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Apostila_Responsabilidade_Socioambiental

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Responsabilidade Socioambiental

Valéria da Vinha

Responsabilidade Socioambiental

Índice
Unidade 1 - Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável
1.1. As fases da trajetória ......................................................................................................... 6 Década de 70 e a Conferência de Estocolmo ................................................................................... 6 Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável ............................................................... 8 Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável .................................. 10 1.2. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade .................................................... 11 Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? ................................ 12 Cúpula do Milênio e Rio + 10 ....................................................................................................... 13 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio ...................................................................................... 13 1.3. A eco-eficiência se impõe ................................................................................................. 14 Inicialmente, era apenas o discurso..... ......................................................................................... 15 O papel dos gerentes ................................................................................................................... 16 1.4. Do berço-ao-túmulo...começa a fase prática ...................................................................... 16 1.5. Contribuição da ciência .................................................................................................... 18 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” ........................................ 20 1.6. Principais Diretrizes, Padrões e Certificações ..................................................................... 21 A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental ........................................... 21 Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade ............................................................................ 24 Revisão do conteúdo.................................................................................................................... 25 Unidade 2 - A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos .................................................................................................................................... 26 2.1. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social .............. 26 2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor .................................................................................. 28 2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo? ............................... 29 Protocolo de Quioto ..................................................................................................................... 30 Governança Corporativa ............................................................................................................... 31 Vantagens da Sustentabilidade Corporativa ................................................................................... 32 2.4. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade .................................................. 33 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 35

Unidade 3 - Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial

Objetivos .................................................................................................................................... 35 3.1. Por que RS tem várias definições?.......................................................................................... 36 3.2. Diálogo com Stakeholders ..................................................................................................... 41 Na fase exploratória, pretende-se, com a aplicação dessa ferramenta, ............................................ 42 Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto ......................................... 42 O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar, direta ou indiretamente, a organização, e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”. (Edward Freeman. Strategic Management: a stakeholder approach, 1984 ................................................................... 42 Stakeholder: conceito central da responsabilidade social ................................................................ 43 3.3. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável ...................... 44 3.4. A RSE no Brasil ..................................................................................................................... 46 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 48

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 4 - A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000
Objetivos .................................................................................................................................... 49 4.1. Principais inovações institucionais no setor financeiro .............................................................. 50 Protocolo Verde (1995) ................................................................................................................ 50 4.2. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução ..................................... 52 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA ................................................................. 53 Investimentos em Empresas de Capital Aberto .............................................................................. 54 4.3. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 ...................................... 55 4.4. O processo de criação da ISO 26000 ...................................................................................... 56 4.5. Características da ISO 26000 ................................................................................................. 59 4.6. Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 ....................................................................... 60 Limitações da Norma ................................................................................................................... 61 Aspectos positivos da ISO 26000 .................................................................................................. 61 ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação .......................................................................... 62 4.7. Considerações finais .............................................................................................................. 62 A sinergia Estado/Sociedade ......................................................................................................... 63 Revisão de Conteúdo ................................................................................................................... 64 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 65 ANEXOS ............................................................................................................................ 68

Responsabilidade Socioambiental

Introdução
“A questão ecológica é uma questão social; e hoje a questão social só pode ser elaborada adequadamente como uma questão ecológica”. (Elmar Altvater)

A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os homens são racionais e agem egoisticamente de maneira a maximizar a satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma instituição supostamente independente, o mercado, a responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados por indivíduos e organizações. Através do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos membros da sociedade e, consequentemente, a satisfação de cada um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de uma grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou regular seu funcionamento (SMITH, 1776:1985). Essa convenção social consolidou-se ao longo da expansão do modelo capitalista inaugurado pela Revolução Industrial do século XVIII, moldando o comportamento dos agentes econômicos, particularmente do segmento responsável pela produção e distribuição desses bens e serviços: as empresas. No bojo desse processo, ocorreu uma aparente emancipação da esfera econômica em relação à sociedade e ao Estado, levando ao surgimento de uma classe social historicamente nova: a burguesia em suas distintas facetas (mercantil, industrial e financeira). Sabe-se, no entanto, que, no mundo real, Economia e Sociedade não estão dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Entre as suas falhas, uma vem ganhando evidência crescente: a incapacidade de dar respostas concretas e duradouras à questão ambiental. A intensificação dos impactos antrópicos ao longo do século passado impõe seu enfrentamento no nível macro e micro, dentro e fora do mercado, envolvendo todos os segmentos sociais e não apenas os concernentes à esfera pública. Dessas circunstâncias e preocupações comuns a organizações e a nações de todo o mundo, emergiu uma nova convenção de mercado popularizada no termo “Desenvolvimento Sustentável” (ou, simplesmente, Sustentabilidade). Sua disseminação tem sido tão rápida que está alterando as regras da concorrência capitalista, obrigando as empresas (sobretudo as multinacionais) a criarem ou a adquirirem competência para gerenciar práticas socioambientais de maneira a se manterem competitivas. O movimento da Responsabilidade Social Empresarial (ou Corporativa) nasce, assim, organicamente ligado aos princípios do Desenvolvimento Sustentável. A seguir, descrevem-se e analisam-se as motivações e as principais características e estratégias que pontuam esse processo.

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essa mudança de comportamento foi motivada por pressão da sociedade civil. dificultando a implementação de novos projetos e a renovação de contratos. Ao final da Unidade. foi considerada pela ONU como a cidade mais poluída do mundo. o setor privado vem se conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais alto do que o custo de "fazer a coisa certa". as tsunamis e o furacão Katrina). seja na sua relação com a sociedade. a cidade conseguiu controlar 98% do nível de poluentes no ar. você conhecerá o contexto que deu origem ao desenvolvimento sustentável. cuja influência cresceu significativamente nos últimos anos em decorrência dos inúmeros e sucessivos desastres ambientais atribuídos a ações antrópicas equivocadas (entre eles. diz respeito ao risco real de uma crise ambiental de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e das fontes energéticas que suportam o atual padrão de produção e consumo. 4 . Não está muito distante o tempo em que poluição era sinal de progresso. Contudo. Outro fator de pressão. Há cerca de três décadas. que conhecerá os passos que a empresa deve tomar para atender aos princípios da sustentabilidade. E deverá ser capaz de diferenciar as empresas que têm compromissos efetivos com a responsabilidade socioambiental daquelas que adotam apenas o discurso. o representante do Governo brasileiro defendeu a tese de que o controle da poluição era um entrave ao progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão 1 de indústrias altamente poluidoras. alterando as bases tradicionais da concorrência. Felizmente. refletindo-se em queda de vendas e. adotando a chamada ecoeficiência. os principais acontecimentos desta trajetória. Na década de 80. comunidade e governo. Por isso. e estará apto a identificar o que mudou no dia-a-dia das empresas. Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais. os acidentes e crimes ambientais provocam escândalos corporativos que abalam a confiança dos consumidores e acionistas. durante a histórica Conferência de Estocolmo (1972) – evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta –. que estavam sendo expulsas dos países desenvolvidos. Cubatão enfrentou no passado a ameaça constante da poluição. em prejuízo financeiro. e como o segmento empresarial incorporou os novos conceitos e práticas gerados ao longo deste processo. consequentemente. que se organizou para combater o desmatamento e a poluição. de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente de todos os povos. mas terminou por influenciar o mercado. seja no seu processo produtivo. 1 Com um grande parque industrial. em 1992 recebeu da ONU o título de "Cidade-símbolo da Recuperação Ambiental".Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Unidade 1 Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável Objetivos Nesta Unidade. com a união de indústrias. por restrições impostas pela legislação ambiental. pois influenciam a percepção da opinião pública sobre a empresa. isto é. Inicialmente.

o conjunto de recursos não materiais. inevitavelmente. responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas taxas de emissão de poluentes. particularmente. representantes dos mais diversos setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente ao negócio. para a empresa recuperar sua credibilidade junto a opinião pública. indústria florestal) estão mais sensíveis ao movimento de responsabilidade social. as indústrias extrativas (mineração. por exemplo. Porém. Perder reputação pode representar um prejuízo financeiro incalculável. decorrer de uma década. Em estudo inédito realizado no Reino Unido. petróleo & gás. a determinação e o rigor na implementação de uma política de sustentabilidade ambiental recairia. 5 . a empresa demonstra maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se convencionou chamar “licença social para operar”. num futuro próximo. com 800 executivos. como o conhecimento e a reputação) adquirem importância estratégica na condução dos negócios. concentravam 70% da indústria química do Continente. demonstram maior capacidade de resposta. em 2005. os ativos intangíveis (isto é. envolvendo. porém outros segmentos. além de incontáveis acidentes de grandes proporções. México e Argentina. Atualmente. De fato. particularmente. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como explorar os recursos de uma determinada região. a América Latina consome 40% dos produtos químicos comercializados nos países dessa categoria e. e muitas não resistem e pedem falência. o que explica a ocorrência de tantos acidentes graves.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Os desastres naturais e meteorológicos mataram 350 mil pessoas nos últimos 12 meses e provocaram prejuízos econômicos calculados em US$ 200 bilhões. no Alasca – o maior da história americana – . sugere que a alocação de recursos será tão fortemente orientada pela disponibilidade física do recurso natural. que não haverá espaço nem para a legislação ambiental nem para as políticas públicas se imporem. concluiu-se que. cita-se o derramamento de 11 milhões de óleo bruto do petroleiro Exxon Valdez. Segundo dados de 1995. por exemplo. em média. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). além da tsunami e do terremoto no Paquistão (com 70 mil mortes). Stuart Hart (1977). Só para aludir a um caso emblemático. apenas três deles. PORTO e MACHADO. as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na redução de emissões numa tentativa de mudar sua imagem pública desgastada por décadas na liderança da emissão de CO2. Brasil. 2002). Ao menos no plano da retórica. Com isso. em 2005. sobre as empresas. Por serem mais visadas. Muitos autores consideram que. dez anos e oito meses e. Finalmente. Pesquisa realizada no Brasil. como o financeiro. a indústria química afeta. o mais importante impulsionador do uso de novos recursos e do desenvolvimento de tecnologias limpas será o estoque das reservas naturais. Além de ser uma das mais poluentes. que levou o Governo norte-americano a aplicar o método de valoração contingente com o objetivo de avaliar a extensão dos danos e a obrigar a Exxon Corporation a indenizar suas vítimas. esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais. em média. ouviu 269 gestores de risco e concluiu que o principal obstáculo enfrentado pelo executivo para gerenciar risco de reputação da sua empresa seria a falta de instrumentos adequados (ver figura 01). conforme se exporá ao longo do Curso. seriam necessários. houve mais tempestades tropicais (26) e mais furacões (14). as indústrias do setor de petróleo e derivados. os países em desenvolvimento. na Era da globalização e na da chamada sociedade da informação. não é apenas nos segmentos citados que essas forças de pressão vêm exercendo influência. 40 óbitos ao longo das décadas de 80 e 90 (FREITAS.

1. muito embora. o surgimento dos ideais neoliberais na década de 80. consolidando. o desenvolvimento sustentável seja um projeto em construção. possibilitando uma segmentação da produção nunca antes experimentada.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Figura 01: ameaças à reputação. Os órgãos internacionais. se expandiram e aumentaram seu poder político. de longa duração. Com isso. cresceram os grandes conglomerados empresariais que passaram a ter poder de ação e de influência para além de seus territórios nacionais. e as principais organizações não governamentais. As fases da trajetória Década de 70 e a Conferência de Estocolmo A Terceira Revolução Industrial. entre elas a da preocupação ambiental. antes ficavam restritas aos Estados nacionais. já que as preocupações passaram a ser globais. fazendo com que as economias nacionais atingissem uma integração global. Fonte: Matéria Folha de São Paulo28-01-2006. O cenário internacional era bipolar. o termo aquecimento global foi mencionado pela primeira vez. e a ameaça de ataques nucleares da Guerra Fria ainda era realidade. Na década de 70. 6 . Folha Dinheiro. as decisões políticas e econômicas que. ocorrida na década de 70. ganharam âmbito internacional. Acreditava-se que as principais ameaças à Camada de Ozônio eram as turbinas dos aviões supersônicos (o Concorde tinha acabado de surgir) e as emissões de gases orgânicos pelos rebanhos.2 Esse conjunto de fatores conduziu a uma inevitável revisão dos valores empresariais. em definitivo. A expressão “poluição ambiental” começava a fazer parte do vocabulário científico. Aliado a esse fenômeno. As características e os momentos marcantes da trajetória já percorrida pelos setores produtivo e financeiro na direção da sustentabilidade serão tratados a seguir. Novas questões entraram na agenda da diplomacia mundial. com Reagan nos EUA e com Tatcher na Inglaterra. como o Greenpeace. Pág. na visão do empresariado. Com isso. introduziu novas técnicas de transporte e comunicação. o fenômeno conhecido como globalização. contribuiu para ampliar esta integração mundial. como a ONU.1.

realizada em Estocolmo. na Suécia. A Declaração de Estocolmo e seus princípios constituíram o primeiro conjunto de soft laws. ligada ao Ministério do Interior e usada como propaganda do Governo Médici. ela defendia que os países parassem de crescer e voltassem suas atenções para a resolução dos impactos ecológicos causados pelo desenvolvimento anterior. Cerca de um ano depois. Costa Cavalcante. de 30/10/1973. com competência bastante limitada. “leis internacionais apenas intencionais”. A Conferência de Estocolmo foi o evento que colocou o meio ambiente no foco das preocupações internacionais. a União Soviética e a maioria de seus aliados. nasceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. estabelecidas: uma moratória de dez anos sobre a caça comercial a baleias. inspirando. por recomendação da Conferência. A repercussão negativa da posição brasileira. motivou a criação de um órgão nacional de meio ambiente. com o Decreto Federal no 73. Algumas metas específicas foram.030. Ainda em 72. sem aplicação obrigatória. previsto para o ano 2000. a prevenção de derramamentos deliberados de petróleo no mar e um relatório sobre o uso da energia até 1975. em 1972. informando e capacitando nações e povos a aumentar sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações” (ONU-BRASIL). população. ou seja. de uma conferência internacional sobre o meio ambiente. representante do País na Conferência de Estocolmo (1972). 7 . para questões ambientais internacionais. criou-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP). para ação e coordenação de questões ambientais no âmbito da ONU. recursos naturais e meio ambiente com o propósito de apontar possíveis caminhos para evitar o colapso do planeta. que vinha sofrendo sérios danos em seus lagos devido à chuva ácida decorrente da poluição da Europa Ocidental. um reflexo da bipolaridade política do período. considerada irreal e inviável. surge a publicação The Limits to Growth (“Limites do Crescimento”). que vivia o período da ditadura militar e do milagre econômico. Esse documento foi um marco histórico para as preocupações ambientais e o caráter global das mesmas. a teoria passou a fomentar debates nacionais e internacionais acerca do tema em foco. surgia.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Um grupo de estudiosos integrante do denominado Clube de Roma se propunha a analisar variáveis como tecnologia. A missão do PNUMA é a de “prover liderança e encorajar parcerias no cuidado com o ambiente. porém. alimentos. na mesma Suécia. Nesse contexto de maior atenção aos crescentes impactos ambientais. que colocou em pauta a discussão sobre a finidade dos recursos naturais planetários. então. como principais ausências. Dessa preocupação. a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). foi produzida uma Declaração de 26 princípios e um Plano de Ação com 109 recomendações. Essa discussão reuniu tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento e teve. a teoria defendida no documento não foi aceita por nenhuma nação. Desses estudos. Denominada “teoria do crescimento zero”. No entanto. a tese defendida do no relatório Limites do Crescimento foi fortemente rechaçada pelo Ministro do Interior. Apesar de não ser aceita. No Brasil. No evento. surge a ideia.

20. o fim do mundo bipolarizado – simbolizado pela queda do muro de Berlim – trouxe importantes mudanças e consequências tanto na esfera européia quanto na mundial. desde que não causem danos a outros. 25. Os países em desenvolvimento necessitam de preços justos para as suas exportações. A fauna e a flora silvestres devem ser preservadas. 15. 14. A poluição danosa aos oceanos deve ser evitada. 11. lidar com temas. Armas de destruição em massa devem ser eliminadas. A situação ficou especialmente difícil em países onde milhões de pessoas se deslocaram por conta de guerras. em 1985 foi publicada. sítio do Ibama na Internet. 18. como pobreza e meio ambiente. a década de 80 ficou conhecida como “a década perdida”. 13. não esgotados. Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável A década de 80 pode ser definida como um período bastante peculiar em todo o mundo. Os direitos humanos devem ser defendidos. 16. 4. No âmbito político.04. Acessado em 28. como a África. Os recursos naturais devem ser preservados. pela primeira vez. 26. 10. 23. registravam um aumento pequeno de renda. 6.1982. 21. Um planejamento racional deve resolver conflitos entre meio ambiente e desenvolvimento. 8. a começar pela crise da dívida que atingiu a América Latina em 82. por pesquisadores britânicos as medições do tamanho do buraco da camada de ozônio.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 01 . Assentamentos humanos devem ser planejados de forma a eliminar problemas ambientais. O número de refugiados passou de cerca de 09 milhões de pessoas em 1980 para mais de 18 milhões no início da década de 90 (UNHCR. Os países em desenvolvimento requerem ajuda. Devem-se promover pesquisas ambientais. Essas regiões. Os recursos não renováveis devem ser compartilhados. 17. a Ásia Ocidental. fato que causou grande surpresa tanto para políticos quanto para cientistas. Para exemplificar. 3. Os países em desenvolvimento necessitam de recursos para desenvolver medidas de proteção ambiental. Como a interdependência entre o meio 8 . citado em Integração entre o meio ambiente e o desenvolvimento: 19722002. 12. As instituições nacionais devem planejar o desenvolvimento dos recursos naturais dos estados. O desenvolvimento é necessário à melhoria do meio ambiente. a América Latina e o Caribe. para que realizem a gestão do meio ambiente. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis deve ser mantida. A poluição não deve exceder a capacidade do meio ambiente de neutralizá-la. 22. No âmbito econômico. Cada país deve estabelecer suas próprias normas. principalmente em países em desenvolvimento. Para vários países em desenvolvimento. 9. A educação ambiental é essencial. As políticas ambientais não devem comprometer o desenvolvimento. Os governos devem planejar suas próprias políticas populacionais de maneira adequada. Fonte: Clarke & Timberlake.Versão resumida dos Princípios da Declaração de Estocolmo (1972) 1. o apartheid e o colonialismo devem ser condenados. tornou-se de extrema importância nos debates políticos mundiais. A ciência e a tecnologia devem ser usadas para melhorar o meio ambiente.2006. 5. a crise nos países em desenvolvimento foi um fato extremamente marcante no período. Organizações internacionais devem ajudar a melhorar o meio ambiente. 2000). A partir daí. Os Estados que sofrerem danos dessa forma deverão ser indenizados. É necessário estabelecer um planejamento integrado para o desenvolvimento. 2. Deve haver cooperação em questões internacionais. 7. 24. Os Estados podem explorar seus recursos como quiserem. 19.

altamente tóxica. Esses e outros eventos confirmaram que as questões ambientais eram sistêmicas e que lidar com elas requeria estratégias e ações integradas de longo prazo e participação de todos os países e de todos os membros da sociedade. a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Carta Mundial da Natureza (World Charter of Nature). na Ucrânia. chamando a atenção para o valor intrínseco das espécies e dos ecossistemas (ONU. uma proteção especial deve ser dada a áreas singulares. em 1986 e o acidente do navio Exxon Valdez. animais e o meio ambiente de uma vasta extensão da Europa. que despejou 41 milhões de litros de petróleo em uma área de vida selvagem no Alasca (EUA). 1986) (ver Box 02). esse documento reconheceu que a abordagem dos problemas ambientais demandaria um esforço em longo prazo e a integração dos objetivos ambientais com aqueles relacionados com o desenvolvimento. causa cegueira e leva ao bloqueio dos alvéolos pulmonares. com essa finalidade. onde viviam mais de 900 mil pessoas. devem estar sujeitas a esses princípios de conservação. explodiu um reator da central de Chernobyl que libertou uma imensa nuvem radioativa contaminando pessoas. O relatório traduziu as preocupações com o meio ambiente que já se instalavam na sociedade. Lançado em 1980. A Estratégia de Conservação Mundial (World Conservation Strategy) foi um dos documentos mais importantes que ajudaram a redefinir o ambientalismo após a Conferência de Estocolmo. devem ser ao menos suficientes para a sua sobrevivência e. Resolução nº 37/7. marinhos e atmosféricos usados pelo homem devem ser manejados de forma a alcançar e a manter uma produtividade sustentável e em condições favoráveis. culturais e ecológicas. de 28. assim como os recursos terrestres. Em 1983. como resultado da Assembléia Geral das Nações Unidas. 9 .10. Nesta década também. • Os ecossistemas e os organismos. foi criada a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) para realizar audiências em todo o mundo e produzir um relatório sobre suas conclusões.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 ambiente e o desenvolvimento se tornava cada vez mais óbvia.Carta Mundial da Natureza: Princípios Gerais • A viabilidade genética da Terra não deve ser comprometida. Em pouco tempo. uma nuvem de gás letal atingiu Bhopal. A década de 80 também presenciou uma série de eventos catastróficos que marcaram de forma permanente o meio ambiente tais como o vazamento de gases letais na Índia na cidade de Bhopal em 2 3 1984 . localizada a menos de 5 quilômetros de Bhopal. por meio da sustentabilidade do desenvolvimento que implica uma mudança nas relações econômicas. tanto terrestres quanto marítimas. o conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado. os níveis populacionais de todas as formas de vida. à transferência de tecnologias e ao desenvolvimento sustentável em geral. silvestres e domesticadas. 2 A tragédia em Bhopal teve início nas primeiras horas do dia 3 de dezembro de 1984. A substância. desde que não comprometam a integridade dos outros ecossistemas ou espécies com os quais coexistem. em 1987. Reuniões foram conduzidas em países desenvolvidos e em desenvolvimento. a amostras representativas de todos os diferentes tipos de ecossistema e ao habitat de espécies raras e ameaçadas de extinção. os habitats necessários devem ser protegidos. à água. quando 40 toneladas do veneno isocianato de metila em estado gasoso começaram a vazar da fábrica de pesticidas da americana Union Carbide. político-sociais. A natureza deve ser protegida da degradação causada por guerras e outras atividades hostis. no relatório Our Common Future (“Nosso Futuro Comum”). em 1989. a maioria em favelas. • Todas as áreas do planeta. à energia. 3 Em 26 de Abril de 1986. colhendo as percepções de diferentes grupos sociais sobre questões relacionadas à agricultura. Nele foi expresso pela primeira vez o conceito utilizado até os dias atuais e definido como aquele que “atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas”.1986. o desastre nuclear em Chernobyl. Box 02 . Fonte: ONU.

gerando um movimento de conscientização acerca da estreita correlação entre pobreza e crise ambiental. em particular as empresas líderes: o Centro Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). de 1997. na Suíça. Em 1996. duas novas entidades forneceram as diretrizes que orientariam. Ainda durante a década de 90. com sede em Genebra. braço brasileiro do WBCSD. considerada como a maior reunião do gênero já realizada. O agravamento da pobreza e da fome no mundo exerceu forte pressão para que se realizasse a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). em 1998.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Desse modo. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. o setor produtivo. e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. despontam diversas iniciativas empresariais visando à adequação a essa nova proposta tecnológica. definindo um novo padrão voluntário de manejo ambiental na indústria. Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se mais compreensível. excluindo o comportamento predador do modelo desenvolvimentista predominante. 10 . daria nascimento à Agenda 21 (Box 03). A década testemunhou catástrofes ambientais ainda maiores do que as ocorridas nos anos 80. Essa conferência. realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992. conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Rio-92”. a natureza passou a ser vista como parte integrante de um sistema que originalmente deveria ser cíclico. formada por representantes de mais de 155 países. Entre os brasileiros. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações. acompanhando a crescente globalização dos mercados. surgiu o selo ISO 14000 4. daí em diante. Ficou claro que um número cada vez maior de atores teria de lidar com as implicações ambientais de suas atividades. 4 A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946.

além de reunir chefes de Estado e representantes oficiais de 179 países. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade Até a década de 90. A Agenda 21 Local é o processo participativo e multissetorial de construção de um programa de ação estratégico dirigido para o desenvolvimento sustentável local. por meio de uma metodologia participativa que una governo e sociedade. o estado de pobreza crônica da população requereu a criação de instrumentos econômicos e institucionais para sua superação. Atualmente. também juntou organizações não governamentais de todo o mundo em um evento paralelo – o Fórum Internacional de ONGs e Movimentos Sociais. Contudo. enquanto. essa equação vinha sendo administrada pela cartilha da ortodoxia neoclássica.Agenda 21 – Por Um Mundo Sustentável A Rio-92. de zoneamento ecológico-econômico. foi concluída a primeira etapa de elaboração da Agenda. cujas perdas crescentes deveriam ser consideradas contribuição negativa ao produto interno bruto (PIB) e às contas nacionais. órgão presidido pelo Ministério do Meio Ambiente. nos países do Sul. Para iniciar as atividades da Agenda.2. integração regional e redução das desigualdades sociais como forma a compreender a complexidade do País e suas regiões dentro do conceito de sustentabilidade ampliada. crescimento econômico e desenvolvimento eram encarados como indissoluvelmente conectados. não sendo considerada a possibilidade de se desenvolver sem crescer. infra-estrutura. cada país comprometeu-se a definir sua própria Agenda 21. Ao redefinir o conceito de desenvolvimento. 1. como um guia. foram escolhidos temas centrais. em 1997. contribuindo. aliado à justiça social e à conservação dos recursos naturais. a justiça social e a proteção ambiental. como agricultura e cidades sustentáveis. tanto para o poder público como para a sociedade civil e os setores econômicos. assegurando-lhe dimensão não apenas quantitativa. A ideia é de que a Agenda 21 Local seja um documento de referência para a construção ou revisão de Planos Diretores. Tal esforço exigia mudanças culturais de comportamento. está em curso a segunda etapa. para a integração de ações de diferentes instituições em uma mesma localidade. entre outros instrumentos de gestão. que se constituiu no documento mais abrangente dessa conferência e selou um compromisso entre as nações participantes. bem como a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais. segundo a qual a regulação da economia é tarefa do equilíbrio entre a oferta e a demanda. mas também qualitativa. Daí surgiria a Agenda 21. para a promoção de ações que estimulassem a integração entre o crescimento econômico. de orçamentos participativos municipais. O Brasil criou. Durante a Rio-92. a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS). Em 2002. ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. a implementação das políticas públicas propostas. inovação tecnológica e rede de cumplicidades formada por todos os setores sociais a se irradiar nos planos global. um conjunto de diretrizes. para as economias desenvolvidas do Norte. dessa maneira. gestão dos recursos naturais. o documento enfatizava o aumento da produtividade. Seus principais objetivos são a formulação e a implementação de políticas públicas. com a função de conduzir a elaboração da Agenda 21 Brasileira.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 03 . Apresentou-se. ou seja. nacional e local. 11 .

12 . Ainda é muito comum a empresa acomodar-se no 5 O Banco Mundial é uma instituição financeira. relações públicas. mas está implícita no debate empresarial sobre responsabilidade social e. A sua ação destina-se. o guiará no futuro próximo. Algumas empresas já estão discutindo seriamente esse cenário. Para as empresas que atuam em áreas ambiental e socialmente sensíveis em países pobres. admitindo-se que os problemas decorrentes do consumo ambientalmente predatório do Sul poderiam ser solucionados através de um padrão de “crescimento sustentável”. O Banco Mundial apresentou um relatório ortodoxo. apontando a necessidade de envolver representantes da sociedade no processo de implantação dos empreendimentos. Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? Existem tantas definições sobre Desenvolvimento Sustentável quantas são as correntes teóricas e indivíduos que sobre ele se pronunciam. que ajudam a humanizar a empresa frente à sociedade (SCHMIDHEINY. portanto. CIADI) e tem como missão o combate à pobreza. motivadas. a relativa fragilidade do modelo de desenvolvimento mundialmente hegemônico. desenvolvimento não tem sido debatida. composta de cinco instituições afiliadas (BIRD. fundado em 1944. em 1997. o fluxo de exportações de mercadorias e de capitais do Norte para o Sul e o consequente retorno na forma de lucros e juros da dívida só poderiam continuar se a aceleração do crescimento econômico do Sul estivesse condicionada ao combate à pobreza. como os setores jurídico. que o Sul é detentor da maior parte do estoque existente no planeta –. pela urgência em minimizar os efeitos das emissões de gases na atmosfera e seus impactos na mudança climática. marketing e financeiro. IFC. Com cerca de 183 países membros. na ênfase dada às políticas de combate à pobreza nos países pobres aliadas à exigência de uma avaliação de impacto ambiental dos projetos por ele financiados. 1996). uma nova linha de abordagem foi incorporada aos documentos oficiais da instituição. fundamentalmente. O meio ambiente adquiriu tamanho prestígio.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 O Banco Mundial5 sustentava que a extensão do padrão de consumo do Norte ao Sul embutia o elevado risco de comprometer a capacidade de uso e de recuperação dos recursos naturais – vale lembrar. No entanto. essa decisão do Banco foi crucial para a definição de uma política de responsabilidade social. essa convenção tem sido responsável pela deflagração de novos valores morais e éticos. Apesar do expressivo número de organizações ambientalistas existentes no Brasil e no mundo. merecendo em muitos casos gerência ou diretoria próprias. sobretudo. como a maior fonte de financiamento de ajuda ao desenvolvimento. A problemática crescimento vs. encontram-se visões distintas no seio do empresariado. 1998). Tal raciocínio pressupunha que o ritmo de crescimento das economias industrializadas do Norte se manteria inalterado e. além. 1995. Na visão convencional do Banco Mundial. pelo incremento do intercâmbio entre ambos. relativamente aumentado. Essa mensagem significava a negação de limites ecológicos paralisantes ao desenvolvimento. conceitual e operacionalmente falando. Da mesma forma. para outros. enquanto. o diálogo entre elas e o setor produtivo apenas recentemente vem adquirindo um caráter de parceria efetiva. inclusive o Brasil. principalmente entre as multinacionais. do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. até mesmo. contudo. principalmente. AMGI. certamente. que a compreensão nas empresas sobre o desenvolvimento sustentável está significativamente ampliada. que tem sido apoiado pelas funções centrais da firma. aos países mais pobres do mundo. Já se admitia. é o principal organismo multilateral internacional de financiamento do desenvolvimento social e econômico. AID. inovando. concluindo pela necessidade de redirecionar o desenvolvimento do Sul para um modelo de crescimento econômico ambientalmente sustentável. Para alguns. trata-se apenas de uma jogada de marketing visando a oportunidades comerciais (KORTEN. por mais paradoxal que isso pudesse parecer. É fato. naturalmente.

baseada em princípios de responsabilidade social. Garantir a sustentabilidade ambiental. consolidou-se a consciência sobre a urgência de se fazer algo a respeito dessas condições. 7. O ideal é a empresa ir além do marco regulatório. no qual seriam detalhados alguns objetivos alinhados aos princípios já definidos na Rio-92. Combater o HIV/AIDS. Atingir o ensino básico universal. independente de instrumentos de coerção ou de pressão). ocorreu a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (CMDS). reversão da tendência de degradação de recursos naturais. em Nova York. a diminuição 13 . Erradicar a extrema pobreza e a fome. aumento à proteção à biodiversidade e o acesso à água potável. à energia. ao abrigo. a consolidação de uma nova modalidade de gestão empresarial. evoluindo para a fase normativa (abrindo espaço na estrutura organizacional) e. é preciso desenvolverem-se procedimentos e normas destinados a facilitar a interação social. em Johannesburgo. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. 2. mencionou-se a continuidade de diversos problemas ambientais de caráter global. Em 2002 e como consequência direta da Rio-92 e da Conferência de Estocolmo de 1972. Como se tratará ao longo do Curso. ao saneamento. na África do Sul. para promover o desenvolvimento sustentável dos países. em setembro de 2000. A Cúpula buscou formular um plano de ação factível. Líderes de 189 países firmaram um pacto cujo foco principal é o compromisso de combater a pobreza e a fome no mundo. que corresponderia ao que se denomina pejorativamente de "esverdeamento". Foram acordados oito objetivos denominados “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”. Nascia um documento denominado “Declaração do Milênio”. reagindo apenas à legislação. restauração de pesqueiros até 2015 e estabelecimento de áreas marinhas protegidas até 2012. 6. aprovados e adotados pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas. conhecida como Rio+10. que. como. era necessária a ampliação de acesso a mercados alternativos. mais do que a imposição regulatória e a pressão do mercado. presencia-se. 2005. Algumas metas já estavam delineadas. Cúpula do Milênio e Rio + 10 Como decorrência da situação mundial em relação à fome e a pobreza. Concluiu-se. Para tanto. que está sempre aprendendo e que tem uma compulsão estrutural ao crescimento. hoje. Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres.) A Agenda 21 e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram instrumentos que se conjugaram para a realização do desenvolvimento sustentável. eliminar a extrema pobreza e a fome do mundo até 2015. 3. reunião promovida pela Organização das Nações Unidas. também. e modificando o seu discurso mas não a sua prática. a malária e outras doenças. que estabelecia. 8. Realizou-se. Por isso. 5.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 processo “cosmético”. cada qual com suas metas e indicadores. incorporando os princípios da sustentabilidade na cultura corporativa. a estratégia adotada pela empresa para gerenciar o relacionamento com a sociedade será a principal fonte de vantagem competitiva. finalmente. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente. saúde e segurança. como prioridade. Entre os desafios expressos no documento. então. para a cognitiva (isto é. 4. por exemplo. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 1. Melhorar a saúde materna. a Cúpula do Milênio. pressupondo que a instituição é uma organização dinâmica. Reduzir a mortalidade infantil.

• Intensificar a reciclagem de materiais. • Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis. a eco-eficiência é obtida pela “entrega de bens e serviços com preços competitivos que satisfazem as necessidades humanas e trazem qualidade de vida. em linha com a capacidade estimada da Terra em suportá-los”. concluiu-se que o termo era o que melhor exprimia a meta de integrar a eficiência econômica e ecológica..3. . Elementos da Ecoeficiência: • Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços. Segundo ele. tanto no plano da produção. 1. uma significativa ligação entre eficiência dos recursos (que leva à produtividade e à lucratividade) e responsabilidade ambiental. De acordo com o WBCSD. equivalente à capacidade de sustentação estimada da Terra. são desenvolvidas. • Reduzir a dispersão de substâncias tóxicas. duas fases marcantes do processo de conversão à sustentabilidade: a fase da disseminação dos princípios da eco-eficiência. • Prolongar a durabilidade dos produtos. quanto no da relação com os stakeholders e principais instrumentos de gestão e boas práticas. em 1992. ao mesmo tempo em que reduz progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida. ainda.. empresário suíço fundador do WBCSD. pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) (“Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável”) por meio da publicação do livro Changing Course (“Mudando o Rumo”). Esse conceito descreve uma visão para a produção de bens e serviços que possuam valor econômico enquanto reduzem os impactos ecológicos da produção e sugere. O termo “eco-eficiência” foi introduzido. o termo ecoeficiência surgiu da necessidade de apresentar uma proposta empresarial de atuação na área ambiental para a Conferência do Rio. A eco-eficiência se impõe Neste tópico. a um nível. 14 . que incentivassem o consumo e a produção sustentáveis. Assim. Conforme relatado por Stephan Schmidheiny. no prazo de dez anos. a fim de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais. eco-eficiência é o uso mais eficiente de materiais e energia. em 1992. endossado pela Conferência Rio92 como uma forma de as organizações implementarem a Agenda 21 no setor privado.alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida. Portanto. Depois de acirrado debate. com mais objetividade.. reduzindo progressivamente impactos ambientais dos bens e serviços. • Agregar valor aos bens e serviços. e a da institucionalização das mudanças organizacionais provocadas pela aplicação dos princípios e tecnologias associados à sustentabilidade. tem-se tornado sinônimo de uma filosofia de gerenciamento que leva à sustentabilidade.. • Reduzir o consumo de energia com bens e serviços. no mínimo. desde então. o WBCSD define ecoeficiência como sendo. através de todo o ciclo de vida..Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 dos subsídios às exportações e a promoção de um conjunto de programas. foi desafiante para o grupo composto de 50 empresários encontrar algo a dizer sobre meio ambiente e sobre desenvolvimento que "honrasse as realidades básicas do mercado".

nos setores notoriamente poluentes (petroquímico. as empresas sérias procuram se diferenciar das oportunistas. o Brasil é o quarto país com mais certificados SA 8000. a Norma ISO 26000 foi desenvolvida para tratar de responsabilidade social (ver tópico a respeito). cuja localização e natureza das operações variam significativamente. e ainda existem aquelas que implementam apenas reformas simbólicas e medidas cosméticas (a chamada "lavagem verde") visando responder à legislação ambiental e usá-las como propaganda institucional. mas. Além disso. Durante a última década do século passado houve também uma enorme pressão para as empresas adotarem sistemas de gestão ambiental. A evidência disso é a corrida à certificação que agrega valor ao produto representando um selo de confiança no sistema de gestão implementado pela empresa. a maioria das empresas procura em seus programas de gestão ambiental ganhar novos mercados e vantagem competitiva no curto prazo. Por outro lado. trabalho forçado. papel e celulose. particularmente. reduziam custos através de uma melhor racionalização dos processos produtivos. é mais difícil estender uma mudança de forma homogênea em empresas de grande porte. essa crença devia-se ao fato de o custo da tecnologia ambiental ser alto em virtude de não estar nem tão disponível. informações importantes começaram a ser monitoradas e potenciais ganhos de eficiência mapeados o que permitiu significativa economia de recursos. induzida pela organização e compartilhamento de tarefas intrínsecas à gestão ambiental. liberdade de associação e direito à negociação coletiva. nem tão aperfeiçoada quanto hoje. A partir de um modelo de gestão. essa prática avançou mais. horário de trabalho.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Inicialmente. Por essa razão. devido ao elevado custo. Apesar de reconhecer que a maturação de novos produtos e processos é lenta. Assim. a indústria assumiu uma posição mais cooperativa intra e intersetorialmente. de maneira a reduzirem ou eliminarem emissões. as condições de trabalho em toda a cadeia produtiva. Os itens verificados na auditoria obrigatória para se candidatar ao SA 8000 são nove: trabalho infantil. obrigaria a repassar os custos aos consumidores. O processo de internalização do conceito de desenvolvimento sustentável não evoluiu da mesma forma em todos os setores industriais e em firmas de todos os portes. discriminação. Contudo. principalmente nas indústrias de petroquímica. Administrado pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA). o número de empresas certificadas é baixo. mais recentemente. que verifica. era apenas o discurso. metalúrgico. efluentes e desperdício nas suas operações. automotiva e eletrônica. em poucos anos. Os certificados mais procurados são os da série ISO 9000 e ISO 14000 e. deve-se à maior influência dos agentes de pressão anteriormente descritos e à magnitude dos custos associados ao passivo ambiental. devido à dificuldade que a empresa encontra em manter um mesmo padrão. no uso de insumos e no desperdício. incrementou a produtividade e a eficiência. 15 . as trajetórias em direção à adoção de estratégias ambientalmente sustentáveis diferem significativamente entre setores e entre empresas. ficou patente que as tecnologias ambientais tinham um potencial inverso. Em grande medida. Acreditava-se que a implementação da gestão ambiental.. o principal obstáculo à adoção da gestão ambiental residia na concepção dominante de que meio ambiente e lucro eram adversários naturais. Ainda assim. o Social Accountability 8000 (SA 8000) é o primeiro certificado social com reconhecimento internacional. isto é. Mesmo sendo uma referência em termos de certificação para as condições do trabalho. além de reduzir lucros. papel e celulose) e nas multinacionais. remuneração e sistemas de gestão. Se. tendo sido motivado pelo crescente clamor popular contra o trabalho infantil. entre outros aspectos. resultando em vantagem de custo sobre os competidores. elevando os preços dos bens negociados. práticas disciplinares. saúde e segurança. Além disso. considerando a grande diferenciação entre as leis trabalhistas em cada país. também. com o agravante de que o montante do passivo cresce na proporção dos impactos cumulativos..

. de vê-lo como um indivíduo iluminado no sentido de ser o que melhor conhece a firma e seus ambientes (o mercado. em seus Relatórios de Informação Anual de 2006 (ano-base 2005). v. os gerentes seniores estimulam a participação e a criatividade nos empregados e gerentes de todos níveis. a Bahia Sul Celulose e a Avon cosméticos. A tradição da teoria do gerenciamento em atribuir aos Gerentes. em relação às questões ambientais. 1. dentro da empresa. os consumidores). a ideia de sustentabilidade passou a ser encarada com seriedade por um número significativo de companhias por iniciativa do seu corpo executivo (Diretores e Gerentes) e. rentabilidade operacional e rendimento do patrimônio líquido superiores às demais (Grzebieluckas. a sociedade ampliada. entre suas empresas. um produto deveria ser criado para. a maior parcela de responsabilidade pela construção das competências centrais da firma deve-se ao fato de o Gerente personificar. 3. 68. Um estudo recente comparou a performance de Companhias abertas que informaram.4. uma vez que os acionistas procuram obter retorno futuro de seus investimentos na mesma proporção em que anseiam por rendimentos no presente. Garantindo isso. ter condições de ser reutilizado com suas propriedades inalteradas no metabolismo tecnológico. o produto e seus componentes e materiais não terão serventia. não é de todo verdadeira. O papel dos gerentes Inicialmente. Um grande problema causado por esse tipo de ciclo de vida é que os produtos. negligenciando investimentos de maturação longa. Do berço-ao-túmulo. sejam devolvidas através da compreensão compartilhada por técnicos. em que dejetos servem de alimento: assim. levando-os a procurar respostas às expectativas e às necessidades da sociedade. Prahalad e Hamel (1990) atribuem ao Gerente o papel de criar condições para que as informações da sociedade fluam para dentro da firma e que. ao final de seu uso. a crença de que maximizar retornos aos acionistas impõe ao executivo a adoção de estratégias pontuais e imediatistas. pois. May-June 1990. a certificação da ISO 14001 com as empresas que possuíam algum sistema de monitoramento ambiental e com as empresas que não apresentaram informação relacionada às questões ambientais. Harvard. "The core competence of the corporation". particularmente as pequenas e médias. contando... pessoal de marketing. Nesse contexto. para ela. C. ou de voltar à natureza não como poluente.. engenheiros. estimulado pelos próprios acionistas que temem a desvalorização das ações devido aos escândalos corporativos. 6 Como salientou Schmidheiny (1996). 2007). 81 16 . em alguns casos. ao final.K. n. geralmente se pensa em ser 6 PRAHALAD.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 perdendo apenas para a Itália. Harvard Business Review. como nutriente. mas. As empresas que possuíam certificação ambiental tiveram rentabilidade do ativo. em geral. Índia e China. O conceito do “berço ao berço” – cradle to cradle – busca resgatar o princípio cíclico da natureza. o contingente de empresas brasileiras certificadas só não é maior porque muitas delas não têm como arcar com os custos da certificação. vendedores etc. o setor. apresentam componentes de difícil decomposição ou altamente tóxicos sem que se dê solução adequada para degradá-los quando descartados. geralmente empregada para conceber o ciclo de vida de um produto – produção. G. começa a fase prática A maneira linear. p. das necessidades dos consumidores e das oportunidades tecnológicas. a mudança de paradigma traz importantes consequências e avanços no desenvolvimento de produtos. De um modo geral. utilização e descarte – é entendida como “do berço ao túmulo” (cradle to grave) já que. HAMEL. em especial ao top management.

é uma transformação bem mais profunda. Além disso. quinto estágio: prevê reinventar conceitos. A partir desse estágio. 2007). agregar mais valor ao meio ambiente ao longo do uso e em seu posterior descarte. tomando uma posição realmente pró-ativa e realizando assim uma lista positiva. podem-se relacionar práticas de ecodesign de projeto verde. Partir da análise desses critérios. Parte-se então. para tanto. quarto estágio: buscar ciclos tecnológico e biológico mais salutares. Faz parte dessa busca um maior contato com grupos de pesquisa e. além de não serem prejudiciais ao meio ambiente. pondo em prática a lista positiva. ou em atingir aos índices estipulados pela legislação reguladora. segundo estágio: quando a empresa pode e faz questão de deixar claro aos clientes as propriedades e os processos envolvidos na produção de seus produtos. a saber: I. muitas vezes incentivados na sociedade de consumo e tomados como estratégia empresarial. 7 7 CARÍSIO DE PAULA. estabelecido na norma britânica BS 7750 e pela Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA). 2007 17 . terceiro estágio: é trabalhar na criação de uma lista das substâncias saudáveis a serem adotadas. ao longo do uso e no descarte de produtos (CARISIO DE PAULA. buscando incorporar esses objetivos com o menor custo ao desempenho do produto. Mudanças na forma de desenvolver e de produzir produtos podem ser influenciadas por restrições impostas por legislações ou certificações como a ISO 14000. V. no qual o processo de projeto trata atributos ambientais como objetivos e não restrições. Seguindo o pensamento “berço ao berço”. primeiro estágio: é a busca por um produto livre de substâncias reconhecidas pelo grande público como perigosas ou mesmo práticas mal vistas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 menos poluente. fazer produtos que. como no caso do conceito “berço ao berço”. III. a orientação é pensar em como um produto possa ser melhor. preconiza-se uma transformação real. As análises realizadas neste estágio podem envolver conceitos abordados pelo Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA). Curitiba. McDonough & Braungart. para guiar etapas de projeto e produção. IV. Nov. tudo associado à reflexão sobre a infraestrutura necessária ao uso do produto. faz-se necessária uma aproximação de pesquisadores e profissionais que atuem no desenvolvimento de produtos. para a implementação do consumo sustentável. sua vida útil ou sua funcionalidade. que limpem o ar ou fertilizem o solo. A Gestão e Sustentabilidade no Processo de Desenvolvimento de Produtos. menos prejudicial. II. relatam no livro Cradle to Cradle (2002) cinco estágios pelos quais passam as organizações que procuram atuar com responsabilidade ambiental. o qual envolve considerar o meio ambiente como fator decisivo desde a aquisição. porém a aplicação de um novo paradigma. a partir da sua experiência no trabalho com empresas. IX ENGEMA. a discussão sobre o uso responsável de recursos contraria a excessiva substituição de produtos e ciclos de vida cada vez mais curtos. contribuam para a sua melhoria durante e após sua vida útil.

1999: 10-11). pode ser compreendido como um passo inicial no sentido de mudanças de alcance muito maior. 1. o resultado final único irá cada vez mais refletir retornos ecológicos e sociais. repercute em pesquisas e trabalhos sobre ecologia industrial. A mudança para empresas e serviços financeiros pautados na sustentabilidade. Juntas. Julho de 2004. o trabalho recente sobre “capitalismo natural” amplia a ideia de ecoeficiência e ecologia industrial. com o objetivo de “redesenhar os sistemas industriais sobre linhas biológicas” para possibilitar a “reutilização constante de materiais em ciclos fechados contínuos e frequentemente a eliminação de toxicidade” (LOVINS et al. em países pobres e em 18 . A primeira estratégia. Sissel.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Capitalismo Natural (visão do The Natural Step) Ao longo da década de 1990. A terceira estratégia é estabelecer uma economia de serviço e fluxo através da criação de sistemas que assegurem que os bens circulem em vez de serem usados e descartados. Além disso. Na realidade. Argumenta-se a importância de se considerarem os custos e o retorno ambiental e social. Uma outra contribuição conceitual à área foi o desenvolvimento do termo “triple bottom line” (Elkington 1997). Fundamentalmente. Por exemplo. apresentando estratégias específicas para “reduzir o dano ambiental. Uma reavaliação dos negócios a partir de uma perspectiva sistêmica. o termo questiona o resultado final único (financeiro). todas as empresas produzem e são afetadas por impactos financeiros. dentro do contexto da teoria do Capitalismo natural. A segunda estratégia. essas estratégias oferecem um caminho a ser trilhado em direção à sustentabilidade. está totalmente alinhada com os objetivos da ecoeficiência. para se determinar o resultado final. esse conhecimento existe e está disponível. um trabalho fortemente focado no aumento da ecoeficiência. visando enfrentar os efeitos irreversíveis das mudanças climáticas. Instituto Ethos. todos esses fatores sempre afetaram as empresas. Na maior parte dos países desenvolvidos. restaure e expanda os estoques de capital natural” (Hawken et al. o Capitalismo natural requer quatro mudanças iterativas nas empresas e organizações da sociedade. Finalmente. ou seja. Portanto. porém. esses impactos ficam evidentes no dano à reputação que as empresas sofrem após violações de direitos humanos ou quando questões ambientais vêm à tona. a relevância dos conceitos de sustentabilidade para os negócios é evidente nos relatórios de grandes empresas consideradas responsáveis por milhões de dólares em custos para a limpeza de locais usados por fabricantes contratados que entraram com pedidos de falência (GEMI 2001). uma série de outras abordagens surgiu para tratar de vários níveis de planejamento dentro do contexto de mudança em direção à sustentabilidade. promover um “aumento radical na produtividade de recursos”. Fonte: WAAGE. SP. a quarta estratégia se refere ao reinvestimento em sistemas ecológicos de forma a assegurar que a sociedade “sustente. criar crescimento econômico e aumentar o emprego significativo” (LOVINS et al. explorar as possibilidades do biomimetismo. Contribuição da ciência Os últimos cinco anos foram pródigos em produzir recomendações e soluções de natureza adaptativa. Mais especificamente. 2000). juntamente com a contabilidade financeira padrão. mas sua efetividade depende do conhecimento acumulado e da existência de modelos estatísticos confiáveis e historicamente abrangentes de maneira a permitir uma atuação direta sobre seus efeitos. 2000). Dessa forma. ambientais e sociais em suas operações. De forma notável.5.

como a França e a Inglaterra. tardiamente. o clima era o principal indicador ambiental e orientava todas as etapas do ciclo agrícola) ostentam uma margem de vantagem expressiva para o sucesso de modelos adaptativos. Enquanto esperam. Se levar em conta apenas a propaganda. que. porque as modelagens climáticas acompanham apenas a variação da temperatura. Harvard. apesar de haver instituições de informação estatística reconhecidas internacionalmente. o quanto as chuvas poderão aumentar ou diminuir. ver-se-á que a maior parte das indústrias está direcionando seu foco para o estágio inicial da trajetória da sustentabilidade: a implementação dos 3R (reduzir. carece de informações básicas sobre seu clima. Por isso. por exemplo. 8 Formas de intervenção destinadas a reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental. a produção de informações e de dados sobre indicadores ambientais ou não existem ou são escassos e imprecisos. outro problema recorrente é o de as instituições brasileiras sofrerem interferência política que resulta em descontinuidade do trabalho de pesquisa. uma inovação radical tem o poder de mudar as bases da competição de um determinado mercado. “o País ainda está mais focado nos mecanismos de mitigação 8. ou ajudam. as trágicas consequências da seca de 2005 na Amazônia. as necessidades de investimento são muito altas. rompendo com os métodos e com as tecnologias já existentes. Fonte: CHRISTENSEN. mas não a precipitação. Inovação incremental é entendida como a melhoria ou a modernização de um produto. o tamanho e a diversidade biológica do País impedem uma replicação eficiente de modelos. que monitoram o comportamento do clima há centenas de anos (na Idade Média. e deixou 250 mil famílias sem água para beber (O Estado de São Paulo de 05/12/08. Já inovação radical é a invenção (criação) de alguma coisa nova no mundo. Nesse quesito. como exemplo. Cita. utiliza-se o termo disruptive technology. dado que. no curto prazo. próximo a Manaus. Suplemento especial Clima em Mudança). C. que matou cerca de 100 toneladas de peixe no Lago do Rei. é chegada a hora de mostrar concretamente os resultados da propalada eco-eficiência. que são fundamentais. Finalmente. se encontra melhor mapeada. tem o poder de alterar profundamente a cadeia de suprimentos ou de valor agregado. alguns países europeus. Mesmo a Amazônia. ou mesmo de um mercado inteiro. Segundo Paulo Moutinho. Um deles foi ter-se iniciado. Innovation Handbook: A road map to disruptive growth. por sua magnitude e visibilidade internacional. como o IBGE e o IPEA.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 desenvolvimento. para a maior parte das indústrias. serviço ou processo existente. recursos humanos e investimento em ciência e tecnologia. 19 . investindo pesadamente em pesquisa. 2005. Não se sabe. Strategy and Innovation Collection. M. aperfeiçoar os modelos estatísticos. Inovação A inovação pode ser classificada em dois tipos: incremental e radical. alguns fatores dificultam a produção confiável desses dados. Ela pode trazer uma melhor performance para empresa inovadora com uma sensível redução de custos em médio prazo. favorecendo o inovador. do IPAM. Além disso. a pesquisa básica associada a esses indicadores. que enfatiza o potencial que uma inovação radical tem de transformar um modelo de negócio existente de uma organização. reciclar). reutilizar. mas não sabe como vai lidar com os impactos de mudanças que são inevitáveis”. No caso brasileiro.

A maior parte dos produtos usados eram jogados fora com consideráveis danos ao ambiente. similares às que ocorrem no caso de devoluções internas de itens defeituosos gerados por processos produtivos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” 9 Logística Reversa é um termo bastante geral. em seu rol de associados. O Instituto foi criado após a instauração da Lei 9. mas participam das Assembléias Gerais sem direito a voto. Quais são os custos e benefícios da logística reversa. partes de produtos e materiais? 2. em vez de descartá-los. É possível integrar as atividades típicas da logística reversa com sistemas de distribuição e de produção clássicos? 5. agricultores. PRM lida com o cuidado dispensado aos produtos e aos materiais depois do seu uso. não pagam contribuição ao Instituto.fbk. A crescente consciência ambiental dos consumidores. ou seja.htm 20 . possuem direito a voto. A gestão dessas operações pode ser chamada de “Gestão de Recuperação de Produtos” (Product Recovery Management – PRM). O inpEV possui.974/00 que disciplina o recolhimento e a destinação final das embalagens dos produtos fitossanitários. a ênfase se voltou à recuperação. participação em cargos eletivos e nas Assembléias Gerais. Recentemente. 2. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001. devido a novas leis de gerenciamento de resíduos. partes de produtos e/ou materiais para garantir uma recuperação sustentável (e benéfica ao meio ambiente). Obs: integra o Ranking Benchmarking Ambiental de 2008 9 Fonte: www. Como essas atividades devem ser realizadas? 4. Quais as alternativas que estão disponíveis para recuperar produtos.nl/OZ/REVLOG/Introduction. representa a indústria fabricante de produtos fitossanitários em sua responsabilidade de conferir a correta destinação final às embalagens vazias desses produtos utilizados na agricultura brasileira. Hoje em dia. ou seja. Leis locais que forçam as empresas a receber de volta seus produtos e cuidar de seu tratamento. 3. consumidores e autoridades esperam que os fabricantes reduzam o lixo gerado por seus produtos. As principais razões para aderir à logística reversa são as seguintes: 1. do ponto de vista econômico e ambiental? Tradicionalmente. as empresas de manufatura não se sentiam responsáveis por seus produtos depois do uso pelos clientes.eur. canais de distribuição. a Logística Reversa se refere a todas as atividades logísticas de recolher. As empresas fabricantes são associadas como Sócios contribuintes. No entanto. A Logística Reversa lida com 05 questões básicas: 1. No sentido mais amplo. Logística Reversa significa o conjunto das operações relacionadas ao reuso de produtos e materiais. para trazer as embalagens vazias (a granel ou compactadas) armazenadas nas unidades de recebimento. Algumas dessas atividades são. desmontar e processar produtos usados. Isso aumentou a atenção com o gerenciamento de resíduos. O InpEV adota a Logística Reversa que consiste em disponibilizar o caminhão que leva os agrotóxicos (embalagens cheias) para os distribuidores e para as cooperativas do setor e que voltaria vazio. As entidades de classe são Sócios colaboradores. entrou em funcionamento em março de 2002. Instituto Nacional de Processamento de Embalagens O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) é uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos. pagam contribuição ao Instituto. 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as 7 principais entidades de classe do setor. Quem deve realizar as diversas atividades de recuperação? 3. indústria e poder público. devido aos altos custos e aos impactos ambientais do descarte. até certo ponto. Benefícios econômicos de usar produtos devolvidos no processo produtivo. A Lei divide responsabilidades a todos os agentes atuantes na produção agrícola do Brasil.

que tornava obrigatória a realização de Balanços Sociais periódicos para todas as empresas com mais de 700 funcionários. já que ambas são voluntárias e não mandatórias. ONG fundada por ele. conduzem a empresa a exercitar a análise mais aprofundada sobre seus recursos e objetivos.” De fato. Citam-se. por exemplo. a empresa. A primeira versão de um BS surgiu na França. Existem dois tipos de normas: aquelas que são publicadas por mecanismos oficiais de normatização. parte da estratégia das organizações. impossíveis de serem reunidos por pequenas empresas. praticamente todas as normas surgidas na última década tratavam do sistema gestão ambiental. entre as quais se destacam a ISO 14000 (meio ambiente). o processo gerou muita polêmica e pouco consenso. As primeiras foram a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). decidiu-se que a ISO 26000. o mais amplo e abrangente possível. precede a escolha das ferramentas de gestão e das rotinas e procedimentos operacionais. a BS 8800 (condições dignas de trabalho) e a BS 8855 (ambiental). finalmente. Em 12 de julho de 1977. com destaque para a SA 8000 (direitos sociais). a gestão em áreas como segurança e condição do trabalho. Muitas vezes. o BS se propôs a fornecer um selo para as empresas que o publicassem. e as geradas por pressão dos mercados. A NBR 16001 é bem realista em relação a sua influência. voltada à gestão ambiental. envolvendo cerca de 300 pessoas e 77 organizações. foi aprovada a Lei 77. porque envolve grande investimento financeiro.6. através do Ibase. em 1997. ao lado do tradicional balanço financeiro. liderada pela mais importante organização de padronização internacional – a International Organization for Standardization (ISO) –. Ocorre geralmente por pressão da concorrência e das empresas líderes. especificadamente a da Responsabilidade Social Empresarial. Além disso. Padrões e Certificações A normatização é um processo característico de grandes empresas. o das suas atividades na área social.000. trata-se mais de um sistema de gestão convencional e. cuja redação concluiu-se em 2008. Enquanto esse diagnóstico está sendo elaborado. Contudo. as empresas passaram pela fase de publicação do Balanço Social (BS). lançada. tímido se comparado com a ISO 14000. advertindo. a OHSAS 18001 (riscos/acidentes) e a AA 1000 (prestações de contas). Mais desafiante foi a elaboração da norma ISO 26000. Principais Diretrizes. até certo ponto. Por essa razão. o poder dessas normas em conduzir a empresa a um patamar elevado de conversão à sustentabilidade é questionável. logo no inicio do texto. durante o seu processo. a NBR 16001. Estando a um passo de ser. quando a empresa Singer divulgou. CEEMAS (ambiental). embora ainda não esteja oficialmente implementada. Devido à disseminação da convenção da sustentabilidade.769. porque. O primeiro passo do processo de normatização é a realização de um diagnóstico interno. Lançado por Betinho. a ISO 9000 (qualidade). que se caracterizou por ter elevado as normas a um patamar superior da boa administração e são. que “o atendimento aos requisitos da Norma não significa que a organização é socialmente responsável. mas que possui um sistema da gestão de responsabilidade social. pode-se dizer que as certificações ambientais se inserem na linha evolutiva dos processos de gestão da qualidade total. organizacional e humano. o Balanço Social foi um marco. seus dirigentes e seu corpo funcional se engajam num processo reflexivo de autoconhecimento. e a norma ISO 26. após quatro anos de trabalho intenso. ainda. em especial as mais recentes. também. Destinada a contemplar todos os aspectos associados à responsabilidade social.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 1. cujo resultado pode levar a uma alteração profunda da missão e das estratégias da empresa. No Brasil. compradoras ou contratantes de serviços. em 1972. ao contrário 21 . lançada em dezembro de 2004. Antes disso. o País foi pioneiro no lançamento de normas técnicas de Responsabilidade Social.

a parceria com organizações da sociedade civil é pré-condição para conquistar o selo. o Dow Jones Sustainability Index é um índice que monitora o desempenho financeiro de empresas consideradas líderes em sustentabilidade. o segmento de investidores que inclui responsabilidade social entre os itens considerados na hora de investir aumentou em torno de 180%. passando de 4 para 8. Itaúsa. comparabilidade e consistência. São elas: Votorantin Papel e Celulose. podem ser usados para sempre pelas empresas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 da 9000 e da 14000. Bradesco. à semelhança de tantos outros. não perderam o selo. 22 . periodicidade e legitimidade da informação. De acordo com pesquisa da instituição. não seria uma norma de certificação. tem o maior número de empresas signatárias do Pacto Global. Dos países do chamado BRICS12. cujo modelo de relatório de sustentabilidade ganhou tamanha visibilidade e credibilidade que sua eficácia está acima das normas certificáveis e dos padrões gerados no âmbito da competitividade inter-firmas. Assim. que destacaram-se no cenário mundial pelo rápido crescimento das suas economias em desenvolvimento. atualmente. Aracruz e Cemig. Entre os indicadores disponíveis. Desde setembro de 2008. que está na terceira geração (ver BOX 05). entre 2003-2005. e alterna o terceiro lugar com Índia. empresas que. o GRI busca elevar o nível dos relatórios sobre o desenvolvimento sustentável realizados por empresas ao mesmo patamar de credibilidade. Petrobras. Lançado em 1999. A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental Entre as mudanças mais significativas assumidas pelas grandes corporações. credibilidade. Outra crítica muito frequente no meio empresarial é a de que a maior parte dos selos e certificações na área social e ambiental no Brasil não tem prazo de validade. o mais adotado por empresas de todo o mundo. inclusive. mas um conjunto de diretrizes e recomendações. Usiminas. destaca-se o Global Reporting Initiative (GRI). sem que seja necessário se submeter a um processo de avaliação externa para sua renovação. O Brasil está entre os quatro países com mais certificações na norma SA 8000 no mundo. Integrar o DJSI só traz vantagens para a empresa. mantidas na nona revisão anual do índice. Existem. Itaú. Tendo por objetivo equiparar os relatórios de sustentabilidade aos financeiros. a metodologia adotada no acompanhamento das diretrizes e dos indicadores permite comparabilidade. É a mais bem sucedida dentre essas iniciativas voluntárias autoaplicáveis. 13 Principles for Responsible Investments – iniciativa da ONU que estabelece princípios que norteiam a incorporação de critérios sociais e ambientais nas decisões de investimento. econômico e social das empresas.10 No caso da SA 8000. após Itália e China. Índia e China. Fundos que gerenciam mais de quatro trilhões de dólares também são signatários dos Princípios de Investimentos Responsáveis13 da ONU. uma vez conquistados. destacam-se os relatórios de sustentabilidade e a produção de indicadores e sistemas de avaliação. dobrou o número de empresas brasileiras citadas no Dow Jones Sustainability Index (DJSI)11. da ONU. além do mais. mesmo tendo sido vendidas e alterado seu sistema de gestão. Atualmente. mais de 1000 empresas. nem sistema de verificação. Rússia. 12 É uma sigla que se refere a Brasil. O ingresso no DJSI tende a facilitar o acesso da Companhia a esses investidores. ver páginas 43 e 44 desta Apostila. sendo 60 delas brasileiras. produzem seus relatórios com base no modelo GRI. 10 11 Sobre o Pacto Global. o Brasil é o único que tem empresa listada no DJSI. Criado para estabelecer uma base comum para os relatórios voluntários sobre o desempenho ambiental.

O documento divide-se em cinco partes: Introdução: tendências que motivam os relatórios de sustentabilidade e os benefícios gerados. social e ambiental. permitindo às organizações a apresentação geral de seu desempenho econômico. lançará diretrizes nacionais. agências da ONU. ONGs. Propicia a comparação com o mercado. firmas de auditoria e consultoria. Parte A – utilizando as Diretrizes: instruções gerais sobre o uso das Diretrizes. Seu objetivo é elevar a qualidade dos relatórios a um nível passível de comparação. Parte D – glossário e anexos: orientações e recursos adicionais para usar as Diretrizes. Parte C – conteúdo do relatório: conteúdo e compilação de um relatório. entre outras.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 BOX 05: GRI – GLOBAL REPORTING INITIATIVE O que é É a iniciativa que marca a primeira vontade em escala mundial de chegar a um consenso a respeito de uma série de diretrizes de comunicação sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas. cuja missão é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Metais e Mineração. de trabalhadores. cuja principal proposta é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes e incorporar numerosos indicadores de sustentabilidade para a elaboração de relatórios de sustentabilidade (Sustainability Reporting Guidelines). Origem Ferramenta criada pela Global Reporting Initiative (GRI). Automotivas. A GRI encoraja as empresas a: • reportar o processo de implementação dos princípios. organização internacional com sede em Amsterdã. Além das diretrizes globais. já que estabelece padrões (indicadores) e ainda serve como uma plataforma para facilitar o diálogo e o engajamento de stakeholders. • reportar se os objetivos foram ou não atingidos. religiosos. instituição não governamental americana composta por organizações ambientais. Operadoras de Turismo. • estabelecer metas. organizações trabalhistas. • identificar as melhorias alcançadas nos diversos aspectos. O modelo proposto pela organização determina princípios e estrutura um modelo para relatar. A ideia de estabelecer um padrão global para relatórios não exclusivamente financeiros surgiu em 1997. e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Agências Públicas. Conteúdo A estrutura e o conteúdo são constantemente revisados e atualizados por meio de um processo participativo envolvendo diferentes setores da sociedade mundial. na terceira versão. lançada em outubro de 2006 e já traduzida para o português. • avaliar internamente a consistência entre a política de sustentabilidade corporativa e sua efetiva realização. consistência e utilidade. a partir de uma parceria entre a Coalition for Environmentally Responsible Economy (CERES). ativistas de direitos humanos. Telecomunicações. social e ambiental. profissionais de investimento socialmente responsável e investidores institucionais. As diretrizes se encontram. Objetivo A GRI busca estabelecer um padrão internacional de relatório econômico. entre outras) e. Parte B – princípios para a Elaboração de Relatórios – princípios e procedimentos que promovem o rigor dos relatórios e que norteiam o uso das Diretrizes. A primeira versão das Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade data de 2000 e foi construída dentro de um processo de engajamento voluntário de diversas partes interessadas: representantes do setor empresarial. a G3. no futuro. tornando-se um processo internacional. 23 . na Holanda. investidores institucionais. hoje. a GRI desenvolve diretrizes setoriais (Financeiro.

A escolha dos indicadores depende das características e prioridades de cada organização e de suas partes interessadas. para prestação de contas econômico. B. Equilíbrio . Há uma versão para pequenas e médias empresas. Os 10 relatórios brasileiros 24 . clareza. C+). Os princípios para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade são os que seguem: materialidade. Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade A pesquisa realizada pela SustainAbility. subdivididos em categorias. aspectos. C. Abrangência .As informações apresentadas no relatório precisam ser comparáveis para permitir que os stakeholders avaliem as mudanças ocorridas ao longo do tempo e comparativamente à outras organizações. periodicidade. B+. Para cada um dos níveis. abrangência. sociais e ambientais mais significativos para do setor.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 A GRI propõe um conjunto de indicadores organizados nas dimensões econômica. ambiental e social. Precisão . A pontuação dos relatórios na pesquisa variou desde a máxima de 54% (Natura) até a mínima de 35% (Banco Itaú). Passo-a-passo As organizações podem utilizar as Diretrizes como referência informal. Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e PNUMA. precisão. confiabilidade. não tendo fins de verificação. A GRI entende que a elaboração de um quadro de referência.O relatório precisa trazer aspectos positivos e negativos da performance da organização de forma balanceada. na qual a pontuação máxima foi de 80% (British Telecom) e a mínima de 39% (Telus). O sinal “+” indica que o relatório passou por um processo de verificação externa. qualquer que seja o seu nível de experiência na matéria. A+. Periodicidade . e em indicadores quantitativos ou qualitativos. contexto da sustentabilidade. Essa análise da GRI se atém apenas aos itens de divulgação. inclusão dos stakeholders. sociais e ambientais mais significativos do período de cobertura do relatório.As questões materiais e indicadores devem refletir os impactos econômicos. ainda. ficando a média em 57%.As informações do relatório precisam cobrir temas e indicadores que reflitam os impactos econômicos.A publicação do relatório deve ocorrer com regularidade e de forma que permita a avaliação dos stakeholders para tomadas de decisão. social e ambiental constitui um trabalho de longo prazo.As informações apresentadas no relatório precisam ser claras e compreensíveis por todos os stakeholders. equilíbrio. comparabilidade.O relatório precisa identificar os principais stakeholders e explicar como a empresa procedeu frente às suas expectativas e interesses.As informações apresentadas no relatório precisam ser rastreáveis e relevantes frente às questões materiais. serem consideradas em três níveis de adesão ao modelo GRI (A. e não ao conteúdo do relatório. Contexto da sustentabilidade . além daquele que informa que o relatório foi examinado pela própria GRI. Confiabilidade . Cada uma dessas categorias possui uma série de requisitos a serem atendidos. Inclusão dos stakeholders . Clareza . ordenou dez relatórios de sustentabilidade de empresas brasileiras. Comparabilidade . Entendendo os Princípios Materialidade . utilizando uma metodologia de pontuação padronizada. A classificação em cada um dos Níveis de Aplicação é feita por autoavaliação. a GRI criou um ícone a ser inserido no relatório.O relatório precisa apresentar a performance da empresa frente ao contexto de sustentabilidade. com média de 47%.As informações do relatório precisam ser precisas e suficientemente detalhadas para que os stakeholders possam devidamente avaliar a performance da empresa. de maneira progressiva ou. Tais resultados podem ser comparados aos da pesquisa global de 2006.

a manifestação das partes interessadas. 14 SustainAbility. Global Reporters.utilização da mídia on-line ou demais ferramentas de comunicação para aperfeiçoar e aprofundar o conteúdo dos relatórios impressos. Coelce. conteúdo equilibrado . As parcerias. a visão da sociedade sobre o papel e as responsabilidades do empresariado também muda.metas específicas.métodos utilizados para identificar e priorizar questões materiais. Entre as falhas encontradas. podemos afirmar que o surgimento de novas convenções (desenvolvimento sustentável e responsabilidade social empresarial) muda o padrão de concorrência. Celulose Irani e Banco Itaú. Sabesp. e a adoção de novas atitudes impactam diretamente a cultura corporativa. demonstrando como a sustentabilidade permeia os negócios. Entre as principais conclusões. Suzano Petroquímica.liderança do Conselho de Administração e estruturas de governança para cumprir as metas da sustentabilidade. Bunge. Ampla. PNUMA Rumo à Credibilidade. cabe destacar a ausência de: governança . FBDS. abrindo caminho para o diálogo entre stakeholders. Banco Real. 14 Revisão do conteúdo A Unidade 1 tratou principalmente do contexto histórico que articula os dois fenômenos. Energias do Brasil.abordagem de desafios e falhas. Com isso. a transparência nas informações. tais como especialistas. expondo as notícias ruins ou problemáticas em conjunto com as boas. dos fatores impulsionadores deste movimento no mundo e no Brasil. obrigando as empresas a se adaptarem. utilização dos websites . e ofereceu elementos para você avaliar o estágio em que se encontra sua organização neste processo. comunidades e ONGs. de modo a auxiliar a focar os relatórios nos assuntos prioritários. mensuráveis e comparáveis (no lugar de declarações de intenções apenas). em particular. definindo novas estratégias comerciais e buscando adquirir competência na gestão socioambiental. Questões para refletir/responder:    O que caracteriza o desenvolvimento sustentável? O que é eco-eficiência? Quais as vantagens da certificação? Atividades: Selecione uma empresa que possui política de responsabilidade socioambiental e avalie se suas práticas estão de acordo com os princípios da eco-eficiência e da responsabilidade social. engajamento das partes interessadas (stakeholders) . e com os passos recomendados pelo GRI (Global Reporting Initiative).Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 que estão na liderança são por ordem decrescente: Natura. metas . 2008 25 . materialidade . Os documentos analisados na pesquisa Rumo à Credibilidade indicam a necessidade de aprofundar o valor estratégico dos relatórios.

por centenas de empresas brasileiras. como Governança Corporativa. Ao final da leitura. Criado em 1998. Segundo esse Instituto.br. o termo "responsabilidade social" pressupõe uma forma de conduzir os 15 Em mensagem disponibilizada no site. Cabe agora às empresas aprofundarem suas experiências nessa área e melhorarem. o campo institucional no qual se movimenta o setor privado cresceu e tornou-se enormemente complexo ao incorporar a visão da Responsabilidade Social Empresarial. em 2010. sejam atores de mudança social. consultorias e institutos que promovem a responsabilidade social corporativa no Brasil. você conhecerá as principais instituições e suas idéias. institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas com a questão. O trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) na promoção do Balanço Social (BS) constituiu-se em uma de suas expressões e alcançou grande repercussão. A sociedade brasileira espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma nova cultura. Após 13 anos buscando a transparência das empresas por meio do balanço social. sob o argumento de que seu uso já está suficientemente disseminado. sejam construtores de uma sociedade melhor. explicando sua relação com o desenvolvimento sustentável. entendemos que esta ferramenta e esta metodologia já se encontram amplamente difundidas entre empresas. Ao lado do espantoso crescimento das parcerias entre empresas e ONGs. trataremos do contexto que gerou o movimento da RSE.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Unidade 2 A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos Nesta Unidade. avaliamos que a nossa missão foi cumprida – e com êxito. e estará apto a definir conceitos.org. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Numérica e qualitativamente. e entender as vantagens para a empresa quando adota práticas responsáveis. com destaque para o Instituto Ethos de Responsabilidade Social e o Protocolo de Quioto. no Brasil e no mundo. Acessado em 23-08-2010. tendo sido cancelado pela própria entidade.balancosocial. continuamente. exclusivamente. No Brasil. o Instituto Ethos de Responsabilidade Social foi um ótimo sinalizador dessa tendência por seu pioneirismo e pela legitimidade conquistada ao longo de uma década de atuação. indicando como fazer. o IBASE anuncia o fim do modelo de Balanço Social: “A partir de 2010 o Ibase não mais atualizará seu modelo de Balanço Social.1. Fonte:www. por meio da ação de entidades não governamentais. 2. 26 . também é outro símbolo dos avanços que têm sido obtidos em alguns aspectos importantes da responsabilidade social empresarial. seus indicadores”. Praticamente todas as empresas brasileiras já realizam algum tipo de balanço ou relatório social anualmente. apresentaremos as instituições que nasceram com o objetivo de orientar as empresas a adotarem uma atitude mais responsável perante a sociedade. Neste sentido. proliferaram as fundações. As enormes carências e desigualdades sociais existentes no País dão à responsabilidade social empresarial relevância ainda maior. 15 A obtenção de certificados de padrão de qualidade e de adequação ambiental. O modelo de BS do IBASE foi o mais utilizado pelas empresas até recentemente. o movimento de valorização da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ganhou forte impulso na década de 90. a intermediar a relação entre o empresariado e os demais grupos sociais. como as normas ISO. os institutos criados e geridos pelas grandes empresas e as entidades que representavam interesses setoriais voltadas.

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

negócios da empresa em parceira, compartilhando responsabilidades com todos os segmentos sociais. Sendo uma instituição sem fins lucrativos, o Ethos visa mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, de maneira a contribuir para a construção de uma sociedade ambientalmente mais sustentável e economicamente justa. Na concepção do Ethos, RSE é “a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais” e a empresa socialmente responsável será aquela que “possui a capacidade de ouvir os interesses de representantes das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e consegue incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.” (site Ethos, 2010) A atual geração de executivos deve estar capacitada a lidar com todo tipo de stakeholder,16 e familiarizada com conceitos, até recentemente restritos ao mundo das entidades do chamado Terceiro Setor. Para apoiar essas novas atribuições, são criadas metodologias e ferramentas de gestão social. No relatório de 2005, o Ethos reconhece a existência de diversas novas organizações e ferramentas correlatas, tais como o GRI, a SA 8000, da ONG Accountability, além de declarar sua adesão a diretrizes do Pacto Global, lançado pela ONU, e aos Objetivos do Milênio.

BOX 06: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização não governamental criada com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus 1124 associados – empresas de diferentes setores e portes – têm faturamento anual correspondente a cerca de 30% do PIB brasileiro e empregam perto de 01 milhão de pessoas, tendo como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente. Idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa. É hoje uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo. O Instituto atua em cinco áreas: 1. de ampliação do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE); 2. de aprofundamento de práticas em RSE; 3. de influência sobre mercados e seus atores mais importantes no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RSE; 4. de articulação do movimento de RSE com políticas públicas;

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Um stakeholder é qualquer pessoa que tenha interesse no que a companhia faz, independentemente de estar diretamente vinculado a ela; stakeholder é também qualquer pessoa que influencie, direta ou indiretamente, a Companhia, ou que possa vir a afetar suas operações. Na concepção moderna, considera-se como potenciais stakeholders todas as pessoas que habitam, trabalham, atuam institucionalmente, ou tenham propriedades, na área de influência do empreendimento, embora seja possível diferenciar os chamados stakeholders primários (mais influentes) dos secundários. Quanto maior a presença geográfica e econômica da empresa, maior o número de pessoas que podem, legitimamente, reivindicar a posição de stakeholder, estendendo-se, por conseguinte, a responsabilidade da empresa a eles.

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5. de produção de informação sobre RSE. Os Indicadores Ethos - compõem um instrumento de diagnóstico sobre a situação específica da empresa, indicando o grau de efetivação da responsabilidade social em suas atividades. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de gestão e de planejamento que indica prospectivamente – a partir da situação da empresa – políticas e ações voltadas para o aprofundamento de seus compromissos sociais. Os indicadores referem-se aos seguintes temas: Valores e Transparência; Comunidade Interna; Meio Ambiente; Fornecedores; Consumidores; Comunidade; Governo e Sociedade.
Fonte: Instituto Ethos. Sítio na Internet. Acessado em 02.08.2010

2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor
Na Holanda e no Canadá, países com os índices mundialmente mais baixos de poluição ambiental, pesquisas realizadas no início da década de 90 apontavam que os principais agentes impulsionadores da adoção da gestão ambiental foram, em primeiro lugar, as regulações governamentais e, secundariamente, a vontade dos consumidores. As organizações ambientalistas não exerciam, ainda, influência decisiva como fonte de pressão. As mesmas pesquisas levantaram as percepções dos agentes para a segunda metade da década. Concluíram, então, que as tendências apontavam para a generalização e o aprofundamento da gestão ambiental, mas indicavam, também, a progressiva pressão que as ONGs viriam a exercer. Ao apontar uma gama diferenciada de potenciais riscos ambientais, essas organizações contribuiriam para tornar complexo o Plano de Gestão Ambiental e forçar medidas mais avançadas por parte das empresas. No Brasil, sua influência não tem sido menor. Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Ethos com mais de mil consumidores, o apoio a projetos comunitários e a entidades sem fins lucrativos foi apontado como um importante requisito na avaliação da empresa: 59% dos entrevistados acreditavam que essas práticas são referência de comportamento empresarial ético. Esses resultados demonstraram que o bom desempenho da política de comunicação social da empresa seria um fator essencial na manutenção de posição competitiva. Atender às expectativas da sociedade não era considerado parte da responsabilidade da empresa até o momento em que as ONGs começaram a pressionar por mudanças mais profundas. Hoje, esse relacionamento está mais maduro: as ONGs são encaradas pelo setor produtivo com mais seriedade, sua função social é respeitada e suas habilidades específicas são reconhecidas. Por conseguinte, observa-se uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização de um discurso anticorporativo por parte das organizações do Terceiro Setor. As empresas respondem definindo metas para a redução de emissões, criando departamentos especialmente voltados ao meio ambiente e as relações corporativas, apoiando diretamente as ONGs, e até criando suas próprias organizações sem fins lucrativos e fundações, destinadas a gerenciar seus investimentos em projetos sociais. Os primeiros embates travados com as ONGs dirigiram-se às multinacionais que operavam em regiões economicamente pobres mas ricas em fontes energéticas e em biodiversidade. A poderosa organização não governamental Greenpeace foi uma das pioneiras. Fundada em 1971, no Canadá, a entidade notabilizou-se por organizar duras campanhas contra as multinacionais responsáveis por danos ambientais. Seu estatuto proíbe receber doação de empresas ou Governos, e sua arma é a denúncia pública e a mobilização popular através da panfletagem, realizada por um exército de 3 milhões de voluntários, espalhados por 29 países.

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O Greenpeace instalou-se no Brasil por ocasião da Conferência do Rio, em 1992, e seu primeiro ato foi fincar 800 cruzes brancas em frente à Usina de Angra I. A entidade atua, principalmente, em defesa da Floresta Amazônica e na campanha contra o programa nuclear brasileiro. A experiência adquirida ao longo da última década levou a entidade a propor, em 2002, o que chamou de Princípios de Bhopal sobre Responsabilidade Corporativa. Trata-se de um conjunto de dez princípios sugerindo medidas que leve as empresas a agirem com mais responsabilidade, segundo os acordos firmados durante a Conferência realizada no Rio de Janeiro. Na visão do Greenpeace, as iniciativas voluntárias das empresas no que respeita ao desenvolvimento sustentável, como a Global Reporting Initiative (GRI),* entidade sem fins lucrativos que reúne sugestões para aperfeiçoar os relatórios de sustentabilidade ambiental das empresas, as diretrizes da Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) e o Global Compact – iniciativa do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, visando à adesão voluntária das empresas a nove princípios relacionados aos direitos humanos e ao meio ambiente –, demonstraram ser insuficientes e ineficazes. A entidade defende a criação de instrumentos legais de controle de âmbito internacional, definindo direitos e deveres das corporações, e os respectivos monitoramento e verificação dos comportamentos corporativos (ver Box 07). Caberia às empresas arcar com todos os custos de compensação por danos e disponibilizar todas as informações aos interessados. BOX 07: Greenpeace – Princípios de Bophal e Responsabilidade Social Corporativa. Princípio n. 2: ampliar a responsabilidade corporativa. As corporações devem ser responsabilizadas independente de culpa por todo e qualquer dano advindo de quaisquer de suas atividades que causem danos ao meio-ambiente, a propriedades ou pessoas, incluindo remediação do local atingido. As matrizes, bem como as subsidiárias e empresas locais afiliadas, devem ser responsáveis pela compensação e pela restituição. A responsabilidade das corporações por seus produtos deve se estender por todo o ciclo de vida do produto, desde a produção até a disposição final. Os Estados devem responsabilizar diretores e representantes das corporações, enquanto pessoa física, pelas ações ou omissões das empresas que representam, incluindo as ocorridas nas subsidiárias. (Greenpeace, 2003)

2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo?
Com esse título provocativo, David Korten escreveu um dos mais contundentes manifestos contra o crescente poder das multinacionais, no qual questiona se “Podem as grandes corporações liderar a mudança no padrão de desenvolvimento econômico hegemônico em direção ao desenvolvimento sustentável? Podem intervir no rumo das políticas de sustentabilidade ambiental em escala nacional e internacional?” Ao longo do processo de consolidação da gestão ambiental, cresceu e ganhou projeção internacional uma vertente do pensamento empresarial preocupada em compreender a relação entre Meio Ambiente e Desenvolvimento, vertente a que se denominou de ambientalismo empresarial. Segundo seus adeptos, essa relação deve desenvolver-se de forma lenta e gradual, viabilizada através de instrumentos econômicos e políticos convencionais de maneira a não perturbar, abruptamente, o funcionamento do mercado. A Economia Ambiental, de base neoclássica, se insere nessa perspectiva. Apesar de as origens do ambientalismo empresarial ocidental remontarem há mais de duas décadas e de suas concepções básicas terem sido construídas a partir da Conferência de Estocolmo, de 1972, o 29

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seu marco histórico ocorreu durante a preparação da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Essa conferência representou a culminância de um processo de discussão, registrando incontáveis manifestações a favor da sustentabilidade ambiental, partindo das mais diversas áreas de conhecimento, seja na forma de publicações acadêmicas, seja em material de cunho mais panfletário e político. A partir daí, soaram mais fortemente os alarmes anunciando o estado terminal de um modelo de desenvolvimento que cresceu em choque com a dinâmica da natureza. A rápida disseminação dos resultados da Eco-92 gerou uma inquietação generalizada ao redor do mundo, forçando o setor produtivo a dar uma resposta consistente ao problema, em grande medida, por ele criado. Resultou desse processo a internacionalização do Business Council for Sustainable Development (BCSD), ao qual foi acrescentado o adjetivo World (“mundial”). Desde então, o WBCSD destacou-se como a mais representativa entidade empresarial dedicada à causa do desenvolvimento sustentável baseado na eco-eficiência. Atualmente, a organização é uma coalizão de 165 empresas de presença internacional, distribuídas entre vinte setores econômicos e está presente em mais de 30 países, além de uma rede formada por 43 conselhos nacionais ou regionais, espalhados por 39 países. No Brasil, a adesão do empresariado nacional à eco-eficiência começou alguns anos mais tarde, tendo sido impulsionada pela criação, em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentával (CEBDS), representação brasileira do WBCSD. A entidade representa 60 grandes grupos empresariais, que respondem por mais de 30% do PIB nacional e que representam aproximadamente 450 unidades produtivas das mais variadas atividades produtivas. À época, as ideias do BCSD e de seu fundador, Stephan Schmidheiny, foram apresentadas no livro sugestivamente intitulado, Mudando o Rumo (Changing Course). Essa publicação foi considerada um marco na história empresarial, pois representou a primeira resposta consistente e unificada da comunidade de negócios à causa ambiental. Nele, o autor apresentou um projeto de transformação econômica global no qual as empresas são os protagonistas e o mercado, o seu sinalizador. Apontou as competências que o setor privado possuía para gerenciar essa mudança, mas, praticamente, colocou em polos opostos empresa e Governo, o que contrariava interpretações que defendiam enfaticamente relações sinérgicas entre esses atores. Quatro anos depois, em 1996, Schmidheiny lançou um novo livro – Financing Changei/. – em parceria com Frederico Zorraquin. Dirigido a um outro momento, a meta, então, era atrair a comunidade financeira para o modelo de desenvolvimento sustentável, sob o argumento de que, até o momento, apenas as grandes corporações industriais teriam atingindo a maturidade no tocante à questão ambiental, enquanto as pequenas e as médias empresas e, principalmente, os bancos, estariam no estágio inicial de debate da questão. Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global. Sendo causado pela intensificação do efeito estufa, provoca o derretimento das geleiras, aumenta o nível do mar e a desertificação, alterando o suprimento de água doce e agravando os eventos climáticos extremos. Essa intensificação, por sua vez, ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, tais como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), oriundos, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral), lixões, aterros sanitários, processos industriais e atividades agropastoris. Na busca de soluções para a questão climática, foi criada, na Rio-92, a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), com o objetivo principal de estabelecer ações que

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convém destacar a COP 03. 31 . embora grandes poluidores. Esses encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). funcionários e. Além das ações de caráter nacional. devem comprometer-se a reduzir suas emissões. como Brasil. em média. participam do acordo. Implementação Conjunta. que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. Contudo. Além disso. equidade e responsabilidade ou prestação de contas (accountability). em níveis adequados para o clima do Planeta. Dos encontros já realizados. que estabeleceu metas de redução de emissão de GEE para os países que. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). a saber: Comércio de Emissões. O Protocolo de Quioto estabelecera que as metas deveriam ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitassem diretamente as emissões. quando 17 O chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto é composto pelos países ricos que são obrigados a reduzir suas emissões. três princípios a norteiam: transparência. todas as relações econômicas entre esses sócios e suas empresas e a forma como esses sócios administram as suas empresas. entre 07 e 18 de dezembro de 2009. a 15ª edição. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE.o que significa que todos os países têm responsabilidade no combate ao aquecimento global. não registrou nenhum avanço em direção às metas estabelecidas em Quioto. Governança Corporativa O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define Governança Corporativa como “as práticas e os relacionamentos entre os Acionistas/Cotistas. não ratificaram o Protocolo. Japão.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. Diretoria. exige o respeito aos direitos legais e morais dos acionistas minoritários por parte dos Diretores e dos acionistas controladores das empresas. produzindo uma redução. Durante a conferência do Rio. chamadas de mecanismos de flexibilização. Entre os mecanismos de flexibilização.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. Auditoria Independente e Conselho Fiscal. O conceito básico acertado para Kyoto é o da ''responsabilidade comum. realizada em Copenhagen. os EUA. quando foi lançado o Protocolo de Quioto. no Protocolo. historicamente. de 5.” A existência de um sistema de Governança Corporativa permite aos acionistas ou cotistas o governo de sua empresa e o efetivo monitoramento da direção executiva. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. entre outros motivos porque o principal poluidor. em 1997. em função do seu nível de industrialização (denominados. A Governança Corporativa engloba todas as relações econômicas entre sócios de uma mesma empresa. Conselho de Administração. os países industrializados). China e Índia. o mais importante para o Brasil é o MDL. denominadas “créditos de carbono”. como Partes Anexo I) 17. a fim de maximizar o valor da empresa para todos. com a finalidade de otimizar o desempenho da empresa e facilitar o acesso ao capital. mas não são obrigados a reduzir emissões. porém aqueles que mais contribuíram historicamente para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja. porém diferenciada'' . ficou estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. faz-se necessária a existência de um código de ética a ser seguido pelos Conselheiros de administração. Para a prática de uma boa governança corporativa. Diretores executivos. ocorrida em Quioto. Essas metas deveriam ser atingidas entre 2008 e 2012. os países afetados pelo Protocolo poderiam utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. Países em desenvolvimento.

funcionários. o conselho de administração. tecnologias limpas. ou seja. fazendo com que funcionários de níveis diferentes trabalhassem por uma mesma causa: o bem da humanidade. as famílias foram afastadas da administração direta das empresas. Governo. Parcerias Valiosas Ao adotar uma política de responsabilidade social. a oportunidade de exploração de novos mercados: atividades que aliam lucratividade e benefícios para o meioambiente. como a agricultura e a pecuária orgânicas. a diretoria. O culto ao corpo e a preocupação com uma vida mais saudável estiveram presentes na ideologia dos anos 90. como forma de desenvolver vantagem competitiva. programas de treinamento e capacitação registraram ganhos significativos em produtividade proporcionados pela motivação das equipes em todos os níveis da empresa. As empresas que mudaram a sua gestão tradicional para uma baseada em valores socialmente responsáveis adotando políticas internas. Algumas pesquisas também têm detectado nas pessoas uma grande vontade de cooperar de alguma forma para a melhoria das condições de vida dos seus semelhantes. isto é. Surge. ONGs. Vantagens da Sustentabilidade Corporativa Imagem como Vantagem Competitiva Como decorrência dos fenômenos da globalização. escolas. mas obrigação. As empresas viram-se compelidas a mudar suas estratégias de negócios. se qualidade e preço são praticamente iguais. bom preço e qualidade já não são diferenciais. o consumidor exige cada vez mais produtos diferenciados. negócios florestais. a empresa passa a se preocupar não somente com os interesses dos seus acionistas. quando houver. gerando valor. É importante que eles passem não só a ser consultados.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 houver. Aumento de produtividade Uma ação socioambientalmente correta pode ser uma poderosa ferramenta de gestão. política de participação nos lucros. da revolução tecnológica e da informação. e o Conselho de administração colocado entre a propriedade e a gestão com uma ação ativa e independente. consumidores. o conselho fiscal. Os agentes da governança corporativa são os acionistas. mas também a serem vistos como parceiros potenciais. energia renovável. Dados de pesquisas desenvolvidas no exterior e no Brasil demonstraram que o consumidor passou a se preocupar mais e mais com a imagem da empresa que está por trás dos produtos que ele compra. “vou comprar um produto que me faça bem ou à comunidade que me cerca”. o auditor independente e. O consumo consciente de produtos que direta ou indiretamente trazem benefícios socioambientais para as comunidades é uma maneira de suprir essa demanda. 32 . Expansão de Mercados Ainda dentro dessa linha de pensamento. Resumindo. fornecedores etc. Os produtos sustentáveis ou ambientalmente amigáveis são diferentes e têm um charme adicional por representarem uma opção saudável e politicamente correta. então. incorporando padrões socioambientais. Com a profissionalização da gestão imposta pela globalização. os acionistas geralmente são os gestores. os produtos ganharam em qualidade. mas também com os dos seus stakeholders – os diversos grupos que podem ter algum interesse direto ou indireto nos seus negócios. O bom relacionamento com os stakeholders permite a identificação e a antecipação de oportunidades além de garantir a reputação e a boa imagem para a empresa. como: incentivo ao trabalho voluntário. As práticas de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável conseguiram criar um senso de união em torno de um mesmo ideal. e os preços são cada vez mais competitivos. confundindo em sua pessoa a propriedade e a gestão. Conselheiros fiscais. Nas empresas privadas e familiares. associações.

csrinternational. Redução de custos Um conceito muito em voga atualmente e já mencionado no capítulo 1.0 chama-se Wayne Visser. que representam capital intelectual. . indenizações e gerando uma economia que pode chegar a bilhões de dólares. As pressões. 10 e até 100 vezes. Professor da Universidade de Cambridge.Mudar para um modelo de negócios baseado em soluções. Esse conceito está baseado em quatro mudanças nas práticas dos negócios atuais: . e os consumidores têm cada vez mais consciência ambiental. O objetivo desta seção é refletir sobre o novo papel da RSE no dia a dia das empresas. a década se inicia tendo à frente um novo desafio: buscar formas de adaptação às mudanças provocadas pelos eventos climáticos. parece modesta diante dos desafios que se apresentam.4. Consiste em sustentar e expandir os ecossistemas para que eles possam produzir os serviços vitais para a sobrevivência da comunidade (é importante ressaltar que não se conhecem substitutos a nenhum preço e não se pode viver sem eles).Mudar para modelos de produção “biologically inspired”. tal qual vem sendo praticada. gastando menos. 2000). . que defende a ideia de que uma estratégia de negócios construída com base no uso mais produtivo dos recursos naturais pode resolver muitos dos problemas ambientais e maximizar os lucros. 2. que precisa mudar para se adaptar às novas demandas e desafios. . Essas duas práticas conseguem aumentar a produtividade em 5. majoram-se os custos para quem destrói os ecossistemas. O valor passa a não estar mais no produto em si. e fundador da entidade “CSR International”. Um dos idealizadores da versão que vem sendo denominada Responsabilidade Social Empresarial 2. utilidade e performance. a empresa vende serviços – iluminação em vez de lâmpadas.Reinvestir em capital natural.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Esse diálogo também permite a identificação e a prevenção de conflitos antes mesmo que eles ocorram e a mitigação de riscos. boicotes. Os modelos tradicionais têm como fim a venda dos produtos. o que reforça o caráter não estático dessa estratégia. Nesse novo modelo. Como já era anunciada pelos mais renomados cientistas. consequentemente. por exemplo. diminuindo a quantidade de matéria-prima utilizada e.Aumentar radicalmente a produtividade dos recursos naturais através do redesign dos processos e do desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse contexto. Isso significa reduzir a zero o desperdício. aumentam na medida em que crescem as necessidades do homem. tudo o que sair deve ou retornar ao ecossistema em forma de nutriente ou servir como matéria-prima para produção de um outro produto. é o de capitalismo natural (LOVINS & HAWKEN. Em um modelo de produção em closed-loop. 18 18 www. mas na capacidade de a empresa satisfazer as necessidades do cliente garantindo qualidade.org 33 . evitando acidentes. a RSE. Uma outra vantagem é as empresas socialmente responsáveis costumarem a atrair talentos. nesse sentido. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade O ano de 2010 ficará marcado pela sucessão de catástrofes naturais associadas aos efeitos das mudanças climáticas. CEO. sobretudo as que agravarão ainda mais o já elevado nível de pobreza e de degradação ambiental. Restaurar. ONG inglesa criada em março 2009 para difundir práticas e criar uma rede dos interessados no tema.

criado por Muhammad Yunus. o foco principal continua sendo a satisfação dos acionistas e a obsessão pelo retorno financeiro de curto prazo). Ele elencou três causas19: 1) visão de RSE como um incremento e não como uma questão central e estratégica para os negócios. manifestam-se em escala global e exigem urgente equacionamento. principalmente. Responsiveness (R) – Receptividade.5 bilhões. Através de empréstimos e microcréditos oferecidos às mulheres. Conectividade: para que a organização tenha sucesso nas práticas socialmente responsáveis. Twitter. Esse princípio também significa dar maior transparência aos negócios. para $2. Sem tal envolvimento. em mais de 50 países. em especial pelo aumento no “poder” dos stakeholders (em especial. mas pouco se discute sobre como podem ser reproduzidos em maior escala. Scalability (S) – Atingir escala. a dificuldade de mensurar o retorno financeiro do investimento em RSE faz com que as empresas não se comprometam com as ações de longo prazo. Visser percebe que a maneira de se olhar e praticar a RSE também passa por essa revolução. Duality (2) – Dualidade e Circularity (0) – Circularidade. após um longo período de fome em Bangladesh. seja um blog. em 1974. a solução que não pode ser replicável ou reproduzida tem pouca utilidade. Através do diálogo rápido e intenso proporcionado pela Web. as empresas não chegariam a soluções que atendessem as suas demandas. ela deve “quebrar a hegemonia” dos acionistas. Visser argumenta que essa forma de análise falha ao reconhecer 19 20 21 Visser. tornou-se mais visível a importância de engajar os stakeholders nas questões internas de RSE. Hoje. é dever da empresa institucionalizar o relacionamento multistakeholder. Receptividade: a RSE requer que a organização se questione sobre sua performance social. As organizações que se adaptaram a essa forma de comunicação ofereceram uma plataforma de discussão com seus stakeholders. e atender a milhões de famílias.0. Em outras palavras. Orkut. Um bom exemplo é o Grammen Bank. Fawkes. falhou em seus principais objetivos. P. os consumidores) fortalecidos pela facilidade de acesso às informações. isto é. 3) falta de evidência de que a RSE é “bom para o negócio”. 34 .20 Importantes características diferenciam a nova fase da RSE. mas. e procuram participar ativamente das redes de relacionamentos. pela troca de conhecimento com os seus stakeholders. não apenas através de relatórios financeiros. Ao fazer uma analogia com a revolução nos meios de comunicação trazida pela internet. entre elas. Blogs. Facebook. os cinco princípios 21 : Conectedness (C) – Conectividade. O envolvimento de todas as partes interessadas passa a ser de extrema importância para a sobrevivência e reputação de uma organização na conjuntura atual. seja uma wiki (para tratar de assuntos específicos). pelo menos. Do ponto de vista dos impactos dos negócios na sociedade e no planeta. embora o movimento da RSE tenha evoluído bastante.(2010). então. A fim de não se prender apenas a esse grupo. em valores atuais. sejam eles relacionados ou ao clima ou à pobreza. Eles se tornam apenas projetos de sucesso. foi possível transformar um negócio de $74. 2) falta de compromisso com as práticas em RSE (mesmo nas empresas que adotam sistematicamente ações em RSE. a percepção da sociedade acerca do negócio de uma empresa é fortemente influenciada pelas ferramentas da Internet. Dualidade: parte do debate em RSE está focado na polarização do “ser ou não ser”: ou a empresa é socialmente responsável ou não é. moderar a extensão e magnitude dos impactos. a RS fracassou no sentido de evitar suas consequências negativas ou.W.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Para Visser. fenômeno conhecido como Web 2. Visser destaca. Atingir escala: os bons exemplos de RSE raramente possuem um efeito multiplicador das suas práticas. Como os problemas de sustentabilidade. se o seu modelo de negócio é parte da solução ou parte dos problemas que se enfrenta. (2007) Tradução livre do autor.

os “desperdícios” podem ser reutilizados. ética. O que se busca é mudar a concepção do objetivo-fim de uma organização. similar ao que é feito nas agências de classificação de risco. mas sem destruir os recursos ambientais necessários para o fornecimento desses bens. produtos e serviços de alta qualidade que aumentem o bem-estar social. da origem. É um princípio aplicável à construção de prédios. assim como árvores. A circularidade não se aplica somente ao meio ambiente. entre outros temas. Revisão de conteúdo A Unidade 2 abordou. fundamentos e principais conceitos de RSE. as questões de uso e consumo devem ser pensadas de forma circular. ambiental e econômica. Aponte as críticas de Visser e a forma como a RSE vem sendo adotada. Em suma. alguns pontos críticos do movimento da RSE. das vantagens para a empresa em adotar as diretrizes da Governança Corporativa. podem produzir mais energia do que consomem e reutilizarem a água desperdiçada. como uma solução disponível a todos que buscam melhorias na qualidade de vida e nas condições de trabalho. Circularidade: outra razão pela qual Visser mostra a deficiência da antiga visão de RSE reside no contexto em que ela se aplica: um sistema econômico global caracterizado por falhas e alto desperdício. os quais. Os indicadores de RSE devem incorporar as várias dimensões da performance corporativa: social. apresentou as características da atual fase da RSE. 35 . O seu verdadeiro propósito é servir à sociedade através da provisão de segurança. mas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 que as questões relacionadas a RSE se manifestam como dilemas e não como simples escolhas de “sim ou não”. Questões para refletir/responder: 1234Quais os principais acontecimentos do movimento da RSE? Quais os objetivos do Instituto Ethos e que ferramentas ele usa? Selecione e explique duas vantagens da Governança Corporativa. As organizações também devem reciclar suas ações e seu capital humano não apenas através da educação e treinamento. ou seja. mas. são úteis em outros ciclos industriais como matérias primas. produtos em decomposição que se transformam no seu oposto. também. Em um mundo complexo e interconectado. por exemplo. uma vez descartados. e construir um ranking mais preciso. Atividade: Aplique os princípios de Governança Corporativa e as ferramentas do Instituto Ethos para elaborar um Código de Ética de uma determinada empresa ou um setor. O propósito desta não é ser lucrativa nem servir aos interesses apenas dos acionistas. Na atual concepção de RSE. as empresas (e os seus críticos) terão de se tornar mais eficientes na compreensão dos contextos locais e na busca das soluções mais adequadas. a responsabilidade social não poderá mais ser apresentada como um produto ou serviço de luxo. aceitando os dois lados de uma determinada visão e não os contrapondo. e conheceu seus principais resultados. em nutrientes. de maneira a subsidiar a decisão de investimento. sim. materiais que.

3. O que se observa é uma variedade de interpretações distintas sobre o termo. Superar essa importante etapa é atingir um dos desafios futuros que a Carta da Terra (2000) apresenta à humanidade nos próximos anos (BOX 08). e não apenas de alguns segmentos com os quais a empresa se relaciona. Considerando que se vive num mesmo planeta e em uma sociedade globalizada. ao assumirem uma responsabilidade mais ampla sobre o conjunto da sociedade. com ou sem fins lucrativos) é uma posição de comprometimento com o desenvolvimento sustentável. econômicos. a evolução e as tendências do movimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Unidade 3 Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial Objetivos Os objetivos desta Unidade são: apresentar o panorama contemporâneo. os desafios ambientais. mas outras instituições. visando à construção de um mundo mais justo. O tema responsabilidade social das empresas vem sendo amplamente discutido e divulgado pela mídia nos últimos anos. Por que RS tem várias definições? Inicialmente. podem forjar soluções inclusivas e replicáveis em grande escala. Você saberá o que é o Pacto Global. pressupõe-se a participação de todos os stakeholders e a mudança de valores que influenciarão a sociedade como um todo. sociais e espirituais estão interligados e. pode-se afirmar que as ações de responsabilidade social das empresas representam uma das formas de a iniciativa privada atuar com finalidade pública. O que se espera de uma organização (não somente uma empresa.1. as empresas suprem necessidades comunitárias que não estavam satisfatoriamente atendidas. Com esse processo de internalização. embora alguns equívocos sejam mais notáveis: o primeiro deles é confundir uma ação socialmente responsável com uma prática tipicamente filantrópica. a redução da pobreza e o aumento da expectativa de vida da população. à melhoria da qualidade de vida da população na sua totalidade. O que todos esperam das empresas é uma posição cada vez mais comprometida com o desenvolvimento sustentável do País. e como incorporá-los nas suas práticas de gestão. juntos. e saberá por que os stakeholders (partes interessadas) adquiriram tamanha importância no dia-a-dia das empresas. faz-se pertinente discutir sobre os prós e os contras de se utilizar um conceito único de RSE. Nesse sentido. A futura norma de responsabilidade social espera alcançar uma mudança na cultura (missão e valores) das organizações de forma a internalizar as práticas de RSE nas suas rotinas. o segundo é hierarquizar os tipos de impactos e seus efeitos distintos sobre as “partes interessadas” (os stakeholders) com as quais a atividade da empresa possui algum tipo de vínculo. com ênfase na análise da ferramenta de gestão denominada Diálogo com Stakeholders. envolvendo-se com a proteção do meio ambiente. 36 . aliada à redução da pobreza e consequentemente. políticos. conhecerá os resultados das pesquisas. Entre os fatores que explicam a repentina valorização desse assunto está o fato de que.

da comunidade ou do meio ambiente já ocorriam nos séculos anteriores.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 ___________________________________________________________________________________ BOX 08: Carta da Terra “É uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global no século XXI. São instrumentos que. em contrapartida. Segundo o relatório da ISO22. Alguns já defendiam que cabia aos empresários “implementar as políticas. era da empresa essencialmente lucrativa.ISO Advisory Group on Social Responsibility Working Report on Social Responsibility 24 Lourenço e Schröder (2003) 37 . É uma expressão de esperança e um chamado a contribuir para a criação de uma sociedade global num contexto crítico da História. os direitos humanos. por exemplo. As maiores evidências da ascensão de práticas socialmente responsáveis ocorrem desde o período pós-2ª Guerra Mundial. o desenvolvimento humano equitativo e a paz são interdependentes e inseparáveis. que sustenta que “todo indivíduo tem a responsabilidade de se esforçar pela promoção do respeito aos direitos individuais e à liberdade” 23. O documento procura inspirar em todos os povos um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do mundo em geral. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. consumidores ingleses deixaram de consumir o açúcar produzido no Caribe. 2004 . As Nações Unidas.ISO Advisory Group on Social Responsibility. Isso fornece uma nova base de pensamento sobre esses temas e a forma de abordá-los.org. seria capaz de gerar empregos e pagar salários.pdf. embora busquem garantir cidadania universal. pregada pelo economista neoclássico Milton Friedman (1970). O que já se percebia eram interpretações distintas sobre qual o papel da empresa na sociedade e qual a sua responsabilidade com o meio ambiente e com os seus próprios trabalhadores. funcionam como complementares às leis sociais vigentes de cada país. A visão ética inclusiva do documento reconhece que a proteção ambiental. O resultado é um conceito novo e mais amplo sobre o que constitui uma comunidade sustentável e o próprio desenvolvimento sustentável”. a visão dominante. já que. 2000). (Ethos. Fonte: http://www. porque provinha de trabalho escravo.br/CARTAdaTERRA. tiveram grande participação na criação de novos princípios de Direitos Humanos. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. Muito embora essa visão ultrapasse a noção corrente de filantropia baseada apenas na caridade. entre outros stakeholders. no fim do século XVIII. 2004 . que seja justa. Em 1948. a Companhia das Índias Ocidentais mudou para um fornecedor “não escravocrata” em Bengal. exemplos de instituições que lutaram pelos interesses dos trabalhadores. a entidade adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. tomar as decisões ou seguir as linhas de ação que sejam desejáveis em torno dos objetivos e dos valores da sociedade”24. (ver Anexo 03 – texto completo Carta da Terra). Tradução livre do Relatório April30. Embora o conceito de RSE tenha sido “firmado” no século XX.reviverde. além 22 23 April30. sustentável e pacífica. a saber: Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. Acessado em 10-05-2010 Uma das definições de RSE mais utilizadas no Brasil é a formulada pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Empresarial. dessa forma. Working Report on Social Responsibility.

a World Wildlife Fund (WWF). Princípio 2: Impedir violações de direitos humanos. Corrupção e Meio Ambiente. Os dez princípios do Pacto Global constituem-se em25 Direitos Humanos Princípio 1: Respeitar e proteger os direitos humanos. visto que. Abolir o trabalho forçado. Abolir o trabalho infantil. universidades. Atitudes sociais. poderiam ser feitas. Além disso. também se discutia a busca pelo real papel das organizações no sistema capitalista. ONGs e empresas. Essa proposta surge no imediato contexto das manifestações antiglobalização que ocorrem em Seattle (EUA). em suas respectivas esferas de atuação e de influência. a empresa estaria lesando seus acionistas. por exemplo. um conjunto de valores relativos aos Direitos Humanos. paralelo a esse debate. novas questões sobre as obrigações das empresas no âmbito social foram levantadas. Em janeiro de 1999. do escândalo Watergate. o que contribuiu para a disseminação das questões éticas e morais nas empresas. Direitos Trabalhistas Princípio Princípio Princípio Princípio 3: 4: 5: 6: Apoiar a liberdade de associação no trabalho. Combate à Corrupção Princípio 10: Lutar contra toda forma de corrupção. Caso contrário. da criação de importantes organizações ambientalistas. Trata-se de um chamado para que as organizações (não somente as empresariais) adotem e apoiem. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho. mas. Kofi Annan. sindicatos. na Suíça). como o trabalho voluntário.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 dos impostos que aumentam o “bem-estar” público. desde que não usasse recurso da mesma. Entre as décadas de 70 e 80. também. o ex-Secretário geral da ONU. agências governamentais e entidades da sociedade civil. segundo Friedman. Foi o período do Governo Nixon nos EUA. propôs a ideia de uma parceria entre as Nações Unidas. Princípio 9: Encorajar tecnologias que não agridam o meio ambiente. denominada Pacto Global (Global Compact). entre elas. havia também a pressão social por mudanças. Amigos da Terra (Friends of the Earth) e o Greenpeace. O crescimento do número de atores preocupados com a questão da responsabilidade social no mundo já era bem significativo no fim da década de 90. Lourenço e Schröder (2003) afirmaram que foi naquela época que a ética empresarial se consolidou como campo de estudo. pois estaria transferindo recursos a outros fins que não o de geração de lucro e auto tributando-se. por qualquer pessoa pertencente à organização. O processo de adesão ao Pacto Global envolve uma série de requisitos que podem ser adotados por empresas. Condições Trabalhistas. durante encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC). ao discursar no Fórum Econômico Mundial (evento anual que ocorre em Davos. 25 Adaptado de “Boletim Brasileiro do Pacto Global” (2004) 38 . Princípio 8: Promover a responsabilidade ambiental. Proteção ao Meio Ambiente Princípio 7: Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais.

a sua rentabilidade. buscando comunicar-se com as partes interessadas (stakeholders) e. demanda antiga do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). troca de experiências e articulação de movimentos entre diversos setores da sociedade. adotado por mais de 400 companhias em cerca de 40 países. Discutem os direitos humanos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Na década seguinte. na busca de parcerias que criem soluções em prol do interesse coletivo. Se o número de empresas que buscam aprimorar suas práticas de responsabilidade social aumenta significativamente. entre outros temas. cultura. por exemplo) que articulam a nível global normas de conduta da sociedade. que fortaleceram a interação continental.forumsocial. destacam-se alguns fatores que foram chave para a disseminação do conceito atual de RSE: . o que reúne maior adesão das organizações é o Global Reporting Initiative (GRI). O Balanço Social foi o primeiro passo para a criação de padrões de relatórios de sustentabilidade. leis (entre outras características nacionais) de diferentes países. a empresa melhoraria a sua reputação frente à opinião pública e.os avanços da globalização. 26 www. . tanto no âmbito europeu quanto no internacional. outras iniciativas também marcaram presença. adotadas voluntariamente pelas organizações como forma de demonstrar seu compromisso com a sociedade. e que esteja de acordo com as leis adotadas em cada país. Essas diretrizes recomendam princípios voluntários e padrões de conduta para a empresa que se pretende responsável. Em julho de 2001. . o Betinho. Elas migram de uma posição passiva para uma atitude pró-ativa. acesso à saúde e à educação. com isso. Em junho de 2000. OIT. A visão contemporânea de RSE caracteriza-se pela implementação de iniciativas que não são impostas por lei. sim.o crescente número de organismos internacionais (como a ONU. Vale à pena destacar ainda um evento importante. um “Livro Verde” sobre RSE. ainda são poucas as que se articulam com outros agentes do mercado e com órgãos do Governo ou organizações da sociedade civil.a crescente presença e participação das multinacionais no comércio de bens e serviços e. a comunidade europeia lançava. liderada por Herbert José de Sousa. provavelmente. buscando a “construção de alternativas às políticas neoliberais” 26. Atualmente. Em resposta à pressão social por mais transparência. em Bruxelas na Bélgica. portanto. mas. Finalmente. e as suas ações precisam se adaptar a esses aspectos também. sociedade. Tais empresas trabalham em ambientes de costumes. Era um lançamento que visava ampliar o debate sobre formas de implantação de RSE nas empresas.br 39 . as empresas começaram a publicar os chamados balanços sociais. o seu maior peso por práticas socialmente responsáveis. com o título Promover um quadro europeu para a responsabilidade social nas empresas. o acompanhamento mais próximo das atividades corporativas e a rápida disseminação das informações a que concerniam tais atividades. os Ministros representantes dos países da Organização para Cooperação e Econômica e Desenvolvimento (OCDE) aprovaram uma nova versão das Diretrizes das Empresas Multinacionais. abrir novas oportunidades de negócios. nas áreas de comunicação e tecnologia. Ao divulgar os resultados financeiros realizados na área social. aceitos em nível internacional. proteção ao meio ambiente.org. organizado como resposta da sociedade aos efeitos da globalização: o Fórum Social Mundial – que completa dez anos de atuação em 2010 – reúne pessoas de todas as partes do mundo para promover um ambiente democrático de ideias. uma vez que os investidores passariam a ter maior segurança com relação ao retorno futuro dos investimentos feitos na empresa.

Segundo o IPEA. em 1999. que mais de 70% das firmas dedicam parte de seu tempo e dinheiro a atividades sociais. as empresas investem R$ 4.7 bilhões por ano em ações comunitárias. equivale tão somente a 0. imagem da marca e reputação. 27 A expressão Triple Bottom Line foi usada. por John Elkington. A pesquisa detectou. em 2004 (R$ 5. o índice chegou a 81%. pela primeira vez. o montante impressiona. na realidade. esse incremento foi mais discreto (06%). a sua contribuição na avaliação do preço de mercado das empresas. Vale à pena destacar esta última característica relativa aos valores intangíveis. também. regiões ricas e pobres praticamente equiparam-se no grau de engajamento social das empresas. informação. valor que.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 . Os dados do Gráfico 01 indicam a crescente importância dos ativos intangíveis no ambiente de mercado e permitem constatar que os componentes intangíveis – tais como conhecimento.9 bilhões). é superior. No Sudeste. – aumentaram. capacidade de gestão e inovação. para 74% em 2003. Atualmente. criatividade.400%. passando de 67% para 71% no mesmo período. conhecido como Triple Bottom Line27. mas. cresceu 35% em quatro anos. motivação dos colaboradores etc. A pergunta que se impõe é se essa nova visão de RSE será capaz de gerar soluções para os problemas globais na velocidade com que eles ocorrem. Em Minas Gerais. O Nordeste. Fonte: Instituto Ethos (julho 2001) O Brasil é o país da América do Sul que ingressou pioneiramente no movimento da RSE. sem dúvida. fundador e presidente do Conselho da organização SustainAbility. por exemplo. ao se terem passados quinze anos do período analisado. o Bolsa-Família. 40 .43% do Produto Interno Bruto (PIB) –. em quase 1. menos do que a verba consumida pelo maior programa social do Governo. a soma de todas as riquezas produzidas no País –. levando-se em conta que a sustentabilidade pressupõe o equilíbrio entre os três pilares: econômico. 96% das companhias com mais de 500 empregados declararam ter política de responsabilidade social e financiar ações sociais. À primeira vista. passando de 55%. independentemente da localização regional. Segundo pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). hoje. social e ambiental.a percepção de valores intangíveis como essenciais aos negócios. em especial a questão da reputação da organização como chave para sua sobrevivência.

pode acontecer em encontros e workshops mediados por facilitadores. São os chamados "stakeholders primários". na década de 70. interagir. seja coletivo). em geral. expectativas e problemas não captados através dos canais fixos e formais de comunicação. no menor tempo possível. acrítica e ineficaz para identificar pontos sensíveis e focos potenciais de conflito (nesse caso. em particular. e formadores de opinião estrangeiros. Durante as dinâmicas coletivas. é necessário que ambos os interlocutores se comprometam com a transparência. aportando. sendo a execução confiada a uma equipe multidisciplinar. um quadro das tendências comportamentais e das possíveis estratégias a serem adotadas pelos diferentes grupos de interesse face a uma determinada situação. Em seguida. apesar de não os compartilharem. da pesquisa. Aplicado em todas as fases do empreendimento.2. mas. Essa metodologia foi desenvolvida na Alemanha. Essa metodologia é radicalmente distinta da tradicionalmente utilizada pelas empresas de consultoria. também. Sendo um processo que pressupõe a disposição em informar e a comunicação sistemática. ou interessados. constitui-se num instrumento apropriado para captar a dimensão de subjetividade existente em todo e qualquer processo de escolhas e de decisão estratégicas dos atores sociais. o Greenpeace e a World Wildlife Fund (WWF). ao incorporar a consulta direta a indivíduos representativos e técnicas de dinâmica de grupo. entre elas. e sobre a atividade de exploração. pois cada grupo coloca-se ao lado do outro para ouvir e. as utilizadas na metodologia Diagnóstico Rápido Participativo (DRP). o termo usado é “partes interessadas”). além de fóruns informais sugeridos pelos próprios envolvidos. Para que o diálogo seja eficaz. se possível. Nesse sentido. criam-se oportunidades para a população local colaborar ativamente não só no levantamento dos dados. líderes de instituições religiosas. mas. tais como a comunidade acadêmica (em geral. acarretando um aumento substancial dos custos. em geral. o processo de consulta ocupa-se da identificação dos temas sociais sensíveis associados ao empreendimento e ao desenvolvimento de soluções viáveis. 41 . orientada para obter. captando a sua percepção e as suas expectativas sobre a empresa. e do tempo. Além disso. O programa de consulta sistemática aos stakeholders fornece. O diálogo realiza-se através de comunicação individual direta entre o(s) representante(s) da empresa e o(s) representante(s) desses grupos. além das ONGs ambientalistas e dos órgãos governamentais ligados à área ambiental. novas informações e hipóteses sobre a comunidade estudada. adquirirem conhecimento e trocarem informações. fez-se emergir uma série de demandas. também. na construção da análise. No Diálogo. que envolviam coleta exaustiva de dados e um grande número de pesquisadores. assim. são incorporados. integram-se como assessores dos grupos mais combativos e de vanguarda). é uma forma excelente de interlocutores assimétricos que utilizam os mesmos recursos. que identifica e caracteriza o perfil de cada um dos stakeholders da empresa (seja ele individual. sendo as mais conhecidas. Diálogo com Stakeholders O Diálogo com Stakeholder (ou Partes Interessadas) é uma metodologia de consulta participativa. outros segmentos indiretamente afetados. na qual os dados são coletados através de depoimentos orais e jogos dinâmicos. a esta particularidades do sistema e “insights” pessoais suscitados pela dinâmica coletiva.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. envolvendo. primeiramente. a mídia. assim como acerca dos resultados que pretendem alcançar no processo de comunicação. para ser uma alternativa às tradicionais análises sobre a situação social nos países em desenvolvimento. particularmente as grandes ONGs ambientalistas. transmitindo as informações básicas para se conhecerem e se manterem bem informados sobre o que cada um quer. aplicam-se técnicas variadas. as comunidades locais e suas lideranças. faz e como pretende agir.

que. Buscar o consenso em torno de questões polêmicas surgidas ao longo do processo de diálogo. Manter os stakeholders da área de influência permanentemente informados a respeito das operações em curso.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Diante dessas vantagens. mais propenso a se comportar negativamente. São eles os seguintes: O compromisso da empresa em empregar os mais elevados padrões de qualidade técnica e ambiental. as técnicas de Diálogo com Stakeholders costumam ser adotadas não apenas na comunicação externa da empresa. a organização. para o encaminhamento de soluções negociadas entre as partes. também. assim. pretende-se. fornecedores e contratados. e a prática de diálogo sistemático com os seus stakeholders. As comunidades locais devem ser encaradas como stakeholders primários28 assim como os órgãos reguladores. Essa é uma das razões pelas quais quanto mais cedo tem início o processo de consulta. gerada pelo desconhecimento a respeito de um empreendimento em virtude da assimetria institucional e cultural existente entre a empresa e os grupos de interesses. como. na formulação da estratégia corporativa. Criar um canal de comunicação permanente entre a empresa e seus stakeholders. ele estará. Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto “O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar. 42 . Ênfase especial deve ser dada ao setor pesqueiro por ser o segmento mais sensível às atividades de exploração em águas profundas. essa modalidade de comunicação contribui. Strategic Management: a stakeholder approach. decisivamente. com a aplicação dessa ferramenta. (Edward Freeman. por expressar o compromisso da empresa com a sociedade. direta ou indiretamente. podendo criar conflitos a serem administrados pela empresa. hoje. Na fase exploratória. O diálogo com os stakeholders deve ser encarado sob três prismas: 28 O que distingue um stakeholder primário de um secundário é o grau de impacto que ele pode sofrer do empreendimento em questão. a existência de uma campanha para sabotar um projeto) ou uma situação de "vazio de opinião". Os pressupostos dessa metodologia estão diretamente relacionados aos compromissos assumidos pela empresa em adotar práticas corporativas de responsabilidade social e ambiental. Os stakeholders são considerados informantes privilegiados no processo de monitoramento e avaliação do Plano de Comunicação. necessariamente. mais útil ele será para detectar "sinais de perigo" ou algum fator-surpresa capaz de comprometer o empreendimento (por exemplo. Identificar os focos potenciais de conflito para apoiar uma ação estratégica futura. 1984) Ao servir para identificar e antecipar potenciais crises antes de eclodirem e mapear os temas polêmicos aplicando técnicas de resolução de conflito. passa. construindo um ambiente de confiança entre eles. devendo assim ocupar o mesmo patamar de importância e atenção atribuída a eles. ou seja. e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”.

além de comprometerem a viabilidade do empreendimento. significa que aqueles arranjos institucionais não foram equacionados. buscando estabelecer um entendimento com a sociedade antes de iniciar as operações e. pode ter suas operações suspensas judicialmente e ser obrigada a pagar multas elevadas. 2) 3) Por não se tratar de uma panacéia. consumidores. A história de relacionamento pretérito entre a firma e seus stakeholders e a habilidade em administrar os arranjos institucionais pesa tanto. Quando determinada empresa é questionada pela comunidade em virtude da incompatibilidade programática com seus sócios. 43 . o futuro etc. evitando custos futuros com processos judiciais. resultando em perda de credibilidade junto a fornecedores. quanto decisões de investimento exclusivamente orientadas por situações de mercado. consequentemente. A responsabilidade social empresarial também é definida pela sua forma de gerir um negócio baseado na identificação e consideração dos impactos de suas atividades a todos os agentes envolvidos. afetam a sua reputação. Dependendo da natureza e da intensidade do conflito. quando as decisões já foram tomadas sem considerar a opinião dos stakeholders. e mitigação de danos ambientais e sociais. de redução de incerteza e formação de expectativas que possam vir a afetar os negócios da empresa e a sua posição competitiva no mercado. as comunidades locais (respeitando seus costumes e cultura). Atua como fonte privilegiada de obtenção de informação e. além. dos acionistas (que deixam de ser o único público-foco das empresas). O da Ferramenta de negócio. de certa forma antagônica às metodologias empregadas em situações de crise instalada. dessa forma. de forma a compartilhar. Como é impossível identificar e se comprometer com todos os stakeholders. além de buscar maneiras de determinar. sociedade) ou abstratos (meio ambiente. é importante salientar que essa ferramenta é substancialmente distinta. sejam eles “concretos” (trabalhadores. não usufruirá dos seus benefícios. quando o confronto ocupa o lugar do diálogo. representam alguns destes grupos. ou enfrenta conflitos sociais decorrentes da escolha equivocada de terceirizadas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 1) O da Responsabilidade social. uma vez que o custo de interromper um processo lento. Stakeholder: conceito central da responsabilidade social A ideia de que as empresas não devem somente satisfação aos seus acionistas é um importante aspecto relacionado à RSE. compradores e consumidores. todo aquele que é impactado de alguma forma pelas operações de um empreendimento ou negócio. ou mais. sabotagem. sobretudo no quesito reputação e imagem institucional. Finalmente. portanto. Constitui-se num investimento destinado a prevenir potenciais conflitos e reduzir riscos. comunicação. se a empresa falhar na estratégia de gerenciamento ambiental e de comunicação com os stakeholders.). O da Redução de incerteza. podem-se citar ainda os Governos. O stakeholder é. Na visão moderna. caro e complexo é alto. portanto. Indica que a empresa reconhece o potencial de impacto do empreendimento. obter “licença social para operar”. Além dos agentes já mencionados. o diálogo com os stakeholders não é indicado nos casos em que não existe compromisso da empresa com a continuidade do projeto. é claro. geralmente. circunstâncias em que. mensurar e divulgar os impactos das suas atividades sobre tais agentes. fornecedores. Uma das tarefas das organizações é identificar esses agentes e trazê-los para o dia a dia dos negócios. as empresas buscam parcerias com organizações não governamentais (ONGs) que.

mas. previamente à implementação do empreendimento. uma nova abordagem é incluída nos documentos oficiais da instituição. ex-Diretor-Executivo da Fundação Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) e ex-assessor do extinto Programa Fome Zero do Governo Lula. Mudanças nas expectativas dos consumidores quanto a produtos com mais qualidade ambiental e implementação de standards tecnológicos superiores às exigências legais tornaram-se decisões tão determinantes quanto as relativas à escala de produção. o Betinho. que tem como missão mobilizar. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável A recente associação do princípio de Responsabilidade Social Empresarial aos preceitos do Desenvolvimento Sustentável conferiu uma dimensão mais humana à ecoeficiência. Pesquisas recentes em gerenciamento estratégico observaram que os temas ambientais vêm adquirindo crescente influência na definição das estratégias comerciais e no desenho técnico do empreendimento. a responsabilidade social empresarial (ou corporativa) teve o mérito de resgatar valores morais que a sociedade. A chamada “licença social para operar”.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. no Brasil. Conceito de múltiplos significados. 44 . por exemplo. hoje. O Instituto Ethos se apresenta como uma associação de empresas. em geral. Além de considerar um compromisso permanente dos empresários com a integridade do meio ambiente e com os direitos humanos. Trata-se de um relatório anual no qual a empresa pública ou privada declara publicamente os projetos sociais e os investimentos financeiros que realizou em prol do bem-estar das comunidades e do meio ambiente. não cobra pelo serviço de orientação e não fornece "selo" ou certificado. Outras exigências ganharam espaço nos critérios neoliberais do Banco Mundial. ONG fundada pelo renomado sociólogo Herbert de Souza. Esse relatório foi criado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). Como já foi dito. particularmente. Desde 1997. nem autoriza as empresas membros a usarem a associação ao Ethos como tal. sensibilizar e apoiar as empresas para que incorporem políticas e práticas de responsabilidade social na gestão de seus negócios. com o intuito de tornar mais transparente a Governos e grupos de interesse a maneira pela qual a empresa encara sua responsabilidade pública. o principal responsável pela rápida disseminação do conceito foi o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. sem fins lucrativos. Pelo menos no plano da retórica. por um grupo de empresários liderado por Oded Grajew. do segmento mais exposto às operações: as comunidades que habitam e/ou trabalham na área de abrangência dos empreendimentos. que passou a induzir e a premiar as empresas que publicam Balanço Social e possuem certificações ambiental e social. um grande contingente de empresas em todo o mundo abraçou a causa da responsabilidade social. não associava às empresas. adverte o Banco. Um dos seus méritos foi o de popularizar a publicação do Balanço Social. criado em 1998. um dos países onde mais cresce esse movimento. recomendando às empresas a prática do diálogo com todos os grupos de interesse – e não apenas com autoridades governamentais –. e ampliou a compreensão do conceito ao estender a ação preventiva de impactos ao conjunto da sociedade. deve ser obtida de todos.3. a entidade possui. pressupõe uma ação ética nos negócios e a transparência na comunicação com a sociedade. no tópico reservado às “recomendações” dirigido aos gestores dos recursos. Até o conservador Banco Mundial incorporou os princípios do Desenvolvimento Sustentável focados no envolvimento dos stakeholders. mais de 700 empresas associadas. A entidade faz questão de frisar que não desenvolve atividade de consultoria.

a um preço que lhe possa garantir a continuação das atividades da empresa e a satisfação das suas obrigações com os investidores. mas existem empresas que adotam a premissa de que “todo stakeholder importa”.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Segundo o Instituto Ethos. .Projetos Sociais ligados à comunidade.80): Quadro 1 – Matriz de avaliação de uma empresa socialmente responsável Vetores Desenvolvimento da Comunidade Crenças .Preocupação com a saúde e qualidade de vida dos funcionários. Responsabilidade Ética – é definida como comportamentos ou atividades que a sociedade espera das empresas. .Criação de um ambiente agradável. baseada na crença de que os recursos naturais são bens públicos e coletivos. Observe-se a “matriz de avaliação do nível de responsabilidade social” proposta por Neto e Fróes (1999. comunidades). (2001): Responsabilidade Econômica – consiste em produzir bens e serviços de que a sociedade necessita. Dependendo da natureza do negócio (o que produz e onde se localiza). . a exemplo dos direitos trabalhistas definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Preservação do Meio Ambiente Bem-estar dos Funcionários . .Apoio a projetos ambientais.A empresa também tem a sua parcela de responsabilidade pelo bem-estar da sociedade na qual está inserida. preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras.Respeito ao meio ambiente em todas as suas atividades. Valores . 45 .A importância do meio ambiente para a sobrevivência futura. e quer. fornecedores. a empresa deve ser pró-ativa e investir no desenvolvimento pessoal e profissional de seus empregados e na melhoria das condições de trabalho. p.A produtividade do trabalho está atrelada à satisfação e ao bemestar dos funcionários. clientes. Considerando esse amplo espectro de atuação. Responsabilidade Legal – está consignada nas leis que ela é obrigada a cumprir. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. a política de RSC da empresa deve contemplar as três dimensões da responsabilidade. em geral as empresas escolhem focar nos segmentos internos (empregados e seus familiares) ou nos externos (a comunidade e as ONGs). porém não estão codificados em leis. prestar contas à sociedade e procurar sempre ir além da legislação e das normas internacionais. é necessário manter um diálogo constante com seus stakeholders (funcionários. conforme proposto por Ferrel et al.A responsabilidade de devolver à natureza o que dela retirar ou nela impactar. O Ethos conceitua RSC como a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. melhor dizendo. Essa escolha orientará a política de investimento social da empresa. para conquistar o atributo de uma empresa socialmente responsável. . .

Ética e um bom relacionamento com os atuais e potenciais parceiros. 29 29 O sociólogo Betinho e sua instituição. . Transparência na comunicação a todos os atores envolvidos. em 1998. 3.Bom relacionamento baseado em respeito ao cliente. chama de "filantropia estratégica". depois.As parcerias otimizam custos operacionais a partir do compartilhamento de recursos pelas empresas. em seguida.A sustentabilidade da empresa depende da confiança do seu acionista em aplicar seus recursos nela. Para tanto. (vii) divulgar relatórios externos.O sucesso da empresa depende da satisfação do cliente. o primeiro indicador destinado a contabilizar a contribuição das empresas para a sociedade. (iv) garantir a transparência. . Os episódios do impeachment do Collor e a campanha do sociólogo Herbert de Souza (o Betinho) contra a fome e a miséria são alguns exemplos de movimentos que buscaram fortalecer as causas sociais num contexto de crescente globalização do País. Vários segmentos da sociedade participaram da campanha. do Balanço Social. É o que Stephen Kanitz. optar por aquelas que correspondem às suas competências e interesses de seus funcionários. Crescem em presença e importância as multinacionais no País. (iii) conhecer a comunidade em que está inserida e sua cultura.4. o IBASE foram responsáveis pela criação. sua visão e seus valores como organização para que. a empresa deve primeiramente conhecer o enorme leque de necessidades sociais que carecem de apoio governamental e. Diretor da Kanitz & Associados e colunista da Revista Veja. faz-se necessário que cada empresa determine claramente qual é o seu papel. 46 . ampliando as fronteiras dos Estados nacionais. impôs-se a visão neoliberal dos mercados. inclusive um segmento mais progressista de empresários. em 1997. .Política de remuneração e atuação empresarial conforme as expectativas. a empresa deve (i) focar prioritariamente no indivíduo. por conseguinte. (ii) possuir ética corporativa. (v) formar parcerias inteligentes. integre suas preocupações com o lado social em sua estratégia de negócios. Prêmio Ethos. concomitante à intensificação do progresso tecnológico e à rápida disseminação de novas soluções em Tecnologia da Informação. Fev 2004 Tais valores e crenças direcionam as ações que as empresas socialmente responsáveis devem desempenhar proporcionando um maior envolvimento com todos os atores envolvidos em seus processos. que viria a criar o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. . . a economia brasileira ingressou num processo de internacionalização e de abertura comercial. A fim de se adotar uma atitude socialmente responsável. A RSE no Brasil No final dos anos 80 e início dos 90. Responsabilidade social em incubadora de empresas de base cultural. levando as organizações brasileiras a aderirem às novas diretrizes que passam a reger a competitividade no mundo capitalista. (vi) avaliar os resultados e prestar contas. consolidando a globalização e.Os stakeholders devem ser bem informados visando amortecer os impactos de fatores exógenos que podem influenciar negativamente a empresa. Em face desse novo cenário.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Comunicação Transparente Retorno aos Acionistas Sinergia com os Parceiros Satisfação dos Clientes . Para ele. Fonte: Adriana Malamut.

Na segunda edição da pesquisa “Ação Social das Empresas”. conhecimento. e que ele é constituído de aspectos subjetivos (motivação. Segundo Queiroz (2000). O aumento de empresas interessadas nos projetos sociais se devia à “conscientização dos empresários de que precisavam agir rápido e fazer algo pelo País. portanto. Para muitos colaboradores. do funcionário com a empresa.estar social. majoritariamente. No ano seguinte. realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) entre 2000 e 2004. um relatório completo com o resultado de todas as suas ações sociais. caso contrário. Fundações e Empresas (GIFE) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. O antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa) publicou. com 273 companhias privadas e estatais provenientes de nove Estados e do Distrito Federal. enquanto crescia o número de publicações especializadas e de eventos e prêmios especialmente dedicados ao tema. de natureza assistencialista. os ganhos com as práticas dentro do ambiente organizacional geraram os seguintes resultados: Os investimentos em ações sociais melhoraram em 79% a imagem institucional da empresa e ampliaram em 74% suas relações com a comunidade. impossíveis de serem imitados. Não havia. Registro de um crescimento de 34% na motivação e produtividade dos funcionários. 47 . com destaque para o Grupo de Institutos. preocupadas em demonstrar que a adoção de práticas responsáveis aumenta as condições de competitividade da empresa. num futuro próximo. demonstrando que grande parte dos ganhos de uma organização está relacionada ao capital humano (além dos próprios colaboradores. as entidades empresariais. percebeu-se um expressivo aumento no número de 30 Responsabilidade Social Empresarial nas Organizações de Varejo. era um orgulho saber que a organização da qual faziam parte também trabalhava para o desenvolvimento de sua comunidade. e habilidades dos funcionários decorrente dessa nova forma de interação. entretanto. técnicas. nessa década. empresas de outros setores seguiram seu exemplo. criados em 1995 e 1998. No âmbito empresarial. habilidades) difíceis de serem construídos e mensurados. veriam seus mercados minguarem” 30. Essa é mais uma comprovação da crescente importância dos ativos intangíveis. Nos primeiros anos do novo milênio. as ações sociais promovidas pelas empresas brasileiras ainda eram. em 1992. como consequência da nova prática. Segundo FISCHER & FALCONER (1999). sobretudo porque o empresário brasileiro não percebia o vínculo entre a função econômica e as práticas sociais da sua organização. a comunidade na qual faz parte). Inicialmente. há dez anos. outros episódios indicavam a crescente participação do setor privado em questões públicas. a RSE começava a chamar a atenção dos principais meios de comunicação e da mídia nacional. que citaram uma pesquisa realizada no mesmo ano pelo Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor da Universidade de São Paulo (CEATS – USP). Surgem. Crescimento em 40% no envolvimento.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Durante a década de 90. proliferavam as iniciativas de cidadania empresarial. preenchendo a lacuna deixada pela falência do Estado em prover o bem. pois. colocando as últimas sempre em segundo plano. as ações sociais empresariais tinham um caráter filantrópico. motivação de conduzir práticas socialmente responsáveis visando ao fortalecimento de seus negócios. respectivamente. Contribuição em 52% para o desenvolvimento de conhecimentos.

das grandes empresas (94% do total). Na pesquisa realizada em 2008. INSTITUTO AKATU (2008). oriundos.ipea. positiva ou negativamente. e entendeu como ela pode influenciar. um estudo análogo mostrava que 50% das empresas só registraram 11 de um total de 55. o que correspondia a 0. tendo um caráter complementar às ações dos Governos. Há outras conclusões interessantes nesta pesquisa: foram poucas as empresas que se utilizaram de benefícios tributários para investir no social. o Instituto Ethos. Por fim. avaliou a implantação de um conjunto de 56 práticas de responsabilidade social.gov. Uma publicação recente confirmou essa tendência identificada pelo IPEA no início da década. seja porque não compensava. a posição competitiva da empresa.7 bilhões. passando desde as ambientais até as de natureza ética e de governança corporativa. Entre as principais conclusões. Questões para refletir/responder: Por que o movimento da RSE dá tanta importância ao relacionamento com os stakeholders? Quais os resultados apontados pelas pesquisas sobre o movimento da RSE no Brasil? Como a empresa deve lidar com seus stakeholders? Atividade: Selecione uma empresa e desenvolva uma política de relacionamento com seus stakeholders.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 empresas privadas brasileiras que realizaram ações sociais visando beneficiar as comunidades nas quais atuavam. em parceria com o Instituto Akatu. Você conheceu seus princípios e métodos. incluindo diálogo com os diferentes stakeholders. a pesquisa revelou que 50% das empresas já praticavam ao menos 22 das 56 ações de RS listadas. Comparado a pesquisas anteriores. A maioria (78%) ainda atribuiu ao Estado a obrigação de prover as necessidades sociais. Em 2004. seja porque não tinham conhecimento desse procedimento. portanto. 31 32 Fonte: www. As regiões Sul e Nordeste foram as mais beneficiadas no montante final dos investimentos. 48 . portanto o entendimento corrente era de que a atuação privada não substituía o poder público.27% do PIB do País naquele mesmo ano31. envolvendo desde questões relacionadas às relações com funcionários e fornecedores.br/acaosocial INSTITUTO ETHOS. majoritariamente. a pesquisa também avaliou a percepção dos empresários sobre o seu papel social. um aumento de quase 100%32. houve um aumento considerável no número de práticas implantadas: em 2004. cerca de 600 mil empresas atuaram de forma voluntária e investiram um montante de aproximadamente R$ 4. Revisão de conteúdo Esta Unidade apresenta uma nova ferramenta de gestão – o diálogo com stakeholders – que ganhou importância no movimento da RSE.

chamada Norma ISO 26000. como forma de evitar a responsabilização legal por danos ambientais produzidos por bens que eram recebidos como garantia de empréstimos. Risco de reputação: os bancos vêm sofrendo pressão do público em geral e dos organismos não governamentais (ONGs) para adotar uma política de financiamento e investimento ambientalmente correta. e detalha uma importante ferramenta de gestão que será implementada em dezembro de 2010. Risco indireto: o risco ambiental afetaria a empresa com a qual o banco tiver relacionamento como intermediário financeiro. conhecerá as modalidades de Investimentos Socialmente Responsáveis e os que existem no Brasil hoje. Ao longo dos últimos dez anos. mas. Você conhecerá e entenderá o Protocolo Verde. Os bancos. em decorrência. riscos associados às suas próprias instalações. no seu papel coercitivo. sob pena de terem sua reputação prejudicada diante da sociedade. A partir daí. aplicar-se-ia diretamente o Princípio do Poluidor Pagador. surgiu uma série de iniciativas visando à incorporação da sustentabilidade nos negócios do setor financeiro. e os Princípios do Equador. gradativamente os banqueiros começaram a acreditar que “o que é bom para o meio ambiente poderia também ser bom para os bancos”. tais como. Os riscos ambientais entram definitivamente nos custos dos empreendimentos. entre outras importantes mudanças institucionais. 2005) O Banco Mundial foi um dos grandes protagonistas nessa questão. cancelar empréstimos etc. por sua vez. para os bancos também. uso de papéis. Finalmente. Nessa modalidade. A imagem dos bancos na sociedade é importante para o sucesso conjunto de suas atividades e é considerada como parte de seu patrimônio. ou seja. indica os principais riscos ambientais. inicialmente. também. pois desempenhou importante papel em direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável. não conceder crédito. motivada pela crescente conscientização do papel de indutor na disseminação de boas práticas socioambientais na cadeia produtiva. A preocupação das instituições financeiras com as questões ambientais ocorreu. tornando-se cada vez mais determinantes nas decisões de negócios. equipamentos. estão sujeitos a três tipos de riscos ambientais: Risco direto: aqueles aos quais os bancos respondem diretamente como poluidores. (SOLER. o Dow Jones Sustainability. energia etc. Seu compromisso com a sustentabilidade influenciou estratégias do setor bancário comercial e de investimento em todo o mundo. 49 . impondo restrições e sanções às empresas que não agirem de acordo com aquela condução. A gestão inadequada dessas questões pode causar perdas financeiras irreparáveis para a empresa e. via operações de crédito ou como detentor de ativos financeiros (ações ou títulos de dívida).Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Unidade 4 A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000 Objetivos Esta Unidade apresenta os principais acontecimentos e características do movimento da RSE no setor financeiro. o banco deveria internalizar nos seus custos os gastos com controle de poluição.

em parceria com a Febraban. Criado em 2003 por iniciativa de dez instituições financeiras 50 . o primeiro índice global que considera a performance ambiental das empresas. Informar. evitando que estes sejam aproveitados por poucos. Em 1999. Banco da Amazônia. adquiriu rapidamente status de standard no setor financeiro. Promover o consumo consciente de recursos naturais e de materiais deles derivados nos processos internos. trabalho e meio ambiente. Embora não seja um selo certificável. Considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco de projetos. No Fórum Econômico Mundial. Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). Promover a cooperação e a integração de esforços entre as organizações signatárias deste Protocolo. Em 2008. Principais inovações institucionais no setor financeiro Protocolo Verde (1995) A primeira iniciativa resultante de acordo entre bancos brasileiros foi o Protocolo Verde. 60 bancos. o grupo Dow Jones lançou o Dow Jones Sustainability Index. no curto espaço de cinco anos. desafiou os líderes empresariais mundiais a apoiar e a adotar o Pacto Global (Global Compact). Kofi Annan. outros bancos passaram a expressar publicamente sua preocupação com a variável ambiental nos negócios. ajudando as organizações a redefinirem suas estratégias e ações. o Secretário-Geral das Nações Unidas. em Davos. Compromissos dos Signatários: Oferecer linhas de financiamento e programas que fomentem a qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente. lançou os indicadores de RSE para o setor financeiro. sensibilizar e engajar continuamente as partes interessadas nas políticas e nas práticas de sustentabilidade da instituição. e em 2009. quanto no apoio a políticas públicas apropriadas. Trata-se de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos oficiais (Banco do Brasil. O Banco do Brasil é um dos bancos brasileiros que aderiram imediatamente ao Pacto Global em novembro de 2003. Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). tendo por base a Política Nacional de Meio Ambiente. a fim de que todas as pessoas possam compartilhar dos benefícios da globalização. BNDES. procedeu-se à revisão do Protocolo. A partir de então. o Instituto Ethos. na qual os signatários se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. em 31 de janeiro de 1999. arregimentando. Os Princípios do Equador representaram um divisor de águas nesse processo. o Banco Central de a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aderiram a ele. O Pacto Global é uma iniciativa que tem como objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional para a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos. Banco do Nordeste.1.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 4. tanto em suas práticas corporativas individuais. Naquele mesmo ano.

mas. b) a Educação e Meio Ambiente são considerados muito importantes por 62% e 47% dos entrevistados. Nesse mesmo ano. é o alcance dos impactos ambientais do projeto. A partir da análise. fundada em 1992 e ligada ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente ( UNEP). realizou uma pesquisa junto à comunidade de analistas e investidores com o objetivo de diagnosticar a posição dos agentes do mercado em relação às informações de natureza social utilizada para análise das companhias.médio risco e C . Santander. realizada no mesmo ano. devendo ser reportadas ao mercado. aos níveis de poluição e das emissões de gases de efeito estufa. e chegou a resultados aparentemente animadores: a) 41% dos analistas levam em consideração as informações de natureza social em todas as suas análises. A III Pesquisa de Responsabilidade Social da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). ambientais e de governança corporativa são aplicados no processo de seleção dos melhores papéis. em março de 2001. Além disso. a Comissão Técnica de Balanço Social da Associação Brasileira de Mercado de Capitais (Abamec). à realização de consultas públicas para verificação da viabilidade do projeto. A significativa adesão do segmento produtivo brasileiro à ecoeficiência conduziu a uma revisão nos critérios de financiamento dos Bancos. e c) 85% consideram que as ações sociais internas são levadas em conta em suas análises. foram criados os chamados fundos éticos. Desde 2006.alto risco. o Brasil continua sendo o único representante dos países emergentes no conselho da entidade. os bancos elaboram um relatório sugerindo mudanças no projeto. além da divulgação do Balanço Social da empresa. Citigroup. a 171 instituições de 46 países. de acordo com critérios estabelecidos pelo International Finance Corporation (IFC) . HypoVereinsbank. Royal Bank of Scotland. A Financial Institutions Initiative (FII). Esses critérios preveem especificações para cada categoria de projetos no que se refere aos cuidados com as populações atingidas pelos empreendimentos. lançou uma Declaração Internacional sobre o compromisso com o desenvolvimento sustentável que contava. Crédit Suisse. ainda não existia uma série histórica que comprovasse definitivamente a correlação entre ética e lucro. pela efetividade na aplicação de várias diretrizes. 51 . os projetos são classificados de acordo com o risco social e ambiental que apresentem: A . Entretanto. a Corporação Financeira Internacional (IFC) passou a exigir que os Bancos afiliados também se fossem signatários do processo designado Princípios do Equador. Rabobank. apesar de três quartos dos fundos que favoreceram empresas social e ambientalmente responsáveis terem tido um desempenho superior à média. seu objetivo original era verificar se os projetos que requeriam financiamento cumpriam as exigências de sustentabilidade. de maneira a adequá-los às exigências internacionais. com a adesão de cinco bancos de capital nacional (Bradesco. Itaú Unibanco S/A). apresentar avaliação ambiental do projeto e provar que adotam critérios sociais. revelou uma profunda contradição: 97% das empresas entrevistadas afirmaram que a responsabilidade social faz parte da visão estratégica nas suas decisões. Sua performance no Brasil é singular. Caixa Econômica Federal. WestLB e Westpac). Crédit Lyonnais. São Paulo. passou a ser obrigatório. por exemplo. nem toda boa intenção se traduz em prática.baixo risco. para empresas que pleiteiam a partir de US$ 10 milhões. principalmente. Segundo pesquisa realizada pelo Finance Institute for Global Sustainability (FIGS). braço financeiro do Banco Mundial. Um dos fatores que condicionam a liberação de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). os fundos de investimento adaptaram-se rapidamente à nova realidade. chegando. mas 77% não publicam nem mesmo o Balanço Social. com mais de 100 adesões por parte de instituições financeiras. Para atender ao investidor ambientalmente ético. considerado um modelo de prestação de contas essencial. e 84% levam-nas em consideração pelo menos em metade de suas análises. sendo que o Banco do Brasil foi o primeiro Banco oficial a integrar o grupo de instituições financeiras brasileiras a aderir à medida. B .Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 (ABN Amro. Não apenas pela velocidade na adesão. à observação das condições de trabalho. no ano de 2000. Naturalmente. Para as categorias A e B. em que os critérios sociais. Banco do Brasil. em 1998. Barclays. entre outros. Em agosto de 2001. respectivamente.

nessa rede de informações. para que o passivo não se mantenha. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução Investimentos socialmente responsáveis são aqueles que integram ganhos financeiros. a resolução ainda tenta induzir o crédito a atividades menos devastadoras. corresponsabiliza as instituições financeiras por danos causados ao meio ambiente. Hoje. de alguma forma. causando mais desemprego. Alguns setores produtivos estão excluídos da carteira de clientes do Banco: os que utilizam o trabalho infantil ou incentivam direta ou indiretamente a prostituição. ou por serem altruístas ou por perceberam. por exemplo. Questões como bem-estar dos funcionários. Um número crescente de investidores passou a optar por investir em empresas que demonstram. No que diz respeito à negação de crédito para empresas que desrespeitam o meio ambiente.” 52 . A política inclui também projetos de médio porte abaixo do limite estabelecido pelos Princípios do Equador. nessas empresas. O atendimento aos parâmetros resultou numa nota. incentivando o aumento da produção por hectare e o incentivo à utilização de técnicas de manejo florestal. diminuir ou remediar impactos. figuram no hall de preocupações dos investidores. problemas ambientais e o impacto social de alguns produtos. Os Bancos deverão checar. Esse ideário deverá mudar a atuação das instituições financeiras bancárias em relação às questões ambientais. conta com uma política própria de concessão de financiamentos sob a avaliação de aspectos socioambientais. por parte de bancos públicos e privados. As empresas que incluem as questões socioambientais em sua estratégia estão criando valor. forma de uso dos recursos naturais. se destaca por ter sido o primeiro no País a aplicar critérios de RRA em toda sua cadeia produtiva.545. a qual estabelece a exigência de documentação comprobatória de regularidade ambiental e outras condicionantes para a concessão de financiamentos agropecuários no Bioma Amazônia. sabe-se que investir levando em conta valores éticos pode aumentar consideravelmente os ganhos financeiros. tabaco e álcool. 4. para a sua empresa – conceito conhecido como “sustentabilidade corporativa. Nesse cenário. uma preocupação com os impactos de suas operações no meio ambiente e na sociedade. Além disso.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 O SERASA. de uma maneira geral. Por ser a criação bovina é a principal responsável pelo aumento dos índices de desmatamento na região Norte. atual Santander. a longo prazo. Durante muito tempo. o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou um sistema nacional com informações sobre a situação ambiental e fundiária da propriedade privada e aprovou a Resolução 3. que permite a avaliação das empresas segundo quatro critérios: política e gestão ambiental. O novo acordo considera outros riscos enfrentados pelos bancos para efeito de cálculo de capital regulamentar e exige modelos de gerenciamento de risco mais precisos. adotado a partir do final de 2007 pela maioria dos países e não apenas pelos países-membro. enquanto o não atendimento dos mesmos pontua negativamente.2. lançou recentemente o Relatório de Responsabilidade Ambiental (RRA). vigiu a ideia de que investimentos socialmente responsáveis comprometem o retorno financeiro. o Banco Real. Além disso. como armas. o ambiental. que trata dos Crimes Ambientais. a Lei Federal 9605. em 28 de fevereiro de 2008. Outro componente desse cenário é o II Acordo de Capitais de Basiléia. e a empresa não venha a falir. agregando novos riscos. O Real também incentiva entre os clientes o acesso ao crédito para a correção de problemas ambientais já existentes. medidas adotadas para evitar. uma opção mais lucrativa. como. e cumprimento das disposições legais. uma das maiores empresas do mundo em análise de crédito. se o proprietário solicitante de crédito tem algum passivo ambiental ou fundiário. os que extraem madeira nativa não certificada e operam com a indústria do amianto. ambientais e sociais.

Nos Estados Unidos. representando 15 setores. International Finance Corporation (IFC). aquecimento global e desastres ambientais. o clima social dos anos 60 acendeu a discussão em torno de questões sobre direitos civis e o meio ambiente.7 trilhões (10. estão na ordem do dia. no século XVI. Nos tempos bíblicos.1 trilhões aplicados na indústria de fundos. nos últimos dez anos. o montante de investimento envolvido nessa modalidade aumentou mais de 320%. Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. num cenário em que figuram a globalização. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Ministério do Meio Ambiente. Não é possível afirmar se essa modalidade de investimento terá sempre um desempenho superior. As preocupações crescentes com questões ambientais como lixo tóxico. os judeus tinham leis que orientavam investimentos segundo princípios éticos. sendo que os três mais recentes concernem à construção civil. O fato mais significativo que marcou a entrada dos investimentos socialmente responsáveis na agenda internacional foi a campanha contra a discriminação racial institucionalizada. produtos socialmente destrutivos como álcool e cigarros. influenciando os investidores. US$ 2.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Há muitos séculos há registros de pessoas que levam em conta seus valores éticos ao realizarem investimentos. Contribuíram para esse desempenho algumas medidas introduzidas no questionário nos últimos quatro anos. e de 36 ações para 43. que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e com a responsabilidade social.socialinvest. a integração dos mercados e a queda das barreiras comerciais elevaram os níveis de competição a uma escala planetária. embora existam desde década de 60. foram incluídas questões sobre o desempenho da 33 Site do Social Invest. foi lançada em 2005 pela Bolsa de Valores de São Paulo. assim como direitos humanos. os investimentos socialmente responsáveis virem crescendo no mercado financeiro norte-americano. o Conselho do ISE é composto pelas seguintes entidades: Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Na versão de 2006. devido ao recente boom da responsabilidade social empresarial. A quinta e mais recente carteira do ISE registrou um aumento de 28 para 34 Companhias. a seguros e a máquinas e equipamentos. para R$ 730 bilhões. este cresceu de R$ 372 bilhões. Mais recentemente. tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e com a sustentabilidade empresarial. observaram-se consumidores mais conscientes e exigentes e empresas cada vez mais preocupadas em investir na qualidade de seus produtos. por exemplo.org. praticavam atividades socialmente responsáveis. 2007. em dezembro de 2008. O que se tem de fato é. Bovespa. Quanto ao valor de mercado das ações.76%) estavam aplicados em fundos ISR. Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). processos e relações. Além da BM&F Bovespa. De 1995 a 2007. além de atuar como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro. conhecida como Apartheid. na África do Sul. em novembro de 2009. 33 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA A carteira do ISE. dos US$ 25. indicador composto de ações emitidas por empresas. Atualmente. Acessado em 10-05-2009 53 . aumentando o interesse e as opções de investidores socialmente responsáveis. em parceria com várias instituições. a revolução tecnológica e da informação. Ao final de 2007. www. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). baseados em suas crenças de igualdade e não violência. A sustentabilidade corporativa passou a ser vista como vantagem competitiva e fundamental para a sobrevivência das empresas a longo prazo. os Quakers. Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Como resultado direto desses fenômenos.

Suzano Papel. Usiminas. CPFL Energia. Indústrias Romi. Gerdau. fica limitada a uma participação de 15% por setor econômico. Ao longo desse tempo. que se estabilizaram como uma classe de investimentos. Embraer. é a realizada em empresas de capital aberto. Entre os positivos. Even. Acessado em 26. BRF Foods. Cesp.11. Investimentos em Empresas de Capital Aberto A forma mais popular de investimentos socialmente responsáveis. Light S/A. Sul America. atualmente. Prova disso foram os mais de 03 trilhões de dólares aplicados em fundos que utilizam critérios sociais. Fibria. Gerdau Met. ambientais e éticos para selecionar ações. Brasil. Duratex. Dasa. foi a mudança na metodologia de formação da carteira que. Tim Participações S/A. Natura e Telemar. Esse tipo de investimento apresenta pontos positivos e negativos quanto a sua aplicação. Esses dados sugerem que os investidores socialmente responsáveis deverão acompanhar a tendência atual do mercado tradicional e também procurar oportunidades de investimentos em Venture Capital/Private Equity. Coelce.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 empresa em relação à corrupção e anúncio do lançamento de procedimentos de verificação. ItaúUnibanco. há registros de 42 fundos de Venture Capital ligados a atividades 54 . tem-se a ajuda em promover e em conferir credibilidade ao tema da sustentabilidade entre os investidores tradicionais – na última década. entre eles a exigência de apresentarem documentos que comprovem a veracidade das informações prestadas nos questionários.com. está constituído pelas seguintes companhias: AES Tiete. Fonte: www. Tractebel. Eletrobras. Eletropaulo. e o atual índice.bovespa. Energias Br.2009 Atualmente. Cemig. Copel. normalmente através de Fundos de Investimento. Braskem. na fórmula de cálculo anterior. agora.br. que utilizam critérios socioambientais de seleção. enquanto. Sabesp. Uma das novidades introduzidas nas regras do ISE. Itausa. 34 empresas estão listadas no ISE. que vigorará até 30 de novembro de 2010. houve um aumento dos investimentos em Private Equity e Venture Capital. Redecard. o interesse de investidores por ações socialmente responsáveis também cresceu muito. Bradesco. era de 25% por empresa. Outra inovação recente foi a inclusão de perguntas sobre as iniciativas da empresa face às mudanças climáticas. em 2009. Atualmente. Vivo.

O que se espera é que uma norma internacional facilite a implementação de ações concretas que respondam à crescente preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos em seu sentido mais amplo. Para as instituições e organizações – sejam as públicas. funcionando principalmente como conforto pessoal e moral de quem a pratica. As principais categorias e suas respectivas taxas de retorno esperadas estão relacionadas na tabela a seguir: 34 Categorias Exploração Sustentável de Florestas Agricultura Orgânica Fair Trade Inner-City VC Funds Brown Fields Tecnologias Sustentáveis Rentabilidade 8-15% 5-35% 10-15% 15-35% 20-50% 15-25% 4.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 sustentáveis no mundo. as ações de RSE oferecem oportunidades no futuro. poderão contribuir para a utilização mais consciente e sustentável de nossos recursos naturais e humanos em escala global e um futuro digno às próximas gerações. O fenômeno da globalização impõe a criação de parâmetros de comportamento que possam ser compartilhados por todas os stakeholders. agir de forma responsável significa investimentos necessários no “hoje” que visam diminuir o impacto de suas ações em troca de um retorno social (e também nos negócios) no “amanhã”. Trata-se de uma atitude coletiva. doações de comida e roupas aos necessitados. por exemplo. 35 Já a Responsabilidade Social visa ao envolvimento e ao desenvolvimento contínuo da sociedade com a qual se trabalha. É uma ação bem mais abrangente.3. ao incorporarem (ou melhor. Governos. além da preservação ambiental. Ademais. associações. a par do direito dos consumidores. tal como a educação e a capacitação em projetos de geração de renda. Managing Director EA Capital Corrêa e Medeiros (2003) 55 . são ações pontuais e temporárias. as empresas que exercitam a filantropia não podem se autodenominar empresas socialmente 34 35 Fonte: Consultoria Tony Lent. e quando devem ser implementadas: enquanto as ações filantrópicas garantem a sobrevivência no dia de hoje. sejam as privadas –. realizadas. entidades da sociedade civil e ONGs (o “Terceiro Setor”) dos mais variados perfis que. A questão mais importante a destacar é a de que. A norma pressupõe maior transparência das organizações na comunicação de suas ações a todos os públicos interessados em seu processo produtivo. conforme se comentou. Não se pretende discutir qual das duas atitudes (filantropia ou RSE) é a melhor para a empresa. internalizarem) em seus modelos de gestão princípios de RSE. que não resultam em benefício de longo prazo. Ações filantrópicas são atitudes que causam impacto momentâneo. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 Voltando à norma internacional em RSE. há o problema da padronização de um conceito tão amplo. Embora bem vistas pela sociedade. ao fazer a distinção entre as duas práticas. São empresas. voltada para o futuro. mas sim esclarecer o que cada uma delas significa. além da existência de distintas interpretações de RSE. englobando os direitos trabalhistas e políticos. como. a existência de um padrão pode vir a ser muito útil para eliminar a confusão que é feita entre RSE e filantropia.

Atualmente.org. A ISO criou normas técnicas para quase todas as atividades econômicas. O objetivo inicial era recomendar à ISO se tal tinha condições. O processo de criação da ISO 26000 Os debates para a construção da futura norma de RSE já estavam ocorrendo desde o ano de 2000. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações. pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para os trabalhadores” 36. além de tornar o negócio mais transparente. São séries que beneficiam empresários na busca por soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade. para trocar experiências e identificar as melhores práticas de gestão com o objetivo chegarem a um acordo sobre cada aspecto da norma. a ISO possui um portfólio de mais de 15. associados a ISO.br 56 . ou não.000 normas que recomendam as melhores práticas aos mais variados ramos de negócios. A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946. www. foi o responsável pelas primeiras discussões. formada por representantes de mais de 155 países. em maio de 2002. conhecido como Grupo Consultivo Estratégico (SAG) 37. A ISO 26000 é considerada a “terceira geração de normas”. Nessa fase. As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas certificações no mundo: a primeira está relacionada à Gestão da Qualidade e a segunda à Gestão do Meio Ambiente. que é de responsabilidade da International Eletrotechnical Commission (IEC). de Meio Ambiente. quando uma norma internacional da ISO é publicada.ethos. Por intermédio de cooperações no âmbito científico. a disseminação do conhecimento e das boas práticas em gestão. todos os países membros da organização podem traduzi-la e adotála como norma nacional. A criação de uma nova norma decorre de consenso por parte dos membros que participam de sua elaboração. Esse grupo. A seguir. exceto para o campo da eletroeletrônica. os primeiros passos para o desenvolvimento de uma norma se dão através da formalização de um grupo de membros. periodicamente. com sede em Genebra. do ingles. de prosseguir com o desenvolvimento de uma norma de Responsabilidade Social. além dos avanços na área tecnológica. tecnológico e intelectual. pesquisas e sugestões sobre qual seria o escopo e a abrangência da norma nos futuros debates. que significa “igual”. O prefixo da língua grega ”iso-”. isso porque o desenvolvimento de uma norma em Responsabilidade Social se dá após a consolidação das normas que a precederam: a ISO 9001. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. Conforme mencionado anteriormente. de Gestão da Qualidade e a ISO 14001. embora as primeiras discussões tenham começado.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 responsáveis. destacam-se as principais questões debatidas durante este período pelo SAG: 36 37 Strategic Advisory Group. na Suíça. compõe a denominação da organização responsável pela criação dessa norma bem como de outras anteriores.4. O Instituto Ethos classifica uma empresa como socialmente responsável quando ela vai “além da obrigação de respeitar as leis. 4. a organização acredita que a padronização dos processos em nível internacional facilita o intercâmbio de produtos e serviços. os representantes dos setores sobre os quais a norma terá algum impacto reúnem-se. Por fim. oficialmente. eficiente e gerar mínimo impacto na natureza.

pela complexidade e evolução rápida do tema. O SAG terminou o seu trabalho em abril de 2004. as diretrizes da ISO 26000 devem ser complementares aos padrões já estabelecidos pela OIT nesta área. são questões de natureza social. 57 . Poder-se-á citar ainda a necessidade e a importância do envolvimento de todos os stakeholders no processo produtivo como um tema que exige um grande debate. qual era o “nível” de entendimento de RSE no mundo e quais eram os pontos a serem considerados pela ISO para que se pudesse criar um conceito universal nessa área. nível de abrangência. Segundo Ursini & Sekiguchi (2005). 2) Tópicos para a criação de uma norma em RS que incluíssem aspectos de custo e benefício. Reconhecer que a ISO não possui autoridade ou legitimidade para criar obrigações sociais e políticas que são definidas pelos Governos locais e organizações intergovernamentais. de participação de todas as ”partes envolvidas”) para garantir maior legitimidade no documento final. além de outras convenções da ONU. Limitar o escopo do tema de maneira que sejam evitados assuntos que só possam ser tratados no campo político: ou seja. normas internacionais com respeito à questões trabalhistas. como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. fazer ajustes para garantir uma participação significativa das partes interessadas. sem envolver certificação) que servisse de base para verificações de conformidade ou para apoiar as certificações existentes. – fato reconhecido pelos próprios membros do SAG –. O seu relatório demonstrava. entre elas: Reconhecer que a RS envolve um número de temas qualitativamente diferentes dos já trabalhados pela ISO. não será fácil harmonizar todos os compromissos substantivos de Responsabilidade Social. a recomendação do SAG para o desenvolvimento de uma norma só deveria prosseguir se se considerassem algumas premissas. em uma base tripartite. Organização Internacional do Trabalho (OIT). quando necessário. como os Direitos Humanos. integração dos instrumentos legais e a análise de iniciativas já existentes neste campo. o SAG recomendou que a futura norma: Fosse desenvolvida como uma diretriz e não como uma norma de requisitos (portanto. o que se deve esperar da ISO 26000 é um instrumento que vise à complementação ao cumprimento das diretrizes e leis estabelecidas pelos Governos e/ou as entidades internacionais acima citadas. Reconhecer que.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 1) Discussão sobre quais seriam as referências necessárias para um conceito – aceito por todos – de RSE. e 3) O nível de competência da ISO para desenvolver uma norma em RS. dentre outras questões. apesar de a Responsabilidade Social ser um tema complexo e de difícil definição. Com relação ao escopo do trabalho. Reconhecer que a OIT tem um mandato único como a organização que define. Revisar seus produtos e. mais uma restrição à interferência da norma em questões legais e padrões já estabelecidos sobre os temas abordados. muitas vezes subjetivas e de difícil mensuração (se comparado ao cumprimento de qualidade de um produto). Em outras palavras. é a partir da compreensão dessa importante premissa que a ISO 26000 buscou uma dinâmica multistakeholder (ou seja.

escrita em linguagem de fácil entendimento. o SAG destacou. Pudesse introduzir guias práticos sobre métodos e opções de operacionalização da RS. aplicável a todos os portes. Outro importante avanço resultante dessa conferência foi a decisão de desenvolver a norma através de uma parceria entre um país desenvolvido e um em desenvolvimento. Pudesse complementar outros instrumentos e metodologias relevantes. ocorrida em Estocolmo. Também com relação ao processo de construção. A necessidade de se criar um comitê próprio para a Responsabilidade Social dentro da entidade (não utilizando nenhum comitê da ISO já existente. devido à complexidade do tema). sociedades e ambientes. mas. os seguintes aspectos: A ISO busque trabalhar a fundo. representante da World Wildlife Fund (WWF). Das candidaturas submetidas. em setembro de 2004. Adotasse uma terminologia comum para o tema de responsabilidade social. a vice-presidência coube ao sueco Staffan Söderberg. em junho de 2004. O objetivo do evento foi discutir os pontos levantados pelo SAG e aprofundar o debate com todos os membros e países envolvidos na ISO para a construção de um consenso sobre o assunto. Enfatizasse resultados de melhoria e desempenho. responsável pela criação da norma. efetivamente. 58 . voltada às demais organizações e a todos os setores (como Governos e ONGs). além do aumento da credibilidade da empresa. engenheiro. Ocupando a presidência está o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira. também. para permitir uma participação significativa dos países em desenvolvimento. abordar o tema de Responsabilidade Social em diferentes culturas. gerente-executivo da Companhia Suzano Papel e Celulose. Não tivesse a intenção de reduzir a autoridade governamental no que tange à Responsabilidade Social das organizações.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Não fosse apenas para uso por parte das empresas privadas e grandes corporações (multinacionais). Entre os primeiros acordos obtidos está a confirmação das recomendações do SAG sobre a necessidade de uma norma que apresentasse diretrizes. a Conferência Internacional da ISO sobre Responsabilidade Social. identificação e engajamento das partes interessadas (stakeholders). Fosse escrita em linguagem clara e inteligível. Foi através deste relatório do SAG que se realizou. entre outras recomendações. a parceria entre Brasil/Suécia foi a vencedora. O novo comitê fosse composto por diversas partes interessadas e trabalhasse de forma coordenada com os comitês já existentes. sem certificação). Contribuísse para que as organizações pudessem. sem ser um documento de requisitos (isto é. na Suécia. com os brasileiros na presidência e os suecos na secretaria do Grupo de Trabalho (GT) de Responsabilidade Social da ISO.

diferente das de especificação. respeito aos direitos de propriedade. Conforme foi decidido na 3ª Reunião Plenária. tratam do tema. não são passíveis de auditoria ou certificação. Compondo a chapa. além de indicações sobre os principais instrumentos. A abrangência do “trabalho” refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalhador autônomo. envolvimento político responsável. servindo como um guia para a implementação do sistema de gestão mais adequado às necessidades de cada organização. como foi dito. Práticas operacionais justas: compreende o combate à corrupção. políticos. os temas centrais que regem o desenvolvimento na nova norma são os seguintes39: Direitos Humanos: visa garantir os direitos civis. a fim de que as iniciativas duvidosas sobre o assunto possam ser claramente resolvidas. do ciclo de vida. A ISO 26000 será. 4. Ambos comandaram todos os encontros seguintes à Conferência de Estocolmo. visando orientar as organizações de todos os tipos e tamanhos sobre os cuidados e princípios que devem seguidos por quem. sistemas e entidades que. A norma.5. F. direitos fundamentais do trabalhador. produtores e/ou consumidores que sentirão os efeitos de sua ação). condições e proteção social. um dia. tem como objetivo. Características da ISO 26000 Apesar das expectativas em torno da nova norma de Responsabilidade Social. a ISO 26000 busca estabelecer um entendimento comum (aceito internacionalmente) sobre o que de fato significa responsabilidade social. Meio ambiente: uso sustentável dos recursos. Práticas trabalhistas: tratará do emprego e das relações de trabalho. muito já se pode apresentar e discutir a respeito de seus principais aspectos. sociais e culturais. atualmente. concorrência e negociação justas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 A entidade que representa a ISO em âmbito mundial e tem papel decisivo na elaboração da norma. trazer as orientações necessárias para o processo de incorporação da responsabilidade social e ambiental às atividades de uma organização. chamado de usuário-pagador. da responsabilidade ambiental e do “poluidor-pagador” (ou ainda. a representação sueca ficou a cargo do Instituto Sueco de Normatização ( Swedish Standards Institute – SIS). uma norma de diretrizes e não de especificações. saúde e segurança do trabalho. diálogo social. evitar a cumplicidade e a discriminação e cuidar dos grupos vulneráveis. por exemplo – que deve assumir os custos impostos aos outros agentes. é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).38 Em vista do reconhecimento prévio da complexidade no tratamento do assunto de RS. (2007) Adaptado de “Brasil e a futura Norma Internacional 26000” 59 . econômicos. Elas tendem ainda a ser mais abrangentes. combate e adaptação às mudanças climáticas (confirmando que as alterações no clima já impactam a vida das sociedades). proteção e restauração do ambiente natural. 38 39 CREDIDIO. desenvolvimento humano dos trabalhadores. e promoção da RS na esfera de influência da organização. Normas de diretrizes. tratando-se do agente que origina uma externalidade – não apenas a poluição como também o uso indiscriminado dos recursos. resolução de conflitos. prevenção da poluição e os princípios da precaução. em si. deseja se tornar socialmente responsável.

apresentando os pontos positivos. por meio de um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentável. terceiro setor.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Questão dos consumidores: visam às práticas justas de negócios. Começa-se observando o caráter básico da ISO 26000. consumo sustentável. que tinham direito de voz e voto nas plenárias semestrais. 4. até a sua publicação final. em todo o processo de construção da norma. Governo – Ministério da Ciência e Tecnologia. da Universidade de São Paulo e ONGs – Instituto Akatu. bem como o processo de desenvolvimento da “futura norma”. quando se fazem necessários para a internalização dos princípios de RS. inclusive a saúde e bem-estar da sociedade. Desenvolvimento e participação da comunidade: trata do envolvimento com a comunidade na busca de seu desenvolvimento e atuação conjunta nos negócios. Outros (academia) – Fundação Vanzolini. São visões que partem tanto da visão autoral. serviço e suporte pósfornecimento. marketing e comunicação (com o máximo de transparência na divulgação de seu produto/serviço ao comprador). É por contar com o trabalho e com a troca de experiências de diferentes especialistas que a nova norma também possui a característica de ser multistakeholder. quanto de uma revisão das opiniões expressas por diferentes especialistas no assunto. substituto do Instituto Ecofuturo. A ISO 26000. têm-se: Consumidores – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). leve em consideração as expectativas dos stakeholders. proteção. a ISO criou um Grupo de Trabalho composto de representantes de todas as “partes interessadas”. a seguir. saúde e segurança do consumidor. consumidores. por fim. governo. define responsabilidade social como a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente. No Brasil. como já disse. também. mas. é um grande 60 . Trata-se ainda das mudanças na cultura e nos valores da organização. que se encontra bem próxima. a responsabilidade pela indicação dos especialistas ficou a cargo da ABNT. e especialistas indicados por órgãos nacionais de normalização. a uma análise crítica.. educação e conscientização. Representando as outras cinco categorias. Deve-se destacar ainda que. esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento. esteja integrada em toda a organização e seja praticada em seus relacionamentos. A entidade convidou o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para indicar um especialista que representasse a parte interessada “trabalhadores”. criação de empregos e geração de riqueza e renda. delegação de poder e controle. Vai-se proceder. dentre outras necessidades locais). mostrando suas limitações. todas as partes poderem ser ouvidas e incluídas no processo. discutiu-se a evolução da RSE.6.). desenvolvimento tecnológico. que substituiu a Natura. privacidade e proteção de dados. Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 Até aqui. educação. que. no dia a dia da instituição. O objetivo é. Empresas – Furnas. através da padronização das diretrizes. na esperança de que o discurso corporativo socialmente responsável e as verdadeiras práticas e políticas empresariais se tornem cada vez mais próximas e esclarecedoras. investimento social (saúde. o processo de construção da norma e a criação de uma definição “global” de Responsabilidade social. Governança organizacional: engloba aqui os processos e estruturas de tomada de decisão. As diretrizes da ISO 26000 têm como objetivo buscar a amplitude na participação das diferentes entidades representantes da sociedade civil (empresas privadas.. moradias.

Isso significa trabalhar visões distintas de RSE. Uma norma internacional de RS pode vir a reduzir a influência da aplicação de outros protocolos (como a OIT. Dependendo da análise custo-benefício. de que forma as organizações comprovarão que suas atividades estão de acordo com as especificações recomendadas? Se não existe um formato de auditabilidade. caso contrário. Um último aspecto que se caracteriza como limitante é a possível dificuldade de comprovar a adesão à norma. Mesmo contrariando os princípios da ISO 26000. todos os países devem ser ouvidos. Ainda segundo esses autores. o custo é bem menor. Independentemente de seu conteúdo. economicamente falando. haverá muita dificuldade em criar um padrão de auditoria. Por se tratar de uma norma de diretrizes. Por outro lado. a definição expressa contribuirá para diminuir o excesso de normas. Como se trata de diretrizes apenas. pois trata-se de questões não mensuráveis e/ou intangíveis. em especial das pequenas e médias empresas (PMEs) e ONGs. e das organizações do Terceiro Setor. abrindo espaço para as grandes empresas de auditoria atuarem. costumes. esse aspecto esteja bem claro para os interessados. a adoção de uma norma implica o aumento de custos. comportamentos e modelos de gestão. Limitações da Norma No que tange aos custos de adequação a uma norma. Aspectos positivos da ISO 26000 Uma característica que merece destaque é o fato de ter sido decidido que esta seria uma norma de diretrizes. obrigue essas organizações a transferirem esses repasses ao consumidor final. não se pode deixar de apontar suas limitações. a busca por uma definição internacional de Responsabilidade Social pode facilitar a troca de experiências e práticas entre os participantes. uma análise individual por parte de cada organização no momento de avaliar a viabilidade. de adotar as práticas de RS. a adesão à norma também pode estar motivada por razões puramente comerciais. algumas empresas podem vir a adotar a nova norma com o fim único de manter uma boa imagem perante o público. trabalho infantil. portanto. com a publicação da norma. alto índice de pobreza. e não de certificação. entre outros). péssimas condições sanitárias. vindas de países com cultura. Logo. política e sociedade total ou parcialmente divergentes. portanto. essa barreira poderá gerar um desinteresse por parte das organizações em adotar a ISO 26000. Pressionadas pela crescente cobrança da sociedade civil e temendo perder seus clientes e consumidores. que mais confundem do que geram eficácia quando da sua aplicação.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 desafio ao requerer o consenso entre os mais de 155 países-membros da ISO. ao final do processo. a oportunidade de criar um ambiente de reflexão sobre seus valores. “um padrão internacional da ISO pode tornar-se um referencial único e integrador mundial das principais ferramentas de Responsabilidade Social”. Além do mais. metodologias e referências distintas que estão hoje no mercado a respeito de RSE. o Pacto Global). Ao colocar em prática as ações de RSE aceitas no 61 . Caberá. caso essa norma se torne certificável. como o Global Reporting Initiative (GRI). espera-se que. a adesão à ISO 26000 pode ser responsável por um aumento tão significativo nos custos que. Deixarão de lado. padrões. Para os países pobres ou de poucos recursos. Uma questão levantada por Ursini & Sekiguchi (2005) diz respeito ao caráter empresarial das certificações ISO e a sua força de mercado. que resultam em embargos e boicotes comerciais. a adoção de um padrão internacional de RSE pode ajudar a quebrar a visão preconcebida da comunidade internacional sobre os seus desafios internos (tais como. e iniciativas já consolidadas. facilitando a adesão das pequenas e médias empresas (PMEs). conforme defendem Ursini & Sekiguchi (2005). Assim. história. se se almeja criar uma norma de aceitação global.

A norma brasileira se baseia no mesmo sistema de gestão das ISOs 9001 e 14001 – o modelo PDCA (plan.7. visando ao desenvolvimento sustentável”. exige certificação. Não por acaso. buscando influenciar uma mudança na cultura organizacional. Convém destacar ainda o esforço do grupo gestor em garantir a participação equilibrada entre os países. Em paralelo ao processo de desenvolvimento da 26000. check. e a participação de organismos multilaterais. mas. muito mais do que apenas um sistema inovador de gestão (CHELEGON. Atender aos requisitos da norma brasileira não significa que a organização seja socialmente responsável. eliminará (no sentido positivo) 62 . responsável pela disseminação de conceitos de Gestão da RS e suas ferramentas de apoio no Brasil. diferentemente da ISO 26000. além da representação de todos os grupos de stakeholders envolvidos. Ela possui os requisitos necessários para que a organização saiba trabalhar com o seu público interno (funcionários e colaboradores). do. a norma ainda possui um perfil empresarial e é limitada na sua capacidade de atrair um público potencial que poderia adotar suas especificações. A partir dessa definição. Finaliza-se este tópico comparando a ISO 26000 com a já estabelecida norma brasileira de RS. a NBR 16001 é uma norma de especificidades e. esse foi o grupo que representou o Brasil na elaboração da ISO 26000. Considerações finais A norma ISO 26000 pretende ser a grande referência sobre responsabilidade social em todo o mundo. A Associação Brasileira de Normas Técnicas. Diferentemente da ISO 26000. esses países poderão ganhar maior presença e visibilidade. e a parceria da ISO com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). passou a se chamar de Grupo Tarefa de Responsabilidade Organizacional (ABNT/GTRO).Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 mundo todo. Ademais. que agregam credibilidade à norma: Organização das Nações Unidas (ONU). comunidades e imprensa. decidiu criar. que ela possui um sistema de gestão de Responsabilidade Social. Esse esboço tem como objetivo indicar os pontos convergentes e divergentes entre as duas práticas. É o primeiro documento sobre o assunto que apresenta um conteúdo amplo e foi construído com base no consenso entre diferentes representantes do mundo inteiro. act). 4. pode-se concluir que o foco da norma brasileira é a busca da transparência com os stakeholders. ONGs. devido à credibilidade da ISO – poderá facilitar a troca de experiência e o melhor entendimento da temática. um Grupo Tarefa sobre Responsabilidade Social Corporativa (ABNT/GTRSC) que. posteriormente. que contempla esse aspecto. 2008). sim. em 2002. como Governos. Não se pode negar que a criação de uma norma em RS – com aceitação mundial. portanto. além da busca pela relação ética com outros públicos. ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação A reflexão apresentada a seguir consistirá em uma breve análise comparativa entre as características da ISO 26000 e a NBR 16001 – a norma brasileira de responsabilidade social. diante de importantes acontecimentos ocorridos na década de 90. Apesar de seu caráter inovador. Já a ISO 26000 dirige-se às organizações que encaram a responsabilidade social como uma filosofia corporativa. a elaboração da norma brasileira de requisitos mínimos para um sistema de gestão da Responsabilidade Social (ABNT/NBR 16001) foi concluída em setembro de 2004. além de melhor acesso ao comércio internacional. sindicatos. Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). com a ressalva de que a ISO 26000 será complementar aos padrões internacionais da OIT. A ABNT define a RS como a “relação ética e transparente da organização com todas as suas partes interessadas. mas é bem mais abrangente.

Com a padronização desse conceito. tenham sido historicamente ignoradas pelo mercado. O espaço para a chamada auto regulação. é dinâmico. Finalmente. deve ser o condutor dessa transição em direção a uma economia sustentável. portanto. Ao se revisarem a noção de sustentabilidade (a manutenção do estoque de recursos e da qualidade ambiental para a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais e futuras). A privacidade das empresas também sai fortalecida quando ela está preparada para enfrentar qualquer tipo de pressão. 37% dos mais de mil entrevistados pensam que cabe ao Governo o papel de fiscalizar para que as empresas não poluam o meio ambiente. para o qual pesou o fato de liderar o processo de construção da nova norma. democraticamente estruturada. Contudo. as séries 9000 e 14000) ainda são válidas e espera-se também que continuem em debate após a publicação da ISO 26000. mais desafiante do que conquistar o mercado financeiro será convencer a sociedade de que a empresa privada – e não o Estado –. Por outro lado. O Brasil. sobretudo porque a auto regulação ambiental e social transformou-se em estratégia competitiva. novas formas de articulação de interesses estão sendo introduzidas pelas empresas. estando a questão da coordenação condicionada às condições existentes. em cada contexto 63 . espera-se ainda diferenciar de vez a ação filantrópica da ação socialmente responsável. o que não pode acontecer é que tal definição ponha um ponto final no assunto. Em outras palavras. Responsabilidade Social é um conceito relacionado ao comportamento da sociedade e. A transparência nas ações imposta por lei ou por pressão passará a ser fomentada pelas empresas. ainda não inspira confiança e o Estado ainda é visto como o principal regulador dessa prática. constata-se que a sustentabilidade do desenvolvimento requer justamente um mercado regulado e um horizonte de longo prazo para as decisões públicas. A sinergia Estado/Sociedade Impulsionado pelo imperativo da preservação ambiental. interna ou externa. A pergunta que ainda não foi respondida é como financiar essa forma de desenvolvimento que demanda investimentos de longo prazo. Mesmo próximo de seu lançamento. sentemse mais seguros e importantes quanto ao seu papel na sociedade ao interagirem e fazerem parte do negócio da organização. como suas antecessoras. patrocinada pelo Instituto Ethos. Embora variáveis. por sua vez. uma vez que estas percebem as vantagens de ouvir os seus stakeholders que. presencia-se uma relação mais equilibrada entre sociedade e mercado. deu um grande passo no sentido da modernização. no quesito “Atribuição de Responsabilidade”. algumas questões críticas levantadas anteriormente (por exemplo. e aos mecanismos disponíveis. conclui-se que um projeto de sociedade sustentável será construído com base na inter-relação. A última pesquisa sobre a percepção do consumidor brasileiro. revelou que.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 procedimentos e interpretações diferenciadas de acordo com cada país. procurando despertar o empreendedorismo das comunidades através da construção de capacitação institucional de suas organizações. sem o concurso da comunidade financeira. se a norma gerará um certificado. como tal. Face ao exposto. espera-se ter deixado claro que a responsabilidade social deve estar internalizada na cultura organizacional de tal forma que prepare a empresa para enfrentar os enormes desafios que envolvem o desenvolvimento sustentável e que a organização que pretenda seguir os princípios de RSE deve começar a fazê-lo a partir da sua própria mobilização interna: é essa transformação que se pode esperar nas próximas décadas. e assim deve se manter. apesar das suas ações isoladas e mais focadas na filantropia. entre todos os atores sociais. como longo prazo e gerações futuras.

você conheceu como aconteceu o movimento da RSE no setor financeiro.O que é a Norma ISO 26000 e quais suas principais características? Atividade: O dilema em estar assumindo funções do poder público é vivenciado pela maioria das empresas.O que são os ISRs? 4.Como aconteceu o movimento no RSE no setor financeiro? 2. 64 . com destaque para os Princípios do Equador. Explique as razões deste impasse e dê sugestões de como a empresa deve agir para evitá-lo. identificou seus interlocutores qualificados para formação de parcerias e alianças. com destaque para a Norma ISO 26000. De concreto. Questões para refletir/responder: 1. é preciso superar a dicotomia "menos ou mais Estado" e buscar a eficácia relativa das diferentes estruturas sociais. e os ISRs. o ambiente institucional no qual a empresa atua.Quais os principais marcos institucionais? 3. Revisão de Conteúdo Nesta Unidade.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 no qual esse relacionamento se expressa. sem negligenciar sua responsabilidade social.

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em convênio com o Japan Bank for International Cooperation – JBIC –. Banco do Nordeste do Brasil. 2006 Banco Bradesco é incluído no Dow Jones Sustainability Index. Bradesco e Safra lançam fundos atrelados ao ISE. Banco Itaú lança política de crédito com classificação do risco socioambiental dos clientes corporativos. Rede BankTrack lança manual "O que Fazer e o que Não Fazer em um Banco Sustentável". IFC aprova suas novas políticas socioambientais. eficiência energética e construção sustentável. Banco Bradesco anuncia o lançamento de produtos com foco socioambiental que irão gerar recursos financeiros para a Fundação Amazônia Sustentável. Bradesco e ABN Amro Real lançam produtos com foco socioambiental. primeiro fundo com foco em projetos do setor de saneamento básico e meio ambiente. Cerca de 50 instituições financeiras globais são signatárias dos Princípios do Equador. Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Ambiental.                     68 . Banco do Brasil. Banco Bradesco inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade socioambiental. Banco Unibanco obtém linha de crédito inédita da IFC para financiamento de projetos nas áreas de energia renovável. Unibanco. representando cerca de 90% do mercado de project finance no mundo. Unibanco Asset Management (UAM) e Banco Real Asset Management aderem ao Principles for Responsible Investment (PRI).Responsabilidade Socioambiental ANEXO 01: CRONOLOGIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NO SETOR FINANCEIRO         2008 Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Social que incorpora questões sociais na avaliação de risco de crédito. Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F realiza primeiro leilão público de créditos do carbono do mundo. Bancos Itaú. Banco Bradesco cria área de responsabilidade socioambiental. Bancos privados lançam nova versão dos Princípios do Equador. Banco HSBC lança política específica para o setor de energia. BNDES cria o Fundo Brasil Sustentabilidade. Banco Unibanco e Caixa Econômica Federal lançam fundos atrelados ao ISE. com ratificação dos bancos brasileiros. Rabobank lança política socioambiental com critérios para o setor rural. Bancos HSBC. cria linha de financiamento para projetos de comercialização de créditos de carbono. que incorpora questões ambientais na avaliação de risco de crédito. Banco HSBC lança linhas de crédito com foco socioambiental. primeiro fundo de investimento do país voltado para o desenvolvimento de projetos ambientais. Caixa Econômica Federal e BNDES reeditam o Protocolo Verde. Banco Bradesco lança o Banco do Planeta. título de renda fixa com foco socioambiental. Banco Real lança o CDB Sustentável. IFC e Centro de Estudos em Sustentabilidade – FGV/SP – lançam o Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis – LASFF. Banco da Amazônia. 2007 Banco Rabobank lança programa de créditos de carbono para incentivar o reflorestamento de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.. Caixa Econômica Federal e Banco Banif lançam fundo Caixa Ambiental. área dedicada a centralizar e ampliar todos os seus projetos e iniciativas socioambientais.

Seguradora Unibanco AIG lança seguro ambiental. que visa apoiar práticas de apoio a atividades produtivas de forma sustentável. Ocorre o lançamento do Principles for Responsible Investment (PRI). Fundo de pensão Petros adota critérios socioambientais para seleção da carteira de ações. cria Comissão de Responsabilidade Socioambiental e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. Banco ABN Amro lança política para o setor de jogos e política ética e social de países. Caixa Econômica Federal e a Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F. Banco ABN Amro Real inicia negócios com créditos de carbono. com adesão pioneira do fundo de pensão Previ. Banco HSBC lança políticas específicas para os setores de infraestrutura de água doce e químico. Acontece a primeira reunião entre a Rede BankTrack e os bancos signatários dos Princípios do Equador. Banco Itaú lança produtos com foco socioambiental.Responsabilidade Socioambiental    Banco ABN Amro Real lança fundo de investimento em infraestrutura com sistema de gestão ambiental . 2004 Rede BankTrack é formalmente constituída. Banco do Brasil adere aos Princípios do Equador e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. Banco HSBC lança política para o setor florestal. Banco do Brasil lança a estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável. Banco Itaú lança fundo Excelência Social. Itaú e Bradesco aderem aos Princípios do Equador. Banco ABN Amro inicia o lançamento de políticas específicas para setores mais sensíveis a impactos socioambientais. 2002 Banco ABN Amro Real adota política de riscos socioambientais. Organizações da sociedade civil lançam a Declaração de Collevecchio: 1ª declaração das ONGs sobre o papel do setor financeiro e a sustentabilidade. Banco Itaú aprimora suas políticas socioambientais. Banco ABN Amro lança políticas para os setores de defesa e de petróleo e gás. ABN Amro Real. Organizações da sociedade civil começam a monitorar o envolvimento dos bancos nos projetos da IIRSA1. cujos membros são os bancos do Brasil. CEBDS2 cria a Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis.Fundo InfraBrasil. Banco ABN Amro lança política para o setor de mineração e metalurgia. 2005 Banco Bradesco cria comitê e política socioambiental corporativa. 2003 Dez bancos internacionais lançam os Princípios do Equador. Banco ABN Amro Real lança produtos com foco socioambiental. Bovespa lança o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Bradesco. Itaú. Bancos Unibanco. Banco ABN Amro Real amplia sua linha de produtos com foco socioambiental. Banco do Brasil lança fundo atrelado ao ISE. Rede BankTrack lança campanhas específicas para monitorar bancos de países emergentes e os direitos humanos em instituições financeiras. 69                            .

Banco ABN Amro Real inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade social.  Bolsa de Nova York lança o Dow Jones Sustainability Index (DJSI).com. (1) Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana: iniciativa dos 12 Governos sul-americanos para implantação de projetos de infra-estrutura www. 2000 Amigos da Terra – Amazônia Brasileira dá início ao projeto Eco-Finanças.Responsabilidade Socioambiental    2001 Banco ABN Amro Real lança fundo Ethical. (2) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.br). FONTE: site Finanças Sustentáveis (www.financassustentaveis. Campanhas internacionais da sociedade civil sobre projetos financiados por bancos privados ganham maior visibilidade. 70 .org. ABN Amro lança política para o setor de florestas e reflorestamento. Acesso em 10-05-2010.iirsa.   1999  Banco Itaú é incluído no DJSI.

Com a definição do Conceito e da Carta de Princípios.3 Apoiar programas relacionados à defesa e à promoção dos direitos humanos. O Banco assina. 2.1 Implementar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. estimulando outras empresas a se engajarem na questão. sob a forma de lucros e participação no mercado. uma ferramenta que está em desenvolvimento e que permitirá acompanhar e avaliar as ações do Banco com relação ao desenvolvimento sustentável e. 3. 2. em especial. explicitou-se o interesse em contribuir para o desenvolvimento de um novo sistema de valores para a sociedade que tenha como referencial maior o respeito à vida humana e ao meio ambiente. DIMENSÃO NEGÓCIOS COM FOCO NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 1. à contribuição do Banco do Brasil para o desenvolvimento sustentável do País.3 Manter processos negociais coerentes com os Princípios de RSA. geração de trabalho e renda e respeito ao meio ambiente. 3.1 Disseminar os princípios e fortalecer a cultura de RSA na Comunidade BB. 1. 3. 2. DIMENSÃO PRÁTICAS ADMINISTRATIVAS E NEGOCIAIS COM RSA 2. O Banco assumiu com essa iniciativa. protocolo com o MMA no sentido de disseminar a Agenda 21 nos projetos de Desenvolvimento Regional Sustentável.5 Incentivar a atuação dos funcionários em trabalhos voluntários e ações sociais. mediante a incorporação daqueles princípios a seus produtos. negócios e rotinas administrativas.2 Financiar atividades de geração de trabalho e renda e de inclusão social. o papel orientador e catalisador no processo de criação das agendas 21 empresariais em nível nacional. evidenciou-se a intenção estratégica do Banco do Brasil em conciliar o atendimento aos interesses dos seus acionistas com o desenvolvimento de negócios social e ambientalmente sustentáveis. O tema da responsabilidade socioambiental passou a ser pauta das decisões estratégicas e operacionais do Banco do Brasil com a criação da Unidade Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental (RSA).2 Apoiar programas relacionados à consciência e preservação ambiental. Dimensões estratégicas e pragmáticas da Agenda 21 do BB e seus Objetivos 1. ao mesmo tempo em que busca resultados sociais e ambientais.2 Manter processos administrativos coerentes com os Princípios de RSA. ainda.O Banco do Brasil e a responsabilidade socioambiental Com o objetivo de aderir aos princípios da Agenda 21 e sustentando suas metas de comprometimento com o desenvolvimento sustentável de seus negócios. 2.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 02 .5 Influenciar a incorporação dos princípios de RSA no País.3 Financiar atividades e tecnologias ambientalmente adequadas. serviços. DIMENSÃO INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO 3. 2. a partir da comparação com ou tras 71 . Diante desses novos objetivos.4 Fortalecer a interação com os públicos de relacionamento. Dessa forma.1 Contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. A definição de um conceito e de uma carta de princípios de responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil se fez importante para fundamentar e direcionar as ações e movimentos voltados à internalização da cultura de responsabilidade socioambiental no Conglomerado. o Banco do Brasil criou sua Agenda 21 Empresarial. sob a forma de inclusão social. Além disso. o Banco do Brasil criou o Painel do Desenvolvimento Sustentável. 3. o Banco do Brasil cuida para que seus negócios gerem resultados econômicos. O painel propicia também. 3. 1.4 Captar recursos para apoiar ações vinculadas ao desenvolvimento social. condição indispensável à sustentabilidade da própria humanidade.

e toda forma de vida é importante. workshops e eventos (como o prêmio Ethos). Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho. credores. quando comparado o resultado de 2004 com o do ano anterior. parceiros. sociais e de governança nas suas análises de financiamento. elaborou-se um ensaio de indicadores inspirados em iniciativas que são referências em relatos de sustentabilidade em nível nacional (Ethos. envolvendo diversas áreas do BB. a ética e o respeito ao meio ambiente como balizadores das práticas administrativas e negociais da Empresa. Alem disso. Governo e meio ambiente”. Estimular. nas relações com o Governo. Para tornar operacional o Painel. Diretoria Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental .Dire BB se compromete a: 1.Responsabilidade Socioambiental iniciativas na indústria financeira. a indicação de áreas ou setores nos quais o Banco pode construir vantagem competitiva ou diferenciação em termos de RSA. raça. etnia. tais como: Direitos Humanos. 3. Responsabilidade socioambiental na prática Além de aderir ao Pacto Global da ONU em 2003. o Banco do Brasil também participou da elaboração do relatório Who Care Wins – Connecting Financial Markets to a Changing World . o Mercado e a Sociedade Civil. clientes. a implementação da Agenda 21 do BB resultou no desenvolvimento de várias ações. 2. Repelir preconceitos e discriminações de gênero. colaboradores. fornecedores. 9. concorrentes. Ter a transparência. Responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil é “ter a ética como compromisso e o respeito como atitude nas relações com funcionários. para adotar modelo próprio de gestão da Responsabilidade Socioambiental à altura da corporação e dos desafios do Brasil contemporâneo. 72 . 7. difundir e implementar práticas de desenvolvimento sustentável. acionistas. Reconhecer que todos os seres são interligados. Diante da preocupação com o impacto socioambiental de grandes projetos financiados com recursos creditícios. sendo o primeiro banco a integrar oficialmente o grupo de instituições financeiras que aderiu aos Princípios. o Banco do Brasil também vem promovendo intensos debates sobre o assunto. gestão de ativos e seguridade. Princípios sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Ibase. 4. com especial destaque para a dimensão “relação com fornecedores”. Entre 2003 e 2006. antes de tudo. Febraban) e internacional (Global Reporting Initiative) para cada conjunto de objetivos definidos no painel. orientação sexual. Carta de Princípios de Responsabilidade Socioambiental . Pautar relacionamentos com terceiros a partir de critérios que observem os princípios de responsabilidade socioambiental e promovam o desenvolvimento econômico e social. como cidadãos. Enxergar clientes e potenciais clientes. 5. Essas iniciativas permitiram que o Banco obtivesse desempenho superior em cinco das sete dimensões avaliadas a partir dos Indicadores Ethos. comunidade. com recomendações para a indústria financeira melhor integrar questões ambientais. Atuar em consonância com Valores Universais. Fortalecer a visão da Responsabilidade Socioambiental como investimento permanente e necessário para o futuro da humanidade. credo ou de qualquer espécie. Perceber e valer-se da posição estratégica da corporação BB. o Banco do Brasil decidiu aderir aos Princípios do Equador. com o objetivo de colaborar sempre com o movimento de estimulo ao engajamento das empresas em relação à Responsabilidade socioambiental. 8. 6.Banco do Brasil.de iniciativa também da ONU.

Entre as diretrizes estabelecidas. para o financiamento da comercialização da pesca. ético e espiritual dos funcionários e colaboradores possa ser aproveitado. Em consonância com sua diversidade de atuação. borracha e outros produtos extrativos. banco setorial (crédito rural) e banco de desenvolvimento (gestor do Fundo Constitucional para a Região Centro-Oeste). principal fonte de recursos internos para operações incentivadas de longo prazo geridas pelo Banco do Brasil é exigido. A avaliação da sustentabilidade segue o critério internacional do triple bottom line. utilizado como referência para o fundo de investimento BB Ações Índice de Sustentabilidade Empresarial. Fundamentar o relacionamento com os funcionários e colaboradores na ética e no respeito. 14. dotadas de práticas conservacionistas adequadas à defesa do solo e do meio ambiente. 11. em sua plenitude. consoante a legislação ambiental vigente. Contribuir para que o potencial intelectual. 13. o cumprimento da legislação ambiental. de proteção dos mananciais. profissional. A participação do Banco do Brasil no índice representa um significativo reconhecimento de mercado quanto ao BB ser uma empresa que gera valor para os seus acionistas de uma forma social e ambientalmente responsável. Com relação aos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). que se comprometem a recomendar tecnologias de produção exequíveis. de proteção da fauna e da flora e outras considerações de conservação ambiental indicadas na Constituição Federal e nas Constituições Estaduais. criado em 2005. é incluída a cláusula contratual de comprometimento do devedor em conservar o meio ambiente obedecendo a critérios técnicos e legais de preservação das matas ciliares. Alguns exemplos de RSA realizados pelo Banco do Brasil O Banco do Brasil caracteriza-se como um Banco de múltiplas funções. Estabelecer e difundir boas práticas de governança corporativa. Em financiamentos industriais. de forma integrada. que a reestruturação do Protocolo Verde conferiria condições institucionais para a transformação dos créditos oficiais e privados em instrumentos de indução efetiva do desenvolvimento das atividades produtivas. que contou com a participação do BB. madeira. também. Em janeiro de 2005. responsabilidade social e indicadores financeiros saudáveis. O índice. na apresentação dos projetos. Essa prática torna. foi instalado pelo Ministério da Fazenda um Grupo de Trabalho Interministerial. de conservação do solo e água. artístico. sociais e ambientais das empresas. que avalia. encostas e topos de morro. utilizando critérios ambientais. a variável ambiental é tratada em diversas normas e recomendações. Isso também é válido para o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera). agindo como banco comercial (crédito geral). 12. Contribuir para a universalização dos direitos sociais e da cidadania. pela sociedade. o Banco do Brasil possui convênios com empresas de assistência técnica. denominado Crédito para o Desenvolvimento Sustentável.Responsabilidade Socioambiental 10. o Banco não financia serrarias que utilizam madeiras oriundas de floresta nativa. Índice de sustentabilidade empresarial da Bovespa O Banco do Brasil também faz parte do grupo de empresas selecionadas para compor o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. reúne empresas que se pautam pelo respeito ao meio ambiente. o licenciamento ambiental é exigido e. preservando os compromissos com acionistas e investidores. dimensões econômico-financeiras. Contribuir para a inclusão de pessoas com deficiência. Por exemplo. da utilização do manejo integrado de pragas. Com relação ao crédito rural. a ação do BB mais 73 . de forma consensual. especialmente naqueles relativos ao controle e preservação do meio ambiente e equilíbrio ecológico. Em projetos de reforma agrária. ficou acordado. as normas internas se tornam ainda mais rigorosas.

na qual se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. aumento do nível do mar. concessão de crédito oficial e benefícios fiscais às atividades produtivas. um documento que possui. tais como dióxido de carbono (CO2). consiste de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos em 1995 (Banco do Brasil. Na busca de soluções para a questão climática. em última instância. Banco do Nordeste. com a institucionalidade pública que estava sendo implantada. Dentre as Conferências realizadas até 2005. na qual foi elaborado o Protocolo de Quioto. principalmente. em 29 de maio de 1995. sobre as práticas ambientais vigentes no conjunto das atividades produtivas desenvolvidas por multiplicidade de agentes econômicos no conjunto do território brasileiro. aterros sanitários. BNDES.Responsabilidade Socioambiental atrativa. foi estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. ao mesmo tempo. da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral). um caráter pioneiro no marco latino-americano como compromisso de um sistema financeiro público com princípios de implementação de políticas ambientais. oriundos. uma vez que os investidores estão associando as ações de sustentabilidade social e ambiental das empresas com a perspectiva de menores riscos e de lucros. Seu objetivo era elaborar uma proposta contendo diretrizes. Durante a Rio-92. A incorporação da dimensão ambiental pelos bancos viria a ter efeitos potencializadores. Banco do Brasil face ao mercado de créditos de carbono e Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global – sendo causado pela intensificação do efeito estufa. Os encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). viria a dar origem a uma nova cultura ambiental. Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). a mudança de comportamentos dos tomadores de decisões e. lixões. Este. é de se destacar a COP 3. processos industriais e atividades agropastoris. O Protocolo Verde. por sua vez. A intenção era implementar mecanismos financeiros que complementassem e. metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). por meio de todo o sistema de crédito público. Essa intensificação. estabelece 74 . criassem sinergias com a legislação ambiental existente. Banco da Amazônia. por sua vez. o Governo brasileiro buscou definir linhas de ação com compromissos ambientais para o sistema de bancos públicos federais. vem provocando o derretimento das geleiras. estratégias e mecanismos operacionais para a incorporação de dimensões ambientais no processo de gestão. alteração no suprimento de água doce e eventos climáticos extremos. Acompanhando uma tendência que então começava a despontar no cenário financeiro internacional. Japão. Essa difusão e incorporação de práticas de proteção ambiental teriam como consequência. objetivando a consolidação de políticas públicas coerentes e consistentes. por sua vez. em níveis adequados para o clima do planeta. ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. foi criada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) na Rio-92. sem dúvida. com o objetivo principal de estabelecer ações que levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. em Quioto. ocorrida em 1997. e em uma perspectiva pioneira na região latino-americana. as instituições financeiras federais assinaram a denominada Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável. Em função dos objetivos do Protocolo. com os dispositivos de comando e controle e com outros instrumentos econômicos na área ambiental. Protocolo Verde O denominado Protocolo Verde teve sua origem em um Grupo de Trabalho instituído pelo Governo Federal por meio de decreto. desertificação.

enviado as 500 maiores empresas do mundo. Banco do Brasil. e a contribuição para que os países do Anexo I cumpram suas reduções de emissão. Dentre os mecanismos de flexibilização. 75 . no Estado do Rio de Janeiro. Essas metas deverão ser atingidas entre 2008 e 2012.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. Brasil. Por meio desse mecanismo. com ações que não requerem a criação de novos produtos e serviços e não envolvem mudanças de estrutura do mercado. Implementação Conjunta. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). a partir da implantação de tecnologias mais limpas nessas nações. os países afetados pelo protocolo poderão utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. de países em desenvolvimento responsáveis por tais projetos. com a avaliação da necessidade de ações que requerem o desenvolvimento de produtos e serviços específicos. O Protocolo estabelece que as metas deverão ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitem diretamente as emissões. equivalentes em tonelada de CO2. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. ou nações sem compromissos de redução. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE. Além de coerente com a postura de responsabilidade socioambiental do Banco do Brasil. juntamente com os principais investidores institucionais no mundo. Os países que não conseguirem atingir suas metas terão a liberdade para investir em projetos MDL de países em desenvolvimento. em função do seu nível de industrialização (denominados no Protocolo como Partes Anexo I). que prevê ponderações acerca dos impactos sociais e ambientais das práticas administrativas e negociais – considerados aí os investimentos realizados –. Em março de 2005. Sendo assim. O MDL é um instrumento de flexibilização que permite a participação no mercado dos países em desenvolvimento. o apoio à iniciativa vem ao encontro dos interesses em causa. Além das ações de caráter nacional. manifestaram formalmente apoio ao pedido de abertura de informações sobre a emissão de gases de efeito estufa. no médio e longo prazos. chamadas de mecanismos de flexibilização. diretrizes e soluções específicas para o mercado de créditos de carbono: no curto prazo. tendo os créditos de carbono sido negociados diretamente com os Países Baixos. denominadas “créditos de carbono”. O MDL visa ao alcance do desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento (país anfitrião). O Brasil deve se beneficiar desse cenário como vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes. que utiliza tecnologias bem precisas de engenharia sanitária. países desenvolvidos comprariam créditos de carbono. aprovado pela ONU no mundo foi o do aterro sanitário de Nova Iguaçu. Brasilprev e Previ. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) nasceu de uma proposta brasileira à CQNUMC para tratar do comércio de créditos de carbono baseado em projetos de sequestro ou mitigação.Responsabilidade Socioambiental metas de redução de emissão de GEE para os países que historicamente foram os que contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. o mais importante para o Brasil é o MDL. O Banco do Brasil decidiu ter uma atuação efetiva no sentido de se posicionar como referência no mercado por meio do desenvolvimento de políticas. O primeiro projeto de MDL. a saber: Comércio de Emissões. produzindo uma redução em média de 5. como o Brasil.

Essas tendências são perigosas. mas não inevitáveis. As bases da segurança global estão ameaçadas.CARTA DA TERRA Preâmbulo Vive-se de um momento crítico na História da Terra. solos férteis. Responsabilidade Universal Para realizar essas aspirações. o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. declarem a sua responsabilidade uns para com os outros. A Terra. Deve-se juntar todos para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza. instituições e modos de vida. na justiça econômica e numa cultura da paz. águas puras e ar limpo. nos direitos humanos universais. identificado com a comunidade terrestre como um todo. Os desafios ambientais. Tem-se o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir os impactos no meio ambiente. ao mesmo tempo. uma rica variedade de plantas e animais. bem como com as comunidades locais. quando as necessidades básicas forem supridas. Deve-se entender que. nosso lar A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies comunidades estão sendo arruinadas. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta. é imperativo os povos da Terra. Ao 76 . Na medida em que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos. Terra. sociais e espirituais estão interligados e juntos podem-se forjar soluções inclusivas. Para chegar a esse propósito. lar de todos. o futuro reserva. deve-se decidir viver com um sentido de responsabilidade universal.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 03 . O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. A Situação Global Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental. com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. a pobreza. há uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Para seguir adiante. econômicos. grande perigo e grande esperança. políticos. no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida. mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. é viva como uma comunidade de vida incomparável. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores. A injustiça. A proteção da vitalidade. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. deve-se reconhecer que. Desafios Futuros A escolha é da sociedade: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a sua destruição e a da diversidade da vida. diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

administrar e usar os recursos naturais. a. b. afirmam-se os princípios a seguir discriminados. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. participativas. b. Portanto. Construir sociedades democráticas que sejam justas. vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. organizações. visando a um modo de vida sustentável como padrão comum. em todos os níveis. Princípios Carta da Terra I. que seja ecologicamente responsável. através dos quais a conduta de todos os indivíduos. com urgência. de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Assegurar que as comunidades. b. a. a. dos conhecimentos e do poder. existem cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. independentemente de sua utilidade para os seres humanos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando se vive com reverência o mistério da existência. Assumir que. 77 . a. com o aumento da liberdade. empresas. artístico. Aceitar que. Necessita-se. Transmitir às futuras gerações valores. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações. Governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada. com o direito de possuir. juntos na esperança. 3. tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo. 2. interdependentes. com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza. Respeitar e Cuidar da Comunidade de Vida 1. compaixão e amor. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. ético e espiritual da humanidade. 4. b. Promover a justiça econômica e social. Cuidar da comunidade da vida com compreensão. vem a maior responsabilidade de promover o bem comum. Afirmar a fé na dignidade inerente a todos os seres humanos e no potencial intelectual. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor. garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.Responsabilidade Socioambiental mesmo tempo. propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura. sustentáveis e pacíficas.

os direitos humanos e o bem-estar comunitário. com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida. a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras. c. como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave. Adotar. e. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais. reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. c. b. manter a biodiversidade e preservar a herança natural da humanidade. incluindo terras selvagens e áreas marinhas. quando o conhecimento for limitado. como a energia solar e do vento. Administrar a extração e o uso de recursos não renováveis. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental. Reduzir. d. produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas. c. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. b. f. d. Promover o desenvolvimento. solo. a. d. Controlar e erradicar organismos não nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais. indiretas. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente. b. Adotar padrões de produção. a longo prazo. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas. Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis. 7. a. para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra. e. de longo alcance e globais das atividades humanas. 78 . a. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados. em todos os níveis. Administrar o uso de recursos renováveis como água. planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento. 6. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis. assumir uma atitude de precaução. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as consequências cumulativas.Responsabilidade Socioambiental II. tóxicas ou outras substâncias perigosas. consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e. mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não conclusivo. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis.

JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. a. 79 . Garantir o direito à água potável. 11. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas atividades. a. social e ambiental. técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas. a. c. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável. servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações. incluindo informação genética. política. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação. c. ao abrigo e saneamento seguro. a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas. c.Responsabilidade Socioambiental e. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade. f. b. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas. 10. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental. Incrementar os recursos intelectuais. ao ar puro. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família. alocando os recursos nacionais e internacionais demandados. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica. Reconhecer os ignorados. c. d. civil. proteger os vulneráveis. b. permaneçam disponíveis ao domínio público III. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações. à segurança alimentar. Erradicar a pobreza como um imperativo ético. b. social e cultural como parceiras plenas e paritárias. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito. 8. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano. financeiros. com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria. a. tomadoras de decisão. aos solos não contaminados. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido. assistência de saúde e às oportunidades econômicas. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável. b. líderes e beneficiárias.

cor. idioma e origem nacional. d. gênero.Responsabilidade Socioambiental 12. conhecimentos. b. IV. os conhecimentos. terras e recursos. como as baseadas em raça. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. d. incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. f. c. a. c. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes. participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis. valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. DEMOCRACIA. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse. habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes. Promover a contribuição das artes e das humanidades. oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. b. étnica ou social. a saúde corporal e o bem-estar espiritual. sem discriminação. 80 . Fortalecer as comunidades locais. na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida. de associação e de oposição. na educação para sustentabilidade. os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual. Defender. c. a. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade. Honrar e apoiar os jovens das comunidades. de reunião pacífica. e. de expressão. orientação sexual. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais. e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais em que possam ser cumpridas mais efetivamente. regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessadas na tomada de decisões. Eliminar a discriminação em todas as suas formas. Integrar. habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. Apoiar sociedades civis locais. b. a. especialmente a crianças e jovens. Prover a todos. assim como das ciências. Proteger os direitos à liberdade de opinião. NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13. ATENÇÃO: O CONCEITO DE “RAÇA” É INDESEJADO. religião. 14. com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do Governo.

e. b. Isso requer uma mudança na mente e no coração dos homens. a. os meios de comunicação. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento. família. objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz. 15. a. outras culturas. 81 . o que pode significar escolhas difíceis. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável. a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas. biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. a humanidade tem-se de comprometer a adotar e a promover os valores e objetivos da Carta. necessita-se encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade. As artes. f. Proteger animais selvagens de métodos de caça. Deve-se desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local. Entretanto. o destino comum conclama a sociedade a buscar um novo começo. com outras pessoas. prolongado ou evitável. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma ação defensiva não provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos. organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. dentro das e entre as nações. as empresas. com a Terra e com a totalidade maior da qual se faz parte. regional e global. O Caminho Adiante Como nunca antes na História. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. 16. nacional. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. as instituições educativas. as ciências. outras vidas. as religiões. e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar essa visão. A parceria entre Governo. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputa. não violência e paz. d. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas. sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva. Para cumprir essa promessa. Deve-se aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra. Estimular e apoiar o entendimento mútuo. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. A diversidade cultural é uma herança preciosa. porque se tem muito a aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria. c. Eliminar armas nucleares. c. as organizações não governamentais e os Governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. o exercício da liberdade com o bem comum. Promover uma cultura de tolerância. b. Todo indivíduo. incluindo restauração ecológica.Responsabilidade Socioambiental d. A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo.

cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.html 82 . a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. Que o tempo presente seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida. pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade.Responsabilidade Socioambiental Para construir uma comunidade global sustentável.org/prt/text. as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas.cartadaterrabrasil. Fonte: http://www.

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