Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica . .Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

perda da fauna e da flora. provavelmente. entre outros -. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. Nos últimos anos. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. ou melhor. comprometimento do abastecimento de água. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Acreditamos que. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. mas pouco se faz. empobrecimento do solo. ou significam estratégias proibitivas. que em sua maioria não resolvem o assunto. se propõe e se discute sobre o assunto. a falta de propostas decorre de um dos dois. conse- . ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. alterações climáticas. pois. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e.

mas inclui ainda interesses econômicos. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. permitir grandes avanços na conservação. Por sua vez.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. não se dá apenas visando à sobrevivência. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. seus produtos e suas relações. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem.quer sejam grupos definidos. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. entretanto. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. São eles que podem. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Para tal. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. São eles que conhecem a floresta. sem dúvida alguma. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. priorizadas. os pescadores do Vale do Ribeira. Consideramos. os moradores da floresta . São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. portanto. quer sejam comunidades tradicionais. atualmente. a contribuição deste . fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação.qüentemente. Dessa forma. como os ribeirinhas da Amazônia. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. Nesse aspecto. Nesse sentido. regional. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. como mais um produto para comercialização. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. Essa relação.

abrindo uma porta importante para a publicação deste material. conseqüentemente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. mais abrangente. pagando o preço de um trabalho mais social. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. na verdade. Não custa lembrar e salientar. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. A equipe já não era a mesma. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. entretanto. Foi a partir de pesquisas que realizamos. e também no de desenvolvimento. Passou da hora de a ciência e a política. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. considerando os aspectos aqui referidos. em janeiro de 1999. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. já que dez anos haviam se passado. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. como instituições determinantes para o avanço. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Começamos o trabalho. No entanto. cada qual havia tomado seu caminho. publicado originalmente em 1989. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. Dessa forma. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente.livro é um começo.

por outro. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. Por si só. por um lado. Chemical Abstracts). à medida que. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Estado de São Paulo. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. pelo menos as mais citadas. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor.proposta original.não . buscamos informações em diversos endereços. No entanto. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. incluindo fotos de algumas espécies. Index Medicus. Nessa nova etapa. farmacológicos. químicos. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. outro importante e singular ecossistema brasileiro. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . a nova idéia não tinha mais como retornar. além dos desenhos apresentados inicialmente. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira.

como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica.em artigos científicos e técnicos. especificamente.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. mas as plantas medicinais. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. passaram a representar uma nova alternativa . dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. mas um novo trabalho. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. hoje. No entanto. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. especialmente os mais ameaçados. como é o caso da Amazônia e. sem dúvida. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. A conservação dos ecossistemas tropicais. da Mata Atlântica. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. durante todo esse período. mais acessível que os artigos . especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. mas com um livro. que serão úteis. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Com essa nova concepção. não apenas catalogando espécies medicinais. sempre foi uma preocupação constante.

visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. Luiz Claudio Di Stasi . não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. apesar de preliminar e pequena.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos.para a conservação dos ecossistemas. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico .não pode ser apenas a retórica. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. municipais e federais) e não-governamentais. realizadas de forma racional e sustentável. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . Finalmente. mas pouco realizado na prática. Nesse sentido. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil.

visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. pretendeu-se. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. Em segundo lugar. desse modo. que esse conhecimento seja perdido. Em primeiro lugar. evitando-se. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Em terceiro lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional. a nosso modo de ver. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. o que. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem .

a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. com as atividades deste trabalho. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas.natural. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Nesse contexto. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. além dos objetivos aqui expostos. consideramos que a ciência. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. com a promoção de melhores condições de vida para a população. Em quarto lugar. farmacologistas etc). Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. com os conhecimentos adquiridos. Por outro lado. pretendeu-se. da qual o próprio pesquisador faz parte. Nesse contexto. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). deve ter um componente social em seu escopo. que potencialmente es- . químicos. realizado no município de Humaitá. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. Finalmente. juntamente com o Prof. Osvaldo Aulino da Silva. como qualquer outra atividade humana. e que visa.

propiciou um imenso prazer. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. clima. além de botânicos. portanto é urgente a sua consideração. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. tipo do solo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. além de engrandecer o trabalho. farmacologistas. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. pela sua característica multidisciplinar. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. no entanto.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). estações do ano e outros). é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. Acreditamos. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. que se superando as dificuldades. consideramos de grande importância colocar que. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. que podemos denominar ecológico. antropólogos e químicos. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. estágio de desenvolvimento. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. e nossa experiência é prova disso. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. para que o conheci- . essa área requer um enfoque novo. No entanto. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. como seres vivos.

o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. Luiz Claudio Di Stasi . acrescentaram uma experiência rica. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. que. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos.mento tradicional seja devidamente resgatado. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. além de tornarem possível este trabalho.

quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. Observa-se. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. mas os primeiros registros remontam a milênios. de um lado.. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . portanto. Ato II de Romeu e Julieta .Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. apesar disso. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico.William Shakespeare. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. quando se constata. (Cena III. O Brasil contribui com 120 mil espécies. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. e. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. a grande maioria na região amazônica. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies.. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Dessas. por fim. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males.

enfim. posologia. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Quando dizemos criteriosos. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. efeitos observados. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos.Campinas) . são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. como este que aqui se apresenta. de outro. Levantamentos etnofarmacológicos. a distância vencida. Profa. Por último. Dra. e isso é o que importa. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro.criteriosos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Mas o passo foi dado. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP .

que. apesar da pobreza dos solos. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. A exploração madeireira. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. Dada a fragilidade desse equilíbrio. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. No entanto. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. Fearnside. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. no caso da Amazônia. conforme aponta Philip M. Atualmente. De fato.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. . provenientes da evapotranspiração.

a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. portanto. Sinto-me. De qualquer maneira. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. Plantas medicinais na Amazônia. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. desde o leigo ao mais especializado. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof.Rio Claro) . e. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. honrado em apresentar esta obra. ecológico e histórico. julgamos altamente preocupantes: por um lado. riquíssima em espécies. Luiz Claudio Di Stasi. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. Somada a isso. Prof. das quais poucas foram estudadas. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. Dr. coloca às mãos dos leitores. por outro. do ponto de vista social. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . acarreta duas situações que. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. fruto de um trabalho sério de pesquisa. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações.

no Amazonas. sul do Estado do Amazonas. Jacupiranga e Sete Barras. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Vale do Ribeira. conforme descrito a seguir: . no Estado de São Paulo.Metodologia de pesquisa Apresentamos. resumidamente. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. • Aldeia dos Tenharins. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá.

Amazonas. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". No caso de material em fase de floração. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Departamento de Botânica do Instituto de . ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. a coleta errada do material.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. evitando-se. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. assim. Para as espécies da Amazônia. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Para materiais fora da fase de floração.

Rio Claro.Biociências da UNESP . . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. Index Medicus (Med-line). para sua identificação. Outras informações (agronômicas. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Santa Catarina. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Para as espécies coletadas na Mata Atlântica.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Chemical Abstracts. Itajaí . priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Sites da Internet.Botucatu.

. como havia sido feito na primeira edição deste livro. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares.incluindo as monocotiledôneas medicinais. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). com o tempo. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I .

que compreendem uma descrição botânica. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . . .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. . dados ecológicos e distribuição.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.• Parte II . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. em vários casos. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. Para cada capítulo.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). incluindo: .incluindo as dicotiledôneas medicinais. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. • Introdução sobre a família botânica ou. • Dados químicos. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. as quais se subdividem em cinco seções: . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae .Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .

além de uma extensa bibliografia atualizada. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. Instituto de Biociências de Botucatu. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. . para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. UNESP. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. . • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. formatado e montado para a inclusão neste livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. de vários tipos: . formatadas e montadas para inclusão no livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.• Dados farmacológicos. • Dados toxicológicos.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. . formatadas e montadas para inclusão no livro. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. encontram-se um glossário de termos botânicos. No final do livro. C.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. .

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. M. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Mayacaceae e Commelinaceae. Typhales. Outras ordens botânicas como Juncales. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Guimarães C. C. Xyridaceae. pelo seu grande valor ornamental. algumas delas descritas neste capítulo. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). . Hiruma-Lima E. Santos L. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae.1 Commelinidae medicinais C. M.

reunindo inúmeras utilidades. açúcar e trigo. A família é dividida em quarenta tribos. principalmente Zea mays (milho). Cymbopogon. é a mais importante. . subfamília que. 1996).A família Poaceae. • Pooideae. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. que inclui alguns importantes gêneros. Saccharum e outros. e o gênero Oryza. Andropogon nardus. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. mas sem importância medicinal. ferragem. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. Zea. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. • Centothecoideae. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. do ponto de vista de espécies medicinais. ácidos fenólicos. Os outros constituintes incluem alcalóides. Várias espécies possuem importância terapêutica. cujo representante principal é o arroz. que incluem vários gêneros. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. açúcar e óleos essenciais. como Sorghum do sorgo. substâncias cianogênicas. amido. • Panicoideae. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. Paspalum. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. flavonóides e terpenóides (Evans. gêneros alimentícios como bebidas. respectivamente. saponinas. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. que inclui os gêneros Secale e Avena. Arundinoideae e Chloridoideae. do famoso centeio e da aveia. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. também denominada Gramineae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum.

Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Em outras regiões do país. os quais. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. glabros e curvados. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Andropogon nardus L. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. por sua vez. com folhas invaginadas bastante agudas. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.B.K. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. os colmos são finos. espiguetas sésseis e fruto cariopse. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Em outras regiões do país. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura.5 m de altura. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. possuindo um grande número de ramos.

Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. ásperas em ambas as faces. tais como flexuosus. compridas. problemas estomacais e febre.1). Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. marginatus e validus. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Capim-limão. lineares. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. formigas e traças. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. rizoma semi-subterrâneo. bainha larga e lígula na base do limbo. Sídró. sudoríficas e carminativas. Capim-cheiroso. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. com nós e entrenós. . eretas. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Capim-sidró. Patchuli-falso. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Capim-cidrão.) Stapf. com grande valor econômico. Vervena.to. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. 1962). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Capim-marinho. Cymbopogon citratus (DC. folhas alternas. Capim-cidreira. formando uma touceira robusta. Erva-cidreira. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais.

o suco do colmo da planta. na forma de banho (Amorozo & Gély. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1980). como diurético. planas.Na região da Mata Atlântica. simplesmente. em Brasília. dores de cabeça e dores musculares. verde ou violácea. fruto do tipo cariopse ovóide. simples. 1982). Saccharum officinarum L. no Ceará. folhas amplexicantes. colmo arqueado na base. gripes fortes. no Rio Grande do Sul. contra gripes. como calmante e antiálgico (Van den Berg. articulado e um pouco mais grosso nos internós. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. reumatismo e febre.. 1982. 1988). ásperas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lineares. carminativo. nervura central saliente e bainha espinescente. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. Matos & Das Graças. hermafroditas. a infusão das folhas é usada como antidiurético. espiguetas com flores pequenas. duas vezes ao dia. no Mato Grosso. Cana. Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. como calmante e antiespasmódico (Matos et al.2). 1 dísticas. no Pará. pequeno (Figura 1. cilíndrico. 1986). a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. 1980). calmante e antiespasmódico (Barros. ápice agudo.. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. dores de cabeça e disenteria.

chumbo e cobre. terpenos e dipenteno (Costa. vômitos da gravidez (Corrêa. 1986). citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. cólera. contra úlceras da córnea. 1996). mirceno. neral. felandreno. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. febres. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. isovaleraldeído e decilaldeído.8-cineol. farnesol. 1997). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. cetonas e alcoóis. tuberculose. mentol. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. 1981). nerol. vários aldeídos. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. . Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. citronelal. O óleo essencial de C. 1997). externamente.. 1996.4%). Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). envenenamento com arsênico. rachas dos seios. erisipela. 1984). geraniol.. linalol. como citronelal. metil-heptenol. contra resinados e anginas e. além de seus isômeros geralúal e neral. laurato de etila. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. aftas. Ming et al. escarlatina. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno.e b-pineno. metil-heptenona. sendo determinados os principais constituintes: citral (69.diurético e contra hipotensão. cariofileno. limoneno. internamente. neral. a. 1. como o geraniol.

O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. Di Stasi et al. 1997). 1988). Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. mirceno (12.9%) e neral (33. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.. 1988). 1990). geranial (45. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. Os principais constituintes das folhas de C. (1983) referem atividade antiespasmódica. no entanto. (1985). O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 1986 e 1987). Lorenzetti et al. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1984. 2000. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1988). Pinho et al. 1997). e Di Stasi (1987). anti-helmíntica (Jourdan. . analgésica (Viana et al. 1983 e 1989a). (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al... citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1985). A atividade antibacteriana de C. 1986. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al.. citratus. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al...Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 2002. 1988). depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. relatam.8%). não observando propriedades de interesse terapêutico. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles.. enquanto Ferreira et al. 1986 e 1987. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 2002).. 1998). 1988).. 1995)..5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al... Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1996).. toxicológico e clínico com essa espécie. Com as folhas de C. Onawunmi. Onawunmi et al. Onawunmi & Ogunlana. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1997) e o extrato de C.. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles.. O extrato metanólico de C. 1988) antimicrobiana (de Sá et al.

1988). Menendez et al. 1983).. citratus. bradipnéia. 1990).. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. ácidos p-coumárico. ataxia. De S. Dados toxicológicos O óleo de C. 1999). Além de hipocolesterolêmico. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. Hikino et al. ligninas e ácidos fenólicos. 1989). o extrato hidroalcoólico das folhas de C.. ferúlico e sinápico (He & Terashima. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. . é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. 1997. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. visto o grande número de trabalhos com C.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1986a). um álcool alifático com alto peso molecular. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. citriodorus. 2000). sedação e defecação (Ferreira et al. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. Para a espécie Saccharum officinarum. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al.. perda de postura. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Foi isolado também o policosanol. também conhecido como Capim-cidrão... citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke.

FIGURA 1. . c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.1 .

Saccharum officinarum.2 . Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ). .FIGURA 1.

C. De todas essas famílias. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. M. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. As espécies da família Bromeliaceae. importante produto de comercialização. Lowiaceae. .2 Zingiberidae medicinais C. Hiruma-Lima L. Zingiberaceae. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Santos E. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Cannaceae e Marantaceae. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. M. Guimarães C. Tal uso não é comum na região amazônica. A. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales.

Vindecaá e Vindicáa. com folhas membranosas. larga bainha na base que envolve o caule. inclui 52 gêneros. algumas delas aqui descritas. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. especialmente as famosas Canas-do-brejo.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. destas. Costus e Hedychium. Renealmia e Riedelia. Alpinia. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo.100 espécies tropicais espontâneas. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Curcuma. com várias espécies medicinais. nos quais estão distribuídas 1. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. e • Zingiberoideae. lâminas . de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. na qual se localizam os gêneros Zingiber. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae.

ocorrendo em abundância em regiões alagadas. hermafroditas e zigomorfas. mas com algumas espécies em regiões tropicais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.1). gineceu com ovário ínfero. inclui 42 espécies tropicais. O gênero Costus. . descrito por Carl Linnaeus. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. elípticas. contém inflorescências terminais. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. espessas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo.5 m de altura. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. 1988). contra sarampo. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. flores em grupos com brácteas vistosas. densas com flores brancas ou róseas. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. Costus spiralis Rosc. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. vistosas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. fruto capsular. ápice agudo e base arredondada. podendo chegar a até 1. entouceirada. perianto distinto em cálice (claviforme. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. podendo chegar a até 35 cm de comprimento.com 20 a 40 cm de comprimento. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa.

grandes. . Em razão de sua beleza. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Lírio branco e Gengibre branco. na forma de infusão. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. cilíndricas. sésseis. especialmente de origem sifilítica. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. vistosas. contra diarréias graves. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. sendo de fácil multiplicação por touceiras. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. O gênero Hedychium. lanceoladas e coriáceas. de onde partem as folhas longas. descrito por Johan Gerhard Koenig. incluindo a espécie aqui descrita. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. as inflorescências são terminais com flores brancas. em Iguape é comum a denominação Napoleão. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. a espécie é muito utilizada como ornamento. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. A decocção de suas folhas. Hedychium coronarium Koen. muito perfumadas (Figura 2.2).Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas.

contra reumatismo. 1994). internamente. de Gengibre. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. diarréias e como vomitiva. gripes. carminativa com uso na dispepsia. externamente. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. folhas alternas. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. com ampla distribuição. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. gripes e para problemas circulatórios. indigestão. mesmo no Vale do Ribeira. C. e. flatulência e eólicas. A espécie é usada. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. mas especialmente na Ásia. lanceoladas. além de diversos outros usos (Bown. 1995). tosses. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. contra náusea. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. . A espécie é reputada como estimulante. lumbago e cólicas menstruais. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. com uma lígula membranosa bífida. sendo provavelmente o local de sua origem. em todo o Brasil.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. cólicas. onde a maioria das espécies é espontânea.

De A. taninos. (Xue et al. acetato de geranil. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al.. Da espécie A. speciosa. galanga.. nutans (Mendonça et al. katsumadai (Okugawa et al. galanga (Barik et al. 1987b). Foram isolados dos rizomas de A.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al... sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. Os compostos isolados dos rizomas de A. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. 1987a e 1987f) e A.. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. intermedia (ltowaka et al. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. humulene. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1985a e 1985b. 1996). 1987).. flavonóides em A. constituintes fenólicos em A.. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A... além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. 1987b). eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. óleo essencial. 1995). conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. isohanalpinona e alpinenona. e 5. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em .. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. speciosa e A..-(17)12-labddieno-15. 1988a).6-dehidrokawaina.. Cinco compostos. galanga (Mori et al. Os principais constituintes dos frutos de A. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. 1988). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. Dos rizomas de A.6-dehidrokawaina. galanolactona e (E)-8.16-dial (Morita & Itokawa. galanga. 1987). japonica (Morita et al. nerolidol.8cineol. 1990). formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. 1. 1987c). 1987).. 1988). 1988). dihidro-5.. 1987). linalol.

Cinco diarilheptanóides. cálcio. blepharocalyx (Kadota et al. flavonóides (Luo et al... oxyphylla contêm neonotkatol. yakuchinona A.. 1987). epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. linalol.foram isolados recentemente da espécie A. polyantha foram isolados.. sendo um novo. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. densibracteata foram isolados os bisabolanos. alpinenona. fenchona e geraniol. A análise fitoquímica de A. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. yakuchinona B. furopelargona A. 1987d). O óleo essencial das folhas e caules de A. Três novos diarilheptanóides . 1990). sesquifelandreno e zingibereno. furopelargona B. isohanalpinol e aokumanol.calixina A e B e 3-epi-calixina B . grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al.. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al.8-cineol. 1990). hanalpinol peróxido. zerumbet (Xu et al. manganês.. Dos rizomas de A. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al.. magnésio. 1999)..modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. fenóis e alcalóides. Das sementes A. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. De A. As sementes possuem mirceno. mirceno. chumbo. hanalpinona. 1992)..8-cineol (Lai et al. geraniol. l. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. 1997b) e quercetina (Wang et al. E. decanol. 1989).7-difenil-3. ferro... B2. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. 1997a). -ll(12)-eremofilen-10. Do óleo essencial das sementes de A. -sitosterol. potássio.. intermedeol e -selineno (Itokawa et al.. 1997a). Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1997). 1996). isohanalpinona. sódio. terpineol e 1. zinco. daucosterol. 1997). bornil acetato. trans-bergamoteno. 1989). katsumadai possui -pineno.. conchigera (Athmaprasangsa et al. 1997b)... Os frutos de A. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A.5heptanediona. felandreno. Das partes aéreas de A. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1988). C. citronelol. além das vitaminas B1.-o1. flabellata (Kikuzaki et al. 1994). . citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. pineno. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.

galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. Sesquiterpenos isolados de A. 1999). 1987c) e A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. Estudos com a espécie A.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. que é um derivado do gingerol. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1987). 1986). 1996). speciosa. além de medicinal. A erva. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1988). Lin et al. 1996). A espécie A. galanga (Janssen & Schefter. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. oxyphylla (Kyung-Soo et al. Constituintes isolados de A. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. e seu óleo. 1999. galanga (Itokawa et al. 2000). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. bloqueio neuromuscular. 1988b). Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1988. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1972). 1997). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. indicando . é usada na culinária. japonica e A. 1989). 1994). 1985). na perfumaria. Mendonça et al. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1976) e A. inibição da musculatura lisa. 1996). O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. sendo antiulcerogênica (Wang et al. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica.

1988b). 1998). 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. antifúngica (Lima et al. O composto dihidro-5. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. Moraes et al. 2001).a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1988). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. ArnaudBatista et al. officinarum (Kiuchi et al.. 1990).. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. O terpinen-4-ol.. Geraniol e isotimol isolados de A. 1988. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al... 1996). 1998. também isolado do óleo essencial.. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.. 1988). Mendonça et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. Mendonça et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. O óleo essencial de A. Estudos com a espécie A. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1992). 1987c).... 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1992). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. 1989). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. O extrato acetônico de A. 1990). 2002). A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A.. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. Do óleo essencial das folhas de A. 1996). speciosa. 1994). Os diarilheptanóides isolados de A. 1982). Dos rizomas de A. 1992). Os rizomas de A. 1988a. 2001). 1994).. Compostos isolados dos rizomas de A. galanga (Itokawa et al. oxyphylla (Chun et al. anticonvulsivante (Maia et al. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1982. 1987c) e A. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. speciosa apresentou atividade analgésica periférica.6-dehidrokawaina isolado de A. . speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al.

galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. . 2000). além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. 2000) e H. relatadas a seguir. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. 2000). Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. 1988b). 2001.. 2002).. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A... dos quais dois possuem grande importância no Brasil. Musa e Heliconia. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. speciosa produziu excitação psicomotora. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al.. Surh... 1992). hipocinese.. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al.A atividade antiinflamatória de A. 1999). que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al... 2002). antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. contorções. 2000). A espécie H. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 1999).

Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva.5 m de altura. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. minúsculas e duras. O fruto da espécie não é usado como alimento.. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. laminares de grande comprimento. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. com folhas longo-pecioladas. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. oblongas e inteiras. com bainhas grandes. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. . folhas longas.

. mas com 25% do comprimento e da largura.Alpinia japonica.podendo atingir até 2 m. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). FIGURA 2. onde é amplamente cultivada como ornamento. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.1 . A espécie não é nativa da Mata Atlântica. dando um pequeno fruto que também é comestível. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). flores reunidas em espigas.

Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2. .Hedychium coronarium.2 .

Liliales e Orchidales). Gonzalez L. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. Di Stasi F. família Liliaceae. Dioscoreales.3 Liliidae medicinais L. Velloziaceae e Iridaceae. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Seito C. Velloziales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A. família Liliaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. Alliaceae e Amaryllidaceae. Asparagales. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. ordem Orchidales. especialmente na ordem Liliales. G. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dioscoreaceae. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. principal. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. C. N. nas quais se encontram importantes espécies medicinais.

Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. A segunda. como é o caso da cebola e do alho. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. ambas de valor econômico incomensurável. pelo grande número de espécies ornamentais. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história.e Liliaceae. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Alloe. Outro gênero importante é Aloe. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Colchicum e Drimia.950 espécies vegetais. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). que passamos a descrever. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. esse da importante Babosa (Aloe vera). 1997). Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Tulipa. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Convallaria. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). . ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Narcissus e Veratrum. Trilium. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Lillium. especialmente do gênero Iris. A primeira. grande fonte de espécies dessa família.

Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças.1). fruto. 1995). loculicida (Figura 3. na forma de umbela pedunculada. em geral seco. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. que se mesclam com os bolbilhos. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. flores brancas ou avermelhadas. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. especialmente em crianças. são utilizados de várias formas. a maioria é cultivada. obtida comercialmente. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. tosse e também contra hipertensão. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . e amplamente consumido pelos gregos e romanos. capsular.000 a.Espécies medicinais Allium sativum L. sésseis. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. inclusos e envolvidos por fina membrana. folhas lineares. Era citado pelos babilônios no ano 3. ao passo que a infusão é usada contra gripes. os bulbos dessa espécie. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. Nas comunidades do Vale do Ribeira. C. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa.

antiasmático. com bulbo grande e solitário. o uso externo. poderoso anti-séptico das vias digestivas. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. carnoso e com casca fina amarelo-parda. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.queca. No Pará. agudas. diurético. flores hermafroditas regulares esverdeadas. subgloboso. carminativo e vermífugo. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. Em outras regiões do Brasil. histéricas. 1992). 1988). resfriados. além do uso como condimento. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. para problemas da pele. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. dispostas em umbela. tosse com expectoração. Trata-se de uma espécie com usos históricos. também são utilizados como sudorífico. 1982). bronquite. febrífugo. ao passo que a infusão das cas- . ateromatose. 1984). Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. anual. rouquidão. a espécie inclui vários usos medicinais. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. gastroenterite e disenteria. especialmente acne e micoses. digestivo. reumáticas e paralíticas (Corrêa. Dados botânicos Erva bulbosa. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. como referido para o Alho. tosse. Em Minas Gerais. em afecções nervosas. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. arteriosclerose. folhas radicais ocas e compridas. os bulbos são usados na hipotensão. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. com inúmeras variedades e subtipos. todos usados e comercializados como alimento e condimento.

não foi referida pelos entrevistados como medicinal. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. externo. podendo atingir até 1 m de altura. dores e infecções da pele. ao passo que as folhas frescas. folhas suculentas. densas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. lanceoladas. usadas externamente. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. externamente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens.2). Na região amazônica. descansado por 24 horas na geladeira. são úteis contra edemas. O uso interno de um macerado em água fria. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. como cicatrizante. é considerado excelente contra úlceras. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. internamente. onde se adaptou em quase todas as regiões do país.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. . onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. Aloe vera L. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. A manipulação dessa planta no preparo de loções. Dados botânicos Planta perene e suculenta. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. para acne. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. as flores são tubuladas. reunidas na forma de rosetas em sua base.

B. 1997). 1995). catártico e febrífugo. além de evitar queda de cabelo. 1991). 1997). B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. alil e alil-propil... foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. Nos bulbos também foram encontrados aliina. (B8) e P. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka.. Além disso. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen.. vitaminas A. 1995). vários heterosídeos sulfurados.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. Da espécie A. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. barbadensis (Saleen et al. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. C. 1990). sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1992). o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin.. sativum. 1997). 1968). 1986). exigindo-se cuidado na utilização. relatando ainda que as folhas são purgativas. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. a polpa é emoliente e resolutiva. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. isobarboloina (Kuzuya et al. aliinase que origina a alicina.. 1999). desoxialiina. Prostaglandinas A. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. fitosterinas.. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. barboloina. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. 2000).. proteínas e fermentos (Costa. holosídeos. obtidos de A. 1979). . saponinas esteroidais (Peng et al. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. A antro-cenona. 1993). et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al..

in vitro (Sheela et al. 1991). estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. isolado de Allium sativum Linn. O estudo comparativo in vitro. 1981. Esse mesmo efeito foi detectado . Por sua vez. Kwon et al. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Augusti & Sheela. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 1992). Além dessa classe de compostos. Em animais com carciriogênese bucal o A. 1987. 1995. demonstrou que os compostos de A. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos).Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. cicloxigenase. rolêmica. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína.. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. 2000). Hikino et al. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento.. No entanto.. 2002). Nerkar et al. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. entre outras ações que serão discutidas a seguir... (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. fibrinolítica. antibiótica. 1996). para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. hipocoleste. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. Entretanto...

1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. enquanto a associação dessa dose com 4. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. Singh & Shukla. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos.. 1983.. 1983) obtidos a partir dessa espécie. O extrato de A. O óleo de A. 1984. 1996). sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al... dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1980).por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1997. fosfatase ácida. 1995). 1993). o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 1984. Mossa. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez.. 2002) contra Staphylococcus aureus.. Rees et al. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1992).. in vitro. além de atuar como . produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. contra Helicobacter pylori. 1985). Guevara et al. Khan et al.. Dababneh & Aldelamy. sativum apresentou também atividade antibacteriana. compostos fenólicos (Patel et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática.. Sovova et al..5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. O estudo realizado por Celini et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1985.. 1982. precursor da alicina e obtido do alho. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. 1994). a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1981. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. 1993) e aquosos (Sato et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. O sulfóxido de S-alilcisteína. 2001).

1993). Sandhu et al. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. 1993). 1994). 1978). alicina e sulfeto de dialila. (1992). A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . sem. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. (1985). Essas propriedades farmacológicas. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Mohammad & Woodwara (1986). 1992). Os resultados obtidos por Sendl et al. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. 1980..agente anticercaricida. assim como as respectivas substâncias isoladas. Adetumbi et al. 1986) e brutos (Rees et al. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. 1995b). metil-ajoeno. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. e não as substâncias isoladas. 1996). esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes.. inibem a síntese de colesterol.. Rotzsch et al. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Block et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.. Kamanna & Shandras-Wkhara. 1978. 1980.. 1993). assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. assim como substâncias isoladas do alho. 1993). (1986). 1978. no entanto.. 2001). Boelter et al. no entanto. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. cepa (Dorsch et al„ 1985). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1984.

Foushee et al. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. Essa mesma planta reduziu a concentração . 1993). Por sua vez. sativum (Kweon et al.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 12...5. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al.. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. (1986b).. 1996). atividade diurética. 1996). principal componente antiplaquetário do alho. (1992) com o composto ajoeno.. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. M. sua condutância.. Ribeiro et al. et al. 1993). bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al.sos de bulbos de alho fresco (5. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. tais como a histamina (Usui & Susuki. natriurética e hipotensora em cão. (1987). e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. também. 1993b). A. 1986a). 1991).. 1996).. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1991). e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. et al. (1982). E. 1996). I. 1990). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1996). 1997). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. como radioproteção (Reeve et al. enquanto Pantoja et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al.. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas.

chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1994). Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. 1993). 1996). 1992. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. 1993. conseqüentemente. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. Ko & Son.. Extrato aquoso de A. 1992)... E a mistura de A.. et al. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1.. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. cepa com A. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. Para a espécie Aloe vera. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. 1995). Chithra et al. sativum L. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. Lipotab. (1996). A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. 1993). apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. I. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. 1995).. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Além disso. 1990). ela é um excelente cicatrizante (Costa. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. ... in vitro. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. um preparado à base de Curcuma longa. Resultados similares foram obtidos por Imai et al.. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. 1993). 1991). (1994). 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar.. Allium sativum. sativum ou A.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh.

. 1991). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al.. em camundongos. 2000). 1995). barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.. vera e hipotensora de A. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.1998). que inclui algumas espécies popu- . 1994). e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. contudo. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta.. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. 1997). Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. Essa família possui pequena importância no Brasil. 1996. 2001)... estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 1997).. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. aumento na contagem de espermatozóides. Saleem et al. A atividade antiinflamatória de A. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. esses dados referem-se... As folhas de A. Entretanto. 2001). Os estudos de toxicidade de Allium cepa.

A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". 1996). 1987). que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. possui folhas carnosas. pontiagudas e com manchas brancas. flores pequenas. Das . trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias... brancas. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. 1996 e 1997b). No entanto.. saponinas esteroidais (Mimaki et al. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. contra problemas hepáticos. na região amazônica. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. no entanto. longas. cilíndricas. e o Agave. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg.

Das folhas de S. saponinas. 1986).. FIGURA 3.Allium sativum. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. . 1982)..1 . cylindrica foram isolados lipídios. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .folhas de S.. 1996).em Joly. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. 1997). O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. pigmentos.. 1998) (Banco de imagens ). além de carboidratos.

FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).2 .Aloe vera. .

duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Mariot M. esta segunda com uma única família. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Triuridaceae. As duas espécies. de pouco interesse para nosso estudo. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. S. portanto. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Di Stasi A. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. ainda não discutidas neste livro. C. das quais destacamos apenas a família Alismataceae.

numerosas. freqüentemente . Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. grandes e eretas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros.mico. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. com caule triangular e glabro. A espécie possui as variedades floribundus. rizoma grosso e carnoso. Aguapé. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. essa segunda inclui apenas a família Palmae. folhas pecioladas. contendo vasos apenas nas raízes. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. espécie de grande valor econômico. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Inclui ervas perenais. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro.1). muitas aquáticas ou brejosas. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. latescentes com lâmina foliar grande. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. 1997). também denominada Arecaceae. e Sagittaria. coriáceas. flores brancas. ovadas.

também denominada Arecaceae. como ornamentais. especialmente contra dores de cabeça. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. com folhas terminais. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. reumatismo. raramente trepadeiras.650 espécies tropicais (Mabberley. como sedativo. nas costas. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). muitas delas usadas como medicinais. 1997). além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. tônica e diurética. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2.consideradas outra espécie. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. e outras. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. sífilis. e como anti-helmíntico. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. Incluem árvores ou arbustos.. moléstias da pele e do fígado. bem como gripes e resfriados. de barriga. útil ainda contra artrites. . 2000).

como é denominada a outra espécie do gênero. amplamente conhecida na região amazônica.. como é o caso de várias palmeiras. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. 2002. Kobayashi et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E.A família está subdividida em seis subfamílias. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. conseqüentemente. 2000a e 2000b). que incluem a piaçava e a ráfia.. do jerivá (Joly. especialmente da Mata Atlântica. Tratase de uma família de grande valor econômico e. Destaca-se o gênero Euterpe. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. respectivamente do babaçu e da carnaúba. que inclui o famoso palmiteiro. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Cocos. e o açaí. com folhas pinadas. Espécies medicinais Euterpe edulis M. 1998). Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. macrophyllus (Shigemori et al. do famoso coqueiro da Bahia. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . e o Arecastrum. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. como é o caso da Areca catechu. outras são importantes como medicamento. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. chegando até 25 m de altura. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea.

nhas. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. não fosse a intensa exploração da espécie. FIGURA 4. 1998) (Banco de imagens). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. o suco do caule é usado. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.1 . espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. internamente. como antídoto para picada de cobras. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. externamente. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. .Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Hiruma-Lima E. são importantes como ornamentos. da qual inúmeras espécies de grande valor . especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. algumas com amplo número de espécies no Brasil. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. inúmeras espécies são medicinais. Annonaceae. Santos L. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. tais como as Magnoliaceae. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Na família Monimiaceae. M. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Na família Chloranthaceae. do famoso Boldo. inúmeros gêneros são importantes. M. C.5 Magnoliales medicinais C. Guimarães C. Myristicaceae e Lauraceae. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. tais como Magnoliaceae. A. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica.

Uvaria. 1997). 1997) e subtropicais.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. os gêneros mais comuns são Annona. arbustos e lianas. No Brasil. que inclui os gêneros Annona. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pinha. e Monodoroideae. Annona cherimolia. que inclui os gêneros Isolona e Monodora.150 espécies tropicais (Mabberley. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. como Aniba. Xylopia. A família inclui árvores. Xylopia e Rollinia. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. espalhadas por todo o planeta. Aniba e Nectandra. compreendendo aproximadamente 260 espécies. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Graviola e outros. Cabeça-de-negro. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Laurus e Sassafras. Annona coriacea. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. e ainda outras importantes como alimento. Cryptocarya. Cinnamomum. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Guatteria. Annona reticulata. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Artabotrys. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. . que inclui nosso Abacateiro.

onde são conhecidas como Araticum e Biribá. inflorescência cauliflora. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. polpa branca. ovadas ou elípticooblongas. Araticum-punhê. no entanto. mole e recurvado. Coração-de-rainha e Nona. subglobosas. as folhas são alternas. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". com cálice de lobos triangulares e agudos. tais como Araticum. no entanto vários sinônimos são usados. cordadas na base e acuminadas no ápice. com um tronco revestido por casca aromática. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. flores axilares. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Araticum-ponhê. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Iriticum. alcançando até 30 cm de comprimento. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. que apresentamos a seguir. com epiderme verde-escura. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. 1998). espessa com saliências cônicas. fruto do tipo baga irregular. Espécies medicinais Annona muricata L. Várias espécies. que são muito apreciados. alcançando até 15 cm de comprimento. Araticum-de-paca. pecioladas. amareladas. latescente. com um espinho central. . sucosa.1). E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola.

sendo depois levada para outras regiões do planeta. Em outras regiões do Brasil. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. dores de cabeça e como emagrecedor. especialmente na produção de sucos. referidos a seguir. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. a planta fornece madeira. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. podendo também ser usada na arborização urbana. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. Na Amazônia. antiespasmódicas e hipotensivas.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. tem grande valor como alimento. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. 1984). O fruto. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. As folhas e raízes são consideradas sedativas. por sua vez. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. peitorais. sorvetes e geléias (Corrêa. mole e branca. combatem reumatismo e abcessos. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. os brotos e as folhas são usados como béquicas. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. Além dos usos medicinais da espécie. as folhas cozidas. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. para baixar febres. antiespasmódicas e antidisentéricas. com importante uso potencial na fabricação de papel. 1984). usadas topicamente. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as flores. especialmente lombrigas. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. 1984). onde se tornou subespontânea. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. diurético e no combate a insônias leves.

o chá das folhas é utilizada para catarro. Ayensu. parasitas. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. 1986). gripe. onde é usada contra tosses. Na Índia. como antiespasmódico. as sementes. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. inseticidas. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. 1992). casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. No Peru. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. 1978. Weninger et al. no entanto. enquanto o óleo das folhas. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. Na Jamaica e no Haiti. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. as folhas e a casca da árvore. . hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. contra diabetes. impedindo-lhes a identificação correta. contra diversos parasitas (de Feo. e as sementes. tosse. 1955. espasmos e febres.mas do fígado.. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. diarréia e como lactagogo. Esse uso. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. asma. 1993). a fruta e seu suco são usados contra febre. as cascas e folhas. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. é usado externamente para neuralgia. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Annona tenuiflora Mart. na forma de chá. foram referidas espécies desse gênero. 1962). De acordo com os mesmos autores. no processo de pesca.. 1962). as raízes e folhas. 1987). especialmente na África. 1990). sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Nas Guianas.

com casca fibrosa. Pindaúba. agudas no ápice. curto-pecioladas. e copa alongada. coriáceas.3). tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. frutescens Aubl. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. lineares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. alternas e ápice cuspidado.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. folhas alternas. com duas a seis sementes (Figura 5. Pau-de-imbira. simplesmente. Jejerecu. aromática. tonturas e hipotensão. Pijerucu. sul do Amazonas. Breu branco ou. alcançando até 8 m de altura. . muitas das quais usadas na medicina popular. também descrito por Carl Linnaeus. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. oblongolanceoladas. Envira. Pindaíba-branca. Pindaúva. Breu. Xylopia cf.2). onde parte deste estudo foi realizada. fruto do tipo baga ovóide. vermelho. Em outras regiões do Norte do Brasil. Coajerucu. Envira-preta. Pindaíba. hermafroditas. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Coagerucu. folhas ovado-oblongas. na região amazônica. sem estipulas. Coaguerecou. O gênero Xylopia. pétalas lineares. deiscente. tronco ereto e cilíndrico. Nomes populares A espécie é denominada. Jejerecou. Malagueta e Banana-de-macaco. cálice gamossépalo. Jegerecu. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Ibira. simples. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão.

os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. como digestivo e são úteis contra catarro. 1998). ao passo que a decocção da casca é usada. são usadas como estimulantes da bexiga. Na região amazônica da Colômbia. sendo uma espécie heliófita. As sementes. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. na forma de inalação. especialmente. sementes de espécies da família Annonaceae. como cabos de instrumentos e varas de pesca. 1984). própria para uso em carpintaria. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. . Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. Além dos usos medicinais descritos a seguir. raízes. folhas e. 1984).Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. também aromáticas. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. perenifólia e pioneira. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. para combater resfriados e dores de cabeça.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L.

denominada corepoxilona.. 1995a). 1993). e que são importantes representantes da flora brasileira. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.. muricatocina C e gigantetronenina. murihexocina A e B (Zeng et al. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. Anomuricina A e B. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. enquanto Gromek et al.. 1994a e 1994c). 1995b). 2002)..São ácidos graxos modificados. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. No entanto. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. I. 2 e 3 (Wu et al.. anomutacina 1. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. 1994). 1991b).. muricatetrocina A e B. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. neo-anonacina-10-ona. iso-neoanonacina-10ona.. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. . 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. cis-annomontacina (Liaw et al. anonacina-10-ona.. 1991).. especialmente como citotóxicas. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C.. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.. Recentemente.. hoviicina A. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. muricina H. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 1995e). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 1995b). epomuricenina A e B (Roblot et al. 1995c).

além de esquamocina e esquamostatina A. 1995). três uvariamicinas.. 1994c) neodesacetiluvaricina... Das sementes da mesma espécie. esquamosteno A (Araya et al.. 1993). 30-hidroxibulatacina. 1995) em Annona bullata.. 1994b).. isomolvizuína 2... (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. 1991a e 1991c). bulatencina. isoquerimolina 1. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 1993b). 1994). tais como reticulatina (Saad et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1994b).Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. B. 1992).. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. 1994a). 1995). esquamosinina A (Yang et al. 1996). 1993). 1994). jeteína. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 32-hidroxibulatacina. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. esquamostanal A (Araya et al. cis... Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 1994a e 1994b). itrabina. 1993b). incluindo A. C e D (Fujimoto et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A... Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. esquamona.. muricata e A.. 1996). tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al... 1991). anoreticuína-9-ona. Das semen- . cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1962). squamocina e almunequina (Duret et al. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. bulatanocina.. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. reticulacinona (Hisham et al.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. solamina.. Cortes et al.. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. 1991). (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. anogaleno (Sahpaz et al. 31-hidroxibulatacina. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1995a).. Sahai et al. molvizarina e motrilina (Cortes et al.. 1994). cherimolia.

montana (Wu et al. isoboldina e outros foram isolados de A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. squamosa (Krishna Rao et al. 1979. Monoterpenos foram isolados de A.. salzmannii (Paulo et al. squamosa (Leboeuf et al. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. A.. frutos de A.. X. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. como constituintes predominantes. 1978). 1970) e X.. 1981). ambotay (Carazza et al. michelalbina. bullafa (Kutschabsky et al.. 1995e). 1991). 1962). 1976). foram isolados do fruto de Annona muricata . Flavonóides foram descritos em A.. 1994). quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1987). purpurea (Castro et al.. Martins et al. 1994)... C. 1985) e A. enquanto diterpenos foram descritos em A.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. 1978). ambotay (Oliveira et al.. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al... Inúmeros compostos terpenóides. 1992. de A. 1979. reticulina. cacans (Saito & Alvarenga. 1993) e sesquiterpenos em A. cherimolia (Yang et al. aromatica (Rios et al. reticulina. 1984). 1986). Yang & Chen.. 1994).. A. Wu et al. 1993). Barbosa Filho et al. brasilienses (Casagrande & Merotti. 1976).. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al.. cherimolia (Villar et al. anolobina e asimilobina foram isolados de A.. et al. squamosa (Wu. squamosa (Silveira et al. 1996). enquanto três amidas ácidas. 1988). anolatina.. uma lignana ((-)-siringaresinol). anonaína. X. 1986). 1989. enquanto os alcalóides anonaína. Alcalóides conhecidos como anoretina. laureliptina. 1982a e 1982b. squamosa (Setharaman. Y. A. Mukhopadhyay et al. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. A. 1986) e A. 1991).. oxouxinsunina.

. a raiz. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. muricata e de A.. 1996. 1979). Heinrich et al. De Xylopia frutescens. 1993. 1979.. Gbeassor et al.. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas.. Lopez Abraham. Carbajal et al.. X. 1940). enquanto extratos de folhas. antiespasmódica. 1979). 1995e). sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. vasodilatadora. 1987).. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1993. 1990). Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1991). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. 1995.. A espécie Annona muricata possui. X. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. brasiliensis e X. acetogenina isolada de Annona muricata. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. corosolona 1 e corosolina 2. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. obtidas de Annona muricata.. 1941. aromatica... 1988. 1991). Anomutacina 1. Misas et al. 1962). 1991. 1991). Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Acetogeninas isoladas sementes de A. 1991b). Solanina.. Vilegas et al. Ngouela et al. 1992.. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer.. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. . propriedades inseticidas (Tattersfield et al. muricata. 1998). Di Stasi. 1925 e 1932). uma acetogenina isolada de A.(Wong & Khoo.. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. a casca. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al.. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Bourne & Egbe. 1995b).. assim como outras espécies do gênero. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. 1993). 1991).

. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. 1993b). 1994). galucina. montana (Wu et al. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. 1993). et al. enquanto os alcalóides liriodenina. enquanto alcalóides isolados de A. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. montana (Wu et al.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona.... Chang et al. isolados de A.. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al.. bulatanocina. 1991).. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. reticulina. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. 1993b e 1994b. 1995). 1988b e 1988a)... Hui et al. 1980). solamina. anonaína. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. 1995a). asimilobina. anoreticuína9-ona... De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. Esteróides de A. norcoridina. 1993) e várias outras (Jossang et al. Os alcalóides isolados de A. oxoxilopina. cherimolia (Cortes et al.. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al.. C. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica.. salzmannii. squamosa.. 1991. Y. 1991. . Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A.. cherimolia (Villan del Fresno et al. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. reticulatina. 1992). coridina. 1993). laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. (1995b).. reticulina. 1991c e 1991a). esquamona. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1980). 1987) e A. Cortes et al. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. enquanto os alcalóides de A. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. respectivamente. 1992).

1998). parassimpatomimética de A. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al.1983). 1989. A. Do extrato etanólico das folhas de X. que apresentou atividade citotóxica. 1990. Oliveira et al. discreta.. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. foi caracterizada a . L. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. A. donovani. Trypanossoma brucei. Extratos metanólicos de A.. 1979). Rao et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 1996. 1975).. aromatica foi isolada atherospermidina. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. squamosa.. E. 1993). et al. 1999). Martins et al.. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. enquanto o extrato etanólico de A. atividade anticonvulsivante e analgésica. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 1993)... que determinaram efeito depressor do SNC. Silva. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. et al.. O extrato etanólico da raiz de X. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al.. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 1998). potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1994). 1994). que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. 1996). 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. coriaceae (Souza et al. F. 1996).. Extratos preparados também com A. Extratos etanólicos de sementes de A. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. Das cascas de X. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. 1979. 2001).. entre outras. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. fungitóxica. A atividade inseticida do extrato etanólico de A.. como acido caurenóico. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. frutescens não apresentou atividade moluscicida. Anopheles stephensi (Saxena et al..

. como inseticida.. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. 1996 e 1997). aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. anti-helmíntico e citotóxica. muricata e A. Em Guadalupe. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. . 2001). que apresentou atividade analgésica (Almeida et al.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. 1988c). Os diterpenos caurenoicos presentes em X.. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. (1988) para a espécie Annona muricata. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. especialmente em uso crônico. 1962). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. E da espécie X.. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 2002). Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. 1999). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A.

que possuem importância do ponto de vista econômico. Sucuuba. Essa família inclui gêneros importantes. como Myristica. No Brasil. Espécies medicinais Virola surinamensis L. usada como condimento. Árvore-do-sebo. Bicuíba. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. e espécies do gênero Virola. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). 1996). Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Virola. Horsfieldia e Knema. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. contendo ramos carregados de folhas . podendo chegar a até 35 m de altura. Nozmoscada e Ucuuba-branca. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Neste levantamento. e também como Leite-de-mucuiba. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. 1997). como a Noz-moscada (Myristica). Sucuba. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Ucuuba cheirosa.

1997). bem como -sitosterol.. Martinez et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. usadas como venenos de flechas. 1987). A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. infecções.. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. com até 20 cm de comprimento. para o tratamento de câncer. S. 2000).pecioladas.. A casca é usada como medicamento para aftas. como outras do gênero. inflamações. oblongolanceoladas. elongata . 1995). 1991 e 1992). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. 1996. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. pavonis (Marques et al. V surinamensis (Lopes et al. 1996). Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. É uma planta perenifólia. 1971). Cassady et al.. Espécie de ocorrência na Amazônia. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. V michelli (Santos. V. 1992. Ferri & Barata. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. chegando até Pernambuco. V.. 1987a). heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica.. 1969. pavonis (Martinez et al.. surinamensis. Vidigal et al. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas.. V cf. et al. L. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. 1989. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).. 1984).

. V. V.. V. 1993 e 1994). 1989).. Alvarez et al. V. Além das lignanas.. A atividade antifúngica das espécies V. e polifenóis nas espécies V. 1990. Cavalho et al.. V. 1996a).. 1996) e V. surinamensis. carinata e V. 1992) e V. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al..... 2001).. 1988). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. 1996. 1994 e 1995). foschnyi (Lemus & Castro. sebifera.. Pagnocca et al. 1994 e 1996.. carinata e V. calophylloidea (Von Rotz et al.. Das folhas de V. michellii (Cavalho et al. calophylla (Martinez et al. 1987b).. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. 1996. calophylloidea (Martinez. Lemus & Castro. venosa (Kato et al.. V. flexuosa (Aguirre. michellii foi atribuída à presença da flavona. V. calophylla. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 1999).. A atividade analgésica de V. titonina (Andrade et al. 1999. V. 1992). Andrade et al. titonina . 1990). oleifera (Fernandes et al.(Kato et al. 1986 e 1990). surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 2001). A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. pavonis.. michelli (Santos et al. urbaniana (Reis et al.. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. 1987). 1995). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. V. 1989) e V. 1990).

2000).. Ocotea. sugerem cuidados da população quanto ao uso.. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família.. do famoso Louro. dados etnofarmacológicos de V. carinata e V. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. do nosso famoso Abacateiro. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca).. V. 1978). Nectandra. surinamensis (Lopes et al. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. e outros. surinamensis. A família reúne grande importância econômica. cercaricida e molucicida de V. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1994). 1998. da famosa Canela-sassafrás. aliados ao relato de atividade moluscicida..A atividade leishmanicida nas espécies V. 1986b e 1998). além do . Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. alucinogênica de V. todos aromáticos. Licaria. mas não foi detectada em V. As propriedades antioxidante e surfactante de V. árvores e arbustos (Mabberley. porém. oleifera. 1987) e anti-hemorrágica de V. V. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. pois. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. duckei (Bennett & Alarcon. tripanossomicida. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. Os principais gêneros são Laurus. Barata et al. inseticida de V. 1997). Persea. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. calophylla (Miles et al. 1996. 1996).850 espécies. 1999). donovani e V. sebifera. elongata (Davino et al. amplamente usado no Brasil como condimento.. Sassafras. koschnyi (Castro et al. 2000). Incluem muitas espécies aromáticas. 1987). 1991) como a surinamensina (Pinto et al.

e de outras espécies. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.Abacateiro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. e laus = "louvor". Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . A infusão também é indicada contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fornecedor de alimento amplamente comercializado. lanceoladas. para combater problemas hepáticos e intestinais. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. sendo considerada digestiva. como a Canela e o Louro. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. de estômago e como emética e abortiva. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. 1998). bem como para dores de barriga. deriva de lauer = "verde". onde se adaptou muito bem. Espécies medicinais Laurus nobilis L. . 1998). pecioladas.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. folhas alternas. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro.

é também usada contra febres. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. com polpa verde. onde se encontram as folhas alternas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. flores branco-pálidas. reumatismo e uremia (Corrêa. fruto do tipo baga ovóide. além de atuar como diurético e analgésico. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. ao passo que a infusão das folhas. contra reumatismo. úlceras e piolhos (Bown. emenagogas. pequenas e pouco vistosas. Persea americana Mill. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. anti-sifilíticas. externamente. ou Persea gratíssima Gaertn. bronquites. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. 1984). As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. sendo comercializada em todo o mundo. analgésico. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. . além de serem usadas contra doenças renais. lanceoladas e acuminadas. 1995). Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. comestível. não ocorrendo espontaneamente. as folhas são usadas contra indigestão. pecioladas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. diuréticas e febrífugas. nome dado especificamente ao fruto. vulnerárias. estimulante do apetite e contra cólicas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. estomáquicas. carminativas.Internamente. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. que envolve a semente grande e marrom.

bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). 1999). A espécie Persea americana L... . monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 2002). hidrocarbonetos. Grant et al. 2001). Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. Afifi et al. 1995. 1991. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. O 1.. antiinflamatório (Ademylmi et al. americana citados acima... 2002.. Às folhas de P. spatulenol.. 2002).. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. Sladler et al.8-cineol isolado de L. antifúngico (Domergue et al. 1991. 2002). 2002). 1997). 2002).. elemicina. A atividade antiulcerogênica de L.. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2000.. 1991). Hargis et al. 1987). beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. Carman & Handley.

1 .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.FIGURA 5. 1984). b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). .

Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens). .FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.2 .

b) Detalhe da flor (Banco de imagens). frutescens: a) Escanerata do ramo florido. .Xylopia cf.FIGURA 5.3 .

C. Thottea e Asarum. 1998). no Brasil. M. A. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. e. Di Stasi C. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. M. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras.ó Aristolochiales medicinais L. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. ao passo que na região do . com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Hiruma-Lima E. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. muitas das quais usadas como medicinais. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Santos C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Joly. 1997. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia.

ramos lisos. e lochia = "nascimento". e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). parto. fruto capsular cilíndrico. Calunga. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. muitas das quais ricas em alcalóides. axilares. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. zigomorfas. flores isoladas. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". sulcados e estriados.1). . com sementes achatadas. folhas alternas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. e várias com usos medicinais descritos. hermafroditas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. Outras denominações populares são Angelicó. foi referida como medicinal. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. usadas como venenos. Jarrinha. simples. Capa-homem. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Batarda. que lembra o feto em posição antes do nascimento. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. denominada popularmente como Milomem. grandes. Mil-homens e Papo-de-peru. Contra-erva. pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos É uma planta trepadeira.

no entanto. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. excitante. especialmente para combater náuseas e vômitos. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. sarnas e orquites (Van den Berg. simples. 1982). A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. catarros crônicos. sudorífica. 1984). cicatrizante e contra úlceras crônicas. anti-histérica e útil contra febres graves. os ramos são lisos. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. estomáquica. constipação nasal. não sendo encontrada em áreas degradadas. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. capoeiras e áreas em regeneração. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. . Também não é uma espécie cultivada. disenteria e diarréia. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. pecioladas. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. sulcados e estriados. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. gripes fortes.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. anti-séptica. estimulante. diurética. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. as flores são isoladas e axilares. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas.

1984). G.. longa (De Pascual et al. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. A. dematilis (Makuch et al. raízes de A. et al. 1987). Alcalóides foram isolados de várias espécies... J. molissima (Peng et al.. A. A. 1988).. 1983). kankauensis (Wu et al. molissima (Peng.. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. Zhang et al. rotunda (Pistelli et al. S.. M. A. A. 1991). L. A.. tubiflora (Peng et al. Lopes.. Chakravarty et al. 1995) e A. 1991a). debilis (Ahmed Farag et al. contorta (Lou et al. A. P et al. A. A. 1991. galeata (Lopes. yunnanensis (Chen et al. argentine (Priestap. 1995). A. A.. A. 1987). 1980). 1995). tubiflora (Peng et al. A.. A... 1983b). 1992). auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. argentine (Priestap... 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1991a). A. A.. 1995). vários outros alcalóides aporfínicos de A. rodix (Tsai et al. A. A. 1996). elegans (El-Sebakhy et al. III e IV (Houghton & Ogutveren. manshuriensis (Lou et al. 1987).. 1992). A.. A. H.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. ponticum (Houghton & Ogutveren. clematitis (Kostalova et al. 1995). 1991) e de A. chilensis (Urzua et al. 1991). C.. clematitis (Kostalova et al. fangchi (Tsai et al. 1979). versicolor (Zhang&He.. 1987. 1983a). 1988). A. brasiliensis (Lopes et al. 1977 e 1985). kankauensis (Wu. A. 1987). 1988. indica (Che et al. et al.. 1987. bracteata (ElTahir. 1988). ftiangularis (Bolzani et al. 1992) e outros alcalóides em A.. gigantea (Cortes et al. A. clematitis (Kostalova et al.. kankauensis (Wu. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. A. 1982). A. liukiuensis (Mizuno et al. A. Higa et al. Paiva et al.. 1995). versicolor (Zeng et al. tais como A. 1983). A. Abel & Schimmer. 1991). rigida (Pistelli et al. nata (Moretti et al... bracteata (ElTahir. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. 1991). acuminata (Moretti et al.. 1993). 1995) e A. sendo descrito em A. auricularia (Houghton & Ogutveren. L. Lou et al.. 1991b).. 1980). 1995).1993). 1991b). et al.. indica (Piers & Tse. 1979) em raízes de A. 1994). II.. et al. 1996.. versicolor (He et al. S. 1987). T.. A. A. tubiflora (Peng et al. cinnabarina (Li et al. A. esperanzae e A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al... 1986b e 1986a). 1980).. 1994). manshuriensis (Ruecker et al. 1989). cinnabarina (Li.. longa (De Pascual et al. A. 1985) e A. maurorum (Kery et al.. 1992).. em A.. 1990. chilensis (Urzua Rodriguez. X. 1987).. T. A. 1994). et al. 1992. A. arcuata (Watanabe & Lopes.. .. gigantea (Lopes.. 1986). A... A.

. 1996). Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & .. -elemeno. A. 1978). cymbifera. 1988) e amidas em A. et al.. A. T. R. 1988) e A.. copaeno. esperanzae. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1980. 1995). galeata (Lopes & Bolzani. 1990).. indica (Pakrashi & Pakrasi.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. macroura (Leitão et al. S. Lignanas também foram descritas em A. O ácido aristolóquico de A. A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. e o ácido aristolóquico de A. A.. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. 1980). 1990).. 1993). Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al.. arcuata (Watanabe & Lopes. triangularis (Ruecker et al. 1987) e A. S. birostris (Conserva et al. taliscana (Longsw et al. kankauensis (Wu. Urzua & Presle. 1987b. Lopes et al. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta.. et al.. 1991b). A. Compostos como -cariofileno. chilensis (Urzua et al. gigantea e A. 1977). A. 1979). 1994).

paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al.. 1988). gigantea (Campos et al.. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. 1990)... O mesmo ácido obtido de A. com A. e antiviral com A. triangularis (Garcia. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. papilaris (Maia et al. antibacteriana. 1988)... 2001). G. 1996). A espécie A. 1993). Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. birostris demonstraram. et al. multiflora (Moretti et al. 1979). O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1999). atividade analgésica. 2002). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. papilaris (Maia et al. 1991). O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos.. 1983). 1995). A. Estudos com A. Atividade mutagênica.. paucinervis (Gadhi et al.. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1979). 1999). 1991).. A. no Sistema Nervoso Central. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. determinada pelo teste de Ames. 1985). 1993). causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento .Choudhury. 1991)... H. tulobata (Sosa et al.... 1985). niaurorum (Kery et al. anti-séptica e cicatrizante de A. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha.

. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al.Aristolochia trilobata. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. 1993). Da mesma forma. por suas características químicas. 50 ou 100 mg/kg via oral. .1 .com 10. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. Entretanto. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. FIGURA 6. 1996) por humanos.

7 Piperales medicinais L. A. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Por sua vez. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Di Stasi C. especialmente do gênero Piper. lianas. Geralmente as plantas são arbustos. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. Portilho M. onde ocorrem em abundância e diversidade. S. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. 1997). Piper nigrum. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. G. e espécies me- . o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. normalmente com células de óleos essenciais. epífitas. dos quais se destacam os gêneros Piper. Peperomia e Pothomorphe. Hiruma-Lima A. C. Mariot W.

muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Piper angustifolium. ovário com um só estigma. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. O gênero Peperomia. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. folhas alternas. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. sendo também apenas . os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. muito semelhantes entre si.B. pequenas. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. como a Piper betle (betel). A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. as quais passamos a discutir a seguir. como a chinesa e aiurvédica. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Piper longum. Espécies medicinais Peperomia elongata H. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências.1). flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Nomes populares Além de Tracoaptera. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago.K.dicinais de ampla utilização. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Piper cubeba. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros.

simples. na região amazônica. gastrite e gripes. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. . Nomes populares A espécie é chamada. Não foram encontrados sinônimos. curtopecioladas. bastante carnosas e glabras.B. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Piper cavalcantei Yuncker.K. de distúrbios do estômago. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. mas com pouca ocorrência. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. Peperomia rotundifolia H. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). pequenas. A espécie é encontrada na Mata Atlântica.obtida na área de floresta em torno da aldeia. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.

folhas pecioladas.2). O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. isoladas e levemente curvadas. Piper cernnum Vell. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. pendente. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. assimétricas na base. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. membranáceas. .Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. algumas lianas e pequenas árvores. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. inflorescências do tipo espiga. atingindo até 10 cm de comprimento. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. todas aromáticas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. podendo chegar a até 5 m de altura. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. sendo a maioria arbustos. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. especialmente para dores de cabeça.

um pouco ásperas. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. além de ser útil em distúrbios renais. Em outras regiões do país. assimétricas na base. inflorescências do tipo espiga. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. especialmente contra dores de barriga. estomacais e hepáticos. tendo distribuição por todo o Brasil. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares.3). levemente curvadas. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. acuminadas no ápice. membranáceas. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. particularmente contra cólicas abdominais. incluindo hepatite. onde a espécie é abundante. a infusão das folhas é usada como analgésico. . Piper gaudichaudianum Kunth.

Piper marginatum Jacq. membranácea. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . pequena (até 11 cm de comprimento). Ihotzkyanum Kunth. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. glabra. cordiformes. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. levemente assimétrica na base. com ramos glabros e cilíndricos. membranosas. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Em outras regiões do país. estomacais e renais. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. com ápice acuminado. pecioladas. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. flores . Nhandi. alongada e fina. A espécie é muito comum na Mata Atlântica.4).Piper cf. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. inflorescências do tipo espiga. Bitre. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Aperta-ruão ou Aperta-juan. folhas alternas. r e t a . Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura.

flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Catajé.com brácteas triangulares. estimulatórias (Corrêa. formando uma falsa umbela. Uma outra espécie do mesmo gênero. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Pothomorphe peltata (L. fruto do tipo baga (Figura 7. como ocorre no gênero Piper. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. androceu com três estames. Caá-peuá. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. e não isoladas. descrita a seguir. diuréticas. resolutiva e usada em banhos após o parto. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. membranosas.6). 1984). bainha desenvolvida. gineceu com três estigmas. sialagogas. essas diferenças ficam bem claras. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. as folhas. dores de dente e blenorragias. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. se ingerida. Malvarisco. contra veneno de cobra. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas.) Miq.5). . os frutos são excitantes. A planta é tônica. sudoríficas. peltatas. andróginas. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. estomáquica. minúsculas. principalmente da tucundeira. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. um gênero da família Araceae. com ápice agudo e nervação peltinérvea. flores sésseis. peitadas. ovado-arredondadas. as raízes são carminativas.

os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. Pothomorphe umbellata (L) Miq. minúsculas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. antiinflamatório externo e interno. diurético. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. membranosas.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. cordada. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. ovado-arredondadas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. bainha desenvolvida. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. 1980). A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. formando uma falsa umbela. fruto do tipo baga. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. .7). andróginas. flores sésseis. vermífugo. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. Capeba ou Pariparoba. 1984). e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum.

B e C (Chen. Seeram et al. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico... monoterpenos. 1982). marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. Das partes aéreas de P. 1988). flavonóides (Tillequin et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. Cromonas foram isoladas de P. proctorii (Mbah et al. miristicina. G. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides... além de apiol. et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. que também possui ácido grifólico. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al.. M. 1997).. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 1982). marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al... indicada populamente como antitumoral. vulcanica e proctorionas de P.. 1994). Piper Das raízes de P.. ácidos graxos (Lima et al. 1988). consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. Das raízes de P. Mahiou et al. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 1996). marginatum foram isolados aril-propanóides.. E. compostos de grande importância farmacológica. que representa 49% dos constituintes voláteis. são . 2000).. et al. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. Os alcalóides. 1990). quinonas piperogalona. sesquiterpenos. 3-hidroxi-4. 2002. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. C.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. 2001). 2001). grifolina bisobolol. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. De Peperomia japonica.

Bacillus subtilis. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1986). auritum (Ampofo et al. 1981) e P. 1986). 1985). chavicina e outros. betle (Evans et al. Uma quinona. hostmanianum (Diaz et al.. 1985). 1995). tuberculatum (Braz Filho et al. 1986 e 1987)..... hispidum (Vieira et al. Shoji et al. 1987). piperina.encontrados com freqüência nesse gênero.. 1979). P. methysticum (Smith. cubeba (Badheka et al.. P. P. 1987).. 1980). 1982) e P clusti (Koul et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. piperlongumina. Isolaram também neoglicanas de P. P. longum (Dutta et al. Li & Han. Foram isolados diversos alcalóides em P. 1985) e P. 1980) e P. P. 1979). lancei (Han et al. hispidum (Burke & Nair. 1977. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. P.. aduncum e P. futokadsura (Chang et al. Tabuneng et al. jaborandi (San Martin. 1987). P.... 1986). Foi demonstrado também que P.. Achenbach et al. P. sylvaticum (Banerji & Pal. betle (Rimando et al. guineense (Cole. hancei (Li et al. 1987).. hispidum (Vieira et al. lignanas de P. aduncum (Smith & Kassim. 1987). flavonóides de P. compostos fenólicos de P. 1986. 1968)... 1977) e P. 1983). com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro.. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . 1992). peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. sendo os principais piperlonguminina.. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. P peepuloides (Shah et al. amalago (Dominguez et al. 1984).. nigrum (Inatani et al. 1981). Pothomorphe P. 1983. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. P.. P.. 1986. hidropiperona.. retrofractum (Banerji et al.. piperidina. 1986) e P. 1986) e flavonas de P.

antibacteriana. Piper Foram caracterizadas para P. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte.1-1 g/kg.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas.. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. bloqueada com prazosin e ioimbina. e atóxica (Saad et al. 1997).. 1997). et al. et al. em doses que variaram de 0. salivação intensa. 2002. do extrato (0. hipotensora (Santos. 2001). 1996b). 1996). M. lacrimejamento. O. 1994).. et al. 1994). V. Embora o extrato de P... hipotensora (Siqueira et al. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. 2002.. 1998. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida.v. 1996). galioides e os compostos ácido grifóico.. atuar como antialérgico e diminuir . et al. Substâncias de P.. et al. antifúngica (Lima. Villegas et al. B. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. Arigoni-Blank et al.. O extrato aquoso de P. O... E. 1997). A administração i. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo.. S. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. apresentou atividades diurética (Santos.cies de Leishmania (Mahiou et al. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.. 1996). L. V. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. Aziba et al. promoveu piloereçáo. relaxamento muscular e dispnéia. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. analgésica (Da Silva et al. 2001).. 1995). H. cicatrizante (Saad et al. V. 1992). 1996a). R. também conhecida como Língua-de-sapo. R.. H. Assim.1-0. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina.

larvicida (Mongelli et al.. abutiloides. cincinnatoris.. 1984). peltata possui atividade analgésica (Pupo.. analgésica. 1985). 1984..a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. De P. 1976). 1991. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. apresentou propriedades anestésica. amalago (Pupo. antioxidante (Choudhary & Kale. espasmolítica. nigrum (Miyakado et al. 1979). Amorim et al. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P.. esta última com potente atividade (Di Stasi. 1984). Prakash. 1984)... 1985). 2002). 1983). 1987. 1986). regnelli. 2000). inseticida com substâncias de P. Atualmente. anticonvulsivante. nematicida (Evans et al. A espécie P. 1987). P. aduncum (Lohezic-Le et al. inibindo a agregação de plaquetas. P. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al.. 1985).. As neoglicanas isoladas de P. 1978. Pothomorphe A espécie P. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. 1988). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária).. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. gaudichandianum.. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. P. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. e aumentou o tempo de sono (Duve. Shen et al.. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P.. 1985). conhecida como Pariparoba. Dahanukar et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. Cairney et al. por seus constituintes químicos. 1988).. methysticum também conhecida como kava-kava. Di Stasi & Pupo. peltata. lancei e P. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. fungicida. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . Porém. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. betle apresentou atividades fungicida. 2002. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. A espécie P. lindbergü e P. a degranulação. retrofactum (Woo et al.. 2002). mutagênica (Chen et al. e antiviral P. Desmachelier et al. 1986 e 1988.. 1988). 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1986. agindo como os anestésicos locais (Singh.. P.

1997. umbellata. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. FIGURA 7. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. Desmarchelier et al.. antiedematogênica. umbellata L. umbellata. analgésica.. O extrato etanólico das raízes de P. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P.. P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.Banco de imagens . 1992). 1996).. 1987).atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. De P. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.1 .Peperomia elongata. 1987). peltata (Felzenswalb et al.. o que não foi observado na espécie P. de Ferreira da Cruz et al.. 2000). Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1995). 2002... peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. Miq..

Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).2 .FIGURA 7. . b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.FIGURA 7. . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).3 .

FIGURA 7.4 . .Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).

Piper marginatum. . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.5 .

Banco de imagens ..FIGURA 7.Pothomorphe peltata.6 . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . . .

7 .Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7. . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).

M. Ranuculaceae e Papaveraceae. Pteridophyllaceae. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Hiruma-Lima C. como a morfina e outros derivados opióides. arbustos escandentes e . A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. A. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. o famoso Ópio. algumas lianas. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. foram obtidos. como é o caso da Papaver somniferum. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Berberidaceae. Sabiaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Santos E. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. C. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas.8 Ranunculales medicinais L. Di Stasi C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. das quais devemos destacar Menispermaceae. M.

também denominada de Abutua. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. imene. da Mata Atlântica. são consideradas muito tóxicas. utilizadas por índios do Norte do país. Outra denominação é Iroba. com ampla distribuição na América do Sul. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Dados botânicos Planta perene. assim como . Nessa família. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. rufescens e A. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. 1997). onde a planta foi referida como medicinal. foi referida como planta antiinflamatória. no entanto. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. Espécies do gênero Abuta. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. com contorno oblongo (Figura 8. folhas alternas e pecioladas. tais como A. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. aplicada no local lesado e/ou ingerida. 1996). fruto do tipo drupa. a espécie é chamada de Abuta. típica da aldeia tenharins. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Uma delas. raspada e misturada com água.raramente árvores ou ervas (Mabberley. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans.1).

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1996). Kern et al. in vitro.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. J. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. 1997). além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. et al. Gomes et al. Uma loção contendo C. Farias.. 1993). antiviral (Brochado et al. Induziu. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook.... Brochado et al. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. LDH) e o nível de bilirrubina. 1987).. ainda. Além disso. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1996). analgésica (Macedo et ai. 1996 e 1998). as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. D. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1996a e 1996b). 1993. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . 1997).. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. Farias. 1996. 1996). porém. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. B. Loureiro et al. L. M.. GOT. L. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. relaxante (Araújo et al.. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. 1999. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT.. 1998. 1996. Não foram observadas.. 1997). Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al... argentea.. B. et al. D. 1994). 1997. 1997).. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. raízes. et al. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.

. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. De Ruiz et al. aliado aos dados de toxicidade em peixes.. et al.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. C.. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. confirmados para inúmeras espécies dessa família. O uso das espécies contra helmintos. Yang et al. Extrato aquoso de A.. S. 1989). subclasse Caryophyllidae. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. et al. 1988. B. 1992). Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. requer cuidados por parte da população.. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade.. especialmente em uso crônico. porém. inclui . 1995). Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1996). pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. hemorragias. não apenas com as espécies citadas. Do extrato de A.. 1996. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1986. 1993). 1998). Zhang et al.. 1972). sobretudo contra helmintos.

com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. Segundo Joly (1998).400 espécies (Mabberley. No Brasil ocorrem 32 gêneros. • Cactus. 1978). são espécies perenes. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. 1997).97 gêneros. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. suculentas. • Opuntia (Opuntioideae). mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. embora várias espécies possam ser encontradas na África. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. Em ambos os casos. Cereus e Melocactus (Cactoideae). de hábito variável e geralmente espinhosas. 1978). com aproximadamente 1. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. . que também inclui espécies medicinais. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). que inclui a espécie Pereskia grandiflora.

além de galactose. dispostas em rácimos terminais. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. glucurônico e seus metil ésteres. 1994). cresce em matas e em restingas.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras.. galactose. C. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. sendo uma homenagem ao professor N.. folhas subpecioladas. 1986). arabinofuranose. em altitudes e também no nível do mar. além de heteropolissacarídeos. arabinopiranose. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. oblongas e acuminadas com base atenuada. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. galactopiranose. galactose. antitérmico e contra gripes e resfriados. Peiresc. numerosos acúleos. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. arabinose. obovóide.. A goma de P. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. fruto do tipo baga glabra. F. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. . 1987). lenhoso. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. Das folhas de P. A espécie é originária da Argentina. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. glucose. xilose e ramnose (De Pinto et al. ácido galactopiranosilurônico. guamacho possui ácidos galacturônico. 1990).

Portulaca oleracea. . Talinum e Portulaca. muitas delas suculentas (Mabberley. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. 1978). e 33 espécies (Barrozo. 1997). sendo algumas pequenas árvores. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. arbustos e ervas.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. O principal gênero é o Portulaca. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros.

O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. Inclui três variedades principais. referindo-se às propriedades purgativas da planta. as partes aéreas cruas são usadas. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. e a maioria é de ervas suculentas anuais. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. outros usos são atribuídos à espécie. dadas sua rusticidade e resistência à seca. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Berduega e Veduega. cólicas renais e . folhas pequenas. Bodroega. tais como Verduega. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. planas e suculentas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diminutivo de "porta". na forma de salada. especialmente em Portugal e na Alemanha. axilares ou terminais.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. sésseis. Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos É uma erva de caule curto. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. mas algumas variações de nome popular são usadas. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. obovadas. pequenas. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. pequenas. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. fruto capsular obovóide. como alimento. arroxeado e suculento. flores amarelas.

Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. de onde saem folhas alternas. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. lanceoladas. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. cicatrizante externa. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. amarga. Também conhecida como Beldroega. Caaponga. glabros e suculentos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. estomáquica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. vulnerária. flores amarelas. emenagoga e eficaz contra erisipela. pequenas. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. emoliente. As folhas dessa planta também são comestíveis. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas.afecções da vista. . emenagogos e vermífugos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". as sementes passam por diuréticos. Perrexi e Alecrim-desão-josé. pilosas. Portulaca pilosa L. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. diurética. como as da beldroega.

4.. pilosa (Ohsaki et al.. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 1996). 1990). Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. . 1996). 1991). fumárico e acético (Gao & Liu. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. 1995. 1994). fósforo.. 1992). e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. P. (1991) detectaram de R oleracea 3.. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. cycloartenol. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. potássio e cobre (Mohamed & Hussein.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea.. 1992). 1991). 1991). málico. sendo o último composto um glicosídeo. oleracea de proteínas. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. ascórbico. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. butirospermol. Simopoulos et ai. ferro.. ácido ascórbico. Boschelle et ai.. três diterpenóides transclerodânicos. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1996). campesterol e stigmasterol.5% de lipídios.. B e C. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico... Boehm & Boehm. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. cálcio. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. 22:6ômega-3.. pilosanol A. malônico. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 1988). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. dentre os quais 18:3-ômega-3. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. 1995b). 1991. isolados das raízes de P. succínico. como sitosterol. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. manganês. ácido linoléico e ácido palmítico. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. carboidratos. parkeol.. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al.

De P. 1993).. dentre outras espécies. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 1996). n-hexacosanol. 1989). 1997). oleracea. 1994).. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989). além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. sem alterar a diurese. 1987). 1989)... em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. grandiflora Hook. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio.. n-triacontano. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. 1994).. .. lupeol. 1985) relaxante muscular. enquanto das partes aéreas de P. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1989.. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. O extrato de P. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1995). mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. diurética (Rocha et al.. 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1989). beta-sitosterol. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. Rocha et al. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. De P.. P. apresentou atividade hipoglicemiante. encontrado por Rocha et al. Habtemariam et al... oleracea foi investigado in vitro. (1994). stigmasterol. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.. 1987). 1993..

Menstruço. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Lombrigueira. Caacica. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. 1997). Spinaceae. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. ervas anuais ou perenes e. No entanto. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Erva-das-lombrigas. extremamente ramificado. Anserina vermífuga. sendo uma planta extremamente . Também é chamada de Ambrósia. Erva vomiqueira. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. oblongas denteadas. caule ereto e glabro. Mentrasto e Mentrusto.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Salsola e Atriplex. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais.5 m. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. raramente. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Salicornia. 1978).Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. que pode atingir até 1. pequenas árvores. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Ex Stend. ramos folhosos verdes com folhas alternas. Inclui arbustos. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Erva-das-cobras. A família se subdivide em quatro subfamílias.

extremamente útil para afugentar pulgas. Melito et al. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. a maioria de ervas. 2002. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. bronquite. incluindo a Amazônia. febre. amplamente disseminado nas zonas rurais. externamente. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. esse uso é comum também em outros países. contra reumatismo. internamente. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável.) . Além desse uso.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. especialmente na área veterinária. como abortiva. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. em altas doses. dor ciática e parasitas intestinais e. ao passo que a infusão das folhas é usada. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. 1985a e 1985b. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho.. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. percevejos. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. 1978. para problemas da pele. 1995). baratas e demais insetos. lesões hepáticas.. Godano et al. sendo especialmente útil como vermífugo de animais.. referindo-se às folhas lobadas. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown.

Mirabilis e Bougainvillea. Pega-pinto e Tangaraca.3). destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. . Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. 1997). pilosas e pecioladas. Mirabilis. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Dos gêneros. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Pisonia. mas não antocianinas (Mabberley. opostas. de onde partem folhas pequenas. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Guapira e Andradea. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. em trinta gêneros. distribuídas. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. a espécie é conhecida como Erva-tostão. ovadoblongas. Boerhavia. nome usado em todo o Brasil. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Bougainvillea.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. incluindo árvores.

1991. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi.. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. atóxica. 1995). 1997). sem efeito teratogênico (Singh et al. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. 1997). além de ser considerada excelente diurético. Rawat et al. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. particularmente contra lombrigas. 1991). 1990 e 1991). cujos efeitos benéficos são incontestáveis.. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas... especialmente a raiz. sendo árvores. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 1999). Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Aslam. Sohni et al.. 1996. 1996) e lignanas (Lami et al. 1999).. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. 1978 e 1980. Corrêa (1984) refere que a planta. possui sabor picante.. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. lianas ou ervas. 2000a). sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. arbustos.

Espécies medicinais Petiveria alliacea L. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. no Rio de Janeiro. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. inchaço de mem- . em Pernambuco e em São Paulo. Outros dados incluem o uso da raiz. fruto aquênio cilíndrico. alternas. Em outras regiões. delgados e ascendentes.4). Tipi-verdadeiro. em decocto ou pó. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. estipuladas. também é comum. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. antiespasmódica e reputada como sudorífica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. farmacêutico e amante da natureza. Dados botânicos Subarbusto perene. ereto. O uso externo das folhas novas e da raiz. no alívio de dores musculares. 1984). peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. androceu com quatro estames. no Mato Grosso.como ornamentais. Pipi. que inclui uma única espécie. limão de cayanna. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. pequenas. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. ramificado com ramos compridos. folhas. Gambá-tipi. e o gênero Petiveria. achatado e carenado (Figura 9. raízes e ramos são considerados emenagogos. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. flores sésseis. na Bahia. membranosas. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. como Tipi. agudas no ápice e estreitas na base. folhas curto-pecioladas. Amansa-senhor. alfavacão. como abortiva. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. diurética. sublenhoso. gineceu unicarpelar com ovário súpero.

peptídeos como ácido glutâmico.. beta-sitosterol. 1986). triterpenos (Delia Monachi et al. T. esteárico.. 1988. et al. alantoína. paralisia. serina. além dessas indicações. 1988b). como abortivo. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina.. 1982). T. a raiz é útil na amenorréia (Agra. De Souza et al. trisulfeto de dibenzila. . 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. 1990).. 1986). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. C. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. 1980. C.. em Minas Gerais. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.7-di-O-metilpinocembrina. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. dores de cabeça. 1988).. M.. 1997. 1982). 1992). Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. 1990). De Lima et al. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. glicina e alantoína (Sousa et al... 1982). M.. 1980). ainda. trans-N-metil-4-metoxiprolina. et al. Trotta et al. no Ceará. na Paraíba. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. Van den Berg. Grandi et ai. ácidos palmítico. linoléico..bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. reumatismo. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. Pinto C.. 1989) e depressora do SNC (Lima. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. flavonóides. 1998). pinitol. et al. lignoceril álcool. 1988.. 1988. S. 1988). as raízes são usadas na hidropsia.. no Rio Grande do Sul. beta-sitosterol. 1980). nitrato de sódio. ácido lignocérico. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. 1982. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. em Brasília e no Mato Grosso.

Malpezzi et al. 1988). 1988. afasia e até à morte (Corrêa. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1993. 2050 aci02).. Davino et al. 1988. . 1988. 1987) e antiviral (Ruffa et al.. 1994)... 1991). acaricida (Johnson et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1984). Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. e o de caule. utilizado popularmente como vermífugo. No entanto.... alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. com uma D L m a de 1. Caldeira et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. et al.. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. Lopez-Martins et al. 2001). P. Germano et al. 1991. por levar à imbecilidade. 1995).mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1996) e antitumoral (Davino et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 1994). Takahashi.. 1989.. 1998). 1990). Guerra et al. O extrato hidroalcoólico de P. 1992). tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al.. Davino et al. 1993. 1991 e 1992).. 1997) e antifungica (Benevides et al.. atividades analgésica (Thomas et al.... Cortez et al. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. hematopoiética (Quadros et al.. 1998)... 1993). também apresentou atividade moluscicida (Almeida. antiinflamatória oral (Germano et al... M. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. Y. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1989. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. Elisabetsky et al. 1991. efeito zigotóxico (Guerra et al. alliacea. 2002. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. citotóxica. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.. 1991)...

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

ramoso e delicado. É uma importante espécie econômica. com caule anguloso. e muitas variedades em cada espécie. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). é uma variação de sicyos. flores amarelas esbranquiçadas. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. . como Cabeça-de-negro. descrito por Patrick Browne. folhas pecioladas. especialmente na Itália. foi dado em homenagem a John Wilbrand. longos. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. que significa "pepino". chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. especialmente após o cultivo sistematizado. sendo um produto amplamente comercializado. e sua raiz. O gênero inclui apenas seis espécies. 5-lobadas e raramente com mais lobos. Wilbrandia. alternas. rugoso. O nome do gênero Sechium. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. mas ásperas. membranosas. e o nome. fruto do tipo pepônio verde. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. com até 20 cm de comprimento. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. flores amarelo-claras. Wilbrandia ebracteata Cogn. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. sulcado. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta.a cinco lobos. capoeiras e na beira de estradas.3). como em formações secundárias.

Chang et al... 1996. 1996). além das momordicinas (Fatope et al. 1996).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.76% de lipídios. sífilis (Almeida et al. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1988.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1989). ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Grondin et al.81%). 1990a). além do esterol. 1985). Das sementes de M. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. Cr.. também. 1990.40%). Das folhas de M.. 1992). 1996. proteínas. charantia também foram isolados triterpenos. Zheng et al. charantia foi isolada a gama-momorcharia. divididos em lipídios não-polares (38. Wang et ai. assim como no controle da diabetes. sendo o cucurbita-5. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. Chandravadana et al. Além disso. 1991.. tumores e. Co.. ácido linolênico.. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Dos frutos frescos de M. Das sementes de M. A composição química do fruto de M. Dos frutos verdes de M. charantia foi determinada como 0.. 1987). Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. afecções da pele.80%) e fosfolipídios (16. Kusmenoglu. Foram isolados também cicloarterol. Ni. glicolipídios (35. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. 1995. charantia .. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Zn. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai.. momordicinina e momordicilina. 1989. Mn e Li (Peng & Li. 1990). charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. Das sementes de M... De M.. 1989. 1997). reumatismo. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. 1997). Nguyen. 1996). como laxativo (Farias et al.... 1986). charantia também foram isolados vicina. Foram isolados ainda das sementes de M... 1992). Hara et al. 1996. aminoácidos e abundância em elementos como Cu.. Huang et al.

. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. também foram detectados em Aí. 1993). 1994). 1997). 1995). Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico... grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. Dos frutos de Aí. além de uma resina (Volák & Stodola. 1990). pelas G. esteárico.vicine. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. além de possuir óleo essencial (Guerrero. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. Aí. 1993). punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1995). A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. charantica. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. 1991). involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. 1987). além do ácido rosmarínico. balsamina (De Tommasi et al. seguidas. Das sementes de M. charantia. As sementes possuem 50% de óleo. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. oléico.. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. também descrito em M. triterpenos tetracíclicos. foetida (Mulholland et al. 1990b). isolados das partes aéreas. H e I (Miro. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. sesquiterpenolactonas e taninos.. pela E e. rigorosamente. dioica eM. posteriormente. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. contendo trinta carbonos. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. Geralmente. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. 1990). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1987). 1994).

parâmetros hematológicos permaneceram normais.... antiviral (Takemoto et al.. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. 1987). charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. 1986. Karunanayake et al. 1980. Athar et al. 1981. 1982a e 1982b). 1984. 1996). 1993).Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes.. 1996. Ng et ai. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. (1994). O suco dos frutos de M. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica.. El-Gengaihi et al. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. O extrato etanólico de M.. (1986). 1996. DNA. Ahmad et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. da síntese protéica. Além disso. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. Inibição da síntese de RNA. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. 1996. 1997).. 2002). Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Platel & Sirinivasan. extratos brutos de folhas. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. decocto das folhas e suco de M. 2002) (Jilka et al... Pugazhenthi & Murthy. 1993). 1982. 1983). 1983a e 1983b) e . Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar.. Raman & Lau. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. Welihinda et ai. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.. charantia (Rathi et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al.

As proteínas inativadoras de ribossomos. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. 1996). Wang et al. Os frutos e sementes de M. 1994). possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. charantia. A glicoproteína isolada das sementes de M. 1995). impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. L.. pulmonares e da mama (Rybak et al. alda-momorcharina.. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu.imunomoduladora (Spreafico et al. isoladas dessa espécie. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1987. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M.. momordina 1 e momordina 2.. charantia. 1994). charantia. 1995b).. 1983). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. proteínas inativadoras de ribossomos. charantia. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. isoladas de sementes de M. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. antitumoral. incluindo M.. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. uma proteína inativadora de ribossomos. na qual descreveram a momorcochina. 1993).. 1990). 1990). 1990a). charantia) inibe a integrase de HIV-1. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva.. et al. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.. . O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M.. Ng et al.. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. Fong et al. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. 1993). quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos.. 1996). (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. charantia.

apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. No entanto. 1996). antiancilostomose (Berchieri et al... 1987). charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. M. 1990. Basaran et al. Misra et al.. Apesar da indicação popular para inflamação... 1990). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. (1984 e 1985)... charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. MAP30 isolado de M. Das folhas de M. 1987). 1996). charantia foi isolado ginsenosídeo.. Dos frutos verdes de M. 1994).. Embora indicada contra malária. 1997). 1991). 1990. 1995). Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Foram isoladas duas proteínas de M. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. Amorim et ai. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia (Silva. et al. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. L. 1995). não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. Os frutos de M.. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. A M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. De M. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. 1996). 1988). 1994). charantia e Emblica officinalis Gaertn.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. O extrato aquoso da folha de M.. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1996). De M.

1996). do que o extrato de M.. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. 2001). Além disso. Miró. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai.. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1995.. hipotensora (Gordon et al.. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al.. . 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1986b). 1997). 1994). De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. anti-helmíntica. Proteínas isoladas de M. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai.. O extrato alcoólico de M. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1993)... 1984. diarréia. De M. anticoncepcional. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al.. inibição da ovulação.. 1991). inúmeras atividades farmacológicas são referidas. diminuição da pressão arterial. antimicrobial. 1991). Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas.. 1995. 1993). 2000) e antimutagênico (Yen et al. Outras atividades também foram descritas para a espécie. Pagotto et al. 1993). 1995. 1997 e 1999). 1995). 1989. hipovolemia. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1995. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. antitumoral. citotóxica. Jensen & Lai.. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. tais como antioxidante.. Teixeira.. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai.. em rato. 1995). Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. Hamato et ai.atividade hipoglicemiante. 1986). tais como antiinflamatória. Peters et al.. A. Trichosantina. et al. 1996). C.

El-Gengaihi et al.. 1986). Em ambos os casos. Os frutos de M. 1988). sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. 1986). 1987). 1990).Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. . 1994). dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. Raman & Lau. 1996. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado.. charantia em enzimas hepáticas. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1992). que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. A toxicidade do fruto de C.. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.. 1986. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. Platel & Sirinivasan.. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. 1996. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. Das sementes de M. recentemente. 1997).. 1996... observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. angaria foi de DL50 = 1.6 mgAg.. especialmente por gestantes. Chan et al.

ovário unilocular. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. mas que possui uma grande importância. folhas simples.4). referindo-se ao estame bifurcado. farrapo".Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). androceu com um estame. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. pétalas ausentes. alternas. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. onde há cerca de oito espécies. pedaço. fruto do tipo capsular trilobado. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. e stemon = "estame". . distribuídas em regiões tropicais. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. semente com endosperma carnoso (Figura 10. bem desenvolvidas. 1978). e não foram encontrados sinônimos para ela. com gomo terminal protegido por estipula caduca. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies.

conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. No Brasil. arbustos e árvores (Mabberley. em geral trepadeiras. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. de valor alimentício e medicinal. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. no entanto. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. conforme apresentamos a seguir. . com 575 espécies tropicais e temperadas. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. 1996). enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. existem várias espécies do gênero Passiflora. compreendendo lianas. 1997). representando um importante recurso econômico. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. 1992).

Passiflora macrocarpa Mart. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. flores com cinco sépalas ovadas. 1983)..5). uma espécie denominada Maracujá. carotenóides (Ferreira et al. 1997). cilíndrico. antocianinas (Kidoey et al. estipulas ovadas. Uma outra espécie de maracujá. alternas. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. principalmente a P edulis. hexadecanóico. . (9Z)-ácido octadecenóico. mas identificada apenas até o gênero. é usada para diversas finalidades. 1987a. gavinhas que são ramos florais modificados. o suco dos frutos é considerado sedativo. pela interpretação dada às peças florais. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). sementes compridas (Figura 10.. 1989).. 2tridecanona. corniculadas. Na região da Mata Atlântica. 1987b e 1985). epipassicoriacina. planas e obtusas. agudas no ápice e estreitas na base. 1991).Dados botânicos Planta glabra. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. peninérveas. folhas inteiras. margem inteira. monoterpenóides. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. cordiformes. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. fruto oblongo-ovóide. ovadas. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. que lembram os instrumentos do martírio. 1990). e cinco pétalas rosadas.. côncavas. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Spencer & Seigler. 1996. chamada popularmente de Maracujá gigante. caule robusto. 2-pentadecanona.

2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. Spencer & Seigler. 1996). 1997. 1997. Da espécie P. B1. 1986). fósforo.. de onde foi isolada crisina. schaftosídeo (Proliac & Raynaud.. isovitexina. assim como ácidos graxos. saponarina.. Raffaelli et al. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. 1996).. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. 1986). harmol e harmalol). Proliac & Raynaud. P coriacea (Spencer & Seigler. orientina e isoorientina. 1980). 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 1987b). 1997). 1988). isoorientina.. harmalina. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. potássio. 1988. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1986). Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. O suco dos frutos contém água. Menghini. 1988. açúcares. amliformis (Restrepo & Duque. maltol. riboflavina. Flavonóides como vitexina. 1989). 1997). cálcio.. glicosilflavona (Geiger & Markham.. 1987). P. sendo a passiflorina o mais conhecido. PP e C (Zhuang & Wang. vitaminas A. Vale & Leite. bem como a presença de glicosídeos em P. 1997. 2000). espasmolítica (Queiroz & Brandão. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. mollissima (Froehlich et al. Ortega et al. Costa. ferro. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. Esse composto não foi detectado em P coerulea. carboidratos.. analgésica. proteínas. 1988.. 1998). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al.1979). nem em R incarnata (Speroni et al. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Amaral.. 1995. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al.. 1979).. Dos frutos e folhas de P .. fermentos. lipídios. 1980. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo... harmina. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al.. 1988). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al.. 1991). isoschaftosídeo. Sena & Leite. taninos. flavonóides (orientina. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. quadrangularis (Orsini et al. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. et al. K. 2000. B2. 1988).

1 . ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.. 1985b. 1985). inotrópica.. Das folhas de P . 1988). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 1989 e 1993) e inseticida.. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1978). foetida apresentou atividades hipotensora...edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. fruto e flor (Banco de imagens . atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al.. antipirético (Silva et al. Detalhe da folha 5-lobada. 1991. Porém. Echeverri & Suarez.. 1991). espasmolítica (Carneiro et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.. 2000). 2000) e imunoestimulante (Guerra et al.. antiinflamatório (Silva et al.Luffa cylindrica Roem.. 1989). Barros et al. FIGURA 10. 1998a). 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al..

2 . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10. .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

de Vassoura. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. canaiensis (Willd. as flores são pequenas.mas. Vassoura e Relógio. Malva-preta. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. lineares e de cor branca. reunidas em fascículos axilares. como abortivos. .) K. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. 1939). emenagogos e as folhas (decocto). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. com caule ereto e ramoso. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. Sida rhombifolia L var. como emético (Hoehne. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. na Bahia. Nomes populares A espécie é chamada. 1982). também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. mas também de Ganchuma e Relógio. Schum. na região amazônica. no Pará. freqüentemente com cálice roseado. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire.

1982).) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. no Rio Grande do Sul. Guaxima. ramosa e pubescente. Rabo-de-foguete. Malva-roxa. anti-hemorroidal. na dose de três xícaras ao dia. é tido como útil. Uacima e Uacima-roxa. a planta é utilizada como béquica. popularmente conhecida como Caapiá. róseas. é de grande uso externo contra reumatismo. mas esta não foi completamente identificada. Coaquibosa. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. . Aramim. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Malva e Vassoura-do-campo. Na Mata Atlântica. alternas. Malvaísco. flores solitárias. Ibaxama. Grandi & Siqueira. Guaxiúba. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Em outras regiões do país. Dados botânicos Planta anual.. Guaxuma. 1986). as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. rombóideovais ou lanceoladas. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. em Minas Gerais. folhas curto-pecioladas..Vassourinha. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. contra desarranjo menstrual. chamada de Caapiá. emoliente. tônica. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Urena lobato L. no Rio Grande do Sul. Aguaxima. Carrapicho-de-lavadeira. e Guanxuma. na região amazônica. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. reticulata (Cav. em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. como Minas Gerais. ereta.4). a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. O chá de toda a planta. dispostas em racemos. var. axilares. 1982.

A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. 1987). além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. onde se encontram glândulas nectaríferas. 1985) e H.. com grande destaque para as três nervuras centrais. solitárias. 1986). mucilagens das espécies H. 1977b e 1978). syriaceus (Shimizu et al. 3-7 nervadas. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. 1984).Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. de onde partem folhas alternas. cordiformes. suculentus (Tomoda et al. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1991). enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. Tomoda & Ichikawa. lobadas e de formas variáveis.. 1990). cannabinus (Kulchik . diurética e útil contra eólicas. fruto do tipo capsular. fosfolipídios (Tolibaev et ai. a decocção da raiz é usada como diurético.. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. ligninas de H. pequenas. emoliente e contra eólicas renais. flores pecioladas. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. comum às espécies desse gênero. moschentos (Tomoda et al. 1986. De H. H. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. suculentus (Moawad et al. pecioladas. Dados químicos Hibiscus De H. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. roxas ou rosas. 1977a. de até 3 m de altura... Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. 1991). H. 1986). cannabinus foram isolados. com ramos alternos cilíndricos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

1986). peonidina. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. Husain et al. 1988). 1977).4'-pentahidroxiflavona.. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1989). xilose e frutose (Pouget et al. kaempferol 3. ácidos palmítico. 1986. 1989a e 1989b).. arabinose e arabinan. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. taxifolina e herbacetina. esculentus e H.. epoxiacilglicerídeos. 7-0alfa-ramnopiranosídeo..5. pelargonidina. 1988).. o H.-L-arabinosideo-7. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. 1990). abelmoschus (Maurer & Grieder.. Das pétalas de H. quercimeritrina. fosfatidilinositol. 1988). betasitosterol. petunidina. 1990)..8. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. De H. sabdariffa foi determinada (Kalyane. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos.et al. N-acilisofosfatidiletanolamina. galactose.. Em cultura de tecidos. monoglicerídeos. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%.7. ácidos graxos livres. 1988). dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. fosfatidiletanolamina. cianidina. sabdariffa produziu antocianinas. 1991). No óleo das sementes de H. 1991) e lactonas de H. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. sterculico. De H. esterois livres. 1978). esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. além de 15% de ramnose. 1989). diacilglicerídeos. 1986.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. N-acilfosfatidiletanolamina. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. tiliaceus (Ali et al. esterol ésters. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 1990a e 1990b). beta-sitosterilglicosilado. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. A quantificação das proteínas das sementes de H. .. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. sesquiterpenóides de H. linolenato de metila. moschentos foram isolados 3. oléico e linoléico (Tolibaev et al. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. glucose. ikshusterol. triacilglicerídeos. De H.. Das sementes de H. Duckart et al. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. Foram isolados também de H. malvidina (Kim et al. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz.. epi-ikshusterol.

G. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. dipalmito-oleínas. Das sementes de G. xantofilas. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. miristoléico e palmitoléico. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. resinas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. globulina. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). hirsutum e G arboreum. silianum (Kumamoto et al. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1980). araquídico. óleo-dilinoleínas. hirsutum e B. hirsutum (Schmidt & Wells. esteróis. também isolado de G. Ermatov et al. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. D-galactose.Das folhas de H. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. De G. lecitinas. 1986. corantes como carotenos. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. barbadense. fosfolípides. 1985). sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. 1979). dipalmito-linoleínas. mirístico. 1995). 1986). rainundii (Stipanovic et al. oléico. mucilagens e proteínas (Costa. 1985). syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. Foram isolados de G. esteárico. 1979) e G. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. palmito-dilinoleínas. 1986). hidrocarbonetos. diversos terpenóides (Hunter et al. palmítico. 1987). 1995). principalmente o esqualeno. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . prolamina e glutelina (Sammour et al. barbadense determinou a presença de albumina.

1981). barbadense e G. 1989b). escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. pristano. acuta. hermaphrodita contêm também os flavonóides. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. De S. rhombifolia e S. vesícula seminal e próstata ventral foram . As partes aéreas de S. Sida Alcalóides foram isolados de S. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. A extração das partes aéreas de S.3%3%) (Bandyukova & Ligai. ácidos graxos como beta-sitosterol. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. 1987). humilis. isoquercitrina. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G.(+) gossipol de G. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. As partes aéreas floridas de S. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. 1988a). acuta (Goyal & Rani. 1988). ácido glutâmico e aspártico. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. spinosa (Prakash et al. S. stigmasterol. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. 1989a). hirsutum (Mansour et al. hirsutum (Zhou & Lin. 1989). hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. fitano. 1997). Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. espermátide e espermatozóide. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. barbadense e G. ácido palmítico. S. campesterol. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. Das partes aéreas de S. 1990).

citotóxica. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. porém os níveis de colesterol subiram. 1976a e 1976b ). 1990). no tratamento com Hibiscus. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. A taxa de inibição de fertilidade com H. 1984. Pakrashi et al. 1979). 2001). verificadas por Singh et al (1982). causando o final da gestação (Pakrashi et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. moschentos (Tomoda et al. antiespermatogênica. Pai et al. 1986). esculentus (Medeiros et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1999). As flores de H. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1989). 1992). 1999. 1987). O ovário apresenta sinais de luteólise. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. tripsina e a alfa-quimiotripsina. hipoglicêmica de H. A espécie H. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. Ainda de H. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. assim como uma forte ação citostática. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. 1986.reduzidos nos animais tratados com H.. 1987). esculentus. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. Haji & Haji. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. Em camundongos. 2002). 1987). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. antimutagênica (Wang et al. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 2000). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. O extrato das flores de H. 1985). e de H. . Essas atividades. 1985).

1996). 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1984). induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1980). serratifolia (Sawhney et al. 1995). As proteínas das sementes de G. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. principal constituinte do óleo do algodão.. 1982). hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1988) e S. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Flavonóides de G.Gossypium O gossipol. hirsutum e G. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Sida Os alcalóides de S. Wang & Bunkers. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. Extratos de S. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 1985). 1997). 2001. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1978). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. Terpenóides isolados de G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). barbadense e G. 1985). 2000) e tóxico (Bourke. rhombifolia (Bortoluzzi et al. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al.

1988. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. V. Dombeya. todos típicos de cerrados e campos.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Drena As raízes de U. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. et al. 1998). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Fernandes et al. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1988b). raramente ervas ou lianas (Mabberley. C. 1992). de grande cultivo em jardins. exceto Bacillus subtilis. onde são encontrados em abundância. Helicteres e Waltheria. e o gênero Theobroma.500 espécies tropicais. rhombifolia. 1996). Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. incluindo árvores e arbustos. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Bianchi et al. Das partes aéreas e folhas de S. Na região . Segundo Barrozo (1978). distribuídas em onze diferentes gêneros. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1998. 1997). Franzotti et al. poucas em áreas temperadas. Sterculia. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. nos quais se distribuem 1. carpinifolia. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. 2001). cordifolia (Malva-branca). 1998. do valioso Cacaueiro Joly 1998). vulgarmente chamada de Guaxuma. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. F. Do infuso de S. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S.

1990). o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. grossos e tomentosos. Dados botânicos Arvore de grande porte. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. de valor econômico. grandes e vistosas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. significa "manjar dos deuses". ovóide. Cupu-assu. ex Spreng. folhas com pecíolos curtos e carnosos. vermelho-escuras. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. 1988). na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. com brácteas linear-lanceoladas. para o tratamento de diarréia. no Pará (Amorozo & Gély. ou por suas variantes: Cupuaçu. 1991).5). fruto do tipo capsular grande. Em tribos indígenas amazônicas. duas das mais importantes e valiosas espécies. Theobroma. . pedunculadas. com estipulas caducas. com ramos longos. Copoaçu. bem como nas comunidades locais da Amazônia. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. liso e escuro (Figura 11. e o chá da sua casca. flores que brotam dos galhos. medicinal e alimentar. O gênero Theobroma.) Schum.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. O nome do gênero. oblongolanceoladas. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. descrito por Carl Linnaeus. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical.

oléico e linoléico. (Figura 11. tripsina .. Caca-y. inibidores fenólicos da a-amilase. fruto capsular ferrugíneo. mono.9-tetrametilúrico. oblongolanceoladas. 1989). ácidos esteárico. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. no Amazonas. 1979). com ramos curtos. contêm flavonóides (Jalal & Collin. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. vermelho-escuras.e tri-insaturados (Costa. 1986). et al.. até 10 m de altura. ex Mart. como a T. 1977). cacao. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta.Theobroma speciosa Willd. 1993). Cacao forastero. fasciculadas. glicerídeos di-saturados. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Cacaoyer. Pagonini et al.3. speciosa possui ácido 1. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. flores dispostas no caule. grandiflorum). Cacao azul. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues.7. teobromina. albuminas.6). 1992a e 1992b). M. mirístico. Kakao. Já a espécie T.. Dados botânicos Árvore de porte médio. folhas com pecíolos longos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. palmítico. Chocolate. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. denominado Theobroma cacao L. Criollo. inteiras.. T. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. Outras espécies desse gênero. globulinas (Voigt et al. 1970. cafeína (Maia et al.

1991). Esse constituinte também . cacao consistem de 78 componentes. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. 1994).. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. taninos condensados. mariae.. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Em T.9%). que variou 50. cacao e também em T. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. Porém. 1996). os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. antocianinas. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. O T.. 1989). procianidina B2. T. ácido araquídico. dentre os quais o óxido de linalol (12. taninos. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al.(Quesada et al.. e T.7% a 57.6%. augustifolium. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. 1986). Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. tais como ácidos palmítico.. bicolor e T. 1996). principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. Alcalóides purínicos (cafeína. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina.. 1991). T. cacao. 1994). porém. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. quercetina e esculentina (Bastide et al. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. gorduras (Malini et al. quercetina3-0-glucosídeo. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. simiarum. cacao foi caracterizado como de 190. 1995). 1987). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. 1991). A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. bicolor e T. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. As essências florais de T.37 a 1. flavan-3-ols.. Além de açúcares totais. longifoleno e citronelol (Erickson et al. (-)epicatequina.. Em T. T. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. pela presença de ácidos graxos. derivados do ácido hidroxicinâmico.2%).. nerol. speciosum. diferentemente do T. 1987).74% (SantAnna Tucci et al. ácido lático. 1986).5%) e o isoeugenol (8. Os alcalóides teobromina. teobromina. xantinas e lipídios. O índice de saponificação da T. subincanum. ácido cítrico. geraniol. augustifolium (Sotelo & Alvarez. ácido ecosadienóico.

. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. cacao apresentou um efeito vasodilatador.. e a proantocianidina. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. 1997). cacao (Gurney et al. isolada dessa espécie vegetal. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. cacao (Yamagishi et al. . 1992). análoga à manteiga de cacau. 1970.... M. 1997). clorofila. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. Sanbongi et al... 1997). 2000). A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. 1992a e 1992b).. 1997. 1989). O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Paganini et al. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. fenóis e taninos. proteína. 2002).pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. et al. uma atividade analgésica (Santos. 1997). 1994) e antidepressora (Matsunaga et al.. amido. Melzig et al. 1997). cafeína..

de até 13 m de altura. Espécies medicinais Muntingia calabura L. 1998). neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. da planta Pau-de-jangada. Triumfetta. 1997). Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. . e Apeiba. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. agudas no ápice e oblíquas na base. sendo a maioria de árvores e arbustos. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. oblongolanceoladas. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. No Brasil. serrilhadas. Dados botânicos Árvore de porte médio. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. que a referiram como medicinal. muito conhecida na região amazônica Joly. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. 1978). os gêneros mais comuns são Luehea. folhas curto-pecioladas. raramente ervas ou lianas (Mabberley. de numerosos estames livres. com o nome de Curumin-nhapuá.

4%).3%). ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. vermelho. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.9%). 1991). fruto do tipo baga. e as flores. ovário 5-7 locular. compostos fenólicos (11. . Dos frutos de Aí.6%) e derivados furanos (8.dispostas em pedicelos axilares. arredondado. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M.7%). antiespasmódicas (Corrêa.3%) os mais significativos. ésteres (26.7).5%) e compostos carbonil (23. quercetina. dos quais predominaram alcanos (44. sendo ésteres (31. calabura foram isoladas Havanas. Foi observada a presença de potentes componentes de odor.3%). e salicilato de metila.3%). aqui descrita como medicinal. inúmeras sementes (Figura 11. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. A casca é emoliente. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. flavonas e biflavanas (Kaneda et al.. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. sesquiterpenóides (10. indeiscente. alcanos (15. Do extrato citotóxico das raízes de M. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. 1990). calabura L. 1984).

1 -Bixa arbórea. 1998. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .FIGURA 11. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

1998) (Banco de imagens - . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 11. 1984).

FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.3 .

1998) (Banco de imagens .4 .FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. canaiensis.Sida rhombifolia var.

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .5 .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum.

6 .Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

7 .FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.

espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Di Stasi L N. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. amplamente conhecida como . Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.12 Urticales medicinais L. Cecropiaceae e Moraceae. Em duas delas. Da família Cannabaceae. A. Seito C. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Ulmaceae e Barbeyacea. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. e o importante gênero Urtica. fonte de substâncias também tóxicas. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. por esse fato. e o segundo. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. C. As outras duas famílias dessa ordem. das quais as famílias Moraceae. Cecropiaceae. fonte da maconha (Cannabis sativa). pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas.

peitadas acima do centro. Pourouma e Cecropia. alternas e protegidas por duas estipulas. Arvore-da-preguiça e Torém. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. referida com adulterante da Espinheirasanta. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. . Ibaituga. Com esse novo arranjo. lactescentes. Ibaíba. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Imbati. Musanga. longopecioladas. folhas grandes. Figueira-de-surinam. Imbaubão. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Ambahú. Ambaitinga. Outras denominações populares são Aimbahú. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. de Lixa. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Poiküospermum. Toréin. e a espécie Sorocea bomplandii. Ambaí. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Ambatí. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Myrianthus. Embaúba.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Ambaíba. Arvore-da-guiça.

muitas delas de ocorrência no Brasil. Nas folhas do extrato de C.. catharinensis. As folhas. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. meio homem e meio serpente. et al. Kerber.. hidropisia. et al.. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. F. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. do grego. formando infrutescências inclusas (Figura 12. . carpelar. R. reunidas em densas inflorescências. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa.1). gemas e brotos são adstringentes. 1986). C. A. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. Na espécie C. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. unilocular. 1984). apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. usados na fabricação de instrumentos de sopro. et al. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. R. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. que significa "chamar. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. frutos nuculares. bronquite e gripes fortes. Das folhas de C. A. 1985). filho da Terra. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais.. antililiásica (Domingos et al. asma.flores pequenas de sexo separado. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. lyratiloba (Menda. 1984b). A. a raiz é considerada útil contra tosse. Mal de Parkinson. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. indicada popularmente como antiinflamatório. 1994). 1998).. 1996b). Na região do Vale do Ribeira.. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. C. 1986. Santos.. 1996). Em C. adenopus. Das raízes de C. 1992. 1983). ecoar".

compreende 1. isolada de espécies deste gênero. descrita originalmente por. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. No Brasil. antidepressiva. arbustos. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. efeito depressor do SNC.) Burger.... Cysneiros et al.. a família conta com aproximadamente 340 espécies. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa.. 1998. Morus. 1998a e 1998b. Rocho et al. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. 2002).. Johann Heirinch Friedrich Link. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. dos quais se destacam: Ficus. 2001). distribuídas em 38 gêneros. Dorstenia. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. A cecropina. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. 1993 e 1996a). 1997). 2001). Astocarpus e Sorocea.. espasmolítica (Delia Monache et al. característica marcante da maioria das espécies dessa família. na Mata Atlântica.. 1988.100 espécies tropicais e poucas temperadas. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. 1992). que incluem árvores. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C.. lianas e ervas (Mabberley. ansiolítica (Barettaetal. Em outras re- . 1988). 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al.depressora do SNC. distribuídas em 28 gêneros. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. de Espinheira-santa. antiulcerogênica (Cysneiros et al. Rocha et al.. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. 2001).

Canxim. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). ilicifolia e S. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al.. A espécie é latescente. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo baga. Araçari. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. especialmente da Mata Atlântica. ciófita. Resple. Gonzales et al. Calixto et al. especialmente na Mata Atlântica. Flavonóides foram isolados de S. Folhas-de-serra. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. 1993). bomplandii (Ferrari & Delle Monache. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. com tronco ereto.. 2001.. 1993). bomplandii. Carapicica-de-folha-miúda.giões do país a planta é chamada de Cincho. de casca fina. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. Trata-se de uma espécie perenifólia. Soroco. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. cilíndrico. quando não está em época de floração. da família Celastraceae). .. Laranjeira-do-mato. Recentemente. folhas simples. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. 2001. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. chegando a 10 cm de comprimento. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. de face superior brilhante e inferior opaca. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S.

e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. c) inflorescência. d) flor feminina.FIGURA 12.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. Reis). b) detalhe da folha. (Banco de imagens .1 . S. 1998.

13 Euphorbiales medicinais C. arbustos. é urgente uma revisão da família. M. 1997). Santos L. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. C. com aproximadamente 1.100 espécies. Das centenas de gêneros. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. M. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. comumente com células especializadas na produção de látex. lianas ou ervas. 1978). a família é representada por 72 gêneros. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Guimarães C. a maioria cosmopolita. R. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. M. Na família ocorrem árvores. Hiruma-Lima A. A. No Brasil. .100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. segundo Mabberley (1997). A família Euphorbiaceae. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. Souza-Brito E. compreende 313 gêneros. Thymelaceae e Euphorbiaceae.

da valiosa Mamona. a maior produtora de borracha. Pedilanthus. pecioladas. ervas e arbustos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. estipuladas. Do gênero Euphorbia. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. febres. verdes. separando-se em três cocos. enquanto a infu- . a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. atualmente cultivada em vários países. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. fruto seco. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. esquizocárpico.devemos destacar Ricinus. especialmente em Phyllanthus. pela semelhança das sementes com esse animal. com limbo dividido em lobos ou segmentos. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. dos quais referimos algumas espécies a seguir. flores de sexo separado. problemas hepáticos. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. icterícia e malária.1). e outras. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. lanceoladas. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. folhas simples. peninérveas. espécie rica em óleo de rícino. Jatropha e Croton. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. sendo algumas árvores. Mabea.

A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Pinhão-do-paraguai. estipuladas. no Ceará. grandes. glabras. separando-se em três cocos.são das folhas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. longo-pecioladas. reunidas em inflorescências racemosas. fruto seco. com ápice curtamente acuminado e base cordada. flores unissexuadas. a Sacaca. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. esquizocárpico. lanceoladas. nodoso. atingindo até 4 m de altura. amarelo-esverdeadas. lactescente. e Mandobiguaçu. reunidas em inflorescências paucifloras. curto-pecioladas. na região amazônica. Pinhão-de-purga. folhas alternas. Pinhão-manso. é útil contra hepatite. lobadas. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. de caule grosso. Croton sacaquinha Croizat. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão Pinhão-branco. flores de sexo separado. com brácteas . palminérvias. Pião. peninérveas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. folhas simples. pequenas. Nomes populares A espécie é chamada. no Pará. de Sacaquinha. Maduri-graça. membranosas. sementes ricas em endosperma. mas também de Peão. Pinhãodos-barbados.

O nome do gênero Jatropha. Pião caboclo. Pinhão-roxo. esta passa a ser comestível e saudável). e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. 1982). Raizde-téu. 1984). contra feridas (Amorozo & Gély. constipação nasal e como purgativo. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. 1988).2). deriva do grego iatros = "remédio". Erva-purgante. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. colocar no café e banhar a cabeça). sementes escuras. partir e tirar a "folhinha". Peão-curador. Peão-pajé. assim como para constipação nasal. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. lisas. o látex é aplicado externamente. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Arg.. elipsóides e oblongas (Figura 13. no Pará. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. Batata-detéu. dez estames. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). secar até ficar fria. Mamoninha. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). após a retirada do embrião. assar a polpa na cinza. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. coriáceo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gengibre amassado. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. fruto do tipo capsular. enquanto as sementes. Jatropha gossypifolia L. As sementes são eméticas (Corrêa. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. são torradas.lanceoladas. . A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. gripe (descascar a semente. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas.

fruto capsular. dispostas em cimeiras paniculadas.3). as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. 1982). 1982). No Pará. folhas pecioladas. escuras e com pecíolos pubescentes. contra feridas. Em Brasília. o banho. no Piauí (Emperaire. 1984). Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. e as folhas na cabeça. 1988). contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. palmadas e limbo dividido em lobos. O nome do gênero Mabea. lineares. cálice com cinco pétalas. A planta é purgativa. ramosa. trissulcado. útil nas obstruções das vias abdominais. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. glabras e estipuladas. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. roxas. Mabea angustifolia Spruce ex Bth.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. o chá das folhas é usado como antitérmico. grandes. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. contra "mau olhado". flores unissexuadas. com folhas alternas.

Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. sementes minúsculas (Figura 13.Aublet. distribuídas na América tropical. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. estipuladas. O nome do gênero Phyllanthus. que atinge até 0. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. ramificada. Arg. folhas com limbo. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. 1984). alternas. Na região amazônica. flores de sexo separado. trissulcadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. incluindo as raízes. flor masculina fasciculada com três estames. descrito por Carl Linnaeus. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins.4). Dados botânicos Planta de pequeno porte. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa.5 m de altura. Phyllanthus corcovadensis Muell. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. cápsulas pequenas. significa "flor na folha". Na região do Vale do Ribeira. com ramos glabros. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. é usada como diurético e contra . enquanto a infusão de toda a planta. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores.

. de ácido aleuritólico (Muller et al.8-cineol. alfa-humuleno. 2000). 1990. A infusão das folhas. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. 1989. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Posteriormente. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al.. transcrotonina. Em Minas Gerais. além de ser usada contra pedras nos rins. 1982). 1986). (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1979. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al... cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. 1989). Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C.dores de barriga. Kubo et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1992). é útil contra problemas do fígado.... 1991). e os principais constituintes são alfa-pineno. 1. O óleo essencial das cascas de C. 1998). beta-cariofileno.. Das cascas de C. Maciel et al. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al.

Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. limoneno e outros.. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al.. propionato de etila. 1994). 1993b). metileugenol. alfa-ilangeno. eucaliptol.. 1996). cadineno.8-cineol.. acetato de propila.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). estragol. 1995).. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. 1992). ludianus possui 1. gama-elemeno. allo-aromadendreno e torreyol. p-cimeno. lundianus e a C. alfa-humuleno. Os constituintes voláteis isolados de C. e chiromodine (Weckert et al. C. glandulosus.14-dieno. 1995).3. 3. enquanto germacreno B. foi determinada.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). aubrevillei J. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.4-dimetoxibenzil. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. e das cascas do caule de C.cadideno. alfa-cubebeno. zambesicums Muell. 4b-dihidroxi-15. acetato de 2-metil-butanol. 2-metil-butanol. 4-hidroxifeenetil. gama-elemeno.. glandulosus (Neto et al. 2. 1993a). 1996). Das partes aéreas de C. o óleo de C.4-dimetoxifenol. . que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. 1996). A composição do óleo essencial das cascas de C.14dien-9-al e 3a.4. 3. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa.. cortesianus foram isolados o clerodano. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. acetato de 3-metil-butanol. 1992b). e das folhas de C. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. cânfora. a C. De C. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.5-trimetoxibenzeno. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. e de C. mirceno. betabourboneno e gama-cadineno.6-trimetoxifenol.4b-dihidroxi-15. sitosterol. lechleri foi isolada a sinoacutina. 1992). a levatina (Moulis et al. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.. 1992). As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários.. Porém. linalol. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona.. hovarum: a 3a. lechleri foram: acetato de etila. metil isoeugenol. alfa-guaieno. a printziano e um norclerodano (Siems et al. Além disso. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1.. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. Das folhas de C.

... 6-metoxi-7hidroxicoumarina. argyrophylloides (Monte et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. De C. 1988). 1991). jatrofol. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. 1992). jatrofina. jatrofolona B. eluteria foram isolados sesquiterpenos. Jatropha Das raízes de J.7-dimetoxicoumarina. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C.7b-dihidroxiannoneno e 6a.De C.. caniojana..5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. ésteres e cetonas não-terpenóides. riangularis (Moura et al. curcas foram isolados ainda as latiranas. beta-sitosterol (Chen et al.. C. eudesmanos.. 1996).. 1981). jatroolona A. Do óleo de C. e das cascas de C.. De J. 1986) e C. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. 5hidroxi-6. tomentina. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. 1995). 6a. nobiletina. Das partes aéreas de C. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. os triterpenóides jatrofolona A. e de C. taraxerol. jatrofolona B. 1991a). 1994)..3'. stigmasterol. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1986). Compostos terpenóides foram isolados de C. e das folhas de C. . (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. b-sitosterol. 1996). diasii (Alvarenga et al. 1991). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C.7. hemiargyreus (Barnes & Borges. castaprenol-11. gossypifolios (Cespedes et al. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 1992). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al.. enquanto alcalóides foram encontrados em C. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. 1993). macwstachys (Herlem et al.5. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. 16hidroxijatrofolona... 1992).6-diona. 1976). sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. taraxerol. Das raízes de C. a seco-labdane (Schneider et al. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.

9%). sendo 0.26%. denominada curcina (Costa.. 1983). vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. Das raízes secas de J. mollissima foram isoladas orientina. podagrida apresentaram 24%. Das cascas da raiz de J. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. Das raízes de J. 14.1997). esteróides e glicosídeos. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. 1988). jatrofolona B. gossypifolia e J. Dos rizomas de J. Das folhas deJ. galvani (Guevara et al. alanina (28. gadaína (Das et al.. malacophylla. compostos fenólicos. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. 1997). 1989). 1988. e 43. flavonóides. ácido oléico. 15. ácido araquídico e toxalbumina. 1990). 1987.. 1988)..07%). gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al./. As espécies.. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. tlalcozotitlanensis e J. bem como o ácido nurístico. isoorientina. 0. . De J. De J. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. ácido linoléico (Nasir et al. metionina (13.1%).98%).15% e 15% de ácidos graxos saturados.... Saponinas foram detectadas apenas em J. 1988). 1996b). isoleucina (3. respectivamente (Raina & Gaikwad. saponinas.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. De J. foi isolado de seu látex a albaditina. 1989). multifida L. 2epijatrogrossidiona.30%) (Jain & Garg. 1995). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. os aminoácidos cistina (2. pohliana var.9%..94%). ácido esteárico. 1986). J. J.. 1997). Do caule de J.. 1987). gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. Teixeira. 1990).. terpenos. 1996a) e jatrodiena (Das et al.71%).92%) e leucina (12.26% de ácido aracdônico. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. divica foram isolados beta-sitosterol. glicina (19. Banerji et al. elbae. Das folhas de J. arginina (0. 1996. curcas foram isoladas também várias lectinas.6% de ácido oléico. 1997).9%. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1989a e 1989c). valina (18. J.. caniojanae 1. curcas. 1997. 0.. 1988). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al..60%. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. Do látex de /. além de outros três derivados diterpenóides. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Makkar et al. Auvin-Guette et al.

simplex.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. Hassarajani & Mulchandani... Anjaneyulu et al. da qual foram isolados alcalóides. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. niruri. 1991)... discoideus. gossypifolia. De P.Da espécie J. citral. flavonóides. 1986. . 1988). levulose.. 1986. 1980 e 1981). 1996).. hidroxiflavanona.. enquanto em P. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1980). terpenos. P. 1991). cumarinas. triterpenóides (Joshi et al.. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. 1988). 1989a e 1989b. Petchnaree et al. Anjaneyuly et al... Ahmad et al. Yunes et al. Ojewole & Odebiyi. a mais estudada é a P. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. 1986. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. ácido clorogênico. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. P...... que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al.. 1995). assim como os diterpenóides de J. 1990). ácido caféico. 1989. 1997). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1985). De J. Singh et al. Mabea Do látex do caule de M. 1981). macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. Singh et al.. sacarose. virgatus (Babady-Bila et al. 1996. Huang et al. 1996. 1986).. diterpenos.. timol e carvacrol (Odebiyi. P. 1988. 1990. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. e dos frutos de M. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. 1988. 1988. lignanas (Satyanarayana et al. Mensah et al. Singh et al. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. Houghton et al. Negietal. 1977). 1988.. neolignanas (Satyanarayana et al. amarus e P. 1983. 1996. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1996)..

alkekengi var.. 1993. Bighetti et al.. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. n-alcanos. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee... hipocolesterolêmica (Martins et al. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. nalcanóis. Em P. 1995b). Farias et al. 1988a. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1998. Li et al. 1999a). emblica L. 1996b).. 1999)... antiinflamatória.. Lu et al.. D. 2002. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. antiedermatogênica (Campos et al. 1998).. olenadienóis.. 1997). C. et al.De P.. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1997 e 1996a). analgésica. 1995). 1996) e fisalinas (Makino et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1988. antidiabética (Silva et al.. 1996).. 1988. 1989. 1996). cajucara apresentou atividade antiinflamatória. De P. Farias et al. além de taninos (Zang. 1987... De P flexuosus foram isolados triterpenos. Tanaka et al... francheti foram obtidos cicloheptano. calisteginas (Asano et al.. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. myrtifolius. 1995a). 2001). depressora do SNC (Hiruma-Lima. HirumaLima et al. Das raízes de P.. antinociceptiva (Carvalho et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. 1996). Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante.... 1996). antiestrogênica (Luma Costa et al.. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. Tanaka et al. De P. Tanaka & Matsunaga.. 1996). . 1988. 1988b). 1996c). estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.. et al. Z.

1983). Chen & Pan.23 mg/kg para crotina II. C. 1985. 2001). 1988. C.. tiglium (Deshmukh & Borle.. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. rangelianus (Lima et al.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. antinociceptiva (Bighetti et al.. tranqüilizante. 1985) e C. C. 1982).. 1999b.. campestris (Lima et al.. com o uso prolongado (Rodriguez et al. C. 1988) e C. 1987) e C. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 1993. rhamnifolius (Silveira et al.. 1982)..45 mg/kg e 2. Luz Paredes et al. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. para crotina I foi de 0. Costa. presente nos casos de C. penduliflorus (Asuku. 1999). 1988b) e substâncias isoladas de C. antiulcerôgenica de C. Das sementes de C. subtyratus (Kitazawa et al. mais comumente de C.. cajucara (Hiruma-Lima et al. M. C. draconoides e C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. et al. A DL50. a ligana 3'. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II.. glabelus (Novoa et al. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1984). penduliflorus (Anika & Shetty. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.. 1993. sonderianus (Craveiro & Silveira. Ao final. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. 1994).. 2002a). anestésica local. 2000a e 2002b). entre outras. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. 1980. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. lechleri. lacciferus (Ratnayake et al. 1975). zehnteri (Albuquerque et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.. Tang et al... pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- .Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. 1987). 1986).. erythrochilus. macrostachys (Mazzant et al. inseticida de C. C. anticonvulsivante e analgésica de C. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Batatinha et al. 1980). 1988). 1993). 1988a).. hipotensora de C.

. macrostachys foram isolados crotepóxido. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1992. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al.. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. 1991).. berberina e outros alcalóides desse grupo. 1994). e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. 1995). campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. berghei (Be &Truong. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. 1993). betulina e ácidos graxos. 1991a e 1991b). lupeol. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. Ao final dos experimentos. nardus (Lemos et al.32% de alcalóides e 2. tonkinensis contêm 0. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al.. os alcalóides de C. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. 1994a e 1994b). Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. Pieters et al.. C. antibacteriana e cicatrizante. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. Do óleo essencial de C. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol .78% de flavonóides. As folhas secas de C.. De C.. O extrato etanólico bruto das folhas de C. 1992a). Essa possui isoguanosina. 1992).. O efeito de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. Ao final. Das raízes de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1995). A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica.

1995). 1991). e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. 1988. Das sementes de /. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 2000). curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.9%) (Liberalino et al. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. 1997) e Schistosoma mansoni e S. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. Do extrato clorofórmico das raízes de C.. 1995). 1992). que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. curcas.. 1989). Das sementes de J.. 1988). De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica... aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.39 mg pela via i. e no retículo sarcoplasmático.p. O óleo de C. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. 1991a). haematobium (Rug & Ruppel. 1987. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. Jatropha Das sementes de J.. Do látex de J. Atividades larvicida (Karmegam et al..7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57.. 1994). tanto na prova do campo aberto. 2000). pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. (Huang et al.... Ubillas et al. 1989 e 1991). 1993)... 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. tiglium (Fanetal. 1988). Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al.. Os extratos da sementes de C. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. 1992. 1994). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. Hirota et al. a curcaína (Nath & Dutta.. antiplasmodial (Kohler . Do látex de C.. 1990) o óleo de C. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.

gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al.. . cilliata foram isolados isoorientina e orientina. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. O látex de /. et al. M. 1996)... F. 1992). usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. As folhas de J. 1992b e 1996).. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1996). 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. De /. 1996). 1998). inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al.. De J. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. Das raízes de J. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1996). et al.. 1996). 1987). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. zeyheri foi isolada a jaherina. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al.. 1996).. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. P... 1987b). grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 1997). que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al.. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. 2001). espasmolítica (Trebien et al. 1994). isabellii foi isolada a jatrofona. Dutra et al].. glauca (AlZanbagi et al. A J. 2000).. 1987) também foram caracterizadas em J.et al. e de J. curcas. De J.. 1987) e tóxica (Brum et al. O óleo das sementes de /. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. De J.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. antiespasmódica (Silva et al.. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. 1993). que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. 1990. curcas foram isoladas curcusonas A e C. gaumeri (Sanchez-Medino et al... 1992a. Santos et al. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al.. Esta mesma atividade foi observada em J. J.. 1996). 2001). apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1996. multifida. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al.

1995). O extrato hidroalcoólico de P. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al.. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. Gorski et al. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. Santos et al. 1995). 1987). anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.... a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. De P. campesterol e fitosterol (Santos et al... 1985 e 1986b.. 1995). 1988). essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al.... O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1993.. 1996a). A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1988. 1994). corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. diurética.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al.. Shimizu et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 1984. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 1992).. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1988). Além disso. Além disso. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al.. 2000). 1985). 1987). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. 1989).. 1995). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). Di Stasi. 1996).. Ribeiro et al. . 1992.

O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.. de P urinaria. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. corilagina. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. 1995). De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. . 1997). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. Roy et al. 1996. 1996). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1994). 1996). 1995)... Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. ácido gálico e ácido protocatecoico.. niruri e P urinaria (Santos et al... 1991). 1996). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. Sane et al. 1996).. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al.. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al.. 1995). propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1996). De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. Foram caracterizadas. 1990. 1995). ácido brevifolincarboxílico. quercetina. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1997a e 1997b). que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren.. 1997).Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. 1996). ácido elágico. 1988).. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.

. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. mutifida (Levin et al. 1984).. 1993. 1995. 1991c). Itokawa et al. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. Existem registros de intoxição em crianças de J. Torpor.. 2000).. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos.. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. e ação estimulante da musculatura lisa. vômitos e diarréia. Porros et al.. Pieters et al. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . curcas em ratos. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). 1993. Ahmed & Adam. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. 1979). 1987) e provoca náuseas. 1979). vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. 1986. 1979). Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. náuseas. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal.. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. Hemorragias internas em diversos órgãos. redução no consumo de água.. diarréia. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Como conseqüência de seu uso crônico. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. hipotensão e desidratação. Efeitos como redução no tempo de protrombina. Quadros de hemorragia anal. podendo causar a morte em humanos.

FIGURA 13.(1999)..1 . tiglium (Bauer et al. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1986). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. 1983. 1998) (Banco de imagens .Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Pieters & Vlietinck.

Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).2 -Jatropha curcas. .FIGURA 13.

Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.FIGURA 13.Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima). .3 .

1998). c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .4 .FIGURA 13. b) flor feminina.

gomas. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). No Brasil ocorrem 21 gêneros. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. 1997). e Elatinaceae. arbustos ou ervas. pigmentos. sendo raramente descritas epífitas. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). A. C. 1978).370 espécies. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. Hiruma-Lima L. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. . É composta por árvores. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae).14 Guttiferales medicinais C. óleos essenciais e resinas. algumas delas de valor medicinal. Clusia. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley.

o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. e várias têm valor medicinal.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. sendo facilmente cultivada. damagascina. as folhas são simples. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. coriáceas. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . opostas e com borda inteira. a maioria é fornecedora de resinas. O tronco ereto possui casca grossa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em outras regiões. friedelina. também chamada de Lacre. O nome do gênero Vismia. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. ácido crisofânico. descrito por Domingos Vandelli. euxantona. como Picharrinha. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. com ocorrência em formações secundárias. com distribuição restrita à América tropical. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. No Brasil. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. Em V. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. martiana foi observada a presença de sitosterol. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. ácido betúlico. pecioladas. damaradienol. 1990). inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. foi dedicado a Visme. madagascina. e algumas na África. Trata-se de uma espécie semidecídua.

Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. da planta fresca (Tokarnia et al. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al.. 1982).. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d... Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana.. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. 1997). 2000). foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. 1995. vários triterpenos. micrantha foram isolados xantonas. 1979). Os extratos hidroalcoólicos. Moracelli et al.. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza.. 1983). 1994). 1999). O extrato etanólico da folhas. . De Vistnia caynnensis.. magnoliaefolia.. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 1996). 1993). como a friedelina.. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. 1996). Das raízes de V. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. 2-isorenilemodina e 5.5'dimetoxisesamina (Camele et al. e em V. cayennensis. Porém. conhecido popularmente como Lacre. indicado para dermatofilose. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. benzofenonas (Fuller et al. et al..japurensis Rich.. vulgarmente chamada de Pichirina. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr.e a ferruginina (Pasqua et al. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. Em V. 1995).. 1999) em V. p-o.

C. A.15 Primulales medicinais L. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Nessa família ocorrem 33 gêneros.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. ainda não identificada completamente. nos quais se distribuem 1. arbustos e lianas. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Theophrastaceae e Myrsinaceae. sendo a maioria árvores. Di Stasi C. 1997). mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. . Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. descrita por Robert Brown. Rapania e Cybianthus.

sem estipulas. ramos. inteiras. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. ovário supero. curtas. dispostas em racemos.Espécies medicinais Cybianthus sp. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". flores e frutos. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. diclamídeas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. reunidas em inflorescências axilares. Não foram encontrados sinônimos para ela. actinomorfas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. flores pequenas. e anthos = "flor". bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15.1). androceu com cinco estames opostos às pétalas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. . folhas alternas.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.1 .Cybianthus sp.

anemia e distúrbios da tireóide. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Na região amazônica. Hiruma-Lima L. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. no entanto.16 Capparidales medicinais C. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. gripes e bronquites. além de seu consumo como condimento. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. C. . A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Para a espécie Nasturtium officinale. A. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. essas espécies não foram referidas como medicinais.

Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. raramente são descritas lianas (Barrozo. que atinge até 1. tem valor medicinal na região amazônica. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. com muitas flores rosas e bonitas. Capparia e Maerua. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. descrita a seguir.5 m de altura. e a espécie Cleome latifolia. inflorescências terminais bastante vistosas. arbustos ou pequenas árvores. Os principais gêneros são Cleome. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. com seus representantes incluindo ervas. que justifi- . Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). 1997). 1978).

1990). 1997). Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.. 1990). Várias espécies desse gênero.06%) (El-Din et al. 1995).. 1997) e glicinebetaína. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. viscosa apresentou um .. a diacetoxibraquiicarpona. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. kaempferitrina (0.. 1988) e um diterpeno macrocíclico.cam seu uso como ornamental.. O extrato metanólico da planta toda de C... a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. De C. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.7-di-O-ramnosídeo (0.0075%). 1986). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. os flavonóides artemetina (0. 1990). 1996). droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. incluindo a Cleome latifolia. 1997) e triterpenos (Harraz et al. bonanzina (0.0013%). são cultivadas e usadas como ornamentais.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al.. o ácido cleomaldéico (Jente et al.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. kaempferol. 3. 1987). brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. De C. Das sementes de C. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. um trinortriterpenóide dilactona. a isoramnetina 3. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.0025%). 1997b). viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al.. e das partes aéreas de C.. um flavonol.

gynandropsis Samy et al.. 2000) e C. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. C. 1996). 1995).. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. 1999).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. 1993.. 1992). Lemos et al. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa... droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. popularmente conhecido como Mussambé. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. De C.. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1999).. 1995b). 1996). .. 1970). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. Chrysantha (Hashem & Wahba.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al.. viscosa (Samy et al. A espécie C.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Di Stasi C. a qual foi identificada apenas até o gênero. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Várias espécies dessa ordem são medicinais. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. No entanto. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Na região amazônica. Pittosporaceae. Saxifragaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. . espécies dos gêneros Spiraea. Rubus e Prunus. C. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. 1978). Crassulaceae. com inúmeras espécies medicinais. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. e de Rosaceae.17 Rosales medicinais L. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. a qual descrevemos a seguir. A.

inteiras. estipuladas. cíclicas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. fruto do tipo drupa. Espécies medicinais Hirtella sp.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. onde ocorrem 120 espécies. folhas simples. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. sépalas e pétalas livres. corola com cinco pétalas. segundo Barrozo (1978).1). cálice gamossépalo com cinco lacínios. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. peninérveas. Os principais gêneros dessa família são Licania. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. referindo-se ao tipo de pilosidade. ovário unilocular. . Chrysobalanus e Hirtella. diclamídias. alternas. zigomorfas. muitas delas usadas para a produção de carvão. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. com cerca de 460 espécies tropicais. incluindo árvores e herbáceas. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. flores pequenas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África.

Normalmente são árvores de pequeno porte. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. é utilizada como afrodisíaco. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. que inclui. com aproximadamente 1. os gêneros Crataegus e Malus. encontradas em climas temperados. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.825 espécies subcosmopolitas. arbustos e ervas (Mabberley. a famosa aspirina. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. do gênero Frunus. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. Rubus e Quijala. Potentila. com destaque para o gênero Spiraea. ralada. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. entre outros. e raiz bifurcada para as mulheres. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. com destaque para os gêneros Rubus. ou frutíferas. no que se refere à farmacologia. • Rosoideae.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Agrimonia e Fragaria. primeira substância a ser comercializada como medicamento. também se utiliza o chá contra reumatismo. 1997). No Brasil há poucas espécies. da qual foi isolado o ácido salicílico. toxicologia e química. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. a maioria nos gêneros Prunus. como a . • Maloideae. como é o caso das espécies do gênero Rosa. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. e • Prunoideae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. da histórica Spiraea ulmaria. compreende 95 gêneros.

doce e com uma única semente. Marmelo (Cydonia). . de margem serrada. O nome do gênero corresponde a "ameixa". fruto do tipo drupa. a decocção das folhas é usada contra dores. lanceoladas. solitárias e/ou geminadas. pendente. 1998). Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. ásperas. Pêra (Pirus). dispostas em fascículos do tipo umbela. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. comestível e saboroso. Pêssego. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Espécies medicinais Prunus domestica L. e a infusão dos frutos. Cereja. flores vistosas brancas. especialmente de cabeça. carnoso. com folhas alternas. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. Nomes populares Na Mata Atlântica. em latim. Morango (Fragaria). e contra diarréias. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. assim como em várias regiões do país. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Ameixa. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly.Maçã (Malus). Groselha e Moranguinho (Rubus). Damasco. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. dependendo da variedade. que existe em grande número.

2000). laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. 1978) (Banco de imagens • . 2001).. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.Sapuntzakis et al. Nakatani et al. 2002.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. 2001). 2001). Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al.. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.1 .. FIGURA 17.

• Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. M. medicinais. 1997). M. arbustos. M. . nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. lianas e ervas. A. incluindo árvores. ornamentais. Santos C. Di Stasi E.18 Fabales medicinais L. C. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. R. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. dependendo do arranjo sistemático adotado. Hiruma-Lima A. Compreende três subfamílias. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. Guimarães C.

pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. todos contendo várias espécies de valor medicinal. bonducella. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. Dalwits. sapan e C. angustifolia e C. Caesalpinia pulcherrima. 1997). C. que inclui os gêneros Cássia. C. C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. J.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. que inclui o gênero Bauhinia. a saber: Caesalpinia férrea. das quais se destacam as espécies C. dentre as quais C. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. • Detarieae. Cassia multijuga. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. Dialium e Senna. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. • Cercideae. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. que inclui o gênero Caesalpinia. as quais descrevemos a seguir. bonduc. pulcherrima. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. Cassia occidentalis. senna. • Cassieae. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). occidentalis. que inclui o gênero Copaifera. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. .

hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. folhas glabras. assim como em quase todo o Brasil. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. sempre com acúleos e seus dois ápices. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. com grande abundância na Mata Atlântica. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. usada para produção de carvão e caixotes. É uma planta decídua. heliófita. Por ser de rápido crescimento. raramente dentro das florestas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Pata-de-boi e Unha-de-boi. tronco tortuoso ou ereto. vistosas (Figura 18.1). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. bastante espinhosa. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. . Outras denominações comuns são Cascode-vaca. algumas arbóreas e outras lianas. Mororó. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. A espécie fornece madeira leve. onde ocorre em áreas úmidas. dadas as características morfológicas de suas folhas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. flores intensamente brancas. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. É amplamente utilizada como ornamental.

ferrea var. Dados botânicos Arvore de grande porte. Suas folhas. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. açúcar e água. além de ser empregado como fortificante para crianças. aquecido até formar um xarope. fruto levemente estipitado. flores diclamídeas. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. com tronco liso e cerne duro. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. quase reto (Figura 18. ultrapassando o cálice gamossépalo. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas.2). O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. ferrea e a C. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. ferrea var. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. na forma de decocto. botânico italiano. leiostachya. séssil. Jucá. após aquecimento. hermafroditas. A espécie é heliófita. Imirá-itá. várias são as utilizações medicinais dessa espécie.Caesalpinia ferrea Mart. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. ovalados ou obovais. podendo chegar a 15 m de altura. São muito comuns duas variedades: a C. dez estames. na região amazônica. ao passo que o preparado de casca de jucá. folhas bipinadas com folíolos oblongos. é utilizado contra asma e bronquite. folhas de manga. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. casca de jatobá. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Nomes populares A espécie é denominada. especialmente de ruas e avenidas. além de largamente empregada como espécie ornamental. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. Muirá-obi e Muiré-itá. é utilizado como .

anticatarral. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. na região. especialmente bronquites. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. internamente. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. Considerada de origem antilhana. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e em Alagoas. além do uso comum contra gripes. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. 1984). flores grandes e vistosas. . asma e como cicatrizante (Campêlo. glabros. A vagem crua é útil contra tosse. contra tosse crônica. com até 10 cm de comprimento. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. Flor-do-paraíso. Baio-deestudante. No Piauí.) Sw. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. com folíolos ovado-oblongos. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. pois floresce quase ininterruptamente. folhas compostas. Caesalpinia pulcherrima (L. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. 1984). Espécie muito usada como ornamental. Na região da Mata Atlântica. sobretudo como cerca viva. também é chamada de Flor-de-pavão. Chagueira ou Barba-de-barata. bipinadas. resfriados e tosses. Em outras localidades do país. 1982). tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. a decocção das raízes é usada como antitérmico. Nomes populares A espécie é denominada. inflamações do fígado e baço. 1982).

estipuladas. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. heliófita e pioneira. obtusos no ápice e com base irregular. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. purgativos. amarga. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. tendo propriedades tônicas. lenha e carvão. . as folhas e flores são usadas como tônicos. excitantes. febrífugas e venenosas. a raiz é acre. O nome do gênero Cassia. em doses elevadas. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. deriva do grego Kasia. atingindo até 10 m de altura. além de ornamental. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. quando em grandes doses. sendo uma planta decídua no inverno. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. Em outros locais do país. dado à falsa canela. a casca é considerada emenagoga e. Segundo Corrêa (1984). odontálgicos. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. descrito também por Carl Linnaeus. brinquedos. casca lisa e cinzenta. o fruto é do tipo vagem reta. A espécie ocorre em todo o Brasil. abortiva. pela beleza da planta na época de floração. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. largo e achatado (Figura 18. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. folhas pinadas.3). Cassia multijuga Rich. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados.como emenagogo e abortivo e. febrífugos. febre e como purgativo. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. com rara ocorrência dentro de florestas. externamente. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas.

gripes. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. amarelas. no Piauí a infusão do caule. febre. Lava-prados. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Rioba. dispostas. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. Maioba. Ibixuma. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. frutos do tipo vagem glabra. Segundo Emperaire (1982). ramos quase cilíndricos. racemos axilares. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). verde-escuros em ambas as faces. Mata-pasto. laxativo. beiras de estradas e próximo a culturas. estipulada e com glândulas na base. Majerioba. diurético e colagogo (Gavilanes et al. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses.Cassia occidentalis L. é indicada popularmente como antitérmico. flores grandes. folhas alternas. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. no Brasil é espontânea nas pastagens. Outras denominações são Folha-de-pajé. infecções gerais. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Mamangá. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. paripenadas com ráquis comprida. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Em Minas Gerais. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. achatados. Na região da Mata Atlântica. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. assim como em outras regiões do país. Manjerioba..4). Tararucu. Lava-pratos. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. com caule lenhoso na base. curto-peciolados. gineceu com ovário piloso. resfriado e diarréia (Grandi et . A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação.

Na Índia.al.. 1994). o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. mas também são utilizadas contra tuberculose. desordens do trato urinário. as raízes são consideradas diuréticas. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. erisipela e tuberculose. nos desarranjos menstruais.. 1982). oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. Em outras localidades do país. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. A espécie C. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. tinha e hemorróidas. reumatismo. emenagogo. 1970). 1990). mordida de escorpião. .. como antiinflamatório e. na forma de cataplasma. No Brasil. 1986). estômago. 1985). febrífugo e diurético. malária. 1979). purgativo. Cassia reticulata Willd. 1990). sudorífico. Além disso. 1988). e para constipações em bebês (Gupta et al. rins e bexiga (Simões et al. problemas hepáticos. Na Amazônia peruana. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. as raízes são consideradas um tônico. doenças venéreas. como Mata-olho. como vermífugo (Nagaraju et al. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. preparadas como o café. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. é utilizada contra doenças do fígado. sarna e doenças de pele (Bardhan et al.. anemia. No Peru. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. as sementes. febrífugo. inflamações nos olhos. dores menstruais e uterinas. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. No Panamá. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. são utilizadas contra asma. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. reumatismo. internamente. No Rio Grande do Sul. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. na asma. diurético. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético..

fruto doce. nome dado à planta em quase todo o Brasil. negras. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Nomes populares No Vale do Ribeira. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. dispostas em cimeiras terminais. folhas compostas. ápices acuminados. farinhento e comestível. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jutaí-açu. com 6 a 15 cm de comprimento. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. base assimétrica.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. com até . Abati-tambaí. Jutaí-do-campo. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. como antitérmico e diurético. os frutos são vagens delgadas. Hymenaea courbaryl L. Algarobo. brilhante. alternas e pilosas. Jatobá-de-porco. com casca dura. tronco ereto e ramos glabros. a espécie é conhecida como Jatobá. flores brancas vistosas. 1994). lisos. Jatobá-roxo. Olhode-boi. marrom. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jutaí-peba. Jatobá-de-anta. entre outros. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jatai. Jutaí-café. Também é chamada de Jatobá-mirim. Jutaí. Jatobazeiro.

. sedativo e peitoral. e a seiva é excelente tônico para crianças. 2000) e os flavonóides kaempferol. enquanto a madeira é usada na construção civil. Caesalpinia O extrato benzênico de C. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. É uma espécie semidecídua. sendo usada na arborização de parques e jardins. vermífugo. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. enquanto o xarope da casca do caule. além do uso contra bronquite. especialmente em crianças. microstachya (Meyre-Silva et al. ácidos . A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. 2000). O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite.15 cm de comprimento. é eficaz contra tosses. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. o deus da união. 2001. em alusão aos dois folíolos. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ácidos palmítico e octacosanóico. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. com florescimento entre outubro e dezembro. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. Yadava & Tripathi. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. O nome do gênero deriva do grego hymen. estimulando a digestão e fortificando o organismo. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. ferrea forneceu sitosterol.forticata (da Silva et al.

quercimeritrina (Awasthi & Misra. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. Da madeira de C. bonducelina. Kim et al. 1987). a 8metoxibonducelina (Parmar et al. B. 8metoxibonducelina. 8. 4..4. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 7p-vouacapenediol. 1987a). Peter et al. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. lup-20(29)-en-3beta-ol. 1997b).. episapanol.. C e D (Patil et al. 1954).. pulcherimina.. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. 1973). 1985). bonducelpina A.6-dimetoxi-l.. 1987b. beta-amirina.. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. 1996). Das sementes de C. cianina. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. 3'-0-metilsappanol. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 8metoxibonducelina. sappan foram isolados octacosanol. alfa-amirina. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. brazilina (Namikoshi et al. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. De diferentes partes de C. C e D (Peter et al. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.14-didehidro-5a-vouacapenol.. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. protosapina (Namikoshi et al.. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. miricetina. 1997). 2002). quercetina. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1997). ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 1977).. 3'-deoxisapanoI. leucodelfinidina.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana.. 1977).. 1978) e 2. 4-O-metilsapanol. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. B.4benzoquinona (McPherson et al. . 1987c).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1983).ll.9. 1978). Das cascas e raízes de C. 1983). bondenolídeo. sapanol. 4-O-metilepisapanol.. 1978).. lupeol. 1987e). 1997). 1986. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. taraxerol (Yadava & Nigam.. 3'-0-metilepisappanol.. ácido 3. sapanona B. 1987) e pulcherriminas A.. quercetina (Rao et al. Foram isolados os flavonóides: rutina. 6p-cinamoiloxi5a. 1997a). 3'-0-metilbrazilin.. beta-sitosterol. 1997).

1996).. Cassia Da espécie C. sappan (Namikoshi & Tamotsu. 4-O-metilepisapanol. brasilina e protosapaninas A. 1987d). episapanol. isoflavanóides de C. Do Fedegoso. Namikoshi et al.. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Dos frutos de C. sappan (Saitoh et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1981). caladenia e C. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. 1988). S.. 1995). Fuke et al. 1987f). 1982).. A composição de ácidos graxos das sementes de C.. sapachalcona. Na espécie C. 1977. pumila foi analisada. 3-deoxisapanchalcona. . 1985). Kitanaka et al.. B e C (Namikoshi et al.. taninos. reticulata. platyloba.. Das sementes de C. 1996). isoliquiritigenina. glicosídeos cardiotônicos. 1986. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. além de xantonas (Wader & Kudav. 4-O-metilsapanol. 1987a). 1996) e de C. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. occidentalis.. 1977). a espécie C. isolaram-se 1. japonica (Namikoshi et al. cacalaco e C.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 1983). Da madeira de C. sitosterona. glicosídeos de C. (Kitagawa et al. C. 1997). glicosídeos (Singh. buteína. Foram isolados alcalóides de C. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. C. M. sapanonas a e b. sappan (Nigan et al. sitosterol. saponinas.. 1985).. dicopetala (Chowdhury et al. 1986). 1987. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. ácidos linoléico e palmítico de C.. 1994).. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al.. 1977). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. hintoni (Contreras et al. sapanol. M. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. C.. et al.. vários compostos aromáticos de C.Das raízes de C. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. digyna (Mahato et al.

hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. Telange et al.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. Das folhas de C..e beta-amirina. 1985). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. dienóico e trienóico (Zaka et al. roxburguina. 1979). De C. questina. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. esteárico e oléico (Alencar et al. & Singh. 1987). pinselina. 1987). .. 1977) e os ácidos cáprico. 1987. 1987). mirístico... A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. germicrisona. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. além de flavonas (Guptaetal. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1990). Da madeira foram isolados beta-sitosterol. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. Das superfícies das folhas de C. occidentalol-1. l. alfa. 1989). 1985). Das sementes de C. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. 1986). 1988b). ácidos monoenóico.. 1996)... J.. 1989). Das sementes de C. 1988a). occidentalol-2. 1989a). 1. palmítico. emodina. 1987). bis (tetrahidro) antraceno.. 1990). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. De C. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. occidentalis foram isolados pinselina. 1982) e das raízes (Singh & Singh. crisofanol.. 1978). Foram isolados das sementes de C. triglicerídeos (Zaka et al.. Da raiz de C. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. roxburguinol e um novo estilbeno. roxburguina (Ashok & Sarma. J.1987. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.7-dihidroxi-3metilxantona. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. Singh. 1986. De C. 1986). 1987). crisofanol. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al.

torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1977). De C. além de ácido palmítico. antraquinonas (Zhang et al. m-cresol. O perfil fitoquímico de C. 1985). crisoobtusina. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. Metil palmitato e metil oleato. 1987) e emodina (Yang & Wang. e das folhas. acutifolia quanto à presença de aminoácidos.. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. succínico e tartárico (Matsuura et al. De C... 1986). flavonóides (Wassel & Baghdadi. Ishidaet al. aurantioobtusina. 1988). 1979).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. oléico. 1989). além da presença de beta-sitosterol.. 1988). beta-sitosterol e l. 1989). De C. obtusofolina. .... obtusifolia foram também isolados obtusina. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1990). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1989). angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. Nas sementes de C. 1984). 1980) e os ácidos palmítico. 1978).. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. angustifolia não difere muito do de C. fisciona. De C. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. . estigmasterol. oléico e linoléico. colesterol. Asamizu et al. obtusifolina e estigmasterol.. 1986). siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. o senosídeo é o principal desses derivados. 1988). obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido.. 1987. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina... 1986).. obtusina. 1990). 1986). linoléico. 1986. malválico. glicosídeos. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. flavonas.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1988). o aminoácido histidina (Zhang et al. 1997). Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. polissacarídeos (Khare et al. ácido crisofânico. De C. esteárico.Das raízes de C. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. De C. 1987). emodina. flavonóides (Wassel & Baghdadi. questina... gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. flavonóides (Crawford et al.

ácido glutâmico e aspártico. esteárico. 1990). O extrato das folhas de C. As cascas do caule de C. malválico. 1991). Das folhas de C. reina. O óleo da semente de C. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. Do óleo das sementes de C. triacontano. 1987b). beta-amirina. behenato de beta-sitosterol. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al.. aminoácidos (lisina. 1988).. fistula e C. linoléico. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. Das cascas do caule de C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. triptofano. 1990). biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1990). singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1988) e antraquinonas (. 1989a). sericea foram caracterizadas as presenças de fibras.. 1987b. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de ... laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. palmitato. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal.. De C.Ahuja et al. carboidratos. treonina e leucina). arginina. 1987). 1988). compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh.. 1978)... araquidato de beta-sitosterol. proteínas brutas. Chowdhury et al.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. Das vagens de C. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. 1988). 1987). De C. Das sementes de C... glauca foram isolados os ácidos palmítico. fistula e das cascas de C. flavonóides (Srivastava & Gupta.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. 1990). butirospermona. 1988). De C. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi.. renigera possui ácidos vernólico. Das raízes de C. 1978). granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava.. emodina. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla.De C. fistula (Cano Asseleih et al. 1977). 1981). javanica apresenta nonacosano. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. 1990a). oléico. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. .. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. ácido behênico.senosídeos das folhas de vagens de C. De C. 1990).. palmitato de beta-sitosterol.

Cassia laevigata (Singh.Das partes aéreas de C. fastuosa foram isolados os glicosídeos. 1987). sericea (Muralikrishna et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.. Sen et al. 1978). garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al.. 1986 e 1987). Das flores de C. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1990). 1977). 1986. 1985). 1987. De C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. Das raízes de C. B.. 1997). 1986). De C. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. spectabilis foram isolados antraquinonas. marginata (Kumar et al. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. siamea (Khan et al. palmitoléico. 1988). 1987). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai.. De C. 2-methoxistipandrona. fisciona. (Baba et al. 1988). araquídico e behênico (Khalid et al. linoléico. 1988). C... .. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. De C. 1989) e nas sementes de C. javanica (Singh & Jindal.. palmítico... De C.. estérico. Cassia javanica (Azero et al. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 1988).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al... dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. oléico. além de alcalóides (Christofidis et al. pumila foram isolados tetratriacontanol. 1977). ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al.. linolênico. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1987). mirístico. Das folhas de C. 1988). Das sementes de C.. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. emodina. ácido quelidônico. 1989).. C. A composição dos ácidos graxos de C. C. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1... 1989). R. 1985).

. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 3- .. J. et al. 1995. tarapotensis (Braca et al.. 1996. E. Bacchi & Sertié. sapanchalcona. et al. 1991). 1994. analgésica (Carvalho. 1986). Lemus et al. Rossi-Ferreira et al. 1985).. 2001) e antimolarial de B.. antimicrobiana (Cebalhos et al.. 1977). 1998). leiostachya (Moura et al. Amaral et al. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. Munoz et al. 1995. 1976) e proteínas de C. 1991). Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. et al. candicans (Pepato et al. antiedematogênica. O.. 2000. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. guianensis (Kittakoop et al. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. Extratos de C.. A espécie C. C. C. 1986). 1997). T. 2002. contêm caesalpina P. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. 1987).... 1999). 1998). Nakamura et al. antiinflamatória (Carvalho... et al. 2002a e 2002b).forficata e B. O uso crônico de B. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. 2001.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. malabarica e B. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. anticoagulante (Milagres et al. 1988). gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al... purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.... ferrea como antitumoral (Queiroz et al. 1996)... Lopes et al. De C. J. 2000). antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira... com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. O. 1990) Lima. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. Estudos mais recentes têm apontado C. Os inibidores da aldose reductase.

1994.... que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. A brasilina isolada de C.. O extrato metanólico de C. antiviral contra hepatite B (Patney et al. antimalária (Gasquet et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1997). antifúngica. de estimulante uterino (Saraf et al. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. vasoconstritora. ..... sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. Caceres et al. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. hepatoprotetor (Jafri et al. 1991. Sadique et al. 1997). occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.. hipotensiva. Sama et al. inibitória da hemólise. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. 2001). antibacteriana. 1985). 1962). 1992. Schmeda-Hirschmann et al.. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. 1995a). in vitro. Cassia Nas folhas de C.. 1987)..... antiparasitária. Hussain et al. 1993. De C. 1999). Feng et al. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1996)... principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. protosapanina A. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. de relaxamento do músculo liso. 1978. 1996). 1989).deoxisapanona. 1976) e. 1987.

.Das sementes de C. 1990. acutifolia. 1990). pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. 1988) e C. 1979) e C.. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.pudibunda (Cavalcanti et al.. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. 1986)..4. 1991). 1990). pudibunda (Cavalcanti et al. 1989). Crawford et al. 1989). A fração polissacarídica de C.. Os resultados finais indicaram que tanto C. De C. utilizando as folhas de C.. 1990). lugustrina (Abhaham et al. Estudos com as sementes de C. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. citotóxica com extratos de C.. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. 1988). 1989). espasmolítica com subs- . O extrato a 10% das folhas de C. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al.5'-tetrahidroxistilbene. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C.. alata quanto C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1985). 1984). garrettiana foi isolada a 3.. Nas sementes de C. acutifolia como controle positivo... 1986a). garrettiana (Inamori et al. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. C. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. As sementes de C. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. 1991).. O extrato das folhas de C. 1988 e 1989). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al.3'. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. As antraquinonas de C. As folhas de C. e C. obtusifolia (Kitanaka & Takido.

como substituta do café. na forma fresca. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. fistula (Babbar et al. quinquangulata (Ogura et al. que apresentaram um quadro de ataxia. 1987). 1986). A espécie C. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão.. especialmente por crianças. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. apatia. fistula (Bhardwaj & Mathur. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. caracterizado por náuseas... 1979). Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. 1991). amplamente utilizada pela população. 1986. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. angustifolia (Nakajima et al.. seca e/ou torrada. . cansaço e dores. 1979) e C.. Colvin et al.. C. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. O gênero Cassia produz. diarréia. 1984).tâncias isoladas de C. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. 1986b). pumila (Fatawi et al. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. cavalos e cabras. 1979). cólicas abdominais e diarréia... 1998). A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. vômitos. Seu consumo indiscriminado é perigoso. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. antitumoral com extratos de C. em muitos países. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. dispnéia. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. purgativa dos glicosídeos de C. anemia. 1985). roenwilana (Rowe et al.. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. Salienta-se que a espécie C. em geral. 1977) e antivirótica com extratos de C. ferrea.. 1985). A administração de folhas de C.

das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Crotalarieae: Crotalaria. Canavalia. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Nos estudos realizados na região amazônica e . Vicieae: Vicia e Pisum. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Abreae: Abrus. Sophoreae: Sophora. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Myrocarpus e Ormosia. Genisteae: Lupinus. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Trifolieae: Medicago. Desmodieae: Desmodium. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Robinieae: Sesbania e Robinia. Psoraleae: Psoralea. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. onde se encontram plantas (Barrozo. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. 1978). Cajanus. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. um importante produto alimentar no Brasil —. Diplotropis. Derris e Lonchocarpus. Millettieae: Tephrosia. Dypteryxeae: Dypteryx. Indigofereae: Indigofera. Cymbosena. Dioclea e Mucuna.

mas há divergências quanto a essa classificação. de onde partem folhas pecioladas. Ervilhade-angola. contra constipação nasal. Erva-do-congo. com ampla utilização em diversos países.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. podendo atingir 3 m de altura. dores de barriga e diarréia e a infusão. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. fruto do tipo vagem linear. comprimida. oblongos. No restante do Brasil é conhecida como Guando. A espécie possui um grande valor econômico. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. flores vistosas. gripes. 1984). pinadas. Feijão-de-árvore. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Espécies medicinais Cajanus cf. dispostas em pedúnculos axilares. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. sendo ainda forrageira. as quais são descritas a seguir. na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Cuandu. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Guandu ou Feijão-guandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. . enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. Andu. com ramos angulosos. compostas de três folíolos aveludados.

fruto do tipo legume falcado. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. descrito por João de Loureiro. oblongos. referindo-se ao legume. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". flores rosas. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. flores rosas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. de Flor-da-terra. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. reunidas em fascículos. . com ramos tomentosos. significa "pele dura". O nome do gênero Derris. menos freqüentemente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Cymbosema roseana Bent. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. e foi descrito por George Benthan. Nomes populares A espécie é chamada. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. 1997). Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. pediceladas. em forma de bote. por arbustos ou árvores. acuminados e glabros. na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas.

Outros nomes populares são Amores-do-campo. corola dialipétala. sementes sem endosperma (Figura 18. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. flores fortemente zigomorfas. revestida de pêlos curtos. didamídea. compostas. Desmodium tortuossum (Sw. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. hermafrodita.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra.) DC.5). fruto do tipo legume linear. Trevo-da-flórida. pentâmera. trifoliadas e . Dados botânicos Erva de pequeno porte. com uma grande pétala superior. externa. com folíolos articulados na base. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. ereto e com raiz bastante lenhosa. com cálice gamossépalo. Derris floribunda Bth. folhas pecioladas. a prefloração da corola é imbricada descendente. cilíndrica. folhas alternas. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. coriáceo. Erva-dos-mendigos e Jiquerana.

Sapupira-da-várzea. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Diplotropis purpurea (Rich. coriáceos. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. indeiscente. fruto do tipo legume. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. pinadas e folíolos glabros. com ampla distribuição no Brasil e no México. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cutiubeira. com folhas compostas. O nome do gênero significa "feixe".6). misturada com enxofre. Sebipira. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. Sapupira. referindo-se à disposição das flores. fruto do tipo vagem. plano. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. pequenas. todas conhecidas como Sucupira. reunidas em racemos. O nome Diplotropis significa "duas carenas". botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Sucupira-da-terra-firme. Cutiúba. Sicupira. Sapupira-preta. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Sapupira-da-mata. Dados da medicina tradicional A semente ralada. com sementes pretas e duras (Figura 18. tendo um apêndice na base. flor com estandarte longo. . Outros nomes comuns são Favinha.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Paricarana. vexilo oblongo provido de apêndices na base.

Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. podendo atingir até 35 m de altura. dispostas em panículas pubescentes. Nomes populares A espécie é chamada. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. se fendem liberando a semente roxo-escura.Dipteryx odorata (Aubl. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. aromáticas. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. caule reto. de pequena espessura. Cumaruzeiro. Imburana-de-cheiro. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. Cumar-do-amazonas. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. quando maduros e secos. e na produção de perfumes. pecioladas. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. flores vermelhas. charutos. frutos em forma de vagem drupácea. na região amazônica. alimentos e uísque. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. além da famosa fava de cumaru. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. imparipinadas. 1991). cigarros. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. quando passados sobre as costelas. Cumaru-amarelo. Imburana. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. de cor verde-amarelada. referindo-se ao cálice. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. folhas grandes. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. servem para tratar a pneumonia. grosso. O nome do gênero significa "duas asas".) Willd. doces. compostas. . sendo indicado "cheirar quando se está com dor". que. de Cumaru. Umburana e Kumbaru. alternas.

narcótico e estimulante. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. para aliviar dores de garganta e. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. para banhos fortificantes de crianças. podendo atingir até 3 m de altura. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. alternas. folhas grandes. dispostas em panículas pubescentes. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. flores vermelhas. frutos em forma de vagem verde. contra contusão e reumatismo. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. diaforéticas. essa espécie é utilizada como anticoagulante. diaforético. Em outros lugares. emenagogas e cardíacas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. cardiotônico. 1991). pela presença de Cumarina. febrífugo. caule ereto. contendo casca de pequena espessura. antiespasmódico. antitussígeno. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. . Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. diaforético. antidispéptico. aromáticas. grosso. com semente oleosa e aromática. internamente. contra qualquer inflamação. pecioladas. emenagogo. como reconstituinte das forças orgânicas. e os palikur. compostas de sete a nove folíolos. imparipinadas.

tinturas e perfumaria. possui aroma balsâmico. Óleo-pardo. compostos 5-9 folioladas. assim como a casca. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. sendo ainda expectorante peitoral. de ocorrência na América do Sul. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga.. com casca rugosa no caule. a mais estudada é a D. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. Outros nomes são Cabruê. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. sendo muito usada na indústria de cosméticos. Nomes populares A espécie é chamada. Pau-bálsamo.Myrocarpus frondosus Aliem. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. para fabricação de carroças. portas e janelas de luxo. outros compostos . o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. indicadas nas lesões do sistema respiratório. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. urucu. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. de Cabreúva. Bálsamo e Pau-de-óleo. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. A madeira. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". 1974). ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil.

canarensis (Evans et al.. D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. também denominada D.8-difenileriodictiol. adhaesivum Schldl. D.. senegalenseína. . Lin & Kuo. 1997). Rao M... 1996). araripensis (Nascimento et al.. Flavonóides também foram isolados em D. 1988).. canadense (L. obtusa (Nascimento et al. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. 1976. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. spruceana (Garcia et al. D. amoena. 1997).. os flavonóides.) DC.. D. foram isolados os flavonóides desmodina. B e C). 1977). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1986.. proteínas. Em D.. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. ou D. Nakatu et al. reticulata. 1994). frutescens. incanum DC. 1991. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. D. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1989).. 1978.. 1985) e D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. e das raízes de D. 1993..rotenóides (Braz Filho et al. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. Bell et al. E em D. 1976) e D. Kimetal. Desmodium De D. hiravanona. 1986). N... Foram isolados alcalóides de D. 1961. 1978). homoadonivenita (Batyuk et al. 1973b) e saponina (Parente & Mors. 1977). 1989). conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. As espécies D. et al. tortuosum. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. crisantemina e cianina (Matinod et al. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Da espécie D. De D. 1954). D. 1995b) e D. 1962).. 1994). Do caule de D. do seu caule e de suas folhas. foram isolados. oblonga e D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. epoxilupinifolina e dereticulatina. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. spruceana... enquanto de D. Das raízes de D. lupinifolina e laxiflorina. laxiflora Lin et al. glutinosum.. lipídios. heterocarpon e D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. 1978). reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al.. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas.) DC. Nascimento & Mors. 1978).. 1995b). aparines (Link. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al.. benthmii (Fellows et al.

também muito usado medicinalmente.. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. 3. Em suas raízes foram isolados abrina. O-metilbufotenina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. Purushothaman et al. 1975). kaempferol e quercetina. bufotenina N-óxido. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. os alcalóides candicina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. possui os flavonóides dalbergioidina. hipoforina e os alcalóides. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. 1971). Nakatu et al. 1969. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. gangetina. N. gangetinina. desmocarpina. 1977. cinereum (Kunth) DC. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. os flavonóides desmodol (Ueno et al. O D. galactopinitol A. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava.) DC. além de canavanina (Beveridge et al. Bell et al.4-dimetoxifenetilamina.4-dimetoxifenetilamina. A espécie D.. leptocladina..N-dimetiltriptamina.. 1962.. os flavonóides hiperina. Purushothaman et al. intortum) possui carboidratos. 1964) foram todos isolados de D. normacromerina. caudatum (Thunb. . A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. hipoforina. 1984. cinarascens A. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. hordenina. foram isolados mangiferina... elegans DC. 1972. ácido octacosanóico. salsolina. De D. desmodina.. tiliafolium G. ario-inositol e betapinitol. genisteína. 1972). Don. 1963). difisolina. Ghosal & Bhattacharya. beta-carbolina. 1983). também denominada D. gangeticum (L. Em D. 2-feniletilamina. betaína. salsolidina. 1978). N-N-dimetil-3. 1973). e de D. Nmetiltiramina. hordenina.) DC. isoquercitrina. 1-octacosanol.Os alcalóides bufotenina.

1986. e de D.) DC... também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Mukherjee et al. 1963a e 1963b. De D. 1966). pinitol e canavanina (Beveridge et al. 1968). ácido indol-3-acético. 1982. feniletilamina. 1989). De D.. e os alcalóides colina. 1997). triquetrum foram isolados friedelina. heptacosanol. 1978). Perez-Maldonado & Norton. Ahluwalia et al. b-sitosterol. vitexina e xilosilvitenina. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. Sreenivasan & Sankarasubramanin. triflorum (L. tricosanol. De D... 7-hidroxiflavona. 1996). vitexina. laxiflorum foram isolados heptacosanos. podocarpum. De D. De D. estigmasterol. os terpenóides beta-amirina. 1984). 1995). também conhecido com D. Bell et al. inositol. lupeol. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. Adinarayana & Syamasundar. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar.. De Desmodium uncinatum (Jacq. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. 1995). kaempferol. 1961 e 1962. racemosum. 1989). 1985).... ougenina e quercetina (Balakrishna et al. De D. isovitexina. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. flavosativasídeo. e de D. Kubo et al. nonacosanos. e os flavonóides isoliquiritigenina. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al.. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. ojeinese. compostos estes também isolados em D. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. ovalifolium (Giner-Chavez et al.. 1989). Anjaneyulu et al.1995.N-dimetiltriptamina N-óxido. o terpenóide lupeol.. estigmasterol. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. foram isolados os flavonóides apigenina. 1962). Kubo et al. N.. . styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al.. multiflorum..) DC. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 1989. De D. homoferreirina. formononetina.. também denominado D. 1971. floribundum. 1965. 1977. 1965).. e de D sandwicense E. Amor-de-velho-comum.

1973a). 1982).3epimetoxilupanina. 1. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.. .

Dipferyx De diferentes partes de D. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 1994). 1996)... 1966). flavonóides (dipterixina. .. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. cumarinas (Ehlers et al. 1995) e cumarinas (Ehlers et al.. Das sementes da espécie D. A espécie D. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1995). 1995). 1981). flavonóides (dipterixina. além dos terpenóides betulina. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. alata foram determinados 40% de óleo.. odoratina. 1993). odorata apresenta um grande valor comercial. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). De diferentes partes de D. isoflavonóides (Lourenço et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. lupenona e lupeol (Kaplan et al. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1991). 1952). odoratina. alata foram determinados 40% de óleo. 1994).. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. punctata (Gruenwald. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. além dos terpenóides betulina. 1952). 1995. Das sementes de D. punctata (Gruenwald. 1994).. retusina). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. De D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. odoratina.. 2000. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier.. pois suas sementes são ricas em Cumarina. Togashi. 1966) e beta-farneseno (Matos et al.. De D. Nakano et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. odoratina.

2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al.. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. . Datta & Bhattacharrya. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. Foi isolada das raízes de D.. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. Derris sp e D. 1972). 1987). também conhecido como Timbó.. De D. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. De Derris sp. 2002)..Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. nicou (Costa et al.. 1997). 1999. 1979). que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. urucu e D... scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. Aragão & Valle.. D. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al.. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. 1996). Das raízes de D.. 1998.. 1997). 1997). 2001). O extrato etanólico de D.. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. micou. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. 2001).

O extrato de D.. 1999). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al.A D. De D.. 1989). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. e os taninos isolados de D. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.. 1996. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1996).. 1997). B e C. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. 1987). 1988). O extrato aquoso de D.. . O extrato de D. D. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1988). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. styracifolium... 1997). 1997).. Tolera & Said. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A.

1996). Mimosa.. Adenanthera. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. Zollernia e Acácia. das quais destacamos os gêneros Parkia. M. 1993). distribuídas em cinco tribos. vômito. Y. muitos deles de valor medicinal... das sementes de D. Prosopis. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. . Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2.. Leucaena. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. et al. 1991).950 espécies descritas. 1998). Inga. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. 1987). Albizia. Calliandra. urucum provoca irritação da pele. doses elevadas podem causar náusea.

Nomes populares A espécie.) Willd. Moçataíba e Orelha-de-onça. repletas de glândulas. Zollernia ilicifolia Vog. Em outras regiões do país. a espécie é chamada de Mocitaíba. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. pecioladas. pinadas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. flores reunidas em espigas terminais. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. compostas por folíolos ovais. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). na região da Mata Atlântica. Laranjeira-do-mato. Ingá-grande e Jambolão. . com grande ocorrência na Amazônia. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. é chamada de Espinheira-santa.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. encontradas em áreas tropicais e temperadas.

4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.8-dimetilflavona (Correa et al. 1996). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.. I.oblongas. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. 1973). I. I. bourgonii. farmacológicos e toxicológicos. I. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. Maytenus ilicifolia). parviflora foram isolados os constituintes 7. oerstediana e I. I. heterophylla. sertulifera. nobilis. Foram isolados alcalóides das espécies I.3'. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. I. alba. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. I. a antiga casa regente prussiana. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var.3'4'-trihidroxiaurona e 7. e o nome deriva de Hohenzollern.7). Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. . I. longispica. 1991). a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. paterno (Morton et al. flores rosadas (Figura 18.7. incluindo dores. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.4'trihidroxi-6. 6. stipularis (Kraus & Reinbothe. com margens onduladas e providas de espinhos. semialata.. laurina. 5.

Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.1 . S. .FIGURA 18. Reis).

FIGURA 18.Caesalpinia ferrea.2 . Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .FIGURA 18.3 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984). b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

1939). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . b) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18.4 .Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

FIGURA 18. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .5 .Derris floribunda.

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .FIGURA 18.6 .Diplotropis purpurea.

. S.Zollemia ilicifolia.FIGURA 18. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 . Reis).

onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. com inúmeros representantes no Brasil. Melastomataceae e Myrtaceae. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. C.950 espécies. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. distribuídas nos 188 gêneros. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. a Punica granatum. assim come outras espécies de valor econômico. São plantas herbáceas. A. e as duas famílias aqui descritas. 1978). arbustivas. da famosa Romã. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . que inclui o gênero Punica. que incluem espécies medicinais. 1997). Punicaceae.19 Myrtales medicinais L. Di Stasi C.

Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Neste estudo. com folhas ovais e cordiformes. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Huberia. . Nomes populares Na região amazônica. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. flores pequenas. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. que descreveu inúmeras patologias em plantas. nervadas e pubescentes. Microlicia. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. ereto e piloso. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. ou Pixirica. na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1998).as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. em outras regiões.) DC. brancas ou rosas. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. roxo. essa espécie é chamada de Quaresma. ambas pela indicação popular na região amazônica. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Miconia. dispostas em cimeiras. fruto do tipo baga. Salpinga.

Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. oeste da Índia e América tropical. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Os . de onde partem folhas de pecíolo longo. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Syzygium. Pseudocaryophyllus. e várias outras em climas temperados. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Pimenta. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Psidium. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta.. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Eucalyptus. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Leptospermum e Melaleuca. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. bem representada na Austrália. Eugenia.620 espécies (Mabberley. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. 1990). O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. 1997) arbustivas e arbóreas. Essa família inclui gêneros como Myrtus. planas.

Myrciaria Gabuticaba). especialmente as flores. oblongas e glabras. Cereja-nacional. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. dispostas em corimbos. 1996). A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). além de óleos essenciais. são usadas no local. bastante aromáticas. Eugenia (Pitanga. rosas ou avermelhadas. .constituintes dessa família incluem. ácidos fenólicos e ésteres. leucoantocianinas. Araçá). as partes aéreas do Cravo-da-índia. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. E uma espécie exótica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. flores pequenas. para o alívio de dores de dentes. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. 1998). com folhas pecioladas. No Brasil. cultivado ou adquirido no comércio. opostas. taninos. congestão nasal e dores de cabeça. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. fruto do tipo drupa. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite.

e. diclamídeas. é indicado contra diarréia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. os brotos de goiaba e de caju. Psidium. Araçá-guaçu. fervidos. com caule tortuoso e casca lisa. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. fruto com baga amarela. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. significa "triturar. 1984). existem registros para a espécie como Goiabeira. por outras. ovadolanceoladas. botões florais tomentosos ou glabros.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. internamente. galhada. esmagar. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Araçá-goiaba.1). Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. que é a denominação em grego da planta. curto-pecioladas. com cálice membranoso. de sabor agradável. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. contra diarréias. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. referindo-se aos frutos. usada externamente. Provém de psidion. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. Araçáguaiaba. Guaiaba. brancas e com numerosos estames. doenças da pele. o chá das folhas novas. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. é útil contra hemorróidas. flores hermafroditas. Guaiava. A infusão dos frutos. folhas opostas. no entanto. actinomorfas. Na região da Mata Atlântica. edema e. para regulação do ciclo . morder". O nome do gênero.

menstrual. folhas opostas. curto-pecioladas e glabras. brancas e com numerosos estames. 1982). 1992). 1982. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. indisposição estomacal e vertigem (Forero. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. antileucorréica. antidiarréica.. Grandi & Siqueira. Psydium cf. principalmente em diarréias infantis. e o decocto. como estomáquico. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. 1980. no Pará. 1988). misturado com folhas de salva-de-marajó. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. Grenand et al. no Piauí. diclamídeas. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. As folhas de P. 1987. 1982). guineense Sw. . é antidiarréico (Amorozo &Gély. igualmente usados como alimento. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. sendo facilmente confundida com esta. misturado com folhas de pitanga. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. 1984). a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire.. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. botões florais tomentosos ou glabros. como também os frutos. 1986). guajava ainda são utilizadas na América Latina. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. Duke & Vasquez. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. em Minas Gerais. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1994). o chá da folha. anticolérica e antiúlcera. com cálice membranoso. lavagens de úlceras. o chá das folhas. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente.. fruto com baga amarela. de polpa abundante. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. flores hermafroditas. Central. actinomorfas. no Rio Grande do Sul.

pectina. derivado de eugenol. -terpineol..1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. 1986. 1994). 1996).. 1. -cedreno. 1982) e quercetina. 17 cetonas. Yusof & Mohamed. himacaleno.. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. denominados 1.. 1990. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. p-cimeno. 1989. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. 1996). lignina. 122 componentes voláteis. 1996. O dehidrodieugenol. -bergamoteno. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. -guaieno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 31 alcanos.. cremoflieno. -santaleno.1-dietoximetano. p-menten-9-ol. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1987. As diferenças quantitativas e qua- . ésteres. Pino et al.. 1987). 28 ésteres.. Marcelin et al. 1989. 1968). 1991). Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 1. borneol.. vitaminas C e A. humuleno. cetonas. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. 1981). 1987). 1990). Ortega & Pino.. 10 ácidos. Pino et al. óxido de humuleno. 1994). 1978).Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1987. t-cariofileno. Oliveros-Belardo et al. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. -bisaboleno. aldeídos. dos quais 13 são aldeídos.... Wilson & Shaw. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.. além de taninos (Misra & Seshadri. Chyau & Wu. -cubebeno. apresentou atividade depressora do SNC.. alcanos. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani.1-díetoxietano. acoradieno. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. açúcares.. 1996). Ortega & Pino. 1968. 1990. 1989. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. Zheng et al. mirceno.

1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1986). 1987). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. ácido oleanólico (Mair et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. 1979b. O interior das cascas é rico em ésteres. 1981).. 1987. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. palmítico. 1986). guaijaverina... 1991). O extrato aquoso tam- . (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. e Maruyama et al. Ácido elágico. Osman et al. d-galactose. Lima Filho et al. 1989). óleo essencial (Ji et al.... Hegnaurer. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. 1996). 2002. 1987).. ácidos linoléico.. oléico e esteárico (Opute. (1994) e Neri et al. 1978). Okuda et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al.. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. 1987). Chen & Yang (1983). 1974. Jain et al. flavonóides. polifenoloxidase (Augustin et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas... 1987). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu.

A. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al... Grover et al. 1990..).. 1994. incanescens (Zelnik et al. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al.. incanescens (Santos. 2002. 1989). F. 1999). F. Morales et al. 1995. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. Shimomura.. 1993. et al. propriedade anticatártica (Pinto et al.. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al.. (Santos et al. Santos et al... widgrenianum (Souza et al. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. O extrato de folhas de P. Das cascas de P. óxido e b-selineno). 1999). e eugenol e timol de P. 1994.. guyanensins. et al. et al. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. pohlianum e Psidium sp. A. Lutterdodt. 1993. 1994).. 1992.. Lutterdodt et al. O óleo essencial de P.. 1995). guyanensis. F. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea... Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1996). A. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 1996b) e P... guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. et al. 1996a). Cáceres et al. 2000.. guyanensis (Santos. 1994). e antitumoral de P.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. 1996a) de P. Cheng et al.. 1990. P. 1996c. 1988) e tosse (Jaiay et al. Do extrato hexânico das folhas de P. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. F. Cáceres et al.. Lozoya et al. et al. anticonvulsivante (Santos. 1995). A. . De P. A quercetina isolada de P. F. 1998). A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1970). P... 1995). Lozoya et al. A... Meckes et al. 1989. 1994. 1983). 1997. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1994. PonceMacotela et al.. Lutterdodt.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .Psydium guajava.FIGURA 19.

a família Celastraceae. ambos contendo espécies amplamente estudadas. N. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros.20 Celastrales medicinais L.G. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. com atividade antifertilidade masculina. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. . Di Stasi L. 1997). que possuem espécies medicinais. e Maytenus. e apenas uma delas. nos quais se distribuem aproximadamente 1. C. são Celastrus e Trypterygium. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. Austroplenckia. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Os principais gêneros dessa família. Seito F . representa importante fonte de espécies medicinais.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. gênero de grande valor medicinal.

denteadas. Também é conhecida como Sombra-de-touro. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. glabras. atingindo até 9 cm de comprimento. copa globosa e ramos glabros. Erva. ápice agudo. de Espinheira-santa. dor do "ciático". de onde partem folhas elípticas. ex Reiss. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. flores numerosas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica).cancerosa. axilares. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Espinho-de-Deus. Espinheira-divina. fruto do tipo cápsula ovóide. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. gastrite e ulcera péptica. amarelo-avermelhado. Nomes populares A espécie é chamada.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Cancerosa. Salva-vidas. arbusto menor (de 1 a 3 m). . dores nas costas e úlceras do estômago. Erva-santa e Congorça. Maytenus aquifolium M. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. com acúleos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. bastante coriáceas. na região da Mata Atlântica.

. Dados químicos De M. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.... amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. fruto do tipo capsular. Foram também isolados um glicosídeo.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. vermelho. 1995). krukovii (Honda et al. 2000).. heterophylla e M. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 1999). blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1997). . De M. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. contendo folhas alternas. 1995a). 2001) e triterpenos cetônicos de M.. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1995. Foram isolados das cascas de raízes de M. podendo chegar a até 4 m de altura. Da infusão das folhas de M. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. oblongas. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. Das sementes de M. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia... flores pequenas e axilares... com ramos finos. 2000). arbitifolia (Orabi et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. 1998).

chuchuhuasca (Shirota et al. G alfa e G beta. 1998). W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1991b). ilicifolia (Itokawa et al. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 1994). e escutidina alfa A foram isolados de M.. E-V. E-III.21-trione (Nozaki et al. além de epicatecol.. os triterpenos 3-beta. 1995a). 1994b). iliocifolia (Shirota et al. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. emarginatina-D.. cangoronina e ilicifolina. E-I e E-II (Itokawa et al. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. . e outros triterpenos (Gonzalez et al. lupeol.30-lup-20(29) ene-triol e 28. Das folhas de M.. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. 1998).. De M. 1999)..Gonzalez et al. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. Além disso. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. canaradial.. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. triterpenos do tipo friedelana. ácido oleanólico e ácido betulônico. macrocarpa (Chavez et al. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. 1993a e 1993b).. As cascas das raízes de M.16. 1991). 1999a e 2000). Dos ramos de M. E-II. emarginatina-E e emarginatinina. De M. além de pristimerina. Dos ramos de M.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.8dihidroisoxuxuarina E alfa. foram isolados das folhas de M. 1993). sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.. 7. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. os triterpenóides beta-amirina.28.. 1994). Sesquiterpenos foram isolados de M.. 1996b). 7 alfa-hidroxicanarol... betulina. xuxuarinas F beta. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3..30-diol (20). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. lup-20(29)-ene-3beta.. E-IV. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina.. os triterpenos fenólicos canarol... 1992b). 1992). 1997). chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. 1994).

-15-triacetoxi-l alfa. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa.M. 1996). 1999). tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. 2001). magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al... canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 8 beta... 8 beta.. catingarum (Alvarenga et al. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. Alcalóides foram isolados de M. 1996a). 1971). .. Dados farmacológicos M. 1999). isolados de M.. 1984). assim como os compostos 6 beta.. myrsinoides (Baudouin et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. 1999a). G. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. macrocarpa (Chavez et al. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al.. et al. 1996b).. scutioides (Gonzalez et al. 1971. assim como outro nor-triterpeno isolado de M.. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. Nor-triterpenos isolados de M. M. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez.. 6 beta. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al.. A. 1996c)... 2000. senegalensis e M. O composto escutiona isolado de M. 1996b). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. Wang et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. 1981). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. Gonzalez et al. 1999).. De M. 1999b).

1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 2002).O extrato diclorometânico de M. Gonzalez. G. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al... Oliveira et al. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 2001).. 1991. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. 1991. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al.. Queiroz et al... 1999). 2000). F. As folhas e caules de M. 2001. et al. . Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M..

A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Polygalaceae. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. Malpiguia e Stygmaphyllon. corantes e de medicamentos. ambas com várias espécies medicinais. C. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. ocorrem 32 gêneros. com aproximadamente trezentas espécies. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. além das duas referidas a seguir. contendo cerca de 1.100 espécies tropicais. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. com importantes espécies fontes de madeiras. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. bebida alucinógena. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. usada na produção da Ayahuasca. No Brasil.21 Polygalales medicinais L. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. Vochysiaceae e Krameriaceae. arbustos e lianas (Mabberley. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. . Trigoniaceae. especialmente árvores. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. 1997). 1978). Byrsonima. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.

Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Gordura-de-porco ou Cajuçara. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp.) Juss. bastante pubescente. nas raízes formam-se grandes tubérculos. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. e. O nome do gênero Stigmaphyllon. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. arredondadas. de folhas cordiformes. grande e robusta. externamente. descrito por Antoine Laurent de Jussieu.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. glabas na face superior e sedosas na face inferior.) Juss. dor de estômago e gripes. . significa "estigmas foliáceos". contra icterícia. possui inflorescências dispostas em racemos axilares.

Das demais famílias dessa ordem. destacando-se as famílias Burseraceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. especialmente no Sistema Nervoso Central. que contém. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Oxalidaceae e Balsaminaceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Essa ordem. Souza-Brito L. Hiruma-Lima A. Cupania e Serjania. inúmeras espécies medicinais. Simaroubaceae. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. o Guaraná. Ailanthus. Simarubaceae e a outra família. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. R. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. C. Meliaceae. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Quassia.22 Sapindales medicinais C. Anacardiaceae. . especialmente dos gêneros Simarouba. A. Sapindaceae. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Picrasma e Brucea. Rutaceae. essas espécies serão descritas a seguir. M. além das espécies aqui citadas.

as espécies Pistacia lentiscus. subclasse Rosidae. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Essa família botânica inclui árvores. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). distribuídas em regiões tropicais. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). A espécie Mangifera indica. amplamente consumida . Manga e Pistache. descrita por John Lindley. pertence à ordem Sapindales. Além dos usos medicinais. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Schinus. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Nessa família. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Do mesmo gênero. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. arbustos. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. nos países de clima temperado. Semecarpus (Semecarpeae). Desses gêneros destacam-se. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Spondias e Schinus. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). tais como Caju. 1997). Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. com aproximadamente 875 espécies. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. relatados a seguir. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). No Brasil. Mangifera. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Spondias. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). reúne setenta gêneros. lianas e raramente ervas pereniais.

Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Caju-assu. não foi referida na região de estudo como medicinal. sendo também denominada Cajuaçu. entre outras tribos indígenas. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca.1). Pará e Mato Grosso. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. especialmente no Amazonas.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Caju-da-mata (Amazonas). Cajuí. ovário súpero com um só óvulo. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. de 25 a 30 m de altura. dispostas em panículas. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. as flores. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Engl. perfumadas. com tronco de casca lisa. o fruto em forma de drupa é peduncular. . Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha.

Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. O óleo é usado na produção de borracha. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. entre outras.Anacardium occidentale L. Caju-de-casa.2). Economicamente. Cajumanso. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. as flores. Anacardium. no entanto. Além dos usos medicinais descritos a seguir. ovadas. pecioladas. reticuladas e nervadas em ambas as faces. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. as folhas são alternas. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. O . O nome do gênero. Acajuíba. Caju-da-praia. onduladas. Para hemorróidas. possui importante mercado nacional e internacional. raspa de amor-crescido e cajá. significa "semelhante ao coração". heliófita e que cresce bem em solos secos. com um só estame fértil. Contra diarréia. plástico e resinas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. várias outras denominações são usadas para a espécie. Caju-manteiga. assim como a própria castanha. tomando-se um copo por dia. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. glabras. pequenas e de coloração pálida. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. em referência ao nome de seu fruto. ovário unilocular. tais como Acajaíba. É uma planta decídua. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. o óleo da castanha. ou simplesmente Caju.

Matos. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. e a maceração de folhas para tratar diabete. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. tonsilite e problemas de garganta. Cruz. P. 1995). Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. O suco das folhas serve como antiescorbútico. 1994). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. As flores são afrodisíacas. e a raiz.. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. A resina é usada como depurativo e expectorante. astenia. purgativa. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. 1992). como um diurético. 1982). debilidade muscular. contra úlceras. 1993. 1990. No Piauí. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1993). anti-helmíntico. uma infusão de folha é usada contra diarréia. a casca é utilizada como adstringente. 1984). contra glicosúria e poliúria na forma de banho. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. tônico. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. . assim como um potente adstringente. 1995). desordens urinádas e asma (Lima. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. para controle das secreções vaginais. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng.. calos e verrugas. depurativo e anti-sifilítico. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. estimulante e afrodisíaco. Em Juiz de Fora (MG). problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. Grenand et al. 1994.. 1982). brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al..

3). Aroeira-do-campo. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. caule tortuoso. Aroeira-da-praia. tônico. Fruto-de-sabi. sugere-se o uso com moderação. adstringente. com copa bonita e arredondada. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. mas é muito usada como ornamental. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Coração-de-bugre. estimulante e analgésico. Aroeira-vermelha. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. . o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. como cicatrizante e contra gengivites. Cambuí. Fruto-de-raposa. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. com casca grossa. Bálsamo. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. referindo-se às frestas da casca do fruto. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. O nome do gênero significa "cortar". febrífuga e usada contra afecções uterinas.Schinus terebenthifolius Raddi. Aroeira-do-sertão. Aroeira-branca. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Aroeira-do-brejo. lenha e carvão. analgésico e contra coceiras.

descrito também por Carl Linnaeus. do tipo drupa. Acaiou. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. antiespasmódico. além de comestíveis. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. com 5 a 7 m de altura. esverdeado e doce (Figura 22. o fruto. Em outros países da América do Sul. referindo-se à semelhança com o fruto. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. como antidiarréico. referindo-se apenas à fruta da espécie. as flores são pequenas. 1994). Cirouela. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Siriuela. é ovóide.4). diurético e analgésico. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). O nome Spondias significa "ameixa". as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. especialmente árvores com resinas. sendo um composto característico das espécies deste gênero. ou Cajá e Umbu. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores.O3). inclui espécies tropicais.Spondias purpurea L. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. p-hidroxi- . ou mesmo Caju. O gênero Spondias. O ácido anacárdico (C22H32. Outras denominações comuns são Acajá. Acaju. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. reunidas em racemos. imparipinadas. ilustrado a seguir. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta.

aminoácidos. agathisflavona. quercetina. 1987). limoneno. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja... robustaflavona. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. anacardol e cardol. também foram isolados (Costa. álcool araquidílico. flavonóides. n-eicosano. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. amido. 1997c). K e Ca (Thomas & Dave. 1986). S. cardanol. amentoflavona. Compostos derivados do ácido anacárdico. (-)-epiafzelequina. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. taninos e açúcar (Nagaraja et al. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. (-)epicatequina. 1989). a-selineno e vitamina C (Gupta. 1997). além de Na. anacardeína (Sathe et al. cicloartenol. de diferentes partes da planta. além de flavonóides voláteis (Pino. leucocianidina. 1973). anacardol. ácido-p-hidroxibenzóico. a-amirina. ácido gentísico. P. apigenina. 1990). kaempferol. e de suas folhas foram isolados miricetina. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . fenol. derivado de resorcinol. 1995). Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. aminoácidos. ácido procatéquico. Al. 1987). narigenina. os seguintes compostos: acetofenona. Mg. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. estigmasterol. C1. campesterol e colesterol (Dinda et al. 1985). sódio e açúcar. esteróis. 1986). glicosídeos de quercetina. taninos.. antocianinas. Foram também caracterizados.

1992).. oléico. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Muroi & . ácidos esteárico. 1991). mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas.(Guerrero. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. 1991. ácido salicílico. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade.. tocoferol e outros.. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. flavonóides e triterpenos em suas folhas. tocoferol. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. palmitoléico. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. aminoácidos variados. 1994). 1991). tais como -catequina. 1994).. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1999). 2000). 1994) e frutos (Augusto et al.. Himegima & Kubo. 1994). Vários derivados do ácido anacárdico. -sitosterol. palmítico. láurico. e raízes (Guerrero. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. -linolênico. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. -caroteno. 2000). Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . quercetina.Bacillus subtilis.. Escherichia coli. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. 1993. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. denominados geraniina e galoilgeraniina.

1982). 1993). meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. 1992. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira.. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1991). 1993). Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A.. occidentale foram avaliados perante a B. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). enquanto o cardol. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1974. O extrato hexânico das cascas de A. Souza et al. 1995). 1994). Jurberg et al. 1984a). . Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.. glabrata. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Craveiro et al.epicatequina Kubo. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera.

um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al... 1993). O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. occidentale. pela presença do cardol (Hoehne. Barbosa Filho et al.. 1990. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Akinpelu. 1983).. Abo et al. 1994).. Dos extratos hidroalcoólico. Além disso. França et al. Mota et al.. 1982. 1994). o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al..A epicatequina.. mombin. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. Kudi et al. 1982 e 1985. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 2000. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al.. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. 1981). Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. Geraniina e galoilgeraniina. taninos isolados de S. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). isolada de A. 2001. 1999. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. 1991). 1992). 1980) enquanto. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. occidentale... antiartrítica. .. 1990).. responsáveis por irritação da pele. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A.. 1992).

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Spondias purpurea.FIGURA 22. 1946). Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.4 . .

b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 .FIGURA 22.

Ruta graveolens.FIGURA 22.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

as quais são descritas a seguir. de acordo com o sistema de classificação botânica. Hiruma-Lima L. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). mas alguns arbustos e árvores são des- . Di Stasi A ordem Apiales. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. A. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. C. Essa família inclui 446 gêneros. como Umbelliferae. com aproximadamente 3.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley.23 Apiales medicinais C. denominada também Umbellales. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. 1997).

Muitas dessas espécies são cultivadas. assim. 1998). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. com raízes fasciculadas. Daucus (Caucalideae . Coriandrum (Coriandreae . Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Pimpinella (Erva-doce). ascendentes. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Apium. dunas e brejos. Cominho e Salsa. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). fibrosas e caule florífero solitário. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. muito comum na Mata Atlântica. oblongolanceoladas. tais como Cenoura.critos na família. Coentro. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . a Eryngium ekmanii.Apioideae). No Brasil ocorrem poucos gêneros.Hydrocotyloideae). Cicuta. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Apium (gênero do Salsão). Erva-doce. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). optamos por incluir aqui apenas duas delas. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . e Hydrocotyle exigua. folhas alternas. Apium com características ruderais. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil.Apioideae). entre inúmeros outros. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. onde há amplo uso como medicamento. Petroselium (Salsa). densamente imbricadas.Saniculoideae).

Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. vem de eros = "lã".1). lobadas e pilosas. e aix = "cabra". referindo-se às fibras do rizoma. com flores avermelhadas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. quando preparado em alta concentração. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas pequenas. habitando em lugares úmidos. Também é conhecida como Erva-capitão. semelhantes a barba de cabra. diclamídeas e hermafroditas. frutos pilosos. de no máximo 1 cm de espessura.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. fruto subgloboso (Figura 23. Eryngium. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. var. capítulos esverdeados com flores pequenas. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. cordiformes. espalhadas por diversos continentes. o sumo das folhas frescas. torcidas antes de abrir. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . exigua (Urban. cíclicas. de Erva-terrestre. é considerado excelente contra dores de cabeça. com nós. dos quais são emitidas raízes. no entanto. Hydrocotyle hirsuta Sw. na região do Vale do Ribeira. especialmente em crianças. crenadas. inflorescência em capítulo. Esse chá. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. O nome do gênero. usado topicamente.

campestre (Erdemeier & Sticher. em altas doses. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. 2002). Além de saponinas. farneseno.. 1980) e E. 1995).. emético.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1985. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E.. foetidum L. elegans (Campos & Garcia.. 1997). 1984).. 1997a). campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al.4. foi ainda isolado o falcarindiol em E. acetilenos. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. Hohmann et al. planum (Hiller et al. também encontrados em E. .. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.. 1985). anetol e alfa-pineno (Pino et al. A atividade antiinflamatória foi determinada em E.. O extrato aquoso de E. a DL50 por via oral foi de 1. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. Das folhas de E. maritimum (Lisciani et al. sendo 2.5-trimetilbenzaldeído. foram isolados 46 compostos. 1999). bourgatii (Lam et al. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 1992). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes.. 1986). Glicosídeos foram isolados de E. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. diurético e. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. ilicifolium (Pinar & Galan. sendo majoritários carotol. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. comarinas e flavonóides. 1986). 1997a). 1986). De E. e cotyle = "umbigo". O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água".inclui 130 espécies cosmopolitas.

lianas. Tetrapanax. segundo a história. Tetrapanax e Aralia. No Brasil ocorrem vários gêneros. 1997). utilizada como alimento. Árvores. Schefflera. e Polyscias. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. ambos introduzidos no Brasil. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Hedera. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Panax. Australásia e América tropical (Joly. no envenenamento do filósofo Sócrates. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. epífitas. com aproximadamente 1.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. especialmente em refogados e saladas. arbustos. especialmente do gênero Cicuta. Mackinlaya e Polyscias. da famosa Hera dos parques.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. e inclui 47 gêneros. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. famosa por ter sido usada. são encontradas na família. e centenas de . subclasse Rosidae. mas raramente ervas. 1998). No entanto. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Centro-Oeste e Sul. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. Das inúmeras espécies descritas nessa família.

Outras espécies do gênero.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. usada internamente. Cuia. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. com larga bainha na base. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". pertencente ao gênero Polyscias. folhas alternas. reunidas em inflorescências axilares. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. O nome popular da espécie. cálice pequeno. e acias = "sombra". fruto indeiscente. ovário ínfero. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. grandes. A espécie não foi completamente identificada. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. Cunha e Cunha-mansa. flores pequenas. pela beleza de sua folhagem. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. androceu com cinco estames.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. variegadas. sendo também usa- . refere-se à forma da folhas. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Cuia. globoso. amplamente cultivada como ornamental. descrito por Johann Forster e Georg Forster. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. O gênero Polyscias.

. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll.. 1990). Em P. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. Vo et al.. 1989c e 1990) e de P. os autores demonstram que . 1990. Glicosídeos oleanólicos. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1995.. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse... assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 1992). Fulva (Bedir et al. 1991). 1996. 1988.. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). Lutumski & Luan. 1992. Chaboud et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1989b. Nas folhas de Polyscias sp. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Proliac et al. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1998). 1994). 2001). scutellaria (Paphassarang et al. Barilyak & Dugan. Nesse estudo. 2002.dos como calmante por adultos. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1986). 1989a.. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1992). Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias...

são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. especialmente a Panax ginseng. FIGURA 23.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. e de prolactina pela hipofise. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. associados àqueles referentes a outras da família. A espécie P.. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. mostram que essa espécie. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.1 . prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . 2002). assim como outras do gênero Polyscias.Eryngium ekmanii. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide.

Banco de imagens - . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Polyscias.FIGURA 23.2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Gentianaceae e Asclepiadaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Loganiaceae. demonstram que a ordem Gentianales. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas.24 Gentianales medicinais L.Strychnaceae. . Di Stasi C. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Apocynaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. A. Esses dados. Apesar de não referidas no nosso estudo. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . Genistomaceae. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. apesar de pouco numerosa. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). C. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae.

Rauwolfia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales.900 espécies tropicais e subtropicais. Java. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Catharanthus. Aspidosperma. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Paquistão e Tailândia. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Inclui espécies arbustivas. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. serpentina. com destaque para ajmalina. serpentinina e reserpina. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. ajmalinina. Hancornia. Joly (1998) destaca. aqueles que incluem espécies arbóreas. Allamanda. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. Mandevilla. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Vinca. arbusto encontrado na Índia. como os gêneros Allamanda. e encontrado em várias outras espécies do gênero. como Aspidosperma. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. dentre os gêneros. fornecedores de madeira. muito utilizadas ornamentalmente. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Strophantus. sendo esta última o mais importante. herbáceas. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. inclui 165 gêneros. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. . arbóreas. além dessas. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Nerium. Tabernaemontana. a família possui espécies trepadeiras. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Thevetia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. e. subclasse Asteridae. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Nesse contexto. os gêneros Mandevilla e Thevetia. 1997). Hancornia. entre as espécies de pequeno porte. com aproximadamente 1.

Vinca rosea e Catharanthus roseus. as espécies Strophantus gratus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Alamanda amarela e Quatro-patacas. contudo. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. espécies ricas em glicosídeos. tais como majdina. Orélia. Deve-se destacar. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. alstonilina. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. • do gênero Nerium. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. Vinca minor. tem sido designada também como Catharanthus roseus. . Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. a saber Allamanda cathartica. tais como ouabaína. Himathantus sp. e Thevetia peruviana. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. tanto para os animais como para a espécie humana. as espécies Vinca major. especialmente a Nerium oleander. • do gênero Strophantus. Wrightia e Aspidosperma. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. A espécie Vinca rosea. segundo Evans (1996).• do gênero Vinca e Catharanthus. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. tais como alstonina. estrofantinidina e cimarina. cilastonina e também a reserpina. vinblastina e vincristina. Dedal-de-dama.

Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. com copa estreita e tronco ereto. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. atingindo até 20 m de altura. axilares e fasciculadas. usada internamente. purgativo e catártico. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. Ucuuba e Sucuba. . folhas simples. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. fruto do tipo capsular. na forma de funil. sendo a A.1). contendo poucas sementes (Figura 24. enquanto a decocção das cascas da planta. alternas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. semilenhoso. a planta exsuda látex considerado venenoso. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. O gênero inclui doze espécies tropicais. A folha é considerada excelente catártico. especialmente cães e macacos. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. espessas. A infusão das folhas é utilizada como emético. Segundo Corrêa (1984). glabras e verticiladas. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. é considerada um excelente vermífugo. emético e purgativo. em grande número. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. especialmente em crianças. com folhas brilhantes. com casca rugosa. em animais domésticos. inflorescências com flores amarelas. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. com a mesma indicação. grandes. com tubo estreito e longo.

pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. todas encontradas na América do Sul (Plumel. simples. sendo uma planta perenifólia. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. sendo útil como anti-helmíntico. coriáceas. O nome do gênero deriva do grego. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. especialmente no alívio de coceiras. contendo sementes aladas. grandes e brancas. glabras em ambas as faces. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. heliófita e secundária. linear-lanceoladas. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso.) K. frutos geminados em forma de chifres. Noz-de-cobra. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Thevetia peruviana (Pers. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. 1997). referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. ovaladas. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Schum. alcançando até 10 m de altura. com um tronco de casca cinzenta. Coração-de-jesus. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. especialmente em crianças. significando "manto de flor". folhas alternas.pecioladas. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. no entanto. 1990). margens inteiras. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). acumi- . recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros.

é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. descrito originalmente por Carl Linnaeus. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. carnosas e glabras nas duas faces. É uma espécie muito usada como ornamental. arbotifaciente. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio.nadas. amarelas. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. purgativa e emética e de uso perigoso. 1962). a amêndoa. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. 1997). as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. revestimento de maracás (Corrêa. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. 1984). a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. para provocar vômitos. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. braceletes. colares. assim como outros inúmeros usos de várias par- . fruto do tipo drupa carnosa. No Brasil. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. As sementes da espécie são usadas como inseticida. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. O nome do gênero Thevetia. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. 1984). com corola em forma de funil. contendo sementes duras e grandes. A casca é considerada amarga e febrífuga. além da sua utilização uso em vários países como emético. como pulseiras. contendo flores grandes. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. bactericida e como veneno para peixes. purgante. aromáticas. em pó. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. especialmente do continente africano. 1985). Os usos dessa espécie como purgativo. triangular. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. o látex acre é usado para acalmar dores de dente.

e de suas flores. além de 13-O-acetil plumierida. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1988). Kupchan et al. neriifolia os compostos 9. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3.-hidroxipinoresinol e 9. kaempferol. 1988). Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. a alanerosida.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. 1986). perivosídeo. 2002). 1989). saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina.1997. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.Kader et al. 1996. -sitosterol. ácido ferúlico e ácido gentísico. são ricas em um glicosídeo a tevetina. Corrêa. schottii. 1984).-hidroximedioresinol. blanchetii (Ganapaty et al. medioresinol. quercetina. 1996). tevetina B. como a A. thevetioides (Perez-Amador et al. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. escoparona.. alamandina. canogenina. . Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1974). plumierida. 1992b. flavonóides... além de lignanas como pinoresinol. ruvosídeo e neriifolina. 1988). cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. -amirina. 1993). Foram isolados de A. rutina e os iridóides plumierida. 1962. acetato de lupeol. ovata e T. também chamado tevetina A. O isolamento de diosgenina. 1992a e 1994). Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. plumericina.. 1985).. escopoletina. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. -sitosterol.. assim como de outras espécies do gênero. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. De outras espécies do gênero Allamanda..-O. foram isolados do caule isoplumericina... Dados químicos dos gêneros Allamanda. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. Tewtrakul et al.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. tais como de T. 1995c e 1995a). As sementes de Thevetia peruviana. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A.

glicosídeos cardiotônicos. alcalóides. Iridóides também foram isolados de H. linoléico. 1996). flavonóides.. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al... 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. 1992) e H. enquanto as cascas possuem alcalóides. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . linoléico. Da espécie H. esteárico e palmítico. oléico.. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al.. 1995. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster.. triterpenos e saponinas.. 1992) e em T. 1991). linolênico. e as raízes.. taninos. taninos e saponinas (Gupta. 1982). 1990). triterpenóides (Wood et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. Foram descritos os ácidos mirístico. esteárico. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. ácido metilperlatólico (Endo et al.. 1978). peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. esperolactonas. Da mesma forma. Guerrero. cáprico. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1998). ursólico. Das folhas de T. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al.. taninos e saponinas. Ali et al. (1986). Triterpenos como ácido olianólico. 1993). neriifolia (Dinda&Saha. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. behênico e erúcico. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1994. De acordo com Obasi et al. 2000). Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda... follax (Abdel-Kader et al. obovatus (Vilegas et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico.

. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1990. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. 1992). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. blanchetii (Melo et al. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. . 1935). inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A.. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. Peruvosídeo e neriifolina. bexiga. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 2000).. 2002) e antiofídico (Otero et al.... A neriifolina. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A.. 1945 e 1947). Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.camundongos. Moreira et al.. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. 2002). 1994). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al.. 1962). componentes principais da espécie Thevetia peruviana. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1991). violacea (Lima & Caldas. 1984. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al.. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. antimicrobiana (Neto et al. produziu atividades espasmogênica. 1994) antifúngico (Tiwari et al. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. Obasi & Igboechi. 1997). Moraes et al. 1989). além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina.. isolada dessa espécie. 1933). indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. conhecida popularmente como orélia. 1981). Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1982a e 1982b.. 1990). cathartica e A.

Eddleston et al. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. 2000. 1996).. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al.. 1999. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. e estudos recen- . Saraswat et al. efeitos tóxicos também são similares. No entanto. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos.. 2002. Singh & Singh. respectivamente. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Oji et al. 1993). 1933. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. para bovinos (Tokarnia et al. 1992). peixes e outros animais (Chopra et al. 0. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 1996). Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. gatos...Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica.4g/kg.700 mg/kg é dose letal.. cobaias. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade.. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1996. 1958. Nerium oleander. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). Frerejacque. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. e Thevetia peruviana e T.5 g/ kg e 14. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 2000). 1933). Maringhini et al.. 1996).. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos.

que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. Dessa forma. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. .K+-ATPase. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. 1996). uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. incluindo o homem. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. ou seja. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. no entanto. dada a riqueza química da família. os quais ainda não foram estudados. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Da mesma forma. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. De todo modo. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. Observações Várias espécies dessa família. 1991). Deve-se salientar. inibição da Na+. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade.

distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. especialmente por seus efeitos tóxicos. No Brasil. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. subclasse Asteriddae. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. e inclui 315 gêneros. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. 1997). herbáceas e raramente arbustos e árvores. Fischeria. mariana. Oxypetalum. Tylophora e Calotropis. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. trepadeiras.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. 1986). Inclui lianas. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . mariana Dcne. descrita a seguir. Oxypetalum e Calostigma. com aproximadamente 2. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. tais como Asclepias curassavica. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. sobretudo para animais. .Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. e algumas de grande valor medicinal. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. Espécies medicinais Fischeria cf.Asclepias.

opostas. L. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. inclui aproximadamente 78 gêneros. foi realizado experimento de toxicidade. com testa verrucosa (Figura 24. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. corola gamopétala. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. especialmente a febre. com ramos pubescentes. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. fruto unilocular.225 espécies cos- . nos quais se distribuem 1. androceu modificado. membranosas. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero.. com lacínios conspicuamente crispados. 1979). O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. von Fischer. E. de onde saem as folhas simples. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. hermafroditas e de simetria radial. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com pecíolos pubescentes. diclamídeas. flores pentâmeras.2). sementes comosas.Dados botânicos Espécie de pequeno porte.

especialmente do gênero Dejanira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. com caule ereto de muitos ramos. 1978). e outras são usadas como ornamentais. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Dejanira. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. 1997). mas também inúmeras espécies tropicais. na região amazônica. a decocção das raízes é usada contra febre. Puruvá e Cutúbea. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. . muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. reunidas em verticilos. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. amplexicaules e grandes. amenorréia e como vermífugo. F. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. 1998). Lisianthus e Coutoubea. também sésseis. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. Dados botânicos É uma planta anual. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. desordens estomacais. Voyria. flores brancas grandes e muito vistosas. dispostas em espigas simples terminais. fruto capsular. folhas opostas e sésseis. sendo várias delas medicinais. de Carne-seca.mopolitas. subtropicais e de clima temperado. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley.

e morte. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. hipotermia. 1984). Porém. um dos encontrados no Brasil. onde é cultivado como ornamental. e Strychnos. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. quando ingerida dentro de 24 horas. diminuição da atividade motora e dores abdominais. 1997). febrífugo. 1979). . estudos de toxicidade. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. incluindo tanto árvores como arbustos. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). lianas e ervas (Mabberley. dentre eles. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. polipnéia. tônico. da famosa Strychnos nux vomica. taquicardia. diminuição da atividade do rúmen.. Mas a C. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. destacamos apenas os principais: Spigelia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa.

fruto do tipo baga globosa. 1978).. antigamente. Noz-vômica e Quina-de-cipó. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. Nomes populares Na Mata Atlântica. glabras. No levantamento realizado.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. nós na forma de uma cruz. Segundo Corrêa (1984). . a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. coriáceas e trinervadas. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. 2001). Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. nux-vomica (Shoba & Thomas. também constatado para a espécie S. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. que se refere à presença de mais de 190 espécies. flores amarelas em grande abundância. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. 2002). a planta é narcótica e venenosa. O nome do gênero designava. as plantas com propriedades narcóticas. a maioria na Amazônia (Barrozo. folhas opostas e ovais. porém de S. em seus cipós. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. A planta recebe esse nome por possuir.

1 . FIGURA 24. 1996). S.. . Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al.. 2001).. S. Quetin-Lecrerq et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. myrtoides (Martin et al. 2000 e 2001. 1999). Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. 2000. 2001)... S. Das raízes de S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. mellodora (Brandt et al. 1996). 1995).A S. 1998) e S... 1996). 2000). panganesis (Nuzillard et al.. usambarensis (Frederich et al. guianesis (Penelle et al. Rafatro et al..Allamanda cathartica..

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Fischeria cf.FIGURA 24.2 . laniflora Dcne.Banco de imagens - .

C. Gonzalez L. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. algumas vezes parasitas. lianas. A. G. Di Stasi F. ervas. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Seito C. Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. incluindo plantas herbáceas. arbus- . Solanaceae. N. das quais alguns exemplos são aqui referidos.600 espécies.

que são cultivadas com fins comerciais. A planta também é conhecida. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Na região da Mata Atlântica. flores brancas. a espécie é cultivada e consumida como alimento. de Batata-doce.tos e raramente árvores (Mabberley. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. com folhas alternas. raízes tuberosas. suculentas. em gargarejos. . 1997). No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. aqui também descrita como medicinal. Possuem inúmeras variedades. internamente. Ipomoea batatas. como Batata-da-terra. cordiformes. para infecções da boca. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. rosas ou arroxeadas. geralmente lobadas. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada. gengivite e dores de dente. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. ainda que raramente. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. axilares e fruto capsular. delicadas e amplamente consumidas como alimento.

antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. b-sitosterol. folhas alternas. de 5 a 18 cm de comprimento. coptica. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. Alba. purpurea e I. batatas Lam. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. e de homoios = "semelhante".. I. friedelina. glabra. De . de cor vermelhoviva ou rosa. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. flavonóides (Zhou. 1996). Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. carnea. 2000. 1996). oblongata.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. como é o caso de I. I. tubérculos ou arbustos. Muitas espécies são medicinais. Dados químicos do gênero Da espécie I. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. como é o caso de /.. sinensis.. 1995). flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. fruto capsular ovóide. com caules bastante entrelaçados. ácido caféico e quercetina (Tan et al. anti-reumáticas e laxativas. I. comparando-se as plantas deste gênero. purpurea e /. 1986). muitas delas amplamente cultivadas. 1. com cinco lobos arredondados. I. I. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. cairica. cairica. sendo várias ervas. Delgado et al. 1996. acetil-b-amirina. hederifolia. Goda et al. pinatipartidas e pecioladas. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói".. enquanto as folhas são detergentes.

(Sharma & Shukla.. arctiina e matairesinosídeo. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1988). 1997).. 1997). As folhas de I. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1996 e 1997). De Lima & Braz-Filho. Diversos flavonóides foram isolados de I... as lignanas arctigenina. quando administradas a cabras. Das partes aéreas de I. hardwickii (Liu et al. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1989).. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. Das sementes de I.. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. os flavonóides 4'. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. e das flores de I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1999a. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. matairesinol e trachelogenina. 1987). Das raízes de I. e também dibenzil-g-butirolactona. adrenérgicos e . reticulata (Mann et al.. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. carnea. De I. também encontrados em I. alta concentração de cálcio e potássio. 1990). 1997). carnea Jacq. regnellii e I. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. 1987). cornea. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1986). 1999). 1996). 1996).. 1997). operculinas I-VIII ácido operculínico A.. Das sementes de I. 1996). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.I. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica.. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. é medido por mecanismos colinérgicos. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.

. O extrato diclorometano de I. Foram isolados de I. com 2. Entre estes.não-colinérgicos (Hore et al... 2000). e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1997). arbustos. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al.. 1996). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. 1996). pescapae (Madeira et al. A I. Foram observadas também anorexia. 1992).. 1998). 1994). stans três tetrassacarídeos. Os extratos aquosos. O efeito tóxico foi observado no cérebro. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al.. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I... conhecida popularmente como salsa-da-praia. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 1998). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. As sementes de Ipomoea ssp. 1990).. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. espasmolítica (Medeiros et al..950 espécies subcosmopolitas. 1998a e 1998b). 1995). muitos destes com grande ocorrência no Brasil. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. depressão. 1991). encontram-se árvores. 1996). lianas e ervas (Mabberley. 1997). dos quais 25 são endêmicos. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al..

• Cestroideae. Don. como Juá-bravo. Manacá-açu e Jeratacaca. Brunsfelsia. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana.• Solanoideae. Nomes populares Na região amazônica. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Nos estudos realizados. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. especialmente na espécie Hyosciamus niger. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. tanto do ponto de vista farmacológico. descrito posteriormente. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Datura. dessa subfamília. pelos nomes de Manacá-da-serra. com inúmeros representantes no Brasil. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. ainda do ponto de vista comercial e social. do famoso Tomate. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. de onde se isolou. entre outros inúmeros compostos. Fumobravo. e Solanum. Physalis. . importante ferramenta farmacológica e. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. fonte de nicotina. Em outras regiões. Cuvitinga e outras espécies. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Gambá. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. na qual se encontram os gêneros Capsicum. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. da famosa Datura stramonium. Lycopersicum. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. a capsaicina. Managá-caa. da famosa espécie Nicotiana tabacum.

folhas inteiras. longo-pecioladas. pentâmeras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. referindo-se à forma do fruto. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. ereto e crasso. com anteras azuladas. bolha". O chá preparado com raiz de . bilocular. de Camapu. Dados botânicos Erva com muitos ramos. semente rufescente (Figura 25. muito ramificado. hermafroditas. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. pequenas. agudas. Mata-fome. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Joá-de-capote. Bolsa mulaca. Mulaca. fruto esverdeado do tipo baga. androceu com cinco estames. glabra. possui.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. flores amarelas. Juá-de-capote. na região amazônica.1). flores dispostas em cimeiras. folhas elípticas e acuminadas. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Nomes populares A espécie é chamada. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. súpero. diclamídeas. sem estipulas. Physalis angulata L. caule verde. ovário bicarpelar. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. especialmente na Amazônia. Joá.

Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. contra inflamações. 1990). interna e externamente. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1984) e a raiz.. 1982). diuréticos e resolutivos (Corrêa.camapu misturada com raiz de açaí. da Amazônia brasileira. contra vermes. 1990). enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. problemas hepáticos. malária. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. 1994). hepatite e reumatismo (Forero. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. 1995). no Pará. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. vômito. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. outros. Rutter.. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. renais e de vesícula biliar (De Almeida. No Peru. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1980. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. 1993). em Minas Gerais. bem como no combate a febre. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Jubeba. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. os frutos são desobstruentes. e suas folhas têm uso diurético. No Brasil. na Paraíba. 1998). a infusão da sua raiz. Solanum paniculatum L. útil contra reumatismo. 1980). Juuna e Juvena. para tratar hepatite. dermatites e doenças de pele. 1974-1975). . Juripeba. 1980). problemas hepáticos. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1984).

hepatite e febres intermitentes. muitas delas de grande valor econômico.700 espécies subcosmopolitas. Solanum tuberosum L. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. carnosos. de caule alado. ereta. todas cultivadas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. Inclui inúmeras variedades. alívio". O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). flores em umbela. folhas alternas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. especialmente contra lombrigas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. flores brancas. sendo úteis contra icterícia. de onde é obtida pelos habitantes locais. dispostas em racemos. além de ser indicada contra problemas do estômago. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo baga redonda. brancos ou amarelados. sinuosas e acuminadas. desiguais. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. lilás ou roxas. es- . fruto do tipo baga globosa.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas.

Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. Do gênero Physalis.. cetonas. 1985.. As sementes de B. obtido de suas partes aéreas. 1996). 1986). alkekengi (Kawai et al. Vasina et al. identificou a presença de 122 compostos. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. Na região. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. dos quais foram caracterizados. Já da casca da raiz de B. 1995).. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). peruviana (Sahai & Ray. 1981).. ixocarpa (Abdullaev et al. minima (Mulchandani et al. 1980) e P.25%) e ácido ricinoléico (0. P pubescens (Reddy et al. angulata (Row et al... ácido palmítico (7. Eguchi et al. principalmente. nitida.. alcoóis e ésteres. 1977). 1985). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Oshima . Alcalóides foram isolados de P...5%)..5%). 1987). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1977a). 1994). 1987. De B..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. 1980. 1987. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Sinha et al. 1986.. ácido oléico (11. P viscosa (Maslennikova et al. 1980. 1988. Glotter et al. aldeídos. Frolow et al. grandiflora. No óleo das sementes de B. 1977 e 1978). espécie de origem cubana. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. 1979a. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. P. 1986)..52%) (Maestri & Guzman. 1986). hidrocarbonetos. Itoh et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al.8%). Gottlieb et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. P. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al.. com ciclopropenóides. 1991).. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer.. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.. P peruviana (Gottlieb et al.

indica foram isolados vitasteróides. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida.. 1990). Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B.et al. 1992). Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. angulata foram isolados ainda vitasteróides.. figrina. acetil colina. Neilson & Burren. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. B. 1992b e 1992c). 1988). Ripperger et al. febre e picadas de cobra. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1987). calcyina var. enquanto das folhas de P. minima var..... 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. 1997. além de alcalóides.. glicosídeos. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1990)... hopeana. vitaminimina. 1987 e 1990. fisagulina A e K. Já da raiz de B.. vitangulatina A. 1987. 1988). australis (McBarron & de Sarem. bronquites. 1975. 1968. O extrato aquoso de B. 1989. 1987b.. 1992a.. Vasina et al. Dinan et al... 1986).. artrites. A administração oral de B. ácido clorogênico. De P. fisalina B e quercetina (Gupta et al. com extratos da raiz de B. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. 1993. De P. neoclorogenina. Moiseeva et al. Chen et al. Oliveira et al. 1988 e 1989). Banton et al. Chen et al.. . 1983. 1990. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. floribunda. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1991). vitagulatina A.. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. fisangulídeo. 1977). 1986. 1997). utilizada para picadas de cobra. 1990. B. 1967a e 1967b). painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. aianinas. revelou atividade depressora do SNC. Shingu et al. bonodora... 1990). beta-sitosterol. 1989. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. flavonóides (Ser. 2001).. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. Uma triagem hipocrática em ratos. uniflora. pauciflora e B. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. vamonolídeo. Spainhour et al. flavonóides (Ismail & Alan.

anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1990). I. aos esteóides. antibacteriana (Hussain et al.. M.. alcoólicos. anticolinérgica (Fonteles et al. V.. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1998) e antineoplásica (Carvalho. antiespasmódica.. quando ingeridas em dose única ou repetida.. Silva. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1993. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. et al. e a atividade imunoestimulante. 1991. 1998). Das folhas de P. M... entre outras. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 1998). 1992a e 1992b). V. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho.. et al. et al. M. G.Para a Physalis angulata. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. 1997. P. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. citotóxica.. 1997. Nos frutos de P.. anti-séptica. 1992a e 1992b).. V.. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. como movimento . 1998. T. 1988). antimutagênica. M. entre outras (Lin et al... 1998). M. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. Kurokawa et al.. Haussmann et al.. Chiang et al. et al. et al. V. 1998.. Barbi et al. antiasmática. 1989). imunoestimulante (Carvalho. et al. 1990).. Pietro et al... aqui descrita. diurética. Os extratos aquosos. 1998. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. 1998). et al. et al. in vitro e in vivo. 2000). antigonorréica. 1992. antileucêmica.. constataram-se atividades hipotensora. melanomas. 1998). Carvalho. tripanossomicida (Barbi et al. 1987). 1995.. M.. embora outros sinais também tenham sido verificados. O estudo dos vitanolídeos de P. 1998b). V. etanólicos e esteroidal mostraram. M. V. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. antiviral (Otake et al.. Kusumoto et al.. imunomoduladora (Rosas et al. Ribeiro et al. Soares et al. M. niruri e P. incluindo leucemias. 1998). Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. 2002. 1987).

Além disso. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. 1991).1 . tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . às vezes levando-o ao chão. perda de peso.Banco de imagens - . falta de apetite.de mastigação. FIGURA 25. salivação. irritabilidade.Physalis angulata. estiramento e contração das patas traseiras.

A. Nas regiões de estudo. apesar de incluir apenas oito famílias. freqüentemente .26 Lamiales medicinais L. 1997). Di Stasi E. Santos C. as quais serão discutidas a seguir. C. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. espalhadas por todo o planeta. A família inclui árvores. M. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). arbustos. com aproximadamente 2. das quais se destacam as Boraginaceae.300 espécies (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Amazônia e Mata Atlântica. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. inclui 130 gêneros distintos. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Guimarães C. M.

agudas. Nomes populares A espécie é chamada. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. pubescentes na face inferior. Borago e Symphytum (Boraginoideae). densa. de Ervabaleeira. • Heliotropium (Heliotropioideae). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. na Mata Atlântica e em todo o Brasil.herbáceas e raramente lianas. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. É uma planta heliófita e higrófita. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. inflorescência espigosa. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. de onde saem folhas sésseis. 1998). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. muito ramificado. com até 12 cm de comprimento. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). • Cynoglossum. um dos gêneros mais comuns no Brasil. formando grandes populações em áreas litorâneas. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. . sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. lanceoladas.1). onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. sendo raramente encontrada no interior de matas.

de flores brancas. e trepein = "mudar". Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. com ramos lisos e glabros.Heliotropium indicum L. moléstias cutâneas e feridas. alternas. Aguaraquiunha. Na medicina tradicional salvadorenha. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com flores brancas ou azuis. amplexicaule e H. fruto formado como uma mitra. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". europaeum são reconhecidamente medicinais. ovadas ou cordiformes e acuminadas. folhas pecioladas. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. e seu suco é de alto valor contra aftas. glabro ou pubescente. faringites. . incluindo úlceras. furúnculos e também contra queimaduras. inflorescência curvada. Crista-de-galo.5 a 1 m de altura. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. anginas. estomatites. com dispersão regiões tropicais e temperadas. dispostas em espigas solitárias. Jamacanga e Jacuacanga. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. Segundo Corrêa (1984). referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. tubulosas. e as espécies H. 1994). É uma planta anual. abcessos. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero.

a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. lasiocarpina. fruto com quatro aquênios lisos. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. enquanto as raízes. 1986). vistosas. 1996). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. europina. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. De H.Symphytum officinale L. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. tubulosas. amarelas ou rosas. como beta-sitosterol. acuminadas no ápice. Sonsólida. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. com folhas ovadas ou oblongas. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. . inflamação e dores de barriga. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. distúrbios estomacais. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. Erva-do-cardeal. Consolda maior. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. ásperas e onduladas. 1994). dispostas radialmente. Outros nomes são Consolda. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. além de alcalóides e taninos. Das partes aéreas de H. flores grandes. lupeol.. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. Língua-de-vaca. taninos e triterpenos. Nomes populares A espécie é chamada. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. de Confrei. Orelha-de-vaca etc. caule curto e ramoso.

e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. Reina et al. bovei.. 1988).. heliotrina e lasiocarpina de H. 1996). heliovicina. arborescens (Bourauel et al.. curassavicum (Davicino et al. heleurina. destacando-se compostos fenólicos em H. spathulatum (Roeder et al. H. heliotrina e lasiocarpina (Guner. 1995) e H. 1995b). 1996). (1989). em H. 1988).De H. 1988). supinina e europina (Rizk et al. heliotrina e lasiocarpina e. esfandiarii (Yassa et al. 1986). Farrag et al. subulatum (Malik & Rahman. curassavina. H. 1994)... echinatina. H.a heliospatina e o heliospatulina .. 1995).. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. em menor quantidade. H. Das partes aéreas de H. heliotrina. 1988. H. H.. curassavinina. licopsamina amabilina. stenophyllum. 1988). Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1988). keralense (isolicopsamina. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . 1987).. coromandalina. (1990). rotundifolium (europina. em que se . scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. hirsutissimum (Guner et al. heliotrina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. H. argentinum e var.de H. 1989). heleurina. coromandalinina.. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1990). Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. lasiocarpum (Akramov. e heliotropina de H. intermedina e retronecina) por Ravi et al. europina. 1991). bursiferum (Marquina et al. curassavicum var. europina e supinina em H. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov.. 1995b.

Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . C. 2001). pinocembrina.. Os constituintes fenólicos denominados galangina. verbenacea. 1991 e 1988. pinocembrina. ovalifolium (Guntern et al. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al.. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. tais como ácido rosmarínico. 2002). bacciferum (Miralles et al. filifolium (Urzua et al. linnaei (Ioset et al. 1990). a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis.. De H. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. De H. Do exsudato resinoso de H.. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. myxa. stenophyllum (Villarroel & Urzua. chenopodiaceum. 2001). 2000b). 1996).. As propriedades antifúngicos. sakuranetina foram isolados da resina de H.. 1996). alliodora (Ioset et al.. do exsudato. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. filifolium também foram isolados. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. 7. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.. 1998). 1994 e 1996).. Al Awadi et al. 1990).. curassavica (Ioset et al. 1989) e esteróis e quinonas em H. 1987). C. Os flavonóides ayanina. 2001). dentre outras espécies (Ficarra et al.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. 1996).. pinobanksina-3-acetato. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 2000a) e C. 1995. A H.3'-dimetileriodictiol. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. hesperetina. pinocembrina. 1990)... solicifolia (Hayashi et al. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H.. 3-0-metilgalangina. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C.. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 7-O-metileriodictiol. C. Sertie et al. 2001) e de C. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg.descreveram os constituintes galangina.

porcos e aves (Gaul et al. é potencialmente tóxica. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al... elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. Jain et al.. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al.700 espécies. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. argentinum apresentam genotoxicidade. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. 1989). subtilis como o extrato bruto de H. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al.. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. ellipticum e H. nos quais se distribuem 6. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. 1995). também denominada Labiatae. Eroksuz et al.. De H. Dados toxicológicos A espécie. Singh et al. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.. Portanto. europaeum e H. 1992). Alcalóides isolados de H. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. bursiferum (Marouina et al.paz de inibir efetivamente o B. 1987. 2002. 2001a e 2001b). Das partes aéreas de H. 1997). 1994. infusão ou chás por via oral. 1987). assim como todo o gênero Heliotropium. 2001).

especialmente americanas. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. 1997). bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Hyptis e Plectranthus. Malva. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Thymus. Leucas e Sideritis. Satureja. Salvia. Pogostemonoideae: Pogostemon. Trata-se de uma importante família. com haste suculenta. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Teucrioideae: Teucrium. Origanum. corola com tubo infundibuliforme. do ponto de vista medicinal. com cálice tubuloso. pois são usadas como condimentos. Lamioideae: Leonotis. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Nepetoideae: Hyssopus. Salva. Mentha. crenadas. bilabiado. . folhas pecioladas. rígidas. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Lavandula. alimentos. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. ex Benth. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada.(Mabberley. Rosmarinus. flores dispostas em capítulos pedunculados. obovais. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. pubescentes. Salva-do-campo. Melissa. Dados botânicos A planta é uma erva ereta.2). O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Ocimum. oposto-decussadas. Scutellarioideae: Scutellaria. Ajugoideae: Ajuga. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais.

icterícia. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão".Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. Na região da Mata Atlântica. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. diarréia. de até 2 m de altura. mas não foi completamente identificada. anti-reumático e contra cólicas menstruais. flores pediceladas com quatro estames. emenagogos. a decocção das folhas é usada contra malária. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. folhas opostas. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. um pouco lenhosa. ovadas e subcordiformes na base. e inclui apenas quinze espécies tropicais. recebe o mesmo nome. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. flores dispostas em racemos densos e verticelados. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. Nomes populares A espécie é chamada. sudoríficos. Na Mata Atlântica.3). Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. e a infusão da planta toda. antigripal. cólicas menstruais e problemas digestivos. na região amazônica e em quase todo o Brasil. Dados botânicos Erva anual. para regular a menstruação. de Rubim. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Leonotis nepetaefolia Hort. 1982). no tratamento de inflamações da garganta e olhos. de constipações e artrites (Van den Berg.

Leucas martinicensis R. durante dois dias. o chá de toda a planta. 1984). em Minas Gerais (Verardo. brancas. A planta é também considerada antiespasmódica. a infusão das folhas é usada. herbáceo. facilitando a expectoração.. como Cordão-de-frade. Dados botânicos Planta anual. Grandi & Siqueira. ovadas ou oblongolanceoladas. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. uma xícara por dia. como cicatrizante. cálice bilabiado. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. útil contra úlceras. contra gripes. de caule ereto. no Ceará (Matos et al. no Rio Grande do Sul. nas inflamações broncopulmonares. 1982). 1982. 1980).. antiasmática. 1986). a planta florida é usada na fraqueza geral. raramente arredondadas. duas vezes ao dia. externamente. antireumática. flores sésseis. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. como abortivo e antitérmico (Simões et al. na Mata Atlântica. Na região do Vale do Ribeira. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. febrífuga e diurética. 1982). distúrbios do estômago. pilosos e sulcados.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. especialmente de barriga e. internamente. ramos quadrangulares. corola bilabiada. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. desiguais entre si. pubescentes nas duas faces e membranosas. folhas pecioladas. no Mato Grosso. com cinco segmentos acuminados. é utilizado como anti-reumático. dores gerais. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. sendo ainda indicada contra úlceras. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. ramoso e pubescente. reumatismo. Br. hipotensão. com lábio superior 1-2 .

O nome do gênero Leucas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A espécie M. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e.5). externamente. e seu cozimento é indicado como antireumático. formando espigas no ápice dos ramos. numerosas.lobado e o inferior 1-3 lobado. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. folhas opostas. contra tumores. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. . zigomorfas. piperita é um híbrido de M. Menta e Hortelã-verdadeira. fruto do tipo aquênio (Figura 26. viridis e M. nome recebido em todo o Brasil. planas. aquatica. pentâmeras. diclamídeas. curto-pecioladas. referindo-se à cor das flores. serrilhadas. contra dores musculares e reumatismo. hermafroditas. 1984). flores violáceas. decussadas. agudas. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. com raiz fibrosa e caule ereto. A planta também é utilizada como tônico. bilabiada. topicamente. ramos eretos e opostos. na Mata Atlântica. ramoso. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. filha de Cocylus.4). corola gamopétala. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. pouco aveludada. antiespasmódico e contra nevralgias. descrito por Robert Brown. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. significa "branco". O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. Hortelã-das-cozinhas. de porte herbáceo. difere da M. dela. apenas de Hortelã. é usado sobre gargantas inflamadas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. um pouco pubescentes. o macerado das folhas em água. Na região do Vale do Ribeira. na forma de gargarejo.

timpanite. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. é indicada contra dores de estômago em crianças. três vezes ao dia. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. Hortelã-da-preta. 1984). tremores. sendo indicada contra flatulências. na região amazônica. anti-reumático e contra insônia. 1986). de Hortelã-verde. em Brasília. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. digestivas.. 1986). . no Rio Grande do Sul. Na região da Mata Atlântica. antiespasmódicas. dismenorréias e verminoses. A M. bronquite e tosses. calmante. de estômago. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hortelã-pequena. dores de cabeça. diarréia. Hortelã-graúda. estimulantes. em 1990. vômitos. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. estimulante do fluxo biliar. Nomes populares A espécie é chamada. estomáquicas. 1982) e como anti-séptico. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. musculares. Mentha viridis L. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. carminativas. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. 1980). Contudo. problemas cutâneos. garganta e dentes (Simões et al. cólicas abdominais e tétano. a infusão das folhas. eólicas uterinas. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. 1991). Hortelã-comum. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. dor de barriga. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). catarros de mucosas. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger.

garganta e estômago. ovadolanceoladas. dores de barriga e pedras nos rins. gripes. denticuladas. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. tétano. inflorescência do tipo espiga. glabras. bronquites. ameba e giárdia. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. ovais ou oblongas. bastante pilosa e com aroma forte. Mentha pulegium L. cólicas. ramos eretos. opostas. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. corola e cálice campanulado (Figura 26.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. bronquite e gripe. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. caule ereto. tosses. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. . especialmente lombriga. pecioladas. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.6). ascendentes. dores de estômago e "quebranto". a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. folhas subsésseis. flores rosas ou violeta-claras. em verticilos aproximados. Na região do Vale do Ribeira. assim como em todo o Brasil. com folhas pequenas. cilíndrica e frouxa. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. além de ser considerada útil contra febres. serrilhadas. seu decocto é considerado útil contra tosse.

de onde partem folhas opostas. Alfavaquinha. Ocimum canum Sims. . Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. assim como em todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma erva anual. entre outros. Alfavaca-do-campo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com ramos tetrágonos e pubescentes. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. Alfavaca-de-cheiro. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. ovadas. diarréias e disenterias. estomáquica. Alfavacona. glabras. significa "perfumada". aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. descrito por Carl Linnaeus. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. de caule ramoso. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. com até 50 cm de altura ou maior.Ocimum basilicum L. de Alfava. diaforética. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. peitoral. Alfavaca-cheirosa. Ocimum. estimulante. Em outras regiões. O nome do gênero. dentadas. referindo-se à planta toda. Em outras regiões. flores brancas ou rosas. diurética e útil contra resfriados. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. pequenas e finas. especialmente de ocorrência na África.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça e bronquites. ovadolanceoladas. a espécie é chamada de Alfavaca. pubescentes. flores vermelhas. dispnéia e reumatismo. A planta toda é bastante aromática. tosses. tosses e desordens uterinas e renais. dispostas em racemos paniculados. raramente. amarelo-esverdeadas. béquica. A decocção das raízes . glabras. além de diurética. verdes e finas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. As folhas cruas também são empregadas como condimento. fruto do tipo capsulas. denteadas. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. diaforética. de ramos quadrangulares. flores roxas ou. glabros e eretos. rins e uretra. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. enquanto a infusão das partes aéreas. carminativa.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. é usada contra febres. contendo folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. pubescentes. serradas. além de excelente na cura da coqueluche. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. de onde partem folhas ovais. verticiladas e dispostas em racemos.

com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. As folhas são ainda muito usadas como condimento. como Manjericão. folhas pecioladas. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. glomerulada. inflorescência racemosa. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. ovaladas. gineceu com ovário ovóide. carminativa. núculas negras e lisas (Figura 26. congestão nasal e dor de cabeça.7). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. distúrbios do estômago. androceu com estames inclusos. Alfavaca-do-campo. pequenas. . o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. Ocimum micranthum Willd. problemas nervosos. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. membranosas. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. dores de cabeça e febres. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. agudas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. sudorífica. e na Mata Atlântica. diurética e útil contra tosses.é usada contra diarréias. dores de cabeça e como sedativo para crianças. Alfavacão. margem irregular. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. gripe e catarro no peito. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir.

além de a espécie ser utilizada também como condimento. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. Origanum vulgare L. com até 50 cm de altura. Pogostemon patchouly Pellet. 1988). flores em glomérulos. as folhas são consideradas úteis contra gripes. formando uma espiga terminal. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. no Pará (Amorozo & Gély. pilosa. tosses e bronquites. no Mato Grosso (Van den Berg. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. a infusão das folhas é usada contra infecções. com ramos ascendentes. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1980). vilosas. dores de cabeça e tosse. 1984). de onde partem folhas ovais. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa.Na região da Mata Atlântica. de base arredondada e margem denteada. . Patchuli ou Patchouli. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. dispostas em panículas.

. Triterpenóides foram isolados de H. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. O nome do gênero Pogostemon. terpinen-4-ol. predominantemente de sesquitepenos.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). cruzadas. com dois óvulos em cada lóculo. suaveolens por Misra et al. pentâmeras. alfa-bergamoteno. descrito por Desf. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. bilocular. com espigas compostas. ovário supero.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. 1990).8). (1982). como beta- . A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. significa "estames barbados". A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. corola com quatro lobos.. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. dos quais 32 foram identificados. suaveolens possui setenta componentes. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. androceu com estames excertos. hermafroditas. sedativo e hipotensor. Das folhas de H. Azevedo et al. flores diclamídeas. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. flores em glomérulos. fruto seco (Figura 26. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. três formando um lábio aberto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. 2001 e 2002). Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá.. Existem. bicarpelar. Uma outra análise do óleo essencial de H. 1990). O óleo essencial das partes aéreas de H. 1988. 1991). 1. sabineno e alfa-copaeno (Din et al.8-cineol. sendo mais comuns o beta-cariofileno. porém. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.

salzmanii foram isolados diterpenos. Porém. 1996). 1990). Das raízes de L. uma outra análise do óleo de H.. 1990). Em H. 1988). oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. (1978) e Blounietal. ácido ursólico. Das partes aéreas de H. lignanas e flavononas (Messana et al.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1988). mutabilis foram isolados triterpenos. e de L.. 1990b). 4. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1988). nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. . gama-terpineno. De H.. 1987a). e de H. 1988).6. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes.... 1987). leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. quercetina. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. ácido n-octacosanóico. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1989). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. albida foram isoladas triterpenolactonas..elemeno. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al.. umbrosa. timol. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. Das folhas de H. 1990) e de H.. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. beta-cariofileno. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. sendo p-cimeno. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. De H. 1991). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1990). Metil betulinato. ácido oleanólico acetato. campesterol. (1980).

84%).. alanina. 1996).4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. treonina.. 1986). officinalis.80%). flavonas himenoxina. fenilalanina. 1979). O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 1987. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.... mentocubanona. 1986 e 1987). mentona. 1990) e um composto fenólico (Misra. 1988). ácido aspártico. Das raízes de L. A M.3'. N. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. ácido glutâmico. Vaverkova et al. 1987). 1987). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. hidroxiprolina. Das partes aéreas de L. brassicasterol.07%) e mentano (11..10%) e 1.7. piperita var. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. et al. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil.64%). 1996). lisina. 1987). metil acetato (16. Da espécie L. das partes aéreas de L. mentofurano (19. tirosina. 1995). triptofano e metionina (Dinda et al. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. O óleo essencial de três variedades de M. colesterol. De L. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet.80%).. serina. Com isso. sendo os principais terpenos mentol.8-cineol (6. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. mentona (24. 5-hidroxi-6.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. T. glicina. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. prolina. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- ..20%). Mentha A composição do óleo essencial de M.

4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al.6. caféico e clorogênico. De M.7. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. K. Fe.e sesquiterpenóides. 1987). resinas. Zi e Cu. 1. 1988). lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. 1990) e flavonóides glicorilados. cadideno.. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. . além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. luteolina e 5. peroxidases. 1992). como alfa-pineno. ácidos p-cumárico. betasitosterina. nicotinamida. fenílico. 1989).posição de terpenos dessa espécie (Sacco. Nas folhas de M. vitaminas C e D2.3'.. Ca. limoneno..8. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. glicídios. fitosterol. Mg. Mg.8-cineol. Foram ainda isolados mono. catalase. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. b-cariofileno. Em Mentha viridis var. reduzindo significativamente a concentração de mentol. 1986).

linalol.. sendo 1.. 1988.. 1990).. 1986. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. já citados. O óleo essencial de O.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. Das sementes de O. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. 1986. 1986. 1983). 1986. micranthum foram isolados vinte compostos. eugenol. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. 1996).cariofileno.. gratissimum é composto de gamaterpineno. Na China. Khanna et al.. Takahashi et al. 1987. 1990).. Sharma et al. basilicum (Brophy & Jogia. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Sakurai et al. Borges et al. 1987. 1989). Em Cuba..8-cineol.Patel et al. b-cariofileno.. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al.. o eugenol é o constituinte majoritário. 1990). eugenol (Ekundayo et al. . enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. De O. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Lawrence. 1989). Ocimum Do óleo essencial de O. 1996). o óleo essencial apresentou 21 constituintes. Nas folhas. canum foram isolados diversos componentes. 1981). O óleo essencial de O.8-cineol. Das folhas da O. 1987). beta-cariofileno. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. Do óleo essencial das folhas. as folhas e flores de O. 1988). 1986. 1987). cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. t-bergamoteno. cis-ocimeno.. 1996 e 1997a). 1996a).. 1997). flores e caule de O. Phan et al.. eugenol. Kartnig & Simon. 1... hidrocarbonetos como p-cimeno. 1981... canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. De O. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. Porém. sendo eugenol. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al..

. palmítico esteárico. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. alcoóis. De O.. No Paquistão. além de ácido p-cumárico. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. Das sementes de O. 1978). 1996). basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. eriodictiol. Ekundayo et al. 1995). linalol. ácido caféico. Fatope & Takeda. rutina. 1987. linolênico e araquídico (Malik et al. A espécie O. Das flores de O. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. oléico. 1984). esculina (Skaltsa & Philianos. 1995). 1987). Murugesan & Damodaran. linoléico. 1994). Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. 1. 1996). basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. ácidos orgânicos. 1989). na Turquia. isoquercitrina. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. sanctum possui estigmasterol. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. 1990). basilicum foram isolados quercetina.8cineol e eugenol. 1986. 1991). terpenos.. timol. o óleo essencial de O. sendo. sabineno e eugenol (Retamar et al. fenóis.8cineol. 1.. 1990. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. kaempferol-3-O-rutinosídeo... basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al.. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1996). Thoppil. 1988). 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. rubrum foram isolados borneol.. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. nesse caso. 1995).O óleo essencial de O. basilicum apresenta 44 compostos. 1985.. 1989). o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. láurico. kaempferol. quercetin-3-O-diglucosídeo. já comentados (Modawi et al.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. b-sitosterol. 1. 1989). triacontanol ferulato. mirístico. Das folhas de O.. Em O. esculetina. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari .. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al.. basilicum e O. sendo Metil chavicol. 1987). além de metilchavicol. cetonas. A casca do caule de O. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al.

lactonas sesquiterpenóides de P. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. cablin (Akhila .. 1985). parviflorus (Nanda et al. flavonas (Patwarphan & Gupta. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al.. 1981). viride (Ekundayo.Além desses compostos. Pogostemon As folhas de P. 1984). 1986). patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. 1984) e grandes quantidades de timol em O. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. Foram isolados de P purpurascens. flavonas.

1990)... O óleo essencial de H. ovalifolia e H. 1988. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana.. pectinata (Bispo et al. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. Foram identificados n-octacosanol. auricularis (Prakash et al. beta-amirina.. H. 2001). betasitosterol. 1989). também conhecido como Sambacaitá. 1988). atrorubens.. 1984). 1998) e atóxica (Junior et al. crenata. 1998). 1998). Silva et al. P. umbrosa. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1994. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. a-bulneseno. plectranthoides foram investigados experimentalmente. Do óleo essencial das folhas de P.... estigmasterol. 1997). Em H. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P.. plectranthoides (Esvandzhiya et al. Em H. garwal et al.. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P.. 1988). 1990). apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al.. suaveolens e H. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.& Nigan.. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.. Munck & Croteau.. Coelho et al... foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. Thapa et al.. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. analgésica (Freitas et al. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. 1987. 1998). mutabilis. . 1990). H. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. F et al. comumente utilizada como calmante.. C. 1971). cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. Phadnis et al. 1977. saxatilis (Fernandes. et al. 1989). 1984... suaveolens apresenta 32 terpenóides. 1987. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.

Leonotis Em L. 1988)..As propriedades antibacterianas.. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. nepetaefolia. 1995. Di . porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. enquanto extratos de folhas. Mentha O infuso das folhas de M. Do extrato metanólico de H. 1985.. antimicrobiana (Cos et al. 1988). antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1988). conhecido como Cordão-de-frade.. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. ramos e flores de H... Forster et al. do extrato de H. e Novelo et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1993) foram atribuídas a H. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano... 1988). que foram testados quanto à sua citotoxicidade. 2002).. 1995). capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. verticillata. Calixto et al. 1980.. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1995). Diterpenóides isolados de H. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Coelho et al. Saksena & Saksena. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. 1988). 2002).. 1976.. 1988. 1988. anti-hipertensiva e espasmolítica. 1984). foram detectadas as atividades broncodilatadora.. 1988). Posteriormente. leonurus (Bienvenu et al. 1979). causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.

1998). O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. Do híbrido. O óleo essencial de O. Almeida et ai. Queiroz & Brandão.. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1993. 2000). 1996) e hipotensora (Guedes et ai.. americanus (Jain & Agrawal. Lahlou et ai... 1989). 1987). 1982. gratissimum (Atai et ai. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. antifertilidade. arvensis (Ceruti et al.. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. cannum (Dubey et ai. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 1989) e diurética (Carvalho et ai. (1968). produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. crispa (Mello et ai. Queiroz & Reis. 1978) e O. espasmolítica (Queiroz & Reis. 1989). Chen et al. Sharma & Jocob. piperita (Ansari et al. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. 1987.. .. 1986a). antibacteriana. R. et ai.. enquanto estudos com O. determinaram-se propriedades fungicida.. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. basilicum demonstraram atividades analgésica. Queiroz & Brandão. antiespasmódica (Di Stasi et ai.. 1988. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. Em O. 1986a. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai.. Ocimum Verificou-se que a espécie O. sanctum (Phadke & Kulkarni. O. 1986b). e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1986c) e em O. 1986).. utilizando-se M. 2001 e 2002). sanctum (Dey & Choudhuri. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. A. cordifolia (Villasenor et al. 2002.. Além das atividades já relatadas com M. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai.. Extratos brutos de O.. 2002). também verificada com extratos de O. 1984). 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1986a. 1987b). 2002). piperita. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai.Stasi et al. 1986). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. 1981)... 2002).

O. O óleo essencial de O. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. 1994).. 1997). 2002). principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al.. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi.. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio.. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. 1995) e O. 1992.. . ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04... E. 1989).O... Vanderlinde et al. 1992. O óleo essencial de O. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. suave (Tan et al.. O óleo essencial de O. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. As folhas de O.. antiinflamatória. 1986). 1989). 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al.. Vanderlinde et al. 1993.. 1996). gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 2001). Das folhas de O. Vanderlinde et al. Nakamura et ai. suave foram utilizadas como repelente de insetos.. basilicum (Dube et al. que apresentou atividade protetora do mastócito. Das folhas de O. o ácido ursólico. 1994a). Os óleos fixos de O. 1999. 1986). 1986). 1995). 1994. Vanisree & Devaki. gratissimum (Sobti et al. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1994). Extrato etanólico das folhas de O. 1990). 1994b. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. enquanto a O. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. et ai. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al.. mas a administração de O. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. Vanderlinde et al. 1996). antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes.

e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. longos. Alecrim-docampo. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Salva-limão. sobretudo em crianças. pubescentes. arbustos e ervas. Salsa. Sálvia e Salva-da-gripe. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa.5 ml/kg. caule e ramos primários. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will.Br. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. 1984). alternas ou opostas . Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. quadrangulares.) N. como Erva-cidreira-do-campo. provocando sonolência. ascendentes. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. folhas pecioladas. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. Stachytarpheta e Lippia. 1995). especialmente da América do Sul (Mabberley.E. Compreendem árvores. 1986). Salva-brava. 1997). e em outras. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais.

. fruto com dois mericarpos plano- . no Rio Grande do Sul (Simões et al. corola bilabiada. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. 1988). pentâmeras. pubescente e bipartido. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. diclamídeas. o chá das folhas é utilizado como calmante. flores pequenas. como antigripal e calmante. 1984). enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. no Pará. emenagoga (Corrêa. o chá das folhas é utilizado como calmante. flores pequenas. relaxante e contra intoxicações gerais. membranoso. sementes pequenas (Figura 26.9). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. reunidas em inflorescências capituliformes. cólica do estômago. na Paraíba (Agra. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Na região do Vale do Ribeira. Essa espécie é usada como antiespasmódica. 1980). náuseas. estomáquica. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. folhas pecioladas. hermafroditas. Lippia grandís Schan. 1986). relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. além de problemas do estômago. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. reunidas em inflorescências vistosas. tosses e gripes.(às vezes na mesma planta). Salva. Malva e Nulva-do-marajó. cálice curto. 1980). fruto do tipo capsular branco. cálice curto. sem estipulas. no Mato Grosso (Van der Berg. Dados botânicos Planta de pequeno porte.

carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. 1987. alfa-cubebeno. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. behênico e lignocérico (Macambira et al. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al.. três vezes ao dia. dulcis (Bubnov & Gurskii. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1986. mirceno... gama-terpineno. betacariofileno (Craveiro et al. Já de L. Hernandulcina. 1983). p-cinieno. canescens e I. Vários terpenóides foram isolados de L. As espécies L. citral e carvona (Matos et al. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. araquídico. geranial. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1987). 1981). Souto-Bachiller et al. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. o chá das folhas.. a mais estudada é a L sidoides. ukambensis (Chogo & Crank. timol. acacetina. 1987). Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. monoterpenos. esteárico.. é usado contra problemas do fígado. Matos et al.vanílico. Da parte aérea de L. limoneno. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. americana foram obtidos ácidos graxos livres.. Sauerwein et al. 1986. naringenina. (1981). porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . Da espécie L. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. 1996). 1981). 1991. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al.. No óleo essencial de L. (1986 e 1987). 1996a e 1996b). Craveiro et al. e do caule e folhas foram obtidos ácido ..convexos. lapachenol. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. timol. 1987). 1980).. 1982)..

crisoeriol. hispidulina. luteolina. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al..8-cineol.e beta-pineno.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. cirsimaritina. 1989). neral. sabineno.l. diosmetina..8-cineol.23%) e metiltimol (2.33%). . wilmsii foram isolados quinze componentes. timol..35%). 1987)..8-cineol (15. Os constituintes p-cimeno. 1. 1990). A composição química do óleo essencial de L.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. eupatorina. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. 1987).97%) como principais componentes (Mwangi et al. 6-hidroxiluteolina. 1990. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1994 e 1995). fissicalyx (Retamar et al. alba e L.67%). graveolens foram isolados pinocembrina. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. dos quais foram identificados piperitona (28.origanoides foi quantificada. p-cimeno. 1. 1.. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. naringenina e lapachenol (Dominguez et al.. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. 1989). Do óleo das folhas de L. 1989).12%). quatro alcanos.27%)..01%) ecariofileno (15. limoneno. O óleo essencial de L. 1996b). Das partes aéreas e das raízes de L. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. acetato de timol (17. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. De L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. Fun et al. 1996a). Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. 1988). dois fenóis e uma cetona (Pino et al. p-cimeno (3. apigenina. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. Das folhas de L. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. sendo 22 hidrocarbonetos. 1990).8-cineol (2. alfa-terpineno (4. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.espécies de L. quatro éteres... 1. 1.43%) e piperitenona (11. a-pineno.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. alfa.8-cineol. Dentre os compostos isolados. eupafolina. Das folhas e flores de L.. 1991 e 1995). timol. graveolens..

um éster do ácido caféico ligado ao 3. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 1981). 1990). contribui para a coesão das células da pele. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 2002).. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.2% e 41. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. P D..carvacrol.4%. integrifolia foram isolados da cânfora (18.9%) elimoneno (13... sidoides mostrou atividade moluscicida. Esse óleo....5%).. junelliana. atribuída à presença de flavonóides (Santos. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1998). 1987).. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.. Vale et al. turbinata e L. lipifolil(6)-en-5-ona (18. Com a espécie L. Do óleo das flores de L. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. de L.. 1996). Já o óleo essencial de L. respectivamente). assim como o de L.. 1990). et al. De L. mircenona (31%) e de L. 1986). integrifolia e L. Moraes et al. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. junelliana. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al... efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. multiflora. polystachya. et al.. Do extrato das folhas de L. 1980 e 1987. L. antiulcerogênica (Pascual et al. 1995a).. L. polystachya foram isolados tujona (30. 1996). 1996). grata (Viana et al.. Além disso.. 1988a).. 2000).. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. 1997). misturado a cremes. 1980). M.4- . Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. 1979). 1998). além de uma atividade moluscicida (Almeida. aristata (Rouquayrol et al. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. 1980). gracilis foram observados aumento inotrópico. o verbascosídeo. um dos componentes principais. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.3%) (Zygadloet al.. 1998.Y. aristata (Moraes Filho et al. enquanto o outro componente. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al.

... 1988). chamassonis apresentou atividades espasmolítica. M. R. 1979). Laxoste et al. 1980. Almeida. timol e carvacrol. 1978). 1988b).. . O. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. Viana et al. L. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. 1979) e I. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. Nas folhas de L.. graciliy (Fontenele et al. anti-hipertensiva. 1979. espasmolítica (Viana et al. 1985).. Y. Teixeira. 1992. 1995b). porém. 1996). Menezes et al. 1994.. e no óleo essencial. O. antibacteriana (Aguiar et al. geminata e L. anestésica (Viana et al. tranqüilizante (Matos et al.. 1994.. 1980). Botelho & Soares. 1995. O óleo essencial de L. Os principais componentes do seu óleo essencial... ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. Ximenes et al. 1992). sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. grata.. et al.. 1986). 1978. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Matos et al. sidoides (Fonteneles & Sales. 1988. 2001). 1980. Além disso.. 1998). 1996. 1977). et al. 1996). Teixeira et al. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al... 1978). 1988. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al.. antifúngica (Lemos et al. M. e o de L. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. et al. S. et al.. Nunes. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. 1996.. atividades cicatrizante. nodiflora foi realizado um screening preliminar. 1984)..dihidroxifeniletanol. Lacotes et al. no qual se observaram atividades analgésica.. Moraes. apresentaram atividades antibacteriana. 1995). O óleo essencial das folhas de L... M.. multiflora (Chanh et al. moluscicida (Moraes. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. 1998). 1978)..

Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). b) escanerata com detalhe da inflorescência.FIGURA 26.1 .

2 . 1998). .Hyptis crenata.FIGURA 26. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

FIGURA 26. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .3 .Leonotis nepetaefolia.

4 . Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.FIGURA 26.

FIGURA 26.Mentha piperita.5 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

6 .FIGURA 26.Mentha viridis. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.7 .Ocimum micranthum.

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Pogostemon patchouly.FIGURA 26.8 .

9 . b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.

Pedaliaceae e Scrophulariaceae. lianas. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. No estudo realizado. 1998. A. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. Os gêneros mais importantes da . incluindo árvores. com aproximadamente 750 espécies. Hiruma-Lima L. Mabberley. 1997). arbustos e raramente ervas (Joly. as quais passamos a descrever. pertence à ordem Scrophulariales. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Scrophulariaceae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. C. subclasse Asteridae.27 Scrophulariales medicinais C. Bignoniaceae. e reúne 120 gêneros.

e as várias espécies do gênero Zeyhera. fruto do tipo capsular largo. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". elípticos e coriáceos. Em outras regiões do país. oblongo-linear. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. com gavinhas. uma delas. No Brasil. da famosa Flor-de-são-joão. é descrita aqui. folhas normalmente 2-3-folioladas. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Pyrostegia. Jacaranda caroba. podendo chegar a até 16 cm de comprimento.1). de ramos cilíndricos e glabros. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. também é conhecida como Cipó-de-alho. são Tabebuia e jacaranda. os gêneros mais comuns são Tabebuia. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. contendo sementes oblongas (Figura 27. com folíolos peciolados.família. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. curto-pecioladas. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. . anteras glabras e ovário oblongo. Na região da Mata Atlântica. com ampla distribuição nas regiões tropicais. as quais são discutidas a seguir. que inclui os Ipês e o Paud'arco. o que gera o nome popular atribuído à espécie. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia.

O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. coriáceos e glabros. Caroba-miúda.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. fruto do tipo capsular. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Carobado-carrasco. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. não completamente identificada e conhecida como . Jacaranda caroba (Vell. Camboatá-pequeno. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. flores tubulosas. Caroba-do-campo. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados.) DC. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. sendo amplamente usada como ornamental. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Camboté. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. dispostas em panículas. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. por ser mole e porosa. das quais a maioria é encontrada no Brasil. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Uma outra espécie do mesmo gênero. roxas.

Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas.5 cm de largura (Figura 27. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. especialmente no Dia de São João. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. O nome do gênero Pyrostegia. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. sítios e quintais de residências.5 cm de largura. podendo ocorrer com flores amarelas. de cor laranja. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. . Segundo Corrêa (1984). O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. folhas com folíolos ovadooblongos. como corimbos multiflorais. inflorescências numerosas. repletos de flores tubulares. especialmente em crianças. ou seja /'coberta de fogo". longas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. raramente encontrada no interior de matas densas.Carobinha. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. É muito comum no Brasil. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. Trata-se de uma espécie heliófita. amplamente encontrada em campos. descrito por Carel Borinov Presl. com ramos jovens delgados e folhagem densa. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". adstringente e anti-sifilítica. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental.2). referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada.

. 1995)...Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas.. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. A espécie J. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. . Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. a família não é encontrada de forma espontânea. 1996). promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan.. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. especialmente a espécie Sesamum indicum. Espécies medicinais Sesamum indicum L. A espécie J. venusta a presença de aminoácidos. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. 1996). sendo a maioria de ervas ou arbustos. 1999). aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. O extrato etanólico da espécie A. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. No Brasil. Foi detectada na flor de P. 1992). mas apenas cultivada. acorendico presente na planta (Oguro et al. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. 1976 e 1977). 1994). marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al.

2001). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. Nas sementes de S. vistosas. diarréias. inteiras e pubescentes.. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. 1990). de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. flores amarelas. 1988. episesaminona (Marchand et al. folhas simples. visão fraca. abortiva e anti-reumática e. contra hemorróidas (Bown. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. O óleo de gergelim. 1995). no Egito e na Babilônia (Bown. 1997). sesamolina (Mimura et al. com muitas sementes oleosas. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral.. externamente. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. para evitar perda de cabelos. com origem na Ásia tropical ou na África. 1997). 1995). opostas. para alívio da dor de ouvido. dores de cabeça. disenteria e catarro intestinal.. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. além de seu uso na culinária. e sobre as pernas para tratar paralisia. e. externamente. osteoporose. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. clorosesamona hidroxisesamona é 2. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. Tashiro et al.Dados botânicos A planta é uma erva anual.. para tratar constipação nasal crônica. distúrbios renais. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. tosses secas. fruto do tipo capsular. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. indicum foi caracterizada a presença de . Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba.

indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. ácidos graxos. 1993).. bem como três novos triglicosídeos. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. (Kar & Mishra. globulina. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. 1996). indicum L. 1988). Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S.2000). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. glutelina (Singh & Khanna. sesamina Do extrato aquoso de S. 2000 e 2001). Mimura. 1989. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. 1994). prolamina. indicum detectaram a presença de glicolipídios. . A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. Nas raízes de S.albumina. gama-tocoferol e sesamolina. 1991)..

5alatum (Kamal Eldin & Yousif... foram isoladas das sementes de S. 2001). dois derivados do ciclohexiletanol. .. 1992). Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. respectivamente (Kang et al. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. 1992)..Duas lignanas furânicas. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. 1991).. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S.. protegendo-o contra danos oxidativos. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.. sesamolina (Mimura et al. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. indicum (Takswchi et ai. Da parte aérea de S. 2002). O extrato de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. alatosídeo A-C. e.. 1990) e sesangolina.. 1988. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1995). angolense. dessa forma. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 1997). 1992). 1994). além de verbascosídeo. em altas doses. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. Tashiro et al. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 1991). indicum e S. alatum.

Veronica. pequenas. Vassoura. opostas. bilabiada. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. incluindo árvores. crenadas e glabras. das famosas D. . no Pará. Ganha-aqui-ganha-acolá. Calceolaria e Maurandia. No Brasil. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Pupeiçava. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. pentâmeras. especialmente dos gêneros Antirrhinum. purpurea e D. popularmente conhecido como Vassoura. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. algumas aquáticas (Mabberley. Nomes populares Na região amazônica. nos quais estão distribuídas 5. hermafroditas. Esterhazia. Verbascum e Wightia. Tapixaba. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. bicarpelar. quatro estames didínamos. Vassourinha-de-botão. ovaldolanceoladas. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. tais como Digitalis. axilares. Scobedia. ovário supero. Tupixaba. Coerana-branca. 1997).Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. com corola rotácea. lanata. Outros nome são Vassourinha. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. aqui descrito como medicinal. arbustos e ervas. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. flores brancas.

para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1994. 1993. e utilizada contra desordens respiratórias. 1982). além de ser considerada tônica. diabetes e hipertensão (De Almeida. significa "vassoura". 1980). O nome do gênero. Matos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. coceiras. antidiabética e contra afecções catarrais. Verardo. Encontrada em abundância na América do Sul. tosse. hepáticas e estomacais. 1988.bilocular. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. 1982. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. brotoejas. bronquite. o chá é preparado. essa espécie também é considerada emoliente. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. 1995). é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. bronquite. 1983). menstruais. é utilizada como anti-hemorroidal. béquica. emoliente. 1994. Grandi & Siqueira. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf.. Cruz.. Grandi et al. Nas tribos indígenas do Equador. desordens menstruais... o chá da planta é usado contra hemorróidas. Coimbra. tosse. doenças venéreas. com muitos óvulos (Figura 27. Em Minas Gerais. Coee et al. com todas as partes da planta. 1990). Scoparia. . 1988). para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. por causa do seu emprego. especialmente na Floresta Amazônica. Já entre os ticunas. também. 1986). emoliente e béquica (Corrêa. 1996). bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1987). pectoral. picada de mosquito. hipotensiva. peitoral. problemas cardíacos. No Pará. erisipela e afecções cutâneas. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. 1990). 1982. 1984). hipoglicemiante. 1982. e as folhas.. febre. Na Paraíba. No Rio Grande do Sul.. malária.3). o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. febrífuga. expectorante. No Brasil. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1990). para lavar feridas (Branch & da Silva. também. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e.

betulínico. Hayashi et al. antiviral. Azevedo et al. Também foi detectada a presença de glicosídeos... obtidos da espécie. gentísico. 1988. cumárico. anti-séptica. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al.. E.. antiinflamatória. 1991). 1997. manitol.. hipocolesterolêmica. Dalla Torre et al.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. antiespasmódica. O. (1981). 1996). 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. 2001). benzoxazolinona. 1990a e 1991). 1994. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. expectorante e atóxica (Moura et al. 1989... 1987). glutinol e acacetina (Hayashi et al. Hayashi e al. 1993 e 1996). M.. 1985). sedativa e diurética (Ahmed et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. et al.... escopadulciol. 1987. flavonas. simpatomimética (Freire et al. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. B e C (Kawasaki et al. 1998). (1979) e Mahato et al.1988b). O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. cinarosídeo D.. scopadulciol (Hayashi et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. iflainóico. anti-herpética. S.. hipertensiva (Freire et al.. acacetina. 1996b). S. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al.. antidiabética (Jain. antifúngica. et al. 1990b). entre outros compostos (Kawasaki et al. beta-sitosterol. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. apigenina. M. 1993 e 1996) depressora (Freire. Torres et al. escutelareína. 1988a e 1990c). depressora do SNC. antibacteriana gram-positiva.. dulcinol e ácidos dulcióico. 1993 e 1996a). alfa-amirina.... Freire. antiinflamatória (Freire et al. 1990). 1990b).. Os ácidos escopadúlcico B. 1987 e 1988c). 1986 e 1988a. 6-metoxibenzoxazolinona.

Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.vidade antimalarial in vitro (Riel et al. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. 1978) (Banco de imagens - .... 1988b).Adenocalyma alliaceum. 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1993). Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1997a e 1997b).1 . Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1997a). FIGURA 27..

2 .Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

3 .FIGURA 27. 1946) (Banco de imagens - . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.Scoparia dulcis.

que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. A família Asteraceae (Dicotyledonae) .28 Asterales medicinais L. 1997). Essa família compreende 1. Trata-se de uma grande ordem. M. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. arbóreas. trepadeiras e ervas. Hiruma-Lima C.750 espécies cosmopolitas.528 gêneros. encontradas em todo o planeta. herbáceas. C. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que passamos a descrever a seguir.Ivan Martinov. M. Inclui espécies arbustivas. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. exceto na Antártida (Mabberley. Di Stasi C. Os gêneros estão distri- . com aproximadamente 22. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. Santos E. A.

muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Matricaria. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Arnica e Tagetes (Helenieae). do gênero Mikania. das quais se destaca a Baccharis trimera. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Novalgina e Anador. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Wedelia. Semeio e Emilia (Senecioneae). Ageratum conyzoides. e inúmeras plantas de . várias espécies do gênero Bidens. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Nesse contexto. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Calea. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. gênero da famosa Calêndula. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). a Camomila. com ampla distribuição no território brasileiro. o Mentrasto. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Matricaria chamomila. a famosa Arnica. especialmente a Mikania glomerata. Tanacetum. Gnaphalium e Achyrocline. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Achillea millefolium.buídos em três grandes subfamílias. Baccharis e Solidago (Astereae). do gênero Arnica. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Aster. • Asteroideae Inula (Inuleae). muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Lactuca. Mikania. Calendula. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Calendula (Calenduleae). tais como inúmeras Vernonia. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Artemisia. as várias espécies de Artemisia. Calendula officinalis. Zinnia. conhecida como Mil-folhas. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Ageratum. as importantes Carquejas. Galinsoga.

Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. Na região do Vale do Ribeira. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. rasteira. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. externamente. onde foram incorporadas na medicina tradicional. em Minas Gerais. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. . a decocção das folhas é usada. como cicatrizante. caule comprimido e denso-piloso. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. como antiinflamatório e. oblongo lanceoladas.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. de pequeno porte. internamente. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. de ápice e base agudas. Em outras regiões do país. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". flores unissexuais e marginais. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. ereta ou prostrada. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. curto-pecioladas. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. Dados botânicos Planta anual.1). e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. folhas simples. com borda irregularmente serreada. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. amplamente usadas na medicina popular. opostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inteiras. apenas masculinas.pequeno porte do gênero Eupatorium.

Milefólio e Mil-em-rama. sendo as marginais femininas e brancas. amarelas e tubulosas. hermafroditas. contendo folhas oblongolanceoladas. gripes e distúrbios do estômago. reunidas em capítulos corimbosos. como contraceptivo feminino (Mabberley. e as centrais. rizomatosa.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. glabra. digestivo. 1997). além de ser anti-helmíntica. flores dimorfas. . O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). raras são nativas das Américas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Aquiléia. agindo ainda como antiespasmódico. dor de cabeça e dores gerais. com caules ramosos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. Em outras regiões do país. 1982) e. Dados botânicos A planta é uma erva perene. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. no Uruguai. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. com até 60 cm de altura. hemorroidais e pulmonares. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. a espécie é chamada de Novalgina..

é conhecida ainda como Catinga-de-bode. significa "o que não envelhece". anti-reumático e contra cólicas menstruais. a espécie é chamada de Mentrasto. tônica. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. Ageratum. a espécie é chamada de Carqueja. pilosa e ramosa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. flores brancas ou lilases. Em outras regiões do país. amenorréia e gonorréia. Dados botânicos A planta é uma erva anual. cólicas flatulentas e uterinas. com folhas opostas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. crenadas. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga.2). enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. pecioladas. febrífuga. além de indicada para aliviar náuseas. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes.Ageratum conyzoides L. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. ovadas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. com até 1 m de altura. Catingade-barão. mucilaginosa. . carminativa. Baccharis trimera (Lers) DC. útil contra resfriados. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. e o nome do gênero. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. antidiarréica. anti-reumática. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

estomáquico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. anti-reumático. a planta é usada como tônico. podendo atingir até 1 m de altura. Erva-picão e Pau-pau. Bidens bipinnatus L. Macela-do-campo. estomacais e intestinais. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Carrapicho-de-agulha. Goambu. entre outras (Corrêa. Carrapicho-de-cavalo. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. com ampla distribuição na América do Sul. tais como Cuambu. .) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. diurético e contra distúrbios renais. bem como em vários Estados brasileiros. (Bidens pilosa L. Espinho-de-agulha. Aceitilla. Piolho-de-padre. como Picão-preto. 1926). O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Carrapicho-deduas-pontas. hipertensão. Em outras regiões do país. fruto do tipo aquênio (Figura 28. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Carrapicho. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. anti-helmíntico. Amor-seco.3). Erva-picão. derrame cerebral e diabetes. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. a decocção das folhas é usada como analgésico. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Picão-do-campo. o deus Baco do vinho. Pirco. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice.

1994). icterícia e contra vermes distintos (Rutter. 1990. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. laringite. 1993. ramosa. infecções urinárias (Mejia & Reng. significa "dois dentes". capítulos pleiomorfos. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. a espécie também é referida como emoliente. glabra. referindo-se às aristas do papilho. edema. dores de cabeça e de dentes (De Feo. 1995). leucorréia. . Duke et ai. Na medicina tradicional peruana. conjuntivite. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. vermífuga e vulnerária. Vasquez. com flores radiais liguladas. a espécie é usada como antiinflamatório. antileucorréica. A planta é considerada estimulante. 1996). disenteria. sialagoga. pentâmeras. dismenorréia.Dados botânicos Planta de pequeno porte. No Leste da África. antiblenorrágica. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. folhas opostas. diurético e contra hepatite. No Brasil. desordens hepáticas. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. diurética. 1994). desobstruente. Coimbra. antidisentérica. 1992. com até 1 m de altura. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. diabetes. micoses. utilizada especialmente contra icterícia. antiescorbútica. hepatite. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. Bidens. simples. 1962). 1984). pecioladas e fendidas. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina.. bem como no combate a dores em geral Jager et al. adstringente e considerada útil contra icterícia. O nome.. com cálice modificado. diabetes e inflamações (Corrêa. ereta.4).

A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. cólera. Aiapana. angina. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. lanceoladas. anguloso. flores (20 a 30) azuis. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. Em outras regiões do Brasil. triplinervadas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. a espécie possui vários usos das folhas. especialmente do fígado. estriado e diminuto. Japana-roxa e Erva-de-cobra. fruto do tipo aquênio alongado. folhas opostas. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. ferrugíneo e glabro. Japana-branca. acuminadas. corola com tubo interno glabro.ambas não identificadas . visto a grande semelhança entre elas. androceu com anteras levemente sagitadas. como tônico.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses.5). e contra malária. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. estimulante. sudorífico. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. Dados botânicos Erva bastante delicada.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. estomáquico. de caule ereto. mas são comuns outras denominações. digestivo. . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. 1984). empregado externamente na forma de banho. enquanto o sumo das folhas frescas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium .Eupatorium ayapana Veuten. antidiarréico e antidisentérico. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. como Iapana.

. O nome significa "feltro". Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores amarelas. que formam uma inflorescência cilíndrica. a espécie é chamada de Macela. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. capítulos pequenos e reunidos. folhas oblongas.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. assim como em todo o Brasil. de ocorrência nas Américas . reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. O nome do gênero significa "o que é firme". referindo-se ao tomento das folhas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies.e com raras espécies na América do Sul. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. serradas. com ápice arredondado. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. Solidago microglossa DC. a infusão das folhas é usada contra diarréia. pequenas. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. podendo atingir até 1 m de altura. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea.especialmente na América do Norte . com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. a espécie é chamada de Arnica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas.

6). membranosas. comprimido com papilho aristado. O nome do gênero. o preparado com folhas de arruda. Jambuaçu. Agriãobravo. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. tais como Agrião-do-pará. Mastruço e Agrião-do-norte. Dados botânicos Planta herbácea. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. vários outros nomes são usados. entretanto. Essa planta é utilizada como estomáquica. cálculos da bexiga e dores de dente. Botão-de-ouro. fruto do tipo aquênio. batidas. flores amarelas. com corola curva. longo-pecioladas. Spilanthes. Agrião-do-brasil. que tem mancha escura sobre a lígula. descrito por Nicolaus von Jacquim. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. picadas de insetos e infecções. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. com folhas opostas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. o chá das folhas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. agudas. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. ovadas. Abecedária. . o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. significa "flor com mancha". Spilanthes acmella Rich. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. não alado..

1980). T. opostas ou alternas. em Brasília (Matos & Das Graças. Originária do México. também são usadas como medicinais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. desinfetante e antiasmática. sendo também comumente chamada de Cravo. divindade etrúria representada como um belo jovem. Cravo-de-tufo. cicatrizante. com muitos ramos. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. e indicada contra problemas hepáticos. Amorozo & Gély (1988) referem que o . tosse e resfriado. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. emenagoga. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. no Pará (Amorozo & Gély. antiespasmódica. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". lucida. Outras espécies do gênero. antigripal. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. está muito bem aclimatada no Brasil. 1997). Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. as folhas. narcótica. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. Cravo-africano e Tagetes. abortiva. digestiva. 1988). tais como T. febrífuga. a S. Na Colômbia. atingindo de 60 a 90 cm de altura. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto.1982). bronquite. Cravinho. minuta. são partidas e aromáticas. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. patula e T. considerada carminativa. e seu nome vem de Tages.

chá das folhas com alho é usado contra febres. rosas. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Zinnia elegans Jacq. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Originária do México. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". com caule ereto. Moça-e-velha e Canela-de-velho. anteras amarelas e estigmas vermelhos. australe. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. . as flores possuem várias cores. incluindo brancas. as folhas são ásperas. Segundo Hoehne (1939). com uso freqüente contra dores reumáticas. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. o chá das folhas e flores. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. sésseis. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. bronquites e tosses. pela abundância de flores. na região de estudo. opostas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. resfriados. cordiformes. para tratar "doença que deixa o queixo duro". bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. forte.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. arroxeadas e vermelhas. de Zinha ou Zínia. Nomes populares A espécie é chamada.

.7. B. Christensen et al.. leucoantociandinas.. flavonas. triterpenos (Chandler et al. pilosa. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Da espécie B. 1978). australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. alfa-copaeno. pilosa . Gene et al. Herz & Kalyanaraman... isocariofileno. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B.. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. De A. Das partes aéreas de A. 1981.. millefolium também foram isolados ésterois.. 1991)... crisosfenol D. beta-pineno. 1981). 1988a e 1988b. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A.. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. 1977). 1987. Nair et al. 1980. Gill et al. 2000).. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. flavonóides (Bohlmann et al. diterpenos (Saleh et al... glabratum (Saleh et al. 1990). cadineno. Hoffman & Hoelzl. De A.. 1975) e monoterpenos (Orth et al. tripartitus. monoterpenos. De A. 1994 e 1984. 1997). 1987). B.. 1994). terpenos (Verzan & El Sayed.. flavonas (Falk et al. 1987). deterpenos. 2001. 1987. saponinas e xantonas (Caetano et al. leucantha (Wat et ai. 1979). Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. 2002. 1976a e 1976b). bipinnatus.. flavonóides (Shimizu et al.. 1985. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno... 1994. cumarinas. Torres et al. Wang et al. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. 1986. Bohlmann et al. Caffmi & Demolis. Achilea. B.. axilarina e 5. beta-guaieno. germacreno A.. De Tommassi et al. timol. 1992). catecolaminas. 1975).4'-trihidroxi-3. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1976).. 1986. 1979). 1992b. Debenedetti et al. beta-cariofileno. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. 2000).. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. alfa-felandreno.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. Sharma & Sharma. delta-cadineno (De Marais et al. laevis e B. gama-cadineno. limoneno. 1990. 1996. 1984)... alfahumuleno. 1975. Herz & Kalyanaraman. Hausen et al. 1997).beta-elemeno. Poliacetilenos.. 1979.. Alvarez et al.

1993 e 1995). . 1994) e E. 1987. Três poliacetilenos. 1997). 1995) e £.. 1986). Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1987 e 1988). erythropappum (Talapatra et al. ferulefolius. 1988c e 1988d). buniifolium (Muschietti et al. E.. E. 1997). E. E. 1987. E.foram ainda isolados inúmeros compostos.. micranthum (Herz et al 1978). cernuol. 1988a. tinifolium (D'Agostinoetal. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. chinese (Zhao et al.. B. maximowicziana. dahlioides. portoricense (Wiedenfeld et al. E. campylotheca (Bauer et al. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al.. eugenol. altissimum (D'Agostino et al. 1992). 1991. Edgar et al. 1979). Liu et al. E. B. B. 1988b. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. glandulosum (Nair et al. tripartita (Isakova et al. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. pilosa (Zuleeta et al. ácido linoléico.. salvia (Gonzalez et al. E guayanum (Sagareishvili et al.. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. rotundifolium (Hendriks et al. Wang et al. radiata e B. odorata (Hai et al.. littorale (Sato et al.B. Poliacetilenos também foram isolados de B.. 1997). B.. E. E. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. cannabinum (Stevens et al. bipinnatus (W B. angustifolium (Mesquita et al. E. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin.. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. 1982).. 1988. ácido linoléico e linolênico.japonicum. tripartitus (Christensen et al. parviflora. 1981). subhastatum (Ferraro et al. 1990a e 1990b). 1995). chrysoanthemoides. ternbergianum (D'Agostino et al. 1992).. E. 1990).. tais como quatro auronas. 1990). os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. dois derivados tiofênicos. E. 1991) e E. 1994). 1992). frondosa. £. E. adenophorum (Li et al. 1985). 1995) E.. 1995). 1986). Pagani. 1991). 1992)..fortunei. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. £. B. frondosa (Karikome et al. 1995). ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. B. 1990). B. 1985).

deltoideum (Quijano et al. p-cimeno. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. E. 1987). A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. mikanioides (Herz et al. fenóis e saponina. E. quadrangularae (Hubert et al. 1980) e E.. e sesquiterpenóides de E. E. espilantol. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. Diterpenóides foram isolados de E.. limoneno. adenophorum. 1980). enquanto em E. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. 1999). var.. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. E. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1987). De S.. Das partes aéreas de S. fortuna (Haruna et al. recurvens (Herz et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. 1987) e E. entre outras espécies (Ding et al.. E. 1986). cânfora. 1977).Nas folhas de E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. triterpenóides de E.fortunei (Haruna et al. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. laevigatum (Lopes et al. 1987). E. Uma amida. odoratum foram encontrados taninos.. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1991). 1994). 1990a e 1990b). Ramsewak et al.. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. 1996). Os principais constituintes do óleo essencial de E. entre outros (Nakatani & Nagashima. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. cannabinum (Stefanovic et al. 1988a e 1988b). acmella L. . 1979). 1986). rufescens (Ruecker et al. altissimum (Jakupovic et al.... 1986). 1992b. naginatacetona. tinifolium (D'Agostino et al. 1987). E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1978). E. quadrangularis (Hubert et al. 1993). 1986b).. sitosterol. americana foram isolados monoterpenos. odoratum (Talapatra et al. 1987). estigmasterol. 1986). sesquiterpenos. 1987). 1992a). laevigatum (Bauer et al.

dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1990). As espécies T. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. Os monoterpenos descritos em T. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. 1987). T. Pe- . argentina) foram identificados quatro tiofenos. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. Das raízes de T. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al.. 1990b). T.. laxa (De-Israilev et al.. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. 1995). benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. Ahmad et al.. glandulifera) (Craveiro et al. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. erecta (Singh et al. 1990a). No entanto. erecta e T. campanulata. minuta e T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. como quercetagetina. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al.. 1987). tais como quercetagetina.. lucida (Hethelyi et al.. 1985). que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. pois somente T. patuletrina e patuletina. 1993b). Tosi et al. 1994) e T. 1993). patula. 1992). 1991). 1988). mendocina e T. minuta são ocimeno. 1988). 1993). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. T. T.. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. patula foram isolados tiofenos. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1988. além de enxofre e fósforo.. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. T. 6-hidroxikaempferol.. 1987). patula (Ivancheva & Zdravkova.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. T. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1988). patuletina e muitos desses derivados. 1987. 1988a e 1988b). T microglossa (Castro. Entretanto. que podem ser diferenciadas pela composição química.

Experimentos com A. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 1988)....5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1988. Nascimento et al... 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al.. 2001). (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.. 1987). Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. .. Carvalho et al.. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. Em A. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. elegans indicou a presença de Cumarina. 1991).. 1997). hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. 1980). 1995).. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. ocitocina. 1988). As antocianinas das flores de Z.. australe contra Plasmodium berghei em roedores.. glicosídeos cardíacos. a A. australe (Matsunaga et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. taninos. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. glabratum (Saleh et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. patula foi detectada (Arroo et al. 1996) dessa espécie. 1995). Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1997). 2002) e antifúngica (Portillo et al. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.

A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. minor foi a mais .. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. 2000).. Bondarenko et al. As folhas de A.. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. Extrato etanólico de B.. 1991). reduzindo a produção de prostaglandinas. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L.. 2000).. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. Bidens Experimentos com B. 1969). N'Dounga et al. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. imunoestimulante (Ignácio et al. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. 1997).. presente em suas partes aéreas (Torres et al.. B. Triterpenos.. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1987). chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. pilosa (Santos et al. Abena et al. as propriedades analgésica e antiinflamatória. minor (Blume) Sherff.. e B. var. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1983). à presença de saponinas (Gene et al. possuem atividade antiinflamatória. 1949). mas Bidens pilosa var. Porém.Achila. além de vários flavonóides obtidos de B. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 1987. pilosa L. pilosa. 1980). como friedelina e friedelan-3.-ol. 1998b. (1991). 1985. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin.. 1996). Goldberg et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al.

. pilosa L. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. minor e B. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Para a espécie B. La Casa et al. pauciflorum (Giesbrecht et al.. . 1997).. A espécie B... 1986) e diurética (Rebuelta et al. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. 1985). mais recentemente.. densum. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. pilosa L. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. 1995). campylotheca apresentou. 1997). 1995 e 1996) e. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. 1985). var.. 1986b). ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. O extrato hexânico de B. balantaefolium (Almeida & Fonteles... pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe.. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. 1994. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. E. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1994). gracilae. 2002). Entretanto. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. E. atidifolium e E. tequendamense (Mantilla & Sanabria. in vitro. Um composto sesquiterpênico isolado de B. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. hipotensora (Dimo et al.ativa.. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. 1995). morifolium e E. brevipes (Guerrero et al. consaguineum (Lopes et al. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1988) e E.. 1985). somente os extratos de B. E. 1989).. As folhas de E.. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. 1995). glyptophlebum. E.. ou seja. E. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. 1998 e 1999). 1977). 1996). E. 1996). Eupatorium A espécie E.

Guerrero et al. 1989). 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. 1984. halinfolium e E. 1991). (Giesbrecht et al. 1978). 1986). larvicida (Pitasawat . squalidum (Carvalho et al. A.. inulaefolium (Gorzalczany et al. E. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1986 e 1987. ayapana (Gonçalves et al. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. cannabinum (Bourrel et al. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1998). E. e de E. enquanto a espécie E... Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. 1992). acmella foram isolados n-isobutil-4. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli.. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. O óleo essencial de E.1986). 1991). 1990 e 1991). E. RNAse.. riparium (Ratnayake-Bandara et al. Eupatorium perfoliatum. cannabinum. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. proteínas. pauciflorum. flaccida. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini.5-decadienamida. brevipes e E. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória.. O extrato bruto aquoso de E. Inibição da síntese de colesterol.. E. DNA e RNA de células tumorais. 1985. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al... Achyrodine alata. Herz & Palaniappan. Spilanthes Das folhas de S.. hyssopifolium (Hall et al. candolleanum (Campos et al. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. 1990).... Piperidinas de E. 1995) e E. 1982a). 1996) e E. 1990). 1995). 1991). DNAse. assim como da atividade da RNA polimerase. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Cáceres et al.. Sesquiterpenóides isolados de E.. Inya-Agha et al. 1988). 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos.. 1988. odoratum (Iwu & Chiori. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. A. Os extratos de E. 1995).

1995). folhas e flores de T... 1994).. 1993). L. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. Camargo Neves et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. bem como no consumo destas (Meckes et al. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. 1999). 1992). 1993). O extrato de S. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. Andrade. mas não contra Candida sp. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. 1986) e S. F. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. antimicrobiana. et al. 1990).. et al.. 1993. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade... acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.. J... usado como emenagogo. in vitro... C. Souza. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1992) e antitumoral (Moraes et al. oleracea (Herdy & Carvalho. RJ. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. e o extrato de S. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. 1998) e espilantol. 1989).et al. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. T. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Valderrama et al. et al. (Fabry et al.. sendo os deri- . como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. Em I minuta. O eugenol.. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. 1987. 1996). como no cravo-da-índia. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1988. 1995). presente em muitas espécies. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. enquanto o extrato de S.. Em S.. sedativa.. 1984). Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. 1992.

1996)... O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. 1987). Os extratos hexânicos de T. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. 1994).. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. lúcida estimulou discretamente. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al.vados tiofênicos os compostos ativos. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. 1991). coronopifolia e T. in vivo e in vitro.. a atividade da ATPase. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. elegans L.Ca2+ dependente e inibiu. in vitro. O extrato de T.. Do extrato de Z. . 1997). Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. D e F. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. o óleo essencial de T. 1995). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica.. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. 1989). 1994). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. Dentre outras espécies. 1995). o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo... além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. Zinnia As sementes de Z. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al.. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. 1992).. 1997). Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. 1991).

1993). os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados.. caracterizados por diarréia. australe são tóxicas para aves. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam.. et ai. Tremetona isolada de E. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. especialmente na fase jovem. Estudos com a espécie A. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. A ingestão regular de E. et al. australe durante o período de prenhez de ratas. 1996 e 1997).. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. V. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. S. dispnéia.. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. adenophorum (Oelrichs et ai. alopecia.. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. As folhas de S. especialmente . hemorragia. 1990). M. fraqueza e debilidade dos membros. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas.. 1988). T. enquanto o extrato aquoso de S. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. congestão do baço e coração. no entanto. Segundo Hoehne (1939). especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. Entretanto. a espécie E. 1978a e 1978b). 1995). 1995). 1994). A.

FIGURA 28. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. relaxante muscular e antineoplásica.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. b) detalhe da escanerata.1 . A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.como diurético e hipotensor. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28.

FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .

Bidens bipinnatus.FIGURA 28.4 . Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

original).5 . . b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.FIGURA 28.: a) ramo florido (Di Stasi . 1998).Eupatorium ayapana.

.6 . 1984). Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Spilanthes acmella.FIGURA 28.

. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Di Stasi C. A. do famoso jenipapo brasileiro. arbustivos. alguns deles de valor histórico. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Genipa. importante fonte de espécies ornamentais. e Gardenia. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). Desfontainiaceae e Rubiaceae. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. como é o caso de Coffea e Cinchona. • Ixoroideae: Coffea. C. Gelsemiaceae. com representantes arbóreos. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. 1997).200 espécies vegetais cosmopolitas. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. do famoso Cafeeiro. nos quais se distribuem mais de 10. algumas espontâneas nas áreas tropicais. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Coffea arábica.29 Rubiales medicinais L.

O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. inteira. ovário ínfero. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. Não foram encontrados sinônimos. folhas curto-pecioladas. com corola de base gibosa. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. . • Rubioideae: Psychotria. fonte de emetina e outros constituintes de importância.• Antirheoideae: Guettarda. lanceoladas. simples.1). Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. 1997). fruto indeiscente. flores hermafroditas. carnoso e drupáceo (Figura 29. e Palicourea. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. com pêlos abaixo da inserção dos estames. diclamídeas. ipecacuanha. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. ereto. Dados botânicos Pequeno arbusto. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Cephaelis da famosa C. bicarpelar. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. com espécies popularmente denominadas Poaia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. importante árvore. especialmente na Amazônia. estipulas não foliáceas. muito comuns em terrenos baldios. Borreria e Dioidea.

1996. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira.. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Nomes populares No Brasil todo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. De-Moraes-Moreau et al. marcgravii. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". avermelhados. 1989a).. fendleri (Nakano & Martin. sobretudo na região amazônica. acuminadas.. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo.. frutos do tipo baga. 1995. 1976). inflorescência em panículas. Além de alcolóide. de P. opostas.. . glabros. Hil.5 m de altura. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. (Kemmerling. E popularmente usada como medicamento. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. 1999). de onde partem folhas com venação tênue. avermelhadas. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. 1994). 2001). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. pecioladas. com ramos cilíndricos. Stuart & Woo-Meng. Palermo-Neto et al. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989.Palicourea marcgravii St. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. delgados.

marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. 1996). P. falta de coordenação motora. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. et al. Além de fluoroacetato. Palermo-Neto et al. 1995). caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. contrações musculares. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. midríase e morte em bovinos (Costa et al.Banco de imagens - .. 1984a. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . 1988.. 1989). FIGURA 29. Segundo Schvartsman (1979). vômitos. espasmos musculares. Gorniak et al. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1989b..teratogênica (Costa.Palicourea laniflora.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. enquanto P. De-Moraes-Moreau et al. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado.. comum em animais e rara na espécie humana. Tokarnia & Dobereiner. 1989).1 . 1989. Das folhas de P. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. e a intoxicação. náuseas.. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes.. 1982). A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P.. 1986). marcgravii promoveu o aparecimento de excitação..

na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Os principais gêneros são Sambucus. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. C. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro.30 Dipsacales medicinais L. Lonicera. . As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Di Stasi C. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. arbustos e lianas. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. No Brasil. Viburnum. descrita a seguir. Lonicera e Sambucus (Barrozo. 1978). A família inclui inúmeras plantas ornamentais. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. 1997). mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. Abelia e Linnaea.

A espécie. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Apresenta importante valor econômico. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. Na região da Mata Atlântica. Floresce nos meses de julho a agosto. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. usada internamente. dispostas em um corimbo branco. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. além de seu histórico uso medicinal. as flores são brancas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. considerada exótica nas Américas. . além de flavorizantes em vinhos. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. gripes fortes e varicela. e possuem aroma muito agradável. no champanhe e no catchup. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. é considerada excelente diurético e sudorífico. com ramos bastante lenhosos. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". óleos e ungüentos. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos.1). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. A infusão das folhas.Espécies medicinais Sambucus nigra L. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele.

linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. oléico. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. erisipelas e queimaduras.. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos.. tetradecênico. canadensis foi isolado o iridóide . folhas. Internamente. lignanas. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. racemosa e S. De S. nigra. lectinas das cascas (Shibuya et al. heptadecênico.. 1989. 1989b e 1989c). diuréticas. a planta ainda é indicada contra influenza. para pequenas queimaduras. Van Damme et al. 1986). além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. descrita no trabalho de Grieve (1994). além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. casca e frutos são usados para diminuir febres. palmítico. 2001). sinusite. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. gripes. S. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. cianogeninas. os ácidos graxos láurico. Kaku et al. esteárico. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. externamente. mirístico.. catarros.Bown (1995) refere que flores. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. 1989a). flavonóides. 1988). reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. reumatismo e febres. 1990.. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. sudoríficas.

. 1997). mexicana. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. e Polygonum aviculare. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 1997). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome.. Van Damme & Peumans. De S. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. beta-amirina e o ácido oleanólico. Sambucus nigra.. e das raízes de S. 1992b e 1992). apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. O extrato hidroalcoólico de S. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. 1997. De S. antiinflamatória e antipirética.. 1974). Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. 1980).morronisídeo (Jensen & Nielsen.. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina... As lectinas de S. Salvia offtcinalis.. 1987). indicado para hidropisia. 1988). sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya.. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. O extrato aquoso das folhas de S. 1995). O reatival. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. Bojic & Cuperlovic. 1997. Prunus spinosa. Das cascas de S. das folhas. 1990). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. 1997a e 1997b). com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. Artemisia absinthium. 1996. que possui atividade colerética (Takeda et al. 1986). promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. 1996). . promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. conhecido como Sauco. 1989). nigra.. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. Schoning.. Com base nessa constatação. apresentou atividades analgésica. Centaurium minus.. canadensis (Buhrmester et al. 1994). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. formosana foram isolados. australis. 1997). uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. O extrato aquoso de S. 2000).

peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. 1999) e a espécie S... Neto et al. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.1 . Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ).A espécie S. FIGURA 30.Sambucus nigra. 2002). . 2000.

e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 109 são usadas na Amazônica. . Mata Atlântica. como é o caso do Alho (Allium sativum). Dessas 135 espécies medicinais. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. entre outros. C.Posfácio L. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. da Hortelã (Menthapiperita). A maioria é nativa desse ecossistema.

340 espécies. Esse dado se torna mais importante porque. o Agrião (Nasturtium officinalis).Dessas 135 espécies medicinais. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. . No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). a Mostarda (Brassica nigra). o Coentro (Coriandrum sativum). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. a Camomila (Matricaria chamamila). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. ou seja. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. razão pela qual não foram incluídas no texto. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. o Mamão (Carica papaya). Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. várias espécies amplamente conhecidas. compreendidas em trinta diferentes ordens. a Erva-doce (Pimpinela anisum). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. a Calêndula (Calendula officinalis). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. líquens. a Losna (Artemisia absinthium). a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. neste livro. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. apenas dezesseis são monocotiledôneas. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero.

. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Por isso.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Sobre essas. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. alcançando alto índice de citação. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. isto é. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. pelos mais variados grupos de pesquisadores. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. como a de massa e a erudita. Finalmente. esse conhecimento se enriquece a cada dia. e que esse conhecimento seja recuperado. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação.

Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo.Glossário de termos botânicos. o ciclo reprodutivo e depois morre. Anual. Que abraça o caule. Que fica na axila. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Amplexicaule. Arilo. Baga. pelo lado interno. no segundo. Alternas. Aguda. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Bainha. indeiscente. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Hermafroditas. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. com dois sexos. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. . Acuminada. Conjunto de órgãos masculinos da flor. os estames. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. folhas que envolvem o caule. Planta que nasce. Axilar. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Excrescência da semente. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Antera. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Arista. Andróginas. Bianual. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Fruto seco. Androceu. Aquênio. com uma única semente.

Pedúnculo geralmente sem folhas. Cápsula. Drupa. Cada um dos apêndices.Bráctea. Escandente. Corimbo. Folha modificada que origina o gineceu. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Ex. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Cálice. Colmo. Fruto seco. Que se abre. Caduco. com função de proteção. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Didínomo. Elíptico. seco e indeiscente. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Corola. Qualquer órgão que cai em determinado período. Crenada. que é o verticilo externo da flor. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Deiscente. Cariopse. como o fruto das gramíneas. deiscente. Escapo. Conjunto de pétalas. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Endosperma. Epicarpo. Fruto monospérmico. normalmente largo. Decorrente. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. em geral dois. Carpelo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. androceu ou planta que possui quatro estames.: cana-de-açúcar. Cuneiforme. inseridas em um eixo comum. dois mais altos e dois mais baixos. Capítulo. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Diclamídea. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Carena. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Estipula. Camada externa do pericarpo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. . Decumbentes. mas sempre terminando na mesma altura. Estilete. Conjunto de sépalas. Diz-se da flor. Com a forma de elipse. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. tornando-o alado. Pétala superior da corola papilionada. Na forma de cunha. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Estandarte. Planta trepadeira. Dicotiledôneas.

É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. que é ramificada igualmente em forma de pincel. As flores são estruturas de reprodução. e ao de pétalas. que juntos constituem o perianto. Flores. o de corola. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. .As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir.Estômato. Folha. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. As flores podem ser dímeras. complexas e variadas nas formas. Parte do estame que sustenta a antera. pentâmeras etc. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. Filete. trímeras. Fasciculada. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral.

conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada.

ou com o próprio caule. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. às vezes reduzidas. as folhas podem ser pecioladas ou não. no caso das folhas compostas pinadas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .quando se compõem de duas ou mais lâminas. . Nesses casos. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.quando consta somente uma lâmina .ou composta . às vezes numerosas.

mais aquelas apresentadas para as flores. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. Todas essas características.Finalmente. conforme se observa na figura a seguir. .

Infrutescência. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. . Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. mais longa que larga. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Monoclamídea. e as principais são motivadas na próxima figura. deiscente. Glabro. Lobado. Monóica. Lanceolada. Hirsuto. Orbicular. porém presentes na mesma planta. Gluma. Porção alargada e achatada da folha. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Metaclamídeos. Inflorescência. Indeiscente. os carpelos. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Que não se abre. Provido de pêlos longos. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Lóculo. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. em linhas gerais. Lígula. Monocotiledôneas. Hermafrodita. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Planta que produz flores unissexuais.Folíolo. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Gineceu. é constante para cada espécie vegetal. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Gavinha. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Planta ou flor com dois sexos. Oblonga. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Fruto seco. Lâmina. Folículo. Desprovido de pêlos. Flor com apenas um invólucro no perianto. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Diz-se da folha em forma de círculo.

. . 1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.

araquídico. . Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Substâncias orgânicas. palmítico. Alcalóides. succínico. incolor. Hidrocarboneto não saturado. Perianto. característico da família Asteraceae (Compositae). Papilho. Qualquer substância de sabor ácido. gasoso. cujos pêlos se entrelaçam. Rizoma. linoléico. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. oléico. Pubescente. Qualquer estrutura provida de pêlos. Perene. Conjunto formado por cálice e corola. com cheiro desagradável. Receptáculo. Ácidos orgânicos. Planta ou órgão denso. isovalérico. Séssil. aromáticos etc.Panícula. fenólico e tartárico. Caule subterrâneo. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Podem ser monobásicos. Termos químicos Acetileno. Que forma gancho. dispostas circularmente. Ácido. Estruturas com simetria bilateral. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. mirístico. Zigomorfa. o mesmo que cacho. Exemplos: ácidos acético. esteárico. cáprico. cerdas ou aristas. Ácido graxo. fórmico. Tomentoso. gálico. Ráquis. Pecíolo. Racemo. solúvel em água. dibásicos. nitrogenadas de origem vegetal. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Uncinada. Verticilo. Cálice modificado em pêlos. Conjunto de estruturas com a mesma função. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo.

Catalase. Betaínas. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). como a quercetina. estragol.Alcoóis. Esterol. Flavonóides. Fitosterol. onde exerce importantes funções. Uma das substâncias constituintes do amido. Exemplos: carvacrol. Flavonas. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Exemplo: p-cimeno. originam as flavononas. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Amilopectina. timol. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. tais como os hormônios. Compostos aromáticos. Fenóis. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Carboidrato. voláteis. Líquidos incolores. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Aminoácidos. Cumarinas. . Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). eugenol e hidroquinonas. que exercem várias funções. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. derivados do cicloperidrofenantreno. com caráter gelatinoso. Esteróides. Compostos naturais ou artificiais. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Ver esteróides. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Cetonas. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Compostos alifáticos. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. encontrado nos organismos vivos. Compostos orgânicos não-cíclicos. São corantes vegetais. Ou hidrato de carbono. Aldeído. vegetais e animais. amarelos e roxos.

Substâncias que. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Peroxidase. Hidrocarboneto. Lactonas. pela ação de ácidos diluídos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Insaturados. Peróxido. oxidando outros compostos. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Insulina. Hidrolato. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Compostos cíclicos. derivados do fenilpropano. geralmente de odor agradável. Líquido oleoso. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Glicídios. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Líquido incolor e aromático. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Ligninas. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Hormônio secretado pelo pâncreas. Lignanas. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. .Fosfolipídio. Mucilagens. sofrem hidrólise. Óleo essencial. Compostos cíclicos. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Lipídios. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. recobrindo-as com uma camada protetora. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Glicosídeos. Heterosídeo. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas.

Falta de menstruação. Antiespasmódico. que impede a formação de catarro. que provoca constricção. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Afasia. Anestésico. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. podendo ser feminina ou masculina. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. violenta. Delírio. Dor sufocante. Acne. Queda dos cabelos. Antifúngico. sufocação. Auticonvulsivante. . Expectorante. Antiemético. Tumor maligno com disposição glandular. involuntárias de músculos voluntários). a sangue). Que combate a eliminação de muco. Analgésico. Antibacteriano. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e.Termos médicos Abortivo. Que combate fungos. antigonorréico. que prende. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). de um músculo ou grupo de músculos). perda momentânea da razão. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Alucinação. Adenocarcinoma. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Que reduz a capacidade de reprodução. Agregação. Que aperta. Antigonorréico. Anemia. Que combate as convulsões (contrações violentas. Alopecia. Amenorréia. ato ou efeito de desvariar. Antiblenorrógico. Que suprime náuseas ou vômitos. Que reduz ou suprime a dor. Antidisentérico. Agrupamento. Capaz de promover expulsão do feto. calvície. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Antiescorbútico. Antidiabético. Afrodisíaco. doença sexualmente transmissível. Anticatarral. especialmente táctil e dolorosa. Antifertilidade. Angina. aglomeração. Adstringente. às vezes.

Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. nos rins e/ou na vesícula biliar. Anorexia.Anti-helmíntico. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate tumores. Que combate a lepra. Antinociceptivo. Que combate a histeria. Que combate o corrimento vaginal simples. especialmente bactérias. falta de emoção. Que combate a formação de tumor maligno. formada por sais minerais. Antineoplásico. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Antivenéreo. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Anti-histérico. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Broncodilatador. Que combate micróbios. Que combate a sífilis. Que combate o reumatismo. Em geral se forma na bexiga. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antileucorréico. Que faz baixar a temperatura. Cálculo. Anti-sifilítico. Ataxia. Que impede a fermentação. Antitumoral. Antiinflamatório. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Béquico. Redução ou perda de apetite. Anti-séptico ou Antisséptico. Antitérmico. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. doença causada pelo Treponema pallidum. Que combate helmintos. Que dilata os brônquios. putrefação ou contaminação microbiana. em geral acompanhada por desordens na fala. inatividade. Antipruriginoso. febre paludosa ou palustre. Estado de indiferença. Antimalárico. quase sempre transmitida por contato sexual. desinfetante. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Anti-reumático. Apatia. Antileprótico. . Antivirótico.no. Antimicrobio. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Anti-hemorroidal. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. insensibilidade. Brônquios. Relativo à tosse. que serve para o tratamento da tosse. Que combate as inflamações. também chamada de paludismo. Que combate as doenças provocadas por vírus.

do estômago etc. Desinfetante. reduz a força. também. Eczema. Congestão. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Dispnéia. crostas e secreção. Infecção por bactérias. que aumenta ou provoca a secreção urinária. gripe comum. Disfagia. Colagogo. Depressor. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Desobstruente. reduz a excitação. libera a passagem de um vaso ou canal. Catártico. Emoliente. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Que desentope. Respiração difícil. resfriado. Que favorece a secreção urinária. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. do intestino. Que favorece ou provoca menstruação. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. purifica. Citotóxico. Que deprime. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Dificuldade na deglutição. Edema. Purgativo. que separa substâncias nocivas. dificuldade para respirar. estimulante da transpiração. Cicatrizante. Que alivia a distensão por gases. . Que limpa. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Inflamação da pele. Que provoca vômito. Cardiotônico. Que tem a propriedade de amolecer. Prisão de ventre ou. Diurético. Constipação. Que favorece o fluxo biliar. Dispepsia. Indigestão. que previne a invasão de microorganismos. sensação de peso ou queimação no estômago.Carbúnculo. Carminativo. gripe. Dermatite. Sudorífico. muitas delas usadas para destruir células tumorais. que ativa a eliminação de bile. enfraquece. acompanhada de náuseas. Depurativo. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Diaforético. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Emenagogo. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. caracterizado visualmente pelo inchaço. Emético. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. empachamento.

Que produz imobilidade emocional. no estômago etc. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Hipocolesterolêmico. com anemia. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. espanto. com bradicardia (pulso lento. Hepático. Hepatócitos. Relativo a hemostasia. Fitofármaco. Hidropisia. Estupefaciente. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Fitoterapia. Distensão por gases no intestino. Relativo ao fígado. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Hipertensor. Hiperglicemia. Fitoterápico. Estimulante. Derrame de bile no sangue. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Fungicida. Ictericia. Hemostático.Erisipela. Hipotensor. produz sono e alivia a dor (narcóticos). que leva à perda de atividade. . assombro. Eructação. Flatulência. Que aumenta a pressão sangüínea. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. que facilita as funções do estômago. pigmentação amarela generalizada da pele. Hepatotóxico. estado de irritação. Excitante. que melhora o funcionamento do fígado. Farmacoterápico. Glicosúria. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Relativo ao estômago. Estomáquico. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Que estimula ou provoca a ação. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Hipoglicemiante. deposição de bile nos tecidos. Que combate a febre. O mesmo que arroto. Células do fígado. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Que combate fungos. Expectorante. Febrífugo. com vermelhidão. Capaz de promover estímulos. Que baixa a pressão sangüínea. Tóxico para as células do fígado. que estanca hemorragia.

Malária. que acalma.Impingem. Sedativo. impaludismo. causado por gordura. Relativo a peito. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Que mata ou destrói parasitas. Que adoça ou acalma. Lipemia. Lipogênico. Peitoral. Excreção excessiva de urina. Que resolve. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Estado que é tóxico ao rim. Nefrotoxicidade. Parasitemia. como no caso da esquistossomose). Lumbago. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. o mesmo que laxante. Dilatação da pupila. Moluscicida. tranqüilizante. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Infertilidade. Que alivia excitação. Purgativo. Narcótico. Resolutivo. droga que paralisa as funções do cérebro. Grau ou índice de parasitas no sangue. importantes para a coagulação sangüínea. Maleita. Tóxico para as células brancas do sangue. Corpúsculos sangüíneos. Lepra. calmante. Dor na região lombar (costas. Que laxa ou afrouxa. Mutagênico. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Sialagoga. que apenas exonera o intestino. Laxativo. que faz cessar inflamação. Inseticida. Morféia. Incapacidade de reprodução. Que produz sono ou inconsciência. Lenitivo. produzindo sono e alívio da dor. Linfocitotóxico. Plaquetas. Poliária. . Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). purgativo fraco. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Midríase. purgante. Substância que mata insetos. Que produz gordura. Parasiticida. afecção cutânea. dorso).

Supirativo. Que produz pus. Sudorífico. que facilita a saída de pus. Próprio para curar feridas. Salivação abundante. Zigotóxico. Sinusite. Que provoca vesículas. Vesicante. Tóxico para o zigoto. Revigorante. Tranqüilizante. Que tranqüiliza. Testículo.Sialorréia. Teratogênese. Tônico. Que destrói ou afugenta vermes. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. bolhas. que acalma. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Vermífugo. Vulnerário. Desenvolvimento de anormalidades fetais. . que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Diaforético.

• Quando se trata de resumo de Anais de congressos. n.12.. dissertações e outras publicações do gênero. ABDU-AGUYE.5. p. os autores são citados no texto.l69-71. n. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). v. Os dois autores. n. v.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.3.657-63. p. ABE. Soedin. p. . ABDULLAEV. 1995. SEELIGMANN. M. p. página e ano. os autores são citados como nos casos das revistas. N. (Tashk). 1986. n. R. p. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Um autor. ABDALA. 1985. n. . Prir.269-74.4.499-500. v. Prir. 1995. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material.43.871-2. apenas sua referência. incluindose volume. nos casos de única autoria.2. 1986.7-8. página inicial e página final e ano de publicação. n.3. Biochemical Systematics and Ecology. I. n. 1997. v. simpósio ou similar. et al. et a l j . Human Toxicol. Nat. nos casos em que há mais de dois autores. et al. Prod. et al. 1995a. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). L. D. P Lilloa.60. O mesmo se aplica a teses. seguindo-se o título do congresso. Khim. p. nos casos de dupla autoria. . F. p.23. • Quando se trata de livro. fascículo.5. Khim. Soedin (Tashk).38. v..326-32. ABDEL-KADER.1294-7. S.

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487 Alismataceae. 339-40 Anacardium giganteum. 201-2. 43 Annona muricata. 316 Bidens bipinnatus. 67. 467. 62 Alternanthera brasiliana. 364 Apocynaceae. 81 Arecidae. 143 Acanthospermum australe. 3512. 115 Aristolochia trilobata. 75 Allium sativum. 461 Ageratum conyzoides. 52. 148 Anacardiaceae. 96. 391 Allium cepa. 78 Alpiniajaponica. 68. 90-3. 102. 467-8. 42-3 Andropogon nardus. 377-78. 480 Bignoniaceae. 90 Apiaceae. 386 Asteraceae. 110 Annona tenuiflora. 152. 58. 227-8. 140-1. 489 Bidens pilosa. 474. 149-50 Amaranthaceae. 449 Bixa arborea. 364 Apiales. 381-5. 340-3. 56. 463-5 Asterales. 351-2 Averrhoa carambola. 453. 450. 69-74. 488 Bauhinia forficata. 65-6. 360 Anacardium occidentale. 373 Averrhoa bilimbi. 342-3. 368 Arecaceae. 458-6 Achillea millefolium. 361 Andropogon leucostachys. 475. 465. 345. 111 Annonaceae. 119 Aristolochiaceae. 79 Alismatidae. 376 Araliaceae. 223 Bixa orellana. 468-9. 463 Asteridae.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 466 Adenocalyma alliaceum. 95-9. 475. 479. 149. 77 Aloe vera. 202-4 . 79 Aristolochia. 480. 351-2 Baccharis trimera. 113 Asclepiadaceae. 93. 113 Aristolochiales. 65. 79 Allamanda cathartica. 113-5. 468-9. 154 Alternanthera micrantha. 65.

Bixaceae. 308 Dipteryx punctata. 430. 393 Cordia verbenacea. 470. 151-2. 279. 63 Heliconia. 287 Cassia occidentalis. 292. 496 Dipteryx odorata. 207. 285. 411 Hibiscus furcellatus. 152-3. 299. 185. 236 Euterpe edulis. 259 Hedychium coronarium. 385 Hirtella. 395 . 286. 407. 284 Hyptis crenata. 147 Caryophyllidae. 373 Eupatorium ayapana. 386-7 Gentianaceae. 201 Boerhavia difusa. 212-3. 213. 230-2. 318 Desmodium tortuossum. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 41-2 Convolvulaceae. 331 Celosia argentea. 211. 394-5 Ipomoea quamoclit. 82-3 Fabaceae. 224 Hibiscus sabdariffa. 276 Fischeria cf. mariana. 322 Clusiaceae. 441 Inga spectabilis. 206-7. 496 Caryophyllales. 406 Brunfelsia grandiflora. 214 Himatanthus. 238 Cucumis anguria. 300. 150. 298 Derris floribunda. 327 Cassia multijuga. 272 Clidemia novemnervia. 312 Ipomoea batatas. 54. 298 Derris amazônica. 287-8 Cassia reticulata. 163-4 Chrysobalanaceae. 490 Euphorbiaceae. 178-9. 235 Cecropiaceae. 155-6 Caesalpinia ferrea. 172 Boraginaceae. 272. 366-7 Hymenaea courbaryl. 440 Costus spiralis. 80. 402-3 Cactaceae. 231 Celastraceae. 282-3. 171 Gossypium barbadense. 236 Euphorbiales. 165. 319 Dipsacales. 237. 49 Cymbosena roseuna. 379. 388 Croton cajucara. 471 Gomphrena globosa. 280. 281. 315 Caesalpinia pulcherrima. 175 Diplotropis purpurea. 324. 225 Guttiferales. 265 Caprifoliaceae. 44. 210. 299 Dillenidae. 178 Cybianthus. 398. 276-7 Cajanus cf. 375 Gnaphalium purpureum. 287 Cecropia peltata. 292 Caesalpiniaceae. 242. 302 Echinodorus grandiflorus. 205. 283. 382-3. 259 Commelinidae. 190 Cucurbitapepo. 266 Capparidales. 231 Celastrales. 170 Chenopodiaceae. 163 Chenopodium ambrosioides. 275 Hydrocotyle exigua. 387 Gentianales. 145 Caryophyllus aromaticus. 301-2. 413-4. 179 Cucurbitaceae. 297 Capparidaceae. 53-4 Coutoubea spicata. 154. 296 Fabales. 215. 264-5 Cymbopogon citratus. 46-7. 247. indicus. 365-9. 295. 61 Heliotropium indicum. 481. 255 Croton sacaquinha. 408-9. 83 Eryngium ekmanii.

64 Lippia alba. laniflora. 420. 191-2. marcgravii. 303 Myrsinaceae. 426. 254. 262 Myrtaceae. 156-7 Persea americana. 39. 256 jatropha gossypifolia. 158-9. 332. 199 Passifloraceae. 161-2 Portulaca pilosa. 258 Physalis angulata. 200 Maytenus aquifolium. 429. 415-6. 126-7. 425-6. 107 Leguminosae. 277 Leonotis nepetaefolia. 427. 173 Phyllanthus corcovadensis. 311 Momordica charantia. 130. 414. 195 Mabea angustifolia. 238-9. 79 Moraceae. 161 Ocimum basilicum. 493. 229 Musa. 443 Liliaceae. 431. 337 Malva parviflora. 204 Malvales. 419-20. 421. 192 Pedaliaceae. 444 Mentha pulegium. 181-2. 61 Musaceae. 240-1 Magnoliidae. 245. 424. 419. 427-8. 139 Mentha piperita. 108 Persea gratíssima. 122-3 Piper cernnum. 160. 196 Monocotiledonae. 208 Malvaceae. 445 Mimosaceae. 399-400. 124. 432 Ocimum canum. 332. 435 Loganiaceae. 425. 108 Petiveria alliacea. 422 Oxalidaceae. 64 Liliidae. 321 Menispermaceae. 106 Laurus nobilis. 180. 427 Ocimum gratissimum. 185. 402-5 Phytolacaceae. 239-40. 64-5 Liliales. 422-3. 432 Ocimum micranthum. 136 Piperaceae. 42 Pogostemon patchouly. 123. 191 Lamiaceae. 416. 250-1. 133 Piper gaudichaudianum. lhotzkyanum. 158 Pothomorphe peltata. 427. 135 Piper marginatum. 453 Peperomia elongata. 417. 89 Malpiguiaceae. 166 Piper cavalcantei. 323-4 Myrtales. 134 Piper d. 406 Lauraceae. 121-2 Pereskia grandifolia.Jacaranda caroba. 128. 244-6. 494-5 Passiflora coccinea. 129. 125. 198 Lacistemaceae. 251 Lacistema. 137 . 434-5 Lippia granais. 432. 369-72 Portulaca oleraceae. 321 Nyctaginaceae. 442 Leucas martinicensis. 241. 431. 132 Peperomia. 120 Poaceae. 162 Portulacaceae. 495 Palicourea cf. 233 Muntingia calabura. 184-9. 350 Palicourea cf. 334-6 Melastomataceae. 447 Polygalales. 167-9. 389 Luffa cylindrica. 192-3. 60 Myristicaceae. 125. 451-2 Jatropha curcas. 337 Polyscias. 121. 221-2. 336 Maytenus ilicifolia. 418 Mentha viridis. 446 Origanum vulgare. 131. 87 Magnoliales. 103 Myrocarpus frondosus.120 Piperales. 252. 412-3 Lamiales.

132. 338 Strychnos triplinervia. 463 Scrophulariaceae. 52 Zingiberales. 482. 462 Ranunculales. 227 Theobroma speciosa. 492 Ruta graveolens. 101. 471 Sorocea bomplandii. 409. 478 Theobroma grandiflorum. 325-9. 112 Zingiber officinale. 273 Rosales. 183. 338 Stigmaphyllon strigosum. 269 Rubiaceae. 216 Stigmaphyllon fulgen. 182 Sesamum indicum. 472. 477. 271 Rosidae.Pothomorphe umbellata. 491 Spondias purpurea. 322 Rosaceae. 76 Sapindales. 51 Zinigiberidae. 400 Solanum tuberosum. 353 Saccharum officinarum. 230-1 Verbenaceae. 312. 209 Urticales. 497-500 Sansevieria. 233-4 Spilanthes acmella. 228 Thevetia peruviana. 127. 218. 379-85 Tiliaceae. 457-60. 326 Psydium guajava. 262 Prunus domestica. 226 Solanaceae. 139 Rhynchanthera grandiflora. 94-5. 473-4. 213. 485. 457 Scrophulariales. 347. 363 Rutaceae. 215-6. 177-8 Virola surinamensis. 361 Sterculiaceae. 99. 412 Tagetes erecta. 208-9. 45. 393 Solanum paniculatum. 354-7. 397-8 Solanales. 274 Psydium cf. 50 Sambucus nigra. 434 Violales. 345. frutescens. 51 Zinnia elegans. 484 Zollernia ilicifolia. 221 Urena lobata. 349. 474. 479. 492 Rubiales. 453-6 Sida rhombifolia. 390 Symphytum officinale. 330 Pyrostegia venusta. 360 Scoparia dulcis. 320 . 401 Solidago microglossa. 103-6 Vismia japurensis. 138 Primulales. 452. 189. 55. 350. 339 Schinus terebenthifolius. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 449 Sechium edule. guineense. 48. 217-9. 344. 197 Xylopia cf. 58 Zingiberaceae.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .Estúdio Gráfico (Diagramação) .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

do Departamento de Farmacologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. Campus de Botucatu. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Departamento de Fisiologia. Capa: tsabel Carballo . do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. . ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.