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Resenha Capitães da areia

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Published by: GiovannaCrippa on Mar 04, 2011
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RESENHA COMPARATIVA SOBRE O LIVRO ³CAPITÃES DA AREIA´ COM O FILME ³PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO´

CAPITÃES DA AREIA X PIXOTE: Denúncia da realidade nacional. Capitães da Areia é uma obra de Jorge Amado que fora perseguida pela censura do Estado Novo, por seu caráter de denúncia e crítica a sociedade baiana que se configurava. Na vertente cinematográfica ³Pixote, a Lei do mais fraco´, verifica-se o mesmo caráter de denúncia, porém narrado no sudeste. O narrador-onisciente trata o destino dos menores abandonados e delinqüentes, que se unem num grupo denominado ³Capitães da Areia´. Nele jovens de 10 a 16 anos, vivem sob o comando de Pedro Bala, um dos poucos retratados na história com um nome que ressalta a sua autoridade perante os outros. Outros rapazes são conhecidos por apelidos que revelam algo de sua característica física ou psíquica: Gato, Boa -Vida, Volta Seca, Sem-Pernas, Professor, etc. Suas famílias não são apresentadas no enredo. No internato do filme Pixote, jovens garotos convivem com a realidade das drogas e do abandono em um internato no interior de São Paulo. Encontra-se na narrativa fortes marcas da oralidade nas falas: ³Tou treinando nisso, bestão´, ³Tou a nem-nem´. E no filme é utilizado um vocabulário de baixo calão, refletindo a despreocupação e falta de formação dos garotos, mesmo havendo uma professora no internato. Os Capitães da Areia se auxiliam para sobreviver e superar a realidade de abandono e pobreza. Pela sociedade são tratados com desprezo e desconsiderados como crianças por suas atitudes de furto e violência. Sua condição, realmente os levara a amadurecer previamente. Identificando-se neles um Determinismo, característica do Naturalismo, onde eles são simples fruto do Meio em que sobrevivem, como dito ³eles furtavam, brigavam nas ruas, xingavam nomes, derrubavam negrinhas no areal, por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias. Mas, no entanto eram bons, uns eram amigos dos outros. Se faziam aquilo é que não tinham casa, nem pai, nem

Jorge Amado transmite uma perspectiva de superação da realidade bastando para isso apenas conhecê-la. nesse livro. mas sem mudá -la. no filme ³Pixote. quando Dora instala -se na moradia. revelada no livro. Naquela noite. durante o capítulo sobre o Carrossel. Aqui cabe também uma análise sobre a personalidade de Sem . os garotos refletem em suas brincadeiras a realidade criminosa de seus atos brincando de assalto a banco. Seu ódio era uma forma de lutar contra o seu desejo de atenção ³Queria alegria. Na via oposta. Isso nos leva mais uma vez a compartilhar do pensamento do padre José: que são crianças para as quais falta atenção do Estado e da família.. No filme também se retrata . há o momento em que Sem -Pernas fora acolhido no lar de uma rica família e tratado como filho. a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto. ridicularizando.Pernas.)´. Era como um remédio´. o integrante que menos demonstra capacidade de amar e ridiculariza a tudo. como citado ³No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. Se não fizessem tudo aquilo morreriam (. Apesar das atitudes que o conduziam a uma vida adulta. Interessante revelar também que n a trama do filme. Seus sonhos são direcionados segundo a realidade que os rege até o final da estória.. Cuida deles´. e como o padre descrevera nas palavras de Cristo ³Deixai vir a mim as criancinhas´. como o sexo e a violência. E rindo. sem que uma delas tenha um fim de superação. O garoto fica dividido entre a lealdade ao bando e os novos ³pais´ que lhe davam o amor que nunca conhecera.. alguém que com muito amor o fizesse esquecer do defeito físico e os muitos anos que vivera sozinho nas ruas da cidade (. após a leitura conclui-se que diferentemente da obra Vidas Secas. Porém. Além disso. e os meninos a veem como mãe ³Para os menores é como uma mãezinha. e não simplesmente marginais que optaram pelo crime. a lei do mais fraco´. uma mão que o acarinhasse. Outro momento retrata a necessidade instalada dessas crianças possuírem uma mãe. as crianças tomam conhecimento sobre a vida que levam. mostra-se que ainda há neles atitudes e sonhos infantis. revelando que a condição de abandono não deturpa no íntimo a inocência. era que fugia da sua desgraça.)´.mãe. como em Capitães da Areia.. vir a-se neles a verdade: crianças.

Em relação a esses visitantes tanto no livro quanto no filme. a religião dos negros e a c ultura africana. Nesse local deveria ocorrer um trabalho para reintegrar os garotos à sociedade. de falsas aparências. indo além de apenas palavras bem colocadas em oração.essa inconsciente necessidade do carinho maternal. Ao contrário do que acontece no livro. Dessa forma. Exceto a mãe de Fumaça. e exploram os próprios companheiros a seu bel-prazer. A propósito o sexo e a pederastia são temas fortemente trabalhados. no filme. exploradora. no filme isto ocorre com a professora e com a doutora do internato. O que interessa aos diretores do local é transmitir uma imagem de ordem à população. respectivamente. representando que nem sempre a culpa é exclusivamente da família. Diferentemente dos Capitães da Areia. e para isso eles culpam os intentos de casos de violência. apoiava os atos delinqüentes dos jovens como forma de tentar aproximar-se deles. mesclando. onde inicialmente trata -se a vida livre dos garotos. como ocorre também no reformatório onde Pedro Bala permanecera. matam alguns e predem as crianças em ³solitárias´. Rígida. nos transmitindo a idéia de que essa era uma realidade nacional. em uma de suas últimas cenas quando Pixote deita no colo de Sueli e mama. como uma forma de crítica a defloração da infância em ambos os casos. Já que crianças se relacionam com mulheres anos mais velhas. as quais são recusadas pelas crianças. mas não consegue o corrigir. portanto o clássico lusitano e a raça forte dos negros. havia o Padre José Pedro . que por ora. que está sempre presente nas visitas. Don¶ Aninha e Querido -de-Deus. as famílias dos internos aparece em algumas cenas. quando eles tratam bem as crianças ocorre à recíproca. a religião católica. revelando-se como famílias desestruturadas. mas há fortes casos de pederastia e descaso com as reais necessidades das crianças. . Dentre as poucas pessoas que os visitavam. o autor nos transmite as bases que compuseram a construção da identidade brasileira no panorama único de sua união. porque ao seu modo de ver. assim ele estaria servindo realmente a Deus. começamos conhecendo a vida no internato. representando. Os rígidos padrões católicos são contestados na figura desse padre.

o que antes era um grande grupo vai se desfazendo até sobrar unicamente o Pixote . Em suma. os Capitães constituem um grupo heterogêneo que através de um forte elo de amizade permanece junto do começo até o final do enredo até todos começarem a se acertar.Para suprir a ausência família. ao longo da jornada. ambos os retratos configuram uma sociedade preconceituosa despreparada para aceitar os mais carentes e com o poder do Estado precariamente representado pelos reformatórios em todo o país. Já no filme nota-se o inverso. Vale lembrar que os internos que prosseguem não se abalam pelos companheiros deixados para trás. .

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