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ESTADO DO PARANÁ

POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ


CORPO DE BOMBEIROS

Segurança do Trabalho

MARIO SÉRGIO GARCEZ DA SILVA, 1º Ten QOBM


e-mail: garcez@pm.pr.gov.br

Revisada e ampliada
CORPO DE BOMBEIROS
SEGURANÇA DO TRABALHO
INSTRUTOR - 1° TEN QOBM GARCEZ_________________________________________________________

MAIO – 2008
CURITIBA - PARANÁ

APOSTILA SEGURANÇA DO TRABALHO__________________________________ 2


SUMÁRIO

I. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................4
II. SEGURANÇA DO TRABALHO..............................................................................................5
2.1. HISTÓRICO.............................................................................................................................5
2.2. CONCEITUAÇÃO...................................................................................................................8
2.3. LEGISLAÇÃO CLT................................................................................................................8
2.4. SEGURANÇA DO TRABALHO NO CB.............................................................................11
2.4.1. METAS DE SEGURANÇA NO TRABALHO NO CB.....................................................15
III. ACIDENTES DO TRABALHO.............................................................................................16
3.1. DEFINIÇÃO LEGAL............................................................................................................16
3.2. DEFINIÇÃO PREVENTIVA................................................................................................18
3.3. DOENÇA PROFISSIONAL OU DO TRABALHO..............................................................19
3.4. CAUSAS DOS ACIDENTES................................................................................................19
3.4.1. Atos Inseguros.....................................................................................................................19
3.4.2. Condições Inseguras............................................................................................................21
3.5. TEORIA DE HEINRICH.......................................................................................................22
3.6. PREVENÇÃO DE ACIDENTES...........................................................................................23
3.7. CONCLUSÕES DA PREVENÇÃO......................................................................................25
3.8. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA – EPI E EPC..............26
3.8.1. Finalidade indireta do equipamento de proteção individual................................................27
3.8.2. Considerações gerais sobre EPI...........................................................................................27
3.8.3. Importância do EPI como complemento aos equipamentos de proteção coletivo..............28
3.8.4. Implicações do não uso do EPI............................................................................................29
3.8.5. Equipamentos de Proteção Coletiva....................................................................................30
3.8.6. Equipamentos de Proteção Individual em uso no CB.........................................................30
IV. RISCOS PROFISSIONAIS NO TRABALHO.......................................................................34
4.1. AGENTES FÍSICOS..............................................................................................................34
4.2. AGENTES MECÂNICOS.....................................................................................................39
4.3. AGENTES QUÍMICOS.........................................................................................................40
4.4. AGENTES BIOLÓGICOS.....................................................................................................42
4.5. AGENTES ERGONÔMICOS................................................................................................42
4.6. MAPEAMENTO DE RISCOS...............................................................................................45
4.7. CORES NA SEGURANÇA NO TRABALHO.....................................................................47
V. CONCLUSÃO..........................................................................................................................53
VI. BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................................53
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I. INTRODUÇÃO

Nas operações de Bombeiro, é essencial dedicarmos um cuidado muito especial à


segurança. Não se pode conceber a realização de um trabalho ou instrução seguros,
quando estes se realizam em torno de equipamentos cuja segurança é duvidosa ou mesmo
quando o próprio Bombeiro despreza princípios de segurança.
A história tem nos mostrado que o desprezo a pequenos detalhes em princípios de
segurança, exige como tributo a própria vida. Ora, o homem, sem a proteção, está exposto
a toda a sorte de riscos, com possibilidades remotas de escapar ileso. “Trabalhar com
consciência, precisão e método é trabalhar com segurança.”
Na nobre missão de salvar vidas, enquanto todos estão correndo do perigo, o
heróico bombeiro esta indo de encontro com o mesmo, mas para tanto devemos estar
preparados psicologicamente, fisicamente e tecnicamente.
Contamos muitas vezes com a ajuda de algo superior, e às vezes muitos de nossos
irmãos de profissão perdem suas vidas, como exemplo os mais de 300 que padeceram
impotentes nos escombros do WORLD TRADE CENTER. No entanto, se uma só vida foi
salva, já estamos satisfeitos, pois “POR UMA VIDA, TODO SACRIFÍCIO É DEVER”.
Uma organização que existe em função do perigo, para resgatar e neutralizar os
riscos do dia-a-dia, somente poderá cumprir integralmente sua missão se der aos seus
componentes a segurança básica e o treinamento necessário, desenvolvendo uma cultura
de segurança no trabalho.
A proposta é despertar para a segurança do trabalho no serviço executado pelo
Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado do Paraná.
A partir do ano de 2001, o Corpo de Bombeiros passou a contar nos currículos de
seus cursos com uma matéria que trata especificamente de segurança do trabalho, motivo
que nos enche de orgulho por transmitir conhecimentos de tão grande importância, pois
“segurança é vida.”
“Não há nada mais nobre e digno de se contemplar, do que, a realização do
seu trabalho, em benefício e melhoria da vida de outras pessoas.”

1° Ten QOBM MARIO SERGIO GARCEZ DA SILVA

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II. SEGURANÇA DO TRABALHO

2.1. HISTÓRICO

O êxito de qualquer atividade é diretamente proporcional ao fato de se manter a sua


peça fundamental - o trabalhador - em condições ótimas de saúde. As atividades
laborativas nasceram com o homem. Pela sua capacidade de raciocínio e pelo seu instinto
gregário, o homem conseguiu, através da história, criar uma tecnologia que possibilitou sua
existência no planeta.
Uma revisão dos documentos históricos relacionados à Segurança do Trabalho
permitirá observar muitas referências a riscos do tipo profissional mesclados aos propósitos
do homem de lograr a sua subsitência. Na antiguidade, quase totalidade dos trabalhos
eram desenvolvidos manualmente - uma prática que nós encontramos em muitos trabalhos
dos nossos dias.
Os agravos à saúde do trabalhador são relatados desde a Antigüidade, Hipócrates
em seus escritos que datam de quatro séculos antes de Cristo, fez menção à existência de
moléstias entre mineiros e metalúrgicos. Na obra As Metamorfoses de Esculápio, que cita o
poeta romano Ovídio (23 Ac – 17 d. C), que descreve a situação dos carvoeiros.
Na obra Historia Naturalis de Plínio, o Velho (23 – 79 d. C), onde aparece no mundo
ocidental o primeiro relato do uso do EPI por trabalhadores que expostos às poeiras, se
protegem ao utilizar na frente do rosto, à guisa de máscaras, panos ou membranas (de
bexiga de carneiro) para atenuar a inalação destas. Plínio também descreveu diversas
moléstias do pulmão entre mineiros e envenenamento advindo do manuseio de compostos
de enxofre e zinco.
Galeno, que viveu no século II, fez várias referências a moléstias profissionais entre
trabalhadores das ilhas do mediterrâneo.
Agrícola e Paracelso investigaram doenças ocupacionais nos séculos XV e XVI.
Georgius Agrícola, em 1556, publicava o livro "De Re Metallica", onde foram
estudados diversos problemas relacionados à extração de minerais argentíferos e auríferos,
e à fundição da prata e do ouro. Esta obra discute os acidentes do trabalho e as doenças
mais comuns entre os mineiros, dando destaque à chamada "asma dos mineiros". A
descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença parece indicar sem sombra de
dúvida, tratarem de silicose.
Em 1697 surge a primeira monografia sobre as relações entre trabalho e doença de
autoria de Paracelso: "Von Der Birgsucht Und Anderen Heiten". São numerosas as citações
relacionando métodos de trabalho e substâncias manuseadas com doenças. Destaca-se
que em relação à intoxicação pelo mercurio, os principais sintomas dessa doença
profissional foram por ele assinalados.
Em 1700 era publicado na Itália, um livro que iria ter notável repercusão em todo o
mundo. tratava-se da obra "De Morbis Artificum Diatriba" de autoria do médico Bernardino
Ramazzini que, por esse motivo é cognominado o "Pai da Medicina do Trabalho". Nessa
importante obra, verdadeiro monumento da saúde ocupacional, são descritas cerca de 100
profissões diversas e os riscos específicos de cada uma, foi a introdução do meio ambiente
laboral como uma variável importante na caracterização do nexo causal do agravo à saúde
do trabalhador. Um fato importante é que muitas dessas descrições são baseadas nas
próprias observações clínicas do autor o qual nunca esquecia de perguntar ao seu
paciente: "Qual a sua ocupação?".
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A obra de Ramazzini só foi concluída em sua totalidade na sua terceira edição, em


1.713, mas, devido ao contexto econômico da época, somente em 1.802, começaram a
aparecer os frutos desta obra, quando foi formulada a primeira regulamentação sobre
questões de ambiente de trabalho, seguida logo após do Factory Act de 1833, e em 1884,
pela primeira lei de acidentes de trabalho editada na Alemanha.
Devido a escassez de mão de obra qualificada para a produção artesanal, o gênio
inventivo do ser humano encontrou na mecanização a solução do problema. Partindo da
atividade predatória, evoluiu para a agricultura e pastoreio, alcançou a fase do artesanato e
atingiu a era industrial.
Entre 1760 e 1830, ocorreu na Inglaterra a Revolução Industrial, marco inicial da
moderna industrialização que teve a sua origem com o aparecimento da primeira máquina
de fiar.
Até o advento das primeiras máquinas de fiação e tecelagem, o artesão fora dono
dos seus meios de produção. O custo elevado das máquinas não mais permitiu ao próprio
artífice possuí-las. Desta maneira os capitalistas, antevendo as possibilidades econômicas
dos altos níveis de produção, decidiram adquiri-las e empregar pessoas para faze-las
funcionar. Surgiram assim, as primeiras fábricas de tecidos e, com elas, o Capital e o
Trabalho.
Somente com a revolução industrial, é que o aldeão, descendente do troglodita,
começou a agrupar-se nas cidades. Deixou o risco de ser apanhado pelas garras de uma
fera, para aceitar o risco de ser apanhado pelas garras de uma máquina.
A introdução da máquina a vapor, sem sombra de dúvida, mudou integralmente o
quadro industrial. A indústria que não mais dependia de cursos d'água, veio para as
grandes cidades, onde era abundante a mão de obra.
Condições totalmente inóspitas de calor, ventilação e umidade eram encontradas,
pois as "modernas" fábricas nada mais eram que galpões improvisados. As máquinas
primitivas ofereciam toda a sorte de riscos, a as consequências tornaram-se tão críticas que
começou a haver clamores, inclusive de orgãos governamentais, exigindo um mínimo de
condições humanas para o trabalho.
A improvisação das fábricas e a mão de obra constituída não só de homens, mas
também de mulheres e crianças, sem quaisquer restrições quanto ao estado de saúde,
desenvolvimento físico passaram a ser uma constante. Nos últimos momentos do século
XVIII, o parque industrial da Inglaterra passou por uma série de transformações as quais,
se de um lado proporcionaram melhoria salarial dos trabalhadores, de outro lado, causaram
problemas ocupacionais bastante sérios.
O trabalho em máquinas sem proteção; o trabalho executado em ambientes
fechados onde a ventilação era precária e o ruído atinge limites altíssimos; a inexistência de
limites de horas de trabalho; trouxeram como consequência elevados índices de acidentes
e de moléstias profissionais.
Na Inglaterra, França e Alemanha a Revolução Industrial causou um verdadeiro
massacre a inocentes e os que sobreviveram foram tirados da cama e arrastados para um
mundo de calor, gases, poeiras e outras condições adversas nas fábricas e minas. Esses
fatos logo se colocaram em evidência pelos altos índices de mortalidade entre os
trabalhadores e especialmente entre as crianças.
A sofisticação das máquinas, objetivando um produto final mais perfeito e em maior
quantidade, ocasionou o crescimento das taxas de acidentes e, também, da gravidade
desses acidentes.

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Nessa época, a causa prevencionista ganhou um grande adepto: Charles Dickens.


Esse notável romancista inglês, através de críticas violentas, procurava a todo custo
condenar o tratamento impróprio que as crianças recebiam nas indústrias britânicas.
Pouco a pouco, a legislação foi se modificando até chegar à teoria do risco social: o
acidente do trabalho é um risco inerente à atividade profissional exercida em benefício de
toda a comunidade, devendo esta, por conseguinte, amparar a vítima do acidente.
No Brasil, a escravidão só foi eliminada nos últimos doze anos do século XIX e,
conseqüentemente, as preocupações desta natureza só se apresentaram no cenário
nacional no início do século XX, principalmente após o I Congresso Operário Brasileiro, de
1906, do qual nasceu a Confederação Operária Brasileira e o jornal “A Voz do
Trabalhador”, que circulou entre 1908 e 1915. Este congresso aprovou a seguinte
resolução sobre acidentes no trabalho: “Considerando que o responsável pelos acidentes
no trabalho é sempre o patrão; e que as leis decretadas em prol dos trabalhadores são letra
morta”, o Congresso resolve que sempre que qualquer desastre se verifique, eles (os
sindicatos) arbitrem a indenização que o patrão deve pagar, forçando-o a isso pela ação
direta.
A primeira grande repercussão prática do referido congresso foi à publicação da
Tabela do Sindicato dos Pintores do Rio de Janeiro, em 19/08/1908, onde constava que os
mestres serão responsáveis pelos acidentes de trabalho, e pagarão os curativos e os
ordenados dos oficiais, enquanto estes se acharem impossibilitados de trabalhar.
As denúncias proferidas por órgãos anarco-sindicalistas, utilizando-se do “A Voz do
Trabalhador” fizeram emergir a questão na sociedade brasileira do início do século XX,
merecendo a fala de Rui Barbosa na conferência sobre “A questão Social e a Política no
Brasil” (1918), onde as condições de trabalho e a reparação do acidente de trabalho são,
por assim dizer, objetos da Questão Social.
Tal contexto gerou a aprovação do Decreto Legislativo nº 3.724, de 15/01/1919,
iniciado com o Projeto de Lei de nº 337, do Deputado Wenceslau Escobar que se tornou a
primeira lei de acidentes de trabalho do Brasil.
No Brasil, podemos fixar nessa época a nossa revolução industrial e, embora
tivéssemos já a experiência de outros países, em menor escala, é bem verdade,
atravessamos os mesmos percalços, o que fez com que se falasse, em 1970, que o Brasil
era o campeão mundial de acidentes do trabalho.
Da nossa revolução industrial até a portaria de 04 de fevereiro de 2.000, da
Secretaria de Saúde do Distrito Federal, várias legislações foram editadas, tendo destaque
especial a criação dos Ministérios do Trabalho, da Saúde e da Previdência Social,
culminando com a promulgação da Carta Magna de 1988, que forneceu o contorno
necessário à saúde do trabalhador.
A legislação de saúde do trabalhador tem ainda um apoio na Constituição Federal,
que cita o direito à saúde como um direito de todos, de acesso universal e igualitário, que
deve ser garantida por políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de
doenças e de outros agravos à saúde; no Código Civil Brasileiro, que garante o direito a
indenizações por dano a saúde, e pelo Código Penal Brasileiro, que permite a
responsabilização criminal do empregador por expor a vida ou a saúde do trabalhador a
perigo direto ou iminente.
Porém, mesmo a Legislação acidentária brasileira tendo avançado muito na
caracterização dos agravos à saúde do trabalhador, “não conseguiu ainda se fazer sentir
firmemente nos chãos de fábrica, e os riscos perfeitamente controláveis e mesmo os

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elimináveis continuam a fazer parte da rotina da maioria dos trabalhadores de nosso país”
(Costa e Cols, 1989). O numero de trabalhadores mutilados, lesionados e mortos ainda é
absurdo em nosso País.
Embora o assunto SEJA pintado com cores muito sombrias, com a implantação de
legislações mais exigentes os números de acidentes estão diminuindo ano após ano. Ao
mesmo tempo, vislumbrar um futuro mais promissor é possível com o esforço conjunto de
toda nação: trabalhadores, empresários, técnicos e governo.

2.2. CONCEITUAÇÃO

Segurança do Trabalho é o conjunto de técnicas, leis, normas e métodos que são


adotadas em um determinado ramo de atividades a fim de preservar o elemento humano
(minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a
integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador) e assegurar a continuidade
operacional.
Para toda atividade a segurança é essencial, e para a Instituição Corpo de
Bombeiros o êxito das operações possui uma relação muito mais efetiva e íntima, pois a
todo momento o risco é potencial. Durante muito tempo a segurança do trabalho foi vista
como um tema que se relacionava apenas com o uso de capacetes, botas, cintos de
segurança e uma série de outros equipamentos de proteção individual contra acidentes.
Hoje, o setor de segurança e saúde no trabalho é multidisciplinar e tem como
objetivo principal a prevenção dos riscos profissionais. O conceito de acidente é
compreendido por um maior número de pessoas que já identificam as doenças profissionais
como conseqüências de acidentes do trabalho.
A relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios para a humanidade,
também trouxe um grande número de vítimas, sejam elas os portadores de doenças
incapacitantes ou aqueles cuja integridade física foi atingida.
A exposição do trabalhador ao risco gera o acidente, cuja consequência nesses
casos tem efeito mediato, ou seja, ela se apresenta ao longo do tempo por ação cumulativa
desses eventos sucessivos. É como se a cada dia de exposição ao risco, um pequeno
acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo. As consequências dos acidentes do trabalho
desse tipo são as doenças profissionais ou ocupacionais.
A maneira verdadeiramente eficaz de impedir o acidente é conhecer e controlar os
riscos. Isso se faz, no caso das empresas, com uma política de segurança e saúde dos
trabalhadores que tenha por base a ação de profissionais especializados, antecipando,
reconhecendo, avaliando e controlando os riscos.

2.3. LEGISLAÇÃO CLT

Segurança e saúde do trabalhador é matéria constitucional, regulamentada e


normalizada. A Constituição Federal, em seu Capítulo II (Dos Direitos Sociais), artigo 6º e
artigo 7º, incisos XXII, XXIII, XXVIII e XXXIII, dispõe, especificamente, sobre segurança e
saúde dos trabalhadores.
A Consolidação das Leis do Trabalho dedica o Capítulo V à Segurança e Medicina
do Trabalho, de acordo com a redação dada pela Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977.
O Ministério do Trabalho, por intermédio da Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978,
aprovou as Normas Regulamentadoras - NR - previstas no Capítulo V da CLT. Esta mesma

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Portaria estabeleceu que as alterações posteriores das NR seriam determinadas pela


Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho, órgão do atual Ministério do Trabalho e
Emprego.
A segurança do trabalho rural tem regulamentação específica através da Lei nº
5.889, de 5 de junho de 1973, cujas Normas Regulamentadoras Rurais - NRR - foram
aprovadas pela Portaria nº 3.067, de 12 de abril de 1988.
Incorporam-se às leis brasileiras, as Convenções da OIT - Organização Internacional
do Trabalho, quando promulgadas por Decretos Presidenciais. As Convenções
Internacionais são promulgadas após submetidas e aprovadas pelo Congresso Nacional.
Além dessa legislação básica, há um conjunto de Leis, Decretos, Portarias e
Instruções Normativas que complementam o ordenamento jurídico dessa matéria. Uma
excelente fonte de referência é o Volume 16 (Segurança e Medicina do Trabalho) dos
Manuais de Legislação Atlas, da Editora Atlas. Sempre com edições atualizadas, esse livro
contém a íntegra das Normas Regulamentadoras - NR - e da legislação complementar.
Uma opção mais completa é o livro "Normas Regulamentadoras Comentadas". Na Internet,
você também poderá encontrar a íntegra das NR e da CLT a partir da página do Ministério
do Trabalho e Emprego.
Além disso, há a legislação acidentária, pertinente à área da Previdência Social. Aqui
se estabelecem os critérios das aposentadorias especiais, do seguro de acidente do
trabalho, indenizações e reparações.
Completando essa extensa legislação, devemos lembrar que a ocorrência dos
acidentes (lesões imediatas ou doenças do trabalho) pode dar origem a ações civis e
penais, concorrendo com as ações trabalhistas e previdenciárias (Código Civil).
Importante para os profissionais é conhecer alguns conceitos básicos das
organizações de apoio a segurança do trabalho previstas na legislação, as quais serão
descritos na seqüência.
Teremos um capítulo específico definindo e estudando Acidente do Trabalho, no
entanto, torna-se necessário neste momento um entendimento mínimo. Considera-se
acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho e produza
direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte
redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho, é um documento que é preenchido
quando ocorrem acidentes com lesão e enviado ao Ministério do Trabalho. SESMT –
Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho. CIPA – Comissão interna de
prevenção de acidentes, que é regulamentada pela NR-5, do manual de Normas
Regulamentadoras, da Portaria 3.214.
ASO - Atestado de Saúde Ocupacional. De acordo com a NR-07 da Portaria
3.214/78, é de realização obrigatória os exames médicos admissional, periódico, de retorno
ao trabalho, de mudança de função e demissional, compreendendo avaliação clínica
(anamnese ocupacional e exame físico e mental) e exames complementares, de acordo
com os Quadros I e II da NR-07
SESMT - As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração
direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, manterão, obrigatoriamente, Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade
de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Esta
descrita na Norma Regulamentadora n° 4 – NR4 da Portaria 3.214.

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QUADRO I - CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES


CNAE Descrição da Atividade Grau de Risco
85.11-1 atividades de atendimento hospitalar 3
85.12-0 atividades de atendimento a urgências e emergências 3

QUADRO II - DIMENSIONAMENTO DOS SESMT

CIPA - A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA - tem como objetivo a


prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível
permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do
trabalhador. É composta por representantes do empregador e dos empregados e esta
regulamentada na NR-5.

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QUADRO III - Dimensionamento de CIPA

QUADRO IV - Relação da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE,


com correspondente agrupamento para dimensionamento de CIPA

CNAE Descrição da Atividade Grupo


85.11-1 Atividades de Atendimento Hospitalar C-34
85.12-0 Atividades de Atendimento a Urgências e Emergências C-34
Veremos ainda os conceitos: SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes
do Trabalho, de PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e PPRA –
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
PCMSO - estabelece a obrigatoriedade de elaboração implementação, por parte de
todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, com o objetivo de
promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. Esta descrito na
NR-7.
PPRA - estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de
todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais -PPRA, visando à preservação da saúde e
da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e
conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a
existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos
recursos naturais. Esta regulamentado esta na NR9.
O PPRA dará origem ao Mapeamento de Riscos, que um lay-out de todos os setores
da empresa/organização desenhados os riscos específicos de cada área, o qual veremos
em detalhes no capítulo sobre Riscos Profissionais no Trabalho.

2.4. SEGURANÇA DO TRABALHO NO CB

Especificamente de segurança do trabalho a Corporação não possui nenhum órgão


ou sessão organizando e cuidando diretamente da área. O Corpo de Bombeiros está
intimamente ligado a segurança do trabalho quando do treinamento e emprego das
diversas técnicas e procedimentos operacionais que nos permitem trabalhar com
segurança.
O Corpo de Bombeiros não possui uma política de segurança implantada, perdendo
com isso eficiência e eficácia, não mantendo controle técnico dos atos inseguros e
inviabilizando uma análise “a posteriori” dos acidentes, visando sanar atos de riscos e
prevenir sua repetição.

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Não existe um sistema implantado que permita a prevenção do acidente no trabalho,


a análise dos riscos profissionais; não se elabora normatização de procedimentos em locais
de risco, ou mesmo o estudo de conseqüências próximas ou remotas dos acidentes
ocorridos. Por parte do Corpo de Bombeiros, nunca houve um envolvimento em campanhas
internas de prevenção de acidentes no trabalho, não se criaram normas para avaliação de
EPI, sendo que aceita-se apenas o que é manifestado em catálogo e em demonstrações de
materiais pelos fornecedores e nas técnicas já estabelecidas.
As CIPAs, tão eficientes em empresas privadas quando levadas com seriedade, não
existem no Corpo de Bombeiros, embora tenha sido testada experimentalmente no ano de
1998 no 2° Grupamento de Bombeiros – Ponta Grossa, onde foi criada uma CPPA –
Comissão Permanente de Prevenção de Acidentes com gestão de 08 Out 1998 à 08 Out
2000, a qual possuía 10 membros efetivos indicados pelo comando dos setores de maior
risco, tendo como Presidente da CPPA o Cap QOBM SAMUEL POTMA G. GONÇALVES.
Não foi realizada nova indicação e os trabalhos da comissão foram encerrados.
Criou-se a ilusão de que a existência de uma CIPA é incompatível com os princípios
da disciplina e hierarquia. Entende-se ser isto um imenso engano, pois a CIPA, para
funcionar no Corpo de Bombeiros, teria de ser adaptada, criando-se assim, portanto, um
sistema técnico de grande valia e apoio ao Comando, visando tão-somente à redução dos
acidentes que geram perda da mão-de-obra altamente qualificada no Corpo de Bombeiros.
Com a criação de uma CIPA, seria possível sanar as falhas retrodescritas,
apresentando a possibilidade de grande desenvolvimento na área de pesquisa de novos
materiais e meios na área de prevenção de acidentes, e inovações no que tange aos
equipamentos de proteção individual.
Encontram-se disponíveis, várias bibliografias de apoio, que concederiam a essência
do conhecimento necessário para a implantação de CIPAs nas Unidades Operacionais e de
apoio do Corpo de Bombeiros. Tais trabalhos são frutos da experiência e da dedicação de
homens que estudaram com afinco o assunto - segurança no trabalho e prevenção de
acidentes.
Para implantação de uma política de voltada para segurança do trabalho no Corpo
de Bombeiros, temos favoráveis os seguintes pontos:
1. Hierarquia e disciplina;
2. Estabilidade de emprego;
3. Tempo de serviço na corporação;
4. Tempo disponível para treinamento;
5. EPI’s existentes;
6. Profissionalismo – instrução – técnicas;
7. Mentalidade de segurança estabelecida;
8. Mão de obra técnica existente.
É importante que haja um envolvimento da área de saúde no que diz respeito à
prevenção de acidentes no trabalho, também contando com a opinião dos profissionais
dessa área para que possam opinar em relação às especificações de equipamentos de
proteção individual. Torna-se desnecessário ressaltar que a análise procedida por estes
profissionais é importantíssima para a avaliação das lesões ocorridas em acidentes,
colaborando para evitá-las.
Na parte de medicina ocupacional, possuímos o amparo oferecido atualmente pelo
SAS – Serviço de Assistência à Saúde, que conta com oito hospitais credenciados no
Estado do Paraná e exclusivamente para a PMPR existe o atendimento do HPM – Hospital

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da Polícia Militar. Importante destacar que, desde o ingresso na carreira militar possuímos o
acompanhamento de nossa saúde pela Diretoria de Saúde, através da JOS – Junta
Ordinária de Saúde que possui todo o histórico médico dos militares da Polícia Militar e
Corpo de Bombeiros.
Na ocorrência de um acidente em serviço é importante destacar que todo os
levantamentos relativos ao fato devem ser feitos imediatamente, havendo necessidade da
comunicação formal constando que não houve imprudência, negligência ou imperícia,
sendo anexado cópia do boletim interno atestando a escala de serviço. O documento que
resguarda os direitos dos militares acidentados em serviço na PMPR é o atestado de
origem, e atualmente esta sendo adotado a apresentação dos documentos citados para
confecção do mesmo pela JOS, sendo enviado a documentação através de ofício do
Comandante.
No caso de não serem tomadas as providências, deverá ser comprovado o acidente
através de uma sindicância interna da unidade, podendo inclusive ser indeferida, sendo
necessário nesse caso a instauração de um Inquérito Sanitário de Origem (ISO - Extrato
Instruções Reguladoras dos Documentos Sanitários de Origem – Portaria n° 298-CG, de 31
Jan 1962, Transcrição Boletim n° 241-CG, de 17 Dez 1985).
A Lei que garante direitos aos policiais e bombeiros militares é o Código de
Vencimentos da PMPR (Lei n° 6.417, de 03 Jul 1973), e recentemente foi garantido o direito
a uma indenização em caso de acidente no efetivo exercício da atividade (LEI Nº 14268 -
22/12/2003 regulamentada pelo DECRETO Nº 3494 - 20/08/2004).

Extrato Código de Vencimentos da PMPR – Lei n° 6.417, de 03 Jul 1973


Da Assistência Médica e Odontológica
Art. 60 O Estado proporcionará, aos Policiais Militares da ativa, reserva remunerada
ou reformados, bem como aos seus dependentes, assistência médica e odontológica, na
forma regulamentar.
Art. 61 - Mediante parecer da Junta Médica da Diretoria de Saúde da Corporação, o
Estado fornecerá, gratuitamente, ao Policial Militar ferido ou acidentado em serviço ou
instrução, os medicamentos e aparelhos ortopédicos ou similares, de que vier o mesmo
necessitar.
Art. 62 - Recursos para a assistência Médico-Hospitalar provirão de verbas
consignadas no Orçamento do Estado e de contribuições estabelecidas de conformidade
com o artigo 63.
Art. 63 - Fica instituído o desconto mensal obrigatório de 2% (dois por cento) do soldo
dos Policiais Militares da ativa, reserva remunerada e reformados da Corporação, com a
finalidade de assegurar gratuitamente aos contribuintes e aos seus dependentes a
Assistência Médico-Hospitalar que não for de responsabilidade do Estado.
§ 1º - Para efeito de aplicação deste artigo são considerados dependentes os
definidos no artigo 110 deste Código.
§ 2º - Estão compreendidos nas disposições a viúva do Policial Militar, enquanto
permanecer nesse estado, e aos demais dependentes mencionados no parágrafo anterior,
desde que vivam sob a responsabilidade legal da viúva.
...............................SEÇÃO IV
Dos Incapacitados
Art. 90 - O Policial Militar incapacitado terá seus proventos referidos ao soldo integral
do posto ou da graduação em que foi reformado na forma da Legislação em vigor e as
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gratificações e indenizações incorporáveis a que fizer jus quando reformado pelos


seguintes motivos:
1 - ferimentos recebidos em campanha ou na manutenção da ordem pública ou por
enfermidade contraída nessas condições ou que nelas tenham sua causa eficiente;
2 - acidente em serviço;
3 - doença adquirida em tempo de paz, tendo relação de causa e efeito, em serviço;
4 - doença, moléstia ou enfermidade, embora sem relação de causa e efeito com o
serviço, desde que torne o Policial Militar total ou permanentemente inválido para qualquer
trabalho.
Parágrafo Único - Não se aplicam as disposições do presente artigo ao Policial Militar
que, já na situação de inatividade adquira uma das doenças referidas no item 4º, a não ser
que fique comprovada, por Junta Médica Policial Militar, relação de causa e efeito entre a
moléstia e o exercício de suas funções, enquanto esteve no serviço ativo.
Art. 91 - O Policial Militar, reformado por incapacidade decorrente de acidente ou
enfermidade sem relação de causa e efeito com o serviço, ressalvados os casos do item 4º
do artigo anterior, perceberá os proventos nos limites impostos pelo tempo de serviço
computáveis para a inatividade, observadas as condições estabelecidas nos artigos 85 e 89
deste Código.
Parágrafo Único - O Policial Militar de que trata este artigo não pode receber, como
proventos, quantia inferior ao soldo do posto ou da graduação da ativa, atingido na
inatividade para fins de remuneração.
CAPITULO III
Do Auxílio Invalidez
Art. 92 - O Policial-Militar em atividade, inclusive o de que trata o artigo 94 deste
Código, julgado incapaz definitivamente por um dos motivos constantes do Artigo 90, ao
passar para a inatividade terá direito a um auxílio-invalidez no valor de 20% (vinte por
cento) da "base de cálculo", de que trata o artigo 89, desde que seja considerado total e
permanentemente inválido para qualquer trabalho e sem possibilidade de prover os meios
de subsistência.
§ 1º - Faz jus ao mesmo beneficio o Policial Militar que:
1 - necessitar de hospitalização permanente;
2 - necessitar de assistência e de cuidados permanentes de enfermagem.
§ 2º - Para continuidade do direito ao recebimento do Auxílio invalidez o Policial Militar
ficará sujeito a apresentar, anualmente, declaração de que não exerce nenhuma atividade
remunerada, pública ou privada e, a critério da administração, a submeter-se
periodicamente a inspeção de saúde, de controle. No caso de Oficiais PM mentalmente
enfermo ou de praças PM, aquela declaração deverá ser firmada por dois Oficiais da ativa
da Polícia Militar do Estado do Paraná.
§ 3º - O Auxílio invalidez será suspenso automaticamente pela autoridade competente
se for verificado que o Policial Militar, nas condições deste artigo, exerça ou tenha exercido,
após o recebimento do auxilio, qualquer atividade remunerada, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis, bem como se for julgado apto em inspeção de saúde a que se refere o
parágrafo anterior.
§ 4º - O Auxílio invalidez não poderá ser inferior ao valor correspondente ao
percentual do soldo da graduação de Cabo PM.

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2.4.1. METAS DE SEGURANÇA NO TRABALHO NO CB

• Revisão na política de seleção e recrutamento de pessoal.


• Revisão na política de formação, especialização, aperfeiçoamento e manutenção do
treinamento.
• Desenvolvimento e implantação dos POP (Procedimentos Operacionais Padrão) e
PSP (Procedimentos de Segurança Padrão).
• O estudo e controle dos riscos para eliminação dos mesmos.
• Efetiva prevenção de mortes e lesões bem como danos materiais.
• Criação de um serviço especializado de segurança e medicina do trabalho no
bombeiro.
• Instalação de comissões internas de prevenção de acidentes nas unidades.
• A manutenção da motivação e do interesse pela segurança do trabalho.
• O registro, investigação e análise de acidentes (estatística).
• As inspeções de segurança.
• Publicação de boletins de segurança.
• Laboratório para testes de materiais e equipamentos.
• Convênios com entidades relacionadas com a atividade de segurança do trabalho.
• Programação de palestras, conferências, seminários e SIPAT.

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III. ACIDENTES DO TRABALHO

3.1. DEFINIÇÃO LEGAL

A definição está no Decreto Lei n° 7.036, de 10 de novembro de 1994, que diz:


"ACIDENTE DO TRABALHO É TODO AQUELE QUE SE VERIFIQUE PELO EXERCÍCIO
DO TRABALHO PROVOCANDO DIRETA OU INDIRETAMENTE, LESÃO CORPORAL,
PERTUBAÇÃO FUNCIONAL OU DOENÇA QUE DETERMINE A MORTE, A PERDA
TOTAL OU PARCIAL, PERMANENTE OU TEMPORARIA, DA CAPACIDADE PARA O
TRABALHO".
Considera-se acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de
trabalho e produza direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença
de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte. Considera-se
também acidente de trabalho o ocorrido: (1) No trajeto de ida e de regresso para e do local
de trabalho, nos termos em que vier a ser definido em regulamentação posterior; (2) Na
execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito
econômico para a entidade empregadora; (3) No local de trabalho, quando no exercício do
direito de reunião ou de atividade de representante dos trabalhadores, nos termos da lei; (4)
No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional ou, fora do
local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal
frequência; (5) Em atividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal
concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em
curso; (6) Fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de
serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.
O importante dessa definição é que são considerados Acidentes do Trabalho apenas
aqueles que produzem lesão corporal, não englobando nenhum tipo de acidente com danos
materiais ou perda de tempo. Este conceito caracteriza “FERIMENTO + COMPENSAÇÃO
FINANCEIRA”, pois o trabalhador será amparado legalmente com direitos e benefícios,
tanto da empresa como do governo.
Seguindo a definição legal, apresentamos o quadro estatístico abaixo nos dá idéia de
que era, de fato, lamentável a situação que o Brasil enfrentava na década de 1970. Ao
mesmo tempo, pudemos vislumbrar um futuro mais promissor, que só foi possível pelo
esforço conjunto de toda nação: trabalhadores, empresários, técnicos e governo.

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NÚMERO DE ACIDENTES DO TRABALHO OCORRIDOS NO PERÍODO DE 1971 A 1995


ANOS NÚMERO DE SEGURADOS NÚMERO DE ACIDENTADOS PERCENTUAL
1971 7.553.472 1.330.523 17,61 %
1972 8.148.987 1.504.723 18,47 %
1973 10.956.956 1.632.696 14,90 %
1974 11.537.024 1.796.761 15,57 %
1975 12.996.796 1.916.187 14,74 %
1976 14.945.489 1.743.825 11,67 %
1977 16.589.605 1.614.750 9,73 %
1978 16.638.799 1.551.501 9,32 %
1979 17.637.127 1.444.627 8,19 %
1980 18.686.355 1.464.211 7,84 %
1981 19.188.536 1.270.465 6,62 %
1982 19.476.362 1.178.472 6,05 %
1983 19.671.128 1.003.115 5,10 %
1984 19.673.915 961.575 4,89 %
1985 20.106.390 1.077.861 5,36 %
1986 21.568.660 1.207.859 5,60 %
1987 22.320.750 1.137.124 5,09 %
1988 23.045.901 992.737 4,31 %
1989 23.678.607 888.343 3,75 %
1990 22.755.875 693.572 3,05 %
1991 22.792.858 629.918 2,76 %
1992 22.803.065 532.514 2,33 %
1993 22.722.008 412.293 1,81 %
1994 23.016.637 388.304 1,68 %
1995 23.614.200 424.137 1,79 %
Fonte: INSS - MTb
Acidentes de Trabalho Ocorridos no Período de 1995 à 2005

Fonte: MPAS

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3.2. DEFINIÇÃO PREVENTIVA

CADEIA DE EVENTOS QUE FREQUENTEMENTE TEM COMO PONTO DE


PARTIDA UM INCIDENTE, UMA PERTUBAÇÃO DOS SISTEMAS NO QUAL ESTÃO
INSERIDOS O TRABALHADOR E A SUA TAREFA.
Esta definição engloba acidentes sem lesão, aqueles apenas com danos materiais e
casualidades não registradas como acidentes, são os quase acidentes.
“QUASE - ACIDENTE”
Quando é que um acidente não é um acidente?
Quando é que se trata de um “quase acidente”?
Um quase-acidente é uma ocorrência inesperada que apenas por pouco deixou de
ser um acidente com um trabalhador ou um acidente com um equipamento.
Aqui está um exemplo: um ABT estava estacionado com a traseira voltada para a
rampa de viaturas. Mais ou menos dois metros separavam a traseira do caminhão de um
pilar. Um bombeiro passava entre o pilar e o caminhão. Neste momento, o motorista do
caminhão, sem avisar, acionou o caminhão em marcha-a-ré, para estacionar na rampa. O
bombeiro deu um grito assustado e conseguiu pular para o lado em segurança; por pouco
não foi esmagado contra o pilar. Não houve contato, mas o bombeiro ficou assustado e
nervoso com a experiência.
Este não é um caso de acidente de trabalho. O bombeiro não foi tocado, não foi
fisicamente molestado e do susto só lhe ficou a lembrança. Também não se trata de um
acidente com equipamento, pois nada aconteceu com o caminhão. Não houve falha de
equipamento e o motorista nem se deu conta do ocorrido.
Os bombeiros deveriam ser estimulados a reportar esse tipo de acontecimento?
Esse quase-acidente? A Segurança do Trabalho deve investigar tais ocorrências? O
comando da unidade deve discutir tais casos? Por quê?
Os “quase-acidentes”, assim como os acidentes que não causam ferimentos ou
outros tipos de lesão devem ser investigados quando reportados ou observados. Eles se
constituem em “avisos” daquilo que pode ou provavelmente vai acontecer.
Um acidente quase sempre acontece mais tarde, quando tais “avisos” são ignorados;
mais cedo ou mais tarde o acidente acaba acontecendo. O objetivo da prevenção
organizada de acidentes é evitar todo tipo de acidentes. Os supervisores e os técnicos de
segurança, às vezes, ainda confundem prevenção de ferimentos com prevenção de
acidentes. Eles se impressionam com os acidentes que provocam ferimentos,
principalmente quando estes são graves, mas não se preocupam muito com acidentes com
equipamentos. Isso é errado.
Em primeiro lugar, por definição, o acidente com equipamento sempre tem potencial
para causar ferimentos nas pessoas. Eles podem e, geralmente, resultam em ferimentos
sérios e até fatais.
Em segundo lugar, mesmo quando não acontecem ferimentos, os acidentes sem
lesões representam uma interrupção do processo de produção. Eles geralmente causam
prejuízos em virtude dos danos causados aos equipamentos, redução de produtividade, ou
das horas de trabalho gastas para reparar os estragos ocorridos.
Não devemos esquecer que três são os elementos-chave de um acidente com o
trabalhador para enfatizar o seu sentido completo:

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1 - Os acidentes são inesperados.


Eles tanto ocorrem com trabalhadores experientes como com os inexperientes e são
sempre inesperados para a pessoa envolvida e também para a segurança do trabalho. Por
isso é fundamental o treinamento. para antecipar condições onde o acidente pode ocorrer.
2 - Acidentes são contatos.
Com uma exceção, todos os acidentes com trabalhadores envolvem algum tipo de
contato inesperado entre a pessoa e alguma coisa em seu redor. A exceção é um acidente
por tensão muscular devido á um esforço excessivo. Acidentes por excesso de força não
envolvem contatos com coisas em volta do trabalhador. Um exemplo é o bombeiro que
sofre uma distensão nas costas ao tentar levantar um objeto pesado.
3 - Acidentes interrompem o trabalho.
Os acidentes quase sempre envolvem algum tipo de interrupção do trabalho. Por
definição, portanto, os acidentes prejudicam o esforço da produção e comprometem a
continuidade operacional.
Evitar acidentes e controlar suas causas é um dever de todo cidadão.

3.3. DOENÇA PROFISSIONAL OU DO TRABALHO

Na definição do Decreto Lei n° 7.036, de 10 de novembro de 1994, em seu parágrafo


único ocorre equiparação do acidente do trabalho a doença profissional:
Parágrafo Único: Equiparam-se ao acidente do trabalho, para os fins desta Lei:
I -A doença profissional ou do trabalho, assim entendida a inerente ou a peculiar a
determinado ramo de atividade e constante da relação que constitui o Anexo I do Decreto n°
83.080/79, que regula os benefícios da Previdência Social.
II -O acidente, que ligado ao trabalho, embora não tenha sido a causa única, haja
contribuído diretamente para a morte, ou redução da capacidade para o trabalho.
III -A doença proveniente da contaminação acidental de pessoal de área médica, no
exercício de sua atividade.

3.4. CAUSAS DOS ACIDENTES


Acidentes decorrem através de fatores pessoais (depende exclusivamente do
homem) contribuindo para a maior ocorrência dos acidentes; e de fatores ambientais
(decorrentes das condições existentes nos locais de trabalho). Para fins didáticos, o estudo
das causas dos acidentes de trabalho podem ser divididas em dois grandes grupos:

3.4.1. Atos Inseguros


Aqueles que decorrem da execução de tarefas de forma contrária às normas de
segurança. É toda ação, consciente ou não, capaz de provocar algum dano ao
trabalhador, aos companheiros de trabalho ou às máquinas, aos materiais e
equipamentos. É a violação de um procedimento aceito como seguro, que pode levar
a ocorrência de um acidente.
É possível analisar os fatores relacionados com a ocorrência de atos inseguros com
o objetivo de melhor controlá-Ios Seguem-se alguns fatores que podem levar os
trabalhadores a praticar atos inseguros.
a) Inadaptação entre o homem e a função: alguns trabalhadores cometem atos
inseguros por não apresentarem as aptidões necessárias para o exercício da função; por
fatores constitucionais, isto é, características constantes de sua própria personalidade, ou

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por fatores circunstanciais, que influenciem o seu desempenho no momento como:


problemas familiares, discussão com colegas, abalos emocionais, etc.
b) Desconhecimento dos riscos da função e ou de forma de evitá-los: é comum
um empregado praticar atos inseguros simplesmente por não saber outra forma de realizar
a tarefa ou mesmo desconhecer os riscos a que se está expondo.
c) O ato inseguro pode ser sinal de desajustamento: a noção de ato inseguro
está sempre relacionada com comportamento inadequado. As causas dessa inadequação
podem ser várias e algumas já foram citadas:
- seleção ineficaz;
- falhas de treinamento;
- problemas de relacionamento com chefia e ou colegas;
- política salarial e promocional imprópria;
- clima de insegurança quanto à manutenção do emprego;
- diversas características de personalidade.
Na ótica de atos inseguros temos os fatores pessoais que concorrem para a
ocorrência de um acidente do trabalho, onde causas de acidentes é qualquer fato que, se
removido a tempo, teria evitado o acidente.
Considerando atos inseguros, os acidentes não são inevitáveis, não surgem por
acaso, eles são causados, e, portanto, podem e devem ser prevenidos, através da
eliminação a tempo das suas causas.
A eliminação consiste em fazermos a prevenção ativa, ou seja, fazer com que a
prevenção chegue antes da ocorrência do acidente. Devemos analisar e avaliar os
incidentes, tomando medidas corretivas para que não se repitam.
Atitudes seguras são os comportamentos mentais e físicos que se manifestam nos
indivíduos. Podemos considerar que existem as atitudes seguras e atitudes inseguras.
a) Atitudes inseguras são os comportamentos nos indivíduos negligentes.
b) Atitudes seguras são os comportamentos nos indivíduos prudentes.
Na realidade sabemos que os acidentes são causados na sua maioria, por
problemas de educação para a segurança, pois o ser humano tem como hábito adotar
sempre as atitudes inseguras, é mais cômodo, então vejamos alguns exemplos:
a) Preconceito: “Os acidentes são cavaco do ofício”, “Ser prudente é covardia”;
b) Gosto pelo risco: “Circo – domadores...”, “Fórmula 1 – lutadores”;
c) Imprudência: “Enfrentar um perigo sem necessidade”;
d) Negligência: “Uso de ferramentas inadequadas ou defeituosas”;
e) Distração: “Não dar atenção devida ao trabalho que executa”;
f) Habitualidade: “A rotina conduz ao desprezo aos riscos inerentes ao serviço”;
g) Indiferentismo: “Não tem interesse pela prevenção”;
h) Irreflexão: “Executar trabalho sem raciocinar – galho árvore”;
i) Indecisão: “Não agir na hora oportuna”;
j) Velocidade excessiva: “Chegar com segurança”;
k) Falta de aptidão ou de interesse pelo trabalho;
l) Excesso de confiança;
m) Atitudes impróprias;
n) Incapacidade física para o trabalho;
o) Imprudência, negligência, imperícia, distração, insubordinação,
irresponsabilidade, teimosia, temeridade, gênio violento, falta de concentração,
pressa, todos são fatores que podem levar ao acidente.

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Atos inseguros comumente mais observados no ambiente do trabalho Bombeiro


1. Omissão quanto ao uso dos equipamentos de proteção individual, ou utilização
de forma inadequada ou incompleta.
2. Não observância dos limites de velocidade no trânsito.
3. Utilização de material, ferramental e equipamentos (moto-serras, moto-esmeril,
geradores e desencarceradores) de forma incorreta, não seguindo as normas
de segurança do manual de operação do equipamento.
4. Proceder a manutenção de primeiro escalão em equipamentos e viaturas em
movimento, para-Ias com as mãos ou opera-Ias sem as devidas proteções ou
conhecimentos.
5. Hábitos de carregar ferramentas nos bolsos, deixa-Ias espalhadas no chão no
local da ocorrência ou na rampa, ou atira-Ias para que outros bombeiros as
apanhem.
6. Não utilização do EPC adequado quando necessário ou utilização de EPC sem
conhecimento.
7. Não observância dos procedimentos operacionais, descumprindo a seqüência
correta e segura da execução da operação.
8. Estacionamento de viatura incorreto, não utilização da delimitação e sinalização
do teatro de operações.
9. Não proceder amarrações de segurança e não uso dos cabos da vida no
emprego das técnicas de salvamento vertical.
10. Posição inadequada e amarração das escadas incorretamente.
11. Levantar peso de maneira incorreta, carregar peso superior ao recomendado ou
de modo a dificultar a visão.
12. Não aceitação de determinadas limitações físicas.
13. Inobservância das normas de segurança.

3.4.2. Condições Inseguras


São aquelas que presentes no ambiente de trabalho, colocam em risco a
integridade física e mental do trabalhador, devido à possibilidade de o mesmo
acidentar-se. Tais condições inseguras apresentam-se:
a) na construção e instalações em que se localiza a empresa: áreas insuficientes,
pisos fracos e irregulares, excesso de ruído e trepidações, falta de ordem e de limpeza,
instalações elétricas impróprias ou com defeitos, falta de sinalização;
b) na maquinaria: localização imprópria das máquinas, falta de proteção em partes
móveis e pontos de agarramento, máquinas apresentando defeito;
c) na proteção do trabalhador: proteção insuficiente ou totalmente ausente, roupas
não apropriadas, calçados impróprios, equipamento de proteção com defeito.

Fatores Ambientais (Condições Inseguras nos locais de trabalho)


1. Falhas no planejamento, irregularidades técnicas. deficiências de dispositivos
de segurança, ordens inexeqüíveis, etc.
2. Instalações elétricas inadequadas ou defeituosas (falta de blindagens ou
aterramento e equipamentos elétricos).
3. Ventilação, exaustão, iluminação inadequadas.
4. Ruídos, umidades e temperaturas excessivas.
5. Falta de ordem e limpeza (problemas de espaço e circulação);

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6. Presença, na atmosfera, de gases, vapores, poeiras. fumos. ou névoas


prejudiciais à saúde.
7. Falta de equipamento de proteção -EPI e EPC.
8. Contato com substâncias perigosas.
9. Escadas sem corrimão, mal dimensionadas, com degraus escorregadios ou
escadas de mão trincadas ou ainda pintadas.
10. Ferramentas em mau estado ou defeituosas.
11. Máquinas e equipamentos, em movimento, desprotegidos.
12. Má sinalização no trânsito interno e falta de sinalização de segurança.

O QUE É UM ACIDENTE?

HOM
EM
FATORES ATOS
PESSOAIS INSEGUROS AC
I - LESÃO FÍSICA
DEN - DOENÇAS
TES PROFISSIONAIS
- PREJUÍZOS
MATERIAIS
- PERDA DE TEMPO
ME
IO FATORES CONDIÇÕES
AMBIENTAIS INSEGURAS

3.5. TEORIA DE HEINRICH

É uma teoria que estuda o conjunto de características positivas/negativas (fatores


hereditários: meio social e familiar – atos inseguros – criação de condições inseguras) que
têm como conseqüência um acidente.
Personalidade
Características: É adquirida por hereditariedade, é o caráter no meio social e familiar.
Falhas Humanas
São os traços negativos da personalidade, o homem independe de sua posição
hierárquica e personalidade para cometer falhas.
Atos e Condições Inseguras
Estas, como já vimos em exemplos anteriores, são as causas mais freqüentes dos
acidentes de trabalho.
Acidentes
Podemos ter acidentes com lesão. sem lesão. com perda ou sem perda de tempo e
com danos à propriedade.

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Lesão
É a conseqüência de um acidente que possa causar danos físicos ao acidentado. Os
acidentes provocarão lesões leves ou graves, dependendo do agente causador.

Conjunto de características
positivas/negativas proporcionam
ambiente propicio a ocorrência de
acidentes

Acontecem vários quase-


acidentes devido a atos e
condições inseguras

Ocorre o acidente com


lesão que muitas vezes
pode resultar até em morte

3.6. PREVENÇÃO DE ACIDENTES

Novas filosofias de prevenção envolvem uma série de atividades que transcendem


de longe a convencional Prevenção de Acidentes. Evoluiu desde as precoces ações de
reparação de danos (lesão), à uma conceituação abrangente, a qual examina todos os
fatos negativos, precavendo-se dos acontecimentos indesejáveis ao trabalho.
Hoje o que se vê na área prevencionista são dois tipos de prevenção, a saber:
Prevenção Passiva:
Ou "Prevenção de Repetição de Lesão" é aquela em que alguém sofre uma lesão
séria para sermos tocados em nosso brio profissional e aí pensarmos sobre nossas
RESPONSABILIDADES, tomando algumas medidas para evitar nova ocorrência
semelhante.
Prevenção Ativa:
É aquela em que trabalhamos antes da decorrência do acidente e nesse trabalho
preventivo damos importância a qualquer ocorrência isolada, recaindo na sua
potencialidade de causar uma lesão e não no fato de tê-Ia produzido.

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Doutrina do Incidente:
Estudos foram feitos acerca do assunto, e já em 1931, H. W. Heinrich concluía: O
mais importante do que simplesmente amparar o acidentado, era efetuar uma verdadeira
prevenção, evitando-se como conseqüência os danos físicos ao trabalhador.

1 Lesão incapacitante
29 Lesões não incapacitantes
300 Acidentes sem lesão
Na década de 60, estudos realizados por Frank Bird Jr., baseados em sua teoria
"Controle de Danos", a partir de uma análise de 90.000 acidentes ocorridos numa Empresa
metalúrgica americana. durante um período de mais de 07 (sete) anos, chegou à seguinte
proporção:

1 Lesão incapacitante
100 Lesões não incapacitantes
500 Acidentes com danos a propriedade
Esta nova mentalidade fundamentada em trabalhos desenvolvidos por Heinrich e
Bird, que demonstrava claramente uma programação dos acidentes motivou, em 1969, a
Insurance Company Of North América, através de Bird e John A. Flecher, analisar
1.753.498 casos informados naquele ano por 297 empresas, que empregavam 1.750.000
trabalhadores, chegando a uma relação mais precisa que a dos pesquisadores Heinrich e
Bird.
1 Acidente com lesão grave
10 Acidentes com lesão leve
30 Acidentes com danos a propriedade
600 Acidentes sem lesão ou danos vísiveis
Como vemos, os resultados obtidos mostram que para cada acidente com lesão
grave, haviam 10 acidentes com lesão leve, 30 com danos à propriedade e 600 acidentes
sem lesões ou danos visíveis à propriedade (quase acidentes).
Até então estes estudos previam "Controle de Danos e Controle Total de Perdas",
definidos como sendo unicamente práticas administrativas, quando na realidade, exigiam e
exigem, soluções essencialmente técnicas.
Diante dessa exigência, em 1972, Willie Hammer, especialista em Segurança de
Sistemas, reuniu diversas técnicas fundamentadas nos programas espaciais norte-
americanos, que adaptados à indústria demonstraram ser de grande valia na preservação
dos recursos humanos e materiais dos sistemas de produção.
Assim, a engenharia de segurança e sistemas, apresenta o que pode ser descrito
como um procedimento global, onde se detectam riscos potenciais e se promovem ações
antes que ocorra o acidente, definindo, dessa forma, o procedimento hoje adotado pelas
empresas que efetivamente fazem a prevenção dos acidentes.
Da pesquisa, concluímos:

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a) Dos 641 eventos prejudiciais à Empresa, 600 são classificados como meros
Incidentes; 30 apenas provocam danos à propriedade, 10 originam lesões leves e 01 tem
conseqüência fatal ou grave;
b) Nossas oportunidades nos dias de hoje aumentaram: temos 630 chances de evitar
que o acidente nos atinja.
Diante do exposto, afirmamos que: ACIDENTE É UM EVENTO NEGATlVO
"PROGRAMADO” MAS NÃO DESEJADO, QUE CAUSA UM DANO FÍSICO AO
EMPREGADO E/OU AO PATRIMÔNIO. A expressão programado, não deve ser
compreendida no sentido literário de "dolo", mas sim no sentido técnico de "Provocado por
Omissão", por isso, é que os empregados e membros de CIPA's devem se ater às
condições ambientais dos locais de trabalho, podendo encontrar um grande número de
situações "Programadas". Por exemplo: se em um viatura operacional existe um cabo de
descida em más condições e nenhuma medida corretiva for tomada, estar-se-á
programando um acidente que poderá ocorrer a qualquer momento e cujas conseqüências
poderão ser perdas materiais que lesarão o patrimônio da corporação da qual o homem
também faz parte, até conseqüências com graves lesões e morte.

3.7. CONCLUSÕES DA PREVENÇÃO

Incidente é um evento não desejado que sob circunstâncias ligeiramente diferentes


teria causado lesões ao homem ou danos mensuráveis à propriedade.
Exemplificando: quem de nós não cometeu no dia de hoje uma prática classificável
como incidente?
Talvez, tenhamos cruzado uma esquina com o sinal fechado. Esse fato, sob
circunstâncias um pouco diferentes, um dos carros com velocidade maior, poderia provocar
um acidente com danos ao patrimônio, e quiçá com lesão.
Será que esse "INCIDENTE" poderia ter sido prevenido? Claro que sim, pois tudo o
que não acontece por acaso, pode ser previsto, prevenido, determinado e controlado.
Recapitulando, podemos dizer que todo "INCIDENTE", "QUASE ACIDENTE.. deve
ser entendido como um AVISO, que todos os responsáveis pela segurança, ou seja, todos
nós devemos comunicar para análise e eliminação, verdadeira prática da prevenção ativa.
Na prevenção de acidentes contamos com os seguintes recursos:
a. Treinamento;
b. Adaptação do trabalhador;
c. Proteção coletiva;
d. Normas de segurança;
e. Equipamentos de proteção individual – EPI’s;
f. Equipamentos de proteção coletiva – EPC’s.
Ultimas considerações de prevenção de acidentes:
a. “Segurança numa corporação depende de cada elemento”.
b. “Segurança é educação, que desenvolve no indivíduo a chamada
mentalidade de segurança”.
c. “Acidentes do trabalho causam prejuízos de ordem material, moral e
social, não só à corporação, à comunidade e à nação, mas principalmente ao
próprio acidentado”.

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3.8. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA – EPI E EPC

Atualmente, o conceito de valores das Empresas modernas é que para se manter


uma imagem empresarial é necessária a preservação de seu maior bem, “ o homem” que
compõe os seus quadros de funcionários.
O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado do Paraná,
não pode se furtar a esta realidade. Daí a pergunta especulativa,
“Equipamentos de proteção individual, por que usá-los?”
A proposta é despertar novamente para a segurança do trabalho
no serviço executado pelo Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do
Estado do Paraná.
O Equipamento de Proteção Individual (EPI), como definido na
Norma Regulamentadora 6 ( NR-6 ), da Portaria Nº 3.214, de 8 de
junho de 1978, do Ministério do Trabalho, é todo o dispositivo de uso
individual, destinado a proteger a integridade física do trabalhador.
Levando-se em conta o trabalho ora empreendido, para o Corpo
de Bombeiros, o EPI é todo meio, recurso ou dispositivo de uso
pessoal, destinado a preservar a integridade física do bombeiro,
no exercício das missões regulamentadas pelo Constituição
Federal.
O EPI não é destinado a tornar o bombeiro imune a todos os riscos ou evitar que
possa a vir sofrer acidentes, mas seu principal objetivo é evitar danos a integridade física
do homem ou minimizar as conseqüências dos acidentes, isso significa que mesmo usando
devidamente o material, o bombeiro deve resguardar-se e procurar expor-se o mínimo
possível ao sinistro.
Os EPI`s podem ser usados:
• Continuamente: durante a total execução da tarefa;
• Intermitentemente : vez ou outra durante a execução da tarefa;
• Eventualmente: em determinadas tarefas;
• Em emergências: situações imprevistas ou acidentais.
Os EPI`s, segundo o risco contra o qual devem oferecer segurança, podem ser
destinados para: calor, frio, fogo, ácidos, água, eletricidade, materiais cortantes, materiais
perfurantes, radiações, umidade, poeiras, gases, vapores, etc...
Podem, ainda, serem classificados quanto a parte do corpo que devem proteger,
existindo equipamentos para a cabeça, olhos, ouvidos, aparelho respiratório, mãos, braços,
pernas, pés, tórax, etc. Fator necessário ao uso do EPI é a aceitação espontânea de quem
vai utilizá-lo, reconhecendo-o como nem sempre cômodo, porém indispensável a própria
segurança.
Tem-se de considerar que, de modo diferente do trabalhador em outras áreas, os
componentes das guarnições de Bombeiros, de forma geral, são chamados para agir em
ambientes hostis e de consideráveis “riscos profissionais”, sendo que dificilmente será
encontrada uma condição de trabalho favorável e sem risco para o homem do fogo.
Esse risco profissional está evidenciado na Norma Regulamentadora 9 (NR-9) do
Ministério do Trabalho, que o define como: “ todo agente físico, ergonômico, químico ou
biológico existente nos ambientes de trabalho e capazes de causar danos à saúde do
trabalhador em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de
exposição”; considerando de igual modo como risco ambiental, “ os agentes mecânicos
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e outras condições de insegurança existentes no ambiente de trabalho que provocam


lesões à integridade física do homem”
Enfim, os equipamentos de proteção individual visam à proteção das partes do corpo
humano e de suas funções vitais. Alguns desses tipos de equipamentos são específicos,
como a proteção auricular, óculos de segurança, botas e luvas. Outros são de proteção
global, como, por exemplo, o capacete usado atualmente no Corpo de Bombeiros de
Paraná, o chamado capacete “Gallet”.

3.8.1. Finalidade indireta do equipamento de proteção individual


Se não se esquece da parte humana, da preservação da vida e da integridade física
do bombeiro, a finalidade dos equipamentos de proteção individual, vista pelo Estado, deve
ser, indiretamente, a de não só proteger o homem, como a de também preservar o gasto do
Estado com a formação profissional, evitando assim despesas com o custeio de
tratamentos médicos e hospitalares, a economia com a mão-de-obra paralisada, além de
não onerar o tesouro do Estado com eventuais pensões.
Pode ser desumano pensar sob este aspecto, porém, ao se analisar o custo do
homem impedido de trabalhar, ou mesmo morto, ver-se-á que é elevado; além do mais, a
substituição da mão-de-obra treinada e experiente é impossível ser feita imediatamente,
dificultando, portanto a ação das guarnições de socorro que se encontrarem desfalcadas.
Deve-se, pois, em cumprimento ao que preceituam as leis, dotar nossos bombeiros com o
equipamento de proteção necessário e, sobretudo, treiná-los em seu manuseio, deixando-
os aptos para poderem aproveitar a proteção fornecida. É notório que os efetivos, muitas
vezes, não têm o hábito de utilizar os equipamentos de proteção individual, devido à falta
de costume e uma cultura de segurança, fato este que, aliás, é evidentemente falho na
formação dos homens do fogo. Ainda hoje existem bombeiros que por inconseqüência,
arrojo ou mesmo por desconhecimento das normas de segurança arriscam-se
desnecessariamente, evidenciando-se, portanto, um falso heroísmo, sendo uma má
conduta a não ser seguida.
Não há lógica, por exemplo, em se executar um serviço em altura sem a utilização
de um cabo de vida, ou mesmo executar-se um mergulho sem o devido planejamento e
garantias necessárias, ou ainda, de forma mais explícita, não praticar-se socorrismo sem a
proteção de luvas e outros equipamentos que evitem o contágio de germes e bactérias
existentes ou até mesmo doença infecto-contagiosa.
Não há desculpa possível que justifique qualquer perda ou lesão a qualquer parte do
corpo pelo não uso do equipamento de proteção individual. O serviço de bombeiros, na
atualidade, é eminentemente técnico, devendo ser praticado por técnicos responsáveis e
profissionais, na essência da palavra.

3.8.2. Considerações gerais sobre EPI


Embora se saiba que muitos equipamentos são importados e que não estão
visivelmente adaptados tanto para o nosso clima como também para o biótipo dos homens,
tem-se que concordar que se tratam de peças que garantem boa e eficiente proteção,
necessitando apenas de adaptações que podem ser feitas com facilidade e com a
tecnologia disponível no mercado brasileiro, podendo serem nacionalizadas com relativa
facilidade.
Tome-se, como exemplo, a capa de proteção, que é importada, apresentando
características de material próprio para clima temperado e frio, ou seja, trata-se de um

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equipamento revestido com material isolante térmico, que protege o homem contra
temperaturas próximas ou mesmo menores que zero grau. Quando tais capas são usadas
e, porventura, molhadas, encharcam-se e aumentam de peso, sobrecarregando o
bombeiro, que perde a mobilidade e fica conseqüentemente em situação incomoda.
Diante desse exemplo, observa-se porque muitas vezes os combatentes do fogo não
querem e chegam a se furtar ao uso do equipamento que vai lhes dar a proteção.
Entretanto, concluem-se que o homem bem instruído e treinado deverá adquirir habilidade
do uso do EPI e ganhar confiança no material que lhe for fornecido para uso pessoal.

3.8.3. Importância do EPI como complemento aos equipamentos de proteção coletivo


O uso do EPI é muito importante no serviço de bombeiros, pois, ao contrário de
outros trabalhadores, não existe, para a garantia de sua integridade, equipamentos de
proteção coletiva, pois os locais de sinistros são os mais variados e inesperados, não
contando o combatente do fogo com outros meios senão os existentes nas viaturas e do
que é levado consigo.
Conseqüentemente, é importante que seja aqui evidenciado o que seria básico como
equipamento de proteção individual no Corpo de Bombeiros, sendo isto estabelecido
internacionalmente através de manuais e livros especializados, como as publicações da
National Fire Protection Association, Occupational Safety, da International Fire Service
Training Association, as quais servem de referência universal.
O crânio humano, onde fica localizada a maior parte dos órgãos sensoriais e também
o cérebro, deve ser protegido por um capacete. No Corpo de Bombeiros do Paraná, foi
adotado um capacete de origem francesa, marca “Gallet”, que é um equipamento de
proteção múltipla, sendo o mais indicado no momento; na opinião do autor, estaria faltando,
para a sua complementação, o equipamento de comunicação e de iluminação. Além da
proteção fornecida pelo referido capacete ao crânio, não podemos deixar de lembrar sua
eficiência como protetor da; face, nuca, região auricular, contra irradiação de calor etc.
O equipamento básico individual do combatente do fogo compõe-se também de uma
capa de proteção, devidamente adaptada para o nosso clima e ao biótipo do homem, e de
uma calça composta do mesmo material, prática de ser vestida ou removida, sendo ambas
as peças de fácil limpeza e manutenção.
Para a proteção dos pés, as botas apresentar-se-ão resistentes ao calor, à agressão
de produtos químicos e também a eventuais abrasões.
As mãos do homem serão protegidas por luvas, as quais deverão ser de uso
específico para o trabalho a ser feito, como, por exemplo: se o bombeiro vai executar um
tipo de serviço definido, deverá encontrar na viatura luvas de material que lhe garantam a
proteção como complemento ao par de luvas usado normalmente, ou seja, luvas para
trabalho com produtos químicos; em eletricidade; em trabalho pesado e outros.
Deve-se notar, também, que outros tipos de material de proteção complementares
estarão à disposição dos homens do fogo para eventualidades mais específicas, portanto,
serão encontradas roupas completas resistentes ao ataque de produtos químicos, à
contaminação por partículas sólidas etc.
De acordo com normas internacionais (NFPA - IFSTA), todo bombeiro exposto a
atmosferas perigosas de incêndio e outras emergências em que existem perigos potenciais
devem estar equipados com aparelhos autônomos de proteção respiratórias.
Como vê-se, a proteção respiratória é de importância fundamental, sendo que o
equipamento é que vai permitir a sobrevivência das guarnições. Sem ele o número de

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bombeiros mortos ou inválidos seria enorme, fato este devida à existência de material
diversificado, que, em presença de fogo, está sujeito a tornar-se agressivo ao organismo
humano, sendo encontrado no cotidiano , nos lares, e em locais de trabalho
Concluindo, o homem deve ter o material de proteção individual, prático e de fácil
manuseio, compatível com o seu biótipo, não vindo a estafá-lo simplesmente pelo seu uso.

3.8.4. Implicações do não uso do EPI


O não emprego de equipamento de proteção individual, seja pela sua inexistência,
por não estar disponível ao homem em seu cotidiano, ou mesmo pelo não uso em função
de sua pura vontade, tem conseqüências diretas, pelo risco desnecessário ao qual o
próprio homem se expõe, e indiretas, se pensadas à luz do Direito.
A Medicina do Trabalho compreende um estudo das formas de proteção à saúde do
trabalhador enquanto no exercício do trabalho. A segurança do trabalho, por seus aspectos
técnicos, em face da ação traumática e não patogênica, não pertence à Medicina, mas sim
à Engenharia do Trabalho, não obstante sua conexidade. “Segurança e medicina do
trabalho” é a denominação que trata da proteção física e mental do homem, com ênfase
especial para as modificações que possam advir do seu trabalho profissional. Esta situação
fática jurídica é amplamente estendida ao trabalhador Bombeiro, mesmo sendo ele
funcionário do Estado. O Governo, em casos de medidas judiciais levadas por acidentes de
trabalho, será obrigado a indenizar e cuidar do homem,
A omissão do empregador, aqui o Estado, na adoção de medidas tendentes à
prevenção de acidentes, pode ocasionar, de acordo com a gravidade ou repetição dos
fatos, conseqüências jurídicas diversas, particularmente no campo do Direito Civil, sendo
responsabilizado pela indenização, além das decorrentes do seguro obrigatório etc.
É sabido que não existe possibilidade de se alegar o desconhecimento da lei; há, no
Brasil , a manifestação legal que visa proteger todos os trabalhadores no que tange à
segurança . Os homens do fogo, quer policiais militares ou não, são também trabalhadores
e como tais desenvolvem uma atividade de alto risco e insalubre em seu grau máximo. Tem
- se conhecimento que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso XXII , prevê
que;
“ ...são direitos dos trabalhadores urbanos ou rurais a redução dos riscos
inerentes ao trabalho, por meios de normas de saúde, higiene e segurança.”
A Consolidação das Leis do Trabalho também enfatiza em seus artigos 154, 155,156
, 157 e 158 a política de segurança e da medicina do trabalho, deixando claro ser isto para
todo os cidadãos, e podendo esta, de forma subsidiária, ser estendida para os bombeiros.
O uso do equipamento de proteção individual é obrigação legal, estatuída como foi
salientado. A Consolidação das Leis do Trabalho em seu artigo 158, letra “b” , refere-se a
ele, observando ainda que o mesmo, recebido pelo trabalhador, não poderá ser
interpretado como salário.
A própria legislação acima citada, em seu artigo 166, diz que:
“...a empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente,
equipamento de proteção individual e em perfeito estado de funcionamento, sempre
que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de
acidentes e danos à saúde dos empregados.”
Daí , ser o acidente do trabalho aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho, a
serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional ou mesmo doença
que cause morte, perda, redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho;

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isto diz respeito também à causa que, não sendo única, tenha contribuído para o resultado,
podendo ocorrer no local do trabalho, a serviço da empresa, nos intervalos ou mesmo a
caminho, aqui conhecido como “ acidente in itinere“, que é o acidente sofrido no
deslocamento entre a residência e o quartel e vice-versa.
A lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que modificou a Consolidação das Leis do
Trabalho em seu Capítulo V, do Titulo II , em seu artigo 157 , estabelece as obrigações das
empresas, e no artigo 158, a obrigação dos empregados no que tange à segurança do
trabalho. A Portaria 3.214, de 8 de junho de 1978, com base no artigo 200 da CLT ,
aprovou, em seu artigo 1º, as Normas Regulamentadoras ( NR ) previstas no Capítulo V,
Titulo II , da indicada Consolidação.
O que interessa observar é a NR6, que trata de equipamentos de proteção individual,
estabelecendo em seu item 6.2 a obrigatoriedade do empregador em fornecer equipamento
de proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e
funcionamento. Ainda neste item 6.2., letra “c”, é previsto o uso de EPI em atendimento a
situações de emergência. Também deve-se observar a NR9, que versa sobre riscos
ambientais, a qual será estudada no próximo capítulo.

3.8.5. Equipamentos de Proteção Coletiva


EPC é todo meio de uso coletivo destina do a proteger a integridade física dos
trabalhadores durante o exercício do trabalho, contra os infortúnios, que são os acidentes
do trabalho.Temos como exemplo o exaustor/ventilador que melhora as condições de
salubridade, favorecendo os trabalhos no combate a incêndios.

3.8.6. Equipamentos de Proteção Individual em uso no CB


a. Capacete:
Equipamento de proteção individual, destinado a proteger a cabeça contra a queda
de telhas, tijolos, vigas, bem como outros impactos. Para o trabalho de combate a incêndio,
salvamentos/desaterros, nós utilizamos o capacete GALLET F1 que possui uma
composição de fibra de carbono prensada protegendo a cabeça contra choques, objetos
cortantes, projeções de produtos sólidos, líquidos e corrosivos, calor “radioso”, chamas e
ainda corrente elétrica. Além disso, está planeado para permitir a adapatação de sistema
de ligação rádio, iluminação, tira de proteção de nuca e equipamento de proteção
respiratória, a sua proteção é de aproximadamente 600 ºC. A sua superfície é reflexiva para
proteger contra a irradiação do calor.

b. Luvas:
São apetrechos de couro, Kevlar, raspa, vaqueta, amianto ou outro material que
protege contra a eletricidade, calor e outros agentes físicos e químicos.
A luva Fireman V segue a mesma estrutura da capa de aproximação, ou seja:
• Inicialmente um revestimento em couro azul que propicia resistência ao calor
e à abrasão;
• Abaixo do couro temos uma camada de um polímero (plástico) que garante a
impermeabilidade contra a água;
• Finalmente, internamente temos uma camada de forração em fibra que
garante a isolabilidade térmica.

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c. Capas de bombeiros:
Vestuário que se destina a proteger o tronco e os braços do Bombeiro contra a
umidade e o calor radiante.

As capas de combate a incêndio são confeccionadas em fibra poliamida aramida


com cobertura de neoprene, camada intermediária em manta isolante términa anti-chama e
tecido interno em algodão anti-chama com nomex, destina-se exclusivamente a combate a
incêndio e aproximação. Suporta o calor equivalente a 1,9 Kcal/ cm2 em um segundo,
permite ainda a respirabilidade (de dentro para fora) e é impermeável a líquidos e respingos
de solução sulfúrica a 98% e sua proteção de calor é de aproximadamente 800 ºC. Possui
ainda gola alta para complementar a proteção do pescoço e garganta e punho interno
sanfonado em malha de nomex para minimizar a entrada de líquidos e fragmentos sólidos

d. Botas:
Calçado de couro ou borracha com um cano que envolve a perna até o tornozelo ou
até o joelho, utilizado para proteção em áreas inundadas, materiais cortantes ou
perfurantes.
A bota utilizada pelo CB (black diamond) foi construída baseada em normas da
Associação Nacional de Proteção à Incêndios (NFPA).
O calçado para combate a incêndios é desenhado para prover proteção térmica e
física limitada para os pés e tornozelos quando propriamente em uso evitando a fadiga dos
pés, pernas e região lombar, sendo desenhada com um componente especial concebido
para prevenir rachaduras, refração e outros efeitos. A bota não é indicada contra riscos
radiológicos, biológicos ou químicos, também não são recomendadas para a imersão em
fogo, contato direto com chamas e metais super aquecidos.
As botas Black Diamond possuem três indicações quando a sua composição:
O selo verde encontrado na parte interna da bota indica que está certificada com o
grau 1 da CSA (Associação Canadense de Padrões), ou seja, calçado com bico de aço que
suporta mais de 45 kg.
O triângulo verde significa que as botas são equipadas com bico de aço grau 1
( 45Kg de impacto) e uma sola de aço contra perfurações de um prego a uma pressão de

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126kg. Nossa sola de aço, que também compreende proteção para calcanhar e biqueira, é
resistente à ferrugem e testada com mais de 1.500.000 flexões sem quebrar.
O símbolo “ômega” nos demonstra que a bota possui resistência ao choque elétrico
e risco elétrico, testadas `18.000 volts @ 60 Hz por um minuto sem deixar escapar mais de
um mA.
Limitações de uso:
Calçados de proteção não são destinados contra riscos radiológicos, biológicos ou
químicos. Também não são destinados para situações de "imersão" em fogo; contato direto
com chamas e metais super aquecidos devem ser evitados.
Limpeza e secagem das botas:
Botas de borracha Black Diamond para Bombeiros são feitas com um componente
especial concebido para prevenir rachaduras, refração e outros efeitos danosos do ozônio.
Para aumentar a vida útil de suas botas B. D., siga estas instruções:
• Lave a sujeira, óleos e qualquer produto químico com sabão suave e água.
Enxágue e seque bem antes de estocá-las, guardá-las ou colocá-las em uso;
• Quando estocadas, preencha seu interior com trapos limpos e secos ou
jornais para prevenir o mofo;
• Sempre acondicione suas botas na posição "em pé", sem dobrá-las. Dobras
irão eventualmente enfraquecer a borracha;
• Guarde suas botas longe de aparelhos que produzam ozônio, tais como
motores elétricos e luzes de neon.
Inspeção e manutenção:
É importante inspecionar o calcado quanto à limpeza, uso excessivo ou danos, antes
e depois de cada uso. Testes regulares tem sido realizados como os indicados na NFPA
quanto a resistência à água.
Calçados indicando sinais de danos, enfraquecimento ou degradação, relativos a
qualquer item de qualidade requerido pela NFPA, devem ser repostos.
Nenhuma bota deve ser usada por Bombeiros sem que esteja limpa e seca.
A vida útil do calcado depende do tipo de calcado, das condições do ambiente que
podem afetar o uso, do tipo de contaminação e degradação.
Contaminação:
Leis Federais, estaduais e locais com respeito a contaminação de calcados (exemplo
do tradutor NBR), devem ser seguidas. (nota do tradutor: mais detalhes com respeito à
contaminação no local da ocorrência em que o calçado esteja envolvido, consultar a
ABIQUIM).
Nota: muitas das propriedades dos calçados dos bombeiros, como as exigidas pela NFPA,
não podem ser testadas nos locais das ocorrências.

e. Roupa aluminizada:
Vestuário revestido por alumínio que protegem contra ação do calor radiante e
eventualmente, do contato direto com o fogo.

f. Óculos:
Utilizado para proteger os olhos contra fagulhas, fumaça, poeira, ácidos, etc.. Bem
como contra ferimentos provenientes de impacto de partículas, durante utilização de
equipamentos tipo moto esmeril e outros.

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g. Roupa de amianto:
São roupas de amianto, proteção geral para o corpo devido ao produto
incombustível com que são confeccionados. Podem ou não serem pintadas
com tintas aluminizadas refletivas de calor irradiado.
Pode-se com esse tipo de roupa, entrar em locais incendiados e expor-
se a chama direta, porém o tempo de exposição não pode muito longo,
porque se é verdade que ela não queima, também é verdade que não é
térmica, o que fará que o corpo esquentará até não mais suportar o calor.
Há que se considerar também, a possível falta de oxigênio em locais
confinados. Não devem as roupas de amianto serem lavadas, pois a água
retira asbestos das fibras diminuindo-se a resistência
Após o uso guardá-la em cabide de local arejado para não embolorar.

h. Protetor de ouvidos:
Aparelho destinado a proteção do canal auditivo em locais que o nível de ruído
apresente picos de energia acústica superior a normal.

i. Caneleira:
Equipamento destinado a proteção da perna do BM entre o tornozelo e o joelho,
contra choque provenientes de lascas ou outros objetos que possam ser arremessados
durante o uso de moto serras, moto esmeril e outros.

j. Protetor Facial:
Destinado a proteção contra lesões ocasionadas por partículas, respingos, vapores
químicos e radiações luminosas intensas.

l. Avental de Raspas:
Equipamento destinado a proteção do tronco do BM, durante trabalhos realizados
com a moto esmeril e corte com oxi-acetileno.

m. Roupa de apicultor:
São roupas especiais que visam a proteção do usuário contra picadas de abelhas ou
outros insetos nocivos. Essas vestimentas são confeccionadas em tecido resistente, com
tonalidades clara e envolvem o usuário dos pés a cabeça, proporcionando uma proteção
total ao corpo. Devem acompanhar esse equipamento um capuz, com visor de tela,
perneiras e luvas. As vestimentas de proteção contra insetos devem ser acondicionadas em
local ventilado e seco; evitar que sejam guardadas, quando estiverem molhadas ou mesmo
úmidas.

n. Cinto de segurança para bombeiros - ziegler


Cinto de qualidade, em poliéster, cor preto, com 85mm de largura e bolsa com
machadinha, 2 fivelas fixas e uma corda de segurança de poliéster encapada em couro
cromo de 800mm de comprimento, 12mm de diâmetro, com olhais em ambas as pontas e
gancho de engate em um lado, peso 1 (um) kg; norma alemã DIN 14923; Teste de
Resistência 16 KN (1.631 kg).Disponível nas seguintes medidas:1 – 800 a 1000 mm de
cintura; 2 – 900 a 1100 mm de cintura; 3 – 1000 a 1200 mm de cintura; 4 – 1100 a 1300
mm de cintura.

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IV. RISCOS PROFISSIONAIS NO TRABALHO

Durante muito tempo a segurança do trabalho foi vista como um tema que se
relacionava apenas com o uso de capacetes, botas, cintos de segurança e uma série de
outros equipamentos de proteção individual contra acidentes.
A evolução tecnológica se fez acompanhar de novos ambientes de trabalho e de
riscos profissionais a eles associados. Muitos desses novos riscos são pouco ou nada
conhecidos e demandam pesquisas cujos resultados só se apresentam após a exposição
prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos à sua saúde e integridade física.
A exposição do trabalhador ao risco gera o acidente, cuja consequência nesses
casos tem efeito mediato, ou seja, ela se apresenta ao longo do tempo por ação cumulativa
desses eventos sucessivos. É como se a cada dia de exposição ao risco, um pequeno
acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo. As consequências dos acidentes do trabalho
desse tipo são as doenças profissionais ou ocupacionais.
A maneira verdadeiramente eficaz de impedir o acidente é conhecer e controlar os
riscos. Isso se faz, no caso das empresas, com uma política de segurança e saúde dos
trabalhadores que tenha por base a ação de profissionais especializados, antecipando,
reconhecendo, avaliando e controlando os riscos. Para padronizar esse trabalho foi
estabelecida a obrigatoriedade de os empregadores elaborarem um Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais, conhecido pela sigla PPRA. Esse programa, objeto de
uma Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho (NR-9), estabelece as diretrizes de
uma política prevencionista para as empresas. As doenças profissionais são causadas por
agentes ambientais de natureza variada ocasionando afecções provocadas por uma ação
lenta, repetida e durável; originadas pela exposição do organismo humano no exercício
profissional.
A legislação considera riscos ambientais os existentes nos ambientes de trabalho e
capazes de causar acidentes ou doenças profissionais em função de sua natureza,
concentração, intensidade e tempo de exposição, tendo como agentes os seguintes:

4.1. AGENTES FÍSICOS


Estes são representados pelo ambiente de trabalho, que constituem ação da
temperatura, iluminação, frio, calor, ruído, trepidações, e outras que podem causar no
organismo humano doenças ou danos à saúde. Vejamos:
a. Iluminação Inadequada
A falta ou excesso de iluminação, além de interferir na qualidade final do serviço
e criar situações de emergência das quais provém as ocorrências de acidentes, causa
também a redução da capacidade visual, devido ao esforço de fixação de imagem ou à
contração nos casos de excesso de iluminação. Exemplo: não instalar geradores de
iluminação com holofotes em atendimento a acidentes e incêndios.
b. Vibração
As problemas físicos motivados pela vibração aparecem na grande dos casos,
após longo tempo de exposição. Nos casos de vibração de todo o corpo, podem aparecer
problemas renais e casos de dores fortes na coluna. As vibrações localizadas nos braços e
mãos, provocam deficiências circulatórias e nas articulações. Exemplos: mangueiras sendo
operadas de bomba à pistão, moto serra, moto esmeril.

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c. Frio
Os casos mais comuns que se destacam pela ação do frio são queimaduras pelo
frio, gripes, inflamações das amídalas e da laringe, resfriados, algumas alergias, problemas
circulatórios.
Geralmente essas ocorrências predominam em empresas tais como:
industrialização de pescados, frigoríficos, indústria de alimentos congelados, etc.
d. Calor
Os trabalhadores expostos aos efeitos do calor estão propensos a problemas
como insolação, câimbras e alguns casos de problemas com o cristalino do globo ocular,
mais conhecida como a catarata. Convém esclarecer que os fatores comentados,
geralmente aparecem devido à exposição excessiva ao calor. Paralelamente ao calor
podemos acrescentar as chamadas radiaç ões ultravioletas – que podem provocar
queimaduras, inflamação nos olhos (casos de conjuntivite) conforme o tempo de exposição.
O ser humano mantém uma temperatura interna aproximadamente constante (em
torno de 37ºC) seja qual for a temperatura externa (do ambiente). Essa característica está
ligada a existência de um mecanismo fisiológico de regulação da temperatura interna do
corpo, o qual é responsável pela conservação e dissipação do calor.
A temperatura da pele, para que se mantenha o equilíbrio térmico entre o corpo e
o ambiente, deve ser sempre menor do que a temperatura central do corpo em mais ou
menos 1ºC. O equilíbrio térmico entre o corpo e o ambiente baseia-se na igualdade:
Quantidade de calor recebida = Quantidade de calor cedida.
As trocas de calor necessárias para que se mantenha essa igualdade dependem,
fundamentalmente, das diferenças de temperaturas entre a pele e o ambiente e o da
pressão de vapor d'água no ar em torno do organismo, a qual, por sua vez, é influenciada
pela velocidade do ar. É importante ressaltar que a troca de calor sempre ocorre no sentido
do corpo com maior temperatura para o de menor temperatura.
São quatro as formas pelas quais se procedem essas trocas:
• Condução - pelo contato direto do corpo com objeto mais quente;
• Convenção - através do ar ou de outro fluido em movimento;
• Radiação - através de ondas eletromagnéticas (normalmente o infravermelho).
Esses três processos podem ocorrer devido a existência de fontes externas com
temperatura mais elevada do que a da pele. Esse calor transferido é chamado de calor
sensível.
Existe ainda um quarto processo que está ligado ao calor latente, utilizado para
mudança de estado (de água, em estado líquido para vapor d'água).
• Evaporação - Esse processo de troca ocorre sem que seja modificada a
temperatura. Assim, o calor recebido pelo corpo, nos casos de exposição a
temperaturas elevadas, é utilizado pelo organismo para evaporar parte da
água interna através da sudorese, não permitindo o aumento da temperatura
interna.
Os fatores que determinam a sobrecarga térmica são: a temperatura ambiente, a
umidade relativa, o calor radiante, a velocidade do ar e o metabolismo gerado no
desenvolvimento do trabalho/atividade. Por conseguinte, qualquer método de trabalho que
vise a avaliação da sobrecarga térmica deverá levar em conta os citados fatores.
Existem diversos métodos e estudos que pretendem avaliar, mediante a
utilização de um índice as características do ambiente, bem como, os limites aceitáveis de
exposição ao calor aos quais podem estar expostos os trabalhadores. No entanto, devido a
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grande quantidade de variáveis envolvidas no processo não se conseguiu ainda nenhum


método que reflita de maneira fiel a avaliação da sobrecarga térmica. Portanto, para os
serviços dos bombeiros tem-se que ter a consciência de utilizar todos os meios de
proteção.
e. Ruído
Certas máquinas, equipamentos, ou operações produzem um ruído agudo e
constante. Estes níveis sonoros, acima da intensidade aceitável, conforme específica
legislação de acordo com a duração de exposição no ambiente de trabalho, provocam, em
princípio, a irritabilidade ou uma sensação de ouvir o ruído mesmo estando em casa. Com
o passar do tempo, a pessoa começa a falar mais alto, ou perguntar constantemente, por
não ter entendido. Este é o início de uma surdez parcial que, com o tempo, passará ser
total e irreversível. Exemplo: Trânsito urbano, geradores, moto esmeril, motosserras,
bomba do ABT, etc.
Vejamos agora um extrato da NR 15, que trata de atividades e operações insalubres,
que trata de Ruído e Calor:
EXTRATO DA NR-15 ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES
15.1 São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem:
15.1.1 Acima dos limites de tolerância previstos nos Anexos n.ºs 1, 2, 3, 5, 11 e 12;
15.1.2 Revogado pela Portaria nº 3.751, de 23-11-1990 (DOU 26-11-90)
15.1.3 Nas atividades mencionadas nos Anexos n.ºs 6, 13 e 14;
15.1.4 Comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho, constantes dos
Anexos nºs 7, 8, 9 e 10.
15.1.5 Entende-se por "Limite de Tolerância", para os fins desta Norma, a concentração ou
intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao
agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.
15.2 O exercício de trabalho em condições de insalubridade, de acordo com os subitens do
item anterior, assegura ao trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o salário
mínimo da região, equivalente a:
15.2.1 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo;
15.2.2 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio;
15.2.3 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo;
15.3 No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será apenas considerado
o de grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial, sendo vedada a percepção
cumulativa.
15.4 A eliminação ou neutralização da insalubridade determinará a cessação do pagamento
do adicional respectivo.
15.4.1 A eliminação ou neutralização da insalubridade deverá ocorrer:
a) com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro
dos limites de tolerância;
b) com a utilização de equipamento de proteção individual.
15.4.1.1 Cabe à autoridade regional competente em matéria de segurança e saúde do
trabalhador, comprovada a insalubridade por laudo técnico de engenheiro de segurança do
trabalho ou médico do trabalho, devidamente habilitado, fixar adicional devido aos
empregados expostos à insalubridade quando impraticável sua eliminação ou
neutralização.

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ANEXO Nº 1 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE

1. Entende-se por Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação de Limites de


Tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto.
2. Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com
instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito
de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador.
3. Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância
fixados no Quadro deste anexo.
4. Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário será considerada a máxima
exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado.
5. Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não
estejam adequadamente protegidos.
6. Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído
de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se
a soma das seguintes frações:

exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância.


Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de
ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível, segundo o
Quadro deste Anexo.
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7. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo


ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e
iminente.
ANEXO Nº 2 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS DE IMPACTO
1. Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica de
duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.
2. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de nível de
pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para impacto. As leituras
devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância para ruído de
impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser
avaliado como ruído contínuo.
3. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito de
resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida (FAST) e
circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância será de 120 dB(C).
4. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção adequada, a
níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB(LINEAR), medidos no circuito de resposta
para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no circuito de resposta rápida (FAST),
oferecerão risco grave e iminente.
ANEXO Nº 3 - LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR
1. A exposição ao calor deve ser avaliada através do "Índice de Bulbo ÚmidoTermômetro
de Globo" - IBUTG definido pelas equações que se seguem:
Ambientes internos ou externos sem carga solar:
IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg
Ambientes externos com carga solar:
IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg
onde:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural
tg = temperatura de globo
tbs = temperatura de bulbo seco.
2. Os aparelhos que devem ser usados nesta avaliação são: termômetro de bulbo úmido
natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum.
3. As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à altura da
região do corpo mais atingida.
Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho
intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço.
1. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido Quadro n º 1.
QUADRO Nº 1

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2. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos


legais.
3. A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita consultando-se
o Quadro nº 3.
Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho
intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso).
1. Para os fins deste item, considera-se como local de descanso ambiente termicamente
mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve.
2. Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro nº 2.
QUADRO Nº 2

Onde: M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora.


3. As taxas de metabolismo serão obtidas consultando-se o Quadro n º 3.
4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos
legais.
QUADRO Nº 3 - TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE

4.2. AGENTES MECÂNICOS


Que constituem ação patológica de atritos e fricções, traumatismo e acidentes
profissionais no organismo humano, em função da natureza do trabalho.
Os agentes mecânicos de doenças profissionais se caracterizam pelas atitudes e
hábitos profissionais, os quais são transmitidos ao esqueleto e órgãos do corpo. São os

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responsáveis diretos por lesões e traumas provocados aos trabalhadores, e os principais


responsáveis por acidentes do trabalho.
Exemplos:
• Ferramentas defeituosas;
• Máquinas sem proteção;
• Ligação elétrica deficiente.

4.3. AGENTES QUÍMICOS


Que constituem ação tóxica e venenosa no organismo. São responsáveis por alto
percentual de doenças profissionais. Os agentes químicos podem ser encontrados nas
formas gasosa, líquida, que quando absorvidos pelo nosso organismo, produzem, na
grande maioria dos caos, reações que são chamadas de venenosas ou tóxicas.
Existem três meios básicos de penetração de tóxicos no corpo humano:
• Via respiratória: por inalação, isto é, ao respirar num ambiente contaminado.
• Via cutânea: por contato com a pele, que absorve a substância tóxica.
• Via digestiva: pela ingestão, ao engolir, acidentalmente, o tóxico.
Um agente químico absorvido tanto pela via respiratória, cutânea ou digestiva, pode
depositar-se em qualquer órgão do corpo humano. Alguns metais como cobre e mercúrio
podem fixar-se nos rins, criando uma insuficiência renal. Outro caso é o monóxido de
carbono, que afeta as células do coração. Nas intoxicações de chumbo, monóxido de
carbono, arsênico, ocorrem problemas neurológicos.
a. Via respiratória
Nas operações de transformação de um produto original pelo processamento
industrial dispersam na atmosfera substâncias, tais como: gases, vapores, névoas,
gotículas, fumos, poeiras, fumaças, etc.
Exemplos:
Fumaça em incêndios, gases ácidos, liberação de gases tóxicos em acidentes
com produtos químicos. Esses elementos penetram no organismo, pela via respiratória,
atingindo desde as vias áreas superiores até os alvéolos e o tecido conectivo pulmonar,
criando casos de asma, bronquites, pneumoconiose (alteração da capacidade respiratória,
devido à inalação de poeiras).
b. Via cutânea:
A pele tem várias funções e entre elas a principal é a proteção contra as
agressões externas. Entretanto há vários grupos de substâncias químicas que penetram,
principalmente, pelos poros; desta maneira, algumas substâncias e vapores têm o poder de
fixar-se no tecido adiposo subcutâneo.
Uma vez absorvida, a substância tóxica entra na circulação sangüínea,
provocando alterações, as quais poderão criar quadros de anemia, alterações nos glóbulos
vermelhos e problemas da medula óssea.
A substância, uma vez fixada no órgão de afinidade. inicia os distúrbios no
organismo, levando muitas vezes, a sérios prejuízos à saúde.
c. Via Digestiva
Normalmente, a ingestão de substâncias tóxicas pode ser considerada um caso
acidental. Desta maneira, poucos são os casos de doenças profissionais citadas dentro
dessas condições.

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Os poucos casos, encontrados são de manifestação dentária, da mucosa ao


longo do tubo digestivo e do fígado. Certos hábitos tais como roer as unhas, ou limpá-Ias
com os dentes são as principais causas de ingestão de substâncias tóxicas.

GASES E VAPORES NO AMBIENTE DE TRABALHO


São numerosos os gases e vapores que podem estar presentes na atmosfera dos
ambientes de trabalho e quando inalados, desenvolvem efeitos irritantes, principalmente
nas vias respiratórias. Eles também podem agir, quando no estado líquido, sobre a pele
determinando queimaduras ou inflamação.
O controle dos riscos causados por estas substâncias se faz através da detecção de
sua presença no ambiente de trabalho e das observações clínicas de seus sintomas em
trabalhadores expostos.
Os gases e vapores irritantes produzem uma inflamação nos tecidos das vias
respiratórias que pode levar ao edema pulmonar, derrame pleural e outras reações. Eles
também podem causar manifestações como rinite, faringite e laringite, tosse e dor no peito
que deve ser encarada como um sinal de agravamento e de alarme para prevenir
exposições excessivas que podem afetar gravemente o aparelho respiratório.
Outros irritantes agem sobre os brônquios originando bronquites ou
broncopneumonia. O edema pulmonar que em geral é uma manifestação grave pode
acontecer de 4 a 24 horas após a exposição.
O local de ação é em geral determinado pela sua solubilidade. Aqueles que são
muito solúveis na água serão rapidamente absorvidos pelas vias aéreas superiores onde
agem como irritantes. Os de baixa solubilidade na água agirão mais adeante, no pulmão.
Vem a seguir os de solubilidade intermediária cuja ação se faz no correr de todo o aparelho
respiratório.
Ainda há que se levar em consideração a concentração e as propriedades químicas
destas substâncias.
Os gases e vapores quando não controlados nos ambientes de trabalho, podem,
portanto, provocar uma alteração crônica das vias respiratórias decorrente de uma
exposição aguda ou crônica do trabalhador com estas substâncias se não houver algum
sistema de proteção coletiva ou individual que evite o contato desses irritantes com o seu
organismo.
Os gases irritantes são divididos em duas categorias:
1 - os irritantes primários que atuam no local de contato com o organismo. Não
exercem ação tóxica sistêmica, isto é, não atingem o organismo como um todo.
1. 2 - os irritantes secundários que atuam no local do contato com o organismo,
especialmente as membranas mucosas. Há um efeito geral no organismo decorrente do
fato de serem absorvidos.
Vejamos alguns exemplos de irritantes primários:
a) Amônia - é um gás incolor. A grande solubilidade da amônia faz com que ela seja
retida nas porções iniciais do trato respiratório onde atua. Os pulmões raramente são
afetados. A irritação das vias aéreas superiores e a dos olhos, provocadas pela amônia é
de tal ordem que faz com que as pessoas se afastem do local imediatamente evitando
exposição mais demorada.
b) Ácido Sulfúrico - Forma névoas irritantes. Irrita as vias respiratórias superiores, a
pele, e os olhos provoca erosão dentária. Ele é mais irritante quando aumenta a umidade.

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c)Ácido fluorídrico - Seus vapores irritam as vias aéreas superiores e a mucosa


ocular. Provoca queimaduras na pele e ulceras muito dolorosas e de difícil tratamento.
d) Formol - É um poderoso irritante da pele, das mucosas e das vias respiratórias.
Atua como alergisante e provoca eczemas.
e) Anidrido sulfuroso - É causador de doença asmática e aumenta a prevalência de
doenças crônicas pulmonares.
f) Cloro - provoca sensação de sufocamento, dor no peito, tosse, cianose, escarro
sanguinolento, dor de estômago, náuseas e vômitos e edema pulmonar.
g) Ozônio - é um severo irritante das mucosas. É um gás incolor, muito reativo com
cheiro característico que aparece por exemplo na solda. Diminui a acuidade visual, dá falta
de ar, tosse, constrição torácica, perturbação da coordenação e dependendo da
concentração, morte.
Como irritantes secundários temos os seguintes exemplos:
a)Hidrogênio sulfurado; Gás sulfídrico; Sulfeto de hidrogênio. O gás sulfidrico além
da sua ação irritativa local, exerce uma ação sistêmica que se caracteriza por uma
excitação seguida de depressão do sistema nervoso, particularmente do centro respiratório
que pode levar rapidamente à morte.
Esses exemplos foram dados somente com a finalidade de mostrar que com gases e
vapores não se brinca. São traiçoeiros e não costumam mandar recado. Portanto se você
tiver que trabalhar em qualquer atividade que possa dar origem a algum gás precavenha-
se. Proteja-se seguindo as regras de segurança estabelecidas para esse tipo de trabalho.

4.4. AGENTES BIOLÓGICOS


São microorganismos presentes no ambiente de trabalho, tais como: bactérias,
fungos, vírus bacilos, parasitas e outros que constituem a ação de microorganismos
patogênicos no organismo humano, conforme o grau de exposição na natureza de seu
trabalho. É uma área de Doença Profissional complexa, porque o homem quando infectado
se torna hospedeiro e transmissor.
Estes microorganismos são invisíveis a olho nú, sendo visíveis apenas ao
microscópio. Estes agentes biológicos são capazes de produzir doenças, deterioração de
alimentos, mau cheiro, etc. Apresentam muita facilidade de reprodução, além de contarem
com diversos processos de transmissão.
Os casos mais comuns de manifestação são:
• Ferimentos e machucaduras onde podem provocar infecção e contaminação.
• Hepatite, tuberculose, micoses da pele etc., que podem ser levados por outros
funcionários para o ambiente de trabalho.
• Diarréias causadas pela falta de asseio e higiene em ambientes de
alimentação.

4.5. AGENTES ERGONÔMICOS


Esta intimamente relacionada a ergonomia, que é o conjunto de conhecimentos
sobre o homem e seu trabalho. Tais conhecimentos são fundamentais ao planejamento de
tarefas, postos e ambientes de trabalho, ferramentas, máquinas e sistemas de produção, a
fim de que sejam utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência.
Comportamentos inadequados em desconformidade com a ergonomia podem criar
deformações físicas, atitudes viciosas, modificações da estrutura óssea, etc.
Ex.: Levantar peso de forma incorreta; postura inadequada em forma, etc.

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COMPUTADOR
Entre as máquinas das novas relações profissionais, os computadores pessoais têm
uma característica ímpar: nunca, na história da humanidade, uma mesma máquina esteve
presente na vida profissional de um número tão grande e diversificado de trabalhadores.
Diante desses fatos, muitas dúvidas têm sido levantadas sobre os riscos de
acidentes no uso de computadores. Entre eles destacam-se os chamados riscos
ergonômicos. A Ergonomia é uma ciência que estuda a adequação das condições de
trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores de modo a proporcionar um
máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
A legislação trabalhista brasileira já reconhece a importância dessa ciência e dedicou
ao tema uma Norma Regulamentadora específica (NR-17). Entre os riscos ergonômicos,
aqueles que têm maior relação com o uso de computadores são: exigência de postura
inadequada, utilização de mobiliário impróprio, imposição de ritmos excessivos, trabalho em
turno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade. Além desses
riscos, as condições gerais do ambiente de trabalho fazem parte da avaliação ergonômica,
aqui incluídos o nível de iluminamento, temperatura, ruído e outros fatores que, após
analisados no local, tenham influência no comportamento dos trabalhadores.
No caso específico dos profissionais que têm o computador como instrumento de um
trabalho diário, a prevenção dos riscos ergonômicos relacionados ao seu uso deverá ser
motivo de atenção e interesse, observando, entretanto, que a legislação e as normas
técnicas estão inseridas no contexto maior de uma avaliação completa do ambiente de
trabalho. O bem estar físico e psicológico dos trabalhadores reflete no seu desempenho
profissional e é resultado de uma política global de investimento em segurança, saúde e
meio ambiente.
A doença profissional mais conhecida por apresentar-se em conseqüência do uso de
computadores é chamada de LER - Lesão por Esforços Repetitivos (Repetitive Strain Injury
- RSI). É mister que fique claro que essas lesões (LER) não ocorrem apenas com o uso de
computadores, mas em toda a atividade profissional que exija o uso forçado e repetido de
grupos musculares associado a posturas inadequadas. Uma das mais conhecidas
manifestações dessas lesões, em profissionais da área de processamento de dados, é a
tenossinovite.
Dores de cabeça e irritação nos olhos também são sintomas associados ao uso de
computadores. Eles ocorrem após o trabalho prolongado e contínuo e são conseqüências
da fadiga visual. A iluminação do ambiente é um fator fundamental para reduzir a incidência
desses sintomas, principalmente no que diz respeito a evitar reflexos na tela do monitor.
Além disso, os olhos também requerem pausas regulares para descanso, da mesma forma
que os pulsos, dedos, pescoço, enfim, as partes do corpo diretamente exigidas pelo
trabalho.
O stress físico e psicológico é outra conseqüência de uma utilização sem controle do
computador, vinculado a jornadas longas, trabalhos em turno e noturnos. É interessante
observar que a interface do programa que é utilizado também influi diretamente no
desempenho e no estado geral do usuário. O trabalho intenso com um programa que tenha
uma interface pouco amigável gera maior número de erros, o que é acompanhado de
irritação, desconforto e cansaço. A Ergonomia também abrange estudos sobre esse
aspecto da relação homem-máquina, ou seja, o desenvolvimento ou o aperfeiçoamento da
interface, tornando-a cada vez mais intuitiva, direta e objetiva. Esses estudos envolvem o

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desenho das telas dos programas, a distribuição dos ícones, janelas e as seqüências de
comandos para se alcançar os objetivos.
A utilização de mobiliário adequado é muito importante, mas isso se constitui apenas
em uma parte de um processo mais amplo que é a construção de um ambiente de trabalho
seguro e saudável. O ambiente de trabalho precisa ser adequado ao homem e à tarefa que
ele vai desempenhar. Quando se fala em mesas, cadeiras e teclados ergonômicos, entre
outros ítens, o que efetivamente os caracteriza é a sua flexibilidade, sua capacidade de se
ajustarem às características específicas dos seus usuários, aqui compreendidas, em
especial, a altura, peso, idade e outras.
O fundamental para os usuários de computadores é saber que há procedimentos
básicos para se evitar acidentes no trabalho, mesmo quando esse trabalho se concentra
em uma relação homem-máquina aparentemente amigável e isenta de riscos, desenvolvida
em escritórios ou mesmo em casa. Apresentamos abaixo um resumo desses
procedimentos:
O monitor deve estar com sua parte superior ao nível dos olhos do usuário; A
distância entre o monitor e o operador deve ser equivalente à extensão do braço; o monitor
deve ser ajustado para não permitir reflexos da iluminação do ambiente; os pés devem
estar apoiados no chão ou em um suporte; Os pulsos deverão estar relaxados, porém sem
estarem flexionados; se há entrada de dados, deve ser usado um suporte para
documentos, para evitar os movimentos repetidos do pescoço; o usuário deve fazer pausas
regulares para descanso, levantar, caminhar e exercitar os pulsos e pescoço com
movimentos de flexão e extensão.
A adoção desses procedimentos irá contribuir para um trabalho mais seguro, desde
que as condições do ambiente estejam adequadas ao tipo de trabalho que ali se
desenvolve, entendendo essas condições como o controle dos níveis de iluminamento,
ruído, temperatura, umidade do ar e outros agentes cuja presença possa representar
riscos.

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4.6. MAPEAMENTO DE RISCOS

Após estudarmos os agentes dos riscos profissionais vamos ver o que venha a ser
Mapa de Riscos, previsto no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, já estudado no
Capítulo II.
O Mapa de Riscos tem como objetivo:
a) reunir as informações necessárias para estabelecer diagnóstico da situação de
segurança e saúde no trabalho na empresa;
b) Possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e a divulgação de informações
entre os empregados, bem como estimular sua participação nas atividades de prevenção.
Como elaborar um Mapa de Riscos:
1. Conhecer o processo de trabalho no local analisado: os trabalhadores
(número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde), os instrumentos
e materiais de trabalho, as atividades exercidas e o ambiente;
2. Identificar os riscos profissionais existentes no local analisado;
3. Identificar as medidas preventivas existente e sua eficácia: medidas de
proteção coletiva, medidas de organização do trabalho, medidas de proteção individual;
4. Identificar os indicadores de saúde: queixas mais freqüentes e comuns
entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos, acidentes do trabalho ocorridos,
doenças profissionais diagnosticadas, causas mais freqüentes de ausência no trabalho;
5. Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local;
6. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o “layout” da empresa, indicando
através de círculo:
o o grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada
na Tabela de padronização de cores correspondentes a cada risco (que será vista a
seguir);
o o número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser
anotado dentro do círculo;
o a especificação do agente (por exemplo, físico: calor excessivo,
ruído; ou ergonômico: repetitividade, ritmo excessivo, etc) que deve ser anotada dentro do
círculo;
o a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos
trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes do
círculo:
O Mapa de Riscos completo e setorial, deverá ser afixado em cada local analisado,
de forma claramente visível e de fácil acesso para os empregados.

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Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com


sua natureza, e padronização das cores correspondentes – Tabela 1
TIPO DE
Químico Físico Biológico Ergonômico Mecânico
RISCO

COR Vermelho Verde Marrom Amarelo Azul

Má postura do
Equipamentos
Fumos Microorganismos corpo
Ruído e ou som inadequados,
metálicos (Vírus, bactérias, em relação ao
muito alto defeituosos ou
e vapores protozoários) posto
inexistentes
de trabalho

Gases Máquinas e
Oscilações e Lixo hospitalar, Trabalho
asfixiantes equipamento
vibrações doméstico e de estafante
H, He, N sem Proteção e
mecânicas animais e ou excessivo
eCO2 ou manutenção

Risco de queda
Pinturas e Falta de de nível,
Ar rarefeito Esgoto, sujeira,
névoas em Orientação lesões por
e ou vácuo dejetos
geral e treinamento impacto de
objetos

Jornada dupla e
Agentes Solventes Mau planejamento
Objetos ou
Causadores (em especial Pressões elevadas do lay-out e ou
contaminados trabalho sem
os voláteis) do espaço físico
pausas

Ácidos,
Cargas e
bases, Contágio pelo ar Movimentos
Frio e ou calor transportes
sais, álcoois, e ou insetos repetitivos
em geral
éters, etc

Picadas de animais Risco de fogo,


Equipamentos
Reações (cães, insetos, detonação de
Radiação inadequadoe e
químicas repteis, roedores, explosivos,
não ergonômicos
aracnídeos, etc) quedas de objetos

Aerodispersóides Fatores
Ingestão de Alergias, intoxicações Risco de choque
no ambiente psicologicos
produtos e quiemaduras elétrico
(poeiras de (não gosta do
durante causadas por (correte contínua
vegetais e trabalho, pressão
pipetagem vegetais e alternada)
minerais) do chefe, etc)

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Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com


sua natureza, e padronização das cores correspondentes – Tabela 2

Grupo II: Vermelho Grupo I: Verde Grupo III: Marron Grupo IV: Amarelo Grupo V: Azul
Riscos Químicos Riscos Físicos Riscos Biológicos Riscos Ergonômicos Riscos Mecânicos
Poeiras Ruído Vírus Esforço fisco intenso Arranjo físico
deficiente

Fumaças Vibrações Bactérias Levantamento de peso Máquinas e


equipamentos

Névoas Radiações Ionizantes Protozoários Exigências de posturas Ferramentas


inadequadas inadequadas ou
defeituosas
Gases Frio Insetos Controle rígido de Eletricidade
peçonhentos produtividade

Vapores Calor Fungos Imposição de ritmos Perigo de incêndio ou


intensivos explosão

Produtos Químicos Pressões anormais Parasitas Trabalho em turnos e Armazenamento


em geral noturno inadequado

Umidade Bacilos Monotonia e Outras situações de


repetitividade risco que poderão
contribuir para a
Outras situações ocorrência de
causadoras de stress acidentes
físico e/ou psíquico

4.7. CORES NA SEGURANÇA NO TRABALHO

As cores de segurança da origem a sinalização de segurança que tem por objetivo


fixar as cores que devem ser usadas nos locais de trabalho para prevenção de acidentes,
identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas, identificando as
canalizações empregadas nas indústrias para a condução de líquidos e gases e advertindo
contra riscos. A segurança do trabalho faz uso de cores para diferenciar os riscos
profissionais.
Deverão ser adotadas cores para segurança em estabelecimentos ou locais de
trabalho, a fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes. A utilização de cores não
dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes.

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O uso de cores deverá ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar
distração, confusão e fadiga ao trabalhador.
A indicação em cor, sempre que necessária, especialmente quando em área de
trânsito para pessoas estranhas ao trabalho, será acompanhada dos sinais convencionais
ou da identificação por palavras.
As cores adotadas serão as seguintes:
a. Vermelho
O vermelho deverá ser usado para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos
de proteção e combate a incêndio. Não deverá ser usado na indústria para assinalar perigo,
por ser de pouca visibilidade em comparação com o amarelo (de alta visibilidade) e o
alaranjado (que significa Alerta).
É empregado para identificar:
- caixa de alarme de incêndio;
- hidrantes;
- bombas de incêndio;
- sirenes de alarme de incêndio;
- caixas com cobertores para abafar chamas;
- extintores e sua localização;
- indicações de extintores (visível a distância, dentro da área de uso do extintor);
- localização de mangueiras de incêndio (a cor deve ser usada no carretel,
suporte, moldura da caixa ou nicho);
- baldes de areia ou água, para extinção de incêndio;
- tubulações, válvulas e hastes do sistema de aspersão de água;
- transporte com equipamentos de combate a incêndio;
- portas de saídas de emergência;
- rede de água para incêndio (sprinklers);
- mangueira de acetileno (solda oxiacetilênica).
A cor vermelha será usada excepcionalmente com sentido de advertência de
perigo:
- nas luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construções e
quaisquer outras obstruções temporárias;
- em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência.
b. Amarelo
Em canalizações, deve-se utilizar o amarelo para identificar gases não liquefeitos.
O amarelo deverá ser empregado para indicar "Cuidado!", sinalizando:
- partes baixas de escadas portáteis;
- corrimões, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas que apresentem
risco;
- espelhos de degraus de escadas;
- bordas desguarnecidos de aberturas no solo (poços, entradas subterrâneas,
etc.) e de plataformas que não possam ter corrimões;
- bordas horizontais de portas de elevadores que se fecham verticalmente;
- faixas no piso da entrada de elevadores e plataformas de carregamento;
- meios-fios, onde haja necessidade de chamar atenção;
- paredes de fundo de corredores sem saída;
- vigas colocadas a baixa altura;
- cabines, caçambas e gatos-de-pontes-rolantes, guindastes, escavadeiras, etc.;

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- equipamentos de transporte e manipulação de material, tais como


empilhadeiras, tratores industriais, pontes-rolantes, vagonetes, reboques, etc.;
- pilastras, vigas, postes, colunas e partes salientes de estruturas e equipamentos
em que se possa esbarrar;
- cavaletes, porteiras e lanças de cancelas;
- bandeiras como sinal de advertência (combinado ao preto);
- comandos e equipamentos suspensos que ofereçam risco;
- pára-choques para veículos de transporte pesados, com listras pretas.
Listras (verticais ou inclinadas) e quadrados pretos serão usados sobre o amarelo
quando houver necessidade de melhorar a visibilidade da sinalização.
c. Branco
O branco será empregado em:
- passarelas e corredores de circulação, por meio de faixas (localização e
largura);
- direção e circulação, por meio de sinais;
- localização de bebedouros;
- áreas em torno dos equipamentos de socorro de urgência, de combate a
incêndio ou outros equipamentos de emergência;
- áreas destinadas à armazenagem;
- zonas de segurança.
d. Preto
O preto será empregado para indicar as canalizações de inflamáveis e
combustíveis de alta viscosidade (ex: óleo lubrificante, asfalto, óleo combustível, alcatrão,
piche, etc.).
O preto poderá ser usado em substituição ao branco, ou combinado a este,
quando condições especiais o exigirem.
e. Azul
O azul será utilizado para indicar "Cuidado!", ficando o seu emprego limitado a
avisos contra uso e movimentação de equipamentos, que deverão permanecer fora de
serviço.
- empregado em barreiras e bandeirolas de advertência a serem localizadas nos
pontos de comando, de partida, ou fontes de energia dos equipamentos.
Será também empregado em:
- canalizações de ar comprimido;
- prevenção contra movimento acidental de qualquer equipamento em
manutenção;
- avisos colocados no ponto de arranque ou fontes de potência.
f. Verde
O verde é a cor que caracteriza "segurança".
Deverá ser empregado para identificar:
- canalizações de água;
- caixas de equipamento de socorro de urgência;
- caixas contendo máscaras contra gases;
- chuveiros de segurança;
- macas;
- quadros para exposição de cartazes, boletins, avisos de segurança, etc.;
- porta de entrada de salas de curativos de urgência;

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- localização de EPI; caixas contendo EPI;


- emblemas de segurança;
- dispositivos de segurança;
- mangueiras de oxigênio (solda oxiacetilênica).
g. Laranja
O laranja deverá ser empregado para identificar:
- canalizações contendo ácidos;
- partes móveis de máquinas e equipamentos;
- partes internas das guardas de máquinas que possam ser removidas ou
abertas;
- faces internas de caixas protetoras de dispositivos elétricos;
- faces externas de polias e engrenagens;
- botões de arranque de segurança;
- dispositivos de corte, borda de serras, prensas.
h. Púrpura
A púrpura deverá ser usada para indicar os perigos provenientes das radiações
eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares.
Deverá ser empregada a púrpura em:
- portas e aberturas que dão acesso a locais onde se manipulam ou armazenam
materiais radioativos ou materiais contaminados pela radioatividade;
- locais onde tenham sido enterrados materiais e equipamentos contaminados;
- recipientes de materiais radioativos ou de refugos de materiais e equipamentos
contaminados;
- sinais luminosos para indicar equipamentos produtores de radiações
eletromagnéticas penetrantes e partículas nucleares.
i. Lilás
O lilás deverá ser usado para indicar canalizações que contenham álcalis. As
refinarias de petróleo poderão utilizar o lilás para a identificação de lubrificantes.
j. Cinza
a) Cinza claro - deverá ser usado para identificar canalizações em vácuo;
b) Cinza escuro - deverá ser usado para identificar eletrodutos.
k. Alumínio
O alumínio será utilizado em canalizações contendo gases liquefeitos,
inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (ex. óleo diesel, gasolina, querosene, óleo
lubrificante, etc.).
l. Marrom
O marrom pode ser adotado, a critério da empresa, para identificar qualquer
fluído não identificável pelas demais cores.
O corpo das máquinas deverá ser pintado em branco, preto ou verde. As
canalizações industriais, para condução de líquidos e gases, deverão receber a aplicação
de cores, em toda sua extensão, a fim de facilitar a identificação do produto e evitar
acidentes.
Obrigatoriamente, a canalização de água potável deverá ser diferenciada das
demais.
Quando houver a necessidade de uma identificação mais detalhada (concentração,
temperatura, pressões, pureza, etc.), a diferenciação far-se-á através de faixas de cores
diferentes, aplicadas sobre a cor básica.

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A identificação por meio de faixas deverá ser feita de modo que possibilite facilmente
a sua visualização em qualquer parte da canalização.
Todos os acessórios das tubulações serão pintados nas cores básicas de acordo
com a natureza do produto a ser transportado.
O sentido de transporte do fluído, quando necessário, será indicado por meio de seta
pintada em cor de contraste sobre a cor básica da tubulação.
Para fins de segurança, os depósitos ou tanques fixos que armazenem fluidos
deverão ser identificados pelo mesmo sistema de cores que as canalizações.
Sinalização para armazenamento de substâncias perigosas.
O armazenamento de substâncias perigosas deverá seguir padrões internacionais.
Considera-se substância perigosa todo material que seja, isoladamente ou não, corrosivo,
tóxico, radioativo, oxidante, e que, durante o seu manejo, armazenamento, processamento,
embalagem, transporte, possa conduzir efeitos prejudiciais sobre trabalhadores,
equipamentos, ambiente de trabalho.
Símbolos para identificação dos recipientes na movimentação de materiais
Na movimentação de materiais no transporte terrestre, marítimo, aéreo e intermodal,
deverão ser seguidas as normas técnicas sobre simbologia vigentes no País.
Rotulagem preventiva.
Todas as instruções dos rótulos deverão ser breves, precisas, redigidas em termos
simples e de fácil compreensão. A linguagem deverá ser prática, não se baseando somente
nas propriedades inerentes a um produto, mas dirigida de modo a evitar os riscos
resultantes do uso, manipulação e armazenagem do produto. Onde possa ocorrer misturas
de 2 (duas) ou mais substâncias químicas, com propriedades que variem em tipo ou grau
daquelas dos componentes considerados isoladamente, o rótulo deverá destacar as
propriedades perigosas do produto final. (126.028-6 / I3)
A rotulagem dos produtos perigosos ou nocivos à saúde deverá ser feita segundo as
normas. Do rótulo deverão constar os seguintes tópicos:
- nome técnico do produto;
- palavra de advertência, designando o grau de risco;
- indicações de risco;
- medidas preventivas, abrangendo aquelas a serem tomadas;
- primeiros socorros;
- informações para médicos, em casos de acidentes;
- nome técnico completo, o rótulo especificando a natureza do produto químico.
Exemplo: "Ácido Corrosivo", "Composto de Chumbo", etc. Em qualquer situação, a
identificação deverá ser adequada, para permitir a escolha do tratamento médico correto,
no caso de acidente.
- Palavra de Advertência - as palavras de advertência que devem ser usadas
são:
o "PERIGO", para indicar substâncias que apresentem alto risco;
o "CUIDADO", para substâncias que apresentem risco médio;
o "ATENÇÃO", para substâncias que apresentem risco leve.
- Indicações de Risco - As indicações deverão informar sobre os riscos
relacionados ao manuseio de uso habitual ou razoavelmente previsível do produto.
Exemplos: "EXTREMAMENTE INFLAMÁVEIS", "NOCIVO SE ABSORVIDO ATRAVÉS DA
PELE", etc.

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- Medidas Preventivas - Têm por finalidade estabelecer outras medidas a serem


tomadas para evitar lesões ou danos decorrentes dos riscos indicados. Exemplos:
"MANTENHA AFASTADO DO CALOR, FAÍSCAS E CHAMAS ABERTAS" "EVITE INALAR
A POEIRA".
- Primeiros Socorros - medidas específicas que podem ser tomadas antes da
chegada do médico.

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V. CONCLUSÃO

Muitas são nossas missões e diferentes são os riscos a que estamos expostos, no
entanto, se mantivermos a segurança como prioridade certamente alcançaremos êxito nas
operações.
O fator segurança nas operações é essencial. Sem precauções de segurança, as
operações poderão não ser bem-sucedidas. Bombeiros que ignoram regras básicas de
segurança expõem a vítima, os seus companheiros e a si próprios a riscos desnecessários
de acidentes e traumas.
Essas regras se aplicam nos treinamentos e nas emergências reais. Nossas
operações oferecem uma variedade de perigos, tais como incêndios, desabamentos,
extremidades metálicas pontiagudas, estilhaços de vidro e metal, produtos químicos
perigosos e radioativos, quebra de ferramentas e tantas outras.
Portanto, sempre que atuando nessas operações, é necessário utilizar o
equipamento completo de proteção individual, e estar consciente de que segurança é
prioridade.

VI. BIBLIOGRAFIA

• Manual de Fundamentos do Corpo de Bombeiros de São Paulo;


• Portaria nº 3214, de 1978;
• Normas Regulamentadoras Brasileiras;
• Lei Federal nº 8213, de 24 de julho de 1991, regulamentada pelo Decreto
Federal nº 357, de 07 de dezembro de 1991;
• Apostila de segurança do trabalho para equipes – SEGIE, do SENAI;
• Apostila de prevenção de acidentes para componentes da CIPA, do SENAI;
• Revista CIPA;
• Site na internet do Ministério do Trabalho.

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