Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica . .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

conse- . Nos últimos anos. a falta de propostas decorre de um dos dois. Acreditamos que.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. comprometimento do abastecimento de água. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. se propõe e se discute sobre o assunto. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . pois. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. provavelmente. que em sua maioria não resolvem o assunto. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. empobrecimento do solo. entre outros -. ou melhor. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. ou significam estratégias proibitivas.perda da fauna e da flora. mas pouco se faz. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. alterações climáticas. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e.

portanto. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. priorizadas. São eles que podem. Consideramos. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação.quer sejam grupos definidos. atualmente. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. os pescadores do Vale do Ribeira. Essa relação.qüentemente. como os ribeirinhas da Amazônia. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Nesse aspecto. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Para tal. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. mas inclui ainda interesses econômicos. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. os moradores da floresta . sem dúvida alguma. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. seus produtos e suas relações. não se dá apenas visando à sobrevivência. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . a contribuição deste . pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. São eles que conhecem a floresta. Dessa forma. regional.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. Por sua vez. entretanto. permitir grandes avanços na conservação. quer sejam comunidades tradicionais. Nesse sentido. como mais um produto para comercialização.

fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. publicado originalmente em 1989. considerando os aspectos aqui referidos. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. em janeiro de 1999. entretanto. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. mais abrangente. A equipe já não era a mesma. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. já que dez anos haviam se passado. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. e também no de desenvolvimento. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . cada qual havia tomado seu caminho. Passou da hora de a ciência e a política. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. na verdade. conseqüentemente. pagando o preço de um trabalho mais social. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. Foi a partir de pesquisas que realizamos. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. como instituições determinantes para o avanço. No entanto. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Dessa forma. Não custa lembrar e salientar. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. Começamos o trabalho.livro é um começo. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia.

incluindo fotos de algumas espécies. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. farmacológicos. pelo menos as mais citadas. Index Medicus. Estado de São Paulo. No entanto. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. à medida que. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. Nessa nova etapa. a nova idéia não tinha mais como retornar. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. além dos desenhos apresentados inicialmente. por outro. buscamos informações em diversos endereços. outro importante e singular ecossistema brasileiro. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM).proposta original. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas.não . Chemical Abstracts). já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. por um lado. Por si só. químicos. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica.

raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. passaram a representar uma nova alternativa . Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. mas com um livro. especificamente. especialmente os mais ameaçados. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. hoje. Com essa nova concepção. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. como é o caso da Amazônia e. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta.em artigos científicos e técnicos. sempre foi uma preocupação constante. mas um novo trabalho. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. No entanto. A conservação dos ecossistemas tropicais. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. não apenas catalogando espécies medicinais. mais acessível que os artigos . durante todo esse período. que serão úteis. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. sem dúvida. mas as plantas medicinais. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. da Mata Atlântica. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país.

para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação .somando-se a isso a busca de novos medicamentos. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. Finalmente.não pode ser apenas a retórica. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. realizadas de forma racional e sustentável. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura.para a conservação dos ecossistemas. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. apesar de preliminar e pequena. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . Nesse sentido. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. Luiz Claudio Di Stasi . municipais e federais) e não-governamentais. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. mas pouco realizado na prática. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações.

obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. evitando-se. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. Em primeiro lugar. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem .Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. que esse conhecimento seja perdido. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. Em segundo lugar. o que. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. realizar um estudo etnofarmacológico regional. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. pretendeu-se. Em terceiro lugar. a nosso modo de ver. desse modo. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais.

químicos. Por outro lado. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. juntamente com o Prof. com as atividades deste trabalho. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. como qualquer outra atividade humana. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. consideramos que a ciência. Finalmente. da qual o próprio pesquisador faz parte. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Em quarto lugar. além dos objetivos aqui expostos. pretendeu-se. deve ter um componente social em seu escopo. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. Nesse contexto. com os conhecimentos adquiridos. com a promoção de melhores condições de vida para a população.natural. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. e que visa. Osvaldo Aulino da Silva. realizado no município de Humaitá. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). Nesse contexto. farmacologistas etc). mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. que potencialmente es- . é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária.

antropólogos e químicos. essa área requer um enfoque novo. estágio de desenvolvimento. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. como seres vivos. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. que se superando as dificuldades. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. além de botânicos. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. tipo do solo. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. e nossa experiência é prova disso. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. No entanto. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). portanto é urgente a sua consideração.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. Acreditamos. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. farmacologistas. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. estações do ano e outros). qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. clima. além de engrandecer o trabalho. consideramos de grande importância colocar que. para que o conheci- . estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. que podemos denominar ecológico. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. no entanto. pela sua característica multidisciplinar. propiciou um imenso prazer.

Luiz Claudio Di Stasi . preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. que.mento tradicional seja devidamente resgatado. além de tornarem possível este trabalho. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. acrescentaram uma experiência rica. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. não só de conhecimento das potencialidades da natureza.

William Shakespeare. por fim.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. apesar disso. de um lado. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . (Cena III. Ato II de Romeu e Julieta . e. mas os primeiros registros remontam a milênios. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. a grande maioria na região amazônica. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. quando se constata. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. Dessas. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Observa-se. portanto. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. O Brasil contribui com 120 mil espécies...

Quando dizemos criteriosos. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. de outro. Dra. e isso é o que importa. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. a distância vencida. posologia. efeitos observados.criteriosos. Profa. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . como este que aqui se apresenta. enfim. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Por último. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Levantamentos etnofarmacológicos.Campinas) . Mas o passo foi dado. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais.

A exploração madeireira. Atualmente. Fearnside. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. De fato. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. conforme aponta Philip M.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. provenientes da evapotranspiração. apesar da pobreza dos solos. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. . a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Dada a fragilidade desse equilíbrio. No entanto. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. no caso da Amazônia. por se tratar de uma importante fonte de perturbação.

Somada a isso. Luiz Claudio Di Stasi. Prof. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. honrado em apresentar esta obra. e. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. coloca às mãos dos leitores. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. julgamos altamente preocupantes: por um lado. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. acarreta duas situações que.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. por outro. fruto de um trabalho sério de pesquisa. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Sinto-me. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. das quais poucas foram estudadas. riquíssima em espécies. ecológico e histórico. Dr. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. desde o leigo ao mais especializado. Plantas medicinais na Amazônia. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora.Rio Claro) . visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. portanto. De qualquer maneira. do ponto de vista social. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem.

• Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Vale do Ribeira. sul do Estado do Amazonas. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. no Amazonas. conforme descrito a seguir: . Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Jacupiranga e Sete Barras. no Estado de São Paulo.Metodologia de pesquisa Apresentamos. resumidamente. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. • Aldeia dos Tenharins.

Departamento de Botânica do Instituto de . Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. No caso de material em fase de floração. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. a coleta errada do material. Amazonas. assim. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Para as espécies da Amazônia. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Para materiais fora da fase de floração. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). evitando-se.

Itajaí . Chemical Abstracts. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Santa Catarina. para sua identificação. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM).Rio Claro. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Botucatu. Outras informações (agronômicas. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. . as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Biociências da UNESP . e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Sites da Internet. Index Medicus (Med-line).Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.

Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. com o tempo. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias.incluindo as monocotiledôneas medicinais. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. . Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I .

respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. • Introdução sobre a família botânica ou. dados ecológicos e distribuição. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.incluindo as dicotiledôneas medicinais.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . incluindo: .• Parte II . Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. em vários casos. • Dados químicos. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. Para cada capítulo. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. que compreendem uma descrição botânica.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . .dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. . as quais se subdividem em cinco seções: . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero.

No final do livro. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. .fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. formatadas e montadas para inclusão no livro. formatado e montado para a inclusão neste livro.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. além de uma extensa bibliografia atualizada. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. encontram-se um glossário de termos botânicos. Instituto de Biociências de Botucatu. . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. formatadas e montadas para inclusão no livro. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. C. UNESP. . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. • Dados toxicológicos. de vários tipos: .• Dados farmacológicos.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Guimarães C. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. M. A. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Typhales. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. C. pelo seu grande valor ornamental. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Outras ordens botânicas como Juncales. Hiruma-Lima E. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Xyridaceae.1 Commelinidae medicinais C. . algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. M. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. Santos L. Mayacaceae e Commelinaceae. algumas delas descritas neste capítulo. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae.

Saccharum e outros. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. Paspalum. amido. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. 1996). reunindo inúmeras utilidades. • Pooideae. Cymbopogon. como Sorghum do sorgo. • Panicoideae. principalmente Zea mays (milho). Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. é a mais importante. cujo representante principal é o arroz. também denominada Gramineae. A família é dividida em quarenta tribos. do ponto de vista de espécies medicinais. que inclui os gêneros Secale e Avena. Os outros constituintes incluem alcalóides. Arundinoideae e Chloridoideae. Andropogon nardus. respectivamente. que incluem vários gêneros. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). subfamília que. açúcar e trigo. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. ácidos fenólicos. substâncias cianogênicas. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. que inclui alguns importantes gêneros. . ferragem. • Centothecoideae. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. gêneros alimentícios como bebidas.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. açúcar e óleos essenciais. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. Várias espécies possuem importância terapêutica. saponinas. e o gênero Oryza. Zea. do famoso centeio e da aveia. flavonóides e terpenóides (Evans.A família Poaceae. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. mas sem importância medicinal. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon.

K. glabros e curvados. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. os quais. por sua vez. Andropogon nardus L. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. possuindo um grande número de ramos. podendo atingir até 2 m de comprimen- . também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão.5 m de altura. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1.B. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. com folhas invaginadas bastante agudas. os colmos são finos. espiguetas sésseis e fruto cariopse. Em outras regiões do país. Em outras regiões do país. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H.

Vervena. ásperas em ambas as faces. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. rizoma semi-subterrâneo. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. com grande valor econômico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Capim-marinho. Capim-cidreira. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Patchuli-falso.to. sudoríficas e carminativas. lineares. 1962). formando uma touceira robusta. bainha larga e lígula na base do limbo. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Capim-sidró. eretas. . Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. com nós e entrenós. Capim-limão. folhas alternas. formigas e traças. Sídró. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo.) Stapf. compridas.1). tais como flexuosus. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. problemas estomacais e febre. Cymbopogon citratus (DC. Capim-cidrão. marginatus e validus. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Erva-cidreira. Capim-cheiroso. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. nervura central saliente e bainha espinescente. no Mato Grosso. 1980). 1 dísticas. 1982. fruto do tipo cariopse ovóide. carminativo. planas. articulado e um pouco mais grosso nos internós.2). ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo.Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. a infusão das folhas é usada como antidiurético. colmo arqueado na base. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. 1982). ásperas. lineares. Na região da Mata Atlântica. verde ou violácea. o suco do colmo da planta. como diurético. contra gripes. gripes fortes. hermafroditas. cilíndrico. simplesmente. duas vezes ao dia. 1988). no Pará. como calmante e antiálgico (Van den Berg. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. em Brasília.. simples. no Ceará. na forma de banho (Amorozo & Gély. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. Matos & Das Graças. Saccharum officinarum L. dores de cabeça e dores musculares. 1980). Cana. dores de cabeça e disenteria. reumatismo e febre. ápice agudo. 1986). folhas amplexicantes. pequeno (Figura 1. no Rio Grande do Sul. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. espiguetas com flores pequenas.. calmante e antiespasmódico (Barros. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou.

. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. laurato de etila.8-cineol. 1986). 1981). contra resinados e anginas e. escarlatina. envenenamento com arsênico. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. mirceno. citronelal. nerol.4%). aftas.. farnesol. mentol. além de seus isômeros geralúal e neral. cariofileno. 1996. linalol. 1984). erisipela. geraniol. metil-heptenona. O óleo essencial de C. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. isovaleraldeído e decilaldeído.diurético e contra hipotensão. vários aldeídos. vômitos da gravidez (Corrêa. 1. febres. terpenos e dipenteno (Costa. neral. como citronelal. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. Ming et al. limoneno. tuberculose. chumbo e cobre. como o geraniol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. cetonas e alcoóis. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. 1997). 1997). Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%).e b-pineno. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. neral.. internamente. 1996). Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. externamente. cólera. metil-heptenol. rachas dos seios. felandreno. a. contra úlceras da córnea.

9%) e neral (33. 1997). 2000. e Di Stasi (1987). 1988). Com as folhas de C. 1988). Os principais constituintes das folhas de C..5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1989) e antioxidante (Lopes et al. toxicológico e clínico com essa espécie. 1988). geranial (45. relatam. 1995).. Onawunmi et al. 1986 e 1987).. 1988)... citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1984. não observando propriedades de interesse terapêutico. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. A atividade antibacteriana de C.8%). anti-helmíntica (Jourdan. no entanto. Pinho et al. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. (1983) referem atividade antiespasmódica. 1990). enquanto Ferreira et al. 1986 e 1987. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al.. Onawunmi.. 1983 e 1989a). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. 1988). Lorenzetti et al. mirceno (12.. 2002). Onawunmi & Ogunlana. 1985). citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal.. 1998). aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1986. analgésica (Viana et al..Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 1997). Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1997) e o extrato de C. Di Stasi et al. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. citratus.... citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. O extrato metanólico de C. 1996). . citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. (1985).. 2002.

perda de postura. também conhecido como Capim-cidrão.. . Foi isolado também o policosanol. Além de hipocolesterolêmico. ácidos p-coumárico.. 2000). De S.. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. visto o grande número de trabalhos com C. 1997. citriodorus. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. 1986a). Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. 1983). citratus. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. sedação e defecação (Ferreira et al. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. Dados toxicológicos O óleo de C. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. 1990). 1999). o extrato hidroalcoólico das folhas de C.. Para a espécie Saccharum officinarum. um álcool alifático com alto peso molecular. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1989). bradipnéia. ferúlico e sinápico (He & Terashima. ligninas e ácidos fenólicos.. Hikino et al. 1988).. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. Menendez et al. ataxia. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al.

c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).1 . .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.FIGURA 1.

FIGURA 1. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Saccharum officinarum.Banco de imagens ). .2 .

referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. . Hiruma-Lima L. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. As espécies da família Bromeliaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. M. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. M. Guimarães C. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Lowiaceae. Zingiberaceae. importante produto de comercialização.2 Zingiberidae medicinais C. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. De todas essas famílias. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Santos E. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. A. Tal uso não é comum na região amazônica. Cannaceae e Marantaceae. C.

Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Costus e Hedychium. Além do valor medicinal das espécies dessa família. algumas delas aqui descritas. e • Zingiberoideae. Alpinia. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro.100 espécies tropicais espontâneas. nos quais estão distribuídas 1. Renealmia e Riedelia. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Curcuma. larga bainha na base que envolve o caule.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. destas. Vindecaá e Vindicáa. com folhas membranosas. inclui 52 gêneros. lâminas . especialmente as famosas Canas-do-brejo. na qual se localizam os gêneros Zingiber. com várias espécies medicinais.

enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. elípticas. perianto distinto em cálice (claviforme. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. mas com algumas espécies em regiões tropicais. 1988). descrito por Carl Linnaeus. .5 m de altura. flores em grupos com brácteas vistosas. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. entouceirada. densas com flores brancas ou róseas. vistosas. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. Costus spiralis Rosc. espessas. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. inclui 42 espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. gineceu com ovário ínfero. O gênero Costus. ápice agudo e base arredondada. contém inflorescências terminais.1). podendo chegar a até 1. podendo chegar a até 35 cm de comprimento.com 20 a 40 cm de comprimento. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. hermafroditas e zigomorfas. contra sarampo. fruto capsular. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.

na forma de infusão. muito perfumadas (Figura 2.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. vistosas. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Lírio branco e Gengibre branco. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. descrito por Johan Gerhard Koenig. lanceoladas e coriáceas. de onde partem as folhas longas.2). Hedychium coronarium Koen. a espécie é muito utilizada como ornamento. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. sendo de fácil multiplicação por touceiras. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. Em razão de sua beleza. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. contra diarréias graves. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. sésseis. O gênero Hedychium. . especialmente de origem sifilítica. A decocção de suas folhas. as inflorescências são terminais com flores brancas. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. incluindo a espécie aqui descrita. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. em Iguape é comum a denominação Napoleão. grandes. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. cilíndricas. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica.

mesmo no Vale do Ribeira. mas especialmente na Ásia. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. e. onde a maioria das espécies é espontânea. cólicas. com uma lígula membranosa bífida. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. folhas alternas. com ampla distribuição. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. contra reumatismo. lumbago e cólicas menstruais. C. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. lanceoladas. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. de Gengibre. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. . A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. contra náusea. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. indigestão. tosses. externamente. 1995). A espécie é usada. além de diversos outros usos (Bown. internamente. 1994). Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. sendo provavelmente o local de sua origem.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. flatulência e eólicas. carminativa com uso na dispepsia. diarréias e como vomitiva. A espécie é reputada como estimulante. gripes e para problemas circulatórios. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. gripes. em todo o Brasil.

-(17)12-labddieno-15. De A. 1988a). Dos rizomas de A. 1988). 1. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato.. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1985a e 1985b. flavonóides em A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. nutans (Mendonça et al. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. Os compostos isolados dos rizomas de A...Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. 1987b). katsumadai (Okugawa et al. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. Cinco compostos. galanolactona e (E)-8. isohanalpinona e alpinenona.... Da espécie A. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. (Xue et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. galanga (Mori et al.. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. e 5. speciosa. Os sesquiterpenos -eudesmol. 1987c). galanga. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. 1987).6-dehidrokawaina.8cineol. 1987).16-dial (Morita & Itokawa. 1995).. 1996). sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. nerolidol. óleo essencial. linalol. dihidro-5. 1987). 1988). 1988).6-dehidrokawaina. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. speciosa e A. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. galanga. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. intermedia (ltowaka et al. taninos. Os principais constituintes dos frutos de A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1987). japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. 1987a e 1987f) e A.. Foram isolados dos rizomas de A. acetato de geranil. constituintes fenólicos em A. 1987b). eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A... galanga (Barik et al. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. japonica (Morita et al. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. humulene. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B... 1990)..

isohanalpinol e aokumanol.. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. cálcio. chumbo. potássio. sódio. hanalpinol peróxido. Além dos sesquiterpenos hanalpinol.calixina A e B e 3-epi-calixina B . A análise fitoquímica de A. Os frutos de A. 1990). Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. citronelol. blepharocalyx (Kadota et al. flavonóides (Luo et al. alpinenona. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. Três novos diarilheptanóides .. . E. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. yakuchinona A. 1997). Cinco diarilheptanóides. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. 1997a). além de óleos essenciais (Mendonça et al.. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. B2. geraniol. linalol. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. l. 1997b). furopelargona B.. terpineol e 1.5heptanediona...8-cineol. isohanalpinona.... fenóis e alcalóides. sesquifelandreno e zingibereno. bornil acetato. flabellata (Kikuzaki et al. sendo um novo. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. 1989).. hanalpinona. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. zerumbet (Xu et al. As sementes possuem mirceno. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. 1987). fenchona e geraniol. ferro.-o1. katsumadai possui -pineno. Das partes aéreas de A. 1997a). 1988). densibracteata foram isolados os bisabolanos. manganês. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. Das sementes A. C. 1987d).7-difenil-3.8-cineol (Lai et al.. Dos rizomas de A. -ll(12)-eremofilen-10. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. zinco. 1989). além das vitaminas B1. magnésio. furopelargona A. trans-bergamoteno. oxyphylla contêm neonotkatol... 1997b) e quercetina (Wang et al. 1. felandreno. De A.. daucosterol. -sitosterol. O óleo essencial das folhas e caules de A. pineno. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. mirceno.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1997). polyantha foram isolados. 1996). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. yakuchinona B. 1990). 1999).foram isolados recentemente da espécie A. decanol.. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. Do óleo essencial das sementes de A. 1992).. conchigera (Athmaprasangsa et al. 1994).

A espécie A. Estudos com a espécie A. 1997). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1989). é usada na culinária. 1994). 1987c) e A. galanga (Janssen & Schefter. 1996). inibição da musculatura lisa. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1996). 1999. galanga (Itokawa et al. speciosa. 2000). e seu óleo. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. bloqueio neuromuscular. que é um derivado do gingerol. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1986). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. sendo antiulcerogênica (Wang et al. indicando . revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. Constituintes isolados de A. 1987). assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. oxyphylla (Kyung-Soo et al. japonica e A. além de medicinal. 1972). 1999).De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1976) e A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1988b). Sesquiterpenos isolados de A. 1988. A erva. 1985). 1996). A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. 1988). Lin et al. na perfumaria. Mendonça et al.

. 2002). 1990). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1998). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1996). 1982). Os diarilheptanóides isolados de A. 1987c).. . O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles... O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1987c) e A. Compostos isolados dos rizomas de A. Dos rizomas de A. 1989). Do óleo essencial das folhas de A. 1994). officinarum (Kiuchi et al. O composto dihidro-5. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.. speciosa.. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. galanga (Itokawa et al. 1988). 1996). 1988). speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. Mendonça et al. ArnaudBatista et al. 1992). 1982. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. O terpinen-4-ol. anticonvulsivante (Maia et al... 1990). 1988b). 1998. 1992). 1994). 1988a. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. também isolado do óleo essencial. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al.. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. antifúngica (Lima et al... blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. Mendonça et al...6-dehidrokawaina isolado de A. 1992). oxyphylla (Chun et al. Estudos com a espécie A. 2001). O extrato acetônico de A. Os rizomas de A. Geraniol e isotimol isolados de A. 2001). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. Moraes et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. O óleo essencial de A. 1988.

Musa e Heliconia.. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. 1999). hipocinese. 2000). 2000). dos quais dois possuem grande importância no Brasil. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. 1992).. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.. 2002). 2002).. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. 2000). .. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. speciosa produziu excitação psicomotora. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al.. Surh. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. 1988b). de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al.. 1999). 2001. 2000) e H.. contorções. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. relatadas a seguir. A espécie H..A atividade antiinflamatória de A. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al.. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al.

inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva.5 m de altura. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. . A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. oblongas e inteiras. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. minúsculas e duras. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. folhas longas. laminares de grande comprimento. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. com bainhas grandes. O fruto da espécie não é usado como alimento.. com folhas longo-pecioladas. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana.

. A espécie não é nativa da Mata Atlântica.podendo atingir até 2 m. FIGURA 2. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma.1 . tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite.Alpinia japonica. mas com 25% do comprimento e da largura. dando um pequeno fruto que também é comestível. flores reunidas em espigas. onde é amplamente cultivada como ornamento. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira.

Vista da planta florida (Banco de imagens - ). .FIGURA 2.Hedychium coronarium.2 .

3 Liliidae medicinais L. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Gonzalez L. Alliaceae e Amaryllidaceae. A. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Velloziales. principal. N. Dioscoreaceae. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Asparagales. Di Stasi F. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. Velloziaceae e Iridaceae. família Liliaceae. Dioscoreales. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. família Liliaceae. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. ordem Orchidales. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. Seito C. Liliales e Orchidales). G. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. C. especialmente na ordem Liliales.

pelo grande número de espécies ornamentais. Colchicum e Drimia. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. grande fonte de espécies dessa família. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Trilium. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Alloe.950 espécies vegetais. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Convallaria. 1997). Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). especialmente do gênero Iris. como é o caso da cebola e do alho.e Liliaceae. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. ambas de valor econômico incomensurável. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. A primeira. A segunda. que passamos a descrever. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Lillium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Tulipa. . esse da importante Babosa (Aloe vera). Outro gênero importante é Aloe. Narcissus e Veratrum.

Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. 1995). corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. na forma de umbela pedunculada. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. tosse e também contra hipertensão. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. são utilizados de várias formas. ao passo que a infusão é usada contra gripes. obtida comercialmente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. loculicida (Figura 3. os bulbos dessa espécie. Nas comunidades do Vale do Ribeira. que se mesclam com os bolbilhos. fruto. em geral seco. sésseis. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. inclusos e envolvidos por fina membrana. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. folhas lineares. especialmente em crianças. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . a maioria é cultivada.000 a. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. Era citado pelos babilônios no ano 3. capsular. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura.Espécies medicinais Allium sativum L. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. flores brancas ou avermelhadas.1). C.

Dados botânicos Erva bulbosa. carminativo e vermífugo. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. agudas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. tosse com expectoração. Em outras regiões do Brasil. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. o uso externo. histéricas. diurético. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Em Minas Gerais. digestivo. além do uso como condimento. reumáticas e paralíticas (Corrêa. No Pará. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. flores hermafroditas regulares esverdeadas. 1984). a espécie inclui vários usos medicinais. os bulbos são usados na hipotensão. especialmente acne e micoses. ao passo que a infusão das cas- . 1982). arteriosclerose. 1992). anual. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. antiasmático. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. gastroenterite e disenteria. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. carnoso e com casca fina amarelo-parda. folhas radicais ocas e compridas. com bulbo grande e solitário. febrífugo. para problemas da pele. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. ateromatose. também são utilizados como sudorífico. Trata-se de uma espécie com usos históricos. em afecções nervosas. poderoso anti-séptico das vias digestivas. dispostas em umbela. 1988). resfriados. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. rouquidão.queca. com inúmeras variedades e subtipos. como referido para o Alho. subgloboso. bronquite. tosse.

sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. . como cicatrizante. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. lanceoladas.2). densas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. externamente. descansado por 24 horas na geladeira. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Na região amazônica. dores e infecções da pele. internamente. O uso interno de um macerado em água fria. folhas suculentas. A manipulação dessa planta no preparo de loções. é considerado excelente contra úlceras. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. as flores são tubuladas. externo. podendo atingir até 1 m de altura. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. ao passo que as folhas frescas. usadas externamente. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. para acne. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. reunidas na forma de rosetas em sua base. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. são úteis contra edemas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. Aloe vera L. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica.

exigindo-se cuidado na utilização. a polpa é emoliente e resolutiva. Da espécie A. barbadensis (Saleen et al. (B8) e P. isobarboloina (Kuzuya et al. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas.. relatando ainda que as folhas são purgativas. 1991). 1968).. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico.. obtidos de A. 1992). 1997). 1990). S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G.. 1993). Prostaglandinas A.. saponinas esteroidais (Peng et al. 1995). vitaminas A. 2000). sativum. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 1997). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. catártico e febrífugo. C. A antro-cenona. et al. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. 1999). B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. B. . aliinase que origina a alicina.. vários heterosídeos sulfurados. 1997). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. 1986). barboloina.. Nos bulbos também foram encontrados aliina. holosídeos. Além disso. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. 1979). alil e alil-propil. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. desoxialiina. fitosterinas. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. além de evitar queda de cabelo..Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele.. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1995). o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. proteínas e fermentos (Costa. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al.

Entretanto. demonstrou que os compostos de A. No entanto. 1987. 2000).. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. Em animais com carciriogênese bucal o A.. fibrinolítica. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). O estudo comparativo in vitro.. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. in vitro (Sheela et al. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al..Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. Augusti & Sheela. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 1992). entre outras ações que serão discutidas a seguir. antibiótica. 2002). O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. rolêmica.. 1995. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. Além dessa classe de compostos. Kwon et al. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. Nerkar et al. Por sua vez. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). isolado de Allium sativum Linn.. cicloxigenase. 1981. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. Hikino et al. hipocoleste. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. 1991). 1996). Esse mesmo efeito foi detectado ..

bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. O extrato de A.. O óleo de A. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. O estudo realizado por Celini et al. 1983) obtidos a partir dessa espécie. fosfatase ácida.. 1981.. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1982. 1997.. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina..por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al.. sativum apresentou também atividade antibacteriana. além de atuar como . a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. 1985).. 1993). mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. enquanto a associação dessa dose com 4. Rees et al.. 1994). 1984. compostos fenólicos (Patel et al. 1992). 1995).. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1984. Dababneh & Aldelamy. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 2002) contra Staphylococcus aureus. in vitro. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez.. 1985. O sulfóxido de S-alilcisteína. 1996). 1980).. precursor da alicina e obtido do alho. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. contra Helicobacter pylori. Guevara et al. 2001). inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. Sovova et al. 1993) e aquosos (Sato et al. Khan et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. 1983. Singh & Shukla.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. Mossa.

Extratos preparados com acetona/clorofórmio. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. alicina e sulfeto de dialila. (1985). foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1993). Dados recentes demonstram que extratos aquo- . 1995b). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1993). Rotzsch et al. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. no entanto. 1986) e brutos (Rees et al. Mohammad & Woodwara (1986). 1996). 2001). Block et al. sem. assim como as respectivas substâncias isoladas. cepa (Dorsch et al„ 1985). Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1994). Os resultados obtidos por Sendl et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1992). extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1980.agente anticercaricida. Sandhu et al. 1978.. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Adetumbi et al. metil-ajoeno. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. inibem a síntese de colesterol. 1978. Kamanna & Shandras-Wkhara. 1980. Essas propriedades farmacológicas. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 1993). Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. 1984. no entanto. (1992). assim como substâncias isoladas do alho.... 1993).. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Boelter et al. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. 1978). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. e não as substâncias isoladas. (1986). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica.. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng.

principal componente antiplaquetário do alho. E. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. Essa mesma planta reduziu a concentração .. 1996). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. Ribeiro et al. 1991). Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. enquanto Pantoja et al. sativum (Kweon et al. 12. 1990). sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. sua condutância. 1986a). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. 1996). 1993b). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados.. Foushee et al.. (1992) com o composto ajoeno. tais como a histamina (Usui & Susuki. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. I. 1991). assim como a reação de liberação induzida por agonistas. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. 1993).. 1996). et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. et al. como radioproteção (Reeve et al. (1986b). A. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. 1993). 1996). de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al.5. natriurética e hipotensora em cão..sos de bulbos de alho fresco (5. também. (1982). (1987). 1996).. M. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio.. atividade diurética... sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1997). Por sua vez.

Resultados similares foram obtidos por Imai et al. 1992). apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. conseqüentemente. 1996). (1996). e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1.. 1993. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. 1993).. 1992. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali.. Ko & Son. et al. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al... 1991). 1993). promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. . chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. sativum ou A. I. 1995). 1993). Nepeta hindostana e ácido nicotínico.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. 1990).. cepa com A. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Extrato aquoso de A.. Chithra et al. (1994). Lipotab. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. Para a espécie Aloe vera.. E a mistura de A. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. um preparado à base de Curcuma longa.. 1994). Além disso. sativum L. in vitro. 1995). ela é um excelente cicatrizante (Costa. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. Allium sativum.

As folhas de A. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.. 1991). 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. Essa família possui pequena importância no Brasil. 1997).. 2001). mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. contudo. A atividade antiinflamatória de A. 1994). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.. que inclui algumas espécies popu- . estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. 2001). vera e hipotensora de A... 2000). 1997). 1995). Os estudos de toxicidade de Allium cepa. 1996.1998). pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. em camundongos.. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. esses dados referem-se... Saleem et al. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria.. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. aumento na contagem de espermatozóides. Entretanto.

saponinas esteroidais (Mimaki et al. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. flores pequenas. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. e o Agave.. 1996). reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". contra problemas hepáticos. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. cilíndricas. na região amazônica. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. No entanto. pontiagudas e com manchas brancas. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al... longas. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. possui folhas carnosas. 1987). em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. 1996 e 1997b). brancas. no entanto. Das .

em Joly.. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al.. Das folhas de S. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. 1986).Allium sativum. cylindrica foram isolados lipídios. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. saponinas. pigmentos. 1996). FIGURA 3. .1 . 1998) (Banco de imagens ). 1982). além de carboidratos. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . 1997)..folhas de S..

FIGURA 3.2 . .Aloe vera. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

Di Stasi A. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. das quais destacamos apenas a família Alismataceae.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Mariot M. Triuridaceae. esta segunda com uma única família. de pouco interesse para nosso estudo. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. As duas espécies. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. ainda não discutidas neste livro. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. C. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . portanto. S.

Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. contendo vasos apenas nas raízes. freqüentemente . e Sagittaria. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. numerosas. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. rizoma grosso e carnoso. com caule triangular e glabro. muitas aquáticas ou brejosas. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. latescentes com lâmina foliar grande. coriáceas. grandes e eretas. A espécie possui as variedades floribundus. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. essa segunda inclui apenas a família Palmae.mico. ovadas.1). flores brancas. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. espécie de grande valor econômico. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. também denominada Arecaceae. Inclui ervas perenais. Aguapé. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. 1997). folhas pecioladas.

foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. e outras. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. 2000). moléstias da pele e do fígado. bem como gripes e resfriados. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. tônica e diurética.650 espécies tropicais (Mabberley. nas costas. . A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico.consideradas outra espécie. como ornamentais. com folhas terminais. raramente trepadeiras. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. útil ainda contra artrites. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. também denominada Arecaceae. de barriga. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. Incluem árvores ou arbustos. especialmente contra dores de cabeça. muitas delas usadas como medicinais. e como anti-helmíntico. sífilis. 1997). nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. como sedativo. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. reumatismo.. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides).

como é o caso de várias palmeiras. chegando até 25 m de altura. do famoso coqueiro da Bahia. do jerivá (Joly. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. conseqüentemente.A família está subdividida em seis subfamílias. Espécies medicinais Euterpe edulis M. Destaca-se o gênero Euterpe. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. outras são importantes como medicamento. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Kobayashi et al. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. especialmente da Mata Atlântica.. e o Arecastrum. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. macrophyllus (Shigemori et al. que incluem a piaçava e a ráfia. 2000a e 2000b). 2002. amplamente conhecida na região amazônica. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. Cocos. 1998). Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. com folhas pinadas. Tratase de uma família de grande valor econômico e. como é denominada a outra espécie do gênero. que inclui o famoso palmiteiro. e o açaí. amplamente conhecido na Mata Atlântica.. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. como é o caso da Areca catechu. respectivamente do babaçu e da carnaúba. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais.

Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. .1 . frutos esféricos de cor preta-arroxeada.nhas. 1998) (Banco de imagens). FIGURA 4. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. externamente. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. o suco do caule é usado. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. internamente. como antídoto para picada de cobras. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. não fosse a intensa exploração da espécie.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Guimarães C. M.5 Magnoliales medicinais C. da qual inúmeras espécies de grande valor . especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. tais como Magnoliaceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Na família Monimiaceae. do famoso Boldo. A. Outras famílias dessa ordem também são importantes. inúmeros gêneros são importantes. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Myristicaceae e Lauraceae. Annonaceae. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. são importantes como ornamentos. Hiruma-Lima E. C. inúmeras espécies são medicinais. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Na família Chloranthaceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. M. tais como as Magnoliaceae. Santos L.

esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Xylopia e Rollinia. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Artabotrys.150 espécies tropicais (Mabberley. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. Uvaria.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Graviola e outros. Xylopia. Annona coriacea. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Aniba e Nectandra. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Pinha. No Brasil. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. A família inclui árvores. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Cabeça-de-negro. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. arbustos e lianas. os gêneros mais comuns são Annona. Cryptocarya. . que inclui nosso Abacateiro. e ainda outras importantes como alimento. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. e Monodoroideae. Laurus e Sassafras. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Cinnamomum. 1997) e subtropicais. Annona reticulata. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Guatteria. Annona cherimolia. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. como Aniba. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. 1997). espalhadas por todo o planeta. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. que inclui os gêneros Annona.

Araticum-punhê. Iriticum. Várias espécies. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. Coração-de-rainha e Nona. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. fruto do tipo baga irregular. com um tronco revestido por casca aromática. 1998). Araticum-de-paca. alcançando até 30 cm de comprimento. espessa com saliências cônicas. polpa branca. inflorescência cauliflora. que são muito apreciados. mole e recurvado. . nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". sementes castanhas ou pretas (Figura 5. Araticum-ponhê.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. com epiderme verde-escura. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. as folhas são alternas. que apresentamos a seguir. com cálice de lobos triangulares e agudos. subglobosas. flores axilares. amareladas.1). pecioladas. alcançando até 15 cm de comprimento. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. ovadas ou elípticooblongas. cordadas na base e acuminadas no ápice. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. sucosa. no entanto. latescente. Espécies medicinais Annona muricata L. no entanto vários sinônimos são usados. tais como Araticum. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. com um espinho central. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata.

sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. sorvetes e geléias (Corrêa. a planta fornece madeira. O fruto. dores de cabeça e como emagrecedor. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. diurético e no combate a insônias leves. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. as flores. Na Amazônia. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. antiespasmódicas e antidisentéricas. especialmente lombrigas. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . especialmente na produção de sucos. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. referidos a seguir. por sua vez. usadas topicamente. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. antiespasmódicas e hipotensivas. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. Além dos usos medicinais da espécie. os brotos e as folhas são usados como béquicas. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. 1984).É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. As folhas e raízes são consideradas sedativas. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. as folhas cozidas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. Em outras regiões do Brasil. 1984). com importante uso potencial na fabricação de papel. mole e branca. peitorais. podendo também ser usada na arborização urbana. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. 1984). para baixar febres. onde se tornou subespontânea. sendo depois levada para outras regiões do planeta. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. combatem reumatismo e abcessos. tem grande valor como alimento.

também tem sido referido para as raízes e casca da planta. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. as raízes e folhas. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. impedindo-lhes a identificação correta. Ayensu. é usado externamente para neuralgia. enquanto o óleo das folhas. e as sementes. inseticidas. 1978. na forma de chá. no processo de pesca. Weninger et al. . De acordo com os mesmos autores. Na Jamaica e no Haiti. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. contra diabetes. especialmente na África. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. 1955. 1990). 1987). no entanto. 1962). enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Annona tenuiflora Mart. espasmos e febres. as cascas e folhas.. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. Na Índia. No Peru. parasitas. Nas Guianas. 1986). são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. 1993). 1992). tosse. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. onde é usada contra tosses. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. as sementes. o chá das folhas é utilizada para catarro. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. as folhas e a casca da árvore. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. contra diversos parasitas (de Feo. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. diarréia e como lactagogo. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. gripe. Esse uso. a fruta e seu suco são usados contra febre.. asma. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil.mas do fígado. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. foram referidas espécies desse gênero. como antiespasmódico. 1962).

vermelho. também descrito por Carl Linnaeus. sul do Amazonas. onde parte deste estudo foi realizada. Pau-de-imbira. Coajerucu. folhas ovado-oblongas. agudas no ápice. Envira. Ibira. Em outras regiões do Norte do Brasil. Envira-preta. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. oblongolanceoladas. cálice gamossépalo. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. pétalas lineares. com duas a seis sementes (Figura 5. Breu. Nomes populares A espécie é denominada. alcançando até 8 m de altura. Coaguerecou. Malagueta e Banana-de-macaco. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. sem estipulas. Jejerecou. Pijerucu. Coagerucu. tonturas e hipotensão. na região amazônica. Pindaíba. alternas e ápice cuspidado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. hermafroditas.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. coriáceas. . Xylopia cf. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. tronco ereto e cilíndrico. Breu branco ou. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. lineares. curto-pecioladas. deiscente. muitas das quais usadas na medicina popular. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. e copa alongada. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. folhas alternas. frutescens Aubl. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. aromática.3). Pindaúva. fruto do tipo baga ovóide. simples. Pindaíba-branca. Jegerecu. O gênero Xylopia. Jejerecu. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. simplesmente. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. com casca fibrosa. Pindaúba.2).

.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. 1998). As sementes. Na região amazônica da Colômbia. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. também aromáticas. 1984). 1984). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. perenifólia e pioneira. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. folhas e. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. são usadas como estimulantes da bexiga. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. própria para uso em carpintaria. raízes. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. como cabos de instrumentos e varas de pesca. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. para combater resfriados e dores de cabeça. Além dos usos medicinais descritos a seguir. sementes de espécies da família Annonaceae. na forma de inalação. ao passo que a decocção da casca é usada. como digestivo e são úteis contra catarro. sendo uma espécie heliófita. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. especialmente.

. Recentemente. 1995b). 2002). muricatocina C e gigantetronenina. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. iso-neoanonacina-10ona.. especialmente como citotóxicas. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico... muricatetrocina A e B. 1995e). essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. 1995c). 1994). anomutacina 1. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. hoviicina A.. epomuricenina A e B (Roblot et al.. 1991b). I. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). muricina H. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. 1991).São ácidos graxos modificados. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al.. Anomuricina A e B. anonacina-10-ona. e que são importantes representantes da flora brasileira. 2 e 3 (Wu et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. No entanto. murihexocina A e B (Zeng et al. neo-anonacina-10-ona. denominada corepoxilona... Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C.. 1993). 1994a e 1994c).. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al.. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. 1995b). cis-annomontacina (Liaw et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. enquanto Gromek et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995a)..

. 1994).. 1994c) neodesacetiluvaricina. 1962). Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. bulatanocina.. incluindo A. Das semen- . bulatencina. 1992). Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. Sahai et al... Cortes et al. jeteína. anomontacina em Annona montana (Jossang et al.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1991). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. 1994a e 1994b). esquamosteno A (Araya et al.. esquamona. 1994b). 1993). 1994).. esquamostanal A (Araya et al. 1993b). isoquerimolina 1. muricata e A. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal.. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A.. solamina.. além de esquamocina e esquamostatina A. 1991a e 1991c). itrabina. 1994b). anoreticuína-9-ona. tais como reticulatina (Saad et al. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al... anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 30-hidroxibulatacina. 1996).. 1995) em Annona bullata.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al.. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. cis. 1994a). 1995a). C e D (Fujimoto et al.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. 1994).. esquamosinina A (Yang et al.. 1995).. reticulacinona (Hisham et al. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. cherimolia. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae.. 1993). 1996). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. molvizarina e motrilina (Cortes et al. 31-hidroxibulatacina. três uvariamicinas. squamocina e almunequina (Duret et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. B.. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. anogaleno (Sahpaz et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1995). 32-hidroxibulatacina. 1991). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. 1993b). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al.. isomolvizuína 2. Das sementes da mesma espécie.

1976).. squamosa (Krishna Rao et al.. X. Monoterpenos foram isolados de A. 1994). A. anonaína. Inúmeros compostos terpenóides. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. 1987).. 1982a e 1982b. de A.. reticulina. bullafa (Kutschabsky et al.. Y.. cherimolia (Villar et al. 1993). 1991). 1986). enquanto os alcalóides anonaína.. 1994). oxouxinsunina. 1962).. Flavonóides foram descritos em A. 1976). anolatina. Mukhopadhyay et al. foram isolados do fruto de Annona muricata . X. isoboldina e outros foram isolados de A.. 1978). Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. uma lignana ((-)-siringaresinol)... laureliptina. enquanto três amidas ácidas. et al. Martins et al. 1986). 1979. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. salzmannii (Paulo et al. 1978). Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. michelalbina..tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. ambotay (Carazza et al. frutos de A. 1984).. squamosa (Wu. como constituintes predominantes. aromatica (Rios et al.. squamosa (Silveira et al. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. Yang & Chen. 1995e). 1992. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al.. 1986) e A. montana (Wu et al. squamosa (Setharaman. 1994). 1996). A. enquanto diterpenos foram descritos em A. Alcalóides conhecidos como anoretina. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. Barbosa Filho et al.. A. anolobina e asimilobina foram isolados de A. cherimolia (Yang et al. 1970) e X. A. 1979. C... cacans (Saito & Alvarenga. 1993) e sesquiterpenos em A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1988). argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. squamosa (Leboeuf et al... Wu et al. ambotay (Oliveira et al. purpurea (Castro et al. 1989.. reticulina. 1981). 1991). brasilienses (Casagrande & Merotti. 1985) e A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.

1991). ... Gbeassor et al. 1988. brasiliensis e X. 1995b). uma acetogenina isolada de A.. 1979). corosolona 1 e corosolina 2. Acetogeninas isoladas sementes de A. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.. antiespasmódica. 1940).. Carbajal et al. 1996. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. 1991). A espécie Annona muricata possui. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al.. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. a casca. 1991. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1991). sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. 1962). 1993. enquanto extratos de folhas. 1995. a raiz. 1925 e 1932). 1992. 1979. 1991b). enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. Anomutacina 1. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica.. aromatica... relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer.. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. X.. obtidas de Annona muricata.(Wong & Khoo. 1991).. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. vasodilatadora. muricata. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. 1987). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Lopez Abraham. 1998).. Vilegas et al. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. De Xylopia frutescens.. acetogenina isolada de Annona muricata. 1990). 1993. muricata e de A. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. 1995e).. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. 1979). Misas et al. X. assim como outras espécies do gênero. Heinrich et al.. 1993). Bourne & Egbe.. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Ngouela et al. Solanina. Di Stasi. 1941.

cherimolia (Villan del Fresno et al. bulatanocina. enquanto alcalóides isolados de A. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.. . Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína.. esquamona. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. oxoxilopina. Hui et al. enquanto os alcalóides de A. C. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al... 1995a). Chang et al. 1991c e 1991a). Esteróides de A. 1992). 1987) e A. solamina.. 1994). 1992). 1991. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. cherimolia (Cortes et al. coridina. anonaína.. asimilobina. 1991.. Y. reticulina. galucina. isolados de A. norcoridina. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1988b e 1988a). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al.. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. 1993) e várias outras (Jossang et al. 1993).Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993b e 1994b. Os alcalóides isolados de A. reticulatina. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. montana (Wu et al. 1993b).. (1995b)... 1980). 1980). Cortes et al.. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A.. et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al.. reticulina. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. 1991). montana (Wu et al. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. anoreticuína9-ona.. 1995).. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. respectivamente. 1993). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. salzmannii.. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al.. squamosa. enquanto os alcalóides liriodenina. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. tais como cinco acetogeninas isoladas de A.

discreta.. como acido caurenóico. 1993). Martins et al. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al... que determinaram efeito depressor do SNC.. coriaceae (Souza et al. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. Trypanossoma brucei. 1996. donovani... Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. L.. squamosa. 1979. Silva. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Oliveira et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). Extratos etanólicos de sementes de A.1983). Extratos metanólicos de A. E. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 1999). 1996). 1996)... potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. Rao et al. 1994).. aromatica foi isolada atherospermidina. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. 1994). F. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al.. atividade anticonvulsivante e analgésica. Extratos preparados também com A. Das cascas de X.. 1975). 1979). foi caracterizada a . senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. 1989. 1998). parassimpatomimética de A. et al. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). O extrato etanólico da raiz de X. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. Anopheles stephensi (Saxena et al. enquanto o extrato etanólico de A. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1993). Do extrato etanólico das folhas de X. 2001).. et al.. 1990. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo.. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. A. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. 1998). entre outras. que apresentou atividade citotóxica. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. fungitóxica. frutescens não apresentou atividade moluscicida. A.

Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. .. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. anti-helmíntico e citotóxica.. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. especialmente em uso crônico. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. 2002).. 1999). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 1996 e 1997). 2001).. Em Guadalupe. 1988c).Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. (1988) para a espécie Annona muricata. 1962). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. como inseticida. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. muricata e A. E da espécie X.

1997). No Brasil. usada como condimento. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Ucuuba cheirosa. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. como a Noz-moscada (Myristica). Espécies medicinais Virola surinamensis L. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Sucuba. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Neste levantamento. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). e espécies do gênero Virola. contendo ramos carregados de folhas . Horsfieldia e Knema. Sucuuba. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. e também como Leite-de-mucuiba. Árvore-do-sebo.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. 1996). Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Virola. como Myristica. que possuem importância do ponto de vista econômico. Essa família inclui gêneros importantes. podendo chegar a até 35 m de altura. Bicuíba.

Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola.. 1971). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. como outras do gênero. V. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1996. com até 20 cm de comprimento. chegando até Pernambuco. V cf. Inclui 45 espécies de florestas tropicais.. V michelli (Santos. et al. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). A casca é usada como medicamento para aftas. pavonis (Marques et al. infecções.. Martinez et al. inflamações. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas.... 1997). Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al.. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. usadas como venenos de flechas. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. para o tratamento de câncer. elongata . Cassady et al. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. 1987a). 1987). -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. 1989. 2000). 1969.. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. 1996). A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. surinamensis. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. Ferri & Barata.pecioladas. S. V. 1995). bem como -sitosterol. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. Vidigal et al. É uma planta perenifólia. 1992. V surinamensis (Lopes et al. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. Espécie de ocorrência na Amazônia. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. L. 1991 e 1992). pavonis (Martinez et al. oblongolanceoladas. 1984).

2001). 1996a).. titonina (Andrade et al. V. 1989) e V. V. 1992) e V. 1996. 1987b). 1993 e 1994).. carinata e V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V... 1990).. 1994 e 1996. V. V. michellii foi atribuída à presença da flavona. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al.. Além das lignanas.(Kato et al. V. V. 1999.. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. 1990. carinata e V. e polifenóis nas espécies V. Das folhas de V.. 1987). calophylla (Martinez et al. titonina . 1990).. Lemus & Castro. 1986 e 1990). oleifera (Fernandes et al.. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. V. Cavalho et al.. 1999).. Andrade et al. Pagnocca et al.. 1996. calophylloidea (Von Rotz et al. V. venosa (Kato et al. calophylloidea (Martinez.. 1989). surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. Alvarez et al... A atividade antifúngica das espécies V. surinamensis. michellii (Cavalho et al. 1996) e V. A atividade analgésica de V. 1988). caducifolia (Aparecida dos Santos et al. urbaniana (Reis et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. 1992). michelli (Santos et al. 1995).. foschnyi (Lemus & Castro. calophylla. sebifera.. V. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. 1994 e 1995). pavonis. 2001). flexuosa (Aguirre.

do famoso Louro. 1998. além do . A propriedade antioxidante foi confirmada para V. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. Licaria. 1996. e outros. 1987) e anti-hemorrágica de V. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. todos aromáticos. 1986b e 1998). oleifera. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. surinamensis. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. A família reúne grande importância econômica. duckei (Bennett & Alarcon. Ocotea. pois. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. V. 2000)... 2000).850 espécies. surinamensis (Lopes et al. Nectandra. 1978). alucinogênica de V. amplamente usado no Brasil como condimento.. sugerem cuidados da população quanto ao uso. cercaricida e molucicida de V. inseticida de V. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. carinata e V. 1997). Os principais gêneros são Laurus. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. porém. aliados ao relato de atividade moluscicida. 1999). donovani e V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). do nosso famoso Abacateiro. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. V. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. Incluem muitas espécies aromáticas..A atividade leishmanicida nas espécies V. da famosa Canela-sassafrás. sebifera. 1996). Persea. 1987). mas não foi detectada em V. árvores e arbustos (Mabberley. 1994).. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. dados etnofarmacológicos de V. As propriedades antioxidante e surfactante de V. calophylla (Miles et al. elongata (Davino et al. Barata et al. koschnyi (Castro et al.. Sassafras. tripanossomicida.

a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. e laus = "louvor". 1998). fornecedor de alimento amplamente comercializado. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais .costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. Espécies medicinais Laurus nobilis L. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. sendo considerada digestiva. como a Canela e o Louro. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. folhas alternas. para combater problemas hepáticos e intestinais. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. onde se adaptou muito bem. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. bem como para dores de barriga. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça.Abacateiro. pecioladas. . deriva de lauer = "verde". 1998). lanceoladas. de estômago e como emética e abortiva. e de outras espécies.

não ocorrendo espontaneamente. vulnerárias. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. onde se encontram as folhas alternas. anti-sifilíticas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. diuréticas e febrífugas. estimulante do apetite e contra cólicas. além de atuar como diurético e analgésico. ao passo que a infusão das folhas. analgésico. pecioladas. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. estomáquicas. carminativas. nome dado especificamente ao fruto. lanceoladas e acuminadas.Internamente. é também usada contra febres. úlceras e piolhos (Bown. Persea americana Mill. ou Persea gratíssima Gaertn. reumatismo e uremia (Corrêa. bronquites. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. contra reumatismo. que envolve a semente grande e marrom. 1984). sendo comercializada em todo o mundo. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. fruto do tipo baga ovóide. com polpa verde. externamente. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. as folhas são usadas contra indigestão. 1995). pequenas e pouco vistosas. emenagogas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. além de serem usadas contra doenças renais. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. . flores branco-pálidas. comestível.

1991. Afifi et al. antifúngico (Domergue et al. 2002). . 2001). 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al..8-cineol isolado de L. A espécie Persea americana L. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. spatulenol. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 2002). 1987). Grant et al. antiinflamatório (Ademylmi et al. Hargis et al. 2002). 1995.. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 2002. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998).. 1991. 1997). Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. O 1... 2002).... foram atribuídos os efeitos analgésico.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1999). Sladler et al. Carman & Handley. A atividade antiulcerogênica de L. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. elemicina. 2002). 1991)... 2000. Às folhas de P.. hidrocarbonetos.. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. americana citados acima.

. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).1 . 1984).FIGURA 5.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.

2 .Annona tenuiflora. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 5. . 1984) (Banco de imagens).

. frutescens: a) Escanerata do ramo florido.3 .FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).Xylopia cf.

Hydnoraceae e Rafflesiaceae. muitas das quais usadas como medicinais. 1998). Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. ao passo que na região do . sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Joly. 1997. e. M. M. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea.ó Aristolochiales medicinais L. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Hiruma-Lima E. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Thottea e Asarum. A. no Brasil. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Santos C. Di Stasi C. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. C.

Dados botânicos É uma planta trepadeira. grandes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mil-homens e Papo-de-peru. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). que lembra o feto em posição antes do nascimento. com sementes achatadas. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. simples. folhas alternas. Contra-erva. flores isoladas. pecioladas.1).Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. sulcados e estriados. Jarrinha. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Batarda. Calunga. foi referida como medicinal. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. e lochia = "nascimento". a planta era usada popularmente para facilitar o parto. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. usadas como venenos. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". e várias com usos medicinais descritos. ramos lisos. fruto capsular cilíndrico. zigomorfas. muitas das quais ricas em alcalóides. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Outras denominações populares são Angelicó. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Capa-homem. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. . Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. denominada popularmente como Milomem. hermafroditas. parto. axilares.

excitante. anti-séptica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. não sendo encontrada em áreas degradadas. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. sudorífica.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. gripes fortes. catarros crônicos. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. especialmente para combater náuseas e vômitos. cicatrizante e contra úlceras crônicas. disenteria e diarréia. no entanto. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. . sulcados e estriados. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. pecioladas. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. capoeiras e áreas em regeneração. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. simples. os ramos são lisos. 1982). anti-histérica e útil contra febres graves. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. Também não é uma espécie cultivada. sarnas e orquites (Van den Berg. constipação nasal. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. estomáquica. 1984). estimulante. as flores são isoladas e axilares. diurética.

A. 1987). Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. III e IV (Houghton & Ogutveren. 1988). A. chilensis (Urzua Rodriguez. 1994).. arcuata (Watanabe & Lopes. vários outros alcalóides aporfínicos de A. 1996). cinnabarina (Li. 1985) e A. et al. Paiva et al. 1988. 1987)..... kankauensis (Wu et al... Chakravarty et al. 1992). A. 1992) e outros alcalóides em A. T. 1979). 1994). 1995). Higa et al. 1991a). X. kankauensis (Wu. A. fangchi (Tsai et al. II. A. ftiangularis (Bolzani et al. 1995) e A. 1991). dematilis (Makuch et al. 1991). 1983). 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. 1992). 1983). A. cinnabarina (Li et al.. bracteata (ElTahir. clematitis (Kostalova et al.. argentine (Priestap. 1995) e A. A. maurorum (Kery et al. gigantea (Cortes et al. yunnanensis (Chen et al..1993). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. A. A. et al. raízes de A. versicolor (Zeng et al. A. 1983a). 1991b). A. A. 1980). rotunda (Pistelli et al. Zhang et al. 1988). A. 1990. 1991b)... 1987). chilensis (Urzua et al. L. A.. 1987). A. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1986). tubiflora (Peng et al. longa (De Pascual et al.. 1987). tais como A. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. A.. Lopes. 1995). 1983b). em A. acuminata (Moretti et al... molissima (Peng. 1987. argentine (Priestap. C. A. A. 1982). A. 1991) e de A. 1987. S.. indica (Piers & Tse. A. liukiuensis (Mizuno et al. 1988).. A. 1992. 1991. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. clematitis (Kostalova et al. A. A.. contorta (Lou et al. Abel & Schimmer. 1989). 1992). et al. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. A. A.. S.. manshuriensis (Ruecker et al. A. . A. versicolor (He et al... 1991a).. A.. 1996. H. P et al. M. rodix (Tsai et al. indica (Che et al. 1980). G. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. galeata (Lopes. et al. 1995). A. kankauensis (Wu. A. 1993).. et al... rigida (Pistelli et al. gigantea (Lopes. nata (Moretti et al. Alcalóides foram isolados de várias espécies... A. debilis (Ahmed Farag et al.. 1986b e 1986a).. Lou et al.. 1991). A. 1980)... tubiflora (Peng et al. J..Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. molissima (Peng et al.. 1984). longa (De Pascual et al. 1991). 1995). A.. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. brasiliensis (Lopes et al. 1995). ponticum (Houghton & Ogutveren... versicolor (Zhang&He. bracteata (ElTahir. esperanzae e A.. A.. clematitis (Kostalova et al.. A. L. 1977 e 1985). sendo descrito em A. 1987). elegans (El-Sebakhy et al. manshuriensis (Lou et al. 1979) em raízes de A.. 1994). tubiflora (Peng et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. T. 1995).

rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. kankauensis (Wu.. 1987) e A. copaeno... Compostos como -cariofileno. S. 1991b). 1993). Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . 1996). 1990). O ácido aristolóquico de A. galeata (Lopes & Bolzani.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. T. 1990). cymbifera. taliscana (Longsw et al. -elemeno.. 1977). 1980)... esperanzae. 1980. 1988) e amidas em A. indica (Pakrashi & Pakrasi. A. chilensis (Urzua et al. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A.. gigantea e A.. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. triangularis (Ruecker et al.. R. 1995). arcuata (Watanabe & Lopes. birostris (Conserva et al. 1978). A. et al. Lopes et al. Urzua & Presle. 1987b. 1994). A. et al. S. Lignanas também foram descritas em A. e o ácido aristolóquico de A. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. A.. 1979). 1988) e A. A. macroura (Leitão et al.

Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A.... et al. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. e antiviral com A. 1991). Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. no Sistema Nervoso Central. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. gigantea (Campos et al.. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. paucinervis (Gadhi et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. G. Estudos com A. 1995). papilaris (Maia et al. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. Atividade mutagênica. anti-séptica e cicatrizante de A. 1999).. 1979). 1991). 1979). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. com A. 1983).. 1993). 1999). niaurorum (Kery et al.. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1996). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. 1991). 1993). 2001). birostris demonstraram. 1988). 1988). 1990).. tulobata (Sosa et al.Choudhury. 1985).. papilaris (Maia et al. triangularis (Garcia. 2002).. 1985). multiflora (Moretti et al.. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. antibacteriana. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al.. A. O mesmo ácido obtido de A.. A. A espécie A.. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. determinada pelo teste de Ames. H. atividade analgésica..

salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. por suas características químicas. FIGURA 6. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. 1993). Entretanto.com 10. .1 .. 1996) por humanos.Aristolochia trilobata. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Da mesma forma. 50 ou 100 mg/kg via oral. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis).

Peperomia e Pothomorphe. Hiruma-Lima A. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. do qual se destacam espécies como a Pimenta. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. dos quais se destacam os gêneros Piper. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. 1997). G. Geralmente as plantas são arbustos. Mariot W. lianas. onde ocorrem em abundância e diversidade.7 Piperales medicinais L. Portilho M. A. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. C. S. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. Di Stasi C. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. normalmente com células de óleos essenciais. Por sua vez. especialmente do gênero Piper. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. e espécies me- . Piper nigrum. epífitas.

Nomes populares Além de Tracoaptera. sendo também apenas . flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. muito semelhantes entre si. as quais passamos a discutir a seguir. Piper angustifolium. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências.dicinais de ampla utilização.K. Piper cubeba. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. folhas alternas. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins.B. como a chinesa e aiurvédica. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. como a Piper betle (betel). ovário com um só estigma. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. Espécies medicinais Peperomia elongata H. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago.1). Piper longum. pequenas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. O gênero Peperomia. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces.

Peperomia rotundifolia H. .B. na região amazônica. Piper cavalcantei Yuncker. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Nomes populares A espécie é chamada. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. pequenas. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. de distúrbios do estômago. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. curtopecioladas. simples. Não foram encontrados sinônimos. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). bastante carnosas e glabras. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. mas com pouca ocorrência. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. gastrite e gripes.K.

especialmente para dores de cabeça. os frutos são drupáceos (Figura 7. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. sendo a maioria arbustos. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. todas aromáticas. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. atingindo até 10 cm de comprimento. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. pendente. membranáceas. algumas lianas e pequenas árvores. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. assimétricas na base. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. inflorescências do tipo espiga. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Piper cernnum Vell. isoladas e levemente curvadas. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. . podendo chegar a até 5 m de altura.2). folhas pecioladas. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais.

incluindo hepatite. onde a espécie é abundante. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. um pouco ásperas. Piper gaudichaudianum Kunth. além de ser útil em distúrbios renais. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada como analgésico. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. particularmente contra cólicas abdominais. acuminadas no ápice. assimétricas na base. Em outras regiões do país. . estomacais e hepáticos. levemente curvadas. tendo distribuição por todo o Brasil. membranáceas.3).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. especialmente contra dores de barriga. inflorescências do tipo espiga. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente.

Piper cf. levemente assimétrica na base. Aperta-ruão ou Aperta-juan. flores . Em outras regiões do país. com ramos glabros e cilíndricos. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. membranosas. Piper marginatum Jacq. inflorescências do tipo espiga. Bitre. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. membranácea. com ápice acuminado. Nhandi. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. folhas alternas. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. Ihotzkyanum Kunth. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. alongada e fina. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. r e t a . cordiformes. estomacais e renais.4). A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. glabra. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. pequena (até 11 cm de comprimento).

minúsculas. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". descrita a seguir. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. e não isoladas. 1984). A planta é tônica. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. Malvarisco. como ocorre no gênero Piper. essas diferenças ficam bem claras. peitadas. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. flores sésseis. as raízes são carminativas.com brácteas triangulares. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. resolutiva e usada em banhos após o parto. as folhas.6). Caá-peuá. os frutos são excitantes. gineceu com três estigmas. fruto do tipo baga (Figura 7. contra veneno de cobra. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Pothomorphe peltata (L. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. androceu com três estames.) Miq. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. se ingerida. Catajé. peltatas. um gênero da família Araceae. Uma outra espécie do mesmo gênero. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. formando uma falsa umbela. ovado-arredondadas. membranosas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. bainha desenvolvida. diuréticas. dores de dente e blenorragias. estimulatórias (Corrêa. sudoríficas.5). sialagogas. principalmente da tucundeira. andróginas. estomáquica. .

com ápice agudo e nervação peltinérvea. formando uma falsa umbela. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. vermífugo. . as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. antiinflamatório externo e interno. diurético. 1984). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras.7). no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. Capeba ou Pariparoba. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. membranosas. fruto do tipo baga. 1980). A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. minúsculas. bainha desenvolvida. ovado-arredondadas. andróginas. cordada. Pothomorphe umbellata (L) Miq. flores sésseis. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba.

que representa 49% dos constituintes voláteis. 1982).. grifolina bisobolol.. Das raízes de P. 2001). Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al.... Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. E. Piper Das raízes de P. G. 1994). ácidos graxos (Lima et al. 1990). proctorii (Mbah et al. Cromonas foram isoladas de P. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. são . (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides.. 1988). Das partes aéreas de P. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. 1988). Os alcalóides. compostos de grande importância farmacológica. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. que também possui ácido grifólico.. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. M. 1996). flavonóides (Tillequin et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. 3-hidroxi-4. et al. além de apiol. sesquiterpenos. 1997). vulcanica e proctorionas de P. et al. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al.. De Peperomia japonica. 1982). indicada populamente como antitumoral. miristicina. B e C (Chen... consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies.. marginatum foram isolados aril-propanóides. monoterpenos. C. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. 2001). Mahiou et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A...5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 2002. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. Seeram et al. 2000). quinonas piperogalona.

. P. 1986. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. 1968). 1992). 1987). P. jaborandi (San Martin. 1980).. 1986 e 1987).. 1983. nigrum (Inatani et al.. longum (Dutta et al.encontrados com freqüência nesse gênero. Isolaram também neoglicanas de P. sylvaticum (Banerji & Pal. P. hidropiperona. lignanas de P.. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1987). Achenbach et al. 1980) e P. 1986. hancei (Li et al. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. 1983). amalago (Dominguez et al... 1985). sendo os principais piperlonguminina. piperidina. Pothomorphe P. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. aduncum e P. hispidum (Vieira et al. 1979). Foi demonstrado também que P. P. P. P. 1986) e P.. Tabuneng et al. 1986).. Foram isolados diversos alcalóides em P. piperlongumina. betle (Evans et al. P.. 1982) e P clusti (Koul et al. P.. 1981) e P.. P. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. hispidum (Vieira et al. lancei (Han et al... 1986). 1981). 1987). hispidum (Burke & Nair. hostmanianum (Diaz et al. aduncum (Smith & Kassim. P. betle (Rimando et al. futokadsura (Chang et al.. retrofractum (Banerji et al. Shoji et al. chavicina e outros. tuberculatum (Braz Filho et al. 1977) e P. 1986). 1979). Uma quinona. 1987). Bacillus subtilis... piperina... 1985) e P... 1985). compostos fenólicos de P. 1995). 1987). 1986) e flavonas de P. guineense (Cole. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. Li & Han.. 1977. auritum (Ampofo et al. flavonóides de P. P peepuloides (Shah et al. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A.. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. 1984). cubeba (Badheka et al. methysticum (Smith.

5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. et al.cies de Leishmania (Mahiou et al.. 1996). H. 1997). R. 1994). O extrato aquoso de P. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. O. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. 2002. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. cicatrizante (Saad et al. e atóxica (Saad et al. 1998. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. 1996b). et al. antifúngica (Lima. 2002. bloqueada com prazosin e ioimbina. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. Arigoni-Blank et al. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. Piper Foram caracterizadas para P. hipotensora (Siqueira et al. galioides e os compostos ácido grifóico.. Aziba et al. do extrato (0.. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al... L. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.. lacrimejamento. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. analgésica (Da Silva et al. 1994). também conhecida como Língua-de-sapo. et al. 1997). em doses que variaram de 0. antibacteriana. 2001). Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. promoveu piloereçáo. 2001). mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. relaxamento muscular e dispnéia. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. 1996). salivação intensa.. 1995). 1996a). et al.. 1992). hipotensora (Santos. M. Substâncias de P. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.1-1 g/kg.1-0. B.. H. E. R. S. apresentou atividades diurética (Santos..v. 1997). V. O. A administração i. V.. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. 1996). et al. atuar como antialérgico e diminuir .. Villegas et al. Assim. Embora o extrato de P.. V.. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al..

1984). aduncum (Lohezic-Le et al. 1986 e 1988. conhecida como Pariparoba. Dahanukar et al. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al.. 1988).. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. inibindo a agregação de plaquetas. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. anticonvulsivante. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. gaudichandianum. De P. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. Shen et al. Atualmente. a degranulação. 1991.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar.. analgésica. e antiviral P. Di Stasi & Pupo. Porém. P. abutiloides.. inseticida com substâncias de P. peltata possui atividade analgésica (Pupo. além de bloquear a transmissão neuromuscular.. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). methysticum também conhecida como kava-kava. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al.. betle apresentou atividades fungicida. 1987). 1978.. antioxidante (Choudhary & Kale. peltata. P. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. A espécie P. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. P.. 2002. 2000).. esta última com potente atividade (Di Stasi. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. 2002).. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. regnelli. cincinnatoris. 1976). espasmolítica. agindo como os anestésicos locais (Singh. e aumentou o tempo de sono (Duve. 1985). larvicida (Mongelli et al. Cairney et al. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . fungicida. Desmachelier et al. Amorim et al.. P. mutagênica (Chen et al. apresentou propriedades anestésica. 1985). amalago (Pupo. 1984). por seus constituintes químicos. nematicida (Evans et al. 1984. A espécie P. 1985). 1986). 1979). a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. 1987.. lindbergü e P. 1983). 1984). 1988). 1985)... Prakash. retrofactum (Woo et al. lancei e P. nigrum (Miyakado et al. As neoglicanas isoladas de P... 2002). Pothomorphe A espécie P. 1988). 1986.

. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. P. Desmarchelier et al. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 2000). 1996). de Ferreira da Cruz et al. 1992).1 . 1987). Miq. 1987). 1997. 2002.... Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.. O extrato etanólico das raízes de P. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. analgésica. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.. o que não foi observado na espécie P.. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. De P. umbellata L. FIGURA 7.Peperomia elongata.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. peltata (Felzenswalb et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 1995). umbellata.. antiedematogênica.. umbellata.Banco de imagens .

2 . b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências. .Banco de imagens ).FIGURA 7.

. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 .FIGURA 7.

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ). .4 .FIGURA 7.

. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.5 .Piper marginatum.

6 . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .Banco de imagens . ..FIGURA 7.Pothomorphe peltata.

Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).7 . .inflorescências Folha cordada FIGURA 7.

Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Sabiaceae. algumas lianas. Di Stasi C. C. Ranuculaceae e Papaveraceae. A. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Santos E.8 Ranunculales medicinais L. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Berberidaceae. como a morfina e outros derivados opióides. Pteridophyllaceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. M. das quais devemos destacar Menispermaceae. o famoso Ópio. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. foram obtidos. como é o caso da Papaver somniferum. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. M. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. arbustos escandentes e . Hiruma-Lima C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil.

1997). tais como A. com ampla distribuição na América do Sul. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. rufescens e A. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. Uma delas. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. com contorno oblongo (Figura 8. onde a planta foi referida como medicinal. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. utilizadas por índios do Norte do país. típica da aldeia tenharins. assim como . onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. 1996). raspada e misturada com água.1). Nessa família. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. foi referida como planta antiinflamatória. também denominada de Abutua. Dados botânicos Planta perene. fruto do tipo drupa.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. no entanto. imene. folhas alternas e pecioladas. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. da Mata Atlântica. são consideradas muito tóxicas. Outra denominação é Iroba. aplicada no local lesado e/ou ingerida. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. Espécies do gênero Abuta. a espécie é chamada de Abuta.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1996. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. L. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. L. Não foram observadas. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e... 1993. Brochado et al. relaxante (Araújo et al. 1997). Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. et al. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT.. Além disso. 1996. 1987).parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana.. J. M.. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. B. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. B. Gomes et al. Farias. et al. argentea. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero.. Farias. 1998. analgésica (Macedo et ai. 1997). 1996)... porém.. 1997.. 1996). Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. antiviral (Brochado et al. 1996). mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. Loureiro et al. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1994). raízes. 1996 e 1998). as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. et al. LDH) e o nível de bilirrubina.. GOT. 1993). D. 1997). Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino.. Uma loção contendo C. Induziu. 1997). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . ainda. 1996a e 1996b). D. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A... 1999. in vitro. Kern et al. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al.

Extrato aquoso de A. 1986. 1996). et al. S. 1998). De Ruiz et al. inclui . aliado aos dados de toxicidade em peixes. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1972). C.. 1989). Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. porém. Do extrato de A. 1992). provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. não apenas com as espécies citadas. 1996. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal.. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. confirmados para inúmeras espécies dessa família. Zhang et al. requer cuidados por parte da população. subclasse Caryophyllidae. O uso das espécies contra helmintos. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. hemorragias. Yang et al. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu..quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al... 1988. especialmente em uso crônico.. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. sobretudo contra helmintos. B.. et al. 1993). 1995). sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu.

Em ambos os casos. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. 1978). • Opuntia (Opuntioideae). são espécies perenes. • Cactus. embora várias espécies possam ser encontradas na África. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. Cereus e Melocactus (Cactoideae). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. No Brasil ocorrem 32 gêneros. . Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. 1997). Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. que inclui a espécie Pereskia grandiflora.400 espécies (Mabberley. suculentas. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. de hábito variável e geralmente espinhosas. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. com aproximadamente 1. 1978). Segundo Joly (1998). usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir.97 gêneros. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. que também inclui espécies medicinais.

galactopiranose. arabinose. dispostas em rácimos terminais. antitérmico e contra gripes e resfriados. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. xilose e ramnose (De Pinto et al. cresce em matas e em restingas. sendo uma homenagem ao professor N. A goma de P. em altitudes e também no nível do mar. fruto do tipo baga glabra. glucose.. obovóide. ácido galactopiranosilurônico. numerosos acúleos. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. A espécie é originária da Argentina. folhas subpecioladas. galactose.. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. guamacho possui ácidos galacturônico. galactose. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. 1994). muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. C. além de heteropolissacarídeos. glucurônico e seus metil ésteres. Peiresc. oblongas e acuminadas com base atenuada. . lenhoso. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. arabinopiranose. Das folhas de P. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura.. 1987). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. arabinofuranose. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. 1986). F. além de galactose. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. 1990). ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al.

No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. 1997). muitas delas suculentas (Mabberley. Talinum e Portulaca.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. O principal gênero é o Portulaca. arbustos e ervas. e 33 espécies (Barrozo. Portulaca oleracea. sendo algumas pequenas árvores. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. . 1978).

tais como Verduega. planas e suculentas. arroxeado e suculento. fruto capsular obovóide. Inclui três variedades principais. diminutivo de "porta". O nome do gênero Portulaca deriva de portula. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. como alimento. pequenas. cólicas renais e . e a maioria é de ervas suculentas anuais. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. axilares ou terminais. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. outros usos são atribuídos à espécie. pequenas. na forma de salada. obovadas. dadas sua rusticidade e resistência à seca. flores amarelas. Na região da Mata Atlântica. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. as partes aéreas cruas são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. sésseis. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. mas algumas variações de nome popular são usadas. Bodroega. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. especialmente em Portugal e na Alemanha. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. Dados botânicos É uma erva de caule curto. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Berduega e Veduega. folhas pequenas.

As folhas dessa planta também são comestíveis.afecções da vista. . A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. emoliente. pilosas. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. amarga. vulnerária. Caaponga. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. flores amarelas. lanceoladas. Perrexi e Alecrim-desão-josé. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. emenagoga e eficaz contra erisipela. cicatrizante externa. diurética. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. Portulaca pilosa L. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. as sementes passam por diuréticos. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. emenagogos e vermífugos. como as da beldroega. de onde saem folhas alternas. pequenas. glabros e suculentos. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. estomáquica. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Também conhecida como Beldroega. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida.

0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. oleracea de proteínas.. P. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 1995b). tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5.. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. fósforo. campesterol e stigmasterol. pilosa (Ohsaki et al. 1992). ácido linoléico e ácido palmítico. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. succínico. fumárico e acético (Gao & Liu. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. 1990). 1991). málico... pilosanol A. 22:6ômega-3. B e C.5% de lipídios.. butirospermol. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. 1991. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. isolados das raízes de P. 1994). 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. cycloartenol. potássio e cobre (Mohamed & Hussein.. Simopoulos et ai. 1996).4. 1996). 1991).. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. manganês. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. três diterpenóides transclerodânicos. como sitosterol. 1988). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. carboidratos.. malônico. 1991).. parkeol.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. ascórbico. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. ferro.. Boschelle et ai. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai.. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 1996). sendo o último composto um glicosídeo. Boehm & Boehm. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. dentre os quais 18:3-ômega-3. cálcio.. . 1992). Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. (1991) detectaram de R oleracea 3. ácido ascórbico. 1995.

1989). . em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. P. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano.. 1989). O extrato de P. enquanto das partes aéreas de P. dentre outras espécies.. 1995).. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1987). beta-sitosterol.. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. 1996).. Habtemariam et al. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al.De P. De P. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. stigmasterol. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. n-hexacosanol. oleracea foi investigado in vitro. 1989. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al... 1989). lupeol.. 1994). porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai.. Rocha et al. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. apresentou atividade hipoglicemiante. 1987). grandiflora Hook. n-triacontano.. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. sem alterar a diurese. encontrado por Rocha et al. 1989).... (1994). 1994). 1989b) e hipotensora (Poli et al. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. oleracea. diurética (Rocha et al. 1997). O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. 1985) relaxante muscular. 1993). 1993.

que pode atingir até 1. Inclui arbustos.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Salsola e Atriplex. 1997). sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. ramos folhosos verdes com folhas alternas. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Anserina vermífuga. sendo uma planta extremamente . Erva-das-lombrigas. Caacica.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Lombrigueira. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Ex Stend. Também é chamada de Ambrósia.5 m. Erva vomiqueira. raramente. oblongas denteadas. ervas anuais ou perenes e. Spinaceae. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Menstruço. 1978). A família se subdivide em quatro subfamílias. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Salicornia. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Erva-das-cobras. caule ereto e glabro. No entanto. pequenas árvores. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Mentrasto e Mentrusto. extremamente ramificado.

1978. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. incluindo a Amazônia. 2002. para problemas da pele. percevejos.. amplamente disseminado nas zonas rurais. 1995). febre. esse uso é comum também em outros países. como abortiva. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. ao passo que a infusão das folhas é usada. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". internamente. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente na área veterinária. Melito et al. lesões hepáticas. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. a maioria de ervas. dor ciática e parasitas intestinais e.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo.) . Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. baratas e demais insetos. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório.. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. bronquite. 1985a e 1985b. Godano et al.. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. contra reumatismo. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. extremamente útil para afugentar pulgas. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. em altas doses. Além desse uso. externamente. referindo-se às folhas lobadas.

distribuídas. em trinta gêneros. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. de onde partem folhas pequenas. ovadoblongas. Mirabilis.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. mas não antocianinas (Mabberley. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. pilosas e pecioladas. Boerhavia. Bougainvillea. opostas. 1997). destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. . com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. arbustos e ervas que produzem betalaínas. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Pega-pinto e Tangaraca. a espécie é conhecida como Erva-tostão. Dos gêneros. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave.3). Pisonia. Mirabilis e Bougainvillea. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. nome usado em todo o Brasil. incluindo árvores. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. Guapira e Andradea.

A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al... Corrêa (1984) refere que a planta. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Aslam. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. sem efeito teratogênico (Singh et al. especialmente a raiz.. 1995). 2000a).. arbustos. 1999). nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava.. 1996) e lignanas (Lami et al. atóxica. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. 1990 e 1991). 1999).. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. particularmente contra lombrigas. 1978 e 1980. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. possui sabor picante. 1991..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1997). além de ser considerada excelente diurético. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. lianas ou ervas. 1997). 1996. Sohni et al. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. sendo árvores. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. 1991). Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. Rawat et al.

Pipi. androceu com quatro estames. Em outras regiões. sublenhoso. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. farmacêutico e amante da natureza. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. Amansa-senhor. alternas. e o gênero Petiveria. em Pernambuco e em São Paulo. Gambá-tipi. antiespasmódica e reputada como sudorífica. membranosas. delgados e ascendentes. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. ramificado com ramos compridos. também é comum. estipuladas. agudas no ápice e estreitas na base. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. que inclui uma única espécie. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. diurética. 1984). O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. flores sésseis. gineceu unicarpelar com ovário súpero. raízes e ramos são considerados emenagogos. fruto aquênio cilíndrico.como ornamentais. inchaço de mem- . alfavacão. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. O uso externo das folhas novas e da raiz. folhas curto-pecioladas. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. Outros dados incluem o uso da raiz. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. Tipi-verdadeiro. como Tipi. Dados botânicos Subarbusto perene. no alívio de dores musculares. em decocto ou pó. folhas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. achatado e carenado (Figura 9. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. no Mato Grosso. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. pequenas. como abortiva.4). Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. ereto. limão de cayanna. no Rio de Janeiro. na Bahia.

De Lima et al. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. serina. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. no Ceará. 1997. ácido lignocérico. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. as raízes são usadas na hidropsia. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. beta-sitosterol. 1982). esteárico. pinitol. triterpenos (Delia Monachi et al. dores de cabeça.7-di-O-metilpinocembrina. Trotta et al. C.. 1990).. S. 1980. et al. paralisia. alantoína. trans-N-metil-4-metoxiprolina. glicina e alantoína (Sousa et al. ácidos palmítico.. 1990). Van den Berg. beta-sitosterol. 1982). trisulfeto de dibenzila. 1989) e depressora do SNC (Lima.. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1988. 1986). 1980). peptídeos como ácido glutâmico.. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio.. 1986). Pinto C. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina.. flavonóides. 1998). M. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. em Minas Gerais. como abortivo. et al. em Brasília e no Mato Grosso. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. 1982).bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. 1992). além dessas indicações.. T. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. nitrato de sódio... 1982. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. Grandi et ai. M.. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. 1988. 1988.. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. a raiz é útil na amenorréia (Agra. 1988). dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. linoléico. 1988). et al. ainda. lignoceril álcool. 1980). T. reumatismo. no Rio Grande do Sul.. . 1988b). 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. na Paraíba. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões.. De Souza et al. C.

.. 1989. 1990). 1991. Caldeira et al. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 2001).mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 2050 aci02). e o de caule.. 2002. Lopez-Martins et al. alliacea. 1991)... . acaricida (Johnson et al. 1988. 1993. antiinflamatória oral (Germano et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. afasia e até à morte (Corrêa.. No entanto. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al.. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. Guerra et al. citotóxica. Cortez et al. Y. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. Germano et al. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. por levar à imbecilidade. 1995). 1994). também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1993. hematopoiética (Quadros et al.. 1993). 1996) e antitumoral (Davino et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. 1988. efeito zigotóxico (Guerra et al. Davino et al. 1992). 1991).. 1989..... 1988). Malpezzi et al.. 1998)..270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. Elisabetsky et al.. M. 1994). 1987) e antiviral (Ruffa et al... 1997) e antifungica (Benevides et al. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. 1991 e 1992). et al. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al.. atividades analgésica (Thomas et al. 1998).. Davino et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. utilizado popularmente como vermífugo. Takahashi. O extrato hidroalcoólico de P. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1984).. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. 1991. P.. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1988. com uma D L m a de 1.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

e sua raiz. como Cabeça-de-negro. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. .a cinco lobos. foi dado em homenagem a John Wilbrand. 5-lobadas e raramente com mais lobos. como em formações secundárias. com caule anguloso. longos. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. flores amarelo-claras. folhas pecioladas. O nome do gênero Sechium. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. sulcado. que significa "pepino". flores amarelas esbranquiçadas. é uma variação de sicyos. mas ásperas.3). com até 20 cm de comprimento. É uma importante espécie econômica. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. especialmente na Itália. membranosas. descrito por Patrick Browne. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. Wilbrandia. especialmente após o cultivo sistematizado. fruto do tipo pepônio verde. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. sendo um produto amplamente comercializado. capoeiras e na beira de estradas. Wilbrandia ebracteata Cogn. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. e muitas variedades em cada espécie. e o nome. rugoso. alternas. ramoso e delicado. O gênero inclui apenas seis espécies.

Mn e Li (Peng & Li.80%) e fosfolipídios (16.. Cr. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Co. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al..76% de lipídios. Grondin et al. 1991. glicolipídios (35. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. charantia também foram isolados triterpenos.. ácido linolênico.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Huang et al.. Das sementes de M..24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1992). ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al.. Além disso. 1990). divididos em lipídios não-polares (38. Hara et al.. como laxativo (Farias et al. De M. 1986).. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. Dos frutos frescos de M. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1996. 1996).. Chang et al.. 1996). 1987). 1989). além do esterol. tumores e. Foram isolados ainda das sementes de M. 1996). 1992).. 1989. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. 1990a). afecções da pele. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. momordicinina e momordicilina.40%). 1995. 1988. Dos frutos verdes de M. sífilis (Almeida et al. Kusmenoglu. charantia também foram isolados vicina... sendo o cucurbita-5. Ni. charantia foi isolada a gama-momorcharia. 1996.81%). A composição química do fruto de M. Das sementes de M.. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al.. 1985).. Chandravadana et al. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. proteínas. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. Wang et ai. Foram isolados também cicloarterol.. Nguyen. também. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.. 1997). a raiz é utilizada no tratamento de febre. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1996. Zn. reumatismo. charantia foi determinada como 0. 1997). Das folhas de M. além das momordicinas (Fatope et al. Das sementes de M. Zheng et al. 1990. assim como no controle da diabetes. charantia . 1989..

. contendo trinta carbonos. oléico. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. 1994). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al.. Geralmente. Aí. triterpenos tetracíclicos. 1987). H e I (Miro. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. charantia. . albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina.vicine. 1993). além de uma resina (Volák & Stodola. 1997). 1994). também foram detectados em Aí.. posteriormente. 1987). dioica eM. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. 1993). rigorosamente. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1990). Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1991). isolados das partes aéreas. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. seguidas. 1990). grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. charantica. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico.. 1995). além do ácido rosmarínico. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. esteárico. 1995). também descrito em M. sesquiterpenolactonas e taninos. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1990b). A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. balsamina (De Tommasi et al. pelas G. As sementes possuem 50% de óleo. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. pela E e. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. foetida (Mulholland et al. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Das sementes de M. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. Dos frutos de Aí.

charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. O extrato etanólico de M. 1993).. 1983a e 1983b) e . 1984. DNA. Karunanayake et al. 2002). Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Raman & Lau. 1996).. 1981. 1996. 1996. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Athar et al.. extratos brutos de folhas. da síntese protéica. El-Gengaihi et al. 1986. Além disso. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos.. 1982. parâmetros hematológicos permaneceram normais.. 1980.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai.. charantia (Rathi et al. 1983). Inibição da síntese de RNA. Pugazhenthi & Murthy. 2002) (Jilka et al. antiviral (Takemoto et al. (1994). (1986). 1982a e 1982b).. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.. 1996. Ahmad et al. 1987).. Platel & Sirinivasan. 1997).. Welihinda et ai. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Ng et ai.. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. 1993). O suco dos frutos de M. decocto das folhas e suco de M.. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.

1983). 1990).. isoladas dessa espécie. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. charantia. charantia. Ng et al. ... Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al... charantia. 1995). uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. uma proteína inativadora de ribossomos. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. proteínas inativadoras de ribossomos. 1990a). charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. 1996). 1987. charantia. 1993).. na qual descreveram a momorcochina. Os frutos e sementes de M. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. incluindo M.. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M.. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu.. antitumoral. charantia) inibe a integrase de HIV-1. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. alda-momorcharina. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al.. 1996). A glicoproteína isolada das sementes de M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. As proteínas inativadoras de ribossomos. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. momordina 1 e momordina 2.. pulmonares e da mama (Rybak et al. Wang et al. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. 1994). 1994). Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. 1990). MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. L. isoladas de sementes de M..imunomoduladora (Spreafico et al. Fong et al. et al. 1995b). charantia. 1993).

Apesar da indicação popular para inflamação.. 1994). e o rizoma de Curcuma longa Linn. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. 1987). charantia (Silva. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1996). 1991). De M. Os frutos de M. 1995). 1988)... charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1990.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia foi isolado ginsenosídeo. Amorim et ai. Embora indicada contra malária. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1996). Das folhas de M. M. 1990.. L. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. antiancilostomose (Berchieri et al. No entanto. (1984 e 1985).. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al.. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Basaran et al.. De M.. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al.. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1994). Dos frutos verdes de M.. 1995). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al..Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. 1996). 1987). A M. 1990). MAP30 isolado de M. 1997). Foram isoladas duas proteínas de M. et al. 1996). O extrato aquoso da folha de M.. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . Misra et al.

De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi.. 1996). Proteínas isoladas de M. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1993). ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. 1996).. 1984. Hamato et ai. C.. inibição da ovulação. Teixeira. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. Outras atividades também foram descritas para a espécie.. anticoncepcional. Trichosantina... 1993)..atividade hipoglicemiante. O extrato alcoólico de M. hipotensora (Gordon et al. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas.. 1995. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. diarréia.. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 2001). 1997 e 1999). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. 1986). et al. A.. Peters et al. Jensen & Lai. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. anti-helmíntica. 1989. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. De M. antitumoral. 1995).. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. 1993). do que o extrato de M. citotóxica. hipovolemia. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. tais como antioxidante. Além disso. . em rato. 1997)... Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. diminuição da pressão arterial.. 1995). 1991). Pagotto et al. 1994).. 1995. 1986b). 1991). dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 2000) e antimutagênico (Yen et al. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. antimicrobial.. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. Miró. tais como antiinflamatória. 1995. 1995.

. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. 1996. charantia em enzimas hepáticas. Platel & Sirinivasan.6 mgAg. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1988).. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy.. 1990). angaria foi de DL50 = 1. 1987). Os frutos de M. El-Gengaihi et al. .Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. recentemente. 1986). Em ambos os casos.. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. 1986. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai.. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. Das sementes de M. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. 1996. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. A toxicidade do fruto de C. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. 1996. 1986). 1997)... Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. especialmente por gestantes. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai.. 1992). 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. Chan et al. 1994). com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.. Raman & Lau.

alternas. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). . semente com endosperma carnoso (Figura 10. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. mas que possui uma grande importância. com gomo terminal protegido por estipula caduca. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. farrapo". folhas simples. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. onde há cerca de oito espécies. 1978). Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. e stemon = "estame". incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. pétalas ausentes. distribuídas em regiões tropicais. androceu com um estame. fruto do tipo capsular trilobado.4). O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. referindo-se ao estame bifurcado. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. ovário unilocular. bem desenvolvidas. e não foram encontrados sinônimos para ela. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. pedaço.

A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. compreendendo lianas. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. . 1996). em geral trepadeiras. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). de valor alimentício e medicinal.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. arbustos e árvores (Mabberley. 1997). Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. conforme apresentamos a seguir. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. No Brasil. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. representando um importante recurso econômico. com 575 espécies tropicais e temperadas. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. no entanto. existem várias espécies do gênero Passiflora. 1992).

Passiflora macrocarpa Mart. cilíndrico. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. chamada popularmente de Maracujá gigante. cordiformes. pela interpretação dada às peças florais. sementes compridas (Figura 10. 2tridecanona.Dados botânicos Planta glabra. ovadas. carotenóides (Ferreira et al. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. Na região da Mata Atlântica. peninérveas. gavinhas que são ramos florais modificados. caule robusto.. principalmente a P edulis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. 1987a. 1997). epipassicoriacina. margem inteira. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. alternas. 1990). monoterpenóides. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. corniculadas. Uma outra espécie de maracujá.. 1987b e 1985). estipulas ovadas. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. mas identificada apenas até o gênero. antocianinas (Kidoey et al. . Spencer & Seigler. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina.5). 1996. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. flores com cinco sépalas ovadas.. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. planas e obtusas. 1989). côncavas. 1983). 1991). agudas no ápice e estreitas na base. hexadecanóico. uma espécie denominada Maracujá. fruto oblongo-ovóide. (9Z)-ácido octadecenóico. é usada para diversas finalidades. 2-pentadecanona. folhas inteiras. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al.. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. e cinco pétalas rosadas. que lembram os instrumentos do martírio. o suco dos frutos é considerado sedativo.

schaftosídeo (Proliac & Raynaud. Proliac & Raynaud. nem em R incarnata (Speroni et al. 1997. 1988. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1987b). mollissima (Froehlich et al. 1997). Da espécie P.. Spencer & Seigler. 2000. 1997). O suco dos frutos contém água. lipídios. proteínas. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. ferro. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. Costa.. fósforo. açúcares. 1988. P. de onde foi isolada crisina. 1991). saponarina. harmol e harmalol). 1998). vitaminas A. glicosilflavona (Geiger & Markham. 1986)... sendo a passiflorina o mais conhecido. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al.. 1987). isoschaftosídeo. isoorientina. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. Ortega et al. orientina e isoorientina. espasmolítica (Queiroz & Brandão. fermentos. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. PP e C (Zhuang & Wang.. Flavonóides como vitexina. 1997. analgésica... potássio. harmina. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. bem como a presença de glicosídeos em P. carboidratos. quadrangularis (Orsini et al. 1988).. amliformis (Restrepo & Duque.. Menghini. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. Sena & Leite. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P.. 1996). assim como ácidos graxos. 1986). P coriacea (Spencer & Seigler. B2. maltol. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. cálcio. 1997. 1989). 2000). 1988. Esse composto não foi detectado em P coerulea.1979). 1988). et al. 1986). flavonóides (orientina. B1. isovitexina. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. Raffaelli et al.. 1980.. taninos. Amaral. 1988). 1979). bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. harmalina. Vale & Leite. Dos frutos e folhas de P . 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al.. riboflavina. 1996). 1995. K... composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas.. 1980).

1985)... 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. FIGURA 10. fruto e flor (Banco de imagens .edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1989).. 1998a). 1991. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 1978). inotrópica... 1985b. 1989 e 1993) e inseticida. Das folhas de P . Barros et al. 1988). Detalhe da folha 5-lobada. 1991)... O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. Porém. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.1 . Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al.. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. Echeverri & Suarez. 2000).. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. antiinflamatório (Silva et al.. foetida apresentou atividades hipotensora.Luffa cylindrica Roem. antipirético (Silva et al. espasmolítica (Carneiro et al.

2 . .Momordica charantia: a) ramo com frutos. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).FIGURA 10.

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

) K. canaiensis (Willd. na região amazônica. no Pará. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Schum. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. . as raízes são usadas contra moléstias uterinas. de Vassoura. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. 1982).mas. freqüentemente com cálice roseado. com caule ereto e ramoso. 1939). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. na Bahia. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. mas também de Ganchuma e Relógio. lineares e de cor branca. como emético (Hoehne. reunidas em fascículos axilares. Nomes populares A espécie é chamada. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. emenagogos e as folhas (decocto). aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. Vassoura e Relógio. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. Malva-preta. Sida rhombifolia L var. como abortivos. as flores são pequenas.

como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Rabo-de-foguete. 1982. a planta é utilizada como béquica. flores solitárias. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. no Rio Grande do Sul. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. mas esta não foi completamente identificada. Malva-roxa. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. popularmente conhecida como Caapiá. folhas curto-pecioladas. Guaxuma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tônica. Na Mata Atlântica. Aramim. 1982). róseas. dispostas em racemos. Grandi & Siqueira.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada.. anti-hemorroidal.Vassourinha. O chá de toda a planta. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. var. Em outras regiões do país. Malvaísco. no Rio Grande do Sul.4). rombóideovais ou lanceoladas. Malva e Vassoura-do-campo. Carrapicho-de-lavadeira. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Guaxiúba. é tido como útil. ereta. é de grande uso externo contra reumatismo. emoliente. na dose de três xícaras ao dia. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Uacima e Uacima-roxa. axilares.. Urena lobato L. Dados botânicos Planta anual. em Minas Gerais. na região amazônica. chamada de Caapiá. e Guanxuma. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. em São Paulo e no Rio de Janeiro. Coaquibosa. Ibaxama. alternas. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. contra desarranjo menstrual. reticulata (Cav. . Aguaxima. como Minas Gerais. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. ramosa e pubescente. Guaxima. 1986).

1986). solitárias. com grande destaque para as três nervuras centrais. 1984). 1977a.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. de até 3 m de altura. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. 1986). com ramos alternos cilíndricos. emoliente e contra eólicas renais.. 1985) e H. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1991). pecioladas. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. ligninas de H. de onde partem folhas alternas. roxas ou rosas. 3-7 nervadas. Dados químicos Hibiscus De H. lobadas e de formas variáveis.. 1986.. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. flores pecioladas. mucilagens das espécies H. Tomoda & Ichikawa. cordiformes. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. suculentus (Moawad et al. cannabinus foram isolados. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. fosfolipídios (Tolibaev et ai. a decocção da raiz é usada como diurético.. suculentus (Tomoda et al.. 1987). pequenas. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. onde se encontram glândulas nectaríferas. moschentos (Tomoda et al. H. fruto do tipo capsular. diurética e útil contra eólicas. 1991). cannabinus (Kulchik . H. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. comum às espécies desse gênero. 1977b e 1978). syriaceus (Shimizu et al. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. De H. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

taxifolina e herbacetina. 1990a e 1990b). xilose e frutose (Pouget et al.. fosfatidiletanolamina.. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. . esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. epoxiacilglicerídeos. triacilglicerídeos. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos.. Das sementes de H. 1988). De H. Em cultura de tecidos. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al..et al. 1989).5. fosfatidilinositol. 1988). esterol ésters. epi-ikshusterol. 1988). além de 15% de ramnose.. 1989a e 1989b). 7-0alfa-ramnopiranosídeo. glucose.. esculentus e H. linolenato de metila. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. sesquiterpenóides de H. galactose. 1986.. No óleo das sementes de H. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. 1990). 1991) e lactonas de H. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. sabdariffa produziu antocianinas. Foram isolados também de H. 1991). sterculico. kaempferol 3..8. arabinose e arabinan. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. esterois livres. monoglicerídeos. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. 1986. peonidina.-L-arabinosideo-7. oléico e linoléico (Tolibaev et al. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.. sabdariffa foi determinada (Kalyane.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. pelargonidina. Duckart et al. Das pétalas de H. o H. 1990). 1989). 1978). cianidina. moschentos foram isolados 3. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. quercimeritrina. 1986). além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. Husain et al. ácidos palmítico.. beta-sitosterilglicosilado. tiliaceus (Ali et al. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. De H. ácidos graxos livres. ikshusterol. diacilglicerídeos. 1977).4'-pentahidroxiflavona. N-acilisofosfatidiletanolamina. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. abelmoschus (Maurer & Grieder. N-acilfosfatidiletanolamina. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. petunidina.7. 1988). A quantificação das proteínas das sementes de H.. De H. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. malvidina (Kim et al. betasitosterol.

1980). barbadense determinou a presença de albumina. barbadense. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. 1995). principalmente o esqualeno. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. esteróis. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . hirsutum e B. 1986). resinas. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. hirsutum (Schmidt & Wells. Foram isolados de G. dipalmito-oleínas. D-galactose. 1986. mirístico. palmito-dilinoleínas. xantofilas. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. diversos terpenóides (Hunter et al. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). fosfolípides.Das folhas de H. 1985). miristoléico e palmitoléico. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. 1995). tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. dipalmito-linoleínas. 1987). também isolado de G. oléico. globulina. 1979). 1986). 1985). araquídico. Das sementes de G. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. silianum (Kumamoto et al. 1979) e G. rainundii (Stipanovic et al. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. Ermatov et al. lecitinas. prolamina e glutelina (Sammour et al. hidrocarbonetos. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. De G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. palmítico. hirsutum e G arboreum. óleo-dilinoleínas. esteárico. corantes como carotenos. mucilagens e proteínas (Costa. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. G.

Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina.3%3%) (Bandyukova & Ligai. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. 1990). acuta (Goyal & Rani. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. pristano. S. De S. 1997). fitano. 1989b). A extração das partes aéreas de S. acuta. ácidos graxos como beta-sitosterol. hirsutum (Zhou & Lin. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. barbadense e G. ácido palmítico. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. barbadense e G. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1988). 1988a). 1987). espermátide e espermatozóide. As partes aéreas de S. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani.(+) gossipol de G. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. hermaphrodita contêm também os flavonóides. rhombifolia e S. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. S. campesterol. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. Das partes aéreas de S. 1989). ácido glutâmico e aspártico. stigmasterol. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. 1981). isoquercitrina. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1989a). spinosa (Prakash et al. humilis. As partes aéreas floridas de S. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. vesícula seminal e próstata ventral foram . hirsutum (Mansour et al. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada.

Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. 1999).. A espécie H. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. porém os níveis de colesterol subiram. 1979). As flores de H. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. e de H. Pakrashi et al. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. 1986. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. sabdariffa (El-Merzabani et al.reduzidos nos animais tratados com H. 1987). 2001). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. verificadas por Singh et al (1982). Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. 1990). hipoglicêmica de H. citotóxica. antimutagênica (Wang et al. 1984. Haji & Haji. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Essas atividades. 1999. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. Ainda de H. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1985). Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 2000). 1989). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. 1986). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. O extrato das flores de H. 1992). . assim como uma forte ação citostática. tripsina e a alfa-quimiotripsina. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. moschentos (Tomoda et al. esculentus (Medeiros et al. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. O ovário apresenta sinais de luteólise. 1987). 1976a e 1976b ). esculentus. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1987). no tratamento com Hibiscus. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. Em camundongos. antiespermatogênica. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Pai et al. 2002). A taxa de inibição de fertilidade com H. 1985).

arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1996). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S.Gossypium O gossipol. 1997). induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Terpenóides isolados de G. 1988) e S. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . serratifolia (Sawhney et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980).. 1984). barbadense e G. principal constituinte do óleo do algodão. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. Extratos de S. 1985). 1985). hirsutum e G. Sida Os alcalóides de S. 1982). rhombifolia (Bortoluzzi et al. 2001. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 2000) e tóxico (Bourke. As proteínas das sementes de G. Wang & Bunkers. Flavonóides de G. 1995). 1978). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1980).

todos típicos de cerrados e campos. poucas em áreas temperadas. 1997). V. exceto Bacillus subtilis. rhombifolia. Sterculia. Drena As raízes de U. 1988.500 espécies tropicais. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. distribuídas em onze diferentes gêneros. Na região . incluindo árvores e arbustos. Segundo Barrozo (1978). vulgarmente chamada de Guaxuma. raramente ervas ou lianas (Mabberley. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Do infuso de S. Dombeya. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1996). Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. de grande cultivo em jardins. onde são encontrados em abundância. Franzotti et al. 1998. 1992). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. Das partes aéreas e folhas de S. F. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. 1998.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 2001). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Helicteres e Waltheria. carpinifolia. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. 1998). Bianchi et al. Fernandes et al. et al. nos quais se distribuem 1. C. cordifolia (Malva-branca). A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. e o gênero Theobroma. 1988b).

na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. ou por suas variantes: Cupuaçu.5). duas das mais importantes e valiosas espécies. 1991). O gênero Theobroma. Copoaçu. grossos e tomentosos. de valor econômico.) Schum. pedunculadas. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. com brácteas linear-lanceoladas. 1988). Dados botânicos Arvore de grande porte. grandes e vistosas. no Pará (Amorozo & Gély. O nome do gênero. Theobroma. significa "manjar dos deuses". e o chá da sua casca. medicinal e alimentar. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. para o tratamento de diarréia. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. com estipulas caducas. flores que brotam dos galhos. com ramos longos. ovóide. oblongolanceoladas. . fruto do tipo capsular grande. Cupu-assu. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. folhas com pecíolos curtos e carnosos. liso e escuro (Figura 11. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. Em tribos indígenas amazônicas. vermelho-escuras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. descrito por Carl Linnaeus. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. bem como nas comunidades locais da Amazônia. 1990).

.e tri-insaturados (Costa. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Cacaoyer. 1970. 1989). cacao. 1993). Cacao forastero. oblongolanceoladas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. palmítico. como a T. M. glicerídeos di-saturados. 1986).7. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. et al.3. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro.. no Amazonas. Pagonini et al. ex Mart. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta.6). cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. Caca-y.. fasciculadas. grandiflorum). teobromina.9-tetrametilúrico. cafeína (Maia et al. mirístico. 1977). inibidores fenólicos da a-amilase. Criollo. Chocolate. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. denominado Theobroma cacao L. speciosa possui ácido 1. Outras espécies desse gênero. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Cacao azul.. 1979). com ramos curtos. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. globulinas (Voigt et al. T. vermelho-escuras. até 10 m de altura. (Figura 11. folhas com pecíolos longos. fruto capsular ferrugíneo. ácidos esteárico. tripsina . 1992a e 1992b). oléico e linoléico. Kakao. flores dispostas no caule. Já a espécie T. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. albuminas. mono.Theobroma speciosa Willd. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. Dados botânicos Árvore de porte médio. inteiras.

7% a 57..2%). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. 1987). ácido araquídico. pela presença de ácidos graxos. T. gorduras (Malini et al. dentre os quais o óxido de linalol (12. mariae. procianidina B2. antocianinas.... subincanum. quercetina3-0-glucosídeo. Em T. 1996). A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. xantinas e lipídios. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. 1991). T.9%). cacao e também em T. quercetina e esculentina (Bastide et al. Alcalóides purínicos (cafeína. ácido ecosadienóico. O índice de saponificação da T. geraniol. tais como ácidos palmítico. bicolor e T. diferentemente do T. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. Porém. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. Além de açúcares totais. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12.6%.. porém.. 1991). Os alcalóides teobromina. e T. ácido cítrico. 1994). 1991). 1995). 1986). augustifolium (Sotelo & Alvarez. flavan-3-ols. speciosum. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. nerol. teobromina.74% (SantAnna Tucci et al. taninos condensados. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. derivados do ácido hidroxicinâmico. 1987). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. cacao consistem de 78 componentes. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. que variou 50.. 1996). As essências florais de T. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai.. 1989). T. augustifolium. cacao foi caracterizado como de 190. 1986). longifoleno e citronelol (Erickson et al.(Quesada et al. simiarum. O T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. cacao. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. (-)epicatequina. Esse constituinte também . ácido lático.37 a 1. 1994).. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano.5%) e o isoeugenol (8. bicolor e T. Em T. taninos.

. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. e a proantocianidina. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. 2002).. 1997). cafeína. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. clorofila.. 1997). Melzig et al. isolada dessa espécie vegetal. 1997). Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T.. 2000). .. M. 1997).. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al.. 1997). 1997. cacao apresentou um efeito vasodilatador. amido. et al. Paganini et al.. cacao (Yamagishi et al. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. 1970. análoga à manteiga de cacau. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. 1992a e 1992b).. 1997. cacao (Gurney et al. Sanbongi et al.. proteína. 1989). A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. uma atividade analgésica (Santos. fenóis e taninos. 1992).

muito conhecida na região amazônica Joly. agudas no ápice e oblíquas na base. serrilhadas. 1997). 1998). Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. oblongolanceoladas. Dados botânicos Árvore de porte médio. No Brasil. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. e Apeiba. os gêneros mais comuns são Luehea. que a referiram como medicinal. folhas curto-pecioladas. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. 1978). neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. Triumfetta. .Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. da planta Pau-de-jangada. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. raramente ervas ou lianas (Mabberley. sendo a maioria de árvores e arbustos. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. de até 13 m de altura. de numerosos estames livres. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. com o nome de Curumin-nhapuá. Espécies medicinais Muntingia calabura L. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão.

7). Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.3%) os mais significativos. A casca é emoliente. dos quais predominaram alcanos (44. quercetina. fruto do tipo baga. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. aqui descrita como medicinal. vermelho. e as flores. ésteres (26.dispostas em pedicelos axilares. sesquiterpenóides (10. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. ovário 5-7 locular. 1984). Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. arredondado. inúmeras sementes (Figura 11. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.6%) e derivados furanos (8. e salicilato de metila. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting.7%). 1991). calabura L. 1990). calabura foram isoladas Havanas. . ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.3%). alcanos (15. flavonas e biflavanas (Kaneda et al.9%)..3%).4%).5%) e compostos carbonil (23.3%). antiespasmódicas (Corrêa. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. compostos fenólicos (11. Do extrato citotóxico das raízes de M. Dos frutos de Aí. sendo ésteres (31. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. indeiscente.

e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .1 -Bixa arbórea. 1998.FIGURA 11. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

FIGURA 11.2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984). 1998) (Banco de imagens - . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.3 .FIGURA 11.

Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Sida rhombifolia var. 1998) (Banco de imagens .4 .FIGURA 11. canaiensis.

FIGURA 11.5 .Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .6 .FIGURA 11.

FIGURA 11.Muntingia calabura.7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .

Ulmaceae e Barbeyacea. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Cecropiaceae e Moraceae. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. A. fonte da maconha (Cannabis sativa). amplamente conhecida como . e o importante gênero Urtica. C. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. Seito C. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro.12 Urticales medicinais L. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. das quais as famílias Moraceae. Da família Cannabaceae. Di Stasi L N. e o segundo. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. por esse fato. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Em duas delas. fonte de substâncias também tóxicas. Cecropiaceae. As outras duas famílias dessa ordem. Nos estudos realizados e apresentados neste livro.

Ibaituga. longopecioladas. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Espécies medicinais Cecropia peltata L. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Imbaubão. Outras denominações populares são Aimbahú. . Ambatí. Com esse novo arranjo. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Imbati. Ambaíba. Ambaitinga. Arvore-da-guiça. Arvore-da-preguiça e Torém. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. referida com adulterante da Espinheirasanta. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. de Lixa. Ambahú. Toréin. Figueira-de-surinam. e a espécie Sorocea bomplandii. alternas e protegidas por duas estipulas. Embaúba. Poiküospermum. lactescentes. Ibaíba. Ambaí. peitadas acima do centro. Musanga. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Myrianthus. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. folhas grandes. Pourouma e Cecropia.

referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. catharinensis. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. F. filho da Terra. carpelar. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. a raiz é considerada útil contra tosse. gemas e brotos são adstringentes. lyratiloba (Menda. antililiásica (Domingos et al.flores pequenas de sexo separado. . R.. Das raízes de C. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. As folhas. unilocular. Na região do Vale do Ribeira. indicada popularmente como antiinflamatório.1). et al. Nas folhas do extrato de C. frutos nuculares. et al.. 1994). 1983).. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. asma. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. Na espécie C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. R. A. ecoar". usados na fabricação de instrumentos de sopro. que significa "chamar. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. Kerber. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. 1996). 1998). muitas delas de ocorrência no Brasil. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al.. 1992. do grego. A.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Santos. Em C. 1986). reunidas em densas inflorescências. 1986. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. C. 1984). Das folhas de C. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. hidropisia.. adenopus. Mal de Parkinson. 1985). A. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. bronquite e gripes fortes. meio homem e meio serpente. C. 1984b).. et al. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. 1996b).

isolada de espécies deste gênero.. efeito depressor do SNC. arbustos. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. que incluem árvores. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. lianas e ervas (Mabberley. 1998. 1988. 1998a e 1998b.depressora do SNC. compreende 1. antiulcerogênica (Cysneiros et al. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.. 2002).. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Astocarpus e Sorocea.100 espécies tropicais e poucas temperadas. característica marcante da maioria das espécies dessa família. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. Johann Heirinch Friedrich Link. na Mata Atlântica. Rocho et al. ansiolítica (Barettaetal. Cysneiros et al. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa.. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. descrita originalmente por. a família conta com aproximadamente 340 espécies.. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. antidepressiva. Em outras re- . Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. Dorstenia. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. distribuídas em 28 gêneros. 1992). No Brasil. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. Morus... dos quais se destacam: Ficus. 2001). 1988).. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al.. espasmolítica (Delia Monache et al. distribuídas em 38 gêneros. Rocha et al. 2001). de Espinheira-santa. 1993 e 1996a). Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo.. 1997).) Burger. A cecropina. 2001).

cilíndrico. com tronco ereto. Gonzales et al. Flavonóides foram isolados de S. Recentemente. especialmente da Mata Atlântica. folhas simples. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. 1993). Resple. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Soroco. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. 2001. Carapicica-de-folha-miúda.. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. 2001. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. de casca fina... de face superior brilhante e inferior opaca. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Laranjeira-do-mato. chegando a 10 cm de comprimento. especialmente na Mata Atlântica. Folhas-de-serra. Araçari. ciófita. quando não está em época de floração. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Canxim. Trata-se de uma espécie perenifólia. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. . A espécie é latescente. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. ilicifolia e S. bomplandii.. 1993). da família Celastraceae). Calixto et al. fruto do tipo baga.giões do país a planta é chamada de Cincho. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos.

1998. c) inflorescência.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. d) flor feminina. S.1 . Reis). (Banco de imagens . b) detalhe da folha.FIGURA 12. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

A. Thymelaceae e Euphorbiaceae. compreende 313 gêneros. M. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. arbustos.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. No Brasil. Santos L. a maioria cosmopolita. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. lianas ou ervas. . Souza-Brito E. 1997). C. a família é representada por 72 gêneros. 1978). segundo Mabberley (1997).13 Euphorbiales medicinais C. é urgente uma revisão da família. A família Euphorbiaceae. Hiruma-Lima A. Na família ocorrem árvores. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Das centenas de gêneros. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e.100 espécies. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. com aproximadamente 1. Guimarães C. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. M. M. R. comumente com células especializadas na produção de látex.

da valiosa Mamona. flores de sexo separado. sendo algumas árvores. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. com limbo dividido em lobos ou segmentos. Jatropha e Croton. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. dos quais referimos algumas espécies a seguir. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. separando-se em três cocos. a maior produtora de borracha. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. febres. folhas simples. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. Pedilanthus. Do gênero Euphorbia. peninérveas. pecioladas. lanceoladas. problemas hepáticos. enquanto a infu- . a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. espécie rica em óleo de rícino. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas.1). fruto seco. icterícia e malária. especialmente em Phyllanthus. ervas e arbustos.devemos destacar Ricinus. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. Mabea. esquizocárpico. verdes. estipuladas. e outras. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. atualmente cultivada em vários países. pela semelhança das sementes com esse animal. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros.

palminérvias. folhas simples. Maduri-graça. Croton sacaquinha Croizat. membranosas. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. separando-se em três cocos. reunidas em inflorescências racemosas. amarelo-esverdeadas. reunidas em inflorescências paucifloras. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. atingindo até 4 m de altura. esquizocárpico. estipuladas. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. com ápice curtamente acuminado e base cordada. curto-pecioladas. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). a Sacaca. nodoso. de caule grosso. é útil contra hepatite. folhas alternas. lobadas. mas também de Peão. fruto seco. grandes. Pinhãodos-barbados. com brácteas . e Mandobiguaçu. Pinhão-do-paraguai. longo-pecioladas. glabras. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Pinhão Pinhão-branco. flores unissexuadas. Pinhão-manso. no Ceará. Pião. de Sacaquinha. no Pará. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. pequenas. peninérveas.são das folhas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. na região amazônica. lactescente. Pinhão-de-purga. sementes ricas em endosperma. flores de sexo separado. lanceoladas.

Pião caboclo. o látex é aplicado externamente. após a retirada do embrião. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. esta passa a ser comestível e saudável). Mamoninha. 1988). As sementes são eméticas (Corrêa. assar a polpa na cinza. no Pará. gripe (descascar a semente. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. Jatropha gossypifolia L. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. contra feridas (Amorozo & Gély. Batata-detéu.lanceoladas. coriáceo. 1984). A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. colocar no café e banhar a cabeça). Peão-pajé. Erva-purgante.. Pinhão-roxo. 1982). sementes escuras. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. fruto do tipo capsular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gengibre amassado. deriva do grego iatros = "remédio". constipação nasal e como purgativo. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. são torradas. enquanto as sementes. partir e tirar a "folhinha". Arg. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). assim como para constipação nasal. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. Raizde-téu.2). e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Peão-curador. O nome do gênero Jatropha. elipsóides e oblongas (Figura 13. secar até ficar fria. dez estames. . lisas.

glabras e estipuladas. 1982). Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. 1982). grandes. lineares. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. escuras e com pecíolos pubescentes. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. contra feridas. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. O nome do gênero Mabea. cálice com cinco pétalas. fruto capsular. No Pará. folhas pecioladas. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. com folhas alternas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Em Brasília. palmadas e limbo dividido em lobos. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . 1988). útil nas obstruções das vias abdominais. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. contra "mau olhado". A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. A planta é purgativa. ramosa. dispostas em cimeiras paniculadas. o banho. 1984).3). trissulcado. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. o chá das folhas é usado como antitérmico. roxas. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. e as folhas na cabeça. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. flores unissexuadas.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. no Piauí (Emperaire.

folhas com limbo. descrito por Carl Linnaeus. ramificada. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. O nome do gênero Phyllanthus. trissulcadas. Arg. Phyllanthus corcovadensis Muell. com ramos glabros. 1984). significa "flor na folha".4). incluindo as raízes. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. Na região do Vale do Ribeira. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. cápsulas pequenas. alternas. estipuladas. enquanto a infusão de toda a planta. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo.5 m de altura. flores de sexo separado. é usada como diurético e contra . que atinge até 0.Aublet. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. sementes minúsculas (Figura 13. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. flor masculina fasciculada com três estames. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. distribuídas na América tropical. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. Na região amazônica. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. Dados botânicos Planta de pequeno porte.

cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1998). (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton.dores de barriga. Das cascas de C. transcrotonina. 1979... 1982). cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. Em Minas Gerais. 1992). A infusão das folhas.. Kubo et al.. é útil contra problemas do fígado. 1991).. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al.8-cineol. 1986). alfa-humuleno. Maciel et al. 1990. de ácido aleuritólico (Muller et al. 2000). 1. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. além de ser usada contra pedras nos rins. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira.. 1989). foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Posteriormente. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. beta-cariofileno. .. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. O óleo essencial das cascas de C. 1989. e os principais constituintes são alfa-pineno.

e das folhas de C. hovarum: a 3a. estragol. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. mirceno.4-dimetoxibenzil. a C.14dien-9-al e 3a. acetato de propila. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. Porém. acetato de 2-metil-butanol. linalol. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 2-metil-butanol.. 1993a). 3..16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). 1993b). Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa.3. limoneno e outros. Das partes aéreas de C. metileugenol. alfa-ilangeno.4b-dihidroxi-15. e chiromodine (Weckert et al. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane.14-dieno. 2. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. lechleri foram: acetato de etila.6-trimetoxifenol. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. propionato de etila. cortesianus foram isolados o clerodano. 4-hidroxifeenetil. glandulosus (Neto et al. e das cascas do caule de C. Além disso.4-dimetoxifenol. sitosterol. 1995). Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. foi determinada. a printziano e um norclerodano (Siems et al. lechleri foi isolada a sinoacutina. 1996). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. gama-elemeno. acetato de 3-metil-butanol. . alfa-humuleno. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. 1994). gama-elemeno. enquanto germacreno B. alfa-cubebeno. C. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. aubrevillei J. 3. allo-aromadendreno e torreyol. 1992). e de C.. cadineno.4. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. 1995). A composição do óleo essencial das cascas de C. 1996). ludianus possui 1. 1996). eucaliptol. 4b-dihidroxi-15. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. 1992).cadideno. glandulosus. metil isoeugenol..16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).. alfa-guaieno.. betabourboneno e gama-cadineno. zambesicums Muell. o óleo de C. lundianus e a C. Das folhas de C. cânfora.. 1992).. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. p-cimeno.5-trimetoxibenzeno.8-cineol. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. Os constituintes voláteis isolados de C... De C. 1992b). a levatina (Moulis et al.

7b-dihidroxiannoneno e 6a. 1986) e C. stigmasterol. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. taraxerol.. 1976). 6-metoxi-7hidroxicoumarina. De J. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. 1995). jatrofolona B. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. 1991). gossypifolios (Cespedes et al.. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. hemiargyreus (Barnes & Borges.3'... e das cascas de C. nobiletina. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown.De C. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 1981). 1996). eudesmanos.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. ésteres e cetonas não-terpenóides. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. os triterpenóides jatrofolona A. taraxerol. argyrophylloides (Monte et al. 6a. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. 1996). ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. Jatropha Das raízes de J.. 1994). castaprenol-11. curcas foram isolados ainda as latiranas. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.. jatroolona A.7-dimetoxicoumarina. tomentina. beta-sitosterol (Chen et al. b-sitosterol. C.. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol.6-diona. eluteria foram isolados sesquiterpenos. jatrofol. jatrofolona B. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. . 1986). e de C. macwstachys (Herlem et al. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. e das folhas de C..5.. riangularis (Moura et al. 1993). enquanto alcalóides foram encontrados em C. jatrofina.7. caniojana. 1992). diasii (Alvarenga et al..5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 5hidroxi-6. Das partes aéreas de C.. 1988). De C. 1992). Compostos terpenóides foram isolados de C. 1992). Do óleo de C.. Das raízes de C. 1991a). 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1991).. 16hidroxijatrofolona. a seco-labdane (Schneider et al.

De J. 1996b). elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. Teixeira. Das raízes secas de J. denominada curcina (Costa. malacophylla. 0. divica foram isolados beta-sitosterol./. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. alanina (28. pohliana var.. 1989).1997). 15. gossypifolia e J. 1983).. arginina (0.. 1997. 1988).. esteróides e glicosídeos. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al... gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. jatrofolona B. flavonóides. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. Makkar et al. gadaína (Das et al. curcas. Das raízes de J. podagrida apresentaram 24%. foi isolado de seu látex a albaditina.94%). 1988).. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 1988). um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al.. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona.. elbae. bem como o ácido nurístico. Das folhas deJ.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. 1990).. Do látex de /. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji.. galvani (Guevara et al.26% de ácido aracdônico. 1986). 1997). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. 14. Das folhas de J. tlalcozotitlanensis e J. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. J.15% e 15% de ácidos graxos saturados. Banerji et al. caniojanae 1. 1989a e 1989c). 1995). galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. ácido linoléico (Nasir et al.9%). Saponinas foram detectadas apenas em J. 1988.1%).9%.98%). isoleucina (3. Auvin-Guette et al. De J.92%) e leucina (12. terpenos. 1996a) e jatrodiena (Das et al. saponinas. 1996. metionina (13.30%) (Jain & Garg. além de outros três derivados diterpenóides. ácido oléico. e 43.9%. 1990). gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. .71%). 2epijatrogrossidiona. sendo 0. 1987).. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1997). os aminoácidos cistina (2. Do caule de J. J. isoorientina. 1989).. curcas foram isoladas também várias lectinas. mollissima foram isoladas orientina. 0. As espécies.60%. compostos fenólicos. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. De J. ácido araquídico e toxalbumina. 1997).26%. Das cascas da raiz de J. J.. valina (18. 1988).07%). Dos rizomas de J. multifida L. glicina (19.6% de ácido oléico. ácido esteárico. respectivamente (Raina & Gaikwad. 1987..

. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. simplex. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al.. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. gossypifolia. niruri. cumarinas. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1996. Ahmad et al. 1986). De P. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1980 e 1981). citral. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. ... Singh et al. 1990).. Ojewole & Odebiyi.. Yunes et al. assim como os diterpenóides de J. 1989. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona..Da espécie J. neolignanas (Satyanarayana et al. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1990. 1997)... diterpenos. 1988. Huang et al. enquanto em P.. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. e dos frutos de M. Hassarajani & Mulchandani. a mais estudada é a P. Mensah et al. ácido clorogênico. 1986. 1996). lignanas (Satyanarayana et al. triterpenóides (Joshi et al. 1991). P. Anjaneyuly et al.. sacarose. 1988. 1988. 1991). 1996. 1996. 1986.. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. virgatus (Babady-Bila et al. Petchnaree et al. flavonóides. hidroxiflavanona.. 1981).... 1977). Singh et al. da qual foram isolados alcalóides.. Houghton et al.. P. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. Mabea Do látex do caule de M. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. timol e carvacrol (Odebiyi.. 1996). 1983. P. 1980). 1985). 1988. amarus e P.. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1988). 1986. 1995). Anjaneyulu et al. discoideus. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. 1988). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. ácido caféico. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. levulose. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.. Singh et al. terpenos. 1989a e 1989b. De J... Negietal.

. antiestrogênica (Luma Costa et al. olenadienóis. alkekengi var.. antinociceptiva (Carvalho et al.. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. C. 2001). Das raízes de P. francheti foram obtidos cicloheptano. 1988a. 1996) antitumoral (Grynberg et al. analgésica. Farias et al. 1996). depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1997 e 1996a).. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1989. além de taninos (Zang.. 1995a). 1988.. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al.. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. n-alcanos. Farias et al. 1996) e fisalinas (Makino et al.. De P flexuosus foram isolados triterpenos. nalcanóis. hipocolesterolêmica (Martins et al.. 1998. Lu et al. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu... Em P. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al... antiedermatogênica (Campos et al. 1995b). 1996). 1988. D.. De P. Bighetti et al. antiinflamatória. calisteginas (Asano et al. et al.. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. 1993. HirumaLima et al.. 1999a).. 2002. emblica L. et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. Tanaka & Matsunaga. 1997). 1995). Tanaka et al.. 1999).. Z. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 1996c). 1998). Tanaka et al. myrtifolius. 1996).De P. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.. 1996).... Li et al. 1988b). 1987. De P... mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1988. 1996b). 1996). Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A... antidiabética (Silva et al.

a ligana 3'. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. 1980. draconoides e C. Luz Paredes et al.. 1993. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos.. Chen & Pan. 1985. 1983)... 2001). rhamnifolius (Silveira et al. lacciferus (Ratnayake et al. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1980). et al. 1988. C.. antinociceptiva (Bighetti et al. C. lechleri. C. 1988) e C. entre outras. erythrochilus. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas.45 mg/kg e 2.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. 2000a e 2002b).. 1988). tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II.. 1987). zehnteri (Albuquerque et al. 1988a). 2002a). 1994). 1987) e C. M. 1993.. penduliflorus (Anika & Shetty. macrostachys (Mazzant et al. Tang et al. hipotensora de C. mais comumente de C. sonderianus (Craveiro & Silveira. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1982). inseticida de C.. rangelianus (Lima et al.. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. Das sementes de C. presente nos casos de C.. tiglium (Deshmukh & Borle. com o uso prolongado (Rodriguez et al.. campestris (Lima et al. C. antiulcerôgenica de C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória... A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. 1999b. A DL50. anestésica local.. 1988b) e substâncias isoladas de C. penduliflorus (Asuku. 1975).23 mg/kg para crotina II. Ao final..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. subtyratus (Kitazawa et al. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1982). C. Costa.. 1993). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. 1986). 1999). 1984). tranqüilizante. para crotina I foi de 0. cajucara (Hiruma-Lima et al. C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. glabelus (Novoa et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 1985) e C. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. anticonvulsivante e analgésica de C. Batatinha et al.

1995). sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. O extrato etanólico bruto das folhas de C. Ao final dos experimentos. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P... A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. 1992a). 1995). As folhas secas de C.. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. Do óleo essencial de C. antibacteriana e cicatrizante. betulina e ácidos graxos. berghei (Be &Truong. 1992. 1993). Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al.32% de alcalóides e 2. O efeito de C. os alcalóides de C. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1992). 1994).78% de flavonóides..tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . berberina e outros alcalóides desse grupo. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. Pieters et al. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. nardus (Lemos et al. Das raízes de C. 1991). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. lupeol. 1991a e 1991b). macrostachys foram isolados crotepóxido. De C.. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. Ao final.. 1994a e 1994b).. Essa possui isoguanosina. tonkinensis contêm 0. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al.. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. C. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica.

e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al..9%) (Liberalino et al. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 1992.. Ubillas et al. 1993).. haematobium (Rug & Ruppel.. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. Do extrato clorofórmico das raízes de C.. antiplasmodial (Kohler . e no retículo sarcoplasmático. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. 1991). 1994). 1988). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.39 mg pela via i. 1988. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais.. curcas. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1992).. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. Das sementes de /. 1987. Jatropha Das sementes de J. 1995). 2000). Do látex de J. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al.. 1995). Do látex de C. tanto na prova do campo aberto.p. 1994). curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. Os extratos da sementes de C.. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. O óleo de C. 1991a)... diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção.. 1988). que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. Atividades larvicida (Karmegam et al. 1990) o óleo de C. 1989). tiglium (Fanetal. 1989 e 1991).. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. a curcaína (Nath & Dutta. Das sementes de J. 1997) e Schistosoma mansoni e S.. 2000).. (Huang et al. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. Hirota et al.

.. 1996).... espasmolítica (Trebien et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. curcas. 1987) e tóxica (Brum et al. 2001). 1992). 1994). as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. F. De J.. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. O óleo das sementes de /. 2000).. 1996. M. curcas foram isoladas curcusonas A e C. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. isabellii foi isolada a jatrofona. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al... et al. 1996). e de J. 1996). 1987b). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al.. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. As folhas de J. De J. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. De /.. .. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.. 1996).. 1992b e 1996). J. A J. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. antiespasmódica (Silva et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1987) também foram caracterizadas em J. P... inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. 1990. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. et al. Dutra et al]. 2001).et al. 1997). 1992a.. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. De J. 1996). zeyheri foi isolada a jaherina. 1998). 1996). O látex de /. 1996). multifida.. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. glauca (AlZanbagi et al. Esta mesma atividade foi observada em J. gaumeri (Sanchez-Medino et al. Santos et al. Das raízes de J. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al.. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1993)... 1987). 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe.

Di Stasi. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. campesterol e fitosterol (Santos et al. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. 1992. 1985 e 1986b. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1996a). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis)... 1993. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. Além disso. 1988). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al.. 1994). mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. Santos et al.. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. Gorski et al... O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1995). 2000). Shimizu et al. De P.. 1992). A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. Além disso. 1995). a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1985)... que foi atribuída aos compostos estigmasterol. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 1988.. diurética.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar.. 1987).. 1988). 1989).. 1995).. 1984. O extrato hidroalcoólico de P. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. . 1995).. Ribeiro et al. 1996). 1987)..

O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. corilagina. 1996). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1996). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. Roy et al.. 1996). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. niruri e P urinaria (Santos et al. 1994).. 1995). ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. quercetina. ácido gálico e ácido protocatecoico. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina... ... propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. 1996). 1996.. 1991).. 1996).. 1995). 1997a e 1997b). De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. ácido elágico.. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1995).. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al... O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. Sane et al. Foram caracterizadas. 1990. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. ácido brevifolincarboxílico. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1995). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. 1988). 1997). de P urinaria. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. 1996). Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1997).

1993. Efeitos como redução no tempo de protrombina. Pieters et al. 1986. 1995... Em casos graves ocorrem espasmos musculares. 1984). diarréia. podendo causar a morte em humanos. Existem registros de intoxição em crianças de J. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al.. Como conseqüência de seu uso crônico.. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. Hemorragias internas em diversos órgãos. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. vômitos e diarréia. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. e ação estimulante da musculatura lisa. Itokawa et al. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum .. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. curcas em ratos. redução no consumo de água.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz.. 1979). A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. Ahmed & Adam. 2000). A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. 1987) e provoca náuseas. 1993. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. hipotensão e desidratação. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Quadros de hemorragia anal. 1979). mutifida (Levin et al. náuseas. 1991c). Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Torpor. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al.. Porros et al. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. 1979).

nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1986).. Pieters & Vlietinck.(1999). FIGURA 13. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1983.1 . 1998) (Banco de imagens . tiglium (Bauer et al.

.2 -Jatropha curcas.FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.FIGURA 13. Hiruma-Lima). .Jatropha gossypifolia.3 .

FIGURA 13. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . b) flor feminina. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998).4 .Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.

Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. 1997). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. . sendo raramente descritas epífitas. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. óleos essenciais e resinas. Clusia. A. É composta por árvores. algumas delas de valor medicinal. gomas. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. No Brasil ocorrem 21 gêneros. C.370 espécies. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. arbustos ou ervas. 1978). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil.14 Guttiferales medicinais C. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). e Elatinaceae. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. pigmentos. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Hiruma-Lima L.

damaradienol. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. ácido betúlico. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. foi dedicado a Visme. damagascina. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. friedelina. Em V. pecioladas. as folhas são simples. Em outras regiões. euxantona.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Trata-se de uma espécie semidecídua. a maioria é fornecedora de resinas. como Picharrinha. e algumas na África. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. O tronco ereto possui casca grossa. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. martiana foi observada a presença de sitosterol. também chamada de Lacre. com ocorrência em formações secundárias. No Brasil. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. 1990). opostas e com borda inteira. O nome do gênero Vismia. madagascina. com distribuição restrita à América tropical. sendo facilmente cultivada. ácido crisofânico. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. e várias têm valor medicinal. descrito por Domingos Vandelli. coriáceas.

.5'dimetoxisesamina (Camele et al. 2-isorenilemodina e 5. micrantha foram isolados xantonas. .. 1995. da planta fresca (Tokarnia et al. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central.. cayennensis. et al.. 1999). Das raízes de V. 2000).. conhecido popularmente como Lacre.. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 1996). Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. 1982). 1979). vários triterpenos. 1993). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. 1994). 1996). Porém. Moracelli et al.. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg... 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. como a friedelina. De Vistnia caynnensis. magnoliaefolia.. 1995). Os extratos hidroalcoólicos.japurensis Rich. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1997). vulgarmente chamada de Pichirina.. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.e a ferruginina (Pasqua et al. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. e em V. indicado para dermatofilose. O extrato etanólico da folhas.. p-o. 1999) em V. benzofenonas (Fuller et al.. 1983). Em V. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al.

descrita por Robert Brown. ainda não identificada completamente.15 Primulales medicinais L. Di Stasi C. Rapania e Cybianthus. . Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. nos quais se distribuem 1.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. arbustos e lianas. 1997). Nessa família ocorrem 33 gêneros. A. sendo a maioria árvores. C. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Theophrastaceae e Myrsinaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia.

flores e frutos. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical.Espécies medicinais Cybianthus sp. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. androceu com cinco estames opostos às pétalas.1). Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. e anthos = "flor". bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. folhas alternas. ovário supero. curtas. dispostas em racemos. inteiras. flores pequenas. ramos. reunidas em inflorescências axilares. actinomorfas. Não foram encontrados sinônimos para ela. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". sem estipulas. . diclamídeas.

FIGURA 15. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .Cybianthus sp.1 .

C. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. Hiruma-Lima L. . anemia e distúrbios da tireóide. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. no entanto. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Na região amazônica. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. essas espécies não foram referidas como medicinais. gripes e bronquites.16 Capparidales medicinais C. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. A. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. além de seu consumo como condimento. Para a espécie Nasturtium officinale. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações.

e a espécie Cleome latifolia.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. com seus representantes incluindo ervas. tem valor medicinal na região amazônica. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. que justifi- . 1997). e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. com muitas flores rosas e bonitas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. 1978). Os principais gêneros são Cleome. arbustos ou pequenas árvores. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). descrita a seguir. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado.5 m de altura. inflorescências terminais bastante vistosas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. raramente são descritas lianas (Barrozo. Capparia e Maerua. que atinge até 1.

. incluindo a Cleome latifolia. bonanzina (0. kaempferitrina (0. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1990). De C. 1997) e triterpenos (Harraz et al. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.06%) (El-Din et al. viscosa apresentou um . um flavonol. O extrato metanólico da planta toda de C.. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. 1990). a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. De C.. são cultivadas e usadas como ornamentais. 1997) e glicinebetaína. 1996).. a diacetoxibraquiicarpona. kaempferol. um trinortriterpenóide dilactona. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al.7-di-O-ramnosídeo (0. 1995).7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. 1986).0025%)..cam seu uso como ornamental. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.0075%). Várias espécies desse gênero.0013%)... os flavonóides artemetina (0. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.. 1997)... Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. o ácido cleomaldéico (Jente et al. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 1997b). 1987). droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. 1988) e um diterpeno macrocíclico. Das sementes de C. e das partes aéreas de C. 3. a isoramnetina 3. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

1995a) e antioxidante (Selloum et al... 1995). A propriedade antibacteriana foi constatada em C. De C. Lemos et al.. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al..6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. 1993.. 1996). 1995b). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. A espécie C. 1999).. 1999).. viscosa (Samy et al. 1992). A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. gynandropsis Samy et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. 1996). 1970). C.. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. popularmente conhecido como Mussambé... Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 2000) e C. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.. Chrysantha (Hashem & Wahba. .

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

1978). C. Pittosporaceae. com inúmeras espécies medicinais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. A. Várias espécies dessa ordem são medicinais. No entanto. a qual descrevemos a seguir. . em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Rubus e Prunus. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. espécies dos gêneros Spiraea. Crassulaceae. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Di Stasi C. Na região amazônica. e de Rosaceae. Saxifragaceae. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. a qual foi identificada apenas até o gênero.17 Rosales medicinais L. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento.

Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. incluindo árvores e herbáceas. flores pequenas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. corola com cinco pétalas. alternas. . O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. Espécies medicinais Hirtella sp. onde ocorrem 120 espécies. com cerca de 460 espécies tropicais. Os principais gêneros dessa família são Licania. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. Chrysobalanus e Hirtella. sépalas e pétalas livres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. muitas delas usadas para a produção de carvão. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. folhas simples. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. fruto do tipo drupa. diclamídias. cálice gamossépalo com cinco lacínios. zigomorfas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. inteiras. ovário unilocular.1). e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. segundo Barrozo (1978). Não foram encontrados sinônimos populares para ela. cíclicas. peninérveas. estipuladas. referindo-se ao tipo de pilosidade.

a famosa aspirina. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. entre outros. com aproximadamente 1. • Maloideae. no que se refere à farmacologia. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. ralada. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Agrimonia e Fragaria. os gêneros Crataegus e Malus. como a . que inclui. Potentila. do gênero Frunus.825 espécies subcosmopolitas. compreende 95 gêneros. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. • Rosoideae. a maioria nos gêneros Prunus. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. também se utiliza o chá contra reumatismo. primeira substância a ser comercializada como medicamento. arbustos e ervas (Mabberley. e raiz bifurcada para as mulheres. ou frutíferas. da qual foi isolado o ácido salicílico. é utilizada como afrodisíaco. da histórica Spiraea ulmaria. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. encontradas em climas temperados. 1997). A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. como é o caso das espécies do gênero Rosa. com destaque para o gênero Spiraea. No Brasil há poucas espécies. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. toxicologia e química. e • Prunoideae. Normalmente são árvores de pequeno porte. com destaque para os gêneros Rubus. Rubus e Quijala. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum.

O nome do gênero corresponde a "ameixa". fruto do tipo drupa. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. . O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. comestível e saboroso. ásperas. de margem serrada. Pêra (Pirus). solitárias e/ou geminadas.Maçã (Malus). e contra diarréias. Pêssego. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Espécies medicinais Prunus domestica L. com folhas alternas. flores vistosas brancas. Groselha e Moranguinho (Rubus). especialmente de cabeça. lanceoladas. Nomes populares Na Mata Atlântica. que existe em grande número. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Morango (Fragaria). e a infusão dos frutos. dispostas em fascículos do tipo umbela. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Damasco. doce e com uma única semente. em latim. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. assim como em várias regiões do país. Marmelo (Cydonia). dependendo da variedade. carnoso. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Ameixa. Cereja. a decocção das folhas é usada contra dores. pendente. 1998).

Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2001).. FIGURA 17. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.Sapuntzakis et al. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2002. 1978) (Banco de imagens • . laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. Nakatani et al. 2000). b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. 2001).. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.. 2001).Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga...1 .

incluindo árvores. Di Stasi E. 1997). M. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. dependendo do arranjo sistemático adotado. Hiruma-Lima A. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas.18 Fabales medicinais L. R. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. M. C. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. M. Compreende três subfamílias. arbustos. medicinais. lianas e ervas. Guimarães C. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. A. . Santos C. ornamentais.

das quais se destacam as espécies C. Dialium e Senna. 1997). no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). • Cassieae. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. J. que inclui o gênero Copaifera. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. C. que inclui o gênero Bauhinia. C.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. Cassia occidentalis. bonducella. sapan e C. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. C. senna. . espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. Cassia multijuga. occidentalis. Caesalpinia pulcherrima. angustifolia e C. pulcherrima. que inclui o gênero Caesalpinia. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. dentre as quais C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. todos contendo várias espécies de valor medicinal. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. • Detarieae. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. • Cercideae. Dalwits. bonduc. as quais descrevemos a seguir. a saber: Caesalpinia férrea. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. que inclui os gêneros Cássia.

hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. onde ocorre em áreas úmidas. raramente dentro das florestas. Pata-de-boi e Unha-de-boi.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. Por ser de rápido crescimento. algumas arbóreas e outras lianas. É uma planta decídua. sempre com acúleos e seus dois ápices. É amplamente utilizada como ornamental. flores intensamente brancas. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. heliófita. . usada para produção de carvão e caixotes. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. dadas as características morfológicas de suas folhas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. folhas glabras.1). é recomendada para recuperação de áreas degradadas. tronco tortuoso ou ereto. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. assim como em quase todo o Brasil. bastante espinhosa. Mororó. vistosas (Figura 18. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. com grande abundância na Mata Atlântica. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. A espécie fornece madeira leve. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas.

especialmente de ruas e avenidas. Nomes populares A espécie é denominada. flores diclamídeas. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. fruto levemente estipitado. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. A espécie é heliófita. ovalados ou obovais. ferrea var.Caesalpinia ferrea Mart. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. na região amazônica. Jucá. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. Imirá-itá. Muirá-obi e Muiré-itá. séssil. com tronco liso e cerne duro. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. além de ser empregado como fortificante para crianças. após aquecimento. é utilizado como . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Suas folhas. hermafroditas. ao passo que o preparado de casca de jucá. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. botânico italiano. ferrea var. leiostachya. na forma de decocto. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. é utilizado contra asma e bronquite. folhas bipinadas com folíolos oblongos. ferrea e a C. ultrapassando o cálice gamossépalo. além de largamente empregada como espécie ornamental. Dados botânicos Arvore de grande porte. casca de jatobá. açúcar e água. dez estames. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. podendo chegar a 15 m de altura. São muito comuns duas variedades: a C. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. aquecido até formar um xarope. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. quase reto (Figura 18. folhas de manga. A madeira da espécie é muito usada na construção civil.2).

com folíolos ovado-oblongos. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. Nomes populares A espécie é denominada. Na região da Mata Atlântica. folhas compostas. contra tosse crônica. na região. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das raízes é usada como antitérmico.anticatarral. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. com até 10 cm de comprimento. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. 1982). 1984). sobretudo como cerca viva. asma e como cicatrizante (Campêlo. flores grandes e vistosas. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. especialmente bronquites. inflamações do fígado e baço. além do uso comum contra gripes. pois floresce quase ininterruptamente. Em outras localidades do país. Espécie muito usada como ornamental. . da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. 1982). tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. também é chamada de Flor-de-pavão. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. internamente. Chagueira ou Barba-de-barata. resfriados e tosses. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. bipinadas.) Sw. Caesalpinia pulcherrima (L. Considerada de origem antilhana. Baio-deestudante. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. A vagem crua é útil contra tosse. 1984). No Piauí. e em Alagoas. Flor-do-paraíso. glabros.

como emenagogo e abortivo e. quando em grandes doses. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. deriva do grego Kasia. estipuladas. A espécie ocorre em todo o Brasil. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. largo e achatado (Figura 18. as folhas e flores são usadas como tônicos. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. Cassia multijuga Rich. amarga. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. excitantes. heliófita e pioneira. lenha e carvão. febrífugas e venenosas. folhas pinadas. além de ornamental. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia.3). O nome do gênero Cassia. dado à falsa canela. purgativos. pela beleza da planta na época de floração. febre e como purgativo. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. abortiva. em doses elevadas. externamente. descrito também por Carl Linnaeus. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. odontálgicos. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. Em outros locais do país. sendo uma planta decídua no inverno. tendo propriedades tônicas. Segundo Corrêa (1984). . Dados botânicos Árvore de pequeno porte. obtusos no ápice e com base irregular. a casca é considerada emenagoga e. atingindo até 10 m de altura. o fruto é do tipo vagem reta. com rara ocorrência dentro de florestas. casca lisa e cinzenta. febrífugos. brinquedos. a raiz é acre. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças.

enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. Na região da Mata Atlântica. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Lava-prados. dispostas. no Brasil é espontânea nas pastagens. racemos axilares. Manjerioba. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Outras denominações são Folha-de-pajé. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. laxativo. ramos quase cilíndricos. Rioba. no Piauí a infusão do caule. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. assim como em outras regiões do país. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Tararucu. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. gripes. é indicada popularmente como antitérmico. Mamangá. Maioba.. estipulada e com glândulas na base.4). achatados. gineceu com ovário piloso. com caule lenhoso na base. flores grandes. paripenadas com ráquis comprida. beiras de estradas e próximo a culturas. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Segundo Emperaire (1982). Mata-pasto. folhas alternas. curto-peciolados. Em Minas Gerais. infecções gerais. Lava-pratos. amarelas. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura.Cassia occidentalis L. verde-escuros em ambas as faces. resfriado e diarréia (Grandi et . Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. frutos do tipo vagem glabra. Majerioba. febre. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Ibixuma. diurético e colagogo (Gavilanes et al.

são utilizadas contra asma. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. No Panamá. e para constipações em bebês (Gupta et al. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. mas também são utilizadas contra tuberculose. 1994). e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. No Rio Grande do Sul. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. dores menstruais e uterinas. No Brasil. as sementes. Na Amazônia peruana. como antiinflamatório e. como vermífugo (Nagaraju et al. 1986). febrífugo. Além disso. Na Índia. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. nos desarranjos menstruais. No Peru. 1979). sarna e doenças de pele (Bardhan et al. como Mata-olho. internamente. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. 1990). tinha e hemorróidas. 1990). reumatismo. anemia. erisipela e tuberculose. .. problemas hepáticos.al. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. febrífugo e diurético. na forma de cataplasma. 1982). 1970). doenças venéreas. malária. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal.. reumatismo. as raízes são consideradas um tônico. mordida de escorpião. na asma. estômago. as raízes são consideradas diuréticas. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. Em outras localidades do país. 1988). é utilizada contra doenças do fígado. preparadas como o café. purgativo. A espécie C. rins e bexiga (Simões et al. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia.. emenagogo. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. inflamações nos olhos. desordens do trato urinário. 1985). Cassia reticulata Willd. diurético. sudorífico...

Também é chamada de Jatobá-mirim. tronco ereto e ramos glabros. fruto doce. negras. Hymenaea courbaryl L. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. com casca dura. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. base assimétrica. com até . como antitérmico e diurético. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Algarobo. Jatobá-de-anta. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. os frutos são vagens delgadas. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. a espécie é conhecida como Jatobá. Jutaí-do-campo. marrom. Jutaí.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. alternas e pilosas. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jutaí-peba. dispostas em cimeiras terminais. farinhento e comestível. 1994). entre outros. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. lisos. Jatobá-de-porco. Jatobazeiro. Abati-tambaí. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. folhas compostas. flores brancas vistosas. Jatai. ápices acuminados. brilhante. Jutaí-açu. Jutaí-café. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. nome dado à planta em quase todo o Brasil. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. com 6 a 15 cm de comprimento. Olhode-boi. Nomes populares No Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jatobá-roxo.

Yadava & Tripathi.. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. sedativo e peitoral. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. É uma espécie semidecídua. 2000) e os flavonóides kaempferol. ácidos palmítico e octacosanóico. 2001. com florescimento entre outubro e dezembro.forticata (da Silva et al. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. e a seiva é excelente tônico para crianças. Caesalpinia O extrato benzênico de C. o deus da união. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos.15 cm de comprimento. enquanto o xarope da casca do caule. enquanto a madeira é usada na construção civil. O nome do gênero deriva do grego hymen. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. especialmente em crianças. estimulando a digestão e fortificando o organismo. além do uso contra bronquite. microstachya (Meyre-Silva et al. vermífugo. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. 2000). O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. ferrea forneceu sitosterol. sendo usada na arborização de parques e jardins. em alusão aos dois folíolos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. é eficaz contra tosses.. ácidos . A infusão da casca é usada como tônico para crianças. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B.

6-dimetoxi-l.4benzoquinona (McPherson et al. sapanol. 1997). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. Foram isolados os flavonóides: rutina. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 6p-cinamoiloxi5a. 7p-vouacapenediol.. 1997). De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. sapanona B. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 1985). lup-20(29)-en-3beta-ol. protosapina (Namikoshi et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. episapanol. 1978) e 2. quercimeritrina (Awasthi & Misra. 1986.. cianina. 1987e).. Kim et al. 1977). bondenolídeo. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 4-O-metilsapanol..14-didehidro-5a-vouacapenol.. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. taraxerol (Yadava & Nigam. 1978). C e D (Patil et al. 1987) e pulcherriminas A. quercetina.. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1973). neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 3'-deoxisapanoI. Peter et al.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona.. B. De diferentes partes de C. beta-sitosterol. 1997a). beta-amirina.. alfa-amirina. 8metoxibonducelina. 2002). 1978). 1954). bonducelina. 4-O-metilepisapanol. 8.. ácido 3..gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 3'-0-metilbrazilin. sappan foram isolados octacosanol. leucodelfinidina. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 1997). brazilina (Namikoshi et al. 1983). ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. pulcherimina.ll.. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona.9. 1996).. miricetina. 1987).. 3'-0-metilepisappanol. 1983). Das sementes de C. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. Das cascas e raízes de C..5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1987a). pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. 1987b. 1977). bonducelpina A. Da madeira de C. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. . 3'-0-metilsappanol... ramnetina e ombuína (Namikoshi et al.4. lupeol. C e D (Peter et al. 8metoxibonducelina... quercetina (Rao et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1997). 1997b). 1987c). B. 4.

(Kitagawa et al. Kitanaka et al.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh.. taninos. a espécie C. sapanonas a e b.Das raízes de C. 1986. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. 4-O-metilepisapanol. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. vários compostos aromáticos de C.. Na espécie C. 1997). 1977. isolaram-se 1. Dos frutos de C. Da madeira de C. 1996). 1981). saponinas. sappan (Nigan et al. hintoni (Contreras et al. sapachalcona. 1977). 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. occidentalis. ácidos linoléico e palmítico de C. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 1987f).. 1985).. 1983). estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. 1986). C.. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero.. digyna (Mahato et al. isoliquiritigenina.. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. glicosídeos cardiotônicos. C. 1987a). 1977). . 1987d). reticulata. S. 1982). B e C (Namikoshi et al.. M..8-di-hidroxiantraquinona (Costa. Cassia Da espécie C. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. Namikoshi et al. sapanol. dicopetala (Chowdhury et al.. Do Fedegoso. 4-O-metilsapanol. glicosídeos (Singh. Foram isolados alcalóides de C. platyloba. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. pumila foi analisada. sitosterona. Fuke et al. glicosídeos de C... Das sementes de C. além de xantonas (Wader & Kudav. 1988). sappan (Saitoh et al. 1995). spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. caladenia e C.. 1994).. 1985). buteína. 1996) e de C. 1987. sitosterol. isoflavanóides de C.. 1996). sappan (Namikoshi & Tamotsu. 3-deoxisapanchalcona. brasilina e protosapaninas A. et al. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. C. episapanol. cacalaco e C. japonica (Namikoshi et al. M.

bis (tetrahidro) antraceno. ácidos monoenóico.. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. roxburguina (Ashok & Sarma. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. 1990). De C.1987. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1987). Da madeira foram isolados beta-sitosterol. 1977) e os ácidos cáprico.. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. 1.. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas.e beta-amirina. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. 1989). Das sementes de C. além de flavonas (Guptaetal. palmítico. 1985). crisofanol. Singh. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. roxburguinol e um novo estilbeno.. occidentalis foram isolados pinselina. 1989a). 1987). & Singh. 1986). alfa. occidentalol-2. Das superfícies das folhas de C. 1979). dienóico e trienóico (Zaka et al. triglicerídeos (Zaka et al. 1996).... germicrisona. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. questina. mirístico.. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). 1988b). Das sementes de C. roxburguina. 1990). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. Das folhas de C. emodina. J. Da raiz de C.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. De C. 1982) e das raízes (Singh & Singh. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.. 1985). 1978). 1986). 1989)... J. l.. Telange et al. Foram isolados das sementes de C. De C. esteárico e oléico (Alencar et al. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. crisofanol.7-dihidroxi-3metilxantona. 1988a). 1987). occidentalol-1. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1986. 1987. . occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. pinselina. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. 1987).

estigmasterol. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. esteárico. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1988). tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. 1988). 1989). 1988). 1988). O perfil fitoquímico de C. Ishidaet al. obtusina. flavonóides (Wassel & Baghdadi. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. glicosídeos.. 1980) e os ácidos palmítico. 1986). 1985). flavonóides (Crawford et al. De C. além da presença de beta-sitosterol.. 1986). 1989).Das raízes de C.. angustifolia não difere muito do de C. antraquinonas (Zhang et al. flavonas. colesterol. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido.. 1989). acutifolia quanto à presença de aminoácidos.. além de ácido palmítico. 1984). m-cresol. oléico e linoléico. fisciona.. 1977).. 1987). polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. o aminoácido histidina (Zhang et al. De C. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. e das folhas. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II.. Metil palmitato e metil oleato. De C. 1986). Nas sementes de C. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al... obtusofolina. De C. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. obtusifolia foram também isolados obtusina. De C. 1979). De C. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1986. 1978).. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh.. ácido crisofânico. crisoobtusina. 1997). o senosídeo é o principal desses derivados. questina. . 1986).. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. . succínico e tartárico (Matsuura et al. linoléico. oléico.. 1987. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. polissacarídeos (Khare et al. emodina. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1990). Asamizu et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. aurantioobtusina. 1987) e emodina (Yang & Wang. flavonóides (Wassel & Baghdadi. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. beta-sitosterol e l.. malválico. obtusifolina e estigmasterol. 1990).

arginina.. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1981). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. triptofano. 1987). javanica apresenta nonacosano. aminoácidos (lisina. fistula e C. 1990). fistula e das cascas de C. O extrato das folhas de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal.. reina. 1987b). 1991). fistula (Cano Asseleih et al.. carboidratos. 1987b. triacontano. 1988) e antraquinonas (. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. glauca foram isolados os ácidos palmítico.Ahuja et al. Das cascas do caule de C. malválico.. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al.. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. esteárico. De C. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. emodina. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. 1990). beta-amirina. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. Das raízes de C... 1990a) e antraquinonas (Messana et al. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. De C. behenato de beta-sitosterol. 1988). linoléico.. O óleo da semente de C. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1977). Das folhas de C. butirospermona. Das sementes de C. Do óleo das sementes de C. 1988). 1990a). 1987).. Das vagens de C. 1978). laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. ácido behênico.. renigera possui ácidos vernólico. palmitato. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh.. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. treonina e leucina). 1988). .De C. 1990). 1990). De C.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. proteínas brutas. ácido glutâmico e aspártico. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . palmitato de beta-sitosterol.senosídeos das folhas de vagens de C. araquidato de beta-sitosterol.. As cascas do caule de C.. 1988). 1989a).. Chowdhury et al. De C. 1990). 1978). flavonóides (Srivastava & Gupta. oléico.

2-methoxistipandrona. . fastuosa foram isolados os glicosídeos. 1988). palmítico.. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. Das raízes de C. Das flores de C. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1986 e 1987). 1987).. 1986.. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. ácido quelidônico. A composição dos ácidos graxos de C. mirístico. siamea (Khan et al. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al... Cassia laevigata (Singh. 1986). linoléico. 1990). C. marginata (Kumar et al. De C. javanica (Singh & Jindal. 1988).. 1988).. fisciona. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít... R. 1987..Das partes aéreas de C. oléico. além de alcalóides (Christofidis et al. Sen et al... holosericea é predominantemente de ácido láurico. De C. estérico.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. palmitoléico. Cassia javanica (Azero et al. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. De C. Das folhas de C. spectabilis foram isolados antraquinonas.. De C. 1989). araquídico e behênico (Khalid et al. 1977). Das sementes de C. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1988). 1977). C. 1997). sericea (Muralikrishna et al. 1989). crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1... nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. (Baba et al. 1989) e nas sementes de C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. pumila foram isolados tetratriacontanol. 1985). De C. C. 1988). 1978). beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1985). 1987). emodina. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1987). garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. linolênico.... B.

antiedematogênica. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. Munoz et al.. Amaral et al. 1995. Bacchi & Sertié. et al... antimicrobiana (Cebalhos et al. anticoagulante (Milagres et al. 1995. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. O. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W.. Rossi-Ferreira et al. guianensis (Kittakoop et al.. 2002. Estudos mais recentes têm apontado C. 1985). ferrea como antitumoral (Queiroz et al. O. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. J.. 1987)... 2000). 1996).. et al. 1997). antiinflamatória (Carvalho.. 2000. 1990) Lima... Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. A espécie C.. 2001) e antimolarial de B. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. 1996. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. contêm caesalpina P... analgésica (Carvalho. 2002a e 2002b). 1999). 1991). crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. 1998). 2001. Lopes et al. 1986).. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.. malabarica e B. 1977). leiostachya (Moura et al. 1988). sapanchalcona. et al. C. 1994. De C.. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1991). candicans (Pepato et al.. 3- . tarapotensis (Braca et al. C. O uso crônico de B. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos... 1998).. E. Extratos de C. T. et al. 1976) e proteínas de C. Lemus et al. 1986). Os inibidores da aldose reductase.forficata e B. J. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. Nakamura et al.

. sappan como ingredientes ativos (Morota et al.. antibacteriana. De C. protosapanina A. hipotensiva.. 1991. 1962).. 1987. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. antifúngica.. 1994. de relaxamento do músculo liso... antiparasitária. Sadique et al.. 1996).. 2001). Schmeda-Hirschmann et al. 1996). 1976) e. 1999)..deoxisapanona. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. Cassia Nas folhas de C. . 1985). porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. vasoconstritora. O extrato metanólico de C.. de estimulante uterino (Saraf et al. 1997). Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. Feng et al. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. in vitro.. antiviral contra hepatite B (Patney et al. 1989).... inibitória da hemólise. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1992. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1987). Caceres et al.. 1978. Sama et al. 1995a). Hussain et al. 1997). A brasilina isolada de C. 1993. antimalária (Gasquet et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C.. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. hepatoprotetor (Jafri et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al.

1985).. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1991). De C. garrettiana (Inamori et al. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. espasmolítica com subs- . obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. alata quanto C. A fração polissacarídica de C. 1979) e C. 1984). 1989). As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. 1989). Nas sementes de C.. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. As antraquinonas de C. e C.4. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. pudibunda (Cavalcanti et al. C. 1986a). Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). garrettiana foi isolada a 3.3'. citotóxica com extratos de C.. Crawford et al. 1990).. 1988) e C... 1989). alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.5'-tetrahidroxistilbene. ADP e colágeno (Yun-Choi et al.. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. 1988). 1990). Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. Estudos com as sementes de C.pudibunda (Cavalcanti et al.. As folhas de C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. 1990. acutifolia como controle positivo. O extrato a 10% das folhas de C. lugustrina (Abhaham et al.. Os resultados finais indicaram que tanto C.Das sementes de C. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. acutifolia. As sementes de C. O extrato das folhas de C. utilizando as folhas de C... 1991). 1990). tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1988 e 1989). 1986). podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al.

A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. em geral. cavalos e cabras. ferrea. A administração de folhas de C.. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. antitumoral com extratos de C.. pumila (Fatawi et al. 1998). que apresentaram um quadro de ataxia. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. . 1986b). 1985). fistula (Bhardwaj & Mathur. apatia. 1986. roenwilana (Rowe et al. 1985). O gênero Cassia produz. 1986).. 1977) e antivirótica com extratos de C. Colvin et al. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. angustifolia (Nakajima et al. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. A espécie C. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman.. C.. como substituta do café. em muitos países. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. quinquangulata (Ogura et al.. 1987).. anemia. diarréia. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. Salienta-se que a espécie C. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. cólicas abdominais e diarréia. na forma fresca. vômitos. seca e/ou torrada. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1979) e C. cansaço e dores. 1979). enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. Seu consumo indiscriminado é perigoso. amplamente utilizada pela população. 1979).. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.. purgativa dos glicosídeos de C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos.tâncias isoladas de C.. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. 1991). fistula (Babbar et al. especialmente por crianças. 1984). caracterizado por náuseas. dispnéia.

Nos estudos realizados na região amazônica e . Cymbosena. Indigofereae: Indigofera. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Canavalia. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Derris e Lonchocarpus. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. um importante produto alimentar no Brasil —. Dypteryxeae: Dypteryx. 1978). Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Myrocarpus e Ormosia. Millettieae: Tephrosia. Diplotropis. Robinieae: Sesbania e Robinia. Dioclea e Mucuna. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Crotalarieae: Crotalaria. Vicieae: Vicia e Pisum. Cajanus. Abreae: Abrus.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. onde se encontram plantas (Barrozo. Sophoreae: Sophora. Desmodieae: Desmodium. Trifolieae: Medicago. Psoraleae: Psoralea. Genisteae: Lupinus.

de onde partem folhas pecioladas. gripes. Cuandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. A espécie possui um grande valor econômico. na Mata Atlântica. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. com ampla utilização em diversos países. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. contra constipação nasal. comprimida. flores vistosas. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Espécies medicinais Cajanus cf. sendo ainda forrageira. podendo atingir 3 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. compostas de três folíolos aveludados. Ervilhade-angola. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. dores de barriga e diarréia e a infusão. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. 1984). No restante do Brasil é conhecida como Guando. pinadas. Guandu ou Feijão-guandu. fruto do tipo vagem linear. oblongos. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Erva-do-congo. . as quais são descritas a seguir. com ramos angulosos. Andu. Feijão-de-árvore. dispostas em pedúnculos axilares. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. mas há divergências quanto a essa classificação.

reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". reunidas em fascículos. descrito por João de Loureiro. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. 1997). Dados botânicos A planta é uma enorme liana. Nomes populares A espécie é chamada. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. menos freqüentemente. fruto do tipo legume falcado. na Mata Atlântica. e foi descrito por George Benthan. flores rosas. por arbustos ou árvores. de Flor-da-terra. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . O gênero Cymbosema inclui uma única espécie.Cymbosema roseana Bent. referindo-se ao legume. acuminados e glabros. em forma de bote. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. com ramos tomentosos. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. oblongos. significa "pele dura". O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. pediceladas. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. O nome do gênero Derris. flores rosas.

trifoliadas e . Trevo-da-flórida. revestida de pêlos curtos. folhas alternas. Dados botânicos Erva de pequeno porte. folhas pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. corola dialipétala.) DC. sementes sem endosperma (Figura 18. hermafrodita. didamídea. com folíolos articulados na base. Derris floribunda Bth. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã.5). Não foram encontrados sinônimos populares para ela. ereto e com raiz bastante lenhosa. cilíndrica. externa. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. com cálice gamossépalo. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Outros nomes populares são Amores-do-campo. coriáceo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. compostas. flores fortemente zigomorfas. Desmodium tortuossum (Sw. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. fruto do tipo legume linear. pentâmera. com uma grande pétala superior. a prefloração da corola é imbricada descendente.

inflorescência revestida por pêlos cinzentos. reunidas em racemos. Paricarana. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. fruto do tipo legume. Sapupira-da-mata. Cutiúba. O nome Diplotropis significa "duas carenas". vexilo oblongo provido de apêndices na base. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Sucupira-da-terra-firme. Sapupira. Sapupira-da-várzea.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Sapupira-preta. Cutiubeira. todas conhecidas como Sucupira. pinadas e folíolos glabros. com ampla distribuição no Brasil e no México. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. O nome do gênero significa "feixe". pequenas. misturada com enxofre. Diplotropis purpurea (Rich. com folhas compostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. flor com estandarte longo. plano.6). e a infusão é usada internamente como antigonorréico. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. tendo um apêndice na base. . fruto do tipo vagem. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Sicupira.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. coriáceos. Outros nomes comuns são Favinha. Sebipira. com sementes pretas e duras (Figura 18. indeiscente. referindo-se à disposição das flores. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa.

de Cumaru. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. quando passados sobre as costelas. pecioladas. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. 1991). folhas grandes. Imburana. que. grosso. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. aromáticas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. Imburana-de-cheiro. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. dispostas em panículas pubescentes. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. podendo atingir até 35 m de altura. quando maduros e secos. Nomes populares A espécie é chamada. flores vermelhas. Umburana e Kumbaru.Dipteryx odorata (Aubl. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. imparipinadas. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. cigarros. referindo-se ao cálice. de pequena espessura. e na produção de perfumes. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". compostas. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. na região amazônica. doces. . Cumaru-amarelo. servem para tratar a pneumonia.) Willd. charutos. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. frutos em forma de vagem drupácea. além da famosa fava de cumaru. O nome do gênero significa "duas asas". as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. alimentos e uísque. caule reto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de cor verde-amarelada. alternas. Cumaruzeiro. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. se fendem liberando a semente roxo-escura. Cumar-do-amazonas.

antitussígeno. 1991). dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Em outros lugares. podendo atingir até 3 m de altura. pela presença de Cumarina. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. para banhos fortificantes de crianças. dispostas em panículas pubescentes. alternas. e os palikur. diaforético. antidispéptico. imparipinadas. frutos em forma de vagem verde. pecioladas. caule ereto.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. febrífugo. diaforéticas. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. essa espécie é utilizada como anticoagulante. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. para aliviar dores de garganta e. grosso. com semente oleosa e aromática. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. flores vermelhas. contra qualquer inflamação. compostas de sete a nove folíolos. contendo casca de pequena espessura. cardiotônico. contra contusão e reumatismo. . diaforético. folhas grandes. aromáticas. internamente. antiespasmódico. emenagogo. como reconstituinte das forças orgânicas. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. emenagogas e cardíacas. narcótico e estimulante.

Myrocarpus frondosus Aliem. sendo ainda expectorante peitoral. 1974). flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Óleo-pardo. assim como a casca. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Nomes populares A espécie é chamada. sendo muito usada na indústria de cosméticos. a mais estudada é a D. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. Outros nomes são Cabruê. portas e janelas de luxo.. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. para fabricação de carroças. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. de Cabreúva. de ocorrência na América do Sul. urucu. Bálsamo e Pau-de-óleo. com casca rugosa no caule. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". outros compostos . compostos 5-9 folioladas. A madeira. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Pau-bálsamo. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. possui aroma balsâmico. indicadas nas lesões do sistema respiratório. tinturas e perfumaria. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório.

. 1985) e D.. do seu caule e de suas folhas. glutinosum. 1996). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. laxiflora Lin et al. E em D. 1977). et al. Rao M. B e C). foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. enquanto de D. benthmii (Fellows et al. Bell et al... spruceana. canarensis (Evans et al. Kimetal. As espécies D. D... senegalenseína. Do caule de D.. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. Desmodium De D. Lin & Kuo.. aparines (Link. adhaesivum Schldl. 1978.. D. ou D. heterocarpon e D. Foram isolados alcalóides de D. 1988). reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. N. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Das raízes de D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. lipídios. também denominada D. frutescens. reticulata.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.. 1995b) e D. os flavonóides.. De D. 1978). Da espécie D.. D.) DC. foram isolados. 1997). tortuosum. 1978). 1994). Em D. 1978). 1989). spruceana (Garcia et al. 1994). lupinifolina e laxiflorina. obtusa (Nascimento et al. incanum DC. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. D. hiravanona. amoena. foram isolados os flavonóides desmodina.8-difenileriodictiol.. Flavonóides também foram isolados em D. 1993... Nascimento & Mors. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas.. D.. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. 1986. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al.) DC. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. canadense (L.. 1976. araripensis (Nascimento et al. homoadonivenita (Batyuk et al. epoxilupinifolina e dereticulatina. 1995b). 1976) e D. Nakatu et al. 1991. 1954). 1961.. 1962). e das raízes de D. 1977). proteínas. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. 1989).rotenóides (Braz Filho et al. 1997). laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. . D. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch.. 1973b) e saponina (Parente & Mors. oblonga e D. crisantemina e cianina (Matinod et al. 1986).. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A..

genisteína.N-dimetiltriptamina. gangetinina. beta-carbolina. intortum) possui carboidratos. ácido octacosanóico.Os alcalóides bufotenina. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. os flavonóides desmodol (Ueno et al. hordenina. 1983). 1978).. e de D. os alcalóides candicina. normacromerina. Nmetiltiramina. 1964) foram todos isolados de D. Nakatu et al. galactopinitol A. caudatum (Thunb. também muito usado medicinalmente. 1-octacosanol. também denominada D. 3. cinarascens A. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. 1971). foram isolados mangiferina.) DC.. O D. gangetina. Don. hordenina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. . Purushothaman et al..4-dimetoxifenetilamina.. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. tiliafolium G.) DC. A espécie D. hipoforina e os alcalóides. gangeticum (L. desmocarpina. 1973). leptocladina.. difisolina. Bell et al. N. os flavonóides hiperina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. Purushothaman et al. cinereum (Kunth) DC..4-dimetoxifenetilamina. ario-inositol e betapinitol. salsolina. 1984. isoquercitrina. bufotenina N-óxido.. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. De D. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. hipoforina. kaempferol e quercetina. Ghosal & Bhattacharya. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1962. 1975).. elegans DC. betaína. 1972). 1963). intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. possui os flavonóides dalbergioidina. N-N-dimetil-3. O-metilbufotenina. 1972. salsolidina. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. desmodina. 1977. Em D. 1969. além de canavanina (Beveridge et al. 2-feniletilamina. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. Em suas raízes foram isolados abrina.

ougenina e quercetina (Balakrishna et al. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. kaempferol. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. De D. 1989). multiflorum.) DC. Kubo et al. estigmasterol. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. formononetina.. Sreenivasan & Sankarasubramanin.. foram isolados os flavonóides dalbergioidina.. Perez-Maldonado & Norton.. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. tricosanol.. também conhecido com D. inositol.. triquetrum foram isolados friedelina.N-dimetiltriptamina N-óxido. De Desmodium uncinatum (Jacq. lupeol. 1982. De D.. flavosativasídeo. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. feniletilamina. Amor-de-velho-comum. 1962). De D.. 1989. b-sitosterol. o terpenóide lupeol.. 1978). 1985). Mukherjee et al. floribundum. vitexina e xilosilvitenina. . homoferreirina. Bell et al... foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. estigmasterol. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. 1989). 1966). 1965. 1996). 1961 e 1962. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 1989). 1984). pinitol e canavanina (Beveridge et al. isovitexina. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. e de D. N. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla.1995. foram isolados os flavonóides apigenina. ojeinese. ovalifolium (Giner-Chavez et al. 1971. e os alcalóides colina. também denominado D.. e de D sandwicense E. ácido indol-3-acético. os terpenóides beta-amirina. 1997). 1986. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol.. Kubo et al. podocarpum. nonacosanos. 1995). trigonelina e tiramina (Ghosal et al. laxiflorum foram isolados heptacosanos. De D. De D. Anjaneyulu et al.. De D. compostos estes também isolados em D. e de D. 1995). 7-hidroxiflavona. racemosum. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. triflorum (L. 1965). 1977. De D.. Ahluwalia et al. e os flavonóides isoliquiritigenina. 1963a e 1963b. vitexina..) DC. 1968). heptacosanol. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. Adinarayana & Syamasundar.

1.1973a). lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al..3epimetoxilupanina. 1982). De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. .

. De diferentes partes de D. retusina). alata foram determinados 40% de óleo. 1991). 1994). 1996). além dos terpenóides betulina. isoflavonóides (Lourenço et al. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. Das sementes de D.... além dos terpenóides betulina. 1995).. 1952). lupenona e lupeol (Kaplan et al.. 2000. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. alata foram determinados 40% de óleo.Dipferyx De diferentes partes de D.. odoratina. De D. 1994). 1981). utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1995). 1993). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. Nakano et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. cumarinas (Ehlers et al. 1994). 1995. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. flavonóides (dipterixina. A espécie D.. punctata (Gruenwald. flavonóides (dipterixina. 1966). odoratina. punctata (Gruenwald. odoratina. odoratina. De D. . ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. Togashi. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1952). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. odorata apresenta um grande valor comercial. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. Das sementes da espécie D.

. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. micou. 2001). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. D. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. Aragão & Valle... Derris sp e D. nicou (Costa et al. 1987). 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. De Derris sp.. . 1999. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. 1979).. 1997).. 1997).. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. Datta & Bhattacharrya. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. O extrato etanólico de D... 2001). 1996). scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. Das raízes de D. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 1997). 1972).. De D... urucu e D. 1998. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. Foi isolada das raízes de D. 2002). Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. também conhecido como Timbó. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali.

além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al.. styracifolium. D. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1988).. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1996). styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. O extrato de D. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. . De D.. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. O extrato aquoso de D. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. O extrato de D.A D.. B e C.. 1999). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1988). Tolera & Said. 1987). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. e os taninos isolados de D. 1997).. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. 1989). 1996. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. 1997)..

.. urucum provoca irritação da pele. M. 1996).. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. . 1991). et al. Y.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.950 espécies descritas.. das sementes de D. Inga. Mimosa. Leucaena. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. vômito. Prosopis. Adenanthera. Albizia.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Calliandra. Zollernia e Acácia. 1998). distribuídas em cinco tribos. 1993). muitos deles de valor medicinal. das quais destacamos os gêneros Parkia. doses elevadas podem causar náusea. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. 1987).

compostas por folíolos ovais. Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. flores reunidas em espigas terminais.) Willd. Nomes populares A espécie. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. a espécie é chamada de Mocitaíba. Zollernia ilicifolia Vog. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. é chamada de Espinheira-santa. repletas de glândulas. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. Laranjeira-do-mato. pecioladas. com grande ocorrência na Amazônia. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Ingá-grande e Jambolão. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Moçataíba e Orelha-de-onça. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. . pinadas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas.

3'. I. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. 1973).8-dimetilflavona (Correa et al. heterophylla. 1996). I. 6.7. nobilis. I. flores rosadas (Figura 18.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona.. oerstediana e I. I. farmacológicos e toxicológicos. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. sertulifera. incluindo dores. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. 5. parviflora foram isolados os constituintes 7. com margens onduladas e providas de espinhos. e o nome deriva de Hohenzollern. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.oblongas.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.3'4'-trihidroxiaurona e 7. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. bourgonii. paterno (Morton et al. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. I. I..4'trihidroxi-6. I. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. . Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. 1991). laurina. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. Maytenus ilicifolia). longispica. alba. a antiga casa regente prussiana. stipularis (Kraus & Reinbothe.7). Foram isolados alcalóides das espécies I. I. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. semialata.

. Reis). S.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.1 .FIGURA 18.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18.

b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. 1984).3 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .

FIGURA 18.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. b) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .4 . 1939).

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .FIGURA 18.Derris floribunda.Banco de imagens - .

6 .FIGURA 18. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .Diplotropis purpurea.

FIGURA 18. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. Reis). S.7 . .Zollemia ilicifolia.

Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. assim come outras espécies de valor econômico.19 Myrtales medicinais L. A. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. 1997). lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas.950 espécies. a Punica granatum. Di Stasi C. com inúmeros representantes no Brasil. distribuídas nos 188 gêneros. da famosa Romã. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . Melastomataceae e Myrtaceae. e as duas famílias aqui descritas. que incluem espécies medicinais. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. São plantas herbáceas. que inclui o gênero Punica. C. 1978). arbustivas. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. Punicaceae. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea.

Nomes populares Na região amazônica. na região amazônica. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. essa espécie é chamada de Quaresma. flores pequenas. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. roxo. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Neste estudo. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. . Huberia. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. ambas pela indicação popular na região amazônica. 1998). O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Salpinga. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. que descreveu inúmeras patologias em plantas. brancas ou rosas.) DC. Miconia. em outras regiões. dispostas em cimeiras. com folhas ovais e cordiformes. ereto e piloso. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. fruto do tipo baga. Microlicia. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. ou Pixirica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. nervadas e pubescentes. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos.

que contém 19% de taninos hidrolizáveis.. Os . O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. e várias outras em climas temperados. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. oeste da Índia e América tropical. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta.620 espécies (Mabberley. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Eugenia. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Eucalyptus.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Pseudocaryophyllus. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Psidium. 1990). cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. 1997) arbustivas e arbóreas. planas. Pimenta. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. de onde partem folhas de pecíolo longo. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. bem representada na Austrália. Syzygium. Leptospermum e Melaleuca.

Eugenia (Pitanga. Myrciaria Gabuticaba). leucoantocianinas. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. com folhas pecioladas. cultivado ou adquirido no comércio. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. No Brasil. dispostas em corimbos. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. Cereja-nacional. são usadas no local. opostas.constituintes dessa família incluem. 1998). Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). oblongas e glabras. além de óleos essenciais. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. especialmente as flores. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. 1996). E uma espécie exótica. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. bastante aromáticas. fruto do tipo drupa. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. . enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. congestão nasal e dores de cabeça. ácidos fenólicos e ésteres. para o alívio de dores de dentes. rosas ou avermelhadas. flores pequenas. Araçá). taninos. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. as partes aéreas do Cravo-da-índia.

referindo-se aos frutos. fruto com baga amarela. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. esmagar. galhada. com cálice membranoso. contra diarréias. actinomorfas. fervidos. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. doenças da pele. existem registros para a espécie como Goiabeira. flores hermafroditas. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. os brotos de goiaba e de caju. Provém de psidion. que é a denominação em grego da planta. o chá das folhas novas. morder". 1984). é indicado contra diarréia. Psidium. curto-pecioladas. Na região da Mata Atlântica. Guaiaba. é útil contra hemorróidas. edema e.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. brancas e com numerosos estames. Araçá-guaçu. com caule tortuoso e casca lisa. por outras. botões florais tomentosos ou glabros. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. O nome do gênero. A infusão dos frutos. para regulação do ciclo . Guaiava. Araçáguaiaba. significa "triturar.1). de sabor agradável. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. usada externamente. diclamídeas. ovadolanceoladas. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. no entanto. folhas opostas. internamente. e. Araçá-goiaba. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. 1982). Duke & Vasquez. 1994).menstrual. 1988). a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. Grenand et al. . anticolérica e antiúlcera. 1986). A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. flores hermafroditas. antileucorréica. 1987. no Rio Grande do Sul. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. o chá das folhas. curto-pecioladas e glabras. As folhas de P. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. 1982).. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. misturado com folhas de salva-de-marajó. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. no Piauí. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. em Minas Gerais.. folhas opostas. e o decocto. lavagens de úlceras. principalmente em diarréias infantis. botões florais tomentosos ou glabros. diclamídeas. 1980. Central. o chá da folha. sendo facilmente confundida com esta. actinomorfas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. no Pará. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. brancas e com numerosos estames. Psydium cf. misturado com folhas de pitanga. indisposição estomacal e vertigem (Forero. com cálice membranoso. como estomáquico. 1984). antidiarréica. fruto com baga amarela. guajava ainda são utilizadas na América Latina. Grandi & Siqueira. guineense Sw. é antidiarréico (Amorozo &Gély. igualmente usados como alimento.. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. 1982. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. de polpa abundante. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. como também os frutos. 1992).

-cubebeno. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. 31 alcanos.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 122 componentes voláteis. -terpineol. humuleno. -santaleno. p-cimeno. 10 ácidos.. dos quais 13 são aldeídos. Pino et al. p-menten-9-ol. 1. 17 cetonas. -bergamoteno. As diferenças quantitativas e qua- . 1987).. Pino et al. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. 1987. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. 1989. 1968). 28 ésteres. Zheng et al. 1. -bisaboleno. Chyau & Wu.. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. Wilson & Shaw.. O dehidrodieugenol. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. Oliveros-Belardo et al. açúcares. Marcelin et al. e 95% são cariofileno (Latza et al.. 1996).. 1987).. apresentou atividade depressora do SNC. mirceno. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. alcanos. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari.1-díetoxietano. Ortega & Pino. além de taninos (Misra & Seshadri.. óxido de humuleno. 1982) e quercetina. 1990. 1996). Yusof & Mohamed. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al.. aldeídos. -guaieno.. 1991). himacaleno. t-cariofileno. 1994). 1986. 1981). 1996. -cedreno. cremoflieno. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. 1987. Ortega & Pino. 1968. borneol. derivado de eugenol. pectina..1-dietoximetano... De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al.. 1978). hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. 1990). 1990.. denominados 1. ésteres. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1996). vitaminas C e A. 1994). 1989. 1989. cetonas. lignina. acoradieno.

. Okuda et al. 1986). guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. oléico e esteárico (Opute. 1979b.. 1978). Osman et al. 1987). 1987). polifenoloxidase (Augustin et al. O extrato aquoso tam- . guaijaverina.. e Maruyama et al. 1981). óleo essencial (Ji et al. 1989). ácidos linoléico. d-galactose. 2002. 1986). O interior das cascas é rico em ésteres. 1987. Jain et al. Ácido elágico. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. (1994) e Neri et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. flavonóides. 1974. 1991). Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente... 1987). Chen & Yang (1983). Lima Filho et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas... 1996).. palmítico. 1987).. ácido oleanólico (Mair et al. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Hegnaurer..

Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. guyanensis (Santos.. incanescens (Santos. et al. 1996a). incanescens (Zelnik et al.. et al. Shimomura. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. widgrenianum (Souza et al. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. 1993... P. e antitumoral de P.. 1996). Cheng et al. Grover et al.. e eugenol e timol de P..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. 2002. 1994). 1995)... incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. 1988) e tosse (Jaiay et al. 2000. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. 1989). apresentou atividade antimicrobiana (Santos.. 1998). 1999). anticonvulsivante (Santos... Das cascas de P... Cáceres et al... Lozoya et al.. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. P. 1994. F. A. óxido e b-selineno). Santos et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1989. O extrato de folhas de P. 1999). 1994). guyanensis. A. Cáceres et al. 1990. 1994.. 1995). guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al.... explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1995). guyanensins. De P. 1992. F.. 1996a) de P. Meckes et al. 1995. O óleo essencial de P. 1996b) e P. 1994. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. et al. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea.). F. Do extrato hexânico das folhas de P. Lutterdodt. 1994. A. Lutterdodt. Lozoya et al.. propriedade anticatártica (Pinto et al. (Santos et al. pohlianum e Psidium sp.. 1996c. F.. 1970). Lutterdodt et al. 1997.. et al. . A. A quercetina isolada de P. 1990. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1993.. et al. F. A. 1983). PonceMacotela et al. Morales et al. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória.

1 .FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.

300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. representa importante fonte de espécies medicinais.20 Celastrales medicinais L. que possuem espécies medicinais. com atividade antifertilidade masculina. Seito F . Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. são Celastrus e Trypterygium. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica.G. a família Celastraceae. e Maytenus. C. N. Di Stasi L. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Os principais gêneros dessa família. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Austroplenckia. 1997). no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. . gênero de grande valor medicinal. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. nos quais se distribuem aproximadamente 1. ambos contendo espécies amplamente estudadas. e apenas uma delas.

Erva. ex Reiss. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. na região da Mata Atlântica. Salva-vidas. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. glabras. bastante coriáceas. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. axilares. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). de onde partem folhas elípticas. dores nas costas e úlceras do estômago. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Também é conhecida como Sombra-de-touro. Nomes populares A espécie é chamada.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. . amarelo-avermelhado. atingindo até 9 cm de comprimento. denteadas. Espinheira-divina. dor do "ciático". de Espinheira-santa. Maytenus aquifolium M. copa globosa e ramos glabros. arbusto menor (de 1 a 3 m). Espinho-de-Deus. fruto do tipo cápsula ovóide. flores numerosas. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. ápice agudo.cancerosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Cancerosa. Erva-santa e Congorça. com acúleos. gastrite e ulcera péptica.

aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. oblongas. Dados químicos De M. krukovii (Honda et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. .. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. vermelho. fruto do tipo capsular. Da infusão das folhas de M.. De M.. 1995. 2001) e triterpenos cetônicos de M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. 1995). contendo folhas alternas. 1995a). 2000). 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al... serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas.. 1997).. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. Foram também isolados um glicosídeo. 2000). Das sementes de M. podendo chegar a até 4 m de altura.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. 1999). para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia.. arbitifolia (Orabi et al.. flores pequenas e axilares. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. heterophylla e M. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. 1998). bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. Foram isolados das cascas de raízes de M. com ramos finos..

emarginatina-E e emarginatinina. 1996b). 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol.. De M. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.. As cascas das raízes de M. 1992). E-II. lup-20(29)-ene-3beta.. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. emarginatina-D.16. .. E-V. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. E-IV. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. os triterpenóides beta-amirina. 1994). betulina. triterpenos do tipo friedelana. 1993a e 1993b).21-trione (Nozaki et al. além de pristimerina. Além disso. 1998).30-diol (20). 1997). Sesquiterpenos foram isolados de M. e outros triterpenos (Gonzalez et al. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3.. 1995a).. 1998). 1991b). triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. De M. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). 1993). 7 alfa-hidroxicanarol. chuchuhuasca (Shirota et al. 1999a e 2000). tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.28. E-III. canaradial. 1994). 1991).. ilicifolia (Itokawa et al..Gonzalez et al. e escutidina alfa A foram isolados de M. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.30-lup-20(29) ene-triol e 28. 1994)..30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. lupeol.... 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1999).. E-I e E-II (Itokawa et al. cangoronina e ilicifolina. iliocifolia (Shirota et al. ácido oleanólico e ácido betulônico.. Dos ramos de M. os triterpenos 3-beta.. 7. Dos ramos de M. 1992b).. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al.. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. foram isolados das folhas de M. além de epicatecol. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. xuxuarinas F beta. macrocarpa (Chavez et al. os triterpenos fenólicos canarol. Das folhas de M. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. 1994b). G alfa e G beta.

1999)..... Alcalóides foram isolados de M. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1999a).... De M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. -15-triacetoxi-l alfa. 1984). 1999).. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M.. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. catingarum (Alvarenga et al. assim como outro nor-triterpeno isolado de M.. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. scutioides (Gonzalez et al.... 2001). 1996c). isolados de M.. 8 beta. Gonzalez et al. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1971). Nor-triterpenos isolados de M. G. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1999). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. 1999b). Dados farmacológicos M. 1981).. 1996a). M. 1971. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al.. 2000. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. 1996b). Wang et al. 8 beta. O composto escutiona isolado de M. macrocarpa (Chavez et al. .M.. assim como os compostos 6 beta. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. senegalensis e M. A. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. et al. 1996). myrsinoides (Baudouin et al. 6 beta. 1996b).

Gonzalez. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 1991.. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. As folhas e caules de M. Queiroz et al. 1999). Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. 2002). F. .. et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas.. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua.O extrato diclorometânico de M... 2001). especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. Oliveira et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M... ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. 2001. 1991. 2000). G.

corantes e de medicamentos. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. especialmente árvores. . das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Polygalaceae. usada na produção da Ayahuasca. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. além das duas referidas a seguir. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae.21 Polygalales medicinais L. Vochysiaceae e Krameriaceae. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. arbustos e lianas (Mabberley. No Brasil. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis.100 espécies tropicais. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Malpiguia e Stygmaphyllon. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. 1978). com importantes espécies fontes de madeiras. C. 1997). ocorrem 32 gêneros. contendo cerca de 1. Trigoniaceae. bebida alucinógena. com aproximadamente trezentas espécies. ambas com várias espécies medicinais. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Byrsonima.

contra icterícia. dor de estômago e gripes. bastante pubescente. glabas na face superior e sedosas na face inferior. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. O nome do gênero Stigmaphyllon. significa "estigmas foliáceos". e. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. grande e robusta. externamente. . descrito por Antoine Laurent de Jussieu. Gordura-de-porco ou Cajuçara. arredondadas. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp.) Juss. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. sendo comumente coletadas como da mesma espécie.) Juss.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. de folhas cordiformes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. nas raízes formam-se grandes tubérculos. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies.

Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. especialmente no Sistema Nervoso Central. Quassia. Hiruma-Lima A. inúmeras espécies medicinais. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. Souza-Brito L. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Cupania e Serjania. . Sapindaceae. Anacardiaceae. que contém. além das espécies aqui citadas. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Ailanthus. M. o Guaraná. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Simarubaceae e a outra família. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. destacando-se as famílias Burseraceae.22 Sapindales medicinais C. essas espécies serão descritas a seguir. Meliaceae. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. especialmente dos gêneros Simarouba. Essa ordem. Das demais famílias dessa ordem. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Oxalidaceae e Balsaminaceae. C. Simaroubaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Rutaceae. Picrasma e Brucea. A. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. R.

pertence à ordem Sapindales. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). A espécie Mangifera indica. Spondias. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. relatados a seguir. distribuídas em regiões tropicais. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Mangifera.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Essa família botânica inclui árvores. Semecarpus (Semecarpeae). descrita por John Lindley. com aproximadamente 875 espécies. arbustos. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). as espécies Pistacia lentiscus. 1997). No Brasil. Desses gêneros destacam-se. nos países de clima temperado. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Manga e Pistache. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. reúne setenta gêneros. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Além dos usos medicinais. Do mesmo gênero. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. subclasse Rosidae. tais como Caju. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. amplamente consumida . especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Nessa família. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Spondias e Schinus. lianas e raramente ervas pereniais. Schinus.

como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. ovário súpero com um só óvulo. Pará e Mato Grosso. entre outras tribos indígenas. Cajuí. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. com tronco de casca lisa. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. especialmente no Amazonas.1). Engl. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Caju-da-mata (Amazonas). Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. sendo também denominada Cajuaçu. não foi referida na região de estudo como medicinal. Caju-assu. de 25 a 30 m de altura. . possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. o fruto em forma de drupa é peduncular. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). perfumadas. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. dispostas em panículas. as flores. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil.

em referência ao nome de seu fruto. heliófita e que cresce bem em solos secos. o óleo da castanha. assim como a própria castanha. O nome do gênero. ovadas. significa "semelhante ao coração". sendo seu centro de ocorrência o Brasil. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. no entanto. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. raspa de amor-crescido e cajá. Caju-manteiga. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. O óleo é usado na produção de borracha. várias outras denominações são usadas para a espécie. possui importante mercado nacional e internacional. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. ovário unilocular.2). Caju-da-praia. É uma planta decídua. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves.Anacardium occidentale L. Acajuíba. as folhas são alternas. Cajumanso. as flores. Para hemorróidas. O . são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. tais como Acajaíba. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. reticuladas e nervadas em ambas as faces. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Contra diarréia. ou simplesmente Caju. com um só estame fértil. Economicamente. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. onduladas. pequenas e de coloração pálida. Anacardium. Além dos usos medicinais descritos a seguir. tomando-se um copo por dia. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. pecioladas. Caju-de-casa. o fruto é do tipo aquênio reniforme. entre outras. plástico e resinas. glabras.

uma infusão de folha é usada contra diarréia. 1995). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. estimulante e afrodisíaco.. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. A resina é usada como depurativo e expectorante. como um diurético. 1993. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. No Piauí. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. P. tônico. 1994). 1982). As flores são afrodisíacas. assim como um potente adstringente. Em Juiz de Fora (MG). Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. . calos e verrugas.. 1995). O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. e a maceração de folhas para tratar diabete. 1994. Cruz. tonsilite e problemas de garganta.. 1993). contra úlceras. 1990. anti-helmíntico. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. 1982). depurativo e anti-sifilítico. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Grenand et al. e a raiz. purgativa. 1992). astenia.. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. a casca é utilizada como adstringente. O suco das folhas serve como antiescorbútico. para controle das secreções vaginais. debilidade muscular. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. Matos. 1984). desordens urinádas e asma (Lima.

O nome do gênero significa "cortar". Aroeira-branca. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. com casca grossa. Aroeira-da-praia. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. lenha e carvão. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. tônico. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. caule tortuoso. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Cambuí. Aroeira-vermelha. referindo-se às frestas da casca do fruto. Aroeira-do-campo. analgésico e contra coceiras. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. como cicatrizante e contra gengivites. estimulante e analgésico. Aroeira-do-brejo. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Aroeira-do-sertão. mas é muito usada como ornamental. Fruto-de-raposa. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22.3). as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Bálsamo. . o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Fruto-de-sabi. com copa bonita e arredondada. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Coração-de-bugre.Schinus terebenthifolius Raddi. adstringente. sugere-se o uso com moderação. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas.

é ovóide. Cirouela. esverdeado e doce (Figura 22. inclui espécies tropicais. antiespasmódico. ou mesmo Caju. descrito também por Carl Linnaeus. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. as flores são pequenas. como antidiarréico. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887).O3). o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. 1994). Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. referindo-se à semelhança com o fruto. O nome Spondias significa "ameixa". do tipo drupa. referindo-se apenas à fruta da espécie. Acaiou. com 5 a 7 m de altura. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. imparipinadas. O gênero Spondias. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. além de comestíveis. Siriuela. Acaju. especialmente árvores com resinas. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. ilustrado a seguir.Spondias purpurea L. O ácido anacárdico (C22H32.4). com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. reunidas em racemos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. o fruto. Outras denominações comuns são Acajá. ou Cajá e Umbu. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. p-hidroxi- . diurético e analgésico. Em outros países da América do Sul. sendo um composto característico das espécies deste gênero.

robustaflavona. (-)-epiafzelequina. kaempferol. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. K e Ca (Thomas & Dave. e de suas folhas foram isolados miricetina. os seguintes compostos: acetofenona. sódio e açúcar. antocianinas. 1990). 1986). além de Na. aminoácidos. amido. aminoácidos. cicloartenol. flavonóides. 1997). 1973). a-selineno e vitamina C (Gupta. de diferentes partes da planta. álcool araquidílico. também foram isolados (Costa. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. narigenina. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. taninos e açúcar (Nagaraja et al.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. Al. leucocianidina. ácido-p-hidroxibenzóico.. 1987). S. anacardol e cardol. a-amirina. fenol. C1. campesterol e colesterol (Dinda et al.. glicosídeos de quercetina. além de flavonóides voláteis (Pino. 1987). 1997c). 1989). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. 1985). ácido gentísico. agathisflavona. estigmasterol. limoneno. cardanol. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . anacardol. derivado de resorcinol. 1995). apigenina. 1986). De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. n-eicosano. Compostos derivados do ácido anacárdico. P. taninos. ácido procatéquico. quercetina. anacardeína (Sathe et al. (-)epicatequina. Foram também caracterizados. esteróis.. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. amentoflavona. Mg.

tocoferol. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. ácido salicílico. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. tais como -catequina. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto.Bacillus subtilis.(Guerrero. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.. 1991). láurico.. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. flavonóides e triterpenos em suas folhas. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. 1994). denominados geraniina e galoilgeraniina. 1994) e frutos (Augusto et al. -sitosterol.. oléico. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . palmitoléico. tocoferol e outros. -linolênico. Himegima & Kubo. 1994). Escherichia coli. 2000).. 1992). onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. quercetina. 2000). -caroteno. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. 1991. 1999).. aminoácidos variados. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. Muroi & . Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1994). 1993. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al.. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. 1991). e raízes (Guerrero. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. palmítico. Vários derivados do ácido anacárdico.. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. ácidos esteárico.

O extrato hexânico das cascas de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Jurberg et al. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1974. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. Craveiro et al. glabrata. enquanto o cardol. 1995). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A.. 1991). 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1982). occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. . 1994). Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale foram avaliados perante a B. 1984a). (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial.. Souza et al. 1993). Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan... mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.epicatequina Kubo. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. 1993). 1992.

As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1994). Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Geraniina e galoilgeraniina. 1992). 1991). responsáveis por irritação da pele. 1983). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). Abo et al. Kudi et al. mombin. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas.. Barbosa Filho et al. occidentale.. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. França et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. isolada de A. pela presença do cardol (Hoehne. Mota et al. antiartrítica. Akinpelu. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 1994).. 1993). 1982 e 1985. Dos extratos hidroalcoólico... Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.. 1980) enquanto. 2000.. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka.. 1992). 2001.A epicatequina. . 1982.. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. taninos isolados de S. 1990. Além disso.. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. 1990). occidentale.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. 1999. 1981). um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al..

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

.FIGURA 22. 1946).Spondias purpurea.4 . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

Ruta graveolens. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .FIGURA 22.6 .

C.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). mas alguns arbustos e árvores são des- . as quais são descritas a seguir. A. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. Di Stasi A ordem Apiales. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Hiruma-Lima L. de acordo com o sistema de classificação botânica. 1997). ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. como Umbelliferae. Essa família inclui 446 gêneros. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997).23 Apiales medicinais C. com aproximadamente 3. denominada também Umbellales.

Saniculoideae). Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. densamente imbricadas. a Eryngium ekmanii. Pimpinella (Erva-doce). pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. muito comum na Mata Atlântica. Coriandrum (Coriandreae . Muitas dessas espécies são cultivadas. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Apium. 1998). optamos por incluir aqui apenas duas delas. No Brasil ocorrem poucos gêneros. Petroselium (Salsa).critos na família. Daucus (Caucalideae . inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . e Hydrocotyle exigua. tais como Cenoura. dunas e brejos. onde há amplo uso como medicamento. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Coentro. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. folhas alternas. assim. Cominho e Salsa. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. com raízes fasciculadas. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Cicuta. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Apium (gênero do Salsão). Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). oblongolanceoladas.Apioideae). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. ascendentes. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Apium com características ruderais. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. fibrosas e caule florífero solitário. Erva-doce. entre inúmeros outros.Hydrocotyloideae).Apioideae).

crenadas. frutos pilosos. Hydrocotyle hirsuta Sw. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. vem de eros = "lã". lobadas e pilosas. fruto subgloboso (Figura 23. com flores avermelhadas. Também é conhecida como Erva-capitão. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. espalhadas por diversos continentes. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. é considerado excelente contra dores de cabeça. e aix = "cabra". torcidas antes de abrir.1). o sumo das folhas frescas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. com nós. semelhantes a barba de cabra. exigua (Urban. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. capítulos esverdeados com flores pequenas. inflorescência em capítulo. var. Eryngium. O nome do gênero. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. dos quais são emitidas raízes. referindo-se às fibras do rizoma. cordiformes. de Erva-terrestre. na região do Vale do Ribeira. folhas pequenas. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. usado topicamente. habitando em lugares úmidos. especialmente em crianças.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. diclamídeas e hermafroditas. de no máximo 1 cm de espessura. no entanto. Esse chá. quando preparado em alta concentração. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cíclicas.

. sendo majoritários carotol. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. acetilenos. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. emético.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1985. foram isolados 46 compostos.. elegans (Campos & Garcia. 1992). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E.5-trimetilbenzaldeído. 1985). ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. 1999). campestre (Erdemeier & Sticher. 1980) e E.. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto.inclui 130 espécies cosmopolitas. 2002). planum (Hiller et al. Além de saponinas. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. sendo 2. Glicosídeos foram isolados de E. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. em altas doses. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. 1986). anetol e alfa-pineno (Pino et al.4.. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes.. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. 1997a).. 1997a). campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher.. e cotyle = "umbigo". Das folhas de E. farneseno. bourgatii (Lam et al. 1986). O extrato aquoso de E. 1984). a DL50 por via oral foi de 1. De E. 1997).. comarinas e flavonóides. . foetidum L. 1986). foi ainda isolado o falcarindiol em E. também encontrados em E. maritimum (Lisciani et al. Hohmann et al. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. diurético e. ilicifolium (Pinar & Galan. 1995).

é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. utilizada como alimento. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Australásia e América tropical (Joly.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Tetrapanax. Panax. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Mackinlaya e Polyscias. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. subclasse Rosidae. Árvores. arbustos. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. No Brasil ocorrem vários gêneros. e centenas de . e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. no envenenamento do filósofo Sócrates. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. Schefflera. e Polyscias. 1997). mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. No entanto. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. famosa por ter sido usada. da famosa Hera dos parques. são encontradas na família. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. mas raramente ervas. 1998). mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. epífitas. segundo a história. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. especialmente do gênero Cicuta. e inclui 47 gêneros. especialmente em refogados e saladas. ambos introduzidos no Brasil. lianas. Das inúmeras espécies descritas nessa família.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Hedera. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. com aproximadamente 1. Tetrapanax e Aralia. Centro-Oeste e Sul.

ovário ínfero. fruto indeiscente. pela beleza de sua folhagem. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. usada internamente. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. globoso. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. descrito por Johann Forster e Georg Forster. pertencente ao gênero Polyscias. Cuia. Cunha e Cunha-mansa. sendo também usa- . grandes. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. Cuia. reunidas em inflorescências axilares. A espécie não foi completamente identificada. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. androceu com cinco estames. Outras espécies do gênero. O gênero Polyscias. amplamente cultivada como ornamental. refere-se à forma da folhas.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. flores pequenas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. e acias = "sombra". Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. folhas alternas. cálice pequeno. Dados botânicos Arvore de pequeno porte.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. variegadas. com larga bainha na base. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. O nome popular da espécie. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida.

. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 1986). Lutumski & Luan. 1992. Glicosídeos oleanólicos. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico.. 1994). De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1990. 1991). 1992). Barilyak & Dugan. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1989c e 1990) e de P. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P.. 1998). Vo et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). Proliac et al.. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória.dos como calmante por adultos. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. os autores demonstram que . 1988. 2002... foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al.. 1989b. scutellaria (Paphassarang et al. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. Em P. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 1996. 1992). A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Nesse estudo.. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 2001). 1990). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1989a. 1995.. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Fulva (Bedir et al. Nas folhas de Polyscias sp. Chaboud et al..

filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. FIGURA 23.1 .Eryngium ekmanii. assim como outras do gênero Polyscias. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. mostram que essa espécie. e de prolactina pela hipofise. especialmente a Panax ginseng. A espécie P.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. associados àqueles referentes a outras da família.. 2002).

Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .FIGURA 23.2 .Banco de imagens - .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

24 Gentianales medicinais L. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Gentianaceae e Asclepiadaceae. . sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. Loganiaceae. Apocynaceae. Genistomaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Di Stasi C. demonstram que a ordem Gentianales. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. C. A.Strychnaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . apesar de pouco numerosa. Esses dados. Apesar de não referidas no nosso estudo.

ajmalinina. Nesse contexto. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. serpentina. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. arbusto encontrado na Índia. Joly (1998) destaca. aqueles que incluem espécies arbóreas.900 espécies tropicais e subtropicais. . Mandevilla. Rauwolfia. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. entre as espécies de pequeno porte. muitas das quais trepadeiras e suculentas. 1997). como Aspidosperma. com aproximadamente 1. Hancornia. dentre os gêneros. Tabernaemontana. serpentinina e reserpina. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. arbóreas. Inclui espécies arbustivas. fornecedores de madeira. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. herbáceas. Nerium. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Paquistão e Tailândia. Vinca. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Catharanthus. a família possui espécies trepadeiras. além dessas. sendo esta última o mais importante. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. muito utilizadas ornamentalmente. Java. Strophantus. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Hancornia. com destaque para ajmalina. os gêneros Mandevilla e Thevetia. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. inclui 165 gêneros. Thevetia. Allamanda. como os gêneros Allamanda. subclasse Asteridae. Aspidosperma. e. muitas das quais conhecidas como Mangaba.

Dedal-de-dama. e Thevetia peruviana. • do gênero Nerium. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. segundo Evans (1996). Vinca rosea e Catharanthus roseus. Deve-se destacar. tais como ouabaína. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. as espécies Vinca major. Alamanda amarela e Quatro-patacas. tais como alstonina. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. Vinca minor. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. A espécie Vinca rosea. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. Orélia.• do gênero Vinca e Catharanthus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. as espécies Strophantus gratus. . Wrightia e Aspidosperma. alstonilina. estrofantinidina e cimarina. a saber Allamanda cathartica. tanto para os animais como para a espécie humana. tais como majdina. espécies ricas em glicosídeos. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. cilastonina e também a reserpina. tem sido designada também como Catharanthus roseus. • do gênero Strophantus. vinblastina e vincristina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. especialmente a Nerium oleander. contudo. Himathantus sp. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos.

A folha é considerada excelente catártico.1). Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Segundo Corrêa (1984). é considerada um excelente vermífugo. A infusão das folhas é utilizada como emético. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. Ucuuba e Sucuba. O gênero inclui doze espécies tropicais. purgativo e catártico. fruto do tipo capsular. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. em animais domésticos. em grande número. atingindo até 20 m de altura. glabras e verticiladas. a planta exsuda látex considerado venenoso. especialmente cães e macacos. axilares e fasciculadas. contendo poucas sementes (Figura 24. usada internamente. espessas. na forma de funil. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. alternas. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. com folhas brilhantes. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. com a mesma indicação. com tubo estreito e longo. folhas simples. com casca rugosa. . Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. especialmente em crianças. com copa estreita e tronco ereto. semilenhoso. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. emético e purgativo. sendo a A. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. grandes. enquanto a decocção das cascas da planta. inflorescências com flores amarelas.

grandes e brancas. simples. alcançando até 10 m de altura. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. glabras em ambas as faces. linear-lanceoladas. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. todas encontradas na América do Sul (Plumel. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. no entanto. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação.) K. especialmente no alívio de coceiras. acumi- . 1990). sendo útil como anti-helmíntico. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. 1997). Noz-de-cobra. margens inteiras. sendo uma planta perenifólia. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. Schum. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. Coração-de-jesus. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). especialmente em crianças. significando "manto de flor". coriáceas. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. heliófita e secundária. contendo sementes aladas. Thevetia peruviana (Pers. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. ovaladas. O nome do gênero deriva do grego. folhas alternas. frutos geminados em forma de chifres.pecioladas. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. com um tronco de casca cinzenta.

enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. revestimento de maracás (Corrêa. a amêndoa. aromáticas. O nome do gênero Thevetia. braceletes. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. contendo flores grandes. descrito originalmente por Carl Linnaeus.nadas. No Brasil. 1997). As sementes da espécie são usadas como inseticida. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. com corola em forma de funil. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. em pó. fruto do tipo drupa carnosa. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. arbotifaciente. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. colares. 1984). inflorescências dispostas em cimeiras terminais. amarelas. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. A casca é considerada amarga e febrífuga. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. purgante. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. purgativa e emética e de uso perigoso. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. especialmente do continente africano. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. Os usos dessa espécie como purgativo. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. assim como outros inúmeros usos de várias par- . como pulseiras. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. carnosas e glabras nas duas faces. bactericida e como veneno para peixes. contendo sementes duras e grandes. além da sua utilização uso em vários países como emético. 1985). para provocar vômitos. 1962). triangular. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. 1984). É uma espécie muito usada como ornamental.

. Dados químicos dos gêneros Allamanda. 1984). 1988). Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi.1997. 1974). 1992a e 1994). blanchetii (Ganapaty et al. 1985). e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. Foram isolados de A. -sitosterol. além de lignanas como pinoresinol. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. ácido ferúlico e ácido gentísico. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. plumierida. como a A.. Tewtrakul et al. kaempferol. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. As sementes de Thevetia peruviana. ruvosídeo e neriifolina. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. flavonóides. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. -sitosterol. escopoletina. quercetina. O isolamento de diosgenina. 1996). De outras espécies do gênero Allamanda.. e de suas flores. alamandina. Kupchan et al.. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. 1962. 1995c e 1995a). enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. schottii. 1993). thevetioides (Perez-Amador et al. tais como de T. 1986). neriifolia os compostos 9. 2002).-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. além de 13-O-acetil plumierida. medioresinol.. também chamado tevetina A...tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. 1988). foram isolados do caule isoplumericina. a alanerosida. 1989). escoparona. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1992b. perivosídeo. 1996. Corrêa. assim como de outras espécies do gênero. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. acetato de lupeol. rutina e os iridóides plumierida. 1988).Kader et al. -amirina. ovata e T. canogenina. plumericina.-O. são ricas em um glicosídeo a tevetina.. tevetina B. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen.-hidroximedioresinol. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A.-hidroxipinoresinol e 9. pinoresinol e alamicina (Anderson et al.. . cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.

tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. ursólico. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . neriifolia (Dinda&Saha. Das folhas de T..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al.. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. 1994.. flavonóides. 1993). De acordo com Obasi et al. behênico e erúcico. Triterpenos como ácido olianólico. triterpenos e saponinas. (1990) e Beauregard Cruz et al. triterpenóides (Wood et al. 1991). linoléico. Iridóides também foram isolados de H. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. Da mesma forma. 1995. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1998). 2000). alcalóides. esteárico. linolênico. Guerrero.. 1982).. follax (Abdel-Kader et al. Ali et al. 1996). ácido metilperlatólico (Endo et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. 1992) e em T. 1992) e H. esteárico e palmítico. oléico. glicosídeos cardiotônicos.. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. e as raízes. taninos. enquanto as cascas possuem alcalóides. esperolactonas. linoléico.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. taninos e saponinas (Gupta. Da espécie H.. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. cáprico. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 1978).. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 1990).. (1986).. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. taninos e saponinas. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. obovatus (Vilegas et al.. Foram descritos os ácidos mirístico.

conhecida popularmente como orélia.. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1994). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. produziu atividades espasmogênica.. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino.. 1935). De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1945 e 1947). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. A neriifolina. 1982a e 1982b. 1990. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1989). 1997). 1981).. isolada dessa espécie. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. 1994) antifúngico (Tiwari et al. 2002) e antiofídico (Otero et al. 1962). 1933). Moraes et al. antimicrobiana (Neto et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. anti-hipertensora (Socorro & Thomas.. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 2002). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. cathartica e A. . 1984.. 2000).. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1992)..camundongos. 1991).. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A.. bexiga. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1990). Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. Obasi & Igboechi. Peruvosídeo e neriifolina. blanchetii (Melo et al. violacea (Lima & Caldas. Moreira et al.. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico.

para bovinos (Tokarnia et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Maringhini et al. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.. efeitos tóxicos também são similares. 1996. Eddleston et al. 1992). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 1958. 1999. 2002. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. peixes e outros animais (Chopra et al. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). gatos.. No entanto. 1996). Oji et al. 1933)... Singh & Singh. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 1993). 0. Nerium oleander. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos.. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. e estudos recen- . e Thevetia peruviana e T.700 mg/kg é dose letal. 2000. 2000). 1933. 1996). respectivamente. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.5 g/ kg e 14.4g/kg... Frerejacque. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. cobaias. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al.. 1996). Saraswat et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.

Dessa forma. no entanto. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. inibição da Na+. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. Observações Várias espécies dessa família. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. dada a riqueza química da família. Deve-se salientar. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos.K+-ATPase. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. Da mesma forma. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. De todo modo. incluindo o homem. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. 1996). . a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. 1991). os quais ainda não foram estudados.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. ou seja.

Asclepias. Fischeria. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. com aproximadamente 2. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. tais como Asclepias curassavica. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . 1997). mariana Dcne. e inclui 315 gêneros.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Oxypetalum. herbáceas e raramente arbustos e árvores. Inclui lianas. trepadeiras. 1986). Oxypetalum e Calostigma. No Brasil. especialmente por seus efeitos tóxicos. Espécies medicinais Fischeria cf. descrita a seguir. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. e algumas de grande valor medicinal. Tylophora e Calotropis. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. sobretudo para animais. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. subclasse Asteriddae. mariana. .

diclamídeas. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. nos quais se distribuem 1. flores pentâmeras. L. von Fischer. opostas. com pecíolos pubescentes. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. inclui aproximadamente 78 gêneros. E.. foi realizado experimento de toxicidade. de onde saem as folhas simples. hermafroditas e de simetria radial. 1979). com testa verrucosa (Figura 24. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. fruto unilocular. sementes comosas. membranosas. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos.2). Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. androceu modificado. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). com ramos pubescentes.225 espécies cos- . O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. corola gamopétala. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. especialmente a febre.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. com lacínios conspicuamente crispados. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária.

F. e outras são usadas como ornamentais. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Dados botânicos É uma planta anual. reunidas em verticilos. Voyria.mopolitas. a decocção das raízes é usada contra febre. dispostas em espigas simples terminais. sendo várias delas medicinais. . Lisianthus e Coutoubea. na região amazônica. com caule ereto de muitos ramos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dejanira. flores brancas grandes e muito vistosas. amplexicaules e grandes. mas também inúmeras espécies tropicais. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. 1997). folhas opostas e sésseis. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. também sésseis. Nomes populares A espécie é chamada. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Puruvá e Cutúbea. desordens estomacais. especialmente do gênero Dejanira. fruto capsular. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. 1998). Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. de Carne-seca. amenorréia e como vermífugo. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. 1978). Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. subtropicais e de clima temperado.

e Strychnos. onde é cultivado como ornamental. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. estudos de toxicidade. diminuição da atividade motora e dores abdominais. lianas e ervas (Mabberley. quando ingerida dentro de 24 horas. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). polipnéia. taquicardia. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. Mas a C. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. da famosa Strychnos nux vomica. um dos encontrados no Brasil. Porém. 1997). dentre eles. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. destacamos apenas os principais: Spigelia. e morte. incluindo tanto árvores como arbustos. hipotermia. diminuição da atividade do rúmen.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. febrífugo. 1979). com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. . A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. 1984). tônico. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico..

Noz-vômica e Quina-de-cipó. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Segundo Corrêa (1984). as plantas com propriedades narcóticas. nós na forma de uma cruz. folhas opostas e ovais.. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A planta recebe esse nome por possuir. também constatado para a espécie S. 2001). Nomes populares Na Mata Atlântica. No levantamento realizado. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. nux-vomica (Shoba & Thomas. flores amarelas em grande abundância. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. a maioria na Amazônia (Barrozo. fruto do tipo baga globosa. O nome do gênero designava. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. que se refere à presença de mais de 190 espécies. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. coriáceas e trinervadas. em seus cipós. 1978). a planta é narcótica e venenosa. . 2002). porém de S. glabras. antigamente. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus.

Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. myrtoides (Martin et al. 2000 e 2001.. S... guianesis (Penelle et al... FIGURA 24. panganesis (Nuzillard et al. 1998) e S. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.A S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. 1996). Quetin-Lecrerq et al. 2001).. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 2000). mellodora (Brandt et al.1 . S.Allamanda cathartica. 1996). 1996). 2000. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. Rafatro et al.. S.. Detalhe da flor (Banco de imagens - ).... . 2001). 1995). Das raízes de S. 1999). usambarensis (Frederich et al.

Banco de imagens - . laniflora Dcne.Fischeria cf.2 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 24.

lianas. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. N. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. C. arbus- . Di Stasi F. algumas vezes parasitas.600 espécies. ervas. Gonzalez L. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Solanaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. incluindo plantas herbáceas. G. Seito C. A. Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae.

Ipomoea batatas. Nomes populares A espécie é chamada. Na região da Mata Atlântica. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. para infecções da boca. suculentas. cordiformes. gengivite e dores de dente. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. raízes tuberosas. A planta também é conhecida. geralmente lobadas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. aqui também descrita como medicinal. que são cultivadas com fins comerciais. como Batata-da-terra. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. a espécie é cultivada e consumida como alimento. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. Possuem inúmeras variedades. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. axilares e fruto capsular. 1997). na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. internamente. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. ainda que raramente. pecioladas. de Batata-doce. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. em gargarejos. .tos e raramente árvores (Mabberley. rosas ou arroxeadas. delicadas e amplamente consumidas como alimento. com folhas alternas. flores brancas.

carnea. anti-reumáticas e laxativas. flavonóides (Zhou. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. folhas alternas.. comparando-se as plantas deste gênero. com caules bastante entrelaçados. e de homoios = "semelhante". I. acetil-b-amirina. 1995). cairica. de 5 a 18 cm de comprimento. muitas delas amplamente cultivadas. I. Delgado et al. 2000. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. Dados químicos do gênero Da espécie I. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. coptica. fruto capsular ovóide. oblongata. 1. I. Goda et al. sendo várias ervas. ácido caféico e quercetina (Tan et al.. enquanto as folhas são detergentes. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. Alba.. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. como é o caso de I. Muitas espécies são medicinais. b-sitosterol. purpurea e /. como é o caso de /. 1996). pinatipartidas e pecioladas. tubérculos ou arbustos. glabra. 1996. 1996). purpurea e I.. batatas Lam. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). 1986). de cor vermelhoviva ou rosa. I. De . friedelina. sinensis. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói".Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. hederifolia. com cinco lobos arredondados. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. I. cairica.

tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. os flavonóides 4'. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1999). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. reticulata (Mann et al. 1996). carnea Jacq. Das partes aéreas de I. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. Diversos flavonóides foram isolados de I. também encontrados em I... operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina.. matairesinol e trachelogenina. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou.. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. Das sementes de I. hardwickii (Liu et al. 1987). 1987).. 1997). cornea. 1997). operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1999a. 1988). é medido por mecanismos colinérgicos. e das flores de I. As folhas de I. 1996 e 1997). 1996). além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. Das sementes de I.. e também dibenzil-g-butirolactona. (Sharma & Shukla. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. adrenérgicos e . alta concentração de cálcio e potássio. as lignanas arctigenina. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. carnea... 1986). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. Das raízes de I.I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al.. 1996). reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I.. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1989). 1997). 1990). 1997). De Lima & Braz-Filho. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. De I. regnellii e I. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. quando administradas a cabras. arctiina e matairesinosídeo.

hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. 1998).. com 2. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al.950 espécies subcosmopolitas. 1996). stans três tetrassacarídeos. A I. espasmolítica (Medeiros et al. dos quais 25 são endêmicos. 1997).. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. conhecida popularmente como salsa-da-praia.. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. 1996). encontram-se árvores. Entre estes. arbustos. As sementes de Ipomoea ssp. 1998). 1992).. 1994). depressão.. Foram isolados de I. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1990).. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 1991). 1997).não-colinérgicos (Hore et al. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .. 1995). pescapae (Madeira et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika.. Foram observadas também anorexia. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. lianas e ervas (Mabberley. Os extratos aquosos. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. O efeito tóxico foi observado no cérebro. 2000). O extrato diclorometano de I. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1996). muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 1998a e 1998b)... hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena.. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium.

Nos estudos realizados. Don. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. Gambá. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. de onde se isolou. Physalis. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Manacá-açu e Jeratacaca. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Em outras regiões. da famosa Datura stramonium. Managá-caa. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. a capsaicina. com inúmeros representantes no Brasil. Lycopersicum. . amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. tanto do ponto de vista farmacológico.• Solanoideae. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. descrito posteriormente. da famosa espécie Nicotiana tabacum. especialmente na espécie Hyosciamus niger. entre outros inúmeros compostos. pelos nomes de Manacá-da-serra. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. importante ferramenta farmacológica e. fonte de nicotina. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. dessa subfamília. Fumobravo. do famoso Tomate. Nomes populares Na região amazônica. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. • Cestroideae. Brunsfelsia. como Juá-bravo. e Solanum. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. Cuvitinga e outras espécies. Datura. ainda do ponto de vista comercial e social. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente.

pequenas. na região amazônica. ereto e crasso. muito ramificado. semente rufescente (Figura 25. caule verde. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. Physalis angulata L. sem estipulas. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. hermafroditas. referindo-se à forma do fruto. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Bolsa mulaca. Joá-de-capote.1). Mata-fome. diclamídeas. Mulaca.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. especialmente na Amazônia. súpero. Nomes populares A espécie é chamada. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. glabra. ovário bicarpelar. O chá preparado com raiz de . folhas elípticas e acuminadas. com anteras azuladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Juá-de-capote. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. bolha". flores dispostas em cimeiras. pentâmeras. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. bilocular. longo-pecioladas. flores amarelas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. androceu com cinco estames. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Joá. folhas inteiras. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. possui. agudas. fruto esverdeado do tipo baga. de Camapu. Dados botânicos Erva com muitos ramos.

Juripeba. No Peru. útil contra reumatismo. malária. 1990). 1995). contra vermes. No Brasil. 1990). usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. problemas hepáticos. interna e externamente. para tratar hepatite. 1993). contra inflamações. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. dermatites e doenças de pele. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. bem como no combate a febre. 1984) e a raiz. Rutter. contra icterícias (Schultes & Raffauf.. a infusão da sua raiz. 1980). da Amazônia brasileira. outros. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. Juuna e Juvena. Jubeba. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. Solanum paniculatum L. 1994). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. na Paraíba. e suas folhas têm uso diurético. no Pará. . 1998). problemas hepáticos. vômito. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. renais e de vesícula biliar (De Almeida. diuréticos e resolutivos (Corrêa. em Minas Gerais. hepatite e reumatismo (Forero. 1982).. 1984). 1974-1975). Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. os frutos são desobstruentes. 1980). tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa.camapu misturada com raiz de açaí. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. 1980.

O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. de caule alado. alívio". Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. muito parecidas com as da Batata-inglesa. flores brancas. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. todas cultivadas. desiguais. especialmente contra lombrigas. folhas alternas. carnosos. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. fruto do tipo baga redonda. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. sinuosas e acuminadas. flores em umbela. hepatite e febres intermitentes. sendo úteis contra icterícia. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. es- . lilás ou roxas. dispostas em racemos. fruto do tipo baga globosa. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Inclui inúmeras variedades. além de ser indicada contra problemas do estômago. ereta. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). de onde é obtida pelos habitantes locais. muitas delas de grande valor econômico. Solanum tuberosum L. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1.700 espécies subcosmopolitas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. brancos ou amarelados. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas.

1980. 1979a. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. nitida. alcoóis e ésteres. 1981).. 1988. Sinha et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. Glotter et al. espécie de origem cubana.... a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago.. alkekengi (Kawai et al. No óleo das sementes de B. 1980. De B. P peruviana (Gottlieb et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. 1995)..25%) e ácido ricinoléico (0. 1985). o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. 1987. hidrocarbonetos. grandiflora. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Vasina et al. Itoh et al. Alcalóides foram isolados de P. Na região.. Gottlieb et al.. Já da casca da raiz de B.5%). ixocarpa (Abdullaev et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. angulata (Row et al. 1985. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. identificou a presença de 122 compostos. Eguchi et al. 1980) e P. 1994). 1996). P.. Oshima . P viscosa (Maslennikova et al. com ciclopropenóides. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. Do gênero Physalis. ácido palmítico (7. 1986. 1977a).. obtido de suas partes aéreas. peruviana (Sahai & Ray. ácido oléico (11. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico.. Frolow et al. P pubescens (Reddy et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1977 e 1978). 1986). 1987. 1986). 1991). cetonas. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. principalmente.52%) (Maestri & Guzman.. 1977).. 1986). As sementes de B. dos quais foram caracterizados..8%).. P. 1987). furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer.. minima (Mulchandani et al. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.5%). aldeídos.

1990). painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber.. neoclorogenina. 2001). 1990). 1993. vitagulatina A. 1989. vamonolídeo. Shingu et al. Uma triagem hipocrática em ratos. 1991). hopeana. 1986.. fisangulídeo. 1967a e 1967b).. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1992a. 1983. Moiseeva et al. Banton et al. 1988). Neilson & Burren. 1990).. Ripperger et al.. Já da raiz de B. A administração oral de B. 1997. vitaminimina... além de alcalóides. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. revelou atividade depressora do SNC.. 1992b e 1992c). acetil colina. 1975. 1977). indica foram isolados vitasteróides. beta-sitosterol. com extratos da raiz de B. calcyina var... aianinas. B. floribunda. 1987 e 1990. Dinan et al. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. O extrato aquoso de B. fisagulina A e K. utilizada para picadas de cobra. flavonóides (Ser. 1988 e 1989). De P. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. vitangulatina A. bronquites. Chen et al.. 1989. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. uniflora.. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. fisalina B e quercetina (Gupta et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. enquanto das folhas de P. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. . febre e picadas de cobra. Vasina et al.et al. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. artrites. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1987b. angulata foram isolados ainda vitasteróides. pauciflora e B.. 1997).. bonodora... 1987. Chen et al. Spainhour et al. B. Oliveira et al. australis (McBarron & de Sarem. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B.. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. 1987). 1986). flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al.. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. De P.. 1990. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. minima var. 1990. glicosídeos.. 1968. flavonóides (Ismail & Alan. 1988).. 1992). ácido clorogênico. figrina.

1998) e antineoplásica (Carvalho. 1992a e 1992b). 1998)... Haussmann et al.. 1993... Kurokawa et al. et al. entre outras (Lin et al. melanomas. T. 1992. 1998).. V.. aos esteóides. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. V. M.. Das folhas de P. Soares et al. 1998b). antileucêmica. antiasmática. incluindo leucemias. 1992a e 1992b). atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. 1998... 1998. anticolinérgica (Fonteles et al. 1997. et al. 1998). Kusumoto et al. I. citotóxica.. como movimento . etanólicos e esteroidal mostraram. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1991. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. Silva.. 1995.. O estudo dos vitanolídeos de P. Carvalho. anti-séptica. M. antibacteriana (Hussain et al. 1998) antimicobacteriano (Januario et al.. 1988). 2002. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. 1997. antimutagênica. et al. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1989). 1998). isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. V... O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 1990). et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. et al. e a atividade imunoestimulante. M. 1987). alcoólicos. imunoestimulante (Carvalho.. quando ingeridas em dose única ou repetida. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis.. 1987).. 1998). Nos frutos de P. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. in vitro e in vivo. Barbi et al. antiespasmódica. Chiang et al. V.. Pietro et al. 1998. constataram-se atividades hipotensora. moluscicida (Almeida & Fonteles. antigonorréica. Os extratos aquosos. et al. diurética. G.. antiviral (Otake et al. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. P. et al.. V. entre outras. M. et al. 2000). V. M. niruri e P.... M. M. aqui descrita. embora outros sinais também tenham sido verificados. tripanossomicida (Barbi et al. 1990).Para a Physalis angulata. M. Ribeiro et al. imunomoduladora (Rosas et al. 1998).

falta de apetite.1 .Banco de imagens - . às vezes levando-o ao chão. estiramento e contração das patas traseiras. irritabilidade. FIGURA 25. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . perda de peso.de mastigação.Physalis angulata. Além disso. salivação. 1991). quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.

300 espécies (Mabberley. Santos C. Guimarães C. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. A. M. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Di Stasi E.26 Lamiales medicinais L. das quais se destacam as Boraginaceae. espalhadas por todo o planeta. arbustos. com aproximadamente 2. C. as quais serão discutidas a seguir. Amazônia e Mata Atlântica. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Nas regiões de estudo. 1997). A família inclui árvores. freqüentemente . inclui 130 gêneros distintos. M. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). apesar de incluir apenas oito famílias.

denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. . com até 12 cm de comprimento. densa.herbáceas e raramente lianas. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. sendo raramente encontrada no interior de matas. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). 1998). Borago e Symphytum (Boraginoideae). de Ervabaleeira. muito ramificado. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. pubescentes na face inferior. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. inflorescência espigosa. Nomes populares A espécie é chamada. • Heliotropium (Heliotropioideae). a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. um dos gêneros mais comuns no Brasil. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. É uma planta heliófita e higrófita. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga.1). agudas. lanceoladas. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. • Cynoglossum. formando grandes populações em áreas litorâneas. de onde saem folhas sésseis. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres.

furúnculos e também contra queimaduras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com dispersão regiões tropicais e temperadas.Heliotropium indicum L. de flores brancas. e trepein = "mudar". . enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". europaeum são reconhecidamente medicinais. faringites. estomatites. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. e as espécies H. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. inflorescência curvada. Segundo Corrêa (1984). dispostas em espigas solitárias. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". Aguaraquiunha. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. amplexicaule e H.5 a 1 m de altura. e seu suco é de alto valor contra aftas. Jamacanga e Jacuacanga. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. 1994). Na medicina tradicional salvadorenha. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. abcessos. glabro ou pubescente. com flores brancas ou azuis. fruto formado como uma mitra. moléstias cutâneas e feridas. alternas. incluindo úlceras. com ramos lisos e glabros. ovadas ou cordiformes e acuminadas. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. anginas. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. tubulosas. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. É uma planta anual. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Crista-de-galo. folhas pecioladas.

Orelha-de-vaca etc. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. tubulosas. taninos e triterpenos. fruto com quatro aquênios lisos. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. distúrbios estomacais. europina. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. amarelas ou rosas. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. flores grandes. além de alcalóides e taninos. 1996). Outros nomes são Consolda. Consolda maior. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. como beta-sitosterol. Língua-de-vaca. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. Sonsólida. ásperas e onduladas. Erva-do-cardeal. enquanto as raízes. inflamação e dores de barriga. com folhas ovadas ou oblongas. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. 1986). lasiocarpina. acuminadas no ápice..Symphytum officinale L. De H. lupeol. dispostas radialmente. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. caule curto e ramoso. vistosas. 1994). Nomes populares A espécie é chamada. Das partes aéreas de H. de Confrei. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias.

curassavicum (Davicino et al. heliotrina e lasiocarpina (Guner. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . 1988). heleurina. heliotrina e lasiocarpina de H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. europina. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. curassavicum var. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. keralense (isolicopsamina. europina e supinina em H. esfandiarii (Yassa et al. Farrag et al. 1988. 1988). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. supinina e europina (Rizk et al.. (1990). lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. 1988). rotundifolium (europina. destacando-se compostos fenólicos em H. 1996).. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero.. 1991). 1990). 1988). arborescens (Bourauel et al. Das partes aéreas de H. coromandalina. Reina et al. heliotrina e lasiocarpina e. 1987). curassavina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1995b. intermedina e retronecina) por Ravi et al.de H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. (1989). heliotrina. heliovicina. H..De H. em H. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. echinatina. H. argentinum e var. hirsutissimum (Guner et al. curassavinina. em menor quantidade... em que se . e heliotropina de H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. H. heleurina. 1986). bovei. H.a heliospatina e o heliospatulina . 1994). H. 1995). stenophyllum. coromandalinina. licopsamina amabilina. 1996). 1995b).. spathulatum (Roeder et al. H. 1989).. lasiocarpum (Akramov. heliotrina. 1995) e H. 1988). H.. bursiferum (Marquina et al. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. subulatum (Malik & Rahman...

chenopodiaceum. solicifolia (Hayashi et al. pinobanksina-3-acetato. Al Awadi et al. do exsudato. 1994 e 1996). e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. curassavica (Ioset et al. 1987). A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. Do exsudato resinoso de H. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. pinocembrina. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 7-O-metileriodictiol. De H. bacciferum (Miralles et al. ovalifolium (Guntern et al.. Os flavonóides ayanina..3'-dimetileriodictiol. Sertie et al..descreveram os constituintes galangina. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- ..3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. 1991 e 1988. C. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. tais como ácido rosmarínico. 2000b). 1995. verbenacea. dentre outras espécies (Ficarra et al. 1996). 2001). 1998). 7. C. 2002). A H. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. alliodora (Ioset et al. myxa. 2001).. 1996). sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina.. 1996). 2001) e de C. 1990). filifolium (Urzua et al. De H. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 2001). filifolium também foram isolados. 3-0-metilgalangina.. 1989) e esteróis e quinonas em H.. stenophyllum (Villarroel & Urzua. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al.. linnaei (Ioset et al.. 1990). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. 1990). De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido.. 2000a) e C. Os constituintes fenólicos denominados galangina. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. pinocembrina. pinocembrina. hesperetina. As propriedades antifúngicos. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. C. sakuranetina foram isolados da resina de H.. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al..

ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. porcos e aves (Gaul et al. Singh et al. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora.. infusão ou chás por via oral. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. bursiferum (Marouina et al. 2002. 1992). Eroksuz et al.700 espécies.. 1995). 2001a e 2001b). assim como todo o gênero Heliotropium. é potencialmente tóxica. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. também denominada Labiatae. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. subtilis como o extrato bruto de H. Alcalóides isolados de H. 1997). 1989). europaeum e H. Dados toxicológicos A espécie. Das partes aéreas de H. Jain et al. 1987. nos quais se distribuem 6. 1994. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. sendo também contra-indicado o uso do material fresco.. Portanto. De H. 1987).paz de inibir efetivamente o B. argentinum apresentam genotoxicidade.. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. ellipticum e H. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos.. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. 2001)..

Pogostemonoideae: Pogostemon. oposto-decussadas. com cálice tubuloso. Ajugoideae: Ajuga. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. rígidas. do ponto de vista medicinal. Lavandula. especialmente americanas. obovais. Melissa. . Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. com haste suculenta. flores dispostas em capítulos pedunculados. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Satureja. Trata-se de uma importante família. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. corola com tubo infundibuliforme. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. folhas pecioladas. ex Benth. Nepetoideae: Hyssopus. Rosmarinus. Thymus. bilabiado. pubescentes. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Ocimum. crenadas. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Salva-do-campo. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Leucas e Sideritis. Hyptis e Plectranthus. Origanum. Salva. Mentha. alimentos. 1997). Malva. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Scutellarioideae: Scutellaria. Teucrioideae: Teucrium. pois são usadas como condimentos.(Mabberley. Salvia. Lamioideae: Leonotis.2).

Dados botânicos Erva anual. flores pediceladas com quatro estames. diarréia. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. com caule quadrangular aveludado e pubescente. . de constipações e artrites (Van den Berg. na região amazônica e em quase todo o Brasil. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. a decocção das folhas é usada contra malária. Na região da Mata Atlântica. Leonotis nepetaefolia Hort. emenagogos.3). antigripal. Na Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. recebe o mesmo nome. cólicas menstruais e problemas digestivos. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. folhas opostas. ovadas e subcordiformes na base. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. de até 2 m de altura. icterícia. sudoríficos. e a infusão da planta toda. um pouco lenhosa. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. e inclui apenas quinze espécies tropicais. de Rubim. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. 1982). formando capítulos globosos isolados (Figura 26. anti-reumático e contra cólicas menstruais. mas não foi completamente identificada. flores dispostas em racemos densos e verticelados. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. para regular a menstruação.

brancas. febrífuga e diurética. Grandi & Siqueira. nas inflamações broncopulmonares. no Rio Grande do Sul. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. pubescentes nas duas faces e membranosas. ramos quadrangulares. facilitando a expectoração. Dados botânicos Planta anual. o chá de toda a planta. 1986). ramoso e pubescente. como abortivo e antitérmico (Simões et al. distúrbios do estômago. 1984). antiasmática. especialmente de barriga e. A planta é também considerada antiespasmódica. com lábio superior 1-2 . Br. com cinco segmentos acuminados. flores sésseis. folhas pecioladas. 1982). em Minas Gerais (Verardo. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. duas vezes ao dia. útil contra úlceras. como Cordão-de-frade. sendo ainda indicada contra úlceras. cálice bilabiado. contra gripes. na Mata Atlântica. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. durante dois dias. externamente. herbáceo. reumatismo. corola bilabiada. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. raramente arredondadas. é utilizado como anti-reumático. a infusão das folhas é usada. dores gerais. internamente.. a planta florida é usada na fraqueza geral. no Mato Grosso. como cicatrizante. 1980). 1982. no Ceará (Matos et al. Leucas martinicensis R. desiguais entre si. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. pilosos e sulcados. antireumática. Na região do Vale do Ribeira. ovadas ou oblongolanceoladas.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos.. uma xícara por dia. 1982). hipotensão. de caule ereto. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg.

flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. nome recebido em todo o Brasil. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. aquatica. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. decussadas. piperita é um híbrido de M. viridis e M. O nome do gênero Leucas. agudas. contra dores musculares e reumatismo.4). filha de Cocylus. o macerado das folhas em água. flores violáceas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. folhas opostas. Dados botânicos A espécie M. referindo-se à cor das flores. A planta também é utilizada como tônico. serrilhadas. hermafroditas. Menta e Hortelã-verdadeira. descrito por Robert Brown. ramoso. ramos eretos e opostos. um pouco pubescentes. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho.lobado e o inferior 1-3 lobado. corola gamopétala. formando espigas no ápice dos ramos. numerosas. é usado sobre gargantas inflamadas. curto-pecioladas. na Mata Atlântica. 1984). planas. pouco aveludada. apenas de Hortelã. dela. contra tumores. topicamente. pentâmeras.5). na forma de gargarejo. de porte herbáceo. com raiz fibrosa e caule ereto. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. Hortelã-das-cozinhas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. e seu cozimento é indicado como antireumático. bilabiada. significa "branco". . fruto do tipo aquênio (Figura 26. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. antiespasmódico e contra nevralgias. zigomorfas. difere da M. diclamídeas. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. externamente. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. Na região do Vale do Ribeira.

tremores. 1982) e como anti-séptico. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. eólicas uterinas. 1986). estimulantes. no Rio Grande do Sul. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. de estômago. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. 1991). Outros usos incluem suas propriedades tônicas. dores de cabeça.. cólicas abdominais e tétano. Hortelã-pequena. bronquite e tosses. Hortelã-graúda. Contudo. dismenorréias e verminoses. a infusão das folhas. estomáquicas. anti-reumático e contra insônia. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é indicada contra dores de estômago em crianças. estimulante do fluxo biliar. Nomes populares A espécie é chamada. dor de barriga. vômitos. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. calmante. Hortelã-comum. na região amazônica. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. sendo indicada contra flatulências. catarros de mucosas. antiespasmódicas. em Brasília. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. de Hortelã-verde. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. digestivas. Mentha viridis L. 1986). mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. em 1990. problemas cutâneos. . carminativas. timpanite. Na região da Mata Atlântica. diarréia. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). garganta e dentes (Simões et al. Hortelã-da-preta. três vezes ao dia. 1984). e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. A M. 1980). musculares.

gripes. tosses. opostas. em verticilos aproximados. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. cilíndrica e frouxa. inflorescência do tipo espiga. Na região do Vale do Ribeira. . folhas subsésseis. corola e cálice campanulado (Figura 26. além de ser considerada útil contra febres. cólicas. bronquites. dores de estômago e "quebranto". especialmente lombriga. flores rosas ou violeta-claras. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. serrilhadas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. caule ereto. assim como em todo o Brasil. glabras. ascendentes. ovais ou oblongas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses.6). dores de barriga e pedras nos rins. ameba e giárdia. Mentha pulegium L. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. bastante pilosa e com aroma forte. bronquite e gripe. denticuladas. pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. garganta e estômago. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. ramos eretos. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. tétano. ovadolanceoladas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. com folhas pequenas. seu decocto é considerado útil contra tosse.

A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria.Ocimum basilicum L. Alfavaca-de-cheiro. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. de onde partem folhas opostas. . é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. O nome do gênero. descrito por Carl Linnaeus. Ocimum canum Sims. com ramos tetrágonos e pubescentes. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. de Alfava. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Alfavaquinha. diarréias e disenterias. Em outras regiões. referindo-se à planta toda. Em outras regiões. peitoral. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. com até 50 cm de altura ou maior. diaforética. assim como em todo o Brasil. especialmente de ocorrência na África. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Ocimum. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. estimulante. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. ovadas. flores brancas ou rosas. glabras. estomáquica. dentadas. diurética e útil contra resfriados. de caule ramoso. significa "perfumada". Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. pequenas e finas. entre outros. Alfavaca-do-campo. Alfavacona. Alfavaca-cheirosa. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas.

além de diurética. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. flores vermelhas. denteadas. tosses. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. a espécie é chamada de Alfavaca. amarelo-esverdeadas. além de excelente na cura da coqueluche. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. diaforética. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça e bronquites. pubescentes. é usada contra febres. verticiladas e dispostas em racemos. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. flores roxas ou. pubescentes. As folhas cruas também são empregadas como condimento. de ramos quadrangulares. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. fruto do tipo capsulas. dispostas em racemos paniculados. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. dispnéia e reumatismo. verdes e finas. A decocção das raízes . O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. rins e uretra. de onde partem folhas ovais. raramente. ovadolanceoladas. enquanto a infusão das partes aéreas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. glabras. glabros e eretos. carminativa. béquica. A planta toda é bastante aromática. serradas. contendo folhas pecioladas. tosses e desordens uterinas e renais.

gripe e catarro no peito. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. ovaladas. margem irregular. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. . Ocimum micranthum Willd. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. problemas nervosos. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. glomerulada. pequenas. sudorífica. gineceu com ovário ovóide. dores de cabeça e febres. As folhas são ainda muito usadas como condimento. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. Alfavacão. congestão nasal e dor de cabeça. agudas. inflorescência racemosa. folhas pecioladas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. carminativa. dores de cabeça e como sedativo para crianças. núculas negras e lisas (Figura 26. androceu com estames inclusos. diurética e útil contra tosses. Alfavaca-do-campo. como Manjericão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. membranosas. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente.7). e na Mata Atlântica. distúrbios do estômago. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça.é usada contra diarréias. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona.

no Pará (Amorozo & Gély. as folhas são consideradas úteis contra gripes.Na região da Mata Atlântica. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. flores em glomérulos. Pogostemon patchouly Pellet. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de onde partem folhas ovais. com até 50 cm de altura. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. com ramos ascendentes. 1984). a infusão das folhas é usada contra infecções. vilosas. 1988). Dados botânicos A planta é uma erva ereta. de base arredondada e margem denteada. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. pilosa. dores de cabeça e tosse. 1980). no Mato Grosso (Van den Berg. Patchuli ou Patchouli. dispostas em panículas. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. além de a espécie ser utilizada também como condimento. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. . Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. formando uma espiga terminal. tosses e bronquites. Origanum vulgare L.

8). pentâmeras. 1990). flores diclamídeas. dos quais 32 foram identificados. corola com quatro lobos. Triterpenóides foram isolados de H. suaveolens possui setenta componentes. suaveolens apresentou altas concentrações de 1.. como beta- . significa "estames barbados". predominantemente de sesquitepenos. Das folhas de H. alfa-bergamoteno. Azevedo et al. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. androceu com estames excertos. hermafroditas.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Existem. sedativo e hipotensor. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). descrito por Desf. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. flores em glomérulos. bilocular. O nome do gênero Pogostemon. bicarpelar. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. Uma outra análise do óleo essencial de H. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. com espigas compostas. 2001 e 2002). Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. 1. 1988. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. (1982). sendo mais comuns o beta-cariofileno. terpinen-4-ol.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%).. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. O óleo essencial das partes aéreas de H. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. suaveolens por Misra et al.. ovário supero. cruzadas.8-cineol. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. com dois óvulos em cada lóculo. 1991). pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. porém. três formando um lábio aberto. fruto seco (Figura 26..

ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Das raízes de L. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. (1980). timol.. gama-terpineno. Das folhas de H. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. 1990). 1990). De H. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao.. 1991). e de H.elemeno. 1988). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al.6. quercetina. . (1978) e Blounietal. 1987). Porém.. uma outra análise do óleo de H. ácido ursólico. mutabilis foram isolados triterpenos.. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al.. ácido n-octacosanóico. De H. 1996). 1990) e de H. 1988). 1987a). lignanas e flavononas (Messana et al. 1988). campesterol.. 1990). sendo p-cimeno. Em H. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. 4. albida foram isoladas triterpenolactonas. 1989).. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. Das partes aéreas de H. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. ácido oleanólico acetato. 1988). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. Metil betulinato. 1990b). alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. beta-cariofileno.. salzmanii foram isolados diterpenos. e de L. umbrosa..

Das raízes de L. hidroxiprolina.3'. A M. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. T. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. colesterol.07%) e mentano (11. ácido aspártico.8-cineol (6. flavonas himenoxina. De L. et al. Da espécie L. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. lisina. tirosina. fenilalanina. Vaverkova et al. triptofano e metionina (Dinda et al. Das partes aéreas de L. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. 1979). piperita var. mentona (24. sendo os principais terpenos mentol. prolina. mentofurano (19. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. 1986). 1996)..80%). metil acetato (16. officinalis. O óleo essencial de três variedades de M. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.. 1996). das partes aéreas de L. glicina. alanina.7.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. ácido glutâmico. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. 1990) e um composto fenólico (Misra... O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45..84%). Mentha A composição do óleo essencial de M.. 1987). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison.80%). serina. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol.20%). 1995). piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- .. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. 1986 e 1987). 1987. Com isso.64%).10%) e 1. 5-hidroxi-6. 1987). Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. mentona.. N. mentocubanona. 1987). 1988). brassicasterol. treonina.

1990) e flavonóides glicorilados. cadideno. Mg. betasitosterina. Mg. caféico e clorogênico.. 1989). limoneno. Fe.8. fitosterol.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. nicotinamida. Foram ainda isolados mono. 1986). fenílico. 1. Nas folhas de M. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina.e sesquiterpenóides. Zi e Cu. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. 1992). O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno.8-cineol. 1988). . lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.3'. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.7. K..posição de terpenos dessa espécie (Sacco. resinas. catalase. Em Mentha viridis var. como alfa-pineno. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. glicídios. De M. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. peroxidases. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. reduzindo significativamente a concentração de mentol. 1987). luteolina e 5. Ca. b-cariofileno.6. ácidos p-cumárico. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. vitaminas C e D2..

De O. 1990). 1981. 1987. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1989).. eugenol. 1.. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. 1986. Borges et al. 1986. 1997). o eugenol é o constituinte majoritário.. canum foram isolados diversos componentes.Patel et al.. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. basilicum (Brophy & Jogia... hidrocarbonetos como p-cimeno. Das sementes de O. O óleo essencial de O. sendo eugenol. 1996). eugenol. beta-cariofileno.8-cineol. Em Cuba. as folhas e flores de O. 1996 e 1997a). gratissimum é composto de gamaterpineno.. Lawrence. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al.. Porém. Ocimum Do óleo essencial de O. 1987. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1989).. De O. Takahashi et al. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. b-cariofileno. 1981).cariofileno. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al... Nas folhas. 1996a). Khanna et al. 1988). O óleo essencial de O. já citados. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. 1983). o óleo essencial apresentou 21 constituintes. estragol e a-terpineol (Chalchat et al.8-cineol.. 1986.. Kartnig & Simon... gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. linalol. 1987). 1987). .. cis-ocimeno. Sakurai et al. micranthum foram isolados vinte compostos. Na China. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. 1990). e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. 1986. flores e caule de O. Das folhas da O. Do óleo essencial das folhas.. sendo 1. 1986.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. Sharma et al. 1990). os constituintes majoritários variam em cada parte da planta.. Phan et al. 1996). 1988. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. eugenol (Ekundayo et al. t-bergamoteno.

quercetin-3-O-diglucosídeo.. De O. além de metilchavicol.. b-sitosterol. 1.. sabineno e eugenol (Retamar et al. ácido caféico. esculetina. 1987. sendo Metil chavicol. sanctum possui estigmasterol. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. isoquercitrina. basilicum e O. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. basilicum apresenta 44 compostos.O óleo essencial de O.. Das folhas de O. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. linolênico e araquídico (Malik et al. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1995). 1978). 1996).8cineol e eugenol.. láurico. 1990). A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1990. além de ácido p-cumárico. No Paquistão. Murugesan & Damodaran. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio.. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. 1989). 1995). 1987). terpenos. nesse caso.. alcoóis. 1987).8cineol. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. eriodictiol.. o óleo essencial de O. Em O. Thoppil. esculina (Skaltsa & Philianos. 1991).. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. já comentados (Modawi et al. A casca do caule de O. 1989). 1994). 1985. 1995). eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. triacontanol ferulato. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari .. rutina. linalol. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. ácidos orgânicos. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. kaempferol-3-O-rutinosídeo. Ekundayo et al. 1984).. sendo. Das flores de O. 1. 1.. A espécie O. 1986. oléico. 1988). Fatope & Takeda. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al.. 1996). cetonas. basilicum foram isolados quercetina. fenóis. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. na Turquia. palmítico esteárico. rubrum foram isolados borneol. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. 1996). linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. linoléico. kaempferol. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. mirístico. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. Das sementes de O. 1989).8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. timol.

Além desses compostos. 1986). 1981). cablin (Akhila . hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. flavonas. Foram isolados de P purpurascens. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. flavonas (Patwarphan & Gupta. viride (Ekundayo.. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. 1984) e grandes quantidades de timol em O. parviflorus (Nanda et al. lactonas sesquiterpenóides de P. 1984). kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1985).. Pogostemon As folhas de P.

. Em H. betasitosterol. F et al... 1998).... 1990). foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.. O óleo essencial de H. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. 1988)... et al. 1994. suaveolens e H. Munck & Croteau. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. Thapa et al. 1984). beta-amirina. 1988. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. crenata. analgésica (Freitas et al. 1984. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al.. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. Phadnis et al. 1989). 1987. plectranthoides (Esvandzhiya et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. 1971). a-bulneseno. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. 1998) e atóxica (Junior et al.. . auricularis (Prakash et al. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1977.. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. 1987.. Em H. Silva et al.& Nigan. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1997). 1998). atrorubens. 1990). 1989).. Do óleo essencial das folhas de P. umbrosa. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. mutabilis. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. ovalifolia e H. estigmasterol. também conhecido como Sambacaitá. plectranthoides foram investigados experimentalmente... O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1990). Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H... bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. pectinata (Bispo et al. P. 2001).. comumente utilizada como calmante. Foram identificados n-octacosanol.. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. 1988). C. garwal et al. H. saxatilis (Fernandes. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. 1998).. H. Coelho et al.

anti-hipertensiva e espasmolítica. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1985. 1988. capitata foi isolado o ácido ursólico. 1979). umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. verticillata. Diterpenóides isolados de H. ramos e flores de H. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. nepetaefolia. 1995. Leonotis Em L. 1976. 1988). Forster et al. Do extrato metanólico de H.. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L.. conhecido como Cordão-de-frade.. Mentha O infuso das folhas de M.. 2002).. e Novelo et al. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos.As propriedades antibacterianas. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. 1995). que foram testados quanto à sua citotoxicidade. Posteriormente. Calixto et al.. enquanto extratos de folhas. antimicrobiana (Cos et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.... foram detectadas as atividades broncodilatadora... 1993) foram atribuídas a H. do extrato de H. 1988). antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. Saksena & Saksena. 1988).. 1988).. leonurus (Bienvenu et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. 1984). 1980. Coelho et al. Di . além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. 1988). 1988. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. 2002). anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. 1995).. 1988). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.

2001 e 2002). O óleo essencial de O. 1986).. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.. antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1981).. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. Queiroz & Brandão. enquanto estudos com O. 2002). R. americanus (Jain & Agrawal. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai.. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. Sharma & Jocob. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 2000).. 1986a). 1989). 1986). utilizando-se M.. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. cannum (Dubey et ai. Extratos brutos de O.. 1993.. piperita. antifertilidade.Stasi et al. 1986c) e em O. Do híbrido. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1998). Chen et al. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. determinaram-se propriedades fungicida. cordifolia (Villasenor et al. 1986a. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Queiroz & Brandão. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. crispa (Mello et ai. Almeida et ai. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 2002). . A. e a atividade antimutagênica ao extrato de M.. 1986a. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. 1987). basilicum demonstraram atividades analgésica. Queiroz & Reis. 1984). Além das atividades já relatadas com M. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. sanctum (Phadke & Kulkarni. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. arvensis (Ceruti et al. também verificada com extratos de O. 1988. 1996) e hipotensora (Guedes et ai.. Lahlou et ai. 2002). Em O. espasmolítica (Queiroz & Reis. et ai. O... sanctum (Dey & Choudhuri. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1987. 1989). 1978) e O. antibacteriana. gratissimum (Atai et ai... 2002.. 1986b). gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. (1968). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro.. 1982. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. piperita (Ansari et al.. 1987b).

1994a). As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. 2002). 1994b. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O.. 1989). gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. basilicum (Dube et al. 1993. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1996). A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. As folhas de O. que apresentou atividade protetora do mastócito. 1992.. Vanisree & Devaki. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. O óleo essencial de O. suave foram utilizadas como repelente de insetos. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. Extrato etanólico das folhas de O. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica.. suave (Tan et al... 1994). 1996).. O. antiinflamatória. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. 1989). enquanto a O. 1986). Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. Das folhas de O. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. Os óleos fixos de O... o ácido ursólico. 1999. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. Nakamura et ai. 1994. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes... Vanderlinde et al. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. et ai. Vanderlinde et al. Vanderlinde et al. 1986). antipirética em ratos (Singh & Majumdar. 2001). O óleo essencial de O. 1995) e O. 1995). principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. E... mas a administração de O. Das folhas de O. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki.. 1990).. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04.O. 1992. 1994). 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. O óleo essencial de O. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. gratissimum (Sobti et al. . 1986). sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar.. Vanderlinde et al. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário.. 1997).

Salsa. Compreendem árvores. sobretudo em crianças. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. provocando sonolência.5 ml/kg. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. como Erva-cidreira-do-campo. 1984). 1986). Stachytarpheta e Lippia.E. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. folhas pecioladas. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. caule e ramos primários. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Salva-limão. longos. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. e em outras. alternas ou opostas . Alecrim-docampo. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. especialmente da América do Sul (Mabberley. Sálvia e Salva-da-gripe.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade.) N. 1997). 1995). Salva-brava. arbustos e ervas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. ascendentes. pubescentes.Br. quadrangulares.

o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. Salva. além de problemas do estômago. tosses e gripes. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. náuseas. 1984). diclamídeas. no Mato Grosso (Van der Berg. cálice curto. sementes pequenas (Figura 26. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. folhas pecioladas. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. flores pequenas. 1986). relaxante e contra intoxicações gerais. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. o chá das folhas é utilizado como calmante. o chá das folhas é utilizado como calmante. fruto com dois mericarpos plano- . Dados botânicos Planta de pequeno porte. no Pará. membranoso. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago.9). com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. no Rio Grande do Sul (Simões et al. estomáquica. hermafroditas.(às vezes na mesma planta). corola bilabiada.. reunidas em inflorescências capituliformes. cólica do estômago. flores pequenas. sem estipulas. cálice curto. pubescente e bipartido. 1988). pentâmeras. Malva e Nulva-do-marajó. Lippia grandís Schan. 1980). 1980). fruto do tipo capsular branco. Essa espécie é usada como antiespasmódica. como antigripal e calmante. emenagoga (Corrêa. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. Na região do Vale do Ribeira. reunidas em inflorescências vistosas. na Paraíba (Agra.

lapachenol... Craveiro et al. Souto-Bachiller et al. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. 1983). O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. 1986. monoterpenos. timol. 1986. Já de L. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. é usado contra problemas do fígado. alfa-cubebeno. dulcis (Bubnov & Gurskii. betacariofileno (Craveiro et al. Hernandulcina. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. timol. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. (1981). porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das .. a mais estudada é a L sidoides. ukambensis (Chogo & Crank. Vários terpenóides foram isolados de L. e do caule e folhas foram obtidos ácido . acacetina. (1986 e 1987). mirceno.. Da parte aérea de L. geranial. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. p-cinieno.. 1987. 1991.. 1982). triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1981). Sauerwein et al. 1987). No óleo essencial de L... gama-terpineno. As espécies L. behênico e lignocérico (Macambira et al. 1987). sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L.. Matos et al. 1980).vanílico. 1996a e 1996b). araquídico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1981). 1987). três vezes ao dia. Da espécie L. esteárico. naringenina. limoneno. canescens e I. citral e carvona (Matos et al. 1996). o chá das folhas. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al.convexos.. americana foram obtidos ácidos graxos livres.

1990).. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.. alfa-terpineno (4. neral.origanoides foi quantificada. timol. 1. Dentre os compostos isolados. p-cimeno. 1991 e 1995).8-cineol. Das partes aéreas e das raízes de L.27%).l.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.33%).. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. fissicalyx (Retamar et al. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1990). pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. graveolens. timol. 1989). multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado.espécies de L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. graveolens foram isolados pinocembrina.67%). O óleo essencial de L. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. cirsimaritina.01%) ecariofileno (15.. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. . 1996a). p-cimeno (3. crisoeriol.. alba e L. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol.8-cineol (15. 1.97%) como principais componentes (Mwangi et al. apigenina..23%) e metiltimol (2. 1. acetato de timol (17. Das folhas de L.... sendo 22 hidrocarbonetos. limoneno. 1.. 1994 e 1995).8-cineol (2. diosmetina.12%). 1989). citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. eupafolina. luteolina. quatro alcanos. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. dos quais foram identificados piperitona (28. De L.35%).. Das folhas e flores de L. Fun et al. Os constituintes p-cimeno. 1989). 6-hidroxiluteolina. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. 1987). 1. 1987).e beta-pineno. alfa.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. sabineno. a-pineno. 1988). germacreno D e elemol (Koumaglo et al.43%) e piperitenona (11. hispidulina. quatro éteres. 1996b). sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.8-cineol. wilmsii foram isolados quinze componentes. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. eupatorina. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. 1990. Do óleo das folhas de L. A composição química do óleo essencial de L.8-cineol.

. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. assim como o de L. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. o verbascosídeo. além de uma atividade moluscicida (Almeida.3%) (Zygadloet al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. integrifolia foram isolados da cânfora (18..Y. 1996). gracilis foram observados aumento inotrópico.. polystachya foram isolados tujona (30. antiulcerogênica (Pascual et al. polystachya.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. aristata (Moraes Filho et al. 1997).9%) elimoneno (13. 1986). 2002). M. junelliana. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al.. L. aristata (Rouquayrol et al. de L. Do extrato das folhas de L. 1996). 2000). 1998. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. atribuída à presença de flavonóides (Santos. L. respectivamente).4- . 1990).. 1980). misturado a cremes... 1988a). lipifolil(6)-en-5-ona (18.2% e 41. mircenona (31%) e de L.... Vale et al. 1981). 1990).5%). junelliana. et al. multiflora.. De L. 1987).. 1979). atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.4%. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al.. grata (Viana et al. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.. Esse óleo. um éster do ácido caféico ligado ao 3. Além disso. contribui para a coesão das células da pele. P D. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. Já o óleo essencial de L. 1998).. integrifolia e L. um dos componentes principais. 1998)... 1980). sidoides mostrou atividade moluscicida.. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 1996).. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. et al. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. Moraes et al. enquanto o outro componente. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. 1995a).carvacrol.. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. turbinata e L.. Com a espécie L. Do óleo das flores de L. 1980 e 1987. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.

antibacteriana (Aguiar et al. 1995b).. 1977).. 1996). no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. 2001). sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. O óleo essencial de L. 1998). ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. e no óleo essencial. M. 1980). hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. graciliy (Fontenele et al... porém. 1985). no qual se observaram atividades analgésica. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1979). 1980. anestésica (Viana et al.. 1988.. Matos et al. 1988b).. Laxoste et al. R. nodiflora foi realizado um screening preliminar. Teixeira. e o de L. hipnótica e hipotensora (Noamesi. Moraes. 1996). 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. 1994. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. 1984). et al. et al. 1978). Ximenes et al. grata... polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. apresentaram atividades antibacteriana...dihidroxifeniletanol.. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.. Y.. 1978).. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. atividades cicatrizante. Lacotes et al. 1992). 1988. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. M. L. Viana et al. multiflora (Chanh et al. 1979) e I. Além disso. 1996. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al.. 1995. 1988). et al. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. 1998). Teixeira et al. Almeida. .. moluscicida (Moraes.. tranqüilizante (Matos et al. timol e carvacrol. Menezes et al. sidoides (Fonteneles & Sales. O. 1994. 1978). potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. O óleo essencial das folhas de L.. 1996. Os principais componentes do seu óleo essencial. 1986). espasmolítica (Viana et al. 1978. Botelho & Soares. Nas folhas de L... 1992.. anti-hipertensiva.. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. S.. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. antifúngica (Lemos et al. M. Nunes. 1995)... 1980. et al. O. geminata e L. 1979.

1 .FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. .

2 . .Hyptis crenata. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26. 1998).

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .3 .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia.

Leucas martinicensis.FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .

FIGURA 26.5 .Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Mentha viridis.FIGURA 26.6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .

Ocimum micranthum.FIGURA 26.7 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

FIGURA 26.Pogostemon patchouly.8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.9 .

e reúne 120 gêneros. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. arbustos e raramente ervas (Joly. pertence à ordem Scrophulariales. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. No estudo realizado. Hiruma-Lima L. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. incluindo árvores. Bignoniaceae. A. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Mabberley. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Scrophulariaceae. 1998. 1997). lianas. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. as quais passamos a descrever. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. subclasse Asteridae. Os gêneros mais importantes da .27 Scrophulariales medicinais C. com aproximadamente 750 espécies.

o que gera o nome popular atribuído à espécie. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. são Tabebuia e jacaranda. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". elípticos e coriáceos. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. No Brasil. Em outras regiões do país. oblongo-linear. de ramos cilíndricos e glabros. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. e as várias espécies do gênero Zeyhera. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. fruto do tipo capsular largo. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. Na região da Mata Atlântica. com gavinhas. Jacaranda caroba. as quais são discutidas a seguir. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. .1). com ampla distribuição nas regiões tropicais. também é conhecida como Cipó-de-alho. uma delas. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Pyrostegia. folhas normalmente 2-3-folioladas. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. contendo sementes oblongas (Figura 27. curto-pecioladas. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. que inclui os Ipês e o Paud'arco.família. anteras glabras e ovário oblongo. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. com folíolos peciolados. os gêneros mais comuns são Tabebuia. da famosa Flor-de-são-joão. é descrita aqui.

de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. por ser mole e porosa. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Camboatá-pequeno. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. dispostas em panículas. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. sendo amplamente usada como ornamental. Caroba-miúda. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados.Dados da medicina tradicional Na região de estudo.) DC. fruto do tipo capsular. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Carobado-carrasco. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. flores tubulosas. Caroba-do-campo. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Uma outra espécie do mesmo gênero. roxas. Camboté. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. não completamente identificada e conhecida como . enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. Jacaranda caroba (Vell. coriáceos e glabros.

sítios e quintais de residências.2). como corimbos multiflorais. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. ou seja /'coberta de fogo". o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada.5 cm de largura.Carobinha. O nome do gênero Pyrostegia. Segundo Corrêa (1984). folhas com folíolos ovadooblongos. inflorescências numerosas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. repletos de flores tubulares. Trata-se de uma espécie heliófita. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. . descrito por Carel Borinov Presl. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. especialmente no Dia de São João.5 cm de largura (Figura 27. especialmente em crianças. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). É muito comum no Brasil. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. raramente encontrada no interior de matas densas. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. longas. de cor laranja. com ramos jovens delgados e folhagem densa. podendo ocorrer com flores amarelas. adstringente e anti-sifilítica. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. amplamente encontrada em campos.

a família não é encontrada de forma espontânea. Foi detectada na flor de P. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. . mas apenas cultivada. 1996).. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. 1992). 1995). a atividade antimicrobiana foi conferida a J. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. No Brasil.. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. sendo a maioria de ervas ou arbustos. 1996). 1976 e 1977).Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. 1999). acorendico presente na planta (Oguro et al. 1994). venusta a presença de aminoácidos.. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/.. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. O extrato etanólico da espécie A. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. especialmente a espécie Sesamum indicum. A espécie J. A espécie J. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton.. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. Espécies medicinais Sesamum indicum L. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.

1997). tosses secas. indicum foi caracterizada a presença de . vistosas. para evitar perda de cabelos. 1995). 1997). 1988. opostas. sesamolina (Mimura et al. Nas sementes de S. com muitas sementes oleosas. O óleo de gergelim. episesaminona (Marchand et al. fruto do tipo capsular. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. folhas simples. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. e.. osteoporose. externamente. contra hemorróidas (Bown. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. clorosesamona hidroxisesamona é 2. com origem na Ásia tropical ou na África. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. externamente. e sobre as pernas para tratar paralisia. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais.Dados botânicos A planta é uma erva anual. flores amarelas.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. visão fraca. 1990). inteiras e pubescentes. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. dores de cabeça. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. além de seu uso na culinária. para alívio da dor de ouvido. diarréias. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos.... Tashiro et al. abortiva e anti-reumática e. 2001). Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. para tratar constipação nasal crônica. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. disenteria e catarro intestinal. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. 1995). distúrbios renais. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. no Egito e na Babilônia (Bown.

1989.. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al.. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos.2000). Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. 1991). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. gama-tocoferol e sesamolina. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1993). sesamina Do extrato aquoso de S. indicum detectaram a presença de glicolipídios. Mimura. indicum L.albumina. Nas raízes de S. . Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. globulina. 1996). 1988). 1994). prolamina. 2000 e 2001). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. glutelina (Singh & Khanna. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. (Kar & Mishra. bem como três novos triglicosídeos. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. ácidos graxos.

A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. 1992). protegendo-o contra danos oxidativos. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados.. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. O extrato de S. 1995). foram isoladas das sementes de S. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S... dessa forma. 1994).. angolense. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. além de verbascosídeo. indicum (Takswchi et ai. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. dois derivados do ciclohexiletanol. em altas doses. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif.. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 1988. 1990) e sesangolina.. indicum e S.. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Da parte aérea de S. 1992). 1991).Duas lignanas furânicas.. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. 1992). . e. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. respectivamente (Kang et al. 2002). sesamolina (Mimura et al. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. 1991). alatosídeo A-C. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. 2001). laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. alatum. Tashiro et al. 1997).

Scobedia. Vassourinha-de-botão. especialmente dos gêneros Antirrhinum. Nomes populares Na região amazônica. nos quais estão distribuídas 5. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. tais como Digitalis. Calceolaria e Maurandia. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. quatro estames didínamos. no Pará. 1997). arbustos e ervas. lanata. hermafroditas. purpurea e D. Vassoura. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. com corola rotácea. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. ovário supero. pentâmeras. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. ovaldolanceoladas. aqui descrito como medicinal.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. flores brancas. algumas aquáticas (Mabberley. bilabiada. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Verbascum e Wightia. axilares. crenadas e glabras. Veronica. No Brasil. Tupixaba. bicarpelar. incluindo árvores.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Tapixaba. popularmente conhecido como Vassoura. . Outros nome são Vassourinha. Esterhazia. pequenas. Coerana-branca. Ganha-aqui-ganha-acolá. opostas. das famosas D. Pupeiçava.

1995). febre. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. para lavar feridas (Branch & da Silva. No Pará. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. e as folhas. 1996). 1983). Verardo. febrífuga. tosse. especialmente na Floresta Amazônica. essa espécie também é considerada emoliente. peitoral. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. desordens menstruais. Cruz. e utilizada contra desordens respiratórias. Nas tribos indígenas do Equador. pectoral. significa "vassoura". 1982. expectorante. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. emoliente e béquica (Corrêa. . Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. 1988. 1984). 1994. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. Coimbra. 1988). bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. tosse. coceiras. o chá da planta é usado contra hemorróidas. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. No Rio Grande do Sul. além de ser considerada tônica. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Em Minas Gerais. béquica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1993. 1982. 1982. brotoejas. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al.. Encontrada em abundância na América do Sul. 1980).. 1982)..bilocular.. malária. hepáticas e estomacais. O nome do gênero. Grandi & Siqueira. 1987).. antidiabética e contra afecções catarrais. também. bronquite. emoliente.. Coee et al. bronquite. hipotensiva. 1994. picada de mosquito. problemas cardíacos. com todas as partes da planta. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1990). menstruais. 1990). 1990). Na Paraíba. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1986). diabetes e hipertensão (De Almeida. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. Grandi et al. No Brasil. hipoglicemiante. por causa do seu emprego. Matos. também. Já entre os ticunas. erisipela e afecções cutâneas. o chá é preparado. com muitos óvulos (Figura 27. é utilizada como anti-hemorroidal. doenças venéreas. Scoparia.3).

O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. 2001).. 1986 e 1988a. 1996). obtidos da espécie. 1997. 1993 e 1996) depressora (Freire. scopadulciol (Hayashi et al. gentísico. Torres et al.1988b). são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. 1990). 1994. benzoxazolinona. 1987. 1987 e 1988c). O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima..Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. glutinol e acacetina (Hayashi et al. sedativa e diurética (Ahmed et al.. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A.. Hayashi et al. expectorante e atóxica (Moura et al. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. acacetina. S.. Também foi detectada a presença de glicosídeos. 1988a e 1990c)... antidiabética (Jain. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. anti-séptica.. flavonas. Freire. alfa-amirina. escutelareína.. et al.. betulínico. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. escopadulciol. 1990a e 1991). cinarosídeo D.. 1998). secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al.. antiespasmódica. cumárico. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. (1981). et al. entre outros compostos (Kawasaki et al. 1993 e 1996a). antiinflamatória. 1990b). 1985). B e C (Kawasaki et al. 1990b). hipocolesterolêmica. S. 6-metoxibenzoxazolinona. 1987).. antiviral. Azevedo et al. dulcinol e ácidos dulcióico. 1991).. M... 1996b). O. 1988. Os ácidos escopadúlcico B. iflainóico. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. M. beta-sitosterol. apigenina. hipertensiva (Freire et al. 1989. antifúngica. Dalla Torre et al. simpatomimética (Freire et al.. manitol. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. anti-herpética. Hayashi e al. E. depressora do SNC. 1993 e 1996). antiinflamatória (Freire et al. (1979) e Mahato et al.. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.. antibacteriana gram-positiva. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al.

.1 . 1988b). 1978) (Banco de imagens - ... além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1997a e 1997b). 1993). FIGURA 27.vidade antimalarial in vitro (Riel et al. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.Adenocalyma alliaceum. 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1997a)... Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.

Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .FIGURA 27.2 .Pyrostegia venusta.

Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.3 . 1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.

Os gêneros estão distri- . das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. exceto na Antártida (Mabberley. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. encontradas em todo o planeta.750 espécies cosmopolitas. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte.528 gêneros. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. arbóreas. M. A. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. C. 1997). trepadeiras e ervas.28 Asterales medicinais L. Hiruma-Lima C.Ivan Martinov. Essa família compreende 1. M. Trata-se de uma grande ordem. herbáceas. Di Stasi C. Santos E. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. com aproximadamente 22. Inclui espécies arbustivas. que passamos a descrever a seguir.

Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). com ampla distribuição no território brasileiro. Novalgina e Anador. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. • Asteroideae Inula (Inuleae). Saussurea e Echinopis (Cardueae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Tanacetum. Ageratum. a Camomila. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. especialmente a Mikania glomerata. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Achillea e Santolina (Anthemideae). Baccharis e Solidago (Astereae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). Wedelia. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. o Mentrasto. Matricaria chamomila. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. conhecida como Mil-folhas. a famosa Arnica. das quais se destaca a Baccharis trimera. as várias espécies de Artemisia. Zinnia. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Aster. Calendula. Gnaphalium e Achyrocline. Mikania. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Ageratum conyzoides. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). tais como inúmeras Vernonia. as importantes Carquejas. Achillea millefolium. do gênero Arnica. Lactuca.buídos em três grandes subfamílias. Matricaria. várias espécies do gênero Bidens. gênero da famosa Calêndula. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Galinsoga. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Artemisia. Nesse contexto. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Calea. Semeio e Emilia (Senecioneae). do gênero Mikania. Arnica e Tagetes (Helenieae). Calendula officinalis. Calendula (Calenduleae). e inúmeras plantas de .

fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28.pequeno porte do gênero Eupatorium. externamente. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". de ápice e base agudas. onde foram incorporadas na medicina tradicional. inteiras. opostas.1). folhas simples. curto-pecioladas. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. apenas masculinas.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. Na região do Vale do Ribeira. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. a decocção das folhas é usada. Dados botânicos Planta anual. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. amplamente usadas na medicina popular. de pequeno porte. como cicatrizante. flores unissexuais e marginais. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. rasteira. ereta ou prostrada. com borda irregularmente serreada. oblongo lanceoladas. caule comprimido e denso-piloso. internamente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. em Minas Gerais. como antiinflamatório e. . Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl.

Dados botânicos A planta é uma erva perene. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. glabra. contendo folhas oblongolanceoladas. . além de ser anti-helmíntica. agindo ainda como antiespasmódico. como contraceptivo feminino (Mabberley. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). Aquiléia. a espécie é chamada de Novalgina. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. flores dimorfas. reunidas em capítulos corimbosos. Em outras regiões do país. com caules ramosos. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. e as centrais. sendo as marginais femininas e brancas. amarelas e tubulosas. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. no Uruguai. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. hemorroidais e pulmonares. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. Milefólio e Mil-em-rama. raras são nativas das Américas. digestivo. com até 60 cm de altura. rizomatosa.. 1997). nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. gripes e distúrbios do estômago. hermafroditas. 1982) e. dor de cabeça e dores gerais.

crenadas.2). tônica. com até 1 m de altura. a espécie é chamada de Carqueja. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. e o nome do gênero. . significa "o que não envelhece". amenorréia e gonorréia. antidiarréica. anti-reumática. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. carminativa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Baccharis trimera (Lers) DC. flores brancas ou lilases. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões do país. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. pecioladas. Ageratum. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. a espécie é chamada de Mentrasto. febrífuga. Catingade-barão. Dados botânicos A planta é uma erva anual.Ageratum conyzoides L. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Erva-de-são-joão e Maria-preta. mucilaginosa. útil contra resfriados. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. cólicas flatulentas e uterinas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. pilosa e ramosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com folhas opostas. ovadas. além de indicada para aliviar náuseas.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Carrapicho. Em outras regiões do país. Erva-picão. anti-reumático. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Erva-picão e Pau-pau. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Aceitilla. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Amor-seco. podendo atingir até 1 m de altura. Carrapicho-de-cavalo.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. estomacais e intestinais. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. estomáquico. tais como Cuambu. .Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. hipertensão. como Picão-preto. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. o deus Baco do vinho. Carrapicho-de-agulha. (Bidens pilosa L. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Macela-do-campo. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". com ampla distribuição na América do Sul. diurético e contra distúrbios renais.3). a planta é usada como tônico. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Goambu. anti-helmíntico. Picão-do-campo. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Carrapicho-deduas-pontas. Bidens bipinnatus L. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. 1926). Pirco. Piolho-de-padre. entre outras (Corrêa. bem como em vários Estados brasileiros. a decocção das folhas é usada como analgésico. derrame cerebral e diabetes. Espinho-de-agulha.

Dados botânicos Planta de pequeno porte. diurético e contra hepatite. diabetes. 1996). Vasquez. micoses. pecioladas e fendidas. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. desobstruente. antileucorréica. pentâmeras. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. 1962). a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite.4). flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. referindo-se às aristas do papilho. No Brasil. antidisentérica. glabra.. laringite. . infecções urinárias (Mejia & Reng. vermífuga e vulnerária. antiescorbútica. 1984). dismenorréia. a espécie é usada como antiinflamatório. dores de cabeça e de dentes (De Feo. leucorréia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com até 1 m de altura. significa "dois dentes". formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. 1990. 1994). antiblenorrágica. simples. 1990). 1993. conjuntivite. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. O nome.. desordens hepáticas. edema. utilizada especialmente contra icterícia. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. a espécie também é referida como emoliente. sialagoga. disenteria. bem como no combate a dores em geral Jager et al. capítulos pleiomorfos. com flores radiais liguladas. diabetes e inflamações (Corrêa. folhas opostas. No Leste da África. Bidens. Coimbra. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. diurética. hepatite. com cálice modificado. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. 1992. A planta é considerada estimulante. 1995). Na medicina tradicional peruana. ereta. ramosa. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. 1994). adstringente e considerada útil contra icterícia. Duke et ai.

A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. 1984). A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). corola com tubo interno glabro. estomáquico. . estimulante. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. especialmente do fígado. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. sudorífico. a espécie possui vários usos das folhas. de caule ereto. como Iapana. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. acuminadas. como tônico. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. digestivo. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. fruto do tipo aquênio alongado.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. angina.Eupatorium ayapana Veuten. estriado e diminuto. enquanto o sumo das folhas frescas. mas são comuns outras denominações. anguloso. lanceoladas. Em outras regiões do Brasil. folhas opostas. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Dados botânicos Erva bastante delicada. cólera. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . é considerado útil contra dores de cabeça e febre. triplinervadas. Aiapana.5). flores (20 a 30) azuis. empregado externamente na forma de banho. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. ferrugíneo e glabro.ambas não identificadas . antidiarréico e antidisentérico. visto a grande semelhança entre elas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. Japana-roxa e Erva-de-cobra. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. e contra malária. androceu com anteras levemente sagitadas. Japana-branca.

a infusão das folhas é usada contra diarréia. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. com ápice arredondado. . serradas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. O nome do gênero significa "o que é firme". assim como em todo o Brasil. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. capítulos pequenos e reunidos. podendo atingir até 1 m de altura. flores amarelas. O nome significa "feltro". Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. a espécie é chamada de Macela. que formam uma inflorescência cilíndrica. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. de ocorrência nas Américas . folhas oblongas. pequenas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. Solidago microglossa DC. a espécie é chamada de Arnica.especialmente na América do Norte . O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica.e com raras espécies na América do Sul. referindo-se ao tomento das folhas.

cálculos da bexiga e dores de dente. significa "flor com mancha". O nome do gênero. com corola curva. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. ovadas. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. comprimido com papilho aristado. o chá das folhas. Essa planta é utilizada como estomáquica. agudas. Agrião-do-brasil. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. descrito por Nicolaus von Jacquim. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. que tem mancha escura sobre a lígula. picadas de insetos e infecções. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. flores amarelas. entretanto. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. com folhas opostas. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. Mastruço e Agrião-do-norte. Spilanthes. Dados botânicos Planta herbácea. membranosas. batidas. fruto do tipo aquênio. Abecedária. Botão-de-ouro. Jambuaçu. não alado.. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. tais como Agrião-do-pará. . longo-pecioladas.6). o preparado com folhas de arruda. Spilanthes acmella Rich. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. Agriãobravo. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. vários outros nomes são usados.

Na Colômbia. Cravinho. emenagoga. Outras espécies do gênero. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Amorozo & Gély (1988) referem que o . a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. são partidas e aromáticas. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. 1980). Cravo-africano e Tagetes. a S. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Cravo-de-tufo. antigripal. opostas ou alternas. e indicada contra problemas hepáticos. digestiva. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. divindade etrúria representada como um belo jovem. desinfetante e antiasmática. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. sendo também comumente chamada de Cravo. Originária do México. em Brasília (Matos & Das Graças. T. lucida. cicatrizante. 1988). as folhas. patula e T. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. com muitos ramos. está muito bem aclimatada no Brasil.1982). narcótica. minuta. tais como T. antiespasmódica. atingindo de 60 a 90 cm de altura. bronquite. abortiva. tosse e resfriado. considerada carminativa. também são usadas como medicinais. no Pará (Amorozo & Gély. 1997). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. e seu nome vem de Tages. febrífuga.

Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. as flores possuem várias cores. bronquites e tosses. resfriados. na região de estudo. Zinnia elegans Jacq. Segundo Hoehne (1939). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. as folhas são ásperas. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". para tratar "doença que deixa o queixo duro". Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. com uso freqüente contra dores reumáticas. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. . sésseis. de Zinha ou Zínia. arroxeadas e vermelhas. Originária do México. pela abundância de flores. forte.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante.chá das folhas com alho é usado contra febres. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. incluindo brancas. anteras amarelas e estigmas vermelhos. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. o chá das folhas e flores. cordiformes. australe. opostas. com caule ereto. Nomes populares A espécie é chamada. Moça-e-velha e Canela-de-velho. rosas. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo.

Poliacetilenos. Da espécie B. B. leucoantociandinas.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. diterpenos (Saleh et al. De A.. millefolium também foram isolados ésterois. 1992).. isocariofileno.. gama-cadineno. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. alfa-felandreno. Nair et al. Herz & Kalyanaraman. 1979. 2001. 1978). deterpenos. terpenos (Verzan & El Sayed. delta-cadineno (De Marais et al.7. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. flavonas (Falk et al. 1979). Achilea. glabratum (Saleh et al. 1992b. B. 2000). hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Hoffman & Hoelzl. 1975)... beta-pineno. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. cumarinas. 1976a e 1976b). flavonas. germacreno A.. Caffmi & Demolis. 1988a e 1988b. 1976).. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1977). 1994. alfa-copaeno... 1990). 1990. 1985. B.. beta-cariofileno. 1997).4'-trihidroxi-3. bipinnatus. laevis e B.. Alvarez et al. 1991). rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow.. 1981). monoterpenos. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. De A. 1987. 1997). pilosa. 1994 e 1984. cadineno. 1987. tripartitus. limoneno. 1979). timol. 1987)... alfahumuleno. Gene et al. De A. crisosfenol D.. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.. 1986. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. Sharma & Sharma. 1986. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. Torres et al. 1987). leucantha (Wat et ai.. De Tommassi et al. 1994).. flavonóides (Shimizu et al. Debenedetti et al. Christensen et al. triterpenos (Chandler et al. 1984).. 2000). Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno.. catecolaminas. Das partes aéreas de A. 1996.. Hausen et al. 1975) e monoterpenos (Orth et al... saponinas e xantonas (Caetano et al. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. 1975.. 2002. axilarina e 5. flavonóides (Bohlmann et al. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides.. Herz & Kalyanaraman.. Wang et al. 1981.. 1980. Gill et al. Bohlmann et al. pilosa . beta-guaieno.beta-elemeno...

B.. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. 1994). chrysoanthemoides. 1987.. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. micranthum (Herz et al 1978). B. 1985). 1992). E. subhastatum (Ferraro et al. 1988b. E. 1997). 1988a.foram ainda isolados inúmeros compostos. angustifolium (Mesquita et al. salvia (Gonzalez et al. tripartitus (Christensen et al. E.japonicum. 1997). portoricense (Wiedenfeld et al. 1997). buniifolium (Muschietti et al. chinese (Zhao et al. cernuol. B.B. E.. 1986).. 1985). B. 1988c e 1988d). frondosa (Karikome et al. campylotheca (Bauer et al. 1994) e E.. bipinnatus (W B. E. altissimum (D'Agostino et al. 1987 e 1988). 1982). foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. E. B. odorata (Hai et al. frondosa. 1995) e £.. E.fortunei. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. dahlioides. 1981). 1991). Três poliacetilenos. B. tripartita (Isakova et al. 1993 e 1995). Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1992).. 1990a e 1990b).. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. rotundifolium (Hendriks et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1987... littorale (Sato et al. adenophorum (Li et al. tinifolium (D'Agostinoetal. E. 1990). ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. ternbergianum (D'Agostino et al. pilosa (Zuleeta et al. 1988. glandulosum (Nair et al. B. cannabinum (Stevens et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. E guayanum (Sagareishvili et al. E. 1991) e E. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. E. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. tais como quatro auronas. 1992). Edgar et al. 1992). parviflora.. eugenol.. 1990). ácido linoléico. E.. Liu et al.. maximowicziana. radiata e B. 1995). Pagani. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1995) E. £. 1991.. Wang et al. 1990). 1995). ferulefolius. £. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. Poliacetilenos também foram isolados de B.. dois derivados tiofênicos. erythropappum (Talapatra et al. . ácido linoléico e linolênico. 1995). 1986). E. E. 1979).

rufescens (Ruecker et al. 1986).. triterpenóides de E. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. laevigatum (Bauer et al. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. sesquiterpenos. 1988a e 1988b). 1992b.. cannabinum (Stefanovic et al.. entre outras espécies (Ding et al. odoratum foram encontrados taninos. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. De S. adenophorum. . fortuna (Haruna et al.. 1994). 1987). E. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. acmella L. 1987). adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1979). laevigatum (Lopes et al.. recurvens (Herz et al.. E. 1986).. tinifolium (D'Agostino et al. americana foram isolados monoterpenos. Uma amida. p-cimeno. mikanioides (Herz et al. E. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. Os principais constituintes do óleo essencial de E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. deltoideum (Quijano et al. cânfora. Das partes aéreas de S.. quadrangularis (Hubert et al. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1978). 1991). var. 1986b).Nas folhas de E. 1987). 1987) e E. 1992a). Diterpenóides foram isolados de E. E. 1987). espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. naginatacetona. 1993).. 1986). 1999). 1980). fenóis e saponina. quadrangularae (Hubert et al. 1987). limoneno. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. 1977). entre outros (Nakatani & Nagashima. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. odoratum (Talapatra et al. 1987).. 1980) e E. e sesquiterpenóides de E. 1990a e 1990b). enquanto em E. sitosterol. cannabinum (Zdero & Bohlmann. espilantol. E. E. 1986).. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. altissimum (Jakupovic et al. E. estigmasterol. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. Ramsewak et al.fortunei (Haruna et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. 1996). E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima.

As espécies T. T. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. 1993). T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. 1988. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann.. Pe- . 1988a e 1988b). dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. T. 6-hidroxikaempferol. 1987. T. pois somente T. patula (Ivancheva & Zdravkova. minuta são ocimeno. T. mendocina e T. minuta e T. T.. 1995).. 1987). distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. 1987).. 1988).Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 1988). 1994) e T. Tosi et al. 1990a). o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. como quercetagetina. que podem ser diferenciadas pela composição química. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. lucida (Hethelyi et al. laxa (De-Israilev et al. argentina) foram identificados quatro tiofenos. patuletrina e patuletina. erecta e T. Os monoterpenos descritos em T... rupestris (De-Israilev & Seeligmann. campanulata. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. patula. 1990b). 1993). 1987). erecta (Singh et al. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1991).. 1992).. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. T. T microglossa (Castro. Entretanto. 1990). T. Ahmad et al. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1993b). patuletina e muitos desses derivados. tais como quercetagetina. além de enxofre e fósforo. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. glandulifera) (Craveiro et al... 1985). Das raízes de T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. 1988). patula foram isolados tiofenos. No entanto.

1995).. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1988). 1980). Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. glabratum (Saleh et al. 1996) dessa espécie. glicosídeos cardíacos. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. elegans indicou a presença de Cumarina.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. As antocianinas das flores de Z... 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1987). Experimentos com A. 1988).5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. taninos. Em A. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 2001)... além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. australe (Matsunaga et al. patula foi detectada (Arroo et al.. 1991). hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1995)... o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al.. 2002) e antifúngica (Portillo et al. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. ocitocina. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. Carvalho et al.. 1988. . australe contra Plasmodium berghei em roedores.. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. a A. 1997). 1997). Nascimento et al.

1987). Porém. minor (Blume) Sherff.-ol. Bondarenko et al.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. e B.. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. as propriedades analgésica e antiinflamatória. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 2000).... 1998b. (1991). 2000). Extrato etanólico de B. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. como friedelina e friedelan-3. As folhas de A. 1980). Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa.Achila. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. 1985.. var. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. 1996). 1949). minor foi a mais . conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. pilosa.. Abena et al. B... mas Bidens pilosa var. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno.. pilosa L. imunoestimulante (Ignácio et al. pilosa (Santos et al. 1983). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 1997). As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1987. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. reduzindo a produção de prostaglandinas. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al.. Triterpenos. 1991). possuem atividade antiinflamatória. 1969). Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. à presença de saponinas (Gene et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. Bidens Experimentos com B. além de vários flavonóides obtidos de B. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto.. N'Dounga et al. Goldberg et al. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al.

cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al.. 1997). potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1996). E. balantaefolium (Almeida & Fonteles.. 1997). 1986) e diurética (Rebuelta et al.. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. La Casa et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1985).. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. O extrato hexânico de B. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. atidifolium e E. somente os extratos de B. 1977). Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. As folhas de E. 1995). pilosa L. 1986b). campylotheca apresentou. pauciflorum (Giesbrecht et al. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al.. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1989). var.ativa. morifolium e E.. tequendamense (Mantilla & Sanabria. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. E. Entretanto. Eupatorium A espécie E. 1998 e 1999). ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. 2002).. 1985). A espécie B.. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al.. pilosa L.. . gracilae.. 1996). hipotensora (Dimo et al.. 1994. brevipes (Guerrero et al. 1988) e E. consaguineum (Lopes et al.. 1994). mais recentemente. 1985).. 1995). Um composto sesquiterpênico isolado de B. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. 1995 e 1996) e.. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. densum. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. Para a espécie B. E. E. 1995). glyptophlebum. ou seja.. in vitro. E. minor e B. E.

Spilanthes Das folhas de S. Os extratos de E. larvicida (Pitasawat . A. Guerrero et al. inulaefolium (Gorzalczany et al. odoratum (Iwu & Chiori. squalidum (Carvalho et al. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic.. 1990 e 1991). Inya-Agha et al. Cáceres et al. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória.5-decadienamida. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. Herz & Palaniappan. candolleanum (Campos et al. 1995) e E. acmella foram isolados n-isobutil-4. 1985. pauciflorum. A... 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. E. E. assim como da atividade da RNA polimerase. 1995). 1992). Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.1986). 1989). A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. proteínas. 1978). 1982a). 1988. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. 1990). 1984. hyssopifolium (Hall et al.. DNA e RNA de células tumorais.. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. enquanto a espécie E. flaccida. cannabinum. 1996) e E. E. 1995)... brevipes e E. e de E. Sesquiterpenóides isolados de E. Inibição da síntese de colesterol.. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1988). halinfolium e E.. Achyrodine alata. 1998). 1991). (Giesbrecht et al... squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. Eupatorium perfoliatum. O óleo essencial de E. RNAse. 1990). Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. DNAse... que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. Piperidinas de E. ayapana (Gonçalves et al. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1991). laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio.. 1986). 1991).. cannabinum (Bourrel et al. 1986 e 1987. E. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al.. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. O extrato bruto aquoso de E. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.

enquanto o extrato de S. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais.. sendo os deri- . bem como no consumo destas (Meckes et al. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. F. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1986) e S. 1984). conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo... J. in vitro. sedativa. 1999). 1996). et al. oleracea (Herdy & Carvalho. usado como emenagogo. 1987. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. 1994). presente em muitas espécies..... 1988.... Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. 1993). 1995).et al. C. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen.. et al. et al. e o extrato de S. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. L. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica.. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum.. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. 1992). antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Camargo Neves et al. 1993). 1995). Souza. como no cravo-da-índia. folhas e flores de T.. 1989). Em S. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. 1990). mas não contra Candida sp.. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. Andrade. T. antimicrobiana. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. Em I minuta. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1992. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al.. Valderrama et al. O eugenol. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. RJ. 1998) e espilantol. 1993. (Fabry et al. O extrato de S. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1992) e antitumoral (Moraes et al.

1997). que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. in vitro. D e F.vados tiofênicos os compostos ativos. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1992). 1994). Dentre outras espécies.... 1994). lúcida estimulou discretamente. 1989).. elegans L. O extrato de T. . o óleo essencial de T.Ca2+ dependente e inibiu. 1995). presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. Os extratos hexânicos de T. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. a atividade da ATPase.. 1987). 1997). Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida.. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. in vivo e in vitro. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.. Do extrato de Z. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. 1991).. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. 1995).. Zinnia As sementes de Z. 1991). coronopifolia e T. 1996).. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al.

et al. a espécie E. 1995). T. caracterizados por diarréia. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. no entanto. hemorragia. S. As folhas de S. A. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira.. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. alopecia. congestão do baço e coração. 1988). fraqueza e debilidade dos membros. Entretanto. australe são tóxicas para aves. dispnéia. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Tremetona isolada de E. et ai.. 1994). M. Segundo Hoehne (1939). Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1990). especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. 1996 e 1997). Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E.. 1978a e 1978b). 1995).. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. V. adenophorum (Oelrichs et ai.. australe durante o período de prenhez de ratas. 1993). A ingestão regular de E. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. especialmente na fase jovem. Estudos com a espécie A. enquanto o extrato aquoso de S. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. especialmente ..

A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. b) detalhe da escanerata. FIGURA 28.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .1 . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.como diurético e hipotensor. relaxante muscular e antineoplásica.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28.

Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28.3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .

Bidens bipinnatus.FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .4 .

original).: a) ramo florido (Di Stasi .FIGURA 28.5 . b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov. 1998). .Eupatorium ayapana.

1984). .6 .Spilanthes acmella. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28.

Genipa.29 Rubiales medicinais L. como é o caso de Coffea e Cinchona. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. . algumas espontâneas nas áreas tropicais. importante fonte de espécies ornamentais. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. Coffea arábica. A.200 espécies vegetais cosmopolitas. do famoso jenipapo brasileiro. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. C. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. e Gardenia. Gelsemiaceae. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. com representantes arbóreos. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. arbustivos. alguns deles de valor histórico. Desfontainiaceae e Rubiaceae. nos quais se distribuem mais de 10. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. • Ixoroideae: Coffea. 1997). Di Stasi C. do famoso Cafeeiro.

• Rubioideae: Psychotria. Borreria e Dioidea. fonte de emetina e outros constituintes de importância. com corola de base gibosa. lanceoladas. diclamídeas. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. muito comuns em terrenos baldios. ereto. ipecacuanha. com pêlos abaixo da inserção dos estames. bicarpelar. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl.1). 1997). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley.• Antirheoideae: Guettarda. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. fruto indeiscente. Cephaelis da famosa C. com espécies popularmente denominadas Poaia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. carnoso e drupáceo (Figura 29. estipulas não foliáceas. ovário ínfero. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. Dados botânicos Pequeno arbusto. especialmente na Amazônia. Não foram encontrados sinônimos. simples. e Palicourea. importante árvore. inteira. . e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. flores hermafroditas. folhas curto-pecioladas.

frutos do tipo baga. 1994). 1995. sobretudo na região amazônica... pecioladas. E popularmente usada como medicamento. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. opostas. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. De-Moraes-Moreau et al. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. . Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. delgados. Stuart & Woo-Meng. marcgravii. 1996. Além de alcolóide. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Hil. inflorescência em panículas. avermelhadas. avermelhados. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.5 m de altura. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. fendleri (Nakano & Martin. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. 1989a). Palermo-Neto et al. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. glabros. acuminadas.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com ramos cilíndricos.. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 1976). 2001). de P. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia"..Palicourea marcgravii St. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. de onde partem folhas com venação tênue. 1999). Nomes populares No Brasil todo. (Kemmerling.

outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. 1986). Gorniak et al. 1996). espasmos musculares. FIGURA 29. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade... porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi ... e a intoxicação. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. Das folhas de P. enquanto P. midríase e morte em bovinos (Costa et al. 1995).. comum em animais e rara na espécie humana.teratogênica (Costa. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. Palermo-Neto et al. Tokarnia & Dobereiner. 1989). A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. contrações musculares. vômitos. 1988.Palicourea laniflora. P. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al.. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. náuseas. Segundo Schvartsman (1979).1 ..Banco de imagens - . os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. De-Moraes-Moreau et al. falta de coordenação motora. 1989b. Além de fluoroacetato. 1984a. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. 1989). et al.. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. 1989. 1982).

mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Lonicera e Sambucus (Barrozo. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. 1978). A família inclui inúmeras plantas ornamentais. C. Di Stasi C. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. 1997). No Brasil. A. Lonicera. . também utilizado como medicinal em todo o mundo.30 Dipsacales medicinais L. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. descrita a seguir. Os principais gêneros são Sambucus. Abelia e Linnaea. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Viburnum. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. arbustos e lianas. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia.

Floresce nos meses de julho a agosto. considerada exótica nas Américas. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. gripes fortes e varicela. usada internamente.1). além de seu histórico uso medicinal. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. dispostas em um corimbo branco. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. além de flavorizantes em vinhos. no champanhe e no catchup. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. e possuem aroma muito agradável. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. é considerada excelente diurético e sudorífico. as flores são brancas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A espécie. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. com ramos bastante lenhosos.Espécies medicinais Sambucus nigra L. . ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. Apresenta importante valor econômico. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. Na região da Mata Atlântica. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. A infusão das folhas. óleos e ungüentos.

1990. Internamente. sinusite. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. 1988)... linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al.. casca e frutos são usados para diminuir febres. gripes. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. palmítico. reumatismo e febres. 1986). para pequenas queimaduras. erisipelas e queimaduras.. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. De S. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. mirístico.. 1989. catarros. Van Damme et al. os ácidos graxos láurico. a planta ainda é indicada contra influenza. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. descrita no trabalho de Grieve (1994). canadensis foi isolado o iridóide . Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. S. 1989a). Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. oléico. nigra. esteárico.Bown (1995) refere que flores. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. cianogeninas. Kaku et al. diuréticas. tetradecênico. folhas. 2001). sudoríficas. 1989b e 1989c). externamente. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. lignanas. lectinas das cascas (Shibuya et al. heptadecênico. flavonóides. racemosa e S.

Salvia offtcinalis. nigra. O reatival. das folhas. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. 1996). canadensis (Buhrmester et al. Artemisia absinthium.. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. 1995). De S. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. O extrato hidroalcoólico de S. antiinflamatória e antipirética. 1997). Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. O extrato aquoso das folhas de S. indicado para hidropisia. Van Damme & Peumans. beta-amirina e o ácido oleanólico. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 1997).. australis. 1988). O extrato aquoso de S. que possui atividade colerética (Takeda et al.. 1997... 2000). 1992b e 1992). apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. 1997). conhecido como Sauco. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 1996. 1997a e 1997b). Sambucus nigra. Prunus spinosa. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1989). 1974). 1994). apresentou atividades analgésica. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. formosana foram isolados. 1986). e das raízes de S..morronisídeo (Jensen & Nielsen. Schoning.. Centaurium minus. mexicana. 1987). promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. Bojic & Cuperlovic. 1980). sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. e Polygonum aviculare. De S.. .. Com base nessa constatação.. 1990). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. As lectinas de S. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. Das cascas de S. 1997...

peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. 2000.. . 1999) e a espécie S.Sambucus nigra. 2002).A espécie S. FIGURA 30. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). Neto et al..1 .

cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). • 109 são usadas na Amazônica. como é o caso do Alho (Allium sativum). Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. C. entre outros. . e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Mata Atlântica. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. Dessas 135 espécies medicinais. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. da Hortelã (Menthapiperita). A maioria é nativa desse ecossistema. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro.Posfácio L.

ou seja. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. razão pela qual não foram incluídas no texto. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. apenas dezesseis são monocotiledôneas. o Coentro (Coriandrum sativum). neste livro. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. compreendidas em trinta diferentes ordens. Esse dado se torna mais importante porque. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. a Mostarda (Brassica nigra). . várias espécies amplamente conhecidas. a Camomila (Matricaria chamamila). a Calêndula (Calendula officinalis). líquens. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. 340 espécies. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis).Dessas 135 espécies medicinais. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Mamão (Carica papaya). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. a Losna (Artemisia absinthium). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. o Agrião (Nasturtium officinalis). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). a Erva-doce (Pimpinela anisum). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado.

como a de massa e a erudita. esse conhecimento se enriquece a cada dia. Finalmente. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Por isso. isto é. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. pelos mais variados grupos de pesquisadores. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. alcançando alto índice de citação. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. Sobre essas. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. e que esse conhecimento seja recuperado. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. . caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada.

Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. com dois sexos. Acuminada.Glossário de termos botânicos. Anual. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. no segundo. os estames. Fruto seco. . Arilo. Arista. com uma única semente. Aguda. Androceu. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Aquênio. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Que abraça o caule. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Axilar. Amplexicaule. Andróginas. folhas que envolvem o caule. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. indeiscente. Alternas. Planta que nasce. pelo lado interno. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Excrescência da semente. Antera. Bainha. Que fica na axila. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. o ciclo reprodutivo e depois morre. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Bianual. Hermafroditas. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Baga. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria.

Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Que se abre. em geral dois. Escandente. Fruto seco. que é o verticilo externo da flor. Carpelo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Pétala superior da corola papilionada. Cálice. Dicotiledôneas. Cada um dos apêndices. Escapo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. mas sempre terminando na mesma altura. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Diz-se da flor. Decumbentes. Com a forma de elipse. tornando-o alado. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Qualquer órgão que cai em determinado período. inseridas em um eixo comum. com função de proteção. Cariopse. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido.Bráctea. Endosperma. Cápsula. Fruto monospérmico. . Crenada. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Conjunto de pétalas. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Folha modificada que origina o gineceu. Didínomo. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. dois mais altos e dois mais baixos. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Corimbo. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Pedúnculo geralmente sem folhas. androceu ou planta que possui quatro estames. Diclamídea. Cuneiforme. Epicarpo. Capítulo. seco e indeiscente. Corola. Estilete. Caduco. Ex. Estandarte. Decorrente. Conjunto de sépalas. Planta trepadeira. Elíptico. Na forma de cunha. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Colmo.: cana-de-açúcar. Carena. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. como o fruto das gramíneas. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Camada externa do pericarpo. Estipula. Drupa. normalmente largo. deiscente. Deiscente.

Flores. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. As flores podem ser dímeras.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. complexas e variadas nas formas. trímeras. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. pentâmeras etc. Fasciculada. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. As flores são estruturas de reprodução. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Filete. Folha. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. o de corola. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. . sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. que é ramificada igualmente em forma de pincel. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Parte do estame que sustenta a antera.Estômato. que juntos constituem o perianto. e ao de pétalas.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

recebendo o nome de folíolos (ou pinais). . as folhas podem ser pecioladas ou não. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Nesses casos. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis.quando se compõem de duas ou mais lâminas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. ou com o próprio caule. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.ou composta . representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. às vezes numerosas. às vezes reduzidas. no caso das folhas compostas pinadas.quando consta somente uma lâmina .

Todas essas características. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. conforme se observa na figura a seguir. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.Finalmente. . mais aquelas apresentadas para as flores.

é constante para cada espécie vegetal. Monocotiledôneas. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Monóica. Porção alargada e achatada da folha. Glabro. Oblonga. Gavinha. Hirsuto. Desprovido de pêlos. Folículo. deiscente. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Monoclamídea. Planta ou flor com dois sexos. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Que não se abre. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Metaclamídeos. mais longa que larga. Lâmina. Inflorescência. Hermafrodita. Lobado. Fruto seco. em linhas gerais. porém presentes na mesma planta. Lóculo. Infrutescência. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Gluma. Provido de pêlos longos. Diz-se da folha em forma de círculo. Lanceolada. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. e as principais são motivadas na próxima figura. os carpelos. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Lígula. Indeiscente. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Flor com apenas um invólucro no perianto. . Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta.Folíolo. Orbicular. Gineceu. Planta que produz flores unissexuais. As inflorescências podem ser de diversos tipos. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Diz-se da folha que tem a forma de lança.

..Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. 1978).

Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Papilho. Perianto. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Cálice modificado em pêlos.Panícula. Séssil. palmítico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Estruturas com simetria bilateral. cerdas ou aristas. succínico. Podem ser monobásicos. Que forma gancho. Receptáculo. Termos químicos Acetileno. Pubescente. dibásicos. Zigomorfa. Alcalóides. Hidrocarboneto não saturado. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. oléico. cujos pêlos se entrelaçam. fórmico. fenólico e tartárico. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. . Caule subterrâneo. Uncinada. Ácido graxo. Qualquer substância de sabor ácido. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. incolor. Substâncias orgânicas. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. nitrogenadas de origem vegetal. Qualquer estrutura provida de pêlos. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Ácidos orgânicos. Pecíolo. esteárico. solúvel em água. isovalérico. mirístico. Rizoma. Verticilo. o mesmo que cacho. linoléico. gasoso. dispostas circularmente. araquídico. Conjunto formado por cálice e corola. Perene. aromáticos etc. Racemo. cáprico. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Tomentoso. característico da família Asteraceae (Compositae). Ráquis. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. gálico. com cheiro desagradável. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Ácido. Planta ou órgão denso. Exemplos: ácidos acético.

Compostos alifáticos. Exemplos: carvacrol. Uma das substâncias constituintes do amido. com caráter gelatinoso.Alcoóis. timol. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. como a quercetina. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Flavonóides. que exercem várias funções. Carboidrato. São corantes vegetais. Aldeído. estragol. Fenóis. Exemplo: p-cimeno. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). amarelos e roxos. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Amilopectina. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. onde exerce importantes funções. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Fitosterol. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. tais como os hormônios. Cumarinas. Aminoácidos. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Flavonas. Esterol. . Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Compostos orgânicos não-cíclicos. vegetais e animais. Cetonas. Catalase. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Ver esteróides. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Betaínas. voláteis. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. encontrado nos organismos vivos. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Ou hidrato de carbono. Compostos aromáticos. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. eugenol e hidroquinonas. derivados do cicloperidrofenantreno. originam as flavononas. Compostos naturais ou artificiais. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Esteróides. Líquidos incolores. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar.

derivados do fenilpropano. Lipídios. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Heterosídeo. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Substâncias que. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Mucilagens. Compostos cíclicos. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. oxidando outros compostos. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Hidrolato. Ligninas. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Hidrocarboneto. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Compostos cíclicos. Óleo essencial. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Peroxidase. . sofrem hidrólise. Lactonas. recobrindo-as com uma camada protetora. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Peróxido. Glicosídeos. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Insaturados. Líquido oleoso. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Glicídios. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. geralmente de odor agradável. Hormônio secretado pelo pâncreas. Insulina. Lignanas. pela ação de ácidos diluídos. Líquido incolor e aromático. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona.Fosfolipídio. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático.

Angina. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que reduz ou suprime a dor. Antiescorbútico. Antiblenorrógico. Amenorréia. Que aumenta ou excita o desejo sexual. que prende. a sangue). Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Capaz de promover expulsão do feto. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Queda dos cabelos. Antidiabético. Anemia. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Tumor maligno com disposição glandular. que provoca constricção. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. violenta. . Antifúngico. antigonorréico. Anticatarral. Antiespasmódico. involuntárias de músculos voluntários). Antibacteriano.Termos médicos Abortivo. podendo ser feminina ou masculina. Agregação. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Alucinação. Falta de menstruação. Antigonorréico. especialmente táctil e dolorosa. às vezes. Auticonvulsivante. Anestésico. Agrupamento. Que combate as convulsões (contrações violentas. que impede a formação de catarro. ato ou efeito de desvariar. Acne. Expectorante. Que aperta. Analgésico. calvície. Delírio. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Que reduz a capacidade de reprodução. sufocação. de um músculo ou grupo de músculos). Adenocarcinoma. aglomeração. Que suprime náuseas ou vômitos. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Adstringente. Antifertilidade. Que combate fungos. perda momentânea da razão. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antidisentérico. Afasia. doença sexualmente transmissível. Afrodisíaco. Antiemético. Dor sufocante. Alopecia. Que combate a eliminação de muco.

Que combate a formação de tumor maligno. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. quase sempre transmitida por contato sexual. inatividade. Antileprótico. Anti-histérico. especialmente bactérias. Que combate o reumatismo. que serve para o tratamento da tosse. Cálculo. Estado de indiferença. Massa inorgânica anormal no organismo animal. também chamada de paludismo. em geral acompanhada por desordens na fala. Antileucorréico. Antineoplásico. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). falta de emoção. Antipruriginoso. desinfetante. putrefação ou contaminação microbiana. Antimicrobio. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Que combate o corrimento vaginal simples. Apatia. Antivirótico. Que combate a histeria. Antitérmico. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Antinociceptivo. nos rins e/ou na vesícula biliar.Anti-helmíntico. Anorexia. Anti-hemorroidal. Antivenéreo. Redução ou perda de apetite. Que faz baixar a temperatura. Ataxia. Em geral se forma na bexiga. Que combate helmintos. Broncodilatador. Que combate tumores. doença causada pelo Treponema pallidum. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Anti-sifilítico. formada por sais minerais. Que combate micróbios. Que combate a sífilis. Que combate as doenças provocadas por vírus. Que impede a fermentação. Béquico. febre paludosa ou palustre. Relativo à tosse. insensibilidade. Antitumoral. Antimalárico. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Anti-séptico ou Antisséptico. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium).no. Antiinflamatório. Brônquios. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Que combate a lepra. Também denominado antipirético e febrífugo. Anti-reumático. Que dilata os brônquios. . Que combate as inflamações.

gripe.Carbúnculo. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. reduz a força. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Que deprime. Edema. enfraquece. Cardiotônico. Emético. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Emenagogo. Desinfetante. empachamento. Purgativo. gripe comum. sensação de peso ou queimação no estômago. Sudorífico. acompanhada de náuseas. Carminativo. Depurativo. Que alivia a distensão por gases. Dispepsia. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Dispnéia. que separa substâncias nocivas. libera a passagem de um vaso ou canal. Disfagia. Que favorece a secreção urinária. Que tem a propriedade de amolecer. Infecção por bactérias. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Eczema. Cicatrizante. Diaforético. também. Constipação. Que desentope. Congestão. Dermatite. Catártico. Prisão de ventre ou. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Que favorece ou provoca menstruação. Colagogo. do estômago etc. Que limpa. Indigestão. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Citotóxico. Que provoca vômito. reduz a excitação. dificuldade para respirar. Emoliente. Diurético. resfriado. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. do intestino. que ativa a eliminação de bile. crostas e secreção. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Respiração difícil. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. . Inflamação da pele. Que favorece o fluxo biliar. caracterizado visualmente pelo inchaço. Depressor. purifica. que previne a invasão de microorganismos. Dificuldade na deglutição. Desobstruente. estimulante da transpiração. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona.

Excitante. com bradicardia (pulso lento. Estupefaciente. Farmacoterápico. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Fitofármaco. Derrame de bile no sangue. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Hemostático. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Capaz de promover estímulos. Estimulante. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Expectorante. Relativo ao estômago. que melhora o funcionamento do fígado. Estomáquico. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Hepatócitos. Distensão por gases no intestino. Fitoterápico. que facilita as funções do estômago. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Fungicida. com vermelhidão. Eructação. que leva à perda de atividade. Relativo ao fígado. . espanto. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Que aumenta a pressão sangüínea. Que combate a febre. Que combate fungos. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Hepático. Que produz imobilidade emocional. pigmentação amarela generalizada da pele. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Glicosúria. com anemia. Relativo a hemostasia. assombro. deposição de bile nos tecidos. Fitoterapia. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Hipertensor. Ictericia. Hipocolesterolêmico. Febrífugo. Tóxico para as células do fígado. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Hepatotóxico. Flatulência.Erisipela. Que baixa a taxa de glicose no sangue. que estanca hemorragia. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. O mesmo que arroto. no estômago etc. Hipoglicemiante. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Hipotensor. Hidropisia. estado de irritação. Que estimula ou provoca a ação. Hiperglicemia. Células do fígado. Que baixa a pressão sangüínea.

que apenas exonera o intestino. Que adoça ou acalma. purgativo fraco. Dilatação da pupila. Linfocitotóxico. Que mata ou destrói parasitas. Lumbago. droga que paralisa as funções do cérebro. Grau ou índice de parasitas no sangue. dorso). tranqüilizante. Narcótico. Midríase. Infertilidade. calmante. causado por gordura. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Malária. Substância que mata insetos. Incapacidade de reprodução. Parasitemia. Lipogênico. Lenitivo. impaludismo. Dor na região lombar (costas. Que laxa ou afrouxa. Moluscicida. Lepra. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Peitoral.Impingem. que faz cessar inflamação. Relativo a peito. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Sialagoga. Laxativo. Excreção excessiva de urina. purgante. produzindo sono e alívio da dor. Tóxico para as células brancas do sangue. Estado que é tóxico ao rim. Inseticida. Poliária. o mesmo que laxante. Nefrotoxicidade. . Plaquetas. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Mutagênico. Sedativo. Lipemia. Que produz sono ou inconsciência. Maleita. Corpúsculos sangüíneos. Morféia. importantes para a coagulação sangüínea. como no caso da esquistossomose). Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Que resolve. Que produz gordura. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Que alivia excitação. Parasiticida. Resolutivo. Purgativo. afecção cutânea. que acalma.

que acalma. Zigotóxico. Vermífugo. Vulnerário. Tóxico para o zigoto. Que produz pus. bolhas. Que destrói ou afugenta vermes. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Sinusite.Sialorréia. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Próprio para curar feridas. Sudorífico. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que facilita a saída de pus. Supirativo. Tranqüilizante. Tônico. Vesicante. Revigorante. Teratogênese. Testículo. Diaforético. Que tranqüiliza. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Salivação abundante. Que provoca vesículas. .

4. Nat. seguindo-se o título do congresso. ABDULLAEV. O mesmo se aplica a teses.38. L. v. incluindose volume. nos casos em que há mais de dois autores. página e ano. 1986. 1986. n. ABDEL-KADER. • Quando se trata de livro. et al. R. (Tashk). nos casos de dupla autoria. et al. p. v.499-500. I.2. et a l j . • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. Prir. Soedin (Tashk). . simpósio ou similar.1294-7. p.60. Prir.23.871-2. 1995a. Soedin. n. v. p. Khim. os autores são citados como nos casos das revistas. p. ABDU-AGUYE.3. página inicial e página final e ano de publicação. S. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). . v. p.. Khim. p. os autores são citados no texto.12. apenas sua referência. F.5. n. nos casos de única autoria. P Lilloa.657-63.326-32.5.7-8. n. . n. N. ABE. SEELIGMANN. Os dois autores. D.l69-71. 1995. Prod.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.3. 1985. v. Biochemical Systematics and Ecology. dissertações e outras publicações do gênero. 1995. ABDALA.269-74. fascículo. et al. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. 1997. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). M. Human Toxicol. p. n.43. n.. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Um autor.

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345. 223 Bixa orellana. 475. 468-9. 96. 368 Arecaceae. 453. 373 Averrhoa bilimbi. 489 Bidens pilosa.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 475. 154 Alternanthera micrantha. 90 Apiaceae. 90-3. 202-4 . 351-2 Baccharis trimera. 79 Aristolochia. 339-40 Anacardium giganteum. 487 Alismataceae. 467. 115 Aristolochia trilobata. 480 Bignoniaceae. 56. 149. 42-3 Andropogon nardus. 474. 450. 93. 149-50 Amaranthaceae. 480. 360 Anacardium occidentale. 143 Acanthospermum australe. 62 Alternanthera brasiliana. 110 Annona tenuiflora. 68. 102. 364 Apocynaceae. 381-5. 75 Allium sativum. 463-5 Asterales. 227-8. 77 Aloe vera. 81 Arecidae. 111 Annonaceae. 119 Aristolochiaceae. 488 Bauhinia forficata. 463 Asteridae. 479. 69-74. 67. 386 Asteraceae. 449 Bixa arborea. 466 Adenocalyma alliaceum. 52. 152. 461 Ageratum conyzoides. 43 Annona muricata. 467-8. 342-3. 113-5. 458-6 Achillea millefolium. 376 Araliaceae. 65. 58. 364 Apiales. 361 Andropogon leucostachys. 113 Asclepiadaceae. 3512. 95-9. 78 Alpiniajaponica. 201-2. 377-78. 113 Aristolochiales. 65-6. 340-3. 316 Bidens bipinnatus. 79 Allamanda cathartica. 468-9. 148 Anacardiaceae. 140-1. 65. 79 Alismatidae. 465. 351-2 Averrhoa carambola. 391 Allium cepa.

481. 276-7 Cajanus cf. 82-3 Fabaceae. 235 Cecropiaceae. 471 Gomphrena globosa. 224 Hibiscus sabdariffa. 285. 206-7. 147 Caryophyllidae. 395 . 312 Ipomoea batatas. 287-8 Cassia reticulata. 394-5 Ipomoea quamoclit. 388 Croton cajucara. 236 Euterpe edulis. 298 Derris amazônica. 402-3 Cactaceae. 80. 179 Cucurbitaceae. 272 Clidemia novemnervia. 379. 292 Caesalpiniaceae. 150. 496 Dipteryx odorata. 155-6 Caesalpinia ferrea. 213. 44. 163-4 Chrysobalanaceae. 225 Guttiferales. 255 Croton sacaquinha. 230-2. 205. 275 Hydrocotyle exigua. 322 Clusiaceae. 259 Hedychium coronarium. 172 Boraginaceae. 266 Capparidales. 413-4. 237. 185. 287 Cecropia peltata. 287 Cassia occidentalis. 496 Caryophyllales. 302 Echinodorus grandiflorus. 54. 154. 286. 145 Caryophyllus aromaticus. 283. 331 Celosia argentea. 61 Heliotropium indicum. 41-2 Convolvulaceae. 297 Capparidaceae. 430. 201 Boerhavia difusa. 272. 152-3. 175 Diplotropis purpurea. 398. 441 Inga spectabilis. 490 Euphorbiaceae. 212-3. 53-4 Coutoubea spicata. 170 Chenopodiaceae. 319 Dipsacales. 470. 151-2. 386-7 Gentianaceae. 296 Fabales. 407. 281. 236 Euphorbiales. 292. 247. 210. 178 Cybianthus. 214 Himatanthus. 408-9. 265 Caprifoliaceae. 280. 315 Caesalpinia pulcherrima. 324. 282-3. 393 Cordia verbenacea. 406 Brunfelsia grandiflora. 440 Costus spiralis. 83 Eryngium ekmanii. 211. 276 Fischeria cf.Bixaceae. 299 Dillenidae. 387 Gentianales. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 366-7 Hymenaea courbaryl. 171 Gossypium barbadense. 231 Celastrales. 238 Cucumis anguria. 165. 279. mariana. 190 Cucurbitapepo. 242. 163 Chenopodium ambrosioides. 63 Heliconia. 300. 49 Cymbosena roseuna. 298 Derris floribunda. 327 Cassia multijuga. 373 Eupatorium ayapana. 259 Commelinidae. 411 Hibiscus furcellatus. indicus. 382-3. 295. 365-9. 231 Celastraceae. 301-2. 308 Dipteryx punctata. 318 Desmodium tortuossum. 46-7. 207. 284 Hyptis crenata. 299. 264-5 Cymbopogon citratus. 385 Hirtella. 215. 375 Gnaphalium purpureum. 178-9.

139 Mentha piperita. 133 Piper gaudichaudianum. 432. 334-6 Melastomataceae. 453 Peperomia elongata. marcgravii. 425-6. 420. 108 Persea gratíssima. 208 Malvaceae. 191-2. 125. 399-400. 192 Pedaliaceae. 241. 137 . 121. 156-7 Persea americana. 124. 135 Piper marginatum. 162 Portulacaceae. 425. 406 Lauraceae. 240-1 Magnoliidae. 369-72 Portulaca oleraceae. 427. 185.Jacaranda caroba. 129. 64-5 Liliales. 233 Muntingia calabura. laniflora. 121-2 Pereskia grandifolia. 126-7. lhotzkyanum.120 Piperales. 160. 238-9. 494-5 Passiflora coccinea. 158 Pothomorphe peltata. 196 Monocotiledonae. 336 Maytenus ilicifolia. 431. 131. 180. 134 Piper d. 419. 402-5 Phytolacaceae. 321 Menispermaceae. 103 Myrocarpus frondosus. 443 Liliaceae. 123. 200 Maytenus aquifolium. 61 Musaceae. 303 Myrsinaceae. 167-9. 417. 421. 431. 184-9. 493. 258 Physalis angulata. 422-3. 432 Ocimum micranthum. 120 Poaceae. 221-2. 429. 332. 435 Loganiaceae. 107 Leguminosae. 191 Lamiaceae. 122-3 Piper cernnum. 89 Malpiguiaceae. 337 Malva parviflora. 229 Musa. 415-6. 199 Passifloraceae. 432 Ocimum canum. 158-9. 42 Pogostemon patchouly. 418 Mentha viridis. 251 Lacistema. 106 Laurus nobilis. 427. 323-4 Myrtales. 192-3. 125. 130. 442 Leucas martinicensis. 414. 262 Myrtaceae. 195 Mabea angustifolia. 337 Polyscias. 434-5 Lippia granais. 87 Magnoliales. 132 Peperomia. 79 Moraceae. 181-2. 427 Ocimum gratissimum. 166 Piper cavalcantei. 64 Liliidae. 416. 204 Malvales. 422 Oxalidaceae. 60 Myristicaceae. 424. 426. 321 Nyctaginaceae. 252. 245. 495 Palicourea cf. 39. 254. 256 jatropha gossypifolia. 64 Lippia alba. 445 Mimosaceae. 447 Polygalales. 161 Ocimum basilicum. 250-1. 239-40. 389 Luffa cylindrica. 446 Origanum vulgare. 277 Leonotis nepetaefolia. 412-3 Lamiales. 350 Palicourea cf. 444 Mentha pulegium. 173 Phyllanthus corcovadensis. 332. 451-2 Jatropha curcas. 198 Lacistemaceae. 108 Petiveria alliacea. 419-20. 311 Momordica charantia. 136 Piperaceae. 161-2 Portulaca pilosa. 128. 427-8. 244-6.

221 Urena lobata. 478 Theobroma grandiflorum. 497-500 Sansevieria. 360 Scoparia dulcis. 479. 230-1 Verbenaceae. 217-9. 189. 363 Rutaceae. 400 Solanum tuberosum. 330 Pyrostegia venusta. 347. 491 Spondias purpurea. 393 Solanum paniculatum. 228 Thevetia peruviana. 453-6 Sida rhombifolia. 338 Stigmaphyllon strigosum. 227 Theobroma speciosa. 139 Rhynchanthera grandiflora. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 471 Sorocea bomplandii. 339 Schinus terebenthifolius. 412 Tagetes erecta. 326 Psydium guajava. 482. 492 Rubiales. 101. 349. 215-6. 345. 401 Solidago microglossa. 76 Sapindales. 312. 434 Violales. 55. 138 Primulales. 218. 177-8 Virola surinamensis. 325-9. 50 Sambucus nigra. 350. 354-7. 269 Rubiaceae. 409. 216 Stigmaphyllon fulgen. 361 Sterculiaceae. 58 Zingiberaceae. 132. 472. 484 Zollernia ilicifolia. 462 Ranunculales. guineense. 397-8 Solanales. 48. 474. 197 Xylopia cf. 353 Saccharum officinarum. 209 Urticales. 322 Rosaceae. 127. 457 Scrophulariales. 457-60. 338 Strychnos triplinervia. 379-85 Tiliaceae. 182 Sesamum indicum. 94-5. 473-4. 274 Psydium cf. 233-4 Spilanthes acmella. 183. 477. 492 Ruta graveolens. 271 Rosidae. frutescens. 449 Sechium edule. 226 Solanaceae. 45. 452. 103-6 Vismia japurensis. 463 Scrophulariaceae. 262 Prunus domestica. 208-9. 51 Zinigiberidae. 52 Zingiberales. 320 . 390 Symphytum officinale. 273 Rosales. 51 Zinnia elegans.Pothomorphe umbellata. 344. 112 Zingiber officinale. 213. 99. 485.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .Estúdio Gráfico (Diagramação) .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Farmacologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Campus de Botucatu. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Fisiologia. Capa: tsabel Carballo . estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.