P. 1
Apocalipse (Barclay)

Apocalipse (Barclay)

|Views: 5.296|Likes:
Publicado porpedrollaet

More info:

Published by: pedrollaet on Mar 11, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/02/2013

pdf

text

original

Há três coisas, nesta seção, que devem destacar-se.
(1) Aqui temos a pergunta eterna dos justos que sofrem: "Até
quando?" Foi o lamento e a pergunta do salmista: Até quando se
permitirá aos pagãos afligir e oprimir e perseguir os justos de Deus? Até
quando se permitirá que os pagãos torturem aos crentes perguntando-lhes
onde está Deus e o que está fazendo? (Salmo 79:5-10). Deve lembrar-se
que quando os crentes se faziam estas perguntas, estavam confundidos
pela aparente inatividade de Deus, mas não duvidavam que Deus
finalmente agiria e reivindicaria o justo.
(2) Aqui temos, além disso, uma imagem que é muito facilmente
criticável. Os justos queriam ver com seus próprios olhos o castigo dos
iníquos. Uma das coisas que pode ser difícil de aceitarmos é que parte da
alegria do céu possa ser contemplar os sofrimentos dos condenados no
inferno. Na Assunção de Moisés um autor judeu (10:10) ouve a seguinte
promessa, proveniente de Deus:

E olharás do alto e verás os teus inimigos no Geena.
E os reconhecerás e te alegrarás.

E dará graças a teu Criador e confessarás o seu nome.

Anos mais tarde Tertuliano (Sobre os espetáculos, 30) escarnecia-se
dos pagãos e de seu amor pelos espetáculos dizendo que os cristãos
desfrutariam de um espetáculo superior quando chegassem ao céu e
vissem seus perseguidores pagãos retorcendo-se de dor no inferno.

Vocês gostam de presenciar espetáculo; esperem e então verão o
maior de todos os espetáculos, o juízo final e eterno do universo, Como me
admirarei, como rirei e me alegrarei, quando vir a tantos monarcas

Apocalipse (William Barclay)

231

orgulhosos, que pretendem ser deuses, gemendo nos abismos mais
profundos das trevas; e a outros tantos magistrados que perseguiram o
Nome do Senhor, derretendo-se em chamas muito mais potentes que as
chamas com que eles queimaram os cristãos; e a outros tantos eruditos
confundidos, avermelhando o calor do fogo, junto com seus confundidos
alunos; e a outros tantos poetas tremendo perante o tribunal, não de Minos,
mas de Cristo; e a outros tantos comediantes, representando seu melhor
papel de dor, ao ser este real em suas próprias carnes; e a outros tantos
bailarinos, contorcendo-se no suplício eterno!

É muito fácil escandalizar-se pelo espírito de vingança que animava
a alguém capaz de escrever estas coisas. Mas devemos lembrar as coisas
que estes homens tiveram que suportar. Devemos lembrar a agonia das
piras crematórias, a arena das feras selvagens e famintas, os
refinamentos de sádica tortura que sofreram. É muito fácil para uma
geração de crentes que nunca precisou resistir até a morte, opinar que
tais expressões estão fora de lugar nos lábios de um cristão. Somente
teremos o direito de criticá-los no dia que nós também tenhamos que
atravessar pela mesma agonia.
(3) Por outro lado, aqui encontramos outra idéia judia. Os mártires
devem descansar em paz durante um pouco mais de tempo, até que seja
completado o número dos que devem sofrer o martírio. Os judeus
sustentavam que o drama da história deve desenvolver-se íntegro antes
que sobrevenha o fim. Deus não moverá um dedo até que não se cumpra
a cifra por Ele mesmo determinada de martírios (4 Esdras 4:36). Há uma
certa quantidade de justos que devem ser oferecidos em sacrifício
(Enoque 47:4). O Messias não virá até que tenham nascido todas as
almas que devem nascer. A mesma idéia encontra eco na oração fúnebre
do Livro de Oração Comum, da Igreja Anglicana, na parte que diz:
"Apraza-te completar logo o número de teus escolhidos, para que se
cumpra, então, a vinda de seu Reino". A noção é curiosa. Mas atrás dela
está a idéia de que toda a história está nas mãos de Deus, e que nela e

Apocalipse (William Barclay)

232
através dela Deus está realizando seus desígnios, até a culminação de
todo o processo com o cumprimento de seu plano de amor e salvação.

A COMOÇÃO UNIVERSAL

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->