Comunicado 86 Técnico

Foto: Francisco Marto Pinto Viana

ISSN 1679-6535 Outubro, 2003 Fortaleza, CE

Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle

Queima de sol.

Francisco Marto Pinto Viana1 Francisco das Chagas Oliveira Freire1 José Emilson Cardoso1 Júlio Cal Vidal2

Originário da América Tropical, o maracujazeiro (Passiflora edulis f. flavicarpa Deg.), cultura típica de países de clima tropical, se adaptou muito bem às condições de ambiente do Brasil que, atualmente, é o primeiro produtor mundial, seguido do Peru, Venezuela, África do Sul, Sri Lanka e Austrália. A produção brasileira de maracujá no ano 2000 foi de 330,8 mil toneladas, sendo a Bahia, São Paulo e Sergipe os principais produtores, com 51% da produção nacional. Mais da metade das áreas produtoras de maracujá do nosso país se encontra na Região Nordeste. A cultura tem desempenhado uma importante função social nas regiões onde é explorada, garantindo um nível de emprego razoável no campo e na indústria. Por ser de cultivo relativamente fácil, o pequeno produtor encontra no cultivo dessa passiflorácea a sua base de sustentação familiar. Contudo, o maracujazeiro é afetado por muitas doenças, algumas das quais limitam o seu cultivo, quando não controladas adequadamente. A expansão das áreas de cultivo em algumas regiões tem favorecido o surgimento de novas doenças, e o agravamento de um grande número de outras que passaram a ser economicamente importantes.
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Considerando o elevado número de patógenos que prejudicam a cultura no Nordeste, isso deve exigir da parte do produtor mais despesas com agroquímicos de defesa e com mão-de-obra, custos que deveriam ser compensados pelos órgãos governamentais responsáveis por apoiar a atividade agrícola, por meio da adoção de medidas legislativas e fiscalizadoras eficazes, que previnam ou combatam as doenças da cultura, antes que elas sejam disseminadas para áreas ainda indenes. Este trabalho objetiva subsidiar todos os interessados no agronegócio maracujá, desde associações, empresários agrícolas e pequenos produtores, com informações sucintas e claras que auxiliem na elaboração de estratégias de controle das principais doenças dessa cultura na Região Nordestina.

Antracnose
A antracnose é a doença mais comum da parte aérea do maracujazeiro. Mesmo em regiões onde não tem tanta importância, como no Semi-Árido, essa doença pode se tornar bastante prejudicial se o ambiente for favorável, a exemplo do que ocorre na época das chuvas. Essa doença é causada pelo fungo Colletotrichum

Eng. Agrôn., Ph. D., Embrapa Agroindústria Tropical. Rua Dra. Sara Mesquita 2270, Pici, CEP 60511-110 Fortaleza, CE. E-mail: fmpviana@cnpat.embrapa.br Eng. Agrôn., B. Sc., Embrapa Agroindústria Tropical.

mas que não dispensam o emprego de fungicidas.). O centro da lesão necrosa e torna-se acinzentado. tem uma ampla gama de hospedeiros e ataca as mais diferentes frutíferas tropicais. 1. embora não seja. Citrus spp. o mamoeiro (Carica papaya L. principalmente no período de chuvas e por temperaturas entre 21 e 27 ºC. além do maracujazeiro.). Quando as condições forem propícias à doença. O fungo está presente em quase todas as áreas produtoras de maracujá do Nordeste brasileiro.. sob condições favoráveis à doença. transformam-se em cancros que expõem o lenho. O fungo sobrevive em restos de cultura e na própria planta de uma estação para outra. 1A). No início. em regiões onde essa doença ocorre associada à bacteriose. apesar de ser tecnicamente viável.). o centro da lesão é recoberto por uma massa rosada.). ramos e gavinhas jovens. Sintomas Apesar de afetar todos os órgãos da parte aérea da planta. as manchas foliares são pequenas e oleosas. como na Serra da Ibiapaba. é patógeno da ervilha (Pisum sativum L. as manchas são pequenas e oleosas. A verrugose pode afetar quaisquer partes aéreas da planta. Também. Nos frutos. podendo se romper neste ponto (Fig. pode ser observada A antracnose causadas por Colletotrichum gloeosporioides. devendo-se aumentar os intervalos de aplicação para 15. principalmente tecidos em fase de crescimento. Devem ser removidos da área de cultivo restos da cultura e. principalmente quando as lesões são próximas ou sobre as nervuras. V. que se tornam opacas. ásperas e pardacentas. A doença tem seu desenvolvimento favorecido pela alta umidade. É comum o tecido necrosado da lesão se romper no centro. o abacateiro (Persea americana Mill. levando à queda das folhas. vento. Essas são medidas saneadoras. nas gavinhas e nos pecíolos afetados. Quando o cancro circunda um ramo ou uma gavinha. O emprego de mudas de procedência conhecida. Entretanto. tão importante como na Região Sudeste. economicamente. ou seja. da mesma forma. Arx. embora imaturos. folhas e frutos caídos. A poda de limpeza. de até 5 mm de diâmetro. Sob elevada umidade relativa do ar (±90%). Nos ramos. mas também pela ação do patógeno na polpa. as lesões têm aspecto deprimido e alongado e. cuja forma perfeita corresponde a Glomerella cingulata (Stonem. entre outras. de viveiro sanitizado. com remoção de partes mais afetadas melhora o arejamento da cultura e reduz a severidade da doença. constituída pelas frutificações do fungo. até a completa suspensão das aplicações. Spondias spp. A disseminação do patógeno se dá pela água da chuva. de formulações prontas para o seu emprego no campo. (Berk et Mont. O fruto afetado é inadequado para a comercialização. as manchas aparecem quando eles já estão bem desenvolvidos. depois se tornam circulares. Controle A prevenção é uma das melhores formas de controle da antracnose. o cajueiro (Anacardium occidentale L.) Spauld. não pode ser recomendado devido à inexistência. CE. tais como a mangueira (Mangifera indica L. recomenda-se a aplicação de um fungicida associado a um bactericida. a incidência da doença é maior nas folhas. translúcidas. Foto: Francisco Marto P. O controle biológico da antracnose do maracujazeiro. depois crescem e tornam-se escuras e de formato irregular. causa a morte dos ponteiros. formulação que existe pronta no mercado. podendo até levar à seca parcial da planta. sementes e mudas infectadas. perfurando o limbo foliar.) e do milho (Zea mays L.). fungo da família Dematiaceae que. essa doença é muito comum no Nordeste brasileiro. o que aumenta a severidade no segundo ano de cultivo. Viana Sintomas Os primeiros sintomas surgem como pequenas manchas circulares.).) Link. quando a doença deverá estar sob controle e as condições desfavoráveis ao patógeno afastadas. O agente da doença é Cladosporium herbarum (Pers. Em ramos e gavinhas. podem ser empregados fungicidas à base de ditiocarbamatos.2 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle gloeosporioides Penz. 1B). No início. Verrugose Também conhecida como cladosporiose.. o que reflete negativamente no desenvolvimento e na produção da planta. B Fig. As folhas têm o limbo deformado na região afetada. é muito importante para a constituição de um pomar sadio. escuras e deprimidas (Fig. e depois para 30 dias. As lesões podem coalescer e atingir grandes áreas do limbo foliar. os quais devem ser aplicados de conformidade com o desenvolvimento e a severidade da doença. no Brasil. recomenda-se pulverizar a folhagem com fungicidas à base de oxicloreto de cobre a cada dez dias. não só pelo aspecto da casca. Folha e fruto de maracujá com lesões necróticas de . que fermenta e apodrece. como oxitetraciclina + sulfato de cobre. depois. as manchas são alongadas e de coloração pardo-escura. ainda. & Schrenk.

Em adiantado estágio da doença. porém.) emend. porém. como já foi observado em pequenos plantios comerciais.. Snyd. As lesões nos frutos não afetam a polpa. A murcha ocorre em reboleiras. as folhas mudam a coloração de verde-brilhante para verde-pálido ou verde-amarelado. Purss. Essa doença já foi constatada em algumas regiões produtoras do Nordeste brasileiro. no Piauí. produtor de uma eficiente estrutura de resistência denominada clamidósporo. que a umidade excessiva favoreceu o desenvolvimento da doença. Internamente. f. Maracujazeiros murchos e secos devido ao ataque de Fusarium oxysporum f. marrom-avermelhado.& Hans. Embora ainda não existam fungicidas registrados no Ministério da Agricultura. Sintomas Essa doença. nas gôndolas de supermercados. dos tecidos do xilema. CE. ou até um ano. cujos vasos se encontram impedidos de transportar água por causa do crescimento do patógeno em seu interior. alguns testes recomendam o tratamento químico com produtos à base de fungicidas benzimidazóis ou cúpricos. programação de limpeza do pomar. . associadas à umidade relativa do ar elevada. Passiflora ligularis Juss. depreciando-a qualitativamente. de cinco para três. 2).Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 3 uma massa pulverulenta de coloração cinza-esverdeada sobre essas lesões. Além do maracujá-amarelo.). o caule ou as hastes podem fender deixando à mostra os sinais do patógeno. irremediavelmente. são hospedeiros desse patógeno o maracujá-roxo (Passiflora edulis Sims). mal drenados e aqueles infestados com nematóides. principalmente a água sob a superfície. em pequenos ou grandes focos distribuídos ao acaso na cultura. pela ação do vento ou durante os tratos culturais. sabese que a muda infectada é a forma mais comum de disseminação da doença. As condições de ambiente propícias à ocorrência dessa doença são temperaturas de 20 a 25 oC. ferimentos oriundos do crescimento das raízes. Solos arenosos e pobres em fósforo permitem uma rápida disseminação da doença. A penetração do patógeno ocorre via aberturas naturais. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Controle As principais medidas preventivas a serem adotadas em regiões de ocorrência da verrugose são: adoção de um maior espaçamento entre plantas. apenas. o que foi constatado pelos autores em Parnaíba. principalmente no início da frutificação. como ocorre em períodos de chuvas freqüentes.] Bailey) e maracujá-de-cheiro (Passiflora foetida L. Porém. O fungo se propaga de uma planta para outra por meio do contato entre raízes sadias e infectadas no interior do solo e também pela água de irrigação. curuba ou maracujá-banana (Passiflora mollissima [Kunth. com remoção de ramos e frutos afetados. um fungo mitospórico. A doença torna-se mais importante porque reduz o período produtivo da cultura nas áreas afetadas. Murcha ou fusariose A murcha-de-fusário é uma doença de elevada importância para o maracujazeiro porque causa. Quanto à disseminação da doença.. por meio de cortes no caule. assim como plantas desnutridas ou estressadas. isto é. pode-se observar o escurecimento. A doença é favorecida por solos ácidos. como o próprio nome define. Antes de murcharem. a morte das plantas infectadas. durante observações realizadas na Serra da Ibiapaba. a qual pode permanecer viável no solo por vários anos. causa a murcha da parte aérea da planta (Fig. seguida de morte. que são os sinais do patógeno. provocados por nematóides ou resultantes de capinas. sp. de surtos severos e freqüentes. Pecuária e Abastecimento para o controle dessa doença. podendo o órgão afetado quebrar-se com facilidade naquele ponto. A doença é causada por Fusarium oxysporum (Schlecht. constituídos por suas frutificações. sp. Os frutos verdes murcham. 2. o que é característico de patógenos do solo. enquanto aqueles que iniciaram a maturação atingem o final do processo quase que normalmente. em aplicações espaçadas de 15 dias. Regiões de elevada umidade e temperaturas amenas são favoráveis à ocorrência da doença. dois. passiflorae. passiflorae Gordon apud Fig. Constatou-se. que impossibilitada de receber água e nutrientes tende à falência de todos os órgãos. podas sistemáticas de limpeza. quando as condições são favoráveis ao patógeno sua disseminação pode ser rápida. recobrindo-se de um tecido corticoso saliente. em situações muito críticas. porém frágil. os frutos afetados são rejeitados por seu aspecto desagradável. A área afetada pode cicatrizar posteriormente. pois não existe o controle curativo. ainda não está confirmado se o fungo é transmitido por sementes. Entre áreas de produção a contaminação se dá pelo emprego de sementes e mudas infectadas. nos Estados da Bahia e do Piauí.

por meio do rigor na seleção de mudas e de fornecedores de sementes para plantio. Plantas invasoras também devem ser controladas. O sintoma se inicia com um intumescimento exagerado na região do colo. toda a estratégia de controle deve ser baseada na exclusão do patógeno da área de produção. pois mais plantas deverão ser arrancadas quando a doença se propagar no sentido do declive em terrenos inclinados. Sintomas A semelhança dos sintomas dessa doença com aquelas já citadas requer cuidados na diagnose. isto em terrenos planos. felizmente. fungos muito relacionados à água. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. a planta morre.).). estando sua importância restrita a algumas áreas produtoras. as plantas identificadas podem ser rapidamente eliminadas e. desse modo. ainda.).) ou o maracujá-azul (Passiflora caerulea L. é muito específico.). também podem favorecer a doença.) e muitas outras. No caso de a doença se propagar durante o ciclo de cultivo. pois quando aparecem os primeiros sintomas. lha o seu controle. com material vegetal em processo de apodrecimento. pois em presença desta formam estruturas de reprodução móveis. o controle deve estar concentrado na prevenção. como também os seus restos. argilosos e de difícil drenagem e. o gergelim (Sesamum indicum L. Se apesar de toda a prevenção. sendo os defensivos ineficazes. o que consiste em impedir a entrada do fungo no pomar sadio. deve-se bloquear sua propagação. a macadamia (Macadamia integrifolia Maiden & Betche). Uma rigorosa fiscalização da área pode evitar uma perda elevada. para se efetuar a queima. também. Irrigações localizadas muito freqüentes ou com lâminas de água excessivas. são Phytophthora cinnamomi Rands e Phytophthora nicotianae var. devem ser apanhados diligentemente. Detalhe do colo de um maracujazeiro com necrose-docolo causada por Phytophthora sp. O solo infestado abaixo das plantas. pois neste pode-se verificar uma ou mais manchas escuras e úmidas que. A planta erradicada. se obter uma boa produção da florada atual. ainda assim. de preferência por meio de herbicidas para evitar ferimentos às raízes. são hospedeiras desses patógenos: o fumo (Nicotiana tabacum L. Em locais onde a preferência é pelo maracujá-roxo. transporta o inóculo do . porém os tecidos afetados permanecem firmes e aderidos ao câmbio. em condições favoráveis. Deve-se monitorar a área com relação a nematóides e. o sistema radicular já está bastante comprometido. É comum as folhas de plantas afetadas amarelecerem. portanto. secarem e depois caírem. de um carro de mão. A medida mais primária que atende a esse método de controle é a obtenção de sementes certificadas ou de mudas de viveiristas idôneos. cujas partículas são levadas pelos respingos durante as chuvas. além do maracujazeiro. caso isso ocorra.4 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle Controle Como não existe tratamento curativo para plantas infectadas. na escolha de área sem histórico do patógeno e com solos de boa drenagem. 3. pois. sujeitas a encharcamento. onde surgem manchas escuras. no próximo período. o algodoeiro (Gossypium hirsutum L.). como o maracujá-grande (Passiflora alata Dryand. a doença ainda se manifestar. por aqueles recémdesmatados e. evoluem para uma necrose (Fig. assim como chuvas freqüentes. Deve-se evitar a movimentação demasiada do solo e das plantas no interior da cultura. Os agentes dessa doença.. a área deve ser destinada a outras culturas não suscetíveis ao patógeno que. Outras culturas. que tenham efetivo controle de sua produção. até. podendo isso ser feito com o auxílio de carroça atrelada a trator ou. o tomateiro (Lycopersicon esculentum L. A doença é favorecida por solos muito úmidos. deve-se utilizar porta-enxerto resistente. previamente escolhida. evitando-se o maracujá-roxo em pé-franco. Muitas vezes é confundida com a fusariose ou com a podridão-do-colo. os citros (Citrus spp. independentemente. Quando a lesão circunda completamente o colo. devendo essa rotação reduzir o potencial de inóculo do patógeno no solo. Por suas próprias características. retirados da área e transferidos para uma outra área. Podridão-do-pé ou Podridão-do-colo Essa doença é esporádica. É importante se observar o colo da planta sintomática. conhecidas como zoósporos. arrancando-se a planta afetada e suas vizinhas até a 4ª ou 5ª planta. o controle deve ser sistemático. o que atrapa- Os agentes dessa doença se desenvolvem rapidamente em áreas baixas.) Mill. e no emprego de linhagens resistentes do maracujá-amarelo. 3). o abacaxizeiro (Ananas comosus L. essa doença não é controlada de forma curativa. parasitica Waterhouse.

Quando. Esse sintoma é o que diferencia essa doença da podridão-do-pé. tornando-as mais sujeitas à infecção pelo fungo. cerca de 50 g do produto comercial para 10 L de água. O fungo sobrevive melhor em solos ácidos. Deve-se. tecidos internos da casca ficam aderidos ao câmbio. Toda a família Passifloraceae é hospedeira desse fungo. Controle Recomenda-se evitar o plantio em solos úmidos e compactos. a planta identificada deve ser erradicada. os tecidos abaixo da casca se rompem em vários pontos em sentido longitudinal. ainda. Locais com drenagem deficiente causam danos às raízes. Com o progresso da podridão. espécie muito semelhante ao agente da murcha. no caso de ocorrer a doença. Também.). . principalmente se existem nematóides na área. na qual os Devem ser adotadas medidas preventivas para controle da podridão-de-fusário. E. Possivelmente. muitas ocorrências dessa doença tenham sido confundidas com a podridão-do-pé ou com a murcha-de-fusário. O patógeno é favorecido pelo sombreamento excessivo. os quais tornam difícil sua erradicação de áreas infestadas.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 5 patógeno à base do caule ou aos ramos inferiores. que ocorre sob nossas condições na sua forma imperfeita de Fusarium solani (Mart.) Sacc. oriundo da própria cultura. Detalhe do colo e raízes de uma planta de maracujá atacada por Fusarium solani. O agente responsável pela doença é o fungo Nectria haematococca Berk e Br. Na podridão-fusariana. 4). A experiência mostrou que. destrói os vasos. a lesão na casca escurece e. juntamente com as duas plantas vizinhas imediatas de cada direção e. em intervalos de dez dias. mergulhá-las até acima do colo em uma mistura dos fungicidas metalaxil e mancozeb. pobres de matéria orgânica e em solos de mata recémdesbravada. Plantas desnutridas são mais suscetíveis. apesar de excelente prática cultural.). e nestes as plantas estão mais sujeitas à doença. Em relação à temperatura. clamidósporos. as cucurbitáceas e a mandioca (Manihot esculenta Crantz). mais profundamente. amarelecimento e seca da folhagem. Controle Sintomas A infecção inicia na raiz principal e evolui para o colo. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. tais como o tratamento do substrato das mudas. o tomateiro (Lycopersicon esculentum L... o que causa os sintomas reflexos de murcha. enquanto isso. 4. forem detectadas plantas doentes. no monitoramento sistemático para pragas e doenças. oxysporum. por duas vezes. em áreas sem ventilação e em baixadas. o cancro avança lateralmente. possibilitando infecções que darão origem ao processo da doença. a calagem dos solos quando ácidos e a adubação orgânica para enriquecimento da microflora do solo em áreas sujeitas ao ataque do fungo. cingindo a raiz e o colo e. num raio de até 15 metros da planta doente. Em seguida. com um fungicida à base de thiabendazole (60 mL/100L de água). Após esse procedimento. é importante que se evite ferir as raízes e o colo das plantas durante as capinas. mas pode ocorrer o inverso. apesar de pouco citada na literatura. podendo se dispensar a adubação orgânica que.). traz o risco de introdução de novos patógenos na área de cultivo. ter cuidado para não ferir as plantas durante as capinas. se adapta bem no intervalo que pode ir de um mínimo de 5 oC a um máximo de 37 oC. a planta infectada deve ser erradicada e as duas plantas imediatamente próximas. É considerada por alguns especialistas como a mais importante doença da cultura no Estado do Ceará. recomenda-se pulverizar toda a cultura. Também. todas as plantas devem ser pinceladas com uma calda cúprica espessa. em seguida. deve-se descobrir as raízes mais superficiais de todas as plantas remanescentes e pincelá-las com uma calda cúprica (50 g do produto comercial para dez litros de água). e pela elevada umidade no colo. por meio das raízes. o aspargo (Asparagus officinalis L. A transmissão do patógeno planta a planta pode ocorrer no interior do solo. desde o colo até as raízes. na proporção de 25g do produto comercial para dez litros de água. o que tem ocultado a sua importância. também devem ser removidas da área. assim como o feijoeiro (Phaseolus vugaris L. O patógeno produz abundante estrutura de resistência. o tecido no local da casca se esfacela (Fig. por ocasião do plantio das mudas no campo. ferimentos nessa região e nas raízes durante as capinas manuais favorecem a entrada do patógeno. é um excelente tratamento preventivo. É possível que a simples calagem do solo resolva o problema. Podridão-fusariana Essa é uma doença muito comum na Região Nordeste. F. Phytophthora sp.

Essas manchas não afetam a polpa. o feijoeiro (Phaseolus vulgaris L. além do cacaueiro (Theobromae cacao L. podendo causar a queda da folha. Inicialmente.6 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle Mancha-parda Doença também conhecida como mancha-de-alternária. essa doença foi observada pela primeira vez no Estado do Piauí e. alternado com um sistêmico. O ramo.). pode até exterminar todo o pomar. Felizmente. quando circundado pela mancha.. Quando em ataque severo. ainda não encontrada naturalmente no maracujá. Sintomas Os sintomas ocorrem somente nos frutos maduros ou em processo de maturação. o que pode causar queimaduras superficiais. a mancha-parda pode se tornar severa em elevadas temperatura e umidade relativa do ar e. depreciando-os para o comércio. o inóculo do patógeno no pomar. no Piauí. (=Botryodiplodia theobromae Pat. como o caquizeiro (Diospyros kaky L. ex Spreng) Schum. Os sintomas devem ser monitorados nas folhas jovens.). deprimidas e de cor marrom. As lesões nos frutos. theobromae. o seu controle é simples e eficiente. contudo. abacateiro (Persea americana Mill. sendo a disseminação do patógeno viabilizada por água de chuva ou de irrigação e por ventos. descrita no Estado do Ceará. porém. corresponde a Botryosphaeria rhodina (Cooke) Arx. . gloeosporioides (Fig. Esse fitopatógeno é um dos fungos mais bem distribuídos na Região Nordeste e tem um elevado número de hospedeiros. Sintomas Os primeiros sintomas se apresentam como pequenas manchas necróticas e deprimidas. como o tebuconazole (25 g do ingrediente ativo para 100 L de água) em quatro aplicações espaçadas de dez dias. o girassol (Helianthus annuus L. de formato irregular e coloração pardo-avermelhada. recomenda-se o emprego de um fungicida protetor. assim.). que ocorrem quando esses já iniciaram o processo de maturação. formam anéis concêntricos característicos. principalmente entre as fruteiras tropicais. enquanto A. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. Simmonds e Alternaria alternata (Fr. coqueiro (Cocos nucifera L. alternata tem hospedeiros fora da família do maracujazeiro. Todos os hospedeiros de A.).) e pomáceas em geral.). cupuaçuzeiro (Theobroma gradiflorum (Willd. procurar um engenheiro agrônomo para orientações mais detalhadas.). reduzindo. Quando as folhas caem. Maracujá com mancha escura resultante da presença de picnídios de L.) Griff. contudo. fungos da família Dematiaceae. bem como pela poda sistemática de ramos e frutos secos.). o fumo (Nicotiana tabacum L. posteriormente. expõem os frutos aos raios solares. O agente causal é o fungo Lasiodiplodia theobromae (Pat. 5). caso não desapareçam após essas aplicações. podem ser muito severas.). É conhecido que a mancha-parda não é comum no Nordeste.:Fr. apenas duas espécies são encontradas: Alternaria passiflorae J. 5. cuja forma perfeita não ocorre em nosso país. Podridão-preta-do-fruto Denominada inicialmente de podridão-de-lasiodiplodia. encontra-se disseminada em muitas áreas produtoras. como o oxicloreto de cobre (200 gramas do produto comercial para cada 100 litros de água). no início. O ramo afetado exibe manchas semelhantes às da folha. bananeira (Musa spp. principalmente logo após o período chuvoso. inicialmente com formato elíptico e de tonalidade castanha. pode ter o órgão imediatamente acima morto. Controle A doença pode ser prevenida por meio da adoção de espaçamentos de cultivo mais largos. Uma única mancha pode tomar todo o limbo foliar. Apesar de esporádica. os quais correspondem a fases de desenvolvimento do patógeno. & Maubl. passiflorae estão na família Passifloraceae.H. A doença tem sido comum nos meses mais quentes do ano em ambos os estados. causando surpresa aqueles produtores que ainda não a conhecem. surgem pequenas manchas marrons-claras. inviabilizando a comercialização dos frutos.). onde se incluem as famílias Anacardiaceae e Anonaceae.). Em geral. são pequenas. Também. podem ser confundidas com a antracnose causada por C. cuja forma perfeita. assim sendo. Em todo o mundo. mamoeiro (Carica papaya L. essas lesões ocorrem mais nos bordos que no centro da folha. que depois escurece tornando-se preta. As condições de ambiente mais favoráveis ao patógeno são temperatura e umidade elevadas.) Keissl. o mamoeiro (Carica papaya L. no Ceará e da região de Teresina. mais de uma espécie de fungo é responsável pela doença. arredondadas que se unem e. no Brasil. essa doença foi observada com muita freqüência em plantios comerciais do Planalto da Ibiapaba.

podendo exsudar pus bacteriano e. Outras Doenças Fúngicas Doenças de menor expressão. o que os leva à seca. essas manchas necrosam. Rhizoctonia sp. isto porque estão submetidas a uma maior umidade por período maior de tempo que as folhas mais externas. Plantas afetadas devem ter todos os frutos da florada atual removidos e. tornando-se escuro. o patógeno pode penetrar a polpa fermentando-a e alcançar as sementes. o qual se torna escuro e murcha. as manchas crescem. na literatura especializada. A folha madura pode ter a lesão iniciada nas margens e. ao crescer. 1996). Em elevada umidade. e as sementes. no período das chuvas. podridão-de. depois. devem ser pulverizadas com uma mistura mancozeb + chlorothalonil. o tombamento ou mela. o albedo também é colonizado. causada por Phoma sp. efetuar pulverizações quinzenais com oxicloreto de cobre. preventivamente. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Fig. em estado avançado. desfolha e morte da parte correspondente ou a morte da própria planta. as manchas são grandes. neste momento pode também formar-se um halo clorótico ao redor da mancha. tais como a ‘seca-dashastes’ causada por L. Mancha-bacteriana Conhecida ainda por bacteriose-do-maracujá ou “morteprecoce”. já se disseminou entre alguns Estados das Regiões Sudeste e Nordeste. seguidos de seca. Surtos severos dessa doença podem comprometer seriamente a cultura. além de que o patógeno atinge facilmente a polpa. principalmente na face dorsal da folha. o patógeno induz pequenas lesões. passiflorae (Pereira) Dye. essa doença é relativamente recente no Brasil. podem ocorrer caneluras verticais. gram-negativa e móvel por um único flagelo polar. O patógeno responsável pela doença é Xanthomonas campestris pv. As folhas mais internas são as primeiras a apresentarem o sintoma. Folha de maracujá com lesões marginais induzidas por X. bactéria com forma de bastonete. Fig. como Phytophthora sp. em seguida. circulares e bem delimitadas Essas manchas são superficiais. causadas por Thielaviopsis basicola. Sintomas Nas folhas. nos locais onde existe histórico de sua ocorrência. daí podendo se disseminar internamente e atingir os vasos lenhosos dos ramos obstruindo-os. bastando para isso se adotar espaçamentos maiores entre fileiras e. c.raízes. O que diferencia essa doença da antracnose é que. Nos frutos. theobromae. inicialmente esverdeadas e oleosas. 6).. por Fusarium sambucinum e por Sclerotinia sclerotiorum. essas manchas tornam-se escuras. assumem uma tonalidade marrom-avermelhada e tornam-se deprimidas. Foto: Francisco Marto Pinto Viana tendo sido descrita a pouco mais de 30 anos em Araraquara-SP e. passiflorae. campestris pv. formar uma grande área castanhoavermelhada com halo clorótico sobre o limbo (Fig. a bactéria alcança os vasos da folha tornando-os enegrecidos. entretanto. geralmente próximas às nervuras. causando elevados prejuízos. Não consta. nesse tempo. Em surtos severos. em condições favoráveis. depois pardas. Controle Essa doença também pode ser controlada. 7. apodrecendo-as (Fig. doenças de viveiro. albedo escuro e sementes apodrecidas pela colonização de L. em geral. uma única vez. unemse e tendem a envolver todo o fruto.. fermentando-a. . de 1 a 2 mm. por vezes. que são relatadas de forma esporádica em algumas áreas. doença que pode ser induzida por mais de um patógeno. coalescem. O nome “morteprecoce” reflete a drástica redução da vida da planta afetada que passa de 3 a 4 anos para 12 a 18 meses (Ponte. cujo agente é Vermicularia sp. A podridão-preta ocorre no final da estação chuvosa.. a queima-das-folhas. 6. Temperaturas acima de 30 oC e umidade superior a 70% em plantios adensados são condições predisponentes a essa doença. como a podridão-do-caulículo. ou Fusarium sp.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 7 Posteriormente. 7). quando a umidade relativa do ar ainda é elevada e a temperatura está em ascensão. relatos sobre outro hospedeiro de X. theobromae. Maracujá com manchas pretas na casca. passiflorae. encharcadas e translúcidas.

porém. 8. como sulfato de cobre (30%) + oxitetraciclina (50%). Sintomas O vírus produz um mosaico nas folhas. até a completa ausência dos sintomas. as folhas finais do ramo exibem um clareamento das nervuras. na dosagem de 1. ocasionando a morte das folhas e gavinhas da extremidade desses ramos. Foto: Francisco Marto Pinto Viana Conhecida também como “Woodness”. podendo infectar. nos ramos afetados. podendo ocorrer deformação das folhas. acompanhado de áreas translúcidas. Chenopodiaceae.8 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle As condições favoráveis para X. o espaço interno do fruto torna-se menor do que nos frutos sadios. O controle pode ser realizado utilizando-se híbridos de maracujá Roxo com Amarelo. essa doença foi relatada pela primeira vez no Brasil ocorrendo em plantios comerciais de maracujá doce (P. Entretanto. Também. Pequenas lesões necróticas marrons. por causa da lignificação das paredes interna (Fig. é necessário tomar cuidado na diagnose visual porque nem todo fruto endurecido é indicativo da doença. juntamente com a erradicação de hospedeiros alternativos do PWV. passiflorae induzir doença são temperaturas superiores a 30 oC e umidade relativa do ar elevada. resultou em bom controle da doença em trabalho experimental. deformados e seu pericarpo é endurecido. A disseminação entre áreas pode se dar por meio das sementes e entre plantas pela água de irrigação ou das chuvas. O corte transversal neste pode revelar um pericarpo duro e espesso. se encontra disseminada na Região Nordeste. espécies das famílias Solanaceae. flavicarpa) em Feira de Santana. Endurecimento-dos-frutos A Fig. onduladas. Os frutos afetados são pequenos. no maracujazeiro. Algumas vezes o crescimento das extremidades dos ramos é reduzido. a erradicação de plantas invasoras. Recomenda-se o manejo da doença. frutos aparentemente normais com manchas amarelas podem estar infectados. Ramo jovem (A) e fruto do maracujazeiro (B) com B sintomas induzidos pelo PWV. por várias espécies de pulgão ou por enxertia. com os lóbulos tornando-se filiformes e com as margens irregulares ou serrilhadas (Fig. agente do endurecimento-dos-frutos. é a mais importante medida a ser adotada em áreas onde o vírus já ocorre. Controle Como o vírus pode ser transmitido por meio de uma única picada do inseto vetor. não é transmitido por sementes. alata) e de maracujá amarelo (P. o emprego de mudas sadias. Outras medidas auxiliares seriam: a inspeção sistemática do pomar para eliminação de plantas suspeitas e doentes. e enxertados sobre clones de Amarelo resistentes à murcha-de-fusarium. onde se pode observar. somente foi relatada naquela região depois de mais de uma década. além da Bahia. A certeza somente pode ser obtida com a análise laboratorial. além de áreas verdes escuras circundadas por áreas verdes claras. Quando a infecção é mais severa. tolerantes ao PWV. Normalmente. o manejo da cultura dentro de padrões recomendados pelas modernas técnicas de produção. Também. ainda.8 kg/ha a cada sete dias. Tudo indica que esse vírus . É comum aparecerem manchas amarelas associadas ao mosqueado em anéis. por meio de poda de limpeza seguida da aplicação de uma associação de bactericidas. técnica que já se mostrou viável. 8B). assim como a associação oxicloreto de cobre + maneb + zineb. Com isso. Trata-se da mais importante virose do maracujazeiro em qualquer parte do mundo onde ocorre. edulis f. 8A). o que confirma em 80% a doença. Sergipe e Alagoas. Amaranthaceae e Cucurbitaceae. tendo sido relatada nos Estados do Ceará. c. Controle A associação de um fungicida cúprico com um bactericida. Contudo. É possível que já tivesse ocorrido no Agreste pernambucano há 30 anos. bolhosidade e enrugamento. Atualmente. pode-se fazer a pré-imunização das plantas com estirpes fracas do vírus. podem surgir . o que reduz a quantidade de polpa.. as folhas tornam-se grossas. formulação comercial de oxitetraciclina + estreptomicina. É causada por um Potyvirus. principalmente de famílias botânicas hospedeiras do PWV. torcidas e curvadas para baixo. Estado da Bahia. não se recomenda o controle químico para essa doença. que tem como hospedeiro espécies de Passiflora e de leguminosas. O vírus pode ser transmitido mecanicamente. Há relatos de transmissão por meio do manuseio de material contaminado e por ferramentas de poda. ligeiramente deprimidas.

S. F.R. contudo. Recife: Sociedade Brasileira de Fruticultura. A doença está associada a partículas virais do tipo rhabdovirus e.3. Viçosa. V. n. J. Fitopatologia Brasileira. ainda. os quais permanecem pequenos. 2). Infecção natural do maracujá amarelo pelo vírus do mosaico do pepino no Estado de São Paulo. o controle não é importante. 1987. Tese (Doutorado em Fitopatologia) ..). Mosaico-do-pepino Essa virose foi relatada pela primeira vez em maracujazeiros na Austrália. Referências Bibliográficas BATISTA. além de serem mais resistentes ao quebramento. Apesar de ser transmitido por sementes por muitas espécies botânicas. 1996. Recife..Universidade Federal de Viçosa. Ocorrência de uma anomalia de possível causa virótica ou semelhante a vírus... A cultura de maracujá no Brasil. cultivadas e silvestres. MIZUKI. Controle Em virtude da natureza não persistente de transmissão do vírus.12. se encontra restrita ao maracujazeiro.. Doenças viróticas e similares do maracujazeiro no Brasil.3. uma vez instaladas no campo. Brasília. C.R. FERREIRA. CHAGAS. VAZ. COSTA. têm os internódios curtos.275-278. O manejo adequado da cultura deve manter a doença em níveis baixos ou mesmo inexistente em pomares bem conduzidos. CHAGAS. entre plantas ornamentais. Plantas doentes são enfezadas. já se realizou a transmissão desse vírus por meio da enxertia. esta foi a denominação que prevaleceu.L. Os frutos afetados são deformados e produzem poucas sementes. pertencente ao gênero Cucumovirus. o controle químico poderá ser efetivo. Anais. p.254-257. p. coriáceas e mostram uma leve clorose entre as nervuras. 1981.175-186. são de controle praticamente impossível. C. COLARICCIO. OLIVEIRA.T. Deve-se enfatizar.9. COLARICCIO. Brasília. v. Artificialmente. Secretaria de Infra-Estrutura Hídrica. GOMES. endurecidos e deformados. Também. Naturalmente.L..F. Esse vírus é transmitido com facilidade por diversas espécies vegetais. M. Ocorrência do vírus do clareamento das nervuras do maracujazeiro no Estado de São Paulo.T. 6.M. diante do vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro e a relação entre a nutrição mineral e a interação vírus-Passiflora edulis f.W. Ministério da Integração Nacional. v.H. C. F. Fitopatologia Brasileira.A. do Ceará. Brasília. porém não se verificou. CARTROCHO. a transmissão por meio de espécies de besouro e afídeos. CHAGAS. Posteriormente. provocando o enfezamento do maracujazeiro. 1984. A doença já foi observada nos Estados de Pernambuco. P.402. VEGA. Sintomas Essa doença não mata a planta. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. E. E. felizmente. de Sergipe. BRIOSO. Essa doença foi descrita pela primeira vez com o nome de enfezamento.S.. M. LIN. Na Região Nordeste. flavicarpa. p. FURTADO.. o controle de insetos vetores é difícil. já foi relatada associada ao maracujazeiro nos Estados do Ceará e da Bahia. O agente da doença é o “Cucumber Mosaic Virus” (CMV). Brasília. C. MG. os quais normalmente se unem formando manchas amarelas. 129f.. v. pode interferir no desenvolvimento dos frutos.K.. Também.. contudo causa uma drástica queda na produção. que viroses.F. 2002. M. Maracujá: Distrito Federal.. A.. p. Estirpe incomum do vírus do mosaico do pepino (CMV) isolado de maracujá amarelo (Passiflora edulis f. em razão da redução no desenvolvimento das plantas afetadas. BRASIL.12. Fitopatologia Brasileira. R.Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle 9 Clareamento-das-nervuras Sintomas Os sintomas nas folhas são semelhantes àqueles induzidos pelo PWV: nas folhas surgem anéis e semi-anéis de coloração amarelo-intensa. flavicarpa). O CMV é um vírus polífago que infecta cerca de 750 espécies botânicas de 40 famílias. Ramos infectados são de coloração verde-intensa ou arroxeados. 1991. Jaboticabal: FUNEP. a casca é espessa e de superfície saliente. Controle Caso cigarrinhas sejam confirmadas como vetores. R. . de. M. In: SÃO JOSÉ.M. A. p.1408-1413. confirmou-se que se tratava de uma doença causada por vírus. Como o principal sintoma da doença era o clareamento das nervuras.M. CEREDA. podendose reduzir sua incidência por meio de alguma medida de convivência pacífica. Comportamento de Passiflora spp. A. quando foi confundida com o endurecimento-dos-frutos. pode ser transmitido por instrumentos de poda. não há relatos desse tipo de transmissão para o maracujazeiro. n. n. as folhas também são pequenas.. KITAJIMA. J.C. 8p. (Frutiséries. CHAGAS. são pequenas. (Coord. E.M. KUDAMATSU. essa virose é transmitida de forma persistente por afídeos. 1981. RAMOS.M. Contudo. A. ou sejam... do Rio Grande do Norte e da Bahia. 1987. como a doença tem pouca expressão para o maracujazeiro..2.

Fitopatologia Brasileira.2.F. 1973.. J. p. R. 122). L..S. Doenças e pragas do maracujá. PONTE. Salvador: Empresa de Pesquisa Agropecuária da Bahia.10... v. E. v. N. CAMARGO. Não paginado... p. J. Arquivos do Instituto Biológico. SANTOS.).6. 5p. C. A. CHAGAS.R. Moléstias fúngicas do maracujazeiro.A..C.. matéria-prima.163-74.]: CMI/AAB. LIMA.T. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura.C. Bonito.. v. Problemas de viroses ou de etiologia micoplasmática na cultura do maracujazeiro no Brasil.M.L.A. TEIXEIRA.11. 1994. RESENDE.1.9. OLIVEIRA. (ITAL. matéria-prima. M. n.G. 1986. TAYLOR. p.R. 562p. E.S. dos. SANTOS FILHO.20.R.108-115. processamento e aspectos econômicos.C.. Summa Phytopathologica.96.A. GARCIA.W.(Em Foco. Two unrelated viruses which cause woodness of passion fruit (Passiflora edulis Sims. São Paulo. Brasília. n. R.A.R.M. PIO-RIBEIRO. LIMA. Maracujá: cultura. BRAZ.) Instruções práticas para o cultivo do maracujazeiro. Campinas. 9) MATTA.K. C.C. Belo Horizonte. n. 1982. Circular Técnica.M. Phytophthora: diseases worldwide.3-142. de A. [S. (Ed. FACELI.E. O. Woodness and dieback diseases of passionfruit. n. TAYLOR. Brisbane. (Ed.. Maracujá: cultura..A. de.A. A. In: INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS (Campinas. KIMBLE. Association of rhabdovirus with passionfruit vein clearing in Brazil.. ERWIN.A.. In: LIMA. D. 1996. p.21. 1969.533538. N.n. 1972. PIZA JÚNIOR. BLISKA. H. p. Fitopatologia Brasileira.4-35. SANTOS FILHO. de L.F. Australian Journal Agricultural Research. Adubação orgânica no controle da podridão-fusariana do maracujá (Passiflora edulis Sims). 16). MARIANO. R. H. ROCHA.376.34-38. 1998. 20). 871p. p. A. C.C. 17p.197-262.. Curitiba.393. Brisbane. LEITE.4.525-534. New South Wales: Department of Agriculture. 2p.) Maracujá: produção e mercado. 4. p. Transmissão do vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro (VEFM) por afídeos (Hemiptera-Aphididae). Fortaleza: Editora UFC. R. A.3.4. com Trichoderma koningii. 2000. Partículas baciliformes associadas a microrganismos do tipo micoplasma em maracujazeiro com superbrotamento. SANTOS FILHO. Brasília. PEREIRA.. J. KITAJIMA. PE: MAGUARY/ Setor de Extensão Rural. J. (Ed.P. CARVALHO. Melbourne. São Paulo: Agronômica Ceres. Doenças do maracujazeiro. 1996.Paul: APS Press. n. n. (Description of Plant Virus. .V.P.v. V.101-103. v. S. Uma doença bacteriana do maracujazeiro (Passiflora edulis Sims) causada por Xanthomonas passiflorae n. The woodness virus of passion vine. 1994.M. In: KIMATI.(Embrapa-CNPMF.206.36. CHAGAS. p.681-688. PONTE. MENEZES. LEÃO. RIBEIRO. p.) Manual de fitopatologia.M.. da.. BORGES. R. CRESTANI.J. Revista do Setor de Ciências Agrárias. n. Jaboticabal. E. dos. Cultura. 1999. processamento e aspectos econômicos. O.. Circular Técnica.. 44p. Queensland Journal Agricultural Animal Science. SOUZA. M. 1. GREBER. A.. Fitopatologia Brasileira. 1996. 1977. 277p.D. KITAJIMA. LIMA NETO. G. dos.L. Principais doenças fúngicas e bacterianas do maracujazeiro. p. KITAJIMA. Brasília.. AMORIM. MARTIN. Clínica de doenças de plantas. 1953.W. 1964. SP). da.409-432.24.H. 1984. St. 1994. A. C. FITZELL. cap. Vitória da Conquista: UESB-DFZ.G. E. p.10. CRESTANI. v. SP).S. 1996.4. Queensland Journal Agricultural Science. In: SÃO JOSÉ. Cruz das Almas: EmbrapaCNPMF. PARES.F. Frutas Tropicais.C. F.10 Principais Doenças do Maracujazeiro na Região Nordeste e seu Controle COSTA. Enfermidades de etiologia viral e associadas a organismos do tipo micoplasma em maracujazeiro no Brasil.G. Fitopatologia Brasileira. Verrugose do maracujazeiro. A.B. H. 1985. Passion fruit woodness virus..B. K. Campinas. R. M. R.l. T.A.560-570. V. p.2.. n.272-275. R.F. BERGAMIN FILHO. Controle biológico de Colletotrichum gloeosporioides. 1995.23. A. Doenças do maracujazeiro.L. Cap.. v.P. p. A. J. p. Cap. A.S.E. Fungos fitopatogênicos. da S. Fitopatologia Brasileira. Brasília. p.A.2. Doenças do maracujazeiro no Estado da Bahia. no Estado do Paraná.S.4. 2). v.F.I. 1985.W. Brasília. Recife: Imprensa Universitária da UFRPE. Aspectos econômicos da produção e mercado. GREBER. v. v. L.B. v. (EPABA. 1966.. 1984. C. McKNIGHT. p.Z. sp. Passionfruit woodness virus as a cause of passion vine tip blight disease. de T. DIAS.K.1. OLIVEIRA.15. M.M.J.. In: INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS (Campinas. SANCHES.D.50. dos. v.H. Informe Agropecuário. O. v. 1993. H.S. M. agente da antracnose do maracujazeiro (Passiflora edulis).

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br Comitê de Publicações Presidente: Oscarina Maria da Silva Andrade Secretário-Executivo: Marco Aurélio da Rocha Melo Membros: Francisco Marto Pinto Viana. Sara Mesquita. Expediente 1a edição on line: outubro de 2003 .Comunicado Técnico.embrapa. Francisco das Chagas Oliveira Freire. Heloisa Almeida Cunha Filgueiras. 2270. Pici Fone: (0xx85) 299-1800 Fax: (0xx85) 299-1803 / 299-1833 E-mail: negocios@cnpat. Edneide Maria Machado Maia. Supervisor editorial: Marco Aurélio da Rocha Melo Revisão de texto: Maria Emília de Possídio Marques Editoração eletrônica: Arilo Nobre de Oliveira Normalização bibliográfica: Rita de Cassia Costa Cid. RenataTieko Nassu. 86 Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Agroindústria Tropical Endereço: Rua Dra. Henriette Monteiro Cordeiro de Azeredo.

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