Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira. .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos.perda da fauna e da flora. comprometimento do abastecimento de água. empobrecimento do solo. a falta de propostas decorre de um dos dois. que em sua maioria não resolvem o assunto. mas pouco se faz. se propõe e se discute sobre o assunto.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. Acreditamos que. ou significam estratégias proibitivas. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. Nos últimos anos. provavelmente. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. conse- . alterações climáticas. entre outros -. ou melhor. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. pois. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento.

como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. Nesse aspecto. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. sem dúvida alguma. entretanto.quer sejam grupos definidos. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. mas inclui ainda interesses econômicos. não se dá apenas visando à sobrevivência. como os ribeirinhas da Amazônia. permitir grandes avanços na conservação. portanto. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. os pescadores do Vale do Ribeira. como mais um produto para comercialização. seus produtos e suas relações. quer sejam comunidades tradicionais. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. Dessa forma. Nesse sentido. os moradores da floresta . É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. São eles que podem. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. Para tal.qüentemente. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. regional. Consideramos. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. atualmente. priorizadas. São eles que conhecem a floresta. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Por sua vez. a contribuição deste . contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. Essa relação. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão.

Dessa forma. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. como instituições determinantes para o avanço. Foi a partir de pesquisas que realizamos. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . considerando os aspectos aqui referidos. cada qual havia tomado seu caminho. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais.livro é um começo. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. já que dez anos haviam se passado. Não custa lembrar e salientar. na verdade. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. mais abrangente. No entanto. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. publicado originalmente em 1989. conseqüentemente. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. Começamos o trabalho. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. pagando o preço de um trabalho mais social. A equipe já não era a mesma. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. Passou da hora de a ciência e a política. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. entretanto. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. em janeiro de 1999. e também no de desenvolvimento.

assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. Por si só. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. outro importante e singular ecossistema brasileiro. a nova idéia não tinha mais como retornar. incluindo fotos de algumas espécies. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. Index Medicus. por um lado. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro.proposta original. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. buscamos informações em diversos endereços. Nessa nova etapa. No entanto. Chemical Abstracts). mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. à medida que. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. químicos.não . farmacológicos. Estado de São Paulo. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. por outro. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. pelo menos as mais citadas. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . além dos desenhos apresentados inicialmente. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e.

mas um novo trabalho. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. como é o caso da Amazônia e. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. No entanto. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. mais acessível que os artigos . que serão úteis. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. especialmente os mais ameaçados. durante todo esse período. da Mata Atlântica. mas as plantas medicinais. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. passaram a representar uma nova alternativa .todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. especificamente. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado.em artigos científicos e técnicos. não apenas catalogando espécies medicinais. sem dúvida. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. A conservação dos ecossistemas tropicais. Com essa nova concepção. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. mas com um livro. sempre foi uma preocupação constante. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. hoje.

para a conservação dos ecossistemas. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. mas pouco realizado na prática. realizadas de forma racional e sustentável. apesar de preliminar e pequena. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. Finalmente. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. Luiz Claudio Di Stasi . cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. municipais e federais) e não-governamentais.não pode ser apenas a retórica. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. Nesse sentido. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais.

que esse conhecimento seja perdido. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. Em terceiro lugar. desse modo. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. o que. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. pretendeu-se. evitando-se. Em primeiro lugar. a nosso modo de ver. realizar um estudo etnofarmacológico regional. Em segundo lugar. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais.

além dos objetivos aqui expostos. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Nesse contexto. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. e que visa. Osvaldo Aulino da Silva. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. com a promoção de melhores condições de vida para a população. juntamente com o Prof. com as atividades deste trabalho. como qualquer outra atividade humana.natural. farmacologistas etc). da qual o próprio pesquisador faz parte. Finalmente. Em quarto lugar. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. com os conhecimentos adquiridos. Por outro lado. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). realizado no município de Humaitá. Nesse contexto. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. deve ter um componente social em seu escopo. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. químicos. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. consideramos que a ciência. que potencialmente es- . objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. pretendeu-se. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir.

propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. no entanto. farmacologistas. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. portanto é urgente a sua consideração.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. estágio de desenvolvimento. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. No entanto. que podemos denominar ecológico. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. essa área requer um enfoque novo. para que o conheci- . independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. como seres vivos. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. Acreditamos. e nossa experiência é prova disso. antropólogos e químicos. além de engrandecer o trabalho. que se superando as dificuldades. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. consideramos de grande importância colocar que. propiciou um imenso prazer. estações do ano e outros). tipo do solo. clima. além de botânicos. pela sua característica multidisciplinar. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões.

preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. Luiz Claudio Di Stasi . que. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. acrescentaram uma experiência rica. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. além de tornarem possível este trabalho.mento tradicional seja devidamente resgatado. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais.

. Observa-se. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. quando se constata. e. (Cena III. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. O Brasil contribui com 120 mil espécies. apesar disso.. a grande maioria na região amazônica. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. por fim. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. mas os primeiros registros remontam a milênios. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Ato II de Romeu e Julieta . portanto. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. de um lado. Dessas. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico.William Shakespeare.

são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. a distância vencida. Profa.criteriosos. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Mas o passo foi dado. Por último. Levantamentos etnofarmacológicos. Quando dizemos criteriosos. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. como este que aqui se apresenta.Campinas) . chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Dra. enfim. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. e isso é o que importa. efeitos observados. de outro. posologia.

que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. conforme aponta Philip M. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. apesar da pobreza dos solos. No entanto. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. Dada a fragilidade desse equilíbrio. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. De fato. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. no caso da Amazônia. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. A exploração madeireira. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Fearnside. Atualmente. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. provenientes da evapotranspiração. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. que. .

que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . Prof.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. coloca às mãos dos leitores. fruto de um trabalho sério de pesquisa. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. do ponto de vista social. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. Plantas medicinais na Amazônia. Dr. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. Luiz Claudio Di Stasi. honrado em apresentar esta obra. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. ecológico e histórico. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. das quais poucas foram estudadas. julgamos altamente preocupantes: por um lado. acarreta duas situações que. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. Sinto-me. De qualquer maneira. riquíssima em espécies. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. Somada a isso. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. portanto. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. por outro.Rio Claro) . e. desde o leigo ao mais especializado. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais.

no Amazonas.Metodologia de pesquisa Apresentamos. sul do Estado do Amazonas. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. no Estado de São Paulo. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. conforme descrito a seguir: . Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Jacupiranga e Sete Barras. Vale do Ribeira. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. • Aldeia dos Tenharins. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. resumidamente.

Amazonas. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Departamento de Botânica do Instituto de . Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto).Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). No caso de material em fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Para materiais fora da fase de floração. evitando-se.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. a coleta errada do material. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Para as espécies da Amazônia. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". assim. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes.

Botucatu. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Outras informações (agronômicas. para sua identificação. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Santa Catarina. Chemical Abstracts. . priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Itajaí .Biociências da UNESP . Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Sites da Internet. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.Rio Claro. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Index Medicus (Med-line).

mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. com o tempo. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. . como havia sido feito na primeira edição deste livro.

Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. . Para cada capítulo. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . as quais se subdividem em cinco seções: . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.• Parte II .dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. que compreendem uma descrição botânica. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. em vários casos.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. • Dados químicos. incluindo: . . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . dados ecológicos e distribuição.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. • Introdução sobre a família botânica ou. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.dados botânicos e outras informações (quando for o caso).incluindo as dicotiledôneas medicinais.

encontram-se um glossário de termos botânicos. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. além de uma extensa bibliografia atualizada. .escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. de vários tipos: . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. UNESP. . formatado e montado para a inclusão neste livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. . incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Instituto de Biociências de Botucatu. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. . formatadas e montadas para inclusão no livro. • Dados toxicológicos.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas.• Dados farmacológicos. C. No final do livro. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. formatadas e montadas para inclusão no livro.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Santos L. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Guimarães C. C. Mayacaceae e Commelinaceae. algumas delas descritas neste capítulo. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. M. M. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. A. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Outras ordens botânicas como Juncales. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. Xyridaceae. Typhales. . pelo seu grande valor ornamental. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico.1 Commelinidae medicinais C. Hiruma-Lima E.

é a mais importante.A família Poaceae. A família é dividida em quarenta tribos. amido. flavonóides e terpenóides (Evans. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. Cymbopogon. reunindo inúmeras utilidades. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. Saccharum e outros. que incluem vários gêneros. e o gênero Oryza. 1996). que inclui alguns importantes gêneros. Os outros constituintes incluem alcalóides. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. do ponto de vista de espécies medicinais.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. açúcar e óleos essenciais. • Pooideae. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. ferragem. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. • Panicoideae. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). como Sorghum do sorgo. Andropogon nardus. também denominada Gramineae. • Centothecoideae. respectivamente. Arundinoideae e Chloridoideae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. Várias espécies possuem importância terapêutica. substâncias cianogênicas. ácidos fenólicos. . saponinas. Zea. que inclui os gêneros Secale e Avena. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. do famoso centeio e da aveia. cujo representante principal é o arroz. Paspalum. açúcar e trigo. gêneros alimentícios como bebidas. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. mas sem importância medicinal. subfamília que. principalmente Zea mays (milho).

Em outras regiões do país. espiguetas sésseis e fruto cariopse. os colmos são finos.K. Andropogon nardus L. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. por sua vez. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. com folhas invaginadas bastante agudas. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. os quais. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. glabros e curvados. possuindo um grande número de ramos. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Em outras regiões do país. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.5 m de altura.B.

com grande valor econômico. 1962). Capim-cidreira. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Sídró. Capim-cidrão. lineares. . sudoríficas e carminativas. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Patchuli-falso. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. formando uma touceira robusta. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. rizoma semi-subterrâneo.1). problemas estomacais e febre. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. tais como flexuosus.) Stapf. marginatus e validus. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Cymbopogon citratus (DC. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. compridas. formigas e traças. bainha larga e lígula na base do limbo. Erva-cidreira. Vervena. Capim-limão. com nós e entrenós. Capim-sidró. ásperas em ambas as faces. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Capim-cheiroso. eretas. folhas alternas. Capim-marinho.to. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor.

a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. simples. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. Matos & Das Graças. o suco do colmo da planta. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. pequeno (Figura 1. espiguetas com flores pequenas. Na região da Mata Atlântica. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al.. Cana. reumatismo e febre. hermafroditas. lineares. cilíndrico. 1980). fruto do tipo cariopse ovóide. carminativo. calmante e antiespasmódico (Barros. articulado e um pouco mais grosso nos internós. no Rio Grande do Sul. planas. como diurético.2). ásperas. folhas amplexicantes. 1982).. simplesmente. verde ou violácea. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. no Pará. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. duas vezes ao dia.Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . 1982. 1980). a infusão das folhas é usada como antidiurético. colmo arqueado na base. contra gripes. nervura central saliente e bainha espinescente. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. 1986). na forma de banho (Amorozo & Gély. Saccharum officinarum L. 1 dísticas. como calmante e antiálgico (Van den Berg. no Ceará. 1988). Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. em Brasília. gripes fortes. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. no Mato Grosso. dores de cabeça e dores musculares. ápice agudo. dores de cabeça e disenteria.

cólera.4%). contra resinados e anginas e. 1996. internamente. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. linalol. tuberculose. nerol. envenenamento com arsênico.diurético e contra hipotensão. aftas. O óleo essencial de C. farnesol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. . A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. a. contra úlceras da córnea.e b-pineno. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. externamente. escarlatina. limoneno. laurato de etila. 1997). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. como citronelal. 1986). chumbo e cobre. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. cetonas e alcoóis. 1997). geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. mentol..8-cineol. isovaleraldeído e decilaldeído. metil-heptenol. além de seus isômeros geralúal e neral. cariofileno. 1996). vários aldeídos. 1. neral. mirceno. metil-heptenona. Ming et al. rachas dos seios. 1984). terpenos e dipenteno (Costa. citronelal. erisipela. vômitos da gravidez (Corrêa.. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. neral. febres. felandreno. como o geraniol. 1981). geraniol.

geranial (45. Di Stasi et al. 1996).. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1988). 1997). 1997).Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. mirceno (12. (1985). 1986 e 1987). . analgésica (Viana et al.. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1988). citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1986. toxicológico e clínico com essa espécie. 1988).. A atividade antibacteriana de C. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho.. citratus.. não observando propriedades de interesse terapêutico. Pinho et al. 1984. 1983 e 1989a). citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. Os principais constituintes das folhas de C. 1989) e antioxidante (Lopes et al. Onawunmi & Ogunlana. 1997) e o extrato de C. anti-helmíntica (Jourdan. Com as folhas de C. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 2002). 2002. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al.. 1988). 1990).. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. Onawunmi et al. enquanto Ferreira et al. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C.... 1998). Onawunmi. O extrato metanólico de C. 1988). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho.. relatam. 1986 e 1987.. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.9%) e neral (33. Lorenzetti et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1988) antimicrobiana (de Sá et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al..8%).. (1983) referem atividade antiespasmódica. 1995). e Di Stasi (1987). aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles.. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. 1985). 2000. no entanto.

ferúlico e sinápico (He & Terashima. um álcool alifático com alto peso molecular. sedação e defecação (Ferreira et al.. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. Menendez et al. ácidos p-coumárico. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. também conhecido como Capim-cidrão. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 1999). . capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. 2000).. Dados toxicológicos O óleo de C. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. ligninas e ácidos fenólicos. 1986a).. Foi isolado também o policosanol. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. visto o grande número de trabalhos com C. Além de hipocolesterolêmico. 1997. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. 1989). apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. bradipnéia. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. 1990). De S.. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Hikino et al. Para a espécie Saccharum officinarum. citriodorus. 1988). (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos.. ataxia.. citratus. perda de postura. 1983).

b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). .FIGURA 1.Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.1 .

Saccharum officinarum. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ). .FIGURA 1.2 .

Tal uso não é comum na região amazônica. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. As espécies da família Bromeliaceae. Zingiberaceae. Guimarães C. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. C. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Hiruma-Lima L. Lowiaceae. A. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Cannaceae e Marantaceae. De todas essas famílias. importante produto de comercialização. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). . Santos E. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. M. M.2 Zingiberidae medicinais C.

inclui 52 gêneros. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. com folhas membranosas. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. destas. na qual se localizam os gêneros Zingiber. Vindecaá e Vindicáa. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Costus e Hedychium. algumas delas aqui descritas. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. larga bainha na base que envolve o caule. Alpinia. especialmente as famosas Canas-do-brejo. lâminas . nos quais estão distribuídas 1.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. e • Zingiberoideae. Curcuma. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Renealmia e Riedelia. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. com várias espécies medicinais.

androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. 1988). O gênero Costus. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. contra sarampo. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. mas com algumas espécies em regiões tropicais. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. inclui 42 espécies tropicais. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.com 20 a 40 cm de comprimento. Costus spiralis Rosc. densas com flores brancas ou róseas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico.1). Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. gineceu com ovário ínfero. contém inflorescências terminais. hermafroditas e zigomorfas. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. ápice agudo e base arredondada.5 m de altura. fruto capsular. descrito por Carl Linnaeus. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. espessas. elípticas. perianto distinto em cálice (claviforme. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. entouceirada. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. podendo chegar a até 1. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. flores em grupos com brácteas vistosas. vistosas. .

contra diarréias graves. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. descrito por Johan Gerhard Koenig. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. as inflorescências são terminais com flores brancas. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. . inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Hedychium coronarium Koen. cilíndricas. vistosas. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. na forma de infusão. sendo de fácil multiplicação por touceiras. Lírio branco e Gengibre branco. a espécie é muito utilizada como ornamento. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. A decocção de suas folhas. especialmente de origem sifilítica. incluindo a espécie aqui descrita. O gênero Hedychium. lanceoladas e coriáceas. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. em Iguape é comum a denominação Napoleão. sésseis. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. de onde partem as folhas longas.2). grandes. Em razão de sua beleza. muito perfumadas (Figura 2. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial.

e. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. contra reumatismo. externamente. . 1994). A espécie é reputada como estimulante. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. gripes e para problemas circulatórios. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. diarréias e como vomitiva. tosses. além de diversos outros usos (Bown. onde a maioria das espécies é espontânea. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. folhas alternas. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. lanceoladas. carminativa com uso na dispepsia. indigestão. C. com ampla distribuição. lumbago e cólicas menstruais. internamente. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. gripes. contra náusea. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. mas especialmente na Ásia. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. em todo o Brasil. A espécie é usada. com uma lígula membranosa bífida. flatulência e eólicas. mesmo no Vale do Ribeira. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. sendo provavelmente o local de sua origem. 1995). cólicas. de Gengibre.

katsumadai (Okugawa et al. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. 1987b). galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. 1985a e 1985b. galanolactona e (E)-8. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A.16-dial (Morita & Itokawa. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al... 1987). Cinco compostos. óleo essencial. 1987a e 1987f) e A. dihidro-5... Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. Da espécie A. 1988). taninos. 1988).6-dehidrokawaina. 1987). Foram isolados dos rizomas de A. galanga (Mori et al... 1987). constituintes fenólicos em A. 1988).. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1. nutans (Mendonça et al. galanga (Barik et al. e 5. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al.6-dehidrokawaina. humulene. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos... 1990). japonica (Morita et al. 1995).. isohanalpinona e alpinenona. 1987b).-(17)12-labddieno-15.. linalol. 1996). galanga. intermedia (ltowaka et al. speciosa e A.. Os principais constituintes dos frutos de A. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al.. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A.. De A. 1987c). flavonóides em A. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. 1988a). galanga. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1987). speciosa.. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. Os sesquiterpenos -eudesmol. (Xue et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. nerolidol. Dos rizomas de A. acetato de geranil.8cineol.

além de óleos essenciais (Mendonça et al.. chumbo. 1992). terpineol e 1. daucosterol. além das vitaminas B1. conchigera (Athmaprasangsa et al. Os frutos de A. 1997).. 1988). E. 1989). Das partes aéreas de A... C. geraniol. 1990). yakuchinona B. hanalpinol peróxido. isohanalpinol e aokumanol.. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. De A. sódio. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown.7-difenil-3. O óleo essencial das folhas e caules de A.8-cineol (Lai et al. Três novos diarilheptanóides . hanalpinona. flabellata (Kikuzaki et al. furopelargona A. As sementes possuem mirceno.foram isolados recentemente da espécie A. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.8-cineol... cálcio. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. Das sementes A. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. bornil acetato.5heptanediona. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al.. oxyphylla contêm neonotkatol. citronelol. 1997b). flavonóides (Luo et al. mirceno. magnésio. fenóis e alcalóides.. polyantha foram isolados. 1997a).. 1997a). ferro.-o1. yakuchinona A. Do óleo essencial das sementes de A. 1. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. sendo um novo. trans-bergamoteno.. 1997b) e quercetina (Wang et al. felandreno. 1996). katsumadai possui -pineno.. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1987d). 1990). isohanalpinona. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1999). manganês.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. -sitosterol. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al.. -ll(12)-eremofilen-10. B2.. linalol. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. 1994). furopelargona B. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. alpinenona. zerumbet (Xu et al. Dos rizomas de A. potássio. 1989).calixina A e B e 3-epi-calixina B . 1997). blepharocalyx (Kadota et al. A análise fitoquímica de A.. Cinco diarilheptanóides. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. sesquifelandreno e zingibereno. 1987). intermedeol e -selineno (Itokawa et al.. . zinco. decanol. pineno. l. fenchona e geraniol.

1996). Lin et al. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. é usada na culinária. 1987). Sesquiterpenos isolados de A. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. 1994). inibição da musculatura lisa. 1999). provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1996). Constituintes isolados de A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. que é um derivado do gingerol. 1987c) e A. 1988b). 1986). mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. na perfumaria. 1988. bloqueio neuromuscular. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. oxyphylla (Kyung-Soo et al. galanga (Janssen & Schefter. além de medicinal. indicando . 1972). galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. Mendonça et al. 1988). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1996). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. A espécie A. Estudos com a espécie A. speciosa. 2000).De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. japonica e A. 1997). 1985). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. sendo antiulcerogênica (Wang et al. galanga (Itokawa et al. A erva. 1999. e seu óleo. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1989). 1976) e A.

speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1996). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. O óleo essencial de A. Dos rizomas de A. 1989). 1988)... 2001). 1982). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. Mendonça et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. galanga (Itokawa et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1994). 1994).6-dehidrokawaina isolado de A.. 1988). officinarum (Kiuchi et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. ArnaudBatista et al.. speciosa. 1990).. 1998. 1982. 2002). speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. 1996). Os diarilheptanóides isolados de A. 1998). 1988. Mendonça et al. Os rizomas de A. 1992). Do óleo essencial das folhas de A.. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu.. Geraniol e isotimol isolados de A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. anticonvulsivante (Maia et al. O terpinen-4-ol. O composto dihidro-5. Estudos com a espécie A... nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. Compostos isolados dos rizomas de A. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1987c). 1988a.. oxyphylla (Chun et al. antifúngica (Lima et al. . O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 1987c) e A. também isolado do óleo essencial. 2001)... 1992). 1990). blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al.. Moraes et al. 1992). 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1988b). O extrato acetônico de A.

1992). oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. contorções.A atividade antiinflamatória de A. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 2002). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante.. hipocinese. speciosa produziu excitação psicomotora.... 1999). 1988b).. A espécie H. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. 2001... . Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. 2000). Musa e Heliconia.... A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al.. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. Surh. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. relatadas a seguir. 1999). dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000) e H. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. 2000). 2000). ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. 2002).

. laminares de grande comprimento. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. com folhas longo-pecioladas. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2.5 m de altura.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. O fruto da espécie não é usado como alimento. com pseudocaule ereto e cilíndrico.. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. com bainhas grandes. folhas longas. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. minúsculas e duras. oblongas e inteiras. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides.

onde é amplamente cultivada como ornamento. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira.podendo atingir até 2 m.Alpinia japonica. . flores reunidas em espigas. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. dando um pequeno fruto que também é comestível. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). A espécie não é nativa da Mata Atlântica. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. FIGURA 2. mas com 25% do comprimento e da largura.1 .

FIGURA 2. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).2 .Hedychium coronarium. .

família Liliaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Velloziaceae e Iridaceae. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. G. ordem Orchidales. família Liliaceae.3 Liliidae medicinais L. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Velloziales. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Gonzalez L. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Alliaceae e Amaryllidaceae. Di Stasi F. principal. Seito C. Dioscoreaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. C. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. A. Asparagales. Dioscoreales. especialmente na ordem Liliales. Liliales e Orchidales). N.

pelo grande número de espécies ornamentais. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. como é o caso da cebola e do alho.e Liliaceae. esse da importante Babosa (Aloe vera). duas espécies de grande valor econômico e medicinal. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Tulipa. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). ambas de valor econômico incomensurável. 1997). pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. especialmente do gênero Iris. Outro gênero importante é Aloe. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita.950 espécies vegetais. que passamos a descrever. A segunda. Trilium. grande fonte de espécies dessa família. Colchicum e Drimia. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Convallaria. Lillium. Alloe. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. A primeira. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). dos quais devemos destacar o gênero Allium. . Narcissus e Veratrum. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.

capsular. Era citado pelos babilônios no ano 3. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. flores brancas ou avermelhadas. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. inclusos e envolvidos por fina membrana.Espécies medicinais Allium sativum L. são utilizados de várias formas. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. ao passo que a infusão é usada contra gripes. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. tosse e também contra hipertensão. obtida comercialmente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. sésseis. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. os bulbos dessa espécie. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . na forma de umbela pedunculada. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. fruto. folhas lineares. loculicida (Figura 3. C. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. e amplamente consumido pelos gregos e romanos.000 a. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.1). Nas comunidades do Vale do Ribeira. 1995). em geral seco. que se mesclam com os bolbilhos. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. especialmente em crianças. a maioria é cultivada.

anual. Trata-se de uma espécie com usos históricos. digestivo. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. 1984). em afecções nervosas. antiasmático. reumáticas e paralíticas (Corrêa. também são utilizados como sudorífico. com inúmeras variedades e subtipos. Em outras regiões do Brasil. subgloboso. 1992). tosse. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. ao passo que a infusão das cas- . diurético. a espécie inclui vários usos medicinais. especialmente acne e micoses. bronquite. No Pará. febrífugo. com bulbo grande e solitário. gastroenterite e disenteria. histéricas. o uso externo. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola.queca. agudas. carminativo e vermífugo. Dados botânicos Erva bulbosa. arteriosclerose. para problemas da pele. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores hermafroditas regulares esverdeadas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. carnoso e com casca fina amarelo-parda. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. rouquidão. folhas radicais ocas e compridas. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. poderoso anti-séptico das vias digestivas. resfriados. 1982). como referido para o Alho. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. além do uso como condimento. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. ateromatose. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. os bulbos são usados na hipotensão. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. dispostas em umbela. Em Minas Gerais. tosse com expectoração. 1988).

as flores são tubuladas. são úteis contra edemas. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.2). onde se adaptou em quase todas as regiões do país. O uso interno de um macerado em água fria. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. podendo atingir até 1 m de altura. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. densas. internamente.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. Aloe vera L. usadas externamente. como cicatrizante. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. A manipulação dessa planta no preparo de loções. . ao passo que as folhas frescas. folhas suculentas. para acne. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. externamente. dores e infecções da pele. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. Dados botânicos Planta perene e suculenta. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. externo. descansado por 24 horas na geladeira. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. reunidas na forma de rosetas em sua base. Na região amazônica. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. lanceoladas. é considerado excelente contra úlceras. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e.

proteínas e fermentos (Costa. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. aliinase que origina a alicina. Além disso. 1997). a polpa é emoliente e resolutiva. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. Prostaglandinas A. além de evitar queda de cabelo. 1997). isobarboloina (Kuzuya et al.. Da espécie A. catártico e febrífugo. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al.. holosídeos. sativum. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. 1995). Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. alil e alil-propil. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1993). exigindo-se cuidado na utilização. 1999). saponinas esteroidais (Peng et al. . desoxialiina. 2000). vários heterosídeos sulfurados. 1995). 1986). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin..Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. 1997). 1979). sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. vitaminas A. C. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. relatando ainda que as folhas são purgativas. fitosterinas. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. 1991). 1968). (B8) e P... Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. barboloina... Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 1990). Nos bulbos também foram encontrados aliina.. B.. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. barbadensis (Saleen et al. obtidos de A. 1992). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. et al. A antro-cenona.

O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Além dessa classe de compostos. 1996). in vitro (Sheela et al. Kwon et al. 2000). Augusti & Sheela. Hikino et al. Entretanto.. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. entre outras ações que serão discutidas a seguir. hipocoleste.. demonstrou que os compostos de A. fibrinolítica. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas.. 1992). estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. 2002). rolêmica. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. 1991). Nerkar et al. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum... estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. O estudo comparativo in vitro. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. isolado de Allium sativum Linn.. antibiótica. 1995. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. cicloxigenase.. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. 1987. Por sua vez. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. Em animais com carciriogênese bucal o A. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. No entanto. 1981. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Esse mesmo efeito foi detectado . apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich.

a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. sativum apresentou também atividade antibacteriana. Mossa.. 1985).. O estudo realizado por Celini et al. 1993) e aquosos (Sato et al. 1995).5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1985. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Dababneh & Aldelamy. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al.. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1993). A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. precursor da alicina e obtido do alho.. 1981. Guevara et al. 1984.. 1982. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 2002) contra Staphylococcus aureus. 1984. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1983. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. 1994). Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al.. O extrato de A. 1980). O óleo de A. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina... 1996). 2001). mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. enquanto a associação dessa dose com 4. fosfatase ácida. in vitro. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. compostos fenólicos (Patel et al. além de atuar como . Khan et al.. Sovova et al.. contra Helicobacter pylori. O sulfóxido de S-alilcisteína. Rees et al.. 1992). 1997. Singh & Shukla.

apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. Adetumbi et al. 1993). 1980. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. alicina e sulfeto de dialila. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. (1985). Mohammad & Woodwara (1986). Kamanna & Shandras-Wkhara. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A.. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. Block et al. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. assim como as respectivas substâncias isoladas. 1978. sem. (1986). no entanto. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. 1980. 1996). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 1986) e brutos (Rees et al. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al... no entanto. Sandhu et al.. 2001). Extratos preparados com acetona/clorofórmio. metil-ajoeno. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. inibem a síntese de colesterol. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1995b).agente anticercaricida. 1993). 1993). Os resultados obtidos por Sendl et al. 1992). 1978). A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. Rotzsch et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1984. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Essas propriedades farmacológicas. 1978. (1992). Boelter et al. e não as substâncias isoladas. 1993).. assim como substâncias isoladas do alho.. 1994).

12.. enquanto Pantoja et al. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1996). (1992) com o composto ajoeno. 1986a). I. 1993b). sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. et al. 1991). M.. (1987). (1986b). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. 1997). 1996). 1993).. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali.. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. tais como a histamina (Usui & Susuki. sua condutância. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. Ribeiro et al. atividade diurética. E. 1991). sativum (Kweon et al. 1996).. 1996). de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. (1982). diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. A. como radioproteção (Reeve et al. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. principal componente antiplaquetário do alho... além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al.sos de bulbos de alho fresco (5. 1996).5. também. Por sua vez.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. 1990). natriurética e hipotensora em cão. Foushee et al. assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. 1993). Essa mesma planta reduziu a concentração .

1995). O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. sativum L.. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. um preparado à base de Curcuma longa. Allium sativum. 1992)... 1994). e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. (1996). Nepeta hindostana e ácido nicotínico. 1993. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade.. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. 1993). .. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. conseqüentemente.. Lipotab. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima... O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Chithra et al. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. Ko & Son. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. sativum ou A. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. cepa com A. ela é um excelente cicatrizante (Costa. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. in vitro. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1996). 1991). 1993). 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. (1994). et al. Extrato aquoso de A. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. Além disso. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1993). I. 1992. 1995). Para a espécie Aloe vera. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. E a mistura de A. 1990).

Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley... apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta.. 1996. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al.. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.1998).. aumento na contagem de espermatozóides. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. vera e hipotensora de A. 2000). 1991). Essa família possui pequena importância no Brasil. 1997). A atividade antiinflamatória de A. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. 2001). O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. 1997). barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. Os estudos de toxicidade de Allium cepa.. 1994). Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. Saleem et al. que inclui algumas espécies popu- .. 1995). em camundongos. As folhas de A. esses dados referem-se. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria.. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão.. contudo. 2001). Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. Entretanto. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al.

Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. saponinas esteroidais (Mimaki et al. Das . longas.. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg.. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. No entanto. e o Agave. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. brancas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. cilíndricas. na região amazônica. contra problemas hepáticos. no entanto. possui folhas carnosas. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente.. 1996). 1987). 1996 e 1997b). flores pequenas. pontiagudas e com manchas brancas. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.

e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. além de carboidratos. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. pigmentos. .em Joly.. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . cylindrica foram isolados lipídios... 1997). 1982). saponinas. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. FIGURA 3.folhas de S. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. 1986).. Das folhas de S.Allium sativum. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.1 . 1996). 1998) (Banco de imagens ).

Aloe vera. .2 .FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. As duas espécies. Mariot M. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. S. portanto. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. Triuridaceae. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. Di Stasi A. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. C. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. ainda não discutidas neste livro. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. esta segunda com uma única família. de pouco interesse para nosso estudo.

vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. também denominada Arecaceae. 1997). Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. folhas pecioladas. coriáceas.1). grandes e eretas. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. numerosas. A espécie possui as variedades floribundus. Inclui ervas perenais. muitas aquáticas ou brejosas. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. flores brancas.mico. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. e Sagittaria. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. latescentes com lâmina foliar grande. ovadas. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. rizoma grosso e carnoso. freqüentemente . nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. essa segunda inclui apenas a família Palmae. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. com caule triangular e glabro. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. espécie de grande valor econômico. contendo vasos apenas nas raízes. Aguapé.

raramente trepadeiras. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. nas costas. sífilis. como sedativo. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. e como anti-helmíntico. muitas delas usadas como medicinais. bem como gripes e resfriados. útil ainda contra artrites. reumatismo. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. Incluem árvores ou arbustos. tônica e diurética. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça.650 espécies tropicais (Mabberley. . também denominada Arecaceae. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. 2000). como ornamentais. e outras.. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. moléstias da pele e do fígado. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E.consideradas outra espécie. com folhas terminais. 1997). de barriga. especialmente contra dores de cabeça.

A família está subdividida em seis subfamílias. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. e o açaí. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. amplamente conhecido na Mata Atlântica. como é o caso de várias palmeiras. amplamente conhecida na região amazônica. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. como é o caso da Areca catechu. que inclui o famoso palmiteiro. respectivamente do babaçu e da carnaúba. Tratase de uma família de grande valor econômico e. Destaca-se o gênero Euterpe. Kobayashi et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. conseqüentemente. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. como é denominada a outra espécie do gênero. do jerivá (Joly. que incluem a piaçava e a ráfia.. 2000a e 2000b). Espécies medicinais Euterpe edulis M. 1998).. macrophyllus (Shigemori et al. Cocos. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. do famoso coqueiro da Bahia. com folhas pinadas. 2002. e o Arecastrum. especialmente da Mata Atlântica. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. outras são importantes como medicamento. chegando até 25 m de altura. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia.

internamente. o suco do caule é usado. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. como antídoto para picada de cobras. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica.nhas. . 1998) (Banco de imagens). não fosse a intensa exploração da espécie. FIGURA 4.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.1 . O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. externamente. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

são importantes como ornamentos. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Hiruma-Lima E. Na família Monimiaceae. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Na família Chloranthaceae. tais como as Magnoliaceae. M. Guimarães C. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. tais como Magnoliaceae. M. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia.5 Magnoliales medicinais C. Outras famílias dessa ordem também são importantes. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. do famoso Boldo. inúmeros gêneros são importantes. Myristicaceae e Lauraceae. A. Annonaceae. mas deve ser destacado o gênero Peumus. da qual inúmeras espécies de grande valor . Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. inúmeras espécies são medicinais. Santos L. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. C.

No Brasil. que inclui nosso Abacateiro. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. como Aniba.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Cryptocarya. 1997). que inclui os gêneros Annona. espalhadas por todo o planeta. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Annona coriacea. e Monodoroideae. Xylopia. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Xylopia e Rollinia. Graviola e outros. Laurus e Sassafras. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. 1997) e subtropicais. Aniba e Nectandra. Uvaria. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Artabotrys. A família inclui árvores. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Cinnamomum. os gêneros mais comuns são Annona. . Cabeça-de-negro. Annona cherimolia. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley.150 espécies tropicais (Mabberley. Annona reticulata. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Guatteria. e ainda outras importantes como alimento. Pinha. arbustos e lianas.

têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. espessa com saliências cônicas. amareladas. que são muito apreciados. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. alcançando até 30 cm de comprimento. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. fruto do tipo baga irregular. Espécies medicinais Annona muricata L. ovadas ou elípticooblongas. com cálice de lobos triangulares e agudos. . pecioladas. alcançando até 15 cm de comprimento. no entanto. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. Iriticum. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. com um espinho central. com epiderme verde-escura. inflorescência cauliflora. no entanto vários sinônimos são usados. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura.1). Coração-de-rainha e Nona. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. polpa branca. Araticum-ponhê. mole e recurvado. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". Araticum-punhê. tais como Araticum. que apresentamos a seguir. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Várias espécies. 1998). cordadas na base e acuminadas no ápice. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. Araticum-de-paca. as folhas são alternas. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. sucosa. com um tronco revestido por casca aromática. latescente. subglobosas. flores axilares. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita.

As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. sorvetes e geléias (Corrêa. especialmente lombrigas. especialmente na produção de sucos. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. para baixar febres. mole e branca. combatem reumatismo e abcessos. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. 1984). ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. diurético e no combate a insônias leves. podendo também ser usada na arborização urbana.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. antiespasmódicas e antidisentéricas. Além dos usos medicinais da espécie. Na Amazônia. usadas topicamente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. por sua vez. referidos a seguir. dores de cabeça e como emagrecedor. os brotos e as folhas são usados como béquicas. As folhas e raízes são consideradas sedativas. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. onde se tornou subespontânea. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. sendo depois levada para outras regiões do planeta. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. Em outras regiões do Brasil. as flores. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. 1984). as folhas cozidas. O fruto. a planta fornece madeira. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. tem grande valor como alimento. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. antiespasmódicas e hipotensivas. 1984). com importante uso potencial na fabricação de papel. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . peitorais. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite.

Na Jamaica e no Haiti. 1955. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. especialmente na África.. como antiespasmódico. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes.. 1992). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. gripe. espasmos e febres. as raízes e folhas. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. De acordo com os mesmos autores. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. tosse. Annona tenuiflora Mart. onde é usada contra tosses. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. as cascas e folhas. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. asma. 1962). hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. é usado externamente para neuralgia. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. 1987). Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. parasitas. e as sementes. foram referidas espécies desse gênero. No Peru. Esse uso. enquanto o óleo das folhas. impedindo-lhes a identificação correta. o chá das folhas é utilizada para catarro. as folhas e a casca da árvore. diarréia e como lactagogo. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. no processo de pesca. . no entanto. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. a fruta e seu suco são usados contra febre. 1962). Na Índia. Nas Guianas. inseticidas. contra diabetes. Ayensu. contra diversos parasitas (de Feo. 1978. Weninger et al. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. 1986).mas do fígado. 1990). 1993). enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. as sementes. na forma de chá.

Coagerucu. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. deiscente. alcançando até 8 m de altura. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. com duas a seis sementes (Figura 5. e copa alongada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça.2). pétalas lineares. Pau-de-imbira. O gênero Xylopia. Pindaúba. Jegerecu. aromática. Pindaíba.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. agudas no ápice. curto-pecioladas. frutescens Aubl. Pindaúva. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. tronco ereto e cilíndrico. Pijerucu. cálice gamossépalo. Malagueta e Banana-de-macaco. na região amazônica. folhas alternas. sem estipulas. Envira. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Coaguerecou. hermafroditas. Em outras regiões do Norte do Brasil. Jejerecou. Pindaíba-branca. também descrito por Carl Linnaeus. . Ibira. Breu branco ou. coriáceas.3). oblongolanceoladas. alternas e ápice cuspidado. Breu. onde parte deste estudo foi realizada. vermelho. sul do Amazonas. Coajerucu. fruto do tipo baga ovóide. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. muitas das quais usadas na medicina popular. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Nomes populares A espécie é denominada. simplesmente. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. tonturas e hipotensão. lineares. Envira-preta. com casca fibrosa. folhas ovado-oblongas. Xylopia cf. Jejerecu. simples.

A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. perenifólia e pioneira. 1998). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo uma espécie heliófita. sementes de espécies da família Annonaceae. na forma de inalação. folhas e. As sementes. são usadas como estimulantes da bexiga. própria para uso em carpintaria. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. 1984). também aromáticas. para combater resfriados e dores de cabeça. especialmente.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. como cabos de instrumentos e varas de pesca. ao passo que a decocção da casca é usada. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Na região amazônica da Colômbia. Além dos usos medicinais descritos a seguir. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. 1984). muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. raízes. como digestivo e são úteis contra catarro. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. .

especialmente como citotóxicas. anonacina-10-ona. 2002). neo-anonacina-10-ona. epomuricenina A e B (Roblot et al. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. e que são importantes representantes da flora brasileira. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. murihexocina A e B (Zeng et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). enquanto Gromek et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. denominada corepoxilona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A... 1991b).. muricina H.. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al.. Recentemente. 1993). muricatetrocina A e B. I. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. 1995b). anomutacina 1. hoviicina A. 1991).. 2 e 3 (Wu et al. cis-annomontacina (Liaw et al.. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995b).. No entanto. . 1995c). essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al... (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al.São ácidos graxos modificados. 1994a e 1994c). 1994). 1995a). os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al.. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona.. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. iso-neoanonacina-10ona. Anomuricina A e B. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. 1995e). muricatocina C e gigantetronenina.

. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae.. 1995) em Annona bullata. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. esquamostanal A (Araya et al. 1991a e 1991c). 1995). 1993b). muricata e A. bulatanocina. 1994a). três uvariamicinas.. Das semen- .. 1994c) neodesacetiluvaricina.. solamina. 1995). Cortes et al. 1993b).. 1996). Sahai et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. Das sementes da mesma espécie. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. anogaleno (Sahpaz et al. esquamosinina A (Yang et al. 1993). cherimolia. tais como reticulatina (Saad et al. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. bulatencina. 1992).. 1993).. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. cis. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. esquamosteno A (Araya et al.. 31-hidroxibulatacina. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. itrabina. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero.. 1994b). 1991). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al... cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. squamocina e almunequina (Duret et al.. 32-hidroxibulatacina.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. 30-hidroxibulatacina.... esquamona. B.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas.. reticulacinona (Hisham et al. 1994). além de esquamocina e esquamostatina A. incluindo A. 1994a e 1994b). 1994b). 1994).. anoreticuína-9-ona. C e D (Fujimoto et al.. 1991).. isoquerimolina 1. isomolvizuína 2. molvizarina e motrilina (Cortes et al. 1996). Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. 1995a). 1994).. jeteína. 1962). neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al.

Barbosa Filho et al. squamosa (Leboeuf et al. 1984).... C. 1986). de A. 1987). isoboldina e outros foram isolados de A. bullafa (Kutschabsky et al. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. cherimolia (Villar et al. squamosa (Wu. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Wu et al. 1986) e A... A. 1981). Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. Flavonóides foram descritos em A.. enquanto três amidas ácidas. 1979.... ambotay (Carazza et al... Inúmeros compostos terpenóides. 1989.. brasilienses (Casagrande & Merotti. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. et al.. salzmannii (Paulo et al. 1978). 1994). como constituintes predominantes. oxouxinsunina. cacans (Saito & Alvarenga. 1985) e A.. reticulina. 1994). 1996). squamosa (Setharaman. cherimolia (Yang et al. 1993). enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. michelalbina. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. 1995e). anolobina e asimilobina foram isolados de A. 1982a e 1982b.. Martins et al. 1976). squamosa (Krishna Rao et al. 1979. 1992.. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. enquanto diterpenos foram descritos em A. Mukhopadhyay et al. 1993) e sesquiterpenos em A. Monoterpenos foram isolados de A. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. X. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1994). montana (Wu et al. anonaína. Alcalóides conhecidos como anoretina. foram isolados do fruto de Annona muricata . X. 1970) e X.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. aromatica (Rios et al. anolatina. A. enquanto os alcalóides anonaína. A. frutos de A.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. ambotay (Oliveira et al. purpurea (Castro et al. laureliptina. Yang & Chen. Y. 1991). squamosa (Silveira et al. 1962). reticulina. 1988)... 1976). 1991). 1986). A. uma lignana ((-)-siringaresinol).. 1978)..

vasodilatadora. 1998).. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. 1990). 1991). X. uma acetogenina isolada de A.. Heinrich et al. 1995e). 1987). 1991b)... 1988. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Vilegas et al. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. De Xylopia frutescens. 1993. Di Stasi. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. A espécie Annona muricata possui. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. 1991). brasiliensis e X. corosolona 1 e corosolina 2. 1940). Lopez Abraham.. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. a casca. 1992. Carbajal et al. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.. 1991). 1979. a raiz. acetogenina isolada de Annona muricata.. aromatica. 1996. . 1925 e 1932). 1995b). antiespasmódica. Acetogeninas isoladas sementes de A. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. Anomutacina 1. 1991. 1993). Solanina. 1993. muricata e de A. 1979).. propriedades inseticidas (Tattersfield et al... 1962). 1995. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. Gbeassor et al. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. X.. enquanto extratos de folhas.. assim como outras espécies do gênero.(Wong & Khoo.. 1941. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas.... mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. 1979). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas.. Misas et al. 1991). o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Bourne & Egbe. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. Ngouela et al. obtidas de Annona muricata. muricata.

enquanto os alcalóides liriodenina. montana (Wu et al. 1993)..... laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. reticulatina. 1993) e várias outras (Jossang et al... 1980). isolados de A. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. norcoridina. 1995). (1995b). esquamona. 1993b). De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1991. 1987) e A. Y. coridina. solamina. cherimolia (Villan del Fresno et al.. C. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. cherimolia (Cortes et al. squamosa.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. oxoxilopina. 1994). A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. galucina. salzmannii.. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al.. 1995a). bulatanocina. Chang et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. Cortes et al. 1991c e 1991a). Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. anoreticuína9-ona. asimilobina.. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. enquanto alcalóides isolados de A. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína.. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. 1988b e 1988a). 1980). ... produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya.. Os alcalóides isolados de A. et al. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. respectivamente.. Esteróides de A. 1991. Hui et al. 1991). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1993b e 1994b. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. enquanto os alcalóides de A. reticulina. 1992). oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.. 1992). anonaína. 1993).. montana (Wu et al. reticulina..

1999). Extratos metanólicos de A.. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. F. Das cascas de X. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. 1996). além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. entre outras. squamosa.. como acido caurenóico. Do extrato etanólico das folhas de X. 1996. L.. discreta. Extratos etanólicos de sementes de A. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico.. A. foi caracterizada a . 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. coriaceae (Souza et al. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. atividade anticonvulsivante e analgésica. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. que determinaram efeito depressor do SNC.1983).. Rao et al. Martins et al. Trypanossoma brucei. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. 1979). et al. A. 1990. Silva. Extratos preparados também com A. O extrato etanólico da raiz de X. 1979. 1994). frutescens não apresentou atividade moluscicida. E. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. Oliveira et al. 1994).. et al. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana.. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 2001). A atividade inseticida do extrato etanólico de A. 1998). fungitóxica. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al... 1989. 1975). 1996). aromatica foi isolada atherospermidina. enquanto o extrato etanólico de A. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al.. 1993).. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. 1993). donovani... 1998). parassimpatomimética de A. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. que apresentou atividade citotóxica.. Anopheles stephensi (Saxena et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994)..

indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. anti-helmíntico e citotóxica. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. muricata e A. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. 2002). E da espécie X. 1999).. especialmente em uso crônico. (1988) para a espécie Annona muricata. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. 1988c). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A.. Em Guadalupe.. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. 1996 e 1997). muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 1962). . como inseticida. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. 2001). Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A.

Sucuba. Neste levantamento. Nozmoscada e Ucuuba-branca. 1996). e espécies do gênero Virola. como Myristica. Horsfieldia e Knema. podendo chegar a até 35 m de altura. contendo ramos carregados de folhas . Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Virola. Espécies medicinais Virola surinamensis L. usada como condimento. Sucuuba. Árvore-do-sebo. Essa família inclui gêneros importantes. Ucuuba cheirosa. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. que possuem importância do ponto de vista econômico. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Bicuíba. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. como a Noz-moscada (Myristica). 1997). mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. e também como Leite-de-mucuiba. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. No Brasil. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa.

Inclui 45 espécies de florestas tropicais. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V.. 1969. V michelli (Santos. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. S. 1984). 1989. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola.. oblongolanceoladas. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. Ferri & Barata. V surinamensis (Lopes et al. para o tratamento de câncer.. 1971). 1996.. como outras do gênero.. Martinez et al. Cassady et al. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. et al. 1996). Vidigal et al. 1997). A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. bem como -sitosterol. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. chegando até Pernambuco. V cf. 2000). 1995).. infecções. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. 1991 e 1992). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa.. com até 20 cm de comprimento. V. 1987). É uma planta perenifólia. surinamensis. V. usadas como venenos de flechas.pecioladas. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. inflamações. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. Espécie de ocorrência na Amazônia. a saber: V sebifera (Von Rotz et al.. 1987a). pavonis (Martinez et al.. A casca é usada como medicamento para aftas. 1992. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. pavonis (Marques et al. elongata . gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. L.

1993 e 1994). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. Além das lignanas. 1990). 1988).. titonina (Andrade et al. 2001).. 1990. V. pavonis. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. 1987b). A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. sebifera.. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al.. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. Das folhas de V. 1996) e V. V. V.. michellii (Cavalho et al. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V... V.. michelli (Santos et al. venosa (Kato et al. 1996. carinata e V. calophylla. A atividade analgésica de V. 1987). 1990). Alvarez et al. surinamensis. V. flexuosa (Aguirre.. Cavalho et al. calophylloidea (Von Rotz et al. Lemus & Castro. michellii foi atribuída à presença da flavona. 1986 e 1990). foschnyi (Lemus & Castro. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V... 1989).(Kato et al. V. 1992) e V. carinata e V.. 1994 e 1996. urbaniana (Reis et al. V. 1994 e 1995). V. titonina . 1996a). 1996.. 1999)..... calophylloidea (Martinez. 1995). V.. e polifenóis nas espécies V. oleifera (Fernandes et al. calophylla (Martinez et al. Andrade et al. 2001). Pagnocca et al.. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 1989) e V. 1999. A atividade antifúngica das espécies V. 1992).

donovani e V. 1996).. Ocotea. Incluem muitas espécies aromáticas. árvores e arbustos (Mabberley. 1987). cercaricida e molucicida de V.. mas não foi detectada em V. 1999). calophylla (Miles et al. amplamente usado no Brasil como condimento. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. do nosso famoso Abacateiro. 1996. carinata e V.. A família reúne grande importância econômica. Persea. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). alucinogênica de V. As propriedades antioxidante e surfactante de V. surinamensis (Lopes et al. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. elongata (Davino et al. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. sebifera. 2000). V. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. surinamensis. 1986b e 1998). Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. 1997). Os principais gêneros são Laurus. Barata et al. Licaria.. além do . do famoso Louro. V.850 espécies. 2000). Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. Sassafras. Nectandra.A atividade leishmanicida nas espécies V. porém. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. 1994). aliados ao relato de atividade moluscicida. koschnyi (Castro et al. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. dados etnofarmacológicos de V. A propriedade antioxidante foi confirmada para V.. sugerem cuidados da população quanto ao uso. 1998. pois.. todos aromáticos. duckei (Bennett & Alarcon. oleifera. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. da famosa Canela-sassafrás. 1978). 1987) e anti-hemorrágica de V. e outros. inseticida de V. tripanossomicida.

Espécies medicinais Laurus nobilis L. para combater problemas hepáticos e intestinais. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. fornecedor de alimento amplamente comercializado. deriva de lauer = "verde". lanceoladas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. e de outras espécies. e laus = "louvor". como a Canela e o Louro. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. bem como para dores de barriga. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. . folhas alternas. 1998). onde se adaptou muito bem.Abacateiro. de estômago e como emética e abortiva. 1998).costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. sendo considerada digestiva. pecioladas. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal.

Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. além de atuar como diurético e analgésico. é também usada contra febres. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. carminativas. onde se encontram as folhas alternas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. além de serem usadas contra doenças renais. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. estomáquicas. pequenas e pouco vistosas. nome dado especificamente ao fruto. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. fruto do tipo baga ovóide. flores branco-pálidas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. vulnerárias. 1984). anti-sifilíticas.Internamente. comestível. úlceras e piolhos (Bown. as folhas são usadas contra indigestão. não ocorrendo espontaneamente. diuréticas e febrífugas. contra reumatismo. reumatismo e uremia (Corrêa. ao passo que a infusão das folhas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. estimulante do apetite e contra cólicas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. analgésico. sendo comercializada em todo o mundo. . ou Persea gratíssima Gaertn. emenagogas. que envolve a semente grande e marrom. 1995). Persea americana Mill. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. com polpa verde. bronquites. externamente. lanceoladas e acuminadas. pecioladas.

Às folhas de P. 1991.. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al..8-cineol isolado de L.. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. 2002). 1987). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. americana citados acima. 1997). spatulenol. 1999).. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. Afifi et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. antiinflamatório (Ademylmi et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1991). 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. 1995. 2002). antifúngico (Domergue et al... 2002).. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 2000.. 1991. hidrocarbonetos. 2001).. 2002). Hargis et al... 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. Grant et al.. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. Carman & Handley. . Sladler et al.. 2002). A atividade antiulcerogênica de L. O 1. elemicina. 2002. A espécie Persea americana L.

Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 5. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). .1 .

1984) (Banco de imagens). .Annona tenuiflora.2 .FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

3 .Xylopia cf. .FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). frutescens: a) Escanerata do ramo florido.

No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. M. 1997.ó Aristolochiales medicinais L. A. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. no Brasil. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Thottea e Asarum. e. ao passo que na região do . predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. M. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. 1998). Joly. muitas das quais usadas como medicinais. Santos C. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Di Stasi C. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. C. Hiruma-Lima E.

Capa-homem. flores isoladas. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas.1). Dados botânicos É uma planta trepadeira. e várias com usos medicinais descritos. que lembra o feto em posição antes do nascimento. denominada popularmente como Milomem.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. sulcados e estriados. Outras denominações populares são Angelicó. pecioladas. . O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". axilares. Batarda. Mil-homens e Papo-de-peru. muitas das quais ricas em alcalóides. folhas alternas. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. hermafroditas. grandes. foi referida como medicinal. usadas como venenos. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. Calunga. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). com sementes achatadas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. e lochia = "nascimento". simples. ramos lisos. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. zigomorfas. parto. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Contra-erva. Jarrinha. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. fruto capsular cilíndrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

especialmente para combater náuseas e vômitos. 1982). simples. sudorífica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. estomáquica. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. diurética. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. os ramos são lisos. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. anti-séptica. não sendo encontrada em áreas degradadas. pecioladas. no entanto. Também não é uma espécie cultivada. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. catarros crônicos. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. gripes fortes. sarnas e orquites (Van den Berg. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. sulcados e estriados. 1984). estimulante. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. disenteria e diarréia. constipação nasal. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. excitante. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. . cicatrizante e contra úlceras crônicas. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. anti-histérica e útil contra febres graves. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. capoeiras e áreas em regeneração. as flores são isoladas e axilares.

auricularia (Houghton & Ogutveren. 1983).. 1993). 1995) e A. 1987). 1980). Chakravarty et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. gigantea (Lopes. longa (De Pascual et al.. dematilis (Makuch et al. A. clematitis (Kostalova et al. acuminata (Moretti et al. bracteata (ElTahir. esperanzae e A. versicolor (He et al. 1991).. 1991b). 1994). A. elegans (El-Sebakhy et al. tubiflora (Peng et al.. A. L. 1994). 1995) e A. 1991a). 1988).1993). versicolor (Zhang&He.. A. et al. A. 1980). A. 1991b). A. molissima (Peng. vários outros alcalóides aporfínicos de A. 1983).. nata (Moretti et al. A. A. A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. 1991). cinnabarina (Li et al.. 1980). clematitis (Kostalova et al. C. A.. 1990. Abel & Schimmer. fangchi (Tsai et al. A. 1987).. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. chilensis (Urzua Rodriguez. tais como A.. L. P et al.. A. J. 1996). A. 1992). A. 1987. 1987). A.. Higa et al. A. A.. 1985) e A.. III e IV (Houghton & Ogutveren. bracteata (ElTahir. H. indica (Piers & Tse. manshuriensis (Lou et al.. 1987). ponticum (Houghton & Ogutveren. 1984).... longa (De Pascual et al. 1996. liukiuensis (Mizuno et al.. 1995). Lopes. rotunda (Pistelli et al. 1989). 1982). A. 1995).. 1977 e 1985).. A. 1995).. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1988.. kankauensis (Wu. II. yunnanensis (Chen et al. 1979). 1987). 1988).. contorta (Lou et al. S. 1991). 1991a). 1992... kankauensis (Wu. A. rodix (Tsai et al. 1986)...Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. T. 1987. 1986b e 1986a). sendo descrito em A. clematitis (Kostalova et al. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I.. A. indica (Che et al. 1991) e de A. 1987). em A. A.. S. A. et al. A. 1995). Lou et al. M.... 1995). 1983a). 1983b). A. 1995). et al. A. 1991)... chilensis (Urzua et al. argentine (Priestap. X. A. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. A. T. Alcalóides foram isolados de várias espécies. argentine (Priestap. cinnabarina (Li. A.... A. versicolor (Zeng et al. G.. 1991. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. gigantea (Cortes et al. A. A. manshuriensis (Ruecker et al. galeata (Lopes.. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. Paiva et al. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.. 1994). A. maurorum (Kery et al. debilis (Ahmed Farag et al. raízes de A. brasiliensis (Lopes et al. rigida (Pistelli et al. . tubiflora (Peng et al. tubiflora (Peng et al. 1979) em raízes de A.. 1992).. 1992). ftiangularis (Bolzani et al. molissima (Peng et al. et al. kankauensis (Wu et al. arcuata (Watanabe & Lopes... 1992) e outros alcalóides em A. A. 1988). et al. Zhang et al.

A. Compostos como -cariofileno.. S. A. -elemeno. 1993).. 1990)... galeata (Lopes & Bolzani. 1990). 1995). Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. taliscana (Longsw et al. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1994). 1987) e A.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1980. arcuata (Watanabe & Lopes... Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . Lopes et al. e o ácido aristolóquico de A. R.. 1980). chilensis (Urzua et al. 1978). cymbifera.. 1988) e A.. O ácido aristolóquico de A. A. indica (Pakrashi & Pakrasi. 1988) e amidas em A. 1987b. 1991b). et al. copaeno. A. kankauensis (Wu. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. esperanzae. macroura (Leitão et al. T. triangularis (Ruecker et al. Lignanas também foram descritas em A.. 1979). S. A. A. birostris (Conserva et al. 1977). Urzua & Presle. 1996). gigantea e A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. et al.

A. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al.. O mesmo ácido obtido de A. e antiviral com A. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1995). 1988). gigantea (Campos et al. 1999). 2002). Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. antibacteriana. niaurorum (Kery et al. multiflora (Moretti et al. A espécie A. H.. papilaris (Maia et al.... no Sistema Nervoso Central. G... A. paucinervis (Gadhi et al. 1983). 1979). também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. Atividade mutagênica. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A..Choudhury. tulobata (Sosa et al. 1993). Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. 1999). 1985).. triangularis (Garcia.. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 1991). além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. com A. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. et al.. birostris demonstraram. Estudos com A.. 1991). 1991). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1990). 1985). 1996). determinada pelo teste de Ames. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina.. anti-séptica e cicatrizante de A. 1979). Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. 2001).. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1988). 1993).. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. papilaris (Maia et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. atividade analgésica.

cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Entretanto. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos. por suas características químicas. 1993). Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes.com 10. FIGURA 6. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Da mesma forma. . Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.Aristolochia trilobata. 50 ou 100 mg/kg via oral. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero..1 .

o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. S. Mariot W. do qual se destacam espécies como a Pimenta. lianas. Por sua vez. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. A. dos quais se destacam os gêneros Piper. epífitas. Peperomia e Pothomorphe. Di Stasi C. Portilho M. Geralmente as plantas são arbustos. C. especialmente do gênero Piper. Piper nigrum. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. 1997). e espécies me- . A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. G. onde ocorrem em abundância e diversidade.7 Piperales medicinais L. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Hiruma-Lima A. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. normalmente com células de óleos essenciais.

Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. folhas alternas. Piper longum. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. Piper angustifolium. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. como a chinesa e aiurvédica. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. as quais passamos a discutir a seguir. Piper cubeba. Nomes populares Além de Tracoaptera.dicinais de ampla utilização. ovário com um só estigma. sendo também apenas . fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Espécies medicinais Peperomia elongata H.B. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. pequenas. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. como a Piper betle (betel). muito semelhantes entre si. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina.K. O gênero Peperomia.1). Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.

a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Piper cavalcantei Yuncker. na região amazônica. pequenas. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica.obtida na área de floresta em torno da aldeia. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Peperomia rotundifolia H. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. de distúrbios do estômago. mas com pouca ocorrência. bastante carnosas e glabras. Não foram encontrados sinônimos.K. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. . Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. simples. gastrite e gripes. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Nomes populares A espécie é chamada. curtopecioladas.B.

especialmente para dores de cabeça. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. podendo chegar a até 5 m de altura. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. pendente. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. sendo a maioria arbustos. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. inflorescências do tipo espiga. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. folhas pecioladas. isoladas e levemente curvadas. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. . atingindo até 10 cm de comprimento. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Piper cernnum Vell.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. membranáceas.2). algumas lianas e pequenas árvores. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. todas aromáticas. assimétricas na base. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa.

acuminadas no ápice. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. um pouco ásperas. além de ser útil em distúrbios renais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. particularmente contra cólicas abdominais. onde a espécie é abundante. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. assimétricas na base. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. incluindo hepatite. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Em outras regiões do país. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. membranáceas. estomacais e hepáticos. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. inflorescências do tipo espiga. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. tendo distribuição por todo o Brasil.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. . especialmente contra dores de barriga. levemente curvadas.3).

Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Aperta-ruão ou Aperta-juan. pequena (até 11 cm de comprimento). Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. membranosas. com ramos glabros e cilíndricos. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. estomacais e renais. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Em outras regiões do país. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. membranácea. Ihotzkyanum Kunth. cordiformes. levemente assimétrica na base. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. pecioladas. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Bitre. Piper marginatum Jacq. r e t a . Nhandi.4). sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . alongada e fina. folhas alternas. inflorescências do tipo espiga. com ápice acuminado. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. glabra. flores .Piper cf. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil.

Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. estimulatórias (Corrêa. membranosas. como ocorre no gênero Piper.5). Malvarisco. minúsculas. diuréticas.6). andróginas. A planta é tônica. principalmente da tucundeira. um gênero da família Araceae. sialagogas. Catajé. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. formando uma falsa umbela. se ingerida. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. androceu com três estames. gineceu com três estigmas. as raízes são carminativas. . O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". fruto do tipo baga (Figura 7. 1984). peitadas. resolutiva e usada em banhos após o parto. Uma outra espécie do mesmo gênero. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. e não isoladas. descrita a seguir. flores sésseis.) Miq. os frutos são excitantes. com ápice agudo e nervação peltinérvea. bainha desenvolvida. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. contra veneno de cobra. as folhas. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. sudoríficas. ovado-arredondadas. Pothomorphe peltata (L. Caá-peuá.com brácteas triangulares. essas diferenças ficam bem claras. estomáquica. peltatas. dores de dente e blenorragias.

as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. . minúsculas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. membranosas. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas.7). fruto do tipo baga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. ovado-arredondadas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. flores sésseis. vermífugo. diurético. cordada. 1980). a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. Capeba ou Pariparoba. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. antiinflamatório externo e interno. Pothomorphe umbellata (L) Miq. bainha desenvolvida. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. andróginas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. 1984). formando uma falsa umbela. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas.

indicada populamente como antitumoral.. 1988). E. G. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al.. flavonóides (Tillequin et al. Piper Das raízes de P. vulcanica e proctorionas de P. M. Mahiou et al. B e C (Chen. miristicina. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. 2002.. Cromonas foram isoladas de P. grifolina bisobolol. 2001). compostos de grande importância farmacológica. proctorii (Mbah et al. Seeram et al. 3-hidroxi-4. 1990)... que também possui ácido grifólico. C.. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. Das partes aéreas de P. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. 1997). 2000).Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. 1994).. 1982). Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. que representa 49% dos constituintes voláteis. além de apiol. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. 1982). foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. 2001).. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. et al. 1988).. sesquiterpenos. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. marginatum foram isolados aril-propanóides. ácidos graxos (Lima et al.. De Peperomia japonica. Os alcalóides.. et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. são . Das raízes de P. 1996).. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. monoterpenos. quinonas piperogalona.

P. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das... cubeba (Badheka et al. 1986) e P.. futokadsura (Chang et al. guineense (Cole.. 1977. sendo os principais piperlonguminina. P... 1985). 1977) e P.. nigrum (Inatani et al.. P peepuloides (Shah et al. hispidum (Vieira et al. P. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- .. P. 1986). 1981) e P. hispidum (Burke & Nair. methysticum (Smith. tuberculatum (Braz Filho et al. aduncum e P. aduncum (Smith & Kassim. jaborandi (San Martin... P.encontrados com freqüência nesse gênero. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. Achenbach et al. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. 1986) e flavonas de P. lignanas de P. Pothomorphe P. P... 1986). amalago (Dominguez et al. 1986 e 1987). longum (Dutta et al. Uma quinona. hostmanianum (Diaz et al. Isolaram também neoglicanas de P.. 1985). piperlongumina.. Tabuneng et al. compostos fenólicos de P. 1980) e P. hispidum (Vieira et al. 1985) e P. 1986. P. P. 1979).. 1987). Bacillus subtilis.. Shoji et al. 1992). P. 1981).. 1982) e P clusti (Koul et al. piperidina. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. retrofractum (Banerji et al. 1980). 1987). betle (Evans et al. betle (Rimando et al. 1979).. Foi demonstrado também que P. 1987).. 1983.. 1987). galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1986. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A.. piperina. flavonóides de P. 1968). P. 1995). peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. Foram isolados diversos alcalóides em P.. sylvaticum (Banerji & Pal. 1987). lancei (Han et al. 1984). hidropiperona. Li & Han. auritum (Ampofo et al. 1986). chavicina e outros. hancei (Li et al. 1983).

O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. 1995). cicatrizante (Saad et al. e atóxica (Saad et al. V. H... 1994). 1996b). o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. H. Villegas et al. antibacteriana. 1998. do extrato (0. 1996). V. 1997). et al.. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. M. et al. B. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.. Substâncias de P.. salivação intensa. antifúngica (Lima.1-0.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. R. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo.. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.cies de Leishmania (Mahiou et al. hipotensora (Santos...v. promoveu piloereçáo. também conhecida como Língua-de-sapo.. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. lacrimejamento.. Piper Foram caracterizadas para P. Assim... 1996a).1-1 g/kg. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1996). 1996). relaxamento muscular e dispnéia. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. 2001).. 2002. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. O. R. Embora o extrato de P. apresentou atividades diurética (Santos. atuar como antialérgico e diminuir . et al. bloqueada com prazosin e ioimbina.. A administração i. analgésica (Da Silva et al.. 2002.. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 1992). Arigoni-Blank et al. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. 1997). Aziba et al. em doses que variaram de 0. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. galioides e os compostos ácido grifóico. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. O extrato aquoso de P. V. O. 2001). et al. L. S. 1994). E. hipotensora (Siqueira et al. et al. 1997).

a degranulação.. agindo como os anestésicos locais (Singh. inibindo a agregação de plaquetas. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. betle apresentou atividades fungicida. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al.. gaudichandianum.. 1986. A espécie P.. 1986 e 1988. 1987). lancei e P. Cairney et al. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos.. esta última com potente atividade (Di Stasi. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1985). 1991. e aumentou o tempo de sono (Duve. 1978. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. 1979). amalago (Pupo. Amorim et al. Di Stasi & Pupo. analgésica. Porém. larvicida (Mongelli et al. 1986). As neoglicanas isoladas de P. 2002). P. 1984. 2000). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). apresentou propriedades anestésica. Prakash.. e antiviral P.. 1985). P. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. anticonvulsivante. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. peltata. lindbergü e P. inseticida com substâncias de P. além de bloquear a transmissão neuromuscular. 1984). abutiloides. Dahanukar et al.. 1985). e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger.. antioxidante (Choudhary & Kale. 1988). 2002).. 1988). mutagênica (Chen et al. regnelli.. 1976). retrofactum (Woo et al. aduncum (Lohezic-Le et al. peltata possui atividade analgésica (Pupo. por seus constituintes químicos. Desmachelier et al. Pothomorphe A espécie P. Shen et al. A espécie P. nematicida (Evans et al. 1983). P. 1985).. 2002. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P... espasmolítica. 1988). cincinnatoris. Atualmente. 1984). 1987.. conhecida como Pariparoba. nigrum (Miyakado et al. 1984). methysticum também conhecida como kava-kava. fungicida. P. De P. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al..

1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al.. 1997. 1987). de Ferreira da Cruz et al. 1987)..1 . 2000)... Desmarchelier et al. De P. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.. 1992). umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 2002. antiedematogênica.Peperomia elongata. o que não foi observado na espécie P. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. FIGURA 7. P. umbellata L. 1995). Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. analgésica... O extrato etanólico das raízes de P. 1996).Banco de imagens . Miq. peltata (Felzenswalb et al. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. umbellata. umbellata..atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.

2 . .FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .FIGURA 7.

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. .FIGURA 7. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).4 .

FIGURA 7.Piper marginatum. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .5 .

Pothomorphe peltata. .6 . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .FIGURA 7.Banco de imagens .. .

7 . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).inflorescências Folha cordada FIGURA 7.Pothomorphe umbellata. .

A. como a morfina e outros derivados opióides. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. como é o caso da Papaver somniferum. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Hiruma-Lima C. arbustos escandentes e . das quais devemos destacar Menispermaceae. Santos E. Ranuculaceae e Papaveraceae. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. o famoso Ópio. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. algumas lianas. Pteridophyllaceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Berberidaceae. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. foram obtidos.8 Ranunculales medicinais L. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. M. M. Sabiaceae. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Di Stasi C. C.

imene. onde a planta foi referida como medicinal. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Espécies do gênero Abuta. da Mata Atlântica. aplicada no local lesado e/ou ingerida. Outra denominação é Iroba.1). Dados da medicina tradicional A casca do tronco. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. no entanto. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. típica da aldeia tenharins. Dados botânicos Planta perene. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. foi referida como planta antiinflamatória. Uma delas. assim como . Nessa família. rufescens e A. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. também denominada de Abutua. tais como A. 1997).raramente árvores ou ervas (Mabberley. folhas alternas e pecioladas. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. raspada e misturada com água. com contorno oblongo (Figura 8. fruto do tipo drupa. 1996). com ampla distribuição na América do Sul. são consideradas muito tóxicas. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. a espécie é chamada de Abuta. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. utilizadas por índios do Norte do país.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

. Farias. Além disso. J. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. raízes. 1996. Não foram observadas. 1997). Farias..parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. antiviral (Brochado et al. Uma loção contendo C. et al... Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1997). 1998. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos.. B. B. et al. 1993). as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1999.. M. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. D. L. 1987). além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. porém. argentea. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero.... Loureiro et al. L. D. 1997). GOT. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. 1996a e 1996b).. Induziu. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. 1996). in vitro.. Kern et al. Gomes et al. analgésica (Macedo et ai. et al. 1997. LDH) e o nível de bilirrubina.. 1996.. ainda. 1997). mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. 1993. 1994) e depressora do SNC (Kern et al.. 1994). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. 1996). celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. relaxante (Araújo et al. 1996 e 1998).. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Brochado et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . 1996).

aliado aos dados de toxicidade em peixes. não apenas com as espécies citadas. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. B. especialmente em uso crônico. 1972). Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1996. 1993). requer cuidados por parte da população. Extrato aquoso de A. porém. Zhang et al. S... A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. sobretudo contra helmintos. Do extrato de A. 1992). 1998).. et al. 1996).quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. confirmados para inúmeras espécies dessa família. inclui . A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. C. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu... Yang et al. O uso das espécies contra helmintos. subclasse Caryophyllidae. 1988. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. De Ruiz et al. 1995). 1989). hemorragias. 1986... Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. et al..

No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. embora várias espécies possam ser encontradas na África. . Cereus e Melocactus (Cactoideae). No Brasil ocorrem 32 gêneros. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo.400 espécies (Mabberley. com aproximadamente 1. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais.97 gêneros. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. 1978). Segundo Joly (1998). de hábito variável e geralmente espinhosas. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. suculentas. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. • Cactus. 1978). a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. são espécies perenes. que também inclui espécies medicinais. • Opuntia (Opuntioideae). Em ambos os casos. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. 1997).

sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. A goma de P. ácido galactopiranosilurônico. sendo uma homenagem ao professor N. 1990). cresce em matas e em restingas. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. arabinose. 1994). galactose. flores rosas com anteras amarelas e inodoras.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras.. 1987). O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. A espécie é originária da Argentina.. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. numerosos acúleos. fruto do tipo baga glabra. galactopiranose. guamacho possui ácidos galacturônico. Das folhas de P. glucurônico e seus metil ésteres. C. dispostas em rácimos terminais. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. F. Peiresc. lenhoso. em altitudes e também no nível do mar. . com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. além de galactose. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. oblongas e acuminadas com base atenuada. além de heteropolissacarídeos. arabinofuranose. obovóide. folhas subpecioladas. xilose e ramnose (De Pinto et al. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al.. 1986). O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. glucose. antitérmico e contra gripes e resfriados. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. galactose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. arabinopiranose.

no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. Talinum e Portulaca. 1997). . 1978). e 33 espécies (Barrozo. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. arbustos e ervas. sendo algumas pequenas árvores. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. Portulaca oleracea. O principal gênero é o Portulaca. muitas delas suculentas (Mabberley.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros.

outros usos são atribuídos à espécie. diminutivo de "porta". folhas pequenas. arroxeado e suculento. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. tais como Verduega. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. cólicas renais e . febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. dadas sua rusticidade e resistência à seca. Bodroega. e a maioria é de ervas suculentas anuais. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. Inclui três variedades principais. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. mas algumas variações de nome popular são usadas. obovadas. flores amarelas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. na forma de salada. como alimento. fruto capsular obovóide. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. as partes aéreas cruas são usadas. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. axilares ou terminais. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. Berduega e Veduega. especialmente em Portugal e na Alemanha. sésseis. pequenas. Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. pequenas. referindo-se às propriedades purgativas da planta. planas e suculentas. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos É uma erva de caule curto.

A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. de onde saem folhas alternas. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. Caaponga. emenagogos e vermífugos. Também conhecida como Beldroega. glabros e suculentos. emenagoga e eficaz contra erisipela. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. . sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". como as da beldroega. pilosas. amarga.afecções da vista. pequenas. diurética. Portulaca pilosa L. cicatrizante externa. estomáquica. Perrexi e Alecrim-desão-josé. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. lanceoladas. vulnerária. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. as sementes passam por diuréticos. flores amarelas. emoliente. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. As folhas dessa planta também são comestíveis. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas.

1992). 1996). 1991). 22:6ômega-3. . ácido ascórbico. manganês.4. 1996). 1992). como sitosterol. 1995b). fósforo.. 1988). pilosanol A. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis.. 1991.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea.. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. ascórbico. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al.. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. (1991) detectaram de R oleracea 3. 1990). Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. butirospermol. três diterpenóides transclerodânicos. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. B e C. Boschelle et ai.. 1995. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. cálcio.. potássio e cobre (Mohamed & Hussein.. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P.. 1994). oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. málico. ferro. P. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. campesterol e stigmasterol. 1991). hidrocarbonos e alfa-tocoferol. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol... 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 1991). sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai.. malônico. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. Simopoulos et ai. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. Boehm & Boehm. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. sendo o último composto um glicosídeo. oleracea de proteínas. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. pilosa (Ohsaki et al. 1996).5% de lipídios.. carboidratos. cycloartenol. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. ácido linoléico e ácido palmítico. isolados das raízes de P. succínico. parkeol. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. dentre os quais 18:3-ômega-3. fumárico e acético (Gao & Liu.

O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. O extrato de P.. De P. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm.. grandiflora Hook. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989). 1989). n-triacontano. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1989.. 1987). apresentou atividade hipoglicemiante. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. oleracea foi investigado in vitro. 1994). encontrado por Rocha et al. 1987).De P.. (1994). 1993. diurética (Rocha et al. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. 1994). 1989b) e hipotensora (Poli et al.. . mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. P. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1997).. enquanto das partes aéreas de P. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. Rocha et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. oleracea.. dentre outras espécies.. 1995). 1993).. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. beta-sitosterol. sem alterar a diurese. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. lupeol. 1996). Habtemariam et al.. 1985) relaxante muscular... o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. stigmasterol. 1989). 1989).. n-hexacosanol. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+.

Erva vomiqueira. 1978).Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Anserina vermífuga. Caacica. extremamente ramificado. Salsola e Atriplex.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. pequenas árvores. Lombrigueira. Também é chamada de Ambrósia. Inclui arbustos.5 m. 1997). ervas anuais ou perenes e. A família se subdivide em quatro subfamílias. Mentrasto e Mentrusto. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Salicornia. raramente. sendo uma planta extremamente . em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Menstruço. Ex Stend. No entanto. Erva-das-lombrigas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. oblongas denteadas. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. caule ereto e glabro. Erva-das-cobras. ramos folhosos verdes com folhas alternas. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Spinaceae. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. que pode atingir até 1. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert.

seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. em altas doses. percevejos. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. lesões hepáticas. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. a maioria de ervas. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. referindo-se às folhas lobadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. para problemas da pele. 2002. externamente. extremamente útil para afugentar pulgas. dor ciática e parasitas intestinais e. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. ao passo que a infusão das folhas é usada. baratas e demais insetos. contra reumatismo.) . 1978. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. como abortiva. 1985a e 1985b. amplamente disseminado nas zonas rurais. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". internamente. Além desse uso.. esse uso é comum também em outros países. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. Melito et al. incluindo a Amazônia. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. bronquite.. Godano et al. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. febre. 1995).. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. especialmente na área veterinária. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. sendo especialmente útil como vermífugo de animais.

. Bougainvillea. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. em trinta gêneros. de onde partem folhas pequenas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. mas não antocianinas (Mabberley. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. incluindo árvores. Guapira e Andradea.3). pilosas e pecioladas. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Dos gêneros. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. nome usado em todo o Brasil. Pisonia. ovadoblongas. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Boerhavia. arbustos e ervas que produzem betalaínas. distribuídas. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Pega-pinto e Tangaraca. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. opostas. 1997). químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Mirabilis. a espécie é conhecida como Erva-tostão. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Mirabilis e Bougainvillea.

1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi.. Rawat et al. 1996. especialmente a raiz. arbustos. 1999)... antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. possui sabor picante. além de ser considerada excelente diurético. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. 1999). 1990 e 1991). 1991.. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. 2000a). Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. cujos efeitos benéficos são incontestáveis.. 1978 e 1980. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Corrêa (1984) refere que a planta. particularmente contra lombrigas. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1997).. sendo árvores. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1997). e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1996) e lignanas (Lami et al. 1995). sem efeito teratogênico (Singh et al. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. lianas ou ervas. 1991). sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Sohni et al. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Aslam. atóxica.

1984). também é comum. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. agudas no ápice e estreitas na base. folhas curto-pecioladas. que inclui uma única espécie. na Bahia. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. Gambá-tipi. inchaço de mem- . antiespasmódica e reputada como sudorífica. O uso externo das folhas novas e da raiz. alfavacão. estipuladas. Tipi-verdadeiro. fruto aquênio cilíndrico. limão de cayanna. ereto. em decocto ou pó.como ornamentais. Dados botânicos Subarbusto perene. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. raízes e ramos são considerados emenagogos. Outros dados incluem o uso da raiz. membranosas. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. no Mato Grosso. Amansa-senhor. sublenhoso. Pipi. folhas. e o gênero Petiveria. Em outras regiões. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. pequenas. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. diurética. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. como abortiva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. alternas. delgados e ascendentes. no alívio de dores musculares. achatado e carenado (Figura 9. em Pernambuco e em São Paulo. androceu com quatro estames. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. flores sésseis. ramificado com ramos compridos. no Rio de Janeiro.4). farmacêutico e amante da natureza. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. gineceu unicarpelar com ovário súpero. como Tipi.

T. 1997. ácido lignocérico. a raiz é útil na amenorréia (Agra. lignoceril álcool... a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. pinitol. beta-sitosterol. 1990). 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. além dessas indicações. em Brasília e no Mato Grosso.7-di-O-metilpinocembrina. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. 1988.. 1992). S. M. no Rio Grande do Sul. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1982).. et al. 1982). C. 1988. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. em Minas Gerais. trisulfeto de dibenzila. nitrato de sódio. 1988).. Van den Berg. Grandi et ai. dores de cabeça.. 1986). T. 1980). 1988. 1989) e depressora do SNC (Lima. ácidos palmítico. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina.. Pinto C. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. et al. como abortivo. M. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. ainda. et al. 1988b). .. paralisia.. esteárico. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. na Paraíba.. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. glicina e alantoína (Sousa et al.. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. beta-sitosterol. Trotta et al. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. C. trans-N-metil-4-metoxiprolina. 1988). Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. as raízes são usadas na hidropsia. De Lima et al.. 1980). 1986).bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg.. De Souza et al. 1982. 1982). as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. alantoína. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. 1990).. flavonóides. triterpenos (Delia Monachi et al. peptídeos como ácido glutâmico. no Ceará. 1998). 1980. reumatismo. linoléico. serina.

1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. Takahashi. 1991. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. 1988... 1991). 1991).. citotóxica. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1988. .. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. com uma D L m a de 1. Y... 1984). outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1998). Guerra et al. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al.. Germano et al. 2001).. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 1993). atividades analgésica (Thomas et al. M. hematopoiética (Quadros et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico.. No entanto. Davino et al.. efeito zigotóxico (Guerra et al. 1990). P. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. e o de caule... 1997) e antifungica (Benevides et al. 1998).. antiinflamatória oral (Germano et al.. 1994)... estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1987) e antiviral (Ruffa et al.. 1988). 1991 e 1992).. 1991.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al.. 1992). além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1989. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1995).. Caldeira et al. 2002. 1989. O extrato hidroalcoólico de P. acaricida (Johnson et al. afasia e até à morte (Corrêa.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 2050 aci02). 1993.. Cortez et al.. 1994). por levar à imbecilidade. Malpezzi et al. et al. Davino et al... Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. 1996) e antitumoral (Davino et al.. 1988. Elisabetsky et al. Lopez-Martins et al. 1993. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. utilizado popularmente como vermífugo. alliacea.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

3). capoeiras e na beira de estradas. com caule anguloso. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. membranosas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. e sua raiz.a cinco lobos. folhas pecioladas. É uma importante espécie econômica. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. especialmente após o cultivo sistematizado. 5-lobadas e raramente com mais lobos. O nome do gênero Sechium. flores amarelo-claras. é uma variação de sicyos. com até 20 cm de comprimento. foi dado em homenagem a John Wilbrand. mas ásperas. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. sendo um produto amplamente comercializado. flores amarelas esbranquiçadas. ramoso e delicado. que significa "pepino". nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. e o nome. sulcado. fruto do tipo pepônio verde. alternas. longos. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. Wilbrandia ebracteata Cogn. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). rugoso. como em formações secundárias. descrito por Patrick Browne. Wilbrandia. . como Cabeça-de-negro. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. O gênero inclui apenas seis espécies. especialmente na Itália. e muitas variedades em cada espécie.

Co. momordicinina e momordicilina.76% de lipídios.... 1995. 1996.. 1989. Das folhas de M. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Dos frutos frescos de M. 1988. divididos em lipídios não-polares (38. charantia . momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Dos frutos verdes de M. 1996. como laxativo (Farias et al. 1996).. De M. 1991. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. 1989. 1990). proteínas.. glicolipídios (35. sífilis (Almeida et al.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. charantia também foram isolados triterpenos. Foram isolados também cicloarterol. Foram isolados ainda das sementes de M. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. Além disso.. também. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1992). taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.. Zheng et al. Das sementes de M.. Nguyen. Das sementes de M. Grondin et al. Huang et al. 1990. 1986).. 1996). charantia foi isolada a gama-momorcharia. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Kusmenoglu. além das momordicinas (Fatope et al... afecções da pele. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. Mn e Li (Peng & Li.80%) e fosfolipídios (16.. 1997). assim como no controle da diabetes. charantia foram isolados os triterpenos momordicina.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1992). charantia foi determinada como 0. Das sementes de M. ácido linolênico. 1996. 1985). Wang et ai. 1989). 1997). A composição química do fruto de M. 1996). Chandravadana et al.. reumatismo. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. Cr. Zn.40%)... 1987). ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. tumores e. Ni.81%). Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al.. além do esterol. sendo o cucurbita-5. 1990a). Chang et al.. Hara et al. charantia também foram isolados vicina.

aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos.. 1995). balsamina (De Tommasi et al. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico.. pelas G. . as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. Das sementes de M. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. 1993). balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). pela E e. também foram detectados em Aí. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. sesquiterpenolactonas e taninos. Aí. posteriormente. esteárico. além de possuir óleo essencial (Guerrero. seguidas. 1987). rigorosamente.vicine. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. contendo trinta carbonos. foetida (Mulholland et al. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1997). 1993). triterpenos tetracíclicos. 1994).. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. As sementes possuem 50% de óleo. Geralmente. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. H e I (Miro. além de uma resina (Volák & Stodola. isolados das partes aéreas. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. oléico. charantica. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. dioica eM. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1990b). também descrito em M. 1987). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. 1995). 1990).. além do ácido rosmarínico. 1990). 1994). charantia. Dos frutos de Aí. 1991).

Athar et al. 1986. (1986). charantia (Rathi et al. Pugazhenthi & Murthy. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. 1982a e 1982b). charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.. 1984. 1983a e 1983b) e .. 1981. Ahmad et al. 1993). 2002) (Jilka et al. 1980.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. da síntese protéica. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. 2002). Raman & Lau. 1982.. 1997). Inibição da síntese de RNA.. 1996). Além disso.. extratos brutos de folhas. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos.. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica.. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al.. antiviral (Takemoto et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. O suco dos frutos de M. Platel & Sirinivasan. (1994). 1987). Welihinda et ai. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti.. 1996. DNA. 1996. parâmetros hematológicos permaneceram normais. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. decocto das folhas e suco de M. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. 1993). Ng et ai.. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. O extrato etanólico de M. El-Gengaihi et al. 1983)... Karunanayake et al. 1996. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.

impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. charantia.. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1983). charantia. L. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. 1993). As proteínas inativadoras de ribossomos. 1990).. 1994). Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. charantia. A glicoproteína isolada das sementes de M. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al.. na qual descreveram a momorcochina. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.. 1987. isoladas de sementes de M. isoladas dessa espécie.. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1995b). charantia) inibe a integrase de HIV-1. Ng et al. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al.. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.. charantia. alda-momorcharina. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. uma proteína inativadora de ribossomos.. Wang et al. antitumoral. 1994). charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. charantia. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. Fong et al.imunomoduladora (Spreafico et al. et al. incluindo M.. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. 1990).. proteínas inativadoras de ribossomos. pulmonares e da mama (Rybak et al. . 1993). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. 1990a). momordina 1 e momordina 2. Os frutos e sementes de M.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. 1996). A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. 1995). quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos.. 1996).

1990. MAP30 isolado de M. et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn.. 1990. De M. Misra et al. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al.. 1997). 1987). não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1987).. antiancilostomose (Berchieri et al. Os frutos de M. Basaran et al. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. (1984 e 1985). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. No entanto. charantia foi isolado ginsenosídeo. O extrato aquoso da folha de M. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1996). 1990).. 1988). Foram isoladas duas proteínas de M. 1996). 1994)...Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. Embora indicada contra malária. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1996).. charantia (Silva. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. 1995). 1991). 1994). De M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al.. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. Apesar da indicação popular para inflamação. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. Dos frutos verdes de M. A M. M. 1996).. L. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M.. Amorim et ai. 1995). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . Das folhas de M..

charantia (Sankaranarayanan &Jolly. anti-helmíntica. antitumoral. De M. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. Trichosantina. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1984. 1995. tais como antioxidante. 1991). charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1989. 1994).. diminuição da pressão arterial. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle.. citotóxica. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. hipotensora (Gordon et al..atividade hipoglicemiante. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. Pagotto et al. 1993). inúmeras atividades farmacológicas são referidas. do que o extrato de M. 1993). podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. 1986b).. diarréia.. antimicrobial. Proteínas isoladas de M... 1993).. Outras atividades também foram descritas para a espécie. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1996).. Jensen & Lai. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1997). hipovolemia. 1995). 1997 e 1999). Peters et al. 1991). Teixeira. em rato.. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. C. Miró. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. tais como antiinflamatória. 2000) e antimutagênico (Yen et al.. 2001). Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. Hamato et ai. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. anticoncepcional.. 1995. et al. Além disso.. O extrato alcoólico de M. 1995). . 1995.. 1996). De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi.. A.. 1986). inibição da ovulação. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. 1995.

. A toxicidade do fruto de C. 1986. 1992). o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado.... 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. Raman & Lau. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. Os frutos de M. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória... charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. Em ambos os casos. Chan et al. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. El-Gengaihi et al. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1997). 1987). sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. Platel & Sirinivasan. 1996. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.. 1996. 1986). A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai.. charantia em enzimas hepáticas. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. . especialmente por gestantes.6 mgAg. 1994). recentemente.. 1988). Das sementes de M.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1996. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. 1986). Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1990). cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. angaria foi de DL50 = 1.

Dados botânicos Árvore de pequeno porte.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. ovário unilocular. folhas simples. semente com endosperma carnoso (Figura 10. androceu com um estame. . desde o México até o Peru e o norte do Brasil. com gomo terminal protegido por estipula caduca. pétalas ausentes.4). 1978). pedaço. distribuídas em regiões tropicais. referindo-se ao estame bifurcado. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. bem desenvolvidas. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. farrapo". Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. mas que possui uma grande importância. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. e stemon = "estame". onde há cerca de oito espécies. e não foram encontrados sinônimos para ela. fruto do tipo capsular trilobado. alternas. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae.

A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. 1992). Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. conforme apresentamos a seguir. . A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. de valor alimentício e medicinal. arbustos e árvores (Mabberley.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. No Brasil. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. 1997). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. compreendendo lianas. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). representando um importante recurso econômico. 1996). em geral trepadeiras. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). existem várias espécies do gênero Passiflora. com 575 espécies tropicais e temperadas. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. no entanto.

enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. estipulas ovadas. 1990). hexadecanóico. chamada popularmente de Maracujá gigante. monoterpenóides. gavinhas que são ramos florais modificados. cilíndrico. caule robusto. alternas. 1987b e 1985). côncavas. e cinco pétalas rosadas. 1997).Dados botânicos Planta glabra. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). que lembram os instrumentos do martírio. epipassicoriacina. principalmente a P edulis. o suco dos frutos é considerado sedativo. 2-pentadecanona. carotenóides (Ferreira et al. Na região da Mata Atlântica. 1989). fruto oblongo-ovóide. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. 1996. pela interpretação dada às peças florais. Uma outra espécie de maracujá. antocianinas (Kidoey et al. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Passiflora macrocarpa Mart. cordiformes. 1983).. agudas no ápice e estreitas na base. é usada para diversas finalidades. folhas inteiras. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. flores com cinco sépalas ovadas. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea.. (9Z)-ácido octadecenóico. ovadas. margem inteira. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. 1987a. uma espécie denominada Maracujá.5). Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. 2tridecanona. corniculadas. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). peninérveas. mas identificada apenas até o gênero. . pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares.. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. 1991). sementes compridas (Figura 10. planas e obtusas. Spencer & Seigler. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler..

P. 1980). 1979). Esse composto não foi detectado em P coerulea. Vale & Leite. 1988. Flavonóides como vitexina. harmalina. 1991). Sena & Leite. analgésica. riboflavina.. glicosilflavona (Geiger & Markham. sendo a passiflorina o mais conhecido. de onde foi isolada crisina. 1986). 1988). mollissima (Froehlich et al. fermentos. et al.. harmol e harmalol). além de vários compostos aromáticos (Winter et al.. flavonóides (orientina.. 1997). vitaminas A. isoschaftosídeo.. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. Proliac & Raynaud. quadrangularis (Orsini et al. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 2000). espasmolítica (Queiroz & Brandão. Ortega et al. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al.. 2000. 1988. 1997). P coriacea (Spencer & Seigler. 1996). harmina. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. 1996).. maltol. açúcares. Amaral. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. orientina e isoorientina. B2. lipídios.. 1995. PP e C (Zhuang & Wang. K.. Spencer & Seigler... Da espécie P. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. 1988).. nem em R incarnata (Speroni et al. fósforo. B1. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. isoorientina. 1988. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. 1986). 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al.. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo.. 1997. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. 1997. 1986). potássio. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 1988). proteínas. cálcio. 1989). ferro.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. Costa. 1997. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. Raffaelli et al. taninos. 1998). saponarina. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 1987b). 1980. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al.... gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. bem como a presença de glicosídeos em P. Dos frutos e folhas de P . amliformis (Restrepo & Duque. 1987). carboidratos. O suco dos frutos contém água. isovitexina. Menghini. assim como ácidos graxos.1979).

. Das folhas de P . 1985b... Echeverri & Suarez. 1991.. fruto e flor (Banco de imagens .. Detalhe da folha 5-lobada.. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 2000). Barros et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.... 1998a). espasmolítica (Carneiro et al. 1989). 1985). FIGURA 10. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 1989 e 1993) e inseticida. 1978). 1988). enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. antiinflamatório (Silva et al. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. antipirético (Silva et al.1 . Porém. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al..Luffa cylindrica Roem. inotrópica. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. foetida apresentou atividades hipotensora. 1991).

. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10.2 .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

mas. Vassoura e Relógio. Malva-preta. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. no Pará.) K. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. . O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. freqüentemente com cálice roseado. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. Schum. como abortivos. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. de Vassoura. 1982). de onde partem folhas pecioladas e lobadas. na Bahia. emenagogos e as folhas (decocto). 1939). a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. canaiensis (Willd. na região amazônica. reunidas em fascículos axilares. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. Sida rhombifolia L var. as flores são pequenas. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. com caule ereto e ramoso. mas também de Ganchuma e Relógio. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. Nomes populares A espécie é chamada. como emético (Hoehne. lineares e de cor branca.

a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Aramim.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. axilares. ereta. rombóideovais ou lanceoladas. a planta é utilizada como béquica. Coaquibosa. Malva-roxa. Rabo-de-foguete. na região amazônica. Na Mata Atlântica. dispostas em racemos. folhas curto-pecioladas. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. anti-hemorroidal. é tido como útil. Aguaxima.4). em Minas Gerais. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. Malva e Vassoura-do-campo. Malvaísco. 1982). Ibaxama. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Em outras regiões do país. . no Rio Grande do Sul.. Guaxima. chamada de Caapiá. O chá de toda a planta. no Rio Grande do Sul. contra desarranjo menstrual. Guaxiúba. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. emoliente. alternas. em São Paulo e no Rio de Janeiro. 1986). var. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Urena lobato L. Guaxuma. mas esta não foi completamente identificada. tônica. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. róseas. na dose de três xícaras ao dia. e Guanxuma. reticulata (Cav. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é de grande uso externo contra reumatismo. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. como Minas Gerais. Carrapicho-de-lavadeira. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. 1982. flores solitárias. popularmente conhecida como Caapiá. ramosa e pubescente. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Uacima e Uacima-roxa.. Grandi & Siqueira.Vassourinha. Dados botânicos Planta anual.

Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. diurética e útil contra eólicas. de até 3 m de altura. emoliente e contra eólicas renais. onde se encontram glândulas nectaríferas. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. Tomoda & Ichikawa. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. mucilagens das espécies H. 1991). 1986). além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. H. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1990). 1984). syriaceus (Shimizu et al. fruto do tipo capsular. ligninas de H. H..Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. roxas ou rosas. Dados químicos Hibiscus De H. 1987). 1991). pecioladas.. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. de onde partem folhas alternas. suculentus (Tomoda et al. moschentos (Tomoda et al.. De H. cannabinus foram isolados. flores pecioladas. com ramos alternos cilíndricos. lobadas e de formas variáveis. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pequenas. 1986).. cannabinus (Kulchik . com grande destaque para as três nervuras centrais. 1977a. comum às espécies desse gênero. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. suculentus (Moawad et al. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. 1985) e H. 3-7 nervadas. 1977b e 1978). 1986. cordiformes. solitárias.. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. fosfolipídios (Tolibaev et ai. a decocção da raiz é usada como diurético.

1978). Duckart et al.. Foram isolados também de H. A quantificação das proteínas das sementes de H. esterois livres. xilose e frutose (Pouget et al. De H.. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina.7. beta-sitosterilglicosilado. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. 1986. sterculico. oléico e linoléico (Tolibaev et al. . abelmoschus (Maurer & Grieder. 1991). dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. 1977). syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.8. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo.5. De H. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. ácidos graxos livres.. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. 1988). diacilglicerídeos. epoxiacilglicerídeos. peonidina. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank.et al. 1988). uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1990). 1986). Husain et al. petunidina. triacilglicerídeos. linolenato de metila. N-acilfosfatidiletanolamina.-L-arabinosideo-7. N-acilisofosfatidiletanolamina. arabinose e arabinan. ikshusterol. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. galactose. 1989a e 1989b). esterol ésters. quercimeritrina. cianidina. Em cultura de tecidos.4'-pentahidroxiflavona. 1986. além de 15% de ramnose. epi-ikshusterol. kaempferol 3. 1989). sabdariffa produziu antocianinas. tiliaceus (Ali et al.. 1990a e 1990b).. Das sementes de H. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. glucose. Das pétalas de H.. De H. moschentos foram isolados 3.. sesquiterpenóides de H. 1988). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. fosfatidilinositol. fosfatidiletanolamina. 1988). 1989). esculentus e H. pelargonidina.. 1991) e lactonas de H. 1990). 1990) e alfacelulose (Saikia et al. taxifolina e herbacetina... ácidos palmítico. betasitosterol. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol.. o H. monoglicerídeos. No óleo das sementes de H. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. malvidina (Kim et al.

palmítico. 1995). 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. 1986. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). oléico. hirsutum (Schmidt & Wells. Foram isolados de G. hidrocarbonetos. hirsutum e B. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. mucilagens e proteínas (Costa. 1995). dipalmito-linoleínas. barbadense determinou a presença de albumina. esteárico. 1980). 1986). fosfolípides. corantes como carotenos. Ermatov et al. rainundii (Stipanovic et al. 1986). D-galactose. globulina. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. silianum (Kumamoto et al. 1985). Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G.Das folhas de H. miristoléico e palmitoléico. 1979). xantofilas. esteróis. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . principalmente o esqualeno. araquídico. barbadense. resinas. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. prolamina e glutelina (Sammour et al. G. 1979) e G. De G. hirsutum e G arboreum. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. 1987). Das sementes de G. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. também isolado de G. palmito-dilinoleínas. diversos terpenóides (Hunter et al. mirístico. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. lecitinas. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. 1985). dipalmito-oleínas. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. óleo-dilinoleínas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G.

As partes aéreas floridas de S. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. 1990). esteárico e hexacosanóico (Khan et al. barbadense e G. campesterol. hirsutum (Mansour et al. De S. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. fitano. 1988a). betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. 1987). hermaphrodita contêm também os flavonóides. barbadense e G. 1997). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. humilis. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. 1989b). rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. acuta. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. 1988). Sida Alcalóides foram isolados de S. 1989). Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. spinosa (Prakash et al. ácido glutâmico e aspártico. espermátide e espermatozóide. rhombifolia e S. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. hirsutum (Zhou & Lin. isoquercitrina. Das partes aéreas de S. acuta (Goyal & Rani. S. A extração das partes aéreas de S. S. 1981). ácido palmítico. stigmasterol. ácidos graxos como beta-sitosterol. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. As partes aéreas de S. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. 1989a). vesícula seminal e próstata ventral foram . Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol.3%3%) (Bandyukova & Ligai. pristano.(+) gossipol de G.

bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1987). 1985). antimutagênica (Wang et al. 1989). 1999). O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1979). 1984. 1987). sabdariffa (El-Merzabani et al. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. 1986). O ovário apresenta sinais de luteólise. verificadas por Singh et al (1982). esculentus. Haji & Haji. A espécie H. 1999. assim como uma forte ação citostática. As flores de H. no tratamento com Hibiscus. e de H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. 2000). e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. 2002). sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. 1976a e 1976b ). Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. Pakrashi et al. 1992). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1987). causando o final da gestação (Pakrashi et al. Em camundongos. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. Ainda de H. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. 2001). moschentos (Tomoda et al. . a administração oral do extrato benzênico das flores de H.. 1986. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. porém os níveis de colesterol subiram. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. O extrato das flores de H. antiespermatogênica. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. tripsina e a alfa-quimiotripsina. citotóxica. 1985). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. hipoglicêmica de H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. A taxa de inibição de fertilidade com H. 1990). Pai et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. Essas atividades.reduzidos nos animais tratados com H. esculentus (Medeiros et al.

1997). 1985). arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1995). Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. rhombifolia (Bortoluzzi et al.. 1996). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. serratifolia (Sawhney et al. 1980). principal constituinte do óleo do algodão. barbadense e G. Terpenóides isolados de G. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1988) e S. 1982). Sida Os alcalóides de S. Flavonóides de G. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1985). 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. Wang & Bunkers. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 1984). Extratos de S. hirsutum e G. 1978). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 2001. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al.Gossypium O gossipol. 2000) e tóxico (Bourke. As proteínas das sementes de G.

1992). Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. de grande cultivo em jardins. Na região . nos quais se distribuem 1. onde são encontrados em abundância. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. cordifolia (Malva-branca). Segundo Barrozo (1978). raramente ervas ou lianas (Mabberley. Das partes aéreas e folhas de S. 1997). C. Drena As raízes de U. Franzotti et al. carpinifolia. 1988. todos típicos de cerrados e campos. poucas em áreas temperadas. Fernandes et al. exceto Bacillus subtilis. Bianchi et al. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. 1988b). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. V. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. vulgarmente chamada de Guaxuma. Helicteres e Waltheria. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani.500 espécies tropicais. F. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. e o gênero Theobroma. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1998. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. et al. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. rhombifolia. distribuídas em onze diferentes gêneros. 1998). Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. 1998. Sterculia. 2001). Do infuso de S. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. incluindo árvores e arbustos.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Dombeya. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. 1996). Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros.

inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. 1990). com ramos longos. descrito por Carl Linnaeus. . o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. vermelho-escuras. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. e o chá da sua casca. ovóide. O gênero Theobroma. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore.) Schum. grossos e tomentosos. pedunculadas. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para o tratamento de diarréia. liso e escuro (Figura 11. com brácteas linear-lanceoladas. O nome do gênero. fruto do tipo capsular grande. Cupu-assu. folhas com pecíolos curtos e carnosos. significa "manjar dos deuses". duas das mais importantes e valiosas espécies. ou por suas variantes: Cupuaçu.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. grandes e vistosas. bem como nas comunidades locais da Amazônia. no Pará (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. oblongolanceoladas. ex Spreng. flores que brotam dos galhos. com estipulas caducas. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. Em tribos indígenas amazônicas. 1988). Copoaçu. 1991). Dados botânicos Arvore de grande porte. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Theobroma.5). de valor econômico. medicinal e alimentar.

1970. tripsina . Dados botânicos Árvore de porte médio. contêm flavonóides (Jalal & Collin. ácidos esteárico. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada.. Chocolate. M. fasciculadas. teobromina. 1992a e 1992b). fruto capsular ferrugíneo. 1977). et al. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. 1979). grandiflorum). Cacao azul. vermelho-escuras. globulinas (Voigt et al. até 10 m de altura.7. glicerídeos di-saturados. Caca-y. speciosa possui ácido 1. T.3. (Figura 11. flores dispostas no caule. palmítico. oléico e linoléico.. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. Já a espécie T. cacao. 1993). no Amazonas. Cacao forastero. Pagonini et al.. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. inteiras.e tri-insaturados (Costa. mirístico. 1986). ex Mart. albuminas. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. denominado Theobroma cacao L. 1989). a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Kakao.9-tetrametilúrico.Theobroma speciosa Willd.6). folhas com pecíolos longos. oblongolanceoladas. cafeína (Maia et al. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Cacaoyer. como a T. Criollo.. Outras espécies desse gênero. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. mono. inibidores fenólicos da a-amilase. com ramos curtos. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T.

Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis.. dentre os quais o óxido de linalol (12. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.2%). tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano.. 1996). esteárico e oléico (Griffiths & Harwood.. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. 1994). procianidina B2. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral.. antocianinas. tais como ácidos palmítico. xantinas e lipídios. gorduras (Malini et al.5%) e o isoeugenol (8. ácido araquídico. porém. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. taninos condensados. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. Alcalóides purínicos (cafeína. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.9%). cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. O T. derivados do ácido hidroxicinâmico. ácido ecosadienóico. cacao. geraniol. Em T. As essências florais de T. speciosum. teobromina. cacao consistem de 78 componentes. diferentemente do T.. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.37 a 1. 1991). 1991). ácido lático. cacao foi caracterizado como de 190. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. taninos. 1989).. 1986).. Porém. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. simiarum. Esse constituinte também . ácido cítrico. Além de açúcares totais. Em T. 1991). (-)epicatequina. T.6%. 1987). quercetina3-0-glucosídeo. que variou 50. mariae. O índice de saponificação da T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. augustifolium.7% a 57. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. 1994). e T. cacao e também em T. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12.. flavan-3-ols. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. T.. longifoleno e citronelol (Erickson et al. pela presença de ácidos graxos. 1987). bicolor e T.(Quesada et al. nerol. bicolor e T. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. quercetina e esculentina (Bastide et al. 1995).74% (SantAnna Tucci et al. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. Os alcalóides teobromina. subincanum. augustifolium (Sotelo & Alvarez. 1986). 1996). T.

.. amido. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1997. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. 1997). cacao (Gurney et al... O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997). 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. e a proantocianidina. 2002). cacao (Yamagishi et al. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1992a e 1992b).. clorofila... et al. 1997). 1997. 1997). Paganini et al..pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. isolada dessa espécie vegetal. 2000). Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. uma atividade analgésica (Santos. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. M. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. cacao apresentou um efeito vasodilatador. proteína. . Melzig et al. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. fenóis e taninos. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. 1970.. análoga à manteiga de cacau. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1997). 1989). 1992). teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Sanbongi et al. cafeína..

que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. folhas curto-pecioladas. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. 1997). com o nome de Curumin-nhapuá. 1998). que a referiram como medicinal. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. agudas no ápice e oblíquas na base. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. 1978). Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Dados botânicos Árvore de porte médio. serrilhadas. raramente ervas ou lianas (Mabberley. os gêneros mais comuns são Luehea. No Brasil. Espécies medicinais Muntingia calabura L. da planta Pau-de-jangada. sendo a maioria de árvores e arbustos. .Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. e Apeiba. de numerosos estames livres. de até 13 m de altura. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. muito conhecida na região amazônica Joly. Triumfetta. oblongolanceoladas.

arredondado. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.3%). quercetina.9%).dispostas em pedicelos axilares.7).3%) os mais significativos. 1991). vermelho.3%). e as flores.. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. ovário 5-7 locular. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. sesquiterpenóides (10. A casca é emoliente.6%) e derivados furanos (8. antiespasmódicas (Corrêa. dos quais predominaram alcanos (44. Dos frutos de Aí. ésteres (26. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. fruto do tipo baga.3%).4%). 1990). Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. calabura foram isoladas Havanas. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. . e salicilato de metila. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. aqui descrita como medicinal. calabura L. alcanos (15. indeiscente. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.7%).5%) e compostos carbonil (23. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. compostos fenólicos (11. 1984). Do extrato citotóxico das raízes de M. inúmeras sementes (Figura 11. sendo ésteres (31.

1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . 1998.

FIGURA 11. 1984). b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1998) (Banco de imagens - .

3 . Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.FIGURA 11.

canaiensis.FIGURA 11.4 . Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens .Sida rhombifolia var.

5 .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .6 .FIGURA 11.Theobroma speciosa.

FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .7 .Muntingia calabura.

Cecropiaceae e Moraceae. Seito C. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. e o segundo. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. não possuem importantes espécies de valor medicinal. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. A. Em duas delas. As outras duas famílias dessa ordem. Di Stasi L N. Ulmaceae e Barbeyacea. fonte da maconha (Cannabis sativa). Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. Da família Cannabaceae. por esse fato. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Cecropiaceae. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae.12 Urticales medicinais L. C. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. amplamente conhecida como . Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. fonte de substâncias também tóxicas. das quais as famílias Moraceae. e o importante gênero Urtica.

Ambatí. Com esse novo arranjo. Toréin. Figueira-de-surinam. longopecioladas. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. peitadas acima do centro. Ibaíba. Poiküospermum. Imbati. folhas grandes. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Embaúba. Ambahú. alternas e protegidas por duas estipulas. Arvore-da-preguiça e Torém. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. e a espécie Sorocea bomplandii. Ambaíba. Arvore-da-guiça. lactescentes. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Pourouma e Cecropia. Ambaitinga. . Myrianthus.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Ibaituga. de Lixa. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Ambaí. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. referida com adulterante da Espinheirasanta. Imbaubão. Musanga. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Outras denominações populares são Aimbahú.

1996b). Em C. muitas delas de ocorrência no Brasil. antililiásica (Domingos et al. Mal de Parkinson. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. filho da Terra. meio homem e meio serpente. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa.. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. R. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. Nas folhas do extrato de C. ecoar". O xarope dos brotos também é usado contra tosse. et al. lyratiloba (Menda.. que significa "chamar. 1992. Das raízes de C. 1986. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite.. catharinensis. Kerber. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. Santos. . Das folhas de C. C. reunidas em densas inflorescências... a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1985). gemas e brotos são adstringentes. frutos nuculares. 1984). obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro..1). et al. asma. C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. 1994). unilocular. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. F. a raiz é considerada útil contra tosse. As folhas. 1983). hidropisia. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. A. R. bronquite e gripes fortes.. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. indicada popularmente como antiinflamatório. usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1984b). A. A.flores pequenas de sexo separado. 1986). et al. do grego. Na espécie C. 1996). adenopus. carpelar. 1998). Na região do Vale do Ribeira.

distribuídas em 38 gêneros. espasmolítica (Delia Monache et al. descrita originalmente por. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.depressora do SNC. 1988). Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. Dorstenia. 1997). arbustos..... na Mata Atlântica... obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. de Espinheira-santa. a família conta com aproximadamente 340 espécies.. Astocarpus e Sorocea. Johann Heirinch Friedrich Link. antidepressiva. Rocho et al.) Burger. 1998a e 1998b. que incluem árvores. efeito depressor do SNC. 2001). antiulcerogênica (Cysneiros et al. 2001). Morus. ansiolítica (Barettaetal.. Rocha et al. dos quais se destacam: Ficus. compreende 1. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. lianas e ervas (Mabberley. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. 2001). e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. distribuídas em 28 gêneros.. 1998. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. 1993 e 1996a). isolada de espécies deste gênero. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. 1988. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. característica marcante da maioria das espécies dessa família. 2002). No Brasil. possui atividade antimicrobiana (Andra et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas. com inúmeras espécies usadas como ornamentais.. Em outras re- . 1992). A cecropina. Cysneiros et al. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex.

a infusão da espécie é usada contra dores de estômago.. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. 1993). Calixto et al.. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. Resple. Soroco. de casca fina. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. Carapicica-de-folha-miúda. Laranjeira-do-mato. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. ilicifolia e S.. com tronco ereto. fruto do tipo baga. folhas simples. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. ciófita. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. chegando a 10 cm de comprimento. Flavonóides foram isolados de S. Recentemente. da família Celastraceae). 2001. especialmente da Mata Atlântica. Gonzales et al. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. bomplandii.giões do país a planta é chamada de Cincho. quando não está em época de floração. Araçari. 2001. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Trata-se de uma espécie perenifólia. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. de face superior brilhante e inferior opaca. Canxim. especialmente na Mata Atlântica. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Folhas-de-serra. 1993). . A espécie é latescente. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios.. cilíndrico.

Reis).FIGURA 12. b) detalhe da folha.1 . S. d) flor feminina. (Banco de imagens . c) inflorescência. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M.

M. R. a maioria cosmopolita. Thymelaceae e Euphorbiaceae. . No Brasil. Santos L. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. Hiruma-Lima A. Das centenas de gêneros. 1997). Na família ocorrem árvores. M. M. C. A. Souza-Brito E. com aproximadamente 1. lianas ou ervas. 1978).100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. a família é representada por 72 gêneros. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. comumente com células especializadas na produção de látex. A família Euphorbiaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Guimarães C. compreende 313 gêneros. arbustos. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. segundo Mabberley (1997).13 Euphorbiales medicinais C. é urgente uma revisão da família.100 espécies. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil.

pela semelhança das sementes com esse animal. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Jatropha e Croton. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. com limbo dividido em lobos ou segmentos. lanceoladas. icterícia e malária. e outras. separando-se em três cocos. da valiosa Mamona. fruto seco. febres. especialmente em Phyllanthus. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. sendo algumas árvores. dos quais referimos algumas espécies a seguir. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Do gênero Euphorbia. Mabea. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. a maior produtora de borracha. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. flores de sexo separado. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. problemas hepáticos. ervas e arbustos. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara.devemos destacar Ricinus. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. estipuladas. esquizocárpico. verdes. folhas simples. peninérveas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. enquanto a infu- . Pedilanthus. espécie rica em óleo de rícino. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. pecioladas. atualmente cultivada em vários países.1).

Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. folhas alternas. estipuladas. membranosas. no Ceará. flores unissexuadas. Pinhão-do-paraguai. Croton sacaquinha Croizat. peninérveas. longo-pecioladas. atingindo até 4 m de altura. glabras. curto-pecioladas. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Pinhão-de-purga. palminérvias. esquizocárpico. e Mandobiguaçu. Pinhão Pinhão-branco. Pinhãodos-barbados. reunidas em inflorescências racemosas. lanceoladas. separando-se em três cocos. folhas simples. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara.são das folhas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. amarelo-esverdeadas. lobadas. flores de sexo separado. reunidas em inflorescências paucifloras. pequenas. mas também de Peão. de caule grosso. Pião. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. é útil contra hepatite. sementes ricas em endosperma. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. a Sacaca. Maduri-graça. nodoso. Pinhão-manso. lactescente. fruto seco. Nomes populares A espécie é chamada. de Sacaquinha. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. na região amazônica. com brácteas . grandes. no Pará.

lanceoladas. deriva do grego iatros = "remédio". fruto do tipo capsular. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. Jatropha gossypifolia L. constipação nasal e como purgativo. Arg. sementes escuras. dez estames. esta passa a ser comestível e saudável).2). assar a polpa na cinza. gripe (descascar a semente. Batata-detéu. assim como para constipação nasal. Pinhão-roxo. colocar no café e banhar a cabeça). secar até ficar fria. são torradas. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). lisas. elipsóides e oblongas (Figura 13. o látex é aplicado externamente. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. gengibre amassado. . descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire.. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. enquanto as sementes. contra feridas (Amorozo & Gély. O nome do gênero Jatropha. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. Mamoninha. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Peão-curador. partir e tirar a "folhinha". Peão-pajé. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Erva-purgante. 1984). Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Pará. Pião caboclo. coriáceo. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. 1982). As sementes são eméticas (Corrêa. após a retirada do embrião. 1988). Raizde-téu.

Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. ramosa. 1984). grandes. A planta é purgativa. roxas. com folhas alternas. o chá das folhas é usado como antitérmico. dispostas em cimeiras paniculadas. glabras e estipuladas. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. Em Brasília. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. contra "mau olhado". 1982). fruto capsular. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. e as folhas na cabeça. o banho. útil nas obstruções das vias abdominais. lineares. contra feridas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. 1988). as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. no Piauí (Emperaire. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. 1982). cálice com cinco pétalas. O nome do gênero Mabea. palmadas e limbo dividido em lobos. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. trissulcado. No Pará. folhas pecioladas. flores unissexuadas. escuras e com pecíolos pubescentes. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13.3). Mabea angustifolia Spruce ex Bth.

significa "flor na folha". refere-se a um nome comum e popular das Guianas. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. 1984). Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. enquanto a infusão de toda a planta. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. Na região do Vale do Ribeira.Aublet. cápsulas pequenas. folhas com limbo. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. descrito por Carl Linnaeus. flores de sexo separado. distribuídas na América tropical. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. sementes minúsculas (Figura 13. é usada como diurético e contra . Phyllanthus corcovadensis Muell. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. Na região amazônica. flor masculina fasciculada com três estames. com ramos glabros. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. O nome do gênero Phyllanthus. que atinge até 0.5 m de altura.4). Arg. alternas. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. trissulcadas. estipuladas. ramificada. Dados botânicos Planta de pequeno porte. incluindo as raízes.

. 1986). Kubo et al. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1989). desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. Em Minas Gerais. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. 2000). é útil contra problemas do fígado. de ácido aleuritólico (Muller et al. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1989.. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. alfa-humuleno. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. além de ser usada contra pedras nos rins. A infusão das folhas.. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1992). 1982). transcrotonina.. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira.. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. Posteriormente. 1979. Maciel et al. 1991).dores de barriga. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. beta-cariofileno.. 1998). . 1.8-cineol. e os principais constituintes são alfa-pineno. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1990. O óleo essencial das cascas de C.. Das cascas de C.

Das folhas de C. De C.4-dimetoxifenol.6-trimetoxifenol. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. Porém. eucaliptol..4. a levatina (Moulis et al.. 2-metil-butanol. glandulosus (Neto et al.8-cineol.14-dieno. gama-elemeno. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.. 1996). limoneno e outros. propionato de etila. e de C. 1993b)..5-trimetoxibenzeno. 1992).3. alfa-guaieno. 1995). lechleri foi isolada a sinoacutina.. e das cascas do caule de C. cortesianus foram isolados o clerodano. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. foi determinada. cânfora. e das folhas de C. 1992). metileugenol. alfa-cubebeno.. acetato de 2-metil-butanol. 4-hidroxifeenetil. 1994).14dien-9-al e 3a. 1992b). mirceno. Além disso. 3. acetato de propila. . zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. acetato de 3-metil-butanol.4b-dihidroxi-15.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). hovarum: a 3a. 1992). Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. a C. p-cimeno. ludianus possui 1. enquanto germacreno B. Das partes aéreas de C. alfa-ilangeno. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al.. aubrevillei J.. 4b-dihidroxi-15. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. Os constituintes voláteis isolados de C. glandulosus. 1996). megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane.. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. e chiromodine (Weckert et al. 1995). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno.. alfa-humuleno. 2. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. linalol. 1996). estragol. gama-elemeno. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. cadineno.4-dimetoxibenzil. lundianus e a C. lechleri foram: acetato de etila. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. A composição do óleo essencial das cascas de C. 1993a). sitosterol. zambesicums Muell. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. metil isoeugenol. betabourboneno e gama-cadineno. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. o óleo de C.. 3. allo-aromadendreno e torreyol. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). a printziano e um norclerodano (Siems et al.cadideno. C.

5. caniojana. e de C. 1996). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. 1986) e C. 1993).. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. riangularis (Moura et al. stigmasterol. taraxerol. diasii (Alvarenga et al. beta-sitosterol (Chen et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. 1981). matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. b-sitosterol.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al.. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. Do óleo de C. macwstachys (Herlem et al.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. 1995).3'. castaprenol-11. Das partes aéreas de C. 5hidroxi-6. 16hidroxijatrofolona. eudesmanos.7. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. jatrofina. jatrofolona B. ésteres e cetonas não-terpenóides. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. 1992). Compostos terpenóides foram isolados de C. curcas foram isolados ainda as latiranas.7-dimetoxicoumarina.7b-dihidroxiannoneno e 6a. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. e das cascas de C... (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. 1992). 1992). draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. nobiletina. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.. Das raízes de C. jatrofol. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.. 1986). 1991). salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al... Jatropha Das raízes de J.. jatrofolona B. jatroolona A. 6a. tomentina. eluteria foram isolados sesquiterpenos.. C. hemiargyreus (Barnes & Borges. 1994). argyrophylloides (Monte et al. 1976).6-diona. taraxerol. 1996). curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.De C. De J. a seco-labdane (Schneider et al.. e das folhas de C. enquanto alcalóides foram encontrados em C. ... curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 1988). gossypifolios (Cespedes et al. 1991). 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. De C. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. os triterpenóides jatrofolona A. 1991a).

0.9%./. glicina (19. curcas. multifida L. 1988). De J.92%) e leucina (12. gadaína (Das et al. 1986).. 1997. Das folhas deJ. denominada curcina (Costa. metionina (13. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. além de outros três derivados diterpenóides. 1996a) e jatrodiena (Das et al.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.. respectivamente (Raina & Gaikwad. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 15. gossypifolia e J. .71%). Saponinas foram detectadas apenas em J. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. esteróides e glicosídeos. 1983).. Dos rizomas de J.. Das raízes de J.26%. 1988).60%.. podagrida apresentaram 24%... todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. Makkar et al. 1988. J.9%. e 43. Banerji et al. 1989a e 1989c). 0. Teixeira. isoleucina (3. tlalcozotitlanensis e J.1%).98%). 1988). arginina (0.. jatrofolona B.15% e 15% de ácidos graxos saturados.9%). foi isolado de seu látex a albaditina. ácido araquídico e toxalbumina.6% de ácido oléico. malacophylla.94%). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. terpenos. flavonóides. curcas foram isoladas também várias lectinas. bem como o ácido nurístico. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. elbae. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. sendo 0.. alanina (28.. J. 1997). 14. ácido linoléico (Nasir et al. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. Do caule de J. Auvin-Guette et al. os aminoácidos cistina (2. Das folhas de J. J. 1996b). 1995). isoorientina. 1990).. ácido oléico. saponinas. ácido esteárico. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. As espécies. caniojanae 1. valina (18. galvani (Guevara et al.. 1997). pohliana var. 1989). Das raízes secas de J. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. De J. De J. 1987). 1996. 2epijatrogrossidiona.. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 1990)..26% de ácido aracdônico.. compostos fenólicos. 1988).30%) (Jain & Garg. 1989). mollissima foram isoladas orientina. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides.07%). Do látex de /. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. Das cascas da raiz de J. divica foram isolados beta-sitosterol. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. 1997).1997). 1987.

1980 e 1981). 1988). 1988. Yunes et al. 1977). 1985). Huang et al. 1980). Hassarajani & Mulchandani. Negietal. 1990.. 1989. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. 1997). 1989a e 1989b.. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. Anjaneyulu et al. De J. 1988. virgatus (Babady-Bila et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. . da qual foram isolados alcalóides. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. a mais estudada é a P. hidroxiflavanona... levulose. Mabea Do látex do caule de M. 1996).. terpenos. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides.. flavonóides. Petchnaree et al.. 1988. citral. 1988. Anjaneyuly et al.. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. enquanto em P. Singh et al.. P... Ojewole & Odebiyi. cumarinas.. 1983. 1991). Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1986).. 1991). Ahmad et al. niruri.. Singh et al. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. amarus e P. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. timol e carvacrol (Odebiyi. 1986. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. De P.. 1986. assim como os diterpenóides de J. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1986. 1988). e dos frutos de M. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1996. 1995). sacarose. 1996. Mensah et al. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al..... Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. ácido clorogênico. 1996). 1990).Da espécie J.. P. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. discoideus. 1996. Singh et al. diterpenos. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.. lignanas (Satyanarayana et al. ácido caféico. simplex. neolignanas (Satyanarayana et al. gossypifolia. P. 1981). Houghton et al. triterpenóides (Joshi et al..

1997). além de taninos (Zang. calisteginas (Asano et al. n-alcanos. hipocolesterolêmica (Martins et al. Tanaka & Matsunaga.... .. 1989. De P. olenadienóis. 1988.. 1988b). antidiabética (Silva et al. 1996).. Lu et al. Farias et al. 1995b). 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 1996b). HirumaLima et al. C. 1996) e fisalinas (Makino et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1988.. 1999). 1997 e 1996a). Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C.. 1998. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. alkekengi var.De P. 1988. 1995a).. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. analgésica. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. Tanaka et al. 1993.. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. emblica L. Z. et al. 2002. 1987... 2001). 1999a).. D. Bighetti et al... De P. antinociceptiva (Carvalho et al. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. Tanaka et al.. antiestrogênica (Luma Costa et al. Li et al.. 1998). 1988a. et al. Farias et al. 1996). 1996). cajucara apresentou atividade antiinflamatória. De P flexuosus foram isolados triterpenos. antiinflamatória. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.. antiedermatogênica (Campos et al.. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1995). 1996) antitumoral (Grynberg et al... ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. Das raízes de P.. myrtifolius.. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. 1996c). francheti foram obtidos cicloheptano.. 1996). inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. Em P.. 1996). além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. nalcanóis..

1988). 1988a). zehnteri (Albuquerque et al. cajucara (Hiruma-Lima et al. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. Das sementes de C. rangelianus (Lima et al. erythrochilus. 1999b. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. com o uso prolongado (Rodriguez et al. C. C. tranqüilizante. 1987) e C... 1993. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . antinociceptiva (Bighetti et al. 1988) e C... lacciferus (Bandara & Wimalasiri. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. penduliflorus (Asuku. sonderianus (Craveiro & Silveira. 1984). 1983). 1982).. 1994). estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. penduliflorus (Anika & Shetty. Luz Paredes et al..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina.. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1999). campestris (Lima et al. 1987).. 1980. 1988b) e substâncias isoladas de C. M. Tang et al. para crotina I foi de 0. rhamnifolius (Silveira et al. tiglium (Deshmukh & Borle. 1975). inseticida de C. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. mais comumente de C. entre outras.. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. a ligana 3'.. lechleri. C.. anticonvulsivante e analgésica de C. C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. 1993. C. C. glabelus (Novoa et al. 2000a e 2002b). 1993). Chen & Pan. 2002a)... antiulcerôgenica de C. anestésica local. et al. hipotensora de C. A DL50. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.. presente nos casos de C. 1988. Ao final.. macrostachys (Mazzant et al. 1985) e C.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.45 mg/kg e 2. 2001). 1986). 1980). 1982). subtyratus (Kitazawa et al.. Batatinha et al. draconoides e C.. 1985.23 mg/kg para crotina II. Costa. lacciferus (Ratnayake et al.

1991a e 1991b). tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al.. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. os alcalóides de C. De C. Das raízes de C... C.. tonkinensis contêm 0.32% de alcalóides e 2. Do óleo essencial de C. 1993). pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. Ao final. lupeol. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. As folhas secas de C. 1994a e 1994b). Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. O extrato etanólico bruto das folhas de C. 1992). A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. betulina e ácidos graxos. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. berberina e outros alcalóides desse grupo.. 1995). O efeito de C. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. 1991). Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. 1992. macrostachys foram isolados crotepóxido. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . Ao final dos experimentos. 1995).. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.. 1992a).78% de flavonóides. antibacteriana e cicatrizante. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. berghei (Be &Truong. nardus (Lemos et al. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. Pieters et al.. Essa possui isoguanosina. 1994).

.. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1991a). Das sementes de J. haematobium (Rug & Ruppel. Do látex de C. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6.. 1988).p.9%) (Liberalino et al. 1992. 1994)... Os extratos da sementes de C. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.. 1994). a curcaína (Nath & Dutta... que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. 1991). Das sementes de /. 1987. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. 1993). curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 2000). De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. Jatropha Das sementes de J.. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. Ubillas et al.. O óleo de C. tiglium (Fanetal. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. Atividades larvicida (Karmegam et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1989 e 1991). 1995).7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1988). 1997) e Schistosoma mansoni e S. tanto na prova do campo aberto.. antiplasmodial (Kohler . (Huang et al. Do látex de J. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. Hirota et al.. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta.. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. 1995). como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.39 mg pela via i. 1989).. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. 1990) o óleo de C. 1992). e no retículo sarcoplasmático. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. 1988. curcas.. 2000). diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.

2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. 1996). multifida. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1994). 1996). 1992a. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana.. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al... 1992). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. e de J.. Das raízes de J. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. O látex de /. et al.. isabellii foi isolada a jatrofona.. F. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. O óleo das sementes de /. zeyheri foi isolada a jaherina. 1992b e 1996). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 2001). 1996). 2001).. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. 1997). De J. 1987). das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana... 1996). 2000). Esta mesma atividade foi observada em J. P. gaumeri (Sanchez-Medino et al. et al. De /. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.... 1993). A J. 1987) e tóxica (Brum et al. As folhas de J. De J.. antiespasmódica (Silva et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 1987) também foram caracterizadas em J. 1996). 1987b). espasmolítica (Trebien et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. 1990... 1996)..et al. curcas foram isoladas curcusonas A e C.. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. De J. Dutra et al].. glauca (AlZanbagi et al. 1996.. J. M. .. 1996).. curcas. 1998). Santos et al. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.

porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. Di Stasi.. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. Ribeiro et al.. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1984. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. diurética.. campesterol e fitosterol (Santos et al. Além disso. 1987). O extrato hidroalcoólico de P... 1988). 1993.. Além disso. 1987). 1992. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. De P. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. . 1995). 1996a). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al.. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al.. Shimizu et al.. 1996).. 1989). a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al.. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 2000). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1995). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. 1995). corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. 1994).. 1992). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1985 e 1986b. 1988). essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1985). 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1995)... Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. Gorski et al. 1988. Santos et al..

.. 1996). ácido gálico e ácido protocatecoico. 1995). O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al... e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al.. corilagina. niruri e P urinaria (Santos et al.. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.. Roy et al. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. ácido brevifolincarboxílico. 1996). 1991).. 1995). caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai.. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. ácido elágico. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. quercetina. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. de P urinaria.. 1990. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. Sane et al. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al.. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. 1996). 1997a e 1997b). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1994). 1997). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al.. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1995). O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. . 1996.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1996).. 1996). 1997). 1996). Foram caracterizadas.. 1995). 1988).

Quadros de hemorragia anal. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. hipotensão e desidratação. e ação estimulante da musculatura lisa. 1991c). curcas em ratos. Hemorragias internas em diversos órgãos.. 1986. Porros et al. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al.. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. mutifida (Levin et al. Efeitos como redução no tempo de protrombina. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al... Torpor.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. 1995. 1979). desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Ahmed & Adam. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Itokawa et al.. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. 2000). Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. 1987) e provoca náuseas.. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman.. podendo causar a morte em humanos. náuseas. Pieters et al. 1979). Em casos graves ocorrem espasmos musculares. Existem registros de intoxição em crianças de J. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. 1993. 1984). distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. 1979). vômitos e diarréia. diarréia. Como conseqüência de seu uso crônico. 1993.. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). redução no consumo de água.

nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. 1998) (Banco de imagens . FIGURA 13.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.(1999). Pieters & Vlietinck. 1986). 1983. tiglium (Bauer et al. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.1 ..

Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13. .2 -Jatropha curcas.

Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima).3 . . Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.FIGURA 13.

c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 13.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. b) flor feminina. 1998).4 . d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .

. É composta por árvores. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. óleos essenciais e resinas. gomas. Hiruma-Lima L.370 espécies. No Brasil ocorrem 21 gêneros. A. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae).14 Guttiferales medicinais C. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. 1978). e Elatinaceae. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. algumas delas de valor medicinal. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Clusia. 1997). C. pigmentos. sendo raramente descritas epífitas. arbustos ou ervas.

descrito por Domingos Vandelli. ácido betúlico. opostas e com borda inteira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a maioria é fornecedora de resinas. Em V. também chamada de Lacre. sendo facilmente cultivada. Trata-se de uma espécie semidecídua. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. pecioladas. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. martiana foi observada a presença de sitosterol. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. 1990). e algumas na África. euxantona. O nome do gênero Vismia. ácido crisofânico. foi dedicado a Visme. coriáceas. damaradienol. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. como Picharrinha. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. e várias têm valor medicinal. friedelina. madagascina. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. damagascina. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . Em outras regiões. No Brasil. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. com ocorrência em formações secundárias. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. com distribuição restrita à América tropical. as folhas são simples. O tronco ereto possui casca grossa.

japurensis Rich. 1999). De Vistnia caynnensis. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. Moracelli et al.. Porém. vulgarmente chamada de Pichirina. 1997). et al. Os extratos hidroalcoólicos. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1996). benzofenonas (Fuller et al. como a friedelina. 1995. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. indicado para dermatofilose. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. Das raízes de V. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. magnoliaefolia.... 2000). 1996). 1995). vários triterpenos. 1999) em V. Em V.. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. da planta fresca (Tokarnia et al.e a ferruginina (Pasqua et al.. 1983)... micrantha foram isolados xantonas. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. p-o. conhecido popularmente como Lacre. e em V. 1979)... 1982). Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d... 1994). guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. O extrato etanólico da folhas. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1993). cayennensis. 2-isorenilemodina e 5.. .5'dimetoxisesamina (Camele et al.

Rapania e Cybianthus. nos quais se distribuem 1. Theophrastaceae e Myrsinaceae. ainda não identificada completamente.15 Primulales medicinais L. Nessa família ocorrem 33 gêneros. . Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. 1997). sendo a maioria árvores. descrita por Robert Brown. Di Stasi C. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. arbustos e lianas. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. C. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. A.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia.

bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. reunidas em inflorescências axilares. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. curtas. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo".1). e anthos = "flor".Espécies medicinais Cybianthus sp. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. flores e frutos. diclamídeas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. folhas alternas. flores pequenas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. ramos. inteiras. sem estipulas. dispostas em racemos. actinomorfas. ovário supero. . androceu com cinco estames opostos às pétalas. Não foram encontrados sinônimos para ela.

FIGURA 15.1 .Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .

anemia e distúrbios da tireóide. no entanto. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. A. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Hiruma-Lima L. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais.16 Capparidales medicinais C. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. C. essas espécies não foram referidas como medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Para a espécie Nasturtium officinale. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). Na região amazônica. gripes e bronquites. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. além de seu consumo como condimento. .

Os principais gêneros são Cleome. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley.5 m de altura. descrita a seguir. Capparia e Maerua. raramente são descritas lianas (Barrozo. tem valor medicinal na região amazônica. que atinge até 1. arbustos ou pequenas árvores. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. e a espécie Cleome latifolia. com muitas flores rosas e bonitas. que justifi- .Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. com seus representantes incluindo ervas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. 1978). Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. 1997). optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). inflorescências terminais bastante vistosas.

1997).cam seu uso como ornamental. um flavonol.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. O extrato metanólico da planta toda de C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. 1995). são cultivadas e usadas como ornamentais. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. 1990). Várias espécies desse gênero... 1987). amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al.0075%).06%) (El-Din et al. a isoramnetina 3. viscosa apresentou um . brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.0013%). kaempferitrina (0..0025%). 1986). 1990). kaempferol. a diacetoxibraquiicarpona. e das partes aéreas de C. bonanzina (0. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. o ácido cleomaldéico (Jente et al. um trinortriterpenóide dilactona.. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 1997b). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.. De C.... De C. Das sementes de C. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al.. os flavonóides artemetina (0. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. 3. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.7-di-O-ramnosídeo (0. 1996).. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. 1990). incluindo a Cleome latifolia. 1988) e um diterpeno macrocíclico. 1997) e glicinebetaína. 1997) e triterpenos (Harraz et al.

1999). 2000) e C. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa.. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.... arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. 1999). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. 1992). 1993. 1996)..6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. gynandropsis Samy et al. popularmente conhecido como Mussambé. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. . A espécie C.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. viscosa (Samy et al. De C. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp... C. 1970).. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3.. 1995). Lemos et al. 1995b). 1996). A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. Chrysantha (Hashem & Wahba.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Di Stasi C. No entanto.17 Rosales medicinais L. com inúmeras espécies medicinais. Crassulaceae. e de Rosaceae. a qual foi identificada apenas até o gênero. Pittosporaceae. Várias espécies dessa ordem são medicinais. C. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Rubus e Prunus. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. a qual descrevemos a seguir. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. . a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. 1978). Na região amazônica. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Saxifragaceae. A. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. espécies dos gêneros Spiraea.

incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. folhas simples. flores pequenas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. zigomorfas. segundo Barrozo (1978). com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. incluindo árvores e herbáceas. diclamídias. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. peninérveas. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. corola com cinco pétalas. fruto do tipo drupa. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. alternas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil.1). . ovário unilocular. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. com cerca de 460 espécies tropicais. cálice gamossépalo com cinco lacínios. inteiras.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. Chrysobalanus e Hirtella. Os principais gêneros dessa família são Licania. referindo-se ao tipo de pilosidade. sépalas e pétalas livres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. onde ocorrem 120 espécies. cíclicas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. Espécies medicinais Hirtella sp. muitas delas usadas para a produção de carvão. estipuladas.

do gênero Frunus. é utilizada como afrodisíaco. da qual foi isolado o ácido salicílico. ou frutíferas. como a . que inclui. com destaque para os gêneros Rubus. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. com aproximadamente 1. da histórica Spiraea ulmaria. com destaque para o gênero Spiraea. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Potentila. 1997). toxicologia e química. primeira substância a ser comercializada como medicamento. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. a maioria nos gêneros Prunus. Normalmente são árvores de pequeno porte. também se utiliza o chá contra reumatismo. e raiz bifurcada para as mulheres. os gêneros Crataegus e Malus. No Brasil há poucas espécies.825 espécies subcosmopolitas. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. a famosa aspirina. Agrimonia e Fragaria. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. entre outros. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Rubus e Quijala. no que se refere à farmacologia. • Rosoideae. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. e • Prunoideae. compreende 95 gêneros. arbustos e ervas (Mabberley. como é o caso das espécies do gênero Rosa. encontradas em climas temperados. ralada. • Maloideae. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens.

Pêssego. 1998). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. e a infusão dos frutos. Ameixa. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. pendente. carnoso. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. em latim.Maçã (Malus). ásperas. Damasco. . a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. lanceoladas. Pêra (Pirus). especialmente de cabeça. dispostas em fascículos do tipo umbela. doce e com uma única semente. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. comestível e saboroso. Groselha e Moranguinho (Rubus). Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. dependendo da variedade. de margem serrada. que existe em grande número. com folhas alternas. a decocção das folhas é usada contra dores. Nomes populares Na Mata Atlântica. Morango (Fragaria). flores vistosas brancas. assim como em várias regiões do país. solitárias e/ou geminadas. Cereja. Espécies medicinais Prunus domestica L. Marmelo (Cydonia). e contra diarréias. fruto do tipo drupa. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. O nome do gênero corresponde a "ameixa". A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia.

1 . b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso... Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.Sapuntzakis et al.. 2001). 2002. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2000). 2001).. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. Nakatani et al. FIGURA 17.. 2001). Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 1978) (Banco de imagens • .Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.

M. Guimarães C. Di Stasi E.18 Fabales medicinais L. R. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. M. M. dependendo do arranjo sistemático adotado. C. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. 1997). muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. Santos C. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. Hiruma-Lima A. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. incluindo árvores. lianas e ervas. ornamentais. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Compreende três subfamílias. arbustos. medicinais. . A.

pulcherrima. das quais se destacam as espécies C. Caesalpinia pulcherrima. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. • Detarieae. • Cassieae. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. todos contendo várias espécies de valor medicinal. J. . • Cercideae. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). Cassia occidentalis. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. angustifolia e C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. que inclui os gêneros Cássia. a saber: Caesalpinia férrea. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. C. senna. C. occidentalis. bonduc. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. que inclui o gênero Caesalpinia. dentre as quais C. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). Dialium e Senna. as quais descrevemos a seguir.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). sapan e C. C. bonducella. 1997). de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. Cassia multijuga. que inclui o gênero Copaifera. Dalwits. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. que inclui o gênero Bauhinia.

raramente dentro das florestas. flores intensamente brancas. A espécie fornece madeira leve. É uma planta decídua. É amplamente utilizada como ornamental. heliófita. sempre com acúleos e seus dois ápices. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca.1). vistosas (Figura 18. com grande abundância na Mata Atlântica. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. usada para produção de carvão e caixotes. Mororó. bastante espinhosa. tronco tortuoso ou ereto. onde ocorre em áreas úmidas. Por ser de rápido crescimento. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. . a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. algumas arbóreas e outras lianas. Pata-de-boi e Unha-de-boi. folhas glabras. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. dadas as características morfológicas de suas folhas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. assim como em quase todo o Brasil. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm.

fruto levemente estipitado. especialmente de ruas e avenidas. quase reto (Figura 18. flores diclamídeas. ferrea var. Dados botânicos Arvore de grande porte. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. além de largamente empregada como espécie ornamental. ferrea e a C. ultrapassando o cálice gamossépalo.2). folhas bipinadas com folíolos oblongos. São muito comuns duas variedades: a C. na forma de decocto. leiostachya. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. é utilizado contra asma e bronquite. Jucá. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. A espécie é heliófita. aquecido até formar um xarope. ao passo que o preparado de casca de jucá. botânico italiano. ferrea var. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. na região amazônica. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. podendo chegar a 15 m de altura. hermafroditas. Muirá-obi e Muiré-itá. além de ser empregado como fortificante para crianças. Imirá-itá. com tronco liso e cerne duro. é utilizado como . são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. após aquecimento. dez estames. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos.Caesalpinia ferrea Mart. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. casca de jatobá. Nomes populares A espécie é denominada. séssil. ovalados ou obovais. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. açúcar e água. folhas de manga. Suas folhas. além dos nomes indígenas Ibirá-obi.

1982). a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. folhas compostas. flores grandes e vistosas. No Piauí. 1982). Flor-do-paraíso. asma e como cicatrizante (Campêlo. . e em Alagoas. Considerada de origem antilhana. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. também é chamada de Flor-de-pavão. Espécie muito usada como ornamental. inflamações do fígado e baço. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. especialmente bronquites. sobretudo como cerca viva. 1984). contra tosse crônica.anticatarral. Baio-deestudante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios.) Sw. Chagueira ou Barba-de-barata. Caesalpinia pulcherrima (L. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. na região. com folíolos ovado-oblongos. glabros. a decocção das raízes é usada como antitérmico. pois floresce quase ininterruptamente. Na região da Mata Atlântica. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. A vagem crua é útil contra tosse. além do uso comum contra gripes. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. internamente. Em outras localidades do país. 1984). frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. bipinadas. Nomes populares A espécie é denominada. com até 10 cm de comprimento. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. resfriados e tosses. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos.

a raiz é acre. com rara ocorrência dentro de florestas. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. Em outros locais do país. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. amarga. descrito também por Carl Linnaeus. abortiva. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. estipuladas. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. sendo uma planta decídua no inverno. pela beleza da planta na época de floração. o fruto é do tipo vagem reta. febrífugas e venenosas. casca lisa e cinzenta. quando em grandes doses. externamente. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. tendo propriedades tônicas. as folhas e flores são usadas como tônicos. deriva do grego Kasia. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. excitantes. . Cassia multijuga Rich. dado à falsa canela. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. em doses elevadas. brinquedos. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. obtusos no ápice e com base irregular. folhas pinadas. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. largo e achatado (Figura 18. O nome do gênero Cassia. odontálgicos. A espécie ocorre em todo o Brasil. heliófita e pioneira. atingindo até 10 m de altura. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento.3). além de ornamental. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. Segundo Corrêa (1984). a casca é considerada emenagoga e. lenha e carvão. febrífugos.como emenagogo e abortivo e. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. febre e como purgativo. purgativos.

é indicada popularmente como antitérmico. no Piauí a infusão do caule. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Outras denominações são Folha-de-pajé. Lava-pratos. achatados. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Na região da Mata Atlântica. Em Minas Gerais. verde-escuros em ambas as faces. curto-peciolados. febre.. ramos quase cilíndricos. flores grandes. resfriado e diarréia (Grandi et . composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Manjerioba. folhas alternas.Cassia occidentalis L. Tararucu. racemos axilares. amarelas. beiras de estradas e próximo a culturas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Rioba. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Ibixuma. frutos do tipo vagem glabra. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica.4). infecções gerais. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. no Brasil é espontânea nas pastagens. Lava-prados. Majerioba. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. assim como em outras regiões do país. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. gineceu com ovário piloso. laxativo. Mata-pasto. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Mamangá. paripenadas com ráquis comprida. Maioba. Segundo Emperaire (1982). o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. estipulada e com glândulas na base. dispostas. gripes. diurético e colagogo (Gavilanes et al. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. com caule lenhoso na base.

como Mata-olho. e para constipações em bebês (Gupta et al. as raízes são consideradas um tônico. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. Na Amazônia peruana. como vermífugo (Nagaraju et al. as raízes são consideradas diuréticas. malária. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. dores menstruais e uterinas. Além disso. desordens do trato urinário. 1979). sarna e doenças de pele (Bardhan et al. Na Índia. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. tinha e hemorróidas. febrífugo. A espécie C. na asma. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. inflamações nos olhos. purgativo. reumatismo. 1990). sudorífico. 1988). febrífugo e diurético. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. como antiinflamatório e. No Rio Grande do Sul. anemia. 1982). são utilizadas contra asma. mordida de escorpião. No Peru. Cassia reticulata Willd.. as sementes. 1990).. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. rins e bexiga (Simões et al. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. nos desarranjos menstruais. é utilizada contra doenças do fígado. No Brasil. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. mas também são utilizadas contra tuberculose. 1970). a raiz triturada é utilizada para epilepsia. estômago. reumatismo. 1986).. No Panamá. na forma de cataplasma. 1985). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. erisipela e tuberculose. Em outras localidades do país. problemas hepáticos. doenças venéreas. internamente. preparadas como o café. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra.al. 1994).. diurético. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal.. . emenagogo. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup.

como antitérmico e diurético. base assimétrica.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. com casca dura. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ápices acuminados. Jutaí. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jatai. flores brancas vistosas. Jutaí-açu. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. fruto doce. entre outros. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. os frutos são vagens delgadas. Nomes populares No Vale do Ribeira. folhas compostas. Hymenaea courbaryl L. negras. dispostas em cimeiras terminais. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. alternas e pilosas. Jutaí-do-campo. farinhento e comestível. Algarobo. lisos. Olhode-boi. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. marrom. brilhante. com até . Jutaí-peba. Jatobá-de-anta. Abati-tambaí. Jutaí-café. nome dado à planta em quase todo o Brasil. tronco ereto e ramos glabros. Jatobá-roxo. Jatobá-de-porco. a espécie é conhecida como Jatobá. com 6 a 15 cm de comprimento. Jatobazeiro. 1994). Também é chamada de Jatobá-mirim.

O nome do gênero deriva do grego hymen. microstachya (Meyre-Silva et al. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. Caesalpinia O extrato benzênico de C. enquanto o xarope da casca do caule. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites.15 cm de comprimento.. estimulando a digestão e fortificando o organismo.forticata (da Silva et al. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. ferrea forneceu sitosterol. vermífugo. Yadava & Tripathi. é eficaz contra tosses. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. e a seiva é excelente tônico para crianças. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. enquanto a madeira é usada na construção civil.. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. o deus da união. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. ácidos . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente em crianças. com florescimento entre outubro e dezembro. sedativo e peitoral. É uma espécie semidecídua. 2000) e os flavonóides kaempferol. sendo usada na arborização de parques e jardins. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. 2001. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. em alusão aos dois folíolos. ácidos palmítico e octacosanóico. 2000). quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. além do uso contra bronquite.

6p-cinamoiloxi5a. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1983).. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il.6-dimetoxi-l. sapanol.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.. 1978) e 2. quercetina.. episapanol. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. brazilina (Namikoshi et al. 1987).ll.. 3'-0-metilepisappanol... 3'-0-metilbrazilin.. 7p-vouacapenediol. 3'-0-metilsappanol... 1985). 8. beta-amirina. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra. 1978). ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. 1997). 3'-deoxisapanoI. 1987b. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina.. 4-O-metilepisapanol. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. 1997b). 2002).. miricetina. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. taraxerol (Yadava & Nigam. 8metoxibonducelina.. . 1997). Foram isolados os flavonóides: rutina. 1977). 1986. Da madeira de C. Das cascas e raízes de C. Peter et al. 1973). cianina. Kim et al. 1997a). 1987) e pulcherriminas A. 1954). C e D (Peter et al. Das sementes de C. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1987a).. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. leucodelfinidina. bonducelina. sappan foram isolados octacosanol. lupeol. ácido 3.14-didehidro-5a-vouacapenol. 1996)...4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1977). pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra..9.. bondenolídeo. B. lup-20(29)-en-3beta-ol.. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 1983). De diferentes partes de C. sapanona B. bonducelpina A. protosapina (Namikoshi et al. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. pulcherimina. 1987e). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. B.4. 1997)..5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 4-O-metilsapanol. quercetina (Rao et al. 1987c). neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al.4benzoquinona (McPherson et al. beta-sitosterol. 1978). 4. 1997). 8metoxibonducelina. alfa-amirina. C e D (Patil et al. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al.

. platyloba. 1977. Kitanaka et al. brasilina e protosapaninas A. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. Dos frutos de C.. B e C (Namikoshi et al. Das sementes de C. Foram isolados alcalóides de C. (Kitagawa et al.. a espécie C. 1977). multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. hintoni (Contreras et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al.. Na espécie C. 1985)... japonica (Namikoshi et al. glicosídeos de C.. saponinas. 1987a). cacalaco e C. sapanol. 1983). C.. taninos. 1987. sapachalcona. dicopetala (Chowdhury et al..8-di-hidroxiantraquinona (Costa. Fuke et al. 1996) e de C. além de xantonas (Wader & Kudav. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al.. isoflavanóides de C. caladenia e C. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. 4-O-metilsapanol. Do Fedegoso. glicosídeos (Singh. digyna (Mahato et al. sitosterol. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 1982).. 4-O-metilepisapanol. glicosídeos cardiotônicos. 1987f). sapanonas a e b. pumila foi analisada. 1997). ácidos linoléico e palmítico de C. 1987d). 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. 1995). et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 1994).. C. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides.Das raízes de C. Da madeira de C. . sappan (Nigan et al. episapanol. isolaram-se 1. 1996). 1977). 1986). leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. 3-deoxisapanchalcona. 1988).. sappan (Saitoh et al.. M.. S. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1986. occidentalis. Cassia Da espécie C. M. isoliquiritigenina. 1996). reticulata. C. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. sappan (Namikoshi & Tamotsu. 1985). major foram isoladas caesaldekarinas A-E. vários compostos aromáticos de C. buteína. 1981). sitosterona.. Namikoshi et al.

. roxburguinol e um novo estilbeno. 1989). questina.. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. mirístico. 1977) e os ácidos cáprico. Da raiz de C.1987. 1987). Das sementes de C. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. ácidos monoenóico.. De C.7-dihidroxi-3metilxantona. palmítico. 1986).. 1987). renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1979). J. triglicerídeos (Zaka et al. 1988a). senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. Telange et al. l. occidentalol-1. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo.. 1987). occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. crisofanol.. & Singh. 1. 1987). Das folhas de C. 1987. 1996). alfa. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. De C. esteárico e oléico (Alencar et al. 1988b). 1986). 1982) e das raízes (Singh & Singh. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. Das superfícies das folhas de C. J... 1986. roxburguina. 1985). além de flavonas (Guptaetal. 1990). 1978). crisofanol. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. emodina. occidentalol-2. dienóico e trienóico (Zaka et al.. occidentalis foram isolados pinselina.. 1989).. germicrisona. Das sementes de C. bis (tetrahidro) antraceno. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. De C. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. . Foram isolados das sementes de C. 1990).e beta-amirina. roxburguina (Ashok & Sarma. 1985). 1987). pinselina.. 1989a). além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. Singh.

flavonas. 1986). 1997). o senosídeo é o principal desses derivados. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. além de ácido palmítico. oléico e linoléico. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.Das raízes de C. flavonóides (Wassel & Baghdadi. questina. 1988). além da presença de beta-sitosterol.. 1988). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. aurantioobtusina. obtusina. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. Ishidaet al. beta-sitosterol e l.. linoléico. 1984). 1989). que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1990). Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. glicosídeos. De C. antraquinonas (Zhang et al.. 1985).. 1986. 1979). 1987. 1986).. malválico. polissacarídeos (Khare et al. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al.. O perfil fitoquímico de C. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. colesterol. De C. 1988). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. succínico e tartárico (Matsuura et al. 1987) e emodina (Yang & Wang. flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1978). Metil palmitato e metil oleato. .. obtusifolia foram também isolados obtusina. crisoobtusina. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. De C. esteárico.. De C. m-cresol. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. 1987). o aminoácido histidina (Zhang et al.. Asamizu et al. estigmasterol. flavonóides (Crawford et al. 1988). 1989). 1986). oléico. e das folhas. 1990). 1980) e os ácidos palmítico. De C. ácido crisofânico. angustifolia não difere muito do de C. 1977). uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al.. .. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. 1986). polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al.. De C. obtusofolina. Nas sementes de C. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. emodina. 1989).. obtusifolina e estigmasterol..3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo.. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. fisciona.

1988). javanica apresenta nonacosano. De C.senosídeos das folhas de vagens de C. palmitato.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. emodina. Chowdhury et al.. 1978). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . flavonóides (Srivastava & Gupta. 1988).. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. De C. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al.. reina.. Das vagens de C. 1990). ácido behênico. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. De C. O extrato das folhas de C.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. aminoácidos (lisina. proteínas brutas.. 1990). palmitato de beta-sitosterol.. Do óleo das sementes de C. treonina e leucina). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. fistula e das cascas de C. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. 1987).. 1988) e antraquinonas (. renigera possui ácidos vernólico.Ahuja et al. oléico. fistula e C. behenato de beta-sitosterol.. 1981). Das cascas do caule de C. Das folhas de C. beta-amirina. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. . De C. arginina. 1987). 1978). ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. Das raízes de C. triacontano. 1990). 1989a).. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. linoléico. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1990). O óleo da semente de C. 1990a). 1977). estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1987b).. araquidato de beta-sitosterol. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. 1988).. 1987b. 1990). 1991). As cascas do caule de C. Das sementes de C..De C. fistula (Cano Asseleih et al. butirospermona. carboidratos. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. glauca foram isolados os ácidos palmítico. malválico.... singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. esteárico. triptofano. ácido glutâmico e aspártico. 1988).

De C. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.Das partes aéreas de C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 1988). dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. spectabilis foram isolados antraquinonas. . 1989). além de alcalóides (Christofidis et al. oléico. Cassia laevigata (Singh. R. emodina. 1988). Das raízes de C.. emodina e rheina) (Krambeck et al. Das sementes de C. 1987).. Sen et al. fastuosa foram isolados os glicosídeos.. estérico. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. holosericea é predominantemente de ácido láurico. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A... crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. C. 1988). 1997). 1988).. pumila foram isolados tetratriacontanol.. 1986).. palmitoléico. 1977). fisciona.. ácido quelidônico. 1987... marginata (Kumar et al. mirístico. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. (Baba et al. 1990). Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. Das flores de C. 1985). A composição dos ácidos graxos de C. De C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. B. De C.. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. araquídico e behênico (Khalid et al. C. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. De C. siamea (Khan et al.. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. linolênico.. 1978). ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. palmítico. 1987).. linoléico... De C. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. 1987). 1977). javanica (Singh & Jindal. 1985). Das folhas de C. 1986 e 1987). 1989) e nas sementes de C. C. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al.. 1986. 1988). 2-methoxistipandrona. 1989). Cassia javanica (Azero et al. sericea (Muralikrishna et al.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al.

1997). anticoagulante (Milagres et al.. Amaral et al. O. De C. 3- . 1991). 1987). 1985).. et al. O.. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1996... gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 2000). 1976) e proteínas de C.. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1988). analgésica (Carvalho. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. Bacchi & Sertié. tarapotensis (Braca et al. Os inibidores da aldose reductase.. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B.. Lemus et al. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. T. 2002a e 2002b). ferrea como antitumoral (Queiroz et al. 1995... J. sapanchalcona. J.. 1991).. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. et al. Munoz et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. 2000. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W... 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos... leiostachya (Moura et al. malabarica e B.. 1986). 1995. Rossi-Ferreira et al. Nakamura et al. 1998). et al.. 1999).. O uso crônico de B. antimicrobiana (Cebalhos et al. Lopes et al..forficata e B. C. guianensis (Kittakoop et al. candicans (Pepato et al. Extratos de C. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. 1990) Lima. et al. 2001. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson.. A espécie C. 2001) e antimolarial de B. antiedematogênica. 1977). 2002.. 1986). E. C. 1996).. 1994. contêm caesalpina P. 1998). Estudos mais recentes têm apontado C. antiinflamatória (Carvalho.

1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al..deoxisapanona.. antiparasitária. Sama et al. Sadique et al. hepatoprotetor (Jafri et al. 1978. 1997).. protosapanina A. 1994.. 1976) e. antifúngica. antiviral contra hepatite B (Patney et al. 1987). A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. 1962). 1987.... Schmeda-Hirschmann et al. Cassia Nas folhas de C. in vitro. A brasilina isolada de C. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1996). de relaxamento do músculo liso. 1989). Hussain et al. inibitória da hemólise. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. Feng et al. O extrato metanólico de C. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al.. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. 1993. vasoconstritora. 1992.. De C. 1997). 1985)... Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon.... 1999). occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. de estimulante uterino (Saraf et al. 1995a). antibacteriana.. hipotensiva. 1996).. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. 1991. antimalária (Gasquet et al. . 2001). Caceres et al..

Estudos com as sementes de C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.pudibunda (Cavalcanti et al.. obtusifolia (Kitanaka & Takido.. C. De C. alata quanto C. garrettiana foi isolada a 3. 1984). lugustrina (Abhaham et al. 1990). pudibunda (Cavalcanti et al. acutifolia. 1990). 1986). O extrato a 10% das folhas de C. As sementes de C. Os resultados finais indicaram que tanto C.5'-tetrahidroxistilbene.. garrettiana (Inamori et al.. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. 1988 e 1989).. 1990). 1986a). 1985). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. 1989). Nas sementes de C. 1991). 1989). utilizando as folhas de C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. espasmolítica com subs- . 1979) e C. acutifolia como controle positivo. 1990. Crawford et al. e C. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto.Das sementes de C. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. 1988). Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. O extrato das folhas de C. A fração polissacarídica de C.. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. 1988) e C. As folhas de C.4. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. As antraquinonas de C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al.. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1989). 1991). obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman.3'... citotóxica com extratos de C..

. pumila (Fatawi et al. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. 1979). O gênero Cassia produz.. Seu consumo indiscriminado é perigoso. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. na forma fresca. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. anemia. quinquangulata (Ogura et al.. 1979) e C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. 1984). caracterizado por náuseas. apatia. roenwilana (Rowe et al. como substituta do café. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso... em razão de seus efeitos hepatotóxicos. fistula (Babbar et al. dispnéia. purgativa dos glicosídeos de C. 1977) e antivirótica com extratos de C. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. antitumoral com extratos de C. seca e/ou torrada. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. Colvin et al. ferrea. fistula (Bhardwaj & Mathur.. vômitos. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. Salienta-se que a espécie C. cansaço e dores.. A administração de folhas de C. em geral. 1979). 1985). 1986. C. 1991). 1986b). cavalos e cabras. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. 1985). amplamente utilizada pela população. cólicas abdominais e diarréia. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. 1987). especialmente por crianças.. diarréia. que apresentaram um quadro de ataxia. A espécie C. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. 1998)... A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas.. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. em muitos países.tâncias isoladas de C. angustifolia (Nakajima et al. 1986).

Millettieae: Tephrosia. Myrocarpus e Ormosia. Psoraleae: Psoralea.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Derris e Lonchocarpus. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. um importante produto alimentar no Brasil —. Dypteryxeae: Dypteryx. Trifolieae: Medicago. Crotalarieae: Crotalaria. Dioclea e Mucuna. Cymbosena. Sophoreae: Sophora. Diplotropis. 1978). Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Canavalia. Desmodieae: Desmodium. Vicieae: Vicia e Pisum. Cajanus. onde se encontram plantas (Barrozo. Indigofereae: Indigofera. Robinieae: Sesbania e Robinia. Genisteae: Lupinus. Abreae: Abrus. Nos estudos realizados na região amazônica e . • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais.

1984). enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. dores de barriga e diarréia e a infusão. podendo atingir 3 m de altura. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. gripes. comprimida. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. dispostas em pedúnculos axilares. com ramos angulosos. Guandu ou Feijão-guandu. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. . A espécie possui um grande valor econômico. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. contra constipação nasal. Espécies medicinais Cajanus cf. Erva-do-congo. Ervilhade-angola. mas há divergências quanto a essa classificação. de onde partem folhas pecioladas. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. as quais são descritas a seguir. pinadas. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Andu. oblongos. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Cuandu. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. flores vistosas. sendo ainda forrageira. na Mata Atlântica. com ampla utilização em diversos países. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. Feijão-de-árvore. fruto do tipo vagem linear. compostas de três folíolos aveludados.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. na Mata Atlântica. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. em forma de bote. flores rosas. de Flor-da-terra. descrito por João de Loureiro. menos freqüentemente. acuminados e glabros. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. O nome do gênero Derris. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". por arbustos ou árvores. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. Nomes populares A espécie é chamada. . referindo-se ao legume. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. oblongos. fruto do tipo legume falcado. 1997). mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. flores rosas. reunidas em fascículos. com ramos tomentosos. e foi descrito por George Benthan.Cymbosema roseana Bent. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. significa "pele dura". a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. pediceladas. Dados botânicos A planta é uma enorme liana.

coriáceo. compostas. folhas alternas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. hermafrodita. Derris floribunda Bth. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. com folíolos articulados na base. fruto do tipo legume linear. Não foram encontrados sinônimos populares para ela.5). corola dialipétala. folhas pecioladas. sementes sem endosperma (Figura 18. pentâmera. revestida de pêlos curtos. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. a prefloração da corola é imbricada descendente. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. externa. ereto e com raiz bastante lenhosa. Desmodium tortuossum (Sw. cilíndrica. Dados botânicos Erva de pequeno porte. Outros nomes populares são Amores-do-campo. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. com uma grande pétala superior. flores fortemente zigomorfas.) DC. didamídea. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. com cálice gamossépalo. Trevo-da-flórida. trifoliadas e .

. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. todas conhecidas como Sucupira. pequenas. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. indeiscente. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Sapupira-da-mata. Diplotropis purpurea (Rich. Sicupira. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. pinadas e folíolos glabros. referindo-se à disposição das flores. fruto do tipo vagem. Paricarana. plano. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Outros nomes comuns são Favinha. com folhas compostas. fruto do tipo legume. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Cutiúba. O nome Diplotropis significa "duas carenas". com sementes pretas e duras (Figura 18. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. coriáceos. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. com ampla distribuição no Brasil e no México. misturada com enxofre. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cutiubeira.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava.6). reunidas em racemos. Sucupira-da-terra-firme. Sebipira. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Sapupira-preta. tendo um apêndice na base. Sapupira. Sapupira-da-várzea. O nome do gênero significa "feixe". flor com estandarte longo.

sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. grosso. de cor verde-amarelada. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. na região amazônica.Dipteryx odorata (Aubl. referindo-se ao cálice. Cumaru-amarelo. 1991). diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. Cumar-do-amazonas. flores vermelhas. imparipinadas. Cumaruzeiro.) Willd. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Nomes populares A espécie é chamada. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. podendo atingir até 35 m de altura. pecioladas. cigarros. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. e na produção de perfumes. servem para tratar a pneumonia. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. quando maduros e secos. Umburana e Kumbaru. O nome do gênero significa "duas asas". produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Imburana. . folhas grandes. alternas. charutos. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. dispostas em panículas pubescentes. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. compostas. quando passados sobre as costelas. de Cumaru. aromáticas. se fendem liberando a semente roxo-escura. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. frutos em forma de vagem drupácea. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. doces. caule reto. alimentos e uísque. de pequena espessura. que. além da famosa fava de cumaru. Imburana-de-cheiro.

Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. alternas. como reconstituinte das forças orgânicas. pecioladas. pela presença de Cumarina. flores vermelhas. 1991). febrífugo. essa espécie é utilizada como anticoagulante. emenagogo.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. Em outros lugares. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. aromáticas. para aliviar dores de garganta e. folhas grandes. podendo atingir até 3 m de altura. e os palikur. antiespasmódico. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. caule ereto. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. dispostas em panículas pubescentes. grosso. contra qualquer inflamação. internamente. antidispéptico. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. compostas de sete a nove folíolos. . antitussígeno. contendo casca de pequena espessura. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. cardiotônico. com semente oleosa e aromática. diaforético. para banhos fortificantes de crianças. diaforético. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. frutos em forma de vagem verde. imparipinadas. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. diaforéticas. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. narcótico e estimulante. contra contusão e reumatismo. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. emenagogas e cardíacas.

de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. sendo ainda expectorante peitoral. outros compostos . assim como a casca. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Outros nomes são Cabruê. Nomes populares A espécie é chamada. de ocorrência na América do Sul. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". sendo muito usada na indústria de cosméticos. indicadas nas lesões do sistema respiratório. portas e janelas de luxo. a mais estudada é a D. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. possui aroma balsâmico. A madeira. Bálsamo e Pau-de-óleo. urucu. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. com casca rugosa no caule. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. 1974). tinturas e perfumaria. para fabricação de carroças. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Pau-bálsamo. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga.. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Myrocarpus frondosus Aliem. Óleo-pardo. de Cabreúva. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. compostos 5-9 folioladas. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos.

. canadense (L. Nakatu et al.. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al.. e das raízes de D. 1993. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al.) DC. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1995b). 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. frutescens. 1997). 1985) e D. spruceana. lupinifolina e laxiflorina. E em D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. Das raízes de D.. 1995b) e D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. D. Do caule de D.. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Nascimento & Mors.. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. 1994). aparines (Link. 1997). 1986. 1986).. epoxilupinifolina e dereticulatina. 1976) e D. crisantemina e cianina (Matinod et al. Desmodium De D. também denominada D. B e C).) DC. obtusa (Nascimento et al. adhaesivum Schldl. 1991.. 1978). ou D. 1977). indica caracterizou-se a presença de carboidratos.. canarensis (Evans et al... 1989). Kimetal. N.rotenóides (Braz Filho et al.. 1961. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas.. hiravanona. senegalenseína. benthmii (Fellows et al.. Rao M. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. 1954). heterocarpon e D... 1973b) e saponina (Parente & Mors.. enquanto de D. D. glutinosum. oblonga e D. 1989). Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. lipídios. homoadonivenita (Batyuk et al. tortuosum. reticulata. et al. os flavonóides. Da espécie D. De D. 1962). 1988).. araripensis (Nascimento et al. 1996).. D. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. foram isolados. . Bell et al. incanum DC. foram isolados os flavonóides desmodina.8-difenileriodictiol. Flavonóides também foram isolados em D... Foram isolados alcalóides de D. As espécies D. 1976. Em D. 1978). amoena. proteínas. deguelina e tefrosina (Ahmed et al.. 1994). 1978).. Lin & Kuo. do seu caule e de suas folhas. 1977). D. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. D. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. D. 1978. laxiflora Lin et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. spruceana (Garcia et al.

) DC. ario-inositol e betapinitol. elegans DC. N. 3. hipoforina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. Ghosal & Bhattacharya. difisolina. normacromerina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1972). hipoforina e os alcalóides.N-dimetiltriptamina. beta-carbolina. genisteína. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. betaína. 1963). 1975). 1977. 1972. 1964) foram todos isolados de D. hordenina. Em suas raízes foram isolados abrina. 1-octacosanol. os alcalóides candicina. hordenina. gangeticum (L. Purushothaman et al.Os alcalóides bufotenina.) DC. Nakatu et al. 2-feniletilamina. Em D.. gangetinina.. O-metilbufotenina. N-N-dimetil-3. 1962. os flavonóides desmodol (Ueno et al. salsolina. leptocladina. cinarascens A. ácido octacosanóico. kaempferol e quercetina. além de canavanina (Beveridge et al.. caudatum (Thunb. Nmetiltiramina. desmodina. cinereum (Kunth) DC. . O D. galactopinitol A. Bell et al. 1978). isoquercitrina.. salsolidina.. os flavonóides hiperina. Purushothaman et al. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. Don. foram isolados mangiferina. desmocarpina.. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. 1983). De D. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. tiliafolium G. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. 1971). 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. 1969. 1984. e de D. possui os flavonóides dalbergioidina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. bufotenina N-óxido. gangetina... intortum) possui carboidratos. 1973).4-dimetoxifenetilamina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. também denominada D. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. A espécie D. também muito usado medicinalmente.4-dimetoxifenetilamina.

Adinarayana & Syamasundar. estigmasterol. 1982. nonacosanos. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. vitexina. 1966). Ahluwalia et al. 1995). laxiflorum foram isolados heptacosanos. 1985). isovitexina. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. triflorum (L. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. 1997). foram isolados os flavonóides apigenina. Kubo et al.. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. e de D sandwicense E. De Desmodium uncinatum (Jacq..) DC. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. ovalifolium (Giner-Chavez et al.. floribundum.. Anjaneyulu et al. N. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1978). kaempferol. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1986. e os alcalóides colina. b-sitosterol. podocarpum. também denominado D.. e os flavonóides isoliquiritigenina.) DC. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. o terpenóide lupeol. triquetrum foram isolados friedelina. 1989. Bell et al. 1965). De D.. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. os terpenóides beta-amirina. De D. heptacosanol. De D. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. 1977. 1963a e 1963b. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 7-hidroxiflavona. multiflorum. Mukherjee et al.1995. De D. 1971. e de D. 1965. 1989). 1984). Perez-Maldonado & Norton.. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. flavosativasídeo. 1962). compostos estes também isolados em D. tricosanol. Sreenivasan & Sankarasubramanin.. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. inositol.. e de D. estigmasterol. 1989)... 1968). Amor-de-velho-comum. ojeinese. De D. feniletilamina. ácido indol-3-acético.N-dimetiltriptamina N-óxido. De D.. 1989). lupeol. Kubo et al. De D. também conhecido com D. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. 1961 e 1962. pinitol e canavanina (Beveridge et al. homoferreirina.. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. . 1996). também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. vitexina e xilosilvitenina.. 1995).... epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. racemosum. formononetina.

1982). lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.1973a). 1.3epimetoxilupanina. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.. .

Das sementes de D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. pois suas sementes são ricas em Cumarina. odoratina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1993). 2000. Togashi. isoflavonóides (Lourenço et al. odorata apresenta um grande valor comercial. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. punctata (Gruenwald. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. alata foram determinados 40% de óleo. flavonóides (dipterixina.. 1952). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). retusina). De D. odoratina. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1994).. A espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1995).. Das sementes da espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. cumarinas (Ehlers et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. além dos terpenóides betulina. 1995. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al.. . retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1991). 1952). 1996). punctata (Gruenwald. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. flavonóides (dipterixina. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1994). alata foram determinados 40% de óleo... 1966) e beta-farneseno (Matos et al. odoratina... 1981). De D. além dos terpenóides betulina.Dipferyx De diferentes partes de D. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1995). 1994). odoratina. 1966). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. De diferentes partes de D. Nakano et al...

e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. Aragão & Valle. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. 1979). 2001).. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. 1999. micou.. Das raízes de D. 1972). também conhecido como Timbó. D. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al.. De Derris sp.. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. nicou (Costa et al. O extrato etanólico de D.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. urucu e D. 1987). 1998. Derris sp e D. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Foi isolada das raízes de D. 1997). Datta & Bhattacharrya.. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico... Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. 1997).... 1997). urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos.. 2001). De D.. 1996). elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. . sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 2002). indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al.

.. styracifolium. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. B e C.. O extrato de D. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. 1997). e os taninos isolados de D.. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy.. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Tolera & Said. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1988).. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. De D. . O extrato de D. 1997). 1989). 1988). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. O extrato aquoso de D. D. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.A D. 1987). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.. 1996). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. 1999). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1996.. 1997). além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al.

Calliandra. Prosopis. Mimosa. Y. . 1987).. Albizia.. distribuídas em cinco tribos.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al.. urucum provoca irritação da pele. et al. Inga. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. M.. Zollernia e Acácia. 1993). das quais destacamos os gêneros Parkia. doses elevadas podem causar náusea.950 espécies descritas. Leucaena. 1998). das sementes de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Adenanthera. 1991). 1996). tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. vômito. muitos deles de valor medicinal. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali.

pinadas. . O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. com grande ocorrência na Amazônia. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. compostas por folíolos ovais. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. Em outras regiões do país. Ingá-grande e Jambolão. flores reunidas em espigas terminais. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). encontradas em áreas tropicais e temperadas. a espécie é chamada de Mocitaíba. na região da Mata Atlântica. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Nomes populares A espécie.) Willd. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Laranjeira-do-mato. Zollernia ilicifolia Vog. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. é chamada de Espinheira-santa. repletas de glândulas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. pecioladas. Moçataíba e Orelha-de-onça.

1996). alba. .. 1991).3'4'-trihidroxiaurona e 7. flores rosadas (Figura 18. e o nome deriva de Hohenzollern.7). I. nobilis.3'. incluindo dores. I. longispica. Maytenus ilicifolia).oblongas. stipularis (Kraus & Reinbothe. I. 1973).. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. I. sertulifera. I. I. Foram isolados alcalóides das espécies I. a antiga casa regente prussiana. paterno (Morton et al. parviflora foram isolados os constituintes 7. I. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. bourgonii. I. I. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais.4'trihidroxi-6. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. semialata. heterophylla.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.8-dimetilflavona (Correa et al. 6. laurina.7. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. 5. com margens onduladas e providas de espinhos.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. farmacológicos e toxicológicos. oerstediana e I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.

S.1 .FIGURA 18.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M. . Reis).

Caesalpinia ferrea. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .2 .FIGURA 18.

3 .FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.

FIGURA 18.4 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939). b) escanerata do ramo com flores e frutos.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .Banco de imagens - .Derris floribunda.FIGURA 18.

6 .Banco de imagens - .Diplotropis purpurea. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 18.

Zollemia ilicifolia. Reis).7 . . S. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.FIGURA 18.

19 Myrtales medicinais L. A. assim come outras espécies de valor econômico. Melastomataceae e Myrtaceae. Punicaceae. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. 1978). que inclui o gênero Punica. arbustivas. Di Stasi C. com inúmeros representantes no Brasil. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. distribuídas nos 188 gêneros. da famosa Romã. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. a Punica granatum. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. C. 1997). São plantas herbáceas.950 espécies. e as duas famílias aqui descritas. que incluem espécies medicinais. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley.

com folhas ovais e cordiformes. ereto e piloso. 1998). muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal.) DC. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Salpinga.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. roxo. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. nervadas e pubescentes. essa espécie é chamada de Quaresma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. Miconia. ambas pela indicação popular na região amazônica. flores pequenas. em outras regiões. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Neste estudo. Microlicia. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Nomes populares Na região amazônica. brancas ou rosas. que descreveu inúmeras patologias em plantas. dispostas em cimeiras. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. . Huberia. ou Pixirica. fruto do tipo baga. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. na região amazônica.

Enzimas séricas indicam provável dano hepático. planas. Os . flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Pimenta. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae.. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. Pseudocaryophyllus. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. oeste da Índia e América tropical. e várias outras em climas temperados. 1997) arbustivas e arbóreas. Leptospermum e Melaleuca.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. 1990). Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4.620 espécies (Mabberley. Eucalyptus. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Eugenia. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Psidium. bem representada na Austrália. Syzygium. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. de onde partem folhas de pecíolo longo. Essa família inclui gêneros como Myrtus.

Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). 1998). cultivado ou adquirido no comércio. leucoantocianinas. Eugenia (Pitanga. taninos. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. .constituintes dessa família incluem. flores pequenas. além de óleos essenciais. No Brasil. 1996). bastante aromáticas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. dispostas em corimbos. oblongas e glabras. rosas ou avermelhadas. congestão nasal e dores de cabeça. para o alívio de dores de dentes. opostas. ácidos fenólicos e ésteres. Cereja-nacional. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. especialmente as flores. Araçá). as partes aéreas do Cravo-da-índia. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. E uma espécie exótica. com folhas pecioladas. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. são usadas no local. Myrciaria Gabuticaba). fruto do tipo drupa.

Guaiaba. é indicado contra diarréia. por outras. com cálice membranoso. galhada. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. de sabor agradável. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. esmagar. ovadolanceoladas. curto-pecioladas. é útil contra hemorróidas. edema e. Na região da Mata Atlântica. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. com caule tortuoso e casca lisa. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. folhas opostas. para regulação do ciclo . os brotos de goiaba e de caju. e. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. flores hermafroditas. no entanto.1).Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Provém de psidion. significa "triturar. existem registros para a espécie como Goiabeira. contra diarréias. 1984). doenças da pele. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. internamente. actinomorfas. diclamídeas. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. brancas e com numerosos estames. Guaiava. botões florais tomentosos ou glabros. referindo-se aos frutos. fruto com baga amarela. que é a denominação em grego da planta. O nome do gênero. morder". Araçáguaiaba. Araçá-guaçu. Araçá-goiaba. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão dos frutos. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. Psidium. fervidos. usada externamente. o chá das folhas novas.

botões florais tomentosos ou glabros. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. no Piauí. de polpa abundante. sendo facilmente confundida com esta. actinomorfas. anticolérica e antiúlcera. misturado com folhas de salva-de-marajó. é antidiarréico (Amorozo &Gély. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. 1987. principalmente em diarréias infantis. folhas opostas.. com cálice membranoso. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. o chá das folhas. 1984). e o decocto. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países.. como estomáquico. 1980. como também os frutos. indisposição estomacal e vertigem (Forero. fruto com baga amarela. 1994). no Rio Grande do Sul. flores hermafroditas. 1986). As folhas de P. Grenand et al. no Pará. . Grandi & Siqueira. igualmente usados como alimento. Duke & Vasquez. antileucorréica. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. lavagens de úlceras. 1992). diclamídeas. 1982. Central. em Minas Gerais. brancas e com numerosos estames. guajava ainda são utilizadas na América Latina. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. 1988). o chá da folha. curto-pecioladas e glabras. misturado com folhas de pitanga. antidiarréica. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1982). guineense Sw. Psydium cf. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura..menstrual. 1982). com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa.

Ortega & Pino. óxido de humuleno.. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. cremoflieno.. vitaminas C e A. t-cariofileno. -cubebeno. 1990). -terpineol. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. borneol. p-cimeno. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 10 ácidos. -guaieno. Chyau & Wu. cetonas. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. Oliveros-Belardo et al. 1989. açúcares. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al.1-díetoxietano. 1996). -santaleno. 1990. e 95% são cariofileno (Latza et al. dos quais 13 são aldeídos. 1968). 122 componentes voláteis.. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1968. 1989. mirceno. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. O dehidrodieugenol. Pino et al. ésteres. 1978). 1987. 1996. além de taninos (Misra & Seshadri. 1987). derivado de eugenol. Marcelin et al. 1987. 1994). O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. pectina... Pino et al. 17 cetonas. 1996). 1996).. aldeídos.. 1. 1990.. apresentou atividade depressora do SNC. 1994).1-dietoximetano. denominados 1. himacaleno. Ortega & Pino.. -bergamoteno... Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. As diferenças quantitativas e qua- .. 1. 28 ésteres. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 31 alcanos.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. humuleno. -bisaboleno. p-menten-9-ol. 1986. 1989. Yusof & Mohamed.. 1981). 1982) e quercetina. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. lignina. 1987). acoradieno. alcanos. Wilson & Shaw.. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. Zheng et al. -cedreno.. 1991).

1987). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu..litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. Okuda et al.. palmítico. 1981). ácido oleanólico (Mair et al. 1974. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. Jain et al. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1987. 1996).... 1987)... (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Osman et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. oléico e esteárico (Opute. ácidos linoléico. O interior das cascas é rico em ésteres. óleo essencial (Ji et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. O extrato aquoso tam- . guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. flavonóides. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1978). 1987). 1989). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. A atividade antibacteriana das cascas de P. Ácido elágico. 1986). (1994) e Neri et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. Chen & Yang (1983). Hegnaurer. 2002. 1991).. e Maruyama et al. guaijaverina. polifenoloxidase (Augustin et al. 1987). 1979b. 1986). d-galactose. Lima Filho et al....

1995). explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.... Meckes et al. Lozoya et al.. et al... P.. 1994.. F. 1995). 1996a) de P.. 1995. 1990. 1997. A. F. A. 1989). O óleo essencial de P. 1996). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. 1994. guyanensins. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. A. 1994). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1993. Lutterdodt et al. et al.. A... 1995). pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. Shimomura. 1994). widgrenianum (Souza et al.. Morales et al. . propriedade anticatártica (Pinto et al.. F. 1992. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1996c. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. PonceMacotela et al. 1970). 2002. et al. guyanensis (Santos. 1983).. óxido e b-selineno). Grover et al.. 1990. 1993. O extrato de folhas de P.. e antitumoral de P. Santos et al. Lutterdodt. 1999). et al. A. incanescens (Zelnik et al. Cáceres et al.. incanescens (Santos. P. 1996a). 1994. (Santos et al. 1998). Cheng et al. Lutterdodt. Cáceres et al. F. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. De P. 1989..). anticonvulsivante (Santos... Do extrato hexânico das folhas de P. guyanensis. e eugenol e timol de P... 1996b) e P. 2000. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. et al.. Lozoya et al. A quercetina isolada de P. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1999)... 1994. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. F. pohlianum e Psidium sp.. 1988) e tosse (Jaiay et al. Das cascas de P.

FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.1 .

e apenas uma delas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. N. 1997). gênero de grande valor medicinal. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. a família Celastraceae. Seito F . representa importante fonte de espécies medicinais. Austroplenckia. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas.20 Celastrales medicinais L. .G. Os principais gêneros dessa família. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. são Celastrus e Trypterygium. C. Di Stasi L. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. nos quais se distribuem aproximadamente 1. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. que possuem espécies medicinais. ambos contendo espécies amplamente estudadas. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. e Maytenus. com atividade antifertilidade masculina.

Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). Nomes populares A espécie é chamada. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Espinheira-divina. axilares. Salva-vidas. denteadas. Maytenus aquifolium M. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Cancerosa. com acúleos. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. arbusto menor (de 1 a 3 m). bastante coriáceas. de Espinheira-santa. na região da Mata Atlântica. amarelo-avermelhado. copa globosa e ramos glabros. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa.cancerosa. dor do "ciático". flores numerosas. de onde partem folhas elípticas. atingindo até 9 cm de comprimento. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. ex Reiss. dores nas costas e úlceras do estômago. fruto do tipo cápsula ovóide. ápice agudo. glabras. . Também é conhecida como Sombra-de-touro. gastrite e ulcera péptica. Erva-santa e Congorça. Erva. Espinho-de-Deus.

1997).. Da infusão das folhas de M. 1995a)..Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al... oblongas. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. 1995). vermelho.. . 2000). amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. flores pequenas e axilares.. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas.. 1998). Das sementes de M. com ramos finos.. Foram isolados das cascas de raízes de M. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 1999). 2000). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. 2001) e triterpenos cetônicos de M.. 1995.. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. contendo folhas alternas. heterophylla e M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. krukovii (Honda et al. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. De M. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. fruto do tipo capsular. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. podendo chegar a até 4 m de altura. Dados químicos De M.. arbitifolia (Orabi et al. Foram também isolados um glicosídeo.

tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.16. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. chuchuhuasca (Shirota et al..21-trione (Nozaki et al.... Dos ramos de M. E-IV. E-I e E-II (Itokawa et al. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. 1994b). lup-20(29)-ene-3beta. e outros triterpenos (Gonzalez et al. E-II.. 7. Das folhas de M. De M. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al.. 1998). além de pristimerina. xuxuarinas F beta. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.. 1999). emarginatina-D. e escutidina alfa A foram isolados de M. cangoronina e ilicifolina. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. ilicifolia (Itokawa et al. 1993). 1991).8dihidroisoxuxuarina E alfa. . betulina. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. 1995a). Além disso. os triterpenos fenólicos canarol. Dos ramos de M.. iliocifolia (Shirota et al. E-V. 1992). De M. os triterpenóides beta-amirina. G alfa e G beta. macrocarpa (Chavez et al. 1993a e 1993b).. foram isolados das folhas de M.. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. 1994). 1998).30-diol (20). lupeol. além de epicatecol. Sesquiterpenos foram isolados de M. As cascas das raízes de M. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al.. 1994). E-III. ácido oleanólico e ácido betulônico.. 1996b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).30-lup-20(29) ene-triol e 28. canaradial. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al...30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. 7 alfa-hidroxicanarol.. triterpenos do tipo friedelana... emarginatina-E e emarginatinina. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 1999a e 2000).Gonzalez et al. 1992b). 1994). 1997). 1991b). os triterpenos 3-beta. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides.28.

assim como outro nor-triterpeno isolado de M. senegalensis e M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. isolados de M. A. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 2001). amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al.. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. 1971. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al.. 1999). ..... 1996). G.. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. Wang et al.. scutioides (Gonzalez et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. Dados farmacológicos M. 1996b).. 1981). 6 beta.. 1999). Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M.. assim como os compostos 6 beta. 1999a). 1996a).. 1999). O composto escutiona isolado de M.. catingarum (Alvarenga et al. 8 beta. 1996b). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. myrsinoides (Baudouin et al. -15-triacetoxi-l alfa.. et al. 1984). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 1996c). buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al.M. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. 8 beta. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. Gonzalez et al. Alcalóides foram isolados de M.. Nor-triterpenos isolados de M. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. macrocarpa (Chavez et al. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. De M. 2000.. M. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 1999b). canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1971).

senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. 1991... 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. et al.. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. 1999).O extrato diclorometânico de M.. G.. 2000). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 1991. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. . ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 2001.. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. F. Gonzalez.. As folhas e caules de M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. Oliveira et al. 2001). 2002). Queiroz et al.

corantes e de medicamentos. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.100 espécies tropicais. com importantes espécies fontes de madeiras. ambas com várias espécies medicinais. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. 1978). ocorrem 32 gêneros. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Byrsonima. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Vochysiaceae e Krameriaceae. . com aproximadamente trezentas espécies. C. contendo cerca de 1. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. 1997). Polygalaceae. arbustos e lianas (Mabberley. além das duas referidas a seguir. usada na produção da Ayahuasca. No Brasil. especialmente árvores. Trigoniaceae. bebida alucinógena. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea.21 Polygalales medicinais L. Malpiguia e Stygmaphyllon.

bastante pubescente. . nas raízes formam-se grandes tubérculos. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira.) Juss. e. significa "estigmas foliáceos". externamente. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. dor de estômago e gripes. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Gordura-de-porco ou Cajuçara. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. grande e robusta. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. de folhas cordiformes. glabas na face superior e sedosas na face inferior. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. O nome do gênero Stigmaphyllon. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. arredondadas.) Juss. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. contra icterícia.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss.

Essa ordem. o Guaraná. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. R. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Simarubaceae e a outra família. que contém. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Simaroubaceae. além das espécies aqui citadas. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Das demais famílias dessa ordem. M. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil.22 Sapindales medicinais C. . essas espécies serão descritas a seguir. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. Rutaceae. Picrasma e Brucea. A. Ailanthus. Quassia. Souza-Brito L. destacando-se as famílias Burseraceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Hiruma-Lima A. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. especialmente dos gêneros Simarouba. Cupania e Serjania. especialmente no Sistema Nervoso Central. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. inúmeras espécies medicinais. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. C. Anacardiaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Sapindaceae. Meliaceae. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes.

além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. descrita por John Lindley. sendo pouco referida e usada em populações urbanas.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. reúne setenta gêneros. arbustos. Nessa família. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. pertence à ordem Sapindales. Além dos usos medicinais. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). A espécie Mangifera indica. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. subclasse Rosidae. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Spondias e Schinus. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. Semecarpus (Semecarpeae). relatados a seguir. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. nos países de clima temperado. amplamente consumida . com aproximadamente 875 espécies. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Essa família botânica inclui árvores. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. tais como Caju. 1997). lianas e raramente ervas pereniais. as espécies Pistacia lentiscus. No Brasil. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Do mesmo gênero. Manga e Pistache. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. distribuídas em regiões tropicais. Desses gêneros destacam-se. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Spondias. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). Schinus. Mangifera.

sendo também denominada Cajuaçu. as flores. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Caju-da-mata (Amazonas). carnoso e raras vezes doce (Figura 22. o fruto em forma de drupa é peduncular. não foi referida na região de estudo como medicinal. Pará e Mato Grosso. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. perfumadas. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. entre outras tribos indígenas. de 25 a 30 m de altura. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. .1). Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. dispostas em panículas. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. ovário súpero com um só óvulo. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Caju-assu. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Engl. Cajuí. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. com tronco de casca lisa.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. especialmente no Amazonas.

assim como a própria castanha. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento.2). e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. várias outras denominações são usadas para a espécie. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. Caju-de-casa. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. Cajumanso. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. as flores. ou simplesmente Caju. tais como Acajaíba. tomando-se um copo por dia. no entanto. heliófita e que cresce bem em solos secos. significa "semelhante ao coração". O nome do gênero. Caju-manteiga. o óleo da castanha. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. É uma planta decídua. glabras. Contra diarréia. o fruto é do tipo aquênio reniforme. pecioladas. onduladas. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. ovadas. Acajuíba. raspa de amor-crescido e cajá. O óleo é usado na produção de borracha. com um só estame fértil. Além dos usos medicinais descritos a seguir. ovário unilocular. em referência ao nome de seu fruto. possui importante mercado nacional e internacional. Para hemorróidas. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Caju-da-praia. plástico e resinas. as folhas são alternas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. pequenas e de coloração pálida. Economicamente. Anacardium. reticuladas e nervadas em ambas as faces. entre outras.Anacardium occidentale L. O . são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas.

Grenand et al. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. uma infusão de folha é usada contra diarréia. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. Cruz. 1995). 1993. P. assim como um potente adstringente. como um diurético. para controle das secreções vaginais.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. 1993). No Piauí. As flores são afrodisíacas. calos e verrugas. contra úlceras. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. depurativo e anti-sifilítico.. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. 1994). E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1992). brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. tonsilite e problemas de garganta. estimulante e afrodisíaco. tônico. Matos. e a maceração de folhas para tratar diabete. . contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. e a raiz. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. astenia. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. A resina é usada como depurativo e expectorante.. anti-helmíntico. 1984). utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. 1982). antidiabético e antihemorrágico (Verardo. purgativa. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. desordens urinádas e asma (Lima. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. debilidade muscular. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise... 1990. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. 1982). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. Em Juiz de Fora (MG). 1994. a casca é utilizada como adstringente. 1995). O suco das folhas serve como antiescorbútico. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético.

o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. sugere-se o uso com moderação.3). com copa bonita e arredondada. analgésico e contra coceiras. adstringente. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. febrífuga e usada contra afecções uterinas. como cicatrizante e contra gengivites. referindo-se às frestas da casca do fruto. caule tortuoso. Aroeira-do-sertão. estimulante e analgésico. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Bálsamo. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. lenha e carvão. Cambuí. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Aroeira-do-campo. Aroeira-vermelha. Coração-de-bugre. . tônico. Aroeira-branca. Aroeira-do-brejo. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético.Schinus terebenthifolius Raddi. Aroeira-da-praia. Fruto-de-sabi. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Fruto-de-raposa. com casca grossa. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. O nome do gênero significa "cortar". A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. mas é muito usada como ornamental. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22.

enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Acaju. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Em outros países da América do Sul. O nome Spondias significa "ameixa". do tipo drupa. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. ou mesmo Caju. Siriuela. especialmente árvores com resinas. o fruto. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. p-hidroxi- .O3). Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. referindo-se à semelhança com o fruto. sendo um composto característico das espécies deste gênero. O gênero Spondias. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. ou Cajá e Umbu. as flores são pequenas.Spondias purpurea L. Outras denominações comuns são Acajá. imparipinadas. descrito também por Carl Linnaeus. esverdeado e doce (Figura 22. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. 1994). ilustrado a seguir. como antidiarréico. referindo-se apenas à fruta da espécie. diurético e analgésico. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. Cirouela. O ácido anacárdico (C22H32. reunidas em racemos.4). Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. é ovóide. Acaiou. antiespasmódico. além de comestíveis. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). inclui espécies tropicais. com 5 a 7 m de altura.

antocianinas. limoneno. n-eicosano. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. ácido procatéquico. sódio e açúcar. ácido-p-hidroxibenzóico. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . álcool araquidílico. estigmasterol. 1987). além de Na. cicloartenol.. 1989). 1986). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. além de flavonóides voláteis (Pino. anacardeína (Sathe et al. cardanol. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. amido. também foram isolados (Costa. flavonóides. 1987). os seguintes compostos: acetofenona. C1. apigenina. (-)-epiafzelequina. narigenina. 1985). 1990). 1997). 1995). 1986). fenol. K e Ca (Thomas & Dave. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. quercetina. Al. agathisflavona.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. amentoflavona. esteróis. S. 1997c).. de diferentes partes da planta. glicosídeos de quercetina. anacardol. leucocianidina. kaempferol. 1973). P. Compostos derivados do ácido anacárdico.. Mg. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. (-)epicatequina. e de suas folhas foram isolados miricetina. derivado de resorcinol. taninos e açúcar (Nagaraja et al. aminoácidos. ácido gentísico. anacardol e cardol. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. taninos. robustaflavona. campesterol e colesterol (Dinda et al. aminoácidos. a-selineno e vitamina C (Gupta. a-amirina. Foram também caracterizados.

1992).. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. tocoferol. 1994). tocoferol e outros.. Muroi & . Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. 2000).. 1991. ácido salicílico. e raízes (Guerrero. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. tais como -catequina. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. ácidos esteárico. 2000). De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. 1994).. denominados geraniina e galoilgeraniina. -linolênico. aminoácidos variados. 1991). láurico. Escherichia coli. quercetina.. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . -caroteno.(Guerrero. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. palmítico. oléico. palmitoléico.Bacillus subtilis. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. Vários derivados do ácido anacárdico. Himegima & Kubo. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. 1994) e frutos (Augusto et al. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. 1991). Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol.. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. -sitosterol. 1993.. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. 1999). Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. 1994). flavonóides e triterpenos em suas folhas.

e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. O extrato hexânico das cascas de A. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. 1995).. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1993).. 1974. 1984a). Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. Jurberg et al.. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1991). meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. glabrata. 1992. . Souza et al. enquanto o cardol. 1994). mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. 1982). 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera.. Craveiro et al.epicatequina Kubo. 1993). occidentale foram avaliados perante a B. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.

Geraniina e galoilgeraniina.. Além disso.. isolada de A. 1991). França et al. . occidentale.. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 1992).. 2001. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 1982. 1993). 1983). Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. antiartrítica. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. pela presença do cardol (Hoehne...... Akinpelu. 1994).. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Barbosa Filho et al. Kudi et al. taninos isolados de S. 1992). as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1990). Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. responsáveis por irritação da pele. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al... 1982 e 1985. Abo et al.. 1981). 1980) enquanto. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. Dos extratos hidroalcoólico. 1999.. 2000. 1990. mombin. 1994). Mota et al.A epicatequina.. occidentale. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Spondias purpurea. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.4 . 1946). .FIGURA 22.

5 .FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.

6 .FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .Ruta graveolens.

540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. de acordo com o sistema de classificação botânica. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). mas alguns arbustos e árvores são des- . 1997). ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. como Umbelliferae. com aproximadamente 3. Hiruma-Lima L. Essa família inclui 446 gêneros. denominada também Umbellales. Di Stasi A ordem Apiales. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. C. A. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. as quais são descritas a seguir.23 Apiales medicinais C.

Pimpinella (Erva-doce). Erva-doce. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Eryngium e Alepidea (Eryngeae .Hydrocotyloideae). Muitas dessas espécies são cultivadas. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. optamos por incluir aqui apenas duas delas. No Brasil ocorrem poucos gêneros. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Petroselium (Salsa). densamente imbricadas. Coentro. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. 1998). Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.critos na família.Apioideae). Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Apium. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. com raízes fasciculadas. Cicuta. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. onde há amplo uso como medicamento. dunas e brejos. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . entre inúmeros outros. Apium (gênero do Salsão). dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). a Eryngium ekmanii. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Daucus (Caucalideae . Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. folhas alternas. Cominho e Salsa. muito comum na Mata Atlântica. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Coriandrum (Coriandreae . oblongolanceoladas. assim. Apium com características ruderais. fibrosas e caule florífero solitário.Saniculoideae).Apioideae). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. ascendentes. e Hydrocotyle exigua. tais como Cenoura.

vem de eros = "lã". referindo-se às fibras do rizoma. cordiformes. no entanto. na região do Vale do Ribeira. exigua (Urban. o sumo das folhas frescas. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. de Erva-terrestre. O nome do gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. capítulos esverdeados com flores pequenas. usado topicamente. de no máximo 1 cm de espessura. semelhantes a barba de cabra. Hydrocotyle hirsuta Sw. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. cíclicas. fruto subgloboso (Figura 23. folhas pequenas. Também é conhecida como Erva-capitão. var.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . crenadas.1). Eryngium. quando preparado em alta concentração. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. dos quais são emitidas raízes. lobadas e pilosas. torcidas antes de abrir. habitando em lugares úmidos.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. com nós. com flores avermelhadas. frutos pilosos. especialmente em crianças. inflorescência em capítulo. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. é considerado excelente contra dores de cabeça. diclamídeas e hermafroditas. espalhadas por diversos continentes. e aix = "cabra". Esse chá.

a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. Das folhas de E. 1997a). 1997).5-trimetilbenzaldeído. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. também encontrados em E. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. acetilenos. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 1997a). 1992). 1986).. anetol e alfa-pineno (Pino et al. campestre (Erdemeier & Sticher. diurético e. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. 1984). O extrato aquoso de E. 1986). De E. 1986). Hohmann et al. e cotyle = "umbigo". Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. planum (Hiller et al. bourgatii (Lam et al. ilicifolium (Pinar & Galan. foetidum L. . a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 1995). a DL50 por via oral foi de 1.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. Além de saponinas.. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. elegans (Campos & Garcia. 2002). foram isolados 46 compostos. 1985.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. 1999).4. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. maritimum (Lisciani et al... em altas doses. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al... comarinas e flavonóides. Glicosídeos foram isolados de E. emético. sendo majoritários carotol. foi ainda isolado o falcarindiol em E. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. 1980) e E. sendo 2. 1985).. farneseno.inclui 130 espécies cosmopolitas.

Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. Mackinlaya e Polyscias. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. mas raramente ervas. Hedera. com aproximadamente 1. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. da famosa Hera dos parques. no envenenamento do filósofo Sócrates. especialmente do gênero Cicuta. 1998). mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. ambos introduzidos no Brasil.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Centro-Oeste e Sul. utilizada como alimento. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. arbustos. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. e centenas de . especialmente em refogados e saladas. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. lianas. Árvores. No entanto. Schefflera. Panax. No Brasil ocorrem vários gêneros. 1997). Tetrapanax e Aralia. Tetrapanax. famosa por ter sido usada. e inclui 47 gêneros. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. Das inúmeras espécies descritas nessa família. Australásia e América tropical (Joly. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. segundo a história. e Polyscias. subclasse Rosidae. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. epífitas. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. são encontradas na família.

cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. Cuia. Cuia. e acias = "sombra". fruto indeiscente. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. Outras espécies do gênero. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. amplamente cultivada como ornamental. refere-se à forma da folhas. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. androceu com cinco estames. globoso.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. descrito por Johann Forster e Georg Forster. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. Cunha e Cunha-mansa. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. sendo também usa- . pela beleza de sua folhagem. grandes. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. cálice pequeno. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. O gênero Polyscias. pertencente ao gênero Polyscias. folhas alternas. variegadas. ovário ínfero.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. O nome popular da espécie. A espécie não foi completamente identificada. flores pequenas. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". Dados botânicos Arvore de pequeno porte. reunidas em inflorescências axilares. com larga bainha na base. usada internamente.

1989b. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1992). assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 2001).. Vo et al. 1989a.. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). scutellaria (Paphassarang et al. Barilyak & Dugan. 1995.. 1998). De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al.. 1992). 1994).. Proliac et al. Nas folhas de Polyscias sp. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Nesse estudo. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Chaboud et al. 1996. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico.dos como calmante por adultos. Glicosídeos oleanólicos. Lutumski & Luan. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1989c e 1990) e de P. 1992. 1986).... A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1990). Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. 1991). 1990. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan.. 2002. 1988. os autores demonstram que .. Em P. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Fulva (Bedir et al.

Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. A espécie P. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. assim como outras do gênero Polyscias. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. e de prolactina pela hipofise.1 . filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. FIGURA 23.Eryngium ekmanii. 2002).as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização.. associados àqueles referentes a outras da família. mostram que essa espécie. especialmente a Panax ginseng. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.

FIGURA 23.Banco de imagens - .2 .Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Apocynaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. demonstram que a ordem Gentianales. Loganiaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. C. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Apesar de não referidas no nosso estudo. Gentianaceae e Asclepiadaceae. Esses dados.24 Gentianales medicinais L. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. .Strychnaceae. Genistomaceae. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. A. Di Stasi C. apesar de pouco numerosa. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Gentianaceae e Asclepiadaceae -. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir.

900 espécies tropicais e subtropicais. Vinca. Rauwolfia. Tabernaemontana. . Aspidosperma. fornecedores de madeira. com destaque para ajmalina. muitas das quais trepadeiras e suculentas.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. subclasse Asteridae. Inclui espécies arbustivas. muitas das quais conhecidas como Mangaba. arbusto encontrado na Índia. Mandevilla. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Nerium. arbóreas. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Paquistão e Tailândia. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Hancornia. Catharanthus. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. e. com aproximadamente 1. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. como os gêneros Allamanda. aqueles que incluem espécies arbóreas. como Aspidosperma. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. inclui 165 gêneros. além dessas. ajmalinina. Nesse contexto. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Hancornia. e encontrado em várias outras espécies do gênero. entre as espécies de pequeno porte. herbáceas. os gêneros Mandevilla e Thevetia. muito utilizadas ornamentalmente. Java. Allamanda. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. a família possui espécies trepadeiras. serpentinina e reserpina. Thevetia. serpentina. Strophantus. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. 1997). Joly (1998) destaca. sendo esta última o mais importante. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. dentre os gêneros.

que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. alstonilina. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. tanto para os animais como para a espécie humana. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Alamanda amarela e Quatro-patacas. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Deve-se destacar. • do gênero Strophantus. a saber Allamanda cathartica. espécies ricas em glicosídeos. • do gênero Nerium. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. vinblastina e vincristina. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. . sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. as espécies Vinca major. as espécies Strophantus gratus. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. estrofantinidina e cimarina.• do gênero Vinca e Catharanthus. tem sido designada também como Catharanthus roseus. tais como majdina. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. cilastonina e também a reserpina. contudo. tais como alstonina. Orélia. especialmente a Nerium oleander. Wrightia e Aspidosperma. Himathantus sp. Dedal-de-dama. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. e Thevetia peruviana. tais como ouabaína. Vinca minor. segundo Evans (1996). A espécie Vinca rosea. destacando-se espécies do gênero Mandevilla.

O gênero inclui doze espécies tropicais. A folha é considerada excelente catártico. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. semilenhoso. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. espessas. enquanto a decocção das cascas da planta. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. com copa estreita e tronco ereto. . Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. especialmente em crianças. Segundo Corrêa (1984). Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte.1). Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. emético e purgativo. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. é considerada um excelente vermífugo. a planta exsuda látex considerado venenoso. glabras e verticiladas. especialmente cães e macacos. com folhas brilhantes. em animais domésticos. com a mesma indicação. axilares e fasciculadas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. purgativo e catártico. com tubo estreito e longo. contendo poucas sementes (Figura 24. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. fruto do tipo capsular. folhas simples. A infusão das folhas é utilizada como emético.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. usada internamente. Ucuuba e Sucuba. com casca rugosa. grandes. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. na forma de funil. sendo a A. atingindo até 20 m de altura. alternas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. em grande número. inflorescências com flores amarelas.

Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. coriáceas.) K. glabras em ambas as faces. O nome do gênero deriva do grego. significando "manto de flor". linear-lanceoladas. Noz-de-cobra. Coração-de-jesus. alcançando até 10 m de altura. sendo útil como anti-helmíntico. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. no entanto. ovaladas. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. todas encontradas na América do Sul (Plumel. especialmente no alívio de coceiras. especialmente em crianças. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. com um tronco de casca cinzenta. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. heliófita e secundária. grandes e brancas. Thevetia peruviana (Pers. acumi- . recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação).pecioladas. margens inteiras. folhas alternas. contendo sementes aladas. frutos geminados em forma de chifres. 1997). simples. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Schum. sendo uma planta perenifólia. 1990). Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies.

Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. como pulseiras. em pó. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. As sementes da espécie são usadas como inseticida. além da sua utilização uso em vários países como emético. assim como outros inúmeros usos de várias par- . foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. triangular. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. 1962). Os usos dessa espécie como purgativo. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. purgante. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. revestimento de maracás (Corrêa. No Brasil. carnosas e glabras nas duas faces. 1985). aromáticas. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. 1984). 1997). purgativa e emética e de uso perigoso. 1984). O nome do gênero Thevetia. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. arbotifaciente. colares. a amêndoa. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. para provocar vômitos. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. especialmente do continente africano. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. contendo flores grandes. braceletes. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. É uma espécie muito usada como ornamental. das quais a referida é a mais conhecida e estudada.nadas. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. descrito originalmente por Carl Linnaeus. bactericida e como veneno para peixes. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. contendo sementes duras e grandes. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. com corola em forma de funil. fruto do tipo drupa carnosa. amarelas. A casca é considerada amarga e febrífuga.

-sitosterol. Dados químicos dos gêneros Allamanda. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. Foram isolados de A. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A.. Tewtrakul et al. 1993). além de lignanas como pinoresinol.-hidroximedioresinol. tais como de T. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. canogenina.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. plumierida. 1988). 1992b. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. 1989). além de 13-O-acetil plumierida. escoparona. 1962. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. -sitosterol.. . escopoletina. schottii. tevetina B. plumericina. a alanerosida. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. ovata e T.. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. -amirina. Corrêa. flavonóides. rutina e os iridóides plumierida. 2002). medioresinol. 1996.. como a A. e de suas flores. De outras espécies do gênero Allamanda. ácido ferúlico e ácido gentísico. O isolamento de diosgenina. 1988). ruvosídeo e neriifolina. Kupchan et al. acetato de lupeol. 1995c e 1995a). 1974). thevetioides (Perez-Amador et al. foram isolados do caule isoplumericina. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. kaempferol. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al.-O. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina.. neriifolia os compostos 9.Kader et al. também chamado tevetina A. são ricas em um glicosídeo a tevetina. 1985). Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo.. alamandina. assim como de outras espécies do gênero. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. 1986). 1984).tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke.1997. quercetina. 1992a e 1994).. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel.. perivosídeo. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. 1988).. As sementes de Thevetia peruviana.-hidroxipinoresinol e 9. 1996). cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. blanchetii (Ganapaty et al.

alcalóides... (1986). behênico e erúcico. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. 1995. triterpenóides (Wood et al.. neriifolia (Dinda&Saha. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1991). linoléico. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 2000). linoléico.. cáprico.. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. 1996). triterpenos e saponinas. De acordo com Obasi et al.. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1993). esperolactonas. esteárico.. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides.. Ali et al. Da espécie H. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1982). glicosídeos cardiotônicos. taninos e saponinas. taninos. oléico.. Foram descritos os ácidos mirístico. 1978). 1992) e em T. Guerrero. obovatus (Vilegas et al. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. linolênico. flavonóides. 1994. Iridóides também foram isolados de H. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda.. 1992) e H. 1990). 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. esteárico e palmítico. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. Da mesma forma. 1998). allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. Triterpenos como ácido olianólico. ácido metilperlatólico (Endo et al. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. follax (Abdel-Kader et al. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. Das folhas de T. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. taninos e saponinas (Gupta. e as raízes. ursólico.. enquanto as cascas possuem alcalóides.

mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. conhecida popularmente como orélia. cathartica e A. produziu atividades espasmogênica. violacea (Lima & Caldas. isolada dessa espécie. 1997). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1981). 1962). 1994) antifúngico (Tiwari et al. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 2002). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. Obasi & Igboechi. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain.. 1933).. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 2002) e antiofídico (Otero et al.. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1990.. 1990). 1994). O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. antimicrobiana (Neto et al. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al.. 2000).camundongos. 1991). . 1982a e 1982b. 1984. bexiga.. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. blanchetii (Melo et al. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. A neriifolina. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. Moraes et al. 1992). Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1945 e 1947).. Moreira et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1935). 1989).. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. Peruvosídeo e neriifolina. componentes principais da espécie Thevetia peruviana.... De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos.

e estudos recen- . 1999. e Thevetia peruviana e T.. Saraswat et al. 1996).Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. Frerejacque. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares.. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. Nerium oleander.5 g/ kg e 14.. 0. 1993).. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. para bovinos (Tokarnia et al.700 mg/kg é dose letal. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. Maringhini et al. 1996. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. 1933. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. gatos. efeitos tóxicos também são similares. 1996).. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 2000). Oji et al. 2000. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Eddleston et al. 1992). cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. 1996). 2002. Singh & Singh. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.. cobaias. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. peixes e outros animais (Chopra et al. No entanto. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al.. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos.. respectivamente.4g/kg.. 1933). O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 1958. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica.

Dessa forma. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. inibição da Na+. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. ou seja. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. Deve-se salientar. De todo modo.K+-ATPase. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. Da mesma forma. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. no entanto. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. incluindo o homem. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. 1996). Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. . A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. os quais ainda não foram estudados. dada a riqueza química da família. Observações Várias espécies dessa família. 1991). verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico.

Oxypetalum e Calostigma. mariana Dcne. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. e inclui 315 gêneros. e algumas de grande valor medicinal. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. Fischeria. Espécies medicinais Fischeria cf. 1997). sobretudo para animais. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. herbáceas e raramente arbustos e árvores. especialmente por seus efeitos tóxicos. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. trepadeiras. mariana. Sacamonoideae e Asclepiadoideae.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. subclasse Asteriddae. Tylophora e Calotropis. tais como Asclepias curassavica. Oxypetalum. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. No Brasil. descrita a seguir. com aproximadamente 2. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. 1986). . Inclui lianas. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo.Asclepias.

androceu modificado. L. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. especialmente a febre. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. membranosas. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. corola gamopétala. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. von Fischer. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. hermafroditas e de simetria radial. com lacínios conspicuamente crispados. foi realizado experimento de toxicidade. com pecíolos pubescentes. E. de onde saem as folhas simples.225 espécies cos- . sementes comosas. opostas. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. flores pentâmeras.2). fruto unilocular. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. nos quais se distribuem 1. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. com ramos pubescentes. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo).Dados botânicos Espécie de pequeno porte. diclamídeas.. com testa verrucosa (Figura 24. 1979). inclui aproximadamente 78 gêneros. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.

Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. Lisianthus e Coutoubea. reunidas em verticilos. Puruvá e Cutúbea. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. subtropicais e de clima temperado. especialmente do gênero Dejanira.mopolitas. com caule ereto de muitos ramos. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. dispostas em espigas simples terminais. flores brancas grandes e muito vistosas. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. sendo várias delas medicinais. Dados botânicos É uma planta anual. na região amazônica. de Carne-seca. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. amenorréia e como vermífugo. 1997). 1998). fruto capsular. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. desordens estomacais. mas também inúmeras espécies tropicais. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. folhas opostas e sésseis. Nomes populares A espécie é chamada. Dejanira. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. F. também sésseis. . e outras são usadas como ornamentais. a decocção das raízes é usada contra febre. 1978). amplexicaules e grandes. Voyria.

polipnéia. da famosa Strychnos nux vomica. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. Porém. tônico. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. diminuição da atividade motora e dores abdominais. 1979). foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. quando ingerida dentro de 24 horas. estudos de toxicidade. . e morte. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. lianas e ervas (Mabberley. diminuição da atividade do rúmen. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. destacamos apenas os principais: Spigelia. onde é cultivado como ornamental. Mas a C. hipotermia. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. taquicardia. e Strychnos. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. dentre eles.. 1997). com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. incluindo tanto árvores como arbustos. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. um dos encontrados no Brasil. febrífugo. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. 1984).Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas.

folhas opostas e ovais. No levantamento realizado. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. 2001). também constatado para a espécie S. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. a planta é narcótica e venenosa. 1978). nux-vomica (Shoba & Thomas. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. a maioria na Amazônia (Barrozo. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. nós na forma de uma cruz. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. Nomes populares Na Mata Atlântica. Noz-vômica e Quina-de-cipó. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo baga globosa. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. 2002). antigamente. glabras. que se refere à presença de mais de 190 espécies. em seus cipós. coriáceas e trinervadas. A planta recebe esse nome por possuir..Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. porém de S. . a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. flores amarelas em grande abundância. Segundo Corrêa (1984). as plantas com propriedades narcóticas. O nome do gênero designava. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al.

Allamanda cathartica.. 1996). 2000 e 2001. 1999). 1996). Rafatro et al... Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. 2000. guianesis (Penelle et al. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). .1 . FIGURA 24. S. mellodora (Brandt et al.. usambarensis (Frederich et al. S... 1996). S. 2000). myrtoides (Martin et al.. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Das raízes de S. 2001). 2001). panganesis (Nuzillard et al.A S. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 1998) e S. 1995)..... Quetin-Lecrerq et al.

2 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi . laniflora Dcne.FIGURA 24.Banco de imagens - .Fischeria cf.

25 Solanales medicinais L. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. C. das quais alguns exemplos são aqui referidos. N. G. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Gonzalez L. algumas vezes parasitas. lianas. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Solanaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Di Stasi F. Convolvulaceae. A. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita.600 espécies. Seito C. ervas. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. incluindo plantas herbáceas. arbus- .

raízes tuberosas. com folhas alternas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. suculentas. Na região da Mata Atlântica. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. que são cultivadas com fins comerciais. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. axilares e fruto capsular. aqui também descrita como medicinal. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. geralmente lobadas. . de Batata-doce. A planta também é conhecida. gengivite e dores de dente.tos e raramente árvores (Mabberley. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. para infecções da boca. flores brancas. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Ipomoea batatas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. como Batata-da-terra. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. 1997). pecioladas. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. rosas ou arroxeadas. ainda que raramente. em gargarejos. cordiformes. a espécie é cultivada e consumida como alimento. internamente. Nomes populares A espécie é chamada. Possuem inúmeras variedades.

Goda et al. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. com caules bastante entrelaçados. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. como é o caso de I. flavonóides (Zhou. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. I. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. carnea. com cinco lobos arredondados. de cor vermelhoviva ou rosa. muitas delas amplamente cultivadas. e de homoios = "semelhante". oblongata..Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. b-sitosterol.. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. 1996. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. I. friedelina. Delgado et al. sendo várias ervas. 1986). Dados químicos do gênero Da espécie I. I. I. enquanto as folhas são detergentes. como é o caso de /.. 1996). 1995). fruto capsular ovóide. tubérculos ou arbustos. 1996). Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. I. 2000. Muitas espécies são medicinais. folhas alternas.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. sinensis. acetil-b-amirina. comparando-se as plantas deste gênero. purpurea e I. coptica.. glabra. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). De . 1. ácido caféico e quercetina (Tan et al. hederifolia. cairica. pinatipartidas e pecioladas. batatas Lam. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". Alba. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. anti-reumáticas e laxativas. purpurea e /. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. cairica. de 5 a 18 cm de comprimento.

1987). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1986). muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. Das partes aéreas de I. Das sementes de I.. 1999). purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.I. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1996 e 1997).. as lignanas arctigenina. cornea.. os flavonóides 4'. 1990). 1996). 1997). reticulata (Mann et al. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1988). 1996).. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. também encontrados em I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. 1989). 1987). operculinas I-VIII ácido operculínico A. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. 1999a.. matairesinol e trachelogenina. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. (Sharma & Shukla. 1997). além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. alta concentração de cálcio e potássio. carnea Jacq. 1997).7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. adrenérgicos e . As folhas de I. carnea. hardwickii (Liu et al. Das sementes de I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al.. Das raízes de I. De I. e das flores de I. regnellii e I. é medido por mecanismos colinérgicos. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica.. quando administradas a cabras. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al... arctiina e matairesinosídeo. e também dibenzil-g-butirolactona. 1997). Diversos flavonóides foram isolados de I.. 1996). De Lima & Braz-Filho.

1992). sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1998).. O efeito tóxico foi observado no cérebro. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. Foram isolados de I. 1997). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros.. lianas e ervas (Mabberley. pescapae (Madeira et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al.não-colinérgicos (Hore et al. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. 1998a e 1998b).. dos quais 25 são endêmicos... Entre estes. O extrato diclorometano de I. 1990). A I. 2000). 1997). As sementes de Ipomoea ssp.. arbustos. conhecida popularmente como salsa-da-praia. 1994). Foram observadas também anorexia. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. stans três tetrassacarídeos. encontram-se árvores. com 2. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al.... 1995). 1991). tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1996). Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium...950 espécies subcosmopolitas. 1996). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. depressão. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1998). 1996). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. Os extratos aquosos. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. espasmolítica (Medeiros et al.

e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. da famosa Datura stramonium.• Solanoideae. Physalis. Nomes populares Na região amazônica. ainda do ponto de vista comercial e social. pelos nomes de Manacá-da-serra. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. do famoso Tomate. Cuvitinga e outras espécies. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. da famosa espécie Nicotiana tabacum. Managá-caa. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Brunsfelsia. na qual se encontram os gêneros Capsicum. importante ferramenta farmacológica e. Em outras regiões. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Manacá-açu e Jeratacaca. como Juá-bravo. e Solanum. fonte de nicotina. a capsaicina. com inúmeros representantes no Brasil. Gambá. descrito posteriormente. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Datura. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. dessa subfamília. tanto do ponto de vista farmacológico. . Lycopersicum. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. de onde se isolou. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Fumobravo. • Cestroideae. especialmente na espécie Hyosciamus niger. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Nos estudos realizados. entre outros inúmeros compostos. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. Don.

o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Dados botânicos Erva com muitos ramos. caule verde. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto esverdeado do tipo baga. ovário bicarpelar. bilocular. Joá. diclamídeas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Bolsa mulaca. Physalis angulata L. com anteras azuladas. Joá-de-capote. hermafroditas. O chá preparado com raiz de . semente rufescente (Figura 25. possui. pentâmeras. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. sem estipulas. ereto e crasso. bolha". Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos.1). flores dispostas em cimeiras. Nomes populares A espécie é chamada. folhas elípticas e acuminadas. especialmente na Amazônia. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. flores amarelas.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. referindo-se à forma do fruto. súpero. pequenas. muito ramificado. na região amazônica. androceu com cinco estames. Juá-de-capote. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. folhas inteiras. longo-pecioladas. Mata-fome. de Camapu. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. glabra. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. Mulaca. agudas.

. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1993). jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. 1994). 1998). 1984) e a raiz. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. 1980. dermatites e doenças de pele. Juuna e Juvena. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. em Minas Gerais. útil contra reumatismo. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. vômito. interna e externamente. e suas folhas têm uso diurético. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. No Brasil. bem como no combate a febre. Rutter. Juripeba. 1974-1975). 1982). As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1980). a infusão da sua raiz. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. contra icterícias (Schultes & Raffauf. hepatite e reumatismo (Forero. outros.. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. problemas hepáticos. 1990). da Amazônia brasileira. diuréticos e resolutivos (Corrêa. no Pará. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. 1980). malária. problemas hepáticos. os frutos são desobstruentes.. para tratar hepatite. contra vermes. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. na Paraíba. Jubeba. 1990). renais e de vesícula biliar (De Almeida. 1995). 1984).camapu misturada com raiz de açaí. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. No Peru. contra inflamações. Solanum paniculatum L.

além de ser indicada contra problemas do estômago. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. Inclui inúmeras variedades. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. sinuosas e acuminadas. de caule alado. brancos ou amarelados. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. es- . sendo úteis contra icterícia.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. desiguais. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes.700 espécies subcosmopolitas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. ereta. de onde é obtida pelos habitantes locais. dispostas em racemos. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. fruto do tipo baga globosa. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. flores brancas. Solanum tuberosum L. muitas delas de grande valor econômico. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). folhas alternas. todas cultivadas. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. flores em umbela. especialmente contra lombrigas. carnosos. alívio". O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. hepatite e febres intermitentes. lilás ou roxas. fruto do tipo baga redonda. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.

a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. cetonas. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários.25%) e ácido ricinoléico (0. 1995).. P peruviana (Gottlieb et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. obtido de suas partes aéreas.5%). No óleo das sementes de B. As sementes de B. Oshima .. Frolow et al. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. 1986). 1979a. ixocarpa (Abdullaev et al. 1996). 1985. Já da casca da raiz de B. P. 1980. Eguchi et al. nitida.5%). grandiflora. 1981). hidrocarbonetos. 1977). aldeídos. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.8%).. Na região. 1986. Do gênero Physalis. alkekengi (Kawai et al. ácido oléico (11. minima (Mulchandani et al.52%) (Maestri & Guzman. Glotter et al. Sinha et al. 1977a). 1987)... 1980. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. dos quais foram caracterizados. Gottlieb et al. P pubescens (Reddy et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. angulata (Row et al. 1977 e 1978). a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). 1994). 1980) e P. 1988. De B. P. Itoh et al. 1987... identificou a presença de 122 compostos. 1991). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al.. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al.. com ciclopropenóides. 1986). ácido palmítico (7.. espécie de origem cubana. P viscosa (Maslennikova et al.. peruviana (Sahai & Ray. 1986). Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al.... 1987. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. principalmente.. alcoóis e ésteres. Alcalóides foram isolados de P. 1985). Vasina et al.

hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. calcyina var.. A administração oral de B. O extrato aquoso de B. artrites. beta-sitosterol. angulata foram isolados ainda vitasteróides. 1988). fisalina B e quercetina (Gupta et al. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. Ripperger et al. além de alcalóides. Chen et al. 1993. vamonolídeo. De P. flavonóides (Ser.. 2001). Chen et al. vitangulatina A.. 1997. B. revelou atividade depressora do SNC. 1967a e 1967b). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo... 1997).. 1987b. ácido clorogênico. 1986).. 1975. minima var. aianinas. 1991). apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al... 1977). 1989. febre e picadas de cobra.. hopeana. bronquites. neoclorogenina. Shingu et al. 1990)... Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. vitaminimina. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. 1992a. 1990.. fisangulídeo. 1987).. Dinan et al. 1992). 1987 e 1990. 1988). uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. com extratos da raiz de B. indica foram isolados vitasteróides. Uma triagem hipocrática em ratos. acetil colina.et al. 1989. 1990). flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. figrina. uniflora. De P. 1983.. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al... 1968. Neilson & Burren. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. Moiseeva et al. Spainhour et al. flavonóides (Ismail & Alan. australis (McBarron & de Sarem.. floribunda.. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. 1986.. além de vitaminimina (Gottlieb et al. bonodora. 1990. 1988 e 1989). Banton et al. vitagulatina A. fisagulina A e K. pauciflora e B. utilizada para picadas de cobra. 1992b e 1992c). . Oliveira et al. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1990). 1987. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo.. enquanto das folhas de P. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Vasina et al. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. Já da raiz de B. B. glicosídeos.

Nos frutos de P. et al.. in vitro e in vivo. 1988). 1998b). M.. aos esteóides. 1992a e 1992b).. como movimento . 1987). antibacteriana (Hussain et al.. 1998). moluscicida (Almeida & Fonteles. et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho. T.. imunoestimulante (Carvalho. Silva. et al.. V. tripanossomicida (Barbi et al. antileucêmica. Carvalho. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. Soares et al. melanomas.. V. P. Barbi et al. 1993. et al. M. imunomoduladora (Rosas et al. Pietro et al. M. et al.. embora outros sinais também tenham sido verificados... 1998).. antiespasmódica. etanólicos e esteroidal mostraram. antiasmática. diurética... 1992a e 1992b). quando ingeridas em dose única ou repetida. 1998). 1998). constataram-se atividades hipotensora. M. 1997. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. niruri e P. Das folhas de P.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. et al. V. M. V. Os extratos aquosos. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas.. 1998.. G. antiviral (Otake et al. e a atividade imunoestimulante. M. 1998). entre outras (Lin et al. 1991. M. I.. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. anticoagulante (Kone-Bamba et al. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. Kusumoto et al. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. V. 1987). anti-séptica. M.. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. antimutagênica.. anticolinérgica (Fonteles et al. 1997.. Kurokawa et al. 1990). 1995. Chiang et al. 1990). 1998). 1998. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 2000). 1992... antigonorréica. citotóxica. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana.. et al. 2002.Para a Physalis angulata... V. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. et al. aqui descrita. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. Haussmann et al. 1998. incluindo leucemias. Ribeiro et al. O estudo dos vitanolídeos de P. alcoólicos. entre outras. 1989).

às vezes levando-o ao chão.Physalis angulata. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. falta de apetite.de mastigação. estiramento e contração das patas traseiras. Além disso. irritabilidade. salivação. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.Banco de imagens - . FIGURA 25.1 . Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . 1991). perda de peso.

Guimarães C. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. arbustos. M. espalhadas por todo o planeta. 1997). das quais se destacam as Boraginaceae. Nas regiões de estudo. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Amazônia e Mata Atlântica. A. freqüentemente . com aproximadamente 2. inclui 130 gêneros distintos. Di Stasi E. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae).26 Lamiales medicinais L. A família inclui árvores. Santos C. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). as quais serão discutidas a seguir.300 espécies (Mabberley. C. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. apesar de incluir apenas oito famílias. M.

Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. 1998). fruto subgloboso vermelho (Figura 26. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. com até 12 cm de comprimento. • Heliotropium (Heliotropioideae). pubescentes na face inferior. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. um dos gêneros mais comuns no Brasil. agudas. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas.1). formando grandes populações em áreas litorâneas. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. muito ramificado.herbáceas e raramente lianas. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). Nomes populares A espécie é chamada. Borago e Symphytum (Boraginoideae). inflorescência espigosa. densa. lanceoladas. sendo raramente encontrada no interior de matas. de onde saem folhas sésseis. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. É uma planta heliófita e higrófita. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. . referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. • Cynoglossum. de Ervabaleeira. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum.

e trepein = "mudar". anginas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. inflorescência curvada. alternas. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. . estomatites. europaeum são reconhecidamente medicinais. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. com flores brancas ou azuis.Heliotropium indicum L. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. faringites. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. 1994). O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. É uma planta anual. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com dispersão regiões tropicais e temperadas. moléstias cutâneas e feridas. abcessos. Crista-de-galo. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. e seu suco é de alto valor contra aftas. com ramos lisos e glabros. Na medicina tradicional salvadorenha. Jamacanga e Jacuacanga.5 a 1 m de altura. furúnculos e também contra queimaduras. de flores brancas. fruto formado como uma mitra. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. Segundo Corrêa (1984). tubulosas. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". incluindo úlceras. Aguaraquiunha. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. folhas pecioladas. e as espécies H. ovadas ou cordiformes e acuminadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. dispostas em espigas solitárias. glabro ou pubescente. amplexicaule e H.

O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. Erva-do-cardeal. tubulosas. lasiocarpina. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. De H. Língua-de-vaca. além de alcalóides e taninos. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. Sonsólida. com folhas ovadas ou oblongas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. distúrbios estomacais. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. flores grandes. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite.Symphytum officinale L. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Das partes aéreas de H. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. fruto com quatro aquênios lisos. . 1994). 1996). Nomes populares A espécie é chamada. vistosas. europina. como beta-sitosterol. 1986). dispostas radialmente. de Confrei. caule curto e ramoso. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. Orelha-de-vaca etc. lupeol. acuminadas no ápice. Outros nomes são Consolda. enquanto as raízes. Consolda maior. ásperas e onduladas. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides.. inflamação e dores de barriga. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. amarelas ou rosas. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. taninos e triterpenos.

subulatum (Malik & Rahman. 1987). heliotrina e lasiocarpina e. stenophyllum. coromandalina.de H. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. heliotrina e lasiocarpina (Guner. H. 1988). em menor quantidade. 1996). H.. H. 1995). destacando-se compostos fenólicos em H. 1991). spathulatum (Roeder et al... bovei. heliotrina. 1986). 1988). lasiocarpum (Akramov. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1995b.. H. heliotrina e lasiocarpina de H. heliovicina. intermedina e retronecina) por Ravi et al. 1988.. heleurina... rotundifolium (europina. Farrag et al. bursiferum (Marquina et al. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1995) e H. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. curassavinina. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . (1989). supinina e europina (Rizk et al. e heliotropina de H. heliotrina. keralense (isolicopsamina. 1990). em H. 1995b). licopsamina amabilina. curassavicum var. argentinum e var. (1990). 1994). arborescens (Bourauel et al. esfandiarii (Yassa et al. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988).. H.. coromandalinina. hirsutissimum (Guner et al. curassavina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. H. 1988). circinatum foram isolados os alcalóides curassavina.De H. europina e supinina em H.a heliospatina e o heliospatulina . lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. H. 1988).. 1996). Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. echinatina. europina. heleurina.. curassavicum (Davicino et al. em que se . Das partes aéreas de H. 1989). Reina et al.

. 2001). hesperetina. As propriedades antifúngicos. De H. Al Awadi et al. 7-O-metileriodictiol. 1987). 2000a) e C.. pinobanksina-3-acetato. 1990). pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. curassavica (Ioset et al. Do exsudato resinoso de H. Os constituintes fenólicos denominados galangina. pinocembrina. myxa. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. tais como ácido rosmarínico. 2001).. Sertie et al. 1995. filifolium também foram isolados. 1990). 2002). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 1990). stenophyllum (Villarroel & Urzua.. 1996). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. A H. dentre outras espécies (Ficarra et al. 2001). Os flavonóides ayanina. 1998). 7. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. De H. do exsudato. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .descreveram os constituintes galangina. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. verbenacea. pinocembrina. linnaei (Ioset et al. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. C. 1996).3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al... 2000b).. ovalifolium (Guntern et al. 1994 e 1996). naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis.. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. 2001) e de C. C. solicifolia (Hayashi et al. pinocembrina. filifolium (Urzua et al.3'-dimetileriodictiol. 3-0-metilgalangina..... 1989) e esteróis e quinonas em H. C... De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1991 e 1988. 1996). A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. bacciferum (Miralles et al. chenopodiaceum. alliodora (Ioset et al. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. sakuranetina foram isolados da resina de H... larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.

2002. assim como todo o gênero Heliotropium. ellipticum e H. Alcalóides isolados de H... europaeum e H. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. é potencialmente tóxica. Portanto. 2001a e 2001b). reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. 1992). subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma.. também denominada Labiatae. 1995). nos quais se distribuem 6.700 espécies.. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. Dados toxicológicos A espécie. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. 1987). dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. porcos e aves (Gaul et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. Jain et al. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. subtilis como o extrato bruto de H. 1994. 2001). 1987.. argentinum apresentam genotoxicidade. bursiferum (Marouina et al. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. 1989). Singh et al..paz de inibir efetivamente o B. Eroksuz et al. Das partes aéreas de H. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. 1997). De H. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. infusão ou chás por via oral.. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores .

Salva. Lamioideae: Leonotis. bem como na indústria de perfumes e cosméticos.(Mabberley. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. crenadas.2). com cálice tubuloso. alimentos. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Lavandula. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Ocimum. Leucas e Sideritis. folhas pecioladas. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. obovais. Origanum. rígidas. Mentha. do ponto de vista medicinal. . Salva-do-campo. corola com tubo infundibuliforme. Ajugoideae: Ajuga. Thymus. especialmente americanas. pois são usadas como condimentos. Satureja. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Rosmarinus. Melissa. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Trata-se de uma importante família. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Nepetoideae: Hyssopus. pubescentes. oposto-decussadas. Teucrioideae: Teucrium. com haste suculenta. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. bilabiado. Pogostemonoideae: Pogostemon. flores dispostas em capítulos pedunculados. Malva. Hyptis e Plectranthus. 1997). ex Benth. Salvia. Scutellarioideae: Scutellaria.

de constipações e artrites (Van den Berg. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. para regular a menstruação. Na Mata Atlântica. flores pediceladas com quatro estames. Dados botânicos Erva anual. icterícia. de Rubim. de até 2 m de altura. flores dispostas em racemos densos e verticelados. a decocção das folhas é usada contra malária. recebe o mesmo nome. um pouco lenhosa. e inclui apenas quinze espécies tropicais. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. antigripal. com caule quadrangular aveludado e pubescente.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Leonotis nepetaefolia Hort. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. emenagogos. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. e a infusão da planta toda. na região amazônica e em quase todo o Brasil. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. ovadas e subcordiformes na base. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. diarréia. 1982). Na região da Mata Atlântica. . Nomes populares A espécie é chamada. anti-reumático e contra cólicas menstruais. cólicas menstruais e problemas digestivos. mas não foi completamente identificada. folhas opostas. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão".3). sudoríficos. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero.

externamente. 1986). especialmente de barriga e. 1980). facilitando a expectoração. sendo ainda indicada contra úlceras. 1984). 1982. como cicatrizante. contra gripes. em Minas Gerais (Verardo. antiasmática. como Cordão-de-frade. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. dores gerais. pilosos e sulcados. como abortivo e antitérmico (Simões et al. a infusão das folhas é usada. o chá de toda a planta. com lábio superior 1-2 . 1982). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. Br. cálice bilabiado. reumatismo. Leucas martinicensis R. na Mata Atlântica. uma xícara por dia. herbáceo. internamente. raramente arredondadas. ovadas ou oblongolanceoladas.. a planta florida é usada na fraqueza geral. flores sésseis. ramoso e pubescente. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. febrífuga e diurética. de caule ereto. pubescentes nas duas faces e membranosas. antireumática. ramos quadrangulares. desiguais entre si. no Ceará (Matos et al. durante dois dias. corola bilabiada. nas inflamações broncopulmonares. Dados botânicos Planta anual. é utilizado como anti-reumático. no Rio Grande do Sul.Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. Grandi & Siqueira. Na região do Vale do Ribeira. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. brancas. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. A planta é também considerada antiespasmódica. com cinco segmentos acuminados. útil contra úlceras. no Mato Grosso. 1982). duas vezes ao dia. hipotensão. folhas pecioladas. distúrbios do estômago.

numerosas. pentâmeras. e seu cozimento é indicado como antireumático.5). referindo-se à cor das flores. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. topicamente. na forma de gargarejo. agudas.lobado e o inferior 1-3 lobado. viridis e M. serrilhadas. aquatica. externamente. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. Dados botânicos A espécie M. Menta e Hortelã-verdadeira. de porte herbáceo. A planta também é utilizada como tônico.4). curto-pecioladas. O nome do gênero Leucas. difere da M. apenas de Hortelã. significa "branco". folhas opostas. na Mata Atlântica. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. descrito por Robert Brown. um pouco pubescentes. Na região do Vale do Ribeira. diclamídeas. decussadas. . ramoso. bilabiada. formando espigas no ápice dos ramos. dela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. planas. corola gamopétala. nome recebido em todo o Brasil. ramos eretos e opostos. flores violáceas. filha de Cocylus. contra tumores. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. o macerado das folhas em água. hermafroditas. é usado sobre gargantas inflamadas. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. 1984). pouco aveludada. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. piperita é um híbrido de M. zigomorfas. Hortelã-das-cozinhas. antiespasmódico e contra nevralgias. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. com raiz fibrosa e caule ereto. fruto do tipo aquênio (Figura 26. contra dores musculares e reumatismo.

dores de cabeça. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. timpanite. . o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. 1980). antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. a infusão das folhas.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diarréia. é indicada contra dores de estômago em crianças. 1991). estomáquicas. 1982) e como anti-séptico. 1986). anti-reumático e contra insônia. em 1990. Hortelã-pequena. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. carminativas. três vezes ao dia. dor de barriga. de Hortelã-verde. digestivas. estimulante do fluxo biliar. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. no Rio Grande do Sul. de estômago. garganta e dentes (Simões et al. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. Contudo. Hortelã-da-preta. Hortelã-comum. musculares. 1986). é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. em Brasília. sendo indicada contra flatulências. na região amazônica. antiespasmódicas. Nomes populares A espécie é chamada. estimulantes. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. 1984). vômitos. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. cólicas abdominais e tétano. catarros de mucosas. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. Na região da Mata Atlântica. Mentha viridis L. calmante. eólicas uterinas. bronquite e tosses. A M.. dismenorréias e verminoses. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. problemas cutâneos. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. tremores. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. Hortelã-graúda. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo).

ovais ou oblongas. opostas. garganta e estômago. glabras. além de ser considerada útil contra febres. Na região do Vale do Ribeira. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. denticuladas. seu decocto é considerado útil contra tosse. serrilhadas. folhas subsésseis.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. inflorescência do tipo espiga. Mentha pulegium L. tétano. assim como em todo o Brasil. ovadolanceoladas. gripes. caule ereto. bronquite e gripe. corola e cálice campanulado (Figura 26. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. tosses.6). ameba e giárdia. cilíndrica e frouxa. bronquites. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. dores de estômago e "quebranto". Também é conhecida como Poejo-das-hortas. especialmente lombriga. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. dores de barriga e pedras nos rins. . Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. flores rosas ou violeta-claras. bastante pilosa e com aroma forte. em verticilos aproximados. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. ascendentes. pecioladas. ramos eretos. com folhas pequenas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. cólicas. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses.

estimulante. com ramos tetrágonos e pubescentes. estomáquica. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Alfavaca-do-campo. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. com até 50 cm de altura ou maior. glabras. referindo-se à planta toda. descrito por Carl Linnaeus. diurética e útil contra resfriados. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. O nome do gênero. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. assim como em todo o Brasil. diarréias e disenterias. Alfavacona. Em outras regiões. de caule ramoso. Alfavaquinha. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.Ocimum basilicum L. de Alfava. Ocimum. pequenas e finas. Ocimum canum Sims. Alfavaca-cheirosa. flores brancas ou rosas. . a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Alfavaca-de-cheiro. de onde partem folhas opostas. significa "perfumada". peitoral. entre outros. diaforética. ovadas. especialmente de ocorrência na África. Dados botânicos A planta é uma erva anual. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. dentadas. Em outras regiões.

de onde partem folhas ovais. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. rins e uretra. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. raramente. denteadas. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. dispnéia e reumatismo. As folhas cruas também são empregadas como condimento. verdes e finas. dispostas em racemos paniculados. dores de cabeça e bronquites. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. flores vermelhas. glabras. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. A decocção das raízes .Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. carminativa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. a espécie é chamada de Alfavaca. de ramos quadrangulares. contendo folhas pecioladas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. diaforética. verticiladas e dispostas em racemos. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. A planta toda é bastante aromática. amarelo-esverdeadas. enquanto a infusão das partes aéreas. serradas. flores roxas ou. glabros e eretos. béquica. além de diurética. além de excelente na cura da coqueluche. tosses e desordens uterinas e renais. pubescentes. pubescentes. ovadolanceoladas. é usada contra febres. fruto do tipo capsulas. tosses.

diurética e útil contra tosses. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. distúrbios do estômago. glomerulada.7). levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. núculas negras e lisas (Figura 26. membranosas. Alfavacão. dores de cabeça e como sedativo para crianças. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. gineceu com ovário ovóide. ovaladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. congestão nasal e dor de cabeça. . Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. dores de cabeça e febres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. androceu com estames inclusos. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. pequenas. folhas pecioladas. sudorífica. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. como Manjericão. carminativa. Alfavaca-do-campo. agudas. inflorescência racemosa. gripe e catarro no peito. e na Mata Atlântica. Ocimum micranthum Willd. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho.é usada contra diarréias. As folhas são ainda muito usadas como condimento. margem irregular. problemas nervosos. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite.

o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. com ramos ascendentes. com até 50 cm de altura.Na região da Mata Atlântica. flores em glomérulos. além de a espécie ser utilizada também como condimento. no Mato Grosso (Van den Berg. formando uma espiga terminal. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). as folhas são consideradas úteis contra gripes. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. Pogostemon patchouly Pellet. dispostas em panículas. . Dados botânicos A planta é uma erva ereta. no Pará (Amorozo & Gély. Origanum vulgare L. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. dores de cabeça e tosse. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. vilosas. a infusão das folhas é usada contra infecções. tosses e bronquites. 1984). de onde partem folhas ovais. 1980). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Patchuli ou Patchouli. 1988). enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. de base arredondada e margem denteada. pilosa. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa.

(1982). com dois óvulos em cada lóculo. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. sedativo e hipotensor. terpinen-4-ol. porém. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. 1991). flores em glomérulos. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.. 1988.8-cineol... dos quais 32 foram identificados. suaveolens por Misra et al. significa "estames barbados". pentâmeras.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). Triterpenóides foram isolados de H. alfa-bergamoteno. três formando um lábio aberto. 2001 e 2002).. 1. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. Azevedo et al. corola com quatro lobos. ovário supero. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas.8). O óleo essencial das partes aéreas de H. hermafroditas. 1990). flores diclamídeas. O nome do gênero Pogostemon. bilocular. descrito por Desf. suaveolens possui setenta componentes. como beta- . pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. androceu com estames excertos. 1990). Das folhas de H. Existem. sendo mais comuns o beta-cariofileno. cruzadas. fruto seco (Figura 26. com espigas compostas. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. predominantemente de sesquitepenos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Uma outra análise do óleo essencial de H. bicarpelar. suaveolens apresentou altas concentrações de 1.

.. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. 4. 1996). 1991). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. uma outra análise do óleo de H. Em H. De H.elemeno. 1990). 1988). 1989). quercetina. e de L. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. beta-cariofileno.6. lignanas e flavononas (Messana et al. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol.. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. timol. 1990)... mutabilis foram isolados triterpenos. . salzmanii foram isolados diterpenos. 1987). spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. Das partes aéreas de H. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. (1978) e Blounietal. ácido n-octacosanóico. 1990b). triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. umbrosa.. campesterol. Das raízes de L. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. De H. albida foram isoladas triterpenolactonas. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. 1990) e de H. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al.. Metil betulinato. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. 1988). 1990). 1988). ácido oleanólico acetato. (1980). ácido ursólico. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. gama-terpineno. Das folhas de H..7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1987a). alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. sendo p-cimeno. Porém. e de H. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L.. 1988). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al.

1979).. glicina. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. treonina. sendo os principais terpenos mentol. 5-hidroxi-6. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. alanina. 1987). 1996).64%). N.3'. ácido aspártico. das partes aéreas de L. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. 1987. colesterol.. triptofano e metionina (Dinda et al.80%).80%). que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. 1990) e um composto fenólico (Misra. serina.20%). parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- .Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. mentocubanona.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. Vaverkova et al. flavonas himenoxina.. fenilalanina. 1995). 1987). O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. Com isso. 1986 e 1987). neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. mentofurano (19. 1996).8-cineol (6. piperita var. 1986). Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. et al. tirosina. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. O óleo essencial de três variedades de M. brassicasterol. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. officinalis. 1987).. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. Das raízes de L. mentona (24. metil acetato (16. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. Das partes aéreas de L.07%) e mentano (11. mentona. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45.. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. A M. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. T. 1988). ácido glutâmico. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana..84%). Mentha A composição do óleo essencial de M.7.. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. lisina. hidroxiprolina.10%) e 1. Da espécie L. De L. prolina..

6. cadideno. Fe. caféico e clorogênico.8-cineol. 1. 1988). ácidos p-cumárico. . K. Mg. limoneno.. 1992). além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. peroxidases. Foram ainda isolados mono. Nas folhas de M. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. b-cariofileno. a-terpineol e geraniol (Sacco et al.. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa.posição de terpenos dessa espécie (Sacco.7. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. 1990) e flavonóides glicorilados.e sesquiterpenóides. Mg.. 1989). vitaminas C e D2. luteolina e 5. Em Mentha viridis var.3'. fenílico. Zi e Cu. como alfa-pineno. glicídios.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. catalase. 1987). betasitosterina. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.8. 1986). piperita foram encontrados ainda os elementos Na. fitosterol. resinas. nicotinamida. Ca. De M. reduzindo significativamente a concentração de mentol. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al.

. 1989). gratissimum é composto de gamaterpineno... t-bergamoteno. beta-cariofileno.. 1986.. flores e caule de O. 1990). sendo 1. 1996). canum foram isolados diversos componentes. já citados. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al.cariofileno. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1988. cis-ocimeno.. o eugenol é o constituinte majoritário.. Das folhas da O. 1990). sendo eugenol. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Nas folhas. eugenol. Em Cuba. De O. Kartnig & Simon. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. Das sementes de O. Borges et al. 1987. 1996 e 1997a).. as folhas e flores de O. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al.Patel et al. 1990).. 1996).. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. Porém. O óleo essencial de O. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1987). dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. Khanna et al. eugenol (Ekundayo et al. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. Sharma et al. eugenol. linalol. 1. Ocimum Do óleo essencial de O. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. Sakurai et al.. 1989).. 1987). os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. Lawrence. 1986. Do óleo essencial das folhas. O óleo essencial de O. hidrocarbonetos como p-cimeno. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O.. micranthum foram isolados vinte compostos. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. o óleo essencial apresentou 21 constituintes.8-cineol.... Phan et al.. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. 1986. 1983). basilicum (Brophy & Jogia. 1988). 1996a).. 1981)... 1981. 1997). Takahashi et al. De O. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al.8-cineol. 1987. Na China. 1986. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. b-cariofileno. 1986.

sanctum possui estigmasterol. 1985. 1. 1. 1990). basilicum foram isolados quercetina. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. já comentados (Modawi et al. fenóis. 1996). ácidos orgânicos. 1987). oléico. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O.. 1996). 1987. Das sementes de O. b-sitosterol.. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. quercetin-3-O-diglucosídeo. palmítico esteárico. Das folhas de O. na Turquia. o óleo essencial de O. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. 1994). No Paquistão.. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. Fatope & Takeda. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. nesse caso. linoléico.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. além de ácido p-cumárico. sendo. isoquercitrina. triacontanol ferulato. 1995). basilicum e O.. linolênico e araquídico (Malik et al. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . Murugesan & Damodaran. Em O. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. além de metilchavicol. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. sabineno e eugenol (Retamar et al. alcoóis. 1. kaempferol-3-O-rutinosídeo. linalol. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. Thoppil. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. De O. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh.. 1984). basilicum apresenta 44 compostos.8cineol. 1978). esculetina. 1989). kaempferol. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. A casca do caule de O. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. A espécie O. esculina (Skaltsa & Philianos.. Das flores de O... 1986. Ekundayo et al. ácido caféico. 1995). rutina. 1990. timol. 1991).. cetonas. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. terpenos. 1995). xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. rubrum foram isolados borneol.O óleo essencial de O. 1987). eriodictiol.8cineol e eugenol. 1989). 1989). basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. 1996). láurico. 1988). sendo Metil chavicol.. basilicum da Austrália (Lachowicz et al... mirístico.

viride (Ekundayo. Foram isolados de P purpurascens. 1981). parviflorus (Nanda et al.Além desses compostos. cablin (Akhila . flavonas (Patwarphan & Gupta. 1986). patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. Pogostemon As folhas de P. 1985). hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1984). lactonas sesquiterpenóides de P. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O.. 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas..

1998). Foram identificados n-octacosanol. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. F et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. betasitosterol. 1990). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. analgésica (Freitas et al. 1988. 1988). Do óleo essencial das folhas de P. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. suaveolens apresenta 32 terpenóides.. auricularis (Prakash et al. beta-amirina. atrorubens. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1998) e atóxica (Junior et al. Em H. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. Phadnis et al.. estigmasterol. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. H. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1998). 1989).. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al.. 1997)... Silva et al. Thapa et al. H.. ovalifolia e H. Coelho et al. 1990). O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. 2001). 1984). mutabilis. 1987. Munck & Croteau.& Nigan.. comumente utilizada como calmante. saxatilis (Fernandes. .. 1971). 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno.. et al. pectinata (Bispo et al.. plectranthoides (Esvandzhiya et al. P. Em H. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al.. 1977... citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. a-bulneseno.. garwal et al.. 1990). 1998). Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. umbrosa. suaveolens e H.. plectranthoides foram investigados experimentalmente.. crenata. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa... além de outros diterpenóides (Hussaini et al. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. 1994. C. 1989). 1987. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. 1988). Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. O óleo essencial de H. também conhecido como Sambacaitá. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. 1984..

Mentha O infuso das folhas de M. Di . 1980.. 2002).... Saksena & Saksena. 1976. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1988. 1988). 1988). Posteriormente. Leonotis Em L. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. 1988). nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. conhecido como Cordão-de-frade. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. 1988). 1995). Coelho et al. ramos e flores de H. Forster et al.As propriedades antibacterianas. 1988). 1993) foram atribuídas a H.. 1984). 1988. foram detectadas as atividades broncodilatadora. capitata foi isolado o ácido ursólico.. Calixto et al. 1995). 1979). enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. 1985.. verticillata. 1995.. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. antimicrobiana (Cos et al. 1988).. enquanto extratos de folhas. Diterpenóides isolados de H. Do extrato metanólico de H.. 2002). O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al.... e Novelo et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. do extrato de H.. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. anti-hipertensiva e espasmolítica.. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. nepetaefolia. leonurus (Bienvenu et al. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.

sanctum (Dey & Choudhuri. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 2002. (1968). 1989). analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. et ai. 1986b). Lahlou et ai. basilicum demonstraram atividades analgésica. piperita. cordifolia (Villasenor et al.. 1987). antibacteriana. 1986). Ocimum Verificou-se que a espécie O. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. determinaram-se propriedades fungicida.. enquanto estudos com O. Queiroz & Brandão. 1986a. 1998). 2002). produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 1978) e O. 2000). Sharma & Jocob.. R. 1984). Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Além das atividades já relatadas com M. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. também verificada com extratos de O. sanctum (Phadke & Kulkarni. 2002). 1993. crispa (Mello et ai. 1986). O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. Em O. 1986a).. utilizando-se M.. 1981). micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. arvensis (Ceruti et al. 1988. 1987. 2001 e 2002). Queiroz & Reis. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 1986c) e em O. Do híbrido.. Chen et al. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1986a.. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. antiespasmódica (Di Stasi et ai. americanus (Jain & Agrawal. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. gratissimum (Atai et ai.. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai... cannum (Dubey et ai. piperita (Ansari et al. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1982. Queiroz & Brandão. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. O... e a atividade antimutagênica ao extrato de M. antifertilidade.. 1989).Stasi et al. 1987b). .. 2002).. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. A. Almeida et ai. O óleo essencial de O. espasmolítica (Queiroz & Reis.. Extratos brutos de O..

. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1986). O óleo essencial de O. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. 1994). 1996).. 1989). Vanderlinde et al.. Vanisree & Devaki. 1995). A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. que apresentou atividade protetora do mastócito. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. 1994). Das folhas de O. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. O óleo essencial de O. 1992.O.. Das folhas de O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. Vanderlinde et al. 1990). selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. 1989).. basilicum (Dube et al. 1986). Nakamura et ai. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. 2001). 1994a). 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1995) e O. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. suave foram utilizadas como repelente de insetos.. gratissimum (Sobti et al. et ai. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1993. 1994b. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa.. O óleo essencial de O. mas a administração de O. E.. suave (Tan et al. .. Extrato etanólico das folhas de O. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O.. O. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. o ácido ursólico. 1999. As folhas de O. 1992.. Os óleos fixos de O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1996).. 1986). antiinflamatória. Vanderlinde et al. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio.. enquanto a O. Vanderlinde et al. 1994.. 2002). 1997)..

Salsa. folhas pecioladas. sobretudo em crianças. arbustos e ervas. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Salva-limão. como Erva-cidreira-do-campo. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. alternas ou opostas . 1997). e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. pubescentes. longos. e em outras. Stachytarpheta e Lippia. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. 1984). provocando sonolência. 1995). caule e ramos primários. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa.) N. Sálvia e Salva-da-gripe. Alecrim-docampo.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. especialmente da América do Sul (Mabberley. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Compreendem árvores.Br. quadrangulares.5 ml/kg. 1986). ascendentes.E. Salva-brava.

membranoso. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. pubescente e bipartido. 1986). Dados botânicos Planta de pequeno porte. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. pentâmeras. 1980). a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. fruto com dois mericarpos plano- .. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. sementes pequenas (Figura 26. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o chá das folhas é utilizado como calmante. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. relaxante e contra intoxicações gerais. Na região do Vale do Ribeira. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. cólica do estômago. o chá das folhas é utilizado como calmante. no Mato Grosso (Van der Berg. estomáquica. flores pequenas. cálice curto. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. como antigripal e calmante. 1980). 1988). fruto do tipo capsular branco. Salva. náuseas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. reunidas em inflorescências capituliformes. no Rio Grande do Sul (Simões et al. hermafroditas. emenagoga (Corrêa. tosses e gripes. corola bilabiada.9). sem estipulas. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. Essa espécie é usada como antiespasmódica. além de problemas do estômago. folhas pecioladas. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. Lippia grandís Schan. diclamídeas. cálice curto. flores pequenas. na Paraíba (Agra.(às vezes na mesma planta). reunidas em inflorescências vistosas. 1984). Malva e Nulva-do-marajó. no Pará.

monoterpenos. 1987). porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1987. Da espécie L. ukambensis (Chogo & Crank. mirceno. americana foram obtidos ácidos graxos livres. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. a mais estudada é a L sidoides. Matos et al. No óleo essencial de L.vanílico. Souto-Bachiller et al. lapachenol. betacariofileno (Craveiro et al. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. citral e carvona (Matos et al. o chá das folhas. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é usado contra problemas do fígado. Já de L. esteárico. Vários terpenóides foram isolados de L. 1996a e 1996b).. 1981). naringenina. timol. dulcis (Bubnov & Gurskii. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. 1991. Sauerwein et al. 1987). e do caule e folhas foram obtidos ácido . p-cinieno. 1982). e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. behênico e lignocérico (Macambira et al. acacetina. araquídico. 1986. (1981).. timol. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia.. Craveiro et al. Da parte aérea de L. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. (1986 e 1987). 1980). 1981). A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1996). 1983). Hernandulcina. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. geranial. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al.. alfa-cubebeno. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. três vezes ao dia. gama-terpineno. canescens e I. 1986... limoneno. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. As espécies L..... 1987).convexos..

espécies de L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. 1988). foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. p-cimeno (3. Das partes aéreas e das raízes de L. 1. neral. 1989). sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.23%) e metiltimol (2. acetato de timol (17.33%). 1990). sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.. a-pineno. Das folhas de L.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al.e beta-pineno. 1987). Fun et al. 1990. alfa-terpineno (4. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. De L. limoneno. 1. sabineno. eupatorina. crisoeriol. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. alba e L.l. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. quatro alcanos. A composição química do óleo essencial de L.. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1989). Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al.. 1996a).. quatro éteres. hispidulina.8-cineol. p-cimeno.43%) e piperitenona (11. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes.35%). 1991 e 1995). luteolina. 1996b). wilmsii foram isolados quinze componentes. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. Das folhas e flores de L. Dentre os compostos isolados..54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.. fissicalyx (Retamar et al. graveolens. timol.97%) como principais componentes (Mwangi et al.01%) ecariofileno (15. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. alfa.. eupafolina. 1994 e 1995). 1.12%). graveolens foram isolados pinocembrina. 6-hidroxiluteolina.8-cineol (15.8-cineol. Os constituintes p-cimeno. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. diosmetina.. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. 1.. Do óleo das folhas de L.. apigenina. 1990). sendo 22 hidrocarbonetos. dos quais foram identificados piperitona (28.origanoides foi quantificada.8-cineol (2.. 1. . timol. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. O óleo essencial de L.67%). 1989).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al.8-cineol. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. 1987).27%). cirsimaritina.

Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al.. 1997).2% e 41. junelliana. 1988a). 1998.. antiulcerogênica (Pascual et al.carvacrol. et al. sidoides mostrou atividade moluscicida. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. 1986)... 1996).. De L. Do extrato das folhas de L. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. L. 1995a).. junelliana. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. aristata (Rouquayrol et al.. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. L. assim como o de L.. et al. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. integrifolia e L... P D.. Já o óleo essencial de L.5%). relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al.. 1998). misturado a cremes. Com a espécie L. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein... 1979). 1996). atribuída à presença de flavonóides (Santos. Do óleo das flores de L. polystachya. o verbascosídeo. lipifolil(6)-en-5-ona (18. 1990). 1998)... polystachya foram isolados tujona (30. Esse óleo. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al.. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. turbinata e L. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. 1980). M. 2002). um dos componentes principais. aristata (Moraes Filho et al..Y.9%) elimoneno (13. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3. grata (Viana et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1981). Além disso. Moraes et al. Vale et al. 1987). contribui para a coesão das células da pele.3%) (Zygadloet al. mircenona (31%) e de L.. multiflora. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 1980 e 1987..4%. de L.4- . respectivamente). além de uma atividade moluscicida (Almeida. 1990).. enquanto o outro componente. 1980). 2000). 1996).

1995. 1985).. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. 1978). 1998). 1988). moluscicida (Moraes. anti-hipertensiva. M. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. et al. 2001). apresentaram atividades antibacteriana. L.. graciliy (Fontenele et al. 1979). anestésica (Viana et al. M. M. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. 1995b). 1992. R. antibacteriana (Aguiar et al. tranqüilizante (Matos et al. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al..dihidroxifeniletanol. multiflora (Chanh et al. 1980. 1980.. no qual se observaram atividades analgésica. Laxoste et al. hipnótica e hipotensora (Noamesi. 1992). 1994. Os principais componentes do seu óleo essencial.. 1979) e I. 1996). antifúngica (Lemos et al.. e o de L. timol e carvacrol. Botelho & Soares. 1988b). grata. 1979.. 1980).. Teixeira et al. 1994.... ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. O óleo essencial das folhas de L... 1977). O óleo essencial de L. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Lacotes et al. ... e no óleo essencial. 1998).. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin... espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.. Além disso. nodiflora foi realizado um screening preliminar. atividades cicatrizante. 1995). Ximenes et al. S. Moraes. sidoides (Fonteneles & Sales. Nunes. 1988. et al.. O. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. porém. 1978). Viana et al. geminata e L.. Nas folhas de L.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. Matos et al. et al.. 1988. Teixeira. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1996. O.. espasmolítica (Viana et al. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. 1996. 1984). antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. 1978).. 1996). 1978. 1986). Menezes et al.. et al. Y. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. Almeida. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L...

b) escanerata com detalhe da inflorescência.1 .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.FIGURA 26. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). .

Hyptis crenata.FIGURA 26. . 1998). Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.2 .

3 .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

4 .FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.

Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 26.5 .

Mentha viridis.6 .FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .

Ocimum micranthum.FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .

Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.8 .

FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .

27 Scrophulariales medicinais C. as quais passamos a descrever. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. No estudo realizado. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. C. e reúne 120 gêneros. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. 1997). Hiruma-Lima L. Mabberley. Bignoniaceae. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. com aproximadamente 750 espécies. Scrophulariaceae. pertence à ordem Scrophulariales. arbustos e raramente ervas (Joly. lianas. A. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. subclasse Asteridae. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. 1998. Os gêneros mais importantes da . incluindo árvores.

o que gera o nome popular atribuído à espécie. curto-pecioladas. as quais são discutidas a seguir. No Brasil.família. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. também é conhecida como Cipó-de-alho. Em outras regiões do país. Na região da Mata Atlântica.1). duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. elípticos e coriáceos. folhas normalmente 2-3-folioladas. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. fruto do tipo capsular largo. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". são Tabebuia e jacaranda. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. de ramos cilíndricos e glabros. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. Jacaranda caroba. com gavinhas. os gêneros mais comuns são Tabebuia. e as várias espécies do gênero Zeyhera. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. oblongo-linear. . uma delas. anteras glabras e ovário oblongo. com ampla distribuição nas regiões tropicais. contendo sementes oblongas (Figura 27. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. que inclui os Ipês e o Paud'arco. Pyrostegia. é descrita aqui. da famosa Flor-de-são-joão. com folíolos peciolados.

enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Camboté. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. roxas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo capsular. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. sendo amplamente usada como ornamental. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. não completamente identificada e conhecida como . Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. flores tubulosas. coriáceos e glabros. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Caroba-do-campo. Caroba-miúda. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. das quais a maioria é encontrada no Brasil. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras.) DC. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Uma outra espécie do mesmo gênero. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Camboatá-pequeno. por ser mole e porosa. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Jacaranda caroba (Vell. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. dispostas em panículas. Carobado-carrasco. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas.

O nome do gênero Pyrostegia. ou seja /'coberta de fogo". Trata-se de uma espécie heliófita. . É muito comum no Brasil. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. repletos de flores tubulares. folhas com folíolos ovadooblongos. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. com ramos jovens delgados e folhagem densa. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. especialmente em crianças. sítios e quintais de residências. de cor laranja. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. amplamente encontrada em campos. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. inflorescências numerosas.5 cm de largura (Figura 27. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. adstringente e anti-sifilítica. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3.Carobinha. Segundo Corrêa (1984). onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. raramente encontrada no interior de matas densas. como corimbos multiflorais. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética.2). longas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. descrito por Carel Borinov Presl. podendo ocorrer com flores amarelas. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". especialmente no Dia de São João. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers.5 cm de largura.

marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. 1996).. Espécies medicinais Sesamum indicum L. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. venusta a presença de aminoácidos. acorendico presente na planta (Oguro et al. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. . Foi detectada na flor de P. mas apenas cultivada. 1995). sendo a maioria de ervas ou arbustos. 1992). No Brasil. a família não é encontrada de forma espontânea. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. 1976 e 1977).. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu.. A espécie J. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. A espécie J. especialmente a espécie Sesamum indicum. 1994).Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. O extrato etanólico da espécie A. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 1999). 1996).

e. inteiras e pubescentes. Nas sementes de S. externamente. contra hemorróidas (Bown. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. externamente. tosses secas. 1997). além de seu uso na culinária. 1988. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sesamolina (Mimura et al.. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. O óleo de gergelim. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. 1995). Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. 2001). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. abortiva e anti-reumática e. 1997). vistosas. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. dores de cabeça. opostas. com muitas sementes oleosas. Tashiro et al. folhas simples. diarréias. com origem na Ásia tropical ou na África. flores amarelas. fruto do tipo capsular. disenteria e catarro intestinal. 1995). 1990).. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante.Dados botânicos A planta é uma erva anual.. osteoporose. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. episesaminona (Marchand et al. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. no Egito e na Babilônia (Bown. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. distúrbios renais. clorosesamona hidroxisesamona é 2. para tratar constipação nasal crônica. indicum foi caracterizada a presença de .. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. para evitar perda de cabelos. visão fraca. para alívio da dor de ouvido. e sobre as pernas para tratar paralisia.

prolamina. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. 2000 e 2001). indicum L. (Kar & Mishra. .albumina. 1996). 1989.2000). 1994). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. 1993). Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. ácidos graxos. 1988). sesamina Do extrato aquoso de S. bem como três novos triglicosídeos. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. gama-tocoferol e sesamolina.. indicum detectaram a presença de glicolipídios. 1991). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. Mimura. globulina. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. glutelina (Singh & Khanna.. Nas raízes de S.

1992). indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai.. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias.. Tashiro et al. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo... 2002). indicum e S. 1988. 1992). 1991). . diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. alatum. alatosídeo A-C. 1997). em altas doses. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. 1990) e sesangolina. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. 1992). Da parte aérea de S. dessa forma.. respectivamente (Kang et al. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. rengiol e isorengiol (Pottrat et al.Duas lignanas furânicas. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif.. 1995). 1994). 1991).. O extrato de S. protegendo-o contra danos oxidativos. indicum (Takswchi et ai. angolense. 2001). sesamolina (Mimura et al. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai.. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al.. e. dois derivados do ciclohexiletanol. foram isoladas das sementes de S. além de verbascosídeo.

especialmente dos gêneros Antirrhinum. das famosas D. Vassourinha-de-botão. com corola rotácea. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. arbustos e ervas. Coerana-branca. Veronica. lanata. hermafroditas.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Outros nome são Vassourinha. No Brasil. opostas. Nomes populares Na região amazônica. no Pará. algumas aquáticas (Mabberley. axilares. Ganha-aqui-ganha-acolá. . purpurea e D. nos quais estão distribuídas 5. crenadas e glabras. popularmente conhecido como Vassoura. bilabiada. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Pupeiçava. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Tapixaba. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Calceolaria e Maurandia. pequenas. flores brancas. bicarpelar. Verbascum e Wightia. aqui descrito como medicinal. Tupixaba. Scobedia. Esterhazia. ovário supero. pentâmeras. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Vassoura. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. incluindo árvores. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. 1997). ovaldolanceoladas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. quatro estames didínamos. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. tais como Digitalis.

1986). peitoral. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. emoliente e béquica (Corrêa. menstruais. coceiras. O nome do gênero. Scoparia. o chá da planta é usado contra hemorróidas. também.bilocular. 1982. para melhorar o estado geral do indivíduo. béquica. antidiabética e contra afecções catarrais. essa espécie também é considerada emoliente. Grandi & Siqueira. Nas tribos indígenas do Equador. 1988).. Na Paraíba. Em Minas Gerais. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1982. problemas cardíacos. com muitos óvulos (Figura 27. 1994. expectorante. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. 1988. e utilizada contra desordens respiratórias. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al... Grandi et al. diabetes e hipertensão (De Almeida. No Brasil. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. Cruz. No Rio Grande do Sul. desordens menstruais. 1996). a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. . febre. doenças venéreas. tosse. além de ser considerada tônica. para lavar feridas (Branch & da Silva. 1982. pectoral. 1990). 1982). é utilizada como anti-hemorroidal. Verardo. Encontrada em abundância na América do Sul. malária. 1994. com todas as partes da planta.. por causa do seu emprego. 1983). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Matos. bronquite. erisipela e afecções cutâneas. 1990). mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. Coee et al. tosse. bronquite. o chá é preparado. hipoglicemiante. picada de mosquito. significa "vassoura". também. 1980).. febrífuga. 1993. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély.3). 1990). emoliente. hipotensiva. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1984). para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. hepáticas e estomacais.. Já entre os ticunas. especialmente na Floresta Amazônica. 1995). brotoejas. No Pará. e as folhas. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. 1987). Coimbra. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al.

depressora do SNC. M. cinarosídeo D. S. 1990). Também foi detectada a presença de glicosídeos.. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. Dalla Torre et al. anti-séptica.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. manitol... acacetina. 2001). 1996). Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al.. antiviral. hipertensiva (Freire et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. 1997. 1990b). 1989. et al. scopadulciol (Hayashi et al. hipocolesterolêmica. antibacteriana gram-positiva. M. 1990a e 1991). ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1988a e 1990c). Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A... antifúngica. iflainóico. alfa-amirina. obtidos da espécie. entre outros compostos (Kawasaki et al. (1979) e Mahato et al. 1988. 1990b). 1998). S. glutinol e acacetina (Hayashi et al. antidiabética (Jain. escopadulciol.. benzoxazolinona. Os ácidos escopadúlcico B... 1986 e 1988a. 1991).. 1993 e 1996a).. O. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. gentísico. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. cumárico. 1987 e 1988c). 1985). antiespasmódica.. 1987). sedativa e diurética (Ahmed et al. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. antiinflamatória. anti-herpética.. Hayashi e al. 1987. 1993 e 1996). Freire. expectorante e atóxica (Moura et al. 6-metoxibenzoxazolinona. Torres et al. E... simpatomimética (Freire et al.. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 1994... antiinflamatória (Freire et al. escutelareína. B e C (Kawasaki et al.. 1996b).. (1981). dulcinol e ácidos dulcióico. beta-sitosterol.1988b). flavonas. apigenina. Azevedo et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . 1993 e 1996) depressora (Freire. Hayashi et al. betulínico. et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.

dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1993)...vidade antimalarial in vitro (Riel et al. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1997a). Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. 1978) (Banco de imagens - ... além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. FIGURA 27. 1988b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.1 .Adenocalyma alliaceum.. 1997a e 1997b).

FIGURA 27.2 .Pyrostegia venusta. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

1946) (Banco de imagens - . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 27.3 .Scoparia dulcis.

trepadeiras e ervas. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. herbáceas. M. arbóreas. Di Stasi C. encontradas em todo o planeta. 1997). Hiruma-Lima C.28 Asterales medicinais L. M. A. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. exceto na Antártida (Mabberley. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Inclui espécies arbustivas. com aproximadamente 22. Os gêneros estão distri- . Trata-se de uma grande ordem. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Essa família compreende 1. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.528 gêneros. C. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. Santos E.Ivan Martinov. que passamos a descrever a seguir.750 espécies cosmopolitas.

dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Calendula.buídos em três grandes subfamílias. Gnaphalium e Achyrocline. do gênero Mikania. Saussurea e Echinopis (Cardueae). e inúmeras plantas de . Galinsoga. Semeio e Emilia (Senecioneae). Ageratum conyzoides. Baccharis e Solidago (Astereae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Mikania. das quais se destaca a Baccharis trimera. Wedelia. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. o Mentrasto. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Artemisia. Arnica e Tagetes (Helenieae). A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Achillea millefolium. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Matricaria chamomila. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). a famosa Arnica. Matricaria. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Tanacetum. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. do gênero Arnica. • Asteroideae Inula (Inuleae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. as várias espécies de Artemisia. gênero da famosa Calêndula. várias espécies do gênero Bidens. com ampla distribuição no território brasileiro. Zinnia. as importantes Carquejas. conhecida como Mil-folhas. a Camomila. tais como inúmeras Vernonia. Calendula officinalis. Lactuca. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Aster. especialmente a Mikania glomerata. Novalgina e Anador. Calea. Ageratum. Nesse contexto. Calendula (Calenduleae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo.

a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. flores unissexuais e marginais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. opostas. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. onde foram incorporadas na medicina tradicional. com borda irregularmente serreada. inteiras. Em outras regiões do país. . oblongo lanceoladas. ereta ou prostrada. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. como cicatrizante. folhas simples. em Minas Gerais. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. Na região do Vale do Ribeira. rasteira. de pequeno porte. externamente. como antiinflamatório e. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. curto-pecioladas. amplamente usadas na medicina popular.pequeno porte do gênero Eupatorium. de ápice e base agudas. Dados botânicos Planta anual. a decocção das folhas é usada. caule comprimido e denso-piloso. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. internamente. apenas masculinas. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro.1). O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos".

sendo as marginais femininas e brancas. raras são nativas das Américas. glabra. como contraceptivo feminino (Mabberley. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. com até 60 cm de altura. reunidas em capítulos corimbosos. agindo ainda como antiespasmódico. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. 1997). Aquiléia. a espécie é chamada de Novalgina.. e as centrais. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. digestivo. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. hermafroditas. no Uruguai. hemorroidais e pulmonares. amarelas e tubulosas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. rizomatosa. com caules ramosos. Em outras regiões do país. contendo folhas oblongolanceoladas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Dados botânicos A planta é uma erva perene. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. além de ser anti-helmíntica. . Milefólio e Mil-em-rama. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores dimorfas. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). gripes e distúrbios do estômago. 1982) e. dor de cabeça e dores gerais.

Dados botânicos A planta é uma erva anual. tônica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. Erva-de-são-joão e Maria-preta. Baccharis trimera (Lers) DC. cólicas flatulentas e uterinas. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. pilosa e ramosa. além de indicada para aliviar náuseas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. anti-reumático e contra cólicas menstruais. pecioladas. e o nome do gênero. anti-reumática.2). ovadas. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. Catingade-barão. amenorréia e gonorréia. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. a espécie é chamada de Mentrasto. útil contra resfriados. mucilaginosa. flores brancas ou lilases. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. crenadas.Ageratum conyzoides L. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. significa "o que não envelhece". Ageratum. antidiarréica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. com até 1 m de altura. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Em outras regiões do país. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com folhas opostas. a espécie é chamada de Carqueja. carminativa. . febrífuga.

Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Piolho-de-padre. tais como Cuambu. anti-helmíntico. diurético e contra distúrbios renais. bem como em vários Estados brasileiros. estomáquico. Picão-do-campo. como Picão-preto. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. podendo atingir até 1 m de altura. Espinho-de-agulha. Carrapicho-deduas-pontas.3). 1926). Carrapicho. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Carrapicho-de-cavalo. Erva-picão e Pau-pau. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. anti-reumático. hipertensão. a planta é usada como tônico. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. . Carrapicho-de-agulha. Pirco. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Aceitilla. Erva-picão. Bidens bipinnatus L. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Macela-do-campo. Amor-seco. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. (Bidens pilosa L. a decocção das folhas é usada como analgésico. fruto do tipo aquênio (Figura 28. o deus Baco do vinho. entre outras (Corrêa. estomacais e intestinais. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. derrame cerebral e diabetes. Goambu. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Em outras regiões do país. com ampla distribuição na América do Sul. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie.

com cálice modificado. leucorréia. simples. com flores radiais liguladas. 1994). disenteria. hepatite. glabra. No Leste da África. Na medicina tradicional peruana. antileucorréica. a espécie também é referida como emoliente. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. diabetes e inflamações (Corrêa. micoses. ramosa. adstringente e considerada útil contra icterícia. bem como no combate a dores em geral Jager et al. 1962). antiescorbútica. sialagoga.4). flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. conjuntivite. 1990). antiblenorrágica. 1994). 1984). 1990. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. pentâmeras. 1995). 1993. utilizada especialmente contra icterícia. 1992. com até 1 m de altura. antidisentérica.. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros.. A planta é considerada estimulante. No Brasil. desobstruente. infecções urinárias (Mejia & Reng. dismenorréia. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. referindo-se às aristas do papilho. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. capítulos pleiomorfos. edema. desordens hepáticas. diurética. Duke et ai. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1996). O nome. a espécie é usada como antiinflamatório. pecioladas e fendidas. folhas opostas. ereta. Coimbra. laringite. significa "dois dentes". Vasquez. Bidens. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. dores de cabeça e de dentes (De Feo. diabetes. vermífuga e vulnerária. .Dados botânicos Planta de pequeno porte. diurético e contra hepatite. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk.

de caule ereto. estomáquico. corola com tubo interno glabro. enquanto o sumo das folhas frescas. digestivo. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . é considerado útil contra dores de cabeça e febre.ambas não identificadas . a espécie possui vários usos das folhas. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.5). Em outras regiões do Brasil. como tônico. androceu com anteras levemente sagitadas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. como Iapana. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. fruto do tipo aquênio alongado. sudorífico.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. angina. empregado externamente na forma de banho. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). e contra malária. ferrugíneo e glabro. lanceoladas. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. antidiarréico e antidisentérico. Japana-branca. anguloso. mas são comuns outras denominações. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Aiapana. triplinervadas. 1984). cólera. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. especialmente do fígado. acuminadas. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. Dados botânicos Erva bastante delicada. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. folhas opostas. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. Japana-roxa e Erva-de-cobra. flores (20 a 30) azuis. . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves.Eupatorium ayapana Veuten. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. estriado e diminuto. visto a grande semelhança entre elas. estimulante.

Solidago microglossa DC. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. folhas oblongas. que formam uma inflorescência cilíndrica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. podendo atingir até 1 m de altura. a espécie é chamada de Arnica. assim como em todo o Brasil. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.especialmente na América do Norte . capítulos pequenos e reunidos. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. . referindo-se ao tomento das folhas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. O nome do gênero significa "o que é firme". pequenas. serradas. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. a infusão das folhas é usada contra diarréia. de ocorrência nas Américas .Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela.e com raras espécies na América do Sul. com ápice arredondado. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O nome significa "feltro". com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa.

boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. o chá das folhas. Botão-de-ouro. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Agriãobravo. descrito por Nicolaus von Jacquim. tais como Agrião-do-pará. ovadas. . Spilanthes acmella Rich. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. agudas. flores amarelas. comprimido com papilho aristado. Spilanthes. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. que tem mancha escura sobre a lígula. fruto do tipo aquênio.6). não alado. com corola curva. Dados botânicos Planta herbácea. significa "flor com mancha". membranosas. picadas de insetos e infecções. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Jambuaçu. batidas. vários outros nomes são usados. Essa planta é utilizada como estomáquica. o preparado com folhas de arruda. Abecedária. cálculos da bexiga e dores de dente. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. O nome do gênero.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. entretanto. longo-pecioladas. Mastruço e Agrião-do-norte.. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Agrião-do-brasil. com folhas opostas.

Outras espécies do gênero. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. lucida. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. também são usadas como medicinais. antigripal. no Pará (Amorozo & Gély. e seu nome vem de Tages. bronquite. Cravo-de-tufo. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. tais como T. as folhas. 1988). a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. emenagoga. em Brasília (Matos & Das Graças. opostas ou alternas. Na Colômbia. minuta. Cravo-africano e Tagetes. digestiva. sendo também comumente chamada de Cravo. está muito bem aclimatada no Brasil. tosse e resfriado. narcótica. são partidas e aromáticas. febrífuga. Originária do México. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". patula e T. Cravinho. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. com muitos ramos.1982). atingindo de 60 a 90 cm de altura. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. Amorozo & Gély (1988) referem que o . considerada carminativa. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. a S. divindade etrúria representada como um belo jovem. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. abortiva. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. cicatrizante. T. e indicada contra problemas hepáticos. 1980). 1997). antiespasmódica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. desinfetante e antiasmática.

Originária do México. Zinnia elegans Jacq. . as folhas são ásperas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. opostas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. na região de estudo. Moça-e-velha e Canela-de-velho. é amplamente usada no Brasil como ornamental. sésseis. australe. as flores possuem várias cores. rosas. cordiformes. Segundo Hoehne (1939). além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. de Zinha ou Zínia. forte. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. anteras amarelas e estigmas vermelhos. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". bronquites e tosses. com uso freqüente contra dores reumáticas.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. pela abundância de flores. o chá das folhas e flores. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. com caule ereto. incluindo brancas. resfriados.chá das folhas com alho é usado contra febres. arroxeadas e vermelhas. para tratar "doença que deixa o queixo duro". Nomes populares A espécie é chamada.

Achilea. flavonas. 1992b. 1994. 1979). laevis e B. 1987). terpenos (Verzan & El Sayed. 1978). 1979. beta-cariofileno. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. saponinas e xantonas (Caetano et al. De A. 1987). Christensen et al. Bohlmann et al.... pilosa . 1975) e monoterpenos (Orth et al. 1990. 1985.. Gene et al. 1984). 1979). alfa-felandreno. bipinnatus. Debenedetti et al. 1980. 1994 e 1984. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1990).. 1997). leucantha (Wat et ai. 1987.. Nair et al. Poliacetilenos.. delta-cadineno (De Marais et al. Hausen et al. B. 2000). 1976a e 1976b).. Caffmi & Demolis. Herz & Kalyanaraman.... Hoffman & Hoelzl. 1975. Da espécie B. pilosa.. 2001. 1997). rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow... flavonóides (Shimizu et al. leucoantociandinas. isocariofileno. Sharma & Sharma. Alvarez et al.. Torres et al. Herz & Kalyanaraman. monoterpenos... 1987. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 1976). gama-cadineno. Wang et al. 1991).. 1992). 2000). catecolaminas.. Gill et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al.. millefolium também foram isolados ésterois. glabratum (Saleh et al. germacreno A. B.. limoneno.7.. cadineno. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1996.beta-elemeno. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1981). De Tommassi et al. cumarinas. deterpenos. crisosfenol D. De A.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al.. triterpenos (Chandler et al. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. 1988a e 1988b. B. 1986.. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. 1975)..4'-trihidroxi-3. Das partes aéreas de A. diterpenos (Saleh et al. beta-pineno. 1994). flavonas (Falk et al. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. flavonóides (Bohlmann et al. alfahumuleno. timol.. 1986. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. 1981. axilarina e 5.. beta-guaieno.. alfa-copaeno.. 2002. 1977). De A. tripartitus..

1995). tais como quatro auronas.. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. odorata (Hai et al. E.. E. Liu et al. B. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £.foram ainda isolados inúmeros compostos. 1995). 1993 e 1995). 1995) E. E. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al.. E. glandulosum (Nair et al. 1986).B.. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. £. ácido linoléico e linolênico. tripartita (Isakova et al. E. E.. Edgar et al. buniifolium (Muschietti et al. B. 1988c e 1988d). 1990).. 1994)..japonicum. frondosa (Karikome et al. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. erythropappum (Talapatra et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. E. chrysoanthemoides. adenophorum (Li et al. 1986). 1981). Wang et al. B. . foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. B. 1987. 1995). cernuol. portoricense (Wiedenfeld et al. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. 1987 e 1988). E guayanum (Sagareishvili et al. 1988. 1997). 1992). ternbergianum (D'Agostino et al. tripartitus (Christensen et al. 1990). 1987. radiata e B. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. E. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1991... 1991)... campylotheca (Bauer et al. B. £. 1982). 1992). dahlioides. Três poliacetilenos. bipinnatus (W B. altissimum (D'Agostino et al. 1994) e E. E. B. Poliacetilenos também foram isolados de B. E. littorale (Sato et al. E. chinese (Zhao et al. ácido linoléico. frondosa. dois derivados tiofênicos.. parviflora. rotundifolium (Hendriks et al. pilosa (Zuleeta et al.. 1985).. 1991) e E. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. Pagani. 1992). eugenol. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. subhastatum (Ferraro et al. 1997). ferulefolius. 1990a e 1990b).fortunei. micranthum (Herz et al 1978). angustifolium (Mesquita et al. salvia (Gonzalez et al. E. E.. cannabinum (Stevens et al. tinifolium (D'Agostinoetal.. 1997). pilosa (Hoffmann & Hoelzl. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. maximowicziana. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1985). 1990). B. 1995) e £. 1992). 1988b. 1979). 1988a.

E. 1986b). E. E. 1979). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1987). rufescens (Ruecker et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial.. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1987). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico.Nas folhas de E.. laevigatum (Bauer et al. entre outros (Nakatani & Nagashima. quadrangularae (Hubert et al. Diterpenóides foram isolados de E. recurvens (Herz et al.. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. 1987) e E. 1987).. Das partes aéreas de S.. E. . entre outras espécies (Ding et al.fortunei (Haruna et al. Uma amida. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. americana foram isolados monoterpenos. 1980). laevigatum (Lopes et al. triterpenóides de E. 1987).. 1987). cânfora. limoneno. 1992b.. 1977). E. 1987). 1986). espilantol. var. 1988a e 1988b). 1996). sitosterol. 1994). 1992a).. acmella L. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. Os principais constituintes do óleo essencial de E. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. p-cimeno. estigmasterol. mikanioides (Herz et al. tinifolium (D'Agostino et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. cannabinum (Stefanovic et al. odoratum (Talapatra et al. E. E.. 1986). De S. 1991). fenóis e saponina. quadrangularis (Hubert et al. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. E. naginatacetona. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. adenophorum. 1990a e 1990b). 1999). Ramsewak et al. cannabinum (Zdero & Bohlmann. sesquiterpenos. 1978). odoratum foram encontrados taninos. 1993). altissimum (Jakupovic et al. e sesquiterpenóides de E. 1980) e E. deltoideum (Quijano et al. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno.. fortuna (Haruna et al. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. 1986).. 1986). enquanto em E.

rupestris (De-Israilev & Seeligmann. minuta e T. 1991). 1993). zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 6-hidroxikaempferol. T. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. como quercetagetina. Entretanto. 1995). lucida (Hethelyi et al. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. campanulata. Tosi et al. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos.. pois somente T.. além de enxofre e fósforo.. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T.. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. tais como quercetagetina. T.. 1990). As espécies T. No entanto. Os monoterpenos descritos em T. 1987).. T. patula. 1987). patula foram isolados tiofenos. 1988. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. minuta são ocimeno. Ahmad et al. 1992).Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. laxa (De-Israilev et al.. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. erecta (Singh et al. 1993). erecta e T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. 1988a e 1988b). Pe- . 1988). T microglossa (Castro. mendocina e T. 1990b). T. 1985). T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1987).. 1990a). distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. patula (Ivancheva & Zdravkova. T. Das raízes de T. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1988).. argentina) foram identificados quatro tiofenos. T. 1987. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1993b). riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1988). patuletrina e patuletina. 1994) e T. patuletina e muitos desses derivados. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados.. glandulifera) (Craveiro et al.

Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. 1995). ocitocina. 1997).quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1991). glabratum (Saleh et al. Em A. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. a A. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. Carvalho et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. Experimentos com A. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. australe contra Plasmodium berghei em roedores.. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. 1996) dessa espécie. 1988). elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. 1988.... taninos.. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1997). 2001). australe (Matsunaga et al.. elegans indicou a presença de Cumarina... patula foi detectada (Arroo et al. 1980). . glicosídeos cardíacos. Nascimento et al.. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. As antocianinas das flores de Z. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1987). 1995). 2002) e antifúngica (Portillo et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al... bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. 1988)...

.. reduzindo a produção de prostaglandinas. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. Triterpenos. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L.. 1996). efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. Goldberg et al. 1987). 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. presente em suas partes aéreas (Torres et al... imunoestimulante (Ignácio et al. Bidens Experimentos com B. pilosa L. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. Extrato etanólico de B. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. minor (Blume) Sherff. mas Bidens pilosa var...Achila. pilosa. 1987. e B.. (1991). as propriedades analgésica e antiinflamatória. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. N'Dounga et al.. à presença de saponinas (Gene et al. minor foi a mais . bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 2000). 1985. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1998b. como friedelina e friedelan-3. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. possuem atividade antiinflamatória. 1997). Bondarenko et al. 2000). Abena et al. var... 1991). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow.. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. 1969). Porém. além de vários flavonóides obtidos de B. 1949). pilosa (Santos et al.-ol. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. B. As folhas de A. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. 1980). 1983).

. 1996)... hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. 1994. 2002). densum. A espécie B.. 1995 e 1996) e. La Casa et al. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. 1988) e E. 1985). pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe.. 1995). Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. As folhas de E.. pilosa L. in vitro. E. morifolium e E.. Entretanto. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. E. 1986b). além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. minor e B. brevipes (Guerrero et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. 1989). reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1997).. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. campylotheca apresentou.. atidifolium e E. consaguineum (Lopes et al. 1996). 1997). sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. balantaefolium (Almeida & Fonteles. 1998 e 1999)... glyptophlebum.. gracilae. Um composto sesquiterpênico isolado de B. O extrato hexânico de B. pauciflorum (Giesbrecht et al. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal.. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. Eupatorium A espécie E. pilosa L.. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. . Para a espécie B. 1986) e diurética (Rebuelta et al. E. 1995). var. 1977). hipotensora (Dimo et al.ativa. 1985). somente os extratos de B. E. mais recentemente. 1994). Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. E.. E. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. ou seja.. 1985). tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1995).

E. flaccida. Os extratos de E. Inibição da síntese de colesterol.1986). 1990). candolleanum (Campos et al. odoratum (Iwu & Chiori. cannabinum. Spilanthes Das folhas de S. A. 1986 e 1987. 1998). O óleo essencial de E... E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. 1995). seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. Eupatorium perfoliatum. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. 1990). larvicida (Pitasawat . 1982a).. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E.. 1992). Inya-Agha et al. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. O extrato bruto aquoso de E. Herz & Palaniappan. DNAse. 1995). squalidum (Carvalho et al. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. brevipes e E. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E.. enquanto a espécie E. 1991). 1985. 1989).. 1996) e E. e de E. proteínas. E. 1984... squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli.. 1995) e E.. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. pauciflorum. assim como da atividade da RNA polimerase. halinfolium e E. Piperidinas de E. 1988. 1978). DNA e RNA de células tumorais. (Giesbrecht et al.. riparium (Ratnayake-Bandara et al..5-decadienamida. RNAse. inulaefolium (Gorzalczany et al. acmella foram isolados n-isobutil-4. Cáceres et al.. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al.. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al.. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. E. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. cannabinum (Bourrel et al. 1986). 1988).. A. Achyrodine alata. hyssopifolium (Hall et al. ayapana (Gonçalves et al. 1990 e 1991). Guerrero et al. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. Sesquiterpenóides isolados de E. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1991). 1991). laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio.

bem como no consumo destas (Meckes et al. 1993). Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. e o extrato de S. (Fabry et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. como no cravo-da-índia. 1992) e antitumoral (Moraes et al. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. 1990).. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Valderrama et al. 1986) e S. 1988. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. Camargo Neves et al. Andrade.. Souza.. mas não contra Candida sp.. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. 1995). enquanto o extrato de S.. 1995). usado como emenagogo. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo... presente em muitas espécies. Em S. Em I minuta. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum... 1992). 1984)... erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. RJ. F. O extrato de S. oleracea (Herdy & Carvalho. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. sendo os deri- . 1996). C. 1998) e espilantol. 1993). Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan.. et al. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. T. sedativa.. L. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. 1999). et al. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. folhas e flores de T. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. O eugenol.. 1992. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al.. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1987. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. J.. 1993. 1994).et al. in vitro. 1989). et al. antimicrobiana..

Ca2+ dependente e inibiu. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. a atividade da ATPase. Os extratos hexânicos de T. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. coronopifolia e T.vados tiofênicos os compostos ativos. o óleo essencial de T. 1987). 1992). lúcida estimulou discretamente. 1989).. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al.. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. Do extrato de Z. Zinnia As sementes de Z. 1994). 1996). D e F. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. .. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. elegans L.. in vivo e in vitro.. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti.. Dentre outras espécies. 1995). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. in vitro. 1997). 1991).. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1995)... Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al.. O extrato de T. 1997). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. 1994). presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1991). Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula.

Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. australe durante o período de prenhez de ratas. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. hemorragia. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. 1995). 1978a e 1978b). oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. especialmente na fase jovem. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. V. et ai. congestão do baço e coração. T. 1990). adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. A. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. 1994). no entanto. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas.. et al. alopecia. especialmente . a espécie E. dispnéia. Tremetona isolada de E. A ingestão regular de E. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional.. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. 1996 e 1997). icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. M. S. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. enquanto o extrato aquoso de S. As folhas de S.. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. 1993). Estudos com a espécie A. adenophorum (Oelrichs et ai. fraqueza e debilidade dos membros.. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. 1988). 1995). caracterizados por diarréia. Segundo Hoehne (1939).. australe são tóxicas para aves.. Entretanto.

Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. FIGURA 28. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. b) detalhe da escanerata. relaxante muscular e antineoplásica. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .1 . assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.como diurético e hipotensor.

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.

FIGURA 28.3 .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .

Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.4 .

b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov. 1998).: a) ramo florido (Di Stasi .5 . .original).Eupatorium ayapana.FIGURA 28.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28.6 . 1984). .Spilanthes acmella.

Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. com representantes arbóreos. algumas espontâneas nas áreas tropicais.29 Rubiales medicinais L. alguns deles de valor histórico. 1997). do famoso Cafeeiro. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. do famoso jenipapo brasileiro. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. como é o caso de Coffea e Cinchona. arbustivos. Di Stasi C. Coffea arábica. • Ixoroideae: Coffea. e Gardenia. Desfontainiaceae e Rubiaceae. . C.200 espécies vegetais cosmopolitas. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Genipa. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. Gelsemiaceae. A. nos quais se distribuem mais de 10. importante fonte de espécies ornamentais. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630).

e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. muito comuns em terrenos baldios. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. carnoso e drupáceo (Figura 29. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. com espécies popularmente denominadas Poaia. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. . bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. ipecacuanha. com pêlos abaixo da inserção dos estames. Não foram encontrados sinônimos. inteira. folhas curto-pecioladas.• Antirheoideae: Guettarda. com corola de base gibosa. fruto indeiscente. diclamídeas. Dados botânicos Pequeno arbusto. bicarpelar. especialmente na Amazônia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. flores hermafroditas. ovário ínfero. importante árvore. ereto. simples. 1997). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley.1). e Palicourea. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. Borreria e Dioidea. lanceoladas. estipulas não foliáceas. • Rubioideae: Psychotria. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. Cephaelis da famosa C. fonte de emetina e outros constituintes de importância.

. E popularmente usada como medicamento. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. pecioladas. (Kemmerling. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. 1989a).. frutos do tipo baga. opostas.. glabros. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. 1995.. 1996. .Palicourea marcgravii St. avermelhados. Palermo-Neto et al. 1999). 2001). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. marcgravii. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. De-Moraes-Moreau et al. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. de onde partem folhas com venação tênue. delgados. inflorescência em panículas. avermelhadas. Stuart & Woo-Meng. com ramos cilíndricos. sobretudo na região amazônica. fendleri (Nakano & Martin. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. Hil.5 m de altura. acuminadas. de P. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". 1976). Além de alcolóide. Nomes populares No Brasil todo. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. 1994). 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P.

. 1989b.. Segundo Schvartsman (1979). marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes.. espasmos musculares. náuseas. comum em animais e rara na espécie humana. falta de coordenação motora.1 . 1984a. e a intoxicação. 1995).teratogênica (Costa. contrações musculares. Além de fluoroacetato.. 1988. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. P. midríase e morte em bovinos (Costa et al. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas..Banco de imagens - . Palermo-Neto et al. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. 1996). De-Moraes-Moreau et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. vômitos. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. Das folhas de P. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado.Palicourea laniflora. 1989. Tokarnia & Dobereiner. 1989). Gorniak et al.. 1989). A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. FIGURA 29. 1982). Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . et al. enquanto P.. 1986).

A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro.30 Dipsacales medicinais L. descrita a seguir. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. arbustos e lianas. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Di Stasi C. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Abelia e Linnaea. Viburnum. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Os principais gêneros são Sambucus. . distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Lonicera. 1997). Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. C. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. 1978). No Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo.

é considerada excelente diurético e sudorífico. as flores são brancas. e possuem aroma muito agradável. usada internamente.1). Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. no champanhe e no catchup. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. além de flavorizantes em vinhos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. além de seu histórico uso medicinal. A infusão das folhas.Espécies medicinais Sambucus nigra L. gripes fortes e varicela. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. A espécie. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. Floresce nos meses de julho a agosto. óleos e ungüentos. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. dispostas em um corimbo branco. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. Na região da Mata Atlântica. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. Apresenta importante valor econômico. considerada exótica nas Américas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. . com ramos bastante lenhosos.

Internamente. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. De S. flavonóides. 2001). Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas.. os ácidos graxos láurico. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. folhas.. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. 1986). externamente.. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. 1989b e 1989c).. S. descrita no trabalho de Grieve (1994). erisipelas e queimaduras.Bown (1995) refere que flores. cianogeninas. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. sudoríficas. racemosa e S. reumatismo e febres. 1989. gripes. Kaku et al. lectinas das cascas (Shibuya et al. heptadecênico. 1989a). 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. para pequenas queimaduras. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. tetradecênico. a planta ainda é indicada contra influenza. diuréticas. 1990. 1988). Van Damme et al. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. nigra. palmítico. oléico. lignanas. catarros. casca e frutos são usados para diminuir febres. mirístico. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral.. esteárico. sinusite. canadensis foi isolado o iridóide .

1997.. formosana foram isolados.. De S. 1997.. australis. mexicana. Das cascas de S. conhecido como Sauco. 1986). nigra. antiinflamatória e antipirética. Prunus spinosa. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.. apresentou atividades analgésica. Salvia offtcinalis. 1997).. 1974).. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1994). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. e das raízes de S. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Centaurium minus. Bojic & Cuperlovic. 1996). que possui atividade colerética (Takeda et al. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al.. Com base nessa constatação. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. e Polygonum aviculare. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. 1980). 1990). 1997). O extrato aquoso das folhas de S. 1997a e 1997b). O reatival. 1997). apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. beta-amirina e o ácido oleanólico. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. . que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome... 1987). 1995). das folhas. As lectinas de S. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. Van Damme & Peumans.. Artemisia absinthium. Sambucus nigra. Schoning. indicado para hidropisia. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. O extrato hidroalcoólico de S.. 1988). De S. 1992b e 1992). 1989)..morronisídeo (Jensen & Nielsen. O extrato aquoso de S. 1996. canadensis (Buhrmester et al. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 2000).

1 . Neto et al. .. FIGURA 30.A espécie S. 1999) e a espécie S. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al.. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.Sambucus nigra. 2000. 2002). Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ).

Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. Mata Atlântica. A maioria é nativa desse ecossistema. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 109 são usadas na Amazônica. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. da Hortelã (Menthapiperita). das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. C. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. como é o caso do Alho (Allium sativum). como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea).Posfácio L. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. . entre outros. Dessas 135 espécies medicinais.

340 espécies. Esse dado se torna mais importante porque. a Losna (Artemisia absinthium). mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. o Coentro (Coriandrum sativum). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). o Agrião (Nasturtium officinalis). líquens. razão pela qual não foram incluídas no texto. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. neste livro. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos.Dessas 135 espécies medicinais. a Erva-doce (Pimpinela anisum). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. a Mostarda (Brassica nigra). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. várias espécies amplamente conhecidas. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. apenas dezesseis são monocotiledôneas. . das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. a Calêndula (Calendula officinalis). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Mamão (Carica papaya). ou seja. compreendidas em trinta diferentes ordens. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. a Camomila (Matricaria chamamila). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal.

pelos mais variados grupos de pesquisadores. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. e que esse conhecimento seja recuperado. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. alcançando alto índice de citação. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. . vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Por isso. Sobre essas. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. como a de massa e a erudita. esse conhecimento se enriquece a cada dia. Finalmente. isto é.

o ciclo reprodutivo e depois morre. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. . se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Bianual. Alternas. Que fica na axila. Arista. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Planta que nasce. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Anual. com uma única semente. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. no segundo. pelo lado interno. indeiscente. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Hermafroditas. Aquênio. com dois sexos. Excrescência da semente. Antera. Axilar. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Aguda. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Andróginas. Que abraça o caule. os estames. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Androceu. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Bainha. folhas que envolvem o caule. Baga.Glossário de termos botânicos. Amplexicaule. Acuminada. Arilo. Fruto seco.

Pétala superior da corola papilionada. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Com a forma de elipse. que é o verticilo externo da flor. com função de proteção. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Carpelo. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Didínomo. como o fruto das gramíneas. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Conjunto de sépalas. Ex. Decumbentes.Bráctea. Carena. Estandarte. Qualquer órgão que cai em determinado período. Cálice. . Estipula. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Cada um dos apêndices. deiscente. Fruto seco. Colmo. Que se abre. androceu ou planta que possui quatro estames. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. normalmente largo. Na forma de cunha. Folha modificada que origina o gineceu. Cuneiforme. Capítulo.: cana-de-açúcar. Corola. Endosperma. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Deiscente. Escandente. Conjunto de pétalas. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Diz-se da flor. Estilete. Corimbo. Decorrente. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Planta trepadeira. Dicotiledôneas. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. tornando-o alado. Fruto monospérmico. Pedúnculo geralmente sem folhas. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Cápsula. Escapo. Elíptico. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. inseridas em um eixo comum. mas sempre terminando na mesma altura. em geral dois. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Crenada. Diclamídea. Epicarpo. Camada externa do pericarpo. dois mais altos e dois mais baixos. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. seco e indeiscente. Drupa. Caduco. Cariopse.

de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. As flores podem ser dímeras. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Flores. e ao de pétalas. Fasciculada. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. o de corola. pentâmeras etc. que é ramificada igualmente em forma de pincel. As flores são estruturas de reprodução. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. complexas e variadas nas formas. Parte do estame que sustenta a antera. . Folha. que juntos constituem o perianto.Estômato. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. trímeras. Filete.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente.

A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. às vezes reduzidas. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. às vezes numerosas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. .ou composta . as folhas podem ser pecioladas ou não. no caso das folhas compostas pinadas. Nesses casos.quando consta somente uma lâmina . ou com o próprio caule. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.quando se compõem de duas ou mais lâminas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.

Todas essas características. conforme se observa na figura a seguir. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. . mais aquelas apresentadas para as flores.Finalmente. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.

é constante para cada espécie vegetal. Inflorescência. Infrutescência. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. os carpelos. Planta que produz flores unissexuais. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Lanceolada. Que não se abre. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Folículo. Lâmina. Flor com apenas um invólucro no perianto. Monóica. Metaclamídeos. Hermafrodita. em linhas gerais. Indeiscente. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência.Folíolo. Desprovido de pêlos. Lóculo. Porção alargada e achatada da folha. mais longa que larga. porém presentes na mesma planta. Lobado. Gluma. e as principais são motivadas na próxima figura. Oblonga. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Fruto seco. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Hirsuto. Monocotiledôneas. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Planta ou flor com dois sexos. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Glabro. deiscente. Monoclamídea. . Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Lígula. Diz-se da folha em forma de círculo. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Orbicular. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Gavinha. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Provido de pêlos longos. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Gineceu.

1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. ..

Ráquis. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. aromáticos etc. dibásicos. Substâncias orgânicas. isovalérico. dispostas circularmente. . Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Podem ser monobásicos. mirístico. Verticilo. succínico. fórmico. Exemplos: ácidos acético. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Pecíolo. Rizoma. cáprico. Qualquer substância de sabor ácido. Uncinada. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. nitrogenadas de origem vegetal. fenólico e tartárico. Ácidos orgânicos. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. gálico. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Conjunto de estruturas com a mesma função. Receptáculo. Termos químicos Acetileno. linoléico. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Ácido graxo. Perene. oléico. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. com cheiro desagradável. Tomentoso. Caule subterrâneo. Pubescente. gasoso. Papilho. Hidrocarboneto não saturado. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. palmítico.Panícula. Que forma gancho. Alcalóides. cujos pêlos se entrelaçam. característico da família Asteraceae (Compositae). araquídico. Cálice modificado em pêlos. Séssil. Ácido. Conjunto formado por cálice e corola. o mesmo que cacho. Planta ou órgão denso. Estruturas com simetria bilateral. solúvel em água. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Perianto. cerdas ou aristas. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. esteárico. incolor. Qualquer estrutura provida de pêlos. Racemo. Zigomorfa.

Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Líquidos incolores. encontrado nos organismos vivos. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Flavonas. Compostos alifáticos. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. amarelos e roxos. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. como a quercetina. Compostos aromáticos. Compostos orgânicos não-cíclicos. Exemplo: p-cimeno. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. que exercem várias funções. derivados do cicloperidrofenantreno. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. voláteis. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Esteróides. eugenol e hidroquinonas. estragol. Uma das substâncias constituintes do amido. Cetonas. onde exerce importantes funções. Flavonóides. Aminoácidos. Ver esteróides. originam as flavononas. Betaínas. tais como os hormônios. Compostos naturais ou artificiais. Esterol. . Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Carboidrato. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Fenóis. com caráter gelatinoso. Catalase. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Cumarinas. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Amilopectina.Alcoóis. São corantes vegetais. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. vegetais e animais. Exemplos: carvacrol. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Fitosterol. Ou hidrato de carbono. Aldeído. timol.

Compostos cíclicos. Lactonas. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Glicosídeos. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Lignanas. Hidrolato. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). oxidando outros compostos. Peroxidase. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. derivados do fenilpropano. Mucilagens. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Glicídios. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Substâncias que. geralmente de odor agradável. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. . Hidrocarboneto. Heterosídeo. sofrem hidrólise. Líquido oleoso. Insulina. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. recobrindo-as com uma camada protetora. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Insaturados. Peróxido. Lipídios. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. pela ação de ácidos diluídos.Fosfolipídio. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Compostos cíclicos. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Ligninas. Líquido incolor e aromático. Óleo essencial. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Hormônio secretado pelo pâncreas.

em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que reduz a capacidade de reprodução. que prende. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. que impede a formação de catarro. Que suprime náuseas ou vômitos.Termos médicos Abortivo. Anticatarral. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. podendo ser feminina ou masculina. antigonorréico. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. sufocação. Que reduz ou suprime a dor. Que combate fungos. Antiescorbútico. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. que provoca constricção. Capaz de promover expulsão do feto. doença sexualmente transmissível. Adenocarcinoma. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Queda dos cabelos. . de um músculo ou grupo de músculos). Antidisentérico. Analgésico. às vezes. Antiemético. Delírio. involuntárias de músculos voluntários). Que aumenta ou excita o desejo sexual. Agregação. Dor sufocante. Afrodisíaco. Agrupamento. calvície. Antibacteriano. especialmente táctil e dolorosa. Que combate a eliminação de muco. Antifúngico. Falta de menstruação. Anemia. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). a sangue). Alopecia. Que aperta. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Antifertilidade. Antiespasmódico. Angina. Adstringente. Afasia. Antigonorréico. Auticonvulsivante. Amenorréia. Expectorante. Anestésico. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Que combate as convulsões (contrações violentas. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. aglomeração. Tumor maligno com disposição glandular. Antidiabético. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. ato ou efeito de desvariar. Alucinação. Antiblenorrógico. violenta. perda momentânea da razão. Acne.

quase sempre transmitida por contato sexual. Béquico. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium).Anti-helmíntico. Antineoplásico. Cálculo. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate a formação de tumor maligno. falta de emoção. Que combate as doenças provocadas por vírus. também chamada de paludismo. Brônquios. Antimalárico. Que combate helmintos. desinfetante. Apatia. Estado de indiferença. em geral acompanhada por desordens na fala.no. putrefação ou contaminação microbiana. Anti-histérico. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Relativo à tosse. Que combate as inflamações. Antimicrobio. Que faz baixar a temperatura. Antivirótico. Que impede a fermentação. Antileucorréico. inatividade. Anti-reumático. Que dilata os brônquios. Que combate a histeria. Antivenéreo. especialmente bactérias. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Antitumoral. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Que combate micróbios. Anti-hemorroidal. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antinociceptivo. Que combate tumores. que serve para o tratamento da tosse. Que combate a sífilis. Anti-sifilítico. Antipruriginoso. Anorexia. Que combate o reumatismo. Que combate a lepra. Também denominado antipirético e febrífugo. Anti-séptico ou Antisséptico. Antiinflamatório. formada por sais minerais. Broncodilatador. Antitérmico. Que combate o corrimento vaginal simples. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. nos rins e/ou na vesícula biliar. Ataxia. Antileprótico. febre paludosa ou palustre. Redução ou perda de apetite. . Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Em geral se forma na bexiga. insensibilidade. doença causada pelo Treponema pallidum.

purifica. também. Dispepsia. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Que provoca vômito. muitas delas usadas para destruir células tumorais. acompanhada de náuseas. dificuldade para respirar. Indigestão. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Diurético. sensação de peso ou queimação no estômago. Desobstruente. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. empachamento. Que favorece o fluxo biliar. Citotóxico. Edema. que separa substâncias nocivas. Purgativo. Eczema. Respiração difícil. Dispnéia. reduz a força. Congestão. que previne a invasão de microorganismos. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. que ativa a eliminação de bile. Inflamação da pele. do intestino. Que tem a propriedade de amolecer. Cardiotônico. Que deprime. enfraquece. Emenagogo. do estômago etc. Depressor. Que desentope. . que aumenta ou provoca a secreção urinária. Catártico. Dermatite. Sudorífico. Colagogo. estimulante da transpiração. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Dificuldade na deglutição. Carminativo. gripe comum. Depurativo. Disfagia. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Infecção por bactérias. Que limpa. Cicatrizante. Emético. Que favorece ou provoca menstruação. Constipação. libera a passagem de um vaso ou canal. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. reduz a excitação. gripe. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Que favorece a secreção urinária. Diaforético. Prisão de ventre ou. resfriado. Desinfetante. Que exerce efeito tônico sobre o coração. crostas e secreção.Carbúnculo. Emoliente. Que alivia a distensão por gases. caracterizado visualmente pelo inchaço.

Que aumenta a pressão sangüínea. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Estomáquico. pigmentação amarela generalizada da pele. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Glicosúria. Hepático. Fitoterapia. . Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Relativo ao fígado. que leva à perda de atividade. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Ictericia. Hipocolesterolêmico. com bradicardia (pulso lento. Distensão por gases no intestino. Tóxico para as células do fígado. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Que baixa a taxa de glicose no sangue. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Capaz de promover estímulos. com anemia. Hipotensor. Fungicida. Fitofármaco. Que estimula ou provoca a ação. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). assombro. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Excitante. Derrame de bile no sangue. Hipoglicemiante. Eructação. estado de irritação. Hidropisia. Hiperglicemia. que melhora o funcionamento do fígado. Estimulante. Que baixa a pressão sangüínea. deposição de bile nos tecidos. Que produz imobilidade emocional. espanto. no estômago etc. Farmacoterápico. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. com vermelhidão. que estanca hemorragia. Células do fígado. Hipertensor. Expectorante. Febrífugo. Hemostático. que facilita as funções do estômago. Flatulência. Relativo ao estômago. O mesmo que arroto. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Hepatotóxico. Que combate a febre. Estupefaciente. Hepatócitos. Que combate fungos. Relativo a hemostasia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais.Erisipela. Fitoterápico. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias.

Nefrotoxicidade. Poliária. Narcótico. Parasitemia. Parasiticida. Corpúsculos sangüíneos. Excreção excessiva de urina. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Que resolve. Grau ou índice de parasitas no sangue. Lenitivo. que faz cessar inflamação. Tóxico para as células brancas do sangue. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Malária. Que produz gordura. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Resolutivo. Que alivia excitação. Moluscicida. Sialagoga. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Lumbago. importantes para a coagulação sangüínea. tranqüilizante. Inseticida. Midríase. Incapacidade de reprodução. produzindo sono e alívio da dor. . Linfocitotóxico. impaludismo. Laxativo. Plaquetas. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Que adoça ou acalma. como no caso da esquistossomose). que apenas exonera o intestino. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). purgativo fraco. Estado que é tóxico ao rim. Infertilidade. Que laxa ou afrouxa. Lepra. o mesmo que laxante. Mutagênico. Que produz sono ou inconsciência.Impingem. Substância que mata insetos. Morféia. Peitoral. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Lipemia. Dilatação da pupila. calmante. purgante. dorso). afecção cutânea. Maleita. Relativo a peito. Dor na região lombar (costas. Purgativo. Sedativo. que acalma. Que mata ou destrói parasitas. causado por gordura. droga que paralisa as funções do cérebro. Lipogênico.

que acalma. Tônico. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Testículo. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Vesicante. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. . Revigorante. Teratogênese. que facilita a saída de pus. Que tranqüiliza. Tranqüilizante. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Vulnerário. Que produz pus. Que destrói ou afugenta vermes. bolhas. Que provoca vesículas. Tóxico para o zigoto. Sinusite. Zigotóxico. Diaforético. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Salivação abundante.Sialorréia. Vermífugo. Próprio para curar feridas. Supirativo. Sudorífico.

23.3. nos casos de única autoria. 1995. os autores são citados no texto.269-74. fascículo. Biochemical Systematics and Ecology. 1985. I. Soedin (Tashk). Soedin. p.43. ABE. p. L. nos casos em que há mais de dois autores. et al. D.l69-71. Os dois autores.12.1294-7. simpósio ou similar.871-2. página inicial e página final e ano de publicação. incluindose volume. 1986. v.38. SEELIGMANN. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. et a l j . Prir. p. ABDULLAEV. os autores são citados como nos casos das revistas. ABDALA. n. página e ano. n. Prir. N. O mesmo se aplica a teses. v.499-500. n. .657-63. Khim. . apenas sua referência. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. • Quando se trata de livro. (Tashk). v. P Lilloa. R. n. n. v. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). S. p.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.. 1997. M. nos casos de dupla autoria. n. p. Khim. et al. p. .4. seguindo-se o título do congresso. ABDEL-KADER. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). ABDU-AGUYE. 1986. n.5. dissertações e outras publicações do gênero. Nat.3.60. p. Human Toxicol. Prod. et al. F.7-8.2. 1995a. v.. Um autor. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. 1995.326-32.5.

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79 Alismatidae. 78 Alpiniajaponica. 202-4 . 95-9. 93. 227-8. 102. 480 Bignoniaceae. 377-78. 152. 42-3 Andropogon nardus. 488 Bauhinia forficata. 3512. 342-3. 475. 110 Annona tenuiflora. 391 Allium cepa. 339-40 Anacardium giganteum. 143 Acanthospermum australe. 115 Aristolochia trilobata. 360 Anacardium occidentale. 90-3. 79 Allamanda cathartica. 373 Averrhoa bilimbi. 52. 474. 480. 81 Arecidae. 140-1. 96. 149-50 Amaranthaceae. 67. 461 Ageratum conyzoides. 468-9. 119 Aristolochiaceae. 223 Bixa orellana. 113 Asclepiadaceae. 364 Apocynaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 386 Asteraceae. 68. 361 Andropogon leucostachys. 201-2. 69-74. 316 Bidens bipinnatus. 465. 479. 458-6 Achillea millefolium. 449 Bixa arborea. 90 Apiaceae. 154 Alternanthera micrantha. 65. 56. 340-3. 368 Arecaceae. 487 Alismataceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 43 Annona muricata. 467-8. 489 Bidens pilosa. 75 Allium sativum. 149. 58. 65. 113 Aristolochiales. 364 Apiales. 148 Anacardiaceae. 475. 351-2 Baccharis trimera. 345. 453. 79 Aristolochia. 376 Araliaceae. 113-5. 381-5. 463 Asteridae. 77 Aloe vera. 468-9.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 450. 351-2 Averrhoa carambola. 463-5 Asterales. 65-6. 467. 111 Annonaceae.

185. 171 Gossypium barbadense. 382-3. 190 Cucurbitapepo. 394-5 Ipomoea quamoclit. 279. 163-4 Chrysobalanaceae. 481. 406 Brunfelsia grandiflora. 373 Eupatorium ayapana. 165. 206-7. 237. 407. 292. 440 Costus spiralis. 172 Boraginaceae. 210. 299. 236 Euterpe edulis. 214 Himatanthus. 375 Gnaphalium purpureum. 238 Cucumis anguria. 224 Hibiscus sabdariffa. 281. 319 Dipsacales. 393 Cordia verbenacea. 54. 301-2. 230-2. 150. 242. 408-9. 490 Euphorbiaceae. 163 Chenopodium ambrosioides. 201 Boerhavia difusa. 430. 154. 259 Commelinidae. 395 . 296 Fabales. 312 Ipomoea batatas. 286. 297 Capparidaceae. 387 Gentianales. 83 Eryngium ekmanii. 276-7 Cajanus cf. 298 Derris amazônica. 441 Inga spectabilis. 46-7. 231 Celastraceae. 470. 402-3 Cactaceae. 231 Celastrales. 292 Caesalpiniaceae. 236 Euphorbiales. 272. 61 Heliotropium indicum. 295. 284 Hyptis crenata. 298 Derris floribunda. 155-6 Caesalpinia ferrea. 82-3 Fabaceae. 386-7 Gentianaceae. 299 Dillenidae. 215. 496 Caryophyllales. mariana. 285. 175 Diplotropis purpurea. 300. 49 Cymbosena roseuna. 272 Clidemia novemnervia. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 178 Cybianthus. 276 Fischeria cf. 205. 151-2. 282-3. 388 Croton cajucara. 287-8 Cassia reticulata.Bixaceae. 318 Desmodium tortuossum. 496 Dipteryx odorata. 80. 247. 53-4 Coutoubea spicata. 213. 264-5 Cymbopogon citratus. 379. 283. 331 Celosia argentea. 152-3. 385 Hirtella. 365-9. 255 Croton sacaquinha. 147 Caryophyllidae. 287 Cecropia peltata. 179 Cucurbitaceae. 63 Heliconia. 275 Hydrocotyle exigua. 211. 145 Caryophyllus aromaticus. 259 Hedychium coronarium. 322 Clusiaceae. 411 Hibiscus furcellatus. 265 Caprifoliaceae. 315 Caesalpinia pulcherrima. 471 Gomphrena globosa. 366-7 Hymenaea courbaryl. 327 Cassia multijuga. 413-4. 41-2 Convolvulaceae. 235 Cecropiaceae. 280. 178-9. 324. 212-3. indicus. 207. 170 Chenopodiaceae. 398. 225 Guttiferales. 302 Echinodorus grandiflorus. 44. 308 Dipteryx punctata. 266 Capparidales. 287 Cassia occidentalis.

42 Pogostemon patchouly. laniflora. 417. 251 Lacistema. 252. 244-6. 241. 120 Poaceae. 39. 250-1. 424. 332. 123. 156-7 Persea americana. 124. 122-3 Piper cernnum. 432 Ocimum micranthum. 204 Malvales. 139 Mentha piperita. 134 Piper d. 426. 195 Mabea angustifolia. 103 Myrocarpus frondosus. 427 Ocimum gratissimum. 258 Physalis angulata. 262 Myrtaceae. 136 Piperaceae. 61 Musaceae. 429. 494-5 Passiflora coccinea. 108 Petiveria alliacea. 432. 422-3. 126-7. 412-3 Lamiales. 321 Nyctaginaceae. 334-6 Melastomataceae. 399-400. 350 Palicourea cf. 184-9. 132 Peperomia. 181-2. 79 Moraceae. 121. 239-40. 419-20. 337 Malva parviflora. 89 Malpiguiaceae. 135 Piper marginatum. 277 Leonotis nepetaefolia. 414. 444 Mentha pulegium. 389 Luffa cylindrica. 303 Myrsinaceae. 180. 451-2 Jatropha curcas. 64 Liliidae. 161 Ocimum basilicum. 64-5 Liliales. 87 Magnoliales. 167-9. 420. 432 Ocimum canum. 191 Lamiaceae. 337 Polyscias. 64 Lippia alba. 419. 196 Monocotiledonae. 128. 254. 431. 185. 453 Peperomia elongata. 137 . 131. 199 Passifloraceae. 158-9. 369-72 Portulaca oleraceae. 240-1 Magnoliidae. 323-4 Myrtales. 427. 442 Leucas martinicensis. 332. 425-6. 192-3. 435 Loganiaceae. 121-2 Pereskia grandifolia. lhotzkyanum. 493. 198 Lacistemaceae. marcgravii. 208 Malvaceae.Jacaranda caroba. 445 Mimosaceae. 200 Maytenus aquifolium. 336 Maytenus ilicifolia. 125. 125. 446 Origanum vulgare. 443 Liliaceae. 107 Leguminosae. 425. 495 Palicourea cf. 447 Polygalales. 415-6. 402-5 Phytolacaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 245. 311 Momordica charantia.120 Piperales. 321 Menispermaceae. 160. 238-9. 427. 158 Pothomorphe peltata. 427-8. 422 Oxalidaceae. 108 Persea gratíssima. 60 Myristicaceae. 129. 191-2. 162 Portulacaceae. 229 Musa. 418 Mentha viridis. 221-2. 233 Muntingia calabura. 161-2 Portulaca pilosa. 421. 166 Piper cavalcantei. 256 jatropha gossypifolia. 130. 173 Phyllanthus corcovadensis. 416. 192 Pedaliaceae. 434-5 Lippia granais. 431. 106 Laurus nobilis. 406 Lauraceae.

Pothomorphe umbellata. 112 Zingiber officinale. 208-9. 485. 492 Rubiales. 462 Ranunculales. 177-8 Virola surinamensis. 463 Scrophulariaceae. guineense. 344. 45. 477. 345. 320 . 434 Violales. 400 Solanum tuberosum. 326 Psydium guajava. 350. 182 Sesamum indicum. 325-9. 233-4 Spilanthes acmella. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 474. 409. 412 Tagetes erecta. 94-5. 138 Primulales. 55. 472. 322 Rosaceae. 58 Zingiberaceae. 183. 349. 453-6 Sida rhombifolia. 99. 353 Saccharum officinarum. 492 Ruta graveolens. 228 Thevetia peruviana. 218. 473-4. 457-60. 397-8 Solanales. 347. 452. 221 Urena lobata. 227 Theobroma speciosa. 216 Stigmaphyllon fulgen. 401 Solidago microglossa. 262 Prunus domestica. 50 Sambucus nigra. 363 Rutaceae. 497-500 Sansevieria. 209 Urticales. 139 Rhynchanthera grandiflora. 479. 274 Psydium cf. 189. 52 Zingiberales. 51 Zinnia elegans. 271 Rosidae. 457 Scrophulariales. 230-1 Verbenaceae. 478 Theobroma grandiflorum. 197 Xylopia cf. 471 Sorocea bomplandii. 132. 482. 484 Zollernia ilicifolia. 354-7. 76 Sapindales. 51 Zinigiberidae. 330 Pyrostegia venusta. 379-85 Tiliaceae. 213. 48. 393 Solanum paniculatum. 491 Spondias purpurea. 269 Rubiaceae. 217-9. 338 Stigmaphyllon strigosum. 273 Rosales. 215-6. 361 Sterculiaceae. 226 Solanaceae. 390 Symphytum officinale. 312. 360 Scoparia dulcis. 339 Schinus terebenthifolius. 449 Sechium edule. 101. 338 Strychnos triplinervia. 103-6 Vismia japurensis. frutescens. 127.

Estúdio Gráfico (Diagramação) .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

Campus de Botucatu. Capa: tsabel Carballo . os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Departamento de Farmacologia. do Departamento de Fisiologia. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. .