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TCC GEOGRAFIA - A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE BELÉM

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  • 1 - INTRODUÇÃO
  • 2 - UMA BREVE LEITURA SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL
  • 2.3 - A legislação brasileira sobre educação ambiental
  • 3 - A QUESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO
  • 3.1 - Educação ambiental e ensino formal no Brasil
  • 3.2 - Os PCN¶s e a Geografia
  • 3.3 - A questão da transversalidade
  • 3.4 - Uma evolução de conceitos da educação ambiental
  • 4 - A PERQUISA EM CAMPO: UMA ANALISE DAS ESCOLAS
  • 4.1 - Uma abordagem de educação
  • 4.2 - Apresentação das escolas
  • 4.3 - Os professores e as considerações sobre a pesquisa de campo
  • 4.4 - Análise dos textos produzidos pelos alunos
  • 4.5 - A didática em sala de aula
  • 4.6 - Formas de avaliação
  • 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

VICTOR PEDRO SANT¶ANNA DE MORAES

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE BELÉM

Trabalho de Conclusão de Curso ± TCC apresentado a Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA como requisito parcial para a obtenção da graduação de bacharelado e licenciatura em geografia.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Bordalo Junior

Belém/PA 2009
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VICTOR PEDRO SANT¶ANNA DE MORAES

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE BELÉM

Trabalho de Conclusão de Curso ± TCC apresentado a Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA como requisito parcial para a obtenção da graduação de bacharelado e licenciatura em geografia.

Aprovação em ____ de setembro de 2009

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________ Orientador

_________________________________________ Examinador

__________________________________________ Orientador
2

.

Dedico este trabalho primeiro a meus pais, e em seguida a todos os outros de minha família, que se empenharam durante toda minha vida para que este momento acontecesse.

3

AGRADECIMENTOS

Ao Professor Bordalo, pela dedicação e pela orientação dos trabalhos;

Ao Professor Clay, pela ajuda e paciência cruciais à concretização de minha formatura;

Ao Professor Naum, pela extrema disciplina e por me fazer olhar com mais seriedade à questão pedagôgica;

À Professora Márcia, por tudo;

À meus amigos de curso que acabaram por coorientar este trabalho;

Aos Professores e alunos das escolas que me receberam com carinho;

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analisando a relação entre produção/apropriação do espaço e degradação ambiental. Para o qual começamos levantando um breve histórico do surgimento da questão ambiental que vai desde a revolução industrial. e a mudança no modelo de produção. norteada pelos conceitos de interdisciplinaridade e transversalidade. estas existentes ou não. Palavras-chave: EDUCAÇÃO AMBIENTAL ± ENSINO FUNDAMENTAL ± GEOGRAFIA ± PRODUÇÃO DO ESPAÇO ± PRÁTICAS DE ENSINO.RESUMO O objetivo deste trabalho é proporcionar uma aproximação teórica e temática entre geografia e educação ambiental e Conhecer as abordagens sobre EA realizadas por professores de Geografia das escolas públicas ensino fundamental. Estas questões abordadas culminarão nas observações sobre a pesquisa de campo desenvolvida nas escolas selecionadas. e a conseqüente criação de uma legislação ambiental e seu seqüente desdobramento para a educação ambiental. dos educadores a respeito de educação ambiental. onde analisaremos a práticas. faz-se necessário então relacionar os conceitos de educação ambiental produzidos ao longo da historia. A partir daí lança-se os olhares para a questão ambiental dentro da esfera de ensino formal no Brasil. ate a institucionalização da questão ambiental no Brasil. A partir de onde começa uma aproximação com a ciência geográfica e seus focos de abordagem. 5 .

it is then necessary to relate the concepts of environmental education produced throughout history. Keywords: ENVIRONMENTAL EDUCATION ± ELEMENTARY SCHOOL ± GEOGRAPHY ± PRODUCTION OF SPACE ± PRACTICE TEACHING. 6 . analyzing the relationship between production / appropriation of space and environmental degradation. and the subsequent creation of environmental legislation and its sequential development for education environment. The questions addressed will culminate in the comments on the survey carried out in selected schools. guided by the concepts of interdisciplinary and crossdisciplinary. educators about environmental education. until the institutionalization of environmental concerns in Brazil.ABSTRACT The objective of this work is to provide a theoretical approach and focus between geography and environmental education and be familiar with the approaches to the task for geography teachers in public school education. where we analyze the practices. To which we started raising a brief history of the emergence of environmental issues ranging from the industrial revolution and the change in the production model. From where one gets closer to science and geographical focus of its approach. Since then cast into the eyes of the environmental issue within the sphere of formal education in Brazil. they exist or not.

............ 27........... ...................5 .........................3 .................4 ........ ..........................Apresentação das escolas.............1 4.................. 6 ........ ......... .............................. ............... ............. 3..... 4................................................. ..........INTRODUÇÃO ...... .... .... .2 . modernidade.. ..............1 ± Construindo as bases da questão ambiental...................1 ............... 35........................CONSIDERAÇÕES FINAIS ............... .....................2 ............... .......... 4 ............. 3........... 8.... 39............ 3................................ ................................. ....3 .................................................... ............................................. 3......................................................................... . ........ ........ÍNDICE 1 ......... 41...... ....................................................... .......... ........................................................A didática em sala de aula.......................................... 2. 2.......6 ............................ ....................1 .................................... ........ .................. .. ........ 3..... .......2 .......... 33................ 42....... .. 4.................................... 3..22.........................................................BIBLIOGRAFIAS .....1 2..... .......... 4...4 .... 4............................... .............................................................Os professores e as considerações sobre a pesquisa de campo ..........Analise dos textos produzidos pelos alunos ...Formas de avaliação .................... .........................12..... 24..... 21. 20........................17........................................................... ....Uma abordagem de educação ....... ................A questão da transversalidade............................. 4..... 33.......................................................................................3 ................ .............Legislação brasileira sobre educação ambiental..... 44... educação e a problemática ambiental .......................................................................... 40......2 ± Uma evolução de conceitos da educação ambiental . . 5 .... ................. 2 ± UMA BREVE LEITURA SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL.... .....A aproximação com a geografia .. ........................................... ........ .................23. ....................... 29.... 3 ± A QUESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO .................................. 2........... 4..........A PESAQUISA EM CAMPO: UMA ANALISE SOBRE AS ESCOLAS: ................2 .........Os PCN¶s e a Geografia............................A institucionalisação da questão ambiental no Brasil.......................................Educação ambiental e ensino formal no Brasil ................ .... ................. .................... 33.......Racionalidade.. 7 ............... ...

podemos citar a exemplo degradação ambiental. e não imaginamos tema melhor para desenvolver essa função senão este ambiental. são minhas motivações para investigar como as escolas participam desse momento de transformação. a questão da interdisciplinaridade. e como podem atuar de forma responsável e construtiva. se pode entender que a escola tem um papel fundamental diante da necessidade de reflexão e da busca por soluções para os problemas ambientais. com maior ênfase. processos produtivos. As atenções estão voltadas para estes problemas. sustentabilidade. lhe motivaram. Uma delas é a conscientização para as questões ambientais através da educação escolar. Um conceito muito usado na pedagogia e aplicado ao ensino de forma geral é o conceito de interdisciplinaridade. pedagogo e amigo. No período em que estamos nenhum outro tema parece mais presente no seio da sociedade do que a questão ambiental. Não é intenção abordar neste trabalho. guiaram seu interesse pela educação e pela escola como meios privilegiados para o surgimento de uma nova consciência. que disse certa vez que ³o estudo das relações entre sociedade-natureza. Assim. dialogando questões relacionadas ao ambiente e à própria manutenção da vida. 8 . distribuição de riquezas.1 . geógrafo. e diversos setores da sociedade têm se organizado e buscado alternativas para solucioná-los. não permite apreciar as interdependências nem a contribuição das ciências sociais e outras à compreensão e melhoria do ambiente humano. Seria relevante citar as palavras de Clésio Silva. O conceito de meio ambiente. e sim chamar atenção para o caráter transversal da educação ambiental ± assim abordada dos Parâmetros Curriculares Nacionais ± a qual norteia e soma esforços de diferentes ciências. conservaçãopreservação.INTRODUÇÃO O conceito de Educação Ambiental sempre esteve interligado ao conceito de meio ambiente e ao modo como este é apropriado. atrelado a um reducionismo natural. e que ser professor e ter a possibilidade de mediar diálogos sobre questões tão complexas. A sociedade hoje vive em torno desta preocupação. assim como suas experiências em sala de aula. necessária para a sustentabilidade da vida´.

diante do desafio da (re) construção de uma leitura de mundo mais interessada na questão ambiental? Algumas questões secundárias.M. adotando como foco da analise a 5ª serie em duas escolas: a Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe Moreira e a E. uma aproximação teórica e temática da educação ambiental com a geografia. estuário guajarino e distrito administrativo do município de Belém. Onde se procurou saber dos professores. Assim.Iniciaremos esta pesquisa procurando investigar como a educação ambiental ocorre nas escolas públicas da rede municipal de Belém. de uma forma geral. de forma geral. ilha de Caratateua. mas sem deixar de reconhecer e valorizar as importantes conquistas nesse campo. nas séries iniciais da rede pública municipal de Belém. utilizando o ensino de Geografia como referência para a análise do discurso ambiental nas escolas e Como os . a delimitação teórica afunilando o entendimento sobre EA. a relação entre meio ambiente e educação. os possíveis conceitos de EA. e como esses saberes são articulados na prática cotidiana? Ajudaram a compor os problemas a serem explorados. da sua origem até o momento atual. como o papel da transversalidade nesse processo de inter-relação dos saberes. estado do Pará. ambas as escolas localizadas na ilha de Caratateua. No capitulo três. e comentários às práticas dos professores do ensino fundamental no município de Belém. Monsenhor José Maria Azevedo. ainda não podemos considerar um campo estável. e. em linhas gerais. no que se refere às questões ambientais. Finalmente. apresentamos no capítulo primeiro. buscou-se tratar das questões ambientais. uma revisão bibliográfica a cerca da questão que nos propomos a discutir: a educação ambiental. até os dias de hoje. As transformações das sociedades e do conceito de educação ambiental ± movidas pela própria dinâmica das sociedades e da forma de apropriação do espaço ± fazem 9 . procuramos abordara. Iniciando o projeto. A presença da educação ambiental como prática pedagógica no ensino formal ainda se da de forma incipiente. apresentaremos o entendimento que fiz sobre educação ambiental e geografia. em que trabalham e como concebem. porem igualmente importantes. professores podem contribuir para a disseminação de novas idéias. começou a ser elaborada ainda na década de 1960. Apesar do volume de trabalhos sobre a temática ambiental para a escola. No segundo capitulo. o desenvolvimento das questões ambientais em sala de aula. apresentamos o processo de pesquisa com as entrevistas e a analise do material produzido pelos alunos e seus resultados.

ainda não tenha ganho forma definida. procuramos explanar analisando a 5ª serie do ensino fundamental. permitindo uma perspectiva ambiental sobre o espaço geográfico? 10 . A abordagem nos PCN¶s sobre as questões ambientais e seu caráter transversal norteia professores a refletir sobre o assunto. das mais diversas áreas do conhecimento e níveis educacionais. E assim podermos conhecer as abordagens sobre EA realizada por professores de Geografia das escolas públicas ensino fundamental. A partir do tema e dos objetivos deste trabalho. que estabeleça a relação entre o local e o global. Resumindo assim. constituído fora da escolarização formal. a importância de pensarmos sempre a educação ambiental e sua estreita relação com a escola. que o que se pretende aqui é verificar como a EA é compreendida pelos professores e de que forma as práticas vem se desenvolvendo na área de estudo em questão juntamente com a importância da educação ambiental para o ensino de geografia. os quais reforço. O estabelecimento destes objetivos conduz a um conjunto de questionamentos. A questão ambiental vem sendo gradativamente inserida na prática pedagógica de inúmeros professores. da Educação básica à Universitária (e recentemente incorporado a grade curricular do curso de licenciatura e bacharelado em geografia da UFPA como disciplina regular). localizadas no município e observar que princípios e temas da EA são privilegiados no processo ensino-aprendisagem. Este é o contexto do qual partem os objetivos gerais e específicos propostos para o trabalho. justificando assim. que tem por pretensão dialogar sobre os conceitos básicos e norteadores acerca da Educação Ambiental e identificar práticas desenvolvidas pelos professores das séries iniciais da rede municipal de ensino de Belém relacionado às questões ambientais. alem de fazer uma aproximação teórica e temática com a geografia e formar opinião sobre a importância da educação ambiental para o ensino de geografia. podemos considerar a Geografia a ciência que por excelência trabalha com as questões ambientais na escola dentro de um contexto de interdisciplinaridade/transversalidade e sem perder de vista a relação sociedadenatureza? De que maneira o ensino de geografia pode contribuir para o conhecimento dos problemas ambientais locais e para a ampliação de uma leitura do mundo.com que este campo de conhecimento.

como a pesquisa bibliográfica. Conforme nos diz Milton Santos (2002. foram reunidos grupos de alunos para debates sobre questões referentes à educação e meio ambiente e a qualidade do ensino na escola. enquanto conteúdo do ensino básico tratado pela Geografia. a fundação escola bosque tem uma lógica voltada para formação em educação ambiental. p. permite o conhecimento das representações. produções acadêmicas. 11 . a Educação Ambiental. visto que em primeira analise. e o trabalho dos professores sob estes eixos podem contribuir e muito para o combate aos problemas ambientais locais.Diante dessas questões acreditamos encontrar um cenário de desigualdade. No que se refere a geografia. que se trata da realização entrevistas coletivas. Referente ainda ao processo de entrevista trabalhamos também com o conceito de grupo focal. que foi realizada em livros. 264). restrições. Para a realização deste trabalho. uma vez que este pode servir aos interesses de alguns. tem importância fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária e para o uso racional dos recursos naturais. crenças. Segundo (FUENTES. Assim. e consultas a internet os quais se resumiram a uma base confiável durante o processo de construção do trabalho. documentos oficiais e materiais diversos. preconceitos. de fichamentos. 2006). ³o espaço é a casa do homem e também a sua prisão´. com as quais pretendo obter o perfil dos entrevistados. a empiria nos diz que há interlocução entre EA e a ciência geográfica visto que eixos temáticos comuns a geografia como sociedade e natureza ou meio ambiente e desenvolvimento sustentável são por excelência eixos que trabalham a questão ambiental. foram adotadas algumas estratégias fundamentais para o desenvolvimento do projeto de pesquisa. uma vez que os mais pobres são os mais afetados pela degradação do Planeta. Esta foi realizada através de leitura completa. hábitos. A partir daí entramos num segundo momento que se refere a pesquisa de campo. valores. e a categorização dos discursos sobre os conceitos de educação ambiental e das práticas cotidianas. linguagens e simbologias no trato de uma dada questão por um grupo. A pesquisa de campo foi realizada a partir de entrevistas por questionário semiestruturado em questões fechadas e abertas . percepções. O grupo focal permite ao pesquisador conseguir boa quantidade de informação em um período de tempo mais curto.

Em 1971. Os primeiros grandes impactos da Revolução Industrial. no Relatório Brutndtland. considerando a conservação da natureza não só como questão científica. desta vez na cidade de Niigata. IUCN). Alguns anos depois. adota-se um novo modelo de produção baseado. no uso intensivo de energia fóssil. o que foi apontado como a principal causa da degradação ambiental atual. Em 1953.UMA BREVE LEITURA SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL 2. de ações antrópicas sobre a biosfera.2 . 1996. Esta concepção. o conceito de desenvolvimento sustentável fazendo oposição ao crescimento econômico mundial sem limites. Czapski. principalmente. O relatório sugere um desenvolvimento que ³atenda as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades´. Certamente que os impactos da ação dos seres humanos se ampliaram violentamente com o desenvolvimento tecnológico e com o aumento da população mundial provocados por essa Revolução. o ³smog´. MAB (onde Participaram cerca de 30 países e diversos organismos internacionais ± FAO. Os problemas ambientais não passaram a existir somente após a Revolução Industrial. (ar. A cidade de Nova York viveu o mesmo problema no período de 1952 a 1960. a poluição por mercúrio aparece novamente. sobretudo. ou seja. 12 . a partir da Revolução Industrial.OMS. quando a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento publica. ³Em 1952. ou os primeiros sintomas da crise ambiental. na super exploração dos recursos naturais e no uso do ambiente natural. provocou muitas mortes em Londres. A partir de então. também no Japão´ (Porto. consolida-se em 1982.1 . poluição atmosférica de origem industrial. ocorre a primeira reunião do Conselho Interministerial da Coordenação do Programa sobre o Homem e a Biosfera. de caráter político. a cidade japonesa de Minamata enfrentou o problema da poluição industrial por mercúrio e milhares de pessoas foram intoxicadas. água e solo) como depósito de dejetos. surgiram na década de 50.Construindo as bases da questão ambiental Segundo Espinosa (1993). 1998). na qual as discussões começam a dar ênfase ao caráter multidisciplinar do meio ambiente. determinante para a questão ambiental. social e econômico. mas.

Em 1972. exterminando espécies vegetais e animais. quando a EA é compreendida como tema a ser contemplado em cada área de conhecimento. onde foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). E também ressalta ³o cuidado que se tem em não creditar somente à EA a responsabilidade de reverter o quadro da crise ambiental´. 65 países se reuniram para formular os princípios orientadores do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Tais como o enfoque humanístico. holístico. 45). Uma das idéias centrais era a de que os seres humanos não só estavam deliberadamente destruindo o meio ambiente. A base fundamental da Conferência foi a recomendação aos Estados-Membros que integrassem a EA às políticas nacionais e a definição de se ³confiar à escola um papel determinante no conjunto da Educação Ambiental e organizar. o ³Clube de Roma´ publicou um relatório chamado ³Os Limites do Crescimento´.) Assim diante desse contexto instalado no cenário mundial: ³Inicia-se um profundo questionamento dos conceitos ³progresso´ e ³crescimento econômico´. a existir formalmente. Em 1975. ocorreu o Seminário Internacional de Educação Ambiental. como também 13 . Suécia. uma ação sistemática na educação primária e secundária´ (SORRENTINO. (SORRENTINO. Ocorrida em 1977. objetivos e estratégias de implementação internacionalmente reconhecidas. e não como disciplina específica. 1998). a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. Loureiro (2004) também observa avanços nas propostas de Tbilisi. descentralizado. Op. para uma preocupação com a transformação como projeto coletivo´ (p. articulando as dimensões ambientais e sociais. Ao analisarmos as recomendações da Unesco se pode observar ³a transição de uma concepção de educação ambiental centrada na modificação de valores e comportamentos individuais. cit. Algumas correntes de pensamento afirmavam que o ³crescimento econômico e os padrões de consumo (nos níveis da época) não são compatíveis com os recursos naturais existentes´. na cidade de Belgrado. a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou em Estocolmo.esse conceito é usado como base às discussões dos modelos econômicos. a Conferência Intergovernamental de Tbilise. com este objetivo. então. No mesmo ano. democrático e participativo. singular. Neste encontro. O discurso de EA em Tbilisi aparece mais articulado. que passa. sociais e políticos a serem adotados às questões internacionais e nacionais sobre meio ambiente. onde se fazia uma previsão bastante pessimista do futuro da humanidade. constrói seus princípios. caso as bases do modelo de exploração não fossem modificadas. sistêmico. o qual resultou na famosa Carta de Belgrado. primeira conferência dedicada especialmente à EA. que une a EA ao meio educativo.

(Marcatto. verificados em 1990. esboçaram-se os conceitos Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável. juntamente com a Fundação Educacional do Distrito Federal e a Fundação da Universidade de Brasília.A institucionalização da questão ambiental no Brasil Ao final de 1973. como resultado da grande pressão internacional que o governo brasileiro sofreu após a Conferência de Estocolmo.2 . 1995). a SEMA exerceu na época um papel importante na estruturação de políticas públicas voltadas para o meio ambiente. Nesse encontro foi realizado um balanço dos dez anos da Agenda 21 e reafirmou-se a insustentabilidade do modelo econômico vigente. a questão do crescimento econômico e do desenvolvimento´. em termos perenes. Apesar dos seus limites institucionais. Entre 1977 e 1981. dentro da perspectiva desse evento. realizou-se a Convenção das partes sobre Mudanças Climáticas que discutiu sobre a grande emissão de gases poluentes na atmosfera. A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) funcionou entre os anos de 1974 e 1989 e. o Encontro da Terra. é criado o primeiro organismo oficial brasileiro para gestão integrada de meio ambiente. Foi responsável pelo primeiro esforço de incorporar a temática ambiental no ensino formal ao organizar em Brasília. 2. após esse período. une-se com outros organismos oficiais e forma o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA). 2002) Em 1997. é afirmada como uma estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável. bases compatíveis com a preservação dos recursos naturais existentes. precisa ser ratificado por países responsáveis por 55% das emissões de gases do efeito estufa. desenvolveu o 14 . A EA. Previam a necessidade de serem desenvolvidas novas bases para o crescimento econômico. também conhecida como Rio+10. Dentro desse processo dinâmico e efervescente de discussão. onde os países desenvolvidos assumem o compromisso de redução da quantidade de gases que provocam o efeito estufa ou aquecimento terrestre. África do Sul.colocando sua própria espécie em risco de extinção (Ehlers. Nesse encontro foi assinado o Protocolo de Kyoto. O período previsto para entrar em vigor as ações de redução dos gases é entre 2008 e 2012 Em agosto de 2002 realizou-se em Johannesburgo. cursos de extensão para professores de ensino fundamental. Parte dessas correntes buscava formas de sensibilizar a opinião pública sobre a urgência da discussão acerca dos custos ambientais e sociais do desenvolvimento. Para que o Protocolo possa ser aprovado e entrar em vigor. no Japão. como a base teórica para repensar. pois teve a finalidade de avaliar as decisões tomadas na Conferência do Rio em 1992.

Foi a primeira lei que assegurou um tratamento abrangente. com apoio da UNESCO/Embaixada do Canadá em Brasília. Em 1991. visando operacionalizar as ações educativas no processo de gestão ambiental na esfera estadual. ocorreu o Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental. 1994). Assim. as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. que segundo FREIRE (2006). destinadas a lidar exclusivamente com a Educação Ambiental. promovido pelo MEC e SEMA. cujas funções serviram para institucionalização da Política de Educação Ambiental no âmbito do SISNAMA. 1991. o qual vale citar o artigo 225. com a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da Educação Ambiental e foi assinada a Portaria 678/91 do MEC. da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Pnuma. com o amparo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). 2005) 15 . inciso VI ³promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente´. (FREIRE et al. No ano seguinte. juntamente com a Universidade de Brasília (UnB). No Brasil esse pensamento globalizante em relação às questões ambientais se efetivou com a promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) em 1981. 2006. voltada para formação de profissionais de nível superior (DIAS. BRASIL. E a Divisão de Educação Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). seriam: o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental do MEC.projeto de Educação Ambiental de Ceilândia (DF) que foi pioneiro ao pensar um currículo interdisciplinar e unir a educação escolar com as demandas da sua comunidade e também fomentou a discussão ambiental nas Universidades ao promover uma série de debates e seminários. foram criadas duas instâncias no Poder Executivo. no §1º. organiza o I Curso de Especialização em Educação Ambiental. enfatizando a necessidade de investir na capacitação de professores. com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação. o IBAMA instituiu os Núcleos de Educação Ambiental em todas as suas superintendências estaduais. vários dispositivos instituídos pela PNMA foram explicitamente recepcionados. que em 1993 se transformou na Coordenação Geral de Educação Ambiental (COEA/MEC). determinando que a educação escolar deveria contemplar a EA. MEYER. Na Constituição Federal Brasileira de 1988. sistemático e instrumentalizado para a proteção do meio ambiente em todo o território nacional. permeando todo o currículo nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Em 1986.

Dessa Conferência resultaram alguns documentos que permearão as políticas dos governos para o futuro do meio ambiente. o desenvolvimento da política ambiental no país seque uma periodização organizada em três fases. e implementado ao longo do século 21. o MEC instituiu um Grupo de Trabalho para EA. O ProNEA busca atingir três diretrizes: (a) capacitação de gestores e educadores. em seus diversos níveis e modalidades. em 1994. agências de desenvolvimento. (b) desenvolvimento de ações educativas e. 2006). Um dos principais documentos resultantes do evento foi a Agenda 21. A partir de então. Embora tenhamos feito aqui meramente uma apresentação cronológica dos fatos a cerca do processo de construção da questão ambiental no Brasil.Quatro anos após a promulgação da Constituição. Para Bordalo (1999). os Ministérios da Educação. na qual denomina a primeira como período conservacionista. com o objetivo de coordenar. BRASIL. Ciências e Tecnologia criaram. Tendo em vista esse caráter de divisão ideológica e política que se instala no processo de construção e desenvolvimento da gestão ambiental no Brasil. é realizado no Rio de Janeiro A . Nessa perspectiva. foi um dos maiores encontros de discussões sobre o meio ambiente. acompanhar. 2006. 2006). órgãos das Nações Unidas. supletivo e profissionalizante. norteiam o processo de construção do conhecimento acerca da educação ambiental influenciam na forma como este é apropriado. não podemos perder de vista que esse processo é marcado por tendências e ideologias políticas e acadêmicas as quais . metas e estratégias para a implementação da EA nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades ± concretizando as recomendações aprovadas na ECO 92 (FREIRE et al. no período criam-se as primeiras 16 e . reunindo cerca de 130 países. que se constitui em um programa recomendado aos governos. Meio Ambiente. o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) com o objetivo de capacitar os profissionais dos sistemas de educação formal e não-formal. apoiar. em 14 de junho de 1992. tem-se uma serie de acontecimentos que incentivam e legitimam a ação de EA. avaliar e orientar as ações. adotamos aqui uma propostasíntese de periodização do processo de desenvolvimento da gestão ambiental. Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92). para ser colocado em prática a partir de sua aprovação. Cultura. Já em 1993. organizações não governamentais e sociedade civil de um modo geral. que vai da década de 1930 a 1970. (c) desenvolvimento de instrumentos e metodologias (FREIRE et al.

necessária para a construção de um conhecimento crítico e consciente sobre o meio ambiente´. sem constituir disciplina específica.3 . econômicos. De acordo com Medina. ambientais e históricos. com a constituição federal de 1988. implicando desenvolvimento de hábitos e atitudes 17 . nos diz que: ³existem. Uma das primeiras leis que cita a educação ambiental é a Lei Federal Nº 6938. numa visão integrada. Lei Nº 9394. A Constituição Federal do Brasil. a primeira tendência é conceituada como de treinamento. com a participação da sociedade civil e a difusão do conceito de sustentabilidade. ocorre durante a década de 1980. ao analisar a legislação brasileira sobre EA afirma que existem vários artigos. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as atuais e futuras gerações´. A segunda. e a segunda é uma abordagem que considera os aspectos políticos. de 1981. na década de 1990. que chama de político-institucional. capítulos e leis brasileiras com importância para a educação ambiental. estabelece. citando Reigota (1995). de dezembro de 1996.A legislação brasileira sobre educação ambiental Marcatto (2002). que assume um caráter descentralizado e participativo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lago (2002). promulgada no ano de 1988. a distribuição da competência para todas as esferas do estado e com os estudos de impacto ambiental coordenados pelo SISNAMA e a terceira. 2. que: ³Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Carvalho (1998) e Medina (1994). bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. sociais. em seu artigo 225. e é na década de 1970 que se inicia a institucionalização da gestão ambiental no pais com a criação da SEMA. cabendo ao Poder Público ³promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente´. e marca o ápice da intervenção estatal. duas vertentes que disputam a . São elas: a vertente Ecológico-preservacionista e a vertente Sócio-ambiental.normatizações para apropriação e exploração dos recursos naturais. no Brasil e no mundo. A lei aponta a necessidade de que a Educação Ambiental seja oferecida em todos os níveis de ensino. onde ocorre a transmissão de conceitos específicos importantes.hegemonia para orientar os fundamentos da educação ambiental. mas que não são suficientes. culturais. que institui a ³Política Nacional do Meio Ambiente´. reafirma os princípios definidos na Constituição com relação à Educação Ambiental: ³A Educação Ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares de todos os níveis de ensino.

que dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). responsáveis pelas ações voltadas respectivamente ao sistema de ensino e à gestão ambiental. determina a inclusão da EA de modo organizado e oficial no sistema escolar brasileiro. a partir do cotidiano da vida. Em dezembro de 1994 foi criado pela presidência da república o (PRONEA).sadias de conservação ambiental e respeito à natureza.PCN. O ProNEA busca atingir três diretrizes: (a) capacitação de gestores e educadores. Os PCN enfatizam a interdisciplinaridade e o desenvolvimento da cidadania entre os educandos. foram divulgados os novos Parâmetros Curriculares Nacionais . dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e pelo Ministério da Educação e do Desporto. em função da Constituição Federal de 1988 e dos compromissos internacionais assumidos com a Conferência do Rio. No entanto. uma lei merece destaque por ser o marco que propiciou a legitimação da Educação Ambiental como política pública nos sistemas de ensino: a Lei nº 9.´ No ano de 1997. O PRONEA foi executado pela Coordenação de Educação Ambiental do MEC e pelos setores correspondentes do MMA/IBAMA. da escola e da sociedade. o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA) merece destaque. São os chamados temas transversais. no planejamento de aulas e na reflexão sobre a prática educativa e na análise do material didático´. saúde. Dentro dessas linhas de ação e estratégias é responsável por realizar. Os PCN estabelecem que alguns temas especiais devem ser discutidos pelo conjunto das disciplinas da escola. não constituindo-se em disciplinas específicas. 2003). compartilhado pelo então Ministério do Meio Ambiente. Dentre as políticas publicas. com a parceria do Ministério da Cultura e do Ministério da Ciência e Tecnologia. Temas transversais definidos pelos PCN: ética. 18 . a cada dois anos. embora também tenha envolvido em sua execução. (c) desenvolvimento de instrumentos e metodologias. meio ambiente. outras entidades públicas e privadas do país (BRASIL.795. precedida de conferências estaduais e o apoio à Rede Brasileira de Educação Ambiental na realização dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental antecedidos por fóruns estaduais (BRASIL. a Conferência Nacional de Educação Ambiental. 2003). A proposta é que eles sejam utilizados como ³instrumento de apoio às discussões pedagógicas na escola. (b) desenvolvimento de ações educativas e. na elaboração de projetos educativos. Os PCN´s foram desenvolvidos pelo MEC com o objetivo de fornecer orientação para os professores. de 28 de abril de 1999. orientação sexual e pluralidade cultural.

que foi determinante para o fortalecimento da EA no Brasil. 19 .CONAMA.Em 1995 foi criada a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente .

educação ambiental. reflexo da realidade histórica e da lógica social e política do período. os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem. o que nos interessa questionar é a que abordagens e a que lógicas estão ligadas seus estudos e práticas? Os desequilíbrios ambientais e a educação ³são heranças de um modelo de desenvolvimento socioeconômico que se caracteriza pela redução da realidade a seu nível material econômico´ (Tristão. a partir de 70.. retrata um momento da educação ambiental que aponta para a necessidade de se re-significar os sentidos identitários e fundamentais dos diferentes posicionamentos político pedagógicos. tornaram a criação de programas de educação ambiental imperativo para transformação da sociedade. convencionalmente intitulado de ³Educação Ambiental´. como já foi periodizado. Como já visto anteriormente. Dentro desta realidade a educação tem em sua herança a divisão do conhecimento em disciplinas que fragmentam a realidade. pela redução do ser humano a um sujeito racional. grandes conferências internacionais. uma das formas de levar educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. é preciso atentar para as formas como esses conceitos são apropriados pelos educadores ambientais e que posicionamentos político pedagógicos seriam mais relevantes? ³A diversidade de nomenclaturas hoje enunciadas (referente aos diversos adjetivos atribuídos ao substantivo ambiental. porem.. trabalhos escolares..). Porem. Parece-nos obvio a primeira vista. educação ambiental critica. pesquisas e debates. pela divisão das culturas. (.3 . ecologismo ambiental. e a questão da educação. políticas de educação ambiental fazem parte das ações do estado que as implanta nos sistemas educacionais Acumulando leituras sobre a questão ao longo do curso de graduação em geografia pudemos perceber que a Educação Ambiental está ligada a dois eixos que me parecem essenciais: a questão dos desequilíbrios ecológicos. Segundo Munhoz (2004).A QUESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO A EA surge a partir dos anos de 1960 sobre a ótica conservacionista. 2005). Assim.. Através de atividades como leitura.) O fato é que designar diferentemente esse fazer educativo voltado à questão ambiental. 20 . dos desgastes da natureza.

Um modelo de civilização tem se imposto com o passar dos séculos. Em 1996 a Secretaria de Educação Fundamental .também estabelece outras identidades.Educação ambiental e ensino formal no Brasil A educação ambiental no ensino formal tem enfrentado inúmeros desafios. com a intenção de ampliar e 21 . surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos.1 . Observar o espaço geográfico sob uma perspectiva ambiental significa tornar claras as inter-relações e interdependências dos diversos elementos que compõe a mesma. 2004). a mecanização da agricultura. lançou os Parâmetros Curriculares Nacionais ± PCN¶s do Ensino Fundamental. sem construir mediações adequadas e experiências significativas de aprendizado pessoal e institucional. ao mesmo tempo.SEF definiu as grandes diretrizes básicas que deveriam então orientar os processos de ensino-aprendizagem no ensino fundamental. não pertencer a nenhum dos lugares já estabelecidos na atual estrutura curricular de ensino. via Secretaria de Educação Fundamental ± SEF. com sua forma de produção e organização do trabalho. entre os quais poderíamos destacar o de como se inserir de forma central nas práticas escolares a partir de sua condição de transversalidade. participação e co-responsabilidade pela vida social. pois isso pode significar tanto ganhar o significado de estar em todo lugar quanto. que tem como temas norteadores a dignidade da pessoa humana. o que a fez constituir-se como temática transversal. o uso intensivo do solo. O MEC. ou muda ao menos minimamente essa estrutura ou permanece a margem. a utilização de agrotóxicos e a concentração populacional nas cidades. com os modelos de otimização de exploração dos recursos naturais. alicerçado na industrialização. carregadas de significados´ (LAYRARGUES. Ressaltando a importância da educação para formação de seres sociais reflexivos e críticos. 3. a igualdade de direitos. À medida que a humanidade evolui suas técnicas. enunciadas no próprio nome. porem sua essência inovadora pode ser uma ³faca de dois gumes´. A EA encontra-se numa encruzilhada. A EA tem como ideal a interdisciplinaridade e uma nova visão de organização do conhecimento. aumenta sua capacidade de intervir na natureza para satisfação de necessidades e desejos produzidos pela lógica materialista-desenvolvimentista.

a parte de Geografia propõe um trabalho pedagógico que se propõe a ampliar a capacidade dos alunos. adquirirmos uma consciência maior dos vínculos identitarios que estabelecemos com os mesmos. os princípios e os procedimentos de Geografia são apresentados como recursos a serem utilizados pelo professor no planejamento de suas aulas e na definição das atividades a serem propostas para os alunos. e. enquanto ciência e disciplina escolar. à análise e seleção de materiais didáticos e de recursos tecnológicos e. Finalizando. o documento traz uma série de indicações sobre a organização do trabalho escolar do ponto de vista didático. Nas orientações didáticas. mostrando suas tendências atuais e sua importância na formação do ser social. Na segunda parte. 1998). pais. comparar e representar o lugar em que vivem a partir de diferentes paisagens e espaços geográficos. para que os alunos se aproximem e compreendam a dinâmica deste campo de conhecimento. os procedimentos e as atitudes a serem ensinados. Também ³podemos conhecer as múltiplas relações entre os lugares. para que servissem de apoio às discussões e ao desenvolvimento do projeto educativo das escolas. Nos PCN¶s. na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL. 1980). assim como as cristalizações do passado no presente do passado no presente´ (Santos. uma vez que oferece instrumentos essenciais para compreensão e intervenção na sociedade. de interpretar. 22 . assim. do ensino fundamental. encontramos sugestões de como pode ser trabalhado a disciplina. (BRASIL. distantes no tempo e no espaço. à reflexão sobre a prática pedagógica. A partir de determinadas leituras podemos compreender como diferentes sociedades interagem com a natureza na construção de seu espaço.2 . Nesta são expostos também os conceitos. que pudessem contribuir para a formação e reciclagem dos professores. ao planejamento das aulas. em especial. nas séries iniciais. tem um tratamento específico enquanto campo de conhecimento. as singularidades e as similaridades dos lugares em que vivemos. 2001) 3. A primeira parte descreve uma epistemologia da Geografia.aprofundar um debate educacional envolvendo escolas. governos e sociedade.Os PCN¶s e a Geografia A Geografia.

para compreender como eles são praticados. respeitando as peculiaridades de cada uma destas áreas. 23 . as disciplinas não se integram para resolver problemas a cerca da temática. visando garantir a construção de um conhecimento globalizante Nesse sentido. A Interdisciplinaridade rompe com os limites das disciplinas. É importante apresentar alguns conceitos sobre Interdisciplinaridade e transversalidade.. no cotidiano escolar e na construção do conhecimento.3 . fragmentadora. pois não há como abordar-la partindo de uma visão tradicional. p. O intuito maior ao abordarmos estes dois conceitos é tratar da aproximação dos campos do conhecimento. Interdisciplinaridade e transversalidade são questões essenciais para se abordar a temática ambiental. Fazenda afirma que a interdisciplinaridade é um termo utilizado para caracterizar a colaboração existente entre disciplinas diversas ou entre setores heterogêneos de uma mesma ciência ³(. experiências e visões de mundo. visando um enriquecimento mútuo´. o qual começa com a noção de multidisciplinaridade. métodos. Alguns autores classificam interdisciplinaridade como uma postura que surge a partir da necessidade de tentar compreender a realidade de forma mais abrangente.. Portanto para se alcançar uma prática interdisciplinar devemos realizar trocas entre os conhecimentos. sob uma perspectiva rígida. porem este é um conceito ainda muito fechado. Trabalhar a interdisciplinaridade é uma possibilidade de relacionar conteúdos das diferentes áreas. 1996. apesar dos estudos acerca da interdisciplinaridade terem muito a contribuir. Já um conceito mais abrangente é o de interdisciplinaridade. Segundo Oliveira (2007).) caracteriza-se por uma intensa reciprocidade nas trocas. sem que os profissionais envolvidos estabeleçam entre si efetivas relações no campo técnico ou científico. Multidisciplinaridade é o conjunto de disciplinas que simultaneamente tratam de uma dada questão.A questão da transversalidade Como foi sugerido anteriormente. é um conceito desgastado por conta de sua utilização avulsa. objetivando sempre o enriquecimento mútuo.41).3. (FAZENDA.

o estado de espírito.. relaciona-se a temas que perpassam. individual e coletivamente. O Congresso de Belgrado. dentro de nossa analise. a Educação Ambiental é definida como o processo que busca: ³(. atitudes.)´ (Capítulo 36 da Agenda 21). 3. as competências.) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhes são associados. transpassa a noção fragmentaria de conteúdo e abre a noção de parte da realidade. podemos compreender interdisciplinaridade convertese em um veiculo à transversalidade.. a meu ver de forma direta.)´ (citado por SEARA FILHO. e esta já se configura como necessidade e como reação diante das insuficiências do paradigma mecanicista. porém sem constituir novos campos disciplinares.4 . a abordagem de temas transversais sugere.. a ³globalização do currículo´. definiu a Educação Ambiental como sendo um processo que visa: ³(. na busca de soluções para os problemas existentes e para a prevenção dos novos (. habilidades.) formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito.Abro um parêntese aqui para entrar finalmente. na questão da transversalidade que por definição.. No Capítulo 36 da Agenda 21. A transversalidade é um desafio maior do que em princípio se pretende propor. G. A transversalidade então pressupõe pontos de encontro das distintas áreas do saber.. motivações e compromissos para trabalhar. atravessam diferentes campos do conhecimento. Assim. as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam (. promovido pela UNESCO em 1975. as concepções e perspectivas mais relevantes ao desenvolvimento deste trabalho serão abordadas posteriormente.. Uma população que tenha conhecimentos. 24 ..Uma evolução de conceitos da educação ambiental Diversas classificações e denominações explicitaram as concepções que preencheram de sentido as práticas e reflexões pedagógicas relacionadas à questão ambiental. uma população que tenha os conhecimentos. 1987). Neste primeiro momento o intuito é abordar de forma geral e apontar suas extensas vocações..

viver e socializar´. Não uma nova ideologia ou uma nova pedagogia atrelada aos novos paradigmas. o atual cenário de descuido com os nossos recursos naturais e com a Vida. portanto é o nome que historicamente se convencionou dar às práticas educativas relacionadas à questão ambiental. nos diz que: ³. para verdadeiramente transformarmos o quadro de crise em que vivemos. mas a interface dos campos ambientais e educativos é uma conquista da sociedade que vai além de um acessório às diversas formas de ³educações´. olhar. 25 .. Assim. considerando principalmente.. Sauvé (1996) e Carvalho (2003) nos lembram que a EA adentra no campo educacional. 2003 In: Layrargues.´ Para Brandão (2002): ³devemos aprender que a EA não é outra matéria a mais nas nossas escolas. Educação Ambiental. (2004). mas sim transformada. Não é um dado conteúdo pedagógico extra destinado a aumentar a carga de conteúdos de nossos currículos escolares. sentir. Layargues. diversas ideologias e diferentes pedagogias´. pois dentro de suas inúmeras vocações e vertentes cabem diferentes filosofias de vida. podemos afirmar que. a EA se define como elemento estratégico na formação da ampla consciência crítica das relações sociais que situam a inserção humana na natureza´ (LOUREIRO. de certa forma. É um cenário cultural e pedagógico de convergência de diversos campos de saber. ao abordar a esfera educacional. constituindo-se como um ³substantivo´ político forte que redimensiona o campo educacional e ambiental. ³um outro aprender a saber. ³Educação Ambiental´ designa uma qualidade especial que define uma classe de características que juntas. posicionando-a na esteira dos movimentos sociais e ecológicos mais que ao campo institucional educativo estrito senso é. 2004 ). uma tomada de posição nesta disputa político-conceitual´ (Carvalho.). de sentido e de ação que deveria vir a ser um caminho de encontros por meio do qual toda a educação que praticamos possa não apenas ser reformulada.cit.Para Loureiro: ³A constatação dos fatos históricos. permitem o reconhecimento de sua identidade. ³Reconhecer o pertencimento da EA ao campo ambiental. diante de uma Educação que antes não era ambiental. Assim podemos resumir que a EA é outro ponto de partida. op.

Uma vês que este estudo é voltado. colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa.. raça.) uma teoria defini-se pelos conceitos que utiliza para conceber a µrealidade¶. histórica. as grandes categorias de teoria do currículo e os conceitos a elas associados: às teorias tradicionais referem-se os conceitos ensino.se uma reflexão. De modo geral. desenvolve .) (BRASIL. E no que diz respeito às perspectivas na esfera do currículo. que gere o menor impacto possível e respeite as condições de máxima renovabilidade dos recursos (. desenvolver suas potencialidades e adotar comportamentos pessoais e sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com seu meio.)´. p. classe social. 26 . abundância e diversidade. ao longo do trabalho.) é fundamental a sociedade impor regras ao crescimento. protegendo e preservando todas as manifestações de vida no planeta e garantindo as condições para que ela prospere em toda a sua força. deve-se cuidar. sejam estas tradicionais ou não. para que o uso econômico dos bens da Terra pelos seres humanos tenha um caráter de conservação. p.De posse disto. planejamento. avaliação... In apud velloso (2006. algumas passagens dos PCN de Meio Ambiente que consideramos relevantes para a apreensão da concepção de Educação Ambiental. 1998. à exploração e à distribuição dos recursos de modo a garantir a qualidade de vida daqueles que deles dependam e dos que vivem no espaço do entorno em que são extraídos ou processados. principalmente à analise dos conceitos e praticas adotadas na escola publica. uma tendência conservadora na temática: (.. conscientização. destacando. organização. alteridade. conforme assiná-la Silva (2003. 17). reprodução cultural e social. 173). O autor define.. Partimos do pressuposto de que a educação ambiental está imbuída de um conteúdo político e de que a ação educativa situa-se numa ampla e complexa relação de conflitos.. sexualidade e multiculturalismo. isto é. identidade. subjetividade. ao longo das oito séries do ensino fundamental. acerca da questão ambiental e da educação ambiental propriamente dita. social e culturalmente condicionados. significação e discurso. às teorias pós-críticas. metodologia. 60): ³(. gênero. poder. às teorias críticas. oferecer meios efetivos para cada aluno compreender os fatos naturais e humanos referentes a essa temática. Portanto. e mais maciçamente nesse primeiro momento. aprendizagem. saberpoder. diferença. ideologia. Aqui o discurso dos PCN apresenta. etnia.. relações sociais de produção. cultura. (. eficiência e objetivos. capitalismo. representação. os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN¶s) propõem que a escola deverá.. didática. emancipação e libertação. currículo oculto e resistência. da seguinte maneira. p. no que será apresentado a seguir.

baseado na crença de que razão ciência e tecnologia impulsionariam a historia continuamente em direção a verdade e a melhoria das condições de vida. associada a exploração cruel do modo de produção que resulta no modelo de degradação ambiental em que vivemos . porem.Racionalidade. a racionalidade passou a ser uma ³faca de dois gumes´ quando esta inseri a natureza no processo produtivo incorporando-a em sua ³cultura´ de dominação. educação e a problemática ambiental SALINAS (1989). mais civilizatórias que ambientais. A revolução cientifica (sec. 3. de modo geral. uma orientação crítica na qual o processo educativo está comprometido com a contextualização e o aprofundamento da problemática ambiental nas relações sociais: ³(. Isso implica um novo universo de valores no qual a educação tem um importante papel a desempenhar (BRASIL. sociais. e relações sociais que não perpetuem tantas desigualdades e exclusão social.5 . In: BORDOLOZZI (1997). o quadro de crises.. se constituem no próprio cenário da modernidade ± reforçando que nada é considerado mais atual em qualquer época que a obsessão pela tecnologia e seus efeitos sobre a humanidade ± pois é a forma de exploração dos recursos naturais estabelecida pelo homem. de novos caminhos e modelos de produção de bens. ocorrem também mudanças nas condições econômicas. individual e coletivamente. que garantam a sustentabilidade ecológica´. ignorando sua própria existência enquanto integrante da natureza. 180). A esses termos. p. nos diz que dentro da construção de um pensamento racional seria coerente esperar que o acúmulo de conhecimentos permitisse ao homem dominar de forma plena a natureza racionalizando indefinidamente suas condições de vida.. para suprir necessidades humanas. políticas e culturais instaurando uma reformulação nas ³necessidades´ de consumo. e. Com a revolução industrial. 1994) quando mostra que ³o modo de produção atual esta voltado mais para uma revolução cientifica e técnica e não social e política´. modernidade.Já em outros trechos. 1998. 27 . instituiu uma feição mecanicista à natureza. XVIII).) a questão ambiental impõe às sociedades a busca de novas formas de pensar e agir. provocado pelo modo de produção capitalista como aponta (LEFEBVRE In: SANTOS. ao mesmo tempo.

compreensão da organização do espaço e das relações sociais. Temas transversais são temas norteadores dos saberes dentro do currículo da escolaridade obrigatória. com os fatores de homogeneização hierarquização e fragmentação do cotidiano (. torna-se mais clara a percepção dessa necessidade de trazer a temática ambiental para a sala de aula. instigada a responder a questionamentos como: Como relacionar o local e o global? Como sensibilizar os alunos para a importância do 28 . 19998) propõem trabalhar a questão ambiental de forma transversal. e as orientações didáticas de todas as disciplinas. A sociedade da produção industrial. Os novos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL.. tornando-se irracional. as praticas. mais que nunca. traçam eixos que guiam os conteúdos. rompendo segundo LEFEBVRE (op. podemos entender que é papel da educação ± e ao nosso entendimento por conseqüência do educador ±³contribuir para a mudança paradigmática do saber´ através de ações que possam gerar agentes críticos e modificadores da realidade. e que esta se encontra. Com isso pretende que esses -se temas ajam como saberes integradores das áreas convencionais relacionando-as aos temas atuais. E pode-se entender também que as transformações que se verificam no mundo atual trazem consigo preocupações que historicamente envolvem a pesquisa e o ensino de geografia.)´. daí a importância do ensino de geografia. e a formação de multinacionais. o que ocasionara uma ³conscientização da importância da produção de novos conhecimentos. com a expansão econômica e o processo de globalização instalados no mundo..). intensificam-se as formas de apropriação da natureza. Cit. o qual tem essas questões em sua base construtiva. A luz dos pensamentos de Bordolozzi. tecnológica e cientifica transforma natureza em recurso e organiza-se de forma cada vez mais eficaz à exploração. a educação pode abrir caminhos para o desenvolvimento de novos valores necessários ao encaminhamento de uma mudança paradigmática do saber.De acordo com BORDOLOZZI (1997) em meados do século XX. Dentro de um caminho mais bem delineado na esfera do papel da educação esta a . A partir destes entendimentos a cerca de razão. e nestas a resposta para formação de um cidadão comprometido com a questão ambiental. modernidade e educação ambiental. Desse modo. seu objeto de estudo: o espaço geográfico.

mais além a sociedade regional ou o «vasto mundo» da sociedade global constituem outras tantas pessoas ou grupos que animam os círculos da vida. da criança até o homem. 29 . para a compreensão dos problemas ambientais? Trata-se de questões que indicam que emerge a necessidade de se repensar a contribuição do ensino da Geografia à temática ambiental na Educação Básica. 28). encontramos as bases para adequação das lentes entre geografia e educação ambiental. flexível. levando a compreensão geográfica dos lugares um pouco alem da objetividade do mundo físico. As relações sociais manifestam-se através de certas repartições espaciais. 1980 In: REFFATTI. tendo como objeto o espaço vivido. 3. p.6 . os irmãos. 1990. é fundamental que este se torne um agente da pesquisa da realidade. os parentes e as amizades. Entende-se que. em especial. ³para que o ensino forme o aluno do ponto de vista reflexivo. através do trabalho humano. implica na transformação da natureza. as estruturas do espaço humanizado não podem ser captadas sem referência ao conjunto das relações de sociedade. Se partirmos do pressuposto da produção do espaço como um produto da ação humana.conhecimento da geografia para a sua vida em suas múltiplas dimensões e. e não somente um receptor do conhecimento produzido por outros. crítico e criativo. Podemos observar a estreita relação do olhar geográfico com a formação do tecido social Quando a geografia interpreta a formação da sociedade a partir das relações de proximidade. (FRÉMONT. podemos demonstrar a importância das mesmas à sociedade. os grupos profissionais e as relações de vizinhança. A mãe e o pai. os camaradas e os professores. uma vez que a produção do espaço. espaço geográfico passa a ser entendido como ³o resultado de uma construção do conhecimento e não um dado preexistente em si´ (OLIVEIRA. e procurando apresentar quais são os paradigmas que constroem a visão do educador de geografia. sociedade e educação Este tópico tem por pretensão aproximar a problemática ambiental ao ensino de geografia. apontando os principais objetos e justificativas do estudo. 2001 ).Uma aproximação com a geografia: Geografia. e a partir daí. Nesse sentido. Isso esta demonstrado de forma clara em FRÉMONT: O espaço vivido toma dimensões sociais à medida que se forma. Inversamente.

assumem a perspectiva popular. 2000 In: REFFATTI. por não ter ainda um nome. mas também. tanto no âmbito epistemológico como no social: do paradigma da modernidade para um outro que. 1997. da transformação da ordem social. A Geografia. que seja organizado em função dos interesses dos homens´ (MORAES. em alguma medida. p. resultantes do processo de desenvolvimento que 30 . tem como primeira preocupação a transformação da ordem social: ³Os geógrafos críticos. enchentes. A luz das idéias de Milton Santos (1996). a rapidez com que acontecem as coisas acaba influenciando na transformação do espaço trazendo conseqüências que nem sempre são pensadas junto aos movimentos de produção e apropriação em suas diferentes escalas. é por muitos autores caracterizado como ³pós-modernidade´. A emergência destes problemas ambientais nas últimas décadas trouxeram novos desafios tanto à sociedade quanto às ciências. 2001 ). monoculturas. secas. desmatamento. Souza Santos (1996) In: Goettems (2006).Esta interpretação pode também ser aplicada à escola. (Rego. não é raro vermos movimentos sociais nas manchetes ou trabalhos acadêmicos que utilizam paradigmas da temática ambiental. O conhecimento geográfico produzido na escola pode ser o explicitamente do diálogo entre a interioridade dos indivíduos e a exterioridade das condições do espaço geográfico que os condiciona sendo esse diálogo mediado pelas dinâmicas intersubjetivas estabelecidas na relação educacional. Um dos sinais de desgaste da modernidade é demonstrado pelas degradações ambientais. ao como transformar a realidade cotidianamente vivida. podemos dizer que o que marca a entrada do século XXI é a velocidade das transformações da sociedade e o fluxo de informações. Buscam uma geografia mais generosa e um espaço mais justo. intersubjetividades que podem chegar a acordos referentes não somente ao como compreender. Alguns dos temas mais discutidos na atualidade são referentes a questão ambiental. 127). defende que estamos numa fase de transição paradigmática. em suas diferenciadas orientações. como vemos em Rego: A escola ± espaço privilegiado para educar a intersubjetividade ± pode ser também o espaço onde a geografia supere a disciplinaridade coisificante para se converter na produção de saberes que façam da transformação do espaço vivido o objeto catalisador de pensamentos e ações dos educandos. reserva hídrica entre outros. causando certos impactos ao meio. concebida de uma maneira crítica.

que pode e deve trabalhar a Educação Ambiental como parte de sua área de atuação. É o caso da Geografia. organizando novos recortes geográficos. deve procurar não interpretar sociedade e natureza como pólos antagônicos e excludentes. a Educação Ambiental presente no conteúdo do ensino básico tratado pela Geografia. baseada na apropriação de recursos. uma vez que os mais pobres são os mais afetados pela degradação do Planeta. p. como afirma Moraes (1994. Isto justifica a pertinência e a importância da Educação Ambiental. Isso se deve ao tamanho do problema que a sociedade conseguiu gerar no que tange à maneira de interferir no ambiente Partimos assim do entendimento de que o ensino de geografia deve incorporar a problemática ambiental e esclarecer que um mesmo espaço pode constituir-se de diferentes problemas ambientais ou problemas ambientais semelhantes podem ocorrer em espaços distintos. 83). Assim. e que acaba gerando uma visão de natureza enquanto recurso. entendemos que a Geografia é uma das ciências. suas causas são oriundas de um mesmo processo histórico de produção do espaço geográfico e de sua organização e gestãoterritorial. quando diz que: ³Algumas disciplinas têm aspectos da temática ambiental dentro de seu horizonte tradicional de pesquisa. que tem na relação homem/natureza um de seus mais clássicos temas de reflexão´. 1997). Dessa forma. ao abordar a questão ambiental. e sim possibilitar uma abordagem crítica das práticas concretas dos atores que atuam na organização do espaço 31 .se dá como sinônimo de acumulação capitalista. A partir desta visão de natureza enquanto recurso forma-se as bases para a apropriação e o controle dos espaços que dispõe destes recursos. como mera condição de produção. O estabelecimento de controle e relações de poder dentro de um determinado espaço configura um território. Assim. por exemplo. a própria observação dos cenários de degradação ambiental mostra a necessidade de uma autêntica educação ambiental. Essa relação sociedade/natureza. embora os problemas ambientais possam ter essas configurações. (BORTOLOZZI. o que não se diferenciam são as causas que os originam. A geografia. Portanto. tem importância fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária e para o uso racional dos recursos naturais. é discutida na ciência geográfica. porem.

pois suas praticas de ensino são guiadas pelas mesmas. No processo de analise das escolas. pois. se por um lado (re)produz formas estáticas de explicar a realidade. Sem esquecer que é importante considerar também as visões que o professor de geografia tem sobre a questão da educação ambiental. Segundo ele. a práxis no ensino de geografia. A questão da integração no ensino de geografia deve ter dentro de si o conhecimento da realidade próxima ao aluno. ensino e geografia. o ensino de geografia pode explicar como o espaço geográfico é produzido socialmente. 32 . questões como esta são pertinentes ao intuito deste trabalho de tentar aproximar problemática ambiental. rapidamente. onde a escola é entendida como parte de espaço geográfico que foi socialmente construído e também como um lugar de contradições que. por outro.BORTOLOZZI (1997) ressalta também que os conhecimentos produzidos nas práticas escolares podem contribuir para uma gestão adequada dos problemas ambientais e para caminhar para um desenvolvimento sustentável. Assim. em alguns casos. ou seja. ao que posso compreender o desenvolvimento da educação ambiental. pois isso será possível se contarmos com a participação de cidadãos conscientes. pode apresentar elementos geradores de mudanças Introduzimos aqui. a questão da interdisciplinaridade. parece estar perpetuando as mentalidades e praticas conservadoras já existentes em vez de construir novos pontos de vista. como forma de educá-lo para cidadania. enfatiza a necessidade da integração entre escola e comunidade através de praticas docentes voltadas para uma EA integradora. a busca de uma visão mais completa da realidade. a qual entendemos ser uma ferramenta indispensável para uma mudança paradigmática na forma como se apresenta o saber.

a qual faz parte também da tradição emancipatória. fato que a torna crítica. com as tradições marxistas e humanistas. mas também admitir que ela possa transformar as condições sociais. Como a abordagem históricosocial crítica. uma teoria pedagógica. podendo contribuir para a sua própria transformação" (p. é não-crítica se "acreditar (.94).. e sim adequada aos interesses da maioria.93). explorado pela classe dominante" (p. reprodutora da situação vigente. gozando de uma autonomia plena em relação social" (p. mesmo numa sociedade capitalista.A PERQUISA EM CAMPO: UMA ANALISE DAS ESCOLAS 4. fato que a torna histórica. é viável. acredita que "a educação também interfere sobre a sociedade. "uma educação que não seja. desta camos aqui as de concepção dialética.2 .1 . para ser histórico-crítica precisa reconhecer que a educação é determinada socialmente.. necessariamente. Ele nos diz que a pedagogia histórico-crítica. Ainda segundo Saviani. aos interesses daquele grande contingente da sociedade brasileira.Uma abordagem de educação No campo de abrangência da educação e suas abordagens.94). Para Saviani (2003).) ter a educação o poder de determinar as relações sociais. A educação.4 . Então em resumo.Apresentação das escolas Foram selecionadas duas escolas municipais como objetos de pesquisa Para desenvolvimento do processo empírico ± cujos resultados serão apresentados e analisados posteriormente ± a Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe 33 . à estrutura 4. e precisa ser transmitido aos que estão sendo educados. embora "consciente da determinação exercida pela sociedade sobre a educação". para Saviani. Uma teoria pedagógica é crítica se "levar em conta os determinantes sociais da educação". elaborada por Saviani (2003). é transmissão do saber.

característica esta referente à fundação Escola Bosque. está localizada em um bairro um pouco mais afastado das áreas de aglomeração populacional.Moreira e a E. ambas as escolas localizadas na ilha de Caratateua. em geral vem de famílias humildes que tem como base de seu sustento prestação serviços. que representam 69% da superfície do Município de Belém. As escolas estão situadas na região insular de Belém. difundindo-a prioritariamente junto à Rede Municipal de Ensino de Belém. onde reside uma camada mais tradicional da comunidade. Monsenhor José Maria Azevedo. alicerçadas pela sobre-ocupação de descendentes que também caracteriza o lugar. é finalidade da Escola Bosque fomentar a educação ambiental em caráter formal e não formal. A população predominante do lugar é de famílias de baixa renda. 34 . primeiramente. nos domínios da bacia hidrográfica do rio Maguari (ilha de Caratateua). Estas foram selecionadas. principalmente com a economia informal com o turismo de lazer ou de férias para fins recreativos (balneário). A proposta de formação educacional oferecida pela Escola Bosque baseia-se nos princípios da democratização. voltados para o atendimento das demandas da região amazônica. comumente informais. Nesta comunidade configuram-se relações de proximidade e vizinhança. apesar de não ter a mesma condução do trabalho pedagógico ± este foco direcionado essencialmente a educação ambiental. ilha do estuário Guajarino e distrito administrativo do município de Belém. A E. local de grande extensão de áreas verdes e recursos naturais que são utilizados pela população local. por pertencerem a mesma localidade e terem como base as mesmas características ambientais . Manejo de Fauna e Ecoturismo.. para fins de subsistência (a exemplo a pesca artesanal). que veremos melhor a seguir. por sua localização geográfica. representada por companhias de transporte marítimo. ou pela economia formal. pela proposta pedagógica. mediante a formação de profissionais ligados à área de estudos sobre o meio ambiente e a implementação de projetos e ações educacionais voltados para a sua preservação. qualifica técnicos em Manejo de Flora.M. na região metropolitana de Belém. Monsenhor José Maria Azevedo. De acordo com os diálogos do grupo focal. no que se refere à formação profissional. Segundo seu próprio estatuto. a Escola tem também como prioridade o atendimento à demanda educacional das ilhas. etc. Atuando em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.M. movelarias. os alunos de ambas as escolas. e por serem da mesma esfera administrativa (município de Belém).

Os professores e as considerações sobre a pesquisa de campo Foram selecionados para realização deste trabalho oito professores como objetos de pesquisa Para desenvolvimento do processo empírico. levamos em conta então. nem o mais antigo exercendo a docência na ilha. entretanto não houve interesse por parte dos professores em participar do projeto. apenas três professores se dispuseram a responder os questionários.3 . 35 . Foram buscadas ainda outras escolas.M. Buscou-se investigar os métodos adotados por esses professores para trabalharem esse tema na 5ª série do ensino fundamental nas escolas municipais. porem. 4. Assim. ainda com a restrição de não utilizar seus nomes no trabalho. Monsenhor José Maria Azevedo seria a escola mais adequada para se comparar com os resultados da Fundação Centro de Referencia em Educação Ambiental Professor Eidorfe Moreira. que a E. ³B´ e ³C´. pode-se dizer que os professores que atuam nas escolas em questão apresentam significativa experiência no trabalho como educadores. a disposição dos professores em colaborar e dividir suas experiências e concepções no ensino de geografia. Para a realização deste trabalho. atuam como professor entre cinco e dez anos. Pensou-se ainda na possibilidade de trabalhar com professores de outras disciplinas que estavam dispostos a colaborar com o estudo. Portanto. por motivos de proibição do uso pleno dos dados obtidos na entrevista ± com o propósito de analisar a percepção que eles têm do conceito de educação ambiental e suas aplicações.Concluí assim. porem essa alternativa descaracterizaria o trabalho que se refere mais a abordagem dos professores de geografia em relação à aplicação da EA. Quanto ao tempo de atuação dos educadores. foram entrevistados 03 professores de geografia ± que vamos denominar professores ³A´. dois possuem apenas graduação e especialização e um possui mestrado ± é importante salientar que nenhum dos professores. residem no local.

os dados qualitativos e quantitativos que posteriormente serão trabalhados em sala de aula. atividades em Educação Ambiental não são aplicadas regularmente no cotidiano do ensino formal. Todos os professores entrevistados trabalham Educação Ambiental utilizando principalmente estratégias como textos informativos. Alguns dados quantitativos foram levantados para caracterizar o trabalho desenvolvido pelos professores do Ensino Fundamental das escolas municipais de Belém. Entende-se como ³Trabalho de Campo´ um momento. ou de qualquer outra disciplina. Geralmente. a maioria ocorre oportunamente seguindo o calendário escolar. dentro da dinâmica do grupo focal. Pudemos extrair alguns dados muito importantes ao trabalho. Os professores denominaram essas atividades como ³Trabalho de Campo´. No dialogo com os alunos. tanto para o desenvolvimento das práticas de ensino como para a formação do professor. O professor (B) e o professor (C) declararam desenvolver alguma atividade extraclasse com os alunos. documentação e a interpretação de dados teóricos e empíricos. 36 . O objetivo aqui é. o que requer a utilização de certos procedimentos metodológicos para observação. Optou pela -se aplicação de um questionário semi estruturado em questões abertas e fechadas para a obtenção de um panorama geral a respeito do trabalho dos professores de geografia. por meio da observação e do registro. apresentar os resultados do questionário respondido pelos professores. A partir da pergunta elaborada para o questionário: ³Você costuma desenvolver alguma atividade extraclasse com seus alunos durante o ano letivo ? Comente´. que permite obter. sobre as questões ambientais. O método de estudo.A experiência de trabalho como educador é um requisito importante para o processo de ensino e aprendizagem. possibilita a realização de uma ³pesquisa básica e aplicada´. referindo-se a atividades realizadas fora da escola. indicaram respostas que confirmam o grande interesse dos alunos por esse tipo de atividade. portanto. e confirmam a potencialidade quanto ao desenvolvimento da aprendizagem de conteúdos de Geografia. exemplos e conteúdos inseridos em aula e conscientização e preocupação com problemas ambientais em escala global.

divididas em categorias como: unidades de paisagem. Um dado relevante indicado pelo questionário refere-se à localização das áreas escolhidas. para a realização de ³Trabalho de Campo´. Trata-se de um dado que denota certa falta de preocupação com a observação do entorno da escola . Porem. pelos professores. alem da falta de preocupação com a realidade local. tanto do entorno da escola como de aspectos com os quais a comunidade escolar não convive diretamente e que podem vir a ser objeto de estudo. levando principalmente em consideração a geomorfologia da área. geralmente desenvolvem esse tipo de atividade fora do bairro em que se localiza a escola (geralmente áreas fechadas como parques bosques ou museus) o professor da escola bosque relatou que realiza tais atividades em caminhadas por trilhas dentro do próprio espaço escolar. Todos os professores entrevistados durante as conversas declararam que a prática pode auxiliá-los na abordagem de uma multiplicidade de temas e conteúdos. Pedimos aos professores que pontuassem e/ou marcassem os elementos que compõem a paisagem da orla. formas de relevo resultante destes processos e formas de ocupação e uso da orla. Foi ignorada nos questionários dos professores ³A´ e ³B´ a unidade de paisagem terra firme. alem de terem sido respondidas erradamente (ou ao menos de maneira incompleta) nos três questionários as formas de relevo que compõem a paisagem da orla dentre as quais não foram assinaladas promontórios e enseadas. 37 . e o processo de ocupação e uso do solo com as invasões em áreas vitais ou de risco que é diretamente relacionado ao tema e poderia ser abordado durante um estudo de qualidade de vida. Relacionando ao que a priori nos soou como falta de preocupação com a situação ambiental local. que se constitui em parte por falésias.A responsabilidade do professor de Geografia assume particular importância nesse sentido. é relevante analisar o item seis do questionário que se refere a formação das unidades de paisagem nas margens fluviais ilha de Caratateua. visto que estes afirmaram tomar iniciativa para a realização de pesquisa de campo em suas escolas. algo mais grave que é a falta de conhecimento em geografia física. processos eólicos e hidrodinâmicos. conhecimento este necessário à abordagem dos temas da EA. A atividade nos revelou.

Por outro lado é levantado dentro de sala de aula discussões como o problema da poluição e tratamento da água ou a produção e destinação do lixo doméstico na ilha. (OLIVEIRA. Reciclagem e Visitas Ecológicas.. da permanência do professor em uma só escola. a relevância da geografia para a educação ambiental ± um detalhe a ser acrescentado é que nenhum dos professores respondeu que há participação dos alunos na fase de planejamento das atividades.A dificuldade no trabalho da EA e com a adoção dos ³trabalhos de campo´ como prática freqüente nos planos de curso podem ter outra explicação alem das apresentadas pelos professores. bem como apontamento de prováveis soluções para os problemas. Trabalhos de Ecologia. Visto isso. procurou-se mensurar a preocupação dos professores com a questão. e as respostas obtidas. tanto para conseguir o envolvimento e o compromisso de todos como para possibilitar a aprendizagem nas diversas etapas.) Acredita-se que a participação dos alunos em todas as etapas da realização do Estudo do Meio é fundamental. o que sem duvida é um ponto positivo no processo de (re)construção do saber. no qual se procurou contextualizar. Em rápida dinâmica. 1990) Conforme discutido no capítulo dois. como sugere um modelo participativo. Os tópicos 38 . que são parte do cronograma da escola. devido sua complexidade e suas múltiplas possibilidades de leitura. foi pedido no questionário que marcassem e/ou sugerissem tópicos em que pudessem abordar as praticas de educação ambiental. não foram observados em quantidade relevante. realizou ou incentivou algum projeto em Educação Ambiental em sua escola fora do contexto de Feira de Ciências ou Amostras Culturais. do ponto de vista do conhecimento. desde a escolha do tema até a socialização dos resultados´. Estes são dados que remetem à discussão teórica desenvolvida no segundo capítulo. Fica difícil realizar projetos a longo prazo tendo que estar em três ou quatro escolas diariamente´ Somente o professor da escola bosque. foram que: ³embora tenha vontade de desenvolver atividade em conjunto com outras disciplinas torna-se difícil na pratica por causa do tempo. ³(. utilizando como ilustração as palavras do professor ³B´.. a utilização da interdisciplinaridade no caminho à transversalidade é fundamental para o estudo integrado do meio. também fora dos contextos citados anteriormente.

como já foi citada. seguido da falta de tempo e depois de incentivo/apoio por parte da instituição a qual faz parte. das condições salariais e do trabalho realizado por eles com seus alunos. Procurou-se também analisar turmas de mesmo período. Com relação à falta de tempo. não configuram uma mudança na interpretação do espaço e não é suficiente para formar ou mudar valores. uma vez que eles cumprem em média 40 horas/aulas na semana ± o que na maioria das vezes é superior. ou eventos isolados. a falta de recursos e/ou material. Sob a iniciativa de um dos professores foi sugerida uma redação a eles com o tema ³problemas e soluções ambientais na ilha de Caratateua´. a conversa em grupo com os alunos.4 . Os principais obstáculos apontados foram. Tal situação reflete a insuficiência de verbas para as escolas públicas em geral. que são mais abundantes nas datas comemorativas. em primeiro. ainda por meio do questionário mencionado. apesar da consciência de que nossa presença por si só já alterava a rotina de seu cotidiano. para que pudéssemos ter um perfil semelhante entre os alunos. no caso matutino. cartazes. O que nos chamou a atenção para a facilidade no trato com elementos da problemática 39 . a apresentação de "folders". as principais dificuldades para a realização do Estudo do Meio. A Educação Ambiental deve se apresentar de forma constante no cotidiano. Adotamos também. esta é uma realidade para a maioria dos professores da rede pública. 4. a respeito das condições de trabalho na escola pública. Procuramos identificar.Análise dos textos produzidos pelos alunos Desse modo. Junto com as observações houve também conversas com os professores."Conservação e Preservação do Meio Ambiente". e haja verdade que a realidade do professor hoje é que para alcançar um padrão de vida razoável professores tende se submeter a cargas horárias cada vez maiores. foi sugerida a idéia de que além das observações das aulas seria interessante ter um registro dos alunos. "a sociedade e o Meio Ambiente" e "Práticas de Conscientização" foram considerados o mais adequados para atividades em Educação Ambiental.

em que o professor apresenta e explica o assunto. Podemos observar certa confusão na aplicação dos conceitos de paisagem e natureza. dos quais na escola Monsenhor foi preenchido apenas com parte expositiva. As aulas têm duração de 45 minutos. respeitando a idade e a capacidade de sistematização de informações de alunos egressos na 5ª serie. Em cada redação buscamos identificar idéias aplicadas de acordo com o tema proposto. quando a maioria dos alunos relaciona natureza ao que pode ser percebido com a visão. Outras razões possíveis são a influência familiar e o histórico escolar. Neste processo podemos observar também uma equivalência no volume de informações de ambas as turmas. o que nos reforça a idéia de que a questão ambiental esta estreitamente ligada a totalidade das realidades sociais. de conhecimentos geográficos para o desenvolvimento de seus textos. esclarecendo que alguns alunos vieram de outras escolas. que também utiliza material de elaboração própria. Já nas analises entre alunos de uma mesma turma podemos observar uma distancia significativa entre o volume de informações e o trato com os problemas comuns ao cotidiano. Tantos detalhes fizeram com que a análise das redações fosse adotada como um dos componentes centrais do processo de pesquisa. 40 . o que já nos basta para não devermos esperar uniformidade.5 . uso da natureza pela sociedade. degradação da paisagem e citação de órgãos como o IBAMA dentro de suas opiniões. ainda que de forma desorganizada.A didática em sala de aula As escolas utilizam como material de ensino os livros didáticos de geografia da 5ª serie distribuídos pelo MEC. 4. As observações apreciadas só foram levadas em consideração quando verificamos a incidência nas duas turmas. referente a questão ambiental. pude notar que os alunos se valiam. grosso modo. via SEMEC (secretaria municipal de educação). Dentre as razões para isso jamais poderemos nos esquecer que analisamos indivíduos com subjetividade. Já na Escola Bosque o professor preocupou-se em organizar dinâmicas que explicassem o conteúdo e à resolução de exercícios. salvo o professor da Fundação Escola Bosque. sociais e culturais. como mencionar Aspectos naturais.ambiental numa escala global.

a maioria das avaliações é dada em produção de textos ou seminários.4. As praticas de ensino e os conteúdos são trabalhados sob a perspectiva histórico-crítica. e são organizados com um objetivo muito bem definido que é a preparação dos alunos para o nível técnico ofertado pela escola. e mencionaram a falta de recurso ou material. ou seja. baseadas em provas. critica. a questão da difusão do debate sobre os temas ambientais pelos diversos veículos e níveis sociais globalizando os temas e incorporando-os ao cotidiano da vida humana. Contudo um a questão nos surpreende que é a questão das redações. as práticas de ensino e os conteúdos não são trabalhados de forma significativa. por que os alunos apresentaram tanta proximidade no volume de informações a cerca do tema? Uma primeira explicação possível e retomada aqui. Já da fundação escola bosque se pode dizer que desenvolve uma pedagogia significativa. Enquanto na escola bosque. sendo estas. que a escola Monsenhor desenvolve uma educação essencialmente tradicional. Dois dos três professores entrevistados não se sentem preparados para trabalhar a Educação Ambiental. o professor hoje não atende as necessidades ao que se refere a desenvolver um trabalho que incorpore a temática ambiental de forma consciente.6 . sendo tratada apenas como quesito obrigatório à obtenção de diploma de ensino fundamental. flexível e fluida. Conclui-se então.Formas de avaliação Na escola Monsenhor as formas de avaliação são tradicionais. sobre tudo com relação a forma como o ensino é transmitido. Os resultados reforçam o que afirma Dias (2001). testes de múltipla escolha com algumas questões dissertativas. 41 . tempo e estímulo como principais obstáculos. e a formação do aluno não é direcionada a nada. com tantas características diferentes.

contaminação das águas subterrâneas. baseado nas considerações apresentadas aqui. não será possível formar um cidadão nos valores propostos pelos PCN¶s. e em nosso caso enquanto campo de ensino. caso contrario. retirada da vegetação. 1997) sustentam que o educador precisa estar atualizado possibilitando atitudes de participação. inclusive a familiar. O futuro deve ser marcado com comprometimento e com a interlocução dos saberes e das instituições sociais. nas áreas de barra-praial popularmente denominadas praias. a ponto de ³formar alunos que reproduzem com impressionante facilidade alguns interesses que não são necessariamente os seus´. sobretudo em relação a transversalidade ambiental. e pelas reformas necessárias ao seu desenvolvimento. questionamento e busca de informações junto com os alunos. direcionando a aprendizagem para a discussão. o saber 42 . que agravam o problema das enchentes. são inúmeros: rios e igarapés transformados em canais de escoamento de detritos. A possibilidade de vermos alunos que guardam para si tais responsabilidades acaba por omitir os principais responsáveis. Defendemos a idéia de uma prática de ensino-aprendizagem que leve ao aluno condições de exercer sua autonomia e buscar entre outros valores a liberdade e a justiça. em especial na região das ilhas.CONSIDERAÇÕES FINAIS Os exemplos de degradação ambiental no município de Belém. O ensino de Geografia que tenha como um de seus objetivos a educação ambiental deve ser realizado com a preocupação de não tornar os alunos pessoas que carreguem para si as responsabilidades de problemas dos quais eles pouco participaram como atores. nem sempre esses desequilíbrios ambientais são devidamente explorados e questionados no âmbito do ensino da geografia.5 . não é capaz de fazer frente a discursos tendenciosos e tradicionalistas. constatou-se que não estão sendo aplicadas praticas que objetivem a educação ambiental. dentre outros Entretanto. que inibem o exercício da crítica. vemos que é hora de repensarmos práticas e conceitos. Esta é a razão de nos preocupamos com um ensino de geografia contextualizado numa área de temas ambientais. como as corporações industriais dos países ricos que se espalham por diversas partes do mundo. Quando constatamos que a geografia como todo. A respeito do ensino observado nas escolas selecionadas para o projeto. ou mesmo de outras disciplinas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC.

mal conceituada e mal trabalhada no ensino formal pode ser resultante da preparação inadequada da graduação. bem como as a diferenciação entre as diversas instituições que oferecem atualmente o curso no estado.reflexivo e a prática da pesquisa. a graduação pode não estar cumprindo seu papel de preparar futuros professores para terem a consciência e vontade de buscar o novo. nos submetemos a cargas horárias estendidas por conta da garantia de sobrevivência. podemos exercitar nossos conhecimentos em educação ambiental. que possui material abundante sobre o assunto. ao longo de nossa pesquisa foram encontradas dezenas de estudos sobre gestão ambiental ou educação ambiental ligada a outra ciência. Seria pertinente também expor aqui nossas inquietações. Muitas outras questões foram apresentando a necessidade de serem respondidas. o que fazer para que o conhecimento produzido transcenda a dimensão do papel e influencie de maneira positiva nas sociedades? Cada educador deve responder essa questão de acordo com o contexto em que está inserido. Outra questão é a falta de literatura de caráter geográfico com relação ao tema de EA. O que se percebe é que. Porem nos vemos as voltas com uma questão central neste trabalho que inquieta constantemente os educadores: como. a partir das práticas cotidianas. Porem. em se tratando de Educação Ambiental. a exemplo a formação d professor de o geografia e a capacidade de abordagem do tema de EA. não nos garante condições necessárias a essa qualificação. Teria diferenciação com relação a prática pedagógica? O fato da Educação Ambiental ser fragmentada. enfrentamos uma realidade onde não há estrutura de trabalho na maioria dos colégios públicos. 43 . Tal deficiência da geografia acaba por aproxima nos da pedagogia.

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