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SilvioMeiraNoPonto

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Publicado porsilvio meira
Meira, Silvio Lemos
Silvio Meira NO. / Silvio Lemos Meira – Recife,
Pernambuco, 2004.
320f.
Coletânea de artigos publicados entre 2000 e 2002 na
revista eletrônica NO., www.no.com.br.
1. Sociedade da informação. 2. Tecnologias de
informação e comunicação. 3. Internet: conteúdos,
serviços e universalização. 4. Infra-estrutura de
informação. 5. Nova economia. 6. Políticas nacionais. 7.
Política de Informática. 8. empreendedorismo em
Informática
Meira, Silvio Lemos
Silvio Meira NO. / Silvio Lemos Meira – Recife,
Pernambuco, 2004.
320f.
Coletânea de artigos publicados entre 2000 e 2002 na
revista eletrônica NO., www.no.com.br.
1. Sociedade da informação. 2. Tecnologias de
informação e comunicação. 3. Internet: conteúdos,
serviços e universalização. 4. Infra-estrutura de
informação. 5. Nova economia. 6. Políticas nacionais. 7.
Política de Informática. 8. empreendedorismo em
Informática

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[ 28.Abr.2000 ]

Não passa um dia em que não haja uma frase de efeito, em
algum lugar da mídia, sobre o fim do papel, da tinta e do livro.
Só que, ao invés de um fato acontecido ou iminente, anuncia-se
na verdade um debate, quase briga, quando bibliófilos estão por
perto. Sem falar nos fabricantes de papel e plantadores de
eucalipto.

Papel e imprensa andam juntos há 500 anos, mas há uma
impressão de que a imprensa estaria saindo do papel.
Principalmente quando se criam constelações de competência
para fazer notícia e opinião virtual, literalmente, sem nenhum
registro a ser vendido em banca. Seria isto mais um augúrio do
tão esperado fim do papel?

Nem tão cedo. Nem os mais radicais adeptos das telinhas ficam
à vontade lendo on-line. Ainda é difícil tomar notas, grifar
texto, circular parágrafos de interesse e ligá-los a outros,
noutras páginas. Dobrar bordas do papel para criar marcas,
nem pensar. Este papel, que o papel exerce insuperavelmente,
hoje, é o do papel-pra-ler.

Há também o papel-pra-escrever, o papel-pra-armazenar, para
embalar. Apesar dos laptops e Palms, tomo notas em cadernos,
concretos, de papel real. Desenho, faço gráficos, expresso
modelos, meus e dos outros, em papel, enquanto converso.
Este papel-pra-escrever vai demorar, também, muito tempo
para ser substituído. Quer ver, preste atenção nas pessoas
tomando notas em Palms ou coisas do tipo.

O papel para armazenar também tem uma chance. Papel e tinta
de qualidade duram séculos; já CDs de qualidade comercial
começam a se degradar em menos de 15 anos. Em 50 são
inúteis, mesmo que tenhamos preservado os formatos em que
foram escritos, um dos problemas adicionais de
armazenamento abstrato de informação. Mais de um projeto já
ficou sem história porque o formato e dispositivos usados para
guardar informação desapareceram. Ou quase: minha tese de
doutoramento estava numa fita de 9 trilhas ICL, inglesa,
gravada no sistema operacional EMAS, em 1985. Joguei fora,
pra poupar raiva… é mais fácil digitalizar a cópia de papel.

Mas uma coisa é certa: o papel-pra-transmitir, que leva
informação entre pontos, vai se tornar relíquia em pouco
tempo. Os argumentos são financeiros, temporais e ecológicos.
Uma revista impressa nos EUA custa pelo menos 100% a mais
no aeroporto de São Paulo e, se chegasse em Campina Grande,
talvez custasse 200% a mais. A maioria, claro, nem em São
Paulo chega. Ninguém precisa ser um gênio para imaginar que
tal sobrepreço não fica com a banca, mas com o transporte

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aéreo. Papel pesa, e muito: enviá-lo por via aérea é uma forma
segura de mandar o preço para o espaço.

E revistas têm que vir de avião, para ter algo a ver com o
presente. Com os jornais é ainda pior: não há como ler a edição
em papel do Asahi Shimbum em São Paulo, no mesmo dia.
Muito menos em Lençóis, BA. E jornal diário só interessa no
mesmo dia ou então quando vira história. Entre os dois, é um
recurso, anti-higiênico, para se embrulhar peixe. O que é, me
parece, uma figura de linguagem, pois faz anos que não vejo
um surubim nas páginas policiais.

E o papel-transmissor não fará falta se as bancas imprimirem
jornais e revistas, sob demanda, para quem quiser lê-los no seu
formato de tinta, cola e celulose. Todas as bancas, então,
poderiam ter todos os jornais, revistas e, talvez, livros do
mundo. Escolha o título, pague e imprima na laser colorida da
banca. Na hora, que nem caldo de cana. Quem não quiser tanta
qualidade imprime em casa. Vai acontecer no futuro próximo,
antes dos livros eletrônicos. Que parecem o Brasil: há anos são
o futuro (do texto, no caso).

E a discussão principal não é o fim ou não do papel e sim a
qualidade e utilidade do que vai estar nele, real ou virtual,
daqui pra frente. O papel, real, vai conviver com a imprensa e a
informação por muito tempo. Mas boa parte da produção está
indo para o virtual e eliminando o papel-transmissor. O que é
bom pra todos, porque leva notícia e opinião para todos os
cantos do mundo, num piscar de olhos. Ou num clicar de
mouse…

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