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Walter Tondela

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[Escrever texto] Elaborado pelo Prof.

Walter Abreu Soares Tondela

SINTESE DA MÁTERIA DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO Introdução A presente Brochura, contêm alguns erros que se encontram premeditadamente, para que os estudantes possam corrigi -la e melhora-la, ao longo das vossas leituras.
O Conhecimento do Direito ± isto é, as leis, os princípios, as regras e as instituições que organizam e estruturam a sociedade ± não interessa apenas a determinadas pessoas ± aos Juízes, aos advogados e aos juristas em geral. Interessa, sim, a todas as pessoas enquanto membros da sociedade e porque, nas suas vidas, mesmo sem terem de ir a tribunal, constantemente defrontam problemas jurídicos. Se é importante que os alunos do segundo ciclo, além de saberem Português e Matemática, que são disciplinas fundamentais, tenham noções básicas sobre acontecimentos históricos ou sobre as leis da física, não é menos importante é que adquiram um mínimo de conhecimentos de ciências sociais, sobre a moeda ou preços no âmbito da economia, ou sobre o Estado, a Constituição ou a responsabilidade, no âmbito do Direito. Em nosso entender, a disciplina de Introdução ao Direito deveria, pois ser obrigatória para todos os alunos do ensino secundário (II Ciclo) e ensino Médio, embora o seu programa devesse ser relativamente breve (devesse salientar, sobretudo, o modo como os factos, valores e normas se articulam), em vez de se alongar e carregar em termos excessivos. Não é isto, porém, que infelizmente ainda se verifica entre nós. O termo «Direito» apresenta tanto na linguagem corrente como técnica um duplo sentido, como se evidencia no texto que a seguir se transcreve: Por um lado, diz-se: O Direito rege os homens, os homens se acham submetidos à disciplina do Direito. Mas, por outro lado, afirma-se eu tenho direito de fazer isto ou aquilo, não há direito neste País. Ora reflectindo um pouco, vê-se que a palavra direito, embora seja a mesma nas duas categorias de frases, não tem em ambas a mesma significação. No primeiro caso, ela designa uma norma, uma regra de conduta ou conjunto de regras, de ordens dadas aos homens; na segunda, significa o mesmo que o poder. Assim, distingue-se: Direito Objectivo ± norma ou conjunto de normas; Direito Subjectivo ± poder ou faculdade, conferidos ao titular de um direito objectivo, de agir ou não de acordo com o conteúdo daquele.

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[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Walter Abreu Soares Tondela O HOMEM, UM SER EMINENTEMENTE SOCIAL O Homem é, simultaneamente, um ser livre e um Ser sociável. Livre pela sua própria natureza; sociável por uma inata necessidade de conviver em sociedade, porque viver é necessariamente conviver. Até porque só pode existir bem social, isto é, realizarse, quando se harmoniza a interioridade e a vida social, bem próprio e bem comum, personalidade e comunidade.

A NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DO DIREITO UBI SOCIETAS, IBI JUS (Onde há sociedade há direito e não há direito sem sociedade). O Direito está vinculado na própria ordem social. Se toda sociedade tem uma ordem, ela tem, desde o início, uma ordem jurídica. A determinação desta pode suscitar dificuldades, na medida em que pode concorrer com outras ordens. No entanto, é sempre possível distinguir o que é, e não é Direito e confirmar que a vida social, só é possível porque os homens acatam regras que visam instituir a ordem. E confirmar que a vida social, a paz, a segurança, a justiça, e as resoluções de conflitos de interesses só é possível havendo para regular as relações sociais. Tais conflitos de interesses são desencadeados por diversos motivos, frequentemente pela escassez de bens, e são vivenciados por cada um de nós, nas nossas casas, nas escolas, nos locais de trabalho, na vida política, entre empresas, entre nações, etc.. Assim, torna-se indispensável a existência de regras que imponham condutas aos membros da sociedade, com vista a evitar esses conflitos ou minimizar as suas consequências. AS ORDENS SOCIAIS NORMATIVAS DA SOCIEDADE As ordens normativas ou normas normativas são ordens sociais compostas por várias normas complexas, que pautam e regulam os aspectos diferentes da vida do Homem em sociedade, das quais se diferem pela sua actuação. Pela sua importância elas se destacam em: Normas morais, normas religiosas, normas de trato social ou de cortesia e as normas jurídicas. Ordem Moral são aquelas condutas que visam o aperfeiçoamento das pessoas, dirigindo-o para o bem, e que só reflexamente influenciam a organização social. Frequentemente ao definir-se a norma moral é mister, estabelecer a distinção entre o Direito e a Moral. Para estabelecer esta distinção é necessário atendermos três a critérios:

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[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Walter Abreu Soares Tondela a) Critério do mínimo ético ± segundo este critério, o direito limita-se a impor as regras morais cuja observância é imprescindível para a subsistência da paz, da liberdade e da justiça na vida social. b) Critério da coercibilidade ± segundo este critério as normas jurídicas são susceptíveis, se necessário, de imposição a força, mas a ordem moral é apenas assistida de uma coercibilidade psíquica e a sua violação dá lugar a sanções puramente éticas. c) Critério da exterioridade postula este critério que o direito tem origem na parte externa da conduta humana enquanto que a Moral se reporta à parte interna dessa mesma conduta. A ordem religiosa A ordem religiosa tem por função regular as condutas humanas em relação a Deus, sendo, pois, uma ordem de transcendência ou de fé. Ordem de trato social ou de Cortesia Ordem de cortesia são aquelas que se destinam a permitir uma convivência mais agradável entre as pessoas, mas não são necessárias à subsistência da vida em sociedade. Esta ordem exprime-se através dos usos sociais, que podem ser de diversa natureza, como, os impostos pela cortesia ou etiqueta, hábitos de civilização, o vestuário etc. etc... Cumprimentar os vizinhos, ajudar as pessoas mais velhas ou dar-lhes o lugar nos transportes, são contudo regras de cortesia. Ordem jurídica É aquela que é constituída pelo conjunto de normas jurídicas que regulam os aspectos mais relevantes da vida em sociedade, ou seja, da ordem social regulada pelo Direito. O Direito é o domínio normativo que mais atinge a nossa esfera de interesses, representado o poder institucional do Estado e regulando os actos mais triviais da nossa vida quotidiana em sociedade. Na medida em que são coercivas, isto é, susceptíveis de serem impostas pela força. Outrossim as morais se limitam apenas a respeitar e a sujeitar-se as sanções impostas pelas normas jurídicas. E o incumprimento das normas morais, são desprovidas de coercibilidade material. ORDEM JURÍDICA E ORDENAMENTO JURÍDICO Ao direito compete uma função essencial de ordenação das relações sociais segundo a justiça. A ordem jurídica é assim o resultado dessa ordenação, constituindo uma parte, ainda que muito significativa, da ordem social global, e reflecte as crenças, os valores e

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Assim sendo. uma previsão. Estas posições exprimem-se através de normas. pois não regrado. funcionando assim como mediadora na subsunção do direito às situações concretas da vida. De forma doutrinal a estrutura da norma jurídica contêm um ante cedente e um consequente. uma estatuição e uma sanção. em certo sentido. De forma restrita. salvo na condição de acto de livre. Diferentemente ocorre. ou seja o seu objecto único e exclusivo. imposta de forma coerciva pelo Estado. cujo conjunto forma o ordenamento jurídico que rege uma dada comunidade. A norma jurídica. a concretizam. uma regra de conduta imperativa. geral e abstracta. É através da norma jurídica que o jurista conhece o mundo. simultaneamente a expressam e . Mais rigorosamente. deste ordenamento fazem parte também os princípios gerais ou fundamentais do Direito (1). Deste modo. acontecimentos dos quais o direito se ocupa e acontecimentos dos quais o direito não se ocupa. como o defendem os percussores do positivismo jurídico. o acto de pentear o cabelo pela cabeça. se encontra estruturada pelos seguintes elementos: 1 Os princípios gerais de Direito exprimem directrizes. Utilizando as sanções que é sempre uma consequência desfavorável que recai sobre quem violou ou viola uma norma jurídica. Seja ela legal ou consuetudinária.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. observando diariamente uma variedade de normas de condutas jurídicas. Walter Abreu Soares Tondela as ideologias dominantes na sociedade. critérios ou valores que traduzem exigências fundamentais do Direito. não interessa ao direito. ou seja. ou melhor. todavia. Em regra. num determinado momento histórico. quando acontecem violações das normas do ordenamento jurídico ou de seja actos contrários ao Direito (actos ilícitos). "exempli gratia" com a emissão de um cheq ue. que gera inúmeros efeitos juridicamente relevantes. revelada logicamente por sua preposição é o objecto principal da ciência do direito. tanto preventivos como repressivos. recorrendo aos meios de protecção ou tutela jurídica. a norma jurídica. o comportamento dos cidadãos deve ser conforme o Direito. na medida em que uma conduta só se torna relevante ao direito quando contida em uma norma jurídica. A estrutura da norma jurídica Dentro da estrutura da norma jurídica Ela é definida como sendo. Distinguido assim os factos jurídicos e factos não ± jurídicos. a Ordem jurídica procura defender-se. 4 . ordem jurídica se manifesta em unidades nor mativas que.

cuja verificação em concreto desenca deia a consequência jurídica fixada na estatuição. a previsão da norma. ou seja os casos em concretos da vida que se espera vir a acontecer.c. desencadeando assim consequência para o direito. enquanto deixava um passageiro . A previsão normativa que também recebe o nome de hipótese legal. violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. durante a sua caminhada pelo trajecto clínica multiperfil ao Benfica. b) Estatuição ± para este elemento a norma jurídica impõe necessariamente uma conduta a adoptar quando se verifique. c) Sanção ± é aquele elemento segundo o qual a nor ma jurídica dispõe dos meios de coacção que fazem parte do ordenamento jurídico para impor o cumprimento dos seus comandos.º 1 Aquele que. « n. 483. ou ainda o tipo legal ou então ³facti -species´ que significa a questão de fact o. Previsão: Aquele que. Sanção: Será a indemnização ou melhor o valor da indemnização. em casos concretos. contendo em si mesma a representação futura. com dolo ou mera culpa. 5 . Vide art. com dolo ou mera culpa. os factos ou o conjunto de factos.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof.º do C. que todo modo refere-se há situações típicas da vida. modelo hiace comuter.º 2 Só existe obrigação de indemnizar independentemente de culpa nos casos especificados na lei». n. Hipótese Prática João é proprietário e motorista de uma viatura de marca Toyota. ou seja . Estatuição: Fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação. sofreu um empurão na parte traseira da sua viatura por um camião da ELISAL. Walter Abreu Soares Tondela a) Previsão ± Segundo este elemento a norma jurídica fixa os padrões de conduta que regulam as situações jurídicas. violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação.

Todavia. Ao analisar alguns conceitos que definem a justiça. é importante asseverar que o recurso à equidade. O Direito é o mecanismo que é utilizado para alcançar ou realizar a justiça. b) A justiça legal. A SEGURANÇA E A CERTEZA JURÍDICA A justiça e o Direito são correlativos. OS VALORES FUNDAMENTAIS DO DIREITO: A JUSTIÇA. A justiça é o valor ideal que constitui a razão de ser do Direito. Walter Abreu Soares Tondela Tendo em atenção a estrutura da norma jurídica faça a sua configuração. o único valor ou seja o único fim que o direito serve. Obs. atendendo às particularidades de cada caso.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. cuja actuação se processa de forma justa. por dar lugar a um largo campo de actuação pessoal ao julgador. fazendo equivaler a justiça à igualdade. a suavizar os rigores da aplicação cega da lei. O Direito além da justiça tem como fim a segurança jurídica. a lei permite que se afasta da norma ou lei. A equidade é também um critério de decisão que pode ser utilizado em certos casos em que o julgador pode decidir segundo a sua consciência. Existem outros a par da justiça Como: a equidade. A equidade Destina-se pois. de acordo com a evolução que as sociedades vão sendo alvo. daí que os legisladores limitam por vezes a sua aplicação. em harmonia com as exigências da sua natureza e de acordos fundamentais com a sua palavra do supremo criador. Mas se a justiça é um dos valores essenciais do Direito. importa agora salientar que a justiça pode ser encarada em três modalidades fundamentais a saber: a) Justiça comutativa. A EQUIDADE. 6 . uma preocupação de todos os sistemas jurídicos alcançar e integrar este valor nos seus ordenamentos. Já Grécia antiga a justiça era a lei cósmica do homem e das coisas que lhes fixava o lugar no Universo e os seus limites. sendo pois. poderia implicar sérios riscos de incerteza e de insegurança. com vista a humanização do Direito.são as circunstâncias factuais ou matéria de facto em que o Juiz ou um julgador. No contexto bíblico a justiça é um atributo de Deus. A justiça distributiva. A equidade . no entanto. não é. a segurança e a certeza jurídica. se encontrando uma solução mais justa.

Instituição vem designar ao mesmo tempo a acção e o efeito de instituir. Tendo em atenção as várias áreas da vida social institucionalizadas. sendo que instituir significa introduzir. Instituição Política. e os aspectos da vida social que se encontram institucionalizados. as leis e decretos-leis.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. fundar. nomeadamente contribuindo para a divulgação de valores da sociedade. Instituição Religiosa. as instituições em: a) b) c) d) e) f) Instituição Familiar. ordenar. AS INSTITUIÇÕES Na linguagem corrente. A certeza jurídica A importância deste valor se reflecte no conhecimento que os cidadãos podem e devem ter do sistema de normas legislativas para salvaguarda dos seus interesses face ao poder do Estado. Com efeito. a estabilidade das relações sociais e é de grande importância para garantir a tarefa da realização que o direito visa realizar. Walter Abreu Soares Tondela A Segurança Jurídica Constitui outro dos valores do direito que existe para garantir. as Instituições desempenham funções importantes. Instituição Educativa. conforme as normas jurídicas em vigor. Por fim. podemos agrupa-las da seguinte forma. Por este facto é que os diplomas legais (as leis) mais importantes do Estado são: a Constituição. é importante asseverar que a segurança jurídica confere aos cidadãos a confiança que lhes permite planificar a defesa dos seus interesses. Instituição Cultural 7 . constituir ou seja estabelecer qualquer coisa de estável e durável. Instituição económica.

emanado por um órgão legislativo por excelência. (1 Os princípios gerais de Direito exprimem directrizes. etc. as leis de revisão constitucional. quer nesse diploma se contenham verdadeiras normas jurídicas. Neste último sentido vamos definir as fontes do direito como os modos de formação e de revelação das normas jurídicas. V. fontes em sentido material ou instrumental. autorizando-o.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. 165. A Lei ± em sentido formal é o conjunto de diploma ou normas jurídicas (gerais e abstractas). Já em sentido material ± é o conjunto de normas jurídicas (gerais e abstractas) que regulam os aspectos essenciais de uma sociedade. regulamentos aprovados pelos Institutos Públicos. Cfr. sociológico. Decretos . a jurisprudência e os assentos.º. k). Assim sendo. o costume. V. a jurisprudência e a doutrina. e as leis ordinários da Assembleia Nacional. da palavra proveniência. a realizar empréstimos e outras operações de crédito. critérios ou valores que traduzem exigências fundamentais do Direito). Decretos executivos. as leis que conferem autorização legislativa ao governo. que aprovam os tratados. Esta expressam fontes do Direito pode ser entendida de diversas formas e adquirindo diferentes sentidos. da CRA. concedem amnistias. Fontes criadoras ou imediatas do direito são: a lei e o costume. 164. Recentemente vêem-se apontando ainda como fontes os assentos e os princípios fundamentais de direito. como fontes mediatas ou reveladoras temos a doutrina. encontraremos as fontes em sentido.º a). c).g.lei do conselho de ministros. origem de onde vem etc. d). Associações Públicas e Autarquias Locais. 8 . g). etc. a que se confere uma certa posição de primazia sobre as demais fontes de direito. fontes em sentido político e as fontes em sentido técnico jurídico ou formal. decretos dos governos províncias. Walter Abreu Soares Tondela As Fontes do Direito Fonte é sinónimo. quer comandos individuais concretos. Dentro das fontes do Direito é mister estabelecer a distinção entre as fontes criadoras ou formadoras do direito e as reveladoras ou manifestadoras do direito..º a). k). Empresas públicas. Arts 161.g.º a). Assim sendo são leis em sentido material e formal a Constituição. No elenco das fontes do direito tradicional vamos encontrar: A Lei. (entre nós a assembleia nacional). 162.

que se traduz na observância generalizada e uniforme. as suas concepções sobre a interpretação ou integração do direito. 9 . A jurisprudência é fonte do direito com força obrigatória geral quando é fixada por meio de assentos que não são senão. de um determinado padrão de conduta em que esta implicada. a convicção de se estar a obedecer a uma regra geral e abstracta obrigatória. sendo transcendentais às decisões positivadas do legislador e por isso mesmo são válidas de per si num Estado de Direito porque representam postulações elucidativas da própria ideia do direito. São dois os elementos do costume enquanto fonte do direito consuetudinário: a) o corpus.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Jurisprudência define-se como o conjunto das decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais ao julgar os casos concretos que lhes são submetidos. que se afigura de acordo com qualquer pretensão de legitimidade e validade. A Doutrina é entendida e compreendida como as opiniões ou pareceres dos jurisconsultos em que estes desenvolvem. Walter Abreu Soares Tondela Costume é uma prática social constante e uniforme. as decisões de casos concretos e individuais que vinculam todos os outros tribunais (de um mesmo ordenamento jurídico) de forma a julgarem de igual modo situações idênticas. Princípios gerais do direito são exigências feitas a todo e qualquer ordenamento jurídico. caucionada pela via consuetudinária. com a duração. em bases científicas ou doutrinárias. isto é. b) O animus. acompanhada do sentimento ou convicção da obrigatoriedade da norma que lhe corresponde.

p). entre as leis constitucionais e leis ordinárias. v. Sobre esta questão. A Constituição.º da L.º n. Esta ideia de direito positivo é vista em duas perspectivas em sentido formal e em sentido material.g. por incompetência do órgão em razão da matéria.º 2 C. na medida em que são supra-estaduais e supra-constitucionais. Ex. V. 1992.C. pelo que não devem ser aplicadas pelos tribunais e por outros órgãos aplicadores do direito. 10 . se no seu processo de formação forem preteridos trâmites ou formalidades constitucionalmente prescritas. aprovadas mediante um processo idóneo. em todos os tempos e em todas épocas). 119. 159. Importa aqui salientar que os princípios fundamentais do direito. A lei em sentido material é o conjunto de normas jurídicas (gerais e abstractas) que regulam os aspectos essências de uma sociedade (Decretos-lei Vid. do próprio acto de que promana a norma se acha viciado nos seus pressupostos. se devem situar hierarquicamente acima da própria constituição. se antes a constituição.g. É assim que a hierarquia das normas depende da hierarquia das fontes em que estão contidas ou que delas promanam. A inconstitucionalidade pode ser orgânica ou formal. Hierarquia das Leis Dentro dela em caso de conflito. que significa direito imposto pelo homem. se tem levantado uma grande distinção. 1. em contra-posição à ideia de direito natural (que vigora em todas as sociedades.º n). o). A lei é assim definida nas duas vertentes. Segundo à qual as normas das leis ordinárias que contrariem as leis constitucionais padecem do vício da inconstitucionalidade. Ou por outra. em sentido formal é o conjunto de normas jurídicas (gerais e abstractas). como o estado de sítio etc. pela Assembleia Nacional e que tem forma ou terminologia de Lei.C. Os limites matérias da Lei constitucional previstos nos termos do art.g.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Também se pode fazer uma distinção entre as normas constitucionais editadas pelo legislador constituinte originário e as normas constitucionais editadas pelo poder constituinte derivado ou ainda leis de revisão. Walter Abreu Soares Tondela Conceito da Lei e os vários sentidos A lei escrita é também designada por Direito positivo. as normas de hierarquia superior prevalecem sobre as normas de hierarquia inferior. V.art. pois vem do verbo latino positum. art. A seguir a constituição seguem-se os decretos presidenciais.

vamos compaginar alguns conflitos possíveis. excepto se outra for a vontade inequívoca do legislador. em geral. Conflitos ou contradições deste tipo existirão sempre quando duas ou mais normas.º. despachos presidências em caso de estado de sítio ou de emergência. ainda que esta lei seja posterior. Walter Abreu Soares Tondela A excepção a CONSTITUIÇÃO ocorre quando são decretados. que se propõem em resolver a mesma questão de direito no domínio da mesma legislação e dentro do mesmo contexto teleológico. se as consequências jurídicas estatuídas por duas normas para o mesmo facto são entre si incompatíveis) ou uma contradição teleológica ou valorativa. mas cuja aplicação simultânea é impossível por implicar certa contradição. Existe também uma hierarquia das leis dentro das normas jurídicas estaduais: a) Normas jurídicas estaduais de direito universal. Que se estuda em Direito Internacional Privado. sucedendo assim. a contradição poderá ser uma situação também lógica ( se. a excepção a esta regra é a lei especial que prevalece sobre a lei geral (critério da especialidade) Lex specialis derogat legi generali. Em todo o caso. lei mais recente a revoga a lei mais antiga. (critério da posteridade) lex posterior derogat legi priori. 11 . E se conflito no espaço quando o facto ou situações concretas têm atiniências com dois ou mais ordenamentos jurídicos com esferas territoriais de aplicações diferentes. CRA. parece. Lex superior derogat legi inferiori. Existem também conflitos de leis no tempo.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. regulando sobre a mesma matéria. quando duas ou mais normas aparecem ao mesmo tempo. resultando assim verdadeiros conflitos internos de normas. 237. Conflitos de Normas Como vimos as normas de hierarquia superior prevalecem sobre as normas de hierarquia inferior (critério da superiordade). que não poderiam se verificar conflitos possíveis. à primeira vista. Portanto. que são aquelas emanadas de órgãos estaduais subalternos. b) Normas jurídicas estaduais de direito local. 7. estabelecem para casos idênticos ou para casos juridicamente equiparáveis consequências jurídicas diferentes. ex. que durante este período prevalecem esses despachos sobre a constituição. P. Também poderá acontecer que o mesmo facto concreto apareça abrangido pelas hipóteses legais de normas simultaneamente em vigor no ordenamento jurídico. Autarquias locais.º. uma norma impõe uma certa conduta e outra a proíbe ou. Já no art. no caso de conflito de leis da mesm hierarquia. mas respeitando sempre os limites circunstancias art. Aplicados estes critérios. regulamentos c) Normas autónomas emanadas das autarquias institucionais dependentes da administração do Estado.

Por fim. descreve o art. Destina-se a possibilitar o conhecimento da lei pelos seus destinatários. Salvo se o legislador a repõe em vigor. A revogação. admitindo esta hipótese estaríamos perante uma verdadeira repristinação. Ela pode ser expressa ou tácita. o renascimento da lei anteriormente revogada. essa pressupõe a entrada em vigor de uma nova lei (segundo o nosso legislador).º 3. 7.º n. total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). total ou parcial.º2).per . a lei geral posterior não revoga a Lei especial anterior. 7. Porém. estabelece: O tempo que decorre entre a publicação e a vigência da Lei chama-se vacatio legis.º n.º apenas prevê a caducidade e a revogação. salvo se ³ outra for a intenção inequívoca do legislador. como já tem sucedido entre nós. Termo da vigência da lei Com modo de cessação da vigência da Lei o art. Todavia é frequente estabelecer-se numa lei que o regime nela estabelecido será revisto dentro de certo prazo. ou ainda quando a nova lei regula toda a matéria da lei anterior ± aquilo que é cognominado como substituição global (art.º do C. Deste modo podemos aquilatar que existem outras formas possíveis seriam o desuso e o costume contrário.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. 7. não cessa a vigência de tal lei por caducidade: ela continua em vigor até à sua substituição. isto é. A caducidade strictu sensu dá-se por superveniência de um facto (previsto pela própria lei que se destina a vigência temporária) ou pelo desaparecimento. Passado este prazo sem que se verifique a revisão. em termos definitivos daquela realidade que a lei se destina a regular. 5. É expressa quando consta de uma declaração feita na lei posterior (fica revogado ).º 3 a revogação da Lei revogatória não importa de . nos termos do art. e tácita quando resulta da incompatibilidade entre as disposições novas e as antigas.si repristinação. 12 . 7.c. Walter Abreu Soares Tondela Entrada em vigor das leis Nos termos do art.º n.

tiveram notícias dela. 13 . a) -Perante esta situação o Juiz do tribunal a quo entendeu aplicar a Lei especial em detrimento da Lei Geral. b) Faça a configuração das características das normas jurídicas na hipótese presente? c) Qual seria as fontes do Direito que o juiz utilizaria para julgar esta hipótese? d) Há avó da Vitória depois de consultar o curandeiro diz que o vizinho Pedrito foi quem vendeu a vitória ao maiombolo. Victória que era casada com Paulo.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Katiana e Cacildo. a viram e nem as outras pessoas com quem ela habitualmente convivia. era proprietária de diversas fazendas de madeira e granito. Walter Abreu Soares Tondela Hipótese prática Vitória nasceu em Luanda. em Fevereiro de 1959 e residia na Rua Joaquim Kapango. Vitória desapareceu e. e por isso teriam que apresentar queixacrime a polícia. situadas no Ambriz. fazendas essas que necessitavam de uma administração. nunca mais nem os Pais. No dia 3 de Novembro de 1974.

Até aqui estamos a retratar a administração pública no âmbito do controlo da legalidade. Desta disposição constitucional se encontra de forma expressa.º 1. precisamente. da proporcionalidade.º. ao contrário. que ela funda-se no princípio da legalidade por ser a principal garantia das pessoas que as protege contra a violação dos seus direitos e interesses legalmente defendidos. da tutela judiciária prosseguida pelos Tribunais.º. Ou seja. Walter Abreu Soares Tondela Caducidade da lei . proporcionalidade. que é o interesse público. da imparcialidade. Art. devendo. justiça.182.º. Mas prosseguindo este interesse público respeitando necessariamente a Constituição e a Lei. significa dizer que A Administração pública só obedece aquilo que a lei diz que se faça. no exercício da sua actividade. Revogação da Lei .. materialização e fiscalização do campo da legalidade.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. 175.A prossecução do interesse público deve respeitar os direitos e interesses legalmente protegidos dos particulares. 180. probidade administrativa e o do respeito pelo património público. o fim que visa prosseguir a Administração pública.º. quer por parte de outros particulares.g. º.º O Controlo da Legalidade É entendido como modo de cumprimento. o interesse público. responsabilidade. legalidade. os limites intrínsecos do poder discricionário da Administração Pública e constituem o corolário deste princípio da legalidade. por ser um Órgão por excelência da administração estadual. Esta submissão a lei significa uma submissão aos princípios gerais de direito.º n. 6. V. Da CRA o seguinte: N. Se uma Lei tem um prazo de vigência que se destina a um dado fim que foi já alcançado. 181. Dispõem os arts. que resulta de uma nova manifestação legislativa em sentido diverso ao da anterior. Etc.se por certos critérios cujo desrespeito gera ilegalidades. O princípio da legalidade estabelece que os órgãos e agentes da administração só podem agir no exercício das suas funções com fundamento na lei e dentro dos limites 14 . a actuação da Administração Pública deve e tem de se nortear . Tanto é que.º 2.º 1. 174.º. destacando-se os princípios da igualdade. 198. que estabelece ³Tudo aquilo que não for permitido considerase proibido´. Estes critérios são.º e Ss.º. Etc.A lei caduca quando deixa de vigorar por força de qualquer circunstância diversa da publicação de nova lei. segundo o princípio da competência. com competência de garantir os direitos do Estado. à Constituição e as normas internacionais. 183.é a forma de cessação da vigência da lei. 198. probidade administrativa e respeito pelo património público. 2. da justiça.A administração pública prossegue. quer por parte do Estado. reger-se pelos princípios da igualdade. imparcialidade. n. nos termos da Constituição e da Lei.

estando assim isentos de qualquer tipo de dependência. salvo nos termos e limites legais. ele é indiscutivelmente um tribunal soberano. Os órgãos da Administração Pública devem actuar em obediência à lei e ao direito.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. 15 . Walter Abreu Soares Tondela por ela impostos ou melhor. institucional e funcionalmente autónomo. competindo-lhe especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico .C. E) O Presidente da República 108. V. O Tribunal Constitucional é o tribunal que exerce a sua jurisdição no âmbito de todo ordenamento jurídico de um País. apreciando a constitucionalidade da política normativamente incorporada em actos dos Órgãos de soberania´.º. de acordo com os dispostos na constituição e na lei. Mas é obvio que para além da administração pública existem outros Órgãos que garantem o controlo da legalidade como: a) Os Tribunais 174.g. não podem ser suspensos. não se pode furtar à tarefa de guardião da Constituição.º. Apesar da nossa CRA. b) A Assembleia Nacional 141.constitucional das normas jurídicas. Irresponsabilidade: os juízes do TC não podem serem responsabilizados pelas decisões. De todos os Órgãos que exercem o controlo da legalidade. c) O Ministério Público 185. salvo nos casos especialmente previstos na lei. art. 180.constitucionais.º e 162. Princípios Da Independência quer com isto dizer que os juízes no desempenho das suas funções específicas apenas devem obediência à lei e à sua consciência. com as características de um órgão constitucional. 180. Inamovibilidade os juízes do TC são designados para um período de sete anos e as suas funções não podem cessar antes do respectivo termo.constitucional do Tribunal Constitucional. Segundo o insigne Prof.º. nos vamos nos debruçar com maior acuidade sobre os Tribunais.º da república.. Catedrático da escola de Coimbra Joaquim José Gomes Canotilho assevera que ³o T. d) o Provedor de justiça art. mormente o constitucional.º da CRA.º. Imparcialidade os juízes estão impedidos de julgar causas em que possuam qualquer tipo de interesse e estão sujeitos às incompatibilidade dos juízes dos restantes tribunais. dentro dos limites dos poderes que lhes estejam atribuídos e em conformidade com os fins para que os mesmos poderes lhes forem conferidos. nos termos e dispostos dos arts. ou seja. excluindo dos seus juízos e valorações políticas ou apreciações de mérito político. não especificar a posição jurídico . 192. demitidos e aposentados.º da CRA. mesmo primariamente limitado ao controlo jurídico .º e 120.

principalmente. Estado Civil na filosofia de Hobbes. 220 -223) O onceito de estado de natureza tem a função de explicar a situação présocial na ual os indivíduos existem isoladamente.   ¦¤¢ ¦£ ¢  ¦£¡ £¦   A l í ios filosófi os 16 © ¢ £ ¢ ¦ ¥ ¢¤   £¢   ¡ ¨ § [Escrever text l El .HOBBES. Para se protegerem uns dos outros. A concepção de Hobbes (no século XVII). ano 2000.W lt A ORIGEM DO ESTADO LIBERAL . Ática. Locke e Rousseau Marilena C auí ( rofª de filosofia na USP e autora de vários livros) (Do livro: Filosofia. os indivíduos vivem isolados e em luta permanente. concepções do estado de natureza: uas foram as principais 1. Nesse estado. Ed. o grande medo: o da morte violenta. contrato social. vigorando a guerra de todos contra todos ou o omem lobo do omem". reina o medo e. portanto. pois sempre averá alguém mais forte ue vencerá o mais fraco e ocupará as terras cercadas. pág. São Paulo. não existe. 08 e Setembro e 2009 00:21 Rodri o Travitzki Pri Estado de Natureza. ue pode tudo uanto tenha força para conquistar e conservar. em estado de natureza. ROUSSEAU E LOCKE Ter. a única lei é a força do mais forte. A vida não tem garantias. segundo a ual. a posse não tem reconhecimento e. os umanos inventaram as armas para protegerem -se dos inimigos Essas duas atitudes são inúteis.

a propriedade privada. pelo qual os indivíduos renunciam à liberdade natural istó é posse natural de bens. os indivíduos vivem isolados pelas florestas. vigorando a lei da selva ou o poder da força. ou seja ± o soberano ± o poder para criar e aplicar as leis. para um criando o poder político e as leis. Esse estado de felicidade original. O contrato social funda a soberania. numa língua generosa e benevolente. em estado d e nature a. desconhecendo lutas e comunicando -se pelo gesto. que corresponde.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. no qual o s humanos existem sob a forma do bom selvajeria inocente. conferido ao soberano pelo povo" ± para legitimar a teoria do contrato ou do 17 . rique as e armas materiais e concordam em transferir a um terceiro. sobrevivendo com o que a ature a lhes dá. omo é possível dentro de um pacto o pacto social Qual sua legitimidade? Os teóricos invocarão o Direito omano ± " inguém pode dar o que não tem e égia romana ± "O poder é ninguém pode tirar o que não deu" ± e a Lei pacto social. ao estado de nature a hobbesiano da guerra de todos contra todos. agora. tornando-se autoridade política. isto é. segundo a qual. A divisão entre o meu e o teu. Walter Abreu Soares Tondela 2. os humanos decidem passar à sociedade civil. A passagem do estado de nature a à sociedade civil se dá por meio de um contrato ocial . termina quando alguém cerca um terreno e di : "É meu". A concepção de ousseau no século XVIII). pelo grito e pelo canto. obbes e o estado de sociedade de ousseau O estado de nature a de evidenciam uma percepção do social como luta entre fracos e fortes em vigorando assim. dá origem ao estado de sociedade. Para fa er cessar esse estado de vida ameaçador e ameaçado.

a instituição jurídica da propriedade privada. Assim.).[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. isto é. os indivíduos formam a vontade livre da sociedade. ainda que. todo indivíduo tem direito á vida. criam a vontade geral como corpo moral 18 . por direito natural. que. isto é. e à liberdade. garantindo a vida. a liberdade e a propriedade privada dos governados. A teoria do direito natural garante essas duas condições para validar o contato social ou o pacto político. pelo pacto. possuem o direito e o poder para transferir a liberdade a um terceiro. m contrato ou um pacto. ao que é necessário à sobrevivência de seu corpo. ousseau. sob as leis promulgadas e aplicadas pelo soberano. então dão ao soberano algo que possuem. Por nature a. só tem validade se as partes contratantes forem livres e iguais e se voluntária e livremente derem seu consentimento ao que está sendo pactuado. Feito o pacto ou o contrato. Estes transferiram ao soberano o direito exclusivo ao uso da força e da violência. por exemplo. Se as partes contratantes possuem os mesmos direitos naturais e são livres. da regulamentação dos contatos econômicos. voluntariamente fa em um pacto ou contrato e transferem ao soberano o poder para dirigi -los. pessoas morais. Walter Abreu Soares Tondela Parte-se do conceito de direito natural: por nature a. A sociedade civil é o Estado propriamente dito. e de outros contratos sociais como. Para coletivo ou Estado. todos são livres. uma pessoa artificial criada pela ação humana e que se chama E tado. pelo pacto. da vingança contra os crimes. legitimando o poder da soberania. por natu re a. uns sejam mais forte e outros mais fracos. o casamento civil. etc. os homens reunidos numa multidão de indivíduos. os indivíduos naturais são passam a constituir um corpo político. di ia a teoria jurídica romana. Para obbes. e se consen tem voluntária e livremente nisso. os contratantes transferiram o direito natural ao soberano e com isso o autori am a transformá -lo em direito civil ou direito positivo. a legislação sobre a herança. Trata -se da sociedade vivendo sob o direito civil.

como obra do trabalhador divino. Enquanto se submetem às leis e à autoridade do governante que os representa chamam-se súditos. a propriedade p rivada não é um direito natural. Os indivíduos. É seu domínio e sua propriedade. cidadãos do Estado e súditos das leis. pois. um grupo de aristocratas ou uma ousseau. Esses bens são conseguidos pelo trabalho. a ele pertence. é um artífice. São. isto é. mas o representante da soberania popular. Loc e parte da definição do direito natural como direito à vida. Walter Abreu Soares Tondela Quem é o pergunta. o soberano é o povo. livre e corpo político de cidadãos. pessoa moral coletiva. John ocke e a teoria liberal ± o pensamento político de obbes e de ousseau. entendido assembléia democrática. arquiteto e engenheiro que fe uma obra: o mundo. pelo contrato. Enquanto criam a soberania e nela se fa em representar. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. escreve Loc e. Filósofo inglês Loc e. a cidadania. deu-lhe o mundo para que nele reinasse e. oberano? obbes e ousseau di erem na resposta a essa Para obbes. o governante não é o soberano. Este. Os indivíduos aceitam perder a liberdade civil: aceitam perder a posse natural para ganhar a individualidade civil. Assim sendo. mas civil. à liberdade e aos bens necessários para a conservação de ambas.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. ao expulsá -lo do Paraíso. não lhe retirou o domínio do mundo. o soberano pode ser um rei. mas lhe disse que o teria com o 19 . criaram -se a si mesmos como povo e é a este que transferem os direitos naturais para que sejam transformados em direitos civis. um obreiro. Para como vontade geral. no final do século XVII e início do século XVIII. omo fa er do trabalho o legitimador da propriedade privada enquanto direito natural? Deus. são cidadãos.

os pobres. mas também como superior aos pobres. se Deus fe todos os homens iguais.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Tem as funções que obbes lhe atribui. os trabalhadores que não conseguem tornar-se proprietários privados. mas sua principal finalidade é garantir o direito natural da propriedade. O Estado existe a partir do contrato social. Por todos esse motivos. São pobres. seja porque são preguiçosos e não 20 . Deus instituiu. mas de garantila e defendê-la contra a nobreza e os pobres. isto é. não são proprietá rios e são obrigados a trabalhar para outros seja porque são perdulários. o direito à propriedade privada como fruto legítimo do trabalho. Por isso. no momento da criação do mundo e do homem. Se a função do estado não é a de criar ou instituir a propriedade privada. O burguês não se reconhece apenas como superior social e moralmente aos nobres. são culpados por sua condição inferior. de origem divina. se a todos deu a missão de trabalhar e a todos concedeu o direito à propriedade privada. qual é o poder do soberano? de acumulá-lo para adquirir propriedades. gastando o salário em ve trabalham o suficiente para conseguir uma propriedade. então. De fato. Walter Abreu Soares Tondela suor do seu rosto. ela é um direito natural.

convindo separar o poder legislativo do executivo. ou o mesmo corpo de principais. federativo do estado e a prerrogativa. como sua meta final. cujas funções exigem dos respectivos órgãos. correspondia ao direito da paz e da guerra. quando concluiu que "Tudo estaria perdido se o mesmo homem. 21 . que visam evitar a hipertrofia da autoridade Estadual. Walter Abreu Soares Tondela Material didático .[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. No início concentrada numa pessoa ou coletividade de pessoas. o que faz leis. o que executa as resoluções públicas e o que julga os crimes ou as desavenças dos particulares". Essa múltipla atividade gerou a teoria da separação dos poderes estatais.Poderes. funções e órgãos do Estado Objetivando promover o bem público. ou de nobres. John Locke já falava expressamente nos poderes citando o legislativo. A prerrogativa referia-se ao poder discricionário que às vezes atingia a arbitrariedade indo de encontro ao bem público. Foi Charles-Louis de Secondat (1689-1755)-Baron de Ia Brède et de Montesquieu que em 1748 elaborou um verdadeiro tratado de Teoria do Estado sob o título De I'Esprit des Lois. exercessem os três poderes. Aristóteles começou a discernir as três partes do governo com as funções por elas exercidas: A assembléia do povo formada pelos cidadãos em geral. Esse exercício mesmo dentro da unidade estatal obedece a limitações consagradas. encarregados do julgamento e da aplicação da justiça. executivo. de formar ligas e alianças e de fazer toda espécie de negociações com as pessoas e as comunidades estranhas ao Estado. uma missão de exercê-las dentro dos limites das correspondentes pela Lei. o Estado desempenha uma série de funções através dos órgãos que o compõe. Não confiante na natureza humana considerava perigoso confiar a execução das leis àqueles que a tivessem elaborado. determinando um enorme conjunto de actos e serviços variáveis e permutuaveis. a segunda composta de magistrados com ordens especiais encarregados das rendas e defesa do Estado e a terceira integrada por juízes. bem como deslocações de uma localidade à para outro e de acordo com a época analisada. ou do povo. Não tratou do judiciário com especialidade e o poder federativo por outros interpretado como confederativo. como corpo deliberante e verdadeiro soberano do Estado. passou a distribuir-se numa verdadeira divisão de trabalho e atribuições.

a gênese e o desenvolvimento dos sistemas legais in abstracto através das múltiplas diversidades desses sistemas legais e das distintas formas de governo. " ontesquieu. etc. O Espírito das Leis inicia-se com uma teoria geral das leis." ) '  ! % " &  & (# 0 # & # & %  ) ( # $    &  ) 22 . com o intuito de fa er uma obra de ciência positiva. ealmente. Walter Abreu Soares Tondela III. Distingue três espécies de governo: republicano. " ontesquieu crê na utilidade social e moral dos corpos intermédios [da Sociedade] sic). eventualmente condu em ao "bom governo". que observa aqui ou ali pelo mundo. em explicar e distinguir. ainda que sua Teoria de Separação dos Poderes tenha servido como um dos alicerces para a construção do Estado Democrático Liberal. conhecido quando de sua viagem à Inglaterra.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. a qual constitui a base da filosofia política de ontesquieu. ele estuda sucessivamente a nat eza. as estruturas constitutivas que nele se podem notar. designadamente os parlamentos e a nobre a. ainda que implicitamente. Ali encontrou um regime cujo objetivo principal era a liberdade.. foi inspirada pelo sistema político constitucional. ou seja. e o princípi ." 9) essalte-se que ontesquieu não foi um liberal na acepção moderna do termo. monárquico e despótico. cabe a ontesquieu o inegável mérito de colocá-la num quadro mais amplo. ou seja." ) Por fim. procura analisar os meios e fatores que. numa perspectiva jurídica-normativista e política. John Loc e. A partir de uma leitura atenta desta sua magnum opus. remodela as classificações tradicionais dos regimes políticos. A Teoria da Tripartição dos Poderes do Estado não é criação de ontesquieu. a partir das condições históricas. a seqüência. através de uma lógica inteligível. a teoria em questão. essencialmente. cerca de um século antes de ontesquieu já tinha formulado. psicológicas. em 729. A teoria ora em comento ". podemos concluir que ontesquieu foi um dos precursores do método comparativo-indutivo atualmente empregado tanto pela iência Política quanto pela istória Política. geográficas. Em cada tipo de regime..A Teoria da Tripartição dos Poderes segundo Montesquieu No Espírito das Leis Montesquieu se preocupa. o mecanismo do seu funcionamento. filósofo liberal inglês. conforme a época e o lugar. Entretanto.

executivo e judiciário) com o escopo de assegurar uma eficácia mínima de governo. de outro. .. que decide o que é direito no caso de agir. já apresentava sérias cisões políticas e sociais ao ponto de desembocar. o executivo irresistível e o judiciário é inapelável. filósofo alemão nos Princípios Metafísicos da Teoria do Direito. ainda que de forma implícita.799). o objectivo último da ordem política. quando põe a aristocracia a salvo tanto do rei quanto da burguesia.) (. também é verdade que ontesquieu entende que o povo é de todo incapa de discernir sobre os reais problemas políticos da Nação e. composta por no bres.. a menor . a ordem de conduzir-se de acordo com a lei. não deve e nem pode ser o titular da soberania. como autêntico aristocrata.. Por isso estabeleceu a necessidade de uma Câmara Alta no Legislativo.. a ensinar ao povo que as grandezas s ão respeitáveis e que monarquia moderada é o melhor regime político. eficácia e legitimidade essas que devem e podem resultar num equilíbrio dos poderes sociais. a ordem social é. a sentença. Se. heterogênea e sujeita a desigualdades sociais as mais diversas. em si. Estes três poderes são coordenados (completando-se) e subordinados (independentes). jurista oriundo da nobre a togada do Ancient Régime. O legislativo é irrepreensível. uma estrutura política e social pluralista. é assegurar a moderação do poder mediante a "cooperação harmónica" entre os Poderes do Estado funcionalmente constituídos legislativo. 4 8 3 1 3 7 3 65 6 2 9 65 5 3 1 3 3 1 23 . 2) Dentro dessa ordem de coisas. representa uma manifestação completa do poder. Pessanha e Bolivar Lamounier prelecionam que ontesquieu ". exerce a totalidade do poder soberano. portanto. dos burgueses quando estabelece q ue os nobres não podem ser julgados por magistrados populares. além de contrabalançar o poder da burguesia [estamento social em rápida ascensão social e econômica na França dos séculos XVII e XVIII]. quando a teoria da separação dos poderes impede o Executivo de penetrar nas funções judiciárias. Do rei." (11) Em suma. dentro da sua esfera de ação. Cada órgão. Os interlocutores de ontesquieu no Espírito das Leis são a onarquia Absolutista de um lado e a sociedade estamental da França do século XVIII d.. A nobreza.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. para ontesquieu. enfim. reconhece que. independentemente da espécie de governo ou regime político de um dado país.. Walter Abreu Soares Tondela Nesta mesma esteira de raciocínio. por sua superioridade natural.) Por outro lado. ontesquieu. opta claramente pelos interesses da nobreza. bem como conferir uma legitimidade e racionalidade administrativa à tais poderes estatais. (. Immanuel Kant. cerca de uma geração após a morte de ontesquieu. por um lado. na evolução Francesa 7 9. manifestado por um dos três órgãos. sociedade essa que. os professores José Américo . era vista por ele como capacitada. ao longo da vida de ontesquieu. Em outras palavras: cada ato de governo. viu nos poderes do Estado as três proposições de um silogismo prático: a maior que contem a lei de uma vontade. a conclusão. desagrada -lhe a idéia de o povo todo possuir poder. ele aceita.

AS TRÊS FUNÇÕES BÁSICAS DO ESTADO Não confundir as funções com as finalidades ou objetivos do Estado.cionando as controvérsias. que é. Cada um. através do magistrado incumbido dos restantes assuntos do governo. são poderes interdependentes no sentido literal da palavra. O Estado manifesta a sua vontade. já que devem ser harmônicos e coordenados entre si. Exemplo: Quem importa mercadoria paga o imposto sobre importação. Os três poderes só são independentes no sentido de que se organizam mutuamente na finalidade essencial de compor os atos de manifestação da soberania estatal. Exemplo: Cobrar do importador o tributo na quantidade prevista na lei é ato executivo. cultural entre outras. 24 . através de manifestação de vontade a ser feita valer toda vez que ocorre o fato descrito na norma. mediante um sistema de freios e contrapesos. Executiva: traduz num ato de vontade individualizado a exteriorização abstrata da norma. econômica. passaram a ser exercidas por órgãos correspondentes de forma harmônica e interdependente: Legislativa: estabelece normas gerais e abstratas que regem a vida em sociedade. que se pronunciava acerca da guerra. não chegaria a expressar o poder do Estado. da paz e das leis. na expressão dos constitucionalistas norte-americanos. previdenciária. sem a correlação e a integração dos dois outros. considera indevido o tributo cobrado surge uma lide a ser resolvida definitivamente pela função jurisdicional. Todavia as funções básicas do Estado. Administrativa. O filósofo grego entendia da seguinte maneira as três funções basilares da ³polis´: Consultiva. exerce a totalidade do poder.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. policial. o Executivo e o Judiciário. Cada um dos três. na esfera da sua função específica. Modernamente o Estado consolidou estas três funções que a partir dos pensadores dos séculos XVII e XVIII. Walter Abreu Soares Tondela O Legislativo. realizando o ideal de contenção do poder pelo poder. mesmo com outras palavras ou acréscimos por parte de uns e concentrações por outros permanecem as mesmas desde Aristóteles aos nossos dias. São órgãos de manifestação do poder de soberania estatal. Judiciária: Dirime as controvérsias que podem surgir na aplicação da lei. o seu poder através desses três órgãos que compõem a sua unidade. na sua essência uno e indivisível. Exemplo: Se o importador dos exemplos acima. que são vários e de natureza militar. Esta é uma lei. isoladamente.

Órgãos que elaborem as leis necessárias à vida colectiva a respectiva execução. Por isso. faculdades ou poderes (direitos) que por aplicação das regras de direito objectivo por parte de uma pessoa corresponde logicamente a um dever jurídico (uma obrigação).[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Direito subjectivo São aquelas posições de privilégios. as grandes divisões do direito ou seja os ramos do Direito. pese embora um bom jurista deve ter uma visão o mais compreensiva possível do direito positivo. talvez até centenas de milhares de normas. política. As grandes linhas estruturas do sistema jurídico A Macroestrutura: As grandes divisões do direito O direito compreende a vida social do homem. constituída por um povo que é p titular por autoridade própria. começaremos por falar sobre os direitos objectivo e subjectivo. Compaginadas que estão as grandes linhas de estruturação do sistema jurídico. ou pelo menos um estado de sujeição. Dentro deste conjunto de leis que são editadas encontraremos. regras e diplomas legislativos. É assim que existem inúmeras. isto é aquisição de conhecimentos e aptidão para desenvolver um pensamento jurídico autónomo e para saber trabalhar com as leis. Sendo este desiderato o mais importante. incluindo as novas leis que estão a ser editadas diariamente. Walter Abreu Soares Tondela O Estado é uma Instituição. onde encontraremos os princípios fundamentais do direito. jurídica e territorial. Não é possível falar sobre os ramos do direito sem antes abordar o Direito objectivo e o direito subjectivo. Pois só com ajuda deste conhecimento se pode cooperar na realização da justiça. Direito objectivo é entendido e compreendido. apesar de não se legislar todo o direito. 25 . por parte de outra ou outras pessoas. esta função ordenadora abrange todos os campos do domínio social. colocada numa determinada circunscrição geográfica. como o corpo ou complexo de regras gerais e abstractas que organizam e regulam a vida das pessoas em sociedade sob os mais diversos aspectos. é que nenhum jurista consegue conhecer todas as normas jurídicas.

Direito público caracteriza-se pelo facto de nas relações por ele reguladas. b) Critério da qualidade dos sujeitos Estamos em presença do Direito público quando encontramos normas que regulam as situações jurídicas em que o Estado. serem os mais adequados são: a) Critérios da natureza dos interesses. a destrinça entre os ramos de direito público e privado. assim o direito público seria o conjunto de normas que regulam a organização e a actividade do Estado e de outros entes públicos menores e as relações desses entes públicos entre si no exercício dos poderes que lhe competem. Walter Abreu Soares Tondela Os Ramos do direito Existem vários critérios possíveis para estabelecer. Direito Privado ± são o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações em que as partes aparecem numa posição de igualdade ou paridade. as relações dos entes públicos enquanto revestidos de poder de autoridade. enquanto sujeitos dotados de poder (ius imperium). regula a vida pública. daremos uma noção sumária.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. b) Critério da qualidade dos sujeitos. e é direito privado quando o estado regula as relações jurídicas em que os particulares se encontram em posição de paridade e o estado desprovido do seu poder de autoridade. 26 . com os particulares. os que a larga maioria da doutrina entende. ou outra entidade pública. Mas entre todos os critérios. sobre os ramos de direito Público e os ramos de Direito Privado. se verificar o exercício de um poder de autoridade pública. c) Critério da posição dos sujeitos Segundo este critério estaremos em presença do direito público sempre que o seja constituído um conjunto de normas que regem a actividade do Estado e das outras entidades públicas e privadas. a) Critério da natureza dos interesses Segundo este critério estaremos em presença do Direito Público. Por agora. Chegado até a esmiuçarem uma centena de critérios. quando se visa a prossecução da resolução de interesses públicos e estaremos em presença do direito privado sempre que se visa a prossecução de interesses privatísticos ou privados. ramos estes que constituem as cadeiras curriculares clássicas do curso de Direito. c)Critério da posição dos sujeitos. bem como. E em direito privado quando as situações jurídicas sejam apenas reguladas pelos particulares.

Trabalho. O texto jurídico é constituído por uma polissemia (isto é vários sentidos). Direito Penal. Direito Processual Penal. fixar-se um sentido decisivo da lei que garanta um mínimo de uniformidade para interpretação dos litígios. Para este efeito julga-se indispensável fixar um conjunto de directivas ou critérios que devem orientar a actividade do intérprete. 9. Direito Administrativo. parece compreensível à primeira leitura. contendo com frequências expressões muitos ambíguas ou obscuras. a todas as relações de direito privado. salvo aquelas ou os aspectos daqueles qu se e tornam objecto de um direito especial. Walter Abreu Soares Tondela Assim sendo os principais ramos do direito Público são: Direito Constitucional.º do C. O principal ramo do direito privado é: O Direito Civil que é o ramo privado comum ou direito . Deve-se. Sendo a lei um instrumento de prática. dos órgãos de soberania e da repartição dos poderes entre eles. Mesmo quando aparentemente. Civil. ou seja. também com a segurança jurídica. por forma a evitar o casuísmo e o arbítrio de cada julgador. Entre os vários sentidos de um determinado texto a que eleger um qual deles? Dúvidas não poderão existir ao se enquadrar o sentido mais conforme ao direito que não poderá ser um sentidos qualquer. «A doutrina civilista. portanto. assevera também que é o tronco do direito privado. incompatíveis com as necessidades da vida social. daquela actividade do jurista que se destina a fixar o sentido e o alcance com que o texto deve valer. Daí justamente a necessidade da interpretação. a sua aplicação aos casos concretos da vida faz muitas vezes surgir dificuldades de interpretação imprevisíveis. devendo se procurar extrair dela um sentido que valha para todas as pessoas e para todos os casos. a sua conformação e ordenação da vida social é dirigida a uma generalidade de pessoas e a uma série infinitividade de casos. Direito constitucional ou político é o ramo do direito público que se ocupa da organização do Estado e das grandes linhas da organização do Estado dos entes públicos menores. Civil Interpretar um texto jurídico. o art. pois. 27 .[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. Direito Internacional Público. por conseguinte serão incompatíveis.regra cujo campo de actuação se estende potencialmente. Capitulo V Aplicação da Lei a) A interpretação da Lei b) Interpretação e ordenamento c) Regras legais sobre a interpretação. Administrativo. Direito Fiscal. consiste evidentemente em retirar desse texto um determinado sentido ou conteúdo de pensamento.

Mas. das pessoas. A interpretação pode assumir. E finalmente. de uma interpretação autêntica ou poderá emanar de órgão legislativo diverso. sem preparação jurídica. na apreensão do sentido puramente gramatical ou textual da lei. utilizando critérios e regras empíricas mais dotados de algum sentido literal. consiste na interpretação literal. ela própria. se deve atender às circunstâncias históricas . 13. tais elementos respeitam.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. à evolução geral do sistema jurídico começando pela data da sua elaboração. e a genericamente.e segundo alguns autores. tanto quanto aquelas em que ela será efectivamente aplicada. 9. a conexão entre o sistema jurídico e a lei que foi legislada.º do CC. o intérprete deve recorrer a elementos extra-literais. antes são os tribunais.º 1 do art. os juristas. embora com algumas limitações. Walter Abreu Soares Tondela Esse conjunto de directivas ou cânones hermenêuticos constitui a chamada metodologia da interpretação ou hermenêutica jurídica. Por outro lado. Dentro destes elementos de interpretação ou factores hermenêuticos que são os métodos com que o interprete lança mão para desvendar o verdadeiro sentido e o alcance dos textos legais. ou seja. e de acordo com o n. Em qualquer destes casos. o carácter de norma jurídica e isso acontecerá se um ou vários preceitos de um diploma estabelecerem o sentido de outro ou outros preceitos desse mesmo diploma. que lhe permitam «reconstituir a partir dos textos jurídicos o pensamento legislativo».º CC). mesmo. Designadamente à norma que ela substitui. a lei interpretativa pode provir do órgão que elaborou a lei interpretada. a maioria das vezes. isto é. A doutrina apresenta dentro dos elementos extra-literais. isto é. tem de se ter em consideração o conjunto do sistemas jurídicos em que a lei se integra e com a qual tem de estar em conexão (elemento sistemático). por um lado. É assim que as leis interpretativas se integram nas leis interpretadas. sendo esta a sua fonte inspiradora. não é por via legislativa que se faz a interpretação da Lei. neste mesmo ordenamento jurídico. muitas vezes. isto é. pelo que se deverá ter em atenção as circunstancias em que ela foi elaborada. A interpretação da Lei é também designada como a operação técnico-jurídica tendente a determinar o conteúdo e o sentido das normas jurídicas. uma vez operada essa interpretação da letra da lei. Que realizam também a interpretação da lei. pelo que a sua aplicação no tempo tem carácter retroactivo. tratando-se nestes casos . O primeiro passo na interpretação de uma lei. à averiguação do fim que a lei se propõem atingir (ratio legis). aos trabalhos preparatórios para a elaboração da lei (elemento histórico). após a publicação de uma lei. esclarecendo ainda o sentido de outro ou outros preceitos desse mesmo diploma ou se. qual o objectivo que se pretendeu alcançar com determinada lei. 28 .jurídicas em que a lei foi elaborada. se publica uma outra tendente a fixar o sentido da primeira e a eliminar dúvidas que a sua aplicação se tenham suscitado. (Vide art.

pois é evidente que o enunciado linguístico que é a letra da lei seja apenas um significante. porém. o nª.º. 249. ao determinar «que não pode. fazendo porventura discorrer dos outros elementos interpretativos. Finalmente.º.º C. a saber: a) .» na fixação do sentido e alcance da lei. isto é disciplinada pelo direito. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo e a correspondente imposição a outra pessoa de um dever ou uma sujeição. O n.3 da mesma disposição consagra um princípio de razoa bilidade que deve presidir á interpretação. o intérprete presumirá que o legislador consagrou as soluções mais acertadas e soube exprimir o seu pensamento em termos adequados» O artigo 11.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. 252. Segundo o saudoso Prof. titular de um sentido (espírito da lei). Manuel Andrade da escola de Coimbra. juridicamente relevante. Não podendo haver pois uma modalidade de interpretação gramatical e uma outra lógica. Interpretação extensiva. Interpretação restritiva é aquela. (espírito da lei) onde encontramos dentro dele o elemento racional ou teleológico.º.º CC.º. se. embora não comportem aplicação analógica. 29 . para que nos remeta ao melhor entendimento. 250. restrita não abarcando todas as situações carecidas de regulação. o elemento sistemático e o elemento histórico. b) Elemento lógico. ao contrário. Impõe uma limitação importante ao intérprete. Relação jurídica é entendida em sentido amplo e em sentido restrito. Por isso quando se fala em interpretação literal quer-se apenas referir aquela modalidade de interpretação muito cingida ao texto e que extrai das palavras o sentido que elas mais naturalmente comportam. relação jurídica em sentido amplo é toda a situação ou relação da vida social. ainda que imperfeitamente expressa». ou melhor a letra da lei.º 2 Do já citado artigo 9ª. Arts. o legislador usou uma fo rma de expressão extensa ou seja o legislador diz mais do que deveria ter dito. afirmando que. quanto às normas excepcionais. É imprescindível salientar que o elemento gramatical e o elemento lógico têm sempre que ser utilizados cumulativamente. ser considerado ( ) o pensamento legislativo que não tenha na letra da lei um mínimo de correspondência verbal. 247. Walter Abreu Soares Tondela Métodos estes que se apresentam sobre duas modalidades principais.º. 248.Elemento gramatical é o texto. Em sentido restrito é a relação da vida social disciplinada pelo direito.Família. segundo à qual o legislador usou uma formulação em stritu sensu. 251. estabelece.

não é. Capacidade de exercícios ou capacidade para exercer para o exercícios de direitos é a idoneidade de actuar juridicamente. Esta expressão capacidade de exercício. Já nas pessoas colectivas trata-se de um processo técnico de organização das relações jurídicas conexionadas com um dado empreendimento colectivo.se. só de per . Os sujeitos de direito são entes susceptíveis de serem titulares de direitos e obrigações. mas tão somente não poderão exerce-los de per-si ou seja por se mesmos. A personalidade jurídica consiste. exercendo direitos ou cumprindo deveres. livremente.uma exigência do direito ao respeito e da dignidade que se deve reconhecer a todos os seres humanos. ou seja é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. por um acto de sua vontade. portanto. todavia. produzir determinados efeitos jurídicos que se impõem inevitavelmente à esfera jurídica alheia. pretender de outra um certo comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). A personalidade jurídica traduz-se precisamente na aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. isto é. só de per-se. ou auxiliado por acções de uma autoridade pública. Dentro da capacidade jurídica vamos encontrar a capacidade de gozo e a capacidade de exercícios. como aliás se exprimem os juristas de língua germânica. Capacidade jurídica é a aptidão de as pessoas adstritas e gozarem os seus direitos e obrigações e os exerce . adquirindo direitos e assumindo obrigações. Direito potestativo é poder jurídico de. por um acto de sua vontade. ou pessoalmente. Esta aptidão é nas pessoas singulares ± nos homens . Capacidade de gozo é a capacidade de todas pessoas possuírem direitos e estarem adstritas a obrigações. um representante escolhido pelo próprio representado. produzir inevitavelmente na esfera jurídica alheia.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. deixando de fora o cumprimento de obrigações. Ou seja é a aptidão para pôr em movimento a esfera jurídica própria. São sujeitos de direito as pessoas singulares e colectivas. pois sugere tratar-se unicamente da susceptibilidade de exercitar direitos. para por actividade própria produzir consequências jurídicas no conjunto de direitos e obrigações de que se é titular. ou de. 30 . Melhor se falaria em capacidade de agir. muito feliz. ou auxiliado por acções de uma autoridade pública. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. de serem titulares de relações jurídicas. Walter Abreu Soares Tondela Direito subjectivo é o poder atribuído pela ordem jurídica a uma pessoa de.los livremente segundo a lei. Capacidade jurídica de gozo e capacidade de exercício. na aptidão para ser sujeito de relações jurídicas.

Elas podem ser de três tipos Os elementos constitutivos das pessoas colectivas são: O substrato e o reconhecimento. Walter Abreu Soares Tondela A pessoa. 31 . elevado à qualidade de sujeito jurídico pelo reconhecimento. Incapazes de exercício são os menores. A capacidade de gozo das pessoas colectivas acha-se por força do art. às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica. (é o conjunto de realidades extra-jurídicas). isto é. A incapacidade diz-se de exercícios quando a pessoa não pode exercer os seus direitos ou cumprir os seus deveres por si só e livremente.C. das coisas e dos seres humanos. isto é. encarna a personalidade. que constituem centros autónomos mesmo em relação aos seus membros ou às pessoas que actuam como órgãos. na prática dos actos põem em movimente a sua esfera jurídica. Pessoas singulares são todos e qualquer ser humano desde que nasça completo e com vida. para a existência da pessoa colectiva. A incapacidade diz-se de gozo quando a pessoa não pode ser titular de um ou mais direitos ou deveres. C. não carece do consentimento. As incapacidades Incapacidade ± qualidade da pessoa privada pela lei do gozo ou do exercício de certos direitos. dirigidos à realização de interesses comuns ou colectivos. os interditos e os inabilitados. limitada aos direitos e obrigações necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. o substrato é imprescindível ou seja é a condição necessária. dotada de capacidade de exercício de direitos. Pessoas colectivas são organizações constituídas por uma colectividade de +pessoas ou por uma massa de bens. Trata-se de organizações integradas essencialmente por pessoas ou essencialmente por bens. actua pessoalmente.º. de outra pessoa (assistente). Por fim é importante aquilatar que se o reconhecimento cria o ente jurídico. por um representante legal (designado na lei ou em conformidade com ela) e actua automaticamente. não carece de ser substituída. Ou seja é a realidade que no plano dos factos exteriores ou psicológicos. sendo assim a realidade que dá existência material às pessoas colectiva no mundo exterior. anterior ou posterior ao acto.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof.160. O substrato é o conjunto de elementos da realidade extra-jurídica.

Testamento. C. não tendo a sua capacidade juridicamente afectada. incapacidade esta que é suprida pela representação art. art. Civil Proc. Incapacidade acidental. surdez-mudez ou cegueira.Situação em que se encontra as pessoas. Podem ser inabilitados os indivíduos cuja anomalia psíquica.º CC. art. Walter Abreu Soares Tondela Se pode falar em incapacidade judiciária (insusceptibilidade de estar por si em juízo. Incapacidade Dir. no todo ou em parte.Determina o artigo 2189º.Há autores que falam de incapacidade conjugal para significar a situação em que o cônjuges não pode praticar. Incapacidade testamentária Dir. sendo. Regime bens do casamento. não pode. que. legitimidade. Incapacidade acidental situação equiparável. que são incapazes de testar menores não emancipados os interditos por anomalia psíquica. não seja de tal modo. Tais actos são. mas antes perante uma ilegitimidade. ± Situação jurídica de uma pessoa.º 1. Menor. De um modo geral são anuláveis os actos praticados por incapaz. Incapacidade de facto Dir. porem. carecendo da autorização de um tutor. realizar determinados actos jurídicos. em virtude de decisão judicial.nulo o testamento feito por incapaz. CC e 10. 257.º e Ss. V. nos ternos do termos do artigo 2190º. e bem. nomeadamente. c. ao curador. Civil .[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. sofrem de perturbação ou anomalias que as torna inaptas para o exercício dos seus direitos e comprimento dos seus deveres ou de alguns deles. Ou incapacidade de facto situação de uma pessoa na realidade inapta para exercer os seus direitos. por si so e livremente. A doutrina maioritária entende. n. Interdição. certos actos. os de disposição de bens entre vivos. Civil . Anomalia psíquica. carecendo do consentimento do outro para tal pratica. 122. por si só. Civil . 9. embora de carácter permanente. Emancipação. Nulidade Inabilitação Dir. que não se esta aqui perante uma incapacidade. mas que ainda não se encontra interdita ou inabilitada. 32 . podendo ainda a administração do património do inabilitado ser entregue. CPC). V. V.º do CPC. que a torne ocasionalmente privada do uso da razão e da vontade. que .º.

O objecto é aquilo sobre que recaem os poderes do titular do direito. bem como. como ainda se encontra em vida. esta submetido de-per-si chegando aos poderes . fruir. 33 . O soba Mkuvu explicou-lhe que a parte do mar que Ela pretendia negociar. i é. concorda em celebra o contrato de compra e venda da residência bem como da parte do mar que se encontra em frente aquela casa. está submetido aos poderes. modificação e extinção de uma posição jurídica. estando em Angola de visita decidiu. casada com o Dr. Niakitembo angolano em regime de separação de bens. e que não pode ser vendida em separado. Facilmente se distinguem. por ter uma vista maravilhosa. Seguidamente. Passados 2 anos o neto Simulamuku pretende anular o contrato celebrado. Facto jurídico É o evento juridicamente relevante. Walter Abreu Soares Tondela Hipótese prática Ana Maria de 16 anos de idade. que Ele lhe ofereceu. O objectivo da relação jurídica é o «quid»todo o bem sobre que podem recair direito subjectivos. a casa era propriedade do neto Simulamuku de 16 anos de idade. visitar a ilha do Mussulo. Mas que no entanto. Esses bem que constitui o ponto de incidência do direito. susceptível de produzir efeitos jurídicos. dispor). (sociólogo de profissão). o objecto de um direito e o conteúdo do mesmo. Durante a visita gostou imenso da parte do mar que se encontrava em frente a casa do Soba Mkuvu. entre o Avo e a Dona Ana Maria.a supremacia do titular activo da relação jurídica. a satisfação do interesse que corresponde ao aspecto funcional do direito. efeitos estes que se traduzem sempre na constituição. Empresária de nacionalidade moçambicana.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. o conteúdo do direito de propriedade são os poderes conferidos pelo ordenamento jurídico ao proprietário (poderes de usar. e a supremacia do direito. contactou o soba Mkuvu e apresentou a sua pretensão em adquirir a aquela parte do Mar. Iuris? O objecto da relação jurídica O objecto de uma relação jurídica é precisamente o«quid» sobre que incidem os poderes do seu titular activo. Quid.

modificativo extintivo Dentro dos factos jurídicos. tais como o conhecimento de certa circunstância. os puros factos jurídicos e os actos jurídicos. Os negócios jurídicos são ainda os actos jurídicos constituídos por uma ou mais declarações de vontade. Onde dentro do puros se podem sob ± encontrar. determinado o ordenamento jurídico a produção dos efeitos jurídicos conformes à intenção manifestada pelo declarante ou declarantes.[Escrever texto] Elaborado pelo Prof. etc Os actos jurídicos são por ser turno. com intenção de os alcançar sob tutela do direito. Por fim é mister asseverar que o facto jurídico é o elemento dinâmico q produz ue alterações na vida jurídica ou no mundo do direito. que são aqueles que se realizam independentemente do conhecer. os factos exteriores. a intenção etc. os modos de conduta humana dirigidos pela vontade (actuações ou condutas) que tanto podem consistir numa acção como numa omissão. do querer e do agir do homem (factos imprevisíveis) o sunami etc E os factos jurídicos internos são aqueles factos da vida psíquica do hom em. facto jurídico constitutivo. Walter Abreu Soares Tondela Assim sendo o facto jurídico podem ser. vamos ainda encontrar. 34 . dirigidas à realização de certos efeitos práticos.

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