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O DESEJO NO CINEMA ALMODOVARIANO Uma análise da representação do desejo em Fale com Ela

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Publicado porLorena
Gilmar dos Santos Barbosa

Orientadora: Maria Cristina Leite
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Published by: Lorena on Feb 24, 2011
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05/01/2013

De acordo com seus estudos filosóficos sobre o ser humano, Marilena Chauí (1999) acredita

que a conduta humana é baseada em um racionalismo ético, no agir na conformidade da

razão, atribuindo ao caráter racional o lugar central na vida ética.

A vida ética é o acordo e a harmonia entre a vontade subjetiva individual e a vontade
objetiva cultural. Realiza-se plenamente quando interiorizamos nossa cultura, de tal
maneira que praticamos espontânea e livremente seus costumes e valores, sem neles
pensarmos, sem os discutirmos, sem deles duvidarmos porque são como nossa própria
vontade os deseja. (CHAUÍ, 1999, p.347)

Nesta concepção racionalista, ainda de acordo com Marilena Chauí (1991,) existem duas

principais correntes de pensamentos: a primeira identifica a razão com inteligência, chamada

de corrente intelectualista; e a segunda considera que, na moral, a razão identifica-se com a

vontade, conhecida como corrente voluntarista. Nas duas correntes há uma concordância de

que somos seres passionais, envolvidos pelos impulsos e desejos. A ética apresenta-se nesta

relação como mediadora intelectual, capaz de dominar e controlar tais emoções.

O racionalismo ético define a tarefa da educação moral e da conduta ética como poderio da

razão para impedir-nos de perder a liberdade sob os efeitos de emoções desmedidas e

incontroláveis. (CHAUI, 1999, p. 351). Por isso, a ética racionalista diferencia desejo,

vontade e necessidade. A necessidade diz respeito a tudo que necessitamos para manter nossa

existência. Nós, seres humanos, sentimos satisfação quando satisfazemos nossas

necessidades.

Já a vontade é marcada por três principais aspectos, que são: a força de vontade, ou seja, o

esforço para vencer obstáculos; o ato voluntário que exige discernimento e reflexão antes do

agir, levando em consideração os vários fatores que determinam ou não sua efetivação; e, por

último, a vontade refere-se ao possível, que atua dentro de uma lógica de consequências.

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Já o desejo é fonte de satisfação e prazer, dando às coisas, às pessoas, e às situações, novos

sentidos e qualidades. O desejo busca a conquista do que é desejado, de forma que orienta

nossa conduta. A essência dos seres humanos está no âmbito do desejo, pois somos “seres
desejantes: não apenas desejamos, mas, sobretudo desejamos ser desejados por outros” [...]

(CHAIU, 1999, p.351).

Segundo Chauí (1999) o desejo é paixão, nascido puramente da imaginação, o desejo não

consegue lidar com o tempo, sua satisfação tem que ser atendida prontamente. Ao contrário

da vontade, que é decisiva, capaz de se articular com a reflexão, sua realização é conquistada

sem o compromisso com o tempo.

No conceito intelectualista, a inteligência é um mecanismo de orientação da vontade e a

vontade, por sua vez, têm o dever de educar o desejo. O campo da ética é formado pela

consciência, desejo e vontade. A consciência e o desejo são conduzidos por nossas intenções

e motivações, qualidades estas de caráter interno ao sentimento do sujeito moral. Já a vontade

é regida por nossas ações e finalidades, qualidades de atitudes externas do sujeito moral.

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