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COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

Comportamento e Comunicação

Para o estudo do comportamento dos indivíduos, grupos e equipes e as organizações e


ainda entre as organizações e seu ambiente, deve-se ter uma compreensão do processo de
Comunicação. Comunicar é a transferência de informações ou a troca de experiências de forma que
se facilite a vida individual e coletiva. A comunicação é uma forma de persuasão, ou seja, quando
nos comunicamos tentamos, em parte, convencer alguém a adotar um determinado comportamento.

Técnicas e instrumental para o exercício da profissão

A disciplina Comportamento Organizacional deve desenvolver o conhecimento acerca


dos processos de mudanças dos relacionamentos interpessoais e também do indivíduo com o
ambiente organizacional. Para isso, adotamos os seguintes procedimentos: Aulas expositivas e
dialogadas, Seminários, Debates, Exercícios em classe e Pesquisa.

Comportamento Organizacional e teorias educacionais

Algumas teorias educacionais nos ajudarão, tanto na compreensão dos conteúdos,


quanto no futuro trabalho como gestores, pois há uma intersecções das teorias educacionais com as
as teorias do comportamento. Ressalte-se aqui que o mais importante é adotá-las de forma crítica. A
educação é marcada por fatores sociais, políticos e pedagógicos. Um contexto histórico-social pesa
sobre a educação. Devemos, portanto adotar um esquema educativo que seja adequado às condições
contemporâneas, fazendo os aprendizes aprender continuamente e criticamente, conforme as
necessidades do mundo em transformação e de participação social efetiva.

Nessa disciplina, adotamos algumas teorias. Veja o resumo delas a seguir:

1ª Teoria, de Alfred Whitehead (1861-1947, Inglaterra), Filósofo/Matemático, Teórico


da educação e Teórico da mudança. Destaca que o Conhecimento deve ser útil e não uma mera
memorização de conceitos. A real educação é, portanto, uma educação para a Vida. Assim, a
educação serve à compreensão do mundo, e essa compreensão dá a verdadeira utilidade à educação.
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Distanciando-a de um educação acadêmica e aproximando-se de uma educação ligada à vivência. A


educação seria uma arte para utilizar o conhecimento. Tal conhecimento deve crítico, ou seja,
desafiar o que se diz a respeito da vida.

2ª Teoria, de Howard Gardner (1943- , EUA), historiador, sociólogo, antropólogo e


psicólogo. Estudou o pensamento artístico e os processos de criação. Colocou em destaque as
Inteligências Múltiplas. Viu como positivo as diferenças entre as pessoas, portanto, a educação
deveria respeitar as diferenças e não valorizar somente a capacidade lógica e linguística. Segundo
ele, haveriam 7 tipos de inteligência: Linguística, lógico-matemática, Corporal-cinestésica, musical,
espacial, interpessoal, intrapessoal. Mais tarde acrescentou a inteligência naturalista, a espiritual e a
existencial. As capacidades humanas são múltiplas, então, os testes de QI só descobrem a
capacidade de resolver testes de QI, não provando nada sobre a capacidade do humano testado.

3ª teoria, de Paulo Freire (1921-1997, Recife), Educador marxista e ativista político.


Criou a chamada Pedagogia Revolucionária. Na pedagogia tradicional, o aluno não tem iniciativa e
só recebe assistência, ao contrário, a revolucionária faz com que o aluno seja participante e coopere
no processo. Na primeira utiliza-se e ensina-se a partir de técnicas já criadas, ou seja, é absoluta
(não se discute), enquanto a pedagogia revolucionária se faz a partir da criação do novo
(enfrentamento de problemas). Ela é uma educação histórica e faz sua autocrítica.

4ª teoria, de Peter Senge (1947- , EUA), Engenheiro, Filósofo e Administrador. Estudou


como as Organizações aprendem. Buscava entender as condições para compreender como poder-se-
ia fazer para implementar um contínuo aprimoramento da organização. Nessa tentativa, percebeu a
necessidade de capacitar indivíduos para realizar planos. No domínio pessoal, dever-se-ia incentivar
a consecução de um objetivo individual e de um foco. Nos modelos mentais, dever-se-ia criar
condições para prevalência de um padrões de pensamento ou de um lema. Na organização, haveria a
necessidade de uma visão compartilhada dos objetivos da organização. A aprendizagem deve se dar
em grupo que dialoga e se explora. O pensamento seria um sistema, um sistema aberto em interação
com outros sistemas e subsistemas: a comunicação.

5ª teoria, de Daniel Goleman (1946- , EUA), Psicólogo e Neurocientista. Estudou o


Controle das emoções. A Inteligência emocional seria a capacidade de autocontrole, zelo,
persistência e habilidade para se automotivar. Seu trabalho tem paralelo com o de Gardner. O
trabalhador e a organização deveriam tentar por as Emoções em equilíbrio com intelecto, evitando
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extremos da emoção. A administração das emoções poderia ser feita através de técnicas como o
Flow (meditação) que leva à concentração (foco)

6ª teoria, Sócrates, (469 -399 a.C, Grécia), Filósofo sem obra escrita. Sua teorua é a da
Maiêutica (parto). Seria a ajuda para expulsar o fruto do “ventre” de outro. O Educador para ele não
cria o saber; ele auxilia na “vinda ao mundo” do saber gerado pelo próprio educando.

Conceitos, natureza e abordagens à aprendizagem

A aprendizagem é processo. É uma evolução conjunta de prática e teoria. Ela não


distingue teoria e prática. Só existe o presente: o passado ensina e, no presente nos equipamos para
o futuro. Na Educação tradicional, o aluno é um objeto, um recipiente, domesticado e só reproduz.
Na educação contemporânea o aluno é o sujeito, o protagonista que faz sua autoeducação critica.
Ressaltemos que a aprendizagem tem hoje a tarefa de transformar o aluno passivo em sujeito
histórico, social e cultural. O aluno deve reconhecer que é ele quem guai o seu saber. Não há um
transmissão do professor a ele. Há uma construção através das relações interpessoais, com o mundo
à sua volta.

Na Educação Tradicional o Conhecimento é o presente dos sábios aos ignorantes, que


se esquece do processo para o conhecimento, evita a dúvida, e assim, a invenção e a reinvenção. A
Educação Tradicional atribui docilidade e maleabilidade ao homem e supõe que ele aja
racionalmente se com informação correta. É uma educação “enlatada”: em lugar de experiência
próprias, dá “receitas”. Na educação contemporânea a motivação interior, seus significantes são
experiências próprias. Ela, assim, conscientiza, capacita e estimula a inventividade. Ela é
emancipadora, permite participação, critica-se a si própria.

Disciplinas auxiliares

Como acontece em outras disciplinas do curso de administração, o componente


curricular “Comportamento Organizacional” recebe auxílio de outras ciências. Cada uma delas
lança luz sobre a compreensão de determinado aspecto do comportamento humano no ambiente da
organização. Acompanhe abaixo uma breve descrição de cada uma dessas disciplinas:
PSICOLOGIA: busca medir, explicar e modificar o comportamento, dedicando-se ao
estudo e à tentativa de compreensão do comportamento individual. Estuda os problemas de fadiga,
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falta de entusiasmo e outros fatores relevantes para as condições de trabalho que poderiam impedir
um eficiente desempenho. Inclui ainda estudos sobre aprendizagem, percepção, personalidade,
emoções, treinamento, eficácia de liderança, necessidades e forças motivacionais, satisfação com o
trabalho, processos de tomada de decisões, avaliação de desempenho, mensuração de atitudes,
técnicas de seleção de pessoal, planejamento do trabalho e estresse profissional.
PSICOLOGIA SOCIAL: é uma área dentro da psicologia que mistura conceitos desta
ciência e da sociologia. Seu foco é a influência de um indivíduo sobre o outro. Um dos temas mais
investigados pela psicologia social é a mudança — como implementá-la e como reduzir as barreiras
de sua aceitação. Além disto, os psicólogos sociais também fazem significativas contribuições nas
áreas de mensuração, entendimento e mudança de atitudes; padrões de comunicação; as formas
pelas quais as atividades em grupo podem satisfazer as necessidades individuais; e o processo de
tomada de decisão em grupo.
SOCIOLOGIA: foca suas atenções sobre o sistema social no qual os indivíduos
desempenham seus papéis, ou seja, a sociologia estuda as pessoas em relação umas às outras. A
maior contribuição dos sociólogos foi no estudo do comportamento dos grupos dentro das
organizações, especialmente aquelas formais e complexas. Algumas das áreas do estudo do
comportamento organizacional que mais receberam contribuições da sociologia foram a cultura dos
grupos e da sociedade, a dinâmica de grupo, o desenho de equipes de trabalho, a cultura
organizacional, a teoria e a estrutura da organização formal, a tecnologia organizacional e aspectos
como poder, comunicação e conflitos.
ANTROPOLOGIA: estuda das sociedades para compreender os seres humanos e suas
atividades. O trabalho dos antropólogos sobre culturas e ambientes, por exemplo, nos tem ajudado a
compreender melhor as diferenças nos valores, atitudes e comportamentos fundamentais entre
povos de diferentes países ou de pessoas em diferentes organizações. Muito do nosso conhecimento
de hoje sobre cultura organizacional, ambiente organizacional e diferenças entre culturas dos países
é fruto do trabalho de antropólogos ou de pessoas que se utilizaram de sua metodologia.
CIÊNCIAS POLÍTICAS: as contribuições dos cientistas políticos para o entendimento
do comportamento organizacional têm sido significativas. As ciências políticas estudam o
comportamento dos indivíduos e dos grupos dentro de um ambiente político. Alguns tópicos
específicos dessa área são a estruturação de conflitos, a alocação de poder e como as pessoas
manipulam o poder para o atendimento de seus próprios interesses.
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Visão sistêmica e mundo em mudança

A Visão sistêmica é uma tentativa de compreender os diversos sistemas como um todo,


permitindo a análise ou o estabelecimento de previsões a partir do mesmo. O conhecimento de um
fenômeno qualquer é transporto a um modelo, o sistema que se quer conhecer, mostrando todas as
relações daquele fenômeno com a realidade que o envolve. Nessa disciplina, Comportamento
Organizacional, o sistema mantém, sobretudo, relação com gestão de recursos humanos.

Primeiramente, lembremos que devemos conhecer o comportamento humano dentro das


organizações para torná-la eficiente e competitiva. Devemos manter a força de trabalho integrada e
motivada. Lembremos que as organizações são as pessoas que nela operam.

Os problemas da organização são de ordem 1) pessoal, 2) setor, 3) organização e 4)


externo à organização. Portanto, devemos mobilizar o conhecimento sobre a estrutura social
(jurídica, sociocultural e econômica), o funcionamento e desempenho da organização (relações
internas e externas), o comportamento dos grupos (grupo organização, do setor, das funções e dos
diferentes solidariedades) e o comportamento dos indivíduos (socialização).

Esses conhecimentos são objetivos, como a estrutura jurídica e econômica (formais), ou


subjetivos (informais), como as personalidades dos diferentes trabalhadores.

O comportamento Organizacional deve, então, observar, predizer e mensurar; buscando


a previsibilidade e a correta generalização. Algumas das variáveis são contingenciais, ou seja, são
variáveis mediatas e imediatas relacionadas à situação específica. Mas isso, não significa que é um
“tudo depende de”, pois, certos valores são imprescindíveis, porém, tais valores levam em conta as
circunstâncias.

O contexto das organizações

O modelo PESTLEE é o modelo que adotamos aqui. Ele é acrônimo de política,


economia, sociedade, tecnologia, legislação, ecologia e ética. Ele é o meio ambiente da organização,
é o lugar onde a organização atua quando ela não está voltada meramente a processos internos.

Visão sistêmica
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Um sistema é qualquer entidade conceitual ou física, composta de partes inter-


relacionadas, interatuantes ou interdependentes dotadas de um objetivo.

Os sistemas podem ser:


• Estáticos, exemplificados por estruturas simples. Ex: átomos e sistema solar
• Dinâmicos simples são mecanismos. Ex relógio, máquinas simples: alavancas,
roldanas, etc.
• Cibernéticos são sistemas de comunicação e integração dos sistemas. Ex: termostato
• Aberto ou auto-regulável também são interação de sistemas, porém, mais complexos
que os anteriores. Ex: Rios e chamas e organismos vivos simples.
• Quinto nível são resultantes da divisão de trabalho entre componentes. Ex: vida
vegetal.
• Sexto nível são consequência da divisão de trabalho entre componentes com maior
aparato sensorial: Ex: vida animal.
• Sétimo nível são resultado da divisão de trabalho entre componentes com maior
aparato sensorial e com comunicação evoluída: Ex: vida humana.
• Oitavo nível são compostos pelos seres do sétimo nível, desempenhando papel em
um sistema maior que ele. Ex: organizações

As organizações como sistemas

As organizações sociais são conjuntos de papéis enfeixados em sistemas por seus


respectivos canais de comunicação. Os Objetivos da organização podem ser objetivos de:
A sociedade: referente a própria sociedades= reprodução, ordem, identidade.
A produção: referente ao público = contatos do público com a organização. Como se dá
a produção e suas relações (interna e externa)
O sistema: referente a organização = crescimento , estabilidade, funcionamento.
Os produtos: referente aos bens e serviços = qualidade (variedade) e quantidade do
produto
Os derivados: referente a própria organização = participação social da organização.

Esquema (modelo) de um Sistema


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Insumos: entradas ou input.


Processamento: throughput.
Exsumos: saídas ou output.
Entropia: horizonte esperado do sistema, a desagregação, pois, qualquer sistema está
aberto às influências do exterior.
Homeostose: capacidade de um sistema de sair da entropia e se auto-organizar.
Retroalimentação: a saída do sistema, por vezes, torna-se novamente uma entrada do
sistema, provocando um reajuste, também chamado de feedback.
Subsistemas: é decomposição de um sistema maior em sistemas menores.

Acompanhe o sistema abaixo:

Nele, identificamos a entrada (demandas), o processo (o governo), a saída (as decisões)


que se transformam em retroalimentação (discussões de opinião pública) e as reações (nova
entrada). A Entropia seria, nesse caso, uma crise de governabilidade e a homeostase, por exemplo,
a superação da crise no governo.
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O Mundo em Mudança

Recapitulando: O Comportamento Organizacional estuda o comportamento dos


indivíduos, dos grupos, das equipes e do ambiente interno e externo às organizações. Logo, o
Comportamento Organizacional, capacita para intervenções que visam atingir certos objetivos ou
que promovam melhorias na organização. As disciplinas auxiliares devem dar conta da
compreensão do ambiente interior, do ambiente individual (diferentes socializações), do ambiente
dos grupos e equipes de trabalho e ainda do ambiente do organização e seu contexto.

A análise dos sistemas é uma alternativa à especialização. Ela ajuda na simplificação da


realidade, possibilitando mapeá-la. Como já escrevemos, os modelos administrativos nos ajudam a
visualizar o que um aspecto específico do modelo administrativo tem de relações com outros
fatores.

Acompanhe o modelo (sistema) a seguir:

Na figura temos, o processo ético da organização. Busca-se, nele, reconhecer as


entradas e o que marcam o desempenho social (saída final e/ou retroalimentação).
Nesse modelo, entrada, saída e processamento se confundem. Ou melhor, a saída, a
entrada ou o processamento, dependendo o ângulo que se olhe o processo, deixam de ser entrada,
saída ou processamento. As variáveis em destaque são as relações observadas no momento.
Na administração, todos os fenômenos, ou seja, tudo o que é passível de administração
também é passível de ser colocado em um modelo.

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