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O Esquema Corporal, A Imagem Corporal, A Consciência Corporal E A Corporeidade

(Giovanina Gomes de Freitas)

Ver é conhecer, porém conhecer é também deixar de ver. Portanto é preferível olhar a
conhecer, analisar, dissecar.
A Educação Física, que tem como área de interesse o corpo humano, deve recuperar e
dominar os significados e os conceitos do que vem a ser esquema corporal, imagem
corporal, consciência corporal e corporeidade. Deve-se contextualizar a evolução
histórica dessas noções para conseguirmos entender melhor o processo.

Evolução Histórica

A idéia da percepção do corpo surgiu no séc. XVI, na França, e foi o primeiro a


escrever o ?membro-fantasma?, ou seja, uma alucinação em que um membro amputado
é percebido como ainda presente. reud = corpo (ego e id). O ego é a instância psíquica
que se diferencia do id que é o centro dos impulsos.
Bonnier em 1905, foi o primeiro a utilizar esquema do corpo, concebendo a soma de
todas as sensações do corpo, vindas de fora ou de dentro.
Em 1908, Arnold Pick referiu-se a uma imagem mental do corpo, a qual seria formada
através de estímulos visuais, de sensações táteis e de movimento. Assim toda imagem
torna-se o resultado dinâmico da percepção associada à concepção e essa interação
percepto-conceito está presente na imagem corporal.

Discussão de conceitos

Imagem Corporal: sentimentos e atitudes que uma pessoa tem em relação ao seu próprio
corpo.
Esquema Corporal: imagem esquemática do próprio corpo, que só se constrói a partir da
experiência do espaço, do tempo e do movimento.
Consciência Corporal: reconhecimento, identificação e diferenciação da localização do
movimento e dos inter-relacionamentos das partes corporais e do todo.

Ao longo da história o corpo foi renegado, rebaixado, na construção de um homem


abstrato, feito de idéias, sentimentos e valores. Na antiguidade não é só diminuído ante
a mente que formula idéias, mas ainda mais ante sua práxis.

A corporeidade

Permaneceu no séc. XX, sendo o palco expressivo das ideologias, preocupa-se em


perder a barriga, aumentar o bíceps..., como se as partes do corpo estivessem fora de
nós.
O homem é seu corpo e, quando age no mundo, age como uma unidade. Esse corpo
expressivo não é uma simples coleção de órgãos, não é uma representação na
consciência, ele é uma permanência que eu vivencio. O corpo humano, como
corporeidade, que se constrói no emaranhado das relações sócio-históricas e que traz em
si a marca da individualidade, não termina nos limites que anatomia e a fisiologia lhe
impõem.
Portanto, a corporeidade é a inserção de um corpo humano em um mundo significativo,
a relação dialética do corpo consigo mesmo, com os outros corpos e com objetos do seu
mundo.
A consciência do corpo

A consciência do corpo é definida como a maneira pela qual a atenção sobre o corpo é
distribuída e, as pessoas diferem no quanto elas estão conscientes de seus corpos.
A consciência do corpo está enraizada na sua história, o corpo continua sendo
manipulado pelo modo de produção capitalista, os corpos feios, gordos, deficientes são
marginalizados, não vendem não dão lucro.
Castellani (1988), conceitua consciência cultural do homem como sendo a sua
compreensão a respeito dos signos tatuados em seu corpo pelos aspectos socioculturais
de momentos históricos determinados.
Ao longo da história a consciência deixou de ser imediata e passou a distinguir seus
conteúdos dos eventos do mundo externo. O nascimento do homem se deu no momento
da tomada da consciência da separação entre o sujeito e o objeto. Corpo e alma não
podem ser absolutamente distintos. A dualidade que o cartesianismo estabeleceu, só
pode ser observada na doença, nas enfermidades em que ocorre alteração da imagem
corporal, o corpo, então perde, o significado e as idéias e não pode mais expressar-se
por meio dele. O corpo sem significado deixa de ser um corpo humano e volta a
constituir um organismo físico-químico.