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A formação das monarquias

centralizadas
Forma de organização política que dá origem aos Estados nacionais europeus, a partir do
século X, como decorrência do renascimento comercial e urbano e da crise do feudalismo.
Caracteriza-se pelo fortalecimento do poder real, que passa a se estender por toda a nação. A
formação das Monarquias nacionais européias é um processo lento e desigual, marcado por
revoluções, guerras civis, disputas territoriais e conflitos com a Igreja.
Com o surgimento das cidades e o enfraquecimento do poder da nobreza, a figura do rei
ganha importância. Ele passa a centralizar o poder político e a estender sua soberania sobre
toda a nação. O rei procura se sobrepor também ao poder do papado, limitando os privilégios
da Igreja, como isenção de impostos, tribunais próprios e direito de intervir nos assuntos
nacionais.
Nesse processo de centralização de poder, os reis contam com o apoio da burguesia, que
ascende com o desenvolvimento do capitalismo. Interessados na formação de um mercado
nacional, os burgueses querem ainda libertar-se das estruturas feudais. As reivindicações
burguesas, como a cobrança de pedágios e impostos, e a uniformização de pesos e medidas,
necessárias ao fortalecimento do mercado interno e à expansão comercial, são atendidas pela
unificação do poder nacional.
A centralização do poder se dá com a monopolização das forças militares e a administração
da nação como um todo. A criação de novas leis escritas, em substituição às leis feudais,
marca o nascimento da burocracia moderna. Também são organizadas forças militares
mercenárias, que permitem ao rei cobrar impostos com mais eficiência, manter o controle do
território nacional e ampliar seus domínios. O soberano passa a controlar as igrejas nacionais,
sobrepondo seu poder ao do papa, e a intervir nos assuntos religiosos. A transformação da
corte real em corte suprema de justiça da nação é o passo final para a consolidação da
autoridade real, que, no século XVII, atinge seu auge e dá origem ao absolutismo.
Considerada a primeira da Europa, a Monarquia nacional portuguesa tem início em 1385,
após a revolução burguesa que coloca no trono o rei dom João I, da dinastia Avis. Na
Espanha, a consolidação da Monarquia acontece em 1492, com a união dos reinos de Aragão
e de Castela, depois do casamento dos reis católicos Fernando e Isabel.
MONARQUIA FRANCESA – Na França, o poder real começa a se fortalecer durante a
dinastia fundada por Hugo Capeto (938-996), que se estende de 987 a 1328. Durante o
reinado de Felipe IV, o Belo (1268-1314) são cobrados impostos sobre os bens do clero. A
escolha de um papa francês, Clemente V, leva ao estabelecimento da sede do papado na
cidade francesa de Avignon, em 1306. Em decorrência das disputas entre a Monarquia
francesa e o poder da Igreja, a cristandade ocidental se divide entre dois papas: um em Roma
e outro em Avignon. Esse período fica conhecido como o Cisma do Ocidente (1376-1417). A
Monarquia nacional francesa se consolida após a Guerra dos Cem Anos, que garante a
soberania do rei Carlos VII (1403-1461), da dinastia Valois, sobre todo o território francês.
MONARQUIA INGLESA – Tem início quando Guilherme, o Conquistador, duque da
Normandia, invade a Inglaterra, em 1066. Vitorioso, ocupa o trono e procura manter sua
autoridade sobre a nobreza. Em 1215, a nobreza feudal, os cavaleiros e os burgueses
impõem ao rei João Sem Terra (1199-1216) a Magna Carta, que limita os poderes reais. O
documento impede o soberano de aumentar os impostos e mudar as leis sem a aprovação do
Grande Conselho, assembléia dos nobres do reino. Durante o reinado seguinte, de Henrique
III, o Grande Conselho passa por importantes mudanças em sua composição, que dão origem
ao Parlamento inglês, formado pela Câmara dos Lords (que reúne representantes do alto clero
e da nobreza) e pela Câmara dos Comuns (que agrega representantes da burguesia). O poder
dos barões feudais e dos cavaleiros ingleses é abalado com a Guerra dos Cem Anos. Após a
Guerra das Duas Rosas, a dinastia Tudor consolida o poder real na Inglaterra.