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idoso e hospitalização

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Rev Saúde Pública 2004;38(5):687-94

www.fsp.usp.br/rsp

$&%

Impacto funcional da internação hospitalar de pacientes idosos Functional impact of hospitalization among elderly patients
Ana Barros Siqueiraa, Renata Cereda Cordeiroa, Monica Rodrigues Perracinia e Luiz Roberto Ramosb
a b

Universidade Federal Paulista. Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM). São Paulo, SP, Brasil. Departamento de Medicina. Unifesp-EPM. São Paulo, SP, Brasil

Descritores Saúde do idoso. Hospitalização. Avaliação geriátrica. Resultado de tratamento. Avaliação de resultados (cuidados de saúde). Qualidade de vida. Recuperação de função fisiológica.

Resumo Objetivo Descrever as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar e o grau de associação dessas alterações na ocasião da alta hospitalar a variáveis sociodemográficas e clínicas. Métodos Foram estudados 94 pacientes internados em enfermaria geriátrico gerontológica de um hospital escola, com idades entre 65 e 94 anos. A primeira avaliação da capacidade funcional (número de atividades cotidianas comprometidas) dos idosos foi realizada em até 24 horas da entrada do paciente e a última, imediatamente após a alta. Os pacientes sofreram intervenções terapêuticas rotineiras por equipe interdisciplinar. Os dados foram analisados pelo teste qui-quadrado, tanto para a linha de base como em relação à análise dos resultados obtidos com a internação hospitalar (α≤0,05). Resultados Dos pacientes estudados, 25,6% obtiveram melhora na capacidade funcional, 34,0% não sofreram alterações funcionais, 19,1% pioraram funcionalmente e 21,3% faleceram durante o período. Houve correlação significante entre a piora funcional e a presença déficit cognitivo, delirium e baixa capacidade funcional na entrada no hospital. Conclusões A capacidade funcional é um importante marcador de saúde em idosos hospitalizados. A melhora funcional durante a internação está associada a menores dificuldades nas atividades diárias referidas no momento da entrada no hospital e melhores condições clínicas.

Keywords Aging health. Hospitalization. Geriatric assessment. Treatment outcome. Outcome assessment (health care). Quality of life. Recovery of function.

Abstract
Objective To describe functional capacity changes of elderly during hospitalization and to assess the correlation of these changes at the time of hospital discharge and sociodemographics and clinical variables. Methods There were studied 94 patients aged 65 to 94 years admitted to a geriatric-gerontological hospital unit of a school hospital. The first functional capacity evaluation (number of daily living activities impaired) of the elderly patients was carried out up to 24 hours after admission and the last one immediately after discharge. Routine therapeutic
Baseado em dissertação de mestrado apresentada à Universidade Federal de São Paulo, 2002. Recebido em 7/4/2003. Reapresentado em 17/3/2004. Aprovado em 10/5/2004.

Correspondência para/ Correspondence to: Ana Barros Siqueira Rua Imaculada Conceição, 81 Apto. 21 Santa Cecília 01226-020 São Paulo, SP, Brasil E-mail: anabrs@ig.com.br

tem sido foco de atenção a importância desses problemas. Considerando-se a própria idade como fator de risco para esses eventos. especialmente no tratamento de idosos que são frágeis ou apresentam vários problemas de saúde. baseados em questionários e testes rápidos de desempenho . A significant correlation was seen between functional deterioration and cognitive deficits. entre os profissionais da saúde. sabe-se que. INTRODUÇÃO A velocidade com que ocorre o envelhecimento populacional. Functional improvement during hospitalization is associated to lesser impairment in daily activities at the time of admission and better clinical conditions.19 Com o envelhecimento.6. além de facilitar a pesquisa epidemiológica. sociais e políticas. por uma diminuição da capacidade funcional e mudanças na qualidade de vida. em linhas gerais. em geral.br/rsp interventions were performed by an interdisciplinary health care team in the study period.6. cujos problemas de saúde poderão levar a limitações funcionais e. em 1991. os riscos a que estão sujeitos os pacientes hospitalizados. entre os idosos com idade mais avançada (80 anos e mais). implicando no tratamento de duração mais prolongada e de recuperação mais lenta e complicada. delirium. 25. para 15%. os métodos de avaliação funcional devem ser os mais abrangentes possíveis. Geralmente. No Brasil. a manutenção da qualidade de vida torna-se mais desafiadora. ambulatoriais e em reabilitação.14 Alguns estudos têm avaliado. Conclusions Functional capacity is an important marker of health in hospitalized elderly.19 Frente ao envelhecimento da população idosa brasileira.1 Durante a internação. ao desenvolvimento de quadro de dependência funcional. concluíram que a avaliação funcional pode detectar deficiências importantes no desempenho funcional que podem se ocultar durante os exames clínicos convencionais.6 Os idosos são mais suscetíveis a complicações causadas pelo repouso prolongado no leito durante a hospitalização. envolvendo maiores custos.9 de modo a tornar imprescindível sua avaliação.5%. expressa pela capacidade de auto-determinação e execução de atividades de vida diária (AVD) sem necessidade de ajuda durante a velhice.12.6% improved their functional capacity. a hospitalização é seguida. muitas vezes. irreversíveis. os idosos frágeis são os indivíduos portadores de múltiplas condições crônicas. 19. de maneira ampla. os problemas e as queixas quanto à saúde começam a surgir.16 Nas últimas décadas.12 Embora ainda foco de controvérsias quanto à sua conceituação. a avaliação funcional fornece dados que são importantes no prognóstico e proporcionam uma linguagem comum.1% had worsened functionally. freqüentemente. and 21.3% died during the study period. Results Of all patient studied.38(5):687-94 www. há a necessidade de estruturação de serviços e de programas de saúde que possam responder às demandas emergentes do novo perfil epidemiológico do País. especialmente nos países subdesenvolvidos.10 Assim. as avaliações do estado funcional são instrumentos de medida simples e baratos. Quando tais funções começam a deteriorar-se de modo a desafiar a reserva funcional do idoso e atingir seu limiar. quer para a família e a comunidade. estão os que já são imediatamente caracterizados como frágeis. Envelhecer mantendo-se íntegros o funcionamento orgânico e psicossocial não significa problema. and low functional capacity at admission. Data was analyzed using Chi-square test (α≤0.fsp. em 2025.0% had not had functional changes.3 Os idosos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários. A fragilidade é um construto que tem atualmente merecido esforços em sua conceituação.5. 34.05). a idéia que norteia as questões da saúde do idoso diz respeito à manutenção de vida autônoma e independente.$&& Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004. principalmente quando a discussão atinge a questão do preparo dos sistemas de saúde para acolher essa crescente demanda. quer para o indivíduo. tornou-se tema da atualidade.15 Estudos realizados em pacientes hospitalizados. tendo em vista suas complicações médicas. Desde a metade do século XX a maioria dos idosos tem-se concentrado nos países subdesenvolvidos.13 Como repercussões. projeções estatísticas indicam que a população idosa passará de 7. Cerca de metade das internações hospitalares de idosos tem como causas mais freqüentes as doenças do aparelho circulatório e as do aparelho respiratório.usp. apesar de ser amplamente utilizado.4 A hospitalização é considerada de grande risco especialmente para as pessoas mais idosas. Dessa forma.

Rev Saúde Pública 2004. fonoaudiólogos. úlceras por pressão.usp. segundo o número de tarefas comprometidas: “nenhuma AVD comprometida”. médicos e nutricionistas. ou “não realiza”). pentear cabelo. considerou- . Os pacientes receberam intervenção individualizada rotineira pela equipe interdisciplinar da referida enfermaria. fazer limpeza de casa. transferências posturais. preparar refeições.21 a partir de funções básicas para as mais complexas. segundo as diretrizes do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo.8. sendo a nota de corte 24 para determinar déficit cognitivo – e pelo Confusion Assessement Method (CAM).fsp. história de inter- nação prévia. memória imediata. Foi identificado o diagnóstico principal no momento da internação de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10). tomar remédios na hora certa. infecção do trato urinário. essa. cor. na alta hospitalar. considerou-se a variável “número de atividades comprometidas” (qualitativa ordinal. pegar condução. Os valores das variáveis clínicas foram obtidos por meio do prontuário de cada paciente. Dessa forma. o presente estudo tem como objetivo descrever as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar. e óbito). A partir daí. assistentes sociais. desidratação. “4 a 6 AVD comprometidas” e “7 e mais AVD comprometidas”. “com pouca dificuldade”. caso aquele não tivesse condições clínicas de responder às questões. Esse instrumento permitiu obter dados de um total de 21 variáveis. com a pontuação mínima de zero e máxima de 30 pontos. assim como uma importante variável determinante de mortalidade. na ocasião da alta hospitalar. A variável dependente do presente estudo é a capacidade funcional medida pela dificuldade auto-referida em executar 15 atividades da vida diária (AVD). Considerou-se como parâmetro temporal para referência do respondente às dificuldades em AVD aquelas recordadas nos últimos 30 dias que antecederiam a internação hospitalar. comer. número de medicamentos e ocorrências durante a internação (complicações.7 Esses achados também foram confirmados no estudo de Corral et al5 (1995). O instrumento de avaliação da capacidade funcional dos pacientes poderia ser aplicado tanto ao paciente como ao cuidador. insuficiência respiratória. subir um lance de escadas e andar por perto do domicílio. atenção e cálculo. sendo a casuística composta por todos os pacientes idosos (60 anos e mais) internados em enfermaria geriátrica de um hospital-escola geral de grande porte da cidade de São Paulo. “muita dificuldade”. o Brazilian OARS Multidimensional Functional Assessment Questionaire (BOMFAQ). que afirmam que o estado funcional é um parâmetro importante como fator de prognóstico do resultado hospitalar. Para análise do fenômeno capacidade funcional na linha de base. Para a análise longitudinal. pelo método de escalonagem de Guttman. A técnica de amostragem foi consecutiva. a referência temporal seria momentânea. Compuseram as variáveis do subgrupo sociodemográfico: sexo. MÉTODOS Foi realizado estudo clínico observacional com duas medidas da capacidade funcional: a primeira. bem como o grau de associação dessas alterações verificadas na ocasião da alta hospitalar a variáveis sociodemográficas e clínicas. “1 a 3 AVD comprometidas”. que podem ter um valor considerável ao predizer a incidência de óbitos em hospitais. de julho de 2000 a agosto de 2001. A avaliação inicial foi executada por meio de instrumento multidimensional que emprega fontes de informação indiretas (questionário estruturado e dados de prontuários).17 instrumentos adaptados transculturalmente e validados para o idioma português. Obtiveram-se informações a respeito da via de entrada. usar o toalete. enfermeiras. medida até as primeiras 24 horas da internação e a segunda. vestir-se e andar no plano. As mais complexas envolvem tarefas relacionadas a atividades como fazer compras. Todos os pacientes participantes do estudo ou seus familiares assinaram termo de consentimento pós-informado.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $&' observável. Supõe-se que a internação provoque melhora funcional em vista das intervenções médico-reabilitadoras usuais e que tal melhora esteja associada a melhores escores funcionais na entrada e melhores condições clínicas durante o seguimento. escolaridade e estado civil. A função cognitiva foi avaliada por meio do “Mini-Exame do Estado Mental” (MEEM)11 – 30 questões que obtém valores dos domínios da orientação.38(5):687-94 www. memória de evocação e linguagem. Para a segunda medida. subdivididas em dois grupos: sociodemográficas e clínicas. 4 categorias). foi construída uma variável qualitativa com quatro categorias de dificuldade funcional.21 As básicas são: tomar banho. constituída por fisioterapeutas. organizados hierarquicamente no instrumento Order Americans Resources and Services (OARS). Considerou-se para cada tarefa funcional questionada desse instrumento quatro categorias de resposta possíveis (“sem dificuldade”. idade.

Associações entre variáveis sociodemográficas e capacidade funcional em idosos hospitalizados.1 100.0 64.5 41.1 50. ou para aqueles que.4 13.7 50.9 35.0 24.2 7+ 37.38(5):687-94 www. tivessem referido alguma dificuldade nas AVD. A média de idade dos pacientes com 65 a 94 anos.014* 0. houve associação entre capacidade funcional e a via de entrada.8 20. criada a partir da diferença entre o número de AVD comprometidas referidas no momento da alta e na entrada. RESULTADOS Dos 94 pacientes estudados.6%). em função do grau de comprometimento funcional expresso pela dificuldade na realização de atividades diárias.1 17. tanto na entrada. aqueles que deram entrada no hospital via pron- Doenças do aparelho circulatório Transtornos mentais Doenças do aparelho respiratório Sinais e sintomas inespecíficos Doenças endócrinas.0 52.765 0. Quanto às variáveis clínicas.7 14. observa-se que a minoria.5 61.9 16.6 17. foi de 78. enquanto que a maioria (em torno de 49%) apresentava sete e mais atividades comprometidas (Tabela 2).$' Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004.4%) e das doenças do aparelho respiratório (33.05. 0 21.6 16. ou melhor.9 13.1 14. expressa por “melhor ou igual” e “pior ou óbito” como resultados possíveis.2 16. Variáveis sociodemográficas Faixa etária 65-69 75-84 85 ou mais Sexo Masculino Feminino Raça Branco Negro Amarelo Escolaridade Analfabeto ou mais baixa escolaridade Média ou mais alta escolaridade Estado civil Sem vida conjugal Com vida conjugal Total *Significância α≤0.0%).0 28.5 13. na ocasião da entrada.3 37.4 10.05.0 0.8 7. mas obtiveram uma mudança na qual tivessem expressado ausência de dificuldades na alta.5 0.3 17. não havia referido qualquer dificuldade funcional nos últimos 30 dias.9 17.5 11.1 21. como na saída do hospital. Doenças Ocorrência % doença 57 37 31 31 27 22 18 14 12 11 10 16 60.3 83. A Tabela 2 mostra a distribuição das ocorrências de cada variável sociodemográfica.4 33. o nível descritivo obtido para as associações entre as variáveis qualitativas do estudo deu-se por meio do teste qui-quadrado.7 12.usp. tendo sido a única variável sociodemográfica a revelar associação com capacidade funcional: quanto maior a escolaridade.0 23.9 12.5 42.0 28.9 %Total p 34.Ocorrências e percentuais das doenças registradas em prontuário na entrada em idosos hospitalizados.4 19.br/rsp Tabela 1 .2 69. A Tabela 1 contém informações a respeito da distribuição de diagnósticos clínicos.0 42. Considerou-se um resultado “melhor ou igual” aqueles pacientes que não tivessem referido dificuldade em AVD ao responder o questionário.8 44.6 48.4 20. Descrevendo-se os resultados funcionais de entrada.fsp.2% eram do sexo feminino e 43.0 24.5 54.2 48.1 22.8 54. 54.385 0.0 18.0 base como em relação à análise dos resultados obtidos com a internação hospitalar. dentre os quais as doenças do aparelho circulatório foram as mais freqüentes (60.0% eram analfabetos ou tinham baixa escolaridade e 17. quase 15%. tanto para a análise da linha de Tabela 2 .8 14.8 11.9 10.5 43. menor a ocorrência de relato de dificuldade em AVD.344 .0 28.8 26.08 anos.0 33.2 14. Foi fixado nível de significância α≤0.2 20.7 23.5 43.0 15.34±8.0 0.0 12.9 Atividades funcionais 1-3 4-6 21.5 21. nutricionais e inumes Doenças do aparelho geniturinário Doenças do sangue Doenças osteoarticulares Doenças do sistema nervoso Neoplasias Doenças do aparelho digestivo Outras doenças Total 286 se a mudança da capacidade funcional durante a internação uma variável qualitativa dicotômica.7 23.3 15.1 100.7 10. A classificação de resultado “pior ou óbito” foi empregada para aqueles que não tivessem apresentado dificuldades em AVD na entrada e tivessem referido dificuldades ou óbito como resultados possíveis.7 50.6 39.4 20.0% estavam classificados como média e alta escolaridade.4 7.0 17. Além de ter-se empregado estatística descritiva simples (distribuição de ocorrências e percentagens).3 13.8% do masculino.279 0. seguidas dos transtornos mentais (39. Destaca ainda que o nível de escolaridade indica que 83.

Dos 94 pacientes.Associações entre o resultado funcional da internação.3 20.6% melhora- ram sua capacidade funcional.6 41.6 11.6 15.5%).4% pioraram ou faleceram durante o estudo. capacidade funcional na entrada e estado cognitivo em idosos hospitalizados. No momento da alta hospitalar.6%).2 17.6 47.010* 0.1 4.0 52.7 23.9 48.9 51. obtiveram os piores escores funcionais (Tabela 3).2 22.8 14.0 88. e insuficiência respiratória (8.2%).2 26.0 .4 9. Conforme mostra a Tabela 5.9 16.001).01).1 24.5 57.4 22.1 47. Com relação à capacidade funcional na entrada e às variáveis clínicas.4 52.0 47.0 16.0 73.45 dias.1 23.3 17.4 17.9 55. com a seguinte distribuição: rebaixamento do nível de consciência (20.1 47.05 85.fsp.7 72.068 0.3 25. infecção do trato urinário (8.9 40.3 33. de diagnóstico 1a3 4a8 MEEM <24 >24 CAM Positivo Negativo 0 6.0 30. sendo a média de 2.1 24.466 0.9 5. desidratação (9.6 14.5 10.5 63.4 6. observa-se nas Tabelas 4 e 5 que os idosos com maiores comprometimentos funcionais na entrada os que apresentaram déficit cognitivo e delirium. Houve associação significante entre estado cognitivo e presença de confusão aguda na entrada com capacidade funcional (p=0.001* 0.9 *Significância α≤0.5 58.3 24.001* 0.4 17.5 33. 37. O tempo médio de internação foi de 12. 19.3% faleceram durante o período do estudo.2% apresentaram complicações.4 80.2 20.2 7+ 63.0% não apresentaram alteração.2 24.1 41. as complicações hospitalares estiveram associadas às repercussões funcionais durante a internação.1 42.7 80. Como mostra a Tabela 3.8 26.3 100.6 16.2 32. a pior capacidade funcional está associada a pior desempenho cognitivo geral. foram os que pioraram funcionalmente ou faleceram durante a hospitalização (p<0.004* 0.6 27.8 8.8 28.8 19.0 54.1 59.022 0.0 26.9 72. O mesmo se verifica em relação à história prévia de quedas (p=0. enquanto 40.1% apresentaram uma piora e 21.8 20.05 MEEM: Mini-Exame do Estado Mental CAM: Confusion assessement method to-socorro.4 42.3 57.6% obtiveram melhora ou permaneceram inalterados em relação às dificuldades funcionais.4 8. exceto desidratação e infecção do trato urinário.001* 100.015* 0.1 27.9 % Total P 52.4 16.001).4 0.4 14.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $' Tabela 3 .38(5):687-94 www. broncopneumonia (14.5 3.9 52. Variáveis clínicas Via de entrada Pronto-socorro Comunidade Histórico de internação Sim Não Histórico de quedas Sim Não Dias de internação 1 a 10 11 ou mais N.3 17.6 64.9%).2 55. 59. 25.5%).1 48. Desse modo.5 20.6 20.001* Total 14.9 52.00 0.2 22. Tabela 4 . Variáveis Atividades funcionais P Melhor ou igual Pior ou óbito Atividades funcionais Sem comprometimento 1 a 3 comprometimentos 4 a 6 comprometimentos 7 ou mais MEEM <24 >24 CAM Positivo Negativo Total *Significância α≤0.8 44.8 48.Rev Saúde Pública 2004.1 47.6 27.usp.5 3.81±9.00±0.8%).1 Atividades funcionais 1-3 4-6 14.Associações entre variáveis clínicas e capacidade funcional em idosos hospitalizados.1 18. úlcera por pressão (12.49 por participante. 34.0 3. Nenhuma associação foi encontrada entre o desempenho da capacidade funcional e as variáveis sociodemográficas.

funcional e ambiental. três quartos dos participantes apresentaram baixa capacidade funcional.4 40.2 37.5 38. Variáveis Complicação Sim Não Rebaixamento do nível de consciência Sim Não Broncopneumonia Sim Não Úlcera por pressão Sim Não Insuficiência respiratória Sim Não Desidratação Sim Não Infecção trato urinário Sim Não Total *Significância α≤0.14. verificou-se associação significante entre os maiores comprometimentos funcionais e maiores dias de hospitalização. dado esse similar ao encontrado por Vazquez et al23 (2000).18 A estratégia consiste na formação de equipes interdisciplinares.331 0.005* 0.6 66.20 houve um discreto predomínio do sexo feminino.23 o que pode ser explicado pela elevada incapacidade referida pelos idosos entrevistados no presente estudo.05.14.4 p 0. contrariando a literatura.6 38. O número médio de medicamentos em uso (3.1 68. visto que quase metade dos idosos relatou dificuldades em sete e mais atividades funcionais.001* 0.4 Observou-se no presente estudo correlação entre a piora da capacidade funcional ou óbito e a piora clínica nos pacientes.013* 0.9 27. Dentre aqueles que faleceram durante o período de internação. Melhor ou igual 37. cujos objetivos são determinar mais precisamente os problemas nas dimensões clínica. Pôde-se verificar que os pacientes participantes do estudo foram admitidos em enfermaria em estado de fragilidade instalada já nos últimos 30 dias que a antecederiam.16 Os resultados funcionais do presente estudo indicam que a maioria dos idosos voltou para a comuni- .7 7.5 64.4 33.$' Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004.Associações entre o resultado funcional da internação e complicações clínicas em idosos hospitalizados.0 37. nota-se que esses dados contribuem para apontar o elevado grau de dependência funcional na população internada e corroborar a idéia da necessidade de maior intensidade nos cuidados por parte da equipe que assiste o doente.0 62. assim como de complicações como úlcera por pressão.0 0.6 apóiam o uso das medidas funcionais retrospectivas em pacientes idosos hospitalizados. institucionalização e dependência funcional.2 44.7%.8 55. rebaixamento do nível de consciência e broncopneumonia. sendo que a presença deste últimofoi de 27.9 31.38(5):687-94 www. bem como desenvolver estratégias de intervenção e acompanhamento. a exemplo do presente estudo cuja medida da capacidade funcional foi realizada por meio de relatos retrospectivos.13 aponta a tendência à polifarmácia. assim como em outros estudos.8 62.22 têm-se dedicado a acompanhar mais de perto esses resultados. déficit cognitivo e estado confusional agudo (delirium).16.005* 0. ou seja. Não houve associação entre a faixa etária e a capacidade funcional. também encontrado em outros estudos. esteve condizente com outros trabalhos nacionais.6 59.1 72.fsp.br/rsp Tabela 5 .6 O tempo médio de internação.4 61. em torno de 13 dias. alguns estudos18. Alguns autores.6 Atividades funcionais Pior ou óbito 62. em relação aos 30 dias que antecederiam a hospitalização. evidenciando assim a importância de indicadores do estado funcional associados a variáveis clínicas. suficientes para a verificação de declínios funcionais.0 100. no momento da entrada no hospital. psicossocial. com medidas de intervenções clínicas e ambientais que beneficiam o idoso no período da hospitalização.9 31.1 68.5 61.13. Sabendo-se ser essa uma realidade entre os idosos.5 36.3 92.16 Além do número elevado de dias de internação.8.0 DISCUSSÃO Na amostra estudada.usp.3 87. Como implicação direta do estudo. Essa informação é importante para predição de mortalidade em pacientes idosos hospitalizados.001* 0.5. O presente estudo mostrou haver associação entre a baixa capacidade funcional. há relatos de desenvolvimento de programas destinados a obter melhores resultados na internação de pacientes idosos e de alto risco.8 12. como o de Lola.183 100.20 Na maioria dos estudos estrangeiros. Percebendo a importância dessa variável como indicadora de qualidade de serviços hospitalares. a variação é de oito a 15 dias de hospitalização.65 fármacos).6.

destino pós-alta e índice de readmissão (Campbell. Phillips RS.Rev Saúde Pública 2004. 3. Análise dos parâmetros clínicos de idosos internados em enfermaria de clínica médica. Hazards of hospitalization of the elderly. J Psychiartry Res 1975.1:1-9. Validity and reability of the portuguese version of Confusion Assessment Method (CAM) for the dection of delirium in the elderly. a capacidade funcional é um importante marcador de saúde em idosos. 14. Arq Neuropsiquiatr 2001. Coffman GA. Rev Saúde Pública 2000. no Brasil. Chaimowicz3 (1997) afirma que. Na literatura estrangeira. Rev Assoc Med Bras 1995.2 2004) . Em conclusão. Reability and validity of the frail elderly functional assessment questionnaire.48:1031-40.38(5):687-94 www. acentuando assim a importância do papel da família. 13. 10.4 Em revisão sistemática recente. Jonathan EM. 7. evidenciou-se na literatura que a capacidade funcional foi preditora de resultados de internação hospitalar expressos em tempo de permanência no hospital. mortalidade. o suporte formal não tem sido capaz de substituir o papel da família. Rev Saúde Pública 1997. 5. Davis RB. Considerando-se essa reflexão. e alternativas. 9.74:45-53. Safran C. Gloth MF. David W. Autoperception and satisfaction with health: two medical care markers in elderly hospitalized patients. Pearson J. Med Care 1995. Os indivíduos estudados apresentaram. graves limitações.41:227-32. Muller L. Desse modo.59:175-9. Age Ageing 2004. Arq Geriatr Gerontol 1997. mobilidade e locomoção. The folstein mini mental state examination: a practical method for grading the cognitive state of patientes for clinician.12:189-98. Quality of life as an outcome estimate of clinical practice. Meyer J.33:110-5. Instruments for the functional assement of older patients. Practical functional assessment of elderly persons: a primary care approach. Sommers L. 8. Applegate WB. Primrose WR. A saúde dos idosos brasileiros ás vésperas do século XXI: problemas.70:890-910. J Am Geriatr Soc 1990.18 destinados a dar acompanhamento aos pacientes que necessitam de reabilitação ou tratamento clínico imediatamente após alta hospitalar. Hirsch CH.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $'! dade com necessidade de alguma forma de assistência para os cuidados pessoais.fsp. Reiley P. Mayo Clin Proc 1995. Willians FT. Abraira V.34:666-71. a fim de demonstrar a eficácia de abordagens assistenciais sistemáticas sobre a capacidade funcional de idosos submetidos à internação em enfermarias. projeções. 11. proporcionando uma forma de assistência intermediária entre a comunidade e a instituição. Campbell SE.322:1207-13.31:184-200.118:219-23. Seymour DG. com múltiplos fatores determinantes e associados à incapacidade funcional. observamse programas. com a participação de profissionais da área de reabilitação e a partir daí ampliam novas estratégias de intervenção com metas específicas de uma atuação articulada. Chaimowicz F. N Engl J Med 1990. Blass JP. Avaliação da autonomia do idoso: definição de critérios para uma abordagem positiva a partir de um modelo de interação saúde-autonomia. Chutka D. Creditor MC. 4. útil para identificar resultados clínico-funcionais decorrentes da internação hospitalar e permite aceitar a suposição inicialmente assumida de que a melhora funcional durante a internação esteve associada a menores dificuldades nas atividades diárias referidas no momento da entrada no hospital e melhores condições clínicas. GorzonI ML. Predicting in hospital mortality: the importance of functional status information. Ann Inter Med 1993. Am J Phys Med Reabil 1995. Winograg CH. REFERÊNCIAS 1. Coelho Filho JM . as complexidades dos problemas caracterizam a prática geriátrica como interdisciplinar. Iezzoni LI. Modelos de serviços hospitalares para casos agudos em idosos. A systematic literature review of factors affecting outcome in older medical patients admitted to hospital. na ocasião da internação. 12. Coelho Filho4 (2000) adverte que o delineamento de unidades geriátricas em diferentes níveis de atenção à saúde deve ser objeto de maior discussão e pesquisa. The natural history of functional morbidity in hospitalized older patients. Fleming K. 2.usp.33:906-21. Folstein SE. Corral FP. Farinati PTV. Olsen A. Walston J. J Clin Epidemiol 1995. Recomenda-se que ensaios clínicos controlados sejam delineados a partir desses resultados obtidos. .38:1296-303. 6. Folstein MF. Fabbri R.

Baker DI. 17. A new method for dection of delirum. Alessi CA.48:1697-706. Quiros R. Importance of functional measures in predcting mortality among older hospitalized patients. Inouye SK. Rev Saúde Pública 1987. Leo-Summers L. Rosa TE.fsp. Robison JT.113:941-8. Balkin S. Inouye SK.44:251-7. Epidemiologia del delirio en ancianos hospitalizados. Veras RP. Flaherty M. Garfi L. Ramos LR. J Am Geriatr Soc 2000. 16.21:200-10.279:1187-93.$'" Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004. Hospital admission risk profile (HARP): identifying older patients at risk for functional decline following acute medical illness and hospitalizational. Medicina 2000. 23. Rubenstein LZ. Camera L. Franke T. Lola MJ. 21.br/rsp 15.60:555-9. Concato J. JAMA 1998.8:313-23. Inouye SK. O envelhecimento da população mundial: um desafio novo. Mundo Saúde 1997. Cooney LM.usp. Bogardus ST. Vazquez F. 19. J Am Geriatr Soc 1991. Hoenig HM. 18. Siegal AP. Landefeld SC et al. PeduzzI PN. Janson J. Hospitalização do idoso: um estudo dos fatores adaptativos. . J Cross Cult Gerontol 1993. Perracini MR. Horwitz RI. Horwitz RI. A significance and management of disability among urban elderly residentes in Brazil. The Hospital Elder Life program: a model of care to prevent cognitive and functional decline in older hospitalized patients. Ramos LR. Kalache A. Rudberg MA.38(5):687-94 www.21:234-9. Clarifying confusion: the confusion assement method. Hughes JS. Jalaluddin M. 20. Hospital-associated deconditioning and dysfunction.39:220-2. Kalache A. J Am Geriatr Soc 1996. 22 Sager MA. Inouye SK. Ann Int Med 1990. Chistopher DH. Michelangelo H.

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