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Informação à Imprensa – 05 de Março de 2011

Exposição estará patente até ao próximo dia 10 de Abril

“IDENTIDADE(S)” DE MANUEL CASIMIRO


JÁ ESTÁ PATENTE EM MATOSINHOS
Foi hoje inaugurada pelo Presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, na
Galeria Municipal de Matosinhos, a exposição “Identidade(s), onde o Manuel Casimiro
reflecte acerca da sinalética de Portugal, como a bandeira nacional. A mostra estará
patente até ao dia 10 de Abril de 2011.

O Autarca salientou a enorme honra que constitui a presença em Matosinhos de uma


exposição tão importante e actual de um dos artistas portugueses mais reconhecidos
no estrangeiro.

Manuel Casimiro lembrou as suas próprias palavras, escritas no livro sobre a


exposição: “Parece-me que este conceito de identidade dos seres e das coisas não se
deve reduzir a um entendimento fechado em si mesmo, no seu sujeito, na sua própria
história ou seu passado. A identidade pode ser enriquecida num abrir-se ao mundo,
como permeável a diferentes entendimentos”.

A propósito da exposição, disse tratar-se de “uma pequena parte importante do meu


trabalho reúne um núcleo de pinturas, reduzida a três conjuntos de obras … que, no
caso das que integram os dois primeiros grupos, foram executadas há cerca de 25
anos. Os três conjuntos de obras, com propósitos idênticos mas diferentes uns dos
outros, giram em redor da nossa história, da nossa bandeira, da sinalética que nos
identifica internacionalmente”.

Os três grupos a que se referiu o artista são:

1º grupo - analisa e reflecte a sinalética da Bandeira de Portugal, nalgumas pequenas


pinturas em papel, entre elas 5 projectos que antecederam a
desmontagem/remontagem de 5 bandeiras em pano, 5 bandeiras Verde-Rubra. Como
bem sabemos, cada uma destas cores encerra para além de outras coisas uma
determinada carga politica. Estas 5 bandeiras em pano foram expostas com os
referidos desenhos pela primeira vez em 1984 no Museu Nacional de Évora, e um
pouco mais tarde em Lisboa na S.N.B.A.. Um catálogo e um curto filme são memória
desta exposição em Évora. Hoje, grande parte destas obras pertence ao acervo do
Museu de Arte Contemporânea de Serralves, que recentemente em 2009, as enviou
para Berlim para se associarem a uma exposição na Akademie Der Kunste.

2º grupo - incorpora fotografias, pinturas em tela e em papel. Estes trabalhos


reflectem o significado e significante da nossa bandeira, da nossa história desde os
primórdios; questionam a expectativa messiânica na cultura portuguesa e o mito

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sebástico, que tanto interessou Pessoa entre muitos outros; os misteriosos buracos
negros do universo, aqui não tanto numa perspectiva científica mas antes da nossa
história, no mito sebástico; a chaga de uma crescente desumanização pelo mundo
fora, a que assistimos em directo na T.V., chaga permanentemente aberta e a sangrar,
sem remédio nem cura à vista, retrato de uma Humanidade enferma pela ganância do
homem. As fotografias são imagens do Rei D. Sebastião e do seu primo, a que chamei
O Outro, o outro a que se referia Platão, e mais tarde Fernando Pessoa, e antes dele,
Rimbaud, je est un autre. Este conjunto, exposto com as pinturas em papel do primeiro
grupo, no Porto, em 1988, no Museu Nacional de Soares dos Reis, no seu todo designei
de Os Fantasmas do Rei D. Sebastião. Um importante catálogo, com grande parte das
imagens das obras expostas e textos de Giulio Giorello e Bernardo P. de Almeida, são a
memória da exposição. Em 2006, estas obras na sua grande maioria, acrescidas das
pinturas em papel do 1º grupo, viriam de novo a ser expostas em Itália na cidade de
Bari, cidade muito antiga a que chamavam, no passado distante, “a porta do levante”,
pelas suas ligações ao Oriente. Esta exposição, comissariada por E. Resegotti e R.
Fanelli, em Bari foi designada de Miti Portoghesi/Mitos Portugueses, e efectuou-se
graças a um convite da cidade e da Universidade de Bari. Na presente mostra, como
aconteceu em Bari, não foi possível reunir todas as obras que figuraram na exposição
do Museu Nacional de Soares dos Reis, pois entretanto muitas destas pinturas foram
dispersas em variadas colecções, algumas delas em países estrangeiros onde se perdeu
o rasto. Deste grupo uma tela de grandes dimensões, propriedade do Museu de Arte
Contemporânea de Serralves, integrou em Janeiro de 2006 a exposição O Poder da Arte
– Serralves na Assembleia da República, em Lisboa na Assembleia da República. Desde
essa ocasião que esta tela, emprestada por Serralves, tem permanecido nas paredes
desta Assembleia, donde se tem ausentado por hiatos do tempo de participação em
exposições.

3º grupo - reúne pinturas mais recentes, 2009 e 2010, em papel e tela, por vezes telas
de grandes dimensões, onde são usadas as cores das bandeiras portuguesas que
tivemos: azul e branco, no tempo da monarquia, e verde e vermelho no tempo da
república. Às 4 cores acrescentei uma 5ª, a cor preta, cor do mistério, do silêncio, do
infinito ou da morte. A partir das cores referidas, a pintura organiza-se no tempo e no
espaço, e induz o espectador a fazer, através da sua atenta observação, múltiplas
reflexões possíveis na resolução dos seus infindáveis enigmas.”

Nota:

No catálogo desta exposição figuram textos do director de Serralves Dr.º João


Fernandes e do próprio Manuel Casimiro.

BREVE CURRÍCULO DE MANUEL CASIMIRO:


Manuel Casimiro, nasceu no Porto em 1941, e desde sempre, privilegiou a investigação
e desenvolvimento da sua obra, a coisa mental, em detrimento do carreirismo, das
tácticas e estratégias de mercado. Manuel Casimiro, viveu largos anos na cidade de

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Nice, passando grandes temporadas em Paris, Veneza, Roma, Florença e Nova Iorque,
onde teve um excelente acolhimento. Em 1978, Artists’ Postcards escolheu um dos
seus trabalhos interventivos, Édipo Explicando o Enigma, para integrar uma colecção
de postais, publicada em 1979, com artistas como Robert Motherwell, Douanne
Michaelis ou David Hockney. No referido ano desta publicação, os originais dos artistas
que a integravam, foram expostos em Nova Iorque no Cooper-Hewitt Museum. Esta
exposição viajou pelo mundo fora, de Nova Iorque a Tóquio, de Londres a Paris e
Berlim.

Em Veneza em 1979, conheceu e fotografou Peggy Guggenheim na sua própria


fundação, quatro meses antes da sua morte. Cerca de duas dezenas de anos mais
tarde, foi editado um postal com uma das fotografias que Manuel Casimiro fêz de
Peggy Guggenheim, imagem intervencionada pelo ovóide.

Em Nice, integrou em 1986 um conjunto de exposições individuais em simultâneo, de


Christian Boltanski, Louis James, Annette Messager, Robert Rauschenberg, designado
Peindre Photographier. Manuel Casimiro escolheu o Museu des Beaux-Arts Jules
Chéret, para intervir com tinta amovível nalgumas das pinturas do acervo da colecção
deste museu, o que causou uma enorme escândalo.

Em Janeiro de 1996 expôs um enorme jardim de pedra, Jardim Pintado, no Museu do


Chiado, que editou um catálogo com o design de João Machado, e textos de Raquel
Henriques da Silva, Manuel Casimiro e Pedro Prista. Esta obra, em finais desse mesmo
ano 1996/97, voltaria a ser exposta nos jardins de Serralves, quando da sua
retrospectiva nesta fundação, organizada por Jean-Hubert Martin, que foi um dos
directores do Beaubourg. Serralves editou um volumoso catálogo com mais de duas
dezenas de pertinentes textos de análise sobre a obra de Manuel Casimiro.

Mais recentemente em 2008 o Museu Colecção Berardo organizou uma exposição


individual Caprichos, com textos do grande escritor Michel Butor. Este museu com a
Tinta da China editaram um livro com a reprodução de todas as obras desta exposição
e textos de Butor e Casimiro.

A sua vasta obra abrange áreas tão diversas como a pintura, a escultura, a fotografia, o
cinema, o design, e a escrita.

A bibliografia sobre a sua obra original e independente, de um forte e pessoalíssimo


imaginário de teor universal, é extensa e rica, a espelhar abundância de conceitos e
ideias de uma obra aberta que não se deixa reduzir a nenhum esquema. Nela
encontramos nomes como os de João Fernandes, Jean-François Lyotard, Vincent
Descombes, Giulio Giorello, José Régio, Michel Butor, Raphael Monticelli, Jean-Noel
Vuarnet, José Luís Molinuevo, Pierre Restany, José Augusto França, C. Buci-
Glucksmann, Eduardo Lourenço, Bernardo Pinto de Almeida, entre tantos outros.

A sua obra figura em colecções privadas e públicas, em museus de vários países.

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