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UNIVERSIDADE TIRADENTES – UNIT

CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL PENAL II
PROFESSOR: MÁRCIO CÉZAR

DECISÕES JUDICIAIS E COISA JULGADA

Alunos: Camila Mendes Ferreira dos Santos


Carolina Santos Lopes
Edicley Vieira Santos
Géssica Vanessa Dantas Barbosa
Jamile da Silva Santos
Maria de Lurdes
Patrícia Vieira Santos
Rafaella Santos Santana
Rosane Oliveira Souza
Washington Melo Texeira
Turma: N02 Sala: 31

ARACAJU
2009
CAMILA MENDES FERREIRA DOS SANTOS
CAROLINA SANTOS LOPES
EDICLEY VIEIRA SANTOS
GÉSSICA VANESSA DANTAS BARBOSA
JAMILE DA SILVA SANTOS
MARIA DE LURDES
PATRÍCIA VIEIRA SANTOS
RAFAELLA SANTOS SANTANA
ROSANE OLIVEIRA SOUZA
WASHINGTON MELO TEXEIRA

DECISÕES JUDICIAIS E COISA JULGADA

Trabalho entregue à Universidade


Tiradentes como Medida de
Eficiência da I Unidade da
Disciplina Direito Processual Penal
II, solicitado pelo professor Márcio
Cézar.

ARACAJU
2009
1. INTRODUÇÃO

Pretende-se descrever os pronunciamentos deliberatórios do juiz no curso do


processo, que destinam-se à produzir coisa julgada ou não, julgando o mérito ou
apenas movimentando o processo.

Começamos pelo despacho, ato pelo qual o juiz impulsiona o processo,


dando andamento ao mesmo. Seguindo a exposição do assunto, conceituamos as
decisões interlocutórias, decisões definitivas até chegarmos na sentença
propriamente dita.

Nosso objetivo é mostrar todas as características e formas dos atos


jurisdicionais decisórios e seus efeitos, importando os conhecimentos doutrinários e
transcrevendo sentenças e jurisprudências para fins de estudo ilustrativo, analisando
a teoria e relacionando sempre com a prática, de maneira comparativa, continuativa
e integrada. Procuramos também adotar o Código de Processo Penal Brasileiro
como fonte essencial, interpretando os artigos correspondentes ao assunto.

Logo após, elaboramos um breve estudo sobre Coisa Julgada, pois é um


tema de relação direta com as decisões judiciais.

Por fim, temos a exposição de partes de um conciso artigo sobre as


sentenças judiciais, elaborado e publicado por Napoleão Nunes Maia Filho, vice-
presidente do TRF da 5º Região, tendo em vista a dinâmica e concretude do assunto
em foco no presente trabalho.
2. ATOS JURISDICIONAIS

De um modo geral, os atos jurisdicionais são os pronunciamentos


deliberatórios do juiz no curso do processo que, envolvem, com maior ou menor
intensidade, um julgamento, ou se destinam à movimentação do procedimento.
Nucci classifica os atos jurisdicionais em despachos, decisões interlocutórias e
decisões definitivas.

2.1. DESPACHO

Insta salientar que o despacho tem por escopo, apenas garantir de forma
efetiva o andamento do processo. Sem abordar a questão controvertida, conforme
reza o Código de Processo Penal Brasileiro. Compreende a data designada para o
interrogatório do réu, oitiva de testemunha e ainda quando o juiz determina que
sejam as partes notificadas para tomar ciência sobre a juntada de documentos ou
perícia, sendo que o Ministério Público ainda pode pedir a suspensão condicional do
Processo. Segue um despacho que delega a oitiva das testemunhas de defesa,
proferido pelo Ministro JOAQUIM BARBOSA:

Nos termos do art. 9º, §1º, da Lei n° 8.038/90, delego a oitiva das
testemunhas de defesa aos juízos já preventos (que já tenham realizado
diligências por delegação anteriormente nestes autos), bem como aos que,
por livre distribuição, competir a realização da diligência.

Considerando o número de testemunhas arroladas pelas pelos réus nestes


autos, considero necessário, para melhor andamento do feito, organizar as
oitivas de modo que ocorram por Seção Judiciária ou Região, em prazos
seqüenciais, estabelecidos de acordo com a quantidade de pessoas a ser
ouvida por cada juízo delegatário. A ordem das oitivas será a seguinte(...)
Havendo necessidade de novos prazos para eventual finalização das
oitivas, serão estes designados para períodos posteriores ao calendário
acima definido, de modo a não prejudicar o fluxo de todas as demais
audiências.

Para permitir o cumprimento do calendário acima montado, todos os juízes


delegatários deverão expedir os mandados de intimação das testemunhas
tão logo recebam as cartas de ordem extraídas destes autos, designando
as datas das oitivas para o período em que terão de cumprir a diligência
delegada, nas datas indicadas neste despacho.
Como autoriza o art. 9º, §2º, da Lei n° 8.038/90, as intimações poderão ser
feitas por carta registrada com aviso de recebimento.
Anoto que as datas das oitivas deverão ser comunicadas ao meu Gabinete
e à Secretaria do Supremo Tribunal Federal, tão logo sejam agendadas.
Deve ser permitida a participação das defesas de todos os réus nas oitivas
das testemunhas a serem ouvidas pelos juízos delegatários, bem como a
formulação de reperguntas, nos termos do art. 212 do Código de Processo
Penal.
Expeçam-se todas as cartas de ordem, com cópia deste despacho e: 1) da
denúncia, 2) do acórdão de recebimento e 3) dos interrogatórios dos réus,
devendo ainda ser encaminhada cópia do inteiro teor dos autos em meio
magnético. Fica permitido o acesso dos juízos delegatários aos autos
digitais desta ação penal, mediante senha a ser obtida junto à Secretaria da
Corte.
Eventuais incidentes ou situações imprevistas deverão ser imediatamente
comunicadas a este Relator.
Publique-se. Certifique-se. Cumpra-se.
Brasília, 17 de fevereiro de 2009.
Ministro JOAQUIM BARBOSA
Relator.

Neste sentido, na medida em que nada é decidido, não há sucumbência, e


nesse contexto, inexiste a possibilidade de tais atos serem posteriormente atacados
por recurso, podendo ocorrer prejuízos no que concerne ao Juiz que ao designar
audiência, inverte a produção de prova testemunhal (primeiro ouvindo a testemunha
de defesa e depois a testemunha de acusação), assim, havendo prejuízo para as
partes, é possível fazer correição parcial. Essa correição parcial pode ser feita no
prazo de um dia de acordo com o que reza o inciso III, do art. 800 do Código de
Processo Penal.

2.2. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS

No tocante as decisões interlocutórias, o juiz é chamado a decidir e solucionar


o embate criado quando ocorre uma tomada de decisão, sem, contudo, ingressar no
mérito. As decisões interlocutórias podem ser simples ou mistas. São simples,
quando são solucionadas questões de cunho emergente no curso do processo, que
não põe fim nem fere o fundo da causa (ex.: decretação da preventiva, quebra do
sigilo telefônico ou fiscal, determinação de busca e apreensão, recebimento de
denúncia ou queixa, entre outras). Percebemos o caráter não definitivo da decisão
interlocutória simples na decisão que ordena a “liberdade condicional”, como vemos
no exemplo citado abaixo:
Considerando a urgência da medida e por se tratar de feriado nacional,
determino a imediata soltura do indiciado, ficando a audiência admonitória
postergada para outra data a ser designada pelo juiz substituto ou titular da
vara para a qual for distribuída a presente petição. Expeça-se o competente
alvará de soltura, pela devida forma, a fim de que o indiciado seja colocado
em liberdade imediatamente.

Encaminhem-se os presentes autos a uma das varas criminais desta


Comarca, por intermédio da distribuição.

Cumpra-se e intimem-se, inclusive o Ministério Público.

P.R.I e cumpra-se.

Já as decisões interlocutórias mistas ou de força definitiva, são aquelas que


sem adentrar o mérito, encerram o processo ou, pelo menos, uma de suas fases. À
exemplo, citamos uma Pronúncia feito por um Juiz de Direito:

Posto isso, julgo procedente a Denúncia para admitir a acusação e


PRONUNCIAR os denunciados MONZAR CASTRO BRASIL e THOMAZ
IRACY MOISÉS GUEDES, o primeiro, brasileiro, casado, funcionário
público estadual, filho de José Ferreira Brasil e Jandira de Castro Brasil,
residente na Rua 09 de junho , nº 12, Carmozina, Barros Reis, Salvador, e o
segundo, brasileiro, solteiro, mecânico, filho de Moisés Ribeiro Guedes e
Palmira Ignácia de Souza, atualmente recolhido no Complexo Policial de
Itabuna, como incurso nas penas do art. 121, § 2º, IV do Código Penal
Brasileiro – homicídio qualificado pela emboscada - , a fim de sujeitá-los a
julgamento pelo Tribunal do Júri.

Deixo de lançar o nome dos réus no rol dos culpados, em face do princípio
da presunção da inocência insculpido no art. 5º, LVII da CF.

Recomende-se o réu Thomaz Iracy Moisés Guedes na Cadeia Pública,


onde se encontra recolhido, tendo em vista que persistem ainda os motivos
que determinaram à sua custódia cautelar, mesmo porque responde a
outros processos criminais . No que toca ao réu Monzar Castro Brasil, em
consonância com o pensamento esposado pelo E. Tribunal de Justiça da
Bahia, entendo que não mais subsistem os motivos que determinaram à
sua prisão cautelar, mesmo porque prestigiou a instrução criminal
comparecendo a todos os atos processuais para os quais foi intimado
previamente, não havendo qualquer notícia concreta de ameaça ou
intimidação de testemunhas ou destruição de qualquer prova ou vestígio
que pudesse justificar a necessidade da decretação da prisão preventiva
do denunciado, razão pela qual, concedo-lhe o direito de continuar a
responder o processo em liberdade.

P.R.I, inclusive os réus, pessoalmente.

Itabuna-BA, 17 de junho de 2003.

Bel. MARCOS ANTONIO SANTOS BANDEIRA

JUIZ DE DIREITO
Trata-se de um mero juízo de admissibilidade, cujo objetivo é submeter o
acusado ao julgamento popular. Podemos dizer que é uma decisão que precede a
condenação ou absolvição.

A função da pronúncia é admitir que há possibilidade de o acusado ser levado


ao Júri, de forma que o juiz, para que não haja injustiça com o pronunciado, e sob
pena de nulidade do ato em comento, deverá fundamentar as razões pelas quais
criou seu juízo de admissibilidade. Mas não é só isso. Deve também o julgador
observar a classificação do crime e suas qualificadoras, também sob pena de
nulidade caso não o faça, ou o fazendo, não fundamente as razões que o motivaram
a tal. Assim deve o juiz tipificar o delito e suas qualificadoras, a fim de que o
acusado saiba pelo o quê está sendo levado a julgamento popular. É uma decisão
interlocutória, já que não ingressa o mérito e é mista, pois encerra uma fase do
processo (juízo de admissibilidade).

As decisões interlocutórias mistas dividem-se em não terminativas (são


aquelas que encerram uma etapa procedimental. Ex. a Pronúncia) e terminativas
(são aquelas que culminam com a extinção do processo sem o julgamento de
mérito. Ex.: casos de rejeição da denúncia).

A regra é que as decisões interlocutórias simples sejam irrecorríveis, não


ocorrendo, precisamente por isso, preclusão das vias impugnativas de tais questões,
razão pela qual elas poderão ser rediscutidas por ocasião do recurso de apelação.
Dependendo de suas conseqüências jurídicas, poderão ser objeto até mesmo de
ações autônomas como hábeas corpus e o mandado de segurança, como é o caso
da decisão de recebimento da denúncia ou queixa e do indeferimento de habilitação
do assistente, respectivamente.

Quando submetida a prazo exclusivo, as interlocutórias simples serão


passíveis de impugnação via recurso em sentido estrito, nos termos do art.581, no
qual, além delas, contempla-se também a impugnação recursal de outras
modalidades de decisões interlocutórias, designadas, como visto, por interlocutórias
mistas.

2.3. DECISÕES DEFINITIVAS


As decisões de força definitiva são aquelas que põem fim ao processo
prejudicando o julgamento, isto é, o mérito, mas sem avaliar a procedência ou
improcedência da imputação. Ex.: decisão que reconhece a existência da
prescrição. Para ilustrar o supracitado exemplo, transcrevemos parte de uma
decisão definitiva:

Ora, na hipótese em tela, vê-se que o sentenciado foi condenado a uma


pena privativa de liberdade de nove(9) meses de reclusão, cuja prescrição
se verifica em dois(2) anos, nos termos do art. 109, VI do CPB. Destarte,
entre a data da sentença(16.07.96 ) e a data da denúncia(05.11.91)
decorreram mais de dois anos, sem que houvesse qualquer causa
interruptiva ou suspensiva da prescrição, operando-se assim a prescrição
retroativa. Demais disso, o pedido mereceu o parecer favorável do
Ministério Público.
Posto isso, declaro, por sentença , extinta a punibilidade de S. R. S.,
brasileiro, solteiro, residente nesta cidade, em face do reconhecimento da
prescrição retroativa, nos termos do art. 107, IV c/c os §§ 1º e 2º do art. 110
e 109, VI , todos do Código Penal Brasileiro, afastando, por conseguinte,
todos os efeitos da sentença condenatória.
Proceda-se as anotações e comunicações devidas, e uma vez transitada
em julgado arquivem-se os autos.
Intimem-se.
Itabuna-BA, 18 de junho de 2001.
BEL. MARCOS ANTONIO S BANDEIRA
JUIZ DE DIREITO

Como pode-se ver, é um caso em que somente é afastada a pretensão


punitiva estatal, por reconhecimento de uma causa extintiva de punibilidade.

As decisões definitivas diferem-se das decisões interlocutórias mistas


(também de força definitiva), pois estas, embora coloquem fim ao processo ou a
uma fase do mesmo, não avaliam a pretensão punitiva do Estado.

A elaboração de uma sistematização dos atos judiciais em função dos


recursos cabíveis em face de cada um deles, as decisões com força de definitivas,
exatamente como previstas no art.593, II, submetem-se ao controle recursal das
apelações, daí porque são decisões que encerram o processo ou o
procedimento,com o julgamento do mérito.

3. SENTENÇA
O termo sentença engloba a prática de qualquer ato jurisdicional, com carga
decisória. É através da sentença que a lei será aplicada ao caso concreto. O
professor Nucci conceitua sentença como “a decisão terminativa do processo e
definitiva quanto ao mérito, abordando a questão relativa à pretensão punitiva do
Estado, para julgar procedente ou improcedente a imputação.”

Por meio da sentença do Juiz Criminal julga definitivamente o mérito da


pretensão penal, resolvendo-o em todas as suas etapas possíveis, a saber: a da
imputação da existência de um fato (materialidade), a imputação da autoria desse
fato e, por fim, o juízo de adequação ou valoração jurídico-penal da conduta.

O que importa distinguir nesta fase é efetivamente o conteúdo da decisão,


pois é de tal distinção que decorrem as classificações: sentença absolutória,
condenatória, constitutiva ou mandamental.

3.1. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA

Diz-se sentença absolutória aquela que não acolhe a pretensão punitiva.

Cumpre ressaltar, que a sentença absolutória declara inexistente o jus


puniendi do Estado, consagrando o estado de inocência, inerente a todo o ser
humano, desde o nascimento.

O art. 386 do Código de Processo Penal descreve as causas que levam à


absolvição.

Art. 386 - O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva,


desde que reconheça:

I - estar provada a inexistência do fato;

II - não haver prova da existência do fato;

III - não constituir o fato infração penal;

IV - estar provado que o réu não concorreu para a infração penal;

V - não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;


VI - existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena
(arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou
mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;

VII - não existir prova suficiente para a condenação.

Parágrafo único - Na sentença absolutória, o juiz:

I - mandará, se for o caso, pôr o réu em liberdade;

II - ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente


aplicadas;

III - aplicará medida de segurança, se cabível.

O juiz deve julgar improcedente a ação, absolvendo o acusado, quando


ocorre uma das hipóteses mencionadas neste dispositivo.

A primeira é “estar provada a inexistência do fato”. Nesse caso, não se


permite a propositura de ação civil com fundamento nesse mesmo fato (art.66).

Também ocorre a absolvição quando o juiz reconhece “não haver prova da


existência do fato”, ou seja, apesar de ter indícios da ocorrência do ilícito, não ficou
comprovada a sua material o acusado materialidade.

Deve ser ainda absolvido o acusado quando não constituir o fato infração
penal, ou seja, existe prova da ocorrência, mas esta não é considerada ilícita. “Estar
provado que o réu não concorreu para infração penal” nem como autor, nem como
partícipe, elimina qualquer possibilidade de demanda no cível. A realidade das
provas colhidas no processo demonstra merecer o acusado a absolvição, por “não
existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal”. O reconhecimento de
excludentes de ilicitude ou de culpabilidade demonstra a inexistência do crime ou a
isenção do réu de pena. Se “não existir prova suficiente para a condenação”, o
melhor caminho é a absolvição.

Proferida a sentença absolutória, o juiz deve mandar pôr o réu em liberdade,


exceto no caso de estar ele preso por outro motivo ou na hipótese do art. 411.
Dispõe ainda a lei que o juiz deve ordenar a cessação das penas acessórias
provisoriamente aplicadas, mas o dispositivo é inaplicável já que não estão mais
previstas tais penas na lei penal após a reforma. No caso de absolvição com
fundamento no art. 26, caput, do CP, o juiz deverá aplicar medida de segurança.
Segue o dispositivo de uma sentença absolutória por insuficiência de provas:

Como se depreende as provas são insuficientes para sustentar um decreto


condenatório, porquanto não restou demonstrado, de forma cabal, a
utilização de violência ou grave ameaça, não configurando, portanto, a
figura típica – art.157, § 2º, I c/c o art. 14, II, todos do CPB – descrita pelo
Ministério Público em suas alegações finais. Como é cediço, a prova de
uma sentença condenatória deve ser escorreita, límpida e extreme de
dúvida, o que inocorreu no presente caso. Ademais, no âmbito de um
Estado Democrático de Direito, não se admite que o juiz condene alguém
com dúvida ou por presunção ou conjecturas, mas estribado num juízo de
certeza extraído da verdade processualmente possível construída com a
observância do devido processo legal. A rigor, como se sabe, in dúbio pro
reo.

Posto isso, julgo improcedente a pretensão punitiva do Estado, para


ABSOLVER o acusado PEDRO SANTOS LISBOA, brasileiro, solteiro,
garçom, residente na Rua Pedro Álvares Cabral, 21, Bairro de Fátima,
Itabuna-BA, da imputação que lhe foi feita, em face da insuficiência de
provas, nos termos do art. 386, VI do CPP.

Transitado em julgado, baixem-se as restrições com relação ao nome do


acusado neste processo e arquivem-se os autos.

P.R. I.

Itabuna-BA, 01 de fevereiro de 2008.

3.1.1. JURISPRUDÊNCIA

Corresponde à condenação do réu por insuficiência de provas:

APELAÇÃO CRIME. CRIMES CONTRA OS COSTUMES. ATENTADO


VIOLENTO AO PUDOR. AUSÊNCIA DE PROVAS CONCLUSIVAS
ACERCA DA EXISTÊNCIA DO FATO. REFORMA DA SENTENÇA
CONDENATÓRIA. ABSOLVIÇÃO.

O ora recorrente foi condenado em primeira instância pela prática de


atentado violento ao pudor contra sua filha, mediante violência presumida.

Consabido, em casos como o da espécie, envolvendo delitos contra a


liberdade sexual, a prova se mostra, via de regra, escassa, árida,
resumindo-se à palavra da vítima, uma vez perpetrados os fatos sem a
presença de testemunhas.

Atentando-se ao caso concreto, a vítima nega taxativamente a ocorrência


dos fatos descritos na denúncia.

O auto de exame de corpo de delito não revela qualquer traço de abuso


sexual.

A vítima, ouvida em sede policial, referiu os fatos descritos na denúncia.


Todavia, quando em juízo através do projeto. Depoimento Sem Dano, a
menor nega, reiteradamente, a ocorrência de qualquer fato que se subsuma
ao tipo delitivo.

Ao início deste depoimento, a menor foi questionada se preferia conversar


na presença de seu pai ou sem esse, preferindo que ele se fizesse
presente.

Tal situação denota que a criança não possui qualquer sentimento de medo
ou sequer receio de estar na companhia de seu pai, o que seria esperado
no caso de ofensas sexuais como as imputadas ao réu.

Isso vem ainda reforçado quando a depoente, questionada se gostaria de


conviver mais com seu pai ou dormir na casa dele, respondeu
positivamente, e que somente não o fazia porque sua mãe não deixava.

Todos estes elementos, se não trazem a firme convicção de que os fatos


descritos na denúncia não ocorreram, evidenciam a absoluta inexistência de
prova cabal de que eles foram praticados pelo acusado, tornando inviável a
formação de um juízo condenatório.

Absolvição do réu com base no artigo 386, VI, do Código de Processo Penal
(não haver prova da existência do fato).

APELO PROVIDO. (Apelação Crime Nº 70021756549, Sétima Câmara


Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Naele Ochoa Piazzeta, Julgado
em 17/04/2008)

3.2. SENTENÇA CONDENATÓRIA:

É a decisão que acolhem, ao menos, em parte, a pretensão punitiva.

O Código de Processo Penal Brasileiro dispõe à respeito da sentença


condenatória:

Art. 387. O Juiz, ao proferir sentença condenatória:

I – mencionará as circunstâncias agravantes ou atenuantes definidas no


Código Penal, e cuja existência reconhecer;

II - mencionará as outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva


ser levado em conta na aplicação da pena, de acordo com o disposto nos
arts. 59 e 60 do Decreto-Lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código
Penal.

III – aplicará as penas de acordo com essas conclusões;

IV – fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;

V - atenderá quanto á aplicação provisória de interdições de direitos e


medidas de segurança, ao disposto no Título XI deste Livro;
VI - determinará se a sentença deverá ser publicada na íntegra ou em
resumo e designará o jornal em que será feita a publicação.

Parágrafo único. O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção


ou, se for o caso, imposição de prisão preventiva ou de outra medida
cautelar, sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser
interposta.

O juiz, ao condenar o acusado deve fundamentar a aplicação da pena, não só


quanto à gravidade do crime, mas também em relação ás circunstâncias reais e
pessoais do réu. É nulo o julgamento extra petita, assim será observado o princípio
da individualização da pena, garantido constitucionalmente (art. 5º, XLVI, da CF).
Outro princípio a ser observado pelo juiz, além de obedecer aos requisitos formais
referentes á exposição e motivação, é o princípio da correlação, pois lhe é vedado ir
além da imputação, que será regulada pelos fatos narrados.

Deve o magistrado. Mencionar as circunstâncias apuradas reconhecidas por


ele, atenuantes e agravantes, incluindo-se nestas as qualificadoras. Além das
circunstâncias judiciais (referidas nos arts. 59 e 60 do CP), bem como as causas de
aumento e diminuição de pena previstas na Parte Geral e na Parte Especial do
Código Penal. De acordo com lei expressa, o juiz deve fixar a denominada “pena-
base”, entre os limites legais, tendo em vista apenas as circunstâncias judiciais
previstas no art. 59 do CP, quanto á pena privativa de liberdade, e também do art.
60 quanto a pena de multa. O juiz deve justificar a dosimetria dessa primeira
operação, sob pena de nulidade, não sendo suficiente a mera referência ao citado
dispositivo. Tem-se admitido, porém, que não há nulidade pela omissão quando a
sanção foi aplicada no mínimo legal. Fixada a pena-base, o juiz deve levar em conta
as atenuantes e agravantes (art. 61 a 66 do CP), diminuindo ou aumentando a pena
em quantidade que fica seu prudente arbítrio e dando ênfase ás circunstâncias
preponderantes. Segundo a Jurisprudência não pode o juiz, nesta fase, ultrapassar
os limites legais pela existência de atenuantes e agravantes e deve-se seguir a regra
da correlação entre acusação e sentença, ou seja, não poderá haver alterações
pertinentes ao elemento subjetivo (transformação do crime de doloso para culposo
ou vice-versa), as que disserem respeito ao momento consumativo (transformação
de crime consumado para tentado ou vice-versa), bem como as que fizerem incluir
fatos não conhecidos da defesa, ainda que possam parecer irrelevantes, como a
mudança do endereço onde o delito ocorreu.
Nessa ótica, confira-se a lição de Badaró: "Em síntese, o juiz não pode
condenar o acusado, mudando as circunstâncias instrumentais, modais, temporais
ou espaciais de execução do delito, sem dar-lhe a oportunidade de se defender da
prática de um delito diverso daquele imputado inicialmente, toda vez que tal
mudança seja relevante em face da tese defensiva, causando surpresa ao
imputado".

Por fim, sobre o resultado da segunda operação, o juiz deve aplicar as


diminuições e aumentos nas proporções previstas, inclusive o acréscimo
determinado em decorrência do concurso formal ou da continuidade delitiva.

Com a Lei nº. 11.719, de 20 de junho de 2008, alguns incisos foram alterados
do art. 387 e a ele foi acrescentado o parágrafo único. O inciso II só foi atualizado
com a nova Parte Geral do Código Penal, indicando-se agora os arts. 59 e 60 do
Código Penal. No inciso III excluiu-se a referência ás penas acessórias, também em
consonância com a Parte Geral do Código Penal. A grande novidade trazida foi o
inciso IV, que além de aplicar a sanção, o Juiz criminal deverá também estabelecer
a sanção civil correspondente ao dano causado pelo delito, algo semelhante ao que
ocorre em alguns países como no México e na Itália. Esqueceu-se o legislador de
revogar expressamente os incisos V e VI inaplicáveis desde a reforma penal de
1984(nova Parte Geral e Lei de Execução Penal.) E também foi acrescentado o
parágrafo único, amoldando-se ao principio da presunção de inocência, á garantia
constitucional do duplo grau de jurisdição e ao direito de apelar em liberdade. A este
respeito o STJ, editou o Enunciado nº. 347 com a seguinte redação: “O
conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão.”

Quanto aos efeitos da sentença condenatória, faz-se necessário expor que


não é automática a prisão do réu em decorrência da mera sentença condenatória de
1º grau. Tal prisão, com efeito, somente será decretado em casos excepcionais,
quando se revelar absolutamente necessária, sob pena de violação do princípio da
presunção de inocência, afinal, ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado da sentença condenatória.

O lançamento do nome do réu no rol dos culpados é outro efeito produzido


pela sentença condenatória transitada em julgado.
Quando a sentença condenatória transita em julgado produz os seguintes
efeitos: a) penais (pode gerar reincidência, impedir ou revogar o sursis, impedir,
ampliar o prazo ou revogar o livramento condicional, impedir a concessão de penas
restritivas de direitos e multa ou causar a reconversão das restritivas de direito em
privativa de liberdade, entre outros); b) extrapenais (torna certa a obrigação de
reparar o dano, gerando título executivo judicial, provoca a perda dos instrumentos
do crime, se ilícitos, do produto ou proveito do crime, além de poder gerar efeitos
específicos para determinados crimes, como, por exemplo, a perda do pátrio poder
(ou poder familiar, segundo a denominação adotada pelo Código Civil), em crimes
apenados com reclusão, cometidos por pais contra filhos).

Art. 393 do Código de Processo Penal:

Art. 393 - São efeitos da sentença condenatória recorrível:

I - ser o réu preso ou conservado na prisão, assim nas infrações


inafiançáveis, como nas afiançáveis enquanto não prestar fiança;

II - ser o nome do réu lançado no rol dos culpados.

O art. 393, I, deve ser interpretado conjuntamente com o art. 594, com a
redação que lhe foi dada pela Lei nº. 5.941, de 22-11-73. Assim proferida a sentença
condenatória, se o condenado estiver recolhido a estabelecimento penal em
decorrência de prisão provisória, permanecerá preso até o trânsito em julgado da
decisão que, se confirmada, fará com que se passe á execução da pena. Também
é efeito da condenação, nos termos do art. 393, II, o lançamento do nome do réu no
rol dos culpados, que significa a inscrição em livro próprio do nome e qualificação de
condenado, bem como da indicação do processo em que ocorreu a sentença. Por
força do art. 5º, LVII, da CF, porém, a inscrição do nome do réu no rol dos culpados
somente poderá ser efetivada após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Observe-se a seguinte jurisprudência:

EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIME DE ENTORPECENTES (ARTIGO


33 CAPUT, DA LEI N° 11.343/06) E DELITO DE RECEPTAÇÃO (ARTIGO
180 CAPUT, DO CP). PRISÃO EM FLAGRANTE E POSTERIOR
SENTENÇA CONDENATÓRIA. A segregação do paciente decorre, agora,
de sentença condenatória recorrível, sendo a prisão efeito imediato da
referida sentença, conforme a norma processual atinente. Pelo que consta
dos autos, verifica-se que o paciente foi condenado a cumprir pena privativa
de liberdade de sete anos e sete meses de reclusão e multa, pela prática
dos delitos previstos no artigo 33 - caput, da Lei n° 11.343/2006 e no artigo
180 - caput, do CP. A sentença não reconheceu ao paciente o direito de
recorrer em liberdade, "...tendo em vista a reincidência e também porque se
mantém hígidos os motivos que ensejaram o indeferimento da liberdade
provisória. ...¿. (sic - fl. 18). Portanto, a prisão do dito paciente decorre de
sentença penal condenatória, não se vislumbrando o alegado
constrangimento ilegal. Por fim, em consulta ao site deste TJ-RS, em
07JUL09, foi obtida a informação de que os autos principais, em 13.04.09,
foram remetidos a este TJRS, consoante cópia impressa da consulta
processual realizada juntada na última folha do presente feito. AUSÊNCIA
DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM DENEGADA. (Habeas Corpus
Nº 70030450563, Segunda Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: José Antônio Cidade Pitrez, Julgado em 16/07/2009).

Para ilustrar o que dispomos sobre sentença condenatória, segue parte de


uma sentença dessa mesma natureza jurídica:

Reconheceram, todavia, os jurados existir circunstância atenuante


inominada a militar em favor do réu.

Isto posto e do mais que dos autos consta, fiel ao quanto foi decidido pelo
júri popular, julgo procedente a denúncia oferecida contra JOSENILTON
LOPES FERREIRA, qualificado em epígrafe, passando a seguir a fixar-lhe
pena:

Não lhe desfavorecem, de todo, as circunstancias judiciais de que cuida o


artigo 59 do CP. A personalidade, conduta social e culpabilidade do réu não
apresentam desvios dignos de nota nem existem registros desabonadores
de sua vida pregressa. Os motivos e circunstâncias do crime, porque
argüidos como qualificadoras, no momento próprio serão apreciados. A
vítima com seu comportamento, se não provocou diretamente o crime,
também não se pode dizer que tenha tomado atitude que o evitasse. Na
verdade, vítima e réu dividiam o mesmo estilo de vida: ócio e bebidas.
Resultando majoritariamente favoráveis ao acusado as circunstâncias do
artigo 59 do CP, fixo-lhe a pena-base em 12 (doze) anos de reclusão.

Foi reconhecida pelos jurados a existência de circunstância atenuante


inominada em favor do acusado.

Assim sendo; considerando que inexiste no Código Penal, a partir da


reforma de 1984, norma que proíba a incidência das circunstancias
atenuantes para o fim de redução da pena aquém do mínimo legal;
considerando a regra da aplicação da analogia in bonam partem e
considerando, finalmente, o principio constitucional da individualização da
pena, reduzo a sanção imposta no item anterior em 1/6 (um sexto),
perfazendo, destarte, 10 (dez) anos de reclusão

Inexistindo agravantes, causas de aumento ou diminuição de pena a serem


consideradas, torno definitiva a pena fixada no item precedente, ou seja 10
(dez) anos de reclusão.

A pena deverá ser cumprida inicialmente no regime fechado.

Expedidas as necessárias guias, encaminhe-se o réu ao juízo competente


para a execução penal conforme o determinam as normas processuais e de
organização judiciária do Estado da Bahia.
Após o trânsito em julgado da presente decisão, seja o nome do réu
lançado no rol dos culpados.

Oficie-se à Justiça Eleitoral para que proceda à suspensão de seus direitos


políticos.

Custas na forma da lei.

Registre-se. Sentença publicada em Plenário do Júri da Comarca de


Mucuri, aos 31 dias do mês de outubro de 2003, às 19:13 horas.

Antonia Marina Aparecida de Paula Faleiros


Juíza de Direito.”

Traçamos aqui que essa é uma sentença, uma vez que adentra ao mérito, e
difere-se da já vista “pronúncia”, por ser esta um instituto pelo qual o juiz apenas
submete o acusado ao julgamento popular e não dispõe sobre o resultado de todo o
Procedimento no Júri, ou seja, a sentença condenatória ocorre no final do processo,
de maneira a declarar culpado o réu.

Ainda em matéria de “sentença condenatória”, o nosso Código de Processo


Penal ordena: “Art. 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença
condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem
como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.”

Preservando o princípio da indisponibilidade da ação pública, a lei permite


que o juiz profira sentença condenatória ainda que o Ministério Público tenha
opinado pela absolvição.

As decisões do STF são pacíficas quando se trata da proibição do juiz em


reconhecer a existência de qualificadoras que não tenham sido alegadas pelo
Ministério Público, pois implica em decisão extra petita, de maneira a surpreender a
defesa.

3.3. SENTENÇA CONSTITUTIVA

São aquelas em que o Estado revê a situação do condenado, restituindo-lhe


direitos perdidos.
3.3.1. JURISPRUDÊNCIA

E M E N T A – REEXAME DE SENTENÇA – REABILITAÇÃO –


CONCESSÃO – PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS – IMPROVIDO. Se
o requerente preencheu os requisitos previstos no art. 94 do Código Penal e
art. 744 do CPP, deve ser mantida a decisão que concedeu a reabilitação.

Trata-se de uma sentença subjetivamente complexa (proferida por um órgão


colegiado) que concede reabilitação ao réu. Segue o voto para melhor compreensão
da natureza constitutiva da sentença de concessão de reabilitação:

VOTO
A Sra. Error: Reference source not found (Relatora)
Mário Márcio Bento de Jesus foi condenado à pena de 02 anos e 08 meses
de reclusão e 4 dias-multa, no regime semiaberto, por roubo qualificado.
Em 31/03/06, foi prolatada sentença de extinção da punibilidade em
razão do integral cumprimento da pena (f. 1123).
Decorridos 2 anos da data da extinção da pena, Mário requereu a
reabilitação criminal, juntando documentos (f. 943-946, 948-949, 1150,
1157-1163), tendo o benefício sido concedido pelo magistrado às f.
1165-1166.
A decisão não merece reparos.
Extrai-se que o requerente preencheu os requisitos previstos no art. 94 do
Código Penal e art. 744 do CPP, pois comprovou que decorreu o prazo de
02 anos da data da extinção de sua pena, bem como que residiu em Campo
Grande nesse período, apresentando bom comportamento na sociedade,
sendo que o caminhão subtraído foi apreendido e devolvido à vítima (f. 49 e
54), tendo o dano, portanto, sido ressarcido.
Desta forma, se todos os requisitos exigidos pela lei restaram devidamente
comprovados pelo requerente, deve ser mantida a decisão que concedeu a
reabilitação.
Diante do exposto, com o parecer, nego provimento ao recurso obrigatório.
Nesse caso, não há absolvição ou condenação do réu, pois ele já cumpriu a
pena. Essa sentença funciona como instrumento constituinte da extinção de alguns
efeitos produzidos pela condenação. A reabilitação firma um contrato entre o Estado
e o condenado, onde é feito o cancelamento dos antecedentes criminais, e em troca
o beneficiado se compromete em não transgredir mais nenhuma norma jurídica,
onde durante 2 (dois) anos deverá viver em sociedade sem cometer qualquer
infração, demonstrando que encontra-se completamente recuperado e pronto pra
viver livremente em sociedade.

3.4. SENTENÇA MANDAMENTAL


É aquela que contém uma ordem judicial, a ser imediatamente cumprida. Ex.:
habeas corpus.
4. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES:
Observe-se o seguinte dispositivo de uma sentença:

Posto isso, julgo improcedente a acusação, para IMPRONUNCIAR o réu


GILBERTO RIBEIRO SAMPAIO, brasileiro, casado, funcionário público
municipal, residente e domiciliado na Rua “B”, nº 93, Bairro Nova Califórnia,
nesta cidade da imputação que lhe foi feita, nos termos do art. 409 do
Código de Processo Penal, em face da inexistência de indícios suficientes
de autoria e da prova da existência de crime.
Transitado em julgado, proceda-se às anotações devidas a retirar quaisquer
restrições do nome do réu com relação a este processo comunicando-se
aos órgãos competentes.
P.R.I.
Itabuna-BA, 11 de junho de 2004.
BEL. MARCOS ANTONIO S BANDEIRA
JUIZ DE DIREITO.

Trata-se de uma sentença formal ou não terminativa, pois decide sobre uma
questão meramente processual, limitando-se à indicação da insuficiência de indícios
suficientes de autoria e da prova da existência de crime.
Em contrapartida, as sentenças materiais ou terminativas são aquelas que
decidem o mérito da causa a exemplo das sentenças condenatórias ou absolutórias.
As sentenças simples as que são proferidas por juízo singular. As que são
proferidas por órgãos colegiados são chamadas de subjetivamente complexas.

5. PARTES DA SENTENÇA
Artigo 381 do Código de Processo Penal:
Art. 381 - A sentença conterá:

I - os nomes das partes ou, quando não possível, as indicações necessárias


para identificá-las;

II - a exposição sucinta da acusação e da defesa;

III - a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão;

IV - a indicação dos artigos de lei aplicados;

V - o dispositivo;

VI - a data e a assinatura do juiz.


Para ter existência como pronunciamento da vontade emitida pelo juiz, a
sentença deve ser formulada de modo a respeitar os requisitos formais
estabelecidos por esse artigo.

O primeiro requisito é a exposição, que trata-se de um histórico com o resumo


da marcha do processo e seus principais incidentes. Inicialmente vêm os nomes das
partes ou as indicações necessárias para identificá-las - a falta destes gera nulidade
– a data e o lugar do crime – a falta destes gera omissão erro material. Depois vem
a exposição sucinta da acusação e da defesa, em que se inclui a pretensão de cada
uma delas. Por exceção a essa regra, a Lei dos Juizados Especiais Criminais e a
Justiça Federal dispensam o relatório da sentença. Através do relatório o juiz faz
uma breve síntese do processo. Supõe-se através do relatório que o nobre
magistrado tenha lido o processo, conhecendo as alegações de ambas as partes. O
relatório é parte essencial da sentença. Eis um relatório de uma sentença
condenatória:

Bonfim de Souza Barbosa, qualificado nos autos, foi denunciado como


incurso nas penas do art. 155, § 4, incisos I (rompimento de obstáculo) e II
(escalada) do Código Penal, por haver, no dia 03 de março do ano em
curso, por volta das 5:00 horas, escalado um poste de iluminação pública e
destelhado parte do Armazém Rural, situado na Praça Duque de Caxias,
nesta cidade, de onde subtraiu a quantia de R$ 195,00 (cento e noventa e
cinco reais), onze cartuchos calibre 28, oito cartuchos calibre 36, vinte e
dois cartuchos calibre 12, além de pólvora, canivete e um punhal, tendo
sido o mesmo preso em flagrante delito.

Recebida a denúncia, foi o réu citado e interrogado, conforme fls. 31/32.

Defesa prévia, às fls. 35.

Em sede de instrução, foram ouvidas três testemunhas arroladas pela


acusação, tendo o órgão ministerial desistido da oitiva de uma delas,
salientando-se ainda que a defesa não arrolou nenhuma.

Na fase de diligências, o Ministério Público nada requereu e a defensora do


denunciado reiterou o pedido de antecedentescriminais do acusado, que foi
juntado, às fls. 59.

Nas suas alegações finais, o Parquet pugnou pela condenação do


denunciado nas penas do art. 155, caput do Código Penal.

A defesa, por seu turno, em suas razões finais de fls.65/66, requereu a


absolvição do acusado.

Vieram-me os autos conclusos.

É o relatório. Decido.
O segundo requisito é a motivação do juiz, ou seja, é a exposição das razões
de fato e de direito para se chegar à decisão a fim de que as partes disponham de
elementos de argumentação em eventual recurso. É importante frisar que apesar do
juiz ser fundado no “livre convencimento”, ele tem que decidir mediante as provas
contidas nos autos. É imperativo constitucional que todos os julgamentos devem ser
fundamentados, sob pena de nulidade. A sentença não é a mal fundamentada, mas
a não fundamentada. Sendo que a primeira pode ser corrigida pelo tribunal, em grau
de recurso. No tocante a segunda, acha-se irremediavelmente contaminada de
nulidade, devendo por conta disso, outra ser proferida. Neste diapasão, o art. 93,
inciso IX da Constituição Federal evidencia que: “Todos os julgamentos dos órgãos
do Poder Judiciário serão Públicas, e fundamentadas todas as decisões, sob pena
de nulidade...” Assim, é de basilar importância a existência de fundamentação na
sentença . Continuando a primeira sentença supra transcrita neste tópico, observe-
se a sua fundamentação:

Compulsando os autos, verifica-se que realmente no dia 03 de março do


ano em curso, por volta das 05:00 para 06:00 horas, o denunciado escalou
um poste de iluminação pública, dirigiu-se até o teto do Armazém Rural,
destelhando parte do telhado do mencionando estabelecimento e nele
adentrado, de onde subtraiu a quantia de R$ 15,00 (quinze reais) em
moedas.

Consoante ainda a prova testemunhal, notadamente so depoimentos de


Antônio Eduardo Pacheco (fls. 46), um dos policiais que efetuou a prisão do
acusado, este confessou ter praticado o crime em apuração, tendo gasto o
dinheiro subtraído com jogo, acrescentando ainda que cometeu o ato
delituoso em apreço porque estava desempregado. Tanto a vítima, o Sr.
Jan Riva (fls. 47), quanto a testemunha aludida afirmaram que o
denunciado, uma semana antes do crime narrado na denúncia, tinha
adentrado no mesmo estabelecimento comercial e subtraído botas, bem
como cartuchos, tendo sido estes apreendidos na casa do acusado e
restituídos ao seu legítimo proprietário, conforme autos de apreensão e de
entrega de fls. 10 e 18, respectivamente. Saliente-se, no entanto, que a
denúncia refere-se apenas ao segundo furto. Por fim, a última testemunha
inquirida, José Telmo (fls. 55), informou que sabe por ouvir dizer que o
acusado possui várias “entradas” na Polícia local.

O denunciado, em seu interrogatório de fls. 07, constante do auto de prisão


em flagrante, confessou a prática do fato delituoso, acrescentando ainda
que fazia uso de maconha, embora tivesse deixado de assim o fazer há
sete meses, contados retroativamente do interrogatório; afirmou ainda que
já foi preso várias vezes por suspeita de roubo e uso da substância
entorpecente referida. Em Juízo, o réu, interrogado pela MM. Juíza
Substituta por ocasião das férias desta Titular, inobstante tenha dito que o
Armazém Rural estava destelhado e que ele nele entrou pegando as
moedas e o dinheiro, negou no final a imputação que lhe foi feita na
denúncia.
A autoria restou, portanto, provada através da confissão direta do réu na
fase inquisitorial e indireta na fase processual, bem como pelos
depoimentos testemunhais.

A materialidade do delito patenteia-se pelas mesmas provas, acima


descritas, uma vez que o auto de apreensão dos cartuchos subtraídos pelo
denunciado não serve de prova a este feito por tratar-se de crime não
narrado da peça acusatória.

Dispõe o Estatuto Repressivo que comete furto quem subtrai, para si ou


para outrem, coisa alheia móvel.

Concernente, as qualificadoras de rompimento de obstáculo e escalada,


previstas nos incisos I e II do § 4º do art. 157 do Código Penal, hão de
serem as mesmas afastadas por inexistir laudo pericial.

Entende a jurisprudência pátria que:

“A confissão ou a prova testemunhal não suprem o exame de corpo de


delito necessário ao reconhecimento da qualificadora” (TJSP, RT 639/279),
referindo-se à qualificadora do rompimento de obstáculo à subtração da
coisa.

“O reconhecimento da qualificadora da escalada requer comprovação


pericial” (TACrSP, Julgados 90/235). “

Depois do relatório e da exposição dos fundamentos, o juiz deve passar a


conclusão, ou seja, a decisão propriamente dita, em que julgará o acusado em
decorrência do raciocínio desenvolvido durante a motivação, indicando os artigos de
lei aplicados e o dispositivo, a falta destes gera nulidade insanável. Esta parte da
sentença é chamada de dispositivo e é através dele que é aplicada a lei ao caso
concreto. Nesse contexto, o juiz de forma expressa, apos utilização dos tradicionais
isto posto, ante o exposto, sendo assim etc., declara o réu absolvido, condenado,
reabilitado, etc. Vejamos o dispositivo da mesma sentença em análise no presente
tópico:

Do exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE A DENÚNCIA para


condenar o réu, Bonfim de Souza Barbosa, nas penas do art. 155, caput do
Código Penal.

Passo agora a dosar-lhe a pena de acordo com as circunstâncias judiciais


insertas no art. 59 do Código Penal em cotejo com os subsídios existentes
nos autos.

O réu é tecnicamente primário e sem antecedentes criminais, conforme


certidão de fls. 59; no entanto, como ele próprio afirma, já foi preso vários
vezes por suspeita de roubo e uso de substância entorpecente; demonstra
ter personalidade voltada para a prática de crimes contra o patrimônio;
alegou haver cometido o delito porque estava desempregado; as
circunstâncias em que o fato delituoso foi praticado não denotaram perigo
abstrato; as consequências da infração penal também não foram graves,
uma vez que, inobstante não tenha a vítima recuperado a res furtiva
referente a este processo, foi de pequena monta a quantia subtraída (R$
15,00) ; a vítima, em nada contribuiu para o evento delituoso.

Fixo, portanto, a pena base em dois anos e três meses de reclusão; não há
agravante; diminuo a pena base em três meses, face o reconhecimento da
atenuante prevista no art. 65, inciso III, alínea “d” da Lei Substantiva
(confissão espontânea, direta para a autoridade policial e indireta para a
judicial); tornando-a definitiva em dois anos de reclusão, em decorrência da
inexistência de causas de aumento e de diminuição de pena.

A pena deverá ser cumprida em regime, na cadeia pública local.

Deixo de determinar a substituição da pena privativa de liberdade em


restritiva de direitos, bem como aplicar a suspensão condiconal do processo
pelo fato de a conduta social do sentenciado não autorizar a concessão dos
benefícios.

Primário e sem antecedentes criminais, deverá o condenado aguardar em


liberdade o trânsito em julgado da sentença.

Expeça-se o alvará de soltura.

Oficie-se a autoridade policial, para os devidos fins.

P. R. I.

Transitada em julgado, lance o cartório o nome do réu no rol dos culpados e


voltem-me conclusos.

Santo Antônio de Jesus, 21 de outubro de 1999.

SUÉLVIA DOS SANTOS REIS MEHMERI

JUÍZA DE DIREITO.

Como é possível visualizar logo acima, a sentença se encerra com a data e


assinatura do juiz, que lhe dá autenticidade, não havendo necessidade de que
magistrado a assine com o nome completo. Caso a sentença seja datilografada, o
juiz pode rubricar todas as suas folhas, podendo fazê-lo no verso de cada uma.
Pode ainda ser ditado para datilografia, com tal procedimento, além da assinatura, e
mesmo ser reduzida a escrito pelo processo de estenotipia. Nesta hipótese, somente
passa a ter valor no momento em que, conferida e revisada, é assinada pelo juiz.

Artigo 388 do Código de Processo Penal: “A sentença poderá ser datilografada e


neste caso o juiz a rubricará em todas as folhas.”

Observe-se a seguinte jurisprudência:


EMENTA: JÚRI. TENTATIVA DE HOMICÍDIO SIMPLES. ATA DE
JULGAMENTO ASSINADA PELO JUIZ-PRESIDENTE. FALTA DE
RUBRICA DO MAGISTRADO EM ALGUMAS FOLHAS DA ATA. MERA
IRREGULARIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE POSTERIOR À
PRONÚNCIA. SENTENÇA DO JUIZ-PRESIDENTE NÃO CONTRÁRIA À
LEI EXPRESSA E AJUSTADA À DECISÃO DOS JURADOS. REJEIÇÃO
DA TESE DEFENSIVA DE NEGATIVA DE DOLO DE MATAR COM APOIO
NA PROVA DOS AUTOS. FIXADA, NA SENTENÇA, A PENA AQUÉM DO
MÍNIMO LEGAL EM DECORRÊNCIA DE ATENUANTE.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 231 DO STJ. INOCORRÊNCIA DE
HIPÓTESE DE REDUÇÃO MÁXIMA PELA TENTATIVA. ITER CRIMINIS
PERCORRIDO EM TODA SUA EXTENSÃO, CAUSANDO LESÕES LEVES
NA VÍTIMA. REDUÇÃO DA PENA EM METADE. NEGADO PROVIMENTO
AO APELO DEFENSIVO, E PROVIDA, EM PARTE, A APELAÇÃO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO. (Apelação Crime Nº 70011977345, Primeira
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ranolfo Vieira,
Julgado em 30/11/2005)

Segundo o STF a falta de rubrica implica em nulidade relativa: “A simples


circunstância de as folhas respectivas não contarem com a rubrica do prolator –
art.388 do CPP – não é conducente á procedência da pecha de nulidade, desde que
haja a assinatura final.”
O posicionamento do STJ é unânime em relação à obrigatoriedade da
assinatura do juiz na sentença. A falta da assinatura causa a inexistência da
sentença, então será devolvida à origem para ser devidamente autenticada com a
assinatura. Porém, é irrelevante as folhas serem rubricadas.

6. Mutatio Libelli e Emendatio Libelli

O artigo 383 do Código de Processo Penal afirma que:

Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou


queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
conseqüência, tenha de aplicar pena mais grave.

§ 1º Se, em conseqüência de definição jurídica diversa, houver


possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz
procederá de acordo com o disposto na lei.

§ 2º Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão


encaminhados os autos.

Deve haver uma perfeita relação entre o fato narrado na denúncia ou queixa e
aquele pelo qual foi o réu condenado. Essa perfeita relação decorre do chamado
princípio já citado: o princípio da correlação entre acusação e sentença, também
chamado da congruência da condenação com a imputação, ou ainda, da
correspondência entre o objeto da ação e o objeto da sentença. Assim sendo, o juiz
não pode desvencilhar-se do fato trazido pelo autor na inicial, não devendo julgar,
portanto, nem além, nem aquém e nem fora do que foi narrado pela acusação.

É nula a sentença ultra, citra e extra petita, por ofensa ao princípio em tela.
Ademais, a primeira ofende também o princípio da ação ou demanda, na medida em
que a entrega jurisdicional ultrapassa os limites da pretensão deduzida; a segunda,
fere de igual modo o princípio da inafastabilidade ou indeclinabilidade da jurisdição,
pois o juiz não pode deixar de apreciar a causa que lhe é trazida à solução; e, por
fim, a terceira atenta contra os três princípios mencionados neste parágrafo, pelas
mesmas razões já explicitadas. O juiz não pode, portanto, proferir sentença ultra,
citra ou extra petita, sob pena de causar prejuízo à defesa e de nulidade da
sentença. Trata-se da enunciação da regra da imutatio libelli (inalterabilidade da
acusação).

6.1. EMENDATIO LIBELLI

Em razão desses princípios, o Código, através do artigo 383, autoriza o juiz,


sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, a atribuir-lhe
definição jurídica diversa, ou seja, de emendar o libelo (ementatio libelli). É aberta ao
juiz a possibilidade de alterar a qualificação jurídica sugerida na inicial, ou seja, ele
pode corrigir, emendar o libelo, eis a razão do nome do instituo “emendatio libeli”.

A emendatio libelli é a expressão mais eloqüente do compromisso com a


preservação da ordem jurídica. Uma vez narrado o fato na denúncia ou queixa, a
conseqüência jurídica que dele extrai o seu autor, Ministério Público ou querelante,
não vincula, nem poderia vincular, o juiz da causa. “Narra-me o fato que te darei o
direito”, como dizia o antigo brocardo latino. Obviamente, a pena a ser aplicada não
resulta da escolha do autor da ação, mas de imposição legal.

Assim, a emendatio não é outra coisa senão a correção da inicial (libelo,


nessa recepção), para o fim de adequar o fato narrado e efetivamente provado (ou
não provado, se a sentença não for condenatória, caso em que seria dispensável a
emendatio) ao tipo penal previsto na lei.
Não poderá haver modificação nos fatos narrados na denúncia ou queixa,
sendo possível, isto sim, que o juiz, sem alterar a descrição dos fatos, subsuma-os à
norma penal que entenda aplicável. Afinal, cabe ao juiz, que conhece o direito,
aplicá-lo à espécie (subsunção da norma ao fato).

Salienta-se que o juiz somente poderá dar definição jurídica diversa ao fato,
se o mesmo estiver descrito na inicial, ainda que disso resulte a aplicação de pena
mais gravosa. Cabe ao titular da ação penal narrar na inicial os fatos cuja prática
imputa ao agente e, ao juiz, a entrega da prestação jurisdicional.

Se em razão da nova definição jurídica do fato narrado na denúncia ou


queixa, a pena mínima prevista para o crime não exceder a um ano de prisão, o juiz
dará vista ao MP para o oferecimento de proposta de suspensão condicional do
processo.

Por outro lado, se a nova tipificação ensejar a competência de outro juízo,


caberá o juiz encaminhar-lhe os autos para prosseguimento.

Na hipótese em que, efetivada a nova definição jurídica do fato, resulte


qualificado como infração penal de menor potencial ofensivo, os autos deverão ser
remetidos ao Juizado Especial, para a adoção do rito especial previsto na Lei
9.099/95.

De acordo com o STJ, os embargos de declaração podem ter efeito


modificativo, em casos excepcionais, quando houver erro material no exame dos
autos.

6.2. MUTATIO LIBELLI

Enquanto na emendatio a definição jurídica refere-se unicamente


à classificação dada ao fato, aqui, na mutatio libelli, a nova definição será do próprio
fato. Não se altera simplesmente a capitulação feita na inicial, mas a própria
imputação do fato. Agora a justificativa: em conseqüência de prova existente nos
autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação.
Passemos ao estudo do instituto fulcrado pelo artigo 384 do Código de
Processo Penal. Cita-se o artigo à seguir:

Art. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova


definição jurídica do fato, em conseqüência de prova existente nos autos de
elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o
Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco)
dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de
ação pública, reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente.

§ 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, aplica-se


o art. 28 deste Código.

§ 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o


aditamento, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e
hora para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo
interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento.

§ 3º Aplicam-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. 383 ao caput deste


artigo.

§ 4º Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três)


testemunhas, no prazo de 5 (cinco) dias, ficando o juiz, na sentença,
adstrito aos termos do aditamento.

§ 5º Não recebido o aditamento, o processo prosseguirá.

O dispositivo trata, portanto, da mutatio libelli, que ocorre, em outros dizeres,


quando o juiz observa, ao tempo da prolação da sentença, que os fatos descritos na
inicial não coincidem com os fatos apurados durante a instrução criminal em face da
existência de elementar ou circunstância da infração penal que não se encontra
descrita na denúncia ou queixa. Portanto, há necessidade de prévio aditamento –
que pode ser oral - da denúncia ou queixa pelo Ministério Público e pronunciamento
da defesa. A inobservância dessa regra acarreta nulidade da sentença.

Caso o aditamento não seja oferecido oralmente em audiência, o prazo para


que o Ministério Público o realize é de cinco dias. Uma vez admitido o aditamento, o
juiz designará dia e hora para continuação da audiência, com inquirição de 3 (três)
testemunhas para cada parte, novo interrogatório do acusado, realização de debates
e julgamento. Não sendo admitido o aditamento, o processo seguirá normalmente.

Em se tratando de fato novo, tem aplicação o disposto no art. 40 do CPP.


Nesse caso, descabe o aditamento ainda que haja conexão. Deve ser oferecida
nova denúncia, sendo instaurado outro processo contra o acusado.
“A incidência das regras desse artigo reclama prova existente nos autos de
circunstância elementar, não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou na
queixa, a ensejar a possibilidade de nova definição jurídica dos fatos.” Esse é
posicionamento do STJ.

7. PULICAÇÃO DA SENTENÇA

Sobre a publicação da sentença, dispõe o artigo 389 do Código de Processo


Penal: “Art. 389. A sentença será publicada em mão do escrivão, que lavrará nos
autos o respectivo termo, registrando-a em livro especialmente destinado a esse
fim.”

A fim de que a sentença seja um ato processual completo, devidamente


formalizado, deve adquirir publicidade, pois, enquanto não publicada, é mero
trabalho intelectual do juiz. A publicação se dá no momento em que, no cartório, ela
é recebida pelo escrivão. A publicação é obrigatória, inclusive nos processos em que
determinados atos são sigilosos, como ocorre no regulado pela Lei nº 6.368/76.
Deve o escrivão lavrar o termo de publicação assim que receber a sentença, salvo,
se ela for proferida em audiência, onde se torna pública à medida que vai sendo
ditada pelo juiz. Em seguida, o escrivão a registrará em livro especialmente
destinado a esse fim, possibilitando a qualquer pessoa o conhecimento do ato
inscrito ou do teor da sentença, através da certidão. Publicada a sentença, não pode
mais o juiz alterá-lo. Completada a decisão com a publicação, a sentença se torna
irretratável, salvo as exceções legais.

O posicionamento do STF em relação ao momento da publicação da


sentença é o seguinte: “A publicação da sentença ocorre quando o escrivão a
recebe do Juiz (CPP, art. 389), independentemente de qualquer outra formalidade: a
não lavratura de termos nos autos implica em se considerar como data da
publicação a do primeiro ato subseqüente; o registro no livro é formalidade que se
destina á sua conservação, não comprometendo a validade da sentença. A
publicação de sentença de pronúncia, tal como prevista no art. 389 do CPP, e que
não se confunde com a intimação das partes, interrompe a prescrição (CP, art.117,
II).”

Somente há duas formas admissíveis para que a sentença, uma vez


publicada, seja modificada pelo próprio juiz prolator: a) embargos de declaração
acolhidos, nos termos do art. 382 do CPP; b) para a correção de erros materiais,
sem qualquer alteração de mérito. Ex.: se o juiz errou o nome do réu ou o artigo no
qual está incurso, pode corrigir a sentença, de ofício.

No prazo de dois dias contado da intimação da sentença, qualquer das partes pode
pedir ao juiz – por meio de uma petição - que declare a sentença quando houver
obscuridade, ou seja, quando há falta de clareza na redação, de tal modo que não é
possível saber o pensamento do juiz; há ambigüidade, quando a sentença permite
duas ou mais interpretações; contradição quando os conceitos ou afirmações da
sentença se opõem; e por fim omissão, quando não foi dito pelo juízo que era
indispensável dizer. Dispõe o artigo 382 do Código de Processo Penal que
“qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz que declare a
sentença, sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade, contradição ou
omissão.”

Os embargos de declaração visam corrigir erros materiais e contradições ou


suprir suas lacunas, fazendo claros o alcance e os fundamentos da sentença.

A decisão do STF quanto a não fixação do regime inicial de pena é que serão
anulados a sentença e ao acórdão omissos. Por meio do habeas corpus o tribunal
prolator do acórdão indicará o regime a ser observado.

8. INTIMAÇÃO DA SENTENÇA

Conforme o artigo 390 do Código de Processo Penal “O escrivão dentro do


de 3 (três) dias após a publicação, e sob pena e sob pena de suspensão de 5(cinco)
dias, dará conhecimento da sentença ao órgão do Ministério Público.”
A intimação da sentença é o ato pelo qual se dá conhecimento ás partes da
decisão que foi proferida, e a partir da qual começa a fluir o prazo para interposição
do recurso. O órgão do Ministério Público deve ser sempre intimado pessoalmente
pelo escrivão, no prazo de três dias após a publicação da sentença, sob pena de
suspensão de cinco dias do serventuário no caso de desrespeito a essa
determinação. É assim necessário que o escrevente ou o escrivão dê a ele
pessoalmente ciência do ato processual que deve conhecer. Não se exige, porém, a
averbação do “ciente” do Ministério Público quando intimado seu representante,
bastando que ser certifique nos autos sua intimação. Segundo o STF, havendo
divergência entre o “ciente” do Ministério Público e a certidão, prevalece aquele.

Há posicionamento do TJAP quanto a necessidade de aposição do “ciente” do


Ministério Público: “Sendo pessoal a intimação do Órgão Ministerial, ela só se efetiva
com a oposição da assinatura do representante do Parquet oficiante no feito,
contando-se, a partir daí, o prazo interposição do recurso.”

Observe-se a seguinte jurisprudência:

EMENTA: CRIME DE TÓXICO. PORTE DE SUBSTÂNCIA


ENTORPECENTE (MACONHA). LEI N. 11.343/06. LEI NOVA MAIS
BENÉFICA AO RÉU. INCIDÊNCIA. Acolhida a preliminar de
intempestividade do apelo do Ministério Público. O processo segue
uma ordem seqüencial, intimando-se o Ministério Público no prazo de
três dias da publicação da sentença e, após o acusado, consoante
arts. 390 e 392 do CPP- essa a prática forense. No caso, verifica-se que
na mesma data da publicação da sentença foram realizados os atos, tanto
que após a certidão de intimação do MP, sobreveio a certidão de expedição
de mandado para intimação do réu, essa datada de 25 de agosto de 2004,
mesma data da publicação da sentença. Em havendo certidão antecedente
e certidão posterior aquela da intimação do MP, ambas com a mesma data,
por certo a certidão que se encontra ao meio, também foi lançada na
mesma data. A reconhecer-se a data lançada na certidão de fl.207,
implicaria reconhecer-se que por duas vezes foi negligente o servidor, pois
além de lançar certidão defeituosa ainda não cumpriu o prazo legal do art.
390, merecendo a sanção nele prevista. De outro lado, pecou também a
parte apelante ao não se atentar da omissão e supri-la, quando dever seu
fiscalizar a regularidade dos atos processuais, mormente quando a data
constituía o marco inicial de seu recurso. Apelação ministerial não
conhecida. MÉRITO - TRÁFICO NÃO CONFIGURADO, ESCORREITA
SENTENÇA DESCLASSIFICATÓRIA TAMBÉM QUANTO AO
APENAMENTO FIXADO. A prova dos autos não autoriza condenação por
tráfico, pois meros boatos de mercancia e, telefonemas anônimos, referidos
pelos policiais que realizaram a apreensão, não são suficientes a gerar
convicção condenatória, mostrando-se escorreito o juízo desclassificatório
para o uso de entorpecentes. Pena corporal fixada que atendeu os critérios
de suficiência e prevenção ao crime praticado, bem assim a pena de multa,
que estando legalmente prevista, é de aplicação obrigatória. PRESCRIÇÃO
DA PRETENSÃO PUNITIVA. RETROATIVIDADE DA LEI 11.343/06,
aplicação da novatio legis in mellius. Em dispondo o artigo 30 da nova Lei
11.343/06, que prescrevem em dois anos a imposição e a execução das
medidas previstas no artigo 28 da nova lei, aplicável ao caso, por ser mais
benéfica ao réu e, considerando que a publicação da sentença
condenatória recorrível se deu em 25 de agosto de 2004, verifica-se que a
espécie foi atingida pela prescrição, pois até a presente data já decorreu
tempo superior aos dois anos necessários ao implemento da aludida
prescrição, devendo, portanto, ser declarada extinta a punibilidade em
relação à infração, hoje prevista no artigo 28 da atual Lei de Tóxicos.
PRELIMINAR ACOLHIDA. APELO MINISTERIAL NÃO CONHECIDO.
CORRETA A ADEQUAÇÃO DO CASO COM A DESCLASSIFICAÇÃO
PROCEDIDA NA SENTENÇA, APLICAÇÃO DE OFÍCIO, DA LEI NOVA
MAIS BENÉFICA E, DECLARADA EXTINTA A PUNIBILIDADE DO RÉU
PELA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. APELO DEFENSIVO
PARCIALMENTE PROVIDO. (Apelação Crime Nº 70010499002, Segunda
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marlene Landvoigt,
Julgado em 10/02/2009).

De acordo com o artigo 391 do Código de Processo Penal “O querelante ou o


assistente será intimado da sentença, pessoalmente ou na pessoa de seu
advogado. Se nenhum deles for encontrado no lugar e sede do juízo, a intimação
será feita mediante edital com prazo de 10(dez) dias, afixado no lugar do costume.”

A regra é de que a intimação seja feita na pessoa do advogado das partes,


mas na hipótese da sentença pode ser feita pessoalmente na pessoa do querelante
ou do assistente, inclusive através de mandado cumprido por oficial de justiça.
Somente a partir da intimação de um deles pode correr o prazo para interposição de
recurso. A apelação do assistente, porém, só pode ser conhecida na inexistência de
recurso do Ministério Público ou como complementação do apresentado pelo
membro do parquet. O assistente, que deve ser intimado da sentença, também tem
legitimidade para recorrer, porém apenas em caráter supletivo. Não pode, pois
apelar se o Ministério Público interpôs apelação plena, nem se tem seu apelo o
mesmo conteúdo daquele proposto pelo órgão acusatório oficial; haveria dualidade
de recursos como o mesmo objetivo. Mas, se o querelante ou o assistente ou seus
advogados, não forem encontrados, não se expede precatória ou rogatória, ainda
que conhecido seu paradeiro, mas se faz a intimação por edital, com o prazo de 10
dias afixado no lugar de costume.

Jurisprudência:

2008.051.00160 - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - 1ª Ementa - DES.


RICARDO BUSTAMANTE - Julgamento: 17/06/2008 - TERCEIRA CAMARA
CRIMINAL.QUEIXA.FALTA DE JUSTA CAUSA.DIREITO DE
PETICAO.EXTINCAO DO PROCESSO. RECURSO EM SENTIDO
ESTRITO. QUEIXA. PEREMPÇÃO. AUSÊNCIA EM AUDIÊNCIA.
INTIMAÇÃO PESSOAL DO QUERELANTE. OMISSÃO. JUSTA CAUSA.
DIREITO DE PETIÇÃO. EXTINÇÃO DO PROCESSO. A perempção
somente se caracteriza se o processo não prosseguir em virtude da inércia
do querelante por mais de trinta dias com evidente propósito de abandonar
a ação. Por essa razão, faz-se indispensável a sua intimação pessoal
para os atos do processo, não a suprindo a de seus advogados, eis que
poderá ele ser punido por eventual desídia destes. Se assim é, resta
evidente o seu prejuízo com o reconhecimento da perempção e o decreto
de extinção da punibilidade do querelante se não houver prova da sua
efetiva intimação pessoal.O encaminhamento de requerimento com
pedido de providências à direção da UERJ em face de incidente com
professor em sala de aula não configura quaisquer dos ilícitos penais contra
a honra, pois é evidente que aquele que assim age atua dentro dos limites
do seu direito de petição, levando-se em conta a moderna acepção do
instituto na atualidade, segundo dispõe o inciso XXXIV da Constituição
Federal. E se assim é, carece de justa causa a queixa contra ele proposta
em razão desse requerimento. Ementário: 16/2008 - N. 11 - 13/08/2008

Tomemos como base o artigo 392 do Código de Processo Penal para


posteriores análises:

Art. 392. A intimação da sentença será feita:

I - ao réu, pessoalmente, se estiver preso;

II - ao réu, pessoalmente, ou ao defensor por ele constituído, quando se


livrar solto, ou, sendo afiançável a infração, tiver prestado fiança;

III - ao defensor constituído pelo réu, se este, afiançável, ou não, a infração,


expedido o mandado de prisão, não tiver sido encontrado, e assim o
certificar o oficial de justiça;

IV - mediante edital, nos casos do nº. II, se o réu e o defensor que houver
constituído não forem encontrados, e assim o certificar o oficial de justiça;

V - mediante edital, nos casos do nº. III, se o defensor que o réu houver
constituído também não for encontrado, e assim o certificar o oficial de
justiça;

VI - mediante edital, se o réu, não tendo constituído defensor, não for


encontrado, e assim o certificar o oficial de justiça.

§ 1º - O prazo do edital será de 90 (noventa) dias, se tiver sido imposta


pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a 1 (um) ano, e de
60 (sessenta) dias, nos outros casos.

§ 2º - O prazo para apelação correrá após o término do fixado no edital,


salvo se, no curso deste, for feita a intimação por qualquer das outras
formas estabelecidas neste artigo.

Em primeiro lugar, dispõe o artigo 392 que a intimação da sentença será feita
ao réu, pessoalmente, se estiver preso. É, pois indeclinável a intimação pessoal do
réu, na comarca por mandado do juiz da sentença, e se estiver preso em local
sujeito á jurisdição de outro juiz, por precatória. Para a intimação, não basta à
entrega de cópia da sentença e colheita de sua assinatura, sendo necessário que o
oficial de justiça esclareça que foi ele condenado e pode apelar. Não há, porém,
qualquer determinação legal que obrigue ser o réu intimado em cartório, que deva
manifestar-se obrigatoriamente sobre seu desejo de apelar ou que deva
acompanhar o mandado um “termo de apelação”. Prevê em seguida a lei a
intimação do réu ou seu defensor nas várias hipóteses, em caso de estar ele solto
(infração de que se livra solto ou afiançável, advogado constituído ou não, réu não
localizado para a prisão etc.) Entretanto, é praticamente pacífico na doutrina e na
jurisprudência que o princípio da ampla defesa, constitucionalmente assegurado (art.
5º,LV,da CF), impõe a intimação do réu, pessoalmente ou por edital, se não for
encontrado, bem como a de seu defensor, seja aquele preso, revel, foragido ou em
liberdade provisória, seja este constituído ou
dativo.

Antes da entrada em vigor do novo Código Civil, que reduziu para 18 anos a
idade da maioridade civil, era pacífico o entendimento de que, se o condenado fosse
menor de 21 anos, a intimação da sentença ao curador que lhe foi nomeado era
exigência indeclinável e sua falta constituía a omissão de formalidade essencial em
ato também essencial. Havendo defensor e curador ambos deviam ser intimados da
sentença, além do réu, correndo da última intimação o prazo para o recurso. Podem
o réu e o seu defensor ser intimados na própria audiência de instrução e julgamento
quando se trata de processo que tem rito sumário, passando a correr daí o prazo
para a apelação. Entretanto, se a sentença for proferida e publicada em audiência e
não é exteriorizada de forma escrita a permitir seu conhecimento pela parte e seu
advogado, como ocorre com a gravada pelo processo de estenotipia, o prazo
recursal só teria início quando da transcrição de seus exatos termos, com a
assinatura do juiz.O réu deve ser intimado por edital caso não seja encontrado pelo
oficial de justiça encarregado da intimação pessoal. Deve ser tentada esta com as
diligências necessárias á localização do acusado, ainda que tenha permanecido
revel durante o processo. O edital deve conter o inteiro teor da sentença e não
apenas sua parte dispositiva ou conclusiva. O prazo do edital é de 90 dias, se tiver
sido imposta pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, e de
60 dias, nos outros casos. O réu e seu defensor devem ser intimados do inteiro teor
da sentença, não bastando que sejam eles cientificados da parte dispositiva da
decisão, ou que tenham tido conhecimento do fato da condenação. O inteiro teor
deve ser reproduzido na carta precatória, e também no edital.
O STJ posiciona-se quanto a inexistência de revogação pela Lei
nº 9.271/96: “A regra específica do art.392 do CPP, acerca da intimação de decisão
condenatória, não foi revogada pelo art. 370 parágrafos 1º e 2º do mesmo codex
(com a redação dada pela Lei nº 9.271/96). Writ deferido.”

O TJSP tem o seguinte posicionamento quanto a necessidade de intimação


do réu solto e seu defensor: “É indeclinável que da sentença condenatória sejam
intimados o réu e seu defensor. É irrelevante, entretanto, a ordem em que sejam
feitas essas intimações, desde que se assegure o prazo recursal a contar da última.”

À respeito da intimação do curador o TJSP posiciona-se da seguinte maneira:


“A intimação da sentença na pessoa do curador do réu é exigência essencial, pois
do contrário estaria violada a garantia de defesa outorgada na lei processual aos
réus menores”.

O STJ também dispõe sobre a intimação por edital de réu revel da seguinte
forma :

Determina o art. 392, VI, do CPP, que a intimação da sentença se fará


mediante edital, caso o réu, não tendo constituído defensor, não seja
encontrado, assim certificar o oficial de justiça. Não havendo sido sequer
tentada a intimação pessoal do condenado revel, inobstante existir seu
endereço nos autos, descabe proceder-se, de imediato, á intimação da
sentença por edital.

O TRF da 2ª Região posiciona-se sobre a ciência da sentença:

Se o defensor constituído se pronunciou, revelando ter tomado


ciência da sentença condenatória, ainda que não tenha a mesma oferecida
apelação, resta afastada a necessidade de intimação do defensor dativo, e
sua inobservância, nessa hipótese, não constitui cerceamento da defesa.

9. COISA JULGADA

Ocupou-se o Direito Romano de principiar a confecção do instituto da coisa


julgada, para designar com “res” o bem jurídico disputado e, posteriormente, com
“res” jurídica a decisão que define os direitos das partes diante deste bem. Mais
tarde, chegou-se a um sentido mais condizente com seus propósitos, qual seja "a
própria matéria discutida, depois que o juiz se pronuncia sem mais qualquer
possibilidade de recurso ou de mudança da decisão”. Destarte, uma vez que o
magistrado delimite na sentença o direito de uma das partes, não há mais que se
discutir acerca de seus elementos essenciais ou de qualquer perplexidade sobre o
âmago da matéria examinada que se tenha conhecido nos autos, fazendo seu
dispositivo viger, a exemplo do que ocorre nos contratos, entre as partes como se lei
fosse.
Entendida como qualidade do ato decisório a coisa julgada, é mister
evidenciarmos, nestas linhas, em que se fulcra a indiscutibilidade que esta última
outorga àquele, para partirmos para as balizas que se lhe impõem em favor de uma
ordem jurídica estável.
Em relação aos limites objetivos impostos à força do trânsito em julgado, via
de regra, somente o dispositivo da sentença, sua parte que indica a aplicação in
concreto da norma jurídica, é atingida pela força da coisa julgada. Subtraem-se-lhe,
assim, os motivos e a verdade dos fatos estabelecidos como fundamento da
sentença, pois que todos os argumentos em que se apóia a decisão do juiz "depois
dela perdem a importância. Todavia, caso seja o motivo dotado de tanta relevância
para a solução da lide que, eliminando-se-o, vê-se modificando o julgamento
substancialmente, faz ele parte do dispositivo da sentença.
Em relação aos limites subjetivos da coisa julgada, estes são determinados
para restringir a autoridade da coisa julgada e identificar quem é por ela atingido. Em
regra, somente as partes são atingidas pela coisa julgada. Tal limitação obedece a
razões técnicas ligadas à própria estrutura do ordenamento jurídico, em que a coisa
julgada tem o mero escopo de evitar a incompatibilidade prática entre os comandos,
sem que a sentença venha a prejudicar terceiro a que não houve possibilitado o
contraditório e a ampla defesa, usados na formação da convicção do magistrado.
Como já citado, o fundamento da coisa julgada encontra-se na estabilidade e
segurança da ordem jurídica. Ninguém pode ser punido ou processado pelo mesmo
fato duas vezes (trata-se do princípio non bis in idem). Assim reconhece-se a
imutabilidade de uma decisão para que a insegurança na solução de determinado
conflito não se perpetue. O mal de uma injustiça imutável pode ser menor do que a
busca incessante de uma justiça, no fundo, igualmente impalpável e sempre
discutível. É bem verdade que, no processo penal, se abre a possibilidade de
revisão da coisa julgada, quando se tratar de erro judiciário, em favor do réu. Isso
em virtude dos valores que estão em confronto: segurança do julgado e direito a
liberdade.
O que nos parece aqui mais relevante é a abordagem acerca da coisa julgada
que se forma em torno da sentença absolutória, uma vez que a sentença
condenatória passada em julgado pode ser rescindida a qualquer tempo, por meio
da ação de revisão criminal regulada no art.621 e seguintes do CPP. Os
fundamentos dessa alternativa são óbvios: não há qualquer justificativa, de ordem
ética, política, filosófica ou do que seja, para que se mantenha uma condenação
injusta, seja porque lastreada em material probatório insuficiente ou falso, seja
porque contrária à aplicação do Direito em qualquer momento de nossa realidade
histórica.
A autêntica Coisa Julgada é a material, pois a chamada Coisa Julgada formal
não passa de uma modalidade de preclusão, este é um fato impeditivo destinado a
garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para
fases anteriores do procedimento, sendo também a perda de uma faculdade ou de
um direito processual que, por se haver esgotado ou por não ter sido exercido em
tempo oportuno, fica praticamente extinto.

9.1. COISA JULGADA MATERIAL E FORMAL

Cuida-se de Coisa Julgada material, quando o mérito da causa foi decidido,


reconhecendo ou afastando a pretensão punitiva do Estado, não havendo mais a
possibilidade de interposição de qualquer recurso, razão pela qual se torna imutável.
Diferentemente a Coisa Julgada formal é somente a imutabilidade da decisão final
de um processo, embora se possa ajuizar outra ação, conforme previsão legal.

Por vezes, no entanto é preciso levar em conta a motivação da sentença para


se compreender o sentido e o alcance do dispositivo, gerando coisa julgada, ou não
quanto a totalidade dos fatos contidos na imputação.

10. AS SENTENÇAS JUDICIAIS: APLICAÇÃO DA NORMA OU DA JUSTIÇA?


O sistema judiciário brasileiro adota o critério da prevalência da norma legal
na solução das demandas (artigo 126 do CPC), só admitindo a integração com
outras fontes e com a equidade nos casos previstos em lei. Observa Napoleão
Nunes Maia Filho, vice-presidente do TRF da 5ª Região (“O juiz e o direito positivo”.
Diário do Nordeste. Fortaleza. 18. jan. 2003, p.3).
Em todos os sistemas judiciários com essa característica, as sentenças
judiciais podem ser classificadas em três categorias:
a) o juiz apenas aplica a norma.
b) o juiz opta pela adequação da solução da lei ao caso em exame.
c) o juiz opta por uma atitude interpretativa.
A primeira categoria é a postura tradicional e conservadora. O juiz atende
simplesmente o comando da lei, sem maiores considerações de ordem valorativa,
característica da escola legalista. O juiz, quando questionado sobre eventual
injustiça ou desequidade de sua decisão, explica-se afirmando não ter sido o
produtor da lei.
A segunda categoria é a postura baseada na realidade do processo. O juiz
elabora a sua decisão a partir dessa realidade, dando à norma escrita um sentido
diferenciado ou adequado às singularidades do caso.
A terceira categoria é talvez a postura mais desafiadora e perigosa. O juiz
procura captar, no universo do sistema jurídico, sobretudo nos princípios
constitucionais, as linhas de orientação da solução do caso. O juiz leva em conta os
valores sociais, dos quais ele se põe como intérprete autêntico e como guardião.
Essa chamada “interpretação das normas conforme a Constituição”, hoje tão em
voga, parece pressupor uma firme adesão do juiz aos postulados constitucionais, os
quais, historicamente e em última análise, são proteções ou anteparos em favor dos
indivíduos contra as demasias e excessos do poder estatal.
Leia-se a seguinte sentença que versa sobre a aplicação crua da norma e a busca
pela justiça:

A CRÔNICA DE UM CRIME ANUNCIADO


publicada em 07-08-2008, pelo Dr. Gerivaldo Alves Neiva

A CRÔNICA DE UM CRIME ANUNCIADO

Processo Número1863657-4/2008
Autor: Ministério Público Estadual
Réu: B.S.S
B.S.S é surdo e mudo, tem 21 anos e é conhecido em Coité como
“Mudinho.”
Quando criança, entrava nas casas alheias para merendar, jogar
vídeo-game, para trocar de roupa, para trocar de tênis e, depois de
algum tempo, também para levar algum dinheiro ou objeto. Conseguia
abrir facilmente qualquer porta, janela, grade, fechadura ou cadeado.
Domou os cães mais ferozes, tornando-se amigo deles. Abria também
a porta de carros e dormia candidamente em seus bancos. Era motivo
de admiração, espanto e medo!
O Ministério Público ofereceu dezenas de Representações contra o
então adolescente B.S.S. pela prática de “atos infracionais” dos mais
diversos. O Promotor de Justiça, Dr. José Vicente, quase o adotou e
até o levou para brincar com seus filhos, dando-lhe carinho e afeto,
mas não teve condições de cuidar do “Mudinho.”
O Judiciário o encaminhou para todos os órgãos e instituições
possíveis, ameaçou prender Diretoras de Escolas que não o aceitava,
mas também não teve condições de cuidar do “Mudinho.”
A comunidade não fez nada por ele.
O Município não fez nada por ele.
O Estado Brasileiro não fez nada por ele.

Hoje, B.S.S tem 21 anos, é maior de idade, e pratica crimes contra o


patrimônio dos membros de uma comunidade que não cuidou dele.
Foi condenado, na vizinha Comarca de Valente, como “incurso nas
sanções do art. 155, caput, por duas vezes, art. 155, § 4º, inciso IV,
por duas vezes e no art. 155, § 4º, inciso IV c/c art. 14, inciso II”, a
pena de dois anos e quatro meses de reclusão.
Por falta de estabelecimento adequado, cumpria pena em regime
aberto nesta cidade de Coité.
Aqui, sem escolaridade, sem profissão, sem apoio da comunidade,
sem família presente, sozinho, às três e meia da manhã, entrou em
uma marmoraria e foi preso em flagrante. Por que uma marmoraria?
Foi, então, denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime
previsto no artigo 155, § 4º, incisos II e IV, c/c o artigo 14, II, do
Código Penal, ou seja, crime de furto qualificado, cuja pena é de dois a
oito anos de reclusão.
Foi um crime tentado. Não levou nada.
Por intermédio de sua mãe, foi interrogado e disse que “toma remédio
controlado e bebeu cachaça oferecida por amigos; que ficou
completamente desnorteado e então pulou o muro e entrou no
estabelecimento da vítima quando foi surpreendido e preso pela
polícia.”
Em alegações finais, a ilustre Promotora de Justiça requereu sua
condenação “pela pratica do crime de furto qualificado pela escalada.”
B.S.S. tem péssimos antecedentes e não é mais primário. Sua ficha,
contando os casos da adolescência, tem mais de metro.
O que deve fazer um magistrado neste caso? Aplicar a Lei
simplesmente? Condenar B.S.S. à pena máxima em regime fechado?
O futuro de B.S.S. estava escrito. Se não fosse morto por um
“proprietário” ou pela polícia, seria bandido. Todos sabiam e
comentavam isso na cidade.
Hoje, o Ministério Público quer sua prisão e a cidade espera por
isso. Ninguém quer o “Mudinho” solto por aí. Deve ser preso.
Precisa ser retirado do seio da sociedade. Levado para a lixeira
humana que é a penitenciária. Lá é seu lugar. Infelizmente, a Lei é
dura, mas é a Lei!
O Juiz, de sua vez, deve ser a “boca da Lei.”
Será? O Juiz não faz parte de sua comunidade? Não pensa? Não
é um ser humano?
De outro lado, será que o Direito é somente a Lei? E a Justiça, o
que será?
Poderíamos, como já fizeram tantos outros, escrever mais de um
livro sobre esses temas.
Nesse momento, no entanto, temos que resolver o caso concreto
de B.S.S. O que fazer com ele?
Nenhuma sã consciência pode afirmar que a solução para B.S.S
seja a penitenciária. Sendo como ela é, a penitenciária vai
oferecer a B.S.S. tudo o que lhe foi negado na vida: escola,
acompanhamento especial, afeto e compreensão? Não. Com
certeza, não!
É o Juiz entre a cruz e a espada. De um lado, a consciência, a fé
cristã, a compreensão do mundo, a utopia da Justiça... Do outro
lado, a Lei.

Neste caso, prefiro a Justiça à Lei.

Assim, B.S.S., apesar da Lei, não vou lhe mandar para a


Penitenciária.
Também não vou lhe absolver.
Vou lhe mandar prestar um serviço à comunidade.

Vou mandar que você, pessoalmente, em companhia de Oficial de


Justiça desse Juízo e de sua mãe, entregue uma cópia dessa
decisão, colhendo o “recebido”, a todos os órgãos públicos
dessa cidade – Prefeitura, Câmara e Secretarias Municipais; a
todas as associações civis dessa cidade – ONGs, clubes,
sindicatos, CDL e maçonaria; a todas as Igrejas dessa cidade, de
todas as confissões; ao Delegado de Polícia, ao Comandante da
Polícia Militar e ao Presidente do Conselho de Segurança; a todos
os órgãos de imprensa dessa cidade e a quem mais você quiser.

Aproveite e peça a eles um emprego, uma vaga na escola para


adultos e um acompanhamento especial. Depois, apresente ao
Juiz a comprovação do cumprimento de sua pena e não roubes
mais!

Expeça-se o Alvará de Soltura.

Conceição do Coité- Ba, 07 de agosto de 2008,


ano vinte da Constituição Federal de 1988.
Bel. Gerivaldo Alves Neiva
Juiz de Direito

Fincamos aqui os seguintes questionamentos: até que ponto a lei é justa? Até
que ponto as sentenças condizem com a realidade do caso concreto? Qual deve ser
a posição do juiz ao prolatar uma sentença? O que ele defende? Não defendemos
uma total desordem e ignorância da lei, mas confiamos que o Direito não pode ficar
alheio ao desenvolvimento da ciência, dos usos e costumes, bem como da evolução
histórica do pensamento, da cultura e da ética em uma sociedade em constante
mutação. O Direito é um fenômeno sócio-cultural que deve ser adequado a uma
sociedade dinâmica e transformadora por natureza. Essas mudanças reclamam a
atualização do direito positivo constantemente, não anulando a função de interpretar
do juiz. Deve-se através da hermenêutica, encontrar-se o verdadeiro sentido de
normas que ganharam vida através do legislador, normatizando os comportamentos
atuais, no contexto vivido.
11. CONCLUSÃO

Levando-se em conta o que foi discutido neste trabalho, pudemos observar


os atos jurisdicionais, bem como as suas classificações doutrinárias. Falamos sobre:
a) os despachos, que garantem a forma efetiva do andamento do processo. Eles
compreendem a data designada para o interrogatório do réu, oitiva de testemunhas
e ainda a determinação do juiz para que sejam as partes notificadas da juntada de
documentos ou perícia; b) as decisões interlocutórias, que podem ser simples ou
mistas; das decisões definitivas que julgam o mérito, mas sem avaliar a procedência
ou improcedência da imputação; c) as sentenças, a absolutória, que declara
inexistente o jus puniendi do Estado, consagrando o estado de inocência, inerente a
todo o ser humano, desde o nascimento, a condenatória que acolhe em parte a
pretensão punitiva, a constitutiva, através da qual o Estado revê a situação do
condenado, restituindo-lhe direitos perdidos e a mandamental, que contém uma
ordem judicial a ser imediatamente cumprida.

Relatamos que as sentenças devem conter, conforme o Art. 381 : a) os


nomes das partes ou, quando não possível, as indicações necessárias para
identificá-las; b) a exposição sucinta da acusação e da defesa; c) a indicação dos
motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão; d) a indicação dos artigos
de lei aplicados; e) o dispositivo; f) a data e a assinatura do juiz.

Como visto, a sentença deve ser publicada, pois sem a publicidade torna-se
um mero trabalho intelectual do juiz, tendo por fim a intimação que é dada após 3
dias de publicação. A intimação é o ato pelo qual se dá conhecimento ás partes da
decisão que foi proferida, e a partir da qual começa a fluir o prazo para interposição
do recurso.

Exploramos o tema “Coisa Julgada”, explicando o seu conceito, fundamento,


limites objetivos e subjetivos e espécies (coisa julgada material e coisa julgada
formal).

Por fim, falamos das possibilidades de atuação decisória do juiz, quanto ao


seu posicionamento, ressaltando a importância da interpretação da lei para a
prolação de sentenças mais próximas do valor “justiça”, sabendo que o Direito
positivo é um instrumento para isso.
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