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Aula 7_Assédio moral_leitura obrigatória

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Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal - UNIDERP Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – REDE LFG Curso

de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado Aula 7 Índice Leitura Obrigatória 1...pág.1 Leitura Obrigatória 2...pág.6 Leitura Obrigatória 3...pág.10 LEITURA OBRIGATÓRIA 1 MÁRCIA NOVAIS GUEDES Juíza do Trabalho na Bahia, premiada no III concurso de Monografias,promovido pela Anamatra em outubro de 2000 com o tema: “O juiz, a Nova Justiça – Papel e Desafios, e em 2001, no I concurso de Monografias promovido pela ANATRA de SP com o título: Direito do Trabalho – Proteção do Estado, Exclusão social. Membro do Instituto Baiano de Direito do Trabalho MOBBING: NOÇÃO E CONCEITO Como citar este artigo: GUEDES, Márcia Novais. Terror Psicológico, LTR, São Paulo: 2003, pág 32 a 38. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado, ministrada no Curso de PósGraduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. MOBBING: NOÇÃO E CONCEITO Mobbing ou assédio moral, embora implique uma violação da intimidade do trabalhador, é algo muito mais grave. Enquanto a violação da intimidade decorre do uso abusivo do poder diretivo do empregador, muitas vezes exagerando no uso de certas práticas voltadas para à proteção do patrimônio da empresa, o assédio moral, na realidade, decorre da atitude deliberada de um perverso cujo objetivo é destruir a vítima e afastá-la do mundo do trabalho. Para a vítimóloga Marie-France Hirigoyen, entende-se por assédio moral no local de trabalho: “Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se, sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, por em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho”. Como já salientamos no inicio do capítulo, nos países escandinavos e de língua germânica preferiu-se o termo mobbing; na Inglaterra utiliza-se a expressão bullying; a ltália, certamente pela influência de Harald Ege - médico alemão -, adotou a termo mobbing. Vocábulo derivado do verbo to mob, que significa, dentre outras

coisas, cercar, assediar,agredir, atacar; indica-se par mobbing, literalmente, o tipo de agressão praticada por algum animal, que, circundando ameaçadoramente um membro do grupo, provoca a fuga deste pelo pavor de ser atacado e morto. O termo foi empregado pela primeira vez par Konrad Lorenz,famoso etiologista. Transportado para o mundo do trabalho, mobbing significa todos aqueles atos e comportamentos provindos do patrão, gerente ou superior hierárquico ou dos colegas,que traduzem uma atitude de continua e ostensiva perseguição que possa acarretar danos relevantes às condições físicas, psíquicas e morais da vítima. Com efeito, estamos tratando daquelas atitudes humilhantes, repetidas, que vão desde o isolamento, passam pela desqualificação profissional e terminam na fase do terror, em que se verifica a destruição psicológica da vítima. As razões de natureza pessoal podem ser a inveja que um colega desperta em outro ou podem revelar uma forma de o chefe esconder sua limitação intelectual ou profissional, mas existe ainda aquela espécie de assédio moral desencadeada pela própria empresa que acredita nesse tipo de perversão, seja para aumentar a produção, seja para se livrar daqueles empregados incômodos. Daí porque a Associação contra a Estresse Psicossocial é contra o mobbing, fundada na Alemanha em 1993,define-o como sendo uma “comunicação conflitual no local de trabalho entre colegas ou entre superior e subordinado, na qual a pessoa atacada e colocada numa posição de debilidade á agredida direta ou indiretamente por uma ou mais pessoas de modo sistemático, frequentemente por largo tempo, com o objetivo e/ou conseqüência da sua demissão do mundo do trabalho. Este processo é encarado pela vítima como uma discriminação.” A gravidade dos danos provocados na vítima nos instiga a questionar as razões pelas quais esse fenômeno permaneceu por tantos anos longe do exame dos médicos e dos juristas. Com segurança se pode afirmar que durante o período em que prevaleceu o modelo de produção fordista, a estado assistencial e a política de pleno emprego, as vitimas preferiam mudar de emprego a denunciar a assédio sofrido; é que o medo e a vergonha paralisam a pessoa, que acaba buscando na fuga uma solução para o problema. A emergência do modelo da flexibilização produtiva guarda uma profunda contradição quanto a esse fenômeno. Se, por um lado, crescem as denúncias, simplesmente porque não há ofertas de emprego e as pessoas tentam agarrar-se a qualquer custo ao emprego existente, é inegável o crescimento na sociedade de uma maior consciência da subjetividade, mais exigente com a saúde do corpo e da mente, saúde ambiental e estética, menos tolerante para com o sofrimento. Por outro lado, os novos modos de produzir centrados na competitividade e em outros elementos que não cogitam um lugar para a pessoa humana enquanto centro e medida de valores, tampouco para a que se denomina de justiça social, vem exasperando velhas formas de assédio moral no interior das empresas e fazendo emergir novas. Para Leymann, a base do assédio moral no local de trabalho é uma situação conflitiva mal resolvida. Não é, todavia, qualquer espécie de conflito de trabalho que pode ser classificado como assédio moral. É fundamental, segundo os especialistas, para que

reconhece-se a existência do outro como interlocutor e admite-se que ambos pertencem ao mesmo sistema de referências e valores. tudo é feito para eliminá-lo do mercado de trabalho. que. há no conflito uma igualdade teórica entre os protagonistas. Segundo os suecos. inclusive com ilustrações de casos reais. o vocábulo conflito quer dizer embate dos que lutam. e assentado igualmente em estudos de casos e pesquisas de campo.se possa falar de assédio moral. o culto de relações pouco transparentes. esse é o lado positivo do conflito. Se. ou quando se utilizam de métodos moralmente abusivos na avaliação de empregados. afirma que o conflito no interior de uma empresa não é um fator negativo. favorece a criatividade e a mudança em sentido positivo. o requisito da duração no tempo. Estamos de acordo com Domenico De Masi. todavia. Uma importante questão a considerar quanto à duração e freqüência dos ataques no processo de caracterização do assédio moral. o conflito é afugentado. a manipulação insidiosa causa maior devastação. aceitando-se o conflito. A violência psicológica deve ser regular. abrindo espaço para a hipocrisia. O conflito foi sempre visto pelos seus aspectos negativos. que a violência vai .quando bem administrado. Inicialmente a vítima descuida. Temido. O fenômeno se instala de modo quase imperceptível. o sujeito perverso persegue sem dar chance de a vítima sequer se defender. Nessa espécie de violência ocorre precisamente a negação do outro. por um lado. Moldada pela disciplina militar que herdou do exército. um ataca e outro contra-ataca. das humilhações. o conflito impulsiona. Ao contrário. é na repetição dos vexames. é necessário que os ataques se verifiquem pelo menos uma vez na semana e a perseguição dure pelo menos 6 meses. sem esclarecer as fontes de estudos psicológicos e científicos comprovadores dos resultados. mas positivo. O conflito pressupõe dois lados opostos que combatem. ambíguas. No mobbing. quando os diretores da empresa têm o estranho costume de empregar métodos abusivos e humilhantes durante a realização dos testes para admissão de empregados e estagiários. Em principio. a moderna organização produtiva) prima por evitar o conflito. pioneiros no tratamento do fenômeno. tem lugar quando as vítimas são várias e o tempo da violência dura apenas o curto período da entrevista para seleção de pessoal. ela afirma que a assédio moral é fruto precisamente da ausência do conflito. O conflito. dando oportunidade para todos se posicionarem. no Capítulo VII. O assédio moral na empresa agrega dois elementos essenciais à sua manifestação: o abuso de poder e a manipulação perversa. a fábrica (e ainda hoje. encarando o fato como uma simples brincadeira.escancara as adversidades. pode ocorrer que o perdedor não aceite a nova situação e passe a assediar moralmente aquele que ele julga responsável por sua derrota. Essa questão será detidamente examinada. dissimuladas. muito menos chegar a um contra-ataque. Encerrado a conflito. Do latim conflictum. apoiado em Half Darendorf. o abuso de poder pode ser facilmente desmascarado. pode favorecer o desenvolvimento do assédio moral. sistemática e durar no tempo. Para a vitimóloga Marie-France Hirigoyen não há necessidade dessa regularidade para que a fenômeno seja reconhecido.

antipatia pessoal. Na terminologia anglo saxônia. se ninguém de fora intervier energicamente. seja pelo conforto da indiferença. o chefe sente-se ameaçado de perder a seu poder e o status privilegiado de que goza dentro da empresa. e significa uma ação executada pela direção de pessoal da empresa para com aqueles empregados considerados incômodos. Em todas as razões alinhadas. Os fatores responsáveis por esse tipo de perversão moral são a competição. consequentemente. existe o de tipo horizontal. diante da ameaça real ou potencial que o subordinado representa. Trata-se de uma estratégia da empresa para reduzir o número de pessoal ou. no caso brasileiro. buscando conter custos. Nessa espécie. o grupo tende a se alinhar com o perverso. Relevante destacar. A empresa organiza sua estratégia de modo tal a levar a empregado a demitir-se. Além do assédio moral de tipo vertical. obriga a . São variadas as formas e motivações de manifestação do abuso de poder. Na empresa a evolução do conflito se verifica em face da completa inoperância dos seus dirigentes. O tipo mais freqüente de terrorismo psicológico é aquele denominado de vertical. O termo bossing foi introduzido na Psicologia par Brinkmann. De um modo geral.se mostrando demolidora e. o assédio moral de tipo vertical é denominado de bossing ou bullying. o racismo. abuso) em vez de bullying. a preferência pessoal do chefe porventura gozada pela vítima. Neste caso. Bullying tem um significado mais restrito e indica um comportamento vexatório praticado por um chefe. Entre as motivações destacam-se razões políticas. denominada de psicoterror. pagar salários mais baixos. a xenofobia e motivos políticos. nas regiões do Norte e Nordeste. a ação discriminatória é desencadeada pelos próprios colegas de idêntico grau na escala hierárquica. as hostilidades transformam-se em violência declarada. É o uso arbitrário e ilegal do poder por parte de um superior. dando início à fase de aniquilamento moral. seja por falta de habilidade de seus administradores para lidar com o que se denomina de “recursos humanos”. ameaça à imagem social. tormento. a ação necessariamente não precisa ser deflagrada e realizada pelo superior. Quando a vítima reage e tenta libertar-se. seja porque a empresa tira proveito dessa situação estressante e acredita nesse tipo de procedimento como método eficaz para obrigar os assalariados a produzirem mais. em 1955. evolui numa escalada destrutiva. Verifica-se a assédio moral de tipo vertical quando a violência psicológica é perpetrada por um superior hierárquico. mas pode este contar com a cumplicidade dos colegas de trabalho da vítima e através destes a violência pode ser desencadeada. Neste caso. diferença de idade. creditando à vítima a responsabilidade pelos maustratos. a vítima pode ser golpeada de modo tanto individual como coletivo. Nos Estados Unidos é muito utilizada a palavra harassment (vexação. E a que os italianos denominam de mobbing estratégico. a inveja. que a ausência de políticas públicas capazes de gerar um desenvolvimento calcado em justiça social. O caso típico de bullying encontra-se no abuso de poder. substituir o quadro por pessoas mais jovens e. inveja ou proteção superior de que goza o subordinado.

Paulatinamente foi percebendo que suas determinações para o serviço não eram observadas. de baixo para cima. foi martirizada moralmente pela criada Juliana até a morte. mas que também ocorre no mundo do trabalho. perdeu o emprego e não conseguiu se reinserir no mercado de trabalho. Reflexos disso colhemos no fato de que. por fim. quase todo nordestino é designado de “baiano”. e as hostilidades foram evoluindo para atitudes de franco desrespeito e deboche por parte de alguns funcionários. Seus insistentes pedidos de auxílio ao diretor da prisão foram interpretados como insubordinação. ou quando a promoção implica um cargo de chefia cujas funções os subordinados supõem que o promovido não possui méritos para desempenhar. a determinação da jovem diretora. Da nossa experiência conhecemos um caso dessa natureza: uma jovem bacharela em direito. cuja média de idade girava em torno dos 40 anos. No romance “O Primo Basílio”. Não obstante a insignificância estatística do mobbing ascendente. . mas igualmente empreender mudanças radicais no modo de preparar e servir os alimentos . acreditando que as mudanças pretendidas eram fruto da cabeça da nova contratada. Ao chegar ao Fórum. funcionária de um Tribunal. sem apoio e duramente criticada pela direção do presídio. entre os assalariados. foi recebida com hostilidade pelo corpo de funcionários. bem como o apoio irrestrito do juiz foram decisivos para que preservasse seu cargo e sua autoridade. que não aceitavam as alterações propostas e resistiram duramente. em São Paulo. A violência de baixo para cima geralmente ocorre quando um colega é promovido sem a consulta dos demais. ainda que tenha nascido em Pernambuco. a crueldade da violência praticada não é menor do que nas demais casas. Certos instrumentos de trabalho são igualmente conhecidos com a alcunha de “baiano”. A violência moral que vem de baixo é uma espécie bem mais rara.população a emigrar para o Sul e o Sudeste do país. sua capacidade e autocontrole. foi obrigada a se afastar por 2 anos para tratamento de saúde. e qualquer lapso ou gafe no ambiente de trabalho e designada como “baianada”.foi moralmente molestada pelas cozinheiras. A coitada da Luizinha. o que torna freqüentes os casos de humilhações e assédio moral por conta do racismo e da xenofobia. No primeiro artigo publicado por Leymanr no qual descreve precisamente um caso de mobbing coletivo. Eça de Queiroz nos trava um quadro inusitado dessa espécie de assédio moral. esposa do conselheiro Jorge. em busca de emprego. em que a supervisora da cozinha da cantina de uma prisão . Claro que tudo isso é extremamente agravado quando a comunicação interna inexiste entre superiores e subordinados. foi nomeada para ocupar o cargo de Diretora de Secretaria numa Vara do interior.contratada não só para ocupar o lugar do supervisor que se havia aposentado. Apesar do estresse e da insônia que passou a sofrer.

Professor dos cursos de Pós-graduação da Unicultura. a expressão consagrada é aquela usada na Alemanha e na Itália. ou função. Membro-Pesquisador do Instituto de Direito Social Cesarino Júnior. O assédio sexual está tipificado como crime. 216-A: “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. 1. 1º.” Como se vê do conceito legal antes transcrito.LEITURA OBRIGATÓRIA 2 JOSÉ AFFONSO DALLEGRAVE NETO Mestre e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná. pág 220 a 222. por meios espúrios. art. b) ação dolosa e reiterada que visa à vantagem sexual. o agente é sempre o empregador ou um colega de trabalho que atua como superior hierárquico da vítima. Não obstante. é clara a possibilidade de reparar os danos materiais e morais decorrentes dessa ardilosa prática com fundamento no art. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. Pena: detenção de 1 a 2 anos. derivação do verbo to mob que traduz justamente a idéia de cercar. X.assediar. Assédio sexual e moral: conceito e alcance Por assédio temos qualquer insistência impertinente junto de alguém com perguntas e pretensões.224/01 que acrescentou ao Código Penal o art. prevalecendo-se o agente da condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. Contudo. atacar. por força da Lei n. mobbing. apesar da existência de vários projetos de lei nessa direção. LTR. todos da Constituição Federal. ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. emboscar. Dessa definição legal se extraem dois requisitos de configuração: a) constrangimento provocado por agente que age favorecido pela ascendência exercida sobre a vítima. Também está presente a idéia de cercar alguém a fim de alcançar objetivos mesquinhos. IV e. Para o operador do Direito do Trabalho interessa tanto o estudo do assédio sexual quanto o do moral manifestado no ambiente de trabalho. Quanto ao assédio moral. APEJ e EMATRA IX. art. III. cargo. importa registrar a falta de regulamentação legal como conduta criminal típica. agredir. Membro da Associação Luso-Brasileira de Juristas do trabalho ASSÉDIO SEXUAL E MORAL: CONCEITO E ALCANCE Como citar este artigo: NETO. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado. José Affonso Dallegrave. 3º. Membro diretor da Associação Brasileira dos Advogados trabalhistas. PUC.Membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho. Na língua inglesa se utiliza o termo bullying para a prática de assédio moral. . 5º. São Paulo: 2008. 10. Advogado Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros. sobretudo.

ato ilícito e nexo causal. 932. Destarte. constrange-a de forma reiterada para se satisfazer sexualmente ou discriminá-la. Efeitos contratuais decorrentes da prática do assédio O assédio praticado pelo empregador. sendo a prática de assédio (moral. o mobbing ou assédio moral são todos aqueles atos provindos do patrão ou superior hierárquico. nessas circunstâncias. com base no art. É. discriminando e estigmatizando-a perante o grupo. Uma das moléstias que afetam o trabalhador como resultado desse quadro abusivo é a “Síndrome de Burnout”. que traduzem uma atitude de continua e ostensiva perseguição capaz de acarretar danos relevantes às condições físicas. do novo . mas empregado superior hierárquico da vítima. impõe-se ao empregador a obrigação de assegurar ao empregado um ambiente de trabalho sadio. da CLT. Assédio moral organizacional e a síndrome de Burnout Enquanto o mobbing tem como objetivo a exclusão da vítima do mundo do trabalho. ou mesmo dos colegas. Quando o assediante for a própria pessoa física do empregador. afeta a honra e a boa-fama do empregado. indubitável que ele será o responsável direto pela reparação dos danos infligidos a vítima. O que ambas as figuras tem em comum é a ofensa aos direitos fundamentais do cidadão e a caracterização de dano moral decorrente de insistentes métodos espúrios do empregador. vez que presentes os elementos dano. hígido e livre de qualquer abuso ou infortúnio. sinalizando para a sensação de explosão ou exaustão da pessoa acometida pelo estresse no ambiente de trabalho.Segundo a doutrina.quando. 4. organizacional ou sexual) a sua principal causa. com esteio no art. A expressão “burn-out” vem do inglês que significa “combustão completa”. psíquica e emocional para o seu retorno ao mercado de trabalho.483. Muitas vezes o assediante é um empregado investido de cargo hierarquicamente superior ao da vítima que.consoante dispõe o art. b e j. recaindo na regra da responsabilidade civil subjetiva. alíneas “d” e “e”. o qual fica autorizado a deixar o emprego para postular em juízo a rescisão indireta do contrato. Vale dizer: O trabalhador. e se despedido. da CLT. no assédio moral organizacional o que se visa é a sujeição de um grupo de trabalhadores às agressivas políticas mercantilistas da empresa. 482. um esgotamento profissional provocado por constante tensão emocional no ambiente do trabalho. 3. deve estar em perfeito estado de saúde física. 2.psíquicas e morais da vitima. causando-lhe inevitável dano moral. Sendo o assediante não a pessoa física do empregador. além de caracterizar descumprimento de obrigação contratual. devendo ser indenizado quando tal não ocorrer. a conduta ilícita do agente ensejara a rescisão de seu contrato de trabalho por justa causa. Responsabilidade direta e indireta da empresa 5. III. pois. Nesse caso o empregador será responsabilizado pelo ato praticado por seu preposto (assediante).

há que se balizar o dano material e moral. este também chamado extrapatrimonial. Prova judicial do assédio A prova judicial da pratica do assédio sexual e moral é de extrema dificuldade para a vítima. Dano material e moral Quando se fala em dano. crimes contra a proteção à inviolabilidade da correspondência e de outros meios de comunicação (arts. máxime pela argúcia do assediador que geralmente tema agir sem deixar indícios. acoimando o assediante em valor que o desestimule à reincidência do ato ilícito. Ao empregador condenado caberá propor ação trabalhista de regresso em face do assediante. tanto o dano emergente quanto o lucro cessante (art. sobretudo. geralmente é a gravação das conversas abusivas. 402 do CC). o meio eficaz. Se desejar. 138 a 140). induzimento ao suicídio (art. 151 a 154). posto que. mas também um papel pedagógico. abrangendo. seja para não cometer injustiça diante de uma suposta acusação leviana e infundada. poderá optar pelo uso da denunciação à lide. se vê prejudicada na produção de tão difícil prova. o assediante. do Código Penal. O julgador deve ser sensível no momento de coligir a prova do assédio. perigo de vida e da saúde (arts. 5. sendo presumida a dor daí decorrente (presunção hominis). Já o dano extrapatrimonial é aquele que resulta da violação do direito geral de personalidade. crimes contra a liberdade individual (arts.129 e 122). 6. disponível à vítima. a despeito de ainda não haver tipificação penal específica. devendo o julgador admiti-la sem maiores receios. qual seja a sujeição do assediante a pena de 1 a 2 anos de detenção. incidirá conseqüência criminal prevista no próprio art. mas. para fazer justiça à vitima que. ocasião em que o mesmo processo de execução da sentença condenatória servirá para a vítima executar o empregador e este excutir o assediante que foi denunciado no processo. 146 a 149). em manifesta conduta pusilânime. é possível. 130 a 136). além de sofrer grave dano moral. No caso específico de ocorrência de assédio sexual. conforme o caso e a gravidade da situação. Mediante essa situação. “age as portas fechadas”. lesão corporal e homicídio (arts. A indenização do dano decorrente da prática de assédio moral e sexual porque diretamente imbricado à dignidade do homem há que ter função não apenas compensatória em relação à presumida dor moral da vítima. Em relação ao assédio moral. na maioria das vezes. além da superveniência de efeitos trabalhistas e civis. o assediante incorrer nas seguintes figuras delituosas previstas no Código Penal: crimes contra a honra (arts. 216-A. . 122).Código Civil. O primeiro é todo aquele suscetível de valoração econômica. Aqui se incluem as despesas que a vítima teve com tratamento psicológico ou mesmo o prejuízo salarial demonstrado pela perseguição do assediante.

Harcelement Moral. em 1972. passando a ser discriminada. ou destes sobre aqueles(assédio vertical. radicado na Suécia. em 1961. descendente e ascendente) ou de colegas (assédio horizontal). os psicólogos. a continuidade da relação laboral. ridicularizada. que é o assédio moral. Heinz Ley-nann. ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo do Trabalho – UNIDERP/REDE LFG. Passou-se a utilizar a palavra mobbing para definir a violência no âmbito laboral. ou seja. ao final provoque pedidos de demissão. a partir de 1984. os médicos do trabalho e os juristas passaram a se ocupar do fenômeno. através de medidas que. Muitas vezes a vítima escolhida é isolada do grupo. O termo bossing é tido pelos italianos como mobbing stratégico. Quem primeiro teria utilizado o termo mobbing terá sido o etólogo Lorenz. Harassment. uma degradação do ambiente de trabalho. O Dano Moral. depois. através de condutas abusivas de superiores hierárquicos sobre subordinados. tornando extremamente penoso ao trabalhador. Bullying. em busca da melhor Justiça. o Assédio Moral e o Assédio Sexual nas Relações de Trabalho. aceitação e configuração do assédio moral nas relações do trabalho. Bossing. o terrorismo psicológico. Após os trabalhos do alemão. Necessário se faz que o julgador aja com a devida atenção e cuidado. significando o procedimento empresarial que visa à diminuição de custos. ljime ou Murahachibu os juristas. sob os diversos aspectos como se apresenta. com o que a empregadora diminui seu quadro de pessoal ou os substitui por outros com salários menores. jurisprudência e doutrina de inúmeros Países do Mundo Civilizado (ou pelo menos que se tem como tal). prudência e acuidade. Reginald Delmar Hintz. Heinemann o utilizou ao descrever o comportamento de um grupo de crianças investindo contra uma criança isolada. que hoje está aflorando nas legislações. LTR. São Paulo: 2008. de certa forma é compreensível a atitude de alguns Juízes e Tribunais em relutar na compreensão. Tratando-se de matéria relativamente nova no âmbito da Justiça brasileira e diante da natural reação contra tudo o que é novo. mas sua inserção no mundo jurídico é recente. e . braçal ou intelectual. Sob as denominações de Mobbing.Psicoterror.hostilizada. O fato do assédio moral no trabalho é antiqüíssimo. para decidir com sensibilidade.LEITURA OBRIGATÓRIA 3 REGINALD DELMAR HINTZ FELKER Advogado ASSÉDIO MORAL NAS RELAÇÕES DO TRABALHO Como citar este artigo: FELKER. inferiorizada. estudando o comportamento de grupos de animais aterrorizando um animal. Material da 7ª aula da Disciplina Direitos Fundamentais e Tutela do Empregado. bom senso. muitas vezes de porte maior. pág 171 a 189. psicólogos e legisladores de diversos países vêm denominando um fenômeno que está se tornando cada vez mais freqüente.

deixando o trabalhador. Assediar é submeter alguém.” O Assedio Moral. como tem observado a OIT em diversas manifestações. e como bem observa Luiz Salvador. É um processo sistemático de estigmação e inaceitável opressão. que assusta os trabalhadores. humilhada. a pequenos ataques repetidos com insistência. onde estabeleceu a necessidade de “respeito à dignidade do trabalhador. sente-se atingida em sua dignidade e sente a perda súbita da autoconfiança. que se vem desenvolvendo de forma alarmante nos dias presentes. como uma das espécies do gênero “Dano Moral” está intimamente ligado aos Direitos Humanos. cujos atos têm significado e deixam na vítima o sentimento de ter sido maltratada. desgastando-a. que leva o trabalhador a evitar o seu acesso ao Judiciário. uma vez se desligando da empresa. diante do quadro imposto pela nova (des)Ordem Econômica. É um traumatismo que pode gerar uma depressão por esgotamento e doenças psicossomáticas. joga com algumas realidades. é ferida em seu amor próprio.desacreditada diante dos colegas. com o objetivo de atacar a vítima na sua auto-estima. com sentimento de rejeição.c) muitas vezes a solidariedade que o empregador conta entre colegas da vítima.não raros no convívio humano.interessados em agradar o patrão ou superior hierárquico.desestabilizando-o. Os efeitos do assédio têm estilo específico que devem ser diferenciados do estresse. por agressões continuadas. A forma de agir do perverso é desestabilizando e explorando psicologicamente a vítima. sem trégua. rejeitada. assim. Aqui se trata de conduta deliberada. desprezada. hoje. que vai minando sua estrutura psíquica. é uma atitude de incivilidade. para terminar se refletindo em sua saúde física. à honra. vir a ser integrado nas famosas “listas negras” que circulam entre empregadores. intencional.b)A demora nas soluções judiciais. que explora psicologicamente o ofendido. que atingem em cheio a auto-estima da pessoa. em geral. humilhando-a. através da Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais. à imagem e à integridade física e mental. vítima dos mesmos. um dos advogados que mais se tem destacado no estudo sobre a matéria: . O empregador. e) o risco do desemprego. que tem bem presente:a)A timidez e incapacidade de reação que dominam muitos indivíduos. Quando o assédio ocorre e sempre precedido da dominação psicológica do agressor e da submissão forçada da vítima. Este assédio é uma conduta perversa. antevendo alguma vantagem futura na sua carreira profissional. Manifesta-se este assédio pelos atentados à dignidade e equilíbrio psíquico do trabalhador. O comportamento perverso e abusivo. atos e procedimentos que criam situações de constrangimento e humilhações. entre outras a oriunda da Conferência de 1998. É uma questão de intencionalidade. Não se trata. desentendimentos ou conflitos individuais pontuais. dos conflitos velados e dos desentendimentos. da pressão. de mero estresse. d) o receio de. na condução desse processo desgastante o trabalhador. No processo de assédio a vítima é submetida a pequenos ataques repetidos. A pessoa tomada como alvo percebe a má intenção de que é objeto.

Universalidade porque clama pela extensão universal dos direitos humanos. mais as agressões são sofisticadas. verbal ou física..).. Segundo tal pesquisa. Dissimula sua incompetência (. Ou seja: quando um deles é violado. fala uma ‘fala vazia’ e não escuta. as demais também o são. estudos informam. econômicos e culturais e viceversa. Indivisibilidade porque a garantia dos direitos quer civis ou políticos é condição para a observância dos direitos sociais. plagia ou se apropria do trabalho de outros. Se caracteriza pela repetição de comportamentos hostis. Nos setores de produção.“A concepção contemporânea de direitos humanos é caracterizada pela universalidade e indivisibilidade destes direitos. Sobre o assediador assim o define: “Alguém que não pode existir senão pelo rebaixamento de outros. Não assume responsabilidades. técnicas de desestabilização e maquinações contra um trabalhador. num substancioso e preciso estudo sobre “Assédio Moral” observa que o assédio moral no trabalho é definido como o estabelecimento de comunicações não éticas. convivem com o tratamento tirânico de seus chefes. Essas pesquisas européias apontam que na Inglaterra um entre cada oito trabalhadores sofre assédio moral no trabalho. não reconhece suas falhas e não valoriza os demais. quanto mais se sobe na hierarquia e na escala social. quando afirma: “O estilo específico de agressão varia de acordo com os meios socioculturais e profissionais. Por outro lado. em trabalho sobre “Assédio Moral e seus Efeitos Jurídicos”.” Estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que as perspectivas para os próximos vinte anos são muito pessimistas no que tange ao impacto psicológico nos trabalhadores das novas políticas de gestão na organização do trabalho vinculadas às políticas neoliberais. através de uma ou outra forma de violência. denotando o dano ao meio ambiente laboral. desmotivador. A OIT ainda detectou a grave situação em que se encontram os milhares de trabalhadores que sofrem esse ataque perverso do assédio moral. sofre de assédio moral no trabalho. através de pesquisas.” Vale relembrar a observação do Juiz Claudio Armando Couce de Menezes. predominarão nas relações de trabalho as depressões. Estudos realizados na União Européia explicitam que 8% (oito por cento) dos trabalhadores. o que corresponde a 12 milhões de pessoas. geralmente entre um superior e um subalterno. Ainda Mauro Azevedo de Moura apresenta quadros estatísticos muito . perversas e difíceis de caracterizar. Em resumo. É arrogante. que cerca de 36% da população economicamente ativa. ou seja: a condição de pessoa é o requisito único para a dignidade e titularidade de direitos. o stress.” Mauro Azevedo de Moura. pois tem necessidade de demonstrar poder e para ter uma boa auto-estima. é cego para o aprendizado. amoral. trata-se de alguém que é covarde. a violência é mais direta. impulsivo. desajustes familiares e outros danos psíquicos. manifestado por uma ou outra forma. No Brasil. angústias.

nas empresas privadas. gestos. direções. a anular o trabalhador. tem um bem desenvolvido senso de culpa. então. pelo alcoolismo e pelo suicídio. criando-lhes um ambiente de trabalho insuportável. escritos que possam trazer dano à personalidade. o terror em ver seu trabalho confrontado com colega de melhor preparo ou experiência. um em cada seis trabalhadores sofre assédio moral.” Marie-France Hirigoyen. podendo ser enumerados a intolerância. grávidas. palavras. são dedicados ao trabalho.” As pessoas com essas qualidades geralmente são as vítimas escolhidas “pelo que elas têm a mais do que os outros trabalhadores e os psicoterroristas. quando desagradam seus superiores hierárquicos. a desenfreada competitividade. O perverso narcisista. por longo tempo. Na equação do assédio moral entram inúmeros componentes além do inato espírito de maldade e perversidade que anima muitos seres humanos. na Administração Pública. o medo de perder o emprego. São qualidades que o perverso não tem e quer ‘vampirizar’. vítimas de acidente de trabalho. a arrogância. Nos Estados Unidos. recusam-se a ser subjugados. seja braçal. com evidentes sintomas de desenfreada barbárie. E dessa opressão resulta conseqüências que a ciência vem detectando: de distúrbios somáticos traduzidos especialmente pela depressão. valorizam equidade e justiça. são mais competentes que os perversos. cipeiros. 13% em hotéis/restaurantes e 12% em serviços. a função ou o posto. Componentes estes exasperados pelo regime socioeconômico que domina o mundo atual. atos. O assédio moral ocorre. não pode conviver com o sucesso do assediado e esse tem que ser “eliminado’”.reveladores da gravidade do problema. por ser invejoso. um das pioneiras no tratamento da matéria assim se referiu ao assédio moral no trabalho: “É qualquer conduta abusiva. psicológica e social duradoura. a soberba. Tragando um quadro psicológico das vítimas de assedio moral o autor cataloga os seguintes tipos que são preferentemente assediados: “. um quadro de miséria física. reagem ao autoritarismo. são escrupulosamente honestos: têm um razoável senso de fair play. Os principais alvos do assédio moral são os funcionários estáveis. colegas sentem-se compelidos a esmagar. a inveja. manifestando-se sobretudo por comportamentos. muitas vezes por motivos políticos. dos quais se pretende ver livre. muito visados são os empregados titulares de alguma forma de estabilidade ou garantia no emprego. a insegurança. Heinz Leymann conceituou o assédio moral como: “Deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas). Cerca de 14% das vítimas de assédio moral estão na administração pública. de um comportamento hostil de superior ou colega(s) contra um individuo que apresenta como reação. seja intelectual. Em conseqüência. chefes. tanto no setor laborativo privado quanto no setor público. à . prefere destruir a vítima.não tem problemas de integridade: são saudáveis. consumado ou pelo menos tentado. são criativos. Como não consegue. como dirigentes sindicais. que se caracterizam pela repetição. a resistência ao novo ou ao tradicional.

Origem: 6ª Vara do Trabalho de Vitória RT 1142/2001. Neste caso concreto. neste particular. Uma das mais lúcidas e profundas análises do assedio moral do trabalho veio exposta em decisão do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. M. censura ou advertência(s) efetuada(s) diante de uma inobservância aos deveres impostos ao trabalho. meses ou mesmo durante anos? É verdade que se há de abstrair do assédio moral no trabalho não raras manifestações paranóicas de indivíduos que se sentem perseguidos por todos e por qualquer coisa. que espécie de enriquecimento poderia resultar ao trabalhador. . à conclusão de que se encontra caracterizado o fenômeno denominado assédio moral. assim como as relações entre os trabalhadores. O que é assédio moral no Trabalho? É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras. foi exatamente o que ocorreu com o autor. Apelo desprovido. tendo em vista os danos psíquicos por que passou. de T. Cuidam os autos de história deveras triste. existindo grande repercussão em sua saúde. 15 A organização e condições de trabalho. menosprezá-lo. de um ou mais chefes dirigidas a um subordinado. Recorrido: J. em que foi Relator a Eminente Juiz Jose Carlos Rizk. que merece transcrição integral: “Recorrente: E. de uma relação que tratou de humilhá-lo. sendo confinado em uma sala. Revisora: Juíza Maria de Lourdes Vanderlei e Souza. O que acontece dentro das empresas é fundamental para a democracia e os direitos humanos. Também não se configurara como assédio a(s). desestabilizando a relação da vitima com o ambiente de trabalho e a organização. por longo período. ou espíritos anormalmente melindrosos que se ofendem ante a mais inocente gracejo ou à observação mais irrelevante. lutar contra o assédio moral no trabalho e contribuir com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. durante semanas. onde predominam condutas negativas.. diminuí-lo. inexoravelmente.Assédio Moral. Ementa.Configuração. “Assedio Moral. B. Mas é de se indagar. Portanto. espezinhá-lo de todas as formas possíveis. Relator: Juiz Jose Carlos Rizk. por em perigo seu emprego ou degradar a ambiente de trabalho. Uma forte estratégia do agressor na pratica do assédio moral e escolher a vitima e isolá-Ia do grupo. condicionam em grande parte a qualidade de vida. relações desumanas e antiéticas de longa duração. Configuração. Os elementos contidos nos autos conduzem. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias.dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. concretizadas de forma reservada e respeitosa. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. E. Decisão . capazes de enriquecer o relacionamento entre as pessoas. Triste para o autor.” Juízes há que vêem no legítimo assédio moral meros conflitos pontuais. sem ser-Ihe-á atribuída qualquer tarefa.

Noticiou o autor. bem como avaliação contendo desempenho subestimado. que a ré. liminar concedida pelo juízo de piso. com a finalidade de transferir ou o demitir. em razão de sua recusa em fazer acordo ou desistir da mencionada reclamação. Sob essa fundamentação. por exemplo. como. sem executar qualquer tarefa. não suportando a pressão e com o objetivo de reverter o remanejamento ilegal.2001. apresentando um quadro clínico de depressão e estresse. confirmando decisão da primeira instância. 23 (vinte e três) anos. inicialmente. e a prática de vários atos de retaliação e discriminação por parte da ré. sendo freqüentemente abordado por seu superior hierárquico. durante oito horas por dia. juntamente com outros empregados que também tinham sido reintegrados no emprego. o setor de telefonia. exclusão do obreiro do plano de cargos.2001 a 27. há. em razão disso. sendo que as atividades do setor para onde fora transferido são completamente diferentes daquelas que o mesmo vinha desenvolvendo em todo o longo período do pacto laboral. o juízo de origem entendeu caracterizada a resistência da reclamada em cumprir a determinação judicial de 16 reintegração do autor no mesmo setor de trabalho. salários e benefícios. na qual foi vencedor. suas atividades funcionais. além de o depoimento pessoal do preposto é de uma testemunha ter ratificado as alegações autorais. Tendo em vista a resistência do obreiro relativamente à renúncia ao seu direito de pleitear o adicional de periculosidade. tudo isso sem receber qualquer treinamento. para a área de serviços e dados. Inúmeras outras informações foram trazidas na exordial. permanecendo o obreiro. o obreiro sofreu efetiva pressão psicológica. com a finalidade de ser convencido a desistir da ação de periculosidade. na peça de ingresso. resolveu a empresa confinar o autor numa sala junto com outros empregados indesejáveis. utilizando-se de subterfúgio de que tal decisão era provisória para. manter o autor inativo em uma sala. Ainda de acordo com a inicial. transferindo-o da área de telefonia. Assim.10. Toda essa trajetória levou o autor a ter conseqüências negativas em sua saúde. onde desempenhava. o juízo de origem . durante três anos. O autor ajuizou uma ação trabalhista. ao contrario do que ocorria antes do ajuizamento da ação pleiteando adicional de periculosidade. O MM juízo de piso ainda registrou que e patente o nexo causal entre o fato de o autor ter proposto a reclamação trabalhista pleiteando o adicional de periculosidade.3. para toda a sociedade. ou seja. iniciou uma seqüência de atos arbitrários e discriminatórios. Com a reintegração judicial do obreiro mediante. sendo que este Tribunal. além da remoção de setor promovida pela empresa. para o julgador e. a empresa o colocou no quadro de reservas de empregados. determinou o retorno do empregado ao seu setor de origem. gozando de auxílio doença no período de 31. Todas as informações trazidas na peça de ingresso encontram-se respaldadas por farta documentação juntada aos autos. em larga escala.para a ré. em decorrência de uma ação trabalhista por ele ajuizada em que pleiteava adicional de periculosidade.

deferindo ao autor indenização correspondente ao maior salário percebido pelo reclamante na empresa reclamada. gravidade e amplitude do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo causal com o trabalho. E o que é assedio moral no trabalho? E a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. em 2000. sendo que a situação dos autos enquadra-se. em incansável pesquisa acerca do tema. A reflexão e o debate sobre o tema é recente no Brasil. A novidade reside na intensificação. enquanto a vítima vai gradativamente se desestabilizando e se fragilizando. inferiorizada. 17 . perfeitamente. no Brasil. mortificado. a humilhação causa dor. na sentença ora hostilizada. Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho onde prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação à seus subordinados. envergonhado. sem valor. E sentir-se um ninguém. rompem as laços afetivos com a vítima e. no conceito de assédio moral na relação de trabalho. à conclusão de que. traído. pela Editora Bertrand.concluiu que o autor sofreu dano moral. Poderia se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho. rebaixado. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações. inferiorizado. em dobro. indignado e com raiva. O que é humilhação? É um sentimento de ser ofendido. associado ao estimulo constante à competitividade. Este relator. Não merece qualquer censura a decisão hostilizada. desestabilizando a relação da vitima com o ambiente de trabalho e a organização. chegou a alguns conceitos importantes para bem definir esse fenômeno no ambiente de trabalho. revoltado. magoado. por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados. perturbado. multiplicado pelo número de anos de serviços prestados à mesma. inexoravelmente. onde predominam condutas negativas. submetido. culpabilizada e desacreditada diante dos pares. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. tendo essa obra sido citada pelo autor em sua exordial e também pelo juízo de piso. As razões de recorrer da empresaré não são capazes de refutar a evidência dos danos sofridos pelo autor. de forma efetiva. instaurando o pacto da tolerância e do silêncio. Assedio moral no trabalho não é um fenômeno novo. passando a ser hostilizada. sendo que todas as provas colacionadas aos autos direcionam. tendo ganhado força com a repercussão da publicação na França do livro de Marie-France Hirigoyen “Harcelement Moral: La Violence Perverse au Quotidien” e sua posterior tradução e publicação. inútil. freqüentemente. constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos emocionais para o trabalhador e a organização. vexado. houve nestes autos o denominado assédio moral. relações desumanas e anti-éticas de longa duração. Estes. menosprezado. ridicularizada. tristeza e sofrimento. de um ou mais chefes dirigidas a um subordinado. sob o titulo “Assédio Moral: A Violência Perversa no Cotidiano”. constrangido e ultrajado pelo outro. reproduzem e ritualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho.

onde todos procuram vencer a qualquer custo. pois. comprometendo sua identidade. Em nossa cultura competitiva. constituindo um risco invisível. tornaram-se freqüentes em nosso meio. de rebaixar. se não enfrentado de frente. da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Este relator. de intimidar o outro. a qualidade de vida das pessoas e a economia de um país. aos poucos. A Dra. segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde. No entanto. porém concreto. O denominado assédio moral ou tirania nas relações do trabalho. mas. O assédio moral no trabalho constitui-se em um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT). envolvendo diversos países desenvolvidos. E. Segundo ela o assédio moral está sempre presente em relações hierárquicas de poder em que há autoritarismo.A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do assediado de modo direto. Normalmente é caracterizado por atos de intimidação e práticas de humilhar. A psicóloga francesa Marie-France Hirigoyen acredita que a punição ao assedio moral ajudaria a combater o problema. Polônia e Estados Unidos. ocasionando graves danos à saúde física e mental. pode levar a debilidade da saúde de milhares de trabalhadores. para combatermos de frente o problema do assédio moral nas relações de trabalho. sensivelmente. acabou por encontrar estatísticas assustadoras. Novas formas de administração são realidades que. Alemanha. Sabe-se que a mundo do trabalho vem mudando constantemente nos últimos anos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas. Margarida Barreto. urge adotarmos limites legais que preservem a integridade física e mental dos indivíduos. farmacêuticos e cosméticos que sofreram assedio moral. prejudicando. Pesquisa pioneira da Organização Internacional do Trabalho constatou que pelo menos 12 milhões de europeus sofrem desse drama. que podem evoluir para a incapacidade laborativa. relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho. ao debruçar-se em pesquisas acerca do assédio moral. se concretizam no local de trabalho. nas relações e em condições de trabalho. na maioria das vezes individualizando o problema em . sob pena de perpetuarmos essa “guerra invisível” nas relações de trabalho. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionados com as condições de trabalho em países como Finlândia. desemprego ou mesmo a morte. é bem verdade. plásticos. angústias e outros danos psíquicos. estas serão as décadas do mal estar na globalização. Reina Unido. faz-se necessário tirarmos essa discussão dos consultórios de psicólogos e tratá-lo no universo do trabalho. Problema quase clandestino e de difícil diagnóstico. como é chamado nos Estados Unidos. defendeu tese de mestrado pesquisando 2. onde predominarão depressões. São práticas que se realizam. dignidade e relações afetivas e sociais.072 trabalhadores das indústrias químicas. pouco se fala sobre as formas de relação no trabalho. pois “imporia um limite ao indivíduo perverso”. atinge milhares de trabalhadores no mundo inteiro.

lutar contra o assédio moral no trabalho é contribuir com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. dar qualidade em pouco tempo. é freqüente empresas fazerem cortes de funcionários para conter despesas e aumentar suas exigências em termos de produtividade para os que ficam. Os documentos de fls. quando na verdade isso é resultante de condições outras de trabalho. . como a idéia de suicídio. 321. porém. estes não escolhem estratégias para que os trabalhadores atinjam as metas estabelecidas. no mundo do trabalho. receituários e demais documentos médicos trazidos à colação (fls. Nega-se provimento. Margarida Barreto alerta para o aumento do número de casos de assédio moral. Hoje. Muitos acabam adoecendo as exigências irreais. As fotos colacionadas aos autos (fls. Portanto. Neste caso concreto. tendo havido. 178/212). observadas através de sua experiência como clínica médica há trinta anos. inclusive. 166/177. A Dra. demonstram que o autor sempre foi excelente funcionário. tendo uma queda drástica em sua nota na avaliação feita posteriormente ao ajuizamento da ação trabalhista pleiteando adicional de periculosidade (fls. adicionando-se a fundamentação ora exposta. Por todos os motivos expostos. Segundo ela. revelam o estado convalescente do autor. que chegam a atingir 100% dos entrevistados. Alguns chegam a tentar o suicídio. produzir. As avaliações de desempenho colacionadas as fls. sendo que há sintomas. sendo certo que essa realidade encontra-se ratificada pelo depoimento da testemunha de fl. Uma forte estratégia do agressor na prática do assedio moral é escolher a vítima e isolá-la do grupo. tratando o indivíduo como incapaz. principalmente a pressão para trabalhar. assim como as relações entre os trabalhadores condicionam em grande parte a qualidade de vida. sendo confinado em uma sala. 13) ilustram o ambiente em que permanecia o autor durante o período do confinamento. foi exatamente o que ocorreu com o autor. 164). envolvendo uma série de outros fatores. por seus próprios e jurídicos fundamentos. Os atestados. por longo período. de manifestações depressivas. 17/74. há mesmo de ser mantida a respeitável sentença de origem.uma só pessoa. demonstram as inúmeras tentativas do autor e do sindicato de sua categoria no sentido de reverterem as atitudes nada recomendáveis da reclamada. Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação. bem como o nexo de causalidade com as situações vivenciadas em seu ambiente de trabalho. O que acontece dentro das empresas é fundamental para a democracia e os direitos humanos. sem serIhe atribuída qualquer tarefa. denúncia ao Ministério Publico do Trabalho. As 18 metas são estabelecidas pelos chefes. esse aumento tem sido marcante no aparecimento de doenças. A organização e condições de trabalho.

manteve-se de 9. enfrentou-se um caso prático. após. exatamente nessas 19 circunstancias: Direito ao trabalho e dano moral. deixando-o sem atividade. inclusive com apelo à DRT (fls.03 (fl. que não de natureza sexual. inclusive via antecipação dos efeitos da tutela. de resto voltando-se contra a ordem judicial. Hipótese em que a omissão empresária em providenciar trabalho à reclamante. mas sem ter a oportunidade de prestar trabalho: ao argumento de que seu setor . interposto de sentença proferida pelo MM. consoante alta médica reconhecida pelo INSS. F.O assédio moral difere do assédio sexual por chantagem. para ser caracterizado como delito. Quando vêm de níveis hierárquicos superiores. bem como contra o reconhecimento e a quantificação do anunciado dano moral. sendo recorrente U. enquanto assistente administrativa teve o vínculo interrompido e. razoavelmente arbitrada. pois este somente acontece verticalmente. Não há controvérsia em que a Reclamante. Juízo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre. Uma das formas utilizadas para tentar forçar o empregado a demitir-se do serviço e negarIhe a atribuição de tarefas. a partir de 5/99. Vistos e relatados estes autos de recurso ordinário. por dano moral. sem prejuízo da reparação. sem prejuízo da satisfação salarial. de cima para baixo nas hierarquias. No julgamento seguinte. com o que se pretende minar a sua auto-estima e sua imagem frente aos Colegas. 171. desde que mantido o pagamento do salário. Recuperada da enfermidade. preferindo mantê-Ia em casa.02 (fl. e vem revestido de uma conotação sexual enquanto o assédio moral pode se verificar em plano horizontal. 13 e 14). percebendo salário. 20) até 3. seu poder destrutivo cresce e traz conseqüências muito mais perversas. como decorrência de doença profissional prendida a esforços repetitivos. suspenso. em que transcrevemos do acórdão às partes referentes ao dano moral. e nada obstante a intenção declarada de voltar ao serviço (fl. verso) à disposição do reclamado. B.6. Recurso desprovido. A tese do empregador é de que não haveria irregularidade em manter-se o trabalhador afastado das atividades da empresa. 12). Isto Posto: Direito ao trabalho e dano moral. consubstancia incumprimento contratual hábil a ensejar ordem judicial em contrario. via antecipação de tutela.. É o relatório. L . S/A e recorrido E. embora com percepção de salário.. I. pois pode caminhar em todas as direções e se refere a outras hipóteses. de B. de providenciar trabalho a quem mantinha em casa.8..

e ao dispensar a prestação laboral. já em antecipação aos efeitos da tutela. exigia pronta e razoável solução. nenhuma ingerência judicial na organização da empresa. cumpre afastar qualquer vício prendido à decisão a quo. 461.213/91). citado o . o empregador preferiu conservá-Ia em casa. assim atraindo o disposto no art. sendo que tal determinação via antecipação dos efeitos da tutela. tem expressa previsão legal na espécie. via antecipação dos efeitos da tutela. inclusive porque a prolongada inércia patronal. o empregador não desgarrou senão do exercício regular de direito seu. Iiminarmente. verbis: “Na ação que tenha o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. qual seja a auditoria. o devido processo legal. tem assento nas ponderações seguintes: ao determinar o imediato retorno à labuta. sem prejuízo do alcance de uma indenização fundada em dano moral. no ínterim por que afastada da empresa. 1180 da Lei n. qual seja a de imediato retorno à labuta. § 3º. ademais. verbis: “Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final. vale 20 transcrever a norma do art. ao fixar a agencia mais próxima da residência da recorrida como seu novo posto de trabalho. no particular. a ser indenizado. o juiz concedera a tutela especifica da obrigação ou. de resto carente de prova. do CPC. em nada implica violação ao devido processo legal. de cujo bojo sobrevém a noção de que o pleito alusivo ao estabelecimento de local de trabalho exprime intento diverso do de retorno imediato à labuta. daí não sobrevindo dano. Em derradeiro. a qual nem e ultra petita. viola.” O acolhimento da pretensão obreira. dia a dia. tanto que tal antecipação. Inicialmente. transferira-se para São Paulo. Não se vislumbra. o recorrente considera excessivos os valores arbitrados à multa pela demora no cumprimento da ordem judicial. do prazo legal à estabilidade acidentaria (art. do CPC. ainda. a sentença violou os limites da postulação. a pretensão consubstanciada no imediato retorno à labuta. a reclamante pediu fosse estabelecido local de trabalho para si.funcional. mostrando-se ultra petita. o que não se mostra. se procedente o pedido. desde que satisfeito o salário. diverso da ordem repugnada. A sentença. A propósito. Acerca disso. ao contrário do sugerido. 8. tais requisitos tem claro preenchimento. resumidamente. diante do decurso. bem como do fundamento relevante da demanda. qual seja o assédio moral denunciado. Com efeito. determinara providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. reputa-se estéril a distinção proposta em recurso. A irresignação vertida no apelo. na hipótese em que presentes os respectivos requisitos. bem como à reparação do prejuízo extrapatrimonial reconhecido. Tal distinção não é que deflui do contexto da exordial. porém. que respalda a providencia estatal. é incensurável. caput. ou mediante justificação previa. é Iícito ao juiz conceder a tutela. 461. A decisão objetada acolheu. nem viola o devido processo legal.

o art. o último dos quais. A figura doutrinaria ligada ao tema.réu. dentre outros procedimentos. desde que satisfeito o salário. ou a lesão. 1º. encará-Io como prerrogativa inerente à livre expressão da personalidade. II e IV. destarte. inclusive. ou conforme o pactuado. buscam o 21 descarte desse problemático trabalhador. como resultado da celebração da avença empregatícia. consoante previsão dos arts. no aproveitamento. sendo correto. o que teria tradução.. de conduta benévola. não raro. transferência de funções e de local de trabalho. para dizer. Incólumes. mesmo. da Carta Política. 166/167). propôs CIóvis do Couto e Silva. 5º. havendo antes inadimplemento na postura do empregador em dispensar-Ihe atuação. acerca do negócio jurídico. e 128 e 460. porque o desprezo injustificado da força laboral disponibilizada. aqui. IV e 6º. (Cláudio Armando C. do CPC. procedimentos.” “Aplicável. tem-se que tal desmerece guarida. que vincula cada sujeito do Iiame a mais plena realização do interesse da contraparte. congelamento funcional. 12. do novo Código Civil). da força de trabalho da reclamante. em cujo âmbito se alocam diversas obrigações. de duas únicas obrigações contrapostas: prestar trabalho e pagar salário.” . de resto. verbis: pode-se exigir que cesse a ameaça. tal compreensão se houve. Nesta senda e que a recorrida. pois não se cogita. independente de prova. com arranjo e exigências atentas à dinâmica de seu próprio desenlace no tempo. espelha exercício regular de direito empresário.. através da inação forçada. consoante bem retratado em contra-razões. os arts. e a do assédio moral. em casa. na capital. do principio da boa-fé objetiva (art. 422. Em verdade. na relação jurídica de emprego.” ( . no tópico. há muito superada. no particular. acarreta evidente sentimento de desprestígio e. inclusive. sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. de Menezes. verbis: “O assédio é um processo.) (exemplo disso) e o retorno de empregado após período de Iicença médica ou de outra natureza. especialmente quando de longa duração. nalguma das numerosas agências do reclamado. citado nas fls. no sentido de que o mesmo veicula verdadeiro processo. a elevá-Io à fundamento da Republica. e reclamar perdas e danos. No que pertine à alegação de que a dispensa da prestação laboral. O empresário e seus gerentes e chefes. tem o direito de trabalhar. sem detenção. Não se alonga.. ). de indignidade. a direito da personalidade. enquanto ilícito contratual habilita-se à reparação por dano moral reconhecido na sentença. destinados a expor a vítima a situações incômodas e humilhantes (. sendo conhecido o corte que. o qual tem presunção razoável. da Carta Política. com redução à constrangedora situação de receber. após quase 15 anos de serviço. desde a alta médica.. Referido inadimplemento. do novo Código Civil. em termos que vale a pena transcrever. Vê-se que o direito ao trabalho tem espeque constitucional. salário ao qual não correspondeu trabalho. conjunto de atos.

os arts. da formação. em face do sobredito.03. inclusive. licenciado ou ser objeto de medidas discriminatórias. da L1CC. desde que não atinja a honra. persuade à prestação de fazer. dirigir. por ter sofrido ou rejeitado de sofrer os comportamentos definidos no parágrafo precedente ou por haver testemunhado sobre referidos comportamentos. negar provimento ao recurso.Finalmente. o pleito da exordial.8. O poder de direção confere a possibilidade de organizar. Nenhum trabalhador pode ser sancionado. X. Respeitados. consubstanciada no dobro dos salários devidos entre 9.” Não caracterizarão o assédio moral fatos isolados. A lei francesa (2000-73) sobre a modernização do trabalho. Também não o caracterizarão disposições individuais ou coletivas oriundas do poder de comando do Empregador privado ou do Administrador público. aprovada em 17 de janeiro de 2001. considerado o poderio econômico do recorrente. Impossível seria fixar numero de atos. em particular no modo da remuneração. no importe de R$ 1. acordam os juízes da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região: por maioria. no que toca aos valores arbitrados à multa pelo atraso no atendimento da ordem judicial prendida ao retorno ao trabalho. Esta discricionariedade é relativa. por dia. compensa. Juiz revisor. dada as variáveis circunstâncias que revestem cada caso. e fiscalizar a atividade laboral. proporcionalmente. decorrentes de alguma indisposição pontual ou de um mal-entendido.6. e 126.00. bem como à reparação do dano moral identificado. de modificação ou renovação do contrato. 5º. de alterar sua saúde física ou mental e comprometa o seu desempenho profissional. montante que não supera. do CPC. a reparação. tem-se que bem se amoldam ao caso em apuro: a multa.02 e 3. da reclassificação. Nega-se provimento. para a caracterização do assédio moral. Via de regra o assédio moral se consubstancia através de atos reiterados. da Carta Política. na medida em que a conduta diretiva não poderá violar os direitos da personalidade do empregado ou funcionário. 4º e 5º. ou a reiteração num espaço de tempo determinado. define o assédio moral nos seguintes termos: “Nenhum trabalhador deve sofrer atos repetidos de assédio moral que tenham por objeto ou por efeito a degradação das condições de trabalho. impondo. sanções disciplinares pelo descumprimento. a lesão extrapatrimonial. vencido o Exmo. ao contrário do advertido.000. que freqüentemente ocorrem nas relações inter-pessoais em qualquer coletividade. a intimidade e a dignidade do empregado. da qualificação e classificação de promoção profissional. Ante o exposto. . suscetíveis de lesar os direitos e a dignidade do trabalhador. diretas ou indiretas.

pelo menos. No caso.. então porque não fica em casa? . o assédio moral. cinco das seguintes manifestações: . . brigou com o marido! . porque não da o lugar para outro? A esta relação poderíamos acrescentar outras tantas expressões.é absorvido por fantasias de sucesso ilimitado..Ela faz confusão com tudo. não está produzindo nada .. a empresa precisa de quem da produção! E você só atrapalha. No site www.. a figura do agressor tem merecido uma analise psicológica especial por parte dos estudiosos. atentando contra sua dignidade. narcisista e megalômano.A empresa não precisa de incompetentes iguais a você! .Não consegue aprender as coisas mais simples! . como o tratamento usualmente dispensado por um empregador a seus empregados. .. .Até uma criança faz isso! . e muito encrenqueira! É histérica! . caracterizariam. diminuir a vitima: “. frouxo.Excepcionalmente poderíamos ter caracterizado a assédio moral. Maria Aparecida Alkimid sugere como exemplo de assédio moral.A empresa não é lugar para doente. visando humilhar.Você é mesmo difícil . usualmente utilizadas pelos agressores... pelas quais se pode formar o seu perfil com características bem definidas de perverso. Marie-France Hirigoyen traça o perfil do agressor através de algumas considerações muito interessantes.É mal casada. .. a hipótese de o empregador que despede a empregado sem justa causa. Diz ela. concretizado independente de reiteração. . .org são arroladas diversas expressões. a conduta premeditada e dirigida do ofensor. está indo muito ao médico . com intenção manifesta e inequívoca de humilhar o trabalhador...Você é mole.) “A personalidade narcísica é descrita como se segue (ou apresenta.O sujeito tem um senso grandioso da própria importância.acredita ser “especial” e singular.Aqui você só atrapalha! .. “A perversão narcísica consiste na implantação de um funcionamento perverso em uma personalidade narcísica” (. . ofender.Se você não quer trabalhar.Não posso ficar com você.assediomoral. se você não tem capacidade para trabalhar. . de poder. e 22 barra sua entrada no estabelecimento ou impede-a de entrar para retirar seus pertences.Vá para casa lavar roupa! .tem excessiva necessidade de ser admirado..É melhor pedir demissão... desde logo. conforme transcrito em um dos acórdãos adiante referidos: "Burros! animais!" O agressor. através de um só ato.

exterioriza seus problemas com agressões constantes. alimentando seu poder de destruição. vira ovelha frente aos superiores.” Com esse magistral retrato delineado.. .inveja muitas vezes os outros. Muitas vezes se Ihes atribui um ar moralizador. mas quando eles não dizem nada.critica muito... porque mesmo quando em revide os parceiros utilizam defesas perversas.da provas de atitudes e comportamentos arrogantes. . Não admite que outrem possa desfrutar de situação . Atacam com completa impunidade. como medida padrão do bem e do mal. Eis algumas: . distante.vive em estado de pânico considerando que possa perder o cargo ou ser substituído na função.O aterrorizado .explora o outro nas relações interpessoais.. certamente seremos capazes de identificar a figura do perverso. mas não apresenta soluções. Não experimentam qualquer escrúpulo de ordem moral. . E se alguém as apresenta.intolerante e mal-humorado. . .O tirano .sente prazer em manter um clima de pressão constante a seu redor.O puxa-saco .assedia a vítima pelo gosto de humilhá-Ia.O sádico .pensa que tudo Ihe é devido. Sua falta de confiança em si mesmo gera uma crueldade no trato com os demais.O critico .” (. eles já foram escolhidos por não atingirem nunca a virtuosidade capaz de protegê-Ios.não tem a menor empatia. rejeita-as. permanentemente a vítima.a inveja e o ciúme dos outros infernizam sua existência. Torna-se extremamente agressivo frente a qualquer desconfiança de perigo. . . .) “A força dos perversos é sua insensibilidade.) “Os perversos narcisistas são indivíduos megalômanos. Não sofrem. Diversos autores e mesmo entidades tem procurado uma classificação dos agressores na figura do assédio moral.O instigador .O colérico . .uma inveja crônica e profunda invade sua existência. 23 . bem sucedido procura eternizar o conflito. superior.manifesta-se a partir de evento ocasional. . que considera de um valor imensurável. nos círculos de pessoas com quem convivemos. Sua ambição faz com que agrida quem considere capaz de obstar sua ascensão. Denunciam a maldade humana.mantém um senso da grandiosidade de sua pessoa. passando a agredir.. da verdade. que se colocam como referenciais. .O invejoso . . o outro sente-se apanhado em falta. que enganam e dão uma boa imagem deles próprios.O megalômano . Eles exibem seus irrepreensíveis valores morais. (.O frustrado .coloca sua criatividade em busca de formas de aterrorizar a vitima.O casual. .leal frente aos subordinados.

determinar a execução de tarefas que estão em desacordo com a função exercida. babão.” Entre outras formas de assedio moral podem ser apontadas: Ignorar a existência do ofendido. . verbal. em cenário de verdadeiras tragédias. do hipocondríaco. servir . do verdadeiro colega.troglodita e tase (ta se achando).O carreirista . pitbull. em arena de disputas. FORMAS: O ambiente de trabalho que deveria ser marcado pela cordialidade e solidariedade transforma-se. do servil.garganta. profeta. do severo. onde desponta toda a vilania. do introvertido. do medroso. que abrangem uma vasta relação de hipóteses.não manifesta o menor escrúpulo em barrar o caminho dos outros para subir na carreira. Mais freqüentes as segundas. a mesquinhez e a infâmia de que e capaz a alma humana. a miúdo. do bode expiat6rio. há sério conflito entre promoção de idéias novas e conformismo subserviente. assim. Não só trata de subir 24 como de fazer com os outros desçam. . de acordo com os tragos predominantes de sua personalidade. críticas em público. . Outra classificação contempla os agressores como: mala. os mexericos e bisbilhotices que visam atingir determinado indivíduo. O agredido . determinação de realizar auto-crítica em publico. do sensível. afixa na sede da empresa relação com nome dos empregados de menor produtividade. Age sorrateiramente. grande irmão. como por exemplo. do paranóico. do camarada. ou não verbal. teríamos as figuras do distraído.melhor do que a sua. pois tem medo de arcar com as conseqüências de sua conduta. do ambicioso. do sofredor. do brincalhão. apresentada com notável sinceridade por Shepherd Mead em como vencer na vida sem fazer força. do seguro de si. seja por comunicação escrita. a lealdade relativiza-se e os escrúpulos em “fazer a caveira” alheia ficam bastante reduzidos. também na luta pelo poder dentro da organização. do passivo dependente. O assédio moral se manifesta por inúmeras formas.também as vítimas do assedio moral vem merecendo uma classificação.não age às claras. do presunçoso. divulgação de doenças e problemas pessoais. Assim. Vale lembrarmos o que escreveu Fernando Antonio Lucas Camargd: “Em tempos de redução dos postos de trabalho formal. ameaças verbais. envia bilhetes com ofensas e injúrias.O pusilânime . quando o imperativo e a sobrevivência. Entre as primeiras. . tais como comentários sarcásticos. em qualquer terreno.

boicote no fornecimento de material necessário para o trabalho. por rigor excessivo no trato diário. estabelecer horário injustificável ou que sabe não poder ser cumprido pelo trabalhador. Especialmente no mobbing estratégico. rigor excessivo por parte dos superiores. por bem ou por mal. pois as empresas. que constituem espécies distintas do gênero do abuso de direito e da violação dos direitos da personalidade no âmbito do trabalho.” Couce de Menezes. seja de caráter. superiores às forças do empregado. e capaz de criar um sem numero de estratagemas para compelir a vitima a demitir-se do serviço.. atribuir tarefas acima de sua capacidade. dos quais o empregador se quer livrar. as regras do jogo. no trabalho antes referido. Promover uma conduta indevida contra empregados que gozam de estabilidade ou de garantia no emprego. clones. robôs interculturais e intercambiáveis. Essa formatação e freqüentemente retransmitida pelos colegas. desqualificar a função exercida. Na hora da globalização. esmaga-se aquele que não está no ponto. humilhado e impotente para enfrentar em igualdade de condições seu contendor. exposição ao ridículo. comportamento. geram em seu seio forças de autocontrole encarregadas de recolocar na linha os “alienígenas”. inatividade forçada sendo-se-Ihe negada atribuição de qualquer tarefa. sexo. O assédio moral é um dos meios de impor a lógica do grupo. como todo o grupo social.cafezinho ou limpar o banheiro. apresenta um decálogo de circunstâncias exemplificativas do assédio moral no trabalho: 1. Eles tem de aceitar. via de regra. E certamente esse tipo de despedida é das mais injustas e arbitrarias. dar instruções confusas. 25 A respeito. pois fere o íntimo do ser humano. desestruturando suas defesas psíquicas e somáticas. alheios a . aniquila-se qualquer especificidade. quando o empregador deseja excluir determinado empregado. inação forçada. O assédio se concretiza. Eles devem se submeter para melhorar os desempenhos e a rentabilidade. raça formatar os indivíduos e uma maneira de controlá-Ios. que se sente perseguido. atribuição de serviços vexatórios. Para que o grupo seja homogêneo. procura-se fabricar o idêntico. Em alguns casos o assédio moral se aproxima muito do assédio sexual e das condutas discriminatórias. assim se manifesta Marie-France Hirigoyen: “As atitudes de assédio visam antes de tudo a ‘queimar’ ou se livrar de indivíduos que não estão em sintonia com o sistema. enfim condutas que visam atingir a auto-estima do trabalhador ou funcionário. vexado.. que considera indesejável ou incômodo para a empresa.

ou perigosos. 3. ou mesmo deixando de atribuir qualquer tarefa ao empregado. fazer circular ou afixar documentos com repreensão pública. obediência e disciplina no trabalho seria a ameaça do chicote. acreditando-se incapaz para o trabalho. . Poder-se-ia aditar: . Há inclusive. usando de comentários desairosos. 7. entendendo que a única forma de conseguir maior produtividade. Tecer comentários maldosos e injuriosos sobre condições sociais. após ferias ou licença. o trabalho ou a capacidade do trabalhador. Ameaçar constantemente de despedida. por inveja ou medo de confronto com pessoa melhor preparada culturalmente. Inúmeros expedientes são utilizados para infernizar a vida do empregado. cor. sem se afastar do serviço. raça. redução da zona de trabalho. atos diversos que visam desprestigiar o visado. ou de função do trabalhador que retorna ao emprego. 9. falsas alegações e. 26 . entre outras o rebaixamento de função. subordinados ou colegas a provocar zombarias sobre defeitos físicos. Da mesma forma servidor público que pretende afastar detentor de cargo de confiança ou detentor de função gratificada. 10. Transferir o local de trabalho. um sem número de expedientes para desacreditar o colega perante a comunidade científica. Tratar os subordinados. Castigar o trabalhador alvo a exercer suas atividades em salas mal iluminadas. 5. que é desejada.Estimular superiores.Agir de modo a impedir a promoção. 6. na função pública. então. com rudeza e de forma agressiva. reiteradamente. como “técnica” administrativa.suas funções. preterição em promoções. Cometer ao empregado tarefas irrealizáveis. Perseguir o empregado que moveu ação trabalhista contra o empregador. entre colegas. Diante desta situação muitas vezes a vitima e levada a culpar-se. 2. costumeiramente. tanto na área pública ou privada. Ocorre ainda observar que muitos administradores. delações. cultivam o assédio moral.Ameaçar com violências físicas. chefes de . Utiliza-se. É a manipulação consciente do psicoterror. Trancar a sala onde trabalha o empregado. espaço exíguo ou mal instalado. onde órgãos colegiados vedam o ingresso de colega. Colocar em dúvida. esvaziar as gavetas da mesa. via de regra. coletiva ou individual. A estas hipóteses pode-se acrescentar algumas situações onde se verifica o assédio horizontal. procurando levar com mão de ferro seus subordinados. 4. 8. preferência sexual do trabalhador. isolando-o dos demais. Praticar atos humilhantes antecedendo a despedida.

diminuição da libido aos distúrbios digestivos. que são mais severos e desrespeitosos no tratamento com os colegas do que os próprios donos do estabelecimento. geralmente mais cruéis e desumanos do que os próprios senhores-de-engenho. tratandoos com arrogância. idéias de suicídio ao alcoolismo. como por exemplo. desrespeito e total desconsideração. no estabelecimento. em outro trabalho realizado. Vão de crises de choro a depressão. a 68% dos trabalhadores que declararam sofrer humilhações no trabalho. Índice que se eleva. o pagamento ou ressarcimento de despesas médicas. Margarida Barreto. de segundo ou terceiro escalão.departamento ou de seções. Pesquisa promovida pela Dra. Estes novos feitores pretendem mostrar serviço e não hesitam em pisar sobre seus subordinados. variando de um individuo para outro. Este fenômeno já se constatava com os feitores de escravos. sofre de violência no trabalho. constatou que 36% da população economicamente ativa no Brasil. . As conseqüências desse assédio moral são de diversos matizes. Em muitas dessas hipóteses é cogitável a acumulação do dano moral com o dano patrimonial que se verificar. referida.

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