Comunicado 86 Técnico

Foto: Francisco Marto Pinto Viana

ISSN 1679-6535 Outubro, 2003 Fortaleza, CE

Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle

Queima de sol.

Francisco Marto Pinto Viana1 Francisco das Chagas Oliveira Freire1 José Emilson Cardoso1 Júlio Cal Vidal2

Originário da América Tropical, o maracujazeiro (Passiflora edulis f. flavicarpa Deg.), cultura típica de países de clima tropical, se adaptou muito bem às condições de ambiente do Brasil que, atualmente, é o primeiro produtor mundial, seguido do Peru, Venezuela, África do Sul, Sri Lanka e Austrália. A produção brasileira de maracujá no ano 2000 foi de 330,8 mil toneladas, sendo a Bahia, São Paulo e Sergipe os principais produtores, com 51% da produção nacional. Mais da metade das áreas produtoras de maracujá do nosso país se encontra na Região Nordeste. A cultura tem desempenhado uma importante função social nas regiões onde é explorada, garantindo um nível de emprego razoável no campo e na indústria. Por ser de cultivo relativamente fácil, o pequeno produtor encontra no cultivo dessa passiflorácea a sua base de sustentação familiar. Contudo, o maracujazeiro é afetado por muitas doenças, algumas das quais limitam o seu cultivo, quando não controladas adequadamente. A expansão das áreas de cultivo em algumas regiões tem favorecido o surgimento de novas doenças, e o agravamento de um grande número de outras que passaram a ser economicamente importantes.
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Considerando o elevado número de patógenos que prejudicam a cultura no Nordeste, isso deve exigir da parte do produtor mais despesas com agroquímicos de defesa e com mão-de-obra, custos que deveriam ser compensados pelos órgãos governamentais responsáveis por apoiar a atividade agrícola, por meio da adoção de medidas legislativas e fiscalizadoras eficazes, que previnam ou combatam as doenças da cultura, antes que elas sejam disseminadas para áreas ainda indenes. Este trabalho objetiva subsidiar todos os interessados no agronegócio maracujá, desde associações, empresários agrícolas e pequenos produtores, com informações sucintas e claras que auxiliem na elaboração de estratégias de controle das principais doenças dessa cultura na Região Nordestina.

Antracnose
A antracnose é a doença mais comum da parte aérea do maracujazeiro. Mesmo em regiões onde não tem tanta importância, como no Semi-Árido, essa doença pode se tornar bastante prejudicial se o ambiente for favorável, a exemplo do que ocorre na época das chuvas. Essa doença é causada pelo fungo Colletotrichum

Eng. Agrôn., Ph. D., Embrapa Agroindústria Tropical. Rua Dra. Sara Mesquita 2270, Pici, CEP 60511-110 Fortaleza, CE. E-mail: fmpviana@cnpat.embrapa.br Eng. Agrôn., B. Sc., Embrapa Agroindústria Tropical.

O centro da lesão necrosa e torna-se acinzentado.) Spauld. entre outras. até a completa suspensão das aplicações. translúcidas..). A disseminação do patógeno se dá pela água da chuva. 1. O fungo sobrevive em restos de cultura e na própria planta de uma estação para outra. essa doença é muito comum no Nordeste brasileiro. 1B). os quais devem ser aplicados de conformidade com o desenvolvimento e a severidade da doença. economicamente. de até 5 mm de diâmetro. o centro da lesão é recoberto por uma massa rosada. fungo da família Dematiaceae que. o mamoeiro (Carica papaya L. Em ramos e gavinhas. podendo se romper neste ponto (Fig. O fruto afetado é inadequado para a comercialização. vento. O fungo está presente em quase todas as áreas produtoras de maracujá do Nordeste brasileiro. não só pelo aspecto da casca. depois crescem e tornam-se escuras e de formato irregular. transformam-se em cancros que expõem o lenho. Citrus spp. No início. da mesma forma.). recomenda-se a aplicação de um fungicida associado a um bactericida.) e do milho (Zea mays L. A poda de limpeza. como na Serra da Ibiapaba. as manchas são alongadas e de coloração pardo-escura. As lesões podem coalescer e atingir grandes áreas do limbo foliar. tais como a mangueira (Mangifera indica L. ásperas e pardacentas. Quando as condições forem propícias à doença. não pode ser recomendado devido à inexistência. é patógeno da ervilha (Pisum sativum L. Folha e fruto de maracujá com lesões necróticas de . O controle biológico da antracnose do maracujazeiro. Sob elevada umidade relativa do ar (±90%). Sintomas Apesar de afetar todos os órgãos da parte aérea da planta. podem ser empregados fungicidas à base de ditiocarbamatos. além do maracujazeiro. formulação que existe pronta no mercado. perfurando o limbo foliar. principalmente tecidos em fase de crescimento. É comum o tecido necrosado da lesão se romper no centro. recomenda-se pulverizar a folhagem com fungicidas à base de oxicloreto de cobre a cada dez dias. escuras e deprimidas (Fig. cuja forma perfeita corresponde a Glomerella cingulata (Stonem. ainda. Viana Sintomas Os primeiros sintomas surgem como pequenas manchas circulares. embora não seja. principalmente quando as lesões são próximas ou sobre as nervuras. constituída pelas frutificações do fungo. A doença tem seu desenvolvimento favorecido pela alta umidade. As folhas têm o limbo deformado na região afetada. & Schrenk. 1A). devendo-se aumentar os intervalos de aplicação para 15. o cajueiro (Anacardium occidentale L. e depois para 30 dias. Controle A prevenção é uma das melhores formas de controle da antracnose. com remoção de partes mais afetadas melhora o arejamento da cultura e reduz a severidade da doença. o que reflete negativamente no desenvolvimento e na produção da planta. Arx. apesar de ser tecnicamente viável. sementes e mudas infectadas. A verrugose pode afetar quaisquer partes aéreas da planta. as manchas são pequenas e oleosas. Verrugose Também conhecida como cladosporiose. O agente da doença é Cladosporium herbarum (Pers. de viveiro sanitizado. O emprego de mudas de procedência conhecida. que fermenta e apodrece. Quando o cancro circunda um ramo ou uma gavinha. sob condições favoráveis à doença.2 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle gloeosporioides Penz. tem uma ampla gama de hospedeiros e ataca as mais diferentes frutíferas tropicais. o que aumenta a severidade no segundo ano de cultivo. B Fig. como oxitetraciclina + sulfato de cobre. Foto: Francisco Marto P. a incidência da doença é maior nas folhas. No início. principalmente no período de chuvas e por temperaturas entre 21 e 27 ºC. é muito importante para a constituição de um pomar sadio. nas gavinhas e nos pecíolos afetados. tão importante como na Região Sudeste. as manchas foliares são pequenas e oleosas. mas que não dispensam o emprego de fungicidas. em regiões onde essa doença ocorre associada à bacteriose. ou seja. ramos e gavinhas jovens.) Link. quando a doença deverá estar sob controle e as condições desfavoráveis ao patógeno afastadas.). as manchas aparecem quando eles já estão bem desenvolvidos. Também. embora imaturos. depois se tornam circulares. levando à queda das folhas. o abacateiro (Persea americana Mill..). que se tornam opacas. pode ser observada A antracnose causadas por Colletotrichum gloeosporioides. as lesões têm aspecto deprimido e alongado e.). V. Entretanto. Essas são medidas saneadoras. depois. Nos ramos. causa a morte dos ponteiros. Devem ser removidos da área de cultivo restos da cultura e. (Berk et Mont. de formulações prontas para o seu emprego no campo. Spondias spp. Nos frutos.). mas também pela ação do patógeno na polpa. no Brasil. CE. podendo até levar à seca parcial da planta. folhas e frutos caídos.

sabese que a muda infectada é a forma mais comum de disseminação da doença. de cinco para três. provocados por nematóides ou resultantes de capinas. cujos vasos se encontram impedidos de transportar água por causa do crescimento do patógeno em seu interior. em situações muito críticas. depreciando-a qualitativamente. um fungo mitospórico. recobrindo-se de um tecido corticoso saliente. os frutos afetados são rejeitados por seu aspecto desagradável. quando as condições são favoráveis ao patógeno sua disseminação pode ser rápida. Purss.& Hans. no Piauí. Pecuária e Abastecimento para o controle dessa doença. a morte das plantas infectadas. O fungo se propaga de uma planta para outra por meio do contato entre raízes sadias e infectadas no interior do solo e também pela água de irrigação. que são os sinais do patógeno. como já foi observado em pequenos plantios comerciais. o que é característico de patógenos do solo. Quanto à disseminação da doença.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 3 uma massa pulverulenta de coloração cinza-esverdeada sobre essas lesões. irremediavelmente.] Bailey) e maracujá-de-cheiro (Passiflora foetida L. principalmente no início da frutificação. CE. As condições de ambiente propícias à ocorrência dessa doença são temperaturas de 20 a 25 oC. em pequenos ou grandes focos distribuídos ao acaso na cultura. sp. Solos arenosos e pobres em fósforo permitem uma rápida disseminação da doença. o que foi constatado pelos autores em Parnaíba. passiflorae. Essa doença já foi constatada em algumas regiões produtoras do Nordeste brasileiro. Os frutos verdes murcham. principalmente a água sob a superfície. Snyd. porém frágil. 2). em aplicações espaçadas de 15 dias. sp. podendo o órgão afetado quebrar-se com facilidade naquele ponto. A doença torna-se mais importante porque reduz o período produtivo da cultura nas áreas afetadas. marrom-avermelhado. pois não existe o controle curativo. passiflorae Gordon apud Fig. como ocorre em períodos de chuvas freqüentes. durante observações realizadas na Serra da Ibiapaba. seguida de morte. que impossibilitada de receber água e nutrientes tende à falência de todos os órgãos. Internamente. produtor de uma eficiente estrutura de resistência denominada clamidósporo. com remoção de ramos e frutos afetados. nas gôndolas de supermercados. isto é. Entre áreas de produção a contaminação se dá pelo emprego de sementes e mudas infectadas. Além do maracujá-amarelo. As lesões nos frutos não afetam a polpa. Constatou-se. por meio de cortes no caule. Porém. causa a murcha da parte aérea da planta (Fig. associadas à umidade relativa do ar elevada. curuba ou maracujá-banana (Passiflora mollissima [Kunth. A doença é favorecida por solos ácidos. ferimentos oriundos do crescimento das raízes. Regiões de elevada umidade e temperaturas amenas são favoráveis à ocorrência da doença. como o próprio nome define. nos Estados da Bahia e do Piauí. dos tecidos do xilema. constituídos por suas frutificações. assim como plantas desnutridas ou estressadas. Maracujazeiros murchos e secos devido ao ataque de Fusarium oxysporum f. alguns testes recomendam o tratamento químico com produtos à base de fungicidas benzimidazóis ou cúpricos. Sintomas Essa doença. apenas. Passiflora ligularis Juss. enquanto aqueles que iniciaram a maturação atingem o final do processo quase que normalmente. porém. a qual pode permanecer viável no solo por vários anos. que a umidade excessiva favoreceu o desenvolvimento da doença. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Controle As principais medidas preventivas a serem adotadas em regiões de ocorrência da verrugose são: adoção de um maior espaçamento entre plantas. Murcha ou fusariose A murcha-de-fusário é uma doença de elevada importância para o maracujazeiro porque causa. pode-se observar o escurecimento. 2. Antes de murcharem. A área afetada pode cicatrizar posteriormente. programação de limpeza do pomar. de surtos severos e freqüentes. A doença é causada por Fusarium oxysporum (Schlecht. podas sistemáticas de limpeza. porém. A murcha ocorre em reboleiras. f. . pela ação do vento ou durante os tratos culturais. Em adiantado estágio da doença. mal drenados e aqueles infestados com nematóides. são hospedeiros desse patógeno o maracujá-roxo (Passiflora edulis Sims). ainda não está confirmado se o fungo é transmitido por sementes. as folhas mudam a coloração de verde-brilhante para verde-pálido ou verde-amarelado.). Embora ainda não existam fungicidas registrados no Ministério da Agricultura. dois.. o caule ou as hastes podem fender deixando à mostra os sinais do patógeno.) emend. A penetração do patógeno ocorre via aberturas naturais.. ou até um ano.

fungos muito relacionados à água. na escolha de área sem histórico do patógeno e com solos de boa drenagem.) e muitas outras. independentemente. podendo isso ser feito com o auxílio de carroça atrelada a trator ou. essa doença não é controlada de forma curativa. pois quando aparecem os primeiros sintomas. a macadamia (Macadamia integrifolia Maiden & Betche). por meio do rigor na seleção de mudas e de fornecedores de sementes para plantio. o controle deve estar concentrado na prevenção. a doença ainda se manifestar. 3). e no emprego de linhagens resistentes do maracujá-amarelo. A doença é favorecida por solos muito úmidos.). deve-se utilizar porta-enxerto resistente. O sintoma se inicia com um intumescimento exagerado na região do colo. sendo os defensivos ineficazes. Outras culturas. cujas partículas são levadas pelos respingos durante as chuvas. Se apesar de toda a prevenção. no próximo período. caso isso ocorra.). estando sua importância restrita a algumas áreas produtoras.4 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle Controle Como não existe tratamento curativo para plantas infectadas. de um carro de mão. toda a estratégia de controle deve ser baseada na exclusão do patógeno da área de produção. são hospedeiras desses patógenos: o fumo (Nicotiana tabacum L. de preferência por meio de herbicidas para evitar ferimentos às raízes. são Phytophthora cinnamomi Rands e Phytophthora nicotianae var. para se efetuar a queima. com material vegetal em processo de apodrecimento. os citros (Citrus spp. devem ser apanhados diligentemente. deve-se bloquear sua propagação. Deve-se monitorar a área com relação a nematóides e. 3. No caso de a doença se propagar durante o ciclo de cultivo. felizmente. argilosos e de difícil drenagem e. Detalhe do colo de um maracujazeiro com necrose-docolo causada por Phytophthora sp. Uma rigorosa fiscalização da área pode evitar uma perda elevada. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. A planta erradicada. por aqueles recémdesmatados e. o que atrapa- Os agentes dessa doença se desenvolvem rapidamente em áreas baixas. pois em presença desta formam estruturas de reprodução móveis.). Irrigações localizadas muito freqüentes ou com lâminas de água excessivas. evitando-se o maracujá-roxo em pé-franco. Por suas próprias características. devendo essa rotação reduzir o potencial de inóculo do patógeno no solo. portanto..). até. como também os seus restos. também podem favorecer a doença. o abacaxizeiro (Ananas comosus L. como o maracujá-grande (Passiflora alata Dryand. porém os tecidos afetados permanecem firmes e aderidos ao câmbio. a área deve ser destinada a outras culturas não suscetíveis ao patógeno que.) ou o maracujá-azul (Passiflora caerulea L. o tomateiro (Lycopersicon esculentum L. transporta o inóculo do .). o que consiste em impedir a entrada do fungo no pomar sadio. sujeitas a encharcamento.) Mill. onde surgem manchas escuras. o algodoeiro (Gossypium hirsutum L. isto em terrenos planos. desse modo. as plantas identificadas podem ser rapidamente eliminadas e. a planta morre. arrancando-se a planta afetada e suas vizinhas até a 4ª ou 5ª planta. secarem e depois caírem. A medida mais primária que atende a esse método de controle é a obtenção de sementes certificadas ou de mudas de viveiristas idôneos. o gergelim (Sesamum indicum L. assim como chuvas freqüentes. Sintomas A semelhança dos sintomas dessa doença com aquelas já citadas requer cuidados na diagnose. conhecidas como zoósporos. é muito específico. o sistema radicular já está bastante comprometido. lha o seu controle. também. Deve-se evitar a movimentação demasiada do solo e das plantas no interior da cultura. que tenham efetivo controle de sua produção. retirados da área e transferidos para uma outra área. pois mais plantas deverão ser arrancadas quando a doença se propagar no sentido do declive em terrenos inclinados. parasitica Waterhouse. além do maracujazeiro. evoluem para uma necrose (Fig. Plantas invasoras também devem ser controladas. Os agentes dessa doença. o controle deve ser sistemático. se obter uma boa produção da florada atual. pois neste pode-se verificar uma ou mais manchas escuras e úmidas que. ainda assim. O solo infestado abaixo das plantas. ainda. em condições favoráveis. Quando a lesão circunda completamente o colo. Muitas vezes é confundida com a fusariose ou com a podridão-do-colo. pois. previamente escolhida. É comum as folhas de plantas afetadas amarelecerem. Podridão-do-pé ou Podridão-do-colo Essa doença é esporádica. Em locais onde a preferência é pelo maracujá-roxo. É importante se observar o colo da planta sintomática.

). em intervalos de dez dias. F. muitas ocorrências dessa doença tenham sido confundidas com a podridão-do-pé ou com a murcha-de-fusário. O patógeno é favorecido pelo sombreamento excessivo. ainda. na qual os Devem ser adotadas medidas preventivas para controle da podridão-de-fusário. mergulhá-las até acima do colo em uma mistura dos fungicidas metalaxil e mancozeb. Controle Sintomas A infecção inicia na raiz principal e evolui para o colo. Toda a família Passifloraceae é hospedeira desse fungo. é um excelente tratamento preventivo. por duas vezes. Plantas desnutridas são mais suscetíveis. Deve-se. possibilitando infecções que darão origem ao processo da doença. se adapta bem no intervalo que pode ir de um mínimo de 5 oC a um máximo de 37 oC. espécie muito semelhante ao agente da murcha. Phytophthora sp. amarelecimento e seca da folhagem. a planta infectada deve ser erradicada e as duas plantas imediatamente próximas. podendo se dispensar a adubação orgânica que. O patógeno produz abundante estrutura de resistência. juntamente com as duas plantas vizinhas imediatas de cada direção e. oxysporum. destrói os vasos. mas pode ocorrer o inverso.. tecidos internos da casca ficam aderidos ao câmbio. . Esse sintoma é o que diferencia essa doença da podridão-do-pé. o que causa os sintomas reflexos de murcha. o aspargo (Asparagus officinalis L. oriundo da própria cultura. tais como o tratamento do substrato das mudas. e nestes as plantas estão mais sujeitas à doença.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 5 patógeno à base do caule ou aos ramos inferiores. Detalhe do colo e raízes de uma planta de maracujá atacada por Fusarium solani. A transmissão do patógeno planta a planta pode ocorrer no interior do solo. Possivelmente. os quais tornam difícil sua erradicação de áreas infestadas. Locais com drenagem deficiente causam danos às raízes. desde o colo até as raízes. em seguida. E. Também. É possível que a simples calagem do solo resolva o problema.) Sacc. Controle Recomenda-se evitar o plantio em solos úmidos e compactos. por ocasião do plantio das mudas no campo. 4.. apesar de pouco citada na literatura. no monitoramento sistemático para pragas e doenças. a lesão na casca escurece e. Podridão-fusariana Essa é uma doença muito comum na Região Nordeste. traz o risco de introdução de novos patógenos na área de cultivo. Após esse procedimento. na proporção de 25g do produto comercial para dez litros de água. a calagem dos solos quando ácidos e a adubação orgânica para enriquecimento da microflora do solo em áreas sujeitas ao ataque do fungo. mais profundamente. no caso de ocorrer a doença. num raio de até 15 metros da planta doente. o que tem ocultado a sua importância. é importante que se evite ferir as raízes e o colo das plantas durante as capinas. cingindo a raiz e o colo e. Quando.). Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. assim como o feijoeiro (Phaseolus vugaris L. Também. também devem ser removidas da área. O agente responsável pela doença é o fungo Nectria haematococca Berk e Br. enquanto isso. apesar de excelente prática cultural. ter cuidado para não ferir as plantas durante as capinas. 4). a planta identificada deve ser erradicada. recomenda-se pulverizar toda a cultura. todas as plantas devem ser pinceladas com uma calda cúprica espessa. clamidósporos. cerca de 50 g do produto comercial para 10 L de água. o tomateiro (Lycopersicon esculentum L. O fungo sobrevive melhor em solos ácidos. principalmente se existem nematóides na área. as cucurbitáceas e a mandioca (Manihot esculenta Crantz). Na podridão-fusariana. em áreas sem ventilação e em baixadas. o tecido no local da casca se esfacela (Fig.). deve-se descobrir as raízes mais superficiais de todas as plantas remanescentes e pincelá-las com uma calda cúprica (50 g do produto comercial para dez litros de água). Em relação à temperatura. Com o progresso da podridão. A experiência mostrou que. e pela elevada umidade no colo. tornando-as mais sujeitas à infecção pelo fungo. que ocorre sob nossas condições na sua forma imperfeita de Fusarium solani (Mart. pobres de matéria orgânica e em solos de mata recémdesbravada. É considerada por alguns especialistas como a mais importante doença da cultura no Estado do Ceará. com um fungicida à base de thiabendazole (60 mL/100L de água). por meio das raízes. forem detectadas plantas doentes. os tecidos abaixo da casca se rompem em vários pontos em sentido longitudinal. ferimentos nessa região e nas raízes durante as capinas manuais favorecem a entrada do patógeno. o cancro avança lateralmente. Em seguida.

Esse fitopatógeno é um dos fungos mais bem distribuídos na Região Nordeste e tem um elevado número de hospedeiros. quando circundado pela mancha. o seu controle é simples e eficiente. O ramo afetado exibe manchas semelhantes às da folha.).). podendo causar a queda da folha. Felizmente. As condições de ambiente mais favoráveis ao patógeno são temperatura e umidade elevadas. o inóculo do patógeno no pomar.). onde se incluem as famílias Anacardiaceae e Anonaceae. essa doença foi observada pela primeira vez no Estado do Piauí e. Sintomas Os primeiros sintomas se apresentam como pequenas manchas necróticas e deprimidas. formam anéis concêntricos característicos.). o mamoeiro (Carica papaya L. como o caquizeiro (Diospyros kaky L. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. essa doença foi observada com muita freqüência em plantios comerciais do Planalto da Ibiapaba. no Brasil. que depois escurece tornando-se preta. inviabilizando a comercialização dos frutos. ainda não encontrada naturalmente no maracujá. cupuaçuzeiro (Theobroma gradiflorum (Willd. arredondadas que se unem e. reduzindo. & Maubl. 5). A doença tem sido comum nos meses mais quentes do ano em ambos os estados. descrita no Estado do Ceará.) Keissl.) e pomáceas em geral. o girassol (Helianthus annuus L. 5. procurar um engenheiro agrônomo para orientações mais detalhadas. assim. no Ceará e da região de Teresina. . É conhecido que a mancha-parda não é comum no Nordeste. que ocorrem quando esses já iniciaram o processo de maturação. Uma única mancha pode tomar todo o limbo foliar. O ramo. Inicialmente. pode até exterminar todo o pomar. principalmente logo após o período chuvoso. As lesões nos frutos. mamoeiro (Carica papaya L. de formato irregular e coloração pardo-avermelhada.).H. o feijoeiro (Phaseolus vulgaris L. Em geral. mais de uma espécie de fungo é responsável pela doença. surgem pequenas manchas marrons-claras. Maracujá com mancha escura resultante da presença de picnídios de L. pode ter o órgão imediatamente acima morto. Simmonds e Alternaria alternata (Fr.). contudo.. expõem os frutos aos raios solares. o que pode causar queimaduras superficiais. porém. Também. podem ser muito severas. os quais correspondem a fases de desenvolvimento do patógeno. (=Botryodiplodia theobromae Pat. encontra-se disseminada em muitas áreas produtoras. contudo. Em todo o mundo. Essas manchas não afetam a polpa. causando surpresa aqueles produtores que ainda não a conhecem. a mancha-parda pode se tornar severa em elevadas temperatura e umidade relativa do ar e.6 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle Mancha-parda Doença também conhecida como mancha-de-alternária. cuja forma perfeita. Controle A doença pode ser prevenida por meio da adoção de espaçamentos de cultivo mais largos. caso não desapareçam após essas aplicações. Apesar de esporádica. bananeira (Musa spp. deprimidas e de cor marrom. apenas duas espécies são encontradas: Alternaria passiflorae J. sendo a disseminação do patógeno viabilizada por água de chuva ou de irrigação e por ventos. Quando em ataque severo. theobromae. passiflorae estão na família Passifloraceae. o fumo (Nicotiana tabacum L. no Piauí. corresponde a Botryosphaeria rhodina (Cooke) Arx. assim sendo. fungos da família Dematiaceae. como o oxicloreto de cobre (200 gramas do produto comercial para cada 100 litros de água). Podridão-preta-do-fruto Denominada inicialmente de podridão-de-lasiodiplodia. ex Spreng) Schum. coqueiro (Cocos nucifera L. essas lesões ocorrem mais nos bordos que no centro da folha. no início. podem ser confundidas com a antracnose causada por C.). bem como pela poda sistemática de ramos e frutos secos.).:Fr. posteriormente. cuja forma perfeita não ocorre em nosso país. depreciando-os para o comércio. são pequenas. alternado com um sistêmico. enquanto A. além do cacaueiro (Theobromae cacao L.) Griff. Todos os hospedeiros de A. principalmente entre as fruteiras tropicais. alternata tem hospedeiros fora da família do maracujazeiro. Quando as folhas caem. abacateiro (Persea americana Mill. como o tebuconazole (25 g do ingrediente ativo para 100 L de água) em quatro aplicações espaçadas de dez dias. gloeosporioides (Fig.). Os sintomas devem ser monitorados nas folhas jovens. inicialmente com formato elíptico e de tonalidade castanha. recomenda-se o emprego de um fungicida protetor.). Sintomas Os sintomas ocorrem somente nos frutos maduros ou em processo de maturação. O agente causal é o fungo Lasiodiplodia theobromae (Pat.

As folhas mais internas são as primeiras a apresentarem o sintoma. em geral. Não consta. por vezes. o patógeno pode penetrar a polpa fermentando-a e alcançar as sementes. A folha madura pode ter a lesão iniciada nas margens e. 6. depois pardas. O nome “morteprecoce” reflete a drástica redução da vida da planta afetada que passa de 3 a 4 anos para 12 a 18 meses (Ponte. Folha de maracujá com lesões marginais induzidas por X. o albedo também é colonizado. essas manchas tornam-se escuras. formar uma grande área castanhoavermelhada com halo clorótico sobre o limbo (Fig. na literatura especializada. assumem uma tonalidade marrom-avermelhada e tornam-se deprimidas. Sintomas Nas folhas. ao crescer. A podridão-preta ocorre no final da estação chuvosa. preventivamente. Rhizoctonia sp. nesse tempo. seguidos de seca. theobromae. o qual se torna escuro e murcha. podem ocorrer caneluras verticais. cujo agente é Vermicularia sp. neste momento pode também formar-se um halo clorótico ao redor da mancha. O que diferencia essa doença da antracnose é que. bastando para isso se adotar espaçamentos maiores entre fileiras e. Controle Essa doença também pode ser controlada. circulares e bem delimitadas Essas manchas são superficiais. além de que o patógeno atinge facilmente a polpa. Nos frutos. quando a umidade relativa do ar ainda é elevada e a temperatura está em ascensão. coalescem. devem ser pulverizadas com uma mistura mancozeb + chlorothalonil.. em condições favoráveis. ou Fusarium sp. apodrecendo-as (Fig. Fig. e as sementes. inicialmente esverdeadas e oleosas. o que os leva à seca. doença que pode ser induzida por mais de um patógeno.raízes. principalmente na face dorsal da folha.. podendo exsudar pus bacteriano e. Mancha-bacteriana Conhecida ainda por bacteriose-do-maracujá ou “morteprecoce”. podridão-de. essas manchas necrosam. já se disseminou entre alguns Estados das Regiões Sudeste e Nordeste. a queima-das-folhas. relatos sobre outro hospedeiro de X. como Phytophthora sp. Outras Doenças Fúngicas Doenças de menor expressão. como a podridão-do-caulículo. causadas por Thielaviopsis basicola. no período das chuvas. Maracujá com manchas pretas na casca. efetuar pulverizações quinzenais com oxicloreto de cobre. unemse e tendem a envolver todo o fruto. Plantas afetadas devem ter todos os frutos da florada atual removidos e. geralmente próximas às nervuras. de 1 a 2 mm.. encharcadas e translúcidas. O patógeno responsável pela doença é Xanthomonas campestris pv. essa doença é relativamente recente no Brasil. passiflorae (Pereira) Dye. fermentando-a.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 7 Posteriormente. Em surtos severos. nos locais onde existe histórico de sua ocorrência. tais como a ‘seca-dashastes’ causada por L. o tombamento ou mela. depois. desfolha e morte da parte correspondente ou a morte da própria planta. as manchas crescem. doenças de viveiro. a bactéria alcança os vasos da folha tornando-os enegrecidos. isto porque estão submetidas a uma maior umidade por período maior de tempo que as folhas mais externas. causada por Phoma sp. causando elevados prejuízos. Em elevada umidade. Foto: Francisco Marto Pinto Viana tendo sido descrita a pouco mais de 30 anos em Araraquara-SP e. Surtos severos dessa doença podem comprometer seriamente a cultura. tornando-se escuro. theobromae. em seguida. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. 6). 7. que são relatadas de forma esporádica em algumas áreas. albedo escuro e sementes apodrecidas pela colonização de L. campestris pv. passiflorae. passiflorae. por Fusarium sambucinum e por Sclerotinia sclerotiorum. uma única vez. c. bactéria com forma de bastonete. entretanto. gram-negativa e móvel por um único flagelo polar. daí podendo se disseminar internamente e atingir os vasos lenhosos dos ramos obstruindo-os. 1996). . as manchas são grandes. Temperaturas acima de 30 oC e umidade superior a 70% em plantios adensados são condições predisponentes a essa doença. 7). o patógeno induz pequenas lesões. em estado avançado.

É possível que já tivesse ocorrido no Agreste pernambucano há 30 anos. O vírus pode ser transmitido mecanicamente. porém. deformados e seu pericarpo é endurecido. e enxertados sobre clones de Amarelo resistentes à murcha-de-fusarium. se encontra disseminada na Região Nordeste. A disseminação entre áreas pode se dar por meio das sementes e entre plantas pela água de irrigação ou das chuvas. não é transmitido por sementes. com os lóbulos tornando-se filiformes e com as margens irregulares ou serrilhadas (Fig. principalmente de famílias botânicas hospedeiras do PWV. tolerantes ao PWV. ligeiramente deprimidas. edulis f. que tem como hospedeiro espécies de Passiflora e de leguminosas. Sergipe e Alagoas. A certeza somente pode ser obtida com a análise laboratorial. Controle A associação de um fungicida cúprico com um bactericida. assim como a associação oxicloreto de cobre + maneb + zineb. não se recomenda o controle químico para essa doença. Os frutos afetados são pequenos. Chenopodiaceae. alata) e de maracujá amarelo (P. o que confirma em 80% a doença. o que reduz a quantidade de polpa. o espaço interno do fruto torna-se menor do que nos frutos sadios. as folhas finais do ramo exibem um clareamento das nervuras. frutos aparentemente normais com manchas amarelas podem estar infectados. Outras medidas auxiliares seriam: a inspeção sistemática do pomar para eliminação de plantas suspeitas e doentes. como sulfato de cobre (30%) + oxitetraciclina (50%). é a mais importante medida a ser adotada em áreas onde o vírus já ocorre. flavicarpa) em Feira de Santana. onduladas. formulação comercial de oxitetraciclina + estreptomicina. Endurecimento-dos-frutos A Fig. passiflorae induzir doença são temperaturas superiores a 30 oC e umidade relativa do ar elevada. por causa da lignificação das paredes interna (Fig. é necessário tomar cuidado na diagnose visual porque nem todo fruto endurecido é indicativo da doença. na dosagem de 1. Tudo indica que esse vírus . resultou em bom controle da doença em trabalho experimental. ainda. Amaranthaceae e Cucurbitaceae. nos ramos afetados. bolhosidade e enrugamento. O corte transversal neste pode revelar um pericarpo duro e espesso.. Sintomas O vírus produz um mosaico nas folhas. Pequenas lesões necróticas marrons. tendo sido relatada nos Estados do Ceará. além da Bahia. Recomenda-se o manejo da doença. espécies das famílias Solanaceae. técnica que já se mostrou viável. Normalmente. Contudo. podem surgir . acompanhado de áreas translúcidas. ocasionando a morte das folhas e gavinhas da extremidade desses ramos. por meio de poda de limpeza seguida da aplicação de uma associação de bactericidas. Também. além de áreas verdes escuras circundadas por áreas verdes claras. Também. o emprego de mudas sadias. juntamente com a erradicação de hospedeiros alternativos do PWV. Atualmente. Entretanto.8 kg/ha a cada sete dias. a erradicação de plantas invasoras. Quando a infecção é mais severa. no maracujazeiro. c. agente do endurecimento-dos-frutos. Controle Como o vírus pode ser transmitido por meio de uma única picada do inseto vetor. Algumas vezes o crescimento das extremidades dos ramos é reduzido. Ramo jovem (A) e fruto do maracujazeiro (B) com B sintomas induzidos pelo PWV. o manejo da cultura dentro de padrões recomendados pelas modernas técnicas de produção. Há relatos de transmissão por meio do manuseio de material contaminado e por ferramentas de poda. É causada por um Potyvirus. Trata-se da mais importante virose do maracujazeiro em qualquer parte do mundo onde ocorre. Com isso. pode-se fazer a pré-imunização das plantas com estirpes fracas do vírus. essa doença foi relatada pela primeira vez no Brasil ocorrendo em plantios comerciais de maracujá doce (P. as folhas tornam-se grossas. É comum aparecerem manchas amarelas associadas ao mosqueado em anéis. por várias espécies de pulgão ou por enxertia. podendo ocorrer deformação das folhas. Estado da Bahia.8 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle As condições favoráveis para X. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Conhecida também como “Woodness”. podendo infectar. onde se pode observar. 8A). somente foi relatada naquela região depois de mais de uma década. 8B). O controle pode ser realizado utilizando-se híbridos de maracujá Roxo com Amarelo. até a completa ausência dos sintomas. torcidas e curvadas para baixo. 8.

são pequenas. BRIOSO. p. têm os internódios curtos. Brasília. MIZUKI. COSTA. C. felizmente.. VAZ. Ministério da Integração Nacional. n. a casca é espessa e de superfície saliente. GOMES. V. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.F. uma vez instaladas no campo. A. Fitopatologia Brasileira. Essa doença foi descrita pela primeira vez com o nome de enfezamento. CHAGAS. n. 8p. coriáceas e mostram uma leve clorose entre as nervuras. A.. do Rio Grande do Norte e da Bahia. C.. 1987.R.254-257. M. não há relatos desse tipo de transmissão para o maracujazeiro.L. (Coord. Comportamento de Passiflora spp. v. p. Controle Em virtude da natureza não persistente de transmissão do vírus. Brasília. A cultura de maracujá no Brasil. CEREDA.F. 6. FERREIRA. E. pertencente ao gênero Cucumovirus. contudo. MG. Fitopatologia Brasileira.S. C. que viroses. Contudo. A. os quais permanecem pequenos. Anais. pode interferir no desenvolvimento dos frutos. Também. 1996. CHAGAS. o controle de insetos vetores é difícil. M.. p. OLIVEIRA.. Ocorrência do vírus do clareamento das nervuras do maracujazeiro no Estado de São Paulo. podendose reduzir sua incidência por meio de alguma medida de convivência pacífica..K.M.M.3. entre plantas ornamentais. n. R. Infecção natural do maracujá amarelo pelo vírus do mosaico do pepino no Estado de São Paulo. Viçosa.C. CHAGAS. Tese (Doutorado em Fitopatologia) . CARTROCHO. Na Região Nordeste. pode ser transmitido por instrumentos de poda. Sintomas Essa doença não mata a planta. J.402. BRASIL. confirmou-se que se tratava de uma doença causada por vírus. v. de Sergipe. O agente da doença é o “Cucumber Mosaic Virus” (CMV). . KITAJIMA.275-278. Brasília. Plantas doentes são enfezadas. 2). Ocorrência de uma anomalia de possível causa virótica ou semelhante a vírus. cultivadas e silvestres. Doenças viróticas e similares do maracujazeiro no Brasil. contudo causa uma drástica queda na produção.S. 1984.T. a transmissão por meio de espécies de besouro e afídeos. C. P. Recife: Sociedade Brasileira de Fruticultura. o controle químico poderá ser efetivo.H. Brasília.. Como o principal sintoma da doença era o clareamento das nervuras.. RAMOS..A. F.9. A. esta foi a denominação que prevaleceu. 1987. Também. endurecidos e deformados. A doença já foi observada nos Estados de Pernambuco.2.. KUDAMATSU. 1981. COLARICCIO. M. Posteriormente. flavicarpa). ou sejam. COLARICCIO. M. CHAGAS.3.M.175-186.Universidade Federal de Viçosa. v.. como a doença tem pouca expressão para o maracujazeiro. FURTADO. Maracujá: Distrito Federal. Jaboticabal: FUNEP. Referências Bibliográficas BATISTA. Recife. In: SÃO JOSÉ.. de. 1991. além de serem mais resistentes ao quebramento.. Controle Caso cigarrinhas sejam confirmadas como vetores. do Ceará.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 9 Clareamento-das-nervuras Sintomas Os sintomas nas folhas são semelhantes àqueles induzidos pelo PWV: nas folhas surgem anéis e semi-anéis de coloração amarelo-intensa. já foi relatada associada ao maracujazeiro nos Estados do Ceará e da Bahia.M. se encontra restrita ao maracujazeiro. 129f. A doença está associada a partículas virais do tipo rhabdovirus e. Apesar de ser transmitido por sementes por muitas espécies botânicas. VEGA.T. Deve-se enfatizar.12. Os frutos afetados são deformados e produzem poucas sementes. F. (Frutiséries. ainda.1408-1413. 1981. diante do vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro e a relação entre a nutrição mineral e a interação vírus-Passiflora edulis f. Artificialmente. R.. são de controle praticamente impossível.R. J. O CMV é um vírus polífago que infecta cerca de 750 espécies botânicas de 40 famílias. quando foi confundida com o endurecimento-dos-frutos.). 2002. já se realizou a transmissão desse vírus por meio da enxertia. porém não se verificou. E. Naturalmente. provocando o enfezamento do maracujazeiro. os quais normalmente se unem formando manchas amarelas.. LIN. Ramos infectados são de coloração verde-intensa ou arroxeados. essa virose é transmitida de forma persistente por afídeos. O manejo adequado da cultura deve manter a doença em níveis baixos ou mesmo inexistente em pomares bem conduzidos.L. as folhas também são pequenas. Fitopatologia Brasileira. p. Estirpe incomum do vírus do mosaico do pepino (CMV) isolado de maracujá amarelo (Passiflora edulis f.12.M. em razão da redução no desenvolvimento das plantas afetadas.W. o controle não é importante.. Esse vírus é transmitido com facilidade por diversas espécies vegetais. flavicarpa. Mosaico-do-pepino Essa virose foi relatada pela primeira vez em maracujazeiros na Austrália. E. p. Secretaria de Infra-Estrutura Hídrica..

no Estado do Paraná. A. 1999. processamento e aspectos econômicos. Clínica de doenças de plantas. SP). da. H. Two unrelated viruses which cause woodness of passion fruit (Passiflora edulis Sims.. 1964.S. OLIVEIRA. de A.l. dos. Controle biológico de Colletotrichum gloeosporioides. 1996. Doenças do maracujazeiro no Estado da Bahia.34-38. p. n.F.2.W. R. DIAS. O. Brisbane. agente da antracnose do maracujazeiro (Passiflora edulis).C. BORGES.C. (Description of Plant Virus.E. KIMBLE. McKNIGHT.F. 1994.A. dos. Campinas. AMORIM. n. L.101-103.10 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle COSTA. Principais doenças fúngicas e bacterianas do maracujazeiro.24. OLIVEIRA.197-262. v. dos.. 1972.A.4.. LEITE. 1966.1. J. Queensland Journal Agricultural Animal Science.A.P. 1994. M. 1973.50. Partículas baciliformes associadas a microrganismos do tipo micoplasma em maracujazeiro com superbrotamento. 4. Não paginado.F.S.. Fortaleza: Editora UFC.S.S. In: SÃO JOSÉ.(Embrapa-CNPMF.2. H. .K. Association of rhabdovirus with passionfruit vein clearing in Brazil.J. da S. de T. In: INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS (Campinas.4. SP). PIZA JÚNIOR.H. N. Summa Phytopathologica.n.. SANTOS FILHO. v. A.. C. v.409-432. Informe Agropecuário.D. St. Maracujá: cultura. 1. matéria-prima. Queensland Journal Agricultural Science. v. v. J. 562p. T. v.15. Circular Técnica. S. RESENDE.. Revista do Setor de Ciências Agrárias.108-115. R. New South Wales: Department of Agriculture. Moléstias fúngicas do maracujazeiro. MENEZES. J.. p.. Cap.2.L.. Fitopatologia Brasileira. p.F. FITZELL. In: KIMATI. TAYLOR. p. C. 871p. Arquivos do Instituto Biológico. PONTE.v. SANCHES. v. Enfermidades de etiologia viral e associadas a organismos do tipo micoplasma em maracujazeiro no Brasil.. 1996. 1977. v.. 1996. O. LIMA.. Adubação orgânica no controle da podridão-fusariana do maracujá (Passiflora edulis Sims). São Paulo. 1984. A. H.(Em Foco. 2p. SANTOS FILHO. 1994. C.. E.S. cap.533538. 5p.M.525-534. 1986.R. Passion fruit woodness virus. BRAZ.R.Paul: APS Press.C. CRESTANI. H.. LEÃO. MARIANO.4. SOUZA. Jaboticabal. PONTE. D. GREBER. v. 1985. Fitopatologia Brasileira. 277p. (Ed.D.T. (Ed. GARCIA.376.S. 1993. V. 44p.A.B.B. Bonito. 1996. Verrugose do maracujazeiro. A. [S.A. LIMA NETO. Circular Técnica.6.21. SANTOS. K..G. O. 1953. p. BLISKA. R. A. 1969. n. Fitopatologia Brasileira. G. Doenças e pragas do maracujá. de L. 2).B. FACELI.]: CMI/AAB.W. PE: MAGUARY/ Setor de Extensão Rural.681-688.1.). Doenças do maracujazeiro. N. Passionfruit woodness virus as a cause of passion vine tip blight disease. 1984. v. Brisbane.96.M. F. R. CARVALHO. C. Frutas Tropicais.A.G. ERWIN. R. Brasília. Melbourne. matéria-prima.C. n. KITAJIMA.. de. TAYLOR..3-142. p.R. Fitopatologia Brasileira. PIO-RIBEIRO. In: INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS (Campinas.E. p. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura.A. Cruz das Almas: EmbrapaCNPMF.P.P. Brasília. dos. C. Curitiba.V.272-275. Brasília. p.560-570.C. p.Z. CAMARGO. A. MARTIN. Transmissão do vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro (VEFM) por afídeos (Hemiptera-Aphididae). L. BERGAMIN FILHO. KITAJIMA.. ROCHA. Doenças do maracujazeiro. Cap. 20). Recife: Imprensa Universitária da UFRPE. 1998.11. J. KITAJIMA. 1995.K.C.G. sp.206. The woodness virus of passion vine.10.10.4.A.L. E.A. (Ed.9.36.20. R. processamento e aspectos econômicos. Cultura. TEIXEIRA. n. LIMA.393. Maracujá: cultura. PARES. p.. M. GREBER.) Maracujá: produção e mercado. 17p..M.F.M.. Uma doença bacteriana do maracujazeiro (Passiflora edulis Sims) causada por Xanthomonas passiflorae n. Woodness and dieback diseases of passionfruit. E. M. p. PEREIRA. Phytophthora: diseases worldwide. (ITAL. Brasília. p.M.163-74. São Paulo: Agronômica Ceres. M. v.) Manual de fitopatologia.. Campinas. com Trichoderma koningii.) Instruções práticas para o cultivo do maracujazeiro. CRESTANI. 1985. In: LIMA. 16). Aspectos econômicos da produção e mercado...23. 9) MATTA. J.M. p.I. Fitopatologia Brasileira. RIBEIRO. n.3. Belo Horizonte. Salvador: Empresa de Pesquisa Agropecuária da Bahia. R. 122). Brasília. M. p.H. 2000. Fungos fitopatogênicos. CHAGAS. SANTOS FILHO. v. n. (EPABA. n. p. Vitória da Conquista: UESB-DFZ. 1982. E.. p. Australian Journal Agricultural Research. A. A.R..W. R. Problemas de viroses ou de etiologia micoplasmática na cultura do maracujazeiro no Brasil.L. A.J. CHAGAS.4-35. da. A. V.

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2270.Comunicado Técnico. Henriette Monteiro Cordeiro de Azeredo.br Comitê de Publicações Presidente: Oscarina Maria da Silva Andrade Secretário-Executivo: Marco Aurélio da Rocha Melo Membros: Francisco Marto Pinto Viana. 86 Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Agroindústria Tropical Endereço: Rua Dra. Pici Fone: (0xx85) 299-1800 Fax: (0xx85) 299-1803 / 299-1833 E-mail: negocios@cnpat.embrapa. Sara Mesquita. Heloisa Almeida Cunha Filgueiras. Expediente 1a edição on line: outubro de 2003 . Francisco das Chagas Oliveira Freire. Edneide Maria Machado Maia. Supervisor editorial: Marco Aurélio da Rocha Melo Revisão de texto: Maria Emília de Possídio Marques Editoração eletrônica: Arilo Nobre de Oliveira Normalização bibliográfica: Rita de Cassia Costa Cid. RenataTieko Nassu.

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