteção de biodiversidade e em medidas para evitar poluição

Política de seleção de área, construção para proteção de habitat e melhoria da ecologia local
1

Plano “verde” de transporte/comutação dos funcionários, para reduzir uso de automóveis
1

Outros

BS3.

Relacionamento com a sociedade
Estabelecimento de parcerias (relacionadas ou não às atividades da empresa) para exercício Estabelecimento de parcerias com a comunidade no entorno imediato de cidadania corporativa
BS3.2. 1 1 BS3.3.

Outros

BS3.1.

Benefício indireto à comunidade, envolvendo, por exemplo:

Programa corporativo de doações à comunidade (monetárias, equipamentos e patrocínio)

Programas de estágios profissionais; bolsas educacionais e oportunidades de emprego

Parcerias com escolas para facilitar programas educacionais

Outros

1

1

1

FIM da Etapa 3

Instruções

Projeto

Construção

Uso e Operação

Pontuação

Imprime Formulário

Limpa Formulário

Construção

0 pts em 160

0 %

Dados vindos do formulário "Planejamento"

Nome do empreendimento Empresa de projeto Empresa de construção Nome do contato Endereço Telefone Status do empreendimento

vgs vgs vgs vgs vgs vgs Fax vgs e-mail vgs
Planej. produção Concepção Quantitativos Anteprojeto Estudo Preliminar Projeto legal Projeto Executivo Orçamento Licitação Execução Uso

Indicar estado atual do empreendimento digitando "1" nos campos correspondentes a todos os estágios completados.

Viabilidade Proposta inicial

1 Este campo deve ser revisado no formulário "Planejamento" à medida em que o empreendimento se desenvolva!

Etapa 4: Uso e operação do edifício (O)
Para monitoramento de progresso, recomenda-se que este formulário seja revisado em intervalos trismestrais

O0

Uso do solo e alteração da ecologia e biodiversidade
>50 m2/pessoa Área construída/usuário (real)
0 1 2 3 4

Área construída (m2) 0,00 50-40 m2/pessoa 39-20 m2/pessoa 29-10 m2/pessoa <10 m2/pessoa Ocupação prevista em projeto #DIV/0!
m 2/pessoa não pontua

OA1 Energia

consumo mensal

kWh/m2 kWh/m2

no. ocupantes

pessoas m2

consumo/ocupante

kWh/ocup*m2 kWh/m2 *ano

consumo anual

área útil do edifício

consumo/área

Foi definida uma meta de consumo de energia para a etapa de operação

Não

Sim

Qual? kWh/m2 *ano

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre global

Maior

Igual

Menor

-1 kWh/m2 *ocup*ano
0 1

0 Igual Menor

1

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre

Maior

global -1 Foi definida uma meta de consumo de energia renovável para a etapa de operação Não Sim Qual? %
0 1

0 Igual Menor

1

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre global

Maior

-1 Consumo anual de energia não renovável utilizada na operação do edifício (indicada no medidor), por m2 área útil ("area de carpete") >200 kWh/m2/ano
0

0

1

IA 1.2.3.

200 - 150 kWh/m2/ano 149 - 100 kWh/m2/ano 99-50 kWh/m2/ano
2 3

<50 kWh/m2/ano
4

1

0% IA 1.2.4 % do consumo anual de energia para operação vindo de fontes renováveis
0

1-5%

5-10%

11-15%

16-20%

21-25%

1

2

3

4

5

OA2 Água
Foi definida uma meta de consumo de água para a etapa de operação? Não Sim Qual? m3/m2 *ano Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre global -1 m3/m2 *ocup*ano
0 1

Maior

Igual

Menor

0 Igual Menor

1

Em relação à meta, o consumo foi no último trimestre

Maior

global -1 0 1

consumo mensal consumo anual (m ) Consumo anual de água para uso e operação do edifício (exceto irrigação), por m2 construído
3

m3 m3

no. ocupantes área útil do edifício 40 -31 m3/ocup/ano 110-81 l/ocup/dia

pessoas m2

consumo/ocupante consumo/área <20 m3/ocup/ano <55 l/ocup/dia

l/ocup/dia m3/m2/ano

IA 1.3.2

>50 m3/ocup/ano >135 l/ocup/dia OU >?? m3/m2/mês

50 -41 m3/ocup/ano 135-111 l/ocup/dia

30 -21 m3/ocup/ano 80-56 l/ocup/dia

>?? m3/m2/mês

>?? m3/m2/mês

>?? m3/m2/mês

>?? m3/m2/mês

0

1

2

3

4

>?? m3/m2 jardim
IA 1.3.3

>?? m3/m2 jardim

>?? m3/m2 jardim

>?? m3/m2 jardim

>?? m3/m2 jardim

Não se aplica (não há medição setorizada) 1

Consumo anual de água para irrigação
0 1 2 3 4

Bônus
IA 1.3.4

<20 % Parcela do consumo mensal de água para irrigação resultante de coleta e tratamento de água de chuva

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

0

1

2

3

4

5

OA3 Resíduos de uso
<20 %
IA 2.7.4

21-40%
0

41-60%
2

61-80%
3

61-80 %
4

>80 %
5

% massa de resíduos de uso separados e encaminhados para reciclagem externa

1

Resíduos de uso do edifício (papel, vidro, plástico e metais) por unidade de área útil construída

kg/ocup * ano kg/m2 * ano

não pontua não pontua

OS3 Impactos sobre clientes e
usuários finais

em construção!
Qualidade do ambiente interno
IS2.1.1.1

Umidade adequada para controle de microorganismos dentro do edifício
1

Controle de spray em torres de refrigeração e de água parada em ramais de distribuição de sistemas HVAC etc
1

Controle de umidade

IS2.1.2

Controle de poluentes

Emissões de VOC em espaços internos (nível medido)

Desempenho de filtros dos sistemas HVAC

1

1

IS2.1.3

Ventilação e renovação de ar Taxa de renovação de ar em áreas condicionadas artificialmente Eficiência da ventilação em áreas primárias ocupadas ventiladas naturalmente com ventilação unilateral Eficiência da ventilação em áreas primárias ocupadas ventiladas naturalmente com ventilação cruzada Desvio em relação ao benchmark de UR durante refrigeração Desvio em relação ao benchmark de UR durante aquecimento

IS2.1.2.1

Humidade relativa nas áreas de ocupação primária

%

IS2.1.2.2

Velocidade do ar nas áreas de ocupação primária (no nível das zonas de ocupação ~1,70m piso) Temperatura do ar ambiente nas áreas de ocupação primária Temperatura radiante média

m/s

IS2.1.2.3

ºC ºC

IS2.1.2.4

IS2.1.2.6

Homogeneidade de condicionamento artificial Assimetria radiante vertical Assimetria radiante horizontal Gradiente vertical de temperatura (faixa entre 0,10m e 1,70m) Diferença entre temperatura do ar e do piso (para temperatura do piso entre 19 e 29 o C) ºC ºC ºC

ºC

IS2.1.3.1

Iluminação natural nas áreas de ocupação primária (fator de luz do dia a uma certa distância de janela) Ofuscamento potencial nas áreas de ocupação primária Desvio do nível de iluminação ambiente em relação aos níveis recomendados Homogeneidade de iluminação (coeficiente de uniformidade) Conforto acústico Atenuação sonora através do envelope do edifício Atenuação sonora entre áreas de ocupação primária Ruído de equipamentos prediais nas áreas de ocupação primária

IS2.1.3.2

IS2.1.3.3

IS2.1.3.3

IS2.1.4

IS2.3. Qualidade dos serviços IS 2.3.1. Capacidade de manutenção do desempenho IS 2.3.1.1 Seleção de materiais conforme o meio, e proteção de materiais contra agentes agressivos IS 2.3.1.2 Potencial de manter desempenho dos sistemas prediais § § § § § § Acesso a sistemas técnicos centrais, para manutenção e substituição Acesso a sistemas técnicos distribuídos, para manutenção e substituição Acesso a materiais e componentes de construção para manutenção e substituição

IS 2.3.1.3 Monitoramento de desempenho Monitoramento de parâmetros de desempenho de sistemas-chave Previsão de sistema de detecção de vazamentos cobrindo as principais fontes de água e gás Previsão de medidas para reduzir vazamento de refrigerantes de sistema de ar condicionado (se aplicável)

IS 2.3.2. Flexibilidade e adaptabilidade IS 2.3.2.1 Facilidade de adaptação dos sistemas prediais a alterações dos requisitos dos usuários e evoluções tecnológicas § § § § § Facilidade de adaptação de sistemas de condicionamento e ventilação artificial Facilidade de adaptação de sistemas de iluminação Facilidade de instalação ou alteração de sistemas de telecomunicações Facilidade de ligação futura a sistemas de energia renovável Facilidade de ampliação

IS 2.3.2.2 Adequabilidade do layout da estrutura e divisões internas a alterações futuras IS 2.3.2.3 Adequabilidade do pé-direito a alterações futuras IS 2.3.2.4 Adequabilidade da capacidade de carga das lajes para outros usos IS 2.3.2.5 Fim de vida com baixo impacto ambiental (providências para desmontabilidade e descontrução seletiva) IS 2.3.3 Controlabilidade dos sistemas prediais IS 2.3.3.1 Capacidade de operação parcial dos sistemas técnicos do edifício IS 2.3.3.2 Capacidade de controlar aquecimento e refrigeração excessivos nas áreas de ocupação primária IS 2.3.3.3 Nível de automação predial apropriado à complexidade dos sistemas IS 2.3.3.4 Controlabilidade dos sistemas pelos usuários • • • Área das zonas de controle de iluminação Área das zonas de controle de equipamento HVAC Área de janelas operáveis/área total de janelas

IS 2.3.4 Impacto em propriedades adjacentes e vizinhança imediata IS 2.3.4.1 Impactos ambientais no terreno e propriedades adjacentes § § § Refletância de superfícies horizontais do edifício e área pavimentadas do terreno Impacto do processo de construção em erosão do solo no terreno e sítios adjacentes Impacto do paisagismo em erosão do solo e sítios adjacentes, no controle de uso de água em irrigação; redução de ilhas de calor; redução de toxicidade no terreno (controle de pestes) e em projeto passivo

IS 2.3.4.2 Interferência negativa em acesso a sol e vento e no potencial de geração de energia solar IS 2.3.4.3 Ruído do edifício afetando propriedades adjacentes IS 2.3.4.4 Ruído durante a construção do edifício afetando propriedades adjacentes IS 2.3.4.5 Número de reclamações ou notificações formais (ambientais ou por incômodo - ruído, acidentes, trânsito etc) recebidas devido a atividades de construção

IS3.2 IS132.1.

Satisfação usuários finais
Implementação de prática para avaliação da satisfação de usuários (mecanismos de retroalimentação, como APO) Satisfação média dos usuários finais (quando diferentes dos clientes, avaliados no item IS3.2.3, form Construção ), estimada a partir de porcentagem satisfeita com: Pontualidade na entrega Qualidade do produto Qualidade do ambiente interno Qualidade do ambiente externo Atendimento pós-entrega Custo anual de manutenção/operação
0 1 2 3 4 5

Não

Sim

0 IS3.2.2.

1

Usuário final=cliente? Não Sim
Não se aplica

<20 %

21-40%

41-60%

61-80%

61-80 %

>80 %

IS3.2.4.

Programa para melhoria contínua da satisfação, com base na pesquisa de satisfação dos usuários finais

Não

Sim

0

1

OE2
IE2.1

Melhoria no produto oferecido
Processo de projeto/construção
Global R$/m2 Pior Igual Melhor No trimestre anterior R$/m2 Pior Igual Melhor Previsto R$/m2

IE2.1.2

Custo de operação real/planejado
-1 0 1 -1 0 1

Global R$/m2
IE2.1.2

No trimestre anterior Pior Igual Melhor R$/m2 Pior Igual Melhor

Previsto R$/m2

Custo de manutenção real/planejado
-1 0 1 -1 0 1

IE 2.2.

Aumento da satisfação, bem-estar e valor para usuários e vizinhança
Número de reclamações de usuários finais e clientes, por unidade de valor agregado interface com IS 3.2.2 Satisfação média dos usuários finais e IS 3.2.3 Satisfação média dos clientes

IE 2.2.1

qtd/$

não pontua

OG1
IG1.

Consideração de aspectos de gestão ambiental e sustentabilidade no planejamento do processo
Sistema de gestão de resíduos de uso está implantado e inclui

IG1.3

Política de gestão de resíduos de uso disponível para todos os usuários
1

Sensibilização de usuários para a minimização de resíduos de uso e separação para reciclagem
1

Procedimentos para coleta e reciclagem de resíduos de uso
1

Condução de auditoria trimestral da geração de resíduos de uso
1

Disseminação trimestral de informações sobre minimização e
1

Outros

IG1.4

Sistema de gestão de uso de água está implantado e inclui

Política de conservação de energia disponível para os usuários
1

Sensibilização de usuários para a conservação de água
1

Monitoramento semanal em relação a dados históricos
1

Condução de auditoria externa anual do uso de água no edifício
1

Disseminação trimestral de informações sobre uso e economia de água
1

Procedimentos de manutenção cobrem todos os sistemas e equipamentos
1

Outros

IG1.5

Sistema de gestão de uso de energia está implantado e inclui

Política de conservação de energia disponível para os usuários
1

Sensibilização de usuários para a conservação de energia
1

Monitoramento mensal Condução de auditoria em relação a dados externa anual do uso históricos de energia no edifício
1 1

Conscientização trimestral sobre uso e economia de energia
1

Procedimentos de manutenção cobrem todos os sistemas e equipamentos
1

Outros

OG2
IG2. IG2.3.

Integração de práticas de controle de qualidade ao processo
Planejamento da operação e manutenção do edifício

Programa de manutenção preventiva dos sistemas e equipamentos consumidores de água e energia
IG2.3. 1

Treinamento do pessoal de manutenção e operação
IG2.3. 1

Outros

FIM da avaliação

Instruções

Projeto

Construção

Uso e Operação

Pontuação

Imprime Formulário

Limpa Formulário

Uso e Operação

0 pts em 65

0 %

1

2

1

2

Ambiental

C
Instruções

Gestão

Social

Classe

Econômico

Índice global de Sustentabilidade

#REF! 50% 62% 57% 67%
Pontos

1
55%

26%

21%

26%

27%

Pesos

Projeto

Construção

Uso e Operação

Pontuação

Imprime Formulário

Limpa Formulário

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