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A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

Isabela Pinheiro Medeiros

FLORIANÓPOLIS (SC), MARÇO DE 1999. Monografia apresentada à banca examinadora do Curso de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, sob a orientação do Professor Msc. João dos Passos Martins Neto.

No dia 25 de março de 1999 foi apresentada, defendida e aprovada pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados esta monografia, intitulada “A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988”, recebendo nota 10 (dez), sendo julgada adequada para o cumprimento do requisito legal previsto no artigo 9º da Portaria nº 1886/94/MEC, regulamentada pela Universidade Federal de Santa Catarina através da Resolução nº 003/95/CEPE. EXAMINADORES Ildemar Egger João dos Passos Martins Neto Sergio Cademartori

Dedico este trabalho Ao Geyson, companheiro de todas as horas, meu amor, minha razão. Com carinho.

Ao meu pai, Medeiros, modelo de integridade e minha mãe, Leonora, grande amiga, por tanto amor e preocupação; À minha irmã Érica, pela paciência, pelo quarto e, principalmente, pela exclusividade no uso do

computador; À minha irmã Camila, cuja meiguice e sorriso fazem-me esquecer dos problemas; Ao meu namorado, Geyson, pela segurança e incentivo constante; À Titi, maior responsável pela escolha do Direito; À Graziela Thévenet, pelo retorno na hora certa; À Cecília Caballero Lois, pelo apoio imprescindível; Às amizades concebidas ao longo desta faculdade, em especial à Elane Pereira da Rosa, Marianne da Silva Brodbeck, Raquel Fernanda Veras dos Santos e Simone Marien Nunes Saad, por terem tornado esta jornada universitária inesquecível; À Dra. Maria Soares Camelo Cordioli, por introduzir-me no estudo da moralidade administrativa; Ao professor João dos Passos Martins Neto, pela dedicada orientação; A todos aqueles que contribuem para que eu seja uma pessoa plenamente feliz. O meu eterno agradecimento. SUMÁRIO

INTRODUÇÃO Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 1.1. Direito e Moral 1.2. Moral e Ética 1.3. Moralidade Administrativa 1.3.1. Origem 1.3.2. Natureza 1.3.2.1. Moral Comum e Moral Administrativa 1.3.2.2. Moralidade e Legalidade 1.3.2.3. Moralidade e Probidade Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2.1. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2.1.1. Gênese Constitucional 2.1.1.1. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional 2.1.2. Legislação Infraconstitucional 2.2. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 2.2.1. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37, caput, da Carta Magna

2.2.2. Alcance 2.2.3. Efetividade 2.3. Caracterização da Moralidade Administrativa Capítulo 3 – O CONTROLE JURISDICIONAL DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 3.1. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3.1.1. Conceito 3.1.2. Modalidades 3.1.2.1. Controle Interno 3.1.2.2. Controle Externo 3.2. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição 3.3. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa 3.4. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Anexo I Anexo II Anexo III INTRODUÇÃO

O estudo da moralidade administrativa vem revelando-se bastante controvertido, suscitando divergências doutrinárias. A inquietude dedicada ao tema evidenciou-se após a promulgação da Carta de 1988, que reservou ao instituto um especial tratamento, elevando-o, pioneiramente, à categoria de princípio de observância obrigatória da atividade da Administração Pública. Esta inovação, inevitavelmente, repercutiu sobremaneira na esfera jurídica brasileira, já que acarretou na necessidade de vislumbrar o instituto de forma mais cuidadosa, com uma amplitude maior a que lhe era conferida até então, posto que consistia em mero princípio geral de direito. Destarte, dada a importância do tema, o presente estudo tem por escopo precípuo contribuir para a análise de tão relevante princípio, enfatizando prioritariamente os aspectos que vêm gerando maiores controvérsias. Há que se ressaltar, no entanto, que o conteúdo desta monografia parte de pressupostos eminentemente teóricos, fruto de uma corrente que ainda não se encontra propriamente sedimentada e ainda está por merecer maior respaldo jurisprudencial. Feitas estas considerações preliminares, procurar-se-á demonstrar, ao longo da pesquisa, que a intenção do legislador constituinte ao insculpir o princípio da moralidade administrativa como pressuposto do atuar administrativo, foi conferir-lhe total autonomia, inclusive e principalmente em relação à legalidade. Para tanto, será necessária a abordagem de alguns aspectos pertinentes para a melhor compreensão do real alcance desse preceito constitucional. Assim, no primeiro capítulo será possível observar-se, antes do início da abordagem da moralidade administrativa propriamente dita, breves apontamentos acerca da moral em relação ao Direito e a Ética. Posteriormente, adentrar-se-á no espectro

específico deste princípio constitucional, a partir de uma análise histórica que se faz necessária para, além de tentar justificar a sua origem, apontar as influência com ela advindas. Ainda no mesmo capítulo, buscar-se-á situar a moralidade a partir de sua comparação com outros elementos, que por vezes são com ela confundidos por parte dos juristas pátrios. Sob este prisma, serão apontados os principais aspectos diferenciadores e aproximadores da moralidade administrativa com a moral comum e com a legalidade, bem como com a probidade. Posteriormente, no segundo capítulo, será realizada uma abordagem do princípio enquanto inserido na ordem constitucional brasileira, demonstrando os novos contornos que lhe foram dados pelo Texto Maior, assim como as repercussões e obstáculos que com eles sucederam. Destacar-se-á, com primazia, as intenções da Carta Magna em relação ao instituto, dando ênfase à questão do alcance, da efetividade e da forma que se dá a caracterização dos atos eivados de imoralidade. Finalmente, no último capítulo, serão apontados alguns tópicos do controle da moralidade administrativa sob a égide dos preceitos constitucionais. Desta maneira, revela-se indispensável versar suscintamente sobre os os aspectos gerais do controle da Administração Pública, tais como a possibilidade de sua realização e suas principais modalidades. Especificamente em relação ao controle da moralidade, será efatizada a modalidade jurisdicional, por consistir na mais controvertida, já que grande parte da doutrina e jurisprudência pátria teme em aceitá-la. Assim, serão trazidas à lume algumas idéias básicas defensoras da realização desta espécie de controle, a fim de apontar os requisitos necessários para a sua efetivação, e, da mesma forma, a justificativa para a sua realização. Por fim, a partir da análise de provimentos jurisdicionais, far-se-ão comentários acerca da aplicação que alguns Tribunais Pátrios vêm dando à matéria. Quanto ao método de abordagem do presente trabalho, será feito uso do método indutivo, acompanhado da técnica de pesquisa bibliográfica. Com consultas a fontes bibliográficas diversas, será possível o exame e estudo do tema sob os mais diversos enfoques e entendimentos, o que propiciará um aprofundamento na matéria e, conseqüentemente, um embasamento teórico para a realização da monografia e a obtenção dos fins por ela visados.

Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

1.1. Direito e Moral Diversas são as teorias que tratam da questão da Moral e do Direito. Enquanto alguns autores concentram seus esforços em demonstrar a total distinção entre os dois institutos, outros, por sua vez, sustentam a íntima relação do Direito com a Moral. Dado à complexidade do tema, tentar-se-á demonstrar, tão somente, as semelhanças e diferenças observadas nos dois conceitos, utilizando os ensinamentos de Adolfo Sánchez Vázquez1. Consoante apregoado pelo autor, Direito e Moral aproximam-se em alguns aspectos: ambos constituem normas reguladoras do comportamento humano que visam “garantir certa coesão social” 2, tendo, por conseqüência, um caráter imperativo. Aos dois institutos é conferido uma dinamicidade que se encontra vinculada à história. “Assim como varia a moral de uma época para a outra, ou de uma sociedade para outra, varia também o direito.” 3 Quanto às diferenças, o autor evidencia a interioridade da moral e a exterioridade do direito. Enquanto a moral não possui codificação e é observada em função de uma convicção interna que garante o seu cumprimento, no direito a codificação faz-se imprescindível e o seu cumprimento dá-se independente da existência de qualquer convicção íntima, em função da coação exercida pelo Estado. Ressalta ainda o autor que o campo da moral é indubitavelmente mais amplo que o do direito, posto que o primeiro regula todas as formas do comportamento humano e o segundo regula apenas aquelas que tem relevância para o Estado. Assim, em função da distinta relação da moral e do direito com o Estado, nota-se que a moral poderá vir a se confrontar com o poder estatal, enquanto que o Direito estará sempre em conformidade com o Estado, posto que depende diretamente dele. “Em conclusão: a moral e o direito possuem elementos comuns e mostram, por sua vez, diferenças essenciais, mas estas relações, que ao mesmo tempo possuem um caráter histórico, baseiam-se na natureza do direito como comportamento humano sancionado pelo Estado e na natureza da moral como comportamento que não exige esta sanção estatal e se apóia exclusivamente na autoridade da comunidade, expressa em normas e acatada voluntariamente.” 4

1.2. Moral e Ética Etimologicamente, moral e ética equivalem-se. A diferença está na origem dos termos: enquanto a moral deriva do latim mores, a ética provém da palavra grega ethos. Porém,
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VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Tradução por João Dell’Anna. 14. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. 267p. p. 80-84. 2 Idem, p. 81. 3 Idem, ibidem. 4 VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. op.cit., p. 84.

p. Volnei Ivo Carlin. Idem. 419-428. cabendo a esta o “estudo da conduta moral do homem” 6. sofre constantes modificações que acompanham a história do homem. p. 117. n. enquanto a moral é concebida como um conjunto de regras da conduta humana. apegam-se à tentativa de diferenciá-los. Adolfo Sanchez./mar. 14. ainda. . p. 6 CARLIN. porém ambos “compreendiam tanto os costumes como os códigos destinados a reger a conduta humana e a exortação à sua obediência e. Moralidade Administrativa 5 DÁLLARI. 1993.7 Adolfo Sánchez Vázquez confere à ética um caráter de generalidade: “O que nela se afirme sobre a natureza ou fundamento das normas morais deve valer para a moral da sociedade grega. A experiência histórica tem demonstrado que. 10. portanto um caráter extremamente dinâmico. ou para a moral que vigora de fato numa comunidade humana moderna. A Ética Sanitária na Constituição Brasileira.” 9 Isto não significa entender a ética como algo imutável. p. elaborando os conceitos correspondentes. que povos de cultura católica privilegiam a utilização da palavra moral. É isso que assegura o seu caráter teórico e evita sua redução a uma disciplina normativa ou pragmática. Florianópolis: Obra Jurídica. 180 p. Desta forma. tem uma função prática. e não no fato de prescrever ou recomendar com vistas à ação em situações concretas. A ética varia de acordo com o seu objeto de estudo. já que a moral. Brasília.” 8 A partir destes ensinamentos pode-se compreender que. Revista de Informação Legislativa. a ética é eminentemente teórica. Nota-se. esclarecer ou investigar uma determinada realidade. como visto anteriormente.” 5 Já na atualidade.. op. 30. uma gama de autores continua adotando os termos moral e ética indistintamente. e portanto. Idem. Deontologia Jurídica – Ética e Justiça.. 11. Alguns. cit. ética e moral diferenciam-se e se relacionam enquanto “uma ciência específica e seu objeto”. Justifica-se. jan. limitando-se a “explicar. enquanto os povos de influência protestante dão mais ênfase à palavra ética. assim. o fato de que na antigüidade. porém. 1. 1996. tendo. Sueli Gandolfi. 420. 7 8 9 VÁZQUEZ. a reflexão filosófica sobre tais costumes e comportamentos e os códigos que os regulam. a utilização de tais termos variava de acordo com o idioma adotado.tanto o termo latino quanto o grego têm o mesmo significado – costumes. v. O valor da ética como teoria está naquilo que explica. O entendimento mais preponderante proclama ser a ética a ciência da moral.3. p. antes de qualquer diferenciação que se possa dar aos dois termos. portanto. 37. p. a utilização preponderante de um ou de outro foi em grande parte influenciada pela sua origem.

189. E. Cláudio Ari. Moralidade Administrativa. Origem Desde a antigüidade os povos já se preocupavam com a existência da moralidade no trato da coisa pública. Hariou “desenvolveu.1. 1996. 11.” (BRANDÃO. 06. não muito bem explicitada nesta pioneira experiência. No decorrer da história. Princípios Constitucionais da Administração Pública./jun. porém. Improbidade Administrativa – Considerações sobre a Lei 8. 1992.. 4. que a moralidade administrativa teve seu ingresso na esfera jusadiministrativa vinculada à noção de desvio de poder. no caso Gommel. já que o legalismo que imperava à época optou por camuflar o conteúdo do elemento moralidade administrativa dentro da violação da finalidade do ato. 12 Antônio José Brandão assevera que “a doutrina do exercício abusivo dos direitos representa a primeira intromissão da regra moral na esfera do jurídico”. Belo Horizonte: Del Rey. op. out. op. a seguinte tese audaciosa: a legalidade dos atos jurídicos administrativos é fiscalizada pelo recurso baseado na violação da lei. cit. p. (BRANDÃO. abr. o poder público constituiu a armadura moral da administração pública. dentre eles uma propensão a atuações desprovidas de honestidade. Foi assim que. foi apenas na 11ª edição de sua obra. Antônio. em sua 10ª edição. cuja zona de policiamento é a zona da ‘moralidade administrativa’. em 1914. fundado no desvio de poder.. quando discorreu: “Assim. que Maurice Hariou conceitua de forma exemplar a moralidade administrativa. 3. posto que. “a interseção da moral no direito em termos de aplicação” 11. p. Rio de Janeiro. 13 Nota-se. . n. com maior brilhantismo do que transparência. determinante necessária de qualquer decisão administrativa.. Alguns autores ressaltam que mesmo antes de 1914. No entanto. apenas no começo do presente século. cit. como assevera Cláudio Ari Mello.14 A noção de moralidade formulada pelo autor francês. Antônio José. 50. p. a moralidade administrativa vem conceituada como “o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração”15. 64. Apesar de se encontrar. com as anotações feitas por Maurice Hariou acerca do pronunciamento do Conselho de Estado Francês. 62-72. 49-62. mais precisamente em 1910. Cármen Lúcia Antunes. Boletim de Direito Administrativo.)” 10. 63. p. a moralidade veio a se instalar muito tempo depois. é fiscalizada por outro recurso. na esfera do direito público.. p.) 14 apud MOREIRA NETO. foi ganhando clareza e expressividade com as edições que seguiram. 15 apud ROCHA. que se deu através da doutrina do abuso do direito12. 1-44. 190. mas a conformidade dêsses atos aos princípios basilares da ‘boa administração’. em 1927. 1995. p.1. 1994. “a ampliação das zonas de liberdade de ação do Poder Público produziram diversos problemas. deve-se notar que todo controle organizado em nome da moralidade administrativa sobre os atos administrativos deve partir da noção do poder”. p. apregoando: 10 MELLO. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. Moralidade Administrativa: do conceito à efetivação.429/92. Revista de Direito Administrativo. n. São Paulo. a partir destas anotações. Diogo de Figueiredo. 11 MOREIRA NETO.3./dez. Maurice Hariou já havia feito referência à moralidade administrativa na 1ª edição de sua obra Principes de Droit Public (Princípios de Direito Público). esta preocupação apenas evidenciou-se.) 13 Consoante apregoa Antônio José Brandão. cúpula do sistema do contencioso administrativo desse país. já no direito romano. (. p. aliás. Diogo de Figueiredo. fev. p. v. 307 p.

208-223. Como a Administração tem uma conduta. 31. a distinção do bem e do mal. LOPES. do honorável e do desonorável. (FRANCO SOBRINHO. desta forma. a imoralidade seria. p. que. nem sempre reservando à moralidade a importância a que faz jus. p. que vem abandonando a noção de moralidade administrativa para utilizar preponderantemente a expressão desvio de poder17. em certa medida. mesmo que atue. n. Deve. sua existência provém de tudo que possuindo uma conduta pratica. graças à qual são anulados muitos atos da Administração. Curitiba: Genesis. No entanto. o disposto na Constituição Federal de 1988. mas. a moralidade administrativa recebeu a possibilidade de ser tutelada de forma autônoma e por conseguinte. pelo que inexiste liberdade de agir. a doutrina ainda continua bastante tímida ao discorrer sobre o tema.“Quanto à moralidade administrativa. 1995. revelando. tão somente. Revista Trimestral de Direito Público.) 19 Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. o autor ocupa dois capítulos para discorrer acerca do “Alcance da Moralidade Administrativa na Ação Popular Constitucional” e do “Alcance da Moralidade Administrativa no Mandado de Segurança”. mais eficaz. particularmente no que concerne ao desvio de poder”. mesmo antes da Carta Magna de 1988. mais acertadamente. do lícito e do ilícito. vincular a gestão administrativa aos anseios e às necessidades do administrado. ressaltar que o seu conceito ultrapassa os limites da legalidade.) . por consistir numa hipótese de ilegalidade. p.” (DELGADO. 1995. que conferiu aos dois elementos o mesmo nível hierárquico. muitos são os autores que seguem a tendência francesa. 18 Ao analisar o tema. ampl. ver. 212-213. Em sua obra “Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa”. entendem outros autores. desta forma. 18 No entanto. Princípio da moralidade administrativa e a Constituição Federal de 1988. 1993. jan. conclui-se que o legado deixado pelo mestre francês foi fundamental não só no intuito de dar à moralidade a importância que lhe é necessária. 2. É o exemplo do Direito Francês. São Paulo: Revista dos Tribunais. sendo fiscalizada pela sociedade inclusive através do Poder Judiciário. 17 Cf. ed. é fundada tanto na noção de moralidade administrativa quanto na legalidade. O Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa. 48. 179 p. 86 p. de tal sorte que a Administração é ligada./mar. 1993. São Paulo. v. ed. Maurício Antonio. uma espécie de ilegalidade. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir. principalmente. a ilegalidade referente aos fins dos atos administrativos. Lúcia Valle. José Augusto Delgado ressalta que “A Administração Pública não está somente sujeita à lei.16 Ante tais ensinamentos. está mais facilmente sujeita ao controle judicial. Veremos que a instituição do excesso de poder. apesar do exposto acima. São Paulo: Malheiros. enfatizava que o controle externo da moralidade administrativa poderia ser realizado. Ética e Administração Pública. pela moral jurídica. A moralidade administrativa é freqüentemente mais exigente que a legalidade. entendendo que o controle da moralidade administrativa estaria vinculado ao próprio controle da legalidade e contrariando. José Augusto. 1. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. assim. do conveniente e do inconveniente. Curso de Direito Administrativo. “um reconhecimento da insuficiência do paradigma do princípio da legalidade para um controle efetivo da legitimidade de funções 16 apud FIGUEIREDO. Manoel de Oliveira. forçosamente. Neste contexto. 1. No Brasil. 2. 439 p. ela pratica esta distinção ao mesmo tempo que aquela do justo e injusto. p. que com a vigência da atual Constituição19. como senhor da conveniência e da oportunidade. por autorização legal. atual.

para uma melhor compreensão da moralidade administrativa. Moral Comum e Moral Administrativa Com base no conceito deixado por Hariou. São Paulo. 1994. Welter. op. o resultado por ele produzido. A supremacia dos princípios informativos do direito administrativo: interpretação e aplicação.Le Contrôle Juridictionel de la Moralité Administrative (O Controle Jurisdicional da Moralidade Administrativa). ao contrário da moralidade comum. p. já que para a realização desta última o que se leva em conta é a conduta externa do administrador. v. qual seja o bem comum. p. o do homem realizar. deverá. não só pela distinção entre o Bem e o Mal. op.3.2. 83. A atuação do administrador. elaborou uma noção mais clara de moralidade: “a moralidade administrativa. tem como característica a generalidade. Ao passo que a moralidade administrativa pode ser chamada de uma moral específica da Administração. apud BRANDÃO. mar. ou seja: pelo conjunto de regras finais e disciplinares suscitadas. 701.” . a perfeição de sua natureza. a moral comum e a administrativa não podem ser vislumbradas enquanto esferas estanques. O caráter de generalidade posto na moralidade comum é o traço marcante diferenciador da moralidade administrativa. em sua monografia publicada em 1930 . já que. 34-44.3. a necessidade que os atos externos e públicos dos agentes detentores de poder e de atribuições sejam praticados de acordo com as exigências da moral e dos bons costumes. MELLO. cit. n. assim. pautar-se sempre pelo fim desejado pela Administração Pública.públicas”.20 1. 50. nota-se que a noção de moralidade administrativa está vinculada ao termo “boa administração” e portanto terá um caráter finalista. consoante apregoa José Augusto Delgado. visando uma boa administração. Antônio José. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa”. p. ela é composta por regras da boa administração. Esta. .. Analisando o conceito de Welter. Ensina o autor: “A moralidade comum se baseia em um conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização de seu fim. Revista dos Tribunais. a sua distinção com a moral comum. José Augusto. resta imprescindível. p. 66. tão-somente.. a moral comum. Isto é. Cláudio Ari. implica. cit.2. 40. que apesar de constituírem elementos distintos e que conseqüentemente não se confundem. o contexto da boa administração tende a ser 20 21 . voltada para os resultados concretizadores da finalidade pública. pelo exercício de sua liberdade. Natureza 1.21 Desta forma.22 Cumpre ressaltar. para não configurar violação à moralidade administrativa. que nos propomos estudar. não se confunde com a moralidade comum.1. 22 DELGADO. no entanto.

Há de conhecer. à esfera interna da Administração. 1998. representa o conjunto de regras de conduta para uma boa administração. igualmente. que a moral administrativa não se confunde com a moral comum. a do homem médio. jan. adotado por uma gama de autores. (REINALDO. porque se fundam em regras comuns e iguais a todos. protecionistas de pessoas ou grupos não isonômicos”. a análise da moralidade dos atos administrativos caberia. encontrando-se juridicizada. v. mas também pela moral comum’. do justo e do injusto nos seus fins. tãosomente. padrões morais comuns. desta forma. provenientes da sociedade em que vive.influenciada. é a condizente com a moral comum. não só pelos preceitos vigentes. já que o administrador. posto que tais autores vislumbram que. p. v. 22. as condutas concernentes à esfera da Administração Pública. 129132.. portanto. A sociedade repudia. quando esteve diretamente ligada à idéia de desvio de poder. ‘prima facie’. torna-se mais compreensível que certos autores tenham vinculado o conceito da moralidade administrativa à legalidade.3.) é aquele que usando da sua competência legal ‘se determina. restando seu exame enquanto elemento isolado prejudicado. a que está em consonância com a cultura. p. o controle da moralidade por parte do Poder Judiciário restringir-se-ia a esta modalidade de ilegalidade. não custa mencionar que é consenso. 1974.) .. Mesmo com o decorrer do tempo e o amadurecimento da doutrina acerca do tema. que apesar da moralidade administrativa regular. p. assim se expressa: “A moralidade (administrativa). Demócrito Ramos. São Paulo: Saraiva./mar. tiradas da disciplina interior da Administração Pública. 49-50. 129. assim. x 25 O Ministro Demócrito Ramos Reinaldo. mormente. qual seja a ilegalidade concernente aos fins (desvio de poder). O Princípio da Moralidade Administrativa. 11. estará seguindo. já que a imprecisão do 23 Neste sentido apregoa Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho: “Parenteticamente. Arquivo Forense. já que aquela. costumes e hábitos sociais. sempre. a qual não deixa de espelhar os valores morais prestigiados e amparados pelo ordenamento jurídico. 23 Este é o entendimento de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. O princípio da moralidade da Administração Pública. igualmente. p.” 24 Conclui-se. Oswaldo Othon de Pontes. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. em função de sua origem. Atos morais são os acatados pela sociedade. Moralidade e Legalidade A partir da análise do instituto da moralidade administrativa. Em conseqüência. 1995. indubitavelmente por preceitos da moral comum. os provimentos administrativos personalizados. “o bom administrador (. que se sabe.x25 1.2. entre os administradores daqui e do exterior. 1993/dez.2. 75. há ainda uma corrente tradicional que sustente esta vinculação. embora ganhe influência desta. Segundo os ensinamentos do autor. Manoel de Oliveira. 45-50. ao concluir seus comentários acerca da relação entre a moral comum e administrativa. São Paulo.) 24 FRANCO SOBRINHO. jan. enquanto elemento da disciplina interna da Administração. pela Lei Suprema”. p. são de interesse geral e afinam-se com respeito à ordem natural das coisas. quando agir sob os preceitos da “boa administração”. Pernambuco. individualizados. Controle da Moralidade Administrativa. as fronteiras do lícito e do ilícito. seu conteúdo é atingido pelos mandamentos da moral comum. Talvez seja este entendimento um tanto quanto cômodo. (SARAIVA FILHO. 267 p. defendendo ser o vício de moralidade tão-somente uma das hipóteses da ilegalidade.

A moralidade administrativa integra o direito (constitucional) como elemento de observância indeclinável (irretorquível). por conseguinte. porém. 1993. Não resta dúvida que diversos fatores por vezes os aproximam. cada vez mais viável a apreciação da moralidade administrativa nas mais diversas esferas. com o da ‘legalidade’. José Augusto. Apesar de todas estas considerações. já que a legalidade é. sem dúvida. estabeleceu nítida distinção: juridicizou a ‘moralidade’. é necessário entendê-los enquanto elementos autônomos. portanto. incluindo aí a judicial. p. definindo-a como ‘princípio’. . Seguindo esta linha de raciocínio é que a doutrina sofreu um visível amadurecimento. através de seu artigo 37. o administrador não tem necessidade de dedicar a sua atenção com o motivo da própria ação. revela-se descabido após o avanço dos estudos doutrinários sobre o tema. No cumprimento do princípio da legalidade. Ao comentar o dispositivo constitucional ora mencionado. a sua caracterização. Os autores simpatizantes desta corrente deixam bem clara a distinção existente entre a moralidade e a legalidade. sob influência clara do texto da atual Carta Magna que. porém estas dificuldades não podem impedir que a sua importância seja efetivamente consagrada. A distinção é evidente e necessária. enquanto elemento absorvido pela própria noção de legalidade. e acabou por conferir à moralidade um caráter indubitavelmente mais amplo e distinto da legalidade. não só pela distinção entre o Bem e o Mal.. Defendendo este entendimento é que José Augusto Delgado ensina: “Enquanto o princípio da legalidade exige ação administrativa de acordo com a lei.conceito da moralidade administrativa torna difícil não só a sua compreensão. pois. 26 DELGADO. Assim. mas principalmente a sua conceituação e. a começar pelo fato de ambos constituírem motivo suficiente para a invalidade de um ato administrativo por violação de seus postulados. o entendimento ora exposto. cit. o da moralidade prega um comportamento do administrador que demonstre haver assumido como móbil da sua ação a própria idéia do dever de exercer uma boa administração. não deixa dúvidas ao conceder à moralidade e à legalidade a autonomia que lhes é necessária. No entanto. que exige do administrador uma postura que faça com que os seus atos exteriorizem a própria idéia do dever de haver atuado com base em ‘regras finais e disciplinares suscitadas. op. paralelamente. um conceito de muito mais fácil apreensão. para viger. sua configuração não ensejaria tantas ponderações. o que não significa concebê-los como elementos estanques. Demócrito Ramos Reinaldo assinala: “O constituinte. 209. É certo que a moralidade administrativa constitui um conceito demasiadamente vago e que transcende a esfera jurídica. tornando. acontece como princípio da moralidade. suficiente que se encontre autorizada por lei. O contrário.” 26 A doutrina brasileira vem adotando igual posicionamento. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa’. portanto.

não cuidou do mero ‘reenvio’ da norma legal à norma moral. O legislador constituinte. In: MELLO. Semelhante ordem interna encontra a sua expressão normativa num ‘direito natural da instituição’ — o qual. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito. Celso Antônio Bandeira de (org. a compreensão do princípio da moralidade com um plus ao princípio da legalidade.” (BRANDÃO. (. é a ‘moralidade administrativa’. mesmo o discricionário. ou com o intuito de favorecer alguém.” Assim. v.mas não está ínsita na legalidade. o mesmo acontece aos administradores. o agente deverá fazê-lo imbuído do senso de interesse público. há que se distinguir a ordem jurídica positiva. 1997a. são-lhe impostos de dentro. é a aceitação de valores éticos e morais pelo sistema jurídico.. op. por exemplo. 29 Nesse sentido.). expressão normativa da ordem jurídica a que a Administração está submetida. mas atribui à moralidade administrativa relevância jurídica. coloca José Afonso da Silva: “A lei pode ser cumprida moralmente ou imoralmente. Weida. 619-632. se têm de inspirar os seus atos nas leis jurídicas vigentes. 632. 1995. E. Antônio José. porém tal assertiva não é suficiente. gerada pela comunhão espiritual em que a idéia diretriz se tornou objetiva. os agentes administrativos. que caracteriza a moralidade – ambas compondo a mesma ordem jurídica integral – porque nem tudo que é ‘legal é moral’. Weida Zancaner manifesta-se sobre a posição adotada pela nossa Constituição da seguinte forma: “Esta posição. assim como há uma Moral positiva. no caso da pública Administração. A noção de moralidade administrativa é.) . que caracteriza a legalidade. Demócrito Ramos. isto é. 65. que. O p rincípio da moralidade na Administração Pública e a liceidade do limite etário para acesso dos cargos públicos. 29 Sob este prisma. conclui-se que cabe ao agente administrativo a conformação de todos os seus atos com a lei. as exigências da moralidade administrativa são mais fortes que as exigências da legalidade jurídica. 711. São Paulo: Malheiros. tendo em vista que todas as vezes que estiver agindo dentro da lei. e apenas traça o âmbito da sua atividade e fixa os meios a utilizar. No entanto. 28 ZANCANER. além de obedecer aos imperativos legais a que está subordinado. 2 v. p. vigoram no próprio ambiente institucional e condicionam a utilização de qualquer poder jurídico. dizia já Paulo. 84. de eficácia plena e mandamental autônoma – e de vida própria. jan. Nessa linha de raciocínio. também para os segundos há uma moral institucional.” 27 Seguindo a mesma linha de raciocínio. assim. assinala Antônio José Brandão: “O ato conforme à lei jurídica nem sempre é um ato irrepreensível do ponto de vista moral: non omne quod licet honestum est. por certo que se está produzindo um ato 27 REINALDO. para os primeiros. se acrescenta à lei vigente. n. Quanto aos preceitos da moralidade administrativa.. por isso. cit. com o intuito de prejudicar alguém deliberadamente. Esta é-lhes imposta de fora pelo Poder Legislativo. porém com interesses diversos do bem comum. nem desta constitui corolário. interpretando a Constituição de 1988. Revista dos Tribunais. ao instituir o princípio. inclusive enquanto autônomo em relação a este. valores que se espraiam por todo sistema porque ajudaram a compor o perfil constitucional do Estado adotado por uma 28 determinada sociedade em uma determinada época. mais ampla do que a noção de legalidade jurídica. p. da ordem jurídica positiva. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba.) Desta sorte. p. estará infringindo a moralidade a que está igualmente subordinado e seu ato será passível de invalidação. p. Quando sua execução é feita. Se os particulares podem cometer vilanias respeitando formalmente a lei.. São Paulo. p. movem-se também na órbita da ordem interna desta. 19. 17-22. que se sobrepõe à lei das suas atribuições e competência. já que.

58. 1995. partindo do pressuposto que a improbidade é espécie do gênero moralidade administrativa.34 Destarte. 10. analisando a legislação nacional acerca do assunto. José Afonso.32 A corrente majoritária. 820 p. Administração Pública na Constituição Federal.) 32 Flávio Sátiro Fernandes. acompanhando esta corrente. 193-204. José de Castro. De fato.gov. mas materialmente comprometido com a moralidade administrativa.. p. Há os que empreguem os termos indistintamente. Improbidade Administrativa. Desta forma. acabam por destinar à improbidade uma posição hierarquicamente superior à moralidade. 616.jfrn. ed. Revista de Informação Legislativa. v. cit... 37. que pode ser tratado como “uma das possíveis formas de externação da moralidade”.formalmente legal. Maurício Antonio Ribeiro.2. José Afonso. vem seguindo os ditames de José Afonso da Silva. sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer’. p.” A seguir. Moralidade e Probidade Divergem os autores quanto à distinção destes dois elementos. deve ser sacada da própria noção de "boa administração”. op. n. p. (grifos do autor) 31 É o caso. 199.3. procedendo no exercício das suas funções. Curso de Direito Constitucional Positivo. por exemplo de José de Castro Meira.br/doutrina20. 616. A probidade administrativa consiste no dever de ‘o funcionário servir a Administração com honestidade. quando assevera que “A expressão probidade administrativa é sinônima de moralidade administrativa ou simplesmente de honestidade”. conclui-se que o dever da moralidade traz como uma de suas conseqüências lógicas o dever da probidade. verifica-se que probidade e moralidade administrativas são conceitos que se não podem (sic) confundir e que a segunda dessas noções está contida na primeira. São Paulo: Malheiros. 1993. rev. Endereço Eletrônico: http://www. por sua vez. examinando-se o que a Constituição de 5 de outubro de 1988 e a legislação infraconstitucional contêm a respeito dos princípios aqui aludidos. cit. p. 119. como visto anteriormente. ao defender esta corrente.3. o que torna tal conceito indubitavelmente mais abrangente.) o gênero.htm) 33 SILVA.” (FERNANDES../set. jul. nota-se que os legisladores pecaram 30 SILVA. 34 LOPES. o autor enumera os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais que fazem referência à matéria e tece a seguinte conclusão: “Em suma. expõe que “a probidade é (. do qual a moralidade é espécie. nem todo ato de improbidade administrativa representa violação à moralidade administrativa. pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. (grifo no original) (MEIRA. Porém. 30. haja vista a maior amplitude e o maior alcance emprestados à primeira. 31 Outros autores. conferindo-lhes o mesmo significado. que. op. p.” 30 1. § 4º). 1997. Cuida-se de uma imoralidade administrativa qualificada. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. Brasília. Flávio Satiro.” (grifos no original) 33 Já a moralidade administrativa. discorre acerca da probidade administrativa da seguinte forma: “A probidade administrativa é uma forma de moralidade administrativa que mereceu consideração especial pela Constituição que pune o ímprobo com a suspensão de direitos políticos (art. podemos dizer que todo o ato contrário à moralidade administrativa é ato configurador de improbidade. utilizando o conceito deixado por Marcelo Caetano. .

2. Ora. recebendo o status de princípio constitucional de observância obrigatória apenas com a promulgação da Constituição Federal de 1988. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2.quando da formulação do texto da Lei de Improbidade Administrativa 35 (Lei nº 8. proporcionando a censura de atos comissivos ou omissivos que não importam prejuízo patrimonial da administração pública ou enriquecimento ilícito do agente público. 1997.) . Waldo.1. ed. Consoante mencionado dispositivo legal. mas que ofendem os valores morais da administração pública. legalidade. atentarão. Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. 65-84. haja vista a ampliação que deram ao conteúdo do termo improbidade administrativa. como visto acima. comenta o dispositivo em questão trazendo à lume o conceito deixado por Ruy Alberto Gatto que entende tal tipificação “como norma de encerramento ou de extensão. talvez numa tentativa de justificar os legisladores. Alguns meios de investigação da improbidade administrativa. maio 1996. 71. em si mesma. Wallace Paiva Martins Jr. os autores da obra Improbidade Administrativa – Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. (Capítulo II. para os casos de improbidade administrativa que não acarretam lesão ao erário nem importam em enriquecimento ilícito do agente público que pratica. n.” (PAZZAGLINI FILHO. 11. No mesmo sentido. obrigatoriamente. imparcialidade. atual. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade..429.1. ainda quando não se verifique o enriquecimento ilícito ou o dano material. e lealdade às instituições (. (FREITAS. 1996. Marino. 11 da Lei 8. p. Revista dos Tribunais. a violação do princípio da moralidade pode e deve ser considerada./jun. os danos materiais”. está contida na própria noção de imoralidade. Juarez. no contexto constitucional brasileiro. inclusive naqueles casos em que se não se vislumbram incontrovertidos. se a improbidade. Rio de Janeiro.) Ainda sobre o assunto. 36 Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2. 325-344. FAZZIO JÚNIOR. 117. 727. Gênese Constitucional Até alcançar o momento atual. Revista de Direito Administrativo. Do princípio da probidade administrativa e de sua máxima efetivação.. “Art. 204. Márcio Fernando Elias. o que torna a redação do artigo supra citado um tanto quanto duvidosa.1. 326. p. São Paulo: Atlas. p. v. Seção III . percorreu um longo caminho. Wallace Paiva. em si mesma. na senda correta de perceber que o constituinte quis coibir a lesividade à moral positivada. p. p. apta para caracterizar a ofensa ao subprincípio da probidade administrativa. a moralidade administrativa. ROSA.” MARTINS JÚNIOR. abr.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Pública). 35 36 Anexo I. caput. 238. A imprecisão da redação acabou por suscitar alguns comentários mais aprofundados de vários autores. após tecerem críticas à redação do caput do art. rev. contra o princípio da moralidade administrativa.. acabam por concluir que mencionado dispositivo “funciona como regra de reserva. mais especificamente em seu art. Juarez Freitas faz o seguinte comentário: “Sob a ótica da Lei. a. 85. todos os atos de improbidade elencados pela citada lei.)”.429/92).

. op. p. os interesses públicos sofreram sérios prejuízos. Cármen Lúcia Antunes. a moralidade administrativa sempre foi objeto de discussões no âmbito do Poder Público. posto que a corrupção tem acompanhado o Estado brasileiro desde seus tempos mais remotos. Cármen Lúcia Antunes.39 Diante de um contexto histórico de corrupção exacerbada aconteceu o movimento de 1930. já que perderam espaço. A primeira manifestação que se tem notícia da preocupação com a moralidade. Por suborno. que teve dentre seus objetivos a busca de uma atuação política e administrativa 37 Como apregoado por Cármen Lúcia Antunes Rocha. a probidade da Administração (. p. analisando os textos das Constituições que vigoraram até a atualidade no Brasil. 38 Proveniente deste distanciamento do Poder com a sociedade é que a Constituição de 1891. para os interesses da elite econômica. cit. (ROCHA.Apesar de receber sua explicitação constitucional apenas em 1988.)”. 218. agindo este. Assim.. mesmo que indiretamente. especialmente na chamada Primeira República. data do longínquo período imperial e fazia referência à profissão dos magistrados e oficiais de justiça. p. guardada a ordem do processo estabelecido por lei. op.” 37 Com o advento do regime republicano.. à preocupação que tinham com as conseqüências advindas de atos imorais. Cármen Lúcia Antunes. observa-se que praticamente todas fizeram menção. que a denominada “política dos governadores” assegurou em grande parte. veria suscitada a sua responsabilidade criminosa no exercício do cargo”. o fim precípuo da Administração Pública. que deveria estar voltada para os interesses de seus administrados. Todos os juízes de direito e os oficiais de justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus empregos. 6º. Consoante mencionado artigo. cit. Apregoava a Constituição de 1824: “Art. op. acerca dos atos ímprobos. assim. 156. e a viciosidade do processo eleitoral integraram-se à Administração Pública mais afeta a interesses privados dos coronéis e seus apaniguados que à causa social”. cit. contra a qual. peita.) 38 Constata Cármen Lúcia Antunes Rocha: “A contaminação ética do Poder na Primeira República. procurando resgatar algum senso moral por parte da Administração Pública. haverá contra eles a ação popular.. até a promulgação da Constituição de 1988 esteve “embutido na menção expressa à probidade administrativa como dever do Presidente da República. como o enriquecimento ilícito. “São crimes de responsabilidade do Presidente da República os que atentam contra: (.) 39 ROCHA. Descaracterizou-se. através de seu artigo 54. por exemplo.) 6º. 157. 218.. Art. demonstrando que a moralidade administrativa. peculato e concussão. que poderá ser intentada dentro de um ano e dia pelo próprio queixoso ou por qualquer do povo. 224-225.. Mencionado texto esteve presente em todas as Constituições que sucederam a de 1891.. esta responsabilidade se fará efetiva por lei regulamentar. buscou legislar. . esta foi “a única referência normativa constitucional brasileira do século XIX e a única norma que se refere à ação popular antes da Constituição de 1934”. (ROCHA.

A Constituição de 1934 introduziu em seu texto de forma expressa o instituto da ação popular. observadas as condições de capacidade que a lei estabelecer. assegurada ao paciente a mais ampla defesa”. de convicção política ou filosófica e a prestação de informação sem sujeição à censura. a preocupação mesmo que indireta do legislador com a moralidade na Administração Pública. nos termos da lei. no Direito Constitucional brasileiro. A Constituição de 1946. 40 Desta forma. acrescentou-se. novamente. Cármen Lúcia.. A partir da Constituição de 1946 a ação popular fez-se presente em todas as Constituições que a sucederam.. É livre o exercício de qualquer trabalho. jornais e periódicos independe de licença da autoridade. ou de emprego em entidade autárquica”.41 40 Ressalta Cármen Lúcia Antunes Rocha que “A entronização. 23. ao “patrimônio da União. sem prejuízo da ação civil ou penal cabível. dos Estados ou dos Municípios”. através do artigo 151. Com a retomada da democracia e a promulgação da Constituição de 1946. Na nova redação dada pelo artigo 141. é assegurado o direito de resposta. quando o Brasil atravessou um de seus períodos ditatoriais.. Não será. a ação popular foi reintroduzida. rezava o artigo 113.. (. no entanto. 222) 41 Os parágrafos a que o artigo faz remissão possuem a seguinte redação: (.pautada pela moral. no entanto. foi omitido na Constituição de 1937. para atentar contra a ordem democrática ou praticar a corrupção. op. que rezava: “Aquele que abusar dos direitos individuais previstos nos parágrafos 8º.) § 23.) A lei disporá sobre o seqüestro e o perdimento de bens. Já a Constituição de 1967 traz uma inovação.) . expressamente. de subversão da ordem ou de preconceitos de raça ou de classe. No § 31 do mesmo artigo 141 pode-se notar. no caso de enriquecimento ilícito. salvo quanto a espetáculos de diversões públicas. 27 e 28 do artigo anterior e dos direitos políticos.. (ROCHA. pelos abusos que cometer. declarada pelo Supremo Tribunal Federal. § 38. dos Estados e dos Municípios”. trazendo em seu bojo. Segundo mencionado dispositivo constitucional. mediante representação do Procurador-Geral da República. a denominada “Constituição Polaca”. incorrerá na suspensão destes últimos direitos pelo prazo de dois a dez anos. inciso 38 daquela Constituição: “Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a declaração de nulidade ou a anulação de atos lesivos do patrimônio da União. É livre a manifestação de pensamento. instrumento utilizado até os dias atuais pelos cidadãos brasileiros que buscam coibir as imoralidades de seus administradores. Sob a influência destes sentimentos é que se deu um momento de extrema relevância na história constitucional concernente à moralidade administrativa. “(. p.. ofício ou profissão.) “§ 8º. bem como ampliado o seu alcance.. o termo “corrupção”. A publicação de livros. cit. porém. não se restringiu à ação popular.. tolerada a propaganda de guerra. a proteção ao “patrimônio das entidades autárquicas e das sociedades de economia mista”. respondendo cada um. Este importante dispositivo. por influência ou com abuso de cargo ou função pública. da ação popular como instrumento de atuação do cidadão na defesa do patrimônio público constituiu um dos melhores exemplos da possibilidade constitucional de sua participação no exercício da atividade administrativa como controlador da qualidade ética dos comportamentos públicos”..(.

fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que. por esta. o emprego dos termos moral e corrupção foram utilizados para justificar as atitudes daquele governo ilegítimo. os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria’ (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1. após vários movimentos populares. A lei poderá determinar os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade.1.(. 2.Este mandamento constitucional caiu por terra com os Atos Institucionais que advieram como conseqüência de mais um regime ditatorial. as mais diversas atividades. A sociedade.)”.. na luta contra a corrupção. prevê de forma indubitavelmente clara o artigo 37 da atual Carta Magna: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. de 9 de abril de 1964)(. Assim. com o início de um período de violenta repressão: “O Presidente da República Federativa do Brasil. explicitando-a em vários de seus dispositivos e conferindo-lhe uma importância inquestionável. qual seja a de um dos princípios retores da Administração Pública. É o que se percebe a partir da leitura das primeiras linhas do Ato Institucional nº 05.. baseada na liberdade. no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo. que se não concretizou todos os desejos sociais. Todos podem reunir-se sem armas. financeira. clamou por uma Administração provida de credibilidade. Ressalte-se que neste momento de cruel autoritarismo. incluindo aí a decretação do confisco de bens daqueles que enriquecessem ilicitamente. deste modo. 13 de dezembro de 1968. nas mãos do Presidente da República. de maneira a poder enfrentar... reinstaurou-se. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de § 27. atendendo às exigências de um sistema jurídico e político. senão em virtude de decisão judicial. que centralizou. buscando. ouvido o Conselho de Segurança Nacional. que marcou indubitavelmente a história brasileira. É garantida a liberdade de associação. a tão esperada democracia brasileira. de modo direito e imediato. do local da reunião. teve um caráter inovador no que concerne à Administração Pública. e Considerando que a Revolução brasileira de 31 de março de 1964 teve. bem como a designação.1. no respeito à dignidade humana.)” .1. esgotada por tanto autoritarismo e falta de liberdade. dos Estados. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional A fim de dar uma resposta aos anseios da sociedade é que foi promulgada a Constituição de 1988. nenhuma associação poderá ser dissolvida. não intervindo a autoridade senão para manter a ordem. (grifo nosso) Após um longo período em que a sociedade brasileira encontrou-se tolhida por um regime ditatorial de moral questionável. assegurasse autêntica ordem democrática. O atual Texto Constitucional modificou efetivamente o tratamento dado até então à moralidade administrativa.§ 28. ‘os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica. política e moral do Brasil. conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou.

Ao analisar o termo despesa irregular. No já mencionado artigo 37.)”.. cuja anomalia injurídica só pode ser suscetível de apreciação sobre o prisma da moralidade administrativa” 42.legalidade. 42 apud DELGADO. como visto anteriormente.. no § 4º. o ProcuradorGeral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. § 2º. “se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública”. o constituinte. o artigo 85. O artigo 72. em seus incisos LXVIII e LXIX estabelece. impessoalidade. preceitua que os atos que atentam contra a probidade na administração são crimes de responsabilidade do Presidente da República. 41. Por fim. (grifo nosso) Em outros de seus dispositivos. op. cit. partido político. além de submeter a Administração Pública ao princípio da moralidade. vê-se a clara intenção do legislador constituinte em positivar certos valores que até então apenas permeavam os sentimentos da sociedade brasileira. Já no inciso LXXIII fica prevista a possibilidade de qualquer cidadão propor a ação popular que vise anular ato lesivo à moralidade administrativa.. a garantia do habeas corpus e mandado de segurança em caso de abuso de poder. É o que se percebe a partir dos preceitos a seguir elencados: No artigo 5º. conferindo-lhes a pena de suspensão dos direitos políticos. o legislador manifesta-se em três oportunidades. Os crimes de responsabilidade recebem previsão com a redação dada pelo artigo 52. Diogo de Figueiredo Neto expõe que ela deve ser entendida como “aquela que passa do conceito de despesa ilegal. a cargo do Congresso Nacional.. quando. legitima qualquer cidadão. legisla acerca dos atos ímprobos. por proposta do Tribunal de Contas da União. p. II – processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal. seguindo a mesma linha das Constituições anteriores. Já o artigo 74. V. 1994. Assim.)”. I e II. respectivamente. indisponibilidade de bens e ressarcimento ao erário. moralidade. verbis: “Compete privativamente ao Senado Federal: I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado nos crimes da mesma natureza conexos com eles.. associação ou sindicato para “denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”. § 2º. (. José Augusto Delgado. . após a análise de todos os preceitos supra mencionados. prevê a possibilidade de sustação de despesa irregular. revela-se a preocupação da Constituição de 1988 em disciplinar instrumentos que visem coibir a imoralidade administrativa. publicidade e eficiência (.

Enquanto a primeira “sujeitava a seqüestro os bens de servidor público. Márcio Fernando Elias. através do já mencionado artigo 5º. porém é inegável a sua importância. O exemplo mais evidente é o da Lei nº 8429/92. entitulado “Moralidade e Probidade”.429/92.502/58 (Lei Bilac Pinto). . seguindo os ditames Constitucionais vigentes. instrumentos auxiliadores para a concretização dos preceitos Constitucionais. tão-somente. que foi completada pela Lei nº 3. A lei que as substituiu. 45 Idem. já que a Lei 8. apud PAZZAGLINI FILHO. até então as legislações restringiam-se a estabelecer sanções acerca de apenas uma espécie de improbidade administrativa. cit.. que de mero princípio geral de Direito passou a integrar a ordem normativa brasileira enquanto princípio constitucional. enumerando diversas hipóteses caracterizadoras de enriquecimento ilícito.2. passam a constar. Antes da vigência da Lei nº 8.164/57 (Lei Pitombo-Godói Ilha).2. a segunda regulava “o seqüestro e o perdimento de bens de servidor público da administração direta e indireta. 43 44 ver item 1. p. já que.429/92 é indubitavelmente maior. como aliás. nos casos de enriquecimento ilícito. Legislação Infraconstitucional Com a promulgação da Constituição de 1988 e as repercussões inevitáveis provenientes da explicitação da moralidade administrativa. Os atos ímprobos que importam enriquecimento ilícito. 29. 30. p.2. que “dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. Lei de Improbidade Administrativa. Waldo. 1º caput)” 44. § 4º da Constituição de 1988. adquiridos por influência ou abuso de cargo ou função pública. Marino. já que.3. amplia a esfera dos chamados atos ímprobos. FAZZIO JÚNIOR. por conseqüência. ressaltado anteriormente no presente trabalho 43. ROSA. e. Outra norma infraconstitucional vigente e de grande relevância no que concerne ao princípio da moralidade administrativa é aquela que regula a ação popular.3. por influência ou abuso de cargo ou função” 45. a fim de dar regulamentação ao já referido artigo 37. Desta forma.1. este diploma legal vem sendo reiteradamente utilizado. pode ser utilizado por qualquer cidadão que pretenda anular ato lesivo à moralidade administrativa. instrumento que. apesar de algumas impropriedades. cargo. passando a representar. sem prejuízo da responsabilidade criminal em que aquele tenha ocorrido (art.429/92 elenca outras duas. como uma das modalidades da improbidade administrativa. op. juntamente com outras já existentes. duas outras leis federais foram elaboradas versando sobre o assunto: a Lei nº 3. portanto. ou de emprego em entidade autárquica. Diversas críticas foram feitas a mencionado digesto legal. emprego ou função na administração pública direta. quais sejam a dos atos que causam prejuízo ao erário e daqueles que atentam contra os princípios da Administração Pública. o enriquecimento ilícito. LXXIII. tem-se revelado de vital importância na busca incessante por coibir os atos destituídos de moralidade administrativa. leis concernentes a este princípio foram elaboradas. indireta ou fundacional e dá outras providências”. conclui-se que o alcance da atual Lei nº 8.

que legisla acerca dos crimes de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. cit. 49. observou-se a “juridicização” da moralidade administrativa. por si só. que “estabelece a obrigatoriedade da declaração de bens e rendas para o exercício de cargos. Vale ainda ilustrar que a Lei 8. op. 46 47 48 ROCHA. 222..112/90. SARAIVA FILHO. Assim. cabe fazer menção à Lei nº 1.. Esta inovação.730/93. além de estabelecer as vedações e os deveres inerentes aos agentes públicos em geral.666/93 (Lei das Licitações e Contratos Administrativos). porém não menos importante DecretoLei nº 201/67. prevê a responsabilidade civil. Oswaldo Othon de Pontes. A autonomia conferida à moralidade é inegável. pela primeira vez na história das Constituições brasileiras. como é o caso da Lei nº 8. 1993/1995.079/50. que dispõe acerca dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. 46 As leis que dispõem sobre a Improbidade Administrativa e Ação Popular são as mais freqüentemente mencionadas em esfera de moralidade administrativa. cit. p. Legislativo e Judiciários e dá outras providências” e da Lei nº 8. 47 Insta ser ressaltada a existência do antigo. ministros de Estado. motivo suficiente para viciar qualquer ato administrativo que não a observe. A moralidade administrativa. . é. 129-132. trazida pela redação emprestada ao artigo 37. sob a perspectiva do Texto Constitucional. Cf. ministros do Supremo Tribunal Federal e procurador-geral da República. Em primeiro lugar. Por fim. Cármen Lúcia Antunes. Porém. 4. cit. a partir dos Mandamentos Constitucionais. como bem assinala o Ministro Demócrito Ramos Reinaldo48. caput. como uma maneira de estabelecer a moralidade dentro da esfera da legalidade. o controle do ato administrativo imoral independe da existência de qualquer resquício de ilegalidade. bem como é autônoma a sua aplicação. fez com que a moralidade administrativa enfrentasse severas modificações no que concerne à construção doutrinária que a ela era destinada até então. a imoralidade de condutas públicas. op. p.Conforme o comentário de Cármen Lúcia Antunes Rocha. judicialmente. Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União. compatível com a moralidade administrativa.717/65 assegurou ao cidadão um instrumento efetivo para se impugnar. penal e administrativa do servidor pelo exercício irregular das suas atribuições. op. parece que se abandonou (ou pelo menos tem-se observado esta tendência) as teorias que vinculavam a moralidade ao desvio de poder. outras leis que enquadram a ordem normativa brasileira também merecem destaque por fazerem referências acerca do tema. p. REINALDO. “A Lei n. 2. a fim de garantir uma conduta ilibada.. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 Juntamente com o advento da Constituição de 1988. grarantindo-lhe a atuação no sentido de exigir a honestidade administrativa por ser este um direito que lhe é inerente ou talvez mesmo um dever que lhe é atribuído constitucionalmente”.2. empregos e funções nos Poderes Executivo. Demócrito Ramos. anteriormente citado.

direitos subjetivos pessoais e.1. quais sejam a legalidade. já que formam. assim.) se afirmam diante de uma unidade preceitual de conteúdo constitucional.. 43-87./dez. op. militam nos quadros públicos”. n. out. (. FAZZIO JÚNIOR. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política.(. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37. de outro. constar como elementos intrínsecos da atuação administrativa. jurídico.Sob esta perspectiva. 68.. em seu artigo 37. à vista da condição de mutuamente entrelaçados”. Não há como um só possa dar fundamento para legitimar a vontade de fazer ou a atos de vontade. o que precisa ser destacada é a necessidade da hierarquização dos princípios. Todos têm presença numa mesma situação relacional.49 Desta forma. conjuntamente. CARNEIRO.. 2. p. fazem menção ao dispositivo constitucional denominando-o como “norma-princípio que. Nenhum deles traz sentido de valor estanque. constituem pressupostos da ação administrativa.) . p.. das normas e dos valores. é causa suficiente para viciar o ato administrativo. (PAZZAGLINI FILHO. caput da Carta Magna Como já salientado anteriormente.. O simples fato do administrador usar de suas atribuições para fins diversos daqueles conferidos por lei. os pressupostos de qualquer atuação da Administração Pública. (OLIVEIRA. 219-233. sob pena de invalidação.2. 1994. 206. tornou-os elementos de observância obrigatória ao atuar administrativo. de um lado. Ruy de Jesus Marçal. aponta Manoel de Oliveira Franco Sobrinho: “Tais princípios (. a publicidade e a eficiência. São “princípios regentes da Administração Pública” 50. obrigatoriamente.. ainda que transitoriamente. 41. M arino. possibilidade de não se reconhecer a sua supremacia”.. 51 Os autores da obra Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. Rio de Janeiro. 52 Nesta linha de argumentação. n. a impessoalidade. 13.) O interesse jurídico contido no ato administrativo deve se subordinar ao interesse jurídico da moralidade.(. Fernando Andrade de Oliveira coloca que “(mais) do que a valorização deste ou daquele princípio singularmente considerado. administrativo.) 52 Nesse passo. Ação Popular: um direito-dever do cidadão e a moralidade administrativa. por si só gera. os princípios da Administração Pública. 226. José Augusto. 1996. tem-se que a moralidade administrativa. cit. 1995./dez. Waldo. p. e deverão. o que demonstra a estreita ligação que os quatro princípios mantém entre si. implica em uma violação direta ao princípio da moralidade..51 A violação de quaisquer dos princípios previstos por mencionado artigo. assevera José Augusto Delgado: “O princípio da moralidade administrativa não deve acolher posicionamentos doutrinários que limitem a sua extensão. A Administração Pública na Constituição de 1988 (2ª parte). caput. ROSA. out. Revista de Direito Administrativo. 49. p. p. Fernando Andrade. ao lado dos outros princípios elencados no caput do artigo 37 da Carta Magna. São Paulo. Márcio Fernando Elias. op. cit.) 49 50 DELGADO... deveres indeclináveis aos que.) Não há. a Constituição ao elencar.

out. os atos não ficam legítimos e carecem de validade”. por sua vez.099. p. senão todos. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello. 9. Manoel. 21. 190. Revista de Direito Administrativo. 56 Hely Lopes Meirelles aponta que o sigilo só é admitido “nos casos de segurança nacional. também. Curso de Direito Administrativo. O princípio da legalidade talvez seja o mais conhecido e explicitado pela doutrina./dez. 733 p. Celso Antônio Bandeira de. da impessoalidade.55 Já o princípio da publicidade. da moralidade e da publicidade. p. p. 22.(grifo do autor) (MEIRELLES. 1997. os processos em andamento. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados./set. n. dos princípios que. 1992. de 6. 1997b. Amandino Teixeira. federal 79. 86) .Os quatro princípios lembrados da legalidade. 247-252. ficando assim indispensáveis.. Simpatias ou animosidades pessoais. 655 p. ed. de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. Rio de Janeiro. investigações policiais ou interesse superior da Administração a ser preservado em processo previamente declarado sigiloso nos termos do Dec. p. com suas atitudes. juntamente com a moralidade. mesmo que muito sucinta. 70. 31. p. Hely Lopes. numa síntese de manifestação volitiva administrativa. Trata-se de limitação da atividade administrativa. atual. Direito Administrativo Brasileiro.. ed. Do Princípio da Moralidade Administrativa. Essa publicidade atinge. de facções ou grupos de qualquer espécie”. os atos concluídos e em formação. Segundo os ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. como o próprio nome já prescreve.53 Desta forma. constituem os princípios básicos da Administração Pública expressos no caput do artigo 37 da Constituição Federal. o que torna necessária a abordagem. Revista de Informação Legislativa. que traduza a vontade geral”. consiste no dever da Administração tornar público todos os atos por ela realizados. para uma exata configuração jurídica dos atos administrativos. São Paulo: Malheiros. bem como os 53 FRANCO SOBRINHO. se reúnem como elementos de composição da vontade. (. “A publicidade. benéficas ou detrimentosas. não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos como. Brasília. rev. 207-221. n. 54 NUNES JUNIOR. nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. 250-251.1. ampl. v. 127. não privilegiando. assim. 1995. p. não um. A discricionariedade administrativa e o controle judicial de seus Limites. jul.54 O princípio da impessoalidade. estabelecendo o primado da lei.77”. conclui-se pela vital importância de cada um dos princípios. políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses sectários. “Nele se traduz a idéia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações. visando coibir o arbítrio. 55 MELLO. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. com algumas ressalvas56. consiste no dever do agente público primar sempre pelo interesse coletivo. Ensina Amandino Teixeira Nunes Júnior que tal princípio “significa que as atividades da Administração Pública se subordinam ao império da lei. Na falta de qualquer dos princípios.) abrange toda atuação estatal. os despachos intermediários e finais. São Paulo: Malheiros. pessoas ou grupos específicos.

Ives Gandra da Silva. parentes ou interesses em detrimento do bem servir. 87. inciso I da Constituição Federal. poder-se-ia conceituá-lo como um princípio que tem por escopo a maximização dos resultados da atividade da Administração Pública. No sentido de dar ênfase a este destaque é Ives Gandra da Silva Martins aduz que os princípios da legalidade. n. nos regimes democráticos. O Princípio da Moralidade no Direito Tributário. que os administradores devem cumprir a lei é reiterar formulação essencial e postada no mais relevante artigo da Constituição Federal.58 Ante tais ensinamentos. visto que o administrado não pode desconhecer as regras da Administração. além de representar pressuposto de validade da atuação administrativa. face à sua recente explicitação. Exceção feita às questões de segurança nacional. p. e que. de 04 de junho de 1998. Por outro lado. O mesmo se dá com o princípio da publicidade. O princípio da moralidade administrativa. a impessoalidade dimensão parcial da moralidade. . bem como porque esta última merece uma posição destacada dentro do contexto dos princípios que regem a Administração Pública. 352-354. aquele que se destaca de forma absoluta. O art. 352-365. pois. adicionado ao caput do artigo 37 da Constituição através da Emenda Constitucional nº 19. Revista de Direito Administrativo. já que esta. como seu alicerce. No momento. oferta segurança e protege os cidadãos. MARTINS. que.57 Por fim. portanto. 204. O mais relevante. 5º. elenca. da impessoalidade e da publicidade “terminam por desaguar na moralidade pública”. abr. os atos administrativos devem ser transparentes. conclui-se por conferir uma inegável superioridade à moralidade administrativa. p. Rio de Janeiro. Hely Lopes. resoluções de gaveta.. 1996. determinar que o administrador público deve ser impessoal. revelando-se. não podendo privilegiar amigos. da impessoalidade. cit. 57 58 MEIRELLES. que é voltada ao cidadão mais do que àqueles que o devem servir. é princípio essencial. tem-se o princípio da eficiência. da publicidade e da eficiência. pois está à disposição da sociedade. Dizer./jun. op.comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes”. a obediência à lei. é afetar faceta da ética administrativa. aprovada pelos representantes do povo. Que torna a Administração confiável perante a sociedade e que faz do administrador público um ser diferenciado”. não se admitindo decisões escusas. sendo. cabe demonstrar qual a relação destes princípios com a moralidade administrativa. pois. portanto. p. garante a ordem. acaba por influenciar o conteúdo de todos os demais princípios. E explica o autor: “O princípio da legalidade reveste todo o sistema jurídico do país. carece de maiores pronunciamentos doutrinários. Uma vez estabelecidos os conceitos básicos dos princípios da legalidade.

. (MELLO: Celso Antônio Bandeira de.) 60 Adota-se. 1997. op. reside. Aponta o autor que “Discricionariedade (. Princípio da Moralidade Administrativa: Autonomia. 48. p. perante cada caso concreto. seguindo o entendimento de diversos autores. o método para detectar ofensa ao princípio da moralidade administrativa. como também os discricionários.. segundo critérios consistentes de razoabilidade. Os demais princípios constitucionais. 1993. Cármen Lúcia Antunes. ed. o conceito de discricionariedade de Celso Antônio Bandeira de Mello. cuja natureza suscita polêmica na doutrina. cit. 213-214. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 61 Neste sentido: REINALDO./mar. 73. 4454.2. somente podem ter a sua leitura correta no sentido de admitir a moralidade como parte integrante do seu conteúdo”.62 O termo “razoável” acima utilizado pode ser entendido a partir dos ensinamentos de Weida Zancaner.) a aplicabilidade do princípio da moralidade administrativa enseja limites à atuação dos agentes políticos e administrativos como conseqüência de estarem vinculados a um dever geral de boa administração e de sujeição ao interesse público (. 110 p. Não podemos ouvidar. não se deve perder de vista que o limite para o exercício do juízo de oportunidade e conveniência encontra-se na fronteira que o separa do arbítrio. o princípio constitucional da moralidade administrativa. na lógica do razoável para constatar se a finalidade pública almejada foi alcançada em toda a sua extensão”. Por outro lado.. jul.. Demócrito Ramos. Valéria Oliveira. Discricionariedade e Controle Jurisdicional. O Princípio da Moralidade no Direito Público.(ROCHA. 1993/1995. DELGADO.) é a margem de liberdade que remanesça ao administrador para eleger. cit. dela não se possa extrair objetivamente. op. n. 59 2... Toda atuação administrativa parte deste princípio e a ele se volta. cit. 2.61 Defendendo esta corrente. que tais restrições à liberdade do administrador para a edição de atos administrativos alcançam tantos os atos vinculados. sem sombra de dúvidas. que estabelece uma estreita ligação entre o princípio da moralidade e o 59 Assim. QUIXADÁ. por conseguinte. p. 1998. cit. . LOPES. 56. Valéria Oliveira. Revista do Tribunal de Contas da União. op. Maurício Antonio Ribeiro. entende-se que a aplicação do princípio da moralidade administrativa alcança os atos administrativos de qualquer natureza. um verdadeiro sustentáculo dos princípios norteadores da Administração Pública. a fim de cumprir o dever de adotar a solução mais adequada à satisfação da finalidade legal. dentre pelo menos dois comportamentos cabíveis. e BASTOS. jan. v. 1993. quando. por constituir-se em sua exigência. um. evidencia a moralidade como elemento inafastável dos atos discricionários... que vem suscitando divergências entre os estudiosos do assunto.2. p. sejam eles discricionários 60 ou vinculados. Valéria Oliveira Quixadá pronuncia-se da seguinte maneira: “(. Alcance O alcance da moralidade administrativa revela-se um tema demasiadamente controvertido. como bem assevera Cármen Lúcia Antunes Rocha. op. principalmente. No entanto./set. por força da fluidez das expressões da lei ou da liberdade conferida no mandamento. “tem uma primazia sobre os outros princípios constitucionalmente formulados. São Paulo: Malheiros. Brasília. São Paulo.. José Augusto. uma solução unívoca para a situação vertente”. Celso Ribeiro.. de elemento interno a fornecer a substância válida do comportamento público.até mesmo. que. cit.). p. 62 QUIXADÁ. No tocante a estes últimos. 51-61. tanto nos atos vinculados quanto nos discricionários. p. Aplicabilidade e Controle em Face da Constituição de 1988.. 22. expressos ou implícitos. op. para tanto...

que se relacionam com a Administração Pública.. de invalidação. já que atitudes fraudulentas. (apud BASTOS. simplesmente que a Administração Pública no exercício de atuação discricionária seja racional. como aduz José Augusto Delgado. Valéria Oliveira. n. configurarão. pelo que deve se revestir. tão-somente. . op.2. os licitantes deverão pautar por uma conduta orientada pela moralidade administrativa. certamente. descumpre o interesse público. op. já que o ato desarrazoado “desvirtua a finalidade da lei. Sob esta ótica. especialmente em sua atuação discricionária. 63 ZANCANER.67 2. tem-se que o agente público. mesmo quando forem “os juízes absolutos da oportunidade e da conveniência de determinados atos administrativos”. De acordo com a autora. deverão orientar-se sob a égide do interesse público. Urge. ibidem. E acrescenta o autor: “Mesmo quando atua com certa margem de determinação no tocante à oportunidade e à conveniência. a sua efetividade. p. ser eliminado” 64. José Augusto. p. afronta o sistema jurídico como um todo e necessita. 215-216.) 66 DELGADO. alguns se comportando como autênticos donos da coisa pública”. conseqüentemente. QUIXADÁ. sem qualquer arbítrio. 1993. A moralidade já foi juridicizada: almeja-se. Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. como já ressaltado ao longo deste trabalho. 65 André Ramos Tavares e Guilherme Amorim c. em geral as jurídicas. deve fazê-lo. proclamou a moralidade administrativa como princípio constitucional brasileiro em seu artigo 37. cit. 209. sua existência está subentendida. enfim. a partir destes ensinamentos. Silva fazem a seguinte afirmação: “O denominado poder discricionário. sendo passível. p. 64 Idem. por conseguinte. apesar da razoabilidade não constar expressamente do Texto Constitucional. a real concretização deste preceito constitucional. equilibrada. 56-57. sensata e atue de modo compatível com o bem jurídico que ela pretende curar” 63. Efetividade A Constituição Federal de 1988. É o caso das pessoas.princípio da razoabilidade e aduz que.. deverá ter uma conduta orientada pela razoabilidade. baseada em norma jurídica positiva que a legitime e com visão voltada a atender a um fim público. A manifestação há que ser objetiva. 205-210. cit. op. já que por vezes particulares também deverão observar tal princípio. contudo. sob pena de afrontar a moralidade administrativa. Revista Trimestral de Direito Público. Weida. do caráter de moralidade”. sob pena de terem seus atos invalidados. entende-se que o poder discricionário conferido aos agentes públicos não pode ser justificativa para a arbitrariedade evidenciada na atuação de muitos deles65.. p. p. tem sido utilizado como arcabouço jurídico de grande parte do arbítrio e desmandos dos eventuais ocupantes do poder. o princípio da razoabilidade “exige. em sua totalidade. Destarte. por exemplo. 67 Cf.3.66 Ressalte-se ainda que o alcance da moralidade administrativa não fica adstrito aos agentes públicos. 1993. já que. então. gera arbitrariedade. dotado de forte matiz político. processos licitatórios. São Paulo. Em situações como. Celso Ribeiro. cit. 46. em violação a este princípio. 02.

147. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa deve ser sacado da própria noção de “bom administrador” e não limitado em uma norma qualquer. deve fazê-lo (. jan. 146-148. os valores por ela tutelados.. 71 DELGADO. n. tão íntima quanto possível entre o dever-ser normativo e o ser da realidade social. efetiva é a norma constitucional que enseja a concretização do direito que nela se substancia. na sua dicção ampla (art. São Paulo. 1. 19. De acordo com o autor. 69 É o caso de Joaquim Antônio Castro Aguiar.) designa a atuação prática da norma.) 70 REINALDO. se torna bem claro que bem comum e moralidade administrativa são ideais que jamais se podem objetivar de modo total em simples regramento de direito positivo. propiciando o desfrute real do bem jurídico assegurado”. . 1993. como a moralidade comum. Não basta invocar o princípio. Luís Roberto. Joaquim Antônio Castro. A moralidade administrativa. sob a justificativa da vagueza e imprecisão do conteúdo da moralidade administrativa. eficazmente. Como bem assevera José Augusto Delgado. Ela simboliza a aproximação. Princípios Constitucionais Brasileiros. Eles se caracterizam e se tornam visivelmente presentes através das ações concretas do administrador público quando se apresentam totalmente desprovidas de qualquer desvio ou abuso de poder. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas./mar. Revista Trimestral de Direito Público. v. de outra forma. “Efetividade (. 1993. é imanente ao direito por a 68 BARROSO. p. 213. São Paulo. “O bem administrar se constitui numa atuação conjuntural que produza. 19. 168-185. cit. Urge definir de alguma forma os seus contornos. 69 Acerca do assunto. José Augusto. a moralidade administrativa tal qual a atual Constituição Federal determina. tampouco poderia depender de lei que explicitasse o que é ou não moral. no mundo dos fatos. iluminar-lhe os meandros e aclarar-lhe pontos obscuros. 1997. p. atém-se ao conceito elaborado por Luís Roberto Barroso.70 Sob este prisma. pois.. cit. O Princípio da Moralidade Administrativa. Demócrito Santos Reinaldo tece o seguinte comentário: “O princípio da moralidade administrativa. dando-lhe um mínimo de precisão.)”. 1995. se estaria subsumindo um ao outro princípio tornando-se ocioso falar-se em moral administrativa”. p. não necessita de qualquer regulamentação. Por isso. abr. p. Demócrito Ramos. A precisão que se exige da legalidade não tem cabimento quando se trata da moralidade.. cabe salientar. v. (AGUIAR. condições para que o fim a que se destina o Estado seja atingido.. 1. Tendo em vista que a intenção do legislador constituinte ao explicitar a moralidade foi conformar a atuação da Administração Pública com os anseios de seus administrados71. 169. op.a68 Muitos são os autores que.. p. o que acabaria por restringir o seu alcance. p. op. que assim expõe seus entendimentos: “Não basta apregoar a moralidade pública.O termo “efetividade” ora empregado. Alguns autores buscam até mesmo a positivação do seu conteúdo. 37). entendem que a sua efetividade está comprometida. fazendo prevalecer. Ao ângulo subjetivo../jun. A lei há de desempenhar este papel.

mas também. op. ao contrário. Ressalte-se..72 Assim.) imoral é o ato administrativo que não respeita o conjunto de solenidades indispensáveis para a sua exteriorização. p. tece algumas considerações referentes à caracterização do ato imoral.não exprimir-lhe mais que a própria validez da norma. ainda. 13-20. ao tecer apontamentos acerca de tal dificuldade. 09-15. não só a conscientização do seu cumprimento. p. A sua violação implica tornar inválido e censurável o ato praticado com apoio na norma. 1. 213.. a real efetividade da moralidade administrativa não está a espera de qualquer tipo de normatização. cit. Revista de Direito Administrativo Aplicado. que o autor denomina “vício da nãomoralidade” 74. absorvam a idéia da moralidade administrativa tal qual o legislador constituinte a concebeu. quando foge da oportunidade ou da conveniência de natureza pública. vários são os autores que vem se empenhando no estudo do tema. Diogo de Figueiredo Moreira Neto ocupou-se do que ele próprio denomina “problema da caracterização da moralidade administrativa”77. 212. quando a ação é maliciosa.. se tutele os atos que afrontem tal princípio. 77 MOREIRA NETO. cit. p. ou.76 Destarte. p. op. especialmente os membros da Administração Pública e do Poder Judiciário. 75 FRANCO SOBRINHO. mesmo que não exista qualquer dispositivo expresso dizendo a respeito”. Como assinalado pelo autor. para que se observe o seu cumprimento. 72 b DELGADO. José Augusto. op. observa-se que a caracterização da moralidade administrativa requer a análise conjunta de diversos elementos. Manoel de Oliveira. Basta que a sociedade brasileira. José Augusto Delgado. José Augusto. v. 213-214... 1993. que a tem como pressuposto fundamental. para que o seu valor seja publicizado com o máximo de eficiência e gere. A Moralidade Administrativa nos Atos e Contratos Administrativos.) necessita ser. por exemplo. 1993.. 1993. 1994. inclusive o exame prático da intenção administrativa e o porque psicológico de seu desvirtuamento”. imprudente. Partindo de todas estas observações e utilizando os ensinamentos de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. (o grifo é do autor) 76 DELGADO. “(. cada vez mais.3. Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. op. cit. “o princípio da moralidade administrativa (. p. assevera que para se conhecer um ato imoral.. p.. cit. . Curitiba. p. 75. (o grifo é nosso) 73 74 Idem.b73 2. demoradamente explicitado pela doutrina.75 Apesar da complexidade ora apontada. quando abusa no seu proceder e fere direitos subjetivos públicos ou privados. abr. FRANCO SOBRINHO. mesmo que somente no futuro essas feições ou alguma delas se tornem reais”. tendo em vista a vagueza e imprecisão do conteúdo deste princípio. Manoel de Oliveira. Caracterização da Moralidade Administrativa A caracterização da moralidade administrativa vem se demonstrando uma tarefa de árdua consecução. Ela é parte íntima do direito positivo. Diogo de Figueiredo. 15. condição de ser exigido pelo povo”. o importante papel dos doutrinadores. Como observado por José Augusto Delgado. “há sutilezas que pedem constatação hermenêutica.

De acordo com o autor. no ato administrativo... revelará imoralidade administrativa sempre que..) O motivo desproporcional (.) quando o resultado jurídico visado pelo agente não se compatibiliza com o ordenamento jurídico. cit. incompatível ou desproporcional à finalidade pública.) O motivo insuficiente (.) dificilmente poderá suportar a realização de um interesse público..) não pode suportar a realização de qualquer finalidade pública. (. bem como quando o objeto analisado for impossível.. qual seja o interesse público. após tecer estes comentários iniciais. dita caracterização pressupõe o entendimento que a moralidade administrativa convive em estreita ligação com o inafastável objetivo dos atos administrativos...). for observado motivo inexistente. insuficiente. for erroneamente estimado pelo agente para servir de fundamento para sua ação. 79 . assim. seu método de verificação do ato imoral...) O motivo incompatível (. cit..) O motivo inadequado (. (.. No entanto. por fim.. 11-13. Quanto aos motivos. 11-13. Justificando esta afirmação.. op.. aponta que por vezes observa-se a manipulação dos elementos motivo e objeto. já que a sua realização não é suficiente na configuração da moralidade administrativa..) decorre da falta da necessária correspondência entre o que deveria motivar o ato e a natureza categorial do seu objeto. tece as seguintes considerações: “O objeto é impossível (. Diogo de Figueiredo Moreira Neto explicita. desconforme ou ineficiente. (.. designando várias espécies de motivos e objetos que viciam o ato administrativo por serem incompatíveis com a moralidade administrativa.) é aquele que não guarda adequação com o objeto do ato. 78 Cumpre assinalar.. o que acaba por dar a falsa impressão de que o interesse público almejado foi alcançado.. objetivamente..(..(. MOREIRA NETO.. inadequado...c 79 Já em relação aos objetos. op..) 78 c MOREIRA NETO.) quando ocorrer uma incompatibilidade lógica entre sua escolha (discricionária) e o interesse público contido na regra da finalidade.. discorre: “O motivo inexistente (. as definições deduzidas pelo autor acerca de mencionados motivos e objetos. pelo menos nos termos pretendidos por seu agente. Com efeito. p.. embora declinado verdadeiramente.. (.) O objeto é desconforme (. levando a um resultado incompatível com o atendimento de interesse público específico a que deveria visar o ato”.. p. Preleciona o jurista que o chamado “vício da moralidade” encontra fundamento sempre que. o interesse público (entendido enquanto elemento finalidade de qualquer ato administrativo) não poderá receber uma análise isolada.

. p.. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3. Conceito A Administração Pública tem sua atuação vinculada a uma série de exigências. 5. órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”.. 575. por conseqüência. MEIRELLES. a responsabilidade pela sua concretização não fica adstrita ao Estado.O objeto é ineficiente (.81 Esta faculdade. Maria Sylvia Zanella.) o complexo de atividades 80 81 Idem. 1994. recebeu diversas inovações por parte da Constituição de 1988. torna-se indispensável a conduta do agente público visando a já mencionada “boa Administração”. Maria Sylvia Zanella di Pietro lembra que a Constituição de 1988 oferece a possibilidade do que denomina “controle popular”. (DI PIETRO.1. 567 p.. Capítulo 3 – O Controle da Moralidade Administrativa 3. ed. p. Direito Administrativo.1.1. Ressalte-se. Controle em Administração Pública. orientação e correção que um Poder. Desta forma. já que o ato administrativo que acompanha os preceitos da moralidade deverá trazer em seu bojo os elementos motivo e objeto coadunados com o elemento finalidade pública. 82 Defende a autora que o controle popular “é (.) quando ocorrer grave comprometimento do interesse público pela desproporcionalidade entre custos e benefícios”. 13-14. cit. para que o interesse público realize-se em sua inteireza. Neste sentido. Hely Lopes. Assim. a caracterização da moralidade administrativa deve realizar-se a partir do estudo do interesse público em total e íntima relação com os elementos motivo e objeto dos atos administrativos. em princípio. o controle no âmbito da Administração Pública tem-se mostrado como a garantia da realização do “bem administrar” e. São Paulo: Atlas. como se tentará demonstrar. uma vez que a participação dos administrados no controle também é viável. o mais eficaz meio de controle da Administração Pública”. o que acabou por ampliar o seu espectro e garantir uma maior tutela dos direitos dos administrados em face de seus administradores. que se fazem necessárias para a consecução do interesse público. “é a faculdade de vigilância..) . como já visto.) provavelmente. caput. mister se faz o entendimento de que a Administração Pública é o “conjunto de órgãos administrativos. (.. da obtenção de uma Administração Pública com sua prática pautada pelos princípios elencados na atual Carta Magna. especialmente no seu artigo 37. p. no sentido que a eles incumbe provocá-lo sempre que entenderem que seus interesses ou mesmo interesses coletivos estejam sendo lesados. op. 82 Quanto à abrangência deste controle. conforme extrai-se dos ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. 478. elemento inafastável do atuar administrativo.80 Assim.. que apesar do controle ser incumbência estatal.

desempenhadas imediatamente pelo Estado. 3. 39. 87. administração pública pode ser compreendida como uma das manifestações do poder público na gestão ou execução de atos ou de negócios políticos. excluídos respectivamente os atos e fatos materialmente legislativos e jurisdicionais’. cit. Marino. 1997. o Poder Executivo bem como os Poderes Legislativo e Judiciário.1. Márcio Fernando Elias. Maria Sylvia Zanella. será de legalidade ou de mérito conforme a análise que se proceda do ato. tão-somente as formas de controle que levam em consideração o órgão ou autoridade que o realiza. Rio de Janeiro: Forense. Vocabulário Jurídico. citando Agustín Gordillo. p. será prévio. Já De Plácido e Silva. Curitiba. legislativo ou judicial de acordo com o órgão que o exerça. 30. além das suas atribuições específicas. cujo conceito. que o controle da Administração Pública é instrumento que deve ser utilizado sempre que. por vezes. Waldo. . op. 479.. 84 FIGUEIREDO. ROSA.1.” 84 Conclui-se. Lúcia Valle. se poderá. ou mesmo iminência de lesão. 37-47. o controle será administrativo. . será interno ou externo conforme provenha de órgão que faça parte ou não a atividade controlada. que classifica as diversas espécies de controle a partir de critérios específicos. concomitante ou posterior dependendo do momento que seja executado. dificilmente. exercem. 86 Idem. 13. já que estes últimos. 85 DI PIETRO. que. na realização da função administrativa. (SILVA. Controle Interno 83 Cf. Tal controle pode partir de iniciativa da própria Administração Pública ou pode ser provocado por seus administrados. 87 FERRARI. p. se confunde com a própria função política do poder público. portanto. 40.2. Controle da Administração Pública: um aspecto interessante. 83 Destarte. v. tem-se que o controle da Administração Pública não se restringe ao Poder Executivo... Assim. mar. 13-14. ed. op. em seu Vocabulário Jurídico. na expressão de Regina Maria Macedo Nery Ferrari. funções administrativas. “conceitua a função administrativa como ‘toda a atividade realizada pelos órgãos administrativos e a atividade que realizam os órgãos legislativos e jurisdicionais. igualmente. p. p. consistem nos tipos clássicos de controle: o controle interno e externo. cit. explicitar-se-á. se entrelaça com a da administração. abarcando. p. por tal forma que. utilizar-se-á o método adotado por Maria Sylvia Zanella Di Pietro 85. op.1. a seguir. por fim. Modalidades Apesar de vários autores apontarem as mais inúmeras formas de controle da Administração Pública. de pronto. com base nestes apontamentos iniciais. a direito individual ou coletivo ou simplesmente violação dos preceitos que os agentes públicos devem obediência. Revista de Direito Administrativo Aplicado. ibidem. FAZZIO JÚNIOR. cit. traçar uma diferenciação exata entre os órgãos que estruturam o governo propriamente dito e as funções que indicam seu setor administrativo”. De Plácido e. e. atingindo os demais poderes sempre que exercerem funções administrativas. Lúcia Valle Figueiredo. 1995. Regina Macedo Nery. Sob este prisma. expressando um sentido de governo. 875 p. 86 Tendo em vista a enorme gama de modalidades ora apresentadas.2. 3. PAZZAGLINI FILHO. 4. se vislumbre qualquer tipo de lesão. conceitua Administração Pública da seguinte forma: “Num sentido amplo. tendo em vista os atendimentos das necessidades públicas”.

denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. já que tem como objetivo precípuo assegurar “que a atividade pública em geral se realize com legitimidade e eficiência. partido político. associação ou sindicato é parte legítima para. mérito do ato administrativo “é o campo de liberdade suposto na lei e que. portanto. . sob pena de responsabilidade solidária.. avais e garantias. Executivo e Judiciário manterão.. os Tribunais Pátrios pronunciaram-se a respeito do controle interno. a apreciação judicial”. (MELLO. p. quando eivados de vícios que os tornem ilegais. respeitados os direitos adquiridos. op.O controle interno. cit. e ressalvada. Assim. também denominado pelos autores de controle administrativo ou autocontrole. Esta espécie de controle vem insculpida pelo artigo 74 da Constituição. para que o administrador. § 2º Qualquer cidadão. em todos os casos. 89 MEIRELLES. podendo atingir seu mérito88. segundo critérios de conveniência e oportunidade. 38. op. efetivamente. tendo em vista o exato atendimento da finalidade legal. quanto à eficácia e eficiência. da gestão orçamentária. Hely Lopes. cit. que o controle interno a ser realizado na Administração Pública não se atém à legalidade do ato. ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade. 580. Compreende-se. financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal. que é a satisfação das necessidades coletivas e atendimento dos direitos individuais dos administrados”. Para o autor. atingindo sua finalidade plena. de forma integrada. porque deles não se originam direitos. Preleciona mencionada súmula: “A Administração pode anular seus próprios atos. observa-se esta modalidade de controle sendo exercida pelo Poder Executivo e pelos órgãos administrativos dos Poderes Legislativo e Judiciário sobre as atividades provenientes de suas próprias esferas. sendo a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal a manifestação mais referendada. por motivo de conveniência ou oportunidade. a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União. ou revogá-los. na forma da lei. 1993. é aquele que se dá no âmbito dos órgãos em que a atividade administrativa a ser controlada está inserida. Celso Antônio Bandeira de. que prevê: “Os Poderes Legislativo. p.” Outrossim. III – exercer o controle das operações de crédito.89 Diversos são os meios para o controle administrativo. se decida entre duas ou mais soluções admissíveis perante ele. dada a impossibilidade de ser objetivamente reconhecida qual delas seria a única adequada”. dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União. venha a remanescer no caso concreto. § 1º Os responsáveis pelo controle interno. bem como dos direitos e haveres da União. II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados. bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Conforme exposto por Hely 88 O conceito de mérito que ora se utiliza é aquele elaborado por Celso Antônio Bandeira de Mello. sistema de controle interno com a finalidade de: I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual.

A seguir. Destarte. Controle Externo Além do controle interno. bem como encaminhar “denúncia formalizada destinada à defesa de direito. caso em que o controle interno dar-se-á por provocação do administrado. Edson Aguiar de. 123-124.(. p. XXXIII) e o “direito de petição ou representação” (art. nos recursos hierárquicos próprios e impróprios ou ainda na revisão. bipartem-se em fiscalização hierárquica e recursos administrativos. 123. p. ou a coibir ilegalidade ou abuso de poder” 92.. Já FIGUEIREDO. op.1. op. em geral..91. “de um modo geral.) Os recursos administrativos são um corolário do Estado de Direito e uma prerrogativa de todo administrado ou servidor atingido por qualquer ato da Administração”. 186 p. Conforme apregoado por Edson Aguiar de Vasconcelos. 93 3. afirma o autor. são todos os meios hábeis a propiciar o reexame de decisão interna pela própria Administração. consistir na representação. público ou privado. 5º. XXXIX).Lopes Meirelles.) Recursos administrativos. da legalidade e da moralidade a que estão subordinados. o administrado poderá “exigir dos órgãos públicos informações de interesse coletivo ou geral”. O direito de petição será exercido. cit. cit. DI PIETRO. o controle popular torna-se viável. a. em acepção ampla. a partir de dois dispositivos Constitucionais que asseguram ao administrado o “direito à informação” (art. Assim. tem-se a existência do controle externo. 235 faz uso da segunda. no pedido de reconsideração.. Rio de Janeiro: Forense. conforme o caso.. Edson Aguiar de. far-se-á uma breve análise do controle legislativo e do controle judiciário. 92 VASCONCELOS. esta espécie de controle será exercida. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública.. p. Fazendo uso de tais direitos.. é aquele exercido pelos órgãos do Poder Legislativo. também denominado controle parlamentar.) A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores da mesma Administração. já que consistem em formas de controle inseridas na modalidade do controle externo da Administração Pública. cit. dentro do atuar administrativo. 91 A primeira expressão é utilizada por VASCONCELOS. que é realizado por órgão distinto daquele em que se encontra a atividade controlada. orientar e corrigir suas atividades e agentes. ... 93 Cf. Maria Sylvia Zanella.2. visando a coordenar. (. que poderá. que tem por objetivo precípuo assegurar que os agentes. p. Lúcia Valle. Controle Legislativo O controle legislativo. 90 . 1993. não se afastem do interesse público e. 482. através do recurso administrativo.90 Importante conferir destaque para a possibilidade do “controle popular pela via administrativa” ou “controle interno com a participação do administrado” . na reclamação administrativa. especialmente. (.2. Idem. 581-582. por consegüinte. op. observa-se inserida na Ordem Constitucional vigente a existência de mecanismos conferidos aos Poderes Legislativo e Judiciário para a realização de mencionado controle..

principalmente os previstos em seu artigo 37. não se dará de maneira ilimitada: o Poder Legislativo há que obedecer às delimitações impostas constitucionalmente. também em relação ao crimes de responsabilidade cometidos pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal. da convocação de autoridades para prestarem informações. do julgamento das contas do Chefe do Executivo. b. Ao Tribunal de Contas também é conferida a participação nesta modalidade de controle. p. Controle Jurisdicional O controle jurisdicional da Administração Pública é tema que suscita polêmica por parte da doutrina. cit. Valéria Oliveira. E aduz: “O seu poder judicante sobre as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. e PAZZAGLINI FILHO. Regina Maria Macedo Nery. op.97 Este entendimento parece não haver se adequado com os novos ditames trazidos pelo Texto Constitucional vigente. conferida através dos artigos 58. da participação na realização do exercício da função administrativa do Executivo pela aprovação ou autorização para atuar. respectivamente. em diversos momentos.96 Insta assinalar. cit. Defende esta última autora ser esta modalidade de controle uma exceção ao princípio da separação dos poderes. § 2º. que. 488. cit. Neste sentido: MEIRELLES. op. Márcio Fernando Elias.. tanto de ordem financeira.. op.. § 3º. 41. por fim. Procurador Geral da República e Advogado-Geral da União.. pelas Assembléias Legislativas ou pelas Câmaras de Vereadores. expressa a vontade do legislador constituinte em viabilizar um amplo controle dos atos administrativos. “não podendo ser ampliado fora do âmbito constitucional”. parte de uma análise mais pormenorisada das inovações trazidas pela atual Carta Magna. op. 74. p. caput. da Constituição Federal de 1988. Hely Lopes. pelo Congresso Nacional. cit. cit. Waldo. op. 95 A efetivação do controle legislativo dar-se-á através das Comissões Parlamentares de Inquérito. cit. muitas vezes. § 2º e 31. como também sobre aqueles de natureza operacional e que envolvam aspectos de economicidade. Tal amplitude demonstra que a fiscalização exercida agora pelas Cortes de Contas Brasileiras tende à formação de um juízo sobre fatores de legitimidade fora. Marino. como órgão auxiliador do Poder Legislativo. . ao revés. 605 e DI PIETRO. op. A corrente mais tradicional afirma ser este um instrumento que se atém à análise da legalidade do ato administrativo.) 95 Neste sentido MEIRELLES.dependendo da esfera. cit. pois abalaria a harmonia que se faz necessária entre os três poderes. p. FAZZIO JÚNIOR. a fim de exigir a sua adequação com os princípios constitucionais. Hely Lopes. bens e valores públicos da administração direta e indireta. através do Senado Federal e isto. 96 97 FERRARI. 59. Maria Sylvia Za nella. estadual ou municipal. Valéria Oliveira Quixadá expõe que suas atribuições foram bastante ampliadas em face no novo Texto Constitucional. op. (QUIXADÁ. a possibilidade de participação popular também nesta forma de controle da Administração Pública. nos termos dos artigos 70 e 71 da Constituição. do processo e julgamento do Presidente e Vice Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os dos Ministros de Estado nos crimes conexos com aqueles. já que o controle indiscriminado por parte do legislativo acabaria por afetar ou mesmo inviabilizar o princípio da separação dos poderes. defende que o 94 A respeito do Tribunal de Contas. p. MELLO.. orçamentária e patrimonial.. incide sobre atos. Desta forma. se federal. Celso Antônio Bandeira de.94 Mencionado controle. no entanto. 1997. ROSA. de considerações meramente legais. A corrente que se entende ser mais acertada.

outrossim. no entanto. cabe ressaltar. igualmente. José Augusto. São eles. podendo consistir. de tecer alguns apontamentos básicos acerca do controle jurisdicional da Administração Pública. 101 STEPHANO. Cármen Lúcia Antunes Rocha. fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. na atualidade. 242-246. entre outros constantes do Texto Constitucional. o mandado de injunção. em todos os atributos do ato administrativo”. conclui-se por vislumbrá-lo enquanto elemento indispensável aos administrados. ao prever. que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. etc. No momento. não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida. 98 Defendendo a ampla abrangência do controle da Administração Pública em face da Constituição Federal é que assevera José Augusto Delgado: “A Constituição.controle jurisdicional dos atos administrativos tem um espectro muito mais abrangente e que portanto não se exaure no exame da legalidade administrativa. Lúcia Valle Figueiredo. No sentido de possibilitar a concretização do controle jurisdicional é que a Constituição Federal elenca diversos instrumentos. Demócrito Ramos Reinaldo. Sílvia Pucú de. Valéria Oliveira Quixadá. op. Nesse passo. o exame da moralidade. mera ameaça. 1993. Entende-se. 3. que a Constituição Federal de 1988. 5º. a ação civil pública. este 98 Fazem parte desta corrente José Augusto Delgado. 273-320. Mauricio Antonio Ribeiro Lopes. que apesar da complexidade conferida ao tema. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição O controle da moralidade administrativa é assunto que muitos doutrinadores persistem em evitar. como também. o mandado de segurança (individual e coletivo).. ampliou a esfera de atuação do Poder Judiciário. “foi aperfeiçoada e ampliada a garantia dos direitos dos administrados. XXXV. em seu art. cit. Edson Aguiar de Vasconcelos. assim. . a ação popular. posto que necessita.. no entanto. p. obrigatoriamente. p. sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública. 1993. 100 Assim. é tema que será abordado posteriormente. In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho. sujeitando a Administração Pública à revisão jurisdicional sempre que se observar um ato administrativo que fuja aos padrões a que deva estar conformado. cuja proteção é sua característica essencial” 101. que o ato controlado não precisa ter configurado uma lesão de direito. 99 DELGADO. p. Manaus: out. tão-somente. Toshio Mukai. cit. O amplo controle da atividade administrativa se exerce. FIGUEIREDO. Lúcia Valle. já que. p. preliminarmente.2. Destaque-se.(o grifo é nosso)99 O controle da moralidade administrativa. tratar-se-á apenas. 305. não só pelos administrados diretamente. pois adentra em um terreno bastante arenoso da esfera do Direito Administrativo. atingindo. Controle da Administração Pública: Legalidade. o habeas data. de algum tipo de provocação por parte do interessado. levando em consideração que o controle jurisdicional não se faz voluntariamente. 100 Cf. 216. pelo Poder Judiciário. op. através dele.

. op. já que nesta modalidade de controle é pacífico que a análise do mérito do ato administrativo pode ser realizada. tece os seguintes apontamentos: “Essa disposição constitucional não pode deixar de ser vista como um dado relevantíssimo para ruptura de uma tradição malsã de uma legislação extremamente conveniente aos administradores e imprestável sob a ótica do controle social e judiciário permitidos que tinha vigência.. quais sejam a administrativa. 488. sem que se possa precisar o conceito e controlá-la pelas formas concebidas pela Lei das Leis”. passível de ser controlada amplamente. p.103 Feitas estas considerações preliminares. deverão fazer valer os mecanismos que lhes são colocados à disposição para a realização do controle interno da Administração Pública. Assim.. 105 Cf.104 No âmbito do Poder Legislativo. ressalte-se que do momento em que a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria autônoma de princípio constitucional da Administração Pública. 105 Aliás. A partir da análise de alguns dispositivos constitucionais. já que a submissão da Administração Pública a este princípio é indubitável.. conseqüentemente. p. a legislativa e a judiciária. o controle realizado também abrange a análise do mérito do ato administrativo. Maurício Antonio Ribeiro. 17. Valéria Oliveira. 52. Márcio Fernando Elias. cit. ao tratar do controle da Administração. p. até então. op. portanto. e. DI PIETRO. e que. que trouxe inovações acerca do assunto. 57. p. na atividade administrativa. principalmente com o advento da Constituição Federal de 1988. 102 Aliás. cit. Marino. Na esfera administrativa. caput da Constituição. Como já visto anteriormente. op. cit. não há como negar que a grande maioria das hipóteses elencadas pela Constituição para a realização deste controle invadem a esfera da moralidade 102 Neste sentido.) a moralidade não é mais – como se pretendia antigamente – expressão fugidia. esta última maior fonte de polemização. ROSA. Lúcia Valle. p. Ruptura de obstáculo para que os valores éticos e morais da atividade administrativa quedassem distante desses controles”.. sempre que agentes públicos ou mesmo administrados vislumbrarem. Maria Sylvia Zanella. Corroborando este entendimento é que Maurício Antonio Ribeiro Lopes. tornou-se evidente a intenção do legislador constituinte em torná-la elemento inafastável de qualquer atuação administrativa e. inclusive no âmbito judicial. 61. (FIGUEIREDO. necessita de uma ampla abordagem por parte da doutrina pátria.possui indubitável relevância. vê-se que este controle inclui a moralidade administrativa. a presença de qualquer irregularidade que constitua ofensa ao princípio da moralidade insculpido no artigo 37 da Carta Magna. . cit. cit. não há como negar que a moralidade administrativa pode e deve ser analisada nas três esferas de controle da Administração Pública abordadas anteriormente. Waldo. Lúcia Valle Figueiredo reforça este entendimento expondo que “(. a sua violação requer a utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente. ao fazer referência ao disposto no artigo 37.. FAZZIO JÚNIOR. op. 104 Cf..) 103 LOPES. o controle da moralidade não suscita maiores problemas. conferiu aos três poderes do Estado mecanismos que possibilitam um amplo controle da atividade administrativa. PAZZAGLINI FILHO. QUIXADÁ. a Constituição de 1988. op.

a fim de que o resultado obtido em determinada apuração não se exaura nela. São Paulo: Atlas. que a Administração Pública esteja atenta e aberta a se repensar continuadamente. p. práticas corruptas”. op. será explicitado mais demoradamente em tópico a seguir apresentado. aqueles agentes públicos que malversarem a coisa pública. 49. a aproximação do atuar administrativo com os anseios da população brasileira. esta se faz possível através do teor da atual Carta Magna. por conseguinte. será este ato passível de apreciação pelo Poder Judiciário para a decretação de sua invalidade. no momento. especialmente. 107 ROCHA. cit. ou não impedem. no 106 Cf. Após ressaltado a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa.. por conseqüência. A fim de destacar esta importância é que aponta Cármen Lúcia Antunes Rocha: “(.. . ou facilitam. p. já que analisando o caráter de observância obrigatória do princípio. se e quando se comprovar que a estrutura vigente ou os procedimentos admitidos propiciam. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa Acerca do assunto. o que alcança . a presença da moralidade administrativa também é indubitável. manifestam-se divergentemente os autores. mudança de organização e de comportamentos públicos em seu seio. merecedora de credibilidade. DI PIETRO. insta lembrar que cabe.3. cit. para que se observe a concretização da moralidade administrativa e. Cármen Lúcia Antunes. p. só para citar alguns. e que. como deveriam.. à Administração Pública e. 52. mas. 1993. e efetivamente venha traduzir. extrai-se destes ensinamentos que o controle da moralidade administrativa é o meio mais eficaz colocado à disposição dos cidadãos brasileiros para que a Administração Pública revele-se de uma vez por todas. Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. 1991. pode-se concluir que o ato administrativo que violá-lo será inválido tal qual o ato administrativo ilegal e. por exemplo. 116. basicamente. Nesta linha de raciocínio. torna-se indispensável assinalar a importância da existência cada vez maior do controle da moralidade administrativa para que esta aproximação não seja mera utopia.107 Desta forma. ao contrário. porém. por revelar-se objeto de maiores divergências. a efetiva utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente. mas que. Quanto ao controle legislativo com auxílio do Tribunal de Contas. 106 Este assunto. como é o caso. Em relação. Maria Sylvia Zanella. já que este controle atingirá.) o controle impõe não apenas desfazimento de efeitos de atos contrários ao princípio da moralidade administrativa. sem sombra de dúvida. José Augusto. compatibilize a sua atuação com as “finalidades que a sociedade exige que sejam cumpridas pelo Estado”. dos crimes de responsabilidade (art.. por fim. 209. o exame da moralidade administrativa. 215. principalmente aos seus administrados.administrativa. possa traduzir. I e II) e da fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo(art. Observa-se.108 3. ao controle jurisdicional da moralidade administrativa. 108 DELGADO. X). op.

urge mencionar três entendimentos distintos. 112 Coloca Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho que “em nome do princípio da moralidade administrativa. p. ou seja. cit. Os autores que não admitem o controle jurisdicional da moralidade administrativa. (SARAIVA FILHO. p. cit. por este não consistir. Amandino Teixeira. há de cumprir a sua missão de modo que.113 109 110 MEIRELLES. no controle da legalidade do ato administrativo. fitam-se na justificativa da vedação imposta ao Poder Judiciário de analisar o mérito do ato administrativo. tão-somente. Outros autores. José Augusto Delgado preleciona que “(.. por fim. Maria Sylvia Zanella Di Pietro expõe que “não há invasão de mérito quando o Judiciário aprecia os motivos. cit. o Poder Judiciário. cit.112 Ao tecer considerações acerca desta incumbência do Poder Judiciário. O primeiro entendimento admite o controle da moralidade sob a justificativa de que esta estaria inserida dentro do elemento legalidade e.) 113 DELGADO.. op. por restrito à verificação da conformidade do ato com a norma legal que o rege”. o faça de tal forma que o princípio da independência e da harmonia dos poderes seja respeitado. assenta Amandino Teixeira Nunes Júnior que “os critérios de moralidade administrativa se incluem no conceito amplo de legalidade. não obstante penetrando no fundo de todos os atos administrativos. os fatos que precedem a elaboração do ato”. pelo que se faz necessário a explicitação de algumas delas. . 217. 493. a conveniência e a oportunidade da prática do ato se inserem nas condições de sua legalidade”. p.. cit.entanto.109 Dentre os que admitem o controle da moralidade administrativa... NUNES JÚNIOR. Hely Lopes Meirelles aduz que o controle jurisdicional da Administração Pública “é um controle a posteriori.. As justificativas para a admissão ou não de mencionado controle são as mais diversas. por seu turno.110 O segundo entendimento a ser destacado admite o controle da moralidade administrativa. 1994.)encontrando-se o Poder Judiciário consciente de sua novas responsabilidades a respeito do exercício do controle dos atos administrativos. 610. tem competência para anular o mérito do ato administrativo quando a valoração dos motivos e a escolha do objeto do ato mostrem-se notória e iniludivelmente ineficientes e contrárias à moral interna da entidade em relação à outras hipóteses que o senso comum da sociedade teria adotado. portanto. Sob este prisma. duas grandes correntes: há os autores que admitem o controle por parte do Poder Judiciário e há os que negam com veemência esta possibilidade. a qual difere da ilegalidade por desvio ou abuso do poder. op.111 E. op. defende a tese de que o controle da moralidade administrativa não só é possível como também consiste na exceção conferida ao Poder Judiciário de examinar o mérito do ato administrativo.. a seguir abordados. unicamente de legalidade. simplesmente omitem-se no tratamento do assunto. 1993. 131. propriamente. Representante deste entendimento. consistiria.)Neste sentido. 223. o último entendimento. op.. Oswaldo Othon de Pontes. Maria Sylvia Zanella. Hely Lopes. 111 DI PIETRO. (. prestigiando-se as competências e atribuições legais de cada um”. no exame do mérito do atuar administrativo. p. op. José Augusto. excepcionalmente. p. e que ora filia-se o presente trabalho.. Defensora desta corrente.

ou venham a contrariar o interesse público”. será ele passível de controle por parte do Poder Judiciário. mas também no que diz respeito aos fins e motivos da atuação do administrador”. o interesse público. cit..Tal corrente. senão a alternativa de apreciar o elemento subjetivo. A par deste reconhecimento. em casos concretos que lhes forem submetidos. “A extensão do princípio da moralidade administrativa conduz ao entendimento de que a administração pública tem o dever de melhor administrar. impossível ou ineficiente117. 30. haurido de objeto ou motivo inidôneos. de exigência constitucional. p.116 Em suma. como destacado ao longo do presente trabalho. houve um fomento ao estudo da matéria e o conseqüente amadurecimento no tratamento da moralidade administrativa. . Apesar de ainda ser repudiada por parte da doutrina mais tradicional. citando Nagib Slaibi Filho: “ Com a nova Constituição. 114 115 MOREIRA NETO. qual seja. também. a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa é o entendimento não apenas mais coerente. vem ganhando força desde a promulgação da atual Constituição. op. tem-se que. sempre que se observar a existência de ato administrativo com motivo inexistente. assinala Valéria Oliveira Quixadá: “O amplo espectro conferido pela Lei maior ao controle jurisdicional da moralidade administrativa indubitavelmente consiste em verdadeira conquista do Estado Democrático de Direito. Dentro da ótica constitucional. A Carta Constitucional ampliou sobremaneira o campo de atuação do poder judicante na defesa do princípio. Diogo de Figueiredo. 214.. faculta-se ao magistrado.3 supra. José Augusto. Sob a influência deste último entendimento. aduz Diogo de Figueiredo Moreira Neto. p. eivados do vício da imoralidade.. cit. desde que.) 116 QUIXADÁ. mas. cit. na atual conjuntura brasileira. o abuso ou desvio de poder sob o escudo da discricionariedade e da não obrigação de motivar’. mesmo discricionários. 58. compete ao Judiciário anular o ato administrativo sempre que este distanciar-se dos preceitos a que está subordinado ou fundar-se em motivo ou objeto incompatível com o fim visado pela atividade administrativa. insuficiente. mas o que se faz necessário no alcance “melhor administrar” 115. possibilitando a este perquirir ‘avaliar e julgar o mérito do ato administrativo. a partir das inovações por ela trazidas. Desta forma. p. especialmente. visando apurar se há boa administração da coisa pública. o titular do poder jurisdicional possui competência para anular atos administrativos. Este é o termo empregado por José Augusto Delgado. não alcancem os fins específicos aos quais se destinavam por força normativa. Valéria Oliveira. desproporcional. que ultrapassa o conceito de bem administrar”. já que. Ele é fruto não apenas de construção doutrinária. não terão os tribunais. 117 Ver item 2. 1993. não só nos aspectos de adequação à ordem jurídica. op. (DELGADO.114 Assim. Neste sentido. incompatível ou inadequado ou ainda com objeto desconforme. apresenta-se como a mais condizente com o Texto Constitucional vigente. a emissão de juízo acerca da constitucionalidade do ato praticado pela administração em face da observância ou não do princípio da moralidade administrativa. introduzindo o requisito de moralidade como essencial aos atos de Administração Pública. De acordo com o autor. op.

1. Maurício Antonio. p. fazendo uso dos instrumentos constitucionais e processuais cabíveis. 1993. cit.. José Augusto. n. Sob este prisma. . de natureza constitucional ou não. 215. Acredita o autor que “o Poder Judiciário. este teve sua atuação ampliada através da Constituição de 1988. 4. São Paulo. anular os atos que entender viciados. que na seara da concretização do princípio constitucional da moralidade administrativa. op. em nome de uma coletividade heterogênea. necessita de uma atuação conjunta por parte dos administrados. desta forma. v. op. a ativa atuação do administrado e do Ministério Público revela-se indispensável./set. conclui-se que o controle da moralidade administrativa. cit. DELGADO. Já em relação ao Ministério Público.4. 1993. p.. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. em sede de qualquer ação. p.) essa instituição um grande desafio. resta a obrigação de não se ausentar da incumbência de analisar a moralidade dos atos administrativos e. Para o Ministério Público reserva-se o dever de uma atuação digna e constante no intuito de representar a coletividade na tutela da moralidade administrativa através da ação civil pública. “Recebeu (. MEIRA. especialmente o da moralidade”. 120 3. sob a ótica do “bom administrador”. No entendimento de José Augusto Delgado. 202. 121 Cf. É o caso do Tribunal de Justiça de São Paulo. p. da lavra do Desembargador Cardoso Rolim. sempre que desejar coibir atos administrativos imorais. pode ingressar no exame da moralidade administrativa para salvaguarda dos interesses individuais e sociais postos ao abrigo do pedido”.118 Cumpre lembrar. do Ministério Público e do Poder Judiciário.. os tribunais pátrios já haviam se manifestado a respeito da moralidade administrativa.. T oshio. p.. op. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência Mesmo antes da elevação da moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional. na medida em que se compreenda a extensão de todo o poder que lhe foi outorgado como sujeito ativo. Ao administrado fica a incumbência de exercer efetivamente a sua cidadania e. ingressar em juízo. por fim. a Constituição conferiu ao primeiro o direito de ingressar com a ação popular que vise especificamente a tutela da moralidade administrativa. Da Aplicabilidade do Princípio da Moralidade Administrativa e do seu Controle Jurisdicional. que se pronunciou pioneiramente em acórdão.Maurício Antonio Ribeiro Lopes preleciona que a competência do Poder Judiciário vai mais além. 211-215. de promover perante o Judiciário. ações civis públicas que redundem em efetivo controle dos atos administrativos quando fugirem dos princípios a que estão sujeitos. 74. MUKAI. cit.119 Destarte. jul. que se tornou clássico 121: 118 119 LOPES. Quanto ao Judiciário. José Castro. para se concretizar. 120 Cf. 222-223.

INVALIDAÇÃO. e dificultando. Na maior parte dos acórdãos. revelou-se tarefa difícil encontrar o termo moralidade administrativa em alguma ementa. 124 O Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina tem comprovado esta tendência. Não obstante as inovações trazidas pelo Texto Constitucional. cit.. 123 Assim. 122 Cf. numa propositada confusão. que o tratamento dispensado à moralidade administrativa restringe seu real conteúdo. tem observância obrigatória e aplicação autônoma. e. portanto. Ao comentar mencionado julgado. evidenciando a falta de amadurecimento acerca da matéria. cujos trechos a seguir se transcreve: “APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. a partir do estudo de alguns pronunciamentos. Diogo de Figueiredo. 28. 125 Acórdãos pesquisados sob o argumento “moralidade administrativa”. mas por legalidade ou legitimidade se entende não só a conformação do ato com a lei. p. como também com a moral administrativa e com o interesse coletivo”. atualmente. maculando.001873-0. em face da atual Constituição e das inovações por ela trazidas. ob. 124 Idem. nota-se que a admissão do controle judicial da moralidade dos atos administrativos ainda não se configura em prática muito freqüente dos Tribunais brasileiros. 77-79. Como exemplo. 123 Cf. Ao revés. . MOREIRA NETO. 126 O texto integral do acórdão mencionado consta do Anexo III. vislumbra-se que os julgadores continuam temerosos ao permitir o controle judicial da moralidade administrativa. já que a moralidade administrativa vem constando como mero “componente secundário” de grande parte de seus acórdãos. op. já que faz referência a ela enquanto elemento inserido na própria legalidade administrativa. ibidem. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. no entanto. enquanto tal. que a moralidade administrativa dificilmente integra o conteúdo central dos julgados. Por conseqüência. apesar de tantos desmandos sofridos por parte da Administração Pública. nota-se. p. fazendo parte dos provimentos jurisdicionais como mero elemento influenciador da decisão.“O controle jurisdicional se restringe ao exame da legalidade do ato administrativo. o ato punitivo da autoridade. AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. existindo. entendimento que.. 126. . demonstra-se indubitavelmente ultrapassado. LOPES. . paralela e independentemente da legalidade administrativa. ATO IMOTIVADO.. conseqüentemente. Mauricio Antonio Ribeiro. na atual conjuntura brasileira. a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional da Administração Pública. cita-se o acórdão nº 98. Da análise de acórdãos proferidos entre os meses de setembro de 1997 e dezembro de 1998 125. REMESSA DESPROVIDA. a moralidade administrativa não se apresenta como elemento realmente relevante ou justificador da decisão. irremediavelmente. cit. Como já ressaltado anteriormente. a sua efetivação. de 22 de abril de 1998. Relação dos Acórdãos analisados no Anexo II. a jurisprudência brasileira vem caminhando lentamente na abordagem da moralidade administrativa. o autor ressalta que o mesmo “identificou a moralidade não só com a legalidade mas com a ilegitimidade. nitidamente positivista de categorias éticas”.122 Extrai-se deste julgado.

contudo. Relator: Desembargador Silveira Lenzi. em decisão colegiada. mormente quando impositivo de penalidade. QUIXADÁ. 128 É o caso das ementas a seguir citadas. portanto. Não há ofensa ao princípio da legalidade e ao ato jurídico perfeito quando o Tribunal de Contas.br. que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie. p. conseqüentemente. de forma explícita. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. Endereço eletrônico: http:// www. 2. 22 de abril de 1998.) Florianópolis.) Descumpriu-se. 1. oportunidade de defesa. Eder Graf . modernamente. É dever do administrador. Tal dever é corolário do princípio da moralidade administrativa que permeia.gov. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. indubitavelmente. (o grifo na expressão moralidade administrativa é nosso) 128 Cf. não terá apoio do ordenamento jurídico se não se apresentar rigorosamente vinculado ao princípio da moralidade.127 Há que ser afirmado. 22 de abril de 1998. quanto a sua parte vinculada. ao exigir a fundamentação dos seus atos..RELATOR”. sob pena de ser inválido. irremediavelmente.. A falta de sindicância impediu. 3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 127 BRASIL. (. sem. frente a motivação apresentada. que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa.tj.. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa. Beatriz Zeczkowski e Prefeito Municipal de Santa Terezinha. op.PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi . tornando possível a impugnação direta.. (.001873-0. respectivamente: “PROCESSUAL CIVIL.) Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. .. a contribuição de certos julgados. conseqüentemente. requisito de operacionalidade. no entanto. as razões pelas quais determinou a conclusão assumida. quer da administração indireta. (. impede que sociedade de economia . 58. Apelação cível em mandado de segurança. Valéria Oliveira. que. Apelação Cível nº 98. da lavra do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. A prática de qualquer ato administrativo. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência. cit. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. para que a parte possa analisar o conteúdo de sua fundamentação e preparar o recurso cabível. regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado.. ainda. OMISSÃO. o ato punitivo da autoridade. toda a Administração Pública.sc. O acórdão deve expressar. vêm se revelando indispensáveis para o enriquecimento do estudo da moralidade administrativa e a sedimentação de sua real importância e alcance.Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado. A defesa da moralidade administrativa pode ser efetuada via qualquer forma legislativa ou até mesmo sem norma expressa.. não conferindo à impetrante. Cumpre notar. o que resta por macular. 4.. quer da administração direta.

PATRIMÔNIO MATERIAL DO PODER PÚBLICO. adquirindo contornos diversos. 17/08/1998. nesta árdua tarefa. AÇÃO POPULAR. . a fim de impor limites aos agentes administrativos. 5º. Vereadores da Câmara Municipal de Conselheiros Lafaiete e outros e Diarlhes Pider Benjamin e outros. III. 29. v.F. C. Logo. A efetivação deste controle. II. 00022. p. VEREADORES: REMUNERAÇÃO: FIXAÇÃO: LEGISLATURA SUBSEQÜENTE. 5. deve-se ressaltar a necessidade de uma maior abordagem ao tema. a moralidade administrativa foi elevada à categoria de 129 BRASIL. Relator: Ministro José Delgado. V. 02257.F. Não é lícito que o Banco de Brasília pague as despesas administrativas de pessoal da empresa Regius S/C de Previdência Privada. art. 6. 13/06/1997. C.” 130 Assim.. Superior Tribunal de Justiça. .E. Recurso Extraordinário em Ação Popular. 29.R. 15 de maio de 1998. LXXIII. Saliente-se. Brasília. 01873-11. Diário de Justiça. ao longo da elaboração deste trabalho algumas conclusões puderam ser trazidas à lume. fixando essa remuneração para viger na própria legislatura.. pratica ato inconstitucional lesivo não só ao patrimônio material do Poder Público. que transcende em várias oportunidades a esfera jurídica. RE-206889/MG. não conhecido. Brasília. . LXXIII. I. do Vice-Prefeito e dos Vereadores será fixada pela Câmara Municipal em cada legislatura para a subseqüente. Diário de Justiça. p. Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança.F. para que a moralidade administrativa se concretize. 25 de março de 1997.A remuneração do Prefeito. bem como sua amplitude.mista assuma encargos financeiros de pessoa jurídica de direito privado que rege interesses particulares. pelo que se faz necessário a mobilização de todos os juristas. há que se destacar que as considerações a seguir apontadas pressupõem que. Fixando os Vereadores a sua própria remuneração. art. EDROMS nº 6234. vale dizer. seu controle precisa ser efetivado. que apesar das dificuldades advindas com o estudo do tema. Embargos de declaração acolhidos”. só se dará através de uma longa construção jurisprudencial e doutrinária do tema. art. com o advento da Constituição Federal de 1988 e as profundas inovações trazidas em seu bojo acerca da matéria. em especial dos magistrados brasileiros. tornou-se possível apreender que a complexidade conferida ao tema é inegável. por sua vez. longe de negar a importância destes pronunciamentos. C. Supremo Tribunal Federal. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após esta breve incursão na seara da moralidade administrativa. MORALIDADE ADMINISTRATIVA: LESÃO. 130 BRASIL. 5º. como à moralidade administrativa. Preliminarmente. como demonstrado.129 “CONSTITUCIONAL. V. .Ação popular julgada procedente. art. no entanto. já que. que constitui patrimônio moral da sociedade. urge ressaltá-las no presente momento..

a importância conferida pela Constituição à participação popular. não é suficiente para a configuração de sua validade. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa não pode ser confundido ou vinculado à legalidade ou à probidade. poderá advir do Poder Legislativo ou Judiciário. ao definir a moralidade da maneira que o fez. uma ampliação em sua esfera. Assim. acompanhado da moralidade. Este controle poderá ser interno ou externo. uma dimensão mais restrita. Em relação ao primeiro elemento. já que o reconhecimento da real amplitude deste princípio. portanto. ansiava por sua concretização sem qualquer tipo de obstrução. Quando externo. insta salientar que foi com o desejo de vislumbrar a real aplicação deste princípio na atividade da Administração Pública que a Constituição Federal lançou. que temendo reconhecê-la acaba por destinar-lhe limites descabidos em face do Texto Constitucional. seja no âmbito interno da Administração Pública ou recorrendo à esfera judicial. qual seja o jurisdicional. numa visível afronta às exigências contidas na Carta . Justifica-se esta assertiva a partir do entendimento de que a legalidade. devendo existir. o controle da moralidade administrativa pode ser amplamente realizado. por consegüinte. A probidade. já que cabe ao cidadão provocá-lo.princípio constitucional inerente à Administração Pública. Atendo-se a esta linha de raciocínio é que se percebe que tornou-se imprescindível na atualidade a existência de estudos cada vez mais freqüentes e pormenorizados do tema. o que suscitou repercussões. que pioneiramente juridicizou o seu conteúdo. Revela-se de suma importância que se perceba um amadurecimento doutrinário e a conseqüente sedimentação dos objetivos insculpidos pela Constituição. percebe-se que a moralidade merece estudo destacado dos demais institutos. que consiste igualmente em princípio constitucional elencado no artigo 37. a moralidade reserva indiscutível independência. caput. em inúmeros de seus dispositivos. Desta forma. sendo decorrência direta desta. Estas resistências sofridas vêm se revelando como verdadeiros obstáculos. Ressalte-se. e possuindo. embaraçando até mesmo a existência da moralidade administrativa. a fim de que ele sofra uma maior explicitação. Adentrando no aspecto mais controvertido do controle da moralidade administrativa. observa-se que este vem se esbarrando em entendimentos que não o admitem. apesar de essencial à atividade administrativa. do Texto Constitucional. o alcance da moralidade ganhou proporções que ainda recebe certo receio por parte da doutrina. Sob este prisma. a participação dos administrados neste controle é possível. recebendo portanto. já que não resta dúvida que o legislador constituinte. é fator relevante quando se adentra no âmbito da efetividade de referido preceito constitucional. independente da modalidade. por sua vez. Segundo os ditames da Carta Magna. tendo em vista a autonomia que lhe foi conferida constitucionalmente. outrossim. Aliás. com a promulgação da atual Carta Magna. alçando-o a um dos mais altos níveis da hierarquia normativa brasileira. mecanismos que tornam possível o controle dos atos administrativos que tragam vícios quanto a sua moralidade. tem seu conteúdo inserido na própria noção de moralidade. constata-se que a partir da utilização destes instrumentos constitucionais. Neste passo.

Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. que revelam caminhar lentamente ao discorrer sobre a moralidade administrativa. controlar o ato administrativo sob a eiva da imoralidade. deve o magistrado adentrar até mesmo no mérito da atividade administrativa sub judice. Moralidade Administrativa. São Paulo. Boletim de Direito Administrativo./mar. Celso Ribeiro. São Paulo. O Princípio da Moralidade Administrativa. São Paulo. Sob a perspectiva constitucional. finalmente. p. têm lhe debitado ínfima credibilidade. BARROSO. ainda./mar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. da observância pura e simples de tal preceito é que será possível vislumbrar a concretização de tal princípio. fruto de um idealismo exacerbado. ainda que alcançada. na atual conjuntura brasileira. se for o caso. uma fração de magistrados brasileiros vêm se demonstrando um tanto reticentes na aplicação da matéria. 1997. que conferiu ao magistrado. v. n. se esta finalidade. Revista Trimestral de Direito Público. notase que os pronunciamentos que fazem referência à matéria são cada vez mais freqüentes. em especial àqueles que sofrem desmandos por parte da Administração Pública e àqueles outorgados de competência para o julgamento de tais desmandos. mas sobretudo o dever de analisar e. p. BASTOS. 19. . 1993. Não obstante a previsão de vários mecanismos de controle da moralidade por parte do Poder Judiciário. 1998. Assim. v. há que se perceber uma maior conscientização por parte dos mais variados setores da sociedade brasileira. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. Demonstração disto pode ser obtida a partir da análise de alguns fragmentos da jurisprudência pátria. p. Espera-se. abr. nem sempre conferindo-lhe a importância a que faz jus. 168-185. mesmo que por vezes timidamente. não apenas o poder. 1. jan. porém não são suficientes. É imprescindível que se dê mais ênfase à moralidade administrativa. vêm adequando suas decisões aos anseios do legislador constituinte. jan. Luís Roberto. não há como negar que os Tribunais brasileiros. Antônio. que o anseio pela moralidade na Administração Pública não se configure em mera utopia. Por fim. 44-54. no sentido de que é coibindo a imoralidade na atividade administrativa./jun. seja através de sua prevenção. que. Princípios Constitucionais Brasileiros. E só a partir da efetiva concretização da moralidade administrativa é que se tornará viável a aproximação da Administração com seus administrados. Joaquim Antônio Castro. encontra-se em consonância com os elementos motivo e objeto do ato administrativo. O Princípio da Moralidade no Direito Público. em especial o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. 1. p. seja através do controle dos atos administrativos ou. 22.de 1988. também. 146-148. a fim de examiná-la profundamente e perceber se a conduta é condizente com o fim colimado pela Administração Pública e. v. BRANDÃO. Afora esta observação.

83. Subsecretaria de Edições Técnicas. Brasília: Senado Federal. Recurso Extraordinário em Ação Popular.tj.gov. José Augusto. fev. Lei nº 8. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988.sc. BRASIL. 2 v. 1891./mar. BRASIL. ampl. p. A Ética Sanitária na Constituição Brasileira. p. 1994. BRASIL. CARNEIRO. 1995. Florianópolis: Obra Jurídica. Deontologia Jurídica – Ética e Justiça. 1993. 1993.br. 25 de março de 1997. v.001873-0. Revista Trimestral de Direito Público. São Paulo: Saraiva. 13. Brasília: Senado Federal. Subsecretaria de Edições Técnicas. n. atual. ————. . n. Vereadores da Câmara Municipal de Conselheiros Lafaiete e outros e Diarlhes Pider Benjamin e outros. BRASIL. DÁLLARI. 01873-11. Sueli Gandolfi. Beatriz Zeczkowski e Prefeito Municipal de Santa Terezinha. Dispõe sobre as Sanções Aplicáveis aos Agentes Públicos nos Casos de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Mandato. Diário Oficial [ da República Federativa do Brasil]. São Paulo. p. 1996. Endereço eletrônico: http:// www. BRASIL. jan. Diário de Justiça. jan. Indireta ou Fundacional e da outras Providências. Revista dos Tribunais. 1992. Brasília. p. Ação Popular: um direito-dever do cidadão e a moralidade administrativa. 1. 117. Supremo Tribunal Federal. v. Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança./mar. Apelação cível em mandado de segurança. Brasília. CARLIN. ed. 180 p. 1996. Relator: Ministro José Delgado. 208-223. Ruy de Jesus Marçal. 701. 419-428. BRASIL. DELGADO. 1991. 17/08/1998. EDROMS nº 6234.429. Emprego ou Função na Administração Publica Direta. 1999. 219-233. mar. v. 21. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. de 02 de junho de 1992. 34-44. RE206889/MG. Apelação Cível nº 98. São Paulo. Superior Tribunal de Justiça. 22 de abril de 1998. 00022. Revista de Informação Legislativa. 3 jun. Brasília./dez. n. Relator: Desembargador Silveira Lenzi. 1986. Cargo. 02257. São Paulo. p. 1937. 30. 1.62-72. Constituições do Brasil: de 1824. Diário de Justiça. Brasília. v. 15 de maio de 1998. 704 p. n. Volnei Ivo Carlin. BRASIL. A supremacia dos princípios informativos do direito administrativo: interpretação e aplicação. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 13/06/1997. 1946. Constituição da República Federativa do Brasil: quadro comparativo. Princípio da moralidade administrativa e a Constituição Federal de 1988. out. e 1967 e suas alterações.

abr. 727. 1996. out. José de Castro.gov. 1995. ed. Regina Macedo Nery. Revista de Direito Administrativo. 119. São Paulo: Malheiros. Curso de Direito Administrativo. n. n. 5./dez. 1994. Administração Pública na Constituição Federal. FRANCO SOBRINHO. Revista de Direito Administrativo Aplicado. . atual. Revista dos Tribunais. 2. Alguns meios de investigação da improbidade administrativa. Rio de Janeiro. n. jul. A Moralidade Administrativa nos Atos e Contratos Administrativos. ver. Curitiba. 85. Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. O Princípio da Moralidade no Direito Tributário. p. MEIRA. São Paulo: Atlas. 1996. v. 86 p. MARTINS JÚNIOR. Maurício Antonio. Flávio Satiro. Brasília. LOPES. 1992. v. FIGUEIREDO. São Paulo: Revista dos Tribunais. O Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa. 1. Improbidade Administrativa. 655 p. Revista de Direito Administrativo Aplicado. Rio de Janeiro. Controle da Moralidade Administrativa. Maria Sylvia Zanella. 37-47. 1997. ————. São Paulo: Malheiros. ed. 1993. Curso de Direito Administrativo. ampl. Ética e Administração Pública. Revista de Informação Legislativa. Juarez. p. 1993. 204. São Paulo: Atlas. ampl. Do Princípio da Moralidade Administrativa. Revista de Direito Administrativo. ————. 1997. p. p. Celso Antônio Bandeira de. São Paulo: Malheiros. 247-252. 733 p. Wallace Paiva. p. 30. Rio de Janeiro./jun. 1994. abr. FERNANDES. 567 p. n. Direito Administrativo Brasileiro. 267 p. 325-344. 9. atual. 193-204. ed. MEIRELLES. 180 p. mar. Revista de Direito Administrativo. maio 1996. Hely Lopes. Lúcia Valle. a. 1995. Curitiba. 190. FREITAS. Endereço Eletrônico: http://www. 1997. 439 p. 204. 22. MARTINS. Do princípio da probidade administrativa e de sua máxima efetivação. 4./jun. 13-20. p. Curitiba: Genesis. 2. 1995. MELLO. v./set. Direito Administrativo.DI PIETRO. abr. ————.jfrn. São Paulo: Saraiva. ed. Controle da Administração Pública: um aspecto interessante. v. rev. 179 p. Ives Gandra da Silva. Manoel de Oliveira. p. ed. 352-365. 1991. 1974.htm) FERRARI. ————.br/doutrina20. 65-84.

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p. . servidor ou não. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. fiscal ou creditício. limitando-se. Manaus: out. ed. cargo. Tradução por João Dell’Anna. 273-320. de empresa incorporada ao patrimônio publico ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. . VÁZQUEZ. Parágrafo único. 267p. 1993. In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. dos Estados. Cargo. ZANCANER. de Território. para os efeitos desta Lei. .Das Disposições Gerais (artigos 1 a 8) Art. beneficio ou incentivo.429 DE 02/06/1992 Dispõe sobre as Sanções Aplicáveis aos Agentes Públicos nos Casos de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Mandato. de órgão publico bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. 1993. 1993. do Distrito Federal.As disposições desta Lei são aplicáveis. Celso Antônio Bandeira de (org. Edson Aguiar de. São Paulo. Art. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. VASCONCELOS. ————. Ética. a sanção patrimonial a repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. p.LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA* LEI 8. 02. no que couber. In: MELLO. nomeação. Estão também sujeitos as penalidades desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção. designação. Rio de Janeiro: Forense. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vinculo. 205-210. p. 1993. Indireta ou Fundacional e da outras Providencias. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito. por eleição. CAPITULO I . aquele que. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. 14. mandato. 186 p. 1997.Reputa-se agente publico.Os atos de improbidade praticados por qualquer agente publico. Emprego ou Função na Administração Publica Direta. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba. nestes casos. Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União. 632 p. Controle da Administração Pública: Legalidade. 619632. mesmo não sendo * Diário Oficial [da República Federativa do Brasil] de 03 de junho de 1992.). Adolfo Sanchez. São Paulo: Malheiros. Sílvia Pucú de. 2º. Anexo I . Weida. todo aquele que exerce. dos Municípios. n. serão punidos na forma desta Lei. contra a administração direta. Revista Trimestral de Direito Público. 1º . 3º.STEPHANO. Art.

desta Lei. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art.No caso do enriquecimento ilícito.O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio publico ou se enriquecer ilicitamente esta sujeito as cominações desta Lei ate o limite do valor da herança. 1º. 1º. direto ou indireto. e notadamente: I . qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. . induza ou concorra para a pratica do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. de contrabando. gratificação ou presente de quem tenha interesse. veículos. direta ou indireta. 1º. VI .. Art. 9º . mandato. ou aceitar promessa de tal vantagem. desta Lei. para facilitar a aquisição. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. direta ou indireta.agente publico. Art.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito (artigo 9º) Art. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. direta ou indireta. ou qualquer outra vantagem econômica. . 4º.utilizar.Ocorrendo lesão ao patrimônio publico por ação ou omissão. desta Lei. 8º. CAPITULO II . do agente ou de terceiro. direta ou indireta. para a indisponibilidade dos bens do indiciado. .Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio publico ou ensejar enriquecimento ilícito. por preço superior ao valor de mercado. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita.Dos Atos de Improbidade Administrativa (artigos 9º a 11) SEÇÃO I .perceber vantagem econômica. perdera o agente publico ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio. Art. V . dar-se-á o integral ressarcimento do dano.receber vantagem econômica de qualquer natureza. impessoalidade. .. percentagem. em obra ou serviço particular. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 6º. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras publicas ou qualquer outro serviço. 1º. III .Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo. caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Publico. . dinheiro.receber vantagem econômica de qualquer natureza.perceber vantagem econômica. Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o "caput" deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano.receber. para facilitar a alienação. medida. maquinas. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. 5º. de narcotráfico. função. ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. peso. a titulo de comissão. 7º. II . para tolerar a exploração ou a pratica de jogos de azar. direta ou indireta. bem como o trabalho de servidores públicos. ou sobre quantidade. permuta ou locação de bem publico ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos..Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade. empregados ou terceiros contratados por essas entidades.. bem móvel ou imóvel. equipamentos ou material de qualquer natureza. IV . Art. . para si ou para outrem. dolosa ou culposa. de lenocínio. Art.

VII . IV . de bens. qualquer ação ou omissão. IX . 1º. durante a atividade. cargo.frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensa-lo indevidamente. por qualquer forma. 1º.conceder beneficio administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie.Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário. II . 1º.adquirir. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional a evolução do patrimônio ou a renda do agente publico. bens. dolosa ou culposa. ao seu patrimônio bens. no exercício de mandato. VI .usar. rendas.permitir ou facilitar a aquisição. que enseje perda patrimonial. providencia ou declaração a que esteja obrigado.receber vantagem econômica de qualquer natureza. 1º.. 1º. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. mal baratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. bem como no que diz respeito a conservação do patrimônio publico.ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. desta Lei. desta Lei. por preço inferior ao de mercado.. apropriação. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis a espécie. 10 . bens. rendas.permitir ou facilitar a alienação.. desta Lei. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. emprego ou função publica. desta Lei. VII . V . IX .. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. para si ou para outrem.perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba publica de qualquer natureza. desta Lei. sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie. XI . ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. em proveito próprio. VIII . X . 1º. 1º. rendas. de pessoa física ou jurídica. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. XII . ainda que de fins educativos ou assistenciais.incorporar. desta Lei.permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. X .doar a pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário (artigo 10) Art.aceitar emprego.. verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. desvio. desta Lei.facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular. direta ou indiretamente. VIII . comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. e notadamente: I ... SEÇÃO II . . III . para omitir ato de oficio.agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda. rendas. rendas.

deixar de prestar contas quando esteja obrigado a faze-lo. se concorrer esta circunstancia.Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração publica qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. legalidade. 1º. e lealdade as instituições. II . civis e administrativas. equipamentos ou material de qualquer natureza. pelo prazo de três anos. se houver.Independentemente das sanções penais. XII .na hipótese do art. imparcialidade.permitir. direta ou indiretamente. pagamento de multa civil de ate duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. ato de oficio. antes da respectiva divulgação oficial.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Publica (artigo 11) Art. indevidamente. III . perda da função publica. pelo prazo de dez anos. pelo prazo de cinco anos.frustrar a licitude de concurso publico. V .0. suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos. II . perda da função publica. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. esta o responsável pelo ato de improbidade sujeito as seguintes cominações: I . em obra ou serviço particular. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. VI . 11 .1. perda da função publica. . ressarcimento integral do dano. 1º.. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. direta ou indiretamente.revelar fato ou circunstancia de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. direta ou indiretamente. CAPITULO III . empregados ou terceiros contratados por essas entidades.praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto. 12 . SEÇÃO III . IV . ressarcimento integral do dano.permitir que se utilize.liberar verba publica sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular.na hipótese do art.na hipótese do art.revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro. desta Lei.negar publicidade aos atos oficiais. veículos. pagamento de multa civil de ate três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. quando houver.XI . bem ou serviço. VII .. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. 9.. na regra de competência. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. III . teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. ressarcimento integral do dano. XIII . pagamento de multa civil de ate cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. 1º. maquinas. suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos. e notadamente: I . previstas na legislação especifica.retardar ou deixar de praticar. suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos. bem como o trabalho de servidor publico.Das Penas (artigo 12) Art. facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente.

em despacho fundamentado.O declarante. § 3º. a requerimento. localizados no Pais ou no exterior. CAPITULO IV . 22 desta Lei.A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Publico e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a pratica de ato de improbidade.A declaração compreendera imóveis. e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais. dinheiro. 13 . moveis. 16 .Havendo fundados indícios de responsabilidade. § 3º. ações. em se tratando de servidor militar. 15 . excluídos apenas os objetos e utensílios de uso domestico. o agente publico que se recusar a prestar declaração dos bens. nos termos do art. . quando for o caso. abrangera os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro.Qualquer pessoa poderá representar a autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a pratica de ato de improbidade. sem prejuízo de outras sanções cabíveis.Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial (artigos 14 a 18) Art. . a autoridade determinara a imediata apuração dos fatos que.A posse e o exercício de agente publico ficam condicionados a apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado.Atendidos os requisitos da representação. Na fixação das penas previstas nesta Lei o juiz levara em conta a extensão do dano causado. com as necessárias atualizações. .A autoridade administrativa rejeitara a representação. § 1º. *Regulamentado pelo Decreto numero 978.Será punido com a pena de demissão. dentro do prazo determinado.Da Declaração de Bens (artigo 13) Art. dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante. ou que a prestar falsa. § 1º.112. . 14 . emprego ou função. as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. a fim de ser arquivada no Serviço de Pessoal competente. § 4º . que será escrita ou reduzida a termo e assinada.Parágrafo único. se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1 deste artigo. a seu critério. § 2º. . poderá entregar copia da declaração anual de bens apresentada a Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. será processada na forma prevista nos artigos 148 e 182 da Lei numero 8. assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. Art. § 2º. CAPITULO V .A representação.O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos artigos 822 e . de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares. semoventes. designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. em se tratando de servidores federais. a bem do serviço publico. a comissão representara ao Ministério Publico ou a Procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio publico. cargo. de 11 de dezembro de 1990 e.A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente publico deixar o exercício do mandato. § 1º. títulos. conterá a qualificação do representante. O Ministério Publico ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá. Art. . A rejeição não impede a representação ao Ministério Publico. e. de 10/11/1993. para suprir a exigência contida no "caput" e no § 2º deste artigo*. Parágrafo único. .

Parágrafo único. nos termos da lei e dos tratados internacionais. .Da Prescrição (artigo 23) Art. promovera as ações necessárias a complementação do ressarcimento do patrimônio publico. que terá o rito ordinário. 18 . ..A ação principal. 20 . devendo suprir as omissões e falhas da inicial e apresentar ou indicar os meios de prova de que disponha. atuara obrigatoriamente. 19 . Pena: detenção de seis a dez meses de multa.A perda da função publica e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o transito em julgado da sentença condenatória. o Ministério Publico.dentro do prazo prescricional previsto em lei especifica para faltas disciplinares . 21 . A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente publico do exercício do cargo.As ações destinadas a levar a efeito as sanções previstas nesta Lei podem ser propostas: I . CAPITULO VI .825 do Código de Processo Civil. Alem da sanção penal. acordo ou conciliação nas ações de que trata o "caput".A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinara o pagamento ou a reversão dos bens. II .E vedada a transação. 17 . em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. contas bancarias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior. 22 . de oficio. o exame e o bloqueio de bens. conforme o caso. quando for o caso. § 2º. se não intervier no processo como parte. o pedido incluirá a investigação. sem prejuízo da remuneração.ate cinco anos após o termino do exercício de mandato. de cargo em comissão ou de função de confiança. § 4º. a requerimento de autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art.Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente publico ou terceiro beneficiário quando o autor da denuncia o sabe inocente. . Parágrafo único. § 1º. Art. morais ou a imagem que houver provocado.Das Disposições Penais (artigos 19 a 22) Art.da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio publico.No caso da ação principal ter sido proposta pelo Ministério Publico. emprego ou função. 1º. poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo. a pessoa jurídica interessada integrara a lide na qualidade de litisconsorte. o denunciante esta sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais. Art. será proposta pelo Ministério Publico ou pela pessoa jurídica interessada.da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.4. Art. como fiscal da lei. § 3º . sob pena de nulidade. II .A Fazenda Publica. .Quando for o caso. Art. § 2º. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. Art. CAPITULO VII . quando a medida se fizer necessária a instrução processual.O Ministério Publico.A aplicação das sanções previstas nesta Lei independe: I . 23 .Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei.

br.015337-6 COMARCA: Barra Velha DES.011875-9 COMARCA: Urussanga DES.sc. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97. 25 . RELATOR: Anselmo Cerello ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 12 de fevereiro de 1998 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.012641-7 COMARCA: Capital DES.tj.502. Art.Ficam revogadas as Leis números 3.012730-8 COMARCA: Blumenau DES. RELATOR: Trindade dos Santos * Fonte: Endereço Eletrônico: http://www.001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES.Das Disposições Finais (artigos 24 e 25) Art. CAPITULO VIII .164. 24 . de 1 de junho de 1957. nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. . RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 07 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 28 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98. e 3.puníveis com demissão a bem do serviço publico. de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições em contrario.Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.005567-9 COMARCA: Chapecó DES.gov. Anexo II – RELAÇÃO DOS ACÓRDÃOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA ANALISADOS * TIPO DE PROCESSO: Ação Direta de Inconstitucionalidade NÚMERO ACÓRDÃO: 98. RELATOR: Francisco Borges ÓRGÃO JULGADOR: Órgão Especial do Tribunal Pleno DATA DECISÃO: 03 de junho de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.

004573-5 COMARCA : São Miguel do Oeste DES.997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.008332-7 COMARCA: Imaruí DES. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 20 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.008351-3 COMARCA: Turvo DES. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Seção Civil DATA DECISÃO: 6 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de Instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.003761-9 COMARCA: Indaial DES.004577-8 COMARCA: São Miguel do Oeste DES.997 TIPO DE PROCESSO: Embargos infringentes NÚMERO ACÓRDÃO: 96. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 06 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO : Processo-Crime NÚMERO ACÓRDÃO: 323 (88. RELATOR: Nilton Macedo Machado ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Criminal DATA DECISÃO: 30 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.085814-4) COMARCA: Taió DES. RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de outubro de 1. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil .003117-0 COMARCA : Capital DES.ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de dezembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de outubro de 1.

RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 11 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 96. de Itaiópolis.862) COMARCA: Capital DES.011810-1 COMARCA: Quilombo DES. Silveira Lenzi. 98.002202-3 COMARCA: Anita Garibaldi DES.003761-9 COMARCA: Indaial DES. APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA.DATA DECISÃO: 30 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 96. RELATOR: Orli Rodrigues ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 88. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. contudo. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 Apelação cível em mandado de segurança n. irremediavelmente. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência.001873-0. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. relatados e discutidos estes autos de apelação cível em mandado de segurança n. maculando. RELATOR: Francisco Oliveira Filho ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 9 de setembro de 1997 Anexo III – ACÓRDÃO Nº 98.070407-6 (44. Relator: Des. RELATOR: Eládio Torret Rocha ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Cível Especial DATA DECISÃO: 17 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo regimental em agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. Vistos. INVALIDAÇÃO. o ato punitivo da autoridade.001873-0.001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES. ATO IMOTIVADO. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. sem. DE 22 DE ABRIL DE 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98. . AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. REMESSA DESPROVIDA. Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado.

Beatriz Zeczkowski impetrou mandado de segurança contra ato do Prefeito Municipal de Santa Terezinha que a suspendeu de suas funções por 15 (quinze) dias. Senão vejamos. não conferindo à impetrante. oportunidade de defesa. afere-se que o ato punitivo suspensivo da autoridade coatora (fl. remetidos pelo Juízo de Direito. por votação unânime. conseguindo reverter o ato por decisão judicial. Tal dever é corolário do princípio da MORALIDADE ADMINISTRATIVA que permeia. frente a motivação apresentada. Des. Custas na forma da lei. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa. consequentemente. só produzirão efeitos – os atos administrativos assim elaborados – se corresponderem verdadeiramente aos fatos sucedidos. que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. Des. O Promotor de Justiça opinou pelo deferimento da ordem. A falta de sindicância impediu. sem. ascenderam os autos a esta Superior Instância. Alega que é professora do quadro de servidores públicos daquela municipalidade e que vem sendo perseguida pelo Prefeito em virtude de desavenças políticas. modernamente. Diante do exposto. contudo. Srs. 41/93 (fls. Sentenciando. Sem recurso voluntário mas por força da remessa obrigatória.14/54). consequentemente. tendo o impetrado imputado a ela a penalidade de quinze dias de suspensão. Imerece reparo a sentença em apreço. e participaram do mesmo. Descumpriu-se. em que é impetrante Beatriz Zeczkowski. É o que reza a hodierna teoria dos motivos determinantes. sob pena de ser inválido. prescreve que seja instaurada sindicância para casos de punição de suspensão até trinta dias (art. quanto a sua parte vinculada. e sem direito de ampla defesa. ainda. nega-se provimento à remessa oficial. tornando possível a impugnação direta. portanto. No caso presente. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. irremediavelmente. 120). requisito de operacionalidade. toda a Administração Pública. que. Aduz que a suspensão lhe foi aplicada sem a devida sindicância ou processo disciplinar. sendo impetrado o Prefeito Municipal de Santa Terezinha: ACORDAM. Cumpre notar. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. Silveira Lenzi. regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado. e lavrou parecer. Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. o que resta por macular. desprover o reexame necessário. de forma arbitrária. A douta Procuradoria-Geral de Justiça manifestou-se pelo desprovimento da remessa. 68/69). A Lei Municipal n. pena disciplinar esta que reputa ilegal e pretende ver declarada nula. o Togado a quo concedeu em definitivo a segurança pleiteada. É o relatório.98. o ato punitivo da autoridade. em Terceira Câmara Civil. Presidiu o julgamento o Exmo. 8) apenas indica os artigos da Lei Municipal nos quais afirma ter incorrido a impetrante. mister é demonstrar os motivos. ou mesmo a apuração de sua efetiva ocorrência. devidamente fundamentados. ao exigir a fundamentação dos seus atos. os Exmos. Sr. Argüi já haver sido removida da escola onde lecionava. que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie. . Cláudio Barreto Dutra e Vanderlei Romer. Não basta indicar os dispositivos violados. mesmo assim. declarando nulo o ato de suspensão da impetrante. mormente quando impositivo de penalidade. A autoridade coatora prestou suas informações (fls. 56/59). com votos vencedores. em decorrência do conteúdo de alguns trabalhos escolares apresentados por seus alunos. que trata do regime jurídico dos servidores da municipalidade de Santa Terezinha. da comarca de Itaiópolis (Vara Única).001873-0. A liminar foi concedida parcialmente (fls.

Florianópolis. o Exmo. Raulino Jacó Bruning. Eder Graf PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi RELATOR .pela douta Procuradoria Geral de Justiça. 22 de abril de 1998. Sr. Dr.

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