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Análises Faciais

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Ortodontia & Estética

cordenação de conteúdo: Alexander Macedo colaboração na matéria: Alexandre Moro Hélio Scavone Júnior Luciana Flaquer Martins

a anÁlise Facial no diaGnÓstico
e PlaneJamento ortodÔntico
recurso diAgnóstico vAlorizAdo, A Análise fAciAl está em consonânciA com A expectAtivA do pAciente no trAtAmento ortodôntico: A melhorA dA estéticA.
Desde o início da Ortodontia, a análise facial tem sido utilizada como um recurso diagnóstico que auxilia o profissional a direcionar o tratamento ortodôntico, de forma a atender uma das principais motivações do paciente, ou seja, a estética facial. Embora a função seja essencial para a saúde da boca, ter um sorriso esteticamente harmonioso é condição primordial para elevar a auto-estima das pessoas, sobretudo na sociedade moderna. De acordo com Luciana Flaquer Martins, doutoranda em OrtodontiaFousp e mestre em Ortodontia-umesp, a análise facial é predominante no diagnóstico e planejamento ortodôntico. “Além da função mastigatória apropriada, a harmonia estética facial no fim do tratamento ortodôntico é uma das metas a serem alcançadas”, informa, acrescentando que nunca ao término do tratamento o paciente deve ter sua estética facial piorada. Fundamental para Alexandre Moro, professor adjunto em Ortodontia na uFPR e professor titular da universidade Positivo, a análise facial é mais importante do que a análise cefalométrica no diagnóstico e planejamento dos

234 | OrtodontiaSPO | 2008;41(3):234-41

Existem. em repouso e em postura protruída”. alguns requisitos que podem auxiliar no diagnóstico. de modo a possibilitar uma melhor comparação da estética facial nas duas posições mandibulares. o grau de exposição gengival. no entanto. “A avaliação atenta da face do paciente durante a consulta inicial. afirma. Dentofacial Planner Plus. em várias posições”. expressar-se o máximo possível. tridimensionalmente. Cone-Beam. em perfil e em ¾ de perfil em repouso e sorrindo. explica. Essas avaliações são importantes. comprimento da linha mento-pescoço. associados ou não a cirurgias ortognáticas. ressalta que o melhor exame. rir. “Ele deveria ser realizado com o paciente em sua posição natural da cabeça e deveria incluir os aspectos tanto dinâmicos quanto estáticos da forma facial e OrtodontiaSPO | 2008. fotografias faciais frontais em repouso e sorrindo. ela adverte que a tomografia volumétrica não é primordial. proeminência mentoniana. na qual eu consigo avaliar o relacionamento das estruturas cranianas com o tecido mole correspondente com maior clareza. “Além disso. declara Hélio. e traçados fotométricos OrTOINFOrMaçãO de programas de computador específicos . começando com a avaliação das características faciais. Vários autores já demonstraram que nem sempre a análise cefalométrica é condizente com a face do paciente”. é necessário que o ortodontista tenha por base os parâmetros estabelecidos pela sociedade na avaliação estética. também solicito ao paciente para que avance sua mandíbula. como o exame clínico detalhado. dentre outros. completa. simetria facial. isto é. No sistema Dolphin. especialista. reflete.tratamentos. mas também a melhor harmonização possível da configuração facial do paciente. projeção nasal. projeção dos malares. mestre e doutor em Ortodontia pela FOB-uSP e especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares. entretanto. exAmes tridimensionAis Atualmente o ortodontista também pode solicitar exames cefalométricos e fotográficos tridimensionais. sobre as fotografias frontais em repouso e sorrindo e em perfil. Alexandre. por exemplo. Luciana conta que utiliza. As fotografias com o paciente sorrindo. as linhas médias dos arcos dentários e como a dinâmica muscular interfere na estética facial. para que o comportamento da musculatura facial possa ser analisado em relação a sua má-oclusão é o que eu considero de maior importância”. a fim de avaliar a relação dos dentes com os lábios. ainda. tais como os sistemas Dolphin Imaging. permitindo uma análise bastante detalhada das inter-relações entre as diversas estruturas anatômicas. a imagem fotográfica do perfil facial do paciente pode ser superposta ao traçado cefalométrico das estruturas esqueléticas e dentoalveolares. as informações geradas pela análise facial do paciente podem alterar completamente um plano de tratamento inicialmente elaborado com base apenas na observação das relações entre os dentes”. Quick Ceph Image e Vistadent. incluindo tipo facial. assim como as fotografias do perfil facial em 45º são exames bastante solicitados por Hélio. para que a análise de diversos aspectos. Orthoplan. tendo em vista nossa maior influência nesta região”. particularmente no terço inferior da face. ângulo nasolabial. relata. segundo ele. selamento labial. Hélio lembra ainda a grande utilidade para a realização de análises faciais e simulação de resultados terapêuticos. Cone-Beam. Para Hélio Scavone. comenta. fazendo-o falar. “Muitas vezes a decisão final será tomada com base mais na face do que na cefalometria. professor associado do curso de Mestrado em Ortodontia-unicid. a análise das características faciais do paciente constitui uma etapa imprescindível durante o diagnóstico e o planejamento de tratamentos ortodônticos e ortopédicos faciais. pois estes possibilitam uma avaliação mais minuciosa das características faciais. No entanto. relação das linhas médias dos arcos dentários com o plano sagital mediano. “Além destes sempre complemento o estudo do caso com avaliações clínicas detalhadas realizadas no consultório”. é o exame clínico do paciente. há alguns anos. altura do terço inferior da face e suas relações de proporcionalidade com os demais terços faciais. “Deste modo. tenho usado bastante a tomografia volumétrica. tonicidade da musculatura labial e mentoniana. “Atualmente. esclarece Hélio. tomografia volumétrica. produzindo alterações faciais que simulam diversas opções terapêuticas para a resolução dos problemas apresentados pelo paciente”. “Sua grande importância reside no fato de que os principais objetivos destes tratamentos englobam não somente a correção das posições dos dentes em suas bases ósseas. a análise numérica feita tanto nas fotografias faciais frontais em repouso e sorrindo quanto nas de perfil. as imagens podem ser manipuladas.41(3):234-41 | 235 exAmes de rotinA Para proceder a análise facial. protrusão e espessura dos lábios. nas más-oclusões de Classe II com trespasse horizontal aumentado. “Adicionalmente.

citada por Luciana. por apresentar vantagens expressivas em relação às técnicas radiográficas convencionais. existe um grande movimento em torno do uso da tomografia computadorizada por feixe cônico (TCFC). B. utilizamos uma análise baseada nos conceitos de Arnett”. c. principalmente. Mesmo antes da realização de um cefalograma.41(3):234-41 . Fotografia de perfil inicial de paciente mesofacial com apinhamento dentário e idade de 12 anos. permite avaliar o alinhamento das linhas médias dentária e facial. os softwares de pós-processamento oferecem aplicativos que permitem alterar a translucência de determinadas partes da imagem. D. a curvatura incisal. Fotografia de perfil no final do tratamento com extrações dos primeiros pré-molares superiores e inferiores. A imagem 3D é interativa. ou seja. o sorriso. durante o sorriso. permite ao operador obter vistas da face em todos os planos espaciais sem distorções. para se determinar a relação exata das dimensões do tecido mole em relação ao esqueleto e aos dentes. A B C D Figuras 2a. F. o tipo de musculatura predominante. Na verdade. D. Fotografia intrabucal lateral inicial. Fotografia de perfil inicial de paciente com retrusão mandibular que preferiu não realizar cirurgia ortognática. Fotografia intrabucal lateral inicial. nas osteotomias que podem ser realizadas de forma virtual previamente a uma cirurgia ortognática. Embora medições quantitativas não possam ser empregadas rigorosamente. Isso tem implicações significantes no planejamento dos movimentos dentários. o máximo e parcial posado”. “uma análise muito interessante que utilizamos também é a do sorriso em fotografia padronizada. o centro do sorriso. B. Fotografia intrabucal lateral seis anos após o final do tratamento. O potencial de diagnóstico e de aplicações terapêuticas da imagem 3D do sorriso. Imagens cedidas pelo professor alexandre Moro. ou quaisquer outros tipos de terapias que alterem a aparência facial”.Ortodontia & Estética determinam o grau de atratividade de um sorriso. afirma Alexandre. Fotografia de perfil no final do tratamento com extrações dos primeiros pré-molares superiores. esclarece. 2b. Alexandre explica que a fotografia e a telerradiografia são representações biodimensionais de uma estrutura tridimensional. 236 | OrtodontiaSPO | 2008. Convém destacar que a análise facial frontal. a inclinação do sorriso. também conhecida como ConeBeam. Fotografia intrabucal lateral no final do tratamento. Fotografia intrabucal lateral no final do tratamento. pondera. E. Repare no achatamento do perfil. os quais A B C D E F Figuras 1 A. o clínico deve ter o senso se uma discrepância esquelética existe e qual a natureza e o grau do problema. c. “Além disso. 2c e 2d A. Deve-se examinar detalhadamente a harmonia facial e. o corredor bucal e a exposição gengival. Existem diversas análises voltadas para o tecido mole. Fotografia de perfil seis anos após o final do tratamento com 21 anos de idade. orientações estéticas podem ser utilizadas para essa avaliação.

utilizam-se as exodontias. Embora os dados atuais sejam. a análise facial também tem papel determinante. tratamento corretivo convencional com ou sem exodontias. com lábios espessos e pequena projeção nasal e mentoniana. a análise facial pode ser determinante na decisão de qual modalidade de tratamento deveremos optar: ortodontia associada à cirurgia ortognática.já estão sendo estabelecidos. lembra que quando a estética facial não for muito deficiente e também não consistir na queixa principal do paciente. ainda. Mas quando o apinhamento for um pouco maior. mesmo diante de apinhamentos pequenos nos arcos dentários”. nos pacientes com perfil reto ou côncavo. paradoxalmente. argumenta Alexandre. por exemplo. Alexandre. tendemos a procurar tratar esses pacientes sem extrações. Hélio lembra que a opção de realizar ou não um tratamento com complementação cirúrgica geralmente depende substancialmente do desejo do paciente. normalmente as extrações dentais devem ser evitadas. incluindo suas vantagens. em registro bidimensionais. “Daqui a alguns anos esse exame será realizado de forma rotineira. optamos pelo desgaste interproximal. tornando essencial o tratamento combinado com a cirurgia ortognática”. o número de tomógrafos que estão sendo comercializados em todo o País. explica. lábios finos e maior projeção nasal e do mento. ainda demandará algum tempo até que todos os protocolos de diagnóstico e planejamento virtual estejam estabelecidos e os softwares de computação gráfica 3D. Desde que o paciente consiga ter um selamento labial sem forçar a musculatura. desvantagens. limitações e custos. Porém. sentem um perfil convexo. a seleção de um plano de tratamento com exodontias de pré-molares freqüentemente é necessária. tendemos até a aceitar uma leve protrusão cefalométrica dos incisivos. sempre cumpre ao profissional o dever de informar adequadamente o paciente e seus familiares sobre as diversas opções terapêuticas disponíveis. “Deste modo. já se sabe que a imagem 3D pode fornecer avaliações mais detalhadas dos pacientes. a fim de tratar sem extração”. Hélio acha importante considerar também a alternativa de exodontia de apenas um incisivo inferior. pois mesmo correções ortodônticas e cirúrgicas perfeitas podem não satisfazer às demandas emocionais do paciente”. solicitando que o ortodontista realize apenas as correções nos relacionamentos dentais. muitas vezes é preferível optar por tratamentos tes nas faces proximais dos dentes. Para Luciana. Nestas situações. acima de 7 milímetros.41(3):234-41 | 237 discrepânciAs A análise facial é determinante. Ainda nos pacientes com discrepâncias maxilomandibulares moderadas. oferecendo ao paciente a possibilidade de tomar uma decisão perfeitamente consciente e que atenda aos seus anseios da melhor maneira possível”. riscos. a decisão de extrair ou não elementos dentais será fortemente influenciada pelas características faciais do paciente. adverte Hélio. “Nestas situações. com aplicativos voltados para a Odontologia. ao invés das exodontias”. nos pacientes biprotrusos. “Considerando os estudos que mostram que com o passar dos anos os pacientes meso e branquifaciais tendem a apresentar uma retrusão dos lábios e um avanço do mento. primariamente. estejam mais aprimorados e mais acessíveis financeiramente”. “De qualquer modo. pondera Alexandre. Por outro lado há também pacientes com desarmonias esqueléticas moderadas que não desejam submeter-se a procedimentos cirúrgicos. acrescenta. envolvendo desgas- . provavelmente irá optar-se por um tratamento conservador nos casos borderline. para indicação de cirurgias ortognáticas. ou seja. no entanto. Nos casos com grande discrepância total (cefalométrica mais de modelos). e que apre- OrTOINFOrMaçãO mais conservadores. Já nos casos com discrepância dental. De modo diametralmente oposto. nos casos com discrepâncias dentais. nos casos de discrepância esquelética maxilomandibular moderada ou considerados borderline. Nestes casos específicos. ressalta Alexandre. visando coibir prejuízos para a estética facial. mas que. Para ele. o profissional deve cercar-se de cautela ainda maior. em combinação com um pequeno aumento na inclinação para vestibular dos incisivos. também. tendo em vista. Além disso. e estas podem OrtodontiaSPO | 2008. principalmente nas situações com apinhamentos suaves a moderados. após uma rigorosa avaliação das demais características do caso clínico. da autopercepção e do seu grau de satisfação com sua aparência facial. a correção ortodôntica isolada das posições dentais freqüentemente não proporcionará o resultado desejado pelo paciente. Exemplificando. tornando inevitável a realização de exodontias. caso seja necessário”. estão extremamente insatisfeitos com sua aparência facial. há casos de pacientes com desarmonias esqueléticas suaves ou moderadas. sugere. adverte que “o ortodontista precisa estar atento também ao fato de que há pacientes insatisfeitos com sua aparência facial por motivos de ordem psicológica relacionadas à sua auto-estima. “Em algumas situações onde o paciente possui uma discrepância total de até 6 mm e um bom perfil.

de acordo com Alexandre. um dos principais motivos que levam as pessoas a procurar um ortodontista é a melhora da estética da face e do sorriso. Figura 3 Paciente Classe II. Figura 6 Paciente Classe III. o tratamento não é difícil. Nestes casos. perfil reto. hArmoniA fAciAl O tratamento ortodôntico melhora a função. “Agora. dependendo da discrepância dentária. poderemos arruinar a estética facial e oferecer um sorriso muito estreito para ele”. pós-cirurgia ortognática. ela não deve ser feita”. se planejarmos extrações de quatro pré-molares. com perfil desagradável. “Quando em dúvida se devemos associar o tratamento ortodôntico à cirurgia ortognática. no caso um cirurgião plástico”. No entanto. em início de tratamento. principalmente.Ortodontia & Estética Figura 1 Paciente Classe III. sem que a maxila ou a mandíbula estejam muito discrepantes entre si e. afirma. pois um bom diagnóstico com um plano de tratamento bem delineado e executado é possível solucionar facilmente o problema dentário. em início de tratamento. com perfil agradável. Conforme Luciana. Figura 5 Paciente Classe III. em conjunto com a má-oclusão. completa Luciana. Figura 2 Paciente Classe III. ser típicas ou atípicas. mas. perfil agradável. atender às expectativas do paciente é o grande desafio dos ortodontistas. deve-se procurar atender a queixa principal do paciente e resolver o seu problema. mantendo o perfil agradável. nosso papel será de mostrar que não há problema dentário e que a sua insatisfação estética deve ser avaliada por outro profissional. informa. Imagens cedidas pela professora luciana Flaquer Martins. em casos de indivíduos com faces harmoniosas e esteticamente agradáveis. extração de 31. Se os tecidos moles fornecerem uma estética aceitável. “Deve-se tratar 238 | OrtodontiaSPO | 2008. mas com faces esteticamente desagradáveis não nos cabe tratar. no entanto. De forma geral. não há manifestação do paciente quanto à necessidade de cirurgia ortognática. assim como indivíduos com excelente harmonia facial associada à má-oclusão.41(3):234-41 . Figura 4 Paciente pós-tratamento com quatro extrações com perfil convexo. existem casos em que se encontram indivíduos com oclusões excelentes e faces desarmoniosas. indivíduos com oclusão excelente. Se por acaso este paciente nos procurar. se o paciente apresentar perfil facial reto ou convexo. Os conceitos atuais no diagnóstico e planejamento ortodôntico buscam o equilíbrio e a harmonia entre os diversos traços faciais. verificamos se há um limite aceitável para o tratamento compensatório dos arcos dentários. “Por exemplo.

o ortodontista deve estabelecer um plano de tratamento que assegure a correção das desarmonias nos relacionamentos dentais. prefere não fazê-la. todas as possibilidades devem ser apresentadas ao paciente e cuidadosamente discutidas. mas sem acarretar alterações ou prejuízos para a estética facial. Também podem ser sugeridas cirurgias estéticas complementares. conhecer quais são as principais motivações e queixas do paciente é questão primordial para analisar seu grau de satisfação com a aparência facial e com o sorriso.sob o ponto de vista estético. favorecendo as funções bucais e a estabilidade futura dos resultados alcançados”. nos casos de apinhamentos dentais. o paciente necessita realizar a cirurgia ortognática para ter um bom resultado no tratamento e. prefiro ter uma face harmônica numa oclusão deficiente. visando facilitar a perda de ancoragem e reduzir ao máximo a ocorrência de retrações na região anterior dos arcos dentários. expansões nos arcos dentários. no entanto. envolvendo extrações dentárias. entretanto. Isso será feito a partir de medições baseadas em normas. Às vezes. Em outras situações o tratamento pode ser muito longo para o paciente e ele prefere apenas fazer um pequeno alinhamento dos dentes. todas estas opções devem atender não apenas aos requisitos oclusais e estéticos. a previsibilidade e a confiabilidade do tratamento são de extrema importância. aumento na inclinação para vestibular e dos incisivos superiores e inferiores. com o propósito OrtodontiaSPO | 2008. nos pacientes com oclusões excelentes. Por esta razão. esclarece Hélio. Às vezes somos obrigados a fazer escolhas. tais como a rinoplastia e a mentoplastia. segundo Hélio. exodontia de apenas um incisivo inferior. pondera. uma boa análise da morfologia craniofacial. o estudo adequado nas ferramentas disponíveis no momento e a atualização dos novos métodos de aquisição de imagens são as garantias de sucesso de todo tipo de tratamento ortodôntico. “A análise facial é um meio coadjuvante de todo este arsenal de pesquisa clínica. sejam elas feitas em populações estrangeiras ou brasileiras. Acreditamos que essas sejam muito úteis. só que muitas vezes a estética facial deixa a desejar”.41(3):234-41 | 239 previsibilidAde e confiAbilidAde Em várias especialidades da Odontologia e da Medicina. tendo em vista as maiores repercussões geradas nas configurações faciais. De acordo com Luciana. mas também à preservação da saúde dental e periodontal. de modo a não alterar a posição e o relacionamento entre os lábios. de forma geral. De fato. explica. mostra que aqueles cirurgiões que realizam um exame detalhado (numérico e morfológico) da face conseguem bons resultados estéticos faciais. são extremamente úteis para a visualização dos resultados que podem ser obtidos com diversas alternativas terapêuticas viáveis para a resolução dos problemas dentofaciais apresentados pelos pacientes. “Já nos pacientes com excelente harmonia facial associada a má-oclusão diversa. dependendo das características faciais individuais. assim como tratamentos estéticos nos dentes. e se tiver de escolher. confessa. todo o tratamento não deve ser arquitetado baseado nela. forma e tamanho dos mesmos. Logicamente. mas ela deve ser soberana quando devemos decidir entre um tratamento radical ou um conservador”. A utilização dos modernos programas computadorizados que permitem a manipulação das imagens faciais. o profissional pode estudar a adoção de diversas estratégias terapêuticas. especialmente para a resolução de biprotusões labiais. assim como exodontias de segundos pré-molares. A experiência clínica. Assim. associadas ou não a cirurgias ortognáticas. na clínica ortodôntica atual não poderia ser diferente. Assim. do que uma oclusão perfeita numa face desagradável”. Para Hélio. “Alguns cirurgiões se prendem apenas a detalhes da oclusão durante o preparo para a cirurgia. por meio de diversos recursos. tendo em vista que esta última já está adequada e não deve ser modificada. incluindo desgastes nas faces proximais dos dentes. quando esta estiver em harmonia. visando promover alterações na cor. Para Alexandre a análise facial auxilia no planejamento do tratamento e principalmente na decisão das manobras a serem executadas na cirurgia. “O emprego destas imagens é particularmente importante nos casos envolvendo tratamentos associados a cirurgias ortognáticas. comenta. podem ser propostas alternativas. a dentição em função da face do paciente e não modificar a face em função da má-oclusão. OrTOINFOrMaçãO . Alguns profissionais questionam o uso de análises faciais numéricas e dão preferência para as análises faciais morfológicas ou estéticas. “O cirurgião necessitará de medições para saber o quanto e para onde ele vai levar a maxila e/ou a mandíbula. e conseguem ótimos resultados dentários. mas num planejamento cirúrgico as medições serão mais úteis”. O ideal sempre será conciliar uma face harmoniosa numa oclusão ideal. porém com faces desarmoniosas. incluindo clareamento e confecção de coroas ou facetas cerâmicas.

Está normalmente associada com a contração da musculatura para ganhar selamento labial. esse conhecimento seja de amplo domínio dos profissionais ortodontistas. levantamento e aumento de lábio) terão um efeito mais dramático no contorno facial que as alterações na posição labial devido ao tratamento ortodôntico.. A face tende a se achatar com a idade e os lábios ficam mais finos. Sempre ocorre em pacientes com trespasse horizontal excessivo. a protrusão dos incisivos deixará os lábios mais cheios. podendo levar o ortodontista e o cirurgião ortognático a diagnósticos equivocados e tratamentos finalizados inadequadamente. Num paciente com lábios finos. A extração de pré-molares ou o avanço do mento seriam tratamentos alternativos. Alexandre enumera dez denominadores de atratividade ou falta de atratividade dentofacial. e também devido à inclinação para baixo na região anterior do plano oclusal. Nos casos com excesso vertical maxilar com exposição excessiva dos incisivos superiores em repouso. a análise facial. provavelmente será necessária a extração de dentes. O tamanho do nariz e do queixo produzem um grande efeito na proeminência do lábio. Deficiência severa da maxila ou prognatismo de mandíbula. Convém ressaltar também que durante a análise facial de cAutelA e conhecimento Atualmente muito se tem falado em diagnóstico morfológico sem que. 6. Se colocarmos a foto desse paciente no computador e simularmos o resultado de uma possível cirurgia. Para um paciente com um nariz grande e/ou mento grande. Isso pode acontecer devido à retração acentuada dos incisivos superiores. A falta de sulco lábio-mentual bem definido não é estético. É melhor evitar acentuar a exposição gengival durante o tratamento. no entanto. é necessário primeiro o estabelecimento de padrões de normalidade para que o ortodontista denominAdores de AtrAtividAde Com base no artigo de Ackerman e Proffit. Mostrar quantidade moderada é perfeitamente aceitável. é melhor a protrusão dos incisivos. desde que não haja um aprofundamento do sulco lábio-mentual. o perfil reto parece drasticamente melhor para o ortodontista. Devem ser descompensados no tratamento cirúrgico. Raramente podem ser corrigidas apenas com a Ortodontia. um perfil côncavo com lábios finos é uma característica não estética. Deve-se a um aumento na Afai ou a protrusão dos dentes. 10. Também ocorre durante o tratamento da Classe II com camuflagem. Nesse estudo. Para o paciente e para os pais não há uma melhora significante no perfil. saiba o que é ideal para poder calcular qual a melhora real que ele pode proporcionar para o paciente. Criam posições labiais não atrativas e podem afetar a forma do pescoço. Os incisivos superiores podem ser retruídos. Se a má-oclusão inclui apinhamento dental e protrusão. 4. em que os incisivos inferiores se tornam muito protruídos em relação ao mento. sem função mastigatória eficaz e estética prejudicada”. aumento de zigomático. destaca. em que se procuram estabelecer algumas orientações sobre o planejamento ortodôntico. Na protrusão mandibular os incisivos estão retroinclinados. é melhor avançar a mandíbula. Procedimentos cirúrgicos (rinoplastia. 9. Se o lábio superior estiver na LVV ou se houver um ângulo nasolabial obtusivo. um lábio superior que se inclina para trás em relação à linha vertical verdadeira (LVV) não é estético. Se for a preocupação do paciente. liposucção submentoneana. 240 | OrtodontiaSPO | 2008. uma linha do sorriso extremamente alta mostrando uma grande quantidade de gengiva não é estética. 7.ver página 236). 2. diz Luciana. mentoplastia. 1. Os incisivos superiores não devem ser retraídos a ponto de fazer com que o lábio superior fique com uma inclinação negativa em relação à LVV .41(3):234-41 . A retração num paciente com lábios finos irá envelhecê-lo precocemente. 8. a cirurgia deveria ser considerada. A retrusão dos dentes melhora o perfil. devem ser baseadas em parâmetros (e não necessariamente em medidas rígidas) para que ela. A deficiência mandibular moderada é sempre esteticamente aceitável (Figura 2 . Biprotrusão Labial. A análise facial. 3. onde o lábio inferior fica sob os incisivos superiores. Raramente o tratamento com camuflagem é satisfatório e a cirurgia deveria ser considerada. é apropriado levantar a possibilidade de uma cirurgia facial estética. “Estudar a morfologia craniofacial é essencial para o dia-a-dia da clínica ortodôntica. Lábio inferior evertido não é atraente. 5. assim como a análise cefalométrica e mais recentemente a análise volumétrica.Ortodontia & Estética de selecionar o plano de tratamento que melhor satisfaça às necessidades dele”. se o ângulo nasolabial for agudo e o lábio superior estiver protruído. não fique demasiadamente empírica. Os pacientes só se preocupam quando isso é extremo.

reclassificado como desastroso após o término do processo de crescimento e desenvolvimento craniofacial.37(7). Ferreira FV Facial profile . 267-76. 1. Int J Oral Maxillofac Surg 2005 Sept. Facial keys to orthodontic diagnosis and treatment planning . Moro A. Colombo V et al. In: Sakai E. evaluation in Japanese-Brazilian adults with normal occlusions and well-balanced faces. OrtodontiaSPO | 2008. Dentofacial Orthop 2006 Jun. Am J Orthod Dentofac Orthop 2003:124(1). quando se comparam as fases préadolescência e pós-adolescência”. Smile analysis and treatment strategies. 23. Análise do perfil facial em fotografias padronizadas. Parte 2. Hélio lembra ainda que o profissional não deve incorrer no engano de considerar que seus conceitos de estética facial são os mesmos do paciente. 16. Análise computadorizada do sorriso em Ortodontia. Moro A.560-75. McDonald F. “Por esta razão. Ackerman MB.pacientes em fase de crescimento ativo.34(6):619-26. 2003. Proffit WR. é imprescindível que os ortodontistas adquiram conhecimentos profundos sobre os processos e as tendências do crescimento. Scavone H.9(4):86-97.12(5):71-84. um resultado considerado esteticamente agradável. Scavone H.4-12. 2. 13. tratados pela técnica do Arco de Canto com extrações de pré-molares pertencentes às categorias de crescimento de Petrovic. 10. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial 2004. Nahás AC. Dolphin Imaging Software: an analysis of the accuracy of cephalometric digitization and orthognathic prediction. Ackerman MB.37-45. conclui. 78(1):58-63. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial 2004. considerando as variações naturais existentes entre eles.299-312. Power G.41(3):234-41 | 241 OrTOINFOrMaçãO . Facial keys to orthodontic diagnosis and treatment . 8. uma nova visão da análise facial frontal numérica. 4. Simulação computadorizada do perfil facial em cirurgia ortognática: precisão cefalométrica e avaliação por ortodontistas. O perfil facial dos 13 aos 18 anos de idade. RSBO 2006. 20. J Clin Orthod 2005. 18. 24. The cutting edge. Wong HB. Análise facial frontal em repouso e durante o . 6. J Bras Ortodon Ortop Facial 2007:12. em fotografias padronizadas. Sarver DM. Angle Orthod 1997. 469-75 11. Sandham A. Parte II: avaliação durante o sorriso.98-111. tais como a fase de crescimento do paciente. Parte I. 7. sendo que a combinação destes fatores freqüentemente conduz a uma expressiva redução no grau de protrusão dos lábios. eventualmete poderá ser Referências 1. Dynamic smile visualization and quantification: Part 1. Arnett WG. Scavone-Jr. Bergman R. J Bras Ortodon Ortop Facial 2006. Motta ATS et al. Part 2. Scanavini MA. Evolution of the concept and dynamic for smile capture. Soft tissue limitations in orthodontics: treatment planning guidelines. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 2006:11(5). é essencial conhecer e levar em conta os conceitos individuais de harmonia facial próprios aos nossos pacientes e seus familiares”.8(43):19-28.129(6):721. o dimorfismo entre os gêneros masculino e feminino. Jelic. “Portanto. o profissional experiente deve levar em conta diversos fatores.Part I. Am J Orthod Dentofac Orthop 1993. Reis SB. Moro A et al. considerando-se que a configuração facial do paciente ainda passará por diversas modificações até alcançar a fase adulta. Sarver DM. sorriso em fotografias padronizadas. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial 2007 SetOut. Rev Dental Press Ortod Ortop 2002:7(91). pois isto pode não corresponder à realidade. 5. 9. 22.103(4). H.159-72. Valle-Corotti KM. Reis SAB et al.Part II.120(2).Análise de Johnston Jr. Análise facial frontal masculina em repouso e durante o sorriso. métodos manual e computadorizado. Chew MT. Colombo V et al. explica Hélio. 12. Domingues-Rodrigues GC. Arnett WG.7-17.13(4).63:250-73. Conforme pude comprovar claramente em minha tese de doutorado. Trevisan H. especialmente quando as exodontias forem cogitadas como parte integrante do mesmo. Deste modo. Am J Orthod Dentofac Orthop 2001. Kreashko RG. Para ele. 17. em fotografias padronizadas. Sacanavini MA. Corrêa J. Soft tissue profile in white Brazilian adults with normal occlusions and well-balanced faces. Staszak SR. juntamente com redução na espessura dos lábios e aumento nas projeções do nariz e do mento. Comparação entre o diagnóstico ortodôntico e a expectativa do paciente em relação ao tratamento: proposta de um questionário que facilite a comunicação entre pacientes e profissionais.67(5):327-36. Bauru: FOB-uSP. Huang J. Estudo da recidiva em pacientes com má-oclusão de Classe II. Am J Orthod Dentofac Orthop 2003:124( 2). 1996. [Tese de Doutorado]. afirma.Análise do Sorriso.116-27. Zahn-Silva W. Martins LF. Verona J et al. V.9(3):47-58. 21. Bueno MR. Vigorito JW. métodos manual e computadorizado. Angle Orthod 2008 Jan. 3. Arnett WG. logo após a conclusão do tratamento. Estudo cefalométrico longitudinal em jovens brasileiros leucodermas com oclusão normal.Ortopedia Funcional dos Maxilares. Análise Facial Subjetiva. Parte I: avaliação em repouso.421-8. Análise facial frontal masculina em repouso e durante o sorriso. Lopes LV. Int J Adult Orthod Orthognath Surg 1998. (org. Sherriff M. Bergman R. Am J Orthod Dentofac Orthop 1993:103(5). S..379-394. Fiuza SC. sempre é importante ter em mente que a tendência predominante do perfil facial é sofrer uma progressiva redução na sua convexidade.e1-5. Análise facial frontal em repouso e durante o sorriso . o profissional deve ser ainda mais cauteloso na definição do plano de tratamento. “Este cuidado é imprescindível. Garib DG. Reche R. 395-411. Parte II . 15. Am J Orthod. em fotografias padronizadas. São Paulo: Editora Santos.). Sarver DM. Martins NS. Nova Visão em Ortodontia . 19. 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