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Depoimento sobre a Síndrome de Guillain Barré

Depoimento sobre a Síndrome de Guillain Barré

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TRANSFORMANDO O MEDO EM VONTADE DE VIVER

Depoimento sobre a Síndrome de Guillain Barré – SGB em novembro/dezembro de 2008, fato relatado por Radamés Diogo Debastiani, portador da síndrome na época. Tudo começou com sintomas conhecidos, como dor de barriga, mal-estar, dor de cabeça, mas não parou por aí...

25 de novembro – terça – feira;
O dia que marcou o início desta terrível história em minha vida, o início de um longo e pesado caminho por onde eu, minha família, meus amigos e conhecidos passamos. Na noite do dia 25/11, após o jantar eu comecei a sentir arrepios pelo corpo, e dor de barriga, mas nada que assustasse, tomei um banho e fui jogar futebol com meu irmão me sentindo melhor, joguei bem aquela noite, normalmente. Voltando para casa após o jogo, já era tarde da noite, meus pais estavam dormindo, fui tomar banho e novamente comecei a sentir arrepios por todo o corpo e a dor na barriga, só que desta vez muito mais intensa, me assustei, e minha reação foi de ir para cama descansar sem avisar ninguém do que estava acontecendo. Deitei na cama, mas não consegui dormir, estava muito agitado, sentindo frio, muita dor na barriga e um mal-estar tão terrível que cheguei a ter alucinação. Levantei para ir até o banheiro lavar o rosto, minhas pernas, braços e cabeça estavam muito pesados, após isso, estes sintomas começaram a acalmar, assim voltei para a cama.

26 de novembro - quarta – feira;
Acordei e fui para a escola, eu estava aparentemente bem, mas durante a manhã senti mais duas tonturas muito fortes ao ponto de se perder um pouco do ambiente em que eu estava, mas ninguém percebeu nada, sentia muitas dores na parte de trás da cabeça.

acordei cedo. Nas escadarias da escola também era muito difícil eu conseguir subir ou descer sem a ajuda de alguém. Voltei para minha casa. Acordei normalmente como todos os dias. Estes dois dias foram marcados pela minha melhora da infecção intestinal. almocei. mas não levei a sério.segunda e terça – feira. porém como eu jogava futebol na época. 29. seria por fazer muitos exercícios. após isso fui até a casa de um amigo meu para ajudá-lo a fazer um trabalho da escola. sábado e domingo. Aqui começa o pior. 03 de Dezembro – quarta – feira. durante a tarde sentia câimbras freqüentes na região da panturrilha direita. tinha muito morro e escadas para subir. os primeiros sintomas pós infecção. achei que o que estava acontecendo. não sentia mais dores de barriga nem mal-estares. quando pisava com esta perna parecia que ela não respondia muito bem. 04 de Dezembro . pois eles tiverem que me carregar. 28. era um leve desconforto. 30 de novembro . Comecei a achar muito estranho.quinta. tem um morro para subir. foi quando percebi que no caminho para chegar até a escola eu não conseguia acompanhá-los com o ritmo de caminhada. não tinha aula. tomei meu café normalmente. gelatina e controlando um pouco a comida. Fui para a escola com meus dois amigos.quinta-feira. foi neste local que senti as primeiras fraquezas nos membros inferiores (panturrilha direita). sexta – feira. aparentemente estava tudo em ordem. . onde só consegui passar.27. mas continuava sentindo fraqueza nos membros inferiores e muita câimbra. Estes dias foram marcados apenas pelos sintomas mais tradicionais e não tão alarmantes. que seriam os sintomas da Síndrome. onde me tratei em casa com chás. no caminho para chegar até a casa do meu amigo. 01 e 02 dezembro . Era uma quarta-feira de manhã. e o mesmo leve desconforto na panturrilha esquerda. 05 de Dezembro – sexta – feira.

sendo que uma doença existia. e ainda disse pra mim e minha mãe com todas as letras: -“se eu te der um chute na bunda. assim ela me passou algumas massagens para fazer em casa. Neste dia de tarde. só que o “grande” médico me disse que eu estava fingindo ter algo. que eu estava bem. eu mesmo já fui lá quando eu tinha quebrado o pé e o dedo a algum tempo atrás. 08 de Dezembro – segunda-feira. alongamentos mas nada disso adiantava. já que eu não tinha plano de saúde. sentia muita fraqueza nas pernas e principalmente os pés (estavam quase totalmente paralisados). fui para a escola com meus amigos. Foi um início de semana marcado com o primeiro encontro com médicos. nada melhorava. ao invés de esperar meus amigos para ir pra escola. e escada.terça-feira. Então foi mo que fiz. o músculo da panturrilha acabou se “rasgando”. essa senhora “arruma” ossos quebrados do corpo. só que agora começava a doer muito. após isso levei muitas “mijadas” deles. você vai daqui até a sua casa voando. que na hora não tiveram outra reação a não ser marcar uma consulta no posto de saúde aqui perto de casa. 09 de Dezembro . os morros eu sofri muito mas consegui subir. Naquela tarde eu e minha mãe fomos até o posto médico para consultar. fui até uma mulher que mora no bairro São Ciro. só conseguia ficar em pé. mas muito. sendo que os pés eu estava quase 100 % paralisado. por algum motivo. mas ele não soube diagnosticar. foi a primeira queda das três que eu tive. foram tardes de alegrias com a família e de guerra com minha saúde. talvez vergonha de não conseguir acompanhar meus amigos no ritmo de caminha. Ao meio dia contei o acontecido para meus pais. resolvi ir sozinho. 06 e 07 de dezembro – sábado e domingo. fui visitar alguns parentes. Neste final de semana. fazia massagens. eu fui sozinho. porque você não tem nada!” Eu voltei para casa muito triste por um médico falar aquilo pra mim. Na manhã daquela segunda-feira ensolarada. . e caminhar bem lentamente. tinha muitos morros pra subir. e sentia cada vez mais fraqueza. pois é. ela me examinou e me disse que por causa das fortes câimbras que eu tive. caí na primeira tentativa de subir. mas a minha situação não estava nada boa. a região da panturrilha de ambas as pernas. No caminho até a escola. e só consegui passar por ela porque praticamente me arrastei pelos degraus.Novamente acordei. como sempre fazíamos. já as escadas não foi bem assim.

mas graças a Deus. eu precisava de nota na escola. fez alguns exames simples na hora para ver se o que estava acontecendo comigo era da coluna. exame raro de ser feito em Caxias do Sul. só que desta vez com uma clínica geral. e quase nem para levantar um copo. e como sempre. na parte da manhã. Ughini ainda me receitou um medicamento para aliviar a dor nos membros inferiores. Adriano Ughini.Na manhã do dia 9 fui para a escola com meus amigos desta vez. mas conseguimos marcá-lo em uma clínica para o dia 12 de dezembro. estava realmente muito tenso. e eles normalmente me carregaram o caminho todo quase.a luta para descobrir o que estava acontecendo era muito grande. mas não estava nada bem a situação. sem forças quase até para ficar de pé. fomos muito bem recebidos pelo Dr. a cada segundo mais veloz em direção a . Como de rotina. mas não chegou a conclusão nenhuma. que não tinha nome e nem endereço. era a última semana de provas e aula. o medo e a falta de paciência já estavam tomando conta de todos neste dia. Continuei na rotina da minha vida. Dia 11 de Dezembro . na minha saúde. foi no quintal.. a preocupação. Dr. mas me deram muita força. Durante a tarde conseguimos outra consulta. mas eu podia ter quebrado os dois braços pois cai com o corpo por cima deles. tive minha segunda queda. ele avaliou o meu caso. tentando parecer tudo normal. elas tremiam muito e eu não tinha força para apertar. eu e meus familiares estávamos sem saber o que fazer. 10 de Dezembro – quarta – feira. minha e de minha família. mas o exame negou qualquer chance de ser problema na coluna.quinta-feira. corri o risco de ter que sair da cidade para fazer este exame. A saga continuava. A diferença dos dois médicos foi da noite para o dia. sendo que isso seria normal em meninos da minha idade devido ao crescimento muito rápido. foi apenas um “esfolão” no joelho direito. era final de ano. Naquela quarta-feira de tarde. fui para a escola pela manhã. eu me sentia sentado e amarrado dentro de alguma coisa e essa coisa se movia cada vez mais rápido. na parte da noite em casa. então me solicitou que eu fizesse um exame chamado Eletroneuromiografia. não aconteceu nada de mais. e a única opção. no mesmo posto de saúde.. a Doutora me consultou super bem. por isso não tive escolha a não ser agüentar levar nas costas os estudos e “algo” terrível. também foi o dia que marcou o início da fraqueza nas mãos. Chegando no Centro Ortopédico. eu não podia faltar se não eu perdia o ano. foi de pagar uma consulta particular em um Centro Ortopédico. No mesmo dia.

esperamos .. não percebi. fui para a escola com minha mãe e fiz a última prova do ano. cada vez mais forte. onde pequenas agulhas eram colocadas (fincadas) nos nervos e músculos para medir a capacidade. mas que ele iria analisar com mais calma. O exame ficava pronto após o meio dia. falou o nome da síndrome. e retornamos para o Centro Ortopédico para o Dr. Este. após a realização do exame. O exame era muito dolorido. pedi para o médico se ele teria alguma idéia do que se tratava. o pior dia da minha vida. foi naquele momento que eu percebi que a coisa era muito. e não ortopédica. para ver se ele conseguia algum outro neurologista.um precipício. tomei um café. o avanço da doença estava cada vez mais crítico. portanto eu e minha família almoçamos no centro mesmo. Adriano Ughini avaliar.. Acordei. se tratava de uma grande inflamação dos nervos. força. após realizar a prova me despedi dos meus amigos e colegas e voltei para casa na metade da manhã. e quando ela passou por perto de mim. que era o que eu mais temia. ou seja podia ser tratada em casa com anti-inflamatórios.. Dia 12 de Dezembro .sexta-feira. mas o pior estava por vir. sem a necessidade de ser internado num hospital. e eu precisava ir bem. “eu não sei o que é. mais do que já estava. numa pastelaria. só posso dizer que é uma doença neurológica. por isso não sei dizer do que se trata. Foi aí que o pesadelo ficou tenso. e disse para nós. Ficamos um pouco mais aliviados. eu confesso que estava um pouco animado. fomos pegar o exame que já estava pronto. “correndo” atrás da minha gata para fechá-la na casinha dela. o médico nos informou que iria entrar em contato urgente com um amigo seu neurologista. Movimentos que eu fazia com as pernas ou com as mãos. Às 13 horas do dia 12. o médico leu o exame na nossa frente. mas muito séria! Assim. tive minha terceira queda. a . de matemática.” Aquilo só aumentou o medo. por azar ele estava fora da cidade e não podia atender o telefone. algumas horas depois eu já não conseguia fazê-los novamente. Pediu para nós aguardar na sala de espera. a angústia aumentava.. o medo. ele me respondeu que olhando por cima. esperamos. resistência. Na noite do dia 11. pois se tratava de uma inflamação. sem analisar bem o exame. esperamos. e eu e minha mãe fomos para a Clínica realizar o exame. não pensei duas vezes e tentei correr para pegá-la. se é que ainda tinha coisa pior pra vir. e o medo batia. mas fui direto para o chão.

Chegando lá.000. nos nervos existe uma espécie de “capa” que reveste eles pelo lado exterior chamada de Bainha de Mielina. que ele iria pesquisar a respeito para se ter pelo menos uma idéia do que era. o meu sistema imune criava anti-corpos e atacava os meus nervos. Em detalhes. foi o que fizemos. mas fui agüentando. esperamos um bom tempo para o Dr. e nada de notícias de médicos. assim a pessoa não tem força.insegurança também. era muita coisa ruim num dia só. ele logo percebeu do que se tratava e me disse: . estava com cara de choro. “amigo matando o próprio amigo”.após ele fez um exame com um “martelo” de médico batendo bem de leve o martelo no joelho para ver se dava reflexo. Após muita tensão e expectativa. familiares chegavam. e quando ela terminou o telefonema e voltou para perto.”E sem ter visto o exame que eu tinha feito ele conseguiu diagnosticar a mesma doença. foi ao meio de diversos telefonemas entre minha mãe e meu irmão que uma luz apareceu. e contou o meu caso para ela. mas não dava nada. e que este medicamento custava R$ 1. e que eu ficasse apenas com as pontas dos pés apoiadas ao chão. sendo que eu ia fazer 6 frascos por dia durante 5 dias (tratamento inicial). após um tempo ele retornou. aquilo foi como se alguém tivesse me dado um soco na cara. expressão usada pelo médico. Meu irmão nos ligou. tudo. o Dr.00 cada frasco. ele me explicou que ela é uma doença neurológica e auto-imune. ela enrolou muito. neste meio tempo. com um belo sorriso no rosto me cumprimentou e me levou lá pra dentro do hospital para me consultar. Meu irmão estava na escola onde dava aula conversando com uma colega de profissão. Chegamos no consultório onde ele pediu sobre minha vida. onde o Dr. saímos imediatamente para o Saúde. Assim começou a me explicar tudo sobre ela. eu pedi se tinha novidades sobre a doença. o comando que vem do cérebro não é passado para o músculo “ativar”. Aparecer. o Dr.. Marcelo Mattana apareceu. ela era irmã de um neurologista. mas deixou escapar que era quase 100% de chances de internação no hospital. minha mãe atendeu e saiu de perto de mim. ou seja o tratamento seria no . e pediu para nós irmos imediatamente para o Hospital Saúde. a cada segundo que passava o nervosismo aumentava. e logo após pediu o que eu sentia. estava tudo parado. eu nem tentei pois sabia que eu ia cair. se esta capa for “rasgada”. você tem Síndrome de Guillain Barré. eu fiquei de boca aberta. foi aí que a sorte apareceu. expliquei tudo. Mattana estava realizando uma cirurgia. e após o término da mesma iria me atender. senti o clima pesando. ainda explicou que eu iria fazer uma medicação chamada Imunoglobulina Humana EV (endovenosa). criando anti-corpo e atacando meus próprios nervos.“Meu jovem. até que uma hora meu irmão ligou para o meu celular e pediu para falar com a mãe. Marcelo Mattana. onde o meu sistema imunológico estava descontrolado. mas fingi estar bem.. e ainda disse que estávamos precisando de um neurologista urgente e não estávamos encontrando. após pediu para que eu ficasse de pé sem os tênis. ele pediu o nome da Síndrome.

mas nada comparável pelo exame que eu passei logo depois. dei um abraço na minha avó. o Dr. mas era um momento muito delicado. e ainda me informou que era para eu estar tranqüilo. o Dr. foi dolorido. e se retornava. após alguns médicos introduziram o acesso ao meu braço para receber a medicação. esse tempo foi muito horrível. foi terrível. parecia que o fim tinha chagado. a mais dolorida de todas as anteriores. desabafei tudo. e ainda eu estava correndo risco de vida e nem sabia. o clima estava muito tenso. meus pais estavam quietos. e a questão financeira na época não chegava perto dos R$ 20. que não acreditava que o neto dela estava tão mau assim. Então o Dr. chorei muito. o clima lá dentro era muito pesado. mas eu tinha que enfrentar. pois eu não tinha plano de saúde. . foi quando eu chorei. No momento o doutor me disse que se eu tivesse algum plano de saúde eu seria internado imediatamente no Hospital Saúde. pois eu teria que começar a fazer a medicação urgente para evitar ao máximo o avanço da doença. e seria aquele final de tarde. com aparelhos. eu estava sem visão do meu futuro. Por volta das 19 horas do dia 12 de dezembro de 2008 eu dei entrada ao Hospital Geral de Caxias do Sul. sendo que poderia paralisar os pulmões de uma hora para a outra e me levar a morte e que eu teria que ser internado com urgência e sem prazo de alta. sem ir para casa. já que era muito difícil alguém ser internado com a doença que eu tinha.000. entrando com o médico. um aperto muito forte dentro do peito. talvez por vergonha de chorar na frente da família. ainda me disse que eu poderia ficar hospitalizado por meses e que tudo ia depender da resposta do meu organismo ao medicamento. pessoas jogada em macas. Foi uma pancada muito forte. que segundo ele estava progredindo muito rápido. pagamos a consulta e voltamos para casa. Mattana entrou em contato imediato com seu amigo. meus familiares tentavam ajudá-la e me ajudar também. brinquei um pouco com minha gata. que era neurologista também.000. Ao deitar na minha maca. pois o que eu mais temia. Após a consulta voltamos para a recepção do Hospital para aguardar o pagamento da consulta. era muito difícil conseguir o tratamento pelo SUS. aconteceu. foi um susto muito grande para nós. pois eu estaria nas mãos de uma das melhores equipes médicas da cidade. Saí do banho sem fazer uma palavra. pois antes não tinha conseguido. Fabrício Fortuna. então tomei um café bem rápido. a vontade de chorar era muito grande. André.00. e só passava coisa ruim. logo muitos médicos foram chegando para me conhecer. minha mãe desesperada chorava muito.00. que era ser internado. a visão lá dentro era realmente assustadora. pela enfermaria do hospital. quando cheguei me tranquei no banheiro para tomar um banho.valor de R$ 30. pois fome eu não tinha. e trabalhava no Hospital Geral. e fomos para o hospital sem idéia de quando eu retornava. minha cabeça dava voltas.

o que exatamente eu estava sentindo naquele momento e antes de ter sido hospitalizado. expressão usada por um médico. para me manter vivo. Um pouco antes do meio dia. mas para a minha surpresa. aquela que marcava o meu contra ataque contra a ação da síndrome. foi muito dolorido e demorado. foram 6 frascos que “desceram” pela veia em questão de trinta minutos. eu já conseguia subir um degrau sem o uso de um apoio. mas por ali não fiquei muito. conversava. consegui dormir até o dia seguinte. Após um tempo. após o término tentei subir algumas escadas que tinha no interior do hospital. eu ainda estava muito fraco. vizinhos e conhecidos. então aquilo era praticamente um leito de hospital para mim. . O primeiro final de semana de férias após um ano muito cansativo na escola não foi dos melhores. fiquei descansando na maca. A primeira vez que recebi o remédio via veias. que foi o que me alegrou muito. através de uma agulha muito grande. que é a retirada do líquido da coluna. me levantei para ir até o banheiro da sala de observação. outros familiares me visitaram e me deram muito apoio. mesmo estando muito cansado por tudo o que passei aquele dia 12. a primeira dose. foi onde aconteceu um desmaio. mas eu não conseguia dormir. 14 de Dezembro – Domingo. meu irmão e minha cunhada que me levavam chocolate escondido dos médicos também me ajudaram muito. na noite do dia 13 fui levado para um consultório dentro da enfermaria que não estava sendo ocupado para a realização de consultas. Após um bom tempo chegou a minha primeira dose da Imunoglobulina (remédio milagroso). ria.o exame de líquor. mas após isso eu já perdia as forças e caia. ou que a medicação foi feita muito rápida. mas não era bem assim. acordei na manhã de um sábado ensolarado em uma maca de um hospital com uma doença terrível. durante o dia recebi muitas visitas de parentes. O segundo dia do fim de semana eu estava mais conformado. sobre os sintomas. 13 de Dezembro – Sábado. os médicos alertaram a causa disto uma reação normal do organismo. os médicos me alertaram que com as primeiras doses da medicação eu poderia regredir muito. Após o término da primeira dose. fui removido da sala de observação e fui posto no corredor da enfermaria. Após muito tentar. mas graças ao meu bom Deus. foi um pouco complicado. pois ninguém sabia como o meu corpo iria receber a medicação. meu organismo respondeu bem à medicação desde o início do tratamento. Às 22 horas recebi minha segunda dose da medicação. muitos médicos e médicas vinham a mim para fazer perguntas. estava bem espontâneo. e correr o risco de ser internado na UTI do hospital e ficar cheio de aparelhos ligados em mim.

também foi o dia do casamento no civil do meu mano com a minha cunhada. Este dia marcou também o início de pequenas caminhadas no corredor do hospital. 15 de Dezembro . Foi um dia muito bom. Após a cerimônia meu pai veio me ver no hospital.terça-feira. para que eu não caísse. tudo bem mais calmo. meu tio foi quem me representou na cerimônia quando eu estava “comendo sopinha no hospital”. às 10 horas finalmente o meu irmão chegou para me levar para casa. fiz muitas amizades com médicos e médicas nos últimos dias de internação.segunda-feira. 16 de Dezembro . que invadiram o quarto onde eu estava “consultório”. eu dividia o quarto com dois outros homens. o Dr. para fazer os últimos exames. foi também o início da fisioterapia. e foi pra lá que eu fui de cadeira de rodas pelos corredores do hospital. um passou por Trombose e outro estava com problemas nos Pulmões por causa do cigarro. eu estava agitado e muito feliz também. aí começou uma nova fase. recebi minha tão esperada . e tiveram que descobrir me perguntando os sintomas. na verdade alguns fisioterapeutas me explicaram alguns exercício para mim fazer em casa depois. era o leito 555 B. Sem dúvidas.Durante a manhã recebi uma visita muito estranha. após a terceira dose da medicação. mas uma grande melhora tinha ocorrido e eu e minha família estávamos muito felizes por isso. quando uma enfermeira me acordou para retirar sangue. onde eu era padrinho junto com a minha prima. não com muita perfeição ainda. no relógio marcava seis horas da manhã. durante a noite. 17 de Dezembro – quarta – feira. infelizmente. eles demoraram muito tempo para acertar o que eu tinha. após isso eu não consegui mais dormir pela ansiedade de voltar logo para a minha casa. Às 8 horas da manhã minha mãe chegou ao hospital conversou bastante comigo. eu já conseguia fazer alguns exercícios recomendados pelos fisioterapeutas. aquela que fechava com chave de ouro o tratamento. este foi o melhor dia da minha vida. eles não sabiam o que eu tinha. O dia 17 representou o final de uma longa batalha que durou 24 dias. conseguia dormir bem tranqüilo. Foi um dia perfeito. eu consegui um leito no hospital. o doutor me cumprimentou e apresentou seu alunos do curso de medicina da UCS. expressão que uso sempre quando lembro com bom humor deste ocorrido.Fortuna e mais uns dez médicos residentes. sempre com a minha mãe segurando meu braço. eu não pude comparecer. médicos novos. já era tarde da noite e eu estava quase acabando a quinta dose da medicação. Foi um dia tranqüilo onde recebi algumas visitas mais íntimas da família. naquela noite tão esperada por todos.

a enxergar e dar valor as coisinhas pequenas da vida. mas minha recuperação não estava completa. cresci em termos de pensamento. explicar. e a fase de readaptação natural do corpo que foi a mais demorada. as forças nas pernas foi muito difícil de ter de volta. foi uma sensação maravilhosa. Aquela quarta-feira foi muito boa. aprendi a dar valor a tudo que está ao meu redor. era eu quem tinha que buscá-la novamente.. foi muito bom. pois quase 1 ano depois da minha alta do hospital. o que eu senti não tem como demonstrar..foi sem palavras. parecia uma novidade na minha vida. ou seja passei por 3 fases para ficar 100%. mas a primeira coisa que eu queria fazer mesmo. mas nada que me faça sofrer como eu sofri quando passei pela temida Síndrome de Guillain Barré. mas muito mesmo com tudo o que passe nestes tempos. a fase de internação e medicação. me despedi da maioria dos médicos. equilíbrio.. mas a recuperação total mesmo não terminou aí. almocei em casa com ela. foi o meu maior aliado para vencer essa terrível fase da minha vida. dei um abraço em minha avó. Parece uma coisa tão ridícula. não foi fácil. pois ele sem dúvidas.chegamos em casa e logo alguns vizinhos vieram me receber e me dar um abraço.foi um momento único. Aprendi muito. eu ainda sentia alguma fraqueza nos membros inferiores. de sensibilidade. os pés também. força. e conseguir subir vários degraus em seqüência sem parar. Eu fazia 3 sessões de fisioterapia por dia. ganhei presentes. resumir. sentir o vento batendo no rosto. nem um pouco. era tentar subir a escada que tem aqui em casa.alta do hospital. quando eu coloquei o primeiro pé sem me apoiar em nada. eram muitos exercícios. a medicação que eu recebi serviu apenas para estancar o avanço da minha doença. onde ficou quase 100% paralisado na época. estou 100% recuperado. resistência. voltei até na enfermaria para agradecer aos médicos que me receberam naquela noite do dia 12. aprendi a ver a vida com outros olhos. vi minha família. mas a força que eu perdi. para voltar a ser como antes.. Ao pisar do lado de fora do hospital. e que me ajudaram muito. de muita felicidade. Hoje. fiz coisas que gostava de fazer. após 2 anos da alta hospitalar. eu realmente “suava” minha camisa para voltar a ter o que eu tinha perdido. sendo que algumas pequenas seqüelas ficaram. mas foi um momento único. foi na base de muita fisioterapia em casa.. suando.. principalmente nos pés. a fase de fisioterapia. Foram 2 longos meses assim. ficou muito debilitado. ouvir o canto dos pássaros. minha fé em Deus aumentou muito também. .

para ter certeza que a respiração e outras funções vitais são mantidas. o último foi uma espécie de “cobaia”. É o tratamento mais indicado pelo fácil manuseamento. pois o Sistema Imunológico confunde os nervos com um invasor. • O que é a Síndrome de Guillain-Barré? A Síndrome de Guillain-Barré é um tipo agudo de inflamação do nervo. depois separado em seus componentes: plasma (a porção líquida de sangue) e células (hemáceas. Tratamentos: A Plasmaferese na qual sangue é retirado do paciente. ou vice-versa. levando o paciente a ataques cardíacos e morte. ou até mesmo anos. mas a maioria dos cientistas acredita que a plasmaferese remove as substâncias do plasma (como anticorpos e complementos) que participam do ataque do sistema imune aos nervos periféricos. A lesão geralmente inclui a perda da Bainha de Mielina do nervo (desmielinização). em ambos os sexos. Isso ocorre. e a destruição do axônio da célula nervosa (denervação). manifesta-se após uma infecção respiratória (pulmão) ou gastrointestinal (intestino) leves. O que torna a Síndrome de Guillain-Barré uma emergência médica é que a fraqueza pode afetar os músculos do tórax responsáveis pela respiração. Prognóstico: Embora a Síndrome de Guillain-Barré seja uma desordem terrível. Os sinais de infecção geralmente desaparecem antes que se iniciem os sinais da Síndrome de Guillain-Barré. De modo geral. A causa exata do distúrbio não é conhecida. o paciente pode morrer por falta de oxigênio. para exames e experimentos. Se eles são paralisados. e ataca até destruí-los totalmente (desordem auto-imune). vem do nome de dois dos três médicos norte-americanos que descobriram a síndrome. O paciente deve ser monitorado cuidadosamente. para começar o mesmo pela Imunoglobulina. como é estruturalmente desenhada para promover a liberação rápida e eficiente de um impulso nervoso que vem do cérebro para um músculo.Curiosidades: • O nome Guillain Barré. embora possa levar meses. o prognóstico em longo prazo é geralmente bom. embora seja mais comum entre os 30 e os 50 anos. A inflamação lesa a célula nervosa e causa fraqueza muscular ou paralisia. A Síndrome de Guillain-Barré afeta aproximadamente 01 em 100 mil pessoas e pode ocorrer em qualquer idade. o que retarda a condução do impulso nervoso através do nervo. para recuperar a força e o . A Bainha de Mielina é uma substância gordurosa que cobre os nervos. As células do sangue são recolocadas então no corpo. muitas vezes o tratamento pela Plasmaferese é bloqueado. o que bloqueia a condução através do nervo. (O corpo fabrica mais plasma para compensar o que foi retirado. A maioria dos pacientes tem recuperação completa. em alguns casos pode acontecer câimbras muito forte.) Ninguém sabe como este tratamento funciona. Doses altas de imunoglobulina podem trabalhar bloqueando os anticorpos que contribuem para a doença. Georges Guilliain. normalmente em um hospital. Os nervos por fim não tem defesa alguma. Jean Alexander Barre e André Strohl. Não apenas atua como um bom isolante. leucócitos e plaquetas). já que pela Plasmaferese pode causar pressão alta. Infusões de Imunoglobulina: As imunoglobulinas são umas misturas de anticorpos produzidos naturalmente pelo sistema imune do corpo.

Uma porcentagem muito pequena de pacientes. Radamés Diogo Debastiani. quase sempre porque eles desenvolvem uma paralisia da respiração antes que eles cheguem ao hospital. aproximadamente 3 a 5 por cento. Imagem que mostra a diferença de um nervo normal. Obrigado pela atenção! . Aproximadamente 30 por cento dos pacientes ainda permanecem com um pouco de fraqueza até três anos após a melhora da doença.movimento anteriores à doença. e outro atacado pela síndrome. morre.

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