Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 - Pavimentação – Prof.

Geraldo Luciano de Oliveira Marques

Capítulo 9

CONCRETO ASFÁLTICO

Também chamado de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). É um revestimento flexível, resultante da mistura a quente, em usina apropriada, de agregado mineral graduado, material de enchimento (filer) e material betuminoso, espalhada e comprimida a quente. É a mistura de mais alta qualidade, em que um controle rígido na dosagem, mistura e execução deve atender a exigências de estabilidade, durabilidade, flexibilidade e resistência ao deslizamento preconizados pelas Normas Construtivas. Propriedades fundamentais das misturas de concreto betuminoso: Durabilidade, flexibilidade, estabilidade e resistência ao deslizamento. Pode ser composto de: Camada de nivelamento, camada de ligação (Binder) e camada de desgaste ou rolamento, conforme Figura 46.

Figura 46 - Tipos de Utilização do Concreto Asfáltico 169

Os caminhões basculantes são usados para transporte da mistura devem ser providos de lonas. Os equipamentos para compressão normalmente usados são os rolos metálicos lisos. pó calcário. A Figura 48 mostra uma acabadora em funcionamento. escória britada. A Figura 47 mostra o esquema geral de funcionamento de uma usina contínua (volumétrica). 170 . termômetro para registrar a temperatura dos agregados. termômetro na linha de alimentação de asfalto. As acabadoras são usadas para espalhar e conformar a mistura nos alinhamentos. 50/70.Filer: Cimento Portland. tipo tandem ou rolos metálicos liso vibratório com carga de 8 a 12 ton e rolos pneumáticos auto-propulsores que permitam a calibragem dos pneus de 35 a 120 lib/pol2. Geraldo Luciano de Oliveira Marques Geralmente são utilizados os seguintes materiais na composição de um concreto asfáltico: .Agregados graúdos: Pedra Britada. . misturadores capazes de produzir mistura uniforme.1. Os depósitos para agregado são divididos em compartimentos (silos). . nas cotas de projeto e abaulamentos requeridos.Agregados miúdos: areia.Equipamentos utilizados As usinas para estas misturas betuminosas podem ser descontínuas (de peso) ou usinas contínuas (de volume). seixo rolado britado ou não .Pavimentação – Prof. Deverão ter unidade classificadora de agregado. que atendem a seguinte granulometria: Peneiras n°40 n°80 n°200 % mínima passante 100 95 65 9.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . pó de pedra ou mistura de ambos. Os depósitos de material betuminoso são providos de dispositivos para aquecer o material (serpentina elétrica) e não devem ter contato com chamas.Materiais betuminosos: CAP 30/45. 85/100. cal. com peso variando de 5 a 35 ton.

Pavimentação – Prof. Geraldo Luciano de Oliveira Marques Figura 47 .Acabadora de Asfalto Auto -Propulsora 171 .Esquema de uma Usina Contínua Figura 48 .Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .

Conhecendo-se a curva Viscosidade-Temperatura do ligante betuminoso (CAP) utilizado. A especificação para CBUQ do DNER (DNER-ES-313/94) determina que a viscosidade do CAP para espalhamento e compactação deve estar entre 75 e 95 SSF. A temperatura ambiente deve estar acima de 10º C e tempo não chuvoso.Distribuição e compressão da mistura A temperatura de aplicação depende do tipo de ligante. Os agregados devem ser aquecidos a temperaturas de 10º a 15ºC acima da temperatura do ligante. A Figura 49 mostra o esquema de distribuição de pressão dos rolos pneumáticos e a Figura 50 mostra o esquema de recobrimento de duas passadas consecutivas. Normalmente os limites para a aplicação do CBUQ devem estar entre 107º C e 177º C. sendo que as especificações para o concreto asfáltico fixam as faixas de viscosidade para o espalhamento e compressão. Abertura ao tráfego deve ser feita somente após o completo resfriamento da mistura. Esta operação deve ser feita dos bordos para o eixo (nos casos de trechos em tangente) e do bordo mais baixo para o mais alto (nos casos de trechos em curva). causando uma maior pressão de compactação.Distribuição de Pressão através de Rolos de Pneus 172 . determina-se a temperatura ideal para as operações de espalhamento e compressão através de correlação com o valor da viscosidade indicada na especificação.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . A medida que se eleva a pressão dos pneumáticos a área de contato pneupavimento vai diminuindo. Figura 49 . Cada passada deve recobrir pelo menos a metade da largura rolada anteriormente. Geraldo Luciano de Oliveira Marques 9. A rolagem deve ser iniciada com baixa pressão dos pneus e sendo aumentada aos poucos.2.Pavimentação – Prof.

Qualidade dos agregados: feita através dos ensaios de Granulometria. . devem ser comparados com os valores da dosagem. . Geraldo Luciano de Oliveira Marques Figura 50 . . Também pode-se comparar a densidade aparente de projeto com a de corpos de prova extraídos após a compactação através de sondas rotativas. por dia de produção.5 cm entre dois pontos. a fluência e os demais parâmetros medidos. Equivalente de areia.3.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . Viscosidade. .Quantidade de ligante na mistura: feita mediante o ensaio de Extração de betume.Controle da graduação da mistura de agregados: pelo ensaio de granulometria dos agregados resultantes da extração de betume (enquadrar nas especificações).Controles Normalmente são feitos os seguintes controles: . retiradas depois da acabadora e antes da rolagem. Ponto de Amolecimento. “Los Angeles” . Após a compressão mede-se a densidade aparente e compara-se com a de projeto.Controle da temperatura: deverá ser controlada a temperatura do agregado no silo quente da usina. em amostras coletadas na pista para cada 8 horas de trabalho. Índice de Forma.Qualidade do material betuminoso: feita através dos ensaios de Penetração.Controle das características Marshall da mistura: normalmente exige-se 2 ensaios Marshall com 3 corpos de prova cada. da mistura betuminosa na saída do misturador da usina e da mistura no momento do espalhamento e início da rolagem.5mm). .Controle do acabamento da superfície: permite-se uma tolerância de 0. etc.Esquema de Recobrimento de Compactação de Rolos Pneumáticos 9. Ponto de Fulgor. .Pavimentação – Prof. . A estabilidade. 173 . do ligante na usina. .Controle da compactação: pode ser feita através de anéis metálicos (10 cm de diâmetro × altura do pavimento .Controle da espessura: permite-se uma variação de ± 10% da espessura de projeto.

Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .Pavimentação – Prof. Durabilidade: É a resistência oferecida pela mistura à ação desagregadora de agentes climáticos e forças abrasivas resultantes da ação do tráfego. Simboliza a resistência ao cisalhamento da mistura. etc. da temperatura. forma e resistência dos agregados.Constituição da mistura Uma mistura de concreto asfáltico pode ser representada esquematicamente da seguinte forma. da área. Fatores determinantes: teor de betume e resistência a abrasão do agregado. O atrito depende da granulometria. onde o atrito é desenvolvido no arcabouço sólido e a coesão fornecida pelo betume. A coesão é função da velocidade com que se processa o carregamento.4. É função da qualidade do agregado. Resistência ao deslizamento: É a habilidade da superfície da mistura evitar o deslizamento dos pneus. da viscosidade do betume.Propriedades básicas Estabilidade: É a habilidade da mistura oferecer resistência à deformação sob o efeito da aplicação de cargas. Geraldo Luciano de Oliveira Marques 9.5 . Vazios Mb Mf Mt Maf Agregado Fino Vaf Asfalto Vv Vb Vf Vt VAM Filer Mag Agregado Graúdo Vag 174 . Flexibilidade: É a habilidade da mistura fletir repentinamente sem que ocorra ruptura e de acomodar-se aos recalques diferenciais ocorridos nas camadas de base. 9. do teor de betume e textura superficial.

d × 100 D d) Porcentagem de Vazios do Agregado Mineral ( VAM ) É o volume total de vazios dado pela soma dos vazios da mistura mais o volume ocupado pelo asfalto.Pavimentação – Prof. É a relação entre a massa total da mistura (100%) e os volumes correspondentes ao “cheios“ da mistura: DMT = Mt Vb + Vf + Vaf + Vag DMT= 100 .Controle de compactação durante a construção. sua plasticidade poderá ficar acrescida. %f. Se uma mistura betuminosa sofrer uma consolidação devido a ação do tráfego. D f .Cálculo da % de vazios do agregado mineral ( exigência de projeto ). Este parâmetro é de grande interesse. pois a % de betume que preenchia os vazios dos agregados pode tornar-se excessiva. D ag → Densidade (real ou aparente) de cada componente da mistura c) Porcentagem de Vazios na mistura ( Vv ) É a relação entre o volume de vazios ocupado pelo ar e o volume total da mistura. Misturas com elevada % Vv podem levar a ocorrência de oxidação excessiva do ligante betuminoso. Geraldo Luciano de Oliveira Marques 9. reduzindo a vida útil do concreto asfáltico. . %b + %f + %af + %ag Db Df Daf Dag Sendo: %a.6.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . %af. b) Densidade Máxima Teórica da mistura (DMT) É a densidade da mistura asfáltica suposta sem vazios. D af . Vv = D . %ag → % com que cada componente que entra na mistura Db . devido 175 . além de proporcionar permeabilidade ao ar e água. Finalidades: . Misturas com baixo % Vv levam a ocorrência do fenômeno da exsudação.Ma sendo: M = massa do corpo de prova Ma = massa do corpo de prova imerso em água.Parâmetros de interesse a) Densidade Aparente da mistura ( d ) d= M M .

d × 100 + d × % b D db e) Relação Betume-Vazios Esta relação indica qual a porcentagem de vazios do agregado mineral é preenchida por betume.Escolha dos agregados e material betuminoso 2ª . vazios do agregado mineral.Determinação das porcentagens com que os agregados (grosso e fino) e filer devem contribuir na mistura de modo a atender as especificações com relação a granulometria. Para a dosagem do concreto betuminoso.Comparação da mistura estudada com as exigências das especificações com relação aos vazios de ar. normalmente devem ser vencidas as seguintes etapas: 1ª . Geraldo Luciano de Oliveira Marques à redução do volume de vazios.Vv VAM Se VAM = 100 Se VAM = 0 → todos os vazios da mistura estariam preenchidos de asfalto. dosa-se novamente a mistura. Este item já foi visto no item “mistura de agregados” onde foram estudados vários métodos de mistura (analítico. 3ª . 9. Esta operação pode ser feita por tentativas.Determinação do teor ótimo de betume. → mistura sem asfalto.7 .Pavimentação – Prof. % RBV = Vb × 100% VAM ou %RBV = VAM . Não sendo satisfeitas estas condições. tentativas).Dosagem do concreto asfáltico Após a definição dos materiais a serem empregados na mistura asfáltica (agregados. filer e tipo de ligante) passa-se a dosagem do concreto betuminoso. A % VAM é normalmente fixada em função do diâmetro máximo do agregado da mistura: VAM = Vv + Vb. Este fenômeno poderá levar o revestimento a deformação. Existem outros processos que dão idéia bem aproximada do teor de asfalto como o método da área específica ou o método dos vazios. deslocamentos e rupturas. aonde se vai variando o teor de asfalto e comparando os resultados de ensaios de estabilidade para vários teores estudados.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . gráficos. granulometria e estabilidade. VAM = D . 4ª . onde o teor de asfalto residual é o item fundamental. 176 .

a estabilidade. DERs . ao mesmo tempo. Agregado miúdo = 31% e Filer = 4%) que satisfaçam a uma determinada faixa granulométrica. dadas a seguir). Geraldo Luciano de Oliveira Marques Na dosagem do concreto betuminoso podem ser usados vários métodos como por exemplo: Marshall. Ao se aumentar o teor de ligante além de um certo ponto. Temos então duas maneiras de explicitar o traço da mistura: 177 . passa-se ao estudo da mistura dos agregados. em peso. os agregados devem ser misturados em proporções de modo a se enquadrarem nas faixas granulométricas pré-estabelecidas (vide especificações para o Concreto Asfáltico do DNER. de modo a atenderem à especificação granulométrica do Concreto Asfáltico. a densidade. b) Determinação do teor ótimo de ligante Utilizando-se agregados razoavelmente bem graduados. Ruiz e mais recentemente a metodologia SUPERPAVE do programa americano SHRP. não se conseguirá uma máxima consolidação. em peso.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . Suponhamos 3 materiais (Agregado graúdo = 65%. a fluência. etc) recomendam o método Marshall para dosagem do concreto betuminoso.Pavimentação – Prof. O método Marshall a) Estudo da mistura de agregados Nesta fase preliminar são determinadas as principais características dos agregados escolhidos como por exemplo a massa específica real e aparente dos agregados. os vazios existentes entre as partículas deverão ser preenchidos com ligantes. Este método foi criado pelo Engenheiro Bruce Marshall e baseia-se na determinação da estabilidade empregando o princípio do corte em compressão semiconfinada. em relação aos agregados. O teor de asfalto deve ser progressivamente aumentado de modo a preencher os vazios de ar até que os espaços vazios do agregado mineral estejam cheios ao máximo permitido. sobre 100% da mistura de agregados. a porcentagem de vazios da mistura. Conhecidos os materiais e estando de acordo com as especificações. Suponhamos também que a porcentagem encontrada para o asfalto seja 6%. em relação à mistura ou através da porcentagem de asfalto. Triaxial. A medida que se varia o teor de ligante. ou seja. Hubbard Field. Hveem. O teor ótimo de ligante pode ser expresso através da porcentagem de asfalto. os limites especificados para os vários parâmetros de interesse. O teor ótimo de ligante será aquele que satisfizer. Este processo é utilizado tanto para projeto de misturas como para controle de campo. a porcentagem de vazios dos agregados e a granulometria. a relação betume-vazios também sofre variação. Os organismos rodoviários brasileiros (DNER.

pode trincar. ondulação à pista. sem capacidade de mover-se.77% 6% / 106% = 5.32 c) Determinação dos parâmetros de interesse e das características Marshall da mistura No ensaio Marshall o principal aspecto de interesse é a análise de fatores como densidade. estabilidade e fluência. 178 .d). Após a confecção dos corpos de prova podem ser calculados os seguintes parâmetros: Densidade Real e Aparente (D. devido às cargas horizontais.66% 100% Ex. pois ao sofrer ação de elevado carregamento. Entende-se por estabilidade como sendo a grandeza que mede a resistência da massa asfáltica à aplicação de carga. Porcentagem dos Vazios do agregado Mineral (%VAM) e Relação Betume-Vazios (RBV). pois sendo o concreto asfáltico uma camada de rolamento. Os corpos de prova têm a forma cilíndrica.35 cm de altura e são compactados através de soquete que age sobre a mistura em um cilindro padronizado. As proporções de agregados e filer são definidas previamente através de estudo específico. É a medida da elasticidade da massa. Geraldo Luciano de Oliveira Marques Brita: 65% Areia: 31% Cimento: 4% 100% Asfalto: 6% 106% 65% / 106% = 61. o maior esforço solicitante é dado pela ação do tráfego. Se uma massa asfáltica “andar” muito. acarretará esmagamento da mistura e em consequência. os corpos de prova são aquecidos até atingirem 60º e submetidos aos ensaios de Estabilidade e Fluência Marshall.: 65 106 x 100 → x = 100 x 65 106 x = 61.25% 4% / 106% = 3. É inconveniente também que a massa asfáltica “ande” pouco. apresentando aproximadamente 10 cm de diâmetro e 6. que é de cisalhamento.32% 31% / 106% = 29.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . Normalmente é expresso em Kg. A fluência é a medida do quanto a massa asfáltica pode “andar” (esmagar. A determinação da Resistência à Tração e do Módulo de Resiliência do concreto asfáltico será vista no capítulo 10.Pavimentação – Prof. vazios. São moldados Corpos de Prova com teores crescentes de asfalto (4 a 8%). O ensaio de estabilidade Marshall é feito por cisalhamento e não por compressão. Feitos estes cálculos iniciais. deformar) sob ação cisalhante sem se romper. Determina a carga máxima que a massa asfáltica pode suportar. Porcentagem de Vazios (%vv).

Pavimentação – Prof. Geraldo Luciano de Oliveira Marques d) Especificações do DNIT (DNIT-ES 031/2006) Granulometria Características específicas 179 .Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .

Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .Pavimentação – Prof. Geraldo Luciano de Oliveira Marques Vazios do Agregado Mineral e) Curvas de projeto de misturas de concreto asfáltico pelo método Marshall Porcentagem de vazios (%Vv) Vv (%) t4 Relação betume-vazios (RBV) RBV (%) teor de asfalto (%) t5 teor de asfalto (%) 180 .

Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . Geraldo Luciano de Oliveira Marques Densidade aparente (d) d (Kg /m3) t3 teor de asfalto (%) Porcentagem de vazios do agregado Mineral (% VAM) VAM (%) t6 Estabilidade Marshall (E) E (Kgf) teor de asfalto (%) t1 Fluência (f) f (mm) ou 1/100” teor de asfalto (%) t2 teor de asfalto (%) 181 .Pavimentação – Prof.

Para o CBUQ esta variação é normalmente de ± 0.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . O produto final deverá atender as seguintes especificações: Emim = 350 Kgf (75 golpes) f = 2 a 4. foram moldados os corpos de prova para 5 teores diferentes de asfalto e os valores médios determinados para os parâmetros físicos de interesse se encontram no quadro a seguir: 182 .3%. A mistura de agregados ficou enquadrada na faixa “C” do DNER e o asfalto utilizado foi um CAP 85/100 (densidade de 1.031 g/cm3). uma nova mistura deverá ser adotada.Pavimentação – Prof. Quando uma determinação apresentar um valor muito discrepante em relação às outras duas. Geraldo Luciano de Oliveira Marques Para o traçado dos gráficos é considerada a média de três determinações para cada parâmetro. pode-se tomar a média apenas destas duas. g) Exemplo numérico Determinar o teor ótimo de asfalto para um CBUQ que esta sendo dosado pelo método Marshall. f) Determinação do teor ótimo de ligante O teor ótimo de ligante é adotado como sendo o valor médio dos seguintes teores de asfalto: a) Porcentagem de asfalto correspondente à máxima Estabilidade b) Porcentagem de asfalto correspondente à máxima Densidade Aparente c) Porcentagem de asfalto correspondente à média dos limites estabelecidos nas especificações para a Porcentagem de Vazios d) Porcentagem de asfalto correspondente à média dos limites estabelecidos nas especificações para a Relação Betume-Vazios Teor Ótimo de Asfalto = t1 + t3 + t4 + t5 4 Observações: 1) Após a definição do teor ótimo de asfalto deve -se estabelecer uma faixa de trabalho para este valor.5 mm %Vv = 3 a 5 % RBV = 75 a 82 % Depois de feita uma previsão inicial para o teor ótimo de asfalto. 2) O teor ótimo de ligante assim determinado deve ser conferido em todas as curvas traçadas. e caso não satisfaça alguns dos limites impostos pelas especificações.

5 Solução E (Kgf) 400 550 800 800 600 f (mm) 2.59 16.40 2.5 6 6. Geraldo Luciano de Oliveira Marques CAP (%) 4. O ensaio (em linhas gerais) segue os seguintes passos: 183 .43 62.63 RBV (%) 52.30 D (g/cm3) 2.27 2.17 2.2 3.43 2.38 2.3 d (g/cm3) 2.73 17.52 2.Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .25 2.9 4.91 6.35 Vv (%) 8.58 4.30 2.6 3.13 VAM (%) 18.27 87.32 2.Pavimentação – Prof.5 5 5.43 16.8 – O Ensaio Marshall para misturas asfálticas Este método de ensaio fixa o modo pelo qual se determina a estabilidade e a fluência de misturas betuminosas a quente utilizando-se o aparelho Marshall.59 74.02 16.47 2.0 2.19 a) Curvas de projeto para os 5 teores estudados: E d teor de asfalto teor de asfalto Vv RBV teor de asfalto teor de asfalto 9.62 84.

secados e colocados no molde de compressão. 184 .A aplicação do carregamento se dá pela elevação do êmbolo.O molde com o corpo de prova (semiconfinamento) é levado à prensa Marshall e adaptado o medidor de fluência. . . -Promover 50 golpes com soquete padronizado (para pressão de pneus até 7 Kg/cm2) ou 75 golpes com o mesmo soquete (para pressão de pneus de 7 a 15 Kg/cm2).Aquecer o ligante até a temperatura que conduza a uma viscosidade Saybolt de 85 ± 10 seg. .Aquecer os agregados até uma temperatura de 28º C acima da temperatura do ligante. -A mistura é colocada no molde e são dados 15 golpes com espátula na periferia da amostra e 10 no centro. . b) Determinação da estabilidade e fluência . .Pavimentação – Prof.Controle do teor ótimo de ligante e granulometria Durante a confecção e execução de uma mistura betuminosa surge a necessidade e a obrigação de se controlar alguns parâmetros principais que foram definidos durante o processo de dosagem. .72cm.Secar os agregados em estufa (105 a 110º C) e separá-los em frações . -O soquete pesa 4540g e a altura de queda é de 45.35 ± 0. A velocidade de aplicação de carga promovida pela prensa é de 5 cm/min.Compactar a mistura (a quente) no molde: -A temperatura de compactação deverá ser aquela correspondente a uma viscosidade Saybolt de 140 ± 15 seg.13cm.Durante o processo de carregamento e ruptura do corpo de prova são feitas as seguintes leituras: Carga de ruptura no anel dinamomêtrico (em Kgf) ⇒ Estabilidade Marshall Diferença de leitura de deformação no medidor de fluência ⇒ Fluência 9.O corpo de prova é então retirado do molde e colocado em repouso à temperatura ambiente.Os corpos de prova já confeccionados são imersos em água a 60º C. . .9 .Pesar aproximadamente 1200 g de agregados a serem usados. Geraldo Luciano de Oliveira Marques a) Moldagem de 3 corpos de prova para cada teor estudado .Após 30 a 40 minutos os corpos de prova são retirados da água.Misturar agregados e ligantes .Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 . -O molde de compactação (anel) é invertido e é repetido o mesmo número de golpes na outra face do corpo de prova. -O corpo de prova deve ter as seguintes medidas: φ ± 10cm e h = 6.

. a uma velocidade gradativa. . . . . Geraldo Luciano de Oliveira Marques Para isto. dependendo do objetivo do controle. o aparelho é paralisado e adicionado uma nova porção de solvente (150ml) sobre a mistura no interior do prato.Pavimentação – Prof.Após esta primeira fase. .Universidade Federal de Juiz de Fora Faculdade de Engenharia – Departamento de Transporte s e Geotecnia TRN 032 .Coleta da mistura betuminosa (± 1000 g).Aplicar movimento rotativo no prato centrifugador. realizado por meio de um extrator centrífugo conhecido por Rotarex.Pesar a amostra (1000 g) e colocar dentro do extrator de betume junto com papel filtro. O ensaio (em linhas gerais) segue a seguinte sequência: .Colocar a amostra em estufa por um período de uma hora (100 a 120º C) .A diferença de peso da amostra antes e após o ensaio indica o peso do betume (asfalto) extraído. .Após o último ciclo de centrifugação o prato com o material que sobrou (agregados) é levado para estufa (80 a 100º C) para secagem e eliminação do solvente ainda presente nos agregados.Depois de seco o agregado é pesado.Verter no interior do extrator 150ml de solvente (Tetracloreto de carbono CCl4 ou bissulfeto de carbono ) e deixar e m repouso por 15min. . até que a solução de betume e solvente venha escoar-se pelo tubo lateral.O agregado recuperado (restante) é submetido a um ensaio de granulometria para verificação e conferência da faixa granulométrica empregada. 185 . Após esta separação pode-se conferir a proporção de agregados e a proporção de asfalto da mistura e confrontar estes resultados com os de projeto.Estas operações são repetidas até que o solvente saia completamente limpo no tubo lateral. .Colocar um Becker sob o tubo lateral de escoamento. Esta coleta pode ser feita na usina de fabricação da mistura ou no próprio local de aplicação.O cálculo da porcentagem de betume (teor de betume) é dado pela seguinte expressão: P = Peso do betume extraído x 100 Peso da amostra total . que promoverá a separação da parte granular da parte ligante de uma amostra da mistura em questão. . normalmente é utilizado um ensaio específico.

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