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Apostila História

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Sociedade medieval

NesteImpério Romanoestudadad.C,)fase medievalde 1453, quando ocorrenotadamente capítulo é a até o ano 'da História Ocidental, (476 a Tomada
periodização clássica, a Idade Média se estende do século V até o século XV, ou seja, da Queda do da Europa Ocidental. Na de Constantinopla, pelos

turcos. Nesse período, surgem as condições para o desenvolvimento da Sociedade Medieval. Nessa sociedade, enfocaremos o feudalismo, organização política, social e econômica que atinge seu apogeu por volta do século XI. É nas entranhas da ordem feudal que nasce a base paa a configuração do mundo moderno e capitalista.

A sociedade medieval
Introdução
A abordagem desse capítulo passa, necessariamente, pelo estudo do feudalismo, que foi uma organização social, existente na Europa Ocidental na Idade Média. Entre os séculos V a XI, o sistema feudal se organiza. Esse período é denominado de Alta Idade Média. Do século XI ao XV, tem início a desagregação do feudalismo, motivada por uma série de fatores que estlldaremos a seguir. Esse período (séculos XI ao XV) é denominado Baixa Idade Média. A partir da desagregação do sistema feudal, tem início a formação de uma fase de transição, que é considerada como Transição feudal/capitalista, e se estende dos séculos XV ao XVIII. Observa a linha de tempo abaixo:

XVIII Idade Média Alta Feudalismo XI Baixa Transição Idade Moderna

'..........................•........... Idade Contemporânea

Capitalismo

A Idade Média é rica e expressiva em acontecimentos e fatos históricos que envolveram diversas sociedades. Entretanto, nosso objetivo é destacar, no contexto medieval, a existência do feudalismo em suas diversas facetas:

o Feudalismo

- Origens

foi o fechamento

da Europa Ocidental.

Caminhos

comer-

O sistema feudal (a palavra feudo significa terra) tem sua origem na desagregação do Império Romano, no século V da nossa era. Na fusão entre a cultura romana decadente com a cultura de outros povos que passam a ocupar a Europa Ocidental, ao longo da Alta Idade Média, vai se constituindo uma ~ciedade específica, que carrega características de diversas culturas (romanas e de invasores). Essa sociedade, a feudal, é forjada numa época de permanentes invasões. A insegurança e a guerra determinaram o feudalismo. Quando estudamos a Europa Medieval, a imagem de um castelo aparece com freqüência. O que é um castelo? Uma fortaleza, símbolo do feUdalismo:]

ciais e cidades quase desapareceram.

Surge uma produ-

ção econômica, predominantemente, ~ e destinada à subsistência. A atividade mercantil é atrofiada e cada unidade ou feudo cuida da sua própria sobrevivência. O trabalho mais comum nessa atividade é o servil. Os servos, que se constituem ao longo da Alta Idade Média, são a mão-de-obra típica do feudalismo, sustentando, com o seu trabalho, o feudo e, naturalmente, o proprietário do feudo: o senhor feudal, que faz parte da nobreza. O servo não é um escravo, pois não é mercadoria e, ao mesmo tempo, não é um homem livre, uma vez que não pode sair do feudo, é preso à terra e às obrigações com o senhor feudal. para

Caracterização do Feudalismo
Economia
Uma das consequências das diversas ondas de invasões que abalaram a Europa Ocidental na Alta Idade Média,

nobreza exige dos servos o pagamento de uma série de tributos e taxas, convertidos em trabalho e/ou parte da produção. destinadas Em troca, o servo pela nobreza.

S

'I

utiliza,

para si, as terras

-Política sua vida. relações

o Renascimento

comercial e urbano
XI, as atividades comerciais se e, por conseguinte,

A marca política do feudalismo ~1Ldescentralização do [2oder. Cada feudo (e cada senhor) possui seus próprios , exércitos. O feudo é, muitas vezes, um universo fechado e particular, sujeito aos interesses do seu senhor. A figura do Estado, como conhecemos, não é comum. Podemos afirmar que a Europa Ocidental, na Idade Média, é uma colcha de retalhos. Cada retalho é um feudo. E cada feudo cuida da No mundo feudal, prevalece o particularismo Sociedade A sociedade sociais é um reflexo predominantes da economia envolvem feudal. As político.

----

A partir do século

intensificam na Europa Ocidental modificam o quadro feudal.

Com o encerramento das invasões (as últimas foram às normandas, eslavas e húngaras), aos poucos, novas áreas de cultivo vão aparecendo, a produção de alimentos cresce e se moderniza, surgindo uma economia de mercado, destinada à venda de excedentes. Servos abandonam '. os feudos e ocupam áreas abandonadas Pequenas cidades crescem e se libertam feudal, seja adquirindo cartas de franquia, ou do enfrentamento militar. Rotas comerciais, na Europa. do domínio seja, através feiras, camigama contrivai se entra

os servos e a

nobreza (senhor feudal). É uma sociedade rigidamente hierarquizada e estratificada. O prestígio social deriva da póSse da terra. Co~ classe de prestígio. Assim, a grosso modo, dividimos a sociedade feudal em três categorias básicas: Clero, Nobreza e Servos. -)A nobreza feudal estava, hierarquicamente, diviêITaaem diversos escalões (duque, marquês, conde, visconde, barão e cavaleiro), sendo o rei, teoricamente, o mais importante e de todos. O nobre caracterizava-se pela propriedade político. O campesinato, ...--..... maioria da população medieval, constituía-se de servos, trabalhadores obrigados a entregar a maior parte do que produziam ao senhor, através de taxas e tributos diversos. Havia, ainda, os vilões, homens livres que habitavam as vilas. -As relações entre os indivíduos eram pessoais, estabelecidas através de acordos bilaterais, compreendendo reciprocidade de direitos e deveres, tanto entre os nobres entre os senhores e servos. para o senhor feudal e, em pela posse dos servos, Igrej~ Catóii;;a:éra a maior instituição como do ;;'u"ndõ medieval, o clero também -se configurava

nhos de mercadores e de mercadorias. Enfim, uma de transformações ocorre no final da Idade Média, buindo para a modificação das relações feudais. A estrutura forjada na exploração dos servos modificando e, por conseguinte, o próprio feudalismo em processo o nascimento

de desaparecimento, abrindo espaços para de uma sociedade baseada no comércio, no

" lucro e na produção de excedentes para o mercado. Como toda mudança econômica é acompánhada de alterações sociais, destacamos o surgimento de uma classe social nova e dinâmica, envolvida com as ativIdades comerciais e tipicamente urbanas: a burguesia. As Cruzadas, movimento de caráter religioso, que objetivava a expulsão dos infiéis da Terra Santa (Jerusalém), contribuíram para a aceleração das transformações ocorridas no feudalismo, na medida em que proporcionaram a expulsão dos árabes do Mediterrâneo, abrindo o fantástico mundo oriental para os europeus e seu comércio. É necessário destacar, também, que no final da Idade Média (Baixa Idade Média), a descentralização feudal estava se transformando numa instituição centralizada (EstadoRei), que estudaremos a seguir. No século XIV, a Peste Negra também contribuiu para a desagregação da ordem feudal, uma vez que ceifou, aproximadamel)te, 1/3 da população européia. A nobreza, privada de servos, inicia um processo de superexploração dos remanescentes, modificando as relações sociais e provocando fugas e revoltas camponesas. O mundo feudal estava desaparecendo! Comércio, cidades e burguesia

da terra (feudo) e pelo poder jurídico

(~usera~ssalagem)...cQ[11o Neste caso, o servo trabalha troca, recebe proteção. Cultura

Quando se fala em cultura, fala-se também em mentalidade e ideologia. ~gmj~.f~~a, ~ior inst!!,uição do mundo feudal, monopolizava a instrução e o sAber. O clero . . era a classe instruída e, em sua grande parte, era proveniente da nobreza. Assim, é lógico concluir que a mentalidade do homem feudal estava relacionada ao catolicismo e, por outro lado, o catolicismo cimentava as relações feudais, jw:;tificando os valores e as práticas do feudalismo. '" De um modo gêi'aCãCUTfUfã meãieval, notãdã~ente na Alta Idade Média, marcava-se misticismo, pelo pessimismo extraterrena. Diretamente interessada pelo teocentrismo, pelo e pela valorização no feudalismo, da vida a Igreja

As cidades italianas foram as primeiras a se beneficiar com a nova situação, pois praticamente monopolizavam o comércio de produtos orientais adquiridos, basicamente, em três pontos: Síria, Egito e, principalmente, Constantinopla. Os europeus possuem contatos comerciais com o Oriente (índias) desde a abertura do Mediterrâneo a partir dás Cruzadas. As cidades de Veneza, Gênova, Pisa e Bari são as mais ativas no comércio com o Oriente. O norte da Europa, na região de Flandres, também foi um pólo importante no ressurgimento comercial na Baixa Idade Média, caracterizando-se pela produção de lã. Na região de Champagne (França), ocorriam as famosas feiras medievais, nas quais encontravam-se

utilizou a sua autoridade moral para fortalecer as estruturas feudais.

mercadores

das cidades

italianas

com os do norte da marfim, seda

Europa e de outras regiões. Lã, especiarias, e outras mercadorias eram comercializadas.

deram origem ao crescimento de centros urbanos. As cidades, na baixa Idade Média, tornam-se o centro da vida européia, e os mercadores ganham importância social. Nas cidades medievais, nessa época, surge uma instituição denominada de corporação, organizadas por artesãos e por mercadores, que detinham o monopólio de determinadas atividades para seus membros. No mapa a seguir, apresentamos a situação comercial da Europa Ocidental, nos finais da Idade Média. Analise-o.

A crescente produção de alimentos, as técnicas novas na agricultura e a ocupação de fronteiras internas na Europa, proporcionaram um crescimento demográfico, percebido até mesmo na ocasião da Peste Negra. A concentração de pessoas (muitos ex-servos) e as necessidades comerciais,

As rotas comerciais marítimas e terrestres na Idade Média
Rotas terrestres Rotas marítimas venezianas Rotas marítimas hanseáticas Rotas marítimas genovesas

Foto de Carcassone,

cidade medieval ao sul da

França. Os muros dessa cidade atingem mais de 1 500 metros de extensão.

A transição feudal/capitalista

1h

A Idade Moderna é, normalmente,

identificada como o período de transição. Existem alguns episódios

fe"dal/capltallsta oooespoode • fase de passagem a sodedade fe"dal pa,a o Nacionais, assinalam o início da transição. Dentre eles destacamos da Formação das Monarquias capitalismo. o Renascimento, A Expansão Marítima e Comercial Européia, a Reforma e a Contra-Reforma. Nessa fase, surgem os impérios coloniais. As colônias tornam-se subordinadas ao pacto ou exclusivismo colonial. O mundo torna-se europeu. Destaca-se, nesse período, que se estende do século XV ao XVIII, a permanência dos privilégios da nobreza, que
Novas formas de trabalho são introduzidas, tais como o regime assalariado e a escravidão nas colônias. A burguesia, nascida na Idade Média, assume, paulatinamente, sua importância histórica. O continente europeu inicia um processo de acumulação primitiva de capitais, consolidando continua classe dominante, entretanto, subordinada ao Estado Absolutista. Cai a unidade católica e emergem religiões novas e contaminadas pelo espírito capitalista. as bases do capitalismo.

Ato,"s,ção que

I

A formação das monarquias nacionais
A nobreza feudal possuía poderes políticos, jurídicos e militares. Eram atribuições da nobreza a cunhagem de moedas, a guerra, os impostos, a aplicação da justiça, etc. A autoridade real era simbólica, resumindo-se ao controle das cidades e dos domínios do próprio .rei. No final da Idade Média, especialmente a partir do

unificação econômica. Para a burguesia européia, o Estado. significava oportunidades de desenvolvimento econômico. Até hoje, a burguesia é financiadora de Estados; ~ as 'guerras européias, que incentivaram o desenvolvimento do sentimento de nacionalidade e deram importância ao papel dos reis. Destacam-se a Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453), entre França e Inglaterra; Guerra das Duas Rosas (1455 a 1485), na Inglaterra, e Guerra da Reconquista (711 a 1492), na Península Ibérica, que deu origem a Portugal e Espanha; ~ as novas técnicas militares, como o uso da pólvora e do canhão, o que possibilitou aos reis maiores poderes militares; ~ o retorno aos estudos dos textos clássicos (greco-romanos), incentivado pelo Renascimento, o que valorizou a figura do rei e as instituições do Estado. Veja, por exemplo, o impacto de Maquiavel, autor da obra O Príncipe, que exalta a figura do rei. Em linhas gerais, os Estados Modernos se caracte. rizavam pelos elementos abaixo: ~ o imposto real, pago pela burguesia mercantil, quer aquele setor ligado ao comércio internacional ou local; ~ a moeda unificada, que não só simplificava a arrecadação desses impostos como facilitava as transações comerciais; ~ o exército real, que ao contrário dos exércitos feudais, era mercenário, isto é, pago. Foi com esses exércitos que os reis impuseram sua autoridade à nobreza; ~ a burocracia, isto é, um corpo de funcionários pagos também pelo rei para exercer as funções relativas à administração do país; ~ a justiça real, representada por tribunais reais, inicialmente, itinerantes, e que serão considerados superiores aos antigos tribunais feudais.

século XII, uma nova forma de organização política surge no cenário europeu ocidental: o ESTADO centralizado e identificado com o poder real. Aos poucos, o poder político descentralizado nas mãos da nobreza feudal passa a se transformar. Surgem os I;stados Nacionais ou Modernos, cuja forma de governo característica é a monarquia absoluta. Tais Estados Absolutistas vão dominar a vida política do período de transição feudal/capitalista. É bom realçar que no final da Idade Média, ocorrem transformações econômicas, sociais e culturais que, naturalmente, influenciaram na formação dos Estados Modernos. Entretanto, não se pode esquecer de que os Estados ou Monarquias Absolutistas nascem de articulações da antiga nobreza feudal, que perde o poder político (transferido para o rei), mas mantém uma gama de privilégios. A nobreza, ao longo da Idade Moderna (transição feudal/capitalista) elo Estado. torna-se classe privilegiada e sustentada

Existem várias razões que explicam' o surgimento dos ::stados Nacionais. Dentre as quais, citamos: o enfraquecimento da nobreza feudal provocado pela fuga :ios servos, pela crescente urbanização e pelas Cruza=as; :; aooio recebido pelos reis por parte da burguesia, que - _~cas vezes financiava os Estados, interessada na ~=::!Xade proporcionada pela proteção militar e pela

Com esse instrumental a delimitação de fronteiras e a efetiva centralização do poder pode-ser efetuada, embora, até o século XVI não possamos falar em absolutismo na Europa Ocidental, dado ao fato de que o poder dos reis ainqa sofria limitações dos Parlamentos (ou Cortes na Península Ibérica, Estados Gerais, na França) compostos de representantes das camadas sociais mais poderosas do reino. Além disso, no campo teórico, vigorava a concepção de que o rei era um agente da vontade divina, limitado pelos costumes e pelas normas da moral cristã. A partir do século XVI, aproximadamente, e pelo menos até o século XVIII, os Estados Modernos ou Monarquias Nacionais, atingiram o seu período de apogeu, possuindo, nessa época, duas marcas fundamentais, que são a própria essência dos Estados Europeus na transição feudall capitalista. Estas marcas são: Absolutismo e Mercantilismo.

• •

considerava

o Estado

como uma finalidade

em si,

necess.ário para evitar a anarquia e organizar a defesa. defendia a idéia de que todas as atitudes destinadas ao benefício do Estado seriam legítimas ou: "O que se deseja é que se o fato o acusa (ao príncipe) o resultado o escusa, se o resultado é bom, ele está desonerado. ".

~ Jean Bodin • Obra: '~ • O Estado portanto,

(1530-1596)
República". nascia como extensão da família, sendo, detentor da soberania. Como esta é una

-J •

e indivisível, deveria ser exercida por apenas uma pessoa, espécie de pai da grande família, o rei. mesmo que o monarca abusasse do poder, o povo não deveria se revoltar, já que "a mais dura tirania é melhor que a anarquia".

-J •

o Absolutismo
O processo de formação do Estado Moderno acabou por concentrar nas mãos do rei todos os mecanismos de governo, fazendo com que a Nação se identificasse com o Estado (Coroa), essa identificação é o Absolutismo. Em termos jurídicos, políticos e culturais, o Absolutismo, caracterizado pela concentração de poderes nas mãos de um soberano, foi a marca predominante na organização dos Estados Europeus na Idade Moderna. Os Estados Modernos nascem de articulações da própria nobreza (lembre-se de que o rei vem da nobreza). Entretanto, esses Estados vão criar condições fundamentais para o crescimento da burguesia, uma -vez que garantem estabilidade e incentivam negócios.
I

o soberano estaria submetido apenas às leis divinas, pois sua própria autoridade originava-se da ordem racional, isto é, da ordem divina. ~ Thomas Hobbes (1588-1679) • Obra: "O Leviatã". • a ~rania não tem qualquer limite porque é fruto do 'consentimento espontâneo dos indivíduos, que viram nela a única forma de garantir sua defesa e pro~ão. ----o Estado - O Leviatã, um monstro - foi criado pelos homens sob duplo impulso, o das paixões e o da razão: "O homem, considerado no estado puro, isolado em sua incomunicabilidade natural, desfruta em todas as coisas um direito geral e absoluto ... No entanto, o homem não está sozinho, cada homem, igual ao outro, encontra como limite e obstáculos ao seu direito absoluto, o direito absoluto e o poder de cada um. Cada homem é o inimigo do outro, está em guerra, pelo menos virtual, com o próximo". ~ Jacques Bossuet '1627-1704 • Obra: '~ Política Segundo as Sagradas Escrituras". • na unidade (do poder) reside a vida, fora da unidade a morte é certa. • o rei seri8 () representante de Deus, logo, "todo o E~ está nele, a vontade dô povo está encerrada na sua, como em Deus está reunida toda perfeição e toda virtude, assim, todo o poder dos particulares está reunido no do príncipe". -

O Estado absolutista é um Estado feudal que vai permitir o desenvolvimento da burguesia com a expansão ·marítima e comercial. A monarquia absoluta corresponde a uma necessidade da nobreza feudal de centralizar o poder político-jurídico nas mãos dos reis, para controlar os camponeses e para adequar-se ao surgimento de uma nova classe, a burguesia. O rei Luís XIV, da França, representou um dos momentos de maior brilho do Absolutismo. Uma frase atribuída a Luís XIV sintetiza bem o espírito absolutista: "O Estado sou eu"! do Estado Moderno

Para completar o estudo do absolutismo, é necessáro recorrer aos teóricos que escreveram diversas obras para justificarem o absolutismo. Todo sistema de governo, em qualquer época, é legitimado pela prática e pela cultura. Assim, também os Estados Modernos ou Monárquias Nacionais se justificavam e se legitimavam. Dentre os teóricos, destacamos: ~ Nicolau Maquiavel (1469-1527) • Obras: "O Príncipe" e "Discurso Década de Tito Livío". • •

o Mercantilismo
De um modo geral, os Estados Absolutistas foram, também, mercantilistas. Na Idade Moderna (transição feudal/capitalista), o poder real relacionava-se, diretamente, com o poder econômico do Estado. Apenas para melhorar o entendimento, lembramos que, no sistema feudal, a riqueza assentava-se na posse da terra. Na transição feudal capitalista, a riqueza era identificada com a acumulação de reservas de metais preciosos - ouro e prata. Assim, os Estados Absolutistas, ao longo da Idade Moderna, vão criar mecanismos os mais diversos, para fazer face às suas

sobre

a Primeira

é considerado o fundador da ciência política. separava a política da moral, afirmando a autonomia e a prioridade da política.

;:espesas e para acumular metais preciosos. ~ecanismos são denominados de Mercantilismo. O mercantilismo

Esses

foi a política econômica dos Estados

europeus na Época Moderna. Não constituiu, entretanto, ma doutrina coesa, sistemática e uniforme, para os iversos Estados europeus. "Do século XVI ao século XVIII inguém se declarou mercantilista", ou seja, não houve uma consciência clara e única do que fosse a política mercantilista, mas o mercantilismo, constituiu um conjunto de práticas, manufatureiro, do Estado. com implicações no setor comercial, agrícola, envolvendo a participação direta

O Estado mercantilista pressupunha a existência de um poder central, suficientemente forte e empreendedor para mobilizar recursos em escala nacional a fim de financiar a expansão. O Estado pode ser visto também como um, intermediário dos diversos grupos socioeconômicos, uma vez que a expansão comercial e colonial constituía um fator essencial do seu poder. Basta lembrar que os impostos que mantinham a os exércitos e as armadas, das atividades mercantis manufatureiras), conforme xograma abaixo: ,; estatais máquina do Estado portanto, provinham, em grande parte, e produtivas (artesanais e se pode constatar pelo flu-

o

'0 a. C> E j9
<1>

1'I

Exército

T

Rei Nobreza Campesinato Manufatura Investimentos ~ Aduana Despesas I I Estado Corte Burguesia I I Agricultura Renda

I I..JI I .
-,II - I"

Dentre outras, destacamos algumas importantes características do mercantilismo, que prevaleceram, mais ou menos, dependendo da época e do país. Veja: ~ O Metalismo Ou seja, a concepção de que a prosperidade de cada aís estaria na razão.direta da quantidade de metais reciosos que possuísse. Essa tese era confirmada pela bservação de que o país mais poderoso do início dos -empos Modernos era a Espanha, e a que maior estoque -etálico possuía, graças às minas americanas. balança comercial favorável Os países que não tivessem suas próprias fontes de -s~ais preciosos deveriam obtê-Ias de outras nações, ~~vés da venda de mercadorias que seriam pagas em -5"".aL Portanto, o fundamental era exportar mais do que -::::-.ar. de forma que houvesse um saldo positivo na ercial.

um saldo favorável na balança comercial, já que a importação não levaria do país os metais. Uma outra forma de protecionismo existiu em relação aos transportes maritimos, só permitindo que Ô transporte de mercadorias fosse feito em navios nacionais. ~ Estímulo às manufaturas O incentivo à exportação, sobretudo de manufaturados que obteriam preço mais alto no mercado internacional era outro caminho adotado para se ter um saldo comercial. A regulamentação das corporações de ofício objetivava este caminho, pois controlava a quantidade e a qualidade da produção, geralmente destinada ao mercado externo. Também com o objetivo de obter-se mão-de-obra abundante é que foi adotada na época uma política demográfica e foram baixadas as "leis contra o ócio", na realidade com o objetivo de manter baixos os salários. ~ O Colonialismo A obtenção de colônias, regiões politicamente submetidas, foi a forma encontrada pelos países europeus para sair do impasse em que se envolvia o comércio europeu no

s-,o
=-"E E.-:::::ada

essa política com o objetivo de dificultar a estrangeiras, obtendo-se assim

a;;;:G::~ ::<3 ~ercadorias

início

dos Tempos

Modernos.

Isso porqu,e como todos

Dentres as caracteríticás

renascentistas

de suas obras

adotavam as mesmas medidas protecionistas, cada nação queria impor às outras tratados comerciais' que a favorecessem, culminando essa situação em guerras. As colônias seriam mercados consumidores exclusivos da metrópole e fornecedoras de_ matérias-primas e produtos que poderiam ser reexportacjos pela metrópole. Portantà, graças às suas colônias, as economias européias conseguiam acumular capitais e atingir os objetivos do capitalismo. Em todos os casos, o Estado era interventor e principal agente da economia, preocupado com todos os setores econômicos, monopolista e centralizador. Apesar de contribuir para o enriquecimento da burguesia, é importante ressaltar que o mercantilismo possuía uma finalidade política clara: o fortalecimento do Estado.

destacamos: a utilização do claro-escuro, da perspectiva, o conhecimento da anatomia humana e da ciência. O Renascimento não ocorreu de forma homogênea em todos os países e regiões da Europa. Surgiu por volta de 1450, na Itália, espalhando-se, posteriàrmente, por toda a Europa, assumindo características diferentes durante seu desenvolvimento. Origens do Renascimento O Renascimento, como já vimos, não ocorreu desli-

gado da realidade socioeconômica vivida na Europa Ocidental. Assim, podemos afirmar que o Renascimento foi o produto cultural das transformaçÕes ocorridas no final da Idade Média, tais como: ~ o crescimento da atividade comercial e dos centros urbanos; ~ o surgimento da burguesia, uma das maiores ciadoras da arte renascentista; ~ a retomada Clássica. dos estudos das obras o misticismo finan-

O Renascimento
Conceitua-se Renascimento como um conjunto de transformaçôes culturais marcadas; em maior ou menor grau, pela ruptura com as concepções medievais, O movimento renascentista foi um reflexo cultural das transformações ocorridas na Europa Ocidental nos finais da Idade Média e, obviamente, refletiu, também, a nova mentalidade do' homem europeu, alinhavada com as novidades econômicas e políticas da Idade Moderna. Em síntese, o Renascimento se baseava na exaltação do homem (antropocentrismo) e 'na crítica aos valores medievais, considerados ultrapassados e excessivamente religiosos (teocentrisrt1o). Em muitos casos, os autores do Renascimento buscavam inspiração nos clássicos da _ Antigüidade greco-romana. Daí o nome Renascimento, dada a crença de alguns autores. O Renascimento configura-se nas artes, em especial na literatura, na pintura, na escultura e na arquitetura, Seu maior símbolo é Leonardo da Vinci, considerado um dos mais completos artistas de todos os tempos. Da Vinci demonstrou, através de suas obras, o espírito do Renascimento.

da Antigüidade e o ascetismo

Devido a estes fatores,

medievais vão sendo abandonados, dando lugar para uma cultura sintonizada com os novos tempos. As cidades italianas, notadamente Florença, são o berço do Renascimento, uma vez que vivenciaram, precocemente, as transformações econômicas do final da Idade Média e, também, possuíam contatos maiores com as civilizações bizantina (Europa Oriental) e sarracena (Árabe), que preservaram a cultura grega, Por outro lado, na Itália, a presença da ,obra romana é mais evidente e influenciadora. A partir do século XV, o Renascimento havia se expandido, atingindo regiões onde se formara uma burguesia próspera ou monarquias centralizadas. Do século XVI em diante, ocorre um ocaso, declínio do Renascimento, em função da Reforma e da ContraReforma, que produziram um clima de intolerância religiosa, coibindo a expansão artística e cultural. Característicasdo Renascimento ~ O Humanismo possibilidades indagações Entendido aqui como uma redescoberta do valor e das do homem, tornado centro de todas as e preocupações. Constituía, em sentido amplo,

uma tomada de posição antropocêntrica, em reação ao teocentrismo dominante na Idade Média, época do predomínio da Igreja e da nobreza feudal, que o utilizaram para justificar a ordem social em vigor. Os humanistas da época do Renascimento "eram os letrados profissionais geralmente provenientes da burguesia, eclesiásticos, professores universitários, médicos, funcionários, por vezes publicistas, a serviço de uma editora que exprimem a tendência da sociedade e lhe fornecem suas ferramentas intelectuais". ~ O Naturalismo Que correspondia
A Virgem dos Rochedos (c, 1488), pintura de Leonardo da Vinci

a uma tomada

de consciência da natureza

do

homem no universo, da valorização opunha-se ao misticismo medieval.

em si,

~ ~ Classicismo Já que a Antigüidade Clássica foi a grande base para ~enascimento, "Os contemporâneos (do Renascimento) "!'f!tenderam inaugurar plenamente uma nova era. Forjaram "0 históric.o: o mundo antigo fora destruído por uma ::;â~e Média bárbara, que era preciso destruir, por· seu turno. esse modo a cultura clássica antiga representava um ideal

se escassa e nas cidades a pressão sobre os salários aumentou. A fuga dos campos para as cidades cresceu incessantemente e os trabalhadores que permaneciam nos feudos sentiam na pele a superexploração de seu trabalho. Assim, o século XIV foi um século de insurreições rurais e urbanas intensas: camponeses rejeitavam os laços rígidos do feudalismo e os trabalhadores urbanos Uornaleiros) protestavam contra os baixos salários, apesar da escassez de mão-de-obra, e contra o domínio das corpo~ rações de ofício pelos mestres, que criavam obstáculos à ascensão dos jornaleiros. A partir do século XIV, a população européia voltou a crescer, mas novos problemas surgiram, principalmente para o setor mercantil (comercial), especialmente aquele ligado ao comércio oriental (especiarias e outros produtos). Em torno desse setor, girava a atividade mercantil da Europa, e alguns entraves impediam o seu desenvolvimento. Esses ~ a redução do poder aquisitivo da nobreza, principal consumidora dos produtos orientais, em função da crise feudal; entraves eram: ~ o monopólio exercido pelas cidades italianas (no Mediterrâneo) e pelos árabes (na Ásia), o que encarecia o preço dos produtos, tornando-os inacessíveis a muitos compradores; ~ a escassez de metais amoedáveis (ouro e prata) para a fabricação de moedas, necessárias para a compra de mercadorias orientais. Essas são as razões que motivaram a Expansão Marítima e Comercial Européia, nos séculos XV e XVI. É preciso ressaltar que outros fatores também contri-

a

atingir, mas a sua retomada era antes uma atitude. de busca do novo, de criação, do que de imitação, de repetição". ~ O "0, vidualismo Considerado como valorização da capacidade de pensar, criticar e julgar de cada indivíduo, em oposição aos dogmas prontos baixados pela Igreja. ~ O Racionalismo Convicção de que tudo pode ser explicado pela razão e pela ciência. Os efeitos' do racionalismo foram determinantes para o desenvolvimento das ciências (Renascimento Científico) e mesmo a produção artística foi orientada pela razão: o ideal de racionalidade expressava-se na realidade das formas perfeitas e puras, na busca da simetria e da regularidade. ~ O Renascimento Científico Também a ciência será atingida pelo movimento renascentista. O princípio que dominou o conhecimento científico durante o Renascimento foi o da experimentação, sendo o método indutivo substituído pelo dedutivo. Surgem. atitudes contrárias ao predomínio da Igreja no campo científico e começam a aparecer as ciências separadas, de acordo com o objetivo de seu estudo (até então. eram agrupadas sob o nome de filosofia).

I

cultural que uniu todos os fatos que assinalaram o início dos Tempos Modernos, estando presente nos diversos acontecimentos introdutórios da Idade Moderna."

"O Renascimento

foi

o elo

A expansão

marítima e comercial

européia

buíram para impulsionar esse processo, denominado, também, de Grandes Navegações. Não podemos esquecer que, entre os séculos XV e XVI, estavam em ação: ~ o interesse burguês na ampliação de seus negócios; ~ a centralização do poder real, o que colocou os Estados Modernos como agentes fundamentais na expansão marítima e comercial; ~ os avanços tecnológicos na área de navegação; ~ o espírito religioso, muito utilizado como bandeira para as navegações. . "O espírito de aventura dos povos ibéricos e o desejo de conversão dos 'infiéis' têm sido apontados como causa das navegações, já que os portugueses e espanhóis, tendo lutado séculos contra os árabes, desenvolveram um ideal de conversão e catequese, aliados a grandes doses de fanatismo. Entretanto, os móveis religiosos foram mais pretextos". O pioneirismo português Portugal, o mais antigo Estado Moderno, foi o pioneiro no processo da expansão marítima e comercial. Vários fatores explicam esse fenômeno, tais como ~ precoce centralização política, sendo que Portugal é um Estado centralizado desde o século XII. O poder central foi de suma importância na organização e no agenciamento do financiamento das expedições ultramarinas;

Os séculos XIV e XV assinalam uma crise de retração no feudalismo. As cidades atraíam os servos que cada vez mais lá queriam vender os excedentes de sua produção, ou então, para lá fugiam, tornando-se homens livres. Muitos senhores feudais (nobreza) se adaptaram à crise da servidão, transformando algumas obrigações servis em pagamentos em dinheiro, ou 'comprando produtos de
.1)(0 e vendendo

a produção de seus feudos. A crise da servidão tornou-se mais grave a partir do ,éculo XIV, devido às catástrofes ocorridas então. A primeira

:::essas grandes catástrofes foi a fome que, agravando-se s--:re os anos de 1315 e 1317, matou milhões de pessoas := s:rrraqueceu a população européia. Alguns anos depois,

-- '3L7

a 1350, a Europa foi devastada pela Peste Negra, ~ s:Jidemia vinda da Ásia que exterminou muita gente.

erra foi outro terrível flagelo que enfraqueceu a iec.aée feudal. A mais importante foi a Guerra dos Cem , ..a França. Em toda a Europa, a mão-de-obra tornou-

~ existência de uma burguesia mercantil sólida, desde o século XIV, sendo que Portugal era um importante elo entre as rotas do sul e do norte da Europa; ~ ascensão ao trono, em 1385, da dinastia de Avis, interessada na expansão e responsável pela coordenação das viagens; ~ posição geográfica favorável e conhecimento de técnicas náuticas e militares que contribuíram, decisivamente, para o sucesso das expedições. A expansão portuguesa inicia-se em 1415, no reinado de D. João I, da dinastia de Avis. Veja algumas etapas dessa expansão: . ~ a tomada da cidade árabe de CeUta, localizada no norte da África, em 1415. Nesse empreendimento houve uma união de interesse do grupo mercantil com a nobreza territorial. Esta visava a conquista de terras dos muçulmanos do norte da África, enquanto que a burguesia visava um ponto para o comércio com a região;

em 1492, o que ocupava a atenção e recursos das monarquias ibéricas; ~ a inexistência de centralização política que só com o casamento dos reis de Aragão e Castela, respectivamente Fernando e Isabel, foi concretizada (final do século XV); ~ a associação do reino de Aragão a mercadores genoveses no comércio Mediterrâneo desde o século XIII o que retardou seu interesse por outras rotas. Em 1492, os "reis católicos" patrocinaram a viagem do navegante genovês Cristóvão Colombo, iniciando a expansão espanhola. A direção escolhida porém foi diferente: Colombo saiu em busca do Oriente através do Ocidente, descobrindo a América. Após a sua morte, depois de mais duas viagens ao novo continente (sem ter consciência disso), é que o navegante florentino Américo Vespúcio descobriu que as terras atingidas por Colombo não faziam parte da Ásia. Como, entretanto, o interesse europeu continuava sendo o Oriente, os espanhóis ainda tentaram descobrir uma passagem natural através da América; foi assim que Vasco Nunes Balboa, em 1513, descobriu o Pacífico e Fernão de Magalhães e Sebastião Elcano, entre 1519 e 1524 fizeram a primeira viagem de circunavegação da Terra. Outros países França, Inglaterra e Holanda iniciam sua expansão marítima e comercial posteriormente a Portugal e Espanha, não conseguindo, portanto, ocupar grandes porções coloniais na América ou no Oriente. A partir do século XVI, essas noções "retardadas" limitaram-se, inicialmente, à pirataria e à ocupação de terras que os países ibéricos não tinham condições ou interesses em estabelecer laços comerciais ou de permanência. Dentre os principais episódios relacionados à França, Inglaterra e Holanda, citamos: ~ em nome de Francisco I, rei da França, Verazzano percorreu as costas da América do Norte, bem como Cartier, lançando aí as bases do Império Colonial Francês que se desenvolveu a partir do século XVII (Quebec). Fundaram ainda vários entrepostos comerciais na Ásia e África, mas foram frustrados na tentativa de estabelecimento de colônias no Rio de Janeiro e no Maranhão; ~ no reinado de Henrique VIII, João e Sebastião Caboto, italianos, exploraram o litoral da América do Norte. No reinado de Elizabeth I (1558-1603) Francis Drake fez uma viagem de circunavegação no globo e Walter Raleigh tentou fundar uma colônia na América do Norte. Utilizando a rota do Cabo da Boa Esperança, navegadores ingleses estabeleceram entrepostos comerciais em vários pontos da Ásia. Os holandeses, com a crise da expansão portuguesa, passaram a ocupar vários pontos de comércio na Ásia e África. Fundaram colônias na América do Norte, tentaram fixar-se no Brasil, ocuparam a Guiana e algumas ilhas nas Antilhas.

I

~ ocupação das ilhas da Madeira e Açores, na década de 1420, onde se implantou a lavoura açucareira; ~ descoberta da Guiné em 1434, onde se descobriu ouro. Até essa época (meados do século XV), a expansão portuguesa, já lucrativa em si, corria paralela ao comércio italiano de especiarias, pelo Mediterrâneo. Em 1453, entretanto, os turcos otomanos tomaram a cidade de Constantinopla, principal entre posto desse comércio, inviabilizando a rota mediterrânea. Daí, mesmo com a morte do Infante D. Henrique, filho mais novo de D. João I e principal coordenador da expansão (1460), ela continua porque, nesse momento, o país que atingisse o Oriente teria o monopólio das especiarias. A partir da segunda metade do século XV essa expansão é claramente norteada para a busca de uma nova rota pelo sul da África. As principais foram: ~ descoberta da foz do rio Congo, em 1482; ~ transposição do Cabo das Tormentas, em 1487, por Bartolomeu Dias (depois Cabo da Boa Esperança); ~ chegada às índias (Calecute), em 1498, por Vasco da Gama, concluindo finalmente a epopéia portuguesa; ~ incorporação do Brasil ao império português, em 1500, pela expedição comandada por Pedro Álvares Cabral que se dirigia à índia a fim de efetuar acordos comerciais. A descoberta do Brasil não desviou os portugueses dos seus principais interesses que estavam no comércio com as índias. Afonso de Albuquerque, na década de 1510, comandou a expedição que ocupou Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, Socotora e Aden, na entrada do Mar Vermelho. Essas posições estratégicas em mãos de portugueses impediram o fluxo das especiarias para o Mediterrâneo, inviabilizando de vez o comércio italiano na área. A expansão espanhola A participação espanhola nas navegações iniciou-se no final do século XV, quase cem anos após o início da expansão portuguesa. Esse atraso deveu-se a: ~ continuação da luta para a expulsão dos árabes do território espanhol, iniciada no século VIII e só concluída

A expansão marítima portuguesa

e espanhola.

Veja a posição de Portugal e Espanha junto ao Oceano Atlântico:

OCEANO ATLANTlCO

OCEANO INDICO

I
portuguesa

• Navegação
(Rotas portuguesas e espanholas na Expansão Marítima e Comercial)

-

-.

Caminho espanhol

Viagem de Pedro Álvares Cabral

ÁSIA

Baía Cabrália
"""-

••••••""

OC~ANO 'ATLANTICO

,

OCEANO INDICO

(Rota de Cabra!. O Tratado de Tordesilhas

é uma das grandes novidades

da época: os acordos internacionais)

Resultados da expansão marítima e comercial européia

A partir de 1450, ocorre uma prafunda transformação no comércio europeu, convencionando-se denominá-Ia de Revolução Comercial. Além da ampliação do comércio europeu, que atinge, a partir do século XV uma escala mundial, novos mercados e novos produtos aparecem, dinamizando a economia, enriquecendo os Estados europeus e fortalecendo a burguesia mercantil. Por outro lado, é importante destacar algumas conseqüências da Expansão Marítima e Comercial, em outros campos, tais como: ~ restabelecimento da escravidão, a partir do tráfico negreiro e do escambo; ~ declínio das cidades italianas, que perderam o monopólio do comércio com o Oriente; ~ europeização do mundo; ~ emergência do Atlântico como eixo da economia mundial; ~ colonização da América e desenvolvimento do Antigo Sistema Colonial, baseado no pacto ou exclusivismo colonial; ~ comprovação da esfericidade da Terra, etc.

~ Os abusos cometidos pelo clero católico ignorante e sem uma pastoral definida, já que não recebia nenhuma orientação teológica ou litúrgica. A Igreja possuía enormes propriedades em toda a Europa Ocidental, acumulava riquezas oriundas de doações ou impostos, detinha enorme prestígio social e cultural e formava um Estado autônomo dentro dos Estados europeus, com estatutos, tribunais e idioma próprios. Isso atraía para seus quadros indivíduos sem nenhuma vocação religiosa, interessados apenas em usufruir das vantagens que implicavam em fazer parte do clero. Durante o Renascimento, o espírito crítico que se desenvolveu no Ocidente fez com que as próprias origens da instituição religiosa fossem pesquisadas, concluindo-se, dessa forma, que o cristianismo original nada tinha a ver com os desvios sofridos pela Igreja na Idade Média.
As seitas protestantes

~ O Luteranismo Lutera era um monge da ordem dos agostinianos, que lecionava teologia na Universidade da Wittenberg. Em 1517 entra em atrito com o dominicano Tetzel, que havia sido enviado à sua cidade pelo arcebispo de Mogúncia para vender indulgências. O caso ficou mais grave na época porque o arcebispo havia recebido dos banqueiros Fuggers uma soma em dinheiro e deu-Ihes em pagamento a metade dos rendimentos das indulgências cobradas. Lutero acusou a venda irregular e aproveitou a oportunidade para falar de outros aspectos de que discordava na Igreja, através de 95 Teses afixadas na porta da Catedral de Wittenberg. O Papa Leão X a princípio não deu importância ao fato, mas em 1520, excomungou Lutera que se negou a retirar o que dissera. Estava efetivada a ruptura. É importante ressaltar que a adesão às idéias luteranas e a rápida expansão do movimento se devem à peculiar situação política do Sacro Império Romano Germânico, um aglomerado de principados submetidos à autoridade imperial de Carlos V. Esses príncipes, entretanto, desejosos de se livrarem tanto da interferência papal, como da autoridade do imperador, legalizada pelo catolicismo, protegeram Lutera da perseguição do imperador. Os pontos fundamentais da doutrina luterana são os que se seguem: • a base da salvação humana é a fé e não as boas obras, como afirmava a doutrina de S. Tomás; • o culto não necessita de intermediários entre o fiel e • • Deus, sendo, portanto, muito simples; a Bíblia é a única fonte da verdade religiosa; o fiel deve livremente interpretar a Bíblia (daí o grande número de seitas nas quais se ramificou o protestantismo); abolição da hierarquia dinados ao Estado; abolição eclesiástica por ministros subor-

A Reforma e a Contra-Reforma Também a Igreja Católica sofre com as transformações vivenciadas no final da Idade Média e princípio da Idade Moderna. Conceitua-se Reforma como a quebra da unidade católica na Europa Ocidental, a partir do século XVI. Esse fenômeno histórico provocou o surgimento de diversas religiões, denominadas de reformistas ou de protestantes. Ao longo da Idade Média, a Igreja Católica tornou-se uma instituição poderosa, rica e influente. O poder papal representava o coletivismo medieval e pairava acima de tudo e de todos. O sistema feudal encontrava, no catolicismo, o seu elemento ideológico, como já vimos no Capítulo I. Agora, a partir do século XVI, o poder da Igreja rui como um castelo de cartas. Por quê? Eis as razões: ~ O desenvolvimento econômico dos séculos XV e XVI que favoreceu as condições de vida urbana e estimulou a pesquisa e a ciência, facilitando a divulgação dos conhecimentos religiosos. Além disso, o fortalecimento da burguesia fazia com que essa classe sentisse um obstáculo ao seu desenvolvimento: o sistema feudal, do qual a Igreja Católica era sustentáculo. Ainda mais a Igreja condenava as práticas capitalistas nascentes, através das doutrinas do "justo preço" e da "usura", entesourava riquezas que poderiam dinamizar as transformações econômicas e impunha inúmeras taxações, reduzindo o poder de investimento da burguesia. ~ A emergência dos Estados Nacionais e o atrito oriundo dos choques destes com o poder supranacional do Papa, considerado desde a Idade Média "o soberano de todos os soberanos". Os reis também ambicionavam apoderar-se dos bens da Igreja e manter no país os tributos que iam para Roma. O intento desses governantes foi favorecido pelo nacionalismo emergente nas populações européias no início da Idade Moderna, que preferiam ver religiões nacionais implantadas em seus países.

• •

dos sacramentos,

com exceção do batismo e

eucaristia. Na eucaristia Cristo está presente no pão e no vinho, mas estes não se transformam no corpo de Cristo (consubstanciação e não transubstanciação);

aoolição do jejum, abstinência, culto dos santos, veneraÇão de imagens, peregrinações e relíquias; egação da existência do purgatório, e conseqüen:emente de indulgências. protestantismo luterano deu origem no início do s....6o.llo XVI a dois tipos de revoltas: • nobres empobrecidos, que saquearam mosteiros e castelos, levando as idéias de Lutero, mas que foram esmagados pelos exércitos dos bispos; • do campesinato que exigia a abolição dos privilégios feudais e a reforma agrária. A revolta de Thomas Munzer (anabatistas) foi brutalmente reprimida, com o incentivo do próprio Lutero: "É preciso despedaçá-Ias, degolá-Ias, apunhalá-Ias, em segredo e em público, quem possa fazê-Ia, como se tem que matar um cachorro louco". A essa altura a teologia luterana já estava amoldada aos interesses da burguesia emergente e da pequena nobreza.

Perseguido na França transferiu-se para Genebra, na Suíça, onde Zwinglio já havia lançado as bases da crítica ao catolicismo, com a criação da chamada "Igreja Democrática". As principais idéias de Calvino foram: • livre interpretação da Bíblia, negação ao culto dos santos e da Virgem, negação da infalibilidade do Papa; • destruição completa do livre-arbítrio, com a defesa da predestinação absoluta dos eleitos e condenados; • defesa das atividades econômicas até então rejeitadas pela Igreja, baseado na crença de que todo trabalho feito com honestidade e sobriedade era agradável a Deus, sendo que somente os predestinados ao céu conseguiam vencer na vida. Não é preciso destacar o quanto essa doutrina foi agradável aos comerciantes, banqueiros, industriais, armadores, etc., sendo considerada um dos fatores de impulso ao nascente capitalismo; • defesa da separação entre Igreja e Estado, que assim poderiam exercer melhor suas respectivas atribuições; • abolição do culto exterior, com a rejeição da missa, dos sacramentos (reduzidos a simples comemorações) e de tudo o que não estivesse rigorosamente escrito na Bíblia; • crença de que a santidade da vida era maréa da predestinação e em conseqüência, a cidade calvinista deveria ser uma cidade santa. Em nome desse princípio, Calvino instalou em Genebra uma verdadeira ditadura, onde a vida particular dos membros rígorosamente fiscalizada. da Igreja era

O calvinismo expandiu-se por toda a Europa. Na Boêmia (Tchecoslováquia) e na Polônia superou o Luteranísmo. Na França, os calvinistas (huguenotes) foram Martinho Lutero, filho de camponeses abastados, nasceu a 10 de novembro de 1483, em Eisleben (Saxe ou Saxônia). Fez seus estudos em Magdeburgo e entre 1501 e 1505 estudou Filosofia na Universidade de Erfurt; entrou para a Ordem dos Agostinianos, de Santo Agostinho, em 17 de julho de 1505. Em 1510, viajou para Roma, onde constatou os desmandos da Corte pontifícia do papa Júlio 11. Tornou-se prior do convento de Wittenberg em maio de 1512; nessa ocasião tornou-se também doutor em Teologia e passou a lecionar na Universidade da mesma cidade. A partir daí, transformou-se no grande questionador da Igreja e da atuação dela; deu origem à Reforma e ao surgimento do protestantismo. Em 1524, abandonou os hábitos monásticos e casou-se com Catarina de Rorah. Morreu a 18 de fevereiro de 1546, em Eisleben, sua cidade natal.
(NADAI, Elza. História Geral)

intensamente perseguidos. Também alcançou (puritanos) e a Escócia (presbiterianos). ~ O Anglicanismo

a Inglaterra

Na Inglaterra, a Reforma deu origem ao surgimento da Igreja Anglicana, que guardou muitos pontos em comum com a Igreja Católica. O rompimento com o catolicismo foi efetivado pelo rei Henrique VIII que entrou em conflito com o Papa Clemente VII, devido à luta pelo poder político, que o rei tentava transformar em absolutista. Para encobrir os choques políticos Henrique VIII usou o pretexto da dissolução de seu casamento com a princesa espanhola Catarina de Aragão, que dependia da aprovação do Papa. Pressionado por Carlos V, rei da Espanha, Clemente VII negou a anulação do casamento, que serviu para que Henrique VIII rompesse com o catolicismo e fundasse a Igreja Anglicana, através do Ato de Supremacia. Por esse documento seria o rei e o chefe da nova religião. Com esse rompimento o poder do rei, logicamente, aumentou, já que assumia o papel de chefe espiritual da nação, além de aumentar a arrecadação do Estado e se apropriar das terras pertencentes à Igreja Católica. Quanto ao culto e à doutrina da nova igreja, praticamente continuaram os mesmos do catolicismo, além de haver Henrique VIII perseguido tanto católicos quanto calvinistas (puritanos). Com a morte de Henrique VIII o calvinismo alcançou supremacia no país graças aos regentes do trono, já que o

oão

Calvíno,

na França,

seguiu

inicialmente

os

e~.s·-;a:-er:os

de Lutero, mas em 1539, publícou a Instionde se encontram as bases da religião por

herdeiro (Eduardo VI) era menor. Com a morte deste, sobe ao trono a filha mais velha de Henrique VIII, Mary Tudor, que reintroduz o catolicismo. Só no reinado de Elizabeth I (15581603) sua segunda filha, é que o anglicanismo se consolida definitivamente no país. A rainha era esperta o suficiente para perceber que era essa a religião que mais reforçava seu poder, além de mesclar a doutrina com algumas idéias calvinistas, satisfazendo dessa forma as duas tendências religiosas canismo. mais fortes no país, além do próprio angli-

adotou

a Vulgata (versão

latina

da Bíblia

de São

Jerônimo), católicos; •

como único texto que podia ser aceito pelos por parte

proibiu a acumulação de cargos e paróquias de um único eclesiástico.

Por outro lado, a doutrina católica não sofreu nenhuma modificação: • os sete sacramentos • foram confirmados; e na Eucaristia

predominou a doutrina da "transubstanciação"; as indulgências e relíquias continuaram a existir, desde que não houvesse abusos na sua concessão; as boas obras foram confirmadas como meios de salvação, juntamente com a fé; ao lado da Bíblia. de contenção após do protestantismo a tradição da Igreja foi confirmada como fonte de ensinamentos religiosos, Além das medidas

A Contra-Reforma Chama-se de Contra-Reforma, o movimento de reno• •

vação da Igreja Católica, sendo considerado uma reação à Reforma Protestante. É verdade que, em alguns países (Itália, Espanha e Portugal) esse movimento de renovação já havia se iniciado mesmo antes do início da Reforma Protestante. A Igreja Católica usou, basicamente, de três instrumentos para deter o avanço do protestantismo: Ia Companhia de Jesus, fundada em 1540 por Inácio de Loyola na Espanha, e que se dedicava a pregar a fé católica. Formados sob rígida disciplina, os jesuítas fortaleceram a doutrina católica em missões de catequese
11 -

dentro da própria Europa, a Igreja lançou-se novos territórios, conhecidos

à

conquista de teve nos

o Expansionismo por exemplo,

Europeu. Este último aspecto da Contra-Reforma jesuítas seus principais agentes. Destaca-se,

São Francisco Xavier, apóstolo na índia e no Japão. Concluindo, podemos afirmar que a Contra-Reforma nos aspectos de organização mas no aspecto mentos utilizados doutrinário (Inquisição) alterou a estrutura da Igreja, e através de alguns instrufoi bastante conservadora.

por todo o mundo; do tribunal da Inquisição nos países não havia penetrado;

o restabelecimento

onde o protestantismo

111-a convocação do Concilio de Trento (1545-1563) pelo Papa Paulo 111, que teve seu poder garantido diante do Concílio pela Companhia de Jesus. Este se reuniu em três fases e adotou as seguintes medidas: • restaurou a disciplina na Igreja Católica, através da afirmação da soberania do Papa em matéria religiosa, da confirmação do celibato clerical e da obrigatoriedade dos seminários; condenou a venda de objetos sagrados (simonia) e

Reflexos da Reforma ~ fragmentação do cristianismo ocidental em catolicismo onde que eu-

e protestantismo; ~ fortalecimento do poder real, tanto predominou permaneceram ~ eclosão ropeus; ~ reforço dado ao desenvolvimento o protestantismo católicos; de religião

nos países naqueles países

quanto

de guerras

em vários

• •

regulamentou a concessão de indulgências; publicou o Catecismo, contendo as verdades essenciais da religião, em linguagem acessível; • instituiu o Index Librorum Prohibitorum, relação, periodicamente renovada, de livros contrários aos dogmas da Igreja;

do capitalismo, já que

a doutrina da salvação, relacionada à riqueza individual, estimulou o crescimento econômico; ~ expansão do catolicismo, outros continentes. em seu zelo missionário, por

EXERCíCIOS DE FIXAÇÃO
01.
(UFTM-MG-2007) A formação do sister.1a feudal, dominante principalmente nos territórios do Império Carolíngio, durante a Idade Média, esteve ligada A) à integração de instituições romanas tais como o colonato e o Comitatus. e germânicas,

B) ao fim da importância das leis baseadas nos costumes e aos ataques vikings. C) às constantes invasões dos bárbaros germânicos, levaram à queda do Império Bizantino. D) à decadência do escravismo processo de êxodo rural. romano que

e ao gradativo

E) ao fortalecimento do poder real, devido à distribuição de benefícios aos guerreiros fiéis.

02.

(UFV-MG-2006) O período compreendido entre os séculos V e XV é conhecido por "Idade das Trevas" ou "Idade Média". Estes termos pejorativos- esconderam, durante muito tempo, a importância daquela época, na qual, segundo muitos historiadores, surgiram os traços que caracterizam atualmente o Ocidente. Mas, não obstante essa valorização, o termo "Idade Média" continua sendo utilizado nos livros e manuais escolares. Com base nessas informações as transformações ocorridas Europa, assinale a afirmativa A) e nos conhecimentos a partir do século INCORRETA. sobre XV na

A concepção da História como um processo levou os historiadores a atenuarem o caráter de ruptura dos acontecimentos e dos movimentos artístico-culturais, como o Renascimento, o que contribuiu para a valorização das realizações humanas do período medieval. de dominar em diversos do período de origem

o

B) A tentativa de Napoleão Bonaparte a Europa estimulou o nacionalismo países, provocando uma valorização medieval, identificado das nacionalidades. C) A expressão compreendida "Idade entre como o momento

Média" se refere à época uma fase de predomínio das

práticas pagãs e outra em que surgiram as religiões reformadas, constituindo-se numa referência ao período em que a Igreja Católica suprimiu outras crenças.

D) A recuperação da Europa, após a crise do século - XIV, assentava-se sobre elementos medievais, pois o Absolutismo tinha relações com o processo de fortalecimento do poder real, os Descobrimentos com as viagens dos italianos e o Protestantismo com os movimentos heréticos. E) O mito historiográfico da "Idade das Trevas" teve origem no século XIV, quando o termo tenebrae começou a ser empregado para designar o período posterior à Antiguidade Clássica, mas generalizou-se principalmente a partir do século XVI.

EXERCíCIOS PROPOSTOS
01.
(UFJF-MG-2004) Leia atentamente o trecho a seguir. a medieval só conhecia um modo de modificar a ordem das coisas naturais: o milagre. A ideia de impossível não tinha
lugar. Em princípio, tudo era possível.

a

universo

estava

completamente embebido de vontade divina. Nada deixava de ser viável, se estivesse de acordo com este fundamento que presidia o mundo e as vidas. a universo cotidiano estava inteiramente pontilhado por milagres, prodígios e maravilhas. Deus não era de modo algum algo remoto.

RODRIGUES, JoséCarlos.O corpo na História. Rio de Janeiro: Fiocruz,1999, p. 44. A importância do aspecto religioso no modo como o homem medieval interpretava o mundo em que vivia demonstra o poder que a Igreja Católica detinha. Esse poder pode ser atribuído a diversos fatores, EXCETO A) Ao crescimento do número de fiéis, fruto de um intenso processo de evangelização de populações que eram antes politeístas. B) Ao controle exercido sobre a produção intelectual deixada pela antiguidade e sobre as atividades de ensino. C) Ao papel de Instituição, alcançado pela Igreja, ao sobreviver ao fim político e administrativo do império Romano do Ocidente. D) posição assumida pela Igreja, na defesa das camadas mais pobres da sociedade, contra a exploração do trabalho servil.
À

E) Ao poderio econômico que a Igreja alcançou por meio das inúmeras doações recebidas, inclusive de terras.

02.

(UnB-DF) A respeito das transformações econômicas, sociais, políticas, culturais e religiosas da Alta Idade Média, julgue as seguintes informações: ( ) A vida urbana, o desenvolvimento do artesanato e o crescimento demográfico intensificaram-se devido às migrações dos povos bárbaros. ) O mar Mediterrâneo, dominado pelos muçulmanos, continuou sendo a principal rota de ligação entre Ocidente-Oriente . . ( ) Os reinos bárbaros caracterizam-se pela fraqueza do poder central e pela utilização do regime da personalidade das Leis. ) A igreja cristã assumiu um papel político de destaque, preservou o legado cultural greco-romano e passou a denominar-se católica, isto é, universal.

03.

(FUVEST-SP) o feudalismo medieval nasceu no seio de uma época infinitamente perturbada. Em certa medida, ele nasceu dessas perturbações. Ora, entre as causas que contribuíram para criar ou manter um ambiente tão tumultuado, algumas existiram completamente estranhas à evolução interior das sociedades europeias. BLOCH,Marc.A sociedadefeudal

C) fragmentação política, pois suseranos e vassalos exerciam poder em seus feudos. D) fortalecimento da autoridade dos reis, pois os senhores deviam-Ihes obediência direta. E) diminuição da importância econômica da terra, pois os vassalos perdiam a posse dos feudos.

o texto

refere-se

06.

A) às invasões dos turcos, lombardos e mongóis que a Europa sofreu nos séculos IX e X, depois do esfaceiamento do ImpériO Carolíngio. B) às invasões prolongadas e devastadoras dos sarracenos, húngaros e vikings na Europa, nos séculos IX e X (ao sul, leste e norte, respectivamente), depois do esfacelamento do Império Carolíngio. C) às lutas entre camponeses e senhores do campo e entre trabalhadores e burgueses das cidades, impedindo qualquer estabilidade social e política. D) aos tumultos e perturbações provocadas pelas constantes fomes, pestes e rebeliões que assolavam as áreas mais densamente povoadas da Europa. E) à combinação de fatores externos (invasões e introdução de novas doutrinas e heresias) e internos (escassez de alimentos e revoltas urbanas e rurais).

(UFJF-MG-2007) Sobre o contexto social e econômico do século XIV na Europa medieval, marque a alternativa
INCORRETA.

A) A mão-de-obra disponível para atuar no campo foi reduzida devido às epidemias e guerras existentes no período. B) As revoltas camponesas, como a jacquerie, acabaram por ocasionar alterações nas obrigações típicas do sistema feudal. C) A reduzida oferta de metais preciosos, como a prata, contribuiu para a expansão do processo inflacionário. D) A burguesia teve seu prestígio econômico reduzido pela crise das atividades urbanas, o que fortaleceu o poderio dos senhores feudais. E) A instabilidade climática, com chuvas constantes, levou a uma grande retração nas colheitas, diminuindo fortemente a produção agrícola.

04.

(UFJF-MG-2009) Sobre o contexto de consolidação do poder da Igreja na Idade Média, leia as afirmativas a seguir e, em seguida, marque a opção CORRETA. r. O cristianismo e todas as suas instituições podem ser considerados elementos unificadores do mundo europeu após a crise do ImpériO Romano e as invasões bárbaras. Nessa longa trajetória, a Igreja de Roma assume o seu papel de liderança religiosa, através do combate às heresias. II. Desde os primeiros tempos do período medieval, a união entre as Igrejas Ocidental e Bizantina representava o símbolo da unidade da cristandade. Os papas procuravam favorecer o Império Bizantino e consolidar a Igreja Ortodoxa, visando a aumentar a influência da Igreja romana no universo cristão ocidental. IIr. Havia grupos considerados heréticos, como os valdenses e os cátaros, que criticavam a hierarquia católica e não reconheciam a autoridaGle papal. Havia também outros movimentos que foram incorporados pela Igreja Católica e que levaram à formação de ordens religiosas, como franciscanos e dominicanos. A) Todas estão corretas. B) Todas estão incorretas. C) Apenas a I e a II estão corretas. D) Apenas a I e a III estão corretas. E) Apenas a II e a III estão corretas.

07.

(FUVEST-SP)A peste, a fome e a guerra constituíram os elementos mais visíveis e terríveis do que se conhece como a crise do século XlV. Como conseqüência dessa crise, ocorrida na Baixa Idade Média, A) o movimento de reforma do cristianismo foi interrompido por mais de um século, antes de reaparecer com Lutero e iniciar a modernidade. B) o campesinato, que estava em vias de conquistar a liberdade, voltou novamente a cair, por mais de um século, na servidão feudal. C) o processo de centralização e concentração do poder político intensificou-se até tornar-se absoluto, no início da modernidade. D) o feudalismo entrou em colapso no campo, mas manteve sua dominação sobre a economia urbana até o fim do Antigo Regime. E) entre as classes sociais, a nobreza foi a menos prejudicada pela crise, ao contrário do que ocorreu com a burguesia.

GABARITO Fixação
01. A

02.

C

05.

(UFTM-MG)As relações de suserania e vassalagem, típicas da Idade Média, resultaram em A) grande arrecadação de tributos, pois os vassalos deviam a talha e a corveia aos suseranos. B) reforço do poder da Igreja Católica, pois os suseranos julgavam os hereges.

Propostos
01. D 02. FV V V 03. 04. B D 05. C 07. C 06. D

EXERCíCIOS DE FIXAÇÃO
01.
(FUVEST-SP) Na Europa Ocidental dos nossos dias, em consequência do processo de integração, verifica-se um problema parecido com o que existiu durante a Baixa Idade Média. Trata-se do problema de articulação das três esferas do poder político: o poder local, o poder do Estado-Nação e o poder supra nacional. Hoje, se a integração se concretizar, ela será feita, ao contrário do que ocorreu no fim da Idade Média, em prejuízo do poder do Estado-Nação. INDIQUE

Organização dos Estados Nacionais
A) quem exercia cada uma das três esferas do poder durante a Baixa Idade Média? B) qual delas, no fim deste período histórico, se sobrepôs às demais; por quê?

02.

(UFOP-MG) No tocante ao processo de transformação da economia europeia, no final da Idade Média, assinale a alternativa CORRETA. A) Teve como característica principal o fortalecimento das relações de servidão, que sujeitavam o camponês ao poder do senhor feudal, na Europa Ocidental. B) Como desevolvimento das atividades mercantis, a Itália teve condições de se impor como um Estado independente junto às demais potências da época. C) O Mediterrâneo se constituiu na principal rota de comércio entre a Europa e as civilizações localizadas no Oriente Médio e na Ásia. D) Em decorrência do grande desenvolvimento comercial, a maior parte da população passou a residir em centros urbanos, despovoando os campo? E) Com o crescimento do comércio de lã, a Inglaterra desenvolveu a manufatura de tecidos, cuja matériaprima era majoritamente fornecida pelos PaísesBaixos.

EXERCíCIOS

PROPOSTOS

01.

(FUVEST-SP) No processo de formação dos Estados Nacionais da França e da Inglaterra, podem ser identificados os seguintes aspectos: A) Fortalecimento do poder da nobreza e retardamento da formação do Estado Moderno. B) Ampliação da dependência do rei em relação aos senhores feudais e à Igreja. C) Desagregação do feudalismo e centralização política. D) Diminuição do poder real e crise do capitalismo comercial. E) Enfraquecimento da burguesia e equilíbrio entre o Estado e a Igreja.

02.

(UnB-DF) Na Baixa Idade Média, iniciaram-se as mudanças na Europa Ocidental que, a seguir, desencadearam o processo de montagem do sistema capitalista. Relativamente a essas mudanças, julgue os itens a seguir. ) A atividade mercantil ganhou impulso, a monetarização das trocas fez-se presente e o segmento social burguês foi conquistando espaço social e político. ) Nos centros urbanos, as corporações de ofício regulavam a produção manufatureira e o trabalho assalariado foi tornando-se comum. ) A despeito da resistência da aristocracia feudal, os monarcas dispuseram-se a enfrentar a parcelarização política então vigente. ) A crise do século XIV reforçou os poderes dos senhores feudais, à medida que possibilitou a migração de mão-de-obra das cidades para os campos.

03.

(FUVEST-SP) Após ter conseguido retirar da nobreza o poder político que ela detinha enquanto ordem, os soberanos a atraíram para a corte e lhe atribuíram funções políticas e diplomáticas. Esta frase, extraída da obra de Max Weber, Política como vocação, refere-se ao processo que, no Ocidente A) destruiu a dominação social da nobreza, na passagem da Idade Moderna para a Contemporânea. na

C)

a retomada do Direito Romano, que ofereceu suporte jurídico tanto para as atividades das camadas mercantis como para a centralização política.

D) a capacidade de certos grupos da nobreza de alcançarem vitória em guerras civis, ainda que dizimando grande parcela dessa camada social.

07.

(UFMG) Leia o texto.

B) estabeleceu a dominação social da nobreza, passagem da Antiguidade para a Idade Média.

C) fez da nobreza uma ordem privilegiada, na passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média. D) conservou passagem E) os privilégios políticos da nobreza, do Antigo Regime para a Restauração. na

permitiu ao Estado dominar politicamente a nobreza, na passagem da Idade Média para a Moderna.

04.

(UFMG) Todas as alternativas apresentam fatores que caracterizaram os Estados Nacionais formados a partir do século XV, EXCETO A) B) C) Criação de um exército Manutenção Organização permanente. das corporações. nacional de impostos.

Por enquanto, ainda el-rei está a preparar-se para a noite. Despiram-no os camaristas, vestiram-no com o trajo da função e do estilo, passadas as roupas de mão em mão tão reverentemente como relíquias santas, e isto se passa na presença de outros criados e pagens, este que abre o gavetão, aquele que afasta a cortina, um que levanta a luz, outro que lhe modera o brilho, dois que não se movem, dois que imitam estes, mais uns tantos que não se sabe o que fazem nem por que estão. Enfim, de tanto se esforçarem todos ficou preparado el-rei, um dos fidalgos retifica a prega final, outro ajusta o cabeção bordado. SARAMAGO. José. Memorialdo convento.
Nesse texto, Sara mago descreve o cotidiano na corte no período de consolidação do Estado Moderno. Todas as alternativas referem-se ao Absolutismo Monárquico, EXCETO A) A classe dominante, durante toda a época moderna,

dos privilégios de um sistema

D) Ordenação

de uma administração

centralizada.

não era mais a mesma do período feudal, tanto política quanto economicamente. B) A história do Absolutismo Monárquico é a história da lenta reconversão da nobreza a um papel parasitário, o que lhe permitiu regalias. C) A nobreza passou por profundas transformações no período monárquico de centralização, mas nunca foi desalojada do poder político. D) O Absolutismo era um rearranjo do aparelho de dominação, destinado a sujeitar as massas camponesas, que sublevadas questionavam o papel tradicional da nobreza. E) O Estado Absolutista era uma nova carapaça política de uma nobreza atemorizada, que passou a ocupar um lugar junto ao Rei, se tornando cortesã.

05.

(UFU-MG) Sobre o processo histórico de constituição dos Estados nacionais modernos na Europa, a partir de fins do século XIV, é CORRETO afirmar que A) enquanto os interesses dos reis voltavam-se para a criação de um poder absoluto, centralizado política e administrativamente, a burguesia lutava para garantir a descentralização, o livre mercado das intervenções do Estado na economia. e o fim

B) a formação dos Estados nacionais modernos, com o poder centralizado nas mãos dos reis, não significou o rompimento da hierarquia social característica da época medieval, continuando a sociedade dividida em estamentos ou ordens sociais. C) oriundo da desagregação das relações de poder do mundo feudal, o Estado nacional moderno foi o instrumento político que assegurou a liberdade e os direitos de cidadão para as massas camponesas da Europa. D) entendendo que a concentração de poder nas mãos dos soberanos prejudicava o livre desenvolvimento da economia burguesa, Thomas Hobbes e Jean Bodin elaboraram as bases teóricas que fundamentaram a luta da nascente burguesia contra as monarquias nacionais.

GABARITO Fixação
o 1. A) o poder local era exercido pela nobreza e cidades autônomas; o poder Estado-Nação pelo papa. com o apoio da burguesia, a pelo rei, e o poder supranacional B) O Estado-Nação,

06.

diminuição do poder político da nobreza, as guerras e a nova realidade econômica. (Unimontes-MG-2007) Para a formação dos Estados absolutistas europeus, na transição entre a Idade Média e Moderna, NÃO contribuiu 02. V V V F 04. B 03. E A) o auxílio econômico da camada mercantil, interessada e se pelos dessa em obter proteção para suas rotas comerciais ver livre das extorsões dos senhores feudais. B) o apoio dos camponeses, superexplorados nobres que poderiam proporcionar a defesa camada menos favorecida socialmente. 02. C 07. A 06. B 05.

01. Propostos C

EXERCíCIOS DE FIXAÇÃO
01.
(Unimontes-MG-2006) Analise as afirmativas a seguir acerca da França do século XVIII, assinalando C para as CORRETAS e I para as INCORRETAS. ( ) O Estado Absolutista francês pautou-se pela hipertrofia das atribuições da monarquia nacional e pelo enfraquecimento da ação dos Estados Gerais. ) O Estado Absolutista francês pautou-se pela limitação do poder da Igreja e pela submissão do alto clero ao pagamento de impostos. ) O Estado Absolutista francês pautou-se pela ampliação do poder das Assembleias Populares, ou Estados Gerais, na condução das questões políticas nacionais. Você obteve
A) C, I e I B) C, C

e

I

C) I, C e C

D) I, I

e

C

02.

(UFV-MG-2004) Mercantilismo é um termo que foi criado pelos economistas alemães da segunda metade do século XIX para denominar o conjunto de práticas econômicas dos Estados europeus, nos séculos XVI e XVII. Das alternativas a seguir, assinale aquela que NÃO indica uma característica do mercantilismo. A) Busca de uma balança comercial favorável, ou seja, a superação contábil das importações pelas exportações. B) Intervencionismo do Estado nas práticas econômicas, através de políticas monopolistas e fiscais rígidas. C) Crença em que a acumulação de metais preciosos era a principal forma de enriquecimento dos Estados. D) Aplicação de capitais excedentes em outros paísespara aumentar a oferta de matérias-primas necessárias à industrialização. E) Exploração de domínios localizados em outros continentes, com o objetivo de complementar a economia metropolitana.

EXERCíCIOS PROPOSTOS
01.
(UFOP-MG) Assinale a alternativa que define com maior exatidão o direito divino dos reis. A) Ideia de legitimidade de um governo baseada no princípio da delegação divina do direito de comandar um povo, que deve prestar obediência ao governante assim empossado. B) Princípio de legitimidade de um governo, baseado na obrigatoriedade de o povo obedecer ao governante que foi eleito pela parcela cristã da população. C) Fundamento de governo das monarquias absolutas, cuja base principal se assentava na premissa de que o líder espiritual da religião cristã deveria ser o monarca. D) Princípio de governo defendido pelos líderes da "reforma", movimento religioso preocupado com a legitimação dos Estados vigentes no período. E) Ideia de sacralização do poder régio, promovido pela alta cúpula da Igreja Católica, que estava querendo a supremacia do poder do papa sobre todas as monarquias do período.

02.

(UFOP-MG-2008) o século XVII, na França, foi marcado pela força do governo de Luis XIV, conhecido como "Rei Sol". A respeito desse governo, assinale a afirmativa CORRETA. A) Era um governo favorável à liberdade religiosa, exemplificada na manutenção do édito de Nantes, que assegurava o culto protestante na França. Esse governo manteve uma política de livre circulação de ideias, sendo conhecido como um "déspota esclarecido". Nesse governo, foi marcante a atuação Richelieu, considerado o mais influente do rei Luis XIV. do Ministro conselheiro

05.

(UFMG) Todas as alternativas contêm justificativas para o absolutismo monárquico na Era Moderna, EXCETO A) Segundo Bossuet, todo poder público é fruto da vontade divina e deve ser obedecido, e revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio.

B)

B) Segundo Erasmo de Rotterdam, as razões de Estado, acessíveis somente aos governantes, não podem ser contestadas pelos interesses individuais. C) Segundo Hobbes, o poder do governante resulta de um contrato no qual os governados renunciam aos seus direitos e a autoridade do monarca se torna ilimitada.

C)

D)

No governo, houve crescimento da centralização política e administrativa, marcado por uma política externa belicosa e mercantilista.

D) Segundo Maquiavel, a obrigação máxima do governante é manter o poder e a segurança do país que governa.

03.

(UFLA-MG) Apresentamos, a seguir, três obras representativas do absolutismo (coluna 1) e as principais ideias nelas contidas (coluna 2). Numere a coluna 2 de acordo com a coluna 1 e identifique a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. COLUNA 1

06.

(UFMG-2006) Em 1726, o Cruz contou, em uma carta, viagem à vila de Pitangui, acabado de se revoltar contra

comerciante Francisco da que estava para fazer uma onde os pau listas tinham a ordem do rei. Temeroso

1. O Príncipe
2. 3. Leviatã A República

(1513-16)

(1651) (1576)

COLUNA 2 ( ) Defende a soberania do Estado e o caráter divino do do monarca, não havendo limites à autoridade mesmo. ) Afirma haver a necessidade de um Estado e encarnado nacional na figura

de enfrentar os perigos que cercavam a jornada, escreveu ao grande comerciante português de quem era apenas um representante em Minas Gerais, chamado Francisco Pinheiro, e que, devido a sua importância e riqueza, frequentava, no Reino, a corte do rei Dom João V. Pedia, nessa carta, que, por Francisco Pinheiro estar mais junto aos céus, servisse de seu intermediário e lhe fizesse o favor de me encomendar a Deus e à Sua Mãe Santíssima, para que me livrem destes perigos e de outros semelhantes. Carta 161, Maço 29, f.194. apud LISANTI Fo., Luís. Negócios coloniais: uma correspondência comercial do século XVIII. Brasília/São Paulo: Ministério da FazendajVisão Editorial, 1973. (Resumo adaptadO) Com base nas informações desse texto, é possível concluir-se que a iniciativa de Francisco da Cruz revela um conjunto
É CORRETO

forte, independente da Igreja do chefe de governo.

) Justifica o surgimento do Estado enquanto um contrato social. Sem a existência do Estado, a humanidade viveria em permanente situação de guerra.

de atitudes

típicas da época moderna. ser

A) 2, 1, 3 B) 1, 3, 2

C) 3, 2, 1 D) 3, 1, 2
Leia o trecho a seguir.

E) 1,2,3

explicitadas A)

afirmar que essas atitudes podem a partir da teoria estabelecida por

04.

(UFU-MG-2008)

O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus. Os reis são deuses e participam de alguma maneira da independência divina. O rei vê de mais longe e de mais alto: deve acreditar-se que ele vê melhor, e que deve obedecer-se-Ihe sem murmurar, pois o murmúrio é uma disposição para a sedição. BOSSUET, Jaques-Bénigne. Bispo de Meaux, 1627-1704. Política tirada da Sagrada Escritura. In: FREITAS, G. de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano Editorial, s/do p. 201. Considerando os princípios que legitimavam o regime monárquico absolutista, é CORRETO afirmar que, segundo Bossuet, 02. D A) a autoridade do rei é sagrada, ministro de Deus na Terra. ter pois ele age como pois ela pode

Nicolau Maquiavel, alcançar a unidade os fins justificavam

que acreditava que, para se na política de uma nação, todos os meios.

B)

Etienné de La Boétie, que sustentava que os homens se submetiam voluntariamente a seus soberanos a partir da aceitação do contrato social.

C) Thomas Morus, que idealizou uma sociedade utópica, sem propriedades ou desigualdades, em que os governantes eram escolhidos democraticamente. D) Jacques Bossuet, que defendia o direito divino dos reis apoiado numa visão hierárquica dos homens e da política, como extensão da corte celestial. 02. 06. 05. 04. 03. B A D

GABARITO
01. 01. A A

Propostos

Fixação

B) a soberania real deve provocar sedições.

limites,

C) todo o Estado está concentrado na pessoa do rei, que deve se manter neutro diante dos conflitos sociais. D) as leis e os indivíduos rei e ao Estado. são soberanos em relação ao

EXERCíCIOS 01.

PROPOSTOS

(UFV-MG) A expansão marítima europeia, principalmente no século XV, foi impulsionada pelos interesses da jovem burguesia comercial aliada às monarquias nacionais. A alternativa que NÃO expressa objetivos da expansão marítima é: A) Permitir o acesso aos metais preciosos da África, principalmente do Sudão, e às especiarias e artigos de luxo do Oriente. B) Ampliar a lavoura açucareira para além de Algarve, região localizada no sul de Portugal. C) Identificar novas técnicas de cultivo de povos da África e da América para incrementar a produção na metrópole. D) Buscar a superação da escassez de cereais no Reino e em vários países europeus. E) Capturar mão-de-obra para o trabalho escravo em lavouras de cana nas Ilhas Africanas do Atlântico, como Açores e Cabo Verde.

02.

(UFMG) Leia estas estrofes iniciais de Os Lusíadas, poema datado de 1572 As armas e os barões assinalados Que, da Ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, E em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram; E também as memórias gloriosas Daqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando, E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da Morte libertando: Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte. Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandro A fama das vitórias

e de Trajano que tiveram; Lusitano,

Que eu canto o peito ilustre A quem Neptuno

e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta. CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. Porto: Porto Editora, 1975. p.69. Com base na leitura dessas estrofes, que a ideia central do poema é A) é CORRETO afirmar

exaltar a religião reformada e os valores puritanos, num contexto em que a Europa se expandia na direção de novos mundos. louvar os modelos antigos até então referenciais para a cultura europeia, como as epopeias homéricas e os feitos de heróis gregos e romanos. narrar a saga marítima portuguesa, ou seja, os feitos relacionados às expedições oceânicas realizadas pelos lusos a partir do século XV. relatar os acontecimentos mais marcantes da conquista e colonização das terras brasileiras, visando a gravá-Ios na memória dos contemporâneos. comparando-os:

B)

C)

D)

03.

Analise estes dois mapas-múndi,

Henricus Martellus, 1489. Londres: British Library. Abraham Ortelius, Theatrum Orbis Terrarum, 1570.

Abraham Ortelius, Theatrum Orbis Terrarum, 1570.

A partir da análise e comparação desses mapas e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que A) a cartografia europeia, por razões religiosas, não assimilou o conhecimento dos povos indígenas acerca dos continentes recém-descobertos. B) a concepção de um mundo fechado, em oposição à ideia de um cosmos aberto, dominou a cartografia europeia até o século XVII. C) as navegações alteraram o conhecimento do mundo, à época, jogando por terra os mitos antigos sobre a inabitabilidade das zonas tórridas. D) os descobrimentos, em fins do século XV, resultaram da expansão do conhecimento do mundo alcançado pelos geógrafos do Renascimento.

C) ao papel que os portos de Lisboa e Sevilha assumiram no comércio com os marajás indianos. D) ao fato de a América ter passado a absorver, desde então, todo o comércio europeu. E) ao desenvolvimento da navegação a vapor, que encurtava distâncias.

07.

(UFMG-2006)

Sabe-se

que

Cristóvão

Colombo

não

descobre a América, corte do Grão-Cã. Salomão explorara obstinado. Asiático partidários

pois imagina

estar chegando

à Ásia,

à ilha de Cipango [o Japão], perto da costa da China e da
O que procurava? As Ilhas Douradas, era um homem ao Continente Tarsis e Ofir, de onde saíam as fabulosas riquezas que o rei [ ... J. Aliás, o Almirante de ter chegado de sua ideia fixa. Convencido a partilharem

quando desembarcou

em Cuba, ele obrigou seus

04.

(UFMG) Todas as alternativas apresentam aspectos da expansão quatrocentista portuguesa, EXCETO A) Ser derivada da inviabilidade da expansão em direção ao continente europeu. B) Ser determinada pelas necessidades do capital inglês em face de suas ligações com Portugal. C) Ter resultado da estabilidade sociale do estabelecimento definitivo das fronteiras do Reino. D) Ter sido fruto da expansão da produção e do comércio que culminou na crise do feudalismo. E) Ter sido impulsionada por um poder estatal em processo de vigorosa centralização.

GRUZINSKI,Serge. A passagem do século. 1480-1520: as origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.21. Considerando-se as informações desse texto, é CORRETO afirmar que A) a obstinação de Colombo o levou a atingir as remotas regiões do Japão e da China, onde estariam as riquezas que, dizia-se, haviam sido exploradas pelo rei Salomão e pelo Grande Cão B) a busca das maravilhas relatadas em livros de viagens, desde os tempos medievais, se constituiu em um dos fatores que incentivaram as grandes navegações no início dos tempos modernos. C) o desembarque de Colombo em Cuba, na sua segunda viagem, acabou por convencê-Io e a sua frota de que eles haviam chegado a uma terra ainda por descobrir, possivelmente as famosas Ilhas Douradas. D) a descoberta da América foi feita por Américo Vespúcio, uma vez que Colombo, de acordo com novos estudos, atingiu, na sua primeira viagem, o Continente Asiático, onde foram fundadas feitorias.

05.

(UFMG) E aproximava-se o tempo da chegada das notícias de Portugal sobre a vinda das suas caravelas, e esperava-se essa notícia com muito medo e apreensão; e por causa disso não havia transações, nem de um ducado [ ... ] Na feira alemã de Veneza não há muitos negócios. E isto porque os Alemães não querem comprar pelos altos preços correntes, e os mercadores venezianos não querem baixar os preços [ ... ] E na verdade são as trocas tão poucas como se não poderia prever. Diário dum MercadorVeneziana,1508.

o quadro

,

descrito nesse texto pode ser relacionado à

A) comercialização das drogas do sertão e produtos tropicais da colônia do Brasil. B) distribuição, na Europa, da produção açucareira do Nordeste brasileiro. C) importação pelos portugueses das especiarias das Índias Orientais. D) participação dos portugueses no tráfico de escravos da Guiné e de Moçambique.

GABARITO
Fixação
01. C 02. A

06.

(FUVEST-SP) "Antigamente a Lusitânia e a Andaluzia eram o fim do mundo, mas agora, com a descoberta das Índias, tornaram-se o centro dele". Essa frase, de Tomás de Mercado, escritor espanhol do século 16, referia-se A) ao poderio das monarquias francesa e inglesa, que se tornaram centrais desde então. B) à alteração do centro de gravidade econômica da Europa e à importância crescente dos novos mercados.

Propostos 05. 07. 06. 04. B 02. C 03.
01. C

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