Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). .Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

que em sua maioria não resolvem o assunto. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. conse- . da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. a falta de propostas decorre de um dos dois. entre outros -. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. empobrecimento do solo. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros.perda da fauna e da flora. ou melhor. alterações climáticas. Acreditamos que. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. ou significam estratégias proibitivas. se propõe e se discute sobre o assunto. provavelmente. pois. Nos últimos anos. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . comprometimento do abastecimento de água. mas pouco se faz.

É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. São eles que conhecem a floresta. Essa relação. Para tal. não se dá apenas visando à sobrevivência. sem dúvida alguma. São eles que podem. permitir grandes avanços na conservação. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. os pescadores do Vale do Ribeira. os moradores da floresta . uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. como mais um produto para comercialização. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. regional. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. portanto. Dessa forma.qüentemente. a contribuição deste . Por sua vez. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. entretanto. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . seus produtos e suas relações. mas inclui ainda interesses econômicos. priorizadas. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa.quer sejam grupos definidos. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Nesse sentido. Consideramos. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. quer sejam comunidades tradicionais. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. Nesse aspecto. atualmente. como os ribeirinhas da Amazônia.

e também no de desenvolvimento. A equipe já não era a mesma. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. mais abrangente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. Começamos o trabalho. cada qual havia tomado seu caminho. como instituições determinantes para o avanço. Dessa forma. considerando os aspectos aqui referidos. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro.livro é um começo. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Foi a partir de pesquisas que realizamos. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. já que dez anos haviam se passado. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. em janeiro de 1999. Passou da hora de a ciência e a política. No entanto. conseqüentemente. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. publicado originalmente em 1989. pagando o preço de um trabalho mais social. na verdade. Não custa lembrar e salientar. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. entretanto. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas.

catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. buscamos informações em diversos endereços. Estado de São Paulo. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. farmacológicos. Index Medicus. Por si só. Chemical Abstracts). à medida que. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. por outro. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material.proposta original. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. outro importante e singular ecossistema brasileiro. Nessa nova etapa. pelo menos as mais citadas. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). a nova idéia não tinha mais como retornar.não . mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. No entanto. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. além dos desenhos apresentados inicialmente. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. por um lado. químicos. incluindo fotos de algumas espécies. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores.

dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. não apenas catalogando espécies medicinais. No entanto. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. mas com um livro. mas as plantas medicinais. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. sempre foi uma preocupação constante. mais acessível que os artigos . Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. sem dúvida. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. que serão úteis.em artigos científicos e técnicos. A conservação dos ecossistemas tropicais. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. hoje. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. da Mata Atlântica. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. como é o caso da Amazônia e. Com essa nova concepção. durante todo esse período. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. especialmente os mais ameaçados. especificamente. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. mas um novo trabalho. passaram a representar uma nova alternativa .

e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. apesar de preliminar e pequena.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. Nesse sentido. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . municipais e federais) e não-governamentais. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Luiz Claudio Di Stasi . acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.não pode ser apenas a retórica. mas pouco realizado na prática. Finalmente. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. realizadas de forma racional e sustentável.para a conservação dos ecossistemas. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais.

pretendeu-se. Em primeiro lugar. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. que esse conhecimento seja perdido. evitando-se. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. o que. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. Em segundo lugar. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. a nosso modo de ver. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. desse modo. realizar um estudo etnofarmacológico regional. Em terceiro lugar.

com os conhecimentos adquiridos. como qualquer outra atividade humana. Nesse contexto. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Em quarto lugar. que potencialmente es- . oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Por outro lado. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. farmacologistas etc). Osvaldo Aulino da Silva. da qual o próprio pesquisador faz parte. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Nesse contexto. deve ter um componente social em seu escopo. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. químicos. com a promoção de melhores condições de vida para a população. consideramos que a ciência. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. e que visa. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Finalmente. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. juntamente com o Prof. realizado no município de Humaitá. além dos objetivos aqui expostos.natural. pretendeu-se. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. com as atividades deste trabalho. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas.

clima. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. Acreditamos. propiciou um imenso prazer. pela sua característica multidisciplinar. estações do ano e outros). estágio de desenvolvimento. portanto é urgente a sua consideração. essa área requer um enfoque novo. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. como seres vivos. além de botânicos. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. para que o conheci- . antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. farmacologistas. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). consideramos de grande importância colocar que.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. que se superando as dificuldades. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. No entanto. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. que podemos denominar ecológico. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. tipo do solo. no entanto. e nossa experiência é prova disso. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. antropólogos e químicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. além de engrandecer o trabalho. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis.

Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. Luiz Claudio Di Stasi .mento tradicional seja devidamente resgatado. acrescentaram uma experiência rica. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. além de tornarem possível este trabalho. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. que. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais.

O Brasil contribui com 120 mil espécies.. apesar disso. a grande maioria na região amazônica. por fim. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia.. Dessas. Ato II de Romeu e Julieta . e. mas os primeiros registros remontam a milênios. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. Observa-se. quando se constata. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal.William Shakespeare. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. de um lado. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. portanto. (Cena III. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais.

Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. posologia. de outro. como este que aqui se apresenta. Profa. Levantamentos etnofarmacológicos. Por último. Quando dizemos criteriosos. efeitos observados. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Dra. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. e isso é o que importa.criteriosos. enfim.Campinas) . vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Mas o passo foi dado. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. a distância vencida.

qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. conforme aponta Philip M. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. provenientes da evapotranspiração. que. .Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Fearnside. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. no caso da Amazônia. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. Dada a fragilidade desse equilíbrio. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. De fato. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. apesar da pobreza dos solos. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. No entanto. Atualmente. A exploração madeireira.

visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. e.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. portanto. ecológico e histórico. De qualquer maneira. das quais poucas foram estudadas. do ponto de vista social. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Dr. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. Plantas medicinais na Amazônia. Luiz Claudio Di Stasi. julgamos altamente preocupantes: por um lado. Prof. honrado em apresentar esta obra. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. acarreta duas situações que. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof.Rio Claro) . por outro. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Somada a isso. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. riquíssima em espécies. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. desde o leigo ao mais especializado. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . fruto de um trabalho sério de pesquisa. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. coloca às mãos dos leitores. Sinto-me.

Jacupiranga e Sete Barras. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. sul do Estado do Amazonas. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. no Estado de São Paulo. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. • Aldeia dos Tenharins. resumidamente. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. conforme descrito a seguir: . no Amazonas.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Vale do Ribeira.

Amazonas. assim. Para as espécies da Amazônia. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. No caso de material em fase de floração. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Para materiais fora da fase de floração. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Departamento de Botânica do Instituto de . a coleta errada do material. evitando-se. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes.

Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". .Rio Claro. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Sites da Internet. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM).Botucatu.Biociências da UNESP . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Outras informações (agronômicas. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Chemical Abstracts. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Itajaí . Index Medicus (Med-line). para sua identificação.Santa Catarina. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.

incluindo as monocotiledôneas medicinais.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). com o tempo. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . como havia sido feito na primeira edição deste livro. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. .

em vários casos. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.incluindo as dicotiledôneas medicinais. • Introdução sobre a família botânica ou. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. dados ecológicos e distribuição. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. as quais se subdividem em cinco seções: . incluindo: . Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . • Dados químicos. . . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. que compreendem uma descrição botânica. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae.• Parte II .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . . Para cada capítulo.

incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. C. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. além de uma extensa bibliografia atualizada. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. . para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. . de vários tipos: . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. encontram-se um glossário de termos botânicos. No final do livro. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. .• Dados farmacológicos.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. UNESP. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. formatado e montado para a inclusão neste livro. Instituto de Biociências de Botucatu. formatadas e montadas para inclusão no livro. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. • Dados toxicológicos. formatadas e montadas para inclusão no livro.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. C. Santos L. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Outras ordens botânicas como Juncales. Hiruma-Lima E. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. M. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Mayacaceae e Commelinaceae. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Guimarães C. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. M.1 Commelinidae medicinais C. A. . Xyridaceae. pelo seu grande valor ornamental. algumas delas descritas neste capítulo. Typhales.

que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. açúcar e trigo. do famoso centeio e da aveia. substâncias cianogênicas. amido. respectivamente. subfamília que. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. Cymbopogon. Os outros constituintes incluem alcalóides. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. que inclui os gêneros Secale e Avena. gêneros alimentícios como bebidas. mas sem importância medicinal. açúcar e óleos essenciais. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Arundinoideae e Chloridoideae. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. do ponto de vista de espécies medicinais. Andropogon nardus. e o gênero Oryza. Zea. cujo representante principal é o arroz. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. . e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. é a mais importante. Várias espécies possuem importância terapêutica. flavonóides e terpenóides (Evans. Paspalum. também denominada Gramineae.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. ferragem. 1996). como Sorghum do sorgo. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. saponinas. Saccharum e outros. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. ácidos fenólicos. • Pooideae. reunindo inúmeras utilidades. • Panicoideae. • Centothecoideae. A família é dividida em quarenta tribos.A família Poaceae. que inclui alguns importantes gêneros. que incluem vários gêneros. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. principalmente Zea mays (milho). e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale).

Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. glabros e curvados. a planta também é conhecida como Capim-membeca.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. Em outras regiões do país. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.B.5 m de altura. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. com folhas invaginadas bastante agudas. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Andropogon nardus L.K. os quais. os colmos são finos. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Em outras regiões do país. possuindo um grande número de ramos. espiguetas sésseis e fruto cariopse. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. podendo atingir até 2 m de comprimen- . por sua vez. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura.

rizoma semi-subterrâneo. compridas. folhas alternas. Capim-cheiroso. 1962). a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. eretas. bainha larga e lígula na base do limbo. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. sudoríficas e carminativas. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. com grande valor econômico. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Cymbopogon citratus (DC. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Capim-cidrão. ásperas em ambas as faces. com nós e entrenós. Capim-marinho. Capim-cidreira. marginatus e validus. Vervena. Erva-cidreira. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. formando uma touceira robusta.to. problemas estomacais e febre. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. tais como flexuosus.) Stapf. Patchuli-falso. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. lineares. Sídró. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Capim-sidró. formigas e traças. .1). nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Capim-limão.

na forma de banho (Amorozo & Gély. fruto do tipo cariopse ovóide. 1986). nervura central saliente e bainha espinescente. no Rio Grande do Sul. dores de cabeça e dores musculares. em Brasília.Na região da Mata Atlântica. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . 1980). contra gripes. simples. cilíndrico. Cana. espiguetas com flores pequenas. calmante e antiespasmódico (Barros. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. colmo arqueado na base. ápice agudo. no Ceará. articulado e um pouco mais grosso nos internós.. 1980). carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. Matos & Das Graças. como diurético. 1 dísticas. Saccharum officinarum L. como calmante e antiálgico (Van den Berg. simplesmente. reumatismo e febre. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. lineares. o suco do colmo da planta. a infusão das folhas é usada como antidiurético. no Mato Grosso. 1982). é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1988). 1982. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. dores de cabeça e disenteria.2). hermafroditas. verde ou violácea.. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. folhas amplexicantes. no Pará. planas. ásperas. Na região da Mata Atlântica. gripes fortes. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. duas vezes ao dia. pequeno (Figura 1. carminativo. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou.

8-cineol. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. laurato de etila. neral. envenenamento com arsênico. linalol. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. 1997). citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. como citronelal. nerol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. vários aldeídos. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. febres. 1.e b-pineno. internamente.4%). metil-heptenol.. mirceno. terpenos e dipenteno (Costa. além de seus isômeros geralúal e neral. tuberculose. citronelal. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. limoneno.diurético e contra hipotensão. Ming et al.. 1997). metil-heptenona. 1996. contra úlceras da córnea. felandreno. isovaleraldeído e decilaldeído. mentol. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. vômitos da gravidez (Corrêa. geraniol. . geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. chumbo e cobre. externamente. farnesol. rachas dos seios. cariofileno. cólera. cetonas e alcoóis. como o geraniol. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. erisipela. contra resinados e anginas e. 1981). aftas. a. 1984). Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. 1986). escarlatina. neral. 1996). O óleo essencial de C.

mirceno (12. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1984. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho.. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho.. 1988). Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1997) e o extrato de C. 1995). 1983 e 1989a).. Os principais constituintes das folhas de C.9%) e neral (33. 1988). 1985)... O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1996). 1997). enquanto Ferreira et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. 2002). 1990). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. (1983) referem atividade antiespasmódica.. 1986 e 1987). relatam. anti-helmíntica (Jourdan. citratus. Lorenzetti et al. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1988). 2000. O extrato metanólico de C. Onawunmi & Ogunlana. e Di Stasi (1987). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. no entanto.. 1988). O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. analgésica (Viana et al... Di Stasi et al. Com as folhas de C. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. geranial (45. A atividade antibacteriana de C.. 1986. (1985). Onawunmi et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1988).. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al..8%). 2002. 1986 e 1987. 1997). toxicológico e clínico com essa espécie. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. .. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.. Pinho et al. Onawunmi.. 1998). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. não observando propriedades de interesse terapêutico.

ácidos p-coumárico. 1988). 1999). também conhecido como Capim-cidrão. ligninas e ácidos fenólicos. 1997. 1990). apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Para a espécie Saccharum officinarum. citriodorus. Hikino et al.. citratus. 1986a). sedação e defecação (Ferreira et al. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Foi isolado também o policosanol. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. bradipnéia. 1989). 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. perda de postura.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. De S. ataxia.. . (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. ferúlico e sinápico (He & Terashima. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al.. 2000). o extrato hidroalcoólico das folhas de C.. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke.. Menendez et al. 1983). Dados toxicológicos O óleo de C. visto o grande número de trabalhos com C. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. um álcool alifático com alto peso molecular. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero.. Além de hipocolesterolêmico.

b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).FIGURA 1.1 . .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) . .Banco de imagens ).Saccharum officinarum.2 .FIGURA 1.

especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae.2 Zingiberidae medicinais C. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. M. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. A. Lowiaceae. C. Hiruma-Lima L. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Cannaceae e Marantaceae. . apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Guimarães C. Tal uso não é comum na região amazônica. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. As espécies da família Bromeliaceae. De todas essas famílias. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). M. Zingiberaceae. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Santos E. importante produto de comercialização.

Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Renealmia e Riedelia. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. larga bainha na base que envolve o caule. na qual se localizam os gêneros Zingiber. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Costus e Hedychium. lâminas . várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. algumas delas aqui descritas. inclui 52 gêneros. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. nos quais estão distribuídas 1. com folhas membranosas. Vindecaá e Vindicáa. destas. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. com várias espécies medicinais. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Além do valor medicinal das espécies dessa família. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Curcuma.100 espécies tropicais espontâneas. e • Zingiberoideae.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Alpinia.

tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. perianto distinto em cálice (claviforme. . enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. hermafroditas e zigomorfas. descrito por Carl Linnaeus. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. flores em grupos com brácteas vistosas. 1988). Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. elípticas. contra sarampo. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. densas com flores brancas ou róseas. inclui 42 espécies tropicais. Costus spiralis Rosc. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. O gênero Costus. podendo chegar a até 1. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal.5 m de altura. mas com algumas espécies em regiões tropicais. espessas. gineceu com ovário ínfero. fruto capsular.1). androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. entouceirada. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. contém inflorescências terminais. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso.com 20 a 40 cm de comprimento. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. ápice agudo e base arredondada. vistosas.

além de ser útil externamente na lavagem de feridas. a espécie é muito utilizada como ornamento. descrito por Johan Gerhard Koenig. muito perfumadas (Figura 2. . A decocção de suas folhas. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. sésseis. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. grandes. contra diarréias graves. Em razão de sua beleza. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. O gênero Hedychium. na forma de infusão. cilíndricas. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. vistosas. as inflorescências são terminais com flores brancas. em Iguape é comum a denominação Napoleão. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. especialmente de origem sifilítica. lanceoladas e coriáceas. sendo de fácil multiplicação por touceiras. Lírio branco e Gengibre branco. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. de onde partem as folhas longas. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. incluindo a espécie aqui descrita. Hedychium coronarium Koen. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais.2). Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo.

Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. flatulência e eólicas. gripes. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. cólicas. tosses. onde a maioria das espécies é espontânea. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. indigestão. lumbago e cólicas menstruais. 1995). diarréias e como vomitiva. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. internamente. A espécie é usada.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. A espécie é reputada como estimulante. . gripes e para problemas circulatórios. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. mas especialmente na Ásia. mesmo no Vale do Ribeira. com ampla distribuição. em todo o Brasil. e. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. folhas alternas. além de diversos outros usos (Bown. C. 1994). sendo provavelmente o local de sua origem. lanceoladas. externamente. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. com uma lígula membranosa bífida. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. contra náusea. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. carminativa com uso na dispepsia. de Gengibre. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. contra reumatismo.

1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. speciosa. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. 1987). 1. acetato de geranil. taninos. flavonóides em A. e 5.6-dehidrokawaina. 1987a e 1987f) e A. 1988)... Cinco compostos. japonica (Morita et al. Dos rizomas de A.. Os principais constituintes dos frutos de A. 1985a e 1985b. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. 1987b). humulene. linalol. constituintes fenólicos em A.. galanga (Mori et al... galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. speciosa e A.8cineol. galanga. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. 1987c).. katsumadai (Okugawa et al. Da espécie A. óleo essencial. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. 1995). 1990). Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. intermedia (ltowaka et al. nutans (Mendonça et al. galanga... o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A.16-dial (Morita & Itokawa. 1988).. 1988). além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. De A. Os sesquiterpenos -eudesmol. Os compostos isolados dos rizomas de A. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al... Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. 1987). japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. (Xue et al. nerolidol.. isohanalpinona e alpinenona. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. 1987). Foram isolados dos rizomas de A. galanolactona e (E)-8. galanga (Barik et al. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. dihidro-5. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em ... 1996).6-dehidrokawaina.-(17)12-labddieno-15. 1988a). alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1987b). 1987).

chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. 1996).modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.8-cineol.. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. 1997). As sementes possuem mirceno. manganês.. flabellata (Kikuzaki et al. além das vitaminas B1. yakuchinona A. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.. zinco.8-cineol (Lai et al. C... zerumbet (Xu et al.foram isolados recentemente da espécie A. Dos rizomas de A. O óleo essencial das folhas e caules de A.. 1997a). furopelargona B. yakuchinona B. alpinenona.. E. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. mirceno. A análise fitoquímica de A. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. polyantha foram isolados. isohanalpinona. l. 1989). além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. bornil acetato... 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. 1990). terpineol e 1. sendo um novo. Do óleo essencial das sementes de A.. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1988). felandreno. Três novos diarilheptanóides . grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. geraniol. chumbo. sesquifelandreno e zingibereno.. isohanalpinol e aokumanol. 1999). furopelargona A. potássio. Das partes aéreas de A. sódio. blepharocalyx (Kadota et al. -ll(12)-eremofilen-10. 1989).. De A. oxyphylla contêm neonotkatol.. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. pineno. conchigera (Athmaprasangsa et al. 1987d). ferro. -sitosterol. 1987). hanalpinona.calixina A e B e 3-epi-calixina B . katsumadai possui -pineno. Das sementes A. cálcio. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1997b). flavonóides (Luo et al. . além de óleos essenciais (Mendonça et al. decanol. Cinco diarilheptanóides. trans-bergamoteno. magnésio. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al.-o1. 1997b) e quercetina (Wang et al. fenóis e alcalóides. B2. 1992). 1..7-difenil-3. Os frutos de A. hanalpinol peróxido. linalol. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. 1997).5heptanediona. 1997a). citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. daucosterol.. citronelol.. 1990). 1994). fenchona e geraniol.

sendo antiulcerogênica (Wang et al. que é um derivado do gingerol. Lin et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. além de medicinal. na perfumaria. 1985). 1987). é usada na culinária. Mendonça et al. e seu óleo. japonica e A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1994). bloqueio neuromuscular. inibição da musculatura lisa. 1988b). galanga (Janssen & Schefter. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1986). A erva. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1999). revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1987c) e A. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1996). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. 1988). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. galanga (Itokawa et al. 1996). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. Sesquiterpenos isolados de A. 1988. 1999. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. A espécie A. 2000). 1989). 1997). Estudos com a espécie A. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1972). indicando . speciosa. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. 1996). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1976) e A. Constituintes isolados de A.

1989).. Mendonça et al. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Moraes et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. officinarum (Kiuchi et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A.. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. O óleo essencial de A. 2002) e antigenotóxico (Heo et al.. Geraniol e isotimol isolados de A. Do óleo essencial das folhas de A. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. 1994). 1988b). 2002). que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.. 1992). Os rizomas de A. O extrato acetônico de A. 1990). O terpinen-4-ol. 1998.. Estudos com a espécie A. 1992). 1988). 1996). oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1982). oxyphylla (Chun et al. 1987c) e A. 1994).. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1996).. Mendonça et al.. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1990).. 1988). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al.. . speciosa. galanga (Itokawa et al.. antifúngica (Lima et al.. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1988. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. Os diarilheptanóides isolados de A. 2001). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1992). 1996) e antiproliferativo (Ali et al. O composto dihidro-5. 1982. 2001). A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. 1987c). Compostos isolados dos rizomas de A.6-dehidrokawaina isolado de A. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 1988a.. anticonvulsivante (Maia et al. também isolado do óleo essencial. Dos rizomas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1998).. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. ArnaudBatista et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al.

A espécie H. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. Musa e Heliconia. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. relatadas a seguir. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. 1992).. hipocinese. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al..A atividade antiinflamatória de A. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. 2002). 2002). speciosa produziu excitação psicomotora.. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros... oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 2000). A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.... antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante.. 1999). . contorções. 2000). 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 2001. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. 1999). 2000). 2000) e H. 1988b).. Surh. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico..

Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. folhas longas. laminares de grande comprimento.. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. oblongas e inteiras. O fruto da espécie não é usado como alimento.5 m de altura. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. com folhas longo-pecioladas. minúsculas e duras. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. . com bainhas grandes.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva.

onde é amplamente cultivada como ornamento. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. mas com 25% do comprimento e da largura. . dando um pequeno fruto que também é comestível. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. FIGURA 2. flores reunidas em espigas.podendo atingir até 2 m.1 .Alpinia japonica.

.Hedychium coronarium. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2.2 .

família Liliaceae. Liliales e Orchidales). N. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. C. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Velloziaceae e Iridaceae. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. especialmente na ordem Liliales. Asparagales. ordem Orchidales. Gonzalez L. Seito C. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. A. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. G. principal. Velloziales. família Liliaceae.3 Liliidae medicinais L. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Dioscoreaceae. Dioscoreales. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Alliaceae e Amaryllidaceae. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Di Stasi F.

Lillium. esse da importante Babosa (Aloe vera).e Liliaceae. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). 1997). grande fonte de espécies dessa família. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. A segunda. Tulipa. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). que passamos a descrever. especialmente do gênero Iris. Colchicum e Drimia. ambas de valor econômico incomensurável. Convallaria. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Alloe. Trilium. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. pelo grande número de espécies ornamentais. A primeira. . Narcissus e Veratrum. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. como é o caso da cebola e do alho. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.950 espécies vegetais. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Outro gênero importante é Aloe.

loculicida (Figura 3. capsular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. inclusos e envolvidos por fina membrana. Era citado pelos babilônios no ano 3.1). obtida comercialmente. Nas comunidades do Vale do Ribeira. tosse e também contra hipertensão. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. os bulbos dessa espécie. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.Espécies medicinais Allium sativum L. em geral seco. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. que se mesclam com os bolbilhos. folhas lineares. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. flores brancas ou avermelhadas. especialmente em crianças. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. são utilizados de várias formas. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. fruto. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. na forma de umbela pedunculada.000 a. a maioria é cultivada. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. sésseis. 1995). C. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. ao passo que a infusão é usada contra gripes.

com bulbo grande e solitário. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. resfriados. arteriosclerose.queca. o uso externo. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. 1984). tosse. 1988). a espécie inclui vários usos medicinais. todos usados e comercializados como alimento e condimento. carminativo e vermífugo. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. febrífugo. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. diurético. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. histéricas. Em outras regiões do Brasil. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. Dados botânicos Erva bulbosa. além do uso como condimento. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. ao passo que a infusão das cas- . em afecções nervosas. carnoso e com casca fina amarelo-parda. Trata-se de uma espécie com usos históricos. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. 1992). ateromatose. tosse com expectoração. reumáticas e paralíticas (Corrêa. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. dispostas em umbela. anual. os bulbos são usados na hipotensão. 1982). Em Minas Gerais. também são utilizados como sudorífico. como referido para o Alho. antiasmático. digestivo. subgloboso. No Pará. rouquidão. agudas. flores hermafroditas regulares esverdeadas. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. para problemas da pele. folhas radicais ocas e compridas. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. com inúmeras variedades e subtipos. bronquite. poderoso anti-séptico das vias digestivas. especialmente acne e micoses. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. gastroenterite e disenteria.

. são úteis contra edemas. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. é considerado excelente contra úlceras. descansado por 24 horas na geladeira. Aloe vera L. densas. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. para acne. folhas suculentas. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. A manipulação dessa planta no preparo de loções. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. externo. lanceoladas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. internamente. as flores são tubuladas. O uso interno de um macerado em água fria.2). A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. Na região amazônica. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. externamente. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. usadas externamente. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. podendo atingir até 1 m de altura. ao passo que as folhas frescas. reunidas na forma de rosetas em sua base. como cicatrizante. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. dores e infecções da pele.

A antro-cenona. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. . 1990). 1995). aliinase que origina a alicina. fitosterinas. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. barboloina. et al. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. isobarboloina (Kuzuya et al.. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. Da espécie A. 1999). (B8) e P.. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. exigindo-se cuidado na utilização. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil... B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. além de evitar queda de cabelo.. catártico e febrífugo.. 2000).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. C. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. 1979). 1986). sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. Além disso. proteínas e fermentos (Costa. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. obtidos de A. 1997). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al.. vários heterosídeos sulfurados. 1997). aloe barbendol foram isoladas das raízes A. relatando ainda que as folhas são purgativas. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. desoxialiina.. 1993).. a polpa é emoliente e resolutiva. alil e alil-propil. B. 1997). vitaminas A. barbadensis (Saleen et al. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. 1968). Nos bulbos também foram encontrados aliina. saponinas esteroidais (Peng et al. 1995). recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1991). De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. sativum. 1992). Prostaglandinas A. holosídeos. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas.

. Por sua vez. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 2002). No entanto. 1995. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. 2000). Em animais com carciriogênese bucal o A. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. demonstrou que os compostos de A. antibiótica. 1987. Kwon et al. 1992). (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. Além dessa classe de compostos. in vitro (Sheela et al. Nerkar et al. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum.. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. 1981. entre outras ações que serão discutidas a seguir. cicloxigenase. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I..Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. 1991). Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. Augusti & Sheela. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. Entretanto. rolêmica.. fibrinolítica. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio.. hipocoleste. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al.. Esse mesmo efeito foi detectado . o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. isolado de Allium sativum Linn. Hikino et al.. 1996). O estudo comparativo in vitro. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich.

. 1983. enquanto a associação dessa dose com 4. 1994). Guevara et al. O óleo de A. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma.. Singh & Shukla. O estudo realizado por Celini et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1993) e aquosos (Sato et al. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. 1993). Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. Sovova et al.. contra Helicobacter pylori. sativum apresentou também atividade antibacteriana. O sulfóxido de S-alilcisteína... 1983) obtidos a partir dessa espécie. Mossa. 1980)... Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 1996). Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. Dababneh & Aldelamy. 1997. O extrato de A.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. Rees et al. 2001). 1984. compostos fenólicos (Patel et al. fosfatase ácida. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 1981. Khan et al. 1995).por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. precursor da alicina e obtido do alho. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda.. 1982.. 2002) contra Staphylococcus aureus. 1984. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. além de atuar como . (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml.. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1985). 1985. 1992). in vitro.

inibem a síntese de colesterol. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. Adetumbi et al. Mohammad & Woodwara (1986). no entanto. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. assim como as respectivas substâncias isoladas. 1992). 1984... assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. alicina e sulfeto de dialila. sem. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. assim como substâncias isoladas do alho. Boelter et al. 2001). Rotzsch et al. 1978. Extratos preparados com acetona/clorofórmio... Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Os resultados obtidos por Sendl et al.. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. 1993). Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.agente anticercaricida. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. 1978). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1980. 1986) e brutos (Rees et al. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. e não as substâncias isoladas. 1994). 1993). assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A.. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1978. Sandhu et al. (1992). no entanto. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Kamanna & Shandras-Wkhara. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1996). esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1993). 1980. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. metil-ajoeno. Block et al. Essas propriedades farmacológicas. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. (1985). 1995b). (1986). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. 1993).

1993). 12. Essa mesma planta reduziu a concentração . E. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. 1993). 1990). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. sua condutância.5.. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. et al. 1997). 1996). (1992) com o composto ajoeno. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. tais como a histamina (Usui & Susuki. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al.. 1986a). (1982). 1993b). (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. (1986b).sos de bulbos de alho fresco (5. et al.. I. 1996).. natriurética e hipotensora em cão. M. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. como radioproteção (Reeve et al. Foushee et al. sativum (Kweon et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. enquanto Pantoja et al. atividade diurética. 1991). diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1991). também. 1996). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Ribeiro et al. (1987).... Por sua vez. 1996).. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. principal componente antiplaquetário do alho. A. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1996).. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.

... a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. et al. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1993. E a mistura de A. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1994).. Nepeta hindostana e ácido nicotínico.. ela é um excelente cicatrizante (Costa. Ko & Son. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. 1991). Para a espécie Aloe vera. I. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie.. 1995). O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. um preparado à base de Curcuma longa. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.. 1995). 1992). 1993). in vitro. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. cepa com A. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. Allium sativum. (1996). de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. . 1996).. 1993). O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. conseqüentemente.. Lipotab. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Chithra et al. sativum ou A. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. 1992. Extrato aquoso de A. 1993). Além disso. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. sativum L. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. (1994). 1990). 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.

que inclui algumas espécies popu- . mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. 2000). pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. em camundongos. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. 1997). vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. 1991). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. esses dados referem-se. A atividade antiinflamatória de A.... Essa família possui pequena importância no Brasil. Saleem et al. contudo. 1996. vera e hipotensora de A. As folhas de A. 2001). Os estudos de toxicidade de Allium cepa.. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. Entretanto. aumento na contagem de espermatozóides.. 1994). 2001). e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos.1998)... 1997). 1995).. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.

1996 e 1997b). Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. no entanto. flores pequenas. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa".larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil.. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. cilíndricas. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. 1996). em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. longas. na região amazônica. contra problemas hepáticos. pontiagudas e com manchas brancas. e o Agave.. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. No entanto. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. possui folhas carnosas. 1987).. brancas. Das . saponinas esteroidais (Mimaki et al. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al.

além de carboidratos.em Joly..Allium sativum. cylindrica foram isolados lipídios.. FIGURA 3. 1982).. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al.folhas de S.. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .1 . 1996). e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. Das folhas de S. saponinas. . 1998) (Banco de imagens ). 1986). pigmentos. 1997).

Aloe vera.FIGURA 3. . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).2 .

S. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. esta segunda com uma única família. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Di Stasi A. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Mariot M. As duas espécies. de pouco interesse para nosso estudo. Triuridaceae. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. C. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. ainda não discutidas neste livro. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . portanto. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e.

do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. rizoma grosso e carnoso. 1997). folhas pecioladas. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. contendo vasos apenas nas raízes. Aguapé. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. muitas aquáticas ou brejosas. essa segunda inclui apenas a família Palmae. freqüentemente . A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Inclui ervas perenais. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus.mico. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. latescentes com lâmina foliar grande. coriáceas. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. numerosas.1). também denominada Arecaceae. ovadas. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. espécie de grande valor econômico. flores brancas. e Sagittaria. grandes e eretas. com caule triangular e glabro. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. A espécie possui as variedades floribundus. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo.

. tônica e diurética. também denominada Arecaceae. e como anti-helmíntico. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. 2000). Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. e outras. nas costas. reumatismo. muitas delas usadas como medicinais. sífilis. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. de barriga. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. como ornamentais. raramente trepadeiras.650 espécies tropicais (Mabberley. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. com folhas terminais. como sedativo.consideradas outra espécie. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). bem como gripes e resfriados. moléstias da pele e do fígado. 1997). . Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. útil ainda contra artrites. especialmente contra dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. Incluem árvores ou arbustos.

outras são importantes como medicamento. que incluem a piaçava e a ráfia.. e o Arecastrum. macrophyllus (Shigemori et al. respectivamente do babaçu e da carnaúba. amplamente conhecido na Mata Atlântica. do jerivá (Joly. com folhas pinadas. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. que inclui o famoso palmiteiro. Cocos. 2000a e 2000b). Tratase de uma família de grande valor econômico e. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. do famoso coqueiro da Bahia. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia.. chegando até 25 m de altura. Destaca-se o gênero Euterpe.A família está subdividida em seis subfamílias. como é o caso da Areca catechu. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. especialmente da Mata Atlântica. conseqüentemente. 2002. como é o caso de várias palmeiras. Kobayashi et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. e o açaí. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. como é denominada a outra espécie do gênero. 1998). amplamente conhecida na região amazônica. Espécies medicinais Euterpe edulis M.

Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. externamente. como antídoto para picada de cobras.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. internamente. frutos esféricos de cor preta-arroxeada.nhas. . 1998) (Banco de imagens). sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. não fosse a intensa exploração da espécie. FIGURA 4.1 . o suco do caule é usado. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. são importantes como ornamentos. Outras famílias dessa ordem também são importantes. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. M. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Myristicaceae e Lauraceae. Santos L. tais como as Magnoliaceae. mas deve ser destacado o gênero Peumus. da qual inúmeras espécies de grande valor . Hiruma-Lima E. inúmeras espécies são medicinais. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Annonaceae.5 Magnoliales medicinais C. M. algumas com amplo número de espécies no Brasil. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. C. Na família Chloranthaceae. Na família Monimiaceae. Guimarães C. do famoso Boldo. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. inúmeros gêneros são importantes. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. tais como Magnoliaceae.

Aniba e Nectandra. Cabeça-de-negro. . que inclui nosso Abacateiro. Pinha. arbustos e lianas. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Cinnamomum. Xylopia.150 espécies tropicais (Mabberley. os gêneros mais comuns são Annona. espalhadas por todo o planeta. e Monodoroideae. 1997) e subtropicais. Guatteria. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Graviola e outros. Laurus e Sassafras. Artabotrys. Annona coriacea. 1997).econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. compreendendo aproximadamente 260 espécies. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. No Brasil. que inclui os gêneros Annona. e ainda outras importantes como alimento. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Cryptocarya. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. como Aniba. Uvaria. A família inclui árvores. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Xylopia e Rollinia. Annona cherimolia. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Annona reticulata.

Araticum-ponhê. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. tais como Araticum. com cálice de lobos triangulares e agudos.1). com várias delas comuns na Amazônia (Joly. 1998). têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. sucosa. no entanto. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. cordadas na base e acuminadas no ápice. inflorescência cauliflora. Várias espécies. fruto do tipo baga irregular. no entanto vários sinônimos são usados. Iriticum. Araticum-de-paca. com um tronco revestido por casca aromática. Coração-de-rainha e Nona. alcançando até 30 cm de comprimento. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. amareladas. polpa branca. . pecioladas. subglobosas. com epiderme verde-escura.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. espessa com saliências cônicas. que são muito apreciados. com um espinho central. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. mole e recurvado. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. latescente. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. ovadas ou elípticooblongas. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. flores axilares. que apresentamos a seguir. Espécies medicinais Annona muricata L. as folhas são alternas. alcançando até 15 cm de comprimento. Araticum-punhê. onde são conhecidas como Araticum e Biribá.

as folhas cozidas. Em outras regiões do Brasil. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. 1984). por sua vez. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. usadas topicamente. as flores. Além dos usos medicinais da espécie. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. 1984). A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. O fruto. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. antiespasmódicas e antidisentéricas. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . especialmente lombrigas. com importante uso potencial na fabricação de papel. podendo também ser usada na arborização urbana. combatem reumatismo e abcessos. especialmente na produção de sucos. sorvetes e geléias (Corrêa. 1984). A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. As folhas e raízes são consideradas sedativas. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. sendo depois levada para outras regiões do planeta. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. para baixar febres. referidos a seguir. os brotos e as folhas são usados como béquicas. diurético e no combate a insônias leves. Na Amazônia. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. a planta fornece madeira. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. peitorais. mole e branca. dores de cabeça e como emagrecedor. antiespasmódicas e hipotensivas. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. tem grande valor como alimento. onde se tornou subespontânea.

Ayensu. espasmos e febres. 1993). como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. inseticidas. 1986). tosse. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes... enquanto o óleo das folhas. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. De acordo com os mesmos autores. asma. . reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. no processo de pesca.mas do fígado. 1990). 1962). misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. gripe. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. no entanto. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. na forma de chá. Na Jamaica e no Haiti. como antiespasmódico. Annona tenuiflora Mart. as cascas e folhas. a fruta e seu suco são usados contra febre. contra diversos parasitas (de Feo. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. 1962). 1992). as sementes. 1955. e as sementes. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Esse uso. 1978. impedindo-lhes a identificação correta. é usado externamente para neuralgia. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. as folhas e a casca da árvore. Nas Guianas. as raízes e folhas. contra diabetes. 1987). as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. foram referidas espécies desse gênero. especialmente na África. diarréia e como lactagogo. Weninger et al. No Peru. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. onde é usada contra tosses. o chá das folhas é utilizada para catarro. Na Índia. parasitas. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk.

Jejerecou. pétalas lineares. agudas no ápice. cálice gamossépalo. oblongolanceoladas. folhas ovado-oblongas. aromática. curto-pecioladas. frutescens Aubl.3). tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. tronco ereto e cilíndrico. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. na região amazônica. Jegerecu. hermafroditas. coriáceas. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pindaíba. muitas das quais usadas na medicina popular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. fruto do tipo baga ovóide. Malagueta e Banana-de-macaco. folhas alternas. com duas a seis sementes (Figura 5. Pijerucu. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Coajerucu. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. sem estipulas. Pindaíba-branca. Nomes populares A espécie é denominada. lineares. alternas e ápice cuspidado. simplesmente. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. tonturas e hipotensão.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. Ibira. também descrito por Carl Linnaeus. e copa alongada. alcançando até 8 m de altura. Pindaúba. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. Envira-preta. sul do Amazonas. Em outras regiões do Norte do Brasil. Breu. Breu branco ou. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. onde parte deste estudo foi realizada. deiscente. Coaguerecou. Pindaúva. Xylopia cf. Jejerecu. Coagerucu. com casca fibrosa. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão.2). simples. vermelho. Envira. . Pau-de-imbira. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. O gênero Xylopia.

Na região amazônica da Colômbia. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. para combater resfriados e dores de cabeça. ao passo que a decocção da casca é usada. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. 1998). própria para uso em carpintaria. folhas e.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. . perenifólia e pioneira. 1984). como digestivo e são úteis contra catarro. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. sendo uma espécie heliófita. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. raízes. As sementes. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. como cabos de instrumentos e varas de pesca. na forma de inalação. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. são usadas como estimulantes da bexiga. sementes de espécies da família Annonaceae. também aromáticas. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. especialmente. 1984). muitas das quais com importantes atividades farmacológicas.

. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995b). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B).. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. . anonacina-10-ona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. 1994a e 1994c).. cis-annomontacina (Liaw et al. 1995c). 1994). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. neo-anonacina-10-ona. No entanto. denominada corepoxilona. Anomuricina A e B. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. murihexocina A e B (Zeng et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. Recentemente. muricatocina C e gigantetronenina. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. muricina H.São ácidos graxos modificados. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. 1991b). 1993). muricatetrocina A e B. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico.. 1991). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. e que são importantes representantes da flora brasileira. iso-neoanonacina-10ona. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.. I. anomutacina 1. especialmente como citotóxicas. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica.. 1995e)... 1995b). hoviicina A. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. enquanto Gromek et al.. 1995a). 2 e 3 (Wu et al. 2002). (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie.. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes... epomuricenina A e B (Roblot et al.

. itrabina. 1995a). 1991).. 1962). 1994a). além de esquamocina e esquamostatina A. isoquerimolina 1. jeteína. B. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al.. 1991a e 1991c). Das sementes da mesma espécie. cis. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1994b). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. Das semen- .. anomontacina em Annona montana (Jossang et al.. squamocina e almunequina (Duret et al... 1995).. muricata e A. 1993). 1996).. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. esquamostanal A (Araya et al. bulatencina. esquamosinina A (Yang et al.. 1994). 30-hidroxibulatacina.. isomolvizuína 2.. 1995). incluindo A. esquamosteno A (Araya et al. 1996).. 1994c) neodesacetiluvaricina. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1994). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. 32-hidroxibulatacina. 31-hidroxibulatacina. anogaleno (Sahpaz et al. molvizarina e motrilina (Cortes et al. tais como reticulatina (Saad et al..Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas.. 1993b). esquamona. anomonicina e roliniastatina (Chang et al.. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. cherimolia. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal.. C e D (Fujimoto et al. anoreticuína-9-ona. 1992).. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. Cortes et al. reticulacinona (Hisham et al. bulatanocina. Sahai et al.. 1993). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. 1995) em Annona bullata. 1991). 1993b). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1994a e 1994b). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. 1994). 1994b)..buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. solamina.. três uvariamicinas.

A.. squamosa (Setharaman. 1989. reticulina.. Alcalóides conhecidos como anoretina. oxouxinsunina. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A.. 1986). Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. como constituintes predominantes. 1981). 1979. 1982a e 1982b. salzmannii (Paulo et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. laureliptina. X. cherimolia (Villar et al. bullafa (Kutschabsky et al. squamosa (Wu. 1996). squamosa (Silveira et al. ambotay (Oliveira et al. foram isolados do fruto de Annona muricata .. 1991). X. montana (Wu et al.. squamosa (Leboeuf et al.. brasilienses (Casagrande & Merotti. Y... 1978). A. 1994). de A. cacans (Saito & Alvarenga. isoboldina e outros foram isolados de A.. 1986). ambotay (Carazza et al. purpurea (Castro et al.. 1987). Wu et al.. Martins et al. frutos de A. A.... 1988).tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. 1978). reticulina. cherimolia (Yang et al. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. et al. Mukhopadhyay et al. Yang & Chen.. 1991). Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. squamosa (Krishna Rao et al. Flavonóides foram descritos em A. 1962). 1976). anolatina. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1986) e A. 1984). A. 1994). anonaína. 1993).. Inúmeros compostos terpenóides. enquanto os alcalóides anonaína. 1993) e sesquiterpenos em A. 1995e).. 1976). uma lignana ((-)-siringaresinol). Barbosa Filho et al.. enquanto diterpenos foram descritos em A. anolobina e asimilobina foram isolados de A. michelalbina. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. 1994). 1992.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. aromatica (Rios et al. 1970) e X.. Monoterpenos foram isolados de A. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. enquanto três amidas ácidas. C.. 1979. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. 1985) e A.

1993. . Solanina. 1925 e 1932). ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. Anomutacina 1... antiespasmódica. 1991). 1979).. 1993. Heinrich et al. 1995. obtidas de Annona muricata. A espécie Annona muricata possui. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. aromatica.. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.. a raiz.. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. acetogenina isolada de Annona muricata. 1991). propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. assim como outras espécies do gênero. 1988. a casca. 1990). 1991). uma acetogenina isolada de A.. Misas et al. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. Lopez Abraham. Bourne & Egbe. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. vasodilatadora. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. 1996.. muricata e de A.(Wong & Khoo.. X. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. 1991b). 1941. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1979. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. 1987). 1940).. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Ngouela et al. Di Stasi. X. De Xylopia frutescens.. Carbajal et al. 1979). 1995e). 1993).. 1992. Vilegas et al. enquanto extratos de folhas. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. 1962). 1991. corosolona 1 e corosolina 2. muricata.. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. brasiliensis e X. 1998). Acetogeninas isoladas sementes de A. Gbeassor et al. 1991).. 1995b)..

1987) e A.. salzmannii. reticulina. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. squamosa. (1995b). bulatanocina. reticulatina. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1995a). Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. enquanto os alcalóides de A.. 1980). oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al.. C. 1993).. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. 1993b). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. isolados de A. 1991).. montana (Wu et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A.. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al.. anoreticuína9-ona. 1991. Esteróides de A. anonaína. 1992). solamina. cherimolia (Cortes et al. esquamona. 1993). 1993b e 1994b.. Chang et al. 1994). respectivamente. . 1991. galucina.. Os alcalóides isolados de A.. 1988b e 1988a). oxoxilopina. coridina.. 1980). cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. Y.. enquanto alcalóides isolados de A. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. reticulina. et al. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. 1992). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu.. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. Hui et al.. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. montana (Wu et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina.. Cortes et al.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. norcoridina. enquanto os alcalóides liriodenina. 1991c e 1991a). cherimolia (Villan del Fresno et al. 1995). asimilobina. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica... 1993) e várias outras (Jossang et al. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al.

1979.1983). Do extrato etanólico das folhas de X. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. aromatica foi isolada atherospermidina. enquanto o extrato etanólico de A. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. E... A atividade inseticida do extrato etanólico de A. Trypanossoma brucei. que apresentou atividade citotóxica. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. 1975)... atividade anticonvulsivante e analgésica. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major.. 2001)... frutescens não apresentou atividade moluscicida. Extratos metanólicos de A. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Das cascas de X. F. fungitóxica. 1989. Oliveira et al. 1994). parassimpatomimética de A. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al.. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo... squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. Anopheles stephensi (Saxena et al. 1979).. 1999). além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. donovani. A. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. foi caracterizada a . Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. 1990. A. et al. que determinaram efeito depressor do SNC. 1996). senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. discreta. 1998). L. 1994). O extrato etanólico da raiz de X. Extratos etanólicos de sementes de A.. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. 1996. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 1998). squamosa... Extratos preparados também com A. et al. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1993). Silva. Martins et al. como acido caurenóico. Rao et al. 1993). coriaceae (Souza et al. 1996). entre outras.

indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. Em Guadalupe. especialmente em uso crônico.. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. 1962). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. anti-helmíntico e citotóxica. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al.. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. (1988) para a espécie Annona muricata.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. 1988c). Os diterpenos caurenoicos presentes em X. E da espécie X. 1996 e 1997). sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. como inseticida. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. 1999). squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz.. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. . 2002). 2001). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. muricata e A. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al.

No Brasil.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. como Myristica. Bicuíba. Ucuuba cheirosa. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Sucuba. Virola. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. como a Noz-moscada (Myristica). No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Árvore-do-sebo. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Horsfieldia e Knema. que possuem importância do ponto de vista econômico. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Espécies medicinais Virola surinamensis L. e também como Leite-de-mucuiba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Essa família inclui gêneros importantes. usada como condimento. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). 1996). porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Neste levantamento. podendo chegar a até 35 m de altura. e espécies do gênero Virola. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. contendo ramos carregados de folhas . a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. 1997). Sucuuba.

1987). elongata . com até 20 cm de comprimento. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. bem como -sitosterol. L. pavonis (Martinez et al. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola.. Martinez et al. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. V cf.. et al. infecções.. inflamações. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. 2000).. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. pavonis (Marques et al. 1969. V surinamensis (Lopes et al. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. como outras do gênero. surinamensis. 1987a). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. para o tratamento de câncer. V. Cassady et al.. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba.. Vidigal et al. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. A casca é usada como medicamento para aftas. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1971). 1991 e 1992). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Ferri & Barata.. 1989. S. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. oblongolanceoladas. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).pecioladas. usadas como venenos de flechas. chegando até Pernambuco. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. 1997). Espécie de ocorrência na Amazônia. 1996). 1984). V. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. É uma planta perenifólia. V michelli (Santos... gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. 1996. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. 1995). 1992.

e polifenóis nas espécies V. V. 1996a). calophylla (Martinez et al. Além das lignanas. 2001). Pagnocca et al. 1992). V. urbaniana (Reis et al. titonina ... 1999.. 1987). 1996. V. calophylloidea (Martinez. V. Andrade et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. oleifera (Fernandes et al. calophylloidea (Von Rotz et al.. 1990. 1995). V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. titonina (Andrade et al. Das folhas de V. venosa (Kato et al... surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. carinata e V. 1990). pavonis. A atividade analgésica de V. Lemus & Castro. flexuosa (Aguirre. 1989). V. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1994 e 1995).. 2001).. 1987b). 1988).. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. michelli (Santos et al.. A atividade antifúngica das espécies V. 1992) e V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. Alvarez et al. 1994 e 1996.. 1999). 1996.. surinamensis. 1990). calophylla. michellii (Cavalho et al. foschnyi (Lemus & Castro. Cavalho et al. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V...(Kato et al. 1993 e 1994). 1996) e V. 1989) e V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. V. V.. 1986 e 1990). carinata e V. michellii foi atribuída à presença da flavona... V.. sebifera.

duckei (Bennett & Alarcon. elongata (Davino et al. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. surinamensis (Lopes et al. sebifera. porém. 1997). além do . Ainda existem relatos das atividades antitumoral. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. Nectandra.. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. Ocotea.850 espécies. da famosa Canela-sassafrás. donovani e V.A atividade leishmanicida nas espécies V. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. Licaria. calophylla (Miles et al. amplamente usado no Brasil como condimento. 1978). Sassafras. 1994).. As propriedades antioxidante e surfactante de V. Os principais gêneros são Laurus. aliados ao relato de atividade moluscicida. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). tripanossomicida. A propriedade antioxidante foi confirmada para V.. A família reúne grande importância econômica. cercaricida e molucicida de V.. 1998. Persea. Barata et al. alucinogênica de V. do nosso famoso Abacateiro. todos aromáticos. 1996).. mas não foi detectada em V. árvores e arbustos (Mabberley. e outros. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. carinata e V. sugerem cuidados da população quanto ao uso. 2000). pois. oleifera. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. V. 1999). 1996. inseticida de V. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. do famoso Louro.. V. 1987) e anti-hemorrágica de V. 1986b e 1998). 1987). Incluem muitas espécies aromáticas. 2000). surinamensis. dados etnofarmacológicos de V. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. koschnyi (Castro et al.

A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. lanceoladas. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . e laus = "louvor". sendo considerada digestiva. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica.Abacateiro. como a Canela e o Louro. 1998). e de outras espécies. bem como para dores de barriga. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. onde se adaptou muito bem.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. deriva de lauer = "verde". folhas alternas. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. 1998). Espécies medicinais Laurus nobilis L. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. para combater problemas hepáticos e intestinais. fornecedor de alimento amplamente comercializado. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. pecioladas. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. de estômago e como emética e abortiva. .

pequenas e pouco vistosas. ao passo que a infusão das folhas. além de atuar como diurético e analgésico. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. bronquites. anti-sifilíticas. ou Persea gratíssima Gaertn. que envolve a semente grande e marrom. emenagogas. nome dado especificamente ao fruto. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. onde se encontram as folhas alternas. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. estimulante do apetite e contra cólicas. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. sendo comercializada em todo o mundo. Persea americana Mill. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. reumatismo e uremia (Corrêa. as folhas são usadas contra indigestão. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. carminativas. pecioladas. externamente. contra reumatismo. é também usada contra febres. 1995). estomáquicas. diuréticas e febrífugas. 1984). não ocorrendo espontaneamente. além de serem usadas contra doenças renais. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. comestível. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. flores branco-pálidas. analgésico. . vulnerárias. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. úlceras e piolhos (Bown. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. lanceoladas e acuminadas. com polpa verde.Internamente. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. fruto do tipo baga ovóide.

1987). americana citados acima. spatulenol. 1995. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. Grant et al. A espécie Persea americana L. antiinflamatório (Ademylmi et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1991. 2000.. 1991. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 2001). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al.. 2002). 1989) e dermatite de contato (Ozden et al... . elemicina.. 2002.. Hargis et al..8-cineol isolado de L.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. Afifi et al. 2002). O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. Carman & Handley.. O 1.. 2002). Sladler et al. antifúngico (Domergue et al.. A atividade antiulcerogênica de L.. 1991). hidrocarbonetos. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998).. 1999). 2002). Às folhas de P. 2002). 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. 1997). nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. antimicrobiana (Raharivelomanana et al.

1984).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).FIGURA 5.1 . .

1984) (Banco de imagens). .FIGURA 5.2 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Annona tenuiflora.

frutescens: a) Escanerata do ramo florido. .FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).3 .Xylopia cf.

C. no Brasil. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. M. Joly. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. M. 1998). com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Santos C. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Hiruma-Lima E. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. ao passo que na região do . 1997. A. muitas das quais usadas como medicinais. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Thottea e Asarum. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia.ó Aristolochiales medicinais L. e. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Di Stasi C.

Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. folhas alternas. sulcados e estriados.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. Contra-erva. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Batarda. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. parto. axilares. Mil-homens e Papo-de-peru. simples. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). ramos lisos. . Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Calunga. foi referida como medicinal. Jarrinha. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. usadas como venenos. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. e lochia = "nascimento". O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". Capa-homem. com sementes achatadas. Dados botânicos É uma planta trepadeira. hermafroditas. denominada popularmente como Milomem. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. pecioladas.1). e várias com usos medicinais descritos. fruto capsular cilíndrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. grandes. Outras denominações populares são Angelicó. que lembra o feto em posição antes do nascimento. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. muitas das quais ricas em alcalóides. zigomorfas. flores isoladas. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares.

ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. estimulante. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. diurética. cicatrizante e contra úlceras crônicas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. pecioladas. sudorífica. Também não é uma espécie cultivada. constipação nasal. disenteria e diarréia. . estomáquica. sulcados e estriados. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. catarros crônicos. anti-séptica. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. as flores são isoladas e axilares. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. especialmente para combater náuseas e vômitos. não sendo encontrada em áreas degradadas. sarnas e orquites (Van den Berg. os ramos são lisos. gripes fortes. capoeiras e áreas em regeneração. no entanto. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. 1982). a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. 1984). essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. anti-histérica e útil contra febres graves. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. excitante. simples. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata.

1993).Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia.. 1994). auricularia (Houghton & Ogutveren... arcuata (Watanabe & Lopes.. 1992. cinnabarina (Li et al... P et al. 1991). 1991). A. 1991). bracteata (ElTahir. 1984). 1979). longa (De Pascual et al.. 1994). clematitis (Kostalova et al. liukiuensis (Mizuno et al. 1980). 1986). versicolor (Zhang&He.. 1991b). yunnanensis (Chen et al. A. bracteata (ElTahir. rodix (Tsai et al. . 1980). kankauensis (Wu. 1995). fangchi (Tsai et al. 1979) em raízes de A. A. A. 1985) e A. em A. A. versicolor (He et al. indica (Che et al.... A.. T. 1983). Chakravarty et al. 1991a).. A. A. 1988). versicolor (Zeng et al. III e IV (Houghton & Ogutveren. A.. et al. rigida (Pistelli et al. A.. 1995). 1988. 1995). tubiflora (Peng et al. brasiliensis (Lopes et al... A. A. 1987)... A. 1994).. kankauensis (Wu. argentine (Priestap. A.. 1995). 1987.. L. Paiva et al. L. A. A.. A. 1992). 1991a).. 1983a). 1977 e 1985). et al. J.. et al... sendo descrito em A. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. A. A. 1995). tais como A. 1982). 1987). A. Abel & Schimmer. 1992). 1996.. 1987). A. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. esperanzae e A. 1995) e A. debilis (Ahmed Farag et al. A. 1991). H. 1995) e A. et al.. indica (Piers & Tse. A. X. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. 1987). A. chilensis (Urzua Rodriguez. A. 1993). A. 1989). Lopes. dematilis (Makuch et al.. A.. Zhang et al. maurorum (Kery et al. cinnabarina (Li. 1980). Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. manshuriensis (Ruecker et al. acuminata (Moretti et al. ponticum (Houghton & Ogutveren. 1988). nata (Moretti et al. gigantea (Cortes et al. A. et al. 1991) e de A. A. elegans (El-Sebakhy et al.. A. 1991. kankauensis (Wu et al. Alcalóides foram isolados de várias espécies. vários outros alcalóides aporfínicos de A. tubiflora (Peng et al. S.. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1986b e 1986a). A. S. A.. longa (De Pascual et al. manshuriensis (Lou et al... Higa et al. G. ftiangularis (Bolzani et al.. 1992). clematitis (Kostalova et al. 1996). M. 1987). incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1987. molissima (Peng. A. rotunda (Pistelli et al.. 1990. 1983). 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1992) e outros alcalóides em A. 1995). gigantea (Lopes. 1991b). 1987). 1988). Lou et al.. clematitis (Kostalova et al. A. argentine (Priestap. C. galeata (Lopes. molissima (Peng et al. 1983b).. tubiflora (Peng et al..... II. contorta (Lou et al. T. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. A... raízes de A. chilensis (Urzua et al.

Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . gigantea e A. galeata (Lopes & Bolzani. S. 1987) e A. taliscana (Longsw et al. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. macroura (Leitão et al. 1994). chilensis (Urzua et al.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. -elemeno. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. birostris (Conserva et al. 1980. triangularis (Ruecker et al. Lopes et al. e o ácido aristolóquico de A. A. 1977). rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1987b... S. O ácido aristolóquico de A. et al. R. A.. 1991b). -elemeno e -humuleno foram determinados em A. et al. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. T. 1996). 1988) e amidas em A.. indica (Pakrashi & Pakrasi. copaeno. 1988) e A. esperanzae. cymbifera. A. A. 1990). A. kankauensis (Wu. A. 1990)... 1995). Urzua & Presle. Lignanas também foram descritas em A... 1978). 1980). 1993). Compostos como -cariofileno... arcuata (Watanabe & Lopes. 1979).

. 1995). também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al.. tulobata (Sosa et al. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. G. paucinervis (Gadhi et al. 1985). Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1991).. no Sistema Nervoso Central.. multiflora (Moretti et al. 1979). 1988). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 1990). 1988). 1993). Estudos com A. atividade analgésica. birostris demonstraram. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. com A. 1996).. papilaris (Maia et al. 2001).. triangularis (Garcia.. 1985)... A. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. gigantea (Campos et al.. 1991). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. antibacteriana. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al.. 2002).. 1991). 1983).. anti-séptica e cicatrizante de A. 1979). O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. determinada pelo teste de Ames. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. et al. O mesmo ácido obtido de A. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1999). e antiviral com A. H.Choudhury. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. A. niaurorum (Kery et al.. 1999). 1993). A espécie A. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al.. Atividade mutagênica. papilaris (Maia et al.

cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. .. por suas características químicas.1 . as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. FIGURA 6. 50 ou 100 mg/kg via oral.com 10. 1993).Aristolochia trilobata. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. Entretanto. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. Da mesma forma. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes.

Por sua vez. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. Piper nigrum. Di Stasi C. do qual se destacam espécies como a Pimenta. dos quais se destacam os gêneros Piper. 1997). epífitas.7 Piperales medicinais L. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. G. Peperomia e Pothomorphe. especialmente do gênero Piper. Geralmente as plantas são arbustos. normalmente com células de óleos essenciais. C. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. e espécies me- . lianas. Portilho M. onde ocorrem em abundância e diversidade. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. A. Hiruma-Lima A. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. S. Mariot W.

Piper cubeba. as quais passamos a discutir a seguir. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Piper longum. Espécies medicinais Peperomia elongata H. pequenas. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. como a Piper betle (betel). Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper.1).K. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. folhas alternas. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. Piper angustifolium. muito semelhantes entre si. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. O gênero Peperomia.dicinais de ampla utilização. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga.B. sendo também apenas . Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Nomes populares Além de Tracoaptera. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. como a chinesa e aiurvédica. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. ovário com um só estigma. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.

obtida na área de floresta em torno da aldeia. simples.B. Peperomia rotundifolia H. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. de distúrbios do estômago. gastrite e gripes. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. pequenas. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. .K. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). mas com pouca ocorrência. curtopecioladas. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Não foram encontrados sinônimos. bastante carnosas e glabras. na região amazônica. Piper cavalcantei Yuncker.

Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. assimétricas na base. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. podendo chegar a até 5 m de altura. Piper cernnum Vell. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. folhas pecioladas. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. algumas lianas e pequenas árvores. sendo a maioria arbustos. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. todas aromáticas. especialmente para dores de cabeça. os frutos são drupáceos (Figura 7. membranáceas. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. pendente. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. isoladas e levemente curvadas.2). inflorescências do tipo espiga. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. atingindo até 10 cm de comprimento. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. .

além de ser útil em distúrbios renais. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. Em outras regiões do país. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. onde a espécie é abundante. um pouco ásperas. particularmente contra cólicas abdominais. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. tendo distribuição por todo o Brasil. assimétricas na base. acuminadas no ápice. estomacais e hepáticos. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. levemente curvadas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. inflorescências do tipo espiga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. membranáceas. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. especialmente contra dores de barriga. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. incluindo hepatite. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. . enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico.3). Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi.

Piper marginatum Jacq. r e t a . Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. cordiformes. pequena (até 11 cm de comprimento). flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. levemente assimétrica na base. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . c o m o Aperta-mão e Pimenteira. alongada e fina. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Ihotzkyanum Kunth. membranácea. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. com ramos glabros e cilíndricos. Bitre. glabra. Aperta-ruão ou Aperta-juan. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. pecioladas. membranosas. inflorescências do tipo espiga. Em outras regiões do país. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. folhas alternas. estomacais e renais. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. flores . com até 7 cm de comprimento (Figura 7.4). com ápice acuminado. Nhandi.Piper cf.

ovado-arredondadas. flores sésseis. Catajé. minúsculas. 1984). principalmente da tucundeira. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. e não isoladas. um gênero da família Araceae. . O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. formando uma falsa umbela. Pothomorphe peltata (L. resolutiva e usada em banhos após o parto. Uma outra espécie do mesmo gênero. gineceu com três estigmas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. com ápice agudo e nervação peltinérvea. como ocorre no gênero Piper. A planta é tônica. os frutos são excitantes. se ingerida. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas.6). estimulatórias (Corrêa. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. as raízes são carminativas. peitadas. contra veneno de cobra. dores de dente e blenorragias. fruto do tipo baga (Figura 7. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. membranosas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. peltatas. andróginas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. sialagogas. as folhas.com brácteas triangulares. sudoríficas. estomáquica.5). bainha desenvolvida.) Miq. essas diferenças ficam bem claras. descrita a seguir. Malvarisco. androceu com três estames. diuréticas. Caá-peuá.

vermífugo. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. flores sésseis. bainha desenvolvida. minúsculas. com ápice agudo e nervação peltinérvea.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. ovado-arredondadas. . Capeba ou Pariparoba. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. 1980). Pothomorphe umbellata (L) Miq. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. membranosas. formando uma falsa umbela. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. andróginas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. cordada. 1984). fruto do tipo baga. antiinflamatório externo e interno. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas.7). diurético.

. 3-hidroxi-4. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Cromonas foram isoladas de P. além de apiol. compostos de grande importância farmacológica. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia.. monoterpenos. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. 1996). consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. Das raízes de P. Mahiou et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. et al. E. 1982).5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. vulcanica e proctorionas de P. 2000). sesquiterpenos. Seeram et al. proctorii (Mbah et al. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. flavonóides (Tillequin et al. Das partes aéreas de P. que representa 49% dos constituintes voláteis. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. miristicina. 1994).. são . marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al.. 1990). (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 1988). B e C (Chen. M. indicada populamente como antitumoral.. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol.. ácidos graxos (Lima et al.. 1988).. Os alcalóides. 1997). C. quinonas piperogalona... et al. grifolina bisobolol. Piper Das raízes de P.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al.. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. 2001). marginatum foram isolados aril-propanóides. que também possui ácido grifólico. 1982). 2002.. 2001). G. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol.. De Peperomia japonica.

isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- ... betle (Evans et al. Uma quinona.. piperlongumina. 1979). hispidum (Vieira et al.. amalago (Dominguez et al. guineense (Cole.. 1982) e P clusti (Koul et al. 1986) e flavonas de P.. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. Li & Han. 1985). Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. 1977) e P. 1986) e P.. 1987).. Tabuneng et al. sylvaticum (Banerji & Pal. 1986). Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. P.. P. hostmanianum (Diaz et al. Pothomorphe P.encontrados com freqüência nesse gênero. hidropiperona. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1987). 1986).. 1981) e P. 1981).. P. Achenbach et al. lancei (Han et al. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. sendo os principais piperlonguminina. methysticum (Smith... 1987). aduncum (Smith & Kassim. P. Shoji et al. P. 1980). 1992). P. P peepuloides (Shah et al. lignanas de P.. 1984). Bacillus subtilis. 1983). 1979). 1986 e 1987). 1977. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1987). 1986). 1985) e P. auritum (Ampofo et al. hancei (Li et al. piperidina. 1987). tuberculatum (Braz Filho et al. compostos fenólicos de P.. betle (Rimando et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. retrofractum (Banerji et al. nigrum (Inatani et al.... P. hispidum (Burke & Nair. 1980) e P. 1986. Foram isolados diversos alcalóides em P. 1968).. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli.. 1995)... Foi demonstrado também que P. chavicina e outros. futokadsura (Chang et al. 1986. piperina. 1985). P. cubeba (Badheka et al. hispidum (Vieira et al. P. jaborandi (San Martin.. Isolaram também neoglicanas de P. P. flavonóides de P. aduncum e P. 1983. longum (Dutta et al.

Embora o extrato de P. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina.. 2001). 1996a). Aziba et al. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. O. 1992). enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. 1998. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. Piper Foram caracterizadas para P.. em doses que variaram de 0. Assim... antibacteriana. V.. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al.. 1996). O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. 1997). R.. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.v. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. 1997). 2001)..1-1 g/kg. S. M. Villegas et al. A administração i. Substâncias de P.cies de Leishmania (Mahiou et al. apresentou atividades diurética (Santos. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. e atóxica (Saad et al. promoveu piloereçáo. et al. E. hipotensora (Siqueira et al.. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. Arigoni-Blank et al. 1996). atuar como antialérgico e diminuir . relaxamento muscular e dispnéia. bloqueada com prazosin e ioimbina. 1994). V. L.. 2002.. V. hipotensora (Santos. O extrato aquoso de P. 1994). et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. et al.. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. O. analgésica (Da Silva et al. 1996b). do extrato (0. 1997).1-0. 2002... antifúngica (Lima. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. H. também conhecida como Língua-de-sapo. et al. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. B. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. galioides e os compostos ácido grifóico. et al. cicatrizante (Saad et al. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal... R. 1995). 1996). salivação intensa. H. lacrimejamento.

Amorim et al.. larvicida (Mongelli et al. 2000). nigrum (Miyakado et al. P. Porém. retrofactum (Woo et al. por seus constituintes químicos. As neoglicanas isoladas de P. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1986 e 1988. anticonvulsivante. 1987). 1984)... aduncum (Lohezic-Le et al. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1985). P. 1984). e aumentou o tempo de sono (Duve. A espécie P... peltata. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1991. 1988). Shen et al. a degranulação. antioxidante (Choudhary & Kale. Di Stasi & Pupo. 1985). 1988). sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. mutagênica (Chen et al. apresentou propriedades anestésica. 1984. inibindo a agregação de plaquetas. De P. methysticum também conhecida como kava-kava. 1984). amalago (Pupo. fungicida. além de bloquear a transmissão neuromuscular..a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). nematicida (Evans et al. P. Pothomorphe A espécie P. 1983). Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 1986). 1979). inseticida com substâncias de P. P. 1987. Atualmente. 2002).. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos.. esta última com potente atividade (Di Stasi. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. Dahanukar et al. lindbergü e P. conhecida como Pariparoba. 1978.. Desmachelier et al. 1985). analgésica.. cincinnatoris. regnelli... 2002). peltata possui atividade analgésica (Pupo. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. 1985). agindo como os anestésicos locais (Singh.. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. Prakash.. A espécie P. 1976). Cairney et al. 1986. lancei e P. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger.. betle apresentou atividades fungicida. gaudichandianum. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 2002. e antiviral P. abutiloides. 1988)... espasmolítica.

peltata (Felzenswalb et al. 1997.. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. 2002. Desmarchelier et al.. 1987). Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P.Peperomia elongata.Banco de imagens . 1996). 1992).. o que não foi observado na espécie P.. de Ferreira da Cruz et al.. umbellata L. antimalárica e antioxidante (Isobe et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.. umbellata.. Miq. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. 1995).. umbellata. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. De P. antiedematogênica. 2000). Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . O extrato etanólico das raízes de P. P.1 . analgésica. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al.. 1987). FIGURA 7. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.

. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Banco de imagens ).2 .FIGURA 7.Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.

FIGURA 7.3 .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7. .4 .

.FIGURA 7.5 .Piper marginatum. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).

Pothomorphe peltata.FIGURA 7. . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .6 .. .Banco de imagens .

Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .inflorescências Folha cordada FIGURA 7.7 .

Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Di Stasi C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Hiruma-Lima C. Sabiaceae. das quais devemos destacar Menispermaceae. M. algumas lianas.8 Ranunculales medicinais L. Santos E. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. foram obtidos. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. M. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. C. como é o caso da Papaver somniferum. como a morfina e outros derivados opióides. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Pteridophyllaceae. Ranuculaceae e Papaveraceae. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Berberidaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. A. arbustos escandentes e . nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. o famoso Ópio.

utilizadas por índios do Norte do país. Outra denominação é Iroba. assim como . folhas alternas e pecioladas. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. a espécie é chamada de Abuta. típica da aldeia tenharins. Uma delas. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. da Mata Atlântica. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. com ampla distribuição na América do Sul. Dados botânicos Planta perene.1). 1997). com contorno oblongo (Figura 8. são consideradas muito tóxicas. no entanto. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Espécies do gênero Abuta. rufescens e A. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. tais como A. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. Nessa família. fruto do tipo drupa. raspada e misturada com água. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. 1996). onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. aplicada no local lesado e/ou ingerida. onde a planta foi referida como medicinal.raramente árvores ou ervas (Mabberley. foi referida como planta antiinflamatória. imene. também denominada de Abutua.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

relaxante (Araújo et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. GOT. et al. 1993.. Não foram observadas. 1993). Brochado et al. 1996 e 1998)... o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. antiviral (Brochado et al. ainda. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. Além disso. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente .. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. 1997). Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al.. 1998. 1997). 1996. et al.. Induziu. M. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero.. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. 1997.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1997). analgésica (Macedo et ai. raízes. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente.. Gomes et al. 1996). 1997)... 1987). Kern et al. L.. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. Farias. 1994). Uma loção contendo C. argentea.. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A.. in vitro. D. L. porém.. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. 1996). as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1996a e 1996b). Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1996). J. 1999. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Loureiro et al. LDH) e o nível de bilirrubina. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. D. 1996. B. B. et al. Farias.

Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. 1972).. não apenas com as espécies citadas. Yang et al. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1998).. B.. et al. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. Zhang et al. 1992). confirmados para inúmeras espécies dessa família. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. especialmente em uso crônico. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. 1986. sobretudo contra helmintos. hemorragias. C.. De Ruiz et al. 1996. Extrato aquoso de A. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al... provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. porém. 1996). aliado aos dados de toxicidade em peixes.. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1989).quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. O uso das espécies contra helmintos. 1993). Do extrato de A. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. requer cuidados por parte da população. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. 1988. S. subclasse Caryophyllidae. 1995).. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. et al. inclui .

Cereus e Melocactus (Cactoideae). com aproximadamente 1. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. são espécies perenes. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. de hábito variável e geralmente espinhosas. 1978). Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. • Opuntia (Opuntioideae). a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. • Cactus. 1997). Segundo Joly (1998). usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. 1978). As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal.97 gêneros. embora várias espécies possam ser encontradas na África. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. No Brasil ocorrem 32 gêneros. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. .400 espécies (Mabberley. que também inclui espécies medicinais. Em ambos os casos. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). suculentas. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. que inclui a espécie Pereskia grandiflora.

glucurônico e seus metil ésteres. 1987). sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. Das folhas de P. oblongas e acuminadas com base atenuada.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. glucose. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. galactose. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. Peiresc. fruto do tipo baga glabra. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. obovóide. dispostas em rácimos terminais. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. galactose. 1986). É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. arabinofuranose. numerosos acúleos. 1994). além de galactose.. ácido galactopiranosilurônico. guamacho possui ácidos galacturônico. arabinose. lenhoso. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. arabinopiranose. sendo uma homenagem ao professor N.. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. cresce em matas e em restingas. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. em altitudes e também no nível do mar. folhas subpecioladas. além de heteropolissacarídeos. antitérmico e contra gripes e resfriados. xilose e ramnose (De Pinto et al. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. 1990).. A goma de P. galactopiranose. F. . C. A espécie é originária da Argentina.

1978). sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. e 33 espécies (Barrozo. sendo algumas pequenas árvores. Portulaca oleracea. Talinum e Portulaca. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. muitas delas suculentas (Mabberley. arbustos e ervas.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. O principal gênero é o Portulaca. 1997). no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. .

O nome do gênero Portulaca deriva de portula. planas e suculentas. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. flores amarelas. sésseis. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. e a maioria é de ervas suculentas anuais. Na região da Mata Atlântica. as partes aéreas cruas são usadas. outros usos são atribuídos à espécie. Inclui três variedades principais. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. pequenas. pequenas. como alimento. arroxeado e suculento. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. folhas pequenas. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. especialmente em Portugal e na Alemanha. axilares ou terminais. Berduega e Veduega. mas algumas variações de nome popular são usadas. dadas sua rusticidade e resistência à seca. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. Bodroega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. Dados botânicos É uma erva de caule curto. tais como Verduega. diminutivo de "porta". fruto capsular obovóide. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. obovadas. cólicas renais e . a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. na forma de salada. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. lanceoladas. glabros e suculentos. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. as sementes passam por diuréticos. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. emenagogos e vermífugos. Também conhecida como Beldroega. . Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves.afecções da vista. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. diurética. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. cicatrizante externa. amarga. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. de onde saem folhas alternas. pequenas. Portulaca pilosa L. Caaponga. As folhas dessa planta também são comestíveis. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. pilosas. estomáquica. Perrexi e Alecrim-desão-josé. emenagoga e eficaz contra erisipela. flores amarelas. como as da beldroega. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". vulnerária. emoliente.

1991). 1991. 1988). ácido ascórbico. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. dentre os quais 18:3-ômega-3. málico. parkeol.. pilosa (Ohsaki et al. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 1996). Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. fumárico e acético (Gao & Liu.. cycloartenol. 1994). três diterpenóides transclerodânicos. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1996). 1991). succínico.. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. B e C.. Boschelle et ai. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. (1991) detectaram de R oleracea 3. . portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. Simopoulos et ai. pilosanol A. ascórbico. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. ácido linoléico e ácido palmítico. ferro. 1992). Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. hidrocarbonos e alfa-tocoferol.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea.. 22:6ômega-3.. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol.4. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. 1995. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. manganês.. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. butirospermol. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. campesterol e stigmasterol. 1990).. Boehm & Boehm. cálcio. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. como sitosterol. P.. malônico. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5.5% de lipídios.. fósforo. oleracea de proteínas. 1992). carboidratos.. 1991). Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. isolados das raízes de P. sendo o último composto um glicosídeo. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. 1996). Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.. 1995b).

grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. oleracea foi investigado in vitro. O extrato de P..De P... oleracea. 1989). (1994). grandiflora Hook. sem alterar a diurese. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. n-triacontano.. 1993. 1995). além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. 1987). apresentou atividade hipoglicemiante. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. beta-sitosterol. Habtemariam et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al.. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al.. 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1985) relaxante muscular... enquanto das partes aéreas de P.. diurética (Rocha et al. 1994).. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1989). foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al.. 1997). n-hexacosanol. De P.. 1989. 1993). em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. encontrado por Rocha et al. dentre outras espécies.. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. 1987).. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. stigmasterol. P. Rocha et al. 1996). 1994). . 1989). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1989). lupeol. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al.. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.

Mentrasto e Mentrusto. Erva vomiqueira. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. extremamente ramificado. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Lombrigueira. Anserina vermífuga. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. 1978). oblongas denteadas.5 m. que pode atingir até 1. Caacica. caule ereto e glabro. ervas anuais ou perenes e. Salsola e Atriplex. Spinaceae. A família se subdivide em quatro subfamílias. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. raramente. No entanto. Erva-das-lombrigas. pequenas árvores. Erva-das-cobras. Menstruço. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Ex Stend. Salicornia. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Inclui arbustos. sendo uma planta extremamente . Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Também é chamada de Ambrósia. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. 1997).Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. ramos folhosos verdes com folhas alternas.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal.

incluindo a Amazônia. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional.. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. febre. 2002.) . lesões hepáticas. esse uso é comum também em outros países. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. externamente. como abortiva.. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. internamente. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". ao passo que a infusão das folhas é usada. em altas doses. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. 1985a e 1985b. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. bronquite. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. Melito et al. contra reumatismo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. referindo-se às folhas lobadas. extremamente útil para afugentar pulgas.. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. dor ciática e parasitas intestinais e. para problemas da pele. 1995). Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. especialmente na área veterinária. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. baratas e demais insetos. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. a maioria de ervas. Godano et al. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. 1978. amplamente disseminado nas zonas rurais. Além desse uso. percevejos.

mas não antocianinas (Mabberley. . O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Pega-pinto e Tangaraca. de onde partem folhas pequenas. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Pisonia. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. nome usado em todo o Brasil. em trinta gêneros. Guapira e Andradea. distribuídas. Mirabilis. ovadoblongas. a espécie é conhecida como Erva-tostão. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Dos gêneros. Mirabilis e Bougainvillea. Boerhavia.3). flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. incluindo árvores. Bougainvillea. opostas. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. 1997). pilosas e pecioladas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais.

lianas ou ervas. 1999). desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt... 1999). Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. 1996. Corrêa (1984) refere que a planta. 1997). 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. além de ser considerada excelente diurético.. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 1995). A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Rawat et al.. Aslam. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1996) e lignanas (Lami et al. 1991).. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. atóxica. 1991. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 2000a). ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.. especialmente a raiz. Sohni et al. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. sendo árvores. 1990 e 1991). arbustos. 1978 e 1980. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. particularmente contra lombrigas. possui sabor picante. sem efeito teratogênico (Singh et al. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1997).

Dados botânicos Subarbusto perene. ereto.4). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. também é comum. no Rio de Janeiro. Tipi-verdadeiro. no Mato Grosso. fruto aquênio cilíndrico. Em outras regiões. Outros dados incluem o uso da raiz. folhas. como abortiva. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. diurética. O uso externo das folhas novas e da raiz. como Tipi. androceu com quatro estames. limão de cayanna. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. membranosas. em Pernambuco e em São Paulo. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. e o gênero Petiveria. agudas no ápice e estreitas na base. Amansa-senhor. 1984). alfavacão. ramificado com ramos compridos. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. na Bahia. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. Pipi. no alívio de dores musculares. sublenhoso. achatado e carenado (Figura 9. antiespasmódica e reputada como sudorífica. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. flores sésseis. raízes e ramos são considerados emenagogos. folhas curto-pecioladas. estipuladas. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. delgados e ascendentes. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. que inclui uma única espécie. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. alternas. farmacêutico e amante da natureza. Gambá-tipi. em decocto ou pó. inchaço de mem- . pequenas. gineceu unicarpelar com ovário súpero.como ornamentais.

como abortivo. linoléico. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. no Rio Grande do Sul. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez.. 1997..7-di-O-metilpinocembrina. nitrato de sódio. Grandi et ai.. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados.. 1988. 1986). T. reumatismo. dores de cabeça. 1980. 1988). a raiz é útil na amenorréia (Agra. et al. as raízes são usadas na hidropsia.. 1989) e depressora do SNC (Lima. T. De Souza et al. 1988.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. Trotta et al. pinitol. além dessas indicações. serina. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. M. na Paraíba. 1982). flavonóides.. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. ácido lignocérico. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. 1998). 1988. et al. alantoína. 1982). Pinto C. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. peptídeos como ácido glutâmico.. triterpenos (Delia Monachi et al. em Minas Gerais. ainda. De Lima et al. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. glicina e alantoína (Sousa et al. trans-N-metil-4-metoxiprolina.. esteárico. 1990). Van den Berg. 1982. 1980). 1988b). O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1988).. M. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. 1982). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. . no Ceará.. 1992).. 1986). ácidos palmítico. 1990). trisulfeto de dibenzila. 1980). 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. beta-sitosterol. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. lignoceril álcool. C. beta-sitosterol.. S. et al. em Brasília e no Mato Grosso.. C.. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. paralisia.

1998).. alliacea. Takahashi. Malpezzi et al.. Y. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1988...270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al.. 1988. Lopez-Martins et al. 1995). também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 2050 aci02)... Elisabetsky et al. acaricida (Johnson et al. 1989.. No entanto. 1997) e antifungica (Benevides et al. 1996) e antitumoral (Davino et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. antiinflamatória oral (Germano et al.. 1994).. 2001). efeito zigotóxico (Guerra et al. P. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1988. 1993). O extrato hidroalcoólico de P. Guerra et al. e o de caule. 1993. 2002... O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1988).. Davino et al. por levar à imbecilidade. M. Cortez et al.. Caldeira et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo... 1989. 1993. 1991 e 1992). et al. utilizado popularmente como vermífugo. Germano et al. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. hematopoiética (Quadros et al. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al.. afasia e até à morte (Corrêa.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi.. .. 1991.. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida.. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al. 1991). decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1994). citotóxica... 1991). 1984). 1990). O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. com uma D L m a de 1. atividades analgésica (Thomas et al. 1998). além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 1991. Davino et al. 1992)..

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

O nome do gênero Sechium. sulcado. especialmente após o cultivo sistematizado. e muitas variedades em cada espécie. mas ásperas. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. 5-lobadas e raramente com mais lobos. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. é uma variação de sicyos. especialmente na Itália. É uma importante espécie econômica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Wilbrandia ebracteata Cogn. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. capoeiras e na beira de estradas. longos. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. descrito por Patrick Browne. . e sua raiz. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. com caule anguloso. como Cabeça-de-negro. folhas pecioladas.a cinco lobos. rugoso. ramoso e delicado. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. foi dado em homenagem a John Wilbrand. flores amarelo-claras. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). alternas. como em formações secundárias. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. sendo um produto amplamente comercializado. fruto do tipo pepônio verde.3). O gênero inclui apenas seis espécies. que significa "pepino". membranosas. flores amarelas esbranquiçadas. Wilbrandia. com até 20 cm de comprimento. e o nome.

1986). taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. Cr. 1989). Ni.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1996). 1985). sífilis (Almeida et al. tumores e.. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. A composição química do fruto de M. Grondin et al. 1996. Nguyen. Das sementes de M. 1995. também. além do esterol. 1990a). 1996. charantia foram isolados os triterpenos momordicina.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites.. reumatismo. ácido linolênico. 1989. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. Das sementes de M. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1996)..81%).. 1988. além das momordicinas (Fatope et al. Zheng et al. divididos em lipídios não-polares (38. 1990. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Foram isolados ainda das sementes de M. 1992). Chandravadana et al. assim como no controle da diabetes.. sendo o cucurbita-5.76% de lipídios. Mn e Li (Peng & Li. Das folhas de M.. Além disso. 1989. Dos frutos frescos de M. 1992). Co.. Wang et ai. proteínas.. 1987). charantia foi determinada como 0. charantia também foram isolados vicina. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. 1997). charantia também foram isolados triterpenos. 1996. Das sementes de M. 1991. 1996). momordicinina e momordicilina... aminoácidos e abundância em elementos como Cu. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. glicolipídios (35. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.... como laxativo (Farias et al. Zn.40%)..80%) e fosfolipídios (16. Kusmenoglu. Hara et al. De M.. charantia . charantia foi isolada a gama-momorcharia. afecções da pele. 1990). charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Huang et al. 1997). Chang et al.... momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Dos frutos verdes de M. Foram isolados também cicloarterol. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al..

1994). contendo trinta carbonos. 1990b). foetida (Mulholland et al. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. rigorosamente. triterpenos tetracíclicos. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. posteriormente. As sementes possuem 50% de óleo. 1994). grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. 1990). Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. pela E e. dioica eM. 1995). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1993). isolados das partes aéreas. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. além de possuir óleo essencial (Guerrero. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). além de uma resina (Volák & Stodola. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. esteárico. Dos frutos de Aí. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico.. seguidas. 1990). pelas G.vicine.. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. Geralmente. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1993). charantica... punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. também foram detectados em Aí. 1995). balsamina (De Tommasi et al. além do ácido rosmarínico. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. Aí. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. 1991). também descrito em M. 1987). Das sementes de M. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1997). A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. 1987). linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. . charantia. sesquiterpenolactonas e taninos. H e I (Miro. oléico.

(2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. (1994). (1986). Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar.. 2002). Welihinda et ai. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. 1981.. Raman & Lau. 1996. charantia (Rathi et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos... parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1984. Além disso. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. 1996.. DNA. 1997). Inibição da síntese de RNA.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Platel & Sirinivasan. 1983)... Pugazhenthi & Murthy. 1996). A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. 1983a e 1983b) e . Ahmad et al. 1982a e 1982b). 1993). antiviral (Takemoto et al. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al...... O suco dos frutos de M. O extrato etanólico de M. 2002) (Jilka et al. Karunanayake et al. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. 1993). decocto das folhas e suco de M. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. da síntese protéica. Athar et al. 1980. Ng et ai. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. El-Gengaihi et al. 1982. 1986. extratos brutos de folhas. 1987). 1996.

uma proteína inativadora de ribossomos. Wang et al. momordina 1 e momordina 2. charantia. charantia... Fong et al. 1994). 1990a). charantia. 1994). antitumoral. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. charantia.. isoladas dessa espécie. 1987. et al... Cinco compostos foram isolados de sementes de M. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1995). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1996). A glicoproteína isolada das sementes de M.... impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. Ng et al. incluindo M. 1983). 1993). alda-momorcharina. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al.. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. 1993). L. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1990). charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia) inibe a integrase de HIV-1.imunomoduladora (Spreafico et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu.. 1996). proteínas inativadoras de ribossomos. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. Os frutos e sementes de M... inativadora de ribossomos e imunomoduladora. isoladas de sementes de M. na qual descreveram a momorcochina. . charantia. 1990). 1995b). pulmonares e da mama (Rybak et al. As proteínas inativadoras de ribossomos. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.

charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. Misra et al.. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. MAP30 isolado de M. Das folhas de M... não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1995). Basaran et al. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. M. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. 1994). O extrato aquoso da folha de M. et al. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. e o rizoma de Curcuma longa Linn. 1994). 1991).. 1987). 1987). 1997). 1988). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. (1984 e 1985). Embora indicada contra malária.. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior ... 1990..Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1996). 1990. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. antiancilostomose (Berchieri et al. Apesar da indicação popular para inflamação. 1996). Os frutos de M. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia foi isolado ginsenosídeo. De M. No entanto. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1995). 1996). A M. Amorim et ai.... Foram isoladas duas proteínas de M. 1990). charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia (Silva.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei.. 1996). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. De M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. Dos frutos verdes de M. L. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer.

. 1995. 1996)... hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. 1995). citotóxica. 1995. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 1997).. Teixeira. 1989. tais como antioxidante. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae.. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. anti-helmíntica. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al.. 1991). inúmeras atividades farmacológicas são referidas. Além disso.. antitumoral. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. Hamato et ai. 2001).atividade hipoglicemiante. 1995. 1993).. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. do que o extrato de M. 1995. em rato. 1986). 1991). hipovolemia. Outras atividades também foram descritas para a espécie. 1994). alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. C. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1997 e 1999). tais como antiinflamatória. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas.. inibição da ovulação. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. et al.. A. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. diminuição da pressão arterial. hipotensora (Gordon et al. Miró. 2000) e antimutagênico (Yen et al.. 1984. anticoncepcional. 1993). . De M. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. O extrato alcoólico de M. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1995). antimicrobial. charantia (Sankaranarayanan &Jolly.. diarréia. 1996).. Pagotto et al. 1993).. Proteínas isoladas de M. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. Peters et al... 1986b). Trichosantina. Jensen & Lai.

cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. Raman & Lau. 1994).. El-Gengaihi et al.. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy.. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1986). especialmente por gestantes. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1986. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. charantia em enzimas hepáticas.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. 1996. recentemente. angaria foi de DL50 = 1. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. 1992). 1988). 1997)... A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. A toxicidade do fruto de C.. 1987). 1996. Chan et al. Das sementes de M.. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas.. 1990). 1996.6 mgAg. Em ambos os casos. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. Os frutos de M. 1986). . Platel & Sirinivasan.

visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. e não foram encontrados sinônimos para ela. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. farrapo". Dados botânicos Árvore de pequeno porte. folhas simples. semente com endosperma carnoso (Figura 10. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. e stemon = "estame". fruto do tipo capsular trilobado. desde o México até o Peru e o norte do Brasil.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). onde há cerca de oito espécies. . Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies.4). androceu com um estame. 1978). alternas. com gomo terminal protegido por estipula caduca. mas que possui uma grande importância. pedaço. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. ovário unilocular. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. distribuídas em regiões tropicais. bem desenvolvidas. pétalas ausentes. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. referindo-se ao estame bifurcado.

No Brasil. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). 1997). Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. conforme apresentamos a seguir. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. arbustos e árvores (Mabberley. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. existem várias espécies do gênero Passiflora. 1996). 1992). Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. de valor alimentício e medicinal. no entanto. compreendendo lianas. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. em geral trepadeiras. com 575 espécies tropicais e temperadas. . Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. representando um importante recurso econômico. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero.

cilíndrico. hexadecanóico. cordiformes. epipassicoriacina. chamada popularmente de Maracujá gigante. flores com cinco sépalas ovadas. corniculadas. pela interpretação dada às peças florais. 1996.. sementes compridas (Figura 10. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Uma outra espécie de maracujá. (9Z)-ácido octadecenóico. 2tridecanona. 1987b e 1985). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. carotenóides (Ferreira et al. alternas. margem inteira. antocianinas (Kidoey et al. estipulas ovadas. 1991). também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. Spencer & Seigler. ovadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. monoterpenóides. . 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. 1990). é usada para diversas finalidades.. 1983). 1987a. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. mas identificada apenas até o gênero.. uma espécie denominada Maracujá. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al.. que lembram os instrumentos do martírio. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Na região da Mata Atlântica. caule robusto. o suco dos frutos é considerado sedativo. 2-pentadecanona. côncavas. fruto oblongo-ovóide. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. Passiflora macrocarpa Mart.5). 1997). planas e obtusas. peninérveas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). principalmente a P edulis. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero.Dados botânicos Planta glabra. 1989). O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). folhas inteiras. agudas no ápice e estreitas na base. gavinhas que são ramos florais modificados. e cinco pétalas rosadas.

flavonóides (orientina.. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. Proliac & Raynaud. harmina. Flavonóides como vitexina.. 1988). Ortega et al.. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1997). 1979). 1997. mollissima (Froehlich et al. K. taninos. P. nem em R incarnata (Speroni et al. 1986).. 1988). 1984) e a P incarnata (Kimura et al. Costa. 1989). riboflavina. vitaminas A. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. 1997). 1996). 1987). O suco dos frutos contém água. lipídios. isoschaftosídeo. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. 1996). amliformis (Restrepo & Duque.. PP e C (Zhuang & Wang... isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. proteínas. 1997. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. cálcio. 1988. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Sena & Leite. carboidratos. 1991). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. Spencer & Seigler. 1997. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. Menghini... bem como a presença de glicosídeos em P. quadrangularis (Orsini et al. analgésica... 1988. isoorientina. glicosilflavona (Geiger & Markham. sendo a passiflorina o mais conhecido. Amaral. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. Raffaelli et al. harmalina. et al. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. potássio. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. maltol. 2000). assim como ácidos graxos. B2. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al.. 1988). 1998). Dos frutos e folhas de P . harmol e harmalol). 1980). saponarina. 1980.. espasmolítica (Queiroz & Brandão.1979). Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1986).. P coriacea (Spencer & Seigler. orientina e isoorientina. B1. ferro. schaftosídeo (Proliac & Raynaud.. Vale & Leite. 1995. isovitexina. 1987b). 1988. fósforo. 1986). 2000. fermentos.. Da espécie P. de onde foi isolada crisina. açúcares.. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. Esse composto não foi detectado em P coerulea.

O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. 2000). 1989). Echeverri & Suarez. FIGURA 10.. foetida apresentou atividades hipotensora. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al.1 .. 1985b... ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. inotrópica... 1998a). antipirético (Silva et al.. antiinflamatório (Silva et al. Porém. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. 1989 e 1993) e inseticida. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al.. espasmolítica (Carneiro et al. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona.. Detalhe da folha 5-lobada. Barros et al. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1991). 1988). Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. 1978). 1991.. 1985). Das folhas de P .Luffa cylindrica Roem. fruto e flor (Banco de imagens . 2000) e imunoestimulante (Guerra et al..

.2 .Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

reunidas em fascículos axilares. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. Schum. canaiensis (Willd. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1982). as raízes são usadas contra moléstias uterinas. emenagogos e as folhas (decocto). também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. no Pará.mas. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. freqüentemente com cálice roseado. na região amazônica. mas também de Ganchuma e Relógio. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. as flores são pequenas. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. na Bahia. . com caule ereto e ramoso. Vassoura e Relógio. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. Sida rhombifolia L var. lineares e de cor branca. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa.) K. 1939). de Vassoura. Nomes populares A espécie é chamada. como emético (Hoehne. como abortivos. Malva-preta.

Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero.4). Rabo-de-foguete.Vassourinha. folhas curto-pecioladas. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Grandi & Siqueira. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. é de grande uso externo contra reumatismo. tônica. . a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. como Minas Gerais.. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. mas esta não foi completamente identificada. Uacima e Uacima-roxa. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. no Rio Grande do Sul. Guaxuma. Aramim. axilares. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. flores solitárias. Urena lobato L. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. emoliente. no Rio Grande do Sul. 1986).) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. anti-hemorroidal. Malva e Vassoura-do-campo.. 1982). Na Mata Atlântica. ereta. Malva-roxa. rombóideovais ou lanceoladas. Em outras regiões do país. é tido como útil. em São Paulo e no Rio de Janeiro. a planta é utilizada como béquica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Coaquibosa. dispostas em racemos. popularmente conhecida como Caapiá. na dose de três xícaras ao dia. Ibaxama. O chá de toda a planta. ramosa e pubescente. 1982. chamada de Caapiá. reticulata (Cav. Malvaísco. Guaxiúba. e Guanxuma. Aguaxima. Carrapicho-de-lavadeira. em Minas Gerais. var. contra desarranjo menstrual. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. alternas. róseas. Guaxima. Dados botânicos Planta anual.

moschentos (Tomoda et al. emoliente e contra eólicas renais.. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. 1977a. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. 1977b e 1978). a decocção da raiz é usada como diurético.. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. pecioladas. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. suculentus (Moawad et al. 1991).. ciclopropenos (Nakatani et ai.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. Dados químicos Hibiscus De H. diurética e útil contra eólicas. onde se encontram glândulas nectaríferas. com grande destaque para as três nervuras centrais.. de até 3 m de altura. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. 1986. De H. 1991). 3-7 nervadas. suculentus (Tomoda et al. flores pecioladas. comum às espécies desse gênero. roxas ou rosas. cannabinus (Kulchik . 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai.. 1984). lobadas e de formas variáveis. fruto do tipo capsular. mucilagens das espécies H. cannabinus foram isolados. fosfolipídios (Tolibaev et ai. cordiformes. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. 1987). Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. de onde partem folhas alternas. 1986). um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. H. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. syriaceus (Shimizu et al. solitárias. pequenas. H. ligninas de H. 1986). Tomoda & Ichikawa. 1985) e H. 1990). com ramos alternos cilíndricos.

pelargonidina.. .. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.4'-pentahidroxiflavona. 1988). betasitosterol.. sesquiterpenóides de H. Das pétalas de H.7. 1990a e 1990b). 1986. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. taxifolina e herbacetina. xilose e frutose (Pouget et al. galactose. sabdariffa produziu antocianinas. 1988). petunidina.8. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1991). Husain et al. quercimeritrina. 1986. linolenato de metila. N-acilisofosfatidiletanolamina. 1989). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. Foram isolados também de H. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank.. 1991) e lactonas de H. ácidos palmítico. monoglicerídeos. glucose. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. A quantificação das proteínas das sementes de H. ikshusterol. sabdariffa foi determinada (Kalyane. beta-sitosterilglicosilado. 1988). fosfatidiletanolamina. De H. De H. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. esterol ésters.. o H.. diacilglicerídeos. 1986). No óleo das sementes de H. Em cultura de tecidos. esculentus e H. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. esterois livres. moschentos foram isolados 3. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1990)..et al. sterculico. fosfatidilinositol. além de 15% de ramnose.. 1977). ácidos graxos livres. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. malvidina (Kim et al. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. peonidina. oléico e linoléico (Tolibaev et al. arabinose e arabinan. abelmoschus (Maurer & Grieder. cianidina. triacilglicerídeos. 1989).. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. De H. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. Das sementes de H. kaempferol 3.. 1978).-L-arabinosideo-7. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. 1988).5. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. 1990). epi-ikshusterol. tiliaceus (Ali et al.. Duckart et al. 1989a e 1989b). N-acilfosfatidiletanolamina. epoxiacilglicerídeos.

G. 1995). silianum (Kumamoto et al. corantes como carotenos. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. prolamina e glutelina (Sammour et al. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. oléico. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. hirsutum e G arboreum. mucilagens e proteínas (Costa. resinas. rainundii (Stipanovic et al. Ermatov et al. 1979) e G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. 1980). lecitinas. barbadense determinou a presença de albumina. dipalmito-oleínas. 1987). barbadense. 1979). ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). hirsutum (Schmidt & Wells. mirístico. palmito-dilinoleínas. miristoléico e palmitoléico. araquídico. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. hidrocarbonetos. globulina. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . diversos terpenóides (Hunter et al. hirsutum e B. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. Foram isolados de G. esteróis. 1995). fosfolípides. D-galactose. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. óleo-dilinoleínas. De G.Das folhas de H. também isolado de G. esteárico. 1986). 1986. xantofilas. 1985). dipalmito-linoleínas. principalmente o esqualeno. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. Das sementes de G. 1985). palmítico. 1986).

1989b). hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. S. De S. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. acuta (Goyal & Rani. 1988). A extração das partes aéreas de S. Das partes aéreas de S. 1988a). spinosa (Prakash et al. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. ácido glutâmico e aspártico. 1989a). hirsutum (Mansour et al. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. campesterol. humilis. espermátide e espermatozóide. ácidos graxos como beta-sitosterol. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. hermaphrodita contêm também os flavonóides. 1981). rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. ácido palmítico. pristano. hirsutum (Zhou & Lin. 1990).(+) gossipol de G. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. stigmasterol.3%3%) (Bandyukova & Ligai. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. barbadense e G. S. vesícula seminal e próstata ventral foram . fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. barbadense e G. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. acuta. As partes aéreas de S. isoquercitrina. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. 1997). O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. fitano. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. As partes aéreas floridas de S. 1989). 1987). Sida Alcalóides foram isolados de S. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. rhombifolia e S.

citotóxica. 1986. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. Pakrashi et al. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. no tratamento com Hibiscus. Essas atividades. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. tripsina e a alfa-quimiotripsina. 2000). antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. O ovário apresenta sinais de luteólise.. 1987). moschentos (Tomoda et al. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. e de H. O extrato das flores de H. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. antimutagênica (Wang et al. 1985). bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al.reduzidos nos animais tratados com H. 1979). . 2001). 1976a e 1976b ). antiespermatogênica. A taxa de inibição de fertilidade com H. 1984. Pai et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 1999. 1985). verificadas por Singh et al (1982). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. 2002). A espécie H. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Ainda de H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. Em camundongos. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. hipoglicêmica de H. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. 1999). 1992). sabdariffa (El-Merzabani et al. 1986). As flores de H. causando o final da gestação (Pakrashi et al. esculentus (Medeiros et al. 1990). dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Haji & Haji. 1989). sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. 1987). 1987). porém os níveis de colesterol subiram. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. esculentus. assim como uma forte ação citostática.

1978). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. Extratos de S. barbadense e G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Sida Os alcalóides de S. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Terpenóides isolados de G. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 2000) e tóxico (Bourke. 1996). 1997). As proteínas das sementes de G. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 2001. 1982).Gossypium O gossipol. 1985). 1985). 1988) e S.. 1995). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. rhombifolia (Bortoluzzi et al. hirsutum e G. Flavonóides de G. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. serratifolia (Sawhney et al. Wang & Bunkers. 1984). 1980). principal constituinte do óleo do algodão.

Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. rhombifolia. Sterculia. carpinifolia. Na região . lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. C. raramente ervas ou lianas (Mabberley. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Do infuso de S. Segundo Barrozo (1978). Das partes aéreas e folhas de S. 2001). e o gênero Theobroma. Helicteres e Waltheria. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. onde são encontrados em abundância. 1996).são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 1992). V. et al. do valioso Cacaueiro Joly 1998). de grande cultivo em jardins. cordifolia (Malva-branca). distribuídas em onze diferentes gêneros. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. 1998). Bianchi et al. nos quais se distribuem 1. todos típicos de cerrados e campos. exceto Bacillus subtilis. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. 1998. poucas em áreas temperadas. 1998. incluindo árvores e arbustos. Fernandes et al. Dombeya. 1988. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. 1988b). vulgarmente chamada de Guaxuma. F.500 espécies tropicais. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1997). Franzotti et al. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. Drena As raízes de U.

o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. Cupu-assu. Theobroma. vermelho-escuras. folhas com pecíolos curtos e carnosos. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. 1990). 1988). na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Dados botânicos Arvore de grande porte. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. para o tratamento de diarréia. medicinal e alimentar. ovóide. 1991). pedunculadas. duas das mais importantes e valiosas espécies. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Pará (Amorozo & Gély. descrito por Carl Linnaeus. Copoaçu. com brácteas linear-lanceoladas. Em tribos indígenas amazônicas. ex Spreng. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. .5). de valor econômico. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. grandes e vistosas.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. O nome do gênero. com ramos longos. O gênero Theobroma. liso e escuro (Figura 11. flores que brotam dos galhos. oblongolanceoladas. significa "manjar dos deuses". bem como nas comunidades locais da Amazônia. e o chá da sua casca. com estipulas caducas. ou por suas variantes: Cupuaçu.) Schum. fruto do tipo capsular grande. grossos e tomentosos.

Dados botânicos Árvore de porte médio. oblongolanceoladas. 1986).. tripsina .3. mirístico. teobromina. 1970. 1993). Criollo. (Figura 11. até 10 m de altura.9-tetrametilúrico. Caca-y. ex Mart. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. inibidores fenólicos da a-amilase. palmítico. denominado Theobroma cacao L. 1989). oléico e linoléico. cacao. com ramos curtos. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Cacao forastero. mono. vermelho-escuras.Theobroma speciosa Willd. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. Pagonini et al. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. albuminas. fasciculadas. contêm flavonóides (Jalal & Collin. inteiras. ácidos esteárico. globulinas (Voigt et al.e tri-insaturados (Costa. flores dispostas no caule. glicerídeos di-saturados. folhas com pecíolos longos. Kakao. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau.. grandiflorum). 1979). Chocolate. como a T.7.. M. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues.6). T. 1977). Já a espécie T. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cacaoyer. no Amazonas. speciosa possui ácido 1. et al. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. cafeína (Maia et al.. 1992a e 1992b). Cacao azul. Outras espécies desse gênero. fruto capsular ferrugíneo.

cacao foi caracterizado como de 190..2%). flavan-3-ols. Os alcalóides teobromina. gorduras (Malini et al. 1986). A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. 1995). cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. augustifolium. Além de açúcares totais. bicolor e T. quercetina3-0-glucosídeo. mariae. 1987). derivados do ácido hidroxicinâmico. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. 1991). ácido lático. taninos. (-)epicatequina. longifoleno e citronelol (Erickson et al.. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia.. cacao. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. O T.. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis.. pela presença de ácidos graxos. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. 1991). speciosum. cacao consistem de 78 componentes. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. antocianinas. ácido cítrico. nerol. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. simiarum.. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. ácido araquídico. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. Esse constituinte também . As essências florais de T. T. que variou 50.5%) e o isoeugenol (8. T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Em T. O índice de saponificação da T. 1994). tais como ácidos palmítico. 1987). subincanum. Alcalóides purínicos (cafeína. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. porém. xantinas e lipídios. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. 1991). T. ácido ecosadienóico.9%). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. taninos condensados. quercetina e esculentina (Bastide et al. 1989). 1986).74% (SantAnna Tucci et al.37 a 1.. diferentemente do T.(Quesada et al. cacao e também em T. Em T. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. 1996). e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. dentre os quais o óxido de linalol (12. 1996). augustifolium (Sotelo & Alvarez. e T.6%. teobromina. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. procianidina B2.. 1994). geraniol.7% a 57.. bicolor e T. Porém.

cacao (Gurney et al. 1997). 1997). proteína. análoga à manteiga de cacau. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. uma atividade analgésica (Santos. clorofila. 1997. cacao (Yamagishi et al. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.. Paganini et al. cafeína. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. Melzig et al. 2002). Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. 1989). A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. cacao apresentou um efeito vasodilatador.. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. 2000).. Sanbongi et al. 1970. 1997.. amido. 1992a e 1992b).. fenóis e taninos. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca.. ..pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. e a proantocianidina.. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1997). O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997). Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. et al. 1997). isolada dessa espécie vegetal... A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. M. 1992).

1997). Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. e Apeiba. da planta Pau-de-jangada. agudas no ápice e oblíquas na base. de numerosos estames livres. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. com o nome de Curumin-nhapuá. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Triumfetta. sendo a maioria de árvores e arbustos. Dados botânicos Árvore de porte médio. raramente ervas ou lianas (Mabberley. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. folhas curto-pecioladas. serrilhadas. . Espécies medicinais Muntingia calabura L. de até 13 m de altura. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. que a referiram como medicinal. 1978). Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. oblongolanceoladas. No Brasil. muito conhecida na região amazônica Joly. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. 1998). os gêneros mais comuns são Luehea. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão.

sendo ésteres (31. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.3%) os mais significativos. calabura foram isoladas Havanas. compostos fenólicos (11. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. indeiscente.4%). 1984). A casca é emoliente.3%). Foi observada a presença de potentes componentes de odor. quercetina. alcanos (15. ovário 5-7 locular.3%).5%) e compostos carbonil (23.6%) e derivados furanos (8. aqui descrita como medicinal. sesquiterpenóides (10.9%). calabura foram isolados polifenóis como kaempferol.3%). ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.dispostas em pedicelos axilares. fruto do tipo baga. ésteres (26. antiespasmódicas (Corrêa. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.7). arredondado. dos quais predominaram alcanos (44. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.. .7%). Do extrato citotóxico das raízes de M. 1991). kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. Dos frutos de Aí. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. e salicilato de metila. e as flores. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. vermelho. calabura L. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. inúmeras sementes (Figura 11. 1990).

1998. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 -Bixa arbórea.FIGURA 11.

1998) (Banco de imagens - . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.2 .FIGURA 11. 1984).

FIGURA 11.3 .Gossypium barbadense. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .

Sida rhombifolia var. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.FIGURA 11.4 .

5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .Theobroma grandiflorum.FIGURA 11.

Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .6 .Theobroma speciosa.FIGURA 11.

Muntingia calabura. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.7 .

Cecropiaceae. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Da família Cannabaceae. fonte de substâncias também tóxicas. não possuem importantes espécies de valor medicinal. das quais as famílias Moraceae. e o importante gênero Urtica. Cecropiaceae e Moraceae. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. A. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. amplamente conhecida como . por esse fato. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. fonte da maconha (Cannabis sativa). cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Em duas delas. As outras duas famílias dessa ordem. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Di Stasi L N.12 Urticales medicinais L. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Ulmaceae e Barbeyacea. e o segundo. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. C. Seito C.

Ambaitinga. Embaúba. Musanga. Myrianthus. alternas e protegidas por duas estipulas.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. folhas grandes. e a espécie Sorocea bomplandii. Ibaituga. . Ambaí. Imbaubão. Espécies medicinais Cecropia peltata L. longopecioladas. Figueira-de-surinam. Imbati. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Ambaíba. Pourouma e Cecropia. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Toréin. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Ambatí. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. de Lixa. referida com adulterante da Espinheirasanta. Com esse novo arranjo. Poiküospermum. peitadas acima do centro. Arvore-da-guiça. Arvore-da-preguiça e Torém. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Ibaíba. lactescentes. Outras denominações populares são Aimbahú. Ambahú. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C.

não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. 1998).. Kerber. ecoar". et al. C. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite.. 1986). usados na fabricação de instrumentos de sopro. bronquite e gripes fortes. catharinensis. A.. et al. Nas folhas do extrato de C. 1986. 1996). obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. C. Das folhas de C.. F. et al. Mal de Parkinson. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. antililiásica (Domingos et al.. meio homem e meio serpente. a raiz é considerada útil contra tosse. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. reunidas em densas inflorescências. As folhas.. filho da Terra. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. unilocular. lyratiloba (Menda. do grego. asma. 1983).. 1994).1). R. que significa "chamar. 1985). Santos. R. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Na espécie C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. frutos nuculares. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. 1984b). 1984). hidropisia. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas.flores pequenas de sexo separado. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. carpelar. Em C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na região do Vale do Ribeira. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. 1992. 1996b). A. . A. adenopus. indicada popularmente como antiinflamatório. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. gemas e brotos são adstringentes. Das raízes de C. muitas delas de ocorrência no Brasil. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas.

Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. de Espinheira-santa. Astocarpus e Sorocea. 1992). Johann Heirinch Friedrich Link. que incluem árvores. 1998. isolada de espécies deste gênero.. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. característica marcante da maioria das espécies dessa família. distribuídas em 28 gêneros. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. 1997). Rocho et al. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. 2001). e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al.. lianas e ervas (Mabberley. 2001).. Cysneiros et al. 1988.depressora do SNC. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. No Brasil. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. antidepressiva. antiulcerogênica (Cysneiros et al.. na Mata Atlântica. Rocha et al. ansiolítica (Barettaetal. 1993 e 1996a). Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. a família conta com aproximadamente 340 espécies. distribuídas em 38 gêneros. A cecropina. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. com inúmeras espécies usadas como ornamentais.. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. dos quais se destacam: Ficus. 2001). compreende 1....) Burger. 1998a e 1998b. Dorstenia.100 espécies tropicais e poucas temperadas. espasmolítica (Delia Monache et al. descrita originalmente por.. Em outras re- . 1988). Morus. arbustos. 2002). efeito depressor do SNC.

chegando a 10 cm de comprimento. Trata-se de uma espécie perenifólia. folhas simples. Carapicica-de-folha-miúda. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. Resple. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. de face superior brilhante e inferior opaca. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Canxim.. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). especialmente da Mata Atlântica. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Recentemente. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. quando não está em época de floração. Flavonóides foram isolados de S.giões do país a planta é chamada de Cincho. com tronco ereto. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. 1993). 2001. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Araçari.. 1993). A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil.. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. ciófita. Laranjeira-do-mato. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. ilicifolia e S. A espécie é latescente. 2001. cilíndrico. da família Celastraceae). Soroco. Calixto et al. fruto do tipo baga. . Gonzales et al. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. especialmente na Mata Atlântica. Folhas-de-serra. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. de casca fina.. bomplandii.

e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 12. 1998. Reis). S.1 . b) detalhe da folha. (Banco de imagens .Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. c) inflorescência. d) flor feminina.

Na família ocorrem árvores. comumente com células especializadas na produção de látex. .100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. a maioria cosmopolita. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. M. Das centenas de gêneros. compreende 313 gêneros. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. com aproximadamente 1. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. A família Euphorbiaceae. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. 1978). M. segundo Mabberley (1997). Souza-Brito E. Thymelaceae e Euphorbiaceae. Guimarães C. a família é representada por 72 gêneros. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. M. lianas ou ervas. arbustos.13 Euphorbiales medicinais C. 1997). Santos L. Hiruma-Lima A. C. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. No Brasil.100 espécies. é urgente uma revisão da família. R. A.

devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. ervas e arbustos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. verdes. sementes ricas em endosperma (Figura 13. flores de sexo separado. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. icterícia e malária. especialmente em Phyllanthus. problemas hepáticos. com limbo dividido em lobos ou segmentos. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. espécie rica em óleo de rícino. febres. separando-se em três cocos. folhas simples.devemos destacar Ricinus. esquizocárpico. atualmente cultivada em vários países. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. e outras. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. estipuladas. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Do gênero Euphorbia. pecioladas. pela semelhança das sementes com esse animal. enquanto a infu- . dos quais referimos algumas espécies a seguir. peninérveas.1). Mabea. Jatropha e Croton. sendo algumas árvores. lanceoladas. a maior produtora de borracha. fruto seco. Pedilanthus. da valiosa Mamona.

Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. é útil contra hepatite. pequenas. de caule grosso. separando-se em três cocos. flores unissexuadas. sementes ricas em endosperma. no Pará. Pinhãodos-barbados. palminérvias. amarelo-esverdeadas. atingindo até 4 m de altura. flores de sexo separado. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). de Sacaquinha. esquizocárpico. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. folhas simples. fruto seco. reunidas em inflorescências racemosas. no Ceará. Pião. e Mandobiguaçu. nodoso. grandes. Pinhão-manso. longo-pecioladas. glabras.são das folhas. peninérveas. na região amazônica. Pinhão Pinhão-branco. reunidas em inflorescências paucifloras. Pinhão-do-paraguai. membranosas. lobadas. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. Pinhão-de-purga. estipuladas. com brácteas . Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. folhas alternas. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Nomes populares A espécie é chamada. lanceoladas. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. mas também de Peão. curto-pecioladas. a Sacaca. Maduri-graça. Croton sacaquinha Croizat. lactescente.

gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gengibre amassado. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. gripe (descascar a semente. após a retirada do embrião. o látex é aplicado externamente. Peão-pajé. As sementes são eméticas (Corrêa. Pinhão-roxo. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. 1982). sementes escuras. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. colocar no café e banhar a cabeça). contra feridas (Amorozo & Gély. Batata-detéu. constipação nasal e como purgativo. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). Jatropha gossypifolia L. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. Mamoninha. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. secar até ficar fria. 1988). partir e tirar a "folhinha". assar a polpa na cinza. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. deriva do grego iatros = "remédio". raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite.lanceoladas. Raizde-téu. assim como para constipação nasal. no Pará. . coriáceo. O nome do gênero Jatropha.. Arg. dez estames. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. lisas. Erva-purgante. elipsóides e oblongas (Figura 13. 1984). tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). esta passa a ser comestível e saudável). são torradas. fruto do tipo capsular. Peão-curador.2). Pião caboclo. enquanto as sementes.

Dados botânicos Árvore de pequeno porte. palmadas e limbo dividido em lobos. flores unissexuadas. útil nas obstruções das vias abdominais. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. e as folhas na cabeça. o banho. cálice com cinco pétalas. 1988). No Pará. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. fruto capsular.3). na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. com folhas alternas. glabras e estipuladas. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. contra "mau olhado". contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. o chá das folhas é usado como antitérmico. 1982). Mabea angustifolia Spruce ex Bth. folhas pecioladas. A planta é purgativa. no Piauí (Emperaire. 1984). ramosa. trissulcado. dispostas em cimeiras paniculadas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. lineares. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. escuras e com pecíolos pubescentes. roxas. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. Em Brasília. 1982). grandes. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. contra feridas. O nome do gênero Mabea.

cápsulas pequenas. trissulcadas. significa "flor na folha". Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. alternas. estipuladas.Aublet. folhas com limbo. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. Na região do Vale do Ribeira. flores de sexo separado. Arg. com ramos glabros. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. incluindo as raízes.4). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. ramificada. é usada como diurético e contra . sementes minúsculas (Figura 13. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. descrito por Carl Linnaeus. distribuídas na América tropical. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. que atinge até 0. O nome do gênero Phyllanthus.5 m de altura. enquanto a infusão de toda a planta. flor masculina fasciculada com três estames. Phyllanthus corcovadensis Muell. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. 1984). Na região amazônica.

de ácido aleuritólico (Muller et al. é útil contra problemas do fígado. A infusão das folhas. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al..dores de barriga. 1992).. transcrotonina. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. alfa-humuleno. Em Minas Gerais. 1989). principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. beta-cariofileno. 1990. 1991). Posteriormente. Das cascas de C. 1982). desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. Maciel et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos.. 1998). é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. O óleo essencial das cascas de C. 1.8-cineol. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al.. . 1989. 1979.. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. Kubo et al.. 2000). além de ser usada contra pedras nos rins. e os principais constituintes são alfa-pineno. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. 1986)..

que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. limoneno e outros. glandulosus.8-cineol.. metileugenol. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. e chiromodine (Weckert et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al.5-trimetoxibenzeno... De C. lechleri foi isolada a sinoacutina. estragol. 3. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. acetato de propila. eucaliptol. zambesicums Muell. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. alfa-guaieno. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. a printziano e um norclerodano (Siems et al. e das cascas do caule de C. gama-elemeno. p-cimeno. aubrevillei J. linalol. mirceno. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários.. C. propionato de etila. 1992). A composição do óleo essencial das cascas de C. enquanto germacreno B.. a C. 1996). e das folhas de C. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. betabourboneno e gama-cadineno. 1995). acetato de 2-metil-butanol. 2-metil-butanol.cadideno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. glandulosus (Neto et al.4.14-dieno. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. 1996). gama-elemeno. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. 2. allo-aromadendreno e torreyol. 1992). crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). Das folhas de C.. 1993a).. Porém.14dien-9-al e 3a.. . e de C. cortesianus foram isolados o clerodano.. a levatina (Moulis et al. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. lechleri foram: acetato de etila. 1996).4-dimetoxibenzil. 3.6-trimetoxifenol. sitosterol. 4-hidroxifeenetil.4b-dihidroxi-15. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. 1993b).4-dimetoxifenol. acetato de 3-metil-butanol. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. Os constituintes voláteis isolados de C. 1994). Além disso.. hovarum: a 3a. alfa-cubebeno. 4b-dihidroxi-15. 1992). lundianus e a C. alfa-humuleno. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al..3. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. alfa-ilangeno.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). cadineno. foi determinada. o óleo de C. cânfora. 1992b). metil isoeugenol. 1995). ludianus possui 1. Das partes aéreas de C.

.. riangularis (Moura et al. 1981).. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. C.7. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. b-sitosterol. os triterpenóides jatrofolona A. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. eudesmanos. caniojana. tomentina. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. taraxerol.. stigmasterol.3'. 16hidroxijatrofolona. beta-sitosterol (Chen et al.7b-dihidroxiannoneno e 6a. nobiletina. Do óleo de C. a seco-labdane (Schneider et al... 1995). 1986) e C. macwstachys (Herlem et al. Das raízes de C. 1991). De J. gossypifolios (Cespedes et al. jatrofolona B. 1991)... eluteria foram isolados sesquiterpenos. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. jatroolona A. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 1976). Compostos terpenóides foram isolados de C. argyrophylloides (Monte et al. e das cascas de C. 1993).. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. curcas foram isolados ainda as latiranas. hemiargyreus (Barnes & Borges. 1996). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. e de C. Jatropha Das raízes de J. 1992).. 1992).7-dimetoxicoumarina. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. 6a. e das folhas de C.. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. jatrofina. ésteres e cetonas não-terpenóides. taraxerol.6-diona..De C. 1986). 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. diasii (Alvarenga et al. 5hidroxi-6. 1991a). 1992). vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney.. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. 1996). 1988). Das partes aéreas de C. 1994). jatrofolona B. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol.5. De C. . e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. castaprenol-11. enquanto alcalóides foram encontrados em C. jatrofol. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol.

Auvin-Guette et al. galvani (Guevara et al. 1987.30%) (Jain & Garg. 0. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.26%. isoorientina. compostos fenólicos. arginina (0. curcas. pohliana var. 1990).1%). Das folhas deJ.. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al.94%).. 1997). 1987). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. gossypifolia e J. As espécies. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.6% de ácido oléico. foi isolado de seu látex a albaditina.1997). ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al.. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. podagrida apresentaram 24%. 1988.60%. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. 1989a e 1989c).71%). Do caule de J. 2epijatrogrossidiona. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona.. isoleucina (3. ácido esteárico.. curcas foram isoladas também várias lectinas. 1996. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. 15. gadaína (Das et al.9%. e 43. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. 1988). os aminoácidos cistina (2. terpenos. 1995).. . 1997). sendo 0. esteróides e glicosídeos. 1988). Makkar et al.98%). Das cascas da raiz de J. multifida L. divica foram isolados beta-sitosterol. 1997). ácido linoléico (Nasir et al. 1997. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al.07%). bem como o ácido nurístico. jatrofolona B. elbae. mollissima foram isoladas orientina. De J. Do látex de /. 1988). Das raízes de J. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. respectivamente (Raina & Gaikwad./.. J. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo... denominada curcina (Costa. Dos rizomas de J..92%) e leucina (12. 1996b).. 1989). Teixeira. 1988). Das raízes secas de J. J. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. malacophylla.. De J. alanina (28. 1996a) e jatrodiena (Das et al. Das folhas de J. flavonóides. J. ácido araquídico e toxalbumina. 14.. 1986). Banerji et al. caniojanae 1. 0.15% e 15% de ácidos graxos saturados. De J.26% de ácido aracdônico. 1989). e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. 1983). metionina (13.. além de outros três derivados diterpenóides. saponinas. ácido oléico. tlalcozotitlanensis e J. Saponinas foram detectadas apenas em J.9%). 1990). glicina (19. valina (18.9%.

sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. levulose... assim como os diterpenóides de J. 1996). excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. 1996). E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1988. 1986). e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ).. Ahmad et al. 1985). cumarinas. e dos frutos de M. 1989a e 1989b. 1997). 1986. 1990). ácido caféico. 1980 e 1981). antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. timol e carvacrol (Odebiyi.. 1991). 1981).. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. Hassarajani & Mulchandani. triterpenóides (Joshi et al. Petchnaree et al. 1995). glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. .. Houghton et al. da qual foram isolados alcalóides.. 1996. Yunes et al. citral. terpenos. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1990. neolignanas (Satyanarayana et al. ácido clorogênico. diterpenos. 1988. 1986. Mensah et al. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. flavonóides. Ojewole & Odebiyi.. Negietal... Anjaneyulu et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1991).. Singh et al. 1996. lignanas (Satyanarayana et al. Singh et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. P.. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1988.. P. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. 1996. De J. 1977)... Mabea Do látex do caule de M.. 1988). enquanto em P. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1988. sacarose. 1988).. 1980). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. hidroxiflavanona.. a mais estudada é a P. discoideus. gossypifolia. simplex. De P. Huang et al... virgatus (Babady-Bila et al. 1989. Anjaneyuly et al. amarus e P. 1983.Da espécie J.. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al.. Singh et al. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. P. 1986. niruri..

Farias et al. 1988... . emblica L. Li et al. 1996c). alkekengi var. 1998).. HirumaLima et al. De P... foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. calisteginas (Asano et al.. Bighetti et al.. 1996). 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. C. antidiabética (Silva et al. 1988. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. et al.. além de taninos (Zang. olenadienóis. Das raízes de P. analgésica. 1996). n-alcanos. 1999). e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1993. 1995). 1988b).De P. Tanaka et al. 1998. 1996) e fisalinas (Makino et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante.. Tanaka & Matsunaga. De P. Tanaka et al. 1995a).. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al.. antiedermatogênica (Campos et al.. 1996). 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 2002. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. depressora do SNC (Hiruma-Lima..... hipocolesterolêmica (Martins et al. antiinflamatória. Farias et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos.. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 1999a). 1997 e 1996a).. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. Lu et al. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. 1989. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. 1987.. 1988a. 1996b). antiestrogênica (Luma Costa et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al.. nalcanóis. francheti foram obtidos cicloheptano. 2001).. 1988. D. 1997).. 1996). 1996). myrtifolius. Em P. Z.... 1995b). Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. antinociceptiva (Carvalho et al.

tiglium (Deshmukh & Borle. A DL50. 1999b. 1993. inseticida de C.. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. para crotina I foi de 0. 1993. 1982).. Das sementes de C. Luz Paredes et al. 1988). com o uso prolongado (Rodriguez et al.45 mg/kg e 2. M. antiulcerôgenica de C.. 2002a). et al. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos.. 1980).Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.. 1975). antinociceptiva (Bighetti et al. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. campestris (Lima et al.. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. presente nos casos de C. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Ao final. hipotensora de C. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. C. C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. 1987) e C.. C. 1988) e C.. anestésica local. Tang et al.. cajucara (Hiruma-Lima et al. 1983).. C. Batatinha et al. sonderianus (Craveiro & Silveira. 1980. Chen & Pan. C...23 mg/kg para crotina II. penduliflorus (Anika & Shetty. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. penduliflorus (Asuku.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina... 2001). rangelianus (Lima et al. 2000a e 2002b).. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. mais comumente de C. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1999). 1982). lacciferus (Bandara & Wimalasiri. 1993). anticonvulsivante e analgésica de C. Costa. tranqüilizante.. 1987). 1988a). lechleri.. 1986). Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1994). 1988b) e substâncias isoladas de C. entre outras. glabelus (Novoa et al. draconoides e C. subtyratus (Kitazawa et al. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. zehnteri (Albuquerque et al. 1985) e C. rhamnifolius (Silveira et al. 1988. 1984). C. a ligana 3'. 1985. erythrochilus. lacciferus (Ratnayake et al. macrostachys (Mazzant et al.

Pieters et al. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. berghei (Be &Truong. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1993).. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1991). campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Essa possui isoguanosina. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . 1994a e 1994b). lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica.. 1995). macrostachys foram isolados crotepóxido.. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. As folhas secas de C. nardus (Lemos et al. Ao final dos experimentos. betulina e ácidos graxos. De C.32% de alcalóides e 2. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. C. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. lupeol.. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al.. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. antibacteriana e cicatrizante. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. 1992a).78% de flavonóides. 1991a e 1991b). 1992. Das raízes de C. O efeito de C. 1995).. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. 1992). Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C.. tonkinensis contêm 0. Do óleo essencial de C. O extrato etanólico bruto das folhas de C. Ao final. 1994). berberina e outros alcalóides desse grupo. os alcalóides de C.

haematobium (Rug & Ruppel. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. curcas foi isolada uma enzima proteolítica.. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1995). Ubillas et al.. 1994). 1989 e 1991). 1995). 1994).. tanto na prova do campo aberto. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26.. 1990) o óleo de C. 1991a). que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.. 1989). 1988. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1987. 1991). Os extratos da sementes de C. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.p. O óleo de C. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. 1993). 1992. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. e no retículo sarcoplasmático..possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. 2000). Atividades larvicida (Karmegam et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.. a curcaína (Nath & Dutta. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1997) e Schistosoma mansoni e S.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. tiglium (Fanetal. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais... eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al.39 mg pela via i. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. Hirota et al. Das sementes de /. 2000). 1988). Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. curcas. Jatropha Das sementes de J.. 1992). Das sementes de J. (Huang et al.9%) (Liberalino et al... 1988).. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. antiplasmodial (Kohler .... Do látex de C. Do látex de J.

... O látex de /. De J. antiespasmódica (Silva et al. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. glauca (AlZanbagi et al. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. De J. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. 1996. De J... isabellii foi isolada a jatrofona. 1990. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al.. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.et al. Esta mesma atividade foi observada em J. e de J. Das raízes de J. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. F.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. 2001). 1987) também foram caracterizadas em J. zeyheri foi isolada a jaherina.... 1992b e 1996). 1996). 1993).. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. curcas foram isoladas curcusonas A e C. 1994). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. et al. Santos et al. 1996).. et al. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. As folhas de J. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana.. . 1996). 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. 1996). apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. 1992). A J. 1992a.. O óleo das sementes de /. 1996). curcas. 1997). curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta.. multifida.. M. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. 1996). 1996). 1987) e tóxica (Brum et al. 1987b). De /. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 2001). espasmolítica (Trebien et al. 1998). 1987). cilliata foram isolados isoorientina e orientina. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. Dutra et al]. J. P. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. 2000)..... atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.

1995).. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1992. 1989). anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.. 1995).. Além disso. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al.. 1985). Shimizu et al.. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1988. Di Stasi. 1992). Santos et al. 1988). 1985 e 1986b. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al.. 1996a). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1984. 2000).. 1996). 1987). mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1987).. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 1988). Gorski et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. Ribeiro et al.. Além disso. O extrato hidroalcoólico de P. diurética... 1993. .. 1995). 1994). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina..... 1995).Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. De P. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al.

ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al..Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. 1988). 1991). . A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1996). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1996). e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. ácido elágico. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. 1995).. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1997a e 1997b). 1994).. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. 1997). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. niruri e P urinaria (Santos et al. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. 1996). de P urinaria.. quercetina. 1995). 1996.. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996). 1990. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al.. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. ácido gálico e ácido protocatecoico.. 1995). das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. Sane et al.. ácido brevifolincarboxílico... que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1996). Roy et al. 1996). Foram caracterizadas. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1995).. corilagina... 1997).

náuseas. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. diarréia. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. curcas em ratos. 1995. hipotensão e desidratação. Porros et al. redução no consumo de água. 1979). 1993. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. 1987) e provoca náuseas. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Pieters et al. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. e ação estimulante da musculatura lisa.. Existem registros de intoxição em crianças de J. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Efeitos como redução no tempo de protrombina.. Ahmed & Adam. Como conseqüência de seu uso crônico. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . podendo causar a morte em humanos. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Itokawa et al. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara... 1979). A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. Quadros de hemorragia anal. 2000). 1986.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. mutifida (Levin et al. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Torpor.. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1993. 1979)... vômitos e diarréia. 1984). Hemorragias internas em diversos órgãos. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1991c)..

Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. 1986).(1999). Pieters & Vlietinck. 1998) (Banco de imagens .Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1983.1 . tiglium (Bauer et al. FIGURA 13.

.2 -Jatropha curcas. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13.

FIGURA 13.3 . Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.Jatropha gossypifolia. . Hiruma-Lima).

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.FIGURA 13. 1998). b) flor feminina.4 . c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .

óleos essenciais e resinas. algumas delas de valor medicinal. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. gomas. Hiruma-Lima L.14 Guttiferales medicinais C. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. A. No Brasil ocorrem 21 gêneros. . Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). É composta por árvores. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Clusia. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). sendo raramente descritas epífitas. C. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. pigmentos. arbustos ou ervas.370 espécies. 1997). e Elatinaceae. 1978).

O tronco ereto possui casca grossa. 1990). a maioria é fornecedora de resinas. Em outras regiões. descrito por Domingos Vandelli. damagascina. com distribuição restrita à América tropical. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. coriáceas.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. O nome do gênero Vismia. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. madagascina. pecioladas. ácido betúlico. as folhas são simples. foi dedicado a Visme. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. também chamada de Lacre. friedelina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. opostas e com borda inteira. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . e algumas na África. No Brasil. com ocorrência em formações secundárias. sendo facilmente cultivada. Trata-se de uma espécie semidecídua. damaradienol. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. martiana foi observada a presença de sitosterol. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. ácido crisofânico. Em V. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. como Picharrinha. e várias têm valor medicinal. euxantona. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis.

japurensis Rich. Em V. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1994). cayennensis. 1982). não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 1996). 1983). 1979). as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr.. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha.. vulgarmente chamada de Pichirina.. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. .. Os extratos hidroalcoólicos. et al.. e em V. 1993). 1995). 1996).. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.5'dimetoxisesamina (Camele et al. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1999). Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. p-o. 2000). 1997).. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 1995. Das raízes de V. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. da planta fresca (Tokarnia et al. benzofenonas (Fuller et al. Moracelli et al. indicado para dermatofilose.. 2-isorenilemodina e 5. como a friedelina. De Vistnia caynnensis. Porém. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al... 1999) em V. magnoliaefolia.. vários triterpenos. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al.e a ferruginina (Pasqua et al.. conhecido popularmente como Lacre. O extrato etanólico da folhas. micrantha foram isolados xantonas..

das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae.15 Primulales medicinais L. descrita por Robert Brown. Theophrastaceae e Myrsinaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. C. 1997). sendo a maioria árvores. ainda não identificada completamente. arbustos e lianas. Di Stasi C. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. nos quais se distribuem 1.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. A. Rapania e Cybianthus. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. Nessa família ocorrem 33 gêneros. .

reunidas em inflorescências axilares. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. dispostas em racemos. androceu com cinco estames opostos às pétalas. curtas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. actinomorfas. inteiras. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. ramos. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. diclamídeas. flores pequenas. ovário supero. folhas alternas.Espécies medicinais Cybianthus sp. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical.1). referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. Não foram encontrados sinônimos para ela. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. flores e frutos. . sem estipulas. e anthos = "flor".

Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .FIGURA 15.

C. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Para a espécie Nasturtium officinale. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). anemia e distúrbios da tireóide. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. gripes e bronquites. Hiruma-Lima L.16 Capparidales medicinais C. além de seu consumo como condimento. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. Na região amazônica. no entanto. . ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. essas espécies não foram referidas como medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. A.

Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). inflorescências terminais bastante vistosas. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. descrita a seguir. que justifi- . arbustos ou pequenas árvores. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. tem valor medicinal na região amazônica. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. Capparia e Maerua. raramente são descritas lianas (Barrozo. Os principais gêneros são Cleome. 1997). com muitas flores rosas e bonitas. que atinge até 1. com seus representantes incluindo ervas.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo.5 m de altura. 1978). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. e a espécie Cleome latifolia. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl.

1995). 1990).06%) (El-Din et al. os flavonóides artemetina (0. 1987). incluindo a Cleome latifolia. kaempferol. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al.0013%). De C. 1986). viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. a diacetoxibraquiicarpona. 1997) e glicinebetaína. 1997b).03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. um trinortriterpenóide dilactona... Dados da medicina tradicional Na região amazônica. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.0075%)... 1988) e um diterpeno macrocíclico.0025%). a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. a isoramnetina 3. 1990). 1996). Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.. viscosa apresentou um ..7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. e das partes aéreas de C. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. kaempferitrina (0. bonanzina (0. 1997). 1990).. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. De C. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. 1997) e triterpenos (Harraz et al. Várias espécies desse gênero. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al.cam seu uso como ornamental.. são cultivadas e usadas como ornamentais. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 3.7-di-O-ramnosídeo (0. Das sementes de C. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. O extrato metanólico da planta toda de C.. um flavonol.

arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. gynandropsis Samy et al.. De C. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.. Chrysantha (Hashem & Wahba. A espécie C.... popularmente conhecido como Mussambé. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. 1992). 1999). 1995b). 1995). A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. C..efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. ... 2000) e C. viscosa (Samy et al. 1996).6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. 1996). 1999)... Lemos et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. 1993. 1970).

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. a qual descrevemos a seguir. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. No entanto. espécies dos gêneros Spiraea. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Na região amazônica. Pittosporaceae. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. . Rubus e Prunus. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Várias espécies dessa ordem são medicinais.17 Rosales medicinais L. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Saxifragaceae. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. 1978). e de Rosaceae. Crassulaceae. Di Stasi C. C. com inúmeras espécies medicinais. A. a qual foi identificada apenas até o gênero. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais.

encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. estipuladas. . peninérveas. Os principais gêneros dessa família são Licania. incluindo árvores e herbáceas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. folhas simples.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. inteiras. muitas delas usadas para a produção de carvão. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. ovário unilocular. Chrysobalanus e Hirtella. corola com cinco pétalas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. segundo Barrozo (1978). cálice gamossépalo com cinco lacínios. sépalas e pétalas livres. flores pequenas. fruto do tipo drupa.1). cíclicas. alternas. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. com cerca de 460 espécies tropicais. zigomorfas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. Espécies medicinais Hirtella sp. diclamídias. onde ocorrem 120 espécies. referindo-se ao tipo de pilosidade. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais.

a maioria nos gêneros Prunus. toxicologia e química. primeira substância a ser comercializada como medicamento. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. Normalmente são árvores de pequeno porte. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. Agrimonia e Fragaria. com destaque para os gêneros Rubus. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. no que se refere à farmacologia. da histórica Spiraea ulmaria. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. • Maloideae. • Rosoideae. encontradas em climas temperados. é utilizada como afrodisíaco. com aproximadamente 1. como é o caso das espécies do gênero Rosa.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. ou frutíferas. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. que inclui. ralada. No Brasil há poucas espécies. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. 1997). entre outros.825 espécies subcosmopolitas. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com destaque para o gênero Spiraea. Rubus e Quijala. a famosa aspirina. arbustos e ervas (Mabberley. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. e • Prunoideae. Potentila. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. compreende 95 gêneros. do gênero Frunus. também se utiliza o chá contra reumatismo. da qual foi isolado o ácido salicílico. os gêneros Crataegus e Malus. e raiz bifurcada para as mulheres. como a .

enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. a decocção das folhas é usada contra dores. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia.Maçã (Malus). de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Cereja. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. e a infusão dos frutos. e contra diarréias. 1998). a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. ásperas. flores vistosas brancas. com folhas alternas. Groselha e Moranguinho (Rubus). que existe em grande número. de margem serrada. dispostas em fascículos do tipo umbela. em latim. lanceoladas. solitárias e/ou geminadas. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Pêra (Pirus). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. especialmente de cabeça. Morango (Fragaria). dependendo da variedade. Marmelo (Cydonia). Nomes populares Na Mata Atlântica. doce e com uma única semente. O nome do gênero corresponde a "ameixa". fruto do tipo drupa. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. carnoso. pendente. . Espécies medicinais Prunus domestica L. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Pêssego. assim como em várias regiões do país. Ameixa. comestível e saboroso. Damasco.

Nakatani et al. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2001). 2001).1 . FIGURA 17. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al..Sapuntzakis et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. 2000).Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.. 2002. 2001).... De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 1978) (Banco de imagens • .contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.

e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. M. A. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Guimarães C. medicinais. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. M. M. incluindo árvores. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. R.18 Fabales medicinais L. dependendo do arranjo sistemático adotado. arbustos. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. ornamentais. lianas e ervas. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. C. Di Stasi E. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. . Santos C. Hiruma-Lima A. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. 1997). Compreende três subfamílias.

sapan e C. as quais descrevemos a seguir. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. C. que inclui o gênero Caesalpinia. pulcherrima. a saber: Caesalpinia férrea. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. que inclui os gêneros Cássia. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. 1997). que inclui o gênero Bauhinia. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). • Cassieae. dentre as quais C. bonducella. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. • Detarieae. C. das quais se destacam as espécies C. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. J. C. senna. Cassia occidentalis. .Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). que inclui o gênero Copaifera. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. Dialium e Senna. Cassia multijuga. Dalwits. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. • Cercideae. bonduc. angustifolia e C. Caesalpinia pulcherrima. occidentalis. todos contendo várias espécies de valor medicinal.

com grande abundância na Mata Atlântica. dadas as características morfológicas de suas folhas. A espécie fornece madeira leve. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. tronco tortuoso ou ereto. raramente dentro das florestas. Mororó. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. . Por ser de rápido crescimento. Pata-de-boi e Unha-de-boi. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores intensamente brancas. É amplamente utilizada como ornamental.1). É uma planta decídua. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. algumas arbóreas e outras lianas. assim como em quase todo o Brasil. heliófita. folhas glabras. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. onde ocorre em áreas úmidas. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. bastante espinhosa. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. sempre com acúleos e seus dois ápices. vistosas (Figura 18. usada para produção de carvão e caixotes.

na forma de decocto. é utilizado como . com tronco liso e cerne duro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. além de ser empregado como fortificante para crianças. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. Imirá-itá.2). quase reto (Figura 18. hermafroditas. A espécie é heliófita. especialmente de ruas e avenidas. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. São muito comuns duas variedades: a C. séssil. folhas de manga. é utilizado contra asma e bronquite. ferrea e a C. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. ferrea var. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. casca de jatobá. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. flores diclamídeas. podendo chegar a 15 m de altura. botânico italiano. fruto levemente estipitado. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. além de largamente empregada como espécie ornamental. ao passo que o preparado de casca de jucá. Nomes populares A espécie é denominada. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. ovalados ou obovais. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. após aquecimento.Caesalpinia ferrea Mart. Suas folhas. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. ultrapassando o cálice gamossépalo. aquecido até formar um xarope. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. leiostachya. açúcar e água. Jucá. folhas bipinadas com folíolos oblongos. na região amazônica. ferrea var. Muirá-obi e Muiré-itá. Dados botânicos Arvore de grande porte. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. dez estames.

1984). flores grandes e vistosas. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. também é chamada de Flor-de-pavão. Na região da Mata Atlântica. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas.anticatarral. além do uso comum contra gripes. Espécie muito usada como ornamental. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. com folíolos ovado-oblongos.) Sw. Caesalpinia pulcherrima (L. com até 10 cm de comprimento. e em Alagoas. a decocção das raízes é usada como antitérmico. glabros. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. No Piauí. Baio-deestudante. asma e como cicatrizante (Campêlo. sobretudo como cerca viva. . tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Em outras localidades do país. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. Chagueira ou Barba-de-barata. Flor-do-paraíso. resfriados e tosses. internamente. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Considerada de origem antilhana. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. A vagem crua é útil contra tosse. inflamações do fígado e baço. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. Nomes populares A espécie é denominada. especialmente bronquites. 1982). bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. contra tosse crônica. 1982). pois floresce quase ininterruptamente. 1984). folhas compostas. na região. bipinadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

em doses elevadas. . Em outros locais do país. febrífugas e venenosas. deriva do grego Kasia. estipuladas. amarga. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. febrífugos.como emenagogo e abortivo e. lenha e carvão. sendo uma planta decídua no inverno. com rara ocorrência dentro de florestas. Cassia multijuga Rich. as folhas e flores são usadas como tônicos. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. quando em grandes doses. externamente. obtusos no ápice e com base irregular. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. brinquedos. a casca é considerada emenagoga e. descrito também por Carl Linnaeus. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. atingindo até 10 m de altura. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. A espécie ocorre em todo o Brasil. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. Segundo Corrêa (1984).3). largo e achatado (Figura 18. casca lisa e cinzenta. tendo propriedades tônicas. dado à falsa canela. O nome do gênero Cassia. além de ornamental. abortiva. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. a raiz é acre. heliófita e pioneira. pela beleza da planta na época de floração. purgativos. odontálgicos. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. excitantes. o fruto é do tipo vagem reta. folhas pinadas. febre e como purgativo.

curto-peciolados. gripes. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. paripenadas com ráquis comprida. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. dispostas. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Mata-pasto. Manjerioba. Rioba. gineceu com ovário piloso. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Em Minas Gerais. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. Outras denominações são Folha-de-pajé. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses.. beiras de estradas e próximo a culturas. Tararucu.4). febre. Na região da Mata Atlântica.Cassia occidentalis L. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. Maioba. racemos axilares. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. ramos quase cilíndricos. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. assim como em outras regiões do país. Majerioba. frutos do tipo vagem glabra. é indicada popularmente como antitérmico. Mamangá. Segundo Emperaire (1982). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. infecções gerais. com caule lenhoso na base. no Brasil é espontânea nas pastagens. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. achatados. Lava-pratos. resfriado e diarréia (Grandi et . no Piauí a infusão do caule. flores grandes. estipulada e com glândulas na base. verde-escuros em ambas as faces. Lava-prados. folhas alternas. amarelas. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Ibixuma. laxativo. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa.

problemas hepáticos. 1982). 1986). no combate de febre palustre e doenças hepáticas. como antiinflamatório e. Além disso. as raízes são consideradas um tônico. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. 1990). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. estômago. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica.. preparadas como o café. reumatismo. e para constipações em bebês (Gupta et al. 1990). reumatismo. . mas também são utilizadas contra tuberculose. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. Na Índia. erisipela e tuberculose. doenças venéreas. febrífugo. sudorífico. nos desarranjos menstruais. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. A espécie C. No Peru. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. malária. 1988). 1994).. tinha e hemorróidas. como Mata-olho. como vermífugo (Nagaraju et al. Cassia reticulata Willd. Na Amazônia peruana. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. No Rio Grande do Sul. na asma. é utilizada contra doenças do fígado. são utilizadas contra asma. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. desordens do trato urinário. No Panamá. internamente. rins e bexiga (Simões et al. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. na forma de cataplasma. inflamações nos olhos. dores menstruais e uterinas. as raízes são consideradas diuréticas.. emenagogo. No Brasil. diurético. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup.. as sementes.al. anemia.. 1985). mordida de escorpião. purgativo. 1970). 1979). febrífugo e diurético. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. Em outras localidades do país.

Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jutaí-do-campo. Olhode-boi. lisos. Jatobá-de-anta. brilhante. a espécie é conhecida como Jatobá. Jatobá-de-porco. ápices acuminados. Abati-tambaí. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Hymenaea courbaryl L. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jatobazeiro. negras. tronco ereto e ramos glabros. como antitérmico e diurético. 1994). entre outros. com até . folhas compostas. os frutos são vagens delgadas. base assimétrica. Jutaí-café. dispostas em cimeiras terminais. Também é chamada de Jatobá-mirim. alternas e pilosas. Jatobá-roxo. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Nomes populares No Vale do Ribeira. marrom. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Jatai. fruto doce. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jutaí-açu. Jutaí.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. flores brancas vistosas. farinhento e comestível. com 6 a 15 cm de comprimento. Algarobo. Jutaí-peba. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. com casca dura. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores.

A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. vermífugo. microstachya (Meyre-Silva et al. ácidos palmítico e octacosanóico. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. estimulando a digestão e fortificando o organismo. ácidos . é eficaz contra tosses. e a seiva é excelente tônico para crianças. em alusão aos dois folíolos. ferrea forneceu sitosterol.15 cm de comprimento. Caesalpinia O extrato benzênico de C.. além do uso contra bronquite. É uma espécie semidecídua. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. sedativo e peitoral. 2000). O nome do gênero deriva do grego hymen.. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. 2000) e os flavonóides kaempferol. Yadava & Tripathi. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. 2001. enquanto o xarope da casca do caule. sendo usada na arborização de parques e jardins. o deus da união. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. com florescimento entre outubro e dezembro. especialmente em crianças. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. A infusão da casca é usada como tônico para crianças.forticata (da Silva et al. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. enquanto a madeira é usada na construção civil.

. taraxerol (Yadava & Nigam.. 4-O-metilepisapanol.6-dimetoxi-l. miricetina.. 1987c). 1973).. 1977).. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. bondenolídeo.4. 1987a). lup-20(29)-en-3beta-ol. Kim et al. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. sapanona B.. 1978) e 2. 3'-0-metilsappanol. Das cascas e raízes de C. 2002). bonducelina. 1997).. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al..4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. Das sementes de C.5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1987e). quercetina. Peter et al. protosapina (Namikoshi et al. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il.9. C e D (Peter et al. leucodelfinidina. brazilina (Namikoshi et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al.... e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. quercetina (Rao et al. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1986. 1954). 1978). os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al.. 1987).ll. Da madeira de C. 6p-cinamoiloxi5a. 1997b).gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1987) e pulcherriminas A.. bonducelpina A. 1977).14-didehidro-5a-vouacapenol. sappan foram isolados octacosanol. 1997). alfa-amirina. quercimeritrina (Awasthi & Misra.. 3'-0-metilbrazilin. beta-amirina. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. 1997).. pulcherimina. episapanol. lupeol. 1996). cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. . 3'-0-metilepisappanol. 1983). Foram isolados os flavonóides: rutina. 1997).. 1985). sapanol. 8. 8metoxibonducelina. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. B. 1987b. cianina. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. B. 4-O-metilsapanol. C e D (Patil et al. 1983). 1997a). 1978).. 7p-vouacapenediol. 4. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 3'-deoxisapanoI. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. beta-sitosterol. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.. De diferentes partes de C. 8metoxibonducelina.. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.4benzoquinona (McPherson et al. ácido 3.

1977. buteína. B e C (Namikoshi et al.. Das sementes de C. a espécie C.. Dos frutos de C. isoliquiritigenina.Das raízes de C. digyna (Mahato et al. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. C. Fuke et al.. 1997). 1985). M. 4-O-metilsapanol. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal.. 1977). cacalaco e C. glicosídeos cardiotônicos. isolaram-se 1. C. 1977). Na espécie C. brasilina e protosapaninas A. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. dicopetala (Chowdhury et al. platyloba. sappan (Nigan et al. 1981). leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. Namikoshi et al. 1985). estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. 1987f). taninos... japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. ácidos linoléico e palmítico de C. 1987... episapanol. C. pumila foi analisada. 1994). 1987a). 1996). Foram isolados alcalóides de C. Do Fedegoso. sapachalcona. saponinas. M. A composição de ácidos graxos das sementes de C. japonica (Namikoshi et al. 1986). além de xantonas (Wader & Kudav. sappan (Saitoh et al.. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. occidentalis. sitosterona. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. reticulata.. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Da madeira de C. Cassia Da espécie C. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. 3-deoxisapanchalcona. 1996). .. 1986. 4-O-metilepisapanol. S. 1983). caladenia e C. glicosídeos de C. (Kitagawa et al. sapanol. et al.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. sitosterol. sappan (Namikoshi & Tamotsu.. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. sapanonas a e b. 1996) e de C.. vários compostos aromáticos de C. glicosídeos (Singh.. 1995). Kitanaka et al. hintoni (Contreras et al. 1988). 1987d). 1982). major foram isoladas caesaldekarinas A-E.. isoflavanóides de C..

1987).e beta-amirina.. 1989).. crisofanol. crisofanol. 1986. Da raiz de C. 1977) e os ácidos cáprico. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. bis (tetrahidro) antraceno. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. 1979). mirístico. Das folhas de C. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico.. 1990). emodina. alfa. triglicerídeos (Zaka et al. De C. 1988b). occidentalol-2. l. 1987). 1987). & Singh. questina. 1989a). 1986). 1987. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. Singh. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.. 1996)... Das superfícies das folhas de C. Das sementes de C. 1988a).. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. roxburguinol e um novo estilbeno. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. esteárico e oléico (Alencar et al.1987. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. Telange et al. Das sementes de C. 1990). Foram isolados das sementes de C. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. dienóico e trienóico (Zaka et al. De C. além de flavonas (Guptaetal. De C. 1987). germicrisona. pinselina. roxburguina. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. ácidos monoenóico. 1989). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou.. . 1985). ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1985).. 1986). palmítico..7-dihidroxi-3metilxantona. 1982) e das raízes (Singh & Singh.. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. occidentalol-1. J. roxburguina (Ashok & Sarma. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1. occidentalis foram isolados pinselina. J. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh.. 1987).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1978).

siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik.. fisciona. Ishidaet al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1990). flavonóides (Crawford et al. 1989). o aminoácido histidina (Zhang et al. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. questina.. crisoobtusina. De C. obtusina. linoléico.. angustifolia não difere muito do de C. 1988). 1988). 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. 1988). 1979). De C. malválico. 1986). 1997). 1989).. 1986). Metil palmitato e metil oleato. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1986).. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. . 1988).. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1977). que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. O perfil fitoquímico de C.. polissacarídeos (Khare et al. m-cresol. aurantioobtusina. 1984). uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. De C.. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.. 1987).. beta-sitosterol e l. glicosídeos. colesterol. o senosídeo é o principal desses derivados. 1987. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. antraquinonas (Zhang et al. além de ácido palmítico.. ácido crisofânico. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II.. 1989). 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. flavonóides (Wassel & Baghdadi. oléico e linoléico. 1986). Nas sementes de C. . acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. obtusofolina. 1978). flavonóides (Wassel & Baghdadi.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1987) e emodina (Yang & Wang. além da presença de beta-sitosterol.. De C.Das raízes de C. emodina. obtusifolina e estigmasterol. estigmasterol. 1986. e das folhas. obtusifolia foram também isolados obtusina. succínico e tartárico (Matsuura et al. De C. 1980) e os ácidos palmítico.. De C.. Asamizu et al. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. oléico. 1990). obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1985). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. esteárico. flavonas.

As cascas do caule de C.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. Das sementes de C. 1989a). behenato de beta-sitosterol. 1990). 1987b). auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. fistula e C..javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. De C. 1990). 1991). 1988). renigera possui ácidos vernólico. arginina. .. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1990a). singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. Chowdhury et al.. palmitato de beta-sitosterol. O extrato das folhas de C.. De C. malválico. javanica apresenta nonacosano... fistula e das cascas de C. 1988) e antraquinonas (.. Do óleo das sementes de C. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. esteárico. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. aminoácidos (lisina. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. Das vagens de C. 1987). fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . De C.. palmitato.. 1981). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. Das raízes de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. proteínas brutas. fistula (Cano Asseleih et al.. Das cascas do caule de C. ácido glutâmico e aspártico. 1990). flavonóides (Srivastava & Gupta. triacontano. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. triptofano. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras.De C. 1988). oléico.. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. 1987). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. carboidratos.senosídeos das folhas de vagens de C. 1977). beta-amirina. 1978). O óleo da semente de C.. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. 1988). De C. butirospermona. 1990). fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. reina. glauca foram isolados os ácidos palmítico. araquidato de beta-sitosterol. emodina.. linoléico. ácido behênico. Das folhas de C. 1987b. 1990).Ahuja et al. 1988).. 1978). treonina e leucina). compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava.

. 1987). 1989) e nas sementes de C. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1988). De C. fisciona. sericea (Muralikrishna et al.. 1987).. Das raízes de C... palmitoléico. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1985). didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.. 1986. 1988).. Sen et al.. 1987. linolênico. estérico. 1978). emodina e rheina) (Krambeck et al. linoléico. . dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma... Cassia laevigata (Singh. javanica (Singh & Jindal. 1977). pumila foram isolados tetratriacontanol. C. 1988). De C. fastuosa foram isolados os glicosídeos. C. 1977). R. A composição dos ácidos graxos de C. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani.. Cassia javanica (Azero et al.. oléico. palmítico. B. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. (Baba et al. 1987). 1988). spectabilis foram isolados antraquinonas. siamea (Khan et al. Das flores de C. 1997).. De C. De C.Das partes aéreas de C. ácido quelidônico. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1990). 1985). emodina. além de alcalóides (Christofidis et al. C. 1986).. araquídico e behênico (Khalid et al. Das sementes de C.. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. 1986 e 1987). mirístico. De C. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1989). 1989)..4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. marginata (Kumar et al. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. holosericea é predominantemente de ácido láurico. semicordata foram isolados compostos do tipo 1.. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. Das folhas de C. 1988).. 2-methoxistipandrona. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai.

. guianensis (Kittakoop et al. Estudos mais recentes têm apontado C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1988). 1995.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.. O.. E. Lemus et al.. Amaral et al. Munoz et al. 1999). comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. 1990) Lima. candicans (Pepato et al. 3- . Lopes et al. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. contêm caesalpina P. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. antimicrobiana (Cebalhos et al..forficata e B. 2000). 1996. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. et al. De C. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. T.. 2002a e 2002b).. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B... A espécie C. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.... gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al.. 1987). Os inibidores da aldose reductase. 1998).. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson.. 1998).. J. 1994. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. malabarica e B. 1991). analgésica (Carvalho. 1997). 1995. 1991). et al.. C. 1996).. Rossi-Ferreira et al. 1985).. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 2002. 2001) e antimolarial de B. J. Nakamura et al. 2000. 1977). 1986). C.. sapanchalcona.. Extratos de C. et al.. leiostachya (Moura et al. antiinflamatória (Carvalho. 2001. 1976) e proteínas de C. O. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. 1986). Bacchi & Sertié. O uso crônico de B. et al.. anticoagulante (Milagres et al. tarapotensis (Braca et al. antiedematogênica. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.

. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon..deoxisapanona. 1994... Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. Schmeda-Hirschmann et al. 1992. antibacteriana. 1996). . 1987). 1997). antiviral contra hepatite B (Patney et al.. A brasilina isolada de C.. 1997). 1989). 1996). sappan como ingredientes ativos (Morota et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. inibitória da hemólise.. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. Feng et al. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1978.. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.. De C. hipotensiva. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum.. protosapanina A. antimalária (Gasquet et al. antiparasitária. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1993. vasoconstritora.. Caceres et al. 1999). Cassia Nas folhas de C. de estimulante uterino (Saraf et al. Sadique et al. 2001).. 1985).... Hussain et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. antifúngica. 1976) e. de relaxamento do músculo liso. 1962).. 1995a). Sama et al.. hepatoprotetor (Jafri et al. 1987. O extrato metanólico de C. 1991. in vitro.

que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina.. 1990). 1990). Estudos com as sementes de C. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. O extrato das folhas de C. 1991). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman.5'-tetrahidroxistilbene. 1989). pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al... tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1989). 1988). que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. A fração polissacarídica de C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al.. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto.Das sementes de C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. 1990). lugustrina (Abhaham et al. Nas sementes de C. alata quanto C.. garrettiana foi isolada a 3. 1986a). De C. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. As sementes de C. 1988) e C. espasmolítica com subs- .. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. 1986). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. utilizando as folhas de C. e C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1989). citotóxica com extratos de C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. 1984). pudibunda (Cavalcanti et al. Os resultados finais indicaram que tanto C. 1988 e 1989). Crawford et al.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. O extrato a 10% das folhas de C. garrettiana (Inamori et al. acutifolia. As antraquinonas de C. 1985). 1991).. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. C.pudibunda (Cavalcanti et al. 1990.. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).. acutifolia como controle positivo..4. As folhas de C..3'. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1979) e C.

. 1979) e C. vômitos.tâncias isoladas de C.. antitumoral com extratos de C.. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. purgativa dos glicosídeos de C. O gênero Cassia produz. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. fistula (Bhardwaj & Mathur. angustifolia (Nakajima et al. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. caracterizado por náuseas.. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.. cólicas abdominais e diarréia. 1977) e antivirótica com extratos de C. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. 1985). 1979). que apresentaram um quadro de ataxia.. seca e/ou torrada. anemia. roenwilana (Rowe et al.. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. 1984). Colvin et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1987). 1998).. em geral. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. diarréia. ferrea. 1991). acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. cansaço e dores. 1986b). Salienta-se que a espécie C. pumila (Fatawi et al. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. em muitos países. 1986. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. apatia. fistula (Babbar et al.. Seu consumo indiscriminado é perigoso. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. quinquangulata (Ogura et al. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. cavalos e cabras. A administração de folhas de C. na forma fresca. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. 1979). A espécie C. C. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C.. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. especialmente por crianças. como substituta do café. amplamente utilizada pela população. 1985). . 1986). dispnéia. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al.

Nos estudos realizados na região amazônica e . Psoraleae: Psoralea. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Genisteae: Lupinus. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Desmodieae: Desmodium. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Vicieae: Vicia e Pisum. Robinieae: Sesbania e Robinia. Derris e Lonchocarpus. um importante produto alimentar no Brasil —. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Cajanus. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Indigofereae: Indigofera. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Millettieae: Tephrosia. Abreae: Abrus. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Dypteryxeae: Dypteryx. Sophoreae: Sophora. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Canavalia. onde se encontram plantas (Barrozo. Myrocarpus e Ormosia. Crotalarieae: Crotalaria. Trifolieae: Medicago. 1978). Diplotropis. Cymbosena. Dioclea e Mucuna.

sendo ainda forrageira. Guandu ou Feijão-guandu. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. as quais são descritas a seguir. Cuandu. dores de barriga e diarréia e a infusão. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. pinadas. dispostas em pedúnculos axilares. de onde partem folhas pecioladas. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. na Mata Atlântica. comprimida. A espécie possui um grande valor econômico. com ampla utilização em diversos países. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Feijão-de-árvore. . No restante do Brasil é conhecida como Guando. Andu. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. podendo atingir 3 m de altura. com ramos angulosos. mas há divergências quanto a essa classificação. 1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. gripes. fruto do tipo vagem linear. Alguns autores referem que ocorrem três variedades.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. contra constipação nasal. Espécies medicinais Cajanus cf. oblongos. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. Erva-do-congo. compostas de três folíolos aveludados. flores vistosas. Ervilhade-angola.

flores rosas. acuminados e glabros. . de Flor-da-terra. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. em forma de bote. fruto do tipo legume falcado. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. descrito por João de Loureiro. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". oblongos. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. menos freqüentemente. flores rosas. por arbustos ou árvores. significa "pele dura". na Mata Atlântica. referindo-se ao legume. e foi descrito por George Benthan. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. 1997). mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. com ramos tomentosos. pediceladas. Dados botânicos A planta é uma enorme liana.Cymbosema roseana Bent. Nomes populares A espécie é chamada. O nome do gênero Derris. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. reunidas em fascículos. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e.

Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. Outros nomes populares são Amores-do-campo. externa. com cálice gamossépalo. Dados botânicos Erva de pequeno porte. folhas pecioladas. compostas. cilíndrica. pentâmera. folhas alternas. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Desmodium tortuossum (Sw. corola dialipétala. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica.5). enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. didamídea. revestida de pêlos curtos. Derris floribunda Bth. coriáceo. ereto e com raiz bastante lenhosa. sementes sem endosperma (Figura 18. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. Trevo-da-flórida. a prefloração da corola é imbricada descendente. com uma grande pétala superior. fruto do tipo legume linear. com folíolos articulados na base. trifoliadas e . hermafrodita. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.) DC. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. flores fortemente zigomorfas.

Sapupira. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. . todas conhecidas como Sucupira. Outros nomes comuns são Favinha. O nome Diplotropis significa "duas carenas". Sicupira. flor com estandarte longo. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados da medicina tradicional A semente ralada. O nome do gênero significa "feixe". vexilo oblongo provido de apêndices na base. fruto do tipo vagem.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. coriáceos. com sementes pretas e duras (Figura 18. Sucupira-da-terra-firme.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. com ampla distribuição no Brasil e no México. indeiscente. fruto do tipo legume. Diplotropis purpurea (Rich. com folhas compostas. Cutiúba. pequenas. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Cutiubeira. Sebipira. Sapupira-da-mata. pinadas e folíolos glabros. plano. Paricarana. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. referindo-se à disposição das flores. misturada com enxofre. reunidas em racemos. Sapupira-preta.6). tendo um apêndice na base. Sapupira-da-várzea. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais.

Cumar-do-amazonas. compostas. 1991). O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. dispostas em panículas pubescentes. referindo-se ao cálice. cigarros. quando maduros e secos. caule reto. de Cumaru. de pequena espessura. O nome do gênero significa "duas asas". de cor verde-amarelada. frutos em forma de vagem drupácea. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. podendo atingir até 35 m de altura. alternas. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Willd. servem para tratar a pneumonia. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. além da famosa fava de cumaru. charutos. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". Nomes populares A espécie é chamada. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro.Dipteryx odorata (Aubl. . Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. folhas grandes. pecioladas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. doces. Cumaru-amarelo. alimentos e uísque. Imburana. Umburana e Kumbaru. se fendem liberando a semente roxo-escura. flores vermelhas. imparipinadas. quando passados sobre as costelas. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Imburana-de-cheiro. aromáticas. na região amazônica. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. grosso. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. e na produção de perfumes. Cumaruzeiro. que.

tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. aromáticas. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. para banhos fortificantes de crianças. essa espécie é utilizada como anticoagulante. pela presença de Cumarina. com semente oleosa e aromática. contendo casca de pequena espessura.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. antiespasmódico. para aliviar dores de garganta e. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. frutos em forma de vagem verde. diaforético. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. 1991). antidispéptico. pecioladas. narcótico e estimulante. e os palikur. diaforéticas. alternas. dispostas em panículas pubescentes. . internamente. compostas de sete a nove folíolos. contra qualquer inflamação. grosso. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. contra contusão e reumatismo. emenagogo. emenagogas e cardíacas. imparipinadas. antitussígeno. folhas grandes. podendo atingir até 3 m de altura. caule ereto. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. diaforético. como reconstituinte das forças orgânicas. cardiotônico. flores vermelhas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Em outros lugares. febrífugo. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos.

compostos 5-9 folioladas. de ocorrência na América do Sul. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. portas e janelas de luxo. sendo ainda expectorante peitoral. de Cabreúva. assim como a casca. Outros nomes são Cabruê. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Óleo-pardo. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. sendo muito usada na indústria de cosméticos. Nomes populares A espécie é chamada. Pau-bálsamo. com casca rugosa no caule. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. 1974). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. urucu. A madeira.. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". a mais estudada é a D. possui aroma balsâmico. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos.Myrocarpus frondosus Aliem. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. Bálsamo e Pau-de-óleo. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. indicadas nas lesões do sistema respiratório. outros compostos . A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. tinturas e perfumaria. para fabricação de carroças.

Em D. 1985) e D.... 1978.. 1977). foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. 1962). senegalenseína.. spruceana. glutinosum. 1995b).. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. 1976) e D. epoxilupinifolina e dereticulatina. Nascimento & Mors. 1996). foram isolados. Desmodium De D. hiravanona. De D. 1993. Das raízes de D.) DC.. 1997). Bell et al.. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Rao M. 1989). Do caule de D.. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al.. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. também denominada D. adhaesivum Schldl. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1994). oblonga e D. do seu caule e de suas folhas. 1978).8-difenileriodictiol. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. 1997). canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A.) DC. et al. B e C). tortuosum. crisantemina e cianina (Matinod et al. Nakatu et al. D.. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. 1989). D. N. 1995b) e D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. aparines (Link. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al.rotenóides (Braz Filho et al.. proteínas. 1994). canadense (L. 1991. 1954). D. lupinifolina e laxiflorina. os flavonóides. e das raízes de D.. lipídios. ou D. reticulata. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.. laxiflora Lin et al.. canarensis (Evans et al. Foram isolados alcalóides de D. D. D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. . 1978). araripensis (Nascimento et al. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. benthmii (Fellows et al. heterocarpon e D.... Da espécie D. frutescens. incanum DC. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1986. D. 1977). 1976. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. foram isolados os flavonóides desmodina. homoadonivenita (Batyuk et al. spruceana (Garcia et al. obtusa (Nascimento et al. amoena.. 1961.. E em D. enquanto de D. 1978).. Kimetal. 1988)... Lin & Kuo. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. As espécies D. Flavonóides também foram isolados em D. 1973b) e saponina (Parente & Mors. 1986).

também denominada D. além de canavanina (Beveridge et al.Os alcalóides bufotenina. cinarascens A. salsolidina. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. 1-octacosanol. difisolina. 2-feniletilamina. 1963). 1962. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. e de D. O D. Ghosal & Bhattacharya. foram isolados mangiferina. hordenina. Em D. ario-inositol e betapinitol. N.N-dimetiltriptamina. O-metilbufotenina. galactopinitol A. genisteína. kaempferol e quercetina.. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. Nakatu et al. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. possui os flavonóides dalbergioidina. salsolina. 1973). 1949) e a canavanina (Van Etten et al. hipoforina. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. bufotenina N-óxido. 1984. cinereum (Kunth) DC. desmodina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. 1964) foram todos isolados de D. Bell et al. leptocladina. gangeticum (L. caudatum (Thunb. A espécie D. tiliafolium G. Don. desmocarpina.. os alcalóides candicina. gangetina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia... 3. 1972). 1977.) DC.. também muito usado medicinalmente. 1978). os flavonóides hiperina. intortum) possui carboidratos. isoquercitrina. betaína.4-dimetoxifenetilamina. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. Purushothaman et al. gangetinina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. hipoforina e os alcalóides. De D. hordenina. N-N-dimetil-3.. normacromerina. ácido octacosanóico. Em suas raízes foram isolados abrina. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al.) DC. Purushothaman et al.. 1971). Nmetiltiramina. beta-carbolina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1969. 1972.. 1983). triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. elegans DC. 1975). .4-dimetoxifenetilamina.

estigmasterol. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. pinitol e canavanina (Beveridge et al. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. floribundum. 1986. 1971.) DC. 1989). 1996). flavosativasídeo. 1968). e os flavonóides isoliquiritigenina.. inositol. De D. De Desmodium uncinatum (Jacq. foram isolados os flavonóides apigenina.. ojeinese. 1984).. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. 1989). e de D. ácido indol-3-acético. 1961 e 1962.. 1985). De D. o terpenóide lupeol.. De D. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. De D. racemosum. e os alcalóides colina. nonacosanos. 1965. os terpenóides beta-amirina. multiflorum. Sreenivasan & Sankarasubramanin.. e de D. Mukherjee et al. e de D sandwicense E. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta... Kubo et al.. Anjaneyulu et al.. 1982... heptacosanol. laxiflorum foram isolados heptacosanos. isovitexina. 1989. . 1989).. podocarpum. 1977. 1978). Amor-de-velho-comum. 7-hidroxiflavona. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.N-dimetiltriptamina N-óxido. Perez-Maldonado & Norton. compostos estes também isolados em D. vitexina. De D. 1962). foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. ovalifolium (Giner-Chavez et al. tricosanol. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. estigmasterol. formononetina. feniletilamina. N. homoferreirina. kaempferol.. 1963a e 1963b. também conhecido com D. 1965).1995. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Bell et al. b-sitosterol. Kubo et al. De D. 1995).) DC. lupeol. Ahluwalia et al.. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1997). também denominado D.. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. Adinarayana & Syamasundar.. vitexina e xilosilvitenina. 1995). foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 1966). triflorum (L. triquetrum foram isolados friedelina. De D.

lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. 1982).3epimetoxilupanina.1973a).. .

. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 1996). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. punctata (Gruenwald... odoratina... 1994). 1994). Nakano et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. além dos terpenóides betulina. pois suas sementes são ricas em Cumarina. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1995). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol.. alata foram determinados 40% de óleo. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1952). cumarinas (Ehlers et al. 2000. 1993). lupenona e lupeol (Kaplan et al. odorata apresenta um grande valor comercial. retusina). isoflavonóides (Lourenço et al. A espécie D. 1995. 1952). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1981). 1991).Dipferyx De diferentes partes de D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. 1966). alata foram determinados 40% de óleo. De D. além dos terpenóides betulina. 1995). 1994).. flavonóides (dipterixina. De D. Das sementes de D. odoratina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona)... Togashi. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. punctata (Gruenwald. flavonóides (dipterixina. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. odoratina. De diferentes partes de D. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. Das sementes da espécie D. odoratina.

Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al... sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 2002). De D. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos... 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. . 1997). Aragão & Valle. 1997). 1972).. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. micou. 1979). Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Datta & Bhattacharrya. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos.. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1987). Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. Derris sp e D. Foi isolada das raízes de D.. 1998. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Das raízes de D. também conhecido como Timbó.. 2001).. 2001). urucu e D.. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. 1996). urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. De Derris sp. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. 1997).. 1999. nicou (Costa et al.. D. O extrato etanólico de D.

. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. 1996. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite.. e os taninos isolados de D. 1989). O extrato de D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. 1999).. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. Tolera & Said. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.A D... O extrato de D. 1987). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. 1988). que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). 1997). O extrato aquoso de D. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al.. 1996). D. De D.. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1988). B e C. 1997).. styracifolium. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. . além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al.

Zollernia e Acácia. Calliandra. 1993). Adenanthera. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. urucum provoca irritação da pele. das sementes de D.950 espécies descritas. et al. 1991). Mimosa. 1987). M. distribuídas em cinco tribos. Inga.. vômito. muitos deles de valor medicinal. 1996). Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Albizia. doses elevadas podem causar náusea... Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. das quais destacamos os gêneros Parkia.. Y.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. Prosopis. 1998). Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. . Leucaena.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.

Zollernia ilicifolia Vog.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. a espécie é chamada de Mocitaíba. na região da Mata Atlântica. flores reunidas em espigas terminais. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pecioladas. é chamada de Espinheira-santa.) Willd. Moçataíba e Orelha-de-onça. pinadas. com grande ocorrência na Amazônia. repletas de glândulas. Em outras regiões do país. Laranjeira-do-mato. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Nomes populares A espécie. . encontradas em áreas tropicais e temperadas. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Ingá-grande e Jambolão. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). compostas por folíolos ovais.

semialata. farmacológicos e toxicológicos. 1973). 5. . 1996). I. 6. alba. bourgonii.oblongas. stipularis (Kraus & Reinbothe. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.3'.7). laurina. Foram isolados alcalóides das espécies I. Maytenus ilicifolia). I. paterno (Morton et al. I. I. I. com margens onduladas e providas de espinhos. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.8-dimetilflavona (Correa et al. oerstediana e I. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.. heterophylla. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. nobilis. I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I. a antiga casa regente prussiana. e o nome deriva de Hohenzollern. flores rosadas (Figura 18. I. 1991). I.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona.7. sertulifera.. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.3'4'-trihidroxiaurona e 7. parviflora foram isolados os constituintes 7.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. longispica.4'trihidroxi-6. incluindo dores.

Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. S.FIGURA 18. b) detalhe das folhas (fotos originais por M. . Reis).1 .

Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .3 .

Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939). b) escanerata do ramo com flores e frutos.4 .FIGURA 18.

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .FIGURA 18.Derris floribunda.Banco de imagens - .

Diplotropis purpurea.FIGURA 18.6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. S.FIGURA 18.Zollemia ilicifolia.7 . Reis). .

Punicaceae. Melastomataceae e Myrtaceae. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. 1997). com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Di Stasi C.950 espécies. C. 1978). que inclui o gênero Punica. arbustivas. que incluem espécies medicinais. a Punica granatum. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. A. com inúmeros representantes no Brasil. assim come outras espécies de valor econômico. distribuídas nos 188 gêneros. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. da famosa Romã. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea.19 Myrtales medicinais L. São plantas herbáceas. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. e as duas famílias aqui descritas. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e .

Salpinga. flores pequenas. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. nervadas e pubescentes. 1998). muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. em outras regiões. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. ereto e piloso. . Huberia. roxo. Neste estudo. ambas pela indicação popular na região amazônica. com folhas ovais e cordiformes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. que descreveu inúmeras patologias em plantas. Nomes populares Na região amazônica. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. fruto do tipo baga. brancas ou rosas. ou Pixirica. na região amazônica. Microlicia. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. essa espécie é chamada de Quaresma. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora.) DC. dispostas em cimeiras. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Miconia. foram referidas como medicinal apenas duas espécies.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra.

Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Eugenia. Pseudocaryophyllus. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Syzygium. Psidium. 1990). Essa família inclui gêneros como Myrtus. de onde partem folhas de pecíolo longo. Pimenta. e várias outras em climas temperados. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. oeste da Índia e América tropical.620 espécies (Mabberley. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. 1997) arbustivas e arbóreas. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Leptospermum e Melaleuca. Eucalyptus. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Os . cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. bem representada na Austrália.. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. planas.

enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. Eugenia (Pitanga. bastante aromáticas. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. 1996). para o alívio de dores de dentes. 1998). Cereja-nacional. dispostas em corimbos. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). rosas ou avermelhadas. especialmente as flores. No Brasil. além de óleos essenciais. as partes aéreas do Cravo-da-índia. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Myrciaria Gabuticaba). congestão nasal e dores de cabeça. . com folhas pecioladas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. taninos. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. cultivado ou adquirido no comércio. E uma espécie exótica. oblongas e glabras. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. fruto do tipo drupa. leucoantocianinas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Araçá). flores pequenas. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. opostas.constituintes dessa família incluem. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. são usadas no local. ácidos fenólicos e ésteres.

o chá das folhas novas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Psidium. é útil contra hemorróidas. A infusão dos frutos. os brotos de goiaba e de caju. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. internamente. para regulação do ciclo . contra diarréias. usada externamente. significa "triturar. existem registros para a espécie como Goiabeira. ovadolanceoladas. galhada. Na região da Mata Atlântica. morder". Guaiaba. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto com baga amarela. fervidos. Araçá-goiaba. edema e. Guaiava. O nome do gênero. por outras. flores hermafroditas. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. 1984). glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. com caule tortuoso e casca lisa. actinomorfas. referindo-se aos frutos. esmagar. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. botões florais tomentosos ou glabros. brancas e com numerosos estames. diclamídeas. Araçá-guaçu. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. de sabor agradável. com cálice membranoso. Provém de psidion.1). Araçáguaiaba. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. que é a denominação em grego da planta. doenças da pele. folhas opostas. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. no entanto. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. e.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. é indicado contra diarréia. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. curto-pecioladas.

1992). com cálice membranoso. o chá das folhas. Grandi & Siqueira. 1980. fruto com baga amarela. e o decocto. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. guineense Sw. no Pará. igualmente usados como alimento. no Piauí. no Rio Grande do Sul. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. actinomorfas. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. 1988). brancas e com numerosos estames. 1994). curto-pecioladas e glabras. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira... 1984). folhas opostas. de polpa abundante. o chá da folha. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. misturado com folhas de pitanga. 1987.. antidiarréica. é antidiarréico (Amorozo &Gély. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. sendo facilmente confundida com esta. misturado com folhas de salva-de-marajó. As folhas de P. Psydium cf. principalmente em diarréias infantis. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. Grenand et al. diclamídeas. lavagens de úlceras. como estomáquico.menstrual. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1982. 1982). como também os frutos. guajava ainda são utilizadas na América Latina. Duke & Vasquez. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. 1986). botões florais tomentosos ou glabros. Central. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. flores hermafroditas. anticolérica e antiúlcera. antileucorréica. 1982). . indisposição estomacal e vertigem (Forero. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. em Minas Gerais.

Zheng et al. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. Marcelin et al. dos quais 13 são aldeídos. 1994). Pino et al. além de taninos (Misra & Seshadri. 1989. Pino et al. -cedreno.. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. óxido de humuleno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. p-menten-9-ol.. Ortega & Pino. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. borneol. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. 1994). 1987.. 1968. 31 alcanos. 1981). 1982) e quercetina. 1996. 28 ésteres.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. Ortega & Pino. O dehidrodieugenol.. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 1996). -guaieno. As diferenças quantitativas e qua- . bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al.. vitaminas C e A. 1989. -cubebeno. 1990.. 1. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. -bisaboleno. derivado de eugenol.. denominados 1. 1986. 17 cetonas. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al.. -terpineol. pectina. 10 ácidos. 1990). bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. alcanos.1-díetoxietano. 1987). as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. himacaleno. 1991). 1996). ésteres.. -santaleno. -bergamoteno. aldeídos. 1968).. Chyau & Wu. 1987.. lignina. 1987). O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes.. 1996). t-cariofileno. apresentou atividade depressora do SNC. Wilson & Shaw. mirceno. humuleno. acoradieno. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 1978).Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. cetonas.. açúcares. Oliveros-Belardo et al. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. Yusof & Mohamed. p-cimeno. 122 componentes voláteis. cremoflieno. e 95% são cariofileno (Latza et al.1-dietoximetano. 1989. 1990..

2002. Lima Filho et al. oléico e esteárico (Opute. A atividade antibacteriana das cascas de P. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu.. 1987).. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero... O interior das cascas é rico em ésteres. Chen & Yang (1983). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Hegnaurer. Jain et al. (1994) e Neri et al.. ácidos linoléico. 1981)... O extrato aquoso tam- . 1987). palmítico. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. flavonóides. e Maruyama et al. 1979b... guaijaverina.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1987). óleo essencial (Ji et al. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. Osman et al. ácido oleanólico (Mair et al. d-galactose. 1987. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 1996). 1989). As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. 1974. Ácido elágico. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1986). 1978).. Okuda et al. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. polifenoloxidase (Augustin et al.. 1986). 1987). 1991).

bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. Cáceres et al. 1989). explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt.. A. O óleo essencial de P. 1995). 1995).. 1994)... Meckes et al. 1995). Lutterdodt. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. incanescens (Zelnik et al. Lutterdodt et al. F. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 1989. et al.. Morales et al. Lutterdodt.. De P.. 1983). F.. 1990.. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos.. Santos et al. A. . 2002. 1988) e tosse (Jaiay et al. 1997.. e antitumoral de P.. 1994).).. A. (Santos et al. 1996c. et al. 1996a). 1994. 1993. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. et al. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. PonceMacotela et al. 1996b) e P.. 1993. 1996a) de P. 1994. 1999). 1970). Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. Das cascas de P. 1994... Cheng et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. Do extrato hexânico das folhas de P. O extrato de folhas de P. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. Cáceres et al. propriedade anticatártica (Pinto et al. widgrenianum (Souza et al. 1994. Lozoya et al.. pohlianum e Psidium sp.. anticonvulsivante (Santos. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. F... 1996). Grover et al. guyanensis (Santos. 1998).. P. Lozoya et al. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória... F. A. 1990. A. óxido e b-selineno). 2000. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. P. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. et al.. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. guyanensins. guyanensis. F. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. et al.. Shimomura. A quercetina isolada de P.. e eugenol e timol de P.. 1995. 1999). incanescens (Santos. 1992.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.FIGURA 19.1 .

Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. ambos contendo espécies amplamente estudadas. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. N. que possuem espécies medicinais. Austroplenckia. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. com atividade antifertilidade masculina. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Di Stasi L. Seito F . 1997). são Celastrus e Trypterygium. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. a família Celastraceae. e apenas uma delas.G.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. C. Os principais gêneros dessa família. representa importante fonte de espécies medicinais. .20 Celastrales medicinais L. gênero de grande valor medicinal. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. e Maytenus.

denteadas. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. . Erva. dor do "ciático".Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. bastante coriáceas. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. flores numerosas. Também é conhecida como Sombra-de-touro. na região da Mata Atlântica. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. de Espinheira-santa. gastrite e ulcera péptica. dores nas costas e úlceras do estômago. glabras. copa globosa e ramos glabros.cancerosa. Espinho-de-Deus. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). Erva-santa e Congorça. atingindo até 9 cm de comprimento. de onde partem folhas elípticas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Cancerosa. Nomes populares A espécie é chamada. arbusto menor (de 1 a 3 m). Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Salva-vidas. ex Reiss. amarelo-avermelhado. ápice agudo. com acúleos. fruto do tipo cápsula ovóide. axilares. Espinheira-divina. Maytenus aquifolium M.

serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 1995. fruto do tipo capsular.. Das sementes de M. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al.. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al.. contendo folhas alternas. heterophylla e M. arbitifolia (Orabi et al. oblongas. 2000). vermelho. 1995). 2000). Foram isolados das cascas de raízes de M.. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. Da infusão das folhas de M. 1997). aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. flores pequenas e axilares. com ramos finos. krukovii (Honda et al.. 1999). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. 2001) e triterpenos cetônicos de M. 1998). podendo chegar a até 4 m de altura. Foram também isolados um glicosídeo. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1995a). Dados químicos De M..... . a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al.. De M. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al..

15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. Dos ramos de M.. .. 1998). ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. lup-20(29)-ene-3beta.. cangoronina e ilicifolina. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 7. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. De M.. Das folhas de M. As cascas das raízes de M. 7 alfa-hidroxicanarol. 1993a e 1993b). ilicifolia (Itokawa et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al... 1994). e outros triterpenos (Gonzalez et al. betulina. ácido oleanólico e ácido betulônico.. triterpenos do tipo friedelana. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. G alfa e G beta. 1998).21-trione (Nozaki et al.. emarginatina-E e emarginatinina. macrocarpa (Chavez et al.. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos..30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.8dihidroisoxuxuarina E alfa. Sesquiterpenos foram isolados de M. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. 1991). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. 1996b). 1997). os triterpenóides beta-amirina. os triterpenos 3-beta. os triterpenos fenólicos canarol. emarginatina-D. E-II. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. Dos ramos de M. 1994). E-III. lupeol.. Além disso.28.Gonzalez et al. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol.. 1991b). 1994). 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. além de epicatecol. chuchuhuasca (Shirota et al. 1992b). 1992).16. 1993). 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. iliocifolia (Shirota et al. xuxuarinas F beta. 1995a). De M. foram isolados das folhas de M. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. E-IV. canaradial. E-I e E-II (Itokawa et al. 1999a e 2000).. 1994b)..30-diol (20).... e escutidina alfa A foram isolados de M. E-V. 1999). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. além de pristimerina.30-lup-20(29) ene-triol e 28. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al..

. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 1996b). 1971. myrsinoides (Baudouin et al. 2000.. G.... catingarum (Alvarenga et al. 1999a). 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. Gonzalez et al.. 1996b).. scutioides (Gonzalez et al. 1996a). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano... maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al.. De M. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al.. 8 beta. A... Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. 8 beta. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. macrocarpa (Chavez et al.. 2001). . 1996c). et al. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. assim como os compostos 6 beta.. 1999). -15-triacetoxi-l alfa. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1999). O composto escutiona isolado de M.. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M.. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. M. 6 beta. Wang et al. 1999). scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 1971). senegalensis e M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 1984). canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1996). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. Dados farmacológicos M. 1999b). 1981).M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. Alcalóides foram isolados de M. isolados de M. Nor-triterpenos isolados de M.

G... 1999). 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. Queiroz et al. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. As folhas e caules de M. et al. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina..O extrato diclorometânico de M. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 1991. . F. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas.. 2001. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 2000).. 2001). 2002). Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. 1991.. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Gonzalez. Oliveira et al..

podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. especialmente árvores. ocorrem 32 gêneros. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Vochysiaceae e Krameriaceae. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. 1997). Malpiguia e Stygmaphyllon. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. 1978). contendo cerca de 1. Byrsonima.100 espécies tropicais. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Polygalaceae. além das duas referidas a seguir. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. . usada na produção da Ayahuasca. com aproximadamente trezentas espécies. ambas com várias espécies medicinais. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. C. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. bebida alucinógena. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. arbustos e lianas (Mabberley. com importantes espécies fontes de madeiras. corantes e de medicamentos. No Brasil.21 Polygalales medicinais L. Trigoniaceae.

) Juss. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. externamente. de folhas cordiformes. Gordura-de-porco ou Cajuçara. contra icterícia. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. . e.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. O nome do gênero Stigmaphyllon. nas raízes formam-se grandes tubérculos. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. bastante pubescente. arredondadas. glabas na face superior e sedosas na face inferior. grande e robusta. dor de estômago e gripes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. significa "estigmas foliáceos". Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal.) Juss. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.

C. Simaroubaceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Simarubaceae e a outra família. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. R. especialmente no Sistema Nervoso Central. Ailanthus. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. que contém. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Picrasma e Brucea. o Guaraná. destacando-se as famílias Burseraceae. . Souza-Brito L. além das espécies aqui citadas. inúmeras espécies medicinais. Meliaceae.22 Sapindales medicinais C. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. Hiruma-Lima A. Rutaceae. M. especialmente dos gêneros Simarouba. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Sapindaceae. A. Cupania e Serjania. essas espécies serão descritas a seguir. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Das demais famílias dessa ordem. Anacardiaceae. Oxalidaceae e Balsaminaceae. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Essa ordem. Quassia. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia.

além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. nos países de clima temperado. descrita por John Lindley. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. subclasse Rosidae. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. relatados a seguir. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Do mesmo gênero. lianas e raramente ervas pereniais. Além dos usos medicinais. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Spondias e Schinus. amplamente consumida . arbustos. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. reúne setenta gêneros. No Brasil. Semecarpus (Semecarpeae). Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). tais como Caju. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. as espécies Pistacia lentiscus. A espécie Mangifera indica. 1997). Desses gêneros destacam-se. Essa família botânica inclui árvores. Nessa família. Schinus. pertence à ordem Sapindales. Mangifera. distribuídas em regiões tropicais. Spondias. com aproximadamente 875 espécies. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Manga e Pistache.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias.

Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. de 25 a 30 m de altura. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. . o fruto em forma de drupa é peduncular. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. perfumadas. as flores. não foi referida na região de estudo como medicinal. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Cajuí. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Caju-assu. ovário súpero com um só óvulo. sendo também denominada Cajuaçu. Caju-da-mata (Amazonas). entre outras tribos indígenas.1). Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. dispostas em panículas. Pará e Mato Grosso. com tronco de casca lisa. Engl. especialmente no Amazonas.

raspa de amor-crescido e cajá. o óleo da castanha. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. O óleo é usado na produção de borracha. pequenas e de coloração pálida. tomando-se um copo por dia. Cajumanso. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. ovário unilocular. as flores. É uma planta decídua. plástico e resinas. onduladas. as folhas são alternas. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. Caju-de-casa. reticuladas e nervadas em ambas as faces. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. várias outras denominações são usadas para a espécie. Contra diarréia. o fruto é do tipo aquênio reniforme. significa "semelhante ao coração". ou simplesmente Caju. Economicamente. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. O nome do gênero. ovadas.Anacardium occidentale L. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante.2). Acajuíba. assim como a própria castanha. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Para hemorróidas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Caju-da-praia. tais como Acajaíba. glabras. pecioladas. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. possui importante mercado nacional e internacional. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. heliófita e que cresce bem em solos secos. em referência ao nome de seu fruto. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Anacardium. com um só estame fértil. Caju-manteiga. entre outras. O . no entanto.

1982).. para controle das secreções vaginais. e a maceração de folhas para tratar diabete. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. purgativa. como um diurético. astenia. 1995). uma infusão de folha é usada contra diarréia. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. 1995). problemas respiratórios e do estômago (Smith et al.. e a raiz. 1994. Cruz. O suco das folhas serve como antiescorbútico. No Piauí. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. Matos. anti-helmíntico. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. . desordens urinádas e asma (Lima. Grenand et al. 1990. debilidade muscular. estimulante e afrodisíaco. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al.. 1993). antidiabético e antihemorrágico (Verardo. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa.. 1984). contra glicosúria e poliúria na forma de banho. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. tônico. contra úlceras. A resina é usada como depurativo e expectorante. 1993. calos e verrugas.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. 1992). assim como um potente adstringente. 1994). utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. As flores são afrodisíacas. 1982). Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. Em Juiz de Fora (MG). Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. a casca é utilizada como adstringente. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. tonsilite e problemas de garganta. depurativo e anti-sifilítico. P.

mas é muito usada como ornamental. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. referindo-se às frestas da casca do fruto. tônico. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. . Bálsamo. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Aroeira-branca. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. caule tortuoso. Coração-de-bugre. analgésico e contra coceiras. estimulante e analgésico. Fruto-de-raposa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com casca grossa. Aroeira-do-campo. Fruto-de-sabi.Schinus terebenthifolius Raddi. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. O nome do gênero significa "cortar". como cicatrizante e contra gengivites. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura.3). Aroeira-vermelha. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. Aroeira-do-sertão. Aroeira-do-brejo. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. sugere-se o uso com moderação. com copa bonita e arredondada. adstringente. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. lenha e carvão. Cambuí. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Aroeira-da-praia.

especialmente árvores com resinas. é ovóide. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. referindo-se à semelhança com o fruto. diurético e analgésico. p-hidroxi- . referindo-se apenas à fruta da espécie. 1994). esverdeado e doce (Figura 22. antiespasmódico. Acaju.Spondias purpurea L. além de comestíveis. Acaiou. Em outros países da América do Sul. Cirouela. ou mesmo Caju. como antidiarréico. reunidas em racemos. com 5 a 7 m de altura. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. O nome Spondias significa "ameixa". Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. Outras denominações comuns são Acajá. o fruto. Siriuela. sendo um composto característico das espécies deste gênero. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. descrito também por Carl Linnaeus. as flores são pequenas. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores.4). inclui espécies tropicais. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. imparipinadas. O ácido anacárdico (C22H32. ou Cajá e Umbu. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. do tipo drupa. O gênero Spondias. ilustrado a seguir.O3).

fenol. esteróis. n-eicosano. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. 1986).. de diferentes partes da planta. S. 1995). também foram isolados (Costa. agathisflavona. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . estigmasterol. kaempferol. Mg. além de Na. 1989). narigenina. amentoflavona. taninos e açúcar (Nagaraja et al. flavonóides. antocianinas. derivado de resorcinol. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. a-selineno e vitamina C (Gupta. aminoácidos. quercetina. sódio e açúcar. e de suas folhas foram isolados miricetina. a-amirina. cardanol. taninos. 1997). (-)epicatequina. P. glicosídeos de quercetina. 1973). amido. os seguintes compostos: acetofenona. 1985). além de flavonóides voláteis (Pino. anacardol. (-)-epiafzelequina. campesterol e colesterol (Dinda et al. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. ácido gentísico. anacardeína (Sathe et al. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. robustaflavona. Al. anacardol e cardol. álcool araquidílico. 1986). 1987). leucocianidina. apigenina. 1997c).benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. Compostos derivados do ácido anacárdico. 1987). aminoácidos. ácido procatéquico. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al... Foram também caracterizados. K e Ca (Thomas & Dave. 1990). ácido-p-hidroxibenzóico. limoneno. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. cicloartenol. C1.

-linolênico. Himegima & Kubo... palmitoléico. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 2000). Escherichia coli. 1991). 1994). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.. 1992). Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. quercetina. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. 1994). Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. 2000).(Guerrero. 1991.Bacillus subtilis.. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. e raízes (Guerrero. oléico. tocoferol. palmítico. 1994)... -sitosterol. 1994) e frutos (Augusto et al. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. aminoácidos variados. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. Muroi & . Do extrato etanólico de folhas e caule de S. 1999). O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. ácido salicílico. tocoferol e outros. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. 1991). láurico. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka.. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. ácidos esteárico. denominados geraniina e galoilgeraniina. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. -caroteno. flavonóides e triterpenos em suas folhas. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Vários derivados do ácido anacárdico. tais como -catequina. 1993.

1991). Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1974. 1993). glabrata. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984a). 1995). 1982). 1993). O extrato hexânico das cascas de A. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. enquanto o cardol. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. . Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974)..epicatequina Kubo. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama.. Craveiro et al.. occidentale foram avaliados perante a B. Souza et al. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.. 1994). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. Jurberg et al. 1992.

Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. occidentale. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus.. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A.. isolada de A. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al... Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). 1994). foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Geraniina e galoilgeraniina. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. pela presença do cardol (Hoehne. 1990. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. Barbosa Filho et al.. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. 1990). 2000. 1994).. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Mota et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. antiartrítica. mombin. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. occidentale. Kudi et al... França et al.. Além disso. 1992). 1980) enquanto. Abo et al. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas.. . 1991). o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. Dos extratos hidroalcoólico.A epicatequina. 1982. responsáveis por irritação da pele. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Akinpelu.. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 2001. 1993). 1992). As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1983). além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 1982 e 1985. 1981).. 1999. taninos isolados de S.. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.4 . . 1946).Spondias purpurea.FIGURA 22.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 22.

FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .Ruta graveolens.

Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997).23 Apiales medicinais C. Di Stasi A ordem Apiales. de acordo com o sistema de classificação botânica. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. denominada também Umbellales. Essa família inclui 446 gêneros. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. com aproximadamente 3. C. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. as quais são descritas a seguir. mas alguns arbustos e árvores são des- . A maioria das espécies é de plantas herbáceas. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae).540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. 1997). como Umbelliferae. A. Hiruma-Lima L.

muito comum na Mata Atlântica. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . entre inúmeros outros. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Apium (gênero do Salsão). dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura).Hydrocotyloideae). Pimpinella (Erva-doce). assim. ascendentes. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Apium. densamente imbricadas. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae .Saniculoideae). Cominho e Salsa. tais como Cenoura. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. a Eryngium ekmanii. onde há amplo uso como medicamento. com raízes fasciculadas.Apioideae). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. 1998). oblongolanceoladas. Erva-doce. Coriandrum (Coriandreae . Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e.Apioideae). Apium com características ruderais. e Hydrocotyle exigua. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Petroselium (Salsa). Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). No Brasil ocorrem poucos gêneros. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Muitas dessas espécies são cultivadas. fibrosas e caule florífero solitário. folhas alternas. dunas e brejos. Daucus (Caucalideae . optamos por incluir aqui apenas duas delas.critos na família. Coentro. Cicuta. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae).

Eryngium. referindo-se às fibras do rizoma. capítulos esverdeados com flores pequenas. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. Também é conhecida como Erva-capitão. inflorescência em capítulo. semelhantes a barba de cabra. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. var. Hydrocotyle hirsuta Sw.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. folhas pequenas. frutos pilosos.1). fruto subgloboso (Figura 23. Esse chá. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. no entanto. com flores avermelhadas. com nós. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. é considerado excelente contra dores de cabeça. quando preparado em alta concentração. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. espalhadas por diversos continentes. de no máximo 1 cm de espessura. o sumo das folhas frescas. dos quais são emitidas raízes. lobadas e pilosas. especialmente em crianças. usado topicamente. O nome do gênero. e aix = "cabra". crenadas. cordiformes.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. de Erva-terrestre. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. torcidas antes de abrir. cíclicas. diclamídeas e hermafroditas. habitando em lugares úmidos. exigua (Urban. na região do Vale do Ribeira. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. vem de eros = "lã".

000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. Glicosídeos foram isolados de E. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al.. 2002). enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1985. a DL50 por via oral foi de 1. 1986). A atividade antiinflamatória foi determinada em E. 1997a). 1992). foetidum L. 1980) e E.. sendo majoritários carotol. 1986). campestre (Erdemeier & Sticher. elegans (Campos & Garcia. 1986). comarinas e flavonóides. 1984).. acetilenos. também encontrados em E. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto.4. De E. Hohmann et al. 1985).inclui 130 espécies cosmopolitas.5-trimetilbenzaldeído.. bourgatii (Lam et al. Das folhas de E. 1995). maritimum (Lisciani et al. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. emético. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. foram isolados 46 compostos. e cotyle = "umbigo". diurético e. sendo 2. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. O extrato aquoso de E. 1997a).. foi ainda isolado o falcarindiol em E. farneseno. anetol e alfa-pineno (Pino et al. Além de saponinas. 1999). em altas doses. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. ilicifolium (Pinar & Galan. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos... planum (Hiller et al. . 1997)..

são encontradas na família. lianas. Schefflera. Australásia e América tropical (Joly. epífitas. no envenenamento do filósofo Sócrates. da famosa Hera dos parques. e Polyscias. Tetrapanax e Aralia. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Panax. e inclui 47 gêneros. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. No Brasil ocorrem vários gêneros. No entanto. especialmente em refogados e saladas. Árvores. subclasse Rosidae. Centro-Oeste e Sul. com aproximadamente 1. segundo a história. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. especialmente do gênero Cicuta. ambos introduzidos no Brasil. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Tetrapanax. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. utilizada como alimento. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Das inúmeras espécies descritas nessa família. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. 1998). arbustos. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. e centenas de . Mackinlaya e Polyscias. mas raramente ervas. 1997). Hedera. famosa por ter sido usada.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas.

também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. reunidas em inflorescências axilares.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. A espécie não foi completamente identificada. variegadas. androceu com cinco estames.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. Outras espécies do gênero. O nome popular da espécie. cálice pequeno. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. e acias = "sombra". O nome do gênero vem do grego polys = "muito". sendo também usa- . com larga bainha na base. Cuia. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. O gênero Polyscias. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. grandes. Cuia. usada internamente. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. flores pequenas. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. pertencente ao gênero Polyscias. fruto indeiscente. descrito por Johann Forster e Georg Forster. globoso. pela beleza de sua folhagem. ovário ínfero. folhas alternas. amplamente cultivada como ornamental. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. refere-se à forma da folhas. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. Cunha e Cunha-mansa. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais.

A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1990).... Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Nesse estudo. 1992. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Barilyak & Dugan. 1998).. Fulva (Bedir et al. Nas folhas de Polyscias sp. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P.. 1992). 2001). Vo et al. 1995.dos como calmante por adultos. 2002. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso.. Em P. 1989c e 1990) e de P. 1988. os autores demonstram que . Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan.. 1994). scutellaria (Paphassarang et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Lutumski & Luan. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1989b. 1996. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. Proliac et al. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1992). Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória.. 1986). Glicosídeos oleanólicos.. Chaboud et al. 1989a. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al.. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. 1990. 1991).

A espécie P.1 . Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. mostram que essa espécie. 2002). foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas..Eryngium ekmanii. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. FIGURA 23. assim como outras do gênero Polyscias. especialmente a Panax ginseng. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. e de prolactina pela hipofise. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. associados àqueles referentes a outras da família.

2 . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .Polyscias.FIGURA 23.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Esses dados. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Gentianaceae e Asclepiadaceae.Strychnaceae. demonstram que a ordem Gentianales. A. . Genistomaceae. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Di Stasi C. Apocynaceae. Loganiaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo.24 Gentianales medicinais L. apesar de pouco numerosa. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. C.

e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. inclui 165 gêneros. Catharanthus. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. além dessas. Allamanda. aqueles que incluem espécies arbóreas. Inclui espécies arbustivas. como Aspidosperma. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. e. Aspidosperma. e encontrado em várias outras espécies do gênero. arbóreas. sendo esta última o mais importante. 1997). A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. muitas das quais conhecidas como Mangaba. . Tabernaemontana. Joly (1998) destaca. muito utilizadas ornamentalmente. os gêneros Mandevilla e Thevetia. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Nesse contexto. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. muitas das quais trepadeiras e suculentas. arbusto encontrado na Índia. Vinca. como os gêneros Allamanda. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. com aproximadamente 1. Rauwolfia. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. serpentina. Mandevilla. Hancornia. Hancornia. fornecedores de madeira. Thevetia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. serpentinina e reserpina. com destaque para ajmalina. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Paquistão e Tailândia. dentre os gêneros. Java. subclasse Asteridae. a família possui espécies trepadeiras. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Nerium.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley.900 espécies tropicais e subtropicais. ajmalinina. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Strophantus. entre as espécies de pequeno porte. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. herbáceas.

Himathantus sp. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. • do gênero Strophantus. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. Orélia. Vinca minor. tem sido designada também como Catharanthus roseus. as espécies Strophantus gratus. Wrightia e Aspidosperma. tais como alstonina. . contudo. tais como majdina. Dedal-de-dama. Deve-se destacar. segundo Evans (1996). • do gênero Nerium. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. cilastonina e também a reserpina. a saber Allamanda cathartica. as espécies Vinca major. alstonilina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. Vinca rosea e Catharanthus roseus. tanto para os animais como para a espécie humana. especialmente a Nerium oleander. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. tais como ouabaína. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. e Thevetia peruviana. Alamanda amarela e Quatro-patacas.• do gênero Vinca e Catharanthus. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. vinblastina e vincristina. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. espécies ricas em glicosídeos. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. estrofantinidina e cimarina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. A espécie Vinca rosea.

atingindo até 20 m de altura. purgativo e catártico. fruto do tipo capsular. Segundo Corrêa (1984). contendo poucas sementes (Figura 24.1). A folha é considerada excelente catártico. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. na forma de funil. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. usada internamente. com a mesma indicação. em animais domésticos. a planta exsuda látex considerado venenoso. glabras e verticiladas. especialmente cães e macacos. axilares e fasciculadas. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. com tubo estreito e longo. sendo a A. . Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. emético e purgativo. com folhas brilhantes. semilenhoso. inflorescências com flores amarelas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. especialmente em crianças. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. enquanto a decocção das cascas da planta. com casca rugosa. O gênero inclui doze espécies tropicais. em grande número. grandes. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. é considerada um excelente vermífugo.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. alternas. folhas simples. espessas. Ucuuba e Sucuba. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. A infusão das folhas é utilizada como emético. com copa estreita e tronco ereto.

margens inteiras. com um tronco de casca cinzenta. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). linear-lanceoladas. O nome do gênero deriva do grego. ocorrendo preferencialmente no interior da mata.pecioladas. Noz-de-cobra. heliófita e secundária. glabras em ambas as faces. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. frutos geminados em forma de chifres. sendo uma planta perenifólia. alcançando até 10 m de altura. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. 1990). Thevetia peruviana (Pers. acumi- . coriáceas. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. grandes e brancas. simples. significando "manto de flor". 1997). especialmente em crianças. Schum. Coração-de-jesus. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. folhas alternas.) K. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. sendo útil como anti-helmíntico. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. especialmente no alívio de coceiras. ovaladas. todas encontradas na América do Sul (Plumel. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. no entanto. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. contendo sementes aladas.

com corola em forma de funil. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. amarelas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. O nome do gênero Thevetia. 1984). braceletes. bactericida e como veneno para peixes. descrito originalmente por Carl Linnaeus. revestimento de maracás (Corrêa. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. a amêndoa. para provocar vômitos. arbotifaciente. Os usos dessa espécie como purgativo. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. É uma espécie muito usada como ornamental. assim como outros inúmeros usos de várias par- . 1997).nadas. 1984). em pó. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. colares. purgante. As sementes da espécie são usadas como inseticida. A casca é considerada amarga e febrífuga. No Brasil. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. 1985). fruto do tipo drupa carnosa. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. carnosas e glabras nas duas faces. contendo sementes duras e grandes. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. como pulseiras. além da sua utilização uso em vários países como emético. triangular. purgativa e emética e de uso perigoso. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. aromáticas. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. contendo flores grandes. especialmente do continente africano. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. 1962).

As sementes de Thevetia peruviana. blanchetii (Ganapaty et al. ácido ferúlico e ácido gentísico. neriifolia os compostos 9. -sitosterol. Tewtrakul et al. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. e de suas flores. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. 1992b. 1989). além de 13-O-acetil plumierida..... 2002). foram isolados do caule isoplumericina. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi.. 1988). a alanerosida.-hidroximedioresinol. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. 1986). Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. 1996. 1985). ovata e T. canogenina. De outras espécies do gênero Allamanda. quercetina.. schottii. 1992a e 1994). 1995c e 1995a). também chamado tevetina A. kaempferol. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. tais como de T. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. perivosídeo. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. medioresinol. 1993). O isolamento de diosgenina.-O.1997. . 1988). 1988). enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. além de lignanas como pinoresinol. Dados químicos dos gêneros Allamanda. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. assim como de outras espécies do gênero. 1974).-hidroxipinoresinol e 9. escoparona. plumericina. 1962.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. são ricas em um glicosídeo a tevetina.. acetato de lupeol. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. -sitosterol. Kupchan et al.Kader et al. rutina e os iridóides plumierida. Corrêa. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. alamandina.. escopoletina. como a A.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. ruvosídeo e neriifolina. -amirina. 1984). Foram isolados de A. 1996). thevetioides (Perez-Amador et al. flavonóides. plumierida. tevetina B.

Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. 1998). 1992) e H. triterpenos e saponinas. 1995. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. Foram descritos os ácidos mirístico. taninos. Ali et al. Da mesma forma. neriifolia (Dinda&Saha. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. Das folhas de T. oléico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. (1986). 1996). 2000). tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. 1994. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. taninos e saponinas (Gupta. Triterpenos como ácido olianólico. ursólico. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al.. enquanto as cascas possuem alcalóides. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al.. ácido metilperlatólico (Endo et al. taninos e saponinas. linoléico.. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 1993). esperolactonas. follax (Abdel-Kader et al. 1991). cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . flavonóides.. 1982).. esteárico. Iridóides também foram isolados de H.. linoléico. Da espécie H. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. glicosídeos cardiotônicos. esteárico e palmítico. cáprico. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. e as raízes..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al.. 1978). linolênico.. Guerrero. behênico e erúcico. 1990). o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. alcalóides. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. triterpenóides (Wood et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. De acordo com Obasi et al.. 1992) e em T. obovatus (Vilegas et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina.. (1990) e Beauregard Cruz et al..

Moreira et al. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. . Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1990)... 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. Obasi & Igboechi. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. blanchetii (Melo et al. 1982a e 1982b. 1994). útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii.. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. violacea (Lima & Caldas. bexiga. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. cathartica e A. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al... O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. 1984. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. Peruvosídeo e neriifolina. 1945 e 1947).. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1933). é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1997)..camundongos. 2002) e antiofídico (Otero et al. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 2000). além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. 1992). isolada dessa espécie. produziu atividades espasmogênica. 1991). 1981).. antimicrobiana (Neto et al... 1935). A neriifolina. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 1989).. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. conhecida popularmente como orélia. 2002).. 1962).. 1990. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. Moraes et al. 1994) antifúngico (Tiwari et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk.

1993). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa.4g/kg. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. 1933. 1996). vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.. Singh & Singh. Saraswat et al. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. 0. 1996. 1958. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 1996). 1992). Oji et al. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. peixes e outros animais (Chopra et al. e Thevetia peruviana e T. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Maringhini et al... Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 2000. 1999. efeitos tóxicos também são similares. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos.. Nerium oleander.. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1996).. e estudos recen- .. Eddleston et al. cobaias. Frerejacque. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade.. 2002. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al.700 mg/kg é dose letal. 2000). Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. No entanto.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. para bovinos (Tokarnia et al. 1933). respectivamente. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica.5 g/ kg e 14.. gatos. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares.

no entanto. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. incluindo o homem. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. De todo modo. ou seja. . 1991). especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Observações Várias espécies dessa família. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. os quais ainda não foram estudados. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica.K+-ATPase. inibição da Na+. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. 1996). pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. dada a riqueza química da família. Deve-se salientar. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. Da mesma forma. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Dessa forma.

Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Oxypetalum. sobretudo para animais. Oxypetalum e Calostigma. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. herbáceas e raramente arbustos e árvores. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. No Brasil. . especialmente por seus efeitos tóxicos. com aproximadamente 2. subclasse Asteriddae. descrita a seguir. 1986). tais como Asclepias curassavica. e inclui 315 gêneros. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Tylophora e Calotropis.Asclepias. mariana. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Inclui lianas.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. e algumas de grande valor medicinal. mariana Dcne. Fischeria. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. 1997).900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. Espécies medicinais Fischeria cf. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. trepadeiras. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas.

von Fischer. com ramos pubescentes. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. opostas. fruto unilocular. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. hermafroditas e de simetria radial. flores pentâmeras. L.225 espécies cos- . E. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). diclamídeas. sementes comosas. androceu modificado. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. nos quais se distribuem 1. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens..Dados botânicos Espécie de pequeno porte. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1979). com pecíolos pubescentes. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. com testa verrucosa (Figura 24. membranosas. inclui aproximadamente 78 gêneros. de onde saem as folhas simples. foi realizado experimento de toxicidade.2). Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. especialmente a febre. corola gamopétala. com lacínios conspicuamente crispados.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. na região amazônica. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. Lisianthus e Coutoubea. com caule ereto de muitos ramos. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. amplexicaules e grandes. dispostas em espigas simples terminais. folhas opostas e sésseis. de Carne-seca. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. especialmente do gênero Dejanira. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. desordens estomacais. a decocção das raízes é usada contra febre. 1978). Nomes populares A espécie é chamada.mopolitas. F. 1997). também sésseis. Dados botânicos É uma planta anual. . subtropicais e de clima temperado. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. 1998). flores brancas grandes e muito vistosas. e outras são usadas como ornamentais. mas também inúmeras espécies tropicais. amenorréia e como vermífugo. reunidas em verticilos. sendo várias delas medicinais. Puruvá e Cutúbea. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Voyria. Dejanira. fruto capsular.

Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado.. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. 1997). destacamos apenas os principais: Spigelia. da famosa Strychnos nux vomica. um dos encontrados no Brasil. lianas e ervas (Mabberley. e morte. 1984). anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. quando ingerida dentro de 24 horas. incluindo tanto árvores como arbustos. taquicardia. dentre eles. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. diminuição da atividade motora e dores abdominais. estudos de toxicidade. febrífugo. onde é cultivado como ornamental. tônico. Mas a C. . e Strychnos. diminuição da atividade do rúmen. Porém. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. polipnéia. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. 1979). conhecida popularmente como Tingui em Roraima.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. hipotermia.

foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. nós na forma de uma cruz.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. fruto do tipo baga globosa. folhas opostas e ovais. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. em seus cipós. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. . 2002). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A planta recebe esse nome por possuir. a maioria na Amazônia (Barrozo. nux-vomica (Shoba & Thomas. O nome do gênero designava. antigamente. que se refere à presença de mais de 190 espécies. No levantamento realizado. porém de S. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. 1978). Segundo Corrêa (1984). Nomes populares Na Mata Atlântica. a planta é narcótica e venenosa. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. 2001). das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. Noz-vômica e Quina-de-cipó. glabras. também constatado para a espécie S. flores amarelas em grande abundância. as plantas com propriedades narcóticas.. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. coriáceas e trinervadas.

Rafatro et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. 1996). 1999). mellodora (Brandt et al. usambarensis (Frederich et al. Das raízes de S.. 2001). Quetin-Lecrerq et al. panganesis (Nuzillard et al.. 1998) e S. ... S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. guianesis (Penelle et al. 1996).. myrtoides (Martin et al. 2000 e 2001. 1996)...A S. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S... Detalhe da flor (Banco de imagens - ). S.Allamanda cathartica. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. FIGURA 24.1 .. 2000. S. 2000).. 2001). 1995).

FIGURA 24.Banco de imagens - .Fischeria cf.2 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi . laniflora Dcne.

Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Convolvulaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae.25 Solanales medicinais L. Gonzalez L. N. arbus- .600 espécies. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. lianas. A. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. C. incluindo plantas herbáceas. Di Stasi F. Solanaceae. ervas. Seito C. G. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. algumas vezes parasitas.

Nomes populares A espécie é chamada. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. cordiformes. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. ainda que raramente. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. pecioladas. Na região da Mata Atlântica.tos e raramente árvores (Mabberley. geralmente lobadas. que são cultivadas com fins comerciais. flores brancas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. A planta também é conhecida. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. para infecções da boca. axilares e fruto capsular. . Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. a espécie é cultivada e consumida como alimento. de Batata-doce. 1997). espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. suculentas. raízes tuberosas. gengivite e dores de dente. rosas ou arroxeadas. como Batata-da-terra. internamente. com folhas alternas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. em gargarejos. Ipomoea batatas. Possuem inúmeras variedades. aqui também descrita como medicinal.

glabra. pinatipartidas e pecioladas. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. oblongata. Alba. fruto capsular ovóide. carnea. Delgado et al. 1995). e de homoios = "semelhante". Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. Muitas espécies são medicinais. muitas delas amplamente cultivadas. como é o caso de I. Goda et al. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. I. com caules bastante entrelaçados. enquanto as folhas são detergentes. I.. Dados químicos do gênero Da espécie I.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. cairica. acetil-b-amirina. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo.. I. hederifolia. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". É também chamada de Boa-tarde e Primavera. I. friedelina. como é o caso de /. ácido caféico e quercetina (Tan et al. de 5 a 18 cm de comprimento.. sendo várias ervas. 2000. purpurea e /. 1996. com cinco lobos arredondados. purpurea e I. flavonóides (Zhou. coptica. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. 1. anti-reumáticas e laxativas.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). 1996). cairica. tubérculos ou arbustos. 1986). principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. batatas Lam. de cor vermelhoviva ou rosa. folhas alternas. sinensis. comparando-se as plantas deste gênero. 1996). b-sitosterol. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. I. De ..

operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. 1997). e também dibenzil-g-butirolactona. Diversos flavonóides foram isolados de I. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. 1990).. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1999a. cornea. quando administradas a cabras. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. 1996). 1986). os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. é medido por mecanismos colinérgicos. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. 1997). arctiina e matairesinosídeo. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1996 e 1997).. os flavonóides 4'. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. Das partes aéreas de I. 1987). além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou.. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. Das sementes de I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al.. 1987). alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. adrenérgicos e .. reticulata (Mann et al. regnellii e I. 1996). carnea.. (Sharma & Shukla. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. alta concentração de cálcio e potássio. matairesinol e trachelogenina.I. 1988). Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. De I. 1997).7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. 1989). as lignanas arctigenina. 1997).. hardwickii (Liu et al.. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. também encontrados em I. 1999). Das sementes de I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. Das raízes de I. 1996). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. De Lima & Braz-Filho. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al.. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. carnea Jacq. As folhas de I. e das flores de I.

1996). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1998). arbustos. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1995). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. 1998a e 1998b). 1997). As sementes de Ipomoea ssp. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1991).não-colinérgicos (Hore et al. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al... A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. com 2. 1994).. A I. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al.... Foram isolados de I. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. Entre estes. 1998). 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. stans três tetrassacarídeos. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. O efeito tóxico foi observado no cérebro. O extrato diclorometano de I.. 1990). antiagregadora plaquetária (Lemos et al.. depressão. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. Os extratos aquosos. encontram-se árvores.. 1996). dos quais 25 são endêmicos. conhecida popularmente como salsa-da-praia. 1997). Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. espasmolítica (Medeiros et al.950 espécies subcosmopolitas. 1996). tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. 1992).. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . lianas e ervas (Mabberley. Foram observadas também anorexia.. pescapae (Madeira et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 2000).

da famosa espécie Nicotiana tabacum. Lycopersicum. Managá-caa. com inúmeros representantes no Brasil. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Brunsfelsia. • Cestroideae. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Gambá. como Juá-bravo. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. ainda do ponto de vista comercial e social. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. a capsaicina. importante ferramenta farmacológica e. Nomes populares Na região amazônica. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. Don. pelos nomes de Manacá-da-serra. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. e Solanum. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. Manacá-açu e Jeratacaca. Em outras regiões. Nos estudos realizados. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. especialmente na espécie Hyosciamus niger. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Physalis. Cuvitinga e outras espécies. fonte de nicotina. da famosa Datura stramonium. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. dessa subfamília. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico.• Solanoideae. Fumobravo. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. descrito posteriormente. . essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. de onde se isolou. tanto do ponto de vista farmacológico. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. do famoso Tomate. entre outros inúmeros compostos. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Datura.

Mulaca. flores dispostas em cimeiras. súpero.1). Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Joá-de-capote. Nomes populares A espécie é chamada.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. com anteras azuladas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. bolha". semente rufescente (Figura 25. pequenas. Physalis angulata L. agudas. de Camapu. folhas elípticas e acuminadas. muito ramificado. pentâmeras. hermafroditas. glabra. possui. folhas inteiras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto esverdeado do tipo baga. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. bilocular. Mata-fome. diclamídeas. na região amazônica. androceu com cinco estames. sem estipulas. Juá-de-capote. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. O chá preparado com raiz de . Joá. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Bolsa mulaca. caule verde. especialmente na Amazônia. ovário bicarpelar. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. ereto e crasso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. longo-pecioladas. flores amarelas. referindo-se à forma do fruto. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Dados botânicos Erva com muitos ramos.

na Paraíba. Juripeba. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1984). da Amazônia brasileira. 1984) e a raiz. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. 1980). problemas hepáticos. para tratar hepatite. 1980. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. malária. . Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. a infusão da sua raiz. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. 1974-1975). hepatite e reumatismo (Forero. 1995). outros. vômito. Rutter. dermatites e doenças de pele. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. Juuna e Juvena. contra vermes. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. 1993). Jubeba. problemas hepáticos. Solanum paniculatum L. 1982). contra inflamações. diuréticos e resolutivos (Corrêa. 1990). A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. 1998). interna e externamente.. No Peru. 1990). tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. no Pará. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. bem como no combate a febre. os frutos são desobstruentes. renais e de vesícula biliar (De Almeida. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. No Brasil. em Minas Gerais. contra icterícias (Schultes & Raffauf. útil contra reumatismo.camapu misturada com raiz de açaí.. e suas folhas têm uso diurético. 1994). 1980).

brancos ou amarelados. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. muito parecidas com as da Batata-inglesa. sendo úteis contra icterícia. folhas alternas. todas cultivadas. de onde é obtida pelos habitantes locais. de caule alado. fruto do tipo baga redonda. dispostas em racemos. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. es- . Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. Inclui inúmeras variedades. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. flores em umbela. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. fruto do tipo baga globosa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Solanum tuberosum L. ereta. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). além de ser indicada contra problemas do estômago. alívio". O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. lilás ou roxas. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. hepatite e febres intermitentes. desiguais. flores brancas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. sinuosas e acuminadas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. carnosos. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. muitas delas de grande valor econômico. especialmente contra lombrigas.700 espécies subcosmopolitas.

Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. Gottlieb et al. P.. nitida. Glotter et al. 1981)... Sinha et al.. 1995). As sementes de B. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. Oshima . alkekengi (Kawai et al.5%). 1986). Já da casca da raiz de B. 1987.. aldeídos. hidrocarbonetos. 1979a. 1985). alcoóis e ésteres. 1977).. identificou a presença de 122 compostos. 1987).. 1991). americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. 1977 e 1978). a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1988. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. obtido de suas partes aéreas. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer... Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.. minima (Mulchandani et al. grandiflora. Vasina et al.5%). ácido oléico (11. No óleo das sementes de B. 1996). 1980. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al.25%) e ácido ricinoléico (0.. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). P peruviana (Gottlieb et al. P viscosa (Maslennikova et al. Frolow et al.. peruviana (Sahai & Ray. 1986). 1986). ixocarpa (Abdullaev et al. com ciclopropenóides. 1977a). 1986.. 1985. dos quais foram caracterizados. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. Na região. De B. 1980) e P..8%). espécie de origem cubana. Itoh et al. 1987. ácido palmítico (7. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. angulata (Row et al. 1994). P. Eguchi et al. cetonas. Do gênero Physalis..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação.52%) (Maestri & Guzman. P pubescens (Reddy et al.. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. principalmente. 1980. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Alcalóides foram isolados de P.

. flavonóides (Ser. figrina. 2001). 1987 e 1990.. ácido clorogênico. minima var. O extrato aquoso de B. com extratos da raiz de B. revelou atividade depressora do SNC. vitaminimina. vamonolídeo. Chen et al. 1987b. fisagulina A e K. 1988). 1986. Spainhour et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. Neilson & Burren. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. fisalina B e quercetina (Gupta et al. Dinan et al. 1983. 1990. floribunda.. pauciflora e B. 1990).. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. 1987). bronquites. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. Vasina et al. 1992b e 1992c).. 1990). acetil colina. 1967a e 1967b). angulata foram isolados ainda vitasteróides. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. 1990. aianinas. 1991).. australis (McBarron & de Sarem. utilizada para picadas de cobra.. neoclorogenina. 1990). hopeana. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Uma triagem hipocrática em ratos. 1989. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo... enquanto das folhas de P. fisangulídeo. 1988 e 1989).. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. uniflora. 1987. Banton et al. artrites. bonodora. 1992).. Já da raiz de B.. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. calcyina var. Moiseeva et al. Oliveira et al. 1988). flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. Ripperger et al. beta-sitosterol. De P. 1992a. além de alcalóides. B. 1997... alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. 1989.. vitangulatina A. 1975. A administração oral de B... 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida... glicosídeos. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1986).. 1968. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. De P. . indica foram isolados vitasteróides. 1977).. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. flavonóides (Ismail & Alan.et al. Chen et al. 1993. 1997). Shingu et al. B. vitagulatina A. febre e picadas de cobra.

. imunomoduladora (Rosas et al. como movimento . 1992. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. aos esteóides. tripanossomicida (Barbi et al. anticolinérgica (Fonteles et al. Nos frutos de P. constataram-se atividades hipotensora. antimutagênica.. M. e a atividade imunoestimulante. et al. niruri e P. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. quando ingeridas em dose única ou repetida.. embora outros sinais também tenham sido verificados. antiespasmódica. 1998)... citotóxica. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho.. 1998). Carvalho. et al. G. Haussmann et al. et al. 1992a e 1992b). antibacteriana (Hussain et al. imunoestimulante (Carvalho. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. antigonorréica. 1989).. 1990). V. 1997. V. M. incluindo leucemias. et al.. M. V.. et al. 1992a e 1992b). Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 2002.. entre outras.. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro.. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas.. 1998. 1987). moluscicida (Almeida & Fonteles. M. Pietro et al. aqui descrita.. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. antiasmática. antiviral (Otake et al. Barbi et al. V. etanólicos e esteroidal mostraram. V. diurética.. 1997. 1998). 1988). M. Kurokawa et al. 1998. 1995. 1998b).. 1990). A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. Os extratos aquosos. alcoólicos. entre outras (Lin et al. Chiang et al. 1993. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho.. Kusumoto et al. M.. V. 1998). et al. anti-séptica. 1998).. et al. et al. Silva.. 1998). M. I.. in vitro e in vivo. 1987).. P.. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. melanomas.. 2000). 1998.. T. Soares et al. 1991.Para a Physalis angulata. Das folhas de P. antileucêmica. Ribeiro et al. O estudo dos vitanolídeos de P. M.

falta de apetite. FIGURA 25. estiramento e contração das patas traseiras. Além disso.Physalis angulata.Banco de imagens - . salivação.1 . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. perda de peso. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . 1991). irritabilidade. às vezes levando-o ao chão.de mastigação.

Di Stasi E. M. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae).26 Lamiales medicinais L. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. M. Guimarães C. A. das quais se destacam as Boraginaceae. Amazônia e Mata Atlântica. apesar de incluir apenas oito famílias. Nas regiões de estudo. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. arbustos. espalhadas por todo o planeta. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. inclui 130 gêneros distintos. 1997). A família inclui árvores. Santos C. C. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae).300 espécies (Mabberley. as quais serão discutidas a seguir. com aproximadamente 2. freqüentemente .

Borago e Symphytum (Boraginoideae). Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. sendo raramente encontrada no interior de matas. • Heliotropium (Heliotropioideae). • Cynoglossum. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. de onde saem folhas sésseis. inflorescência espigosa. formando grandes populações em áreas litorâneas. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. É uma planta heliófita e higrófita. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. densa. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. 1998). Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). com até 12 cm de comprimento. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal.1). com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. lanceoladas. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. Nomes populares A espécie é chamada.herbáceas e raramente lianas. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. muito ramificado. de Ervabaleeira. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. um dos gêneros mais comuns no Brasil. agudas. pubescentes na face inferior.

Na medicina tradicional salvadorenha. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". amplexicaule e H. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. e as espécies H. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária.Heliotropium indicum L. Crista-de-galo. e trepein = "mudar". estomatites. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. com ramos lisos e glabros. com dispersão regiões tropicais e temperadas.5 a 1 m de altura. moléstias cutâneas e feridas. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. folhas pecioladas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. faringites. fruto formado como uma mitra. ovadas ou cordiformes e acuminadas. de flores brancas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. furúnculos e também contra queimaduras. alternas. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. dispostas em espigas solitárias. É uma planta anual. . anginas. Segundo Corrêa (1984). glabro ou pubescente. Aguaraquiunha. incluindo úlceras. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. 1994). O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. com flores brancas ou azuis. abcessos. inflorescência curvada. e seu suco é de alto valor contra aftas. tubulosas. europaeum são reconhecidamente medicinais. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. Jamacanga e Jacuacanga.

amarelas ou rosas. De H. tubulosas. ásperas e onduladas. 1986). fruto com quatro aquênios lisos. de Confrei. Sonsólida. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Orelha-de-vaca etc. Outros nomes são Consolda. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. distúrbios estomacais. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. vistosas. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso.Symphytum officinale L. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. além de alcalóides e taninos. caule curto e ramoso. Erva-do-cardeal. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. 1994). O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. com folhas ovadas ou oblongas. 1996). taninos e triterpenos. flores grandes. Consolda maior.. inflamação e dores de barriga. lupeol. como beta-sitosterol. Língua-de-vaca. Das partes aéreas de H. acuminadas no ápice. lasiocarpina. Nomes populares A espécie é chamada. . a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. dispostas radialmente. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. enquanto as raízes. europina. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite.

Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. subulatum (Malik & Rahman. em que se . H.. rotundifolium (europina. curassavinina. 1990). esfandiarii (Yassa et al.de H. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. bursiferum (Marquina et al.. 1988). intermedina e retronecina) por Ravi et al. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . heliotrina e lasiocarpina e. 1988). 1988).. bovei. stenophyllum. coromandalina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram... Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. 1994). 1995) e H. Reina et al. licopsamina amabilina. destacando-se compostos fenólicos em H. 1988).De H. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1988. spathulatum (Roeder et al. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1995b. 1987). lasiocarpum (Akramov. heleurina. 1986). heliotrina e lasiocarpina (Guner. europina e supinina em H. (1990). H. heliotrina e lasiocarpina de H. e heliotropina de H. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. 1996). 1996). curassavicum (Davicino et al. 1991). heliotrina. curassavina. curassavicum var. supinina e europina (Rizk et al. em menor quantidade. H. Das partes aéreas de H. 1995).. H... 1989). 1995b). heleurina. echinatina. arborescens (Bourauel et al.a heliospatina e o heliospatulina . H. em H. H. Farrag et al. keralense (isolicopsamina. 1988).. europina. coromandalinina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. (1989). heliovicina. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. heliotrina.. hirsutissimum (Guner et al. H.. argentinum e var.

2002). Do exsudato resinoso de H. do exsudato. tais como ácido rosmarínico. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. 1995. bacciferum (Miralles et al. 2001). 2000b). stenophyllum (Villarroel & Urzua.. curassavica (Ioset et al. filifolium também foram isolados. myxa. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1994 e 1996). 7-O-metileriodictiol. pinocembrina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. De H. Os flavonóides ayanina. 1996).descreveram os constituintes galangina. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . pinocembrina.. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. 2001). 2001). linnaei (Ioset et al. De H. 1996).3'-dimetileriodictiol. Sertie et al. solicifolia (Hayashi et al... dentre outras espécies (Ficarra et al.. A H. C. 2000a) e C. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 1990). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. pinobanksina-3-acetato.. filifolium (Urzua et al. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. 1990). verbenacea. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. sakuranetina foram isolados da resina de H. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. chenopodiaceum. Al Awadi et al. As propriedades antifúngicos. Os constituintes fenólicos denominados galangina... 7.. 2001) e de C.. 1987). pinocembrina... C. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al.. ovalifolium (Guntern et al. 3-0-metilgalangina.. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. 1990). Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 1998). alliodora (Ioset et al. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. C. 1996). hesperetina... 1989) e esteróis e quinonas em H. 1991 e 1988.

infusão ou chás por via oral.. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . subtilis como o extrato bruto de H. 2001a e 2001b). elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. 1994. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. 1992). o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral.. Das partes aéreas de H. ellipticum e H.. Eroksuz et al. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. Alcalóides isolados de H..700 espécies.. europaeum e H. 1997). Jain et al. bursiferum (Marouina et al. também denominada Labiatae. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. nos quais se distribuem 6. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. argentinum apresentam genotoxicidade. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. 2002. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. assim como todo o gênero Heliotropium. Dados toxicológicos A espécie. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. 1989). é potencialmente tóxica.paz de inibir efetivamente o B. 1987. De H. Portanto. 1995). 1987). Singh et al.. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. porcos e aves (Gaul et al. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. 2001).

folhas pecioladas. Teucrioideae: Teucrium. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Satureja. Salva-do-campo. ex Benth. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Malva. pois são usadas como condimentos. alimentos. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Lamioideae: Leonotis. obovais. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Pogostemonoideae: Pogostemon. Origanum. Ocimum. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. pubescentes. corola com tubo infundibuliforme. bilabiado. Mentha. Salva. Rosmarinus. oposto-decussadas. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Nepetoideae: Hyssopus. flores dispostas em capítulos pedunculados. rígidas. Ajugoideae: Ajuga. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó.(Mabberley. Trata-se de uma importante família. Salvia. do ponto de vista medicinal. . crenadas. com cálice tubuloso. especialmente americanas. Lavandula. com haste suculenta. Thymus. Leucas e Sideritis. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Melissa.2). Scutellarioideae: Scutellaria. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1997). e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Hyptis e Plectranthus.

a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. e a infusão da planta toda. a decocção das folhas é usada contra malária. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga.3). flores dispostas em racemos densos e verticelados. flores pediceladas com quatro estames. antigripal. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. Dados botânicos Erva anual. de até 2 m de altura. mas não foi completamente identificada. . Na Mata Atlântica. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. Na região da Mata Atlântica. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. de Rubim. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. recebe o mesmo nome.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para regular a menstruação. icterícia. Nomes populares A espécie é chamada. cólicas menstruais e problemas digestivos. um pouco lenhosa. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". emenagogos. ovadas e subcordiformes na base. folhas opostas. sudoríficos. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. e inclui apenas quinze espécies tropicais. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. de constipações e artrites (Van den Berg. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. diarréia. na região amazônica e em quase todo o Brasil. anti-reumático e contra cólicas menstruais. 1982). Leonotis nepetaefolia Hort. no tratamento de inflamações da garganta e olhos.

como cicatrizante. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. durante dois dias. ramoso e pubescente. corola bilabiada. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. 1982). febrífuga e diurética. útil contra úlceras. com cinco segmentos acuminados. ovadas ou oblongolanceoladas. 1982. pilosos e sulcados. pubescentes nas duas faces e membranosas. desiguais entre si. 1980). de caule ereto. externamente.. a infusão das folhas é usada. antireumática. hipotensão. Grandi & Siqueira. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. especialmente de barriga e. cálice bilabiado. como abortivo e antitérmico (Simões et al. com lábio superior 1-2 . Br. dores gerais.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ramos quadrangulares. raramente arredondadas. internamente. em Minas Gerais (Verardo. flores sésseis. Dados botânicos Planta anual. no Rio Grande do Sul. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. distúrbios do estômago. reumatismo.. uma xícara por dia. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. facilitando a expectoração. Leucas martinicensis R. 1982). 1986). 1984). no Mato Grosso. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. na Mata Atlântica. o chá de toda a planta. antiasmática. como Cordão-de-frade. contra gripes. a planta florida é usada na fraqueza geral. duas vezes ao dia. A planta é também considerada antiespasmódica. brancas. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. é utilizado como anti-reumático. Na região do Vale do Ribeira. folhas pecioladas. no Ceará (Matos et al. herbáceo. sendo ainda indicada contra úlceras. nas inflamações broncopulmonares.

hermafroditas. apenas de Hortelã. . contra dores musculares e reumatismo.5). viridis e M. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. contra tumores. significa "branco". antiespasmódico e contra nevralgias. e seu cozimento é indicado como antireumático. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. pouco aveludada. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. nome recebido em todo o Brasil. referindo-se à cor das flores.lobado e o inferior 1-3 lobado. O nome do gênero Leucas. externamente. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. um pouco pubescentes. na Mata Atlântica. o macerado das folhas em água. é usado sobre gargantas inflamadas. formando espigas no ápice dos ramos. descrito por Robert Brown. flores violáceas. ramoso. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. fruto do tipo aquênio (Figura 26. folhas opostas. corola gamopétala.4). decussadas. filha de Cocylus. ramos eretos e opostos. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. com raiz fibrosa e caule ereto. topicamente. piperita é um híbrido de M. de porte herbáceo. difere da M. curto-pecioladas. dela. na forma de gargarejo. Dados botânicos A espécie M. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Na região do Vale do Ribeira. agudas. Menta e Hortelã-verdadeira. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. pentâmeras. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. zigomorfas. bilabiada. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. aquatica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. serrilhadas. planas. numerosas. diclamídeas. 1984). Hortelã-das-cozinhas. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. A planta também é utilizada como tônico.

problemas cutâneos. A M. musculares. de estômago.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. em 1990. estimulantes. sendo indicada contra flatulências. no Rio Grande do Sul. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. 1991). 1984). diarréia. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. timpanite. . cólicas abdominais e tétano. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. dores de cabeça. é indicada contra dores de estômago em crianças. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. de Hortelã-verde. Hortelã-comum. eólicas uterinas. carminativas. estomáquicas. três vezes ao dia. calmante. 1986). Hortelã-da-preta. catarros de mucosas. vômitos. anti-reumático e contra insônia. 1982) e como anti-séptico. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. antiespasmódicas. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. em Brasília. a infusão das folhas. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. bronquite e tosses. dor de barriga. Nomes populares A espécie é chamada. 1986). Contudo. estimulante do fluxo biliar. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. tremores. garganta e dentes (Simões et al. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. na região amazônica. digestivas. Mentha viridis L.. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Hortelã-pequena. Na região da Mata Atlântica. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. Hortelã-graúda. dismenorréias e verminoses. 1980).

bronquite e gripe. caule ereto. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. cólicas. garganta e estômago. inflorescência do tipo espiga.6). assim como em todo o Brasil. tétano. Na região do Vale do Ribeira. glabras. especialmente lombriga. pecioladas. com folhas pequenas. em verticilos aproximados. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. bronquites. flores rosas ou violeta-claras.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. . ameba e giárdia. tosses. gripes. seu decocto é considerado útil contra tosse. ramos eretos. opostas. corola e cálice campanulado (Figura 26. ascendentes. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. ovadolanceoladas. folhas subsésseis. cilíndrica e frouxa. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. serrilhadas. dores de barriga e pedras nos rins. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. denticuladas. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. Mentha pulegium L. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. dores de estômago e "quebranto". ovais ou oblongas. bastante pilosa e com aroma forte. além de ser considerada útil contra febres. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.

entre outros. com até 50 cm de altura ou maior. com ramos tetrágonos e pubescentes.Ocimum basilicum L. Alfavaca-cheirosa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. peitoral. pequenas e finas. especialmente de ocorrência na África. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. Em outras regiões. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. ovadas. de onde partem folhas opostas. Alfavaca-do-campo. Ocimum canum Sims. glabras. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. assim como em todo o Brasil. de Alfava. . Alfavaquinha. Em outras regiões. estomáquica. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Alfavaca-de-cheiro. flores brancas ou rosas. diurética e útil contra resfriados. O nome do gênero. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. diarréias e disenterias. Alfavacona. dentadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Ocimum. estimulante. de caule ramoso. diaforética. referindo-se à planta toda. descrito por Carl Linnaeus. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. significa "perfumada".

dores de cabeça e bronquites. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. além de diurética. diaforética. enquanto a infusão das partes aéreas. ovadolanceoladas. fruto do tipo capsulas. tosses e desordens uterinas e renais. pubescentes. contendo folhas pecioladas. a espécie é chamada de Alfavaca. flores vermelhas. raramente. de ramos quadrangulares. amarelo-esverdeadas. As folhas cruas também são empregadas como condimento. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. carminativa. denteadas. pubescentes. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. é usada contra febres. glabros e eretos. béquica. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. verticiladas e dispostas em racemos. além de excelente na cura da coqueluche. serradas. de onde partem folhas ovais. tosses. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. verdes e finas. dispnéia e reumatismo. dispostas em racemos paniculados. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A planta toda é bastante aromática. flores roxas ou. glabras. rins e uretra. A decocção das raízes . sudorífica e útil contra problemas da bexiga. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes.

mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. problemas nervosos. sudorífica. pequenas. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. diurética e útil contra tosses. distúrbios do estômago. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. glomerulada. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. membranosas. folhas pecioladas. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. . As folhas são ainda muito usadas como condimento. carminativa. inflorescência racemosa. androceu com estames inclusos. gripe e catarro no peito. e na Mata Atlântica. dores de cabeça e como sedativo para crianças. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. gineceu com ovário ovóide. Alfavacão. dores de cabeça e febres. congestão nasal e dor de cabeça. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. núculas negras e lisas (Figura 26. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. como Manjericão.7). ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. Ocimum micranthum Willd. Alfavaca-do-campo. agudas. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. ovaladas. margem irregular. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça.é usada contra diarréias.

flores em glomérulos. dores de cabeça e tosse. 1988). no Pará (Amorozo & Gély. Pogostemon patchouly Pellet. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. no Mato Grosso (Van den Berg. de onde partem folhas ovais. com ramos ascendentes. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. 1980). tosses e bronquites. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. além de a espécie ser utilizada também como condimento. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem.Na região da Mata Atlântica. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. 1984). as folhas são consideradas úteis contra gripes. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. vilosas. pilosa. com até 50 cm de altura. . a infusão das folhas é usada contra infecções. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). formando uma espiga terminal. Origanum vulgare L. Patchuli ou Patchouli. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de base arredondada e margem denteada. dispostas em panículas.

cruzadas. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. androceu com estames excertos. Triterpenóides foram isolados de H. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes.. dos quais 32 foram identificados. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá.. 1988. sendo mais comuns o beta-cariofileno. pentâmeras.. porém. como beta- . A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. significa "estames barbados". bilocular. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. hermafroditas. predominantemente de sesquitepenos. sedativo e hipotensor. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante.8-cineol. terpinen-4-ol. Uma outra análise do óleo essencial de H. bicarpelar.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). com dois óvulos em cada lóculo.8). O nome do gênero Pogostemon. com espigas compostas. corola com quatro lobos. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. fruto seco (Figura 26. (1982). A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. Azevedo et al.. O óleo essencial das partes aéreas de H. flores diclamídeas. 1990). 1. flores em glomérulos. suaveolens possui setenta componentes. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. suaveolens por Misra et al. três formando um lábio aberto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. alfa-bergamoteno. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. 1990). Existem. descrito por Desf. ovário supero. Das folhas de H. 2001 e 2002). 1991).

6. Porém. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. Das raízes de L. 1990) e de H. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol.. . 1988). oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. ácido oleanólico acetato.. sendo p-cimeno. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. 1990). ácido n-octacosanóico. albida foram isoladas triterpenolactonas. Metil betulinato. uma outra análise do óleo de H. 1988). 1990). 1996). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. quercetina. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. 1987). timol.. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. Das partes aéreas de H. salzmanii foram isolados diterpenos. Em H.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. umbrosa. e de H.. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. lignanas e flavononas (Messana et al. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1990b). Das folhas de H. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. ácido ursólico. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. 1987a). (1978) e Blounietal. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. campesterol. 1990).. gama-terpineno. De H... 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. e de L. 1988). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al.elemeno. (1980). 4. 1989). De H.. 1991).. beta-cariofileno. 1988). mutabilis foram isolados triterpenos.

. flavonas himenoxina. N. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. triptofano e metionina (Dinda et al. 1987). colesterol. 1986). 1987.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.. brassicasterol. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet.3'. sendo os principais terpenos mentol. 1986 e 1987).. O óleo essencial de três variedades de M. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. metil acetato (16. ácido glutâmico.. 1979).20%). O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. Das partes aéreas de L. mentocubanona. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. prolina. fenilalanina.80%). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. piperita var. Vaverkova et al. Com isso. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. lisina. 1988).. das partes aéreas de L.. A M.10%) e 1. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. 1996). officinalis.64%).7.8-cineol (6.. glicina. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. 1995).07%) e mentano (11. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. treonina. serina.84%).80%). Da espécie L. mentona (24. mentofurano (19. hidroxiprolina. 1990) e um composto fenólico (Misra. ácido aspártico. tirosina. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. Das raízes de L. isomentona e o neomentol (Zakharova et al.. et al. Mentha A composição do óleo essencial de M. 1996). 1987). T. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. 1987). mentona.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. alanina. 5-hidroxi-6. De L. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.

lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. Nas folhas de M. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. Ca.e sesquiterpenóides. Mg.3'. Mg.8-cineol. luteolina e 5. ácidos p-cumárico. 1988). limoneno.7. . A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. Fe. b-cariofileno.. resinas. cadideno. reduzindo significativamente a concentração de mentol. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.. K. nicotinamida. Foram ainda isolados mono. catalase. 1986). piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. fitosterol. vitaminas C e D2. De M. 1992). a-terpineol e geraniol (Sacco et al. 1. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al.6. 1989). caféico e clorogênico. glicídios. como alfa-pineno. 1987). betasitosterina.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. Em Mentha viridis var. peroxidases.. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. fenílico. 1990) e flavonóides glicorilados.8. Zi e Cu.

. 1986. 1989). 1990). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1987. sendo eugenol. b-cariofileno. 1981). Sakurai et al. hidrocarbonetos como p-cimeno. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.8-cineol. Em Cuba. as folhas e flores de O. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. beta-cariofileno. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al.. gratissimum é composto de gamaterpineno. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1987.. 1981. micranthum foram isolados vinte compostos. 1983). Kartnig & Simon.. De O. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos.. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. linalol. . Ocimum Do óleo essencial de O.. 1989)... De O. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. 1996).. 1990). 1988.. t-bergamoteno. 1. Lawrence. Khanna et al. 1986. Sharma et al.8-cineol. 1987)..cariofileno. Nas folhas. já citados. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta.. sendo 1. 1990).. eugenol (Ekundayo et al. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. 1988). Takahashi et al. Na China. Borges et al. o eugenol é o constituinte majoritário. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1996a). flores e caule de O. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. eugenol.. canum foram isolados diversos componentes. Porém. 1986. Do óleo essencial das folhas. 1997). dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. 1986. basilicum (Brophy & Jogia. eugenol.. Das sementes de O. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al..Patel et al. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1987).. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. 1996 e 1997a). cis-ocimeno. 1996). O óleo essencial de O. Das folhas da O.. Phan et al. O óleo essencial de O. 1986.

timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. timol. basilicum apresenta 44 compostos. sendo Metil chavicol. 1985. rutina. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. 1. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. mirístico. Das sementes de O.. o óleo essencial de O. A espécie O. terpenos. esculina (Skaltsa & Philianos. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan.8cineol e eugenol. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. 1990). alcoóis. já comentados (Modawi et al. linalol.. 1996). além de ácido p-cumárico. kaempferol-3-O-rutinosídeo. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. b-sitosterol. 1995). palmítico esteárico. 1990.. Fatope & Takeda.. Das flores de O. 1987). xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. 1987.O óleo essencial de O. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. Das folhas de O. De O. ácidos orgânicos.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. sabineno e eugenol (Retamar et al. além de metilchavicol. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. esculetina.. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. cetonas. 1989). basilicum foram isolados quercetina. 1978). 1996). basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . Ekundayo et al. 1. nesse caso.8cineol.. oléico. sendo. 1994). na Turquia. fenóis. rubrum foram isolados borneol. kaempferol. 1995). 1987). No Marrocos foram isolados 28 constituintes. Thoppil. basilicum e O... Murugesan & Damodaran. 1996). quercetin-3-O-diglucosídeo. 1991). triacontanol ferulato.. 1986. 1984). Em O.. A casca do caule de O. linolênico e araquídico (Malik et al. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1995). 1989). sanctum possui estigmasterol. láurico. 1989). album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico... linoléico. isoquercitrina. 1. No Paquistão. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. ácido caféico. 1988). Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O.. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. eriodictiol.

1984). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. Pogostemon As folhas de P.Além desses compostos. cablin (Akhila . Foram isolados de P purpurascens. 1981). 1985). lactonas sesquiterpenóides de P. flavonas (Patwarphan & Gupta. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. viride (Ekundayo.. 1986). flavonas. parviflorus (Nanda et al.. 1984) e grandes quantidades de timol em O.

mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. 1988. betasitosterol.. Munck & Croteau. auricularis (Prakash et al.. também conhecido como Sambacaitá. Coelho et al... Em H. garwal et al.. atrorubens. Thapa et al.. crenata. C. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. a-bulneseno.& Nigan. 2001). Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1998). Do óleo essencial das folhas de P. 1989).. umbrosa. 1984. 1990). bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al.. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana.. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al.. estigmasterol. Em H. comumente utilizada como calmante. mutabilis. plectranthoides (Esvandzhiya et al. 1977. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al.. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. H... 1971). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. Foram identificados n-octacosanol. 1990). 1988). 1990)... e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. plectranthoides foram investigados experimentalmente. saxatilis (Fernandes. 1997). 1987.. et al. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. beta-amirina. ovalifolia e H. 1998). suaveolens e H. O óleo essencial de H. 1998). 1989). 1987. além de outros diterpenóides (Hussaini et al.. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H.. Silva et al. 1988). pectinata (Bispo et al.. analgésica (Freitas et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. P. F et al. 1994. H. 1998) e atóxica (Junior et al. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. . Phadnis et al. 1984).

foram detectadas as atividades broncodilatadora. 1979). capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. Coelho et al. verticillata.. 1980. do extrato de H. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. 1988... Forster et al. conhecido como Cordão-de-frade. enquanto extratos de folhas. 1995). 2002). Diterpenóides isolados de H. 1995). O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1985. Di . 1988). A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. ramos e flores de H. anti-hipertensiva e espasmolítica. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al.... 1984). antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1995. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1988). Posteriormente.. 1976.As propriedades antibacterianas.. 1988).. 2002). piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al.. nepetaefolia. 1988. antimicrobiana (Cos et al.. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. 1988). 1988). Do extrato metanólico de H. Leonotis Em L. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.. e Novelo et al. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.. capitata foi isolado o ácido ursólico. 1993) foram atribuídas a H. Calixto et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210... 1988). que foram testados quanto à sua citotoxicidade. leonurus (Bienvenu et al. Saksena & Saksena. Mentha O infuso das folhas de M.

. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. R. Queiroz & Brandão... Lahlou et ai. 1987b). 1984)... Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 2002. americanus (Jain & Agrawal. 2002). crispa (Mello et ai. 1987. 1978) e O. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1989) e diurética (Carvalho et ai.. 1986a. 2002).Stasi et al. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 1987). sanctum (Dey & Choudhuri. utilizando-se M. piperita (Ansari et al. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. Extratos brutos de O. determinaram-se propriedades fungicida. antibacteriana. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. 1986a)..... A.. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. cannum (Dubey et ai. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. O óleo essencial de O. 1986b). A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 1986c) e em O. antiespasmódica (Di Stasi et ai. Sharma & Jocob. piperita. 1993. 2001 e 2002). Chen et al. arvensis (Ceruti et al. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. Queiroz & Brandão. 1986a. 1982. Queiroz & Reis. . basilicum demonstraram atividades analgésica.. 1989). et ai. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai.. 1986).. cordifolia (Villasenor et al. 1988. também verificada com extratos de O. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. O.. 1998). sanctum (Phadke & Kulkarni. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. espasmolítica (Queiroz & Reis. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. Ocimum Verificou-se que a espécie O. 1981). sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. Do híbrido. Em O. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. 1996) e hipotensora (Guedes et ai.. (1968). 1986). 1989). enquanto estudos com O. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. antifertilidade. Almeida et ai. Além das atividades já relatadas com M.. 2000). gratissimum (Atai et ai. 2002).

antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. Vanderlinde et al. 1994a). 1995). 1999. O óleo essencial de O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. basilicum (Dube et al. O óleo essencial de O. Vanisree & Devaki. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. o ácido ursólico.. 1994). enquanto a O. O. 2002). sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. 1993. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. gratissimum (Sobti et al. 1990).. antiinflamatória. suave (Tan et al.... que apresentou atividade protetora do mastócito. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. 1986). suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1989). sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1992.. 2001). Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. et ai. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 1989). Vanderlinde et al. 1994. Vanderlinde et al. 1996). sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. Os óleos fixos de O.. 1996). Nakamura et ai... E. 1997). 1994). selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al.. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. . Vanderlinde et al. 1992. 1986). 1994b.. 1986).. O óleo essencial de O. Das folhas de O. As folhas de O. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. 1995) e O. Das folhas de O. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al.. mas a administração de O...O. Extrato etanólico das folhas de O.

Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. ascendentes. Stachytarpheta e Lippia. 1984). como Erva-cidreira-do-campo. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. caule e ramos primários. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa.5 ml/kg. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. sobretudo em crianças. especialmente da América do Sul (Mabberley. provocando sonolência. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.) N. 1986). alternas ou opostas . Salsa.Br. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. 1997). Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. longos. Salva-brava.E. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Sálvia e Salva-da-gripe. arbustos e ervas.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. Alecrim-docampo. Salva-limão. Compreendem árvores. 1995). e em outras. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. quadrangulares. folhas pecioladas. pubescentes.

a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. como antigripal e calmante. hermafroditas. flores pequenas. estomáquica. Essa espécie é usada como antiespasmódica. emenagoga (Corrêa. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. cálice curto. corola bilabiada. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Malva e Nulva-do-marajó. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. no Mato Grosso (Van der Berg. pentâmeras. 1984). folhas pecioladas. pubescente e bipartido. reunidas em inflorescências capituliformes.. reunidas em inflorescências vistosas. fruto do tipo capsular branco. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. além de problemas do estômago. cólica do estômago. cálice curto. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. Lippia grandís Schan. o chá das folhas é utilizado como calmante. Na região do Vale do Ribeira. 1980). fruto com dois mericarpos plano- . é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. sem estipulas. na Paraíba (Agra. náuseas. no Rio Grande do Sul (Simões et al. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. Salva. tosses e gripes. 1986). no Pará. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. relaxante e contra intoxicações gerais. o chá das folhas é utilizado como calmante. 1988). sementes pequenas (Figura 26.9). membranoso. flores pequenas. 1980).(às vezes na mesma planta). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. diclamídeas.

broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. timol... 1987. três vezes ao dia. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. o chá das folhas. Da espécie L. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. lapachenol. mirceno.. Sauerwein et al.. Hernandulcina. citral e carvona (Matos et al. 1983).vanílico.. Vários terpenóides foram isolados de L. araquídico. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. betacariofileno (Craveiro et al. Matos et al.convexos.. é usado contra problemas do fígado. acacetina. 1996).. (1986 e 1987). e do caule e folhas foram obtidos ácido . porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . esteárico. 1986. 1987). americana foram obtidos ácidos graxos livres. (1981). sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. 1982). geranial. limoneno. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. canescens e I. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. ukambensis (Chogo & Crank. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al.. timol. behênico e lignocérico (Macambira et al. 1996a e 1996b). 1981). Da parte aérea de L. 1986. Já de L. 1981). p-cinieno.. 1991.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. naringenina. No óleo essencial de L. 1987). gama-terpineno. Souto-Bachiller et al. dulcis (Bubnov & Gurskii. monoterpenos. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al.. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. 1980). Craveiro et al. a mais estudada é a L sidoides. alfa-cubebeno. 1987). microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. As espécies L.

naringenina e lapachenol (Dominguez et al.12%). citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. sendo 22 hidrocarbonetos. wilmsii foram isolados quinze componentes. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1987). quatro alcanos. timol. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. O óleo essencial de L. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. . Os constituintes p-cimeno. a-pineno.33%). eupatorina.43%) e piperitenona (11. crisoeriol.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. fissicalyx (Retamar et al. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. 1. 1990. 1. 6-hidroxiluteolina.23%) e metiltimol (2. Fun et al. 1990). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. dos quais foram identificados piperitona (28.... 1988). luteolin-7-O-beta-glucosídeo. quatro éteres. De L.8-cineol.. alfa. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. 1990). hispidulina.origanoides foi quantificada.8-cineol (2. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al..35%). luteolina. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. A composição química do óleo essencial de L. p-cimeno. Das folhas de L. acetato de timol (17. eupafolina.01%) ecariofileno (15..l. 1989). cirsimaritina.97%) como principais componentes (Mwangi et al. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.67%).. 1996a). Das partes aéreas e das raízes de L. 1996b). Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1989). sabineno. timol... graveolens foram isolados pinocembrina. alba e L.8-cineol. p-cimeno (3. limoneno. neral. 1. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. Do óleo das folhas de L. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. graveolens. Dentre os compostos isolados. Das folhas e flores de L.espécies de L.e beta-pineno. 1994 e 1995). 1. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. diosmetina. alfa-terpineno (4. 1991 e 1995).8-cineol.27%).. 1989). 1987). integrifolia foram isolados sesquiterpenos.8-cineol (15. apigenina. 1.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.. germacreno D e elemol (Koumaglo et al.

relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al.... Moraes et al. 1986).5%). 1979). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. 1980). polystachya. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1981).2% e 41. multiflora. enquanto o outro componente. polystachya foram isolados tujona (30. et al. Esse óleo. M.. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. além de uma atividade moluscicida (Almeida.Y. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. sidoides mostrou atividade moluscicida.. assim como o de L.. 1997). 1990). 1996).. Além disso.4%..carvacrol.... grata (Viana et al. mircenona (31%) e de L. Com a espécie L. atribuída à presença de flavonóides (Santos. 2002). 1996).. turbinata e L. L.. Já o óleo essencial de L. aristata (Rouquayrol et al. 1998. Do óleo das flores de L. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. misturado a cremes. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. P D. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. aristata (Moraes Filho et al. 2000). L. integrifolia foram isolados da cânfora (18.. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al.. antiulcerogênica (Pascual et al. junelliana. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. um dos componentes principais.. 1996).. 1995a).. junelliana. respectivamente). Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 1998). 1988a). 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.4- .3%) (Zygadloet al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1998). turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. o verbascosídeo.. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al... Do extrato das folhas de L. contribui para a coesão das células da pele. um éster do ácido caféico ligado ao 3. et al.. 1980). de L.9%) elimoneno (13. 1980 e 1987. Vale et al. integrifolia e L. 1990). De L. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. lipifolil(6)-en-5-ona (18. 1987).

O óleo essencial de L. 1998).. et al. et al. O.. Viana et al. 1988. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. M. . 1994.. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. anestésica (Viana et al. Botelho & Soares. 1980. anti-hipertensiva. 1978). espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1995)... e no óleo essencial. Nunes. Moraes. 1980)... Teixeira et al. 1978. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. atividades cicatrizante. Além disso. 1988.. M. 1995... nodiflora foi realizado um screening preliminar. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al.. 1985). sidoides (Fonteneles & Sales.. 1994. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. hipnótica e hipotensora (Noamesi. porém. 1995b). timol e carvacrol. Ximenes et al. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L... O. 1992). potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. et al..dihidroxifeniletanol.. 1992. Y. Almeida. graciliy (Fontenele et al. 1996). no qual se observaram atividades analgésica... Teixeira.. 1988).. geminata e L. Laxoste et al. Nas folhas de L. multiflora (Chanh et al.. 1978). 1980. 1979) e I.. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. apresentaram atividades antibacteriana. grata. L. 1996... polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Menezes et al. 1977). 1979). Os principais componentes do seu óleo essencial. 1988b). 1987) e antimicrobiana e leishmanicida.. espasmolítica (Viana et al. 1984). 2001). antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. et al. Lacotes et al. 1978)... R. O óleo essencial das folhas de L. antibacteriana (Aguiar et al. 1986). chamassonis apresentou atividades espasmolítica. antifúngica (Lemos et al. 1998). bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. e o de L. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al.. M. 1979. 1996. S. moluscicida (Moraes. tranqüilizante (Matos et al. Matos et al. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. 1996).

FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência.Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).1 .

.FIGURA 26. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.2 . 1998).Hyptis crenata.

3 .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.4 .

5 .FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .Mentha piperita.

FIGURA 26.6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.

FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Ocimum micranthum.7 .

8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Pogostemon patchouly.

Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.9 . b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 26.

incluindo árvores. subclasse Asteridae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. arbustos e raramente ervas (Joly. pertence à ordem Scrophulariales. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Scrophulariaceae. 1997). 1998. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. lianas. A. as quais passamos a descrever. Os gêneros mais importantes da .27 Scrophulariales medicinais C. com aproximadamente 750 espécies. Bignoniaceae. e reúne 120 gêneros. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Pedaliaceae e Scrophulariaceae. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Hiruma-Lima L. Mabberley. No estudo realizado. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. C.

. oblongo-linear. uma delas. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. também é conhecida como Cipó-de-alho. fruto do tipo capsular largo. folhas normalmente 2-3-folioladas. Em outras regiões do país. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. com gavinhas. com folíolos peciolados. que inclui os Ipês e o Paud'arco. é descrita aqui. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais.1). são Tabebuia e jacaranda. Pyrostegia. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. os gêneros mais comuns são Tabebuia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Jacaranda caroba.família. Na região da Mata Atlântica. de ramos cilíndricos e glabros. anteras glabras e ovário oblongo. as quais são discutidas a seguir. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. elípticos e coriáceos. com ampla distribuição nas regiões tropicais. e as várias espécies do gênero Zeyhera. No Brasil. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. curto-pecioladas. contendo sementes oblongas (Figura 27. da famosa Flor-de-são-joão. o que gera o nome popular atribuído à espécie. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho.

Carobado-carrasco.) DC. coriáceos e glabros. flores tubulosas. Uma outra espécie do mesmo gênero. Caroba-do-campo. Caroba-miúda. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. roxas. não completamente identificada e conhecida como . A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. dispostas em panículas. Camboté. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Camboatá-pequeno. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. fruto do tipo capsular. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. por ser mole e porosa. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. sendo amplamente usada como ornamental. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Jacaranda caroba (Vell. das quais a maioria é encontrada no Brasil. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados.

adstringente e anti-sifilítica. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. inflorescências numerosas. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). Trata-se de uma espécie heliófita. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. repletos de flores tubulares. . onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. descrito por Carel Borinov Presl. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. raramente encontrada no interior de matas densas. como corimbos multiflorais. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. especialmente no Dia de São João. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. O nome do gênero Pyrostegia.5 cm de largura. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta".2).5 cm de largura (Figura 27. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. ou seja /'coberta de fogo". as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. especialmente em crianças. sítios e quintais de residências. folhas com folíolos ovadooblongos. de cor laranja. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. amplamente encontrada em campos. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. Segundo Corrêa (1984). com ramos jovens delgados e folhagem densa. É muito comum no Brasil. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. podendo ocorrer com flores amarelas.Carobinha. longas.

Espécies medicinais Sesamum indicum L. venusta a presença de aminoácidos. 1996). carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. 1994). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. especialmente a espécie Sesamum indicum. A espécie J. 1999).. O extrato etanólico da espécie A.. 1992). No Brasil. sendo a maioria de ervas ou arbustos. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. A espécie J. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. 1976 e 1977). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. Foi detectada na flor de P. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. mas apenas cultivada.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 1996). 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. .. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.. 1995). a família não é encontrada de forma espontânea..

castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. disenteria e catarro intestinal. 2001). para evitar perda de cabelos. 1995). com muitas sementes oleosas. 1997). abortiva e anti-reumática e.. episesaminona (Marchand et al. sesamolina (Mimura et al. fruto do tipo capsular. clorosesamona hidroxisesamona é 2. 1988. para tratar constipação nasal crônica. Tashiro et al. vistosas. Nas sementes de S. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. externamente. opostas. 1997). 1990).. diarréias. externamente.Dados botânicos A planta é uma erva anual. distúrbios renais. folhas simples. osteoporose. além de seu uso na culinária. e sobre as pernas para tratar paralisia.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. flores amarelas. visão fraca. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre.. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 1995). O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. dores de cabeça. com origem na Ásia tropical ou na África. para alívio da dor de ouvido. no Egito e na Babilônia (Bown. tosses secas.. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. e. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. contra hemorróidas (Bown. inteiras e pubescentes. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. O óleo de gergelim. indicum foi caracterizada a presença de .

Nas raízes de S. . (Kar & Mishra. indicum L. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. glutelina (Singh & Khanna. 1994). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. Mimura. globulina. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi.albumina. 1989. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. indicum detectaram a presença de glicolipídios. 1991). sesamina Do extrato aquoso de S. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al.. bem como três novos triglicosídeos. 2000 e 2001). 1993). ácidos graxos. prolamina. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. 1988). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. gama-tocoferol e sesamolina. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1996).2000)..

indicum (Takswchi et ai. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S.. 1988. 2001).. 1992). 1995).Duas lignanas furânicas. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif.. 1992).. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. foram isoladas das sementes de S. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. O extrato de S. protegendo-o contra danos oxidativos. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. alatum. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. dessa forma. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. 1991). Da parte aérea de S. 1997). 1991). alatosídeo A-C. em altas doses. 2002). Tashiro et al. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.. dois derivados do ciclohexiletanol. 1992). angolense. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. além de verbascosídeo.... sesamolina (Mimura et al. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. respectivamente (Kang et al. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. e. 1990) e sesangolina. 1994).. . indicum e S. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo.

Nomes populares Na região amazônica. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. no Pará. Pupeiçava. Vassoura. com corola rotácea.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Tapixaba. das famosas D. arbustos e ervas. aqui descrito como medicinal. opostas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. popularmente conhecido como Vassoura. Verbascum e Wightia. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Veronica. pentâmeras. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. pequenas. Esterhazia. quatro estames didínamos. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. purpurea e D. algumas aquáticas (Mabberley. especialmente dos gêneros Antirrhinum. ovário supero. flores brancas. lanata. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. . bilabiada. tais como Digitalis. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Coerana-branca. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. hermafroditas. Calceolaria e Maurandia. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Ganha-aqui-ganha-acolá. Tupixaba. incluindo árvores. 1997). Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. bicarpelar. Vassourinha-de-botão. ovaldolanceoladas. No Brasil. Scobedia. Outros nome são Vassourinha. axilares. crenadas e glabras. nos quais estão distribuídas 5.

e as folhas. 1983). No Brasil. O nome do gênero. hipotensiva. 1988). a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. 1987). 1984). Na Paraíba. . 1995). béquica. o chá é preparado. Já entre os ticunas. Grandi et al. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. Coee et al. febrífuga. expectorante.. por causa do seu emprego. 1993. e utilizada contra desordens respiratórias. é utilizada como anti-hemorroidal. 1980). emoliente. bronquite. com todas as partes da planta. problemas cardíacos. Grandi & Siqueira. especialmente na Floresta Amazônica. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. 1988. Cruz. Matos. diabetes e hipertensão (De Almeida. brotoejas. também.. pectoral. Coimbra. malária. para melhorar o estado geral do indivíduo. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al.. 1986). com muitos óvulos (Figura 27. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. coceiras. significa "vassoura". bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. peitoral. Verardo. 1982. febre. 1990).. desordens menstruais. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos.bilocular. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. No Pará. tosse. Nas tribos indígenas do Equador. Encontrada em abundância na América do Sul. 1994.. Em Minas Gerais. hipoglicemiante. bronquite. para lavar feridas (Branch & da Silva. 1982). 1994. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. além de ser considerada tônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. erisipela e afecções cutâneas. 1982. menstruais.3). é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. doenças venéreas. emoliente e béquica (Corrêa. hepáticas e estomacais. picada de mosquito. 1990). As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. o chá da planta é usado contra hemorróidas. também. 1990). tosse. Scoparia.. 1982. antidiabética e contra afecções catarrais. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. No Rio Grande do Sul. 1996). essa espécie também é considerada emoliente.

(1981). 1994.. flavonas. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . scopadulciol (Hayashi et al. 1987 e 1988c). E. Os ácidos escopadúlcico B. Dalla Torre et al. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. 1993 e 1996) depressora (Freire.. 1998). A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 1993 e 1996). ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. hipertensiva (Freire et al. apigenina. glutinol e acacetina (Hayashi et al. S. 1985). escopadulciol. Hayashi et al. et al. dulcinol e ácidos dulcióico.. et al. 1997.. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica..1988b). hipocolesterolêmica. beta-sitosterol. antiinflamatória... Hayashi e al.. obtidos da espécie. 1989. 1990a e 1991). 2001).. M. 6-metoxibenzoxazolinona. alfa-amirina. depressora do SNC. entre outros compostos (Kawasaki et al..Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. benzoxazolinona. antibacteriana gram-positiva. expectorante e atóxica (Moura et al. gentísico. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. antifúngica. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al... escutelareína. Freire. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. 1988. B e C (Kawasaki et al. 1988a e 1990c). (1979) e Mahato et al. 1991). manitol. cumárico. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica... secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. M.. simpatomimética (Freire et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. Também foi detectada a presença de glicosídeos. anti-herpética. 1996). S. 1987. cinarosídeo D. acacetina. 1990b). antiespasmódica. 1986 e 1988a. antiinflamatória (Freire et al. sedativa e diurética (Ahmed et al. antiviral. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. 1990b). O.. 1993 e 1996a).. Azevedo et al.. 1990). anti-séptica. Torres et al... betulínico. 1996b). 1987). iflainóico. antidiabética (Jain.

. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.1 . 1997a).. 1993).vidade antimalarial in vitro (Riel et al.. FIGURA 27. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. 1978) (Banco de imagens - .Adenocalyma alliaceum. 1997a e 1997b). 2002) e antitumoral (Nishino et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1988b)..

Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .2 .

3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 27.Scoparia dulcis. 1946) (Banco de imagens - .

Os gêneros estão distri- . C. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. com aproximadamente 22.Ivan Martinov. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. M. exceto na Antártida (Mabberley. A. herbáceas. M. Di Stasi C. encontradas em todo o planeta. Trata-se de uma grande ordem. Hiruma-Lima C.528 gêneros.28 Asterales medicinais L.750 espécies cosmopolitas. Santos E. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que passamos a descrever a seguir. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . arbóreas. Essa família compreende 1. Inclui espécies arbustivas. trepadeiras e ervas. 1997).

a Camomila. Calea. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Lactuca. Saussurea e Echinopis (Cardueae). especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Ageratum. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. as várias espécies de Artemisia. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Artemisia. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. do gênero Arnica. • Asteroideae Inula (Inuleae). e inúmeras plantas de . a famosa Arnica. Calendula officinalis. Calendula. o Mentrasto. do gênero Mikania. Nesse contexto. Tanacetum. gênero da famosa Calêndula. tais como inúmeras Vernonia. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Galinsoga. Baccharis e Solidago (Astereae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Calendula (Calenduleae). as importantes Carquejas. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Matricaria chamomila. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Zinnia. conhecida como Mil-folhas. especialmente a Mikania glomerata. das quais se destaca a Baccharis trimera. Achillea e Santolina (Anthemideae).buídos em três grandes subfamílias. Ageratum conyzoides. Matricaria. Mikania. Semeio e Emilia (Senecioneae). Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Gnaphalium e Achyrocline. Wedelia. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Aster. Arnica e Tagetes (Helenieae). com ampla distribuição no território brasileiro. Novalgina e Anador. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Achillea millefolium. várias espécies do gênero Bidens. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna.

Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. caule comprimido e denso-piloso. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. como cicatrizante. de pequeno porte. de ápice e base agudas. amplamente usadas na medicina popular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inteiras. internamente. Na região do Vale do Ribeira.pequeno porte do gênero Eupatorium. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. rasteira. onde foram incorporadas na medicina tradicional. com borda irregularmente serreada. apenas masculinas. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. externamente. Dados botânicos Planta anual. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. Em outras regiões do país. ereta ou prostrada. curto-pecioladas.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. . opostas. como antiinflamatório e. folhas simples. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras.1). como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. a decocção das folhas é usada. em Minas Gerais. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. flores unissexuais e marginais. oblongo lanceoladas.

flores dimorfas. e as centrais. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. com até 60 cm de altura. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. como contraceptivo feminino (Mabberley. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. rizomatosa.. raras são nativas das Américas. amarelas e tubulosas. . digestivo. 1997). Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Aquiléia. Em outras regiões do país. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. gripes e distúrbios do estômago. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo as marginais femininas e brancas. reunidas em capítulos corimbosos. no Uruguai. além de ser anti-helmíntica. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. contendo folhas oblongolanceoladas. Milefólio e Mil-em-rama. hemorroidais e pulmonares. dor de cabeça e dores gerais. 1982) e. com caules ramosos. Dados botânicos A planta é uma erva perene. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. glabra.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. agindo ainda como antiespasmódico. a espécie é chamada de Novalgina. hermafroditas.

Dados botânicos A planta é uma erva anual. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele.2). útil contra resfriados. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com até 1 m de altura. ovadas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. amenorréia e gonorréia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pecioladas. flores brancas ou lilases. pilosa e ramosa. anti-reumática. anti-reumático e contra cólicas menstruais. febrífuga. a espécie é chamada de Carqueja. tônica. antidiarréica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. carminativa. além de indicada para aliviar náuseas. crenadas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Ageratum. mucilaginosa. e o nome do gênero.Ageratum conyzoides L. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. significa "o que não envelhece". Erva-de-são-joão e Maria-preta. Em outras regiões do país. . Baccharis trimera (Lers) DC. cólicas flatulentas e uterinas. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. com folhas opostas. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. Catingade-barão. a espécie é chamada de Mentrasto.

A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Em outras regiões do país. tais como Cuambu. Macela-do-campo. Amor-seco.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. o deus Baco do vinho. Carrapicho. a decocção das folhas é usada como analgésico. Bidens bipinnatus L. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. anti-reumático. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. . Picão-do-campo. Aceitilla. como Picão-preto. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. entre outras (Corrêa. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Erva-picão e Pau-pau. Erva-picão. com ampla distribuição na América do Sul. Goambu. estomáquico. bem como em vários Estados brasileiros. 1926). Espinho-de-agulha. (Bidens pilosa L.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. hipertensão. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. derrame cerebral e diabetes. Pirco. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. a planta é usada como tônico. Carrapicho-de-agulha. Carrapicho-deduas-pontas. anti-helmíntico. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Carrapicho-de-cavalo. Piolho-de-padre. podendo atingir até 1 m de altura. estomacais e intestinais.3). diurético e contra distúrbios renais. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. fruto do tipo aquênio (Figura 28.

vermífuga e vulnerária. diabetes e inflamações (Corrêa. 1990. hepatite. capítulos pleiomorfos. diabetes. adstringente e considerada útil contra icterícia. No Leste da África. edema. antileucorréica. ramosa. 1962). o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. Coimbra. conjuntivite. 1994).. infecções urinárias (Mejia & Reng. pecioladas e fendidas. 1994). sialagoga. 1984). flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. antiescorbútica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. simples. referindo-se às aristas do papilho. No Brasil. laringite. folhas opostas. pentâmeras. bem como no combate a dores em geral Jager et al. diurético e contra hepatite. ereta. A planta é considerada estimulante. Bidens. Vasquez. significa "dois dentes". icterícia e contra vermes distintos (Rutter. diurética. desobstruente. leucorréia. antidisentérica. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. Duke et ai.Dados botânicos Planta de pequeno porte. antiblenorrágica. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. 1993. dismenorréia. . 1996). disenteria. dores de cabeça e de dentes (De Feo. O nome. 1995). utilizada especialmente contra icterícia. com flores radiais liguladas. 1992.4). glabra.. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. micoses. 1990). a espécie também é referida como emoliente. com cálice modificado. com até 1 m de altura. Na medicina tradicional peruana. desordens hepáticas. a espécie é usada como antiinflamatório.

reunidas em capítulos dispostos terminalmente.5). que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. a espécie possui vários usos das folhas. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. angina. corola com tubo interno glabro. como Iapana. estomáquico. fruto do tipo aquênio alongado. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). acuminadas. enquanto o sumo das folhas frescas. empregado externamente na forma de banho. Dados botânicos Erva bastante delicada.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. estimulante. androceu com anteras levemente sagitadas.ambas não identificadas . infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. . anguloso. flores (20 a 30) azuis. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. sudorífico. como tônico. mas são comuns outras denominações. visto a grande semelhança entre elas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . Japana-branca.Eupatorium ayapana Veuten. especialmente do fígado. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. Em outras regiões do Brasil. digestivo. 1984). estriado e diminuto. lanceoladas. triplinervadas. e contra malária. de caule ereto. ferrugíneo e glabro. antidiarréico e antidisentérico. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. cólera. Aiapana. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. folhas opostas. Japana-roxa e Erva-de-cobra. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus.

reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O nome do gênero significa "o que é firme". capítulos pequenos e reunidos. podendo atingir até 1 m de altura. O nome significa "feltro". Solidago microglossa DC. referindo-se ao tomento das folhas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pequenas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. folhas oblongas. . a infusão das folhas é usada contra diarréia.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Arnica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela. assim como em todo o Brasil. com ápice arredondado. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. serradas.especialmente na América do Norte . O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas.e com raras espécies na América do Sul. flores amarelas. de ocorrência nas Américas . Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. que formam uma inflorescência cilíndrica.

membranosas. flores amarelas. Spilanthes. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. vários outros nomes são usados. agudas. Mastruço e Agrião-do-norte. significa "flor com mancha". Essa planta é utilizada como estomáquica. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Botão-de-ouro. fruto do tipo aquênio. batidas. longo-pecioladas. com folhas opostas. ovadas. tais como Agrião-do-pará. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. Agriãobravo.. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. que tem mancha escura sobre a lígula. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. . Dados botânicos Planta herbácea. o preparado com folhas de arruda. Jambuaçu. não alado. comprimido com papilho aristado. Abecedária. picadas de insetos e infecções. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. entretanto. Agrião-do-brasil. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. O nome do gênero.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. Spilanthes acmella Rich. o chá das folhas. com corola curva. cálculos da bexiga e dores de dente. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta.6). descrito por Nicolaus von Jacquim. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares.

as folhas. lucida. no Pará (Amorozo & Gély. com muitos ramos. antigripal. cicatrizante. considerada carminativa. Na Colômbia. 1980). Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Originária do México. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. opostas ou alternas. patula e T. desinfetante e antiasmática. a S. 1988).1982). T. tosse e resfriado. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. e indicada contra problemas hepáticos. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. febrífuga. narcótica. e seu nome vem de Tages. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. 1997). também são usadas como medicinais. Cravinho. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. bronquite. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. minuta. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". em Brasília (Matos & Das Graças. está muito bem aclimatada no Brasil. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. são partidas e aromáticas. antiespasmódica. tais como T. atingindo de 60 a 90 cm de altura. emenagoga. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. digestiva. abortiva. Amorozo & Gély (1988) referem que o . Outras espécies do gênero. sendo também comumente chamada de Cravo. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Cravo-de-tufo. divindade etrúria representada como um belo jovem. Cravo-africano e Tagetes.

além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. as folhas são ásperas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. pela abundância de flores. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Originária do México. australe. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. as flores possuem várias cores. arroxeadas e vermelhas. sésseis. Moça-e-velha e Canela-de-velho. cordiformes. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. Nomes populares A espécie é chamada. Segundo Hoehne (1939). para tratar "doença que deixa o queixo duro". . bronquites e tosses. rosas. de Zinha ou Zínia. Zinnia elegans Jacq. com caule ereto. com uso freqüente contra dores reumáticas. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. forte.chá das folhas com alho é usado contra febres. opostas. anteras amarelas e estigmas vermelhos. é amplamente usada no Brasil como ornamental.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. na região de estudo. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". o chá das folhas e flores. incluindo brancas. resfriados.

1981. 1976a e 1976b). delta-cadineno (De Marais et al. timol... terpenos (Verzan & El Sayed.. Christensen et al. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides.. 1997). 1978). flavonas. 1991).beta-elemeno. Debenedetti et al.. Gill et al. Alvarez et al. Sharma & Sharma. 1986. alfahumuleno. Das partes aéreas de A. De A. Da espécie B. flavonóides (Bohlmann et al.. 1981). axilarina e 5. 1977). triterpenos (Chandler et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. 1976).. 2002. 1996. B. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. catecolaminas. 1994 e 1984. pilosa . diterpenos (Saleh et al. glabratum (Saleh et al. cumarinas.. 1987). Hoffman & Hoelzl. 1975) e monoterpenos (Orth et al. crisosfenol D. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. deterpenos. 1987). gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. Bohlmann et al.7.. 1992b. 2001... monoterpenos. beta-cariofileno. De A. alfa-felandreno.. leucantha (Wat et ai. 1997).. Wang et al. germacreno A. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. 2000). Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. De Tommassi et al. Herz & Kalyanaraman.. De A. beta-pineno.. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1979.... flavonóides (Shimizu et al. Poliacetilenos. leucoantociandinas. laevis e B. 1986.. 1990). Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. bipinnatus. 1988a e 1988b.4'-trihidroxi-3. 1994). B. gama-cadineno. beta-guaieno.. saponinas e xantonas (Caetano et al.. tripartitus. Caffmi & Demolis. 1980. cadineno. 1987.. millefolium também foram isolados ésterois.. 1987. flavonas (Falk et al. 1985...6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1984). isocariofileno. 1975. Hausen et al. Nair et al.. Torres et al. Herz & Kalyanaraman.. 1979). 2000). monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. B. 1990. 1979).. Gene et al. Achilea. alfa-copaeno. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al.. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. limoneno. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1975). 1994. 1992). pilosa.

B. 1992).. 1995) e £. E. parviflora. tripartita (Isakova et al. adenophorum (Li et al.. frondosa. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1997). bipinnatus (W B. chinese (Zhao et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. ácido linoléico. E. 1979). subhastatum (Ferraro et al. £. tripartitus (Christensen et al. Liu et al. E. E. erythropappum (Talapatra et al.. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al.B. odorata (Hai et al.. cernuol. 1992). B. littorale (Sato et al.. 1987 e 1988). 1982). 1985). Poliacetilenos também foram isolados de B. 1990). Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. 1990). B.. 1992). 1995). bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al.. 1994). radiata e B. frondosa (Karikome et al. £. ternbergianum (D'Agostino et al. B. pilosa (Zuleeta et al. maximowicziana. cannabinum (Stevens et al. dahlioides. E guayanum (Sagareishvili et al. 1990).. 1988a. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. dois derivados tiofênicos.. 1992). E.. 1995) E. glandulosum (Nair et al. 1990a e 1990b). Wang et al. campylotheca (Bauer et al. 1997). Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B.japonicum. portoricense (Wiedenfeld et al. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. eugenol.. Três poliacetilenos. E. 1994) e E. rotundifolium (Hendriks et al. E. 1988b. 1997). Edgar et al. 1987. micranthum (Herz et al 1978). 1981). 1986). os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. salvia (Gonzalez et al. 1991. tais como quatro auronas. ferulefolius. E.. altissimum (D'Agostino et al. .. tinifolium (D'Agostinoetal. B.. 1993 e 1995). 1991) e E. E. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. B. E. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B.. ácido linoléico e linolênico. Pagani. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. chrysoanthemoides. 1985). 1986). 1995).foram ainda isolados inúmeros compostos. 1995). Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. 1987. E. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1988. 1988c e 1988d).fortunei. 1991).. angustifolium (Mesquita et al. buniifolium (Muschietti et al. E. E. B.

fortunei (Haruna et al. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima.. limoneno. E. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. De S. 1996). 1986). 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. Os principais constituintes do óleo essencial de E..Nas folhas de E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. 1992b. E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1978). laevigatum (Lopes et al. enquanto em E. sitosterol.. entre outras espécies (Ding et al. 1986b). rufescens (Ruecker et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. var. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. estigmasterol.. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. 1986). mikanioides (Herz et al. 1988a e 1988b). 1990a e 1990b). tinifolium (D'Agostino et al. 1987). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. 1986). fenóis e saponina. E. 1986). 1980) e E. Uma amida. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. E. 1999). entre outros (Nakatani & Nagashima. Das partes aéreas de S. quadrangularae (Hubert et al. triterpenóides de E. acmella L. naginatacetona. 1991). cannabinum (Zdero & Bohlmann.. 1987). e sesquiterpenóides de E. 1987). 1987) e E. espilantol. odoratum foram encontrados taninos. laevigatum (Bauer et al. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. p-cimeno. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. altissimum (Jakupovic et al. E.. cannabinum (Stefanovic et al. 1980). E. 1987). Diterpenóides foram isolados de E. 1979). adenophorum. americana foram isolados monoterpenos. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. . cânfora.. odoratum (Talapatra et al... 1987). 1977). quadrangularis (Hubert et al. fortuna (Haruna et al. 1993). sesquiterpenos. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. deltoideum (Quijano et al.. 1987). 1994). 1992a).. Ramsewak et al. recurvens (Herz et al. E. E.

1988a e 1988b). campanulata. T microglossa (Castro. pois somente T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1988. 1993). argentina) foram identificados quatro tiofenos. Ahmad et al. patula (Ivancheva & Zdravkova. 1990).. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. T. Tosi et al. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. tenuifolia (I signata) (Parodi et al... 1993b). distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. 1987). onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. No entanto. minuta são ocimeno. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. lucida (Hethelyi et al. 1988). 1990b). T. T. glandulifera) (Craveiro et al.. Entretanto. patuletina e muitos desses derivados. 1988). Pe- . 1994) e T. T.. que podem ser diferenciadas pela composição química. tais como quercetagetina. minuta e T. erecta (Singh et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. além de enxofre e fósforo. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. T. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. laxa (De-Israilev et al. 1995). 6-hidroxikaempferol. patula foram isolados tiofenos.. 1992). patula. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. T. 1985). patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel.. 1990a). como quercetagetina.. Os monoterpenos descritos em T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1987). T. 1991). patuletrina e patuletina. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1988). Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 1987). zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. erecta e T. mendocina e T. As espécies T. 1987. 1993).. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. Das raízes de T..

As antocianinas das flores de Z. Experimentos com A. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1995). Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. glicosídeos cardíacos. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1987). 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. patula foi detectada (Arroo et al... . 2002) e antifúngica (Portillo et al. australe (Matsunaga et al. 1997). glabratum (Saleh et al. 1995).. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 1996) dessa espécie.. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina.. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. 1997). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 2001).. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero.. australe contra Plasmodium berghei em roedores... 1988). Em A. elegans indicou a presença de Cumarina. taninos. a A.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al.. 1988. Nascimento et al. 1991). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z.. 1988). Carvalho et al.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T.. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.. 1980).. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. ocitocina.

pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. B. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow.. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. 1987. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos.. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. (1991). 1949)... Porém. 1980).. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al.. Bondarenko et al. Goldberg et al. Abena et al. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1998b. 1985. Extrato etanólico de B. N'Dounga et al. imunoestimulante (Ignácio et al. minor foi a mais . var. pilosa (Santos et al. possuem atividade antiinflamatória.. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno.. As folhas de A. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. 1983).-ol. as propriedades analgésica e antiinflamatória. Bidens Experimentos com B. além de vários flavonóides obtidos de B. 2000). 2000). à presença de saponinas (Gene et al. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca.. 1987). 1996). 1991). pilosa L. Triterpenos. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1997).Achila. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al.. e B. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al.. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1969). pilosa. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa.. mas Bidens pilosa var. reduzindo a produção de prostaglandinas. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. minor (Blume) Sherff. presente em suas partes aéreas (Torres et al. como friedelina e friedelan-3. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al.

Eupatorium A espécie E. Para a espécie B. E. morifolium e E. .. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. mais recentemente. Entretanto.. campylotheca apresentou. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. La Casa et al. 1997).. in vitro.. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1985). E. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1988) e E. gracilae. pilosa L. 1995 e 1996) e. somente os extratos de B. E. consaguineum (Lopes et al. balantaefolium (Almeida & Fonteles. atidifolium e E. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. pauciflorum (Giesbrecht et al. E. minor e B. tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1995). aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. hipotensora (Dimo et al. O extrato hexânico de B. pilosa L. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. A espécie B.. 2002). 1997). pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. As folhas de E. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1989).. glyptophlebum. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. 1996).. E..ativa. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório.. 1994). 1995). 1994. 1985). 1985).. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. Um composto sesquiterpênico isolado de B.. brevipes (Guerrero et al. 1986) e diurética (Rebuelta et al. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al.. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al.... ou seja. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. 1977). densum. 1995). 1996). var. E. 1986b).. 1998 e 1999).

cannabinum (Bourrel et al. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1995). 1986 e 1987. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1978). 1995) e E. flaccida. 1992). ayapana (Gonçalves et al. 1990 e 1991). 1982a).. larvicida (Pitasawat .. proteínas. 1988). E. 1991). DNAse.. 1990). vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. A. odoratum (Iwu & Chiori. Eupatorium perfoliatum. Inibição da síntese de colesterol. (Giesbrecht et al. inulaefolium (Gorzalczany et al. squalidum (Carvalho et al. 1986). que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. pauciflorum. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. Spilanthes Das folhas de S. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al.. acmella foram isolados n-isobutil-4.. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. assim como da atividade da RNA polimerase.. cannabinum... triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. O extrato bruto aquoso de E.5-decadienamida. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. Inya-Agha et al. E. Cáceres et al. Achyrodine alata. e de E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1991).. candolleanum (Campos et al... Sesquiterpenóides isolados de E. 1995). E. 1988. 1989). Piperidinas de E. 1984. DNA e RNA de células tumorais. Guerrero et al. A. E. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. Os extratos de E. 1998). brevipes e E.1986). 1991). Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium... 1990). 1996) e E. RNAse. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. enquanto a espécie E. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. hyssopifolium (Hall et al. Herz & Palaniappan. 1985... halinfolium e E. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic.. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. O óleo essencial de E.

oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. Em I minuta.. sendo os deri- . 1996).. et al. usado como emenagogo. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. L. folhas e flores de T.. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. O extrato de S. 1993. O eugenol. Em S. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.. sedativa. 1994). Souza.. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante... Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. 1989). et al.. et al. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1992). 1998) e espilantol. enquanto o extrato de S. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. como no cravo-da-índia. T. Camargo Neves et al. bem como no consumo destas (Meckes et al. C. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. e o extrato de S. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. 1990). (Fabry et al.. F. presente em muitas espécies.. 1988. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al.. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais.et al. Valderrama et al. 1999). J. 1992. Andrade. RJ. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. 1995). antimicrobiana. 1987.. 1993). in vitro. 1993). 1992) e antitumoral (Moraes et al. mas não contra Candida sp. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. 1986) e S. 1995). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al... embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. oleracea (Herdy & Carvalho.. 1984)..

. 1987). 1996). Zinnia As sementes de Z. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. . O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. 1994).. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. coronopifolia e T. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. 1991). elegans L. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1994). in vitro. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado... O extrato de T. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. a atividade da ATPase. 1992). 1991). O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. 1989). lúcida estimulou discretamente. Dentre outras espécies. D e F. Do extrato de Z. 1997). enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. in vivo e in vitro. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.. 1995). o óleo essencial de T.vados tiofênicos os compostos ativos. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al.Ca2+ dependente e inibiu. 1997).. 1995). Os extratos hexânicos de T.... Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos.. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al.

1996 e 1997). oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. especialmente na fase jovem. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Estudos com a espécie A. 1988). hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. adenophorum (Oelrichs et ai.. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. caracterizados por diarréia. T.. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados.. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. Tremetona isolada de E. dispnéia.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira.. Entretanto. As folhas de S. australe durante o período de prenhez de ratas. enquanto o extrato aquoso de S. et ai. fraqueza e debilidade dos membros. 1994). poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. especialmente . 1995). adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai.. a espécie E. alopecia. 1995). 1993). 1978a e 1978b). 1990). Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. A. A ingestão regular de E. et al. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. australe são tóxicas para aves. hemorragia. no entanto. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos.. S. M. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. V. Segundo Hoehne (1939). congestão do baço e coração. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo.

assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.como diurético e hipotensor.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . b) detalhe da escanerata.1 . FIGURA 28. relaxante muscular e antineoplásica.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28.2 .

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.3 .

4 .Bidens bipinnatus.FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

5 . 1998).Eupatorium ayapana. .: a) ramo florido (Di Stasi .FIGURA 28. b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.original).

.FIGURA 28. 1984).6 .Spilanthes acmella. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. algumas espontâneas nas áreas tropicais. • Ixoroideae: Coffea. Coffea arábica. do famoso jenipapo brasileiro. A. 1997). importante fonte de espécies ornamentais. Gelsemiaceae. arbustivos. nos quais se distribuem mais de 10. Genipa. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. . alguns deles de valor histórico. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. como é o caso de Coffea e Cinchona. Desfontainiaceae e Rubiaceae. e Gardenia.200 espécies vegetais cosmopolitas. Di Stasi C. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. do famoso Cafeeiro. C. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). com representantes arbóreos. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona.29 Rubiales medicinais L.

com espécies popularmente denominadas Poaia. ereto. Borreria e Dioidea. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. carnoso e drupáceo (Figura 29. com corola de base gibosa. especialmente na Amazônia. simples. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. Não foram encontrados sinônimos. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. bicarpelar. estipulas não foliáceas. Cephaelis da famosa C. inteira. • Rubioideae: Psychotria. muito comuns em terrenos baldios. e Palicourea. . fruto indeiscente. ovário ínfero. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. ipecacuanha. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha.1). com pêlos abaixo da inserção dos estames.• Antirheoideae: Guettarda. lanceoladas. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. flores hermafroditas. 1997). folhas curto-pecioladas. fonte de emetina e outros constituintes de importância. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. diclamídeas. importante árvore. Dados botânicos Pequeno arbusto. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais.

Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2.. 1995. de P. 1976). De-Moraes-Moreau et al. pecioladas. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al.. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados.5 m de altura. Nomes populares No Brasil todo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1999). glabros. (Kemmerling. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. 2001). sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. E popularmente usada como medicamento. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. 1989a). . inflorescência em panículas. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia".. com ramos cilíndricos. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. delgados. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. acuminadas. avermelhados. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. avermelhadas. opostas. Palermo-Neto et al. de onde partem folhas com venação tênue.Palicourea marcgravii St. marcgravii. Além de alcolóide. frutos do tipo baga.. sobretudo na região amazônica. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989.. 1996. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. Hil. 1994). Stuart & Woo-Meng. fendleri (Nakano & Martin.

Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . Além de fluoroacetato. midríase e morte em bovinos (Costa et al. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas.Palicourea laniflora. 1982).. 1986). 1989b. et al.teratogênica (Costa. enquanto P. Palermo-Neto et al.. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. De-Moraes-Moreau et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al.. 1980) e convulsivante (Gorniak et al.Banco de imagens - . Gorniak et al. falta de coordenação motora. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1988. espasmos musculares.1 . convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos.. vômitos. 1995). FIGURA 29. 1989). 1989).. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. Das folhas de P. 1996). marcgravii promoveu o aparecimento de excitação.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. e a intoxicação.. Segundo Schvartsman (1979). Tokarnia & Dobereiner. comum em animais e rara na espécie humana. náuseas. 1984a.. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. P. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. contrações musculares.. 1989.

A. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. também utilizado como medicinal em todo o mundo. C. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. arbustos e lianas. 1978). Viburnum. 1997). No Brasil.30 Dipsacales medicinais L. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. . Lonicera e Sambucus (Barrozo. Abelia e Linnaea. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. descrita a seguir. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. Lonicera. Os principais gêneros são Sambucus. Di Stasi C.

é considerada excelente diurético e sudorífico. A infusão das folhas. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. Na região da Mata Atlântica. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. com ramos bastante lenhosos. considerada exótica nas Américas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . no champanhe e no catchup. Apresenta importante valor econômico. gripes fortes e varicela. óleos e ungüentos. dispostas em um corimbo branco. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África.Espécies medicinais Sambucus nigra L. e possuem aroma muito agradável. as flores são brancas. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo.1). além de seu histórico uso medicinal. A espécie. além de flavorizantes em vinhos. usada internamente. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. Floresce nos meses de julho a agosto. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos.

1988).. lectinas das cascas (Shibuya et al. cianogeninas. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos.. Kaku et al. catarros.. descrita no trabalho de Grieve (1994). Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. 1989a). tetradecênico.. a planta ainda é indicada contra influenza. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. 1989. flavonóides. os ácidos graxos láurico. 1990. sinusite. oléico. De S. mirístico. canadensis foi isolado o iridóide . Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. erisipelas e queimaduras. Internamente. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. 1989b e 1989c).. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. Van Damme et al. sudoríficas. folhas. para pequenas queimaduras.Bown (1995) refere que flores. 1986). casca e frutos são usados para diminuir febres. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. 2001). lignanas. heptadecênico. reumatismo e febres. esteárico. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. gripes. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. nigra. diuréticas. racemosa e S. S. externamente. palmítico. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al.

. 1989).. 1994). indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. e Polygonum aviculare. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al.. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina.morronisídeo (Jensen & Nielsen. O extrato aquoso de S. Artemisia absinthium. australis. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.... porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. 1997). As lectinas de S. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. Com base nessa constatação.. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. conhecido como Sauco. antiinflamatória e antipirética. 1992b e 1992). canadensis (Buhrmester et al. O extrato hidroalcoólico de S. Centaurium minus. 1980). 1996. Salvia offtcinalis. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. Bojic & Cuperlovic. 1986). e das raízes de S. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1997). 1997. 1995). das folhas. 1988). Sambucus nigra. Schoning. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. formosana foram isolados. 1997. 1997). .. que possui atividade colerética (Takeda et al.. 1996). Van Damme & Peumans. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. mexicana.. nigra. 1997a e 1997b).. apresentou atividades analgésica. 2000). promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. De S.. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. 1974). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. O extrato aquoso das folhas de S. Prunus spinosa. 1987). O reatival. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. 1990). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. De S. Das cascas de S. indicado para hidropisia.

FIGURA 30.1 .Sambucus nigra. 2000... peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Neto et al. 2002). Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). . ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. 1999) e a espécie S.A espécie S.

e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. entre outros. • 109 são usadas na Amazônica. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). C. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. da Hortelã (Menthapiperita). das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. Mata Atlântica. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. como é o caso do Alho (Allium sativum).Posfácio L. Dessas 135 espécies medicinais. . das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. A maioria é nativa desse ecossistema.

apenas dezesseis são monocotiledôneas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. o Agrião (Nasturtium officinalis). Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. a Mostarda (Brassica nigra). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). neste livro. a Losna (Artemisia absinthium). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. razão pela qual não foram incluídas no texto. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas.Dessas 135 espécies medicinais. . incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. compreendidas em trinta diferentes ordens. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. a Camomila (Matricaria chamamila). o Mamão (Carica papaya). a Erva-doce (Pimpinela anisum). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. ou seja. o Coentro (Coriandrum sativum). Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. várias espécies amplamente conhecidas. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. a Calêndula (Calendula officinalis). Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. líquens. 340 espécies. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. Esse dado se torna mais importante porque. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas.

Sobre essas. Por isso. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. . Finalmente. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. isto é. esse conhecimento se enriquece a cada dia. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. pelos mais variados grupos de pesquisadores. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. e que esse conhecimento seja recuperado.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. como a de massa e a erudita. alcançando alto índice de citação.

no segundo. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Bianual. com uma única semente. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. indeiscente. Anual. Que fica na axila. Que abraça o caule. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Amplexicaule. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. . Excrescência da semente. Androceu. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Axilar. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Planta que nasce. o ciclo reprodutivo e depois morre. Hermafroditas. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Arista. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Andróginas. Bainha. os estames. Arilo. Baga. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. folhas que envolvem o caule. com dois sexos. Fruto seco. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. pelo lado interno. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Aquênio. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen.Glossário de termos botânicos. Acuminada. Aguda. Antera. Alternas. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule.

Elíptico. tornando-o alado. Conjunto de sépalas. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Folha modificada que origina o gineceu. Estipula. normalmente largo. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Corimbo. Decumbentes. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Pedúnculo geralmente sem folhas. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Planta trepadeira. Estilete. em geral dois. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones.: cana-de-açúcar. Fruto monospérmico. mas sempre terminando na mesma altura. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Endosperma. Cuneiforme. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Conjunto de pétalas. Fruto seco.Bráctea. Estandarte. Escapo. . Capítulo. Caduco. Ex. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Colmo. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Que se abre. Epicarpo. Drupa. androceu ou planta que possui quatro estames. Qualquer órgão que cai em determinado período. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. que é o verticilo externo da flor. inseridas em um eixo comum. Decorrente. Cápsula. Cálice. Escandente. Carena. dois mais altos e dois mais baixos. Didínomo. Crenada. Com a forma de elipse. Corola. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. como o fruto das gramíneas. Deiscente. Cada um dos apêndices. Carpelo. Camada externa do pericarpo. Diz-se da flor. Dicotiledôneas. Na forma de cunha. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Pétala superior da corola papilionada. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Diclamídea. com função de proteção. deiscente. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. seco e indeiscente. Cariopse.

As flores são estruturas de reprodução. que juntos constituem o perianto. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. o de corola.Estômato. e ao de pétalas. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. que é ramificada igualmente em forma de pincel. complexas e variadas nas formas. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. pentâmeras etc. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Filete. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. trímeras. Folha. Flores. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Fasciculada. As flores podem ser dímeras. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Parte do estame que sustenta a antera.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. .

A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.

às vezes numerosas.quando consta somente uma lâmina . Nesses casos. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . às vezes reduzidas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. recebendo o nome de folíolos (ou pinais).ou composta . A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. as folhas podem ser pecioladas ou não. . no caso das folhas compostas pinadas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. ou com o próprio caule. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue.quando se compõem de duas ou mais lâminas.

Todas essas características. conforme se observa na figura a seguir. mais aquelas apresentadas para as flores. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. .Finalmente.

Infrutescência. Glabro. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Monoclamídea. Folículo. Provido de pêlos longos. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Monocotiledôneas. Flor com apenas um invólucro no perianto. Porção alargada e achatada da folha. Diz-se da folha em forma de círculo. mais longa que larga. deiscente. Metaclamídeos. os carpelos. é constante para cada espécie vegetal. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Indeiscente. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Conjunto de órgãos femininos de uma flor.Folíolo. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. porém presentes na mesma planta. Hermafrodita. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Fruto seco. Gluma. Gavinha. Gineceu. Monóica. em linhas gerais. Hirsuto. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Desprovido de pêlos. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Inflorescência. Oblonga. . Lígula. Orbicular. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Planta ou flor com dois sexos. Lâmina. Lóculo. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. e as principais são motivadas na próxima figura. Lobado. Lanceolada. Que não se abre. Planta que produz flores unissexuais. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor.

. 1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al..

linoléico. Qualquer substância de sabor ácido. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. com cheiro desagradável. cerdas ou aristas. Conjunto formado por cálice e corola. incolor. Termos químicos Acetileno. Zigomorfa. Exemplos: ácidos acético. Perene. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. araquídico. Estruturas com simetria bilateral. succínico. gálico. Planta ou órgão denso. mirístico.Panícula. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Substâncias orgânicas. Conjunto de estruturas com a mesma função. Podem ser monobásicos. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. nitrogenadas de origem vegetal. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Ácido graxo. palmítico. Verticilo. Ácido. Cálice modificado em pêlos. Caule subterrâneo. isovalérico. Pecíolo. esteárico. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. característico da família Asteraceae (Compositae). Alcalóides. fórmico. gasoso. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Perianto. dibásicos. Ácidos orgânicos. Séssil. dispostas circularmente. Qualquer estrutura provida de pêlos. aromáticos etc. Receptáculo. . Tomentoso. Rizoma. fenólico e tartárico. Planta com ciclo de vida superior a três anos. o mesmo que cacho. cujos pêlos se entrelaçam. Racemo. Ráquis. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Uncinada. Hidrocarboneto não saturado. solúvel em água. oléico. Pubescente. cáprico. Papilho. Que forma gancho.

Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Betaínas. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. originam as flavononas. Exemplo: p-cimeno. Uma das substâncias constituintes do amido. Catalase. voláteis. Compostos orgânicos não-cíclicos. Carboidrato. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. timol. Ou hidrato de carbono. encontrado nos organismos vivos. derivados do cicloperidrofenantreno. onde exerce importantes funções. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. que exercem várias funções. vegetais e animais. Aminoácidos. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Exemplos: carvacrol. Compostos alifáticos. Aldeído.Alcoóis. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Esterol. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Amilopectina. Flavonas. Ver esteróides. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Fenóis. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. tais como os hormônios. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. com caráter gelatinoso. Cetonas. Fitosterol. São corantes vegetais. Flavonóides. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. eugenol e hidroquinonas. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Líquidos incolores. como a quercetina. Esteróides. estragol. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos naturais ou artificiais. amarelos e roxos. Cumarinas. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Compostos aromáticos. . Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas).

Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. sofrem hidrólise. derivados do fenilpropano. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Mucilagens. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Lipídios. Insulina. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Líquido incolor e aromático. Peroxidase. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Lactonas. Ligninas. Glicídios. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. pela ação de ácidos diluídos. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Heterosídeo. Compostos cíclicos. Hormônio secretado pelo pâncreas. Lignanas. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Substâncias que. Glicosídeos. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Hidrocarboneto. .Fosfolipídio. geralmente de odor agradável. Compostos cíclicos. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Insaturados. oxidando outros compostos. Hidrolato. recobrindo-as com uma camada protetora. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Exemplos: digitoxina e estrofantina. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Peróxido. Líquido oleoso. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Óleo essencial. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada.

Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Que combate a eliminação de muco. Expectorante. Que aperta. ato ou efeito de desvariar. Analgésico. Antiescorbútico. Capaz de promover expulsão do feto. doença sexualmente transmissível. Alucinação. aglomeração. Antidiabético. Angina. que prende. Antifertilidade. que provoca constricção. a sangue). Que reduz ou suprime a dor. Falta de menstruação. Que reduz a capacidade de reprodução. Antibacteriano. Amenorréia. Anestésico. Queda dos cabelos. especialmente táctil e dolorosa. calvície. Alopecia. Tumor maligno com disposição glandular. Acne. Agregação. Adstringente. Auticonvulsivante. de um músculo ou grupo de músculos). Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Que combate as convulsões (contrações violentas. Adenocarcinoma.Termos médicos Abortivo. sufocação. perda momentânea da razão. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Dor sufocante. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Anemia. podendo ser feminina ou masculina. Antigonorréico. antigonorréico. Antiblenorrógico. Agrupamento. Anticatarral. Afrodisíaco. às vezes. Antiespasmódico. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. involuntárias de músculos voluntários). Que suprime náuseas ou vômitos. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que combate fungos. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Antidisentérico. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). violenta. que impede a formação de catarro. Antifúngico. Afasia. Delírio. . Antiemético. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais.

que serve para o tratamento da tosse. Que combate o reumatismo. Que combate a lepra. também chamada de paludismo. Que combate micróbios. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Que combate tumores. falta de emoção. quase sempre transmitida por contato sexual. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Antimicrobio. desinfetante. inatividade. Que impede a fermentação. nos rins e/ou na vesícula biliar. febre paludosa ou palustre. Anorexia. Anti-séptico ou Antisséptico. formada por sais minerais. insensibilidade. Que combate as doenças provocadas por vírus. Broncodilatador. Brônquios. Antileucorréico. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Cálculo. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Que faz baixar a temperatura. Antineoplásico. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. putrefação ou contaminação microbiana. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Antiinflamatório. Antimalárico. Antileprótico. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Que combate a formação de tumor maligno. Antinociceptivo. Em geral se forma na bexiga. Que combate a sífilis. Que combate o corrimento vaginal simples. Antivirótico. Apatia. Antipruriginoso. Antivenéreo. Anti-histérico. Anti-reumático. popularmente chamados de vermes dos intestinos.Anti-helmíntico. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Anti-sifilítico. Que combate a histeria. doença causada pelo Treponema pallidum. Relativo à tosse. em geral acompanhada por desordens na fala.no. Antitumoral. Que dilata os brônquios. especialmente bactérias. Ataxia. . Que combate helmintos. Anti-hemorroidal. Estado de indiferença. Béquico. Antitérmico. Redução ou perda de apetite. Que combate as inflamações.

Respiração difícil. Congestão. Depurativo. Constipação. do estômago etc. também. Que provoca vômito. Emoliente. Desinfetante. Infecção por bactérias. Inflamação da pele. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. gripe. Diaforético. gripe comum. libera a passagem de um vaso ou canal. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. enfraquece. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. reduz a excitação. sensação de peso ou queimação no estômago. purifica. Dispnéia. Indigestão. estimulante da transpiração. crostas e secreção. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. que previne a invasão de microorganismos. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Disfagia. Que favorece o fluxo biliar. Que desentope. Carminativo. Dermatite. . Eczema. reduz a força. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Sudorífico. Cardiotônico. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Dispepsia. empachamento. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. resfriado. Que limpa. Depressor. Que tem a propriedade de amolecer. Que favorece a secreção urinária. Que favorece ou provoca menstruação. Cicatrizante. caracterizado visualmente pelo inchaço. Que deprime.Carbúnculo. Desobstruente. que ativa a eliminação de bile. Edema. Catártico. Emenagogo. dificuldade para respirar. Diurético. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Citotóxico. Dificuldade na deglutição. Prisão de ventre ou. que separa substâncias nocivas. Que alivia a distensão por gases. do intestino. Purgativo. Emético. que aumenta ou provoca a secreção urinária. acompanhada de náuseas. Colagogo.

Estimulante. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Hipocolesterolêmico. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Farmacoterápico. Hipertensor. Hipoglicemiante. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Hemostático. Hipotensor. Células do fígado. Eructação. Expectorante. que leva à perda de atividade. Hepatotóxico. Que baixa a taxa de glicose no sangue. . O mesmo que arroto. Estomáquico. pigmentação amarela generalizada da pele. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Flatulência. Fitofármaco. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Tóxico para as células do fígado. espanto. Ictericia. Glicosúria. Relativo ao estômago. estado de irritação. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Fitoterapia. Hepatócitos. Hiperglicemia. deposição de bile nos tecidos. Febrífugo. com vermelhidão. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Que baixa a pressão sangüínea. Fitoterápico. Hidropisia. Relativo ao fígado. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Distensão por gases no intestino. que estanca hemorragia. Que aumenta a pressão sangüínea. que melhora o funcionamento do fígado. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Hepático. que facilita as funções do estômago. Estupefaciente. Excitante. Que combate a febre. Que estimula ou provoca a ação. Relativo a hemostasia. no estômago etc. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Capaz de promover estímulos. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Que combate fungos. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida.Erisipela. assombro. com anemia. com bradicardia (pulso lento. Que produz imobilidade emocional. Fungicida. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Derrame de bile no sangue.

Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. droga que paralisa as funções do cérebro. Infertilidade. Que resolve. Morféia. que apenas exonera o intestino. Peitoral. Lumbago. Estado que é tóxico ao rim. Incapacidade de reprodução. Que produz gordura. Midríase. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Dilatação da pupila. Parasitemia. produzindo sono e alívio da dor. dorso). Lenitivo. Narcótico. Sedativo. Grau ou índice de parasitas no sangue. Corpúsculos sangüíneos. Malária. Moluscicida. Maleita. Que mata ou destrói parasitas. calmante. afecção cutânea. Linfocitotóxico. Que alivia excitação. como no caso da esquistossomose). que faz cessar inflamação. Que laxa ou afrouxa. Plaquetas. Dor na região lombar (costas. importantes para a coagulação sangüínea. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Laxativo. Excreção excessiva de urina. Resolutivo. impaludismo. purgativo fraco. que acalma. Purgativo. Que adoça ou acalma. Lipogênico. Que produz sono ou inconsciência. Substância que mata insetos. Tóxico para as células brancas do sangue. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Sialagoga. Poliária. Parasiticida. Mutagênico. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. tranqüilizante. Lipemia. causado por gordura. Lepra. Inseticida. purgante. . Relativo a peito. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. o mesmo que laxante.Impingem. Nefrotoxicidade.

Tóxico para o zigoto. Que destrói ou afugenta vermes. Sinusite. Tranqüilizante. Que provoca vesículas. Salivação abundante. que facilita a saída de pus. Supirativo.Sialorréia. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Zigotóxico. Que produz pus. bolhas. Sudorífico. Vesicante. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Diaforético. Vulnerário. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. que acalma. Testículo. Próprio para curar feridas. Vermífugo. Teratogênese. Tônico. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Revigorante. Que tranqüiliza. .

ABDU-AGUYE. ABDALA. 1986. os autores são citados no texto. nos casos em que há mais de dois autores. incluindose volume. Prir. ABDULLAEV. M. (Tashk). Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). os autores são citados como nos casos das revistas. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. v. et al. seguindo-se o título do congresso. Soedin. p.657-63. página inicial e página final e ano de publicação. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). p. p. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. p. v. página e ano. Prod. p. F.5. et al. S. D. L.38. v. 1986. nos casos de dupla autoria. 1997. Khim.60. n. O mesmo se aplica a teses.12.l69-71.3. et a l j . n.7-8. Nat. .871-2. Prir. dissertações e outras publicações do gênero. . n. P Lilloa. Um autor.23..269-74. 1995. nos casos de única autoria. 1985.. Khim. N. SEELIGMANN. fascículo. apenas sua referência. Biochemical Systematics and Ecology.4. n. Soedin (Tashk). I.2. Os dois autores. n. .499-500.43. Human Toxicol. et al.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. n. ABE.1294-7. ABDEL-KADER. R. 1995. • Quando se trata de livro. v.326-32. p. v.5. simpósio ou similar. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. 1995a.3. p. n.

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450. 56. 113-5. 79 Alismatidae. 339-40 Anacardium giganteum. 90 Apiaceae. 42-3 Andropogon nardus. 93. 468-9. 58. 113 Asclepiadaceae. 368 Arecaceae. 143 Acanthospermum australe. 149. 376 Araliaceae. 115 Aristolochia trilobata. 77 Aloe vera. 65. 75 Allium sativum. 81 Arecidae. 465. 487 Alismataceae. 227-8. 463 Asteridae. 377-78. 202-4 .Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 453. 361 Andropogon leucostachys. 79 Aristolochia. 65. 345. 360 Anacardium occidentale. 79 Allamanda cathartica. 468-9. 110 Annona tenuiflora. 381-5. 96. 342-3. 95-9. 474. 467. 67. 3512. 475. 466 Adenocalyma alliaceum. 449 Bixa arborea. 458-6 Achillea millefolium. 152. 480 Bignoniaceae. 119 Aristolochiaceae. 90-3. 351-2 Averrhoa carambola. 52. 391 Allium cepa. 223 Bixa orellana. 488 Bauhinia forficata. 43 Annona muricata. 475. 461 Ageratum conyzoides. 373 Averrhoa bilimbi. 148 Anacardiaceae. 140-1. 65-6. 102. 480. 113 Aristolochiales. 154 Alternanthera micrantha. 467-8. 364 Apiales. 340-3. 149-50 Amaranthaceae. 463-5 Asterales. 386 Asteraceae. 351-2 Baccharis trimera. 69-74. 68. 364 Apocynaceae. 78 Alpiniajaponica. 62 Alternanthera brasiliana. 201-2. 489 Bidens pilosa. 111 Annonaceae. 479. 316 Bidens bipinnatus.

163-4 Chrysobalanaceae. 282-3. 315 Caesalpinia pulcherrima. 398. 331 Celosia argentea. 190 Cucurbitapepo. 238 Cucumis anguria. 145 Caryophyllus aromaticus. 54. 312 Ipomoea batatas. 151-2. 287 Cassia occidentalis. 201 Boerhavia difusa. 152-3. 319 Dipsacales. 280. indicus. 279. 230-2. 49 Cymbosena roseuna. 215. 211. 298 Derris amazônica. 82-3 Fabaceae. 287 Cecropia peltata. 41-2 Convolvulaceae. 440 Costus spiralis. 379. 63 Heliconia. 402-3 Cactaceae. 300. 276-7 Cajanus cf. 308 Dipteryx punctata. 46-7. 80. 322 Clusiaceae. 213. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 247. 385 Hirtella. 373 Eupatorium ayapana. 61 Heliotropium indicum. 394-5 Ipomoea quamoclit. 206-7. 150. 295. 210. 276 Fischeria cf. 285. 179 Cucurbitaceae. 264-5 Cymbopogon citratus. 299. 490 Euphorbiaceae. 237. 406 Brunfelsia grandiflora. 324. 255 Croton sacaquinha. 441 Inga spectabilis. 265 Caprifoliaceae. 387 Gentianales. 481. 83 Eryngium ekmanii. 205. 393 Cordia verbenacea. 231 Celastrales. 259 Hedychium coronarium. 163 Chenopodium ambrosioides. 496 Caryophyllales. 224 Hibiscus sabdariffa. 287-8 Cassia reticulata. 281. 212-3. 272 Clidemia novemnervia. 283. 155-6 Caesalpinia ferrea. 175 Diplotropis purpurea. 275 Hydrocotyle exigua. 207. 298 Derris floribunda. 236 Euterpe edulis. 185. 366-7 Hymenaea courbaryl. 53-4 Coutoubea spicata. 165. 171 Gossypium barbadense. 327 Cassia multijuga. 470. 172 Boraginaceae. 413-4. 395 . 147 Caryophyllidae. 178 Cybianthus. 386-7 Gentianaceae. 375 Gnaphalium purpureum. 292. 388 Croton cajucara. 299 Dillenidae. 318 Desmodium tortuossum. 231 Celastraceae. 266 Capparidales. 296 Fabales. 44. 408-9. mariana. 272. 225 Guttiferales. 382-3. 154. 214 Himatanthus. 430. 235 Cecropiaceae. 407. 292 Caesalpiniaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 301-2. 365-9. 286.Bixaceae. 259 Commelinidae. 297 Capparidaceae. 411 Hibiscus furcellatus. 236 Euphorbiales. 284 Hyptis crenata. 170 Chenopodiaceae. 242. 471 Gomphrena globosa. 496 Dipteryx odorata. 178-9.

432. 60 Myristicaceae. 158-9. 125. 277 Leonotis nepetaefolia. 126-7. 166 Piper cavalcantei. 495 Palicourea cf. 42 Pogostemon patchouly. 196 Monocotiledonae. 402-5 Phytolacaceae. 369-72 Portulaca oleraceae. 192 Pedaliaceae. 135 Piper marginatum. 89 Malpiguiaceae. 332. 229 Musa. 432 Ocimum micranthum. 421. 250-1. 321 Nyctaginaceae. 431. 103 Myrocarpus frondosus. 451-2 Jatropha curcas. 107 Leguminosae. 130. 332. 121. 443 Liliaceae. 180. 258 Physalis angulata. 252. 453 Peperomia elongata. 139 Mentha piperita. 133 Piper gaudichaudianum. 185. 245. 442 Leucas martinicensis. 427. 424. 128. 389 Luffa cylindrica. 123. 106 Laurus nobilis. 427 Ocimum gratissimum. 233 Muntingia calabura. 132 Peperomia. 446 Origanum vulgare. 162 Portulacaceae. 124. 350 Palicourea cf. 134 Piper d. 321 Menispermaceae. 64 Liliidae. 425. 108 Persea gratíssima. 184-9. 493. 79 Moraceae. 156-7 Persea americana. 418 Mentha viridis. 399-400. 323-4 Myrtales. 160. 251 Lacistema. 64 Lippia alba. 161 Ocimum basilicum. 417. 425-6. 431. 221-2. 108 Petiveria alliacea.Jacaranda caroba. 414. 254. 87 Magnoliales. 121-2 Pereskia grandifolia. 191 Lamiaceae. 195 Mabea angustifolia. 198 Lacistemaceae. 120 Poaceae. 334-6 Melastomataceae. 419-20. 336 Maytenus ilicifolia. 173 Phyllanthus corcovadensis. 241. 192-3. 181-2. 125. 432 Ocimum canum. 434-5 Lippia granais. 494-5 Passiflora coccinea. 137 . 447 Polygalales. 415-6. 337 Malva parviflora. 427-8. 256 jatropha gossypifolia. 240-1 Magnoliidae. 416. lhotzkyanum. 426. 444 Mentha pulegium. 262 Myrtaceae. 412-3 Lamiales. 191-2. 244-6. 239-40. 419. 429. 204 Malvales. 238-9. 161-2 Portulaca pilosa. 420. 422 Oxalidaceae. 445 Mimosaceae. 337 Polyscias.120 Piperales. 136 Piperaceae. laniflora. 199 Passifloraceae. 200 Maytenus aquifolium. 158 Pothomorphe peltata. 422-3. 406 Lauraceae. 122-3 Piper cernnum. 131. 427. 311 Momordica charantia. 208 Malvaceae. 435 Loganiaceae. marcgravii. 129. 303 Myrsinaceae. 64-5 Liliales. 167-9. 61 Musaceae. 39.

452. 457-60. 326 Psydium guajava. 397-8 Solanales. 474. 379-85 Tiliaceae. 51 Zinigiberidae. 217-9. 473-4. 182 Sesamum indicum. 361 Sterculiaceae. 76 Sapindales. 478 Theobroma grandiflorum. 52 Zingiberales. 101. 401 Solidago microglossa. 462 Ranunculales. 453-6 Sida rhombifolia. 471 Sorocea bomplandii. 139 Rhynchanthera grandiflora. 230-1 Verbenaceae. 112 Zingiber officinale. 320 . 127. 354-7. 338 Strychnos triplinervia. 360 Scoparia dulcis. 434 Violales. 209 Urticales. 271 Rosidae. 330 Pyrostegia venusta. 347. 497-500 Sansevieria. 215-6. 228 Thevetia peruviana. 45. 273 Rosales. 349. 322 Rosaceae.Pothomorphe umbellata. 58 Zingiberaceae. 213. 390 Symphytum officinale. 55. 338 Stigmaphyllon strigosum. 363 Rutaceae. 227 Theobroma speciosa. 274 Psydium cf. 409. 463 Scrophulariaceae. 99. 449 Sechium edule. 491 Spondias purpurea. 51 Zinnia elegans. 233-4 Spilanthes acmella. 226 Solanaceae. 208-9. 339 Schinus terebenthifolius. 393 Solanum paniculatum. 197 Xylopia cf. 492 Ruta graveolens. 262 Prunus domestica. 48. 177-8 Virola surinamensis. 353 Saccharum officinarum. 472. 50 Sambucus nigra. 94-5. 479. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 412 Tagetes erecta. 312. 482. 221 Urena lobata. 400 Solanum tuberosum. 457 Scrophulariales. 345. 216 Stigmaphyllon fulgen. 325-9. 132. 218. 485. 492 Rubiales. 183. 269 Rubiaceae. 138 Primulales. 350. 484 Zollernia ilicifolia. guineense. frutescens. 189. 344. 103-6 Vismia japurensis. 477.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .

Campus de Botucatu. do Departamento de Fisiologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Departamento de Farmacologia. Capa: tsabel Carballo . do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.