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O filme é inspirado em visões de uma esotérica!

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre
si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado
pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe
a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.4-5).

A controvérsia sobre o filme de Mel Gibson, “A Paixão de Cristo”(lançado à


época da dita “semana santa”, em março de 2004), subestimou um fato
essencial. Enquanto alguns cristãos ingênuos louvavam sua suposta
“autenticidade bíblica” e outros criticavam sua “violência brutal” e seu “anti-
semitismo”, a fonte principal que inspirou Mel Gibson a produzir essa película quase não
recebeu atenção.

Vários ícones do cristianismo ignoraram ou desconheceram onde Mel Gibson foi pescar a
maioria das informações para o seu filme e apoiaram cegamente essa película.
No início de dezembro de 2003, antes do filme chegar aos cinemas, o papa João Paulo II
(1920-2005) assistiu-o em uma seção particular no Vaticano e, ao término da exibição,
sentenciou: “O filme é como era”.(1)
O reverendo Billy Graham também teve sua exibição particular antes do filme chegar aos
cinemas. Elogiou a película e isentou os judeus pela morte de Cristo: “Me senti como se
estivesse lá. Me levou às lágrimas.

Duvido se já houve uma apresentação mais tocante e gráfica da morte e ressurreição de


Jesus, a qual os cristãos acreditam que seja o mais importante evento da história da
humanidade [...] O filme é fiel aos ensinamentos bíblicos de que somos todos responsáveis
pela morte de Jesus, porque todos pecamos. São os nossos pecados que causaram a Sua
morte e não qualquer grupo em particular”.(2)
Outro ícone evangélico mundial, o reverendo Rick Warren, da Igreja Saddleback, em Lake
Forest, na Califórnia, e autor do best-seller “Uma Vida Com Propósito”, foi um grande promotor
do filme. Warren chegou a adquirir 18 mil ingressos do filme.(3)
No Brasil, não foram poucos os pastores que incentivaram os membros que
pastoreiam a irem aos cinemas. Alguns compraram todos os ingressos de
algumas seções para os membros da igreja. Até algumas revistas evangélicas
se derramaram em elogios.
Bem, qual foi a principal fonte bibliográfica de Mel Gibson? O livro A Dolorosa Paixão do Nosso
Senhor Jesus Cristo(4), publicado pela primeira vez em 1833.

Infelizmente, esse livro consiste de “visões” de uma freira alemã chamada Anna Katharina
Emmerick (1774-1824).
A Paixão de Cristo de Mel Gibson
Quem foi Anna Katharina Emmerick?

Citarei, a seguir, vários trechos do terceiro capítulo da Tese de Doutoramento do professor


Orlando Fedeli, aprovada na Universidade de São Paulo em 1988, sobre os “Elementos
Esotéricos e Cabalísticos nas Visões de Anna Katharina Emmerick”, publicada no site Montfort
Associação Cultural.

Anna Katharina Emmerick era uma camponesa inculta e de poucas leituras. Muito do que
sabemos sobre ela nos foi passado pelo poeta alemão Clemens Brentano, secretário e redator
das “visões” dessa freira. Segundo Orlando Fedeli:

Emmerick nasceu em 8 de setembro de 1774, em Flamske, aldeia próxima a Coesfeld, na


Westfália. [...] Foi batizada logo após o nascimento na paróquia de S. Tiago de Coesfeld. [...]
O padre Schmoeger conta que, segundo as Visões que Katharina Emmerick teve de si
mesma, ela possuíra o uso da razão desde o nascimento [...].

Brentano afirma que, quando pequena, ela tinha visões de Jesus jovem e de
João Batista menino, aos quais ela chamava de “Jungsten” e “Hanneschen”,
.
sendo que o primeiro a ensinava a fazer vestidos para a sua boneca. Diz
também que, quando menina, contava ao pai cenas bíblicas que assistia em
visão e o pai, comovido, chorava, perguntando onde ela aprendera tais coisas [...].

Trabalhou no ofício de costureira até 1799 [...].


Os biógrafos costumam dizer que ela leu pouco. Brentano diz que ela nunca leu a Bíblia, o
que é surpreendente, pois ela leu várias obras piedosas e místicas [...].(5)

Em seu livro A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, Emmerick afirma que no dia 13
de novembro de 1803, com a idade de 29 anos, ela fez seus votos solenes e tornou-se esposa
de Jesus Cristo no Convento de Agnetenberg em Dulmen.(6) Desde então passou a chamar
Jesus Cristo de “meu Esposo Divino” ou “meu Esposo Celeste”.
O livro que inspirou A Paixão de Cristo de Mel Gibson.
Os estigmas de Anna Emmerick: as feridas da crucificação de Cristo

Os estigmas são as feridas sofridas por Jesus Cristo durante o processo da crucificação. Os
católicos afirmam que a primeira pessoa a tê-las foi “São Francisco de Assis” (nasceu em
1181/1182 em Assis na Itália e morreu em 1226 na Itália). Entre “São Francisco de Assis” e
Anna Katharina Emmerick, sabe-se que existiram pelo menos 50 pessoas com os supostos
estigmas de Jesus Cristo.(8)
O já citado professor Orlando Fedeli, em sua Tese de Doutoramento sobre os “Elementos
Esotéricos e Cabalísticos nas Visões de Anna Katharina Emmerick”, escreve acerca dos
ferimentos imitando as chagas de Cristo que surgiram, sem causa aparente, no corpo de
Emmerick:

Em 1802, Emmerick teria recebido misticamente a coroa de espinhos de Cristo, mas sem
efusão de sangue, apenas com um inchaço na fronte, nas têmporas e até nas faces. Foi só
mais tarde, quando já estava no convento, que sua testa começou a sangrar, em pequenos
pontos.

[...] Katharina Emmerick pretendia servir a seu ex-capelão, que estava adoentado, mas
depois caiu tão doente que foi ela quem teve que ser servida. Segundo seu depoimento no
inquérito estatal, foi em 28/08/1812, festa de S. Agostinho, patrono de sua ordem, que ela
recebeu um primeiro sinal místico: sobre seu estômago apareceu uma cruz sangrenta.
Semanas depois teria aparecido uma segunda cruz, parecida com a cruz de Coesfeld, sobre o
osso esterno, sangrando periodicamente. No dia de Santa Catarina (25/11/1812), uma outra
cruz, semelhante à antecedente, apareceu sobre o osso esterno, acima daquela que já
recebera, formando uma só marca. No natal de 1812, ela recebeu os estigmas de Cristo nas
mãos e nos pés. E finalmente, a 29/12/1812, recebeu a chaga do peito de Cristo, no seu
flanco.
[...] Essas chagas sangravam em certos dias da semana:
„A dupla cruz sobre o esterno sangrava, a maior parte das vezes, às quartas-feiras. As
chagas do flanco e da cabeça, apenas às sextas-feiras‟.(9)

O autor Joe Nickell, conhecido por investigar fraudes, comenta sobre a personalidade de
Emmerick em seu artigo intitulado “Visões Por Trás da Paixão”:

Resumindo, Emmerick exibiu muitos dos traços indicativos de uma personalidade propensa à
fantasia (Wilson e Barber 1983). Essa não é apenas o tipo de personalidade de numerosos
visionários religiosos, mas também de incontáveis médiuns espirituais, abduzidos por
alienígenas e outros fantasiadores. Eles acreditam tipicamente que possuem poderes
especiais, freqüentemente incluem a habilidade de se comunicarem com entidades
superiores – um tipo de versão adulta do companheiro imaginário da época de criança.

A mística Emmerick pode também ter sido uma fraudulenta piedosa. Ela montou um show
como se fosse uma cristã, ao ponto de dormir em tábuas colocadas no chão em forma de
uma cruz, e quando tinha vinte e quatro anos de idade reivindicou ter recebido a dor da
coroa de espinhos de Jesus. Logo em seguida, havia sangue escorrendo pela sua face. Após
ter sido recebida em um convento das agostinianas, supostamente recebeu „uma marca
como uma cruz sobre seu peito‟ e posteriormente até exibiu uma série completa dos
estigmas (os ferimentos da crucificação de Cristo).
Ela foi o objeto de uma investigação médica durante 3 semanas, porém „essa investigação
parece não ter produzido nenhum efeito específico‟ (“Life” 1833). Nem a ciência e tampouco
a Igreja Católica autenticaram um único estigma. Sem dúvida, muitos estigmas têm sido
comprovadamente fraudulentos (Nickell 2000; Nickell 2004).

Em seguida, Emmerick reivindicou praticar a inédia, isto é, a alegação de ter a habilidade de


abster-se de todos os alimentos, suspendendo todas as comidas e, algumas vezes, bebidas
(Nickell 1993, 225-229). Emmerick supostamente sobreviveu apenas com vinho, e
eventualmente “apenas pura água” (“Life” 1833). Ela nunca foi investigada apropriadamente,
mas alguns inédicos que foram, acabaram expostos como fraudulentos.(10)

O papa beatificou Emmerick, que em breve será uma “santa” católica

A primeira tentativa de canonização de Emmerick foi no século XIX. Sobre esse assunto o
professor Orlando Fedeli escreve:
O próprio processo de canonização da freira, introduzido em 1892-1894, se mostrou
marcado pela mesma falta de objetividade e pela preocupação dos postuladores em salvar a
qualquer custo a canonização dela.
O resultado foi a transformação do processo em uma verdadeira embrulhada (“un vero
guazzabuglio”), na pitoresca expressão do voto I da “Relatio et vota Congressus Peculiaris
10/02/1981”, documento da “Sacra Congregationis Pro Causa Sanctorum” p. 1225.

E “verdadeira embrulhada exatamente na reprodução daqueles documentos (das


testemunhas) feita de modo cientificamente bárbaro, e com critérios que escapam a
qualquer classificação, e que não é nem possível intuir qual seja, tanto eles são arbitrári
os e fora do mais elementar bom senso, de forma caótica”.

[...] O processo, entretanto, não foi adiante em virtude de veto do Santo Ofício em 30 de
novembro de 1928, considerando impossível uma continuação, pois uma eventual
canonização de Katharina Emmerick viria dar grande autoridade aos escritos que se lhe
atribuiam.

(11) Em 1973, o papa Paulo VI suspendeu o veto de 1928 e o processo de canonização foi
reaberto.
No entanto, foi o falecido papa João Paulo II, recordista em beatificações de fiéis católicos, que
no domingo 3 de outubro de 2004, sem perder tempo e menos de sete meses após o
lançamento do filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, honrou a mística freira alemã com o
título de beata.

A beatificação é o último passo formal na Igreja Católica antes de conferir o título de santidade.
Imagine? Anna Katharina Emmerick está a poucos centímetros de ser elevada aos altares das
igrejas católicas como mais uma santa!

O Vaticano concluiu que a veracidade de suas visões contidas no livro do século XIX não
podem ser confirmadas. Oficiais do Vaticano, que examinaram a vida de Emmerick, afirmam
que a escolha da freira para a beatificação foi feita decorrente de “sua generosidade para com
os pobres e sua extraordinária empatia com o sofrimento”.(12)
Durante a homilia, o papa João Paulo II sentenciou: “A abençoada Anna Katharina Emmerick
viu o sofrimento amargo do nosso Senhor Jesus Cristo e experimentou isso no seu próprio
corpo”.(13) Eita papa “infalível”!
As visões místicas da freira Emmerick foram incorporadas ao filme

Analisemos, pois, algumas das muitas visões de Emmerick que transformaram-se em trechos
do filme “A Paixão de Cristo”:

a) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que Jesus Cristo, no Getsêmani, deu sinal de
frouxidão diante dos três apóstolos. No filme, os três apóstolos (Pedro, Tiago e João) estão
com Jesus no Getsêmani e João ao ver o estado lastimável em que Jesus se encontrava,
pergunta se deve chamar os outros oito apóstolos (Judas já não estava mais entre o grupo) e
Jesus responde: “Não, João. Não quero que eles me vejam assim”. Onde Mel Gibson foi
buscar essa informação? No livro da freira Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor
Jesus Cristo, onde Jesus fala: “Não chama os oito; eu não os trouxe aqui, porque eles não
podiam me ver agonizando sem que ficassem escandalizados; eles cairiam em tentação,
esquecer-se-iam do passado e perderiam sua confiança em mim”. (página 66).

b) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que Satanás, no Getsêmani, dialogou com Jesus
Cristo. Onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira Emmerick,A Dolorosa
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (pp. 63-76).

c) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que Jesus Cristo, após ter sido
preso no Getsêmani, foi amarrado, levado a cruzar uma ponte, acompanhado
a cada passo com insultos, blasfêmias e golpes. Durante a travessia da ponte,
cai em direção ao rio e fica pendurado pelas cordas e correntes. Mais uma
vez, onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira Emmerick,A Dolorosa
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (p 87).

d) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que Judas, antes de suicidar-se, saiu correndo
para fora da cidade acompanhado por demônios. Outra vez, onde Mel Gibson foi buscar essa
informação? No livro da freira Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (p
96).

e) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que o apóstolo Pedro, após ter negado Jesus três
vezes, arrependido e aos prantos, encontra Maria na casa de Caifás, chama-a de “Mãe” e diz:
“Não sou digno! Eu o neguei três vezes, Mãe!”, e sai correndo pelo pátio como se estivesse
fora de si. De novo, onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira
Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (pp. 112-113).

f) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos uma descrição tão precisa de um


tipo diferente de açoite com lascas nas pontas para lacerar a pele. Lembram-
se da cena? Enquanto dois executores açoitam Jesus com a maior fúria
possível, eles testam primeiro encima da mesa e depois nas costas de Jesus,
esse açoite que tem na ponta um instrumento como se fossem uns tipos de dedos em garra
que arrancam pequenas partes da pele, expondo a musculatura, como se fossem pequenas
mordidas. Novamente, onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira
Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (p. 146).

g) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que após Jesus ter sido impiedosamente
espancado pelos soldados romanos, Cláudia Procles, a suposta esposa de Pilatos, entrega a
Maria, mãe de Jesus, uns pedaços de linho. Lembram-se da cena? Em seguida, Maria mãe de
Jesus e Maria Madalena ajoelham-se no chão perto da coluna onde Jesus foi açoitado e
limpam o sangue derramado por Jesus com o linho que receberam de Cláudia Procles. Para
não perder o costume, onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira
Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (p.148).
h) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que durante o sofrido caminho para o Calvário,
Verônica enxuga com um véu a face de Cristo e a face fica marcada como um retrato no véu.
Na verdade, isso é uma antiga tradição católica que já tinha sido incorporada como a sexta das
14 estações da “Via Crucis” pelos papas Clementes XII, em 1731, e Bento XIV, em 1742
(portanto, antes da freira Anna Emmerick nascer). Sim, essa cena também está descrita no
livro da freira Emmerick, A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (pp.172-174).

i) Em nenhum dos quatro evangelhos lemos que após a primeira mão (“mão esquerda”) de
Jesus ter sido pregada com o prego na cruz, os romanos observaram que a sua outra mão não
alcançava o buraco que haviam produzido para receber o prego e prontamente puxaram
violentamente o seu braço direito até que o mesmo alcançasse o local onde estava o orifício na
madeira. Adivinhe onde Mel Gibson foi buscar essa informação? No livro da freira Emmerick, A
Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (p.181, com uma diferença apenas, no livro a
primeira mão a ser pregada foi a direita e depois a esquerda).
Bem, poderia continuar citando outras cenas do filme de Mel Gibson que foram inspiradas nas
visões esotéricas da freira alemã, no entanto, acho que já ilustrei o suficiente para provar que
quando Gibson afirmou que tinha se inspirado nesse livro, era porque verdadeiramente
manteve relações estreitas com essa literatura.

O filme contém muitas cenas inexatas, um bocado adicionadas sem o apoio das Escrituras e
muitas outras que são abertamente contrárias à Palavra de Deus. Apenas um exemplo: na
Paixão de Mel Gibson, enquanto Jesus encontrava-se no Getsêmani, uma cobra desliza por
baixo do manto de Satanás e chega até Jesus que a mata com Seu calcanhar. De fato isso é
uma referência à profecia de Gênesis 3.15, mas a Bíblia não menciona que isso ocorreu no
Getsêmani. Indubitavelmente, Jesus destruiu o diabo na cruz (na Sua morte) e não no
Getsêmani (Hebreus 2.14). Sem dúvida, Mel Gibson inventou muita coisa, além de beber
profundamente no poço místico de Emmerick.

Um trecho de um artigo intitulado “O Filme de Mel Gibson – A Paixão de Cristo”, publicado


pela Way of Life Literature, do Serviço de Informação da Igreja Batista Fundamentalista dos EUA e
Canadá, nos esclarece que esse é um filme católico romano:

Mel Gibson (à direita), dirigindo o ator Jim Caviezel

Mel Gibson pertence a um grupo católico tradicional que realiza a missa em latim, priva de ingerir
carnes nas sextas-feiras, foge do ecumenismo e pratica outras coisas que foram abolidas no
Concílio Vaticano II durante a década de 60. Gibson construiu a sua própria capela, chamada
Família Santa, próxima a sua casa na Califórnia. Durante a filmagem, Gibson freqüentou as missas
católicas todas as manhãs com o desejo errado de “estar puro”.
O roteiro foi traduzido para o aramaico e o latim pelo padre jesuíta William Fulco.

Qual é o evangelho que Gibson está tentando pregar durante o filme? É o evangelho católico dos
sacramentos. Quando perguntado por um entrevistador protestante se alguém pode ser salvo fora
da igreja católica romana, Gibson respondeu: “Não há salvação para aqueles fora da igreja” (Peter
Boyer, “The Jesus War”, The New Yorker, 15 de setembro de 2003). Esse era o ensinamento
oficial de Roma antes do Vaticano II.
De acordo com o romanismo, Jesus Cristo morreu na cruz, adquiriu a redenção e então entregou
essa redenção para a Igreja Católica distribuí-la como pedaços de alimentos para os homens via
os sete sacramentos. O homem não pode receber a salvação eterna diretamente de Cristo pela fé;
ele tem que aproximar-se de Cristo através da Igreja Católica, via batismo, confirmação, missa,
confissão para um padre católico, etc. A Igreja Católica ensina que o sacrifício de Jesus na cruz
não foi de uma vez por todas suficiente, mas tem de ser perpetuado na missa, a qual é chamada
de um sacrifício sem sangue. Considere esta afirmação do Concílio do Vaticano II: “Portanto, a
Missa, a Santa Ceia, é ao mesmo tempo e inseparavelmente: um sacrifício no qual o sacrifício da
cruz é perpetuado... Pois nele, Cristo perpetua de uma maneira sem sangue o sacrifício oferecido
na cruz, oferecendo a si mesmo ao Pai pela salvação do mundo através do ministério dos padres”
(Documentos do Vaticano II, “The Constitution on the Sacred Liturgy, Instruction on the Worship
of the Eucharistic Mystery”, Introdução, C 1,2 p.108).(15)
Mel Gibson finalmente saiu do armário do anti-semitismo
Enquanto a película estava em evidência, Mel Gibson foi acusado de ser anti-semita e jurou que
não era, mas pisou na bola quando foi pego dirigindo em excesso de velocidade em julho de 2006.

Leia trecho do seguinte artigo publicado na revista Veja:


Alcoólatra supostamente redimido há vinte anos, em julho o ator e diretor enfiou o pé na jaca, foi
parado pela polícia por excesso de velocidade e, daí, saiu do armário do anti-semitismo. Olhando
para um policial de sobrenome judaico, detonou: “Os judeus são culpados por todas as guerras do
mundo”. No dia seguinte, contrito, pediu profusas desculpas, pôs a culpa no José (Cuervo, o da
tequila) e internou-se numa clínica.(16)
Conclusão: Desperta pastor!

Muitos foram os pastores que se emocionaram e apoiaram a película de Mel Gibson, de forma
parcial ou total. Alguns deles são meus amigos e até meus pacientes. Gostaria muito de fazer a
cada um deles a seguinte pergunta: o que fariam comigo e o que diriam de mim se durante duas
horas e quarenta minutos eu pregasse na igreja deles e ensinasse, durante esse período, cerca de
50 heresias? Posso até imaginar algumas respostas. Pois bem, por que não agiram assim em
respeito ao filme “A Paixão de Cristo”?

Irmãos, apoiar esse filme não apenas foi fazer um gol contra, foi fazer parceria com o catolicismo,
com Anna Katharina Emmerick, com a mariolatria e com Adolf Hitler. Irmãos, essa é uma heresia
cinematográfica assim como foram “Jesus Cristo – Superstar” (1973),“A Última Tentação de
Cristo” (1988) e como é “O Código Da Vinci” (2006). Oro ardentemente para que Deus nos livre
de termos algum pastor se emocionando e apoiando “O Código Da Vinci”.

“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa
toda?” (1 Coríntios 5.6). “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5.9). “E
não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”
(Efésios 5.11).