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O Estado na Ordem Internacional

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Universidade Católica de Brasília – UCB Curso de Direito

O ESTADO NA ORDEM INTERNACIONAL

Brasília 2011

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Monteiro • José Elyd’angellys G. Ferverstein • Isaias Xavier da Silva • Jackelinne L. Bijos Componentes: • Adryell Bernardo N. de Souza • Ludmilla da Silva Gomes • Rafael Hilário Gomes • Thiago Ferreira da Cruz Alcântara 2 . de Vasconcelos • João Paulo Pereira C. Leila da J.Universidade Católica de Brasília Curso de Graduação em Direito Disciplina: Teoria Política (Democracia e Cidadania) Turma: MOD Professora: Dra.

funcionalismo público etc. segundo o âmbito de sua aplicação. segundo o Dicionário Houaiss designa: “conjunto das instituições (governo. forças armadas. processos e instituições afim de buscarem soluções para determinados problemas. constituindo se a autoridade máxima. o Estado está soberanamente em igualdade com os demais Estados que constituem o âmbito internacional. buscando o bem geral de todos. com a grande maioria deles representados nas Nações Unidas. a noção de uma “comunidade internacional” foi desenvolvida para se referir a um grupo de Estados onde estabeleram regras. situação.INTRODUÇÃO Estado (do latim status. 3 . com estrutura própria e politicamente organizada”. Dentro do seu próprio território. us: modo de estar. Esses Estados formam as teóricas relações internacionais. e esta se manifesta de duas maneiras. Fora do seu território. Atualmente mais de duzentos Estados compõem a comunidade internacional. o Estado encontra-se a cima dos demais sujeitos de direito. Recentemente. De acordo com a ciência política. O reconhecimento de um Estado perante os demais é indispensável para que eles se relacionem bem. “país soberano. condição). o Estado é dotado de soberania.) que controlam e administram uma nação”. na vertente externa.

não bastando a supremacia eventual ou momentânea. ficando na dependência da comprovação de possuir soberania. pois os Estados mais fortes dispõem de meios para modificar o direito quando isso lhes convém. apesar de todas as restrições dos teóricos e dos próprios líderes políticos. Além disso. De qualquer forma. no seu todo. o que distingue o Estado das demais pessoas jurídicas de direito internacional público é a circunstância de que só ele tem soberania. o que se exige é que a sociedade política tenha condições de assegurar o máximo de eficácia para sua ordenação num determinado território e que isso ocorra de maneira permanente. há uma regulação jurídica imperfeita. sob o ângulo externo é uma afirmação de independência. havendo quem afirme que se deve reconhecer que só tem soberania os Estados que dispõem de suficiente força para impor uma vontade. o reconhecimento de um Estado como tal não obedece a uma regulação jurídica precisa. Como se vê. significando a inexistência de uma ordem jurídica dotada de maior grau de eficácia. a regulação jurídica. pode-se dizer que já houve progressos consideráveis. Com efeito. Esta. desde que. a experiência tem demonstrado a relatividade do conceito de soberania no plano internacional. não se inquirindo dos motivos pelos quais a ordenação jurídica é capaz ou não de agir soberanamente. há certo de quatrocentos anos. independentemente de atos formais de reconhecimento. De fato. quando participa da sociedade mundial. pois. como observam Kaplan e Katzenbach. o Estado é uma pessoa jurídica de direito público internacional. entretanto. é apenas aparente. este dado fica sujeito a circunstâncias meramente de fato.O Estado na Ordem Internacional O mundo é uma sociedade de Estados. Na prática. o simples fato de um grande 4 . foi iniciado sistematicamente o esforço para submeter a regras jurídicas as relações entre os Estados. que do ponto de vista interno do Estado é uma afirmação de poder superior a todos os demais. Para o jurista. Assim. Mas. pois ao mesmo tempo em que se exige a comprovação de um dado jurídico – a soberania da ordenação jurídica -. na qual a integração jurídica dos fatores políticos ainda se faz imperfeitamente.

seria a “guerra de todos contra todos”. “o imperialismo significou uma divisão da humanidade em povos de elite. Rejeitando os argumentos teológico-políticos com os quais. que modifica profundamente os termos do relacionamento entre os Estados. cujas aspirações nacionais deveriam ser esmagadas”. não existe um órgão superior de poder. tecnicamente. Do ponto de vista específico da soberania ainda se pode acrescentar que. Ainda um aspecto importante a observar é que. pois embora exista uma ordem jurídica em que todos se integram. tem sido criadas muitas organizações internacionais dotadas de um órgão de poder. já foi percebido no começo deste século. a que todos se submetam. Já no século XVI.a partir de um direito natural de inspiração divina. dizia Vitória: “ampliação do império não causa justa para uma guerra”. seu reconhecimento jurídico é de grande importância. Com bem salienta Lipson. os quais. nos últimos tempos. e toda a sociedade humana sairia perdendo. e pelo reconhecimento dessa deficiência é que. e cujas nacionalidades poderiam encontrar meios de expressão. de que falava Hobbes. que mandavam. 5 . valem-se da superioridade de força para conquistar territórios e escravizar povos “menos civilizados”. sob justificativa de uma “ação civilizadora”. E o século XIX irá conhecer a corrida imperialista dos grandes Estados europeus. mas a forma de atuação dos Estados no âmbito internacional não se alterou. pois é esse tipo de comportamento que torna possível a existência de um Direito Internacional. aliás. o padre dominicano Francisco de Vitória condena a supremacia da força. os Estados vivem em situação de anarquia. porque é em conseqüência dele que se qualifica como ilegítimo o uso arbitrário da força.Estado procurar dar aparência jurídica a suas decisões já apresenta um avanço e não deve ser encarado como hipocrisia. e povos submetidos. as grandes potências procuravam justificar a conquista de territórios e o predomínio sobre “os selvagens pagãos e os infiéis”. apesar da eficácia restrita. os pretextos mudaram. Este aspecto. Realmente. Esta é uma inovação importante. sem qualquer consideração por regras jurídicas. preconizando a limitação da independência dos Estados pela moral e pelo direito. se os que dispõem da força resolvessem usá-la indiscriminadamente. Decorridos vários séculos.

o que pressupõe a aceitação geral de certos padrões jurídicos e demonstra que aquelas organizações são realmente úteis e. no sentido da afirmação de ilegitimidade da submissão de um povo a outro. E acrescenta: “A própria organização das forças de independência dentro da colônia foi suficiente para convencer a potência imperial de que resistência á independência seria impossível ou que as conseqüências políticas e econômicas de uma guerra colonial excediam qualquer vantagem a ser obtida pela conservação da colônia”. Essa tentativa fracassou e veio a II Guerra Mundial. em grande parte. que. Terminado esta. em parte porque a própria guerra havia aproximado os Estados e.e há muitos casos em que independência só foi alcançada através de uma guerra de libertação”. condições para lutar pela independência. E um passo gigantesco foi dado. havendo declarações enfáticas de condenação do colonialismo. O dado novo. graças á existência de organizações internacional e á repulsa ao uso arbitrário da força. Kwame N’Krumah. até necessárias. que falasse em nome de todos e assim pudesse opor barreiras ao egoísmo dos mais fortes. a não ser que as forças fossem tais que não houvesse outro caminho possível. do que resultou um grande surto de novos Estados e a multiplicação das forças que pesam no equilíbrio mundial.A corrida imperialista continuou no século XX e as disputas entre as grande potências provocaram a I Guerra Mundial. pelo temor de nova conflagração. com um cortejo de destruição e de violência mais trágico do que aquela que se tinha visto na I Guerra Mundial. seria ingênuo acreditar que tenham desaparecido o egoísmo e a tendência dominadora dos grandes Estados. 6 . com sua experiência observa que “nenhuma potência imperial jamais concedeu a independência a uma colônia. Depois disso. e sem dúvida de grande importância.a esse respeito. é que as circunstâncias gerais exerceram pressão sobre as potencias imperialistas e as colônias encontraram em si próprias. surgiu a primeira tentativa para constituição de uma organização mundial de Estados. Isso se tornou possível. às vezes. o testemunho do presidente de Gana. em parte. Evidentemente. multiplicaram-se as organizações de Estado. È muito expressivo.

Estas organizações têm como característica fundamental a circunstância de só agruparem Estados de determinada região do mundo. são as de maior importância. também designada como Liga das Nações. Por ocasião da Conferência de Versalhes. Entre as organizações desta espécie encontra-se a Organização do Estados Americanos (OEA). mas apresentam sempre como característica um objetivo limitado a determinado assunto. como obstáculos ao êxito da Sociedade. jurídicas ou de qualquer outra natureza específica. Só houve dois exemplos desse tipo de organização: a Sociedade das Nações e a Organização das Nações Unidas (ONU). embora ainda não atingido a universalidade. Entre as principais deficiências merece especial 7 . Em lugar disso. por sugestão do presidente dos Estados Unidos da América. surgiu logo após o termino da I Guerra Mundial. cujo Conselho se reuniu pela primeira vez em Paris. militares. pretendem atingi-la. Elas podem agrupar Estados de uma só região ou de todas as partes do mundo. Seus objetivos não são limitados a questões econômicas. Em 1919 já estava constituída a Sociedade das Nações. têm competência para conhecer de todos os assuntos que possam interessar aos Estados a ela pertencentes e trabalham a favor da convivência harmoniosa e do progresso uniforme desses mesmos Estados. Inúmeros pontos negativos foram logo revelados. porque pretendem reunir todos os Estados do mundo e tratar de todos os assuntos que possam interessá-los. Woodrow Wilson. Wilson esforçou-se para que fosse aceita a idéia da criação de uma organização permanente dos Estados. • Organizações regionais de fins amplos.O exame das organizações de Estados existentes no mundo em grande número depois da II Guerra Mundial permite a identificação de três espécies. sem dúvida alguma. Exemplo desta espécie é a Comunidade Européia do Carvão e do Aço. que são: • Organização para fins específicos. • Organizações de vocação universal. A Sociedade da Nações. em 16 de janeiro de 1920. que fixou as condições de paz. Estas. Elas são consideradas de vocação universal porque. para desenvolver a cooperação entre eles e garantir a paz mundial.

além de reduzir consideravelmente a importância da entidade. Quando em 1939 teve inicio a II Guerra Mundial a Sociedade das Nações tinha existência apenas nominal. Para que não houvesse nenhum relacionamento com esta. Japão e Itália. E quando já se considerava definido o desfecho. 8 . como se designavam os demais. contribuiu para que ela não obtivesse os necessários meios de atuação. preferiu-se constituir um novo organismo. que alinhava entre os seus membros originários apenas vinte e sete Estados independentes e mais cinco que tinham a política externa orientada pela Inglaterra. A Sociedade das Nações. com princípios próprios e organização mais adequada á sua vocação universal. dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Com efeito. começaram a tomar as primeiras providências concretas para a criação da futura organização. de onde partira a idéia de constituição da Sociedade. os Estados aliados. as três grandes potências que comandavam a luta contra o Eixo composto pela Alemanha. mantiveram vários encontros para coordenar as ações de guerra. inclusive do Brasil. O desinteresse das grandes potências. inúmeros desentendimentos surgidos entre os membros acabaram provocando a retirada de alguns. Além disso. em Genebra. chegando a cinqüenta e cinco membros em 1926. Já em 1927 era evidente o desprestígio da Sociedade. o Senado norte-americano negou-se a ratificar a adesão manifestada pelo seu representante. e cujo presidente assinara o pacto de criação na condição de representante de um membro originário. mas o ato formal de sua extinção só foi registrado em 1946. resultou da crença nas possibilidades de uma entidade dessa natureza como guardiã da paz e da esperança de que fosse possível evitar erros que determinam o fracasso da Sociedade das Nações. segunda organização de vocação universal a ser criada. que não conseguiu qualquer êxito na sua tarefa básica de assegurar a paz. Durante a guerra os representantes da União Soviética. A Organização das Nações Unidas (ONU). jamais confirmaram seu ingresso. jamais conseguiu grande numero de adesões.referência o desinteresse das grandes potências. Basta lembrar que os Estados Unidos da América. com a derrota do Eixo. frustrando sua vocação de universalidade.

que é a Carta das Nações Unidas. Consideravam-se Nações Unidas. celebrado nos moldes de um tratado. a maioria lhe reconhece a natureza jurídica de uma confederação de Estados. O interesse manifestado pelas grandes potências assegurou o êxito da iniciativa. celebrando vários acordos sobre algumas questões fundamentais relativas á situação mundial de após-guerra. Cada membro preservou sua soberania. Com efeito. organização. Roosevelt. Previu-se também uma consulta especial ao governo da China e ao governo provisório da França. Finalmente. com a presença de quarenta e seis Estados. discutiu-se durante cerca de dois meses o documento fundamental de constituição. declararam guerra á Alemanha e ao Japão. para adquirirem o direito de participar da conferência. que até então permaneciam neutros. pelo provesso 9 . objeto e condições de funcionamento previstos no instrumento de constituição. na futura organização. apesar de sua vocação universal. Churchill e Stalin. designadas como “questões de procedimento”.Em fevereiro de 1945 encontraram-se em Yalta. um Conselho de Segurança. a ONU resultou de um acordo entre Estados. estabelecendo-se que as Nações Unidas realizaram uma conferência sobre a organização mundial em 25 de abril de 1945 e que ela teria lugar nos Estados Unidos. por meio de adesão. instalada a conferência na Cidade de São Francisco. Desde logo ficou estabelecimento que haveria. sendo a Carta o tratado que lhe deu nascimento. aos quais depois se uniram mais quatro. pequena estação balneária da Criméia. tendo sua existência. segundo o mesmo protocolo. ficando aberta a possibilidade de ingresso de novos Estados. A ONU é uma pessoa jurídica de direito internacional público. O primeiro ponto do protocolo então afirmado refere-se precisamente á “organização mundial”. Embora tenha havido certa relutância dos juristas em qualificar a ONU entre as espécies de uniões de Estados já conhecidas. com alguns membros permanentes. podendo retirar-se da organização quando o desejar. aquelas que já fossem reconhecidas como tais e as que declarassem guerra ao inimigo comum até 1º de março de 1945. cuja concordância unânime seria indispensável para as decisões sobre as questões mais importantes. ao sul da União Soviética. que foi aprovado por unanimidade em 26 de junho de 1945. sobre as decisões de Yalta. a tal ponto que nada menos do que dez Estados.

Rússia. A estrutura da ONU pode ser claramente percebida por meio da indicação de seus órgãos fundamentais. 3º) conseguir a cooperação internacional para resolver problemas internacionais de caráter econômico. Cabe ao Conselho de Segurança a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais. devendo assegurar a pronta e eficaz ação da ONU. bem como para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais da pessoa humana. proibida a reeleição para um período imediato. inclusive direito de passagem. tem atribuições deliberativas e executivas. sendo cinco permanentes – China. Assim. cultural ou humanitário. na prática. quando e onde se fizer necessário. Cada membro do Conselho de Segurança tem direito a um voto. Líbano. não devendo ser confundida com um Superestado. Japão. Nigéria. podendo requisitar forças armadas e assistência de qualquer membro. Os objetivos da ONU. e funciona permanentemente. expressos no artigo 1º da Carta. Turquia e Uganda –. pois. a ONU não tem soberania. 2º) desenvolver relações amistosas entre os Estados com base no respeito aos princípios da igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos. 4º) ser um centro destinado a harmonizar a ação dos Estados para a consecução dos objetivos comuns. que são: a) A Assembléia Geral. O Conselho de Segurança compõe-se de onze membros. Nela cada membro tem direito a um voto. Brasil. A Assembléia Geral tem competência para discutir qualquer assunto contido nas finalidades enunciadas na Carta b) O Conselho de Segurança. Bósnia e Herzegovina. atuando todos em condições de absoluta igualdade. França. que é. eleitos pela Assembléia Geral por um prazo de dois anos. México. a Áustria. podem ser assim resumidos: 1º) manter a paz e a segurança internacionais. Gabão. mas quando se tratar de questões de maior importância é indispensável a concordância de todos os membros 10 . o órgão mais importante da ONU. Reino Unido e Estados Unidos – e por 10 membros temporários.previsto na própria Carta. constituída por todos os membros integrantes da organização. – atualmente. social.

d) O Conselho de Tutela. cultural. e) A Corte Internacional de Justiça é o órgão judiciário da ONU. Estes gozam do poder de veto. Todos os membros da ONU são partes legítimas para litigar perante a Corte. tendo sido organizado com base na antiga Corte Permanente de Justiça. A Assembléia Geral e o Conselho de Segurança podem solicitar pareceres consultivos á Corte Internacional de Justiça. eleitos pela Assembléia Geral e pelo Conselho de Segurança por um período de nove anos. mas esta pode também conhecer de litígios suscitados por Estados ou contra Estados que não pertencem á organização.permanentes. educacional. A Corte compõe-se de quinze juízes. não podendo haver mais de um membro da mesma nacionalidade. qualquer ação da própria ONU. composto de dezoito países membros. todos temporários e eleitos pela Assembléia Geral. bastando a oposição de um deles para obstar qualquer ação do Conselho. como partes desde e sem sofrer discriminações. concedendo – se esse direito aos demais órgãos da ONU. o que significa. Compõem esse órgão todos os membros do Conselho de Segurança e mais os Estados que tenham a seu cargo a tutela. na verdade. a Assembléia Geral elege novos membros. social. cabendo a ela própria fixar uma escala de férias para seus juízes. têm a seu cargo a elaboração de estudos e relatórios a respeito de assuntos internacionais de caráter econômico. c) O Conselho Econômico e Social. sanitário e conexos. Esse poder de veto é de extraordinária importância e constitui um dos pontos que suscitam maiores críticas contra a organização. procedendo – se a renovação de um terço cada três anos. que tem a seu cargo os assuntos relacionados com os povos que não sejam ainda autogovernados. A ONU não admite que qualquer território seja mantido na condição de colônia e trabalha para que os antigos territórios coloniais adquiram sua autodeterminação ou se integrem em algum Estado. 11 . O candidato deve receber a maioria absoluta dos votos de cada um daqueles órgãos. O funcionamento da Corte é permanente. para que haja igualdade. desde que autorizados pela Assembléia Geral.

Ele é dirigido por um Secretário-Geral. no sentido de garantir a aplicação da Declaração Universal dos Direitos do Homem. de que ela apresenta falhas em sua estrutura e no seu funcionamento. o Secretariado exerce uma espécie de vigilância. a Carta da ONU atribui competência ao Secretário-Geral para chamar a atenção do Conselho de Segurança para qualquer assunto que. Com efeito. possa ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais. que segundo Pierre Duclos. que reduzem consideravelmente a eficácia de sua atuação. Além de se valer desses órgãos a ONU utiliza o trabalho de organizações especializadas em determinados assuntos. e outras muito mais antigas. também. na realidade. Foi uma exigência dos Estados Unidos e na União Soviética para integrarem a organização. Esse direito criou. c) a falta de eficácia das decisões. pois sendo apenas uma confederação e não dispondo de meios concretos para impor 12 . que é o principal funcionário da organização. Como esta seria inviável sem a presença desses dois Estados. Entretanto. algumas delas criadas posteriormente á ONU e vinculadas a ela. os demais tiveram que ceder. é a causa profunda de todos os males que afetam a organização. È indiscutível que a ONU tem prestado bastante auxílio ao desenvolvimento dos povos e á causa da liberdade. Não há dúvida.f) O Secretariado é o órgão permanente encarregado de todas as atividades burocráticas da ONU. sendo escolhido pela Assembléia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. Além de cuidar das atividades burocráticas e de preparar relatórios anuais sobre atividades da ONU. anula qualquer possibilidade de ação da ONU. Entre os principais defeitos mais freqüentemente apontados estão os seguintes: a) o respeito á soberania dos Estados. em sua opinião. pois implica tantas limitações que. quando menos assegurado aos pequenos Estados um veículo de comunicações com ressonância mundial. uma acentuada discriminação entre os Estados. praticamente. que se ligaram á entidade através de convênios. b) o direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

porém. a ONU apresenta saldo positivo. no tocante ao acesso aos bens sociais e á promoção dos valores fundamentais da pessoa humana. sem que nada mais possa ser feito. 13 . que muitas vezes não são atendidas. o que reduz sua eficiência e afeta sua própria independência.sua vontade. fazendo com que a ONU dependa de ajuda especial dos grandes Estados para os empreendimentos mais importantes. já tendo desempenhado um papel de grande importância na busca de um equilíbrio mundial e na correção dos profundos desníveis ainda existentes no mundo. Apesar disso tudo. d) a falta de recursos próprios. uma vez que a ONU depende da contribuição financeira de seus membros. Mas. ainda que todos o fizessem. os recursos seriam insuficientes. muitos dos quais não efetuam regularmente os pagamentos devidos. a ONU praticamente se limita a fazer recomendações.

CONCLUSÃO 14 .

– São Paulo: Saraiva. ed. – 21. Elementos de Teoria Geral do Estado / Dalmo de Abreu Dallari.wikipedia. 2000.REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO • SITES ACESSADOS PARA PESQUISA: http://pt. Dalmo de Abreu. 15 .org • DALLARI. Atual.

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