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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – UPE

ESCOLA POLITÉCNICA DE PERNAMBUCO - POLI


Curso de Graduação em Engenharia Elétrica

DIELÉTRICOS SÓLIDOS

ALUNOS: Ayame Yamamoto


Enildo Caetano
Gabriel Nadal
James Moraes
Olavo Bezerra
Recife, 24 de Maio de 2008
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – UPE
ESCOLA POLITÉCNICA DE PERNAMBUCO - POLI
Curso de Graduação em Engenharia Elétrica

DIELÉTRICOS SÓLIDOS

Trabalho requerido pelo Professor Salviano referente à nota complementar do 2º EE

da disciplina de Materiais elétricos, 2008_1. Turma ED.

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Recife, 24 de Maio de 2008

Sumário

Introdução..................................................................................................................4
Materiais Dielétricos...................................................................................................5
Dielétricos Sólidos.....................................................................................................6
Vernizes.....................................................................................................................9
Materiais Fibrosos....................................................................................................11
Porcelana.................................................................................................................16
Vidro.........................................................................................................................21
Polímeros.................................................................................................................23
Minerais....................................................................................................................28
Estudo comparativo entre os diversos isoladores...................................................33
Isoladores de Porcelana....................................................................................33
Isoladores de Vidro............................................................................................34
Isoladores de Porcelana....................................................................................35
Estudo dos isoladores em linhas de transmissão...................................................38
Efeito Corona...........................................................................................................40
Conclusão................................................................................................................42
Referências Bibliográficas.......................................................................................43
Anexos.....................................................................................................................44
Anexo [A]............................................................................................................44
Figuras............................................................................................................44
Anexo [B]............................................................................................................48
Apresentação..................................................................................................48

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Introdução

Quando se trata de campos eletrostáticos, o meio no qual os mesmos


existem deverá ter resistividade muito alta, ou seja, deverá opor-se tanto quanto
possível, à passagem de corrente elétrica de condução, motivo pelo qual recebe o
nome de dielétrico. O material que o constitui é designado por isolante.

Os materiais dielétricos “limitam os condutores” nos equipamentos elétricos


formando o isolamento elétrico entre as partes nas quais existe uma diferença de
voltagem.

O propósito do isolamento elétrico pode ser ainda concebido como um


“bloqueio” da corrente elétrica, impedindo-a de fluir por onde não deve passar; em
resumo confinando-a aos circuitos condutores do sistema.

O papel dos dielétricos na eletrotécnica é muito importante e tem dois


aspectos:
- realizam o isolamento entre os condutores, entre eles e a massa ou
a terra, ou, ainda, entre eles e qualquer outra massa metálica existente na
sua vizinhança;
-modificam, em proporções importantes, o valor do campo elétrico
existente em determinado local.

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Materiais Dielétricos

Os materiais isolantes ou dielétricos caracterizam-se por oferecer uma


considerável resistência à passagem da corrente elétrica comparativamente ao
valor intrínseco correspondente dos materiais condutores.

Tal comportamento tão diverso resulta de determinadas propriedades


peculiares dessa família de materiais, dentre elas os fenômenos de polarização e
de perdas.

Podem-se considerar os dielétricos como substancias nas quais os elétrons


estão fortemente ligados aos seus átomos e desse modo eles não podem
participar do processo de condução elétrica.

Os dielétricos utilizados em eletrotécnica podem apresentar-se sob os


estados gasoso, liquido e sólido, sendo que nesse ultimo estado citado, sua
aplicação pode ser realizada em estado liquido ou pastoso, ou então usado em
estado sólido propriamente dito.

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Dielétricos Sólidos

Os dielétricos sólidos constituem uma família de materiais muito numerosa,


especialmente após o advento dos polímeros sintéticos. Os dielétricos sólidos
podem ser classificados em dois grupos: os dielétricos sólidos que são aplicados
no estado líquido ou pastoso e os que são aplicados no estado sólido
propriamente dito.

GASOSOS Ar, hidrogênio, nitrogênio, dióxidos de


carbono, gases nobres, gases
eletronegativos (SF6)
LÍQUIDOS Óleos minerais derivados do petróleo.
Líquidos sintéticos como ascarel (uso
condenado); fluidos de silicone.
SÓLIDOS Aplicados o estado liquido ou pastoso:
Resinas (polímeros), betumes, ceras,
vernizes etc.
Aplicados no estado sólido propriamente
dito:
Materiais fibrosos (papel, papelão, seda,
algodão, linho, asbesto);
Micas, borrachas sintéticas, silicones,
porcelana, vidro e fibra de vidro.

* Estudo da condutividade dos dielétricos sólidos

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Os materiais dielétricos não são isolantes perfeitos eles apresentam uma
reduzida condutividade, tão pequena que pode ser geralmente desprezada,
quando o material é usado dentro dos limites a que se destina.

O comportamento da condutividade nos dielétricos sólidos varia


amplamente, levando-se em conta a grande variedade de tipos existentes.

Os seguintes fatores exercem influencia significativa na condutividade dos


sólidos dessa natureza:
a) As impurezas contidas no material e imperfeições estruturais
b) As condições térmicas a que esta submetido o material
c) A natureza do campo elétrico aplicado
d) Umidade
e) Estado da superfície do dielétrico

Nos dielétricos sólidos a corrente não tem a mesma intensidade em todos


os pontos pois se compõe de diversos filetes e canais de corrente elétrica como
decorrência das diferenças de condutividade que existem no material devido as
irregularidades de sua estrutura.

* Estudo da rigidez dielétrica

Segundo o dicionário brasileiro de eletricidade (ABNT), a rigidez dielétrica é


a propriedade que um dielétrico tem de se opor a uma descarga disruptiva,
medida pelo gradiente de potencial sobre o qual se produz essa descarga, ou
seja, é o valor limite do campo elétrico suportável pelo dielétrico antes que ocorra
a sua disrupção elétrica.

Existem para os dielétricos sólidos dois tipos de rigidez dielétrica:

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A) Uma rigidez dielétrica superficial que é função da geometria do isolante e
do estado sanitário de sua superfície, ou seja, de sua limpeza e da umidade
depositada em sua superfície.
B) Uma rigidez dielétrica transversal ou volumétrica que promove sua
perfuração com danificação irreversível do material.

* Fatores que influenciam na variação da rigidez dielétrica dos sólidos

1- Espessura do isolante: a tensão de ruptura não é proporcional a


espessura do dielétrico. Em outras palavras a tensão de ruptura
aumenta menos rapidamente que a espessura do material isolante.
2- Impurezas: A presença de impurezas, umidade, de ar incluso ou de
gases dentro do isolante sólido, diminui de forma significativa a
rigidez dielétrica.
3- Freqüência: comprova-se que a rigidez dielétrica dos sólidos diminui
quando a freqüência aumenta.
4- Temperatura: a rigidez dielétrica dos sólidos também diminui quando
a temperatura aumenta.

* Envelhecimento térmico:

Existe no mundo inteiro uma preocupação com a durabilidade e o tempo de


operação dos equipamentos elétricos. Os materiais que apresentam uma maior
facilidade de degradação e envelhecimento são os materiais isolantes, que podem
sinalizar de forma significativa o tempo de vida útil dos equipamentos. Estudiosos
do assunto concluíram que a temperatura é um dos fatores mais preponderantes
no processo de envelhecimento dos dielétricos.
Um material isolante, quando submetido a temperaturas elevadas, pode ser
profundamente modificado por transformações químicas, mecânicas, e pode
mesmo verificar-se sua combustão ou fusão, etc.

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Entretanto, bem antes de produzir tais efeitos tão definitivos, a temperatura age
lentamente sobre as propriedades dielétricas por meio de uma modificação
progressiva de sua natureza química tendo como resultado a destruição do
material.

O americano Montsinger constatou que há uma duplicação da velocidade


de envelhecimento, para os isolantes a base de celulose, tais como, algodão e
papel, a cada elevação de 8ºC de temperatura.

Para outros isolantes, admite-se que a duração de vida é reduzida pela


metade para uma elevação de:

8ºC para isolantes orgânicos


10ºC para isolantes minerais com ligantes orgânicos
12ºC para isolantes minerais

Vernizes

Os vernizes compõem-se de soluções coloidais de resinas, óleos e outros


elementos aos quais é acrescentado um solvente para se obter um liquido de
comportamento adequado à aplicação a que se destina.

Após a aplicação, o solvente evapora-se, motivo pelo qual o verniz


endurece, num período de tempo variável, de acordo com o solvente e os métodos
de secagem empregados.
Em todas as suas aplicações, os vernizes devem apresentar uma elevada rigidez
dielétrica, pequena higroscopia e suficiente elasticidade residual.

Os vernizes isolantes encontram um vasto campo de aplicação no setor


eletro-eletrônico, tanto para fins de proteção, como de acabamento.

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As vantagens que se obtêm com a aplicação de um verniz isolante são as
seguintes:
1- Melhoram as propriedades dielétricas do conjunto;
2- Asseguram maior proteção contra a umidade;
3- Reduzem a degradação dos elementos do conjunto devido à penetração
do ar;
4- Protegem contra a corrosão proveniente de atmosferas poluídas;
5- Evitam os danos causados pela contaminação por fungos;
6- Evitam o movimento de partes componentes de um equipamento elétrico,
principalmente no caso de motores.

O isolamento aplicado sob a forma de verniz tem grande influencia sobre a


vida útil dos equipamentos elétricos. Ainda que o conceito usual de verniz seja de
pintura de uma superfície, os vernizes para isolamento elétrico são também
empregados para preencher os espaços nos isolamentos porosos e fibrosos, para
encher os interstícios de uma bobina na montagem de transformadores e de todas
as formas de aparelhos rotativos. Outra finalidade do verniz é produzir uma
camada isolante sobre o condutor.

Finalmente, os vernizes têm também a propriedade de unir espiras de uma


bobina ou colar materiais dielétricos entre si, tais como a mica colada sobre o
papel, que resulta num material isolante denominado micafolium. Os vernizes são
usados, portanto, para encher vazios existentes nos dielétricos, cobrir dielétricos e
condutores e colar dielétricos, produzindo um isolante elétrico difícil de se obter
por outros meios.

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Materiais Fibrosos

As vantagens oferecidas pela maior parte dos materiais fibrosos são a sua
elevada resistência mecânica, a sua flexibilidade e o fato de serem materiais de
custo baixo e de fácil manufatura. Por outro lado, as suas desvantagens decorrem
da elevada higroscapicidade, já que sua superfície altamente fibrosa absorve
prontamente a umidade. Em segundo lugar, as fibras apresentam uma baixa
rigidez dielétrica.
Uma grande maioria dos materiais fibrosos é de origem orgânica. A ela
pertencem os materiais de origem vegetal, tais cimo a madeira, fibras de algodão,
papel, papelão, etc. dentre as de origem animal, citam-se a seda e a lã, dentre as
de origem mineral, o amianto e as fibras de vidro. Por fim, as fibras sintéticas que
ultimamente vêm adquirindo grande importância.

• Fibras sintéticas

Grande parte dos produtos fibrosos naturais, como algodão e a seda


natural, estão sendo sistematicamente substituídos por fibras sintéticas, de
variedade cada vez maior, sempre que o preço e suas propriedades justificarem
essa substituição. Em uma primeira fase, a seda artificial encontrou aplicação;
hoje porem, já substituída por fibra de vidro ou fibras de poliamida ou outros
sintéticos. Esse materiais, em geral, melhoraram as características elétricas,
mecânicas e químicas (envelhecimento) dos produtos em que são usados, sempre
que uma produção em grande escala se justificar, para poder economicamente
competir comas fibras existentes.

Diversos poderiam ser os produtos aqui mencionados. Vamos, porém, nos


limitar aos dois exemplos dados a seguir.

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• Fibras de poliamida

São fibras usadas freqüentemente como reforços mecânicos de cabos de


utilização especial, sempre que as condições de uso exigem um material
resistente à ação do fogo, elevada flexibilidade e capaz de suportar elevados
esforços de tração.
Sendo fibras sintéticas, por natureza de massa compacta e não porosa
como fibras de celulose e, alem disso, tendo em geral uma superfície externa lisa,
com baixo coeficiente de atrito, torna-se imprescindível a aplicação de um verniz
de colagem, capaz de conferir ao tecido assim fabricado, a necessária
consistência mecânica, o que, por sua vez, garante manter a continuidade de uma
camada elétrica isolante.
Essas fibras são manufaturadas e consumidas em forma de fitas isolantes,
que suportam até 2000kgf/cm2, com espessura em torno de 0,5 a 1,5 mm.

• Fibras de vidro

Derivada do vidro isolante, a fibra de vidro é obtida com espessura de 5 a


10 m (micrometros). A matéria-prima deve ser vidro livre de álcalis, para evitar o
aparecimento de fissuras capilares tendentes a reter a umidade, prejudicando
assim a propriedade de resistência superficial. Logo após sua fabricação,
recomenda-se envolver a fibra de vidro com uma camada protetora contra a ação
do ambiente.

A fibra de vidro se caracteriza por uma estabilidade térmica sensivelmente


mais elevada que a de outras fibras. Por essa razão, fibras de vidro
adequadamente associadas a resinas da família dos epoxes, são freqüentemente
encontradas quando se trata de utilizar um material isolante capaz de suportar
temperaturas de 200°C - 300°C ou mais. Casos típicos são as câmaras de
extinção do arco voltaico, sobretudo em disjuntores de média e alta-tensão com
reduzido volume de óleo. A exemplo dos comentários anteriormente feitos para a

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fibra de poliamida, a fibra de vidro também necessita um tratamento com verniz de
colagem, para fornecer produtos elétrica e mecanicamente adequados.

• Madeira

Por sua abundancia, baixo preço e fácil trabalhabilidade, a madeira foi um


dos primeiros materiais isolantes e de construção que foram empregados pela
indústria elétrica. A madeira é constituída por celulose, em uma proporção de
44%, associada a uma substancia dura denominada lignina que atua como tecido
de sustentação da celulose. Há também outras substâncias, tais como resinas,
óleos, substancias corantes, tanino, etc.

A madeira é um material leve e resistente (suporta bem os esforços de


compressão). Seu principal inconveniente, no que se refere às aplicações
eletrotécnicas, é a sua higroscopicidade, que é muito alta. A absorção da água
determina o inchamento da madeira. A secagem contrai a madeira e essa
variação de volume pode acarretar deformações no material. A madeira seca é um
bom isolante, mas a umidade diminui consideravelmente suas qualidades
dielétricas. Assim, a madeira, para poder ser usada com fins dielétricos, tem de
ser melhorada por processos de impregnação, tais como:

- Impregnação com resina tipo baquelita;


- Impregnação ou tratamento superficial com parafina;
- Tratamento com óleo de linhaça;
- Tratamento com óleo de transformador;
- Laminação e colagem sob pressão por resina;
- Aglomeração do pó de madeira com resina, sob pressão.

Outro aspecto desvantajoso é que suas propriedades são anisotrópicas, ou


seja, dependem da direção em que são medidas. Por exemplo, a constante
dielétrica medida paralelamente às fibras mede 2,5 a 4,8; na direção

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perpendicular, a fibra varia de 3,6 a 7,4. O mesmo ocorre com a rigidez
dielétrica .essa dificuldade de normalizar suas propriedades,mesmo de madeira da
mesma espécie, e também influenciada pela direção em que ela e cortada, da
presença de nos de outros defeitos naturais.

A madeira ainda e usada como material estrutural,como suporte,calço vara


de comando,cunha em ranhura de maquina elétricas e como elemento de suporte
(postes) em linhas de transmissão e de distribuição.Este ultimo campo de
aplicação esta praticamente em desuso,tendo sido substituído por postes de
concreto(mais duráveis).

• Papel

A matéria-prima base do papel é a celulose. Uma celulose praticamente


pura é obtida a partir do algodão, sobretudo usando aquelas fibras que não são
usadas para finalidades têxteis. Entretanto, a maior parte da celulose provem de
árvores, de mais diferentes tipos.

É muito freqüente até os dias atuais o uso do papel para finalidades


elétricas, sobretudo devido a grande flexibilidade, capacidade de obtenção em
espessuras pequenas, preço geralmente razoável e estabilidade térmica em torno
de 100°C, o que também é razoável. O maior problema do papel está em sua
elevada higroscopia, o que condiciona seu uso na eletrotécnica e uma
impregnação adequada com óleos ou resinas.

Essa elevada higroscopia é conseqüência da disposição irregular das


fibras, deixando grande numero de aberturas ou interstícios no seu interior, que na
impregnação, são ocupados por isolante adequado. Geralmente apenas 40% do
volume do papel é de fibras, o restante são espaços livres.

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Além das favoráveis propriedades elétricas do papel, ele se destaca por
uma elevada resistência mecânica, tanto ao longo da fibra quanto
transversalmente. Esse comportamento é importante, por exemplo, no uso do
papel como isolante de cabos, onde, tanto na fabricação quanto no uso, os papéis
ficam sujeitos a acentuados esforços de tração e de compressão, quando o cabo é
tracionado e dobrado. A tração é mais acentuada durante a própria aplicação do
papel como camada isolante sobre o material condutor. Nesse processo, aplica-se
uma acentuada forca de tração, para se evitar ao Maximo a existência de bolhas
de ar entre o condutor e o papel e entre as camadas de papel entre si.

O papel também permite um dobramento acentuado sem “quebrar” suas


fibras, característica importante quando o diâmetro da peça a ser isolada é
pequeno ou quando existem ângulos de pequeno valor.

O comportamento térmico do papel é outro aspecto. Nesse sentido, a


prioridade de suportar ou não certos níveis de temperatura depende
acentualmente da natureza da fibra. Celulose sulfitada não pode ser solicitada, por
exemplo, a 100°C por um tempo razoavelmente longo, ao contrario de celulose
sulfatada, que não apresenta maior modificação de propriedades quando exposta
a 100°C, durante uma semana. O envelhecimento da fibra desse papel de
celulose ainda é mínimo a 120°C se forem aplicados durante 48 horas, ou 125°C
durante algumas horas. Acima desses valores, procede-se uma modificação
molecular da celulose devido à ação do vapor de água e de outros gases
prejudiciais.

Pelas razoes expostas, um papel ao ser utilizado eletricamente, deve ser


seco a vácuo, quando então fica livre da umidade que penetra no material durante
o seu próprio manuseio na fabricação das camadas isolantes.

Papeis são utilizados ainda hoje em grande numero de casos, apesar de


ser um produto em uso desde longa data e dos problemas e cuidados que devem

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ser tomados. Observa-se, porém, que a tendência é substitui-lo por materiais
fibrosos sintéticos, que permanentemente estão sendo desenvolvidos e
produzidos.

O papel na forma mais simples isola espiras de fios, caso em que vem
impregnado com óleo ou vernizes. Este é basicamente o caso de capacitores,
onde o papel isola entre si placas condutoras.

Em outra forma, o papel que é flexível por natureza, é impregnado com


verniz que ao secar, se torna rígido; é o caso das placas usadas como base de
suporte de outros componentes ou mesmo como separadores dielétricos, no caso
de barramentos ou de base de suporte de núcleos de transformadores ou dos
enrolamentos de motor, dentro da ranhura.

Aplicações do Papel

Os papeis são usados ainda hoje em numerosas aplicações:


-para revestir condutores;
-isolamento de cabos de potencia de alta tensao;
-para isolamento de cabos telefônicos;
-para servis de suporte a produtos derivados da mica;
-para preencher espaços entre capacitores juntamente com óleos.

Porcelana

Dentre os produtos cerâmicos, a porcelana é mais importante. A porcelana


é o dielétrico de uso mais antigo e até a presente data não perdeu a sua
importância. As principais razões da predominância desse produto cerâmico são
as seguintes:

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a- Reduzido preço das matérias-primas;
b- A fabricação é simples;
c- Suas características dielétricas e mecânicas são boas.
Apresentam alta resistência à compressão.apresentam rigidez
dielétrica elevada, alem de uma excelente estabilidade térmica.

Na composição da porcelana eletrotécnica, o teor básico de cada um dos


componentes citados é o seguinte:
50% de argila + caulim
25% de quartzo
25% de feldspato

Os componentes básicos da porcelana têm cada um sua influência


predominante nos aspectos térmico, mecânico e dielétrico, segundo a análise
abaixo:

Aspecto térmico O componente que influi termicamente


é o quartzo; portanto, quanto maior a
sua porcentagem, maior é a
temperatura suportada pela porcelana.
Aspecto dielétrico È respondido pelo feldspato,
componente que define o
comportamento dielétrico, ou seja,
responde pelos valores de rigidez
dielétrica e o fator de perdas. Quanto
maior sua porcentagem na composição,
maior sua característica dielétrica.
Aspecto mecânico As propriedades mecânicas são as
conseqüências de porcentagem de
argila e caulium presentes na massa
cerâmica. A porcelana apresenta

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valores de resistência à compressão
dez vezes superior aos de tração.

Principais propriedades eletrotécnicas da porcelana


- Excelentes características dielétricas;
- Grande resistência mecânica à compressão;
- Impermeável à água e aos gases;
- Inatacável pela ação de ácidos e bases, com exceção do acido
fluorídrico;
- Suporta perfeitamente bem às variações de temperatura;
- Admite temperaturas máximas de serviço muito elevadas, da ordem
de 1000C.

Essas propriedades variam segundo a composição da porcelana, a seguir


estão indicadas algumas características da porcelana eletrotécnica, usada em
isoladores.

Peso especifico 2,3 a 2,5g/cm3


Coeficiente de dilatação térmica 3 a 4,5x10-6C
Tensão de compressão 4,000 a 5,500 Kgf/cm2
Tensão de tração 350 a 500Kgf/cm2
Rigidez dielétrica 100 a 300 KV/cm
Resistividade 10^11 a 10^14 ohm.cm
Ângulo de perdas 0,015 a 0,02
Constante dielétrica 4a6
Modulo de elasticidade 7500 Kgf/cm2

Quando submetida a temperaturas superiores a 1000C, as propriedades


dielétricas da porcelana deterioram-se rapidamente.
Aplicações eletrotécnicas da porcelana

A porcelana é usada para a fabricação de diversos tipos de isoladores:

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- Isoladores de pino ou de pedestal para linhas aéreas com tensões
inferiores a 35 kV;
- Isoladores de pino para linhas de transmissão com tensões
superiores a 35 kV;
- Buchas para transformadores de força, de potencial e de corrente;
- Buchas para disjuntores de alta tensão;
- Braços isolantes ou peças isolantes para contatos elétricos em
chaves aéreas seccionadas;
- Numerosas aplicações em baixa e media tensão, tais como parte
de porcelana em diversos aparelhos elétricos, receptáculos,
soquetes, isoladores de roldana, para antenas etc.;
- Cerâmica para capacitores de baixa e alta tensão (distinguem-se
pela elevada constante dielétrica e em que não são solicitados
esforços mecânicos elevados);
- Isoladores para fios resistivos (destinados à fabricação de
resistores de fornos elétricos).

Tabela 1: Classificação de materiais isolantes cerâmicos de acordo com suas


fases cristalinas

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Vidro

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O vidro é um material termoplástico que contem complexos sistemas de
óxidos. É um excelente isolante elétrico. Tem alta resistividade e rigidez dielétrica
a temperaturas ordinárias e um pequeno fator de perdas.

A dificuldade para se enquadrarem adequadamente os corpos vítreos


dentro de um dos três estados de agregação da matéria, deu lugar a se pensar em
considerá-lo como um quarto estado da matéria, o estado vítreo. A analise de sua
estrutura interna revela que seu comportamento é muito semelhante ao de um
liquido super-resfriado, levando alguns a definirem os vidros como um líquido
viscoso que, na temperatura ambiente, apresenta uma viscosidade superior a
1020 poises, chegando, quando em fusão (1500C), a 102 poises. Outros autores
consideram o vidro um sólido não-cristalino, ou um sólido amorfo. A ASTM define
o vidro como um produto inorgânico de fusão que foi esfriado ate uma condição
rígida, em cristalização.

Uma melhor definição do vidro pode ser assim expressa: o vidro é um


sólido, não-cristalino, que apresenta o fenômeno de transição.

Propriedades do Vidro

De maneira geral, a resistência mecânica do vidro é influenciada pelo


estado de sua superfície e pelas suas tensões internas. A têmpera do vidro
aumenta consideravelmente sua resistência mecânica, de 5 a 6 vezes mais. O
vidro não apresenta deformação plástica, derivando daí sua grande fragilidade.

A tabela a seguir indica algumas de suas características físicas, mecânicas


e elétricas:

Peso específico 8 a 8,1 g/cm3


Tensão de compressão 600 a 2100 Kgf/cm2
Tensão de tração 100 a 300 Kgf/cm2
Modulo de elasticidade 6000 a 8000 Kgf/cm2

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Coeficiente de expansão térmica 5,5x10-7 a 8 a 9x10-6 C
Resistividade 1012 a 1019 ohm.cm
Rigidez dielétrica 250 a 500 KV/cm
Ângulo de perdas 0,0003 a 0,01
Constante dielétrica 3,8 a 1,2

Sob o ponto de vista químico, os vidros apresentam grande resistência aos


agentes químicos, notadamente os ácidos, com exceção do acido fluorídrico.

Os vidros alcalinos contendo altos teores de óxidos pesados têm


características elevadas. Pertencem a esse grupo os vidros contendo PbO e BaO,
que são empregados na fabricação de isoladores elétricos e condensadores.

Aplicações eletrotécnicas do vidro

Os vidros são usados na eletrotecnica nas seguintes aplicações:


- Para a fabricação de lâmpadas e bulbos de válvulas, bulbos
diversos e suporte para filamentos incandescentes;
- Como material dielétrico em capacitores;
- Para a fabricação de variados tipos de suportes isolantes, tais como
isoladores de linhas de transmissão, chaves seccionadoras,
isoladores para redes de distribuição e buchas isolantes;
- Vernizes vítreos.

Polímeros

A palavra polímero deriva do grego: poli, que significa muitas vezes, e mero
que significa parte ou porção. Na química, polímero significa substancia

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constituída de moléculas gigantes (macromoléculas) de alto peso molecular, da
ordem de 10.000 a 1.000.000 g/mol.

Polímeros de ocorrência natural, tais como aqueles derivados das plantas e


dos animais, tem sido utilizados pela humanidade desde há muitos séculos. Esses
materiais incluem a madeira, o algodão, a lã, o couro, a borracha natural e a seda.
Outros polímeros naturais, tais como: as enzimas, proteínas, amidos e celulose,
são muito importantes nos processos biológicos e fisiológicos das plantas e dos
animais.

A moderna pesquisa cientifica tornou possível o estudo dessas estruturas


orgânicas e permitiu o desenvolvimento de numerosos polímeros, que foram
obtidos por síntese de pequenas moléculas.

Comportamento térmico dos polímeros

Em função da resposta que podem apresentar quando submetidos a


elevação de temperatura, os polímeros classificam-se em dois grupos: polímeros
termoplásticos e termoestáveis.

Termoplásticos são os polímeros que amolecem quando aquecidos – e


eventualmente podem tornar-se líquidos - e endurecem quando resfriados. Esse
processo é reversível e pode ser repetido. Quando submetido a uma tensão
mecânica, o material deforma-se plasticamente. Danos irreversíveis são causados
quando aquecidos a temperaturas superiores a de fusão. Apresentam
características de flexibilidade e capacidade de formar finas linhas e filmes.

Termoestáveis ou termofixos são os que endurecem permanentemente


quando aquecidos e não amolecem quando submetidos a subseqüentes
aquecimentos. Os polímeros termoestáveis são geralmente mais duros, mais
resistentes, mais quebradiços que os termoplásticos. As borrachas vulcanizadas,

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as resinas epóxi, as baquelitas e as resinas de poliésteres manifestam
comportamento termoestável.

Polímeros termoplásticos Polímeros termoestáveis


Flexíveis e elásticos Duros e quebradiços
Capazes de formar fibras (fios) e filmes Incapazes de formar fibras
Boas propriedades elétricas Pobres propriedades elétricas
Pobres propriedades mecânicas Boas propriedades mecânicas
Baixa absorção de água Alta absorção de água

Polímeros Naturais

Os principais polímeros ou resinas naturais conhecidas são: goma-laca,


copal, âmbar, guta-percha, colofônio, borracha natural extraída do látex da
seringueira e a celulose.

A borracha natural foi um dos primeiros materiais isolantes utilizados pela


indústria elétrica. Apresenta baixa estabilidade térmica e é sensível a ação do ar e
da luz (envelhecimento rápido), sendo hoje substituída por materiais sintéticos de
desempenho mais eficiente. Entretanto, sua produção é importante como
elemento de composição na fabricação de borrachas sintéticas.

Um dos derivados importantes da borracha natural é a ebonite obtida pela


incorporação de uma forte proporção de enxofre no processo de vulcanização
( 45% aproximadamente), transformando-se numa resina termoestável de
excelente características elétricas e mecânicas.

Polímeros Sintéticos

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Existe um prodigioso numero de polímeros sintéticos. Entre tanto, sob o
ponto de vista de aplicações no campo da engenharia elétrica, podem ser citados
os seguintes polímeros:

Polímeros Termoplásticos

1- Polietileno (PE)- Obtido pela polimerização do etileno .é utilizado como


material isolante em cabos elétricos e de comunicação. O polietileno tem boas
propriedades mecânicas e higroscopicidade negligenciável.

2- Cloreto de Polivilina (PVC)-é um produto sólido derivado da


polimerização do cloreto de vinil gasoso. Esse material, sob a forma de plástico, é
largamente usado como isolante de fios e cabos em instalações elétricas
domiciliares e industriais, de baixa tensão. A temperatura máxima em regime
continuo de trabalho é de 70 C.

3- Polipropileno (PP) – è um polímero derivado do propileno.

4- Poliestireno (PS) - um produto derivado do estireno.

6- Politetra flúor etileno (PTFE) – atende pelo nome de teflon. Excelente


isolante, um dos melhores conhecidos, resistente ao calor e ao frio ( -100 a +260
C). Incombustível, resistente à maior parte dos agentes químicos, não absorve
umidade, resistente ao choque e apresenta capacidade calorífica especifica
elevada.
7- Poliamidas – apresenta o nome comercial de nylon. É um polímero
elástico e também de forte resistência mecânica. Pode ser dissolvido somente por
uns poucos solventes.

8- Poliésteres (PET) – varias denominações comerciais, dentre as quais


Dracon (uma fibra) e Mylar (um filme). Permite a fabricação de uma das películas

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plásticas mais resistentes; excelente resistência à fadiga e à ruptura, e resistência
a umidade, ácidos, graxas, óleos e solventes. Emprego: fitas de gravação
magnética, recipientes de bebidas,etc.

9 – Polimetacrilato de Metila – comercialmente conhecido como acrílico ou


plexiglass. Apresenta excepcional transmissão de luz e é resistente às
intempéries. Propriedades mecânicas apenas regulares.

10 – Policarbonatos (PC) – polímero resultante da polimerização do


fosgenio e do difeniol propano. Trará-se de um material altamente resistente ao
impacto e de boas propriedades elétricas.

Aplicações dos Plásticos

Sendo os plásticos bons isolantes elétricos por natureza, é essa


propriedade bastante explorada pela indústria elétrica. Dos inúmeros exemplos de
aplicação, podem ser citados os seguintes:

- Isolamento de condutores;
- Revestimentos de rotores de motores elétricos;
- Caixas de bateria;
- Tampas, bases e suportes da maioria dos aparelhos eletrodomésticos;
- Porta-contatos, tomadas e bases de disjuntores;
- Volantes botões e manípulos de comando elétrico;
- Mancais de motores e geradores elétricos;
- Revestimento de capacitores;
- Suportes de isoladores cerâmicos;
- Eletrodutos e respectivos acessórios;
- Isolamentos especiais de enrolamento de transformadores e outras
bobinagens;

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- Espaçadores e calços isolantes, dentre muitas outras aplicações.

Polímeros Termoestáveis

1 – Resinas Fenólicas – conhecido comercialmente pelo nome de baquelita.


Apresenta um custo baixo, uma alta estabilidade térmica e pode ser combinado
com numerosos outros polímeros, particularmente como massa de enchimento
tais como carcaças de motores, telefones, e outros acessórios elétricos.

2 – Epóxis – também atende pelos nomes comerciais de Araldite e


durepoxi. Apresenta boas propriedades elétricas, grande capacidade de adesão e
custos de obtenção relativamente baixos.

3 – Resinas de Poliésteres – apresentam alta resistência à intempéries e


grande facilidade de processamento e moldagem quando em composição com
fibras de vidro (grande capacidade de aglutinação). Excelentes propriedades
elétricas e baixo custo. Exemplos de emprego: capacetes, barcos em fibra de
vidro, componentes de carrocerias de automóveis, ventiladores, cadeiras,etc.

Modalidades de Aplicação

Numerosas são as formas como os polímeros podem ser utilizados, sob a


forma de plásticos ou materiais plásticos. São usados também sob a forma de
fibras sintéticas, adesivos, vernizes, tintas, esmaltes, lacas, filmes (películas muito
finas da ordem de 0,20 a 0,125mm) e espumas.

Minerais

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• Mica

Dá-se o nome genérico de mica a um produto à base de silicatos de


alumínio hidratados de metais alcalinos. A origem da palavra vem do latim
(micare), que significa brilhar. A sua característica comum é que pode esfoliar-se
em laminas flexíveis, resistentes e extremamente delgadas (podem ser
encontradas com espessuras entre 0,015 e 0,033mm). Podem ser usadas
diretamente, por exemplo, em dielétricos de capacitores ou para outros usos em
forma de isolantes, sendo para esta última finalidade preparados em lâminas ou
pó de mica aglutinada com os aglomerantes adequados.
Existem muitas variedades de micas, mas em eletrotécnica são empregadas
somente duas variedades: as muscovitas e as flogopitas.

A mica muscovita é a variedade mais largamente utilizada. Apresenta-se


com a melhor transparência, melhor resistência dielétrica e maior perfeição de
clivagem. Sua superfície é dura, lisa e brilhante. Essa variedade de mica pode
assumir três colorações: branca, rosada e esverdeada, sendo que a primeira é a
mais usada por suas superiores propriedades mecânicas e elétricas. Apesar de
apresentarem excelente estabilidade química, não resistem à ação do acido
fluorídrico. Suas propriedades elétricas são marcantes ate 500/600C.

As micas chamadas flogotipas possuem propriedades que podem concorrer


com a muscovita; entretanto, são mais raras e não são tão bons isolantes quanto
à muscovitas. São menos espessas, menos lisa, menos regulares; mesmo assim,
apresentam maior estabilidade ao calor, resistem ate 700/1000C e oferecem maior
dureza.

Principais Propriedades da Mica

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1- É encontrado com relativa facilidade, o que faz desse isolante um
dos mais antigos em uso. Na forma natural, se mantém em
camadas facilmente divisíveis, permitindo obter laminas ou
lamelas de pequena espessura. No estado natural ainda, é
encontrado associado a óxidos metálicos, que precisam ser
eliminados antes da utilização elétrica, por meio de purificação.

2- Na purificação com eliminação conseqüente das impurezas,


elimina-se também material de ligação entre laminas de mica,
ficando o material sem meio aderente. Esse meio é restituído à
mica em sua aplicação, através de um verniz de colagem. Por
vezes, alem do verniz, a mica recebe um reforço mecânico
através de uma base de papel ou tecido. Resulta, assim um
produto conhecido comercialmente por micante, onde a
porcentagem de verniz de colagem atinge até 25% do volume; em
geral, porem esse valor se situa em torno dos 5% do volume.

3- O produto da mica com verniz pode ser rígido ou flexível,


dependendo das características do verniz usado. Vernizes rígidos
dão como resultado produtos rígidos.

4- A mica é um dos produtos de mais elevada estabilidade térmica e


maior temperatura de serviço, atingindo valores de até 1000°C.
como tal, é usado em numerosos casos de aquecimento elétrico.
Sendo o produto de mica uma mistura de mica com verniz, a
temperatura máxima admissível vai depender também do limite de
temperatura do verniz, e que ainda se encontra em valores mais
baixos. Assim, apesar de permitir uma temperatura muito alta, os
produtos de mica têm sua temperatura limitada pelo valor Maximo
admissível tolerado pela resina do verniz.

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5- Bom comportamento mecânico: a mica apresenta valores de
resistência à tração e à compressão bastante altos: é, entretanto,
sensível perante a flexão, o que faz da mica um material
quebradiço no seu estado puro e em plaquetas grandes.

6- Apresenta ótimas características elétricas, variando esses valores


com a espessura e a temperatura. O que torna a mica um dos
materiais isolantes mais conhecidos e confiáveis. Por exemplo,
para espessuras de 0,01mm, a rigidez dielétrica pode alcançar
valores da ordem de 200KV/mm e decresce para 55KV/mm para
espessuras de 1mm.

7- A mica é usada na forma de grandes laminas, lamelas e pó,


sempre reforçada por material de base e impregnado com
vernizes, se assim se fizer necessário, para seu uso correto.

8- A mica é relativamente higroscópica, devido à sua estrutura


lamelar.

9- A cor da mica informa sobre sua qualidade. Essa coloração é


sobretudo devido à presença de impurezas de difícil eliminação,
de modo que, quanto mais incolor a mica, melhor é a sua
qualidade. As cores geralmente encontradas são o amarelo, o
esverdeado e o avermelhado.

10- As micas resistem quase completamente a todos os agentes


químicos: ácidos, bases, solventes, ozônio.

11- Alta resistência à punctura, ou seja, a resistência à perfuração


pela faísca elétrica.

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Não resta dúvida de que, nas aplicações elétricas, a forma composta da
mica, conhecida por micante, é a mais importante, devido à grande variedade de
produtos daí resultantes. A micante é encontrada em fitas e em placas, na forma
flexível e rígida, em diversos tamanhos. E existência, em numero cada vez maior,
de resinas e, conseqüentemente, de vernizes, confere à micante papel de
destaque entre os isolantes elétricos.

• Amianto

É um material mineral fibroso, com brilho de seda, flexível, resultante da


transformação de silicato de magnésio. A estrutura física é explicada pela forma
cristalina que apresenta. Conforme se sabe, silicatos se apresentam numa
estrutura tetraédrica de íons SiO4. nos cantos dos tetraedros se encontra o átomo
de oxigênio; nocentro, o átomo de silício. Comparando com a mica, cuja estrutura
tetraédrica é do tipo plano, no amianto essa estrutura é de tubos. Essas cadeias
são em seguida ligadas entre si por íons de magnésio, formando os cristais de
amianto. Dessas ligações, as de Si-O-Si são particularmente fortes, sendo as de
Mg-O-Mg menos resistentes. Por essa razão, os cristais de amianto permitem uma
divisão em filetes ou tubos. O amianto é encontrado na natureza dentro de pedras,
em filetes, com espessura variável desde fiação de milímetros ate alguns
centímetros. Quanto maior o seu comprimento, maior é o valor do produto.

O amianto se destaca pela estabilidade térmica e alta temperatura de


serviço, mantendo sua resistência mecânica e flexibilidade praticamente
inalteradas perante temperaturas em que fibras orgânicas já estão sendo
destruídas.

31
Na sua estrutura, que é 3MgO.2SiO2.2H2O; na forma mais comum, a água
é libertada apenas perante 300 a 400C, a partir da qual perde acentuadamente as
suas propriedades mecânicas. A sua temperatura de fusão é cerca de 3 a 4 vezes
mais elevada. Suporta elevados esforços mecânicos, que se localizam numa taxa
de torção de 350Kgf/cm2, em media.

Apresenta higroscopia relativamente alta,o que faz com que seja usado
eletricamente com a devida impregnação com resinas, óleos ou massas isolantes.
Dessa propriedade e da respectiva impregnação vão depender as características
finais.

O amianto costuma vir acompanhado de impurezas, particularmente


ferrosas, sendo, em especial, acentuada a influencia negativa do FeO4. essas
impurezas são eliminadas por meio de ácidos.

O amianto é usado nas formas enunciadas a seguir:


1 – Pó - O pó de amianto é, em geral, o resultado da decomposição de fios
muito curtos, que aliás são os mais freqüentes. Esse pó é usado de diversas
maneiras, como por exemplo:
a) recebendo como aditivo um verniz e aplicando a massa sobre papel
isolante; o produto assim obtido é repelente à água, de elevada estabilidade
térmica e resistente a ácidos, álcalis e solventes orgânicos (com exceção do
benzol e seus derivados);
b) preenchimento de fusíveis do tipo encapsulamento, atuando como
elemento extintor, em substituição à areia ( que também é um silicato).
2 -.Fibras e respectivos tecidos - Nesta forma, obtêm-se fitas, simples e
combinadas com papeis, devidamente aglutinadas por meio de um verniz de
colagem. Comparativamente com fitas orgânicas, as de amianto são duras,
grossas e mal-acabadas. Por vezes, opta-se por uma mistura de fibras de amianto
com fibras orgânicas, para se obter um tecido mais flexível e que mesmo assim
ainda se destaque por um bom comportamento térmico. Mais recentemente, tem-

32
se usado também a fibra de amianto misturada com a fibra de vidro. Para algumas
aplicações elétricas especiais, usa-se o cimento de amianto, que substitui com
vantagem mármores e produtos semelhantes. Nesse caso, as fibras de amianto
são misturadas com cimento e água, prensando-se a massa nas dimensões
desejadas. Devido a elevada higroscopia, é necessário aplicar verniz. O cimento
endurece e se liga rigidamente às fibras. Esse cimento, assim obtido, suporta bem
o calor e elevadas solicitações mecânicas, o que leva a seu uso como base de
chaves de manobra, câmaras de extinção do arco voltaico e paredes de
separação de fase.

Estudo comparativo entre os diversos isoladores

ISOLADORES DE PORCELANA:
É o material de uso mais antigo sobre o qual se tem maior experiência
acumulada e cujo desempenho tem sido satisfatório através dos anos, tanto como
dielétrico, sob o ponto de vista volumétrico, como isolante de superfície.

As dificuldades de localização de isoladores de suspensão defeituosos, ou


seja, os que apresentam perfuração volumétrica pela campânula, é hoje superada
por métodos especiais de detecção.

Nas linhas de transmissão, os isoladores de disco de porcelana foram


praticamente superados pelos isoladores de vidro temperado, os quais
apresentam a facilidade de uma rápida identificação das unidades defeituosas nas
cadeias. Ocorre, por outro lado, que os isoladores de vidro são mais sensíveis às
ações vandálicas, tornando-se interessante substituí-los pelos de porcelana nos
trechos de linha onde a freqüência dos ataques é maior.

A quebra dos isoladores de porcelana não é tão interessante quanto os de


vidro, que literalmente explodem em pedaços quando são atingidos. A porcelana

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usada como isolante em equipamentos elétricos é ainda praticamente
insubstituível, não obstante já existirem aplicações também com o vidro.

ISOLADORES DE VIDRO:
O vidro é uma solução resultante da solidificação progressiva, sem traços
de cristalização, de uma mistura homogênea de óxidos e silicatos. Os vidros
utilizados na fabricação de isoladores são, sobretudo do tipo sódico-calcico, cujos
componentes principais são os óxidos de silício, de sódio e de cálcio (cal),com as
seguintes proporções mais usuais de:
SiO2 – 65 a 73%
NaO – 8 a 17%
CaO – até 22%

Uma vantagem do isolador de vidro em relação ao de porcelana reside no


processo de fabricação que é automatizado, resultando, portanto, numa redução
de custos e de procedimentos de controle de qualidade mais fáceis.
Os isoladores de vidro podem ser temperados ou recozidos. Os primeiros
isoladores de vidro temperado surgiram em 1935 e atualmente encontram largo
emprego nas linhas de transmissão. Uma peça de vidro que, por exemplo, antes
da têmpera possuía resistência de ruptura à tração de 1,5 Kgf/mm2, passa a ter
uma resistência total de 9,5 Kgf/mm2, porquanto a tensão interna de compressão,
da ordem de 8Kgf/mm2, se opõe permanentemente a qualquer solicitação externa.
Dessa forma, a resistência à ruptura do dielétrico fica aumentada mais de 6 vezes
àquela do vidro recozido e pode suportar variações bruscas de temperatura da
ordem de 90 a 100C.

Se a camada superficial do isolador for rompida, as tensões internas assim


liberadas provocam a completa destruição do dielétrico, que literalmente explode
em pequenos fragmentos. Tal rompimento pode ser causado por perfuração
dielétrica ou por choque (impacto de pedras ou tiros de armas de fogo nas zonas
de alto índice de vandalismo ).

34
Isoladores de vidro recozido: a exemplo dos isoladores de vidro temperado,
os isoladores desse tipo são submetidos a um processo de recozimento e, em
seguida, resfriados lentamente.

Os isoladores fabricados com vidro recozido não apresentam resistência às


variações bruscas de temperaturas e oferecem menor resistência mecânica à
ruptura. São usados em baixa tensão.

ISOLADORES POLIMÉRICOS:

Como resultado do vasto desenvolvimento dos polímeros e suas numerosas


aplicações no campo dos materiais isolantes, também foram procurados polímeros
que apresentassem sobre os produtos cerâmicos (porcelana/vidro) as seguintes
vantagens:
a) Fundição e cura a baixas temperaturas e com reduzido tempo de
fabricação;
b) Possibilidade de inserção de peças metálicas durante o processo de
fabricação, evitando assim o uso de peças coladas ou de juntas e,
consequentemente, possibilidades de vazamentos;
c) Maior resistência, em especial às cargas de impacto (pedras e tiros);
d) Menor contração no processo de endurecimento e, portanto, maior
precisão;
e) Facilidades de usinagem.

Um dos primeiros materiais a serem pesquisados foram as resinas de epóxi,


para as quais foi encontrado um grande campo de aplicação na fabricação de
isoladores para uso abrigado. Suas propriedades mecânicas e elétricas e sua
facilidade de execução animaram os pesquisadores a tentar a fabricação de
isoladores de uso “ao tempo”. Entretanto, varias dificuldades começaram a surgir:

35
- formação de caminhos superficiais carbonizados (tracking) decorrentes das
inevitáveis correntes de fuga superficiais, especialmente mais intensas em
ambientes industriais ou litorâneos;
- a exposição aos raios solares (UV) provocava alterações químicas, mudança
de cor e das suas propriedades mecânicas e elétricas;
- o surgimento de descargas parciais.

Atualmente, são fabricados isoladores p0olimericos que superam as


dificuldades inicialmente identificadas, graças ao processo de injeção das resinas
em alta temperatura e pressão, decorrendo daí isoladores de grande
impenetrabilidade e com um numero mínimo de interfaces.

Três fatores são importantes na produção de isoladores poliméricos de alta


confiabilidade: seleção altamente criteriosa das matérias-primas; projeto otimizado
do isolador e cuidadoso processo de fabricação.

Vantagens dos isoladores poliméricos

Devido às suas características peculiares, os isoladores poliméricos


possuem algumas vantagens, a seguir enumeradas:
- facilidades de manuseio e instalação.
O isolador polimérico é constituído de uma única peça que pode
pesar até 13 vezes menos que uma cadeia de isoladores
convencionais, o que torna a sua instalação rápida, simples e de
menor custo.
- excelente desempenho sob poluição.
- resistência ao vandalismo - as aletas de EPDM ou silicone,
associadas à elevada resistência do núcleo central, garantem um
desempenho seguro desses isoladores em regiões de vandalismo.
- hidrofobicidade - os isoladores poliméricos em borrachas de silicone
apresentam excelente hidrofobicidade em regiões de forte poluição.

36
- maior durabilidade.

O eficiente perfil e a maior distancia de escoamento do isolador permitem


reduzir ao máximo a corrente de fuga e, portanto, as perdas de energia. Devido à
sua impenetrabilidade, podem ser lavados sob alta pressão, sem qualquer risco de
danos. Essas características também permitem reduzir os custos de manutenção
e operação da linha.

As borrachas EPDM ou de silicone proporcionam grande durabilidade ao


isolador, mesmo em condições climáticas adversas e temperaturas elevadas.

Quadro comparativo entre os principais tipos de isoladores sólidos:

Tipos de isoladores Vantagens Restrições


Porcelana Longo tempo de uso; Peso acentuado;
desempenho defeitos escondidos;
qualificado; de fácil susceptível ao
intercâmbio. vandalismo; difícil
detecção de falhas em
serviço.
Vidro Longo tempo de uso; Percepção negativa do
desempenho vidro ser frágil; peso
quantificado; de fácil acentuado; atraente aos
intercambio; unidade vândalos.
danificada fácil de
localizar.
Polimérico Faixa de servidão Não facilmente
menor; bom intercambiável devido à
desempenho quantidade de projetos,
contaminação; peso manufatura e anéis
leve; redução nos custos corona;
de instalação; não é Pode apresentar

37
atraente aos vândalos. defeitos escondidos;
técnicas de linha viva
ainda não
desenvolvidas;
fragilidade a fraturas;
envelhecimento devido à
natureza orgânica dos
componentes.

Estudo dos isoladores em linhas de transmissão

Os principais componentes de uma linha de transmissão de alta tensão são


os seguintes:
A - cabos condutores
B - isoladores
C - estruturas de suporte
D – ferragens e acessórios diversos

Os cabos condutores correspondem à parte mais nobre das linhas de


transmissão. São os elementos destinados a conduzir a corrente elétrica. Usam-se
cabos de alumínio com alma de aço, ou ligas especiais de alumínio. O cobre é
pouco usado em linhas aéreas, devido ao seu peso mais elevado e aos custos
maiores.

Os isoladores asseguram o isolamento dos condutores entre si e a terra,


bem como respondem pelos esforços mecânicos de sustentação dos cabos.

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Os isoladores são os elementos mais vulneráveis de uma linha de
transmissão, visto que eles são submetidos, alem das cargas eletromecânicas da
linha, à ação das intempéries e do vandalismo.

Tipos de isoladores

Com referencia à natureza da isolação, três são os diferentes tipos de


isoladores usados nas linhas de transmissão:
a- Isoladores de porcelana vitrificada
b- Isoladores de vidro temperado
c- Isoladores poliméricos

Correntes de fuga nos isoladores

Todos os corpos são condutores de eletricidade a um grau mais ou menos


elevado. Os isoladores não fogem à regra e são percorridos por correntes,
denominadas correntes de fuga, que ocasionam uma perda de energia. Os
melhores isoladores são aqueles que as correntes de fuga são as menores
possíveis.

A corrente de fuga é proporcional à tensão fase-terra e à condutância do


dielétrico utilizado na fabricação dos isoladores.

Podem-se estabelecer quatro modos diferentes para as correntes de fuga, que


ocorrem nas linhas aéreas de transmissão:

a) por condução através da massa do isolador (corrente volumétrica);


b) Por condução superficial, dependendo diretamente do estado sanitário da
superfície do isolador e do estado higrométrico do ar no qual ele está
imerso. Nas regiões industriais ou nas zonas marítimas, face à poluição,

39
faz-se sentir, muitas vezes, a necessidade de reforçar o isolamento da linha
ou a utilização de isoladores especiais chamados de antipoluição;
c) Por perfuração, por meio da disrupçao elétrica do material isolante. A
perfuração do isolador depende da sua espessura; entretanto, a tensão de
perfuração não varia linearmente com a espessura. Ela é uma função da
qualidade do material isolante e da sua textura molecular, ou seja, de seus
defeitos internos;
d) Por sua disrupçao da rigidez dielétrica do ar no qual o isolador está imerso,
ocorrendo o estabelecimento de um arco elétrico externo entre o condutor e
as partes ligadas à massa do suporte (flash-over).

Efeito corona
O efeito Corona ocorre quando um forte campo elétrico associado com um
condutor de alta tensão ioniza o ar próximo ao condutor. O campo elétrico na
superfície dos condutores atinge um limiar no qual o dielétrico do ar rompe-se,
criando assim pequenas descargas em torno do condutor, similar a uma coroa. O
ar ionizado pode se tornar azul e se tornar audível em forma de "estalos". O efeito
Corona também libera partículas de O2 e produz oxigênio tri atômico - O3, ozônio
- um gás corrosivo que destrói equipamentos de linhas de potencia e coloca em
perigo a saúde humana. E o efeito Corona gera ruído eletromagnético de largo
espectro.

Este efeito é muito interessante visualmente, mas provoca perdas elétricas


no sistema e interferência em rádio e TV em localidades próximas. Geralmente,
quanto maior a tensão, maior o efeito corona. O efeito corona torna-se mais
intenso na ocorrência de chuva, no qual as gotas nos cabos provocam uma
concentração do campo elétrico, e elevando o nível de perdas e interferência.

Na ocorrência de sobretensões na linha, o efeito corona é um meio


importante de amortecer tais falhas, agindo como um "escape" desta energia

40
excedente.Uma linha de extra-alta tensão projetada de forma otimizada possui os
campos superficiais nos condutores próximos do limite.

Detector de Efeito Corona

Câmera que detecta Efeito Corona por radiação ultra-violeta (UV-C) em


linhas de transmissão e distribuição de energia. Localiza a exata posição e
quantifica a intensidade do corona em inspeções durante o dia.

Conclusão

41
Uma larga variedade de materiais é usada na fabricação de maquinas e
aparelhos elétricos, na construção de linhas aéreas e subterrâneas de
transmissão, em equipamentos de radio, eletrônica, telecomunicações e em outros
dispositivos elétricos diversos, cuja enumeração seria extremamente longa.

O conhecimento adequado das propriedades dos materiais utilizados em


eletrotécnica é muito útil e valioso ao engenheiro, pois permite mediante seleção
criteriosa aumentar a eficiência e a confiabilidade das maquinas e aparelhos
elétricos e reduzir os seus custos de manufatura e manutenção.

Com o acelerado desenvolvimento de modernas tecnologias, mais e mais


se tornam exigentes e severas as condições de trabalho que são submetidos os
materiais, demandados pelos novos sistemas elétricos de potencia, automação,
engenharia nuclear e outros ramos vários da engenharia.

Não devemos nos esquecer, entretanto, que cabe ao engenheiro a tarefa


mais importante, ou seja, a associação do desempenho do material com custos
viáveis e aceitáveis.

Portanto, a característica isoladora dos materiais dielétricos é mais um fator


a se observar na relação custo beneficio na seleção destes materiais.

42
Bibliografia

1 - LUNA, Aelfo Marques. Materiais para Engenharia Elétrica. Volume 1. 2ª


Edição.
2 – www.isoladores-santana.com.br
3 – www.aliem.ind.br
4 – www.balestro.com
5 – www.cst-insulators.com.br

43
Anexos

Anexo [A]
Figuras

44
45
46
Poliméricos – Pára-raios de óxido de
zinco

47
Anexo [B]
Apresentação

48