Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

.Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. empobrecimento do solo. mas pouco se faz.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. pois. que em sua maioria não resolvem o assunto. alterações climáticas. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . provavelmente. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. ou melhor. Nos últimos anos. se propõe e se discute sobre o assunto. a falta de propostas decorre de um dos dois. Acreditamos que. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. ou significam estratégias proibitivas. conse- . comprometimento do abastecimento de água. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação.perda da fauna e da flora. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. entre outros -. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.

Nesse aspecto. não se dá apenas visando à sobrevivência. priorizadas. os moradores da floresta . contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. como mais um produto para comercialização. portanto. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. atualmente. entretanto. regional. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. quer sejam comunidades tradicionais. os pescadores do Vale do Ribeira. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. como os ribeirinhas da Amazônia. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. Por sua vez. permitir grandes avanços na conservação. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. Dessa forma. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. São eles que conhecem a floresta.qüentemente.quer sejam grupos definidos. Consideramos. seus produtos e suas relações. sem dúvida alguma. Nesse sentido. a contribuição deste . mas inclui ainda interesses econômicos. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Essa relação. São eles que podem. Para tal. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem.

No entanto. Foi a partir de pesquisas que realizamos. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. considerando os aspectos aqui referidos. mais abrangente.livro é um começo. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. publicado originalmente em 1989. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. conseqüentemente. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. já que dez anos haviam se passado. Passou da hora de a ciência e a política. Dessa forma. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. Começamos o trabalho. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. A equipe já não era a mesma. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Não custa lembrar e salientar. e também no de desenvolvimento. entretanto. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. como instituições determinantes para o avanço. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. pagando o preço de um trabalho mais social. em janeiro de 1999. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. cada qual havia tomado seu caminho. na verdade.

permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. Chemical Abstracts). No entanto. a nova idéia não tinha mais como retornar. pelo menos as mais citadas.não . Estado de São Paulo. farmacológicos. químicos. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. Index Medicus. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro.proposta original. por outro. outro importante e singular ecossistema brasileiro. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. Nessa nova etapa. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. além dos desenhos apresentados inicialmente. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. buscamos informações em diversos endereços. à medida que. por um lado. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Por si só. incluindo fotos de algumas espécies. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas.

passaram a representar uma nova alternativa . A conservação dos ecossistemas tropicais. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. que serão úteis. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. hoje. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. especificamente. como é o caso da Amazônia e. mas um novo trabalho. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. durante todo esse período. mais acessível que os artigos .em artigos científicos e técnicos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. No entanto. mas com um livro. mas as plantas medicinais. especialmente os mais ameaçados. sempre foi uma preocupação constante. sem dúvida.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Com essa nova concepção. não apenas catalogando espécies medicinais. da Mata Atlântica. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral.

para a conservação dos ecossistemas. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida.não pode ser apenas a retórica. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. Luiz Claudio Di Stasi . municipais e federais) e não-governamentais. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. Finalmente. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. apesar de preliminar e pequena. mas pouco realizado na prática. Nesse sentido. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. realizadas de forma racional e sustentável. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.

Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. que esse conhecimento seja perdido. Em terceiro lugar. o que. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. pretendeu-se. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. realizar um estudo etnofarmacológico regional. evitando-se. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. a nosso modo de ver. desse modo. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. Em primeiro lugar. Em segundo lugar.

a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. pretendeu-se. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Em quarto lugar. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária.natural. como qualquer outra atividade humana. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). com as atividades deste trabalho. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. deve ter um componente social em seu escopo. além dos objetivos aqui expostos. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. Nesse contexto. Osvaldo Aulino da Silva. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. com os conhecimentos adquiridos. químicos. com a promoção de melhores condições de vida para a população. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. juntamente com o Prof. e que visa. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. farmacologistas etc). Por outro lado. da qual o próprio pesquisador faz parte. Finalmente. realizado no município de Humaitá. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. Nesse contexto. que potencialmente es- . oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. consideramos que a ciência. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira.

antropólogos e químicos. consideramos de grande importância colocar que. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. estágio de desenvolvimento. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. que podemos denominar ecológico. clima. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. no entanto. e nossa experiência é prova disso. além de engrandecer o trabalho. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. No entanto. como seres vivos. para que o conheci- . tipo do solo. que se superando as dificuldades. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. farmacologistas. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. propiciou um imenso prazer. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. além de botânicos. portanto é urgente a sua consideração. estações do ano e outros). Ao considerarmos as características culturais de nosso país. Acreditamos. essa área requer um enfoque novo. pela sua característica multidisciplinar. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais.

que. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. Luiz Claudio Di Stasi .mento tradicional seja devidamente resgatado. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. além de tornarem possível este trabalho. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. acrescentaram uma experiência rica. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais.

o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. portanto. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Observa-se. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. O Brasil contribui com 120 mil espécies. Dessas. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo..William Shakespeare. Ato II de Romeu e Julieta .. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. mas os primeiros registros remontam a milênios. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. (Cena III. a grande maioria na região amazônica. e. apesar disso. de um lado. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . quando se constata. por fim. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies.

Dra. Levantamentos etnofarmacológicos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Por último. efeitos observados. e isso é o que importa. Quando dizemos criteriosos. enfim. como este que aqui se apresenta. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. posologia. a distância vencida. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos.criteriosos. Mas o passo foi dado. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. Profa.Campinas) . de outro. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem.

que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. no caso da Amazônia. . a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. No entanto. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Dada a fragilidade desse equilíbrio.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. apesar da pobreza dos solos. que. De fato. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. A exploração madeireira. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. Fearnside. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. conforme aponta Philip M. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Atualmente. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. provenientes da evapotranspiração.

Sinto-me. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Dr. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. De qualquer maneira. coloca às mãos dos leitores. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. fruto de um trabalho sério de pesquisa. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. por outro. julgamos altamente preocupantes: por um lado. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. Prof. e. ecológico e histórico. Luiz Claudio Di Stasi. riquíssima em espécies.Rio Claro) . pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Plantas medicinais na Amazônia. portanto. das quais poucas foram estudadas. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. honrado em apresentar esta obra. acarreta duas situações que. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. desde o leigo ao mais especializado. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Somada a isso. do ponto de vista social.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização.

Metodologia de pesquisa Apresentamos. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. no Amazonas. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. conforme descrito a seguir: . • Aldeia dos Tenharins. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. Jacupiranga e Sete Barras. Vale do Ribeira. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. resumidamente. sul do Estado do Amazonas. no Estado de São Paulo.

novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Para materiais fora da fase de floração.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). a coleta errada do material. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. assim. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. No caso de material em fase de floração. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Departamento de Botânica do Instituto de . as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Para as espécies da Amazônia. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Amazonas. evitando-se.

Rio Claro. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. .Biociências da UNESP . Index Medicus (Med-line). Chemical Abstracts. para sua identificação. Sites da Internet.Botucatu.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Itajaí . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Outras informações (agronômicas. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.Santa Catarina. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP .

. com o tempo. como havia sido feito na primeira edição deste livro. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.incluindo as monocotiledôneas medicinais. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias.

Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.incluindo as dicotiledôneas medicinais. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. .Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. . Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. as quais se subdividem em cinco seções: . Para cada capítulo. dados ecológicos e distribuição.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. • Dados químicos.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae .• Parte II . • Introdução sobre a família botânica ou. em vários casos. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. incluindo: . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. que compreendem uma descrição botânica. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.

Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. . formatado e montado para a inclusão neste livro. encontram-se um glossário de termos botânicos. Instituto de Biociências de Botucatu. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. No final do livro. .fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. de vários tipos: . UNESP. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. C. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. formatadas e montadas para inclusão no livro. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. além de uma extensa bibliografia atualizada. formatadas e montadas para inclusão no livro. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. • Dados toxicológicos. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.• Dados farmacológicos. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). M. Mayacaceae e Commelinaceae. C. Santos L. Guimarães C. Outras ordens botânicas como Juncales. Typhales. pelo seu grande valor ornamental. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Hiruma-Lima E. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. A. algumas delas descritas neste capítulo. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. M. . destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais.1 Commelinidae medicinais C. Xyridaceae. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros.

e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. mas sem importância medicinal. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. 1996). Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. Várias espécies possuem importância terapêutica. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. Os outros constituintes incluem alcalóides. ácidos fenólicos. Saccharum e outros. açúcar e óleos essenciais. açúcar e trigo. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. do famoso centeio e da aveia. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. gêneros alimentícios como bebidas. . substâncias cianogênicas. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. como Sorghum do sorgo. Cymbopogon. • Pooideae. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar.A família Poaceae. Zea. flavonóides e terpenóides (Evans. que incluem vários gêneros. A família é dividida em quarenta tribos. é a mais importante. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. subfamília que. • Centothecoideae. que inclui alguns importantes gêneros.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. principalmente Zea mays (milho). do ponto de vista de espécies medicinais. cujo representante principal é o arroz. amido. Paspalum. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. reunindo inúmeras utilidades. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. e o gênero Oryza. Arundinoideae e Chloridoideae. também denominada Gramineae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que inclui os gêneros Secale e Avena. • Panicoideae. respectivamente. Andropogon nardus. ferragem. saponinas. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae.

também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. possuindo um grande número de ramos. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Andropogon nardus L. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. com folhas invaginadas bastante agudas.B. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. podendo atingir até 2 m de comprimen- .Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. por sua vez. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Em outras regiões do país. espiguetas sésseis e fruto cariopse. os colmos são finos. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Em outras regiões do país. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.5 m de altura. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1.K. os quais. a planta também é conhecida como Capim-membeca. glabros e curvados.

ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos.1). Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. lineares. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Capim-marinho. Capim-limão. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Patchuli-falso. ásperas em ambas as faces. Capim-cheiroso. sudoríficas e carminativas. Capim-cidrão. bainha larga e lígula na base do limbo.to. Vervena. eretas. 1962). com nós e entrenós. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. com grande valor econômico. tais como flexuosus. formigas e traças. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. rizoma semi-subterrâneo. formando uma touceira robusta. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Erva-cidreira. folhas alternas. marginatus e validus. .) Stapf. Sídró. Capim-sidró. Capim-cidreira. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. compridas. Cymbopogon citratus (DC. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. problemas estomacais e febre. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades.

a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. no Mato Grosso.. cilíndrico. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. Saccharum officinarum L. folhas amplexicantes. gripes fortes. 1980). simples. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. no Rio Grande do Sul. lineares. 1 dísticas. Matos & Das Graças. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. ápice agudo. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. como calmante e antiálgico (Van den Berg. na forma de banho (Amorozo & Gély.. espiguetas com flores pequenas. verde ou violácea. a infusão das folhas é usada como antidiurético. 1980). Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. contra gripes. Na região da Mata Atlântica.Na região da Mata Atlântica. o suco do colmo da planta. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. fruto do tipo cariopse ovóide. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. simplesmente. articulado e um pouco mais grosso nos internós. 1982. em Brasília. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. no Ceará. hermafroditas. calmante e antiespasmódico (Barros. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . nervura central saliente e bainha espinescente. pequeno (Figura 1. reumatismo e febre.2). 1986). dores de cabeça e disenteria. Cana. planas. duas vezes ao dia. ásperas. 1982). colmo arqueado na base. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1988). no Pará. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. como diurético. carminativo. dores de cabeça e dores musculares.

mirceno. felandreno. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. geraniol. 1981). O óleo essencial de C. cólera. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. como o geraniol. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). metil-heptenona. vômitos da gravidez (Corrêa. farnesol. linalol. .4%). 1996. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. 1997). erisipela. envenenamento com arsênico. a. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. neral. limoneno. nerol. contra úlceras da córnea. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. tuberculose. isovaleraldeído e decilaldeído.. febres. neral. além de seus isômeros geralúal e neral. chumbo e cobre. Ming et al. 1986). citronelal. metil-heptenol. contra resinados e anginas e. cetonas e alcoóis.e b-pineno. cariofileno. aftas. mentol. rachas dos seios. laurato de etila.8-cineol.. 1996). sendo determinados os principais constituintes: citral (69. como citronelal.diurético e contra hipotensão. 1. escarlatina. internamente. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. externamente. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. terpenos e dipenteno (Costa. 1984). vários aldeídos. 1997).

2000.. geranial (45. (1983) referem atividade antiespasmódica.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1985). toxicológico e clínico com essa espécie.. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. Onawunmi et al. 1986. 1996).. 1988). 1983 e 1989a). Os principais constituintes das folhas de C.. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. 1989) e antioxidante (Lopes et al. analgésica (Viana et al. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al.. Onawunmi. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. Pinho et al. . O extrato metanólico de C. relatam. 1984. Lorenzetti et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. anti-helmíntica (Jourdan. 2002. 1986 e 1987. 1995). citratus. no entanto.. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. Com as folhas de C. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. enquanto Ferreira et al. 1988).. e Di Stasi (1987). 1988). 2002).. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al... 1990). A atividade antibacteriana de C. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. 1997)... O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. (1985). não observando propriedades de interesse terapêutico... Di Stasi et al.9%) e neral (33. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1997). Onawunmi & Ogunlana.8%). Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1988). 1986 e 1987). 1988). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. 1998).. 1997) e o extrato de C. mirceno (12.

também conhecido como Capim-cidrão. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. Além de hipocolesterolêmico. bradipnéia.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. .. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. Foi isolado também o policosanol. ataxia. citratus. Para a espécie Saccharum officinarum. ácidos p-coumárico. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al.. 1988). Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. 1983). perda de postura.. 2000). Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. ligninas e ácidos fenólicos. 1999). o extrato hidroalcoólico das folhas de C. um álcool alifático com alto peso molecular. Hikino et al. visto o grande número de trabalhos com C. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. De S. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Menendez et al. sedação e defecação (Ferreira et al. Dados toxicológicos O óleo de C. 1989). 1986a).. 1990)... ferúlico e sinápico (He & Terashima. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. 1997. citriodorus. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos.

c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). .1 .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .FIGURA 1.Saccharum officinarum. .2 .Banco de imagens ).

todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Hiruma-Lima L. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). As espécies da família Bromeliaceae. Zingiberaceae. A. M. Tal uso não é comum na região amazônica. M. De todas essas famílias. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. C.2 Zingiberidae medicinais C. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Santos E. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Guimarães C. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. . apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Lowiaceae. Cannaceae e Marantaceae. importante produto de comercialização.

inclui 52 gêneros.100 espécies tropicais espontâneas. com várias espécies medicinais. Alpinia. com folhas membranosas. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Além do valor medicinal das espécies dessa família. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. lâminas . descrita por Ivan Ivanovic Martinov. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. Costus e Hedychium. e • Zingiberoideae. Renealmia e Riedelia.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. destas. Vindecaá e Vindicáa. Curcuma. algumas delas aqui descritas. nos quais estão distribuídas 1. na qual se localizam os gêneros Zingiber. larga bainha na base que envolve o caule. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq.

Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. inclui 42 espécies tropicais. mas com algumas espécies em regiões tropicais. espessas.5 m de altura. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. 1988). ápice agudo e base arredondada. Costus spiralis Rosc. densas com flores brancas ou róseas. O gênero Costus. podendo chegar a até 1. perianto distinto em cálice (claviforme. hermafroditas e zigomorfas. . A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. descrito por Carl Linnaeus. gineceu com ovário ínfero. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. entouceirada.com 20 a 40 cm de comprimento. contra sarampo. flores em grupos com brácteas vistosas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies.1). elípticas. fruto capsular. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. contém inflorescências terminais. vistosas. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa.

Em razão de sua beleza. cilíndricas. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. incluindo a espécie aqui descrita. descrito por Johan Gerhard Koenig. na forma de infusão. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. sésseis. A decocção de suas folhas. vistosas. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. as inflorescências são terminais com flores brancas. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. grandes. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. Lírio branco e Gengibre branco. Hedychium coronarium Koen. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. a espécie é muito utilizada como ornamento. especialmente de origem sifilítica. contra diarréias graves. muito perfumadas (Figura 2. de onde partem as folhas longas. em Iguape é comum a denominação Napoleão.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. lanceoladas e coriáceas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. O gênero Hedychium.2). . além de ser útil externamente na lavagem de feridas. sendo de fácil multiplicação por touceiras. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga.

com ampla distribuição. em todo o Brasil. flatulência e eólicas. 1995). A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. gripes. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. cólicas. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. de Gengibre. contra náusea. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. internamente. e. sendo provavelmente o local de sua origem. A espécie é reputada como estimulante. lumbago e cólicas menstruais. folhas alternas. carminativa com uso na dispepsia.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. diarréias e como vomitiva. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. indigestão. mas especialmente na Ásia. com uma lígula membranosa bífida. externamente. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. tosses. . gripes e para problemas circulatórios. C. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. onde a maioria das espécies é espontânea. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. mesmo no Vale do Ribeira. A espécie é usada. lanceoladas. 1994). além de diversos outros usos (Bown. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. contra reumatismo.

. 1987c). Os compostos isolados dos rizomas de A. e 5. 1987).. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.. 1987). óleo essencial.6-dehidrokawaina. Cinco compostos. japonica (Morita et al. katsumadai (Okugawa et al. humulene. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. nerolidol.. galanga (Mori et al.. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al.16-dial (Morita & Itokawa. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. speciosa e A. 1995). são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. Foram isolados dos rizomas de A.. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. taninos. 1988).6-dehidrokawaina. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1.. galanolactona e (E)-8. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. 1987).. linalol. isohanalpinona e alpinenona. dihidro-5.. galanga. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. acetato de geranil. 1985a e 1985b.. Da espécie A. Dos rizomas de A.. 1987). 1988a). 1988).-(17)12-labddieno-15. 1987b). nutans (Mendonça et al. Os principais constituintes dos frutos de A. De A. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. (Xue et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. 1996).. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. intermedia (ltowaka et al. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. 1988). 1987b). flavonóides em A.8cineol. speciosa. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. galanga.. 1990). constituintes fenólicos em A. 1987a e 1987f) e A.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. galanga (Barik et al. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al...

aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. Das sementes A. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1992). Além dos sesquiterpenos hanalpinol. flabellata (Kikuzaki et al. 1997b) e quercetina (Wang et al. mirceno. blepharocalyx (Kadota et al. 1989). flavonóides (Luo et al. 1997b). além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1996). 1988). 1997)..foram isolados recentemente da espécie A. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. terpineol e 1. Do óleo essencial das sementes de A. potássio.8-cineol (Lai et al. hanalpinona. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. Os frutos de A. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. além das vitaminas B1. magnésio. geraniol. bornil acetato.. Das partes aéreas de A. 1990). speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. A análise fitoquímica de A. . Cinco diarilheptanóides. furopelargona B.. De A. oxyphylla contêm neonotkatol. Dos rizomas de A. trans-bergamoteno. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. 1997a). C. Três novos diarilheptanóides .. decanol. sendo um novo. polyantha foram isolados. zinco. conchigera (Athmaprasangsa et al. yakuchinona A.5heptanediona. fenchona e geraniol. hanalpinol peróxido. 1999). manganês. 1. isohanalpinona..7-difenil-3. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.. 1990). O óleo essencial das folhas e caules de A. yakuchinona B. cálcio. 1997). E. citronelol.. intermedeol e -selineno (Itokawa et al.. -sitosterol... ferro. sódio.. alpinenona. katsumadai possui -pineno..calixina A e B e 3-epi-calixina B . pineno.-o1. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. -ll(12)-eremofilen-10.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu.. fenóis e alcalóides. daucosterol. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. 1987). B2. 1987d). citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. zerumbet (Xu et al.. isohanalpinol e aokumanol. 1994).8-cineol.. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. 1997a). grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. linalol. sesquifelandreno e zingibereno. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. As sementes possuem mirceno.. felandreno. l. 1989). chumbo. furopelargona A.

japonica e A. 1976) e A. A espécie A. 1987c) e A. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1972). 1996). revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1994). 1999). e seu óleo.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1987). Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. bloqueio neuromuscular. 1996). Mendonça et al. galanga (Itokawa et al. 2000). 1996). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1999. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1988. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1986). 1985). Constituintes isolados de A. inibição da musculatura lisa. é usada na culinária. A erva. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. que é um derivado do gingerol. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1988). 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. 1997). Estudos com a espécie A. indicando . na perfumaria. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1988b). 1989). galanga (Janssen & Schefter. Sesquiterpenos isolados de A. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. Lin et al. speciosa. oxyphylla (Kyung-Soo et al. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. sendo antiulcerogênica (Wang et al. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. além de medicinal.

Do óleo essencial das folhas de A. 1992). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al... 1990). 1988). 1992). 1988a.. também isolado do óleo essencial. speciosa apresentou atividade analgésica periférica.. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1998.6-dehidrokawaina isolado de A. 1987c) e A. Os rizomas de A. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. Dos rizomas de A. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1996).. Compostos isolados dos rizomas de A. 2001). 1988). 1988. 1994)... Mendonça et al. galanga (Itokawa et al. 1982. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. Geraniol e isotimol isolados de A. Mendonça et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. 1996).. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 2002). 1996) e antiproliferativo (Ali et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1990). 1988b). 1994). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al.. 2001). . O óleo essencial de A. ArnaudBatista et al.. 1989).. 1998).. Os diarilheptanóides isolados de A. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. oxyphylla (Chun et al. Estudos com a espécie A. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. officinarum (Kiuchi et al. antifúngica (Lima et al. O composto dihidro-5. O extrato acetônico de A.. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. Moraes et al. 1987c). anticonvulsivante (Maia et al. speciosa.. 1992). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. O terpinen-4-ol. 1982). speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al.

gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al... 2002). 2002)....A atividade antiinflamatória de A. 2001. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. Musa e Heliconia. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. contorções. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. 1999). ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. A espécie H.. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. relatadas a seguir. speciosa produziu excitação psicomotora. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. hipocinese.. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. 1999). 2000). O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. 1992). 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 2000). 2000). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. Surh. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.. 1988b). . Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. 2000) e H... Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A.

mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. . laminares de grande comprimento.. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero.5 m de altura. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. folhas longas. com folhas longo-pecioladas. O fruto da espécie não é usado como alimento. oblongas e inteiras. minúsculas e duras. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. com bainhas grandes. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético.

podendo atingir até 2 m. mas com 25% do comprimento e da largura. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. dando um pequeno fruto que também é comestível.Alpinia japonica. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.1 . tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). onde é amplamente cultivada como ornamento. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. flores reunidas em espigas. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. FIGURA 2. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma.

2 .FIGURA 2. .Hedychium coronarium. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).

Liliales e Orchidales). nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Velloziaceae e Iridaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. principal. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. C. Dioscoreales. N.3 Liliidae medicinais L. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A. família Liliaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. família Liliaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Velloziales. Asparagales. Di Stasi F. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Dioscoreaceae. Gonzalez L. Alliaceae e Amaryllidaceae. G. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Seito C. especialmente na ordem Liliales. ordem Orchidales. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae .

Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Trilium. Colchicum e Drimia. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. que passamos a descrever. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. A segunda. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. ambas de valor econômico incomensurável. Convallaria. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. . dos quais devemos destacar o gênero Allium. como é o caso da cebola e do alho.e Liliaceae. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Tulipa. especialmente do gênero Iris. 1997). Outro gênero importante é Aloe. grande fonte de espécies dessa família. A primeira. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Lillium. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história.950 espécies vegetais. Narcissus e Veratrum. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. esse da importante Babosa (Aloe vera). pelo grande número de espécies ornamentais. Alloe. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.

e amplamente consumido pelos gregos e romanos. inclusos e envolvidos por fina membrana. folhas lineares. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe.1). Nas comunidades do Vale do Ribeira. obtida comercialmente. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. em geral seco. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças.Espécies medicinais Allium sativum L. 1995). corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. capsular. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. sésseis. fruto. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. especialmente em crianças. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . a maioria é cultivada. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. loculicida (Figura 3. C. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. flores brancas ou avermelhadas. ao passo que a infusão é usada contra gripes. são utilizados de várias formas. Era citado pelos babilônios no ano 3. que se mesclam com os bolbilhos.000 a. tosse e também contra hipertensão. os bulbos dessa espécie. na forma de umbela pedunculada. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil.

É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. o uso externo. antiasmático. gastroenterite e disenteria. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. tosse com expectoração. além do uso como condimento. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. como referido para o Alho. diurético. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. No Pará. ao passo que a infusão das cas- . e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. para problemas da pele. resfriados. dispostas em umbela. rouquidão. carnoso e com casca fina amarelo-parda. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. arteriosclerose.queca. especialmente acne e micoses. 1992). 1982). anual. Trata-se de uma espécie com usos históricos. tosse. histéricas. Em Minas Gerais. febrífugo. 1984). Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. flores hermafroditas regulares esverdeadas. bronquite. com bulbo grande e solitário. folhas radicais ocas e compridas. também são utilizados como sudorífico. poderoso anti-séptico das vias digestivas. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. a espécie inclui vários usos medicinais. reumáticas e paralíticas (Corrêa. agudas. Dados botânicos Erva bulbosa. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. subgloboso. Em outras regiões do Brasil. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. digestivo. carminativo e vermífugo. 1988). os bulbos são usados na hipotensão. todos usados e comercializados como alimento e condimento. com inúmeras variedades e subtipos. em afecções nervosas. ateromatose.

o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. . internamente. Aloe vera L. podendo atingir até 1 m de altura. externo. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. lanceoladas. densas. as flores são tubuladas. O uso interno de um macerado em água fria. é considerado excelente contra úlceras. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. descansado por 24 horas na geladeira. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. Na região amazônica. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. são úteis contra edemas. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. A manipulação dessa planta no preparo de loções. ao passo que as folhas frescas. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. externamente. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Dados botânicos Planta perene e suculenta. usadas externamente. como cicatrizante. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. folhas suculentas. dores e infecções da pele. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. não foi referida pelos entrevistados como medicinal.2). cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. para acne.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. reunidas na forma de rosetas em sua base. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e.

1997). Além disso. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. relatando ainda que as folhas são purgativas. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. barbadensis (Saleen et al. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen.. 1979).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele.. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. Nos bulbos também foram encontrados aliina.. saponinas esteroidais (Peng et al. proteínas e fermentos (Costa. fitosterinas. desoxialiina. aliinase que origina a alicina. B.. 1995). holosídeos. vitaminas A. 1986). 1997). S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína.. 1990). vários heterosídeos sulfurados. 1993). sativum. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. obtidos de A. C. 1997). 1992). catártico e febrífugo. exigindo-se cuidado na utilização. (B8) e P. alil e alil-propil. além de evitar queda de cabelo. aloe barbendol foram isoladas das raízes A.. Prostaglandinas A. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. et al. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. Da espécie A. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al.. 1995). isobarboloina (Kuzuya et al. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos.. . as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1968). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. barboloina. 1999).. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. a polpa é emoliente e resolutiva. A antro-cenona. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. 2000). 1991).

antibiótica. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum.. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. 1995. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. 1981. No entanto. fibrinolítica. Nerkar et al. demonstrou que os compostos de A. Esse mesmo efeito foi detectado . sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. hipocoleste. isolado de Allium sativum Linn..Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie.. in vitro (Sheela et al. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos).. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. 1992). Hikino et al. 1987. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 1991). entre outras ações que serão discutidas a seguir. Entretanto. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al.. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. 1996). rolêmica. Augusti & Sheela. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento.. 2002). para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 2000). várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. cicloxigenase. Em animais com carciriogênese bucal o A. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. Além dessa classe de compostos. O estudo comparativo in vitro.. Por sua vez. Kwon et al. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996).

Dababneh & Aldelamy. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. O estudo realizado por Celini et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. compostos fenólicos (Patel et al.. Khan et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1993). Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. Mossa. 1993) e aquosos (Sato et al. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. Rees et al. 2001). sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al... 1996). Sovova et al. Guevara et al. 1985.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. 1981... 1984. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1984. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. precursor da alicina e obtido do alho. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. além de atuar como ..por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1997.. 1985). 1992). 2002) contra Staphylococcus aureus... enquanto a associação dessa dose com 4. O sulfóxido de S-alilcisteína. sativum apresentou também atividade antibacteriana. fosfatase ácida.. Singh & Shukla.. 1982. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. contra Helicobacter pylori. O extrato de A. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. 1995). 1983. in vitro. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1994). 1980). O óleo de A. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina.

Os resultados obtidos por Sendl et al. 1996). (1992). Block et al. 1986) e brutos (Rees et al.. Boelter et al.. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. 2001). assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1994). assim como substâncias isoladas do alho. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. Essas propriedades farmacológicas. assim como as respectivas substâncias isoladas. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary.. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1984. 1993). no entanto. metil-ajoeno. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. 1993).. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. alicina e sulfeto de dialila. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica.. 1993). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. 1978. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1978). (1985). Mohammad & Woodwara (1986). Rotzsch et al. Sandhu et al. sem. no entanto. 1993). Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt.agente anticercaricida. 1980. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1978. 1980. Kamanna & Shandras-Wkhara. e não as substâncias isoladas. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Adetumbi et al.. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1995b). (1986). 1992). inibem a síntese de colesterol.

1990). Foushee et al. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. como radioproteção (Reeve et al. Ribeiro et al. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. (1982). 1996).. M. et al. 1986a). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. A.. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. 1993). também.5. 12. natriurética e hipotensora em cão.. 1996). E. et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al.. Essa mesma planta reduziu a concentração . bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 1996). (1987). tais como a histamina (Usui & Susuki. 1993b). principal componente antiplaquetário do alho. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. sua condutância. (1986b). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al.. atividade diurética. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al.. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. (1992) com o composto ajoeno. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. I. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al.. 1993). além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al.. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. 1996). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. 1996). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. 1991). Por sua vez.. sativum (Kweon et al.sos de bulbos de alho fresco (5. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1997). enquanto Pantoja et al. 1991).

. um preparado à base de Curcuma longa. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. Extrato aquoso de A. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Lipotab. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados.... Além disso. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. Ko & Son. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. 1995). O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. et al. (1996). Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. 1995). 1996). o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. . 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. 1993). (1994).. 1990). 1992. 1993). O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. ela é um excelente cicatrizante (Costa. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. 1993).. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico.. sativum ou A. 1993.. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al.. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. I. 1992). in vitro. 1991). 1994). conseqüentemente. Para a espécie Aloe vera. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. Chithra et al. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. E a mistura de A. cepa com A. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. Allium sativum. sativum L.

pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al.. 1991).. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 1997). em camundongos. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. 2001).. 1996. 1997). Saleem et al. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. As folhas de A. contudo. que inclui algumas espécies popu- . apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta.. Essa família possui pequena importância no Brasil. 2000). 1994). 2001). vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley..1998). vera e hipotensora de A. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. aumento na contagem de espermatozóides. Entretanto. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. A atividade antiinflamatória de A.. 1995). relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.. esses dados referem-se. Os estudos de toxicidade de Allium cepa..

contra problemas hepáticos. e o Agave. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. possui folhas carnosas. longas. no entanto. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". saponinas esteroidais (Mimaki et al. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. Das . o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana.. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica.. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. 1996 e 1997b). cilíndricas. No entanto.. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. 1987). 1996). na região amazônica. pontiagudas e com manchas brancas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. flores pequenas. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. brancas.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil.

.. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. 1997). cylindrica foram isolados lipídios.Allium sativum. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. Das folhas de S. além de carboidratos. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . FIGURA 3.1 .. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al.folhas de S. . pigmentos. 1986). 1996).em Joly. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. saponinas. 1998) (Banco de imagens ). reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.. 1982).

2 . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .Aloe vera.FIGURA 3.

Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Mariot M. esta segunda com uma única família. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. C. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Di Stasi A. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. portanto. As duas espécies. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. ainda não discutidas neste livro. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. de pouco interesse para nosso estudo. S. Triuridaceae.

nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. rizoma grosso e carnoso. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. latescentes com lâmina foliar grande. também denominada Arecaceae. essa segunda inclui apenas a família Palmae. contendo vasos apenas nas raízes. Aguapé. coriáceas. com caule triangular e glabro. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. mas que também é usado como espécie de valor medicinal.1).mico. flores brancas. Inclui ervas perenais. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. muitas aquáticas ou brejosas. ovadas. numerosas. freqüentemente . espécie de grande valor econômico. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. folhas pecioladas. 1997). A espécie possui as variedades floribundus. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. grandes e eretas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. e Sagittaria. A planta é chamada também de Chá-de-campanha.

nas costas. com folhas terminais. 2000). raramente trepadeiras. muitas delas usadas como medicinais. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. tônica e diurética. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. 1997). tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al.consideradas outra espécie. como sedativo. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). como ornamentais. também denominada Arecaceae.. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. e como anti-helmíntico. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. especialmente contra dores de cabeça. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. moléstias da pele e do fígado. . Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. Incluem árvores ou arbustos. de barriga. bem como gripes e resfriados. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias.650 espécies tropicais (Mabberley. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. reumatismo. sífilis. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. útil ainda contra artrites. e outras.

recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . respectivamente do babaçu e da carnaúba. 2002. macrophyllus (Shigemori et al. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. que inclui o famoso palmiteiro. como é denominada a outra espécie do gênero.A família está subdividida em seis subfamílias. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia.. 2000a e 2000b). amplamente conhecido na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Espécies medicinais Euterpe edulis M. conseqüentemente. do famoso coqueiro da Bahia. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Destaca-se o gênero Euterpe. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. amplamente conhecida na região amazônica. que incluem a piaçava e a ráfia. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos.. como é o caso de várias palmeiras. como é o caso da Areca catechu. do jerivá (Joly. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Tratase de uma família de grande valor econômico e. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. 1998). Kobayashi et al. chegando até 25 m de altura. e o Arecastrum. e o açaí. Cocos. outras são importantes como medicamento. especialmente da Mata Atlântica. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. com folhas pinadas.

espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes.1 . Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. como antídoto para picada de cobras. externamente. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional.nhas. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. . o suco do caule é usado. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens). FIGURA 4. internamente. não fosse a intensa exploração da espécie.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Annonaceae. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. inúmeras espécies são medicinais. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Myristicaceae e Lauraceae. algumas com amplo número de espécies no Brasil. são importantes como ornamentos. M. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Hiruma-Lima E. da qual inúmeras espécies de grande valor . mas deve ser destacado o gênero Peumus. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. inúmeros gêneros são importantes.5 Magnoliales medicinais C. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. tais como Magnoliaceae. Na família Chloranthaceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. do famoso Boldo. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Santos L. M. tais como as Magnoliaceae. A. C. Na família Monimiaceae. Guimarães C.

Artabotrys. Cabeça-de-negro. e ainda outras importantes como alimento. compreendendo aproximadamente 260 espécies. como Aniba. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Pinha. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Cryptocarya. Cinnamomum. Annona cherimolia. Aniba e Nectandra. que inclui nosso Abacateiro. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. espalhadas por todo o planeta. e Monodoroideae. . como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. os gêneros mais comuns são Annona.150 espécies tropicais (Mabberley. arbustos e lianas. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Xylopia. 1997). Graviola e outros. Laurus e Sassafras. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Annona reticulata. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Annona tenuiflora e Annona squamosa. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. A família inclui árvores. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Uvaria. 1997) e subtropicais. No Brasil. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Annona coriacea. Xylopia e Rollinia. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Guatteria. que inclui os gêneros Annona.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia.

Várias espécies. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. alcançando até 30 cm de comprimento. sucosa. amareladas. espessa com saliências cônicas. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura.1). inflorescência cauliflora. que são muito apreciados. com epiderme verde-escura. com um tronco revestido por casca aromática. Coração-de-rainha e Nona. Araticum-punhê. com um espinho central. no entanto vários sinônimos são usados. tais como Araticum. Espécies medicinais Annona muricata L. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. que apresentamos a seguir. . fruto do tipo baga irregular. flores axilares. Araticum-de-paca. alcançando até 15 cm de comprimento. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. as folhas são alternas. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". no entanto. cordadas na base e acuminadas no ápice. Araticum-ponhê. latescente. com cálice de lobos triangulares e agudos. 1998). sementes castanhas ou pretas (Figura 5. polpa branca. pecioladas. mole e recurvado. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. subglobosas. ovadas ou elípticooblongas. Iriticum.

mole e branca. dores de cabeça e como emagrecedor. sendo depois levada para outras regiões do planeta. peitorais. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. especialmente na produção de sucos. para baixar febres. as folhas cozidas. com importante uso potencial na fabricação de papel. referidos a seguir. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. 1984). tem grande valor como alimento. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. a planta fornece madeira. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. As folhas e raízes são consideradas sedativas. O fruto. as flores. antiespasmódicas e hipotensivas.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . diurético e no combate a insônias leves. usadas topicamente. sorvetes e geléias (Corrêa. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. especialmente lombrigas. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. onde se tornou subespontânea. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. antiespasmódicas e antidisentéricas. combatem reumatismo e abcessos. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. podendo também ser usada na arborização urbana. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Em outras regiões do Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Além dos usos medicinais da espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. Na Amazônia. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. 1984). antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. por sua vez. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984).

casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. é usado externamente para neuralgia. Na Jamaica e no Haiti. enquanto o óleo das folhas.. inseticidas. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. 1962). 1986). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. 1990). Esse uso. Nas Guianas. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. 1992). tosse. as sementes. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. e as sementes. 1978. na forma de chá. 1955. o chá das folhas é utilizada para catarro.. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. Annona tenuiflora Mart. especialmente na África. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. No Peru. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. diarréia e como lactagogo. contra diabetes. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. como antiespasmódico. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. onde é usada contra tosses. a fruta e seu suco são usados contra febre. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. no processo de pesca. 1962). Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. as raízes e folhas. De acordo com os mesmos autores. gripe. Weninger et al. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. as cascas e folhas. foram referidas espécies desse gênero. 1987).mas do fígado. 1993). no entanto. parasitas. impedindo-lhes a identificação correta. Na Índia. as folhas e a casca da árvore. contra diversos parasitas (de Feo. . espasmos e febres. asma. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. Ayensu.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Ibira. Breu. Nomes populares A espécie é denominada. simplesmente. agudas no ápice. sul do Amazonas. Coaguerecou. onde parte deste estudo foi realizada. deiscente. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento.2). Jejerecou. fruto do tipo baga ovóide. na região amazônica. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. aromática. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. alternas e ápice cuspidado. Pindaíba. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. curto-pecioladas. hermafroditas. tonturas e hipotensão. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. muitas das quais usadas na medicina popular. Xylopia cf. pétalas lineares. frutescens Aubl. com casca fibrosa. . também descrito por Carl Linnaeus. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. coriáceas. Envira-preta. O gênero Xylopia. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. cálice gamossépalo. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. sem estipulas. Coagerucu.3). Jejerecu. Breu branco ou.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. Pindaúba. vermelho. Pau-de-imbira. folhas ovado-oblongas. oblongolanceoladas. Pindaíba-branca. simples. folhas alternas. Coajerucu. Pindaúva. Envira. com duas a seis sementes (Figura 5. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. e copa alongada. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pijerucu. lineares. Jegerecu. alcançando até 8 m de altura. Malagueta e Banana-de-macaco. tronco ereto e cilíndrico. Em outras regiões do Norte do Brasil.

também aromáticas. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. ao passo que a decocção da casca é usada. Além dos usos medicinais descritos a seguir. .) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. própria para uso em carpintaria. sementes de espécies da família Annonaceae. 1984). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. na forma de inalação. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. perenifólia e pioneira. sendo uma espécie heliófita. como digestivo e são úteis contra catarro. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. são usadas como estimulantes da bexiga. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. Na região amazônica da Colômbia. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. raízes. 1998). folhas e. para combater resfriados e dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. como cabos de instrumentos e varas de pesca. As sementes. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. especialmente. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1984). Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante.

uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al... das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. muricina H. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al.. murihexocina A e B (Zeng et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto.. 1995b). 1995b). e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica.. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al.. muricatetrocina A e B. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. 1995c). 1993). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 2 e 3 (Wu et al. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C.. 1994a e 1994c). anonacina-10-ona. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. . hoviicina A. iso-neoanonacina-10ona.. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 2002). Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. 1991b). além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. anomutacina 1. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. 1994). também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. 1991). corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. No entanto. Anomuricina A e B. neo-anonacina-10-ona. enquanto Gromek et al. Recentemente. 1995e). epomuricenina A e B (Roblot et al.. e que são importantes representantes da flora brasileira.. denominada corepoxilona.. especialmente como citotóxicas. 1995a).São ácidos graxos modificados. I. cis-annomontacina (Liaw et al.. muricatocina C e gigantetronenina.

anoreticuína-9-ona.. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1991). isomolvizuína 2. 1995). Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 1994c) neodesacetiluvaricina. 1994b). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. cis.. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1995) em Annona bullata. 1991a e 1991c)...... bulatencina. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 30-hidroxibulatacina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. isoquerimolina 1. muricata e A. 1991).Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. C e D (Fujimoto et al. molvizarina e motrilina (Cortes et al. B. Sahai et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. 1993). anomontacina em Annona montana (Jossang et al.. 1994b). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. 1996). solamina. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. 1994)... 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al.. três uvariamicinas. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1994a e 1994b). 1996). cherimolia. incluindo A. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. esquamosinina A (Yang et al.. bulatanocina. 1962). 1994). 1993). esquamona. 1993b). reticulacinona (Hisham et al. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al.. 1994a). tais como reticulatina (Saad et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. esquamosteno A (Araya et al. 31-hidroxibulatacina. Das sementes da mesma espécie. 32-hidroxibulatacina. esquamostanal A (Araya et al.. squamocina e almunequina (Duret et al.. 1995). 1995a). Das semen- . jeteína.... Cortes et al. 1992).. itrabina.. 1994).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A.. além de esquamocina e esquamostatina A.. anogaleno (Sahpaz et al. 1993b).

A. cherimolia (Villar et al. 1992. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A... 1994). de A.. Martins et al. squamosa (Krishna Rao et al. anolatina. squamosa (Leboeuf et al. 1993). 1986). Mukhopadhyay et al.. X.. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. 1979. reticulina. 1991). 1978)... enquanto os alcalóides anonaína.. cacans (Saito & Alvarenga. 1988). Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A.. 1995e).. C. 1976). squamosa (Silveira et al. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. Monoterpenos foram isolados de A. aromatica (Rios et al.. 1981). enquanto diterpenos foram descritos em A. 1986) e A.. oxouxinsunina.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. montana (Wu et al. reticulina.. Flavonóides foram descritos em A.. 1962). 1989. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. 1970) e X. 1978). uma lignana ((-)-siringaresinol). 1996). Inúmeros compostos terpenóides.. Alcalóides conhecidos como anoretina. Wu et al. foram isolados do fruto de Annona muricata . ambotay (Carazza et al. 1976). michelalbina.. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. salzmannii (Paulo et al. 1985) e A. 1994). Barbosa Filho et al.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. 1984). anolobina e asimilobina foram isolados de A. frutos de A. 1994). 1993) e sesquiterpenos em A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. como constituintes predominantes. X. ambotay (Oliveira et al. cherimolia (Yang et al. Y. isoboldina e outros foram isolados de A. anonaína. A. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. purpurea (Castro et al. A.. 1986). et al. 1982a e 1982b. squamosa (Setharaman. 1987). laureliptina.. squamosa (Wu. 1979. Yang & Chen. enquanto três amidas ácidas. A. brasilienses (Casagrande & Merotti.. bullafa (Kutschabsky et al. 1991).

. Lopez Abraham. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. brasiliensis e X.. 1995e). 1991). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Solanina. Bourne & Egbe.(Wong & Khoo. 1987). 1995b). acetogenina isolada de Annona muricata... sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. Vilegas et al. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. vasodilatadora. Di Stasi. Carbajal et al. 1988.. X. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al.. muricata. A espécie Annona muricata possui. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. 1990). Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1993.. uma acetogenina isolada de A. 1996. 1991b). 1991).. . 1991). muricata e de A. a casca... Gbeassor et al. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. 1998). 1962). aromatica. Anomutacina 1. 1979). Heinrich et al. Ngouela et al. 1993. 1992. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. a raiz. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. Acetogeninas isoladas sementes de A. 1940). De Xylopia frutescens. 1925 e 1932). o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al.. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. antiespasmódica. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al.. 1979. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. 1979). assim como outras espécies do gênero. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. 1993). corosolona 1 e corosolina 2. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1991.. 1991). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. 1995. 1941. X. Misas et al.. obtidas de Annona muricata. enquanto extratos de folhas.

Cortes et al.. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. asimilobina. tais como cinco acetogeninas isoladas de A..... solamina.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona.. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. 1995a). enquanto os alcalóides de A. galucina. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. (1995b).. 1980).... squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. Y. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. 1992). De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al.. 1991. Chang et al. 1993) e várias outras (Jossang et al. 1993b). reticulina.. 1993b e 1994b. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. cherimolia (Villan del Fresno et al. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. 1995). enquanto os alcalóides liriodenina. 1991. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. oxoxilopina. norcoridina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1992). Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. salzmannii. enquanto alcalóides isolados de A.. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. 1993). reticulatina. 1994). bulatanocina. . coridina. 1988b e 1988a). montana (Wu et al. anonaína. esquamona. et al. 1991c e 1991a). cherimolia (Cortes et al.. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. 1993).. Esteróides de A. 1987) e A. Os alcalóides isolados de A. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. 1991). anoreticuína9-ona... squamosa.. Hui et al. isolados de A. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. montana (Wu et al. C. 1980). reticulina. respectivamente.

2001). que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. 1998). E. aromatica foi isolada atherospermidina.. Martins et al. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. como acido caurenóico.1983). atividade anticonvulsivante e analgésica.... De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. A. Extratos etanólicos de sementes de A. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. O extrato etanólico da raiz de X.. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. entre outras. A. 1994). 1996.. 1993). Trypanossoma brucei. Rao et al. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 1990. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1998). provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. 1996).. que determinaram efeito depressor do SNC. donovani. Oliveira et al. Das cascas de X. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Silva.. foi caracterizada a . et al.. 1996). 1999). 1979). que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. Extratos metanólicos de A... coriaceae (Souza et al. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 1994). et al. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro.. F.. 1993). além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. 1975). senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. 1979. enquanto o extrato etanólico de A. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). L. fungitóxica. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). squamosa. Anopheles stephensi (Saxena et al. que apresentou atividade citotóxica. Extratos preparados também com A. parassimpatomimética de A.. discreta.. 1989. Do extrato etanólico das folhas de X. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al.

aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. . Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. anti-helmíntico e citotóxica. E da espécie X. muricata e A..Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al.. 1999). Em Guadalupe. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. 1996 e 1997). 2001). Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. 1962).. 1988c). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. como inseticida. especialmente em uso crônico. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 2002). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. (1988) para a espécie Annona muricata. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk.

Nozmoscada e Ucuuba-branca. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. 1997). contendo ramos carregados de folhas . é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. e espécies do gênero Virola. Sucuba. Ucuuba cheirosa.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Essa família inclui gêneros importantes. como Myristica. No Brasil. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Espécies medicinais Virola surinamensis L. 1996). Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Neste levantamento. e também como Leite-de-mucuiba. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Sucuuba. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Virola. Horsfieldia e Knema. usada como condimento. Árvore-do-sebo. que possuem importância do ponto de vista econômico. podendo chegar a até 35 m de altura. como a Noz-moscada (Myristica). Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Bicuíba.

V. usadas como venenos de flechas. V. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. 1995). oblongolanceoladas. para o tratamento de câncer. 1969. V cf. infecções. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1997). 1971). 2000). A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. pavonis (Marques et al. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. 1992.pecioladas.. com até 20 cm de comprimento. 1996). 1989. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. É uma planta perenifólia. pavonis (Martinez et al.. chegando até Pernambuco.. S.. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. surinamensis. 1996. como outras do gênero. et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. Espécie de ocorrência na Amazônia. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica.. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis)... inflamações. 1987). bem como -sitosterol. V michelli (Santos. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. 1991 e 1992). Martinez et al. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar.. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. elongata . Vidigal et al. 1984). Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. L. V surinamensis (Lopes et al. Ferri & Barata. A casca é usada como medicamento para aftas.. Cassady et al. 1987a). como foi descrito por Jean Baptiste Aublet.

A atividade analgésica de V.(Kato et al. A atividade antifúngica das espécies V. V. Andrade et al. V. 1990. calophylloidea (Von Rotz et al. 1996a).. urbaniana (Reis et al. michellii (Cavalho et al.. Além das lignanas.. Alvarez et al. V.. 2001). 1992) e V. calophylloidea (Martinez. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al.. V.. flexuosa (Aguirre. titonina (Andrade et al. 1989) e V.. V... que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. 1987).. oleifera (Fernandes et al. 1990). 1999). V.. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. venosa (Kato et al.. 1999. e polifenóis nas espécies V.. V.. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. calophylla. pavonis. 1988). 1996) e V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. 1992). 1994 e 1995). michelli (Santos et al. Das folhas de V. 1994 e 1996. Lemus & Castro. 1996. 2001). sebifera... foschnyi (Lemus & Castro. 1989). 1995). 1996. carinata e V. 1987b).. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1990). titonina . calophylla (Martinez et al. V. carinata e V. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. michellii foi atribuída à presença da flavona.. V. Cavalho et al. Pagnocca et al. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. 1993 e 1994). 1986 e 1990). surinamensis..

1999).. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. As propriedades antioxidante e surfactante de V. 1986b e 1998). árvores e arbustos (Mabberley. Ocotea. alucinogênica de V. carinata e V. além do . Licaria. surinamensis (Lopes et al. A família reúne grande importância econômica. Nectandra. 1997). a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. 2000). do nosso famoso Abacateiro. do famoso Louro. da famosa Canela-sassafrás. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. pois. calophylla (Miles et al. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. mas não foi detectada em V. e outros. 1998. 1978). duckei (Bennett & Alarcon. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. surinamensis. 1987) e anti-hemorrágica de V. tripanossomicida. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. Sassafras. V. Os principais gêneros são Laurus. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 2000). koschnyi (Castro et al... 1991) como a surinamensina (Pinto et al.850 espécies. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1996). No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. 1996. sugerem cuidados da população quanto ao uso. elongata (Davino et al. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. dados etnofarmacológicos de V. todos aromáticos.A atividade leishmanicida nas espécies V. 1987). oleifera. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. aliados ao relato de atividade moluscicida. amplamente usado no Brasil como condimento. donovani e V. inseticida de V.. Barata et al. V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. cercaricida e molucicida de V. sebifera.. porém. Incluem muitas espécies aromáticas.. 1994). Persea.

pecioladas. 1998). a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . deriva de lauer = "verde". onde se adaptou muito bem. de estômago e como emética e abortiva. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. sendo considerada digestiva. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. para combater problemas hepáticos e intestinais. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. lanceoladas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. Espécies medicinais Laurus nobilis L. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.Abacateiro. e laus = "louvor". bem como para dores de barriga. folhas alternas. fornecedor de alimento amplamente comercializado. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. 1998). . há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. e de outras espécies. como a Canela e o Louro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça.

bronquites. . onde se encontram as folhas alternas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. estimulante do apetite e contra cólicas. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. flores branco-pálidas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. comestível. com polpa verde. reumatismo e uremia (Corrêa. ao passo que a infusão das folhas. lanceoladas e acuminadas. emenagogas. sendo comercializada em todo o mundo. estomáquicas. não ocorrendo espontaneamente. nome dado especificamente ao fruto. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético.Internamente. pecioladas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. carminativas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. as folhas são usadas contra indigestão. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. 1984). 1995). além de serem usadas contra doenças renais. anti-sifilíticas. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. ou Persea gratíssima Gaertn. vulnerárias. pequenas e pouco vistosas. diuréticas e febrífugas. fruto do tipo baga ovóide. contra reumatismo. é também usada contra febres. externamente. analgésico. além de atuar como diurético e analgésico. úlceras e piolhos (Bown. que envolve a semente grande e marrom. Persea americana Mill.

2002). A atividade antiulcerogênica de L. A espécie Persea americana L. 2002).. elemicina. foram atribuídos os efeitos analgésico. 1999). O 1. antiinflamatório (Ademylmi et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. Hargis et al. Grant et al. 1991. 1991. .. 2000.. 2002. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. hidrocarbonetos. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. 2001). 1991). spatulenol. americana citados acima. Sladler et al.. 2002).. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 2002).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 1987). antifúngico (Domergue et al.. Afifi et al. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.8-cineol isolado de L.. 1995. Às folhas de P.. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998).. 2002). 1997). antimicrobiana (Raharivelomanana et al... 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. Carman & Handley..

b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). 1984). .FIGURA 5.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.1 .

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 5. .Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens).2 .

b) Detalhe da flor (Banco de imagens). . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.FIGURA 5.3 .Xylopia cf.

1998). no Brasil. 1997. Thottea e Asarum. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. C. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. A. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea.ó Aristolochiales medicinais L. e. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. M. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Di Stasi C. muitas das quais usadas como medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Santos C. Hiruma-Lima E. Joly. M. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. ao passo que na região do . mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais.

ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. com sementes achatadas. flores isoladas. folhas alternas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. fruto capsular cilíndrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. Dados botânicos É uma planta trepadeira. pecioladas. Batarda. . O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. e várias com usos medicinais descritos. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. Mil-homens e Papo-de-peru. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. Outras denominações populares são Angelicó. ramos lisos. e lochia = "nascimento". hermafroditas. denominada popularmente como Milomem. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". parto. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. muitas das quais ricas em alcalóides. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Calunga. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. usadas como venenos.1). simples. axilares. Contra-erva. grandes. que lembra o feto em posição antes do nascimento. foi referida como medicinal. sulcados e estriados. Jarrinha. zigomorfas. Capa-homem.

anti-séptica. estimulante. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. não sendo encontrada em áreas degradadas. diurética. sulcados e estriados. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. . estomáquica. cicatrizante e contra úlceras crônicas. 1984). pecioladas. constipação nasal. especialmente para combater náuseas e vômitos. Também não é uma espécie cultivada. simples. sarnas e orquites (Van den Berg. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. 1982). as flores são isoladas e axilares. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. catarros crônicos. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. no entanto. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. excitante. anti-histérica e útil contra febres graves. gripes fortes. sudorífica. os ramos são lisos. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. capoeiras e áreas em regeneração. disenteria e diarréia.

A. 1987. ponticum (Houghton & Ogutveren... 1980). 1989). 1987). dematilis (Makuch et al.. Abel & Schimmer. 1988). A.. 1986b e 1986a). yunnanensis (Chen et al.. A. A. Paiva et al. 1992. . et al. 1994).. molissima (Peng. A. 1995). et al. III e IV (Houghton & Ogutveren. A. A. 1991b). kankauensis (Wu. A.. clematitis (Kostalova et al. argentine (Priestap. rotunda (Pistelli et al. 1984). Chakravarty et al. Higa et al. Lou et al.. A. A.. 1995).. manshuriensis (Ruecker et al. cinnabarina (Li et al. Zhang et al.. 1991). 1994).. 1979) em raízes de A.. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.... Lopes.. G... clematitis (Kostalova et al. 1995). Aristolochia cymbifera (Leitão et al. manshuriensis (Lou et al. 1991). 1987. 1983). 1995). C.. A.1993).. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. A. 1991). J. rigida (Pistelli et al. tubiflora (Peng et al. 1987). T.. versicolor (He et al. A.. 1991a). A.. A. 1987). et al. longa (De Pascual et al.. A. 1985) e A.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. gigantea (Cortes et al.. 1990. bracteata (ElTahir.. A.. 1983). A. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. L. H. A.. galeata (Lopes. chilensis (Urzua Rodriguez. 1986). P et al. rodix (Tsai et al. 1991b). tubiflora (Peng et al. 1992) e outros alcalóides em A. ftiangularis (Bolzani et al. S. elegans (El-Sebakhy et al.. 1995). A. gigantea (Lopes. M. indica (Che et al.. 1980). tais como A.. 1995) e A. molissima (Peng et al. liukiuensis (Mizuno et al. 1983a). 1991) e de A. A.. II.. bracteata (ElTahir. 1992).. 1994). 1979).. chilensis (Urzua et al.. X. Alcalóides foram isolados de várias espécies. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. cinnabarina (Li.. 1991. indica (Piers & Tse. nata (Moretti et al. brasiliensis (Lopes et al.. 1991a). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia... et al. em A. arcuata (Watanabe & Lopes. sendo descrito em A. auricularia (Houghton & Ogutveren. tubiflora (Peng et al. 1996. 1995). A. acuminata (Moretti et al. A. 1987).. versicolor (Zeng et al. 1980). 1987). A. A. 1983b).. kankauensis (Wu. 1992). A.. A. contorta (Lou et al.. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. vários outros alcalóides aporfínicos de A. T. fangchi (Tsai et al. 1988). Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1988. A. 1995) e A. 1982). 1977 e 1985). A. debilis (Ahmed Farag et al. 1991). A. 1996). et al. kankauensis (Wu et al. argentine (Priestap.. maurorum (Kery et al. A. A. raízes de A. versicolor (Zhang&He. longa (De Pascual et al. 1988). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. 1992). A. 1993). L. clematitis (Kostalova et al. A. S. 1987). esperanzae e A. A.

A. Lopes et al.. T. 1987) e A. indica (Pakrashi & Pakrasi. A.. Lignanas também foram descritas em A. 1991b). indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. chilensis (Urzua et al... O ácido aristolóquico de A.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1979). 1988) e A. A. birostris (Conserva et al. 1996). copaeno.. kankauensis (Wu. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. A. 1977). S. 1980. taliscana (Longsw et al. et al. 1990). R.. galeata (Lopes & Bolzani. Compostos como -cariofileno. A. A. Urzua & Presle. 1994). 1988) e amidas em A. triangularis (Ruecker et al. 1978). 1993).. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . esperanzae.. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. gigantea e A. 1980). S. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al.. cymbifera. 1990). 1987b. et al. arcuata (Watanabe & Lopes. e o ácido aristolóquico de A. 1995). -elemeno.. macroura (Leitão et al.

determinada pelo teste de Ames. no Sistema Nervoso Central. 1999). birostris demonstraram. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 2002).. G. 1995)... 1996). Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1991).. papilaris (Maia et al. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. Atividade mutagênica.. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. tulobata (Sosa et al. 1985). causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . gigantea (Campos et al.. multiflora (Moretti et al. anti-séptica e cicatrizante de A. 1999). 1985). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al.. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos... atividade analgésica. 1988). A. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1979). 1991). 1983). com A. A. e antiviral com A. triangularis (Garcia. niaurorum (Kery et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al.. H. paucinervis (Gadhi et al. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. 1990)... O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1979). 2001). Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos... indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. et al. 1993).. A espécie A. papilaris (Maia et al. Estudos com A. O mesmo ácido obtido de A. 1988). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. antibacteriana. 1991). 1993).Choudhury.

Aristolochia trilobata. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados.com 10. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Entretanto. 1996) por humanos. por suas características químicas. FIGURA 6. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). 50 ou 100 mg/kg via oral. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. . Da mesma forma. 1993).1 .

especialmente do gênero Piper. Mariot W. Portilho M. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. C. normalmente com células de óleos essenciais. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. S. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. onde ocorrem em abundância e diversidade. Di Stasi C. Por sua vez. Hiruma-Lima A. dos quais se destacam os gêneros Piper. 1997). Geralmente as plantas são arbustos. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Peperomia e Pothomorphe. epífitas.7 Piperales medicinais L. do qual se destacam espécies como a Pimenta. A. e espécies me- . G. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. Piper nigrum. lianas. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae.

Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. Nomes populares Além de Tracoaptera. ovário com um só estigma. O gênero Peperomia. Piper cubeba. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Piper longum. Espécies medicinais Peperomia elongata H. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. muito semelhantes entre si.K.B. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. pequenas. as quais passamos a discutir a seguir. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá.1). Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. folhas alternas. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. sendo também apenas . O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. como a chinesa e aiurvédica. como a Piper betle (betel). fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7.dicinais de ampla utilização. Piper angustifolium.

Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.K. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. pequenas. na região amazônica. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). . Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Piper cavalcantei Yuncker. curtopecioladas. simples. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. bastante carnosas e glabras. de distúrbios do estômago. Peperomia rotundifolia H.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Não foram encontrados sinônimos.B. gastrite e gripes. mas com pouca ocorrência. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.

algumas lianas e pequenas árvores. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. . os frutos são drupáceos (Figura 7. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. pendente. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. isoladas e levemente curvadas. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. assimétricas na base. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. membranáceas. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego.2). podendo chegar a até 5 m de altura. Piper cernnum Vell. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. atingindo até 10 cm de comprimento. A infusão das folhas é usada como antidiarréico.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. todas aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. inflorescências do tipo espiga. folhas pecioladas. especialmente para dores de cabeça. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. sendo a maioria arbustos.

enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas.3). particularmente contra cólicas abdominais. assimétricas na base. onde a espécie é abundante. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. a infusão das folhas é usada como analgésico. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. além de ser útil em distúrbios renais. acuminadas no ápice. Piper gaudichaudianum Kunth. especialmente contra dores de barriga. . um pouco ásperas. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. inflorescências do tipo espiga. incluindo hepatite. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. estomacais e hepáticos. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. membranáceas. levemente curvadas. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. tendo distribuição por todo o Brasil. Em outras regiões do país.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7.

com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Aperta-ruão ou Aperta-juan. alongada e fina. cordiformes. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. folhas alternas. Bitre. inflorescências do tipo espiga. estomacais e renais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e .4). com ápice acuminado. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. flores . glabra. r e t a . Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. membranosas. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. levemente assimétrica na base. Ihotzkyanum Kunth.Piper cf. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Piper marginatum Jacq. Nhandi. pecioladas. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Em outras regiões do país. com ramos glabros e cilíndricos. pequena (até 11 cm de comprimento). membranácea.

sudoríficas. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. A planta é tônica. 1984). os frutos são excitantes. estomáquica. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". Uma outra espécie do mesmo gênero. . sialagogas. as folhas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. Caá-peuá. resolutiva e usada em banhos após o parto.) Miq. membranosas. flores sésseis.5). ovado-arredondadas. dores de dente e blenorragias. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Pothomorphe peltata (L. se ingerida. minúsculas. essas diferenças ficam bem claras. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. um gênero da família Araceae. formando uma falsa umbela. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. peitadas.6). como ocorre no gênero Piper. estimulatórias (Corrêa. andróginas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. Catajé. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas.com brácteas triangulares. androceu com três estames. contra veneno de cobra. Malvarisco. peltatas. gineceu com três estigmas. principalmente da tucundeira. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. as raízes são carminativas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. diuréticas. e não isoladas. descrita a seguir. bainha desenvolvida. fruto do tipo baga (Figura 7.

flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. diurético. andróginas. 1980). bainha desenvolvida. formando uma falsa umbela. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. com ápice agudo e nervação peltinérvea. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. minúsculas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. .7). no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Pothomorphe umbellata (L) Miq. 1984). antiinflamatório externo e interno. cordada. ovado-arredondadas. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Capeba ou Pariparoba. fruto do tipo baga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. membranosas. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. flores sésseis. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. vermífugo. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie.

5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. De Peperomia japonica. ácidos graxos (Lima et al. E. 1982). grifolina bisobolol. Os alcalóides. indicada populamente como antitumoral. 1996). que também possui ácido grifólico. monoterpenos. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. flavonóides (Tillequin et al.. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. Seeram et al. miristicina. 2001). são .. foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Cromonas foram isoladas de P. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. 1990). 1988).Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al... 1988). marginatum foram isolados aril-propanóides. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. 2001). além de apiol. vulcanica e proctorionas de P. Das raízes de P... Piper Das raízes de P. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. quinonas piperogalona... M. B e C (Chen. 2000). et al. 2002. sesquiterpenos. 3-hidroxi-4.. compostos de grande importância farmacológica. G.. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. 1982). galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. proctorii (Mbah et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. C.. Das partes aéreas de P. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. Mahiou et al. 1997).. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 1994). et al. que representa 49% dos constituintes voláteis. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al.

nigrum (Inatani et al.. 1986). P. betle (Evans et al. P. 1987). Li & Han.. P. 1983). 1986. Shoji et al. auritum (Ampofo et al. hispidum (Vieira et al. P. 1987). Foi demonstrado também que P. 1986). hidropiperona.. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. 1979). P... 1986) e flavonas de P. 1986 e 1987)... peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. 1980). retrofractum (Banerji et al. hispidum (Burke & Nair. 1981) e P. chavicina e outros. 1986) e P... com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. 1983. 1980) e P. 1986).. P peepuloides (Shah et al.. 1977) e P. hostmanianum (Diaz et al. Tabuneng et al. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. amalago (Dominguez et al. 1987). guineense (Cole. 1982) e P clusti (Koul et al. 1987). betle (Rimando et al. Foram isolados diversos alcalóides em P. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- .. P.. aduncum e P. 1986. 1984). Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. flavonóides de P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. piperidina. Isolaram também neoglicanas de P. Bacillus subtilis. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al.. sendo os principais piperlonguminina. tuberculatum (Braz Filho et al. 1979). peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al.. cubeba (Badheka et al. 1977. futokadsura (Chang et al..encontrados com freqüência nesse gênero.. lancei (Han et al. jaborandi (San Martin. piperlongumina. P. hancei (Li et al. 1987). Uma quinona... hispidum (Vieira et al. 1985) e P. 1995). P. Pothomorphe P. compostos fenólicos de P.. lignanas de P. methysticum (Smith. aduncum (Smith & Kassim. longum (Dutta et al. 1985). Achenbach et al. 1985).. piperina. sylvaticum (Banerji & Pal. 1981). P. P.. 1992).. 1968).

. et al... E. 1997). 1998.1-0.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. L. et al. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. do extrato (0.. Aziba et al. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. R. 2001). relaxamento muscular e dispnéia. 1996b). o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. 1992).. Substâncias de P. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 2001).. O extrato aquoso de P. et al. 1996). Villegas et al. e atóxica (Saad et al. V. Assim. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte... B. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. 1994). 1994). Piper Foram caracterizadas para P.. galioides e os compostos ácido grifóico.cies de Leishmania (Mahiou et al.1-1 g/kg. em doses que variaram de 0. Arigoni-Blank et al... longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. promoveu piloereçáo. Embora o extrato de P. et al. H. antifúngica (Lima. O. 1995). hipotensora (Santos. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. R. hipotensora (Siqueira et al. 2002. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. 1996). 1996).. S. V. 1997). V. também conhecida como Língua-de-sapo. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. salivação intensa. et al. lacrimejamento. analgésica (Da Silva et al.. antibacteriana.v. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. 1997). O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. bloqueada com prazosin e ioimbina. A administração i. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. H. apresentou atividades diurética (Santos.. atuar como antialérgico e diminuir . O. 1996a). M. cicatrizante (Saad et al. 2002.

nematicida (Evans et al... larvicida (Mongelli et al. Shen et al. Dahanukar et al. abutiloides. 1991. 2002). 1979). esta última com potente atividade (Di Stasi. 1988). De P. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. 1988).. As neoglicanas isoladas de P.. regnelli. A espécie P. Di Stasi & Pupo. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al.. 1986. 2002). 1985).. Atualmente. aduncum (Lohezic-Le et al. P. gaudichandianum. Cairney et al. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda .. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al.. 2002.. inseticida com substâncias de P. apresentou propriedades anestésica. antioxidante (Choudhary & Kale... 1988). P. lindbergü e P. retrofactum (Woo et al. 1978. A espécie P. e antiviral P. a degranulação. fungicida. P. Pothomorphe A espécie P. por seus constituintes químicos. Porém. anticonvulsivante. Prakash. 1985). 1987). sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. lancei e P. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. espasmolítica. 2000). conhecida como Pariparoba.. 1984. Amorim et al. cincinnatoris. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. mutagênica (Chen et al. 1984). também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1984). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1985). 1984).. Desmachelier et al. agindo como os anestésicos locais (Singh. analgésica. 1976).a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. peltata possui atividade analgésica (Pupo. 1987.. 1983). Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. betle apresentou atividades fungicida. 1986 e 1988. amalago (Pupo. 1985). e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger... nigrum (Miyakado et al. inibindo a agregação de plaquetas.. methysticum também conhecida como kava-kava. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. peltata. 1986). P. e aumentou o tempo de sono (Duve.

Miq. 1987). Ramo florido (Desenhado por Di Stasi .. antiedematogênica. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. 1996). FIGURA 7.. o que não foi observado na espécie P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. peltata (Felzenswalb et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana..1 . De P. 1997. O extrato etanólico das raízes de P. Desmarchelier et al. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1992). de Ferreira da Cruz et al. 1995). umbellata L.. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. P.. 2000)...Banco de imagens .. analgésica. umbellata.Peperomia elongata. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.. 2002. 1987). umbellata.

Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.2 .FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Banco de imagens ). .

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).3 .FIGURA 7.

4 . . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7.Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.

5 .FIGURA 7.Piper marginatum. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .

Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi ..FIGURA 7.Banco de imagens .Pothomorphe peltata. . .6 .

7 . .Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).

Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Berberidaceae. C. o famoso Ópio. Sabiaceae. das quais devemos destacar Menispermaceae. como a morfina e outros derivados opióides. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. M. arbustos escandentes e . Santos E. M. Ranuculaceae e Papaveraceae. Pteridophyllaceae. Hiruma-Lima C.8 Ranunculales medicinais L. algumas lianas. como é o caso da Papaver somniferum. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Di Stasi C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. foram obtidos. A. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae.

1). onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. imene. rufescens e A. fruto do tipo drupa. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. a espécie é chamada de Abuta. folhas alternas e pecioladas. da Mata Atlântica. onde a planta foi referida como medicinal.raramente árvores ou ervas (Mabberley. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Outra denominação é Iroba. aplicada no local lesado e/ou ingerida. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. também denominada de Abutua. Uma delas. 1997). são consideradas muito tóxicas. raspada e misturada com água. 1996). típica da aldeia tenharins. assim como . flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. tais como A. Espécies do gênero Abuta. Dados botânicos Planta perene. com contorno oblongo (Figura 8. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. com ampla distribuição na América do Sul. foi referida como planta antiinflamatória. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. no entanto. Nessa família. utilizadas por índios do Norte do país. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

. 1987). D. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. antiviral (Brochado et al.. 1996). tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT.. porém. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. 1997). Brochado et al... além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. 1996).. 1998. et al. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. 1996. Kern et al.. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu.. Loureiro et al. relaxante (Araújo et al. M. 1997). 1996). 1997). in vitro.. Farias.. Farias. B. 1997. 1996. 1993. 1996 e 1998). Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. Uma loção contendo C. 1993). Gomes et al. Além disso. 1996a e 1996b).. L. 1997).. ainda. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. et al. B. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. 1994). Induziu. LDH) e o nível de bilirrubina. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. GOT. et al. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. 1999. raízes. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. analgésica (Macedo et ai. D. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . Não foram observadas. argentea. L. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas.. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza.. J. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos..

1992). 1986. Zhang et al. De Ruiz et al.. subclasse Caryophyllidae. C. 1993). Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. B.. requer cuidados por parte da população. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. S. 1998). 1995). aliado aos dados de toxicidade em peixes. 1988. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. sobretudo contra helmintos.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. O uso das espécies contra helmintos. confirmados para inúmeras espécies dessa família. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. especialmente em uso crônico. inclui . et al... 1989)... Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. hemorragias. não apenas com as espécies citadas. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. Extrato aquoso de A. et al. 1972). 1996). mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. 1996. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. Do extrato de A. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. porém. Yang et al..

1997).97 gêneros. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. . que também inclui espécies medicinais. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. Em ambos os casos. embora várias espécies possam ser encontradas na África. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Cereus e Melocactus (Cactoideae). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. • Cactus. 1978). com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. de hábito variável e geralmente espinhosas. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. 1978). são espécies perenes. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. com aproximadamente 1. Segundo Joly (1998).400 espécies (Mabberley. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. No Brasil ocorrem 32 gêneros. • Opuntia (Opuntioideae). Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. suculentas. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir.

galactose. sendo uma homenagem ao professor N. folhas subpecioladas. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. 1987).. F. galactopiranose. 1986). além de heteropolissacarídeos. numerosos acúleos. cresce em matas e em restingas. A espécie é originária da Argentina. guamacho possui ácidos galacturônico. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. além de galactose.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. antitérmico e contra gripes e resfriados. arabinopiranose. em altitudes e também no nível do mar. galactose. dispostas em rácimos terminais. glucurônico e seus metil ésteres. arabinose. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. glucose. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. 1994). ácido galactopiranosilurônico. Peiresc. C. fruto do tipo baga glabra.. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. obovóide. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. arabinofuranose. lenhoso. A goma de P.. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. xilose e ramnose (De Pinto et al. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. oblongas e acuminadas com base atenuada. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. . Das folhas de P. 1990).

Portulaca oleracea. arbustos e ervas. O principal gênero é o Portulaca. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. . no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1997). e 33 espécies (Barrozo. 1978).Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. sendo algumas pequenas árvores. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. Talinum e Portulaca. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. muitas delas suculentas (Mabberley.

cólicas renais e . Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. Dados botânicos É uma erva de caule curto. Inclui três variedades principais. obovadas. planas e suculentas. axilares ou terminais. dadas sua rusticidade e resistência à seca. Na região da Mata Atlântica. pequenas. tais como Verduega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. especialmente em Portugal e na Alemanha. sésseis. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. referindo-se às propriedades purgativas da planta. pequenas. diminutivo de "porta". a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. as partes aéreas cruas são usadas. folhas pequenas. flores amarelas. fruto capsular obovóide. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. Berduega e Veduega. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. outros usos são atribuídos à espécie. mas algumas variações de nome popular são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. na forma de salada. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. arroxeado e suculento. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. como alimento. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. e a maioria é de ervas suculentas anuais. Bodroega. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega.

sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. cicatrizante externa. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. emoliente. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. lanceoladas. . as sementes passam por diuréticos. As folhas dessa planta também são comestíveis. Também conhecida como Beldroega. emenagoga e eficaz contra erisipela. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. amarga. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. flores amarelas. diurética. pequenas. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. vulnerária. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. de onde saem folhas alternas. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. Perrexi e Alecrim-desão-josé. emenagogos e vermífugos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. Caaponga. Portulaca pilosa L. estomáquica. pilosas. como as da beldroega.afecções da vista. glabros e suculentos.

. cycloartenol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. fumárico e acético (Gao & Liu... ferro. campesterol e stigmasterol.. ácido ascórbico. ascórbico. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. como sitosterol. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 1991). oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 1988). 1991). 1992).. succínico. P. B e C. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. Boehm & Boehm. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. fósforo. carboidratos. 1991). 1991. 22:6ômega-3. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. sendo o último composto um glicosídeo.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. pilosanol A. 1994). 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al.. 1995b). cálcio.. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. (1991) detectaram de R oleracea 3. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. butirospermol. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P.4. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. .. pilosa (Ohsaki et al.. 1996). 1992). málico. 1995. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. malônico. 1990). três diterpenóides transclerodânicos.5% de lipídios. isolados das raízes de P. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. ácido linoléico e ácido palmítico. Boschelle et ai. 1996). parkeol.. manganês. dentre os quais 18:3-ômega-3. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. Simopoulos et ai. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.. 1996). Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis.. oleracea de proteínas. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3.

.. oleracea foi investigado in vitro. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al... além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. O extrato de P. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. 1994). n-hexacosanol. stigmasterol. n-triacontano.. 1989).. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al...De P. 1993. 1996).. (1994). grandiflora Hook. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. enquanto das partes aéreas de P. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. encontrado por Rocha et al.. 1985) relaxante muscular. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1989). O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. sem alterar a diurese. dentre outras espécies. 1987). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. 1989). o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. . O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. 1989.. 1989).. Rocha et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1993). 1995).... P. oleracea.. apresentou atividade hipoglicemiante. Habtemariam et al. 1989b) e hipotensora (Poli et al. De P. 1997). diurética (Rocha et al. 1987). 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. lupeol. beta-sitosterol. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. 1994). grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.

caule ereto e glabro. Mentrasto e Mentrusto. Lombrigueira. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. sendo uma planta extremamente . A família se subdivide em quatro subfamílias. Spinaceae. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Salicornia. Anserina vermífuga. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. raramente. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. 1978). 1997). Inclui arbustos. pequenas árvores.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. oblongas denteadas. ramos folhosos verdes com folhas alternas.5 m. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Ex Stend. Também é chamada de Ambrósia. Erva-das-cobras. que pode atingir até 1.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Menstruço. Erva vomiqueira. Erva-das-lombrigas. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. ervas anuais ou perenes e. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Salsola e Atriplex. extremamente ramificado. Caacica. No entanto.

lesões hepáticas. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. febre. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. internamente. como abortiva. Godano et al. externamente. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. contra reumatismo. 2002. referindo-se às folhas lobadas. dor ciática e parasitas intestinais e. bronquite. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional.. especialmente na área veterinária.. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. para problemas da pele. 1978. 1995). baratas e demais insetos. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. ao passo que a infusão das folhas é usada.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. em altas doses. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. 1985a e 1985b. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. percevejos. incluindo a Amazônia. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. a maioria de ervas. Melito et al.) . destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. Além desse uso. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". amplamente disseminado nas zonas rurais. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. extremamente útil para afugentar pulgas. esse uso é comum também em outros países.. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais.

distribuídas. 1997). Pega-pinto e Tangaraca. Dos gêneros. ovadoblongas. de onde partem folhas pequenas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. incluindo árvores. Boerhavia. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Bougainvillea. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Guapira e Andradea. Pisonia. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. a espécie é conhecida como Erva-tostão. pilosas e pecioladas. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. . químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea.3). opostas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Mirabilis e Bougainvillea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. arbustos e ervas que produzem betalaínas. nome usado em todo o Brasil. em trinta gêneros. mas não antocianinas (Mabberley. Mirabilis. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico.

atóxica.. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. especialmente a raiz. Rawat et al. sem efeito teratogênico (Singh et al. Corrêa (1984) refere que a planta. 1997). Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. sendo árvores. arbustos. possui sabor picante.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. particularmente contra lombrigas. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. 1990 e 1991). 1978 e 1980.. 1997). além de ser considerada excelente diurético. 1999)... nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 2000a)... 1991. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt.. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . 1991). 1996) e lignanas (Lami et al. lianas ou ervas. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. 1995). Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1996. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. Aslam. 1999). Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. Sohni et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros.

peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. Amansa-senhor. Em outras regiões. estipuladas. no Mato Grosso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inchaço de mem- . androceu com quatro estames. gineceu unicarpelar com ovário súpero. farmacêutico e amante da natureza. Tipi-verdadeiro. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. achatado e carenado (Figura 9. Dados botânicos Subarbusto perene. delgados e ascendentes. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. em Pernambuco e em São Paulo. 1984). como abortiva. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. ereto. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. raízes e ramos são considerados emenagogos. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. anti-reumática e antivenérea (Corrêa.como ornamentais. limão de cayanna. Outros dados incluem o uso da raiz. no alívio de dores musculares. Gambá-tipi. que inclui uma única espécie. folhas. antiespasmódica e reputada como sudorífica. no Rio de Janeiro. pequenas. alternas. folhas curto-pecioladas. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. flores sésseis. também é comum. na Bahia. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. Pipi. membranosas. e o gênero Petiveria. alfavacão. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. sublenhoso. ramificado com ramos compridos. agudas no ápice e estreitas na base.4). diurética. O uso externo das folhas novas e da raiz. em decocto ou pó. fruto aquênio cilíndrico. como Tipi.

dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez.. em Minas Gerais.. como abortivo. 1988). trisulfeto de dibenzila. 1982). protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. et al. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. beta-sitosterol. M.. 1992). dores de cabeça.. 1986). serina. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. linoléico. trans-N-metil-4-metoxiprolina. 1988b). beta-sitosterol. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. ácidos palmítico.. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. lignoceril álcool. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio.. M. S. além dessas indicações. a raiz é útil na amenorréia (Agra. 1988.. et al. T. C. et al. 1998). triterpenos (Delia Monachi et al. peptídeos como ácido glutâmico. em Brasília e no Mato Grosso.. 1988. 1990).7-di-O-metilpinocembrina. no Ceará. alantoína. reumatismo. 1988. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados.. ainda. pinitol. nitrato de sódio. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. De Lima et al. 1980). C. 1980.. Trotta et al. Grandi et ai. ácido lignocérico.. 1982). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. as raízes são usadas na hidropsia.. 1997. 1986). De Souza et al.. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al.. Van den Berg. flavonóides. 1990). Pinto C. 1980). na Paraíba. glicina e alantoína (Sousa et al. paralisia. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1982). . T. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. esteárico. 1988). no Rio Grande do Sul. 1982. 1989) e depressora do SNC (Lima.

. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al... 1997) e antifungica (Benevides et al. Elisabetsky et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al.... 1984). 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. 1988.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. Lopez-Martins et al.. hematopoiética (Quadros et al. afasia e até à morte (Corrêa. 1991). Y.. Cortez et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. 2050 aci02).. No entanto. 1995). Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo.. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. 1996) e antitumoral (Davino et al. com uma D L m a de 1. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. Davino et al. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1994). 1987) e antiviral (Ruffa et al. 1991 e 1992). 1993).. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. 1991. 1989. Caldeira et al. O extrato hidroalcoólico de P.. 1998). 1991). citotóxica.. M.. et al. atividades analgésica (Thomas et al. Takahashi. 2002. 1993. utilizado popularmente como vermífugo.. Davino et al. . zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. por levar à imbecilidade. Malpezzi et al. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al... 2001). efeito zigotóxico (Guerra et al.. Germano et al... acaricida (Johnson et al. P. 1990). 1994).. alliacea. 1993. 1992). 1988. Guerra et al... 1998). 1988. 1989.. 1991.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1988). antiinflamatória oral (Germano et al. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. e o de caule.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

Wilbrandia ebracteata Cogn. folhas pecioladas. ramoso e delicado. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. com caule anguloso. 5-lobadas e raramente com mais lobos. foi dado em homenagem a John Wilbrand. mas ásperas. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). capoeiras e na beira de estradas. sulcado. O nome do gênero Sechium. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. flores amarelas esbranquiçadas. especialmente na Itália. descrito por Patrick Browne. e muitas variedades em cada espécie. como em formações secundárias. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo.a cinco lobos. membranosas. alternas. com até 20 cm de comprimento. é uma variação de sicyos. e o nome. especialmente após o cultivo sistematizado. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. sendo um produto amplamente comercializado.3). longos. flores amarelo-claras. fruto do tipo pepônio verde. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. como Cabeça-de-negro. que significa "pepino". rugoso. Wilbrandia. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. . nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. e sua raiz. O gênero inclui apenas seis espécies. É uma importante espécie econômica. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies.

Wang et ai. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. Zn... 1987). 1997).. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. 1996). 1989). Dos frutos frescos de M. reumatismo. Kusmenoglu.. afecções da pele. 1992).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. assim como no controle da diabetes. a raiz é utilizada no tratamento de febre. tumores e. 1996). taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. 1989. Mn e Li (Peng & Li. também... Nguyen. charantia . Zheng et al. sendo o cucurbita-5. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. charantia também foram isolados triterpenos. Co. 1985).. sífilis (Almeida et al. charantia foi isolada a gama-momorcharia. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. 1995. 1992). além do esterol. charantia também foram isolados vicina. ácido linolênico.40%). divididos em lipídios não-polares (38. Ni. Das sementes de M. A composição química do fruto de M. momordicinina e momordicilina. 1991. 1996). Das sementes de M. Chandravadana et al. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1996. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al..76% de lipídios. Das sementes de M. além das momordicinas (Fatope et al.80%) e fosfolipídios (16. 1996.. proteínas.. Das folhas de M. 1990a).. De M. 1997). 1990. 1988. Cr.. 1989.81%). Chang et al. Hara et al. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Foram isolados também cicloarterol. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. 1996. glicolipídios (35. Dos frutos verdes de M. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Grondin et al..... charantia foi determinada como 0.. Huang et al. 1986).. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al.. como laxativo (Farias et al. Além disso.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1990). Foram isolados ainda das sementes de M.

involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. Dos frutos de Aí. 1993). além de uma resina (Volák & Stodola. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. pela E e. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. seguidas. 1994). dioica eM. sesquiterpenolactonas e taninos. Aí. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. . foetida (Mulholland et al. também foram detectados em Aí. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1995). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1990b). charantia. 1987). 1997). posteriormente. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. além do ácido rosmarínico. oléico.vicine. isolados das partes aéreas... Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. também descrito em M. 1990). H e I (Miro. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu.. 1994). 1991). esteárico. triterpenos tetracíclicos. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1995). As sementes possuem 50% de óleo. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. rigorosamente.. balsamina (De Tommasi et al. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. Das sementes de M. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. charantica. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. contendo trinta carbonos. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1990). provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. pelas G. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1987). 1993). Geralmente.

sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. 1981. 1984. Athar et al. 2002). (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. decocto das folhas e suco de M.. Welihinda et ai.. Platel & Sirinivasan.. 1997). (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. Ahmad et al. O suco dos frutos de M.. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. (1986)..... antiviral (Takemoto et al. 1980. 1986. 1996. 1982a e 1982b).6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Além disso. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. 2002) (Jilka et al. Karunanayake et al. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. 1996. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos.. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais.. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. charantia (Rathi et al. 1982. 1983). O extrato etanólico de M. El-Gengaihi et al. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1983a e 1983b) e . Pugazhenthi & Murthy. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. 1996). 1993). DNA. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 1996. 1987). 1993). charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. Raman & Lau.. da síntese protéica. Inibição da síntese de RNA. (1994). Ng et ai. extratos brutos de folhas.

charantia.. antitumoral.. Os frutos e sementes de M. 1994). quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos.imunomoduladora (Spreafico et al. 1987. 1990a). charantia. 1996). O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M.. 1993). 1993). A glicoproteína isolada das sementes de M. isoladas de sementes de M. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. charantia.. 1990). Cinco compostos foram isolados de sementes de M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. charantia. momordina 1 e momordina 2. uma proteína inativadora de ribossomos. L. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al.. 1995). uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1990). .. 1983). apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae.. Ng et al.. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Fong et al. isoladas dessa espécie. na qual descreveram a momorcochina. Wang et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. alda-momorcharina.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. 1995b).. proteínas inativadoras de ribossomos. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. et al. incluindo M. charantia. 1996). e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. charantia) inibe a integrase de HIV-1. 1994). possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. As proteínas inativadoras de ribossomos. inativadora de ribossomos e imunomoduladora..

1996). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. 1994).. 1996). e o rizoma de Curcuma longa Linn. Apesar da indicação popular para inflamação. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia foi isolado ginsenosídeo. 1990).. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al.. Foram isoladas duas proteínas de M. 1987). De M. 1990. 1988). charantia e Emblica officinalis Gaertn. MAP30 isolado de M.. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . A M. 1996)..(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. Embora indicada contra malária. 1990. (1984 e 1985). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. Das folhas de M.. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. et al. Os frutos de M. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li.. 1994).. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1995). A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. Basaran et al. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al... 1987).Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1995). 1991). Dos frutos verdes de M. antiancilostomose (Berchieri et al. charantia (Silva. L. De M. Misra et al. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. 1997). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. No entanto. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. Amorim et ai. O extrato aquoso da folha de M. M.. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1996).

. Outras atividades também foram descritas para a espécie. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. Miró.. 1993). 1991). diarréia. 1996). Jensen & Lai. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1994). podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al.. anticoncepcional. 1995. 1995. tais como antioxidante.. 1993). em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al.. 1991). Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1995.. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. De M.atividade hipoglicemiante. 1995. anti-helmíntica. C.. 1997).. citotóxica. tais como antiinflamatória. et al. 2000) e antimutagênico (Yen et al. 1986).. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae... hipovolemia. Teixeira. Peters et al. O extrato alcoólico de M... 1993). . 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1986b). 1989. 1997 e 1999). do que o extrato de M.. Proteínas isoladas de M. em rato. Além disso. Hamato et ai. Pagotto et al. diminuição da pressão arterial. hipotensora (Gordon et al.. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1984. Trichosantina. antimicrobial. 1996). inibição da ovulação. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. A. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 1995). 2001). antitumoral. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai.. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1995). ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. charantia (Sankaranarayanan &Jolly.

charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. . Platel & Sirinivasan. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas.. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória.. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. especialmente por gestantes. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. Chan et al.. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1994).. 1996.. 1996. 1986).. 1992). A toxicidade do fruto de C. 1988). 1987).Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. El-Gengaihi et al. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado.6 mgAg. Raman & Lau. recentemente.. angaria foi de DL50 = 1. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. 1996. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. Os frutos de M. Em ambos os casos. 1986.. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. Das sementes de M. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. charantia em enzimas hepáticas. 1997).. 1990). 1986).

1978). e stemon = "estame". fruto do tipo capsular trilobado. pétalas ausentes. ovário unilocular. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. e não foram encontrados sinônimos para ela. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. . visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. com gomo terminal protegido por estipula caduca. farrapo". O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). onde há cerca de oito espécies. referindo-se ao estame bifurcado. pedaço. mas que possui uma grande importância. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. semente com endosperma carnoso (Figura 10. distribuídas em regiões tropicais.4). folhas simples. bem desenvolvidas. alternas. androceu com um estame.

Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. em geral trepadeiras. 1992). A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. . compreendendo lianas. no entanto. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. de valor alimentício e medicinal. 1996). existem várias espécies do gênero Passiflora. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. arbustos e árvores (Mabberley.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. conforme apresentamos a seguir. 1997). Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). representando um importante recurso econômico. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. com 575 espécies tropicais e temperadas. No Brasil. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga.

3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. folhas inteiras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. monoterpenóides. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). gavinhas que são ramos florais modificados.. antocianinas (Kidoey et al. 1997). fruto oblongo-ovóide. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. 1987a. (9Z)-ácido octadecenóico. epipassicoriacina. 1987b e 1985). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. Spencer & Seigler. mas identificada apenas até o gênero. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. corniculadas.5). Passiflora macrocarpa Mart. 1996. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. ovadas. 1989). a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. alternas. 1991). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al.. principalmente a P edulis. hexadecanóico. chamada popularmente de Maracujá gigante.Dados botânicos Planta glabra. 2tridecanona. margem inteira. Uma outra espécie de maracujá. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. 1990). flores com cinco sépalas ovadas.. agudas no ápice e estreitas na base. 1983). o suco dos frutos é considerado sedativo. cilíndrico. carotenóides (Ferreira et al. é usada para diversas finalidades. planas e obtusas. cordiformes. . sementes compridas (Figura 10. uma espécie denominada Maracujá.. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). Na região da Mata Atlântica. peninérveas. que lembram os instrumentos do martírio. e cinco pétalas rosadas. pela interpretação dada às peças florais. caule robusto. côncavas. estipulas ovadas. 2-pentadecanona. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea.

taninos. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. vitaminas A. bem como a presença de glicosídeos em P. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. 1980. 2000. 1988.. B2. 1988). Esse composto não foi detectado em P coerulea. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. O suco dos frutos contém água. glicosilflavona (Geiger & Markham. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo.. assim como ácidos graxos. 2000). ferro. harmalina. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. quadrangularis (Orsini et al.. 1988). gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. 1997. 1986). de onde foi isolada crisina. 1988. flavonóides (orientina. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. et al. P coriacea (Spencer & Seigler. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. riboflavina. Sena & Leite.. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. PP e C (Zhuang & Wang.. espasmolítica (Queiroz & Brandão. orientina e isoorientina. sendo a passiflorina o mais conhecido.. potássio. Costa.. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. Raffaelli et al.. isovitexina. 1997. analgésica.. 1987b). além de vários compostos aromáticos (Winter et al. Da espécie P. K. Flavonóides como vitexina. 1997)... B1. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero.. 1996). 1997.. 1986). cálcio. 1989). bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire.. 1997). Menghini. Proliac & Raynaud.. 1995. mollissima (Froehlich et al. 1991). fósforo. harmina. açúcares. Dos frutos e folhas de P . Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. isoorientina. 1988. Spencer & Seigler. 1979). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. proteínas.1979). saponarina. 1980). incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. P. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. carboidratos.. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1998). lipídios. fermentos. amliformis (Restrepo & Duque. Ortega et al. 1988). 1996). 1986). 1987). Vale & Leite. isoschaftosídeo. harmol e harmalol). Amaral.. nem em R incarnata (Speroni et al. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. maltol.

Detalhe da folha 5-lobada. Das folhas de P . Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. 1985b. Echeverri & Suarez. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 1988). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1998a). Barros et al.. Porém. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico..edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. foetida apresentou atividades hipotensora. fruto e flor (Banco de imagens . FIGURA 10.. 1991.. antipirético (Silva et al...1 . 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1985).. 1978).Luffa cylindrica Roem. espasmolítica (Carneiro et al.. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al.. 1989 e 1993) e inseticida.. inotrópica.. antiinflamatório (Silva et al. 1989). atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 2000). 1991).

.FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. 1982). canaiensis (Willd. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. reunidas em fascículos axilares. de Vassoura. mas também de Ganchuma e Relógio.) K. como emético (Hoehne.mas. Schum. . as flores são pequenas. no Pará. na Bahia. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. emenagogos e as folhas (decocto). Malva-preta. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. 1939). lineares e de cor branca. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. Vassoura e Relógio. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. como abortivos. com caule ereto e ramoso. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Sida rhombifolia L var. freqüentemente com cálice roseado.

Guaxima. Carrapicho-de-lavadeira. mas esta não foi completamente identificada. Grandi & Siqueira. axilares. Coaquibosa. Dados botânicos Planta anual..Vassourinha.4). em Minas Gerais. é de grande uso externo contra reumatismo. Malva e Vassoura-do-campo.. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. contra desarranjo menstrual. é tido como útil.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. ereta. Rabo-de-foguete. Ibaxama. Malvaísco. 1982. chamada de Caapiá. O chá de toda a planta. na dose de três xícaras ao dia. róseas. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. reticulata (Cav. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. Aramim. . como Minas Gerais. folhas curto-pecioladas. dispostas em racemos. Urena lobato L. ramosa e pubescente. 1982). Malva-roxa. popularmente conhecida como Caapiá. a planta é utilizada como béquica. tônica. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. em São Paulo e no Rio de Janeiro. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. emoliente. Uacima e Uacima-roxa. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. alternas. no Rio Grande do Sul. 1986). na região amazônica. Em outras regiões do país. flores solitárias. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. anti-hemorroidal. Na Mata Atlântica. e Guanxuma. no Rio Grande do Sul. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. var. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. rombóideovais ou lanceoladas. Guaxuma. Aguaxima. Guaxiúba. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. 1987). 1990). diurética e útil contra eólicas.... 1984). de até 3 m de altura. suculentus (Tomoda et al. 1977a. suculentus (Moawad et al. cannabinus (Kulchik . 1977b e 1978). de onde partem folhas alternas. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. mucilagens das espécies H. 1991). pecioladas.. fruto do tipo capsular.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. moschentos (Tomoda et al. solitárias. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. 1985) e H. 1986. com ramos alternos cilíndricos. De H. 1991). emoliente e contra eólicas renais. H. Tomoda & Ichikawa. 1986). lobadas e de formas variáveis. roxas ou rosas. fosfolipídios (Tolibaev et ai. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. cannabinus foram isolados.. ligninas de H. comum às espécies desse gênero. syriaceus (Shimizu et al. 1986). Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. com grande destaque para as três nervuras centrais. 3-7 nervadas. cordiformes. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. flores pecioladas. ciclopropenos (Nakatani et ai. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. Dados químicos Hibiscus De H. pequenas. a decocção da raiz é usada como diurético. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. onde se encontram glândulas nectaríferas. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. H. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai.

esculentus e H. 1986. sabdariffa produziu antocianinas..8. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. triacilglicerídeos.. o H. moschentos foram isolados 3. galactose. ácidos palmítico. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. 1988). sesquiterpenóides de H. monoglicerídeos. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. quercimeritrina. 1986). oléico e linoléico (Tolibaev et al. peonidina..-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. 1990). 1989). cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. epoxiacilglicerídeos. 7-0alfa-ramnopiranosídeo.et al. diacilglicerídeos. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. betasitosterol. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. sabdariffa foi determinada (Kalyane. Duckart et al. 1986. glucose. ikshusterol. kaempferol 3. linolenato de metila. N-acilfosfatidiletanolamina. fosfatidilinositol.5. Foram isolados também de H.. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. xilose e frutose (Pouget et al. Husain et al. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H.. 1990). esterois livres. beta-sitosterilglicosilado. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. De H. Em cultura de tecidos. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. 1991) e lactonas de H. . petunidina.7. 1990a e 1990b). 1988). vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. taxifolina e herbacetina.-L-arabinosideo-7. De H. No óleo das sementes de H. N-acilisofosfatidiletanolamina. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%... tiliaceus (Ali et al. 1989a e 1989b). 1991). 1977). ácidos graxos livres. pelargonidina. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. esterol ésters. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. 1978). fosfatidiletanolamina.. arabinose e arabinan.. A quantificação das proteínas das sementes de H. além de 15% de ramnose. Das sementes de H. sterculico. epi-ikshusterol. De H. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.4'-pentahidroxiflavona. cianidina. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. 1988). malvidina (Kim et al. Das pétalas de H.. 1988).. 1989). abelmoschus (Maurer & Grieder.

1986). dipalmito-linoleínas. hirsutum (Schmidt & Wells. hirsutum e B. dipalmito-oleínas. barbadense determinou a presença de albumina. diversos terpenóides (Hunter et al. hidrocarbonetos. 1995). glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. D-galactose. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. silianum (Kumamoto et al. esteróis. principalmente o esqualeno. rainundii (Stipanovic et al. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. fosfolípides. 1979). mirístico. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. 1986). esteárico. palmito-dilinoleínas. Das sementes de G. Foram isolados de G. corantes como carotenos. lecitinas. 1995). barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. barbadense. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. também isolado de G. 1987). Ermatov et al. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1985). tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1980). prolamina e glutelina (Sammour et al. resinas. mucilagens e proteínas (Costa.Das folhas de H. palmítico. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. G. De G. óleo-dilinoleínas. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. oléico. xantofilas. 1979) e G. araquídico. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). miristoléico e palmitoléico. hirsutum e G arboreum. globulina. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. 1986. 1985).

hermaphrodita contêm também os flavonóides. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P.(+) gossipol de G. Sida Alcalóides foram isolados de S. hirsutum (Mansour et al. 1988). As partes aéreas de S. espermátide e espermatozóide. 1989b). campesterol. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. isoquercitrina. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. A extração das partes aéreas de S. ácido palmítico. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. ácidos graxos como beta-sitosterol. 1989). 1988a). stigmasterol. spinosa (Prakash et al. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. barbadense e G. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. acuta (Goyal & Rani. As partes aéreas floridas de S. fitano. Das partes aéreas de S. S. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. S. 1997).3%3%) (Bandyukova & Ligai. De S. vesícula seminal e próstata ventral foram . Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1981). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. hirsutum (Zhou & Lin. ácido glutâmico e aspártico. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. humilis. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. 1989a). Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. 1987). pristano. barbadense e G. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. 1990). rhombifolia e S. acuta. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis.

e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. causando o final da gestação (Pakrashi et al. no tratamento com Hibiscus. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. 1985). Haji & Haji. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1976a e 1976b ). 1987).. A espécie H. porém os níveis de colesterol subiram. antiespermatogênica. 1986. 2002). assim como uma forte ação citostática. verificadas por Singh et al (1982). e de H. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. 1992). 2000). 1989). Pai et al. hipoglicêmica de H. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. esculentus. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 1979). tripsina e a alfa-quimiotripsina. O ovário apresenta sinais de luteólise. Ainda de H. . Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. Em camundongos. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 2001). citotóxica. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. 1984. 1999). 1986). 1985). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. As flores de H. A taxa de inibição de fertilidade com H. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Essas atividades. antimutagênica (Wang et al. 1990). O extrato das flores de H. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. moschentos (Tomoda et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. 1987). O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1999.reduzidos nos animais tratados com H. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. Pakrashi et al. 1987). esculentus (Medeiros et al.

2000) e tóxico (Bourke. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. rhombifolia (Bortoluzzi et al. barbadense e G. 1997). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. 1985). serratifolia (Sawhney et al. 2001. Terpenóides isolados de G. hirsutum e G. As proteínas das sementes de G.. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. principal constituinte do óleo do algodão. Flavonóides de G. 1984). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 1978). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S.Gossypium O gossipol. 1995). hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. Wang & Bunkers. 1996). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 1988) e S. 1980). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). Sida Os alcalóides de S. 1982). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1985). Extratos de S.

1992). de grande cultivo em jardins. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Dombeya. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. F. Fernandes et al. et al. Das partes aéreas e folhas de S. Helicteres e Waltheria. cordifolia (Malva-branca). distribuídas em onze diferentes gêneros. Sterculia. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos.500 espécies tropicais. raramente ervas ou lianas (Mabberley. carpinifolia. 1997). Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. todos típicos de cerrados e campos. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. 1998. poucas em áreas temperadas. Drena As raízes de U. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. 1988b). Na região . Segundo Barrozo (1978). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. 1996). Bianchi et al. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. do valioso Cacaueiro Joly 1998). incluindo árvores e arbustos. rhombifolia. onde são encontrados em abundância. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. vulgarmente chamada de Guaxuma. C. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. exceto Bacillus subtilis. Franzotti et al. e o gênero Theobroma. 1988. Do infuso de S. 1998). 2001). com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. nos quais se distribuem 1.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. V. 1998.

flores que brotam dos galhos. 1991). pedunculadas. medicinal e alimentar.5). de valor econômico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. descrito por Carl Linnaeus. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. ou por suas variantes: Cupuaçu. com brácteas linear-lanceoladas. Dados botânicos Arvore de grande porte. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. e o chá da sua casca. grandes e vistosas. ex Spreng. para o tratamento de diarréia. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. folhas com pecíolos curtos e carnosos. bem como nas comunidades locais da Amazônia. O nome do gênero. oblongolanceoladas. com ramos longos. duas das mais importantes e valiosas espécies.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica.) Schum. Em tribos indígenas amazônicas. grossos e tomentosos. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. Cupu-assu. 1988). o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. O gênero Theobroma. 1990). Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. . com estipulas caducas. fruto do tipo capsular grande. Theobroma. significa "manjar dos deuses". com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. liso e escuro (Figura 11. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. no Pará (Amorozo & Gély. Copoaçu. vermelho-escuras. ovóide.

fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. globulinas (Voigt et al. Kakao. tripsina . mono. até 10 m de altura. denominado Theobroma cacao L. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com ramos curtos. cafeína (Maia et al. oblongolanceoladas. Cacao forastero. 1992a e 1992b). a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. Criollo. glicerídeos di-saturados. 1977). folhas com pecíolos longos. cacao. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. no Amazonas. albuminas.6).7. Outras espécies desse gênero. 1993). inteiras. 1989). fasciculadas. palmítico. flores dispostas no caule. vermelho-escuras. T.3. M. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. como a T.. et al. 1970.9-tetrametilúrico. Cacao azul. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. Já a espécie T. 1979). Caca-y. Pagonini et al. Chocolate.e tri-insaturados (Costa. fruto capsular ferrugíneo. ex Mart. speciosa possui ácido 1. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. Dados botânicos Árvore de porte médio. teobromina. (Figura 11.. grandiflorum). 1986). mirístico. oléico e linoléico. ácidos esteárico.Theobroma speciosa Willd.. Cacaoyer.. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. inibidores fenólicos da a-amilase.

(Quesada et al. cacao foi caracterizado como de 190.9%). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. T. 1994). T. 1986). (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. bicolor e T. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. 1987).. procianidina B2.5%) e o isoeugenol (8... dentre os quais o óxido de linalol (12.2%). teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai.74% (SantAnna Tucci et al. geraniol. bicolor e T. tais como ácidos palmítico.. 1991). 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. e T. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. longifoleno e citronelol (Erickson et al. O índice de saponificação da T. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. speciosum. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez..7% a 57. T. simiarum. que variou 50. Além de açúcares totais. O T. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. As essências florais de T. quercetina e esculentina (Bastide et al. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Alcalóides purínicos (cafeína. xantinas e lipídios. flavan-3-ols. porém. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. 1994). nerol. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. 1995).. cacao consistem de 78 componentes. ácido ecosadienóico. cacao e também em T. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. augustifolium. ácido araquídico. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood.6%. taninos condensados. Em T. 1986). 1996). Esse constituinte também . teobromina. gorduras (Malini et al. ácido cítrico.37 a 1. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1.. mariae. (-)epicatequina. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. augustifolium (Sotelo & Alvarez. 1996). Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. Os alcalóides teobromina. antocianinas. 1989). quercetina3-0-glucosídeo.. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. 1991). pela presença de ácidos graxos. derivados do ácido hidroxicinâmico. Em T. diferentemente do T. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. Porém. 1991). subincanum. ácido lático. taninos. cacao.. 1987).

1992a e 1992b). 1997). A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. cacao (Yamagishi et al.. 1992). 1997. 1997). As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T.. amido.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T.. Sanbongi et al. 1989). O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. 1997).. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1997). M. cacao apresentou um efeito vasodilatador. uma atividade analgésica (Santos. . análoga à manteiga de cacau. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. e a proantocianidina. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda.. cafeína. proteína.. fenóis e taninos. 2000).. Melzig et al. 1997). Paganini et al. 1997. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. cacao (Gurney et al... et al. 2002). 1970. clorofila. isolada dessa espécie vegetal..

1998). folhas curto-pecioladas. 1978).Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. de numerosos estames livres. e Apeiba. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. da planta Pau-de-jangada. oblongolanceoladas. No Brasil. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. serrilhadas. que a referiram como medicinal. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. . Dados botânicos Árvore de porte médio. muito conhecida na região amazônica Joly. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Espécies medicinais Muntingia calabura L. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Triumfetta. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. 1997). com o nome de Curumin-nhapuá. agudas no ápice e oblíquas na base. de até 13 m de altura. os gêneros mais comuns são Luehea. sendo a maioria de árvores e arbustos. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia.

sesquiterpenóides (10. e salicilato de metila. quercetina. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. ésteres (26. e as flores. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. indeiscente. dos quais predominaram alcanos (44.3%) os mais significativos.7).dispostas em pedicelos axilares. sendo ésteres (31. arredondado. Do extrato citotóxico das raízes de M. compostos fenólicos (11. vermelho. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.7%). kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. 1984). 1990). Dos frutos de Aí. calabura L. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. flavonas e biflavanas (Kaneda et al.3%). fruto do tipo baga. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.9%).3%). 1991).5%) e compostos carbonil (23. antiespasmódicas (Corrêa. aqui descrita como medicinal.6%) e derivados furanos (8. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M.3%). inúmeras sementes (Figura 11. A casca é emoliente.4%).. ovário 5-7 locular. alcanos (15. . ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. calabura foram isoladas Havanas.

FIGURA 11.1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . 1998.

1998) (Banco de imagens - .2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 11. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .Gossypium barbadense.FIGURA 11.

FIGURA 11.Sida rhombifolia var. 1998) (Banco de imagens . canaiensis. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.4 .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .5 .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum.

Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.Theobroma speciosa.6 .

7 .Muntingia calabura.FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .

por esse fato. das quais as famílias Moraceae. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Seito C. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. fonte da maconha (Cannabis sativa). cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. e o segundo. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. As outras duas famílias dessa ordem. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. fonte de substâncias também tóxicas. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Da família Cannabaceae. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Cecropiaceae e Moraceae. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Em duas delas. C. Cecropiaceae. Ulmaceae e Barbeyacea. A. e o importante gênero Urtica. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Di Stasi L N. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. amplamente conhecida como .12 Urticales medicinais L. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.

Ambatí. Outras denominações populares são Aimbahú. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Myrianthus. Ambaí. Musanga. . peitadas acima do centro. Ibaituga. Ambaitinga. Ambaíba. alternas e protegidas por duas estipulas. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Pourouma e Cecropia. Imbaubão.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. lactescentes. folhas grandes. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Arvore-da-guiça. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Figueira-de-surinam. Arvore-da-preguiça e Torém. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Embaúba. Imbati. Com esse novo arranjo. Toréin. longopecioladas. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. de Lixa. Poiküospermum. referida com adulterante da Espinheirasanta. e a espécie Sorocea bomplandii. Ibaíba. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Ambahú.

C. reunidas em densas inflorescências.flores pequenas de sexo separado. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. F. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. A. lyratiloba (Menda. Santos. et al.. Kerber... frutos nuculares. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. 1986). A. 1994). unilocular. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. que significa "chamar. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. adenopus. 1996). o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. Mal de Parkinson. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. do grego. Em C..1). 1986. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Na região do Vale do Ribeira. antililiásica (Domingos et al. carpelar. . indicada popularmente como antiinflamatório. Das folhas de C.. Nas folhas do extrato de C. R. R. a raiz é considerada útil contra tosse. usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1998). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1985). filho da Terra. et al. Das raízes de C. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. bronquite e gripes fortes. muitas delas de ocorrência no Brasil. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. formando infrutescências inclusas (Figura 12. meio homem e meio serpente. A. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. ecoar". Na espécie C. As folhas. 1983). gemas e brotos são adstringentes. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. 1984). asma. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. 1996b). 1992. C. hidropisia. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al... et al. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. catharinensis. 1984b). o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite.

1998a e 1998b. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. Dorstenia. 1988. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. 1998. na Mata Atlântica. Rocha et al. No Brasil.. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C.) Burger. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. Johann Heirinch Friedrich Link. antidepressiva.. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.depressora do SNC..... antiulcerogênica (Cysneiros et al.. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. Morus. característica marcante da maioria das espécies dessa família. 1992). espasmolítica (Delia Monache et al. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. lianas e ervas (Mabberley.. distribuídas em 28 gêneros. distribuídas em 38 gêneros. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. compreende 1. A cecropina. 2002). descrita originalmente por. Em outras re- . Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. 1993 e 1996a).. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. efeito depressor do SNC. 2001). isolada de espécies deste gênero. de Espinheira-santa. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. 2001). ansiolítica (Barettaetal. 2001). arbustos. Rocho et al. a família conta com aproximadamente 340 espécies. Cysneiros et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas.. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. 1988). Astocarpus e Sorocea. 1997). dos quais se destacam: Ficus. que incluem árvores.

característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia.giões do país a planta é chamada de Cincho. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. 1993).. Recentemente. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira.. Calixto et al. especialmente na Mata Atlântica. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. A espécie é latescente. 2001. 2001.. Araçari. fruto do tipo baga. Gonzales et al. . Trata-se de uma espécie perenifólia. bomplandii. quando não está em época de floração. 1993). folhas simples. da família Celastraceae). Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. com tronco ereto. ilicifolia e S. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. Flavonóides foram isolados de S. Folhas-de-serra. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). chegando a 10 cm de comprimento. Laranjeira-do-mato. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. especialmente da Mata Atlântica. de face superior brilhante e inferior opaca. de casca fina. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. ciófita. Soroco. cilíndrico. Resple. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios.. Carapicica-de-folha-miúda. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Canxim.

Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M.FIGURA 12. (Banco de imagens . c) inflorescência. 1998. S. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) detalhe da folha. Reis).1 . d) flor feminina.

M. A. Souza-Brito E. a família é representada por 72 gêneros. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. 1978). das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. lianas ou ervas. arbustos. Das centenas de gêneros. M. compreende 313 gêneros. No Brasil. R. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. a maioria cosmopolita. M. é urgente uma revisão da família. Guimarães C. segundo Mabberley (1997). visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. Hiruma-Lima A. 1997).13 Euphorbiales medicinais C. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8.100 espécies. Thymelaceae e Euphorbiaceae. comumente com células especializadas na produção de látex. Santos L.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. C. A família Euphorbiaceae. com aproximadamente 1. . Na família ocorrem árvores.

enquanto a infu- . belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. pela semelhança das sementes com esse animal. Mabea. peninérveas. da valiosa Mamona. com limbo dividido em lobos ou segmentos. dos quais referimos algumas espécies a seguir. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". lanceoladas. fruto seco.devemos destacar Ricinus. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. especialmente em Phyllanthus. folhas simples. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. separando-se em três cocos. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. atualmente cultivada em vários países. estipuladas. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Do gênero Euphorbia. icterícia e malária. a maior produtora de borracha. pecioladas. Jatropha e Croton. ervas e arbustos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. esquizocárpico. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. e outras. flores de sexo separado. verdes. sendo algumas árvores. espécie rica em óleo de rícino. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. febres. Pedilanthus. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros.1). problemas hepáticos.

nodoso. mas também de Peão. atingindo até 4 m de altura. separando-se em três cocos. grandes. no Ceará. folhas alternas. é útil contra hepatite. lanceoladas. flores de sexo separado. de caule grosso. Pião. flores unissexuadas. a Sacaca. e Mandobiguaçu. pequenas. Nomes populares A espécie é chamada. peninérveas. longo-pecioladas. palminérvias. Maduri-graça. fruto seco. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. com brácteas . lobadas. reunidas em inflorescências paucifloras. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio.são das folhas. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Pinhão-do-paraguai. sementes ricas em endosperma. na região amazônica. Pinhão-manso. folhas simples. Pinhão Pinhão-branco. de Sacaquinha. Pinhão-de-purga. estipuladas. Croton sacaquinha Croizat. Pinhãodos-barbados. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. no Pará. esquizocárpico. glabras. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. lactescente. amarelo-esverdeadas. reunidas em inflorescências racemosas. curto-pecioladas. com ápice curtamente acuminado e base cordada. membranosas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie.

assar a polpa na cinza. partir e tirar a "folhinha". Erva-purgante. O nome do gênero Jatropha. . Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. gripe (descascar a semente. esta passa a ser comestível e saudável). o látex é aplicado externamente. são torradas. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. elipsóides e oblongas (Figura 13. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. dez estames. Pinhão-roxo. Raizde-téu. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). Mamoninha. 1984). 1988). e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. Peão-curador. gengibre amassado. secar até ficar fria. após a retirada do embrião. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite.. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.2). Pião caboclo. contra feridas (Amorozo & Gély.lanceoladas. assim como para constipação nasal. coriáceo. constipação nasal e como purgativo. As sementes são eméticas (Corrêa. Batata-detéu. Peão-pajé. colocar no café e banhar a cabeça). a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. deriva do grego iatros = "remédio". Arg. enquanto as sementes. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. fruto do tipo capsular. sementes escuras. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. 1982). lisas. Jatropha gossypifolia L. no Pará.

grandes. útil nas obstruções das vias abdominais. glabras e estipuladas. A planta é purgativa. com folhas alternas. 1982). O nome do gênero Mabea. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. dispostas em cimeiras paniculadas. flores unissexuadas. roxas. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. 1988). 1982).Dados botânicos Árvore de pequeno porte. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. cálice com cinco pétalas. lineares. escuras e com pecíolos pubescentes. e as folhas na cabeça. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. no Piauí (Emperaire. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. trissulcado. o chá das folhas é usado como antitérmico. o banho. contra feridas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. ramosa. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . fruto capsular. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. No Pará.3). contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. palmadas e limbo dividido em lobos. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. 1984). folhas pecioladas. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. Em Brasília. contra "mau olhado".

com ramos glabros. sementes minúsculas (Figura 13. significa "flor na folha". flores de sexo separado. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. 1984). distribuídas na América tropical. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. O nome do gênero Phyllanthus. cápsulas pequenas. descrito por Carl Linnaeus. incluindo as raízes. folhas com limbo. Na região amazônica. enquanto a infusão de toda a planta. Na região do Vale do Ribeira. alternas. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies.4). flor masculina fasciculada com três estames.Aublet. trissulcadas. Phyllanthus corcovadensis Muell. estipuladas. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico.5 m de altura. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. que atinge até 0. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. é usada como diurético e contra . flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. ramificada. Arg. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins.

.. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo.dores de barriga.. além de ser usada contra pedras nos rins. A infusão das folhas. 1989.8-cineol. é útil contra problemas do fígado. 1990. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. Maciel et al. . Kubo et al. O óleo essencial das cascas de C. 1982). principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. Das cascas de C. 1998). Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. Em Minas Gerais. de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1991). beta-cariofileno. alfa-humuleno. Posteriormente.. 1989). foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 2000). 1986). cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1979. transcrotonina.. e os principais constituintes são alfa-pineno.. 1992).. 1.

5-trimetoxibenzeno. 1996). 1995). enquanto germacreno B. 1992). Das partes aéreas de C. Os constituintes voláteis isolados de C. 1993b). alfa-guaieno. sitosterol. linalol. estragol. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. foi determinada. e de C. aubrevillei J. allo-aromadendreno e torreyol. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. cânfora. limoneno e outros. alfa-humuleno. eucaliptol..8-cineol. alfa-ilangeno. mirceno. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. 4b-dihidroxi-15. C. acetato de propila.4-dimetoxifenol. metileugenol. A composição do óleo essencial das cascas de C. lechleri foi isolada a sinoacutina. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. 1992).. alfa-cubebeno. hovarum: a 3a. betabourboneno e gama-cadineno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B.4-dimetoxibenzil.. Porém. 1996). a levatina (Moulis et al.. 2-metil-butanol.... 1996). gama-elemeno. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane..3. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. cortesianus foram isolados o clerodano. 1992b). Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). lundianus e a C. 2.4b-dihidroxi-15. De C. Além disso. ludianus possui 1. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. glandulosus. o óleo de C. e chiromodine (Weckert et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1995). 1994).6-trimetoxifenol. 3. a printziano e um norclerodano (Siems et al. acetato de 3-metil-butanol. lechleri foram: acetato de etila. 1992). 3. p-cimeno. gama-elemeno. metil isoeugenol. cadineno.cadideno. 1993a).14-dieno. zambesicums Muell. e das cascas do caule de C. e das folhas de C. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.14dien-9-al e 3a. . a C.. glandulosus (Neto et al. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.. Das folhas de C. acetato de 2-metil-butanol. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. 4-hidroxifeenetil. propionato de etila.. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno.4.

jatroolona A. 1986) e C. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. gossypifolios (Cespedes et al. enquanto alcalóides foram encontrados em C. 16hidroxijatrofolona. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. e de C. eudesmanos. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown.7-dimetoxicoumarina. Compostos terpenóides foram isolados de C. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. 1992). 1996). 1992). curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C.. 1988). 1991). castaprenol-11. taraxerol. Jatropha Das raízes de J. Das partes aéreas de C. 1981).. riangularis (Moura et al.. 1993). C. curcas foram isolados ainda as latiranas. 1991a). taraxerol.7.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. jatrofolona B.. nobiletina. beta-sitosterol (Chen et al.7b-dihidroxiannoneno e 6a..5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al.. ésteres e cetonas não-terpenóides. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. eluteria foram isolados sesquiterpenos. os triterpenóides jatrofolona A. stigmasterol.. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno...3'. hemiargyreus (Barnes & Borges. . Das raízes de C. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. e das cascas de C. macwstachys (Herlem et al. jatrofolona B. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al.. 5hidroxi-6. b-sitosterol. Do óleo de C.De C. 1994). 1992). De J. 1986). a seco-labdane (Schneider et al. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3.5.. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.. jatrofina. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al..6-diona. 1976). 1995). diasii (Alvarenga et al. De C. 6a. jatrofol. caniojana. e das folhas de C. tomentina. 1996). 1991). argyrophylloides (Monte et al. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.

Das raízes de J. 14. J.92%) e leucina (12. bem como o ácido nurístico. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. 1986). isoorientina. denominada curcina (Costa. 1989).. foi isolado de seu látex a albaditina. respectivamente (Raina & Gaikwad. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. 0. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. 1997... galvani (Guevara et al. 1995). grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Dos rizomas de J. pohliana var. 15. valina (18. ácido esteárico. 1988).98%). divica foram isolados beta-sitosterol.71%). sendo 0. Makkar et al. 1997). saponinas. curcas.26%. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. além de outros três derivados diterpenóides. 1987.26% de ácido aracdônico. metionina (13. 1997). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. 1988). e 43. 0. curcas foram isoladas também várias lectinas. J. podagrida apresentaram 24%. elbae. terpenos. ácido araquídico e toxalbumina. 1983). alanina (28.. gadaína (Das et al.15% e 15% de ácidos graxos saturados. 1996b).. 1996a) e jatrodiena (Das et al.. Banerji et al. 1987). 1990).. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína.. Das folhas deJ.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.. Das cascas da raiz de J. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.9%.6% de ácido oléico. esteróides e glicosídeos. De J. 1990). 1996. jatrofolona B. Auvin-Guette et al. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. 1988). De J. Das folhas de J.07%). citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. gossypifolia e J./. 1997). compostos fenólicos. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al.60%... os aminoácidos cistina (2. 1988). Das raízes secas de J. Saponinas foram detectadas apenas em J. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. flavonóides. ácido oléico. glicina (19. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. J. 2epijatrogrossidiona.9%).1997). multifida L... As espécies. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. malacophylla. ácido linoléico (Nasir et al. mollissima foram isoladas orientina. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al.9%. De J. 1989a e 1989c). 1988. Teixeira. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. tlalcozotitlanensis e J. Do látex de /. arginina (0. 1989).94%). Do caule de J. . isoleucina (3..1%).. caniojanae 1.30%) (Jain & Garg.

1990). neolignanas (Satyanarayana et al.. hidroxiflavanona. ácido caféico. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). Mabea Do látex do caule de M. simplex. diterpenos.. niruri. 1988. 1997). 1986. flavonóides. enquanto em P. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. 1981). Houghton et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al... 1977).. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.. 1980 e 1981). 1988. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. Hassarajani & Mulchandani... 1986). 1991)... discoideus. terpenos. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. De P.. Ahmad et al. 1990. citral. 1989a e 1989b. 1996). Negietal.. 1986. triterpenóides (Joshi et al. Huang et al. amarus e P. 1996. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. a mais estudada é a P.. ácido clorogênico. Ojewole & Odebiyi. 1986) e vários outros compostos (Singh et al...Da espécie J. sacarose. 1988). P. da qual foram isolados alcalóides. Anjaneyulu et al. 1988. 1980). Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. levulose.. assim como os diterpenóides de J. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al.. 1988). P. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. cumarinas. 1996). . De J. Yunes et al.. 1991). E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al.. gossypifolia. 1986. 1985).. Mensah et al. 1996. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1983. 1995). virgatus (Babady-Bila et al. lignanas (Satyanarayana et al. timol e carvacrol (Odebiyi. Singh et al. e dos frutos de M. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1988. Anjaneyuly et al. P. 1996. Singh et al... Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. Petchnaree et al. 1989.. Singh et al.

1996c). 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. 1989. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C... Tanaka & Matsunaga. 1998). 1999a). 1993.. et al. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. De P flexuosus foram isolados triterpenos. et al. Bighetti et al. 1988a. 1988. depressora do SNC (Hiruma-Lima. D. Z. 1995a). 1997 e 1996a). ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. hipocolesterolêmica (Martins et al. antiedermatogênica (Campos et al. 1996). 2002. emblica L. n-alcanos. nalcanóis... HirumaLima et al. 1996). 1995b). 1996). foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico... 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1988b). estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.. 1997). De P. Em P. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A.. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 2001). 1998. analgésica.... calisteginas (Asano et al. 1996). fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. C. Farias et al. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al.. francheti foram obtidos cicloheptano... antiinflamatória. 1988..De P.. 1999). além de taninos (Zang. Tanaka et al. Lu et al.. 1996) e fisalinas (Makino et al.. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al.. Tanaka et al. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. myrtifolius.. . 1995). 1996b). alkekengi var. 1987. Li et al.. olenadienóis.. Farias et al... De P.. antiestrogênica (Luma Costa et al. antinociceptiva (Carvalho et al. 1996). Das raízes de P. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. 1988. antidiabética (Silva et al.

draconoides e C. 1986). mais comumente de C. subtyratus (Kitazawa et al.. 1988. 1987) e C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória.. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.. 1994). Costa. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. penduliflorus (Asuku. penduliflorus (Anika & Shetty. para crotina I foi de 0..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1975).. 1993). C.. cajucara (Hiruma-Lima et al. 1988a). pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . C. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.. 1982). 1988) e C. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1987). Ao final. antinociceptiva (Bighetti et al. inseticida de C. com o uso prolongado (Rodriguez et al. macrostachys (Mazzant et al.. campestris (Lima et al. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1999b. lacciferus (Ratnayake et al. C. lechleri. C. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. C. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. Tang et al.. erythrochilus. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles.. 1985. antiulcerôgenica de C. 1983). 1993.. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. 1985) e C. tiglium (Deshmukh & Borle. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. tranqüilizante. anticonvulsivante e analgésica de C. 1980).23 mg/kg para crotina II. 2002a). presente nos casos de C.. 1982).Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. M. 1984). rhamnifolius (Silveira et al.. anestésica local. hipotensora de C. 2000a e 2002b).. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina.45 mg/kg e 2. 2001). Das sementes de C. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Batatinha et al. entre outras.. 1980. Chen & Pan. Luz Paredes et al. a ligana 3'. 1988). 1999).. rangelianus (Lima et al. C. et al. 1988b) e substâncias isoladas de C. zehnteri (Albuquerque et al. 1993. glabelus (Novoa et al. A DL50. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. sonderianus (Craveiro & Silveira.

nardus (Lemos et al. C. De C. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. macrostachys foram isolados crotepóxido. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica.. O efeito de C. 1995). tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1991a e 1991b). os alcalóides de C. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol .. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C.. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. 1992. Das raízes de C. Essa possui isoguanosina. 1995).32% de alcalóides e 2. As folhas secas de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas.. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. Ao final. 1992a). lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. tonkinensis contêm 0. 1992)..78% de flavonóides. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. betulina e ácidos graxos. antibacteriana e cicatrizante.. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta.. berberina e outros alcalóides desse grupo. Pieters et al. Do óleo essencial de C. O extrato etanólico bruto das folhas de C. 1994a e 1994b). 1993). 1991). Ao final dos experimentos.. 1994). lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. lupeol. berghei (Be &Truong.

1989 e 1991).. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. 1995). lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. o alcalóide taspina (Itokawa et al. Ubillas et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57.. Jatropha Das sementes de J.. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 1997) e Schistosoma mansoni e S. Das sementes de J.. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. Do látex de J. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.. 1991a). tiglium (Fanetal. 1987. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. haematobium (Rug & Ruppel. e no retículo sarcoplasmático. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. Os extratos da sementes de C. tanto na prova do campo aberto. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al.39 mg pela via i.... 1992.. (Huang et al. Do extrato clorofórmico das raízes de C.. 1995).. 2000). Hirota et al. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. 1994). 1988. 1991). 1988). 1993). 1990) o óleo de C... e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. Das sementes de /. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6.9%) (Liberalino et al. a curcaína (Nath & Dutta..p. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. Do látex de C.. Atividades larvicida (Karmegam et al. O óleo de C. 1989). 2000). 1988). curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1994).. curcas.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. 1992). que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. antiplasmodial (Kohler .

das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. zeyheri foi isolada a jaherina. 1987) e tóxica (Brum et al. A J. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. 1996). 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. 1992b e 1996).. Dutra et al]. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1987) também foram caracterizadas em J. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1996). 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. glauca (AlZanbagi et al. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. P. 1994). 1992a. isabellii foi isolada a jatrofona. As folhas de J. 1987). De J... 1997). espasmolítica (Trebien et al. O látex de /. 1996). as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. 1990. F. M. 1996).. antiespasmódica (Silva et al... O óleo das sementes de /. 1993). 1998). De J. 1996. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. J. curcas foram isoladas curcusonas A e C. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra... curcas. gaumeri (Sanchez-Medino et al. multifida.et al. . um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. e de J.. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. 1996).. et al. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al... apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 2000). 2001). 1996).. 1987b)... Santos et al. et al. Das raízes de J... De /... 1996). Esta mesma atividade foi observada em J. 2001). multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. De J. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1992).

1988). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. Di Stasi.. Além disso. O extrato hidroalcoólico de P. 1987). campesterol e fitosterol (Santos et al. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1988. diurética. 1992. 1984... que foi atribuída aos compostos estigmasterol. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno.. 1992). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. 2000). porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase.... Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al.. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al.. 1996a). 1985). 1995). 1995). 1995).. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1993. 1996). 1988).. 1985 e 1986b. Shimizu et al. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al.. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. . a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. Ribeiro et al.. Além disso... 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. De P.. 1989). Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1994). 1987).. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. Santos et al. Gorski et al. 1995).

.. de P urinaria. 1996). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. ácido brevifolincarboxílico. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. 1996). quercetina. 1997). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. 1995). propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1996). O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.... corilagina.. Foram caracterizadas. 1997).. 1995). 1997a e 1997b). 1995). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1995). 1991).. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. Roy et al. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al.. 1996). O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P... 1990. 1996. 1994). 1996). 1996).. Sane et al. 1988). .. ácido gálico e ácido protocatecoico.. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. ácido elágico. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. niruri e P urinaria (Santos et al.

2000). Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. 1991c). mutifida (Levin et al. 1995. Efeitos como redução no tempo de protrombina. Hemorragias internas em diversos órgãos.. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1993. 1979). 1993. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al.. redução no consumo de água. e ação estimulante da musculatura lisa. Torpor.. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento.. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Ahmed & Adam. 1986.. diarréia. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. 1987) e provoca náuseas. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Porros et al. Pieters et al. Existem registros de intoxição em crianças de J. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al.. 1984). Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Itokawa et al. podendo causar a morte em humanos. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. 1979).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. Em casos graves ocorrem espasmos musculares... Quadros de hemorragia anal. hipotensão e desidratação. curcas em ratos. 1979). Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. náuseas. Como conseqüência de seu uso crônico. vômitos e diarréia. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).

(1999).Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. tiglium (Bauer et al. 1986).1 . 1983. 1998) (Banco de imagens . nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. FIGURA 13. Pieters & Vlietinck.

2 -Jatropha curcas.FIGURA 13. . Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

FIGURA 13. .Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima). Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.3 .

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.FIGURA 13. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . b) flor feminina.4 . 1998).

Hiruma-Lima L. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. óleos essenciais e resinas. C. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). . No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae.370 espécies. É composta por árvores. algumas delas de valor medicinal. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). A. pigmentos. 1997). com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo.14 Guttiferales medicinais C. 1978). e Elatinaceae. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. No Brasil ocorrem 21 gêneros. sendo raramente descritas epífitas. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). gomas. arbustos ou ervas. Clusia. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil.

madagascina. com distribuição restrita à América tropical. como Picharrinha. opostas e com borda inteira. damagascina. sendo facilmente cultivada. as folhas são simples. Em V. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. 1990). Pau-de-lacre e Purga-de-vento. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. foi dedicado a Visme. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Em outras regiões. damaradienol. também chamada de Lacre. martiana foi observada a presença de sitosterol. ácido crisofânico. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. O nome do gênero Vismia. friedelina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. No Brasil. O tronco ereto possui casca grossa. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. e algumas na África.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. com ocorrência em formações secundárias. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. e várias têm valor medicinal. Trata-se de uma espécie semidecídua. euxantona. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. coriáceas. a maioria é fornecedora de resinas. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. descrito por Domingos Vandelli. ácido betúlico. pecioladas.

Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 1993)... 1999). foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. 1995. Porém. Os extratos hidroalcoólicos. 1979). 1982). vulgarmente chamada de Pichirina. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. 1996). indicado para dermatofilose. cayennensis.. 1996).japurensis Rich.. e em V. 1983). O extrato etanólico da folhas. Moracelli et al.. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. p-o.. 2-isorenilemodina e 5.e a ferruginina (Pasqua et al. 1995).. De Vistnia caynnensis. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1999) em V. benzofenonas (Fuller et al. vários triterpenos. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. Das raízes de V.. 1997). as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 2000). não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg.. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. Em V. et al.. como a friedelina.. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. da planta fresca (Tokarnia et al. magnoliaefolia. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1994).5'dimetoxisesamina (Camele et al. conhecido popularmente como Lacre. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. .. micrantha foram isolados xantonas. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha..

. ainda não identificada completamente.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Rapania e Cybianthus. nos quais se distribuem 1. Di Stasi C. Theophrastaceae e Myrsinaceae. arbustos e lianas.15 Primulales medicinais L. sendo a maioria árvores. 1997). das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. A. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Nessa família ocorrem 33 gêneros. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. descrita por Robert Brown. C.

Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. e anthos = "flor".1). actinomorfas. flores pequenas. . Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. Não foram encontrados sinônimos para ela. sem estipulas. diclamídeas. folhas alternas. ramos. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. reunidas em inflorescências axilares. curtas. ovário supero. androceu com cinco estames opostos às pétalas. flores e frutos. inteiras. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. dispostas em racemos.Espécies medicinais Cybianthus sp. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .Cybianthus sp.FIGURA 15.

uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. além de seu consumo como condimento. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. A. . Para a espécie Nasturtium officinale. Na região amazônica. anemia e distúrbios da tireóide.16 Capparidales medicinais C. gripes e bronquites. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). C. essas espécies não foram referidas como medicinais. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. no entanto. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Hiruma-Lima L.

que atinge até 1. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. 1997). com seus representantes incluindo ervas.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. descrita a seguir. que justifi- . e a espécie Cleome latifolia. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. 1978). arbustos ou pequenas árvores. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado.5 m de altura. com muitas flores rosas e bonitas. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. tem valor medicinal na região amazônica. raramente são descritas lianas (Barrozo. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. Capparia e Maerua. inflorescências terminais bastante vistosas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. Os principais gêneros são Cleome.

O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1997) e triterpenos (Harraz et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. 1987).. 1990). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.7-di-O-ramnosídeo (0. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. kaempferitrina (0. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. a diacetoxibraquiicarpona. kaempferol. Das sementes de C. 1997b). das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. O extrato metanólico da planta toda de C. 1990).0075%). viscosa apresentou um . a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 1995).cam seu uso como ornamental. 3. De C.. são cultivadas e usadas como ornamentais.. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1997) e glicinebetaína.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al.0025%). um flavonol... Dados da medicina tradicional Na região amazônica.0013%). os flavonóides artemetina (0.. um trinortriterpenóide dilactona.06%) (El-Din et al. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. a isoramnetina 3. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. Várias espécies desse gênero... bonanzina (0. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. e das partes aéreas de C. incluindo a Cleome latifolia. De C.. 1997). 1988) e um diterpeno macrocíclico.. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. 1996). 1986). 1990). droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo.

1970)... . popularmente conhecido como Mussambé. 1995).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. 1996). C. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. 2000) e C. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. Chrysantha (Hashem & Wahba.. gynandropsis Samy et al.. A espécie C.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. 1995b)... A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. 1993. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. Lemos et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 1999).. 1996)... droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. viscosa (Samy et al.. 1992). De C.. 1999).

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

No entanto. a qual foi identificada apenas até o gênero. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. C. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. e de Rosaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Crassulaceae. espécies dos gêneros Spiraea. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. 1978). A. . Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Saxifragaceae.17 Rosales medicinais L. Na região amazônica. a qual descrevemos a seguir. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Di Stasi C. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Pittosporaceae. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Rubus e Prunus. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. com inúmeras espécies medicinais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe.

1). referindo-se ao tipo de pilosidade. folhas simples. incluindo árvores e herbáceas. ovário unilocular. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. . Os principais gêneros dessa família são Licania. inteiras. com cerca de 460 espécies tropicais.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. alternas. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. onde ocorrem 120 espécies. zigomorfas. diclamídias. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. sépalas e pétalas livres. Espécies medicinais Hirtella sp. cíclicas. Chrysobalanus e Hirtella. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. fruto do tipo drupa. muitas delas usadas para a produção de carvão. corola com cinco pétalas. estipuladas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. segundo Barrozo (1978). peninérveas. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. cálice gamossépalo com cinco lacínios. flores pequenas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo.

825 espécies subcosmopolitas. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. e raiz bifurcada para as mulheres. do gênero Frunus. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. toxicologia e química. também se utiliza o chá contra reumatismo. e • Prunoideae. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. da histórica Spiraea ulmaria. No Brasil há poucas espécies. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. é utilizada como afrodisíaco. com destaque para o gênero Spiraea. arbustos e ervas (Mabberley. a maioria nos gêneros Prunus. no que se refere à farmacologia. Normalmente são árvores de pequeno porte. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. compreende 95 gêneros. • Maloideae. ou frutíferas. entre outros. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Rubus e Quijala. como a . com destaque para os gêneros Rubus. primeira substância a ser comercializada como medicamento. Potentila. 1997). Agrimonia e Fragaria. encontradas em climas temperados. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. como é o caso das espécies do gênero Rosa. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. da qual foi isolado o ácido salicílico. os gêneros Crataegus e Malus. com aproximadamente 1. a famosa aspirina.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. ralada. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. • Rosoideae. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. que inclui.

Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Nomes populares Na Mata Atlântica. 1998). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. . de margem serrada. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Pêssego. Morango (Fragaria). lanceoladas. Groselha e Moranguinho (Rubus). O nome do gênero corresponde a "ameixa". assim como em várias regiões do país. solitárias e/ou geminadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. e contra diarréias. dispostas em fascículos do tipo umbela. em latim. Ameixa. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. ásperas. que existe em grande número. Cereja. dependendo da variedade. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. flores vistosas brancas. Espécies medicinais Prunus domestica L. carnoso. Damasco. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. com folhas alternas. fruto do tipo drupa. Pêra (Pirus). a decocção das folhas é usada contra dores. Marmelo (Cydonia). pendente. e a infusão dos frutos.Maçã (Malus). doce e com uma única semente. comestível e saboroso. especialmente de cabeça.

Nakatani et al. 2002. FIGURA 17. 2001).. 2001).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.1 .Sapuntzakis et al. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.. 1978) (Banco de imagens • . O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. 2000).. 2001)..

Santos C. M. ornamentais. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. . A. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. 1997). Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Di Stasi E. Guimarães C. medicinais. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares.18 Fabales medicinais L. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. incluindo árvores. Hiruma-Lima A. R. M. dependendo do arranjo sistemático adotado. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. C. Compreende três subfamílias. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. M. lianas e ervas. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. arbustos.

Dalwits. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. . angustifolia e C. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. senna. das quais se destacam as espécies C. C. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. Cassia occidentalis. pulcherrima. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. que inclui o gênero Caesalpinia. todos contendo várias espécies de valor medicinal. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. Dialium e Senna. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. occidentalis. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea).Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. a saber: Caesalpinia férrea. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. 1997). J. bonduc. que inclui os gêneros Cássia. sapan e C. dentre as quais C. Caesalpinia pulcherrima. C. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. • Detarieae. bonducella. que inclui o gênero Bauhinia. • Cercideae. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. que inclui o gênero Copaifera. C. Cassia multijuga. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. • Cassieae. as quais descrevemos a seguir. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata).

O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca.1). Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. Pata-de-boi e Unha-de-boi. sempre com acúleos e seus dois ápices. dadas as características morfológicas de suas folhas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. tronco tortuoso ou ereto. algumas arbóreas e outras lianas. Mororó. É uma planta decídua. folhas glabras. vistosas (Figura 18. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. . bastante espinhosa. usada para produção de carvão e caixotes. com grande abundância na Mata Atlântica. flores intensamente brancas. É amplamente utilizada como ornamental. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. onde ocorre em áreas úmidas. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. heliófita. assim como em quase todo o Brasil. Por ser de rápido crescimento. raramente dentro das florestas. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie fornece madeira leve.

além de ser empregado como fortificante para crianças. quase reto (Figura 18. ultrapassando o cálice gamossépalo. flores diclamídeas.Caesalpinia ferrea Mart. Imirá-itá. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. ferrea e a C. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. açúcar e água. folhas bipinadas com folíolos oblongos. especialmente de ruas e avenidas. após aquecimento. com tronco liso e cerne duro. Muirá-obi e Muiré-itá. hermafroditas. Dados botânicos Arvore de grande porte. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. Jucá. podendo chegar a 15 m de altura.2). Nomes populares A espécie é denominada. fruto levemente estipitado. leiostachya. é utilizado como . casca de jatobá. na região amazônica. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. ferrea var. aquecido até formar um xarope. séssil. Suas folhas. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. é utilizado contra asma e bronquite. dez estames. ovalados ou obovais. folhas de manga. ferrea var. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. São muito comuns duas variedades: a C. ao passo que o preparado de casca de jucá. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. na forma de decocto. botânico italiano. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. além de largamente empregada como espécie ornamental. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. A espécie é heliófita.

Em outras localidades do país. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. também é chamada de Flor-de-pavão. internamente. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. além do uso comum contra gripes. . com até 10 cm de comprimento. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. 1984). especialmente bronquites. Nomes populares A espécie é denominada. Baio-deestudante. pois floresce quase ininterruptamente. asma e como cicatrizante (Campêlo. Caesalpinia pulcherrima (L. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. inflamações do fígado e baço. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. contra tosse crônica. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. No Piauí. sobretudo como cerca viva.) Sw. Espécie muito usada como ornamental. Considerada de origem antilhana. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. 1984). bipinadas. 1982). Flor-do-paraíso. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. flores grandes e vistosas. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. com folíolos ovado-oblongos. A vagem crua é útil contra tosse. Na região da Mata Atlântica. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Chagueira ou Barba-de-barata. folhas compostas. 1982). do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. e em Alagoas. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. a decocção das raízes é usada como antitérmico.anticatarral. na região. glabros. resfriados e tosses.

descrito também por Carl Linnaeus. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. a casca é considerada emenagoga e. o fruto é do tipo vagem reta. brinquedos. quando em grandes doses. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. deriva do grego Kasia. abortiva. lenha e carvão. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. heliófita e pioneira. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. O nome do gênero Cassia.3). febrífugas e venenosas. com rara ocorrência dentro de florestas. folhas pinadas. Cassia multijuga Rich. a raiz é acre. além de ornamental. excitantes. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. odontálgicos. obtusos no ápice e com base irregular. em doses elevadas. dado à falsa canela. as folhas e flores são usadas como tônicos. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. casca lisa e cinzenta. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. pela beleza da planta na época de floração. Em outros locais do país. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. . compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. amarga. atingindo até 10 m de altura. sendo uma planta decídua no inverno. tendo propriedades tônicas. externamente. A espécie ocorre em todo o Brasil. purgativos. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. largo e achatado (Figura 18. Segundo Corrêa (1984).como emenagogo e abortivo e. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. febrífugos. estipuladas. febre e como purgativo.

beiras de estradas e próximo a culturas. resfriado e diarréia (Grandi et . frutos do tipo vagem glabra. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. dispostas. Lava-pratos. Manjerioba. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. estipulada e com glândulas na base. Segundo Emperaire (1982). Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. diurético e colagogo (Gavilanes et al. com caule lenhoso na base. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. curto-peciolados. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. verde-escuros em ambas as faces. no Brasil é espontânea nas pastagens. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Na região da Mata Atlântica. Lava-prados. Rioba. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. laxativo. amarelas. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. Em Minas Gerais. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Outras denominações são Folha-de-pajé. gineceu com ovário piloso. gripes.4). 1982) e no tratamento de dores de cabeça. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária.Cassia occidentalis L. no Piauí a infusão do caule. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Mamangá. febre. flores grandes. Tararucu. Majerioba. racemos axilares. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. é indicada popularmente como antitérmico. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. folhas alternas. achatados. Ibixuma. Mata-pasto. infecções gerais. paripenadas com ráquis comprida. assim como em outras regiões do país. ramos quase cilíndricos. Maioba..

A espécie C. Em outras localidades do país. nos desarranjos menstruais. dores menstruais e uterinas.. as sementes. No Panamá. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. 1970). na forma de cataplasma. na asma. as raízes são consideradas diuréticas. sudorífico. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. Além disso. é utilizada contra doenças do fígado. febrífugo. doenças venéreas. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. . como antiinflamatório e. malária.. desordens do trato urinário. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. inflamações nos olhos. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. No Peru. 1994). No Rio Grande do Sul. diurético. emenagogo. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. anemia. 1979).. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. mas também são utilizadas contra tuberculose. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. internamente. purgativo. febrífugo e diurético.. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. Na Índia. as raízes são consideradas um tônico. 1988). 1982). Cassia reticulata Willd. rins e bexiga (Simões et al. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. como Mata-olho. 1990). 1985). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. Na Amazônia peruana. problemas hepáticos.al. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. erisipela e tuberculose. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. reumatismo. e para constipações em bebês (Gupta et al. 1986).. 1990). são utilizadas contra asma. estômago. preparadas como o café. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. tinha e hemorróidas. mordida de escorpião. No Brasil. reumatismo. como vermífugo (Nagaraju et al.

Hymenaea courbaryl L. Jutaí. com até . Também é chamada de Jatobá-mirim. nome dado à planta em quase todo o Brasil. a espécie é conhecida como Jatobá. Nomes populares No Vale do Ribeira. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. folhas compostas. com 6 a 15 cm de comprimento. 1994). marrom. com casca dura. ápices acuminados. Olhode-boi. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. fruto doce. Jutaí-do-campo. tronco ereto e ramos glabros. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. farinhento e comestível. base assimétrica. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. brilhante. Jutaí-café. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Jutaí-peba.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. Jutaí-açu. Jatobá-de-anta. os frutos são vagens delgadas. flores brancas vistosas. Jatobazeiro. lisos. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. alternas e pilosas. dispostas em cimeiras terminais. entre outros. Algarobo. como antitérmico e diurético. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. negras. Abati-tambaí. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Jatai. Jatobá-de-porco. Jatobá-roxo.

. em alusão aos dois folíolos.forticata (da Silva et al. 2001. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. microstachya (Meyre-Silva et al. vermífugo. enquanto a madeira é usada na construção civil. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B.15 cm de comprimento. enquanto o xarope da casca do caule. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. é eficaz contra tosses. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. Caesalpinia O extrato benzênico de C. além do uso contra bronquite. o deus da união. 2000). A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. ácidos palmítico e octacosanóico. ferrea forneceu sitosterol. sendo usada na arborização de parques e jardins. 2000) e os flavonóides kaempferol. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. com florescimento entre outubro e dezembro. Yadava & Tripathi. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. É uma espécie semidecídua. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente.. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. estimulando a digestão e fortificando o organismo. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. O nome do gênero deriva do grego hymen. e a seiva é excelente tônico para crianças. especialmente em crianças. ácidos . sedativo e peitoral. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite.

e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. cianina..6-dimetoxi-l. 4-O-metilsapanol. 1987e). 1978). 4. Das cascas e raízes de C. alfa-amirina. 1983). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico.. protosapina (Namikoshi et al. 6p-cinamoiloxi5a. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 3'-deoxisapanoI. bonducelina.9. 1997). De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1986. 1996).. leucodelfinidina. 1985). episapanol.. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1978) e 2. taraxerol (Yadava & Nigam.. lupeol.. 3'-0-metilsappanol. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 8metoxibonducelina... Kim et al. miricetina. sapanona B.. pulcherimina. 1997). 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1977). sapanol. B. beta-amirina. 8. brazilina (Namikoshi et al. bondenolídeo.. 8metoxibonducelina. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. 2002). 1987b. Das sementes de C. 1973).. bonducelpina A. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. quercetina. lup-20(29)-en-3beta-ol.. 4-O-metilepisapanol. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.4. Peter et al. De diferentes partes de C.. 1987) e pulcherriminas A.ll. sappan foram isolados octacosanol. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra. 3'-0-metilbrazilin.14-didehidro-5a-vouacapenol. quercetina (Rao et al. 1997). Da madeira de C. 1954). . pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1997). os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al... beta-sitosterol. Foram isolados os flavonóides: rutina. 1977). 3'-0-metilepisappanol. 1997a).. 7p-vouacapenediol.. C e D (Patil et al. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds.4benzoquinona (McPherson et al. 1983).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 1997b). 1987a). C e D (Peter et al. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. 1978).. B. 1987c). 1987). ácido 3.

1977). C. glicosídeos (Singh.. reticulata. M. sapanol. platyloba. episapanol. vários compostos aromáticos de C. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. buteína.. C. dicopetala (Chowdhury et al.. B e C (Namikoshi et al.. taninos. occidentalis. Do Fedegoso. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. Kitanaka et al.. M. Na espécie C. 1985). . sitosterol..Das raízes de C.. isoflavanóides de C. S. 4-O-metilepisapanol. a espécie C.. digyna (Mahato et al.. 1994). 1987d). Namikoshi et al. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1987a). sapanonas a e b. Da madeira de C. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. 1981). C. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. Cassia Da espécie C. brasilina e protosapaninas A. 1977.. 1988). caladenia e C. Das sementes de C. Foram isolados alcalóides de C. ácidos linoléico e palmítico de C. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 1986). saponinas. 1977). japonica (Namikoshi et al. isoliquiritigenina. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1996). sapachalcona. Dos frutos de C. 1996) e de C. 1995).. 4-O-metilsapanol. et al.. hintoni (Contreras et al. 1982). leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima.. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. cacalaco e C. 1997). 1983). 1986. 1985). sitosterona. 1987. sappan (Saitoh et al. (Kitagawa et al.. pumila foi analisada. além de xantonas (Wader & Kudav. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. Fuke et al. isolaram-se 1. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. glicosídeos cardiotônicos. sappan (Namikoshi & Tamotsu. 1996). glicosídeos de C. 3-deoxisapanchalcona. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. sappan (Nigan et al.. 1987f)..

occidentalol-1. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. ácidos monoenóico. roxburguina. esteárico e oléico (Alencar et al. Foram isolados das sementes de C. l. germicrisona.. occidentalol-2. De C. 1996). Telange et al.. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. & Singh.. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. Das superfícies das folhas de C. 1987.1987. 1987). crisofanol. 1985). De C. 1987). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al.e beta-amirina. Da raiz de C.. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. palmítico. Das folhas de C. mirístico. 1977) e os ácidos cáprico. crisofanol. 1989a). 1986). occidentalis foram isolados pinselina. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1982) e das raízes (Singh & Singh. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. Das sementes de C. 1986. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al.. Das sementes de C.. 1990)... J. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. 1990).. 1986). questina.. 1978). 1989). pinselina. . hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh.. 1987). Da madeira foram isolados beta-sitosterol. Singh. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido.7-dihidroxi-3metilxantona. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. 1979). 1987). bis (tetrahidro) antraceno.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. roxburguina (Ashok & Sarma. emodina. 1989). alfa. 1. triglicerídeos (Zaka et al. 1988a). 1988b). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. J. De C. 1985). dienóico e trienóico (Zaka et al.. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. além de flavonas (Guptaetal. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1987). além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. roxburguinol e um novo estilbeno.

polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta.. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. o senosídeo é o principal desses derivados. polissacarídeos (Khare et al. flavonas. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. obtusofolina. 1990). De C. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. fisciona. 1989).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1985). 1988). 1986). De C. 1979). obtusina. estigmasterol. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. aurantioobtusina.Das raízes de C. 1977). flavonóides (Wassel & Baghdadi. . 1989).. 1988). Metil palmitato e metil oleato.. 1986). m-cresol. Nas sementes de C. 1987) e emodina (Yang & Wang. obtusifolina e estigmasterol. oléico e linoléico. 1978). angustifolia não difere muito do de C. 1990). e das folhas. . 1986). 1986).. succínico e tartárico (Matsuura et al. 1987). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al.. crisoobtusina.. esteárico. antraquinonas (Zhang et al.. colesterol.. o aminoácido histidina (Zhang et al. 1987.. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik.. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. ácido crisofânico. De C. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh.. obtusifolia foram também isolados obtusina. 1989). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. beta-sitosterol e l. O perfil fitoquímico de C. além da presença de beta-sitosterol. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1984). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. De C.. Ishidaet al. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. flavonóides (Wassel & Baghdadi. emodina.. De C. 1980) e os ácidos palmítico. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. malválico. 1988). oléico. glicosídeos. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. questina. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. linoléico. flavonóides (Crawford et al.. Asamizu et al.. De C.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. além de ácido palmítico. 1986. 1988). 1997).

senosídeos das folhas de vagens de C.. De C... sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla.. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. aminoácidos (lisina. 1990). Das sementes de C. 1988). 1990a). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de .javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh.. 1990). 1988). palmitato de beta-sitosterol.. renigera possui ácidos vernólico. 1987b).. ácido behênico. Do óleo das sementes de C.. 1978). palmitato. fistula e C. Das raízes de C. 1991). De C.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. flavonóides (Srivastava & Gupta. De C. arginina.De C. . beta-amirina. 1987). 1988). 1990). 1988) e antraquinonas (. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. Das cascas do caule de C. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. emodina.. ácido glutâmico e aspártico. behenato de beta-sitosterol. linoléico. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. triptofano. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1989a). estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. esteárico. O extrato das folhas de C. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. fistula (Cano Asseleih et al. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al.Ahuja et al. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. butirospermona. glauca foram isolados os ácidos palmítico. treonina e leucina). As cascas do caule de C. reina. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. 1990). 1978).. 1987b. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. Das vagens de C. O óleo da semente de C.. Chowdhury et al. proteínas brutas.. 1990). Das folhas de C. oléico. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari.. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. De C. malválico. araquidato de beta-sitosterol. 1988). javanica apresenta nonacosano. 1981). fistula e das cascas de C. carboidratos. 1987). triacontano.. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.. 1977).

1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. linoléico. emodina. palmítico. C. emodina e rheina) (Krambeck et al. sericea (Muralikrishna et al..4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al.. De C. marginata (Kumar et al. spectabilis foram isolados antraquinonas. palmitoléico.. De C. 1977). .. De C.. De C. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al.. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.. 1989). crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. fastuosa foram isolados os glicosídeos. A composição dos ácidos graxos de C. 1986. Das sementes de C... nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al.. Cassia laevigata (Singh. ácido quelidônico. araquídico e behênico (Khalid et al. 1987). 1988). dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. Cassia javanica (Azero et al. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1988)... ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1989) e nas sementes de C. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. linolênico. 1985). 1986 e 1987).. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. além de alcalóides (Christofidis et al. Das flores de C. 2-methoxistipandrona. 1985). 1977). B. Sen et al. C. holosericea é predominantemente de ácido láurico. javanica (Singh & Jindal. 1978). 1987). C. siamea (Khan et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1987.. Das folhas de C. 1988). 1986). (Baba et al. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. 1987).. Das raízes de C. mirístico. 1990). R. 1988).. oléico. pumila foram isolados tetratriacontanol.. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. De C. semicordata foram isolados compostos do tipo 1.Das partes aéreas de C. 1997). beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1989). estérico.. fisciona. 1988).

1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos... Extratos de C. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. Amaral et al.. 3- . C. et al.forficata e B. E. 2002.. A espécie C. 1995. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. Nakamura et al. 1994. Lopes et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. malabarica e B. O uso crônico de B. O. 1985). pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 1987). 1997). Rossi-Ferreira et al. T..... candicans (Pepato et al. 2000. leiostachya (Moura et al. antiinflamatória (Carvalho. 2001. 2001) e antimolarial de B.. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. 1998).. 1976) e proteínas de C. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1990) Lima. sapanchalcona. analgésica (Carvalho.. 1986).Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 1999).. 1995. antiedematogênica. 1991). Estudos mais recentes têm apontado C. 1998). et al. 2000). Munoz et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes... 1988). guianensis (Kittakoop et al. C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. J.. Os inibidores da aldose reductase. anticoagulante (Milagres et al. antimicrobiana (Cebalhos et al.. 1996. Lemus et al. 1977). 1991). com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al.. contêm caesalpina P. tarapotensis (Braca et al.. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. J. De C.. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. 1996).. 2002a e 2002b). 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. et al. 1986). Bacchi & Sertié. et al. O..

O extrato metanólico de C. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. Cassia Nas folhas de C.. sappan como ingredientes ativos (Morota et al... 1996). sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al.. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica.. inibitória da hemólise. Caceres et al. 1992. vasoconstritora. antimalária (Gasquet et al. antifúngica. 1962).. 1978. hipotensiva.. protosapanina A. Sama et al... in vitro. 1991. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1985).. 1993. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. A brasilina isolada de C. Schmeda-Hirschmann et al.. de estimulante uterino (Saraf et al.deoxisapanona. Sadique et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. 1976) e. 1994.. 1989).. antibacteriana.. De C.. . 2001). antiviral contra hepatite B (Patney et al. antiparasitária.. Hussain et al. 1999). Feng et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. hepatoprotetor (Jafri et al. 1995a). Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1987). 1996).. 1987. 1997). que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1997). de relaxamento do músculo liso. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.

acutifolia. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. 1984). que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. e C. 1989).Das sementes de C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.pudibunda (Cavalcanti et al. 1985). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1986). As sementes de C. 1988) e C. 1989).4. 1990). Crawford et al.. alata quanto C. 1991). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. citotóxica com extratos de C. pudibunda (Cavalcanti et al. Estudos com as sementes de C. 1990). acutifolia como controle positivo. utilizando as folhas de C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. espasmolítica com subs- .5'-tetrahidroxistilbene. 1979) e C. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. Os resultados finais indicaram que tanto C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). As antraquinonas de C. lugustrina (Abhaham et al. 1990). obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. Nas sementes de C. 1986a).. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. O extrato a 10% das folhas de C.. garrettiana (Inamori et al.3'. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. 1990.. A fração polissacarídica de C. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. O extrato das folhas de C. C.. As folhas de C. 1989). obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1988 e 1989)... Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1991). garrettiana foi isolada a 3.. De C... 1988). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al.

Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. antitumoral com extratos de C. especialmente por crianças. apatia. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. Salienta-se que a espécie C. . pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. pumila (Fatawi et al. purgativa dos glicosídeos de C. 1979)... fistula (Babbar et al. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. 1977) e antivirótica com extratos de C. anemia. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. em geral. A administração de folhas de C. 1998). 1986. 1979) e C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. C. fistula (Bhardwaj & Mathur. cavalos e cabras. cansaço e dores.. na forma fresca. 1984). 1986b). acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. Colvin et al. roenwilana (Rowe et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. dispnéia. 1986). e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. ferrea. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. em muitos países. quinquangulata (Ogura et al. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. em razão de seus efeitos hepatotóxicos... diarréia. 1985). A espécie C.tâncias isoladas de C. 1985). seca e/ou torrada. 1979). Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. 1987).. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. amplamente utilizada pela população. cólicas abdominais e diarréia. O gênero Cassia produz. que apresentaram um quadro de ataxia.. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia.. como substituta do café. vômitos. caracterizado por náuseas. angustifolia (Nakajima et al.. 1991).. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. Seu consumo indiscriminado é perigoso.

Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Vicieae: Vicia e Pisum. Abreae: Abrus. Derris e Lonchocarpus. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Dioclea e Mucuna. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Canavalia. Desmodieae: Desmodium. Millettieae: Tephrosia. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Cajanus. Nos estudos realizados na região amazônica e . Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Myrocarpus e Ormosia. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Trifolieae: Medicago. Psoraleae: Psoralea.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. 1978). Cymbosena. Dypteryxeae: Dypteryx. Crotalarieae: Crotalaria. Sophoreae: Sophora. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. onde se encontram plantas (Barrozo. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Indigofereae: Indigofera. Genisteae: Lupinus. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. um importante produto alimentar no Brasil —. Robinieae: Sesbania e Robinia. Diplotropis.

gripes. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. sendo ainda forrageira. Espécies medicinais Cajanus cf. Erva-do-congo. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. flores vistosas. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Feijão-de-árvore. mas há divergências quanto a essa classificação. na Mata Atlântica. as quais são descritas a seguir. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. fruto do tipo vagem linear. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Guandu ou Feijão-guandu. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. contra constipação nasal. podendo atingir 3 m de altura. Ervilhade-angola. Cuandu. com ampla utilização em diversos países. comprimida. pinadas. compostas de três folíolos aveludados. oblongos. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. . dores de barriga e diarréia e a infusão. Andu. A espécie possui um grande valor econômico. 1984). dispostas em pedúnculos axilares. com ramos angulosos. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. de onde partem folhas pecioladas.

menos freqüentemente. com ramos tomentosos. na Mata Atlântica. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. em forma de bote. significa "pele dura". flores rosas. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos.Cymbosema roseana Bent. pediceladas. referindo-se ao legume. acuminados e glabros. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. e foi descrito por George Benthan. 1997). Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. reunidas em fascículos. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. O nome do gênero Derris. oblongos. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. . O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. flores rosas. fruto do tipo legume falcado. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. por arbustos ou árvores. descrito por João de Loureiro. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. de Flor-da-terra.

hermafrodita.5). sementes sem endosperma (Figura 18. folhas pecioladas. compostas. pentâmera. trifoliadas e . Trevo-da-flórida. ereto e com raiz bastante lenhosa. Dados botânicos Erva de pequeno porte. cilíndrica. a prefloração da corola é imbricada descendente. coriáceo. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Desmodium tortuossum (Sw. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Derris floribunda Bth. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. fruto do tipo legume linear. flores fortemente zigomorfas. com folíolos articulados na base. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. folhas alternas. com cálice gamossépalo. revestida de pêlos curtos. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. didamídea.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. externa. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com uma grande pétala superior.) DC. Outros nomes populares são Amores-do-campo. corola dialipétala.

fruto do tipo vagem. Sicupira. com sementes pretas e duras (Figura 18. Dados da medicina tradicional A semente ralada. coriáceos. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Outros nomes comuns são Favinha. pinadas e folíolos glabros. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. com ampla distribuição no Brasil e no México. Sebipira. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. todas conhecidas como Sucupira. Sapupira. Diplotropis purpurea (Rich. com folhas compostas. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. O nome Diplotropis significa "duas carenas". indeiscente. misturada com enxofre. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas.6). flor com estandarte longo. Cutiubeira. Cutiúba. . pequenas.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. O nome do gênero significa "feixe". Paricarana. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. plano. vexilo oblongo provido de apêndices na base. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. referindo-se à disposição das flores. tendo um apêndice na base. fruto do tipo legume.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Sapupira-da-várzea. Sapupira-da-mata. reunidas em racemos. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Sapupira-preta. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Sucupira-da-terra-firme. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas.

Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. quando maduros e secos. de pequena espessura. referindo-se ao cálice. Cumaruzeiro. alternas. caule reto. O nome do gênero significa "duas asas". O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. de Cumaru. podendo atingir até 35 m de altura. quando passados sobre as costelas. sendo indicado "cheirar quando se está com dor".) Willd. se fendem liberando a semente roxo-escura. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. folhas grandes. cigarros. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. alimentos e uísque. frutos em forma de vagem drupácea. que. Cumar-do-amazonas. compostas. Imburana-de-cheiro. flores vermelhas. 1991). Imburana. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. Cumaru-amarelo. charutos. Umburana e Kumbaru. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. dispostas em panículas pubescentes. de cor verde-amarelada. imparipinadas.Dipteryx odorata (Aubl. grosso. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. servem para tratar a pneumonia. doces. Nomes populares A espécie é chamada. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. além da famosa fava de cumaru. na região amazônica. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. . pecioladas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. aromáticas. e na produção de perfumes.

dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. pecioladas. compostas de sete a nove folíolos. contendo casca de pequena espessura. diaforético. imparipinadas. para aliviar dores de garganta e. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. frutos em forma de vagem verde. folhas grandes. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. cardiotônico. narcótico e estimulante. diaforético. aromáticas. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. dispostas em panículas pubescentes. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. grosso. essa espécie é utilizada como anticoagulante. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. febrífugo. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. antitussígeno. contra contusão e reumatismo. caule ereto. 1991). e os palikur. alternas. para banhos fortificantes de crianças. internamente. emenagogas e cardíacas. emenagogo. pela presença de Cumarina. antiespasmódico. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. com semente oleosa e aromática. flores vermelhas. contra qualquer inflamação. antidispéptico. Em outros lugares. podendo atingir até 3 m de altura. diaforéticas. . como reconstituinte das forças orgânicas. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso.

de Cabreúva. A madeira. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. possui aroma balsâmico. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". Nomes populares A espécie é chamada. Outros nomes são Cabruê. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. urucu. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. Bálsamo e Pau-de-óleo. assim como a casca. tinturas e perfumaria.. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. indicadas nas lesões do sistema respiratório. sendo muito usada na indústria de cosméticos. a mais estudada é a D. 1974). compostos 5-9 folioladas. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. portas e janelas de luxo. de ocorrência na América do Sul. com casca rugosa no caule. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório.Myrocarpus frondosus Aliem. sendo ainda expectorante peitoral. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. para fabricação de carroças. Óleo-pardo. Pau-bálsamo. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. outros compostos .

.... Rao M. D. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1989).. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. 1977). 1954).. D. .. benthmii (Fellows et al. 1994). 1985) e D. aparines (Link.. Kimetal. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al.. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol.. glutinosum. Nakatu et al. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. 1988). e das raízes de D. Da espécie D. 1978). 1962). foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. 1996).. D.. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. De D. Flavonóides também foram isolados em D. homoadonivenita (Batyuk et al. Foram isolados alcalóides de D. crisantemina e cianina (Matinod et al. Nascimento & Mors. N. 1976... B e C). oblonga e D. os flavonóides. epoxilupinifolina e dereticulatina. Lin & Kuo. 1986). 1993. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. Das raízes de D. D. E em D. 1976) e D. lupinifolina e laxiflorina. reticulata. araripensis (Nascimento et al. 1997). canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A.. foram isolados. Desmodium De D.. também denominada D. obtusa (Nascimento et al. Do caule de D.. adhaesivum Schldl. 1989). 1973b) e saponina (Parente & Mors. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. foram isolados os flavonóides desmodina. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas.8-difenileriodictiol. 1986. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. enquanto de D. senegalenseína. hiravanona. et al. amoena. laxiflora Lin et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.. 1995b). laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. tortuosum. 1978). 1978. As espécies D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. 1995b) e D. ou D. canarensis (Evans et al. proteínas.. Bell et al. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. 1978). 1997).rotenóides (Braz Filho et al. do seu caule e de suas folhas. Em D. 1977). lipídios.) DC.. D. D. 1994). spruceana (Garcia et al. canadense (L.) DC. frutescens. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. incanum DC. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. 1991.. heterocarpon e D. spruceana.. 1961..

2-feniletilamina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. 1969. e de D. gangeticum (L. também denominada D. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. gangetina. hipoforina.. beta-carbolina. 1962.. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato..4-dimetoxifenetilamina. 1977.Os alcalóides bufotenina. . 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. genisteína.. cinarascens A. 1978). desmodina. A espécie D. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee.. normacromerina. kaempferol e quercetina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. tiliafolium G. N-N-dimetil-3. salsolidina. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. Em suas raízes foram isolados abrina. 1963). 1972. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D.) DC. hordenina. Bell et al. N. galactopinitol A.. ario-inositol e betapinitol. intortum) possui carboidratos. isoquercitrina. bufotenina N-óxido. 1964) foram todos isolados de D.4-dimetoxifenetilamina. betaína. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. hipoforina e os alcalóides. também muito usado medicinalmente. 1972). De D. Nakatu et al. elegans DC. difisolina. Purushothaman et al. ácido octacosanóico. 1973). gangetinina. Nmetiltiramina. hordenina. os alcalóides candicina. 1971). e o esteróide antiosídeo (Alaniya. os flavonóides hiperina.N-dimetiltriptamina. Em D.. Don. O-metilbufotenina. leptocladina. 1984.) DC. cinereum (Kunth) DC. possui os flavonóides dalbergioidina. 3. Ghosal & Bhattacharya. Purushothaman et al. 1975). além de canavanina (Beveridge et al. O D. foram isolados mangiferina. caudatum (Thunb. 1-octacosanol.. 1983). salsolina. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. desmocarpina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier.

e os flavonóides isoliquiritigenina. 1985). De D. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. ojeinese. b-sitosterol. 1989). os terpenóides beta-amirina.. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. De D. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. Amor-de-velho-comum.. isovitexina. Kubo et al. e os alcalóides colina. estigmasterol... 1962). styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. triflorum (L. e de D. 1966). 1978). tricosanol... liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. Kubo et al. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Sreenivasan & Sankarasubramanin. compostos estes também isolados em D. ácido indol-3-acético. racemosum.... De D. De Desmodium uncinatum (Jacq.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1971. Adinarayana & Syamasundar.. triquetrum foram isolados friedelina. 1989). 1995). De D. floribundum. foram isolados os flavonóides apigenina. De D. Bell et al. flavosativasídeo. N. e de D sandwicense E. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1977.. multiflorum. 1961 e 1962. 1989.) DC. kaempferol. também conhecido com D.1995. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. 1997). feniletilamina. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 7-hidroxiflavona. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. 1986. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth.) DC. o terpenóide lupeol. podocarpum. também denominado D. estigmasterol. homoferreirina.. 1989). Anjaneyulu et al. formononetina. 1968). vitexina. 1995).. laxiflorum foram isolados heptacosanos. 1984). pinitol e canavanina (Beveridge et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta.. heptacosanol. De D. De D. Ahluwalia et al. ovalifolium (Giner-Chavez et al. 1965. vitexina e xilosilvitenina. nonacosanos.. inositol. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. Mukherjee et al. 1963a e 1963b. 1982. 1965). Perez-Maldonado & Norton.. e de D. . 1996). foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. lupeol.. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.

. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.1973a).3epimetoxilupanina. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1982). 1. .

. isoflavonóides (Lourenço et al. 1981).. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri...Dipferyx De diferentes partes de D. De D. 1952). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. odoratina.. Das sementes de D. Togashi. 2000. punctata (Gruenwald. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1991). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1994). 1952). 1995) e cumarinas (Ehlers et al. flavonóides (dipterixina. 1995. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. Nakano et al. odoratina. 1994). além dos terpenóides betulina. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. . retusina). lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1993). alata foram determinados 40% de óleo. A espécie D. De D. pois suas sementes são ricas em Cumarina. cumarinas (Ehlers et al. odoratina. 1994). odoratina. odorata apresenta um grande valor comercial. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). punctata (Gruenwald. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1996). 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier... flavonóides (dipterixina. 1966) e beta-farneseno (Matos et al.. além dos terpenóides betulina. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. De diferentes partes de D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. Das sementes da espécie D. alata foram determinados 40% de óleo. 1995). 1995). 1966).

1997). Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. 1997). De Derris sp. O extrato etanólico de D. D. 1987). Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. urucu e D. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. 1996).. 2001). . Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1972). que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. micou. Aragão & Valle..... Das raízes de D. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 1997). 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Derris sp e D... 1979). Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. 2002).. Foi isolada das raízes de D.. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. 2001). Datta & Bhattacharrya. 1998. 1999.. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al.. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al.. também conhecido como Timbó. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. nicou (Costa et al. De D.

que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1989). De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1997). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. 1997).. 1999). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.A D. O extrato aquoso de D. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1988). O extrato de D. styracifolium. 1996).. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1987).. Tolera & Said. .. De D. 1996. 1988).. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. 1997).. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. e os taninos isolados de D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy... O extrato de D. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. B e C. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite.

vômito.. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. Mimosa. muitos deles de valor medicinal. Prosopis. Zollernia e Acácia. Albizia.. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. Calliandra. 1991). Inga.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. das quais destacamos os gêneros Parkia. 1998).. M.950 espécies descritas. 1987). Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. 1996). urucum provoca irritação da pele. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Adenanthera.. doses elevadas podem causar náusea. . Y. et al. das sementes de D. 1993). Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. distribuídas em cinco tribos. Leucaena.

folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). repletas de glândulas. a espécie é chamada de Mocitaíba. pecioladas. com grande ocorrência na Amazônia. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. pinadas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. . Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Em outras regiões do país. na região da Mata Atlântica. Laranjeira-do-mato. flores reunidas em espigas terminais. Zollernia ilicifolia Vog. Ingá-grande e Jambolão. compostas por folíolos ovais. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Nomes populares A espécie. é chamada de Espinheira-santa. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Moçataíba e Orelha-de-onça. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes.) Willd.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl.

incluindo dores. longispica. 1991). com margens onduladas e providas de espinhos. e o nome deriva de Hohenzollern. alba.. nobilis. I. heterophylla. farmacológicos e toxicológicos. 1996). paterno (Morton et al.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.8-dimetilflavona (Correa et al. Maytenus ilicifolia). . I. parviflora foram isolados os constituintes 7. oerstediana e I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.3'.. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. stipularis (Kraus & Reinbothe. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. sertulifera.7). I.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. I. 5. I. laurina. I. a antiga casa regente prussiana. Foram isolados alcalóides das espécies I. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.7. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.4'trihidroxi-6. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. 1973). bourgonii. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I. 6. I.3'4'-trihidroxiaurona e 7.oblongas. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. flores rosadas (Figura 18. semialata. I.

Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. Reis). S.1 .FIGURA 18. . b) detalhe das folhas (fotos originais por M.

2 .FIGURA 18.Caesalpinia ferrea. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.3 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. 1984).

FIGURA 18. b) escanerata do ramo com flores e frutos.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.4 . 1939). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .

Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .FIGURA 18.Derris floribunda.

6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Diplotropis purpurea.FIGURA 18.Banco de imagens - .

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 . Reis). S. .FIGURA 18.Zollemia ilicifolia.

com inúmeros representantes no Brasil. C. Punicaceae. 1978). e as duas famílias aqui descritas. que incluem espécies medicinais. da famosa Romã. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil.19 Myrtales medicinais L. São plantas herbáceas. Di Stasi C. assim come outras espécies de valor econômico. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. arbustivas. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e .950 espécies. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. distribuídas nos 188 gêneros. Melastomataceae e Myrtaceae. 1997). das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. A. a Punica granatum. que inclui o gênero Punica. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley.

Miconia. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. ambas pela indicação popular na região amazônica. essa espécie é chamada de Quaresma. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Nomes populares Na região amazônica. Huberia. Neste estudo. roxo. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. 1998).as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. dispostas em cimeiras. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. .) DC. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. ereto e piloso. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. ou Pixirica. brancas ou rosas. com folhas ovais e cordiformes. em outras regiões. nervadas e pubescentes. Salpinga. fruto do tipo baga. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. flores pequenas. na região amazônica. Microlicia. que descreveu inúmeras patologias em plantas.

. Eucalyptus. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Syzygium. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Pimenta. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. oeste da Índia e América tropical. Leptospermum e Melaleuca. planas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres.620 espécies (Mabberley. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Eugenia. e várias outras em climas temperados. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Psidium. bem representada na Austrália. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. de onde partem folhas de pecíolo longo. Essa família inclui gêneros como Myrtus. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. 1997) arbustivas e arbóreas. Os . 1990). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Pseudocaryophyllus.

No Brasil. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. com folhas pecioladas. 1996). especialmente as flores. taninos. são usadas no local. Eugenia (Pitanga. dispostas em corimbos. oblongas e glabras. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as partes aéreas do Cravo-da-índia. rosas ou avermelhadas. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. cultivado ou adquirido no comércio. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. flores pequenas. além de óleos essenciais. . fruto do tipo drupa. E uma espécie exótica. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Araçá). A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais.constituintes dessa família incluem. opostas. para o alívio de dores de dentes. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. bastante aromáticas. 1998). congestão nasal e dores de cabeça. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. leucoantocianinas. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Myrciaria Gabuticaba). Cereja-nacional. ácidos fenólicos e ésteres. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite.

folhas opostas. referindo-se aos frutos. é útil contra hemorróidas. no entanto. Araçá-goiaba. existem registros para a espécie como Goiabeira. 1984). de sabor agradável. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. morder". actinomorfas. Araçá-guaçu. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. Guaiava. flores hermafroditas.1). e Goiabeira Branca em Minas Gerais. para regulação do ciclo . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão dos frutos. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. por outras. Psidium. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. galhada. com caule tortuoso e casca lisa. e. Araçáguaiaba. diclamídeas. o chá das folhas novas. botões florais tomentosos ou glabros.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. é indicado contra diarréia. os brotos de goiaba e de caju. que é a denominação em grego da planta. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. fruto com baga amarela. brancas e com numerosos estames. esmagar. contra diarréias. usada externamente. curto-pecioladas. ovadolanceoladas. O nome do gênero. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Na região da Mata Atlântica. Guaiaba. com cálice membranoso. significa "triturar. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. internamente. edema e. fervidos. doenças da pele. Provém de psidion. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19.

misturado com folhas de pitanga. como estomáquico. diclamídeas. igualmente usados como alimento. como também os frutos. em Minas Gerais. é antidiarréico (Amorozo &Gély. Grandi & Siqueira. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. guineense Sw. 1986). 1980. no Rio Grande do Sul. . indisposição estomacal e vertigem (Forero. Grenand et al. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. principalmente em diarréias infantis. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. 1982). actinomorfas. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. anticolérica e antiúlcera. Duke & Vasquez. 1992).. de polpa abundante. curto-pecioladas e glabras. Psydium cf. o chá das folhas. brancas e com numerosos estames.menstrual. guajava ainda são utilizadas na América Latina. 1982. 1987. sendo facilmente confundida com esta. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1988). As folhas de P. lavagens de úlceras. fruto com baga amarela. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al.. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária.. com cálice membranoso. botões florais tomentosos ou glabros. no Pará. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. folhas opostas. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. 1982). no Piauí. o chá da folha. 1984). Central. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. e o decocto. misturado com folhas de salva-de-marajó. 1994). antileucorréica. flores hermafroditas. antidiarréica. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al.

-bisaboleno. acoradieno. dos quais 13 são aldeídos. -guaieno. 1991). 17 cetonas. 10 ácidos. -santaleno. 1968). p-menten-9-ol. -cubebeno. 1990). borneol.. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. Zheng et al. açúcares. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. -cedreno. denominados 1. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. t-cariofileno. 122 componentes voláteis.. 1987). mirceno.. Pino et al. além de taninos (Misra & Seshadri. 1990. 28 ésteres. ésteres. 1996). himacaleno. cremoflieno. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. Wilson & Shaw. Chyau & Wu. 1996).1-díetoxietano..1-dietoximetano. pectina. 1986. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1968. As diferenças quantitativas e qua- . alcanos. cetonas. 1989. 31 alcanos. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 1996). 1981).. 1989. p-cimeno. Marcelin et al. 1994).. e 95% são cariofileno (Latza et al. O dehidrodieugenol. Yusof & Mohamed.. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. humuleno.. 1990.. 1. óxido de humuleno. derivado de eugenol.. lignina. 1987). vitaminas C e A. 1987. Oliveros-Belardo et al. -bergamoteno. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. -terpineol... 1. 1996. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al..1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. 1982) e quercetina. Ortega & Pino.. 1989. 1987. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. aldeídos.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1978). Ortega & Pino. 1994). apresentou atividade depressora do SNC. Pino et al. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al.

alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. guaijaverina. ácidos linoléico. 1987).. e Maruyama et al.. d-galactose. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib.... 1978). existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1987). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. 1987. Jain et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente... Okuda et al. Lima Filho et al. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. óleo essencial (Ji et al. Chen & Yang (1983). 1987)... (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 1986). 1987). Ácido elágico. flavonóides. (1994) e Neri et al.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al.. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. 1991). 1986). A atividade antibacteriana das cascas de P.. polifenoloxidase (Augustin et al. 1981). O interior das cascas é rico em ésteres. Hegnaurer. oléico e esteárico (Opute. O extrato aquoso tam- . 1979b. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1989). 1974. 2002. Osman et al. ácido oleanólico (Mair et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. 1996). guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. palmítico.

1997. 1996b) e P. 1990.. P. 1988) e tosse (Jaiay et al. et al. 1995). A. F. 1999).. incanescens (Zelnik et al. . Grover et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos.... 1994... Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. A. guyanensis. 1996). 1970). 1992. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1994).. guyanensins... 1995. F. widgrenianum (Souza et al. Santos et al. Lozoya et al. 1994. 1989). 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. F.. A quercetina isolada de P. 1995). guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. O extrato de folhas de P. 1990. 2002. et al. 1989.. 1994). guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. A. et al. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. Das cascas de P. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. 2000.... guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1994. 1993. 1994. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno.. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. óxido e b-selineno). 1996a). Meckes et al. 1999). e antitumoral de P. 1996c. e eugenol e timol de P. anticonvulsivante (Santos... que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. PonceMacotela et al... P. Morales et al. Shimomura.. 1995). Lutterdodt..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. Lutterdodt et al. De P.). 1998). incanescens (Santos. guyanensis (Santos. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. et al. Lutterdodt.... Do extrato hexânico das folhas de P. 1993. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. Lozoya et al. Cáceres et al. A. F. et al. F.. O óleo essencial de P. A. propriedade anticatártica (Pinto et al. 1996a) de P. Cáceres et al. Cheng et al.. (Santos et al. 1983). pohlianum e Psidium sp.

1 .Psydium guajava.FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .

Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. com atividade antifertilidade masculina. . que possuem espécies medicinais. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica.G. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. representa importante fonte de espécies medicinais. Di Stasi L. são Celastrus e Trypterygium. 1997). Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Austroplenckia. nos quais se distribuem aproximadamente 1. C. e Maytenus. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. N. e apenas uma delas. Os principais gêneros dessa família. Seito F . gênero de grande valor medicinal. Inclui desde árvores até arbustos e lianas.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. ambos contendo espécies amplamente estudadas.20 Celastrales medicinais L. a família Celastraceae. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro.

bastante coriáceas. Salva-vidas. Erva. flores numerosas. denteadas. axilares.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. amarelo-avermelhado. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. na região da Mata Atlântica. ápice agudo. ex Reiss. copa globosa e ramos glabros.cancerosa. de Espinheira-santa. gastrite e ulcera péptica. . Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). de onde partem folhas elípticas. Cancerosa. Maytenus aquifolium M. Nomes populares A espécie é chamada. Também é conhecida como Sombra-de-touro. com acúleos. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. fruto do tipo cápsula ovóide. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. glabras. dor do "ciático". a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. atingindo até 9 cm de comprimento. Erva-santa e Congorça. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Espinheira-divina. arbusto menor (de 1 a 3 m). Espinho-de-Deus. dores nas costas e úlceras do estômago.

2000). com ramos finos.. Da infusão das folhas de M. 1995). serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. De M. Foram isolados das cascas de raízes de M. Dados químicos De M. 1995a). podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. 2000). para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. 1999).Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. podendo chegar a até 4 m de altura. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al.. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. . Das sementes de M.. 1995. arbitifolia (Orabi et al.... krukovii (Honda et al. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1997).. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. vermelho... bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 1998).. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al.. 2001) e triterpenos cetônicos de M. contendo folhas alternas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. fruto do tipo capsular. oblongas. Foram também isolados um glicosídeo. heterophylla e M. flores pequenas e axilares.

betulina.. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al... 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 1993a e 1993b). 1992b). Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 1994). ácido oleanólico e ácido betulônico. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. 7 alfa-hidroxicanarol. E-IV. 1991b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). De M. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I.. 1991). emarginatina-E e emarginatinina. Sesquiterpenos foram isolados de M. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. E-V. 1998).. triterpenos do tipo friedelana. 1992). sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.. 1994). W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1999). e outros triterpenos (Gonzalez et al.Gonzalez et al.. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al.... 1995a). lup-20(29)-ene-3beta.. . canaradial. 1996b). iliocifolia (Shirota et al. E-II. 7. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. cangoronina e ilicifolina. 1998). 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. 1999a e 2000). De M. xuxuarinas F beta. e escutidina alfa A foram isolados de M.21-trione (Nozaki et al. chuchuhuasca (Shirota et al. 1994).30-lup-20(29) ene-triol e 28. Das folhas de M. Dos ramos de M. além de epicatecol. Dos ramos de M. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. macrocarpa (Chavez et al. E-I e E-II (Itokawa et al.30-diol (20). 1994b). além de pristimerina.. Além disso.. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina.. emarginatina-D. 1993). ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. os triterpenos fenólicos canarol. As cascas das raízes de M. os triterpenóides beta-amirina. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. ilicifolia (Itokawa et al. lupeol. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. foram isolados das folhas de M..16. E-III.. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1997). os triterpenos 3-beta... G alfa e G beta.28.

M.. M. isolados de M. et al. De M. 2000. 1999b)... 1996b). scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. Dados farmacológicos M. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al.. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa.... 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 1996c).. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al.. 1996). magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. senegalensis e M. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1999). tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. scutioides (Gonzalez et al.. 1984).. 8 beta. 1971. 6 beta. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al.. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. myrsinoides (Baudouin et al. 1999a). Nor-triterpenos isolados de M. 1999). assim como outro nor-triterpeno isolado de M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 2001). Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1971). G. macrocarpa (Chavez et al. 1996a). Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. -15-triacetoxi-l alfa. Gonzalez et al.. O composto escutiona isolado de M. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1996b). 8 beta... Alcalóides foram isolados de M.. Wang et al. 1999).. . Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. 1981). A. assim como os compostos 6 beta. catingarum (Alvarenga et al.

... 2000). As folhas e caules de M. F. Queiroz et al. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Extratos de Maytenus ilicifolia e M.. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 1991. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 2001)... 1999). .O extrato diclorometânico de M. Oliveira et al.. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. 2001. Gonzalez. 1991. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. 2002). G.

podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. além das duas referidas a seguir. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae.100 espécies tropicais. com importantes espécies fontes de madeiras.21 Polygalales medicinais L. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. arbustos e lianas (Mabberley. ocorrem 32 gêneros. C. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. ambas com várias espécies medicinais. No Brasil. . Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. usada na produção da Ayahuasca. bebida alucinógena. Byrsonima. Vochysiaceae e Krameriaceae. Malpiguia e Stygmaphyllon. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. com aproximadamente trezentas espécies. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. especialmente árvores. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. corantes e de medicamentos. 1978). 1997). contendo cerca de 1. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Polygalaceae. Trigoniaceae.

grande e robusta. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. glabas na face superior e sedosas na face inferior. bastante pubescente. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. de folhas cordiformes. externamente. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. O nome do gênero Stigmaphyllon.) Juss. . contra icterícia.) Juss. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Gordura-de-porco ou Cajuçara. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. significa "estigmas foliáceos". arredondadas. e. dor de estômago e gripes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. nas raízes formam-se grandes tubérculos.

Simarubaceae e a outra família. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. M. Das demais famílias dessa ordem. R. o Guaraná. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. além das espécies aqui citadas. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Oxalidaceae e Balsaminaceae.22 Sapindales medicinais C. . Essa ordem. Sapindaceae. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Anacardiaceae. Hiruma-Lima A. Meliaceae. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. A. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. especialmente dos gêneros Simarouba. essas espécies serão descritas a seguir. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. destacando-se as famílias Burseraceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Ailanthus. Cupania e Serjania. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Souza-Brito L. Simaroubaceae. Rutaceae. especialmente no Sistema Nervoso Central. que contém. inúmeras espécies medicinais. Picrasma e Brucea. Quassia. C.

Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). relatados a seguir. Manga e Pistache. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Do mesmo gênero. reúne setenta gêneros. 1997). Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. distribuídas em regiões tropicais. Essa família botânica inclui árvores. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. A espécie Mangifera indica. lianas e raramente ervas pereniais. subclasse Rosidae. Desses gêneros destacam-se. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. pertence à ordem Sapindales. Semecarpus (Semecarpeae). Spondias e Schinus. nos países de clima temperado. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Mangifera. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. arbustos. descrita por John Lindley. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Além dos usos medicinais. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Schinus. as espécies Pistacia lentiscus. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Spondias. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). No Brasil. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. com aproximadamente 875 espécies. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. amplamente consumida . tais como Caju. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Nessa família. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias.

apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. ovário súpero com um só óvulo. o fruto em forma de drupa é peduncular. Engl. dispostas em panículas. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Caju-da-mata (Amazonas). Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica.1). entre outras tribos indígenas. sendo também denominada Cajuaçu. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. perfumadas. com tronco de casca lisa. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. não foi referida na região de estudo como medicinal. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. as flores. Pará e Mato Grosso. Cajuí. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Caju-assu. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). especialmente no Amazonas. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. . de 25 a 30 m de altura.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro.

Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. ou simplesmente Caju. no entanto. Acajuíba. as flores. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. Anacardium.Anacardium occidentale L. plástico e resinas. pequenas e de coloração pálida. Contra diarréia. ovário unilocular. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. o óleo da castanha. várias outras denominações são usadas para a espécie. entre outras. assim como a própria castanha. as folhas são alternas.2). o fruto é do tipo aquênio reniforme. raspa de amor-crescido e cajá. O nome do gênero. reticuladas e nervadas em ambas as faces. em referência ao nome de seu fruto. possui importante mercado nacional e internacional. O óleo é usado na produção de borracha. glabras. Economicamente. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. O . pecioladas. Caju-da-praia. Caju-de-casa. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. heliófita e que cresce bem em solos secos. com um só estame fértil. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. É uma planta decídua. significa "semelhante ao coração". onduladas. tomando-se um copo por dia. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Caju-manteiga. ovadas. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. tais como Acajaíba. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. Cajumanso. Para hemorróidas.

uma infusão de folha é usada contra diarréia. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. depurativo e anti-sifilítico. contra úlceras. Cruz. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. 1994). anti-helmíntico. estimulante e afrodisíaco. tonsilite e problemas de garganta. 1992). O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. a casca é utilizada como adstringente. 1995). historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. e a maceração de folhas para tratar diabete. calos e verrugas. como um diurético. tônico. O suco das folhas serve como antiescorbútico. 1990.. para controle das secreções vaginais. contra glicosúria e poliúria na forma de banho.. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. As flores são afrodisíacas. 1993. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. No Piauí. P.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. astenia. Matos. 1984). 1994. 1995). Em Juiz de Fora (MG). 1982).. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. debilidade muscular. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. e a raiz. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. desordens urinádas e asma (Lima. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. assim como um potente adstringente. purgativa. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. . o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. 1993).. 1982). A resina é usada como depurativo e expectorante. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. Grenand et al. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético.

Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Aroeira-da-praia. Aroeira-do-brejo. Fruto-de-sabi.3). O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Aroeira-branca. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Cambuí. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. mas é muito usada como ornamental. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. . com copa bonita e arredondada. sugere-se o uso com moderação. referindo-se às frestas da casca do fruto. estimulante e analgésico. analgésico e contra coceiras. Bálsamo. tônico. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. como cicatrizante e contra gengivites. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante.Schinus terebenthifolius Raddi. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. lenha e carvão. adstringente. Aroeira-do-campo. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. O nome do gênero significa "cortar". Aroeira-do-sertão. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Coração-de-bugre. caule tortuoso. com casca grossa. Aroeira-vermelha. Fruto-de-raposa.

Spondias purpurea L. diurético e analgésico. ou mesmo Caju. Em outros países da América do Sul. Outras denominações comuns são Acajá. 1994). é ovóide. O nome Spondias significa "ameixa". ilustrado a seguir. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. Acaiou.4). referindo-se à semelhança com o fruto. como antidiarréico. O gênero Spondias. o fruto. as flores são pequenas. ou Cajá e Umbu. inclui espécies tropicais. referindo-se apenas à fruta da espécie. Cirouela. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Acaju. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. p-hidroxi- . especialmente árvores com resinas. reunidas em racemos. antiespasmódico. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. esverdeado e doce (Figura 22. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. sendo um composto característico das espécies deste gênero. imparipinadas. com 5 a 7 m de altura. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados.O3). o fruto da espécie é empregado contra dores renais. O ácido anacárdico (C22H32. Siriuela. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. além de comestíveis. do tipo drupa. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. descrito também por Carl Linnaeus.

aminoácidos.. limoneno. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . ácido gentísico. leucocianidina. 1985). 1986). 1973). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. álcool araquidílico. Mg. 1987). a-amirina. 1989).. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. 1990). S. cardanol. ácido procatéquico. apigenina. 1997c). anacardol e cardol. anacardeína (Sathe et al. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. sódio e açúcar. kaempferol. fenol. agathisflavona. esteróis. 1986). Al. derivado de resorcinol. 1997). Foram também caracterizados. (-)-epiafzelequina. além de flavonóides voláteis (Pino. ácido-p-hidroxibenzóico. taninos. também foram isolados (Costa. 1995). De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas.. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. cicloartenol. (-)epicatequina.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. de diferentes partes da planta. campesterol e colesterol (Dinda et al. amido. K e Ca (Thomas & Dave. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. narigenina. estigmasterol. 1987). n-eicosano. quercetina. amentoflavona. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. anacardol. flavonóides. taninos e açúcar (Nagaraja et al. robustaflavona. P. Compostos derivados do ácido anacárdico. C1. e de suas folhas foram isolados miricetina. glicosídeos de quercetina. antocianinas. os seguintes compostos: acetofenona. aminoácidos. além de Na. a-selineno e vitamina C (Gupta.

oléico. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. e raízes (Guerrero. 1991). palmítico. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. Himegima & Kubo. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. 2000). 1992).. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. tais como -catequina. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.. aminoácidos variados. 1994). Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S.. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. -linolênico.(Guerrero. Muroi & . 1991).. 1994) e frutos (Augusto et al. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka.. 1993. 1991. 1999). cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . -caroteno. 1994). ácido salicílico.. denominados geraniina e galoilgeraniina. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. quercetina. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. ácidos esteárico. 1994). tocoferol e outros. tocoferol.Bacillus subtilis. palmitoléico. flavonóides e triterpenos em suas folhas. Vários derivados do ácido anacárdico. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 2000). Escherichia coli. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. -sitosterol. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. láurico..

. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. enquanto o cardol. glabrata. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1974. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. 1995).. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1992. Jurberg et al. Souza et al. occidentale foram avaliados perante a B. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan.. 1984a). Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. O extrato hexânico das cascas de A. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1994). occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.. 1982). 1991). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. . Craveiro et al. 1993). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. 1993).epicatequina Kubo. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera.

isolada de A. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. mombin.. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju.. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus.. 1981). 1983). as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.. Akinpelu. . occidentale. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. 1999. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al... 1994). 1992). Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. 1993). 1982. 1982 e 1985. 1991). Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al.. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. 1992). 1980) enquanto. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. 1994).. antiartrítica. Barbosa Filho et al... pela presença do cardol (Hoehne. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al.. 2000. Mota et al. taninos isolados de S. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka.. Dos extratos hidroalcoólico. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Geraniina e galoilgeraniina. França et al. 1990. Abo et al. responsáveis por irritação da pele.A epicatequina... As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Além disso. 2001. occidentale. 1990).. Kudi et al.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

FIGURA 22.Spondias purpurea. . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.4 . 1946).

FIGURA 22.Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

Ruta graveolens.FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .

de acordo com o sistema de classificação botânica. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. mas alguns arbustos e árvores são des- . inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). denominada também Umbellales. C. as quais são descritas a seguir. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. A. com aproximadamente 3. 1997).540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. como Umbelliferae. Hiruma-Lima L. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997).23 Apiales medicinais C. Di Stasi A ordem Apiales. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. Essa família inclui 446 gêneros.

Erva-doce. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). com raízes fasciculadas. folhas alternas. Petroselium (Salsa). fibrosas e caule florífero solitário. dunas e brejos. Apium. Coriandrum (Coriandreae . dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Muitas dessas espécies são cultivadas. assim. Apium com características ruderais. entre inúmeros outros. tais como Cenoura. muito comum na Mata Atlântica. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly.Apioideae). e Hydrocotyle exigua. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. No Brasil ocorrem poucos gêneros.Hydrocotyloideae). Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Apium (gênero do Salsão). ascendentes. Coentro. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Daucus (Caucalideae . Cominho e Salsa.critos na família. Pimpinella (Erva-doce). sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. optamos por incluir aqui apenas duas delas.Saniculoideae). oblongolanceoladas. densamente imbricadas. 1998). não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Cicuta. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. a Eryngium ekmanii. onde há amplo uso como medicamento.Apioideae).

O nome do gênero. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. inflorescência em capítulo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. crenadas. frutos pilosos. de Erva-terrestre. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. var. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. quando preparado em alta concentração. usado topicamente. Eryngium. folhas pequenas.1). Hydrocotyle hirsuta Sw. e aix = "cabra". cíclicas. vem de eros = "lã". Também é conhecida como Erva-capitão. habitando em lugares úmidos. exigua (Urban. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. o sumo das folhas frescas. especialmente em crianças. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . semelhantes a barba de cabra. referindo-se às fibras do rizoma.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. Esse chá. no entanto. na região do Vale do Ribeira. fruto subgloboso (Figura 23. capítulos esverdeados com flores pequenas. lobadas e pilosas. cordiformes. com nós. com flores avermelhadas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. diclamídeas e hermafroditas. torcidas antes de abrir. é considerado excelente contra dores de cabeça. dos quais são emitidas raízes. de no máximo 1 cm de espessura. espalhadas por diversos continentes.

. acetilenos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1997a). também encontrados em E. anetol e alfa-pineno (Pino et al. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes.. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. sendo majoritários carotol. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. diurético e. O extrato aquoso de E. 2002). maritimum (Lisciani et al.. 1995). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. Além de saponinas. 1980) e E. 1985. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". campestre (Erdemeier & Sticher. foetidum L. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. e cotyle = "umbigo". . emético... O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 1997a).4. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. sendo 2. em altas doses. 1986). bourgatii (Lam et al. foram isolados 46 compostos. Das folhas de E. Hohmann et al. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. 1997).5-trimetilbenzaldeído. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. Glicosídeos foram isolados de E. planum (Hiller et al. farneseno. 1985). ilicifolium (Pinar & Galan. De E. a DL50 por via oral foi de 1. comarinas e flavonóides. 1986). foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 1999).inclui 130 espécies cosmopolitas... 1986). campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. foi ainda isolado o falcarindiol em E... 1984).000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1992). Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. elegans (Campos & Garcia.

e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. lianas. Hedera. especialmente do gênero Cicuta. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Centro-Oeste e Sul. e centenas de . de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. arbustos. epífitas. subclasse Rosidae. 1998). Árvores. Schefflera. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. e Polyscias. Tetrapanax. são encontradas na família. Panax. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. especialmente em refogados e saladas. Das inúmeras espécies descritas nessa família. No Brasil ocorrem vários gêneros. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. com aproximadamente 1. ambos introduzidos no Brasil.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. famosa por ter sido usada. e inclui 47 gêneros. utilizada como alimento. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. da famosa Hera dos parques. Mackinlaya e Polyscias. Australásia e América tropical (Joly. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. mas raramente ervas. no envenenamento do filósofo Sócrates. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. No entanto. 1997).325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Tetrapanax e Aralia. segundo a história.

a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. cálice pequeno. sendo também usa- . No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. pela beleza de sua folhagem. A espécie não foi completamente identificada. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. O nome popular da espécie. fruto indeiscente. androceu com cinco estames. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. com larga bainha na base. grandes. refere-se à forma da folhas. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. reunidas em inflorescências axilares. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". variegadas. descrito por Johann Forster e Georg Forster. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. e acias = "sombra". ovário ínfero. pertencente ao gênero Polyscias. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. folhas alternas. amplamente cultivada como ornamental. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. usada internamente. Cunha e Cunha-mansa. flores pequenas. Cuia. O gênero Polyscias. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. Outras espécies do gênero. Cuia. globoso. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius.

1992). Proliac et al. Barilyak & Dugan. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Chaboud et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1989a. os autores demonstram que . saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Fulva (Bedir et al. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng... Lutumski & Luan. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al.. Vo et al. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. 1991). 1990. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1992.. 1989b. 1994). 2001). scutellaria (Paphassarang et al. Nesse estudo. Nas folhas de Polyscias sp. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1995. Glicosídeos oleanólicos. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 1992). sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984).. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al... 2002. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 1996. 1986). 1990).. 1988.. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico.. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1998). Em P. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso.dos como calmante por adultos. 1989c e 1990) e de P. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico.

e de prolactina pela hipofise.1 . Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. 2002). assim como outras do gênero Polyscias.. especialmente a Panax ginseng. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. associados àqueles referentes a outras da família.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. A espécie P. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. FIGURA 23. mostram que essa espécie. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.Eryngium ekmanii.

Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .FIGURA 23.Banco de imagens - .Polyscias.2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. demonstram que a ordem Gentianales. Gentianaceae e Asclepiadaceae.Strychnaceae. Di Stasi C. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. .24 Gentianales medicinais L. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. apesar de pouco numerosa. C. Apocynaceae. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Esses dados. A. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Apesar de não referidas no nosso estudo. Genistomaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Loganiaceae.

aqueles que incluem espécies arbóreas. Nesse contexto. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. com destaque para ajmalina. Strophantus. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Nerium. muitas das quais conhecidas como Mangaba. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. e. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Tabernaemontana. além dessas. Rauwolfia. inclui 165 gêneros. herbáceas. fornecedores de madeira. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. dentre os gêneros. como os gêneros Allamanda. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Hancornia. entre as espécies de pequeno porte. Hancornia. os gêneros Mandevilla e Thevetia. arbusto encontrado na Índia. Mandevilla. Catharanthus.900 espécies tropicais e subtropicais. arbóreas. Inclui espécies arbustivas. e encontrado em várias outras espécies do gênero. muito utilizadas ornamentalmente. 1997). No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. subclasse Asteridae. muitas das quais trepadeiras e suculentas. ajmalinina. Joly (1998) destaca. Paquistão e Tailândia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. Java. com aproximadamente 1. serpentinina e reserpina. Allamanda. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. sendo esta última o mais importante. Aspidosperma. Thevetia. como Aspidosperma. Vinca. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. serpentina. . a família possui espécies trepadeiras. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia.

• do gênero Strophantus. Himathantus sp. Deve-se destacar.• do gênero Vinca e Catharanthus. contudo. segundo Evans (1996). sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Wrightia e Aspidosperma. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. as espécies Strophantus gratus. estrofantinidina e cimarina. Orélia. espécies ricas em glicosídeos. a saber Allamanda cathartica. as espécies Vinca major. tais como ouabaína. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. especialmente a Nerium oleander. • do gênero Nerium. . Vinca minor. A espécie Vinca rosea. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. Dedal-de-dama. Vinca rosea e Catharanthus roseus. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. e Thevetia peruviana. alstonilina. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. tais como majdina. tem sido designada também como Catharanthus roseus. tanto para os animais como para a espécie humana. tais como alstonina. cilastonina e também a reserpina. Alamanda amarela e Quatro-patacas. vinblastina e vincristina.

axilares e fasciculadas. com casca rugosa. com tubo estreito e longo. em grande número. inflorescências com flores amarelas.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. . Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. A infusão das folhas é utilizada como emético. usada internamente. semilenhoso. purgativo e catártico. O gênero inclui doze espécies tropicais. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. especialmente em crianças. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. atingindo até 20 m de altura. sendo a A.1). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. especialmente cães e macacos. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Ucuuba e Sucuba. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. com a mesma indicação. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. alternas. contendo poucas sementes (Figura 24. fruto do tipo capsular. Segundo Corrêa (1984). com folhas brilhantes. emético e purgativo. folhas simples. enquanto a decocção das cascas da planta. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. com copa estreita e tronco ereto. espessas. glabras e verticiladas. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. é considerada um excelente vermífugo. em animais domésticos. A folha é considerada excelente catártico. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. grandes. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. na forma de funil. a planta exsuda látex considerado venenoso.

Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele.pecioladas. contendo sementes aladas. frutos geminados em forma de chifres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. especialmente no alívio de coceiras. acumi- . glabras em ambas as faces. heliófita e secundária. coriáceas. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. 1990). ocorrendo preferencialmente no interior da mata. no entanto. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Schum. simples. O nome do gênero deriva do grego. todas encontradas na América do Sul (Plumel. 1997). inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. significando "manto de flor". Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. folhas alternas. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. margens inteiras. especialmente em crianças. Noz-de-cobra. Thevetia peruviana (Pers. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. ovaladas. alcançando até 10 m de altura. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. linear-lanceoladas.) K. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. sendo útil como anti-helmíntico. Coração-de-jesus. grandes e brancas. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. sendo uma planta perenifólia. com um tronco de casca cinzenta. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado.

Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. como pulseiras. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. para provocar vômitos. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. o látex acre é usado para acalmar dores de dente.nadas. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. arbotifaciente. amarelas. assim como outros inúmeros usos de várias par- . 1984). É uma espécie muito usada como ornamental. As sementes da espécie são usadas como inseticida. com corola em forma de funil. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. carnosas e glabras nas duas faces. No Brasil. 1984). foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. especialmente do continente africano. 1962). enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. triangular. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. aromáticas. contendo flores grandes. além da sua utilização uso em vários países como emético. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. 1997). além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. contendo sementes duras e grandes. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. braceletes. em pó. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. Os usos dessa espécie como purgativo. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. descrito originalmente por Carl Linnaeus. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. purgante. revestimento de maracás (Corrêa. colares. 1985). a amêndoa. O nome do gênero Thevetia. bactericida e como veneno para peixes. purgativa e emética e de uso perigoso. fruto do tipo drupa carnosa. A casca é considerada amarga e febrífuga.

. e de suas flores. As sementes de Thevetia peruviana. tais como de T.-O. 1974). -sitosterol. Kupchan et al. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1996. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina.. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1996). -sitosterol. De outras espécies do gênero Allamanda. rutina e os iridóides plumierida. também chamado tevetina A. escopoletina. . lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. schottii. assim como de outras espécies do gênero.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. além de lignanas como pinoresinol. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. O isolamento de diosgenina. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. 1988). 1962. como a A. 1993). Foram isolados de A. neriifolia os compostos 9. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. 2002). canogenina. ácido ferúlico e ácido gentísico. -amirina. 1992b. escoparona.. perivosídeo. são ricas em um glicosídeo a tevetina.1997. 1986). foram isolados do caule isoplumericina. Corrêa. 1984). além das flavonóides (Germonsén-Robineau. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. 1988). pinoresinol e alamicina (Anderson et al.. plumericina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. além de 13-O-acetil plumierida. medioresinol. blanchetii (Ganapaty et al. 1995c e 1995a). Tewtrakul et al. thevetioides (Perez-Amador et al. alamandina.-hidroximedioresinol... ovata e T. Dados químicos dos gêneros Allamanda. 1985).. acetato de lupeol.. a alanerosida. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. kaempferol. flavonóides. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen.-hidroxipinoresinol e 9. tevetina B. ruvosídeo e neriifolina. 1992a e 1994).Kader et al.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. quercetina. 1989). tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. plumierida. 1988)..

neriifolia (Dinda&Saha. Das folhas de T. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 1982). 1992) e em T. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. esperolactonas. linolênico. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. alcalóides. 1992) e H. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. triterpenóides (Wood et al. 1978). além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba.. 1991). (1986). taninos e saponinas (Gupta. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. Da espécie H. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta.. taninos e saponinas. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. cáprico. linoléico..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. 1996). 1998).. Triterpenos como ácido olianólico.. (1990) e Beauregard Cruz et al. Foram descritos os ácidos mirístico. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 2000). e as raízes. triterpenos e saponinas. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico.. 1995. 1993). linoléico. Ali et al. esteárico e palmítico. behênico e erúcico. esteárico.. ácido metilperlatólico (Endo et al.. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em .. obovatus (Vilegas et al. 1990). glicosídeos cardiotônicos. Iridóides também foram isolados de H. ursólico. 1994. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis.. follax (Abdel-Kader et al. De acordo com Obasi et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al.. flavonóides. taninos. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. oléico.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. Da mesma forma. enquanto as cascas possuem alcalóides. Guerrero.

Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. 1991). Peruvosídeo e neriifolina. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 2002). isolada dessa espécie. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina... 1997). 2002) e antiofídico (Otero et al. cathartica e A. 1945 e 1947). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1994). De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. antimicrobiana (Neto et al. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. violacea (Lima & Caldas. bexiga.. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A.. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. 1992). que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. produziu atividades espasmogênica. 2000).. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al.. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1962). 1982a e 1982b. 1994) antifúngico (Tiwari et al. Obasi & Igboechi.. 1933)... 1981). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al.. Moreira et al.camundongos.. Moraes et al. 1990).. blanchetii (Melo et al. 1935). . A neriifolina. conhecida popularmente como orélia. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1990. 1984. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1989). útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A.

0. Singh & Singh. Frerejacque..700 mg/kg é dose letal. 1996.. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. gatos. Nerium oleander. 1958. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração.. 2000. No entanto. 1993).4g/kg. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. efeitos tóxicos também são similares. peixes e outros animais (Chopra et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Saraswat et al. 2002. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 1999. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.. respectivamente. e Thevetia peruviana e T. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. 1933). 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. 1933.. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. Oji et al. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 2000). cobaias. 1996). para bovinos (Tokarnia et al. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg.5 g/ kg e 14. 1996). 1996). Maringhini et al. e estudos recen- . Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 1992).. além de congestão da mucosa da área digestiva restante... Eddleston et al.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.

uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Dessa forma.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. incluindo o homem. . revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. Deve-se salientar. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. no entanto. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. Observações Várias espécies dessa família.K+-ATPase. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. 1991). Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. dada a riqueza química da família. Da mesma forma. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. ou seja. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. inibição da Na+. os quais ainda não foram estudados. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. 1996). podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. De todo modo. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio.

Fischeria. mariana. No Brasil. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. tais como Asclepias curassavica. Tylophora e Calotropis. . Espécies medicinais Fischeria cf. Oxypetalum. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Inclui lianas. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. herbáceas e raramente arbustos e árvores.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. mariana Dcne. sobretudo para animais.Asclepias. especialmente por seus efeitos tóxicos. subclasse Asteriddae. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . descrita a seguir. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. com aproximadamente 2. Oxypetalum e Calostigma. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. trepadeiras. e inclui 315 gêneros. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. 1986). Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. 1997). e algumas de grande valor medicinal.

. 1979).Dados botânicos Espécie de pequeno porte. especialmente a febre. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. com ramos pubescentes. nos quais se distribuem 1. von Fischer. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. com testa verrucosa (Figura 24. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. membranosas. opostas. de onde saem as folhas simples. flores pentâmeras. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. corola gamopétala. com pecíolos pubescentes.2). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. sementes comosas. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. fruto unilocular. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. foi realizado experimento de toxicidade. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. L. com lacínios conspicuamente crispados. diclamídeas.225 espécies cos- . androceu modificado. inclui aproximadamente 78 gêneros. E. hermafroditas e de simetria radial. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo).

Dejanira. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. 1978). mas também inúmeras espécies tropicais. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. de Carne-seca. Voyria. Lisianthus e Coutoubea. amenorréia e como vermífugo.mopolitas. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. desordens estomacais. folhas opostas e sésseis. na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. especialmente do gênero Dejanira. Dados botânicos É uma planta anual. a decocção das raízes é usada contra febre. sendo várias delas medicinais. 1998). com caule ereto de muitos ramos. reunidas em verticilos. subtropicais e de clima temperado. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. também sésseis. dispostas em espigas simples terminais. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. amplexicaules e grandes. . muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. fruto capsular. Puruvá e Cutúbea. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. 1997). com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. e outras são usadas como ornamentais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores brancas grandes e muito vistosas. F.

febrífugo. e Strychnos. incluindo tanto árvores como arbustos. hipotermia. 1979).Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. destacamos apenas os principais: Spigelia. estudos de toxicidade. taquicardia. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. Mas a C. um dos encontrados no Brasil. 1984). e morte. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). tônico. 1997). Porém. quando ingerida dentro de 24 horas. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. diminuição da atividade motora e dores abdominais. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. polipnéia. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal.. . ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. dentre eles. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. da famosa Strychnos nux vomica. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. lianas e ervas (Mabberley. onde é cultivado como ornamental. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. diminuição da atividade do rúmen.

.. Noz-vômica e Quina-de-cipó. antigamente.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. que se refere à presença de mais de 190 espécies. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. as plantas com propriedades narcóticas. nux-vomica (Shoba & Thomas. em seus cipós. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. Nomes populares Na Mata Atlântica. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. glabras. A planta recebe esse nome por possuir. folhas opostas e ovais. a planta é narcótica e venenosa. 2002). a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. O nome do gênero designava. a maioria na Amazônia (Barrozo. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. fruto do tipo baga globosa. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. coriáceas e trinervadas. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. flores amarelas em grande abundância. nós na forma de uma cruz. 1978). potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. Segundo Corrêa (1984). porém de S. também constatado para a espécie S. 2001). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. No levantamento realizado.

Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. FIGURA 24.. Quetin-Lecrerq et al. S.1 . 1995). Das raízes de S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. guianesis (Penelle et al.Allamanda cathartica. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al... icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. myrtoides (Martin et al.. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). 1996). 1998) e S. 2001). Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S... . 1999)... mellodora (Brandt et al. S..A S. 1996). 2000). usambarensis (Frederich et al. 1996). 2001). Rafatro et al.. 2000. 2000 e 2001.. S. panganesis (Nuzillard et al.

FIGURA 24. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Fischeria cf.2 .Banco de imagens - . laniflora Dcne.

G. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Seito C. incluindo plantas herbáceas. ervas. Solanaceae.600 espécies. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Di Stasi F. Gonzalez L. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1.25 Solanales medicinais L. arbus- . Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. N. algumas vezes parasitas. A. C. lianas. Convolvulaceae. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos.

aqui também descrita como medicinal. cordiformes. que são cultivadas com fins comerciais. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. ainda que raramente. geralmente lobadas. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. em gargarejos. de Batata-doce. delicadas e amplamente consumidas como alimento. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. internamente. Na região da Mata Atlântica. a espécie é cultivada e consumida como alimento. axilares e fruto capsular. Possuem inúmeras variedades. suculentas. como Batata-da-terra. 1997). raízes tuberosas. Nomes populares A espécie é chamada. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. pecioladas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Ipomoea batatas. para infecções da boca. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus.tos e raramente árvores (Mabberley. gengivite e dores de dente. rosas ou arroxeadas. com folhas alternas. . A planta também é conhecida. flores brancas.

1995). acetil-b-amirina. Delgado et al. De . enquanto as folhas são detergentes. oblongata. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. 1986). I. ácido caféico e quercetina (Tan et al. hederifolia. Goda et al. de 5 a 18 cm de comprimento. purpurea e /. purpurea e I. I. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. e de homoios = "semelhante". com nove a dezenove pares por segmentos lineares. sinensis. batatas Lam. de cor vermelhoviva ou rosa. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual.. flavonóides (Zhou. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". 1996. b-sitosterol. glabra. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. coptica. Dados químicos do gênero Da espécie I. I. com cinco lobos arredondados.. Muitas espécies são medicinais. tubérculos ou arbustos. anti-reumáticas e laxativas.. 1. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. friedelina. 2000. I. Alba. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). sendo várias ervas. 1996). como é o caso de /. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. cairica.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. carnea. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. 1996). flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas.. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. comparando-se as plantas deste gênero. cairica. folhas alternas. com caules bastante entrelaçados. pinatipartidas e pecioladas. fruto capsular ovóide. como é o caso de I. I. muitas delas amplamente cultivadas.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal.

. carnea. operculinas I-VIII ácido operculínico A.. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. quando administradas a cabras. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. reticulata (Mann et al. (Sharma & Shukla. 1997). as lignanas arctigenina. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis.. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. 1997). os flavonóides 4'. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1996 e 1997). asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. 1997).. é medido por mecanismos colinérgicos. também encontrados em I. e também dibenzil-g-butirolactona. cornea. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1987). De Lima & Braz-Filho. Das raízes de I. Diversos flavonóides foram isolados de I. Das sementes de I. matairesinol e trachelogenina. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. carnea Jacq... Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. Das partes aéreas de I. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. 1997). 1999a. 1990).I. adrenérgicos e . alta concentração de cálcio e potássio. As folhas de I. e das flores de I. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. 1999). 1989). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1996).. 1988). 1986). arctiina e matairesinosídeo.. 1996). Das sementes de I. 1987). os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam.. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. De I.. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. hardwickii (Liu et al. 1996). regnellii e I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.

no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al... 1996).. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium.. stans três tetrassacarídeos. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. Foram observadas também anorexia. O efeito tóxico foi observado no cérebro... apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1992). As sementes de Ipomoea ssp. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al.. 1990). 1997). 1998a e 1998b). 1998). O extrato diclorometano de I. 2000). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas.não-colinérgicos (Hore et al. dos quais 25 são endêmicos. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. Foram isolados de I. com 2. 1996). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. lianas e ervas (Mabberley... arbustos. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. encontram-se árvores. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. espasmolítica (Medeiros et al. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al... conhecida popularmente como salsa-da-praia.950 espécies subcosmopolitas. 1997). Entre estes. 1998). 1994). 1996). antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1991). sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. depressão. 1995). Os extratos aquosos. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. A I. pescapae (Madeira et al. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al.

Lycopersicum. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. . Datura. fonte de nicotina. Brunsfelsia. Nos estudos realizados. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. da famosa espécie Nicotiana tabacum. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. descrito posteriormente. Cuvitinga e outras espécies. na qual se encontram os gêneros Capsicum.• Solanoideae. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Fumobravo. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. especialmente na espécie Hyosciamus niger. a capsaicina. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. ainda do ponto de vista comercial e social. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. Manacá-açu e Jeratacaca. Don. Physalis. dessa subfamília. Nomes populares Na região amazônica. como Juá-bravo. Managá-caa. • Cestroideae. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. do famoso Tomate. de onde se isolou. tanto do ponto de vista farmacológico. da famosa Datura stramonium. entre outros inúmeros compostos. e Solanum. Em outras regiões. Gambá. pelos nomes de Manacá-da-serra. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. com inúmeros representantes no Brasil. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. importante ferramenta farmacológica e.

Joá. hermafroditas. muito ramificado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. Dados botânicos Erva com muitos ramos. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. longo-pecioladas. Bolsa mulaca. na região amazônica. Mulaca. fruto esverdeado do tipo baga. caule verde. diclamídeas. folhas elípticas e acuminadas. semente rufescente (Figura 25. referindo-se à forma do fruto. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. sem estipulas. folhas inteiras. bilocular. possui. súpero. bolha". O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Juá-de-capote. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. flores amarelas. pequenas. Mata-fome. Joá-de-capote. Nomes populares A espécie é chamada. especialmente na Amazônia. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. ereto e crasso. com anteras azuladas. de Camapu. pentâmeras. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária.1). androceu com cinco estames. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores dispostas em cimeiras. glabra. agudas. O chá preparado com raiz de . Physalis angulata L. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. ovário bicarpelar.

1982). 1998). são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra.. contra vermes. contra icterícias (Schultes & Raffauf. .. 1974-1975). interna e externamente. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. 1984). no Pará. útil contra reumatismo. 1994). diuréticos e resolutivos (Corrêa. contra inflamações. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. Juuna e Juvena. na Paraíba. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. vômito. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. em Minas Gerais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Rutter. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. No Peru. bem como no combate a febre. da Amazônia brasileira. para tratar hepatite. dermatites e doenças de pele. 1995). e suas folhas têm uso diurético. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. problemas hepáticos. a infusão da sua raiz. 1990). renais e de vesícula biliar (De Almeida. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. 1990). Jubeba. problemas hepáticos. Solanum paniculatum L.camapu misturada com raiz de açaí. hepatite e reumatismo (Forero. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. outros. os frutos são desobstruentes. malária. 1993). 1980). a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. 1980). 1984) e a raiz. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. Juripeba. No Brasil. 1980.

Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. fruto do tipo baga redonda. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos).700 espécies subcosmopolitas. ereta. sendo úteis contra icterícia. muito parecidas com as da Batata-inglesa. lilás ou roxas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. flores em umbela. flores brancas. muitas delas de grande valor econômico. desiguais. sinuosas e acuminadas. Solanum tuberosum L. de onde é obtida pelos habitantes locais. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. alívio". Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. folhas alternas. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. todas cultivadas. brancos ou amarelados. dispostas em racemos. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. de caule alado. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. além de ser indicada contra problemas do estômago. Inclui inúmeras variedades. hepatite e febres intermitentes. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. especialmente contra lombrigas. carnosos. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. es- . ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. fruto do tipo baga globosa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.

identificou a presença de 122 compostos. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. 1995). furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer.. 1986). 1987).. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. 1977 e 1978).. 1979a. 1994).. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. 1980. alkekengi (Kawai et al. Já da casca da raiz de B. P viscosa (Maslennikova et al... 1977). obtido de suas partes aéreas. angulata (Row et al. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários.5%). P pubescens (Reddy et al. com ciclopropenóides. 1988. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. espécie de origem cubana. Do gênero Physalis. 1986). 1980. ácido oléico (11. Glotter et al. As sementes de B. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.. dos quais foram caracterizados. peruviana (Sahai & Ray. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. P. cetonas. Na região. Gottlieb et al.5%). grandiflora. Eguchi et al. 1986. Itoh et al. 1987.. minima (Mulchandani et al. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. alcoóis e ésteres. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). nitida. P. ácido palmítico (7. aldeídos. No óleo das sementes de B.. 1991).. Oshima ... ixocarpa (Abdullaev et al. 1980) e P. 1977a). Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. Vasina et al. principalmente. 1985).25%) e ácido ricinoléico (0.. 1986). foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. De B. 1987.. 1996).pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. P peruviana (Gottlieb et al.52%) (Maestri & Guzman.8%). Frolow et al.. 1981). Sinha et al. 1985. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.. Alcalóides foram isolados de P. hidrocarbonetos.

. enquanto das folhas de P. calcyina var. floribunda. fisangulídeo. Neilson & Burren.. 1967a e 1967b). 2001). Shingu et al. 1990. 1983.. 1987b. B. neoclorogenina. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. aianinas. 1986). pauciflora e B.. Ripperger et al. acetil colina. além de vitaminimina (Gottlieb et al.. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 1989. 1990. 1990).. utilizada para picadas de cobra.. 1990). flavonóides (Ismail & Alan. 1992). 1987 e 1990. O extrato aquoso de B. 1977). beta-sitosterol.. Uma triagem hipocrática em ratos. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. vitangulatina A. 1989. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al.. Spainhour et al. 1988).. 1987.. A administração oral de B. angulata foram isolados ainda vitasteróides. Chen et al.. 1992b e 1992c). Dinan et al. hopeana. revelou atividade depressora do SNC.. glicosídeos. De P. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina.et al. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al.. flavonóides (Ser. vamonolídeo... Já da raiz de B. figrina. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. vitagulatina A.. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. com extratos da raiz de B. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. minima var. além de alcalóides. . australis (McBarron & de Sarem. 1997. 1986. 1990). 1997). 1988)... fisalina B e quercetina (Gupta et al. Oliveira et al. Banton et al. fisagulina A e K. Vasina et al. 1993. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. febre e picadas de cobra. 1992a. Chen et al. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. artrites.. De P. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. uniflora. 1968. Moiseeva et al. vitaminimina. bonodora. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. ácido clorogênico. 1987).. bronquites. 1988 e 1989). 1991). indica foram isolados vitasteróides. 1975. B.

1995. Pietro et al.. antigonorréica. 1987). alcoólicos. entre outras. 1998). tripanossomicida (Barbi et al. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. M. aqui descrita... O estudo dos vitanolídeos de P. 1992. V.. et al. antimutagênica. citotóxica. constataram-se atividades hipotensora. et al.Para a Physalis angulata. 1992a e 1992b).. 1998. I. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. Haussmann et al. antiviral (Otake et al.. V.. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. diurética... et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. et al. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1987). 1998). M. Carvalho. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1998). et al. melanomas. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. 1998. quando ingeridas em dose única ou repetida.. Kusumoto et al. in vitro e in vivo. entre outras (Lin et al.. imunoestimulante (Carvalho. aos esteóides. 1998). do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. 1998b). V. G. antiasmática.. 1991. embora outros sinais também tenham sido verificados. Barbi et al. M... como movimento . 1998) antimicobacteriano (Januario et al.. 2000). et al. 1997.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. et al. M. 1992a e 1992b). Silva.. Soares et al. 1998). V. 1990)..... edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. 1988). P. anticolinérgica (Fonteles et al. M. 2002. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. 1989). antibacteriana (Hussain et al.. Os extratos aquosos. etanólicos e esteroidal mostraram. M. 1998. anti-séptica. incluindo leucemias. antileucêmica. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. Das folhas de P. V. M. imunomoduladora (Rosas et al. Ribeiro et al. Nos frutos de P. niruri e P.. antiespasmódica.. T. 1997. V. 1990). 1998) e antineoplásica (Carvalho. M. e a atividade imunoestimulante. Chiang et al. Kurokawa et al. 1993. 1998).. et al.

FIGURA 25. Além disso. perda de peso.Physalis angulata.1 . Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .de mastigação. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. 1991).Banco de imagens - . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. salivação. irritabilidade. às vezes levando-o ao chão. falta de apetite. estiramento e contração das patas traseiras.

apesar de incluir apenas oito famílias. Guimarães C. A.26 Lamiales medicinais L. 1997). Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Di Stasi E. Nas regiões de estudo. M. inclui 130 gêneros distintos. arbustos. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). C. M. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. espalhadas por todo o planeta. as quais serão discutidas a seguir. Santos C.300 espécies (Mabberley. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. freqüentemente . descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Amazônia e Mata Atlântica. das quais se destacam as Boraginaceae. com aproximadamente 2. A família inclui árvores. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas.

cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. um dos gêneros mais comuns no Brasil. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. • Heliotropium (Heliotropioideae). Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). de onde saem folhas sésseis. densa. muito ramificado. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. pubescentes na face inferior. É uma planta heliófita e higrófita. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. com até 12 cm de comprimento. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga.herbáceas e raramente lianas. inflorescência espigosa. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.1). este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. lanceoladas. • Cynoglossum. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. Nomes populares A espécie é chamada. sendo raramente encontrada no interior de matas. formando grandes populações em áreas litorâneas. 1998). sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Borago e Symphytum (Boraginoideae). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. agudas. de Ervabaleeira. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. .

referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. Jamacanga e Jacuacanga. e seu suco é de alto valor contra aftas. incluindo úlceras. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. Crista-de-galo. estomatites. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". moléstias cutâneas e feridas. com ramos lisos e glabros. folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e as espécies H. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. com dispersão regiões tropicais e temperadas. europaeum são reconhecidamente medicinais. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. furúnculos e também contra queimaduras. 1994). faringites. de flores brancas. tubulosas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. ovadas ou cordiformes e acuminadas. abcessos. É uma planta anual. alternas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. glabro ou pubescente. amplexicaule e H. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. Aguaraquiunha. e trepein = "mudar".5 a 1 m de altura. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. Na medicina tradicional salvadorenha. . inflorescência curvada.Heliotropium indicum L. com flores brancas ou azuis. Segundo Corrêa (1984). anginas. fruto formado como uma mitra. dispostas em espigas solitárias. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas.

lasiocarpina. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. ásperas e onduladas. Erva-do-cardeal. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. de Confrei. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Orelha-de-vaca etc. flores grandes. como beta-sitosterol. Das partes aéreas de H. 1994). 1986). Sonsólida. inflamação e dores de barriga. com porte herbáceo e raízes fasciculadas.Symphytum officinale L. caule curto e ramoso. além de alcalóides e taninos. tubulosas. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Língua-de-vaca. . Outros nomes são Consolda. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. fruto com quatro aquênios lisos. enquanto as raízes. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. vistosas. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. lupeol. acuminadas no ápice. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. De H. com folhas ovadas ou oblongas. taninos e triterpenos. Nomes populares A espécie é chamada. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. distúrbios estomacais. dispostas radialmente. Consolda maior. amarelas ou rosas. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante.. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. 1996). europina. na Mata Atlântica e em todo o Brasil.

em que se . e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. (1989). em H. destacando-se compostos fenólicos em H. stenophyllum. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. heliotrina. Reina et al. 1996). 1986). heliovicina.. coromandalinina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. subulatum (Malik & Rahman. heliotrina.. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. hirsutissimum (Guner et al. H. coromandalina. heliotrina e lasiocarpina e.. Das partes aéreas de H. europina e supinina em H. Farrag et al.. spathulatum (Roeder et al. heleurina. 1988). 1995b. bursiferum (Marquina et al. 1990). bovei. heleurina.. intermedina e retronecina) por Ravi et al. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . esfandiarii (Yassa et al. curassavicum var. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. rotundifolium (europina. licopsamina amabilina.. H.. curassavinina. heliotrina e lasiocarpina de H. H. 1995b). 1988). keralense (isolicopsamina. 1988).. H. H. 1988). bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. 1994). 1988). scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. europina. 1989). H.De H. arborescens (Bourauel et al. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. em menor quantidade.. curassavicum (Davicino et al. 1988. heliotrina e lasiocarpina (Guner. 1995). curassavina. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. 1987). 1995) e H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. supinina e europina (Rizk et al.a heliospatina e o heliospatulina . lasiocarpum (Akramov. e heliotropina de H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. 1996).. echinatina. argentinum e var. 1991). H.de H. (1990).

De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1996). De H.. 1996). 3-0-metilgalangina. As propriedades antifúngicos. 7. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. alliodora (Ioset et al. filifolium também foram isolados.. pinocembrina. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. curassavica (Ioset et al. 1990). multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. Do exsudato resinoso de H. 2001).. pinocembrina.. 1990). stenophyllum (Villarroel & Urzua. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. De H. A H. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. verbenacea. do exsudato. ovalifolium (Guntern et al.. 1995. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina.. chenopodiaceum.. pinobanksina-3-acetato. 7-O-metileriodictiol. 1996).. 1990). hesperetina.. 1994 e 1996). 2001). 2000b). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. Os constituintes fenólicos denominados galangina. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. Os flavonóides ayanina. C.. 1987). Al Awadi et al. C. bacciferum (Miralles et al..descreveram os constituintes galangina. 2002). myxa. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. Sertie et al.3'-dimetileriodictiol. 1991 e 1988. tais como ácido rosmarínico. C. dentre outras espécies (Ficarra et al.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. filifolium (Urzua et al.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. pinocembrina.. 1998). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. 2001). 2000a) e C. linnaei (Ioset et al... sakuranetina foram isolados da resina de H. 2001) e de C. solicifolia (Hayashi et al. 1989) e esteróis e quinonas em H.

subtilis como o extrato bruto de H. 1989). 2001). Portanto. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. infusão ou chás por via oral. Singh et al. bursiferum (Marouina et al. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. 1995).700 espécies. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. Jain et al. europaeum e H. porcos e aves (Gaul et al. Eroksuz et al. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. 1992). assim como todo o gênero Heliotropium..paz de inibir efetivamente o B. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. Dados toxicológicos A espécie. De H. ellipticum e H. 2001a e 2001b). 1994. 1987). 1997). enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Das partes aéreas de H. nos quais se distribuem 6. 2002.. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . Alcalóides isolados de H.. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae.. é potencialmente tóxica. 1987.... também denominada Labiatae. argentinum apresentam genotoxicidade. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral.

Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. com cálice tubuloso. Scutellarioideae: Scutellaria. Ajugoideae: Ajuga. Salva. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Satureja. 1997). Pogostemonoideae: Pogostemon. bilabiado. Thymus. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Rosmarinus. Leucas e Sideritis. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Salvia. do ponto de vista medicinal.(Mabberley. flores dispostas em capítulos pedunculados. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Origanum. alimentos. pois são usadas como condimentos. corola com tubo infundibuliforme. oposto-decussadas. Lamioideae: Leonotis. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. folhas pecioladas. Malva. ex Benth. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Trata-se de uma importante família. especialmente americanas. Lavandula. Salva-do-campo. rígidas. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. com haste suculenta. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. . Dados botânicos A planta é uma erva ereta. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. pubescentes. Melissa. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Nepetoideae: Hyssopus. Ocimum. Hyptis e Plectranthus.2). Teucrioideae: Teucrium. Mentha. crenadas. obovais.

cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. flores dispostas em racemos densos e verticelados. Leonotis nepetaefolia Hort. de até 2 m de altura. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. Dados botânicos Erva anual. antigripal. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. e inclui apenas quinze espécies tropicais. Na Mata Atlântica. 1982). para regular a menstruação. na região amazônica e em quase todo o Brasil. icterícia. de constipações e artrites (Van den Berg.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. um pouco lenhosa. cólicas menstruais e problemas digestivos. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. flores pediceladas com quatro estames. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. com caule quadrangular aveludado e pubescente. a decocção das folhas é usada contra malária. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. diarréia. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. sudoríficos. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. folhas opostas. e a infusão da planta toda. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". de Rubim. anti-reumático e contra cólicas menstruais. recebe o mesmo nome. . ovadas e subcordiformes na base.3). Na região da Mata Atlântica. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. Nomes populares A espécie é chamada. emenagogos. mas não foi completamente identificada.

uma xícara por dia. especialmente de barriga e. é utilizado como anti-reumático. como abortivo e antitérmico (Simões et al. no Ceará (Matos et al. 1984). febrífuga e diurética.. no Mato Grosso. durante dois dias. 1982. hipotensão. como Cordão-de-frade. herbáceo. pilosos e sulcados. cálice bilabiado. ramos quadrangulares. 1982). Leucas martinicensis R. no Rio Grande do Sul. Dados botânicos Planta anual. internamente. duas vezes ao dia. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. a planta florida é usada na fraqueza geral. a infusão das folhas é usada. reumatismo. raramente arredondadas. corola bilabiada. 1986). antireumática. facilitando a expectoração. como cicatrizante. ramoso e pubescente. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. dores gerais. ovadas ou oblongolanceoladas. flores sésseis. pubescentes nas duas faces e membranosas. brancas. Grandi & Siqueira. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. em Minas Gerais (Verardo. antiasmática.. A planta é também considerada antiespasmódica. sendo ainda indicada contra úlceras. Br. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. com cinco segmentos acuminados. externamente. nas inflamações broncopulmonares. 1982). o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. Na região do Vale do Ribeira. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. folhas pecioladas. na Mata Atlântica. o chá de toda a planta. 1980). distúrbios do estômago. com lábio superior 1-2 . desiguais entre si. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. útil contra úlceras. contra gripes. de caule ereto.Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

na Mata Atlântica. significa "branco". numerosas. formando espigas no ápice dos ramos. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. o macerado das folhas em água. na forma de gargarejo.4). as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. difere da M. e seu cozimento é indicado como antireumático. folhas opostas. agudas. referindo-se à cor das flores. Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie M. O nome do gênero Leucas. planas. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. ramos eretos e opostos.5). aquatica. decussadas. bilabiada. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. A planta também é utilizada como tônico. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. zigomorfas. topicamente. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. piperita é um híbrido de M. de porte herbáceo. fruto do tipo aquênio (Figura 26. hermafroditas. dela. com raiz fibrosa e caule ereto. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. viridis e M. Hortelã-das-cozinhas. contra tumores. 1984). corola gamopétala. pouco aveludada. curto-pecioladas. apenas de Hortelã. flores violáceas. antiespasmódico e contra nevralgias. serrilhadas.lobado e o inferior 1-3 lobado. externamente. um pouco pubescentes. descrito por Robert Brown. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. pentâmeras. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. contra dores musculares e reumatismo. Menta e Hortelã-verdadeira. . ramoso. diclamídeas. é usado sobre gargantas inflamadas. nome recebido em todo o Brasil. filha de Cocylus.

problemas cutâneos. três vezes ao dia. a infusão das folhas. A M. 1986). piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). dismenorréias e verminoses. . sendo indicada contra flatulências. eólicas uterinas. estomáquicas. musculares. Hortelã-pequena.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. cólicas abdominais e tétano. anti-reumático e contra insônia. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. na região amazônica. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. estimulantes. dor de barriga. calmante. diarréia. vômitos. em Brasília. Hortelã-graúda. 1984). antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger.. Hortelã-da-preta. timpanite. de Hortelã-verde. bronquite e tosses. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Nomes populares A espécie é chamada. Mentha viridis L. 1986). a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça. de estômago. digestivas. estimulante do fluxo biliar. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. Hortelã-comum. catarros de mucosas. no Rio Grande do Sul. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. carminativas. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. garganta e dentes (Simões et al. tremores. 1991). 1982) e como anti-séptico. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. é indicada contra dores de estômago em crianças. em 1990. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. 1980). antiespasmódicas. Contudo.

ameba e giárdia. dores de estômago e "quebranto". ramos eretos.6). a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. dores de barriga e pedras nos rins. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. inflorescência do tipo espiga. tétano. bastante pilosa e com aroma forte. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. garganta e estômago. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. corola e cálice campanulado (Figura 26. assim como em todo o Brasil. denticuladas. cólicas. Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. especialmente lombriga. além de ser considerada útil contra febres. bronquite e gripe. bronquites. com folhas pequenas. . Mentha pulegium L. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. ovadolanceoladas. ascendentes. pecioladas. serrilhadas. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. flores rosas ou violeta-claras. cilíndrica e frouxa.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. opostas. folhas subsésseis. glabras. ovais ou oblongas. tosses. em verticilos aproximados. caule ereto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. seu decocto é considerado útil contra tosse. gripes. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva.

glabras. flores brancas ou rosas. Ocimum canum Sims. Ocimum. Alfavaca-do-campo. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões. de onde partem folhas opostas. especialmente de ocorrência na África. Alfavacona.Ocimum basilicum L. diaforética. ovadas. Alfavaca-de-cheiro. de Alfava. descrito por Carl Linnaeus. diurética e útil contra resfriados. dentadas. estimulante. diarréias e disenterias. de caule ramoso. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. peitoral. . entre outros. O nome do gênero. com ramos tetrágonos e pubescentes. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Em outras regiões. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Alfavaca-cheirosa. com até 50 cm de altura ou maior. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. Alfavaquinha. referindo-se à planta toda. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. assim como em todo o Brasil. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. significa "perfumada". pequenas e finas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. estomáquica.

verticiladas e dispostas em racemos. rins e uretra. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. carminativa. dores de cabeça e bronquites. raramente. flores vermelhas. de onde partem folhas ovais. fruto do tipo capsulas. ovadolanceoladas. verdes e finas. serradas. tosses e desordens uterinas e renais. A decocção das raízes . denteadas. amarelo-esverdeadas. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. a espécie é chamada de Alfavaca. de ramos quadrangulares. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. As folhas cruas também são empregadas como condimento. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. glabros e eretos. diaforética. além de diurética. contendo folhas pecioladas. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. pubescentes. enquanto a infusão das partes aéreas. tosses. flores roxas ou. é usada contra febres. dispnéia e reumatismo. glabras.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. pubescentes. dispostas em racemos paniculados. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. béquica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A planta toda é bastante aromática. além de excelente na cura da coqueluche.

7). carminativa. gineceu com ovário ovóide. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. dores de cabeça e febres. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. Alfavacão. inflorescência racemosa. glomerulada. como Manjericão. membranosas. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. As folhas são ainda muito usadas como condimento. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. sudorífica. congestão nasal e dor de cabeça. e na Mata Atlântica. margem irregular. folhas pecioladas. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dores de cabeça e como sedativo para crianças. agudas. . mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande.é usada contra diarréias. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. diurética e útil contra tosses. Ocimum micranthum Willd. Alfavaca-do-campo. ovaladas. gripe e catarro no peito. androceu com estames inclusos. problemas nervosos. distúrbios do estômago. núculas negras e lisas (Figura 26. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. pequenas. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho.

o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. flores em glomérulos. dores de cabeça e tosse.Na região da Mata Atlântica. além de a espécie ser utilizada também como condimento. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. no Mato Grosso (Van den Berg. as folhas são consideradas úteis contra gripes. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. com até 50 cm de altura. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). 1988). formando uma espiga terminal. de base arredondada e margem denteada. a infusão das folhas é usada contra infecções. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1984). dispostas em panículas. de onde partem folhas ovais. Pogostemon patchouly Pellet. pilosa. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. . e em todo o Brasil é denominada Patcholi. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. 1980). Patchuli ou Patchouli. Origanum vulgare L. vilosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. tosses e bronquites. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. no Pará (Amorozo & Gély. com ramos ascendentes.

1990). bilocular. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. (1982). alfa-bergamoteno. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. com dois óvulos em cada lóculo.8). corola com quatro lobos.. terpinen-4-ol. fruto seco (Figura 26. três formando um lábio aberto.8-cineol. O óleo essencial das partes aéreas de H. cruzadas. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. suaveolens possui setenta componentes.. androceu com estames excertos. bicarpelar. Triterpenóides foram isolados de H. com espigas compostas. Das folhas de H. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. sedativo e hipotensor. porém. 1988. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. O nome do gênero Pogostemon. pentâmeras. suaveolens por Misra et al. descrito por Desf. flores em glomérulos. dos quais 32 foram identificados. sendo mais comuns o beta-cariofileno. 1990). A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). ovário supero. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. predominantemente de sesquitepenos. Uma outra análise do óleo essencial de H. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. Existem. 1991). o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. como beta- . hermafroditas. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. 2001 e 2002). significa "estames barbados"... pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. 1. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. Azevedo et al. flores diclamídeas.

. (1978) e Blounietal. beta-cariofileno. mutabilis foram isolados triterpenos. Porém. umbrosa. ácido ursólico. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. timol. ácido oleanólico acetato. albida foram isoladas triterpenolactonas. 1990b). Em H. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. Metil betulinato.. Das raízes de L. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L.. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. 1987).. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. salzmanii foram isolados diterpenos. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. uma outra análise do óleo de H. 4. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. De H.. Das folhas de H. 1987a). De H.6.. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. gama-terpineno. 1990) e de H. campesterol. 1990). spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. 1988).. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. ácido n-octacosanóico. Das partes aéreas de H. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1988). 1996).. 1988). leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. (1980). 1989).. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1991). ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa.. 1990). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1988). e de L. lignanas e flavononas (Messana et al. sendo p-cimeno. e de H.elemeno. quercetina. 1990).7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao.

Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. triptofano e metionina (Dinda et al. flavonas himenoxina. 1995).. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. lanata foram isolados os aminoácidos histidina.7. 1986). piperita var. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison.. mentofurano (19. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . 1987). isomentona e o neomentol (Zakharova et al. et al. Vaverkova et al. 1987. 5-hidroxi-6. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. officinalis. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.80%).07%) e mentano (11. sendo os principais terpenos mentol. mentocubanona. 1986 e 1987). Com isso. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Das partes aéreas de L. Das raízes de L. metil acetato (16. colesterol. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al.. mentona.84%). que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. mentona (24. 1990) e um composto fenólico (Misra.. treonina. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. N. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. De L. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. Da espécie L. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M.8-cineol (6. Mentha A composição do óleo essencial de M. glicina.3'. fenilalanina. brassicasterol. alanina. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. 1979). 1987). 1987).80%). 1996). ácido glutâmico. 1996).. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. ácido aspártico. das partes aéreas de L.20%).. 1988)... prolina. lisina. hidroxiprolina.64%). tirosina. T. A M. O óleo essencial de três variedades de M.10%) e 1. serina.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al.

8-cineol.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. nicotinamida.. Zi e Cu. Mg. 1987). 1988). Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. Foram ainda isolados mono. 1986). 1989). 1992). como alfa-pineno.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. .8.. Fe. cadideno. glicídios. De M. reduzindo significativamente a concentração de mentol. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. Em Mentha viridis var.7. peroxidases. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. ácidos p-cumárico. catalase.. caféico e clorogênico. 1990) e flavonóides glicorilados. limoneno. resinas. b-cariofileno. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial.3'. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. luteolina e 5. vitaminas C e D2. fitosterol. betasitosterina. fenílico.e sesquiterpenóides. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. Mg. Nas folhas de M. 1. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. Ca. K.6.

estragol e a-terpineol (Chalchat et al. já citados.8-cineol. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1. 1983).. Phan et al. De O. 1986. 1996). compostos principalmente de mono e sesquiterpenos.. Das sementes de O. hidrocarbonetos como p-cimeno.. canum foram isolados diversos componentes. 1988. Das folhas da O. O óleo essencial de O. Takahashi et al. gratissimum é composto de gamaterpineno.. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes.. 1996 e 1997a).Patel et al. 1997). 1981. Ocimum Do óleo essencial de O.. Lawrence.. 1989). flores e caule de O.. 1990). 1987. eugenol (Ekundayo et al.. o eugenol é o constituinte majoritário.. Na China. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng.. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. linalol. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Kartnig & Simon. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. eugenol. 1986. 1987. Do óleo essencial das folhas.. 1989).. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.. De O... 1981).cariofileno. 1990). cis-ocimeno. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. 1996a). Porém. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. as folhas e flores de O. t-bergamoteno. 1986. 1988). Sharma et al. basilicum (Brophy & Jogia. Sakurai et al. beta-cariofileno.8-cineol. 1987). Nas folhas. sendo 1.. . 1996). Em Cuba. sendo eugenol. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. 1986.. eugenol. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. Borges et al. 1986. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol.. Khanna et al. O óleo essencial de O. 1990). Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. micranthum foram isolados vinte compostos. b-cariofileno. 1987).

. 1987. Murugesan & Damodaran. 1990). b-sitosterol. No Paquistão. triacontanol ferulato.. 1. 1978). A casca do caule de O. 1987). 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. esculetina. basilicum apresenta 44 compostos. alcoóis. No Marrocos foram isolados 28 constituintes.. timol.. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. o óleo essencial de O. já comentados (Modawi et al. esculina (Skaltsa & Philianos. 1996). 1.. eriodictiol. 1994).. 1986. 1988). cetonas. sendo. isoquercitrina. basilicum foram isolados quercetina. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. Das folhas de O. oléico. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. Fatope & Takeda. na Turquia. Das flores de O.. linalol. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. 1984).. 1990. 1. sendo Metil chavicol. 1991). Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O.O óleo essencial de O. rubrum foram isolados borneol. linoléico. ácido caféico.8cineol. linolênico e araquídico (Malik et al... kaempferol. Ekundayo et al. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos.. fenóis. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. De O.. kaempferol-3-O-rutinosídeo. 1989). basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. nesse caso. 1995). 1995). sanctum possui estigmasterol. rutina. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. ácidos orgânicos. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1985. 1989). 1996). além de metilchavicol. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. A espécie O. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . láurico. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. sabineno e eugenol (Retamar et al. 1996). terpenos.8cineol e eugenol. 1987). palmítico esteárico. Das sementes de O. Thoppil. quercetin-3-O-diglucosídeo. basilicum e O. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. Em O. 1995). 1989). sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. além de ácido p-cumárico.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. mirístico.

kilmandschariciim (Ntezurubanza et al.. 1984). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. 1981). viride (Ekundayo. parviflorus (Nanda et al.. flavonas (Patwarphan & Gupta. cablin (Akhila . Foram isolados de P purpurascens. lactonas sesquiterpenóides de P.Além desses compostos. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1986). patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas. 1985). Pogostemon As folhas de P.

Silva et al. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana... Phadnis et al.. estigmasterol. plectranthoides foram investigados experimentalmente. 1998)... Coelho et al. Thapa et al. 1998) e atóxica (Junior et al. umbrosa. Munck & Croteau. saxatilis (Fernandes. 1997). . mutabilis. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al... 1987. atrorubens... 1990). P. 1984).. Do óleo essencial das folhas de P. Em H. plectranthoides (Esvandzhiya et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H.& Nigan. 1987. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. H.. 1989). 1994. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa... 1990). além de outros diterpenóides (Hussaini et al. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. 2001). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1971). 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. 1988). suaveolens e H. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al.. Foram identificados n-octacosanol. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. pectinata (Bispo et al. também conhecido como Sambacaitá... crenata. 1988). F et al. 1989).. a-bulneseno. auricularis (Prakash et al. C. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. H. 1990).. analgésica (Freitas et al. betasitosterol. Em H. ovalifolia e H. 1988. 1984.. beta-amirina.. comumente utilizada como calmante. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1998). citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al.. garwal et al. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1977. 1998). O óleo essencial de H. et al.

verticillata.. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.. Coelho et al. e Novelo et al. leonurus (Bienvenu et al.. 1988.. 1993) foram atribuídas a H. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. Diterpenóides isolados de H. 1988). 1988). Calixto et al. 1995).. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Mentha O infuso das folhas de M. 1985. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.As propriedades antibacterianas.. ramos e flores de H. do extrato de H. 1979). O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. conhecido como Cordão-de-frade.. Posteriormente.. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. 1976. Saksena & Saksena.. 1984). foram detectadas as atividades broncodilatadora. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. 2002). nepetaefolia. Di . 1988). enquanto extratos de folhas. 1988). capitata foi isolado o ácido ursólico. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210.. 1995).. que foram testados quanto à sua citotoxicidade.. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. Forster et al. Leonotis Em L. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. 1995. 1988). 2002). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1980.. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 1988. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. anti-hipertensiva e espasmolítica.. 1988). anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Do extrato metanólico de H. antimicrobiana (Cos et al.

determinaram-se propriedades fungicida. 1998). 1989). Queiroz & Brandão. americanus (Jain & Agrawal. 1987b). 1978) e O. 2002). 1988. piperita. Queiroz & Brandão. antifertilidade. sanctum (Dey & Choudhuri.. 1986a. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. antibacteriana.. O óleo essencial de O. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai.. Além das atividades já relatadas com M. 1986a). Chen et al. 2001 e 2002). 2002. 1993.. 1986b). 1984). Do híbrido. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1986c) e em O. arvensis (Ceruti et al. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Em O.. . 1986). basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1986a. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele.. 1986). Extratos brutos de O.. gratissimum (Atai et ai. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. Lahlou et ai. cannum (Dubey et ai. também verificada com extratos de O. Almeida et ai. basilicum demonstraram atividades analgésica. 1982... antiespasmódica (Di Stasi et ai. espasmolítica (Queiroz & Reis. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. utilizando-se M. enquanto estudos com O.... 1996) e hipotensora (Guedes et ai. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. O. 1987).. sanctum (Phadke & Kulkarni. Queiroz & Reis. (1968). 1987. Sharma & Jocob. 2002). piperita (Ansari et al. 1981). 1989). analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. R. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M.. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. cordifolia (Villasenor et al..Stasi et al. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 2002). crispa (Mello et ai. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. A.. et ai.. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 2000).

gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. 1986). antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. 1994). enquanto a O. et ai. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. Vanderlinde et al. Os óleos fixos de O. Vanisree & Devaki. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. basilicum (Dube et al... . A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1994).. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O.. 1995). 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. O óleo essencial de O. gratissimum (Sobti et al.. 1989). Extrato etanólico das folhas de O.. O óleo essencial de O. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. suave (Tan et al.. O óleo essencial de O. 1994a). 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1996). 1990). E. 2001). 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. mas a administração de O. 1996). sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica.. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1986). 1994. 1997). Nakamura et ai.. 1992. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O.O.. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. que apresentou atividade protetora do mastócito. 1999. o ácido ursólico.. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. antiinflamatória. suave foram utilizadas como repelente de insetos. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1994b. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. Vanderlinde et al. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. As folhas de O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar... 1995) e O. 1992. 1993. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. Vanderlinde et al.. Das folhas de O. O. Vanderlinde et al. 2002). Das folhas de O. 1986)... 1989). ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio.

1995). 1986). Stachytarpheta e Lippia. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will.5 ml/kg. 1984). e em outras. Salva-limão. caule e ramos primários. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. alternas ou opostas . Salva-brava. folhas pecioladas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. Sálvia e Salva-da-gripe. como Erva-cidreira-do-campo. especialmente da América do Sul (Mabberley. Compreendem árvores.E.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Salsa. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. 1997). Alecrim-docampo. ascendentes.) N.Br. provocando sonolência. longos. quadrangulares. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. arbustos e ervas. pubescentes. sobretudo em crianças. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42.

corola violácea com lábio inferior maior que o superior. fruto do tipo capsular branco. flores pequenas. membranoso. Malva e Nulva-do-marajó.9). Essa espécie é usada como antiespasmódica. 1980). é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. relaxante e contra intoxicações gerais. corola bilabiada. estomáquica. Lippia grandís Schan. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. na Paraíba (Agra. emenagoga (Corrêa. 1988). como antigripal e calmante. diclamídeas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cálice curto. hermafroditas. reunidas em inflorescências vistosas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. 1980). tosses e gripes. Dados botânicos Planta de pequeno porte. sem estipulas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. 1984). Na região do Vale do Ribeira. o chá das folhas é utilizado como calmante. fruto com dois mericarpos plano- . folhas pecioladas. cólica do estômago. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. no Rio Grande do Sul (Simões et al. no Mato Grosso (Van der Berg. além de problemas do estômago.. pentâmeras. pubescente e bipartido. reunidas em inflorescências capituliformes. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão.(às vezes na mesma planta). cálice curto. no Pará. o chá das folhas é utilizado como calmante. náuseas. sementes pequenas (Figura 26. Salva. flores pequenas. 1986).

vanílico. Da espécie L. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. monoterpenos... ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1987. geranial. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. 1987). três vezes ao dia. As espécies L. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. esteárico. Matos et al. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. Da parte aérea de L. dulcis (Bubnov & Gurskii. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. 1996a e 1996b).. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. behênico e lignocérico (Macambira et al. canescens e I. 1982). (1981). Hernandulcina.. Craveiro et al. Vários terpenóides foram isolados de L. Souto-Bachiller et al. timol. limoneno. lapachenol. é usado contra problemas do fígado. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1996). e do caule e folhas foram obtidos ácido ... Sauerwein et al. 1981). gama-terpineno. 1991. 1986. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. ukambensis (Chogo & Crank. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1987). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. No óleo essencial de L.. timol. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. Já de L. alfa-cubebeno.. naringenina. p-cinieno. a mais estudada é a L sidoides. acacetina. betacariofileno (Craveiro et al. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. (1986 e 1987).. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. araquídico. americana foram obtidos ácidos graxos livres.convexos. 1987). 1986. mirceno.. 1980). o chá das folhas. 1983). citral e carvona (Matos et al. 1981). o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá.

8-cineol (15.8-cineol. 1990.. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. luteolina.origanoides foi quantificada. Os constituintes p-cimeno. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. graveolens.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.97%) como principais componentes (Mwangi et al.. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1996b). naringenina e lapachenol (Dominguez et al. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al..12%).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al... fissicalyx (Retamar et al. Das folhas e flores de L.. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. Do óleo das folhas de L. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. sendo 22 hidrocarbonetos. 1990).27%). quatro éteres.35%). Das partes aéreas e das raízes de L. 1. 1988). p-cimeno. quatro alcanos.67%). 6-hidroxiluteolina. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. 1.33%).8-cineol (2.l.8-cineol. diosmetina. 1. 1989).43%) e piperitenona (11. 1990). sabineno. acetato de timol (17. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol.e beta-pineno. . 1989). Fun et al. hispidulina. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.. 1996a). alfa-terpineno (4. 1. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. wilmsii foram isolados quinze componentes.23%) e metiltimol (2. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. O óleo essencial de L. timol. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. crisoeriol. eupatorina. 1987).espécies de L.. Das folhas de L. A composição química do óleo essencial de L. 1991 e 1995). luteolin-7-O-beta-glucosídeo.. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. 1994 e 1995). cirsimaritina. graveolens foram isolados pinocembrina. dos quais foram identificados piperitona (28.. eupafolina. 1. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina.01%) ecariofileno (15. De L. p-cimeno (3. limoneno. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. timol.. alfa.8-cineol. neral. alba e L. apigenina. 1989). Dentre os compostos isolados. a-pineno. 1987).

. misturado a cremes. Já o óleo essencial de L.. de L.. Esse óleo. 1980). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. 1998).4%. 1987). polystachya foram isolados tujona (30. 1988a). multiflora.2% e 41. 1990). 1986).. Moraes et al. além de uma atividade moluscicida (Almeida. De L. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 1990). Do óleo das flores de L. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. Vale et al.. 1998).5%). Do extrato das folhas de L..carvacrol.. integrifolia e L.. Além disso. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. assim como o de L. gracilis foram observados aumento inotrópico. contribui para a coesão das células da pele. um dos componentes principais. 1997). o verbascosídeo. um éster do ácido caféico ligado ao 3.... 2000). antiulcerogênica (Pascual et al. 1980 e 1987. 1980). enquanto o outro componente.. Com a espécie L. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. L.4- . et al. 1979).. 2002). 1996). mircenona (31%) e de L.. lipifolil(6)-en-5-ona (18. turbinata e L. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. aristata (Rouquayrol et al. L. et al. grata (Viana et al. junelliana..... integrifolia foram isolados da cânfora (18. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al.9%) elimoneno (13.. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. 1981). respectivamente). e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. 1996).3%) (Zygadloet al. atribuída à presença de flavonóides (Santos. aristata (Moraes Filho et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. junelliana. polystachya.Y.. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. sidoides mostrou atividade moluscicida. 1998.. M. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 1995a). 1996). 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. P D.

Viana et al.. M. espasmolítica (Viana et al. 1988. 1978). 1986). Lacotes et al. L. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. 1998). 1980.. 1995b)... 1988). polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Botelho & Soares. 1996). Teixeira. sidoides (Fonteneles & Sales. 1988. 1994. et al. O.. Almeida. 1977).. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. et al. timol e carvacrol. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. 1992. et al. Nas folhas de L. Ximenes et al. atividades cicatrizante. Menezes et al. S. anestésica (Viana et al.. no qual se observaram atividades analgésica. Matos et al. 2001). O. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. 1996). 1980).dihidroxifeniletanol. M.. 1980.. 1979). 1979) e I. Os principais componentes do seu óleo essencial. 1998)... 1996. multiflora (Chanh et al. Laxoste et al. Além disso. R.. O óleo essencial das folhas de L.. tranqüilizante (Matos et al. graciliy (Fontenele et al.. Y. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L... e no óleo essencial. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. nodiflora foi realizado um screening preliminar. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1994. 1978. 1996.. O óleo essencial de L.. moluscicida (Moraes.. M. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin.. apresentaram atividades antibacteriana. . grata. e o de L. et al. 1992). 1988b). 1979. Moraes. geminata e L. anti-hipertensiva. antibacteriana (Aguiar et al... 1978). Nunes... 1984). mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. antifúngica (Lemos et al. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. 1985). Teixeira et al. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al.. 1995. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. porém... 1978). bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1995).

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).1 .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência. .

Hyptis crenata.2 .FIGURA 26. 1998). . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.3 .

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Leucas martinicensis.4 .

FIGURA 26.5 .Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Mentha viridis. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .FIGURA 26.

Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .FIGURA 26.

Pogostemon patchouly.8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.

Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.9 . b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

arbustos e raramente ervas (Joly. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. Mabberley. incluindo árvores.27 Scrophulariales medicinais C. e reúne 120 gêneros. 1998. com aproximadamente 750 espécies. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Bignoniaceae. pertence à ordem Scrophulariales. Os gêneros mais importantes da . geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. subclasse Asteridae. lianas. Scrophulariaceae. A. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). 1997). as quais passamos a descrever. Hiruma-Lima L. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. No estudo realizado. C.

as quais são discutidas a seguir. é descrita aqui. anteras glabras e ovário oblongo. que inclui os Ipês e o Paud'arco. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. Jacaranda caroba. com gavinhas. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. de ramos cilíndricos e glabros. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. o que gera o nome popular atribuído à espécie. curto-pecioladas. folhas normalmente 2-3-folioladas. e as várias espécies do gênero Zeyhera. . a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. elípticos e coriáceos. com folíolos peciolados.família. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. Na região da Mata Atlântica. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. da famosa Flor-de-são-joão.1). Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. fruto do tipo capsular largo. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Em outras regiões do país. oblongo-linear. são Tabebuia e jacaranda. com ampla distribuição nas regiões tropicais. os gêneros mais comuns são Tabebuia. também é conhecida como Cipó-de-alho. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". Pyrostegia. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. No Brasil. uma delas. contendo sementes oblongas (Figura 27. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada.

roxas. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Caroba-do-campo.) DC.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. sendo amplamente usada como ornamental. Carobado-carrasco. Caroba-miúda. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Jacaranda caroba (Vell. Camboatá-pequeno. Uma outra espécie do mesmo gênero. fruto do tipo capsular. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. por ser mole e porosa. flores tubulosas. Camboté. coriáceos e glabros. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. não completamente identificada e conhecida como . A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. dispostas em panículas. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. das quais a maioria é encontrada no Brasil.

Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. folhas com folíolos ovadooblongos. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. amplamente encontrada em campos. com ramos jovens delgados e folhagem densa. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. inflorescências numerosas. descrito por Carel Borinov Presl.Carobinha. de cor laranja. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). Segundo Corrêa (1984). podendo ocorrer com flores amarelas. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1.5 cm de largura (Figura 27. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. ou seja /'coberta de fogo". Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. especialmente em crianças. .5 cm de largura. Trata-se de uma espécie heliófita. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". sítios e quintais de residências. adstringente e anti-sifilítica. repletos de flores tubulares. O nome do gênero Pyrostegia. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. É muito comum no Brasil. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental.2). com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. como corimbos multiflorais. longas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. raramente encontrada no interior de matas densas. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. especialmente no Dia de São João. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas.

sendo a maioria de ervas ou arbustos. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim.. 1996).Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. O extrato etanólico da espécie A. A espécie J. Espécies medicinais Sesamum indicum L. a família não é encontrada de forma espontânea. 1994).. 1995). acorendico presente na planta (Oguro et al. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. . aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim.. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. No Brasil. especialmente a espécie Sesamum indicum. 1976 e 1977). decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.. 1999). 1992). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. Foi detectada na flor de P. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. 1996). promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. mas apenas cultivada.. venusta a presença de aminoácidos. A espécie J.

também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. inteiras e pubescentes. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. sesamolina (Mimura et al. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. abortiva e anti-reumática e. 1990). contra hemorróidas (Bown. no Egito e na Babilônia (Bown. vistosas. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. osteoporose. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. 2001).. O óleo de gergelim. visão fraca. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina.. diarréias. 1995). 1997). O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. externamente. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. externamente. flores amarelas. indicum foi caracterizada a presença de . 1997). além de seu uso na culinária. e.. com origem na Ásia tropical ou na África. dores de cabeça. para evitar perda de cabelos. com muitas sementes oleosas. Tashiro et al. para tratar constipação nasal crônica. Nas sementes de S.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. fruto do tipo capsular.Dados botânicos A planta é uma erva anual. folhas simples. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. opostas. 1988. 1995). distúrbios renais. tosses secas. clorosesamona hidroxisesamona é 2. e sobre as pernas para tratar paralisia.. episesaminona (Marchand et al. para alívio da dor de ouvido. disenteria e catarro intestinal.

A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. ácidos graxos. indicum detectaram a presença de glicolipídios. prolamina.. gama-tocoferol e sesamolina. 1996). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. sesamina Do extrato aquoso de S. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. Mimura. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. (Kar & Mishra.albumina. Nas raízes de S. 1988). globulina.2000). glutelina (Singh & Khanna. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. 1991). 1993). indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. 2000 e 2001). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. indicum L. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. 1994). bem como três novos triglicosídeos. . 1989..

em altas doses. 1991). alatum. 2002). 1995).. 1997). Tashiro et al. O extrato de S. alatosídeo A-C. e. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. foram isoladas das sementes de S. . além de verbascosídeo. dois derivados do ciclohexiletanol. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai.. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. 1991). contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias.. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1992). 1992). 1994). protegendo-o contra danos oxidativos. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 2001).Duas lignanas furânicas. indicum (Takswchi et ai. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. 1990) e sesangolina. 1992). dessa forma. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias... Da parte aérea de S. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. sesamolina (Mimura et al. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. indicum e S. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al.. angolense. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina.. 1988. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. respectivamente (Kang et al. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo.. rengiol e isorengiol (Pottrat et al.

em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. axilares. Veronica. quatro estames didínamos. ovaldolanceoladas. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Tupixaba. especialmente dos gêneros Antirrhinum. das famosas D. arbustos e ervas. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. popularmente conhecido como Vassoura. flores brancas. Coerana-branca. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. hermafroditas. Vassoura. Nomes populares Na região amazônica. opostas. bilabiada. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Vassourinha-de-botão. bicarpelar. Tapixaba. lanata. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. purpurea e D. Calceolaria e Maurandia. tais como Digitalis. aqui descrito como medicinal. pequenas. com corola rotácea. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. algumas aquáticas (Mabberley. Verbascum e Wightia. No Brasil. incluindo árvores.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. pentâmeras. crenadas e glabras. ovário supero. Scobedia. Outros nome são Vassourinha. . Esterhazia.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. no Pará. 1997). nos quais estão distribuídas 5. Ganha-aqui-ganha-acolá. Pupeiçava.

No Rio Grande do Sul. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. com muitos óvulos (Figura 27. Matos. tosse. Em Minas Gerais. 1982. Grandi et al. coceiras. 1994. para melhorar o estado geral do indivíduo. e utilizada contra desordens respiratórias. emoliente e béquica (Corrêa.. Coimbra. brotoejas.. emoliente. doenças venéreas. é utilizada como anti-hemorroidal. também. hipotensiva. malária. Grandi & Siqueira. 1987). Cruz. 1988. por causa do seu emprego. Já entre os ticunas. especialmente na Floresta Amazônica. pectoral. 1984). Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. hepáticas e estomacais. também.bilocular. 1980). 1982). Encontrada em abundância na América do Sul. Scoparia. 1990). A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. 1990). o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. 1990). bronquite. expectorante. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. picada de mosquito. béquica. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. antidiabética e contra afecções catarrais.. Verardo. febre. 1983). 1996). 1988). diabetes e hipertensão (De Almeida. 1982. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. . além de ser considerada tônica. significa "vassoura". O nome do gênero. essa espécie também é considerada emoliente.. menstruais.. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. Coee et al. febrífuga. o chá da planta é usado contra hemorróidas. bronquite. Nas tribos indígenas do Equador. erisipela e afecções cutâneas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. desordens menstruais. No Pará. o chá é preparado. 1982. e as folhas.. Na Paraíba. 1993. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf.3). Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. problemas cardíacos. com todas as partes da planta. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1994. No Brasil. peitoral. 1986). para lavar feridas (Branch & da Silva. hipoglicemiante. 1995). tosse. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra.

antiespasmódica. hipertensiva (Freire et al. 1990b). simpatomimética (Freire et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. antiinflamatória.1988b).. Hayashi e al. scopadulciol (Hayashi et al. Os ácidos escopadúlcico B. betulínico. antifúngica. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al..Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis... et al. 1988. 1987. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. anti-séptica. cumárico. Freire. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al.. 1994. 2001).. gentísico.... escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.. 1985).. hipocolesterolêmica. S.. 1986 e 1988a. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1990b). Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. M.. S. Hayashi et al. (1981). et al. flavonas. alfa-amirina. 1987 e 1988c). Azevedo et al. 1996b). obtidos da espécie. E. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. beta-sitosterol. 1990a e 1991)... O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. manitol. 6-metoxibenzoxazolinona. antibacteriana gram-positiva. 1998). apigenina. entre outros compostos (Kawasaki et al. antiviral. 1991). O. 1993 e 1996). O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. 1993 e 1996) depressora (Freire. antidiabética (Jain. 1996).. escopadulciol. Também foi detectada a presença de glicosídeos. (1979) e Mahato et al. antiinflamatória (Freire et al. 1987). sedativa e diurética (Ahmed et al.. dulcinol e ácidos dulcióico. 1997. expectorante e atóxica (Moura et al. depressora do SNC. glutinol e acacetina (Hayashi et al. B e C (Kawasaki et al. Dalla Torre et al.. Torres et al. 1988a e 1990c). escutelareína. 1989.. anti-herpética. 1993 e 1996a). M. cinarosídeo D. iflainóico. acacetina. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . benzoxazolinona. 1990)..

. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano...1 . 2002) e antitumoral (Nishino et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.vidade antimalarial in vitro (Riel et al. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.. 1988b). dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1997a e 1997b). FIGURA 27. 1993). Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1978) (Banco de imagens - ..Adenocalyma alliaceum. 1997a).

FIGURA 27.2 .Pyrostegia venusta. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

3 .FIGURA 27.Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1946) (Banco de imagens - .

A.750 espécies cosmopolitas. 1997). trepadeiras e ervas. arbóreas. Santos E. M. Di Stasi C. A família Asteraceae (Dicotyledonae) .528 gêneros.Ivan Martinov. C. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. Hiruma-Lima C. Inclui espécies arbustivas. encontradas em todo o planeta. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. com aproximadamente 22. M. Trata-se de uma grande ordem. exceto na Antártida (Mabberley. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. herbáceas. Os gêneros estão distri- . Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. Essa família compreende 1. que passamos a descrever a seguir. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas.28 Asterales medicinais L.

Achillea e Santolina (Anthemideae). Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Arnica e Tagetes (Helenieae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Galinsoga. • Asteroideae Inula (Inuleae). A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. várias espécies do gênero Bidens. do gênero Mikania. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Ageratum conyzoides. a famosa Arnica. Novalgina e Anador. o Mentrasto. Mikania. gênero da famosa Calêndula. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Nesse contexto. a Camomila. Calendula (Calenduleae).buídos em três grandes subfamílias. especialmente a Mikania glomerata. Artemisia. Gnaphalium e Achyrocline. com ampla distribuição no território brasileiro. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). das quais se destaca a Baccharis trimera. Lactuca. Calendula officinalis. Wedelia. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Calendula. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Zinnia. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Achillea millefolium. Aster. tais como inúmeras Vernonia. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Matricaria chamomila. as importantes Carquejas. Calea. Baccharis e Solidago (Astereae). muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. as várias espécies de Artemisia. Semeio e Emilia (Senecioneae). conhecida como Mil-folhas. Tanacetum. Ageratum. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). do gênero Arnica. e inúmeras plantas de . Matricaria.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. apenas masculinas.1).pequeno porte do gênero Eupatorium. flores unissexuais e marginais. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". curto-pecioladas. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. . O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. como cicatrizante. com borda irregularmente serreada. opostas. de ápice e base agudas. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. inteiras. folhas simples. Dados botânicos Planta anual. de pequeno porte. externamente. Em outras regiões do país. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. como antiinflamatório e. amplamente usadas na medicina popular. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. ereta ou prostrada. caule comprimido e denso-piloso. em Minas Gerais. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. a decocção das folhas é usada. onde foram incorporadas na medicina tradicional. Na região do Vale do Ribeira. internamente. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. rasteira.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. oblongo lanceoladas.

raras são nativas das Américas. Dados botânicos A planta é uma erva perene. no Uruguai. com caules ramosos.. agindo ainda como antiespasmódico. a espécie é chamada de Novalgina. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. Em outras regiões do país. amarelas e tubulosas. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). e as centrais. além de ser anti-helmíntica. glabra. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. sendo as marginais femininas e brancas. rizomatosa. hemorroidais e pulmonares. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. como contraceptivo feminino (Mabberley. . 1997). flores dimorfas. hermafroditas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Milefólio e Mil-em-rama. digestivo. Aquiléia. com até 60 cm de altura. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. contendo folhas oblongolanceoladas. gripes e distúrbios do estômago. dor de cabeça e dores gerais. reunidas em capítulos corimbosos. 1982) e. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação.

O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. a espécie é chamada de Carqueja. Erva-de-são-joão e Maria-preta. a espécie é chamada de Mentrasto. Ageratum.2). Em outras regiões do país. amenorréia e gonorréia. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. e o nome do gênero. mucilaginosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pilosa e ramosa. ovadas. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. crenadas. Catingade-barão. cólicas flatulentas e uterinas. Baccharis trimera (Lers) DC. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. flores brancas ou lilases. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele.Ageratum conyzoides L. com folhas opostas. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. antidiarréica. pecioladas. significa "o que não envelhece". tônica. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. febrífuga. Dados botânicos A planta é uma erva anual. . útil contra resfriados. anti-reumática. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. além de indicada para aliviar náuseas. carminativa. com até 1 m de altura.

A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". derrame cerebral e diabetes. Erva-picão e Pau-pau. Amor-seco.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Picão-do-campo. como Picão-preto. fruto do tipo aquênio (Figura 28. anti-reumático. com ampla distribuição na América do Sul. Carrapicho-de-agulha. Carrapicho-deduas-pontas. o deus Baco do vinho. bem como em vários Estados brasileiros. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. anti-helmíntico. Macela-do-campo. tais como Cuambu. diurético e contra distúrbios renais. Aceitilla. Pirco. estomacais e intestinais. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a decocção das folhas é usada como analgésico. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Carrapicho. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Goambu. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. estomáquico. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. a planta é usada como tônico.3). (Bidens pilosa L. hipertensão. 1926). Carrapicho-de-cavalo. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. entre outras (Corrêa. . Em outras regiões do país. Bidens bipinnatus L. podendo atingir até 1 m de altura. Espinho-de-agulha. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Piolho-de-padre. Erva-picão.

com cálice modificado. a espécie é usada como antiinflamatório. infecções urinárias (Mejia & Reng. antiblenorrágica. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. leucorréia. a espécie também é referida como emoliente. micoses. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. significa "dois dentes". Bidens. antiescorbútica. pentâmeras. disenteria. O nome. sialagoga. utilizada especialmente contra icterícia. capítulos pleiomorfos. dores de cabeça e de dentes (De Feo. No Brasil. 1962). 1995). diurético e contra hepatite. desordens hepáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. desobstruente. 1990). folhas opostas. adstringente e considerada útil contra icterícia. 1994). conjuntivite. vermífuga e vulnerária. diabetes e inflamações (Corrêa. antidisentérica. pecioladas e fendidas. com flores radiais liguladas. bem como no combate a dores em geral Jager et al. dismenorréia. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo.4). com até 1 m de altura. Coimbra. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. laringite. Vasquez. glabra. 1984). Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. 1996). 1992. diurética. A planta é considerada estimulante. edema. 1990. simples. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas.Dados botânicos Planta de pequeno porte. ereta. antileucorréica. Na medicina tradicional peruana. 1993. 1994). . ramosa. Duke et ai. hepatite. No Leste da África. referindo-se às aristas do papilho. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. diabetes..

corola com tubo interno glabro.5). como tônico. a espécie possui vários usos das folhas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. de caule ereto. . cólera. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. androceu com anteras levemente sagitadas. angina. visto a grande semelhança entre elas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. ferrugíneo e glabro. mas são comuns outras denominações. folhas opostas. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. como Iapana. estimulante. fruto do tipo aquênio alongado. estriado e diminuto. empregado externamente na forma de banho. Em outras regiões do Brasil. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. enquanto o sumo das folhas frescas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . triplinervadas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. flores (20 a 30) azuis. acuminadas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. lanceoladas. Japana-roxa e Erva-de-cobra. estomáquico.ambas não identificadas . 1984). além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. especialmente do fígado. Japana-branca.Eupatorium ayapana Veuten. Aiapana. anguloso. sudorífico. e contra malária. digestivo. Dados botânicos Erva bastante delicada. antidiarréico e antidisentérico. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. é considerado útil contra dores de cabeça e febre.

Solidago microglossa DC.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. pequenas. folhas oblongas.especialmente na América do Norte . serradas. a infusão das folhas é usada contra diarréia. assim como em todo o Brasil. a espécie é chamada de Arnica. podendo atingir até 1 m de altura. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. capítulos pequenos e reunidos. O nome significa "feltro". com caules contendo folhas elípticas e obovadas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. que formam uma inflorescência cilíndrica.e com raras espécies na América do Sul. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. O nome do gênero significa "o que é firme". O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. referindo-se ao tomento das folhas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. . flores amarelas. com ápice arredondado. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. de ocorrência nas Américas . a espécie é chamada de Macela.

tais como Agrião-do-pará. Jambuaçu. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai.. significa "flor com mancha". dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Essa planta é utilizada como estomáquica. descrito por Nicolaus von Jacquim. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. o preparado com folhas de arruda. que tem mancha escura sobre a lígula. Mastruço e Agrião-do-norte. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. com folhas opostas. batidas.6). Spilanthes acmella Rich. agudas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. vários outros nomes são usados. flores amarelas. Agriãobravo. O nome do gênero. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. ovadas. Agrião-do-brasil. cálculos da bexiga e dores de dente. . Abecedária. entretanto. Dados botânicos Planta herbácea. fruto do tipo aquênio. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. picadas de insetos e infecções. não alado. o chá das folhas. Botão-de-ouro. Spilanthes. Dados da medicina tradicional Na região de estudo.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com corola curva. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. comprimido com papilho aristado. membranosas. longo-pecioladas. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos.

1982). a S. Cravo-africano e Tagetes. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. abortiva. são partidas e aromáticas. febrífuga. tosse e resfriado. Na Colômbia. minuta. no Pará (Amorozo & Gély. as folhas. tais como T. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. narcótica. Cravo-de-tufo. 1988). Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. digestiva. patula e T. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. e indicada contra problemas hepáticos. sendo também comumente chamada de Cravo. também são usadas como medicinais. Amorozo & Gély (1988) referem que o . T. 1980). 1997). e seu nome vem de Tages. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. opostas ou alternas. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. desinfetante e antiasmática. em Brasília (Matos & Das Graças. com muitos ramos. bronquite. emenagoga. está muito bem aclimatada no Brasil. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. Outras espécies do gênero. antigripal. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. antiespasmódica. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. atingindo de 60 a 90 cm de altura. Cravinho. cicatrizante. divindade etrúria representada como um belo jovem. Originária do México. considerada carminativa. lucida. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". para tratar "doença que deixa o queixo duro".chá das folhas com alho é usado contra febres. na região de estudo. incluindo brancas. Originária do México. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. o chá das folhas e flores. arroxeadas e vermelhas. sésseis. opostas. é amplamente usada no Brasil como ornamental. pela abundância de flores. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. anteras amarelas e estigmas vermelhos.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Segundo Hoehne (1939). cordiformes. de Zinha ou Zínia. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. bronquites e tosses. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. australe. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. as flores possuem várias cores. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. . Zinnia elegans Jacq. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. rosas. as folhas são ásperas. com uso freqüente contra dores reumáticas. Nomes populares A espécie é chamada. resfriados. Moça-e-velha e Canela-de-velho. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. com caule ereto. forte.

1978). 1976). Caffmi & Demolis.. 1994 e 1984. laevis e B. 1977). B. Herz & Kalyanaraman. 1975). Herz & Kalyanaraman. 1976a e 1976b). 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al... cumarinas. De A... alfa-copaeno. B. 1992).6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. pilosa ... Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 2002. flavonas.. millefolium também foram isolados ésterois. 1981. Torres et al... timol. flavonóides (Shimizu et al. gama-cadineno.. 1990. 1988a e 1988b. Bohlmann et al.. 1986. 1980. 1979. 1985. crisosfenol D. isocariofileno.4'-trihidroxi-3. Alvarez et al. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. Hoffman & Hoelzl.. 1987). Debenedetti et al. limoneno. 1975) e monoterpenos (Orth et al. Sharma & Sharma.. Da espécie B. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode.. 1992b. monoterpenos. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. De A. 2000). glabratum (Saleh et al.. Poliacetilenos. B.beta-elemeno. beta-pineno. flavonas (Falk et al. Achilea. saponinas e xantonas (Caetano et al. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. tripartitus.. 1987. 1981).. 1987).. 1997). germacreno A. delta-cadineno (De Marais et al. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1979). Gene et al. leucoantociandinas... Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 1996. 1986. 1990). triterpenos (Chandler et al. flavonóides (Bohlmann et al. 1994... Das partes aéreas de A.. Hausen et al. 1979). Nair et al.. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B.. Wang et al.. leucantha (Wat et ai. 1984). Gill et al. 1987.7. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. terpenos (Verzan & El Sayed. 1991). rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. bipinnatus. cadineno. 1975. deterpenos. pilosa. axilarina e 5. catecolaminas. 2000). alfahumuleno. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. 1994). 2001. beta-cariofileno.. diterpenos (Saleh et al. beta-guaieno.. De A. 1997). Christensen et al. De Tommassi et al. alfa-felandreno..

. frondosa. 1995) E.japonicum.. Pagani. cannabinum (Stevens et al. 1991). buniifolium (Muschietti et al. cernuol. Poliacetilenos também foram isolados de B. subhastatum (Ferraro et al. campylotheca (Bauer et al.. ácido linoléico. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. chrysoanthemoides. Liu et al. dois derivados tiofênicos.. 1988. B. dahlioides. tinifolium (D'Agostinoetal. E. B. B. 1986). 1995). glandulosum (Nair et al. E. 1990a e 1990b). 1990). 1979). Três poliacetilenos. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. rotundifolium (Hendriks et al. B. E.. E. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham.. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. altissimum (D'Agostino et al. £. tripartitus (Christensen et al. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. E. 1994).. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. E. E. parviflora. 1988b. 1992). 1997). B. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. chinese (Zhao et al. odorata (Hai et al. B. 1982). 1981).. 1990). maximowicziana. £. angustifolium (Mesquita et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1988c e 1988d). 1995).foram ainda isolados inúmeros compostos. 1985). 1991. littorale (Sato et al.. tripartita (Isakova et al.. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. 1990). E guayanum (Sagareishvili et al. E. radiata e B. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. ferulefolius. 1992). 1986). erythropappum (Talapatra et al. adenophorum (Li et al. 1997). 1992). 1993 e 1995). 1985). tais como quatro auronas. 1991) e E. salvia (Gonzalez et al.B. 1987. E. pilosa (Zuleeta et al. 1988a. portoricense (Wiedenfeld et al. E. ternbergianum (D'Agostino et al. 1997). Edgar et al.. leucolepis (Herz & Palaniappan.. micranthum (Herz et al 1978). os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol.. 1987. E. frondosa (Karikome et al. 1994) e E.. 1992). bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. 1987 e 1988).. 1995) e £. ácido linoléico e linolênico.fortunei. . Wang et al. 1995). bipinnatus (W B. B. E. eugenol. E.. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al.

1986b). laevigatum (Bauer et al. De S. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1980) e E. e sesquiterpenóides de E. Uma grande quantidade de terpenos (geranial.. 1999). 1978). cannabinum (Stefanovic et al. . 1979). americana foram isolados monoterpenos. E. triterpenóides de E. entre outras espécies (Ding et al.. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E.. 1987) e E. laevigatum (Lopes et al. adenophorum. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al.. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. E. E.. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. p-cimeno. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1986). Uma amida. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. 1986). tinifolium (D'Agostino et al. E. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. deltoideum (Quijano et al. Das partes aéreas de S. enquanto em E. 1987). E. 1977). 1986). 1991). var. Os principais constituintes do óleo essencial de E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. fenóis e saponina. odoratum foram encontrados taninos. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1994). sesquiterpenos. 1992b. Ramsewak et al. espilantol. 1992a). Diterpenóides foram isolados de E. 1987). cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas.. E. altissimum (Jakupovic et al.. 1990a e 1990b). E. entre outros (Nakatani & Nagashima. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1987). acmella L. 1980). cânfora. quadrangularis (Hubert et al. 1987). naginatacetona. odoratum (Talapatra et al. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S.. estigmasterol. 1988a e 1988b).fortunei (Haruna et al.Nas folhas de E.. recurvens (Herz et al. E. fortuna (Haruna et al. 1986). 1996). 1987). e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. mikanioides (Herz et al. sitosterol. quadrangularae (Hubert et al.. rufescens (Ruecker et al.. 1993). 1987). limoneno.

patula foram isolados tiofenos. minuta são ocimeno. 1992). bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T.. 1990). 1994) e T. erecta (Singh et al. T. 1995). tenuifolia (I signata) (Parodi et al. Das raízes de T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. 1987). minuta e T. 1988). Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1993). tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1987).. No entanto. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. As espécies T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1985). lucida (Hethelyi et al. 1987). que podem ser diferenciadas pela composição química. campanulata. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. T. 6-hidroxikaempferol. Entretanto. T.. T microglossa (Castro. Pe- . tais como quercetagetina. patula (Ivancheva & Zdravkova.. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. 1988a e 1988b). 1988). T. Tosi et al. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. glandulifera) (Craveiro et al. T. 1987. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann.. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso.. 1988. como quercetagetina. Ahmad et al. patula. Os monoterpenos descritos em T. 1990b). 1988). T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al.. 1993b). 1991). patuletina e muitos desses derivados.. além de enxofre e fósforo. mendocina e T.. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann.. laxa (De-Israilev et al. erecta e T. 1993). patuletrina e patuletina. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. pois somente T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. 1990a).

Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. a A. ocitocina. patula foi detectada (Arroo et al. 2002) e antifúngica (Portillo et al. 1987). Experimentos com A.. 1997). .. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al.. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al.. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. glabratum (Saleh et al.. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. 1996) dessa espécie. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.. australe (Matsunaga et al. taninos.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1980). elegans indicou a presença de Cumarina. Em A. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1988. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.. 1995).. 1997). 1991). glicosídeos cardíacos. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 2001). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. 1988). As antocianinas das flores de Z.... australe contra Plasmodium berghei em roedores.. 1995).. 1988). Carvalho et al. Nascimento et al. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z.

Bidens Experimentos com B. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. pilosa (Santos et al. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. (1991). presente em suas partes aéreas (Torres et al.. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno.Achila. imunoestimulante (Ignácio et al. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. 1991). As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. além de vários flavonóides obtidos de B. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. pilosa L. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos.-ol. 1969). Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. 1949). e B. 1987. 1985. As folhas de A. N'Dounga et al. 1996). Triterpenos. Extrato etanólico de B. Porém. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. var. minor (Blume) Sherff. Abena et al... 1983). 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. as propriedades analgésica e antiinflamatória.. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al.. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1997). 2000). B. pilosa... minor foi a mais . reduzindo a produção de prostaglandinas.. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. como friedelina e friedelan-3. 2000). à presença de saponinas (Gene et al... mas Bidens pilosa var. possuem atividade antiinflamatória. 1987). 1980). 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. Bondarenko et al.. Goldberg et al.. 1998b.

Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. Entretanto. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E... 1997).. 1997). . Para a espécie B. tequendamense (Mantilla & Sanabria.. E. in vitro. E. consaguineum (Lopes et al... 1989). 1985). 1994. 1998 e 1999). var. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. Um composto sesquiterpênico isolado de B. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório.. atidifolium e E. 2002). 1995).. mais recentemente. Eupatorium A espécie E. As folhas de E.. A espécie B. 1985).. E.. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1995). pilosa L. 1995). hipotensora (Dimo et al. E.ativa. pauciflorum (Giesbrecht et al. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. densum. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. E. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. 1977).. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. pilosa L. 1996). além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. morifolium e E. 1986b).. gracilae. balantaefolium (Almeida & Fonteles. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. 1996). ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. E. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. brevipes (Guerrero et al. campylotheca apresentou. minor e B. glyptophlebum. somente os extratos de B. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. tacotaneum (Sanabria & Mantilla.. 1988) e E. La Casa et al. 1995 e 1996) e. 1986) e diurética (Rebuelta et al.. 1985). ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. O extrato hexânico de B. 1994). ou seja..

acmella foram isolados n-isobutil-4. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. inulaefolium (Gorzalczany et al. Inibição da síntese de colesterol.. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. pauciflorum. 1986). riparium (Ratnayake-Bandara et al.. Piperidinas de E. hyssopifolium (Hall et al. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. 1995). 1991). cannabinum (Bourrel et al. A.1986). 1982a). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Achyrodine alata. Sesquiterpenóides isolados de E.. 1995).. Cáceres et al. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. DNA e RNA de células tumorais. Guerrero et al... (Giesbrecht et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. assim como da atividade da RNA polimerase. brevipes e E. larvicida (Pitasawat . 1990). halinfolium e E. Spilanthes Das folhas de S. 1986 e 1987. 1978). enquanto a espécie E. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al.. DNAse. e de E. flaccida. E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. 1988. Herz & Palaniappan. ayapana (Gonçalves et al. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. squalidum (Carvalho et al. E... proteínas.. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1990). 1992). squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1995) e E.. E. cannabinum.5-decadienamida. 1996) e E. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. 1984. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. RNAse. 1998).. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. Os extratos de E. candolleanum (Campos et al. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1988). O óleo essencial de E. 1990 e 1991). laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. A..... Eupatorium perfoliatum. 1991). odoratum (Iwu & Chiori. E. O extrato bruto aquoso de E. 1991). Inya-Agha et al. 1989). 1985.

C. mas não contra Candida sp. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan.. 1990).. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.. enquanto o extrato de S. (Fabry et al. 1993). Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. Em S. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. e o extrato de S. 1989). 1992). usado como emenagogo.. Souza. 1999). sedativa.. T. 1996).. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al.. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al.. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena.. 1986) e S. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. RJ. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. 1992) e antitumoral (Moraes et al. presente em muitas espécies. 1987. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. folhas e flores de T. in vitro.et al. 1995). et al.. oleracea (Herdy & Carvalho. O extrato de S.. L. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. F. bem como no consumo destas (Meckes et al. 1995).. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. Em I minuta. 1992. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. Camargo Neves et al.. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. J. et al. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. 1998) e espilantol. 1994). 1993). como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. Andrade.... como no cravo-da-índia. 1988. antimicrobiana. Valderrama et al. et al. sendo os deri- . 1984). Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. 1993. O eugenol.

. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. elegans L. 1995). flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1997). 1991). 1995). o óleo essencial de T.. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al... Os extratos hexânicos de T. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo.vados tiofênicos os compostos ativos.. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. 1989).. coronopifolia e T. Dentre outras espécies.. 1996).Ca2+ dependente e inibiu. lúcida estimulou discretamente. 1992). 1994). 1987). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al.. in vivo e in vitro. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. in vitro. Do extrato de Z.. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. Zinnia As sementes de Z. a atividade da ATPase. 1991). 1997). além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. 1994). a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. D e F. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. . e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. O extrato de T.

Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1995). os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. a espécie E. A ingestão regular de E. 1996 e 1997).. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. fraqueza e debilidade dos membros.. S. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Segundo Hoehne (1939).. especialmente . oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. caracterizados por diarréia. congestão do baço e coração. 1993). Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. Entretanto. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. enquanto o extrato aquoso de S. adenophorum (Oelrichs et ai. et al. alopecia. As folhas de S. australe são tóxicas para aves. 1978a e 1978b). Tremetona isolada de E. especialmente na fase jovem. et ai.. 1988).. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam.. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. 1990). australe durante o período de prenhez de ratas.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. 1995). T. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. hemorragia. Estudos com a espécie A. no entanto. V. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. A. M. 1994). dispnéia.

FIGURA 28. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.como diurético e hipotensor. relaxante muscular e antineoplásica. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. b) detalhe da escanerata. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .1 . assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28.2 .

FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .

FIGURA 28.Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .4 .

5 .FIGURA 28.Eupatorium ayapana. b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov. .original).: a) ramo florido (Di Stasi . 1998).

FIGURA 28. 1984).Spilanthes acmella.6 . . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

A. do famoso jenipapo brasileiro. e Gardenia. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). Di Stasi C. como é o caso de Coffea e Cinchona. algumas espontâneas nas áreas tropicais. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil.200 espécies vegetais cosmopolitas. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. Genipa. Coffea arábica. nos quais se distribuem mais de 10. C. alguns deles de valor histórico. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. 1997). apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. . Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. do famoso Cafeeiro. arbustivos. com representantes arbóreos. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Gelsemiaceae. importante fonte de espécies ornamentais. • Ixoroideae: Coffea.29 Rubiales medicinais L.

lanceoladas. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. muito comuns em terrenos baldios. Cephaelis da famosa C. carnoso e drupáceo (Figura 29. estipulas não foliáceas. Não foram encontrados sinônimos. folhas curto-pecioladas. simples. com espécies popularmente denominadas Poaia. fonte de emetina e outros constituintes de importância. 1997). O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. com pêlos abaixo da inserção dos estames. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. • Rubioideae: Psychotria. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. Dados botânicos Pequeno arbusto.• Antirheoideae: Guettarda. ipecacuanha. bicarpelar. e Palicourea. fruto indeiscente. inteira. . ovário ínfero. diclamídeas. especialmente na Amazônia. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. flores hermafroditas. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. importante árvore. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. ereto. Borreria e Dioidea.1). com corola de base gibosa.

glabros. 1994). 1976). a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1999). delgados. .5 m de altura. inflorescência em panículas. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. avermelhadas. Stuart & Woo-Meng. E popularmente usada como medicamento. avermelhados. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. 2001).Palicourea marcgravii St. marcgravii.. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989.. opostas. de P. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. (Kemmerling. acuminadas. 1996. Palermo-Neto et al. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. Além de alcolóide. De-Moraes-Moreau et al. 1989a). frutos do tipo baga. fendleri (Nakano & Martin.. pecioladas.. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al.. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. Nomes populares No Brasil todo. com ramos cilíndricos. de onde partem folhas com venação tênue. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. sobretudo na região amazônica. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Hil. 1995.

.teratogênica (Costa. 1995). 1996). comum em animais e rara na espécie humana. De-Moraes-Moreau et al. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. vômitos. náuseas. 1989).. 1989b. Das folhas de P. Tokarnia & Dobereiner.. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. falta de coordenação motora.. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação.1 . midríase e morte em bovinos (Costa et al. 1984a. Segundo Schvartsman (1979)..juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. 1982).. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. espasmos musculares.. 1989. Palermo-Neto et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas.. FIGURA 29. 1988. enquanto P. Além de fluoroacetato. et al.Palicourea laniflora. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - . Gorniak et al. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. e a intoxicação. P. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1989). contrações musculares. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1986).

C. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. arbustos e lianas. 1978). a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. também utilizado como medicinal em todo o mundo. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Os principais gêneros são Sambucus. descrita a seguir. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. . Di Stasi C.30 Dipsacales medicinais L. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Abelia e Linnaea. Viburnum. A. No Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. 1997). Lonicera.

visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. com ramos bastante lenhosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gripes fortes e varicela. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados.1). além de seu histórico uso medicinal. Na região da Mata Atlântica. no champanhe e no catchup. A espécie. Apresenta importante valor econômico. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. as flores são brancas. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. considerada exótica nas Américas. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". óleos e ungüentos. e possuem aroma muito agradável. Floresce nos meses de julho a agosto. além de flavorizantes em vinhos. dispostas em um corimbo branco. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. A infusão das folhas. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro.Espécies medicinais Sambucus nigra L. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. usada internamente. é considerada excelente diurético e sudorífico. .

linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. gripes. nigra. descrita no trabalho de Grieve (1994). oléico. S. mirístico. sinusite. reumatismo e febres. De S. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras.. 1989.Bown (1995) refere que flores. 1988). palmítico. Internamente.. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. para pequenas queimaduras. 1990. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. erisipelas e queimaduras. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. esteárico. heptadecênico. cianogeninas.. lignanas. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. flavonóides. 1986). externamente. 1989b e 1989c). além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. diuréticas. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. casca e frutos são usados para diminuir febres. folhas. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. lectinas das cascas (Shibuya et al.. os ácidos graxos láurico. sudoríficas.. a planta ainda é indicada contra influenza. catarros. 2001). 1989a). tetradecênico. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. Van Damme et al. racemosa e S. Kaku et al. canadensis foi isolado o iridóide .

O reatival. Centaurium minus. Salvia offtcinalis. De S. Prunus spinosa. 1980). O extrato hidroalcoólico de S. O extrato aquoso de S. Van Damme & Peumans... 1995). 1996. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. e Polygonum aviculare. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. De S. mexicana..morronisídeo (Jensen & Nielsen. Artemisia absinthium. beta-amirina e o ácido oleanólico. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1997. das folhas. indicado para hidropisia. formosana foram isolados.. 1997). 1988). O extrato aquoso das folhas de S. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. antiinflamatória e antipirética.. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. 1997). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. canadensis (Buhrmester et al. 1997. . 1994). 1990).. Sambucus nigra. 1997). Schoning. 1989). 1992b e 1992). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 1997a e 1997b). apresentou atividades analgésica.. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. 1996). indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. australis. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. nigra. 1987). 2000).. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. 1986). Com base nessa constatação. e das raízes de S. 1974). formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. Das cascas de S.. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. As lectinas de S... sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. conhecido como Sauco. Bojic & Cuperlovic..

FIGURA 30.A espécie S.. Neto et al. 2002).Sambucus nigra. .1 . 1999) e a espécie S. 2000. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al..

Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. • 109 são usadas na Amazônica. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. entre outros. A maioria é nativa desse ecossistema.Posfácio L. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. Mata Atlântica. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. Dessas 135 espécies medicinais. C. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. como é o caso do Alho (Allium sativum). . e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. da Hortelã (Menthapiperita). como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras.

das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. a Mostarda (Brassica nigra). incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. várias espécies amplamente conhecidas. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). . O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. o Coentro (Coriandrum sativum). a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). ou seja. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. 340 espécies. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas.Dessas 135 espécies medicinais. a Calêndula (Calendula officinalis). neste livro. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. a Losna (Artemisia absinthium). o Mamão (Carica papaya). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. a Erva-doce (Pimpinela anisum). líquens. razão pela qual não foram incluídas no texto. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. Esse dado se torna mais importante porque. o Agrião (Nasturtium officinalis). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. a Camomila (Matricaria chamamila). apenas dezesseis são monocotiledôneas. compreendidas em trinta diferentes ordens. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados.

razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. Sobre essas. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. e que esse conhecimento seja recuperado.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. esse conhecimento se enriquece a cada dia. alcançando alto índice de citação. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. . pelos mais variados grupos de pesquisadores. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. isto é. Finalmente. como a de massa e a erudita. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. Por isso. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca.

Arista. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. . Excrescência da semente. Antera. Alternas.Glossário de termos botânicos. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Aquênio. no segundo. Baga. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. o ciclo reprodutivo e depois morre. Que fica na axila. Androceu. Bainha. Andróginas. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. folhas que envolvem o caule. Fruto seco. Aguda. Axilar. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Arilo. Anual. Que abraça o caule. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. indeiscente. Bianual. os estames. Hermafroditas. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. pelo lado interno. Amplexicaule. com dois sexos. Planta que nasce. Acuminada. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. com uma única semente.

Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Crenada. Planta trepadeira. Carpelo. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Didínomo. que é o verticilo externo da flor. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Diclamídea. Diz-se da flor. Capítulo. Corimbo. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Decumbentes. Na forma de cunha. . Cápsula. Pétala superior da corola papilionada. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Camada externa do pericarpo. com função de proteção. Colmo. Caduco. mas sempre terminando na mesma altura. Cuneiforme. Endosperma. dois mais altos e dois mais baixos. Estandarte. deiscente. Escandente. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Deiscente. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Corola. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Qualquer órgão que cai em determinado período. Estilete. Decorrente. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada.Bráctea. Que se abre. tornando-o alado. inseridas em um eixo comum. Pedúnculo geralmente sem folhas. normalmente largo. Com a forma de elipse. Carena. Epicarpo. seco e indeiscente. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Conjunto de sépalas. Conjunto de pétalas. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Cálice. Cariopse. Fruto seco. Dicotiledôneas. Tecido nutritivo encontrado nas sementes.: cana-de-açúcar. Escapo. Drupa. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. em geral dois. Cada um dos apêndices. androceu ou planta que possui quatro estames. como o fruto das gramíneas. Ex. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Folha modificada que origina o gineceu. Estipula. Fruto monospérmico. Elíptico.

o de corola. que é ramificada igualmente em forma de pincel. e ao de pétalas. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. complexas e variadas nas formas. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. .As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. trímeras. Filete. Flores. As flores são estruturas de reprodução. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. pentâmeras etc. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Parte do estame que sustenta a antera. que juntos constituem o perianto. As flores podem ser dímeras. Folha. Fasciculada. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais.Estômato.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada.

as folhas podem ser pecioladas ou não. no caso das folhas compostas pinadas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. ou com o próprio caule.quando consta somente uma lâmina .quando se compõem de duas ou mais lâminas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. às vezes reduzidas. Nesses casos. às vezes numerosas. . recebendo o nome de folíolos (ou pinais).ou composta .

são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. . Todas essas características.Finalmente. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir.

É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Desprovido de pêlos. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. em linhas gerais. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Lígula. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Planta que produz flores unissexuais. Lobado. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Provido de pêlos longos. . Diz-se da folha em forma de círculo. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. os carpelos. deiscente. Que não se abre. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Flor com apenas um invólucro no perianto. Hirsuto. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Metaclamídeos. Indeiscente. Glabro. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Lâmina. Porção alargada e achatada da folha. Lanceolada. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Monocotiledôneas. Lóculo. Monoclamídea. porém presentes na mesma planta. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Inflorescência. mais longa que larga. Gluma. Planta ou flor com dois sexos. Gavinha. Folículo. e as principais são motivadas na próxima figura. Conjunto de órgãos femininos de uma flor.Folíolo. Orbicular. Infrutescência. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Oblonga. Hermafrodita. Fruto seco. é constante para cada espécie vegetal. Monóica. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Gineceu.

1978)..Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. .

Caule subterrâneo. dibásicos. com cheiro desagradável. Tomentoso. Substâncias orgânicas. aromáticos etc. dispostas circularmente. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. fenólico e tartárico. Termos químicos Acetileno. succínico. Perianto. Zigomorfa. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Séssil. cujos pêlos se entrelaçam. Rizoma. Receptáculo. gálico. Ácidos orgânicos. característico da família Asteraceae (Compositae). Qualquer substância de sabor ácido. oléico. cerdas ou aristas. Conjunto formado por cálice e corola. Planta ou órgão denso.Panícula. incolor. Pubescente. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Racemo. Pecíolo. araquídico. cáprico. palmítico. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. nitrogenadas de origem vegetal. Estruturas com simetria bilateral. gasoso. Qualquer estrutura provida de pêlos. . o mesmo que cacho. Que forma gancho. isovalérico. solúvel em água. Alcalóides. mirístico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Hidrocarboneto não saturado. Verticilo. Ácido. Ácido graxo. fórmico. Perene. Podem ser monobásicos. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Ráquis. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. linoléico. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Exemplos: ácidos acético. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Uncinada. esteárico. Cálice modificado em pêlos. Papilho.

Flavonas. Betaínas. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Ver esteróides. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Exemplo: p-cimeno. derivados do cicloperidrofenantreno. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Catalase. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Exemplos: carvacrol. que exercem várias funções. estragol. amarelos e roxos. eugenol e hidroquinonas. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Carboidrato. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Aminoácidos. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. vegetais e animais. São corantes vegetais. Fenóis. como a quercetina. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas).Alcoóis. Compostos orgânicos não-cíclicos. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Compostos aromáticos. voláteis. Uma das substâncias constituintes do amido. Flavonóides. Esteróides. Amilopectina. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Cetonas. onde exerce importantes funções. Fitosterol. Cumarinas. originam as flavononas. com caráter gelatinoso. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Aldeído. Líquidos incolores. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Compostos naturais ou artificiais. tais como os hormônios. encontrado nos organismos vivos. Compostos alifáticos. . que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. timol. Ou hidrato de carbono. Esterol.

pela ação de ácidos diluídos. Compostos cíclicos. Insaturados. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Lipídios. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. recobrindo-as com uma camada protetora. Peroxidase. Glicosídeos. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Ligninas. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Heterosídeo. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Glicídios. Óleo essencial. Insulina. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Lignanas. Compostos cíclicos. Líquido incolor e aromático. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). geralmente de odor agradável. sofrem hidrólise. Combinações orgânicas do tipo da glicose.Fosfolipídio. Hidrocarboneto. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Lactonas. Substâncias que. Mucilagens. oxidando outros compostos. Hormônio secretado pelo pâncreas. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Peróxido. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Líquido oleoso. Hidrolato. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. . derivados do fenilpropano. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio.

. Antiblenorrógico.Termos médicos Abortivo. que prende. Afrodisíaco. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Antiemético. às vezes. antigonorréico. sufocação. Que aperta. Dor sufocante. Anestésico. Antigonorréico. Antiespasmódico. Que reduz ou suprime a dor. Que combate fungos. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Antidiabético. Angina. que provoca constricção. podendo ser feminina ou masculina. Afasia. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Tumor maligno com disposição glandular. violenta. perda momentânea da razão. involuntárias de músculos voluntários). Falta de menstruação. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Anticatarral. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Agregação. Que suprime náuseas ou vômitos. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Adstringente. Adenocarcinoma. Alopecia. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Agrupamento. Que reduz a capacidade de reprodução. Auticonvulsivante. Queda dos cabelos. especialmente táctil e dolorosa. Delírio. Antifúngico. ato ou efeito de desvariar. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Antibacteriano. Antidisentérico. aglomeração. Acne. doença sexualmente transmissível. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). que impede a formação de catarro. Amenorréia. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Expectorante. Capaz de promover expulsão do feto. a sangue). Antifertilidade. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antiescorbútico. Analgésico. Que combate as convulsões (contrações violentas. de um músculo ou grupo de músculos). Alucinação. Que combate a eliminação de muco. calvície. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Anemia.

putrefação ou contaminação microbiana. Ataxia. Broncodilatador. Estado de indiferença. formada por sais minerais. Que combate as doenças provocadas por vírus. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Anti-histérico. Que combate a lepra. Antileprótico. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Massa inorgânica anormal no organismo animal. em geral acompanhada por desordens na fala. Apatia. quase sempre transmitida por contato sexual. Que impede a fermentação. Que faz baixar a temperatura. falta de emoção. Antineoplásico. Antiinflamatório. que serve para o tratamento da tosse. também chamada de paludismo. Antinociceptivo. insensibilidade. Redução ou perda de apetite.no. Que dilata os brônquios. Que combate o corrimento vaginal simples. Anti-hemorroidal. Que combate a histeria. Brônquios. Anti-sifilítico. Que combate a sífilis. Antivenéreo. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Antimicrobio. Que combate a formação de tumor maligno. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Anti-séptico ou Antisséptico.Anti-helmíntico. desinfetante. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate o reumatismo. Antimalárico. Antitumoral. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Béquico. Em geral se forma na bexiga. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Antivirótico. Que combate as inflamações. doença causada pelo Treponema pallidum. Anti-reumático. Que combate micróbios. Cálculo. . Relativo à tosse. Anorexia. inatividade. especialmente bactérias. Que combate helmintos. Antipruriginoso. febre paludosa ou palustre. Antitérmico. Antileucorréico. Que combate tumores. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis.

Depressor.Carbúnculo. que previne a invasão de microorganismos. do estômago etc. Citotóxico. Sudorífico. sensação de peso ou queimação no estômago. caracterizado visualmente pelo inchaço. que aumenta ou provoca a secreção urinária. resfriado. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Desobstruente. crostas e secreção. Disfagia. do intestino. Cicatrizante. Emoliente. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Infecção por bactérias. empachamento. Depurativo. Purgativo. Desinfetante. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. que ativa a eliminação de bile. Catártico. reduz a força. gripe. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Que desentope. Que tem a propriedade de amolecer. estimulante da transpiração. . Emético. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Dermatite. Cardiotônico. Que favorece ou provoca menstruação. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Que favorece a secreção urinária. Que favorece o fluxo biliar. Dispepsia. Diurético. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. que separa substâncias nocivas. muitas delas usadas para destruir células tumorais. dificuldade para respirar. Que provoca vômito. purifica. reduz a excitação. Que alivia a distensão por gases. libera a passagem de um vaso ou canal. Que exerce efeito tônico sobre o coração. acompanhada de náuseas. Prisão de ventre ou. Que limpa. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Congestão. Diaforético. Carminativo. Indigestão. Constipação. Que deprime. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Eczema. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Dispnéia. Inflamação da pele. Respiração difícil. também. Colagogo. Dificuldade na deglutição. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. enfraquece. Emenagogo. Edema. gripe comum.

Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo.Erisipela. Fitoterápico. Glicosúria. Fitofármaco. . Hidropisia. Fitoterapia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Flatulência. que facilita as funções do estômago. Capaz de promover estímulos. que estanca hemorragia. Tóxico para as células do fígado. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Derrame de bile no sangue. com bradicardia (pulso lento. Estomáquico. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Relativo a hemostasia. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Células do fígado. Hipocolesterolêmico. Hemostático. pigmentação amarela generalizada da pele. com anemia. estado de irritação. Que estimula ou provoca a ação. Relativo ao fígado. Que baixa a pressão sangüínea. assombro. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Que produz imobilidade emocional. Estupefaciente. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Distensão por gases no intestino. Relativo ao estômago. Hepático. Hipertensor. produz sono e alivia a dor (narcóticos). que leva à perda de atividade. O mesmo que arroto. Eructação. deposição de bile nos tecidos. Hiperglicemia. Hepatócitos. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Hipoglicemiante. Hipotensor. Excitante. no estômago etc. com vermelhidão. Expectorante. que melhora o funcionamento do fígado. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Ictericia. Farmacoterápico. Estimulante. Que combate fungos. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Que combate a febre. Fungicida. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Febrífugo. espanto. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Hepatotóxico. Que aumenta a pressão sangüínea.

purgativo fraco. Lipogênico. Corpúsculos sangüíneos. Laxativo. Plaquetas. Nefrotoxicidade. Que produz sono ou inconsciência. produzindo sono e alívio da dor. Peitoral. Moluscicida. Que produz gordura. Infertilidade. Excreção excessiva de urina. Estado que é tóxico ao rim. Narcótico. Poliária. calmante. o mesmo que laxante. Lepra. . Substância que mata insetos. Que laxa ou afrouxa. Tóxico para as células brancas do sangue. Parasiticida. Que alivia excitação. Malária. que apenas exonera o intestino. impaludismo. Midríase. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Resolutivo. Lenitivo. como no caso da esquistossomose). medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Mutagênico. Que resolve. Dilatação da pupila. Morféia. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. afecção cutânea. importantes para a coagulação sangüínea. dorso). causado por gordura.Impingem. Maleita. droga que paralisa as funções do cérebro. Inseticida. Grau ou índice de parasitas no sangue. Relativo a peito. Incapacidade de reprodução. tranqüilizante. Que mata ou destrói parasitas. Purgativo. Parasitemia. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Lipemia. Sedativo. Que adoça ou acalma. Sialagoga. que faz cessar inflamação. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Lumbago. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Dor na região lombar (costas. purgante. Linfocitotóxico. que acalma.

que restabelece o estado de saúde ou do órgão. que facilita a saída de pus. Vesicante. Próprio para curar feridas. Que tranqüiliza. bolhas.Sialorréia. Teratogênese. Supirativo. Tônico. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Que destrói ou afugenta vermes. Salivação abundante. Testículo. Revigorante. Zigotóxico. Que provoca vesículas. . Vermífugo. Vulnerário. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Diaforético. que acalma. Sudorífico. Tóxico para o zigoto. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Tranqüilizante. Sinusite. Que produz pus.

nos casos de dupla autoria. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. 1986.43. Prir.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. Khim. 1995. F. N. fascículo. I. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material.23. M. p. 1985. n. O mesmo se aplica a teses. P Lilloa. n. Human Toxicol. (Tashk). dissertações e outras publicações do gênero. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). simpósio ou similar.. v. nos casos em que há mais de dois autores. Prod. 1995. 1997. 1986. n.499-500. n.5.l69-71. v. nos casos de única autoria. et al.657-63. p. SEELIGMANN.12. ABDU-AGUYE.38.. Khim. v. et a l j .5. n. L.269-74. et al. ABE. v. apenas sua referência. • Quando se trata de livro.3. n. incluindose volume.7-8. Nat. et al. ABDEL-KADER. D.1294-7.326-32. Prir. p. p. p. n. v. . os autores são citados no texto. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. Um autor. Soedin (Tashk). p. ABDULLAEV. Os dois autores. página inicial e página final e ano de publicação. S. .60. 1995a. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). Biochemical Systematics and Ecology.3. . Soedin.2. seguindo-se o título do congresso.4.871-2. página e ano. ABDALA. p. os autores são citados como nos casos das revistas. R.

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90-3. 79 Alismatidae. 364 Apocynaceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 376 Araliaceae. 3512. 115 Aristolochia trilobata. 463-5 Asterales. 450. 81 Arecidae. 458-6 Achillea millefolium. 489 Bidens pilosa. 113 Asclepiadaceae. 453. 368 Arecaceae. 345. 78 Alpiniajaponica. 42-3 Andropogon nardus. 43 Annona muricata. 149. 56. 140-1. 111 Annonaceae. 143 Acanthospermum australe. 154 Alternanthera micrantha. 487 Alismataceae. 467. 351-2 Averrhoa carambola.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 119 Aristolochiaceae. 342-3. 474. 480. 386 Asteraceae. 361 Andropogon leucostachys. 77 Aloe vera. 339-40 Anacardium giganteum. 468-9. 381-5. 465. 467-8. 351-2 Baccharis trimera. 110 Annona tenuiflora. 152. 479. 65. 62 Alternanthera brasiliana. 69-74. 149-50 Amaranthaceae. 360 Anacardium occidentale. 113 Aristolochiales. 65. 391 Allium cepa. 377-78. 480 Bignoniaceae. 90 Apiaceae. 340-3. 463 Asteridae. 65-6. 223 Bixa orellana. 95-9. 468-9. 316 Bidens bipinnatus. 58. 373 Averrhoa bilimbi. 488 Bauhinia forficata. 75 Allium sativum. 202-4 . 102. 449 Bixa arborea. 93. 79 Allamanda cathartica. 364 Apiales. 67. 52. 96. 148 Anacardiaceae. 68. 475. 461 Ageratum conyzoides. 227-8. 113-5. 79 Aristolochia. 475. 201-2.

398. 470. 395 . 496 Dipteryx odorata. 413-4. 201 Boerhavia difusa. 393 Cordia verbenacea. 163 Chenopodium ambrosioides. 300. 302 Echinodorus grandiflorus. 206-7. 61 Heliotropium indicum. 282-3. 147 Caryophyllidae. 292 Caesalpiniaceae. 230-2. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 276 Fischeria cf. 247. 379. 272 Clidemia novemnervia. 388 Croton cajucara. 287 Cassia occidentalis. 284 Hyptis crenata. 266 Capparidales. 259 Hedychium coronarium. 265 Caprifoliaceae. 151-2. 150.Bixaceae. 46-7. 207. 280. 171 Gossypium barbadense. 430. 373 Eupatorium ayapana. 80. 225 Guttiferales. 236 Euterpe edulis. 165. 276-7 Cajanus cf. 297 Capparidaceae. 322 Clusiaceae. 386-7 Gentianaceae. 471 Gomphrena globosa. 375 Gnaphalium purpureum. 385 Hirtella. 281. 287 Cecropia peltata. 49 Cymbosena roseuna. 41-2 Convolvulaceae. 298 Derris amazônica. 406 Brunfelsia grandiflora. 178-9. 145 Caryophyllus aromaticus. 259 Commelinidae. 155-6 Caesalpinia ferrea. 296 Fabales. 382-3. 237. 394-5 Ipomoea quamoclit. 295. 231 Celastraceae. 327 Cassia multijuga. 236 Euphorbiales. 238 Cucumis anguria. 440 Costus spiralis. mariana. 242. 224 Hibiscus sabdariffa. 286. 54. 264-5 Cymbopogon citratus. 179 Cucurbitaceae. 215. 178 Cybianthus. 299. 63 Heliconia. 387 Gentianales. 185. 312 Ipomoea batatas. 481. 366-7 Hymenaea courbaryl. 408-9. 331 Celosia argentea. 402-3 Cactaceae. indicus. 83 Eryngium ekmanii. 205. 272. 407. 365-9. 308 Dipteryx punctata. 324. 255 Croton sacaquinha. 298 Derris floribunda. 213. 411 Hibiscus furcellatus. 441 Inga spectabilis. 175 Diplotropis purpurea. 214 Himatanthus. 163-4 Chrysobalanaceae. 299 Dillenidae. 152-3. 275 Hydrocotyle exigua. 319 Dipsacales. 53-4 Coutoubea spicata. 190 Cucurbitapepo. 287-8 Cassia reticulata. 212-3. 82-3 Fabaceae. 315 Caesalpinia pulcherrima. 301-2. 292. 154. 283. 172 Boraginaceae. 211. 210. 285. 231 Celastrales. 318 Desmodium tortuossum. 490 Euphorbiaceae. 170 Chenopodiaceae. 496 Caryophyllales. 44. 279. 235 Cecropiaceae.

321 Menispermaceae. 121. 130. 233 Muntingia calabura. 161 Ocimum basilicum. 134 Piper d. 431. 415-6. 133 Piper gaudichaudianum. 447 Polygalales. 195 Mabea angustifolia. 125. 139 Mentha piperita. 64-5 Liliales. 166 Piper cavalcantei. 121-2 Pereskia grandifolia. lhotzkyanum. 122-3 Piper cernnum. 412-3 Lamiales. 126-7. 64 Lippia alba. 241. marcgravii. 180. 229 Musa. 162 Portulacaceae. 389 Luffa cylindrica. 418 Mentha viridis. 135 Piper marginatum. 61 Musaceae. 402-5 Phytolacaceae. 244-6. 128. 431. 245. 416. 451-2 Jatropha curcas. 332. 337 Malva parviflora. 426. 191 Lamiaceae. 132 Peperomia. 156-7 Persea americana. 443 Liliaceae. 87 Magnoliales. 106 Laurus nobilis. 60 Myristicaceae. 321 Nyctaginaceae. 158 Pothomorphe peltata. 432 Ocimum micranthum. 238-9. 495 Palicourea cf. 323-4 Myrtales. 124. 185. 419-20. 332.Jacaranda caroba. laniflora. 137 . 425. 369-72 Portulaca oleraceae. 79 Moraceae. 419. 417. 399-400. 192-3. 198 Lacistemaceae. 167-9. 120 Poaceae. 336 Maytenus ilicifolia. 432 Ocimum canum. 422 Oxalidaceae. 251 Lacistema.120 Piperales. 432. 129. 252. 277 Leonotis nepetaefolia. 444 Mentha pulegium. 240-1 Magnoliidae. 424. 200 Maytenus aquifolium. 250-1. 311 Momordica charantia. 107 Leguminosae. 125. 89 Malpiguiaceae. 494-5 Passiflora coccinea. 350 Palicourea cf. 239-40. 196 Monocotiledonae. 406 Lauraceae. 103 Myrocarpus frondosus. 191-2. 262 Myrtaceae. 427-8. 445 Mimosaceae. 434-5 Lippia granais. 446 Origanum vulgare. 414. 108 Persea gratíssima. 199 Passifloraceae. 493. 421. 427. 303 Myrsinaceae. 427. 64 Liliidae. 42 Pogostemon patchouly. 108 Petiveria alliacea. 123. 435 Loganiaceae. 425-6. 131. 453 Peperomia elongata. 427 Ocimum gratissimum. 39. 161-2 Portulaca pilosa. 258 Physalis angulata. 334-6 Melastomataceae. 422-3. 192 Pedaliaceae. 420. 221-2. 208 Malvaceae. 173 Phyllanthus corcovadensis. 184-9. 337 Polyscias. 442 Leucas martinicensis. 204 Malvales. 160. 429. 136 Piperaceae. 256 jatropha gossypifolia. 181-2. 158-9. 254.

354-7. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 101. 228 Thevetia peruviana. 221 Urena lobata. 183. 345. frutescens. 271 Rosidae. 472. 326 Psydium guajava. 177-8 Virola surinamensis. 338 Stigmaphyllon strigosum. 474. 217-9. 273 Rosales. 363 Rutaceae. 230-1 Verbenaceae. 497-500 Sansevieria. 227 Theobroma speciosa. 390 Symphytum officinale. 99. 138 Primulales. 353 Saccharum officinarum. 208-9. 182 Sesamum indicum. 339 Schinus terebenthifolius. 349. 94-5. guineense. 482. 457 Scrophulariales. 484 Zollernia ilicifolia. 197 Xylopia cf.Pothomorphe umbellata. 215-6. 434 Violales. 233-4 Spilanthes acmella. 360 Scoparia dulcis. 322 Rosaceae. 213. 312. 344. 361 Sterculiaceae. 397-8 Solanales. 52 Zingiberales. 477. 209 Urticales. 58 Zingiberaceae. 218. 449 Sechium edule. 139 Rhynchanthera grandiflora. 269 Rubiaceae. 401 Solidago microglossa. 492 Rubiales. 216 Stigmaphyllon fulgen. 479. 463 Scrophulariaceae. 320 . 379-85 Tiliaceae. 473-4. 50 Sambucus nigra. 48. 226 Solanaceae. 409. 55. 412 Tagetes erecta. 453-6 Sida rhombifolia. 132. 76 Sapindales. 103-6 Vismia japurensis. 400 Solanum tuberosum. 51 Zinigiberidae. 45. 350. 189. 492 Ruta graveolens. 347. 330 Pyrostegia venusta. 485. 478 Theobroma grandiflorum. 127. 112 Zingiber officinale. 274 Psydium cf. 338 Strychnos triplinervia. 462 Ranunculales. 471 Sorocea bomplandii. 491 Spondias purpurea. 262 Prunus domestica. 457-60. 393 Solanum paniculatum. 325-9. 452. 51 Zinnia elegans.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .

estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Fisiologia. Capa: tsabel Carballo . e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Departamento de Farmacologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. Campus de Botucatu.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. .