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medicinais-da-amazonia-e-mata-atlantica

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Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). .Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

Nos últimos anos. Acreditamos que. se propõe e se discute sobre o assunto. comprometimento do abastecimento de água. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. entre outros -. a falta de propostas decorre de um dos dois. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. provavelmente. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. mas pouco se faz. empobrecimento do solo. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. conse- . especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. ou significam estratégias proibitivas. alterações climáticas.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros.perda da fauna e da flora. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. pois. ou melhor. que em sua maioria não resolvem o assunto. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas.

novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. Dessa forma. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. não se dá apenas visando à sobrevivência. Para tal. atualmente. Nesse aspecto. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. Por sua vez. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. São eles que podem. portanto. permitir grandes avanços na conservação. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. como mais um produto para comercialização. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Nesse sentido. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . Essa relação.qüentemente. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica.quer sejam grupos definidos. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. entretanto.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. como os ribeirinhas da Amazônia. seus produtos e suas relações. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. sem dúvida alguma. regional. mas inclui ainda interesses econômicos. quer sejam comunidades tradicionais. priorizadas. os moradores da floresta . a contribuição deste . Consideramos. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. os pescadores do Vale do Ribeira. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. São eles que conhecem a floresta.

mais abrangente. Dessa forma. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. entretanto. em janeiro de 1999. Foi a partir de pesquisas que realizamos. Começamos o trabalho. Passou da hora de a ciência e a política. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. considerando os aspectos aqui referidos. publicado originalmente em 1989. Não custa lembrar e salientar. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. já que dez anos haviam se passado. como instituições determinantes para o avanço. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. na verdade. e também no de desenvolvimento. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. conseqüentemente. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. A equipe já não era a mesma. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. cada qual havia tomado seu caminho. pagando o preço de um trabalho mais social.livro é um começo. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. No entanto. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro.

que prontamente os disponibilizou para esta publicação. além dos desenhos apresentados inicialmente. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. Chemical Abstracts). além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Nessa nova etapa. outro importante e singular ecossistema brasileiro. químicos. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica.não . incluindo fotos de algumas espécies.proposta original. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). a nova idéia não tinha mais como retornar. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. Por si só. farmacológicos. por outro. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. pelo menos as mais citadas. buscamos informações em diversos endereços. por um lado. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . Estado de São Paulo. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. No entanto. Index Medicus. à medida que. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet.

da Mata Atlântica. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. A conservação dos ecossistemas tropicais. Com essa nova concepção. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. como é o caso da Amazônia e. mais acessível que os artigos . durante todo esse período. passaram a representar uma nova alternativa . mas com um livro. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. mas um novo trabalho. mas as plantas medicinais. sempre foi uma preocupação constante. sem dúvida.em artigos científicos e técnicos. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. hoje. especificamente. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. que serão úteis. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. especialmente os mais ameaçados. No entanto. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. não apenas catalogando espécies medicinais.

quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável.para a conservação dos ecossistemas. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. Nesse sentido. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. mas pouco realizado na prática. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico.somando-se a isso a busca de novos medicamentos.não pode ser apenas a retórica. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. municipais e federais) e não-governamentais. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. realizadas de forma racional e sustentável. Luiz Claudio Di Stasi . apesar de preliminar e pequena. Finalmente. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.

o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. que esse conhecimento seja perdido. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. pretendeu-se. Em segundo lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional. desse modo. o que. a nosso modo de ver. Em terceiro lugar. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. Em primeiro lugar.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. evitando-se. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país.

que potencialmente es- . a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Nesse contexto. além dos objetivos aqui expostos. químicos. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Em quarto lugar. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. consideramos que a ciência. e que visa. farmacologistas etc). objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). Osvaldo Aulino da Silva. Finalmente. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. juntamente com o Prof. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. com a promoção de melhores condições de vida para a população. Por outro lado. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. com as atividades deste trabalho.natural. deve ter um componente social em seu escopo. Nesse contexto. com os conhecimentos adquiridos. pretendeu-se. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). da qual o próprio pesquisador faz parte. realizado no município de Humaitá. como qualquer outra atividade humana.

consideramos de grande importância colocar que. antropólogos e químicos. farmacologistas. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. no entanto.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. essa área requer um enfoque novo. portanto é urgente a sua consideração. estágio de desenvolvimento. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. clima. que se superando as dificuldades. propiciou um imenso prazer. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. pela sua característica multidisciplinar. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. estações do ano e outros). além de botânicos. No entanto. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. que podemos denominar ecológico. e nossa experiência é prova disso. tipo do solo. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. Acreditamos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. além de engrandecer o trabalho. como seres vivos. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. para que o conheci- . qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado.

que. acrescentaram uma experiência rica. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam.mento tradicional seja devidamente resgatado. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. além de tornarem possível este trabalho. Luiz Claudio Di Stasi . o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final.

e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. quando se constata. de um lado. mas os primeiros registros remontam a milênios. Dessas. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média.. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. portanto. O Brasil contribui com 120 mil espécies. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. e.. Observa-se. por fim.William Shakespeare. apesar disso. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. Ato II de Romeu e Julieta . Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. a grande maioria na região amazônica. (Cena III. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades.

são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. enfim. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica.Campinas) . posologia. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Profa. Mas o passo foi dado. como este que aqui se apresenta. de outro. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. efeitos observados.criteriosos. Dra. Quando dizemos criteriosos. Levantamentos etnofarmacológicos. a distância vencida. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Por último. e isso é o que importa.

qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. De fato. que. no caso da Amazônia. Fearnside. apesar da pobreza dos solos. No entanto. provenientes da evapotranspiração. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. . atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. conforme aponta Philip M. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. Atualmente. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Dada a fragilidade desse equilíbrio. A exploração madeireira. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra.

a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. fruto de um trabalho sério de pesquisa. acarreta duas situações que. e. riquíssima em espécies. Sinto-me. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. por outro. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . das quais poucas foram estudadas. Prof. Dr. De qualquer maneira. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. desde o leigo ao mais especializado. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. ecológico e histórico. coloca às mãos dos leitores. honrado em apresentar esta obra. portanto. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e.Rio Claro) . Plantas medicinais na Amazônia. julgamos altamente preocupantes: por um lado. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Somada a isso. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Luiz Claudio Di Stasi. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. do ponto de vista social. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais.

pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. sul do Estado do Amazonas. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. Vale do Ribeira. conforme descrito a seguir: . resumidamente. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Aldeia dos Tenharins. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. no Amazonas.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Jacupiranga e Sete Barras. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. no Estado de São Paulo. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987.

Amazonas. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá .Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). assim. No caso de material em fase de floração. Para as espécies da Amazônia. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Departamento de Botânica do Instituto de . • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Para materiais fora da fase de floração. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. evitando-se. a coleta errada do material. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença.

Outras informações (agronômicas. Sites da Internet. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica.Rio Claro. Index Medicus (Med-line). as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". para sua identificação. Itajaí . . e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Botucatu. Chemical Abstracts. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Biociências da UNESP . ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos.Santa Catarina.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM).

mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. . como havia sido feito na primeira edição deste livro. com o tempo.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.

significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. dados ecológicos e distribuição. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. as quais se subdividem em cinco seções: . . que compreendem uma descrição botânica. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.• Parte II . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae.incluindo as dicotiledôneas medicinais.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . • Introdução sobre a família botânica ou. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. • Dados químicos. Para cada capítulo. incluindo: .dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . em vários casos.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. . .

C. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. formatadas e montadas para inclusão no livro. formatado e montado para a inclusão neste livro. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. . No final do livro. medicinais na Amazônia e foram escaneadas.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. encontram-se um glossário de termos botânicos. Instituto de Biociências de Botucatu. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. . além de uma extensa bibliografia atualizada. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. formatadas e montadas para inclusão no livro. .Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. • Dados toxicológicos.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. UNESP.• Dados farmacológicos. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. . de vários tipos: .

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. algumas delas descritas neste capítulo. Typhales. . M. Santos L. pelo seu grande valor ornamental. C. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Xyridaceae. Hiruma-Lima E. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Outras ordens botânicas como Juncales.1 Commelinidae medicinais C. A. Mayacaceae e Commelinaceae. M. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Guimarães C.

Os outros constituintes incluem alcalóides. respectivamente. que inclui os gêneros Secale e Avena. que inclui alguns importantes gêneros.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. principalmente Zea mays (milho). Arundinoideae e Chloridoideae. como Sorghum do sorgo. é a mais importante. também denominada Gramineae. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). Zea. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. cujo representante principal é o arroz. Saccharum e outros. Andropogon nardus. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. saponinas. 1996). inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. mas sem importância medicinal. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. amido. • Panicoideae. ácidos fenólicos. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. ferragem. • Pooideae. que incluem vários gêneros. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. açúcar e óleos essenciais. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Paspalum. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. subfamília que. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. .A família Poaceae. reunindo inúmeras utilidades. açúcar e trigo. flavonóides e terpenóides (Evans. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. do famoso centeio e da aveia. A família é dividida em quarenta tribos. Cymbopogon. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. gêneros alimentícios como bebidas. e o gênero Oryza. do ponto de vista de espécies medicinais. • Centothecoideae. substâncias cianogênicas. Várias espécies possuem importância terapêutica.

Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Andropogon nardus L. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. com folhas invaginadas bastante agudas. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos.5 m de altura. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. possuindo um grande número de ramos.B. espiguetas sésseis e fruto cariopse. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.K. podendo atingir até 2 m de comprimen- . os colmos são finos. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. glabros e curvados. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. os quais. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Em outras regiões do país. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Em outras regiões do país. por sua vez. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico.

Capim-cidreira. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Erva-cidreira. . com grande valor econômico. rizoma semi-subterrâneo. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. bainha larga e lígula na base do limbo. Capim-cidrão. Capim-limão. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. formando uma touceira robusta. formigas e traças. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. com nós e entrenós. ásperas em ambas as faces. sudoríficas e carminativas. Capim-sidró. Patchuli-falso. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Sídró. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. 1962). marginatus e validus. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Cymbopogon citratus (DC. eretas. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Capim-cheiroso. compridas. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. lineares. folhas alternas.) Stapf.to. problemas estomacais e febre. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk.1). Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. Vervena. tais como flexuosus. Capim-marinho. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos.

duas vezes ao dia. 1986). O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. ápice agudo. Saccharum officinarum L. cilíndrico. 1982. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. no Mato Grosso. articulado e um pouco mais grosso nos internós. nervura central saliente e bainha espinescente. ásperas. como diurético.. a infusão das folhas é usada como antidiurético. simplesmente. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. 1980).. calmante e antiespasmódico (Barros. 1988). hermafroditas. no Pará. colmo arqueado na base. no Rio Grande do Sul. Cana. no Ceará. na forma de banho (Amorozo & Gély. o suco do colmo da planta. folhas amplexicantes. verde ou violácea. simples. gripes fortes. dores de cabeça e disenteria. lineares. contra gripes. carminativo. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. Na região da Mata Atlântica. reumatismo e febre. 1 dísticas.Na região da Mata Atlântica. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada.2). 1982). planas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1980). como calmante e antiálgico (Van den Berg. dores de cabeça e dores musculares. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . Matos & Das Graças. pequeno (Figura 1. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. fruto do tipo cariopse ovóide. em Brasília. espiguetas com flores pequenas.

A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. envenenamento com arsênico.8-cineol. 1981). neral. geraniol.. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. 1997). 1. farnesol. a. externamente. como citronelal. cariofileno. citronelal. . 1996). além de seus isômeros geralúal e neral. vários aldeídos. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. contra resinados e anginas e. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. como o geraniol. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. aftas. O óleo essencial de C. cetonas e alcoóis. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. chumbo e cobre. mirceno. linalol. felandreno. rachas dos seios. metil-heptenol. mentol.. 1996. cólera. 1984). laurato de etila. Ming et al.diurético e contra hipotensão. 1997). metil-heptenona.e b-pineno. vômitos da gravidez (Corrêa. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil.4%). terpenos e dipenteno (Costa. 1986). erisipela. febres. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. neral. contra úlceras da córnea. tuberculose. nerol. internamente. escarlatina. isovaleraldeído e decilaldeído. limoneno.

1988). (1985). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. 1988). (1983) referem atividade antiespasmódica. Di Stasi et al. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 1983 e 1989a)... depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho... Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C.9%) e neral (33. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 2000. geranial (45. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1986. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al.. 1988). 1984. . citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1986 e 1987.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al.. não observando propriedades de interesse terapêutico. relatam. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. Onawunmi et al. 1990). Onawunmi & Ogunlana.... 1997). 1988). Os principais constituintes das folhas de C. mirceno (12. 1986 e 1987). (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1995).8%). 1985). enquanto Ferreira et al. e Di Stasi (1987). porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. Pinho et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico... O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 1988). Onawunmi. 2002). 1998). 1997) e o extrato de C. O extrato metanólico de C. 2002. anti-helmíntica (Jourdan.. no entanto. 1997).Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 1996). Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al.. Lorenzetti et al. citratus. Com as folhas de C. analgésica (Viana et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. toxicológico e clínico com essa espécie. 1989) e antioxidante (Lopes et al. A atividade antibacteriana de C.

capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. bradipnéia. Dados toxicológicos O óleo de C. um álcool alifático com alto peso molecular. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. 1983). officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. 1988).. 1997. 1990). 1989). Para a espécie Saccharum officinarum. visto o grande número de trabalhos com C. Além de hipocolesterolêmico. 1986a). Menendez et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al.. sedação e defecação (Ferreira et al. ataxia.. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. citriodorus. 2000). De S.. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. ácidos p-coumárico.. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. perda de postura. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. . citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. ferúlico e sinápico (He & Terashima. também conhecido como Capim-cidrão. Foi isolado também o policosanol. ligninas e ácidos fenólicos. 1999). apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. Hikino et al. citratus..

. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.1 .FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).

.FIGURA 1.2 .Saccharum officinarum.Banco de imagens ). Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .

referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. A. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Santos E. Zingiberaceae. Guimarães C. Lowiaceae. M. importante produto de comercialização. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Tal uso não é comum na região amazônica. . M. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. De todas essas famílias. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale).2 Zingiberidae medicinais C. As espécies da família Bromeliaceae. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. Hiruma-Lima L. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Cannaceae e Marantaceae. C.

Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. com folhas membranosas. especialmente as famosas Canas-do-brejo. na qual se localizam os gêneros Zingiber. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. lâminas . de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. larga bainha na base que envolve o caule. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. com várias espécies medicinais. Alpinia. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Costus e Hedychium. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. inclui 52 gêneros. destas. Curcuma. e • Zingiberoideae. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. algumas delas aqui descritas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Renealmia e Riedelia. nos quais estão distribuídas 1. Vindecaá e Vindicáa. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq.

trilocular e muitos óvulos (Figura 2. flores em grupos com brácteas vistosas. densas com flores brancas ou róseas. gineceu com ovário ínfero. ápice agudo e base arredondada. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. perianto distinto em cálice (claviforme. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.com 20 a 40 cm de comprimento. Costus spiralis Rosc. contém inflorescências terminais. mas com algumas espécies em regiões tropicais. 1988). O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. fruto capsular. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. podendo chegar a até 1. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. descrito por Carl Linnaeus. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. contra sarampo. O gênero Costus. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas.5 m de altura. entouceirada.1). hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. hermafroditas e zigomorfas. inclui 42 espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. . O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. vistosas. elípticas. espessas.

Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. . grandes. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. A decocção de suas folhas. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. contra diarréias graves. descrito por Johan Gerhard Koenig. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga.2). muito perfumadas (Figura 2. Lírio branco e Gengibre branco. em Iguape é comum a denominação Napoleão. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. sésseis. sendo de fácil multiplicação por touceiras. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. incluindo a espécie aqui descrita. cilíndricas. especialmente de origem sifilítica. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. na forma de infusão. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. Hedychium coronarium Koen. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Em razão de sua beleza. a espécie é muito utilizada como ornamento. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. vistosas. as inflorescências são terminais com flores brancas. de onde partem as folhas longas. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. lanceoladas e coriáceas. O gênero Hedychium.

Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. flatulência e eólicas. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. gripes. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. e. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. contra reumatismo. sendo provavelmente o local de sua origem. onde a maioria das espécies é espontânea. mesmo no Vale do Ribeira. 1995). internamente. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. folhas alternas. A espécie é usada. indigestão. gripes e para problemas circulatórios. cólicas. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. . lanceoladas. carminativa com uso na dispepsia. de Gengibre. além de diversos outros usos (Bown. diarréias e como vomitiva. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. tosses. mas especialmente na Ásia. em todo o Brasil. C. contra náusea. 1994). com ampla distribuição. lumbago e cólicas menstruais. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. externamente. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. com uma lígula membranosa bífida. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. A espécie é reputada como estimulante.

isohanalpinona e alpinenona. 1988). 1985a e 1985b.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. 1987). Da espécie A. katsumadai (Okugawa et al. acetato de geranil. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al.6-dehidrokawaina. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. constituintes fenólicos em A. Os compostos isolados dos rizomas de A. galanga (Barik et al. 1987)... 1988a). Os principais constituintes dos frutos de A.. óleo essencial. 1987c). Os sesquiterpenos -eudesmol. 1987b). galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. speciosa e A. dihidro-5. 1990). São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.. 1988). Dos rizomas de A.. Foram isolados dos rizomas de A. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al... 1996).16-dial (Morita & Itokawa. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. galanga... De A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1987a e 1987f) e A. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. intermedia (ltowaka et al. (Xue et al. 1. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A.. speciosa. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. e 5. 1987b). galanolactona e (E)-8. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. nutans (Mendonça et al. 1987). flavonóides em A.. 1988). humulene. taninos.6-dehidrokawaina. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. Cinco compostos. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A.. galanga (Mori et al. linalol. nerolidol.8cineol. japonica (Morita et al. 1995). galanga. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. 1987)..-(17)12-labddieno-15. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al...

manganês. l.. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. potássio. oxyphylla contêm neonotkatol.. Das sementes A. 1987). hanalpinol peróxido. chumbo. -ll(12)-eremofilen-10. -sitosterol.calixina A e B e 3-epi-calixina B .8-cineol. hanalpinona. 1997). citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. katsumadai possui -pineno. fenchona e geraniol. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. Das partes aéreas de A. furopelargona B. 1996). felandreno.7-difenil-3. De A. A análise fitoquímica de A. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano... Cinco diarilheptanóides. As sementes possuem mirceno. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.. yakuchinona B. mirceno. densibracteata foram isolados os bisabolanos. fenóis e alcalóides.. 1989). 1989). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. Além dos sesquiterpenos hanalpinol.foram isolados recentemente da espécie A. 1997). sendo um novo. Os frutos de A. 1997b) e quercetina (Wang et al. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. daucosterol.. 1999). geraniol. flabellata (Kikuzaki et al. flavonóides (Luo et al. 1994).. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. furopelargona A. isohanalpinol e aokumanol. zerumbet (Xu et al. sódio. 1990). além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A.. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. 1997b). 1992).modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. zinco. C. polyantha foram isolados. 1997a). . O óleo essencial das folhas e caules de A. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. terpineol e 1. Três novos diarilheptanóides . B2. decanol. yakuchinona A. bornil acetato. Dos rizomas de A.. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos.5heptanediona. linalol. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. alpinenona. citronelol. 1987d). cálcio. 1997a).. pineno. E... Do óleo essencial das sementes de A. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1990). blepharocalyx (Kadota et al. conchigera (Athmaprasangsa et al.8-cineol (Lai et al.-o1. magnésio. 1. 1988).. sesquifelandreno e zingibereno. trans-bergamoteno.. ferro. além das vitaminas B1. isohanalpinona.

A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. Lin et al. galanga (Janssen & Schefter. 1985). 1988). 1988. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. bloqueio neuromuscular. speciosa. Estudos com a espécie A. 1987). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. e seu óleo. 1996). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1986). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. oxyphylla (Kyung-Soo et al. que é um derivado do gingerol. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. japonica e A. 1989). A erva. 1996). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Mendonça et al.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1999. na perfumaria. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. além de medicinal. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. Constituintes isolados de A. 1988b). provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 2000). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. galanga (Itokawa et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. Sesquiterpenos isolados de A. 1972). 1997). 1996). 1976) e A. 1999). A espécie A. 1994). é usada na culinária. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. inibição da musculatura lisa. sendo antiulcerogênica (Wang et al. indicando . 1987c) e A.

. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 2001). Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 2002). Mendonça et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. oxyphylla (Chun et al.. 1989).. 1988a. 1988b). 1996). O composto dihidro-5.. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. .. 1992). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. antifúngica (Lima et al. Do óleo essencial das folhas de A. 1996). blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. 1998). também isolado do óleo essencial. Os rizomas de A. Dos rizomas de A. 1992). officinarum (Kiuchi et al. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Estudos com a espécie A. 1994).. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. 1994).. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles.6-dehidrokawaina isolado de A. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 2001). 1987c) e A. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Mendonça et al. Compostos isolados dos rizomas de A. 1982). galanga (Itokawa et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. O terpinen-4-ol.. speciosa. 1988). O extrato acetônico de A. Os diarilheptanóides isolados de A. O óleo essencial de A. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. anticonvulsivante (Maia et al. 1982.. 1992). 1993) e antimicrobiana (Sá et al.. 1988). Moraes et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.. 1990).. 1987c). 1998.. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1990). ArnaudBatista et al. 1988. Geraniol e isotimol isolados de A.

A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. speciosa produziu excitação psicomotora. hipocinese. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 1999). dos quais dois possuem grande importância no Brasil. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. ... 1999). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 1992)..A atividade antiinflamatória de A. 2001. Surh. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. contorções. 2002).. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A.. 2000). 2000) e H.. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. A espécie H. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 1988b). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. Musa e Heliconia. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana.. 2002).... 2000). relatadas a seguir. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al.. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. 2000).

no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. . com bainhas grandes. com folhas longo-pecioladas.5 m de altura. folhas longas. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. oblongas e inteiras.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva.. O fruto da espécie não é usado como alimento. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. minúsculas e duras. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. laminares de grande comprimento. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana.

A espécie não é nativa da Mata Atlântica. . onde é amplamente cultivada como ornamento. FIGURA 2. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). mas com 25% do comprimento e da largura. flores reunidas em espigas. dando um pequeno fruto que também é comestível. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos.Alpinia japonica.podendo atingir até 2 m.1 . ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite.

FIGURA 2. Vista da planta florida (Banco de imagens - ). .Hedychium coronarium.2 .

com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Alliaceae e Amaryllidaceae. Dioscoreaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. família Liliaceae. Dioscoreales. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. principal. N. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. A. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae .3 Liliidae medicinais L. Velloziaceae e Iridaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. família Liliaceae. Velloziales. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Gonzalez L. G. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Liliales e Orchidales). C. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Asparagales. especialmente na ordem Liliales. Seito C. Di Stasi F. ordem Orchidales.

Narcissus e Veratrum. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. especialmente do gênero Iris. Trilium. esse da importante Babosa (Aloe vera). Lillium. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Alloe.e Liliaceae. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. como é o caso da cebola e do alho. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Convallaria. pelo grande número de espécies ornamentais. Colchicum e Drimia. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. que passamos a descrever. 1997). . pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Outro gênero importante é Aloe. ambas de valor econômico incomensurável.950 espécies vegetais. grande fonte de espécies dessa família. Tulipa. A primeira. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). A segunda. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros.

sésseis. que se mesclam com os bolbilhos. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . capsular. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. obtida comercialmente. folhas lineares.1). a maioria é cultivada. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. ao passo que a infusão é usada contra gripes. inclusos e envolvidos por fina membrana. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. especialmente em crianças. Nas comunidades do Vale do Ribeira. Era citado pelos babilônios no ano 3. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe.Espécies medicinais Allium sativum L. loculicida (Figura 3. tosse e também contra hipertensão. fruto.000 a. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. na forma de umbela pedunculada. em geral seco. C. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. 1995). os bulbos dessa espécie. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. são utilizados de várias formas. flores brancas ou avermelhadas. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.

arteriosclerose. tosse. além do uso como condimento. Trata-se de uma espécie com usos históricos. gastroenterite e disenteria. carminativo e vermífugo. Em Minas Gerais. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. agudas. anual. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente acne e micoses. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. bronquite. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos.queca. Em outras regiões do Brasil. todos usados e comercializados como alimento e condimento. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. em afecções nervosas. subgloboso. folhas radicais ocas e compridas. os bulbos são usados na hipotensão. com bulbo grande e solitário. o uso externo. histéricas. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. resfriados. tosse com expectoração. também são utilizados como sudorífico. 1992). 1984). rouquidão. como referido para o Alho. 1982). reumáticas e paralíticas (Corrêa. antiasmático. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. Dados botânicos Erva bulbosa. digestivo. diurético. No Pará. ao passo que a infusão das cas- . febrífugo. dispostas em umbela. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. poderoso anti-séptico das vias digestivas. a espécie inclui vários usos medicinais. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. flores hermafroditas regulares esverdeadas. com inúmeras variedades e subtipos. 1988). ateromatose. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. carnoso e com casca fina amarelo-parda. para problemas da pele.

reunidas na forma de rosetas em sua base. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. A manipulação dessa planta no preparo de loções. externo. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. Aloe vera L. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. O uso interno de um macerado em água fria. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. para acne. descansado por 24 horas na geladeira. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. externamente. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. internamente. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. usadas externamente. densas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. Na região amazônica. folhas suculentas. é considerado excelente contra úlceras. lanceoladas.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. as flores são tubuladas. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. ao passo que as folhas frescas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. como cicatrizante.2). cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. podendo atingir até 1 m de altura. dores e infecções da pele. são úteis contra edemas. .

1995). relatando ainda que as folhas são purgativas. 2000).. obtidos de A. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. fitosterinas... 1993).. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. Da espécie A. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. 1997). foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. C.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. isobarboloina (Kuzuya et al. 1999). holosídeos. Prostaglandinas A. barboloina. catártico e febrífugo. 1991). 1997). S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína.. Nos bulbos também foram encontrados aliina. et al. proteínas e fermentos (Costa. (B8) e P. exigindo-se cuidado na utilização. barbadensis (Saleen et al. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1986). saponinas esteroidais (Peng et al. B. aliinase que origina a alicina. A antro-cenona. 1990). as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. além de evitar queda de cabelo.. a polpa é emoliente e resolutiva. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. sativum. 1968). desoxialiina. vários heterosídeos sulfurados. 1997).. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. 1992). 1979). Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen.. alil e alil-propil. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al.. vitaminas A. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. . e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. 1995). Além disso. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida.

2000). agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I.. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. Augusti & Sheela. in vitro (Sheela et al..Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. Em animais com carciriogênese bucal o A. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 1992).. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. Kwon et al. antibiótica. 1996). 1987. cicloxigenase. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). 1995. No entanto.. Hikino et al. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Esse mesmo efeito foi detectado . (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). isolado de Allium sativum Linn. 1981. 1991). hipocoleste. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. rolêmica. Entretanto.. entre outras ações que serão discutidas a seguir. Nerkar et al. Além dessa classe de compostos. fibrinolítica. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. Por sua vez. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. demonstrou que os compostos de A. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. O estudo comparativo in vitro... 2002).

1980). 1994). produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1984. Rees et al. compostos fenólicos (Patel et al. O estudo realizado por Celini et al. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni.. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente.. 1995). 1997. 1996).. in vitro. 1984. 1993). 1993) e aquosos (Sato et al. 1983) obtidos a partir dessa espécie.. sativum apresentou também atividade antibacteriana.. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. Dababneh & Aldelamy. 1985. 1992). fosfatase ácida. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez.. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. O extrato de A. 2002) contra Staphylococcus aureus. Guevara et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. Sovova et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. precursor da alicina e obtido do alho. além de atuar como . Singh & Shukla. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al.. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. O sulfóxido de S-alilcisteína. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 1981. 1982. Mossa. enquanto a associação dessa dose com 4... O óleo de A. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. contra Helicobacter pylori. 1985).por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al.. 2001). 1983. Khan et al.

foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol.. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 2001). Os resultados obtidos por Sendl et al. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Essas propriedades farmacológicas.agente anticercaricida. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Kamanna & Shandras-Wkhara. 1978. cepa (Dorsch et al„ 1985).. e não as substâncias isoladas. Block et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. Mohammad & Woodwara (1986).. 1995b). 1986) e brutos (Rees et al. assim como substâncias isoladas do alho. 1980. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. assim como as respectivas substâncias isoladas. 1984. inibem a síntese de colesterol. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. sem. 1978. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. 1993). 1993). Adetumbi et al. (1992). 1978). 1994). alicina e sulfeto de dialila. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Boelter et al. (1985). Sandhu et al. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. no entanto.. no entanto. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. 1996). Rotzsch et al. 1980.. metil-ajoeno. 1993). 1993). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica.. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1992). (1986).

(1982). 1996). 1991). M. Essa mesma planta reduziu a concentração . relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1993). I. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1993b). sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas.. 1990). e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. 1991). 1996).. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. (1986b).. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. também. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. 1993). A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1996). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. atividade diurética. Ribeiro et al.. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. E. (1987). sativum (Kweon et al. sua condutância. enquanto Pantoja et al... diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das.. 1996).sos de bulbos de alho fresco (5. 1997).. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1986a). 12. Foushee et al. principal componente antiplaquetário do alho. tais como a histamina (Usui & Susuki. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al.5. A. et al. natriurética e hipotensora em cão. 1996). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. como radioproteção (Reeve et al. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. Por sua vez. (1992) com o composto ajoeno. et al..

1996). Chithra et al. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1993). Resultados similares foram obtidos por Imai et al. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al.. 1993). ela é um excelente cicatrizante (Costa. Allium sativum.. in vitro. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. (1994). sativum L. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.. E a mistura de A.. Nepeta hindostana e ácido nicotínico.. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. um preparado à base de Curcuma longa. Extrato aquoso de A. Para a espécie Aloe vera. sativum ou A. 1991). et al. 1995). 1990). I. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Além disso. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. . cepa com A. conseqüentemente. 1992). 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. 1995). 1993). o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali... 1992. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. Ko & Son. Lipotab.. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. (1996). 1994).. 1993. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh.

pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. As folhas de A. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. contudo.. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. que inclui algumas espécies popu- . Essa família possui pequena importância no Brasil... vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al..1998). esses dados referem-se. aumento na contagem de espermatozóides. 1991). 1997). 2001). relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. vera e hipotensora de A. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. 2000).. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. 2001). apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos.. em camundongos. A atividade antiinflamatória de A. Saleem et al.. 1995). 1997). Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al.. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. 1994). 1996. Entretanto. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al.

saponinas esteroidais (Mimaki et al. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. flores pequenas. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. 1987). que também inclui espécies medicinais como a Agave americana.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. possui folhas carnosas.. 1996 e 1997b). A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". longas. pontiagudas e com manchas brancas.. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. contra problemas hepáticos. e o Agave. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. No entanto. brancas. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. cilíndricas. Das .. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. 1996). na região amazônica. no entanto.

e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. 1998) (Banco de imagens ). reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. 1997). Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . cylindrica foram isolados lipídios.. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. 1996). Das folhas de S. além de carboidratos..folhas de S. saponinas.1 ..Allium sativum. pigmentos. 1986). . 1982)..em Joly. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. FIGURA 3.

Aloe vera.2 .FIGURA 3. . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. As duas espécies. esta segunda com uma única família. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. S. de pouco interesse para nosso estudo. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. Di Stasi A. Mariot M. Triuridaceae. C. portanto. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. ainda não discutidas neste livro. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus.

latescentes com lâmina foliar grande. freqüentemente . A planta é chamada também de Chá-de-campanha. também denominada Arecaceae. e Sagittaria. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. 1997). Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. flores brancas. espécie de grande valor econômico. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. muitas aquáticas ou brejosas. A espécie possui as variedades floribundus. numerosas. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. grandes e eretas.1). contendo vasos apenas nas raízes. folhas pecioladas. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. Inclui ervas perenais. Aguapé. ovadas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. coriáceas. com caule triangular e glabro. essa segunda inclui apenas a família Palmae.mico. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. rizoma grosso e carnoso. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros.

e outras. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. de barriga. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). com folhas terminais.650 espécies tropicais (Mabberley. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. moléstias da pele e do fígado. reumatismo. bem como gripes e resfriados. tônica e diurética. útil ainda contra artrites. e como anti-helmíntico. 1997). como sedativo. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. . A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. 2000). além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. nas costas. sífilis. Incluem árvores ou arbustos. também denominada Arecaceae.. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. raramente trepadeiras. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. especialmente contra dores de cabeça. muitas delas usadas como medicinais.consideradas outra espécie. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. como ornamentais.

2002. amplamente conhecida na região amazônica. como é denominada a outra espécie do gênero. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. 1998). chegando até 25 m de altura. que incluem a piaçava e a ráfia. do jerivá (Joly. como é o caso da Areca catechu. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. especialmente da Mata Atlântica. Tratase de uma família de grande valor econômico e.A família está subdividida em seis subfamílias. conseqüentemente. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. com folhas pinadas. macrophyllus (Shigemori et al. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Destaca-se o gênero Euterpe. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. e o açaí. Cocos. do famoso coqueiro da Bahia. outras são importantes como medicamento. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea.. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. Kobayashi et al. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. como é o caso de várias palmeiras. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . e o Arecastrum. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Espécies medicinais Euterpe edulis M. que inclui o famoso palmiteiro. respectivamente do babaçu e da carnaúba.. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. 2000a e 2000b). amplamente conhecido na Mata Atlântica.

sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. como antídoto para picada de cobras. frutos esféricos de cor preta-arroxeada.nhas.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. . Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. FIGURA 4. o suco do caule é usado. 1998) (Banco de imagens). espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. não fosse a intensa exploração da espécie. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional.1 . externamente. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. internamente.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

algumas com amplo número de espécies no Brasil. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Santos L. A. C. tais como Magnoliaceae.5 Magnoliales medicinais C. do famoso Boldo. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. M. Myristicaceae e Lauraceae. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Hiruma-Lima E. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Na família Monimiaceae. Na família Chloranthaceae. inúmeros gêneros são importantes. Annonaceae. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. são importantes como ornamentos. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. M. Guimarães C. da qual inúmeras espécies de grande valor . tais como as Magnoliaceae. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. inúmeras espécies são medicinais. mas deve ser destacado o gênero Peumus.

As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. e ainda outras importantes como alimento. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Cabeça-de-negro. Laurus e Sassafras. Cinnamomum. como Aniba. Cryptocarya. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Graviola e outros. os gêneros mais comuns são Annona. Annona cherimolia. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. arbustos e lianas.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. espalhadas por todo o planeta. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Xylopia e Rollinia. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. que inclui os gêneros Annona. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley.150 espécies tropicais (Mabberley. compreendendo aproximadamente 260 espécies. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Uvaria. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Artabotrys. 1997). Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. . Aniba e Nectandra. Pinha. que inclui nosso Abacateiro. Xylopia. No Brasil. e Monodoroideae. A família inclui árvores. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Annona reticulata. Annona coriacea. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. 1997) e subtropicais. Guatteria.

Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. alcançando até 30 cm de comprimento. inflorescência cauliflora. fruto do tipo baga irregular. Araticum-ponhê. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. subglobosas. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. com um espinho central. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. alcançando até 15 cm de comprimento. Espécies medicinais Annona muricata L. com epiderme verde-escura. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. 1998). . polpa branca. sucosa. latescente. espessa com saliências cônicas. Araticum-punhê. cordadas na base e acuminadas no ápice. com cálice de lobos triangulares e agudos. com um tronco revestido por casca aromática. Várias espécies. no entanto. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. que são muito apreciados. Coração-de-rainha e Nona.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. pecioladas. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. flores axilares. ovadas ou elípticooblongas. Iriticum. mole e recurvado. no entanto vários sinônimos são usados. as folhas são alternas. Araticum-de-paca. que apresentamos a seguir. amareladas.1). onde são conhecidas como Araticum e Biribá. tais como Araticum. sementes castanhas ou pretas (Figura 5.

Na Amazônia. especialmente lombrigas. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. Em outras regiões do Brasil. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. para baixar febres. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. usadas topicamente. mole e branca. antiespasmódicas e antidisentéricas. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. com importante uso potencial na fabricação de papel. sorvetes e geléias (Corrêa. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. diurético e no combate a insônias leves. O fruto. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. tem grande valor como alimento. combatem reumatismo e abcessos. sendo depois levada para outras regiões do planeta. por sua vez. as folhas cozidas. 1984). sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. dores de cabeça e como emagrecedor. a planta fornece madeira. referidos a seguir. 1984). A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. podendo também ser usada na arborização urbana. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984). o chá das folhas é ainda usado contra proble- . onde se tornou subespontânea. peitorais. antiespasmódicas e hipotensivas. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. especialmente na produção de sucos. as flores. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. As folhas e raízes são consideradas sedativas. Além dos usos medicinais da espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida.

foram referidas espécies desse gênero. espasmos e febres. e as sementes. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. contra diversos parasitas (de Feo. as folhas e a casca da árvore. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. as raízes e folhas. é usado externamente para neuralgia. asma. diarréia e como lactagogo. onde é usada contra tosses. Nas Guianas. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. 1986). 1993). no processo de pesca. inseticidas.. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. tosse. especialmente na África. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. 1962). reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. gripe. 1990). 1955. a fruta e seu suco são usados contra febre.mas do fígado. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. De acordo com os mesmos autores. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. as cascas e folhas. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. as sementes. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. contra diabetes. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. 1962). Weninger et al. . mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Na Índia. Ayensu. na forma de chá. 1978. como antiespasmódico. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. no entanto. impedindo-lhes a identificação correta. enquanto o óleo das folhas. 1992). Annona tenuiflora Mart. Esse uso. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais.. o chá das folhas é utilizada para catarro. parasitas. No Peru. 1987). Na Jamaica e no Haiti. também tem sido referido para as raízes e casca da planta.

sul do Amazonas. oblongolanceoladas. Pindaúba. também descrito por Carl Linnaeus. alcançando até 8 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Breu. pétalas lineares. tonturas e hipotensão. agudas no ápice. . Pijerucu. folhas alternas. Xylopia cf. coriáceas. Pindaíba-branca. Pau-de-imbira. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. na região amazônica. Em outras regiões do Norte do Brasil. alternas e ápice cuspidado. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. hermafroditas. simples. Coagerucu.2). muitas das quais usadas na medicina popular. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola.3). Coaguerecou. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. Jejerecu. simplesmente. tronco ereto e cilíndrico. Jegerecu. onde parte deste estudo foi realizada. Malagueta e Banana-de-macaco. Pindaíba. O gênero Xylopia. Coajerucu. Pindaúva. vermelho. folhas ovado-oblongas. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. lineares. Breu branco ou. curto-pecioladas. com duas a seis sementes (Figura 5. Envira-preta. Envira. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. Ibira. e copa alongada. aromática. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. frutescens Aubl. Nomes populares A espécie é denominada. fruto do tipo baga ovóide. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. deiscente. cálice gamossépalo. Jejerecou. sem estipulas. com casca fibrosa.

na forma de inalação. raízes. 1984). As sementes. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. também aromáticas. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. própria para uso em carpintaria. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. sementes de espécies da família Annonaceae. 1998). 1984). ao passo que a decocção da casca é usada. perenifólia e pioneira. para combater resfriados e dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. sendo uma espécie heliófita. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. folhas e. Na região amazônica da Colômbia. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. como digestivo e são úteis contra catarro. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. . especialmente. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. são usadas como estimulantes da bexiga. como cabos de instrumentos e varas de pesca.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa.

. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. 1995a). iso-neoanonacina-10ona. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto... enquanto Gromek et al. I. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. 1993). denominada corepoxilona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. 1995b).. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. hoviicina A. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. muricatetrocina A e B. Anomuricina A e B.. 1995b). Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1991b). Recentemente..São ácidos graxos modificados. 1994)... Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas.. .. cis-annomontacina (Liaw et al. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. murihexocina A e B (Zeng et al. anonacina-10-ona.. 1995e). 2 e 3 (Wu et al. epomuricenina A e B (Roblot et al. e que são importantes representantes da flora brasileira. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. especialmente como citotóxicas. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. neo-anonacina-10-ona. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. 1995c). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 2002). muricatocina C e gigantetronenina. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. muricina H. anomutacina 1.. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. No entanto. 1991). 1994a e 1994c). anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes.

. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1995a). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.. cherimolia. 1995) em Annona bullata... 1996). anomontacina em Annona montana (Jossang et al... 1993b).. Das semen- . Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. Cortes et al. 1962).. 1995). Sahai et al. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.. anogaleno (Sahpaz et al. esquamostanal A (Araya et al.. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1994c) neodesacetiluvaricina. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1993).. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. incluindo A. anoreticuína-9-ona. 1993b).. bulatencina.. 1994). 1994). B. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al.... Das sementes da mesma espécie.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. 1994b).. 1992). 1995). 1994). 30-hidroxibulatacina. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. 32-hidroxibulatacina... isoquerimolina 1. tais como reticulatina (Saad et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. cis. esquamona. squamocina e almunequina (Duret et al. 1994a e 1994b). esquamosteno A (Araya et al. C e D (Fujimoto et al. solamina. muricata e A. 1993). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al.. isomolvizuína 2. 1991). jeteína. 1994b). reticulacinona (Hisham et al. 1996). três uvariamicinas. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. além de esquamocina e esquamostatina A.. bulatanocina. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 31-hidroxibulatacina. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 1991). molvizarina e motrilina (Cortes et al. 1994a). esquamosinina A (Yang et al. 1991a e 1991c). anomonicina e roliniastatina (Chang et al. itrabina.

enquanto três amidas ácidas. brasilienses (Casagrande & Merotti. enquanto os alcalóides anonaína.. 1987). Inúmeros compostos terpenóides. Martins et al. frutos de A... squamosa (Setharaman. bullafa (Kutschabsky et al. X.. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. uma lignana ((-)-siringaresinol). squamosa (Krishna Rao et al. isoboldina e outros foram isolados de A. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. 1981).. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. Mukhopadhyay et al. laureliptina. anolobina e asimilobina foram isolados de A. squamosa (Silveira et al. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. Yang & Chen. 1976).. A.. 1993). squamosa (Leboeuf et al. 1970) e X. 1979. Y. cacans (Saito & Alvarenga... X. 1984). 1985) e A.. 1994). 1995e). 1962). 1986). oxouxinsunina.. como constituintes predominantes. cherimolia (Villar et al.. foram isolados do fruto de Annona muricata . 1976). montana (Wu et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A.. salzmannii (Paulo et al. ambotay (Oliveira et al. 1986) e A.. anolatina. aromatica (Rios et al. 1986). A. 1978). 1994). A. 1991). 1996). A. 1993) e sesquiterpenos em A.. Flavonóides foram descritos em A. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C... C. de A. 1978). purpurea (Castro et al. 1979. Wu et al. reticulina. 1989. 1992. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Barbosa Filho et al. Alcalóides conhecidos como anoretina... Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. 1991). squamosa (Wu. 1982a e 1982b. 1988). ambotay (Carazza et al. michelalbina. enquanto diterpenos foram descritos em A. cherimolia (Yang et al. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. anonaína.. 1994).tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. et al. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Monoterpenos foram isolados de A.. reticulina.

A espécie Annona muricata possui. Solanina. 1993). 1992. Lopez Abraham. a raiz.. 1991). obtidas de Annona muricata. 1940).. Bourne & Egbe. corosolona 1 e corosolina 2. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. 1991). Acetogeninas isoladas sementes de A. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. 1991b). também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1990). Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. uma acetogenina isolada de A. . a casca. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque.. 1995b).. aromatica. X. 1993. Gbeassor et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. Misas et al.. muricata. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al.. assim como outras espécies do gênero. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. Carbajal et al.(Wong & Khoo. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas... raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. 1995e). brasiliensis e X. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. enquanto extratos de folhas. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. X. 1996. 1979). 1991).. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. 1991. Vilegas et al. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. 1988. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. muricata e de A. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. vasodilatadora. 1979). Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. 1987). Ngouela et al. antiespasmódica. 1998). Di Stasi. De Xylopia frutescens. Anomutacina 1. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. 1979... 1962). Heinrich et al. 1925 e 1932).. 1941. 1991).. 1993. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1995.. acetogenina isolada de Annona muricata.

cherimolia (Villan del Fresno et al.. 1991c e 1991a). 1995a). 1980). montana (Wu et al. 1994). Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. norcoridina. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.. respectivamente. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A... 1993) e várias outras (Jossang et al. oxoxilopina..Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1988b e 1988a). reticulina. Esteróides de A. esquamona. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. . 1993b e 1994b. anoreticuína9-ona. 1995). Os alcalóides isolados de A. 1992). produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. 1987) e A. et al.. anonaína. Chang et al. reticulatina. 1991). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. montana (Wu et al.. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. Hui et al.... Cortes et al. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. 1993).. reticulina. C. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. squamosa. solamina.. asimilobina. 1992). Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina.. 1991. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. galucina.. bulatanocina. 1980). enquanto os alcalóides liriodenina.. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al.. cherimolia (Cortes et al. enquanto alcalóides isolados de A. coridina. enquanto os alcalóides de A. 1993). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. (1995b). salzmannii. 1991.. isolados de A. Y. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. 1993b).

Oliveira et al. Silva. Das cascas de X. entre outras. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 2001).. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 1979).. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al.. que determinaram efeito depressor do SNC. et al. O extrato etanólico da raiz de X. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro.. Martins et al. E. A. Extratos metanólicos de A. 1996. 1993).. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.... foi caracterizada a . que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al.. 1996).. coriaceae (Souza et al. enquanto o extrato etanólico de A. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. fungitóxica. A. 1998). além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. 1994). F. et al. Extratos preparados também com A. 1990. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. 1999). aromatica foi isolada atherospermidina.. Extratos etanólicos de sementes de A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. atividade anticonvulsivante e analgésica. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico.. Do extrato etanólico das folhas de X. 1989. 1996). discreta.. 1998).. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 1975). Trypanossoma brucei. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. Rao et al. Anopheles stephensi (Saxena et al. 1979. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. parassimpatomimética de A.1983). 1994). 1993). squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. squamosa. como acido caurenóico. A atividade inseticida do extrato etanólico de A.. L. que apresentou atividade citotóxica. donovani.

. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. . 2002).. especialmente em uso crônico.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. 1962). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população.. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 1999). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. (1988) para a espécie Annona muricata. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. muricata e A. como inseticida. anti-helmíntico e citotóxica.. 2001). Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. E da espécie X. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. 1988c). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. Em Guadalupe. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. 1996 e 1997). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz.

podendo chegar a até 35 m de altura. e espécies do gênero Virola. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. e também como Leite-de-mucuiba. No Brasil. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. 1997). utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Espécies medicinais Virola surinamensis L. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. contendo ramos carregados de folhas . Sucuba. como a Noz-moscada (Myristica). como Myristica. que possuem importância do ponto de vista econômico. usada como condimento. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Essa família inclui gêneros importantes. 1996).Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Neste levantamento. Nozmoscada e Ucuuba-branca. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Bicuíba. Árvore-do-sebo. Horsfieldia e Knema. Ucuuba cheirosa. Sucuuba. Virola.

. bem como -sitosterol. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. oblongolanceoladas.. surinamensis. pavonis (Martinez et al. V michelli (Santos. Vidigal et al. inflamações.pecioladas. usadas como venenos de flechas. 1991 e 1992). heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. com até 20 cm de comprimento. 1996. 1971). elongata . L.. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba.. S. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. et al. V. V cf. 1996). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. É uma planta perenifólia. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. pavonis (Marques et al. como outras do gênero. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. para o tratamento de câncer. Cassady et al.. infecções. Ferri & Barata. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.. 1987a). muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. A casca é usada como medicamento para aftas. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). 1989. 1992.. V surinamensis (Lopes et al. 1997). chegando até Pernambuco. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria.. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. 1984). 1969.. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. Martinez et al. Espécie de ocorrência na Amazônia. 2000). 1987). 1995). V.

michelli (Santos et al.. 1993 e 1994). carinata e V. V. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. V. michellii (Cavalho et al. titonina . 1988). Das folhas de V. 1999. A atividade antifúngica das espécies V. foschnyi (Lemus & Castro. 2001). 1990). 1996... 1986 e 1990). 1990)..(Kato et al. 1999). 2001). V. 1987b).... surinamensis. calophylla (Martinez et al.... urbaniana (Reis et al. 1989) e V. 1995). V. Lemus & Castro. A atividade analgésica de V. Alvarez et al. Andrade et al.. Cavalho et al. oleifera (Fernandes et al. 1987). venosa (Kato et al. 1992) e V.. 1996) e V. michellii foi atribuída à presença da flavona. flexuosa (Aguirre. V. titonina (Andrade et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. e polifenóis nas espécies V. 1994 e 1996.. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al.. 1992). carinata e V. 1996.... sebifera. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. calophylloidea (Martinez.. 1990.. 1989). Além das lignanas. V. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. 1996a). Pagnocca et al. V. 1994 e 1995). V. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. pavonis. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. V. calophylla. calophylloidea (Von Rotz et al. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V.

V. 1987) e anti-hemorrágica de V... Licaria. Persea.850 espécies. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. 1978). duckei (Bennett & Alarcon. tripanossomicida. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. da famosa Canela-sassafrás. além do . aliados ao relato de atividade moluscicida.A atividade leishmanicida nas espécies V. Sassafras. todos aromáticos. Nectandra. inseticida de V. surinamensis (Lopes et al. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. koschnyi (Castro et al. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. dados etnofarmacológicos de V. V. Barata et al. Incluem muitas espécies aromáticas. alucinogênica de V. amplamente usado no Brasil como condimento. sebifera. 1999). 1998.. pois. 2000). elongata (Davino et al. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). do nosso famoso Abacateiro. mas não foi detectada em V.. A família reúne grande importância econômica. 1997). 1991) como a surinamensina (Pinto et al.. 1994). sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. Ocotea. 1987). com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. porém. carinata e V. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. do famoso Louro. árvores e arbustos (Mabberley. cercaricida e molucicida de V. surinamensis. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. sugerem cuidados da população quanto ao uso. 1996). inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1986b e 1998). e outros. oleifera. Os principais gêneros são Laurus. 1996. 2000).. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. calophylla (Miles et al. donovani e V. As propriedades antioxidante e surfactante de V.

e laus = "louvor". Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. fornecedor de alimento amplamente comercializado. como a Canela e o Louro.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. deriva de lauer = "verde". folhas alternas. lanceoladas. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. para combater problemas hepáticos e intestinais. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. onde se adaptou muito bem. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. 1998). . 1998). Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos.Abacateiro. de estômago e como emética e abortiva. bem como para dores de barriga. e de outras espécies. Espécies medicinais Laurus nobilis L. sendo considerada digestiva. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . É uma planta exótica e cultivada no Brasil. pecioladas.

lanceoladas e acuminadas. onde se encontram as folhas alternas. que envolve a semente grande e marrom. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. Persea americana Mill. estomáquicas. pequenas e pouco vistosas. não ocorrendo espontaneamente. analgésico. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. nome dado especificamente ao fruto. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. além de atuar como diurético e analgésico. é também usada contra febres. pecioladas. ao passo que a infusão das folhas. reumatismo e uremia (Corrêa. estimulante do apetite e contra cólicas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. fruto do tipo baga ovóide. além de serem usadas contra doenças renais. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. externamente. comestível. vulnerárias. contra reumatismo. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. carminativas. anti-sifilíticas. úlceras e piolhos (Bown. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. sendo comercializada em todo o mundo. 1995). bronquites. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. diuréticas e febrífugas. 1984).Internamente. com polpa verde. flores branco-pálidas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. ou Persea gratíssima Gaertn. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. as folhas são usadas contra indigestão. emenagogas.

. Afifi et al. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 2002). A espécie Persea americana L.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1987). 1997). Carman & Handley.. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. 2002). 2002).. Grant et al. Sladler et al. spatulenol. 1999). 1995. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie.. antiinflamatório (Ademylmi et al.8-cineol isolado de L. elemicina. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.. 2001).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. 2000... hidrocarbonetos. O 1.. 1991). antimicrobiana (Raharivelomanana et al. 2002). 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. 1991.. . americana citados acima. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 2002. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al.. A atividade antiulcerogênica de L. 2002). Hargis et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1991. antifúngico (Domergue et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). Às folhas de P...

b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). 1984).1 .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.FIGURA 5. .

2 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 5.Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens). .

.3 . b) Detalhe da flor (Banco de imagens).FIGURA 5.Xylopia cf. frutescens: a) Escanerata do ramo florido.

sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. muitas das quais usadas como medicinais. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Thottea e Asarum. ao passo que na região do . e. M. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. C. Santos C. 1998). Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. M. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Joly. 1997. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. A. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Di Stasi C. Hiruma-Lima E. no Brasil.ó Aristolochiales medicinais L. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata.

o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. grandes.1). monoclamídeas com tépalas bilabiadas. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". axilares. e lochia = "nascimento". e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). usadas como venenos. flores isoladas. e várias com usos medicinais descritos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Calunga. zigomorfas. pecioladas. muitas das quais ricas em alcalóides. . ramos lisos. folhas alternas. Mil-homens e Papo-de-peru. com sementes achatadas. fruto capsular cilíndrico. Dados botânicos É uma planta trepadeira. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. simples. Batarda. Outras denominações populares são Angelicó. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. foi referida como medicinal. Jarrinha. Contra-erva. denominada popularmente como Milomem. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Capa-homem. sulcados e estriados. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. parto. que lembra o feto em posição antes do nascimento. hermafroditas.

diurética.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. excitante. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. sarnas e orquites (Van den Berg. pecioladas. capoeiras e áreas em regeneração. catarros crônicos. estimulante. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. sudorífica. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. especialmente para combater náuseas e vômitos. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. . Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. não sendo encontrada em áreas degradadas. anti-séptica. cicatrizante e contra úlceras crônicas. anti-histérica e útil contra febres graves. disenteria e diarréia. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. 1982). constipação nasal. os ramos são lisos. estomáquica. no entanto. 1984). simples. as flores são isoladas e axilares. Também não é uma espécie cultivada. sulcados e estriados. gripes fortes. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas.

A.. 1977 e 1985). A. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. 1995).. 1988). clematitis (Kostalova et al... et al. A.. A. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren... 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1984). A. arcuata (Watanabe & Lopes. 1995) e A. A. maurorum (Kery et al. molissima (Peng. A. 1988). 1991). Chakravarty et al. 1995). et al.. 1980).. A. 1995). .. A. indica (Che et al. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia.. esperanzae e A. A. 1987. L. 1991). 1995). X. 1987)..... 1985) e A.. 1992) e outros alcalóides em A. longa (De Pascual et al. 1991) e de A.. Lopes. bracteata (ElTahir. A. 1987.. kankauensis (Wu et al.. tubiflora (Peng et al. 1979) em raízes de A. J. rigida (Pistelli et al. 1980). sendo descrito em A. 1996). rotunda (Pistelli et al. rodix (Tsai et al. 1987). A.. Alcalóides foram isolados de várias espécies.. 1992). A. 1983b). cinnabarina (Li et al. 1987). A. 1995) e A.. dematilis (Makuch et al.. 1989). tubiflora (Peng et al. 1987). T. contorta (Lou et al. argentine (Priestap. liukiuensis (Mizuno et al. manshuriensis (Lou et al. bracteata (ElTahir.. 1995). versicolor (Zhang&He. 1991a).. acuminata (Moretti et al... longa (De Pascual et al. em A. A. clematitis (Kostalova et al.. A.. kankauensis (Wu. A. 1987). et al. ftiangularis (Bolzani et al. elegans (El-Sebakhy et al. H. A. A. 1994).. 1991a). auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. A. 1994). 1986b e 1986a). gigantea (Cortes et al. et al. 1991). tais como A.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. S. Higa et al. cinnabarina (Li. chilensis (Urzua Rodriguez. A. C. 1991b). et al. 1991. A. molissima (Peng et al. A. A. nata (Moretti et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. T. debilis (Ahmed Farag et al.. Abel & Schimmer.. A.1993).. 1983). III e IV (Houghton & Ogutveren. A.. M. A. 1987). alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.. gigantea (Lopes. Zhang et al. versicolor (He et al. 1983). 1991)... L.. A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. II.. 1982). 1994)... tubiflora (Peng et al. yunnanensis (Chen et al.. 1995). A. auricularia (Houghton & Ogutveren. A. versicolor (Zeng et al. galeata (Lopes. 1996. 1992). 1983a)... G. 1991b). A. ponticum (Houghton & Ogutveren.. kankauensis (Wu. argentine (Priestap. A. 1988. A. raízes de A. A. chilensis (Urzua et al. 1992). 1992. S. 1990. manshuriensis (Ruecker et al. Paiva et al. indica (Piers & Tse. 1980). brasiliensis (Lopes et al. 1988). fangchi (Tsai et al. 1979). P et al. 1993).. Lou et al. 1986). vários outros alcalóides aporfínicos de A. A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. clematitis (Kostalova et al.

Urzua & Presle. kankauensis (Wu. 1995).. macroura (Leitão et al. triangularis (Ruecker et al. Lignanas também foram descritas em A. A. et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. T. copaeno. A. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al... -elemeno. A. e o ácido aristolóquico de A. 1990). A. galeata (Lopes & Bolzani. gigantea e A. 1980). chilensis (Urzua et al. taliscana (Longsw et al. 1994). A.. esperanzae. O ácido aristolóquico de A. 1987b. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . birostris (Conserva et al. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. S. 1977). 1988) e amidas em A.. 1980. Compostos como -cariofileno.. 1991b). et al.. 1987) e A. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. indica (Pakrashi & Pakrasi. 1990). indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. cymbifera. R. 1978).Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. arcuata (Watanabe & Lopes. 1979). S.. 1993). Lopes et al. A. 1988) e A.. 1996)..

papilaris (Maia et al. 1985). 1996).. 1988).. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. papilaris (Maia et al.. 1983).. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. O mesmo ácido obtido de A. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. Estudos com A. 1995). determinada pelo teste de Ames. 2002). G. et al. antibacteriana. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos.Choudhury. niaurorum (Kery et al. A espécie A.. A. anti-séptica e cicatrizante de A. 1979). Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. atividade analgésica. no Sistema Nervoso Central. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. 1991). indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. triangularis (Garcia. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1999). tulobata (Sosa et al.. 1991). e antiviral com A. Atividade mutagênica. 2001).. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. birostris demonstraram.. 1999). paucinervis (Gadhi et al. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. multiflora (Moretti et al. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1993). 1985). 1990).. H. 1991). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 1993). 1988). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina... gigantea (Campos et al.. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. 1979). com A... A. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al.

Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Da mesma forma. FIGURA 6. Entretanto. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies.Aristolochia trilobata. 1996) por humanos. 50 ou 100 mg/kg via oral..1 . cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. 1993). salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. por suas características químicas. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados.com 10. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis).

o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. dos quais se destacam os gêneros Piper. normalmente com células de óleos essenciais. especialmente do gênero Piper. Di Stasi C. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. C. e espécies me- . Geralmente as plantas são arbustos. Piper nigrum. Por sua vez. lianas. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Portilho M. G. 1997). Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. epífitas. Hiruma-Lima A. S. A. onde ocorrem em abundância e diversidade. Peperomia e Pothomorphe. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Mariot W.7 Piperales medicinais L. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas.

flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. O gênero Peperomia. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Nomes populares Além de Tracoaptera. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Piper cubeba. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. pequenas. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. como a Piper betle (betel). elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa.dicinais de ampla utilização. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. folhas alternas. ovário com um só estigma. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. como a chinesa e aiurvédica. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. sendo também apenas .B.1). Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. as quais passamos a discutir a seguir. muito semelhantes entre si. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. Espécies medicinais Peperomia elongata H. Piper angustifolium. Piper longum. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá.K. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7.

Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. pequenas. na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Peperomia rotundifolia H. bastante carnosas e glabras. Nomes populares A espécie é chamada. . A espécie é encontrada na Mata Atlântica.B. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.K. simples. Piper cavalcantei Yuncker. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. mas com pouca ocorrência. Não foram encontrados sinônimos. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. gastrite e gripes. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. curtopecioladas. de distúrbios do estômago.obtida na área de floresta em torno da aldeia.

com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. sendo a maioria arbustos.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. membranáceas. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. folhas pecioladas. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. podendo chegar a até 5 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. inflorescências do tipo espiga. especialmente para dores de cabeça. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. isoladas e levemente curvadas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. pendente. atingindo até 10 cm de comprimento. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. todas aromáticas. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. . O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa.2). algumas lianas e pequenas árvores. assimétricas na base. Piper cernnum Vell.

ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. membranáceas. levemente curvadas.3). além de ser útil em distúrbios renais. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. Piper gaudichaudianum Kunth. tendo distribuição por todo o Brasil. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. estomacais e hepáticos. inflorescências do tipo espiga. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. assimétricas na base. especialmente contra dores de barriga. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. particularmente contra cólicas abdominais. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. Em outras regiões do país. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. acuminadas no ápice. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada como analgésico. um pouco ásperas. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. onde a espécie é abundante.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. incluindo hepatite.

A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. Nhandi. com ápice acuminado. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Bitre. com até 7 cm de comprimento (Figura 7.4). glabra. membranosas. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. Aperta-ruão ou Aperta-juan. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. estomacais e renais. levemente assimétrica na base. alongada e fina. Piper marginatum Jacq. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. cordiformes. com ramos glabros e cilíndricos. folhas alternas. inflorescências do tipo espiga. pecioladas. flores . flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. pequena (até 11 cm de comprimento). membranácea. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. r e t a . Ihotzkyanum Kunth. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí.Piper cf. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e .

sudoríficas.6).) Miq. essas diferenças ficam bem claras. contra veneno de cobra.5). um gênero da família Araceae. flores sésseis. Catajé. Caá-peuá. diuréticas. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. Malvarisco. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. como ocorre no gênero Piper. androceu com três estames. peitadas. membranosas. e não isoladas. gineceu com três estigmas. peltatas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. formando uma falsa umbela. estomáquica. descrita a seguir. A planta é tônica. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Uma outra espécie do mesmo gênero. minúsculas. andróginas. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. com ápice agudo e nervação peltinérvea. sialagogas. fruto do tipo baga (Figura 7. as folhas. . dores de dente e blenorragias. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. ovado-arredondadas. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper.com brácteas triangulares. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. resolutiva e usada em banhos após o parto. estimulatórias (Corrêa. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". bainha desenvolvida. as raízes são carminativas. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. os frutos são excitantes. se ingerida. 1984). Pothomorphe peltata (L. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. principalmente da tucundeira.

lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. 1984). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras.7). ovado-arredondadas.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. antiinflamatório externo e interno. com ápice agudo e nervação peltinérvea. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. bainha desenvolvida. cordada. fruto do tipo baga. flores sésseis. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. minúsculas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. membranosas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. formando uma falsa umbela. Pothomorphe umbellata (L) Miq. Capeba ou Pariparoba. . Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. 1980). vermífugo. diurético. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. andróginas.

galopiperona e hidropiperona (Villegas et al... proctorii (Mbah et al. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 2002... De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. et al. flavonóides (Tillequin et al. que também possui ácido grifólico. ácidos graxos (Lima et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. 3-hidroxi-4. 2001). Piper Das raízes de P. B e C (Chen.. são . M. 1982). Os alcalóides.. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. monoterpenos. 2000). E. miristicina... Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. 1996). 1988). C. Mahiou et al. quinonas piperogalona. vulcanica e proctorionas de P. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. et al. 1994).. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. compostos de grande importância farmacológica. 1988).5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. Cromonas foram isoladas de P. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol.. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. Das raízes de P. 1990). marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. Seeram et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. 1997).. marginatum foram isolados aril-propanóides. Das partes aéreas de P. que representa 49% dos constituintes voláteis.. indicada populamente como antitumoral. além de apiol. 1982). grifolina bisobolol. sesquiterpenos. De Peperomia japonica. 2001). G..

. sylvaticum (Banerji & Pal. 1992). P.. 1981). 1986) e P. 1987). peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A.encontrados com freqüência nesse gênero.. Foram isolados diversos alcalóides em P.. 1986). peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al.. 1983. P.. sendo os principais piperlonguminina. auritum (Ampofo et al. Bacillus subtilis. 1985). compostos fenólicos de P. 1986. lignanas de P. 1981) e P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. P. longum (Dutta et al. Pothomorphe P. Isolaram também neoglicanas de P. piperina. P. 1979). Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. chavicina e outros. 1985). isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . 1977) e P. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. Uma quinona. P. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1995). 1977.. betle (Evans et al. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro.. Li & Han.. 1986) e flavonas de P.. 1982) e P clusti (Koul et al.. jaborandi (San Martin. hostmanianum (Diaz et al. 1979). Achenbach et al. 1986). 1987). 1987). flavonóides de P. hispidum (Vieira et al.. betle (Rimando et al. piperidina. hispidum (Vieira et al. hispidum (Burke & Nair. guineense (Cole. 1987)... 1983). Shoji et al. amalago (Dominguez et al. nigrum (Inatani et al. 1986).. 1985) e P. 1980). 1968). P.. aduncum e P. retrofractum (Banerji et al. tuberculatum (Braz Filho et al. Foi demonstrado também que P. P.. hancei (Li et al. methysticum (Smith. P. futokadsura (Chang et al. lancei (Han et al.... hidropiperona. aduncum (Smith & Kassim. P peepuloides (Shah et al. 1986. cubeba (Badheka et al. 1986 e 1987).. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. P. 1980) e P. piperlongumina. 1984). P. Tabuneng et al... 1987).

et al.. do extrato (0. 1994).. et al. 2002. V. Piper Foram caracterizadas para P. antibacteriana. 1997). enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 1996).. et al. também conhecida como Língua-de-sapo. R. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. Assim... 1996). 1998. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos.. L. O. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. H. galioides e os compostos ácido grifóico. 2001). Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. Arigoni-Blank et al.. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. 1992). lacrimejamento. Embora o extrato de P. atuar como antialérgico e diminuir . 1997). S.. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. B. V. Villegas et al... E.1-1 g/kg. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. relaxamento muscular e dispnéia. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. H. O extrato aquoso de P. O. 1995).cies de Leishmania (Mahiou et al.. bloqueada com prazosin e ioimbina. A administração i. 1996b). apresentou atividades diurética (Santos. 1996). M. V. em doses que variaram de 0. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.. et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. R. 1994). O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal.. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. hipotensora (Siqueira et al.1-0. salivação intensa. promoveu piloereçáo. analgésica (Da Silva et al. cicatrizante (Saad et al. e atóxica (Saad et al. 1996a). Substâncias de P. antifúngica (Lima.. hipotensora (Santos. 1997). 2001). Aziba et al.v. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. 2002. et al..

fungicida. nigrum (Miyakado et al. methysticum também conhecida como kava-kava.. aduncum (Lohezic-Le et al. cincinnatoris. larvicida (Mongelli et al. Atualmente. 1976). 1983). inseticida com substâncias de P. lindbergü e P... 1985). 1984). 1986 e 1988. P. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. Desmachelier et al. 1979). 1984). a degranulação.. Pothomorphe A espécie P. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. esta última com potente atividade (Di Stasi. Prakash... nematicida (Evans et al. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al.. As neoglicanas isoladas de P. analgésica. além de bloquear a transmissão neuromuscular. antioxidante (Choudhary & Kale.. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária).. Porém. betle apresentou atividades fungicida. mutagênica (Chen et al. 1988). gaudichandianum. 1985). anticonvulsivante. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1985).. agindo como os anestésicos locais (Singh. lancei e P. peltata possui atividade analgésica (Pupo. Cairney et al. A espécie P.. regnelli. 1986). 1986. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. P.. amalago (Pupo. De P. P. peltata. conhecida como Pariparoba. espasmolítica. 1991. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. 1988). Amorim et al. Di Stasi & Pupo. por seus constituintes químicos. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1984.. e antiviral P. A espécie P.. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. inibindo a agregação de plaquetas. 1987. apresentou propriedades anestésica. 2000). P. abutiloides. retrofactum (Woo et al. Shen et al. 1985). Dahanukar et al.. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. 1978. 1987). e aumentou o tempo de sono (Duve. 2002). sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. 1984).a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 2002. 2002). 1988). além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al.. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al..

Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . de Ferreira da Cruz et al.. P. Miq.. umbellata L.. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. antiedematogênica. FIGURA 7.1 . umbellata. 1987). antimalárica e antioxidante (Isobe et al. 1992).. 1996).. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. o que não foi observado na espécie P. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. O extrato etanólico das raízes de P. De P.Banco de imagens ... Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. peltata (Felzenswalb et al... umbellata.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.Peperomia elongata. 1995). 1987). peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. analgésica. 1997. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. 2002. Desmarchelier et al. 2000).

b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot . .Banco de imagens ).Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.FIGURA 7.2 .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).3 .FIGURA 7. .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7. . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).4 .

Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.5 .Piper marginatum. .

FIGURA 7..Banco de imagens . .6 .Pothomorphe peltata. . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .

inflorescências Folha cordada FIGURA 7. .7 . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).Pothomorphe umbellata.

como a morfina e outros derivados opióides. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. o famoso Ópio. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. foram obtidos. Hiruma-Lima C. M. Sabiaceae. algumas lianas. arbustos escandentes e . de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Di Stasi C. das quais devemos destacar Menispermaceae. A. Ranuculaceae e Papaveraceae. Pteridophyllaceae. M. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas.8 Ranunculales medicinais L. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Berberidaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. como é o caso da Papaver somniferum. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Santos E. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. C.

aplicada no local lesado e/ou ingerida. folhas alternas e pecioladas. são consideradas muito tóxicas. também denominada de Abutua. assim como . tais como A.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. com contorno oblongo (Figura 8. Espécies do gênero Abuta. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. a espécie é chamada de Abuta. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. Uma delas. Dados botânicos Planta perene. onde a planta foi referida como medicinal. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. da Mata Atlântica. imene.1). é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. fruto do tipo drupa. foi referida como planta antiinflamatória. rufescens e A. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. 1996). no entanto. típica da aldeia tenharins. utilizadas por índios do Norte do país. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. com ampla distribuição na América do Sul. raspada e misturada com água. 1997). Outra denominação é Iroba. Nessa família. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

et al.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1997). 1997. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. ainda. B. D. GOT. 1996). Farias.... Não foram observadas. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos.. antiviral (Brochado et al. argentea. Além disso. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Uma loção contendo C. 1997). assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1993). analgésica (Macedo et ai. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT... et al. porém. Induziu. raízes. Farias.. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. M.. Loureiro et al.. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al... 1996. 1996a e 1996b).. in vitro. 1996). 1996. 1994). Kern et al. J. Gomes et al. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1997). pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente .. relaxante (Araújo et al. et al. D. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. 1996 e 1998). 1993. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook.. 1999. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. LDH) e o nível de bilirrubina. Brochado et al.. 1987). 1998. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. B. 1997). 1996). L. L. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.

Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. especialmente em uso crônico. porém. et al. C. confirmados para inúmeras espécies dessa família. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. O uso das espécies contra helmintos...quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. inclui . 1996. 1986. hemorragias. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. 1988. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. sobretudo contra helmintos. Yang et al. 1996). aliado aos dados de toxicidade em peixes. 1972). Do extrato de A. De Ruiz et al. 1995). pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. Extrato aquoso de A.. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. B.. requer cuidados por parte da população. Zhang et al. subclasse Caryophyllidae. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales.. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. et al.... S. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. não apenas com as espécies citadas. 1989). 1998). 1992). 1993).

com aproximadamente 1. • Opuntia (Opuntioideae). 1978). todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. No Brasil ocorrem 32 gêneros. suculentas. Segundo Joly (1998). com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas.97 gêneros. Em ambos os casos. de hábito variável e geralmente espinhosas. 1978).400 espécies (Mabberley. . são espécies perenes. Cereus e Melocactus (Cactoideae). que inclui a espécie Pereskia grandiflora. 1997). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. que também inclui espécies medicinais. embora várias espécies possam ser encontradas na África. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. • Cactus. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo.

Peiresc. 1987). galactose. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. glucurônico e seus metil ésteres. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. A espécie é originária da Argentina. 1994). numerosos acúleos. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. C. glucose. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. guamacho possui ácidos galacturônico.. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. dispostas em rácimos terminais.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. fruto do tipo baga glabra. além de galactose. arabinofuranose. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. obovóide. A goma de P. F. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. ácido galactopiranosilurônico. em altitudes e também no nível do mar.. . muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico.. antitérmico e contra gripes e resfriados. cresce em matas e em restingas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. arabinopiranose. galactopiranose. arabinose. lenhoso. xilose e ramnose (De Pinto et al. além de heteropolissacarídeos. 1986). galactose. oblongas e acuminadas com base atenuada. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. sendo uma homenagem ao professor N. 1990). sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. folhas subpecioladas. Das folhas de P.

usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. Talinum e Portulaca. O principal gênero é o Portulaca. sendo algumas pequenas árvores.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. arbustos e ervas. . e 33 espécies (Barrozo. 1978). nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. Portulaca oleracea. muitas delas suculentas (Mabberley. 1997). No Brasil ocorrem apenas dois gêneros.

flores amarelas. mas algumas variações de nome popular são usadas. diminutivo de "porta". O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. sésseis. obovadas. as partes aéreas cruas são usadas. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Berduega e Veduega. planas e suculentas. arroxeado e suculento. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. axilares ou terminais. pequenas. referindo-se às propriedades purgativas da planta. outros usos são atribuídos à espécie. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. como alimento. folhas pequenas. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. Bodroega. dadas sua rusticidade e resistência à seca. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. Na região da Mata Atlântica. especialmente em Portugal e na Alemanha. Inclui três variedades principais. cólicas renais e . Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. Dados botânicos É uma erva de caule curto. fruto capsular obovóide.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. tais como Verduega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. pequenas. e a maioria é de ervas suculentas anuais. na forma de salada.

Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. pequenas. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres.afecções da vista. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Também conhecida como Beldroega. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. Caaponga. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. como as da beldroega. emenagoga e eficaz contra erisipela. . amarga. cicatrizante externa. vulnerária. Perrexi e Alecrim-desão-josé. glabros e suculentos. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. pilosas. estomáquica. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. emenagogos e vermífugos. lanceoladas. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. diurética. de onde saem folhas alternas. flores amarelas. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. as sementes passam por diuréticos. emoliente. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. Portulaca pilosa L. As folhas dessa planta também são comestíveis.

hidrocarbonos e alfa-tocoferol. 1990). 1991. 1996). parkeol. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. três diterpenóides transclerodânicos. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol..4... 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. Boehm & Boehm. pilosa (Ohsaki et al. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina.5% de lipídios. dentre os quais 18:3-ômega-3. 1988). como sitosterol. fósforo. cycloartenol.. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. 1991). manganês. 1992). cálcio. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. carboidratos. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. Simopoulos et ai. succínico. P. pilosanol A. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al.. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 1996). 22:6ômega-3. 1992). oleracea de proteínas. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. . 1994). 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. 1995b). e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. campesterol e stigmasterol.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea.. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. ácido ascórbico. 1996). ferro. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. fumárico e acético (Gao & Liu. 1991). B e C... além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 1995. ascórbico.. malônico. butirospermol. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al.. Boschelle et ai... (1991) detectaram de R oleracea 3. isolados das raízes de P. ácido linoléico e ácido palmítico. sendo o último composto um glicosídeo. málico. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. 1991).0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai.

além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. De P. 1985) relaxante muscular. 1996). 1993. O extrato de P... encontrado por Rocha et al. lupeol. Habtemariam et al.. Rocha et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. (1994). 1995). 1989. stigmasterol.. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al.. P. n-triacontano. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.. 1987). dentre outras espécies.... o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al.. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai.. oleracea foi investigado in vitro. 1989). 1997). apresentou atividade hipoglicemiante... enquanto das partes aéreas de P. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+.. 1989). oleracea. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. 1989). 1994). 1987). grandiflora Hook. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. 1993).De P. 1994). sem alterar a diurese. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. . Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. 1989b) e hipotensora (Poli et al. n-hexacosanol. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. beta-sitosterol. 1989). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. diurética (Rocha et al. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm.

extremamente ramificado. oblongas denteadas. Erva vomiqueira. Salsola e Atriplex. A família se subdivide em quatro subfamílias. Também é chamada de Ambrósia. sendo uma planta extremamente . ramos folhosos verdes com folhas alternas. 1978). Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Salicornia. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Erva-das-lombrigas. ervas anuais ou perenes e. pequenas árvores. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. No entanto. que pode atingir até 1. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Lombrigueira. Mentrasto e Mentrusto. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Menstruço.5 m. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. caule ereto e glabro. Anserina vermífuga. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. raramente. Spinaceae. Ex Stend. 1997).300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Inclui arbustos. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Erva-das-cobras. Caacica. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta.

Além desse uso. incluindo a Amazônia. baratas e demais insetos. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo.) . 2002. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. percevejos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. 1978. 1985a e 1985b. referindo-se às folhas lobadas. 1995). uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. lesões hepáticas. internamente. como abortiva. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". esse uso é comum também em outros países. ao passo que a infusão das folhas é usada.. em altas doses. Melito et al. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional.. extremamente útil para afugentar pulgas. contra reumatismo. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. febre. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. externamente. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. especialmente na área veterinária. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. a maioria de ervas. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. dor ciática e parasitas intestinais e. bronquite. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. amplamente disseminado nas zonas rurais. Godano et al. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. para problemas da pele.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional..

a espécie é conhecida como Erva-tostão. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Guapira e Andradea. .3). 1997). O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. mas não antocianinas (Mabberley. distribuídas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. Mirabilis e Bougainvillea. opostas. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Boerhavia. em trinta gêneros. incluindo árvores. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. de onde partem folhas pequenas. Mirabilis. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. arbustos e ervas que produzem betalaínas. pilosas e pecioladas. Dos gêneros. Pisonia. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Pega-pinto e Tangaraca. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. ovadoblongas. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Bougainvillea. nome usado em todo o Brasil.

a maioria rica em antocianinas (Mabberley. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 1991. 1991). Corrêa (1984) refere que a planta. 1990 e 1991). arbustos. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros... particularmente contra lombrigas. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. especialmente a raiz. 1996. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al.. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. Sohni et al. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. 1999). 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. 1995). além de ser considerada excelente diurético.. possui sabor picante. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. Rawat et al. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Aslam. 1997). 1999). lianas ou ervas. cujos efeitos benéficos são incontestáveis... atóxica. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1997). 1978 e 1980. sem efeito teratogênico (Singh et al. 2000a). 1996) e lignanas (Lami et al.. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. sendo árvores. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.

como Tipi. no alívio de dores musculares. inchaço de mem- . agudas no ápice e estreitas na base. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. Pipi. 1984). membranosas. diurética. que inclui uma única espécie. Em outras regiões. antiespasmódica e reputada como sudorífica. em decocto ou pó. farmacêutico e amante da natureza. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. flores sésseis. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. O uso externo das folhas novas e da raiz. ramificado com ramos compridos. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. Outros dados incluem o uso da raiz. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Tipi-verdadeiro. Amansa-senhor. estipuladas. como abortiva. na Bahia. também é comum. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Gambá-tipi. delgados e ascendentes. alfavacão. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. sublenhoso. em Pernambuco e em São Paulo. alternas. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. fruto aquênio cilíndrico. androceu com quatro estames. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. pequenas. Dados botânicos Subarbusto perene. limão de cayanna. e o gênero Petiveria. achatado e carenado (Figura 9. no Mato Grosso. raízes e ramos são considerados emenagogos. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. folhas curto-pecioladas. no Rio de Janeiro.4). ereto. gineceu unicarpelar com ovário súpero.como ornamentais. folhas. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá.

Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. 1988. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1982). Trotta et al. et al. 1998). linoléico. como abortivo.. 1988. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1997. 1988. 1988). paralisia. flavonóides.. ácidos palmítico. 1980). 1988). . reumatismo. 1986). De Lima et al. et al. 1980.. trans-N-metil-4-metoxiprolina. peptídeos como ácido glutâmico.. C. 1982). a raiz é útil na amenorréia (Agra. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. 1990). nitrato de sódio. pinitol.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. C.7-di-O-metilpinocembrina.. no Ceará. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. serina. glicina e alantoína (Sousa et al. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. S. 1990). as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. 1982). M. M. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. esteárico. Pinto C. 1992). 1980). dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. em Brasília e no Mato Grosso.. na Paraíba. alantoína. trisulfeto de dibenzila. ácido lignocérico. De Souza et al. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. 1982. Grandi et ai. et al. as raízes são usadas na hidropsia. 1988b). triterpenos (Delia Monachi et al.. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. lignoceril álcool. no Rio Grande do Sul. T. beta-sitosterol. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões.. Van den Berg.. T. 1986).. beta-sitosterol.. 1989) e depressora do SNC (Lima. em Minas Gerais. dores de cabeça. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. ainda... flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. além dessas indicações..

M.. No entanto. 1987) e antiviral (Ruffa et al.. 2001).. por levar à imbecilidade. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. Caldeira et al... Guerra et al. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. citotóxica. 1991 e 1992). 1995). Lopez-Martins et al.. e o de caule. Elisabetsky et al. hematopoiética (Quadros et al. 1992). Cortez et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica..270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1993. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. et al. Malpezzi et al. 1989.. 1994). Davino et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. com uma D L m a de 1. Takahashi. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva.. antiinflamatória oral (Germano et al. Y. 2050 aci02). 1993). também apresentou atividade moluscicida (Almeida.. 1988).. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al.. 1993. afasia e até à morte (Corrêa. . acaricida (Johnson et al...... outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1991. 1991). 1991).. 1990). 1998). 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. 1988. 1988.. alliacea. 1989. 1991. Davino et al. 1996) e antitumoral (Davino et al. 1994).. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. utilizado popularmente como vermífugo. 1998). 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. O extrato hidroalcoólico de P.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo... 2002. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1988. Germano et al. P. atividades analgésica (Thomas et al.. 1984). efeito zigotóxico (Guerra et al. 1997) e antifungica (Benevides et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico..

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero Sechium. longos. sendo um produto amplamente comercializado. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. capoeiras e na beira de estradas. foi dado em homenagem a John Wilbrand. é uma variação de sicyos. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). fruto do tipo pepônio verde. e o nome. com caule anguloso. como em formações secundárias. Wilbrandia ebracteata Cogn. ramoso e delicado.3). especialmente na Itália. alternas.a cinco lobos. e sua raiz. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. É uma importante espécie econômica. membranosas. como Cabeça-de-negro. Wilbrandia. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. especialmente após o cultivo sistematizado. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. mas ásperas. folhas pecioladas. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. . Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. flores amarelo-claras. que significa "pepino". flores amarelas esbranquiçadas. 5-lobadas e raramente com mais lobos. rugoso. e muitas variedades em cada espécie. com até 20 cm de comprimento. descrito por Patrick Browne. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. O gênero inclui apenas seis espécies. sulcado. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10.

proteínas.81%). De M. 1987). sífilis (Almeida et al.. Grondin et al. Das folhas de M. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Cr.76% de lipídios. Mn e Li (Peng & Li... Hara et al. charantia também foram isolados triterpenos. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1991. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. Das sementes de M. 1997). Foram isolados também cicloarterol. Das sementes de M.. 1996.. como laxativo (Farias et al. 1990). 1995. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico.... 1996). charantia também foram isolados vicina. reumatismo.. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. Zn. Dos frutos frescos de M.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes.. 1990a). 1992). Wang et ai. 1989).. 1996). Chandravadana et al. 1996). sendo o cucurbita-5..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1989. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Das sementes de M. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. 1996. Além disso. 1990. Zheng et al.80%) e fosfolipídios (16. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai.. Co. Chang et al. também... glicolipídios (35. charantia . Kusmenoglu. ácido linolênico. tumores e. a raiz é utilizada no tratamento de febre. charantia foi determinada como 0. 1985). charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Nguyen. assim como no controle da diabetes.. 1988. 1997).40%). charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Dos frutos verdes de M. A composição química do fruto de M. além das momordicinas (Fatope et al... divididos em lipídios não-polares (38. 1986). afecções da pele. Ni. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. charantia foi isolada a gama-momorcharia.. 1996. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. 1989. além do esterol. Huang et al. Foram isolados ainda das sementes de M. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. momordicinina e momordicilina. 1992).

charantica. pelas G. 1990b). 1995). 1993). provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. triterpenos tetracíclicos. também descrito em M. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. As sementes possuem 50% de óleo. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo.vicine. isolados das partes aéreas. 1990). A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. H e I (Miro. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. charantia. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. 1994). e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). sesquiterpenolactonas e taninos. além do ácido rosmarínico. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. rigorosamente. 1990). Aí.. oléico.. posteriormente. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1987). Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. além de possuir óleo essencial (Guerrero. contendo trinta carbonos. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. 1991). foetida (Mulholland et al. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. . 1997). esteárico. Dos frutos de Aí. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate.. balsamina (De Tommasi et al.. além de uma resina (Volák & Stodola. Das sementes de M. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1994). punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. também foram detectados em Aí. Geralmente. dioica eM. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1995). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. 1993). seguidas. 1987). pela E e. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu.

(2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.. charantia (Rathi et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. Inibição da síntese de RNA.. Ahmad et al. Welihinda et ai. 1982. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. 1996. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. da síntese protéica. 1993).6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. 1980. Além disso. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.. Raman & Lau. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. 1981. 2002). El-Gengaihi et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. (1994). 1983). charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. 2002) (Jilka et al.. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. 1987).. O extrato etanólico de M.... (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1984. 1986. 1996). DNA. Platel & Sirinivasan. Athar et al.. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. antiviral (Takemoto et al. 1996. Karunanayake et al. O suco dos frutos de M. Ng et ai.. 1982a e 1982b). 1983a e 1983b) e . Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al.. decocto das folhas e suco de M. (1986). 1993). 1997). extratos brutos de folhas. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Pugazhenthi & Murthy. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. 1996..

.. A glicoproteína isolada das sementes de M. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1993). L. isoladas de sementes de M. 1996).. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. 1994)... Cinco compostos foram isolados de sementes de M. momordina 1 e momordina 2. 1987. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. incluindo M.imunomoduladora (Spreafico et al. 1983). 1990). (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea.. charantia. Wang et al. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. Fong et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. isoladas dessa espécie.. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. charantia. charantia) inibe a integrase de HIV-1. et al. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. Ng et al. As proteínas inativadoras de ribossomos. antitumoral. charantia. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. . possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. proteínas inativadoras de ribossomos.. 1996).. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. 1993). alda-momorcharina. 1994). uma proteína inativadora de ribossomos. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1995b). pulmonares e da mama (Rybak et al. 1995). charantia. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. Os frutos e sementes de M. 1990). 1990a).. charantia. na qual descreveram a momorcochina..

que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al.. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. 1996).. Os frutos de M.... 1987). A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. Basaran et al. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.. L. 1997). charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1991). 1994). De M. M. charantia (Silva. et al. A M. (1984 e 1985). e o rizoma de Curcuma longa Linn... O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. Amorim et ai. Misra et al. Apesar da indicação popular para inflamação. 1990). 1996).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. Embora indicada contra malária. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. 1990. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. De M. Dos frutos verdes de M. 1996). Das folhas de M. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. 1988). 1990. 1995). Foram isoladas duas proteínas de M. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. 1987). charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1994). No entanto.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai.. antiancilostomose (Berchieri et al. O extrato aquoso da folha de M. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang.. MAP30 isolado de M. charantia foi isolado ginsenosídeo. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1995). 1996). não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M..

anti-helmíntica. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. em rato... charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 1986). Pagotto et al. 1993).. 1993). O extrato alcoólico de M. C. 1995. Proteínas isoladas de M.. 1995). hipotensora (Gordon et al. antimicrobial. diminuição da pressão arterial. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. hipovolemia. 1986b). 1991). De M.. tais como antiinflamatória. Outras atividades também foram descritas para a espécie. 1996)... inibição da ovulação.. et al. 1995. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. antitumoral. 1995.. do que o extrato de M. 1994). diarréia. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Hamato et ai. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. Miró. Teixeira. 1997). ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al.. 1995). 1996). tais como antioxidante.. A. 1984. Trichosantina.atividade hipoglicemiante. 2001). Jensen & Lai. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. . 1997 e 1999). alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. 1991).. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. 1993). Peters et al. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. 1995. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.. Além disso. 1989. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al.. citotóxica... anticoncepcional. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. 2000) e antimutagênico (Yen et al. inúmeras atividades farmacológicas são referidas.

1996. especialmente por gestantes. 1986). observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1997).. 1986. Chan et al.. charantia em enzimas hepáticas. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. Das sementes de M. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. A toxicidade do fruto de C. El-Gengaihi et al. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. Raman & Lau. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. Em ambos os casos. 1987). angaria foi de DL50 = 1. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai... 1990). Platel & Sirinivasan.6 mgAg. 1996.. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M.. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M.. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. 1992). 1986). recentemente. . 1996.. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. 1988). Os frutos de M. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. 1994). com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado.

Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. ovário unilocular. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. . Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. pedaço. alternas. 1978). Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. pétalas ausentes. fruto do tipo capsular trilobado.4). distribuídas em regiões tropicais. onde há cerca de oito espécies. com gomo terminal protegido por estipula caduca.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. farrapo". cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. e não foram encontrados sinônimos para ela. e stemon = "estame". semente com endosperma carnoso (Figura 10. folhas simples. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. mas que possui uma grande importância. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. referindo-se ao estame bifurcado. bem desenvolvidas. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. androceu com um estame.

Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. de valor alimentício e medicinal. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. representando um importante recurso econômico. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). 1997). 1992).Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. em geral trepadeiras. . Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. arbustos e árvores (Mabberley. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. existem várias espécies do gênero Passiflora. conforme apresentamos a seguir. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). no entanto. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. No Brasil. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. com 575 espécies tropicais e temperadas. 1996). compreendendo lianas.

(9Z)-ácido octadecenóico. 1991). pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares.. Spencer & Seigler.Dados botânicos Planta glabra. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). cilíndrico. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. chamada popularmente de Maracujá gigante. caule robusto. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. sementes compridas (Figura 10. Na região da Mata Atlântica. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. antocianinas (Kidoey et al. mas identificada apenas até o gênero. Uma outra espécie de maracujá. principalmente a P edulis. agudas no ápice e estreitas na base. 1996. 1990). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. gavinhas que são ramos florais modificados. côncavas. corniculadas. folhas inteiras. monoterpenóides. planas e obtusas.. epipassicoriacina. flores com cinco sépalas ovadas. é usada para diversas finalidades. uma espécie denominada Maracujá. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. 1987b e 1985). mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. alternas. ovadas. . hexadecanóico. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. 2tridecanona. 1987a. cordiformes. 2-pentadecanona. o suco dos frutos é considerado sedativo. pela interpretação dada às peças florais. margem inteira. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. 1997). Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. fruto oblongo-ovóide. que lembram os instrumentos do martírio. 1989). 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter.. 1983). peninérveas.. carotenóides (Ferreira et al. e cinco pétalas rosadas. Passiflora macrocarpa Mart. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus).5). estipulas ovadas.

. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1989). Da espécie P. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. Sena & Leite. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al.... et al. 1988).. taninos. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. Menghini. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. carboidratos. 1987b). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. analgésica... isovitexina. 1986). Costa. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. 1997). 1987). flavonóides (orientina. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. K.. harmina. 1988. 1997. 2000). bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. 1997. 1988. Spencer & Seigler. saponarina. proteínas. assim como ácidos graxos. Vale & Leite. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1986). lipídios. Dos frutos e folhas de P . Proliac & Raynaud. 1979). vitaminas A. riboflavina. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1997).. fermentos. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1996). O suco dos frutos contém água. 1996)... nem em R incarnata (Speroni et al. Raffaelli et al. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. glicosilflavona (Geiger & Markham. 1980. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. potássio. 1988). B2. isoorientina.. Flavonóides como vitexina. amliformis (Restrepo & Duque.1979). Ortega et al. 1997. ferro. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. P coriacea (Spencer & Seigler. 1980). mollissima (Froehlich et al. 1991).. PP e C (Zhuang & Wang. harmalina. 1995. 2000. 1988). bem como a presença de glicosídeos em P.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. harmol e harmalol). maltol. cálcio. Amaral. orientina e isoorientina. açúcares. isoschaftosídeo.. fósforo. quadrangularis (Orsini et al. 1998). de onde foi isolada crisina.... 1988. B1. P. sendo a passiflorina o mais conhecido. espasmolítica (Queiroz & Brandão. 1986). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al.

que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. inotrópica. antipirético (Silva et al. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.1 . tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al.. Detalhe da folha 5-lobada. Porém. 2000). enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. 1985). ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. FIGURA 10. Das folhas de P . 1989).. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1991... antiinflamatório (Silva et al.Luffa cylindrica Roem...edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1998a). atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 1989 e 1993) e inseticida... fruto e flor (Banco de imagens . 1988). 1978). Echeverri & Suarez. foetida apresentou atividades hipotensora. 1985b... 1991). Barros et al. espasmolítica (Carneiro et al.

2 . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10. .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

11
Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

na região amazônica. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. 1982). como abortivos. Sida rhombifolia L var. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. mas também de Ganchuma e Relógio. 1939). com caule ereto e ramoso. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. canaiensis (Willd.) K. de Vassoura. Malva-preta. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. Vassoura e Relógio. como emético (Hoehne. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. freqüentemente com cálice roseado. lineares e de cor branca. as flores são pequenas. emenagogos e as folhas (decocto). Nomes populares A espécie é chamada. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. Schum.mas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. reunidas em fascículos axilares. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. na Bahia. . fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. no Pará.

Aguaxima. em Minas Gerais. ramosa e pubescente. 1986). na região amazônica. róseas. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Uacima e Uacima-roxa. Ibaxama.. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. dispostas em racemos. flores solitárias. Guaxuma.Vassourinha. Em outras regiões do país. alternas. Dados botânicos Planta anual. popularmente conhecida como Caapiá. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Na Mata Atlântica. Carrapicho-de-lavadeira. chamada de Caapiá. axilares. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. 1982. e Guanxuma. anti-hemorroidal. Coaquibosa. 1982). emoliente. reticulata (Cav.. mas esta não foi completamente identificada. Urena lobato L. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. contra desarranjo menstrual. é tido como útil. Grandi & Siqueira. na dose de três xícaras ao dia. é de grande uso externo contra reumatismo. Malva-roxa. como Minas Gerais.4). tônica. Malva e Vassoura-do-campo. var. Rabo-de-foguete. rombóideovais ou lanceoladas. folhas curto-pecioladas. Guaxiúba. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. em São Paulo e no Rio de Janeiro. no Rio Grande do Sul. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. a planta é utilizada como béquica. Malvaísco. no Rio Grande do Sul. Guaxima. ereta. Aramim. O chá de toda a planta.

De H. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai.. suculentus (Tomoda et al. mucilagens das espécies H. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. onde se encontram glândulas nectaríferas. 1986). 1986. 1991). além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase.. fruto do tipo capsular. roxas ou rosas. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. 1984). a decocção da raiz é usada como diurético.. H. pequenas. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado.. 1977a.. com ramos alternos cilíndricos. syriaceus (Shimizu et al. ligninas de H. flores pecioladas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. emoliente e contra eólicas renais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. H. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. de até 3 m de altura. moschentos (Tomoda et al. Tomoda & Ichikawa. de onde partem folhas alternas. 1985) e H. cannabinus (Kulchik . Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. Dados químicos Hibiscus De H. comum às espécies desse gênero. 1977b e 1978). solitárias. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. 1986). fosfolipídios (Tolibaev et ai. pecioladas. com grande destaque para as três nervuras centrais. lobadas e de formas variáveis. cannabinus foram isolados. 1990). 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. diurética e útil contra eólicas. ciclopropenos (Nakatani et ai. 3-7 nervadas. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. cordiformes. 1987). suculentus (Moawad et al. 1991).

Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1986. galactose. oléico e linoléico (Tolibaev et al. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. sterculico. De H. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. Foram isolados também de H..8. ácidos graxos livres.. Duckart et al. 1991) e lactonas de H.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. linolenato de metila. De H. cianidina. betasitosterol. Das pétalas de H.5. kaempferol 3.. sabdariffa produziu antocianinas. 1978). abelmoschus (Maurer & Grieder. Em cultura de tecidos.7. fosfatidiletanolamina. . 1988). Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. ácidos palmítico. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. 1986. esterois livres. 1991). além de 15% de ramnose.. 1989a e 1989b). sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank.. 1990a e 1990b). syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. 1988).-L-arabinosideo-7. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. 1988). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. N-acilfosfatidiletanolamina. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. pelargonidina.et al. malvidina (Kim et al. esculentus e H.. 1989).. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. quercimeritrina.. ikshusterol. 1988). De H. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. arabinose e arabinan. triacilglicerídeos. o H. fosfatidilinositol. epoxiacilglicerídeos. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1989). diacilglicerídeos. 1990). moschentos foram isolados 3. sesquiterpenóides de H. petunidina. monoglicerídeos. taxifolina e herbacetina. Das sementes de H. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. 1986).. 1990). esterol ésters. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. No óleo das sementes de H. beta-sitosterilglicosilado. A quantificação das proteínas das sementes de H.. xilose e frutose (Pouget et al. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico.. N-acilisofosfatidiletanolamina. 1977). mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. epi-ikshusterol. Husain et al. peonidina. glucose. tiliaceus (Ali et al.4'-pentahidroxiflavona.

1995). hirsutum (Schmidt & Wells. palmítico. 1985). esteárico. 1986. dipalmito-linoleínas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1979) e G. oléico. mirístico. 1987). glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. hidrocarbonetos. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). Foram isolados de G. hirsutum e B. lecitinas. esteróis. D-galactose. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . barbadense. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. miristoléico e palmitoléico. hirsutum e G arboreum. G. principalmente o esqualeno. óleo-dilinoleínas. mucilagens e proteínas (Costa. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. fosfolípides. rainundii (Stipanovic et al. resinas. diversos terpenóides (Hunter et al. 1995). 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. Ermatov et al. xantofilas. 1986). corantes como carotenos. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1980). Das sementes de G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. 1986). araquídico.Das folhas de H. 1985). globulina. palmito-dilinoleínas. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. silianum (Kumamoto et al. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. 1979). também isolado de G. prolamina e glutelina (Sammour et al. De G. dipalmito-oleínas. barbadense determinou a presença de albumina.

1988a). pristano. 1988). colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. barbadense e G.3%3%) (Bandyukova & Ligai. 1989b). Sida Alcalóides foram isolados de S. As partes aéreas floridas de S. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. 1989). acuta (Goyal & Rani. ácido glutâmico e aspártico. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. Das partes aéreas de S. rhombifolia e S. S. A extração das partes aéreas de S. fitano. humilis. campesterol. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. ácidos graxos como beta-sitosterol. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1981). spinosa (Prakash et al. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. barbadense e G. stigmasterol. 1987). ácido palmítico. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. hermaphrodita contêm também os flavonóides. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. isoquercitrina. 1997). hirsutum (Mansour et al. S. De S. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. As partes aéreas de S. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. vesícula seminal e próstata ventral foram . cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. acuta. 1989a). hirsutum (Zhou & Lin.(+) gossipol de G. espermátide e espermatozóide. 1990).

sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 1987). e de H. porém os níveis de colesterol subiram. hipoglicêmica de H. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. 1990). moschentos (Tomoda et al. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1979). citotóxica. sabdariffa (El-Merzabani et al. antiespermatogênica. O extrato das flores de H. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. Pai et al. Haji & Haji. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 2002). esculentus. A espécie H. A taxa de inibição de fertilidade com H. Em camundongos. Pakrashi et al. 1992). antimutagênica (Wang et al. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. Essas atividades. 1984. verificadas por Singh et al (1982). assim como uma forte ação citostática. 1989). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. . 1985). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1986. tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1999. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Ainda de H. O ovário apresenta sinais de luteólise. no tratamento com Hibiscus. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 2000). antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1999). 1986). As flores de H. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. 1987). esculentus (Medeiros et al. 1985). dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al..reduzidos nos animais tratados com H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1976a e 1976b ). 1987). 2001).

hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. hirsutum e G. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 1996). 2001. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). 1988) e S. rhombifolia (Bortoluzzi et al. 1978). principal constituinte do óleo do algodão.. Flavonóides de G. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Sida Os alcalóides de S. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 1997). serratifolia (Sawhney et al. 1995). As proteínas das sementes de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. Extratos de S. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1984). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. barbadense e G. Wang & Bunkers. 1982).Gossypium O gossipol. 2000) e tóxico (Bourke. 1980). Terpenóides isolados de G. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1985). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1985). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al.

F. cordifolia (Malva-branca). de grande cultivo em jardins. 1998. rhombifolia.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. C. 1992). Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. vulgarmente chamada de Guaxuma. Segundo Barrozo (1978). et al. nos quais se distribuem 1. 1998. Fernandes et al. 1997). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. Das partes aéreas e folhas de S. distribuídas em onze diferentes gêneros. todos típicos de cerrados e campos. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. exceto Bacillus subtilis. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. do valioso Cacaueiro Joly 1998). e o gênero Theobroma. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1996). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. Bianchi et al. Drena As raízes de U. 1988b). 2001). Helicteres e Waltheria. Dombeya. incluindo árvores e arbustos. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Franzotti et al. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. V. Sterculia. carpinifolia. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S.500 espécies tropicais. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Na região . onde são encontrados em abundância. 1998). poucas em áreas temperadas. 1988. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Do infuso de S.

vermelho-escuras. Cupu-assu. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. 1990). duas das mais importantes e valiosas espécies. com brácteas linear-lanceoladas. 1991). flores que brotam dos galhos. para o tratamento de diarréia. fruto do tipo capsular grande. ovóide. significa "manjar dos deuses". com estipulas caducas. ou por suas variantes: Cupuaçu. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. e o chá da sua casca. grossos e tomentosos. medicinal e alimentar. liso e escuro (Figura 11. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. . O gênero Theobroma. bem como nas comunidades locais da Amazônia.5).da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. de valor econômico. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. Theobroma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. oblongolanceoladas. Dados botânicos Arvore de grande porte. Em tribos indígenas amazônicas. pedunculadas.) Schum. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. O nome do gênero. folhas com pecíolos curtos e carnosos. descrito por Carl Linnaeus. com ramos longos. no Pará (Amorozo & Gély. Copoaçu. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. grandes e vistosas. ex Spreng. 1988).

contêm flavonóides (Jalal & Collin. 1992a e 1992b). (Figura 11. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. M. speciosa possui ácido 1. 1989). Já a espécie T. Cacao azul. como a T. Chocolate. albuminas. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. cacao. Caca-y. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. com ramos curtos. 1986). fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. fasciculadas. tripsina . ácidos esteárico. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. grandiflorum). 1970. oléico e linoléico. 1977). mirístico. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T... T. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao.6). teobromina. globulinas (Voigt et al. Dados botânicos Árvore de porte médio. ex Mart. no Amazonas. oblongolanceoladas. Criollo. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. folhas com pecíolos longos. glicerídeos di-saturados. palmítico. Pagonini et al. mono. denominado Theobroma cacao L. fruto capsular ferrugíneo.9-tetrametilúrico. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. cafeína (Maia et al. Cacaoyer.7. flores dispostas no caule. 1979). Kakao. vermelho-escuras. Cacao forastero.. até 10 m de altura. Outras espécies desse gênero. 1993). inibidores fenólicos da a-amilase. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos.e tri-insaturados (Costa..Theobroma speciosa Willd. et al. inteiras.3.

. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia.9%). e T. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. nerol. diferentemente do T. flavan-3-ols. que variou 50. longifoleno e citronelol (Erickson et al. Alcalóides purínicos (cafeína. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. 1986). cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. O índice de saponificação da T. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. ácido lático. quercetina3-0-glucosídeo.37 a 1.2%). Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. porém. ácido araquídico. 1991). speciosum. 1996).74% (SantAnna Tucci et al. 1991). Esse constituinte também . 1996). 1991). bem como em sementes de Theobroma grandiflorum.. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. bicolor e T. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. Porém. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al.. 1987). antocianinas. xantinas e lipídios. mariae. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.5%) e o isoeugenol (8. cacao foi caracterizado como de 190. (-)epicatequina. 1989).. 1986). cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. gorduras (Malini et al. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. 1994). tais como ácidos palmítico. simiarum. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.. 1987). os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. T. ácido ecosadienóico.. dentre os quais o óxido de linalol (12. Em T. cacao.7% a 57.6%. cacao consistem de 78 componentes. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. T.. derivados do ácido hidroxicinâmico. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. teobromina. pela presença de ácidos graxos.(Quesada et al. quercetina e esculentina (Bastide et al. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. ácido cítrico. As essências florais de T. bicolor e T. subincanum. geraniol. O T.. augustifolium. 1995). augustifolium (Sotelo & Alvarez. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados.. Em T. T. Os alcalóides teobromina. taninos. procianidina B2. cacao e também em T. 1994). Além de açúcares totais. taninos condensados.

Melzig et al. Sanbongi et al. fenóis e taninos.. 1970.. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. cacao (Gurney et al. 1997.. cafeína. 1997).. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. . As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1992a e 1992b). 1994) e antidepressora (Matsunaga et al.. et al.. e a proantocianidina. 1997). 1989).. 1997). Paganini et al..pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. cacao apresentou um efeito vasodilatador. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. análoga à manteiga de cacau.. proteína. 2000). isolada dessa espécie vegetal. 1997. M. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. 1997). 2002).. amido. cacao (Yamagishi et al. 1992). uma atividade analgésica (Santos. 1997). com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. clorofila. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T.

oblongolanceoladas. e Apeiba. muito conhecida na região amazônica Joly. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. Dados botânicos Árvore de porte médio. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. serrilhadas. . de até 13 m de altura. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. os gêneros mais comuns são Luehea. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. Espécies medicinais Muntingia calabura L. 1997). Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. raramente ervas ou lianas (Mabberley. de numerosos estames livres. Triumfetta. sendo a maioria de árvores e arbustos. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. folhas curto-pecioladas. agudas no ápice e oblíquas na base. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. com o nome de Curumin-nhapuá. que a referiram como medicinal. 1978). No Brasil.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. 1998). Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. da planta Pau-de-jangada.

3%) os mais significativos. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo.6%) e derivados furanos (8. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. A casca é emoliente. sesquiterpenóides (10. fruto do tipo baga. . arredondado. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. calabura L. 1984). dos quais predominaram alcanos (44. 1990). O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting.4%). ésteres (26. e as flores.dispostas em pedicelos axilares.7%). alcanos (15.7). calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. quercetina. Dos frutos de Aí.3%). antiespasmódicas (Corrêa. vermelho.9%). Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. e salicilato de metila. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. Do extrato citotóxico das raízes de M. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. indeiscente. ovário 5-7 locular. aqui descrita como medicinal. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. 1991). ácido caféico e ácido elágico (Seethraman..3%). compostos fenólicos (11.3%). foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. calabura foram isoladas Havanas. inúmeras sementes (Figura 11.5%) e compostos carbonil (23. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. sendo ésteres (31.

Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1998.1 -Bixa arbórea. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .

1984).Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.2 . 1998) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.3 .FIGURA 11.

4 . canaiensis.Sida rhombifolia var. 1998) (Banco de imagens .FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

5 .FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .Theobroma grandiflorum.

FIGURA 11.6 .Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

FIGURA 11.7 .Muntingia calabura. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .

cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica.12 Urticales medicinais L. Di Stasi L N. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Ulmaceae e Barbeyacea. e o importante gênero Urtica. A. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. e o segundo. Da família Cannabaceae. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. Cecropiaceae. Seito C. amplamente conhecida como . pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. por esse fato. das quais as famílias Moraceae. Cecropiaceae e Moraceae. C. Em duas delas. As outras duas famílias dessa ordem. não possuem importantes espécies de valor medicinal. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. fonte de substâncias também tóxicas. fonte da maconha (Cannabis sativa). Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.

uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Musanga. Imbaubão. Arvore-da-guiça. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. de Lixa. Ambaíba. Embaúba. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. peitadas acima do centro. Figueira-de-surinam. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Arvore-da-preguiça e Torém. longopecioladas. Ibaituga. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Pourouma e Cecropia. Ambatí. Com esse novo arranjo. Outras denominações populares são Aimbahú. referida com adulterante da Espinheirasanta. . sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. alternas e protegidas por duas estipulas. Ambaí. lactescentes. folhas grandes. Toréin. Ambahú.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Imbati. Ibaíba. Ambaitinga. Myrianthus. e a espécie Sorocea bomplandii. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Poiküospermum. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba.

glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. As folhas. 1994). muitas delas de ocorrência no Brasil. 1996b). filho da Terra.. Das folhas de C. Santos. 1983).flores pequenas de sexo separado. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. R. catharinensis. et al. Na região do Vale do Ribeira. unilocular. et al. Nas folhas do extrato de C. indicada popularmente como antiinflamatório. 1985). formando infrutescências inclusas (Figura 12. Das raízes de C. que significa "chamar. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. ecoar". não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. . 1986. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em C. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. a raiz é considerada útil contra tosse. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. gemas e brotos são adstringentes. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. et al.. R. adenopus.. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. frutos nuculares. usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1992. 1996).. bronquite e gripes fortes. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. antililiásica (Domingos et al. C. asma. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. Mal de Parkinson. hidropisia. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. carpelar. lyratiloba (Menda. 1998).. C.. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. meio homem e meio serpente. do grego. A. reunidas em densas inflorescências. 1986). A. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. 1984).. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas.1). F. A. 1984b). Na espécie C. Kerber.

. compreende 1.. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al.depressora do SNC. isolada de espécies deste gênero. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa.100 espécies tropicais e poucas temperadas.. 1993 e 1996a). Johann Heirinch Friedrich Link. efeito depressor do SNC. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. Rocho et al. distribuídas em 28 gêneros. Cysneiros et al. 1998a e 1998b. 2001). na Mata Atlântica. 1988).. característica marcante da maioria das espécies dessa família. antidepressiva.. arbustos. No Brasil.... Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. que incluem árvores.. dos quais se destacam: Ficus. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. a família conta com aproximadamente 340 espécies. 1992). 1988.. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. Rocha et al. Em outras re- . Astocarpus e Sorocea. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. 2001). lianas e ervas (Mabberley. Dorstenia. Morus. 2002). distribuídas em 38 gêneros. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. antiulcerogênica (Cysneiros et al. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. descrita originalmente por. 1998. A cecropina.) Burger. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. espasmolítica (Delia Monache et al. 1997). 2001). obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. de Espinheira-santa. ansiolítica (Barettaetal. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.

Canxim. bomplandii. Recentemente.. ilicifolia e S. A espécie é latescente. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Araçari. Carapicica-de-folha-miúda. quando não está em época de floração. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. 2001. com tronco ereto. de face superior brilhante e inferior opaca. Resple. ciófita. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. Laranjeira-do-mato. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Trata-se de uma espécie perenifólia. especialmente da Mata Atlântica. Calixto et al. Gonzales et al. de casca fina. fruto do tipo baga. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. . a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. 1993). 1993). Folhas-de-serra. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S.. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. 2001. da família Celastraceae).. cilíndrico. especialmente na Mata Atlântica. chegando a 10 cm de comprimento. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).. Soroco. folhas simples.giões do país a planta é chamada de Cincho. Flavonóides foram isolados de S.

1 . Reis). e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998.FIGURA 12. d) flor feminina. b) detalhe da folha.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. (Banco de imagens . S. c) inflorescência.

lianas ou ervas. compreende 313 gêneros. 1978).13 Euphorbiales medicinais C. M. A família Euphorbiaceae. segundo Mabberley (1997). a maioria cosmopolita. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. Das centenas de gêneros.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. comumente com células especializadas na produção de látex. a família é representada por 72 gêneros. Thymelaceae e Euphorbiaceae. No Brasil. com aproximadamente 1. C. é urgente uma revisão da família. Santos L. Guimarães C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. R. Souza-Brito E.100 espécies. M. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. Na família ocorrem árvores. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. M. . 1997). Hiruma-Lima A. A. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. arbustos.

e outras. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. sendo algumas árvores. enquanto a infu- . espécie rica em óleo de rícino. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular.devemos destacar Ricinus. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. flores de sexo separado. problemas hepáticos. estipuladas. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. pela semelhança das sementes com esse animal. fruto seco. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. peninérveas. com limbo dividido em lobos ou segmentos. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. a maior produtora de borracha. febres. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. folhas simples. lanceoladas. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. Mabea. sementes ricas em endosperma (Figura 13. da valiosa Mamona.1). Pedilanthus. icterícia e malária. Do gênero Euphorbia. verdes. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Espécies medicinais Croton cajucara Beth. separando-se em três cocos. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. Jatropha e Croton. atualmente cultivada em vários países. pecioladas. esquizocárpico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. especialmente em Phyllanthus. dos quais referimos algumas espécies a seguir. ervas e arbustos.

com brácteas . reunidas em inflorescências racemosas. na região amazônica. Pinhão-de-purga.são das folhas. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. longo-pecioladas. peninérveas. nodoso. sementes ricas em endosperma. curto-pecioladas. folhas alternas. de caule grosso. grandes. flores unissexuadas. Maduri-graça. lobadas. folhas simples. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). estipuladas. lactescente. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. Pinhãodos-barbados. amarelo-esverdeadas. de Sacaquinha. Pinhão-manso. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. reunidas em inflorescências paucifloras. Croton sacaquinha Croizat. no Pará. membranosas. mas também de Peão. lanceoladas. esquizocárpico. no Ceará. palminérvias. glabras. Pinhão Pinhão-branco. é útil contra hepatite. atingindo até 4 m de altura. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. fruto seco. separando-se em três cocos. e Mandobiguaçu. Pinhão-do-paraguai. pequenas. flores de sexo separado. Pião. a Sacaca. com ápice curtamente acuminado e base cordada.

resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. constipação nasal e como purgativo. Pinhão-roxo. assar a polpa na cinza. Raizde-téu. lisas. dez estames. Jatropha gossypifolia L. As sementes são eméticas (Corrêa. coriáceo. Batata-detéu. sementes escuras.. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. após a retirada do embrião. Mamoninha. fruto do tipo capsular. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. são torradas. 1982). assim como para constipação nasal. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. deriva do grego iatros = "remédio". Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. Peão-pajé. gengibre amassado. enquanto as sementes. Erva-purgante. partir e tirar a "folhinha". o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. Peão-curador. esta passa a ser comestível e saudável). . O nome do gênero Jatropha. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. no Pará. colocar no café e banhar a cabeça). a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Arg. Pião caboclo. gripe (descascar a semente. o látex é aplicado externamente. elipsóides e oblongas (Figura 13. 1988).2). contra feridas (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). 1984).lanceoladas. secar até ficar fria.

descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. grandes. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. o chá das folhas é usado como antitérmico. dispostas em cimeiras paniculadas. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. contra feridas. com folhas alternas. O nome do gênero Mabea. o banho. glabras e estipuladas. ramosa. No Pará. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros.3). lineares. 1988). útil nas obstruções das vias abdominais. 1982). e as folhas na cabeça. cálice com cinco pétalas. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. fruto capsular. flores unissexuadas. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. 1982). Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. Em Brasília. trissulcado. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. escuras e com pecíolos pubescentes. palmadas e limbo dividido em lobos. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. folhas pecioladas. contra "mau olhado". A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. no Piauí (Emperaire. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. roxas. A planta é purgativa. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. 1984).

O nome do gênero Phyllanthus. Na região amazônica. é usada como diurético e contra . Dados botânicos Planta de pequeno porte. sementes minúsculas (Figura 13. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. significa "flor na folha".Aublet. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. incluindo as raízes. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. alternas.5 m de altura. Na região do Vale do Ribeira. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. descrito por Carl Linnaeus. estipuladas. flor masculina fasciculada com três estames.4). Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. enquanto a infusão de toda a planta. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. 1984). que atinge até 0. Arg. com ramos glabros. ramificada. folhas com limbo. flores de sexo separado. Phyllanthus corcovadensis Muell. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. distribuídas na América tropical. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. cápsulas pequenas. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. trissulcadas.

(1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1991). Das cascas de C. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Posteriormente. e os principais constituintes são alfa-pineno.. além de ser usada contra pedras nos rins..8-cineol.dores de barriga. transcrotonina. 1989). de ácido aleuritólico (Muller et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. . 1992). 1979. beta-cariofileno... 2000). Kubo et al. A infusão das folhas. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. Em Minas Gerais. 1990. alfa-humuleno. 1982). 1. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. Maciel et al. O óleo essencial das cascas de C. 1986). cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1989... é útil contra problemas do fígado. 1998)..

1995). 1996).4b-dihidroxi-15.. a printziano e um norclerodano (Siems et al.8-cineol. alfa-guaieno. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. limoneno e outros.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). metileugenol. e de C.. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.. foi determinada. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno.5-trimetoxibenzeno. alfa-ilangeno. A composição do óleo essencial das cascas de C. 4b-dihidroxi-15. De C. C. alfa-cubebeno. gama-elemeno. propionato de etila. allo-aromadendreno e torreyol. enquanto germacreno B.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). lundianus e a C. acetato de 3-metil-butanol.. zambesicums Muell.4-dimetoxifenol. o óleo de C.cadideno.. cadineno. 1995). cortesianus foram isolados o clerodano.. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. 1992b). Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa.. linalol. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.4. glandulosus (Neto et al. glandulosus. 4-hidroxifeenetil. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. lechleri foi isolada a sinoacutina.. 1992). Porém.3. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. metil isoeugenol. 3.14-dieno. 1996). 1993b). megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. e das folhas de C.. lechleri foram: acetato de etila. 1992). Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. betabourboneno e gama-cadineno. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. 1994). alfa-humuleno.. 2-metil-butanol. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. . que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1996). cânfora. a C. Das partes aéreas de C. 3.. 1993a). Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. p-cimeno. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. e chiromodine (Weckert et al. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. 2.14dien-9-al e 3a. Os constituintes voláteis isolados de C. acetato de propila. a levatina (Moulis et al. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. mirceno. 1992). ludianus possui 1. gama-elemeno. acetato de 2-metil-butanol.4-dimetoxibenzil. aubrevillei J. eucaliptol. Das folhas de C. sitosterol.6-trimetoxifenol. e das cascas do caule de C. Além disso. estragol. hovarum: a 3a.

1992). eluteria foram isolados sesquiterpenos. 1996). beta-sitosterol (Chen et al. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. curcas foram isolados ainda as latiranas. macwstachys (Herlem et al.3'. 1994).. 5hidroxi-6. jatroolona A. 1995). 1992). 1991a). 6a. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. 16hidroxijatrofolona. 1986) e C. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C.. diasii (Alvarenga et al. taraxerol. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. 1986). 1988) e curcaciclina B (Auvin et al.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. e das cascas de C.. 1976).7-dimetoxicoumarina. castaprenol-11. ésteres e cetonas não-terpenóides. . os triterpenóides jatrofolona A. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. argyrophylloides (Monte et al.6-diona.5. a seco-labdane (Schneider et al. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al.. 1991). eudesmanos. stigmasterol.... matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. nobiletina. Das partes aéreas de C. jatrofolona B. hemiargyreus (Barnes & Borges. 1991). tomentina. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. De J. C.. De C. 1996).7. 1981). caniojana. riangularis (Moura et al. jatrofina. Do óleo de C. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al.. 1988). gossypifolios (Cespedes et al. jatrofolona B. b-sitosterol.De C. 1993). Compostos terpenóides foram isolados de C. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al.. Das raízes de C. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. enquanto alcalóides foram encontrados em C.. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1992). e das folhas de C. taraxerol.7b-dihidroxiannoneno e 6a. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. jatrofol. Jatropha Das raízes de J. e de C...

ácido araquídico e toxalbumina. pohliana var. 1997. ácido oléico. 1986). foi isolado de seu látex a albaditina. J. multifida L. 1983). mollissima foram isoladas orientina.1%). Das raízes secas de J. podagrida apresentaram 24%. arginina (0. alanina (28.. e 43. J. 1990).. . De J. Das raízes de J. 1988). 1988). Auvin-Guette et al. ácido linoléico (Nasir et al. curcas. 15. 1989). De J. Makkar et al. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. 1987.. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo./. Saponinas foram detectadas apenas em J. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. bem como o ácido nurístico. sendo 0.15% e 15% de ácidos graxos saturados.94%). De J..6% de ácido oléico. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. compostos fenólicos. Dos rizomas de J. 14. Do caule de J. denominada curcina (Costa. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. gadaína (Das et al. 1995). citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. Das folhas deJ.26% de ácido aracdônico.92%) e leucina (12.60%.71%). além de outros três derivados diterpenóides.. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. isoorientina. 1997). metionina (13.. tlalcozotitlanensis e J. Do látex de /. curcas foram isoladas também várias lectinas. malacophylla. glicina (19. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 0. terpenos. 1996b). divica foram isolados beta-sitosterol. galvani (Guevara et al. 1987).1997). isoleucina (3. 1988). 1997). 1996a) e jatrodiena (Das et al. jatrofolona B.. Das folhas de J.. caniojanae 1. Banerji et al. gossypifolia e J... Das cascas da raiz de J. respectivamente (Raina & Gaikwad. os aminoácidos cistina (2.07%). ácido esteárico. 1988. 1990).. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. 1996..26%.9%)..30%) (Jain & Garg. elbae. 1988). saponinas.9%. 1989). 1997).. Teixeira. 0. valina (18. 1989a e 1989c). e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. As espécies. esteróides e glicosídeos. 2epijatrogrossidiona. J. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides.98%). flavonóides. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.9%.

amarus e P... 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1990. 1996. ácido clorogênico. e dos frutos de M.Da espécie J.. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi.. Huang et al. ácido caféico.. De J. P. 1977). Anjaneyuly et al. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.. Ojewole & Odebiyi. 1991). 1983. citral. 1980 e 1981).. Houghton et al. De P. 1988.. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. Petchnaree et al. flavonóides. da qual foram isolados alcalóides. 1988). 1989a e 1989b. levulose. Singh et al. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). enquanto em P. Negietal. Anjaneyulu et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. neolignanas (Satyanarayana et al. diterpenos.. Mabea Do látex do caule de M.. 1996. cumarinas. 1986. 1989. P. 1990).. discoideus. triterpenóides (Joshi et al. 1996). 1988). Singh et al. 1988. virgatus (Babady-Bila et al. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. 1980). Singh et al. timol e carvacrol (Odebiyi. lignanas (Satyanarayana et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al.. 1981).. 1995).. hidroxiflavanona. 1985). antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. simplex. 1988.. 1986. sacarose. gossypifolia. a mais estudada é a P. 1988. 1991).... podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. P.. Ahmad et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. terpenos. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al.. . 1997). Hassarajani & Mulchandani. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides.. Mensah et al. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1996. 1986). assim como os diterpenóides de J. 1996).. 1986. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. Yunes et al. niruri. 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.

1996)... 1988b). 1999a). 1988.. De P. francheti foram obtidos cicloheptano. 1988.. 1996b). 2002. 1997 e 1996a). Z. analgésica.. Das raízes de P. 1988a. 1997). 1996) antitumoral (Grynberg et al. emblica L. alkekengi var. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1996). Em P. Farias et al. Bighetti et al. 1995a). Tanaka et al. nalcanóis. 1989. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. 1987. HirumaLima et al.. 1995).. Li et al. 1999). Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1998). 1996).. além de taninos (Zang.. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. antinociceptiva (Carvalho et al.. 1996).De P. 1998. D. 2001).. 1996c). ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. antiedermatogênica (Campos et al.. De P flexuosus foram isolados triterpenos.. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. et al.. myrtifolius. 1993. Farias et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima.. Tanaka et al. 1995b). 1996). olenadienóis.. antiinflamatória. .. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 1988. calisteginas (Asano et al. hipocolesterolêmica (Martins et al. Lu et al. n-alcanos. et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante.. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C.. Tanaka & Matsunaga. C... 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. De P. 1996) e fisalinas (Makino et al. antidiabética (Silva et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al.. antiestrogênica (Luma Costa et al.. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al..

1999b. tranqüilizante. Tang et al. 1994).. antinociceptiva (Bighetti et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. C. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos..Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. Batatinha et al. zehnteri (Albuquerque et al. 1985. para crotina I foi de 0. 1993). 1982). 1993. com o uso prolongado (Rodriguez et al. lacciferus (Ratnayake et al. 1999). Chen & Pan. anticonvulsivante e analgésica de C.. penduliflorus (Asuku. campestris (Lima et al. 1988). a ligana 3'. antiulcerôgenica de C. C. presente nos casos de C. hipotensora de C. tiglium (Deshmukh & Borle. 1988b) e substâncias isoladas de C. Luz Paredes et al. 1987). anestésica local.45 mg/kg e 2.. 1983).. C. subtyratus (Kitazawa et al. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1988) e C.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1988a). A DL50. rangelianus (Lima et al. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al.. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. C.. 2002a)... pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- ... 1993. glabelus (Novoa et al. lechleri. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 2000a e 2002b).23 mg/kg para crotina II. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. 1988. 1975). entre outras. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles.. penduliflorus (Anika & Shetty. 1987) e C.. 2001). mais comumente de C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. sonderianus (Craveiro & Silveira. 1980. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. et al. C. rhamnifolius (Silveira et al. 1980). Ao final. 1982). 1985) e C. inseticida de C. cajucara (Hiruma-Lima et al. Costa. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. macrostachys (Mazzant et al. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. M.. C. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. 1986). draconoides e C. erythrochilus. 1984)... Das sementes de C..

nardus (Lemos et al.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1993). tonkinensis contêm 0. 1991). tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. Pieters et al. Essa possui isoguanosina. De C. betulina e ácidos graxos. os alcalóides de C.. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. 1994a e 1994b)... 1995)... berberina e outros alcalóides desse grupo. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.78% de flavonóides. 1992. 1992). lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al.. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. 1995). As folhas secas de C. Ao final. 1991a e 1991b). C. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. 1992a). lupeol. Do óleo essencial de C. berghei (Be &Truong.. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica.. antibacteriana e cicatrizante. O extrato etanólico bruto das folhas de C.32% de alcalóides e 2. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. Das raízes de C. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. macrostachys foram isolados crotepóxido. O efeito de C. 1994). Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. Ao final dos experimentos.

1994). De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica... Do látex de C. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. 1992. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al... pelo bloqueio da transmissão neuromuscular..p. o alcalóide taspina (Itokawa et al. curcas. Atividades larvicida (Karmegam et al. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al.. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1995).. tanto na prova do campo aberto. 1988). diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. 1995). aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.39 mg pela via i.. 1988. Do látex de J. 1990) o óleo de C. 1988). curcas foi isolada uma enzima proteolítica. O óleo de C.. antiplasmodial (Kohler . 1992). Das sementes de /. tiglium (Fanetal.. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al.. 1989 e 1991). que apresentaram atividade antiviral (Tempesta.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. 1997) e Schistosoma mansoni e S. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. e no retículo sarcoplasmático. Hirota et al. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. 2000). (Huang et al. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. 1993).. 2000). 1991). Das sementes de J. Os extratos da sementes de C. 1994). Ubillas et al. Jatropha Das sementes de J.9%) (Liberalino et al. 1991a). a curcaína (Nath & Dutta. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.. haematobium (Rug & Ruppel... 1987. 1989). como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26.

que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. De J. espasmolítica (Trebien et al. 2000). gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. F..et al. 1996). 1996). inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. glauca (AlZanbagi et al. zeyheri foi isolada a jaherina. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. gaumeri (Sanchez-Medino et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis... 1992). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 2001).. multifida. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. 1996. 1994). curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 2001). 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. 1987). Santos et al.. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. 1996). 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al.. curcas foram isoladas curcusonas A e C. 1990. De J. Das raízes de J. et al.. isabellii foi isolada a jatrofona. O óleo das sementes de /. J. A J. 1987b). 1993).. 1998). curcas.. Dutra et al]. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. As folhas de J.. 1992a. De J. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. antiespasmódica (Silva et al... usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas... et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. 1987) e tóxica (Brum et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. 1996). 1996).. e de J. 1992b e 1996).. .. 1987) também foram caracterizadas em J. P.. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona.. O látex de /. 1996). De /. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1997). M. Esta mesma atividade foi observada em J.. 1996).

1994)... 1987). Di Stasi. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 1987). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. 1985 e 1986b.. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al... 1988). que foi atribuída aos compostos estigmasterol. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1984..Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 2000). 1996).. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1992). 1993. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. Ribeiro et al. Shimizu et al. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.. 1988. Gorski et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 1995). 1992. 1995). 1985). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase.. diurética. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. 1995).. 1995). 1988). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar... Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. De P. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 1996a).. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina.. . Além disso. campesterol e fitosterol (Santos et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. Santos et al. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. O extrato hidroalcoólico de P. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al.. Além disso. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). 1989).

Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1997).. Roy et al.. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1997). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.. 1991). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1996. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. ácido elágico.. . 1995). propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1997a e 1997b). 1995)... ácido brevifolincarboxílico. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al...Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. 1990. 1988). de P urinaria. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al..... O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. 1996). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. 1996). 1994).. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. Foram caracterizadas. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. 1995). corilagina.. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1995). O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. quercetina. 1996). ácido gálico e ácido protocatecoico. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1996). niruri e P urinaria (Santos et al. 1996). Sane et al.

coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. mutifida (Levin et al. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Ahmed & Adam.. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . 1979). 1979). diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. 1986. 1993. Como conseqüência de seu uso crônico. Pieters et al. Porros et al. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular.. e ação estimulante da musculatura lisa. curcas em ratos. Torpor. vômitos e diarréia... Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. 1995. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1993. redução no consumo de água. 1984).. náuseas. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. 1991c). diarréia. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal.. Hemorragias internas em diversos órgãos. Existem registros de intoxição em crianças de J. Quadros de hemorragia anal. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. Efeitos como redução no tempo de protrombina. hipotensão e desidratação.. podendo causar a morte em humanos. Itokawa et al. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. 1987) e provoca náuseas.. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. 2000). desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. 1979).

Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. FIGURA 13. 1998) (Banco de imagens .(1999).1 . nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. tiglium (Bauer et al. 1983. 1986).. Pieters & Vlietinck. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.

2 -Jatropha curcas. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima). .FIGURA 13.

FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais. .Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima).3 .

1998). b) flor feminina.4 .FIGURA 13. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.

com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. arbustos ou ervas. No Brasil ocorrem 21 gêneros. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. A. e Elatinaceae. É composta por árvores. óleos essenciais e resinas. algumas delas de valor medicinal. Clusia. . pigmentos. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. sendo raramente descritas epífitas. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae).370 espécies. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). C. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Hiruma-Lima L.14 Guttiferales medicinais C. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. gomas. 1997). 1978). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley.

damaradienol. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. friedelina. O nome do gênero Vismia. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Em outras regiões. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. 1990). sendo facilmente cultivada. também chamada de Lacre. a maioria é fornecedora de resinas. madagascina. ácido betúlico. No Brasil. damagascina. com distribuição restrita à América tropical. ácido crisofânico. pecioladas. euxantona. coriáceas. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. descrito por Domingos Vandelli. opostas e com borda inteira. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. como Picharrinha.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Trata-se de uma espécie semidecídua. martiana foi observada a presença de sitosterol. as folhas são simples. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. O tronco ereto possui casca grossa. foi dedicado a Visme. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. e algumas na África. Em V. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. e várias têm valor medicinal. com ocorrência em formações secundárias. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona .

2000). 1995). Das raízes de V. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira.. De Vistnia caynnensis.. Moracelli et al. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 1997). 1983). vulgarmente chamada de Pichirina. Em V.. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1999). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. cayennensis.. 1996). 2-isorenilemodina e 5. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.. 1979). apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza... 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. 1999) em V. Porém.e a ferruginina (Pasqua et al.5'dimetoxisesamina (Camele et al.. da planta fresca (Tokarnia et al. como a friedelina. . 1994). conhecido popularmente como Lacre.. 1996).. micrantha foram isolados xantonas. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. Os extratos hidroalcoólicos. et al. 1995. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg.. 1982).. e em V. 1993). Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. indicado para dermatofilose. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. O extrato etanólico da folhas. benzofenonas (Fuller et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. vários triterpenos. p-o. magnoliaefolia..japurensis Rich.

A. 1997). sendo a maioria árvores. C. Rapania e Cybianthus. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. . Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus.15 Primulales medicinais L. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. nos quais se distribuem 1. Theophrastaceae e Myrsinaceae. arbustos e lianas. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Di Stasi C. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. ainda não identificada completamente. Nessa família ocorrem 33 gêneros.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. descrita por Robert Brown.

Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. diclamídeas. flores e frutos. . reunidas em inflorescências axilares. flores pequenas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. dispostas em racemos.1).Espécies medicinais Cybianthus sp. ovário supero. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. androceu com cinco estames opostos às pétalas. actinomorfas. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". inteiras. ramos. e anthos = "flor". folhas alternas. curtas. Não foram encontrados sinônimos para ela. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. sem estipulas.

1 .FIGURA 15.Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .

C. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. essas espécies não foram referidas como medicinais. Para a espécie Nasturtium officinale. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. além de seu consumo como condimento. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. A. Hiruma-Lima L. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local.16 Capparidales medicinais C. anemia e distúrbios da tireóide. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. . enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. no entanto. gripes e bronquites. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. Na região amazônica.

no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. que atinge até 1. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. tem valor medicinal na região amazônica.5 m de altura. raramente são descritas lianas (Barrozo. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. inflorescências terminais bastante vistosas. e a espécie Cleome latifolia. Os principais gêneros são Cleome. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. descrita a seguir. com seus representantes incluindo ervas. 1978). com muitas flores rosas e bonitas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1997).Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. arbustos ou pequenas árvores. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). que justifi- . Capparia e Maerua.

3. o ácido cleomaldéico (Jente et al.. kaempferol. Das sementes de C. os flavonóides artemetina (0. 1986). a isoramnetina 3. 1996).. 1997b). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1988) e um diterpeno macrocíclico.. De C.0075%). Várias espécies desse gênero.. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.. 1997) e glicinebetaína. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al.. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. viscosa apresentou um . a diacetoxibraquiicarpona. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas...0013%). bonanzina (0.. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 1990). 1997) e triterpenos (Harraz et al.7-di-O-ramnosídeo (0. 1997). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. e das partes aéreas de C.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. kaempferitrina (0. 1990).. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al.0025%). De C. 1987). um flavonol.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.cam seu uso como ornamental. O extrato metanólico da planta toda de C. um trinortriterpenóide dilactona. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.. 1990). são cultivadas e usadas como ornamentais. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. 1995). incluindo a Cleome latifolia.06%) (El-Din et al. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo.

Lemos et al..6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. viscosa (Samy et al. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. 1996). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 2000) e C. .. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp.. A espécie C. 1999). A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. 1996).. 1999).. 1993. De C. Chrysantha (Hashem & Wahba... popularmente conhecido como Mussambé.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. C.. 1995b). 1970). além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. 1995). 1992).. gynandropsis Samy et al.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. C. Di Stasi C. No entanto. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. 1978).17 Rosales medicinais L. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. com inúmeras espécies medicinais. Pittosporaceae. a qual descrevemos a seguir. . Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. e de Rosaceae. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Na região amazônica. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. a qual foi identificada apenas até o gênero. A. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Crassulaceae. espécies dos gêneros Spiraea. Rubus e Prunus. Saxifragaceae.

1). O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. fruto do tipo drupa. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. flores pequenas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. corola com cinco pétalas. inteiras.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. peninérveas. muitas delas usadas para a produção de carvão. zigomorfas. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. Chrysobalanus e Hirtella. onde ocorrem 120 espécies. Espécies medicinais Hirtella sp. segundo Barrozo (1978). com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. cíclicas. alternas. Os principais gêneros dessa família são Licania. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. . sépalas e pétalas livres. incluindo árvores e herbáceas. cálice gamossépalo com cinco lacínios. estipuladas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. diclamídias. ovário unilocular. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. folhas simples. referindo-se ao tipo de pilosidade. com cerca de 460 espécies tropicais.

que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. ou frutíferas. Potentila.825 espécies subcosmopolitas. também se utiliza o chá contra reumatismo. compreende 95 gêneros. Agrimonia e Fragaria. e • Prunoideae. ralada. entre outros. • Maloideae. • Rosoideae. a maioria nos gêneros Prunus. como a . arbustos e ervas (Mabberley. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. primeira substância a ser comercializada como medicamento. com destaque para o gênero Spiraea. é utilizada como afrodisíaco. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. Normalmente são árvores de pequeno porte. e raiz bifurcada para as mulheres. No Brasil há poucas espécies. Rubus e Quijala. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. da qual foi isolado o ácido salicílico. do gênero Frunus. como é o caso das espécies do gênero Rosa. da histórica Spiraea ulmaria. no que se refere à farmacologia. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. que inclui. encontradas em climas temperados. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. com aproximadamente 1. os gêneros Crataegus e Malus. 1997). com destaque para os gêneros Rubus. a famosa aspirina. toxicologia e química. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens.

dispostas em fascículos do tipo umbela. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. O nome do gênero corresponde a "ameixa". Cereja.Maçã (Malus). em latim. lanceoladas. pendente. comestível e saboroso. carnoso. doce e com uma única semente. Groselha e Moranguinho (Rubus). 1998). solitárias e/ou geminadas. Morango (Fragaria). que existe em grande número. especialmente de cabeça. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. e contra diarréias. a decocção das folhas é usada contra dores. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. com folhas alternas. ásperas. Espécies medicinais Prunus domestica L. Ameixa. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. flores vistosas brancas. Damasco. Marmelo (Cydonia). . Pêra (Pirus). e a infusão dos frutos. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. fruto do tipo drupa. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. dependendo da variedade. de margem serrada. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Pêssego. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. assim como em várias regiões do país. Nomes populares Na Mata Atlântica. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies.

. 2000).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2001).Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. 2001).. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.1 . O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. Nakatani et al.Sapuntzakis et al. 2001).. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2002. FIGURA 17.. 1978) (Banco de imagens • .

lianas e ervas. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Hiruma-Lima A. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. arbustos. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. Guimarães C.18 Fabales medicinais L. 1997). R. M. incluindo árvores. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. C. . M. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. ornamentais. Compreende três subfamílias. A. medicinais. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. Di Stasi E. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. Santos C. dependendo do arranjo sistemático adotado. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. M.

No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). . bonducella. C. as quais descrevemos a seguir. pulcherrima. sapan e C. C. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. • Cercideae. das quais se destacam as espécies C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. • Cassieae. Caesalpinia pulcherrima. angustifolia e C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. a saber: Caesalpinia férrea. que inclui os gêneros Cássia. dentre as quais C. J. C. Dialium e Senna. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. que inclui o gênero Bauhinia. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. todos contendo várias espécies de valor medicinal. senna. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. 1997). pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. • Detarieae. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Cassia multijuga. que inclui o gênero Copaifera. bonduc. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. Cassia occidentalis. que inclui o gênero Caesalpinia. Dalwits. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. occidentalis.

Mororó. folhas glabras. heliófita. usada para produção de carvão e caixotes. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. Pata-de-boi e Unha-de-boi. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. algumas arbóreas e outras lianas. . dadas as características morfológicas de suas folhas. assim como em quase todo o Brasil.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. Por ser de rápido crescimento. É uma planta decídua. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. com grande abundância na Mata Atlântica. raramente dentro das florestas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.1). sempre com acúleos e seus dois ápices. A espécie fornece madeira leve. bastante espinhosa. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. tronco tortuoso ou ereto. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. É amplamente utilizada como ornamental. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. vistosas (Figura 18. onde ocorre em áreas úmidas. flores intensamente brancas.

com tronco liso e cerne duro.Caesalpinia ferrea Mart. podendo chegar a 15 m de altura. aquecido até formar um xarope. ferrea var. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. Suas folhas. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. Imirá-itá.2). além dos nomes indígenas Ibirá-obi. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. Jucá. folhas de manga. na região amazônica. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. especialmente de ruas e avenidas. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. quase reto (Figura 18. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. é utilizado contra asma e bronquite. Muirá-obi e Muiré-itá. fruto levemente estipitado. flores diclamídeas. leiostachya. após aquecimento. botânico italiano. São muito comuns duas variedades: a C. ao passo que o preparado de casca de jucá. além de ser empregado como fortificante para crianças. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. ultrapassando o cálice gamossépalo. ferrea e a C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. dez estames. casca de jatobá. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. ferrea var. açúcar e água. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. Dados botânicos Arvore de grande porte. ovalados ou obovais. Nomes populares A espécie é denominada. além de largamente empregada como espécie ornamental. hermafroditas. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. é utilizado como . séssil. na forma de decocto. A espécie é heliófita. folhas bipinadas com folíolos oblongos.

internamente. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos.) Sw. Flor-do-paraíso. com folíolos ovado-oblongos. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. a decocção das raízes é usada como antitérmico. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. pois floresce quase ininterruptamente. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Considerada de origem antilhana. também é chamada de Flor-de-pavão. Espécie muito usada como ornamental. especialmente bronquites. 1984). No Piauí. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. flores grandes e vistosas. sobretudo como cerca viva. bipinadas. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Chagueira ou Barba-de-barata. 1984). Caesalpinia pulcherrima (L. e em Alagoas. glabros. Baio-deestudante. asma e como cicatrizante (Campêlo. A vagem crua é útil contra tosse. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. contra tosse crônica. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. 1982). Em outras localidades do país. 1982). resfriados e tosses. folhas compostas. com até 10 cm de comprimento. na região.anticatarral. Nomes populares A espécie é denominada. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. além do uso comum contra gripes. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. inflamações do fígado e baço. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. .

em doses elevadas. sendo uma planta decídua no inverno. O nome do gênero Cassia. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. estipuladas. abortiva. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. A espécie ocorre em todo o Brasil. folhas pinadas. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. casca lisa e cinzenta. as folhas e flores são usadas como tônicos. Segundo Corrêa (1984). heliófita e pioneira. o fruto é do tipo vagem reta. dado à falsa canela. obtusos no ápice e com base irregular. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. odontálgicos. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. amarga.como emenagogo e abortivo e. atingindo até 10 m de altura. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. febrífugos. purgativos. brinquedos. Cassia multijuga Rich. lenha e carvão. externamente. deriva do grego Kasia. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia.3). com rara ocorrência dentro de florestas. pela beleza da planta na época de floração. além de ornamental. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Em outros locais do país. largo e achatado (Figura 18. excitantes. quando em grandes doses. a raiz é acre. a casca é considerada emenagoga e. . febre e como purgativo. tendo propriedades tônicas. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. descrito também por Carl Linnaeus. febrífugas e venenosas. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves.

Cassia occidentalis L. Manjerioba. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Na região da Mata Atlântica. Tararucu.4). Mata-pasto. dispostas. racemos axilares. Ibixuma. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. curto-peciolados. no Piauí a infusão do caule. Segundo Emperaire (1982). estipulada e com glândulas na base. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. amarelas. laxativo. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. no Brasil é espontânea nas pastagens. Lava-prados. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. beiras de estradas e próximo a culturas. resfriado e diarréia (Grandi et . Lava-pratos. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. achatados. Majerioba. flores grandes. diurético e colagogo (Gavilanes et al. folhas alternas. infecções gerais. ramos quase cilíndricos. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. paripenadas com ráquis comprida. gineceu com ovário piloso. gripes. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. é indicada popularmente como antitérmico. Outras denominações são Folha-de-pajé. verde-escuros em ambas as faces. Rioba. febre. Maioba.. Em Minas Gerais. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. assim como em outras regiões do país. com caule lenhoso na base. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. frutos do tipo vagem glabra. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Mamangá.

doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. na asma. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. No Rio Grande do Sul. as sementes. na forma de cataplasma. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. purgativo. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. mas também são utilizadas contra tuberculose. Além disso. 1988). 1990). febrífugo. as raízes são consideradas diuréticas. 1979). e para constipações em bebês (Gupta et al. reumatismo. são utilizadas contra asma. A espécie C. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. internamente. como antiinflamatório e. 1985). anemia.. as raízes são consideradas um tônico. inflamações nos olhos. . como Mata-olho. nos desarranjos menstruais. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. tinha e hemorróidas. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. estômago. é utilizada contra doenças do fígado. malária. como vermífugo (Nagaraju et al. sudorífico. erisipela e tuberculose. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. emenagogo. problemas hepáticos. rins e bexiga (Simões et al. 1986). reumatismo. No Brasil. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. Em outras localidades do país. desordens do trato urinário. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. preparadas como o café. 1982). Na Amazônia peruana. doenças venéreas. Cassia reticulata Willd. Na Índia. 1994).. No Panamá.. diurético. mordida de escorpião. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. 1970). e a infusão das flores contra bronquite (Rutter.. febrífugo e diurético. a raiz triturada é utilizada para epilepsia.al.. No Peru. 1990). oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. dores menstruais e uterinas.

1994). base assimétrica. ápices acuminados. entre outros. alternas e pilosas. Nomes populares No Vale do Ribeira. Hymenaea courbaryl L. negras. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com casca dura. Jatobá-de-porco. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. dispostas em cimeiras terminais. tronco ereto e ramos glabros. Olhode-boi. Jatobazeiro. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. com 6 a 15 cm de comprimento. folhas compostas. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. marrom. Jutaí-peba. flores brancas vistosas. farinhento e comestível. Jutaí-do-campo. Abati-tambaí. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. Jatai. Jutaí-açu. Jatobá-de-anta. como antitérmico e diurético. fruto doce. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. nome dado à planta em quase todo o Brasil. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. lisos. a espécie é conhecida como Jatobá. Também é chamada de Jatobá-mirim. com até .Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jutaí. Algarobo. os frutos são vagens delgadas. Jatobá-roxo. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. Jutaí-café. brilhante.

2001. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. estimulando a digestão e fortificando o organismo. especialmente em crianças.. o deus da união. ferrea forneceu sitosterol. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Yadava & Tripathi. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. enquanto o xarope da casca do caule. com florescimento entre outubro e dezembro.forticata (da Silva et al. em alusão aos dois folíolos. além do uso contra bronquite. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. enquanto a madeira é usada na construção civil. O nome do gênero deriva do grego hymen. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. vermífugo. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. ácidos palmítico e octacosanóico. ácidos . a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. sendo usada na arborização de parques e jardins. É uma espécie semidecídua. sedativo e peitoral. é eficaz contra tosses. 2000) e os flavonóides kaempferol.15 cm de comprimento. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. e a seiva é excelente tônico para crianças. 2000).. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. microstachya (Meyre-Silva et al. Caesalpinia O extrato benzênico de C.

. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. bonducelpina A.5-trihidroxibenzóico (Rao et al. Foram isolados os flavonóides: rutina. beta-amirina. 3'-deoxisapanoI. 1997). pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. 1978). pulcherimina. alfa-amirina.9.. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra..4.. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. C e D (Patil et al. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1983). e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 3'-0-metilepisappanol. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. 1996).4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1997b). 3'-0-metilsappanol.. leucodelfinidina. 4. episapanol. sapanona B. bondenolídeo.. beta-sitosterol. 4-O-metilepisapanol. 2002). 1986. ácido 3. .gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1997). lupeol. 1983). Peter et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra. 1978).. 1997a). Kim et al. B.. protosapina (Namikoshi et al. 1973). 3'-0-metilbrazilin. taraxerol (Yadava & Nigam. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 1987e). cianina. Da madeira de C. miricetina. 1987).... 8metoxibonducelina.14-didehidro-5a-vouacapenol. 8metoxibonducelina. 1977). 1997).6-dimetoxi-l.4benzoquinona (McPherson et al. 1977). bonducelina. brazilina (Namikoshi et al... cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds.ll. 7p-vouacapenediol. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1978) e 2. 6p-cinamoiloxi5a. 1987a). Das sementes de C. B. 4-O-metilsapanol. 1997). ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1987b. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al.. lup-20(29)-en-3beta-ol. quercetina. 1987c).. 1985). quercetina (Rao et al. De diferentes partes de C. 8... ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden.. sapanol. 1987) e pulcherriminas A. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.. sappan foram isolados octacosanol. 1954). Das cascas e raízes de C. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. C e D (Peter et al.

sappan (Saitoh et al. C. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1983). 1987a). taninos. Na espécie C. 1977). 1994). crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al.8-di-hidroxiantraquinona (Costa.. 1977. sitosterol. sappan (Nigan et al. glicosídeos (Singh. cacalaco e C. isoflavanóides de C. platyloba. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al.. M. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. 1981). digyna (Mahato et al. sapanol. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. S. isolaram-se 1. 1985). glicosídeos cardiotônicos. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 1986). caladenia e C.. 1996) e de C.. Namikoshi et al.. Dos frutos de C. 3-deoxisapanchalcona. reticulata. 1985)... vários compostos aromáticos de C.Das raízes de C. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. B e C (Namikoshi et al.. sitosterona. 1987. glicosídeos de C. Cassia Da espécie C. Do Fedegoso. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. Fuke et al. 1987d). (Kitagawa et al. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima... spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. 1996). 1982). major foram isoladas caesaldekarinas A-E.. 1977). M. japonica (Namikoshi et al. sappan (Namikoshi & Tamotsu. buteína. et al. brasilina e protosapaninas A. 4-O-metilsapanol. isoliquiritigenina. saponinas. sapanonas a e b. além de xantonas (Wader & Kudav. dicopetala (Chowdhury et al. pumila foi analisada. C.. 4-O-metilepisapanol.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. C. Das sementes de C.. Da madeira de C. a espécie C. 1987f). occidentalis. . Kitanaka et al. hintoni (Contreras et al. 1986. 1995). sapachalcona. Foram isolados alcalóides de C. episapanol. 1997). ácidos linoléico e palmítico de C. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1988). 1996). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina...

crisofanol. alfa. 1978). De C. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. 1986). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou.. 1988a). ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). Telange et al. Das sementes de C. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas.. 1977) e os ácidos cáprico. De C. questina. roxburguina.e beta-amirina... ácidos monoenóico. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma.. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. roxburguina (Ashok & Sarma. esteárico e oléico (Alencar et al...8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. Das sementes de C. J. J. 1986. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1988b). além de flavonas (Guptaetal. mirístico. 1989). bis (tetrahidro) antraceno. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. Foram isolados das sementes de C. 1990). carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. 1987). 1996). Das superfícies das folhas de C. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. roxburguinol e um novo estilbeno. 1989). dienóico e trienóico (Zaka et al. 1987). 1987.7-dihidroxi-3metilxantona. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al.. 1982) e das raízes (Singh & Singh. palmítico. 1987). De C. occidentalol-2. 1989a). triglicerídeos (Zaka et al. 1985). . emodina. l. & Singh. 1986). occidentalis foram isolados pinselina. crisofanol. germicrisona. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. occidentalol-1. Das folhas de C.1987. Da raiz de C. pinselina.. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1985). 1979). Singh.. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.. 1990). 1987). occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.

além da presença de beta-sitosterol. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. 1985). flavonóides (Wassel & Baghdadi. esteárico. obtusifolina e estigmasterol. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1990). crisoobtusina. oléico. 1979). flavonas. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al.. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. 1984). oléico e linoléico.. glicosídeos. 1986. estigmasterol.Das raízes de C. m-cresol. 1987. 1988). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. antraquinonas (Zhang et al.. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. o aminoácido histidina (Zhang et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. 1986). 1978). O perfil fitoquímico de C.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1988). Nas sementes de C. flavonóides (Crawford et al. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. linoléico... 1997). beta-sitosterol e l. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. De C. obtusofolina. 1988).. 1986). Asamizu et al. 1977). agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1989)... 1986). 1989). De C. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. o senosídeo é o principal desses derivados. Ishidaet al. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. angustifolia não difere muito do de C. além de ácido palmítico. e das folhas. fisciona. De C. emodina. Metil palmitato e metil oleato. De C. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1987).. . colesterol. ácido crisofânico. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. 1989). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1986). 1990). succínico e tartárico (Matsuura et al. .. obtusina...estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. aurantioobtusina.. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. 1988). questina. obtusifolia foram também isolados obtusina. De C. 1980) e os ácidos palmítico. De C... uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. polissacarídeos (Khare et al. malválico.

1978). 1987b. Das raízes de C. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1977). As cascas do caule de C. beta-amirina. Do óleo das sementes de C. O extrato das folhas de C. ácido behênico. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras... 1990).. . ácido glutâmico e aspártico. 1989a). De C. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. fistula e das cascas de C. Das vagens de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de .. proteínas brutas. malválico.. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. linoléico... fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. treonina e leucina). fistula e C. De C. 1981). Das folhas de C. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. 1990). 1987b). Chowdhury et al. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. arginina. behenato de beta-sitosterol.De C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. O óleo da semente de C.. De C. De C. 1987). javanica apresenta nonacosano. 1990).. 1988). singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1988).javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. 1978).. triptofano.. Das sementes de C. fistula (Cano Asseleih et al. carboidratos.senosídeos das folhas de vagens de C. Das cascas do caule de C. 1988) e antraquinonas (. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. renigera possui ácidos vernólico... 1988). triacontano. butirospermona. araquidato de beta-sitosterol. reina. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. esteárico. oléico. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. emodina. palmitato de beta-sitosterol.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. 1990). glauca foram isolados os ácidos palmítico. palmitato.. flavonóides (Srivastava & Gupta. 1990). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. aminoácidos (lisina. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1991). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1990a). 1987). ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al.. 1988).Ahuja et al.

.. sericea (Muralikrishna et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. Cassia laevigata (Singh. De C. Das flores de C. De C. emodina.. mirístico. C... De C. 1986 e 1987). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 1990). 1988).. 2-methoxistipandrona.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. A composição dos ácidos graxos de C. C. ácido quelidônico. semicordata foram isolados compostos do tipo 1.. 1989) e nas sementes de C. 1985). Das sementes de C. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1978). fisciona. falacinol e uracila (El-Sayyad et al.. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. 1988).. oléico. 1977). 1988). Das raízes de C... fastuosa foram isolados os glicosídeos. linoléico. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. javanica (Singh & Jindal. 1988)... 1987). C. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1986.. 1977). spectabilis foram isolados antraquinonas. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. Das folhas de C. pumila foram isolados tetratriacontanol. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. marginata (Kumar et al. Sen et al. De C.. 1997). Cassia javanica (Azero et al. emodina e rheina) (Krambeck et al.. 1985). palmitoléico. 1988). além de alcalóides (Christofidis et al. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. palmítico. 1987). 1989). De C.Das partes aéreas de C. estérico. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. linolênico. R. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1987. (Baba et al. araquídico e behênico (Khalid et al. 1989). 1986). siamea (Khan et al.. 1987). B.. .

Extratos de C. 3- .. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. 1991). antiinflamatória (Carvalho. 1988). 1990) Lima. 1995. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C.. C. 1998).. Estudos mais recentes têm apontado C. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. Os inibidores da aldose reductase. 2000. candicans (Pepato et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. tarapotensis (Braca et al.. E. 1987).....forficata e B. 1996. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 2002a e 2002b). 1985). contêm caesalpina P. 2000). analgésica (Carvalho. 1999).. 2001) e antimolarial de B. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. et al.. 1991).. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. Bacchi & Sertié. leiostachya (Moura et al. 1995.. J.. guianensis (Kittakoop et al.. O uso crônico de B. O. et al. 1994. Amaral et al. 1977). T. malabarica e B.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.. anticoagulante (Milagres et al. 1998)... crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. 1997).. O. antimicrobiana (Cebalhos et al. Rossi-Ferreira et al. Lopes et al. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. 1986). ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. et al. 1976) e proteínas de C. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson.. antiedematogênica. A espécie C. J. Lemus et al. Munoz et al. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. C. sapanchalcona.. 2001.. 1996). et al. De C. Nakamura et al. 1986). 2002. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos..

de relaxamento do músculo liso.. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. 1976) e. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. Cassia Nas folhas de C. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al.. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos.. 1996).. 1993. 2001). de estimulante uterino (Saraf et al. 1994.. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. Sama et al.deoxisapanona. 1987).. antiparasitária. O extrato metanólico de C. . 1996)... A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. Hussain et al. 1992. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. vasoconstritora. 1997). antibacteriana. 1997). que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. A brasilina isolada de C. Schmeda-Hirschmann et al. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. in vitro. 1991. hepatoprotetor (Jafri et al. antifúngica. 1999). sappan como ingredientes ativos (Morota et al.. antimalária (Gasquet et al. Feng et al.. 1989). 1987. hipotensiva.. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. De C. 1978. 1985).. 1962). Caceres et al.. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al.... inibitória da hemólise.. protosapanina A. Sadique et al. 1995a). antiviral contra hepatite B (Patney et al.

fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al.4. 1988 e 1989). O extrato das folhas de C. 1988).. De C.. 1991). ADP e colágeno (Yun-Choi et al. Os resultados finais indicaram que tanto C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. O extrato a 10% das folhas de C. Estudos com as sementes de C.. As folhas de C. acutifolia como controle positivo. As antraquinonas de C.. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. 1990). glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1985). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. espasmolítica com subs- . alata quanto C. 1986). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. As sementes de C. pudibunda (Cavalcanti et al. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. 1991). garrettiana foi isolada a 3. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. garrettiana (Inamori et al. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika.. 1986a). 1990. Nas sementes de C..5'-tetrahidroxistilbene.. obtusifolia (Kitanaka & Takido. acutifolia. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1988) e C. utilizando as folhas de C. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. 1990). Crawford et al. 1989).. 1990)... que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. 1984). tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.Das sementes de C. e C. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. C.pudibunda (Cavalcanti et al.3'.. citotóxica com extratos de C. A fração polissacarídica de C. 1979) e C.. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1989). lugustrina (Abhaham et al. 1989).

enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. Colvin et al. 1984).. angustifolia (Nakajima et al. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. antitumoral com extratos de C. em muitos países. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso.. A espécie C. dispnéia.. caracterizado por náuseas. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. pumila (Fatawi et al. 1979). C. Salienta-se que a espécie C. quinquangulata (Ogura et al. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. . acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman... vômitos. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão.. diarréia. fistula (Babbar et al. 1977) e antivirótica com extratos de C. ferrea. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. roenwilana (Rowe et al.. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. 1985). 1979). ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. 1986. cólicas abdominais e diarréia. na forma fresca. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. Seu consumo indiscriminado é perigoso. que apresentaram um quadro de ataxia. em geral. fistula (Bhardwaj & Mathur. O gênero Cassia produz.. A administração de folhas de C. amplamente utilizada pela população. 1986)..tâncias isoladas de C. 1979) e C. como substituta do café. 1998). além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. cansaço e dores. seca e/ou torrada. apatia. anemia. 1987). purgativa dos glicosídeos de C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos.. 1986b). 1985). Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. 1991). especialmente por crianças. cavalos e cabras.

Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Cymbosena. Crotalarieae: Crotalaria. Canavalia. Dalbergieae: Dalbergia e Andira.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Vicieae: Vicia e Pisum. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Robinieae: Sesbania e Robinia. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Trifolieae: Medicago. Nos estudos realizados na região amazônica e . onde se encontram plantas (Barrozo. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Myrocarpus e Ormosia. Millettieae: Tephrosia. Derris e Lonchocarpus. Cajanus. Psoraleae: Psoralea. Desmodieae: Desmodium. 1978). Diplotropis. Genisteae: Lupinus. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Dioclea e Mucuna. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Dypteryxeae: Dypteryx. Abreae: Abrus. Sophoreae: Sophora. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Indigofereae: Indigofera. um importante produto alimentar no Brasil —. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias.

dores de barriga e diarréia e a infusão. A espécie possui um grande valor econômico. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de onde partem folhas pecioladas. com ampla utilização em diversos países. pinadas. oblongos. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Feijão-de-árvore. sendo ainda forrageira. gripes. com ramos angulosos. Andu. Espécies medicinais Cajanus cf. 1984). Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. fruto do tipo vagem linear.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. comprimida. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Ervilhade-angola. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. podendo atingir 3 m de altura. flores vistosas. mas há divergências quanto a essa classificação. Cuandu. as quais são descritas a seguir. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. compostas de três folíolos aveludados. Erva-do-congo. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. dispostas em pedúnculos axilares. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. contra constipação nasal. na Mata Atlântica. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. . Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. Guandu ou Feijão-guandu.

Dados botânicos A planta é uma enorme liana. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. oblongos. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". menos freqüentemente. fruto do tipo legume falcado. 1997). a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. descrito por João de Loureiro. por arbustos ou árvores. referindo-se ao legume. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. significa "pele dura". Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. em forma de bote. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. e foi descrito por George Benthan. O nome do gênero Derris. . reunidas em fascículos. pediceladas. Nomes populares A espécie é chamada. flores rosas. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. na Mata Atlântica.Cymbosema roseana Bent. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. flores rosas. de Flor-da-terra. acuminados e glabros. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. com ramos tomentosos.

Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. ereto e com raiz bastante lenhosa. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. didamídea. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. flores fortemente zigomorfas. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. com uma grande pétala superior. fruto do tipo legume linear. Trevo-da-flórida. Desmodium tortuossum (Sw. hermafrodita. trifoliadas e . com folíolos articulados na base. folhas alternas. coriáceo. Dados botânicos Erva de pequeno porte. compostas. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. com cálice gamossépalo. sementes sem endosperma (Figura 18. cilíndrica. corola dialipétala. folhas pecioladas. revestida de pêlos curtos. a prefloração da corola é imbricada descendente. Outros nomes populares são Amores-do-campo.) DC. pentâmera. externa.5). Derris floribunda Bth.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras.

pinadas e folíolos glabros. flor com estandarte longo. Cutiúba. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Dados da medicina tradicional A semente ralada. O nome do gênero significa "feixe". é aplicada topicamente para tratamento de impingem. todas conhecidas como Sucupira. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa.6). fruto do tipo vagem. Outros nomes comuns são Favinha. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Sapupira-da-mata. coriáceos. Sebipira. plano. Diplotropis purpurea (Rich. Paricarana. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. referindo-se à disposição das flores. Sucupira-da-terra-firme. tendo um apêndice na base. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Sicupira. . O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. pequenas. misturada com enxofre. indeiscente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cutiubeira. com ampla distribuição no Brasil e no México.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. O nome Diplotropis significa "duas carenas". reunidas em racemos. com folhas compostas. Sapupira-preta. Sapupira. fruto do tipo legume. com sementes pretas e duras (Figura 18. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Sapupira-da-várzea. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica.

A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. referindo-se ao cálice. quando maduros e secos. que. aromáticas. 1991). frutos em forma de vagem drupácea. pecioladas. Cumaru-amarelo. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. alternas. compostas. flores vermelhas. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. grosso. de cor verde-amarelada. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. charutos. cigarros. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira.) Willd. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte.Dipteryx odorata (Aubl. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. na região amazônica. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. O nome do gênero significa "duas asas". Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. Imburana-de-cheiro. Imburana. . produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. dispostas em panículas pubescentes. Umburana e Kumbaru. alimentos e uísque. Cumaruzeiro. se fendem liberando a semente roxo-escura. além da famosa fava de cumaru. imparipinadas. Cumar-do-amazonas. quando passados sobre as costelas. doces. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. e na produção de perfumes. caule reto. podendo atingir até 35 m de altura. folhas grandes. de Cumaru. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. Nomes populares A espécie é chamada. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". servem para tratar a pneumonia. de pequena espessura.

1991). essa espécie é utilizada como anticoagulante. cardiotônico. diaforético. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. para aliviar dores de garganta e. grosso. imparipinadas. pela presença de Cumarina. contendo casca de pequena espessura. compostas de sete a nove folíolos. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. emenagogo. para banhos fortificantes de crianças. como reconstituinte das forças orgânicas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. com semente oleosa e aromática. e os palikur. antitussígeno. contra contusão e reumatismo. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. podendo atingir até 3 m de altura. contra qualquer inflamação. Em outros lugares. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. folhas grandes. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. febrífugo. caule ereto. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. narcótico e estimulante. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. antidispéptico. antiespasmódico. pecioladas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. . internamente.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. emenagogas e cardíacas. frutos em forma de vagem verde. diaforéticas. dispostas em panículas pubescentes. aromáticas. alternas. diaforético. flores vermelhas.

O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". para fabricação de carroças. de ocorrência na América do Sul. possui aroma balsâmico. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. indicadas nas lesões do sistema respiratório. Bálsamo e Pau-de-óleo. Nomes populares A espécie é chamada. a mais estudada é a D. compostos 5-9 folioladas. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. de Cabreúva. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. A madeira. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Outros nomes são Cabruê. com casca rugosa no caule. sendo muito usada na indústria de cosméticos. sendo ainda expectorante peitoral. portas e janelas de luxo. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. urucu.Myrocarpus frondosus Aliem. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões.. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. Pau-bálsamo. assim como a casca. tinturas e perfumaria. 1974). A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. outros compostos . Óleo-pardo.

crisantemina e cianina (Matinod et al. canarensis (Evans et al. os flavonóides. D. incanum DC. As espécies D. 1977). Lin & Kuo.. Foram isolados alcalóides de D. N. 1961. Kimetal. 1985) e D. proteínas. 1962)... heterocarpon e D.) DC. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol... 1986. Desmodium De D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. Do caule de D. 1988).. 1986). 1978). Flavonóides também foram isolados em D. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. aparines (Link. 1995b).. 1994). De D.) DC.. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. 1996). em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. lipídios. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. Das raízes de D. foram isolados os flavonóides desmodina. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. 1978. Nakatu et al... 1954). et al. B e C). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al.. E em D. reticulata. D. senegalenseína. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. obtusa (Nascimento et al. e das raízes de D. Nascimento & Mors. spruceana. 1978). 1989). laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. araripensis (Nascimento et al. Bell et al. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. Em D. 1978).... do seu caule e de suas folhas.. 1994). D. spruceana (Garcia et al.. benthmii (Fellows et al. D. adhaesivum Schldl. Rao M.. 1995b) e D. 1976) e D. glutinosum. oblonga e D. amoena.. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds.8-difenileriodictiol... 1977). 1997).. Da espécie D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. enquanto de D. epoxilupinifolina e dereticulatina. ou D. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. D. 1993. 1997). 1991. canadense (L. também denominada D. 1976. lupinifolina e laxiflorina. 1989). foram isolados.. D. . tortuosum. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. laxiflora Lin et al. hiravanona.rotenóides (Braz Filho et al.. homoadonivenita (Batyuk et al. 1973b) e saponina (Parente & Mors. frutescens. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal.

ario-inositol e betapinitol. 1963). cinereum (Kunth) DC. N-N-dimetil-3. salsolidina. intortum) possui carboidratos. gangetina. 1971). 1-octacosanol. leptocladina. além de canavanina (Beveridge et al. salsolina. 1964) foram todos isolados de D. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. Em suas raízes foram isolados abrina. Purushothaman et al. difisolina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. 1962. desmodina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. betaína. cinarascens A. 1984. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. também denominada D.. beta-carbolina. Em D.4-dimetoxifenetilamina. ácido octacosanóico. os flavonóides desmodol (Ueno et al. 1972). elegans DC. normacromerina. 1978). possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. Don. Bell et al. Nakatu et al. foram isolados mangiferina. caudatum (Thunb. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick..) DC. N. os alcalóides candicina.4-dimetoxifenetilamina. hordenina. Nmetiltiramina.Os alcalóides bufotenina. 3. isoquercitrina. 1975). 1977.. 1972. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. desmocarpina. 1983).N-dimetiltriptamina.. e de D. bufotenina N-óxido. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki... genisteína. gangetinina. A espécie D. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. 1969. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. gangeticum (L. galactopinitol A. hipoforina. hordenina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. tiliafolium G.) DC.. O D. também muito usado medicinalmente. os flavonóides hiperina. . O-metilbufotenina.. 1973). Purushothaman et al. 2-feniletilamina. Ghosal & Bhattacharya. De D. possui os flavonóides dalbergioidina. kaempferol e quercetina. hipoforina e os alcalóides.

lupeol.. isovitexina. De D. 1989).. De D. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi.. 1989). Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. ovalifolium (Giner-Chavez et al. 1962).. De D. Sreenivasan & Sankarasubramanin. e de D. formononetina. Anjaneyulu et al. e os alcalóides colina.. ácido indol-3-acético.N-dimetiltriptamina N-óxido. feniletilamina. e de D.. estigmasterol. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. vitexina. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. multiflorum. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. racemosum. o terpenóide lupeol.. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1986... 1965). estigmasterol. foram isolados os flavonóides apigenina. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. 1995). Kubo et al. Bell et al. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. Amor-de-velho-comum. kaempferol.. De D.. 1997). 1982. 1989.. De Desmodium uncinatum (Jacq. vitexina e xilosilvitenina. compostos estes também isolados em D.. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. 7-hidroxiflavona.. ojeinese. nonacosanos. 1977. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. heptacosanol. 1971. pinitol e canavanina (Beveridge et al. homoferreirina. 1989). Perez-Maldonado & Norton.1995. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al.) DC. 1968). De D. 1961 e 1962. 1985). triflorum (L. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. 1978). laxiflorum foram isolados heptacosanos. os terpenóides beta-amirina. flavosativasídeo. triquetrum foram isolados friedelina. De D. Adinarayana & Syamasundar. 1965. . Kubo et al. De D. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1966). também denominado D. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. e de D sandwicense E. b-sitosterol. podocarpum.. 1984).. 1963a e 1963b. inositol. N. 1995). e os flavonóides isoliquiritigenina. Mukherjee et al. Ahluwalia et al.) DC. também conhecido com D. floribundum. tricosanol.. 1996).

lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1. ..1973a). 1982). De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.3epimetoxilupanina.

punctata (Gruenwald. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1995). De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. Togashi. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol.. além dos terpenóides betulina.. retusina). Nakano et al.... 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. cumarinas (Ehlers et al. 1994). odoratina.. além dos terpenóides betulina. 1991). 1981). lupenona e lupeol (Kaplan et al. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. punctata (Gruenwald. pois suas sementes são ricas em Cumarina. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. De diferentes partes de D. odoratina. 1966). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. flavonóides (dipterixina. Das sementes de D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1994). De D. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. isoflavonóides (Lourenço et al. 1995. . A espécie D.. 1994). 1952). alata foram determinados 40% de óleo. 1952).. flavonóides (dipterixina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1993).. odorata apresenta um grande valor comercial. Das sementes da espécie D. alata foram determinados 40% de óleo. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1996).. odoratina.Dipferyx De diferentes partes de D. odoratina. 2000. 1995). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. De D. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.

1998. 1997).. urucu e D... 2001).. 1996). sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al.. D.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. Aragão & Valle.. Datta & Bhattacharrya. nicou (Costa et al. 1997). O extrato etanólico de D. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. 1999. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. . Foi isolada das raízes de D... gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. 2001). foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. micou. também conhecido como Timbó. 1997).... 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al.. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. Derris sp e D. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. 2002). 1987). Das raízes de D. 1979). De D. De Derris sp. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. 1972).

O extrato de D.. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1999). D. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. 1997). De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A.. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. styracifolium. e os taninos isolados de D. Tolera & Said. 1987).... 1989). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. 1997). 1996. B e C. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. . Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. O extrato aquoso de D.A D. 1988). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite.. 1996).. 1988). O extrato de D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. De D. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. 1997).

Prosopis.. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. M. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. Zollernia e Acácia. doses elevadas podem causar náusea. 1993). 1996). Inga. urucum provoca irritação da pele. vômito. 1987).. Leucaena. Calliandra. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. et al. Mimosa. das sementes de D.. . Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Albizia. distribuídas em cinco tribos. muitos deles de valor medicinal. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins.950 espécies descritas. 1991). Y. 1998). Adenanthera.. das quais destacamos os gêneros Parkia.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al.

Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Moçataíba e Orelha-de-onça. . O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Ingá-grande e Jambolão. a espécie é chamada de Mocitaíba. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas.) Willd. pinadas. repletas de glândulas. com grande ocorrência na Amazônia. Em outras regiões do país. pecioladas. Nomes populares A espécie. na região da Mata Atlântica. Zollernia ilicifolia Vog. Laranjeira-do-mato. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). encontradas em áreas tropicais e temperadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). flores reunidas em espigas terminais. compostas por folíolos ovais. é chamada de Espinheira-santa. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura.

a antiga casa regente prussiana. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. parviflora foram isolados os constituintes 7. nobilis. I. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. I. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. incluindo dores. I. 1996). sertulifera. Foram isolados alcalóides das espécies I. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. flores rosadas (Figura 18.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. paterno (Morton et al. farmacológicos e toxicológicos.8-dimetilflavona (Correa et al. oerstediana e I. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. 1991). I. alba. bourgonii. 6. Maytenus ilicifolia). assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. I.4'trihidroxi-6.. . I. heterophylla.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona.oblongas.3'.3'4'-trihidroxiaurona e 7. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.7. I. longispica. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I.7).. 5. e o nome deriva de Hohenzollern. stipularis (Kraus & Reinbothe. I. 1973). laurina. semialata. com margens onduladas e providas de espinhos.

Reis).1 . b) detalhe das folhas (fotos originais por M. S.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. .FIGURA 18.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.FIGURA 18.2 .

FIGURA 18.3 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984). b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939).FIGURA 18. b) escanerata do ramo com flores e frutos.4 .Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

Derris floribunda.FIGURA 18.Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 18.Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .6 .

Zollemia ilicifolia.FIGURA 18. . Reis).7 . Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. S.

19 Myrtales medicinais L. Di Stasi C. a Punica granatum. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. C. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. A. 1978). arbustivas. da famosa Romã. 1997).950 espécies. e as duas famílias aqui descritas. assim come outras espécies de valor econômico. com inúmeros representantes no Brasil. Punicaceae. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . que incluem espécies medicinais. distribuídas nos 188 gêneros. que inclui o gênero Punica. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. São plantas herbáceas. Melastomataceae e Myrtaceae.

. flores pequenas. ereto e piloso. ou Pixirica. ambas pela indicação popular na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica. com folhas ovais e cordiformes. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. dispostas em cimeiras. 1998). Outro nome popular é Flor-de-quaresma. Microlicia. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. que descreveu inúmeras patologias em plantas. Miconia. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) DC. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. nervadas e pubescentes. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Huberia. essa espécie é chamada de Quaresma. Salpinga. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Neste estudo. na região amazônica.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. em outras regiões. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. roxo. brancas ou rosas. fruto do tipo baga.

Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Pseudocaryophyllus. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. bem representada na Austrália. de onde partem folhas de pecíolo longo. Leptospermum e Melaleuca. Eugenia. Eucalyptus. 1997) arbustivas e arbóreas. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. planas. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Os .. Syzygium. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole.620 espécies (Mabberley. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. e várias outras em climas temperados. oeste da Índia e América tropical. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Pimenta. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Psidium. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. 1990). No gênero são descritas quatorze espécies vegetais.

os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. são usadas no local. flores pequenas. dispostas em corimbos. Myrciaria Gabuticaba). Eugenia (Pitanga. 1998). várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. ácidos fenólicos e ésteres. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com folhas pecioladas. leucoantocianinas. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. rosas ou avermelhadas. além de óleos essenciais. 1996). para o alívio de dores de dentes. . comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. opostas. oblongas e glabras. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. cultivado ou adquirido no comércio. E uma espécie exótica. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. Araçá). as partes aéreas do Cravo-da-índia. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). fruto do tipo drupa. taninos. bastante aromáticas. No Brasil. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. especialmente as flores.constituintes dessa família incluem. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. congestão nasal e dores de cabeça. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Cereja-nacional. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia.

Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. para regulação do ciclo . enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. doenças da pele. morder". ovadolanceoladas. brancas e com numerosos estames. 1984). Araçá-goiaba. A infusão dos frutos. de sabor agradável. Na região da Mata Atlântica. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. internamente. esmagar. existem registros para a espécie como Goiabeira. Psidium. usada externamente. contra diarréias. é indicado contra diarréia. fervidos. referindo-se aos frutos. os brotos de goiaba e de caju.1). o chá das folhas novas. Araçáguaiaba. e. curto-pecioladas. fruto com baga amarela. significa "triturar. por outras. botões florais tomentosos ou glabros. diclamídeas. edema e. O nome do gênero. Provém de psidion. folhas opostas. com cálice membranoso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. no entanto. é útil contra hemorróidas. galhada. Araçá-guaçu. com caule tortuoso e casca lisa. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. que é a denominação em grego da planta. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. Guaiaba. actinomorfas. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Guaiava. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. flores hermafroditas.

em gargarejos contra afecções da boca e garganta. Duke & Vasquez. o chá da folha. 1980. igualmente usados como alimento. folhas opostas. fruto com baga amarela. de polpa abundante. é antidiarréico (Amorozo &Gély. o chá das folhas. diclamídeas. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. 1982. 1994). . e o decocto. flores hermafroditas. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. botões florais tomentosos ou glabros. Grandi & Siqueira. guineense Sw. As folhas de P.menstrual. misturado com folhas de salva-de-marajó. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. em Minas Gerais. 1992). as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. brancas e com numerosos estames. principalmente em diarréias infantis. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. como também os frutos.. 1984). Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. no Rio Grande do Sul. lavagens de úlceras. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al.. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. curto-pecioladas e glabras. anticolérica e antiúlcera. no Piauí. actinomorfas. 1987. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. Central. sendo facilmente confundida com esta. Grenand et al. guajava ainda são utilizadas na América Latina. 1988). com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. no Pará. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. com cálice membranoso. 1982). antileucorréica. indisposição estomacal e vertigem (Forero. misturado com folhas de pitanga. como estomáquico.. 1986). Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. Psydium cf. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. antidiarréica. 1982).

10 ácidos. 1987. 1982) e quercetina. 1996).1-dietoximetano. aldeídos. p-cimeno. 1996).. 1990. himacaleno. cetonas. acoradieno. p-menten-9-ol. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 1989. -bisaboleno.1-díetoxietano.. apresentou atividade depressora do SNC. -cubebeno. derivado de eugenol.. 1. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. Pino et al. 31 alcanos. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1996). bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. Wilson & Shaw. lignina. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. 1989. -cedreno... De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 1978). 1994).1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes.. açúcares. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. mirceno. 1987). 1968). Pino et al. dos quais 13 são aldeídos. 1981). vitaminas C e A. óxido de humuleno. 1. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1986. 1990. 1987). cremoflieno. humuleno. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 28 ésteres. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. Zheng et al. 122 componentes voláteis. 1991).. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. ésteres. 1987. Ortega & Pino. O dehidrodieugenol.. -terpineol.. Yusof & Mohamed. 1990). 1989. pectina. 17 cetonas.. 1996. Ortega & Pino. alcanos. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1994). e 95% são cariofileno (Latza et al. Chyau & Wu. 1968. Marcelin et al. -bergamoteno. borneol... t-cariofileno. denominados 1.. além de taninos (Misra & Seshadri.. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. -guaieno. Oliveros-Belardo et al. -santaleno. As diferenças quantitativas e qua- .

1986). 1986). 1979b. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al.... (1994) e Neri et al. polifenoloxidase (Augustin et al. Hegnaurer.. Chen & Yang (1983). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. d-galactose... ácido oleanólico (Mair et al. ácidos linoléico. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. 1974. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. O interior das cascas é rico em ésteres. Jain et al. 2002.. guaijaverina. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1987. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1996). Lima Filho et al. 1987). O extrato aquoso tam- .. óleo essencial (Ji et al. 1987). alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. palmítico. e Maruyama et al. 1991).litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. flavonóides.. Okuda et al. 1989)... 1987). 1987). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. Osman et al. 1981). 1978). A atividade antibacteriana das cascas de P. oléico e esteárico (Opute. Ácido elágico.

O óleo essencial de P. 1997.. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. (Santos et al.. 1996c. 1994... 1993. P.. Grover et al. 1989. e eugenol e timol de P. incanescens (Zelnik et al. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al.. 1989). 1996a). 1994). 1996a) de P. P. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo... 2002. guyanensis (Santos. A. widgrenianum (Souza et al. . PonceMacotela et al.. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. guyanensins. A. Meckes et al. 1990. 1999). et al. A. 1995).. Lutterdodt. anticonvulsivante (Santos. 1970). e antitumoral de P. A.. Lozoya et al.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. 1992.). A. pohlianum e Psidium sp... 1996b) e P. 1995.. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. 1995).. F. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. incanescens (Santos. 1994. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea.. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. Cáceres et al. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. F. Do extrato hexânico das folhas de P. O extrato de folhas de P. De P. et al. 1988) e tosse (Jaiay et al. propriedade anticatártica (Pinto et al. et al.. et al. 1993.. Lozoya et al. 1994. Morales et al. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. et al... 1998). Shimomura. Cheng et al. 1995). 1996). 1999).. guyanensis. 1994. 1994).. Santos et al. Das cascas de P. 2000. 1983).. F.. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. óxido e b-selineno). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. F. F. 1990. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al.. Lutterdodt et al. A quercetina isolada de P.. Lutterdodt. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. Cáceres et al.. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt.

FIGURA 19.1 .Psydium guajava. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .

. representa importante fonte de espécies medicinais. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. e Maytenus.G. C. Di Stasi L. e apenas uma delas. Os principais gêneros dessa família. Austroplenckia. com atividade antifertilidade masculina. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. N. ambos contendo espécies amplamente estudadas.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. gênero de grande valor medicinal. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. 1997). que possuem espécies medicinais. a família Celastraceae. Seito F .20 Celastrales medicinais L. são Celastrus e Trypterygium.

Erva.cancerosa. glabras. de Espinheira-santa.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. copa globosa e ramos glabros. ápice agudo. Cancerosa. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). Maytenus aquifolium M. fruto do tipo cápsula ovóide. ex Reiss. . na região da Mata Atlântica. Erva-santa e Congorça. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. gastrite e ulcera péptica. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. com acúleos. bastante coriáceas. Espinheira-divina. Salva-vidas. Espinho-de-Deus. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. dor do "ciático". flores numerosas. denteadas. atingindo até 9 cm de comprimento. de onde partem folhas elípticas. arbusto menor (de 1 a 3 m). dores nas costas e úlceras do estômago. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Também é conhecida como Sombra-de-touro. Nomes populares A espécie é chamada. amarelo-avermelhado. axilares. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa.

De M. 2000). vermelho.. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. Das sementes de M. 1995. Foram também isolados um glicosídeo. Foram isolados das cascas de raízes de M. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 1997).. . flores pequenas e axilares. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. contendo folhas alternas.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas... 1995a). a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. 1998). oblongas. heterophylla e M. krukovii (Honda et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. 2001) e triterpenos cetônicos de M.. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. podendo chegar a até 4 m de altura. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. arbitifolia (Orabi et al. 1995). 2000). 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. fruto do tipo capsular. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al.... para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. Da infusão das folhas de M. com ramos finos. Dados químicos De M.. 1999). amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al.

.16. De M..21-trione (Nozaki et al. ácido oleanólico e ácido betulônico. Sesquiterpenos foram isolados de M. 7. . canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al...30-diol (20). triterpenos do tipo friedelana. 1993a e 1993b).. além de pristimerina.. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. canaradial.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1992b). 1992).. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. 1998).. cangoronina e ilicifolina. 1994b). Dos ramos de M. E-III. ilicifolia (Itokawa et al. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1999). emarginatina-D. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. além de epicatecol.30-lup-20(29) ene-triol e 28.. E-I e E-II (Itokawa et al. e outros triterpenos (Gonzalez et al. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al... De M.. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. 1997). os triterpenóides beta-amirina. 1994).28. As cascas das raízes de M. os triterpenos 3-beta. Além disso. 1996b).. 1993). iliocifolia (Shirota et al. foram isolados das folhas de M. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. betulina. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. os triterpenos fenólicos canarol. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1999a e 2000). 1991b). lup-20(29)-ene-3beta. 1991). 1994). 1995a). Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. G alfa e G beta. lupeol. xuxuarinas F beta.. 7 alfa-hidroxicanarol.. E-V. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. emarginatina-E e emarginatinina. macrocarpa (Chavez et al. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. E-IV.. E-II. 1994).Gonzalez et al. 1998).. Dos ramos de M. Das folhas de M. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. chuchuhuasca (Shirota et al. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. e escutidina alfa A foram isolados de M.. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.

macrocarpa (Chavez et al... G. Nor-triterpenos isolados de M.. -15-triacetoxi-l alfa. Wang et al. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al.. 1999a). 1996a). 8 beta.. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez.M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. Gonzalez et al. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al.. M.... 1996c)... 1999). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 2000. 6 beta. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa... isolados de M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. 1981). Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 1996b). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. . assim como os compostos 6 beta.. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. 1996b). De M. O composto escutiona isolado de M. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Alcalóides foram isolados de M. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. 1984). 1996). 8 beta. Dados farmacológicos M. A. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa.. scutioides (Gonzalez et al. 1999). senegalensis e M. catingarum (Alvarenga et al. 1971.. 1999b).. 2001).. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1999). et al. myrsinoides (Baudouin et al. 1971).

Queiroz et al. 2000)...O extrato diclorometânico de M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. 1991.. 2002). 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. et al. 1999). especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. G. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina.... ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al.. F. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. . Oliveira et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. 1991. 2001). Gonzalez. 2001. As folhas e caules de M.

bebida alucinógena.21 Polygalales medicinais L. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. usada na produção da Ayahuasca. Byrsonima. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. ocorrem 32 gêneros. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. Malpiguia e Stygmaphyllon. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. No Brasil. especialmente árvores. além das duas referidas a seguir. ambas com várias espécies medicinais. Trigoniaceae. 1997). podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. com importantes espécies fontes de madeiras.100 espécies tropicais. arbustos e lianas (Mabberley. C. contendo cerca de 1. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Polygalaceae. . com aproximadamente trezentas espécies. 1978). Vochysiaceae e Krameriaceae. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. corantes e de medicamentos.

Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. nas raízes formam-se grandes tubérculos. contra icterícia. de folhas cordiformes.) Juss.) Juss. bastante pubescente. glabas na face superior e sedosas na face inferior. e. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. Gordura-de-porco ou Cajuçara. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. grande e robusta. O nome do gênero Stigmaphyllon. significa "estigmas foliáceos". . Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. externamente. dor de estômago e gripes. arredondadas.

algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. além das espécies aqui citadas. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Souza-Brito L. Hiruma-Lima A. M. Simarubaceae e a outra família. especialmente dos gêneros Simarouba. que contém. especialmente no Sistema Nervoso Central. Sapindaceae. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Picrasma e Brucea. Rutaceae. . Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Cupania e Serjania. inúmeras espécies medicinais. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. C. Das demais famílias dessa ordem. Simaroubaceae. destacando-se as famílias Burseraceae. o Guaraná. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. R. Ailanthus. Essa ordem. essas espécies serão descritas a seguir. A. Meliaceae. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Quassia. Anacardiaceae. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia.22 Sapindales medicinais C.

Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Além dos usos medicinais. subclasse Rosidae. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). relatados a seguir. Nessa família. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Desses gêneros destacam-se. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Spondias e Schinus. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Schinus. tais como Caju. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Mangifera. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. arbustos. Spondias. com aproximadamente 875 espécies.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). A espécie Mangifera indica. Do mesmo gênero. pertence à ordem Sapindales. nos países de clima temperado. Essa família botânica inclui árvores. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). reúne setenta gêneros. lianas e raramente ervas pereniais. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Semecarpus (Semecarpeae). enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. distribuídas em regiões tropicais. 1997). muitas espécies estão espalhadas por todo o território. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. as espécies Pistacia lentiscus. No Brasil. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. amplamente consumida . Manga e Pistache. descrita por John Lindley.

Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). especialmente no Amazonas. dispostas em panículas. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. entre outras tribos indígenas. Engl.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. ovário súpero com um só óvulo. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. as flores. não foi referida na região de estudo como medicinal. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Cajuí. com tronco de casca lisa. perfumadas. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. de 25 a 30 m de altura. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. . carnoso e raras vezes doce (Figura 22. o fruto em forma de drupa é peduncular. Pará e Mato Grosso. sendo também denominada Cajuaçu. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu.1). Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Caju-assu. Caju-da-mata (Amazonas).

reticuladas e nervadas em ambas as faces. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. Caju-da-praia. Cajumanso. em referência ao nome de seu fruto. Economicamente. ovário unilocular. no entanto. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. O nome do gênero. tomando-se um copo por dia. Para hemorróidas. O óleo é usado na produção de borracha. as flores. O . heliófita e que cresce bem em solos secos. ou simplesmente Caju. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. com um só estame fértil. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. pecioladas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. significa "semelhante ao coração". várias outras denominações são usadas para a espécie. raspa de amor-crescido e cajá. Acajuíba. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. Anacardium. plástico e resinas. entre outras. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. assim como a própria castanha. É uma planta decídua.Anacardium occidentale L. onduladas.2). ovadas. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. glabras. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. pequenas e de coloração pálida. Além dos usos medicinais descritos a seguir. o óleo da castanha. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. Caju-de-casa. Contra diarréia. possui importante mercado nacional e internacional. tais como Acajaíba. Caju-manteiga. as folhas são alternas.

e a raiz. O suco das folhas serve como antiescorbútico. e a maceração de folhas para tratar diabete. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. uma infusão de folha é usada contra diarréia. contra úlceras. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. P. 1984). enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. Em Juiz de Fora (MG). e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. 1995). Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. A resina é usada como depurativo e expectorante. como um diurético. 1993). 1993. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. No Piauí. debilidade muscular. tônico. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. As flores são afrodisíacas. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. a casca é utilizada como adstringente. astenia. anti-helmíntico.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. 1995).. desordens urinádas e asma (Lima.. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. assim como um potente adstringente. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético.. 1992). historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. Matos. 1994). calos e verrugas. . contra glicosúria e poliúria na forma de banho. purgativa.. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. 1994. depurativo e anti-sifilítico. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. tonsilite e problemas de garganta. estimulante e afrodisíaco. Cruz. 1982). Grenand et al. 1982). para controle das secreções vaginais. 1990. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero significa "cortar". como cicatrizante e contra gengivites. referindo-se às frestas da casca do fruto. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Aroeira-do-brejo. Fruto-de-sabi. Fruto-de-raposa.Schinus terebenthifolius Raddi. analgésico e contra coceiras. tônico. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. Aroeira-branca. Aroeira-do-campo. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. . o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Aroeira-da-praia. mas é muito usada como ornamental. adstringente. Aroeira-do-sertão. Bálsamo. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. estimulante e analgésico. caule tortuoso. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. sugere-se o uso com moderação. com copa bonita e arredondada. lenha e carvão. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Aroeira-vermelha. Cambuí. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. com casca grossa.3). Coração-de-bugre. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22.

com 5 a 7 m de altura. diurético e analgésico. descrito também por Carl Linnaeus. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. além de comestíveis. ou mesmo Caju. ilustrado a seguir. especialmente árvores com resinas. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Acaiou. referindo-se à semelhança com o fruto. Acaju. imparipinadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. como antidiarréico. sendo um composto característico das espécies deste gênero. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). O nome Spondias significa "ameixa". p-hidroxi- . reunidas em racemos.Spondias purpurea L. antiespasmódico. O gênero Spondias. referindo-se apenas à fruta da espécie. esverdeado e doce (Figura 22. Cirouela. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. as flores são pequenas. 1994). O ácido anacárdico (C22H32. o fruto. do tipo drupa. Em outros países da América do Sul. Outras denominações comuns são Acajá. é ovóide.O3).4). o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Siriuela. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. ou Cajá e Umbu. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. inclui espécies tropicais.

taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1997c). As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. Al. anacardol e cardol. 1986). 1986). anacardol. amentoflavona. quercetina. apigenina. a-amirina. K e Ca (Thomas & Dave. n-eicosano. 1987). A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. cardanol. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. aminoácidos.. Foram também caracterizados. anacardeína (Sathe et al. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . 1989). flavonóides. esteróis.. taninos. (-)epicatequina. sódio e açúcar. derivado de resorcinol. estigmasterol. glicosídeos de quercetina. 1995). kaempferol. Compostos derivados do ácido anacárdico.. limoneno. amido. cicloartenol. S. fenol. a-selineno e vitamina C (Gupta. álcool araquidílico. ácido gentísico. Mg. 1985). ácido-p-hidroxibenzóico. P. aminoácidos. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. (-)-epiafzelequina. antocianinas. 1997). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. 1987). os seguintes compostos: acetofenona. agathisflavona. além de Na. leucocianidina. ácido procatéquico. além de flavonóides voláteis (Pino.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. C1. de diferentes partes da planta. robustaflavona. 1990). campesterol e colesterol (Dinda et al. também foram isolados (Costa. narigenina. e de suas folhas foram isolados miricetina. 1973).

Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka.. 1999). denominados geraniina e galoilgeraniina. e raízes (Guerrero. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. aminoácidos variados. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. 2000). flavonóides e triterpenos em suas folhas.(Guerrero. Vários derivados do ácido anacárdico. -caroteno. 1994). tocoferol e outros. 1993. láurico. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. tocoferol. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. -linolênico. 1991..... Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al.Bacillus subtilis. -sitosterol. 1994). gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. quercetina. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. 1994) e frutos (Augusto et al. Muroi & . 1992).. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. palmitoléico. ácidos esteárico. Escherichia coli. oléico. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . 2000). 1994). 1991). onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Himegima & Kubo. 1991). ácido salicílico. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. tais como -catequina. palmítico. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos..

. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1993). Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1992.. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. O extrato hexânico das cascas de A. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira.. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.epicatequina Kubo. 1991). Jurberg et al. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. occidentale foram avaliados perante a B. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. 1974. glabrata. 1995). 1982). 1994). Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. 1993). 1984a). Souza et al. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A.. Craveiro et al. enquanto o cardol.

. occidentale. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A.. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Geraniina e galoilgeraniina. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al.. 2000. 1999. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. responsáveis por irritação da pele. França et al. Kudi et al. Barbosa Filho et al.. . isolada de A.. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).A epicatequina. 1994). 1993)... um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.. 1992).. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. 1991). 1990. Além disso.. mombin. Mota et al. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. Dos extratos hidroalcoólico. 2001. 1992). as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1983). o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. antiartrítica.. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. occidentale. 1994).. 1981). Abo et al. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. 1990). 1982.. taninos isolados de S. Akinpelu. 1980) enquanto.. 1982 e 1985. pela presença do cardol (Hoehne..

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

1946).Spondias purpurea.4 . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.FIGURA 22. .

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 22. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

Ruta graveolens.FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .

23 Apiales medicinais C. as quais são descritas a seguir. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997).540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. 1997). Di Stasi A ordem Apiales. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. com aproximadamente 3. Hiruma-Lima L. como Umbelliferae. A. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). Essa família inclui 446 gêneros. denominada também Umbellales. mas alguns arbustos e árvores são des- . C. de acordo com o sistema de classificação botânica. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu.

sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.Saniculoideae). Cominho e Salsa. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). ascendentes. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. onde há amplo uso como medicamento. Cicuta. Erva-doce.Hydrocotyloideae). fibrosas e caule florífero solitário. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. No Brasil ocorrem poucos gêneros. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . 1998). Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . muito comum na Mata Atlântica. densamente imbricadas. a Eryngium ekmanii. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil.critos na família. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. assim. e Hydrocotyle exigua. Daucus (Caucalideae . oblongolanceoladas.Apioideae). com raízes fasciculadas. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. entre inúmeros outros. Coriandrum (Coriandreae . Apium. folhas alternas. Coentro. tais como Cenoura. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Pimpinella (Erva-doce).Apioideae). Muitas dessas espécies são cultivadas. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. dunas e brejos. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Petroselium (Salsa). optamos por incluir aqui apenas duas delas. Apium com características ruderais. Apium (gênero do Salsão).

Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. na região do Vale do Ribeira. habitando em lugares úmidos. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. fruto subgloboso (Figura 23. espalhadas por diversos continentes. e aix = "cabra". de Erva-terrestre. cíclicas. Esse chá. dos quais são emitidas raízes. Hydrocotyle hirsuta Sw. referindo-se às fibras do rizoma. de no máximo 1 cm de espessura. crenadas. com flores avermelhadas. cordiformes. vem de eros = "lã". semelhantes a barba de cabra. quando preparado em alta concentração. o sumo das folhas frescas. Também é conhecida como Erva-capitão. com nós. var.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. folhas pequenas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. lobadas e pilosas. torcidas antes de abrir. usado topicamente. frutos pilosos. especialmente em crianças. capítulos esverdeados com flores pequenas.1). é considerado excelente contra dores de cabeça. O nome do gênero. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Eryngium. inflorescência em capítulo. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. diclamídeas e hermafroditas. exigua (Urban. no entanto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais.

.inclui 130 espécies cosmopolitas. bourgatii (Lam et al. 1984). 1997a).000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1997). também encontrados em E. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. comarinas e flavonóides. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. A atividade antiinflamatória foi determinada em E.4. 1980) e E. O extrato aquoso de E. Glicosídeos foram isolados de E. 1985). sendo 2. e cotyle = "umbigo". O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". 1986). O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. 1995). em altas doses. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1992). foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.. . 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. Além de saponinas. farneseno. campestre (Erdemeier & Sticher. 2002). a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. anetol e alfa-pineno (Pino et al. 1997a).. foi ainda isolado o falcarindiol em E. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. foetidum L. 1986).5-trimetilbenzaldeído. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. Hohmann et al... 1999). sendo majoritários carotol. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. acetilenos.. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. De E. planum (Hiller et al. 1986). elegans (Campos & Garcia. diurético e. a DL50 por via oral foi de 1.... 1985. emético. ilicifolium (Pinar & Galan. Das folhas de E. foram isolados 46 compostos. maritimum (Lisciani et al.

mas raramente ervas. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. No entanto. Das inúmeras espécies descritas nessa família. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. com aproximadamente 1. famosa por ter sido usada. e centenas de . subclasse Rosidae. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. lianas. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. e Polyscias. Hedera. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Schefflera. especialmente em refogados e saladas. 1997). epífitas. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Centro-Oeste e Sul. Tetrapanax. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. Australásia e América tropical (Joly. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. especialmente do gênero Cicuta. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. segundo a história. arbustos. Árvores. 1998). mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Tetrapanax e Aralia. Mackinlaya e Polyscias. da famosa Hera dos parques. No Brasil ocorrem vários gêneros.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. no envenenamento do filósofo Sócrates. Panax. utilizada como alimento. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. ambos introduzidos no Brasil. e inclui 47 gêneros. são encontradas na família. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales.

O nome do gênero vem do grego polys = "muito". usada internamente. O nome popular da espécie. Outras espécies do gênero. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. amplamente cultivada como ornamental. refere-se à forma da folhas. A espécie não foi completamente identificada. folhas alternas. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. flores pequenas. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. pela beleza de sua folhagem. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. Cuia. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. descrito por Johann Forster e Georg Forster. com larga bainha na base. reunidas em inflorescências axilares. e acias = "sombra". O gênero Polyscias. ovário ínfero. Cunha e Cunha-mansa. androceu com cinco estames. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. grandes. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. globoso. variegadas. fruto indeiscente. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. cálice pequeno.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. sendo também usa- . Cuia. pertencente ao gênero Polyscias.

Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al.. Lutumski & Luan. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al.. scutellaria (Paphassarang et al. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. Glicosídeos oleanólicos. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. 1994). (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. 1996. Barilyak & Dugan. Proliac et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1986). 1991). 2001). 1990). Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng.. 1992). Fulva (Bedir et al. 1989c e 1990) e de P. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Chaboud et al... 1992. 1989b. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. 1988.. 1989a.. 1995.. Em P. os autores demonstram que . foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Nesse estudo. Nas folhas de Polyscias sp. 1998). ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 2002. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico.. 1990.. 1992). Vo et al.dos como calmante por adultos.

filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. mostram que essa espécie. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . 2002). A espécie P. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.1 .Eryngium ekmanii. e de prolactina pela hipofise. FIGURA 23. especialmente a Panax ginseng. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. assim como outras do gênero Polyscias. associados àqueles referentes a outras da família.

Banco de imagens - . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .2 .FIGURA 23.Polyscias.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Esses dados. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Di Stasi C. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. demonstram que a ordem Gentianales.24 Gentianales medicinais L.Strychnaceae. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Loganiaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). A. Apocynaceae. Gentianaceae e Asclepiadaceae. . Gentianaceae e Asclepiadaceae -. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. apesar de pouco numerosa. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . C. Genistomaceae.

1997). Paquistão e Tailândia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. subclasse Asteridae. arbóreas. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. com destaque para ajmalina. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. com aproximadamente 1. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. e. arbusto encontrado na Índia. muito utilizadas ornamentalmente. Hancornia. como os gêneros Allamanda. Catharanthus. Java. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Vinca.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. os gêneros Mandevilla e Thevetia. Allamanda. Mandevilla. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. além dessas. Strophantus. muitas das quais trepadeiras e suculentas. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Tabernaemontana. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. . Nesse contexto. como Aspidosperma. sendo esta última o mais importante. Nerium. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. dentre os gêneros. Rauwolfia. herbáceas. inclui 165 gêneros. e encontrado em várias outras espécies do gênero. ajmalinina. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Aspidosperma. muitas das quais conhecidas como Mangaba. a família possui espécies trepadeiras. entre as espécies de pequeno porte. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Hancornia. fornecedores de madeira. serpentina. Joly (1998) destaca. aqueles que incluem espécies arbóreas.900 espécies tropicais e subtropicais. serpentinina e reserpina. Inclui espécies arbustivas. Thevetia.

as espécies Vinca major. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. segundo Evans (1996). tem sido designada também como Catharanthus roseus. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. a saber Allamanda cathartica. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. e Thevetia peruviana. Vinca minor. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Deve-se destacar. Vinca rosea e Catharanthus roseus. estrofantinidina e cimarina. • do gênero Strophantus.• do gênero Vinca e Catharanthus. tais como ouabaína. Orélia. cilastonina e também a reserpina. Himathantus sp. tanto para os animais como para a espécie humana. Wrightia e Aspidosperma. tais como alstonina. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. as espécies Strophantus gratus. • do gênero Nerium. contudo. Dedal-de-dama. vinblastina e vincristina. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. . Alamanda amarela e Quatro-patacas. tais como majdina. alstonilina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. especialmente a Nerium oleander. A espécie Vinca rosea. espécies ricas em glicosídeos.

contendo poucas sementes (Figura 24. usada internamente. é considerada um excelente vermífugo. espessas. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. com copa estreita e tronco ereto. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. fruto do tipo capsular. purgativo e catártico. alternas. Ucuuba e Sucuba. . glabras e verticiladas. sendo a A. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. com a mesma indicação. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. axilares e fasciculadas. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. O gênero inclui doze espécies tropicais. com tubo estreito e longo. com casca rugosa. inflorescências com flores amarelas. especialmente cães e macacos. A folha é considerada excelente catártico.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. grandes. folhas simples. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. A infusão das folhas é utilizada como emético. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. na forma de funil. semilenhoso. especialmente em crianças. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand.1). Segundo Corrêa (1984). em animais domésticos. atingindo até 20 m de altura. em grande número. com folhas brilhantes. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. emético e purgativo. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. enquanto a decocção das cascas da planta. a planta exsuda látex considerado venenoso.

O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. glabras em ambas as faces. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. frutos geminados em forma de chifres. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. especialmente em crianças. sendo uma planta perenifólia. coriáceas. com um tronco de casca cinzenta. O nome do gênero deriva do grego. Coração-de-jesus. Thevetia peruviana (Pers. contendo sementes aladas. Schum. no entanto. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. simples. 1990). significando "manto de flor". Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele.pecioladas. Noz-de-cobra. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. ovaladas. sendo útil como anti-helmíntico. linear-lanceoladas. heliófita e secundária. folhas alternas. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. grandes e brancas. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. especialmente no alívio de coceiras. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. acumi- . margens inteiras.) K. todas encontradas na América do Sul (Plumel. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. 1997). alcançando até 10 m de altura.

braceletes. No Brasil. especialmente do continente africano. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. purgativa e emética e de uso perigoso. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. 1985). a amêndoa. para provocar vômitos. amarelas. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. revestimento de maracás (Corrêa.nadas. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. triangular. 1962). 1997). antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. como pulseiras. assim como outros inúmeros usos de várias par- . carnosas e glabras nas duas faces. além da sua utilização uso em vários países como emético. descrito originalmente por Carl Linnaeus. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. com corola em forma de funil. bactericida e como veneno para peixes. A casca é considerada amarga e febrífuga. 1984). onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. contendo flores grandes. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. em pó. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. Os usos dessa espécie como purgativo. As sementes da espécie são usadas como inseticida. colares. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. fruto do tipo drupa carnosa. contendo sementes duras e grandes. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. 1984). o látex acre é usado para acalmar dores de dente. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. purgante. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. arbotifaciente. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. aromáticas. O nome do gênero Thevetia. É uma espécie muito usada como ornamental. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura.

1989). lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. além de lignanas como pinoresinol. Dados químicos dos gêneros Allamanda. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi..-hidroxipinoresinol e 9. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. 1986). De outras espécies do gênero Allamanda. flavonóides.. Kupchan et al. medioresinol. ovata e T. 1992a e 1994). 1974). alamandina. tais como de T. rutina e os iridóides plumierida. e de suas flores... tevetina B. assim como de outras espécies do gênero. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. -sitosterol. são ricas em um glicosídeo a tevetina. 1988). 1996). perivosídeo. plumierida. ruvosídeo e neriifolina. Foram isolados de A. 1988). thevetioides (Perez-Amador et al. 1985). como a A. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. neriifolia os compostos 9. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. Corrêa. 1988). Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. canogenina. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. schottii. . ácido ferúlico e ácido gentísico. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico.. foram isolados do caule isoplumericina. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. O isolamento de diosgenina. a alanerosida. blanchetii (Ganapaty et al. -sitosterol.Kader et al.-hidroximedioresinol. 1996.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. Tewtrakul et al. 1992b.1997. 1962. escopoletina. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. 2002). 1995c e 1995a). também chamado tevetina A. quercetina. escoparona. kaempferol. 1993). Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. -amirina.-O. acetato de lupeol. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina...tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke.. As sementes de Thevetia peruviana. 1984).. além de 13-O-acetil plumierida. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. plumericina.

flavonóides. De acordo com Obasi et al. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis.. 1992) e H. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. taninos e saponinas (Gupta. neriifolia (Dinda&Saha. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster... (1990) e Beauregard Cruz et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. (1986). Da espécie H.. 1995. esteárico e palmítico. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. obovatus (Vilegas et al. glicosídeos cardiotônicos. behênico e erúcico... esperolactonas.. follax (Abdel-Kader et al. Iridóides também foram isolados de H. linoléico.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al.. 1990). linoléico. 1996). Guerrero.. taninos. 1993). tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. 1982). Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. oléico. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. 1994. esteárico. e as raízes. Da mesma forma. 2000). alcalóides. 1978). ácido metilperlatólico (Endo et al. cáprico. triterpenóides (Wood et al. ursólico.. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al.. Ali et al. 1991). triterpenos e saponinas. enquanto as cascas possuem alcalóides. taninos e saponinas. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al.. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. Das folhas de T. Foram descritos os ácidos mirístico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 1998). Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1992) e em T. Triterpenos como ácido olianólico. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . linolênico.

mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. 2002). 2000). Moraes et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. violacea (Lima & Caldas. conhecida popularmente como orélia. bexiga. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. cathartica e A. 2002) e antiofídico (Otero et al.... 1962).. A neriifolina. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1945 e 1947). 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1994) antifúngico (Tiwari et al. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. .. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. 1981).. 1933).. Peruvosídeo e neriifolina.camundongos. 1997). 1990. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva... O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. blanchetii (Melo et al.. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al.. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. 1935). O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. isolada dessa espécie. Moreira et al. Obasi & Igboechi. 1991).. 1982a e 1982b. 1992). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. produziu atividades espasmogênica. 1989). 1994). antimicrobiana (Neto et al.. 1990). analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1984. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.

efeitos tóxicos também são similares.. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.. 1992). respectivamente. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração.4g/kg. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. Singh & Singh. 1933). 1996). Frerejacque. para bovinos (Tokarnia et al. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica... Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 1996. 1999. Saraswat et al. peixes e outros animais (Chopra et al. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. gatos. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. e Thevetia peruviana e T. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. Nerium oleander. 1993). No entanto. 1958.700 mg/kg é dose letal... cobaias. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 1996).. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 1996). Oji et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. 2002. Eddleston et al. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. 1933.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.5 g/ kg e 14. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. 2000). 2000. 0.. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996).. e estudos recen- . Maringhini et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al.

visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. Dessa forma. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Deve-se salientar. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. 1996). que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças.K+-ATPase. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. De todo modo. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. os quais ainda não foram estudados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. Da mesma forma. . verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. incluindo o homem. inibição da Na+. dada a riqueza química da família. 1991). Observações Várias espécies dessa família. no entanto. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. ou seja. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora.

esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Inclui lianas.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. . descrita a seguir. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. e algumas de grande valor medicinal. herbáceas e raramente arbustos e árvores. sobretudo para animais. tais como Asclepias curassavica. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Espécies medicinais Fischeria cf. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. mariana. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Tylophora e Calotropis. subclasse Asteriddae. Fischeria. 1997). distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Oxypetalum e Calostigma. e inclui 315 gêneros. mariana Dcne. trepadeiras. com aproximadamente 2. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. No Brasil. Oxypetalum. especialmente por seus efeitos tóxicos.Asclepias. 1986).

nos quais se distribuem 1. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. foi realizado experimento de toxicidade. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. androceu modificado. opostas. hermafroditas e de simetria radial. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. especialmente a febre. L. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. com ramos pubescentes. com lacínios conspicuamente crispados. com pecíolos pubescentes. sementes comosas. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical.. membranosas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. E. corola gamopétala. flores pentâmeras.2). Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. com testa verrucosa (Figura 24. diclamídeas. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. fruto unilocular. inclui aproximadamente 78 gêneros.Dados botânicos Espécie de pequeno porte.225 espécies cos- . de onde saem as folhas simples. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). von Fischer. 1979).

Puruvá e Cutúbea. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. também sésseis. Voyria. a decocção das raízes é usada contra febre. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. 1997). Lisianthus e Coutoubea. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. e outras são usadas como ornamentais. folhas opostas e sésseis. desordens estomacais. dispostas em espigas simples terminais. fruto capsular. F. na região amazônica. mas também inúmeras espécies tropicais. reunidas em verticilos. 1998). muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. .mopolitas. amenorréia e como vermífugo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo várias delas medicinais. especialmente do gênero Dejanira. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. flores brancas grandes e muito vistosas. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Dados botânicos É uma planta anual. 1978). de Carne-seca. com caule ereto de muitos ramos. subtropicais e de clima temperado. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. Nomes populares A espécie é chamada. Dejanira. amplexicaules e grandes. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana.

tônico. da famosa Strychnos nux vomica. um dos encontrados no Brasil. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal.. 1984). Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. destacamos apenas os principais: Spigelia. taquicardia.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. polipnéia. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. estudos de toxicidade. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. e morte. Mas a C. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. onde é cultivado como ornamental. Porém. febrífugo. 1979). demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). incluindo tanto árvores como arbustos. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. diminuição da atividade motora e dores abdominais. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. diminuição da atividade do rúmen. quando ingerida dentro de 24 horas. dentre eles. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. . hipotermia. lianas e ervas (Mabberley. 1997). e Strychnos.

1978). também constatado para a espécie S. as plantas com propriedades narcóticas. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. fruto do tipo baga globosa. O nome do gênero designava. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. coriáceas e trinervadas. em seus cipós. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. 2001). 2002). a espécie é chamada de Quina-cruzeiro.. Segundo Corrêa (1984). O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. a planta é narcótica e venenosa. folhas opostas e ovais. A planta recebe esse nome por possuir. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. glabras. flores amarelas em grande abundância. porém de S. Nomes populares Na Mata Atlântica. nós na forma de uma cruz. nux-vomica (Shoba & Thomas. que se refere à presença de mais de 190 espécies. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. a maioria na Amazônia (Barrozo. Noz-vômica e Quina-de-cipó. antigamente.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. . Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. No levantamento realizado.

myrtoides (Martin et al.. Detalhe da flor (Banco de imagens - ).. usambarensis (Frederich et al..Allamanda cathartica. guianesis (Penelle et al.1 . S. 1995). 2000).. 2001). 1998) e S.. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. FIGURA 24. 2000. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.. panganesis (Nuzillard et al.A S. Das raízes de S.. . 1996). 1996). nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. S.. 2000 e 2001.. 2001). S. mellodora (Brandt et al. Quetin-Lecrerq et al. Rafatro et al. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. 1996). 1999)..

Banco de imagens - . laniflora Dcne.Fischeria cf.2 .FIGURA 24. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. G. incluindo plantas herbáceas.600 espécies. C. Di Stasi F. lianas. arbus- . Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. algumas vezes parasitas. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita.25 Solanales medicinais L. Seito C. N. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. ervas. Solanaceae. Gonzalez L. A. Convolvulaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae.

aqui também descrita como medicinal. para infecções da boca. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. raízes tuberosas. a espécie é cultivada e consumida como alimento. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. como Batata-da-terra.tos e raramente árvores (Mabberley. delicadas e amplamente consumidas como alimento. cordiformes. rosas ou arroxeadas. com folhas alternas. pecioladas. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. Na região da Mata Atlântica. internamente. em gargarejos. de Batata-doce. Nomes populares A espécie é chamada. 1997). suculentas. axilares e fruto capsular. . que são cultivadas com fins comerciais. flores brancas. ainda que raramente. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Possuem inúmeras variedades. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. A planta também é conhecida. geralmente lobadas. gengivite e dores de dente. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Ipomoea batatas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea.

1. 2000. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. I. como é o caso de I. acetil-b-amirina. muitas delas amplamente cultivadas.. tubérculos ou arbustos. de 5 a 18 cm de comprimento. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. pinatipartidas e pecioladas.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. purpurea e I. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. I. Goda et al. cairica. I. batatas Lam. ácido caféico e quercetina (Tan et al. Alba. 1996). com nove a dezenove pares por segmentos lineares. com caules bastante entrelaçados. folhas alternas. sinensis.. com cinco lobos arredondados. flavonóides (Zhou. 1996. carnea. I. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes.. como é o caso de /. purpurea e /. hederifolia. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. fruto capsular ovóide. Delgado et al. I. b-sitosterol. coptica. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo).Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". sendo várias ervas. cairica. 1996). De . e de homoios = "semelhante". oblongata. Muitas espécies são medicinais.. 1995). Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. Dados químicos do gênero Da espécie I. friedelina. glabra. comparando-se as plantas deste gênero. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. anti-reumáticas e laxativas. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. enquanto as folhas são detergentes. 1986). de cor vermelhoviva ou rosa.

os flavonóides 4'. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. 1996 e 1997). carnea Jacq. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al.. 1999). De I.. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1996). quando administradas a cabras.. cornea.. operculinas I-VIII ácido operculínico A.I. as lignanas arctigenina. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. carnea. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga.. regnellii e I. reticulata (Mann et al. é medido por mecanismos colinérgicos. 1999a. De Lima & Braz-Filho. Das partes aéreas de I. 1988). As folhas de I. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. (Sharma & Shukla. 1986). 1990). arctiina e matairesinosídeo. Das sementes de I. hardwickii (Liu et al. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. também encontrados em I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I... 1997). reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.. 1997). os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. Das sementes de I. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. adrenérgicos e . ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. Das raízes de I.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina.. 1996). 1989). 1997). matairesinol e trachelogenina. 1997).. e também dibenzil-g-butirolactona. Diversos flavonóides foram isolados de I. alta concentração de cálcio e potássio. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. 1987). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1987). 1996). asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. e das flores de I.

. lianas e ervas (Mabberley. conhecida popularmente como salsa-da-praia. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. depressão. 1990). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1996). 1996). Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . Foram isolados de I.. 1992). 1995). As sementes de Ipomoea ssp.. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. 1994).950 espécies subcosmopolitas. com 2.não-colinérgicos (Hore et al.. 1998a e 1998b).. arbustos. A I. 1997).. 1998). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. encontram-se árvores.. Foram observadas também anorexia. Os extratos aquosos... fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. O efeito tóxico foi observado no cérebro. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 2000). já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. Entre estes. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1997). 1998). apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. 1991). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1996). hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al.. pescapae (Madeira et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. dos quais 25 são endêmicos.. O extrato diclorometano de I. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. espasmolítica (Medeiros et al. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. stans três tetrassacarídeos.

Gambá. da famosa espécie Nicotiana tabacum. entre outros inúmeros compostos.• Solanoideae. Manacá-açu e Jeratacaca. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. na qual se encontram os gêneros Capsicum. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. Cuvitinga e outras espécies. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. especialmente na espécie Hyosciamus niger. ainda do ponto de vista comercial e social. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. fonte de nicotina. Physalis. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Lycopersicum. a capsaicina. Managá-caa. como Juá-bravo. importante ferramenta farmacológica e. Datura. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. com inúmeros representantes no Brasil. do famoso Tomate. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. Nos estudos realizados. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. descrito posteriormente. e Solanum. pelos nomes de Manacá-da-serra. Don. Brunsfelsia. Em outras regiões. tanto do ponto de vista farmacológico. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. Nomes populares Na região amazônica. Fumobravo. de onde se isolou. • Cestroideae. . amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. dessa subfamília. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. da famosa Datura stramonium.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mulaca. Joá. Nomes populares A espécie é chamada. glabra. pequenas. ereto e crasso. folhas inteiras. Bolsa mulaca. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Erva com muitos ramos. Physalis angulata L. bolha". Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. hermafroditas. bilocular. diclamídeas. na região amazônica.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. semente rufescente (Figura 25. com anteras azuladas. súpero. caule verde. possui.1). O chá preparado com raiz de . O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. Mata-fome. folhas elípticas e acuminadas. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. sem estipulas. agudas. muito ramificado. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. especialmente na Amazônia. Joá-de-capote. flores amarelas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. de Camapu. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. androceu com cinco estames. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. flores dispostas em cimeiras. ovário bicarpelar. pentâmeras. fruto esverdeado do tipo baga. referindo-se à forma do fruto. Juá-de-capote. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. longo-pecioladas.

A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. os frutos são desobstruentes. para tratar hepatite. contra vermes. 1974-1975). tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1995). malária. 1990). são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Solanum paniculatum L. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. 1984) e a raiz. renais e de vesícula biliar (De Almeida. a infusão da sua raiz. 1984). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. bem como no combate a febre. No Peru. em Minas Gerais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. e suas folhas têm uso diurético. problemas hepáticos. dermatites e doenças de pele. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. . útil contra reumatismo. 1982). 1980). Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. 1990). interna e externamente. Juripeba. Jubeba. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. hepatite e reumatismo (Forero. Juuna e Juvena. da Amazônia brasileira. contra icterícias (Schultes & Raffauf. Rutter.camapu misturada com raiz de açaí.. contra inflamações.. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. vômito. 1998). problemas hepáticos. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1980). 1994). 1993). No Brasil. na Paraíba. outros. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. no Pará. 1980. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. diuréticos e resolutivos (Corrêa.

fruto do tipo baga redonda. de caule alado. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. dispostas em racemos. brancos ou amarelados. Solanum tuberosum L. todas cultivadas. flores brancas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. Inclui inúmeras variedades.700 espécies subcosmopolitas. sinuosas e acuminadas. fruto do tipo baga globosa. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. desiguais. além de ser indicada contra problemas do estômago. sendo úteis contra icterícia. ereta. folhas alternas. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. carnosos. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. muito parecidas com as da Batata-inglesa. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. hepatite e febres intermitentes. es- . de onde é obtida pelos habitantes locais. alívio". de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. especialmente contra lombrigas. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). muitas delas de grande valor econômico. lilás ou roxas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. flores em umbela. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas.

identificou a presença de 122 compostos. 1991). Sinha et al.5%). Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. Frolow et al. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Oshima . 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1988. Alcalóides foram isolados de P.. dos quais foram caracterizados. As sementes de B... 1996). aldeídos.25%) e ácido ricinoléico (0.. 1980. 1986).. hidrocarbonetos. nitida. 1995). Na região. obtido de suas partes aéreas.8%). 1977 e 1978).. 1980) e P. 1987). foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al.. Eguchi et al. 1987. Glotter et al. ixocarpa (Abdullaev et al. ácido palmítico (7. 1986). P.. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. Gottlieb et al. minima (Mulchandani et al. espécie de origem cubana. Vasina et al. peruviana (Sahai & Ray. 1977a).. alcoóis e ésteres. alkekengi (Kawai et al.. P peruviana (Gottlieb et al. angulata (Row et al. P pubescens (Reddy et al. 1979a. cetonas. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. ácido oléico (11. 1987. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários.. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas)... Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. No óleo das sementes de B.. De B.. com ciclopropenóides... Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.5%). 1985). principalmente. 1985. 1981). 1986). P viscosa (Maslennikova et al. grandiflora.52%) (Maestri & Guzman. 1977).pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. Do gênero Physalis. Itoh et al. Já da casca da raiz de B. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. 1980. 1994). 1986. P. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.

14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. Neilson & Burren. bonodora. 1990. hopeana. Banton et al. Oliveira et al... De P. 1988). Vasina et al.. B. De P. 1991). 1992b e 1992c). vamonolídeo. neoclorogenina... revelou atividade depressora do SNC. Moiseeva et al.. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. floribunda. bronquites. pauciflora e B.. aianinas. Chen et al. com extratos da raiz de B. Já da raiz de B. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. 1987. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1992). 1986). Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. B. 1990). 1987b. 1967a e 1967b). vitagulatina A. 1989. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. 1990). indica foram isolados vitasteróides. angulata foram isolados ainda vitasteróides. Dinan et al.. 1968. australis (McBarron & de Sarem. 2001). fisangulídeo... fisalina B e quercetina (Gupta et al... figrina. enquanto das folhas de P. além de alcalóides. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. utilizada para picadas de cobra.. 1983. 1988). De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1987 e 1990. 1975.et al. A administração oral de B. 1997. flavonóides (Ser. O extrato aquoso de B. flavonóides (Ismail & Alan. acetil colina. calcyina var. artrites. . beta-sitosterol. Shingu et al. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. 1987). vitaminimina. Uma triagem hipocrática em ratos. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo... vitangulatina A. 1986. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Chen et al. 1990. febre e picadas de cobra.... 1997). Spainhour et al.. fisagulina A e K. minima var. glicosídeos. 1989. 1990). uniflora. Ripperger et al. 1977). apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. 1992a. 1988 e 1989). 1993. ácido clorogênico. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al..

anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1993. 1989). M. Das folhas de P. antibacteriana (Hussain et al..Para a Physalis angulata.. Kusumoto et al.. quando ingeridas em dose única ou repetida. 1998).. anticolinérgica (Fonteles et al. V. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. M. imunomoduladora (Rosas et al. M. et al. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. 1998). M. antileucêmica. 1998. antiviral (Otake et al. incluindo leucemias. M. V. et al. citotóxica. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho.. Carvalho.. 1997.. Haussmann et al. I. 1998). etanólicos e esteroidal mostraram. et al. antiespasmódica. 1988). anti-séptica. et al. 1991.. M. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. Nos frutos de P. Silva. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. melanomas. diurética.. niruri e P. V.. Pietro et al. imunoestimulante (Carvalho. 1992a e 1992b). constataram-se atividades hipotensora. alcoólicos. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1998. P. M.. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. entre outras. V. moluscicida (Almeida & Fonteles... tripanossomicida (Barbi et al. et al. V. 1995. et al.. antigonorréica... 1998) antimicobacteriano (Januario et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. T. antiasmática. 1992a e 1992b). do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. 1997. Ribeiro et al. O estudo dos vitanolídeos de P. 1987). entre outras (Lin et al. antimutagênica.. 1990). M. et al. 1998).. e a atividade imunoestimulante. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. G. et al. Os extratos aquosos. 1992. in vitro e in vivo. como movimento . Chiang et al. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1998). Kurokawa et al. 1998).. 1998b).. aqui descrita. aos esteóides... Barbi et al.. 2000).. 1987). V. 1998) e antineoplásica (Carvalho. 1998. 2002. embora outros sinais também tenham sido verificados. Soares et al.. 1990).

perda de peso. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. falta de apetite. salivação. Além disso. irritabilidade.1 . às vezes levando-o ao chão. FIGURA 25. 1991).Physalis angulata.Banco de imagens - . estiramento e contração das patas traseiras.de mastigação. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .

freqüentemente . arbustos. Nas regiões de estudo. A.300 espécies (Mabberley. M. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Santos C. com aproximadamente 2. inclui 130 gêneros distintos. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. C. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Amazônia e Mata Atlântica. Di Stasi E. apesar de incluir apenas oito famílias. espalhadas por todo o planeta. M. as quais serão discutidas a seguir. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Guimarães C. das quais se destacam as Boraginaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1997). A família inclui árvores.26 Lamiales medicinais L.

sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. • Cynoglossum. sendo raramente encontrada no interior de matas. pubescentes na face inferior. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. densa. um dos gêneros mais comuns no Brasil. • Heliotropium (Heliotropioideae). Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. lanceoladas. É uma planta heliófita e higrófita. .herbáceas e raramente lianas. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. formando grandes populações em áreas litorâneas. 1998). amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. de onde saem folhas sésseis. agudas.1). denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. muito ramificado. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. com até 12 cm de comprimento. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. Borago e Symphytum (Boraginoideae). de Ervabaleeira. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. inflorescência espigosa. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. Nomes populares A espécie é chamada. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga.

dispostas em espigas solitárias. É uma planta anual. furúnculos e também contra queimaduras. moléstias cutâneas e feridas. inflorescência curvada.5 a 1 m de altura. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado.Heliotropium indicum L. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. anginas. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". ovadas ou cordiformes e acuminadas. 1994). tubulosas. e as espécies H. de flores brancas. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. glabro ou pubescente. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. faringites. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". estomatites. incluindo úlceras. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. com flores brancas ou azuis. amplexicaule e H. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na medicina tradicional salvadorenha. e trepein = "mudar". com dispersão regiões tropicais e temperadas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Segundo Corrêa (1984). Aguaraquiunha. fruto formado como uma mitra. . folhas pecioladas. alternas. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. Crista-de-galo. abcessos. com ramos lisos e glabros. europaeum são reconhecidamente medicinais. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Jamacanga e Jacuacanga. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. e seu suco é de alto valor contra aftas. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre.

Symphytum officinale L. Língua-de-vaca. enquanto as raízes. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. lasiocarpina. Erva-do-cardeal. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. Nomes populares A espécie é chamada. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. dispostas radialmente. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. 1986). beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Outros nomes são Consolda. de Confrei. 1994). flores grandes. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. acuminadas no ápice. amarelas ou rosas. Das partes aéreas de H. Consolda maior. lupeol. europina. tubulosas. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. como beta-sitosterol. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. inflamação e dores de barriga. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fruto com quatro aquênios lisos. Sonsólida. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. vistosas. . distúrbios estomacais. 1996). Orelha-de-vaca etc. com folhas ovadas ou oblongas. caule curto e ramoso. além de alcalóides e taninos. taninos e triterpenos. De H.. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. ásperas e onduladas. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos.

.. Das partes aéreas de H. licopsamina amabilina. heliotrina e lasiocarpina de H. 1988). 1996). Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. Reina et al.. coromandalinina. 1991). heliovicina. 1996). bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. em H. echinatina. (1989). H. argentinum e var.. coromandalina. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. H. 1988. europina. curassavicum (Davicino et al. rotundifolium (europina. subulatum (Malik & Rahman. heleurina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. heliotrina. em menor quantidade. curassavicum var. 1986).a heliospatina e o heliospatulina . 1989).De H. bovei. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1987). intermedina e retronecina) por Ravi et al. 1995b).. (1990). heliotrina. H. H. heliotrina e lasiocarpina (Guner. stenophyllum. 1995). spathulatum (Roeder et al. heliotrina e lasiocarpina e. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988). 1988). Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1988). além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos .. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1994). 1988). em que se . Farrag et al. heleurina. H. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. lasiocarpum (Akramov. destacando-se compostos fenólicos em H. 1990). H. keralense (isolicopsamina. arborescens (Bourauel et al.. supinina e europina (Rizk et al. e heliotropina de H. H.. hirsutissimum (Guner et al. 1995b.. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. esfandiarii (Yassa et al. 1995) e H.de H. europina e supinina em H. curassavina. bursiferum (Marquina et al. curassavinina.

... filifolium também foram isolados. 2000b). solicifolia (Hayashi et al. 1991 e 1988. pinobanksina-3-acetato. 1996). Os flavonóides ayanina. De H. pinocembrina. ovalifolium (Guntern et al. C. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. 3-0-metilgalangina. 1990).. Os constituintes fenólicos denominados galangina... C. 1989) e esteróis e quinonas em H. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. filifolium (Urzua et al. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. verbenacea. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. hesperetina. 7. 1998). o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. tais como ácido rosmarínico. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. De H. 2000a) e C... Al Awadi et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. 1990). sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 2001).descreveram os constituintes galangina. chenopodiaceum.. linnaei (Ioset et al. 1987). Do exsudato resinoso de H.3'-dimetileriodictiol. Sertie et al. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. dentre outras espécies (Ficarra et al. 1996).. sakuranetina foram isolados da resina de H. stenophyllum (Villarroel & Urzua. 7-O-metileriodictiol.. 2002). myxa. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. A H. bacciferum (Miralles et al.. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. alliodora (Ioset et al. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. do exsudato. 2001) e de C. 1994 e 1996). pinocembrina. pinocembrina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. 1996). As propriedades antifúngicos. 2001). 1990). C. curassavica (Ioset et al. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al.. 2001). 1995.

. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al.. 2001a e 2001b). é potencialmente tóxica. 1995).. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. bursiferum (Marouina et al. porcos e aves (Gaul et al. 1987. De H. subtilis como o extrato bruto de H. 1989). o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Dados toxicológicos A espécie. 2001). ellipticum e H. Das partes aéreas de H. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Portanto. 2002. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. também denominada Labiatae. assim como todo o gênero Heliotropium. Jain et al.. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. argentinum apresentam genotoxicidade. nos quais se distribuem 6. 1992). Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. 1994. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. Alcalóides isolados de H. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores .700 espécies. 1987).. 1997). possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. infusão ou chás por via oral. Singh et al.. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. europaeum e H.paz de inibir efetivamente o B. Eroksuz et al. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.

Mentha. Nepetoideae: Hyssopus. rígidas. alimentos. flores dispostas em capítulos pedunculados. do ponto de vista medicinal. Lavandula. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. especialmente americanas. Salva.(Mabberley. Melissa. Leucas e Sideritis. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Satureja. com cálice tubuloso. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Hyptis e Plectranthus. oposto-decussadas. bilabiado. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Trata-se de uma importante família. Salva-do-campo. Scutellarioideae: Scutellaria. Teucrioideae: Teucrium. folhas pecioladas. pubescentes. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. . 1997). Ocimum. pois são usadas como condimentos. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. crenadas. Salvia. Ajugoideae: Ajuga. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Pogostemonoideae: Pogostemon. Origanum. ex Benth. Lamioideae: Leonotis. Rosmarinus. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. corola com tubo infundibuliforme. Malva. obovais. Thymus. com haste suculenta.2). nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex.

anti-reumático e contra cólicas menstruais. para regular a menstruação. sudoríficos. e inclui apenas quinze espécies tropicais. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. 1982). a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. e a infusão da planta toda. diarréia. ovadas e subcordiformes na base. flores dispostas em racemos densos e verticelados. Na região da Mata Atlântica. . de constipações e artrites (Van den Berg. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. emenagogos. icterícia. Dados botânicos Erva anual. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Leonotis nepetaefolia Hort. antigripal. folhas opostas. flores pediceladas com quatro estames. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. mas não foi completamente identificada.3). Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. cólicas menstruais e problemas digestivos. a decocção das folhas é usada contra malária. recebe o mesmo nome. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. Nomes populares A espécie é chamada. de Rubim.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de até 2 m de altura. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. na região amazônica e em quase todo o Brasil. Na Mata Atlântica. um pouco lenhosa. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão".

Br. 1984). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. folhas pecioladas. Na região do Vale do Ribeira. reumatismo. antireumática. no Ceará (Matos et al. nas inflamações broncopulmonares. cálice bilabiado. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. 1982. 1982). Dados botânicos Planta anual. em Minas Gerais (Verardo. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. antiasmática. 1986). desiguais entre si. hipotensão. corola bilabiada. na Mata Atlântica. com lábio superior 1-2 . com cinco segmentos acuminados. Grandi & Siqueira. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. duas vezes ao dia. A planta é também considerada antiespasmódica. como cicatrizante. contra gripes. pubescentes nas duas faces e membranosas. externamente. facilitando a expectoração. 1982). útil contra úlceras. ovadas ou oblongolanceoladas. durante dois dias. no Mato Grosso. ramoso e pubescente. é utilizado como anti-reumático. como abortivo e antitérmico (Simões et al. flores sésseis. 1980). o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. sendo ainda indicada contra úlceras. como Cordão-de-frade. distúrbios do estômago. pilosos e sulcados.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Rio Grande do Sul. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. dores gerais. ramos quadrangulares. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. de caule ereto. a planta florida é usada na fraqueza geral.. uma xícara por dia. especialmente de barriga e. Leucas martinicensis R.. herbáceo. a infusão das folhas é usada. febrífuga e diurética. o chá de toda a planta. internamente. raramente arredondadas. brancas.

nome recebido em todo o Brasil. dela. hermafroditas. A planta também é utilizada como tônico. difere da M. e seu cozimento é indicado como antireumático. descrito por Robert Brown. decussadas. planas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. viridis e M. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. externamente. corola gamopétala. o macerado das folhas em água. na Mata Atlântica. filha de Cocylus. .lobado e o inferior 1-3 lobado. contra tumores. O nome do gênero Leucas. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. formando espigas no ápice dos ramos. Na região do Vale do Ribeira. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e.4). contra dores musculares e reumatismo. flores violáceas. serrilhadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. Hortelã-das-cozinhas. ramos eretos e opostos. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. diclamídeas. na forma de gargarejo. apenas de Hortelã. pouco aveludada. piperita é um híbrido de M. ramoso. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. Menta e Hortelã-verdadeira.5). de porte herbáceo. Dados botânicos A espécie M. com raiz fibrosa e caule ereto. significa "branco". um pouco pubescentes. numerosas. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. agudas. antiespasmódico e contra nevralgias. aquatica. pentâmeras. 1984). zigomorfas. é usado sobre gargantas inflamadas. referindo-se à cor das flores. fruto do tipo aquênio (Figura 26. folhas opostas. curto-pecioladas. topicamente. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. bilabiada.

vômitos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de estômago.. antiespasmódicas. Hortelã-pequena. em Brasília. timpanite. em 1990. Hortelã-graúda. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. é indicada contra dores de estômago em crianças. carminativas. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. calmante. no Rio Grande do Sul. 1991). piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). . Mentha viridis L. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. problemas cutâneos. diarréia. 1986). 1986). cólicas abdominais e tétano. A M. estimulantes. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. Hortelã-da-preta. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. bronquite e tosses. três vezes ao dia. dor de barriga. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. de Hortelã-verde. anti-reumático e contra insônia. dores de cabeça. na região amazônica. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. 1984). Hortelã-comum. musculares. Na região da Mata Atlântica. tremores. dismenorréias e verminoses. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. estimulante do fluxo biliar. eólicas uterinas. Contudo. garganta e dentes (Simões et al. estomáquicas. catarros de mucosas. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. 1982) e como anti-séptico. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. 1980). Nomes populares A espécie é chamada. a infusão das folhas. digestivas. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. sendo indicada contra flatulências.

corola e cálice campanulado (Figura 26. denticuladas. especialmente lombriga. serrilhadas. ovadolanceoladas. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. tosses. bronquites.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. flores rosas ou violeta-claras. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. dores de barriga e pedras nos rins. glabras. ascendentes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. inflorescência do tipo espiga. dores de estômago e "quebranto". os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. Mentha pulegium L. com folhas pequenas. gripes. garganta e estômago. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. cilíndrica e frouxa. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. . Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. em verticilos aproximados. bronquite e gripe. caule ereto. folhas subsésseis. pecioladas. ramos eretos. cólicas. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. tétano. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. assim como em todo o Brasil. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. bastante pilosa e com aroma forte. além de ser considerada útil contra febres.6). seu decocto é considerado útil contra tosse. ameba e giárdia. opostas. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. ovais ou oblongas.

diaforética. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. com até 50 cm de altura ou maior. significa "perfumada". diarréias e disenterias. dentadas. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria.Ocimum basilicum L. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. descrito por Carl Linnaeus. estomáquica. glabras. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Ocimum canum Sims. com ramos tetrágonos e pubescentes. pequenas e finas. de Alfava. entre outros. estimulante. de caule ramoso. ovadas. Alfavaquinha. Alfavacona. especialmente de ocorrência na África. flores brancas ou rosas. Ocimum. de onde partem folhas opostas. diurética e útil contra resfriados. peitoral. Alfavaca-de-cheiro. referindo-se à planta toda. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. . Alfavaca-cheirosa. assim como em todo o Brasil. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. O nome do gênero. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Alfavaca-do-campo. Em outras regiões. Em outras regiões.

Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. a espécie é chamada de Alfavaca. contendo folhas pecioladas. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. raramente. ovadolanceoladas. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. béquica. glabros e eretos. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. denteadas. fruto do tipo capsulas. é usada contra febres. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. tosses. dispostas em racemos paniculados. carminativa. dores de cabeça e bronquites. tosses e desordens uterinas e renais. de onde partem folhas ovais.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. pubescentes. A planta toda é bastante aromática. flores roxas ou. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. amarelo-esverdeadas. serradas. glabras. além de diurética. rins e uretra. de ramos quadrangulares. As folhas cruas também são empregadas como condimento. pubescentes. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. enquanto a infusão das partes aéreas. flores vermelhas. dispnéia e reumatismo. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. verticiladas e dispostas em racemos. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. A decocção das raízes . além de excelente na cura da coqueluche. verdes e finas. diaforética.

Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona.é usada contra diarréias. Alfavaca-do-campo. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. membranosas. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. congestão nasal e dor de cabeça. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. agudas. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. distúrbios do estômago. e na Mata Atlântica. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. ovaladas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. pequenas. gripe e catarro no peito. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. problemas nervosos. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. Alfavacão. gineceu com ovário ovóide. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. dores de cabeça e febres.7). carminativa. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. sudorífica. As folhas são ainda muito usadas como condimento. folhas pecioladas. . androceu com estames inclusos. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. como Manjericão. Ocimum micranthum Willd. inflorescência racemosa. glomerulada. margem irregular. diurética e útil contra tosses. núculas negras e lisas (Figura 26. dores de cabeça e como sedativo para crianças.

tosses e bronquites. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. dores de cabeça e tosse. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. Origanum vulgare L. flores em glomérulos. com até 50 cm de altura. dispostas em panículas.Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1988). Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. no Pará (Amorozo & Gély. com ramos ascendentes. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. . a infusão das folhas é usada contra infecções. de base arredondada e margem denteada. além de a espécie ser utilizada também como condimento. vilosas. formando uma espiga terminal. no Mato Grosso (Van den Berg. Pogostemon patchouly Pellet. 1984). Patchuli ou Patchouli. pilosa. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. as folhas são consideradas úteis contra gripes. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). de onde partem folhas ovais. 1980).

O nome do gênero Pogostemon. bilocular.. significa "estames barbados". 2001 e 2002). suaveolens apresentou altas concentrações de 1. hermafroditas. 1991). flores em glomérulos. pentâmeras. 1988. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. 1990). com dois óvulos em cada lóculo.8-cineol. terpinen-4-ol.. O óleo essencial das partes aéreas de H. alfa-bergamoteno. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. (1982).8).Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Azevedo et al.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). três formando um lábio aberto. sedativo e hipotensor. dos quais 32 foram identificados. Uma outra análise do óleo essencial de H. Triterpenóides foram isolados de H. bicarpelar. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). com espigas compostas. como beta- . A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica.. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. ovário supero. 1. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. Existem. porém. Das folhas de H.. fruto seco (Figura 26. predominantemente de sesquitepenos. sendo mais comuns o beta-cariofileno. corola com quatro lobos. androceu com estames excertos. descrito por Desf. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. flores diclamídeas. cruzadas. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. suaveolens por Misra et al. suaveolens possui setenta componentes.

germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. (1980).. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. albida foram isoladas triterpenolactonas.. Das raízes de L. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. Das partes aéreas de H. timol. 1990). . campesterol.. 1996). ácido ursólico. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. sendo p-cimeno. De H. lignanas e flavononas (Messana et al. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. Porém.. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1990). umbrosa. 1987a). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. ácido n-octacosanóico. ácido oleanólico acetato. gama-terpineno. 1987). 1988).7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao.. Das folhas de H. 1988).. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina.. 1991). leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. uma outra análise do óleo de H.elemeno. 1988). e de H. 4. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. De H. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. beta-cariofileno. Metil betulinato. e de L. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1989). beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo.. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. mutabilis foram isolados triterpenos. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. 1990b). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. Em H. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. 1988). 1990). (1978) e Blounietal.. salzmanii foram isolados diterpenos.6. 1990) e de H. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. quercetina.

1979). alanina. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. 5-hidroxi-6. prolina. T. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.64%). 1987). colesterol. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. fenilalanina.84%). 1988). O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M.3'. tirosina. Com isso.8-cineol (6. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . sendo os principais terpenos mentol.80%). Das partes aéreas de L. 1986 e 1987). isomentona e o neomentol (Zakharova et al. mentona. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. officinalis. mentona (24. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Das raízes de L. De L. triptofano e metionina (Dinda et al. N.80%).07%) e mentano (11. piperita var. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. hidroxiprolina. 1996). 1995). piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. metil acetato (16. 1987). brassicasterol. lisina. Da espécie L. ácido glutâmico.. treonina.. das partes aéreas de L.. serina.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.. mentofurano (19..20%). 1996).7... Mentha A composição do óleo essencial de M. ácido aspártico.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. 1990) e um composto fenólico (Misra. glicina.. et al. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. O óleo essencial de três variedades de M. 1987. 1987). mentocubanona. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. flavonas himenoxina. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. Vaverkova et al. A M. 1986).10%) e 1.

O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. 1992). Foram ainda isolados mono. nicotinamida.8-cineol.7. b-cariofileno. reduzindo significativamente a concentração de mentol. catalase. Em Mentha viridis var. luteolina e 5.8. Mg. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. Fe. Nas folhas de M. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. glicídios. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. ácidos p-cumárico. K. De M. 1989). betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. resinas. limoneno.. fenílico.. fitosterol. 1988).posição de terpenos dessa espécie (Sacco.6. Ca..3'. cadideno. 1. betasitosterina. 1987). 1986). vitaminas C e D2. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. como alfa-pineno.e sesquiterpenóides. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. Zi e Cu. . caféico e clorogênico. Mg. 1990) e flavonóides glicorilados. peroxidases.

enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. Kartnig & Simon. 1987).. 1996a). gratissimum é composto de gamaterpineno. Ocimum Do óleo essencial de O. o eugenol é o constituinte majoritário. Khanna et al. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. canum foram isolados diversos componentes. 1987. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. eugenol.Patel et al. Borges et al. O óleo essencial de O. micranthum foram isolados vinte compostos. 1988. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. Phan et al. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1983).. 1989). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1987.8-cineol. flores e caule de O.. sendo eugenol. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. Das sementes de O. as folhas e flores de O.. 1996).. basilicum (Brophy & Jogia. t-bergamoteno. 1986. beta-cariofileno. De O. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. 1986. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. 1997). O óleo essencial de O. Porém. 1. 1987). 1989). 1986. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1990). 1990).. eugenol (Ekundayo et al. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. Do óleo essencial das folhas. hidrocarbonetos como p-cimeno. cis-ocimeno. Takahashi et al... cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes.... já citados.. Em Cuba. 1996).. Nas folhas. Lawrence.. De O. 1996 e 1997a). canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.. sendo 1..8-cineol. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1981). Das folhas da O. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta... 1990). 1986. eugenol. 1988). b-cariofileno. 1986. 1981. Sakurai et al.cariofileno.. Na China. . Sharma et al. linalol.

láurico. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. 1996). basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1989). cetonas. 1986. nesse caso. linoléico. basilicum foram isolados quercetina. oléico. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. Das flores de O. 1996). 1990).. ácidos orgânicos. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. 1990. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. 1984). No Paquistão. na Turquia.. 1987. além de metilchavicol. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. eriodictiol. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. já comentados (Modawi et al.. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. sendo. Em O. o óleo essencial de O. kaempferol-3-O-rutinosídeo. 1985.. linalol.. basilicum e O. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. 1995). além de ácido p-cumárico. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. triacontanol ferulato. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O.O óleo essencial de O. terpenos. No Marrocos foram isolados 28 constituintes..8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. 1995).. Ekundayo et al. 1991). 1.8cineol e eugenol. fenóis. ácido caféico. linolênico e araquídico (Malik et al. Murugesan & Damodaran. isoquercitrina. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. b-sitosterol. kaempferol. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. 1996). Das folhas de O. 1. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1994).. Thoppil. Fatope & Takeda. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1995).. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. 1987). mirístico. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. sabineno e eugenol (Retamar et al. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1989). alcoóis. sanctum possui estigmasterol. esculina (Skaltsa & Philianos. rubrum foram isolados borneol. 1987). A espécie O. rutina.. esculetina. Das sementes de O. basilicum apresenta 44 compostos. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al.. 1978). palmítico esteárico. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. De O. timol... 1. sendo Metil chavicol.8cineol. A casca do caule de O. 1989). 1988).

Pogostemon As folhas de P. viride (Ekundayo. 1986). hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa.. cablin (Akhila . foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. flavonas. 1981)..Além desses compostos. 1985). 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas (Patwarphan & Gupta. parviflorus (Nanda et al. Foram isolados de P purpurascens. 1984). kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. lactonas sesquiterpenóides de P.

1971). ovalifolia e H.. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1988... além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1989). 1994. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H... pectinata (Bispo et al. estigmasterol. 1984. saxatilis (Fernandes.. analgésica (Freitas et al. . plectranthoides (Esvandzhiya et al. Em H. mutabilis. comumente utilizada como calmante. crenata. Thapa et al. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. atrorubens. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1998). H.. 1998).. a-bulneseno. suaveolens e H. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.. 1997).. Foram identificados n-octacosanol.. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. garwal et al. H. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. Coelho et al. Em H. 1990).. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. plectranthoides foram investigados experimentalmente. 1990). 1987. 1988)... Silva et al.& Nigan.. 1977. também conhecido como Sambacaitá. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. O óleo essencial de H. betasitosterol.. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al.. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. 1988). beta-amirina. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. 1984). vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. Phadnis et al. Munck & Croteau. et al. 1998). O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno.. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. P. auricularis (Prakash et al. 1998) e atóxica (Junior et al. Do óleo essencial das folhas de P. 1989).. C. 2001).. umbrosa. F et al.. 1987. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. 1990).

. 1993) foram atribuídas a H.. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. capitata foi isolado o ácido ursólico. conhecido como Cordão-de-frade. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. Calixto et al. Do extrato metanólico de H.. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano.. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 1980... Diterpenóides isolados de H. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. 1995). 1988.. enquanto extratos de folhas.. 1988. Saksena & Saksena. Di . porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. 1988). do extrato de H. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. 1988). 1995). ramos e flores de H.. verticillata... 1988). Coelho et al. anti-hipertensiva e espasmolítica. 1979). 1984).. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Leonotis Em L. Forster et al.As propriedades antibacterianas. 2002). e Novelo et al. leonurus (Bienvenu et al. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1988). 1988). 2002). Mentha O infuso das folhas de M. 1988).. 1995. foram detectadas as atividades broncodilatadora. antimicrobiana (Cos et al. 1976.. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. nepetaefolia. 1985. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.. Posteriormente. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.

. 1998). . Além das atividades já relatadas com M. O óleo essencial de O. crispa (Mello et ai. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. utilizando-se M. (1968). A. sanctum (Phadke & Kulkarni. 2002).. Queiroz & Reis. 1986a). 1986a. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. Em O. 1989). cordifolia (Villasenor et al. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 1986a. americanus (Jain & Agrawal.. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica... Extratos brutos de O. 2002. Almeida et ai. arvensis (Ceruti et al. O... 1987.. 1982. piperita (Ansari et al. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 1986). também verificada com extratos de O. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1989) e diurética (Carvalho et ai. basilicum demonstraram atividades analgésica. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. antiespasmódica (Di Stasi et ai. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. 2002). 1986b). 1984). Ocimum Verificou-se que a espécie O. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro.. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 1987b).Stasi et al... Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Queiroz & Brandão. 1986). espasmolítica (Queiroz & Reis. piperita. cannum (Dubey et ai. et ai.. sanctum (Dey & Choudhuri. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. Sharma & Jocob. 1988. 1987). enquanto estudos com O. antifertilidade. 2001 e 2002). determinaram-se propriedades fungicida. Queiroz & Brandão. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 2002). Chen et al. 1978) e O. Lahlou et ai. Do híbrido... Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al.. e a atividade antimutagênica ao extrato de M.. 1981). gratissimum (Atai et ai. 2000). 1989). Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. 1993.. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. R. antibacteriana. 1986c) e em O.

2002). sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. et ai. Extrato etanólico das folhas de O. O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. 1986).. suave (Tan et al. antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1996). Vanderlinde et al. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O.. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. gratissimum (Sobti et al.. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. O óleo essencial de O..O. . 1994. 1994). A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O.. Nakamura et ai. 1992. Os óleos fixos de O. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al.. O óleo essencial de O. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário.. 1994).. 1995) e O. 1986). Vanisree & Devaki. 1989). 1994a). 1995).. 1992. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. Vanderlinde et al. o ácido ursólico. 1990)... 1986). ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio.. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. antiinflamatória. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. 1993. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. suave foram utilizadas como repelente de insetos. basilicum (Dube et al. Das folhas de O. As folhas de O. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes.. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 1997). antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima.. Vanderlinde et al. que apresentou atividade protetora do mastócito. 1996). Vanderlinde et al. E. 2001). 1989). 1999. O óleo essencial de O. 1994b. Das folhas de O. mas a administração de O. enquanto a O. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al.

e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Sálvia e Salva-da-gripe. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. como Erva-cidreira-do-campo. 1997). muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. quadrangulares. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. 1986). ascendentes. folhas pecioladas.5 ml/kg. caule e ramos primários. Alecrim-docampo. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. sobretudo em crianças. longos. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa.E. Compreendem árvores. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. pubescentes. especialmente da América do Sul (Mabberley. 1984). e em outras. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. Salva-limão.Br.) N. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. provocando sonolência. Salva-brava. arbustos e ervas.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. 1995). Stachytarpheta e Lippia. Salsa. alternas ou opostas .

membranoso. folhas pecioladas.(às vezes na mesma planta). é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. cólica do estômago. 1988). fruto do tipo capsular branco. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Essa espécie é usada como antiespasmódica. o chá das folhas é utilizado como calmante. Na região do Vale do Ribeira. no Pará. 1980). com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. fruto com dois mericarpos plano- . Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. Salva. 1984). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. náuseas. hermafroditas. reunidas em inflorescências vistosas. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. tosses e gripes. flores pequenas. como antigripal e calmante. 1986). flores pequenas. reunidas em inflorescências capituliformes. diclamídeas. no Mato Grosso (Van der Berg. emenagoga (Corrêa. Dados botânicos Planta de pequeno porte. cálice curto. relaxante e contra intoxicações gerais. pentâmeras. pubescente e bipartido. o chá das folhas é utilizado como calmante. Malva e Nulva-do-marajó. 1980). sem estipulas. no Rio Grande do Sul (Simões et al. além de problemas do estômago.9). cálice curto. sementes pequenas (Figura 26. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. Lippia grandís Schan. estomáquica. corola bilabiada. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. na Paraíba (Agra.

1986. timol. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. lapachenol. mirceno. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1980).. três vezes ao dia. acacetina. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. naringenina. 1987). geranial. Souto-Bachiller et al. 1991...vanílico. ukambensis (Chogo & Crank. monoterpenos. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. esteárico. 1982). carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. o chá das folhas. Da espécie L. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1987.. 1981). Da parte aérea de L.. 1987). triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. 1996).. canescens e I. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. Já de L. é usado contra problemas do fígado. americana foram obtidos ácidos graxos livres. citral e carvona (Matos et al.convexos. 1983). p-cinieno. alfa-cubebeno. betacariofileno (Craveiro et al. 1996a e 1996b). dulcis (Bubnov & Gurskii. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Craveiro et al. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. Hernandulcina. 1981). 1987).. e do caule e folhas foram obtidos ácido . a mais estudada é a L sidoides... isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. (1981). araquídico. Sauerwein et al. (1986 e 1987). limoneno. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. Matos et al. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. No óleo essencial de L. 1986. Vários terpenóides foram isolados de L. behênico e lignocérico (Macambira et al. gama-terpineno. As espécies L. timol..

1991 e 1995).. 1990). 1990). foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. quatro éteres.espécies de L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al.. Fun et al.. 1988). graveolens. a-pineno.01%) ecariofileno (15.origanoides foi quantificada.67%). De L.43%) e piperitenona (11. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. Das partes aéreas e das raízes de L.. alfa-terpineno (4. 1.l.27%). 1994 e 1995)... 1. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L... apigenina. wilmsii foram isolados quinze componentes. 1990. Das folhas de L. graveolens foram isolados pinocembrina. alfa. quatro alcanos. 1.12%). multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. 1996a). Os constituintes p-cimeno. fissicalyx (Retamar et al. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. eupatorina. alba e L.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. 6-hidroxiluteolina. Das folhas e flores de L. diosmetina. 1989). p-cimeno (3. neral. p-cimeno. Dentre os compostos isolados.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. timol. 1989). . adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol.8-cineol. acetato de timol (17. 1.23%) e metiltimol (2. naringenina e lapachenol (Dominguez et al.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. 1996b).8-cineol (2. 1989).8-cineol (15. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. 1987). timol. eupafolina. crisoeriol. O óleo essencial de L. cirsimaritina. sendo 22 hidrocarbonetos. dos quais foram identificados piperitona (28. 1.. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. limoneno. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.35%). sabineno. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. A composição química do óleo essencial de L.e beta-pineno.. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al.97%) como principais componentes (Mwangi et al.8-cineol. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. hispidulina.8-cineol. 1987). citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Do óleo das folhas de L.33%). luteolina.

Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. 1996).. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein.. 2000). 1981).. Além disso. polystachya. atribuída à presença de flavonóides (Santos. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. mircenona (31%) e de L. junelliana.4- . 1980 e 1987. respectivamente). inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 1997).. junelliana. Do óleo das flores de L.. 1995a). M. enquanto o outro componente.. 2002).Y. 1980). et al. aristata (Rouquayrol et al. multiflora. aristata (Moraes Filho et al. 1996). Observou-se ainda atividade antitumoral com L.5%). 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. De L. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.carvacrol.. um dos componentes principais. P D. além de uma atividade moluscicida (Almeida. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al... Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. antiulcerogênica (Pascual et al. 1990). Esse óleo. 1998). Moraes et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. L.. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. polystachya foram isolados tujona (30... Com a espécie L. de L. assim como o de L.. turbinata e L. Do extrato das folhas de L. 1979).3%) (Zygadloet al. 1988a). turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes.2% e 41. gracilis foram observados aumento inotrópico. integrifolia e L. et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3. L. 1998). lipifolil(6)-en-5-ona (18. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.. 1986).9%) elimoneno (13.. 1996).. contribui para a coesão das células da pele. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. 1990).. sidoides mostrou atividade moluscicida. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.. Vale et al. 1998.. grata (Viana et al.4%. misturado a cremes.. Já o óleo essencial de L.. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. 1980). o verbascosídeo. 1987)..

.. 1984). antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1995b). et al. 1996). 1998)... O óleo essencial das folhas de L. Ximenes et al. 1978). e no óleo essencial. 1986).. O. sidoides (Fonteneles & Sales. timol e carvacrol. 1988b). 1980. 1995). chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1980. Nunes. 1996. O óleo essencial de L. 1988. Teixeira et al. 1992.. 1998). moluscicida (Moraes. geminata e L. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. M. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. 1979) e I. multiflora (Chanh et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. Viana et al.. no qual se observaram atividades analgésica. R. Moraes. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. 1977). Os principais componentes do seu óleo essencial. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida.. hipnótica e hipotensora (Noamesi. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. Além disso. porém. Botelho & Soares. 1985).. et al. 1988).. 1994.... no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Lacotes et al... polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante.. . e o de L. 1979. nodiflora foi realizado um screening preliminar. Laxoste et al. tranqüilizante (Matos et al.... 1994. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. M. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. 1995.. antifúngica (Lemos et al. 1980). et al. Nas folhas de L. atividades cicatrizante.. et al. apresentaram atividades antibacteriana.. antibacteriana (Aguiar et al.dihidroxifeniletanol. Menezes et al. anestésica (Viana et al. 1996.. 1978.. espasmolítica (Viana et al. grata. 1978). sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.. 1988. M. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. Y. Teixeira. O.. S. Matos et al. 2001). Almeida. 1978). 1992). graciliy (Fontenele et al. 1979).. 1996). anti-hipertensiva.. L.

.1 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência.FIGURA 26.

1998). Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26. .Hyptis crenata.2 .

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .3 .Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26.

4 .FIGURA 26.Leucas martinicensis. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

FIGURA 26.5 .Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.6 .FIGURA 26.

Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .FIGURA 26.

Pogostemon patchouly.FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .8 .

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.

Scrophulariaceae. Os gêneros mais importantes da . C. No estudo realizado. arbustos e raramente ervas (Joly. Mabberley. pertence à ordem Scrophulariales. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. A. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. e reúne 120 gêneros. Bignoniaceae. 1998. incluindo árvores. subclasse Asteridae. as quais passamos a descrever. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. com aproximadamente 750 espécies.27 Scrophulariales medicinais C. lianas. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Hiruma-Lima L. 1997). foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae.

Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. Jacaranda caroba. o que gera o nome popular atribuído à espécie. oblongo-linear. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. . Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. é descrita aqui. com ampla distribuição nas regiões tropicais. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. de ramos cilíndricos e glabros. contendo sementes oblongas (Figura 27. os gêneros mais comuns são Tabebuia. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. curto-pecioladas. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. são Tabebuia e jacaranda. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". com gavinhas. e as várias espécies do gênero Zeyhera. as quais são discutidas a seguir. também é conhecida como Cipó-de-alho.1). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. folhas normalmente 2-3-folioladas. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. da famosa Flor-de-são-joão. Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões do país. Pyrostegia. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia.família. fruto do tipo capsular largo. elípticos e coriáceos. anteras glabras e ovário oblongo. uma delas. que inclui os Ipês e o Paud'arco. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. No Brasil. com folíolos peciolados.

de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. fruto do tipo capsular. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. por ser mole e porosa. roxas. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. dispostas em panículas. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Jacaranda caroba (Vell. Camboatá-pequeno. Carobado-carrasco. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Uma outra espécie do mesmo gênero. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. flores tubulosas. coriáceos e glabros. Caroba-miúda. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Caroba-do-campo. não completamente identificada e conhecida como . A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria.) DC. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. sendo amplamente usada como ornamental. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Camboté. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa.

podendo ocorrer com flores amarelas. longas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. adstringente e anti-sifilítica. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. É muito comum no Brasil. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. com ramos jovens delgados e folhagem densa. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. como corimbos multiflorais. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas.Carobinha.2). especialmente em crianças. sítios e quintais de residências. descrito por Carel Borinov Presl. Segundo Corrêa (1984). as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. folhas com folíolos ovadooblongos.5 cm de largura.5 cm de largura (Figura 27. amplamente encontrada em campos. . Dados da medicina tradicional Na região de estudo. de cor laranja. especialmente no Dia de São João. ou seja /'coberta de fogo". Trata-se de uma espécie heliófita. repletos de flores tubulares. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. O nome do gênero Pyrostegia. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. raramente encontrada no interior de matas densas. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. inflorescências numerosas.

A espécie J. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan.. sendo a maioria de ervas ou arbustos. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. 1996). Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 1994). O extrato etanólico da espécie A. 1976 e 1977). decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. 1995). a atividade antimicrobiana foi conferida a J.. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. 1996). com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. acorendico presente na planta (Oguro et al. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. 1992). a família não é encontrada de forma espontânea. A espécie J... No Brasil. especialmente a espécie Sesamum indicum. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. Espécies medicinais Sesamum indicum L. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. Foi detectada na flor de P. . caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. mas apenas cultivada. venusta a presença de aminoácidos. 1999).

com muitas sementes oleosas. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. 1997). sesamolina (Mimura et al. opostas. 1988. externamente.Dados botânicos A planta é uma erva anual. inteiras e pubescentes. contra hemorróidas (Bown. no Egito e na Babilônia (Bown. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. vistosas. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. flores amarelas. folhas simples. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. 2001). 1997). A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. tosses secas. clorosesamona hidroxisesamona é 2. além de seu uso na culinária. abortiva e anti-reumática e. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. diarréias. dores de cabeça.. osteoporose. distúrbios renais. visão fraca. episesaminona (Marchand et al. Tashiro et al. e. indicum foi caracterizada a presença de . O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. O óleo de gergelim. disenteria e catarro intestinal. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. Nas sementes de S. e sobre as pernas para tratar paralisia. para tratar constipação nasal crônica. 1995). de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley.. para alívio da dor de ouvido. 1995).3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al... fruto do tipo capsular. para evitar perda de cabelos. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. 1990). externamente. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. com origem na Ásia tropical ou na África.

(Kar & Mishra. 1991). Nas raízes de S. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. bem como três novos triglicosídeos. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. . 1989. sesamina Do extrato aquoso de S. Mimura. indicum L..albumina. prolamina. 1994). indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 2000 e 2001). 1988).. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. glutelina (Singh & Khanna. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S.2000). indicum detectaram a presença de glicolipídios. ácidos graxos. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. globulina. gama-tocoferol e sesamolina. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. 1993). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1996).

protegendo-o contra danos oxidativos. indicum (Takswchi et ai. 1990) e sesangolina. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. indicum e S. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. além de verbascosídeo. 2001). indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. foram isoladas das sementes de S. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al.. 2002).. alatosídeo A-C.. e.Duas lignanas furânicas. 1992).. 1992). 1994). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. 1988. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro.. sesamolina (Mimura et al.. 1997).. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. O extrato de S. Tashiro et al. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. 1995).. respectivamente (Kang et al. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Da parte aérea de S. 1991). em altas doses. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. angolense. dois derivados do ciclohexiletanol. 1991). rengiol e isorengiol (Pottrat et al. . alatum. 1992). dessa forma. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo..

Vassoura. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. tais como Digitalis. Pupeiçava. Coerana-branca. Scobedia. Verbascum e Wightia. bicarpelar. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Outros nome são Vassourinha. No Brasil.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Veronica. pentâmeras. com corola rotácea. especialmente dos gêneros Antirrhinum. das famosas D. ovário supero. popularmente conhecido como Vassoura. Nomes populares Na região amazônica. . Espécies medicinais Scoparia dulcis L.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. 1997). opostas. pequenas. aqui descrito como medicinal. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. quatro estames didínamos. Esterhazia. hermafroditas. incluindo árvores. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. purpurea e D. algumas aquáticas (Mabberley. crenadas e glabras. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. bilabiada. no Pará. Tapixaba. ovaldolanceoladas. Calceolaria e Maurandia. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. flores brancas. axilares. Tupixaba. Vassourinha-de-botão. arbustos e ervas. lanata. Ganha-aqui-ganha-acolá. nos quais estão distribuídas 5.

1994. doenças venéreas. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1996). picada de mosquito. Na Paraíba. com todas as partes da planta. Coee et al. malária. com muitos óvulos (Figura 27. febre. Em Minas Gerais.bilocular. emoliente. além de ser considerada tônica. . infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al.. 1986). peitoral.. No Pará. febrífuga.3). 1982. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. Matos. menstruais. bronquite. 1983). essa espécie também é considerada emoliente. 1987). No Brasil. béquica. diabetes e hipertensão (De Almeida. 1993. 1988). tosse. hipotensiva. expectorante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. por causa do seu emprego. também. antidiabética e contra afecções catarrais. 1990). As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. pectoral. e utilizada contra desordens respiratórias. bronquite. Já entre os ticunas. 1990). 1980). Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. emoliente e béquica (Corrêa.. 1982). o chá da planta é usado contra hemorróidas. o chá é preparado. 1990). Grandi et al. hipoglicemiante. Scoparia. 1994. problemas cardíacos. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al.. Cruz. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. 1982. hepáticas e estomacais.. para lavar feridas (Branch & da Silva. O nome do gênero. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Verardo. Nas tribos indígenas do Equador. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. significa "vassoura". 1988.. 1984). coceiras. 1982. é utilizada como anti-hemorroidal. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. e as folhas. Coimbra. erisipela e afecções cutâneas. brotoejas. Grandi & Siqueira. 1995). especialmente na Floresta Amazônica. desordens menstruais. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. Encontrada em abundância na América do Sul. tosse. também. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. No Rio Grande do Sul.

O. escutelareína. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. cumárico. entre outros compostos (Kawasaki et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . 1991). antidiabética (Jain.. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. 1990). benzoxazolinona. hipertensiva (Freire et al.. Os ácidos escopadúlcico B. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. M. 1986 e 1988a. obtidos da espécie. apigenina. scopadulciol (Hayashi et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. 1996). 2001). 1993 e 1996)... Hayashi et al. acacetina. depressora do SNC. antifúngica. anti-herpética. 1987). 1998).. antibacteriana gram-positiva. beta-sitosterol. 1990a e 1991).. 1987 e 1988c). A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. (1979) e Mahato et al. B e C (Kawasaki et al. 1988. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1997. simpatomimética (Freire et al.. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. 6-metoxibenzoxazolinona.. et al. 1990b). Também foi detectada a presença de glicosídeos. iflainóico. 1990b). dulcinol e ácidos dulcióico.. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis... 1985). antiinflamatória (Freire et al. manitol. et al. antiviral. Azevedo et al. Dalla Torre et al. 1996b). escopadulciol. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. gentísico.. 1993 e 1996) depressora (Freire. Hayashi e al. 1993 e 1996a). alfa-amirina. cinarosídeo D. antiespasmódica. sedativa e diurética (Ahmed et al.. hipocolesterolêmica. M. E. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. S. S. antiinflamatória. glutinol e acacetina (Hayashi et al. betulínico.. 1989. 1994. Torres et al...Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. expectorante e atóxica (Moura et al. flavonas.1988b). Freire. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A.. 1988a e 1990c). 1987... (1981).. anti-séptica.

.Adenocalyma alliaceum. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al.. 2002) e antitumoral (Nishino et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.vidade antimalarial in vitro (Riel et al...1 . 1988b). 1997a). Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. 1993).. 1997a e 1997b). Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. FIGURA 27. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1978) (Banco de imagens - .

FIGURA 27.2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .Pyrostegia venusta.

1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.3 .

Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Di Stasi C. Os gêneros estão distri- . A família Asteraceae (Dicotyledonae) . sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. Essa família compreende 1. Trata-se de uma grande ordem.528 gêneros. herbáceas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta.Ivan Martinov. M. Inclui espécies arbustivas. com aproximadamente 22.28 Asterales medicinais L. arbóreas.750 espécies cosmopolitas. 1997). trepadeiras e ervas. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que passamos a descrever a seguir. Hiruma-Lima C. encontradas em todo o planeta. C. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. A. exceto na Antártida (Mabberley. M. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. Santos E.

Calendula officinalis. Ageratum conyzoides. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Wedelia. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). a Camomila. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Zinnia. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Matricaria chamomila. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Aster. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Calendula (Calenduleae). as várias espécies de Artemisia. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Artemisia. Nesse contexto. Bidens e Helianthus (Heliantheae). do gênero Arnica. Matricaria. Ageratum. Gnaphalium e Achyrocline. Calea. com ampla distribuição no território brasileiro. conhecida como Mil-folhas. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. as importantes Carquejas. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Galinsoga. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. várias espécies do gênero Bidens. Calendula. Achillea millefolium. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico.buídos em três grandes subfamílias. o Mentrasto. Tanacetum. a famosa Arnica. Achillea e Santolina (Anthemideae). Mikania. Lactuca. Semeio e Emilia (Senecioneae). Baccharis e Solidago (Astereae). Novalgina e Anador. Arnica e Tagetes (Helenieae). gênero da famosa Calêndula. e inúmeras plantas de . das quais se destaca a Baccharis trimera. • Asteroideae Inula (Inuleae). especialmente a Mikania glomerata. do gênero Mikania. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). tais como inúmeras Vernonia.

Na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país. a decocção das folhas é usada. de pequeno porte. como antiinflamatório e. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. onde foram incorporadas na medicina tradicional.pequeno porte do gênero Eupatorium. apenas masculinas. folhas simples. inteiras. com borda irregularmente serreada. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. oblongo lanceoladas. em Minas Gerais. caule comprimido e denso-piloso. curto-pecioladas. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. externamente. de ápice e base agudas.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. ereta ou prostrada. opostas. flores unissexuais e marginais. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. Dados botânicos Planta anual. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. amplamente usadas na medicina popular. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. rasteira.1). inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. . a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. internamente. como cicatrizante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

. hemorroidais e pulmonares. Em outras regiões do país. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. com caules ramosos.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. glabra. gripes e distúrbios do estômago. Aquiléia. a espécie é chamada de Novalgina. hermafroditas.. Dados botânicos A planta é uma erva perene. 1982) e. sendo as marginais femininas e brancas. além de ser anti-helmíntica. flores dimorfas. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). 1997). sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. no Uruguai. agindo ainda como antiespasmódico. com até 60 cm de altura. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. digestivo. contendo folhas oblongolanceoladas. rizomatosa. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. amarelas e tubulosas. e as centrais. dor de cabeça e dores gerais. como contraceptivo feminino (Mabberley. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. reunidas em capítulos corimbosos. raras são nativas das Américas. Milefólio e Mil-em-rama. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. . Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. flores brancas ou lilases. tônica. antidiarréica. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. a espécie é chamada de Carqueja. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. anti-reumática. pecioladas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. febrífuga. útil contra resfriados. amenorréia e gonorréia. crenadas. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. além de indicada para aliviar náuseas. com até 1 m de altura.Ageratum conyzoides L.2). Baccharis trimera (Lers) DC. pilosa e ramosa. com folhas opostas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. anti-reumático e contra cólicas menstruais. e o nome do gênero. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Catingade-barão. a espécie é chamada de Mentrasto. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. Ageratum. carminativa. Em outras regiões do país. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. ovadas. mucilaginosa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. cólicas flatulentas e uterinas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. significa "o que não envelhece".

enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. hipertensão. como Picão-preto.3). entre outras (Corrêa. 1926). Carrapicho-de-cavalo. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Macela-do-campo. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Piolho-de-padre. Aceitilla. podendo atingir até 1 m de altura. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Goambu. diurético e contra distúrbios renais. fruto do tipo aquênio (Figura 28. a decocção das folhas é usada como analgésico. Carrapicho. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. a planta é usada como tônico. estomáquico. com ampla distribuição na América do Sul. Amor-seco. anti-helmíntico. anti-reumático. Espinho-de-agulha. Pirco. . (Bidens pilosa L. estomacais e intestinais.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Bidens bipinnatus L. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". o deus Baco do vinho. Erva-picão e Pau-pau. bem como em vários Estados brasileiros. derrame cerebral e diabetes. Em outras regiões do país. Carrapicho-deduas-pontas. Carrapicho-de-agulha. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Erva-picão.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. tais como Cuambu. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Picão-do-campo. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie.

Dados botânicos Planta de pequeno porte. adstringente e considerada útil contra icterícia. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. disenteria. antiescorbútica. antileucorréica. Vasquez. pecioladas e fendidas. laringite. com cálice modificado. significa "dois dentes". o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. referindo-se às aristas do papilho. No Leste da África. 1962). a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. 1993. a espécie também é referida como emoliente. capítulos pleiomorfos. conjuntivite. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28.. . a espécie é usada como antiinflamatório. diurético e contra hepatite. diabetes. No Brasil. utilizada especialmente contra icterícia. hepatite. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros.4). dores de cabeça e de dentes (De Feo. folhas opostas. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. micoses. pentâmeras. Coimbra. ramosa. antidisentérica. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. 1990). Bidens. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ereta. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. com flores radiais liguladas. edema. 1984). diurética. antiblenorrágica. desobstruente. 1992. leucorréia. com até 1 m de altura. dismenorréia. simples. diabetes e inflamações (Corrêa. A planta é considerada estimulante. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. bem como no combate a dores em geral Jager et al. infecções urinárias (Mejia & Reng. glabra. 1990. 1994). 1995).. O nome. vermífuga e vulnerária. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. Duke et ai. desordens hepáticas. 1996). Na medicina tradicional peruana. 1994). sialagoga.

triplinervadas. digestivo. estriado e diminuto. enquanto o sumo das folhas frescas. de caule ereto. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Japana-roxa e Erva-de-cobra. angina.ambas não identificadas . estimulante. flores (20 a 30) azuis. como tônico. lanceoladas. a espécie possui vários usos das folhas.Eupatorium ayapana Veuten. fruto do tipo aquênio alongado. folhas opostas. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. e contra malária. androceu com anteras levemente sagitadas. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). anguloso.5). Aiapana. 1984). além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. Dados botânicos Erva bastante delicada. cólera.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . especialmente do fígado. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. Japana-branca. . O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. antidiarréico e antidisentérico. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. acuminadas. como Iapana. mas são comuns outras denominações. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. corola com tubo interno glabro. empregado externamente na forma de banho. sudorífico. ferrugíneo e glabro. visto a grande semelhança entre elas. estomáquico. Em outras regiões do Brasil.

O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. referindo-se ao tomento das folhas. assim como em todo o Brasil. .especialmente na América do Norte .Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. pequenas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. a infusão das folhas é usada contra diarréia. capítulos pequenos e reunidos. de ocorrência nas Américas . O nome do gênero significa "o que é firme".e com raras espécies na América do Sul. Solidago microglossa DC. podendo atingir até 1 m de altura. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores amarelas. O nome significa "feltro". dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com ápice arredondado. a espécie é chamada de Macela. serradas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. folhas oblongas. a espécie é chamada de Arnica. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. que formam uma inflorescência cilíndrica.

cálculos da bexiga e dores de dente. batidas. o preparado com folhas de arruda. membranosas. significa "flor com mancha". é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. entretanto. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. Agrião-do-brasil. o chá das folhas.. vários outros nomes são usados. não alado. Spilanthes. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. que tem mancha escura sobre a lígula.6). Spilanthes acmella Rich. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Jambuaçu. longo-pecioladas. Botão-de-ouro. agudas. O nome do gênero.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. com corola curva. tais como Agrião-do-pará. . Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. comprimido com papilho aristado. Abecedária. Agriãobravo. picadas de insetos e infecções. com folhas opostas. fruto do tipo aquênio. ovadas. Essa planta é utilizada como estomáquica. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. Mastruço e Agrião-do-norte. descrito por Nicolaus von Jacquim. Dados botânicos Planta herbácea. flores amarelas. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta.

tais como T. também são usadas como medicinais. em Brasília (Matos & Das Graças. Cravo-de-tufo.1982). nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Originária do México. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. 1997). e indicada contra problemas hepáticos. no Pará (Amorozo & Gély. as folhas. narcótica. divindade etrúria representada como um belo jovem. minuta. considerada carminativa. sendo também comumente chamada de Cravo. opostas ou alternas. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. antiespasmódica. está muito bem aclimatada no Brasil. bronquite. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. Outras espécies do gênero. com muitos ramos. e seu nome vem de Tages. digestiva. tosse e resfriado. antigripal. febrífuga. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. atingindo de 60 a 90 cm de altura. Cravinho. Na Colômbia. emenagoga. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. 1988). Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. patula e T. cicatrizante. a S. Amorozo & Gély (1988) referem que o . são partidas e aromáticas. T. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. lucida. desinfetante e antiasmática. Cravo-africano e Tagetes. abortiva. 1980). sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético.

as folhas são ásperas.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. forte. de Zinha ou Zínia. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas.chá das folhas com alho é usado contra febres. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Segundo Hoehne (1939). Nomes populares A espécie é chamada. as flores possuem várias cores. bronquites e tosses. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. Originária do México. cordiformes. o chá das folhas e flores. Moça-e-velha e Canela-de-velho. incluindo brancas. resfriados. Zinnia elegans Jacq. pela abundância de flores. australe. com uso freqüente contra dores reumáticas. arroxeadas e vermelhas. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. sésseis. para tratar "doença que deixa o queixo duro". na região de estudo. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. anteras amarelas e estigmas vermelhos. rosas. opostas. com caule ereto. . a espécie possui um óleo essencial nauseabundo.

triterpenos (Chandler et al... timol. Torres et al.. limoneno. 1987).7. Caffmi & Demolis. cumarinas. B. pilosa . bipinnatus. 1979. 2000). cadineno. 1996. diterpenos (Saleh et al. 1975) e monoterpenos (Orth et al.. Herz & Kalyanaraman. deterpenos. 1984). De Tommassi et al. 2002... catecolaminas. Bohlmann et al. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. tripartitus. Da espécie B. 1975. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. flavonas.. Hoffman & Hoelzl. axilarina e 5. 2001. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. De A. 1979). 1990).4'-trihidroxi-3. Gene et al. Alvarez et al.. 1994). Christensen et al.. 1980. Achilea. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. Das partes aéreas de A. beta-pineno. terpenos (Verzan & El Sayed.. 1976a e 1976b).. 1994 e 1984. 1979). saponinas e xantonas (Caetano et al.. 1997). Nair et al.. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. 1991).. beta-guaieno.. 2000). 1981). 1977). Gill et al. beta-cariofileno. 1988a e 1988b. crisosfenol D. alfahumuleno.. germacreno A.. Debenedetti et al.. 1987. 1987).. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. leucoantociandinas. gama-cadineno... 1986. delta-cadineno (De Marais et al. laevis e B. isocariofileno. B... monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. glabratum (Saleh et al.. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. Hausen et al. 1981. millefolium também foram isolados ésterois. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1975). 1990. 1976). Poliacetilenos. alfa-copaeno. Sharma & Sharma. flavonóides (Bohlmann et al. 1994.beta-elemeno. Wang et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. 1997). monoterpenos.. Herz & Kalyanaraman. 1986. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1992). De A. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. 1987. alfa-felandreno. flavonas (Falk et al... 1992b. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1985.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. pilosa. De A. B. leucantha (Wat et ai.. 1978)... rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. flavonóides (Shimizu et al.

fortunei. 1990a e 1990b). portoricense (Wiedenfeld et al. 1988b. adenophorum (Li et al. tripartitus (Christensen et al. 1990). Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. 1985). B. 1981). Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. erythropappum (Talapatra et al. dois derivados tiofênicos. 1992). 1979). frondosa (Karikome et al. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. chrysoanthemoides. E.. B. tais como quatro auronas. 1985). 1994) e E. Liu et al. 1992).. E. 1990). rotundifolium (Hendriks et al. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. micranthum (Herz et al 1978). B. cernuol. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. chinese (Zhao et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1987 e 1988).foram ainda isolados inúmeros compostos. E. parviflora. ácido linoléico e linolênico. tinifolium (D'Agostinoetal. B. E. 1982). 1987. £. 1995) E. radiata e B.. 1992). 1993 e 1995).. 1986). salvia (Gonzalez et al. dahlioides.japonicum.. littorale (Sato et al. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. . E. campylotheca (Bauer et al. E. cannabinum (Stevens et al.. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. ferulefolius. £. subhastatum (Ferraro et al.. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. E.. 1997). E. E guayanum (Sagareishvili et al.. pilosa (Zuleeta et al. B.. B. maximowicziana. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. 1995). 1992). Três poliacetilenos. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. altissimum (D'Agostino et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. buniifolium (Muschietti et al. B. 1995).. 1990). 1991) e E. glandulosum (Nair et al. 1991). Wang et al. 1997). E. 1986). 1987.. frondosa. 1994).. odorata (Hai et al. E.. Poliacetilenos também foram isolados de B. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al.. angustifolium (Mesquita et al. ácido linoléico. 1995) e £. E.B. 1988c e 1988d). eugenol. 1988. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. 1997). E. ternbergianum (D'Agostino et al. 1991. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. bipinnatus (W B. Edgar et al. 1995). E. tripartita (Isakova et al. 1988a. Pagani..

adenophorum. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. enquanto em E. e sesquiterpenóides de E.. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1986). limoneno. 1996). Das partes aéreas de S. deltoideum (Quijano et al. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima.. laevigatum (Bauer et al.. 1999). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. . beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1986). 1988a e 1988b). laevigatum (Lopes et al. triterpenóides de E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. tinifolium (D'Agostino et al. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. cannabinum (Zdero & Bohlmann.. 1977). E. 1986b). 1990a e 1990b). A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. naginatacetona. sitosterol. acmella L... fortuna (Haruna et al. entre outras espécies (Ding et al. cânfora. 1987).Nas folhas de E. mikanioides (Herz et al. var. p-cimeno. 1992a). odoratum (Talapatra et al. entre outros (Nakatani & Nagashima. 1991).. 1980). E. espilantol. 1987).. 1987). 1986). quadrangularis (Hubert et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari.. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. E. Ramsewak et al. americana foram isolados monoterpenos. estigmasterol. 1978). 1993). Uma amida. Diterpenóides foram isolados de E. 1992b. 1979).. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. Os principais constituintes do óleo essencial de E. E. E. quadrangularae (Hubert et al. De S. E. recurvens (Herz et al. 1987).fortunei (Haruna et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al.. odoratum foram encontrados taninos. 1994). 1980) e E. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. sesquiterpenos. cannabinum (Stefanovic et al. 1987). altissimum (Jakupovic et al. E. 1987). 1987) e E. rufescens (Ruecker et al. 1986). fenóis e saponina. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas.

Entretanto. pois somente T.. Tosi et al. Das raízes de T.. glandulifera) (Craveiro et al. erecta e T. 1993). 1995). Ahmad et al. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1993). 1987). laxa (De-Israilev et al. tais como quercetagetina. T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. como quercetagetina. 1994) e T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. T. minuta são ocimeno. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel.. As espécies T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1992).. lucida (Hethelyi et al. T microglossa (Castro. 1988a e 1988b). argentina) foram identificados quatro tiofenos.. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. 1987. patula foram isolados tiofenos. 1990b).. 1988). campanulata. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann..Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. T. T. 1988). bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. patula. T. patula (Ivancheva & Zdravkova. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. patuletina e muitos desses derivados. 1990). 1988. que podem ser diferenciadas pela composição química. Pe- . zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. minuta e T. 1987). 1993b). 1987).. T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1990a). T. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. Os monoterpenos descritos em T. erecta (Singh et al. mendocina e T. patuletrina e patuletina.. 1991). o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1988). No entanto. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. 1985).. além de enxofre e fósforo. 6-hidroxikaempferol.

glicosídeos cardíacos.. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. ocitocina. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. 1987).. patula foi detectada (Arroo et al.. 1995). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. 1988. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. 1997). 1988). Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 1996) dessa espécie. elegans indicou a presença de Cumarina. Nascimento et al. a A. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A... b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. australe contra Plasmodium berghei em roedores. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al... 1995).. Experimentos com A.. australe (Matsunaga et al. 1980). elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. 2001). glabratum (Saleh et al. 1991). 1997).. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. taninos. . Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. As antocianinas das flores de Z. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al.. 2002) e antifúngica (Portillo et al. 1988). Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al.. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. Em A. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. Carvalho et al. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca.

As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al.. (1991).. pilosa. possuem atividade antiinflamatória.. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. Triterpenos. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. B. Bondarenko et al. 1987. 1985. 1997). efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. var.. 1991).Achila. 1998b. 1980). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. Abena et al. N'Dounga et al. e B. 2000). Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. além de vários flavonóides obtidos de B.-ol. 1987). as propriedades analgésica e antiinflamatória. 2000). minor foi a mais . pilosa L. reduzindo a produção de prostaglandinas. pilosa (Santos et al. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. imunoestimulante (Ignácio et al. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos.. 1949).. à presença de saponinas (Gene et al. como friedelina e friedelan-3. 1983). conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. Porém.. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. Goldberg et al. Extrato etanólico de B. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. mas Bidens pilosa var.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. Bidens Experimentos com B. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin... minor (Blume) Sherff. 1969).. As folhas de A. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1996).

reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. mais recentemente. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. in vitro.. 1986b). E. 1977). pilosa L. 1986) e diurética (Rebuelta et al. ou seja. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. Um composto sesquiterpênico isolado de B. . tacotaneum (Sanabria & Mantilla.. E. tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1996). 1995 e 1996) e. gracilae. As folhas de E. minor e B. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase.. somente os extratos de B.. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. morifolium e E. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. 1985)... brevipes (Guerrero et al. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1994. E. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. 1998 e 1999). Eupatorium A espécie E.. 1994). pilosa L. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. O extrato hexânico de B. pauciflorum (Giesbrecht et al. campylotheca apresentou. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. La Casa et al. balantaefolium (Almeida & Fonteles. 1995).. 1988) e E. 1995). densum. A espécie B. 1985). E. atidifolium e E.. E. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. Para a espécie B... 1997). E. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al.ativa.. 2002). var. 1996). Entretanto. 1997). hipotensora (Dimo et al. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1989).... glyptophlebum. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. 1985).. consaguineum (Lopes et al. 1995).

1990 e 1991). inulaefolium (Gorzalczany et al. Sesquiterpenóides isolados de E. Inya-Agha et al.. Inibição da síntese de colesterol. A.. pauciflorum.. assim como da atividade da RNA polimerase. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. 1982a). odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. ayapana (Gonçalves et al. 1996) e E.. Spilanthes Das folhas de S. 1988). hyssopifolium (Hall et al. brevipes e E. larvicida (Pitasawat . laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1988. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. 1998). candolleanum (Campos et al. 1995). O extrato bruto aquoso de E. E. E. odoratum (Iwu & Chiori. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia.. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah.. riparium (Ratnayake-Bandara et al.5-decadienamida. proteínas.. Piperidinas de E. E.. e de E. Herz & Palaniappan.1986). Cáceres et al.. RNAse. 1985. flaccida. Eupatorium perfoliatum. halinfolium e E. 1990). 1990). E. Guerrero et al. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. Os extratos de E... (Giesbrecht et al. DNAse. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. acmella foram isolados n-isobutil-4.. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. O óleo essencial de E. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1986).. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. 1989). 1984. Achyrodine alata.. 1995). cannabinum (Bourrel et al.. 1991). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1995) e E. 1992). seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. 1978).. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. enquanto a espécie E. DNA e RNA de células tumorais. 1986 e 1987. A. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. cannabinum. squalidum (Carvalho et al. 1991). 1991).

1987. 1990). como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1993). in vitro. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. Em S. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. oleracea (Herdy & Carvalho. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen.. e o extrato de S.. 1993). Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al.. 1995). 1988.... O eugenol. Andrade.. 1994). L. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. mas não contra Candida sp. folhas e flores de T. et al. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica.. O extrato de S. et al. 1992). sendo os deri- . como no cravo-da-índia. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. enquanto o extrato de S. 1996). e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. sedativa. presente em muitas espécies.. et al.. 1993. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al.et al. antimicrobiana. 1984). 1992. 1992) e antitumoral (Moraes et al. usado como emenagogo. 1989). Camargo Neves et al. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena.. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. Em I minuta. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz... 1999). erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. 1986) e S. RJ.. F. (Fabry et al. bem como no consumo destas (Meckes et al. Souza. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. T. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. C.. 1995). 1998) e espilantol. J. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação.. Valderrama et al.

presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. lúcida estimulou discretamente. 1995). que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. 1997).. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. D e F.. Zinnia As sementes de Z.. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula.. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.. in vitro. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. Dentre outras espécies. a atividade da ATPase.. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Os extratos hexânicos de T. 1991). 1997).. 1992). Do extrato de Z.Ca2+ dependente e inibiu. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. 1987). 1996). elegans L. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. 1989). 1994).. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. coronopifolia e T. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. O extrato de T.. in vivo e in vitro. 1995). 1991).. o óleo essencial de T. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.vados tiofênicos os compostos ativos. . 1994).

S. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos.. Tremetona isolada de E. especialmente na fase jovem. V. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. a espécie E. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. 1995). Entretanto. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. et ai. 1995). especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. 1978a e 1978b).. A ingestão regular de E. enquanto o extrato aquoso de S.. dispnéia.. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. congestão do baço e coração. T. Estudos com a espécie A.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. 1990). 1996 e 1997). et al. caracterizados por diarréia. hemorragia. fraqueza e debilidade dos membros.. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. 1994). alopecia. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. especialmente . A. no entanto. M. australe durante o período de prenhez de ratas. As folhas de S. australe são tóxicas para aves. adenophorum (Oelrichs et ai. Segundo Hoehne (1939). rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. 1993). enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. 1988). icterícia e enterite catarral (Ali & Adam..

1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . b) detalhe da escanerata. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. FIGURA 28.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. relaxante muscular e antineoplásica.como diurético e hipotensor. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.

2 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.

FIGURA 28. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.3 .

Bidens bipinnatus.FIGURA 28.4 . Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

.: a) ramo florido (Di Stasi .5 .Eupatorium ayapana. 1998).FIGURA 28.original). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.

6 . . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).Spilanthes acmella.FIGURA 28.

Genipa. do famoso Cafeeiro. importante fonte de espécies ornamentais. e Gardenia. • Ixoroideae: Coffea. do famoso jenipapo brasileiro. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. A. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Di Stasi C. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Desfontainiaceae e Rubiaceae. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. Coffea arábica. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. algumas espontâneas nas áreas tropicais. com representantes arbóreos. alguns deles de valor histórico. C. Gelsemiaceae. arbustivos. como é o caso de Coffea e Cinchona.29 Rubiales medicinais L. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. 1997). . fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil.200 espécies vegetais cosmopolitas. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. nos quais se distribuem mais de 10.

Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. com corola de base gibosa. lanceoladas. especialmente na Amazônia. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. estipulas não foliáceas. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. ipecacuanha. com pêlos abaixo da inserção dos estames. folhas curto-pecioladas. 1997). e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. e Palicourea. diclamídeas.1). fonte de emetina e outros constituintes de importância. Borreria e Dioidea. Não foram encontrados sinônimos.• Antirheoideae: Guettarda. fruto indeiscente. ovário ínfero. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. simples. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. • Rubioideae: Psychotria. importante árvore. . Cephaelis da famosa C. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. ereto. bicarpelar. com espécies popularmente denominadas Poaia. inteira. muito comuns em terrenos baldios. flores hermafroditas. carnoso e drupáceo (Figura 29. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. Dados botânicos Pequeno arbusto.

Palicourea marcgravii St. de onde partem folhas com venação tênue. marcgravii. Stuart & Woo-Meng. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fendleri (Nakano & Martin.. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. 1999). pecioladas. Nomes populares No Brasil todo. 1989a). Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. opostas. delgados.5 m de altura. inflorescência em panículas.. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. sobretudo na região amazônica. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. 1994). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. acuminadas. de P. Palermo-Neto et al. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. glabros. frutos do tipo baga. com ramos cilíndricos.. Hil.. 1976). o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. avermelhados. (Kemmerling. . 2001). A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. 1995. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Além de alcolóide. De-Moraes-Moreau et al. 1996.. E popularmente usada como medicamento. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". avermelhadas.

et al. P. espasmos musculares. e a intoxicação. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. midríase e morte em bovinos (Costa et al. 1996). os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. Palermo-Neto et al. enquanto P.Palicourea laniflora. comum em animais e rara na espécie humana.Banco de imagens - . convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado.. vômitos.. náuseas. Das folhas de P. Além de fluoroacetato.teratogênica (Costa. 1989). FIGURA 29.. Segundo Schvartsman (1979). falta de coordenação motora. contrações musculares. 1989b. Tokarnia & Dobereiner. 1984a. 1986). caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .. 1995). 1982).1 .. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. De-Moraes-Moreau et al.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. 1989.. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. 1989). 1988. 1980) e convulsivante (Gorniak et al.. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina.. Gorniak et al.

mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. arbustos e lianas. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Abelia e Linnaea. No Brasil. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. 1997). Lonicera e Sambucus (Barrozo. C. Di Stasi C. descrita a seguir. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. também utilizado como medicinal em todo o mundo. Lonicera.30 Dipsacales medicinais L. . A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Os principais gêneros são Sambucus. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. A. Viburnum. 1978).

Apresenta importante valor econômico. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. é considerada excelente diurético e sudorífico. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. dispostas em um corimbo branco. A infusão das folhas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. no champanhe e no catchup. usada internamente. A espécie. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". considerada exótica nas Américas. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. Floresce nos meses de julho a agosto.1). os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. gripes fortes e varicela. Na região da Mata Atlântica. com ramos bastante lenhosos. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e possuem aroma muito agradável. além de seu histórico uso medicinal.Espécies medicinais Sambucus nigra L. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. além de flavorizantes em vinhos. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. . as flores são brancas. óleos e ungüentos. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares.

. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. sinusite.. cianogeninas. 1989. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. casca e frutos são usados para diminuir febres. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. 1988). De S. erisipelas e queimaduras. S. canadensis foi isolado o iridóide . além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico.. folhas. diuréticas. esteárico. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. heptadecênico. flavonóides. 2001). racemosa e S. 1990. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. tetradecênico. gripes. Kaku et al. nigra. Internamente. lignanas. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. lectinas das cascas (Shibuya et al. 1989a). descrita no trabalho de Grieve (1994). reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. mirístico. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. Van Damme et al. os ácidos graxos láurico. palmítico. 1989b e 1989c). sudoríficas. catarros. 1986). a planta ainda é indicada contra influenza. para pequenas queimaduras. reumatismo e febres.. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos.. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. oléico. externamente.Bown (1995) refere que flores.

1988). 1997). 1997). Das cascas de S.. e Polygonum aviculare. De S. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. 2000). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. O extrato aquoso de S. De S. 1987). formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1997a e 1997b). 1989). 1986). Artemisia absinthium. O reatival. Schoning. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. O extrato hidroalcoólico de S. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. As lectinas de S. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al..... indicado para hidropisia. 1997. Van Damme & Peumans. nigra. 1974). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome.. antiinflamatória e antipirética. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. 1994).morronisídeo (Jensen & Nielsen.. das folhas.. O extrato aquoso das folhas de S. 1990). formosana foram isolados. Prunus spinosa. 1980). canadensis (Buhrmester et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina... 1992b e 1992). Salvia offtcinalis. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Sambucus nigra. Centaurium minus. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. australis. . 1996. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. 1997. 1995). Bojic & Cuperlovic.. conhecido como Sauco. mexicana. Com base nessa constatação. 1997).. 1996). beta-amirina e o ácido oleanólico. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. e das raízes de S. que possui atividade colerética (Takeda et al. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. apresentou atividades analgésica.

1 . 2000.. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). Neto et al. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.Sambucus nigra. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. 1999) e a espécie S.A espécie S. FIGURA 30. . 2002)..

Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. .Posfácio L. C. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. Dessas 135 espécies medicinais. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. entre outros. Mata Atlântica. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. A maioria é nativa desse ecossistema. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. como é o caso do Alho (Allium sativum). da Hortelã (Menthapiperita). das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. • 109 são usadas na Amazônica.

enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. a Camomila (Matricaria chamamila). a Erva-doce (Pimpinela anisum). a Losna (Artemisia absinthium). ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. neste livro. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. a Calêndula (Calendula officinalis). o Mamão (Carica papaya). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). Esse dado se torna mais importante porque. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. . o Coentro (Coriandrum sativum). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. o Agrião (Nasturtium officinalis). 340 espécies. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. razão pela qual não foram incluídas no texto. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. a Mostarda (Brassica nigra). podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). várias espécies amplamente conhecidas. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. compreendidas em trinta diferentes ordens. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. apenas dezesseis são monocotiledôneas. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados.Dessas 135 espécies medicinais. ou seja. líquens. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica.

Sobre essas. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. Por isso. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. pelos mais variados grupos de pesquisadores. isto é. e que esse conhecimento seja recuperado. Finalmente. . que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. alcançando alto índice de citação.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. esse conhecimento se enriquece a cada dia. como a de massa e a erudita. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas.

se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Arista. . Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. pelo lado interno. Acuminada. o ciclo reprodutivo e depois morre. folhas que envolvem o caule. Bianual. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Que fica na axila. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. os estames. com dois sexos. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. indeiscente. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Alternas. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Andróginas. Fruto seco. no segundo. Bainha. Planta que nasce. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Arilo. Aquênio. Anual. Amplexicaule. Que abraça o caule. Baga. com uma única semente. Conjunto de órgãos masculinos da flor.Glossário de termos botânicos. Excrescência da semente. Antera. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Axilar. Androceu. Hermafroditas. Aguda.

Conjunto de sépalas. Capítulo. com função de proteção. Cariopse. Pétala superior da corola papilionada. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Escapo. Fruto seco. seco e indeiscente. que se formam ao lado da parte basal das folhas. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Planta trepadeira. Na forma de cunha. como o fruto das gramíneas. dois mais altos e dois mais baixos. que é o verticilo externo da flor. Elíptico. Fruto monospérmico. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. tornando-o alado. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Que se abre. Escandente. Endosperma. androceu ou planta que possui quatro estames. Crenada. Colmo. Qualquer órgão que cai em determinado período. inseridas em um eixo comum. Camada externa do pericarpo. Carpelo. Didínomo. Corimbo. Estilete. normalmente largo. Caduco. Conjunto de pétalas. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Com a forma de elipse. Corola. Cápsula. Diclamídea. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Dicotiledôneas. Cuneiforme. Decorrente. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Deiscente. Estandarte. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Drupa. Diz-se da flor. Cada um dos apêndices. em geral dois. Cálice.Bráctea. Pedúnculo geralmente sem folhas. mas sempre terminando na mesma altura. Decumbentes. Estipula. Carena. deiscente. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. . Ex. Folha modificada que origina o gineceu.: cana-de-açúcar. Epicarpo. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Tecido nutritivo encontrado nas sementes.

As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. . As flores podem ser dímeras. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. complexas e variadas nas formas. trímeras. Flores. As flores são estruturas de reprodução. Fasciculada. pentâmeras etc. e ao de pétalas.Estômato. Filete. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. o de corola. Folha. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. Parte do estame que sustenta a antera. que é ramificada igualmente em forma de pincel. que juntos constituem o perianto. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

ou composta . no caso das folhas compostas pinadas. Nesses casos. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. às vezes numerosas. às vezes reduzidas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais).quando se compõem de duas ou mais lâminas. ou com o próprio caule. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . . que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. as folhas podem ser pecioladas ou não. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.quando consta somente uma lâmina .A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.

Finalmente. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir. Todas essas características. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. .

Hirsuto. Metaclamídeos. Indeiscente. . Provido de pêlos longos. Lanceolada. Oblonga. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. deiscente. os carpelos. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Lóculo. Monocotiledôneas. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Lobado. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Inflorescência. Desprovido de pêlos. As inflorescências podem ser de diversos tipos. porém presentes na mesma planta. Lâmina. Planta que produz flores unissexuais. Gavinha. Monóica. é constante para cada espécie vegetal. Que não se abre. Flor com apenas um invólucro no perianto. Hermafrodita.Folíolo. Lígula. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Glabro. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. em linhas gerais. Diz-se da folha em forma de círculo. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Infrutescência. Folículo. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. mais longa que larga. Fruto seco. Planta ou flor com dois sexos. Gluma. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. e as principais são motivadas na próxima figura. Gineceu. Orbicular. Porção alargada e achatada da folha. Monoclamídea. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Brácteas externas que envolvem a espigueta.

1978)..Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. .

incolor. Cálice modificado em pêlos. dispostas circularmente. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Caule subterrâneo. Hidrocarboneto não saturado. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. mirístico. palmítico. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Ácido graxo. Papilho. gasoso. succínico. Que forma gancho. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Ráquis. Receptáculo. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. cujos pêlos se entrelaçam. Pubescente. Perianto. Exemplos: ácidos acético. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. aromáticos etc. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. dibásicos. com cheiro desagradável. Termos químicos Acetileno. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. fórmico. oléico. solúvel em água. Perene. araquídico. . esteárico. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Conjunto formado por cálice e corola.Panícula. Séssil. Estruturas com simetria bilateral. Substâncias orgânicas. gálico. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Podem ser monobásicos. Tomentoso. Qualquer estrutura provida de pêlos. fenólico e tartárico. Ácidos orgânicos. Rizoma. cerdas ou aristas. Uncinada. linoléico. Zigomorfa. cáprico. Racemo. nitrogenadas de origem vegetal. isovalérico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. característico da família Asteraceae (Compositae). Alcalóides. Qualquer substância de sabor ácido. Planta ou órgão denso. Pecíolo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. o mesmo que cacho. Verticilo. Ácido.

Ver esteróides. com caráter gelatinoso. Esteróides. Cetonas. Compostos naturais ou artificiais. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. onde exerce importantes funções. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Cumarinas. vegetais e animais. Exemplo: p-cimeno. Carboidrato. Exemplos: carvacrol. Betaínas. Esterol. Fenóis. originam as flavononas. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Catalase. Flavonóides. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. . Ou hidrato de carbono. São corantes vegetais. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. como a quercetina. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Uma das substâncias constituintes do amido. timol. Líquidos incolores. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Compostos alifáticos. derivados do cicloperidrofenantreno. tais como os hormônios. Aminoácidos. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Compostos aromáticos. Amilopectina. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. voláteis. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes.Alcoóis. encontrado nos organismos vivos. amarelos e roxos. Fitosterol. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. eugenol e hidroquinonas. estragol. Aldeído. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos orgânicos não-cíclicos. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Flavonas. que exercem várias funções. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3.

Combinações orgânicas do tipo da glicose. Líquido incolor e aromático. Líquido oleoso. recobrindo-as com uma camada protetora. derivados do fenilpropano. Lactonas. Hidrolato. Peróxido. Substâncias que. Lipídios. pela ação de ácidos diluídos. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Compostos cíclicos. Mucilagens. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Glicosídeos. Ligninas. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. sofrem hidrólise. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. . Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. oxidando outros compostos. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Compostos cíclicos. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Insulina. Glicídios.Fosfolipídio. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. geralmente de odor agradável. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Peroxidase. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Insaturados. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Óleo essencial. Lignanas. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Hormônio secretado pelo pâncreas. Heterosídeo. Hidrocarboneto.

sufocação. que provoca constricção. violenta. Antifertilidade. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Falta de menstruação. Anemia. Afasia. ato ou efeito de desvariar. especialmente táctil e dolorosa. de um músculo ou grupo de músculos).Termos médicos Abortivo. Antiemético. perda momentânea da razão. Auticonvulsivante. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Afrodisíaco. Antibacteriano. . Agregação. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). podendo ser feminina ou masculina. Queda dos cabelos. Anticatarral. Antidisentérico. Alopecia. Que reduz a capacidade de reprodução. antigonorréico. Antidiabético. aglomeração. Antiblenorrógico. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. involuntárias de músculos voluntários). que prende. Que combate as convulsões (contrações violentas. Expectorante. às vezes. Dor sufocante. Delírio. Analgésico. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Agrupamento. Tumor maligno com disposição glandular. Capaz de promover expulsão do feto. Que combate a eliminação de muco. Antigonorréico. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antiespasmódico. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Alucinação. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Angina. a sangue). Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Adenocarcinoma. doença sexualmente transmissível. Antiescorbútico. Que combate fungos. calvície. Acne. que impede a formação de catarro. Amenorréia. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Que suprime náuseas ou vômitos. Que aperta. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Que reduz ou suprime a dor. Adstringente. Antifúngico. Anestésico.

Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Antineoplásico. inatividade. Que combate tumores. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Béquico. . Ataxia. Que combate a sífilis. Antileprótico. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Antiinflamatório. Apatia. Broncodilatador.no. Que combate o reumatismo. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate micróbios. Que dilata os brônquios. Também denominado antipirético e febrífugo. Relativo à tosse. Que combate a lepra. falta de emoção. Estado de indiferença. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. insensibilidade. Anti-hemorroidal. nos rins e/ou na vesícula biliar. doença causada pelo Treponema pallidum. Em geral se forma na bexiga. que serve para o tratamento da tosse. também chamada de paludismo. formada por sais minerais. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Anti-reumático. quase sempre transmitida por contato sexual. Antitumoral. Anorexia. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Redução ou perda de apetite. Antitérmico. Antimicrobio. Que combate helmintos. Antivirótico. Brônquios. Que combate a formação de tumor maligno. Que impede a fermentação. Que combate a histeria. Que combate as inflamações. Que faz baixar a temperatura. Antimalárico. Que combate o corrimento vaginal simples. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Que combate as doenças provocadas por vírus. Anti-sifilítico. especialmente bactérias. Antipruriginoso. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Anti-séptico ou Antisséptico. febre paludosa ou palustre. putrefação ou contaminação microbiana. desinfetante.Anti-helmíntico. Cálculo. em geral acompanhada por desordens na fala. Antivenéreo. Antinociceptivo. Anti-histérico. Antileucorréico. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos.

que aumenta ou provoca a secreção urinária. Que favorece o fluxo biliar. Carminativo. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. sensação de peso ou queimação no estômago. Que tem a propriedade de amolecer. resfriado. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. reduz a força. que ativa a eliminação de bile. Purgativo. Que alivia a distensão por gases. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Indigestão. que separa substâncias nocivas. gripe comum. Desobstruente. libera a passagem de um vaso ou canal. Prisão de ventre ou. Emético. purifica. Respiração difícil. do estômago etc. Desinfetante. estimulante da transpiração. particularmente a pele inflamada e porções próximas. empachamento. Colagogo. reduz a excitação. Cardiotônico. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Infecção por bactérias. Que favorece a secreção urinária. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Que favorece ou provoca menstruação. Que deprime. Congestão. . Inflamação da pele. Dispnéia. caracterizado visualmente pelo inchaço. enfraquece. Emoliente. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Depurativo. Que provoca vômito. Disfagia. Edema. Diaforético. Depressor. Dificuldade na deglutição. Que limpa. dificuldade para respirar. que previne a invasão de microorganismos. Sudorífico. acompanhada de náuseas. Constipação. Que desentope.Carbúnculo. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. do intestino. Eczema. Que exerce efeito tônico sobre o coração. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Cicatrizante. Dermatite. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. gripe. Diurético. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. também. Dispepsia. Emenagogo. crostas e secreção. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Catártico. Citotóxico.

Eructação. Ictericia. que leva à perda de atividade. que melhora o funcionamento do fígado. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Que combate fungos. Capaz de promover estímulos. com anemia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. estado de irritação. Hemostático. Hidropisia. Hepatócitos. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Hipoglicemiante. Farmacoterápico. Que produz imobilidade emocional. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Hiperglicemia. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Que combate a febre. Glicosúria. Hipocolesterolêmico. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Relativo a hemostasia. com bradicardia (pulso lento. Estomáquico. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Febrífugo.Erisipela. que estanca hemorragia. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Distensão por gases no intestino. Estimulante. deposição de bile nos tecidos. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. . Hipertensor. Tóxico para as células do fígado. Fitoterápico. Que aumenta a pressão sangüínea. Que baixa a pressão sangüínea. Fitoterapia. Células do fígado. no estômago etc. Que estimula ou provoca a ação. Relativo ao estômago. Expectorante. assombro. Hepatotóxico. espanto. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Derrame de bile no sangue. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Hepático. Fitofármaco. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Fungicida. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Relativo ao fígado. pigmentação amarela generalizada da pele. Excitante. O mesmo que arroto. Hipotensor. Flatulência. que facilita as funções do estômago. Estupefaciente. com vermelhidão.

Resolutivo. impaludismo. Estado que é tóxico ao rim. Maleita. Morféia. Que laxa ou afrouxa. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Peitoral. Laxativo. Narcótico. Que produz gordura. Que alivia excitação. Lipogênico. Poliária. calmante. purgativo fraco. Mutagênico. produzindo sono e alívio da dor. Excreção excessiva de urina. afecção cutânea. Lepra. que apenas exonera o intestino. como no caso da esquistossomose). medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Que adoça ou acalma. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Sialagoga. Incapacidade de reprodução. purgante. Lenitivo. Dilatação da pupila. Nefrotoxicidade. Relativo a peito. o mesmo que laxante. causado por gordura. Inseticida. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Malária. Purgativo. Tóxico para as células brancas do sangue. Que resolve. Lipemia. Substância que mata insetos. Lumbago. Dor na região lombar (costas. Parasiticida. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. que faz cessar inflamação.Impingem. Linfocitotóxico. Sedativo. tranqüilizante. que acalma. importantes para a coagulação sangüínea. droga que paralisa as funções do cérebro. Parasitemia. . Moluscicida. dorso). Que produz sono ou inconsciência. Midríase. Infertilidade. Corpúsculos sangüíneos. Grau ou índice de parasitas no sangue. Que mata ou destrói parasitas. Plaquetas.

Próprio para curar feridas. que facilita a saída de pus. Vulnerário. bolhas. Vesicante. Zigotóxico. Tranqüilizante. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Testículo. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Teratogênese. Salivação abundante. . Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Diaforético. Vermífugo. Sinusite.Sialorréia. Sudorífico. Revigorante. Tônico. Que produz pus. que acalma. Que tranqüiliza. Tóxico para o zigoto. Que provoca vesículas. Supirativo. Que destrói ou afugenta vermes.

Biochemical Systematics and Ecology.23. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). seguindo-se o título do congresso. et al.5. . página inicial e página final e ano de publicação. 1985.871-2.43. p. Nat. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. p. fascículo. ABDEL-KADER. n. 1986. 1995. dissertações e outras publicações do gênero.4. L.269-74. v. et al.2. . nos casos em que há mais de dois autores. n. Khim. Prir. n.l69-71. Soedin (Tashk). N. • Quando se trata de livro. 1997.38. ABDU-AGUYE. n. D. R. v. v. ABDALA.499-500. F. Prod. ABDULLAEV. v.3. ABE. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos.. Human Toxicol. Os dois autores. I. Khim.1294-7. p.657-63. apenas sua referência.60. p. n. O mesmo se aplica a teses. página e ano. 1986. Prir. 1995a. v. n. p. incluindose volume.. os autores são citados no texto. Um autor.7-8. p.5. SEELIGMANN. p. et a l j . Soedin. simpósio ou similar.3.326-32. 1995. M. n. (Tashk). et al. P Lilloa.12.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. nos casos de única autoria. nos casos de dupla autoria. . seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. os autores são citados como nos casos das revistas. S. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo).

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345. 373 Averrhoa bilimbi. 467. 154 Alternanthera micrantha. 475. 43 Annona muricata. 113-5. 450. 113 Asclepiadaceae. 468-9. 480 Bignoniaceae.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 340-3. 364 Apocynaceae. 342-3. 453. 377-78. 463-5 Asterales. 149-50 Amaranthaceae. 339-40 Anacardium giganteum. 90 Apiaceae. 78 Alpiniajaponica. 119 Aristolochiaceae. 79 Alismatidae. 42-3 Andropogon nardus. 376 Araliaceae. 113 Aristolochiales. 95-9. 62 Alternanthera brasiliana. 67. 96. 65-6. 81 Arecidae. 449 Bixa arborea. 75 Allium sativum. 487 Alismataceae. 463 Asteridae. 227-8. 148 Anacardiaceae. 364 Apiales. 489 Bidens pilosa. 3512. 351-2 Averrhoa carambola. 467-8. 140-1. 475. 201-2. 360 Anacardium occidentale. 480. 488 Bauhinia forficata. 466 Adenocalyma alliaceum. 90-3. 79 Aristolochia. 316 Bidens bipinnatus. 115 Aristolochia trilobata. 93. 152. 458-6 Achillea millefolium. 52. 65. 465. 77 Aloe vera. 474. 202-4 . 368 Arecaceae. 381-5. 461 Ageratum conyzoides. 111 Annonaceae. 102. 361 Andropogon leucostachys. 223 Bixa orellana. 351-2 Baccharis trimera. 68. 391 Allium cepa. 386 Asteraceae. 149. 65. 56. 79 Allamanda cathartica. 479. 58. 468-9. 69-74. 110 Annona tenuiflora. 143 Acanthospermum australe.

185. 299 Dillenidae. 386-7 Gentianaceae. 155-6 Caesalpinia ferrea. 80. 145 Caryophyllus aromaticus. 331 Celosia argentea. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 490 Euphorbiaceae. 247. 298 Derris floribunda. 178-9. 231 Celastrales. 235 Cecropiaceae. 481. 54. 308 Dipteryx punctata. 150. 205. 41-2 Convolvulaceae. 296 Fabales. 300. 242. 382-3. indicus. 298 Derris amazônica. 387 Gentianales. 496 Dipteryx odorata. 236 Euphorbiales. 301-2. 163-4 Chrysobalanaceae. 394-5 Ipomoea quamoclit. 398. 324. 46-7. 152-3. 441 Inga spectabilis. 299. 179 Cucurbitaceae. 264-5 Cymbopogon citratus. 272 Clidemia novemnervia. 236 Euterpe edulis. 286. 407. 82-3 Fabaceae. 171 Gossypium barbadense. 470. 327 Cassia multijuga. 292 Caesalpiniaceae. 395 . 172 Boraginaceae. 178 Cybianthus. 170 Chenopodiaceae. 44. 272. 365-9. 281. 210. 206-7. 151-2. 411 Hibiscus furcellatus.Bixaceae. 276 Fischeria cf. 284 Hyptis crenata. 61 Heliotropium indicum. 287-8 Cassia reticulata. 282-3. 375 Gnaphalium purpureum. 207. 213. 212-3. 224 Hibiscus sabdariffa. 287 Cassia occidentalis. 379. 231 Celastraceae. 190 Cucurbitapepo. 312 Ipomoea batatas. 408-9. 318 Desmodium tortuossum. 285. 154. 471 Gomphrena globosa. 211. 388 Croton cajucara. 496 Caryophyllales. 297 Capparidaceae. 175 Diplotropis purpurea. 265 Caprifoliaceae. 165. 163 Chenopodium ambrosioides. 237. 276-7 Cajanus cf. 230-2. 238 Cucumis anguria. 49 Cymbosena roseuna. mariana. 366-7 Hymenaea courbaryl. 63 Heliconia. 283. 279. 215. 266 Capparidales. 322 Clusiaceae. 385 Hirtella. 393 Cordia verbenacea. 255 Croton sacaquinha. 430. 201 Boerhavia difusa. 373 Eupatorium ayapana. 440 Costus spiralis. 225 Guttiferales. 292. 275 Hydrocotyle exigua. 214 Himatanthus. 402-3 Cactaceae. 147 Caryophyllidae. 259 Commelinidae. 83 Eryngium ekmanii. 302 Echinodorus grandiflorus. 295. 315 Caesalpinia pulcherrima. 259 Hedychium coronarium. 287 Cecropia peltata. 319 Dipsacales. 53-4 Coutoubea spicata. 413-4. 280. 406 Brunfelsia grandiflora.

136 Piperaceae. 156-7 Persea americana. 87 Magnoliales. 414. 131. 244-6. 427 Ocimum gratissimum. 337 Polyscias. 258 Physalis angulata. 64-5 Liliales. 412-3 Lamiales. 495 Palicourea cf. 419. 421. 406 Lauraceae. 125. 332. 256 jatropha gossypifolia. 161 Ocimum basilicum. 184-9. 389 Luffa cylindrica. 122-3 Piper cernnum. 432 Ocimum canum. 199 Passifloraceae. 64 Lippia alba. 336 Maytenus ilicifolia. 132 Peperomia. 130. 262 Myrtaceae. 422-3. 445 Mimosaceae. 233 Muntingia calabura. 64 Liliidae. 166 Piper cavalcantei. 167-9. 229 Musa. 196 Monocotiledonae. 321 Menispermaceae. lhotzkyanum. 134 Piper d. 277 Leonotis nepetaefolia. 419-20. 427-8. 126-7. laniflora. 139 Mentha piperita. 107 Leguminosae. 416. 239-40. 334-6 Melastomataceae. 125. 443 Liliaceae. 323-4 Myrtales. 160. 162 Portulacaceae. 427. 198 Lacistemaceae. 129. 103 Myrocarpus frondosus. 442 Leucas martinicensis. marcgravii. 161-2 Portulaca pilosa. 42 Pogostemon patchouly. 432 Ocimum micranthum. 494-5 Passiflora coccinea. 185. 158 Pothomorphe peltata. 446 Origanum vulgare. 204 Malvales. 251 Lacistema. 417. 61 Musaceae. 303 Myrsinaceae. 135 Piper marginatum. 108 Persea gratíssima. 425-6. 399-400. 173 Phyllanthus corcovadensis. 321 Nyctaginaceae. 426. 252. 350 Palicourea cf. 137 . 250-1. 245. 158-9. 431. 128. 432. 106 Laurus nobilis. 133 Piper gaudichaudianum. 422 Oxalidaceae. 200 Maytenus aquifolium. 208 Malvaceae. 332. 121. 191-2. 241. 192 Pedaliaceae. 435 Loganiaceae. 311 Momordica charantia. 79 Moraceae. 424. 429. 120 Poaceae. 60 Myristicaceae.120 Piperales. 425. 240-1 Magnoliidae. 195 Mabea angustifolia. 181-2. 420. 453 Peperomia elongata. 415-6.Jacaranda caroba. 427. 39. 434-5 Lippia granais. 418 Mentha viridis. 124. 451-2 Jatropha curcas. 493. 221-2. 123. 180. 254. 369-72 Portulaca oleraceae. 191 Lamiaceae. 108 Petiveria alliacea. 89 Malpiguiaceae. 121-2 Pereskia grandifolia. 192-3. 337 Malva parviflora. 402-5 Phytolacaceae. 444 Mentha pulegium. 238-9. 447 Polygalales. 431.

322 Rosaceae. 354-7. 320 . 479. 345. 485. 449 Sechium edule. 271 Rosidae. 112 Zingiber officinale. 397-8 Solanales. 492 Ruta graveolens. 218. 472. 197 Xylopia cf. 390 Symphytum officinale. 471 Sorocea bomplandii. 497-500 Sansevieria. 76 Sapindales. 473-4. 209 Urticales. 492 Rubiales. 227 Theobroma speciosa. 353 Saccharum officinarum. 183. 139 Rhynchanthera grandiflora. 269 Rubiaceae. 273 Rosales. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 48. 221 Urena lobata. 127. 50 Sambucus nigra. 453-6 Sida rhombifolia. 99. guineense. 347. 474. 51 Zinnia elegans. 463 Scrophulariaceae. 233-4 Spilanthes acmella. 361 Sterculiaceae. 52 Zingiberales. 330 Pyrostegia venusta. 457-60. frutescens. 103-6 Vismia japurensis. 400 Solanum tuberosum.Pothomorphe umbellata. 101. 208-9. 462 Ranunculales. 326 Psydium guajava. 338 Stigmaphyllon strigosum. 132. 216 Stigmaphyllon fulgen. 434 Violales. 182 Sesamum indicum. 452. 262 Prunus domestica. 349. 393 Solanum paniculatum. 226 Solanaceae. 482. 401 Solidago microglossa. 478 Theobroma grandiflorum. 344. 177-8 Virola surinamensis. 94-5. 215-6. 217-9. 45. 55. 138 Primulales. 230-1 Verbenaceae. 484 Zollernia ilicifolia. 457 Scrophulariales. 360 Scoparia dulcis. 409. 412 Tagetes erecta. 338 Strychnos triplinervia. 274 Psydium cf. 325-9. 189. 228 Thevetia peruviana. 350. 491 Spondias purpurea. 477. 379-85 Tiliaceae. 213. 58 Zingiberaceae. 312. 51 Zinigiberidae. 363 Rutaceae. 339 Schinus terebenthifolius.

Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Capa: tsabel Carballo . estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Departamento de Farmacologia. do Departamento de Fisiologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. Campus de Botucatu. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi.

ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. . estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.