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SilvioMeiraNoPonto

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Publicado porsilvio meira
Meira, Silvio Lemos
Silvio Meira NO. / Silvio Lemos Meira – Recife,
Pernambuco, 2004.
320f.
Coletânea de artigos publicados entre 2000 e 2002 na
revista eletrônica NO., www.no.com.br.
1. Sociedade da informação. 2. Tecnologias de
informação e comunicação. 3. Internet: conteúdos,
serviços e universalização. 4. Infra-estrutura de
informação. 5. Nova economia. 6. Políticas nacionais. 7.
Política de Informática. 8. empreendedorismo em
Informática
Meira, Silvio Lemos
Silvio Meira NO. / Silvio Lemos Meira – Recife,
Pernambuco, 2004.
320f.
Coletânea de artigos publicados entre 2000 e 2002 na
revista eletrônica NO., www.no.com.br.
1. Sociedade da informação. 2. Tecnologias de
informação e comunicação. 3. Internet: conteúdos,
serviços e universalização. 4. Infra-estrutura de
informação. 5. Nova economia. 6. Políticas nacionais. 7.
Política de Informática. 8. empreendedorismo em
Informática

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[ 05.Mai.2000 ]

Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro, já dizia
Chico Science. A arte, habilitada por computadores, está
ajudando a construir uma realidade cada vez mais virtual. O
que não leva a nenhuma contradição, pois o oposto do real é o
irreal e não o virtual (abstrato), oposto do concreto.

Eu e a realidade virtual nos encontramos na Páscoa, quando
uma senhora de meia idade mostrou uma capa de revista para
a amiga e definiu, num sotaque de Ribeirão: “Nossa, o
computador deu um tratamento VIP nela, não”? A foto, de uma
apresentadora de TV, é impecável; a amiga concorda e diz que
hoje “tudo é falso”. Nunca vi a apresentadora de perto e fiquei
sem saber se está tão diferente –e tão melhor– assim. Como as
senhoras decerto a assistem, a foto deve ser impressionante.
Mas o interessante foi a associação da foto, pela leitora, a uma
plástica computacional, talvez obra de um piloto de Photoshop.

Melhoramento fotográfico não é novidade: antigamente era
costume retocar fotos, realizando uma pintura sobre o original,
maquiando “defeitos” e acentuando “qualidades”… Coisa de
artistas. Hoje, software e hardware, combinados, podem mudar
tudo numa imagem. Ou criar personagens do zero, como Diki,
Lara Croft, Webbie Tokay ou Ananova.

Tampouco os simulacros são próprios da era tecnológica:
grandes e anônimos falsários sempre fizeram arte, às vezes até
mais interessante e bela do que a arte dos autênticos. A
novidade da tecnologia é simplificar a falsificação, colocando-a
ao alcance de qualquer um que tenha um PC, Mac e algum
software. E não se trata apenas de processamento de imagem.

A mágica da era da informação é capaz de tirar da imaginação
de quase todos o mundo virtual, quase irreal, que estava preso
por falta das habilidades para pintar, compor, tocar e, em breve,
falar, cantar, traduzir, escrever… e talvez pensar. Deixando a
parte de ficção para outro artigo, vamos voltar para a senhora
da banca de revistas e sua apresentadora modificada.

O artificial, tão real quanto o virtual, é muitas vezes mais
admirado do que a naturalidade do nariz troncho de um, do
olho caído do outro e do abdome de chope de tantos. As
modificações artificiais externas, nas pessoas, vêm em formas
variadas, desde plásticas diversas até doses maciças de
anabolizante e academia. Sem falar na maquiagem de homens e
mulheres de todas as idades. Por trás de tudo, há já algum
tempo, os computadores modificam a arte de fotografar,
fazendo arte artificial e criando belezas e estéticas ilusórias.

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Na nossa sociedade artificial, movida a aparências, vai se
proibir, talvez, buço, varizes, celulite, gordura e calvície, gente
baixa ou alta demais... tanto quanto pés pequenos ou grandes
demais e vozes muito finas ou grossas. Parte disso está
disponível somente no domínio virtual, por enquanto: de perto,
sem os benefícios do processamento, resta o desencanto e a
constatação de que os ídolos são baixos, gordos, carecas e têm
os pés de barro. Por enquanto.

O casamento das tecnologias da informação com a biologia vai
criar possibilidades infinitamente maiores, mais interessantes,
perigosas e ridículas, até. Clonagem de mamíferos está ao
nosso alcance; "melhoramento" genético não é mais novidade,
para otimizar coisas e eliminar outras, como na soja. Mas vem
aí o totó sem cheiro e que não solta pelo, para madames
alérgicas. Quinze, todos iguais, programados através da
Internet, pagos com cartão de crédito.

Não faltarão os sites para crescer seios (mamas, mesmo, nada
de silicone), cabelo e outras coisas. Somos biológicos mas
somos, também, máquinas programáveis. O projeto Genoma
humano trata, de certa forma, da engenharia reversa do
software que faz os seres humanos funcionarem. Código
genético é código, é programa, apesar dos processadores não
serem de silício.

O que significa que, em breve, artistas estarão fazendo dinheiro
programando computadores para programar artistas para fazer
dinheiro fazendo arte… e o natural e o artificial serão
indistinguíveis em muito mais aspectos do que hoje.

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