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MANEJO DE FLORESTAS NATIVAS: PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO E

MONITORAMENTO.

Versides Sebastião de Moraes e Silva


UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ENGENHARIA FLORESTAL

MANEJO DE FLORESTAS NATIVAS: PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO E


MONITORAMENTO

VERSIDES SEBASTIÃO DE MORAES E SILVA

CUIABÁ - MT
2006
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................ vi


LISTA DE QUADROS ......................................................................................................................... vii
LISTA DE TABELAS ......................................................................................................................... viii
1.0 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PLANEJAMENTO E MANEJO FLORESTAL. ..... 1
1.1 - Conceituação de Desenvolvimento Sustentável ............................................................ 1
1.2 - Planejamento Florestal................................................................................................... 5
1.2.1 - Noções Gerais de Planejamento.............................................................................. 5
1.2.2 - Espírito do Planejamento ........................................................................................ 6
1.2.3 - Natureza do Planejamento ...................................................................................... 7
1.2.4 - Definição de Planejamento ..................................................................................... 7
1.2.5 - O Planejamento da Produção Florestal ................................................................... 8
1.3 - Manejo Florestal ............................................................................................................ 9
1.3.1 - Conceito .................................................................................................................. 9
1.3.2 - Histórico e Desenvolvimento................................................................................ 15
1.3.3 - Importância do setor florestal para o Desenvolvimento Regional........................ 16
2.0 - LEGISLAÇÃO REFERENTE AO MANEJO FLORESTAL ...................................................... 18
3.0 - FUNDAMENTOS DO MANEJO FLORESTAL......................................................................... 20
3.1 - Sistemas de Manejo ..................................................................................................... 20
3.2 - Ciclo de Corte .............................................................................................................. 21
3.3 - Análise da Vegetação................................................................................................... 22
3.3.1 - Considerações Gerais............................................................................................ 22
3.3.2 - Inventário florestal ................................................................................................ 23
3.3.2.1 - Amostragem .................................................................................................. 24
3.3.2.1.1 - Intensidade de amostragem..................................................................... 28
3.3.2.2 - Tamanho e forma de amostra ....................................................................... 28
3.3.3 - Estrutura e Composição ........................................................................................ 30
3.3.3.1 - Composição Florística ................................................................................... 30
3.3.3.2 - Diversidade Florística ................................................................................... 31
3.3.3.2.1 - Diversidade ............................................................................................. 31
3.3.3.2.2 - Agregação das Espécies .......................................................................... 33
3.3.3.3 - Estrutura Horizontal....................................................................................... 35
3.3.3.3.1 - Abundância ............................................................................................. 35
3.3.3.3.2 - Dominância ............................................................................................. 35
3.3.3.3.3 - Freqüência............................................................................................... 36
3.3.3.3.4 - Índice de valor de importância (IVI) ...................................................... 37
3.3.3.4 - Estrutura Vertical ........................................................................................... 38
3.3.3.4.1 - Posição Sociológica ................................................................................ 38
3.3.3.4.2 - Regeneração Natural ............................................................................... 40
3.3.3.5 - Índice de Valor de Importância Ampliado (IVIA) ........................................ 47

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3.3.3.6 - Estrutura Diamétrica ...................................................................................... 48
3.3.3.6.1 - Distribuições do número de árvores ....................................................... 48
3.3.3.6.2 - Distribuições do volume ......................................................................... 49
3.3.3.6.3 - Distribuições da área basal...................................................................... 50
3.3.3.7 - Descrições das Funções de Distribuições ...................................................... 51
3.3.3.7.1 - Função Exponencial................................................................................ 51
3.3.3.7.2 - Função Hiperbólica................................................................................. 52
3.3.3.7.3 - Função Potencial..................................................................................... 52
3.3.3.7.4 - Função Polinomial .................................................................................. 53
4.0 - PROPOSTA TÉCNICA DE MANEJO FLORESTAL................................................................. 54
4.1 - Planejamento das Ações para o Manejo ...................................................................... 54
4.1.1 - Mapeamento e Delimitação da Propriedade ......................................................... 54
4.1.2 - Inventário Diagnóstico.......................................................................................... 55
4.1.2.1 - Coleta de dados para cubagem ..................................................................... 55
4.1.2.2 - Sistema de Amostragem ................................................................................ 56
4.1.2.2.1 - Locação das Amostras ............................................................................ 57
4.1.2.2.2 - Instrumentos e Métodos de Medição ...................................................... 58
4.1.2.2.3 - Informações Requeridas.......................................................................... 58
4.1.2.2.4 - Coleta de dados por Amostragem ........................................................... 59
4.1.2.3 - Processamento dos Dados............................................................................. 63
4.1.2.3.1 - Cubagem ................................................................................................. 63
4.1.2.3.2 - Parcelas Amostrais.................................................................................. 63
4.1.2.4 - Preparação de Relatório do Inventário ......................................................... 64
4.1.3 - Definição da Base de Produção na Área de Manejo Florestal.............................. 65
4.2 - Definição do Sistema de Manejo ................................................................................. 65
4.3 - Ciclo de Corte .............................................................................................................. 65
4.4 - Determinação das Unidades de Manejo Florestal (UMF) ........................................... 66
4.5 - Unidade de Produção Anual e de Trabalho ................................................................. 67
4.6 - Censo Florestal o Planejamento e Execução ............................................................... 68
4.6.1 - Censo Florestal - Planejamento ............................................................................ 68
4.6.2 - Censo Florestal: Preparação da área ..................................................................... 69
4.6.3 - Censo Florestal: Execução .................................................................................... 70
4.6.4 - Censo Florestal: Processamento ........................................................................... 71
4.7 - Planejamento e implantação da Infra-estrutura de manejo .......................................... 72
4.7.1 - Planejamento......................................................................................................... 72
4.7.2 - Implantação da Infra-estrutura para o Manejo...................................................... 72
4.7.2.1 - Estradas principal e secundaria..................................................................... 72
4.7.2.2 - Trilhas de Arraste.......................................................................................... 73
4.7.2.3 - Abertura de Esplanadas ................................................................................ 73
5. PREPARO DA FLORESTA PARA CORTE E EXTRAÇÃO ......................................................... 74
5.1 - Corte de Cipós.............................................................................................................. 74
5.2 - Corte das árvores.......................................................................................................... 74

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5.3 - Arraste.......................................................................................................................... 74
5.4 - Traçamento .................................................................................................................. 75
5.5 - Empilhamento na esplanada ........................................................................................ 75
5.6 - Carregamento ............................................................................................................... 75
6. CONTROLE E MONITORAMENTO DO MANEJO FLORESTAL .............................................. 76
6. 1 - Medições ..................................................................................................................... 76
6.1.1 - Pátio de estocagem (esplanadas):.......................................................................... 76
6.1.2 - Estrada secundária: ............................................................................................... 76
6.1.3 - Trilhas de arraste:.................................................................................................. 76
6.1.4 - Árvores Abatidas: ................................................................................................. 76
6.2 - Avaliação de Danos ..................................................................................................... 77
6.3 - Avaliação de Desperdícios........................................................................................... 78
6.3.1. - Quantificação de Danos e Desperdício ................................................................ 78
6.3.1.1 - Danos............................................................................................................. 78
6.3.1.1.2 - Área alterada ........................................................................................... 79
6.3.1.1.3 - Área do pátio de carregamento ............................................................... 79
6.3.1.1.4 - Pátio de descarregamento ....................................................................... 79
6.3.1.1.5 - Abertura de copa provocada pela queda ................................................. 79
6.3.1.1.6 - Danos nas remanescentes provocados pela queda árvores e arraste....... 79
6.3.1.2 - Desperdícios .................................................................................................. 79
6.3.1.2.1 - Volume da tora........................................................................................ 79
6.3.1.2.2 - Volume do desperdício na esplanada...................................................... 80
6.3.1.2.3 - Volume do desperdício pela altura do corte ( toco ) ............................... 80
6.3.1.2.4 - Volume do desperdício na ponta............................................................. 81
6.4 - Monitorar Regeneração Natural................................................................................... 81
6.4.1 - Avaliação do Crescimento, Incremento, Ingresso e Mortalidade da Floresta
Estabelecida...................................................................................................................... 82
6.5 - Plano de Prevenção, Controle e Combate a Incêndios Florestais ................................ 83
6.5.1 - Recomendações Técnicas De Prevenção E Contra A Incêndios Em Florestas
Tropicais........................................................................................................................... 85
6.5.1.1 - Medidas Preventivas: .................................................................................... 85
6.5.1.2 - Medidas de Segurança: .................................................................................. 85
6.5.1.3 - Normas de Segurança: ................................................................................... 85
7. LITERATURA CONSULTADA...................................................................................................... 86
ANEXO................................................................................................................................................. 90

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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Ilustra a divisão de área em função do ciclo de corte. 21

Figura 02 - Exemplo de amostragem sistemática de múltiplo estágio. 26

Figura 03 - Exemplo de Amostragem mista em conglomerados. 27

Figura 04 - Exemplo de Amostragem com repetição total. 27

Figura 05 - Exemplo de amostragem com repetição parcial. 28

Figura 06 – Disposição das Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Estação 29


Demonstrativa.

Figura 07 – Disposição da Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Fazenda São 30


Nicolau.

Figura 08 - Exemplo de distribuição de área basal 50

Figura 09 – Demonstrativo da distribuição das árvores cubadas 56

Figura 10 – Esquema de medição da árvore cubada 56

Figura 11 – Distribuição espacial das amostras na área de manejo florestal da estação 57


demonstrativa – UFMT/FENF.

Figura 12 - Exemplo de planilha para coleta de dados para elaboração do plano de 60


manejo florestal

Figura 13 - Plaqueta de identificação de árvores nas amostras. 62

Figura 14 – Esquema da posição de coleta dos dados para determinação da altura 62

Figura 15 – Detalhe da unidade de produção anual (UPA) em azul, e unidade de 68


trabalho (UT)

Figura 16 - Distribuição Espacial das Picadas de Orientação 69

vi
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LISTA DE QUADROS

Quadro 01 – Composição da equipe de campo para Avaliação da Regeneração 42

Quadro 02 - Exemplo de definição de base de produção em um plano de manejo


florestal 65

vii
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LISTA DE TABELAS

Tabela 01 - Comercio mundial de madeira e a participação do estado e Mato Grosso em 17


1996.

Tabela 02 - Comparação entre os Sistemas de Manejo Florestal. 20

Tabela 03 - Classe de tamanho, terminologia e símbolo das plantas. 43

Tabela 04 - Área de produção anual por unidade de manejo florestal no primeiro ciclo de 67
corte.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 1

1.0 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PLANEJAMENTO E MANEJO


FLORESTAL.

1.1 - Conceituação de Desenvolvimento Sustentável

A expressão desenvolvimento sustentável vem merecendo grande destaque nos dias atuais
nos diversos fóruns de discussão, sejam eles acadêmicos, políticos, científicos ou empresariais,
quando se discute o desenvolvimento das economias industriais modernas.
Essa expressão foi popularizada a partir do Relatório Nosso Futuro Comum, com a
finalidade de fazer um balanço do desenvolvimento econômico em nível mundial e das principais
conseqüências sócio-ambientais desse estilo de desenvolvimento, e propor estratégias de longo
prazo, visando um desenvolvimento sustentável.
O surgimento da noção de desenvolvimento sustentável, entretanto, não se deve única e
exclusivamente às preocupações da ONU com o futuro global ameaçado com os rumos do
desenvolvimento. Essa noção possui raízes históricas nos movimentos ambientalistas que buscavam
uma proposta alternativa de desenvolvimento ante os riscos da degradação do meio ambiente,
ganhando força à medida que se incorporavam à discussão as preocupações de cunho social.
Dada a relevância que assume esse tema no contexto de uma economia mundial cada vez
mais globalizada, cujo progresso econômico tem gerado graves distúrbios na biosfera a ponto de
ameaçar a base de sustentação da vida sobre o planeta, estas múltipla formas de interpretação vem
servindo aos mais diversos interesses político-ideológicos, gerando propostas bastante diversificadas
com vistas à implementação do desenvolvimento sustentável.
Essa multiplicidade de interpretações da concepção do desenvolvimento sustentável tem
sido responsável pela inclusão da temática relativa ao meio ambiente − e pela adoção de algumas
estratégias de ação, com resultados satisfatórios na mitigação de alguns efeitos danosos ao
ambiente. Por outro lado, o debate teórico sobre a noção de desenvolvimento sustentável tem
servido para desviar o eixo da discussão principal, no que diz respeito da não sustentabilidade do
modelo de desenvolvimento econômico mundial, principal responsável pelos graves problemas
sócio-ambientais presentes para a humanidade.
Os esforços empreendidos e os resultados até aqui obtidos com a multiplicidade de
interpretações sobre o desenvolvimento sustentável têm demonstrado que essa é ainda um
conceito em formação. O papel da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e

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Desenvolvimento, a Rio-92, que resultou em alguns pontos positivos, entre os quais a


“desnaturalização” e a “humanização” do desenvolvimento sustentável, pelo reconhecimento da
imperiosidade de se considerar e incluir os problemas sociais neste conceito.
Desde o pós-guerra, diversas correntes do pensamento econômico buscaram discutir os
problemas do subdesenvolvimento do Terceiro Mundo. Essas discussões têm sido dominadas
basicamente por dois paradigmas concorrentes. As teorias desenvolvimentistas, que
predominaram durante a longa fase de expansão da economia mundial, marcada pela
predominância do otimismo da modernização, que durou até 1973, e o pessimismo das teorias da
dependência, que prevaleceram na longa fase recessiva estabelecida em seguida.
O agravamento da questão ambiental - entendida como a contradição que se estabeleceu
entre os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem e a capacidade de sustentação desse
desenvolvimento pela natureza - contribuiu para engrossar as críticas à sociedade industrial e o
estilo de desenvolvimento que ela imprimiu, resultando na degradação ambiental e social.
Dois conceitos importantes estão contidos na noção de desenvolvimento sustentável: o de
desenvolvimento e o de sustentabilidade, ambos caracterizados pela multiplicidade e controvérsia
conceitual.
O conceito de desenvolvimento é bastante abrangente, permitindo uma gama muito
grande de interpretações e formulações teóricas, envolvendo, desde direitos individuais, de
cidadania, até esquemas de classificação dos Estados-Nações. Internamente, ao sistema mundial,
passa por atribuições de valor à mudança, tradição, justiça social, bem-estar, destino da
humanidade, acumulação de poder econômico, político e militar. Outras conotações vinculadas a
ideais de relações apropriadas entre os homens e entre estes e a natureza estão associadas ao
conceito de desenvolvimento.
O desenvolvimento apresenta uma conotação qualitativa, a qual implica em melhoria da
qualidade de vida das pessoas. Essa melhoria envolve múltiplos aspectos de ordem econômica,
social, política, ambiental e cultural.
Por outro lado, a noção de crescimento econômico, em geral confundido com
desenvolvimento, reflete principalmente o aumento da produção material de riqueza de um
determinado país. É bem verdade que o desenvolvimento de uma nação se dá, na maioria das vezes,
com crescimento econômico, entretanto, esse crescimento pode ocorrer ao mesmo tempo em que as
condições de vida, de cidadania ou mesmo a qualidade do ambiente estejam sendo deterioradas.

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Os critérios puramente quantitativos de medição do crescimento econômico são,


portanto, insuficientes para medir o desenvolvimento qualitativo proposto no desenvolvimento
sustentável. Nesse sentido, o crescimento econômico, como um aumento em quantidade, não
pode ser sustentável indefinidamente em um planeta finito. Já os desenvolvimentos econômicos,
que é uma melhora da qualidade de vida, sem causar necessariamente um aumento na quantidade
dos recursos consumidos, pode ser sustentável.
O desenvolvimento sustentável consiste na busca de um desenvolvimento alternativo, em
que as preocupações com a qualidade da vida e do ambiente estejam presentes como fatores
determinantes nas definições do estilo de desenvolvimento.
A definição adotada pela FAO alinha-se entre aquelas que vinculam desenvolvimento
sustentável e sociedade sustentável. Então o desenvolvimento sustentável “é o manejo e
conservação da base dos recursos naturais e a orientação da mudança tecnológica e institucional,
de tal maneira que assegure a contínua satisfação das necessidades humanas para as gerações
presentes e futuras”.
Sustentabilidade pode ainda ser definida é “a relação entre os sistemas econômicos,
humanos, dinâmicos e os sistemas ecológicos mais abrangentes, dinâmicos, mas normalmente
com mudanças mais vagarosas, na qual”:
a) a vida humana possa continuar indefinidamente,
b) as individualidades humanas possam florescer,
c) a cultura humana possa se desenvolver,
d) os efeitos das atividades humanas permaneçam dentro de limites a fim de que não
destruam a diversidade, complexidade e funções do sistema ecológico de suporte da
vida”.(Constanza, 1991).
Em geral, as definições de sustentabilidade incluem conceitos relacionados com as
dimensões ecológica, econômica e social espacial e cultural.
“Sustentabilidade ecológica no sentido de que o ecossistema em uso mantém através do
tempo as características fundamentais quanto a componentes e interações em forma
indefinida; sustentabilidade econômica no sentido de que o sistema em uso produz uma
rentabilidade razoável e estável ao longo do tempo para quem o administra, que torna
atrativo continuar seu manejo, e sustentabilidade social, no sentido de que ambos são
compatíveis com os valores culturais e éticos, outorgando continuidade ao sistema”
(IICA, 1992).

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A sustentabilidade social tem como meta a construção de uma civilização com maior
eqüidade na distribuição de renda e de bens.
A sustentabilidade econômica deve ser alcançada via alocação e gerenciamento mais
eficiente dos recursos e por meio de um fluxo constante de investimentos públicos e privados.
Deve ser avaliada em termos macro-sociais, e não apenas através do critério da rentabilidade
empresarial de caráter macroeconômico.
A sustentabilidade ecológica deve ser obtida por meio de uma série de medidas que
objetivem a ampliação da capacidade de carga do planeta, a limitação do uso de combustíveis
fósseis, a redução do volume de resíduos e de poluição, a limitação do consumo de materiais, a
intensificação das pesquisas para a obtenção de tecnologias mais eficientes e menos poluidoras e
a definição de normas para uma adequada proteção ambiental.
A sustentabilidade espacial deve ter por fim a obtenção de uma configuração rural-urbana
mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das
atividades econômicas.
Finalmente, a sustentabilidade cultural inclui a procura de raízes endógenas de processos de
modernização e de sistemas agrícolas integrados, processos que busquem mudanças dentro da
continuidade cultural e que traduzam o conceito normativo de ecodesenvolvimento em um conjunto
de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área.
Essas definições de sustentabilidade são bastante abrangentes e inscreve-se num campo
maior das relações homem-homem e homem-natureza no nível da sociedade, em uma dimensão
espacial e temporal que remete à necessidade de garantir a conservação tanto do substrato
biofísico de suporte à vida quanto do bem-estar humano no seu sentido amplo, incluindo as
preocupações com as gerações futuras.
O objetivo do ecodesenvolvimento é a busca de um modelo de desenvolvimento que
conjugue eficiência econômica, prudência ecológica e justiça social. Para tanto, uma teoria do
desenvolvimento que se pretenda fundamentada nesse novo paradigma deverá considerar a noção
de sustentabilidade a partir da incorporação, em seu campo de análise, de pelo menos três
dimensões que compõem o desenvolvimento: a econômica, a biofísica e a sócio-política .
A dimensão biofísica é entendida como o espaço físico onde desenvolve-se a vida e todos
os fenômenos do mundo material.

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A dimensão sócio-política representa o universo dos valores humanos. Muito embora


distinto, ele não é independente do mundo biofísico e do mundo econômico. Inscrevem-se nessa
dimensão todos os aspectos que compõem a relação homem-homem e homem-natureza.
A dimensão econômica é aquela que tem sido responsável, historicamente, pelo ritmo do
desenvolvimento baseado na racionalidade econômica capitalista do processo de produção
caracterizado pela lógica da valorização que imprime o dinamismo da economia industrial-
capitalista na qual o Estado exerce ou não um papel regulador.
O domínio exclusivo da lógica econômica tem gerado fortes desequilíbrios na sociedade
global, tanto no nível social quanto no nível ecológico.
A proposta de inserção do manejo florestal com instrumento do desenvolvimento
sustentável está apoiada na visão tridimensional do desenvolvimento econômico, incorporar a
lógica biofísica e a sócio-política na busca de um desenvolvimento regional que combine
eficiência econômica, prudência ecológica e justiça social, conforme as pressupostas do
ecodesenvolvimento.

1.2 - Planejamento Florestal

1.2.1 - Noções Gerais de Planejamento

“O planejamento é a mais relevante e cerebral atividade do


homem. A capacidade de planejar torna o homem único no
reino animal”, ( Jack Bologna ).

A atividade do planejamento sempre foi vista como fundamental à administração das


empresas. Os primeiros pensadores da administração já descreviam os processos administrativos
composto das seguintes etapas: planejamento, comando, coordenação e controle. Com esta
concepção do processo administrativo, a empresa era vista como uma máquina, em que o
Gerente-de-Topo verificava seu desempenho, comparava-o ao planejado e tomava medidas para
correção de rumos.
Desta maneira, o planejamento sempre foi considerado como uma atividade que permitia
o controle sobre a alocação de recursos financeiros, com vistas ao alcance dos objetivos da
empresa. Por esta razão, muitos administradores consideravam e, ainda, consideram o
planejamento como sendo uma atividade adjunta do controle orçamentário.

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A grande mudança nos conceitos de planejamento empresarial acabou ocorrendo quando


motivado pela necessidade de enfrentar os ambientes externos, cada vez mais turbulentos, as
empresas “importaram” os conceitos estratégicos, que eram utilizados pelos militares, para
aplicação na gestão de empresas. A partir dessa época, novas reflexões foram surgindo a respeito
do conceito de planejamento que, modernamente, é considerado uma atividade política e social
complexa, que não pode ser estruturada por regras ou procedimentos quantitativos.
A atividade de planejamento é visto com indiferença por um grande número de gerentes,
apesar da sua importância, motivada principalmente por três causas:

a - A primeira diz respeito ao imediatismo


Os gerentes acabam envolvidos pela atividade do dia-a-dia da empresa, e acabam perdendo o
controle do seu próprio tempo, deixando de enxergar os verdadeiros objetivos do seu trabalho. Com
isso, qualquer tempo dedicado ao planejamento é visto como perda de tempo.

b - A segunda razão refere-se ao desconhecimento


Para não planejar, os gerentes alegam desconhecimento das técnicas do planejamento,
pois as mesmas são muitos complexas. Na realidade, o que há é o desconhecimento, causado pelo
desinteresse.

c - Finalmente, a terceira causa diz respeito à incerteza quanto ao futuro


O planejamento é considerado, por grande parte dos gerentes, inútil, por ser o futuro
incerto. Na realidade, o raciocínio deveria ser o inverso, ou seja, quanto mais incerto é o futuro,
maior necessidade tem a empresa de planejar, a fim de poder administrar e reduzir as incertezas.
O planejamento deve ser considerado como uma forma de transformar as incertezas em riscos
calculados.

1.2.2 - Espírito do Planejamento

Para caracterizar o espírito da atividade do planejamento deve-se preocupar com dois


aspectos fundamentais:
- a antecipação dos acontecimentos ou, em outras palavras, a preocupação com o futuro;
- a preparação para a ação, representada pela análise e reflexão dos fatos esperados.

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1.2.3 - Natureza do Planejamento

A natureza do planejamento pode ser definida através de um conjunto de características.


A maioria delas, no entanto, são somente aplicáveis às concepções mais modernas, como o
planejamento estratégico. Deve-se observar que quaisquer umas das características aplicam-se a
qualquer tipo atividade de planejamento. Os principais aspectos que ajudam a melhor entender a
natureza do processo do planejamento são:
- a antecipação dos acontecimentos;
- o compromisso com o futuro da organização;
- a tomada de decisões de forma organizada;
- a preocupação constante com a eficácia;
- a atenção em relação às mudanças do meio ambiente externo;
- a correta utilização dos recursos internos;
- o cuidado à manutenção da cultura organizacional;
- a caracterização de um processo interno de mudanças;
- a identificação da necessidade de mudança de mentalidade;
- caracterização do processo de aprendizado institucional.

1.2.4 - Definição de Planejamento

Com base nas reflexões sobre a natureza do planejamento, é possível apresentar uma
definição ampla e geral, válida para qualquer tipo de planejamento:
“O Planejamento é um processo intuitivo ou estruturado que
visa especular sobre o futuro, de forma a possibilitar a
tomada de decisões antecipadamente” (Dorodame Leitão).

Para efeitos dos objetivos do manejo, contudo, faz-se necessário mais essa definição, a
fim de podermos caracterizar o processo de planejamento estratégico de uma empresa florestal
como atividade central da administração estratégica. Para tanto, é necessário introduzir na
definição alguns conceitos como:
- processo ordenado e racional;
- atividade contínua e racional;
- otimização dos processos de produção;

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- mudanças do meio ambiente externo;


- mitigação dos impactos na floresta.

Com isso, adotar a definição para o processo de Planejamento Estratégico Empresarial


Florestal:
“Planejamento Estratégico Empresarial Florestal é uma
atividade permanente e contínua, que é obtido por um
processo sistematizado de tomada de decisões, com vista ao
alcance dos objetivos que permitirão otimizar a produção
atual e futura da empresa, a despeito de mudanças aleatórias
ou organizadas no meio ambiente futuro” .

Da definição, podemos observar: Trata-se de uma atividade permanente e contínua, isto é,


de um processo e não de um ato. O planejamento é desenvolvido de modo ordenado e racional,
ou seja, é um processo de tomada de decisões que é estruturado no nível da empresa, e não de
decisões intuitivas, baseadas na “genialidade” de alguns gerentes. Neste sentido, o planejamento,
visa identificar e permitir o alcance de objetivos de longo prazo da empresa e, ainda,
preocupando com o futuro da organização. O planejamento prevê a investigação e se prepara para
as mudanças futuras no ambiente da empresa florestal.

1.2.5 - O Planejamento da Produção Florestal

O manejo florestal assegura o interesse do proprietário e da sociedade à floresta,


considerando os aspectos econômicos, ecológicos e ambientais. O manejo envolve desde a coleta
de dados e o fornecimento de informações para tomada de decisões, planejamento da produção
por unidade de trabalho, bem como o planejamento da produção para o conjunto das áreas
florestais e, ainda, permite o gerenciamento de todo o processo de produção florestal.
O planejamento da produção florestal é efetuado em duas etapas: na primeira fase planeja-
se todas as ações necessárias para a produção de uma unidade de trabalho (UT); depois
prossegue-se com o planejamento geral da produção em toda a área de manejo fazendo os ajustes
necessários que eventualmente ocorram no planejado para as unidades de trabalho.
Os aspectos que devem ser levados em consideração no planejamento da produção
florestal são os seguintes:

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- Regular o manejo da floresta produtora ajustando-se à capacidade de suporte do ecossistema, na


existência ou não do estoque remanescente, da regeneração e a demanda.
- Obter informações sobre a potencialidade das florestas mediante o planejamento e execução
de inventários prévios, tecnicamente concebidos com objetivos claros e bem definidos para o
fornecimento de informações sobre a composição, estrutura e estoque por espécie, por grupo
de espécies e para o total de espécies existente na área sob manejo.
- Planejar o monitoramento da evolução da floresta com o propósito de conhecer a taxa de
recuperação e outros processos relativos à sua dinâmica.
- Conceber programas de plantio de enriquecimento com objetivos e metas bem definidos que
garantam rentabilidade e não causem impactos negativos ao ambiente.
- Planejar a incorporação de novas espécies ao aproveitamento.
- Agrupar as espécies, no planejamento, segundo critérios tecnológicos, econômicos e
ambientais.

1.3 - Manejo Florestal

1.3.1 - Conceito

Manejo Florestal é classicamente definido pela sociedade Americana de Engenheiros


Florestais SAF (1958), como aplicação de métodos empresariais e princípios técnicos na
operação de uma propriedade florestal. A silvicultura, parte integrada do manejo, é a parte da
ciência florestal que trata do estabelecimento, condução e colheita de árvores.
No Decreto n° 1.282, de 19.10.94 que regulamentou a exploração das florestas da Bacia
Amazônica, o termo manejo florestal sustentável é definido como a administração da floresta
para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação
do ecossistema.
É necessário salientar que o manejo florestal, além de ser uma técnica, é também uma
estratégia política, administrativa, gerencial e comercial, que utiliza princípios e técnicas
florestais no processo de intervenção do ecossistema, visando a disponibilização de seus produtos
e benefícios para usos múltiplos, de forma a garantir os pressupostos do desenvolvimento
sustentável.

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O manejo florestal tem sido considerado por muitos pesquisadores, como um processo de
tomada de decisão. Neste contexto o profissional florestal necessita ter uma visão global de
planejamento, utilizando-se para tal, modelos matemáticos que possibilitem a previsão da
produção, assim como gerenciar informações através de planos de manejos em que a otimização
seja a tônica do processo. O manejador florestal deve balizar suas decisões em informações
biológicas, econômicas, sociais, ambientais e de mercado de modo a propiciar a sustentabilidade
desta prática e a perpetuação da atividade florestal no empreendimento.
O sucesso da atividade florestal, depende, em grande parte, da existência de um plano que
defina, com clareza, seus objetivos e os meios para alcançá-los. A falta de um planejamento
sistemático favorece a definição de objetivos com base em critérios subjetivos, incorreta
distribuição temporal das ações, com dificuldade de coordenação e aferição dos resultados. O
planejamento é particularmente relevante no manejo florestal, em razão de longos períodos
envolvidos, como também das dificuldades em se promover mudanças bruscas no processo de
gestão de uma floresta.
São consideradas florestas manejadas aquelas, com importância para a conservação de
biodiversidade, para as quais há prescrições de cortes, tratamentos silviculturais e proteção com o
objetivo de produção comercial e outros benefícios de forma sustentada.
As florestas naturais heterogêneas, particularmente as tropicais, acham-se em regiões
onde se localiza em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. As causas de depredação
destas florestas são os cortes seletivos da madeira, o crescimento populacional e a crescente
atividade da agropecuária extensiva. Na América Latina, o fator principal de depredação das
florestas tropicais é a atividade agropecuária influenciada por pressões de demandas geradas
pelas políticas governamentais.
As florestas tropicais são caracterizadas por imensa diversidade flora e fauna. No passado
e, atualmente, grandes partes desse potencial foram exploradas de maneira desordenada,
causando grandes impactos ambientais e danos irreversíveis ao ecossistema florestal. Estes
impactos no passado foram motivos dos movimentos conservacionistas, que reivindicavam uma
maior conservação das florestas tropicais.
Com a diminuição e a degradação das florestas tropicais de outras regiões, a Amazônia
passou a ser o centro das atenções. Considerando a sua expressiva cobertura vegetal, cada vez
mais se torna evidente a sua importância como proteção e abrigo às diferentes formas de vida.

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Neste processo, o manejo florestal contribui, de forma decisiva ao visar a sustentabilidade da


produção madeireira sem comprometer o funcionamento do ecossistema e conserva os seus
processos estruturais e funcionais.
Para que seja efetivamente concretizada a conservação da biodiversidade nos trópicos é,
necessário conhecer os processos de dinâmica da sucessão natural, crescimento e produção das áreas
florestais nativas. O manejo para produção sustentável destas florestas, quando praticado sob critérios
técnicos, econômicos e sociais, garante os níveis de satisfação e necessidade das gerações presentes e
futuras, bem como a sustentabilidade e renovabilidade do recurso.
A temática envolvendo as possibilidades de conciliar o desenvolvimento e o manejo
sustentável dos recursos naturais fortaleceu-se, a partir do lançamento e popularização do
conceito de desenvolvimento sustentável.
Os modelos predatórios de desenvolvimento, que visa prioritariamente os benefícios
econômicos imediatos, privilegiando o crescimento econômico em detrimento dos benefícios
ambientais e da melhoria da qualidade de vida das populações, passou a ser questionado, em prol
de um modelo alternativo. Impõe-se a necessidade de um modelo de desenvolvimento que
incorpore e integre em suas propostas e ações as dimensões sociais, econômicas e ecológicas.
Mas a proposta de desenvolvimento sustentável, longe de ser consensual, tem gerado
polêmicas e suscitado críticas diversas. A principal delas revela-se na própria contradição entre as
propostas que a concepção de desenvolvimento sustentável encerra e a realidade das relações que
se estabelecem, na prática, entre as nações ricas e pobres do planeta.
Existe, não obstante as contradições que o termo encerra, um certo consenso quanto à
importância dessa noção como referência para a análise, entendimento e apontamento de
caminhos em busca de estilos alternativos de desenvolvimento, a partir da integração das
dimensões social, econômica, política e ecológica.
A dissociação dessas quatro dimensões de análise tem caracterizado o instrumental teórico
disponível em todas as disciplinas, constituindo um problema paradigmático da ciência moderna,
cujos caminhos para a superação apontam a necessidade de uma interdisciplinaridade ampla entre
as ciências sociais e as ciências naturais.
Isso significa que qualquer processo ou modelo de desenvolvimento, por mais que esteja
associado a um setor específico, deve ser analisado e interpretado por uma ótica interdisciplinar,

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em que as preocupações de cunho econômico, por exemplo, não estejam desvinculadas das
questões políticas, sociais e ecológicas.
No campo da economia, as novas formulações teóricas propostas pela economia
ambiental neoclássica e, mais recentemente, pela economia ecológica procuram a resolução dos
problemas que resultam da relação entre desenvolvimento econômico, sociedade e natureza por
meio da incorporação integral da natureza e dos serviços ambientais ao sistema de mercado,
buscando uma eficiência global no seu uso.
No campo da ecologia, um novo paradigma aponta para a compreensão do meio ambiente
como sistema aberto, complexo e dinâmico. Nesse sentido, os problemas ambientais, longe de
serem localizados e delimitados, são, ao contrário, transfronteiriços, isto é, não podem ser
circunscritos a partir de limites estabelecidos politicamente.
No âmbito da ciência florestal, essas duas interpretações têm provocado polêmicas entre
aqueles que se alinham com maior ou menor intensidade a cada uma dessas concepções. Nesse
contexto, as discussões sobre as formas de uso e o futuro dos grandes ecossistemas globais,
ameaçados por esse modelo de desenvolvimento, têm colocado as florestas tropicais, em especial a
amazônica, no centro das atenções internacionais nos diversos fóruns de debates sobre essa temática.
O processo de destruição gradativa das florestas tropicais destaca-se como um tema prioritário
nas formulações de políticas com vistas à conservação das florestas, em nível tanto nacional quanto
internacional. Em relação ao setor madeireiro, por exemplo, o panorama internacional aponta para o
esgotamento, num futuro bem próximo, das fontes tradicionais de suprimento do mercado
internacional de madeiras tropicais, nos principais países produtores do sudeste asiático. As
perspectivas são de que os interesses desse mercado voltem-se para a Amazônia, com o conseqüente
aumento das pressões sobre os recursos florestais madeireiros da região.
Diante desse quadro, fica patente a necessidade de reestruturação das atividades
madeireiras na Amazônia, buscando corrigir e aprimorar o modelo atual de utilização dos
recursos florestais, de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor florestal,
em geral, e do madeireiro, mais especificamente.
A postura predominantemente economicista-produtivista em relação aos recursos
florestais tem sido apontada como a causa principal do padrão insustentável de exploração, que
tem colocado em risco a manutenção física não só desses recursos, mas também dos múltiplos
bens e serviços que eles fornecem.

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Se, para a sociedade em geral, a floresta é considerado um bem patrimonial capaz de


fornecer múltiplos bens e serviços, do ponto de vista da empresa florestal privada, ela é vista
como um estoque de recursos (ou capital) madeireiros. O predomínio da racionalidade econômica
define o padrão de uso desses recursos madeireiros.
O manejo florestal madeireiro há muito vem sendo considerado um dos instrumentos mais
viáveis de gestão (decisões e ações negociadas entre atores sociais envolvidos) dos recursos florestais
com vistas à produção sustentada de madeiras. Sob a influência dessa nova ótica de desenvolvimento,
o manejo florestal passa a incorporar, também, a idéia de desenvolvimento sustentável.
Para atender aos princípios do desenvolvimento sustentável, o manejo florestal precisa
contemplar, em seus objetivos, a busca da sustentabilidade em relação às dimensões social,
política, ecológica e econômica. Compatibilizar e articular essas quatro dimensões constitui o
principal desafio para o manejo florestal sustentável.
Historicamente, a concepção de manejo florestal passou de uma noção economicista, onde
a ênfase maior era dada à maximização da produção de madeireira, para uma noção de manejo
florestal sustentável, na qual a ênfase passou a ser dada ao ecossistema florestal como um todo e
aos múltiplos bens e serviços que ele é capaz de fornecer a toda a sociedade.
Essa mudança implica uma nova concepção, uma nova postura em relação à floresta e aos
múltiplos recursos florestais. Isso não significa que esses aspectos eram anteriormente
desconsiderados pela ciência florestal, ao contrário, as preocupações com a ecologia, o meio ambiente
e o uso múltiplo das florestas em relação aos benefícios sociais a serem gerados sempre estiveram
presentes, embora desarticuladas das preocupações principais da economia florestal.
O grande avanço foi a integração de campos de análise que anteriormente eram tratados
separadamente. Tal mudança é concernente a um novo paradigma da ciência florestal, que
pretende articular em seu arcabouço teórico-metodológico e técnico as quatro dimensões contidas
na proposta de desenvolvimento sustentável.
Sob essa nova ótica, a floresta é concebida como um ecossistema complexo, capaz de
fornecer uma multiplicidade de bens e serviços, para a sociedade em geral. Com a incorporação
da dimensão sócio-ambiental de análise passa-se a considerar aspectos da relação entre seres
humanos e destes com a natureza, o que permite reconhecer a existência de limites
ecossistêmicos para as atividades econômicas e sociais, e de um contexto histórico-social no qual
a atividade econômica está inserida.

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Essa nova concepção, apesar de se configurar como mais viável, no atual estágio de
conhecimento técnico-científico, não encontra expressão prática na Amazônia, onde ainda
prevalece um modelo de exploração seletiva, desorganizado e altamente predatório dos recursos
florestais e as preocupações de cunho social permanecem ainda no campo da retórica, nas
formulações de políticas públicas para o meio ambiente.
Não obstante a evolução da legislação e os avanços técnico-científicos em relação ao
manejo florestal, a exploração e o uso dos recursos florestais na Amazônia continuam baseados
em modelos predatórios e pouco eficientes, gerando efeitos negativos que comprometem a
sustentabilidade em longo prazo dessas atividades.
As causas relatadas são variadas referem-se, por exemplo, à estrutura, organização atual
do setor florestal, às inadequações da legislação e da política florestal, às deficiências
institucionais, aos riscos e incertezas em relação aos problemas fundiários e sócio-econômicos, à
falta de tecnologias apropriadas e à baixa rentabilidade do manejo florestal sustentável, que
envolve investimentos elevados em longo prazo.
Atualmente, existem boas informações sobre técnicas de manejo sustentável de florestas
naturais inequiâneas na Ásia, África e na América, as quais, sem dúvida poderão ser adaptados às
condições das florestas tropicais brasileiras.
As pesquisas que têm sido desenvolvidas para testar a viabilidade do manejo florestal
madeireiro têm privilegiado principalmente a verificação de aspectos técnico-científicos. As análises
econômicas ainda estão limitadas a experiências em projetos demonstrativos, carecendo de
informações sobre o comportamento econômico em escala empresarial e envolvendo mais de um
ciclo de corte. Enfim, não existem, na Amazônia, experiências de pesquisas que busquem agregar e
integrar a dimensão social, política, ecológica e econômica numa mesma proposta de análise.
É preciso ter claro que a identificação das vinculações entre o manejo florestal madeireiro
e o desenvolvimento sustentável não subentende, necessariamente, a aceitação tácita e irrestrita
do conjunto dos pressupostos dessa proposta de desenvolvimento. Tampouco se pode deduzir que
as bases de uma sociedade mais justa social e ambientalmente podem ser construídas sem que se
processem profundas modificações nas relações sociais e nas relações de poder entre indivíduos,
sociedades e nações nos níveis local, nacional e mundial.

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1.3.2 - Histórico e Desenvolvimento

Desde a origem das civilizações as florestas começaram a ser derrubada, pois as árvores
eram usadas como material de construções e combustível. Isto perdurou por mais de cinco mil
anos, desde a Idade do Bronze até meados do século XIX. Para a maioria das pessoas que
habitam o planeta as árvores ainda cumprem essas funções (PERLIN, 1992).
Quanto a origem, o manejo florestal não tem uma data precisa de nascimento. Entretanto,
há relatos muito antigos das primeiras tentativas de manejo ordenado das florestas, porém estas
tentativas não chegaram a formar uma base teórica sobre o assunto.
Dentre os mais antigos relatos há registros que em 1122 a.C., um imperador chinês contratou
um silviculturista cuja principal tarefa era o desbaste, a poda e a limpeza das florestas. Os romanos
conheciam o regime de alto fuste e começaram a planejar a utilização das florestas desde 23-79 d.C.
Na Europa Central, onde nasceu o ordenamento florestal, o sistema de talhadia é
conhecido desde o período de Carlos Magno (742-814 d.C.).
Práticas de rendimento sustentado foram desenvolvidas, na Alemanha no século 14,
mediante a divisão da área em parcelas iguais tamanho. O número de parcelas coincide com a
idade de rotação. Durante o século 18, também na Alemanha, começava incentivada pelo perigo
de escassez de madeira, a elaboração de uma teoria de ordenamento para regular o corte com base
no volume em vez da área; calculava-se já o volume normal de uma floresta.
Foram escritos vários manuais sobre ordenamento florestal e em 1.789 foi fundada a
primeira escola de floresta por G.L. HARTIG que formulou em 1804 a teoria básica do manejo
sustentado: “manejar as florestas de maneira que os descendentes possam obter dela pelo menos
os mesmos benefícios que a geração vivente”.
A administração florestal foi introduzida na França em 1346, 1376 e de 1820, com
objetivo de inventariar as florestas e fiscalizar os cortes. Em 1669 a lei incentivava uma época de
desenvolvimento do manejo florestal.
Os sistemas silviculturais utilizados em manejo nos paises com florestas tropicais, são
adaptações dos modelos clássicos desenvolvidos para as florestas temperadas. As principais
experiências silviculturais voltadas para o manejo florestal foram executadas na Índia e Birmânia,
em meados do século XIX.
A história do manejo florestal para os paises com florestas tropicais tornou-se conhecida
com o surgimento dos reinos coloniais europeus. Dietrich Brandis escreveu, em 1860, o primeiro

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plano de ordenamento para Tectona grandis L.F. da Birmânia, desenvolvendo o método


“taungya” e na Índia foi funda o serviço florestal indiano.
O serviço florestal da Malásia foi criado em 1883, e teve como principais atividades o
controle do extrativismo madeireiro, a manutenção de reservas florestais, legislação e administração.
Neste serviço as atividades de manejo florestal praticamente não foram executadas.
Nos paises africanos as primeiras experiências silviculturais são registradas desde o início do
século XX. As primeiras pesquisas implantadas em Togo e Camarões datam de 1908. Entre 1920 e
1930, na África Ocidental Britânica, foram instalados os primeiros experimentos florestais da região.
No continente americano, as primeiras experiências silviculturais foram implantadas em
Trinidad entre 1890 e 1900.
O conceito de manejo florestal em regime de rendimento sustentado foi introduzido, no
Brasil, a partir da realização dos inventários florestais, executados por peritos da FAO, em fins da
década de 50. O primeiro plano de manejo da Amazônia brasileira foi elaborado para a FLONA
de Tapajós, em 1978, para uma área de 130.000 ha. Atualmente diversos estudos e ensaios estão
sendo praticados por agentes públicos e privados. Desde 1980, o INPA vem desenvolvendo
estudo sobre a dinâmica das intervenções do processo pós-exploratório.

1.3.3 - Importância do setor florestal para o Desenvolvimento Regional

A exploração seletiva de madeira começa a desempenhar papel importante, tanto na


alteração da paisagem, como na manutenção das atuais taxas de desmatamento na Amazônia. Até
recentemente, fins dos anos 80 e início dos anos 90 a madeira era considerada como subproduto
de projetos de desenvolvimento na Amazônia, principalmente agropecuários.
O Estado de Mato Grosso, apesar de oferecer vantagens para a indústria de base florestal,
esta é pouco desenvolvida e ainda encontra-se alicerçada no extrativismo seletivo. O setor de
base florestal é um componente muito importante na economia do Estado em termos de geração
de renda, manutenção de empregos diretos e indiretos e geração de impostos.
Em função da exuberância das florestas existente no Estado o processo de aproveitamento
da madeira e outros produtos trouxeram associado um importante parque industrial de base
florestal com 35,65% do total das indústrias instaladas (MATO GROSSO, 2001). A atividade do

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setor florestal é responsável pela ocupação de 26% da mão de obra, o que equivale a 39 mil
postos de trabalho (PRODEFLORA, 2001).
O segmento de desdobramento e beneficiamento de madeiras é, hoje, numa das principais
atividades econômicas, cujo parque industrial é formado por aproximadamente 1.214 indústrias
composta por serrarias, laminadoras e compensados, constituindo-se no maior segmento industrial
instalado em Mato Grosso. O Brasil participou do mercado mundial de madeiras tropicais em 2000
com 2,1% e, deste total, Mato Grosso contribuiu com 1,5%.
A participação do setor florestal na arrecadação de ICMS foi em média no período de
1991 a 1999 de 8,65%, correspondendo a cifra de R$ 67.103.394,65.
Para aumentar a participação brasileira e também mato-grossense no mercado mundial de
madeiras tropicais não basta apenas aumentar indiscriminadamente a extração de madeira. Torna-
se necessário sensibilizar o proprietário rural sobre a importância do valor da floresta, que se bem
utilizada pode lhe conferir renda a curto prazo, para isto é necessário tomar medidas que reduzam
os riscos decorrentes da atividade. Nesse aspecto salienta-se a importância do manejo florestal no
sentido de minimizar os efeitos da intervenção na floresta, de perpetuar a atividade e de torná-la
mais produtiva.
O Brasil participa do comércio mundial de madeira tropical com pouco mais de 2%, deste
total Mato Grosso participa com 1,5% conforme é demonstrado na tabela 01, a seguir.

Tabela 01 - Comercio mundial de madeira e a participação do estado e Mato Grosso em 1996


PRODUTO TOTAL BRASIL % MATO GROSSO %
(US$ 1.000) (US$ 1.000) (US$ 1.000)
Tora 11,131.000 25,800 0,2 - -
Serrados 24,580.000 34,500 1,4 13,100 37,9
Compensado 8,676.000 248,000 2,9 16,278 6,5
Aglomerado 3,483.000 22,500 0,6 - -
Chapa dura 754,000 83,700 11,1 - -
MDF 1,000.000 - 0,0 - -
Outros 92,376.000 2,285.000 2,5 18,684 0,8
Total 142,000.000 3,010.000 2,1 48,062 1,5
Fonte: Mato Grosso, 2000

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2.0 - LEGISLAÇÃO REFERENTE AO MANEJO FLORESTAL

Para que a implantação de Projetos de Manejo Sustentado seja feita com sucesso é
necessário o comprimento da legislação específica norteadora da atividade florestal. O Governo
Federal, o Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente
estabelecem os instrumentos legais que disciplinam o desenvolvimento do manejo florestal, que
estão previstos em Leis, Decretos, Portarias e Instruções Normativas:
O artigo 225 da Constituição Federal (1988):
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à
sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gerações.”

Lei 4.771 de 15 de setembro de 1.965 – Código Florestal

Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto 2001 – Altera o Código Florestal.

Decreto n°1.282 de 19 de outubro de 1.994 – Regulamenta o artigo 15 da Lei n° 4.771.

Decreto n° 2.788 de 28 de setembro de 1.998 - Altera dispositivos do Decreto n°. 1.282,


de 19 de outubro de 1994, e dá outras providências.

Decreto n°1.963 de 25 de julho de 1.996 – Suspensão da Exploração da Exploração de


Mogno e Virola na Região Amazônica.

Decreto n° 3.559 de 14 de agosto de 2000 - Suspende a exploração da espécie mogno


(swetenia macrophylla king), na região Amazônica, pelo período de dois anos, e dá outras
providências.

Instrução Normativa n° 3 de 4 de março de 2002 – Sobre conversão para uso do Solo


(reedição da IN 003, de 10.05.01, publicada em 14.05.01).

Instrução Normativa n° 7, de 22 de agosto de 2003 – Sobre o Manejo Florestal


Sustentável do Mogno.

Portaria nº 19 de 11 de abril de 2003 – Institui a Declaração de acompanhamento e


Avaliação de Plano e Manejo Florestal Sustentável – DAAPMF, que deverá ser
apresentada pelos responsáveis técnicos dos Planos de Manejo Florestal Sustentável.

Com a assinatura do Termo de Cooperação Técnica para Gestão Florestal entre o estado de
Mato Grosso e o Ministério do Meio Ambiente, a legislação florestal está toda em aparato
legal pelo executivo estadual. Desta feita o Estado passou a ter uma legislação concorrente ao
da União, como assegura o Art.24, inciso VI da Constituição federal de 1988.

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Lei Complementar Estadual nº232, de 21 de dezembro de 2005 – Altera o código Estadual


do Meio ambiente.

Lei Complementar Estadual nº233, de 21 de dezembro de 2005 – Dispõe sobre a Política


Florestal do Estado de Mato Grosso.

Decreto 6958 de 29 de dezembro de 2005 - Regulamenta a Gestão Florestal do Estado de


Mato Grosso

Decreto 7773 de 30/06/06 – Disciplina Guia Florestal (GF).

Portaria 01 de 01/01/06 – Regulamenta o parágrafo 3º do art.13 do Decreto 6.958 de


29/12/05, institui o cadastro de consumidores de produtos florestais (CC-SEMA)

Portaria 02 de 01/01/06 – Aprova os roteiros mínimos para Plano de Manejo Florestal e


Plano Operacional Anual

Portaria 03 de 01/01/06 – Institui os Termos de Responsabilidade de Manutenção de


Floresta Manejada e o de Vinculação de Reposição Florestal

Portaria 30 de 30/03/06 – Disciplina o uso da Guia Florestal para o Transporte de


Produtos e Subprodutos de Origem Florestal

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3.0 - FUNDAMENTOS DO MANEJO FLORESTAL

3.1 - Sistemas de Manejo

O manejo das florestas depende de um planejamento eficiente, do rígido controle na


elaboração, execução e gerenciamento do plano de manejo, medidas fiscais e do financiamento
da atividade. De acordo com a forma de extração das árvores os sistemas de manejo aplicados em
florestas tropicais classificam-se, basicamente, em duas categorias: monocíclicos e policíclicos.
- Monocíclico – Neste sistema, a retirada da madeira comercial se dá de uma só vez, e a
próxima colheita é baseada nas mudas das espécies comerciais existentes no momento do primeiro
corte. Os ciclos de corte dependem do crescimento médio das espécies a regenerar, mas em geral, são
longos, de 70 a 100 anos. Um exemplo clássico de um sistema monocíclico é o Sistema Uniforme
Malaio. Este sistema permite que seja retirado apenas o crescimento da floresta acumulado no ciclo
de corte. A figura 01 ilustra melhor a divisão da área em função do ciclo de corte.
- Policíclico – Neste, uma parte ou todas as árvores comerciais que atingiram o tamanho
de corte são retiradas. As árvores de tamanho intermediário que permanecem na floresta passam a
constituir o estoque remanescente para o próximo corte. Devido a isso, os ciclos de corte são bem
menores que os do sistema monocíclico, variando de 20 a 40 anos. Exemplos típicos de manejo
policíclico é o Sistema Seletivo da Indonésia, o Sistema de Seleção de Gana e o Sistema CELOS
do Suriname. A comparação entre os dois sistemas, é mostrada na tabela 02.

Tabela 02 – Comparação entre os Sistemas de Manejo Florestal.


Referindo-se ao Policíclico Monocíclico
- Objetivo - Floresta de seleção - Floresta uniforme
- Semelhança ao processo - Considerável: somente - Menos considerável:
natural modificações florísticas modificações florísticas e
estruturais
- Custos de transformação - Menores - Maiores
- Colheita de madeira - Mais cedo, menor - Mais tarde, maior volume,
volume, porém mais porém apenas uma vez por
freqüente rotação
- Danos ao povoamento - Relativamente altos e - Baixos, somente na
residual freqüentes regeneração e apenas uma vez
por rotação
- Controle - Difícil - Menos difícil
Fonte: LAMPRECHT (1993)

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Figura 01 – Ilustra a divisão de área em função do ciclo de corte

3.2 - Ciclo de Corte

O ciclo de corte é o período entre duas reduções de densidade, ou seja, é o tempo


necessário para que o estoque em crescimento atinja o estoque florestal. Pode-se entender o ciclo
de corte como o período de tempo planejado no qual, todas as porções de uma área florestal
devem ser cortadas em uma seqüência ordenada.
A periodização do ciclo de corte permite um manejo com rendimento sustentado. Em um
ciclo de corte de 30 anos, por exemplo, deve-se dividir a área em 30 unidades de produção com a
mesma produtividade. A cada ano reduz-se a densidade na seqüência da primeira unidade até a
trigésima. A partir desta idade a primeira unidade terá atingido o nível de estoque total,
permitindo assim, reiniciar o ciclo de utilização. Neste período a floresta terá recuperado em
espécie, área basal e volume o que foi retirado na primeira extração, conforme mostra a figura 01.

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3.3 - Análise da Vegetação

3.3.1 - Considerações Gerais

O Manejo de Florestas tropicais heterogêneas constitui o maior desafio da Ciência


Florestal, devido a sua complexidade e a dificuldade de interpretação das múltiplas inter-relações
do ecossistema natural. Estas dificuldades redobram-se na proporção direta do aumento da
diversidade de espécies que compõem a comunidade vegetal. A vegetação é um fenômeno
natural complexo, que pode ser medido por diversos parâmetros e está relacionado com alguns
fatores do meio, tais como: climáticos, edáficos e bióticos, dando como resultado distintas
classificações dos tipos ecológicos.
A estrutura das florestas pode ser caracterizada, não só pelos métodos quantitativos, mas
sim através de fórmulas combinadas, símbolos ou perfis esquemáticos, como apresentado, a
seguir nos diferentes sistemas:
a) – O sistema Klükler, baseia-se em uma série de combinações de letras e números, para
designar os diversos tipos de vegetação.
b) – O sistema Dansereau, para descrever a fisionomia da estrutura da vegetação, utiliza
combinações de letras, números e mais uma série de símbolos para representá-los graficamente.
c) – A representação de estrutura da floresta através das organizações arquitetônicas
utilizando caracteres horizontais e verticais das espécies ou grupamentos vegetais.

Os dados exclusivamente numéricos e os métodos descritos não satisfazem, já que as


florestas geralmente são bastante complexas. É necessário, portanto, para melhor compreender a
estrutura, desenvolver perfil dos povoamentos, que devem ser adaptados às características
especiais da floresta. Como existe uma grande variação entre métodos já empregados para análise
estrutural, e como ainda não alcançou uma uniformidade perfeita dos mesmos no cenário
internacional, é necessário estabelecer alguns requisitos a ser seguidos, para que o sistema
empregado seja realmente satisfatório:

1. Que seja capaz de fornecer um quadro representativo da estrutura do tipo de floresta


estudada.
2. Deve ser aplicável, não importando o tipo de floresta estudada.
3. Os resultados devem ser objetivos, isto é, devem ser livres de qualquer influência
subjetiva , sendo portanto, desejável que se expresse por diagramas e números.

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4. As análises dos resultados procedentes do mesmo tipo florestal ou de tipo diferente,


sejam diretamente comparáveis.
5. Que seja aplicável o método de estatística, na compilação e avaliação dos dados de
campo, bem como na interpretação e comparação dos resultados.

Dentre as técnicas que cumprem com os principais requisitos anteriormente mencionados,


pode-se distinguir as seguintes:
1. As técnicas analíticas, nas quais se aplicam os procedimentos clássicos de investigação
cientifica; entre elas pode-se citar análise da estrutura florística (horizontal e vertical) e
da estrutura diamétrica das florestas.
2. As técnicas de síntese, para o estudo da estrutura vertical das florestas, nas quais se
procura obter uma imagem completa da floresta.

No manejo de florestas nativas tropicais, cumpre este papel a análise da vegetação em que
estão inseridos as estruturas florísticas. Para o manejo destas florestas é necessário obter além da
sua descrição fisionômica, que contém as listas de espécies e a apresentação de perfis e
diagramas, o conhecimento das medidas de abundância, dominância, freqüência, índice de valor
de importância, valor de cobertura e regeneração.
Os métodos de análise estrutural baseado nos cálculos de abundância, freqüência e
dominância, devido a sua boa aceitação e motivados pela facilidade operacional, estão sendo
crescentemente empregados nas pesquisas florestais e, também, como parâmetros de tomada de
decisão na elaboração e execução dos planos de manejo florestal.

3.3.2 - Inventário florestal

A Análise da Vegetação é realizada por meio do Inventário florestal que pode utilizar a
técnica de Amostragem ou Censo.
Os tipos de inventários são classificados de acordo com:

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Cunho tático
Objetivos
Cunho estratégico
Inventário florestal nacional
Abrangência Inventário florestal regional
Inventário florestal de ares restritas
Amostragem  Plano de manejo
Obtenção dos dados Enumeração total ou censo  Plano Operacional
Tabela de produção
Inventários de uma ocasião ou temporarios
Abordagem no tempo
Inventários de multiplas ocasiões ou contínuas
Inventários exploratórios
Detalhamento dos resultados Inventários de reconhecimento
Inventários detalhados

3.3.2.1 - Amostragem

Como as populações florestais são geralmente extensas, de difícil acesso e com freqüência
necessitam ser inventariadas em curto espaço de tempo, a realização de inventários florestais está
intimamente vinculada à teoria de amostragem.
É importante ressaltar que inventário amostral e censo florestal são atividades que visam obter
informações sobre a qualidade e a quantidade de recursos florestais existentes em uma determinada
área. A única diferença entre os métodos consiste em que o inventário amostral (amostragem)
observa uma porção da floresta (amostra) para obter estimativas representativas do todo. Já o censo
ou enumeração total é a abordagem feita em todos os indivíduos da população (100%).
Para um melhor entendimento, os principais conceitos utilizados no inventário são
descritos a seguir:

 População
Pode ser definida como um conjunto de seres de mesma natureza que ocupam um
determinado espaço no tempo.

 Amostra
Pode ser definida como uma parte da população, constituída de indivíduos que apresentam
características comuns que identificam a população a que pertencem.

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 Unidade Amostral
É o espaço físico sobre o qual são observadas e medidas as características quantitativas e
qualitativas da população. As unidades amostrais podem ser constituídas por parcelas de área
fixa, pontos amostrais ou árvores.

 Métodos de amostragem
Abordagem referente a uma unidade amostral. A seleção desta unidade amostral é feita
de acordo com um critério probabilístico previamente definido, o qual estabelece o método de
seleção. Existem vários métodos de amostragem, destacando-se entre eles os seguintes:

• Método da Área Fixa: método em que a seleção dos indivíduos é feita proporcionalmente
à área da unidade e à freqüência dos indivíduos que nela ocorrem.

• Método de Bitterlich: o método consiste em contar as árvores em um giro de 360°, cujos


diâmetros à altura do peito (dap) são iguais ou maiores que a abertura angular equivalente
a (2x sen θ/2). O vértice do angulo (θ) é o ponto central da unidade amostral.

• Método de Strand: este método focaliza o critério probabilístico de seleção dos indivíduos
na unidade amostral com proporcionalidade ao diâmetro, para o cálculo da área basal e o
número de árvores por hectare, e proporcional à altura das árvores, para se obter o volume
por hectare. Sua abordagem é feita em linhas dentro da floresta e em pontos de estação
como no caso de Bitterlich.

• Método de 6 Árvores (Prodan): método em que se considera a medição de seis árvores e a


distância ou raio da Sexta árvore como referência da unidade amostral.

 Processo de Amostragem
É a abordagem da população referente ao conjunto das unidades amostrais. De acordo
com as periodicidades podem ser:
• Uma ocasião: quando é efetuada uma única abordagem na população considerada.
• Múltiplas ocasiões: quando são realizadas várias abordagens da mesma população.

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Uma ocasião:
- Aleatório
Irrestrito – Inteiramente aleatório
Restrito – Estratificada
Dois Estágios
Múltiplos Estágios

- Sistemático
Único estágio
Múltiplo Estágio (Figura 02)

- Misto – Amostragem em conglomerados (Figura 03)


Múltiplos inícios aleatórios

W E

Hidrografia
Parc ela
Estradas
Propriedade

Figura 02 - Exemplo de amostragem sistemática de múltiplo estágio.

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Figura 03 - Exemplo de Amostragem mista em conglomerados

Múltiplas ocasiões:
- Amostragens independentes
Amostragem com repetição total (Figura 04)
- Amostragem dupla
Amostragem com repetição parcial (Figura 05)

Figura 04 - Exemplo de Amostragem com repetição total

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1a Ocasião 2a Ocasião

Amostragem com
T P P T1 Repetiç
Repetição parcial.

Figura 05 - Exemplo de amostragem com repetição parcial

3.3.2.1.1 - Intensidade de amostragem

A intensidade de amostragem é uma função da variável de interesse, do erro de amostragem


máximo admitido para as estimativas e da probabilidade de confiança fixada para as mesmas.
A intensidade deve ser definida pela equação:

n = t² . Cv² ,

onde: Cv – Coeficiente de variação;


t – Valor de t tabelado;
E – Erro maximo admissível.

E = LE * x
em que: LE – Limite de erro admissível;
x – média da variável de interesse na amostragem.

3.3.2.2 - Tamanho e forma de amostra

A definição do tipo de amostra e os limites de medições foram estudados por diversos


pesquisadores em várias regiões de florestas tropicais do mundo. As principais dimensões das
unidades de amostras podem ser resumidas em tamanhos de 2m x 2m até 20m x 500m.

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O número e tamanho da amostra para descrição estrutural variam de acordo com o


interesse do trabalho a ser realizado, entretanto, muitos autores recomendam parcela variando
desde 20m x 20m até 250m x 400 m (10ha) subdivididos em sub-parcelas.
No trabalho desenvolvido na Estação Demonstrativa em Manejo Florestal, pelos
pesquisadores da UFMT/FENF/PROMANEJO, as amostras foram definidas com dimensões de
10m x 250 m (2500 m2), subdivididos com sub-amostras de: 10m x 10m (100 m2), 5m x 5 m ( 25
m2 ) e 2m x 2 m ( 4 m2 ), como demonstrado na figura 06. Na pesquisa desenvolvida na Fazenda
São Nicolau pela UFMT/PEUGEOT/ONF-BRASIL, a forma da amostra é retangular com 20m x
125m (2500 m2), conforme figura 07.
A forma de amostra que tem sido amplamente usado na Amazônia é o retangular com
dimensões variadas entre 10m x 250m e 20m x 125m entre outras.

Figura 06 – Disposição das Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Estação Demonstrativa.

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125 m

20 m

25 m 25 m 25 m 25 m 25 m

A 1 = 10 m x 10 m B 1 = 10 m x 10 m
A2 = 5 m x 5 m B2 = 5mx 5m
A3 =2 m x 2 m B 3 =2 m x 2 m

Figura 07 – Disposição da Amostras Permanentes com Sub-Amostra na Fazenda São Nicolau.

3.3.3 - Estrutura e Composição

A análise estrutural da vegetação é utilizada para caracterizar os elementos, que


possibilitam verificar as condições atuais da floresta e determinar a composição entre diferentes
tipos florestais. O procedimento metodológico empregado para análise estrutural das florestas
tropicais está descrito na seqüência.

3.3.3.1 - Composição Florística

A composição florística pode ser medida pelo quociente de mistura, usado para fornecer a
intensidade de mistura das espécies. O quociente de mistura é um fator que mede a heterogeneidade
florística, pois indica, em média, o número de árvores de cada espécie que é encontrado no
povoamento. Dessa forma, tem-se um fator para medir a intensidade de mistura das espécies e os
possíveis problemas de manejo, dada as condições de variabilidade de espécies.
A caracterização da composição florística da vegetação através do quociente de mistura,
foi aplicada, pela primeira vez por JENTSCH, em 1911. O procedimento para determinação deste
índice é dividindo-se o número de espécies encontradas na amostra pelo total de indivíduos
arbóreos encontrados na referida amostra, pela equação:

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N °deEspécies
QM =
N °deIndividuos

O Quociente de Mistura (QM) indica quantas árvores de cada espécie são encontradas em
média em uma determinada área florestal, o que permite ter uma primeira, porém empírica, idéia
das condições de mistura. Indica quais dificuldades que deverão ser enfrentadas, por quem quiser
transformar agrupamentos florestais muito heterogêneos em áreas eficientementes manejadas.
Quanto mais próximo de 1 (um) o valor de QM, mais diversa é a população.

3.3.3.2 - Diversidade Florística

3.3.3.2.1 - Diversidade

A diversidade abrange dois diferentes conceitos: Riqueza e Uniformidade. Riqueza refere-


se ao número de espécies presentes na flora e/ou, na fauna, em uma determinada área.
Uniformidade refere-se ao grau de dominância de cada espécie, em uma área.
Segundo Whittaker, citado por Felfili (2003), a diversidade é relativa ao número de
espécies e suas abundâncias em uma comunidade ou habitat. Com a finalidade de fazer distinção
entre a diversidade encontrada dentro de uma comunidade e a diversidade de uma paisagem ou
região na qual observa-se mistura de habitats.
BROWER& ZAR (1984) referem-se a respeito do maior ou menor grau de diversidade de
espécies em uma comunidade. Deste modo, uma comunidade é dita uma alta diversidade se as
espécies presentes forem ou muito ou pouco abundantes. Por outro lado, se uma comunidade é
composta por poucas espécies, ou sementes, umas poucas espécies são abundantes, então a
Diversidade de espécie é Baixa. Uma alta diversidade de espécies indica uma comunidade
altamente complexa, isto é para uma grande variedade de espécies admite-se uma maior
variedade de interações. Este assunto, entretanto, tem sido motivo de grandes discussões entre
muitos autores, que conceituam a Diversidade de espécies como uma medida de estabilidade da
Comunidade, isto é ,a capacidade da estrutura da Comunidade não ser afetada pelos distúrbios de
seus componentes. Por outro lado, alguns ecologistas têm usado a Diversidade, como um índice
de maturidade de uma comunidade, sobre a premissa que as comunidades tornam-se mais

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complexas e mais estáveis quando elas amadurecem. Entretanto, este conceito provavelmente
seja aplicado somente em comunidades ecológicas.
Existem vários índices de quantificação da diversidade de um ecossistema, os quais
possibilitam inclusive comparação entre os diferentes tipos de vegetação.
O Índice de diversidade de Shannon-Weaver considera igual peso entre as espécies raras e
abundantes (MAGURRAN, 1989).

H′ =
[N * ln(N ) − ∑ S
i =1
]
ni ln (ni )
N

em que: N = número total de indivíduos amostrados;


ni = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie;
S = número de espécies amostradas;
ln = logaritmo de base neperiana (e).

Quanto maior for o valor de H', maior será a diversidade florística da população em
estudo. Este índice pode expressar riqueza e uniformidade.

O Índice de dominância de Simpson mede a probabilidade de 2 (dois) indivíduos,


selecionados ao acaso na amostra, pertencer à mesma espécie (BROWER & ZAR, 1984). Uma
comunidade de espécies com maior diversidade terá uma menor dominância. O valor estimado de
C varia de 0 (zero) a 1 (um), sendo que para valores próximos de um, a diversidade é considerada
maior.


S
i =1
ni (ni − 1)
l= C =1- l
N ( N − 1)

em que: l = é a medida de dominância


C = índice de dominância de Simpson;
ni = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie;
N = número total de indivíduos amostrados;
S = número de espécies amostradas.

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3.3.3.2.2 - Agregação das Espécies

A agregação refere-se à distribuição espacial de uma espécie. Devido à dificuldade da


analise de distribuição espacial ou de agrupamento das espécies tropicais, os métodos mais comuns
são os que se baseiam na suposição de que as plantas ocorrem em grupos e em determinada
distribuição de espécies. Diferentes índices são propostos para comparar diferentes padrões de
dispersão em populações (AZEVEDO et al, 1990).
Baseado no método de quadrado, o índice desenvolvido por McGUINESS, para medir o
grau de agregação de indivíduos leva em consideração as relações entre densidade observada com
densidade esperada (AZEVEDO et al, 1990).O Índice de MacGuinnes (IGA) é calculado pela
seguinte expressão:

Di ni ui
IGA = Di = di = ln(1 − f ) fi =
di uT uT

onde:
IGAi = “Índice de MacGuinnes” para a i-ésima espécie;
Di = densidade observada da i-ésima espécie;
di = densidade esperada da i-ésima espécie;
ni = número de indivíduos da i-ésima espécie;
uT = número total de unidades amostrais.
fi = freqüência absoluta da i-ésima espécie;
ln = logaritmo neperiano;
ui = número de unidades amostrais em que a i-ésima espécie ocorre;

A Classificação do padrão de distribuição dos indivíduos das espécies, obedece a seguinte


escala:
IGAi < 1: distribuição uniforme
IGAi = 1: distribuição aleatória
1 < IGAi <= 2: tendência ao agrupamento
IGAi > 2: distribuição agregada ou agrupada.

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FRACKER & BRISCHLE (1944), determinou o grau de agregação utilizando as


densidades observada e esperada através da seguinte fórmula:

 Di − di 
Ki =  
 di ² 

em que : Ki = “Índice de Fracker e Brischle” estimado para a i-ésima espécie;


Di = densidade observada da i-ésima espécie;
di = densidade esperada da i-ésima espécie.

A Classificação do padrão de distribuição espacial dos indivíduos das espécies, obedece a


seguinte escala:
Ki <= 0,15 : distribuição aleatória
0,15 < Ki <= 1,0 : tendência ao agrupamento
Ki > 1: distribuição agregada ou agrupada

PAYANDEH, (1970) obteve o grau de agregação da espécie por meio da relação entre a
variância do número de árvores por parcela, e a média do número de árvores, conforme fórmula
abaixo:
2
 J 
 ∑ nij 
J J 2  
 j =1 
Si 2
∑ nij
j =1

j =1
nij −
uT
Pi = Mi = Si 2 =
Mi uT uT − 1

em que:
Pi = “Índice de Payndeh” para i-ésima espécie;
Si² = variância do número de árvores da i-ésima espécie;
Mi = média do número de árvores da i-ésima espécie.
ni = número de indivíduos da i-ésima espécie;
uT = número total de unidades amostrais.

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A Classificação do padrão de distribuição espacial dos indivíduos das espécies, obedece a


seguinte escala:
Pi < 1 : distribuição aleatória ou não-agrupamento;
1 <= Pi <= 1,5 : tendência ao agrupamento;
Pi > 1,5 : distribuição agregada ou agrupada.

3.3.3.3 - Estrutura Horizontal

A estrutura horizontal de uma floresta natural pode ser definida a partir das
informações: abundancia, dominância e índice de valor de importância.

3.3.3.3.1 - Abundância

Abundância é o número de indivíduos de cada espécie dentro de uma associação vegetal,


e é sempre referido em uma unidade de área (ha). Mede a participação das diferentes espécies na
composição da floresta e pode ser definida em termos absolutos e relativos.
Abundância absoluta é o número total de indivíduos pertencentes a uma determinada espécie
relacionado com a área (ha). A abundância relativa é a percentagem do número de árvores que
corresponde a cada espécie por unidade de área (ha).

n n
AB ABS = ha
ha AB REL
=
N
⋅ 100

ha

onde: ABABS → Abundância absoluta;


ABREL → Abundância relativa;
n → Número de árvore de cada espécie por ha;
ha
N → Número total de árvores por ha.
ha

3.3.3.3.2 - Dominância

Dominância é a medida da projeção total das copas das plantas sobre o terreno. A
dominância de uma espécie é a soma de todas as projeções horizontais das copas dos indivíduos
pertencentes a esta espécie sobre o terreno.

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Em florestas muito densas, é muito difícil e praticamente impossível determinar os valores


da projeção horizontal das copas das árvores, devido à existência de vários dosséis dispostos um
sobre o outro, formando uma estrutura vertical e horizontal. Por esta razão, é adotada a área basal
das árvores em substituição à projeção das copas, já que existe uma forte correlação entre o
diâmetro do tronco e, conseqüentemente, a área basal e o diâmetro de copa, pela mesma razão, a
projeção horizontal da copa das árvores sobre o terreno.
A dominância absoluta, portanto, é calculada através da soma das áreas transversais (g)
dos indivíduos pertencentes a uma determinada espécie. A dominância relativa se calcula em
percentagem da soma total das Dominâncias absolutas (Gi/ha), e seu valor correspondente a
participação em percentagem de dada espécie na expansão horizontal da seguinte forma:
π 2
- Área transversal: gi = ⋅ (d )
4
n

∑ gi
i =1 Gi
- Dominância absoluta : Dabs = =
ha ha

gi
∑ ha Gi / ha
- Dominância relativa: D = g *100 = G / ha ∗ 100
rel
i =1

T
∑ t

ha
onde:
Gi → Área basal da espécie por hectare (ha);
GT→ Área basal de todas as espécies.

A dominância permite medir a potencialidade produtiva da floresta e constitui em um


parâmetro bastante útil para determinação da qualidade do sítio.

3.3.3.3.3 - Freqüência

A freqüência indica a dispersão média de cada espécie, medida pelo número de subdivisões
da área em que se apresenta. Para determiná-la deve-se dividir uma amostra em um número
conveniente de sub-amostras de igual tamanho, onde se controla a presença ou ausência das
espécies em cada sub-amostra. Desta forma, podemos dizer que a freqüência é a medida de
percentagem de ocorrência de uma espécie em um número de áreas de igual tamanho, dentro de

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uma área com floresta. Portanto é um conceito estatístico relacionado com a uniformidade da
distribuição das espécies e pode ser expressa em termos absolutos e relativos.
Freqüência absoluta (FRabs) é expressa em percentagem das sub-amostras em que ocorre a
espécie, e a freqüência relativa (FRrel) é calculada com base na soma total das freqüências
absolutas de uma amostra, conforme pode ser visto a seguir:

FR abs = % de sub-amostra que ocorre espécie


FR
FRrel = n abs ∗ 100
∑ FRabs i =1
onde:

FR abs – Freqüência absoluta;


FR rel – Freqüência relativa em porcentagem (%).

3.3.3.3.4 - Índice de valor de importância (IVI)

Os aspectos essenciais na composição florística são revelados pela área florestal, mas
sempre são somente enfoques parciais, que de forma isolada não fornecem as informações
requeridas sobre a estrutura da vegetação. Para a análise da vegetação é importante encontrar um
valor que permita dar uma visão mais abrangente da estrutura ou que caracterize a importância de
cada uma das espécies no conglomerado total da floresta.
Um método para integrar os três índices parciais, (Abundância, Dominância e
Freqüência), acima mencionados, consiste em combiná-los numa expressão única e simples de
forma a abranger o aspecto estrutural em sua totalidade, pelo cálculo do “Índice de Valor de
Importância”. Para obter este índice somam-se para cada espécie os valores relativos da
Abundância, Dominância e Freqüência.

IVI = AB rel
+ D rel
+ FR rel

onde:
IVI – Índice de Valor de Importância;
ABrel – Abundância relativa;
FR rel – Freqüência relativa em porcentagem (%);
D rel – Dominância relativa.

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3.3.3.4 - Estrutura Vertical

Na análise estrutural das florestas, deve estar incluída a Estrutura Vertical, considerando
para isso dois novos parâmetros: Posição Sociológica e a Regeneração Natural.
Somente parâmetros da estrutura horizontal, em muitos casos não permitem uma
caracterização verdadeira de ordem de importância ecológica das espécies. Dessa maneira as
espécies que compõem a floresta, ficam mais corretamente situadas na ordem ecológica que lhes
correspondem, por meio da associação das estruturas horizontal e vertical, o que permite assim,
uma planificação silvicultural sobre bases reais.

3.3.3.4.1 - Posição Sociológica

A expansão vertical das espécies informa sobre a composição florística dos distintos
extratos da floresta e do papel que exercem as diferentes espécies em cada um deles.
A posição sociológica é caracterizada pelos seguintes estratos:
a) – Superior: que abrange as árvores cujas copas formam o dossel mais alto da floresta;
b) – Médio: que corresponde as árvores cujas copas se encontram abaixo do dossel mais
alto, mas na metade superior do espaço ocupado pela vegetação;
c) – Inferior: inclui as árvores cujas copas se encontram na metade inferior do espaço
ocupado pela floresta;
d) – Sub–bosque: arbustos e pequenas árvores abaixo do estrato inferior

A presença das espécies nos diferentes estratos da floresta é de grande importância


fitossociológica, especialmente quando se trata de florestas muito irregulares e heterogêneas. Em
geral “uma determinada espécie tem seu lugar assegurado na estrutura e composição da floresta,
quando se encontram representadas em todo seu estrato e, ao contrário, aqueles que se encontram
somente no estrato superior médio, ou inferior é muito duvidosa sua sobrevivência no
desenvolvimento da floresta até o clímax”.
Excetuam-se a esta regra, aquelas espécies que por características próprias, nunca chegam
a passar do piso inferior, sendo pouco desenvolvidas e tolerantes a sombra e, provavelmente
sempre serão partes de sua composição.

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Com base nesta teoria pode-se afirmar que as espécies que apresentam posição
sociológica regular, isto é, maior número de indivíduos no piso inferior e diminuição até o piso
superior são as mais estáveis ecologicamente dentro da comunidade florestal. A determinação das
espécies que apresentam essa posição sociológica regular, segue o critério que no piso inferior há
um número de indivíduos maior ou pelo menos igual aos pisos subseqüentes (médio e superior).
Para calcular o valor absoluto da Posição Sociológica (PSabs) de uma espécie, somam-se os
valores fitossociológicos da mesma em cada estrato, e estes se obtém multiplicando o valor
correspondente do estrato pelo número de árvores da espécie no mesmo estrato, conforme
demonstrado na fórmula a seguir:

PS abs = VF (E i ) ∗ n(E i ) + VF (E m ) ∗ n(E m ) + VF (E s ) ∗ n(E s )

onde: PSabs – Posição Sociológica Absoluta;


VF – Valor Fitossociológico;
N – Número de árvores de cada espécie;
Ei – Estrato inferior;
Em – Estrato médio;
Es – Estrato superior.

A Posição Sociológica Relativa (PSrel) de cada espécie é expressa em percentagem do total


dos valores absolutos. Quanto mais regular for a distribuição dos indivíduos de uma espécie na
estrutura vertical de uma floresta, tanto maior será o seu valor na Posição Sociológica Relativa.
A Posição Sociológica Relativa (PSrel), será calculada em função da soma total da Posição
Sociológica absoluta, assim:
PS abs
PS rel = n
∗ 100
∑ PS
i =1
abs

onde: PSrel – Posição Sociológica Absoluta;


PSabs – Posição Sociológica Absoluta.

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3.3.3.4.2 - Regeneração Natural

Na regeneração natural a própria natureza estabelece o equilíbrio dinâmico, porque o


habitat é propício à germinação das sementes e ao desenvolvimento da mudas, favorecendo a
regeneração, principalmente das espécies adaptadas ao sítio.
A regeneração natural das espécies florestais no ecossistema constitui o apoio ecológico
de sua sobrevivência. Fitossociológicamente deveria entender-se que para uma “Associação
clímax”, a grande maioria das árvores que integram a cobertura geral da floresta, teria que estar
representada na regeneração para que desta maneira pudesse haver substituição normal dentro da
mesma identidade botânica. No entanto, pela grande amplitude ecológica do ambiente e pela
grande variabilidade florística disponível, deve-se a aceitar que mesmo em uma floresta clímax,
sempre ocorrerão representantes arbóreos sem regeneração, devido fundamentalmente ao
potencial de espécies “oportunistas”, que só esperam uma pequena clareira na cobertura, para
fazerem parte da estrutura.
Em áreas de florestas tropicais naturais, o conhecimento da regeneração natural é bastante
complexo devido ao grande número de espécies e aos múltiplos interesses de uso das plantas.
Para tanto o conhecimento dos padrões de regeneração natural destas florestas é essencial ao seu
aproveitamento de forma mais equilibrada. As informações da regeneração permitem indicar,
quando necessárias, o tratamento silvicultural mais adequado às condições de manejo que está
submetida à floresta.
Através da germinação da semente ou pelo processo vegetativo a floresta é reposta total
ou parcialmente. Esta reposição constitui a força vital que permite a perpetuação das espécies e
das florestas. Mas, para que este processo seja conseguido, os indivíduos da floresta precisam
alcançar idade adulta e atingir força vital, reproduzir-se e transformar-se, cedendo lugar aos mais
jovens. Uma floresta poderá ser renovada por meio de plantios e condução das mudas e da
regeneração natural ou mista.
A escolha do método de avaliação da condução da regeneração poderá ser determinada por
fatores ecológicos, econômicos e administrativos, que quase sempre, exigem o emprego de diferentes
técnicas e avanços tecnológicos que garantam simplicidade nas operações e benefícios ao meio.
O processo de avaliação da regeneração natural foi elaborado progressivamente por
silvicultores ingleses que atuavam na Malásia e África. O método desenvolvido para levantamento da

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regeneração natural baseia-se em Amostragem Linear (AL). Já em 1930, o sistema de Amostragem


Linear era bastante usado como meio de orientação às intervenções na floresta.

3.3.3.4.2.1 - Amostragem da Regeneração Natural

a) Tamanho e forma das amostras

O trabalho de Amostragem inicia com o mapeamento da área para estratificação e


posteriormente com a subdivisão da floresta. Em seguida é elaborado um mapa base onde será
projetada a posição para instalação das parcelas amostrais com as respectivas sub-parcelas.
No delineamento para análise da regeneração são adotados três tamanhos de amostras
quadráticas que compõem o sistema de amostragem com as seguintes dimensões:
A3 : Unidade amostral de 2m x 2m. = 4m2.
A2 : Unidade amostral de 5m x 5m = 25m2.
A1: Unidade amostral de 10m x 10m = 100m2
As sub-parcelas são posicionadas em cada parcela amostral de 2500m²,conforme
demonstrado nas figuras 06 e 07.

3.3.3.4.2.2 - Distribuição espacial das amostras

As amostras são distribuídas em toda a área, em faixas paralelas as picadas de orientação de


maneira descontínuas ou não, com a forma e tamanho definido. No caso da avaliação da regeneração
natural na Estação Demonstrativa em Manejo Florestal (UFMT/FENF/PROMANEJO), a amostra
tem forma retangular com largura de 10 metros e comprimento de 250metros, subdivididos em sub-
parcelas de 4 m², 25m² e 100m², foram distribuídos paralelas as picadas de orientação do censo.

3.3.3.4.2.3 - Procedimento de Campo


Definida a Amostragem, torna-se possível desenvolver as operações de campo, que se
iniciam com a formação da equipe. A equipe encarregada da execução dos trabalhos de campo
deve receber treinamento específico. Uma equipe para realizar coleta de dados de avaliação da
regeneração deve ser composta por um supervisor, neste caso, o Engenheiro Florestal; um
Identificador Botânico, pessoa treinada em identificar plantas jovens e mudas; um Anotador, um

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Técnico Florestal com a responsabilidade de conduzir o trabalho diário no campo; dois Auxiliares
braçais que ajudaram na coleta de material botânico, abertura de picadas e transporte de material
(Quadro 01).

Quadro 01 – Composição da equipe de campo para Avaliação da Regeneração


Equipe Quantidade
Engenheiro Florestal 1
Identificador Botânico 1
Anotador 1
Técnico florestal 1
Auxiliares de Campo 2

Na instalação das sub-parcelas a picada é feita de tal forma que não prejudique a
regeneração sendo que sua abertura é apenas para permitir o acesso orientado até o local exato de
instalação da parcela. O limite anterior e posterior da sub-parcela de 4m2 é demarcada
temporariamente com dimensões de 2m x 2m, no canto da parcela como mostra o detalhe na
figura 06, mostrado no item 3.3.2.2, que trata da amostragem.
A parcela de 25 m2 com dimensões de 5m x 5m ao longo da linha de amostragem,
conforme figura 06, mostrado no item 3.3.2.2, que trata da amostragem.
Quanto a parcela de 100 m2 ficam 10 metros ao longo da picada e 10 metros
perpendicular a amostra e, formando o quadrado de 10m x 10m, conforme figura 06, mostrado no
item 3.3.2.2, que trata da amostragem.
Para iniciar a tarefa de campo deve-se ter em mãos o seguinte:

- Uma lista relacionando as espécies de interesse do trabalho;


- As classes de tamanho das plantas a considerar;
- Classificação da posição sociológica das árvores;

3.3.3.4.2.4 - Procedimento de Análise da Regeneração

a) Lista de Espécies

A lista das espécies poderá ser formada para o total ou por grupos de interesse de acordo
com o objetivo da produção obedecendo aos seguintes critérios:

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1. Valor comercial das espécies;


2. O índice de crescimento;
3. Capacidade de regeneração natural;
4. Tendência de formar fustes retilíneos;
5. Resistência a ataques de pragas e doenças;
6. Formas e tamanho de copas;
7. Densidade da madeira;
8. Outros itens de interesse do trabalho;

Em função dos critérios e exigências da lista das espécies tem-se a seguinte classificação:

1. Espécies de madeira para serra (S) A


2. Espécies de madeira para lamina (L): B

A relação deverá ser formada por região, pois certas espécies ocorrem apenas em
determinadas localidades.

b) Classes de Tamanho

A tabela 03 a seguir relaciona as classes de tamanho, a terminologia e símbolo para cada


fase de desenvolvimento da planta.

Tabela 03 - Classe de tamanho, terminologia e símbolo das plantas.


CLASSE DE TAMANHO TERMINOLOGIA SÍMBOLO
0 < altura <30 cm Plântula P
30< altura <300 cm Muda M
300 cm< altura e DAP =5 cm Muda Estabelecida ME
5 cm< DAP <10 cm Varinha Va
10 cm< DAP < 15 cm Vareta VB
15 cm < DAP < 20 cm Árvore Ar
20 cm < DAP < 30 cm Árvore 1
30 cm < DAP < 40 cm Árvore 2
40 cm < DAP < 50 cm Árvore 3
FONTE: Adaptado de FLOR, 1984.

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Após separar os indivíduos nas classes de tamanho, obtêm-se o peso de cada classe de
tamanho. Para a obtenção do peso de cada classe divide-se o total de indivíduos de cada classe
pela soma geral de indivíduos da regeneração. A classe de tamanho absoluta e relativa da
regeneração natural para cada espécie é obtida pelo somatório dos produtos do número de
indivíduos da espécie em cada classe pelo peso dessa classe, ou seja:

a) Classe de Tamanho Absoluta

p
n 
CTRN ABS = ∑ nij  i 
i =1 N

b) Classe de Tamanho Relativa

CTRN ABS
CTRN REL = p
∗ 100
∑ CTRN
i =1
ABS

em que:
CTRNABS → Classe absoluta de tamanho da regeneração natural da i-ésima espécie;
CTRNREL → Classe relativa de tamanho da regeneração natural da i-ésima espécie;
nij → número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho;
N → número total de indivíduos da regeneração natural;
Ni → número total de indivíduos da i-ésima espécie da regeneração natural em
todas as classes de tamanho;
P → número de espécies.

c) Posição Sociológica das Árvores na Regeneração

Das espécies, deverão ser coletados e registrados dados sobre o estado competitivo da
regeneração, situado à proporção das árvores em estágio de dominância e em competição ou
ainda dominadas, ou suprimidas por outras espécies. De acordo com a condição em que as
plantas se apresentam na regeneração podem ser classificadas em:

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I – Árvores que recebem luz plenamente:


a) – De copa livre, ...................................................................................................................LP
b) – De copa assediada, por espécies relacionadas para amostragem,................................... LP1
c) – De copas significativamente assediadas no local por árvores de qualquer espécie,............. LP2

II – Árvores que não recebem luz diariamente:


a) – Sombra provocada por árvore de valor comercial, .........................................................SL1

a.1) – Sombra provocadas por árvores componentes das amostragens............................SL2

a.2) – Sombra provocadas por árvores de espécies não consideradas na amostragem,........... SL3

b) – Sombra provocada por árvores do dossel superior sem interesse comercial,..................SL4

d) Processamento e Análise

Para interpretar com detalhe o fluxo de regeneração enumerada na fase juvenil, são
consultadas, as folhas de registro já preenchidas e calculadas as percentagens por classe de
tamanho. Quando a vegetação atinge os estágios: Plântula (P) e Muda (M), ainda é considerada
juvenil, não está estabelecida e, a percentagem é avaliada por:

NP AM
FE = ⋅ ⋅ 100
NT AC

onde:
FE → Fator de estocagem;
NP → Número de parcelas encontradas;
NT → Total de parcelas distribuídas na área;
AM → Altura Média das mudas por parcela;
AC → Altura Convencional, ex: AC= 3,0m;

Após a fase juvenil atinge o estágio de muda estabelecida (ME) e pode ser calculado pela
expressão:
ME=10 (M) = 100P

em que: ME → Muda estabelecida; M → Mudas; P → Plântulas.

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A razão de estocagem (RE) de mudas estabelecidas por área pode ser calculada por:
NE
RE = ⋅100
NT

onde: RE → Razão de estocagem;


NE→ Número de parcelas com espécies no estágio ME amostrada;
NT → Total de parcelas distribuídas na área.

Para este estágio será determinado o Índice de Estocagem (IE) pelas expressões:

IE = NP * 100
NT

onde: IE → Índice de estocagem;


NP → Número de parcelas encontradas;
NT → Total de parcelas distribuídas na área.

Havendo grande quantidade de mudas, na fase juvenil (P e M), somada com a regeneração
já estabelecida (ME), o IE será determinado por:

P M
+ + ME
IE = 100 10 ⋅100
NT

em que: ME → Muda estabelecida


IE → Índice de estocagem;
NT → Total de parcelas distribuídas na área;
M → Mudas;
P → Plântulas.

e) Estrutura da Regeneração Natural

Os dados dos levantamentos de regeneração natural são classificados por categorias de


tamanhos estabelecidas de acordo com a relação contida na tabela 03.
A regeneração natural é calculada a partir de três parâmetros: Abundância, Freqüência e
Categorias de Tamanho Absolutos e Relativos das Espécies. Para determinar a abundancia e a

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freqüência na regeneração aplica-se os procedimentos utilizados para árvores estabelecidas. A


regeneração natural relativa para cada espécie, obtém-se pela média aritmética desses valores,
tais como:

AB (RN ) + FR (RN ) + CTRN REL


RN REL
= REL

3
REL

onde:
RNREL → Regeneração Natural Relativa (%);
ABREL → Abundância Relativa da Regeneração Natural;
FRREL → Freqüência Relativa da Regeneração Natural;
CTRNREL → Categoria de Tamanho Relativa da Regeneração Natural.

3.3.3.5 - Índice de Valor de Importância Ampliado (IVIA)

O índice de valor de importância das espécies é calculado pela soma da Abundância,


Dominância e Freqüência Relativa, não permite uma informação completa sobre a estrutura das
florestas, já que considera somente a análise da estrutura horizontal e esta não reflete o que
verdadeiramente caracteriza as florestas, a sua grande heterogeneidade e irregularidade entre os estratos.
Por isso, é calculado o Índice de Valor de Importância Ampliado (IVIA) que utiliza, tanto
da estrutura horizontal como da vertical da seguinte maneira:

IVIA = Estrutura Horizontal + Estrutura Vertical


IVIA = ABREL+DREL+FRREL+PSREL+RNREL

Com a adoção do IVIA a importância fitossociológica de cada espécie dentro da floresta é


melhor caracterizada. Um exemplo claro a respeito, pode ser citado no caso de uma espécie
apresentar uma alta classificação segundo o índice de valor de Importância (IVI), pelo fato de ter
uma grande dominância, mas se essa espécie não regenera naturalmente e só está representado no
estrato superior, fitossociológicamente não pode ser tão importante na dinâmica da floresta, para
o clímax provavelmente desaparecerá por eliminação natural.

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3.3.3.6 - Estrutura Diamétrica

A estrutura diamétrica que garante a sobrevivência de uma espécie florestal, bem como
seu aproveitamento racional segundo as normas de rendimento sustentado, é sem dúvida a
distribuição diamétrica regular. Entende-se por distribuição diamétrica regular a distribuição que
apresenta maior número de árvores nas classes inferiores de diâmetro. Esta é a maior garantia
para a sobrevivência das espécies e, ao contrário, quando ocorre uma estrutura diamétrica
irregular, as espécies tenderão desaparecer com o tempo. Isso significa que as categorias
inferiores devem incluir o maior e suficiente número de indivíduos que se requer para substituir
as árvores exploradas e os que sofrem redução natural ao passar, com o tempo, de uma classe de
diâmetro inferior para outra.
A representação em classes diamétricas nas florestas heterogêneas é de grande valor, não
só porque oferece suficiente informação sobre a existência de uma contínua regeneração, mas
também porque guarda uma estreita correlação em relação aos métodos silviculturais adotados
nos planos de manejo.

3.3.3.6.1 - Distribuições do número de árvores

A aplicação da distribuição do número de árvores em classes de diâmetro vem desde o


início do século XX na Europa, América, África e Ásia, e é classificada em três tipos principais:
Unimodal, Multimodal e Decrescentes.
A distribuição unimodal é característica dos povoamentos jovens equianos, podendo ser
encontrada em povoamentos naturais. Este tipo de distribuição pode ser ajustado por uma função
de densidade probabilística, como por exemplo, a função Beta.
As distribuições do número de árvores em classes de diâmetro decrescentes são
encontradas nas seguintes condições:
a) Florestas naturais que apresentam árvores de todas as idades.
b) Unidades florestais bem manejadas que contenham indivíduos de uma determinada
espécie em todas as idades.
c) Florestas plantadas quando consideradas em seu conjunto, em relação a um Estado,
Região ou País.

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A distribuição diamétrica decrescente pode apresentar três tipos, em função do


decréscimo do número de árvores em classes sucessivas de diâmetro, ou seja:
Tipo I: O número de árvores por unidade de área decresce nas classes sucessivas de
diâmetro em progressão geométrica uniforme.

N1 = qN2 = q2N3 = q3N4 = . . . = qn-1Nn

Tipo II: O número de árvores por unidade de área decresce nas classes sucessivas de
diâmetro em progressão geométrica crescente.

N1 > qN2 > q2N3>q3N4 > . . . > qn-1Nn

Tipo III: O número de árvores por unidade de área decresce nas classes sucessivas de
diâmetro em progressão geométrica decrescente.

N1 < qN2 < q2N3<q3N4 < . . . < qn-1Nn

onde:
N1 N2 N3 “ teoria de DE LIOCURT”
q = = = = ⋅⋅⋅
N 2 N 3 N 4

Ni → número de árvores por classe de diâmetro, em que i variando de 1 a n.

As distribuições multimodais apresentam pouca importância prática nas análises das


estruturas diamétricas das florestas tropicais, pois estas não ocorrem naturalmente, apenas são
encontradas em áreas florestais que sofreram aproveitamento de certas classes de diâmetros.

3.3.3.6.2 - Distribuições do volume

A estrutura volumétrica de uma floresta natural é a sua distribuição do volume nas classes
de diâmetro. A distribuição do volume pode ser definida através do cálculo do ponto de produção
máxima em diâmetro. Este ponto é definido quando o volume da árvore com o DAP médio é
máximo, ou seja, o ponto onde o volume por unidade de área começa a diminuir mais
rapidamente enquanto o DAP da árvore aumenta. É um ponto crítico da floresta.
São conhecidas duas formas de estruturas de distribuição do volume:

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a) Formato “J” que é caracterizado pela distribuição do volume por classe de diâmetro,
diminui consideravelmente quando a classe de diâmetro aumenta. Este tipo de distribuição
é próprio das florestas tropicais da Amazônia.
b) Formato de sino, aproxima-se da distribuição normal. Para este modelo, o volume será
aproximadamente o mesmo para os pontos de mínima e máxima classe de diâmetro.

A estrutura volumétrica de uma floresta tropical pode ser definida a partir da elaboração
de equações de volume para árvores individuais ou por grupos de espécies. A distribuição do
volume é utilizada para fornecer a estrutura volumétrica de uma floresta heterogênea em espécie
e idade, ou seja fornece o estoque em volume da floresta em cada classe de diâmetro.

3.3.3.6.3 - Distribuições da área basal

A estrutura diamétrica, para a área basal, é fortemente dependente do diâmetro e numero de


arvores. Esta estreita relação existe porque a área basal é função da área transversal e do numero de
arvores em classes de diâmetro, porém com uma variação para as classes menores em que o valor da
área basal diminui tendendo a zero. Na determinação da distribuição da área basal em classes de
diâmetro, vários trabalhos tem sido desenvolvidos no Brasil tais como: Paraná, 1981; Jesus et.al.,1992,
que apresentam o comportamento do estoque florestal em área basal nas classes de diâmetro.
As funções que ajustam o numero de arvores em classes de diâmetro tem sido eficientes
para explicar a distribuição da área basal como mostra a figura 08.

Figura 08 - Exemplo de distribuição de área basal

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3.3.3.7 - Descrições das Funções de Distribuições

3.3.3.7.1 - Função Exponencial

a) Função de Densidade Tipo I

Com base na teoria de DE LIOCURT desenvolvida em 1898 a função exponencial é


representada por:

= β0 ⋅ e β1 i
− ⋅X
Y i

onde:
Yi → número de árvores por unidade de área por classe de diâmetro i;
Xi → centros de classes de diâmetros;
β0, β1 → Constantes à serem estimados;
℮ → base logaritmo natural.

Esta função admite um quociente de decréscimo entre as freqüências proporcional e


constante, de modo que os fatores ingresso, crescimento e mortalidade atingem proporções
constantes nas freqüências em todas as classes de diâmetro, da distribuição, fornecendo uma linha
reta quando plotado em papel semi-logorítimo.

b) Função de Densidade Tipo II

A função de Densidade tipo II em que, a variável independente é o diâmetro ao quadrado,


é também utilizado para ajustar distribuição de diâmetros, conforme a equação:

= β0 ⋅e β1 X 1
− ⋅
Y i

Onde:
Yi → número de árvores por unidade de área por classe de diâmetro i;
Xi → centros de classes de diâmetros;
β0, β1 → Constantes à serem estimados;
℮ → base logaritmo natural.

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O quociente entre o número de árvores por classe de diâmetros estimados por esta função
não é constante, pois aumenta com o acréscimo dos diâmetros, resultando em uma distribuição
não linear sobre papel semi-logarítmo.

3.3.3.7.2 - Função Hiperbólica

A função hiperbólica foi utilizada inicialmente por MERVART, na Nigéria para ajustar
distribuições diamétricas de florestas altas. Este modelo é apresentado na forma:
 (xi − x0 ) 
Y i
=  β 0 + β1 xi
 e ( ⋅ ε i − 1
 +Y 0
)
Onde:
Yi → número de árvores por unidade de área por classe de diâmetro i;
Xi → centros de classes de diâmetros;
X0,Y0 → refere-se a classe inicial dos diâmetros;
β0, β1 → Constantes a serem estimados;
℮ → base logaritmo natural;
εi → erro aleatório.

Nessa função procura-se ajustar os pontos de dados de uma distribuição apoiando-se no


primeiro ponto de dados.

3.3.3.7.3 - Função Potencial

O modelo potencial também pode ser utilizado para descrever a estrutura diamétrica das
florestas naturais. Os modelos são escritos na forma:
− xi
Y i
= β 0 ∗ β1

Y
− βi
i
= β 0 ∗ x1

onde:
Yi → número de árvores por unidade de área por classe de diâmetro i;
Xi → centros de classes de diâmetros;
β0, β1 → Constantes à serem estimados;

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3.3.3.7.4 - Função Polinomial

Em florestas naturais a distribuição diamétrica apresenta uma tendência sigmoidal, porque


as razões de crescimento e mortalidade são uniformemente distribuídas para as freqüências das
classes de diâmetros. A função polinomial utilizada para ajustar as distribuições diamétricas é a
série potencial na forma:

2 3 n
ln Y = β +β
0 1
⋅ x i + β ⋅ xi + β ⋅ xi + ⋅ ⋅ ⋅ + β
2 3 p x i

onde:
Yi → número de árvores por unidade de área por classe de diâmetro i;
Xi → centros de classes de diâmetros;
β0, β1 β2 β3... βp → Constantes à serem estimados;

Outras funções de densidade de probabilidade podem ser usadas para ajuste das
distribuições do número de árvores, área basal e volume por classe de diâmetro. Dentre estas
funções podemos citar a função Beta e a função Weibull que foram utilizados por Barros (1980),
com dados da floresta nacional de Tapajós.

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4.0 - PROPOSTA TÉCNICA DE MANEJO FLORESTAL

4.1 - Planejamento das Ações para o Manejo

Com base nos levantamento e nas observações de experimentos e resultados das pesquisas e
trabalhos técnicos implantados em florestas tropicais, preparou-se esta proposta para elaboração de
um plano de manejo.
A proposta é que este plano possibilite obter produtos florestais madeireiros ou não,
mantendo a biodiversidade por meio do estoque remanescente da regeneração e dos indivíduos
estabelecidos e não selecionados para o corte e que apresentam características potenciais para
aproveitamento futuro ou simplesmente sirvam como estoque regulador da floresta.
Neste item serão discutidos as fases e os pontos importantes que devem ser considerados
na elaboração de um plano de manejo em uma determinada floresta.

4.1.1 - Mapeamento e Delimitação da Propriedade

A propriedade rural deve ser avaliada e, posteriormente, estratificada por zonas homogêneas
para caracterizar as regiões com reais potencialidades de usos. A quantidade de área disponível em
função da capacidade potencial será determinante para definir o sistema, a escala e intensidade de
manejo.
Em uma primeira abordagem com base apenas em informações obtidas das imagens e por
inferência bibliográfica, por exemplo, o relatório Radambrasil, pode-se ter uma aproximação das
condições de vegetação, solo, geomorfologia, hidrografia e topografia. Estas avaliações permitirão
identificar as unidas homogêneas na propriedade. A confirmação ou alteração destas unidades
ocorrerá pela etapa de coleta dos dados de campo onde serão anotados em planilhas próprias todas
as informações adicionais importantes para uma correta subdivisão da área da propriedade.
Nesta fase será efetuado o macro-zoneamento da propriedade onde serão caracterizadas as
grandes unidades homogêneas que serão destinadas à utilização econômica, as de preservação
permanentes e as áreas consideradas impróprias para uso comercial.
O macro-zoneamento da propriedade deverá ser apresentado em mapas com escala
compatível a área da propriedade. Para a confecção dos mapas deve ser usada a base cartográfica
do Serviço Geográfico do Exercito – DSG ou cartas do IBGE. As escala disponíveis são de 1:
50.000, em alguns pontos; 1: 100.000 ; 1: 250.000 e 1: 1.000.000.

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Outra material fundamental no mapeamento é a imagem orbital com resolução de 30


metros, no LANDSAT-5 e com resolução de 20 metros, no CBERS-2, ou outras com menor
resolução, por exemplo, a imagem Ikonos que tem como desvantagens o custo por Km².
O mapa produzido demonstrará a propriedade, em escala adequada, com os paralelos e
meridianos envolvidos, legenda e convenções, contendo: curvas de níveis, localização, acesso,
confrontantes, rios e estradas e tipos florestais. Na área de Reserva Legal (RL) objeto do plano
deve estar caracterizado as áreas de Preservação Permanente (APP), áreas reflorestadas (AR) e
áreas utilizadas com pastagem (AP) e a área da unidade de manejo florestal (UMF). Se ocorrer na
propriedade áreas de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), Áreas de Interesse
Ecológico (ARIE) e áreas de alto valor de conservação (AVC), estas devem ser apresentadas em
mapas. A unidade de manejo florestal (UMF) deverá ser locada para que se possa dar
prosseguimento às demais operações do manejo.

4.1.2 - Inventário Diagnóstico

4.1.2.1 - Coleta de dados para cubagem

No processo de determinação do volume de árvores individuais, é necessário obter a


equação ou o fator de forma por espécie o que permite estimar o volume individual para as arvores.
Os procedimentos clássicos de cubagem são amplamente difundidos na literatura, que nos
permite recomendar o método de Smalian como eficiente para o caso das florestas tropicais.
Para a coleta de dados as arvores devem ser selecionadas e distribuídas por classe de
DAP, sendo as classes definidas a partir do DAP mínimo de 10 cm e amplitude de classe de
10cm. O numero de arvores cubadas deve ser de tal forma que preencha a diagonal principal da
matriz formada pela menor e maior classe de diâmetro e altura (Figura 09).

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A L T U R A (m)
DAP(cm) TOTAL
4 6 8 10 12 14 16 18 20 22
10 - 20 … …
20.1 - 30 … …
30.1 - 40 … … …
40.1 - 50 … … …
50.1 - 60 … … …
60.1 - 70 … … …
70.1 - 80 …
80.1 - 90 …
90.1 - 100 …
… … …
TOTAL … … … … … … …
Figura 09 - Demonstrativo da distribuição das árvores cubadas

Cada árvore selecionada deve ser seccionada em tronco com dimensões pré-definidas, ou
seja, em distancias de 1m, 1,30m, 2m, 4m, 6m, ...., n (Figura 10).

Figura 10 – Esquema de medição da árvore cubada

4.1.2.2 - Sistema de Amostragem

O sistema de amostragem a ser utilizado depende de muitos fatores como o tamanho da área e
da acessibilidade. Dentre os diversos sistemas de amostragem, a estratificada, com alocação sistemática
das unidades de amostra em cada estrato é a mais recomendada para a Floresta Amazônica.
A forma das amostras recomendadas é a retangular, com dimensões de 10m x 250m ou
20m x125m perfazendo uma área de 2500 m² (1/4 de ha), sendo que essa dimensão tem sido é a
mais indicada para florestas tropicais. A figura 10 mostra a distribuição espacial das amostras na
área do projeto de manejo florestal.

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4.1.2.2.1 - Locação das Amostras

Na locação das amostras na área do projeto, utiliza-se um mapa de localização das


amostras (Figura 11), em escala compatível, contendo a indicação das amostras sobre a base
cartográfica, com a topografia do terreno, cursos d água e elevações com difícil acesso. A locação
das amostras deve ser realizada com auxílio do instrumento do sistema de posicionamento global
(GPS). Caso não disponha de um GPS, o serviço deve ser realizado com uso de bússola. As
amostras são indicadas por caminhamento contendo o azimute e a distância para sua localização.
A localização é feita a partir de um ponto de referencia conhecido no terreno.

Figura 11 – Distribuição espacial das amostras na área de manejo florestal da estação


demonstrativa – UFMT/FENF.

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4.1.2.2.2 - Instrumentos e Métodos de Medição

Os instrumentos utilizados para medição nas amostras são: bússola, trena, hipsômetro
laser ou clinômetro, fita métrica ou de diâmetro.
O uso do hipsometro laser é preferível para determinação das alturas pois possui maior
precisão em relação ao clinometro, porém sua aquisição é mais onerosa. O uso do clinômetro é
interessante, pois, este aparelho, permite obter medidas de ângulos verticais com distância variável
entre o observador e a árvore, porém requer maior cuidado no seu manuseio durante a leitura. A
altura deverá ser tomada, no ponto de bifurcação do fuste ou na base de formação da copa.
O método de medição da circunferência deve ser tomado, sempre que possível, a 1,3
metros de altura do solo (CAP). Em árvores com sapopemas a medida da circunferência deverá
ser tomada acima destas cerca de ±10 cm .

4.1.2.2.3 - Informações Requeridas

O inventário florestal prospectivo com base em amostragem deve fornecer informações da


área do projeto que permita fazer inferências sobre a potencialidade da floresta e, ao mesmo tempo,
planejar as futuras ações e tomar decisões em relação ao manejo desta floresta.
Do inventário requerem-se as seguintes informações:
a) Planta geral de localização do projeto de manejo na propriedade;
b) Base cartográfica da propriedade e da área do projeto;
c) Relação de espécies inventariadas;
d) Planta de especificação do posicionamento das amostras;
e) Mapas temático;
- Solos;
- Vegetação;
- Geomorfológico;
- Hidrografia;
- Infra-estrutura disponível na propriedade.
f) Informação paramétrica
- Volume por amostra, por hectare, por espécie, por grupo de espécie e para o total;

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- Área basal por amostra, por hectare, por espécie, por grupo de espécie e para o total;
- Composição florística;
- Estrutura horizontal: Abundância, Dominância, Freqüência e IVI;
- Estrutura vertical: Posição sociológica e Regeneração natural;
- Estrutura diamétrica: Distribuição do número de árvore, área basal e volume por
classe de diâmetro por espécie, grupos de espécie e para o total das espécies;
- Informações qualitativas da área florestal do projeto;
- Informações sobre produtos não madeireiros.

4.1.2.2.4 - Coleta de dados por Amostragem

Para o inventário florestal com objetivo de elaborar um plano de manejo faz-se necessário
à implantação de amostras para coleta dos dados paramétricos e qualitativos da área de interesse
do manejo. Muitas vezes estas amostras tornam-se permanentes.
Após a marcação da amostra mede-se todos os indivíduos arbóreos com CAP ≥ 60 cm, dos
quais: anota-se o nome comum na região e, se possível, o nome científico; mede-se a circunferência
à altura de 1,3 metros do solo (CAP), a altura do fuste, ou seja, a altura da base da copa.
As informações qualitativas da floresta são fornecidas por meio da anotação da forma do
fuste, condição do tronco, posição sociológica da copa, presença de cipós e epífitas. Outras
informações podem ser requeridas no inventário, neste caso, as planilhas de coleta dos dados
devem ser preparadas para as exigências do projeto. Na figura 12, está demonstrado um modelo
de planilha para coleta dos dados para elaboração do plano de manejo florestal.

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PLANILHA DE COLETA DE DADOS DE CAMPO


INVENTÁRIO FLORESTAL E IMPLANTAÇÃO DE AMOSTRAS PERMANENTES
PROJETO: Avaliação das Potencialidades Florestais e Destinação de Uso
Município:Cotriguaçu Faixa: Tamanho da Amostra: 2500m² Folha:
Local: Fazenda São Nicolau Parcela: Tipologia:Floresta ombrófila aberta
Data: Situação de Vegetação: Explorada
Hora início: Hora fim: Equipe: Resp.: Localização:
Reg X Y Nome Vulgar Cód. CAP/CAS alfa beta Dist FF QF ID CIP EPIF Observações:
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
LEGENDA:
FF(Forma do fuste): 1-Reto sem galhos, com copa bem definida; 2 - Reto, com galhos laterais, aproveitáveis comercialmente; 3 - Tortuoso, sem galhos laterais, parcialmente
aproveitáveis; 4 - Tortuoso, com galhos laterais, sem aproveitamento
QF(Qualidade do fuste): 1 - Saudável; 2 - Danos parciais, quebrada(ventos, raios,etc); 3 - Danos causados por insetos/fungos; 4 - Danos por animais; 5 - Árvore morta
ID(Intensidade de dano): 0 -nenhuma; 1 -baixa; 2 -média; 3 -alta
CIP (Cipós): 0 -ausência; 1 -presença
EPIF (Epifitas): 0 -ausência; 1 -bromélia; 2 -orquideas

Figura 12 - Exemplo de planilha para coleta de dados para elaboração do plano de manejo florestal.

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As legendas e instruções de preenchimento da planilha de coleta dos dados encontra-se


especificado na seqüência:

X → coordenada da árvore no eixo x (largura da amostra)


Y → coordenada da árvore no eixo y (comprimento da amostra)

Nome vulgar : nome definido pelo identificador de campo.

Cód.: código → a ser preenchido posteriormente, em escritório.

CAP/CAS : Circunferência altura de 1,30 m do solo (indivíduos arbóreos); Circunferência ao


nível do solo (regeneração natural)

Ângulo: alfa (α1) – Ângulo formado entre a linha de visada do operado, na horizontal, até o
tronco (a 1,30 m) da árvore e a linha que sai da visada até a base do tronco da mesma árvore.

Angulo: beta (β1) - Ângulo formado entre a linha de visada do operado, na horizontal, até o
tronco ( a 1,30 m) da árvore e a linha que sai da visada até o topo ( ponta) do tronco da
mesma árvore.

FF: Forma do fuste → códigos:


1 - Reto, sem galhos laterais, com copa bem definida;
2 - Reto, com galhos laterais, aproveitáveis comercialmente;
3 - Tortuoso, sem galhos laterais, parcialmente aproveitáveis;
4 - Tortuoso, com galhos laterais, sem aproveitamento;
5 - Inclinado reto com aproveitamento comercial;
6 - Inclinado tortuoso sem aproveitamento comercial.

QF: Qualidade do Fuste → códigos:


1 - Saudável;
2 - Danos parciais quebradas (ventos, raios, etc.);
3 - Danos causados por insetos/fungos (ocos);
4 - Danos por animais (quebradas);
5 - Árvore morta.

ID : Intensidade do dano → Códigos


0 - nenhuma;
1 - baixa;
2 - média;
3 - alta.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 62

Na realização das medições é necessário que as árvores medidas sejam identificadas com
plaquetas e numeradas na seqüência de “01” a “n”. As plaquetas devem ter dimensões de 5cm x 5 cm,
em alumínio, e deverá ser fixada, com prego galvanizado a uma altura de 10 cm acima do CAP ou
ponto de medição. A figura 13 mostra as dimensões, forma e padrão da plaqueta.

01 5,0 cm

5,0 cm
Figura 13 - Plaqueta de identificação de árvores nas amostras.

Se a determinação da altura for pelo uso do clinômetro esta é obtida indiretamente por meio de
cálculo. Por exemplo: tomando a altura como H; os ângulos verticais como alfa (α1)= 110 30 e beta
(β1)= 50 00´ e a distância (L) = 30 m do operador até a árvore, temos então:

H= L*(tg α1 + tg β1)= 30*( 0,2035+0,087), logo H= 8,75 m

A figura 14 ilustra melhor a posição do operador e, também, as medidas a serem tomadas.

Figura 14 – Esquema da posição de coleta dos dados para determinação da altura

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4.1.2.3 - Processamento dos Dados

4.1.2.3.1 - Cubagem

Os dados podem ser processados utilizando a planilha eletrônica Excel para obter as
informações paramétricas diâmetro a altura do peito (DAP), altura total (HT) e os volume com e
sem casca pelas fórmulas. O volume de cada tronco pode ser calculado pela fórmula descrita a
seguir:
VT = v1 + v2 + v3 + ...+ vn + vp
onde:
VT = Volume do tronco;
v1 , v2 , v3 , vn = volume das respectivas seções;
Vp = volume da ponta.

 g + g2   g + g3   g + g4   g n −1 + g n  g l 
V1 =  1 l1 V2 =  2 l 2 V3 =  3 l3 Vn =  l n Vp =  n p 
 2   2   2  2   3 
   

em que:
V = volume da seção considerada;
g = área seccionada do extremo da seção;
l = comprimento da seção;
Vp = volume da ponta.

πd12 c1 2
πd 2 2 c2 2
πd 3 2 c3 2
πd n 2 cn 2
g1 = = g2 = = g3 = = gn = =
4 4π 4 4π 4 4π 4 4π
g = área seccionada do extremo da seção;
d = diâmetro tomado no extremo da seção;
c = circunferência tomado no extremo da seção.

4.1.2.3.2 - Parcelas Amostrais

O processamento dos dados de inventário é realizado após a análise, consistência e


codificação dos dados de todas as árvores. O processamento pode ser realizado por algum

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programa específico de inventário ou utiliza-se de uma planilha eletrônica existente no mercado


como por exemplo o Excel. A desvantagem do uso de planilhas eletrônicas é o tempo requerido
para o processamento, mas trás como vantagem para o elaborador do projeto o controle dos dados
o que permite verificar possíveis erros e fazer as correções.
Os resultados do processamento devem ser apresentados por meio de tabelas e gráficos
contendo as informações paramétricas quantitativas e qualitativas da área florestal por amostra,
por estrato e para toda a área. Estes resultados devem ser sumarizados por espécie, por grupo de
espécie e para o total.

4.1.2.4 - Preparação de Relatório do Inventário

Os relatórios devem ser objetivos e concisos para facilitar a tomada de decisão a respeito
dos resultados obtidos no inventário. O importante é que a peça escrita do relatório reflita a
realidade florestal do local.
Nos relatórios devem conter informações por espécie, grupo de espécies e para o total de
espécies inventariada:
a – Parâmetros médios ( Diâmetro, Altura, Área basal e Volume);
b – Estrutura, Composição Florística;
c – Estrutura Horizontal: Abundância, Dominância, Freqüência e IVI.;
d – Estrutura Vertical: Posição sociológica, Regeneração natural e IVIA;
e – Estrutura Diamétrica:
e1) Número de árvores por espécie e por classe de diâmetro;
e2) Área basal por espécie e por classe de diâmetro;
e3) Volume por espécie e por classe de diâmetro.
f – Listas das espécies para produtos não madeireiros.
g – Tipos de produtos não madeireiro.

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4.1.3 - Definição da Base de Produção na Área de Manejo Florestal

Do inventário prospectivo realizado na área de manejo define-se a base de produção. Esta


base leva em consideração o estoque florestal para os produtos madeireiros e não madeireiros e,
ainda outros aspectos como beleza cênica e potencialidade para uso com eco turismo.
O quadro 02, apresenta um exemplo de definição de base de produção em um plano de
manejo florestal em floresta nativa do norte do estado.
BASE DE PRODUÇÃO DO PLANO DE MANEJO FLORESTAL

1 – MADEIRA

No plano de manejo proposto tem como base o sistema seletivo de corte para
as espécies selecionadas com base na distribuição espacial e na estrutura
fitossociológica da floresta sob manejo. O estoque florestal existente, dentro
de um elenco de espécies que apresentarem

2 – PALMITO

Na área do plano de manejo ocorrem com boa freqüência espécies


de Euterp spp, que será avaliada a conveniência de seu manejo após a
realização do censo (inventário a 100%). Na realização do censo será
anotada a posição (distancia X e Y dentro de cada faixa inventariada) de
cada árvore da espécie Euterp spp onde será avaliado o estoque
existente e determinar a intensidade do corte para a referida espécie.

3 – CASTANHA

O aproveitamento comercial das castanhas será efetuado após estudo de


viabilidade econômica da produção de amêndoas. O estoque das árvores
produtoras de sementes será determinado por inventário específico para tal
fim.
Quadro 02 - Exemplo de definição de base de produção em um
plano de manejo florestal

4.2 - Definição do Sistema de Manejo

Em função dos resultados do inventário é possível definir o sistema de manejo florestal a


ser aplicado na área. Dependendo da área e do interesse do proprietário, o engenheiro florestal,
faz a opção pelo sistema de manejo monociclico ou policiclico e, ainda, por um sistema hibrido
com policíclico nos ciclos iniciais e monocíclico nos restantes.

4.3 - Ciclo de Corte

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O ciclo de corte pode ser calculado pela equivalência do tempo que a floresta leva para
recuperar o volume retirado, pela equação tem-se:

t
A
Vc = ∑ IPA *
i =1 t
onde:
Vc – Volume com casca;
IPA – Incremento periódico anual;
A – Área em (ha);
t – Tempo.
em que t = ciclo de corte.

Logo, por exemplo, o tempo necessário para que o estoque volumétrico colhido, 40m³/há
,numa área seja recuperado, considerando um incremento periódico anual (IPA) de 1,5 m³/há,
será de: t = 40/1,5 = 26,66 anos, isto quer dizer que se a floresta em seu todo tem este ritmo de
crescimento, o ciclo de corte seria de 26,66 anos, ou seja, no mínimo de 27 anos. Estudos
realizados na Amazônia tem indicado um incremento periódico variando de 1,5 a 4m³/há/ano.
Desta forma o ciclo de corte deve ser determinado levando em consideração o incremento
periódico em volume e a recuperação também em diâmetro.

4.4 - Determinação das Unidades de Manejo Florestal (UMF)

Na delimitação da UMF o apoio do serviço de mapeamento é fundamental, pois com os


mapas procede-se a caracterização de cada unidade de manejo.
A simulação, a seguir, pode ser tomada como exemplo de aplicação do Sistema de
Manejo Policíclico de Uso Múltiplo (SMP). O modelo foi o proposto para uma área de 148.283
ha destinada à produção madeireira. A referida área foi dividida em quatro Unidades de Manejo
Florestal (UMF) de 70.000,00 ha; 45.500,00 ha; 23.500,00 ha e 12.283,00 ha. As UMF´s foram,
por sua vez, divididas em cinco Unidade de Produção Anual (UPA), de acordo com a Tabela 04.
As UPA´s são unidades de produção anual para extração de madeira e cada UMF é uma
unidade de produção qüinqüenal

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Tabela 04 - Área de produção anual por unidade de manejo florestal no primeiro ciclo de
corte
UMF1 (ha) UMF2 (ha) UMF3 (ha) UMF4 (ha)
ANO UPA (ha) ANO UPA (ha) ANO UPA (ha) ANO UPA (ha)
1 15.000,00 6 12.000,00 11 6.500,00 16 2.466,60
2 15.000,00 7 9.000,00 12 6.000,00 17 2.456,60
3 15.000,00 8 7.500,00 13 5.000,00 18 2.456,60
4 12.500,00 9 7.500,00 14 3.500,00 19 2.456,60
5 12.500,00 10 6.500,00 15 2.500,00 20 2.456,60
70.000,00 42.500,00 23.500,00 12.293,00

A estrutura do sistema de produção foi pela demarcação de cada uma das Unidades de
Manejo Florestal (UMF`s) e, posteriormente, cada UMF foi dividida em Unidade de Produção
Anual (UPA). Os primeiros cinco anos estarão em processo de produção a UMF1, que é sub-
dividido em cinco Unidade de Produção Anual, a saber: UPA1, UPA2, UPA3, UPA4 e UPA5.
A área das unidades de Produção Anual UPA somadas é igual a área total de cada uma
das UMF. A área total da floresta que será manejada é igual a soma das áreas de todas UMF`s.
Do sexto ao décimo ano estará em produção a UMF2 e, assim, por diante até que a última UMF,
neste exemplo é a UMF4, entre em processo de produção para completar o primeiro ciclo de
corte que está estimado em 20 anos.
O Sistema de Manejo Policíclico de Uso Múltiplo (SMP) permite estabelecer um fluxo de
produção otimizado em relação à infra-estrutura necessária para cada unidade de produção. Outra
vantagem deste sistema é a manutenção de uma maior área de floresta sem ação antrópica, o que
resulta num menor impacto ao ecossistema florestal. Desta forma, a área de 148.293 ha estará
dividida em 20 unidades de trabalho anual.

4.5 - Unidade de Produção Anual e de Trabalho


O planejamento do censo deve ser precedido da definição das unidades de trabalho (UT)
que farão parte de um conjunto na unidade de produção anual (UPA). A unidade de produção
anual é uma subdivisão da unidade de manejo florestal. Como exemplo, podemos citar a área da

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Estação Demonstrativa em manejo Florestal, com 25 unidades de trabalho (UMF de 3000 ha) e
com a unidade de trabalho de 120 ha cada e unidade de produção anual de 240 ha (Figura 15).

Figura 15 – Detalhe da unidade de produção anual (UPA) em azul, e unidade de trabalho (UT)

4.6 - Censo Florestal o Planejamento e Execução

4.6.1 - Censo Florestal - Planejamento

O planejamento deve definir as atividades a serem desenvolvidas pela equipe responsável,


com o objetivo de antecipar todas as dúvidas que possam surgir à campo. Nesta etapa, deve-se
preparar a área fazendo a demarcação das unidades de trabalho onde será realizada esta operação.
Com apoio do serviço de geoprocessamento, define-se em mapa a disposição das unidades de
produção anual e, conseqüentemente, as unidades de trabalho. A figura 15 mostra a
espacialização das unidades de trabalho.
Com o mapa de definição das unidades de trabalho (UTs) uma equipe formada por quatro
pessoas fará os trabalhos de preparação da floresta para realização do censo. O responsável

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 69

técnico pelo trabalho, o coordenador, definirá o alinhamento da demarcação; outro membro da


equipe assume o papel de balizador, cuja função é orientar a abertura das picadas e fixar as
balizas ao longo das picadas; o restante da equipe, os dois ajudantes farão a abertura das picada.

4.6.2 - Censo Florestal: Preparação da área

Para a demarcação das unidades de trabalho, localiza-se pelas coordenadas ou algum


ponto de referência no terreno, o ponto de onde inicia a linha base. Deste ponto, com a orientação
do azimute da linha e com o apoio de uma bússola, dá-se o início da abertura das picadas que
demarcam a unidade de trabalho. Ao longo da picada devem ser fixadas balizas com
eqüidistância de 50 metros. As picadas de orientação e a abertura das estradas secundárias em
terreno planos devem ser sempre que possível no sentido Leste-Oeste, logo as picadas base
devem ser abertas no sentido Norte-Sul, porque desta forma a abertura das picadas de orientação
para realização do censo ficam no sentido Leste-Oeste. As balizas devem ser marcadas e
numeradas com zero, na origem e, posteriormente, a cada 50 metros até o limite máximo de 1000
metros, a figura 16 ilustra melhor a distribuição das picadas. Em áreas acidentadas o
comprimento das picadas vai depender das condições do terreno, por esta razão, pode ser maior
ou menor que 1000 metros, recomenda-se nestes casos as UT definidas por microbacias.

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Figura 16 - Distribuição Espacial das Picadas de Orientação


FONTE: adaptado de FFT
A abertura das picadas de orientação do censo deve ser realizada por três pessoas: o
orientador, o balizador e o ajudante. A largura aproximada destas picadas é de 0,5 m. A picada de
orientação do censo é marcada a cada 25 metros com placas de alumínio com dimensões de 5cm
x 5 cm. Esta marcação começa com a marca zero, na linha base, e prossegue até a marca de 1000
metros. Ao chegar no fim da picada a equipe deve deslocar lateralmente 50 metros até a próxima
baliza, onde deve começar uma nova picada em direção à linha base. A numeração deve ser feita
no sentido inverso de 1000 metros até o ponto zero metro na linha base. Estas operações devem
ser repetidas até a conclusão das aberturas das picadas na unidade de trabalho.

4.6.3 - Censo Florestal: Execução


A atividade do censo consiste na realização de um inventário em 100% das árvores
existentes na área com um diâmetro pré-estabelecido, com o propósito de conhecer as espécies, o
estoque de árvores comerciais, produtos não madeireiro e a qualidade da floresta.
O censo é realizado por uma equipe composta por 4 pessoas: um anotador, um
identificador botânico e dois ajudantes. O anotador registra os valores de X (distância lateral da
árvore) e Y (distância ao longo da linha da picada); registra os valores da medição da
circunferência da cada árvore; registra o nome vulgar e os códigos que indicam a qualidade e
outros produtos da floresta. O identificador botânico identifica a árvore, epífitas e faz as
observações da qualidade do fuste, porte e presença de cipó. Os ajudantes informam as distâncias
X e fixam as placas de identificação nas árvores. Em função da distribuição da equipe no campo
a função de informar a distância Y fica a cargo do anotador, neste caso, este anda sobre a linha da
picada de orientação do censo. Quando o anotador acompanha o identificador os ajudantes
fornecem as informações de x e y, neste caso, o anotador tem melhor posição de cada arvores o
que torna recomendável este arranjo.
As árvores são medidas a uma altura de 1,3 metros do solo para coleta do CAP e, quando
estas apresentam sapopemas, são medidas acima com fita métrica ou trena.
As alturas, utilizando-se o clinômetro ou hipsometro laser. No caso de uso do clinômetro
para determinação da altura a equipe passa para cinco pessoas. O aparente aumento de custo de

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pessoal é compensado pela qualidade do censo o que permite fazer uma previsão mais real das
condições da floresta em função do porte das árvores.
A avaliação da qualidade da floresta é feita com bases nos critérios pré-estabelecidos de
acordo com o descrito no item 4.1.2.2.4, que trata de coleta dos dados no inventário florestal e,
ainda, faz-se à indicação da queda natural das árvores. Na planilha de coleta dos dados são
anotados os valores das medições e os códigos de informações qualitativas e acidentes
topográficos encontrados na área onde será realizado o censo.
As árvores depois de avaliadas pelo responsável por esta operação, são identificadas,
numeradas e plaqueteadas. As placas para árvore de corte deveriam receber numeração contínua
por faixa e cor única. Entretanto, os órgãos ambientais (IBAMA e SEMA), têm exigido que as
placas tenham cores diferentes para as árvores remanescentes, porta sementes e de corte.

4.6.4 - Censo Florestal: Processamento

Com os dados obtidos durante a realização do censo procede-se a digitação por faixa em cada
unidade de trabalho. Após a digitação e consistência dos dados procede-se a elaboração do mapa do
censo que fornece a distribuição espacial de todas as arvores, de corte, remanescente, porta sementes
ou as protegidas por lei. No mapa, também, são representadas as condições de topografia do terreno
com informações detalhadas da presença dos cursos d`água, matacões, morros e outros pontos que
devam ser considerados por causarem dificuldades durante o processo de exploração.
Para a determinação do volume de árvores individuais aptas para corte deve-se utilizar a
seguinte fórmula:

π
V= (D )2 ∗ H * ff
4
onde:
D – Diâmetro medido a 1,3 metros de altura do solo
H – Altura do fuste
ff – fator de forma, neste caso é necessário determinar o fator de forma para as árvores da
área de manejo florestal.

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Outra forma para determinar o volume das árvores individualmente é fazer uso de uma
equação de volume especialmente preparada para a área do manejo florestal. A informação dos
dados para gerar o fator de forma ou a equação de volume deve ser obtida por ocasião da
realização do inventário florestal prospectivo.

4.7 - Planejamento e implantação da Infra-estrutura de manejo

4.7.1 - Planejamento

As chuvas que ocorrem durante grande parte do ano representam um grande obstáculo
para a exploração da floresta tropical. Somente a construção de uma boa rede de estradas
permanentes permitirá a colheita em matas de terras firmes durante a maior parte do ano.
Por ser a área da floresta densa é possível a construção de estradas temporárias para o uso,
não só na época de seca, mas também em uma boa parte do ano. A estrada temporária é de fácil e
baixo custo de construção.
Essa redução nos custos de construção de estradas temporárias deve ser aproveitada ao máximo
a fim de reduzir o custo de extração de madeira, porém não devem ser usadas durante o período de
chuvas. Deve-se também diminuir o trafego nas estradas principais durante as chuvas intensas.
Então, a rede de estradas deverá ser planificada de maneira que se obtenha um custo
otimizado de exploração.
A estrada principal deverá ser levantada para conseguir suficiente drenagem e capacidade
de suportar carga durante as chuvas, deverá ser revestida com material resistente. As estradas
deverão ser construídas com um ano de antecipação das atividades de exploração, possibilitando
assim sua melhor estabilização e compactação. As estradas permanentes deverão ter leito
carroçável, com largura de 6 metros.
A rede de estradas deve ser planejada com a definição dos rumos, sentidos e padrão, deve
ser feito os mapas gerais e de detalhes. Os detalhes de cada uma das estradas, devem estar
seguidos de pontes que serão necessárias construir.

4.7.2 - Implantação da Infra-estrutura para o Manejo

4.7.2.1 - Estradas principal e secundaria

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A implantação das estradas principais e secundárias é feita em duas etapas. As primeiras


estradas a serem construídas são as principais que tem a seguinte seqüência:
1 – abertura da picada do eixo da estrada;
2 – exploração do material comercializável existente na faixa de domínio da estrada, para esse
procedimento, serão utilizados tratores de esteiras equipados com lâminas frontais;
3 – desmatamento que consiste no tombamento e enleiramento na lateral de todo o material
vegetal existente no eixo da estrada.

4.7.2.2 - Trilhas de Arraste

As trilhas de arraste desempenham um importante papel na racionalização das operações


de exploração florestal. Elas permitem o direcionamento do arraste das árvores cortadas até os
pátios intermediários, facilitando esta operação.
São trilhas rudimentares de mais ou menos 3,00 metros de largura, abertas antes do inicio
do corte, preferivelmente com trator florestal (Skider) e com ajuda de moto-serras, sempre
evitando obstáculos tais como: árvores grossas caídas no trajeto da trilha.

4.7.2.3 - Abertura de Esplanadas

Estrategicamente, e em pontos de livre e fácil acesso, serão formados pátio de estocagem


ou esplanadas, para o armazenamento de toras, o que impedirá o congestionamento do material
na floresta. Estas esplanadas devem possuir área de 500m² e dimensão de 20m x 25m.

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5. PREPARO DA FLORESTA PARA CORTE E EXTRAÇÃO

5.1 - Corte de Cipós


Tem como objetivo facilitar a operação de derruba das árvores comerciais, não
comprometendo a queda direcionada e diminuir os danos causados às outras árvores
(remanescentes) e, riscos de acidentes durante a exploração, aumentando, assim, a segurança das
equipes de exploração.
Esta atividade deve ser realizada pelo menos um ano antes da exploração,
preferencialmente, junto com o inventário pré-exploratório ou logo após o mesmo.
Para eliminação dos cipós utiliza-se diversos métodos, porém o mais usual é o corte com foice
na altura do peito e uma pincelada de arboricida a base de hormônio, a presença de um técnico
habilitado é necessária, o técnico deve acompanhar toda a operação e observar alguns pontos:
- O arboricida é tóxico e perigoso ao homem;
- Diversas espécies são imunes a sua aplicação;
- Necessidade de dosar muito bem a aplicação, para evitar a contaminação do ecossistema.

5.2 - Corte das árvores

É a primeira etapa da colheita florestal e tem grande influencia na realização das


operações subseqüentes. O corte pode ser realizado por diversos métodos, o mais usual no estado
é o semimecanizado por meio da motoserra, além do equipamento auxiliar, a cunha com
alavanca. O operador deve executar o entalhe direcional, esta operação permite a derrubada
direcionada.
Deve-se evitar o derrubamento contra outras arvores, devido aos danos físicos e ao
trabalho de separar uma da outra.

5.3 - Arraste

Esta operação pode ser executada com diversos tipos de máquinas de acordo com a
disponibilidade de equipamentos. As operações de extração de madeira da floresta envolvem uma
equipe completa composta pelo operador do equipamento de arraste, mais a presença de dois
auxiliares, responsáveis pela colocação dos cabos nas toras..
O equipamento que maior rendimento tem oferecido para esta operação é o SKIDER.

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5.4 - Traçamento
Após o arraste de toras até os pátios, procede-se a preparação das toras a serem
transportadas. De acordo com a capacidade do equipamento e a necessidade da empresa que
beneficiará as toras procede-se o traçamento da mesma para reduzi-las ao tamanho de interesse
comercial ou de mercado.

5.5 - Empilhamento na esplanada


Essa operação se faz necessária para que as toras sejam separadas por espécie melhorando
o aproveitamento do espaço do pátio ou esplanada. Essa operação poderá ser feita com pá
carregadeira.

5.6 - Carregamento
Existem vários métodos e equipamentos, devendo-se utilizar os mais adequados para cada
situação sendo que a eficiência do carregamento tem muita influência na produtividade e custo do
transporte. O uso de um ou outro método depende da disponibilidade do equipamento.

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6. CONTROLE E MONITORAMENTO DO MANEJO FLORESTAL

As árvores ao caírem durante o processo de extração não poderão atingir áreas ainda não
exploradas e também não pode ocorrer um abate desordenado pois este implicara numa
diminuição da produção e aumento bastante significativo no custo de extração. Para uma correta
avaliação dos danos e desperdícios alguns procedimentos devem ser seguidos.

6. 1 - Medições
6.1.1 - Pátio de estocagem (esplanadas):

São medidos:
- As dimensões de área útil da esplanada e de área de vegetação efetivamente alterada pela
sua abertura;
- A área aberta para o desembarcador do reboque da carreta;
- O diâmetro e o comprimento de tocos e toras deixados na esplanada, para quantificação
do desperdício na esplanada.

6.1.2 - Estrada secundária:

O comprimento e largura são medidos em diferentes pontos, gerando-se a largura média,


tanto da área de rodagem propriamente dita, como da área alterada pela sua abertura.

6.1.3 - Trilhas de arraste:

São medidos os comprimentos e largura média de todas as trilhas de arraste, primárias e


secundárias, contidas em cada unidade amostral.

6.1.4 - Árvores Abatidas:

Na obtenção da posição de cada árvore na amostra, utiliza-se o GPS para fornecer as


coordenadas de cada um dos tocos encontrados dentro da amostra.
Em cada árvore derrubada são tomadas as seguintes medidas:

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- As dimensões do diâmetro do toco no sentido dos eixos cartesianos X e Y, para obter o


valor médio;
- A altura de corte em cada toco;
- O comprimento da tora (estimado pela distância entro o toco e o início da galhada);
- As dimensões do diâmetro da ponta (início da galhada) no sentido dos eixos cartesianos
X e Y, para obter o valor médio;
- O comprimento da sobra da tora na ponta;
- O comprimento e a circunferência de dois galhos principais de cada árvore;
- A largura e o comprimento da galhada para permitir reconstruir a projeção da área
ocupada pela copa no solo.
- Registra-se, ainda, o tipo de corte utilizado (com entalhe direcional ou sem entalhe
direcional), com o propósito de avaliar a qualidade do corte que será utilizado durante a
exploração.

6.2 - Avaliação de Danos

Para avaliação dos danos e desperdícios, causados a vegetação remanescente, por ocasião
da exploração, tanto no corte como no arraste, aplica-se o procedimento sugerido por SILVA
(2003), de acordo com a seguinte escala:

Causa do dano:
1 - Derrubada
2 - Arraste

Tipo dano do Fuste:


1 - Quebrado
2 - Descascado
3 -Inclinado
4 - Derrubado

Tipo de dano Copa:


1 - Parcialmente quebrada com – 50%
2 - Parcialmente quebrada com + 50 %
3 - Totalmente quebrada

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Danos da casca:
E - espessura
L - Largura
C - comprimento

6.3 - Avaliação de Desperdícios


Na avaliação dos desperdícios, por ocasião da exploração, são medidos e anotados os
dados de acordo com a seguinte escala:

Tipo de corte:
1 - direcionado
2 - Não direcionado

Toco:
HC - altura do corte
Hdesp. - altura do desperdício
Dtoco - Diâmetro do toco

Tora:
Ctora -Comprimento da tora
Dtora - Diâmetro da tora
Cdesp - Comprimento do desperdício
Ddesp - Diâmetro do desperdício

Copa:
Dg1 - Diâmetro do galho 1
Cg1 -Comprimento do galho 1
Dg2 - Diâmetro do galho 2
Cg2 -Comprimento do galho 2
Dcopa -Diâmetro da Copa
Ccopa - Comprimento da Copa

6.3.1. - Quantificação de Danos e Desperdício


6.3.1.1 - Danos

Os dados obtidos em campo são tabulados e processados, com o uso de planilha


eletrônica.

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6.3.1.1.2 - Área alterada


Calcula-se a área alterada pelo produto do comprimento vezes a largura média das
estradas e trilhas de arraste.

6.3.1.1.3 - Área do pátio de carregamento


A área do pátio de carregamento de toras é calculado como sendo a área do retângulo
formado pelas dimensões de largura e comprimento das laterais de cada esplanadas.

6.3.1.1.4 - Pátio de descarregamento


O calculo do pátio de descarregamento do reboque da carreta é realizado por meio da área
do triangulo formado pela largura da rampa e o comprimento do acesso a mesma.

6.3.1.1.5 - Abertura de copa provocada pela queda


Calcula-se a área alterada pela projeção da queda da copa no solo pela medida do
comprimento e da largura da área ocupada pela copa no chão.
A abertura do dossel é calculada considerando a projeção da área ocupada pela copa no
chão. E a área da copa é estimada como sendo a área fornecida pelo círculo com diâmetro igual
ao da largura da copa fornecida pela medida da base da copa.

6.3.1.1.6 - Danos nas remanescentes provocados pela queda árvores e arraste


O número médio de árvores danificadas em decorrência da derrubada de uma árvore pode
ser calculado pela contagem das árvores danificadas em torno de cada árvore caída;
O número médio de árvores suprimidas ou danificadas em relação a abertura de estradas e
trilhas de arraste é obtido pela contagem de árvores caídas por unidade de área durante a
passagem do trator florestal ( Skidder).

6.3.1.2 - Desperdícios

6.3.1.2.1 - Volume da tora


O volume de madeira efetivamente explorado e arrastado até o pátio é estimado pela área
transversal da base (toco) pelo comprimento da tora ( h ) e fator de forma ( f f).

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O volume pode ser estimado pela seguinte fórmula:


π 2

4d
V= ⋅ h ⋅ ff

Onde:
d - diâmetro do toco

O fator de forma encontrado em um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Manejo


Florestal da UFMT na Estação Demonstrativa de Manejo localizada no município de
Marcelândia-MT foi igual 0.727, calculado para diferentes espécies florestais da Amazônia.

6.3.1.2.2 - Volume do desperdício na esplanada

O volume de madeira arrastado até a esplanada e desperdiçado, é calculado pela média


das áreas transversais base (g1) e ponta (g2) pelo comprimento dos tocos e toras deixados na
esplanada. Estima-se o volume pela seguinte fórmula:

g +g1 2
V= ⋅L
2
Onde: g1 - área transversal da base
g2 - área transversal da ponta
L - comprimento da tora/toco

6.3.1.2.3 - Volume do desperdício pela altura do corte ( toco )

O volume de madeira desperdiçado em função da altura de corte, é calculado


considerando-se como comprimento todo o excedente a 20 cm de altura de corte, vezes o
diâmetro do toco. O volume pode ser estimado pela seguinte fórmula.

Vt = g ⋅c 1 t

Onde: Vt – Volume do desperdício no toco


g1 – Área transversal da base (toco)
ct – Comprimento do desperdício no toco

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6.3.1.2.4 - Volume do desperdício na ponta

O volume de madeira desperdiçado em função do corte da ponta é calculado


considerando-se como o comprimento da seção do local de corte da ponta até o inicio dos galhos,
vezes a área transversal da ponta (g2) da tora, conforme estimado pela seguinte fórmula.

Vp = g ⋅c
2 p

Onde: Vp – Volume do desperdício na ponta


g2 – Área transversal da ponta
cp – Comprimento do desperdício na ponta

6.4 – Monitorar a Regeneração Natural

As espécies em uma floresta tropical podem ser divididas em dois grandes grupos, de
acordo com sua resposta à luz: espécies que demandam luz (heliófita) e espécies que suportam
sombra (ombrófita).
As espécies que demandam luz recebem muitas outras denominações tais como:
pioneiras, tolerantes à luz, sucessionais, intolerantes à sombra, e nômades. A principal
característica dessas espécies é que elas requerem luz abundante para germinarem, sobreviverem
e crescerem. Elas também não podem regenerar “in situ”, i.e., sob sua própria sombra. Produzem
grandes quantidades de sementes, geralmente muito pequenas e eficientemente dispersas pelo
vento ou por animais. As sementes de muitas das espécies pioneiras têm capacidade de
permanecer dormentes no solo, mesmo debaixo de uma cobertura vegetal fechada. Devido à essa
propriedade, as espécies pioneiras colonizam rapidamente as grandes aberturas na floresta.
Exemplos típicos de espécies pioneiras são Cecropia spp. na América Tropical, Macaranga
spp. no Sudeste da Ásia e Musanga cecropioides na África. Algumas pioneiras são de curta
longevidade, como Trema micrantha e outras são de vida longa como é o caso de Goupia glabra.
Ao contrário das espécies pioneiras, as sementes das espécies clímax ou tolerantes à
sombra, podem germinar mesmo sob a sombra densa da floresta. Suas sementes, em geral de
grande tamanho, apresentam reservas de alimentos abundantes, que as permitem sobreviver ao
período de supressão.

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Os sistemas silviculturais, baseados na regeneração natural, dependem da presença de um


estoque adequado de mudas e varas das espécies desejáveis no momento da exploração e/ou de
seu recrutamento após a abertura do dossel.
O levantamento do status da regeneração natural antes e após a exploração é uma
importante ferramenta para orientar a tomada de decisão quanto ao sistema silvicultural a ser
aplicado. Em outras palavras, a floresta apresenta um estoque suficiente de espécies desejáveis
para suportar um sistema baseado exclusivamente na regeneração natural? Ou será que são
necessários tratamentos pré-exploratórios para induzi-los e assim melhorar o estoque e
composição do povoamento? Ou mais, será que o estoque de regeneração natural é tão baixo que
levasse o silvicultor a indicar plantios de enriquecimento?
Perguntas como essas têm sido motivo de preocupação para os engenheiros florestais por
diversas décadas e muito esforço de pesquisa foi gasto no desenvolvimento de métodos para
avaliar a regeneração natural.

6.4.1 - Avaliação do Crescimento, Incremento, Ingresso e Mortalidade da Floresta Estabelecida

A importância desta avaliação se reveste no fato de que temos que saber qual é a dinâmica
que ocorrem nestes parâmetros. Diferentes metodologias podem ser adotadas com o propósito de
avaliar a velocidade da dinâmica de mudança no ecossistema. Diversos pesquisadores têm optado
pela implantação de parcelas permanente com área mínima de ¼ ha por unidade de registro.
Estas parcelas são divididas em sub-parcelas amostrais onde são coletados as informações
da regeneração natural, como demonstrado nas figuras 06 e 07, descritas no item da amostragem.
As informações obtidas em períodos de tempo diferentes permitem avaliar as mudanças
em diâmetro, o tempo de passagem das espécies que ingressaram nas classes de diâmetro, e
também, a mortalidade que é obtida pelo complemento da arvores sobreviventes na floresta.
A avaliação do crescimento, incremento, ingresso e mortalidade deve ser efetuada com
base nas medições de antes da intervenção e outras repetições que devem ser efetuadas em
período de tempo com intervalos não superior a 5 (cinco) anos. O intervalo entre uma medição
muito curta, por exemplo, período de um ano, não é suficiente para observar a variação ocorrida
nos parâmetros que indicam a velocidade das mudanças, por outro lado, intervalos muito longos
levam a perder as mesmas informações. A experiência nos trabalhos que vem sendo executados

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nos centros de pesquisas do INPA no Amazonas e da Embrapa no Pará tem indicado na direção
que o melhor intervalo de tempo deve ser 02 (dois) à 03 (três) anos.
A dinâmica de crescimento deve ser avaliada pela área basal, numero de arvores e volume
por classe de diâmetro e por unidade de área, neste caso um hectare. Os padrões mínimos a serem
seguidos nas parcelas permanentes são as mesmas adotadas pela Rede de Monitoramento da
Amazônia, em anexo.

6.5 - Plano de Prevenção, Controle e Combate a Incêndios Florestais

Para a proposição de um sistema de prevenção e controle a incêndios, buscar-se-á definir


os indicadores de riscos de incêndios, os agentes causais e a logística necessária para sua
prevenção e controle a partir de dados oriundos da quantificação da biomassa, “práxis”da
população e de parâmetros climatológicos.
As informações necessárias para elaborar um plano de prevenção e controle serão coletadas
por medição de amostras, aplicação de questionários e processamento de uma série de dados
climatológicos. O sistema deve ser definido com base em uma matriz de decisão que permita
identificar os pontos de susceptibilidade, elaborar e instrumentalizar estratégias para a prevenção.
A grande maioria dos incêndios florestais, é fruto da ação do homem e consequentemente
pode ser evitada. O fato de evitar é tão ou mais importante do que extinguir, pois a necessidade
de extinção justifica-se na falta de precaução.
A maneira mais econômica quanto aos incêndios florestais, é a realização de métodos
preventivos. Pois medidas preventivas evitam prejuízos à economia florestal do país. Se estas
fossem aplicadas obrigatoriamente seriam evitados os custos com combate e os prejuízos
produzidos pelo fogo seriam suprimidos. A seguir algumas recomendações essenciais a
prevenção e combate de incêndios em áreas florestais tropicais:

Causas:
As mais freqüentes:
a) Intencionais: aqueles provocados com o objetivo de ampliar áreas para o pastoreio e a
agricultura.

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b) Camping, piqueniques e acampamentos: por negligência, descuido e ignorância, por a


aqueles que utilizam a floresta como local de recreio e lazer.
c) Fósforos e cigarros: têm como causa os fumantes, que atiram, sem menor cuidado,
fósforos e pontas de cigarro ainda em ignição os quais propagam o fogo na camada de
serrapilheira e aos pastos secos, dando origem a grandes incêndios.
d) Queimadas com restos das explorações, que por descuido ou negligência se propagam,
dando lugar à destruição das superfícies florestais.
e) Estradas de ferro: as fagulhas expelidas pelas locomotivas, ao encontrar vegetação
facilmente combustível às margens de seu leito, produziam incêndios, que em certos
países se constituíram umas das principais causas.
f) Raios: trata-se de uma causa imprevisível (fenômeno natural).

A classificação para as causas de muitos incêndios como “diversos” ou “causas


desconhecidas”, para aqueles casos em que se torna impossível a determinação da causa do fogo,
quando este ultrapassa fronteiras de um país para outro, não podendo também se determinar a
causa, recorre-se à mesma maneira, registrando-se como sendo “fogo proveniente de tal país”, etc.
As causas podem ser agrupadas em duas categorias: naturais e humanas. As causas
naturais correspondem aos fenômenos da natureza que produzem fogos sem a intervenção do
homem: o raio, a combustão espontânea, os aerólitos, o atrito, etc. Neste caso, o raio ocupa um
lugar predominante em certas estatísticas.

Efeitos:
Os danos produzidos numa superfície ou região florestal podem ser:
a) Destruição ou dano em árvores jovens, maduras ou super-maduras, indispensáveis para o
desenvolvimento e progresso da indústria madeireira;
b) Destruição de sementes – futura regeneração – e rebrotas (futura floresta);
c) Destruição da cobertura morta e empobrecimento do solo, reduzindo a capacidade
reprodutiva e preparando a erosão;
d) Destruição dos bosques de proteção, da fauna, e eliminação das belezas cênicas naturais;
e) Aumento do número de insetos e enfermidades que logo atuarão infestando e infectando
as florestas;

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f) Destruição de vivendas, culturas agrícolas, exploração pecuária e, muitas vezes, perdas


de vidas humanas;
g) Destruição de todos aqueles benefícios, diretos e indiretos que a floresta subministra à humanidade,
colocando em risco, a preservação do meio ambiente, sem os malefícios da poluição.

6.5.1 - Recomendações Técnicas De Prevenção e Controle de Incêndios Em Florestas Tropicais

6.5.1.1 - Medidas Preventivas:

- Eliminação de resíduos e outras matérias combustíveis, quando possível, ao largo da estrada;


- Sinalização com placas de alerta sobre os perigos e prejuízos causados pelos incêndios;
- Educação através de placas e letreiros alusivos aos cuidados que se fazem necessários em
talhões e em povoamentos;
- Treinamento de equipe para prevenção de controle de incêndios florestais;;
- Vigilância permanente da equipe para evitar risco de incêndio;
- Planejamento de abertura de estradas principais, secundárias e esplanadas com intuito de
diminuir o risco;
- O planejamento adequado da extração de madeira com o propósito de reduzir clareiras e,
consequentemente, a quantidade de material combustível;

6.5.1.2 - Medidas de Segurança:


- Identificar e eliminar os pequenos pontos de fogos;
- Patrulhamento extensivo através de pessoal envolvido nas atividades;
- Identificação de pontos de tromba d’água;
- Manutenção de estradas;
- Proibir caça e pesca na área do projeto;
- Aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e de Proteção Coletiva (EPC).

6.5.1.3 - Normas de Segurança:


 Pessoal treinado e com conhecimento das normas de segurança para prevenção e combate
à incêndios florestais;
 Treinamento para todas as pessoas que estarão envolvidos na atividade de manejo
florestal de Primeiros Socorros.

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7. LITERATURA CONSULTADA

AIRES, R. – “Uma Abordagem Teórica do Sistema Celos Visando a Elaboração de Plano de


Manejo Florestal: Estudo e Caso”. Cuiabá, Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade
de Engenharia Florestal. Monografia de Conclusão de Curso. 2001. 27p.

ASSEFLORA – A.P. & C.F. Ltda – Plano de Manejo Florestal Sustentado: Projeto Huaia
Missu. 1998. Cuiabá/MT. Np. (Acervo da Empresa).

AZEVEDO, C.P. de; SANTOS, J.dos; LIRA FILHO, J.A.de; RIOS, M.G. Análise da Estrutura
de Floresta Nativas. Viçosa-MG, 1990.102p

Barros, P.L.C. Estudo das distribuições diamétricas da floresta do planalto Tapajós. Curitiba
1980. 123p. Dissertação. Mestrado. Universidade Federal do Paraná. Curso de Pós Graduação em
engenharia Florestal.

BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL: Levantamento dos


Recursos Naturais – Folha SC.22 (Tocantins). Rio de Janeiro, Ministério das Minas e Energia,
Departamento Nacional da Produção Mineral, 1981. V23.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília:


Senado, 1988. 168 p.

_______. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1.965. Institui o novo Código Florestal Brasileiro.
Brasília: 1965.

_______. Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto 2001. Altera os artigos


1º, 4º, 14º, 16º e 44º, e acresce dispositivos à Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1.965, que
constitui o Código Florestal, bem como altera o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de
1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, e dá outras
providências. Brasília: 2001.

_______. Decreto n°1.282 de 19 de outubro de 1.994. Regulamenta o artigo 15 da Lei n° 4.771.


<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/decreto/1990-1994/D1282.>

_______. Decreto n° 2.788 de 28 de setembro de 1.998 - Altera dispositivos do Decreto n°.


1.282, de 19 de outubro de 1994, e dá outras providências.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D2788.htm

_______. Decreto n° 3.559 de 14 de agosto de 2000 - Suspende a exploração da espécie mogno


(swetenia macrophylla king), na região Amazônica, pelo período de dois anos, e dá outras
providências.< http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/decreto/D3559.htm>

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_______. Lei Complementar Estadual nº232, de 21 de dezembro de 2005 – Altera o código


Estadual do Meio ambiente.

_______. Lei Complementar Estadual nº233, de 21 de dezembro de 2005 – Dispõe sobre a


Política Florestal do Estado de Mato Grosso.

_______. Portaria nº 19 de 11 de abril de 2003 – Institui a Declaração de acompanhamento e


Avaliação de Plano e Manejo Florestal Sustentável – DAAPMF, que deverá ser apresentada pelos
responsáveis técnicos dos Planos de Manejo Florestal Sustentável.
http://www.suframa.gov.br/download/legislacao/ambiental/legi_p_ibama_19_11abr2003.pdf

_______. Portaria 01 de 01/01/06 – Regulamenta o parágrafo 3º do art.13 do Decreto 6.958 de


29/12/05, institui o cadastro de consumidores de produtos florestais (CC-SEMA)

_______. Portaria 02 de 01/01/06 – Aprova os roteiros mínimos para Plano de Manejo Florestal e
Plano Operacional Anual

_______. Portaria 03 de 01/01/06 – Institui os Termos de Responsabilidade de Manutenção de


Floresta Manejada e o de Vinculação de Reposição Florestal

_______. Portaria 30 de 30/03/06 – Disciplina o uso da Guia Florestal para o Transporte de


Produtos e Subprodutos de Origem Florestal

_______. Instrução Normativa n° 3 de 4 de março de 2002 – Sobre conversão para uso do Solo
(reedição da IN 003, de 10.05.01, publicada em 14.05.01).

_______. Instrução Normativa n° 7, de 22 de agosto de 2003 – Sobre o Manejo Florestal


Sustentável do Mogno.

ODUM, E.P. Ecologia. University of Georgia,1983.

PAYANDEH, B. Comparacion of method for assessing spatial distribution of trees. For. Sci.,
v.16, n.3, p. 312-317, 1970.

PELICO NETTO, S.; BRENA,D.A Inventário Florestal. Curitiba, 1997. 316p

PERLIN, J. História das Florestas. Rio de Janeiro,1992.490p

ROCHA, R.M., Taxas de recrutamento e mortalidade da floresta de terra firme da bacia do


rio cuieiras na região de Manaus/AM. Manaus, INPA/UA – Programa de Pós-Graduação em
Biologia Tropical e Recursos Naturais, 2001. 48p.
SAF. Society of American Foresters, 1958. Forestry Terminology, 3d ed. Society of American
Foresters, Washington, D.C.

SCOLFORO, J.R.S e MELLO, J.M. Inventário Florestal. Universidade Federal de Lavras.


Minas Gerais, 1997. 344p.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 89

SCOLFORO, J.R.S. Manejo Florestal. Universidade Federal de Lavras. Minas Gerais, 1998. 438p.

SILVA, J. N. M. – Manejo de Florestas de Terra-Firme da Amazônia Brasileira. Embrapa


Amazônia Oriental. 1997 57p.

SOARES, C.P.B; NETO,F.P; SOUZA, A.L. Dendrometria e Inventário Florestal.


Universidade Federal de Viçosa, 2006.

SOUZA, L.A. – Análise multivariada para manejo de florestas naturais: alternativas de


produção sustentada de madeiras para serraria. Curitiba, Universidade Federal do Paraná,
1989, 255p.

SPEIDEL, G. – Curso sobre organização e administração florestal. Curitiba: Paraná/FUPEF,


1980. 80p.

SPURR,S., BARNES, B. Ecologia Florestal. A.G.T EDITOR, S.A .México, 1982. 690p.

THIBAU, C. E. – Produção sustentada em floresta – Conceitos e tecnologias; biomassa


energética; pesquisas e constatações – Compêndio (1970 – 1999) Belo Horizonte 2000. 511p.

TOMÉ, M. Amostragem aplicada ao Inventário Florestal. Instituto Superior de Agronomia.


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UNASYLVA, Sustainability – FAO: Organización de las Naciones Unidas para la agricultura y


alimentación. (Revista internacional de Silvicultura e Indústrias Forestales). 1992/2 65p. V43.

ZWEEDE, J.C. – Manual de procedimentos técnicos para condução de manejo florestal e


exploração de impacto reduzido - Fundação floresta tropical – OIMT (Versão 3.1) –
Outubro/98 76p.

ZWEEDE, J.C. – Manual de segurança no trabalho - Fundação floresta tropical – Tropical


florest foudation – Outubro/98 69p. V3.1

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ANEXO

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Diretrizes Simplificadas para Instalação e Medição de Parcelas Permanentes em Florestas


Naturais da Amazônia Brasileira

Organização GT Monitoramento de Florestas

Manaus, AM
2004

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Copyrigh © by GT Monitoramento de Florestas -2004

Elaboração
GT Monitoramento de Florestas

Revisão de Texto
Lia Cunha de Oliveira
José Natalino da Silva
Hildemberg da Silva Cruz
Quésia do Rosário Reis
Revisão Ortográfica
Marcia Coimbra

Projeto Gráfico
Marcia Coimbra

Fotos
Lia Cunha de Oliveira e Acervo fotográfico ProManejo

Apoio
IBAMA/ProManejo e MMa/PNF

Financiadores desta edição


Banco Mundial
RFT-Rain Forest Trust Fund
GTZ - Deutsche Gesellschaft für Tech nische
Zusammenarbeit/Cooperação Técnica Alemã
KFW- Kreditanstalt für Wiederaufbau/Cooperação

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Sumário

1. Introdução.......................................................................................................................................... 95
2. Número, Tamanho, Forma e Instalação das Parcelas Permanentes .................................................. 95
3.Subdivisão de parcelas ....................................................................................................................... 96
4.Periodicidade das medições e diâmetro mínimo de medição............................................................. 96
5.Procedimentos de coleta..................................................................................................................... 97
6.Variáveis a serem coletadas no extrato arbóreo ................................................................................. 98
6.1 Classe de identificação do fuste CIF ................................................................................... 98
6.2 Identificação das Espécies................................................................................................... 99
6.3 Diâmetro............................................................................................................................ 100
6.4 Iluminação da Copa........................................................................................................... 101
7. Bibliografia...................................................................................................................................... 103

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Apresentação

O Grupo Inter-Institucional de Monitoramento da Dinâmica de Crescimento de Florestas


na Amazônia Brasileira (GT Monitoramento) foi criado no âmbito da Diretoria de Florestas do
Ibama pela Portaria 557 de 28 de abril de 2004, para implementar uma rede de monitoramento da
dinâmica de florestas na Amazônia brasileira. Os objetivos desta rede são reunir informações
sobre o crescimento de florestas naturais a partir de iniciativas já existentes, gerar uma base de
dados sobre crescimento e produtividade de florestas, expandir a rede a regiões ainda não
contempladas com parcelas permanentes, promover fóruns de discussão sobre o tema e divulgar
os conhecimentos existentes sobre dinâmica de florestas.
O GT-Monitoramento iniciou suas atividades em Outubro de 2002 a partir da composição
de uma equipe de especialistas ligados a instituições de ensino e pesquisa (Universidade Federal
Rural da Amazônia, Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal do Mato Grosso,
Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Acre, Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia), entidades ligadas ao meio ambiente (MMA/PNF, IBAMA/DIREF,
IBAMA/ProManejo), instituições não governamentais (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia IMAZON) e iniciativa privada (Empresa ECOFLORESTAL).
Entre os produtos gerados pelo GT Monitoramento para a implementação da rede está as
diretrizes simplificadas para estabelecimento e medição de parcelas permanentes na Amazônia.
Estas diretrizes foram elaboradas a partir de um documento técnico produzido no âmbito do
Projeto Bom Manejo (Manejo Sustentável de Florestas de Produção em Escala Comercial na
Amazônia brasileira), financiado pela OIMT Organização Internacional de Madeiras Tropicais,
executado pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com o Centro para Pesquisa Florestal
Internacional (CIFOR).
A Diretoria de Florestas do IBAMA em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente,
vem contribuindo e apoiando a consolidação desta rede, com intenção de oferecer informações
que possam orientar a elaboração de normas técnicas adequadas para Planos de Manejo Florestal
Sustentável na Amazônia.

Antonio Carlos Hummel Diretor de Florestas do IBAMA

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 95

1. Introdução

Parcelas Permanentes têm sido amplamente usadas para estudar o comportamento de


florestas manejadas em relação a sua composição, crescimento, ingresso de novas plantas e
mortalidade (Chiew and Garcia, 1989; Primack et al., 1989; Rai, 1989; Silva et al., 1996), e como
forma de prever produção e rendimentos em projetos de manejo florestal (Condit et al., 1995;
Weaver and Murphy, 1990). Embora necessitem de algum investimento e demandem muito
tempo e esforço das equipes de campo para sua instalação e medição, as parcelas permanentes
constituem a mais importante ferramenta para estudos de manejo florestal e ecologia, pois são e
continuarão sendo por muito tempo, um dos principais pilares sobre o qual nosso entendimento
de florestas tropicais é construído (Sheil et al., 1995).

2. Número, Tamanho, Forma e Instalação das Parcelas Permanentes

As parcelas permanentes poderão ser estabelecidas em campo de forma imediata ou


gradual, na proporção de 1 ha de parcelas para cada 250 ha de área manejada até o limite de 50 ha
amostrados. A forma das parcelas poderá ser quadrada ou retangular:
 O tamanho mínimo da parcela será de ¼ ha (ex. 50 x 50 m ou 10 x 250 m);
 As parcelas poderão ser lançadas em campo de forma sistemática ou aleatória;
 Em áreas com diferentes formações florestais deverá ser feita a estratificação prévia da
área para a distribuição das parcelas em campo;
 As parcelas para estudos de crescimento e produção devem ser estabelecidas em áreas
produtivas da propriedade. Também poderão ser estabelecidas parcelas em áreas onde não
seja executada nenhuma intervenção silvicultural, para o acompanhamento do
desenvolvimento da floresta natural;

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 96

 As parcelas devem ser demarcadas permanentemente utilizando-se piquetes de marcação


de madeira, PVC ou outros materiais que resistam a longa exposição ao tempo. As
extremidades superiores dos piquetes devem ser pintadas com cores bem contrastantes
com a vegetação, com tinta resistente a água (tinta óleo), para facilitar sua localização.

3. Subdivisão de parcelas

 As parcelas poderão ser sub-divididas em unidades de observações menores (Ex.: sub-


parcelas de 10m x 10m), para facilitar a localização e o controle de cada árvore a ser
medida e monitorada.

4. Periodicidade das medições e diâmetro mínimo de medição

 As parcelas devem ser instaladas e medidas antes de qualquer intervenção (exploração,


tratamentos silviculturais, etc);
 A segunda medição deve ser realizada no ano seguinte à intervenção para avaliação dos
danos produzidos pela exploração;
 A partir daí os intervalos entre as medições deverão ser de dois a cinco anos;
 O diâmetro mínimo de medição fica estabelecido em 10 cm.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 97

5. Procedimentos de coleta

 Cada árvore deverá receber uma plaqueta de alumínio ou plástico, com um número que a
identifique (Ex.: número com seis dígitos onde os dois primeiros identificam a parcela, o
terceiro e qua rto a sub-parcela e os dois últimos a árvore, (Silva & Lopes, 1984));
 As árvores de cada sub-parcela devem seguir uma numeração própria que vai de 1 a n;
 As placas devem ser fixadas cerca de 10 centímetros acima do ponto de medição do
diâmetro;
 No caso de árvores com sapopemas muito altas, as plaquetas devem ser fixadas em local
de fácil visibilidade;
 Em árvores selecionadas para corte, a plaqueta deve ser reposicionada na base do tronco,
abaixo da altura de corte, para possibilitar a sua localização após a exploração;
 Para árvores localizadas na linha divisória das sub-parcelas, convenciona-se que a árvore
deve ser incluída na sub-parcela onde mais da metade de sua base estiver inserida;
 Os números das árvores que morrerem jamais deverão ser usados novamente em outra
árvore;
 No caso de ingressos utiliza-se um novo número, o próximo da seqüência daquela sub-
parcela.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 98

6. Variáveis a serem coletadas no extrato arbóreo


6.1 Classe de identificação do fuste CIF

Esta variável descreve os diversos estados em que podem ser encontradas as árvores em
uma floresta. Esses estados são resultantes de seu próprio crescimento, ou de mudanças
provocadas pelo homem ou pela natureza.
Os códigos numéricos utilizados combinam a sanidade da árvore com o estado de seu
fuste (ex. Quadro 1 e Figura 1). Na primeira medição, somente as árvores vivas são consideradas.
A partir da segunda medição, todas as árvores, incluindo as mortas ou desaparecidas devem ser
registradas.

Quadro 1. Códigos usados para as classes de identificação do fuste de árvores


(baseado em Silva & Lopes, 1984)
Descopada (sem copa)
Situação Completa
fuste > 4,0 m fuste < 4,0 m
Árvore viva em pé 1 2 3
Árvore viva caída 4
Árvore morta por causa natural 5
Árvore morta por exploração 6
Árvore morta por tratamento 7
Árvore colhida (toco de exploração) 8
Não encontrada 9

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 99

Figura 1 - Exemplos de classe de identificação de fuste (CIF)

6.2 Identificação das Espécies

No campo ou na floresta as árvores devem ser identificadas pelo nome comum, por um
identificador botânico (mateiro) que deve ser conhecedor das espécies locais. Nos casos em que a

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 100

árvore não puder ser identificada, deve receber um código que permita a sua identificação futura
na ficha de campo (Ex.: NI 1, NI 2, etc). Deve-se coletar material (se possível, folhas, flores e
frutos) e enviá-lo a algum herbário para proceder à identificação botânica.
A atribuição dos nomes científicos e sua codificação devem ser feitas no escritório. A
identificação, com exceção daquelas espécies muito comuns, que dificilmente poderia ser
equivocada, deve ser baseada em determinação de herbários. Para isso, o responsável pelas
atividades de monitoramento deve estabelecer parceria com instituições de pesquisa a fim de se
obter uma identificação correta das espécies.
Para efeito de processamento de dados, as espécies devem receber códigos. Criando-se uma
lista com todas as espécies ocorrentes na floresta monitorada, atribuindo os respectivos códigos.

6.3 Diâmetro

A medição do diâmetro ou da circunferência é feita com fita diamétrica ou fita métrica,


respectivamente, e deve ser feita com precisão de milímetro em todas as árvores, incluindo as
caídas, quebradas, danificadas ou as mortas (neste último caso, somente na segunda medição). A
medição do diâmetro ou circunferência das árvores mortas é necessária para que se possa estimar
a mortalidade em termos de área basal e volume/ha. Os diâmetros ou circunferências devem
sempre ser medidos em sempre que possível a 1,30 m do solo (DAP - diâmetro à altura do peito
ou CAP - circunferência à altura do peito). O local deve estar livre de cipós ou qualquer outra
anomalia que leve a erros de leitura. Este ponto deve ser marcado com tinta a base de óleo, para
evitar erros de leitura em medições subsequentes (Figura 2A).

Figura 2 - Ponto de Medição (PDM) do diâmetro da árvore

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 101

Sempre que ocorrerem sapopemas, ou anormalidades como danos ou deformações, o PDM


deve ser transferido para um local acima, livre dessas anormalidades (Figura 2B). Quando isso
ocorrer, uma observação deve ser registrada na ficha de campo, informando o número da árvore e
o motivo da alteração.
Durante a medição das árvores os arredondamentos dos diâmetros ou das circunferências, devem
ser feitos sempre para menos. Por exemplo, se uma árvore apresentar DAP entre 152 milímetros e
153 mm o diâmetro a registrar será 152 mm.

6.4 Iluminação da Copa


A variável iluminação da copa descreve a quantidade de luz recebida pelas copas, assim
como o grau de competição existente entre copas de árvores vizinhas (Figura 3). Esta variável é
importante, pois representa um dos fatores que afetam significativamente o crescimento.
Na avaliação da iluminação das copas, somente as árvores vivas e em pé (completas ou
quebradas) com DAP 10 cm são consideradas.
Três categorias são utilizadas.
0- Sem condições de medição (árvore sem copa);
1-Copa emergente ou completamente iluminada;
2-Copa parcialmente iluminada, ou seja, parcialmente coberta por copas de árvores vizinhas;
3-Copa completamente coberta por copas de árvores vizinhas, recebendo apenas luz lateral ou luz
difusa.

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 102

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 103

7. Bibliografia

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CONDIT, R., HUBBELL, S.P. and FOSTER, R.B. 1995. Demography and harvest potential of
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PRIMACK, R.B., CHAI, E.O.K., TAN, S.S. and LEE, H.S. 1989. Relative performance of
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RAI, S.N. 1989. Rate of diameter growth of tree species in humid tropics of western Ghats, India.
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SHEIL, D., BURSLEM, D.F.R.P. and ALDER, D. 1995. The interpretation and misinterpretation
of mortality rate measures. Journal of Ecology, 83: 33 1-333.

SILVA, J.N.M. & LOPES, J.DO C.A. Inventário florestal contínuo em florestas tropicais:a
metodologia utilizada pela Embrapa-Cpatu na Amazônia brasileira.Belém.EMBRAPA-
CPATU.1984.(EMBRAPA-CPATU.Documentos36).36p.

SILVA,J.N.M.,CARVALHO,J.O.P., LOPES,J.C.A.,OLIVEIRA, R.P. and OLIVEIRA, L.C.


1996. Growth and yield studies in the Tapajos region, Central Brazilian Amazon. Commonwealth
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SILVA, S. M. A. da, CARVALHO, J. O. P. de, COSTA, D. H. M., TAVARES, M. Diretrizes


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Brasileira, Em bra pa Amazonia Orientea l. Belem (no prelo).

WEAVER, P.L. and MURPHY, P.G. 1990. Forest Structure and Productivity in Puerto Rico's
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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 104

Membros GT-Monitoramento

Titulares
Celso Paulo de Azevedo (Embrapa Amazônia Ocidental)
Delman Gonçalves (Ecoflorestal, PA)
Edson Vidal (IMAZON)
Guilherme L. Gomide (MMA/PNF)
Hildemberg Cruz (IBAMA/ProManejo)
Versides Sebastião de Moraes Silva (UFMT)
Joberto Veloso de Freitas (UFAM)
José Natalino M. Silva (Embrapa Amazônia Oriental)
Lia Cunha de Oliveira (UFRA)
Marcus Vinicio Neves D'Oliveira (Embrapa Acre)
Niro Higuchi (INPA)
Paulo L. Contente de Barros (UFRA)

Suplentes
Carlos Alberto Passos (UFMT)
Cíntia R. de Souza (Embrapa Amazônia Ocidental)
Cristina A. Galvão (IBAMA/DIREF)
Denis Valle (IMAZON)
João Olegário P. de Carvalho (Embrapa Amazônia Ocidental)
Joaquim dos Santos (INPA)
Luiz Claudio Oliveira (Embrapa Acre)
Tasso Rezende de Azevedo (MMA/PNF)
Tim van Eldik (Ecoflorestal)
Ulisses Silva da Cunha (UFAM)

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Manejo de Floresta Nativas: Planejamento, Implantação e Monitoramento 105

Siglas

DIREF - Diretoria de Recursos Florestais


IMAZON - Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia
IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
INPA - Instituto de Pesquisa da Amazônia
MMA - Ministério do Meio Ambiente
PNF - Programa Nacional de Florestal
UFAM - Universidade Federal do Amazonas
UFRA - Universidade Federal Rural da Amazônia
UFMT - Universidade Federal do Mato Grosso

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Anexos

Modelo da ficha de campo

* Mudou PDM Preencher com X se houve mudança no Ponto de Medição do Diâmetro

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