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Ética e Estética

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Ética e Estética A busca do Corpo Perfeito eo Sofrimento Humano

Se partirmos em busca do modelo de beleza e do padrão de corpo cultuado pelos nossos ancestrais, acharemos uma forma totalmente diferente da que vemos hoje. O veículo de comunicação dos idos tempos eram as pinturas rupestres e as estatuetas feitas em barro, marfim, esculpidas em pedras que mostravam formas femininas extremamente arredondadas. Havia valorização da mulher em sua forma essencial,

Ética e Estética A busca do Corpo Perfeito eo Sofrimento Humano

Se partirmos em busca do modelo de beleza e do padrão de corpo cultuado pelos nossos ancestrais, acharemos uma forma totalmente diferente da que vemos hoje. O veículo de comunicação dos idos tempos eram as pinturas rupestres e as estatuetas feitas em barro, marfim, esculpidas em pedras que mostravam formas femininas extremamente arredondadas. Havia valorização da mulher em sua forma essencial,

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Published by: Simone Marchesini on Mar 08, 2011
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Ética e Estética A busca do Corpo Perfeito eo Sofrimento Humano

Se partirmos em busca do modelo de beleza e do padrão de corpo cultuado pelos nossos ancestrais, acharemos uma forma totalmente diferente da que vemos hoje. O veículo de comunicação dos idos tempos eram as pinturas rupestres e as estatuetas feitas em barro, marfim, esculpidas em pedras que mostravam formas femininas extremamente arredondadas. Havia valorização da mulher em sua forma essencial, principalmente no que tange à sua função de mãe e nutridora. Essas mulheres têm mamas e nádegas grandes, barriga proeminente, dando um aspecto de fartura; imagem de fêmea que nunca poderá enfraquecer ou deixar faltar nutriente para sua prole. Assim são as famosas Vênus de Willendorf e de Lespugne.

Venus de Willendorf

Dando um salto no tempo, em 1598, quadros de Rubens nos mostram formas corporais distintas retratando ³Adão e Eva´. Eva aparece com seios diminutos, mas coxas e braços arredondados em uma pele alva. Adão está longe de ser um atleta. Outro quadro famoso retrata três mulheres nuas; ³As três Graças´ de 1620. Corpos femininos que jamais seriam fotografados atualmente formam a cena central.

Venus de Lespugne

Rubens 1639

O Nascimento de Vênus

Sandro Botticelli

Florença Séc. XV

O processo de emagrecimento sofrido pela Vênus do pintor italiano Sandro Botticelli foi bem ilustrado em uma gravura que a retrata cada vez mais atrofiada em suas formas. Na obra original de Botticelli, ³O Nascimento de Vênus´, referencial de beleza e sensualidade da época, mostra suas formas arredondadas que hoje dão lugar à descaracterização das curvas femininas. Em prol da indústria da moda há a negação das curvas femininas e das diferenças sexuais. Ocorre ainda a necessidade humana de banir ou esconder tudo aquilo que julgamos fora do nosso controle: envelhecimento, impulsos, compulsões, excrementos, celulites, estrias, flacidez, enfim, o que temos de feio.

1900 o exagero do S corporal

No início do século XX tudo isso foi trancado dentro do espartilho e o corpo da mulher foi espremido. Se por um lado seu corpo foi transformado em um ³S´ ela foi proibida de respirar. Muito se comenta, nas referências acerca das terapias corporais, sobre os efeitos maléficos da divisão real sobre o corpo feminino. Sua respiração se processa sempre de modo superior (peitoral) e muitas mulheres têm dificuldade com a respiração abdominal (profunda); houve o aumento da tensão na região do pescoço e o prejuízo da passagem do ar na produção da voz gerando problemas nas cordas vocais. Mas, 20 anos depois as pernas femininas apareceram, abriu-se espaço para a liberdade do corpo e novamente ele se arredondou enquanto o cabelo se encurtou e se encrespou. Surge o modelo TUBINHO e MELINDROSA, opondo-se ao ³S´ demarcado.

1920 Cultura e Arte

Anos 30 Maillot du bain

Frances Marie Burke Philadelphia, Pennsylvania

Miss América

Em 1930 O corpo feminino começou a se mostrar e com isso as exigências aumentaram. O maiô de banho e uma fileirinha da barriga fica à mostra em países mais avançados, mas na década de 50 é que Marilyn Monroe marcou época como padrão de Loura Fatal. Mamas e quadris largos, rosto arredondado e voz suave. A forma feminina não era a da mulher com os ossos à mostra.

1950

Elvira Pagã expunha o corpo e idéias bastante avançadas para os anos 50. Adepta também do nudismo, era vedete dos teatros de revista.

Somente com a manequim Twiggy Lawson é que o ³padrão magricelo´ e anorético subiu às passarelas e passou a brilhar como modelo de beleza. A cantora Karen Carpenter que morreu de anorexia nervosa, fez um marco na história das moças que pela exigência da aparência sacrificaram a própria vida. Um dia criticada por quilinhos a mais, Karen parou de comer e calou sua maravilhosa voz para sempre.

Twiggy Lawson

PURA OBSESSÃO 

Perfeccionismo Exigência Exagerada Competição Consigo Próprio(a) Padrão Educacional Rígido Presença de um Fator Desencadeante Padrões de Avaliação e Crítica diferentes para si e para os outros Presença de outros padrões rígidos de Pensamento do tipo ³Tudo ou Nada´

´Anorexia Nervosa não tem nada a ver com perder peso, comer ou não comer, se exercitar como um maníaco ou não. Tem a ver sim com autoestima. A verdadeira felicidade vem de dentro e não pode ser medida lendo os números da balança do banheiroµ Judy Tam Sargent

Anorexia Nervosa

Hoje, mulheres sofrem críticas diárias pela forma corporal. A divulgação de corpos ideais na mídia e promessas de soluções relâmpago aumentam a fantasia de benefício sem esforço. Um mundo artificial de produção de corpos esculturais fabricados a bisturi e silicone, vem tornando jovens eternamente insatisfeitas com suas silhuetas. Estes jovens quando com tendências obsessivas (ficarem ruminando pensamentos e idéias) ou impulsivas, provavelmente mergulharão na depressão; falta de auto-estima e amor próprio, sujeitando-se a cirurgias ou técnicas de perda de peso imprudentes.

Flutuamos de um modelo para outro. E se na década de 80 o ³Baile da Pantera´ no Rio de Janeiro elegeu Xuxa ainda fofinha aos 18 anos de idade, como Pantera do ano, hoje mundialmente elege Gisele Bundchen como padrão das mulheres 2001: magra, pernas longas, pouca nádega, ossinhos dos quadris à mostra e mamas avantajadas.

Gisele Bundchen: 1993 com 13 anos "Em um baile no Copacabana Palace, Xuxa Meneghel, 18, passou o título de 'pantera do ano´
1982 ² A PANTERA XUXA:

Padrão Fêmea 2000

‡Etimologicamente incorreta, a ANOREXIA NERVOSA não envolve a falta de fome, principalmente no início do quadro. ‡O processo é ativo e em geral começa com uma dieta restritiva auto-imposta. ‡O apetite é ³caprichoso´ e com rituais. ‡Conhecem as calorias e necessidades nutricionais diárias. 

Abstinência alimentar voluntária Perda severa de peso Preocupação excessiva com os estudos Amenorréia Ausência de evidência de doença subjacente

Depressão, Ansiedade e Transtornos Alimentares

Bulimia Purgativa
Auto indução de vômitos Uso de laxantes e enemas Uso de diuréticos

Bulimia Não-Purgativa
Prática excessiva de exercícios físicos

Em busca desse ideal, mulheres nos anos 70 e 80 correram para os cirurgiões plásticos para reduzir as mamas. Hoje o tema é o tamanho da prótese a se colocar. Clínicas de cirurgia plástica, sem sequer avaliar estrutura óssea e muscular de suporte para o aumento de carga anterior, turbinam garotas sem formação emocional para a atração sexual que provocarão. Figuras importantes do mundo das celebridades estão constantemente em cirurgias plásticas em busca de um corpo que só existe em seu imaginário. Podemos citar Michael Jackson, em várias faces e ³cores´, Cher e Joan Rivers.

As doenças que envolvem a imagem do corpo e o ato de comer têm base em uma idéia repetitiva sobre um tema específico e um comportamento insistente para aliviar a ansiedade que provocam. Na Dismorfofobia a questão é uma parte do corpo vista como ³dismorfe´, ou seja, feia e fora da forma ideal, e que precisa ser mudada. Esta é a clientela dos cirurgiões plásticos. Na Vigorexia é a necessidade de tornar-se cada vez mais musculoso, pois há uma insatisfação com a quantidade de massa muscular à mostra e com a aparência de grandiosidade e força.

Vigorexia

Big/orexia

A Vigorexia é um transtorno no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma contínua e insistente, com um fanatismo praticamente religioso, a ponto de colocar constantemente seu corpo à prova sem se importar com as consequências sobre sua saúde.
Existem teorias que dizem que a Vigorexia estaria escondendo casos de bulimia nervosa masculina em que, o exercício seria usado de modo vigoroso para gastar as calorias dos episódios de comer compulsivo.

Na Bulimia não purgativa, também como as anteriores, o foco é o corpo, mas o pavor em relação ao ganho de peso conduz à prática de exercícios físicos. Esta prática não tem a finalidade de hipertrofiar a musculatura, mas fazer queima energética, diminuir e emagrecer. A pessoa quer eliminar as calorias do consumo de comida exagerado feito anteriormente. Na Ortorexia, um outro transtorno alimentar, o indivíduo consome apenas produtos diet, light, macrobiótica, vegeteriana, tornando o ato alimentar uma situação restritiva ao seu lar, pois nenhum ambiente de convívio geral pode servir sua refeição idealizada. Se na Dismorfofobia temos a clientela dos cirurgiões plásticos, na Vigorexia e na Bulimia não Purgativa, temos os ³ratos de academia´. Muitas vezes estes são vistos como disciplinados ou dedicados, com ótima força de vontade. Já os ortoréxicos, são ótimos clientes de nutricionistas e lojas de produtos especializados. 

3 horas/dia pensando na dieta Planejamento das refeições com dias de antecipação  Maior valorização ao teor nutritivo que ao prazer de comer >qualidade da dieta<qualidade de vida >s restrições pessoais Alimentação saudável= autoestima É um problema comer fora Envolve culpa ao sair da dieta Sentimento de bem-estar quando controla a alimentação

A questão é a linha tênue entre a saúde e a doença. Tudo depende do quando, onde e como é usado o recurso. Assim também é a Cirurgia Bariátrica, desenvolvida para salvar pessoas que padecem da Obesidade acima de IMC 40 e 35 com doenças associadas (Obesidade Mórbida. A cirurgia não foi criada para pessoas que cansaram da obesidade e não querem seguir orientação dietética. Puro engano! Ainda não se criou milagre, apenas tratamento. E todo tratamento exige disciplina e custo emocional.

1966

1986

2002

1998 2000 2004

2001

Sempre que perdemos muito tempo pensando em algum assunto; Sempre que perdemos tempo fazendo alguma coisa repetidamente; Sempre que nos sentimos presos aos nossos pensamentos e atos e nos pegamos desgastados«

É chegado o momento de parar e pedir ajuda profissional, pois fomos pegos pelas garras da obsessãoobsessão-compulsão.
(Ana Beatriz Barbosa e Silva)

O sonho de todos.

Mulheres Andamanesas 1980

The Padung Long Neck Women

Gluttony: The Seven Deadly Sins Por Francine Prose-1947

EMAGRECIMENTO NAO E SO DIETA TEREZINHA BELMONTE-1986

Transtornos alimentares e obesidade Maria Angélica Antunes Nunes - 2002

ANOREXIA, BULIMIA E OBESIDADE SALVADOR DE ROSIS BUSSE - 2004

Simone Marchesini CRP:08/04760 CURITIBA PR Formada em Psicologia Pela UTP Especialista em Psicologia Clínica pela UFPR Especialista em Psicologia Analítica pela PUC-PR Psicóloga Responsável pela avaliação e acompanhamento de pacientes candidatos a Cirurgia Bariátrica da Clínica Marchesini CTBA-PR Ex-Presidente das COESAS - Comissão das Especialidades Associadas junto à SBCB - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.

Simone Marchesini CRP:08/04760

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