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EXERCÍCIO NARRAÇÃO

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EXERCÍCIO Tema

Abaixo, há elementos para a construção de um texto narrativo em que se tematiza o relacionamento entre duas pessoas, o cruzamento de duas vidas. Sua tarefa será; desenvolver essa narrativa, segundo as instruções gerais. "(...) as vidas não começam quando as pessoas nascem, se assim fosse, cada dia era um dia ganho, as vidas principiam mais tarde, quantas vezes tarde demais, para não falar naquelas que, mal tendo começado já se acabaram.(...)Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?" (José Saramago, Jangada de pedra, Ed. Record, p. 16)

Uma cena
Uma mulher, triste, lê o texto que você encontrará; disponível mais abaixo, pensa num homem que partilhou a vida dela anos atrás. • O texto é antigo, escrito para ela há muito tempo. ! . Está frio e chove lá fora, a casa está silenciosa e mulher chora. • O homem, sentado diante da escrivaninha do escritório, abre o computador e busca um arquivo: aparece na tela a amante ruiva, sorridente, feliz. • Um homem se olha no espelho e não se reconhece: tem rugas, cabelos brancos. ... • Um homem chora de saudades. • Uma mulher termina a leitura do texto, dobra o papel impresso e tenta reconstituir a história que viveu. • Um homem soluça de dor, indagando-se onde estaria a mulher ruiva que fez parte de sua vida. • Uma mulher se encolhe, se acomoda no sofá, imaginando onde estaria o homem que fez parte de sua vida. Ela também chora.

O texto lido pela mulher era o seguinte:
Nós temos histórias, segredos e medos. De nos perdemos um do outro o maior deles. Poemas que tu me escrevestes temos, onde sou tema, sem rima, puro sentimento, com a cadência desusada do bater do teu coração. Nós, entretanto, gostamos da chuva, e palavras temos ~ que inventamos para nós. E jeitos e formas que criamos, e nossas mãos que reconhecem o contorno dos nossos rostos, ainda que cegos estejamos. Mundo que construímos para nós temos sem alicerces visíveis, mas firme. Há um lugar em que plenamente vivemos, nos temos. De nós há uma parte maior que fica sempre em poder do outro, em secreto depósito, tal como protegido numerário suíço, que carregamos sem sentir o peso.

Há um imaginário chá de jasmim que juntos tomamos, há as histórias de nós que nos contamos, há o que juntos comemos, há o alimento que nos damos na boca da alma. Há o que mutuamente sabemos, que só nós sabemos sobre nós, que antes não sabíamos. Amigos, parceiros, amantes, namorados loucos, somos tudo. Há os passeios aéreos noturnos que fazíamos ; de mãos dadas. Voávamos, porque também podemos voar sempre pudemos, embora disso não soubéssemos. Um velho, um jagunço, uma mulher enleada nas primitivas cores dos panos, ladridos de cães nos protegendo, uma expressão arcaica que se refere ao tempo, um criado negro fiel e perigoso. Um cavalo, uma janela a ser saltada, um encontro num elevado um conquistador barato, um amor fugidio num corredor deserto, um encontro numa estrada, um beijo na avenida movimentada de domingo. Na rua andamos lado a lado, levando os livros que escolhemos juntos, medindo cada passo para não nos abraçarmos, a vontade de enlaçar teu ombro, vontade de furtar um beijo. Rimos. Há uma mistura de realidade e sonho que já não mais distinguimos, e nem queremos. Há um pacto que subscrevemos. Há a alegria de nos vermos. Há uma saudade que não passa, que ultrapassa tudo o que de razoável entendemos. Por conta disso inventamos o eterno abraço de quinze segundos, a efêmera fotografia no espelho, o beijo com a porta do carro aberta, o telefonema, o bilhete eletrônico, a troca de pequenas coisas, símbolos que nos identificam. Estradas que percorremos em comboio. As frases que extraímos dos livros. A nossa posterior avaliação de desempenho, na qual analisamos os nossos sentimentos, sensação por sensação, cada contração de fibras, e nos descobrimos mais e mais. E nos surpreendemos mais e mais com a nossa imensa capacidade de amar antes duvidosa. De toda forma nos amamos, com cem por cento de risco de ser para sempre.

Instruções gerais
É necessário que você use todos os elementos da cena que leu para construir as duas personagens, o enredo, o cenário e o tempo de sua narrativa. O foco narrativo deverá ser em 3ª pessoa e o narrador deve, dada a natureza da cena, ser onisciente. O desenvolvimento do enredo, a partir da cena escolhida por você, deverá levar em consideração a citação do escritor José Saramago e estar atentamente ligado ao texto que a mulher leu.

Não será preciso que você utilize todos os elementos do texto escrito pelo homem.

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